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O DEVER DO ADVOGADO

Tainan Matos Déda Osvaldina Karine Santana Borges[1]

RESUMO

Este trabalho propõe-se a fazer uma análise a respeito da ética e dever profissional do advogado, tomando como ponto de referência a obra O DEVER DO ADVOGADO, cujo autor é Rui Barbosa, demonstrando, outrossim, os direitos e deveres do advogado ressaltados na carta de Rui Barbosa, os quais foram recepcionados pelo código de ética e disciplina da OAB, bem como o direito de o acusado ter um defensor, resguardado na Constituição Federal, por meio do princípio da ampla defesa.

PALAVRAS-CHAVE:Advogado; dever; direito; ética; acusado;

  • 1 INTRODUÇÃO

O estudo da obra parte do prefácio de Evaristo de Morais Filho, onde relata que o advogado provisionado (ou rábula) Evaristo de Morais Filho, pretendia defender o médico Mendes Tavares, acusado de ser mandante de um crime passional que, à época, foi motivo de escândalo divulgado em toda a imprensa, sendo ele aliado político do militarista Marechal Hermes da Fonseca, na campanha presidencialista de 1910, que teve como opositor o civilista Rui Barbosa, o qual era apoiado por Evaristo. Na época, em razão da briga pela Presidência da República existente entre os militaristas e os civilistas, surgiram várias objeções por parte destes últimos, para que Evaristo não patrocinasse defesa do opositor Mendes Tavares, indeciso com esta situação, e devido a reverência intelectual que se devia a Rui, Evaristo escreveu-o uma carta, fazendo uma consulta a respeito da situação, a qual fora respondida com outra carta, e estas servirão de base para a nossa análise da ética e dever do advogado.

  • 2 CONSULTA DE EVARISTO DE MORAES

No dia 18 de outubro de 1911 Evaristo remeteu a carta para Rui, mestre do civilismo e da advocacia, a qual fora recebida apenas dia 20 do respectivo mês. Em resumo, o que continha nessa carta era a solicitação de uma solução para

o desencargo da sua consciência, sobre o patrocínio da causa. Alegando, inclusive, o fato de o acusado ter sido seu colega de escola durante quatro anos, e também a recusa por parte de outros advogados em defendê-lo, chegando até a ser considerado pela opinião pública como acusado indigno de defesa.

Para finalizar a carta, Evaristo faz a pergunta: “

...

sem

a menor quebra dos

laços que me prendem a bandeira do civilismo, cometo uma incorreção partidária?”.

  • 3 CARTA DE RUI BARBOSA

Em resposta a carta enviada por Evaristo em 26 daquele mês, em que pese o posicionamento contrário ao acusado, demonstrando-lhe repugnância, Rui responde de forma favorável ao patrocínio da defesa de Mendes Tavares.

Ressaltava que o advogado deve se utilizar da lei para proteger o acusado, combatendo a acusação, reivindicando a lealdade às garantias legais, a equidade, a imparcialidade e a humanidade do julgamento. Quanto ao fato de o acusado ser adversário político, Rui afirma que isso não deve ser levado em consideração, pois ele, várias vezes socorreu aos inimigos sem que eles nem solicitassem o seu apoio, por considerar que acima de tudo está a justiça, e que perante ela não deve existir diferença entre amigos e inimigos. Não existe causa indigna de defesa no âmbito criminal, mesmo aquelas em que o crime é nefasto, ou quando o advogado souber que o acusado é culpado, ele tem o dever de defender, e até quando considerá-la impossível de ser defendida, pois assim estaria tentando ocupar a função do juiz ou dos jurados nos casos de crimes dolosos contra a vida, para fundamentar o seu entendimento a respeito dessa necessidade de defesa, Rui cita os ensinamentos de célebres operadores do direito.

  • 4 RESPEITOSAS OBSERVAÇÕES DE EVARISTO DE MORAIS

Após a resposta dada por Rui, Evaristo publica algumas observações sobre o crime. Elas são pautadas na demonstração da inexistência de provas, que comprovassem todos os fatos divulgados pela imprensa, os quais serviram de base para que Rui afirmasse que a tarefa da defesa seria árdua. Ao final, demonstra convicção de que o pré-julgamento feito por Rui, e pela impressa, bem como as provas inexistentes criadas por esta, serão desfeitas para que seja conquistada a justiça. O que foi alcançado posteriormente com a absolvição de Mendes de Tavares.

  • 5 A ÉTICA E O DEVER DO ADVOGADO

Em uma análise ao Estatuto da OAB, relacionando com a carta de Rui Barbosa, em especial no momento em que ele afirma que Evaristo, ao aceitar o patrocínio da causa, estará indo ao encontro da impopularidade, e que independente dessa situação o apoiou na defesa do acusado, conclui-se que os ensinamentos do grande jurista foram recepcionados no artigo §2°, artigo 31, do referido estatuto.

Art. 31. O advogado deve proceder de forma que o torne merecedor de respeito e que contribua para o prestigio da classe e da advocacia. §2°Nenhum receio de desagradar a magistrado ou a

qualquer autoridade,

nem de incorrer em impopularidade

, deve deter o advogado no exercício da profissão (grifo nosso).

Em seu artigo 33, o estatuto estabelece que o advogado deve cumprir os deveres dispostos no Código de Ética, e logo abaixo, no parágrafo único do referido artigo dispõe de forma genérica, e não exauriente, os deveres do advogado, dentre eles está a recusa do patrocínio, assistência jurídica, publicidade, pontos que foram muito debatidos na obra. No que diz respeito a recusa no patrocínio da causa, como foi um dos pontos principais da obra, faz-se imperioso ressaltar que o advogado somente deve recusá-la quando a causa for imoral ou contrária a ética, de acordo com o que dispõe o Código de Ética e disciplina da OAB, em seu artigo 20.

Em seu artigo seguinte, o Código de Ética estabelece que "é direito e dever do advogado assumir a defesa criminal, sem considerar sua própria opinião sobre a culpa do acusado", em que pese posicionamentos contrários, alegando inclusive a impossibilidadede o advogado se recusar a defender um acusado por razões de consciência, me filio ao entendimento que ele pode recusar o patrocínio, desde que tenha justa causa. Ainda, no citado artigo, é estabelecido que o advogado não deve levar em consideração sua opinião a respeito na culpa do acusado, pois o seu papel é apenas alegar o que for favorável ao seu cliente, com a finalidade de equilibrar o processo. Além desses deveres já ressaltados, o advogado tem outros no exercício da sua profissão, considerados pela doutrina, que podem ser separados em: deveres pessoais; deveres para com os tribunais; deveres para com os colegas, e deveres para com os clientes. Como exemplo de deveres pessoais é possível citar a lealdade, a probidade, a delicadeza no trato, e a dignidade da conduta. Nos deveres para com os tribunais, tem-se a atitude digna e respeitosa, o respeito à verdade e à lei, o respeito aos prazos legais e judiciais, e a pontualidade. Os deveres para com os colegas são: a cordialidade, disciplina ética, o respeito e a colaboração. E, por fim, são deveres do advogado para com os clientes: a dedicação, a relação direta com o cliente, e o espírito de conciliação.

6 DIREITO DO ACUSADO

Além de dever do advogado em patrocinar a causa, é um direito que assiste ao acusado, direito este resguardado em nossa Carta Magna. Em seu artigo 5°, inciso LIV, a Constituição estabelece que "ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal”, e, por conseguinte, em um processo, deve ser assegurado o contraditório e a ampla defesa, conforme estabelece o inciso LV do referido artigo, a qual engloba a autodefesa e a defesa técnica. Essa defesa técnica deve ser exercida por meio de advogado, que deverá promover a defesa de mérito do seu cliente, e zelar pela correta aplicabilidade de todos os princípios resguardados na Constituição, o que demonstra que todo acusado deve ter um defensor. Ainda, para melhor fundamentar o que foi afirmado acima, faz-se necessário

ressaltar o que estabelece o artigo 261 do Código de Processo Penal que “nenhum

acusado, ainda que ausente ou foragido, será processado ou julgado sem defensor”, o que nos faz concluir que, independente da vontade do acusado, a defesa técnica por parte do advogado é indispensável.

CONCLUSÃO

Diante de toda analise feita acerca do caso relatado na obra, e dos deveres do advogado na atualidade, é possível chegar à conclusão de que, independente da gravidade do crime praticado pelo acusado, da repercussão por ele alcançada na mídia, da opinião pública contrária a ele, é dever do advogado patrocinar a causa, independente até da sua opinião sobre a culpa do acusado, devendo fazê-lo sem medir esforços para que seja alcançada a justiça. Nesse ínterim, é importante ressaltar os ensinamentos do grande mestre Martiniano J. da Silva[2]:

Assim, por pior que seja o crime, e mesmo com opinião pública contrária ao réu, é dever do advogado assumir a causa. Seu compromisso com o direito e com o cliente

deve ser sagrado, devendo por nesse compromisso toda a sua coragem, toda a sua energia e todo seu saber, no intuito de alcançar a justiça em âmbito comutativo e distributivo social.

REFERÊNCIAS

BARBOSA, Rui. O Dever do advogado. São Paulo: Martin Claret, 2005. MARCONI, Marina de Andrade, LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de metodologia científica. São Paulo: Atlas, 2005. SILVA , Martiniano J. da . Advocacia : Engenho e Arte.Goiânia : O Popular, 1990. QUEIROZ, Ricardo Canguçu Barroso de. Natureza da atividade de advocacia. [online] Disponível na InternetWWW.URL:http://advogado.adv.br/artigos/2000/barroso/avirderv. htm. Arquivo capturado em 10 de abril de 2010.

O DEVER DO ADVOGADO (A Ética Profissional do Advogado)

A presente produção procura se espelhar nas perfeições de ética e moral na qual Rui Barbosa se preocupa tanto em mostrar em sua ilustríssima obra, "O Dever do Advogado" .

O DEVER DO ADVOGADO (A Ética Profissional do Advogado)

RESUMO:

João Marcel Araujo de Souza

O presente trabalho a ser apresentado tem como principal idéia focar temas abordados

na exemplar obra de Rui Barbosa, “O Dever do Advogado” a qual demonstra ser tratada

de forma implacável e cuidadosa pelo ilustre autor. A presente produção procura se espelhar nas perfeições de ética e moral na qual o autor se preocupa tanto em mostrar. No decorrer deste artigo nós frisaremos as características mais tratadas na obra, a qual

não passa apenas de uma resposta ao companheiro Evaristo de Morais.

Palavras-Chave: Rui Barbosa, perfeições, ética, moral, características, obra.

INTRODUÇÃO

O presente artigo tem por finalidade apenas tratar, sem mais delongas, da tão

aclamada

obra

cunhada

pelo

nosso

consagrado jurista , político , diplomata , escritor , filólogo , tradutor e orador brasileiro , Rui Barbosa, podemos ressaltar uma grande estima pela prevalência da ética profissional, em outras palavras o “dever do advogado”. Nesta lembrança rica deixada pelo autor, é perceptível que o direito é tido como um instrumento de grande importância para a preservação da vida social. Embora seja considerada como uma obra, não deixando de perder este caráter

importante, devemos salientar que “O Dever do Advogado”, na realidade tratasse de

uma carta resposta enviada a Evaristo de Morais Filho, advogado e amigo de Rui, que se encontrava em um grande dilema, a respeito de um caso de homicídio no qual o acusado pede a defesa a Evaristo, porém o réu tratava-se de um inimigo político de Rui

Barbosa e Evaristo de Morais. No entanto é presente na obra a classe e o tamanho respeito que o autor demonstra com relação ao dever de ética profissional do advogado, mostrando de forma delicada as questões de ética e moral que devem sempre estar presentes, e convivendo lado a lado do advogado.

  • 1. O DEVER DO ADVOGADO

É preocupante a importância em realçar que o advogado deve somente agir através do dever de ética, sempre agindo com a devida preocupação em observar o rigoroso cumprimento da ordem processual. Assim como é exposto nos próprios deveres legais do advogado, em outras palavras, o advogado é dotado de prerrogativas que devem ser resguardadas. Muitos destes deveres estão previstos no EOAB. Na obra é possível perceber uma grande preocupação com relação às operações de sustentação e defesa.

Rui Barbosa acreditava que em causas cíveis, quando estas se tratarem devido à imoralidade e ilicitude do cliente, ao advogado será permitido recusar-se a agir neste processo, porém em causas criminais por mais hediondas que sejam estas, independentemente de qual seja o crime, o acusado deverá ter garantida a presença de um advogado para defendê-lo. O advogado deve ser leal ao seu cliente, a quem não poderá abandonar. O autor nos mostrar que por ser a exigência do direito civil um caráter de moralidade e licitude, o advogado deverá no auge de sua consciência de dever ético, recusar o patrocínio de causas como estas. Segundo Sebastião José Rodrigues, independentemente de qual seja a espécie do caso o advogado será necessário em qualquer fato ou ato que tenha certa relação com a repercussão social. No entanto sempre devendo preservar em seu comportamento, a honra, dignidade e nobreza, procurando zelar ao máximo pelo seu caráter de essencialidade e indispensabilidade, devendo atentar-se à sua reputação pessoal e profissional. O advogado deverá ser essencial na ministração da justiça. O advogado deverá sempre agir em favor daqueles que busca a sua ajuda, atuando sempre de forma honesta, agindo pro via da lealdade, dignidade e boa-fé. O advogado em seu papel mais importante deve atender seu cliente, procurando satisfazer suas vontades, defendendo os seus interesses e direitos, desde que estes não sejam de má-fé. Porém, se um advogado não atender seu cliente, por conta de seu objetivo ser um malgrado, ele deverá encontrar outro que o atenda e esclareça ao

cliente de que esta solução que deseja não é adequada, deixando claras as conseqüências de tal iniciativa judicial. Sendo colocado pelo próprio Rui Barbosa, que embora se tratando de uma causa má ou de grande caráter criminoso, o advogado deverá sempre se manter, conservando sua honestidade e dignidade, independente de qual seja o crime e a opinião do público que existe a respeito do caso.

  • 2. A ESSENCIALIDADE E INDISPENSABILIDADE DO ADVOGADO

Segundo Rui Barbosa, o advogado é considerado como um fiscal do processo, devendo está sempre atento ao estrito cumprimento da ordem processual, observando os prazos, requerendo provas, e recorrendo sempre quando houver alguma inobservância, não se esquecendo de verificar as provas, apurando estas em debates processuais e sempre se preocupando com a regularidade formal do processo. Como já dito anteriormente, o advogado é necessário na ministração da justiça, foi confiando nele que a legislação abriu espaço para o defensor, estabelecendo a essencialidade e indispensabilidade deste personagem no drama processual. O advogado é essencial, sem ele não há justiça. Sendo a pessoa habilitada a prestar assistência profissional em assuntos jurídicos, defendendo judicial ou extrajudicialmente os interesses de seu cliente. É de tamanho valor a profissão deste, já que a estabilidade e paz social se apóiam, estando condicionadas à sua atuação, este valor deve ser cuidado e preservado pelo advogado. Segundo o autor desta obra consagrada por muitos, a justiça tem um papel importantíssimo para o caráter da vida social, desta forma, deve sempre estar livre de círculos sentimentais, como a paixão, a indignidade, etc.

  • 3. A ÉTICA PROFISSIONAL

Na obra, notamos que o Dr. Evaristo de Mores consulta o Dr. Rui Barbosa por meio de uma carta na qual perguntava-lhe se deveria ou não aceitar um caso jurídico, no qual deveria defender o Dr. Mendes Tavares, acusado por homicídio, por conta de ser um inimigo político de ambos encontrava-se indeciso se deveria defender ou não. Analisando as questões sobre o referido tema podemos chegar à seguinte conclusão, que com foco ao artigo 5º da Constituição Federal, todos são iguais perante a lei, tendo todos direito a reconhecida plenitude de defesa, ou seja, o devido processo legal.

Apenas o advogado é quem poderá propor uma ação que servirá de defesa ao direito da parte, no entanto, a momentos em que o advogado não aceita certos casos, e o que fazer em situações como estas? Por mais que a moralidade venha se sobrepor, ou o interesse da sociedade, tão como a vontade das multidões perante determinados casos processuais, o acusado ainda possui o seu direito previsto na nossa Magna Carta, tendo a sua defesa garantida, por mais que esta seja constrangida.

A própria deontologia garante a defesa a qualquer pessoa, seja ela culpada ou

inocente. Não cabe a nós julgarmos a conduta ou vida da pessoa, porém devamos levar os fatos verdadeiros ao magistrado para que este por meio de sua soberana competência e privilegiada sabedoria julgue a contenda em busca da verdadeira justiça. Importante tocar no assunto de que em todos universos profissionais, em seus diversos gêneros, nos depararemos com profissionais dignos de devido respeito, por agirem com a devida índole e dignidade, como também com aqueles que percorrem os caminhos da desonra. Por conta deste tipo de profissional, é que cada instituição viu-se obrigada a criar um código de Ética para respectiva profissão. Devendo este ser obedecido na risca, sob a pena de sanções.

4. CONCLUSÃO

Na obra é possível perceber uma grande preocupação com relação às operações de sustentação e defesa. A obra em si, realmente pode ser considerada como um exemplar tratado de ética profissional, assim como é colocada por muitos, embora seja pequena em tamanho, não deixa ser grande em riquezas abordadas pelo nosso consagrado e saudoso advogado. Uma ótima leitura que pode ser aproveitada ao máximo, pelos bacharéis que começam a ingressar na carreira de advogado, assim como também para os estudantes de direito, sendo utilizada como um renomado reforço em disciplinas como Deontologia Jurídica. REFERÊNCIAS:

BARBOSA, Rui. O dever do advogado: posse de direitos pessoais. 1ª ed. São Paulo:

Martin Claret, 2006.

ROQUE, Sebastião José. Deontologia Jurídica. 1ª ed. São Paulo: Ícone, 2009. O DEVER DO ADVOGADO (A Ética Profissional do Advogado)

A presente produção procura se espelhar nas perfeições de ética e moral na qual Rui Barbosa se preocupa tanto em mostrar em sua ilustríssima obra, "O Dever do Advogado" .

Texto enviado ao JurisWay em 23/3/2011.

A própria deontologia garante a defesa a qualquer pessoa, seja ela culpada ou inocente. Não cabeIndique aos amigos Quer disponibilizar seu artigo no JurisWay? Saiba como ... O DEVER DO ADVOGADO (A Ética Profissional do Advogado) " id="pdf-obj-6-25" src="pdf-obj-6-25.jpg">

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O DEVER DO ADVOGADO (A Ética Profissional do Advogado)

RESUMO:

João Marcel Araujo de Souza

O presente trabalho a ser apresentado tem como principal idéia focar temas abordados

na exemplar obra de Rui Barbosa, “O Dever do Advogado” a qual demonstra ser tratada

de forma implacável e cuidadosa pelo ilustre autor. A presente produção procura se espelhar nas perfeições de ética e moral na qual o autor se preocupa tanto em mostrar. No decorrer deste artigo nós frisaremos as características mais tratadas na obra, a qual

não passa apenas de uma resposta ao companheiro Evaristo de Morais.

Palavras-Chave: Rui Barbosa, perfeições, ética, moral, características, obra.

INTRODUÇÃO

O presente artigo tem por finalidade apenas tratar, sem mais delongas, da tão

aclamada

obra

cunhada

pelo

nosso

, Rui Barbosa, podemos ressaltar uma grande estima pela prevalência da ética

profissional, em outras palavras o “dever do advogado”. Nesta lembrança rica deixada pelo autor, é perceptível que o direito é tido como um instrumento de grande importância para a preservação da vida social. Embora seja considerada como uma obra, não deixando de perder este caráter

importante, devemos salientar que “O Dever do Advogado”, na realidade tratasse de

uma carta resposta enviada a Evaristo de Morais Filho, advogado e amigo de Rui, que se encontrava em um grande dilema, a respeito de um caso de homicídio no qual o acusado pede a defesa a Evaristo, porém o réu tratava-se de um inimigo político de Rui Barbosa e Evaristo de Morais. No entanto é presente na obra a classe e o tamanho respeito que o autor demonstra com relação ao dever de ética profissional do advogado, mostrando de forma delicada as questões de ética e moral que devem sempre estar

presentes, e convivendo lado a lado do advogado.

  • 1. O DEVER DO ADVOGADO

É preocupante a importância em realçar que o advogado deve somente agir através do dever de ética, sempre agindo com a devida preocupação em observar o rigoroso cumprimento da ordem processual. Assim como é exposto nos próprios deveres legais do advogado, em outras palavras, o advogado é dotado de prerrogativas que devem ser resguardadas. Muitos destes deveres estão previstos no EOAB. Na obra é

possível perceber uma grande preocupação com relação às operações de sustentação e defesa.

Rui Barbosa acreditava que em causas cíveis, quando estas se tratarem devido à imoralidade e ilicitude do cliente, ao advogado será permitido recusar-se a agir neste processo, porém em causas criminais por mais hediondas que sejam estas, independentemente de qual seja o crime, o acusado deverá ter garantida a presença de um advogado para defendê-lo. O advogado deve ser leal ao seu cliente, a quem não poderá abandonar. O autor nos mostrar que por ser a exigência do direito civil um caráter de moralidade e licitude, o advogado deverá no auge de sua consciência de dever ético, recusar o patrocínio de causas como estas. Segundo Sebastião José Rodrigues, independentemente de qual seja a espécie do caso o advogado será necessário em qualquer fato ou ato que tenha certa relação com a repercussão social. No entanto sempre devendo preservar em seu comportamento, a honra, dignidade e nobreza, procurando zelar ao máximo pelo seu caráter de essencialidade e indispensabilidade, devendo atentar-se à sua reputação pessoal e profissional. O advogado deverá ser essencial na ministração da justiça. O advogado deverá sempre agir em favor daqueles que busca a sua ajuda, atuando sempre de forma honesta, agindo pro via da lealdade, dignidade e boa-fé. O advogado em seu papel mais importante deve atender seu cliente, procurando satisfazer suas vontades, defendendo os seus interesses e direitos, desde que estes não sejam de má-fé. Porém, se um advogado não atender seu cliente, por conta de seu objetivo ser um malgrado, ele deverá encontrar outro que o atenda e esclareça ao cliente de que esta solução que deseja não é adequada, deixando claras as conseqüências de tal iniciativa judicial. Sendo colocado pelo próprio Rui Barbosa, que embora se tratando de uma causa má ou de grande caráter criminoso, o advogado deverá sempre se manter, conservando sua honestidade e dignidade, independente de qual seja o crime e a opinião do público que existe a respeito do caso.

  • 2. A ESSENCIALIDADE E INDISPENSABILIDADE DO ADVOGADO

Segundo Rui Barbosa, o advogado é considerado como um fiscal do processo, devendo está sempre atento ao estrito cumprimento da ordem processual, observando os prazos, requerendo provas, e recorrendo sempre quando houver alguma inobservância, não se esquecendo de verificar as provas, apurando estas em debates processuais e sempre se preocupando com a regularidade formal do processo. Como já dito anteriormente, o advogado é necessário na ministração da justiça, foi confiando nele que a legislação abriu espaço para o defensor, estabelecendo a essencialidade e indispensabilidade deste personagem no drama processual. O advogado é essencial, sem ele não há justiça. Sendo a pessoa habilitada a prestar assistência profissional em assuntos jurídicos, defendendo judicial ou extrajudicialmente os interesses de seu cliente. É de tamanho valor a profissão deste, já que a estabilidade e paz social se apóiam, estando condicionadas à sua atuação, este valor deve ser cuidado e preservado pelo advogado.

Segundo o autor desta obra consagrada por muitos, a justiça tem um papel importantíssimo para o caráter da vida social, desta forma, deve sempre estar livre de círculos sentimentais, como a paixão, a indignidade, etc.

  • 3. A ÉTICA PROFISSIONAL

Na obra, notamos que o Dr. Evaristo de Mores consulta o Dr. Rui Barbosa por meio de uma carta na qual perguntava-lhe se deveria ou não aceitar um caso jurídico, no qual deveria defender o Dr. Mendes Tavares, acusado por homicídio, por conta de ser um inimigo político de ambos encontrava-se indeciso se deveria defender ou não. Analisando as questões sobre o referido tema podemos chegar à seguinte conclusão, que com foco ao artigo 5º da Constituição Federal, todos são iguais perante a lei, tendo todos direito a reconhecida plenitude de defesa, ou seja, o devido processo legal.

Apenas o advogado é quem poderá propor uma ação que servirá de defesa ao direito da parte, no entanto, a momentos em que o advogado não aceita certos casos, e o que fazer em situações como estas? Por mais que a moralidade venha se sobrepor, ou o interesse da sociedade, tão como a vontade das multidões perante determinados casos processuais, o acusado ainda possui o seu direito previsto na nossa Magna Carta, tendo a sua defesa garantida, por mais que esta seja constrangida. A própria deontologia garante a defesa a qualquer pessoa, seja ela culpada ou

inocente. Não cabe a nós julgarmos a conduta ou vida da pessoa, porém devamos levar os fatos verdadeiros ao magistrado para que este por meio de sua soberana competência e privilegiada sabedoria julgue a contenda em busca da verdadeira justiça. Importante tocar no assunto de que em todos universos profissionais, em seus diversos gêneros, nos depararemos com profissionais dignos de devido respeito, por agirem com a devida índole e dignidade, como também com aqueles que percorrem os caminhos da desonra. Por conta deste tipo de profissional, é que cada instituição viu-se obrigada a criar um código de Ética para respectiva profissão. Devendo este ser obedecido na risca, sob a pena de sanções.

  • 4. CONCLUSÃO

Na obra é possível perceber uma grande preocupação com relação às operações de sustentação e defesa. A obra em si, realmente pode ser considerada como um exemplar tratado de ética profissional, assim como é colocada por muitos, embora seja pequena em tamanho, não deixa ser grande em riquezas abordadas pelo nosso consagrado e saudoso advogado. Uma ótima leitura que pode ser aproveitada ao máximo, pelos bacharéis que começam a ingressar na carreira de advogado, assim como também para os estudantes

de direito, sendo utilizada como um renomado reforço em disciplinas como Deontologia Jurídica. REFERÊNCIAS:

BARBOSA, Rui. O dever do advogado: posse de direitos pessoais. 1ª ed. São Paulo:

Martin Claret, 2006.

ROQUE, Sebastião José. Deontologia Jurídica. 1ª ed. São Paulo: Ícone, 2009.

PORTIFOLIO

FILOSOFIA GERAL E ÉTICA PROFISSIONAL

AVALIAÇÃO DO 1

SEMESTRE

Sócrates é considerado o filósofo que mais influenciou na formação da humanidade, nos legando duas grandes virtudes a honestidade e a humildade

O filósofo grego Sócrates nasceu de 469 a.C., por foi um dos poucos personagens históricos que mudaram os rumos do pensamento humano sem ter deixado uma única

linha por escrito. (Conhecido como o “profeta da Grécia antiga”). Considerado por

alguns historiadores como o fundador da filosofia ocidental, ele é até hoje uma das figuras mais controversas e obscuras na história das idéias.

Saber e não saber

O inesperado elogio divino chegou aos ouvidos de Sócrates, causando-lhe uma profunda sensação de estranheza. Afinal de contas, ele jamais havia se considerado um grande sábio. Pelo contrário: considerava-se tão ignorante quanto o resto da humanidade. Após muito meditar sobre as palavras do oráculo, Sócrates chegou à conclusão de que mudaria sua vida (e a história do pensamento). Se ele era o homem mais sábio da Grécia, então o verdadeiro sábio é aquele que tem consciência da própria ignorância. Para colocar à prova sua descoberta, ele foi ter com um dos figurões intelectuais da época. Após algumas horas de conversa, percebeu que a autoproclamada sabedoria do sujeito era uma casca vazia. E concluiu: "Mais sábio que esse homem eu sou. É provável que nenhum de nós saiba nada de bom, mas ele supõe saber alguma coisa e não sabe, enquanto eu, se não sei, tampouco suponho saber. Parece que sou um

tantinho mais sábio que ele exatamente por não supor saber o que não sei". A partir daí, Sócrates começou uma cruzada pessoal contra a falsa sabedoria humana - e não havia melhor palco para essa empreitada que a vaidosíssima Atenas. Em suas próprias palavras, ele se tornou um "vagabundo loquaz" - uma usina ambulante de insolência iluminadora, movida pelo célebre bordão que Sócrates legou à posteridade: "Só sei que nada sei".

. Em primeiro lugar, Sócrates não cobrava dinheiro por suas "lições" - aceitava conversar com qualquer pessoa, desde escravos até políticos poderosos, sem ganhar um tostão. Além disso, os diálogos de Sócrates não serviam para defender essa ou aquela posição ideológica, mas para questionar a tudo e a todos sem distinção. Ele geralmente começava seus debates com perguntas diretas sobre temas elementares: "O que é o Amor?" "O que é a Virtude?" "O que é a Mentira?" Em seguida, destrinchava as respostas que lhe eram dadas, questionando o significado de cada palavra. E continuava fazendo perguntas em cima de perguntas, até levar os exaustos interlocutores a conclusões opostas às que haviam dado inicialmente - e tudo isso num tom perfeitamente amigável. Assim, o pensador demonstrava uma verdade que até hoje continua universal: na maior parte do tempo, a grande maioria das pessoas (especialmente as que se consideram mais sabichonas) não sabe do que está falando.

Deixando de lado a casca das ideias preconcebidas e os clichês, o discípulo estava pronto para a perigosa aventura de pensar por si mesmo. Às vezes, os argumentos desse conversador incansável eram tão azucrinantes que alguns ouvintes o atacavam no meio da rua, com chutes e pontapés. Perante tais indignidades, ele se limitava a responder com invulnerável ironia: "Não se costuma revidar contra os jumentos que nos escoiceiam".

Tamanha independência de espírito pode ser algo bem arriscado - tanto na Antiguidade quanto hoje em dia. As patotas políticas não sabiam como lidar com aquele homem que questionava e irritava a todos com o mesmo sorriso de implacável gentileza, sem se deixar aliciar por ninguém. Em 399 a.C., seus desafetos conseguiram levá-lo a julgamento. O filósofo foi acusado de desrespeitar os deuses oficiais da cidade e de "corromper a juventude": na prática, o que estava sob ataque era sua mania de fustigar a tudo e a todos sem pruridos. Ameaçado com a pena de morte, ele retrucou: "Ninguém sabe o que é a morte. Talvez seja, para o homem, o maior dos bens. Mas todos fogem dela como se fosse o maior dos males. Haverá ignorância maior do que essa - a de pensar saber-se o que não se sabe?" Com sua recusa a retratar-se perante assembleia, o filósofo foi condenado a morrer por envenenamento. No dia de sua execução, reuniu-se com os amigos, trocou pilhérias e, naturalmente, entregou-se a discussões filosóficas. O carcereiro, ao lhe trazer a taça com cicuta, estava chorando. Mas Sócrates tinha os olhos secos. Bebeu o veneno como quem toma um remédio, despediu-se dos amigos com cavalheiresca tranqüilidade e se esticou no catre, como se fosse dormir. E só então seu gênio insolente se calou.

O "vagabundo loquaz" de Atenas foi a primeira figura célebre na história do pensamento a morrer por suas ideias - e sua execução é um dos mitos fundadores da filosofia ocidental. A relevância de Sócrates, contudo, transcende o universo dos filósofos especializados: ele se tornou, em grande medida, um modelo de conduta humana. Sua modéstia, numa época de vaidade intelectual, é um aviso aos navegantes de todos os séculos: por mais poder e desenvolvimento que uma civilização tenha atingido, o fato é que, no fundo, continuamos todos humanamente estúpidos. E a negação de nossa própria estupidez pode nos transformar em monstros. Escapar à ignorância congênita da espécie é possível, sim - mas essa é uma tarefa que não se realiza sozinho. A verdade (se é que ela existe) só pode surgir pelo confronto direto e implacável (mas sempre amigável) entre duas ou mais criaturas racionais. Pensar por si mesmo e a si mesmo, olhando no espelho do outro: eis a lição aparentemente simples, mas hoje tão esquecida, legada por uma das figuras mais intrigantes na história da humanidade.levou a honestidade par os homens, reconhecer a nossa