Sistemas operacionais para servidores

Picolo, Luiz1 Para que o entendimento do conceito sobre sistemas operacionais para servidores seja claro, primeiramente, deve-se ter em mente algumas definições sobre o que é um sistema operacional e como ele atua no gerenciamento de todas as complexidades do hardware. Outro ponto interessante à ser observado é sobre servidores, seus aspectos físicos, e a necessidade de um sistema robusto para o seu gerenciamento. Maziero expõe que “existe uma grande distância entre os circuitos eletrônicos e dispositivos de hardware e os programas aplicativos em software” (MAZIERO, 2006, p. 03). Neste sentido, para que seja feito o acesso diretamente ao hardware, como armazenar uma certa informação no disco rígido, o programador deveria trabalhar em um baixo nível 2 de programação levando em consideração a diversidade do hardware o qual ele quer interagir. Portanto, para que o acesso seja realizado de forma homogêneo é necessário uma camada que faça este gerenciamento. Para satisfazer esta necessidade foi criado então os sistemas operacionais, que nada mais são do que “um conjunto de recursos abstratos claros em vez de recursos confusos de hardware” (TANENBUM, 2009, p. 02). Maziero define os sistemas operacionais como:
[…] uma camada de software que opera entre o hardware e os programas aplicativos voltados ao usuário final. O sistema operacional é uma estrutura de software ampla, muitas vezes complexa, que incorpora aspectos de baixo nível (como drivers de dispositivos e gerência de memória física) e de alto nível (como programas utilitários e a própria interface gráfica). (MAZIERO, 2006, p. 03)

Partido destes conceitos, pode-se afirmar que os sistemas operacionais são camadas de softwares necessárias e indispensáveis para a harmonia entre os processos e o hardware. Já os servidores, agora tratando sobre aspectos físicos, são maquinas mais potentes do que um desktops comuns. Foram “desenvolvido especificamente para transmitir informações e fornecer produtos de software a outros computadores que estiverem conectados a ele por uma rede. Os servidores lidam com cargas de trabalho mais pesadas e com mais aplicativos, aproveitando a vantagem de um hardware específico para
1 2 Graduando do curso de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas pelo Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS). Trata-se de uma linguagem de programação que compreende as características da arquitetura do computador.

aumentar a produtividade e reduzir o tempo de inatividade”3. Existem diversos tipos de servidores tanto em questão de porte como em funcionalidade. Alguns tipos de servidores são: • servidores de arquivos: é um computador grande capacidade de armazenamento onde arquivos e/ou aplicativos são salvos e disponibilizados para todo o ambiente de rede; • servidores de bancos de dados: tem a mesma finalidade dos servidores de arquivos, porém, disponibilizam o serviço de armazenagem e disponibilidade de informações contidas em databases. Em sua maioria, este tipo de servidor roda um Sistema Gerenciador de Bancos de Dados (SGBDs), que é um programa capaz de gerenciar um ou mais bancos de dados. Alguns SGBDs mais conhecidos são a Oracle, Mysql, Firebird, Sybase, dentre outros; • servidores de impressão: Nada mais são do que um computador ligado a rede que compartilha, centralizadamente, seus recursos de impressão; • servidores de comunicação: podem incluir os serviços de correio eletrônico, responsáveis pela distribuição do e-mail, serviço de fax, dispensando a instalação de fax modem em cada cada área de trabalho. Como dito anteriormente, servidores são maquinas mais potentes do que um desktops comuns. Este fato pode ser observado ao se analisar as questões de processamento entre os dois. Um servidor normalmente possui mais poder de processamento devido à quantidade de processadores ou núcleos presentes em sua arquitetura física. Logo, os mesmos conseguem executar mais tarefas e com maior velocidade. Um exemplo de processador para servidores é o “Coprocessador Intel® Xeon Phi™ 5110P com 60 núcleos/1,053 GHz/240 threads”4. Assim, para que houvesse o gerenciamento desta carga de trabalho entre as diferentes funcionalidades de servidores, houve a necessidade de um sistema operacional que permitir-se “a gestão eficiente de grandes quantidades de recursos (disco, memória, processadores), impondo prioridades e limites sobre o uso dos recursos pelos usuários e seus aplicativos” (MAZIERO, 2006, p.06) afim de que todo esse processamento fosse utilizado da melhor forma possível, garantindo assim a integridade, a segurança,
3 4 Em: http://content.dell.com/br/pt/empresa/d/sb360/what-is-a-server. Acessando em: 15/11/2012 Em: http://www.intel.com.br/content/www/br/pt/processors/xeon/xeon-phi-detail.html . Acessado em 22/11/2012

escalabilidade e o bom escalonamento entre as diversas tarefas executadas. Surge então os sistemas operacionais para servidores os quais serão tratados com mais abrangência nos parágrafos posteriores. Existe uma diversidade de sistemas operacionais, levando em consideração as várias distribuições baseadas no Kernel5 Linux. Entretanto, nesta pesquisa, o foco foi em alguns voltados para servidores, porém, de uma forma mais ampla, ou seja, sistemas operacionais Windows desenvolvidos pela Microsoft, e os baseados no Linux, desenvolvido por Linus Torvalds e mantido por uma grande comunidade. A primeira explanação será sobre os sistemas operacionais Windows, os quais, dentre a família Microsoft pode-se destacar: • • • • Windows 2000 Server; Windows Server 2003; Windows Server 2008 R2; Windows Server 2012.

Em especial a explanação será feita sobre o Windows Server 2012 por ser a versão mais recente dos sistema operacional para servidores da Microsoft. Nesta versão, lançada em Fevereiro de 2012, tem como uma de suas várias características a possibilidade de criação de uma infraestrutura para nuvens, o recurso Dynamic Access Control em que pode-se “aplicar a governança de dados em servidores de arquivos para controlar quem pode acessar informações e para auditar quem as acessou”6, plataforma de servidor Web para hospedagem permitindo o rápido escalonamento com sobrecarga mínima de gerenciamento além das atualizações constantes de segurança disponibilizados pela empresa desenvolvedora. Outra característica peculiar, implantada no Windows Server desde sua versão 2000, é o Active Directory. “Estes componentes incluem a estrutura lógica, estrutura física, armazenamento de dados, replicação e publicação de serviço”7. Já a família de sistemas operacionais para servidores baseados no núcleo Linux pode-se citar: • •
5

Mandriva Enterprise Server 5; Ubuntu Server;

É o coração do sistema operacional, responsável pela gerência dos recursos do hardware usados pelas aplicações. Ele também implementa as principais abstrações utilizadas pelos programas aplicativos. (MAZIERO, 2006, p. 10) 6 Em: http://technet.microsoft.com/pt-BR/windowsserver/bb512925.aspx?ocid=otc-c-br-jtc--wiki Acessando em: 17/11/2012 7 Em: http://technet.microsoft.com/pt-br/library/cc740116%28v=ws.10%29.aspx Acessado em:18/11/2012

• • •

Debian; Red Hat Enterprise 6 Linux; CentOS Server, entre outros.

Um dos sistemas operacionais mais utilizados para servidores é o CentOS, o qual, segundo a W3Techs, “ocupa o segundo lugar com 27.8% dos 64.2% que é a porcentagem de uso do sistema operacional Linux em servidores” 8. Este distro9 para servidores é compilado a partir do código fonte disponível pela empresa desenvolvedora do RedHat Linux e distribuído gratuitamente. Possui, assim como o Windows, atualizações de segurança, porém, além de uma empresa por traz de seu desenvolvimento, o CentOS tem em sua base uma comunidade em pleno crescimento. O CentOS apresenta várias similitudes para com o seu opositor, o Windows Server, como a governança de dados, a criação de identidades e grupos de acesso, escalabilidade, adaptação para nuvens, entre outros. Uma característica interessante dos sistemas baseados no Kernel Linux é a possibilidade da utilização ou não da interface gráfica, gerando assim, melhor desempenho e segurança para o servidor. Ambas plataformas, Windows e Linux, além de satisfazer todos os requisitos necessários para um bom funcionamento na área de servidores, apresentam softwares que auxiliam na administração ou redirecionamento especifico Mail Servers, Domain Name System Servers, File Transfer Protocol Servers, configurações para servidores Dynamic Host Configuration Protocol, virtualização, entre outros. Portanto, os sistemas operacionais referidos neste texto possuem características que fazem dos mesmos sistemas robustos que satisfazem as necessidades para as quais eles são designados. Convém ressaltar neste conclusão que não existe um sistema operacional melhor que o outro, mas sim aquele que corresponde as necessidades impostas aos mesmos. Outro ponto importante não ressaltado neste pesquisa foi as desvantagem de cada sistema. Neste sentido, não houve testes para salientar tais afirmações que poderiam ser feitas, devido a este fato, ficou apenas algumas das especificações de cada sistema operacional baseadas nos textos e autores citados no decorrer de toda a pesquisa.

8 9

Em: http://w3techs.com/technologies/history_details/os-linux Acessado em: 17/11/2012. Abreviação da palavra em inglês distribution

Referências Bibliográficas
MAZIERO, Carlos A. Sistemas Operacionais [online] Disponível na Internet via URL: http://dainf.ct.utfpr.edu.br/~maziero/doku.php/so:livro_de_sistemas_operacionais. Arquivo consultado em 18 de Novembro de 2012. TANENBAUM, A. Sistemas Operacionais Modernos; tradução Ronaldo A. L. Gonçalvez, Luís A. Consularo, Luciana do Amaral Texeira; revisão técnica Raphael Y. De Camargo. 3, ed. São Paulo: Person Prentice Hall, 2009.

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