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Resumo de Direito Processual Penal para o Concurso de Escrevente do TJ/SP

1. DO JUIZ

ATIVIDADES DO JUIZ

- prover a regularidade do processo

- manter a ordem no curso dos autos

IMPEDIMENTOS DO JUIZ - se no processo já atuou cônjuge ou parente até TERCEIRO GRAU, como defensor, promotor, delegado, perito ou escrivão.

- se ele próprio já atuou no processo numa dessas funções ou se foi testemunha no

inquérito ou no processo.

- se atuou em outra instância, pronunciando-se sobre a questão objeto do processo.

- se tiver interesse no processo, ou há por parte de parente seu interesse.

JUÍZOS COLETIVOS – não podem atuar no mesmo processo os que forem parentes até TERCEIRO GRAU.

SUSPEIÇÕES DO JUIZ

- se for amigo íntimo ou inimigo capital da(s) parte(s).

- se ele ou seu cônjuge estiver respondendo a processo por fato semelhante, sendo suspeita a culpa.

- se ele, cônjuge ou parente até o TERCEIRO GRAU, responder a processo julgado

por qq. das partes

- se tiver aconselhado qq. das partes

- se for credor ou devedor de qq. das partes

- se for sócio, acionista ou administrador de sociedade interessada no processo

IMPEDIMENTO POR PARENTESCO – não funcionará como juiz o sogro, padrasto, cunhado, genro ou enteado de quem for parte no processo.

DO MINISTÉRIO PÚBLICO

ATRIBUIÇÕES DO MP

- promover a ação penal pública

- fiscalizar a execução da lei

IMPEDIMENTOS DO MP

- não funcionará em processo em que o juiz ou qq. parte for seu cônjuge ou parente até o TERCEIRO GRAU.

SUSPEIÇÃO DE PARCIALIDADE – pode ser contra:

- juiz

- perito

- serventuário

- MP

- intérprete

1.

DAS CITAÇÕES E INTIMAÇÕES

DAS CITAÇÕES

POR MANDADO = dentro da jurisdição OBS: A citação só é realizada uma vez. No caso de adiamento da audiência, o réu será notificado.

MAIORIDADE PENAL – todos os acusados a partir dos dezoito anos podem ser citados.

CITAÇÃO POR PRECATÓRIA = fora da circunscrição

CITAÇÃO POR CARTA ROGATÓRIA = em legação estrangeira

CITAÇÃO POR EDITAL = acusado não localizado ou oculto

REQUISITOS DO MANDADO DE CITAÇÃO

- nome do juiz, querelante e réu (nome e residência)

- o fim da citação

- juízo, lugar, dia e hora

- subscrição do escrivão e rubrica do Juiz.

CARTA DE ORDEM = expedida para Tribunal superior.

REQUISITOS DA PRECATÓRIA

- juízes (deprecado e deprecante), sede de um e de outro

- o fim da citação

- juízo, lugar, dia e hora.

OBS: Se após o envio da precatória, o réu ainda se ocultar, será citado com hora certa.

PRECATÓRIA URGENTE = poderá ser expedida por via telegráfica.

CITAÇÃO REAL = por mandado

CITAÇÃO FÍCTA = por edital

CITAÇÃO POR MANDADO

- leitura

- entrega da contra-fé (cópia)

- certidão no mandado

OBS: A não execução de um desses itens pode acarretar a NULIDADE da citação.

CITAÇÃO DO MILITAR – pelo chefe de serviço (requisição em ofício expedido pelo Juiz). Poderá ser feita por EDITAL, se o mesmo TOMAR RUMO IGNORADO.

CITAÇÃO DO FUNCIONÁRIO – a ele e ao chefe da repartição.

CITAÇÃO DO JUIZ – através do presidente do Tribunal.

CITAÇÃO DO M.P. – através do Procurador-Geral

CITAÇÃO POR EDITAL (prazos):

a) RÉU NÃO ENCONTRADO = prazo de 15 dias

b) MOTIVO DE FORÇA MAIOR = 15 a 90 dias

c) RÉU INCERTO = 30 dias

CITAÇÃO COM HORA CERTA – prazo de 5 dias.

NÃO COMPARECIMENTO DO RÉU CITADO POR EDITAL

a) ficarão suspensos o processo e a prescrição

b) o juiz poderá determinar:

- antecipação de provas urgentes

- prisão preventiva

NÃO COMPARECIMENTO DO RÉU A QQ. ATO DO PROCESSO

- será considerado revel, ainda que constitua advogado

SUSPENSÃO DA REVELIA – ocorrerá se o réu comparecer espontaneamente em juízo, após a decretação.

PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVAS – na presença do M.P. e do advogado.

NÃO DECRETAÇÃO DA REVELIA – qdo. o réu se ausentar da residência por + de 8 dias s/ comunicar a autoridade (mudança na lei).

DAS INTIMAÇÕES

INTIMAÇÃO POR PUBLICAÇÃO NO DIÁRIO OFICIAL – para o advogado dativo, advogado do acusador e assistente.

INTIMAÇÃO PESSOAL (realizada pelo escrivão) – para o M.P. e advogado nomeado, testemunhas e peritos.

INTIMAÇÃO POR DESPACHO NA PETIÇÃO – para testemunha não arrolada nos autos.

3. Da Instrução Criminal

JULGAMENTO DO RÉU - Processo comum ou especial.

PROCESSO COMUM

ORDINÁRIO = pena privativa de liberdade superior a 4 anos SUMÁRIO = pena privativa de liberdade inferior a 4 anos SUMARÍSSIMO = infrações penais de menor potencial ofensivo

REJEIÇÃO DA DENÚNCIA OU QUEIXA

- quando for manifestamente inepta (absurda)

- quando faltar condição para o exercício da ação penal

- quando faltar justa causa para o exercício da ação penal

Lei 11.689/2008 - alterou dispositivos do CPP relativos ao Tribunal do Júri, que julga os crimes dolosos (homicídio, induzimento ou auxílio ao suicídio, infanticídio e aborto)

MUDANÇAS:

1. recebida a denúncia, o juiz terá o prazo de 10 dias para ordenar a citação do acusado

2. Audiência de Instrução: serão ouvidos o ofendido, testemunhas (acusação e defesa), peritos. Após isso, será realizado o interrogatório.

3. concluídos os debates, o juiz criminal proferirá decisão, imediatamente, ou no prazo de 10 dias.

4. A fase preliminar deverá ser concluída em 90 dias.

5. Aumentou para 25 jurados sorteados para a reunião periódica ou extraordinária, dos quais 15 deverão comparecer ao sorteio dos 7 que constituirão o Conselho de Sentença.

6. Idade mínima para ser jurado foi reduzida para 18 anos.

7. O julgamento não será adiado caso o réu solto não compareça à sessão do júri.

8. Tempo para a acusação e defesa foi redistribuído em 1 hora e meia para cada e 1 hora para a réplica e outro tanto para a tréplica.

9. Foram simplificados os quesitos a serem respondidos pelos jurados quando da deliberação do Conselho de Sentença

10. Não cabe mais recurso contra a decisão de impronúncia e daquela que absolver o réu.

11. Foi extinto o recurso de Protesto por Novo Júri.

PROCEDIMENTOS ORDINÁRIO E SUMÁRIO

recebimento da denúncia

citação do acusado para responder por escrito em 10 dias

RESPOSTA DO ACUSADO: poderá oferecer doctos, especificar provas e arrolar testemunhas

NÃO RESPOSTA DO ACUSADO: o juiz nomeará defensor, concedendo vista dos autos por 10 dias

TESTEMUNHAS: oito de acusação e oito de defesa

AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO: intimação do acusado, defensor, M.P., querelante e assistente. A audiência deverá realizar-se em até 60 dias.

REQUISIÇÃO DE DILIGÊNCIAS: poderá ser solicitado pelo M.P., querelante, assitente e acusado

ALEGAÇÕES FINAIS: serão na forma oral, por 20min pela acusação e defesa, prorrogáveis por mais 10min

APRESENTAÇÃO DE MEMORIAIS: poderá ser requerido às partes, no prazo de 5 dias, considerada a complexidade do caso ou o número de acusados Pronúncia - despacho de um juiz, declarando que alguém é indiciado como autor ou cúmplice de um crime.

Impronúncia - sentença que absolve o réu de ser julgado pelo Tribunal do Júri, suspendendo o processo até a prescrição.

ABSOLVIÇÃO DO ACUSADO - nos casos de:

provada a inexistência do fato

provado não ser ele o autor

o fato não constituir infração penal

demonstrada causa de isenção de pena ou exclusão de crime Obs: Contra a sentença de impronúncia ou absolvição sumária cabe Apelação.

INDÍCIOS DE AUTORIA DE TERCEIROS - o juiz determinará o retorno dos autos ao MP por 15 dias.

INTIMAÇÃO DA DECISÃO DE PRONÚNCIA - será feita:

pessoalmente ao acusado, defensor e M.P.

ao defensor constituído, querelante e assistente do MP por publicação no Diário Oficial

por edital ao acusado não encontrado

PREPARAÇÃO DO PROCESSO PARA JULGAMENTO EM PLENÁRIO

RECEBIMENTO DOS AUTOS - o presidente do Tribunal do Júri determinará a intimação do MP ou querelante e do defensor, para apresentarem testemunhas, no prazo de 5 dias.

TESTEMUNHAS = 5 de acusação e 5 de defesa.

PUBLICAÇÃO DA LISTA GERAL DE JURADOS - ocorrerá até o dia 10 de Outubro de cada ano, divulgada em editais afixados no Tribunal.

IMPEDIMENTO DO JURADO - aquele que tiver integrado o Conselho de Sentença nos 12 meses que antecederem a publicação da lista geral.

Desaforamento - transferência de julgamento para outra comarca da mesma região, se o interesse da ordem pública o reclamar ou houver dúvida sobre a imparcialidade do júri ou segurança pessoal do acusado. Poderá ser ainda determinado por excesso de serviço.

REQUISITOS DO JURADO

ser maior de 18 anos

possuir notória idoneidade

ser cidadão (estar no gozo dos direitos políticos) ISENTOS DE ATUAR NO JÚRI:

1. Pres. República e Ministros de Estado

2. Governadores e seus secretários

3. Congresso Nacional, Assembléia Legislativa e Câmaras Distritais e Municipais

4. Prefeitos

5. Magistrados e promotores públicos

6. servidores do Judiciário, MP e Defensoria Pública

7. autoridades e servidores da polícia e segurança pública

8. militares ativos

9. cidadãos maiores de 70 anos (devem requerer a dispensa)

10. os que requererem por justo impedimento

Recusa fundada em religião, filosofia ou política - importará no dever de prestar

serviço alternativo, sob pena de suspensão dos direitos políticos.

Serviço Alternativo - atividades administ., assistenciais ou filantrópicas no Poder Judiciário, Defensoria Pública, MP ou entidade conveniada.

BENEFÍCIOS DO JURADO

constituirá serviço público relevante

estabelecerá presunção de idoneidade moral

assegurará prisão especial, em caso de crime comum ADIAMENTO DA SESSÃO DE JULGAMENTO - ocorrerá no caso do não comparecimento do MP, sendo transferida para o 1º dia desimpedido.

MULTA - será aplicada à testemunha que não comparecer ao julgamento sem justificativa.

NÚMERO MÍNIMO DE JURADOS - pelo menos 15 jurados para a realização da sessão.

RECUSA DE JURADOS = poderá ser realizada pela defesa e pelo MP, até três cada parte.

TOMADA DE DECISÕES = as decisões do Tribunal serão tomadas por maioria de votos.

ATRIBUIÇÕES DO PRESIDENTE DO JÚRI:

1. regular a polícia da sessões e prender os desobedientes

2. requisitar auxílio da força pública

4.

nomear defensor ao acusado

5. decidir, de ofício, a arguição de extinção de punibilidade

6. determinar as diligências destinadas a sanar nulidade

DIREITOS DO JURADO:

igualdade e preferência nas licitações públicas e no provimento, mediante concurso, de cargo ou função pública

promoção funcional ou remoção voluntária MULTA = aplicada ao jurado que deixar de comparecer na sessão ou retirar-se dela sem ser dispensado, pelo presidente. O valor é de 1 a 10 salários mínimos.

COMPOSIÇÃO DO TRIBUNAL DO JÚRI E FORMAÇÃO DO CONSELHO DE SENTENÇA

TRIBUNAL DO JÚRI - 1 juiz presidente + 7 jurados (Conselho de Sentença)

IMPEDIMENTOS DO CONSELHO DE SENTENÇA - são impedidos de servir no mesmo Conselho:

- marido e mulher

- sogro e genro ou nora

- tio e sobrinho

- ascendente e descendente

- irmãos e cunhados

- padrasto, madrasta ou enteado

Dos Recursos em Geral - arts. 574 a 650 do CPP

Recurso Obrigatório - de ofício, imposto pelo juiz:

apreciado em conjunto com a sentença

apreciado em instância superior (Tribunal)

interposto sobre sentença de habeas-corpus, sentença absolutória por exclusão de crime ou isenção de pena

TIPOS DE RECURSO

Apelação

Carta Testemunhável

Embargos

Habeas Corpus

Recurso em Sentido Estrito

Recurso Extraordinário

Revisão

QUEM PODE ENTRAR COM RECURSO

Ministério Público

querelante

réu

procurador

defensor

FORMAS DE INTERPOSIÇÃO DO RECURSO

Petição (requerimento do recorrente ou de seu procurador)

Telex ou Fax (original autenticado)

EFEITOS DO RECURSO

Devolutivo - a decisão não é executada até o julgamento do recurso. Suspensivo - a decisão impugnada não é executada até seu julgamento. Extensivo - os beneficios do recurso se estendem aos demais agentes do crime, desde que as situações deles no processo sejam idênticas.

RECURSO EM SENTIDO ESTRITO

- pode ser voluntário ou obrigatório

- deve ser julgado pelos Tribunais de Alçada, Regionais Federais, Regionais

Eleitorais ou Militares

- interposto em 5 dias sobre decisão, despacho ou sentença que:

não receber a denúncia ou queixa

concluir pela incompetência do juízo

julgar procedentes as exceções

pronunciar o réu

julgar inidônea a fiança, indeferir requerimento de prisão preventiva, conceder liberdade provisória ou relaxar prisão em flagrante

que absolver o réu

que julgar quebrada a fiança

que decretar a prescrição ou julgar extinta a punibilidade

que conceder ou negar ordem de habeas corpus

que conceder ou revogar a suspensão condicional da pena

que conceder ou revogar livramento condicional

que anular o processo de instrução criminal no todo ou em parte

que incluir ou excluir jurado da lista geral

que decidir sobre a unificação das penas

que decretar medida de segurança depois do trânsito em julgado

que converter a multa em detenção ou prisão simples

que conceder liberdade provisória sem fiança Razões de Recurso - oferecidas dentro de 2 dias após a interposição do recurso.

Aplicação - sobre:

DA APELAÇÃO

1. sentenças definitivas de condenação ou absolvição proferidas por juiz singular

2. decisões definitivas ou com força de definitivas

3. decisões do Tribunal do Júri quando:

ocorrer nulidade posterior á pronúncia

sentença contrária á lei ou decisão dos jurados

erro ou injustiça na aplicação da pena ou da medida de segurança

decisão dos jurados contrária à prova dos autos

RECURSO EM SENTIDO ESTRITO E APELAÇÃO PROCESSO E JULGAMENTO

Embargos Infringentes e de Nulidade - opostos quando a decisão de 2ª Instância (Tribunal) for desfavorável ao réu, desde que a decisão não tenha sido unânime.

Embargos Infringentes - visam a modificação do Acórdão (decisão do Tribunal).

Embargos de Nulidade - visam a anulação do julgamento.

Pressuposto para embargo - existência de um ou mais votos vencidos (se a decisão dos jurados for unânime, não cabe embargo).

Obs: O prazo para oferecimento de embargos infringentes e de nulidade é de 10 dias contados da publicação do acórdão.

DOS EMBARGOS

Embargos de Declaração - opostos aos acórdãos pelos Tribunais de Apelação, quando houver ambiguidade, contradição ou omissão. Prazo de Interposição: 2 dias.

DA REVISÃO

Revisão - reexame de ato, contrato ou regulamento para fins de atualização. Meio processual concedido ao condenado para demonstrar a injustiça da decisão que o condenou. Aplicação da Revisão: - quando:

a sentença condenatória for contrária à lei ou evidência nos autos

a sentença for fundada em depoimentos falsos

após a sentença, surgirem novas provas de inocência ou circunstância que determine a diminuição da pena Obs: A revisão somente é cabível nos processos findos (aqueles em que não cabem mais recurso). Prazo para requerimento: em qq. tempo, antes ou depois da extinção da pena.

QUEM PODE PEDIR A REVISÃO

- réu

- procurador habilitado

- cônjuge

- ascendente

- descendente

- irmão

QUEM PROCESSA A REVISÃO

STF (Supremo Tribunal Federal)

Tribunal Federal de Recursos

Tribunal de Justiça ou Alçada Indenização - pode ser dada ao condenado, pelos prejuízos sofridos, quando se tratar de erro judiciário.

DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO

Aplicação - nas ações onde não caiba mais recurso ordinário.

qualquer dos envolvidos pode impetrar

prazo de interposição: 10 dias

O recurso extraordinário é cabível contra:

1. decisão contra letra de tratado ou lei federal

2. questão sobre vigência de lei federal

3. contestação sobre validade de lei ou ato de governo local ou lei federal

4. quando decisões definitivas dos Tribunais de Apelação de Estados diferentes, derem à mesma lei federal inteligência diversa.

DA CARTA TESTEMUNHÁVEL

Aplicação:

da decisão que denegar recurso

da que obstar sua expedição para o juízo superior.

Prazo de Interposição: 48 horas.

Do Habeas Corpus e Seu Processo (arts. 647 a 667 do CPP)

Art. 647) – Dar-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar na iminência de sofrer violência ou coação ilegal na sua liberdade de ir e vir, salvo nos casos de punição disciplinar.

Art. 648) – A coação considerar-se-á ilegal:

· quando não houver justa causa

· quando alguém estiver preso por mais tempo que determina a lei

· quando quem ordenar a coação não tiver competência para fazê-lo

· quando houver cessado o motivo que autorizou a coação

· quando não for alguém admitido a prestar fiança, nos casos em que a lei a autoriza

· quando o processo for manifestamente nulo

· quando extinta a punibilidade.

Constrangimento Ilegal – falta de justa causa para a prisão.

Obs: Segundo a Constituição de 1988, o recolhimento de qualquer pessoa ao cárcere só é legal quando houver flagrante delito ou ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente (Juiz Criminal), salvo nos casos de transgressão militar ou crime militar, definidos em lei.

Art. 649) – O juiz ou tribunal, dentro dos limites da sua jurisdição, fará passar imediatamente a ordem impetrada, nos casos em que tenha cabimento, seja qual for a autoridade coatora.

Art. 650) – Competirá conhecer, originariamente, do pedido de habeas corpus:

I – ao Supremo

Constituição;

Tribunal Federal, nos casos

previstos

no Art. 101,I,g,

da

Obs: O artigo referido neste inciso (Art. 101-I-g) refere-se à Carta Constituinte de 1937. Hoje o Direito Constitucional é regido pela Constituição de 1988, sendo que, o artigo em referência é o Art. 102,I,i que diz:o habeas corpus, quando o coator for Tribunal Superior ou autoridade/funcionário cujos atos estejam sujeitos diretamente à jurisdição do STF, ou ainda, se trate de crime sujeito à mesma jurisdição em uma única instância;(Alterado pela EC 000.02-1999)”

II – aos Tribunais de Apelação, sempre que os atos de violência ou coação

forem atribuídos aos governadores e interventores dos Estados ou Territórios e ao prefeito do Distrito Federal, ou a seus secretários, ou aos chefes de Polícia.

§ 1º) – A competência do juiz cessará sempre que a violência ou coação provier de autoridade judiciária de igual ou superior jurisdição.

NÃO CABE HABEAS CORPUS contra:

· prisão administrativa de responsável por dinheiro ou valor pertencente à Fazenda Pública, por omissão de recolhimento nos prazos legais, salvo se o pedido for acompanhado de prova de quitação ou de depósito, ou se a prisão exceder o prazo

legal;

Obs: A impetração do habeas corpus deve ser dirigido à autoridade judiciária de 1º grau(Juiz de 1º grau). Todavia, a lei dispõe que a competência do juiz cessará sempre que a violência ou coação advir de autoridade judiciária de igual ou superior jurisdição. Exemplo: se a coação é praticada pelo Delegado de Polícia, a competência para apreciar o pedido é do Juiz Criminal, porém, terminando o inquérito e remetidos os autos ao juízo, o juiz passa a ser a autoridade coatora. Neste último caso, o órgão de 2º grau (Tribunal), passa a ser o competente para apreciar sua ilegalidade.

COMPETÊNCIA DO STF – O Supremo Tribunal Federal processará e julgará o Habeas Corpus quando se tratar de:

· Presidente da República ou Vice

· Membro ou Ministro do Congresso Nacional

· Procurador-Geral da República

· Ministro de Estado

· Membros dos Tribunais Superiores

· Ministros do Tribunal de Contas da União

· Chefes de Missão Diplomática de caráter permanente

· Tribunal, autoridade ou funcionário, cujos atos estejam sujeitos à jurisdição do STF, ou

· se trate de crime sujeito à mesma jurisdição em única instância

COMPETÊNCIA DO STJ – O Supremo Tribunal de Justiça julgará o Habeas Corpus quando se tratar de:

· Governadores do Estado e DF

· Desembargadores dos Tribunais de Justiça dos Estados e do DF

· Membros dos Tribunais de Contas dos Estados e do DF

· Membros dos Tribunais Regionais Federais, Regionais e do Trabalho

· Membros dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios

· Membros do Ministério Público da União

RENOVAÇÃO DO PEDIDO DE HABEAS CORPUS – quando for concedido em virtude de nulidade do processo (art. 652)

QUEM PODE IMPETRAR H.C.? Qualquer pessoa, em seu favor ou de outrem, bem como o Ministério Público (art. 654)

MULTA – Segundo reza o artigo 655, será imposta ao carcereiro, diretor de prisão, escrivão, oficial de justiça, juiz ou delegado que embaraçar ou procrastinar (indeferir ou adiar) a expedição de ordem de habeas corpus, informação sobre a causa da prisão, condução e apresentação do paciente ou a sua soltura.

VALOR DA MULTA = de duzentos mil-réis a um conto de réis (equivalente hoje, de R$ 200,00 a R$ 1.000,00).

QUEM IMPÕE A MULTA? O juiz ou tribunal que julgar o habeas corpus. Se o agente coator for um juiz, a multa será imposta pelo STF ou pelo Tribunal de Apelação.

SOLTURA DO PACIENTE – O juiz determinará a apresentação do paciente, se este estiver preso, após recebida a petição inicial de habeas-corpus. Em caso de desobediência, será expedido mandado de prisão contra o detentor, e o juiz providenciará para que o paciente seja tirado da prisão e apresentado em juízo (art. 656 e parág. único).

MOTIVOS QUE PODEM IMPEDIR A APRESENTAÇÃO DO PACIENTE EM JUÍZO (Art. 657):

I. grave enfermidade

II. não estar ele sob a guarda de pessoa a quem se atribui a detenção

III. se o comparecimento não tiver sido determinado pelo juízo ou pelo tribunal

Obs: No caso elucidado no artigo, o juiz poderá ir ao local onde o paciente se

encontra.

PEDIDO PREJUDICADO – O pedido de habeas-corpus será tido como prejudicado se o juiz ou tribunal verificar que já cessou a violência ou coação ilegal (Art. 659).

DECISÃO – Efetuadas as diligências, e interrogado o paciente, o juiz decidirá, fundamentadamente, dentro de 24 horas.

a) se a decisão for favorável, o paciente será posto em liberdade, salvo se tiver de ser mantido na prisão por outro motivo;

SALVO CONDUTO – será dado ao paciente pelo juiz, se a ordem de habeas corpus for concedida para evitar ameaça de violência ou coação ilegal.

Salvo-conduto é um documento emitido por autoridades de um Estado que permite a seu portador transitar por um determinado território. O trânsito pode ocorrer de forma livre ou sob escolta policial ou militar. Os salvo-condutos são emitidos principalmente em tempos de guerra para cidadãos que potencialmente possam ser capturados sob alegação de diversos motivos.

TRIBUNAL DE APELAÇÃO – caso a competência de decisão sobre o pedido de habeas corpus caiba ao Tribunal de Apelação, a petição será apresentada ao secretário, que enviará imediatamente ao presidente do tribunal, ou da câmara criminal, ou da turma que estiver reunida ou primeiro tiver de reunir-se.

JULGAMENTO E DECISÃO – O habeas corpus será julgado na primeira sessão, podendo, entretanto, adiar-se o julgamento para a sessão seguinte. A decisão será tomada por maioria de votos. No caso de empate, o voto de desempate será proferido pelo presidente; se este já tiver votado, prevalecerá a decisão mais favorável ao paciente.

Art. 665) – O secretário do tribunal lavrará ordem que, assinada pelo presidente do tribunal, será dirigida, por ofício ou telegrama, ao detentor, ao carcereiro ou autoridade que exercer ou ameaçar exercer o constrangimento.