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23 - 05 - 2011

3. Metabolismo Bioenergético

3. Metabolismo Bioenergético B I O Q U Í M I C A A VIA DOS

B I O Q U Í M I C A

A VIA DOS FOSFATOS DE PENTOSE O SISTEMA PIRUVATO

DESIDROGENASE

A U L A 1 6

Metabolismo energético das células Glicólise Beta-oxidação Ciclo dos ácidos tricarboxílicos Cadeia
Metabolismo energético das células
Glicólise
Beta-oxidação
Ciclo dos ácidos
tricarboxílicos
Cadeia
respiratória e
fosforilação
oxidativa
ATP

Metabolismo Energético

Metabolismo Energético VIA DOS FOSFATOS DE PENTOSE 23 - 05 - 2011 A via dos fosfatos

VIA DOS FOSFATOS DE PENTOSE

23 - 05 - 2011

A via dos fosfatos de pentose A via dos fosfatos de pentose é um processo
A via dos fosfatos de pentose
A via dos fosfatos de pentose é um processo não
linear responsável pela síntese de NADPH e de 5-
fosfato de ribose
A via dos fosfatos de pentose é indissociável da
glicólise porque contem intermediários comuns.
É uma via de conversão de hexoses em
outras oses (trioses, tetroses, pentoses e
heptoses)
 É não linear, com uma parte oxidativa e
uma não oxidativa

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A via dos fosfatos de pentose inicia com o 6-fosfato de glucose

dos fosfatos de pentose inicia com o 6-fosfato de glucose  Função  Produção de NADPH

Função

Produção de NADPH

Sintese de ribose

Nucleótidos e ácidos nucleicos

 Sintese de ribose  Nucleótidos e ácidos nucleicos  Equivalente redutor  Vias de síntese

Equivalente redutor Vias de síntese (ex., ác gordos)

Papel na regulação redox da célula e no controlo antioxidante (glutationo)

Visão geral da via dos fosfatos de pentose Fase oxidativa O 6-P-glucose é oxidado a
Visão geral da via dos fosfatos de pentose
Fase oxidativa
O 6-P-glucose é oxidado a 5-P-ribulose, e
forma-se duas moléculas de NADPH
Cria-se potencial redutor e uma pentose.
Fase não oxidativa
Na segunda fase, ocorre a conversão
de duas pentoses em diversas oses
de 3, 4, 6 e 7 carbonos.
Entre outras forma-se 5-P-ribose
(nnucleótidos) e 3-P-gliceraldeido e
6-P-frutose, intermediários da
glicólise

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Fase oxidativa da via dos fosfatos de pentose (1) O 6-P-glucose é oxidado (no C
Fase oxidativa da via dos fosfatos de pentose
(1) O 6-P-glucose é oxidado (no C 1) a 6-P-gluconolactona,
pelo 6-P glucose desidrogenase (EC1.1.1.49), com
redução do NADP + a NADPH.
(2) A lactona é hidrolisada a 6-P fosfogluconato
pela 6-fosfogluconolactonase (EC 3.1.1.31)
(3) O 6-P-gluconato é descarboxilado oxidativamente
pelo 6-P-gluconato desidrogenase (EC 1.1.1.44),
(oxidação do C3 a cetona), com libertação de CO 2 e
formação de NADPH

Fase não oxidativa da via dos fosfatos de pentose

de NADPH Fase não oxidativa da via dos fosfatos de pentose Nesta fase participam 4 enzimas:
de NADPH Fase não oxidativa da via dos fosfatos de pentose Nesta fase participam 4 enzimas:

Nesta fase participam 4 enzimas:

5-P de D-ribulose epimerase (EC 5.1.3.1) 5-P de D-ribulose isomerase (EC 5.1.3.6) (ambas isomerases) Transcetolase (EC 2.2.1.1) Transaldolase (EC 2.2.1.2) (ambas transferases)

• Transaldolase (EC 2.2.1.2) (ambas transferases) Esta fase inicia-se com a formação de isómeros do

Esta fase inicia-se com a formação de isómeros do 5-fosfato de ribulose por enzimas fosfopentose isomerase e fosfopentose epimerase, respectiva\ 5-P-xilulose e 5-P-ribose

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Fase não oxidativa da via dos fosfatos de pentose Nesta fase, transcetolases e transaldolases catalisam
Fase não oxidativa da via dos fosfatos de pentose
Nesta fase, transcetolases e transaldolases
catalisam transferências de fragmentos de
2 ou 3 C, tornando a via não linear e com
sucessivas bifurcações
Acção da Transcetolase
A
partir da 5-P-xilulose e 5-P-ribose, a
transcetolase transfere um grupo
glicoaldeído (CH 2 CO- ) do 5-P-xilulose
para um C1 aceitador que contenha um
aldeido terminal (ex, 5-P-ribose,
eritrose-4-P).
Fase não oxidativa da via dos fosfatos de pentose Nesta fase, transcetolases e transaldolases catalisam
Fase não oxidativa da via dos fosfatos de pentose
Nesta fase, transcetolases e transaldolases
catalisam transferências de fragmentos de
2 ou 3 C, tornando a via não linear e com
sucessivas bifurcações
Acção da Transaldolase
A
transaldolase transfere um
resíduo de dihidroxiacetona do 7-P
de D-sedo-heptulose para o 3-P-
gliceraldeido, formando 4-P-
eritrose e 6-P frutose

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A glicólise e a via dos fosfatos de pentose Esta via é um desvio à
A glicólise e a via dos fosfatos de pentose
Esta via é um desvio à glicólise
pois parte dos produtos
podem reentrar na glicólise.
É essencial para a manutenção
de NADPH, a síntese de
pentoses, a conversão de
outras oses em
metabolitos da glicolise.
Esta via é muito importante em tecidos que
sintetizam ácidos gordos, fígado e tecido adiposo
Papel do NADPH e do glutationo no equilíbrio redox O glutationo é um tripéptido com
Papel do NADPH e do glutationo no equilíbrio redox
O glutationo é um tripéptido com um grupo tiol. É designado pela sigla GSH, na
forma reduzida e GSSG é o dímero oxidado com ponte persulfureto. É o tiol
(pequeno) mais abundante nas células de mamíferos.
O glutationo é usado nas células na defesa
antioxidante, e a sua regeneração é
catalizada pelo glutationo redutase que
consome NADPH

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Síntese de ácidos gordos necessita de NADPH 1º Ciclo Ciclos sucessivos A síntese de ácidos
Síntese de ácidos gordos necessita de NADPH
1º Ciclo
Ciclos
sucessivos
A síntese de ácidos gordos faz-se por
ciclos de adição sucessiva de 2 C a partir
do malonil-CoA, composta por reacções
de redução e desidratação, que
consomem NADPH
Enzima
H
Enzima

Metabolismo Energético

e desidratação, que consomem NADPH Enzima H Enzima Metabolismo Energético O SISTEM A PIRUVATO DESIDROGENASE 7

O

SISTEM A PIRUVATO DESIDROGENASE

e desidratação, que consomem NADPH Enzima H Enzima Metabolismo Energético O SISTEM A PIRUVATO DESIDROGENASE 7
e desidratação, que consomem NADPH Enzima H Enzima Metabolismo Energético O SISTEM A PIRUVATO DESIDROGENASE 7
e desidratação, que consomem NADPH Enzima H Enzima Metabolismo Energético O SISTEM A PIRUVATO DESIDROGENASE 7

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O sistema piruvato desidrogenase  O Sistema piruvato desidrogenase é um sistema multienzimático (um conjunto
O sistema piruvato desidrogenase
 O Sistema piruvato desidrogenase é um sistema
multienzimático (um conjunto de enzimas) também
chamado complexo enzimático que cataliza a
conversão de piruvato em acetil-CoA
A entrada no ciclo dos ácidos tricarboxílicos
requer a activação do piruvato a acetil-CoA
Faz a ligação da glicólise ao ciclo TCA e à
cadeia respiratória.
O sistema piruvato desidrogenase localiza-se
na matriz mitocondrial
Neste processo estão envolvidos 5 passos reaccionais
A molécula de acetil-CoA O acetil-CoA é um conjugado de acetato ao Coenzima A (CoA)
A molécula de acetil-CoA
O acetil-CoA é um conjugado de acetato
ao Coenzima A (CoA)
A presença do CoA facilita (activa) a
molécula de acetato para que ela reaja
mais facilmente.
A glicólise (piruvato) não é a única
fonte de acetil-CoA
O TCA não é o único destino do
acetil-CoA (ex, síntese de ác. gordos)

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O sistema piruvato desidrogenase O complexo piruvato desidrogenase é formado por três enzimas ou componentes
O sistema piruvato desidrogenase
O complexo piruvato desidrogenase é
formado por três enzimas ou
componentes E1, E2 e E3
Reacção geral
5 passos
intermédios
Descarboxilação e
desidrogenação do piruvato
Mecanismo reaccional Reacção 1 Piruvato  hidroxietil-TPP E1 (ligação do piruvato ao cofactor TPP do
Mecanismo reaccional
Reacção 1
Piruvato  hidroxietil-TPP
E1
(ligação do piruvato ao cofactor TPP do E1)
Reacção 2
hidroxietil-TPP  acil lipolisina
E2
(oxidação do grupo hidroxietiltiamina pirofosfato a
pirofosfato de acetiltiamina. 2 electrões são
transferidos para reduzir o persulfureto do grupo
lipoilo a 2 tiois (-SH). O grupo acetilo é transferio
para o ácido lipóico)

Mecanismo reaccional

Mecanismo reaccional Acetil-CoA E2 5 4 E3 Reacção 3 acil lipolisina  lipolisina reduzida (Dá-se a
Acetil-CoA E2 5 4 E3
Acetil-CoA
E2
5
4
E3

Reacção 3 acil lipolisina lipolisina reduzida

(Dá-se a tranferência do grupo acilo para o CoA, formando-se acetil-CoA transesterificação)

Reacção 4 e 5 Lipolisina reduzida lipolisina oxidada

(regeneração por oxidação da lipolisina, e

transferência dos electrões para o FADH 2 (reacção 4), que é reoxidado na reacção 5, transferindo electrões/ reduzindo NAD + a NADH)

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Balanço energético e regulação  A conversão de piruvato a acetil-CoA faz-se com formação de
Balanço energético e regulação
 A conversão de piruvato a acetil-CoA faz-se com formação de CO 2 e de 1 NADH
 Na cadeia respiratória, 1 NADH leva à formação de 2,5 ATP.
 Assim por cada glucose há 2 piruvatos  2NADH  5 ATP
1. Regulação por inibição por produto
-
NADH e acetil-CoA inibem o sistema piruvato desidrogenase, com
acumulação de produtos

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Balanço energético e regulação Regulação por ciclo reversível de fosforilação NADH Acetil -CoA PDHK P
Balanço energético e regulação
Regulação por ciclo reversível de fosforilação
NADH
Acetil -CoA
PDHK
P
Piruvato
Piruvato desidrogenase
cinase
TPP
NAD +
ATP
Inactivo
CoA
ADP
Pi
PDHP
Piruvato desidrogenase
Mg 2+ , Ca 2+
fosfatase
ATP
Análise da regulação do fluxo da via E2 E2 E1 E3 Reacções em semi equilíbrio
Análise da regulação do fluxo da via
E2
E2
E1
E3
Reacções em semi equilíbrio
Reacção irreversível
Esperar-se-ia que a reacção E1
fosse a limitante e controladora da
via.
E é, quando ocorre a velocidades
baixas.
1,5
1
0,5
0
Mas a velocidades altas de E1, a
regeneração do E2 (reações 4 e 5,
catalizadas pelo E3) torna-se o
factor limitante
- 0,5
-
1
- 1,5
0
CCF
(coeficient de controlo de fluxo)

Deficiências funcionais no sistema piruvato desidrogenase

Deficiências funcionais no sistema piruvato desidrogenase Existem diversas patologias associadas ao mau funcionamento do

Existem diversas patologias associadas ao mau funcionamento do piruvato desidrogenase. Elas são doenças genéticas que resultam de mutações nos genes que codificam as componentes E1, E2, e E3, e também a PDHK e PDHP.

Entre outros efeitos, estas patologias estão associadas a acidose láctica, por excesso de fermentação do piruvato a ácido láctico. Estão também associadas a problemas de desenvolvimento motor e neurológico, devido à baixa produção geral de ATP, que afecta globalmente o metabolismo das células.

A mutação na E3 é mais grave pois afecta também outros complexos enzimáticos que usam o mesmo sistema de regeneração (α-cetoglutarato desidrogenase e α- cetoácido de cadeia ramificada desidrogenase).

Deficiências funcionais no sistema piruvato desidrogenase

Deficiências funcionais no sistema piruvato desidrogenase Uma terapêutica é uma dieta rica em ácidos gordos e

Uma terapêutica é uma dieta rica em ácidos gordos e pobre em glícidos O objectivo é baixar os níveis de glicólise globais (diminui o piruvato ác láctico), e estimular a utulização dos ácidos gordos como fonte de acetil-CoA pela beta oxidação. O fígado consegue assim alimentar o cérebro e músculos À custa de corpos cetónicos, mas estes tb acidificam o sangue.

Uma segunda terapêutica é a administração de doses elevadas de tiamina, nicotinamida, lipoato e riboflavina Todos estes compostos são cofactores do sistema Piruvato Desidrogenase, e por vezes, algumas mutações podem apenas alterar os Km (ou seja a afinidade) dos enzimas para os cofactores, fazendo-os necessitar de maior concentração para funcionarem.

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bibliografia

bibliografia Capítulo 24 e 25 Questões 7. Quando se adiciona O2 a uma suspensão de células

Capítulo 24 e 25

Questões

bibliografia Capítulo 24 e 25 Questões 7. Quando se adiciona O2 a uma suspensão de células

7.

Quando se adiciona O2 a uma suspensão de células em condições de anaerobiose e em meio rico em glucose, a velocidade de consumo de glucose diminui significativamente assim que o oxigénio começa a ser consumido. Adicionalmente a acumulação de lactato cessa. Este efeito foi inicialmente observado por Louis Pasteur na década de 1860 e trata-se de um efeito característico da maioria das células que são capazes de oxidar a glucose em condições de aerobiose e anaerobiose.

a) Qual a explicação para a acumulação de lactato cessar após a adição de O2 ao meio?

b) Porque é que a adição de O2 ao meio provoca a diminuição no consumo de glucose?

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Questões

Questões 6. Uma criança de 3 anos apresenta uma sintomatologia de acidose láctica e um lento

6.

Uma criança de 3 anos apresenta uma sintomatologia de acidose láctica e um lento desenvolvimento das capacidades motoras, bem como atraso no desenvolvimento mental. A determinação da actividade enzimática do sistema piruvato desidrogenase num homogenato de uma cultura de fibroblastos provenientes de uma biopsia revela apenas 15% da actividade comparativamente com os valores normais.

a) Como é que uma deficiência no sistema piruvato desidrogenase pode explicar estes sintomas?

b) Uma forma de terapia para estes casos é a administração de doses elevadas de tiamina, nicotinamida, lipoato e riboflavina. Qual a explicação para a utilização desta terapêutica

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Questões

Questões 1. Em que parte da célula se localiza a via dos fosfatos de pentose? 2.
Questões 1. Em que parte da célula se localiza a via dos fosfatos de pentose? 2.

1. Em que parte da célula se localiza a via dos fosfatos de pentose?

2. Resuma as funções atribuídas à via dos fosfatos de pentose.

3. Que tipos de reacções são catalisadas pelos transcetolases?

4. Indique quais são funções do glutationo na célula:

a) defesa antioxidante

b) Síntese de nucleótidos

c) Manutenção do estado redox intracelular

d) Redução de espécies reactivas de oxigénio

e) Armazenamento e transporte de cisteína

f) Catabolismo dos ácidos gordos (beta-oxidação)

5. O complexo piruvato desidrogenase é composto por 3 enzimas que funcionam sequencialmente catalizando 5 reacções, mas é a primeira reacção de descarboxilação que é o ponto de controlo do fluxo da via porque é irreversível. Comente esta afirmação.

de descarboxilação que é o ponto de controlo do fluxo da via porque é irreversível. Comente