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ISSN 1679-5709

ÉSQUILO: BIOGRAFIA E OBRA


WILSON A. RIBEIRO JR.
Grécia Antiga, São Carlos, v. 1, n. 1, p. 23-5, 1998

Ésquilo (gr. Αἰσχύλος) é o mais antigo dos poetas trágicos cuja obra chegou até nossos
dias. Aristóteles sustentava que foi ele o verdadeiro criador da tragédia ática.
Para os atenienses, o poeta era uma verdadeira instituição. Embora somente tragédias i-
néditas fossem habitualmente admitidas nos festivais de Atenas, depois da morte de Ésquilo suas
obras eram freqüentemente reapresentadas — às custas da cidade — e chegaram a ser premia-
das várias vezes nos concursos...

Biografia

Sabe-se de certo que nasceu em -525 em Elêusis, perto de Atenas, e que morreu em -456
na Sicília, em Gela. Era provavelmente de família aristocrática e seu pai chamava-se Eufórion. Lu-
tou contra os persas em Maratona (-490) e em Salamina (-480).

"Ésquilo". Busto ficcional de mármore do Perío-


do Greco-Romano. Roma, Museo Capitolino. ©
Michael Greenhalgh, ArtServe.

Apresentou-se pela primeira vez nos concursos trágicos de Atenas em -500/-499 com um
drama cujo nome hoje desconhecemos; obteve a primeira vitória em -484 e foi, posteriormente,
vitorioso mais doze vezes.
Já em vida seu prestígio era grande. A tradição registra pelo menos duas e talvez três via-
gens à Sicília, sede de algumas das mais poderosas póleis da época, para apresentar suas peças:
a primeira em -476/-475, a segunda provavelmente entre -471 e -456 e, com certeza, lá estava
ele em -456, quando morreu. Seu túmulo tornou-se local de peregrinação e, em meados do sécu-
lo -IV, uma estátua sua foi colocada no centro do teatro de Dioniso, em Atenas.
Os testemunhos antigos atribuem-lhe cerca de 90 obras, entre tragédias e dramas satíri-
cos. Também compôs, aparentemente, elegias, peãs e epigramas.
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Obras sobreviventes

De toda sua obra somente sete tragédias sobreviveram, graças a uma antologia compilada
na época do Imperador Adriano (76/138). Dessas sete tragédias, somente duas não podem ser
datadas com precisão: As Suplicantes, -463, e Prometeu Acorrentado, -462/-459. Os Persas data
de -472 e Sete Contra Tebas, de -468.
As tragédias Agamêmnon, Coéforas e Eumênides, de -458, formam uma trilogia conhecida
por Orestéia e foram apresentadas no mesmo concurso trágico. Alguns eruditos relutam em atri-
buir o Prometeu Acorrentado a Ésquilo, e outros acreditam que a peça foi composta na realidade
vários anos depois de sua morte (-450/-425).
Com exceção de Os Persas, drama histórico que enaltece a vitória dos gregos nas guerras
greco-pérsicas1 , o enredo de todas as outras peças se fundamenta em um ou mais dos grandes
ciclos legendários da Mitologia Grega.

Características da obra

Ésquilo foi o primeiro que elevou de um a dois o número dos atores, dimi-
nuiu a importância do coro e fez do diálogo protagonista.
Aristóteles, Po. 1449a.15

Ésquilo reduziu a primitiva importância do coro e acrescentou um segundo ator, tornando


possível o diálogo entre os personagens e a ação dramática. É provável que tenha também intro-
duzido aperfeiçoamentos no vestuário e nos cenários, a julgar pela dificuldade técnica de algumas
de suas encenações.
Os temas de suas peças freqüentemente se distribuíam em trilogias (a Orestia é a única
que chegou até nós completa). O enredo é simples e a ação estática, o estilo é elevado e grandi-
oso, às vezes bombástico e um pouco pomposo.
As peças mostram também o profundo sentimento religioso do poeta. Os personagens
principais são sombrios e dominados por uma única meta (como a vingança, por exemplo), e su-
as características não variam ao longo do drama. As ações humanas têm conseqüências inevitá-
veis, pois sempre são guiadas pela fatalidade, pelo destino, ou pela vontade dos deuses.
É visível a intenção moral dos dramas. Orgulho e atitudes desmesuradas são punidas, e o
castigo inevitável pode estender-se inclusive aos descendentes.

BIBLIOGRAFIA

BOWDER, D. Quem foi quem na Grécia Antiga. Trad. M.R.A. Marcondes. São Paulo: Círculo do Li-
vro / Art Editora, 1988.

CRANE, G. (ed). Perseus Digital Library, s.v. Aeschylus. Consultada em julho de 1994, disponível
em http://perseus.tufts.edu.

HUMBERT, J. & BERGUIN, H. Histoire Illustrée de la Littérature Grecque. Paris: Didier, 1961.

1
Ou "guerras médicas", nome tradicional de uma série de conflitos bélicos entre as póleis gregas e os persas,
sucessores dos medos na Ásia, entre os anos -490 e -480.
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Grécia Antiga, S. Carlos, v. 1, n. 1, p. 23-5, 1998

LESKY, A. A Tragédia Grega. Trad. J. Guinsburg e outros. São Paulo: Perspectiva, 2ª ed., 1990.

LEFKOWITZ, M.R. The lives of the greek poets. London: Duckworth, 1981.

Artigo disponível em
www.greciantiga.org/outros.asp?num=0085

© Wilson A. Ribeiro Jr., 2008. Portal Graecia Antiqua (www.greciantiga.org).