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ÍNDICE

Introdução..................................................................................................................................................2

1. Relacionamentos da família..................................................................................................................3

2. Mulheres e condições da mulher...........................................................................................................8

3. Casamento e divórcio..........................................................................................................................15

4. Nascimento e primeira infância...........................................................................................................21

5. Infância e adolescência........................................................................................................................27

6. Enfermidades e cura............................................................................................................................32

7. Alimento e hábitos alimentares...........................................................................................................36

8. Vestuário e cosméticos........................................................................................................................43

9. Arquitetura e mobiliário......................................................................................................................50

10. Música...............................................................................................................................................54

11. Rituais de culto..................................................................................................................................57

INTRODUÇÃO

Vida Cotidiana nos Tempos Bíblicos apresenta os resultados da mais recente pesquisa bíblica arqueológica relacionada com a
vida e praticai do dia-a-dia do povo da Bíblia. As leis, os costumes e os hábitos dos tempos bíblicos são muito diferentes dos de nosso
tempo; e quando pudermos entender essas diferenças, tiremos um quadro muito mais claro de muitos dos acontecimentos registrados na
Bíblia.
A vida da família descrita nas Escrituras difere muito da nossa. Mulheres e crianças ocupavam na sociedade posições diferentes
do que ocupam em nossa época. Além do mais, nos tempos bíblicos as mulheres de Israel possuíam um status muito mais favorável do
que o desfrutado pelas mulheres das culturas circunvizinhas. O alto conceito em que os hebreus tinham o casamento era ímpar naquele
tempo, muito embora houvesse constante tensão entre os ideais de Israel e as práticas corruptas dos povos entre os quais eles viviam. Os
filhos eram bem-vindos ao seio da família, e em muitos casos o amor que a família bíblica votava aos filhos está refletido nas Escrituras.
Outro elemento da vida familiar bem diferente do nosso é o alto grau de respeito dispensado às pessoas idosas.
Vida Cotidiana nos Tempos Bíblicos abrange muito mais do que a vida em família. Enfermidade e cura, alimento e hábitos
alimentares, vestuário e adorno também são examinados de um modo que ajude o leitor da Bíblia a retratar as práticas da era bíblica.
Comparada com a dos romanos e a dos gregos, a arquitetura hebraica era simples. Nos primeiros tempos as pessoas viviam em
tendas grandes, e somente quando Israel se fixou na terra é que se construíram casas e se fizeram óbvias as diferenças entre os abastados
e os pobres. A música de Israel era simples também, embora, afinal, se introduzissem instrumentos procedentes dos povos que rodeavam
a nação. Além disso, atribui-se a Davi a invenção de diversos instrumentos musicais. Muitos desses instrumentos eram usados no culto.
O culto de Israel era marcado por temor e ações de graça, esperança e gratidão. Ainda que esse culto nem sempre tenha sido
fiel, Israel experimentou as bênçãos das promessas de Deus. Foi esta esperança trouxe alegria tão exuberante às suas celebrações.
Vida cotidiana nos Tempos Bíblicos é um guia das leis, costumes e princípios morais do período bíblico. O estudante da Bíblia
é incentivado a ler o livro e a descobrir o significado desses fatores na vida de Israel, bem como o seu significado para os nossos dias.
1. RELACIONAMENTOS DA FAMÍLIA

Dois fatos se destacam no que a Bíblia diz acerca da família e seus relacionamentos. Primeiro, os papéis dos membros da
família permaneceram quase os mesmos durante o período bíblico. A mudança de cultura e de leis não afetou em grande medida os
costumes familiares. É verdade que os povos que viveram nos primeiros tempos do período do Antigo Testamento eram seminômades ―
freqüentemente se mudavam de uma região para outra ― de modo que seus hábitos diferiam, de certa forma, daqueles dos povos de
residência fixa. A lei mosaica aboliu algumas da práticas nômades, tais como o casamento de um homem com sua irmã. Todavia,
permaneceu a maior parte do estilo de vida familiar original, mesmo na era neotestamentária.
Segundo, a vida da família nos tempos bíblicos refletia uma cultura muito diferente da nossa. É preciso que reconheçamos esta
diferença quando nos voltamos para as Escrituras em busca de diretriz na criação de nossas famílias. Devemos buscar os princípios
bíblicos em vez de copiar diretamente os estilos de vida específicos que a Bíblia retrata. Esses estilos de vida foram projetados para
pequenas comunidades agrícolas, e em muitos casos não eram do agrado de Deus. Por exemplo: a cultura daquela época permitia a um
homem ter mais de uma esposa, e alguns homens de Deus as tiveram; não obstante, em parte alguma a Bíblia declara que Deus aprovou
esta prática. Classificamo-la como um costume cultural tolerado, mas não um costume receitado biblicamente.
Outro exemplo: Quando Abraão viveu no Egito com Sara, ele lhe recomendou dizer que era sua irmã, temendo que os egípcios
o matassem por causa da grande beleza de Sara. Ela era, de fato, sua meia-irmã, um grau de parentesco que Deus mais tarde especificou
como próximo demais para casamento (cf. Gênesis 20:12; Levítico 18:9). Como resultado, Faraó levou Sara para sua casa e Deus
afligiu―lhe a família com pragas a fim de resgatá-la.
O ensino bíblico sobre a vida familiar inclui instruções para os filhos, para as mães e para os pais. Veremos exemplos de
famílias que observaram a vontade de Deus e foram grandemente abençoadas; veremos também as que desobedeceram a Deus e
colheram as conseqüências. Ao longo do caminho notaremos como a vida da família mudou durante o curso da história de Israel.

A UNIDADE FAMILIAR
A família foi a primeira estrutura social que Deus criou. Ele formou a primeira família juntando Adão e Eva como marido e
esposa (Gênesis 2:18-24). O homem e a mulher tornaram-se o núcleo de uma unidade familiar.
Por que Deus criou a estrutura da família? Gênesis 2:18 diz que Deus criou a mulher como auxiliadora de Adão, o que indica
que o homem e a mulher foram reunidos primeiramente para companheirismo; a esposa devia ajudar o marido, e o marido devia cuidar
da esposa. Então os dois juntos deviam atender às necessidades dos filhos, fruto de seu relacionamento.

A. Marido. A palavra hebraica que traduzimos por marido significa, em parte, "dominar, governar". Também pode ser
traduzida como "senhor, amo". Como cabeça da família, o esposo era responsável pelo seu bem-estar. Por exemplo, quando Abraão e
Sara enganaram Faraó a respeito de seu casamento, o governante inquiriu a Abraão em vez de Sara, que realmente havia mentido
(Gênesis 12:17-20). Isto não quer dizer que o marido hebreu era um tirano que gostava de mandar na família. Pelo contrário, ele assumia
amorosamente a responsabilidade pela família e buscava atender às necessidades dos que estavam debaixo de sua autoridade.
Todo casal judeu unia-se com a idéia de ter filhos. Estavam especialmente ansiosos por ter um filho varão. O homem
orgulhava-se de verdade pela sorte de ser pai de um filho. Jeremias observou: "...o homem que deu as novas a meu pai, dizendo: Nasceu-
te um filho; alegrando-o com isso grandemente" (Jeremias 20:15).
O pai judeu assumia a liderança espiritual da família; ele funcionava como seu sacerdote (cf. Gênesis 12:8; Jó 1:5). Esperava-se que ele
conduzisse a família na observância dos vários ritos religiosos, tais como a Páscoa (Êxodo 12:3).
Juntamente com a esposa, o pai devia ensinar "a criança no caminho em que deve andar..." (Provérbios 22:6). O pai tinha,
também, de transmitir aos filhos toda a lei escrita. Ele era admoestado nestes termos: "tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás
assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te e ao levantar-te. Também as atarás como sinal na tua mão e te serão por
frontal entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas" (Deuteronômio 6:7-9).

Casa do Antigo Testamento reconstruída. Interior reconstruído de uma casa típica dos tempos bíblicos mostra o fogão (à esquerda do
centro) e uma talha com a concha de tirar água (primeiro plano). Um tear horizontal pende de um poste no lado esquerdo da área onde a
família toma as refeições ― uma esteira circular posta com tigelas. Jarras de guardar mantimento, cestas e tigelas estão nas prateleiras,
nos bancos e no chão.
Na porta da cidade. As portas tas da cidade eram centros de conversações e de comércio. Muitas vezes as portas recebiam o nome de
acordo com os artigos aí negociados (p. ex., Porta das Ovelhas, Porta do Peixe)- Visto como os anciãos muitas vezes faziam negócio
junto à porta, "assentar-se à porta" significava atingir certa eminência social.

O pai tinha de infligir castigo físico quando necessário. Isto devia ser feito de tal modo que não provocasse "vossos filhos à ira,
mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor" (Efésios 6:4).
Nos tempos bíblicos, o homem que não sustentasse adequadamente a família era culpado de ofensa grave. O homem que
falhava neste ponto era evitado e escarnecido pela sociedade (cf. Provérbios 6:6-11; 19:7). Paulo escreveu: "Ora, se alguém não tem
cuidado dos seus e especialmente dos de sua própria casa, tem negado a fé, e é pior do que o descrente" (1 Timóteo 5:8).
Como esposo e pai, o homem defendia os direitos da família perante os juizes quando se fizesse necessário (veja Deuteronômio
22:13-19). "O órfão e a viúva" não tinham um homem que defendesse seus direitos, por isso com freqüência lhes era negada a justiça (cf.
Deuteronômio 10:18).
O povo judeu era governado por várias tradições judaicas. O Talmude diz que o pai tinha quatro responsabilidades para com o
filho, além de ensinar-lhe a Lei. Ele devia circuncidar o filho (cf. Gênesis 17:12-13), redimi-lo de Deus se ele fosse o primogênito (cf.
Números 18:15-16), achar-lhe uma esposa (cf. Gênesis 24:4), e ensinar-lhe uma profissão.
Um bom pai pensava nos filhos como seres humanos completos, e respeitava seus sentimentos e capacidades. Disse um erudito
judeu daquele tempo que um bom pai devia "afastá-los com a mão esquerda e puxá-los para junto de si com a mão direita". Este delicado
equilíbrio entre firmeza e afeição tipificava o pai judeu ideal.

B. Esposa. No casamento, espontaneamente a mulher assumia um lugar de submissão ao companheiro. A responsabilidade da


esposa era a de "auxiliadora" do marido (Gênesis 2:18), aquela que "lhe faz bem, e não mal, todos os dias de sua vida" (Provérbios
31:12). Sua principal responsabilidade girava em torno do lar e dos filhos, mas às vezes se estendia ao mercado e a outras áreas que
afetavam o bem-estar da família (cf. Provérbios 31:16, 25).
O alvo primário da esposa era dar filhos ao marido. O porta-voz da família de Rebeca disse-lhe: "És nossa irmã: sê tu a mãe de
milhares de milhares, e que a tua descendência possua a porta dos seus inimigos" (Gênesis 24:60). A família judia esperava que a esposa
se tornasse como uma videira frutífera, enchendo n casa de filhos (Salmo 128:3). Assim, a mãe saudava o primeiro filho com muita
felicidade e
alívio.
À medida que os filhos iam chegando, a mãe ia ficando mais presa ao lar. Ela amamentava cada criança até à idade de dois ou
três anos, além de vestir e alimentar O restante da família. Diariamente gastava horas preparando refeições e fazendo roupas de lã.
Quando necessário, a esposa ajudava o marido nos campos, plantando ou colhendo.
A mãe participava da responsabilidade de educar os filhos. Estes passavam os primeiros anos formativos da vida junto à mãe.
Finalmente, os filhos varões tinham idade suficiente para acompanhar os pais aos campos ou a outro lugar de emprego (cf. Provérbios
31:1-9). A mãe voltava, então, suas atenções mais plenamente para as filhas, ensinando-lhes como ser esposas e mães bem-sucedidas.
O desempenho das tarefas de uma mulher determinava o fracasso ou o êxito da família. Os sábios diziam: "A mulher virtuosa é
a coroa do seu marido, mas a que procede vergonhosamente é como podridão nos seus ossos" (Provérbios 12:4). Se a esposa trabalhava
com afinco na tarefa que tinha pela frente, o marido era grandemente beneficiado. Os judeus acreditavam que um homem poderia galgar
posição, entre os líderes de Israel, somente no caso de sua esposa ser sábia e talentosa (cf. Provérbios 31:23).

C. Filhos varões. Nos tempos bíblicos, os filhos varões tinham de sustentar os pais quando estes envelhecessem, e dar-lhes
sepultamento digno. Por este motivo, o casal geralmente esperava ter muitos filhos, "Como flechas na mão do guerreiro, assim os filhos
da mocidade. Feliz o homem que enche deles a sua aljava: não será envergonhado, quando pleitear com os inimigos à porta" (Salmo
127:4-5).
O primogênito mantinha um lugar de honra muito especial no seio da família. Esperava-se que ele fosse o próximo cabeça da
casa. No decurso de sua vida, esperava-se que ele assumisse maior responsabilidade por seus atos e pelos atos de seus irmãos. Foi por
isto que Rúben, como irmão mais velho, mostrou maior preocupação pela vida de José, quando os irmãos concordaram em matá-lo
(Gênesis 37:21, 29).
Ao morrer o pai, o primogênito recebia uma porção dobrada da herança da família (Deuteronômio 21:17; 2 Crônicas 21:2-3).
O quinto mandamento admoestava: "Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu
Deus te dá" (Êxodo 20:12). Tanto o pai quanto a mãe deviam receber a mesma soma de respeito. Contudo, os rabinos do Talmude
raciocinavam que se alguma vez um filho tivesse de escolher entre os dois, a preferência devia ser dada ao pai. Por exemplo, se ambos os
pais pedissem um copo de água simultaneamente, o Talmude ensinava que tanto o filho quanto a mãe deviam atender à necessidade do
pai.
Jesus foi o exemplo perfeito de filho obediente. Lucas observou que aos 12 anos de idade, Jesus "desceu com eles para Nazaré;
e era-lhes submisso" (Lucas 2:51). Mesmo enquanto suportava as agonias da cruz, Jesus pensou em sua mãe e em sua responsabilidade
para com ela como primogênito. Pediu a João que cuidasse dela após a sua morte, cumprindo desse modo seu dever de amor (João
19:27).
D. Filhas. Nos tempos antigos, as filhas não eram prezadas como os filhos varões. Alguns pais realmente as consideravam
como um fardo. Por exemplo, um pai escreveu: "O pai vela pela filha, quando nenhum homem sabe; e o cuidado dela tira o sono: quando
ela é jovem, para que não deixe passar a flor da idade [não deixe de casar-se]; e sendo casada, para que não seja odiada; em sua
virgindade, para que não seja violada e se engravide na casa do pai; ou tendo marido, para que ela não se comporte mal; e quando casada,
para que não seja estéril" (Eclesiástico 42:9-10).
Contudo, os hebreus tratavam as filhas com mais humanidade do que algumas das culturas vizinhas. Os romanos realmente
expunham as filhas recém-nascidas aos elementos, na esperança de que morressem. Os hebreus criam que a vida ― do homem e da
mulher ―vinha de Deus. Por esta razão, nunca considerariam matar um de seus filhinhos. Em realidade, quando o profeta Nata procurou
descrever o relacionamento íntimo de um pai com o filho, ele retratou uma filha nos braços do pai com a cabeça reclinada no seu regaço
(2 Samuel 12:3).

Moendo farinha, assando pão. Os hebreus usavam pedras para moer o trigo e a cevada a fim de fazer farinha. Misturavam a farinha, o
fermento, o azeite de oliveira e água ou leite para fazer uma massa que depois era adelgaçada para ir ao forno.
As filhas primogênitas tinham um especial lugar de honra e de deveres na família. Por exemplo, a primogênita de Ló tentou
persuadir a irmã mais moça a ter um filho do pai, para preservar a família (Gênesis 19:31-38). Na história de Labão e Jacó, a filha
primogênita, Lia, teve prioridade sobre a irmã mais moça (Gênesis 29:26).
Se a família não tinha filhos varões, as filhas podiam herdar as possessões do pai (Números 27:5-8); mas só poderiam
conservar a herança se se casassem dentro de sua própria tribo (Números 36:5-12).
A filha estava sob o domínio legal do pai até que se casasse. O pai tomava por ela todas as decisões importantes, tais como com
quem ela devia casar-se. Mas a filha era solicitada a dar seu consentimento na escolha de um noivo, e às vezes até lhe era permitido
declarar preferência (Gênesis 24:58; 1 Samuel 18:20). O pai aprovava todos os votos da filha antes de se tornarem obrigatórios (Números
30:1-5).

Uma "Mesa" Judaica. Uma família israelita dos tempos do Antigo Testamento comia em volta de uma esteira no chão, como esta, onde
eram postos os pratos de barro simples. Esta reconstrução encontra-se no Museu Ha-Aretz, em Tel-Avive.

Esperava-se que a filha ajudasse a mãe no lar. Bem cedo na vida ela começava a aprender as várias habilidades de que
necessitava para tornar-se uma boa esposa e mãe. Aos 12 anos de idade, a filha tornava-se dona-de-casa com seus direitos próprios e lhe
era permitido casar.
Em algumas culturas do Oriente Próximo, as famílias não permitiam que as filhas saíssem de casa. Se apareciam em público,
deviam usar um véu para cobrir o rosto e não lhes era permitido falar com pessoas do sexo masculino. Os israelitas não impunham tais
restrições às suas filhas. As moças eram relativamente livres para ir e vir, contanto que dessem conta do seu trabalho. Vemos exemplos
desta liberdade no caso de Rebeca, que conversou com um estranho junto ao poço (Gênesis 24:15-21), e as sete filhas do sacerdote de
Midiã, que conversaram com Moisés enquanto davam de beber ao rebanho do pai (Êxodo 2:16-22).
As moças dos tempos bíblicos preocupavam-se muito com sua aparência. Acreditavam que a pele clara era bonita. Se uma
jovem ficava bronzeada pelo sol, ela se escondia da vista pública (Cantares 1:6). Por este motivo, as mulheres procuravam fazer o
trabalho externo nas primeiras horas da manhã ou ao entardecer. Às vezes, porém, a mulher era obrigada a expor-se ao sol do meio-dia,
como no caso da jovem de Cantares de Salomão. Ela acusou os irmãos de a colocarem "por guarda das vinhas", o que significa que era
obrigada a estar fora de casa a maior parte do dia (Cantares 1:6).
A família esperava que a filha permanecesse virgem até ao casamento. Infelizmente, nem sempre isto acontecia. Algumas
moças eram seduzidas ou violadas. Quando isto acontecia, a lei mosaica estabelecia distinções cuidadosas entre o castigo pela violação
de uma moça que estava noiva e pelo da que não estava.
Freqüentemente as filhas casavam-se em idade prematura. Tais casamentos não criavam os problemas que criam hoje. Embora a recém-
casada deixasse o domínio do pai, ela entrava no novo domínio do marido e sua família. A sogra entrava em cena para continuar a
orientação e o treinamento que a jovem havia recebido de sua própria mãe. A esposa e a sogra muitas vezes criavam um laço de amizade
forte e duradouro. Isto se acha perfeitamente exemplificado no livro de Rute, quando Noemi repetidamente se refere a Rute como "minha
filha". Miquéias descreveu a família rixenta como aquela em que "a filha se levanta contra a mãe, a nora contra a sogra" (Miquéias 7:6).
Quando uma jovem ia viver com a família do marido, ela não abria mão de todos os direitos que tinha em sua própria família.
Se o marido morria e não havia cunhados com quem se casar, ela podia voltar à casa paterna. Foi exatamente isso que Noemi
recomendou às suas noras, e Orfa aceitou a sugestão (Rute 1:8-18).

E. Irmãos e Irmãs. O amor desenvolvia-se entre os irmãos enquanto cresciam juntos, compartilhando as responsabilidades, os
problemas e as vitórias. Um dos Provérbios declara: "O homem que tem muitos amigos pode congratular-se; mas há amigo mais chegado
do que um irmão" (Provérbios 18:24, ERC).
José revelou verdadeiro amor a seus irmãos. Mas enquanto ele era jovem, os irmãos o venderam à escravidão porque odiavam a
predileção do pai para com ele. Mais tarde, quando José adquiriu poder e posição, podia ter acertado as contas com eles. Em vez de fazê-
lo, ele lhes mostrou amor e misericórdia. Disse ele: "Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos irriteis contra vós mesmos por me
haverdes vendido para aqui; porque para conservação da vida, Deus me enviou adiante de vós" (Gênesis 45:5).
A Bíblia descreve muitos irmãos que mantiveram um profundo e permanente amor entre si. O Salmista descreveu o amor dos
irmãos, dizendo: "É como o óleo precioso sobre a cabeça, o qual desce para a barba, a barba de Arão, e desce para a gola de suas vestes.
É como o orvalho do Hermom, que desce sobre os montes de Sião" (Salmo 133:2-3).
Irmãos e irmãs também compartilhavam um laço especial. Os filhos de Jó nunca davam banquetes sem convidar suas três irmãs
(Jó 1:4). Quando Diná foi violada, seus irmãos vingaram o crime (Gênesis 34).
Nos tempos antigos, às vezes os jovens se casavam com sua meia―irmã. Abraão e Sara tinham o mesmo pai, mas diferentes
mães (Gênesis 20:12). Como já observamos, a lei mosaica proibiu esta prática (Levítico 18:9; 20:17; Deuteronômio 27:22).
O laço de amor entre irmãs e irmãos era tão forte que a lei mosaica permitia que o sacerdote tocasse o corpo de um irmão, irmã,
pai, mãe ou filho falecido (Levítico 21:1-3). Esta era a única vez que o sacerdote podia tocar um defunto e tornar-se cerimonialmente
contaminado.

A FAMÍLIA AMPLIADA
No sentido mais fundamental, a família hebraica constituía-se do esposo, esposa e filhos. Quando o marido tinha mais de uma
esposa, a "família" incluía todas as esposas e todos os filhos em seus vários relacionamentos (cf. Gênesis 30). Às vezes a família incluía
todos os que compartilhavam um teto comum sob a proteção do cabeça da família. Podiam ser avós, criados e visitantes, bem como
filhas viúvas e seus filhos. A família ampliada geralmente incluía os filhos e suas esposas e filhos (Levítico 18:6-18). Deus contou os
escravos de Abraão como parte do grupo familiar, pois ele exigiu que Abraão os circuncidasse (Gênesis 17:12-14, 22-27). Na primitiva
história de Israel até quatro gerações viviam juntas. Isto era parte normal do modo de vida seminômade e mais tarde do modo de vida
agrícola.
No Oriente Médio, ainda hoje os povos seminômades perambulam juntos como famílias numerosas em busca de sobrevivência.
Cada família ampliada tem seu próprio "pai" ou xeque, cuja palavra é lei.
Nos dias do Antigo Testamento, a família ampliada era governada pelo homem mais velho da casa, que também era chamado
"pai". Muitas vezes esta pessoa é o avô ou bisavô. Por exemplo, quando a família de Jacó se mudou para o Egito, Jacó foi considerado o
"pai" ― muito embora seus filhos tivessem esposas e filhos (cf. Gênesis 46:8-27). Jacó continuou no governo da "família" até à morte.
O "pai" de uma família ampliada tinha o poder de vida e morte sobre todos os seus membros. Vemos isto quando Abraão quase
sacrificou seu filho Isaque (Gênesis 22:9-12), e quando Judá sentenciou sua nora à morte porque ela havia cometido adultério (Gênesis
38:24-26).
Mais tarde, a lei mosaica restringiu a autoridade do pai. Não lhe permitia sacrificar o filho sobre o altar (Levítico 18:21).
Permitia-lhe vender a filha, desde que não fosse a um estrangeiro, ou para prostituição (Êxodo 21:7; Levítico 19:29). De acordo com a
lei, o pai não podia negar o direito de primogenitura de seu primogênito, mesmo que ele tivesse filhos de duas mulheres diferentes
(Deuteronômio 21:15-17).
Alguns pais hebreus quebraram essas leis, como no caso de Jefté, que votou sacrificar quem quer que lhe saísse ao encontro
após seu retorno vitorioso da batalha. Sua filha foi a primeira pessoa. Crendo que ele tinha de cumprir o voto, Jefté sacrificou-a (Juizes
11:31, 34-40). Da mesma forma o rei Manasses queimou o filho para aplacar um deus pagão (2 Reis 21:6).
Não sabemos quando a família ampliada dos tempos do Antigo Testamento abriu caminho para a estrutura familiar que
conhecemos hoje. Alguns eruditos acham que ela se extinguiu durante a monarquia de Davi e de Salomão. Outros crêem que ela
continuou por mais tempo ainda. Mas, nos tempos do Novo Testamento, a família ampliada havia quase desaparecido. Os escritos de
Paulo o confirmam; quando ele escreveu sobre os papéis e atitudes de cada membro da família, falou apenas dos pais, filhos e escravos
(cf. Efésios 5:22― 6:9).
O Novo Testamento diz que José e Maria viajaram como um casal para alistar-se em Belém (Lucas 2:4-5). Foram ao templo
sozinhos quando Maria ofereceu sacrifícios (Lucas 2:22). Também viajaram sozinhos quando levaram Jesus para o Egito (Mateus 2:14).
Esses relatos tendem a confirmar que a "família" do Novo Testamento constituía-se somente do marido, da esposa e dos filhos.

O CLÃ
A família ampliada fazia parte de um grupo maior a que chamamos clã. O clã podia ser tão grande que registrava centenas de
homens em suas fileiras (cf. Gênesis 46:8-27; Esdras 8:1-14). Os membros de um clã descendiam de um ancestral comum, e assim se
consideravam uns aos outros como parentes. Sentiam-se obrigados a ajudar e a proteger uns aos outros.
Muitas vezes o clã designava um homem, chamado goel, para oferecer ajuda aos membros necessitados. Em português, esta
pessoa é mencionada como resgatador. Sua ajuda cobria muitas áreas de necessidade.
Se um membro do clã tinha de vender parte de sua propriedade para pagar dívidas, ele dava ao resgatador a primeira opção de
compra. O resgatador tinha, então, de comprar a propriedade, se pudesse, para conservá-la na posse do clã (Levítico 25:25; cf. Rute 4:1-
6). Vemos esta situação quando o primo de Jeremias veio a este, dizendo: "Compra o meu campo que está em Anatote... porque teu é o
direito de posse e de resgate; compra-o" (Jeremias 32:6-8). Jeremias comprou o campo e usou o acontecimento para proclamar que os
judeus finalmente voltariam a Israel (Jeremias 32:15).
De quando em quando um exército capturava reféns e os vendia pela melhor oferta. Também, um homem podia vender-se à
escravidão para resgatar uma dívida. Em ambos os casos, o parente do escravo tinha de encontrar o resgatador do clã, que tentaria
comprar a liberdade do seu parente (Levítico 25:47-49).
Se um homem casado morria sem ter deixado filho, o goel tinha de casar-se com a viúva (Deuteronômio 25:5-10). A isto se
dava o nome de casamento de levirato ("cunhado"). Quaisquer filhos nascidos deste arranjo eram considerados descendência do irmão
falecido.
A história de Rute e Noemi exemplifica bem a responsabilidade do resgatador. A viúva Noemi tinha de vender sua propriedade
próxima de Belém, e queria que sua nora sem filhos se casasse de novo. O parente mais próximo concordou em adquirir o campo mas
não estava disposto a casar-se com Rute. Assim, ele desistiu de ambas as obrigações numa cerimônia realizada perante os anciãos da
cidade. Então Boaz, o parente seguinte, comprou o campo e casou-se com Rute (Rute 4:9-10).
O goel tinha de vingar a morte de um parente. Nesse caso, ele era chamado "vingador do sangue" (cf. Deuteronômio 19:12). A
lei de Moisés limitava esta prática estabelecendo cidades de refúgio para onde os homicidas podiam fugir, porém mesmo esta providência
não garantia a segurança do assassino. Se o homicídio foi praticado por maldade ou premeditação, o vingador do sangue seguiria o
homicida até à cidade de refúgio e exigiria sua extradição. Em tal caso, o homicida seria entregue ao goel è este o mataria (cf.
Deuteronômio 19:1-13). Foi assim que Joabe matou a Abner (2 Samuel 3:22-30).

EROSÃO DA FAMÍLIA
A família que vive em harmonia e em verdadeiro amor é um deleite para todos quantos se associam com ela. Por certo foi isto
que Deus tinha em mente quando estabeleceu a família. Infelizmente, a Bíblia mostra-nos poucas famílias que alcançaram este ideal. No
decurso da história bíblica, as famílias foram-se desgastando por pressões sociais, econômicas e religiosas. Podemos identificar alguns
desses fatores.

A. Inexistência de filhos. A falta de filhos era uma grande ameaça a um casamento nos tempos bíblicos. Se o casal não podia
conceber um filho, marido e mulher consideravam o problema como castigo de Deus.
A despeito de seu constante amor à esposa, um homem sem filhos às vezes se casava com uma segunda mulher ou usava os
serviços de uma escrava para conceber filhos (Gênesis 16:2; 30:3; Deuteronômio 21:10-14). Alguns homens divorciavam-se da esposa
para fazer isto. Embora esta prática solucionasse o problema da falta de filhos, ela criava muitos outros problemas.

B. Poligamia. Havia contínua rixa doméstica quando duas mulheres compartilhavam o mesmo marido nos tempos do Antigo
Testamento. A palavra hebraica para a segunda esposa significa, literalmente, "esposa rival" (cf. 1 Samuel 1:6); isto sugere que
geralmente havia amargura e hostilidade entre esposas polígamas. Não obstante, a poligamia era habitual, especialmente no tempo dos
patriarcas. Se um homem não podia levantar o dinheiro de casamento para uma segunda esposa, ele considerava a compra de uma
escrava para esse fim ou o uso de uma que ele já tinha em casa (cf. Gênesis 16:2; 30:3-8).
Num casamento polígamo, invariavelmente o marido favorecia uma esposa em detrimento da outra. Isto causava complicações
como, por exemplo, decidir qual o filho a honrar como primogênito. Às vezes um homem desejava deixar a herança para o filho da
esposa favorecida, embora, em realidade, devesse deixá-la ao filho da esposa "aborrecida" (Deuteronômio 21:15:17). Moisés declarou
que o primogênito tinha de ser devidamente honrado, e o marido não podia reduzir a parte da mãe do primogênito diminuindo "o
mantimento da primeira, nem os seus vestidos, nem os seus direitos conjugais" (Êxodo 21:10).
A política era, também, motivo para a poligamia. Muitas vezes um rei selava uma aliança com outro, casando-se com a filha do
seu aliado. Quando a Bíblia fala do grande harém de Salomão, ela acentua que ele "Tinha setecentas mulheres, princesas" (1 Reis 11:3).
Isto mostra que a maioria de seus casamentos foram de natureza política. Provavelmente as mulheres vinham de pequenas cidades-
estados e de tribos dos arredores de Israel.
Depois do Êxodo, a maioria dos casamentos hebreus foram monogâmicos; cada marido tinha somente uma esposa (Marcos
10:2-9). O livro dos Provérbios nunca menciona a poligamia, muito embora toque em muitos aspectos da cultura hebraica. Os profetas
sempre usaram o casamento monogâmico para descrever o relacionamento do Senhor com Israel. Tal casamento era o ideal da vida
familiar.

C. Morte do marido. A morte do marido sempre tinha conseqüências de longo alcance para a família. O povo dos tempos
bíblicos não constituía exceção. Após um período de lamentações, a esposa enviuvada podia adotar vários cursos de ação.
Se ela não tivesse filhos, esperava-se que continuasse a viver com a família do marido, de acordo com a lei do levirato
(Deuteronômio 25:5-10). Ela devia casar-se com um dos irmãos do marido ou com um parente próximo. Se esses homens não estivessem
disponíveis, estava ela livre para casar-se fora do clã (Rute 1:9).
As viúvas com filhos dispunham de outras opções. Do livro deuterocanônico de Tobias aprendemos que algumas voltavam para
a família do pai ou do irmão (Tobias 1:8). Se a viúva era idosa, um de seus filhos varões podia cuidar dela. Se ela adquirira segurança
financeira, podia viver sozinha. Por exemplo, Judite não se casou nem se mudou para a casa de um parente, pois "seu marido Manasses
lhe havia deixado ouro, e prata, e criados e criadas, e gado e terras; e ela permaneceu neste estado" (Judite 8:7).
De quando em quando a viúva não tinha sequer um centavo, nem tinha parente homem do qual depender. Tais mulheres
enfrentavam grandes dificuldades (cf. 1 Reis 17:8-15; 2 Reis 4:1-7).
A viúva sem filhos, dos tempos do Novo Testamento, achava-se numa posição muito mais segura. Se ela não dispunha de
nenhum dos costumeiros meios de sustento, podia recorrer à igreja em busca de ajuda. Paulo sugeriu que as viúvas jovens casassem de
novo e que as viúvas idosas fossem sustentadas pelos filhos; mas se a viúva não tinha a quem recorrer, a igreja devia cuidar dela (1
Timóteo 5:16).

Aldeia de Kafr Kenna. Uma aldeia na Galiléia rural, Kafr Kenna, ainda se parece muito com as aldeias dos tempos bíblicos. Observe
o estilo simples das casas.

D. Filhos rebeldes. Era pecado grave desonrar o pai ou a mãe. Moisés ordenou que a pessoa que ferisse ou amaldiçoasse o pai
ou a mãe fosse morta (cf. Êxodo 21:15, 17; Levítico 20:9). Não temos registro de que este castigo tenha sido aplicado, mas a Bíblia
descreve muitos casos em que os filhos desonraram os pais. Quando Ezequiel enumerou os pecados de Jerusalém, escreveu: "No meio de
ti desprezam o pai e a mãe, praticam extorsões contra o estrangeiro e são injustos para com o órfão e a viúva" (Ezequiel 22:7). Quadro
semelhante é apresentado em Provérbios 19:26. Jesus condenou muitos judeus de seu tempo por não honrarem os pais (Mateus 15:4-9)
Às vezes o pai ou a mãe causava mais atrito no seio da família do que o filho ou a filha. O profeta Nata anunciou a Davi que
"não se apartará a espada jamais da tua casa, porquanto me desprezaste, e tomaste a mulher de Urias, o heteu, para ser tua mulher" (2
Samuel 12:10). Desse tempo em diante, Davi teve problema com os filhos.
Amnon apaixonou-se de Tamar, sua meia-irmã, e a violentou. Não obstante, Davi não castigou o filho, e Absalão, irmão de
Tamar, matou a Amnom por vingança. Então Absalão fugiu para a terra de sua mãe, retornando mais tarde para chefiar uma revolta
contra o pai (2 Samuel 13). Davi insistiu em que seus homens não matassem Absalão, mas o jovem morreu num acidente de Batalha.
Davi chorou a morte do filho (2 Samuel 18).
Ao aproximar-se Davi da morte, seu filho Adonias desejou sucedê-lo no trono. Davi não tentou restringir-lhe as pretensões,
nesta ou em nenhuma outra ocasião. A Bíblia diz que o rei jamais "o contrariou [Adonias], dizendo: Por que procedes assim?" (1 Reis
1:6).

E. Rivalidade entre os filhos. O escritor de Provérbios expõe graficamente o problema dos filhos que discutem entre si: "O
irmão ofendido resiste mais que uma fortaleza; suas contendas são ferrolhos dum castelo" (Provérbios 18:19). A Bíblia descreve irmãos
que discutem por vários motivos. Jacó procurou furtar a bênção de Esaú (Gênesis 27). Absalão odiou a Amnom porque Davi se recusou a
puni-lo (2 Samuel 13). Salomão destruiu a seu irmão Adonias por suspeitar que este desejava o trono (1 Reis 2:19-25). Quando Jeorão
subiu ao trono, matou todos os irmãos, de sorte que nunca fossem uma ameaça para ele (2 Crônicas 21:4).
Às vezes os pais provocavam a rivalidade entre os filhos, como no caso da família de Isaque. A Bíblia diz que "Isaque amava a
Esaú...; Rebeca, porém, amava a Jacó" (Gênesis 25:28). Quando Isaque desejou abençoar a Esaú, Rebeca ajudou Jacó a obter a bênção
para si. Esaú enfureceu-se e ameaçou matar a Jacó que fugiu para um país longínquo (Gênesis 27:41-43). A reunificação da família
demandou uma geração inteira.
Infelizmente, Jacó não tirou proveito da lição dos erros de seu pai. Ele também favoreceu a um dos filhos, dando a José honra
perante os outros. Isto enfureceu de tal modo os restantes que tramaram matar o predileto do pai. A Bíblia registra que "Vendo, pois, seus
irmãos, que o pai o amava mais do que a todos os outros filhos, odiaram-no e já não lhe podiam falar pacificamente" (Gênesis 37:4).

F. Adultério. Os judeus consideravam o adultério uma grave ameaça à família, por isso puniam os adúlteros imediatamente e
com severidade.

RESUMO
A família era um fio unificador na história bíblica. Quando ameaçada ou desafiada, a unidade familiar lutava pela
sobrevivência. Deus usou as famílias para transmitir sua mensagem a cada nova geração.
Deus sempre se expressara como Pai de sua família redimida (Oséias 11:1-3). Ele espera receber honra da parte de seus filhos
(Malaquias 1:6). Jesus ensinou seus discípulos a orar, dizendo "Pai nosso." Mesmo hoje, as orações das crianças preparam-nas para
honrar a Deus como o Pai perfeito, capaz de atender a todas as suas necessidades.
Deus ordenou a unidade da família como parte vital da sociedade. Pela amorosa experiência da família humana, começamos a
entender o tremendo privilégio que temos de fazer parte da "família de Deus".

2. MULHERES E CONDIÇÕES DA MULHER

É justo dizer que o Israel bíblico achava que os homens eram mais importantes do que as mulheres. O pai ou o homem mais
idoso da família tomava as decisões que afetavam todo o grupo familiar, ao passo que as mulheres tinham muito pouco que dizer sobre
elas. Esta forma patriarcal (centrada no pai) de vida em família determinava como as mulheres eram tratadas em Israel.
Por exemplo, uma menina era educada para obedecer ao pai sem questionar. Depois, quando se casava, devia obedecer ao
marido da mesma forma. Se ela se divorciava, ou enviuvava, quase sempre voltava a viver na casa do pai.
Em verdade, Levítico 27:1-8 sugere que uma mulher valia apenas a metade de um homem. Assim, uma filha era menos bem
recebida do que um filho. Os meninos eram ensinados a tomar decisões e a governar suas famílias. As meninas eram criadas para casar e
ter filhos.
A jovem nem mesmo pensava numa carreira fora do lar. A mãe lhe ensinava a cuidar da casa e criar filhos. Esperava-se que ela
fosse uma auxiliadora do marido e lhe desse muitos filhos (Gênesis 3:16). Se a mulher não tinha filhos, era tida como amaldiçoada
(Gênesis 30:1-2, 22; 1 Samuel 1:1-8).
Não obstante, a mulher era mais do que um objeto que podia ser comprado e vendido. Cabia-lhe um papel importante.
Provérbios 12:4 diz: "A mulher virtuosa é a coroa do seu marido, mas a que procede vergonhosamente é como podridão nos seus ossos."
Em outras palavras, uma boa esposa era boa para o marido; ela o ajudava, cuidava dele e fazia-o sentir-se honrado. Mas uma esposa má
era pior do que um câncer; ela podia destruí-lo dolorosamente e fazê-lo objeto de zombaria. A esposa podia fazer ou desfazer o marido.
Ainda que a maioria das mulheres passasse os dias como donas-de-casa e mães, havia algumas exceções. Por exemplo, Miriã,
Débora, Hulda e Ester foram mais do que boas esposas ― foram líderes políticas e religiosas que comprovaram ser capazes de conduzir a
nação tão bem quanto qualquer homem.

OPINIÃO DE DEUS SOBRE AS MULHERES


No final do primeiro capítulo do Gênesis, lemos: "Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou;
homem e mulher os criou. E Deus os abençoou, e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os
peixes do mar, sobre as aves dos céus, e sobre todo animal que rasteja pela terra" (Gênesis 1:27, 28). Esta passagem mostra duas coisas a
respeito das mulheres. Primeira, a mulher bem como o homem foi criada à imagem de Deus. Deus não criou a mulher para ser inferior ao
homem; ambos são igualmente importantes. Segunda, também se esperava que a mulher tivesse autoridade sobre a criação de Deus.
Homem e mulher devem compartilhar esta autoridade ― ela não pertence apenas ao homem.
Deus disse: "Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea" (Gênesis 2:18). Assim, "Deus
fez cair pesado sono sobre o homem, e este adormeceu: tomou uma de suas costelas" (Gênesis 2:21), Deus empregou essa costela na
criação de Eva. Este relato mostra como a mulher é importante para o homem: Ela é parte de seu próprio ser, e sem ela o homem é
incompleto.
Mas Adão e Eva pecaram, e Deus disse a Eva: "O teu desejo será para o teu marido, e ele te governará" (Gênesis 3:16). Foi,
portanto, dito às mulheres que obedecessem a seus maridos. E assim permaneceu, mesmo nos tempos do Novo Testamento, quando o
apóstolo Paulo disse às esposas cristãs, "sejam submissas a seus próprios maridos, como ao Senhor" (Efésios 5:22). Mas, embora a
mulher devesse obedecer ao marido, ela não era inferior a ele. Significa, simplesmente, que ela deve estar disposta a deixar que ele dirija.
Na verdade, Paulo exigiu submissão tanto da parte do marido como da esposa, "sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo"
(Efésios 5:21). Em outra carta, Paulo declarou claramente que não há diferença de status em Cristo entre homem e mulher. "Não pode
haver judeu nem grego", escreve ele, "nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus"
(Gálatas 3:28).

Retrato de uma cabeça. As linhas de cobre negro feitas nas pálpebras desta escultura de marfim (século quatorze a.C.) dão uma
aparência de vida a esta representação de uma importante mulher de Ugarite. Ao longo da testa, na linha do cabelo encontram-se laçadas
de prata misturada com ouro. O alto toucado e o cabelo eram outrora cobertos de ouro fino.

A POSIÇÃO LEGAL DAS MULHERES


A posição legal da mulher, em Israel, era inferior à do homem. Por exemplo, o homem podia divorciar-se da esposa "por ter ele
achado coisa indecente nela", mas à esposa não era permitido divorciar-se do marido por nenhuma razão (Deuteronômio 24:1-4). A Lei
declarava que a esposa suspeita de ter relações sexuais com outro homem devia fazer prova de ciúmes (Números 5:11-31). Contudo, não
havia prova alguma para o homem suspeito de infidelidade com outra mulher. A Lei dizia, também, que o homem podia fazer um voto
religioso, e esse voto era válido (Números 30:1-15); mas o voto feito por uma mulher podia ser anulado por seu pai ou (se ela fosse
casada) pelo marido. O pai de uma mulher podia vendê-la para pagar uma dívida (Êxodo 21:7), e ela não podia ser libertada depois de 6
anos, como podia o homem (Levítico 25:40). Num caso, pelo menos, um homem deu sua filha para ser usada sexualmente por uma turba
(Juizes 19:24).
Algumas leis, porém, sugeriam que homens e mulheres deviam ser tratados como iguais. Por exemplo, os filhos deviam tratar o
pai e a mãe com igual respeito e reverência (Êxodo 20:12). O filho que desobedecesse ou amaldiçoasse ao pai ou à mãe devia ser
castigado (Deuteronômio 21:18-21). O homem e a mulher apanhados no ato de adultério deviam ambos morrer apedrejados
(Deuteronômio 22:22). (É interessante notar neste ponto que quando os fariseus arrastaram uma adúltera à presença de Jesus com a
intenção de apedrejá-la, eles próprios já haviam quebrado a lei deixando que o homem escapasse -João 8:3-11).
Outras leis hebraicas ofereciam proteção às mulheres. Se o homem tomasse uma segunda esposa, ele ainda era obrigado, pela
lei, a alimentar e vestir a primeira esposa, e continuar a ter relações sexuais com ela (Êxodo 21:10). Mesmo a mulher estrangeira, tomada
como noiva, na guerra, tinha alguns direitos; se o marido se cansasse dela, devia dar-lhe liberdade (Deuteronômio 21:14). Qualquer
homem culpado do crime de estupro devia ser morto por apedrejamento
(Deuteronômio 22:23-27).
Em geral, só os homens possuíam propriedade. Mas quando os pais não tinham filhos varões, as filhas podiam receber a
herança. Deviam casar-se dentro do clã para conservá-la (Números 27:8-11).
Uma vez que Israel era uma sociedade dominada por homens, algumas vezes os direitos da mulher eram menosprezados. Jesus
contou a história de uma viúva que teve de importunar um juiz que não queria tomar tempo para ouvir o seu lado da questão. Não
querendo que ela continuasse a aborrecê-lo, finalmente o juiz concordou em ouvi-la (Lucas 18:1-8). Como acontecia com muitas das
histórias de Jesus, isto era algo que podia realmente acontecer, e talvez tenha acontecido.
Não obstante, as viúvas recebiam também alguns privilégios especiais. Por exemplo, era-lhes permitido respigar os campos
após a colheita (Deuteronômio 24:19-22) e receber uma porção dos dízimos no terceiro ano, juntamente com os levitas (Deuteronômio
26:12). Assim, a despeito de seu status legal inferior, as mulheres gozavam de alguns direitos especiais na sociedade judaica.

MULHERES NO CULTO
As mulheres eram consideradas membros da "família da fé". Como tais, podiam entrar na maioria das áreas de culto.
A Lei determinava que todos os homens se apresentassem perante o Senhor três vezes por ano. Evidentemente, em algumas
ocasiões as mulheres iam com eles (Deuteronômio 29:11; Neemias 8:2; Joel 2:16), mas não se exigia que fossem. Talvez não se exigia
que fossem por causa de seus importantes deveres como esposas e mães. Por exemplo, Ana foi a Silo com o marido e pediu um filho ao
Senhor (1 Samuel 1:3-5). Mais tarde, quando a criança nasceu, ela disse ao marido: "Quando for o menino desmamado, levá-lo-ei para
ser apresentado perante o Senhor, e para lá ficar para sempre" (vv. 21-22).
Mulher de Mari. Estatueta de barro da cidade de Mari, localizada ao longo do rio Eufrates na Mesopotâmia (hoje Síria); retrata uma
mulher cantando. A estatueta foi feita antes de 2500 a. C.

Como cabeça da casa, o marido ou pai apresentava os sacrifícios e ofertas em nome da família toda (Levítico 1:2). Mas a
esposa podia também estar presente. As mulheres compareciam à Festa dos Tabernáculos (Deuteronômio 16:14), à festa anual do Senhor
(Juizes 21:19-21), e à festa da Lua Nova (2 Reis 4:23).
Um sacrifício que só as mulheres faziam ao Senhor era oferecido após o nascimento de uma criança: "E, cumpridos os dias da
sua purificação por filho ou filha, trará ao sacerdote um cordeiro de um ano por holocausto, e um pombinho ou uma rola por oferta pelo
pecado à porta da tenda da congregação" (Levítico 12:6).
À época do Novo Testamento, as mulheres judias já não participavam ativamente no culto do templo ou da sinagoga. Embora
houvesse uma área especial no templo conhecida como "Pátio das mulheres", não lhes era permitido entrar no pátio interior. Fontes
extrabíblicas dizem-nos que não se permitia às mulheres ler ou falar na sinagoga; mas podiam sentar-se e ouvir na seção especial a elas
destinada. As mulheres podem ter tido permissão para entrar somente nas sinagogas que funcionavam com base em princípios
helenísticos.
Na igreja cristã primitiva revela-se um quadro diferente. Lucas 8:1-3 mostra que Jesus recebeu algumas mulheres como
companheiras de viagem. Ele incentivou a Marta e Maria a sentar-se a seus pés como discípulas (Lucas 10:38-42). O respeito de Jesus
pelas mulheres era algo surpreendentemente novo.
Depois que Jesus ascendeu ao céu, diversas mulheres reuniram-se com os demais discípulos no cenáculo para orar. Conquanto
a Escritura não o diga tão especificamente, com toda a probabilidade essas mulheres oravam em público, em voz audível. Tanto homens
como mulheres congregaram-se no lar da mãe de João Marcos a fim de orar pelo livramento de Pedro (Atos 12:1-17), e do mesmo modo,
homens e mulheres oravam regularmente na igreja de Corinto (1 Coríntios 11:2-16). Por isso o apóstolo Paulo deu instruções a homens e
mulheres sobre a maneira de orar em público.
Esta liberdade concedida às mulheres era tão nova que causou alguns problemas na igreja, de modo que Paulo deu às primeiras
organizações algumas diretrizes limitando o papel das mulheres. Escreveu ele: "Conservem-se as mulheres caladas nas igrejas, porque
não lhes é permitido falar; mas estejam submissas como também a lei o determina. Se, porém, querem aprender alguma coisa,
interroguem, em casa, a seus próprios maridos; porque para a mulher é vergonhoso falar na igreja" (1 Coríntios 14:34-35).

Poço de água e degraus. Construída cerca de 1100 a.C, esta escadaria de setenta e nove degraus desce em espiral ao tanque de Gibeom.
A escadaria e o poço, que exigiram a remoção de quase 3000 toneladas de pedra calcária, dava acesso à água fresca dentro dos muros da
cidade. Mulheres de Gibeom faziam o longa descida e subida todos os dias a fim de prover água para suas casas.

Em outra carta, Paulo escreveu: "A mulher aprenda em silêncio, com toda a submissão. E não permito que a mulher ensine,
nem que exerça autoridade sobre o marido; esteja, porém, em silêncio" (1 Timóteo 2:11-12). As opiniões diferem quanto ao que,
exatamente, levou Paulo a escrever essas coisas, e até que ponto constituem normas para os cristãos de nosso tempo. Contudo, por certo
ele estava corrigindo comportamento que parecia desregrado para a época.
Diversas mulheres da Bíblia foram famosas por sua fé. Incluídas na lista dos fiéis em Hebreus 11 estão duas mulheres: Sara e
Raabe (Josué 2; 6:22-25). Ana foi um exemplo piedoso da mãe israelita: Ela orou a Deus; creu que ele ouviu suas orações; e cumpriu a
promessa que fez a Deus. Sua história encontra-se em 1 Samuel 1. Maria, mãe de Jesus, também foi uma boa e piedosa mulher. Maria
deve ter-se lembrado do exemplo de Ana, pois seu cântico de louvor a Deus (Lucas 1:46-55) é muito parecido com o de Ana (1 Samuel
2:1-10). O apóstolo Paulo lembra a Timóteo a bondade de sua mãe e avó (2 Timóteo 1:5).
Todavia, nem todas as mulheres judias dos tempos bíblicos foram leais a Deus. Segundo o livro dos escritos judeus conhecido
como Talmude, algumas mulheres "dedicavam-se à feitiçaria" (Joma 83b) e ao ocultismo. O Talmude alegava também que "a maioria das
mulheres inclina-se para a feitiçaria" (Sinédrio 67a). Alguns rabinos criam que foi por isto que Deus disse a Moisés: "A feiticeira não
deixarás viver."
Faça-se justiça, porém: as Escrituras não dizem que as mulheres estavam mais interessadas no ocultismo do que os homens.
Diversas referências bíblicas a mulheres que participavam do ocultismo (p. ex., 2 Reis 23:7; Ezequiel 8:14; Oséias 4:13-14) mostram
claramente que os homens também se envolviam. E das quatro vezes que a bruxaria é mencionada no livro de Atos, só uma delas se
relaciona com uma mulher (Atos 8:9-24; 13:4-12; 16:16-18; 19:13-16).

AS MULHERES NA CULTURA DE ISRAEL


A sociedade israelita determinava que o lugar da mulher era no lar. Esperava-se que ela achasse a vida de esposa e mãe muito
agradável. Evidentemente, as mulheres judias aceitavam esse papel com boa disposição.

A. A esposa ideal. Todo homem desejava encontrar uma esposa perfeita, uma esposa que lhe fizesse "bem, e não mal, todos os
dias de sua vida" (Provérbios 31:12). Poucos homens, então como agora, desejavam uma mulher mandona ou que gostasse de brigar!
Provérbios 19:13 comparava uma esposa rixenta a um contínuo gotejar sobre a cabeça de alguém. Em realidade, "Melhor é morar numa
terra deserta do que com a mulher rixosa e iracunda" (Provérbios 21:19).
Cena de mercado romano. Este relevo funerário romano mostra o balcão de um negociante de aves e vegetais. Atrás do balcão está uma
vendedora. A sorte das mulheres romanas era melhor do que a da maioria das mulheres do mundo antigo.

Que qualidades entravam na composição da "esposa perfeita" no antigo Israel? Que qualidades a família procurava numa noiva
para o filho? Que qualidades a mãe tentava instilar na filha, preparando-a para ser uma boa esposa e mãe?
A maioria dessas qualidades acham-se descritas num interessante poema em Provérbios 31. O poema é um acróstico ― ou seja,
cada verso começa com uma letra hebraica diferente em ordem alfabética. Podíamos chamar esses versos de "ABC da Esposa Perfeita".
Segundo este poema, a esposa ideal tem muitos talentos. Ela sabe cozinhar e costurar (vv. 13, 15, 19, 22). Nunca desperdiça o
tempo com fuxicos, mas passa o tempo em tarefas mais importantes (v. 27). Ela tem queda para ver o que precisa ser feito e o faz.
Entende bem de negócios, sabe comprar e vender com sabedoria (vv. 16, 24). Contudo, ela não é egoísta. Ajuda os necessitados e dá
conselho aos que são menos sábios (v. 26). Possui, também, profunda reverência por Deus (v. 30). Tenta, por todos os modos, ser uma
"auxiliadora idônea" para o marido. O poema termina dizendo que se ela fizer todas essas coisas, seu marido será elevado a uma posição
de destaque aos olhos da comunidade (v. 23).
Um esboço mais breve do que constitui uma esposa perfeita pode ser encontrado em Eclesiástico 26:13-16: "A graça de uma
esposa deleita o marido, e sua discrição lha engordará os ossos. Uma mulher calada e amorosa é um dom do Senhor; e nada vale tanto
quanto uma mente bem instruída. Uma mulher modesta e fiel é uma graça dobrada, e sua mente casta não pode ser avaliada. Como o sol
quando se ergue no alto céu, assim é a beleza de uma boa esposa na ordenação de sua casa."

B. A beleza da mulher. Cada sociedade tem seus próprios padrões de beleza. Algumas culturas acentuam que a mulher bela
deve ser gorda, enquanto para outras ela deve ser delgada. É difícil saber exatamente o que os antigos hebreus consideravam belo.
A maioria das mulheres atraentes que a Bíblia menciona não são descritas em detalhe. Geralmente o escritor nota que uma
mulher era "bela"', e isso é tudo. O conceito bíblico de beleza está aberto a diferentes interpretações.
Tome-se, por exemplo, a declaração de que "Lia tinha os olhos baços, porém Raquel era formosa de porte e de semblante"
(Gênesis 29:17). Alguns eruditos pensam que a palavra hebraica traduzida por "baços" poderia ser mais bem traduzida por "ternos e
encantadores". Nesse caso, podia significar que ambas as irmãs eram belas a seu próprio modo. Lia podia ter tido belos olhos, enquanto
Raquel possuía corpo bonito.
As mais claras descrições de uma mulher bonita vêm de Cantares de Salomão; mas ainda aqui há alguma dúvida de que a moça
esteja sendo descrita com precisão. O poeta usa uma longa série de símiles e metáforas para pintar um quadro mental de seu amor, e às
vezes a técnica poética entra na forma da descrição. Os dentes dela são brancos como o rebanho de ovelhas, sem faltar nenhum. Seus
lábios são como um fio de escarlate (Cantares 4:2-3).
Algumas das mais importantes mulheres do Antigo Testamento são mencionadas como tipos de beleza. Sara (Gênesis 12:11),
Rebeca (Gênesis 26:7) e Raquel (Gênesis 29:17) são todas descritas assim. Davi foi tentado a cometer adultério com Bate-Seba porque
ela era mui formosa (2 Samuel 11:2). Tamar, filha de Davi, foi violentada por seu meio-irmão Amnom por causa de sua beleza (2 Samuel
13:1). Tanto Absalão como Jó tinham filhas formosas (2 Samuel 14:27; Jó 42:15). A luta entre Salomão e Adonias para suceder a Davi
como rei terminou quando Adonias quis casar com a formosa Abisague (1 Reis 1:3-4). Não somente seu pedido foi negado, como lhe
custou a vida (1Reis 2:19-25). Os judeus que viviam durante o período persa foram salvos por uma bela judia de nome Ester (cf. o livro
de Ester).

Penteado. Um painel do sarcófago da princesa Kawit do Egito (cerca de 2100 a.C.) retrata o esmerado processo de pentear cabelos. Uma
criada trança os cabelos de sua senhora, enquanto a princesa tem na mão uma tigela de leite e um espelho.
Nem todas as mulheres eram naturalmente formosas, mas as ricas podiam melhorar a aparência com roupas, perfumes e
cosméticos caros. O profeta Ezequiel disse que a nação de Israel era como uma jovem que se banhou e ungiu. Ela usava roupas bordadas
e calçados de couro. Deus disse à nação: "Também te adornei com enfeites, e te pus braceletes nas mãos e colar à roda do teu pescoço.
Coloquei-te um pendente no nariz, arrecadas nas orelhas, e linda coroa na cabeça. Assim foste ornada de ouro e prata; o teu vestido era de
linho fino, de seda, e de bordados" (Ezequiel 16:11-13). O profeta Isaías mencionou mais destes adornos em 3:18-23, tais como anéis
dos artelhos, turbantes e amuletos, sinetes e as jóias pendentes do nariz. Os arqueólogos têm encontrado alguns desses objetos.
Jeremias falou de outra prática comum do seu tempo. As mulheres pintavam linhas no rosto para darem maior realce aos olhos
(Jeremias 4:30). Outras mulheres usavam pentes adornados de jóias para tornarem o cabelo mais bonito. Muitos desses pentes e centenas
de espelhos também têm sido encontrados, dando uma retrospectiva dos tempos bíblicos.
Há, porém, dois tipos de beleza ― a exterior e a interior de uma personalidade agradável. As Escrituras advertem homens e
mulheres a não darem demasiada importância aos aspectos físicos e às roupas dispendiosas.
Um sábio admoestou: "Como jóia de ouro em focinho de porco, assim é a mulher formosa que não tem discrição" (Provérbios
11:22). Outro sábio escreveu: "Enganosa é a graça e vã a formosura, mas a mulher que teme ao Senhor, essa será louvada" (Provérbios
31:30). Pedro e Paulo disseram às mulheres de sua época que se preocupassem mais com a beleza interior do que com a boa aparência (1
Timóteo 2:9-10; 1 Pedro 3:3-4).

C. A mulher como parceira sexual. Era contrário à Lei que uma mulher não casada tivesse relações sexuais. Devia
permanecer virgem até após a cerimônia de casamento. Se alguém pudesse provar que ela não era virgem quando se casou, era trazida à
porta da casa de seu pai e os homens da cidade apedrejavam-na até morrer (Deuteronômio 22:20-21).
O sexo, porém, era parte muito importante da vida matrimonial. Deus havia ordenado que o relacionamento sexual fosse
realizado em lugar próprio e entre as pessoas certas ― parceiros conjugais. Os judeus levavam isto tão a sério que o homem recém-
casado estava livre de seus deveres militares ou de negócios durante um ano inteiro, de sorte que ele promovesse "felicidade à mulher
que tomou" (Deuteronômio 24:5). A única restrição era que o marido e a esposa não tivessem relações sexuais durante o período de
menstruação da mulher (Levítico 18:19).
O sexo devia ser desfrutado pela esposa bem como pelo marido. Deus disse a Eva: "o teu desejo será para o teu marido"
(Gênesis 3:16). Nos Cantares de Salomão, a mulher era muito agressiva, beijando o marido e conduzindo-o à recâmara. Ela lhe
expressava amor vez após vez, e insistia com ele para que desfrutasse o relacionamento físico de ambos (Cantares 1:2; 2:3-6, 8-10; 8:1-
4).
Nos tempos do Novo Testamento houve desacordo na igreja de Corinto com relação ao papel do sexo. Parece que algumas
pessoas achavam que a vida devia ser gozada na sua totalidade de modo que, fosse o que fosse que alguém desejasse fazer sexualmente,
devia estar certo ― incluindo o adultério, a prostituição e atos homossexuais. Outros pensavam que o sexo era de certo modo mau e não
se devia ter nenhuma relação física, nem mesmo com o esposo ou com a esposa. Paulo lembrou aos coríntios que o adultério e a
homossexualidade eram pecados e deviam ser evitados (1 Coríntios 6:9-11), mas disse que maridos e esposas deviam desfrutar juntos o
dom divino do sexo. Paulo instruiu: "O marido conceda à esposa o que lhe é devido, e também semelhantemente a esposa ao seu
marido....Não vos priveis um ao outro, salvo talvez por mútuo consentimento, por algum tempo, para vos dedicardes à oração e
novamente vos ajuntardes, para que Satanás não vos tente por causa da incontinência" (1 Coríntios 7:3, 5).

D. A mulher como mãe. Sem os remédios e os analgésicos modernos, o nascimento de uma criança era experiência muito
dolorosa. Em realidade, muitas mães morriam ao dar à luz (cf. Gênesis 35:18-20; 1 Samuel 4:20). A despeito desses perigos, a maior
parte das mulheres ainda desejavam ter filhos.
Para as mulheres hebréias era extremamente importante ser boa esposa e mãe. A maior honra que uma mulher poderia receber
seria dar à luz o Messias. Mal podemos imaginar a emoção de Maria quando o anjo Gabriel a saudou com as palavras, "Salve! agraciada;
o Senhor é contigo. Bendita és tu entre as mulheres!" (Lucas 1:28). Então ele prosseguiu, dizendo-lhe que ela seria a mãe do Messias. A
saudação que Maria recebeu de Isabel foi do mesmo teor (cf. Lucas 1:42).

E. O trabalho da mulher. Pelos padrões hodiernos, não consideraríamos muito estimulante a vida diária marcada por trabalho
duro e longas horas da mãe israelita média.
Levantava-se de manhã antes de todos, e acendia o fogo na lareira ou no fogão. O principal alimento da dieta judaica era o pão.
Com efeito, a palavra hebraica para alimento (ohel) era sinônimo de pão. Um dos deveres da esposa e mãe, portanto, era moer o grão
para fazer farinha. Isto requeria vários passos e ela não dispunha de nenhuma das bugigangas elétricas que as esposas modernas possuem,
de modo que todo o seu trabalho era feito a mão.
Ela usava espinhos, restolho, ou mesmo estéreo como combustível. Geralmente cabia aos filhos o trabalho de encontrar lenha;
se, porém, eles não tivessem idade suficiente para sair de casa, então essa tarefa cabia à mulher.
Todas as famílias necessitavam de água. Às vezes elas construíam sua própria cisterna para armazenar a água da chuva; mas, na
maioria das vezes, a água vinha de uma fonte ou de um poço no meio da aldeia.

Preparando a massa. Esta figura humana, rudemente modelada de el-Jib, na Palestina (cerca do sexto século a.C.) curva-se sobre a
gamela para preparar a massa. O pão era o alimento básico do antigo Oriente Próximo. Os padeiro9 misturavam farinha com água e
temperavam-na com sal; depois amassavam-na em gamela especial. A seguir adicionavam uma pequena quantidade de massa fermentada
até que toda a massa fosse levedada. Os judeus não usavam fermento nas ofertas de manjares (Levítico 2:11), e seu emprego era proibido
durante a semana da Páscoa.
Algumas cidades do Antigo Testamento foram edificadas sobre fontes subterrâneas; Megido e Hazor foram duas dessas
cidades. Em Hazor a mulher ia até um poço profundo. Então ela descia duas rampas feitas por mão humana, de nove metros e cinco
lances de escada até ao túnel de água, onde ela seguia por mais escadas até ao nível de água para encher o grande cântaro. Era preciso
que ela tivesse considerável força para subir e sair do poço com um pesado vasilhame de água. Mas isso não era de todo mau. A
caminhada em busca de água dava-lhe oportunidade de conversar com outras mulheres da aldeia. As senhoras muitas vezes se reuniam
em torno da fonte de água ao entardecer ou bem cedo de manhã para trocar novidades e boatos (cf. Gênesis 24:11). A mulher junto ao
poço de Sicar veio ao meio-dia, sem dúvida, porque as outras mulheres, por causa de sua vida frouxa, não queriam saber de nada com ela
e menosprezavam-na (cf. João 4:5-30).
Também se esperava que a esposa fizesse as roupas da família. As crianças pequenas tinham de ser amamentadas, vigiadas e
mantidas limpas. A medida que as crianças cresciam, a mãe lhes ensinava boas maneiras. Também ensinava às filhas mais velhas a
cozinhar, costurar e fazer as demais coisas que uma boa esposa israelita devia saber.
Além disso, era de esperar que a esposa ajudasse a recolher a colheita (cf. Rute 2:23). Ela preparava algumas colheitas como
azeitonas e uvas para armazenamento. Assim, sua rotina diária tinha de ser flexível bastante para incluir estes outros misteres.

MULHERES LÍDERES EM ISRAEL


Em sua grande maioria, as mulheres israelitas nunca se tornavam dirigentes públicas, mas houve algumas exceções. A Bíblia
registra os nomes e atos de diversas mulheres que se destacaram em assuntos políticos, militares ou religiosos.

A. Heroínas militares. As duas mais famosas heroínas militares do Antigo Testamento foram Débora e Jael; ambas
participaram da mesma vitória. Por meio de Débora, Deus falou ao general Baraque como os cananeus podiam ser batidos. Baraque
concordou em atacar os cananeus, porém desejava que Débora fosse com ele à batalha. Ela foi, e os cananeus foram devidamente
derrotados. Contudo, Sísera, general cananeu, escapou a pé. Jael viu-o, saiu a saudá-lo e convidou―o a entrar em sua tenda. Ali ele caiu
no sono. Enquanto ele dormia, Jael entrou e encravou-lhe na cabeça uma estaca da tenda, matando-o (Juizes 4-5).
Noutra ocasião diversas mulheres ajudaram a defender a cidade de Tebes contra os atacantes. O chefe do ataque, Abimeleque,
aproximou-se da porta da torre para a incendiar. Uma das mulheres viu-o junto à porta e lançou-lhe sobre a cabeça uma pedra de moinho.
A pesada pedra partiu o crânio de Abimeleque. Enquanto jazia moribundo, ordenou ao seu escudeiro: "Desembainha a tua espada, e
mata-me; para que não se diga de mim: Mulher o matou" (Juizes 9:54). O ataque foi abandonado. Gerações posteriores deram à mulher
desconhecida o crédito pela vitória (cf. 2 Samuel 11:21).

Mulher fiando lã. Este relevo de pedra, procedente de Susa, retrata uma mulher segurando um fuso na mão esquerda e um material
fibroso, talvez lã, na direita. Atrás dela está uma criada com um grande abano. Entre os hebreus, fiar era principalmente ocupação de
mulheres (Êxodo 35:25-26).

Os judeus contemporâneos de Jesus contavam uma história popular a respeito de uma mulher rica, chamada Judite, devota e
formosa. A história começou com a invasão de Israel por um exército assírio, conduzido pelo general Holofernes. Ele sitiou uma das
cidades de Israel, cortou-lhe o alimento e os suprimentos, e lhe deu cinco dias para render-se. Judite incentivou seus concidadões a
confiar em Deus pela vitória. Então ela vestiu-se com roupas bonitas e fez uma visita a Holofernes. O general achou que ela era muito
amável e pediu-lhe que o visitasse todos os dias. Na última noite, véspera da rendição dos judeus, Judite ficou sozinha com Holofernes.
Quando ele caiu embriagado, Judite tirou-lhe a espada, cortou-lhe a cabeça e colocou-a num cesto. Depois ela voltou à cidade. Na manhã
seguinte, vendo os assírios que seu chefe estava morto, a vitória foi fácil para os judeus.

B. Rainhas. Nem todas as mulheres da Bíblia foram conhecidas por suas boas ações. A rainha Jezabel é a mulher má mais bem
conhecida do Antigo Testamento. Era filha de Etbaal, rei dos sidônios. Casou-se com Acabe, príncipe de Israel, e mudou-se para Samaria.
Tornando―se rainha, impôs seus desejos ao povo. Quis que os israelitas se curvassem diante de Baal, por isso trouxe centenas de seus
profetas para o país e os incluiu na folha de pagamento do governo. Também matou todos os profetas do Senhor que pôde encontrar (1
Reis 18:13). Mesmo homens piedosos como Nabote foram mortos. O profeta Elias fugiu e escondeu-se de Jezabel para salvar a vida. Ele
achava que era o único verdadeiro profeta que restara em todo o país. Na realidade, no reino todo havia apenas 7.000 pessoas que se
recusaram a adorar a Baal, mas somente Deus sabia quem eram. Sete mil, naturalmente, era muito pouco. Anos após a derrota e morte de
Jezabel, o culto de Baal continuava (1 Reis 18-21).
Herodias foi outra mulher que usou o poder e a beleza para conseguir o que desejava. Quando João Batista denunciou o
casamento dela com o rei Herodes, ela conseguiu que o rei prendesse João e o encarcerasse. No aniversário de Herodes, a filha de
Herodias dançou para os convidados. Isto agradou muito ao rei, de modo que ele prometeu dar-lhe o que ela pedisse. Herodias disse à
filha que pedisse a cabeça de João Batista. Deste modo, ela causou a morte de João.
Nem todas as rainhas da Bíblia foram más. A rainha Ester usou seu poder sobre o império persa para ajudar os judeus. Um
relato completo de sua história encontra-se no livro de Ester.

C. Rainhas-mães. Os escritores de 1 e 2 Reis e de 2 Crônicas contam muita coisa acerca das rainhas-mães de Judá. Referindo-
se aos vinte diferentes reis que reinaram em Judá desde Salomão até ao tempo do exílio, somente uma vez esses livros deixaram de
mencionar uma rainha-mãe. O exemplo típico do que se disse acerca da rainha-mãe encontra-se nesta passagem: "No segundo ano de
Jeoás, filho de Jeoacaz, rei de Israel, começou a reinar Amazias, filho de Joás, rei de Judá. Tinha vinte e cinco anos quando começou a
reinar, e vinte e nove anos reinou em Jerusalém. Era o nome de sua mãe Jeoadã, de Jerusalém. Fez ele o que era reto perante o Senhor" (2
Reis 14:1-3).
Supomos que a mãe do rei deve ter sido uma pessoa importante em Judá. Infelizmente, muito pouco se sabe acerca de seu papel
no governo ou na sociedade.
Encontramos, porém, a influência decisiva de uma rainha-mãe no caso de Adonias. Visto ser ele o filho mais velho
sobrevivente de Davi, achava que devia ser o próximo rei depois de Davi. Diversos altos oficiais concordavam com ele ― incluindo
Joabe, general do exército, e Abiatar, o sacerdote. Por outro lado, o profeta Nata e outro sacerdote de nome Zadoque achavam que
Salomão, outro dos filhos de Davi, seria um rei melhor. Bate-Seba, mãe de Salomão, persuadiu Davi a jurar que Salomão seria rei (1 Reis
1:30). Salomão tratou sua mãe com respeito pelo que ela havia feito (1 Reis 2:19).
Todavia, nem todas as rainhas-mães foram tratadas tão respeitosamente. Quando o rei Asa introduziu reformas religiosas no
país, ele depôs sua mãe da dignidade de rainha-mãe. Ela havia feito uma imagem da deusa Aserá (poste-ídolo). Visto que o rei Asa
achava que essas coisas eram pecaminosas, ele tirou as prostitutas e destruiu todos os ídolos, incluindo o poste-ídolo. Embora o rei Asa
não tenha matado a mãe, ele retirou-lhe o poder (1 Reis 15:9-15).

Cabeça de mulher de marfim. Esta cabeça de marfim de uma mulher assíria (cerca do século oitavo a.C.) foi esculpida de um grande
dente de elefante. Um filete de cordão duplo ou espécie de turbante segura o cabelo, o qual cai em cachos sobre o pescoço.

Uma rainha-mãe que teve tremendo poder foi Atalia, mãe de Acazias. Quando seu filho foi morto em combate, Atalia
apoderou-se de trono e procurou matar todos os herdeiros legítimos. Durante seis anos Atalia reinou em Judá com mão de ferro; tão-logo,
porém, o jovem príncipe teve idade suficiente para tornar-se rei, Atalia foi destituída e morta (2 Reis 11:1-16).

D. Conselheiros. A maior parte das aldeias tinha pessoas sábias a quem outras pessoas freqüentemente pediam conselho. A
corte do rei tinha, do mesmo modo, muitos conselheiros sábios. Embora não haja referências bíblicas a mulheres conselheiras na corte,
há diversos exemplos de mulheres sábias nas aldeias.
Quando Joabe, comandante-chefe do exército de Davi, desejou reconciliar Davi com seu filho Absalão, ele recorreu a uma
mulher sábia de Tecoa para ajudá-lo. A mulher fingiu ser viúva com dois filhos. Ela disse que um dos filhos havia matado o outro num
acesso de raiva, e agora o restante de sua família queria matar o filho remanescente. Davi ouviu a história da mulher e disse que ela
estava certa em perdoar o segundo filho. Então a mulher mostrou ao rei que ele não estava praticando o que pregava, pois não havia
perdoado a Absalão por um crime semelhante. Davi percebeu que ele estivera errado e permitiu que Absalão regressasse a Jerusalém (2
Samuel 14:1-20).
Outra mulher sábia salvou da destruição a sua cidade. Um homem por nome Seba chefiou uma revolta contra o rei Davi.
Fracassada a revolta, Seba fugiu e escondeu-se na cidade de Abel. Joabe, general de Davi, cercou a cidade e preparava-se para atacá-la
quando uma mulher sábia da cidade apareceu no muro e pediu para falar a Joabe. Ela lembrou-lhe quão importante sua cidade havia sido
para Israel; disse-lhe que destruir esta cidade era como matar "uma mãe em Israel". Assim, juntos combinaram um plano. Se Seba fosse
morto, a cidade não seria atacada. A sábia mulher voltou e contou o plano traçado aos moradores. Mataram Seba e Joabe e seu exército
retiraram-se.

E. Dirigentes religiosas. Em Israel, Deus não ordenou sacerdotisas, e uma mulher não poderia, em hipótese alguma, tornar-se
sacerdotisa porque seu ciclo mensal a fazia impura. O ministério sacerdotal restringia-se aos varões descendentes de Arão. Contudo, as
mulheres podiam desempenhar muitas outras tarefas rituais. Não é de surpreender encontrar mulheres participando do culto público a
Deus em vários níveis.
A Mezuzá

Quando o anjo da morte passou sobre o Egito, matando todos os primogênitos, as famílias judias foram protegidas pelo sangue
do cordeiro pascoal espargido nas ombreiras das portas de suas casas (Êxodo 12:23). Hoje muitos judeus prendem uma mezuzá nas
ombreiras das portas como lembrete da presença de Deus e da redenção do povo judeu do Egito.

A mezuzá (hebraico, "ombreira de porta") é um pequeno estojo que contém um pergaminho no qual está escrita a seguinte oração: "Ouve,
Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de toda a rua
força. Estas palavras que hoje te ordeno, estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e
andando pelo caminho, e ao deitar-te e ao levantar-te. Também as atarás como sinal na tua mão e te serão por frontal entre os teus olhos.
E as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas" (Deuteronômio 6:4-9).
O pergaminho continua com Deuteronômio 11:13-21, que acentua a obediência aos mandamentos e as recompensas de uma
vida reta.
Mesmo hoje cada pergaminho da mezuzá é cuidadosamente escrito por escribas qualificados, usando os mesmos estritos
procedimentos que usam ao escrever as leis. Depois é enrolado firmemente e colocado no estojo de sorte que a palavra shaddai ("Todo-
poderoso") aparece através de uma pequena abertura perto do topo. Lê-se uma oração especial quando a mezuzá é presa quase ao topo da
ombreira direita da porta. Embora a popularidade da mezuzá tenha diminuído em anos recentes, muitos judeus ainda a beijam tocando os
lábios com os dedos e a seguir levantando-os até ela quando entram numa casa e ao saírem dela. Ao mesmo tempo, recitam o Salmo
121:8: "O Senhor guardará a tua saída e a tua entrada, desde agora e para sempre."
A mezuzá é um lembrete diário para a família judaica de sua responsabilidade para com Deus e a comunidade. Para a
comunidade, é um sinal de que este é um lar onde as leis de Deus imperam supremas. Dentro deste santuário, longe das influências
mundanas, a família judaica estuda as Escrituras, observa os feriados religiosos, e instrui os filhos na fé dos seus pais.
Um antigo erudito hebreu explicou a finalidade da mezuzá comparando-a aos guardas de um rei terreno. Do mesmo modo que
um rei tem guardas à porta para garantir-lhe a segurança, assim o povo de Israel está seguro dentro de seus lares porque a palavra de
Deus está à porta para guardá-lo.

As mulheres serviam como profetisas ― isto é, porta-vozes femininos de Deus. A mais famosa profetisa hebréia foi Hulda,
esposa de Salum. Ela exerceu este ministério nos dias do rei Josias. Quando foi encontrado no templo o livro da Lei, os guias religiosos
vieram a ela e lhe perguntaram o que Deus desejava que a nação fizesse. A nação inteira, incluindo o rei Josias, tentou levar a cabo suas
instruções nos mínimos detalhes, pois estavam certos de que Deus havia falado por intermédio dela (2 Reis 22:11-23:14).
Houve muitas outras profetisas no Antigo Testamento, incluindo-se Miriã (Êxodo 15:20), Débora (Juizes 4:4) e a mulher de
Isaías (Isaías 8:3). O Novo Testamento menciona que Ana e as filhas de Filipe eram profetisas, mas não sabemos muita coisa a respeito
de suas vidas ou de suas mensagens (Lucas 2:36; Atos 21:9).
Algumas mulheres usaram os talentos musicais que Deus lhes deu. Miriã e outras mulheres cantaram um hino de louvor a Deus
depois que ele livrou os israelitas da mão dos egípcios (Êxodo 15:2). Quando Deus ajudou Débora e Baraque a derrotar os cananeus, eles
escreveram um cântico de vitória e o cantaram em dueto (Juizes 5:1-31). Três filhas de Hemã eram também musicistas; de acordo com 1
Crônicas 25:5, 6 elas tocavam no templo.
Na igreja de Cencréia havia uma diaconisa por nome Febe, que Paulo disse ter "sido protetora de muitos, e de mim inclusive"
(Romanos 16:2). Numa carta a Timóteo, Paulo escreveu que as esposas de diáconos devem ser "respeitáveis, não maldizentes,
temperantes e fiéis em tudo" (1 Timóteo 3:11). Porém ele deixou claro que não queria nenhuma mulher ensinando ou exercendo
autoridade sobre os homens (2:12).
Outras líderes da igreja primitiva incluíam Priscila, que com mais exatidão, expôs a Apoio o caminho de Deus (cf. Atos 18:24-
28). Evódia e Síntique eram duas das líderes espirituais de Filipos. Paulo disse: "juntas se esforçaram comigo no evangelho, também com
Clemente e com os demais cooperadores meus" (Filipenses 4:3). Parece, pois, que elas realizavam trabalho semelhante ao dele.

RESUMO
Uma antiga história judaica demonstra quão importante era a mulher em Israel. Diz a história que certo homem piedoso casou-
se com uma piedosa mulher. Não tiveram filhos, por isso concordaram em divorciar-se. Então o marido se casou com uma mulher ímpia
e ela o fez ímpio. A mulher piedosa casou-se com um homem ímpio e fez dele um homem reto. A moral da história é que a mulher
determina o ambiente do lar.
A mãe israelita tinha um lugar importante na vida da família. Em grande parte, era ela o segredo de uma família bem-sucedida
ou a causa de seu fracasso. Ela podia exercer incalculável influência sobre o marido e os filhos.
A história de Israel e sua cultura devem muito a essas mulheres que trabalharam arduamente.

3. CASAMENTO E DIVÓRCIO

A Bíblia expressa com clareza as intenções de Deus para o casamento. Deus quer que o homem e a mulher se realizem tanto
espiritual como sexualmente. Este relacionamento foi desfigurado pela queda da humanidade no pecado. A história de Israel fala das
mudanças que afetaram o casamento porque os israelitas preferiram aceitar as práticas degradantes de seus vizinhos ímpios.
Jesus reafirmou o significado do casamento. Ele censurou a atitude dos judeus para com o divórcio, e desafiou os parceiros
conjugais a viverem em harmonia.

CASAMENTO
Convém observar as passagens bíblicas que descrevem o propósito do casamento. A Bíblia dá uma visão geral dos privilégios e
deveres do vínculo matrimonial.

A. Divinamente estabelecido. No princípio Deus criou um casal de seres humanos, um homem e uma mulher. Sua primeira
ordem a eles foi: "Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra" (Gênesis 1:28). Ao reunir este casal, Deus instituiu o casamento, a mais
fundamental de todas as relações sociais. O casamento capacitava a raça humana a cumprir a ordem de Deus de encher a terra e sujeitá-la
(Gênesis 1:28).
Deus fez a ambos, o homem e a mulher, à sua imagem, cada qual com um papel especial e cada qual complementado pelo
outro. O capítulo 2 de Gênesis diz que Deus criou primeiro o homem. Depois, usando uma costela do homem, Deus fez-lhe "uma
auxiliadora" (Gênesis 2:18). Quando Deus trouxe Eva a Adão, ele os uniu e disse: "Por isso deixa o homem pai e mãe, e se une à sua
mulher, tornando-se os dois uma só carne" (Gênesis 2:24).
Deus tencionava que o casamento fosse uma relação permanente. Devia ser uma entrega pactuai única de duas pessoas que
excluíam todas as demais de sua intimidade. Deus proibiu expressamente a quebra dessa união quando ordenou: "Não adulterarás"
(Êxodo 20:14). O Novo Testamento reafirma a singularidade do vínculo matrimonial. Jesus disse que O homem e sua mulher "já não são
mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem" (Mateus 19:6). Paulo comparou lindamente o amor
de um homem à sua esposa ao amor de Cristo à sua Igreja (Efésios 5:25). Ele disse que o amor de Cristo era tão profundo ao ponto de ele
morrer pela igreja, e do mesmo modo o amor do homem à sua esposa deve superar quaisquer imperfeições que ela possa ter.
O casamento é mais do que um contrato que duas pessoas fazem para seu mútuo benefício. Visto que fazem seus votos
matrimoniais na presença de Deus e em seu nome, podem buscar poder de Deus para cumprir tais votos. Deus torna-se uma parte
sustentadora do casamento. O livro dos Provérbios lembra-nos disto quando diz que Deus dá sabedoria, discrição e entendimento, de
modo que os parceiros matrimoniais possam evitar que sejam induzidos à infidelidade (cf. Provérbios 2:6-16). Os escritores do Novo
Testamento entenderam que o casamento cristão é criado e mantido por Cristo.

B. Marcado pelo amor. Acima de tudo mais, o amor é o sinal da união. Note-se a simplicidade com que a Bíblia descreve o
casamento de Isaque e Rebeca: "[ele] tomou a Rebeca, e esta lhe foi por mulher. Ele a amou" (Gênesis 24:67). O amor, baseado em
verdadeira amizade e respeito, sela e sustenta o laço matrimonial. Pedro conclama os maridos a viverem "a vida comum do lar, com
discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil, tratai-a com dignidade, por isso que sois
juntamente herdeiros da mesma graça de vida" (1 Pedro 3:7). Este tipo de amor entre marido e mulher purifica a relação matrimonial de
ambos.
A Bíblia diz que marido e mulher são iguais como pessoas diante de Deus, visto que ambos foram feitos à imagem de Deus.
Ambos podem ser salvos de seus pecados, mediante Jesus (Gênesis 1:27; Gálatas 3:28; Colossenses 3:10-11). Juntos recebem os dons e
as bênçãos de Deus para seu casamento (Romanos 4:18-21; Hebreus 11:11; 1 Pedro 3:5-7). Quando se unem em casamento, ambos têm
obrigações, embora possam ter graus variáveis de capacidade para executar as responsabilidades que partilham.

Procissão matrimonial. Esta concepção artística de uma procissão matrimonial típica nos tempos bíblicos, mostra o noivo
acompanhando o grupo do casamento de volta à sua casa para uma festa. Música e dança eram partes essenciais da celebração, que
durava de uma a duas semanas.

C. Realização sexual. Outro fator no relacionamento matrimonial é a união sexual dos parceiros. A união sexual consuma o
casamento na base de uma entrega matrimonial mútua. A expressão "coabitou o homem com Eva" ou "conheceu Adão a Eva" (Gênesis
4:1, 25 e outros lugares), é o modo direto de a Bíblia referir-se ao intercurso sexual. Mas a Bíblia trata este ato com dignidade,
chamando-o digno de honra e sem mácula (Hebreus 13:4). As Escrituras exigem do povo de Deus que conserve puras as suas relações
sexuais. Não devem usar o sexo para dar vazão a paixões lascivas, como o fazem os ímpios (1 Tessalonicenses 4:3-7). A Bíblia
recomenda ao homem casado deleitar-se na esposa de sua mocidade todos os dias de sua vida (Eclesiastes 9:9). Ele deve embriagar-se
"sempre com as suas carícias" (Provérbios 5:15-19).

1. Um dever a cumprir. Quando um israelita comprometia-se a casar, ele não devia permitir que nada o impedisse de cumprir
seu propósito. Não devia ir à guerra, para não dar-se o caso de ele morrer e outro homem casar-se com a noiva prometida (Deuteronômio
20:7). Durante o primeiro ano de casamento ele não devia retomar nenhuma tarefa que interferisse em sua presença no lar para promover
"felicidade à mulher que tomou" (Deuteronômio 24:5). Paulo disse aos maridos e às esposas que estivessem sexualmente disponíveis um
ao outro, sem privar-se um ao outro, de modo que Satanás não pudesse tentá-los a tolerar afeições errantes por lhes faltar
domínio―próprio (1 Coríntios 7:3-5).

2. Promiscuidade e perversão. Paulo diz que o homem que se une "à prostituta, forma um só corpo com ela, porque, como se
diz [o homem e a prostituta], serão os dois uma só carne" (1 Coríntios 6:16). O corpo, diz Paulo, é o templo de Cristo. Uma vez que a
união sexual promíscua une a carne de dois indivíduos, ela é uma profanação do templo de Cristo.
Aqui o termo carne significa mais do que órgãos sexuais ou mesmo o corpo todo. Ele se refere à pessoa integral. A união
sexual inevitavelmente envolve a pessoa toda, quer dentro, quer fora do casamento. Quando Deus exige que seu povo viva vidas santas
(1 Pedro 1:15-16), isto inclui a conduta sexual com relação ao casamento (1 Tessalonicenses 4:3-6). Deus exigiu santidade
correspondente dos israelitas (Levítico 18; 20:10-21). A pessoa na sua totalidade ― corpo não menos do que alma ― é separada para
Deus.
Com o tempo a prostituição religiosa das nações pagas entrou em Israel. A própria presença desta prática profanou o culto do
Senhor (1 Samuel 2:22).
A Bíblia proíbe o incesto (Levítico 18:6-18; 20:11-12). Denuncia, também, as relações homossexuais como depravadas e
reprováveis aos olhos de Deus. Na verdade, tais relações acarretavam pena de morte em Israel (cf. Levítico 18:22; 20:13; Deuteronômio
23:18; Romanos 1:26-27; 1 Coríntios 6:9; 1 Timóteo 1:10).
Cenas de casamento. Cenas de um casamento romano típico são vistas nos lados deste altar. Na cena à esquerda, o casal junta as mãos
ao término da cerimônia matrimonial. À direita, crianças tomam parte na procissão à casa do noivo, carregando uma oferta para o
sacrifício pagão.

3. Papéis sexuais próprios. Nos tempos bíblicos, pensava-se no casamento como um estado em que as pessoas naturalmente
cumpririam seus respectivos papéis sexuais. Dessa maneira, o homem era o cabeça da família e a esposa devia submeter-se à sua
autoridade (Salmo 45:11; 1 Pedro 3:4-6). Este relacionamento de papéis esteve presente desde o começo; a mulher foi feita para ser
auxiliadora do homem, adaptada para ele nesse sentido. Por todo o tempo do Antigo Testamento a mulher encontrou seu lugar na
sociedade por intermédio do pai, depois mediante o marido, e então por meio do irmão mais velho ou parente resgatador. Deus usou este
relacionamento de papéis para estabelecer harmonia na família e na sociedade toda. A submissão da mulher judia ao marido não lhe
depreciava as capacidades nem a reduzia a um lugar secundário na sociedade. A esposa "excelente" do Antigo Testamento (Provérbios
31) gozava da confiança do marido e do respeito dos filhos e vizinhos. Ela desfrutava de muita liberdade para usar suas habilidades
econômicas a fim de prover para a família. Era reconhecida como pessoa de sabedoria e graciosa mestra. Estava tão longe quanto
possível de ser uma escrava-utensílio, que é como a mulher era considerada em outras culturas do Oriente Próximo.

D. Símbolo espiritual. O casamento simbolizava a união entre Deus e seu povo. Israel era chamada de esposa do Senhor, e o
próprio Senhor disse: "não obstante eu os haver desposado" (Jeremias 31:32; cf. Isaías 54:5). Os profetas declararam que a nação havia
cometido "prostituição" e "adultério" quando ela se voltou de Deus para os ídolos (Números 25:1-2; Juizes 2:17; Jeremias 3:20; Ezequiel
16:17; Oséias 1:2). Disseram que Deus havia repudiado sua esposa infiel (Isaías 50:1; Jeremias 3:8) ao enviar ele os israelitas para o
cativeiro. Não obstante, Deus teve compaixão de sua "esposa", Israel, e chamou-a de volta para ser fiel (Isaías 54). Como o noivo se
alegra na sua noiva (Isaías 62:4-5), assim o Senhor se delicia em fazer de Israel o "povo santo", seus remidos (Isaías 62:12).
O Novo Testamento descreve a igreja como a noiva de Cristo, preparando-se para a vida no reino eterno (Efésios 5:23). Esta
imagem sublinha a verdade de que o casamento deve ser uma união de amor e fidelidade, exclusiva e permanente. Os maridos devem
amar as esposas como Cristo ama à sua noiva resgatada, e as esposas devem submeter-se a seus maridos, como se submetem a Cristo.

COSTUMES MATRIMONIAIS BÍBLICOS


Nos tempos bíblicos, o primeiro passo no casamento era dado pelo homem ou por sua família (Gênesis 4:19; 6:2; 12:19; 24:67;
Êxodo 2:1). Geralmente, as famílias do casal faziam o arranjo do casamento. Assim Hagar, como chefe da família "o casou [Ismael] com
uma mulher da terra do Egito" (Gênesis 21:21). Estando Isaque com quarenta anos de idade, era perfeitamente capaz de escolher sua
própria esposa (Gênesis 25:20); no entanto, Abraão mandou seu servo a Harã a fim de buscar uma esposa para Isaque (Gênesis 24).
Abraão deu ao servo duas ordens estritas: A noiva não podia ser cananéia, e devia deixar o lar paterno para viver com Isaque na
Terra Prometida. Em circunstância alguma devia Isaque voltar a Harã para viver de acordo com o antigo modo de vida da família.
O servo de Abraão encontrou a orientação do Senhor em sua escolha (Gênesis 24:12-32). Então, segundo o costume da
Mesopotâmia, ele fez os arranjos com o irmão e a mãe da moça (Gênesis 24:28-29, 33). Ele selou o acordo dando-lhes presentes (um
dote) a eles e a Rebeca (Gênesis 24:53). Finalmente, buscaram o consentimento da própria Rebeca (Gênesis 24:57). Este procedimento
era muito semelhante às práticas matrimoniais humanas descritas em antigos textos de Nuzi.1
Em circunstâncias diferentes, ambos os filhos de Isaque ― Jacó e Esaú ― escolheram suas próprias esposas. A escolha de Esaú
causou muita amargura de espírito a seus pais (Gênesis 26:34-35; 27:46; 28:8-9); mas a escolha de Jacó encontrou aprovação.
Jacó foi enviado à casa de Labão, seu tio, em Harã, onde agiu com a autoridade de seu pai no arranjo para casar-se com Raquel.
Em vez de dar um dote a Labão, ele trabalhou durante sete anos. Mas não se costumava permitir que a filha mais moça casasse primeiro,
e assim Labão enganou Jacó casando-o com Lia, irmã mais velha de Raquel. Jacó aceitou, pois, a oferta de Labão de trabalhar mais sete
anos para obter Raquel.
Naquela região, o homem que não tinha filho muitas vezes adotava um herdeiro, dando-lhe a filha como esposai Exigia-se que
o filho adotivo trabalhasse na família. Se mais tarde nascesse um filho, o adotivo perdia a herança em favor do herdeiro natural. Talvez
Labão tenha tencionado adotar a Jacó; mas então lhe nasceram filhos (Gênesis 31:1). Talvez os filhos de Labão tenham sentido ciúmes de
Jacó por temerem que ele pudesse reivindicar a herança. De qualquer maneira, Jacó deixou Harã secretamente para voltar à casa paterna
em Canaã.
Raquel levou consigo os deuses do lar que pertenciam ao pai. Visto como a posse desses deuses era uma reivindicação à
herança, Labão saiu no encalço dos fugitivos; mas Raquel ocultou os ídolos de modo que Labão não os encontrasse. Para pacificar o tio,
Jacó comprometeu-se a não maltratar as filhas de Labão nem tomar outras esposas (Gênesis 31:50).
Deveríamos notar, especialmente, a tradição do Antigo Testamento do "preço da noiva". Conforme vimos, o marido ou sua
família pagava ao pai da noiva um preço por ela para selar o acordo de casamento (cf. Êxodo 22:16-17; Deuteronômio 22:28-29).
O preço da noiva nem sempre era pago em dinheiro. Podia ser pago na forma de roupas (Juizes 14:8-20) ou de algum outro
artigo valioso. Um preço muitíssimo horrendo foi exigido por Saul, que pediu a Davi prova física de que ele havia matado 100 filisteus
(1Samuel 18:25).

O pagamento do preço da noiva não significava que a esposa tinha sido vendida ao marido e agora era sua propriedade. Era

1
Veja E. A. Speiser, The Anchor Bible: Gênesis (Nova Iorque: Doubleday and Company, 1964), pp. 182-185.
reconhecimento do valor econômico da filha. Mais tarde a lei sancionou a prática de comprar uma criada para tornar-se esposa de um
homem. Tais leis protegiam as mulheres contra abuso ou maus tratos (Êxodo 21:7-11).
Às vezes, o noivo ou sua família dava presentes à noiva também (Gênesis 24:53). Doutras vezes o pai da noiva também lhe
dava um presente de casamento, como fez Calebe (Josué 15:15-19). É interessante notar que Faraó deu a cidade de Gezer como presente
de casamento à sua filha, esposa de Salomão (1 Reis 9:16).
A festa fazia parte importante da cerimônia de casamento. Geralmente era dada pela família da noiva (Gênesis 29:22), mas a
família do noivo podia oferecê-la também (Juizes 14:10).
Tanto a noiva como o noivo tinham criados para servi-los (Juizes 14:11; Salmo 45:14; Marcos 2:19). Se fosse um casamento
real, a noiva dava suas criadas ao esposo para aumentar a glória da corte dele (Salmo 45:14).
Muito embora a noiva se adornasse com jóias e vestimentas bonitas (Salmo 45:13-15; Isaías 49:18), o noivo era o centro de
atenção. O Salmista apresenta, não a noiva (como fazem os modernos ocidentais), mas o noivo como feliz e radiante no dia do casamento
(Salmo 19:5).
Em outras nações do Oriente Próximo, o noivo costumeiramente passava a morar com a família da noiva. Mas em Israel, em
geral era a noiva que ia para o lar do marido e se tornava parte de sua família. O direito de herança pertencia ao varão. Se um israelita
tinha somente filhas e desejava preservar a herança da família, suas filhas tinham de casar-se dentro da própria tribo porque a herança
não podia ser transferida para outra tribo (Números 36:5-9).
Um dos mais importantes aspectos da celebração do casamento era o pronunciamento da bênção de Deus sobre a união. Foi por
isto que Isaque abençoou a Jacó antes de enviá-lo a Harã para buscar uma esposa (Gênesis 24:60; 28:1-4).
Embora a Bíblia não descreva uma cerimônia matrimonial, supomos que fosse um acontecimento muito público. Jesus
compareceu a, pelo menos, uma cerimônia de casamento e abençoou-a. Em suas lições, ele referiu-se a vários aspectos das festividades
de casamento, mostrando assim que a pessoa comum tinha familiaridade com tais cerimônias (Mateus 22:1-10; 25:1-3; Marcos 2:19-20;
Lucas 14:8).

O LEVIRATO
Os israelitas achavam muito importante que o homem tivesse herdeiro. A preservação da herança da propriedade que Deus lhes
havia dado, era feita através dos descendentes (cf. Êxodo 15:17-18; Salmo 127; 128).
A mulher incapaz de ter filhos muitas vezes era alvo do opróbrio dos vizinhos (Gênesis 30:1-2, 23; 1 Samuel 1:6-10; Lucas
1:25). Ela e a família se recolhiam, então, em ardente oração (Gênesis 25:21; 1 Samuel 1:10-12, 26-28).
Surgia situação mais grave se o marido morresse antes de ela ter-lhe dado herdeiro. Para resolver este problema, deu-se início à
prática do levirato. Mencionado pela primeira vez em conexão com a família de Judá (Gênesis 38:8), o levirato mais tarde veio a fazer
parte da lei de Moisés (Deuteronômio 25:5-10). Quando uma mulher enviuvava, o irmão do marido morto, de acordo com a lei do
levirato, tinha de casar-se com ela. Os filhos deste casamento tornavam-se herdeiros do irmão falecido, a fim de que "o nome deste não
se apague em Israel" (Deuteronômio 25:6). Se um homem recusava casar-se com a cunhada viúva, ele sofria a ignomínia pública
(Deuteronômio 25:7-10; cf. Rute 4:1-7).
O exemplo mais conhecido deste tipo de casamento foi o de Boaz com Rute. Neste caso, o parente mais próximo não quis
casar-se com ela; então Boaz, como o parente mais próximo logo a seguir, agiu como parente resgatador. Havendo ele pago a dívida da
herança de Elimeleque, tomou Rute por sua esposa "para suscitar o nome deste [Malom] sobre a sua herança, para que este nome não
seja exterminado dentre seus irmãos, e da porta da sua cidade" (Rute 4:10). Davi foi a terceira geração deste casamento, e desta linha
veio, mais tarde, Jesus Cristo (Rute 4:17; Romanos 1:3).

VIOLAÇÕES DO CASAMENTO
Embora Deus tenha ordenado o casamento como uma relação sagrada entre um homem e uma mulher, logo ele foi corrompido
quando alguns homens tomaram duas esposas (cf. Gênesis 4:19). O casamento misto com pessoas estrangeiras e a adoção de formas
pagas complicaram o problema.
A Bíblia registra que Abraão seguiu o costume pagão de gerar filho que lhe fosse herdeiro por via de uma escrava, porque sua
esposa era estéril. "Toma, pois, a minha serva", rogou Sara ao marido, "e assim me edificarei com filhos por meio dela" (Gênesis 16:2). A
escrava, Hagar, logo deu um filho a Abraão. Mais tarde, Sara também deu à luz um filho. A arrogância de Hagar afrontou Sara e levou-a
a tratar Hagar com severidade. Quando Sara viu Ismael caçoando de seu próprio filho, achou que ela já havia suportado o suficiente.
Exigiu que Abraão mandasse Hagar embora. Visto como Hagar lhe havia dado um filho, Abraão não podia vendê-la como escrava. Deu
liberdade a Hagar e despediu-a com um presente (Gênesis 21:14; 25:6).
Jacó foi outro patriarca hebreu que seguiu costumes matrimoniais pagãos. Jacó tomou duas esposas porque seu tio o ludibriou,
casando-o com a mulher errada (Gênesis 29:21-30). Quando Raquel percebeu que era estéril, deu a Jacó sua serva "para que eu traga
filhos ao meu colo" (Gênesis 30:3-6). Lia ficou enciumada e deu a Jacó sua própria serva para ter mais filhos em nome dela (Gênesis
30:9-13). Desse modo Jacó teve duas esposas e duas concubinas, mas ele deu status igual a todos os seus filhos como herdeiros da
aliança (Gênesis 46:8-27; 49).
A começar com Davi, os reis de Israel deram-se ao luxo de ter muitas esposas e concubinas, muito embora Deus lhes tivesse
ordenado, especificamente, que não fizessem tal coisa (Deuteronômio 17:17). Esta prática conferia-lhes status social e os capacitava a
fazer várias alianças políticas (2 Samuel 3:2-5; 5:13-16; 12:7-10; 1 Reis 3:1; 11:1-4).
Davi caiu em adultério com Bate-Seba e finalmente cometeu homicídio a fim de casar-se com ela. A morte era o castigo de
rotina para este pecado (Levítico 20:10; Deuteronômio 22:22). Mas em vez de tirar a vida de Davi, Deus decretou que o filho de Davi e
Bate-Seba deveria morrer, e que haveria luta contra Davi em sua própria casa (2 Samuel 12:1-23).
Salomão também foi castigado por desobedecer às ordens de Deus concernentes ao casamento. Suas muitas esposas
estrangeiras levaram-no à idolatria (1 Reis 11:4-5).
A lei mosaica protegia as concubinas e as esposas múltiplas, mas não com o fito de sancionar a prática. A lei dava status
secundário às concubinas e a seus filhos a fim de proteger estas vítimas inocentes da sensualidade descontrolada (Êxodo 21:7-11;
Deuteronômio 21:10-17). Deveríamos observar a concessão da lei no que tange a essas práticas à luz do comentário de Jesus sobre o
divórcio: "Por causa da dureza do vosso coração é que Moisés vos permitiu repudiar vossas mulheres; entretanto, não foi assim desde o
princípio" (Mateus 19:8).
Malaquias denunciou o abuso e a negligência que uma esposa sofria quando o marido se voltava para uma mulher paga e
repudiava a primeira. O pacto do casamento chamava-a a produzir "semente piedosa"; mas a infidelidade do homem levou-o a ignorar
suas responsabilidades para com ela (Malaquias 2:11, 14-16).
A lei mosaica não permitia aos israelitas casar-se com mulheres estrangeiras (Deuteronômio 7:3) porque elas adoravam outros
deuses. Quando os israelitas voltaram do cativeiro, foram avisados de que o casamento com mulheres estrangeiras era contrário à lei de
Deus. Esdras e Neemias falaram sobre o assunto muitas vezes (Esdras 10; Neemias 10:30; 13:23-28). Neemias censurou sua geração,
dizendo: "Não pecou nisto Salomão, rei de Israel? ...Não obstante isso as mulheres estrangeiras o fizeram cair no pecado" (Neemias
13:26; cf. 1 Reis 11:4-5). Esdras exigiu que todo homem pusesse fim ao seu relacionamento com esposa estrangeira. Os que recusaram,
foram expulsos da congregação e seus bens destruídos (Esdras 10:8). A relação sexual que Deus tinha em mente era a monogamia ― um
homem e uma mulher. Mas devido às paixões humanas degradadas, a lei de Deus precisou proibir pecados sexuais específicos (Levítico
18:1-30; 20:10-24; Deuteronômio 27:20-23).
Mesmo assim, alguns homens, desavergonhadamente, buscaram prostitutas (Gênesis 38:15-23; Juizes 16:1). O livro de
Provérbios adverte com detalhes contra mulheres lascivas e vis que instigam os jovens nas ruas (Provérbios 2:16-19; 5:1-23; 6:20-35). A
prostituição do culto cananeu era um grave abuso, que de quando em quando era praticada em Israel (1 Samuel 2:22-25; 1 Reis 15:12; 2
Reis 23:7; Oséias 4:13-14; cf. Deuteronômio 23:17).
A imoralidade sexual encabeça diversas listas de pecados citadas na Bíblia (Marcos 7:21; Romanos 1:24-27; 1 Coríntios 6:9;
Gálatas 5:19; Efésios 5:5). Todo pecado sexual desfigura a imagem de Deus' no homem. Deus advertiu que destruiria toda sociedade que
permitisse a continuação de tal pecado (Levítico 18:24-29).

A PESSOA SOLTEIRA
Por suas palavras e por sua própria vida de solteiro, Jesus mostrou que o casamento não era um fim em si mesmo, nem
essencial à integridade da pessoa. Como servo de Deus, a pessoa podia não ser chamada para ter um companheiro e filhos. O discípulo
cristão podia ter de esquecer pais e possessões por amor do reino de Deus (Lucas 18:29; cf. Mateus 19:29; Marcos 10:29-30).
Paulo desejava que todos os homens estivessem contentes por viver sem casar-se, como ele (1 Coríntios 7:7-8). Ele encontrava
plena liberdade e inteireza em consagrar-se "desimpedidamente, ao Senhor" (1 Coríntios 7:35). Mas reconhecia que a pessoa que não tem
o dom do autocontrole nesta área deve casar-se, para que não peque (1 Coríntios 7:9, 36).

Casal real. Este relevo pintado em pedra calcária, de cerca de 1370 a. C, retrata uma rainha egípcia oferecendo flores ao rei, que
despreocupadamente se apoia em seu bastão. Esta e outras inscrições mostram que a rainha desempenhava papel secundário na família
real.

DIVÓRCIO
Os biblicistas discordam quanto ao modo de Jesus e Paulo interpretarem a lei mosaica concernente ao divórcio. Não obstante,
as provisões do Antigo Testamento são perfeitamente claras.

A. Lei mosaica. A lei de Moisés permitia que um homem repudiasse sua mulher quando "ela não for agradável aos seus olhos,
por ter ele achado coisa indecente nela" (Deuteronômio 24:1). O objetivo primário desta legislação era impedi-lo de tomá-la de novo
depois que ela se houvesse casado com outro homem; isto teria sido "abominação perante o Senhor" (Deuteronômio 24:4).
Supunha-se que a lei desestimularia o divórcio em vez de incentivá―lo. Ela exigia um "termo de divórcio" ― um documento
público garantindo à mulher o direito de casar-se de novo sem sanção civil ou religiosa. O divórcio não podia ser feito no âmbito privado.
O motivo aceitável para garantir o divórcio era que houvesse alguma "coisa indecente". Os tipos específicos de "indecência"
tinham suas próprias penalidades. Por exemplo, o adultério acarretava a morte por apedrejamento.
Se o homem acreditava que sua esposa não era virgem por ocasião do casamento, ele podia levá-la aos anciãos da cidade. Se a
julgassem culpada, a punição seria a morte (Deuteronômio 22:13-21). Contudo, se o homem houvesse acusado falsamente a esposa, ele
seria castigado e devia pagar ao pai dela o dobro do preço usual da noiva.
Quando o marido suspeitava que a esposa havia adulterado, ele a levava ao sacerdote, que lhe aplicava a "lei de ciúmes".
Tratava-se de um julgamento por "provação", típico das antigas culturas do Oriente Próximo. A mulher devia tomar a água amargosa. Se
ela fosse inocente, então a água não lhe faria mal. Se fosse culpada, ficaria doente. Nesse caso ela era apedrejada até morrer como
adúltera (Números 5:11-31).
Embora a lei de Moisés permitisse ao homem divorciar-se da esposa, esta não tinha permissão para divorciar-se do marido por
motivo algum. Muitas mulheres provavelmente escaparam de circunstâncias desagradáveis sem o termo de divórcio (cf. Juizes 19:2).
Legalmente a esposa estava sujeita ao marido enquanto ambos vivessem ou até que ele a repudiasse. Se fosse dado à mulher um
certificado de divórcio, ela podia casar-se de novo com qualquer homem, exceto com um sacerdote (Levítico 21:7, 14; Ezequiel 44:22).
Contudo, o novo casamento impedia-a com respeito ao primeiro marido ― isto é, ele não poderia casar-se de novo com ela,
porque ela havia, de fato, cometido adultério contra ele (cf. Mateus 5:32).
A despeito das provisões que permitiam o divórcio, Deus não o aprovava. "O Senhor Deus de Israel diz que odeia o repúdio";
ele chamou-o de "violência" e de "infidelidade" (Malaquias 2:16).

Divórcio na Babilônia
O casamento é um ritual antigo; também o é o divórcio. Talvez nada haja tão fundamental numa cultura como suas normas
concernentes ao relacionamento entre um homem e uma mulher.
Hamurabi, rei babilônio que reinou de 1728 a 1686 a.C. redigiu intricadas leis conhecidas como o Código de Hamurabi. Essas
leis lidam com todos os aspectos da vida babilônica, incluindo o divórcio. As leis de divórcio de Hamurabi eram quase tão complicadas
quanto as de nosso tempo.
Um marido babilônio podia simplesmente dizer à esposa: "Tu não és minha esposa" (ul assati atti), ou que ele a "havia
deixado" ou a "havia repudiado". Ele lhe dava "dinheiro de despedia" ou "dinheiro de divórcio". Às vezes se dizia que ele havia "cortado
a orla de seu vestido". Uma vez que o vestido muitas vezes simbolizava a pessoa que o usava, isto queria dizer que o marido havia
cortado o vínculo matrimonial com a esposa. Suas palavras eram um decreto legal de divórcio.
A esposa babilônia podia dizer que "odiava" o marido ou que ela o "deixou", o que significa que ela se recusava a ter relações
sexuais com ele. Contudo, nada do que a mulher dissesse podia dissolver o casamento. Ela não tinha o poder de divorciar-se do marido
sem consentimento de um tribunal.
O divórcio não era problema a não ser que o casamento tivesse sido formalizado. "Se um homem adquire uma esposa, mas não
redigiu os contratos para ela, essa mulher não é esposa", segundo o Código de Hamurabi. Contudo, uma vez que as pessoas fossem
legalmente casadas, as condições e conseqüências do divórcio estavam claramente traçadas no Código. Havia leis de divórcio
concernentes a casamentos não consumados, casamentos sem filhos, casamento com uma sacerdotisa, casamento em que o marido era
levado cativo durante a guerra, casamento em que a esposa ficava gravemente enferma; e sempre havia provisões específica acerca de
quem devia receber a soma de dinheiro.
Um marido podia divorciar-se da esposa quase a seu bel-prazer. Contudo, se ela não era achada em falta, o mando tinha de dar-
lhe o dote, muitas vezes uma grande parte de sua propriedade. Isto protegia a esposa de divórcio caprichoso ou casual. Se houvesse mau
procedimento por parte do marido ou da esposa, esperava-se que os tribunais avaliassem o castigo. Uma mulher nunca podia iniciar o
processo de divórcio; ela devia esperar que o marido recorresse ao tribunal. Se a mulher não podia provar sua própria inocência e a culpa
do marido, ela era afogada. Desnecessário é dizer que só em casos extremos uma mulher buscava o divórcio. Se o marido fosse achado
em falta, a esposa "não incorre em castigo" por sua recusa a direitos conjugais e podia retornar à casa paterna.
Uma mulher podia até ser repudiada se ela fosse "uma borboleta, negligenciando assim sua casa e trazendo humilhação ao
esposo". Se achada culpada deste crime, "eles lançavam essa mulher à água".
Nada era sagrado ou perpétuo no casamento na Babilônia. Ele parece ter sido um acordo secular antes que um compromisso
religioso ou moral.

B. Ensinos de Jesus. No tempo de Jesus havia muita confusão acerca das bases para o divórcio. Os rabinos não estavam de
acordo sobre o que constituía o "indecente" de Deuteronômio 24:1. Havia duas opiniões. Os que seguiam o rabino Shammai achavam
que o adultério era a única base para o divórcio. Os seguidores do rabino Hillel aceitavam diversas razões para o divórcio, incluindo
coisas tais como cozinhar mal.
Os Evangelhos registram quatro declarações de Jesus concernentes ao divórcio. Em duas delas, ele permitiu o divórcio no caso
de adultério.
Em Mateus 5:32, Jesus comentou a posição tanto da mulher quanto a do seu marido: "Qualquer que repudiar sua mulher,
exceto em caso de adultério, a expõe a tornar-se adúltera; e aquele que casar com a repudiada, comete adultério." Em outra declaração,
Jesus falou da posição do homem que repudiava sua mulher: "Quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de adultério, e caiar com
outra, comete adultério" (Mateus 19:9).
Essas duas afirmativas parecem permitir o divórcio na base da infidelidade. Contudo, em dois outros contextos, Jesus não
parece dar aprovação nenhuma ao divórcio. Em Marcos 10:11-12 ele disse: "Quem repudiar sua mulher e casar com outra, comete
adultério contra aquela. E se ela repudiar seu marido e casar com outro, comete adultério." Em Lucas 16:18, Jesus faz uma declaração
semelhante: "Quem repudiar sua mulher e casar com outra, comete adultério; e aquele que casa com a mulher repudiada pelo marido,
também comete adúltero."
Como é que as declarações de Jesus permitindo o divórcio por infidelidade se harmonizam com as declarações que parecem
proibi-lo inteiramente?
A primeira pista encontra-se nas conversações de Jesus com os fariseus (Marcos 10:5-9; Lucas 16:18), nas quais ele insiste em
que o divórcio é contrário ao plano de Deus para o casamento. Embora a lei de Moisés permitisse o divórcio, era. apenas uma concessão
provisória e relutante. Jesus contraditou a lei ao declarar que, mesmo se o casal divorciado não tivesse sido sexualmente infiel um ao
outro, aos olhos de Deus cometeriam adultério se agora se casassem com outros parceiros.
Note-se que as declarações de Jesus fazem parte das conversações com os fariseus acerca da lei mosaica, a qual eles
acreditavam sancionava o divórcio por outros motivos além do adultério (Deuteronômio 24:1-4). O ponto central de Jesus era que o
divórcio nunca deveria ser considerado bom, nem deveria ser tomado levianamente. Assim, em sua declaração citada em Lucas 16:18, ele
nem mesmo menciona o assunto do adultério. (Evidentemente, Marcos 10:5-9 registra apenas as palavras de Jesus que se relacionam com
o ponto central da conversação.)
Nas duas passagens de Mateus (uma delas é um relato completo do que está registrado em Marcos 10), Jesus permite o divórcio
por um motivo somente ― "imoralidade", ou intercurso sexual ilícito. O pensamento de Jesus é claro: ao criar uma união sexual com
alguém que não seja o parceiro matrimonial, a pessoa dissolve seu casamento. Neste caso, o decreto de divórcio simplesmente reflete o
fato de que o casamento já foi rompido. O homem que se divorcia de sua esposa por esta causa "não a faz adúltera", pois ela já o é. O
divórcio por imoralidade geralmente liberta o parceiro inocente para casar de novo sem incorrer na culpa de adultério (Mateus 19:9), mas
às vezes este ponto é questionado.
Embora Jesus permitisse o divórcio por adultério, ele não o exigiu. Muito ao contrário: Insistindo em que o divórcio rompe o
plano de Deus para o casamento, ele abriu a porta ao arrependimento, ao perdão e à cura num casamento infiel, como fez no caso de
outras relações desfeitas pelo pecado. A reconciliação era o método de Jesus para solucionar os problemas matrimoniais.
Deus havia demonstrado esta forma de reconciliação e perdão quando mandou Oséias casar-se com uma prostituta, depois lhe
disse que a resgatasse após ela ter-se vendido a outro homem. Deus perdoou a Israel exatamente assim. Quando o povo de Israel
continuou a adorar ídolos, Deus o enviou para o cativeiro; mas ele o redimiu e o trouxe de volta para si (Jeremias 3:1-14; cf. Isaías 54).

C. Ensinos de Paulo. Em 1 Coríntios 7:15, Paulo diz que um cristão cujo consorte retirou-se do casamento devia estar livre
para formalizar o divórcio: "... se o descrente quiser apartar-se, que se aparte; em tais casos não fica sujeito à servidão, nem o irmão, nem
a irmã." 2 Não obstante, Paulo incentiva o crente a manter o casamento, na esperança de que o parceiro incrédulo venha a ser salvo e os
filhos não sofram.
Evidentemente, Paulo está pensando em pessoas que se casaram antes da conversão, porque ele diz aos crentes que nunca se
casem com incrédulos (1 Coríntios 7:39; 2 Coríntios 6:14-18).
Observe-se que esta situação é bem diferente daquela que Jesus mencionou no episódio narrado em Mateus 19 e Marcos 10. Jesus estava

2
Alguns sustentam que esta frase ― "não fica sujeito à servidão" ― significa que o cônjuge cristão abandonado pode
legalmente passar do divórcio para novo casamento. Mas outros eruditos questionam esta interpretação.
falando aos mestres da Lei ― em realidade, aos maus intérpretes da Lei ― ao passo que Paulo falava aos cristãos, muitos deles gentios
que nunca tinham vivido sob a Lei de Moisés. Os leitores de Paulo haviam mudado seu modo de vida após o casamento, e tentavam
influenciar seus cônjuges a fazerem o mesmo. Eles eram obrigados a pensar não^ somente em seu próprio bem-estar, mas também no
bem-estar dos cônjuges e filhos. Por essas razões, e pelo fato de que a monogamia é o plano de Deus, os casamentos devem ser mantidos
sem separação.
Paulo procurava desestimular o divórcio, a despeito de ser prática-indubitavelmente comum na cultura greco-romana da
Corinto paga. Em assim fazendo, ele se revelava como verdadeiro e leal porta-voz da Lei.

4. NASCIMENTO E PRIMEIRA INFÂNCIA

Hoje, como nos tempos bíblicos, o nascimento de uma criança é uma ocasião momentosa. Mas questões que os pais hodiernos
bem podem debater teriam sido estranhas e assustadoras para as pessoas que viveram no antigo Israel. Por exemplo, as seguintes
perguntas nunca teriam passado pela mente dos israelitas: "Devemos ter filhos?" "Nesse caso, devemos limitar o número a um ou dois?"
Ou, "Se vamos ter filhos, quando devemos começar?"
A atitude dos antigos israelitas poderia resumir-se nisto: "Desejamos filhos. Desejamo-los agora. Teremos tantos filhos quantos
nos for possível, porque os filhos nos são muito importantes. Em realidade, preferiríamos ser 'ricos' de filhos a ricos de dinheiro."

O DESEJO DE TER FILHOS


O primeiro mandamento de Deus foi: "Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a" (Gênesis 1:28). Os casais dos
tempos bíblicos levavam muito a sério esta ordem. Como declarou um dos sábios judeus: "Se alguém não se empenha em aumentar, é
como se derramasse sangue ou diminuísse a imagem de Deus."
A ordem de Deus em Gênesis 1:28 era considerada grande privilégio e bênção. O desejo de cumprir esta ordem é o tema de
muitas histórias da Bíblia. Quem pode esquecer-se do filho prometido a Abraão em sua velhice (Gênesis 15:4; 18:14), ou da profecia que
Isaías entregou ao rei Acaz: "Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e lhe chamará Emanuel" (Isaías 7:14)? E depois veio o
mais milagroso de todos os anúncios, dirigido à Virgem Maria: "Eis que conceberás e darás à luz um filho a quem chamarás pelo nome
de Jesus" (Lucas 1:31).
Todo casal judeu desejava ter filhos. Em realidade, era esse o alvo do casamento. O casal desejava ser lembrado; só através de
descendentes isto era assegurado. Morrer sem deixar descendentes podia levar a família toda a ser destruída, esquecida para sempre. Em
2 Samuel 14:4-7 lemos a respeito de uma viúva que tinha dois filhos. Estes entraram numa terrível briga e um matou o outro. Para fazer o
filho culpado pagar por seu crime, os demais parentes insistiram em que ele fosse executado. A mãe, porém, implorou ao rei que a vida
do seu filho fosse poupada: "Assim apagarão a última brasa que me ficou, de sorte que não deixam a meu marido nome, nem
sobrevivente na terra" (2 Samuel 14:7).
Mesmo hoje os árabes palestinos consideram anormal a vida sem filhos. Quando nasce o primeiro filho de um casal, o nome do
pai é ampliado de sorte que o nome do bebê se torna parte do nome do pai. Por exemplo, um pai cujo nome do filho é "Daniel", passa a
ser conhecido como "Abu Daniel", que quer dizer "Pai de Daniel". E se um homem está casado há dois anos e sua esposa ainda não se
engravidou, ele pode muito bem ser apelidado de "Pai de Ninguém".
O planejamento dos filhos era uma alta prioridade na vida do casal israelita. Já antes do casamento, os parentes falavam sobre
os filhos que viriam. A família da noiva reunia-se para pronunciar uma bênção sobre ela, declarando seu desejo de que ela tivesse muitos
filhos. Basta olharmos para Gênesis 24:60 para obter um retrato desta cena. Aqui vemos Rebeca preparando-se para a longa viagem a
Canaã a fim de casar-se com Isaque. Antes de sua partida, a família se reúne para pronunciar uma bênção sobre ela. O porta-voz da
família diz: "És nossa irmã: sê tu a mãe de milhares de milhares, e que a tua descendência possua a porta dos seus inimigos." Bênção
semelhante foi dada a Rute antes de seu casamento com Boaz (Rute 4:11-12).
O casal judeu esperava que cada novo filho fosse varão, mas aceitavam alegremente um menino ou uma menina. Não era assim
em algumas das culturas das redondezas. Muitas vezes as meninas recém-nascidas eram deixadas ao ar livre para morrer. Alguns pais
gentios até vendiam as filhinhas como escravas.
Os judeus adultos sabiam como uma criança era concebida, mas raramente discutiam o ato sexual em si. Em vez disso,
acentuavam que os filhos eram uma dádiva de Deus ao casal, "herança do Senhor" (Salmo 127:3). Conforme declarou o Salmista, é Deus
o Senhor "cujo trono está nas alturas; que se inclina para ver o que se passa no céu e sobre a terra? ...Faz que a mulher estéril viva em
família, e seja alegre mãe de filhos" (Salmo 113:5-6, 9).
A Bíblia usa muitas interessantes figuras de retórica para descrever a família. A mãe é como "videira frutífera" (Salmo 128:3),
Os filhos são como rebentos de oliveira em torno da árvore paterna (Salmo 128:3). Os filhos varões são como flechas na mão do
guerreiro (Salmo 127:4).

O CASAL SEM FILHOS


A história de Raquel e Lia (esposas de Jacó) mostra quão importante era para uma mulher dar filhos ao marido (Gênesis 30:1-
24).
Muitos casais israelitas não podiam ter filhos. Hoje sabemos que os casais podem não ter filhos por causa da esterilidade do
marido ou da esposa; mas o mundo dos tempos bíblicos lançava a culpa somente sobre a esposa pelo problema. (Para uma exceção, veja
Deuteronômio 7:14.)
O clamor de Raquel: "Dá-me filhos, senão morrerei" (Gênesis 30:1), expressava os sentimentos de toda mulher casada. E, não
há dúvida, muitos maridos preocupados concordariam com a resposta de Jacó: "Acaso estou eu em lugar de Deus que ao teu ventre
impediu frutificar?" (Gênesis 30:2).
Os concidadãos ridicularizavam a mulher estéril, atribuindo-lhe "opróbrio" (Lucas 1:25). Mesmo as pessoas que a amavam
tratavam-na com compaixão, e a colocavam na mesma categoria duma viúva.
A esterilidade, porém, era mais do que uma questão física ou social. Profundos significados religiosos prendiam-se ao problema
também. Moisés prometeu ao povo que se obedecessem ao Senhor, seguir-se-ia bênção: "Bendito serás mais do que todos os povos; não
haverá entre ti nem homem nem mulher estéril, nem entre os teus animais" (Deuteronômio 7:14). Assim, julgava-se que a esterilidade
fosse resultado de desobediência a Deus. Este princípio se vê através de toda a história de Israel. Por exemplo, Abraão declarou
abertamente a Abimeleque, rei de Gerar, que Sara era sua irmã. Mas Deus revelou a Abimeleque, num sonho, que Sara era casada com
Abraão. Quando o rei devolveu Sara ao marido, Abraão pediu a Deus que o recompensasse com filhos. "Porque o Senhor havia tornado
estéreis todas as mulheres da casa de Abimeleque, por causa de Sara, mulher de Abraão" (Gênesis 20:18). Esta passagem da Escritura
descreve uma esterilidade que durou apenas por um breve período de tempo. Contudo, a condição poderia ser permanente (cf. Levítico
20:20-21). Mas, fosse a esterilidade temporária ou permanente, ela era tida como maldição de Deus.
É-nos difícil imaginar quão devastadores esses acontecimentos teriam sido para a esposa sem filhos. Ela estava espiritualmente
arruinada, socialmente desfavorecida, e psicologicamente deprimida.
Estava casada com um marido que desejava um filho para assegurar a continuação de sua linhagem familiar. O marido podia
continuar a amá-la, porém ela achava que o seu amor não era consolação suficiente (cf. 1 Samuel 1:6-8). Por outro lado, um esposo
ressentido poderia tornar insuportável a vida da mulher .
Um casal estéril passava uma boa parte do tempo examinando suas falhas passadas para ver se havia algum pecado não
confessado. Com lágrimas, a esposa arrependia-se de todo pecado conhecido. Então o marido oferecia um sacrifício satisfatório para
cobrir algum pecado "desconhecido" (cf. Levítico 4:2). A falta de filhos passava a ser o assunto principal das orações do casal. Note
como Isaque rogou ao Senhor que concedesse um filho à sua esposa (Gênesis 25:21). Ana chorou perante o Senhor e fez um voto de que
se Deus lhe desse um filho, ela o consagraria ao serviço do Senhor (1 Samuel 1:11).
Quando o pecado era eliminado como a causa do problema, esposa estava livre para procurar diferentes soluções. Seus parentes
amigos e vizinhos podiam sugerir que ela tentasse vários alimentos ou poções afrodisíacos que foram bons para eles.

Estatueta micênica. Uma mulher idosa, uma jovem, e um menino são retratados nesta escultura de marfim (décimo-terceiro século
a.C.)- Era importante, na antiga estrutura da família, um estreito relacionamento entre as mulheres mais idosas e as mais jovens,
especialmente na área da educação dos filhos.

Um desse alimentos é mencionado na Bíblia: Raquel pediu "mandrágoras" de Lia, sua irmã (Gênesis 30:14-16). Acreditava-se
que as mandrágoras produziam fertilidade; muitas vezes eram usadas como encantamentos de amor. Raquel acreditava que se comesse
este alimente conceberia. Nos tempos rabínicos as mulheres procuravam vencer! esterilidade mudando a dieta alimentar. Acreditava-se
que maçãs e peixes tornavam a pessoa sexualmente forte para a procriação.
Modernas escavações em Israel têm descoberto muitas figuras de fertilidade feitas de barro. Supunha-se que elas ajudassem a
mulher a ficar grávida por "mágica de simpatia". Cada figurinha era moldada para parecer uma mulher grávida. À medida que a mulher
estéril manejava e conservava junto de si a figurinha, ela esperava assumir a semelhança da figura grávida.
As mulheres também usavam amuletos para assegurar a fertilidade. O profeta Jeremias notou outra prática paga comum: As
mulheres de Judá faziam bolos, ofereciam bebidas e queimavam incenso à "rainha dos céus" para garantir fertilidade (Jeremias 44:17-19;
cf. Jeremias 7:18). A "rainha" mencionada nesta passagem era, provavelmente, Astarote, a deusa cananéia do amor sexual, da
maternidade e da fertilidade. Naturalmente, todas estas práticas supersticiosas eram más aos olhos de Deus.
Se esses remédios não dessem resultado, a mulher era considerada permanentemente estéril. A esta altura, o marido podia tomar
medidas drásticas. Podia casar-se com outra esposa ou (pelo menos nos tempos dos patriarcas) usar uma escrava para ter filhos com o seu
nome. Foi por isto que Sara deu sua serva Hagar a Abraão (Gênesis 16:2) e Raquel pediu a Jacó, seu marido, que engravidasse sua serva
Bila (Gênesis 30:3).
A adoção era também um método de superar a infertilidade da esposa. O casal sem filhos podia adotar uma criança ou mesmo
um adulto como filho. Eliézer de Damasco era homem crescido, mas Abraão pediu a Deus que ele fosse seu herdeiro (Gênesis 15:2). As
plaquetas do décimo-quinto século a. C, descobertas em Nuzi, mostram que Abraão estava seguindo uma praxe comum das culturas
semíticas, embora tenhamos poucas referências a ela. A adoção resolvia muitos problemas: O filho adotado cuidaria do casal na velhice,
provendo-lhes um sepultamento apropriado, e herdaria a propriedade da família. Contudo, se o Casal tivesse um filho natural após a
adoção, este se tornaria o herdeiro legítimo.
Note-se que ao nascer, o filho de Bila foi colocado no colo de Raquel. Este ato era a parte central da cerimônia de adoção. A
criança foi então adotada por Raquel como sua própria (cf. Gênesis 30:3). As outras referências bíblicas à adoção acham-se num
ambiente estrangeiro: A filha de Faraó adotou Moisés (Êxodo 2:10 ― Egito) e Mordecai adotou Ester (Ester 2:7, 15 ― Pérsia).
Mesmo com a ênfase sobre a obtenção de filhos, uns poucos casais preferiram morrer sem filhos a recorrer à adoção ou à
poligamia. Este era o plano de Zacarias e Isabel (Lucas 1:7).
Se uma mulher engravidava após longos anos de espera, era provável que ela fosse a mais feliz mulher da aldeia. Haveria
grande regozijo ao nascer-lhe o filho. Vemos isto, dramaticamente, no relato de Isabel, a mãe de João Batista. Lucas escreve: "Ouviram
os seus vizinhos e parentes que o Senhor usara de grande misericórdia para com ela, e participaram do seu regozijo" (Lucas 1:58).
Quando Raquel finalmente concebeu e teve um filho, ela exclamou: "Deus me tirou o meu vexame" (Gênesis 30:23). Na esperança de
que este não seria oi único filho, ela lhe deu o nome de José, que significa "Ele (Deus)' acrescenta", dizendo: "Dê-me o Senhor ainda
outro filho" (Gênesis; 30:24).
Mãe e filho. Esta figurinha de barro cru, representando mãe e filho, data cerca de 3000 a. C; provém de Bete-Yerá, norte de Israel. A
família era assunto comum da primitiva arte cananéia.

ABORTO ACIDENTAL
Assim como em nossos dias, nem todas as mulheres dos tempos bíblicos podiam carregar o feto o tempo suficiente para darem
à luz Não obstante, as referências que a Bíblia faz ao aborto são de natureza geral. Embora a tragédia do aborto provavelmente fosse
objeto de cochichos nos círculos femininos, o sentido de bom gosto do povo talvez as impedisse de discuti-lo abertamente.
Percebendo que estava prestes a perder a família, a saúde e os bens! Jó desejou ter sido como "aborto oculto... como crianças
que nunca viram a luz" (Jó 3:16). O profeta Jeremias declarou amargamente que teria sido melhor se ele tivesse morrido no ventre
materno e nunca ter nascido (Jeremias 20:17-18). As mulheres dos tempos bíblicos não teriam usado a moderna terminologia médica
para descrever o aborto. Elas teriam tentado explicá-lo em outros termos. Podiam buscar a origem do problema num alimento que
tivessem ingerido, ou em algo que fora bebido. Por exemplo, nos dias do profeta Eliseu, as mulheres de Jericó estavam convencidas de
que a água dali lhes estava causando aborto (2 Reis 2:19-20).
Às vezes o aborto era causado por acidente. Uma mulher grávida podia ser empurrada ou escoiceada por um animal. Ela podia
encontrar-se entre dois homens em briga. De acordo com a lei mosaica, a pessoa que infligia o golpe era multada se a mãe abortasse. Se o
aborto causasse complicações e como resultado a mulher morresse, a Lei impunha a pena de morte (Êxodo 21:22-23).

O "BEM-AVENTURADO ACONTECIMENTO"
Os hebreus, mesmo sem contarem com os correntes dados da medicina, sabiam algo a respeito do processo de crescimento. O
Salmista descreveu em termos poéticos o papel de Deus no processo, quando escreveu: "Pois tu formaste o meu interior, tu me teceste no
Seio de minha mãe. Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a
minha alma o sabe muito bem; os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado, e entretecido como nas
profundezas da terra. Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles
escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda" (Salmo 139:13-16).

Mulher dando à luz. A estatueta de barro, do século oitavo, de Chipre, retrata uma mulher dando à luz. A figura do centro, em trabalho
de parto, senta-se ereta sobre os joelhos da companheira enquanto a parteira á atende. Alguns eruditos acham que Gênesis 30:3 refere-se
a este modo de dar à luz.

A. Dor de parto. Faraó interrogou duas parteiras para saber por que desobedeceram à ordem de matar os meninos hebreus.
Elas responderam: "...É que as mulheres hebréias não são como as egípcias; são vigorosas, e antes que lhes chegue a parteira já deram à
luz os seus filhos" (Êxodo 1:19).
Como deveríamos interpretar o que as parteiras disseram? Estavam simplesmente inventando a história porque temiam ao
Senhor (Êxodo 1:17)? Se estavam dizendo a verdade, que é que pretendiam dizer? Não podemos admitir que todas as mães hebréias
tivessem parto sem dor; outros textos bíblicos não apóiam esta teoria.
Quando, no jardim do Éden, Adão e Eva pecaram contra Deus, a maldição divina sobre a humanidade foi que as mulheres
experimentariam dor ao darem à luz (Gênesis 3:16). As agonias do nascimento e os gritos de uma mulher em trabalho de parto eram
comuns numa aldeia judia.
Quando os profetas procuravam descrever o juízo de Deus, freqüentemente usavam a imagem de uma mulher em trabalho de
parto. Por exemplo, Isaías disse: "Como a mulher grávida, quando se lhe aproxima a hora de dar à luz, se contorce e dá gritos nas suas
dores, assim fomos nós na tua presença, ó Senhor! Concebemos nós, e nos contorcemos em dores de parto, mas o que demos à luz foi
vento" (Isaías 26:17-18). Semelhantemente, disse Jeremias: "Pois ouço uma voz, como de parturiente, uma angústia como da primípara
em suas dores; a voz da filha de Sião, ofegante, que estende as mãos,! dizendo: Ai de mim agora!" (Jeremias 4:31).
As dores de parto eram, às vezes, acompanhadas por complicações. O Antigo Testamento registra várias ocasiões em que a vida
da mãe corria perigo. Por exemplo, a criança que nasceu a Tamar foi chamada Perez, que significa "ruptura" ou brecha. A parteira notou
que a criança havia feito na mãe uma ruptura ou rasgo desusadamente grande (Gênesis 38:29). Raquel, a esposa amada de Jacó, morreu,
enquanto dava à luz Benjamim, seu segundo filho (Gênesis 35:18-20)| Igualmente, a esposa de Finéias perdeu a vida nó parto, embora a
criança tenha sido salva (1 Samuel 4:20). O nascimento de uma criança era doloroso e muitas vezes difícil. A mãe sofria sem oi
benefícios dos modernos tira-dores ou da sofisticada assistência médica.

B. parto. Em algumas culturas antigas, a mãe deitava-se para dar à luz um filho; em outras, a mãe ficava de cócoras, numa
posição abaixada. Embora a Bíblia pouco se refira a esta fase do nascimento, há uma referência a "assentos" (Êxodo 1:16, ERC), o que
indica que a mãe não ficava deitada. Infelizmente, não há descrição do assento ou tamborete. Mas esses assentos eram bem conhecidos
em outras culturas do Oriente Médio.
Geralmente a mãe era assistida por uma parteira, mulher especialmente experimentada em ajudar na hora do parto. Às vezes,
essas mulheres também eram mães; elas haviam aprendido por experiência qual o tipo de assistência que era necessário. Algumas
parteiras eram profissionais que executavam este serviço como ocupação de tempo integral.
A parteira desempenhava várias funções. Além de receber a criança, ela aconselhava e incentivava a parturiente. Em diversas
ocasiões, a Bíblia registra as palavras das parteiras à medida que davam tranqüilidade e consolo (cf. Gênesis 35:17; 1 Samuel 4:20). Se
nasciam gêmeos, a parteira tinha a responsabilidade de fazer distinção entre o primeiro a nascer e o segundo. Quando Tamar deu à luz os
gêmeos, a parteira pegou um fio encarnado e o amarrou à mão do primogênito, dizendo à mãe: "Este saiu primeiro" (Gênesis 38:28).
Nem sempre a mãe tinha o benefício de uma parteira. Se ela tivesse um filho prematuro ou estivesse fora de seu ambiente
normal, podia ler de enfrentar a provação sozinha. A Bíblia sugere que Maria, mãe de Jesus, estava sozinha com o marido quando deu à
luz Jesus (Lucas 2:7).
Nos tempos bíblicos, a criança não começava a vida num ambiente hospitalar esterilizado. Geralmente ela nascia em casa, onde
as Condições não eram higiênicas. Provavelmente nasceria num chão sujo. Os animais domésticos às vezes partilhavam as mesmas
habitações. Muitas vezes a água usada para lavar a criança estava poluída; as vestes usadas para envolvê-la tinham sido lavadas na
mesma água impura. As moscas portadoras de doenças e outros insetos logo encontravam a criança. O estábulo onde Jesus nasceu pode
não ter sido nada pior do que alguns dos lares de Belém.
O recém-nascido dormia na mesma cama com a mãe, de sorte que este pudesse amamentá-lo durante a noite. Contudo, isto
podia resultar em tragédia. Certa vez, Salomão foi solicitado a julgar um caso que envolvia duas meretrizes que moravam na mesma
casa. Uma das mulheres tinha sono pesado, e durante a noite, acidentalmente, rolou sobre o filho e este morreu. Ao descobrir que a
criança estava morta, secretamente trocou-a pela da outra mulher. Salomão pôde determinar qual das mulheres era a mãe do menino vivo
(1 Reis 3:16-28).
Considerando as deficientes condições de vida, a mortalidade infantil deve ter sido muito alta. Estudos demográficos realizados
no Egito e em outras culturas antigas mostram que o índice de mortalidade infantil chegava a 90%. Os muitos sítios de sepultamento
infantil descobertos em várias escavações arqueológicas tendem a apoiar esta hipótese. É importante lembrar, também, que a cerimônia
de redenção do primogênito varão não se realizava antes que o menino tivesse 30 dias. Se ele passasse do primeiro mês, eram boas as
suas chances de chegar à vida adulta.
Imediatamente após o parto, era preciso executar várias tarefas. Até data recente, prevalecia entre os árabes palestinos um
costume que pode refletir o procedimento dos tempos bíblicos. Primeiro, o cordão umbilical era cortado e amarrado. Depois a parteira
segurava o bebê e esfregava sal, água e óleo por todo o seu corpo. A criança era envolvida apertadamente em tecidos ou trapos limpos
durante sete dias, e então se repetia o processo. Isto continuava até a criança chegar aos 40 dias. O profeta Ezequiel mencionou sal,
lavamento e faixas com referência ao nascimento de uma criança (Ezequiel 16:4). Lucas observou que Maria "deu à luz o seu filho
primogênito, enfaixou-o..." (Lucas 2:7).
Os deveres da parteira terminavam quando entregava a criança à mãe para amamentá-la. A mãe judia considerava privilégio e
dever amamentar a criança ao seio. Na realidade, as crianças eram amamentadas ao seio durante o primeiro ano de vida, ou mais.
Algumas vezes, porém, a mãe não era fisicamente apta para alimentar o filho. Quando isto acontecia, arranjava-se uma ama-de-leite. Esta
ama-de-leite era outra mãe que amamentava (geralmente não aparentada.) com a criança), que agora amamentava a criança com leite de
seu
próprio peito.
A Bíblia relata algo sobre três dessas amas. A filha de Faraó encontrou o menino Moisés entre os juncos à beira do rio Nilo.
Uma de suas primeiras ordens foi que se conseguisse uma ama dentre as mulheres hebréias para amamentar a criança. A ama-de-leite de
Moisés foi sua própria mãe (Êxodo 2:7-8). A Bíblia descreve uma cena; comovente que mostra a alta estima dispensada às amas:
"Morreu Débora, a ama de Rebeca, e foi sepultada ao pé de Betel, debaixo do carvalho que se chama Alom-Bacute" [ou "Carvalho de
Lágrimas"] (Gênesis 35:8). Outra ama-de-leite trabalhava com a família real em Jerusalém. Ela arriscou a vida ocultando a criança que
devia herdar o trono quando tivesse idade suficiente para tornar-se rei (2 Reis 11:1-3).
A parteira comunicava à mãe que a criança havia nascido, estava viva e passava bem. Se o pai estava trabalhando no campo, ou
no mercado, ela mandava avisá-lo. Jeremias referiu-se a esta praxe quando disse: "Maldito o homem que deu as novas a meu pai,
dizendo: Nasceu-te um filho; alegrando-o com isso grandemente" (Jeremias 20:15).
Os vizinhos da família perguntariam se a criança recém-nascida era menino. O anúncio do nascimento era simples. Dizia: "Foi
concebido um homem!" (Jó 3:3), ou "Nasceu-te um filho" (Jeremias 20:15). Isto nos lembra o anúncio do Messias: "Um menino nos
nasceu, um filho se nos deu" (Isaías 9:6).

DAR NOME À CRIANÇA


Os nomes eram muito importantes no mundo do Antigo Testamento. Cada nome hebreu tinha um significado, e ele se tornava
parte importante da vida da criança. Os judeus acreditavam que primeiro deviam conhecer o nome de uma pessoa antes que pudessem
conhecer a própria pessoa. Basta que olhemos para o nome de Jacó, que quer dizer "agarrador de calcanhar", ou "suplantador", para
vermos a importância de um nome. Conhecer o nome de Jacó era conhecer-lhe o caráter! Portanto, o ato de escolher um nome para a
criança era grave responsabilidade.
Após o exílio, o significado do nome perdeu a importância que tinha. Uma criança podia receber o nome Daniel, não por seu
significado, mas para honrar o famoso servo de Deus. Porém, houve exceções, mesmo durante este período. Por exemplo, o nome Jesus
é uma forma grega do nome hebreu Josué, que significa "salvação do Senhor".
O nome da criança geralmente era escolhido por um dos pais, ou por ambos. A Bíblia indica que geralmente a mãe dava nome à criança.
Como hoje, outras pessoas se incumbiam de ajudar nesta importante tarefa. Se os vizinhos e parentes de Isabel tivessem feito como
queriam, seu filho teria sido chamado "Zacarias". Mas Isabel protestou, insistindo em que o menino se chamasse "João" (Lucas 1:60-61).
Em parte alguma a Bíblia diz especificamente quando a criança devia receber o nome. Em alguns casos, a mãe deu nome à
criança no dia de seu nascimento (p. ex., 1 Samuel 4:21). Nos tempos do Novo Testamento, o menino geralmente recebia o nome no
oitavo dia, no momento da circuncisão (cf. Lucas 1:59; 2:21).
Em sua maioria, os nomes da Bíblia são teofóricos. Isto é, um nome divino foi juntado a um substantivo ou a um verbo,
produzindo uma sentença. Por exemplo, Jônatas significa "O Senhor deu". O nome Elias refere-se à lealdade do profeta: "Meu Deus [é]
o Senhor." Isto é verdade, também, com relação a muitos nomes pagãos. Muitos nomes do Antigo Testamento contêm a palavra Baal. O
neto do rei Saul chamava-se Meribe-Baal (1 Crônicas 8:34).
As circunstâncias que cercavam o nascimento da criança algumas vezes influíam na escolha do seu nome. Por exemplo, se uma
mulher ia ao poço em busca de água e tinha seu filho ali, ela podia chamá-lo Beera, "[nascido junto ao] poço." Uma criança nascida
durante uma tempestade de inverno podia chamar-se Baraque, "relâmpago". Quando os filisteus capturaram a arca do concerto, uma mãe
estava dando à luz um filho. O menino recebeu o nome de Icabode; nas palavras da mãe, "Foi-se a glória [cabode] de Israel" (1 Samuel
4:21).
Os nomes de animais eram comumente usados para crianças. Raquel significa "ovelha". Débora é a palavra hebraica para
"abelha". Calebe quer dizer "cão", e Acbor refere-se a "camundongo". Só podemos fazer conjecturas por que se usavam nomes de
animais. Talvez expressassem algum tipo de desejo dos pais. Uma mãe podia ter chamado a filha de Débora por desejar que ela, ao
tornar-se madura, fosse uma "abelha" industriosa e ocupada.
Freqüentemente o nome se referia a um traço de personalidade que os pais esperavam descrevesse a criança quando ela
chegasse à vida adulta. Nomes como Shobek (Preeminente) e Azzan (Forte) podem ser melhor compreendidos sob esta luz. Mas, em
outros casos, o nome parecia ser exatamente o contrário do que os pais esperavam que o filho fosse. Gareb sugere uma condição
"escabiosa" e Nabal faz referência a um "tolo". Algumas culturas primitivos acreditavam que os demônios desejavam possuir as crianças,
por isso davam a elas nomes com sons repugnantes. Talvez nomes como ''Escabioso" e "Tolo" fossem dados, portanto, nos tempos
bíblicos para afastar espíritos maus.

Akhnaton, Nefertiti, e filhos. Esta placa de pedra calcária pintada é um retrato da família do Faraó Akhnaton (décimo-quarto século
a.C), sua rainha e as três filhas. A rainha está sentada, com duas filhas ao colo, enquanto o rei entrega um objeto à mais velha.

É comum hoje dar ao primogênito o mesmo nome do pai, mas esse não era o caso nos tempos bíblicos. Basta que se dê uma
olhada às várias árvores genealógicas descritas nas Escrituras para comprová-lo. Por exemplo, de Boaz até ao último rei de Judá, estão
arrolados 24 nomes de reis. E não há dois deles iguais!
Alguns nomes eram mais populares do que outros. Por exemplo, pelo menos doze homens mencionados no Antigo Testamento
foram chamados de Obadias ("servo do Senhor"). A fim de distinguir entre muitas crianças com o mesmo nome, podia acrescentar-se o
nome do pai ao do filho. O nome completo do profeta Micaías era "Micaías ben Inlá", ou "Micaías, filho de Inlá". O nome do apóstolo
Pedro, antes de Jesus mudá-lo, era "Simão Barjonas", ou "Simão, filho de Jonas". Este costume também servia para lembrar ao filho seus
ancestrais.
Outro modo de distinguir entre pessoas com o mesmo nome era identificar cada pessoa pela sua cidade natal. O pai de Davi era
chamado "Jessé, o belemita" (1 Samuel 16:1). O gigante que Davi matou era "Golias, de Gate" (1 Samuel 17:4). Entre os principais
sustentadores de Jesus encontrava-se Maria Madalena ou "Maria de Magdala" (Mateus 28:1). Judas Iscariotes, o discípulo que traiu a
Jesus vinha da cidade de Queriote.
Às vezes o nome da pessoa era mudado depois que ela atingia a idade adulta. O próprio indivíduo podia pedir a mudança de
nome. Noemi, sogra de Rute, procurou trocar de nome para Mara, porque, disse ela, "grande amargura [mara] me tem dado o Todo-
poderoso" (Rute 1:20). A Bíblia não diz se os seus vizinhos a levaram a sério. O jovem fariseu chamado Saulo tinha sido cristão durante
anos antes de mudar o nome para Paulo, depois que levou um importante oficial, Sérgio Paulo à conversão na ilha de Chipre (Atos 13:1-
13).
Em outras ocasiões, a pessoa recebia um novo nome. Um anjo do Senhor trocou o nome de Jacó para Israel (Gênesis 32:28).
Jesus mudou o nome de Simão para Pedro (Mateus 16:17-18). Não se sabe quantas vezes as pessoas mudavam de nome nos tempos
bíblicos.

RITUAIS DO PARTO
A antiga cultura judaica observava rituais de parto. A criança nascia 11 uma comunidade profundamente religiosa. Os
seguintes ritos tinham significados religiosos especiais no desenvolvimento da criança.

A. Circuncisão dos meninos. Muitas culturas do mundo moderno praticam a circuncisão por motivos de higiene. Algumas
tribos primitivas executam o rito em infantes e em rapazinhos, enquanto outras esperam até que os meninos cheguem à puberdade ou
estejam prontos para o casamento. Essas tradições têm permanecido em grande parte inalteradas durante séculos. Práticas semelhantes
eram comuns no Oriente Próximo nos tempos bíblicos. Visto como os filisteus não praticavam a circuncisão, Os judeus os
ridicularizavam (cf. 1 Samuel 17:26). Em alguns casos, OS israelitas foram circuncidados quando adultos (Josué 5:2-5).
A circuncisão significava que o menino era admitido na comunidade do pacto. O Senhor disse a Abraão: "O que tem oito dias
será circuncidado entre vós... a minha aliança estará na vossa carne e será aliança perpétua" (Gênesis 17:12-13). Portanto, esta prática era
cuidadosamente observada. O incircunciso era considerado pagão. Quando a cultura grega chegou à Palestina, dois séculos antes de
Cristo, muitos judeus abandonaram seus costumes. Alguns homens submetiam-se a uma operação que os fazia parecer "incircuncisos" de
novo. Isto era equivalente a apostasia.

A parteira hebréia
A parteira é a mulher que assiste uma mãe ao dar à luz. Nos tempos antigos, os deveres da parteira consistiam em cortar o
cordão umbilical, lavar o bebê, esfregá-lo com sal, envolvê-lo em faixas, e depois apresenta- lo ao pai. Em certa ocasião a parteira
sugeriu o nome para a criança (Rute 4:17). A perícia e dedicação dessas mulheres no parto deram honra à sua profissão. Freqüentemente
a parteira era amiga e vizinha da família, e às vezes membro da casa.
A obstetrícia é uma prática antiga, mencionada pela primeira vez na Bíblia durante o tempo de Jacó (Gênesis 35:17). A parteira
era experiente em lidar com as dificuldades associadas com nascimentos múltiplos, conforme sugerido quando Tamar deu à luz Perez e
Zerá (Gênesis 38:27-30).
A Bíblia menciona duas mulheres que morreram durante o parto: Raquel, quando deu à luz Benjamim (Gênesis 35:17), e a
nora de Eli' quando nasceu Icabode (1 Samuel 4:20-21). Em > cada caso, o diligente aviso da parteira tornou possível à mãe dar nome ao
filho.
As duas mais famosas parteiras mencionadas na Bíblia são Sifrá e Puá. Acredita-se que elas foram as principais parteiras que
assistiam as mulheres hebréias durante o cativeiro no Egito. Josefo e outros crêem que essas duas eram mulheres egípcias a quem Faraó
incumbiu de executar suas ordens de matar os menino" hebreus. Mas as parteiras desobedeceram Faraó com a desculpa de que as
hebréias eram mais saudáveis e vigorosas do que as egípcia durante o parto. (Isto implicava que seria difícil as parteiras alegarem que os
bebês tinham morrido durante o parto.)

A Lei de Moisés não estipulava quem devia fazer a operação menino. Supõe-se, comumente, que era feita por um varão adulto
Pelo menos numa ocasião a Bíblia registra que ela foi realizada por uma mulher; mas as circunstâncias que cercavam este acontecimento

especial não eram comuns, pois o marido parecia estar moribundo (cf. Êxodo 4:25). A palavra hebraica para "circuncisor" e "sogro" é a
mesma. Isto, provavelmente, remonta aos dias pré-aliança quando o futuro sogro preparava o jovem para o casamento.
A circuncisão é uma operação extremamente delicada. Em nossa sociedade ela é executada por um médico especialista. É
provável que nos tempos do Novo Testamento, o rito fosse executado por um especialista que não pertencia ao grupo familiar (1
Macabeus 1:61).
A princípio, usavam-se para esta operação instrumentos rudimentares como facas de pedra. Mesmo depois de desenvolvidas as
facas de metal, usavam-se facas de pedra (Êxodo 4:25 e Josué 5:2). Lentamente esta tradição foi abandonada, e nos tempos do Novo
Testamento as facas de pedra haviam sido substituídas por facas de metal.
O menino judeu, conforme vimos, devia ser circuncidado ao oitavo dia. Deus deu primeiro este mandamento a Abraão (Gênesis
17:12) e o repetiu a Moisés no deserto (Levítico 12:3). Em períodos anteriores, os israelitas nem sempre obedeceram a esta ordem. Mas
depois do exílio, a lei era cuidadosamente observada. Esta prática continuou através dos tempos do Novo Testamento (cf. Lucas 2:21) e
permanece como traço característico do Judaísmo hoje. Quando o oitavo dia caía no sábado, o rito da circuncisão ainda era executado ―
a despeito das muitas regras e regulamentos sobre suspender as atividades cotidianas que se desenvolveram para manter santo o sábado.
Estudos recentes têm confirmado que o tempo mais seguro para executar a circuncisão é no oitavo dia de vida. A vitamina K,
que causa a coagulação do sangue, não é produzida em doses suficientes até ao sétimo dia. No oitavo dia o organismo contém 10% mais
de protrombina do que o normal; a protrombina também é importante tia coagulação do sangue.

B. Purificação da mãe. Supunha-se que o parto tornava a mulher cerimonialmente impura. Isso significava que não lhe era
permitido participar de nenhuma das observâncias religiosas ou tocar objetos sagrados. Os biblicistas de há muito têm especulado sobre
os motivos deste procedimento. Acentuava que a criança era nascida em pecado? Demonstrava que o ato sexual e o nascimento de uma
criança eram Um tanto pecaminosos? Ou se destinava simplesmente a proteger a mãe, impedindo-a de sentir-se obrigada a sair para fora
de casa logo após o nascimento de um filho? A Bíblia não nos dá o motivo. Contudo, é importante lembrar que qualquer pessoa ―
homem ou mulher ― era considerado cerimonialmente impuro se tivesse uma descarga de sangue, sêmen ou pus (cf. Levítico 12; 15).
Outras culturas dos tempos bíblicos tinham tabus semelhantes.
De acordo com Levítico 12, a mãe era impura durante 40 dias após o nascimento de um filho; ficava impura o dobro desse
tempo se fosse uma filha. Aqui, também, não se dá o motivo do procedimento.

Escolas gregas e romanas


Os gregos e os romanos antigos tinham um sofisticado sistema escolar. As escolas não eram obrigatórias, nem eram dirigidas
pelo governo. Contudo, o sistema escolar era popular.
No sistema grego, os meninos eram mandados para a escola aos seis anos de idade. O dono e dirigente da escola era o
professor. Parece que os gregos não tinham escolas com internato.
Os gregos não ensinavam línguas estrangeiras. (Eles consideravam sua língua como suprema!) A educação constava de três
divisões principais: música, ginástica, escrita. Todas as crianças gregas aprendiam a tocar lira. As mães ensinavam as filhas a ler e a
escrever, e também lhes ensinavam a tecer, dançar e tocar um instrumento musical. Estranhamente, as poucas mulheres gregas bem
instruídas geralmente eram prostitutas para os ricos.
Os preletores gregos ganhavam a vida ensinando em escolas e mesmo nas ruas. Alguns desses professores ambulantes ―
Sócrates, por exemplo ― tornaram-se famosos. Os meninos gregos podiam freqüentar a escola até à idade de 16 anos. Depois disso,
esperava-se que treinassem nos esportes.
Diferentemente dos gregos, os romanos usavam outras nacionalidades para ensinar seus filhos, Amiúde uma ama grega
começava 1 O treinamento da criança. Meninos e meninas entravam para a escola formal aos sete anos. Aos 13, se tivessem saído bem,
as crianças entravam para a escola secundária; havia 20 dessas escolas em Roma no ano 30 d.C. Mesmo; a educação secundária romana
era ministrada em grego, e os professores geralmente eram escravos gregos ou libertos. Como os gregos, os, romanos tinham professores
mais adiantados que iam de escola em escola.

No fim deste período, depois que a mãe apresentava oferta pelo pecado e o holocausto no lugar central de culto, ela era
declarada cerimonialmente pura. Esta tradição é incomum, porque os sacrifícios normalmente eram apresentados pelos varões. Também,
a Lei permitia à mulher considerável liberdade na escolha do tipo de| animal que ela sacrificaria, dependendo de seu status social.
Esperava-se que uma mulher rica trouxesse um cordeiro para o holocausto mas se a família era extremamente pobre, mesmo duas rolas
erai permitidas. É interessante notar que Maria, mãe de Jesus, tinha condições de oferecer somente o par de rolas no tempo de sua
purificação (Lucas 2:22-24).

C. Redenção do primogênito. Visto que todo primogênito era possessão do Senhor, era necessário que a família redimisse, ou
readquirisse de Deus esse infante primogênito. O preço da redenção era cinco siclos de prata, dados aos sacerdotes quando o filho tinha
um mês de idade (Números 18:15-16).
A Bíblia não nos fala acerca da cerimônia de redenção, mas nos tempos rabínicos estabelecera-se o seguinte procedimento. A
ocasião festiva era celebrada no trigésimo-primeiro dia de vida da criança. ( acontecia de o trigésimo-primeiro dia cair num sábado, a
cerimônia i atrasava de um dia.) A celebração ocorria na casa da criança, com um sacerdote e outros convidados presentes. O rito
começava quando o pai apresentava a criança ao sacerdote. Este perguntava ao pai: "Desejas redimir o filho ou desejas deixá-lo
comigo?" Então o pai respondia que redimiria o filho, e entregava ao sacerdote cinco moedas de prata. Quando a criança era devolvida, o
pai dava graças a Deus. O sacerdote respondia declarando ao pai: "Teu filho está redimido! Teu filho está redimido!" A seguir o sacerdote
pronunciava uma bênção sobre a criança, e então se juntava aos convidados numa mesa de banquete.
Se o menino era órfão por ocasião do nascimento, o dever de redimi-lo recaía sobre um dos parentes varões da criança.
A criança havia sobrevivido as primeiras semanas decisivas. Seus pais lhe haviam dado nome e executado os ritos fundamentais. A mãe
continuaria a amamentar o menino até que ele tivesse dois ou três anos. Nesse tempo, ele seria desmamado e cruzaria a linha que
separava a primeira infância da segunda.

Estatueta de mulher grávida. As mulheres que não podiam conceber, amiúde guardavam figuras que pareciam mulheres grávidas.
Supunha-se que essas figuras ajudavam a produzir a gravidez por "mágica de simpatia". Esta estatueta de marfim retrata uma mulher
grávida com um umbigo exagerado (cerca de 3500 a.C).

5. INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA

A gente dos tempos bíblicos respeitava os anciãos como fonte de sabedoria e orientação. Dispensavam atenção à ordem divina
de "Diante das cãs te levantarás, e honrarás a presença do ancião..." (Levítico 19:32). A maioria das decisões que afetavam o clã era
tomada pelos anciãos da aldeia (cf. Êxodo 3:16-18). O título ancião (que significa "barbado") indicava a idade da pessoa. Os israelitas
criam que a pessoa adquiria sabedoria à medida que envelhecia e era, portanto, um patrimônio valioso da família (Deuteronômio 32:7;
Eclesiástico 25:6).
Deveríamos ter em mente esta opinião sobre as pessoas idosas ao começarmos a estudar as crianças dos dias bíblicos. Em nossa
sociedade, freqüentemente as crianças são o centro de atenção e atividade. Nos tempos antigos, as crianças também eram importantes ―
porém elas não podiam contestar os pais ou os anciãos, nem podiam expressar livremente suas opiniões. Os pais estavam decididos a
ensinar a "criança no caminho em que deve andar" (Provérbios 22:6) e parte desse "caminho" era o respeito aos pais e anciãos. Mesmo os
adultos jovens não contestavam as declarações feitas por seus anciãos. Por exemplo, Eliú principiou seu discurso a Jó e seus amigos em
tom apologético, dizendo: "Eu sou de menos idade, e vós sois idosos; arreceei-me e temi de vos declarar a minha opinião" (Jó 32:6).
Nesta luz, podemos entender melhor por que Jeremias hesitou em tornar-se profeta. Ele disse: "Ah! Senhor Deus! Eis que não sei falar;
porque não passo de uma criança" (Jeremias 1:6). Os discípulos de Jesus refletiram esta atitude quando tentaram proteger Jesus das
crianças. Mas Jesus lhes disse: "Não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus" (Lucas 18:16).

Crianças e atividade escolar. Um relevo de um sarcófago romano mostra o progresso de uma criança desde a amamentação no selo
materno (esquerda) até um menino preparado para sua primeira atividade escolar (direita).

APARÊNCIA FÍSICA E CRESCIMENTO


Os Evangelhos dão poucas informações acerca da aparência física de Jesus, quer como adulto, quer como criança. Mas a Bíblia
apresenta descrições resumidas de alguns indivíduos. Por exemplo, Davi foi descrito como tendo cabelos avermelhados ou "...ruivo, de
belos olhos e boa aparência" (1 Samuel 16:12). Todavia, não sabemos qual o tipo de pessoa que os israelitas consideravam simpática,
bonita.
Alguns murais e baixos-relevos que remontam aos tempos do Antigo Testamento mostram qual poderia ter sido a aparência dos israelitas.
O problema aqui é que não podemos determinar os aspectos reais e os imaginários. Contudo, eles adicionam uma ou mais peças ao
quebra-cabeças.
As escavações arqueológicas dão algumas evidências mais dos característicos físicos dos israelitas. Examinemos abaixo algumas dessas
pistas.

A. Fases de crescimento. Os hebreus empregavam diversas palavras para descrever as fases de crescimento da criança. Esta,
quando muito pequena, era chamada "sugadora", o que significa que ela ainda era amamentada. Depois era mencionada como
"desmamada"; esta mudança era um marco importante na vida da criança. Quando amadurecia um bocadinho mais, os hebreus diziam
que ela era "alguém que dá passos um pouco mais rápidos".
Outro patamar era atingido com a puberdade. O jovem nesta fase era chamado elem ou almah, que significa "estar sexualmente
maduro".
Cinco fases da vida humana estão esboçadas em Levítico 27:1-8; três delas caem na infância ou na adolescência. A primeira
fase ia do nascimento até 30 dias; a segunda, de um mês a cinco anos; e a terceira, dos cinco anos até aos 20. As últimas duas fases eram
a vida adulta e a velhice.

B. Tamanho. Os israelitas se consideravam menores do que os cananeus, que habitavam a Terra Prometida antes deles. Quando
os espias regressaram de sondar a Terra Prometida, relataram que a terra estava cheia de gigantes. Disseram: "Maior e mais alto do que
nós é este povo; as cidades são grandes e fortificadas até aos céus. Também vimos ali os filhos dos enaquins" (Deuteronômio 1:28). A
gente mencionada como "enaquins" eram descendentes legendários de uma tribo de gigantes. Mas os arqueólogos encontraram provas de
que os cananeus eram de porte e constituição médios. Parece que o relatório dos espias se baseou no medo antes que nos fatos
(Deuteronômio 1:28; Números 13:28).
Pelo estudo dos esqueletos de israelitas adultos, os cientistas acharam que o porte médio deles era de 160 a 170 cm. Seu porte
pequeno se devia, em parte, à deficiente fonte de alimentação de que dispunham. A seca e as pragas de gafanhotos reduziam-lhes
drasticamente a produção agrícola. Isto gerava fome generalizada entre o povo (Amós 4:6-10).
A despeito de todas essas severidades, havia umas poucas pessoas obesas. Eglom, rei de Moabe, é descrito como "homem
gordo" (Juizes 3:17). Mas o alimento era freqüentemente escasso, de sorte que, enquanto o rico podia comprar mais do que necessitava, o
pobre quase morria de fome. A Bíblia condena o egoísmo insensível dos ricos (cf. Lucas 12:13-21), como condena a gula. Por exemplo,
Deus julgou Eli e seus filhos porque se engordavam comendo as melhores partes das ofertas (1 Samuel 2:29).
Embora os israelitas possam ter sido mais baixos e mais magros do que seus contemporâneos, não eram mais fracos. Todos
trabalhavam com afinco, inclusive as meninas. Todos os dias as mulheres jovens enchiam seus cântaros no poço local e os levavam para
casa sobre a cabeça. Quando cheio de água, cada cântaro pesava nada menos que 22 kg. O preparo do grão para alimento era outra tarefa
estrênua e cansativa para a coluna vertebral. Uma esposa ideal desse tempo era a que tinha braços fortes (Provérbios 31:17).
A vida exigia trabalho duro por parte dos homens; tal trabalho era parte, também, do crescimento de um rapaz (1 Samuel
16:11). Tanto homens como meninos empenhavam-se em toda sorte de trabalho físico. Por exemplo, carregavam ovelhas ou bodes
doentes de volta para a aldeia de campos distantes. Quando se ia construir uma casa, eles carregavam as pedras a mão. A maior parte de
suas viagens era feita a pé. Tudo isto contribuía para fazer dos israelitas um povo forte e flexível.
Às vezes o jovem demonstrava sua força e coragem atacando e matando um animal selvagem. Davi contou a Saul: "Teu servo
apascentava as ovelhas de seu pai; quando veio um leão, ou um urso, e tomou um cordeiro do rebanho, eu saí após ele, e o feri, e livrei O
cordeiro da sua boca; levantando-se ele contra mim, agarrei-o pela barba, e o feri, e o matei. O teu servo matou, assim o leão como o
urso" (1 Samuel 17:34-36). Acontecimentos semelhantes estão registrados por toda a Bíblia (p. ex., 2 Samuel 23:20).
Em toda cultura há exceções à regra. A Bíblia diz de Saul: "Entre os filhos de Israel não havia outro mais belo do que ele; desde
os ombros para cima sobressaía a todo o povo" (1 Samuel 9:2). Golias era, também, um homem excepcionalmente grande. Em 1 Samuel
17:4, lemos que sua altura era de seis côvados e um palmo. Um côvado era a distância que vai do cotovelo à ponta do dedo médio, ou
aproximadamente 45 cm. Isso daria a Golias uma altura superior a 270 cm. No outro extremo da escala estava Zaqueu, que subira a um

sicômoro para ver sobre as cabeças da multidão (Lucas 19:3-4).


Amenotepe III e família. Este colossal grupo de família de 7 m de altura rebata o Faraó Amenotepe III (cerca de 1450 a. C.) com barba
e toucado cerimoniais. A rainha Tiy usa uma pesada peruca encimada por uma coroa. As três filhas estão representadas pelas três
pequenas figuras ao longo da frente do trono. Isto indica o papel significativo dos filhos na sociedade egípcia.

C. Cor da pele e do cabelo. O nome Esaú significa "marrom-avermelhado". Os descendentes de Esaú eram os povos marrom-
avermelhados conhecidos por edomitas. Em contraste, a pele dos israelitas era mais clara e de cor mais amarelada. Em nosso tempo, os
israelitas parecem ter pele escura por causa de sua constante exposição ao sol.
As moças israelitas consideravam bela a pele clara e evitavam os raios do sol tanto quanto possível. Lemos nos Cantares de
Salomão que a futura esposa pediu às suas servas: "Não olheis para o eu estar morena, porque o sol me queimou" (Cantares 1:6). Ela
estava constrangida porque sua pele não era tão clara como a das outras moças.
A jovem israelita antiga tinha cabelos escuros ou pretos. Cantares de Salomão 5:11 descreve-os como "pretos como o corvo".
Várias vezes no Bíblia o cabelo da jovem era assemelhado a um rebanho de cabras que descem de uma colina (Cantares 4:1; 6:5); a cabra
nativa era preta.
Os arqueólogos têm encontrado turbantes em vários sítios de Israel que datam dos tempos do Antigo Testamento. Essas
relíquias indicam que os homens, bem como as mulheres, usavam cabelos compridos. Absalão (2 Samuel 14:26) e Sansão (Juizes 16:16-
19) tinham ambos cabelos compridos.
Os pais cananeus amiúde rapavam a cabeça dos filhos, deixando um anel de cabelo no topo (Levítico 19:27). Este era um
costume egípcio vedado aos israelitas. O apóstolo Paulo insistiu com as mulheres a que não rapassem a cabeça e com os homens a que
não usassem cabelos compridos (1 Coríntios 11:14-15); o cabelo curto significava que a mulher era prostituta. Os penteados
freqüentemente eram uma questão cultural; o que uma geração aceitava, outra não.

D. Filhos com problemas físicos. Os defeitos de nascença eram predominantes nos tempos bíblicos assim como o são hoje. No
Pentateuco encontramos uma lista de alguns dos defeitos mais comuns (Levítico 21:18-21). Aparentemente, a pessoa com defeito de
nascença estava proibida de desempenhar quaisquer deveres sacerdotais. Tal pessoa facilmente se tornava objeto de caçoada e
importunação cruéis. Isto era estritamente proibido por Deus, que disse: "Não amaldiçoarás ao surdo, nem porás tropeço diante do cego;
mas temerás o teu Deus: Eu sou o Senhor" (Levítico 19:14; cf. Deuteronômio 27:18).
EDUCAÇÃO
Os israelitas proporcionavam educação esmerada para os filhos. Incluía instrução religiosa bem como treinamento em
habilidades! práticas de que necessitariam no mundo das atividades diárias. Eram um povo agrícola, por isso só aos guias religiosos se
ensinava a ler e escrever.
"E crescia Jesus em sabedoria... e graça, diante de Deus e dos homens" (Lucas 2:52). Este versículo capta o alvo do sistema
educacional judaico. Ele se esforça por comunicar não somente conhecimento, mas sabedoria, que gira em torno do relacionamento do
indivíduo com Deus.
No Israel antigo a educação era um processo informal, Os pais executavam a maior parte do treinamento, ou todo ele. Não
havia salas de aula ou currículo estruturado. Nos tempos do Novo Testamento os judeus haviam adotado um método mais formal de
educação. Criaram salas de aula e havia professores qualificados para instruir todas as crianças da aldeia.

A. Modelo de ensino. Para que possamos entender a função do professor judeu, devemos primeiro considerar o Mestre divino
que aquele tomava por modelo. A Bíblia refere-se a Deus como o Mestre que ensina seus alunos: "Este é o caminho, andai por ele"
(Isaías 30:20-21). Deus conhece e entende ás necessidades de seus alunos; ele é plenamente versado no assunto; ele é o exemplo perfeito
e infalível para seus alunos. O professor judeu tinha perante si o padrão quando ia para o trabalho.
Sabemos que Deus usou homens para ensinar a Lei à nação de Israel. Esses homens não eram somente mestres, mas exemplos
de piedade ― homens como Moisés, como os sacerdotes, e profetas como Elias. Seus alunos eram as pessoas adultas da nação de Israel,
que eram depois responsáveis por transmitir o conhecimento aos seus filhos.

B. Responsabilidade paterna. A educação religiosa dos filhos era responsabilidade dos pais (Deuteronômio 11:19; 32:46).
Não se abriam exceções para os pais que julgavam estar ocupados demais para ensinar.
Mesmo quando os filhos chegavam à maioridade e casavam, a responsabilidade dos pais não terminava; ainda tinham parte
importante na educação dos netos (Deuteronômio 4:9). Na verdade, freqüentemente eles moravam na mesma casa.

Meninas brincando. As meninas dançam e jogam neste relevo (cerca de 2200 a. C.) procedente de uma tumba egípcia em Sacará.
Quatro das meninas seguram espelhos.

O pai israelita era, em última instância, responsável pela educação dos filhos; mas as mães também desempenhavam papel
decisivo, especialmente até a criança atingir cinco anos de idade. Durante esses anos formativos, esperava-se que ela moldasse o futuro
dos filhos e das filhas.
Quando o menino tinha idade bastante para trabalhar com o pai, este se tornava seu principal professor, muito embora a mãe
continuasse a partilhar na responsabilidade de ensino (cf. Provérbios 1:8-9; 6:20). A mãe arcava com a principal responsabilidade pelas
filhas, ensinando-lhes habilidades que lhes seriam necessárias para tornar-se, com o tempo, boas esposas e mães.
Se alguém que não o pai tinha de assumir a responsabilidade de ensinar um menino, então essa pessoa era considerada seu
"pai". Em gerações posteriores, chamava-se "pai" à pessoa a quem se atribuía! especificamente a tarefa de ensinar, e ela se dirigia aos

alunos como "meus filhos".


Jogo procedente de Tell Beit Mirsim. Crianças cananéias jogavam um jogo sobre uma tábua com dez peças ― cinco na forma de cone
e cinco tetraedros, todas de cerâmica azul. Uma piorra de marfim, com buracos nos quatro lados, completa o conjunto.

A principal preocupação dos pais judeus era que os filhos viessem a conhecer o Deus vivo. Em hebraico, o verbo "conhecer"
significa estar intimamente envolvido com uma pessoa; a Bíblia afirmou que a reverência ou "O temor do Senhor é o princípio da
sabedoria, e o conhecimento do Santo é prudência" (Provérbios 9:10). Os pais piedosos ajudavam os filhos a desenvolver este tipo de
conhecimento de Deus.
Desde tenra infância os jovens aprendiam a história de Israel. Na primeira fase da infância, provavelmente a criança
memorizava uma declaração de crença e a recitava uma vez por ano, pelo menos, na oferta das primícias. O credo reduzia o relato da
história de Israel a uma forma simples, fácil de memorizar:

Arameu, prestes a perecer, foi meu pai, e desceu para o Egito, e ali viveu como estrangeiro com pouca gente; e ali veio a ser
nação grande, forte e numerosa. Mas os egípcios nos maltrataram e afligiram, e nos impuseram dura servidão. Clamamos ao Senhor,
Deus de nossos pais; e ele ouviu a nossa voz, e atentou para a nossa angústia, para o nosso trabalho e para a nossa opressão; e nos
tirou do Egito com poderosa mão, e com braço estendido, e com grande espanto, e com sinais, e com milagres; e nos trouxe a este lugar,
e nos deu esta terra, que mana leite e mel. Eis que agora trago as primícias dos frutos da terra que tu, ó Senhor, me deste (Deuteronômio
26:5-10).

Deste modo os filhos aprendiam que a nação de Israel havia feito aliança com Deus. Esta aliança impunha-lhes certas
restrições. Não eram livres para buscar seus próprios desejos, mas tinham responsabilidade perante Deus porque ele os havia redimido.
Diligentemente lhes eram ensinadas as diretrizes que Deus lhes dera.
Jesus resumiu a essência e intenção dessas leis ao declarar: "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua
alma, e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo
como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas" (Mateus 22:37-40).
Provavelmente não havia escolas formais nos tempos do Antigo Testamento. A maior parte do aprendizado ocorria em meio à
vida cotidiana. A medida que surgiam as oportunidades no decorrer do dia, os pais instruíam os filhos.
Uma criança podia perguntar: "Por que essas pedras estão empilhadas ali? Que significam?" (cf. Josué 4:21). Então o pai
tomaria tempo para explicar-lhes o pano de fundo religioso e o significado do monumento.
A educação do filho tomava a vida toda para completar-se. A família judaica levava a sério as instruções do Senhor: "Estas
palavras que hoje te ordeno, estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos" (Deuteronômio 6:6-7). A frase "tu as inculcarás" vem
de uma palavra hebraica que geralmente se referia a afiar uma ferramenta ou amolar uma faca. O que a pedra de amolar é para a lâmina
da faca, assim o é o treinamento para a criança. A educação preparava os filhos para tornar-se membros úteis e produtivos da sociedade.

C. Escolas da sinagoga. Não sabemos quando se estabeleceram pela primeira vez as escolas da sinagoga, Alguns crêem que a
prática remonta ao tempo do exílio na Babilônia. Não importa o tempo em que tenha começado, o fato é que na época do Novo
Testamento a escola da sinagoga era parte vital da vida judaica.
Todos os sábados os judeus se reuniam fielmente na sinagoga para ouvir o rabino ler as Escrituras e explicar a Lei, Esta
atividade levou os muçulmanos a apelidar os judeus de "o povo do Livro". A sinagoga patrocinava classes especiais à parte das horas
regulares de adoração. Durante a semana, os meninos iam a essas classes para estudar as Escrituras com professores qualificados. Essas
classes suplementavam a educação religiosa que os meninos recebiam dos pais.
O pai judeu preocupava-se muito mais com o caráter do professor do que com sua capacidade de ensinar. Naturalmente,
exigiam dele que fosse competente em sua profissão, mas estavam muito mais interessados em que ele fosse um bom exemplo para os
filhos. Os escritos judaicos da época do Novo Testamento dão-nos uma relação parcial das características ideais de um professor: Não
devia ser preguiçoso. Devia ter um temperamento uniforme. Jamais devia revelar parcialidade. Nunca devia impacientar-se. Jamais devia
comprometer sua dignidade dizendo gracejos. Nunca devia desestimular a criança. Devia mostrar que o pecado é repulsivo. Devia punir
todos os malfeitos. Devia cumprir todas as suas promessas.
Além da leitura das Escrituras, os meninos judeus também aprendiam regras de etiqueta, música, guerra, e outros
conhecimentos práticos. Lemos como se disse de Davi "que sabe tocar [isto é, músico], e é forte e valente, homem de guerra, sisudo em
palavras, e de boa aparência; e o Senhor é com ele" (1 Samuel 16:18). Podemos deduzir deste relato que Davi tinha uma educação
refinada, como o tinha a maioria dos meninos judeus.
Nos tempos do Novo Testamento, as escolas judaicas exigiam que todo estudante dominasse diversas passagens-chave da
Escritura. De primária importância era o Shema, outra declaração de credo dos judeus (Deuteronômio 6:4-5). A seguir, em importância,
vinham; Deuteronômio 11:13-21 e Números 15:37-41. Também se exigia que o;| aluno aprendesse os salmos de hallel ("louvor")
(Salmos 113-118), i bem como o relato da criação (Gênesis 1-5) e as leis dos sacrifícios (Levítico 1-8). Se a criança tivesse inteligência
fora do comum, podia examinar mais do livro de Levítico.
Somente os meninos recebiam instrução formal fora do lar. Começavam reunindo-se na casa do professor, onde liam os rolos
que continham porções das Escrituras, tais como o Shema. Esta era a escola primária da época.
Quando os meninos atingiam idade suficiente para aprender as lições sabáticas, eles se reuniam na "casa do Livro" ― a
sinagoga. Aqui eles entravam na sala onde eram guardados os rolos da Tora e preparavam as lições sob a supervisão do Hazzan, o
guardador dos rolos.
Mais tarde lhes era permitido discutir questões da Lei com os mestres fariseus. Essas discussões constituíam o nível "Secundário" da
educação judaica.
Nos tempos do Novo Testamento a escola funcionava o ano todo. Durante os meses quentes do verão os meninos passavam na
escola não mais que 4 horas por dia. Se o dia estava quente demais, os alunos podiam ser dispensados. As aulas eram antes das 10 e
depois das 15 horas. Ocorria uma interrupção de 5 horas durante a parte mais quente do dia.
A sala de aula continha uma pequena plataforma elevada onde o professor se assentava de pernas cruzadas. Diante dele, numa
fila inferior, estavam os rolos contendo passagens escolhidas do Antigo Testamento. Não havia livros de texto. Os alunos assentavam-se
no chão aos pés do professor (Atos 22:3).
As classes não eram classificadas por idade; todos os alunos estudavam na mesma sala. Por este motivo, a instrução deles tinha
de ser muito individualizada. O professor copiava um versículo para os alunos menores e estes o recitavam em voz alta até que o
tivessem aprendido. Entrementes, o professor ajudava os meninos maiores a ler um trecho de Levítico. Para nós, provavelmente o
barulho causaria muita distração, mas os meninos israelitas logo se acostumavam com ele. Os sábios acreditavam que se o versículo não
fosse repetido em voz alta, logo seria esquecido.

D. Preparo vocacional. Os meninos deviam ficar alvoroçados por acompanhar os pais aos campos para trabalhar ou ao
mercado para comprar e vender. Observavam cuidadosamente os pais plantando, podando e colhendo. Às vezes lhes era permitido tentar
uma tarefa difícil, o que aumentava a emoção. Um novo mundo se abria ao menino quando tinha idade suficiente para acompanhar o pai.
Mas o trabalho era monótono e cansativo. À medida que o menino troada, também cresciam suas responsabilidades. Não
demorava muito, esperava-se que o menino fizesse o trabalho de um dia todo sem parar, exceto para um breve descanso.
Os homens incentivavam os filhos a trabalhar duro, admoestando-os com a Escritura. Provérbios 6:9-11 dizia: "ó preguiçoso,
até quando ficarás deitado? Quando te levantarás do teu sono? Um pouco para dormir, um pouco para toscanejar, um pouco para encruzar
os braços em repouso, assim sobrevirá a tua pobreza como um ladrão, e a tua necessidade como um homem armado." Para sobreviver, a
família tinha de trabalhar com afinco.
Os israelitas criam que uma vida indisciplinada não prepararia o jovem para enfrentar com êxito o que lhe sobreviesse. Bem
cedo na vida ensinavam aos filhos o significado da responsabilidade, de modo que, ao chegarem à vida adulta, pudessem satisfazer suas
exigências com confiança. Se um filho crescia sem responsabilidade, ele não só criava constrangimentos para si próprio mas trazia
vergonha para a família. Um dos sábios observou: "A vara e a disciplina dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma vem a
envergonhar a sua mãe" (Provérbios 29:15).
Visto que Israel era uma sociedade agrícola, muito da sabedoria prática passada de pai para filho girava em torno da lavoura.
Isto; incluía lições sobre o tamanho do solo para o plantio e cultivo dei várias colheitas, bem como a ceifa e armazenamento dos
produtos. Os filhos aprendiam essas habilidades trabalhando ao lado dos pais durante a juventude. Mesmo quando os judeus começaram
a procurar emprego fora da lavoura, ainda eram "gente da terra".
Circuncisão. Este relevo de Sacará retrata o rito egípcio da circuncisão. À esquerda, um assistente segura as mãos do menino enquanto o
circuncisor executa a operação com um objeto arredondado, talvez uma faca de pedra (cf. Êxodo 4:25). À direita, o paciente se apóia
colocando a mão na cabeça do circuncisor. Diferentemente dos egípcios, os hebreus circuncidavam os meninos com a idade de oito dias,
para significar a aceitação da criança na comunidade do pacto.

Também era responsabilidade do pai ensinar a seus filhos uma carreira ou profissão. Por exemplo, se o pai era oleiro, ele
ensinava essa habilidade aos filhos. Um dos sábios judeus afirmou que "aquele que não ensina a seu filho uma profissão útil faz dele um
ladrão".
Enquanto os meninos aprendiam essas habilidades, as meninas aprendiam a fazer pão, fiar e tecer, sob os olhos vigilantes das
mães (Êxodo 35:25-26; 2 Samuel 13:18). Se não houvesse filhos varões na família, podia-se exigir que as filhas aprendessem o trabalho
do pai (Gênesis 29:6; Êxodo 2:16).

ATIVIDADES DE LAZER
Os jovens nos tempos bíblicos não tinham "tempo de sobra" como o têm os jovens hoje. Mas ainda tinham muito tempo para
recreação e lazer.

A. Brinquedos. As crianças tinham poucos brinquedos. Geralmente se divertiam brincando com uma vara, um osso, ou um
pedaço de cerâmica quebrada. Brinquedos de terracota têm sido encontrados em muitas escavações.
No Egito, os arqueólogos têm encontrado brinquedos mecânicos simples como carrinhos e vagões nos túmulos reais. As
meninas israelitas brincavam com bonecas simples de barro vestidas de trapos.
Em certa ocasião, o profeta Isaías assemelhou Deus a uma pessoa que faz rolar uma bola (Isaías 22:18). Esta é a única
referência bíblica a um brinquedo dessa natureza. Infelizmente, o profeta não descreveu nem a bola nem o jogo que se fazia com ela.

B. Jogos. O profeta Zacarias predisse tempos de paz para Israel, dizendo: "As praças da cidade se encherão de meninos e
meninas, que nelas brincarão" (Zacarias 8:5). A Bíblia não descreve os jogos que as crianças podiam ter jogado, porém ela os menciona
dançando e cantando (cf. Jó 21:11-12). Jesus disse que as pessoas de sua geração eram como meninos que, sentados nas praças, gritam
aos companheiros: "Nós vos tocamos flauta, e não dançastes; entoamos lamentações, e não pranteastes" (Mateus 11:16-17).
Desenhos nas paredes dos túmulos egípcios antigos mostram crianças lutando e jogando jogos como cabo-de-guerra. Embora
haja pouca evidência de que os meninos hebreus praticassem esses esportes, é muitíssimo provável que o fizessem. Corridas a pé e
amarelinha eram também jogos de que as crianças gostavam.
Os meninos dos tempos bíblicos gostavam de explorar as cavernas e aberturas que cercavam o seu mundo. Os meninos pastores
amiúde davam umas escapadelas para explorar ou apanhar animais selvagens. Os meninos também praticavam o uso da funda ou o
arremesso da lança. Mesmo enquanto brincavam, eles se preparavam para a varonilidade.

VIAGEM A JERUSALÉM
O Senhor ordenou que todos os varões hebreus adultos se congregassem regularmente no lugar central de cultos (Êxodo 23:14-
17; Deuteronômio 16:16-17). O propósito era, antes de tudo, religioso, mas as crianças consideravam a viagem uma espécie de férias,
repleta de aventura e emoção. Contavam como privilégio poderem ir. Jerusalém era uma cidade cheia de novas vistas e sons que eles
estavam ansiosos por experimentar, Freqüentemente as crianças ficavam tão ansiosas por chegarem a Jerusalém que corriam adiante dos
adultos mais vagarosos.

O CÍRCULO VESPERTINO
A refeição da tarde, numa aldeia judaica, era tomada cerca de duas horas antes do pôr-do-sol. Depois da janta os homens iam
para um local de reunião ao ar livre, onde se assentavam ou deitavam num grande círculo com os homens mais velhos ou mais
respeitados no centro. Os meninos maiores podiam ficar nas bordas exteriores e ouvir enquanto os homens relatavam os acontecimentos
daquele dia ou de tempos atrás.
Tábua de jogo. Descoberta numa sepultura em Ur, esta tábua de jogo (cerca do vigésimo-quinto século a.C.) era oca para conter as
quatorze peças redondas de jogar. A tábua é incrustada com conchas, ossos, pedra calcária vermelha, e riscas de lápis-lazúli fixadas em
betume.

O círculo era como um "jornal" vespertino. Sabemos que tipo de coisas ocorriam. Os homens discutiam assuntos tais como o
nascimento de um filho, a doença de um aldeão, o aparecimento de um leão ou de um urso na vizinhança, ou acontecimentos nacionais.
Então seus pensamentos provavelmente se voltavam para os planos do futuro. Podiam discutir a perspectiva de uma colheita abundante,
os primeiros indícios de uma praga de gafanhotos, ou a quantidade de chuva que havia caído.
O silêncio reinaria por uns poucos momentos, após o que um velho podia começar a recitar um poema de atos heróicos do
passado, como a história de Davi. Isto podia levar a um cântico, com muito dos homens participando. Então uma voz podia declarar em
tom proverbial: "Sob três coisas estremece a terra." Outro homem, do outro lado do círculo, podia responder: "Sim, sob quatro não pode
subsistir." Então diferentes homens citariam quatro coisas que a terra não poderia suportar, como "Sob o servo, quando se torna rei".
Após um período de risadas e reflexão, um e depois outro fariam comentários animados sobre a vida, tal como: "Como vaso de barro
coberto de escórias de prata..." seguido de: "assim são os lábios amorosos e o coração maligno" (Provérbios 26:23). Era um tipo estranho
e assombroso de conversação ― sutil, engenhoso, grave e muitíssimo instrutivo. Este tipo de diálogo podia ter continuado por diversas
rodadas antes que o tópico mudasse e a reunião se encerrasse.
Podemos imaginar que quando os jovens se encaminhavam para casa, cada um deles refletia sobre o que tinha ouvido. Alguns
guardavam informações importantes que desejavam recordar. Outros achavam seus corações estranhamente comovidos pelos contos de
homens ousados de outrora. Outros simplesmente se divertiam com os boatos e com os provérbios que tinham ouvido. Mas,
coletivamente, seu estoque de sabedoria e de discernimento havia aumentado, e desse modo suas vidas se haviam enriquecido.

6. ENFERMIDADES E CURA

Doença e enfermidade têm infestado o homem desde que Deus expulsou Adão e Eva do jardim do Éden (cf. Gênesis 3:19). Os
hebreus criam que a doença era causada pelo pecado individual que Deus tinha de castigar (Gênesis 12:17; Provérbios 23:29-32), pelo
pecado dos pais (2 Samuel 12:15), ou por sedução de Satanás (Mateus 9:34; Lucas 13:16). Contudo, alguns trechos bíblicos mostram que
nem sempre há uma explicação tão simples para a enfermidade (cf. Jó 34:19-20).
Mesmo nos tempos do Antigo Testamento, os hebreus associavam a cura com Deus. Por exemplo, Malaquias falou do sol da
justiça trazendo salvação [cura] nas suas asas (Malaquias 4:2), e Davi louvou a Deus como aquele que "sara todas as tuas enfermidades"
(Salmo 103:3).
CURAS RITUAIS E CURAS MILAGROSAS
Aqui vamos passar em revista algumas das enfermidades e respectivos problemas dos tempos bíblicos. A compreensão desses
problemas é importante para todo estudante da Bíblia, porque amiúde eles determinavam o curso da história de Israel, e o ministério de
Jesus encareceu a cura dos enfermos.
A. Afasia. É a perda temporária da fala, geralmente causada por' uma lesão cerebral, mas às vezes atribuída a um transtorno
emocional. Isto aconteceu ao profeta Ezequiel (Ezequiel 33:22). Quando o? anjo disse a Zacarias que ele ia ser pai de João Batista, o
velho saiu do templo e não podia falar (Lucas 1:22).
B. Apoplexia. Este termo refere-se a uma ruptura ou obstrução de uma artéria do cérebro, causando derrame. Quando Abigail
falou a Nabal de seu insulto a Davi e de suas horrendas conseqüências, "...se amorteceu nele o coração, e ficou ele como pedra"; dez dias
mais tarde ele morreu (1 Samuel 25:37-38). Esses sintomas sugerem que ele sofreu um ataque de apoplexia. O mesmo pode ter
acontecido a Uzá, que tocou a arca da aliança (2 Samuel 6:7), bem como a Ananias e Safira (Atos 5:5, 9-10).
C. Câncer. Ezequias estava muito doente e o Senhor lhe disse que se preparasse para morrer (2 Reis 20:1). O Senhor infligiu
uma doença incurável a Jeorão, e após dois anos saíram-lhe as entranhas (2 Crônicas 21:18-19). Os biblicistas crêem que esses homens
podem ter sofrido algum tipo de câncer, embora a disenteria crônica também pudesse ter produzido os sintomas de Jeorão. Contudo, a
Bíblia não se refere ao câncer pelo nome porque esta enfermidade não tinha sido identificada nos tempos bíblicos.
D. Cegueira e perda da audição. Três tipos de cegueira são mencionados na Bíblia: a repentina, causada por moscas e
agravada por sujeira, pó e resplendor; a gradual, causada por velhice; e a crônica. Paulo sofreu cegueira temporária no caminho de
Damasco (Atos 9:8). A Bíblia se refere com freqüência a pessoas idosas cujos olhos se "enfraqueceram" (cf. Gênesis 27:1; 48:10; 1
Samuel 4:15). Mas, na maioria das vezes, ela se refere à cegueira crônica.
Cristo curando um cego. Neste detalhe da frente de um sarcófago romano (cerca de 330 A. D.) Cristo toca os olhos de um cego com
uma pasta de saliva antes de enviá-lo ao tanque de Siloé (João 9). Os hebreus criam que Deus amaldiçoaria aos que fizessem o cego errar
o caminho (Deuteronômio 27:18).

Os israelitas sentiam compaixão pelos cegos. Na verdade, Deus impôs maldição ao que fizesse o cego errar o caminho
(Deuteronômio 27:18). Jesus assistiu muitos cegos. Ele disse: "O Espírito do Senhor... me ungiu para evangelizar aos pobres; enviou-me
para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos" (Lucas 4:18), Jesus curou um
cego de nascença (João 9:1-41); um cego cuja cura foi gradual (Marcos 8:24); dois cegos assentados à beira da estrada (Mateus 20:30-
34); e muitos outros (Marcos 10:46-52; Lucas 7:21).
Muitas vezes se interpretava a cegueira como castigo por fazer o mal. Encontramos exemplos disto em Sodoma (Gênesis
19:11); o exército sírio (2 Reis 6:18); e no caso de Elimas, em Pafos (Atos 13:6-11).
De quando em quando o Novo Testamento se refere a pessoas que perderam a capacidade da fala (cf. Mateus 9:32; 15:30;
Lucas 11:14). Freqüentemente tal fato era resultado da perda da audição.

E. Coxeadura. A Bíblia descreve muitas pessoas que eram coxas, sendo o caso mais memorável registrado em Atos 3:2-11,
onde lemos a respeito de um homem (coxo de nascença) que diariamente era carregado à Porta Formosa de Jerusalém para mendigar. Um
dia o mendigo viu Pedro e João que entravam no templo e pediu-lhes dinheiro. Em vez de dar-lhe dinheiro, os apóstolos invocaram o
nome de Jesus para curar o homem. Pedro ergueu o mendigo, que começou a andar. Jesus curou muitas pessoas que eram coxas (cf.
Mateus 15:30-31).

F. Defeitos. Este termo geral refere-se a qualquer defeito do corpo como cegueira, coxeadura, osso quebrado, dedos ou artelhos
extras (polidactilia), corcunda e assim por diante. A pessoa portadora de defeitos não podia oferecer sacrifícios a Deus (Levítico 21:16-
24), nem lhe era permitido ir além do véu do templo ou aproximar-se do altar, pois isto profanaria o santuário. Animais imperfeitos não
poderiam ser usados para sacrifícios (Êxodo 12:5).

G. Desarranjos femininos. De acordo com a Lei de Moisés, a mulher que sofria de desarranjos menstruais devia ser
considerada i impura (Levítico 15:25). Uma dessas mulheres, que sofria havia doze-anos (Lucas 8:43-48) tocou na orla da veste de Jesus
e, por causa de j sua grande fé, foi imediatamente curada.
H. Disenteria. Esta é uma enfermidade que em fase adiantada putrefaz os intestinos (2 Crônicas 21:15-19). A fibrina separa-se
do revestimento interior dos intestinos e é expelida.
O Novo Testamento refere-se a uma forma grave de disenteria como "fluxo sangüíneo". O pai de um cristão chamado Públio jazia
enfermo com fluxo sangüíneo (Atos 28:8). Paulo chegou, orou por ele e o homem foi curado.

I. Distúrbios endócrinos. A Lei de Moisés não permitia a um anão entrar na congregação do povo de Deus (Levítico 21.20). A
ciência moderna tem demonstrado que o nanismo é causado por distúrbio das glândulas endócrinas.
A Bíblia menciona também alguns gigantes, como Golias (1Samuel 17:4). O verdadeiro gigantismo é causado por secreções
excessivas da glândula pituitária. Contudo, muitas pessoas altas herdam esse traço de seus antepassados.

J. Distúrbios da pele. A Bíblia refere-se a muitos tipos de distúrbios da pele, tais como "tinha" ou sarna (Levítico 13:30;
21:20). Levítico 13:39 provavelmente se refira à vitiligem, que amiúde era confundida com lepra.

L. Distúrbios mentais e nervosos. O rei Saul parece ter tido sintomas de maníaco depressivo (cf. 1 Samuel 16:14-23), e a
Bíblia menciona outros que podem ter sofrido de distúrbios mentais ou nervosos. O rei Nabucodonosor é um exemplo (Daniel 4:33).

M. Doenças venéreas. Há alguma evidência de que as doenças venéreas eram comuns nos tempos bíblicos. Por exemplo,
Zacarias 11:17 adverte ao pastor que abandona o rebanho, dizendo que seu braço completamente se lhe secará, e o olho direito de todo se
escurecerá. Lia tinha um problema de vista que provavelmente poderia ter sido resultado de sífilis hereditária (Gênesis 29:17).

N. Edema ("Hidropisia"). Esta palavra descreve um acúmulo anormal de fluido seroso no tecido conectivo do corpo ou numa
cavidade serosa e é um sintoma. O acúmulo causa inchação. Jesus encontrou-se, pelo menos, com uma vítima de edema na casa de certo
fariseu. Indagado por Jesus se era lícito curar no sábado, ele não lhe respondeu. Portanto, Jesus curou o sofredor (Lucas 14:1-4).

O. Epilepsia. Este é um desarranjo marcado por descargas elétricas erráticas do sistema nervoso central e manifestado por
ataques convulsivos. Certo homem trouxe seu filho epiléptico a Jesus em busca de socorro (Marcos 9:17-29). A Versão de Almeida diz
que o rapaz tinha um espírito "mudo e surdo". Jesus curou-o.

P. Febres. Moisés advertiu aos israelitas rebeldes de que "porei sobre vós o terror, a tísica e a febre ardente que fazem
desaparecer o lustre dos olhos" (Levítico 26:16). Deuteronômio 28:22 também se refere à febre.
Quando Jesus viu a sogra de Simão Pedro doente com este sintoma, ele repreendeu a febre e ela levantou-se da cama e serviu
os discípulos (Lucas 4:38). Noutra ocasião, Jesus curou o filho febril de um oficial do governo (João 4:46-54).
Muitas enfermidades na Palestina antiga teriam sido caracterizadas por febres altas, sendo as mais comuns a malária e a tifóide.
Irrompeu uma praga quando os filisteus colocaram a arca de Deus no templo dum ídolo (1 Samuel 5:2, 9, 12). O surto foi associado com
ratos.
Q. Furúnculos. Este termo refere-se a quaisquer úlceras inflamadas na pele, tais como as causadas por uma infecção
estafilocócica. Eles podem ter sido confundidos com "tumores" OU antraz. Os furúnculos ("shechin" em hebraico) são mencionados pela
primeira vez em Êxodo 9:9, quando Faraó recusou permitir que OS israelitas deixassem o Egito, e irromperam furúnculos no povo.
Satanás teve permissão para afligir a Jó com furúnculos (Jó 2:7). O rei Ezequias também foi afligido com furúnculos (2 Reis 20:7), os
quais Isaías curou aplicando uma pasta de figos. A pasta de figos frescos tinha efeito de puxar. Antes do advento dos antibióticos, era
comum este tipo de tratamento para furúnculos.
R. Gangrena. Esta enfermidade é mencionada somente uma vez na Bíblia e a versão de Almeida a traduz por "câncer": "Além
disso a linguagem deles corrói como câncer" (2 Timóteo 2:17). Nesta passagem a palavra grega usada é gaggraina como gangrena.
Refere-se à deterioração circulatória que comumente chamamos gangrena, que se espalha rapidamente e consome o tecido.

S. Gota. O excesso de ácido úrico no sangue causa este mal dos rins que se manifesta por inflamação dolorida das juntas. O
segundo livro das Crônicas 16:12-13 diz que o Rei Asa sofria de uma doença dos pés, que evidentemente era a gota.

T. Insolação. Isaías pode ter-se referido à insolação ou prostração pelo calor quando disse: "A calma nem o sol os afligirá"
(Isaías 49:10). Em 2 Reis encontramos um jovem que trabalhava entre os segadores, quando disse ao seu pai: "Ai! a minha cabeça!" Foi
levado para casa, onde morreu (2 Reis 4:18-20). É possível que a insolação fosse uma moléstia comum nos verões quentes do Oriente
Próximo.

U. Lepra. Uma das mais horríveis doenças do mundo, a lepra é causada por um bacilo e se caracteriza pela formação de
nódulos que se espalham, causando perda de sensação e deformidade. Hoje tratada com drogas à base de sulfona, a lepra é, talvez, a
menos infecciosa de todas as moléstias contagiosas conhecidas. O mal de Hansen, como é mais propriamente conhecido, era
freqüentemente mal diagnosticado nos tempos bíblicos. As pessoas acreditavam então que era altamente contagiosa e hereditária.
Levítico 13:1-17 condena a lepra como "praga".
Na base de um pêlo numa chaga, uma pústula ou uma mancha na pele que se tornou branca, o sacerdote declararia a pessoa
leprosa e a isolaria durante sete dias. Se nesse tempo não ocorresse mudança na mancha, o isolamento se estenderia por mais uma
semana. Nesse tempo, se a mancha tivesse começado a desaparecer, o "leproso" seria declarado são e voltava à sua vida normal. Contudo
se a mancha permanecesse ou se espalhasse, ele era declarado impuro e seria expulso.
A lepra era muito comum no Oriente Próximo. Se um hebreu fosse curado da lepra, ele devia oferecer determinados sacrifícios
e participar dos ritos de purificação (Levítico 14:1-32). Jesus curou leprosos em muitas ocasiões (cf. Lucas 5:12-13; 17:12-17).

O leproso
Através da história, a lepra tem sido uma das mais temidas moléstias. Até ao presente século, os homens têm dependido de várias formas
de ostracismo social num esforço por controlar a doença. Os havaianos baniram os leprosos da ilha de Molokai. Os nobres medievais
construíram vastos leprosários. E os judeus antigos punham o leproso "fora do arraial" (Levítico 13:46).
Pouco sabemos da vida real dos leprosos nos tempos bíblicos depois de haverem sido segregados da comunidade. Levítico 13-15 contêm
os dados mais pertinentes sobre o tratamento ― ou de sua falta ― da lepra no Antigo Testamento. Esses capítulos dão pormenores dos
sintomas da moléstia, dos procedimentos pelos quais o sacerdote determinava a cura de um caso, e das ofertas a serem feitas antes que o
leproso pudesse reentrar na comunidade.
A condição de vida do leproso foi descrita muito simplesmente em Levítico: "As vestes do leproso, em quem está a praga, serão
rasgadas, e os seus cabelos serão desgrenhados; cobrirá o bigode e clamará: Imundo, imundo! Será imundo durante os dias em que a
praga estiver nele; é imundo, habitará só: a sua habitação será fora do arraial" (Levítico 13:45-46).
Era horrível ser condenado à vida de leproso. Nos tempos medievais, muitas vezes o sacerdote lia o ritual de sepultamento do leproso
antes de ele ser expulso da cidade. Os milagres de cura da lepra realizados por Cristo são testemunho de sua compaixão bem como de seu
poder (cf. Mateus 8:1-4; Marcos 1:40-45; Lucas 5:12-14).
Lucas é o único evangelista que fala da cura de dez leprosos operada por Jesus durante sua ultima viagem a Jerusalém. Os dez se
acharam curados quando iam apresentar-se ao sacerdote, mas somente um voltou para agradecer a Cristo. Este relato é a única evidência
do Novo Testamento de que os leprosos viviam em grupos, sugerindo que a lei de Levítico tinha sido relaxada. 2 Reis 7:3-10 menciona
quatro leprosos agrupando-se fora das portas de uma cidade. Mas evidentemente os leprosos viviam separados da população saudável das
cidades. Nos tempos do Antigo Testamento, a lepra era considerada fonte de contaminação física antes que de corrupção moral (um mito
popular no tempo de Jesus).
A lepra era sempre um desastre, mas levou séculos para a sociedade aprender a enfrentar com êxito a moléstia.

V. Malária. Esta moléstia infecciosa é causada por protozoário do gênero plasmodium. Esses animais unicelulares podem viver
no sangue de seres humanos e de animais ou na fêmea do mosquito anófeles. Uma vez que a malária se instala no sistema, ela tende à
recidiva. Paulo pode estar falando da malária quando se refere ao "espinho na carne" (2 Coríntios 12:7).

X. Paralisia. Os Evangelhos registram um incidente bem conhecido em que Jesus curou um paralítico em Cafarnaum (Marcos
2:1-12). O livro de Atos descreve como os apóstolos curaram pessoas com "paralisia" (Atos 8:7; 9:33-34).

Z. Poliomielite. Este é o nome comum da paralisia infantil, que geralmente afetava as crianças. Em 1 Reis 17:17 encontramos
uma mulher que trouxe o filho ao profeta Elias. O menino estava tão doente que já não havia fôlego nele; este sintoma sugere que ele
podia ter tido poliomielite, embora também possa ter sido uma forma de meningite. Elias fez o menino reviver mediante a intervenção do
Senhor em resposta à sua oração. Contudo, a Bíblia não nos diz se o menino ficou completamente curado. Os homens descritos em
Mateus 12:9-13 e João 5:3 podem ter tido poliomielite.

AA. Praga. Nossas traduções podem empregar esta palavra para designar qualquer doença epidêmica. Também é empregada
em sentido geral em Êxodo 7-10, onde ela se refere aos castigos que Deus infligiu aos egípcios.
Os israelitas foram atingidos por epidemias três vezes durante sua peregrinação no deserto. A primeira vez foi quando estavam
comendo as codornizes que Deus enviou para satisfazer-lhes o desejo de comer carne (Números 11:33). A segunda vez, uma "praga"
ceifou a vida dos que desestimularam os israelitas de entrar na Terra Prometida (Números 14:37). A terceira epidemia veio como castigo
de Deus sobre os israelitas. Arão deteve a "praga" oferecendo incenso a Deus (Números 16:46-47). Em outra ocasião, Finéias salvou os
israelitas de uma epidemia matando um homem que trouxe uma midianita para o seu meio. Não obstante, 24.000 pessoas morreram
(Números 25:8-9).
O Antigo Testamento descreve muitos casos em que Deus enviou "pragas" para castigar seu povo. Um exemplo disso encontra-
se em 2 Samuel, onde Davi diz: "... a fim de edificar nela um altar ao Senhor, para que cesse a praga de sobre o povo" (2 Samuel 24:21).
Não temos prova de que a Bíblia se refira à peste bubônica, que viria a ceifar milhões de vidas na Europa medieval.

BB. Síncope. A parada cardíaca ou a repentina queda de pressão sangüínea geralmente se denomina síncope. Quando Jacó
ficou sabendo que seu filho José ainda vivia, seu coração "ficou como sem palpitar" (Gênesis 45:26) ― provavelmente uma referência à
síncope. Quando Eli ouviu dizer que a arca da aliança tinha sido capturada, caiu da cadeira para trás, quebrou o pescoço, e morreu (1
Samuel 4:18). Este pode ter sido outro caso de falha cardíaca ou síncope.

CC. Tísica ou tuberculose. Moisés advertiu aos israelitas rebeldes: "O Senhor te ferirá com a tísica, a febre, e a inflamação,
com o calor ardente ..."
DD. Tumores. Este termo provavelmente se refere à antraz, doença que pode ser transmitida ao homem por gado, ovelhas,
cabras e cavalos.

Trepanação. Cirurgiões da Judéia durante o sexto século a.C. praticavam a trepanação, que é a remoção cirúrgica do osso do crânio para
aliviar a pressão cerebral. Os cirurgiões rapavam a cabeça do paciente, faziam uma incisão na pele, e a recuavam para expor o osso.
Depois usavam uma pequena serra para remover uma seção do crânio, que era recolocada quando havia sido drenado o excesso de fluido.
Os arqueólogos têm encontrado crânios com buracos parcialmente abertos ou com furos de dreno abertos, o que sugere que a operação
freqüentemente não tivera êxito.

A doença é causada por uma bactéria em forma de bastonete, que forma esporos. Esses esporos, por sua vez, podem infeccionar
os seres humanos, que desenvolvem uma lesão em forma de bolha com pústula (vesícula). Na fase infecciosa, o tumor é denominado
pústula maligna. Os tumores são mencionados somente uma vez na Bíblia (Êxodo 9:9-10). Deus infligiu-os aos egípcios quando Faraó
recusou deixar que os hebreus fossem para a Terra Prometida.

EE. Varíola. Alguns biblicistas crêem que a palavra hebraica maqaq (literalmente "definhar-se") refere-se à varíola. Almeida
geralmente traduz esta palavra como "consumir-se", o que sugere desespero emocional: "Aqueles que dentre vós ficarem serão
consumidos" (Levítico 26:39). "Não lamentareis, nem chorareis, mas definhar-vos-eis nas vossas iniqüidades" (Ezequiel 24:23).

FF. Vermes. Isaías avisou que os rebeldes de Israel seriam afligidos com vermes (Isaías 51:8). Também ele predisse este
destino para a Babilônia (Isaías 14:11). Esta doença parasítica podia ser fatal porque não havia remédio para ela.
A Bíblia diz que "um anjo do Senhor" feriu a Herodes, o Grande. Comido de vermes, ele morreu (Atos 12:23).

O USO DE REMÉDIOS
Quando o organismo de uma pessoa começava a deteriorar-se e a sofrer dores, a vítima naturalmente procurava remédio. Desse
modo as pessoas dos tempos antigos desenvolveram um extenso conhecimento de remédios naturais.
Provavelmente os primeiros remédios chegaram aos israelitas por meio dos egípcios, especialmente dos sacerdotes. Os egípcios
também embalsamavam seus mortos com especiarias e perfumes costume que os israelitas logo vieram a adotar.
Nos tempos bíblicos, os remédios eram feitos de substâncias minerais e animais, de ervas, vinhos, frutas e outras partes das
plantas. A Bíblia refere-se com freqüência ao emprego medicinal dessas substâncias.
Por exemplo, o "bálsamo de Gileade" é mencionado como substância curativa (Jeremias 8:22). Pensa-se que o "bálsamo" era
uma excreção aromática de uma árvore sempre verde ou uma forma de incenso. Sabia-se que o vinho misturado com mirra aliviava a dor
entorpecendo os sentidos. Este remédio foi oferecido a Jesus enquanto ele pendia da cruz, porém ele se recusou a tomá-lo (Marcos 15:23)
À Os israelitas ungiam os enfermos com loções suavizantes de óleo de oliva e ervas. Na história do Bom Samaritano, óleo e vinho foram
derramados nas feridas da vítima de assalto (Lucas 10:34). Os primitivos cristãos continuaram esta prática, ungindo os enfermos
enquanto oravam por eles (Tiago 5:14).
Mateus 23:23 menciona certas especiarias como antiácidos. As | mandrágoras eram usadas para excitar o apetite sexual
(Gênesis: 30:14). Outras plantas eram usadas como remédios ou estimulantes.

OS MÉDICOS E SEU TRABALHO


Os médicos profissionais exerciam suas habilidades nos tempos bíblicos, mas o seu trabalho era grandemente considerado
como magia. O Antigo Testamento não menciona o nome de nenhum médico, embora se refira ao trabalho deles (cf. Gênesis 50:2; 2 J
Crônicas 16:12; Jeremias 8:22). O livro deuterocanônico de Eclesiástico (segundo século a.C.) celebra a sabedoria e perícia dos médicos
(38:1-15). No Novo Testamento, Lucas é mencionado pelo nome como o "médico amado" (Colossenses 4:14).
A circuncisão é o único tipo de cirurgia mencionado na Bíblia. Tratava-se da remoção cerimonial do prepúcio do menino
hebreu oito dias após o seu nascimento. A prática começou por ordem de Deus a Abraão (Gênesis 17:10-14), e Deus irou-se contra
Moisés por ter deixado de observá-la (Êxodo 4:24-26). O próprio Jesus foi circuncidado ao oitavo dia (Lucas 2:21).

TRATAMENTOS RITUAIS E CURAS MILAGROSAS


A Bíblia refere-se a alguns casos em que o enfermo executava uma lavagem ritual a fim de receber a cura. Quando Naamã
ficou leproso por exemplo, o profeta Eliseu instruiu-o a mergulhar sete vezes no rio Jordão. Naamã o fez e foi curado (2 Reis 5:10). Jesus
aplicou lodo aos olhos de um cego e lhe disse que fosse lavar-se no tanque Siloé. O cego obedeceu e recebeu a vista (João 9:7).
Em muitas outras ocasiões Deus operou milagres pelo ministério de seus servos. Elias e Eliseu viram numerosas curas deste
tipo (cf. 1 Rs 17:17-22; 2 Reis 4:32-37). Quando Jesus curava pessoas de toda sorte de enfermidades, confirmava-se que ele era o
Messias (Lucas 7:20-22),
Os sacerdotes do templo exerciam diversas funções médicas. O livro de Levítico descreve sete formas de purificação ritual que
tinham significado médico. Elas tratavam de: pós-parto (Levítico 12), lepra (Levítico 13), doença venérea (Levítico 15:12-15), função
sexual masculina (Levítico 15:16-18), intercurso sexual (Levítico 15:18), menstruação (Levítico 15:19-30), e cadáveres (Levítico 21:1-
3).

Instrumentos cirúrgicos. Facas, escalpelos, pinças, grampos estão entre estes instrumentos cirúrgicos encontrados em Pompéia. Eles
indicam que as artes cirúrgicas eram bastante sofisticadas no primeiro século A. D.

7. ALIMENTO E HÁBITOS ALIMENTARES

Desde Gênesis 1:29 (quando Deus disse: "Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão semente e se acham na superfície de
toda a terra, ...isso vos será para mantimento") até Apocalipse 22:22 (quando João fala da "árvore da vida, que produz doze frutos"), a
Bíblia está repleta de referências a alimento.
Os produtos vegetais constituíam uma grande parcela da dieta no clima quente da Palestina. Quando se comia carne, com
freqüência era com o propósito de servir a estranhos ou hóspedes ilustres.
Os cereais eram parte importante da dieta. O pão era comido só ou com algo para aumentar-lhe o sabor, como sal, vinagre,
caldo ou mel. Frutas e peixe eram pratos favoritos da dieta. Lembre-se dos discípulos que foram chamados por Jesus quando exerciam o
ofício da pesca.
A serpente tentou Eva a comer uma fruta, e o pecado entrou no mundo. Esaú vendeu seu direito de primogenitura por um prato
de sopa. Jesus foi tentado a transformar pedras em pão, e ele usou alimento ― pão e vinho ― como símbolo de nossa participação em
seu sofrimento. O alimento ― necessidade terrena, humana ― é um fio fascinante entretecido na história da revelação de Deus à raça
humana.

COSTUMES ALIMENTARES
A Bíblia está repleta de referências a banquetes e festas; muito pouco se diz a respeito das refeições cotidianas da família.
Contudo, toda evidência aponta para o costume de duas refeições regulares por dia ― desjejum, uma leve refeição matinal, e ceia, uma
refeição mais reforçada à tarde, quando o ar era mais fresco.
A princípio os judeus sentavam-se em tapetes para comer. Mais tarde, porém, adotaram o hábito de usar mesa com divãs sobre
os quais se reclinavam (João 21:20). Fazia-se uma breve oração ou pronunciava-se uma bênção antes de comer, como quando Jesus
abençoou o pão ao alimentar a multidão (Mateus 14:19). O lavar as mãos era considerado essencial e observado como dever religioso,
especialmente pelos fariseus (Marcos 7:3).
Partir o pão juntos, mesmo hoje, parece dizer: Somos amigos; partilhamos de um laço comum. Tais sentimentos são evidentes
por toda a Bíblia. É como se o comer fosse mais do que mera ingestão de alimento; é participar em tudo quanto significa pertencer à raça
humana e partilhar essa mutualidade com os que nos cercam,

A. Desjejum. A refeição matinal (em alguns escritos referida como jantar) geralmente era tomada entre as nove horas e meio-
dia, era uma refeição leve e consistia em pão, frutas e queijo.

B. Ceia. A principal refeição do dia era tomada ao entardecer. As temperaturas quentes durante o dia na Palestina eram algo
abrandadas ao entardecer e prevalecia uma atmosfera mais descontraída. Na refeição vespertina consumia-se carne, vegetais, manteiga e
vinho.

C. Festas. O povo judeu gostava de celebrações e, segundo as Escrituras, uma festa parecia ser um bom modo de comemorar
um acontecimento alegre. A música era parte importante de suas festas (Isaías 5:12) e a dança fazia, às vezes, parte da recepção (como
quando a filha de Herodias dançou para Herodes e seus convivas, Marcos 6:32).
A festa era planejada e presidida pelo "mordomo" ou "mestre-sala" da festa (João 2:8), que comandava os criados e provava o
alimento e o vinho.
Os festivais religiosos, dos quais a celebração festiva era parte muito importante, podem ser agrupados assim: (1) O sábado, a
festa das luas novas, o ano sabático, e o ano do jubileu; (2) a páscoa, o pentecoste, e a festa dos tabernáculos; (3) as festas de Purim e da
dedicação. Todo o trabalho cessava nos dias de festa principal; a celebração de sete dias da páscoa proibia o trabalho no primeiro e no
sétimo dias (Levítico 23).
Realizavam-se festas por ocasião de casamento (João 2:1-11), aniversário (Gênesis 40:20), sepultamentos (Jeremias 16:7-8),
tosquia das ovelhas (1 Samuel 25:2, 36), e em muitas outras épocas. Talvez a mais freqüentemente lembrada seja a festa preparada pelo
pai do filho pródigo (Lucas 15:11-32).
É interessante notar que as mulheres nunca estavam presentes, como hóspedes, nas refeições judaicas.
D. Hospitalidade. Abraão "estava assentado à entrada da tenda, no maior calor do dia... e eis três homens de pé em frente dele"
(Gênesis 18:1-2). Abraão deu-lhes água para beber e para lavar o pó de seus pés. Assentaram-se à sombra da árvore e ele e Sara
prepararam-lhes alimento para comerem. Seus hóspedes eram anjos! Hebreus 13:2 diz: "Não negligencieis a hospitalidade, pois alguns
praticando-a, sem o saber acolheram anjos." A hospitalidade, a bondade para com os estranhos, e "principalmente aos da família da fé"
(Gálatas 6:10), tinha raízes no Antigo Testamento e veio a ser parte integrante dos ensinos do Novo.

E. Mesa. Na antiga Palestina, a mesa era uma pele ou pedaço de couro circular, colocada sobre o tapete do chão. Nas beiradas
desta mesa em forma de bandeja havia laçadas através das quais passava-se um cordão. Terminada a refeição, o cordão era esticado e a
"mesa" ficava pendurada, deixando o caminho livre.
Em tempos posteriores introduziu-se a mesa com divas para reclinar. Os convidados encostavam-se na mesa com o cotovelo
esquerdo e comiam com a mão direita.

F. Utensílios. É provável que diversos vasos sejam representados por esta palavra. Os vasos sagrados referidos em Êxodo
25:29 incluem pratos, bilhas e bacias. Um prato comum usado numa casa vem-nos à mente quando lemos 2 Reis 21:13: "Eliminarei
Jerusalém, como quem elimina a sujeira de um prato, elimina-a e o emborca."

G. O bocado. Os hebreus não usavam talheres. O bocado era um pedaço de pão usado para mergulhar na sopa ou caldo que
ficava no centro da mesa. O dono da festa podia mergulhar um bocado e dá-lo a um convidado. Jesus deu um bocado a Judas (João
13:26), indicando que era ele quem o ia trair.
JEJUNS
O festejar era parte importante da vida judaica, mas o jejum (passar sem alimento por um período de tempo) era igualmente
essencial. Os jejuns foram prescritos para o dia de Expiação pelo código de Moisés ("afligireis as vossas almas", Levítico 16:29), para
comemorar a quebra das tábuas da Lei, e para outros eventos tais na história dos judeus.
O jejum era praticado para mostrar humildade, pesar e dependência de Deus. Vestes de pano de saco, cinzas borrifadas sobre a
cabeça, mãos sem lavar, e cabeça não ungida eram sinais de que a pessoa estava jejuando.
Embora o jejum se tornasse ato de hipocrisia para alguns (Mateus 6:16-18), temos o relato que Jesus jejuou durante 40 dias e
40 noites, quando se encontrava no deserto (Mateus 4:2). Parece que se trata dei uma questão deixada inteiramente a critério do
indivíduo.
VINHO
A lei de Moisés admitia o uso do vinho; contudo, proibia-se a embriaguez. O vinho era usado como oferta de libação do
sacrifício diário (Êxodo 29:40). Os nazireus estavam proibidos de beber (Números 6:3), como estavam também os sacerdotes quando
executavam os serviços do templo (Levítico 10:9). Paulo sugere a Timóteo que os diáconos não devem ser "inclinados a muito vinho" (1
Timóteo 3:8). Parece não haver dúvida de que o beber em excesso era problema naquele tempo como continua a ser hoje.

Lagar. Valas como esta em Jerusalém continham uvas das quais se fazia vinho. Segurando em cordas sobre as cabeças, os homens
pisavam as uvas para extrair o suco, que escorria de um furo no fundo da vala para um tonei (cf. Neemias 13:15).

Incluída numa lista de leis e ordenanças está a admoestação de não tardar em "trazer ofertas... das tuas vinhas" (Êxodo 22:29).
A palavra hebraica traduzida como "vinhas" parece referir-se ao suco de olivas e de uvas. A "beberagem de uvas" mencionada em
Números 6:3 era uma bebida feita pela saturação das uvas.
A borra do vinho era usada para melhorar o sabor, a cor e a força do vinho novo. "Vinhos velhos bem clarificados" (Isaías 25:6)
referia-se a um vinho rico de considerável qualidade ― um símbolo das bênçãos da festa do Senhor.
Ofereceram a Jesus uma esponja embebida em vinagre quando ele pendia na cruz. Este era provavelmente o vinho azedo que os
soldados romanos bebiam (Mateus 27:48). Embora não fosse uma bebida agradável, o vinagre era usado para molhar o pão (Rute 2:14).
Quando despejado sobre o salitre, o vinagre produz um efeito efervescente. Assim: "O que entoa canções junto ao coração aflito é...
como vinagre sobre salitre" (Provérbios 25:20, Almeida, ERC).

CEREAIS
Um generoso suprimento de cereais parece indicar um povo bem nutrido. Pense na importância atribuída à tarefa de José de
armazenar o cereal extra durante os sete anos de abundância no Egito (Gênesis 41:47-57). "Todas as terras vinham ao Egito, para
comprar de José" (v. 57). Do grão se faz pão, e o pão pode sustentar nações.

A. Cevada. A cevada era cultivada na Palestina e no Egito, e destinava-se a alimentar o gado e os cavalos. Embora os egípcios
usassem a cevada para alimentar animais, os hebreus a usavam para fazer pão, pelo menos para os pobres.

B. Milho. "Espigas" em referências tais como Deuteronômio 23:25 e Mateus 12:1, significam várias espécies de grão,
incluindo-se cevada, milho e trigo. O milho, como o conhecemos, não era cultivado no hemisfério Oriental. Boaz deu a Rute "grãos
tostados" (Rute 2:14); "Trigo tostado" (Almeida, ERC).
C. Centeio. Embora o centeio seja mencionado em Êxodo 9:32, realmente ele nunca foi cultivado na Palestina. As autoridades
no assunto crêem que a referência significa outro cereal como painço ou espelta.

Moinho de farinha. Os moinhos manuais para transformar o grão em farinha consistiam em duas pedras circulares, tendo a inferior uma
superfície ligeiramente convexa para guiar os grãos quebrados para a margem externa, de onde caiam. As mós tinham sulcos curvados
que multiplicavam seu efeito de corte e moagem enquanto a mó superior girava sobre a inferior. Os moinhos maiores eram operados por
burros ou por escravos. Estes moinhos romanos, procedentes de Pompéia, são do tipo maior. Note-se atrás deles o forno de assar pão.

D. Trigo. "Se o grão de trigo... morrer, produz muito fruto" (João 12:24). Aqui Jesus fala de um dos mais largamente usados de
todos os cereais entre os hebreus. Mencionado em toda a Bíblia como um elemento básico da dieta hebraica, o trigo é uma das plantas
que Moisés disse que poderia ser cultivada em Canaã, a Terra Prometida (Deuteronômio 8:8).

E. Moinho. O mais simples tipo de moinho usado para moer o grão era chamado gral ― uma pedra com uma cavidade
côncava que retinha o grão a ser moído por outra pedra. Um moinho mais eficiente constituía-se de duas pedras, de 60 cm de diâmetro
por 15 cm de espessura. A mó inferior era elevada no centro. A mó superior era côncava e tinha um furo no meio. O grão era despejado
no furo, e a mó superior era rodada por meio de uma manivela. O grão era esmagado ao cair entre as duas mós. Para se obter uma farinha
bem fina, o grão tinha de ser moído mais de uma vez.
A mó era tão importante para os hebreus que a Lei estatuía: "Não se tomarão em penhor as mós ambas...", pois se penhoraria
assim a vida (Deuteronômio 24:6).

F. Peneira. O produto do moinho era peneirado; o que não passasse na peneira era moído de novo. As peneiras antigas eram
feitas de junco e papiro. Isaías fala das nações sendo peneiradas com a peneira da destruição (Isaías 30:28).

PÃO
"O pão nosso de cada dia dá-nos hoje" (Mateus 6:11). Jesus orou pelo pão, significando o alimento em geral. Mas o pão em si
era um ingrediente da dieta hebréia. O grão ― geralmente o trigo, mas também a cevada ― era moído, peneirado, transformado em
massa, amassado, feito em forma de bolos, depois assado.
Expressões como "pão que penosamente granjeastes" (Salmo 127:2) e "pão da impiedade" (Provérbios 4:17) podem indicar que
essas experiências se tornam parte habitual da vida assim como o pão de cada dia é parte da vida.

A. Pão da proposição. Todos os sábados eram feitos 12 pães não fermentados (representando as 12 tribos de Israel). Eram
colocados em duas pilhas ou fileiras sobre a mesa de ouro do santuário como oferta ao Senhor. Quando o pão velho era retirado, ele
podia ser comido apenas pelos sacerdotes no átrio do santuário (Levítico 24:5-9).

B. Levedura. Jesus emprega o termo levedura (fermento usado no pão para fazê-lo crescer) num sentido figurativo, como ele
faz com muitos termos bem conhecidos do dia-a-dia. Em Mateus 13:33 ele assemelha o reino ao fermento, com seu poder de alterar o
todo.
Talvez estejamos mais familiarizados com o uso deste termo em relação com o pão não levedado. O pão sem fermento era
usado às vezes nas ofertas pacíficas e também durante a semana da páscoa para lembrar aos israelitas seu livramento da servidão egípcia.

C. Obréia ou bolos de mel. Este bolo fino, não levedado, feito de flor de farinha e untado com azeite era usado nas ofertas
(Êxodo 16:31; Números 6:15).

D. Bolos. Estes biscoitos duros ou bolos em pedaços são mencionados em 1 Reis 14:3.

FABRICO DO PÁO
O fabrico do pão geralmente competia às mulheres. Com freqüência se usava o forno; mas às vezes se preparava uma massa
fina num jarro de pedra aquecido que depois era assada. Tipicamente, a massa feita de trigo ou cevada era batida numa gamela; faziam-
se, então, bolos circulares, furados com algum objeto pontiagudo e assados em| um cântaro ou numa tigela. O pão fresco era fabricado
todos os dias. Oséias 7:4, 6 refere-se aos padeiros públicos.

A. O forno. Os fornos dos hebreus eram, provavelmente, de três tipos: (1) O forno de areia, no qual se fazia o fogo sobre areia
limpa e quando a areia estava quente removia-se o fogo. A massa era espalhada sobre a areia quente em camadas finas para assar. (2) O
forno de terra, o "fogareiro de barro" (Levítico 11:35), era um buraco na terra no qual se aqueciam pedras. A massa era espalhada em
camadas finas sobre as pedras depois que o fogo havia sido retirado. (3) Fornos portáteis, mencionados em "cozida no forno" (Levítico
2:4), provavelmente eram feitos de barro. Dentro deles se fazia o fogo.
Quando estavam quentes, espalhavam-se camadas finas de massa sobre as pedras alinhadas no fundo do forno depois de
removidas as cinzas.
Assadeira de pão. Este prato grande, procedente de Laquis (cerca do século quinze a.C) pode ter sido usado para dar forma a bolos ou
pão, ou para cozê-los (cf. Levítico 2:5).

B. Borralho. Abraão disse a Sara que fizesse "pão assado ao borralho" (Gênesis 18:6). Ele se referia a pedras quentes usadas
para assar pão. O borralho podia também significar o combustível nele queimado (Salmo 102:3) ou um forno portátil (Jeremias 36:22-
23).

CARNE E ALIMENTOS AFINS


O consumo de carne é mencionado no concerto que Deus fez com Noé: "Tudo o que se move, e vive, ser-vos-á para alimento"
(Gênesis 9:3). Embora a dieta normal dos hebreus consistisse em vegetais e frutas, eles comiam carne, especialmente nos banquetes e
festas. Surgiu na igreja primitiva um problema quanto ao comer carne oferecida aos ídolos. Paulo, porém, deixou claro que nada é
impuro para os puros (Tito 1:15; cf. 1 Timóteo 4:4).

A. Novilho. Quando o filho pródigo voltou ao lar, o pai matou um novilho cevado para festejar (Lucas 15:23). Na vida dos
hebreus, o novilho era considerado a melhor de todas as carnes e era reservada para as ocasiões mais festivas.

B. Cabrito ou bode. O irmão mais velho do filho pródigo ficou indignado e disse ao pai: "Nunca me deste um cabrito sequer
para alegrar-me com os meus amigos" (Lucas 15:29). O cabrito era a carne mais comum, mais barata, e comida pelos pobres. Era usada
nas ofertas sacrificiais (Números 7:11-87).

C. Aves. Algumas aves eram consideradas impuras para alimento (Deuteronômio 14:20). Mas a perdiz, a codorniz, o ganso e o
pombo podiam ser comidos.

D. Peixes. Um alimento predileto na Palestina era o peixe, apanhado em grandes quantidades no mar da Galiléia e no rio
Jordão.
Depois de sua ressurreição, Jesus preparou uma refeição matinal de peixe e pão num braseiro junto à praia para alguns dos
discípulos (João 21:9-13). De outra feita, quando apareceu aos discípulos após a ressurreição, ele pediu-lhes algo que comer. Lucas diz:
"Então lhe apresentaram um pedaço de peixe assado... E ele comeu na presença deles" (Lucas 24:42-43).
A Lei declarava que todo peixe com barbatanas e escamas era limpo e portanto podia ser comido (Deuteronômio 14:9-10).

E. Ovelha (Cordeiro). Além de seus muitos usos que não o alimento, a ovelha era importante por sua carne, leite e a gordura
da cauda, que às vezes chegava a pesar quase sete quilos. Na celebração da Páscoa matava-se um cordeiro que era comido para
rememorar o livramento da escravidão do Egito.

F. Gordura. A gordura pura de um animal era sacrificada a Deus, visto que era considerada a mais rica ou a melhor parte
(Levítico 3:16). Não podia ser comida em tempos primitivos, mas parece que se ignorava esta lei quando os animais eram mortos para
serem usados apenas como alimento (Deuteronômio 12:15).

CAÇA
Leões, ursos, chacais, raposas, veado, corços e gazelas são mencionados no Antigo Testamento. Alguns desses animais eram
caçados para alimento, sendo apanhados em covas, armadilhas ou redes. Isaque instruiu a Esaú a tomar seu arco e aljava e apanhar
alguma caça para que pudesse comer o alimento apreciado (Gênesis 27:3-4). O sangue desses animais selvagens não era comido.
Embora não fossem usadas como utensílios para comer, segundo as conhecemos, as facas eram necessárias para matar animais
e prepará-los para refeição ou para o sacrifício (Levítico 8:20; Esdras 1:9).

COZINHAR
Cozinhar era serviço da mulher, especialmente nos anos anteriores à conquista de Canaã. Para assar, acendia-se um fogo de
lenha ou usava-se um forno. Para cozer, a carne do animal era cortada em pedaços, colocada numa panela (tacho) com água, e amaciada
(Ezequiel 24:4-5). A carne e o caldo eram servidos separadamente. Os vegetais também eram fervidos.
O tacho era um vasilhame grande de metal usado para ferver a carne (1 Samuel 2:14). Usava-se um garfo de três dentes para
retirar a carne do tacho.

LACTICÍNIOS
"Terra que mana leite e mel" foi prometida aos israelitas (Josué 5:6), e nessa promessa eles divisaram abundância e
prosperidade. Os hebreus bebiam o leite de camelas, ovelhas e cabras. O leite de camela era especialmente rico e forte, mas não era doce.
Por todo o Antigo Testamento encontram-se referências ao leite (cf. Provérbios 27:27; Deuteronômio 32:14).

A. Manteiga. O termo hebreu chemcth traduzido como creme, coalhada, queijo e manteiga Gênesis 18:8, Abraão serviu
coalhada (chemah) visitaram sua tenda. Provérbios 30:33 diz que "o bater do leite produz manteiga". Seja qual for o significado exato da
palavra hebraica, há certo acordo de que os hebreus usavam um tipo manteiga. Provavelmente fosse feita da mesma forma que os árabes
a preparam hoje. Leite aquecido, ao qual se adiciona uma pequena quantia de leite talhado (leben), é despejado num saco de pele de
cabra e agitado até que a manteiga se separe. É escorrido e três dias depois é novamente aquecido. A manteiga assim preparada
conserva-se bem no clima quente da Palestina.
B. Queijo. Com o queijo temos, mais ou menos, o mesmo problema que temos com a manteiga; é difícil saber com
certeza o que os escritores queriam dizer. Veja-se: "Porventura... não me coalhas-te como queijo?" (Jó 20:10); "Porém estes dez queijos
leva-os ao comandante" (1 Samuel 17:18); "também mel, coalhada, ovelhas e queijos de gado... para comerem" (2 Samuel 17:29). Em
cada uma dessas citações, a palavra queijo no original é diferente. É provável que o queijo, nesses três casos, seja leite coalhado.

FRUTAS
Um alimento predileto dos hebreus eram as frutas que cresciam em abundância no clima quente daquela parte do mundo. Os
espias que Moisés enviou a Canaã trouxeram um ramo de videira com um cacho de uvas, tão grande que o transportaram numa vara.
Também trouxeram romãs e figos (Números 13:23). Esses e uma variedade de outros frutos eram apreciados como parte da dieta regular.

A. Uvas. Veja acima a seção sobre "Vinho".

B. Passas. "Cachos de passas" foram trazidos a Davi, "porque havia regozijo em Israel" (1 Crônicas 12:40). As passas eram
uvas secadas nos cachos. Também são mencionadas em 1 Samuel 25:18 e 2 Samuel 16:1.

C. Bolo de passas. Embora garrafas em Isaías 22:24 certamente signifique um tipo de vasilhame, no hebraico é a palavra
usada em 2 Samuel 6:19 com o sentido de "um bolo de passas". Essa palavra provém de ashisha ("prensado"). Os bolos de passas
parecem ser uvas secas ou passas que são prensadas para formar um bolo. Eram usados como sacrifícios aos ídolos (Oséias 3:1) e
apreciados como guloseima.

D. Romã. Esta bela fruta de vermelho-rosado, com suas muitas sementes, cuja abundância era símbolo de fertilidade, predileta
entre os israelitas, cultivada tanto por seu fruto saboroso como por sua beleza. O suco da romã era muitíssimo apreciado (Cantares 8:2).
Era uma das frutas que cresciam na Terra Prometida (Números 13:23).
A orla da sobrepeliz do sumo sacerdote era ornamentada com "romãs de estofo azul, púrpura e carmesim" (Êxodo 28:33).
Duzentas romãs ornamentais decoravam cada uma das colunas (Jaquim e Boaz) no templo de Salomão (2 Crônicas 3:16).
E. Melão. Os israelitas estavam acampados no quente deserto da Arábia tendo somente maná para comer. Queixaram-se aos
ouvidos do Senhor: "Lembramo-nos... dos melões" do Egito (Números 11:5). Esta é a única referência bíblica a melões. É impossível
determinar se se referiam ao melão perfumado ou à melancia, ou a ambos, visto como é possível que ambos crescessem no Egito naquele
tempo. Seja qual for o caso, o melão era refrescante nos dias quentes.

F. Maçã. A maçã ou macieira mencionada na Bíblia é, provavelmente, a cidreira e o seu fruto, embora sejam sugeridos também
o damasco e o marmelo. A Bíblia diz que o fruto desta "macieira" é doce (Cantares 2:3); seu fruto é da cor do ouro (Provérbios 25:11); e
era aromático (Cantares 7:8).
"Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo" (Provérbios 25:11). Literalmente, "Uma palavra
dita com propriedade é como cidras douradas em cestos de prata".

G. Figo. Desde as folhas de figueira que Adão e Eva usaram para cobrir sua nudez (Gênesis 3:7) até à figueira que Jesus
amaldiçoou (Marcos 11:4), os figos são mencionados por toda a Bíblia. Eram um fruto comum na Palestina. As figueiras crescem
isoladas ou em pequenos grupos e suas grandes folhas proporcionam uma deliciosa sombra, (cf. João 1:48). Os figos são comidos frescos
colhidos da árvore, secos, ou prensados em bolos (1 Samuel 25:18).

H. Oliva. "À tarde ela [pomba] voltou a ele; trazia no bico uma folha de oliveira" (Gênesis 8:11). Noé recebeu o símbolo de
paz e abundância e ficou sabendo que as águas tinham minguado. A azeitona, fruto comum na Palestina, parece-se com a ameixa e 1
primeiro é verde, depois fica amarelada, e finalmente preta quando J completamente madura. A árvore assemelha-se a uma macieira e
produz fruto mesmo quando bem velha. Os cachos de flores lembram o lilás.
As azeitonas são derribadas com varas ou sacudidas da árvore e alguns frutos são deixados para os pobres (Deuteronômio
24:20). O fruto era comido ― verde ou maduro ― mas a maior porção da colheita da azeitona era destinada à extração de azeite.
O melhor azeite vem do fruto verde. Em Êxodo 27:20 menciona-se o "azeite puro de oliveira, batido". A primeira extração,
feita mediante agitação em panelas ou cestos, produz o mais fino azeite; a segunda e a terceira extrações são inferiores. O azeite era
usado para a unção, empregado como alimento e na cozinha, e para iluminação. Uma boa árvore produz 60 litros de azeite por ano.
O azeite era extraído em pesadas prensas de pedra chamadas gath-shemen (Getsêmani vem desta palavra; Mateus 26:36).
Miquéias 6:15 fala de pisar a azeitona para extrair o azeite, como se pisa a uva. Outras referências sugerem que se deitava uma grande
mó sobre sua superfície lisa que era premida sobre a superfície superior. Outra pedra era colocada reta sobre esta e passava-se uma viga
através de seu centro. Um cavalo, um boi, ou um homem girava a pedra de cima extraindo-se o azeite pelo peso.
A "oliveira" mencionada em Isaías 41:19 é, certamente, a que produz azeitona. Uma autoridade no assunto sugere que esta se
refere a uma planta oleaginosa, um arbusto que produz azeite de qualidade inferior. Mas a opinião geral é que se trata da oliveira.

VEGETAIS
"Que se nos dêem legumes [vegetais] a comer e água a beber" (Daniel 1:12). Daniel solicitou o alimento simples de seu povo
em vez da dieta rica do rei. "No fim dos dez dias, as suas aparências eram melhores; estavam eles mais robustos do que todos os jovens
que comiam das finas iguarias do rei" (v. 15).
Os vegetais eram o cardápio diário dos israelitas. Mencionam-se hortas em Deuteronômio 11:10 e 1 Reis 21:2.

A. Fava. Favas e outros alimentos foram trazidos a Davi quando ele fugia de Absalão (2 Samuel 17:28). De novo, em Ezequiel
4:9 se descreve um pão feito de trigo, cevada, favas e lentilhas. Fazia-se um caldo adicionando-se favas batidas ao trigo ou ao trigo
triturado. As favas eram temperadas com azeite e alho, fervidas e saboreadas.

B. Lentilha. Esaú vendeu seu direito de primogenitura por um prato de cozinhado de lentilhas (Gênesis 25:29-34). As lentilhas
são semelhantes às ervilhas de horta e as lentilhas vermelhas são consideradas como as melhores. Como no caso das favas, os
pobres às vezes usa lentilhas para fazer pão.

C. Pepino. Quase todos concordam em que pepino é uma tradução das palavras hebraicas shakaph e miqshah (Números 11:5;
Isaías 1:8). Duas espécies de pepino eram cultivadas nos tempos bíblicos ― o pepino longo, que se colhia em julho, e o maxixe, que
entra no mercado em setembro.
Os hebreus lembraram-se dos pepinos e dos melões do Egito quando nada tinham que comer no deserto senão maná (Números
11:5). Um costume interessante entre os hebreus era construir locais de vigia, com folhas, chamados palhoças onde um guarda podia
sentar-se e impedir a entrada de ladrões. Terminada a temporada da colheita, esses locais eram abandonados. Em Isaías 1:8 lemos que
"Sião é deixada como... palhoça no pepinal" ― desolada.

D. Cebola e alho. Esses dois vegetais aromáticos em forma de bulbos, crescem bem nas regiões quentes. Cebolas e alhos eram
parte da lembrança das boas coisas do Egito quando os israelitas se irritaram no deserto. A referência a essas raízes em Números 11:5
sem dúvida significa a cebola e o alho com os quais estavam familiarizados. Sabe-se que ovelhas e camelos dão bem com esses vegetais.

E. Alho porro. O nome "alhos silvestres" aparece somente uma vez em Números 11:5. A mesma palavra original aparece
diversas vezes, mas em todos os outros casos é traduzida de modo diferente. Várias opiniões as identificam como qualquer alimento
vegetal verde, tal como o que os pobres comiam com pão e os ricos usavam para fazer molho de carne, como o alho porro atual.
Provavelmente seja uma espécie de loto, cuja raiz era fervida e comida com condimento.

F. Cozinhado. O cozinhado ou guisado de Jacó é famoso (Gênesis 25:29-34). O cozinhado era uma sopa feita de lentilhas e
temperado com azeite e alho.
Outra história interessante sobre cozinhado encontra-se em 2 Reis 4:38-41. Neste tipo de cozinhado foram usados outros ingredientes.

G. Ervas amargas. Este prato parecido com salada fazia parte da festa da páscoa. Era usado para lembrar aos hebreus a
tristeza por que haviam passado no Egito (Êxodo 12:8; Números 9:11). Os vegetais incluídos nas ervas poderiam ter sido rábano-rústico,
alface, escarola, salsa, e agrião.

NOZES
Jacó enviou nozes como presente a José no Egito (Gênesis 43:11). É provável que as nozes não crescessem naquele país. Em
Cantares 6.11 fala-se de um pomar de nogueiras.

A. Amêndoa. Esta árvore que floresce cedo é chamada shaked na língua hebraica, que significa "vigiar, vigilante". Devido à
sua florada cedo, o símbolo da amendoeira é usado em Eclesiastes 12:5 para representar o rápido envelhecimento da humanidade.
Jeremias também emprega a amendoeira para expressar a ação rápida da palavra de Deus (Jeremias 1:11-12).
A vara de Arão brotou, floresceu, e produziu amêndoas no tabernáculo. Por meio deste milagre o povo entendeu que a casa de
Levi, representada por Arão, foi declarada a tribo sacerdotal (Números 17:1-9).
Há dois tipos de amêndoas. A amarga é conhecida por seu óleo; a doce é usada para sobremesas.

B. Pistácia. A Bíblia diz que Jacó também enviou nozes de pistácia a José no Egito (Gênesis 43:11). Esta é a única vez que são
mencionadas na Bíblia. São usadas em confeitaria.

Banquete assírio. Servido por criados e músicos, o rei Assurbanípal e a rainha festejam no jardim neste relevo de seu palácio (cerca do
século sexto a.C). Como os assírios, os antigos hebreus freqüentemente celebravam acontecimentos religiosos e sociais com festas,
acompanhados por música e dança.

Árabes comendo. O partir do pão juntos era a expressão básica da hospitalidade no antigo Oriente Próximo, como o é ainda hoje.
Alguns eruditos crêem que os hebreus comiam duas vezes por dia ― uma refeição leve pela manhã e uma mais pesada no frescor da
tarde. Nos tempos antigos, as refeições eram servidas em tapetes no chão, como se vê aqui. Usavam-se divas na época dos romanos.

MEL
A lei do Senhor é "mais doce do que o mel e o destilar dos favos" (Salmo 19:10). As referências a esta delícia correm através da
Bíblia desde Gênesis até Apocalipse. Os israelitas foram conduzidos a uma terra que mana leite e mel (Êxodo 3:8); pelo menos 20
referências na Bíblia têm quase a mesma descrição. O mel não podia ser oferecido sobre o altar do Senhor (Levítico 2:11), talvez porque
certas nações pagas praticavam tal costume.
Jeroboão, quando seu filho caiu enfermo, mandou a esposa ao profeta Aías com "uma botija de mel" (1 Reis 14:3). João Batista
alimentava-se de "gafanhotos e mel silvestre" (Mateus 3:4).
A palavra mel, em algumas referências, pode significar o xarope de tâmaras ou de uvas (hebraico, dibs). A frase "chupar mel da
rocha" (Deuteronômio 32:13) provém do fato que as abelhas, às vezes, depositam o mel nas rochas e o cobrem com cera.

MANÁ
Os filhos de Israel, depois que deixaram o Egito, chegaram ao deserto de Sim, que fica entre Elim e o Sinai. Começaram a
queixar-se de Moisés e Arão: "Quem nos dera tivéssemos morrido... na terra do Egito... pois nos trouxestes... para ma tardes de fome a
toda esta multidão." O Senhor ouviu a queixa do povo e disse: "Eis que vos farei chover do céu pão, e o povo sairá, e colherá diariamente
a porção para cada dia." No sexto dia deviam colher uma porção extra para o sábado. O maná não caía no sábado. O Senhor continuou a
prover o pão milagroso todas as manhãs, exceto no sábado, durante quarenta anos, até que os israelitas entraram na terra de Canaã
(Êxodo 16).
Algumas autoridades tentam dar explicações naturais para o maná, a mais comum das quais tem que ver com a tamarga. Esta
árvore presentemente é encontrada na península do Sinai. Uma seiva semelhante à sacarina e que parece com a descrição do maná
fornecido aos israelitas goteja dela em certas estações do ano. Êxodo 16:14 diz que restava "uma coisa fina e semelhante a escamas, fina
como a geada sobre a terra" (v. 14). "Era como semente de coentro, branco, e de sabor como bolos de mel" (Êxodo 16:31).

A páscoa tradicional
O ritual da páscoa situa-se no centro do culto judaico. Cada elemento da Pesach (Hebraico, "passagem") destinava-se a
comemorar a histórica passagem dos judeus da escravidão para uma nação governada por Deus.
A páscoa é uma celebração de sete dias na qual a festa principal ocorre na primeira noite. A refeição seder (hebraico, "serviço")
com seu ritual acompanhante relembra a última refeição que os judeus tomaram no Egito antes de iniciarem a viagem para a Terra
Prometida. Ordena-se aos judeus que se lembrem da história de seu cativeiro e do livramento na noite do Seder: "Naquele mesmo dia
contarás a teu filho, dizendo: É isto pelo que o Senhor me fez, quando saí do Egito" (Êxodo 13:8).
Dos muitos ingredientes tradicionais do Seder, os mais importantes são aqueles que Deus especificou para a última refeição no
Egito: "O cordeiro será sem defeito, macho de um ano" (Êxodo 12:5). Os cordeiros deviam ser assados, não cozidos. Lembra-se aos
participantes do Seder que o sangue do cordeiro devia ser passado nas ombreiras da porta das casas para proteger os judeus da praga que
feriu os incrédulos na noite da primeira páscoa.
O cordeiro pascoal devia ser comido com ervas amargas, conforme ordenado em Êxodo. Nos tempos do Antigo Testamento,
usava-se a alface amarga, a chicória, ou a escarola; hoje as famílias judias mais provavelmente usem rábano-rústico ou cebola ralados.
Essas ervas simbolizam a amargura do cativeiro egípcio.
Visto como o primeiro Seder foi comido enquanto os judeus se preparavam para a fuga, o tema da pressa está entretecido na
festa. O pão não levedado de uma textura semelhante à bolacha, tal como matzos, era mais conveniente para um povo em fuga do que os
pães levedados, que precisavam de amassar e crescer.
Cada participante do Seder toma um copo de vinho. O anfitrião reclina-se sobre almofadas, lembrando o antigo modo de
comer. Na frente dele é colocado o prato do Seder com os tradicionais alimentos simbólicos: Três obréias de pão matzo embrulhadas num
guardanapo, as ervas amargas, o haroset ou polpa de fruta, o cordeiro assado, o ovo cozido, os vegetais doces, e um prato de água
salgada para lavar as mãos.
A parte mais bem conhecida do ritual do Seder são, provavelmente, as "Quatro perguntas". O filho mais novo da família faz
perguntas sobre o Seder, começando com as palavras: "Por que esta noite de Páscoa é diferente de todas as outras noites do ano?"
Pergunta sobre o uso do pão não levedado, das ervas amargas, da imersão dos vegetais, e das almofadas na cadeira do anfitrião. Ele
responde recitando a história da passagem de Israel do cativeiro para a liberdade.
Embora a preparação para o Seder demande muita paciência, nenhum dos alimentos tradicionais apresenta quaisquer
dificuldades. O haroset é o único que requer uma receita especial, e há muitas versões disponíveis. Na realidade, o fato importante acerca
do haroset é sua textura (que se assemelha à argamassa) mais do que seus ingredientes. Um haroset simples podia incluir maçãs raladas,
nozes em fatias, açúcar, cinamomo e vinho vermelho doce. Esses ingredientes são amassados juntos até que alcancem certa consistência.
Pode-se adicionar matzo, substituir outros frutos ou nozes, e o açúcar e a canela são adicionados ao sabor individual.

Algumas autoridades no assunto acreditam que a seiva da tamarga é a mesma que o maná original. Outros contestam esta
conclusão pelos seguintes motivos: (1) O maná original durou 40 anos continuamente; o maná da tamarga é imprevisível e sasonal. (2) A
quantidade produzida pelo maná da tamarga não daria para alimentar de três a quatro milhões de pessoas diariamente. (3) O maná
original caía do céu; o maná da tamarga caía dos rebentos da árvore. (4) O maná original não podia ser guardado por mais de um dia; o
maná da tamarga dura meses. (5) O maná original podia ser cozido, moído, pisado e transformado em bolos; o maná da tamarga não pode
ser usado assim. (6) Os nutrientes diferiam ― o original sustentou uma nação durante 40 anos; a tamarga é apenas uma substância
sacarina.

Hospitalidade. Deus disse aos israelitas que fossem hospitaleiros (Levítico 19:34). Isto significava que deviam oferecer alimento, abrigo
e vestimenta aos viajantes que passassem por suas terras. Um importante costume hebreu era a lavagem dos pés dos hóspedes, gesto de
boas-vindas numa região poeirenta, em que as estradas muitas vezes tornavam a viagem a pé uma experiência dolorosa.
8. VESTUÁRIO E COSMÉTICOS

O modo de vestir-se dos israelitas mudou aos poucos no decorrer dos séculos. Notemos a evolução de cinco artigos básicos de
vestuário.
Deus fez vestimentas para Adão e Eva. "Fez o Senhor Deus vestimenta de peles para Adão e sua mulher, e os vestiu" (Gênesis
3:21). Esta vestimenta (Hebraico, kethon) era uma camisa simples feita de pele de animal. Mais tarde, os hebreus começaram a fazer
camisas de linho ou de seda (para pessoas importantes). Assim, lemos que José usava "uma túnica talar de mangas compridas" (Gênesis
37:3), que a ERC traduz como "túnica de várias cores".
Embora o kethon tenha permanecido como costume do povo comum, outra forma de vestido chamada simlah entrou em moda.
Sem e Jafé tomaram esta vestimenta para cobrir a nudez de seu pai (Gênesis 9:23). A princípio, os israelitas faziam a simlah de lã, porém
mais tarde usava-se pêlo de camelo. Tratava-se de uma vestimenta exterior semelhante a um lençol grande com um capuz, e os judeus a
usavam como roupa de frio. Os pobres a usavam como vestido básico de dia e como capa de noite (Êxodo 22:26-27).
Em casa, em ocasiões especiais, os israelitas usavam o beged. Isaque e Rebeca vestiram seu filho Jacó com esta roupa, que eles
consideravam a melhor (Gênesis 27:15). Os israelitas consideravam o beged um distintivo de dignidade do usuário, e era usado por
membros distintos de famílias importantes. Depois de instituídos os rituais do templo, os sacerdotes passaram a usar o beged.
O quarto artigo de vestuário, o lebhosh (que significa "vestir"), era de uso geral. Contudo, com o tempo tornou-se uma
vestimenta exterior tanto para os ricos como para os pobres. Assim, diz a Bíblia que Mordecai usava um lebhosh de pano de saco (Ester
4:2), enquanto um lebhosh mais requintado podia servir de "veste real" (Ester 8:15). O Salmista referiu-se a esta vestimenta quando
escreveu: "Repartem entre si as minhas vestes, e sobre a minha túnica deitam sortes" (Salmo 22:18).
Finalmente, a addereth era usada para indicar que o usuário era uma pessoa de importância (Josué 7:21). Esta vestimenta era
também um tipo de capa ou abrigo exterior. Tal capa ainda é usada hoje por muitos na Palestina, sem levar em conta sua posição social.
Esses exemplos demonstram como mudou o uso de certas vestimentas à medida que mudou a sociedade judaica. E a
manufatura dessas vestes mostra a disponibilidade de diferentes materiais têxteis em cada época da história.
Este artigo analisará quatro diferentes aspectos do vestuário dos tempos bíblicos ― o tecido, o vestuário masculino, o vestuário
feminino, e o vestuário dos sacerdotes. Notaremos também o uso que a gente do Oriente Próximo fazia de jóias e cosméticos.

TIPOS DE TECIDOS
Gênesis 3:7 diz que Adão e Eva perceberam que estavam nus e coseram folhas de figueira e fizeram "cintas" ou "aventais"
(hebraico, hagor). Então o Criador fez para Adão e Eva vestes de peles, antes de expulsá-los do jardim do Éden (Gênesis 3:21). Mais
tarde, entraram em uso vários tecidos para roupas.

A. Linho. O linho, feito da planta do mesmo nome, e cultivada especialmente para esse fim, era um dos mais importantes
tecidos para os israelitas. Antes de os israelitas conquistarem o país, os cananeus já o usavam (Josué 2:6).
O linho era um tecido versátil, podendo ser grosseiro e espesso, ou muito fino e delicado. O linho fino e quase transparente dos
egípcios gozava de alta reputação. Também faziam eles linho grosseiro, tão pesado que podia ser usado para tapetes ou para cobrir o
chão.
Os tecidos de linho fino eram usados pelos que desfrutavam de posições sociais elevadas ou de riqueza (cf. Lucas 16:19), e os
tecidos grosseiros eram usados pela gente comum. Os egípcios vestiram José com linho fino quando o fizeram seu governador (Gênesis
41:42).
As cortinas, o véu e os reposteiros do tabernáculo hebreu eram feitos de linho fino (Êxodo 26:1, 31, 36), como o eram as
cortinas e reposteiros da porta do átrio e do próprio átrio (Êxodo 27:9; 16, 18). A estola e o peitoral do sumo sacerdote continham linho
fino (Êxodo 28:6, 15). A túnica, o cinto e os calções que todos os sacerdotes usavam também eram feitos de linho branco de fina
qualidade (Êxodo 28:39; 39:27-28).
O material mais usado para as vestes interiores, ou roupa de baixo, dos judeus era o linho. As vestes sepulcrais de Jesus eram
feitas deste tecido. Diz a Bíblia que José de Arimatéia "baixando o corpo da cruz envolveu-o em um lençol [de linho fino] que comprara
(Mc 15:46). O linho branco fino também era símbolo de pureza moral (Apocalipse 15:6).

B. Lã. Os judeus usavam a lã de ovelha como o principal material para roupas. Os mercadores da cidade de Damasco, na
Síria, encontraram na cidade portuária de Tiro um mercado pronto para sua fina lã (Ezequiel 27:15). A lã é um dos mais antigos materiais
usados para roupa tecida.
A lei de Deus não permitia que os israelitas fizessem vestimentas de uma mistura de lã e linho (Deuteronômio 22:11). Esta lei
tinha diversos outros preceitos correspondentes ― tais como não semear semente de duas espécies num mesmo campo, ou não arar com
junta de boi e jumento (Levítico 19:19). Talvez essas leis expressassem simbolicamente a idéia de separação e simplicidade que
caracterizavam o antigo povo de Deus. Por outro lado, as vestes do sumo sacerdote eram feitas de tal mistura. Portanto, a mistura pode
ter sido considerada santa e imprópria para a vestimenta comum.
A lã continuou sendo um dos principais materiais têxteis. Na verdade, a economia das terras bíblicas dependia grandemente
dela.

C. Seda. Ezequiel 16:10, 13 descreve a seda como um tecido de grande valor. As palavras hebraicas para este pano eram sheshí
e meshí. Alguns eruditos pensam que o termo encontrado em Provérbios 31:22 (sheshí) refira-se ao linho fino. Não sabemos se os
egípcios usavam seda, mas os chineses e outros asiáticos a usavam nos tempos do Antigo Testamento. Certamente a seda chegou às terras
bíblicas após a conquista de Alexandre, o Grande (cerca de 325 a. C). Mas pode ter chegado à Palestina mais cedo, visto que Salomão
comerciava com os países vizinhos, possíveis produtores deste tecido.
A fina qualidade e a cor viva dos tecidos aumentavam-lhes o valor, de modo que a seda mantinha uma importante posição no
mundo antigo. Os amantes do luxo da "Babilônia" (Roma?) do Novo Testamento prezavam muito a seda (Apocalipse 18:12). Em data
tardia como o ano 275 de nossa era, os artigos de seda pura valiam o seu peso em ouro.

D. Pano de saco. Os israelitas usavam pano de saco como ritual de arrependimento, ou como sinal de luto. A cor escura e o
tecido grosseiro deste material de pêlo de cabra tornava-o ideal para esse uso. Quando os irmãos de José o venderam aos ismaelitas, Jacó
vestiu-se de pano de saco para chorar a perda do filho (Gênesis 37:34). Em tempos de extrema tristeza, os israelitas usavam este material
rústico pegado à pele, como o fez Jó (Jó 16:15).
O Novo Testamento também associava o pano de saco com o arrependimento, conforme encontramos em Mateus 11:21:
"Porque se em Tiro e em Sidom se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido com
pano de saco e cinza." O israelita entristecido vestia-se com pano de saco e colocava cinzas sobre a cabeça, e depois se assentava nas
cinzas. Nosso moderno costume ocidental de usar cores escuras nos funerais corresponde ao uso do pano de saco dos israelitas.
O pano de saco também era usado para fazer sacos para cereais (Gênesis 42:25; Josué 9:4)

E. Algodão. Não sabemos se os israelitas faziam roupas de algodão. A palavra hebraica pishtah significava um tipo de material
de origem vegetal, em contraposição ao material de origem animal como a lã. O termo pode referir-se à planta do linho, ou ao algodoeiro.
Embora a palavra hebraica karpas geralmente fosse traduzida por cor (Ester 1:6; 8:15), é possível que se refira ao algodão.
Tanto a Síria como a Palestina cultivam algodão hoje; mas não se sabe se os hebreus, antes de entrarem em contato com a Pérsia, o
conheciam.

Vestuário e clima
O clima é um fator principal na determinação do vestuário de um povo. Pode-se ver isto comparando-se a roupa dos antigos
hebreus com a dos povos que viviam em diferentes zonas climáticas.
Os egípcios do vale do Nilo rapavam a cabeça e o corpo para mantê-los frescos e limpos, e desenvolveram o tecido de linho ―
praticamente o mais leve dos materiais de vestuário ― para compensar os efeitos do sol escaldante de sua região. Os trabalhadores
egípcios usavam um simples pano nos lombos; em tempos primitivos, esta veste era também aceita para os homens em geral. No tempo
do rei Tutankâmen (décimo-quarto século a.C), o pano de lombo passou a ser uma veste mais comprida, muito semelhante a um avental.
As túnicas ou capas leves eram usadas sobre os ombros. As mulheres usavam uma vestimenta comprida, solta, que ia de baixo dos braços
até ao tornozelo, e era presa nos ombros por uma ou duas tiras. A única vestimenta egípcia com mangas era o kalasiris, um retângulo de
linho com mangas separadas.
Os egípcios preferiam o linho mais puro. Para calçado eles usavam couro ou sandálias de junco. A proteção da cabeça consistia
em chapéus cênicos para os homens e turbantes para as mulheres. Muitos egípcios usavam leques, muito úteis na região quente em que
viviam, além de serem decorativos.
Contraste-se a vestimenta dos antigos egípcios com a dos celtas, povo bárbaro que viveu no norte dos Alpes, no mínimo, por volta do
sexto século a.C. Os celtas eram altos, musculosos, gente de pele dará que vivia e trabalhava num clima severo o frio. Sua economia
básica era a lavoura. Criavam gado, cultivavam cereais, e engajavam-se em outras atividades agrícolas ― em climas consideravelmente
mais frios do que o dei Egito.
Dependendo do clima da região, os celtas usavam roupa de baixo grossa e um tipo de meia ou perneira. Os homens das tribos
cisalpinas por volta do terceiro século a.C. já usavam calças. Nesse tempo, os celtas também usavam túnicas cinturadas ou camisas com
uma capa. Eles enrolavam pano nos pés. As mulheres celtas usavam uma única vestimenta comprida com uma capa.
Os celtas preferiam linhos grosseiros e lã para proteger-se do frio. Suas vestimentas eram coloridas, num variegado espectro que ia desde
os tons mais escuros até os matizes do sol e brancos. Os egípcios, por outro lado, preferiam o branco; suas únicas cores alternativas eram
azul, amarelo e verde claros.
Esses extremos nos estilos de vestir-se ― desde panos para os lombos, feitos de linho, no Egito, até às vestes grosseiras no
norte da Europa ― ressaltam o papel que o clima desempenha na determinação do tipo de vestimentas de diferentes povos.
MANUFATURA DE TECIDOS
As mulheres judias faziam roupas por necessidade. A preparação dos tecidos e a fabricação de roupas eram considerados
deveres femininos. Havia diversos processos de manufatura de tecidos.

A. Fiação de roca. As mulheres judias usavam a fiação da roca para fazer pano, visto como a roda de fiar era desconhecida
naquele tempo. Elas colocavam a lã ou o linho na roca (uma vi semelhante), e então usavam um fuso para torcer as fibras em fios. A
Bíblia menciona esta arte em Êxodo 35:25-26 e Provérbios 31:19

B. Tecelagem. Depois que as mulheres transformavam as matérias-primas em fio, usavam-no para tecer o pano. Chamamos de
urdidum aos fios no sentido de seu comprimento, e de trama aos fios em sentido transversal do tear. As mulheres fixavam a trama numa
lançadeira, instrumento que segurava o fio de sorte que ele pudesse passar por cima e por baixo dos fios da urdidura. A Bíblia não
descreve especificamente o uso da lançadeira, mas está implícito em Jó 7:6. A urdidura era fixada a um pino de madeira no topo ou parte
de baixo do tear, e o tecelão ficava de pé enquanto trabalhava. (A Bíblia não menciona o tear propriamente dito, apenas o pino ao qual se
prendia a urdidura ― Juizes 16:14). Por este método podia-se produzir tecido de várias texturas.
Provavelmente os israelitas estavam familiarizados com a tecelagem bem antes do tempo de sua escravidão no Egito. Mas aqui
eles aperfeiçoaram a arte a tal ponto que puderam fabricar as cortinas do templo mencionadas em Êxodo 35:35.
Os israelitas fabricaram vários tipos de tecidos nos anos de sua peregrinação pelo deserto. Tais tecidos incluíam vestimentas de
lã (Levítico 13:48), linho retorcido (Êxodo 26:1), e as vestes bordadas dos sacerdotes (Êxodo 28:4, 39).

C. Curtimento. O curtimento era um processo de que dispunham os povos dos tempos bíblicos para secar peles de animais,
preparando-as para uso. Empregavam cal, sumo de algumas plantas, e folhas ou casca de determinadas árvores para curtir as peles.
Os judeus consideravam desonroso o ofício de curtidor. Pedro desafiou este preconceito hospedando-se em casa de Simão, um
curtidor, em Jope (Atos 9:43). Os curtidores judeus geralmente eram obrigados a exercer seu ofício fora da cidade.

D. Bordado. Os hebreus faziam lindos trabalhos de agulha. O termo bordador (hebraico shâbâts e râqam) aparece em Êxodo
28:39; 35:35; 38:23. A "obra de artista" (hebraico, châshab) mencionada em Êxodo 26:1 pode ter sido mais semelhante à decoração do
que trabalho de agulha. Contudo, nenhuma dessas duas atividades se encaixaria à nossa moderna noção de decoração.
O bordador ou decorador tecia o pano com uma variedade de cores e depois aplicava sobre ele um desenho. Assim, a parte
decorada do pano ficava de um lado do tecido. Em contraste, a "obra de artista" era feita tecendo-se fio de ouro ou figuras diretamente no
tecido. Os judeus faziam este tipo sofisticado de decoração somente nas vestes usadas pelos sacerdotes.

E. Tintura. Os israelitas estavam familiarizados com a tintura na época de sua saída do Egito (cf. Êxodo 26:1,14; 35:25). O
processo de tingir está descrito em pormenores nos monumentos egípcios; contudo, a Bíblia não apresenta relato preciso de como os
hebreus tingiam seus tecidos.
Com algumas exceções, o algodão e o linho eram usados sem tingir. O algodão podia ser tinto de azul anil, mas o linho era
mais difícil de tingir. De quando em quando fios azuis decoravam o que fora pano simples. Quando a Bíblia menciona a cor de um
tecido que não o azul, isso quer dizer que se tratava de lã.
As cores naturais que os judeus usavam para tingir eram branco, preto, vermelho, amarelo e verde. O vermelho era uma cor
muito popular do vestuário hebreu.
A púrpura, tão famosa no antigo Oriente Próximo, vinha de uma espécie de marisco do mar Mediterrâneo. Os hebreus tinham
em alta conta os artigos de púrpura, mas empregavam o termo livremente para referir-se a toda cor de tom avermelhado. O Novo
Testamento diz-nos que Lídia, da cidade de Tiatira, era "vendedora de púrpura" (Atos 16:14). Tiatira era famosa por seus tintureiros, daí
supormos que Lídia negociava com tecido de púrpura e talvez fizesse seu próprio tingimento.

O CUIDADO DOS TECIDOS


Os tecidos eram lavados por lavandeiros nos tempos bíblicos. O lavandeiro profissional limpava as vestimentas pisando nelas
ou batendo-as com um pedaço de pau numa tina de potassa usados j como agentes de limpeza. Usavam-se também outras substâncias
para limpar, tais como álcali e greda. Para branquear as vestimentas, os lavandeiros empregavam a "terra de lavandeiro".
O trabalho do lavandeiro criava um cheiro desagradável, por isso era feito fora da cidade. Os lavandeiros lavavam e secavam as
roupas num lugar chamado "campo do lavandeiro", no lado norte da cidade de Jerusalém. Seu abastecimento de água vinha do açude
superior de Giom, na parte norte da cidade. A Bíblia diz que o rei da Assíria enviou soldados contra Jerusalém, partindo desta direção (2
Reis ; 18:17). É interessante notar que o campo do lavandeiro estava tão próximo dos muros da cidade que os embaixadores assírios no
campo podiam ser ouvidos das muralhas.

VESTUÁRIO MASCULINO
Os israelitas quase não receberam influências das vestes dos países vizinhos, visto que suas viagens eram limitadas. As modas
dos homens israelitas permaneceram quase inalteradas, geração após geração.
A. Roupa de uso geral. Comumente, os homens judeus usavam uma veste interior, uma exterior, um cinto e sandálias. Os
árabes atuais usam as mesmas vestes flutuantes e fazem a mesma distinção entre vestimentas "interiores" e "exteriores" ― sendo as
vestimentas interiores de material leve e as exteriores de material pesado e quente. Os árabes modernos fazem uma visível distinção entre
a roupa dos ricos e a dos pobres, sendo que os ricos usam materiais mais finos.

1. Vestimenta interior. A "vestimenta interior" do homem israelita assemelhava-se a uma camisa justa, apertada. A palavra
hebraica mais comum para esta vestimenta (kethoneth) é traduzida variadamente como capa, manto, túnica e vestimenta. Era feita de lã,
de linho ou de algodão. As mais primitivas dessas vestes eram feitas sem mangas e chegavam apenas até aos joelhos. Mais tarde, a
vestimenta interior estendeu-se até aos pulsos e os tornozelos.
Dizia-se estar nu o homem que usava apenas esta vestimenta interior (1 Samuel 19:24; Isaías 20:2-4). O Novo Testamento
provavelmente se refere a esta vestimenta quando diz que Pedro "cingiu-se com sua veste porque se havia despido, e lançou-se ao mar"
(João 21:7).

2. Cinto. O cinto do homem era uma cinta ou faixa de pano, de corda, ou de couro, com 10 cm de largura, ou mais. Um
prendedor permitia-lhe ser afrouxado ou apertado. Os judeus usavam o cinto de duas maneiras: como um laço em torno da cintura da
vestimenta interior ou ao redor da vestimenta exterior. Quando usado em torno da vestimenta interior, muitas vezes era chamado de pano
do lombo ou pano da cintura. O uso do cinto realçava a aparência da pessoa e impedia que os mantos longos e flutuantes interferissem
no trabalho diário e nos movimentos. A expressão bíblica "cingir os lombos" significava colocar o cinto; queria dizer que a pessoa estava
pronta para o serviço (1 Pedro 1:13). Por outro lado, "desatar o cinto" significava que a pessoa era preguiçosa ou estava descansando
(Isaías 5:27).

3. Vestimenta exterior. Os homens hebreus usavam uma "vestimenta exterior" que consistia numa faixa de pano quadrada ou
oblonga, de 2 a 3 metros de largura. Esta vestimenta (me'yil) era chamada de capa, manto, túnica e vestimenta. Era enrolada no corpo
como uma coberta protetora, com dois cantos do material na frente. A vestimenta exterior unia-se ao corpo com um cinto. Às vezes os
israelitas decoravam o cinto desta vestimenta exterior com ricos e belos ornamentos de metal, pedras preciosas, ou bordados. O pobre
usava esta vestimenta exterior como roupa de cama (Êxodo 22:26-27), O rico muitas vezes tinha uma vestimenta exterior de linho
finamente tecido, e o pobre uma vestimenta grosseiramente tecida de pêlo de cabra.
Os homens judeus usavam franjas com fitas azuis na "borda" (orla) desta vestimenta exterior (Números 15:38). As franjas
lembravam-lhes a constante presença dos mandamentos do Senhor. Jesus referiu-se a essas franjas em Mateus 23:5; evidentemente, os
escribas e fariseus alargavam muito estas franjas para que as pessoas pudessem ver quão fiéis eles eram em cumprir os mandamentos do
Senhor.
Muitas vezes os hebreus rasgavam a veste exterior em tempos de pesar (Esdras 9:3, 5; Jó 1:20; 2:12).
O número de mantos de uma pessoa era medida da riqueza no Oriente Próximo (cf. Tiago 5:2). Conseqüentemente, um grande
guarda-roupa indicava uma pessoa rica e poderosa, e a falta de vestuário mostrava pobreza. Nesta conexão, observe Isaías 3:6-7.

4. Bolsa. A bolsa do homem era realmente formada pelo cinto, com dupla costura e presa com uma fivela. A outra extremidade
do cinto era enrolada no corpo e depois enfiada na primeira seção, que abria e fechava com uma correia de couro. O conteúdo da bolsa
era colocado debaixo da correia. O cinto de Mateus 10:9 e o alforje de Marcos 6:8 referem-se a este tipo de bolsa. Parece que os judeus
também usavam um tipo de bolsa separada do cinto (Lucas 10:4).
Os homens judeus usavam também uma sacola, que pode ter sido semelhante à nossa bolsa moderna. Os pastores levavam o
alimento e outras utilidades neste tipo de saco. Parece que a sacola era usada sobre o ombro. Foi numa sacola dessas que Davi levou as
cinco pedras para matar o gigante Golias (1 Samuel 17:40). É provável que o alforje mencionado no Novo Testamento, levado por
pastores e viajantes, fosse feito de peles (Marcos 6:8).

5. Sandálias. O termo sandálias é usado apenas duas vezes na Bíblia. Em sua mais simples forma, a sandália era um solado de
madeira preso com correias ou tiras de couro. Os discípulos de Jesus usavam este tipo de sandálias (Marcos 6:9). Quando um anjo
apareceu a Pedro na prisão, ordenou-lhe que calçasse as sandálias (Atos 12:8). Todas as classes de pessoas na Palestina usavam sandálias
― mesmo os mais pobres. Na Assíria, as sandálias cobriam também o calcanhar e o lado do pé. A sandália e a correia eram tão comuns
que simbolizavam a coisa mais insignificante, como em Gênesis 14:23.
Sandálias. A maioria das pessoas nas terras antigas andavam descalças ou usavam sandálias. Os pobres não podiam dar-se o luxo de usar
sapatos, visto que estes eram feitos de couro macio, que era escasso. As sandálias eram de couro duro. Alguns pensam que os israelitas
faziam as solas de madeira, de cana ou junco, ou de casca de palmeira, pregando-lhes correias de couro. Os arqueólogos têm encontrado
grande variedade de sandálias. As desta foto são da Bretanha durante o tempo da ocupação romana; observe os cravos na segunda
sandália a partir da esquerda.

Os judeus não usavam as sandálias dentro de casa (Lucas 7:38); retiravam-nas ao entrar na casa, e lavar os pés. A retirada das
sandálias era também sinal de reverência; quando Deus falou com Moisés da sarça ardente, disse-lhe que tirasse as sandálias dos pés
(Êxodo 3:5).
Os judeus consideravam carregar ou desatar as sandálias de outra pessoa como uma tarefa muito humilde. Quando João Batista
falou da vinda de Cristo, disse: "O qual vem após mim, do qual não sou digno de desatar-lhe as correias das sandálias" (João 1:27).
Andar sem sandálias era indício de pobreza (Lucas 15:22) ou sinal de luto (2 Samuel 15:30; Isaías 20:2-4; Ezequiel 24:17, 23).

B. Vestes para ocasiões especiais. Os judeus ricos possuíam diversos conjuntos de vestuário; cada conjunto compunha-se de
uma vestimenta interior e uma exterior. Alguns desses conjuntos de vestuário eram feitos de tecido muito fino e eram usados sobre
vestimentas de várias cores (Isaías 3:22).

1. Mantos de honra. Amiúde, um homem ao ser empossado numa posição de honra ou de importância recebia um manto
especial. José recebeu um manto assim quando foi colocado em posição de liderança no Egito (Gênesis 41:42). Por outro lado, a retirada
de um manto indicava que o homem estava sendo demitido de seu ofício. Um manto de fina qualidade era sinal de honra especial na
família (Lucas 15:22).

2. Vestes núpciais. Nas grandes ocasiões, o hospedeiro dava vestes especiais a seus convidados. Nos casamentos judeus, por
exemplo, o hospedeiro fornecia vestes núciais a todos 08 convidados (Mateus 22:11). Às vezes, os nubentes usavam coroas (Ezequiel
16:12).
3. Vestimentas de luto. Veja acima a seção sobre "pano de saco".
4. Roupas de inverno. No inverno, os povos das terras bíblicas usavam peles ou couro para fazer vestidos. Este tipo de
vestuário de inverno pode estar indicado em 2 Reis 2:8 e Zacarias 13:4. As peles de gado comum eram usadas pelas pessoas paupérrimas
(Hebreus 11:37), mas alguns mantos de pele eram muito caros e faziam parte do guarda-roupa real.
Vestir-se de ovelha (pele de ovelha) sugeria inocência e brandura; porém Mateus 7:15 fala de tal veste como símbolo do
disfarce de falsos profetas, que levavam o povo para o caminho errado.
C. Ornamentos. Os judeus varões usavam braceletes, anéis, correntes e colares de vários tipos. No Oriente Próximo, ambos
os sexos usavam cadeias de ouro como ornamento e símbolo de dignidade. Os oficiais do governo colocaram tais cadeias em José e em
Daniel como símbolo de soberania (Gênesis 41:42; Daniel 5:29). Os judeus homens tinham uma paixão por melhorar sua aparência
pessoal, e amiúde usavam jóias para este fim. É provável que a arte de joalheria tenha-se desenvolvido num período bem primitivo
(Números 31:50; Oséias 2:13).

1. Anéis. O judeu usava o anel como selo e símbolo de sua autoridade (Gênesis 41:42; Daniel 6:17). Com o sinete ele
estampava seu selo pessoal nos documentos oficiais. Podia ser usado num cordão em torno do pescoço ou no dedo. Os homens também
usavam anéis ou faixas nos braços (cf. 2 Samuel 1:10).
Nada menos que dez anéis foram encontrados numa das mãos de uma múmia egípcia, indicando que o mercado de jóias era
muito ativo. Nas batalhas, os soldados tiravam braceletes e argolas usadas nos tornozelos dos inimigos e os levavam como despojos.
Depois de matar a Saul, o amalequita trouxe a Davi o bracelete de Saul como prova de sua morte (2 Samuel 1:10).

2. Amuletos. Nas nações supersticiosas do Oriente Próximo muitas pessoas temiam espíritos imaginários. Para proteger-se,
usavam encantamentos mágicos. Os amuletos mencionados na Bíblia eram brincos usados pelas mulheres (Gênesis 35:4; Juizes 2:13;
8:24), ou pingentes nas cadeias usadas pelos homens. O amuleto continha palavras sagradas ou a figura de um deus. Noutra forma de
amuleto, as palavras eram escritas num papiro ou pergaminho fortemente apertado e costurado nele com linho.

3. Filactérios. Para contrapor-se à prática idólatra de usar amuletos, os varões hebreus começaram a usar filactérios. Havia dois
tipos de filactérios: um usado entre as sobrancelhas, e outro no braço esquerdo. O que se usava na testa chamava-se frontal. Tinha quatro
compartimentos, cada um dos quais continha um pedaço de pergaminho. No primeiro estava escrito Êxodo 13:1-10; no segundo, Êxodo
13:11-16; no terceiro, Deuteronômio 6:4-9, e no quarto, Deuteronômio, 11:13-21. Esses quatro pedaços de papel eram embrulhados em
pele de animal, fazendo um pacote quadrado. Este pacotinho era então atado à testa com uma correia ou fita. Essas passagens bíblicas
continham ordens de Deus para que se lembrassem de sua Lei e obedecessem a ela (p. ex., Deuteronômio 6:8).
O filactério que o homem usava no braço era feito de dois rolos de pergaminho, nos quais as leis eram escritas com tinta
especial. O pergaminho era parcialmente enrolado, encerrado num estojo preto de pele de bezerro, e atado com uma correia na parte
superior do braço, junto ao cotovelo. A correia era então enrolada em torno do braço em linhas cruzadas, terminando na ponta do dedo
médio. Alguns judeus usavam os filactérios de manhã e de noite; outros os usavam somente na oração matutina. Nos sábados e em outros
dias sagrados não se usavam os filactérios; esses dias eram em si mesmos sinais sagrados, de sorte que era desnecessário usá-los.
Jesus condenou a prática de alargarem "seus filactérios" (Mateus 23:5). Os fariseus faziam seus filactérios maiores do que o
comum, para que os observadores casuais pensassem que eram muito santos.

D. Penteado. Os varões hebreus consideravam o cabelo um ornamento pessoal importante, por isso lhe dispensavam muito
cuidado e atenção. Os monumentos egípcios e assírios mostram exemplos de arranjos esmerados do cabelo nessas culturas. Os egípcios
também usavam vários tipos de perucas. Porém vemos uma importante diferença entre os penteados dos hebreus e dos egípcios em
Gênesis 41:14, onde se diz que José "se barbeou" antes de apresentar-se a Faraó. Um egípcio ter-se-ia contentado em pentear o cabelo e
aparar a barba; mas os homens hebreus cortavam o cabelo quase como o cortam hoje os homens do Ocidente, usando um tipo primitivo
de tesoura (2 Samuel 14:26). A palavra cortava, neste texto, significa "cortar o cabelo da cabeça" (tosar). Os judeus também usavam
navalhas, como vemos em Números 6:5.
Quando um judeu fazia um voto religioso, ele não cortava o cabelo (cf. Juizes 13:5). Os israelitas não deviam cortar o cabelo
tão rente que se assemelhassem a deuses pagãos que tinham a cabeça raspada. Nem deviam parecer-se com os nazireus, que se
recusavam a cortar o cabelo (Ezequiel 44:20). Nos tempos do Novo Testamento, o cabelo comprido nos homens era considerado
contrário à natureza (1 Coríntios 11:14).
Amiúde os homens aplicavam óleo perfumado ao cabelo antes de festivais ou de outras ocasiões jubilosas (Salmo 23:5). Jesus
menciona este costume em Lucas 7:46, quando diz: "Não me ungiste a cabeça com óleo..."
O homem judeu também dispensava muita atenção ao cuidado da barba. Era insulto tentar tocar a barba de um homem, exceto
ao beijá-la respeitosa e afetuosamente como sinal de amizade (2 Samuel 20:9). Arrancar a barba, cortá-la inteiramente, ou descurar de
apará-la eram expressões de profundo lamento (cf. Esdras 9:3; Isaías 15:2; Jeremias 41:5). Os homens egípcios e romanos preferiam
rostos barbeados, embora os governantes egípcios usassem barbas artificiais.

E. Ornato para a cabeça. Evidentemente, os varões judeus usavam ornato para a cabeça em ocasiões especiais (Isaías 61:3),
nos dias de festa, ou em tempos de lamentação (2 Samuel 15:30). Pela primeira vez vemos mencionado o ornato para a cabeça em Êxodo
28:40, como parte das vestes sacerdotais.
Os varões hebreus provavelmente usavam uma cobertura para cabeça somente em raras ocasiões, embora os egípcios e os
assírios as usassem com freqüência. Alguns antigos ornatos para a cabeça eram muito trabalhados, especialmente os usados pela realeza.
O egípcio comum usava um ornato simples que consistia num pano quadrado, dobrado de modo que três cantos caíssem sobre as costas e
ombros. Este pode ter sido o tipo usado pelos hebreus.
Os assírios usavam um ornato muito semelhante a um turbante alto (Ezequiel 23:15). Os sírios em Damasco muito

provavelmente usava o turbante.


Túnica. A túnica, vestimenta interior semelhante ao quimono, chegando até aos joelhos ou aos tornozelos, era usada junto à pele. Tanto
homens como mulheres usavam túnicas feitas de algodão, de linho ou de lã. Presa ao corpo por um cinto (geralmente uma cinta de
couro), a túnica podia ser a única vestimenta usada pelos pobres em clima quente. Contudo, os ricos nunca apareciam em público sem as
vestimentas exteriores.

VESTUÁRIO FEMININO
As mulheres usavam roupas muito semelhantes às dos homens. Contudo, a lei proibia estritamente a uma mulher usar qualquer
coisa que se julgasse pertencer particularmente a um homem, tal como o sinete e outros ornamentos. De acordo com Josefo, historiador
judeu, também se proibia às mulheres usar as armas de um homem. Por semelhante modo, era proibido aos homens usar o manto exterior
de uma mulher (Deuteronômio 22:5).

A. Vestimenta interior. Esta vestimenta era usada por ambos os sexos, e era feita de lã, de algodão ou de linho.

B. Vestimenta exterior. A vestimenta exterior da mulher hebréia diferia da do homem. Era mais comprida, com borda e franja
suficientes para cobrir os pés (Isaías 47:22). Prendia-se à cintura por um cinto. Como no caso dos homens, a vestimenta da mulher podia
ser feita de materiais diferentes, de acordo com a condição social da pessoa.
A frente da vestimenta exterior da mulher era comprida bastante para que pudesse colocá-la sobre o cinto e servir de avental. A
palavra avental (ERC) aparece pela primeira vez em Gênesis 3:7, quando Adão e Eva coseram para si aventais de folhas de figueira. Esta
peça de vestuário pode, em certa medida, parecer-se com nosso moderno avental. O avental podia ter sido usado para proteger as vestes
durante o trabalho, ou para transportar alguma coisa (cf. Rute 3:15).

C. Véu. As hebréias não usavam véu todo o tempo, como agora é costume em muitas das terras do Oriente Próximo. Usar véu
era um ato de modéstia, geralmente a indicar que a mulher não era casada. Quando Rebeca viu a Isaque pela primeira vez, não estava
usando véu; porém ela se cobriu com um véu antes que Isaque a visse (Gênesis 24:65). As mulheres dos tempos do Novo Testamento
cobriam a cabeça durante o culto, mas não necessariamente o rosto (1 Coríntios 11:5).

D. Lenço. A palavra hebraica para lenço (mispachoth) podia ser mais bem traduzida como guardanapo ou toalha. Esses panos
eram usados para envolver coisas que eram levadas (Lucas 19:20), para enxugar o suor do rosto, ou para cobrir a face do morto.
Alguns comentaristas acham que o lenço era preso sob o queixo e no topo da cabeça para impedir que a maxila do defunto
decaísse (João 11:44). João 20:7 diz que o lenço que cobria o rosto do Senhor foi encontrado enrolado num lugar à parte dos lençóis.
Amiúde as mulheres das modernas nações do Oriente Próximo levam lenços com belos trabalhos de agulha. Este pode também
ter lido o costume nos tempos antigos.

E. Sandálias. As mulheres judias usavam sandálias, como o faziam os homens. Havia muitas variações da sandália comum. A
sola podia ser feita do couro duro do pescoço do camelo. Às vezes diversas camadas de couro eram costuradas juntas.
Um tipo de sandália de mulher tinha duas correias: uma passava entre o dedão e o segundo dedo, e a outra passava em tomo do
calcanhar e sobre o peito do pé. Este calçado podia ser facilmente tirado quando se entrava em casa.

F. Ornamentos. A Bíblia menciona jóias pela primeira vez quando o servo de Abraão presenteou a Rebeca com brincos e
pulseiras (Gênesis 24:22). Jeremias descreveu bem a atração que a mulher judia tinha pelas jóias, quando disse: "Acaso se esquece a
virgem dos seus adornos?" As mulheres hebréias usavam pulseiras, colares, brincos, anéis de nariz, e cadeias de ouro. Isaías 3:16, 18, 23
dá um quadro gráfico da mulher ornamentada de acordo com a moda dos tempos do Antigo Testamento,

1. Braceletes. Tanto as mulheres como os homens hebreus usavam braceletes ou pulseiras (Gênesis 24:30). Hoje, os povos do
Oriente Próximo consideram o bracelete de uma mulher como emblema de elevado status ou realeza, como provavelmente era no tempo
de Davi (2 Samuel 1:10). O bracelete real por certo era feito de metal precioso, como ouro, e era usado acima do cotovelo. O bracelete da
mulher comum podia ter sido usado no pulso, como o é hoje (Ezequiel 16:11). Em sua maioria, os braceletes das mulheres eram
redondos para deslizar sobre a mão. Alguns braceletes eram feitos de duas partes que se abriam numa dobradiça e se fechavam com um
laço ou alfinete. Os braceletes variavam de tamanho, desde alguns centímetros de largura até faixas estreitas.

2. Argolas de tornozelo. Era tão comum as mulheres usarem argolas no tornozelo como usarem braceletes. Essas argolas eram
feitas quase dos mesmos materiais (Isaías 3:16, 18, 20). Algumas argolas tilintavam um som musical quando as mulheres andavam. As
mulheres da classe alta usavam argolas ocas cheias de pedrinhas, de modo que se podia ouvir o som de matraca quando andavam.

3. Brincos. Não temos certeza quanto à forma dos brincos hebreus, mas textos das Escrituras sugerem que eram redondos (p.
ex., Gênesis 24:22). Os brincos egípcios eram geralmente grandes aros de ouro, de 3 a 5 cm de diâmetro. Vez por outra os aros eram
presos juntos ou se adicionavam pedras preciosas para causar sensação.
As nações pagas às vezes usavam brincos como amuletos. (Veja-se a seção sobre "Amuletos".) Vemo-lo quando a família de
Jacó se foi de Siquém para Betel (Gênesis 35:4), e abandonaram seus brincos.

4. Jóias de nariz. O anel ou jóia de nariz da mulher era um dos mais antigos ornamentos do Oriente. O anel era feito de marfim
ou de metais preciosos, amiúde incrustados de jóias. Às vezes, essas jóias de nariz tinham diâmetro superior a 6 cm e pendiam sobre os
lábios da mulher. O costume de usar anéis de nariz ainda existe em algumas partes do Oriente Próximo, principalmente entre dançarinas e
as mulheres de classes inferiores. Contudo, não temos evidência de que as mulheres hebréias usassem anéis de nariz.

5. Alfinetes de ondular. A palavra hebraica (charitim), que a Edição Revista e Corrigida (Almeida) em Isaías 3:22 traduz como
"alfinetes", e em 2 Reis 5:23 é traduzida como "sacos", é empregada somente essas duas vezes na Bíblia. Não se sabe que tipo de jóia
podia ter sido, nem mesmo que fosse um tipo de jóia.

6. Cosméticos e perfumes. As mulheres egípcias e assírias usavam tinta como cosmético. Coloriam as pestanas e as beiradas
das pálpebras com um pó fino preto umedecido com azeite ou vinagre, para obter um efeito um tanto semelhante à sombra moderna.
As mulheres hebréias também pintavam as pestanas. Mas esta prática era geralmente vista com desdém, como no caso de
Jezabel (2 Reis 9:30). A pintura dos olhos é desdenhosamente mencionada em Jeremias 4:30 e Ezequiel 23:40.
Algumas mulheres tingiam os dedos da mão e do pé com hena. Isto era especialmente verdadeiro em se tratando das egípcias,
que também tatuavam as mãos, os pés e o rosto. As mulheres antigas usavam perfume quase da mesma maneira que as mulheres usam
hoje. As fontes comuns de perfume nos tempos bíblicos eram o incenso e a mirra da Arábia e da África, o aloés e o nardo da índia, o
cinamono de Ailom, o gálbano da Pérsia, estoraque e açafrão da Palestina. O perfume era um valioso artigo de comércio (cf. Gênesis
37:25). Êxodo 30:34-38 diz que os hebreus fabricavam um perfume usado nos rituais do tabernáculo. Mas a Lei proibia o uso pessoal
deste perfume.

7. Penteado. O apóstolo Paulo disse que o cabelo era um véu natural, ou mantilha, para a mulher; ele dá a entender que no seu
tempo era vergonhoso uma cristã cortar o cabelo (1 Coríntios 11:15). As mulheres usavam o cabelo longo e trançado. O Talmude
menciona que as judias usavam pentes e grampos.
Entre as egípcias e assírias, os penteados eram muito mais trabalhados do que os usados pelas hebréias, conforme mostram os
monumentos da época.

8. Ornato para a cabeça. As judias usavam algum tipo de ornato para cabeça, mas o apóstolo Paulo insistiu em que as cristãs
se vestissem com modéstia (1 Timóteo 2:9). As mulheres podem ter usado ouro ou jóias como ornamentos do cabelo (1 Pedro 3:3);
segundo era o costume das mulheres dos países vizinhos.
O véu que as judias às vezes usavam mal podia ser considerado um ornato para a cabeça, embora realmente a cobrisse. Em
contraste, esse ornato para outras mulheres do Oriente Próximo era esmerado e caro, dependendo da riqueza e da posição social de quem
o usava.

VESTES SACERDOTAIS
A veste sacerdotal era muito diferente da veste do judeu comum. Além do mais, a vestimenta do sumo sacerdote diferia daquela
do sacerdote comum.

A. Calções. Entre os hebreus, só os sacerdotes usavam calções. Em alguns países vizinhos, tanto os calções como as calças
eram usados pelos homens comuns.
Os judeus usavam linho fino para fazer esta vestimenta sacerdotal. Evidentemente, servia como roupa de baixo de sorte que o
sacerdote não ficasse exposto quando subia os degraus do templo para ministrar no altar (Êxodo 28:42-43). Esta vestimenta de baixo
cobria o corpo do sacerdote desde a cintura até aos joelhos. Em vez de calças, os "calções" provavelmente eram um avental duplo. Outras
referências a calções encontram-se em Êxodo 39:28; Levítico 6:10; 16:4; e! Ezequiel 44:18.

B. Sobrepeliz ou manto. Os sacerdotes usavam também mantos de linho fino durante o serviço no templo. Essas vestimentas
vinham do tecelão que fazia a peça inteiriça. Eram presas à cintura por um cinto decorado com trabalho de agulha (Êxodo 38:31-34). A
vestimenta de Jesus era também um manto sem costura, simbolicamente mostrando seu sacerdócio universal (João 19:23; Hebreus 4:14-
15). O manto ou ] túnica do sacerdote chegava quase a cobrir os pés e era tecido num] formato de losango ou xadrez.

C. Tiara. O sacerdote comum usava uma tiara. Esta peça era feita 3 de linho fino (Êxodo 39:28). A palavra hebraica
(migbaoth), da qual sei traduziu tiara, significa "ser sublime".

D. Calçado. Durante o culto, os sacerdotes ficavam descalços. Antes de entrarem no tabernáculo, deviam lavar as mãos e os
pés "Pôs a bacia entre a tenda da congregação e o altar, e a encheu água, para se lavar. Nela Moisés, Arão e seus filhos lavavam as mãos e
os pés" (Êxodo 40:30-31). A área na qual os sacerdotes ficavam era considerada solo sagrado, como foi no caso de Moisés e a sarça
ardente (Êxodo 3:5).

E. Cuidado do cabelo. Vemos, em Levítico 21:5, que a calvície desqualificava um homem para o exercício do sacerdócio. Não
permitido ao sacerdote rapar a cabeça ou rasgar as suas vestes mesmo para chorar a morte do pai ou da mãe (Levítico 21:10-11).

VESTES DO SUMO SACERDOTE


Um dos característicos que separavam o sumo sacerdote do sacerdote comum era o espargir de suas vestes com o óleo da unção (Êxodo
28:41; 29:21). Quando o sumo sacerdote falecia suas vestes passavam ao seu sucessor.
As vestimentas do sumo sacerdote compunham-se de sete peças ― a estola, a sobrepeliz, o peitoral, a mitra, a túnica bordada, o
cinto e os calções (Êxodo 28:4, 42).

Fabricação de roupas. A roupa usada pelos hebreus servia como símbolo externo dos sentimentos e desejos íntimos do indivíduo. As
ocasiões festivas e alegres pediam cores vivas, enquanto a pessoa enlutada vestia pano de saco, o mais pobre tipo de vestimenta. As
famílias israelitas faziam a maior parte de sua própria roupa. Nesta cena doméstica, o pai está fazendo sandálias de couro enquanto a mãe
costura uma túnica do material que ela teceu.

A. Estola. As vestes do sumo sacerdote eram feitas de linho simples (1 Samuel 2:18; 2 Samuel 6:14), como o eram as vestes de
todos os sacerdotes. A estola, porém, era feita de "ouro, estofo azul, púrpura, carmesim e linho fino retorcido" (Êxodo 28:6). Isto indica
que ela era uma mistura de lã e linho, visto que o linho só podia ser tingido de azul. A "obra esmerada" significa algum tipo de bordado.
A estola dividia-se em duas partes. Uma parte cobria as costas e a outra o peito do usuário. A vestimenta era presa nos ombros
por uma grande pedra de ônix.
O cinto da estola era feito de estofo azul, púrpura e carmesim entretecido com fio de ouro (Êxodo 28:8).

B. Sobrepeliz da estola. A sobrepeliz da estola era de material inferior ao da estola, tingida de azul (Êxodo 39:22). Era usada
sob a estola e mais comprida do que esta. A sobrepeliz não tinha mangas, A penas aberturas nos lados para os braços.
A orla desta vestimenta tinha uma franja de romãs de estofo azul, púrpura e carmesim, com uma campainha de outro entre uma
romã e outra. Essas campainhas eram presas à orla da sobrepeliz do sumo sacerdote para que se pudesse ouvir quando ele entrava no
lugar santo ou de lá saía (Êxodo 28:32-35).

C. Peitoral. O peitoral do sumo sacerdote acha-se descrito com pormenores em Êxodo 28:15-30. Era uma peça de material
bordado, com cerca de 25 cm de lado, quadrado e duplo formando um saco ou bolsa.
Esta vestimenta sacerdotal era adornada com doze pedras preciosas, cada uma delas trazendo o nome de uma das doze tribos de
Israel (Êxodo 28:17-21). Os dois cantos inferiores eram presos ao cinto. Os anéis, as cadeias e outros prendedores eram de ouro ou de
cordão de fina qualidade.
O peitoral e a estola eram chamados de "memória" (Êxodo 28:12, 29), porque lembravam ao sacerdote seu relacionamento com
as doze tribos de Israel. Também era chamado "peitoral do juízo" (Êxodo 28:15), talvez porque fosse usado pelo sacerdote, que era porta-
voz da justiça e juízo de Deus à nação judaica. Também pode ter sido assim; chamado porque ele provia um receptáculo para o urim e o
tumim, os oráculos sagrados que mostravam os juízos de Deus sobre os homens (cf. Números 26:55; Josué 7:14; 14:2; 1 Samuel 14:42).

D. Mitra. A mitra, ou turbante superior, era o ornato oficial para a cabeça do sumo sacerdote (Êxodo 28:39). Era feita de linho
fino, tinha muitas dobras, e seu comprimento total era de cerca de 7,3 m.
Este pano comprido era enrolado em torno da cabeça na forma turbante. Na frente da mitra estava uma lâmina de ouro com as
palavras hebraicas "Santidade ao Senhor" (Êxodo 28:36-43; 39:28, 30).

E. Túnica bordada, cinto e calções. Esta túnica especial era de orla comprida, feita de linho, e bordada com um desenho como
se nela houvessem pedras (Êxodo 28:4). Os sacerdotes comuns também usavam esta vestimenta.
O cinto das vestes do sumo sacerdote era enrolado em torno corpo diversas vezes, desde o peito em sentido descendente, pontas
do cinto pendiam até aos tornozelos (Êxodo 29:5). Sob vestes sacerdotais, o sumo sacerdote usava o mesmo tipo de calções que o
sacerdote comum.

Túnica. A túnica era um manto exterior com mangas. O cinto ― às vezes ornamentado com metais preciosos, pedras ou bordado ―
prendia esta vestimenta ao corpo

9. ARQUITETURA E MOBILIÁRIO

Os povos modernos admiram a arquitetura clássica grega e romana, com suas altas colunas de mármore e arcos esmeradamente
decorados. Mas Israel produziu muito pouca arquitetura que pudéssemos chamar de inovadora ou que causasse admiração. Os israelitas
projetavam seus edifícios e móveis para servir às suas necessidades diárias, pouco se importando com os aspectos estéticos. Não
obstante, seus edifícios e móveis dizem-nos algo do estilo de vida das pessoas.
As mais comuns habitações do mundo antigo eram tendas, formadas por postes fincados no chão e tendo uma cobertura de
pano ou de pele. O morador de tenda usava cordas para prender esta cobertura nas estacas enterradas no solo (cf. Isaías 54:2). Às vezes
usavam-se cortinas para dividir as tendas em quartos e cobria-se o chão com esteiras ou tapetes. A porta era uma dobra de pano que podia
ser retirada ou levantada. O tendeiro acendia o fogo num buraco no chão no meio da tenda. Seus utensílios de cozinha eram poucos e
simples, e facilmente transportáveis.
Quando as pessoas começaram a fixar-se nas cidades, construíram lares mais permanentes. Evidentemente, bem cedo
desenvolveram habilidades arquitetônicas. Mesmo depois que os cananeus e assírios deram início à construção de cidades, os hebreus
ainda viviam em tendas. Só foram abandonar seus hábitos simples depois da conquista da Terra Prometida. Nessa época ocuparam as
casas deixadas pelos cananeus.
Diz a Bíblia que os israelitas construíram casas grandes e caras na Judéia (cf. Jeremias 22:14; Amós 3:15; Ageu 1:4). Essas
casas, porém, pertenciam a pessoas abastadas; muitos ainda viviam em tendas ou em abrigos rudimentares.
Os ricos construíam suas casas em forma de claustro, isto é, em torno de um pátio aberto. A pessoa entrava na casa por uma
porta que geralmente se mantinha fechada, sob os cuidados de alguém que atuava como porteiro (cf. Atos 12:13). Esta porta dava para
um alpendre mobiliado com cadeiras ou bancos. Caminhava-se pelo alpendre até um pequeno lance de escadas que conduzia às câmaras
e ao pátio quadrangular aberto.

O PÁTIO CENTRAL
O pátio era o centro da casa judaica. Provavelmente era aqui que Jesus se encontrava quando um grupo de homens baixou um
paralítico "para o meio", ao alcance do Senhor (Lucas 5:19). O pátio era projetado para permitir a entrada de luz e ar nos quartos ao
redor. O piso do pátio era pavimentado com ladrilho ou pedra para escoar a água da chuva que podia entrar pela clarabóia. Às vezes o
dono da casa construía o pátio ao redor de uma fonte ou poço (cf. 2 Samuel 17:18).
Multidões se congregavam no pátio do hospedeiro em ocasiões festivas (cf. Ester 1:5). Geralmente o hospedeiro fornecia
tapetes, esteiras e cadeiras para seus convidados, e podia até estender um toldo sobre a clarabóia.
Os quartos circundantes abriam somente para o pátio, por isso a pessoa tinha de cruzá-lo quando entrava na casa ou dela saía.
Em séculos posteriores, os construtores começaram a construir sacadas ou galerias fora dos quartos que davam frente para o pátio central.
Uma escada simples de pedra ou de madeira levava do pátio para os quartos de cima, e para o terraço. As casas maiores podiam ter mais
de um lance de escadas.

A. Os aposentos do dono. No lado do pátio que dava frente para a entrada estava a sala de recepção do dono da casa. Era
belamente mobiliada com uma plataforma elevada e um diva nos três lados, que servia de cama de noite e de assento durante o dia. Os
hóspedes que entravam retiravam as sandálias antes de pisar a parte elevada da sala.
Os cômodos destinados à esposa e às filhas geralmente ficavam na parte de cima, mas às vezes estavam no mesmo nível do
pátio central. Ninguém, exceto o dono da casa, podia entrar nestas dependias. Visto como o proprietário efetuava a maior despesa nessas
dependências, elas eram às vezes chamadas "castelos da casa" (1 Reis 1 Reis 15:25), ou "casa das mulheres" (Ester 2:3; cf, 1 Reis 7:8-12)

B. Dependências domésticas. Supomos que na Judéia antiga, como na Palestina hoje, as pessoas usavam o pavimento térreo
para fins domésticos ― guardar mantimentos, alojar os criados, e assim por diante. Esses cômodos do andar térreo eram pequenos e mal
mobiliados.

OS QUARTOS SUPERIORES
Subindo-se a escada até ao segundo pavimento, verificava-se que os cômodos eram grandes e arejados, e amiúde mobiliados
com muito maior elegância do que os quartos de baixo. Esses cômodos superiores também eram mais altos e maiores do que os
inferiores, projetando-se sobre a parte de baixo do edifício de sorte que suas janelas davam para a rua. Eram separados, espaçosos e
muito confortáveis.
Paulo pregou seu sermão de despedida numa sala assim. Podemos! imaginar que as pessoas tinham de formar dois círculos ou
fileiras, ficando o círculo exterior junto à parede. As pessoas deste círculo deitavam-se sobre almofadas ao lado do batente da janela.
Nessa posição dormiu Êutico e caiu na rua (Atos 20:7-12).

A. A alliyah. Às vezes os judeus construíam outra estrutura chamada alliyah sobre o alpendre ou sobre o portão de entrada da
casa. Consistia em apenas um ou dois quartos, e sua altura era de um pavimento acima da casa principal. O dono da casa usava-a para
receber estranhos, para guardar roupas, ou para descanso e meditação. Provavelmente Jesus se referia à alliyah quando falou de entrar no
"quarto" para orar (Mateus 6:6). Degraus conduziam diretamente da rua à alliyah, mas outro lance de escada ligava a alliyah com o pátio
central da casa. A alliyah providenciava um lugar muito mais privado para adoração do que o eirado principal da casa, que podia ser
ocupado por toda a família.
A Bíblia pode referir-se à alliyah quando menciona o "pequeno quarto" de Eliseu (2 Reis 4:10), a "sala de verão" de Eglom
(Juizes 3:20-23), a "sala que estava por cima da porta" (2 Samuel 18:33), a "sala" de Acaz, sobre o terraço (2 Reis 23:12), e a "câmara"
onde Ben-Hadade se escondeu (1 Reis 20:30).
Esboço de uma casa. Este desenho retrata uma residência grande numa antiga aldeia israelita. , casa do israelita médio, segundo os
padrões modernos, era pequena e desconfortável. Um ponto favorito para descontração era o eirado, ao qual se chegava por uma escada
de pedra ou por uma escada simples de madeira.

B. O terraço ou eirado. O terraço era uma parte importante da casa nos tempos bíblicos. Podia-se subir até lá por um lance de
escada junto à parede exterior. Na maioria dos casos o terraço era plano; mas às vezes os construtores faziam abóbadas sobre os quartos
mais importantes. A lei judaica exigia que cada casa tivesse um parapeito ou gradil ao redor do terraço para evitar que alguém caísse
(Deuteronômio 22:8). As casas adjacentes muitas vezes usavam o mesmo terraço, e pequenos muros sobre o terraço assinalavam os
limites de cada casa.
Os construtores cobriam os terraços com um tipo de argamassa que se endurecia ao sol. Caso rachasse, o dono da casa tinha de
espalhar uma camada de capim sobre o eirado para evitar goteiras de chuva (cf. 2 Reis 19:26; Salmo 129:6). Alguns terraços eram
cobertos por telhas ou ladrilhos lisos.
Os israelitas usavam os terraços como local de retiro e meditação (Neemias 8:16; 2 Samuel 11:2; Isaías 15:3; 22:1; Jeremias
48:38). Nos terraços eles secavam linho, cana de Unho, grão, figos e outras frutas (Josué 2:6). Às vezes armavam tendas nos terraços e aí
dormiam de noite (2 Samuel 16:22).
As pessoas usavam os eirados para tratar de assuntos privados (1 Samuel 9:25). Também iam ali para adoração privada
(Jeremias 19:13; 2 Reis 23:12; Sofonias 1:5; Atos 10:9) e para fazer proclamações públicas ou para chorar a perda de entes queridos
(Jeremias 48:38; Lucas 12:3).

JANELAS E PORTAS
Nas casas antigas, as janelas eram simplesmente aberturas retangulares na parede que davam para o pátio central ou para a rua.
Às vezes os israelitas construíam uma sacada ou alpendre ao longo da frente da casa, cuidadosamente fechada por treliças. Só abriam a
janela da sacada para as festas e outras ocasiões especiais. Supomos que Jezabel contemplava de uma janela exterior assim quando foi
agarrada e morta por Jeú (2 Reis 9:30-33). Provavelmente esta janela é o que se chama "grades" (Provérbios 7:6, Cantares 2:9). Os
israelitas não tinham janelas com vidro, porque este artigo era muito caro.
As portas das casas antigas não tinham dobradiças. O fecho da porta projetava-se como um eixo redondo na parte de cima e na
de baixo. A extremidade superior deste eixo ajustava-se num encaixe na verga e a inferior entrava num encaixe no batente. Almeida
(versão Atualizada) emprega as palavras dobradiças e gonzos para referir-se ao eixo da porta (1 Reis 7:50; Provérbios 26:14).
Muitas vezes os construtores colocavam fechadura com chave na porta principal da casa. As chaves antigas eram feitas de
madeira ou metal, e algumas eram tão grandes que eram notórias quando levadas em público (Isaías 22:22). Os tesoureiros e outros
oficiais públicos levavam essas enormes chaves como símbolo de seu elevado ofício.

LAREIRAS
As casas antigas não tinham chaminés, muito embora algumas versões da Bíblia usem esta palavra em Oséias 13:3. A fumaça
produzida escapava através de furos no teto e nas paredes. A parte central da lareira, um pequeno forno ou braseiro de metal, não era um
acessório permanente (cf. Jeremias 36:22-23). Visto que o braseiro era fácil de transportar de um lugar para outro, os reis e generais
amiúde usavam-no em campanhas militares.

Parapeito de janela. Encontrada em Ramate-Rael, no sul de Israel, esta fileira de colunas de pedra calcária (cerca de 600 a.C.) parece ter
sido o parapeito de uma janela. Provavelmente era pintada de vermelho, visto como se encontraram vestígios de tinta vermelha nos
pedaços dos quais se reconstruíram estas colunas que enfeitavam o palácio do rei Jeoaquim.

Mesa de Jericó. Um túmulo em Jericó continha esta mesa comprida com duas pernas numa ponta e uma na outra.

O Pártenon
O Pártenon de Atenas é um dos mais belos exemplos da arquitetura grega clássica. Representa fisicamente o método racional,
harmonioso dos gregos antigos de considerar a vida. Mais ainda, é uma maravilha de desenho arquitetônico.
Os gregos erigiram pelo menos uma estrutura prévia no local do Pártenon em 488 a.C, quando planejaram uma estrutura
maciça como oferta de gratidão por sua vitória sobre os persas em Maratona. O alicerce de pedra calcária deste edifício estendia-se mais
de 6 m na rocha da Acrópole. A maior parte da obra que fica acima do solo neste sítio foi, porém, destruída quando os persas saquearam a
Acrópole em 480 a.C.
Os gregos começaram a trabalhar no Pártenon no ano 447 a. C. e o terminaram em 438 a. C. Fizeram da estrutura o templo
principal na Acrópole por volta de 432 a. C, quando o dedicaram a Atena Partenos, deusa padroeira de Atenas. A construção deste
edifício foi feita com fundos levantados pelo governo de Péricles.
O edifício foi projetado para criar uma ilusão de óptica. Os topos das colunas dóricas do Pártenon inclinam-se para o centro de
cada colunata, os degraus se curvam para cima no centro, e as colunas têm maior espaço no centro de cada fileira do que no extremo. Isto
faz as colunas parecerem uniformemente espaçadas. (Se elas tivessem sido, de fato, uniformemente espaçadas, o ângulo de perspectiva
tê-las-ia feito parecer desiguais.)
Há oito colunas em cada extremo do Pártenon e dezessete em cada lado. O Pártenon tem uma área central, ou cella, que por sua
vez é dividida em câmaras. Originariamente uma colunata interior sustentava a grande estátua cultuai de Atena, uma obra-prima do
escultor Fídias. Esta estátua não sobreviveu, mas sabemos de sua aparência geral mediante reproduções menores e através de muitas
representações em moedas antigas. A estátua foi vista e descrita pelo viajante Pausânias no segundo século A. D.
Todo o Pártenon é feito de mármore, inclusive as telhas do teto. Os gregos não usaram argamassa ou cimento na estrutura; eles
ajustaram blocos de mármore com a maior precisão e os prenderam com grampos e pinos de metal.
Uma faixa ornamental de escultura de baixo-relevo (friso) decora o Pártenon. Essas decorações representam combates entre os
deuses tais como Zeus, Atena e Posêidon. Também retratam cavaleiros montados, grupos de carruagens, e cidadões de Atenas.
Os gregos usaram cor para realçar a beleza do Pártenon. O teto da colunara era colorido de vermelho, azul e ouro ou amarelo.
Uma faixa que corria junto ao friso era colorida de vermelho, e a cor acentuava a escultura e os acessórios de bronze no interior do
edifício.
O Pártenon teve uma história variada. Já em 298 a.C, Lachares retirou as lâminas de ouro da estátua de Atena. No ano 426 A.
D. o Pártenon foi transformado num templo cristão, e os turcos o transformaram numa mesquita em 1460. Em 1687 08 venezianos, que
combatiam os gregos, usaram o Pártenon como paiol de pólvora, e acidentalmente provocaram uma explosão que destruiu a parte central
do edifício. Nenhum reparo importante se fez até 1950, quando engenheiros repuseram as colunas no lugar e consertaram a colunata do
norte.

MÉTODOS DE CONSTRUÇÃO
Descrevemos uma casa típica de pessoas abastadas. As casas não seguiam um modelo rígido; algumas eram mais trabalhadas
do que a que apresentamos, e outras mais simples. Os métodos de construção de casas dos israelitas eram, porém, tradicionais.

Estábulos. Os arqueólogos descobriram em Megido estas ruínas de um extenso complexo! estábulos, com capacidade para alojar nada
menos que 480 cavalos. Este é o estábulo que dá pai norte, constituído de cinco unidades e com capacidade para cerca de vinte e quatro
cavalos! princípio, os escavadores atribuíram esses estábulos a Salomão; mas investigação posterior mostrou que eles datam do tempo de
Acabe, diversas gerações depois.

A. Lares dos abastados. Os materiais de construção eram abundantes na Palestina. Os proprietários endinheirados podiam
obter facilmente pedra, tijolo e a melhor madeira para o trabalho ornamental de suas casas. Muitas vezes usavam pedra lavrada e
mármore polido (1Crônicas 29:2; Ester 1:6). Também empregavam grandes quantidades de cedro para forrar paredes e tetos,
frequentemente adornados de ouro, prata e marfim (Jeremias 22:14; Ageu 1:4). Talvez sua paixão pelo marfim explique as referências
bíblicas a "casas de marfim" e "palácios de marfim" (p. ex., 1 Reis 22:39; Salmo 45:8; Amós 3:15).
Os ricos proprietários de terras também construíam "casas de inverno" e "casas de verão" para seu conforto nessas estações (cf.
Amós 3:15). Construíam as casas de verão parcialmente subterrâneas e as pavimentavam com mármore. Essas casas geralmente
possuíam fontes no átrio central, e eram construídas de modo a permitir a entrada de ar fresco. Isto as tornava muito refrescantes nos dias
tórridos do verão. Pouco sabemos acerca das casas de inverno.
Temos uma rápida visão do método típico de construção dos tempos do Antigo Testamento quando lemos como Sansão
destruiu um templo dos filisteus (Juízes 16:23-30). Os inimigos de Sansão levaram-no para o átrio central do templo, que estava cercado
por uma série de sacadas, cada qual sustentada por uma ou duas colunas. Aqui os oficiais do estado se reuniam para realizar negócios
públicos e proporcionar entretenimentos para o povo. Se as colunas desmoronassem, o edifício tombava e as pessoas que estavam nas
sacadas cairiam ao pavimento inferior.

B. Lares dos pobres. As casas do povo comum eram choças de apenas um cômodo com paredes de taipa. Os construtores
reforçavam essas paredes com hastes de junco, ou com estacas recobertas de barro. Por isso as paredes eram muito inseguras, e
freqüentemente se tornavam ninhos de serpentes e de insetos nocivos (cf. Amós 5:19). A família ocupava o mesmo cômodo com os
animais, embora às vezes dormissem numa plataforma acima destes. As janelas eram pequenas aberturas no alto das paredes, talvez
trancadas.
A Bíblia adverte contra a "lepra na casa" (Levítico 14:34-53), que provavelmente era uma reação química nas paredes de taipa
dessas casas mais pobres. Os israelitas entendiam que esta "lepra" podia prejudicar-lhes a saúde, por isso os sacerdotes lhes ordenaram
que a removessem.
Os camponeses faziam as portas de suas casas muito baixas e as pessoas tinham de curvar-se para entrar nelas. Isto impedia a
entrada de animais selvagens e de inimigos. Dizem alguns que era um meio de prevenir que bandos de árabes nômades invadissem as
casas.

O CULTO DE CONSAGRAÇÃO
Os israelitas, antes de se mudarem para uma nova casa, primeiro a agravam (Deuteronômio 20:5). Supomos que celebravam
este acontecimento com grande júbilo, e pediam a bênção de Deus sobre a 6 as pessoas que viveriam nela.
MOBÍLIA
Aos nossos olhos, as casas mais bem mobiliadas da Palestina pareceriam vazias. Sobre os pisos de mármore da casa de um rico
teríamos visto belos tapetes, e sobre os bancos, almofadas de rico tecido. Mas os israelitas abastados não tinham a grande variedade de
móveis a que estamos acostumados, e os pobres tinham ainda menos. Um homem endinheirado podia ter uma esteira ou uma pele de
animal para reclinar-se durante o dia, um colchão para dormir de noite, uma banqueta, uma mesa baixa, e um braseiro. Note-se que a rica
sunamita mobiliou o quarto de Eliseu com apenas uma cama (talvez meramente um colchão), uma mesa, uma banqueta e um candeeiro
(2 Reis 4:10-13).
O Herodium

O Herodium. Herodes, o Grande, construiu magníficas estruturas para seu próprio conforto i proteção. Entre esses projetos
encontravam-se seu palácio-fortaleza em Masada e o Herodium Nd| caso de insurreição ou de derrota militar, qualquer um desses
oferecia forte defesa. O Herodiun que também se destinava a ser o local de sepultamento de Herodes, permanece como um tributo ad
exagerado medo de Herodes. Esta é uma das maiores fortalezas já construídas para guardar un único homem.
O Herodium fica a cerca de 11 quilômetros ao sul de Jerusalém e 5 quilômetros ao sudeste de Belém, numa altitude de cerca de
700 metros. Foi construído no local onde Herodes derrotou as forças dos hasmoneus e dos que os apoiavam no ano 40 a. C. ― local de
gratas memórias para Herodes. Josefo, historiador judeu do primeiro século, fala da construção do Herodium no ano 20 a. C, e da
procissão fúnebre de Herodes até ao local. Era uma das últimas três fortalezas controladas pelos judeus fora de Jerusalém quando os
romanos destruíram a cidade em 70 A. D. O Herodium também serviu como centro rebelde durante a revolta de Bar-Kochba (132-135 A.
D.).
V. Corbo dirigiu quatro temporadas de escavação no Herodium (1962-1967). G. Foerster fez restauração e exploração no sítio
do Herodium em 1967 e 1970, e E. Netzer dirigiu uma escavação no local em 1972. Eles descobriram uma surpreendente estrutura que
por certo fá o maior feito de engenharia dos tempos inter-testamentários.
Visto de longe, o local parece um truncado. A estrutura constitui-se de quati torres ― três semicirculares e uma redonda ―
cercadas por um muro circular, cujo diâmetro exterior mede 55 metros. Este muro duplo tem uma ampla passagem de 3 metros entre um
muro e outro. Evidentemente, os entulhos de areia e pedra do edifício se acumularam do lado de fora dos muros logo após a construção
deixando expostos apenas seus topos. Desse modo, a montanha tomou a forma de um cone.
A metade oriental do espaço interno Herodium consistia num pátio aberto circundado por colunas coríntias, com uma êxedra
(área externa com assentos para conversações informais) em cada extremo. A metade ocidental incluía um complexo de casas de banho
esmeradamente decoradas, com um grupo de salas incluindo um refeitório que ocupava o lado sul. O refeitório converteu-se em
sinagoga, evidentemente, quando alguns dos adeptos de Bar-Kochba resistiram aos romanos ali no segundo século. Em cima, os quartos
ocidentais formavam um segundo pavimento e, talvez, um terceiro, usados como salas de estar.
Uma rede de enormes cisternas abastecia de água o interior da montanha. Essas cisternas abasteciam de água o interior da
montanha. Essas cisternas foram construídas em forma de favo de mel. Um aqueduto trazia água para o local, dos tanques de Salomão,
próximos de Belém. A inscrição de uma das peças de cerâmica encontradas pelos arqueólogos menciona Herodes.
Na base norte da montanha, Netzer descobriu um complexo de estruturas. Havia um palácio medindo cerca de 53 m X 122 m,
do qual se estendia uma sacada de observação sobre o que parece ter sido um hipódromo de mais ou menos 300 metros de comprido,
uma piscina, um prédio de serviço, e outras estruturas não Identificadas. Obviamente, Herodes tencionava viver com magnificência e ser
sepultado em esplendor.

Visto como os pisos de uma casa mais elegante eram de ladrilho ou de argamassa, muitas vezes precisavam de ser varridos ou
esfregados (cf. Mateus 12:44; Lucas 15:8). À noite os residentes punham no chão colchões espessos, grosseiros, sobre os quais dormiam.
As pessoas mais pobres usavam peles de animais para o mesmo fim. Em dois ou em três lados do quarto de um homem rico havia um
banco, geralmente de 30 cm de altura, coberto com uma almofada. O dono usava este banco para assentar-se durante o dia. Numa
extremidade do cômodo ele era mais elevado, e este era o lugar costumeiro de dormir (cf. 2 Reis 1:4; 4:10). Além do banco, as pessoas
muito ricas tinham armações de cama feitas de madeira, de marfim, ou de outros materiais caros (Amós 6:4; Deuteronômio 3:11). Estas
armações eram mais comuns nos tempos do Novo Testamento (cf. Marcos 4:21).
Os israelitas usavam algumas de suas vestes exteriores normais como roupa de cama (Êxodo 22:26-27; Deuteronômio 24:12-
13). Antes de deitar-se à noite, eles simplesmente tiravam as sandálias e o cinto. O travesseiro dos hebreus era, provavelmente, uma pele
de cabra estofada com lã, penas, ou algum outro material macio. A gente mais pobre da Palestina usa essas peles de animais como
travesseiros ainda hoje.
Os reis e outros governantes exigiam uma banqueta para apoiar os pés quando se assentavam no trono (2 Crônicas 9:18), mas
esta peça de mobiliário era rara nas casas particulares.
Por outro lado, as lamparinas eram muito comuns. Elas consumiam azeite de oliva, piche, nafta ou cera, e tinham pavios de
algodão ou de linho. (Diz uma tradição judaica que os sacerdotes faziam mechas para as candeias do templo de suas velhas vestes de
linho.) Os israelitas mais pobres faziam suas lamparinas de barro, enquanto os ricos tinham candeias de bronze e de outros metais.
Os israelitas deixavam que suas candeias ardessem toda a noite, visto que a luz os fazia sentir-se mais seguros. Conta-se que a
família preferia passar sem alimento a deixar que suas lâmpadas se apagassem, uma vez que isto indicava que eles haviam abandonado a
casa. Assim, quando Jó prediz a ruína dos perversos, ele diz: "...a luz dos perversos se apagará... a luz se escurecerá nas suas tendas, e a
sua lâmpada sobre ele se apagará" (Jó 18:5-6). O escritor de Provérbios louva a mulher prudente, dizendo: "a sua lâmpada não se apaga
de noite" (Provérbios 31:18). Diversas outras passagens bíblicas mostram que a luz simbolizava a vida e dignidade de uma família (cf. Jó
21:17; Jeremias 25:10).
Embora seu mobiliário fosse simples, os israelitas viviam em muito maior conforto do que seus antepassados, que
perambulavam com seus rebanhos. No tempo de Jesus o lar típico era arrumado e limpo, com a beleza funcional comum aos lares de
outros países influenciados pela cultura helenista. Conquanto Roma governasse a Palestina, poucas pessoas adotaram os gostos
ornamentais dos romanos.

Armações de bronze para cama. Esta cama de Tell el-Far'ah no sul de Israel foi reconstruída de armações de bronze para as pernas e as
varas de ferro que as uniam. A maioria dos israelitas dormiam em catres ou em esteiras no chão. Somente os ricos podiam permitir-se o
luxo de camas, que se tornaram mais comuns nos tempos do Novo Testamento.

10. MÚSICA

A Bíblia dá muito pouca informação acerca das formas musicais hebraicas e do seu desenvolvimento. Por este motivo,
devemos combinar o estudo da Bíblia com história e arqueologia se desejarmos saber algo da música dos tempos bíblicos.

DESENVOLVIMENTO DA MÚSICA HEBRAICA


A história da música hebraica remonta à primeira pessoa que bateu com um pedaço de pau numa rocha, e estende-se à orquestra
do templo e ao "celebrai com júbilo" solicitado no Salmo 98. Esse primeiro músico ouviu ritmo quando bateu seu primitivo instrumento.
Percebendo que podiam fazer música, as pessoas criaram instrumentos mais complexos.
Por exemplo, atribui-se a Davi o invento de vários instrumentos, muito embora não saibamos precisamente quais foram (cf.
Amós 6:5). Davi formou um coro de 4.000 cantores para oferecer louvores ao Senhor "com os instrumentos que Davi fez para esse
mister" (1 Crônicas 23:5; cf. 2 Crônicas 7:6; Neemias 12:8). Davi compôs também cânticos, tais como seu lamento pela morte de Saul e
Jônatas.
Embora Deus dirigisse o desenvolvimento social e religioso de Israel, a nação absorveu idéias de culturas circunvizinhas.
Estava Israel numa encruzilhada geográfica e exposta a idéias e costumes de outras partes do mundo (Gênesis 37:25), incluindo-se o
estilo musical.
Muitos homens de Israel casaram-se com mulheres estrangeiras cujos costumes aos poucos se infiltraram no estilo de vida
hebreu. Segundo a coleção de escritos judeus pós-bíblicos, chamada Midrash, o rei Salomão casou-se com uma egípcia cujo dote incluía
1.000 instrumentos musicais. Se isto for verdadeiro, não resta dúvida de que ela trouxe músicos consigo para tocar esses instrumentos no
estilo tradicional egípcio.
O fim a que a música servia e a reação dos ouvintes também influíram no desenvolvimento da música hebraica. Em tempos de
guerra, amiúde era necessário fazer soar um alarme ou enviar algum outro tipo de aviso urgente. Desse modo, os hebreus criaram o
shophar, um instrumento semelhante à trombeta, com tons altos, penetrantes (Êxodo 32:17-18; Juizes 7:18-20). O divertimento e a
frivolidade exigiam os tons leves e alegres produzidos pela flauta (Gênesis 31:27; Juizes 11:34-35; Mateus 9:23-24; Lucas 15:23-25).

A. Efeito distrativo. Os dirigentes hebreus que serviam no templo tiveram muito cuidado em evitar o uso de música associada
com a adoração paga sensual. Nas culturas onde eram comuns os ritos de fertilidade, mulheres cantoras e musicistas incitavam a orgias
sexuais em honra de seus deuses. Mesmo instrumentos não associados com práticas pagas às vezes eram proibidos. O profeta Amós
condenou os que cantavam "à toa ao som da lira" (Amós 6:5).
É claro, havia momentos em que as distrações da música podiam ser úteis. O dedilhar suave da harpa de Davi acalmava a um
Saul atormentado (1 Samuel 16:23). Depois que Daniel foi lançado na cova dos leões, o rei Dario retirou-se para seus aposentos e não
deixou que trouxessem à sua presença "instrumentos de música" (Daniel 6:18).
A música era parte importante da vida cotidiana. Diversões, casamentos e funerais não estavam completos sem ela. Até mesmo
a guerra dependia da música, visto como instrumentos especiais soavam para chamar à batalha. A diversão e a descontração aristocráticas
patrocinavam os músicos e suas habilidades.

B. Função no culto. A música também fazia parte da vida religiosa de Israel. O culto formal dos israelitas observava diversos
rituais prescritos por Deus. A música servia de acompanhamento a esses rituais.
A música do templo constituía-se de cantores e orquestra. Cantores e músicos só podiam proceder dos varões de determinadas
famílias. Do mesmo modo, os tipos de instrumentos eram restritos. Instrumentos que estivessem associados com mulheres, com diversão
rouquenha ou estridente (tal como o sistro egípcio), ou com culto pagão estavam banidos da orquestra do templo.
O Antigo Testamento arrola diversos tipos de instrumentos na orquestra do templo (cf. 1 Crônicas 15:28; 16:42; 25:1). Esses
instrumentos incluem a grande harpa (nevel), a lira (kinnor), o chifre de carneiro (shophar), a trombeta (chatsotserah), o tamborim
(toph), e címbalos metsiltayim). Depois que os israelitas voltaram do exílio e reconstruíram o templo, a orquestra foi restabelecida (cf.
Neemias 12:27). A gaita ou flauta (halil) provavelmente agora foi incluída, e a música vocal passou a ser mais proeminente.
Além do culto formal no interior do templo a música era parte de outras atividades religiosas. Instrumentos não permitidos no
templo eram tocados em outras funções religiosas, tais como os dias de festa. Muitas vezes a festa começava com uma proclamação
musical; então seguiam-se música, cântico e até mesmo dança. Permitia-se a participação das mulheres cantoras e musicistas (Esdras
2:65; Neemias 7:67; 1 Crônicas 35:25).

C. Limites de nosso conhecimento. O Antigo Testamento raramente menciona as formas de música, as origens dos
instrumentos e assim por diante. O modo de executar ou de fabricar instrumentos era transmitido por tradição oral em vez de o ser por
escrito. A maior parte dessa tradição oral perdeu-se, deixando-nos apenas a breve informação encontrada na Bíblia.
Tocadores de buzina e tambor. Este relevo em basalto, procedente de Carquêmis na Síria (oitavo ou nono século a. C.) retrata quatro
músicos, um soprando uma buzina curva, um carregando um tambor grande e dois tocando o tambor com as mãos abertas. A figura à
direita parece usar uma correia passada ao pescoço para ajudar a sustentar o tambor.

Muito poucos instrumentos musicais antigos existem intactos, por isso devemos fazer conjecturas sobre como eram e como
soavam. Comparando as referências bíblicas com os artefatos de outras culturas, os historiadores e arqueólogos têm ajudado a preencher
muitas das lacunas de nosso conhecimento da música dos tempos bíblicos.
Este estudo é um processo contínuo como bem o demonstram as traduções mais recentes da Bíblia. Se compararmos passagens
sobre a música de versões antigas da Bíblia com traduções mais recentes, podemos notar algumas diferenças.

TIPOS DE INSTRUMENTOS
Os instrumentos musicais entram em três classes básicas, segundo o modo de produzir-se o som: (1) instrumentos de corda, que
usam a vibração de cordas para produzir o som; (2) instrumentos de percussão, nos quais o som é produzido por uma membrana
vibratória ou por uma concha de metal; e (3) instrumentos de sopro, que produzem som pela passagem do ar sobre uma palheta
vibratória.

A. Instrumentos de percussão. O povo de Israel usava uma variedade de instrumentos de percussão para destacar o ritmo de
sua música. O ritmo era elemento vital da poesia e canções.

1. Campainhas. Certo tipo de campainha recebia o nome (metsilloth) derivado da palavra hebraica que significa "retinir" ou
"chocalhar". Este tipo é mencionado uma única vez na Bíblia (Zacarias 14:20), onde se nos diz que os israelitas atavam essas campainhas
nos freios ou nos peitorais dos cavalos.
Outro tipo era uma campainha pequenina, do ouro puro (paamonim). Era presa à orla da sobrepeliz do sumo sacerdote e
alternada com romãs ornamentais (Êxodo 28:33-34). Essas campainhas produziam som apenas quando tocavam umas às outras, pois elas
não tinham badalos. Este som retininte significava que o sumo sacerdote estava entrando na presença de Deus; outros que se atrevessem
a entrar no santo dos santos seriam mortos (v. 35).

2. Castanholas. Veja "Címbalos" e "Sistro-chocalho".

Músicos egípcios. Esta pintura de um túmulo de Tebas (cerca do décimo-quinto século a. C.) retrata mulheres egípcias tocando
instrumentos musicais e dançando. Da esquerda para a direita vemos uma harpista, uma alaudista, uma dançarina, uma tocadora de flauta
dupla, e uma lirista com um instrumento de sete cordas. Note-se a pele de leopardo decorando a parte inferior da armação da, harpa.

3. Címbalos. Os címbalos (metziltayim ou tziltzal) eram feitos cobre e os únicos instrumentos de percussão na orquestra do
templo.
Eram usados quando o povo celebrará e louvava a Deus. Juntavam-se às trombetas e aos cantores para expressar alegria e ações de graça
ao Senhor (1 Crônicas 15:16; 16:5), Asafe, músico-chefe de Davi (1 Crônicas 16:5), era tocador de címbalos. Quando o povo voltou do
cativeiro, os descendentes de Asafe foram chamados para juntar-se aos cantores e às trombetas em louvor ao Senhor (Esdras 3:10).
Em passagens como 1 Crônicas 16:5, algumas versões traduzem o hebraico por castanholas. Hoje é geralmente aceito que esta
tradução é inexata e deve ser címbalos.

4. Sistro-chocalho. Esta é a tradução correta para 2 Samuel 6:5. O sistro era uma pequena armação em forma de U com um
cabo anexado ao fundo da curva. Pedaços de metal ou outros objetos pequenos eram fixados em cordéis sobre pequenas barras esticadas
de um lado ao outro do sistro,
O uso do sistro remonta ao antigo Egito e tem contrapartes em outras culturas antigas. Era meramente um fazedor de ruídos,
tocado por mulheres tanto nas ocasiões alegres como nas tristes.

5. Tamboril. Veja "Tamborim".

6. Tamborim. Os músicos modernos classificariam este instrumento como um "membranofone" porque o som é produzido por
uma membrana vibratória. É corretamente traduzido por tamboril ou tamborim. Era carregado e batido com a mão. Em tempos
muito primitivos pode ter sido feito com duas membranas, com pedaços de bronze inseridos na borda.

7. Gongo. O "bronze" mencionado em 1 Coríntios 13:1 era, realmente, um gongo de metal. Era usado em casamentos e
em outras ocasiões festivas.

B. Instrumentos de corda. Os arqueólogos têm encontrado fragmentos de harpas e de outros instrumentos do Egito e de países
circunvizinhos do Oriente Próximo. A Bíblia descreve diversos instrumentos de corda usados em Israel.

Alaúde. Esta placa de terracota procedente do Iraque (cerca .de 2000 a. C.) retrata um músico tocando um alaúde triangular de três
cordas. Geralmente o alaúde era tocado por mulheres e pode ter sido um dos "instrumentos de música" mencionados em 1 Samuel 18:6.

1. Harpa. A harpa era um instrumento predileto da classe aristocrática e era prodigamente feito (1 Reis 10:12; 2 Crônicas
9:11). Era usada na orquestra do templo e foi indicada para "levantar a voz com alegria" (1 Crônicas 15:16).

A partitura musical mais antiga do mundo?


Uma erudita recentemente trouxe a público uma evidência controvertível ao sugerir que os antigos egípcios produziram
partituras musicais durante os mesmos séculos da construção da poderosa Esfinge, há cerca de 4500 anos. Maureen M. Barwise afirma
ter decifrado hieróglifos musicais que remontam à quarta dinastia do antigo reino, aproximadamente 2600 a. C. 3
De acordo com sua tradução, a música era escrita basicamente numa só linha melódica. As mais antigas peças musicais
sagradas apresentavam harpas e flautas acompanhadas por tamborins e baquetas de percussão, a que mais tarde se juntaram trombetas,
alaúdes e liras.
A Srta. Barwise alega que os músicos egípcios usavam uma escala incompleta produzindo bela música a despeito de
peculiaridades óbvias. Ela observa que essa música era similar às antigas canções folclóricas gaélicas, galesas e escocesas, com sons
semelhantes da gaita de foles da Escócia.
A pesquisadora empreendeu a tarefa incomum de reproduzir diversas melodias, trans-pondo-as para a clave de sol. De acordo
com Barwise, os egípcios entendiam de compasso, tom, ritmo e de acordes harmônicos além da melodia básica. As músicas adaptadas
parecem cobrir uma variedade de tipos musicais, que vai desde o um tanto jocoso "Beautíful Moon-Bird of the Nile" até à um tanto
imponente grande marcha "Honra ao forte braço de Faraó".
A música egípcia era considerada sagrada. Portanto, sua composição era estritamente governada por lei e não se desenvolveu
muito no decorrer dos séculos.
Os murais, os baixos-relevos e a literatura da antigüidade mostram claramente que os egípcios eram hábeis musicistas. Muitos
especialistas crêem que esta música primitiva foi preservada em forma escrita, mas a teoria arqueológica firmada sustenta que as
melodias eram uma tradição oral.
A tradução que a Srta. Barwise fez dos hieróglifos para a notação musical contesta a antiga escola de pensamento e sua
erudição tem encontrado um misto de aceitação. Alguns críticos concordam com a avaliação de David Wulston de que o trabalho dela
não passa de "uma extravagante fantasia [construída] do mais inauspicioso material." 4

2. Alaúde. Este instrumento triangular de três cordas pode ter sido um dos "instrumentos de música" mencionados em 1
Samuel 18:6. Geralmente era tocado por mulheres e estava excluído da orquestra do templo.

3. Citara. Dois termos hebreus são traduzidos por citara. Um é] mencionado em apenas um livro da Bíblia (Daniel
3:5,7,10,15). Esta citara especial (nevel) era freqüentemente usada na música secular, tal como na folia no banquete de Nabucodonosor.
Era executada] tangendo-se as cordas com os dedos.
Uma citara menor (kinnor) era considerada como o instrumento] mais sofisticado. Sua forma e número de cordas variavam,
mas todos] os tipos de cítaras produziam um som muitíssimo agradável. A citara era usada em ambientes seculares (Isaías 23:16), mas era
também-,j aceita no uso sacro. É o instrumento que Davi usou para acalmar o rei Saul. Geralmente, esta "pequena citara" era executada
ferindo-se as] cordas com um plectro assim como o violão pode ser tocado com uma palheta. Contudo, parece que Davi preferia usar a
mão, em vez do plectro (1 Samuel 16:16, 23; 18:10; 19:9). Os artífices habilidosos faziam cítaras de prata ou de marfim e as decoravam
com pródiga ornamentação.

Canções que contam histórias


Superficialmente, a música dos antigos gregos e hebreus parecia ter pouco em comum. Os gregos cantavam de seus deuses e de
batalhas mitológicas; os hebreus, por outro lado, devotavam suas canções ao louvor do único Deus. Mas há um elo importante entre a
música grega e a hebraica, elo que envolve poesia, cântico e religião. Esse elo é a epopéia.
Os estudiosos de literatura conhecem n epopéia como um poema narrativo longo que apresenta os feitos dos deuses ou dos
heróis tradicionais de uma maneira dignificada. O oitavo século a. C. presenciou a criação de duas grandes epopéias gregas: a "Ilíada" e a
"Odisséia", atribuídas a Homero. A "Ilíada" descreve o choque de armas entre gregos e troianos "nas planícies ressoantes da Tróia
ventosa". A "Odisséia" relata as andanças cheias de aventura de Ulisses em seu retorno à Grécia após a queda de Tróia.
Essas epopéias glorificam o valor heróico e as proezas físicas. Também nos proporcionam muitos detalhes da vida cotidiana da
Grécia antiga.
Os gregos compuseram muitas de suas epopéias para música. A música ajudava os narradores a recordar a letra das epopéias,
que em geral eram peças extremamente longas com dezenas de estrofes e muitos nomes de pessoas e lugares. Rimando as linhas, os
narradores achavam que podiam lembrar-se mais facilmente da intricada história que tinham de contar.
Os gregos não usaram essas "canções de história" como parte de seu culto. (Os templos gregos eram usados para abrigar os
3
Maureen W. Barwise, "Hearing the Music of Ancient Egypt", The Consort, Vol. 25 (1968-1969), pp. 345-361.
4
David Wulston, "The Earliest Music Notation", Music and Letters, Vol. 52, N? 4 (outubro de 1971), p. 365.
deuses e não uma assembléia religiosa.) O uso da canção épica no culto começou com os hebreus, séculos antes do serem escritas as
epopéias gregas. Os mais antigos cânticos de culto hebreus surgiram de um sentimento religioso para com Deus em momentos
importantes.
Por exemplo, o primeiro aparecimento de música de história de que se tem registro foi quando Miriã, irmã de Moisés, cantou
com alegria depois que os judeus escaparam dos soldados de Faraó (Êxodo 15:19-21). Muitos dos Salmos eram epopéias (p. ex., Salmos
114, 136-137) e os profetas algumas vezes irromperam em cânticos épicos (p. ex., Isaías 26; Habacuque 3).
Os hebreus não adaptaram suas epopéias a melodias intricadas. A variação tonal de seus cânticos provavelmente não era
grande, e eles selecionavam instrumentos de ritmo em vez de instrumentos melódicos. As melodias dos Salmos e de outros cânticos
históricos eram bem conhecidas nos seus dias, e provavelmente eram cantadas em forma de versos pelos coros. É evidente que os
hebreus chegaram a considerar os cânticos de história como parte essencial de seu culto. Sua música brotava da alma de um povo cuja
vida cotidiana era ordenada religiosamente.

4. Saltério. Veja "Harpa".

5. Sambuca. O livro de Daniel (ERC) refere-se com freqüência à sambuca (Daniel 3:5,7, 10,15).
Não sabemos o formato e o tamanho exatos da sambuca. O instrumento parece ter sido emprestado dos babilônios e assim não
era comum entre os instrumentos de Israel.

6. Viola. Veja "Harpa".

C. Instrumentos de sopro. A despeito de seu limitado conhecimento de trabalho em metal, os israelitas modelaram uma
variedade de buzinas e de outros instrumentos de sopro.

Liristas cativos. Três liristas cativos (possivelmente judeus de Laquis) são levados através de uma área montanhosa por um soldado
assírio armado com clava e arco. A lira produzia um som doce, ressonante quando suas cordas eram tangidas com um plectro (um pedaço
fino de osso ou metal). Este relevo de alabastro vem das ruínas do palácio de Senaqueribe (704-681 a. C.) em Nínive.

1. Clarineta. A primitiva clarineta era um instrumento popular nos j tempos bíblicos. È mencionada como flauta em Isaías
5:12; 30:29; e Jeremias 48:36. As referências do Novo Testamento incluem Mateus] 9:23; 11:17; Lucas 7:32; e 1 Coríntios 14:7. A
clarineta provavelmente! não era usada no templo, porém era um instrumento popular em] banquetes, casamentos ou funerais.

2. Cometa. Veja "Trombeta", "Shophar", e "Sistro-chocalho".

3. Pífaro. O pífaro (mashrokitha) era realmente um tubo grande. Pelai fato de ser um tubo grande e ter um bocal, ele produzia
um som agudo, penetrante, um tanto semelhante ao oboé. O pífaro eral popular no uso secular e religioso, porém não é mencionado
como instrumento da orquestra do primeiro templo. Às vezes seu uso foi] permitido no segundo templo. Devido ao seu som penetrante,
era] usado em procissão (Isaías 30:29 ERC).

4. Órgão. Veja "Flauta".

5. Flauta. De modo geral, flauta se refere a um instrumento de sopro que expressa exuberante alegria ou lamento extático.
Geralmente se acredita ter sido um instrumento secular, embora o Salmo 150:4 (ERC) mencione seu uso no templo para uma celebração
religiosa.

6. Shophar. O shophar é mais bem entendido como "chifre d carneiro", como em Josué 6:4, 6, 8, 13. Destinava-se a fazer
ruído, não música; daí não poder executar melodias. Era usado para da| avisos e anunciar ocasiões especiais, como no caso da
transferência da arca (2 Samuel 6). Também era usado para afugentar espíritos maus e deuses do inimigo (Zacarias 9:14-15).

7. Trombeta. A trombeta, semelhante ao shophar, era usada pelos sacerdotes. Muitas vezes as trombetas se apresentavam aos
parei (Números 10:1-10). Originalmente foram ordenadas duas para templo; mas o número podia ser aumentado para 120, dependendo
da sua finalidade (2 Crônicas 5:12).
As trombetas eram feitas de osso, de concha ou de metais ― bronze, cobre, prata, ouro ― todas produziam um som agudo e
estridente. Geralmente se crê que essas trombetas, como o shophar, não podiam produzir sons em vários tons, de modo que produzissem
música (melodia). Contudo, podiam executar notas de legato, staccato e trinados. Assim, elas podiam dar sinais complicados para
anunciar reuniões, batalhas, e emboscadas.
Gideão usou trombetas para aterrorizar o inimigo (Juizes 7:19-20). João ouviu o som de uma trombeta antes de receber a visão
do apocalipse (Apocalipse 1:10). Na verdade, as trombetas estão entre os proeminentes símbolos do Juízo (1 Coríntios 15:52; 1
Tessalonicenses 4:16; Apocalipse 8:2).

11. RITUAIS DE CULTO

O povo de Israel adorava o Deus vivo de muitas formas e em muitos lugares diferentes no decorrer do ano. É importante ver
que impacto os rituais de culto tinham sobre sua vida diária. Primeiro, precisamos entender como o povo da Bíblia se sentia em
relação ao Deus que adoravam. Moisés disse ao povo de Israel: "Porque tu és povo santo ao Senhor teu Deus: o Senhor teu Deus te
escolheu, para que fosses o seu povo próprio, de todos os povos que há sobre a terra" (Deuteronômio 7:6). Deus os escolheu não por
alguma coisa especial que tivessem feito ou pelo que fossem, mas porque o Senhor os amava (Deuteronômio 7:7-8). Deus mostrou este
amor de muitas maneiras. Ele foi fiel à sua aliança (v. 9); destruiu os seus inimigos (v. 10); abençoou as suas colheitas (v. 13); afastou
deles as enfermidades (v. 15).
Em resposta aos atos de Deus, os Israelitas foram um povo grato. O salmista disse: "Bom é render graças ao Senhor, e cantar
louvores ao teu nome, ó Altíssimo, anunciar de manhã a tua misericórdia, e, durante as noites, a tua fidelidade" (Salmo 92:1-2).
Eles viviam no temor de Deus. Conforme observou o sábio: "O temor do Senhor é o princípio do saber" (Provérbios 1:7). Essas
respostas eram expressas em seu culto. Naturalmente, os israelitas responderam a Deus com uma variedade de pensamento e emoção;
mas estes dois elementos ― gratidão e temor ― parecem tipificar o relacionamento do povo com Deus.
Também precisamos entender como Deus e Israel interagiam. Por exemplo, era fácil ver a Deus na vida dos patriarcas. Ele
capacitou Sara a ter filhos em idade avançada (Gênesis 18:9-10). Provou a Abraão e poupou a Isaque da morte (Gênesis 22). Falava com
as pessoas e elas com ele (Gênesis 13:14-17; 15:2). Mas aos israelitas nunca foi permitido ver a Deus; Moisés teve de esconder seu rosto
da presença divina "porque temeu olhar para Deus" (Êxodo 3:6).
Veremos como os israelitas expressaram sua gratidão e temor ao Pai celestial, como o cultuavam.

ANTES DO TEMPO DE MOISÉS


A primeira menção clara de um ato de culto encontra-se em Gênesis 4:2-7: "Abel foi pastor de ovelhas, e Caim, lavrador.
Aconteceu que no fim de uns tempos trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao Senhor. Abel, por sua vez, trouxe das primícias do seu
rebanho, e da gordura deste." Os filhos de Adão e Eva reconheceram que Deus lhes havia dado "todas as ervas" e "todos os animais"
(Gênesis 1:29-30), por isso lhe trouxeram ofertas simples. Não sabemos precisamente onde e como foram feitas as ofertas. Somos
informados, porém, de que trouxeram dois tipos de oferta, e que a de Caim foi rejeitada enquanto a de Abel foi aceita.
Este breve relato conta-nos duas coisas muito importantes acerca do culto: Primeira, Deus confirma a adoração. Não sabemos
se ele havia falado aos irmãos neste lugar especial antes deste dia. Mas neste dia Deus falou (Gênesis 4:6), e agiu (Gênesis 4:4-5)
enquanto adoravam. Deus santificou esta hora para eles. Segunda, Deus é o ponto focai do culto. A Bíblia não faz menção alguma de
qualquer altar ou de quaisquer palavras proferidas por esses homens. Não sabemos que orações eles podem ter oferecido. Mas sabemos o
que Deus fez; sua ação foi a parte vital do culto.
A Bíblia não diz por que Caim e Abel fizeram ofertas a Deus; simplesmente que assim fizeram "no fim de uns tempos".
Podemos supor que desejavam agradecer o que Deus lhes dera. Sabiam que Deus os havia abençoado e continuaria a abençoá-los. Por
isso foram motivados não só pelos acontecimentos passados, mas por suas esperanças futuras . Seus sacrifícios foram feitos com duplo
intento: gratidão pelo que Deus lhes havia dado e confiança em que ele continuaria a dar. É importante lembrar ambos os aspectos do
culto e não negligenciar um ou o outro.

Altar de pedra. Encontrado fora da porta que dá para Berseba, este altar de pedra é típico dos que eram usados no Oriente Próximo para
oferta de sacrifícios. Os israelitas deviam oferecer sacrifício somente em Jerusalém, mas muitos desobedeciam a esta lei.

Não sabemos por que a oferta de Abel foi aceita e a de Caim rejeitada. Desconhecemos quaisquer regulamentos com referência
aos sacrifícios nessa época. A pista pode estar no versículo 7: "Se procederes bem, não é certo que serás aceito?" Em outras palavras, o
caráter falho de Caim pode ter tornado sem sentido o seu sacrifício. Este é o primeiro caso registrado de sacrifício de animal. Com o
passar do tempo, o povo aprendeu que Deus honrava e aceitava suas ofertas sacrificiais.
Os patriarcas erigiam altares e faziam sacrifícios onde quer que se estabelecessem (cf. Gênesis 8:20; 12:7-8). Erigiam, também,
monumentos de pedra. Jacó tomou a pedra que usou por travesseiro e a "erigiu em coluna, sobre cujo topo entornou azeite" (Gênesis
28:18-22). Chamou-a Betel, ou "casa de Deus".
Os patriarcas também designavam árvores sagradas (p. ex., Gênesis 12:6; 35:4; Deuteronômio 11:30; Josué 24:26), e poços
sagrados (Gênesis 16:14). Estes elementos lembravam-lhes o que Deus havia feito em ocasiões especiais de suas vidas.
Os patriarcas construíram altares simples de terra e de pedra ("altares de monte de pedras") para a matança de animais para
ofertas. Em realidade, a palavra hebraica geralmente traduzida como altar (misbeach), literalmente quer dizer "lugar de matança".
Não parece ter havido sacerdócio formal no tempo dos patriarcas, não obstante lemos de um notável encontro entre Abraão e
Melquisedeque, um misterioso "sacerdote do Deus Altíssimo". Alguns eruditos especulam dizendo que Melquisedeque era um rei
cananeu procedente de Salém. Abraão encontrou-o depois de livrar alguns de seus parentes cativos (Gênesis 14:17-20). Visto que Deus
propiciou a Abraão efetuar o livramento, ele respondeu com gratidão e adoração. Em vez de edificar um altar ou de oferecer um
sacrifício de animal, Abraão ofereceu o dízimo de tudo como sacrifício e recebeu a bênção de Deus através do mediador, Melquisedeque.
Esta misteriosa figura é o primeiro sacerdote mencionado na Bíblia.
Havia outros sacerdotes nesta época? Se os havia, por que não são citados? Talvez os patriarcas geralmente atuassem como
seus próprios sacerdotes. Eles eram 03 únicos que ofereciam sacrifício a Deus. Se, porém, eles exerciam o ofício de clérigos para outros,
tal fato não está claramente afirmado.
Havia espontaneidade no culto dos patriarcas. No princípio eles deixavam seus altares descobertos e expostos ao tempo; isto,
certamente, determinava a ocasião das cerimônias, visto como queimar era uma parte essencial delas. Também, Deus agiu e falou quando
quis, e os patriarcas não podiam saber com antecedência quando Deus os chamaria ao culto. Considerando que somente um punhado de
pessoas cultuavam de uma vez, não havia necessidade de programar o tempo do culto.

NO TEMPO DE MOISÉS
Moisés inaugurou um novo período nas práticas de culto de Israel ― período que se estendeu para muito além da vida do
grande legislador. Começou quando ele conduziu o povo de Israel para fora do Egito (1446 a. C), porém a sua influência direta sobre a
prática do culto estendeu-se por toda a história dos judeus. Por questões práticas, nesta seção vamos concentrar-nos sobre a influência de
Moisés até ao tempo dos juizes (que terminou em 1043 a. C. com a indicação de Saul como primeiro rei de Israel). Durante o tempo dos
juizes, o povo de Deus ainda adorava em tendas ou tabernáculos. Mas quando Davi foi coroado rei, fizeram-se os planos para a
construção do templo; nossa próxima seção trata desse assunto.

Modelo do tabernáculo. Este modelo construído pelo Dr. Conrad Schick mostra o tabernáculo, um santuário de tenda móvel feito de
acordo com instruções que Deus deu a Moisés no Monte Sinai. Um compartimento especial do tabernáculo, chamado "santo dos santos",
era reservado como o lugar onde Deus habitava. Somente o sumo sacerdote podia entrar neste lugar, e ele o fazia somente num dia do
ano ― no dia da Expiação.

A. O local de culto. Já mencionamos que Deus sancionou o uso de altares de terra e pedra (Êxodo 20:24-26). Nos dias de
Moisés, Deus também sancionou um novo tipo de local de culto. Quando o grande legislador subiu ao topo do Monte Sinai, recebeu
muito mais do que os Dez Mandamentos. Dentre outras coisas, ele recebeu uma planta para um local fechado de culto, com um altar
alojado numa tenda de pano. E difícil construir um quadro deste novo local. Muitos artistas têm traçado suas impressões, baseadas nas
descrições da Bíblia; mas não há pleno acordo quanto ao plano do tabernáculo.
Não obstante, sabemos que este local de culto era muitíssimo diferente dos altares erigidos a céu aberto. Em primeiro lugar, era
muito mais esmerado. Uma descrição do altar em si encontra-se em Êxodo 27:1-3: "Farás também o altar de madeira de acácia: de cinco
côvados será o seu comprimento, e de cinco a largura, será quadrado o altar, e de três côvados a altura. Dos quatro cantos farás levantar-
se quatro chifres, os quais formarão uma só peça com o altar; e o cobrirás de bronze. Far-lhe-ás também recipientes para recolher a sua
cinza; e pás, e bacias, e garfos, e braseiros; todos esses utensílios farás de bronze."
Não somente os materiais eram diferentes dos materiais dos primeiros altares, mas as ferramentas exigidas para fabricá-los e os
utensílios que o acompanhavam eram diferentes (cf. Êxodo 20:25). Há bom indício de que Israel usou ambos os tipos de altares ― os
externos e este no interior do tabernáculo ― nesta época. Por fim, erigiu-se no tabernáculo um altar mais permanente, central.

Modelo da arca da aliança. A arca era uma caixa retangular de madeira de acácia que continha as tábuas dos Dez Mandamentos, um
vaso de maná, e a vara de Arão. A tampa ou "propiciatório" era uma lâmina de ouro circundada por querubins dourados com asas
estendidas. A arca erá símbolo da presença de Deus entre seu povo.

A Bíblia também descreve a tenda que agora cobria o altar: "Ora Moisés costumava tomar a tenda e armá-la para si, fora, bem
longe do arraial; e lhe chamava a tenda da congregação. Todo aquele que buscava ao Senhor saía à tenda da congregação, que estava fora
do arraial. Quando Moisés saía para a tenda, fora, todo o povo se erguia, cada um em pé à porta da sua tenda, e olhavam pelas costas, até
entrar ele na tenda. Uma vez dentro Moisés na tenda, descia a coluna de nuvem, e punha-se à porta da tenda; e o Senhor falava com
Moisés. Todo o povo via a coluna de nuvem que se detinha à porta da tenda; todo o povo se levantava, e cada um à porta da sua tenda
adorava ao Senhor" (Êxodo 33:7-10). A tenda é descrita de novo em Êxodo 26. Com uma descrição tão pormenorizada, pode parecer
fácil exemplificar como era a tenda. Mas não é. Seria tão desafiante como reproduzir um motor de automóvel se tivéssemos apenas uma
descrição verbal do projeto e realmente nunca tivéssemos visto um motor.
Moisés falava com Deus nesta tenda. Embora a Bíblia não diga que Moisés oferecia sacrifícios na tenda (cf. Êxodo 33:7-10),
podemos supor que o fazia, visto que era ali que estava o altar. Moisés buscava ao Senhor. O povo sabia que Deus se encontrava com
Moisés porque a "coluna de nuvem" se detinha à porta da tenda. Este era um sinal conhecido da presença de Deus.
Moisés e seu servo Josué entravam na tenda sozinhos enquanto as demais pessoas ficavam em pé e esperavam. Depois que
Moisés adorou na tenda pela primeira vez, ele voltou ao monte para receber novas tábuas da lei. Depois ele desceu para transmitir a
mensagem de Deus ao seu povo.
Em certo sentido, Moisés era um "intermediário" entre Deus e os israelitas. Ele não era um sacerdote formal, mas Deus o escolheu como
seu mensageiro-líder. Podemos ver aqui os começos do sacerdócio; porém o próprio Moisés não foi realmente chamado de sacerdote até
séculos mais tarde (cf. Salmo 99:6).

B. O sacerdócio. A esta altura, na história de Israel, passou a existir um sacerdócio ordenado. De acordo com a ordem de Deus
(Êxodo 28:1), Moisés consagrou seu irmão Arão e aos filhos deste como sacerdotes. Estes homens vinham da tribo de Levi. Deste ponto
até aos tempos intertestamentários, o sacerdócio oficial pertenceu aos levitas.
Moisés estabeleceu distinção entre Arão e seus filhos, pois ele ungiu Arão como "sumo sacerdote entre seus irmãos" (Levítico
21:10). Ele distinguiu o ofício de Arão dando-lhe vestes especiais (Êxodo 28:4, 6-39; Levítico 8:7-9). Com a morte de Arão, as vestes e o
ofício passaram para Eleazar, seu filho mais velho (Números 20:25-28).
Escadaria das portas de Hulda. Crêem os eruditos que os peregrinos podem ter cantado os cânticos de romagem (ou dos . degraus)
(Salmos 120-134) quando faziam suas viagens ao locais sagrados na tradição israelita. Esta escadaria, descoberta no sul do monte do
templo e que dava para as portas de Hulda em Jerusalém, provavelmente é a escadaria que os peregrinos subiam em seu caminho para os
átrios interiores do templo.

A função mais importante do sumo sacerdote era presidir no dia anual de Expiação. Nesse dia, ele podia entrar no santo dos
santos do tabernáculo e espargir o propiciatório com o sangue das ofertas pelo pecado. Ao fazer isto, ele expiava seus erros, os de sua
família e os de todo o povo de Israel (Levítico 16:1-25). O sumo sacerdote também devia espargir o sangue das ofertas pelo pecado
diante do véu do santuário e nos chifres do altar (Levítico 4:3-21).
Como chefe espiritual de Israel, o sumo sacerdote devia atingir um grau mais elevado de pureza cerimonial do que os
sacerdotes comuns. Levítico 21:10-15 delineia as exigências de pureza do sumo sacerdote. Qualquer pecado que ele viesse a cometer era
uma ruína para todo o povo de Israel. Ele tinha de fazer expiação por tal pecado com uma oferta especialmente prescrita (Levítico 4:3-
12).
O sumo sacerdote oferecia também a oferta diária de manjares (Levítico 6:19-22) e participava dos deveres gerais do
sacerdócio (Êxodo 27:21). Esses deveres eram muitos. Os sacerdotes presidiam a todos os sacrifícios e festas. Serviam como
conselheiros médicos da comunidade (Levítico 13:15), e eram administradores de justiça (Deuteronômio 17:8-9; 21:5; Números 5:11-
13). Só eles podiam dar bênção em nome de Deus (Números 6:22-27) e tocar as trombetas a fim de convocar o povo para a guerra ou
para a festa (Números 10:1-10).
Os levitas serviam como sacerdotes desde a idade de 30 até 50 anos (Números 4:39) ou desde 25 até 50 anos (Números 8:23-
26). Depois dos 50 anos, só lhes era permitido assistir seus colegas sacerdotes.
O dízimo do povo proporcionava alimento e vestuário para os sacerdotes (Levítico 27:32-33); um décimo do dízimo era
entregue aos sacerdotes (Números 18:21, 24-32). Uma vez que a tribo de Levi não possuía território, 48 cidades com suas pastagens
circunvizinhas foram dadas a eles (Números 35:1-8).

C. O Sistema sacrificial. A Bíblia contém muitos dos regulamentos de Moisés para o sacrifício, mas os sete primeiros
capítulos de Levítico são totalmente dedicados ao ritual. Muitos eruditos consideram esta seção como uma espécie de "manual do
sacrifício". Ela descreve cinco tipos de sacrifício: ofertas queimadas (holocaustos), ofertas de cereais (manjares), ofertas pacíficas, ofertas
pelo pecado, e ofertas por transgressões.

1. Holocaustos. Este tipo de sacrifício era queimado totalmente. Nada dele era comido por ninguém; o fogo o consumia todo.
Na verdade, o fogo nunca se extinguia: "O fogo arderá continuamente sobre o altar; não se apagará" (Levítico 6:13).
O adorador trazia um animal macho ― um touro, um cordeiro, um bode, um pombo, uma rola (dependendo em grande parte
das posses do adorador) ― à porta da tenda ou do templo. O animal tinha de ser sem mácula. Então o adorador colocava as mãos sobre a
cabeça do animal e era "aceito a favor dele, para sua expiação" (Levítico 1:4). A imposição de mãos era um ato cerimonial mediante o
qual o adorador abençoava ou preparava o animal do sacrifício. A seguir o animal era morto junto à porta. Imediatamente o sacerdote
recolhia o sangue e o espargia sobre o altar. (Os sacerdotes nunca bebiam o sangue.) Em seguida, o sacerdote esquartejava o animal,
oferecia a cabeça e a gordura sobre o altar, depois lavava as pernas e as entranhas em água e as oferecia. O que sobrasse podia ser atirado
nas cinzas. (Por exemplo, isto acontecia com as penas das aves.)
Além de colocar o animal sobre o altar, 09 sacerdotes eram responsáveis por manter o fogo aceso. Não podiam deixar que as
cinzas se acumulassem no fundo do altar, mas de quando em quando as colocavam de lado. Mais tarde, pegavam as cinzas e as levavam
para fora do arraial ou da cidade "a um lugar limpo". Para fazer isto, trocavam de roupa.
Posteriormente, na história de Israel, o holocausto passou a ser um sacrifício oferecido de contínuo: "Esta é a oferta queimada
que oferecereis ao Senhor, dia após dia: dois cordeiros de um ano, sem defeito, em contínuo holocausto" (Números 28:3). Conforme esta
passagem indica, todos os dias eram sacrificados dois animais. Um de manhã e outro ao cair da tarde. Isto se fazia para expiar os pecados
do povo contra o Senhor (Levítico 6:2). A queima simbolizava o desejo da nação de livrar-se desses atos pecaminosos contra Deus.

2. Ofertas de manjares. Além de animais, os israelitas sacrificavam cereais ou produtos vegetais. Essas colheitas podiam ser
oferecidas independentemente dos holocaustos, ou juntamente com eles. A palavra hebraica para "oblação" {minha) às vezes refere-se a
essas ofertas de manjares; outras vezes, minha refere-se a outros tipos de sacrifício.
O capítulo 2 de Levítico menciona quatro espécies de ofertas de manjares e dá instruções para cozinhar cada uma delas. O
adorador podia oferecer um bolo de flor de farinha assado num forno, cozido numa assadeira, feito numa frigideira, ou torrado. (O último
método era usado para as ofertas dos primeiros frutos ou primícias.) Todas as ofertas de manjares eram feitas com azeite e sal; não se
podia usar mel, e fermento. Além desses ingredientes cozidos, o adorador devia, trazer uma porção de incenso. Também podia trazer
porções dos materiais não cozidos (grãos em seu estado natural, sal e azeite) com a} oferta.
Os adoradores traziam ofertas de manjares a um de dois sacerdotes, que as levava ao altar e atirava uma "porção memorial" (do
pão, do bolo, da obréia ou de ingredientes não cozidos) ao fogo. Ele fazia a mesma coisa com o incenso. O sacerdote comia o restante;
mas se era o próprio sacerdote que fazia a oferta de manjares, ele queimava todo o sacrifício.
A finalidade da oferta de manjares parece ter sido semelhante à i oferta queimada ― exceto no caso da oferta de "grão", que
estava vinculada à oferta das primícias (Levítico 2:14). Parece que o propósito da oferta das primícias era santificar a colheita inteira. A
oferta de "grão" substituía o restante da colheita ― acentuando que toda colheita era santa ao Senhor.
Quando tiveram fim os sacrifícios
Judea Capta ― "A Judéia foi capturada" ― lia-se nas moedas cunhadas pelos romanos em comemoração de sua vitória no ano 70 de
nossa era. Milhares de judeus morreram na batalha; milhares mais foram levados para o cativeiro; muitos outros preferiram deixar o país.
Seu centro de culto, o templo, foi destruído pelo fogo e a capital do Judaísmo caiu.
Os imperadores romanos encaminharam o imposto do templo, anteriormente coletado de todos os judeus, para o templo de
Júpiter Capitolino em Roma. Judeus tristes abstinham-se de comer carne e beber vinho, outrora elementos do templo; achavam errado
desfrutar daquilo que já não podia ser oferecido a Deus.
Com o fim do culto no templo, o sacerdócio começou a declinar. Embora os sacerdotes ainda pudessem receber ofertas
movidas e dízimos, suas receitas foram grandemente reduzidas. Esta perda de renda, somada à perda de sua função no templo, resultou
numa perda de influência e de autoridade.
O Deuteronômio proibia altares e sacrifícios fora do lugar escolhido, Jerusalém. Mas esta não era a primeira vez que os judeus
se viram privados de seu templo e do culto sacrificial; durante o exílio, o povo se congregava regularmente para ler as Escrituras e
discutir seu significado. Essas sinagogas (em grego, "assembléias") após a destruição do templo de novo se tornaram vitais para o
Judaísmo.
O povo judeu reunia-se na sinagoga para orar, cantar e estudar a Tora. A principal função da sinagoga era promover
compreensão e a devida observância da lei judaica. Em realidade, ela tornou-se a sede de um governo espiritual que ordenava e
disciplinava a vida das pessoas.
Após a destruição do templo, os sábios que interpretavam a Lei chegaram a ser chamados de tannaim, e os que foram
autorizados como dirigentes receberam o título de rabi, ou "doutor da lei". Os sábios interpretavam as leis encontradas no Pentateuco
bem como as leis tradicionais, orais, chamadas halakoth. A principal preocupação deles era a forma como essas leis afetavam a vida do
povo. Os adeptos do grande sábio Shammai eram conhecidos por suas interpretações conservadoras, enquanto os seguidores do sábio
Hillel aderiam a interpretações mais liberais.
Jabne (a moderna Jâmnia) nas planícies ocidentais da Judéia logo se tornou o centro do conhecimento judaico. Durante a guerra
com Roma, o sábio Joana ben Zakkai foi levado clandestinamente para fora de Jerusalém num caixão de defunto. Ele dirigiu-se ao
acampamento romano, onde pediu às autoridades que permitissem a ele e a seus discípulos fixar-se na cidade costeira de Jabne e aí
estabelecer uma academia. Joana percebeu muito bem que a única importante vitória a ser conseguida na guerra contra Roma era a
sobrevivência do Judaísmo. Se fosse necessário, uma tradição vitalizada poderia tornar-se uma "pátria portátil" para os judeus. Jabne veio
a ser o novo centro dessa tradição.
Após a revolta de Bar-Kochba, em 135 A. D., o centro de estudos judaicos mudou-se para Usha, na Galiléia, perto da moderna
Haifa. Aqui os sábios começaram a coligir e codificar o que havia das halakoth num documento que veio a ser chamado Mishna.
Os sábios discordavam quanto à forma como se deveria organizar as halakoth. Um grupo achava que elas deviam seguir a
ordem dos versículos bíblicos aos quais se referiam. Outro grupo, encabeçado pelo rabi Akiba ben Joseph, era favorável a arranjar os
ditos pelo assunto, forma que foi finalmente adotada.
A tarefa de reunir a Mishna só foi completada na primeira parte do terceiro século. A Mishna e a Gemam (comentário sobre a
Mishna), compreendem as principais partes do livro sagrado dos judeus, chamado Talmude. Esta abrangente compilação do
procedimento, dos costumes, das crenças e dos ensinos judaicos ainda é reverenciada e estudada pelos eruditos judeus.

3. Ofertas pacíficas. Uma refeição ritual chamada "oferta pacífica" era partilhada com Deus, com os sacerdotes e, às vezes,
com outros adoradores. Ela incluía machos e fêmeas do gado bovino, ovino ou caprino. O procedimento era quase idêntico ao da oferta
queimada. Neste caso, o sangue do animal era recolhido e espargido ao redor do altar. A gordura e as entranhas eram queimadas. O
restante era comido pelos sacerdotes e (se a oferta fosse voluntária) pelos próprios adoradores. Este sacrifício expressava o desejo do
adorador de dar graças ou louvor a Deus. Às vezes, exigia-se dele que fizesse isto; de outras vezes, podia fazê-lo espontaneamente.
As ofertas exigidas incluíam bolos não levedados. Os sacerdotes tinham de comer tudo no mesmo dia em que o sacrifício era
feito, exceto a porção memorial dos bolos e os restos do animal.
Quando a oferta era voluntária, os regulamentos não eram tão estritos. Os adoradores não precisavam trazer bolos e podiam
comê-los em dois dias, e não apenas um. A porção do sacerdote limitava-se ao peito e à coxa direita do animal, enquanto qualquer pessoa
cerimonialmente limpa podia comer do restante.
Jacó e Labão ofereceram este tipo de sacrifício quando fizeram um tratado (Gênesis 31:43ss.). Alguns eruditos chamam este
sacrifício de "oferta de voto". As "ofertas de gratidão" e as "ofertas voluntárias" seguiam o mesmo padrão geral. O sacrifício de Saul (1
Samuel 13:8ss.) enquadrava-se na última categoria; embora "forçado pelas circunstâncias" a fazê-lo, por certo não se exigia dele que o
fizesse. (De fato, Samuel censurou-o, dizendo que o ato era ilegal.) As ofertas de voto e de gratidão eram exigidas, ao passo que as
ofertas voluntárias não o eram.

4. Ofertas pelo pecado. Os sacrifícios pelo pecado "pagavam" ou expiavam as culpas rituais do adorador contra o Senhor.
Essas culpas eram involuntárias. "Disse mais o Senhor a Moisés: Fala aos filhos de Israel, dizendo: Quando alguém pecar por ignorância
contra qualquer dos mandamentos do Senhor, por fazer contra algum deles o que não se deve fazer" (Levítico 4:1-2, itálicos
acrescentados). Moisés instruiu várias pessoas a oferecerem sacrifícios diferentes nestes casos.
Os pecados do sacerdote eram expiados com a oferta de um novilho. O sangue não era derramado sobre o altar, mas espargido
pelo dedo do sacerdote sete vezes sobre o altar. A gordura das entranhas era queimada em seguida. Os restos eram queimados, não
comidos, fora do arraial ou cidade "a um lugar limpo, onde se lança a cinza".
Os pecados dos príncipes ou dirigentes da comunidade eram expiados com a oferta de um bode. O sangue era espargido
somente uma vez, ei o restante derramado ao redor do altar como na oferta queimada.
Os pecados de qualquer pessoa eram expiados com cabras, cordeiras,! rolas ou pombas. Se alguém não tinha condições de
oferecer nenhum? desses animais, a oferta de grão era aceitável. O procedimento para a oferta de cereal era o mesmo da oferta de
manjares.
Seria impossível citar todas as formas pelas quais uma pessoa podia cometer um pecado por ignorância contra Deus. Alguns
tinha mi implicações morais. Outros, como no caso dos leprosos (cf. Lucas] 5:12ss.), eram puramente cerimoniais. Outro exemplo de
sacrifício] por uma falta cerimonial seria a oferta que uma mulher fazia após ter] dado à luz, a fim de recuperar sua pureza cerimonial
(Levítico 12). As ofertas pela nação e pelo sumo sacerdote cobriam todos estes pecados de um modo coletivo. No dia da Expiação (Yom
Kippur), o sumo sacerdote espargia sangue sobre a própria arca da aliança. Este era o supremo ritual da expiação.

A idolatria de Jezabel
Jezabel, filha de Etbaal, rei de Sldom, foi criada em Sidom, foi criada em Sidom, cidade comercial na costa do Mar Mediterrâneo. Sidom
era tida como centro de vícios e impiedades. Quando Jezabel se casou com Acabe, rei de Israel, mudou-se para Jezreel, cidade que servia
ao Senhor. Jezabel decidiu logo transformar Jezreel num» Cidade semelhante à sua cidade natal.
Jezabel tentou convencer o marido a começar a servir ao bezerro de ouro, sob o pretexto de que tal culto realmente seria uma
adoração no Senhor. Na verdade, o bezerro era um ídolo central do culto a Baal, um deus-sol Importante para os antigos fenícios. Visto
como se acreditava que Baal tinha poder sobre as colheitas, sobre os rebanhos e sobre a fertilidade da» famílias agrícolas, o bezerro de
ouro multas vezes era associado com Baal. Como o culto a este deus se espalhou pelos países fronteiriços da Fenícia, outros povos
também adotaram os ritos lascivos da religião, os quais incluíam sacrifícios humanos, autotortura, e beijar a imagem. As práticas do culto
de Baal escandalizavam os judeus piedosos, mas pelo fato de Acabe ser facilmente manipulado por Jezabel, logo se ergueram em todo o
Israel os belos templos em honra de Baal.
Os sacerdotes do Senhor opunham-se a Jezabel; muitos deles foram assassinados. Mesmo o grande profeta Elias fugiu de sua
ira (1 Reis 18:4-19).
Em seu esforço por apagar o nome de Deus em todo o Israel, Jezabel tornou-se a primeira perseguidora religiosa na história
bíblica. Com tanta eficácia ela injetou o veneno da idolatria nas veias de Israel que a nação sofreu.
Elias disse: "Os cães comerão a Jezabel dentro dos muros de Jezreel" (1 Reis 21:23). Esta profecia cumpriu-se; somente a
caveira, os pés c as palmas das mãos de Jezabel ficaram para ser sepultadas (2 Reis 9:36-37).
O coração dos israelitas deve ter amadurecido para a idolatria, do contrário Jezabel não teria podido perverter tanto a religião
deles. O rei Acabe cometeu grave pecado contra Deus ao casar-se com ela, porque Jezabel adorava a Baal (1 Reis 21:25-26).

5. Ofertas pela culpa. A oferta pela culpa era semelhante à oferta pelo pecado, e muitos estudiosos do assunto incluem-na na
primeira categoria. Sua única diferença estava em que a oferta pela culpa era feita em dinheiro. Este sacrifício era feito pelos pecados
cometidos por ignorância, relacionados com fraude. Por exemplo, se o adorador, sem premeditação, defraudasse alguém, em dinheiro ou
propriedade, seu sacrifício devia ser igual ao valor da quantia tomada, acrescentada de um quinto. Ele oferecia esta soma ao sacerdote,
depois fazia uma restituição semelhante ao ex-dono da propriedade. Portanto, ele restituía duas vezes o que havia tomado, mais 40%
(Levítico 6:5-6).
Todos esses sacrifícios relacionavam-se diretamente ou com a expiação (remoção da culpa) ou com a propiciação (manter o
favor de Deus). Eles lembram-nos igualmente as duas fortes emoções em todo culto: temor e gratidão.

D. O ano ritual. O povo de Israel adorava a Deus nas ocasiões pelo Senhor determinadas ou sempre que "o buscavam". Mas,
sob a liderança de Moisés, o culto tornou-se obrigatório em certas ocasiões do ano. O povo começou a observar o sábado e outros dias
indicados de adoração.
Os mais importantes eventos do calendário ritual eram as três grandes festas dos peregrinos ― a Páscoa, a Festa das Semanas
(Pentecoste), e a Festa dos Tabernáculos (ou Tendas). Em cada uma dessas ocasiões, os varões israelitas iam ao lugar central de culto
para oferecer sacrifícios a Deus.

1. O sábado. Não parece ter havido observância alguma de um dia especial de descanso entre os hebreus até ao tempo de
Moisés. A primeira menção do sábado encontra-se em Êxodo 16:23, quando os hebreus se acamparam no deserto de Sim antes de
receberem os Dez Mandamentos. Ali Deus os instruiu a observar o sábado de sete em sete dias, em honra da obra da criação (Êxodo
20:8-11; cf. Gênesis 2:1-3) e do livramento de Israel do cativeiro (Deuteronômio 5:12-15; cf. Êxodo 32:12). O sábado apartava os
israelitas do trabalho e de qualquer outra atividade comum (Êxodo 35:2-3); assim, o dia lembrava-lhes a separação de Israel das nações
vizinhas, e sua relação com Deus como um povo da aliança.
Grande parte da matéria legal dos primeiros cinco livros da Bíblia relaciona-se com a guarda do sábado. Quebrar o sábado era
como quebrar a aliança de Israel com Deus; por isso, a quebra era punível com a morte (Números 15:32-36). Dois cordeiros eram
sacrificados no sábado, ao contrário de um cordeiro nos outros dias (Números 28:9). Doze pães da proposição (representando as 12 tribos
de Israel) eram apresentados no tabernáculo no sábado (Levítico 24:5-8).

2. A Páscoa e a festa dos pães asmos. Durante as grandes festas de peregrinação de Israel, todos OS homens eram obrigados a
apresentar-se diante do santuário do Senhor (Deuteronômio 16:16). A primeira e mais importante destas comemorações era a festa da
Páscoa. Ela combinava duas observâncias que originalmente eram separadas: a Páscoa, a noite celebrada em memória da passagem do
anjo da morte sobre as famílias dos hebreus no Egito, e a festa dos Pães Asmos, que comemorava os primeiros sete dias do Êxodo. As
duas celebrações estavam estreitamente entrelaçadas. Por exemplo, o fermento devia ser removido da casa antes de ser morto o cordeiro
pascal (Deuteronômio 16:4). Portanto, a refeição da Páscoa era de pão sem fermento (Êxodo 12:8). Finalmente, o povo de Israel fundiu
em uma as duas celebrações.
Este grande festival começava na noite do décimo-quarto dia de abibe (que teria sido considerado o começo do décimo-quinto
dia). O cordeiro ou cabrito era morto ao crepúsculo (Êxodo 12:6; Deuteronômio 16:6) e era assado inteiro e comido com pão sem
fermento e ervas amargas. A cerimônia era cheia de simbolismo: O sangue do animal simbolizava a purificação de pecados. As ervas
amargas representavam a amargura da escravidão no Egito. E o pão asmo era símbolo de pureza.
Famílias inteiras participavam da ceia da Páscoa. Se a família era pequena, os vizinhos se juntavam a ela até que houvesse
número suficiente para comer todo o cordeiro (Êxodo 12:4). O chefe da casa recitava a história de Israel durante a refeição.
O primeiro e o sétimo dias da celebração eram guardados como sábados: não havia trabalho algum e o povo se congregava para
uma assembléia santa (Êxodo 12:16; Levítico 23:7; Números 28:18, 25). No segundo dia da festa, o sacerdote movia um feixe da
primeira cevada colhida, perante o Senhor, para consagrar o começo da colheita. Além dos sacrifícios regulares no santuário, os
sacerdotes sacrificavam diariamente dois novilhos, um carneiro, e sete cordeiros como oferta queimada e um bode como oferta pelo
pecado (Levítico 23:8; Números 28:19-23).

3. A Festa das Semanas (Pentecoste). Esta festa era observada 50 dias após a oferta do feixe de cevada na festa dos pães
asmos. Ela assinalava o fim da colheita e o começo da oferta sazonal das primícias (Êxodo 23:16; Levítico 23:15-21; Números 28:26-31;
Deuteronômio 16:9-12). Este festival de um dia era observado como sábado, com uma santa convocação no tabernáculo. Eram oferecidos
dois pães sem fermento, ao lado de dez animais próprios para oferta queimada, um bode para oferta pelo pecado, e dois cordeiros de um
ano para oferta pacífica. Os sacerdotes insistiam com o povo para que neste festival se lembrasse de ter sido um povo necessitado
(Deuteronômio 16:11-12), como o deviam fazer em todas as festas de peregrinação.
A rocha sagrada. Atualmente no centro da mesquita de Ornar (completada em 691 A. D.), esta rocha está situada no local dos templos
de Salomão e de Herodes. Muitos acreditam que a rocha outrora formava a base do altar judaico. O local é sagrado também para os
muçulmanos, que crêem ter sido deste ponto que Moamé ascendeu ao céu.

4. A Festa dos Tabernáculos (Tendas). Esta festa comemorava a peregrinação de Israel no deserto. Ela recebe seu nome do
fato que os israelitas viviam em tendas ou sob ramos de árvores durante a celebração (Levítico 23:40-42). A festa começava no décimo-
quinto dia do sétimo mês (tisri), e durava sete dias. Ela caía no fim da época da colheita ― daí um terceiro nome para a festividade, a
"Festa da Colheita" (Êxodo 23:16; 34:22; Levítico 23:39; Deuteronômio 16:13-15). O sacerdote oferecia uma oferta queimada especial
de 70 novilhos durante a semana. Dois carneiros e 14 cordeiros eram o holocausto diário, e um bode a oferta diária pelo pecado
(Números 29:12-34).
Todo sétimo ano, quando não havia colheita por causa do ano sabático, a Lei de Moisés era lida publicamente durante a festa.
Tempos mais tarde, foi acrescentado outro dia à Festa das Tendas para este fim. Era conhecido como Simhath Torah ("Alegria da Lei"),
em homenagem à Lei.

5. O Dia da Expiação. A lei de Moisés exigia somente um jejum ― o Dia da Expiação (Êxodo 30:10; Levítico 16; 23:31-32;
25:9; Números 29:7-11). Este dia caía no décimo dia de tisri, exatamente antes da Festa das Tendas.
O dia era separado para a purificação de pecados. Era observado abstendo-se de trabalho, jejuando e comparecendo a uma
santa convocação. O sumo sacerdote trocava suas vestes esmeradas por; uma vestimenta simples de linho branco e oferecia uma oferta
por si próprio, pela sua casa e por toda a nação de Israel.
Um aspecto interessante da observância do dia era que o sumo sacerdote simbolicamente transferia os pecados do povo para
um bode, ou bode emissário. O sacerdote punha as mãos sobre a cabeça do bode e confessava os pecados do povo. Então o bode era
levado ao deserto, onde era abandonado para morrer. (Em tempos posteriores, um assistente conduzia o bode para fora de Jerusalém e o
arrojava de um dos penhascos que havia ao redor da cidade.) Este ato encerrava os ritos do Dia da Expiação, O povo, livre do pecado,
dançava e regozijava-se (cf. Salmo 103:12).

Bacia ritual. Os sacerdotes lavavam nesta bacia vários objetos de culto para obter pureza cerimonial. Os antigos hebreus consideravam a
pureza um atributo tanto físico como moral. Pessoas enfermas e os objetos que elas tocavam eram tidos como impuros (Levítico 15:22).

DA MONARQUIA AO EXÍLIO
Os padrões de culto de Israel mudaram perceptivelmente desde o tempo da monarquia (que começou quando Saul se tornou rei,
em 1043 a. C.) até ao tempo do Exílio (que começou quando os babilônios capturaram Judá no ano 586 a. C).
Antes disto, o povo de Israel adorava a Deus em muitos lugares diferentes; no governo dos reis, o culto concentrava-se num
lugar central de sacrifício. Antes, uma pessoa podia fazer uma oferta sob o impulso do momento; agora, ela tinha de seguir os
procedimentos estabelecidos pela lei de Moisés.

A. O templo. O primeiro rei de Israel, Saul, parece ter ficado confuso acerca do modo próprio de cultuar. Às voltas com a
derrota certa nas mãos dos filisteus, ele retrocedeu ao antigo sistema. Edificou um altar ali mesmo no seu acampamento e pediu a ajuda
de Deus. Samuel chegou logo depois para adverti-lo do mandamento do Senhor de não adorar "em todo lugar" (1 Samuel 13:8-14;
cf. Deuteronômio 12:13).
Sob a liderança de Davi, Israel, como nação, se tornou mais forte e mais rica. Depois de construir um grande palácio de cedro,
pareceu errado a Davi que ele morasse em casa de cedros, e a arca de Deus se achasse numa tenda (2 Samuel 7:2). Portanto, com a
bênção do profeta Nata, Davi reuniu materiais e comprou o local para um templo, uma casa de Deus (2 Samuel 24:18-25; 1 Crônicas
22:3). Contudo, ele não iria construir o templo (1 Crônicas 22:6-19), mas seu filho Salomão.
Os capítulos 6 e 7 do primeiro livro dos Reis e os capítulos 3 e 4 do segundo livro das Crônicas contêm descrições do templo.
Há urra notável semelhança entre o templo de Salomão e os planos do tabernáculo (Êxodo 25-28). Por exemplo, cada um deles tinha de
câmaras ou pátios. Os altares do templo eram de bronze com utensílios semelhantes aos do tabernáculo. A maioria das representações
gráficas do templo incluem degraus que levam a um alpendre com duas colunas de cada lado de uma porta. Dentro da menor estava a
arca da aliança. Uma espécie de galeria para armazenar o tesouro nacional circundava todo o edifício.

B. Sacerdotes, Profetas e Reis. No tempo de Moisés desenvolveu-se um sacerdócio formal na tribo de Levi. Contudo, sob a
monarquia, houve exemplos de sacerdotes não levíticos (2 Samuel 8:17; 20:25; 1 Reis 4:4). Em 1 Reis 12:31 lemos que Jeroboão, o
primeiro rei do reino do norte, constituiu seu próprio sacerdócio: "sacerdotes, que não eram dos filhos de Levi".
As atribuições sacerdotais foram muito especializadas durante a monarquia. Por exemplo, um grupo incumbia-se do altar, e
outro estava encarregado do azeite das lâmpadas.
Mas o povo reconhecia que Deus tinha outros porta-vozes além dos sacerdotes. Quando o povo quis um rei, dirigiram-se a
Samuel, o profeta. Que papel desempenharam os profetas no culto de Israel?
Sabemos que os profetas davam conselho aos reis (1 Reis 22), mas também falavam ao povo nos santuários. Havia, realmente,
um "ofício de profeta" formal, como havia um sacerdócio distinto; Amós no-lo diz, negando que pertencia ao corpo de profetas (Amós
7:14).
Os dois grupos ― sacerdotes e profetas ― tinham diferentes propósitos e funções. Por exemplo, a Bíblia não fala com
freqüência sobre profetas no culto; ela fala mais vezes das críticas que faziam das
práticas de culto.
O rei também desempenhava importante papel no culto de Israel; alguns dizem que seu papel era o mais importante de todos.
Quando ele se comunicava com Deus, a nação inteira sentia o impacto (2 Samuel 21:1). O sumo sacerdote ungia o rei para significar que
Deus o escolhera para sua tarefa real (cf. 1 Samuel 10:1). Como representante ungido do povo, o rei tinha de fazer sacrifícios (1 Reis 8; 2
Samuel 24:25). Ele reunia materiais para o templo e ordenava a construção. No fim, ele tinha poder de afetar tudo o que Israel fazia
concernente ao culto. Alguns dos últimos reis profanaram as atividades do templo com rituais e ídolos estrangeiros. Mas outros forçaram
uma volta aos modos próprios de culto.
A compreensão que o povo tinha do sacrifício foi desafiada neste período. Vejam-se estas palavras do profeta Miquéias: "Com
que me apresentarei ao Senhor, e me inclinarei ante o Deus excelso? Virei perante ele com holocaustos? com bezerros de um ano?
Agradar-se-á o Senhor de milhares de carneiros? de dez mil ribeiros de azeite? Darei o meu primogênito pela minha transgressão? fruto
do meu corpo pelo pecado da minha alma?" (Miquéias 6:6-7). Os israelitas tinham de reconhecer que o motivo é mais importante do que
o próprio ato de sacrifício. Eles precisavam ver que o Senhor não exige grandes sacrifícios por amor aos sacrifícios, mas requer justiça,
misericórdia e humildade (Miquéias 6:8). Esta distinção tinha efeitos de longo alcance.
Nem toda a matança de animal agora era considerada como sacrificial. O povo podia matar e comer quanto quisesse; mas não
podia comer o dízimo do grão, das primícias, ou de qualquer outro sacrifício. Começaram a considerar alguns atos de matança como
sagrados, enquanto outros eram seculares.

Diagrama do templo em Araq-el-Emir. Esta reconstrução de um templo judaico edificado pelos macabeus sob João Hircano baseia-se
nos achados de escavações no local. A fachada do edifício erigido no começo do segundo século a, C, foi decorada com enormes figuras
de leões em relevo. O interior retangular exibia quatro sala» de canto, uma das quais era uma torre com escada». Em tempos posteriores,
o templo de Salomão foi profanado de várias formas por infiéis reis judaicos (cf. 1 Reis 14:26; 2 Reis 12:4-15; 16:8; 18:15-16; 21:4;
23:1-12). Finalmente, Nabucodonosor o destruiu no ano 586 a. C.

C. Festas. As principais festas deste período ainda eram a das Semanas, a dos Pães Asmos (Páscoa) e a das Tendas. O
comparecimento do povo ainda era obrigatório, mas todas elas eram realizadas em Jerusalém. (Outrora, eram realizadas em qualquer
lugar onde se encontrasse a arca da aliança.)
Geralmente, o culto durante a monarquia era realizado numa atmosfera de regozijo. Havia música, gritaria e danças. Mas o
culto também se caracterizava por orações, votos, vigílias, promessas, refeições sagradas e lavagens rituais.
As influências estrangeiras começaram a infiltrar-se no culto de Israel e os profetas as denunciaram em alta voz. Amós clamou
contra a quebra da lei ritual (Amós 2:8), contra a prostituição ritual (Amós 2:4), e contra o culto que não era acompanhado de
arrependimento (Amós 4:4-6). Ele disse que Deus desprezava as festas de Israel (Amós 5:21-24). Os profetas também denunciaram a
idolatria no culto de Israel (2 Reis 18:4; Isaías 2:8, 20; Oséias 8:4-6; 13:1-2). Mesmo o próprio templo ― seus móveis e utensílios,
simbolismos e padrões de culto ― mostravam influências cananéias, fenícias e egípcias.
A reforma levada a efeito pelo rei Josias (639-608 a. C.) aboliu os altares locais e acabou com as famílias sacerdotais locais.
Todos os sacrifícios eram novamente feitos em Jerusalém. Josias suprimiu os cultos locais e todos os ritos idolatras (2 Reis 23:4-25).
Após a sua morte, porém, Judá voltou a fazer o que era mau perante o Senhor (2 Reis 23:32, 37).

O EXÍLIO E O PERÍODO INTERTESTAMENTÁRIO


No ano 586 a. C, Nabucodonosor saqueou Jerusalém e destruiu o templo santo que Salomão havia edificado. Agora os israelitas
não poderiam cultuar como o faziam antes; foram obrigados a mudar seu modo de culto. Este período de exílio começou com o que
podíamos chamar de "últimos anos" do culto de Israel.
A Bíblia diz pouca coisa sobre o que aconteceu no local do templo enquanto os judeus se encontravam no exílio. O "templo" de
Ezequiel foi, provavelmente, uma visão. Porém, Ciro da Pérsia ordenou aos israelitas que construíssem "uma casa [a Deus] em Jerusalém
de Judá" (Esdras 1:2). Ciro também lhes restituiu os vasos sagrados de ouro e de prata que Nabucodonosor havia levado como despojo
(Esdras 5:14).
De muitas maneiras, pois, o segundo templo seria como o de Salomão. Mas a arca da aliança foi permanentemente perdida
durante a invasão babilônia. Somente um pequeno grupo de israelitas restaurou o templo, por isso o capital e a mão-de-obra foram
mínimos. O novo edifício era menor e menos adornado do que fora o de Salomão. Não obstante, seguia as linhas descritas por Moisés em
Êxodo 25-28.
Evidentemente, todo o culto judaico centralizava-se no novo templo. A Mishna diz que os Salmos estavam em grande uso nessa
época. Os salmos de romagem (120-134) eram cantados na Festa das Tendas, e os salmos de hallel (113-118; 136) eram usados em todas
as grandes festas.
Os judeus achavam estar sob o peso da ira e do juízo de Deus. Para reparar a culpa, eles começaram novamente a fazer ofertas
e sacrifícios.
Os levitas encontravam-se entre os primeiros a regressar a Judá: "Então se levantaram os cabeças de famílias de Judá e de
Benjamim, e os sacerdotes e os levitas, com todos aqueles cujo espírito Deus despertou, para subirem a edificar a casa do Senhor, a qual
esta em Jerusalém" (Esdras 1:5). Note-se que as Escrituras dizem sacerdotes e levitas", como se os dois não mais fossem sinônimos. Nem
todos os levitas eram agora considerados sacerdotes - só o eram os descendentes de Arão. Durante a monarquia outros ramos da tribo de
Levi tinham sido aceitos como sacerdotes. Mas após o exílio, todos os que alegavam ser sacerdotes tinham de provar que descendiam de
Arão antes de serem admitidos no ofício (Esdras 2:61-63; Neemias 7:63-65).
Outros funcionários do templo que regressaram foram os cantores os porteiros, os servidores do templo (Nethinitn), e os filhos
dos servos de Salomão (Esdras 2:41-58; cf. 7:24; Neemias 7:44-60). O livro das Crônicas refere-se aos cantores e porteiros como levitas
mas eles eram de origem estrangeira. Eram descendentes de cativos de guerra que assistiam os levitas no templo de Salomão. No tempo
de Neemias essas pessoas juraram que "andariam na lei de Deus e não se casariam com estrangeiros (Neemias 10:28-30).
Neste período pós-exílio ocorreu uma mudança muito importante Levítico 10:10-11 deu aos sacerdotes responsabilidade tanto
pela instrução moral como pelas questões cerimoniais, mas o papei docente dos sacerdotes parece ter desaparecido. Ocorre somente uma
menção de ensino sacerdotal após o exílio (Ageu 2:10-l3). Na verdade, o profeta Malaquias queixou-se de que os sacerdotes de seu
tempo falharam neste importante aspecto (Malaquias 2:7-8). Levitas que não os sacerdotes instruíam o povo no tocante a Lei (Neemias
8:7). O sacerdote tornou-se uma entidade semelhante ao rei, combinando funções tanto religiosas como cívicas.

Sacrifício samaritano. Os samaritanos ainda oferecem sacrifícios segundo a lei de Moisés, quase como os que fizeram seus
antepassados. Aqui são oferecidos cordeiros no monte Gerizim em comemoração da Páscoa.

A jubilosa atmosfera dos antigos rituais cedeu lugar a uma atmosfera de gravidade e remorso. As festas rituais tinham sido
principalmente refeições sociais; agora passaram a ser períodos de introspecção inspiradores de temor. Após o exílio os israelitas
buscavam aprender como poderiam ser mais obedientes à aliança de Deus.
Um novo e mais alegre festival ― a festa de Purim ― foi acrescentado às observâncias cerimoniais neste período. Esta festa
realizava-se nos dias 14 e 15 do mês de adar para comemorar o livramento dos judeus das mãos de Hamã enquanto viviam sob o governo
persa. Desde o tempo do exílio os judeus têm observado esta festa em reconhecimento do contínuo livramento de Deus para com o seu
povo.
A observância do Purim seguia uma norma fixa. O dia 13 de adar era dia de jejum. No crepúsculo daquele dia (que é o começo
do dia 14), os judeus congregavam-se para um culto nas suas sinagogas. Após o culto, lia-se o livro de Ester.
Ao ser lido o nome de Hamã, o povo clamava. "Seja apagado o seu nome", ou "O nome do perverso apodrecerá". Os nomes
dos filhos de Hamã eram todos lidos de um só fôlego, para acentuar o fato de que todos foram enforcados ao mesmo tempo.
Na manhã seguinte o povo ia novamente à sinagoga a fim de concluir a observância religiosa formal. O restante do dia era
dedicado ao folguedo. Como em outras observâncias festivas, os ricos eram convocados a prover para os pobres.
No ano 333 a. C, Alexandre Magno começou a conquista da Síria, do Oriente Médio e do Egito. Após sua morte em 323 a. C,
seus generais dividiram entre si as terras conquistadas. Após muitos anos de discórdias políticas, assumiu o controle da Palestina uma
linha de reis sírios conhecidos como selêucidas. O governante selêucida por nome Antíoco IV impôs sua vontade aos judeus proibindo-os
de participar dos sacrifícios, ritos, festas e culto de qualquer natureza.
Em 167 a. C, um oficial sírio levou ao templo um judeu e obrigou-o a oferecer sacrifício a Zeus. Um sacerdote por nome
Matatias presenciou o acontecimento. Ele matou a ambos, exigiu que todos os judeus fiéis o seguissem e fugiu para as colinas fora de
Jerusalém. Aqui ele e seus filhos organizaram-se para a guerra contra os selêucidas. Desceram contra Jerusalém, derrotaram o exército
sírio, e tomaram a cidade. Os dirigentes sírios foram obrigados a revogar suas ordenanças contra o culto em Israel. Agora o templo
poderia ser purificado e o verdadeiro culto restaurado. (O relato bíblico deste período pode ser encontrado nos livros deuterocanônicos de
1 e 2 Macabeus.) Os judeus atuais lembram-se deste grande evento na festa da Dedicação ou Hannukkah. O próprio Jesus estava em
Jerusalém por ocasião de uma celebração de Hannukkah, perto do fim de seu ministério terrena! (João 10:22). Esta festa que dura oito
dias é celebrada no vigésimo quinto dia do mês de quisleu, também conhecida como Festa das Luzes; é marcada pelo acendimento de
oito velas ― uma em cada dia da festa. A celebração inclui o cântico dos salmos de hallel e é um tanto semelhante à festa das Tendas.
Sob o governo dos macabeus, os judeus cultuavam de uma maneira nacionalista. Suas esperanças de uma terra governada por
Deus trouxeram nova ênfase ao culto, tal como o uso de literatura apocalíptica. A profecia ia diminuindo aos poucos à medida que a
literatura apocalíptica lhe tomava o lugar. Um escritor apocalíptico expressou desta forma suas esperanças de um reino terrenal de Deus:
"E agora, ó Senhor, eis que estes pagãos, que têm sido reputados por nada, começaram a ser senhores sobre nós, e a devorar-nos. Nós,
porém, teu povo, a quem tu chamaste de teu primogênito, teu unigênito, e teu fervente amante, somos entregues nas mãos deles. Se o
mundo agora é feito por nossa causa, por que não possuímos uma herança com o mundo? até quando durará isto?" (2 Esdras 6:57-59).
Todavia, durante este período o vidente ou apocaliptista falava por Deus. Ele falava de demônios e anjos, de trevas e luz, de mal e bem.
Predizia o triunfo final da nação de Israel. Esta esperança fluía como corrente subterrânea do culto judaico.
Outro aspecto do culto que se destacou neste período foi o estudo da Lei. Era, antes de tudo, um dever sacerdotal, em que se
concentravam os hasidim (fariseus). Eles produziram muitos novos ensinos e doutrinas, notadamente a doutrina da ressurreição dos
mortos.
A ERA NEOTESTAMENTÁRIA
No ano 47 a. C, Júlio César escolheu a Herodes Antipatro, judeu da Iduméia (região sul da Judéia), para governador da Judéia.
Seu filho, Herodes o Grande, herdou o cargo e chamou a si mesmo de "rei dos judeus". Reconhecendo a história de inquietação do povo,
Herodes quis, de alguma forma, ganhar-lhes o favor e a fé. Para tanto, ele anunciou a construção de um terceiro templo em Jerusalém, Os
sacerdotes especialmente treinados na arte de construção contribuíram muito para a obra, para ter certeza de que o novo edifício seguia a
planta de Moisés. A maior parte do edifício se completou em cerca de dez anos (cerca de 20-10 a. C), mas nem tudo estava terminado até
por volta do ano 60 A. D. (Na verdade, alguns eruditos acham que o novo templo não tinha sido acabado no tempo em que Jerusalém
caiu sob Tito, geral romano, em 70 A. D.). A maior parte das atividades de culto realizava-se aqui.
Não obstante, durante as perseguições e exílios de Israel, muitos judeus achavam-se distantes demais de Jerusalém para
cultuarem aqui. Significa isto que eles não podiam prestar culto a Deus? De maneira nenhuma! Pelo contrário, eles instituíram o costume
do culto na sinagoga local. Certamente, muitos desses lugares de culto informal existiram durante o exílio. O Novo Testamento menciona
as sinagogas muitas vezes (p. ex., Mateus 4:23; 23:6; Atos 6:9), mas nos dá pouca informação descritiva sobre elas. De fontes rabínicas
sabemos algo das primitivas sinagogas. Também sabemos que a Lei era estudada e apresentada aí: "Porque Moisés tem, em cada cidade
desde tempos antigos, os que o pregam nas sinagogas, onde é lido todos os sábados" (Atos 15:21). Recitavam-se muitas orações no culto
da sinagoga (Mateus 6:5). Fontes não bíblicas dizem que os cultos da sinagoga consistiam numa oração invocativa, outras orações e
bênçãos, a leitura da Lei de Moisés, a leitura dos profetas, e uma oração abençoadora (Megilá 4:3). Somente determinadas pessoas
tinham permissão de dirigir o culto, daí ser questionado o direito de Jesus de fazê-lo (Marcos 6:2-4). Paulo ensinou nas sinagogas, mas
ele também teve alguma dificuldade (Atos 17:17; 26:11).

Gerizlm vs. Jerusalém


"Senhor, disse-lhe a mulher: Vejo que tu és profeta. Nossos pais adoravam neste monte; vós, entretanto, dizeis que em
Jerusalém é o lugar onde se deve adorar" (João 4:19-20).
Essas palavras foram proferidas por uma mulher junto ao poço no pé do monte Gerizim, em Samaria, onde Jesus parou para
beber água, e revelam um velho conflito entre judeus e samaritanos.
O monte Gerizim é o membro sulista de um par de montanhas, entre as quais se situa a antiga Siquém. A montanha nortista,
Ebal, é mais baixa. A localização é estratégica, visto que as rotas de viagem se encontram na passagem formada pelas montanhas. Por
isso a cidade de Siquém é freqüentemente mencionada em Gênesis. Foi em Ebal e Gerizim que as tribos se reuniram sob Josué para ouvir
a maldição e a bênção relacionadas com a violação e observância da lei (Deuteronômio 11:29).
Os samaritanos sustentavam que Siquém, a primeira capital de Israel, era o lugar escolhido por Deus para sua habitação. Os
judeus alegavam que o lugar escolhido por Deus era Jerusalém. Qual era a cidade de Deus?
Capturada pelos assírios em 722 a. C, a cidade de Samaria tornou-se uma colônia militar. Os recém-chegados ligaram-se por
casamento com os samaritanos e aceitaram sua religião.
O império persa caiu em 333 a. C, e os macedônios sob a direção de Alexandre Magno desceram a costa da Síria em direção do
Egito. Jerusalém estava entre as cidades que se renderam aos macedônios. Em 332 a. C. Samaria rebelou-se, e como castigo Alexandre
enviou colonizadores para lá.
Ao estabelecer-se uma colônia grega, as aldeias nativas sob o controle grego muitas vezes formavam uma união em torno de
um santuário antepassado. Foi isto que aconteceu em Siquém. Os "sidônios (cananeus) de Siquém" foram organizados neste estilo grego
para servirem ao Deus de Israel. Eles não aceitariam os macedônios nem se tornariam dependentes de Jerusalém. Disseram eles aos
judeus: "...como vós, buscaremos a vosso Deus..." (Esdras 4:2), mas não cederiam à exigência dos judeus de adorarem em Jerusalém.
O povo de Siquém fundou um novo santuário. Consagrado ao Deus tanto de Jerusalém | como de Siquém, ele estava situado no
cimo de Gerizim, dando vistas para Siquém.
A principal querela entre judeu e samaritanos era sobre qual possuía o santo templo de Deus. Mais tarde, cada grupo inventou
suas próprias] histórias para explicar as origens da controvérsia do templo samaritano. Os samaritanos alegavam que seu templo fora
fundado por Alexandre Magno. Os judeus diziam que ele : fundado pelo filho de uma família sumo-sacerdotal, a quem Neemias
expulsou do templo por ser casado com mulher samaritana. Reivindicações tais como essas obscureciam a verdadeira origem do cisma e
confundiam questão de data, a qual ainda não se conhece com clareza.

Os judeus consideravam os seguidores de Jesus como uma seita do Judaísmo. Foi-lhes, portanto, permitido cultuar no sábado
juntamente com seus companheiros nas sinagogas e no templo.
Jesus amava o templo e o respeitava. Ele o apoiava incentivando seus seguidores a freqüentá-lo. Declarou-o sagrado (Mateus
23:16ss.) e julgou-o digno de purificação (Mateus 21:12). Não obstante, Jesus disse: "Aqui está quem é maior que o templo" (Mateus
12:6), referindo-se a si mesmo. Ele acusou que o templo havia sido transformado em "covil de salteadores" (Mateus 21:13).
A princípio os discípulos tinham emoções conflitantes acerca do culto no templo e na sinagoga. Finalmente, porém, os judeus e
os cristãos se antagonizaram a tal ponto que pouca escolha restava senão cultuar separadamente. Este conflito não girava em torno da
forma ou do local de culto, mas em torno da natureza do próprio culto. Isto se reflete na conversa de Jesus com a samaritana junto ao
poço. Disse ela: "Nossos pais adoravam neste monte; vós, entretanto, dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar." Ela
pensava claramente no culto em termos de aspectos externos, tal como a localização. Jesus respondeu: "Mulher, podes crer-me, que a
hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai... Mas vem a hora, e já chegou, quando os verdadeiros adoradores
adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores" (João 4:21, 23). Cristo e seus
seguidores sabiam que a salvação e a justiça não vinham de ofertas e sacrifícios, mas da obediência a Deus em "espírito e em verdade".
Quando Deus age e nós reagimos em adoração, nossa reação visível não é tão importante quanto nossa atitude invisível. (Talvez a oferta
de Abel tivesse sido aceitável porque ele não abrigava ódio no coração, ao passo que a oferta de Caim foi inaceitável por causa do ódio
que tinha contra o irmão.
Não sabemos se Jesus e os apóstolos participavam de todas as festas e rituais judaicos. O Novo Testamento não nos dá um
relato completo de suas atividades. Mas há algum indício de que os cristãos primitivos se reuniam nas casas para culto, quase como os
judeus se reúnem nas sinagogas locais. Paulo refere-se à "igreja que está em tua casa" (Filemom 2), "a igreja que se reúne na casa deles"
(Romanos 16:5), e à "igreja que ela hospeda em sua casa" (Colossenses 4:15). Mais tarde, sob severa perseguição romana, os lugares de
reunião tornaram-se ainda mais humildes e até mesmo secretos.
Muro ocidental, Jerusalém. O mais santo dos lugares no mundo judaico é o lado ocidental do muro que Herodes o Grande construiu
para fechar a área de seu templo. O muro é chamado "Muro das Lamentações" por dois motivos: Primeiro, os judeus se reúnem aqui.
para lamentar a perda do templo. Em segundo lugar, diz a lenda que as gotas de orvalho que se formam nas pedras são lágrimas vertidas
pelo muro com pena dos judeus exilados.