Eficiência Energética – ISO 50001

CQLD - Controle de Qualidade
Professor Gonçalo Siqueira

Giuseppe Carozzo

RM 0923117

Automação Industrial
CQLD - Controle de Qualidade
Autor: Giuseppe Carozzo Eficiência Energética – ISO 50001:2011 Professor: Gonçalo Siqueira

Data: 20/06/2012

1. Objetivo
Apresentar conceitos de Eficiência Energética, transmitindo uma visão geral deste conceito assim como estatísticas e normas que envolvem o assunto, orientando o leitor para uma atuação com conhecimentos do uso desta ferramenta e desta filosofia em seu cotidiano pessoal e aplicações no ambiente empresarial.

2. Introdução
A cada dia consumimos energia em grandes quantidades, e grande parte deste consumo, que poderia ser reaproveitado, é dissipado e perdido. Estudos recentes apresentados em um vídeo corporativo da empresa química BASF mostram que, se continuarmos utilizando a energia no mesmo ritmo atual pelos próximos 20 anos, em 2030 nosso planeta estará com níveis elevados e incontroláveis de gás carbônico (CO2), o que já terá causado grandes impactos em nosso clima, além disso, não haverá fontes e recursos para gerar energia suficiente para suprir a necessidade. A população mundial hoje tem cerca de 6,5 bilhões de pessoas e, de acordo com estes estudos, a previsão é que até o ano de 2030 este número chegue à cerca de 8,3 bilhões. Com o aumento da população mundial, o consumo energético na terra será maior e isto exigirá mais recursos, nos levando à escassez e afetando também o nosso clima. Com esta taxa de crescimento, se calcula que até 2030 haverá uma demanda energética de até 53%, e isto pode acarretar em um aumento das emissões de gás carbônico (CO2) no mundo em 55%. Se não fizermos nada, sofreremos consequências drásticas que afetaram o nosso clima e nossa sobrevivência na Terra, pois não haverá fontes de energia (petróleo, gás, carbono, hídrica, solar, biomassa, nuclear, geotérmica e eólica) capazes de suprir a necessidade da demanda mundial. Por este motivo, está sendo elaborado o plano de Eficiência Energética. O conceito básico de eficiência energética é “obter mais com menos”, ou seja, aproveitar a energia perdida nas empresas, nos meios de transportes e residências, para gerar mais energia, em outras palavras: reciclar a energia. Estes são apenas alguns dos exemplos de onde podemos aproveitar melhor a energia com melhores benefícios. Desenvolvimento de técnicas de otimização simples como:  Industrias: Reciclagem do uso de materiais e matérias primas, implementando novas tecnologias de reciclagem, otimizando a produção com a implementação de sistemas mais econômicos, utilizando meios que transformem a energia perdida em parte da energia requerida pela produção.  Meios de transportes: Veículos mais leves e com melhor desempenho aerodinâmico, com motores elétricos, ou novos sistemas de combustão capazes de reduzir ou eliminar as emissões de CO2 ou utilizá-la como fonte de energia de realimentação.  Residências: Sistemas mais eficazes de aquecimento, como paredes que ofereçam mais resistência contra a dissipação do calor, melhores técnicas de iluminação, reaproveitamento da água para gerar algum ganho de energia e maior range de atuação das placas solares. A eficiência energética é a fonte mais importante de energia para o futuro, a combinação de eficiência energética das três fontes citadas acima já contribuiria para uma grande melhora nas previsões de demanda de energia (aumento de 16% ao invés de 53%) e emissão de CO2 (aumento de 11% ao invés de 55%). Eficiência Energética: mais eficiência com menos energia.

Giuseppe Carozzo

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Autor: Giuseppe Carozzo Eficiência Energética – ISO 50001:2011 Professor: Gonçalo Siqueira

Data: 20/06/2012

3. Tópicos 3.1. A Norma: ISO 50001
Assim como existem normas para Sistemas de Gestão de Qualidade (ISSO 9001) e para Sistemas de Gestão Ambiental (ISSO 14001), foi desenvolvida uma nova norma voltada para Sistemas de Gestão de Energia (ISSO 50001). Criada para estabelecer planos e metas sobre a melhor forma de consumir energia nas suas rotinas, o processo de desenvolvimento da norma ISO 50001 envolveu 47 países. A norma foi criada à partir de uma visão global sobre gestão de energia, e estabelece uma gestão sistemática de energia para empresas. Esta sistemática envolve ações que impactam diretamente na redução da emissão de gases de efeito estufa e outros impactos ambientais, o custo da energia, além de permitir que as industrias tenham o monitoramento e influências sobre todos os aspectos que afetam o seu desempenho energético. Países que já começaram a utilizar esta ISSO, como China, França, Áustria e Índia, têm, relatado ganhos significativos proveniente da aplicação da norma, relacionados à redução de emissões de carbono, consumo e, consequentemente no custo de energia, benefícios nas fábricas, comunidades e meio ambiente. A norma fornece requisitos para a implantação de um sistema de gestão de energia (SGE) em organizações em geral, visando à melhoria contínua do desempenho energético, incluindo eficiência, uso e consumo. Países como o Reino Unido, Japão, Irlanda, Argentina, Suécia, Dinamarca, China, Brasil e Estados Unidos contribuíram com destaque de maneira efetiva no desenvolvimento da ISO 50001. Segundo a norma NBR ISO 50001:2011, Sistema de gestão da energia (SGE) é o "Conjunto de elementos inter-relacionados ou interativos para estabelecer uma política e objetivos energéticos, processos e procedimentos para atingir tais objetivos." A norma ISO 50001, especifica requisitos para o estabelecimento, implementação, manutenção e melhoria de um sistema de gestão da energia. O Brasil pretende implantar esta norma através do Plano Nacional de Eficiência Energética (PNEf), aprovado em outubro de 2011, pelo Governo Federal. O plsno apresenta propostas de regulamentação como: ofertas de redução de consumo e certificados de redução de consumo, incentivos fiscais às melhores empresas por setor em adoção de medidas de eficiência energética, para empresas que implantarem SGE.

3.2. Requisitos da NBR ISO 50.001:2011
A NBR ISO 50001:2011 especifica os requisitos do SGE para que indústrias possam desenvolver e implementar uma política energética, estabelecendo objetivos, metas e planos de ação em requisitos legais e informações relativas ao uso significativo de energia. Para implementar o sistema de Gestão de Energia, a organização deve atender os seguintes requisitos:  Estabelecer, documentar, implementar, manter e melhorar um SGE de acordo com os requisitos desta Norma;      Definir e documentar o escopo e as fronteiras do seu SGE; Determinar como serão cumpridos os requisitos desta Norma visando a melhoria contínua de desempenho energético e do SGE; Definir e estabelecer membros para Alta direção e Representante da direção; Elaborar a Política energética, onde deve ser declarado o comprometimento da organização para atingir a melhoria do desempenho energético; Elaborar o Planejamento energético, o qual deve ser consistente com a política energética e deve levar a atividades que melhorem continuamente o desempenho energético. Este planejamento deve

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conter: requisitos legais e outros requisitos, a revisão energética, a linha de base energética, indicadores de desempenho energético; e  Documentar os objetivos, metas e planos de ação para gestão da energia.

Após a implementação e durante o andamento do sistema, a organização deve utilizar os planos de ação e outros resultados provenientes do processo de planejamento para manter sobre as operações:    Competência, treinamento e conscientização de toda a equipe de colaboradores; Meios internos de comunicação sobre seu desempenho energético e SGE de forma adequada ao tamanho da organização; Providenciar sempre toda a documentação e mantendo o controle de documentos e o controle operacional.

Além disso a organização deve estar sempre atenta às oportunidades de melhoria do desempenho energético e controle operacional no projeto de instalações, equipamentos, sistemas e processos. Ao adquirir serviços de energia, produtos e equipamentos que tenham ou possam ter impacto no uso significativo de energia, a organização deve informar aos fornecedores que a aquisição é em parte avaliada com base em desempenho energético. Deve sempre manter métodos funcionais de verificação, monitoramento, medição e análise, e efetuar periódicamente a avaliações de requisitos legais, assim como auditorias interna do SGE. Os controles de registros devem conter os relatórios de não-conformidades, correção, ações corretivas e ações preventivas. Estes controles demonstrar conformidade aos requisitos de seu SGE e a esta Norma e aos resultados de desempenho energético alcançados. Após as auditorias deve ocorrer a análise crítica pela direção, a qual deve revisar o SGE da organização para assegurar sua continuada pertinência, adequação e efetividade. Garantindo assim a constante conformidade com os padrões de Gestão de Energia.

3.3. Desenvolvimento
Um SGE permite a indústria a atender sua política energética, e indica quais ações devem ser tomadas para a melhoria do desempenho energético para demonstrar conformidade aos requisitos desta Norma. A NBR ISO 50001:2011 baseia-se na estrutura de melhoria contínua do PDCA (Planejar – Fazer – Verificar - Corrigir). De acordo com o projeto: 116:000.00-001 da ABNT, resumidamente o sistema de gestão deve ser implantado das seguintes maneiras: 1) Planejar: executar a revisão energética e estabelecer linha de base, indicadores de desempenho energético (IDEs), objetivos, metas e planos de ação necessários visando resultados em conformidade com as oportunidades de melhoria de desempenho energético e com a política energética da organização. Fazer: implementar os planos de ação da gestão da energia. Verificar: monitorar e medir processos e características principais das suas operações que determinam o desempenho energético em relação à política e objetivos energéticos, divulgando os resultados. Agir: tomar ações para melhorar continuamente o desempenho energético e o SGE.

2) 3)

4)

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3.4. Etapas
Os pontos fundamentais para a implantação da NBR ISO 50001 são: 1. Possuir uma política de energética apropriada; 2. Ter foco em usos significativos de energia; 3. Identificar e tratar requisitos legais; 4. Falicilitar o planejamento, controle, monitoramento, ações preventivas e corretivas; 5. Implementar as medidas definidas para a gestão de energia 6. Realizar o monitoramento, acompanhamento, medição e controle. 7. Auditar e rever atividades para garantir atendimento à política e adequação do SGE.
Figura 1 - Modelo de Sistema de Gestão da Energia para NBR ISO 50.001, Fonte: ABNT/ CEE-116, 2011, Projeto 116:000-00.001 (2011)

4. Cosiderações Finais
Com a implementação da NBR ISO 50001:2011 nas indústrias brasileiras, estaremos otimizando a utilização da energia e trabalhando ao máximo para reciclar a parte dela que, atualmente, está sendo perdida. O plano de eficiência energética no Brasil, é extrema importância e urgência. Ele visa racionalizar os recursos, diminuindo a demanda da de necessidade energética. As medidas imediatas para essa adaptação são as otimizações nos processos e reaproveitamento de recursos, mas a tendência é que, com o decorrer dos próximos anos, os estudos voltados para a eficiência energética atinjam um nível de desenvolvimento de produtos e máquinas capazes de executar a mesma ação e trabalho, ou mais que as atuais, porém com um consumo reduzido de energia, e ainda com a capacidade de reaproveitar a própria energia que havia transformado em outra forma durante seu trabalho.

5. Referências Bibliográficas
BASF, Cimate. Eficiência Energética: vídeo corporativo. Publicado em: You Tube, 01 out 2011. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=Ac4nxagAlMw>. Acesso em: 19 jun 2012 MEDEIROS, Carolina. ISO50001: em busca de maior desempenho energético. São Paulo: Conserv Eficiência Energética, 2011. Disponível em: <www.conserveneria.com.br/site/node/63>. Acesso em: 20 jun 2012 ZORZAL, Luciano. ISO50001: uma norma que veio para ficar. São Paulo: Discutindo a ISO 50001, 2012. Disponível em: <http://www.iso50001.com.br/Artigos.aspx?idArtigo=a7275ba5-e5d8-46ca-be546df67f876f31>. Acesso em: 20 jun 2012 BRASIL, Plano Nacional de Eficiência Energética (2011). Ministério de Minas e Energia. Brasília, DF, 2011 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Sistemas de gestão da energia – Requisitos com orientações para uso, Projeto 116:000.00-001, Abril 2011. 39p.

Giuseppe Carozzo

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