P I E R R E

D E L A L A N D E

C A D E R N E T A S

DELALANDE NOTEBOOK

como um louco se acha deus achamos que somos humanos (Delalande segundo Nabokov)

Preferimos os gracejos da filosofia e as trapalhices romanescas à chantagem permanente da verdade. As memórias deformam o passado e tornam evidentes os seus entrelaçantes temas. Os diários disfarçam o mal-estar de um presente que não se pode agarrar. Sabemos que o passado foi mau, rude, violento, humilhante, mas as memórias dãolhe laivos de glória, melancolia e a beleza necessária assim como os brilhos kitsch de inventadas felicidades. A morte talvez seja uma ilusão mas a posteridade é uma certeza. Orgulho-me de ser parecido com um autor, mesmo quando me dou ao trabalho de forjar pseudonomias ou de mergulhar no anonimato. Achamos em nós um deus que se acha humano.

CARRAQUISMOS E CARRASCÃO (Delalande not by Nabokov)

1. As distinções cruciais confundem-se com capitulações. 2. A persistência faz o carrasco. 3. Ele prefere expressões que hesitam em ir por caminhos alheios, mas ainda gosta menos das que ficam em casa. 4. O assunto ao fim de algum tempo acaba por rolar no chão. 5. Corta cabeças para refutar a sua. 6. Escreve para que a intimidade alheia seja excessiva e problemática. 7. Uma escrita «aberta» acaba por fechar muitas portas. 8. A complexidade monta em frases fáceis para andar mais depressa... e ao contrário. 9. As pessoas demasiado subtis tornam a comunicabilidade impraticável. 10. Tem algumas auto-consciências postiças para dissimular a que foi decapitada. 11. Escreve notas porque evita o livro. Publica livros para fazer desaparecer as notas. 12. A interrogação como elisão do seu objecto. 13. As cores não ignoram as circunstâncias. 14. O potencial esgota-se na propensão para o acontecimento. Os acontecimentos não se esgotam neles. 15. O carrascão elucida mais a lucidez do que um bom borgonhês. 16. Apesar de se declarar inexperiente tornou-se um expert na inexperiência. 17. Só se consegue lembrar daquilo a que não prestou atenção. 18. Triplicou-se no indescritível. 19. Faz caminhadas para se limpar das ideias. 20. Ajuda as pessoas a não pensar só nelas nem só nos outros. 21. Tenta comercializar o anonimato sem lucro.

22. Escreve mas não fala. Em ambos os casos opta pelo silêncio contra o silêncio. 23. Reforça-se refutando-se. 24. A objectividade é uma alucinação. Ele inexacto. 25. O mundo nunca poderá escrever a sua atribulada história. 26. As palavras acabam por descrevê-lo exactamente como não é. Isso fá-lo sorrir. 27. A distância encena as aproximações. 28. A maior parte das questões gostaria de se tornar carnívora. 29. Sexo sem sexo? Ou deboche como ascese? 30. As expressões que usa, apesar de aparência fraca, acabam por induzir muita gente a coisas fortes. 31. O mundo é maquilhagem. Porquê limpá-la. 32. Ele é a prosa mesquinha das línguas maternas. O lirismo chegará mais tarde, só para chatear. 33. A prosa torna as coisas rudes mais contornáveis. 34. Há respostas a mais para perguntas medíocres mas não há nenhuma para as interessantes. 35. Os romances são escritos ao lado das interrogações. 36. O desaparecimento das perguntas tornou-se num romance policial. 37. As coisas ordinárias são as que realizam as pessoas extraordinárias. Ninguém realiza coisas extraordinárias? 38. Antes de o lerem já o acham um imbecil. Depois de o lerem acabam por achá-lo um poltrão. 39. Quem é que tem paciência para viver mais de 200 anos? 40. A todo o momento se desconcentrava. 41. Não podia regressar ao ponto de partida porque lho tinham roubado. 42. Não conseguia pensar nisso embora já começasse a esquecê-lo. 43. Não se conseguia reconciliar com qualquer feitio burocrático. 44. Cada linha que escrevia sobrava-lhe à retórica do terror. 45. Admitia o riso como dispositivo de tradução na escuridão. 46. Enunciava o que desconhecia como se fosse a coisa mais importante.

47. Só colocava hipóteses numa linguagem hipotética. 48. Sentia a novidade como clima propício para a futura banalidade. 49. Quando um tigre de papel a rugir aqui - chuvas ácidas acolá. 50. Tinham-lhe cortado a língua para que pudesse falar pelos cotovelos. 51. A tagarelice alheia provocava-lhe a sensação de que era ventríloquo. 52. O que é que ocorre antes do nome das coisas? 53. Usava os adjectivos como uma forma de animalização. 54. Exercitava-se num rigoroso strip-tease verbal. O que é que está nu dentro das palavras? 55. À falta de citações adequadas tinha que forjar falsas. 56. Podia não ter graça, mas dava-lhe vontade de rir. O quê? 57. Pode ser um tipo fácil, mas acabará por rondar as tuas ideias como uma fera faminta. 58. As questões abortavam porque não encontravam assuntos. 59. A vontade de ser animal coexistia com a de ser planta, mas desenraizada e se possível com asas. 60. Se fosse Deus não seria tão agarrado ao mundo. 61. Procurava oportunidades para concretizar falhanços. 62. Xaropes de ideias brilhantes. 63. Pedais para acelerar o entusiasmo. 64. O sucesso como recusa não deliberada. 65. Alguma percentagem de ideias e muita de Vazio. 66. Quando Deus inventou o Diabo só quereria tornar esta peça mais interessante? 67. Em vez de um mundo melhor, um mundo maior? Diabólicos melhoramentos? 68. O objectivo paradoxal da massificação é tornar tudo incorpóreo. 69. Os mortos meditam na carne e têm fome. 70. Não se lembra de nenhuma especificidade curricular excepto esta. 71. Folheia os livros para os ler nas ordens erradas. 72. Há alguma possibilidade que ainda seja impossível. 73. Viver tornou-se-lhe uma tarefa fácil, apesar da indisciplina.

74. Escrevia a autobiografia como se fosse numerosos inimigos. 75. Ter respostas chatas como pulgas. 76. Antes de aldrabarem os outros os místicos aldrabam-se a si mesmos. Ele autoproclama-se aldrabão profissional mas não sabia sê-lo. 77. Ele era a pessoa com a identidade errada. 78. Os números precisam de mais dedos para serem contados. 79. Os mais belos desejos aumentam o esplendor das criaturas. 80. Estava possesso embora sem sentido de posse. 81. O alívio justifica e dispensa a filosofia. 82. A fúria do mundo deixava-o ainda mais apaixonado. 83. Quando nascemos as palavras que aprendemos vêm hipotecadas. 84. Uma autobiografia em duas linhas não justifica uma vida plena. 85. Fazia publicidade ao exibir os frequentes erros. 86. Sentia-se tão estúpido por estar a enriquecer sem ter riqueza. 87. Preferia a exuberância a qualquer essência. 88. Desfazia-se da argumentação embora desconfiasse da intuição. 89. Aumentava o conhecimento para o tornar mais incompleto. 90. Quando dizia, o que tinha para dizer ficava invisível. 91. Por cada palavra riscada acrescentava uma dúzia. 92. A glória ou o inesquecível sob a capa do anonimato. 93. O sublime como uma rasteira. 94. Seria mais correcto pedir explicações ao acaso. 95. Tudo no testamento era mentira. 96. Tinha um nariz implantado entre as pernas. 97. O equívoco persistente, mesmo antes e depois do mundo. 98. O epitáfio: «Cuidado! Ainda não estou farto de renascer!» 99. Cresce obliquamente na ubiquidade. 100. As parábolas exageram nas palavras mas não nos factos.

A INÉRCIA COMO ARTE ENUNCIANTE

1. A inércia, como se o dia claro entrasse na noite obscura e vice-versa. 2. Nem mais um passo para a frente e muito menos alguns passos para trás. 3. Mais do que a progressão quiçá desejável, a percepção da complexidade improvável. 4. As perguntas dizem-se indiferentemente de serem uma interrogação sem enunciação. 5. Todas as frases têm qualquer coisa de biografia incompleta. 6. A minha principal preocupação é a de que o vírus da refutação penetre em todas as explicações forjadas... incluindo as minhas. 7. O jejum é a minha refeição favorita... Desde que possa beber agua. 8. Quero permanecer 200 anos em Samadhi. 9. A arte é saber dar respostas subtractivas embora atractivas. 10. Ser indirecto como o destino. 11. Não perder um segundo com perguntas exactas. 12. Sou autoritário nas minhas obras, mas não o suficiente para as disciplinar. 13. A diversão destrói os significados pré-establecidos. A diversão furta-se ao «sentido». 14. O estilo de leitura é mais determinante do que o estilo de escrita. Ler ou escutar são deformações obsessivas e deliciosas. 15. Há pessoas que participam na minha obra como quem vai à casa-de-banho ou ao dentista. 16. Doei grande parte do que fiz a uma instituição anónima que persiste no seu anonimato. 17. O teclado obriga-me a escrever melhor. 18. Despir o sentido das coisas. 19. A inexistência das coisas que não existem é mais plausível do que a existência das que existem. 20. A multiplicidade da cegueira confunde a diversidade dos modos de ver.

21. Gostava de aprender a pensar devagar. 22. O pudor ou o exibicionismo não nos safa de sermos condenados a variantes da fama e do anonimato. 23. A velocidade das ideias tornou-se na inércia da percepção do mundo. 24. As situações apoderam-se de mim antes do meu corpo delinear a mínima estratégia. 25. A tentação em lugar da tentativa. 26. As minhas obras mais recentes estão muito velhas. 27. Pus demasiada desordem na minha vida e acabei por ter a ordem às ordens. 28. A intimidade comigo mesmo era decepcionante. Tive que inventar outros para que a minha presença desaparecesse. 29. Preferi a devoção à auto-publicidade, se bem que este tipo de devoção não tenha nenhum «objecto de devoção» especifico. Devoção aos acasos no mundo. 30. Rejeitei todas as hipóteses de doutoramento que me ofereceram, mesmo as

honoris causa. Escrevi demasiadas teses desse género por diletantismo.
31. A gargalhada do mundo está a começar a ter influência no comportamento dos deuses. Não sei se os homens já deram por isso. 32. Amei, não só à primeira vista, mas a muitíssimo mais vistas. 33. Gosto de conversas descontinuas e de pessoas com o dom das respostas evasivas. 34. Há demasiadas galáxias de ideias nas ideias mais excitantes. 35. Costumo perder a atenção quando me fazem perguntas com ar de intensidade. 36. Gosto de pessoas que dissimulam a sua glória através da autodenegrição irónica. 37. Não consigo estar preparado. 38. Apesar de várias autobiografias ainda não disse nada de concreto sobre mim. 39. A publicidade tem como função tornar Deus ainda mais anónimo. 40. Aprendi que a filosofia nos empurra para práticas pessoais, mas não encontrei nela nenhuma recomendação «descritiva» que fizesse sentido.

41. As vezes que mais dei nas vistas foi quando tentei dissimular-me no anonimato. 42. As obras que os outros fazem por mim são as obras que eu não quero fazer por eles. 43. Devíamos ter um sítio para guardar o que sobra às intuições. 44. O erro tem uma taxa de sucesso surpreendente. 45. Mesmo antes de saber qualquer coisa de novo ou de inesperado já tenho o hábito de desconfiar dela. 46. As ideias têm aprendido a mudar de mim. 47. Uso a derrota para atrair as atenções. 48. Induzo os outros a que sejam atrevidos. 49. A inibição desinibe-me, mas não sei até que ponto. 50. Todo o pensamento que me precede é uma espécie de convite a servi-lo. Eu penso-o para fugir dele. 51. Não consigo escapar ao juízo involuntário, como quem dá gaffes atrás de gaffes. 52. Sinto o juízo, mas como uma forma superlativa de indeterminação. 53. As pessoas extraordinárias têm uma enorme vocação para serem ordinárias. 54. A irregularidade é o caminho mais tortuoso para a fama. 55. Falar por falar tem qualquer coisa de empolgante. 56. O que é o que é? Pois pois! 57. As grandes descobertas têm prazo de validade. Quem é que disse isto? 58. Uma síntese informativa excepcional gera um milhão de desinformações em expansão. 59. Impessoalmente indefeso? 60. Não sou o artista que os outros possam vir a pensar que seja. 61. Sei que se apaixonam por mim, mas não sei se dou por isso. 62. Sou o carrasco da legitimidade. 63. Quando me dizes algo que eu não sabia não é exactamente aquilo que me estavas a dizer. O que eu não sei é praticamente quase tudo. 64. As frases que salvariam o mundo só se salvam a si mesmas, porque o mundo, decididamente, prefere perder-se.

Silogismos da bananalidade

1. A glória como acaso genético. 2. A actual desordem é o inadiável da ordem do futuro. 3. A liberdade pede à natureza que esta a siga para o abismo. 4. Ter opiniões inúteis como guilhotinas. 5. A desdomesticação implica a disseminação, o egoísmo, o nomadismo, etc. 6. A modéstia na natureza é sempre falsa. 7. A escala é o que vê. 8. A paisagem é o diabo do conteúdo. 9. O crime é afilhado da honestidade. 10. A justiça é uma indústria débil. 11. A falsidade da inteligência é melhor que a nobreza dos materiais. 12. A prolixidade torna-nos infames. 13. A harmonia é menos um conteúdo do que um descontentamento. 14. O terror é o pressuposto de qualquer esforço jurídico.

15. A desarmonia convida ao conformismo ou ao ópio. 16. Há uma confusão entre a hierarquia do mundo e a das palavras da qual nunca nos iremos desembaraçar. 17. A história serve para sobrepovoar o vazio do presente. 18. À força de sermos desordeiros tornamo-nos clássicos. 19. Como escapar ao totalitarismo do presente? 20. Pratica-se a retórica da virtude para tornar o deboche mais consequente. 21. A composição tem estado em estado de decomposição. 22. As melhores circunstâncias assentam no terror. 23. As ferramentas desmoralizam-nos. 24. Teorias que amam cadeiras eléctricas. 25. O poder exerce-se cada vez mais com um sentimento de falta de espaço – que sufoco! 26. A virtude é um erro de publicidade. 27. Estou a usar a telepatia como forma de desmaterializar a arte. 28. O território invadiu os mapas. 29. Temo-nos tornado escravos da documentação de actos libertários.

30. A prostituição divina como finalidade da luta de classes. 31. A moral é o subúrbio da Doxa. 32. As opiniões dependem do próximo subsídio. 33. A grandeza como uma variedade intrigante de mediocridade. 34. As calamidades são sofistas. 35. A demiurgia como suicídio. O cadáver de Deus é o mundo. 36. A natureza está sob a alçada de subtilezas jurídicas. 37. Uma opinião (Doxa) não se desenvolve, desembaraça-se. 38. A única tarefa de um governo deve ser a protecção da complexidade. 39. O mal torna o poder paranóico. 40. Como acreditar numa liberdade que precisa de subsídios. 41. A doxa é tanto uma propriedade do visível quanto da enunciação. 42. A enunciação como Divina Anunciação. 43. A invisibilidade é um efeito do tempo. 44. A desobediência social tornou-se uma fantasia de submissão. 45. Quem incita ao crime combate-se.

46. A vontade de Deus é Negação atrás de Negação. 47. A justiça vai ao cabeleireiro porque não se acha opulenta. 48. A refutação torna as evidências estimulantes. 49. «Quem insulta Deus louva-o» (Eckhart). Quem o louva insulta-o. 50. A igualdade é uma calamidade pública. 51. Temos constatado que os jogos de linguagem se parecem com jogos de linguagem, mas não são jogos de linguagem – o que é que está então em jogo? 52. Não há liberdade sem excessos. 53. Os conceitos impõe-se para camuflar o vazio. 54. A Doxa emerge no fim do strip-tease conceptual. 55. Ir para o campo pode ser deprimente. 56. O revolucionário é um tirano que ainda não apanhou a moda. 57. A demiurgia é dissipação. Só o incriado não se degrada. 58. Os revolucionários sofrem de insónia. 59. Sendo a potência diabólica, todos os actos são divinos. 60. Os casos exemplares são inadequados.

61. O segredo está na excelência da sorte. 62. O acaso ajuda a fazer as conjecturas mais agradáveis. 63. As guerrilhas de libertação são cínicas. 64. À sobremesa peço sempre uma bananalidade.

DISPARA PARA AS SOMBRAS, BRONCO!

Somos todos peritos na arte da não sobrevivencia. A vaidade do desaparecimento da autoria ... O orgulho da fusão no anonimato ... A comédia catatita da entreautoria… Segredos existem para disfarsar factos enganadores. O acaso é a gramática da regularidade. Do ponto de vista divino este mundo é uma utopia fascinante que funciona, apesar de tudo.. Se não sabes onde estás tenta todos os caminhos para sair daí. Ter uma vista sobre a situação de modos menos convencionais revela frequentemente problemas que ignoravamos. «Aqui» é o lugar onde eu nunca voltarei a estar. Deus não está no detalhe, só no talho! O conto está nos descontos da conta. Escrever é ilusão com elisão. Se ainda insistes no acaso terás a chatice de aguentar demasiada ordem. Eu não sei usar a minha imaginação sem ter ereções. As coisas consolam-nos da ausência de natureza.

O mundo é o aborto do sonho mais perfeito. As especiarias são a imaginação através da comida. Antes mentiroso que governante. Só digo o que não vejo. Se o vejo, não o significo. No final, (o grande «final») não ficarão palavras. Nem sequer silêncio. Só a confusão de ecos muito distantes. Ver TV é fast-food para os olhos. De seguida, as outras coisas passam a ser haute cuisine. Então, vamos lá ver TV. Só olho para as coisas para me perder. «O que vês é o que vês» (Frank Stella) Mas o que vejo não é o que vês. O amor chega por e-mails. Cada ponto de vista tem suas oportunidades periódicas. Quase sempre perdidas. É tão esquisito haver montes de gente que julga não ter um pentelho de originalidade. A realidade é uma ilusão que não pode ser agarrada só com o bom senso. A percepção tornou-se a obra de arte por excelência.

A arte é surpreendida pela arrogância da realidade. A ficção faz enterver a treva ilimitada. Quanto mais a descortina, mais obscuros ficamos. O mundo é o lixo da imaginação. Cada objeto tem muito mais usos do que os comuns. Mas é uma perca de tempo usáq-los todos. O sentido de uma obra de arte é tornar-se mais um clichê. O acaso desordena tudo ( a possibilidade de todos os transtornos?). A Geometria é a rival de Deus. As palavras são o seu revivalismo. Nós não queremos forma, só ficção. A forma segue-me. A função segue-te. Não o vês? Leão no lar, romance a arrebentar. Forma é onde perdeste o conteúdo. A desarmonia entre o pensamento e a realidade é consequência da precisão da gramática. A mente é o meu estado de espírito.

A mente é o intervalo. O intervalo são os meios. «O meio é a mensagem». A mensagem é uma treta. Perdi a meada? Um artista escreveu «a primeira palavra de um artista é contra os artistas». Logo, a minha primeira palavra é uma palavra contra as primeiras palavras que são contra os artistas. Os limites da minha linguagem são apenas os limites da minha linguagem. O mundo não é um jogo jogado pelos caprichos das palavras. Eu prefiro a propaganda secreta à intimidade do público. A poesia adora misturar-se com a publicidade. O caos é melhor do que design? O design é o inimigo de complexidade. A arquitetura, mais do que o resto, deve ser considerada lixo tridimensional. Uma casa é uma máquina que te fode. Um carro é um cavalo em que se vive. A simplicidade é a obscenidade disfarçada. A liberdade de expressão leva quase sempre à expressão de irrelevâncias. Criar é a arte de manipular clichês.

Livra-te do design! E caga no negócio por uns tempos! A qualidade é a melhor filosofia. Perder tempo é o meu capital, e eu estou a perdê-lo. Nenhum bem se mantem. Não há riqueza sem vida. Um político que não engana é um mau político. As frases a sério não são sérias. O coração do espelho é estúpido. O futuro anda a correr para trás! Quanto mais desprezamos o ornamento mais temos «cultura». Devemos culpar o menos, ou devemos abençoar o mais? O ornamento é o coração de reflexão. Desinterpretações de desinterpretações desinterpretadas. Prefiro uma vista com uma vista magnífica. Não consigo imaginar uma alegoria sem lingerie.

Veste a minha alma, depressa! Não há exatidão sem ambiguidades. As coisas estão à sonbra da medida do homem. A música é o prazer do ruído repetido. Se não consegues guiar dois carros ao mesmo tempo então não podes ser político. Styling é roubar mal. Os provérbios são baseados em experiências erradas. Fazer arte é voltar roubar os roubos dos outrod. Consiste em copiar cópias de cópias de cópias e alguns imprevistos. A pintura dá conta a fisicalidade dos nossos corpos. A fotografia elide a carne. A arte é o que podes atirar para fora dos meios. Arte é sensibilidade deformada pelo estilo. A arte, como a imoralidade, consiste em deslargar o memorando. O humor é a forma mais sutil de autoridade. Uma piada é a educação de emoções retardadas. Para seguires a felicidade tens que te culpar por isso.

A filosofia consiste em reescrever extravagantemente algumas velhas notas. Insolência educada é aprofundamento. Antes de comprar, come com os olhos - é grátis! Eu prefiro comprar, do que pensar em comprar! Rápido! Se o não podes provar, melhora! As coisas feias até podem ser interessantes. Mas continuam feias! A beleza é felicidade. A felicidade é beleza. Beija-me o cú E chama-me Teresa! O sublime em arte é inferior ao sublime na natureza! Mas aeleza na arte é muito mais interessante do que a beleza na natureza! A beleza é ilusão. Se matas a ilusão vai-se a beleza! A beleza é uma farsa com um desfinal feliz. A beleza é a congregação de superficialidades. Para ter idéias próprias basta editar as idéias à volta. Sexo também pode ser um avanço intelectual ... para quê? Antes de começares a falar, lava a tua mente com geitinho!

A conduta não pode revelar uma alma destituída de segredos. Esmifra-o e salva-te! Beber é rodopiar na cabeça mais e mais. A exuberância é uma alegria por um longo bocadinho! O estilo é a melhor mentira do pensamento. Não há estilo como o da Graça ... Kelly! Moda é a melhor falsificação que podes comprar. Status é algo que não pretendo ter... embora tenha! Arte sem diletantismo é um desperdício de tempo e geito. A fotografia é uma forma de dizer o que não sentes sobre o que não vês. Nada é mais chato do que falar sobre nada. Nunca esperes por nada fora de ti . De certeza que te enganaste! A sombra do tempo é a luz da época. Os católicos concebem Deus como um ménage à trois para sempre. Para ser um pintor tens que ter muito cuidado a surfar a cor. Caso contrário ainda te afogas!

Se as idéias não garantem a responsabilidade, como é que as pessoas o podem ser? A arte como arte regressou depois da arte como idéia como idéia. A idéia mais comum pode brilhar graças a um simples toque. É o que dizem as decoradoras! Os que não aprenderam a esquecer estão condenados a ser os papagaios da moda. O passado é o pasto onde a criatividade cresce. O que todos sabem eu ignoro. O que é demais é chato, o que é chato é demais. Qualquer coisa é a mãe do que quer que seja.

EXILISMOS

Um trabalho adequado é reabilitar os refugiados transformando-os em exilados.

Nossos horizontes ampliam o exílio a partir da banheira.

Quando no Verão as aves se põe a chilrear nós ficamos reflectir sobre o povo.

A noite mata o jardineiro interior e insinua idéias de guerra!

Para Diógenes o exílio é a cidadania.

É o Aqui que nos exila no Agora

A morte é uma circunferência onde não há exílio.

Comportamentos circulares exilam.

As andorinhas fazem ninhos pitagóricos.

O Além é o Outono onde se exilou o Éden.

O Outono do exílio não prepara primaveras de Retorno.

Parece que que a alma é uma circunferência que não têm a noção do povo.

O despotismo é um exílio da população.

Pessoas vulgares emigram, não se exilam.

Os que podem suportar o exílio, rememoram o Éden enchendo a terra de estátuas.

Quem é que não se exíla no dia a dia?

A filosofia é um exílio auto-imposto à vida.

Temos que fugir do mundo para voltar a ser exilados.

Encontramo-nos nos recessos do abandono e desepero.

Os que não têm a noção silvestres são aqueles que se fecham num exílio sem jardinagens.

Pinhas e maçãs de exílio chilreiam sobre os feriados.

A Grécia foi-se exilando do pensamento para ser falsamente repensada.

Dias húmidos reabilitam os bosques.

Empedécoles transformou-se numa estátua que se quiz exilar num vulcão.

Os ciprestes sexualizam o exílio dos mortos.

As nuvens não conseguem restaurar as imagens exiladas.

O despotismo deixa marcas dos exílios nas estátuas.

O oráculo é uma maneira de fazer o destino saír do exílio e de provocar o exílio a quem é revelado.

Apolo aproveita o exílio dos outros para fazer turismo.

As outras autobiografias de Pierre Delalande, plagiador involuntário

Tudo o que fica é subliminal. O que dizem os livros é uma atenção específica. As balas da linguagem precisam de seda. O bem não consegue encontrar a completude. Talvezes é o que prefiro. O beijo aperfeiçoa a boca. Boche é a ilusão da origem. Expus-me estilizado para encontrar a atenção. Talvezes é o que me dizes sobre ti. Em lógica as regras são para olhá-las. Eu é o que diz sim antes do suspiro perguntar. Eu gosto das misturas que não desapontam. Suspiro nas mangas.

Tudo fica a olhá-las. Soprava do rodapé da página uma aragem dourada. Uma nota de Deus vestida de matemática. Quando te esquecer como sei se te esqueci? Pensarei nisso com a pergunta acesa. Somos todos bolos no Japão. Editei a revista do extraordinário. Poliptico significa a perfeição do múltiplo. Uma autobiografia anónima como se chama? Queres ser mesmo grande no anonimato? Ser perfeito é estar cheio de algo imperfeito. Ter estilo é estar bem vestido? Sou o estudo. A minha barba tem 99 anos. Fui 99 máscaras. Qual é a coisa mais directa?

Matemática difarçada de fome. A tua leitura é uma posse. Inventei o Museu da Fome Alheia. Um exemplo em 5 bananas. Sou o estilo? Quero ser vivertido? Sou o estudante chinês de Halifax, nas escadas de Nova Iorque num dia pálido. Estou numa autobiografia em 99 minutos de emergência. Abotoo as minhas camisas para comprimir a minha exposição. A fama é melhor com esferográfica. Qualquer frase é posse? A biblioteca é já os livros que hão de vir, mas devagar. Fiz muitas hipótese chamadas "uma obra a divulgar". Numa exposição pela primeira vez casei por muitos anos. Fiz a bomba atómica ao namorar 12 mulheres. Einstantânea.

Gosto de pedidos. Andam a Shakespecular sobre mim. Gosto das mangas, dos mangas e de mangas. Tenho um Japão bonsai. Estou cheio de consistência no pensamento? A matemática numa frase pode ser uma convidada. Expus ao dizer? O quê? Expus 99 lugares para o que foi perdido. Expus 99 linhas de autocarro para um publico apressado. A ideia de mostrar é a minha flor preferida. Comi uma obra por divulgar. A gargalhada da intimidade instantânea? Criei uma pergunta que se acaba como o Verão. Juntarei toda a públicidade instantânea? O qual é o assim. Vivo num Chapéu muito grande.

Comi o meu fato de cerimónias branco. Este exemplo escolhi-o para uma pessoa só. Estás pronto? 9 ilhas nas coisas de Wittgenstein. Tenho um lado que facilita o impossível. O Interior é de um cor-de-rosa exemplar. Gosto de mobiliário fantasma. O que ignoro torna-me disponível. A primeira intimidade é instantânea? Fiz disciplinas. Deram num livro. Uma exposição de "a meias". Escrevi 99 argumentos para me livrar de Deus? Vivo numa visão de Wittgenstein? Jonathan Swift lembrava-se de Lisboa. Avanço descrevendo a irregularidade dos nomes. Vivo num vestido que é o mundo.

Uso alguma minúcia. As frases num intelectual são maiores. O poeta é uma resposta para a noção de engodo. Eis Deus: "Dá-me um animal?" Na pergunta por formular o mundo ainda é nada. Eu vírgulo as hipóteses antes de estacionar. Que pergunta é uma agravante para a qual existem 99 livros ao ano. Exalto a memória com o estudo? A eleoquência de fingir raiva. Satie, não estás rico? Eu posso repetir no meu o teu sorriso? Sou o quando de outro equívoco. Experimenta este mundo outra vez. Tal como um sonho o cosmos tem personalidade. Shakesperto. As hipoteses ainda não estão tão leves quanto a verdade.

Os críticos japoneses socorrem-se do satori. Andamos a comprar para encher. O gosto pensa-te como um santuário. Os números não pagam dívidas. As palavras são distâncias simultâneas. Uma frase que dá cabo do cadáver putrefacto. Escrever para não me repetir. O juízo é a minha autobiografia enfaixada de negro Medir o comprimento do lugar da atenção. Um cor-de-rosa de berrantes ideias. A volta ao mundo em 12 notas de rodapé. Arrumar os quartos em todo o cerebelo. Fiz muitos extras.

99 Poemas de Delalande

1. os poemas dinamitam a perfeição 2. O sorriso cristaliza a disponibilidade do teu corpo para sentir 3. não precisas dizer o como ou o quanto é bom porque em ti tudo transcomunica 4. a desigualidade reordena e re-equaliza 5. o rumor rumina os pluriversos 6. sou o um o dual o múltiplo assim como a sua soma e a sua subtração 7. o eu constitui-se através de heteronomias selvagens 8. através de falhanços vou polindo a minha ignorância 9. todas as simltaneadades reinventam as medidas e as distâncias 10. ando a tentar vestir o mundo com a sua própria roupa 11. o meu nome faz-me andar algo longe de mim 12. Pierre Delalande são palavras que me estão atravessadas na garganta 13. Pessoa foi um masturbador de almas e a modernidade também 14. a leveza confunde-se com os teus passos 15. exagera excluí aproveita 16. gosto de dar abraços calorosos 17. perco pressupostos sempre que agradeço 18. uma dúvida fecunda que se manifesta como amor avassalador 19. ponho titúlos que dão pulos e parenteses que lhes são parentes 20. ando a responder como quem esconde perguntas novas 21. entre o antes e o depois com o tempo debruçado para os dois lados 22. os números descontam 23. que questões podem reaparecer 24. repito a pergunda da mesma maneira para a tornar mais obscura 25. apaixono-me por tantos talvezes 26. mascaro-me de microparticulas 27. as abreviaturas acham-me intolerável 28. o Sr. Delalande tem personalidade de pulga

29. sarcófagos com sarcasmos mumificados 30. como um sonho no sonho como uma sombra de sombra como um satori no inferno 31. calhar é conseguir 32. o espirito santo foi o meu agente secreto 33. as edições dos meus livros têm sido clandestinas 34. a realidade é uma conjectura escabrosa que ainda não foi formulada 35. faço exposições em não-meditações de budas 36. desorquestrar 37. sou o que deslargou o sucesso 38. inacabar os primeiros passos 39. o dourado é a máscara mais infame de Deus 40. autocriticismo carnavalesco como método crítico 41. na boa de borla 42. as cores são as minhas favoritas 43. sente como quem infrige convicções 44. hipóteses inconsistentes a fabricar verdades 45. eu gosto a seis a nove e a zero 46. muito mais acessível que qualquer famoso 47. o encantamento pelo desapego 48. balbucia mmmmm 49. todos me podem colocar na internet 50. ser extraordinário na solidão 51. deslargo-me de Delalande 52. o vazio remistura as minhas multiplicidades 53. gosto de sofistas para desfrutar de enganos 54. teleputo-me 55. somos a mesma múltiplicidade a fingir pessoas 56. as minhas obras-primas não precisam de ser minhas nem apropriadas 57. nem famas nem anonimatos 58. só os afectos reencarnam 59. há um deus de borla em cada um

60. os fundamentos das matemáticas anda a enganar a ciência 61. não me lembro de onde vinha a aragem quando nasci 62. o sedentarismo é a arte de engordar na quietude ou de emagrecer no ascetismo 63. tudo o que tentas dizer para que talvez seja 64. a imperfeição que vai aperfeiçoando 65. pergunta que morde o seu rabo 66. os quadrados pretos de Reinhardt e os campésticos de Lapa 67. um incêndio num museu são saldos pomposos 68. uso uma linguagem que despediu os guarda-costas 69. as vedutas em Lisboa são tão luninosas que é preciso òculos escuros 70. quero mais imperfeições que iludam 71. um livro com evasões para outras formas de tempo 72. expus malentendidos ao tentar perceber-te 73. literatura que me potência graças a si 74. que assim-assim perferes? 75. desaponto-me como uma comédia 76. exploro os talvezes para roubar o rigor ao não-saber 77. tesão exponenciado 78. as palavras refazem-te depressa 79. a oportunidade é o sentido dos milagres 80. suspiro como pontuação perguiçosa do mundo 81. nomes a cavalgar o olhar são suplementos de beleza 82. imobilidades que rolam 83. tentativas apimentadas por desconsiderações 84. geometrias bebés a babarem o informe 85. folhear muitos livros num só 86. uma autobiografia em notas de rodapé ao nada 87. mostra o génio de cada um ao mesmo tempo de muitas maneiras 88. a influência como empréstimo intransmissível 89. um sim duvidoso que se precepita na confiança absoluta 90. eu serve para fazer colagens a partir de um som maluco

91. a elegância dos escritos rasurados 92. sublimei para dessublimar 93. deixei-te num abraço 94. uma nota de rodapé rapada 95. a imagem das letras é já uma forma de perguntar 96. confundo politico com poliptico 97. um superlativo a imitar um caniche 98. a afirmação é um apetite sequêncial 99. a novidade é o que navega no nove

A ARTE DE REMISTURAR NOTAS SEGUNDO DELALANDE

A nossa paciência encontra remisturas. A nossa impaciência é impertinente na mistura que nos é. A condição de parenteses é o depois do incompleto. Livros que têm subtilezas de budas a desorquestrar. Todos são sofistas que o ignoram. O pensador despediu a sua fome. Os escritores têm que escolher entre a anorexia e o alcoolismo. Ou os dois. Inventei 99 calamidades com exemplos rigorosos. O terror da tua retórica sobrepovoa com sombras. O esforço insinua-se neste mundo de bebés. O que pode uma peregrinação à arte? Ele torna a linguagem para morte em momentos de ignorância. Todo o riso reaparece quando nas diferenças da repetição . O que é a sensação de uma maneira falsa? Multiplicidades de gosto a pedir extras.

Preferimos números que deformam a sorte. Linhas que cozem a roupa das verdades. Possibilidades que desapontam. Suspiro pela fé na animalização. Exercitava-se em origens. Expus-me a namorar a elegância. Carne de aldrabão a faer bem às mentes alheias. Sarcasmos de suicídio. Abortavam escritos na sombra. Livros que escarnecem de Pierre Delalande logo na capa. Iludir uma invisibilidade contornável. Um involuntário superlativo permanente. No cabeleireiro a transformação procura a elegância. Pulga dos sarcófagos. Exponenciando malentendidos. Comi teorias impraticaveis.

Tenho um Deus cada vez mais poliptico. Pratico um poli-ateísmo polposo. Uma soma de talvezes nesta confusão luta com a paciência. A perfeição convida a mais dúvidas. Expus emergências. Abotoo a futura debilidade. Evitas o lugar das perguntas porque tudo é Negação? Vestido de entrelaçante Interior. A resposta é a doxa do carrasco. A novidade é um strip-tease visto pelas frestas. Expus os passos exagerados de Deus. Era uma vez um nada seguido de outros nadas. Um eu múltiplo é o não-lugar do mundo. Comi o Delalande para acabar com certa dúvida. O ascetismo de todos os actos é uma anedota que leva ao excesso. A liberdade da natureza num lugar.

Fins simultâneos. O quem do impossível. O Doxa fraca faz ficar só. Juntarei convicções a hipóteses de guerrilhas. Inteligência? Porque não assim? Vivo sacrifícios, à dúzia. Porque o riso transcomunica glórias. Um conhecimento carnavalesco com muitos chapéus. Shakesparto. A autobiografia faz melhoramentos? Andamos a fingir começos exemplares. Temos que ser selvagens para sermos divinos. A melancolia é a interrogação da decomposição. Comi-me Delalande com molho de Reinhardt. Agradeço a inteligência do deboche às coisas jurídicas. Um Delalande exponenciado invadiu a quietude.

Um riso poliptico. Nenhuma hipótese de ventríloquo. O maluco do buraco dá simbolos. Críticos refutando-se. Encontrar grandes encantamentos. Lisboa a condensar o mundo. Shakespecular borgonhês. Estou no rodapé do suicídio. Os novos manifestos são críticos de empréstimo. Afilhado da imperfeição a roubar o repetir. Enunciava uma prolixidade inexperiente refutando-se. Um Deus para a posteridade da insónia. Tenta imitar a desintegração da Negação. Ventríloquo do intransmissível. Exuberância difarçada de submissão. Museu de perguntas que transcomunicam.

Tinham-no como sagrado entre os bananas. Um satori substituído é infame. Telepatia de afectos polindo romanescas edições. Planta o satori com sofistas a tirar do chapéu. Ao falar da solidão deslargo-me em titúlos. Desejos aceleram calamidades. A morte re-equaliza a animalização. Exercitava-se no subliminal contra a sublimação. Cores enfaixadas no estudo? Um saber que alheia. Um não-saber tesão. Campéstico duvidoso da personalidade. Comi cabeças de tigres. Pela solidão deslargo-me do sonho do poder. A compreensão torna as guilhotinas mais afiadas. A melhor publicidade é sorrir de novo.

Editei a irregularidade das ideias como autobiografia do mundo. Eu sou a minha desigualidade preferida. Reinventou-se graças à desdomesticação. Sentia a nossa história nas tripas a revolver-se. As palavras de Deus são algum jogo? Exercitava-se na lucidez revolucionária. Casei com o meu aparato genético. Uma obra-prima à custa de falhanços alheios. Excessiva maquilhagem da atenção. Talvezes a estacionar em parques de teorias. A personalidade em forma de geometrias maiores. O sucesso melhora com a Doxa. Andou a apanhar o lixo da história e guardou-o num museu minúsculo. O deboche da modernidade é uma posse? Livros debruçados no strip-tease da pseudonomia. Sou uma comédia que explora assuntos.

Hipoteses que são chantagens sobre os factos. As futuras regras têm encontro marcado com o vazio. As heteronomias de Deus geram as perguntas que levam à riqueza. O inferno é a ordem de Deus. O paraíso é um intermezzo poli-ateísta. 99 sentimentos à procura de mais subsídios. Xaropes de não-meditações que se libertam de ter que libertar-se. Reordena o espaço num rodapé. Arrumar transcomunica a arte do insulto. A transformação da auto-consciência desagua em multiplicidades. Se perguntamos generalidades é porque acreditamos na ubiquidade. Um sublime enamorado de factos. Deus atinge o satori num romance involuntário. Exuberância de sucessivas aproximações. O mundo reconcilia Deus pelo dourado. Uma rigorosa prostituição sentada na escrita.

Faz essência com imanência. Desfazia-se da harmonia a fabricar abismos. Ter um satori ainda mais depressa... e depois? Descrevê-lo como autobiografia é semear malentendidos. Uma obra de arte excita as hierarquias da Negação. Complexidades substituídas realizam o Vazio. Dinamite de romanesco para polir o inexacto. Na confusão do tigre está no jogo. Persistente, porque impossível. Expressões que masturbam simbolos. Experimenta palavras que desmoralizem. Teorias do carnavalesco a possuir mapas. Temo-nos como mundo muito sózinhos a todos. A preservação consiste em manter o jogo actualizado. A invisibilidade liberta a Negação. Maneiras mumificados em perguntas ou números.

A geometria substituí melhor a oração. A lógica transcomunica forças sexuais? O passado é o mobiliário que protege do vazio. O desenraizamento da matemática leva à decomposição ou à perfeição? Ou às duas? Um poema é a imagem de uma paisagem inadiável. Qualquer sensação engorda nas perferências. A doxa é um sentimento concretizando a beleza impossível. Plagiador de conteúdos indeterminados. Exercitava-se em transcrever autobiografias de bebés. Usava respostas disfarçando-as de escuras oportunidades. A matemática sobrava-lhe aperfeiçoando os clássicos. Repetir o strip-tease dos adjectivos importantes. Roubar subtilezas ao viver a gargalhada. Variedade dos temas é o museu das capitulações. A ilusão retorna à atenção.

A merecemos um museu das imperfeições inesquecíveis. Pergunta-se no baptismo: a àgua é Deus? Exercitava-se em notas para ser santo para si. Ou para mim? Triplicou-se a documentação forjando escolias. Arrumar mundos divinos na escuridão. Enunciava a dúzia como criticismo da dezena. A enganos sucessivos como obra de arte. Avanço do inexacto para o múltiplo, como um infame. Abreviaturas de milagres. Um rigor (trajavél) parente da glória. Budas a desorquestrar a libertação. Usava factos. Sou bom a namorar falhanços. Usava a virtude enunciando inexperiências. Mobiliário do desapego. Refazer o amor revolucionário com opiniões maternas de deboche.

Consegui seduzir mulheres einstantâneas. Gosto de micropartículas para limpar o satori. O importante não é escrever, mas o saber decapitar estilos. A aparência de certos números desmoraliza-nos. Fiz a instalação de uma vontade que se achava importante. O rabo desfaz o anónimato. Procurava o extraordinário só no instantâneo? Fiz vestir hipóteses no Japão. Editei a doxa através do rumor. Memória postiças em jogos de totalitarismo. Andei a roubar famas intransmissíveis. Expus Deus? Vivo as calamidades da origem? Futuras palavras ruminam a minha heterobiografia. Informe a folhear o sagrado sem se tornar um deus. Qual é a forma da animalização?

O autocriticismo reinventa o terror dos sacrifícios? Louvar já é comercializar? O Eu anda atrás de melhoramentos? A vida interior ficou no anonimato. A guerrilha como metafísica? Fome de polissemia. Quero mais uma indisciplina com método. A Negação como uma espécie que se aperfeiçoa. Nomadismo é des-vegetarianização. Uma demiurgia acessível pela pontuação. Perguntas que vírgulam a verdade. Tagarelice em mangas de camisa sob a capa do anonimato. Uma relação que prepara uma disseminação. Involuntário animal rugindo nas notas ao estilo? Quero uma obra-prima à sombra da mediocridade? Mascaro-me de casos a passar por simbolos.

Sou imperfeito graças à insónia e à complexidade? Sento-me na elisão de Deus para que apareça o mundo. Escrevia para refutar depressa e bem. Preferimos auto-consciências que assumam o seu mundo. Um clima que propicia pluriversos. Ser num sim putrefacto. Confundo as heteronomias com o sagrado. Talvezes mascarando-me. Fera de involuntários clássicos. Torna-te entusiasmos. Uma complexidade que se nutre de calamidades. Fiz do mundo a minha indisciplina. Estou outros. Qual é a flor dos libertários? 99 parábolas para dissimular estados de graça. Queres subsídios para aprimorares o abismo?

Haverá novo sem eus. O apetite pelo mundo adquire-se nas citações. Outra finalidade afilhada de perguntas. Modos de estacionar no vazio. A remistura do anonimato divulga a consciência interstícial. Qual é o epitáfio da interrogação? Adjectivos que fazem anos. A religião da melancolia serve a Fé ao Mim. A nossa condição tornou-se assim ao sobrepovoar o vazio com vazios. A outra moda apunhalou a perfeição. Qualquer pergunta com um Depois serve para a desembaraçar. Sentidos a induzir memórias malucas nas mangas. À perfeita publicidade chama-se culto. Iremos como a Graça e com Doxa a dessublimar pelos campésticos das questões. A Graça é consequência da animalização. Exercitava-se em sem sê-lo.

Caçar felicidades alheias para decorar a obra. Exuberâncias a exagerarem o múltiplo. 99 mentiras como hipóteses a documentar. Ideias carnavalescas rodeiam-nos opulentas. O carrascão do rumor chama-se Anunciação.

Ao lado das outras autobiografias de Delalande ou o mesmo continuado no identico por alguém que é talvez ele

1. Ser projectivo através de uma reiterada pseudo-anti-projectividade 2. devemos sublimar aquilo que desconhecemos? 3. os livros dispersam-me e desaprendem-me 4. a linguagem como sedativo 5. a confissão como complot 6. o suicídio como suplemento 7. multiplicar as convicções divergentes para desfazer as propensões 8. o sexo afeiçoa o que o perliminar não aperfeiçoa 9. uma sem-origem sem filosofias ou cosmogonias 10. um sem-lar com demasiadas origens 11. aperfeiçoar a diáspora diferindo um pouco da perfeição 12. desencontro-me na imperfeição de um estilo específico e reencontro-me nas autobiografias que me heteronomizam 13. desfazes-te dos talvezes para que falem sobre ti 14. a arte de olhar devagar deve substituir as regras rapaces da lógica 15. digo não antes de me perguntarem para poder ceder muito mais tarde 16. o espelho torna-me a minha obra-prima quando fecho os olhos 17. re-misturo-me no intervalo de falsas decepções 18. o suspiro como strip-tease instantaneo 19. desvio o olhar e o pensamento perante qualquer unidade

20. a perfeição como alter-ego a mumificar 21. a matemática como algo mais temível que qualquer Deus 22. quando as perguntas se apagam ficamos numa serena obscuridade? 23. somos aperitivos para um canibalismo vindouro 24. vou adiando qualquer edição e refazendo as notas refeitas 25. a múltiplicidade consiste em pôr o rigor da imperfeição acima da pretensa perfeição 26. escrevia demasiadas autobiografias para se passar por um falso anónimo 27. tornou-se famoso aprimorando asceses com gula 28. desestudei-me para me reconhecer 29. o estilo está debaixo dos vestidos 30. demasiadas máscaras para nenhuma barba 31. ser indirecto prolonga o prazer 32. a matemática é o disfarce do vazio 33. as minhas leituras desfazem-me de posses 34. certos museus confundem-se com as minhas autobiografias pelo dealhe 35. um exemplo com demasiadas contraindicações 36. fui o anti-estilo? 37. torno divertidos os meus infortúnios? 38. sou o emigrante espanhol com medo de regressar à sua terra? 39. alguém colecciona o tempo da minha vida? 40. tiro as camisas para sentir o paradisíaco 41. impuseram-me uma fama para satisfazer a curiosidade de um felino 42. a biblioteca será os livros que soubermos adiar escrever

43. as frases abandonam-nos cada vez mais depressa 44. o divórcio tem sido a minha obra de arte mais secreta 45. perder pedidos 46. gastar gostos 47. preparar os pormenores dos adiamentos 48. vivo segundo as geografias de países esquecidos e derrotados 49. o pensamento da inconsistência dá mais consistência ao pensamento? 50. tive que me exilar da matemática para me tornar sensível às aparências da geometria 51. oculto exposições e procuro calar-me 52. perco-me ao encontrar-me 53. a pressa do público aprefeiçoa a minha arte de desaparecer 54. vomitei reproduções de obras de arte famosas 55. as minhas gargalhadas intimidam-me 56. aplico-me em perguntas que desfazem o vazio 57. publicito-me dispersando-me 58. o parecido anula as analogias 59. uso o verbo ser no sentido de parecer — sempre 60. perco o chapéu-de-chuva para manter certas metáforas em forma 61. faço um museu da minha roupa velha 62. impreparado sempre? 63. certos exemplos aguardam pelas pessoas muitos anos 64. jogos de linguagem a incendiarem divãs 65. um impossível que facilita muitas tarefas

66. objectos que predispõe ao fetichismo 67. o que sei aguça a indisponibilidade 68. uma longa intimidade depois de todas as surpresas 69. desfaço indisciplinas ou refaço-me indisplinadamente? 70. recuo perante uma sintaxe demasiado perfeita 71. a imprecisão ortográfica deve-se à intensidade do pensamento 72. visto-me de apocalipses para desnudar os deuses 73. as frases de um imbecil assentam mais na realidade 74. a poesia adia não só as respostas como finta as perguntas 75. uma pergunta serve para agravar qualquer solução hipotética 76. desfaço-me da memória para poder celebrar 77. calo-me para manter a raiva intensa 78. o meu sorriso tem-me causado inúmeros problemas 79. porque é que a felicidade ou a serenidade incomodam? 80. os mundos experimentam-me aos poucos 81. os sonhos mudam-me a arte de sonhar 82. hipóteses para tornar as ficções mais plausíveis 83. o melhor criticismo é o suicidio do crítico 84. andam-nos a comprar em segunda-mão 85. ainda confundes o gosto com o sagrado? 86. as palavras incitam à desmesura de todas as coisas 87. escrever graças a uma obstinada inclinação pelo arbitrário 88. fazer o luto do sucesso 89. desfazer-se da atenção sistemáticamente

90. ocultar as notas e fazer desaparecer o livro 91. aprendi a ser superfluo esforçadamente 92. cansei-me de me remisturar 93. os parenteses e as aspas que coloco têm-se degradado 94. as profecias são jogos de linguagem? 95. o aleatório é um Deus que se sabe vender como sacrifício? 96. as injustiças da natureza são a felicidade do santo? 97. múltlicidades a enxergarem exuberâncias 98. afectos que emigraram para países frios e que passam férias nos trópicos 99. parábolas que são rasteiras

RECORDANDO O MESTRE PICABIA

Sou um pequeno-burguês que conduz o túmulo ao corpo. A natureza é injusta? Tanto melhor, pois acende o instinto. Fui a cabeça que quiz herdar dum vivo alguma sabedoria insensata. Partilhas os outros só contigo? O riso vai-se na igualdade. Desigualar os outros, sou eu. Ser moderno; mas no anfiteatro. Um livro com cú. A única coisa suportável na arte são as velhas coisas de sempre dissimuladas de actualidades duvidosas. Monotonia da maré de melancolia. O tédio é como os segredos dos mortos e dos vegetarianos. A arte aparece na vida decapitada. A única forma ama as guilhotinas. Um homem parece belo sempre que se põe como as mesas.

É muito bom sentir a melhor decepção. A forma de Deus é um acidente geométrico numa pintura medíocre. A natureza dissolve? Culpe-se a melancolia. Sou um cigarro fumado pelo sexo. O nariz é o anfiteatro do desconhecido. Os dentes caiem como os momentos de juventude. O ilogismo pode assar os hábitos. O crime é um boi napolitano. Quando fumo chove. Serei um feiticeiro índio? São os hábitos carnívoros que empurram um homem para a família. A vida só existe quando um homem a inventa. As lenços decepá-los-ão. A quem? O ódio é um meio a sacrificar numa boa jantarada. Com os nossos amigos em redor deve-se estar sozinho. A lealdade é o fim fomentado por uma lógica. A moral é a excepção; eu sou o homem que confunde as conclusões com palha.

A finalidade é a fortuna dos cegos. As flores enxugam a paixão e contribuem para depois do suicídio. A moral é a espinha de um meio a sacrificar. O sabedoria é incapaz no casamento. Somos responsáveis pela palidez das pessoas beatas? O fim é um velho erro que ainda ninguém viu com companhias saudáveis. As explicações misticas têm belas pentelheiras. A morte é o culto do estar sozinho. A arte é o livre arbítrio a divorciar-se da predestinação. O diabo faz doer o sexo como consequência de nada. Os padres enxugam a pátria depois de sujarem o urinol. A paralisia é a religião das minhas plantas. A moral das estrelas foi assar a costela de Adão. Será bom sentir-me Deus sendo ateu? O desconhecido, senhores revolucionários, sou eu. Das revoluções já sabemos o que nos espera.

O humor é o vegetarianismo dos antropófagos. O erro é o coito da arte. O belo é o amante do desinteresse. Ideias sujas surgem melhor no banho. Há meios que são mais princípios do que outros. O esquecimento é o neto da fraternidade. Fazer de cada acidente um oráculo. As dissonâncias oferecem pipocas às harmonias.

A GUERRA DOS SEIXOS

A mudança de um homem é o seu destino. Não concebo um jardim, agora, que se recuse a ser poesia moderna. A privacidade é mais concreta se o seu destino for a generosidade pública. Retomo o sentido através do antiquado para jardinar revolucionáriamente. Sou apenas um jardim sentimentalmente natural que se recusa a ser abandonado. Fechei o jardim da compreensão aos que pensam tiranicamente… O não é um modo de fazer às vezes. Na natureza não existe recusa. Mas a recusa, como ilusão própria do homem, pode ser benéfica ao natural. Serei sempre um principiante da antiguidade. A antiguidade é o encontro ressurgente da geometria com a naturalidade. As maneiras de escrever o mundo devem ser regadas regularmente. Sou um privado que admira as pretensões do público ao sublime, ao erótico e ao fraterno. A musa deve saír da estante e jardinar revoluções.

O que segue a legislação é o túmulo. Aspirar ao povo. Aspirar com o povo. Aspirar ao fim do túmulo do povo. O crime é filho do mundo da legislação. A desigualdade da subtileza jurídica não é pastoral. As circunstâncias seguem a natureza humana se esta acolher o entusiasmo. O que protege a natureza não é próprio da natureza? A igualdade é estar no campo inteiramente. O engenho é uma inércia produtiva. O engenho é próprio do sábio na desordem. O engenho é uma subtileza do acaso. A justiça também é infâmia quando esquece a natureza. Demasiadas leis: mingua de afectos. Uma legislação deveria ser feita para os membros do mundo. A comunidade não é uma inércia mas uma florestação. A opulência é a infâmia restaurada. A liberdade do homem não ressurge no túmulo. O crime é filho do futuro.

O crime é filho de um mundo que ficou vazio da desordem dos outros. Há virtudes que exigem raiva. Oprimir o bem não conduz necessáriamente a virtude à guilhotina. As circunstâncias ornam a infâmia. A propaganda dos afectos. Quaios as circunstâncias distintivas da natureza? Será útil um engenho para oprimir o mal? As casas dos afectos estão rodeadas de parques. Um governo débil pesa sobre coisas do mundo. Um governo débil que pesa sobre o povo não é um governo é a marca distintiva da natureza jurídica a chatear.

Fazer a encontropia. O Sexo é uma flor selvagem. Interessantropia. O Sexo num poeta moderno é uma nostalgia do sexo pitagórico. O remoto Homem-Natura é a medida de todos os jardins. A Ecologia teve que ser uma verdade equívoca para se tornar uma escultura entrópica. Um banco para sentar o nosso prazer. A Solidão como secularismo. Jardinar um Poema ou jardinar com a Poesia? A Ecolocação de uma coisa na palavra. O melhor do jardinar é o seu prazer. Jardinar o sexo sob a égide do número. É a Natureza-Filosofia que deve ser lida.

Osanagrama é a Musa brincando como os seus elementos abreviados.

Anagrada-lhes viver um problema comprido. Uma vida nova também é um anagrama antigo redescoberto. Os anagramas são o destino dos deuses esquecidos. É no grego Pandemos que encontramos a conexão com o povo. Um anagrama é uma vida simplificada pelo dinheiro? Ou uma vida complexificada pela relação com a Natura? Demasiadas letras ficaram vazio desde que o povo desistiu do campo. Onde está a Musa brincando com as aspirações do povo? O anagrama não é opressivo. Saussurre mostra-nos que o sentido lateja com as suas ambiguidades no anagramático. E que é Vénus que conduz a Ciência e Arte. O Anagrama pulveriza o pandémico. A opulência é infâmia. Profetizando ficou vazio de anagramas em mutação. A pulsão do anagrama sim, o anagrama em si, isolado, não. Demasiadas letras em seu destino. O povo precisa de exemplos concretos. A jardinagem erótica e a ordem geométrica são bons para começar. Um governo nunca é puro. Mas faz agir.

O anagrama é um jardim que sacode quer a desordem quer a perfeição. Indigificamos Apollo. Porquê? O engenho é algo privado. Demasiados exílios para tão poucas heteronomias. Diferentende-as. Um governo livre de legislar tudo poéticamente. Um governo que se protege nos anagramas será justo? Estransposição.

CARTAS TELEGRÁFICAS DE DELALANDE

Relembro-me eles exafilosofavam e eu era a serpente.

É falso que seja um filosperdedor.

Vens com o Rilke ele é o teu Tibetano. Podes pedir-lhe?

Através dos nomes lembras-te do Principio esverdeante.

Eu, o Picha Perfeita tenho ovos para lhe agradecer. 1 a velhar mais. Oparece!

Nomes flamejam ao almoço para Euromelhorar a filos. Cómico apensar.

Se é um extramembro simples: mera energia Buda.

A existória do Retem miniatura. Eu sou a esfera e tu a poesia magnética: escuta a solúvel filosofia tibetana talvez.

Ideal para alguns ou beijadamente doce dou a Dúvida.

Grande/Quieto puramente poeteiro alegre almoçarada de escritos.

Preparando a energia da Artistória "o Eu expõe bem".

O amor existe! Com o verão perfeito dourando.

Vociferador de escrita ao almoço não é lá grande fotógrafo especialisteiro.

Protolinguas a flamejar eram todotudo. Perguntemos? Arranja qualqueróbvia maq.

Porque é que uma fotolingua está só etc.? Tu a mim? Esperança. Dúvida Imperfeita com o seu fabuloso glorioso gostar.

Agradável durante 999 quilómetros em miniatura. Espero que venhas ele é o som todospecial.

Espia papelperfeitamente tudo. Vai pérolorioso à glória. Separado e até cómico. Chega de sins. Diz e dá a preparatinta.

O porque é a ideal Enquatosofia? Espero que o proves.

Oh tu amante especialmente ficas cobra.

Como é o Génio longe dizem onde? Aguarda. Lê muito obrigado Beijocado Querido?

Verãolegre passa como mais uma risada longe do Outub. Verão.

Biografia de Delalande Nasceu em Avignon em 1946 Viveu em: Dublin (adolescência) - 1958-1964 Thessaloniki (entre os 17 e os 20) - Estudou literatura grega contemporânea (Katsimbalis, Ritsis, Seferis, etc.), pela a qual se interessou depois de ter lido Durrel e o Colosso de Maurossi de Henry Miller - 1964-67 Paris (Vida Universitária) - Especializou-se em cultura do sec. XVIII e início do sec. XIX (sobretudo Sthendhal) e em relações entre literatura e Pintura. 1967-72 Katmandú (1972-75) - Tentação Budista, depois de ter lido Nagarjuna. Estuda a arte Tantrica e toma conhecimento do Dzogchen mas perde a paciência Lisboa (onde vive actualmente casado com 1 arquitecta paisagista catalã) - vem para a revolução e acaba por ser professor de História de Arte na Universidade Nova de Lisboa (1975 - ?) Fez Viagens a Tokio (1973), Nova Iorque (1986) e Cairo (1992) além de outras cidades da Europa. Considera-se um artista "em exílio" que capitulou da fama. É Pitagórico mas prefere a ligeira imperfeição ou desvio às formas perfeitas: "uma coisa um bocadinho imperfeita mais excitante do que uma coisa totalmente perfeita - os acidentes que tornam imperfeitos têm a sua glória própria que abre para o tempo como brecha que escoa da tirana da eternidade."

"A perfeição natural será diferente da perfeição matemática? A imperfeição matemática abre para a perfeição natural? Ou é a vizinhança da perfeição matemática que é a inacessível porta da perfeição natural?" "No Yantra o informe e o espontâneo reconciliam-se e dão sentido ao geométrico" " A perfeição natural difere-se para que tudo floresça" "A guilhotina é a irmã reluzente do pastoral" " A revolução é o momento de emergência pura , do maravilhoso, da caducidade precipitada e do terrível." Admira - J.L. Borges e J. L. Byars (gosta de os citar juntos), Nabokov, Beckett, Shaftesbury, Pitagoras, Wittegenstein, Gertrude Stein, Almada Negreiros, Valery, Nagarjuna e Longchempa Escreveu também o livro "Roma, Porto, Reboleira", uma homenagem falhada a E. Batarda

APÊNDICE DELALANDE SEGUNDO NABOKOV

Comme un fou se croit Dieu nous nous croyons mortels.
/Delalande. Discours sur les ombres/ [*] (*1)

"One author, however, has never been mentioned in this connection -- the only author whom I must gratefully recognize as an influence upon me at a time of writing this book; namely, the melancholy, extravagant, wise, witty, magical, and altogether delightful Pierre Delalande, whom I invented."

(«O dom» - pag. 350) Quando perguntaram ao pensador francês Delalande no funeral duma determinada pessoa porque razão não se descobria (ne se découvre pás), ele respondeu: «Estou à espera que a morte o faça primeiro (qu’elle se découvre la premiére)». Há nisto uma falta de cavalheirismo metafísico, mas a morte não merece mais. O medo engendra o terror sagrado, o terror sagrado erige um altar de sacrifícios, o fumo ascende ao céu, aí assume a forma de asas, e o medo, prosternado, dirige-lhe uma oração. A religião tem a mesma relação com a condição celestial do homem que a matemática com a sua condição terrena: tanto uma como a outra são as regras do jogo. Fé em Deus e fé nos números: verdade local e verdade do lugar. Eu sei que a

morte em si não tem relação com a topografia do além, pois uma porta é meramente a saída da casa e não uma das suas imediações, como uma árvore ou uma colina. Uma pessoa tem de sair de uma maneira ou doutra, «mas recuso-me a ver numa porta mais do que um buraco e um trabalho de carpinteiro» (Delalande, Discours sur les ombres, pag.45). E mais: a infeliz imagem da «estrada» a que o espírito humano se habituou (a vida é uma espécie de jornada) é uma ilusão estúpida: nós não vamos a lado nenhum, estamos sentados em casa. O outro mundo rodeia-nos sempre e não é de modo nenhum o fim duma peregrinação. Na nossa casa terrestre, as janelas são substituídas por espelhos; a porta, até um dado momento, está fechada; mas o ar entra pelas frestas. «Para os nossos sentidos caseiros a imagem mais acessível da nossa futura compreensão dessas imediações que deverão revelar-se-nos com a desintegração do corpo é a libertação da alma das órbitas da carne e a nossa transformação num olho completo e livre que pode ver simultaneamente em todas as direcções, ou, noutros termos: uma penetração hipersensorial do mundo acaompanhada da nossa participação interior.» (Ibid. p. 64) Mas tudo isto são simbolos, símbolos que se tornam um fardo para a alma assim que esta os examina de perto...

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