A Evolução do Ensino de Geografia no Brasil http://www.webartigos.

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O desenvolvimento da Geografia enquanto ciência deu-se a partir da segunda metade do século XIX, com as colaborações dos alemães Ratzel, Ritter e Humboldt e dos franceses Eliseé Reclus e Vidal de La Blache, a escola alemã era fundamentada, por um lado, na corrente filosófica determinista que defendia a subserviência do homem sobre o meio. Por outro lado, a escola francesa estava baseada no possibilismo em contraposição aos ideais alemães.Houve a divergência na instituição da Geografia como ciência, uma vez que havia os que a defendiam como ciência do Homem ou da sociedade e os que tratavam como uma ciência dos lugares.No início do século XX, o ensino de Geografia só era realidade nas escolas brasileiras de nível secundário, ou seja, não havia conquistado espaço no âmbito acadêmico. Nas Universidades, a Geografia ingressou-se nos currículos a partir da década de 30, sendo a USP Universidade do Estado de São Paulo a pioneira a integrá-la nos cursos de administração e finanças.A sociedade tem passado por diversas mudanças, sejam elas econômicas, sociais, culturais ou políticas, refletindo significativamente na Educação, assim, dentro deste contexto, encontra-se o ensino de Geografia, que também é atingido por essas transformações, pois procura atender às necessidades das mais variadas camadas da sociedade, refletindo à respeito de conteúdos e métodos de ensino. Segundo Cavalcanti,Particularmente, a Geografia escolar tem procurado pensar o seu papel nessa sociedade em mudança, indicando novos conteúdos, reafirmando outros, reatualizando alguns outros, questionando métodos convencionais, postulando novos métodos. (2002. p. 11).O Movimento de Renovação da Geografia no final da década de 1970 é considerado como marco inicial no Brasil, das inovações nos processos metodológicos da Geografia escolar. Mesmo com tais reformas não houve o avanço significativo que se esperava no ensino da Geografia. É fundamental, dentro do ensino de Geografia, como nos demais, reflexões sobre aspectos fundamentais do próprio ensino: objetivos, conteúdos e métodos.No decorrer das últimas décadas surge a necessidade de inovação nas abordagens feitas pela Geografia, uma vez que estas eram realizadas priorizando-se apenas os aspectos descritivos. Neste âmbito, o ensino de Geografia tem como papel fundamental o de estudar a questão da localização, porém se preocupando em entender profundamente o lugar, questionando à respeito do significado do mesmo e das suas múltiplas relações.Surge então a necessidade de se trabalhar com a cartografia, pois os seus elementos permitem uma compreensão maior no que diz respeito à localização. Como afirma Cavalcanti (2002), As habilidades de orientação, de localização, de representação cartográfica e de leitura de mapas desenvolvem-se ao longo da formação dos alunos. [&] Os conteúdos de cartografia ajudam a abordar os temas geográficos [&] . (p. 16).Observa-se que a Geografia deve ter como preocupação em seu ensino, abordagens referentes à vida urbana e os seus mais variados aspectos, à questão do meio ambiente que permite formar nos alunos valores e atitudes. Tal tema é considerado pelos PCN s (Parâmetros Curriculares Nacionais) como transversal por causa da sua análise interdisciplinar, sendo que esta se evidencia a partir do momento que o tema meio ambiente é observado no conjunto das disciplinas e na colaboração que cada uma delas oferece para o mesmo.O principal foco do objeto de estudo da Geografia é o espaço geográfico, pois trata-se de nossa realidade resultante de nossas ações e para que isso aconteça é necessário que as pessoas desenvolvam

para que no seu entendimento e esclarecimento possa surgir um inconformismo e. O estudo realizado nessa perspectiva não leva o aluno a lugar algum. a formação do professor. é . o lugar não se explica sozinho. A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DO MUNICÍPIO NAS SÉRIES INICIAIS O estudo de geografia dá margem a se fazer a leitura do mundo. a ação humana. deve ser encarado com rigor. que fragmenta a realidade. cheio de preconceitos. em primeiro momento. Portanto. mas não de forma fragmentada.uma percepção de espacialidade. necessariamente. Neste contexto a escola tem o papel de trabalhar esse conhecimento. Segundo Callai (1988)O importante. uma outra possibilidade para a condição da existência humana. ele tem que viver este conteúdo.O ensino de Geografia enfrenta muitas dificuldades e. principalmente para os professores. entender não apenas o produto. o aluno só compreenderá o conteúdo a partir do momento em que ele faça parte desse assunto. Assim. pois esse contribuirá bastante nos estudos em sala de aula.A Geografia passa a dar ênfase ao conhecimento prévio do aluno e a considerá-lo como sujeito ativo do processo de ensino-aprendizagem. Supõe discutir as formas como se expressam. para que possa estabelecer conexões com níveis mais elevados. alguns avanços. 78). neste processo. que é um conteúdo de grande valor para se aprender tal temática. Straforini (2005) aponta queO papel da Educação. mas. E conhecer a realidade vai além de identificar o que existe. inclusive. Esse é sempre um conhecimento parcelado. acima de tudo. permitindo a articulação teoria-prática. estático. de folclore. é de fundamental importância a execução de atividades num espaço e num tempo próximo a eles e é aí que surge a necessidade de se estudar o município.Os educadores precisam reconhecer a realidade dos alunos. (p. dar atenção a forma de como o conteúdo é trabalhado e como é desenvolvido. Deve-se primeiro. o professor precisa considerar o conhecimento prévio do aluno. também. respondendo perguntas referentes ao espaço em que eles estão inseridos. próximo a eles. fornecendo subsídio para sua auto-formação. sociais e intelectuais do aluno. Deve-se ainda. é preciso buscar explicações em nível estadual. permitindo aos alunos compreender as relações dos homens com a sociedade. necessitando de pesquisas e. deve proporcionar a construção de conceitos que possibilitem ao aluno compreender o seu presente e pensar o futuro através do inconformismo com o presente.Segundo Helena Copetti Callai. carregado de crendices. como se apresenta a realidade. E esses alunos das séries iniciais devem. propiciando o acompanhamento das transformações recentes. mas é a idéia que ele faz da realidade. próximo a ele e não distante da vivência dele. (p.A geografia. Mas esse presente não pode ser visto como algo parado. isto é. a sociedade. crítica e voltada para o desenvolvimento da autonomia de pensamento e ação. De acordo com Straforini. 56). (2005. sendo este concreto.É importante ressaltar. e dentro dessa. p. que devem ter uma formação mais consistente. o do ensino de Geografia é trazer à tona as condições necessárias para a evidenciação das contradições da sociedade a partir do espaço. pois é esse que fará com que os estudantes passem a conhecer o mundo a sua volta. os processos que o desencadeiam. é conhecer a realidade em que se vive. faz-se necessário considerar o conhecimento do aluno. Partindo desse pressuposto. mas sim em constante movimento. ou seja. Assim. 50). estudar sua área. basicamente. nacional e internacional. compreender o meio em que vive. a partir daí. E para que esses possam praticar seus conhecimentos acerca do seu ambiente. procurando saber como o aluno vive e o meio em que se encontra.Ao se estudar a Geografia. pois se o mesmo é responsável pela mediação do saber que interfere nos processos afetivos. haja vista que esse processo de formação do professor tem com objetivo o desenvolvimento do pensamento autônomo. investimentos.

Ao se trabalhar o município em sala. como é o cotidiano do homem no seu ambiente. o que houve foi a perpetuação da valorização do conteúdo. Porém a implantação da Geografia Crítica nas escolas se deu de cima para baixo .Segundo Kaercher (1997) a Geografia Crítica não chegou às escolas. O ENSINO DE GEOGRAFIA CRÍTICA NO BRASIL A Geografia Crítica. Por fim. consequentemente. terá muito mais sucesso de ter uma aprendizagem mais lógica. Straforini (2005) é claro: [&] a implantação da Geografia Crítica nas escolas públicas se deu de forma verticalizada. saber como ele influencia o meio em que vive. porém.necessário saber como o homem atua em sociedade. portanto. Alguns autores acreditam que o Ensino de Geografia seja fundamental para que as novas gerações possam acompanhar e compreender as transformações do mundo. ou seja. tais como: se reconhecer como cidadãos e estudando algo concreto. o conhecimento é concebido como uma informação que é aprendida unicamente pela memorização. p. ou chegou pouco e continua reproduzindo verdades cristalizadas. se preocupa com a compreensão das relações da sociedade e espaço. Vale salientar que a Escola Tradicional é caracterizada como um local de transmissão do conhecimento. Sendo assim. pois possibilita o acompanhamento do mundo e suas transformações. Permitindo. Kaercher adverte que compreender a geografia é essencial. O autor ainda afirma que o problema do descrédito do ensino de Geografia não está no seu conteúdo. nascida no final do século XIX e difundida no Brasil na década de 70. A mesma tem como ponto de partida o modo pelo qual o homem se adapta a natureza e a transforma. o que implicou em um embate com a classe dominante capitalista. Para muitos professores a Geografia Crítica foi apresentada através do livro didático. Assim. funcionários da Educação. porém não é o bastante. E assim. conscientes e atuantes. o aluno poderá fazer uma leitura mais detalhada do mundo em que vive. o estudo do município nas séries iniciais para formação do aluno é muito importante.Para Kaercher (2002). Callai salienta queO estudo do município permite que o aluno constate a organização do espaço. é um problema em sua formação. 61). confrontando-se inclusive com interesses locais e da população que ali vive. . 1997. é evidente que ações pensadas e praticadas pelos professores. enfim. o ensino continuou sendo realizado de forma fragmentada não considerando a realidade. é perceptível algumas vantagens que proporcionarão benefícios aos alunos. a geografia assume um papel de destaque na escola. as ações que ele provoca. Acreditava-se que para ensiná-la bastava abordar criticamente o assunto. Por tratar de assuntos polêmicos e políticos. O que existe são ações arquitetadas por burocratas ou altos funcionários dos poderes administrativos de forma autoritária. perceber a organização desse espaço estudando. (KAERCHER. 79). teve como missão colocar a sociedade no patamar que a mesma possa participar das transformações sociais. que possa perceber nele a influência e/ou interferência dos vários segmentos da sociedade. ou seja.Neste contexto. Isto é:[&] a Geografia pode ser um instrumento valioso para elevarmos a criticidade de nossos alunos. houve apenas a substituição de conteúdos neutros e descontextualizados por conteúdos pretensamente críticos.Por conseguinte. p. (1988. a Geografia pode gerar um sem número limite quebrando-se assim a tendência secular de nossa escola como algo tedioso e desligado do cotidiano. haja vista que o ensino se dá de forma fragmentada o que impede a formação de cidadãos responsáveis. dos interesses políticos econômicos ali existentes e também de decisões externas ao município. alunos e comunidade são impedidas. mas sim na concepção do conhecimento e na metodologia de seus professores. sem sua construção e aprofundamentos entre os professores de Geografia . sendo que é preciso ter como base a escrita e a leitura. ou seja. a totalidade mundo.

Hoje. A. Ariovaldo Umbelino. Ijuí: Livraria Unijuí Editora. 2005 . nas denominações de capitais. Paulo. O estudo do município e o ensino de história e geografia. Milton (org. Maria Encarnação Beltrão. CONSIDERAÇÕES FINAIS Observa-se. Paulo. Antropologia. por isso deve ser repensado e valorizado.). atualmente.). A interdisciplinaridade pode ser uma alternativa para podermos pensar a Educação num sentido mais amplo. Manuel Correia de. etc. In: SANTOS. Neiva Otero. Nestor André. mas sim como dinâmica. a metodologia usada. O estudo do município ou a geografia nas séries iniciais. São Paulo: Hucitec. São Paulo: Contexto. 2002. Geografia em sala de aula práticas e reflexões. In: FREIRE. pois antigamente quando se falava em Geografia pensava-se logo nos mapas.KAERCHER. Lana de Souza. oferecendo ao indivíduo a possibilidade de inovar a cada dia o seu conhecimento. In: CALLAI. O pensamento geográfico e a realidade brasileira.O ensino de Geografia é tão interessante quanto os outros (História. In: CAVALCANTI. compreende-se que memorizar conteúdos para reproduzi-los fielmente logo em seguida.].] (orgs. In: CARLOS. Goiânia: Alternativa. Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino de Geografia: pontos e contrapontos para uma análise. al. 1999. [et. [et. Teorias e práticas docentes.FREIRE. Professora sim. BIBLIOGRAFIAS ANDRADE. Geografia em Perspectiva. ZARTH. Sônia. 2002. Sociologia.STRAFORINI.Mesmo a Geografia Crítica não tendo chegado de forma satisfatória à todas as escolas. Rafael. P. para aplicar os conteúdos em sala de aula tem passado por diversas mudanças. Ana Fani. Helena COpetti. Helena Copetti. para que as futuras gerações possam ter uma visão diferente do mesmo. O gato comeu a Geografia Crítica? Alguns obstáculos a superar no ensino-aprendizagem.). 1999. al. Crise na Geografia escolar? In: CASTELLAR. pois ao contrário estaríamos reproduzindo a fragmentação do conhecimento. 1988. Neiva Otero. Contexto concreto-contexto teórico.CAVALCANTI. São Paulo: Olho d Água. Educação Geográfica. nas áreas territoriais e altitudes. uma vez que tal ciência não pode ser vista como descritiva e estática. de ensino fundamental e médio. Geografia e Práticas de Ensino. Parâmetros Curriculares e Geografia. é uma atitude totalmente insuficiente para ampliar-se o conhecimento. estados. 12 ed. 2 ed. 1982. In: PONTUSCHKA. não compete a Geografia o papel transformador da sociedade. 2002. São Paulo: Contexto. que o ensino de Geografia está em constantes transformações. Ariovaldo Umbelino de. A Geografia no ensino médio. tia não: cartas para quem ousa ensinar. OLIVEIRA.CALLAI.uma vez que faz-se mister saber ensiná-la. São Paulo: Contexto. Reformas no mundo de educação.SPOSITO.Contudo.SCHÄFFER. & OLIVEIRA. onde tudo era decorado. nos rios. governantes. Nídia Nacib. sendo que todos esses itens eram trabalhados de maneira descritiva. In: SCHÄFFER. Porto Alegre: Editora da Universidade/UFRFS/Associação dos Geógrafos Brasileiros Seção Porto Alegre. Concepções teóricas e elementos da prática de ensino de geografia. Novos rumos da Geografia brasileira. Lana de Souza.

O quadro de professores era formado por docentes de tendências tradicionais. especialmente no processo de ensino-aprendizagem. Essa iniciativa do Governo Militar visava coibir o surgimento de movimentos. Yves Lacoste publicou sua obra Geografia do Subdesenvolvimento. pois o curso foi implantado na Universidade de São Paulo. uma das mudanças de maior relevância no Brasil aconteceu em 1998. No final da década de 70. a Geografia foi implantada como disciplina escolar obrigatória pela primeira vez no Brasil. com o lançamento oficial dos objetivos da Geografia. fato que aconteceu no Colégio Pedro II (Rio de Janeiro). Doze anos mais tarde. influência da escola francesa. A partir desse fato teve início as primeiras propostas oriundas das idéias da Geografia crítica no Brasil. Em 1993. Em 1934. Milton Santos.O ensino da Geografia no Brasil ao longo da história http://educador. após a publicação de uma pesquisa em que ficou comprovado o baixo nível de conhecimento acerca da Geografia. a Geografia e a História foram unificadas em uma única disciplina. Nos anos 70.htm A trajetória da Geografia como ciência escolar teve início ainda no século XIX. Nesse trabalho o principal foco era a abordagem do Brasil de maneira regionalizada. A principal característica desse momento era a disseminação da idéia de se conhecer os aspectos naturais regionais. Em 1837. em 1978. O principal objetivo de instituir tal ciência era a capacitação política de uma camada da elite brasileira que pretendia se inserir nos cargos políticos e nas demais atividades relacionadas. No ano de 1966. Por volta do ano de 1900. Este trabalho despertava a importância da realização de estudos direcionados às relações sociais e seus problemas. período no qual o país vivenciou uma ditadura militar.com/orientacoes/o-ensino-geografia-no-brasil-ao-longohistoria. foi aberto no Brasil debates e discussões sobre as perspectivas da ciência para o século XXI. com o intuito de criar no estudante um sentimento de patriotismo. E por fim. foi lançado o livro Compêndio de Geografia Elementar (de Manuel Said Ali Ida). a Geografia chegou às instituições universitárias. apoiados na idéia de que a Geografia e a História figuravam como uma ameaça política. Cinco anos mais tarde. a ciência se consolidou nas escolas de praticamente todo o território brasileiro. o núcleo de Pesquisa Sobre Espaço e Cultura da Universidade Estadual do Rio de Janeiro foi inaugurado. em 1905.brasilescola. o maior geógrafo brasileiro. com intuito de conhecer melhor os aspectos regionais do país. denominada de Estudos Sociais. lançou uma obra intitulada de Por uma Geografia Nova. que .

Por Eduardo de Freitas Graduado em Geografia Equipe Brasil Escola .afirma que os educandos necessitam conhecer e compreender as relações entre a sociedade e também a dinâmica da natureza e suas paisagens.

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