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FACETE - FACULDADE DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA

CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOPEDAGOGIA

CÍCERO ERIBERTO DA SILVA

INDISCIPLINA: CONCEITOS, CAUSAS E CONSEQUENCIAS. UMA

REFLEXÃO SOBRE A TEMÁTICA DA INDISCIPLINA NA ESCOLA.

MOSSORÓ

2012

FACETE - FACULDADE DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOPEDAGOGIA

CÍCERO ERIBERTO DA SILVA

INDISCIPLINA: CONCEITOS, CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS. UMA

REFLEXÃO SOBRE A TEMÁTICA DA INDISCIPLINA NA ESCOLA.

Monografia apresentada como exigência do curso de Pós-Graduação em Psicopedagogia da Faculdade de Educação Teológica, FACETE, para obtenção do Título de Especialista em Psicopedagogia, sob orientação do Professora Ms. Fernanda Suerda da Rocha.

MOSSORÓ

2012

FICHA CATALOGRÁFICA SILVA, Cícero Eriberto da Indisciplina: Conceitos, Causas e Consequências. Uma Reflexão Sobre a Temática da Indisciplina na Escola. Mossoró. FACETE - Faculdade de Educação Teológica. Orientação: Ms. Fernanda Suerda da Rocha.

Páginas: 45 Monografia apresentada como exigência do curso de Pós- Graduação Lato Sensu para obtenção do título de Especialista em Psicopedagogia Institucional.

1 Indisciplina; 2 Conceitos; 3 Causas; 4

Consequências; 5 Reflexão; 6 Temática; 7 Escola.

INDISCIPLINA: CONCEITOS, CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS. UMA

REFLEXÃO SOBRE A TEMÁTICA DA INDISCIPLINA NA ESCOLA.

CÍCERO ERIBERTO DA SILVA

APROVADA EM

/ /

BANCA EXAMINADORA

Prof. Ms. Marcizo Zemar COORDENADOR

Prof. Ms. Fernanda Suerda da Rocha PROFESSOR ORIENTADOR

EPÍGRAFE

Educação é aquilo que resta quando nos esquecemos daquilo que nos foi ensinado.

Michael Hammer

Eduque a criança no caminho em que deve andar, e até o fim da vida não se desviará dele.

Corrige o teu filho, e te dará descanso, dará delícias à tua alma.

Salomão

AGRADECIMENTOS

Agradeço ao meu Deus, a seu filho Jesus, e ao seu Santo Espírito pelo amor a graça com os quais me presenteou. Agradeço a minha família e a todos aqueles que me ajudaram e que tornou possível o galgar de mais um passo nesta jornada. Agradeço a Faculdade de Educação Teológica por ser o meio pelo qual alcanço mais um alvo em minha vida.

DEDICATÓRIA

Dedico

Deus e Pai, por seu amor e graça. Aos

(in

memoriam), aos meus irmãos que me

deram força e apoio, e a minha amada

esposa

compreensão; e Rebeca.

é

e

flor

meus

Senhor

este

pais

Inês,

trabalho

Cícero

que

ao

e

fonte

meu

Gecilda

de

amor

minha

pequena

RESUMO

A indisciplina no contexto escolar é algo que vem trazendo preocupação não só aos pais, bem como aos educadores; pois traz não só mal estar social com consequências para a vida dos que são autores, assim também como para aqueles que são vítimas. Mas o que seria a indisciplina, como conceituá-la? Quais seriam as suas manifestações? Como ela se apresenta? Veremos que há várias prováveis causas para a indisciplina, e que ela pode sair do contexto escolar e abranger a sociedade; o mal estar social é também um problema que surge com a indisciplina. O bullying é uma das facetas da indisciplina, bem como o ciberbullying que atua no mundo virtual e que no contexto social atual, torna-se uma forma de agressão que se utiliza de ferramentas aceita por muitos jovens para interagir socialmente, como o Orkut, o Facebook, Twiter e outras formas virtuais de relacionamento social.

Palavras-chave: Indisciplina; Bullying; Ciberbullying.

ABSTRACT

The indiscipline in the school context is something that is raising concerns not only to parents and educators, not only because it brings social unrest with consequences for the lives of those authors, and also for those who are victims. But what would be disruptive, as define it? What are its manifestations? As it presents itself? We will see that there are several likely causes for discipline, and that she can get out of school context and cover the company, the unrest is also a problem that arises with indiscipline. Bullying is one facet of indiscipline and the cyber bullying that operates in the virtual world and that the current social context, it becomes a form of aggression that uses tools accepted by many young people to interact socially, such as Orkut, Facebook Twiter and other virtual social networking.

Keywords: Indiscipline; Bullying, cyber bullying.

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO

10

1- INDISCIPLINA, UM OLHAR REFLEXIVO

11

1.1

INDISCIPLINA, E SUA CONCEITUAÇÃO

11

2- INDISCIPLINA, E SUAS MANIFESTAÇÕES

17

3- INDISCIPLINA, E SUAS PROVÁVEIS CAUSAS

20

3.1 A FAMÍLIA COMO CAUSA DA INDISCIPLINA

21

3.2 O ALUNO COMO CAUSA DA INDISCIPLINA

22

3.3 A SOCIEDADE COMO CAUSA DA INDISCIPLINA

22

3.4 O AMBIENTE COMO CAUSA DA INDISCIPLINA

23

3.5 OS ASPECTOS SÓCIO-EMOCIONAIS COMO CAUSA DA INDISCIPLINA

24

3.6 ATITUDES DO PROFESSOR COMO CAUSA DA INDISCIPLINA

24

3.7 GRUPOS SOCIAIS COMO CAUSA DA INDISCIPLINA

25

4- INDISCIPLINA, E SUAS CONSEQÜÊNCIAS

29

4.1 MAL ESTAR SOCIAL COMO CONSEQÜÊNCIA DA INDISCIPLINA

29

4.2 BAIXO DESEMPENHO ESCOLAR COMO CONSEQÜÊNCIA DA INDISCIPLINA

 

30

4.3 VIOLÊNCIA COMO CONSEQÜÊNCIA DA INDISCIPLINA

31

4.3.1

Bullying

32

4.3.1.1 Ciberbullying

37

5- CONSIDERAÇÕES FINAIS

40

6- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

43

10

INTRODUÇÃO

A indisciplina não é fácil de conceituar, neste artigo nos ateremos ao contexto da indisciplina escolar; não se há uma definição clara e sim frações de um conceito, mas a indisciplina no contexto escolar é algo que a muito tem preocupado não só pais, professores e funcionários de instituições de ensino, mas também a sociedade como um todo, pois os atos de indisciplina dos jovens têm se mostrado muito mais do que apenas “coisas de jovens”; no contexto escolar, preocupa por tratar-se um mal que não só gera mal estar social, entre alunos e até mesmo entre profissionais das instituições de ensino, como também um provedor do baixo desempenho escolar. Quanto ao contexto social como um todo; a indisciplina tem sido um reflexo daquilo que os jovens têm aprendido, ou deixado de aprender, quanto aos valores sociais; valores estes que devem vir de sua “primeira escola” que é a família. Princípios estes que norteiam o jovem quanto as suas atitudes e caminhos a seguir, sem estes princípios não se tem como viver bem em sociedade. Como podemos identificar a indisciplina, através de que ela se manifesta? O que podemos entender quanto a suas causas e o que a indisciplina pode causar para os jovens que dela se utilizam, ou até que ponto pode chegar os atos de indisciplina? Estas são algumas questões que este estudo se propõe a responder, questões estas que muitos pais e educadores têm-se questionado, buscando com certeza uma compreensão mais apurada quanto à questão da indisciplina no contexto escolar.

11

1. INDICIPLINA, UM OLHAR REFLEXIVO.

sido observado como uma

constante nos meios de comunicação seja por notícias sobre agressões sofridas por professores e funcionários de escolas, principalmente nas escolas públicas, ou também por práticas maldosas como o Bullying, entre os próprios alunos; tal prática tem se tornado algo comum nas escolas. O que pode ser a causa de tal

atitude? Ou o que isso pode trazer para nossos jovens como consequência para suas vidas?

A

indisciplina

é

algo

que

tem

1.1 INDISCIPLINA, E SUA CONCEITUAÇÃO.

A tarefa de conceituar a indisciplina não é algo de somenos, pois

devemos considerar a indisciplina como algo além de apenas um mau comportamento de uma criança, ou uma má criação.

A busca da compreensão do termo indisciplina observou-se que

sua origem vem do termo disciplina que por sua vez tem a mesma etimologia da palavra “discípulo”, que significa “aquele que segue”; disciplina é uma derivação do termo discípulo e ambas têm sua origem no termo latino para pupilo, que tem o significado de instruir, educar, treinar; dando uma idéia de caráter moldável. Portanto a disciplina é usada em educação como o termo que define a disposição dos “discípulos” em seguir os ensinamentos e as regras de comportamento definidas por seus “mestres”.

Em um estudo pioneiro realizado por Farias, realizado no ano de 1979; observou-se que muitos professores definiam seus alunos como “disciplinados” ou “indisciplinados” mesmo que não houvesse claras definições para tais categorias. Farias diz: “se não há uma definição formal, oficial, para o que venha a ser objetivamente chamado de indisciplina, parece haver um consenso entre professores e alunos sobre seu significado.”

12

(FARIAS, 1979, p. 27). Sem uma definição clara sobre o que seria a indisciplina, Farias expõe diferentes definições sobre a disciplina.

Disciplina vem do latim “disciplina” que significava

“ensino” ou “material ensinada” [

verbo “discere” – aprender –que se opõe a “docere” – fazer aprender, ensinar. Há, porém, um segundo

“Disciplina” quer dizer um conjunto de

regras de conduta impostas aos membros de uma

coletividade, especialmente escolar ou militar, ou que

alguém impõe a si próprio. [

ordem na sala de aula, bem como seu treino promovido

nas crianças através do preceito, exemplo, regras e

sistemas de recompensa e punição. [

procura conseguir o domínio que cada um deve ter de si

A disciplina não

seria um conjunto de proibições, regras e regulamentos, “embora tornem-se necessárias algumas ‘regras de base’ funcionais que definam um campo para a liberdade […]”

próprio e do ambiente circundante [

Um processo que

O termo significa a boa

significado [

]

O termo deriva do

]

]

]

]

O indivíduo disciplinado seria aquele que domina a si

próprio e ao meio ambiente. Não é aquele submisso,

O

significado antigo da palavra – “ser ensinado” ou

O

termo significava uma escolaridade formal, uma aprendizagem, uma atividade organizada. (FARIAS,

“submeter-se às exigências da aprendizagem” [

psicologicamente subjugado ou coagido. [

]

]

1979, p. 27 29).

Podemos ver a conceituação da indisciplina no dicionário,

obtendo o seguinte resultado.

1.Fazer perder a disciplina; tornar indisciplinado; sublevar, revoltar, subverter: O novo aluno indisciplinou a classe. 2.Relaxar, afrouxar; desmoralizar. Verbo pronominal. 3.Perder a disciplina; sublevar-se. Procedimento, ato ou dito contrário à disciplina; desobediência; desordem; rebelião. (AURÉLIO, 2010)

Tiba (1996, p.117) define disciplina como:

(O) conjunto de regras éticas para se atingir um objetivo.

A ética é entendida, aqui, como o critério qualitativo do

comportamento humano envolvendo e preservando o respeito ao bem estar biopsicossocial.

Segundo FERREIRA (1999, p. 102):

13

O termo “indisciplina” é relacionado intimamente ao conceito de “disciplina” e tende a ser definido pela negação ou privação desta, ou pela desordem proveniente da quebra de regras estabelecidas. Indisciplina refere -se, portanto, ao “procedimento, ato ou dito, contrário à disciplina”. Sendo assim, indisciplinado é aquele que se “insurge contra a disciplina; rebelde; que não tem disciplina”.

A definição que melhor se apresenta, é fornecida por Yves de La

Taille 1 que esclarece:

Se entendermos por disciplina comportamentos regidos por um conjunto de normas, a indisciplina poderá se traduzir de duas formas: 1) a revolta contra estas normas; 2) o desconhecimento delas. No primeiro caso, a indisciplina traduz-se por uma forma de desobediência insolente; no segundo, pelo caos dos comportamentos, pela desorganização das relações.

Ao nível do contexto escolar, segundo VEIGA (1992, p. 3), a

violação das regras é denominada “disrupção escolar”. O autor define

então disrupção escolar como o “conjunto dos comportamentos

escolares disruptivos, sendo estes definidos como a transgressão das

normas escolares, prejudicando as condições de aprendizagem, o

ambiente de ensino, ou o relacionamento das pessoas na escola”.

VEIGA (1995, p. 12),

A indisciplina é vista inicialmente como sendo uma perda da

disciplina que segundo Aurélio a disciplina trata-se:

1.Regime de ordem imposta ou livremente consentida. 2.Ordem que convém ao funcionamento regular duma organização (militar, escolar, etc.). 3.Relações de subordinação do aluno ao mestre ou ao instrutor. 4.Observância de preceitos ou normas. 5.Submissão a um regulamento. 6.Qualquer ramo do conhecimento (artístico, científico, histórico, etc.). 7.Ensino, instrução, educação. 8.Conjunto de conhecimentos em cada cadeira dum estabelecimento de ensino; matéria de ensino. (AURÉLIO, 2010, p. 689).

14

GOTZÉNS (2003, p. 26) afirma que:

Disciplina refere-se ao conjunto de procedimentos, normas e regras mediante os quais se mantêm a ordem na escola, e cujo valor é basicamente favorecer a consecução dos objetivos propostos ao longo do processo

de ensino-aprendizagem do aluno.

Para Vasconcelos a disciplina é vista como a capacidade de

alguém em comandar a si mesmo, ter uma regra de vida; o que pode

ser mais bem compreendido através de suas próprias palavras.

A disciplina significa a capacidade de comandar a si

mesmo aos caprichos individuais, às veleidades desordenadas, significa, enfim, uma regra de vida. Além disso, significa a consciência da necessidade livremente aceita, na medida em que é reconhecida como necessária para que um organismo social qualquer atinja o fim proposto (VASCONCELOS, 1995, p. 40).

A disciplina é algo a ser compreendida como sendo uma regra

fundamental para o bom andamento de uma escola, para que haja o

ambiente propício à aprendizagem. De acordo com Tiba

compreendemos a disciplina escolar como:

A disciplina escolar é conjunto de regras que devem ser obedecidas para êxito do aprendizado escolar. Portanto, ela é uma qualidade de relacionamento humano entre o corpo docente e os alunos em uma sala de aula e consequentemente, na escola (TIBA, 1996, p. 99).

Sendo a indisciplina uma ação contrária a prática da disciplina,

então quais atos podem ser considerados como sendo tidos como atos

de indisciplina? Podemos compreender que atos como desordem,

ofensas, grosserias e a falta de respeito por seu semelhante são

considerados pelo consenso popular como ações indisciplinadas, ou

podemos até dizer que são atitudes incivilizadas. Bernard Charlot,

teórico francês, define este tipo de comportamento indisciplinado

como sendo incivilidade. Conforme a caracterização proposta por

15

Charlot (2002, p. 437), a incivilidade refere-se às condutas que se

opõem às regras da boa convivência em sociedade.

Quando se procura conhecer um pouco sobre incivilidade, termo

tão pouco utilizado, encontra-se que:

Por incivilidade se entende uma grande gama de fatos indo de indelicadeza, má criação das crianças ao

vagabundos,

grupos juvenis. As incivilidades mais inofensivas parecem ameaças contra a ordem estabelecida transgredindo códigos elementares da vida em sociedade, o de código de boas maneiras. Elas podem ser do

vandalismo, passando pela presença

de

barulho, sujeira, impolidez, tudo que causa

desordem

(DEBARBIEUX,

apud LATTERMAN, 2000,

p. 37).

Garcia (2006, p. 4) nos diz que:

As incivilidades englobam comportamentos desafiantes que rompem regras e esquemas da vida social, sejam tácitos ou explicitados contratos sociais. Mas as chamadas incivilidades não rompem, necessariamente, com acordos, regras e esquemas pedagógicos. Antes, rompem com expectativas do que pode estar tacitamente esperado como boa conduta social. Destaca-se entre as incivilidades reportadas nas queixas usuais dos professores, a “falta de respeito”. Essa alegação, em particular, sugere a ocorrência em sala de aula, de práticas de incivilidade na forma de insensibilidade aos direitos de cada um de ser respeitado como pessoa.

Essas incivilidades são ações que perturbam o bom convívio em

sociedade, portanto são agentes que dificultam o surgimento de

relações saudáveis entre os membros de uma comunidade, entenda

comunidade como um grupo envolvido em um ambiente de troca de

saberes, impedindo o livre fluxo de saberes, que no contexto da

educação é a mola mestre da formação do conhecimento.

As incivilidades apresentadas por Garcia são também geradoras

de conflitos que podem desenvolver-se para atitudes mais agudas, no

que se refere ao ferir os direitos das pessoas de serem respeitadas.

Podemos citar a prática do Bullying, que posteriormente será

abordada neste artigo.

16

A conceituação do termo indisciplina não é estática, conforme Rego (1996, p. 84) “o próprio conceito de indisciplina não é estático, uniforme, nem tão pouco universal”. O mesmo autor demonstra que o conceito está relacionado com diversos aspectos no decorrer da história, variando dentro de diferentes sociedades, classes sociais, culturas, instituições de ensino e também de forma diferente por cada indivíduo conforme o contexto no qual o mesmo está inserido. Carvalho (1996, p. 130) diz que a disciplina e a indisciplina “assim como várias outras expressões de uso corrente por parte dos agentes institucionais da educação, têm profundas raízes históricas e múltiplos usos igualmente legítimos”. Mas mesmo que o conceito, a noção de indisciplina esteja ligada a tantos aspectos diferentes podemos sintetizar os conceitos encontrados nas literaturas utilizadas, partindo das idéias etimológicas que surgem da compreensão do termo disciplina.

17

2. INDICIPLINA, E SUAS MANIFESTAÇÕES.

A indisciplina tem inúmeras facetas, pode-se até dizer que é praticamente impossível enumerar as formas pelas quais a indisciplina pode se apresentar, pois em quase todos os desvios de comportamento ditos padrões podem ser considerados indisciplina, isto no senso comum, pois como observado no capítulo anterior, à indisciplina por muitos foi compreendida com disparidade, o que torna sua definição relativa à que foco se está tomando; quanto a suas manifestações podemos utilizar um método de classificação para tornar a função de enumerá-las mais eficiente; pode-se considerar que a indisciplina em suas formas mais elementares é cotidianamente observada por professores em suas salas de aulas. Classificando-se em duas vertentes temos: As manifestações da indisciplina, freqüentes e as excepcionais (FONTES, 2010 p. 2). As freqüentes são aquelas que rotineiramente acontecem e sem tanto prejuízo, aparentemente, para o convívio social no ambiente escolar; proporcionam desconforto social, mas não chega tornar impraticável o ato de ensinar. Frequentes:

Apatia do grupo.

Cochicho.

Troca de mensagens e de papelinhos.

Intervalos cada vez maiores.

Exibicionismo.

Perguntas que colocam em causa o professor, ou a desvalorização do conteúdo da aula.

Discussão freqüente entre grupos na aula, de modo a provocarem uma agitação em sala.

Comentários despropositados.

Silêncios ostensivos.

Entradas e saídas “justificadas”.

18

O que estas formas de manifestações têm em comum, é o fato de estarem interligadas com a falta de interesse do indivíduo em processo de formação, em compreender que a educação é a base para a mudança sócio-econômica de um país, e que isto definirá seu futuro como cidadão e membro ativo da economia mundial. Tal atitude demonstra uma história de péssima carga educacional deste indivíduo, que tem como um de seus fatos geradores as precárias condições sociais e da incapacidade atual da máquina administrativa pública em proporcionar educação digna para a população. Existem também as manifestações da indisciplina que ocorrem com menor incidência, mas que estas manifestações em nossos dias tem-se tornado cada vez mais freqüentes, estas são denominadas as Manifestações Excepcionais:

Excepcionais:

Agressões a colegas.

Agressões a professores e funcionários.

Roubos.

Provocações de apelo sexual.

Demonstrações de preconceito com outros alunos ditos diferentes.

Atitudes racistas, étnicas, machistas e homofóbicas.

Não é raro observarmos nos telejornais manchetes que evidenciam a crescente onda de violência que tem atingido as escolas de nosso país, bem como também no mundo; isto tem se tornado banal, o fato de não só os alunos estarem agredindo-se verbalmente, também fisicamente e com casos de assassinatos dentro de escolas ou em suas redondezas; como também as agressões para com os professores e funcionários das instituições de ensino querem privadas querem públicas. Tudo isso são manifestações da indisciplina em sua forma mais medonha, quando deixa de ser apenas algo que mina a oportunidade de um indivíduo dispor de um meio de manipular seu futuro e passa a ser um ato que modifica, transtorna e destrói famílias, pois quando um jovem é agredido ele passa a agir de f orma a

19

evitar seus agressores, com isso evitando o convívio social, ou perdendo o desejo de estudar. Quando não há perdas maiores, como vidas.

20

3. INDICIPLINA, E SUAS PROVÁVEIS CAUSAS.

A indisciplina não deve ser vista como sendo de uma única

fonte, ou como um fato isolado, é algo com uma inumerável raiz de

causa, que deve ser vista sim como um sintoma de uma causa a ser

compreendida, que pode ter origem no ser, ou no ambiente.

Amado e Freire (apud PEREIRA, 2005, p. 196) apontam que a

indisciplina pode indicar a manifestação de um contrapoder do

estudante quando este contesta o docente e sua metodologia em

sala de aula, assim como o relacionamento professor-aluno ou,

ainda, pode ser fruto de um problema de relacionamento entre colegas

de classe.

De acordo com GARCIA (1999, p. 104) a indisciplina:

A indisciplina escolar não apresenta uma causa única, ou mesmo principal. Eventos de indisciplina, mesmo envolvendo um sujeito único, costumam ter origem em um conjunto de causas diversas, e muito comumente reflete uma combinação complexa de causas. Esta complexidade é parte do perfil da indisciplina e deve ser considerada, se desejamos compreendê-la e estabelecer soluções efetivas.

As inúmeras causas da indisciplina podem ser reunidas em dois

grupos gerais, conforme GARCIA (1999, p. 104):

Para fins de sistematização, as diversas causas da indisciplina escolar podem ser reunidas em dois grupos gerais: as causas externas e as causas internas. Entre as primeiras vamos encontrar, por exemplo, a influência hoje exercida pelos meios de comunicação, a violência social e o ambiente familiar. As causas encontradas no interior da escola, por sua vez, incluem o ambiente escolar e as condições de ensino-aprendizagem, os modos de relacionamento humano, o perfil dos alunos e sua capacidade de se adaptar aos esquemas da escola. Assim, na própria relação entre professores e alunos habitam motivos para a indisciplina, e as formas de intervenção disciplinar que os professores praticam podem reforçar ou mesmo gerar modos de indisciplina. Assim, na própria relação entre professores e alunos habitam motivos para a indisciplina, e as formas de intervenção disciplinar que os professores praticam podem reforçar ou mesmo gerar modos de indisciplina.

21

As causas da indisciplina para Fontes (2010, p. 3) tem 11

origens, sendo classificadas assim: Família, alunos, grupos e turmas,

ministério da educação, escola, programas, regulamentos

disciplinares, professores, sociedade, grupos sociais problemáticos e

ideologias. Quanto à causa familiar, neste mesmo artigo relata que é

na família que os alunos adquirem os modelos de comportamento que

exteriorizam nas aulas; e relaciona estes comportamentos com fatos

de ordem social, tais como pobreza, violência doméstica, ausência de

valores, permissividade e alcoolismo para demonstrar a possível raiz

da indisciplina (FONTES, 2010, p. 3). Ainda no âmbito da família como

fonte da indisciplina Fontes destaca a participação direta dos pais na

questão da violência nas escolas, pois impotentes para lidarem com a

violência dos próprios filhos, apontam para os professores como

sendo incapazes de “domesticar” seus filhos; e que ainda alguns pais

vão mais longe e agridem professores e funcionários.

3.1 A FAMÍLIA COMO CAUSA DA INDISCIPLINA.

A família tem um papel fundamental na formação do padrão

moral de uma criança, que surge no período do desenvolvimento

emocional; e que lhe irá nortear suas atitudes no decorrer de sua vida

(Anônimo, modulo 03, p. 14).

Quanto à gênese da consciência moral podemos entender

que a criança passa por uma internalização das regras dos pais e da

sociedade.

A formação de atitudes implica, entre outras coisas, na internalização de proibições e normas socialmente sancionadas. O indivíduo não passa a vida inteira considerando as regras disciplinares como algo imposto de fora. Embora inicialmente elas sejam impostas à criança pelos pais e outros agentes socializadores, elas passam posteriormente a serem guias internos de conduta. Em outras palavras, o controle externo é

22

substituído pelo autocontrole. (Anônimo,

15).

modulo 03, p.

3.2 O ALUNO COMO CAUSA DA INDISCIPLINA.

Outra origem da indisciplina conforme Fontes (2010 p. 3-6) é o

próprio aluno, que pode ser portador de alguma enfermidade mental,

ou ainda que sua atitude de indisciplina possa ser a reação negativa

contra aquilo que lhe parece ser imposto pela família ou sociedade, a

escola. Estes alunos podem ser nominados como:

Obrigados-satisfeitos, que são uma minoria que se conforma com as exigências que a escola lhe impõe. Obrigados-resignados, que representam a maioria que se adapta ao sistema procurando tirar partido da situação, atingindo dois objetivos supremos: “gozar a vida” e “passar de ano”. Obrigados-revoltados: uma minoria inconformados (ou maioria conforme as circunstâncias sócio-económicas do meio). Da família à escola e desta à sociedade colocam tudo em causa: valores, normas estabelecidas, autoridade, etc. (Fontes, 2010, p. 3).

Não é fácil explicar as razões que levam uns a assumirem-se

como "conformistas" e outros como "revoltados". A "falta de afeto" ou

a "vontade de poder" são, por exemplo, duas destas motivações. Há

quem aponte também as tendências próprias de cada idade que

transforma uns em "revoltados" e outros em "conformistas".

3.3 A SOCIEDADE COMO CAUSA DA INDISCIPLINA.

A sociedade, por sua vez como fonte da indisciplina é vista como

sendo ela mesma indisciplinada.

Há séculos que se apontam uma série de nefastas influências sociais para explicar certos comportamentos violentos dos jovens. As práticas de diversão estão em geral à cabeça neste inventário das fontes de uma cultura da violência. No passado referiam-se os combates e as

23

touradas, hoje aponta-se o cinema, mas sobretudo a televisão e certos grupos e gêneros musicais. Mas o problema ultrapassa a diversão. As nossas cidades são particularmente violentas. A única forma de sobreviver é assumir esta cultura de violência. O discurso é conhecido. A tudo isto, junta-se um outro elemento de peso: o individualismo hedonista. Obter o máximo prazer no mais curto espaço de tempo, não importa os meios. (Fontes, 2010, p. 6).

3.4 O AMBIENTE COMO CAUSA DA INDISCIPLINA.

O ambiente físico também pode colaborar para o surgimento da

indisciplina, fomentada pela inquietude ou por condições ambientais

adversas:

O ambiente também interfere na disciplina. Classes muito barulhentas, onde ninguém ouve ninguém, salas em que faça calor intenso, alagadas ou sem condições de acomodar todos os estudantes são locais pouco prováveis para se conseguir boa disciplina. (TIBA, 1996, p.101).

Estudos na área da administração de empresas, no início do século xx, mas precisamente no ano de 1933, realizada por Elton Mayo, Mayo (1933), que visava observar o quanto as condições de iluminação deficiente influenciava no desempenho das atividades dos empregados na produção da fábrica, resultou em não só identificar que as interações sociais também influenciavam grandemente nos níveis de produção, bem como no comportamental dos funcionários.

A ambientação é fundamental, não só para reduzir as chances

de a indisciplina atuar, como também para promover uma

aprendizagem mais saudável, não só fisicamente, mas psico-

socialmente.

24

3.5 OS ASPECTOS SÓCIO-EMOCIONAIS COMO CAUSA DA INDISCIPLINA.

Conforme Dantas (2009, p. 24) os aspectos sócio-emocionais

têm grande influência na questão da indisciplina:

Os aspectos sócio-emocionais têm também sua grande importância na disciplina. Esses aspectos referem-se aos vínculos afetivos e às normas e exigências que o aluno precisa seguir. O professor, dentro da sala de aula, deve manter uma certa autoridade para poder desenvolver as atividade e manter a disciplina. Porém, esta autoridade não deve tolher a liberdade e autonomia dos alunos.

3.6

INDISCIPLINA.

ATITUDES

DO

PROFESSOR

COMO

CAUSA

DA

A atuação do professor também pode contribuir para o

aparecimento da indisciplina na escola:

A indisciplina na sala de aula depende da atuação do

profissional, de sua dedicação, segurança em relação aos conteúdos,

sensibilidade e senso de justiça. Através da motivação dos alunos,

induzida pelo professor, a indisciplina será amenizada e a

aprendizagem terá melhores resultados.

Há também professores que promovem a indisciplina na sala de

aula, sendo ele o pivô do conflito, muitas vezes sem perceber; isso

pode ocorrer de várias formas, Fontes (2010, p. 5) nos fala de quatro

razões que pode ter como consequência a indisciplina dos alunos:

- Falta de capacidade para motivarem os alunos, nomeadamente utilizando métodos e técnicas adequadas.

- Impreparação para lidarem com situações de conflito.

- A forma agressiva como tratam os alunos estimulando reacções violentas.

- A estigmatização e a rotulagem dos alunos.

25

Em muitas situações os profissionais da educação queixam-se

de ter que recorrer à imposição de autoridade, porém não se sentem

confortáveis com tal atitude; conforme Dantas (2009, p. 25) “será que,

caso se tenha mais rigidez, consegue-se uma disciplina melhor? como

reprimir atitudes inaceitáveis sem desencadear uma crise entre

professor e aluno?”

Alguns educadores fazem a opção de impor a disciplina,

recorrendo a instrumentos de coerção, como penalidades; muitas

vezes utilizando as notas baixas como forma de coibir a indisciplina

em sala de aula; outros, porém ficam inertes diante dos alunos

“indomesticados” deixando o barco seguir com a correnteza, em uma

verdadeira atitude que evidencia o abandono da responsabilidade de

educar. A indisciplina às vezes é um recado dos alunos contra a

autoridade autoritária ou autoritarista do professor, ou com de sua

falta de autoridade.

3.7 GRUPOS SOCIAIS COMO CAUSA DA INDISCIPLINA.

Outro fato a considerar é a influência que os grupos, ou tribos,

aos quais os jovens pertencem têm sobre seu comportamento. Não é

raro ouvirmos que jovens se envolvem em encrencas por causa dos

grupos que pertencem; nestes últimos dias do mês de novembro do

ano corrente, houve um caso em que jovens de classe média da

sociedade paulista tem atacado outros jovens em plena Avenida

Paulista, apenas para demonstrarem ao grupo que pertencem que são

dignos de aceitação; o grupo em questão é de jovens de classe média

que mantêm comunidades em um site de relacionamento denominado

“Orkut” que promovem a violência contra homossexuais.

O canal de notícias na internet do Grupo Bandeirantes de

Jornalismo, Primeiro Jornal postou um reportagem que fala deste

grupo de jovens agressores:

Câmeras de segurança de um dos estabelecimentos localizados na avenida Paulista, em São Paulo, captaram

26

imagens da agressão feita por jovens no domingo passado. As imagens mostram que um dos jovens foi agredido pela lâmpada fluorescente quando caminhava com amigos pela Avenida Paulista. Denunciados por um radialista, de 34 anos, que presenciou as agressões na altura do número 700 da avenida, próximo à TV Gazeta, cinco pessoas foram detidas, sendo que apenas uma era maior de idade. Todos os envolvidos irão responder em

liberdade.2

Outra fonte relata com mais detalhes o acontecimento:

HOMOFOBIA

NA

AVENIDA

PAULISTA:

Cinco

adolescentes

agrediram

três

gays

na

Av.

Paulista

na

manhã

de

domingo,

14.

Dos

agressores,

quatro

são

menores de idade, entre 16 e 17 anos, e um de 19 anos. A

primeira

agressão

do

grupo

de

amigos

homofóbicos

aconteceu

contra

os

dois

rapazes

na

altura

da

estação

Brigadeiro

do

metrô,

por

volta

das

7h.

Conforme informou o R7, os dois jovens foram feridos com socos e pontapés. Um deles conseguiu fugir para a estação do metrô. O outro foi bastante ferido e encaminhado para o Hospital Oswaldo Cruz, no bairro Vergueiro.

Conforme os agredidos e testemunhas, os agressores gritaram durante o ataque: “Suas bichas, vocês são namorados. Vocês estão juntos". Já o terceiro agredido foi o estudante de jornalismo Luis Alberto, 23.

Segundo ele, um dos agressores o chamou e, quando ele

se virou, foi atingido por uma lâmpada florescent e, que

estava em uma lixeira próxima ao local. A polícia foi chamada por um radialista de 34 anos, que passava pelo local. Presos, os agressores foram encaminhados ao 5º Distrito Policial, no bairro da Aclimação. Segundo o delegado Alfredo Jang, a motivação parece ter sido mesmo a homofobia. “Foi uma violência gratuita, covarde e sem possibilidade de defesa”, disse Jang.

Familiares dos agressores estavam na delegacia. Apenas

a mãe de um deles comentou o caso. Trata-se da

publicitária Soraia Costa, 37. Segundo ela, os agressores inclusive seu filho estudam em uma escola do bairro Itaim Bibi, área nobre paulistana. Para justificar a ação violenta do filho de 16 anos e dos demais jovens ela disse: “Todos são crianças. Estão chorando. Foi uma atitude infantil. A palavra para descrever o que sinto não

2 http://www.band.com.br/primeirojornal/conteudo.asp?ID=100000369818

27

é vergonha, mas estou sensibilizada porque os meninos estão machucados”, disse a mãe do adolescente homofóbico.

Os menores agressores foram encaminhados para a Fundação Casa. O maior de idade foi indiciado por lesão corporal gravíssima e formação de quadrilha. De acordo com o delegado os jovens não fazem parte de grupo de skinheads. “São brancos, saudáveis, usam roupas normais e não têm tatuagens”, disse o delegado Jang.

jovenzinhos

que

agrediram os gays porque foram "cantados". O pai de um

homofóbicos

Para justificar

a

agressão

de

gratuita,

e

os

e

filhos

papai

mamãe,

disseram

dos agressores mostra a postura dos filhos diante do que

possibilidade de

processar o gay que teria dado a "cantada" no seu filho

menores.

por

declarou. Segundo

afirmou,

cogita

de

a

aliciamento

No entanto, se eximiu das suas responsabilidades do que prega o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que pune pais que deixam os filhos menores de idade na rua após às 22h. Os advogados dos burguesinhos homofóbicos vão dar entrada de um pedido na Vara da Infância e Juventude que não entre com o pedido de custódia, ou seja, de prisão dos adolescentes.3

As atitudes destes jovens é uma clara demonstração do poder

que um grupo social tem em influenciar o comportamento de seus

membros.

Apesar de a violência acontecer em todas as camadas sociais, e

em qualquer lugar; em escolas quer públicas quer privadas, é mais

comum o relato nas escolas públicas, pelo menos é o que mais se tem

visto nos meios de comunicação, não tendo por base aqui pesquisa

científica sobre em qual destas escolas há maior incidência de

violência. Fontes (2010) faz uma alusão a maior freqüência da

violência na escola pública:

As escolas públicas são hoje frequentadas por populaçõ es escolares muito heterogéneas, contando no seu seio com um crescente número de alunos que provém de grupos sociais onde subsistem frequentemente graves problemas de integração social (ciganos, negros, etc.). Apesar da especificidade dos problemas destes alunos, a escola

3 http://onixdance.blogspot.com/2010/11/homofobia-na-avenida-paulista.html

28

recusa-se, por uma questão ideológica a tratá-los de um modo diferenciado. A democraticidade do tratamento não elimina os problemas de socialização. Resultado: os problemas são transportados para dentro da sala de aula.

Muitos dos jovens envolvidos em confusões na escola que

estudam, são membros de grupos ou tribos, que para serem aceitos

promovem ações como vandalismo, agressões físicas e/ou morais que

são nada mais nada menos que manifestações da indisciplina, tal

comportamento é visto pelos outros membros do grupo como sendo

provas de ingresso ou demonstrações do padrão de comportamento

que os líderes do grupo impõem sobre seus membros.

29

4. INDICIPLINA, E SUAS CONSEQUÊNCIAS

Vários são os males da indisciplina, não só para o indivíduo

como para com os grupos sociais nos quais está inserido, podemos

citar desde o baixo desempenho escolar, o desconforto social, e a

perda de valores básicos socialmente aceitos como o respeito, a

cordialidade; até práticas inaceitáveis como a violência física e moral

para com o seu semelhante.

4.1

INDISCIPLINA

MAL

ESTAR

SOCIAL

COMO

CONSEUÊNCIA

DA

Tanto para as famílias que são freqüentemente convocadas a

comparecer na escola para “resolver” o problema de indisciplina de

seus filhos, como para os professores, diretores, e os demais

funcionários da escola, e a comunidade na qual este aluno está

inserido; o fato da indisciplina na escola é um incômodo, um

transtorno social, haja vista as infindas discussões entre professores

e diretores com os pais para tentarem identificar o real motivo do ato

indisciplinado do aluno; de um lado os pais que procuram na escola o

motivo das ações de seus filhos, afirmando que o filho foi injustiçado,

ou “perseguido” por um determinado professor, bem como que não foi

seu filho, pois o mesmo não tem costume de fazer tal coisa. Do outro

lado está a escola que aponta para os pais a responsabilidade de

educar seus filhos nos padrões morais e éticos, pois sua função

quanto escola e/ou educador é de ensinar conhecimentos estritamente

curriculares.

Atualmente, a família tem passado para a escola a responsabilidade de instruir e educar seus filhos e espera que os professores transmitam valores morais, princípios éticos e padrões de comportamento, desde boas maneiras até hábitos de higiene pessoal. (Anônimo, modulo 07, p.

15).

30

A sociedade também sofre com a indisciplina, não só pelo fato de que geralmente a indisciplina escolar desenvolve-se para depredação do patrimônio e para atos de vandalismo, que freqüentemente vão além dos murros da escola. Outra forma também que a sociedade sofre é através de jovens que serão parcialmente improdutivos no aspecto econômico, pois a educação é uma ponte para o desenvolvimento pessoal e financeiro; estes jovens dificilmente seguirão com seus estudos, e pouco contribuirão para a sociedade, muitos serão futuros marginais, que assolarão o ambiente social com seus atos.

4.2

CONSEQÜÊNCIA DA INDISCIPLINA.

BAIXO

DESEMPENHO

ESCOLAR

COMO

A questão do desempenho do aluno em relação à indisciplina é um paradoxo, pois fica difícil determinar quem veio primeiro, existe um dilema de “o ovo ou a galinha”, pois podemos dizer que a indisciplina é geradora do baixo desempenho escolar devido à falta de vontade do aluno em aprender, prestar atenção, respeitar regras e normas. Mas também podemos relacionar a indisciplina como sendo gerada pelo baixo desempenho, pois muitos alunos recorrem a formas de agressão quando se sentem pressionados ou intimidados por professores ou mesmo outros alunos devido a sua dificuldade de aprendizagem; que como sabemos pode haver inúmeras causas, mas não iremos abordar os problemas de aprendizagem e suas causas neste artigo; mas não desassociamos da questão indisciplina. A indisciplina como fato gerador da questão do baixo desempenho escolar, pode ser vista como sendo um reflexo da má orientação do jovem, bem como da falta de compreensão de que a educação é a porta de mudança da vida do aluno; muitos não têm tal consciência devido o contexto social que os rodeia, jovens que vem de família na qual a educação não é estimada, ou que não se vê na família exemplos de dedicação nos estudos ou ainda que não haja

31

estímulo ao jovem para seguir seus estudos; em muitos casos vemos

o inverso, familiares que orientam seus jovens a deixar a escola para

trabalhar e auxiliar no sustento da família.

O baixo desempenho pode estar refletindo a atitude do aluno em

relação ao professor; a indisciplina vivenciada por alguns docentes

pode ser a evidência de que algo está errado em sala de aula, seja

pela postura de alunos que não fazem silêncio durante as aulas, seja

pela não-participação deles nas atividades. Para Vasconcellos (2004,

p. 95) a indisciplina que tem conseqüência o baixo desempenho pode

ter duas formas, pode ser ativa, na qual o aluno faz bagunça, ou

passiva: quando o professor até consegue silêncio, mas não a

interação com seus alunos.

4.3 VIOLÊNCIA COMO CONSEQÜÊNCIA DA INDISCIPLINA

Entre todas as evidências da indisciplina escolar, nenhuma é tão

polêmica quanto à violência, seja esta física ou moral; este termo

“violência escolar” foi muito evitado, pois os casos eram ligados

apenas a desentendimentos normais de jovens, mas nos últimos anos

tanto a incidência quanto a intensidade dos atos violentos vem

aumentando quase que exponencialmente.

Segundo TIGRE (2007):

Percebemos que a utilização do termo “violência” nos trabalhos mais recentes (CANDAU, 1999; NASCIMENTO, 1999; PERALVA, 1997; CARDIA, 1997; GUIMARÃES, 1996), passa a ser empregado sem nenhum receio em ser considerado pesado demais para os conflitos que a escola vem enfrentando.

Atualmente o conceito de indisciplina está sendo diretamente

ligado ao conceito da violência. Outros termos são também

empregados como a incivilidade e o bullying.

Quanto ao conceito de violência, podemos citar CHAUI (2002):

A violência é o uso da força física e do constrangimento psíquico para obrigar alguém a agir de modo contrário à

32

sua

natureza

e

ao

seu

ser.

A

violência

é

violação

da

integridade

física

e

psíquica,

da

dignidade

humana

de

alguém.

A violação da qual se refere CHAUI (2002) é o que sente inúmeros jovens que são vítimas das “brincadeiras” por parte de alunos mais velhos ou veteranos na escola; não são poucos os casos em que alunos que sofreram com a violência na escola ficam traumatizados e querem abandonar os estudos ou até mesmo o convívio social externo ao ambiente familiar.

4.3.1 Bullying

Esta é a forma de violência escolar que está em voga, devido a inúmeros casos que estão indo a público devido aos flagras de agressões nas escolas por professores e demais funcionários; como também por causa da sensação de impunidade que sentem os praticantes do bullying, que se utilizam do veículo de informação mundial, a internet, para divulgar os vídeos feitos pelos agressores ou por seus co- participantes, que não temem aparecer espancando outro aluno ou professor em nível mundial. De acordo com MARTINS (2010) “As primeiras investigações sobre 'bullying' foram realizadas na Suécia nos anos 1970, e a partir daí o interesse se generalizou para os outros países escandinavos e outras regiões da Europa e Estados Unidos.” Quanto ao bullying no Brasil, MARTINS (2010) nos fala que:

No Brasil, os estudos enfocando o 'bullying' são mais recentes e datam da década de 1990. A Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência [Abrapia] e pesquisadores como Cleodelice Fante [2003] têm se dedicado ao estudo dessa temática.

33

Quanto à definição da expressão bullying , MARTINS (2010) nos esclarece que:

Bullying- é um termo de origem inglesa utilizado para descrever atos de violencia física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo [bully] ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo [ou grupo de indivíduos] incapaz/es de se defender.

Bully que é a palavra da língua inglesa da qual deriva a expressão bullying significa “valentão”, ou seja, aquele que se utiliza da força ou grupo de amigos para violentar física ou psiquicamente outro. Então bullying é a ação de usar de violência para contra outrem, tanto indivíduos como contra grupos, no sentido físico ou psíquico; isto em um contexto escolar, haja vista que em outros contextos isto pode ser nomeado diferentemente, como no contexto profissional o “bullying” psíquico é denominado “Assédio Moral”. A definição de 'bullying' que, segundo a Wikipédia, é um termo em inglês para descrever atos de violência física ou psicológicas, intencionais e repetidos, para intimidar ou agredir outro indivíduo, incapaz de se defender. Quando ocorre o bullying, há vários personagens envolvidos, sejam as vítimas ou alvos, os alvos/agressores, os autores, e as testemunhas. Isso pode ser melhor entendido conforme MARTINS

(2010):

-

alvos

de

Bullying

-

são

os

alunos

que

sofrem

BULLYING

 

[vitima];

-

alvos/autores

de

Bullying

-

são

os

alunos

que

ora

sofrem,

 

ora

praticam

 

BULLYING;

- autores

de

Bullying

-

são

os

alunos

que

praticam

BULLYING

 

[agressor];

- testemunhas de Bullying - são os alunos que não sofrem nem praticam Bullying, mas convivem em um ambiente onde isso ocorre.

34

É compreendido que pessoas que sofrem algum tipo de violência na infância, tende a repetir ou repassar essa violência a outros; isso pode ser visto em crianças que são vítimas de agressões na família, que repassam o comportamento agressivo em outros ambientes. Há também casos de pessoas que são abusados sexualmente na infância por pedófilos e quando crescem repetem os abusos. Mas aqui não tem a pretensão de definir possíveis causas ou conseqüências das agressões e abusos nesta linha de raciocínio, mas apenas de refletir sobre a violência relacionada com o bullying. Um dos fatores que proporcionam o aumento da freqüência dos atos com características do bullying é a sensação de impunidade e de poder que os jovens de nossa época vêm experimentando. Alimentados com toda sorte de mimos, as crianças são “mal criadas” por seus pais que tentam compensar sua “presença” com presentes, e “sins” para tudo que a criança deseja; muitas vezes estes pais estão mais preocupados com o andar de suas carreiras profissionais do que a educação de seus filhos; ou muitas vezes tem tentado dar aos filhos confortos que não tiveram na infância, mas com a responsabilidade requerida para tanto, pois ao dar aos seus filhos bens e confortos sem dosar os momentos, as situações e acima de tudo os porquês. As crianças de nosso contexto social estão crescendo com uma sensação de que seus pais são extremamente ricos, no sentido financeiro, e que não lhes priva de nada, isso gera uma sensação de poder, pois tudo que “eu” quero “eu” tenho, muitas vezes ao chegar a momentos nos quais os pais não terão condições de proporcionar aquilo que o jovem quer, este jovens irá voltar-se para os pais com agressividade, seja verbal ou física, exigindo o que lhe é pedido. Outro fato também que deve ser frisado é que estamos vivenciando um momento que o social/coletivo está

35

perdendo o valor, pais muitas vezes sem perceber estão ensinando seus filhos a serem mesquinhos e egoístas, pois quando dizem para seus filhos “não dê seu brinquedo a ninguém” ou que “não brinque com aquela criança” isso está gerando na criança um certo individualismo que mais tarde refletirá em seu comportamento. O “Não negar nada os filhos” é a filosofia de vida de muitas famílias; isto está criando uma geração de jovens inconseqüentes, irresponsáveis, donos do mundo; que não fazem nada que não lhes proporcionem algo em troca. Alguns podem até ver algo de bom neste tipo de educação, mas não percebem que o verdadeiro amor que os pais podem dar a seus filhos é a educação para a vida em sociedade, onde estes irão ter um bom convívio, sucesso profissional e até amoroso, pois esta educação para a vida é fundamental para o viver social; pessoas que vivem de uma forma sociopata podem até conseguir algo na vida, mas a troco de destruir ou transtornar a vida de outros. Os jovens que estão frustrados com a falta de amor, atenção ou até mesmo de carinho de seus pais/familiares tendem a refletir isso através de comportamentos agressivos; uma destes reflexos podemos dizer que é o bullying. Martins (2010, p. 2) nos fala sobre esta relação falta de afetividade familiar/comportamento agressivo:

Em geral são crianças e jovens vindos de famílias em que a relação afetiva é muito pobre; não existe um bom relacionamento entre pais e filhos. Deste modo, os alunos entram na escola sem ter habilidade ou capacidade para estabelecer um vínculo afetivo melhor com os colegas, estabelecendo, assim, uma relação de conflito e agressão. Ainda temos crianças e jovens cujos pais utilizam a violência física ou o grito como formas de impor autoridade e, com isso, acabam reproduzindo essa forma de se impor na escola, diante do grupo, usando a violência também.

36

apud

termos essenciais:

Owelus

MARTINS

(2010)

define

o

bullying

em

três

comportamento é agressivo e negativo;

2. o comportamento é executado repetidamente; 3. o comportamento ocorre num relacionamento onde há um desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas.

1.

o

MARTINS (2010) define então o bullying como sendo:

as formas de atitudes agressivas, intencionais e

repetidas, que ocorrem sem motivação evidente, adotadas por um ou mais estudantes contra outro(s), causando dor e angústia, e executadas dentro de uma relação desigual

de poder.

todas

Os atos freqüentes dos autores e o desequilíbrio de poder são a base para a intimidação das vítimas; que podem ser atos de ironia, colocar apelidos, humilhar, ofender, fazem chantagens, discriminar, excluir socialmente, perseguir, assediar, amedrontar, agredir, bater, roubar ou quebrar pertences da vítima, entre outras formas. (Martins, 2010, p. 2) O bullying pode ser dividido em duas categorias de acordo com MARTINS (2010). O bullying direto e o bullying indireto ou agressão social. Sendo o bullying direto freqüentemente praticado por agressores do sexo masculino; é aquele que é reconhecido abertamente, são as agressões físicas, os xingamentos, as ameaças, as depredações dos bens da vítima, dentre outras mais conhecidas. Já a agressão social ou o bullying indireto é mais característico dos agressores do sexo feminino, ou de crianças pequenas, tratando-se da tentativa de forçar o isolamento social da vítima; tal isolamento é conseguido através de diversas técnicas, dentre elas podemos destacar: Espalhar comentários, recusa de associação com a vítima, intimidação daqueles que querem socializar com a vítima, criticar a vítima quanto ao seu

37

modo de vestir, raça, etnia, religião, incapacidades, etc. (MARTINS, 2010, P. 2).

4.3.1.1 Ciberbullying Com o advento da internet e das redes sociais, como Orkut, facebook, twiter entre outras; milhões ou até bilhões de jovens no mundo todo teve acesso a socialização mundial; mas como o bullying é uma mazela da sociedade e por causa disso não ficaria de fora do mundo virtual, surge então o ciberbullying, que seria a forma “melhorada do bullying” na qual os agressores partem para uma nova modalidade de agressão, a agressão virtual, que nada mais é do que as velhas práticas do bullying agora aplicados no mundo digital. Este tipo de agressão pode ter várias facetas, pode vir através de calúnias espalhadas na internet, ou através de perfis difamatórios em sites de relacionamentos, ou ainda através de manipulação de imagens das vítimas para constrangê- las ou difamarem. JÚNIOR (2010) relata algumas praticas do ciberbullying:

criação

de perfis difamadores ou caluniadores em sites

de relacionamento, possivelmente com dados obtidos mediante hackeamento ou não; injúrias e ameaças explícitas ou implícitas por e-mail; exposição de dados íntimos das mais diversas formas; distorção de fotos, sons e vídeos; propagação de boatos e publicações falsas em correntes de e-mails perseguindo determinada pessoa ou grupo; ameaças diretas e continuadas também em mensagens de fóruns ou de sites de relacionamentos, ou invasões ao computador da vítima para destruí-lo, apagar arquivos, ou minar a conexão dessa vítima com a

internet.

O ciberbullying pode muitas vezes ser até mais danoso do que o bullying tradicional, pois as informações divulgadas na rede mundial de computadores são praticamente impossíveis de serem deletadas, pois por mais que alguém tente retirar algum conteúdo

38

da mesma, outros usuários que o tenham baixado, podem realimentá-la e assim continuar com a publicação da informação danosa. Empresas responsáveis por dados de usuários em sites de relacionamentos tentam lutar contra tais atos, mas quase que em vão; pois as informações contidas na internet não têm donos, e podem ser editadas ou divulgadas por qualquer um que tenha um mínimo de conhecimento de informática, e que tenha intenção para fazê-lo. JÚNIOR (2010) propõe uma forma de prevenção contra o ciberbullying:

Uma saída preventiva é um comportamento mais discreto na internet, sobretudo nos sites de relacionamento, através do não uso de fotos de parentes ou de animais de estimação, e de se evitar a exposição de informações íntimas, documentos, ou fotos comprometedoras em celulares, que são passíveis de furto. Outra saída, ainda no campo da prevenção, está na maior responsabilização de empresas donas de determinados espaços virtuais quanto ao seu próprio conteúdo. No caso específico dos sites de relacionamento, como Orkut, Facebook, Myspace e outros, obviamente não se devem adicionar qualquer um, e, mesmo adicionando conhecidos, é preciso medir se é possível deixar à disposição fotos e vídeos pessoais, bem como outras funcionalidades que possam revelar algum tipo de intimidade, além de evitar participação em comunidades suspeitas. E, periodicamente - acrescentemos -, deve-se mudar a senha antes que façam isso por você. Outros fatores de risco vêm com as salas de bate-papo, fóruns, MSN e sites congêneres, que também exigem um cuidado com tudo o que se vai escrever e publicar. Em caso de menores, é fundamental a observação dos pais ou responsáveis, para evitar ciberbullies [dentre eles, pedófilos ou sequestradores em potencial].

O ciberbullying assim como o bullying tradicional são atos de vandalismo social, em que jovens ou até adultos minam a sociabilidade de outro, seja denegrindo, agredindo ou mesmo proporcionando as vítimas uma vida de solidão, descriminação e

39

ódio; o que lhes é penoso não só para o seu convívio social, mas até para sua saúde física e psíquica.

40

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nas pesquisas realizadas em diversos autores para elaboração deste trabalho pudemos entender que a indisciplina, não pode ser conceituada de uma forma simples, ou direta, sem compreender que sua origem tem uma relação direta com a palavra disciplina que vem do latim “discere” que significa “ensino” que também tem outro significado que é “disciplina” e que a sua negação através do prefixo latino “in” torna a expressão “indisciplina” algo compreensível em nosso contexto, há também vertentes que defendem que a indisciplina é um conjunto de regras impostas pela sociedade em vários contextos,

sendo estes culturais, temporais, etc. VEIGA (1992, p. 3), diz que a indisciplina nada mais é do que uma “disrupção escolar” que é

a violação das regras impostas pela escola. A indisciplina pode revelar-se através de inúmeras facetas, podem ser freqüentes, e simples como apatia da turma ao assistir

a aula, ou cochichos, ou troca de mensagens por papeizinhos, ou

ainda exibicionismos, intervalos prolongados pelos próprios alunos, etc. há também as manifestações excepcionais que são aquelas que ocorrem com menor freqüência, mas tem maior intensidade, são mais graves como: agressões a colegas, professores ou funcionários; roubos, preconceito contra outros alunos no contexto social, racismo ou religioso e homofóbicos. Quanto às causas da indisciplina percebemos que são de fontes

diversas; que podem ser de origem interna ou externa; as internas são relacionadas aquelas que acontecem por motivos diretamente ligados ao ambiente escolar, como: colegas de classe, falta de estrutura, atitudes dos professores, etc. Ou também pode ser de origem externa, como a influência dos meios de comunicação. Podem ter como fontes geradoras as famílias,

41

quando se omitem no fixar nos primeiros anos de vida os padrões morais saudáveis que a vida em sociedade exige, seja por falta destes padrões pelos próprios pais ou por serem adeptos da filosofia do “não negar nada aos filhos”; outra fonte da indisciplina pode ser o próprio aluno em não aceitar ou conformar-se com a obrigação de adequar-se aos padrões da sociedade; sendo classificados como “obrigados-satisfeitos” que são aqueles que conformam com os padrões que a escola/sociedade impõe; os “obrigados-resignados” que procuram tirar partido da situação visando, gozar a vida e passar de ano. E os “obrigados-revoltados” que lutam contra os padrões impostos pela escola/sociedade, estes sendo a minoria. A sociedade também pode ser uma fonte da indisciplina, assim como o ambiente no qual o jovem está inserido, e os aspectos sócio- emocionais que são os vínculos afetivos entre aluno e professor; as atitudes do professor podem contribuir para os atos de indisciplina dos alunos, pois professores que não dominam o conteúdo, ou que tem ações muito autoritárias podem desencadear nos alunos atos de indisciplina, que podem ser simples como sair da aula ou até agressões. Os grupos ou tribos que os alunos freqüentam são também fontes geradoras da indisciplina, pois através de sua influência os grupos podem manipular os jovens a desacatar ou burlar regras apenas para se sentirem aceitos. Ações indisciplinadas geram conseqüências não só para os que sofrem com tais atos, mas também para seus atores; o mal estar social é um exemplo de sofrimento mútuo, pois tanto famílias como educadores sofrem com a indisciplina dos jovens. Os jovens indisciplinados também perdem com isso, o baixo desempenho escolar é uma conseqüência direta da indisciplina. Mas a mais grave conseqüência da indisciplina é quando esta se

42

converte em violência; ai todos sofrem, seja família, seja escola seja até mesmo o jovem que pratica tal ato; pois isto pode ser reflexo de uma carga emocional frustrada, uma vida de ausência afetiva que resulta em agressões física ou psíquica. Uma das facetas da indisciplina em sua mais horrenda forma é o bullying, que está sendo tão visado em nosso contexto, trazendo a tona praticas que existem a tempos imemoráveis; mas que tem se apresentado cada vez mais destrutiva; isto pela falta de compreensão de seus praticantes de que a vida humana tem seus valores, valores estes impagáveis. O ciberbullying também tem surgido neste contexto utilizando-se de meios virtuais bastante popular entre os jovens, que são tanto vítimas como autores do ciberbullying, que nada mais é do que o bullying “melhorado” as mesmas práticas em uma roupagem nova.

43

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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