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NÓDULO MAMÁRIO EM CÃO CRIPTORQUÍDICO – RELATO DE CASO

Giselle Martinho Moraes e Silva 1 , Bruna Maria Rocha Silveira 2 , Giselle Ramos da Silva 3 , Maína de Souza Almeida 4 Maria Clara Feitosa de Albuquerque 5 , Elisângela Nascimento Silva 6 , Bruno Alencar Maia Esmeraldo 7 , Fernando Leandro Dos Santos 8 , Rodrigo Alves Costa 9 e Vandilson Rodrigues da Silva 10

Introdução

O criptorquidismo é uma doença hereditária autossômica ligada ao sexo, onde os machos manifestam os sinais desta anomalia congênita em que um ou ambos os testículos possuem localização ectópica, permanecendo no tecido subcutâneo, no abdome ou na área do anel inguinal. [1] Os testículos normalmente migram à bolsa escrotal por volta de 10-42 dias após o nascimento. Os cães criptorquídicos com mais de seis meses de idade devem ser tratados hormonal ou cirurgicamente para prevenção de futuras complicações tais como:

desenvolvimento de neoplasias testiculares, principalmente sertoliomas; infertilidade nos casos de criptorquidismo bilateral e nos casos unilaterais, há uma diminuição na concentração espermática do testículo contra-lateral devido aumento do estradiol sérico; distúrbios de comportamento como feminilização, hipersexualidade ou irritabilidade; torção do cordão espermático que pode estar associada à claudicação e dificuldades de micção; dermatopatias devido à deficiência hormonal. [2] Os Tumores Mamários Caninos (TMC) são um tipo de neoplasia bastante comum em cadelas, representando aproximadamente 50% do total de tumores caninos e são extremamente incomuns em machos. [3] Cães machos podem apresentar o desenvolvimento de neoplasias mamárias devido a um hiperestrogenismo decorrente de neoplasias testiculares associadas ao criptorquidismo, como Sertolioma ou

Tumor de células de Leydig, sendo este segundo de ocorrência mais rara e em sua grande maioria, benignos e passíveis de tratamento por cirurgia. [1,2] O objetivo deste trabalho é mostrar que o diagnóstico precoce de machos criptorquídicos é de extrema importância para evitar problemas graves de causa hormonal.

Materiais e métodos

Foi atendido no Hospital Veterinário da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), um cão da raça Rottweiler, macho, de dois anos de idade, criptorquídico unilateral apresentando neoplasia mamária. Realizou-se a ultrassonografia onde foi observado o testículo direito na região inguinal, também foi realizado hemograma e Raio-x, não apresentando alteração. O animal foi submetido à cirurgia, onde foi retirada a neoplasia e realizada a orquiectomia com a retirada de ambos os testículos. No procedimento pré-anestésico foi administrado Acepromazina a na dose de 0,1mg/kg mais Atropina na dose de 0,044mg/kg. O animal foi encaminhado para sala cirúrgica onde foi administrado o animal foi colocado em fluido endovenoso e administrado a indução anestésica com Diazepam na dose de 0,1mg/kg associado a Cetamina na dose de 0,1mg/kg. Após a cirurgia foi receitado Enrofloxacina na dose de 5mg/kg de 12 em 12 horas durante 10 dias e Cetoprofeno na dose de 1mg/kg de 24 em 24 horas durante 5 dias. Foi encaminhado para exame histopatológico o testículo do animal.

1. Primeiro Autor é Discente do Curso de Medicina Veterinária. Universidade Federal Rural de Pernambuco, Rua. Dom Manoel de Medeiros, S/N,

Dois irmãos, Recife, PE, CEP 52171-900. E-mail: gisellemms@hotmail.com

2. Segundo Autor é Discente do Curso de Medicina Veterinária. Universidade Federal Rural de Pernambuco, Rua. Dom Manoel de Medeiros, S/N,

Dois irmãos, Recife, PE, CEP 52171-900.

3. Terceiro Autor é Discente do Curso de Medicina Veterinária. Universidade Federal Rural de Pernambuco, Rua. Dom Manoel de Medeiros, S/N,

Dois irmãos, Recife, PE, CEP 52171-900.

4. Quarto Autor é Discente do Curso de Medicina Veterinária. Universidade Federal Rural de Pernambuco, Rua. Dom Manoel de Medeiros, S/N,

Dois irmãos, Recife, PE, CEP 52171-900.

5. Quinto Autor é Discente do Curso de Medicina Veterinária. Universidade Federal Rural de Pernambuco, Rua. Dom Manoel de Medeiros, S/N,

Dois irmãos, Recife, PE, CEP 52171-900.

6. Sexto Autor é Discente do Curso de Medicina Veterinária. Aluna Petiana. Universidade Federal Rural de Pernambuco, Rua. Dom Manoel de

Medeiros, S/N, Dois irmãos, Recife, PE, CEP 52171-900.

7. Sétimo Autor é Discente do Curso de Medicina Veterinária. Universidade Federal Rural de Pernambuco, Rua. Dom Manoel de Medeiros, S/N,

Dois irmãos, Recife, PE, CEP 52171-900.

8. Oitavo Autor é Docente Adjunto do Curso de Medicina Veterinária. Universidade Federal Rural de Pernambuco, Rua. Dom Manoel de Medeiros,

S/N, Dois irmãos, Recife, PE, CEP 52171-900.

9. Nono Autor é Discente do Curso de Medicina Veterinária. Universidade Federal Rural de Pernambuco, Rua. Dom Manoel de Medeiros, S/N, Dois

irmãos, Recife, PE, CEP 52171-900. 10. Décimo Autor é Médico Veterinário, responsável pela área de cirurgia de pequenos animais do Hospital Veterinário da UFRPE. Universidade Federal Rural de Pernambuco, Rua. Dom Manoel de Medeiros, S/N, Dois irmãos, Recife, PE, CEP 52171-900.

Resultados e discussão

Após 10 dias o animal retornou ao ambulatório do hospital para reavaliação e retirada dos pontos, com total cicatrização da ferida cirúrgica.

A avaliação histológica do testículo criptorquídico

revelou tumor de células de Leydig (ou Tumor de Células Intersticiais). Apesar de Ackerman [1] descrever que as manifestações de feminização,

alopecia, podem estar associadas ao tumor de Leydig, essas alterações não foram observadas nesse caso.

O tumor se desenvolveu no testículo direito, no qual

parece ocorrer com mais freqüência, como dito por Betinni et al [4]. Apesar do mesmo autor afirmar que esse tipo de tumor ocorre com mais freqüência em cães mais velhos, isso não se aplica a esse paciente. Conclui-se que o Tumor de Células de Leydig pode ser o responsável por neoplasia mamária em cão macho, mesmo que este não apresente sinais de hiperestrogismo.

Agradecimentos

A todos que cooperaram direta ou indiretamente com este trabalho, entre eles, alunos, professores e funcionários do Hospital Veterinário da Universidade Federal Rural de Pernambuco.

Referências

[1] ACKERMAN, L. Reproductive Disorders. In:

The Genetic Connection: A guide to health problems in purebred dogs. AAHA press:

Colorado,1999

[2] DAUGAARD,G.; KARAS,V.; SOMMER,P. Inguinal metastases from testicular cancer, abril 2006. [3] DALECK, C.R., Aspectos clínico e cirúrgicos do tumor mamário canino. Ciência Rural, Santa Maria,1998.

[4] BETINNI, C.M. ANAMI, R.B.; ASSIS, M.M.Q.; MONTEIRO, E.P.; HEADLEY, S.A. 2006. Alopecia e Características Fenotípicas de Feminilização Associado a Tumor de Células de Leydig em um Cão. Rev. Acad., Curitiba, v.4, n.4, p. 25-32, out./dez. [5] NIELSEN, S. W.; KENNEDY, P. C. Tumors of thegenitial systems. In: MOULTON, J. E. Tumors in domestic animals. 3. ed. Los Angleses: University of California, 1990. Cap. 11, p. 479-517. [6] LADDS, P. W. 1993. The male genital system. In: JUBB, K.V.F.; KENNEDY, P.C. Pathology of Domestic Animals. 3.ed. cap. 5., pag. 471

W. 1993. The male genital system. In: JUBB, K.V.F.; KENNEDY, P.C. Pathology of Domestic Animals. 3.ed.
W. 1993. The male genital system. In: JUBB, K.V.F.; KENNEDY, P.C. Pathology of Domestic Animals. 3.ed.

A

B

Fig.1. A. Testículo B. Nódulo Mamário Fonte: Giselle Martinho/2009

Fig. 3 – Pós-cirurgico Fonte: Giselle Martinho/2009