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UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA

INSTITUTO DE BIOCIÊNCIAS

O PAPEL DA GINÁSTICA TERAPÊUTICA CHINESA LIAN GONG EM 18

TERAPIAS NO COMPORTAMENTO PSICOMOTOR E COTIDIANO DE

PRATICANTES ADULTOS

EVANIZE KELLI SIVIERO

RIO CLARO

2004

UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA

INSTITUTO DE BIOCIÊNCIAS

O PAPEL DA GINÁSTICA TERAPÊUTICA CHINESA LIAN GONG EM 18

TERAPIAS NO COMPORTAMENTO PSICOMOTOR E COTIDIANO DE

PRATICANTES ADULTOS

EVANIZE KELLI SIVIERO

Orientador: Prof. Dr. LUIZ ALBERTO LORENZETTO

Dissertação apresentada ao Instituto de Biociências

do Campus de Rio Claro, Universidade Estadual

Paulista, como parte dos requisitos para obtenção

do título de Mestre em Ciências da Motricidade -

Área de Pedagogia da Motricidade Humana.

RIO CLARO

2004

iii

“ Ao nascer, o Homem é suave e flexível; Na sua morte, é duro e rígido. Plantas verdes são tenras e úmidas; Na sua morte, são murchas e secas. Um arco rígido não vence o combate. Uma árvore que não se curva, quebra. O duro e o rígido tombarão. O suave e o flexível sobreviverão. ”

Dao De Jing

Verso 76

iv

DEDICATÓRIA

Gostaria de começar a minha dedicatória com uma frase. Não saberia

dizer quem realmente a criou, mas desde o primeiro momento que a li, ela se

tornou parte de mim e sempre foi lembrada nos meus dizeres, nas minhas

inspirações, nas minhas angústias, nas minhas lágrimas, nas minhas alegrias e é

claro, que neste momento ela não poderia ficar sem ser registrada neste trabalho

que foi feito por meio das minhas emoções, por meio do meu corpo.

A frase que tanto me emociona possui as seguintes palavras:

Somos anjos de uma asa só e só podemos alçar vôo

abraçados uns aos outros ”.

Eu fui um anjo de uma asa só que alcei vôo, abraçada em anjos de

imensas asas, que me ensinaram a viver, a compartilhar, a amadurecer e acima

de tudo a lutar pelos sonhos que fossem possíveis. A esses anjos ofereço este

trabalho como forma de agradecê-los por tudo que fizeram por mim e por terem

me dado a chance de nascer e trilhar o meu caminho neste mundo de provas e

expiações. A meus Pais, June e Jaime, anjos da minha vida, guardiões da minha

alma, arcanjos das minhas conquistas, este trabalho dedico a vocês e que Deus

sempre me ofereça as suas asas para poder voar

v

AGRADECIMENTOS

Em primeiro lugar agradeço a Deus pelos momentos maravilhosos e pelos

momentos difíceis que tive durante o processo e a construção deste trabalho, os

quais só consegui superá-los, por meio das minhas preces, as quais me trouxeram

paz e calma para me levar adiante.

Ao meu anjo da guarda, a qual sempre pedi inspiração para que a minhas

palavras fossem claras e fidedignas aos resultados e aos objetivos propostos

nesta pesquisa.

Aos meus tios Marli e Hilson, que me acolheram com amor e dedicação

quando precisei realizar as minhas coletas. Que Deus sempre os ilumine.

Aos professores de Lian Gong Jaime Kuk, Iza Stramich, Nelson Iba em

tornar possível a minha coleta em seus grupos.

Aos praticantes de Lian Gong que participaram da pesquisa, pois sem a

cooperação de todos este trabalho não seria realizado.

A Maria Lúcia Lee que me trouxe para o caminho dos exercícios chineses

e me ensinou a olhar e a compreender a filosofia chinesa que tanto admiro,

aprecio e que me dá luz para continuar as minhas pesquisas.

O meu muito obrigado aos meus amigos e amigas que me ajudaram direta

e indiretamente na estrutura do trabalho e na execução das fotos.

vi

A minha irmã, Elita, meu cunhado Mário, meus sobrinhos Gustavo e a

Giovana, que assistiram e entenderam as minhas ausências em momentos que

precisei me dedicar exclusivamente à pesquisa.

Ao meu querido amigo João Simões, que me agüentou durante esses dois

anos, com paciência e dedicação, sempre preocupado com a minha saúde,

interessado e pronto a ajudar no que fosse necessário.

A minha querida “Marcinha” que me acalmou e me ajudou a amadurecer

como pessoa. Um outro anjo que me fez alçar vôo e aprender os caminhos da

caridade, da compaixão, do desapego, do bom humor e principalmente de como

lutar sem se machucar perante aos problemas que foram surgindo pelo caminho.

O Professor Dr. Afonso A. Machado que me ensinou muito em suas

aulas, a minha sincera admiração.

As Professoras: Dra. Antonieta Marília de Oswald de Andrade, Dra.

Gisele M. Schwart e Dra. Silvana Venâncio, Dra. Elizabethe Paoliello Machado

de Souza e Dra. Graciele Rodrigues Massoli meus sinceros agradecimentos.

Ao Professor Dr. Luiz Alberto Lorenzetto, o meu respeito e a minha

gratidão não apenas pelas orientações, mas pela pessoa que me tornei depois do

nosso contato. O carinho e a sabedoria de lidar com as pessoas e com as

circunstâncias que a vida oferece, foi o maior aprendizado que tive com você, o

qual tentarei exercitá-lo pela vida em diante. A você Luiz as minhas sinceras

considerações como admiradora, amiga e eterna aluna. Que Deus sempre o

abençoe nessa estrada, na qual você sempre nos traz luz, alegria e esperança.

vii

RESUMO

As experiências dos estados de ânimo levam o indivíduo a estruturar-se corporalmente e a manifestar reações fisiológicas que organizam, desorganizam e reorganizam as tensões musculares. Quando tornadas crônicas, modificam o movimento humano em si e as relações com o meio externo. O objetivo deste trabalho é identificar os efeitos do Lian Gong em 18 Terapias sobre a relação tensão muscular/estados de ânimo, em indivíduos de 30 a 60 anos. A amostra foi composta por 30 participantes distribuídos em quatro grupos, de acordo com o tempo de prática desta abordagem. A coleta dos dados foi efetuada através de questionários com perguntas abertas e de múltipla escolha: o primeiro diagnóstico e o segundo referente às práticas do Lian Gong. Esta pesquisa foi de natureza exploratória e os dados foram investigados qualitativa e quantitativamente, através de uma análise de conteúdo. As unidades de registro basearam-se em temas relacionados a sentimentos, comportamentos, opiniões e atitudes; e como unidade de contexto, cada questão referente aos dois questionários, distribuídos em sete categorias. Os resultados revelam que o Lian Gong em 18 Terapias é um sistema de auto-organização corporal e favorece a prevenção e a terapia. As 1 a , 2 a , 3 a e 4 a séries demonstram um relacionamento maior com a tensão muscular e estados de ânimo. A maioria dos participantes pensa e pratica o Lian Gong como forma de auto-ajuda, leveza, bem-estar, para diminuir a tensão e aliviar as dores no corpo; os participantes sentem-se mais alegres, dispostos, equilibrados, com energia, tranqüilos e auto-regulados; sentem-se mais relaxados, mais ágeis e mais flexíveis. Socialmente sentem-se mais extrovertidos, comunicativos, abertos para fazerem novas amizades e em relação ao comportamento familiar, mais calmos, pacientes, compreensivos e equilibrados. Portanto, o Lian Gong em 18 terapias proporciona a conscientização do ser como um todo indissociável.

Palavras Chaves: Lian Gong/ Motricidade Humana/ Emoções/ Tensão Muscular.

viii

ABSTRACT

The experiences of the state of spirit takes the individual to structure itself physically and to reveal physiological reactions that organize, disorganize and reorganize the muscular tensions. When they become chronic, they modify the human movement and the relations with the external atmosphere. The aim of this work is to identify the effects of Lian Gong in 18 therapies about the muscular tension relation / the state of spirit in individual aged from 30 to 60. The sample was composed of 30 participants that was separated in 4 groups, according to the knowledge of this subject. The data collection had been achieved through opened questions and multiple choice questionnaires. The first one, diagnosis and the second one regarding to Lian Gong experiences. This was an exploratory nature research and the data had been searched quantitativity and qualitativity through a content analysis. The unit of register had been based on subjects related to feelings, behaviors, opinions and attitudes; and as unit of context each question refered to both questionnaires, which had been distributed in seven categories. The results show that Lian Gong in 18 therapies is a system of self-physical organization and promote the prevention and the therapy. The 1ª, 2ª, 3ª and 4ª series show a larger connection with the muscular tension and the state of spirit. The majority of participants thinks and practices Lian Gong as a way of self-help, lightness, well being to diminish the tension and to relieve pains in the body; the participants feel happier, stimulated, balanced, calm, disciplined. They feel more relaxed, agile and more flexible. Socially they feel more extroverts, communicative, ready to make new friendships and with reference to the familiar behavior, they feel themselves calmer, patient, comprehensive and balanced. Therefore, Lian Gong in 18 therapies provides the awareness of a human being totally integrated.

Key Words: Lian Gong / Human Motricity / Emotions / Muscular Tension/ Exercises.

ix

SUMÁRIO

Página RESUMO ------------------------------------------------------------------------------------------

vii

ABSTRACT ---------------------------------------------------------------------------------------

viii

CAPÍTULO I – INTRODUÇÃO

O

Problema --------------------------------------------------------------------------------

16

Justificativa --------------------------------------------------------------------------------

19

Objetivo ------------------------------------------------------------------------------------

21

CAPÍTULO II – REVISÃO DA LITERATURA

Emoções -----------------------------------------------------------------------------------

22

Concepção Neurofisiológica das Emoções -------------------------------------------

23

Concepção Psicológica das Emoções -------------------------------------------------

29

Estados Ânimo e Tensão Muscular ----------------------------------------------------

42

Exercícios Físicos Suaves ---------------------------------------------------------------

47

Lian Gong em 18 Terapias --------------------------------------------------------------

50

História do Lian Gong ------------------------------------------------------------------

51

Estrutura do Lian Gong -----------------------------------------------------------------

51

 

Descrição e Ilustração dos Exercícios --------------------------------------

54

Qualidade do Movimento dos Exercícios do Lian Gong e a Energia Vital ------

75

A

Respiração e a Música da Lian Gong ----------------------------------------------

77

Benefícios do Lian Gong ----------------------------------------------------------------

78

CAPÍTULO III – MATERIAIS E MÉTODO

Natureza do Trabalho --------------------------------------------------------------------

80

Participantes ------------------------------------------------------------------------------

80

x

Procedimento para a Realização da Pesquisa ----------------------------------------

85

Tratamento dos Dados -------------------------------------------------------------------

86

Procedimento para oTratamento dos Dados -----------------------------------------

89

CAPÍTULO IV – ANÁLISE E DISCUSSÂO DOS RESULTADOS

Perfil dos Participantes de Cada Grupo------------------------------------------------

92

Categoria 1 – Aspectos Emocionais ---------------------------------------------------

98

Discussão da Categoria 1 -----------------------------------------------

108

Categoria 2 – Aspectos Físicos ---------------------------------------------------------

116

Discussão da Categoria 2 -----------------------------------------------

129

Categoria 3 – A Relação entre Estados de Ânimo e Tensão Muscular -----------

140

Discussão da Categoria 3 -----------------------------------------------

145

Categoria 4 – A Prática do Lian Gong e os Estados de Ânimo --------------------

159

Discussão da Categoria 4 -----------------------------------------------

166

Categoria 5 – Prática do Lian Gong e Tensão Muscular ----------------------------

178

Discussão da Categoria 5 -----------------------------------------------

188

Categoria 6 – Prática do Lian Gong sobre a relação Estados de Ânimo e

Tensão Muscular --------------------------------------------------------

198

Discussão da Categoria 6 -----------------------------------------------

206

Categoria 7 - Aspectos Comportamentais --------------------------------------------

210

Discussão da Categoria 7 -----------------------------------------------

215

CAPITULO V – CONSIDERAÇÕES FINAIS --------------------------------------------

224

REFERÊCIAS BIBLIOGRÁFICAS ---------------------------------------------------------

243

xi

LISTA DE FIGURAS

ILUSTRAÇÃO DOS EXERCÍCIOS DA 1 a PARTE DO LIAN GONG

Ilustração da descrição do 1 o exercício da 1 a série do Lian Gong em 18 Terapias--------

54

Ilustração da descrição do 2 o exercício da 1 a série do Lian Gong em 18 Terapias--------

54

Ilustração da descrição do 3 o exercício da 1 a série do Lian Gong em 18 Terapias--------

55

Ilustração da descrição do 4 o exercício da 1 a série do Lian Gong em 18 Terapias--------

55

Ilustração da descrição do 5 o exercício da 1 a série do Lian Gong em 18 Terapias--------

55

Ilustração da descrição do 6 o exercício da 1 a série do Lian Gong em 18 Terapias--------

56

Ilustração da descrição do 1 o exercício da 2 a série do Lian Gong em 18 Terapias--------

56

Ilustração da descrição do 2 o exercício da 2 a série do Lian Gong em 18 Terapias--------

57

Ilustração da descrição do 3 o exercício da 2 a série do Lian Gong em 18 Terapias--------

58

Ilustração da descrição do 4 o exercício da 2 a série do Lian Gong em 18 Terapias--------

58

Ilustração da descrição do 5 o exercício da 2 a série do Lian Gong em 18 Terapias--------

59

Ilustração da descrição do 6 o exercício da 2 a série do Lian Gong em 18 Terapias--------

59

Ilustração da descrição do 1 o exercício da 3 a série do Lian Gong em 18 Terapias--------

60

Ilustração da descrição do 2 o exercício da 3 a série do Lian Gong em 18 Terapias--------

60

Ilustração da descrição do 3 o exercício da 3 a série do Lian Gong em 18 Terapias--------

61

Ilustração da descrição do 4 o exercício da 3 a série do Lian Gong em 18 Terapias--------

61

Ilustração da descrição do 5 o exercício da 3 a série do Lian Gong em 18 Terapias--------

62

Ilustração da descrição do 6 o exercício da 3 a série do Lian Gong em 18 Terapias--------

63

xii

ILUSTRAÇÃO DOS EXERCÍCIOS DA 2 a PARTE DO LIAN GONG

Ilustração da descrição do 1 o exercício da 4 a série do Lian Gong em 18 Terapias--------

64

Ilustração da descrição do 2 o exercício da 4 a série do Lian Gong em 18 Terapias--------

64

Ilustração da descrição do 3 o exercício da 4 a série do Lian Gong em 18 Terapias--------

65

Ilustração da descrição do 4 o exercício da 4 a série do Lian Gong em 18 Terapias--------

65

Ilustração da descrição do 5 o exercício da 4 a série do Lian Gong em 18 Terapias--------

66

Ilustração da descrição do 6 o exercício da 4 a série do Lian Gong em 18 Terapias--------

66

Ilustração da descrição do 1 o exercício da 5 a série do Lian Gong em 18 Terapias--------

67

Ilustração da descrição do 2 o exercício da 5 a série do Lian Gong em 18 Terapias--------

68

Ilustração da descrição do 3 o exercício da 5 a série do Lian Gong em 18 Terapias--------

68

Ilustração da descrição do 4 o exercício da 5 a série do Lian Gong em 18 Terapias--------

69

Ilustração da descrição do 5 o exercício da 5 a série do Lian Gong em 18 Terapias--------

70

Ilustração da descrição do 6 o exercício da 5 a série do Lian Gong em 18 Terapias--------

70

Ilustração da descrição do 1 o exercício da 6 a série do Lian Gong em 18 Terapias--------

71

Ilustração da descrição do 2 o exercício da 6 a série do Lian Gong em 18 Terapias--------

72

Ilustração da descrição do 3 o exercício da 6 a série do Lian Gong em 18 Terapias--------

73

Ilustração da descrição do 4 o exercício da 6 a série do Lian Gong em 18 Terapias--------

73

Ilustração da descrição do 5 o exercício da 6 a série do Lian Gong em 18 Terapias--------

74

Ilustração da descrição do 6 o exercício da 6 a série do Lian Gong em 18 Terapias--------

75

xiii

LISTA DE TABELAS

TABELA 1 -

Análise descritiva para as variáveis sexo, idade, tempo de prática do Lian

Gong e prática de outra atividade física ----------------------------------------

92

TABELA 2 -

Análise descritiva para as variáveis saúde, medicamento, presença de

tensão muscular no corpo, presença de dor no corpo e o motivo de

praticar a ginástica -----------------------------------------------------------------

94

TABELA 3 -

Aspectos Emocionais : Classificação dos Participantes como Pessoas

Emotivas ----------------------------------------------------------------------------

99

TABELA 4 -

Aspectos Emocionais : Reação do Corpo quando vivência algum Estado

de Ânimo ----------------------------------------------------------------------------

102

TABELA 5 -

Aspectos Emocionais : o(s) meio(s) buscado(s) para aliviar estados de

ânimo negativos--------------------------------------------------------------------

105

TABELA 6-

Aspectos Físicos: O Significado da Tensão Muscular------------------------

117

TABELA 7 -

Aspectos Físicos: Classificação dos participantes como Pessoas Tensas---

119

TABELA 8 -

Aspectos Físicos: Situações que causam tensões no corpo-------------------

124

TABELA 9 -

Aspectos Físicos: O(s) meio(s) buscado(s) para a tensão muscular---------

126

TABELA 10 -

Estados de ânimo e Tensão Muscular-------------------------------------------

140

TABELA 11-

Associação dos Estados de Ânimo com as Palavras Tensão Muscular-----

143

TABELA 12 -

A Prática do Lian Gong e os Estados de Ânimo ------------------------------

159

TABELA 13 -

Mudanças dos Estados de ânimo relacionadas à prática do Lian Gong-----

162

TABELA 14 -

Associação dos Estados de Ânimo com a Palavra Exercício-----------------

163

TABELA 15 -

Prática do Lian Gong e Tensão Muscular: Condição muscular-------------

178

xiv

TABELA 15b -

Prática do Lian Gong e Tensão Muscular: Contração Muscular------------

182

TABELA 16 -

Prática

do

Lian

Gong

e

Tensão

Muscular:

mudanças

das

tensões

musculares no corpo, após a prática do Lian Gong ---------------------------

185

TABELA 17 -

Categoria - Prática do Lian Gong sobre a relação Estados de Ânimo e

Tensão Muscular: a

série do Lian Gong que trabalha mais a relação

tensão muscular e estados de ânimo ---------------------------------------------

198

TABELA 18 -

Prática do Lian Gong sobre a relação Estados de Ânimo e Tensão

Muscular: reações corporais se houvesse interrupções da prática do Lian

Gong----------------------------------------------------------------------------------

200

TABELA 19-

Categoria - Prática do Lian Gong

sobre a relação Estados de Ânimo e

Tensão Muscular: a

prática do Lian Gong quando há dores no corpo e

estados de ânimo negativos-------------------------------------------------------

204

TABELA 20 -

Aspectos

Comportamentais:

mudanças

no

comportamento

social

emocional e físico -----------------------------------------------------------------

210

TABELA 21 -

Aspectos Comportamentais: mudanças no comportamento familiar--------

213

xv

LISTA DE ANEXOS

ANEXO 01

Questionário Diagnóstico-------------------------------------------------------------------------- 248

ANEXO 02

Questionário II -------------------------------------------------------------------------------------- 250

16

É

importante

que

as

CAPÍTULO I

INTRODUÇÃO

O Problema

pessoas

sintam-se

bem

psicologicamente,

possuam

boas

condições físicas, sintam-se socialmente integradas e funcionalmente competentes. Para isso

acontecer é necessário que o indivíduo tenha uma boa qualidade de vida.

Para Rigato (1994) falar sobre qualidade de vida é pensar na importância de equilibrar

o corpo no sentido geral, englobando aspectos físicos e psíquicos. Para que isso ocorra é

necessário que o homem respeite o seu corpo alterando os hábitos e atitudes para com a sua

vida, para que não haja conflitos no comportamento de suas defesas orgânicas e psíquicas

causando, assim, doenças.

Segundo Winterstein e Piccolo (1996) essa alteração dos hábitos e atitudes tem ligação

direta com a modificação do comportamento e com as emoções de cada indivíduo. Ou seja,

segundo os autores, as emoções têm funções regulativas nas preparações, execuções e

avaliações de nossas ações e que, muitas vezes, podem interferir negativamente nos processos

motivacionais, nas relações interpessoais, no desenvolvimento da personalidade e, até mesmo,

nos aspectos fisiológicos do corpo.

O homem contemporâneo utiliza ou sabe de seu próprio corpo e, principalmente, de

suas emoções e sentimentos. Algumas emoções ou estados de ânimo, como o medo e a

tristeza, são fortes motivos para que o corpo se retraia, gerando um distúrbio emocional e,

consequentemente, uma tensão corporal.

17

Nesta pesquisa serão relatadas duas vertentes que falam sobre a emoção: a primeira

baseia-se na concepção neurofisiológica e a segunda na concepção psicológica da emoção.

Dentro da concepção neurofisiológica das emoções alguns autores definem que as

emoções são estados fisiologicamente excitados que incluem mudanças no sistema nervoso

autônomo, principalmente no sistema simpático (JAMES, 1884; MARINO, 1975).

Há ainda pesquisadores que realçam os eventos corticais entendidos como respostas

fisiológicas, tais como as vísceras, os músculos esqueléticos e o hipotálamo (PAPEZ, 1937;

MARINO, 1975). Os estudos de Damásio (2000) mostram uma definição de que a emoção é

um processo avaliatório mental com respostas dispositivas dirigidas ao corpo, resultando um

estado emocional deste, mas também dirigidas ao próprio cérebro (núcleos transmissores no

tronco cerebral).

Já a concepção psicológica das emoções se refere a um estudo sobre o estado de

excitação do organismo, e que se apresenta sobre três maneiras bem diferentes: experiência

emocional; comportamento emocional e alterações fisiológicas do corpo estudadas por Krech

e Crutchfield (1973).

Estas duas vertentes que falam sobre as emoções tratarei mais minuciosamente na

revisão da literatura que será realizada no capítulo II.

Segundo Fiamenghi (1994) esse estado de excitação do organismo, que foi referido ao

se falar sobre as emoções é sempre visível. Dependendo do estado emocional, o grau de

excitação exibe no corpo, um aumento ou uma diminuição de atividade.

De acordo com Fiamenghi (1994), quando o organismo por algum motivo inibe a

expressão de seus sentimentos e de suas ações, impede o seu fluxo de excitação. Com o passar

do tempo e com a repetição constante dessa situação, as ações gradualmente podem virar

18

hábitos e os músculos se tornarem tensos, duros e rígidos, reduzindo a mobilidade e

flexibilidade de todo o corpo.

Desta forma, pode-se afirmar que as tensões musculares podem ser perturbadas por

um estado de excitação do organismo e as emoções modificam esse estado, de acordo com a

situação em que o indivíduo se encontra.

Então, como controlar as emoções de forma a que estas não influenciem no grau de

excitação do organismo, causando tensão muscular e/ou tensões musculares crônicas?

Lacerda (1995) mostra em seus estudos que a prática de exercícios físicos suaves pode

diminuir as desordens provocadas pelas emoções, como por exemplo: reduzir sintomas do

stress, da ansiedade; diminuir sintomas relacionados com a tensão, proporcionando, assim,

uma sensação de bem estar.

Além de trabalharem com o equilíbrio vital do corpo, os exercícios suaves também

trazem resultados bastante visíveis em indivíduos que costumam, com freqüência, sofrer

lesões

por

falta

de

alongamento

e

fortalecimento

adequado

dos

músculos,

tendões

e

ligamentos.

 

Portanto, esta pesquisa terá como centro uma Ginástica Oriental chamada Lian Gong

em 18 Terapias que previne e trata de dores, tensões musculares e dos distúrbios emocionais.

Lee (1997) acredita que uma pessoa que sofre de dores no corpo ou que não faz

qualquer tipo de atividade física, não possui a liberdade de movimento de uma pessoa

saudável ou que faz atividades físicas regularmente. Portanto, deve realizar exercícios lentos e

suaves, para que os tecidos moles, que sofrem de contraturas e espasmos, possam se relaxar e

se

soltar

gradativamente,

permitindo

que

o

movimento

alcance

seu

limite

máximo,

recuperando a utilização normal do corpo. A autora ainda realça que praticar exercícios lentos

e suaves confere consciência ao corpo e evita traumas que podem ser provocados por

19

movimentos bruscos e rápidos.

Enfim, se o indivíduo conseguisse um equilíbrio emocional e um controle de suas

tensões musculares, por meio de exercícios físicos suaves, mais especificamente por meio do

Lian

Gong

em

18

Terapias,

então

seu

comportamento

motor,

emocional

e

psíquico

melhoraria, aumentando, assim, a sua qualidade de vida e se prevenindo contra possíveis

doenças.

Desta forma, este presente estudo pretende investigar quais são as relações existentes

entre tensão muscular e estados de ânimo e verificar há e de que tipo sãos as influências que

os exercícios físicos suaves retirados de uma Técnica Oriental chamada Lian Gong em 18

Terapias podem ter sobre esta relação, na visão dos praticantes.

Justificativa

Sou formada pela Faculdade de Dança da Universidade Estadual de Campinas -

UNICAMP e no período da minha formação tive contato com a Técnica Oriental Lian Gong

em 18 Terapias. Trabalho e estudo essa Técnica Oriental empregando-a em Empresas e em

Clínicas Fisioterápicas. A Ginástica é oferecida para funcionários e pacientes ativos e não

ativos, com um grau significativo de D.O.R.T. (Distúrbio Osteomuscular Referente ao

Trabalho) e tensões musculares.

Levando em consideração a minha experiência com os exercícios da técnica citada

acima pude observar que muitas das tensões musculares, dores e formigamentos em

determinadas partes do corpo como, pescoço, ombros, braços e pernas desapareceram

conforme a prática regular dos exercícios. Uma outra observação feita foi a respeito dos

estados de ânimo. À medida que os funcionários conseguiam relaxar os seus corpos sentiam

20

menos ansiedade, menos raiva e mais motivação para realizar seus trabalhos.

Por essas observações descritas acima procurei buscar resultados efetivos e estudos

realizados sobre a relação tensão muscular e estados de ânimo, pois acredito que toda tensão

muscular pode possuir um significado ou uma origem emocional, ou seja, do mesmo jeito que

o indivíduo tenso pode associar o seu "estado" como resultado de uma postura corporal

incorreta no trabalho, em casa, no carro, também pode associá-lo a uma raiva, a uma emoção

ou preocupação, desestruturando o corpo.

Sabe-se também que muitos dos desequilíbrios emocionais que nos atingem são

associados com o meio social e econômico em que vivemos, fazendo com que esqueçamos o

nosso corpo e, seu aspecto físico, sobrecarregando apenas o aspecto mental.

Neste sentido, os exercícios suaves podem ajudar o homem a resgatar os seus

movimentos naturais e atuar como uma "pedagogia para o corpo esquecido". Um corpo

"alfabetizado" pode expressar as suas intenções e se libertar de sua mecanicidade, ocupar o

seu lugar no mundo e "estar" nele influenciando e sendo influenciado por ele (LEE, 1997).

Enfim, esse presente estudo busca um esclarecimento científico dos benefícios que os

exercícios físicos do Lian Gong podem causar sobre a relação: tensão muscular e estados de

ânimo,

mostrando

outras

possibilidades,

para

que

os

indivíduos

possam

usufruir

das

atividades

físicas,

não

apenas

buscando

um

desempenho

físico

e

estético,

mas

sim

pensamentos e atitudes produtivas, no que diz respeito à sua qualidade de vida, a saúde e

bem-estar, ampliando a compreensão de si mesmo e do mundo em que vive.

21

Objetivo

Esse estudo tem como objetivo: identificar os efeitos da Ginástica Terapêutica

Chinesa Lian Gong em 18 Terapias sobre a relação: tensão muscular e estados de ânimo, em

indivíduos na faixa etária de 30 a 60 anos.

Questões a Investigar

Procurei atingir pontos relativos ao Lian Gong para a discussão na pesquisa, por maio

das seguintes Questões a Investigar:

1- Qual a origem e estrutura da Ginástica Terapêutica Chinesa Lian Gong em 18

Terapias?

2- Quais as relações existentes entre estados de ânimo e tensão corporal?

3- Quais as influências e os benefícios da prática do Lian Gong em 18 Terapias na

relação estados de ânimo e tensão muscular?

4- Quais as respostas filosóficas orientais e ocidentais para as influências do Lian

Gong na relação estados de ânimo e tensão muscular?

5- Qual é a visão dos participantes da pesquisa, da relação estados emocionais e tensão

muscular?

6- Quais as principais mudanças nos aspectos físico, emocional, social e familiar, dos

participantes, depois que começaram a praticar o Lian Gong em 18 terapias?

22

CAPÍTULO II

REVISÃO DE LITERATURA

Emoções

O que realmente é emoção? De que tipo de fenômeno se trata?

Durante anos alguns autores sustentaram que essa palavra é inútil sem uma definição.

Morgan (1973) afirma que há inúmeras palavras em vernáculo, para denotar o que são

realmente as emoções.

A palavra emoção é muitas vezes usada para designar um fenômeno ou um grupo de

fenômenos psicológicos ou motores.

Para

Murray

(1978)

as

emoções

são

poderosas

reações

que

exercem

efeitos

motivadores sobre o comportamento. São reações fisiológicas e psicológicas que influem na

percepção, na aprendizagem e no desempenho.

No pensamento filosófico, emoções são alterações psicofísicas que decorrem de

experiências, as quais são reações mais ou menos automáticas aos estímulos do meio

ambiente.

Broghirolli; Bisi; Risson et. al. (1990) concordam que as emoções são complexos

estados de excitação que se comunica com o organismo todo.

Por meio destas definições sobre a emoção serão relatadas duas vertentes que falam

sobre a emoção: a primeira baseia-se na concepção neurofisiológica e a segunda na concepção

psicológica da emoção.

23

Concepção Neurofisiológica das Emoções.

Um dos pioneiros nos estudos sobre as emoções foi James (1884) que sugeriu em suas

pesquisas que as alterações fisiológicas são as bases da experiência emocional. A emoção

seria essencialmente percepção de mudanças no organismo, ou pode-se dizer um fenômeno de

consciência.

Lange in Lange e James (1967) chegou a conclusões de algo semelhante, embora

tivesse enfatizado as alterações vasculares. Essa noção foi chamada de Teoria de James-Lange

que apontava alterações viscerais associadas a diferentes emoções com padrões diferentes de

respostas fisiológicas.

Uma outra posição foi adotada por Cannon (1929). Cannon tinha vários argumentos

contra a posição de James, uma delas é que a experiência emocional continua inalterada,

mesmo quando a consciência das alterações do organismo reduz muito ou desaparece, ou seja,

os acontecimentos no corpo parecem não diferir de uma emoção para outra, desta forma, as

atividades viscerais não podem ser sentidas com muita precisão, mesmo sabendo que emoções

estão sendo experienciadas.

A teoria das emoções de Cannon foi proposta em 1927 e ampliada por Bard (1934

apud ELGELMANN, 1978), chamada de Teoria de CANNON-BARD. Esta apontava a

importância de fatores do sistema nervoso central (tálamo e córtex). Basicamente ela sustenta

que os impulsos viajam pelos nervos sensoriais para o córtex. O córtex, estimulado pelas

emoções, libera o tálamo.O tálamo pode descarregar tanto para o córtex, para produzir

experiências emocionais, como para as vísceras, para produzir o comportamento emocional.

Já Papez (1937) estendeu esta função a uma região mais ampla, constituída pelo

24

sistema límbico, pelo hipotálamo, pelos núcleos talâmicos anteriores, pelo giro cíngulo e pelo

hipocampo.

Graças à revolução conceitual de Papez (1937) de provocar a primeira tentativa

organizada para delinear os mecanismos corticais específicos, responsáveis pela regulação das

emoções, muitos autores como MacLean (1949 apud MARINO, 1975) e outros adquiriram

maior convicção para estudar nessa área.

Papez (1937) formulou hipóteses de que o sistema límbico é o sistema central na

mediação das emoções e o hipotálamo o centro do mecanismo efetor da expressão emocional.

Estas hipóteses foram comprovadas por MacLean (1949 apud MARINO, 1975) levando-o à

conclusão de que somente o córtex cerebral é capaz de apreciar as várias qualidades afetivas

de experiências e combiná-las em estados sensoriais de medo, raiva, amor e ódio.

Fazendo uma interpretação da descrição que MacLean faz do sistema límbico, Marino

(1975) afirma que mecanismos ocorridos nesse sistema, sugerem quão intensamente a emoção

pode paralisar o pensamento e a ação conjuntamente, tendo em vista que: o hipocampo é

assistido pelo processo amigdalóide, o mais diretamente relacionado com a experiência

subjetiva da emoção; o giro parahipocampal e a formação hipocampal serviriam de córtex

afetoceptor e afetomotor, o que se dá ao nível dos giros somestésicos e motor do neocórtex e

o papel do giro cíngulo seria o de um centro víscero-motor integrando respostas autônomas e

somatomotoras, bem como experiências emocionais.

Mas o que significa realmente “vivenciar uma emoção?”.

Segundo Damásio (2000), depois da formação de imagens mentais, verifica-se uma

mudança no estado do corpo. Registram-se mudanças em uma série de parâmetros relativos

ao funcionamento das vísceras e órgãos (coração, pulmões, intestinos e pele), bem como, na

musculatura esquelética e nas glândulas endócrinas.

25

O que acontece, então, no organismo para provocar essas mudanças?

Em um nível não consciente, redes do córtex pré-frontal regem automática e

involuntariamente aos sinais resultantes do processamento das imagens, que podem ser

verbais ou não. Essa resposta pré-frontal provém de representações dispositivas adquiridas e

não inatas. Aquilo que as disposições adquiridas incorporam é a sua experiência única dessas

relações ao longo da vida. As respostas das disposições pré-frontais são assinaladas a

amígdala, ao cíngulo anterior, por exemplo:

A – ativa os núcleos do sistema nervoso autônomo, que enviam os sinais ao corpo por

meio dos nervos periféricos, colocando as vísceras no estado mais associado ao tipo de

situação desencadeadora;

B – envia sinais ao sistema motor, de modo que a musculatura esquelética complete o

quadro externo de uma emoção por meio de expressões e postura corporais;

C

- ativa o sistema endócrino e peptídico;

 

D

-

ativa

os

núcleos

neurotransmissores

não

específicos

no

tronco

cerebral

e

prosencéfalo basal, os quais liberam mensagens químicas em diversas regiões do telencéfalo.

Segundo Damásio (2000) as mudanças A, B e C afetam o organismo, causando um

“estado emocional do corpo” e são representadas no sistema límbico e somatossensorial. As

mudanças D ocorrem num grupo de estruturas do tronco cerebral relacionado com a regulação

do corpo, apresenta-se como uma via paralela para a resposta emocional e se relaciona com o

processo cognitivo.

Enfim, observa-se por estas teorias apresentadas acima que alguns pesquisadores

localizam as emoções no sistema nervoso central, dando ênfase à natureza do processo

neurofisiológico e outros vêem nas emoções, fundamentalmente, fenômenos viscerais.

Goleman (1996), mesmo com formação na área de psicologia, se remete a alguns

26

conceitos fisiológicos das emoções quando afirma que há, também, as chamadas "explosões

emocionais" destacadas como "seqüestros neurais", uma tomada de poder neural, que se

origina na amígdala.

A amígdala é um feixe, em forma de amêndoa e de estruturas ligadas, situadas acima

do tronco cerebral, perto da parte inferior do anel límbico. Há duas amídalas, uma de cada

lado do cérebro. Junto com o hipocampo formavam duas partes-chave do primitivo "nariz

cerebral", que, na evolução, deu origem ao córtex e ao neocórtex. Até hoje essas estruturas

límbicas são responsáveis pela maior parte do aprendizado e da memória do cérebro.

Segundo Goleman (1996), as amídalas são as especialistas em questões emocionais,

atuando como um depósito da memória emocional e do próprio significado.

Mas, foi Le Doux (1998) que descobriu que as amídalas estão no centro da ação. Sua

pesquisa explica como elas podem assumir o controle sobre o que fazemos quando o cérebro

pensante, o neocórtex, ainda toma uma decisão. Por exemplo: quando soa um alarme de

medo, as amídalas enviam mensagens urgentes para as principais partes do cérebro: disparam

a secreção dos hormônios orgânicos para lutar-ou-fugir, ativam sistemas cardiovascular, os

músculos e os intestinos. Outros circuitos das amídalas enviam sinais de emergências para

hormônios como a noradrenalina para aumentar a reatividade de áreas cerebrais chave. Outros

sinais das amídalas informam o tronco cerebral para fixar a expressão de medo no rosto,

acelerar a pulsação cardíaca, aumentar a pressão sangüínea e reduzir o ritmo da respiração.

Essas são uma série de mudanças que as amídalas organizam quando recrutam áreas de todo o

cérebro.

A pesquisa de Le Doux (1998) é revolucionária para a compreensão da vida

emocional, por ser a primeira a estabelecer caminhos neurais de sentimentos que contornam o

neocórtex. Esses sentimentos que tomam a rota direta das amídalas servem para explicar o

27

poder da emoção sobre a racionalidade.

A opinião convencional na neurociência era que os órgãos sensoriais transmitem sinais

ao tálamo, e de lá para áreas de processamento sensorial do neocórtex, mas Le Doux

descobriu um pequeno feixe de neurônios que vai direto do tálamo para as amídalas, além dos

que seguem até o córtex. Esse caminho menor permite as amídalas receberem alguns

impulsos diretos dos sentidos e iniciar uma resposta antes que eles sejam registrados pelo

neocórtex. Ou seja, as amídalas podem nos lançar à ação, enquanto o neocórtex, ligeiramente

mais lento, porém, mais plenamente informado, traça o seu plano de reação mais refinado.

Anatomicamente, o que Le Doux quis provar é que o sistema emocional pode agir de

modo independente do neocórtex.

Segundo Goleman (1996) algumas reações e lembranças emocionais podem formar-se

sem absolutamente nenhuma participação consciente e cognitiva. Isso quer dizer que,

enquanto as amídalas lembram o "sabor" emocional que acompanha os fatos o hipocampo

lembra os fatos puros, o qual é crucial para as lembranças narrativas. Enquanto o hipocampo

retém as informações, as amídalas determinam se elas têm valência emocional.

Se as amídalas trabalham preparando uma reação impulsiva e ansiosa, qual outra parte

do cérebro emocional possibilita respostas mais adequadas? Segundo Goleman é o córtex pré-

frontal (um circuito principal do neocórtex) que parece agir quando a pessoa está zangada ou

assustada. De acordo com suas pesquisas, essa região (córtex pré-frontal) traz uma resposta

mais analítica aos nossos impulsos emocionais, modulando as amídalas e outras áreas

límbicas. Por exemplo, quando estamos tristes ou registramos uma perda, ou alegres com uma

vitória ou refletimos sobre alguma coisa que alguém disse ou fez, ou ficamos chateados e

zangados é o neocórtex agindo, ou seja, sem o funcionamento dos lobos pré-frontais grande

parte da vida emocional desapareceria.

28

Por uma abordagem neurofisiológica do comportamento realizada pelo centro de

neuropsicocirurgia da USP, a emoção é definida como um estado fisiologicamente excitado

que inclui mudanças no sistema nervoso autônomo, principalmente no sistema simpático.

(MARINO, 1975).

Marino (1975) também acrescenta que “situações passadas” são um dos elementos

principais da emoção, pois exercem influência sócio-cultural sobre as emoções. O autor

apresenta-nos, ainda, elementos que considera como os quatros principais na constituição da

emoção:

Conhecimento: refere-se às experiências anteriores;

 

Excitação: a viveza excessiva dos processos mentais durante uma emoção;

Experiência: como parte subjetiva do processo emotivo (é o que o indivíduo sente

quando

emocionado

que

pode

ser

agradável,

prazerosa

ou

desagradável,

desprazerosa, exemplo: medo, raiva, alegria, felicidade, agitação, tranqüilidade,

depressão);

 

Expressão: seria uma tradução da experiência emocional, por intermédio de

atividades somáticas e autônomas, que podem ser externas: expressão facial,

lágrimas, vocalização, ereção pilosa, enrubescimento ou palidez, riso, fuga ou

ataque, grito, alteração de postura ou internas: alterações viscerais, vasculares,

mediadas pelo sistema autônomo.

Já Damásio (2000) coloca que as emoções só são desencadeadas após um processo de

avaliação mental que é voluntário e não automático.

Segundo suas pesquisas, há um filtro reflexivo e avaliador, como Damásio (2000)

assim o denomina, que possibilita a variação da proporção e intensidade das emoções

preestabelecidas. Exemplo: de uma forma não consciente, automática e involuntária redes no

29

córtex

pré-frontal

recebem

sinais

resultantes

de

alguma

situação

de

medo

ou

outra

circunstância que o sujeito esteja passando. Esses sinais são assinalados as amídalas e pelo

cíngulo anterior ativando o sistema nervoso autônomo, enviando os sinais ao corpo pelos

nervos e ao sistema motor, de modo que a musculatura esquelética complete o quadro externo

de uma emoção por meio de expressões faciais e posturas corporais.

Desta forma, pode-se concluir que a emoção é a combinação de um processo

avaliatório mental, simples ou complexo, com respostas dispositivas e esse processo em sua

maioria dirigida ao corpo, resultando num estado emocional do corpo, mas também dirigidas

ao próprio cérebro (núcleos transmissores no tronco cerebral).

Por meio dos autores citados acima, trouxe para o presente estudo conceitos e

pesquisas fisiológicas referentes às emoções e seus processos, mas me aprofundarei nas

concepções psicológicas das emoções, baseando-me nos estudos realizados por Krech e

Crutchfield (1973); Atkinson et. al. (2002) e Davidoff (2001).

Concepção Psicológica das Emoções.

A emoção, em seu significado psicológico mais amplo, refere-se a um estado de

excitação do organismo, e que se apresenta sobre três maneiras bem diferentes: a experiência

emocional; o comportamento emocional e as alterações fisiológicas do corpo.

Segundo Krech e Crutchfield (1973) inúmeros pesquisadores procuraram um número

de “dimensões” gerais da experiência emocional, que se encontrassem na descrição de todas

as experiências emocionais. Perante a esse número de dimensões, os autores destacaram

quatro destas: a intensidade da emoção, o nível de tensão, o caráter hedonista e o grau de

30

complexidade.

De acordo com Krech e Crutchfield (1973) a intensidade da emoção diz respeito à

intensidade das experiências emocionais, por exemplo: a cólera pode variar da leve irritação à

fúria violenta.

 

O

nível de tensão, por exemplo, refere-se ao impulso para a ação, a qual pode ser

ativa

ou

passiva,

exemplo:

o

medo

ativo

domina

as

manifestações

motoras

do

tipo

desordenado com agitação, hipertonia incoerente. O medo passivo se caracteriza pela pobreza

da motilidade, hipotonia relativa, imobilidade A diferença entre a ação passiva e a ativa está

no grau de excitação e na força de impulso para a ação. Mas, há grande intensidade, também,

encontrada em emoções de pouca tensão, sendo o caso da depressão profunda.

No caráter hedonista as experiências emocionais são classificadas em prazerosas e

desprazerosas

ou

agradáveis

e

desagradáveis,

por

exemplo:

o

sentimento

de

tristeza,

vergonha, medo são nitidamente desagradáveis; os sentimentos de alegria, satisfação e

respeito são nitidamente agradáveis. Mas, esses sentimentos desagradáveis e agradáveis,

dependendo do grau de intensidade podem tornar-se paradoxos, ou seja, a emoção levemente

negativa pode tornar-se agradável e a positiva desagradável.

O grau de complexidade, segundo Krech e Crutchfield (1973), indica um fato

importante o por que das experiências emocionais serem complexa, pois são padrões de

sentimentos diferentes e muitas vezes sentidos em um estado de emoção indescritível e é essa

complexidade que permite dizer qual é a experiência de uma emoção interior, se é

desagradável ou agradável. Por um lado muitas das experiências emocionais são simples e

diretas, por exemplo: pura tristeza diante da morte de uma pessoa da família.

Outros pesquisadores e psicólogos mapearam o componente sentimento –pensamento

das emoções pela observação das dimensões, mencionadas por Krech e Crutchfield (1973).

31

Davidoff (2001) destaca apenas três dimensões que descrevem confiavelmente os

sentimentos refletidos no rosto, as quais foram pensadas como uma escala classificatória. A

primeira vai do agradável até o desagradável; a segunda vai da atenção à experiência até a

rejeição desta e a terceira vai do intenso até o neutro. Percebe-se que duas das três dimensões

não fogem das explicações oferecidas por Krech e Crutchfield (1973), mas a segunda

dimensão já traz uma dimensão que não foi falada por Krech e Crutchfield. A experiência

emocional pode ser percebida aceita e/ou rejeitada pelo indivíduo.

Sobre a intensidade das experiências emocionais, Atkinson et al. (2002), fornecem

outra interpretação, complementando os conceitos dados por Krech e Crutchfield (1973) e

Davidoff (2001), sobre a intensidade das emoções.

Quando vivenciamos uma situação, nós a explicamos em relação às nossas metas e

bem – estar pessoal, exemplo: “ fico triste em ver crianças passando fome”; “ fui mal em

uma prova e fiquei decepcionada” (exemplo meu), etc. Essa interpretação é conhecida,

segundo

os autores como avaliação cognitiva, a qual ajuda a determinar o tipo de emoção

que sentimos, bem como a sua intensidade.

A emoção cognitiva pode ser também responsável pela diferenciação das emoções.

Muitas vezes enfatizamos as avaliações cognitivas quando descrevemos a qualidade de uma

emoção: “ [

]

fiquei com raiva porque ele(a) foi injusto(a) [

]

”, ou seja, as avaliações

cognitivas, são suficientes para determinar a qualidade da experiência emocional. (Atkinson et

al., 2002, p. 422)

Segundo Atkinson et al. (2002) existe uma outra teoria da emoção, que alguns autores

rotulam de teoria da avaliação. Trata-se de um grupo de teorias que sugere que as avaliações

que o indivíduo faz das situações levam a experiências subjetivas de emoção e excitação

associada a ela. Estas teorias podem ser divididas em: teorias que identificam as emoções

32

primárias ou fundamentais e especificam que tipo de situações e avaliações que provocam

essas emoções e teorias que identificam as dimensões primárias das avaliações e as

emoções específicas que delas resultam.

Sobre o primeiro grupo de teorias de avaliação, Atkinson et al. (2002) dizem que

existe um conjunto relativamente pequeno de emoções primárias e cada uma delas são

provocadas por avaliação específica de um evento.

Exemplos: se um ente querido falece,

sentimos tristeza; se nos sentimos ameaçados temos medo; se há um obstáculo à cólera pode

surgir; se nos deparamos com algum objeto repulsivo sentimos nojo, entre outros.

Sobre o segundo grupo de teorias de avaliação, o qual se preocupa em especificar as

dimensões primárias das avaliações e as conseqüências emocionais dessas dimensões, é

explicado por Atkinson et al. (2002), os quais trazem, primeiramente a definição do que

seriam as dimensões, também ressaltadas por Krech e Crutchfield (1973).

Segundo Atkinson et al. (2002, p. 420):

Uma dimensão é o quanto um evento previsto é desejável, e outra é a ocorrência ou não desse evento. Quando combinamos essas duas dimensões, obtemos quatro possíveis avaliações, cada uma produzindo uma emoção distinta. Exemplo: quando um evento desejado ocorre sentimos alegria, quando o evento desejado não ocorre sentimos tristeza; quando um evento indesejado ocorre, sentimos angústia e quando um evento desejado não ocorre, sentimos alívio.

Atkinson et al (2002) apresentaram duas dimensões, mas a maioria das teorias da

avaliação cognitiva considera que inúmeras dimensões estão envolvidas. Pesquisadores sobre

esse grupo de teorias constataram que pelo menos seis dimensões eram necessárias para

descrever quinze diferentes emoções, incluindo, por exemplo, a cólera, a culpa e a tristeza,

lembrando que já haviam sido citadas algumas dimensões, por meio dos estudos de Krech e

Crutchfield (1973) e Davidoff (2001).

Essas dimensões incluem:

- o fato de desejar ou não a situação (agradável e desagradável). É a dimensão de

33

caráter hedonista citada por Krech e Crutchfield e a escala classificatória de uma

experiência emocional descrita por Davidoff (2001);

- a quantidade de esforço que ela prevê que irá despender na situação (o nível de

tensão, citado por Krech e Crutchfield e

Davidoff);

a escala

do intenso ao neutro de

- a certeza da situação (grau de complexidade, citado por Krech e Crutchfield);

- a quantidade de atenção que a pessoa deseja dedicar à situação (a escala

classificatória da atenção à rejeição citada por Davidoff);

- o grau de controle que a pessoa sente que tem sobre a situação

- o grau de controle que a pessoa atribuiu a forças não-humanas na situação.

Assim, se você e seu amigo perderam uma viagem que queriam muito ir, você sentirá

cólera se a perdeu, porque o seu amigo esqueceu as passagens, sentirá culpa se foi você que as

esqueceu e sentirá tristeza se a viagem foi cancela.

Observa-se, então, que pesquisadores como Krech e Crutchfield (1973); Davidoff

(2001) e Atkinson et al. (2002) tratam e explicam uma ampla variedade de experiências, cada

um na sua concepção, mas que facilita o esclarecimento e a compreensão das dimensões da

experiência emocional.

Atkinson et al. (2002) como viram acima, nos apresentam a teoria da avaliação e o

primeiro grupo de teorias identifica as emoções primárias ou fundamentais e especifica que

tipo de situações e avaliações provoca essas emoções.

Já Krech e Crutchfield (1973) fazem outras denominações, eles discutem as emoções

dentro de seis categorias: emoções primárias; emoções referentes à estimulação sensorial;

emoções

referentes

contemplativas.

à

auto-estima;

emoções

referentes

à

outra

pessoa

e

emoções

34

As

emoções

primárias

são

reações

emocionais

“instaladas”

no

momento

do

nascimento. Seriam emoções inatas. O indivíduo está programado para reagir com uma

emoção, de modo pré-organizado, quando certos estímulos, vindos do meio ambiente ou do

próprio corpo são detectados.

As emoções primárias dependem da rede de circuitos do sistema límbico, sendo as

amídalas e o cíngulo as personagens principais. Mas, o mecanismo das emoções primárias não

descreve toda a gama dos comportamentos emocionais, apenas o processo básico.

Pelas definições dadas por Krech e Crutchfield (1973) as emoções primárias são um

grupo de emoções que é, geralmente, considerado como o mais básico e o mais simples, por

exemplo: a alegria, a cólera, o medo e a tristeza e que, de maneira característica, está

associado à busca de objetivos e com altos graus de tensão.

A alegria, por exemplo, é a réplica emocional do alívio de tensão que se dá com a

realização do objetivo desejado. Exemplo: “ você está alegre (emoção) porque passou no

vestibular (avaliação)”. O alívio da tensão e a rapidez para se atingir o objetivo influenciam a

intensidade da alegria.

Para Krech e Crutchfield (1973) a condição essencial para o aparecimento da cólera é

a barreira que se opõe à realização do objetivo, especialmente quando existe uma frustração

contínua dessa realização, caso em que se dá uma acumulação gradual de tensão. Inicialmente

pode existir apenas um leve sentimento de irritação ou contrariedade; com a frustração

prolongada, a pessoa pode tornar-se verdadeiramente encolerizada e atingir um estágio de

raiva ou fúria.

Segundo Sivadon (1990) quando alguém se encoleriza observa-se um aumento de

tônus muscular com passagem freqüente ao ato; forma primitiva de defesa para reter perto de

si ou em si, aquilo que faz parte do seu próprio corpo e de seu ambiente habitual.

35

Em certo sentido a alegria e a cólera são emoções de “aproximação”, envolvem uma

busca de um objetivo. Ao contrário, o medo é uma emoção de “afastamento” e envolve uma

fuga do perigo. A situação essencial para o aparecimento do medo é a percepção de um objeto

perigoso ou de uma condição ameaçadora. O Fato fundamental da situação parece ser a

ausência de poder ou capacidade da pessoa para dominar a ameaça. Deve-se notar também

que alterações inesperadas em nosso ambiente conhecido podem provocar o medo.

O medo é uma emoção fundamental, constante e também dá para analisá-lo como uma

espécie de defesa. O medo patológico se converte em ansiedade e angústia, inquietude forte e

dilacerante do corpo, um estado de alerta generalizado sem razão de defesas empobrecendo o

corpo pelo enorme gasto de energia e produção de reatividade.

A tristeza, segundo Krech e Crutchfield (1973), se liga à perda de algo ambicionado

ou valorizado. Pode ser classificada como passiva e ativa. A primeira é acompanhada de

hipotonia, lentidão, fadiga, astenia e mutismo perplexo. A segunda é hipertônica; o sujeito é

contraído, tenso, revoltado, com uma expressão de desgosto, de queixas; está próxima do

medo e da ansiedade.

Já, as emoções ligadas ao estímulo sensorial, como as emoções de dor são muitas

vezes reforçadas pelo medo de mudanças. O desejo de autopreservação, a inércia, a

resistência à mudança são compreensíveis, previsíveis e transformam-se em hábitos, e o

afastamento disso pode ser manifestado pelo medo, causando dor.

Uma dor interna pode provocar intensa agitação, principalmente se ela tiver um

significado ameaçador (mudanças de hábitos, por exemplo). Quando ela é diagnosticada como

inofensiva pode haver uma diminuição da intensidade da emoção de dor. A compreensão que

a pessoa tem da situação de dor tem muita relação com a intensidade da emoção despertada,

podendo dar início a importantes mudanças fisiológicas, por exemplo: um choque emocional

36

negativo pode ser sério o suficiente para provocar a falência do funcionamento fisiológico

normal, causando a perda da consciência e até a morte. (ROLF, 1999)

A relação da dor com o desprazer ou com o negativo parece óbvia, o efeito dela, na

experiência emocional, amplia-se por meio do comportamento que ela desencadeia; isto, por

sua vez, excita outros receptores da dor no interior do corpo, acarretando uma tensão

muscular específica e, também, reflexos que podem dar uma impressão desprazerosa e até

repugnante.

Para Krech e Crutchfield (1973), os desprazeres são sentimentos de aversão, desgosto,

desagrado e aflição que se dirigem, fundamentalmente, ao objeto estimulador negativo.

Quanto à intensidade, vão desde pequenos aborrecimentos e irritações até o extremo do

horror.

Segundo os mesmos autores, entende-se por repugnância, essa emoção primária, que

inclui as sensações físicas indispensáveis de náuseas e perturbações correlatas. Mas há

também os padrões culturais e a experiência passada específica do indivíduo, que também

desempenham um papel na determinação dos objetos que provocam repugnância autêntica.

Ainda dentro das emoções ligadas ao estímulo sensorial, não posso deixar de

destacar as emoções de prazeres.

De acordo com Krech e Crutchfield (1973) as emoções de prazeres não devem ser

confundidas com a alegria. Não são sentimentos de brusco alívio de tensão, ao contrário, são

satisfações positivas.

As fontes do prazer, assim como do desprazer são inesgotáveis. Algumas são

sensações agradáveis do corpo, quando tocado, acariciado. Algumas decorrem de percepções

de movimento e funcionamento do corpo – prazer na atividade muscular, na dança rítmica e

no canto, por exemplo. Existem variedades ilimitadas de atividades que dão prazer como:

37

jogar, ler, pensar, fazer esportes e exercícios físicos e etc., conforme a identificação com a

personalidade de cada indivíduo.

Em relação às emoções ligadas à auto-estima os sentimentos de êxito, de fracasso,

de vergonha, de culpa e de remorso são emoções que estão ligadas à percepção que se tem

do próprio comportamento, com relação a vários padrões de comportamento.

Segundo Krech e Crutchfield (1973) o fracasso e o êxito são determinados pelos

padrões interiores do indivíduo e não pelos padrões sociais e externos, mas os fatores sociais

desempenham um papel importante na formação desses padrões íntimos. Muitas vezes, o

indivíduo está colocado em situações de competição com os outros e a avaliação comum da

realização é fortemente imposta. Além disso, a vida social faz com que a pessoa se torne

especialmente consciente dos juízos que os outros constantemente fazem ao seu respeito. A

percepção que o indivíduo tem de seu eu, depende das percepções que tem o mundo social.

As emoções de orgulho e de vergonha podem surgir quando a pessoa percebe os

triunfos e os fracassos, na realização de seus objetivos. Geralmente, o sentimento de orgulho

resulta da percepção da pessoa, de que o seu comportamento está de acordo com o exigido

pela concepção do eu ideal. Já

o sentimento de vergonha é a

percepção que o seu

comportamento se afasta do exigido pela imagem de seu eu ideal.

O sentimento de culpa, de acordo com Krech e Crutchfield (1973), corresponde a ter

agido erradamente ou violado alguma regra e é geralmente vivenciado como angustiante e

doloroso. Ele pode ser passageiro ou uma prolongada tortura. Às vezes é mais objetivado e se

refere

a

um ato

“mau”, outras vezes e mais subjetivado e se liga a um “mau

eu”.Os

sentimentos de culpa se ligam também a sentimentos de vergonha, na medida em que a pessoa

percebe a ação culpada como se significasse um fracasso na tentativa de corresponder à sua

autoconcepção ideal de conduta.

38

Sobre as emoções ligadas a outras pessoas, entre essas emoções, o amor, o ódio, a

inveja e os ciúmes têm elevados graus de tensão. A pessoa está ativamente motivada, por

isso, tais emoções se caracterizam, especialmente, por agitação, excitação e perturbação.

A intensidade da experiência emocional do amor pode variar desde suave até

profunda. O grau de tensão pode variar da mais serena afeição até a mais violenta e agitada

paixão. O núcleo de sentimento de amor parece ser o sentimento de ser atraído para o outro e

o de desejar ser atraído.

O núcleo essencial da emoção do ódio, por exemplo, é o desejo de destruir o objeto

odiado. O ódio não é apenas um sentimento de desagrado ou de repulsa, procura-se o objeto

odiado, não se pode livrar de pensamentos obsessivos a seu respeito, e não se satisfaz

enquanto não é destruído. Isso, também, ocorre quando sente ódio de si mesmo. A pessoa se

humilha, se pune mental e fisicamente e pode chegar a matar-se.

A inveja, segundo Krech e Crutchfield (1973) é uma outra forma negativa do eu e que

depende da relação com outra pessoa. Um fator é a intensidade do desejo com relação a um

objeto; se o desejo é fraco, teremos menor tendência para sentir inveja da pessoa, podendo

apenas sentir uma frustração por não possuir o objeto. Outro fator é a tendência que a pessoa

tem de querer ocupar um lugar central no nosso espaço de vida.

Já a disposição do indivíduo para o ciúme depende de vários fatores. Um fator é a

intensidade do amor, especialmente quando os desejos estão insatisfeitos porque o amor não é

correspondido. Outro fator é o sentimento de diminuição da auto-estima, principalmente

quando o indivíduo é desvalorizado pela pessoa que é muito importante na sua vida. Outra

forma importante de ciúme pode ser encontrada nas relações entre familiares. A criança pode

sentir ciúme do irmão recém-nascido ao perceber que a atenção da mãe se deslocou para a

criança.

39

Complementando as considerações de Krech e Crutchfield, regularmente as emoções

podem ser mistas. Sentimos ansiedade e receio por um emprego novo, amor e ódio por uma

mesma pessoa, dó e repulsa por um moribundo, por exemplo.

De acordo com Davidoff (2001, p. 375) “ A noção das emoções mistas é fácil de

demonstrar intuitivamente [

]

e só não são mistas como estão ligadas a motivos[

]

”.

É

provável que algumas situações, como as que foram descritas acima, despertariam diversos

sentimentos. Quando as pessoas são privadas de algo que necessitam, ficam ansiosas, com

raiva e tristes, mas, quando conseguem realizar e ter aquilo que foi desejado sentem-se

alegres. Essa ligação entre motivo-emoção, ou seja, através de um motivo sinto várias

emoções mistas, pode ser uma via contrária. As emoções podem acarretar um motivo. Por

exemplo: a raiva é geralmente acompanhada por um desejo de ferir alguém (agressão); o

medo está ligado ao desejo de evitar alguém ou algo que o despertou.

Segundo

Davidoff

(2001)

as

emoções

estão

em

constantes

mudanças

e

suas

experiências

despertam

emoções

e

reações

relativamente

fortes,

as

quais

despertam

automaticamente uma pós-reação, esta por sua vez gradativamente opõe-se a força de afeto

que a desperta. Depois de uma experiência terminada, a emoção que havia sido diretamente

despertada desaparece rapidamente, ao passo que a pós-reação persiste, ou seja, a emoção

evocada pela experiência enfraquece, e a pós-reação intencifica-se. Exemplo: estamos em

casa sozinhos e de repente ouvimos um barulho, como se alguém estivesse querendo entrar na

nossa casa, experimentamos um extremo medo e ansiedade, mas depois percebemos que era

apenas um gato de rua que pulou no quintal, a ansiedade desperta uma pós-reação de calma e

quando realmente identificamos que era somente um gato a ansiedade desaparece, vindo um

estado de tranqüilidade. Se esse episódio repetisse novamente,

menos ansiedade e mais conforto a cada episódio.

provavelmente apresentaria

40

Essa neutralidade da intensidade das emoções fortes (positivas ou negativas), Davidoff

(2001) a caracteriza por emoções volúveis.

Enfim, falarei sobre as emoções de apreciação ou contemplativas. As

emoções de

apreciação se caracterizam pela orientação apreciadora da pessoa a objetos e acontecimentos

em seu mundo. Exemplo : o riso, a disposição

No riso a pessoa pode explodir numa gargalhada, apenas sorrir, ter um riso irônico, rir

discretamente ter um riso contido,

assim, como qualquer outra resposta motora, o riso pode

ser provocado por um grande número de condições estimuladoras diferentes e , muitas vezes,

não relacionadas. Mas o riso pode ter pouco ou nada

a ver com o humor. Ele pode não

exprimir satisfação, mas apenas extravasamento de tensão, em uma situação dolorosa, como

acontece no riso histérico e no riso nervoso. (KRECH e CRUTCHFIELD, 1973)

Os estados emocionais, difusos e transitórios, denominados de disposições, dão um

colorido afetivo a toda nossa experiência momentânea. A disposição tende a invadir tudo,

repentinamente, pode-se ser invadido por disposições inexplicáveis, e elas podem manter-se

depois, apesar de todas as mudanças em nossa situação imediata e de maneira igualmente

rápida, podem desaparecer.

O sentimento de disposição depende muito do grau de tensão, do prazer e do desprazer

que é experimentado. Uma disposição sombria, por exemplo, pode ser azeda, deprimida; uma

disposição de tristeza pode ter uma tonalidade nostálgica; uma disposição de tensão pode ter o

colorido da angústia, uma disposição de alegria pode ter animação e jovialidade. Ou seja, essa

mudança de disposição e de sentimento emocional sempre acompanhará um extravasamento

de tensão, que pode ser brusca ou não.

A mesma coisa acontece com a duração de alguns estados emocionais, que pode ser

pequena, um simples clarão de sentimentos e ressentimentos que chegam e passam, antes de

41

serem totalmente experimentados, ou serem bastante duradouros. Por exemplo: em episódio

de cólera, de tristeza, de vergonha ou de humor inteiramente desenvolvidos, a duração pode

ser de horas ou minutos; uma disposição de alegria ou de abatimento pode persistir por um

período de vários dias ou até mais.

Pode-se observar que a tonalidade de disposições e a variação da duração, dependendo

do grau de intensidade dos estados emocionais, variam, em intensidade fraca ou forte, duração

média ou fraca etc. Quando os estados afetivos são de fraca intensidade e relativa duração, os

denominam de Estados de Ânimo.

Segundo Deutsch (1997) os estados de ânimo diferem qualitativamente das emoções,

além de serem, pouco específicos e superficiais, difusos e globais, permitem ter uma ação

auto-reguladora, ou seja, esta ação pode servir tanto para manter um estado de ânimo

agradável,

quanto

para

desagradáveis.

auxiliar

a

eliminação

dos

estados

de

ânimo

considerados

Os estados de ânimo são, em geral, estados afetivos de fraca intensidade e relativa

duração que se instalam de forma lenta e progressiva sendo desencadeados mais por motivos

internos que externos. Seriam como pequenas emoções, diferenciando-se quanto à intensidade

e à dimensão. Distinguem-se das emoções por estas serem bruscas e agudas.

Quando comparados às emoções, os estados de ânimo, podem apresentar-se como

leves e prolongados ou breves e intensos alterando a predisposição do organismo.

Em acordo com as idéias e definições da autora citada acima, foi levado em

consideração mais os estados de ânimo nesta pesquisa, do que propriamente dito os estados

emocionais, buscando trabalhar e estudar os estados afetivos, não tão bruscos e agudos, os

quais podem estar relacionados á Ginástica Terapêutica Chinesa - Lian Gong em 18 Terapias

ou despertados no organismo por ela.

42

Estados de Ânimo e Tensão Muscular

Como foi visto anteriormente, as emoções estão muitas vezes associadas à busca de

objetivos, à fuga ou defesa e que, dependendo da intensidade, podem ser bruscas e agudas ou

leves ou superficiais, caracterizadas como estados emocionais e de ânimo, mas que tanto um

quanto o outro geram altos graus de tensão.

Quando essa defesa do corpo começa a produzir uma contração permanente de uma

determinada região muscular e não consegue relaxar é chamado de couraça muscular. Ela vai

se formando quando os movimentos de expansão do ser são reprimidos, porque não

correspondem ao que está ocasionalmente aceito. (GAIARSA, 1984).

Portanto, a couraça representa o conflito entre o ser e o mundo, se coloca no meio

como uma proteção, uma barreira. Com o tempo ela isola o indivíduo reforçando os estados

de ânimo negativos, como o medo, a cólera, a tristeza e o choro.

Spinoza (1988 apud SIVADON, 1990) pensava que os estados de ânimo negativos

eram duplamente nocivos à saúde. Seriam atos humanos, nos quais o indivíduo é pego em

redes emocionais sem poder exercer nenhum controle sobre elas, " [

]

o indivíduo é arrastado

para isso [

]"

(p. 127). Em contrapartida, esses estados de ânimo não aliviam o indivíduo, o

qual aliena nisso a sua liberdade, se compromete no passivo, causando os distúrbios

emocionais e físicos.

Esses distúrbios significam que algo não está funcionando bem no corpo, diminuindo

a resistência e alterando o grau de excitação do organismo.

Segundo Fiamenghi (1994), o estado de excitação do organismo é sempre visível e,

dependendo do estado de ânimo, o grau de excitação exibe no corpo um aumento ou uma

diminuição de atividade. Por exemplo, na raiva, o corpo fica quente e os olhos brilham. Na

43

cólera observa-se um aumento do tônus muscular.

Portanto, pode-se afirmar que as tensões musculares podem ser perturbadas por um

estado de excitação do organismo e os estados de ânimo modificam esse estado, de acordo

com a situação em que o indivíduo se encontra.

É correto afirmar que certa tensão muscular é necessária durante o dia, a fim de

manter a postura e conservar alguma forma de expressão. Não obstante, há uma grande dose

de tensão muscular inconsciente, desnecessária, fatigante e prejudicial.

Muitos sociólogos e psicólogos tendem a acreditar que algumas doenças, como dores

e formigamentos que podem aparecer nos braços, ombros, cotovelos e mão, sem que a pessoa

esteja lesionada ou machucada, seja, principalmente, a manifestação somática das angústias e

tristezas vividas nesta era conturbada, marcada pelo medo do desemprego, da violência e da

falta de perspectiva de realização pessoal.

Há também um grande número de fatores pessoais e emocionais, que interferem na

postura corporal e no sistema musculoesquelético do homem, gerando dores múltiplas e má

postura, como é o caso do estresse, da ansiedade e da raiva.

Por exemplo, o sentimento de estresse, o qual, segundo Brandão e Matsudo (1990);

Atkinson, (2002) é um processo psico-biológico complexo que consiste em três elementos: a

situação estressante, a cognição ou o pensamento e a reação emocional. Há alguns sintomas

físicos e psíquicos do estresse, exemplo:

Sintomas Físicos – a prolongada exaustão dos recursos fisiológicos, devido à

exposição à estressores permanentes, dos quais não se pode fugir ou lutar, é responsável por

uma ampla gama de doenças e os sintomas acabam sendo: tensão muscular; mãos ou pés

frios; boca seca; ansiedade, insônia, aumento da pressão arterial; suor exagerado; mudança de

apetite; ranger dos dentes (dormindo); “nó no estômago”; diarréias passageiras, perda da

44

memória, cansaço constante e tonturas. Isso acontece porque a necessidade imediata de

energia faz com que o fígado segregue glicose extra, para abastecer os músculos, e hormônios

que estimulam a conversão de gorduras e proteínas em açúcar, os quais são liberados. Desta

forma, o metabolismo do corpo aumenta para preparar-se para o gasto de energia na ação

fisiológica. O estresse pode afetar diretamente o sistema imunológico e trazer grandes danos à

saúde.

Sintomas Psíquicos: o estresse pode também ser causado por processos internos

como conflitos não resolvidos que podem ser conscientes e inconscientes; sensibilidade

emotiva exagerada; perda do senso de humor; angústia; pensar somente em uma coisa;

vontade de fugir de tudo; raiva ou depressão prolongada; irritabilidade sem causa; dúvidas

quanto a si mesmo; pesadelos; sensação de incompetência.

Ansiedade e raiva são, também, algumas das principais reações emocionais. A

ansiedade consiste de sentimentos de apreensão, tensão, nervosismo e preocupação que

provocam uma grande ativação do sistema nervoso autônomo. Já a raiva pode variar de

sentimentos de irritação e aborrecimento até fúria e cólera, e também apresenta uma ativação

do sistema nervoso autônomo que é correspondente à intensidade de sentimentos de raiva

vivido. (BRANDÃO e MATSUDO, 1990)

Segundo Davidoff (2001) a ansiedade começa com um alerta de perigo emitida pelo

ambiente estressor e o organismo gera o máximo de energia a fim lidar com a crise, se a

tensão é prolongada, o corpo permanece altamente incitado e o sistema imunológico fica

enfraquecido e suscetível a outros estressores. Persistindo ainda o estressor original ou

surgindo novos o corpo começa a mostrar sinais de exaustão e perda muscular. As atividades

físicas diminuem, desenvolvendo males psicológicos e físicos.

A vida humana está repleta de ansiedades de variados tipos: perigos, problemas

45

crônicos, mudanças de vida, que enchem a vida cotidiana das pessoas de dificuldades e de

irritações de natureza menos importante, como os transtornos.

Ainda que a pessoa tente evitar os perigos, os problemas crônicos e as mudanças de

vida, os transtornos sempre aparecem, pois se referem à administração doméstica, à saúde, às

pressões do tempo, a preocupações íntimas (solidão e medo de confrontação), ao ambiente

(barulho,

criminalidade),

as

responsabilidades

financeiras,

ao

trabalho

(insatisfação,

problemas de relacionamento com outras pessoas) e à segurança futura, gerando outras

emoções como a depressão, por exemplo.

As situações que geram as depressões incluem fracasso e perdas. È considerada um

transtorno quando os sintomas se tornam severos, prejudicando o funcionamento normal do

organismo.

Segundo Atkinson (2002) a depressão é caracterizada como um transtorno de humor,

mas uma pessoa para ser diagnosticado como uma pessoa depressiva deve ter além dos

sintomas emocionais, sintomas cognitivos, motivacionais e físicos. A tristeza e o abatimento

são os sintomas emocionais mais evidentes da depressão. Os sintomas cognitivos consistem,

principalmente, de pensamentos negativos, as pessoas tendem a ter baixa auto-estima, sentem-

se incapazes e culpam-se pelos seus fracassos, se desesperam em relação ao futuro e duvidam

da

sua

capacidade.

Os

sintomas

físicos

da

depressão

incluem

mudanças

perturbações do sono, fadiga e perda de energia.

de

apetite,

Portanto, pode-se comprovar que os estados de ânimo podem perturbar a saúde, tanto

no aspecto físico (fisiológico e biológico) quanto no aspecto psicológico, deixando as pessoas

vulneráveis, sem resistência, provocando doenças e sintomas desagradáveis, além de tensões e

dores nos músculos e nas articulações. Por isso, será falado um pouco mais sobre as tensões

musculares e como elas surgem:

46

Segundo Smith et al. (1997) toda tensão não modifica apenas o estado corporal como

também o comportamento e a consciência social.

O indivíduo deve permanecer com um tônus adequado, presente e relaxado em todas

as situações da vida. Quando não se consegue o relaxamento adequado do tônus começa-se a

obter encurtamentos no comprimento natural dos músculos limitando, assim, os movimentos

das articulações, dificultando o estabelecimento tônico postural inconsciente e natural,

afetando o sistema circulatório, modificando o metabolismo gerando, assim, tensões ou

contrações musculares.

De acordo com aspectos de fisiologia muscular estudados por Smith et al. (1997) os

movimentos requerem energia fornecida por um composto chamado ATP (trifosfato de

adenosina) que, quando quebrado em ADP e fosfato inorgânico, libera energia, suprindo as

atividades celulares. Se a atividade for amena o ATP resulta de processos aeróbicos

(respiração) e, quando a atividade for mais intensa o ATP é produzido por processos

anaeróbicos (fermentação). Na falta de ATP, ocorre o enrijecimento muscular. Em situação

de emergência, o ATP é formado por fermentação lática e se o produto (ácido lático) dessa

fermentação se acumula, ocorrem dores musculares.

Desta forma, para que não ocorram dores musculares deve-se trabalhar com uma

função tônica no corpo que possibilite o equilíbrio da atividade permanente no músculo,

mesmo quando não há movimentos ou gestos, ou seja, com a regulagem da musculatura ou

com a diminuição das tensões, os músculos se reorganizam e reequilibram a postura,

permanecendo preparados para responder rapidamente às múltiplas solicitações da vida,

mesmo quando estados emocionais como a angústia, a alegria ou outras formas de exaltação

como esgotamento físico e psíquico, as depressões estão explícitas no corpo.

Portanto, a dissolução das fixações do tônus elimina as fixações psíquicas, os estados

47

depressivos e eufóricos ou outras condutas rígidas. Essa liberação das reações emocionais

habituais abre caminho à capacidade de viver mais ampla e profundamente toda a gama de

sentimentos humanos sem somatizá-los e sem prejudicar a saúde.

Então, como controlar os estados de ânimo de forma que estes não influenciem no

grau de excitação do organismo, causando tensão muscular e/ou tensões musculares crônicas?

Algumas atividades físicas, como os exercícios suaves, podem proporcionar ao

indivíduo um encontro consigo, com o seu esquema e imagem corporal, como um elemento

desafiador e eficiente para a organização e o equilíbrio das emoções e das tensões musculares.

Desta forma, é importante fazer algumas consideração e definições do que sejam as

atividades corporais denominadas “ suaves”.

Exercícios Físicos Suaves

Primeiramente, entende-se por exercícios físicos ou atividades suaves àquelas que tem

como características principais à lentidão da execução dos movimentos, a não exigência de

muito esforço físico do praticante, não serem competitivas e violentas.

Segundo Lacerda (1995) na medida em que recusam a competição, os exercícios

suaves são silenciosos, com o objetivo de abordar um conjunto de valores tais como o

equilíbrio, a harmonia, a tolerância, a responsabilidade, a integração física, psíquica e social,

visando assim o autoconhecimento.

Entre as atividades denominadas suaves pode-se destacar algumas como Yoga, Tai

Chi Chuan, Qi Gong, Lian Gong, I Qi Gong, Qi Gong dos Símbolos, Xian Gong, todas de

origem oriental e algumas construídas pelo ocidente tendo como referência à filosofia oriental

48

e correntes críticas da psicanálise e da psicologia, como a Eutonia, a Antiginástica, a

Biodança, a Bioenergética, o Alongamento e as Ginástica Natural.

As teorias mais contemporâneas mostram que os exercícios suaves podem diminuir as

desordens provocadas pelos estados de ânimo, através da diminuição da ansiedade, da

redução dos sintomas do estresse, da melhora das funções cognitivas, de uma recuperação

cardiovascular mais rápida e de melhores hábitos de sono. Já existem benefícios significativos

para a saúde obtidos com atividades de intensidade relativamente baixas e comuns ao

cotidiano (LACERDA, 1995).

Pesquisas qualitativas, com práticas corporais alternativas ou chamadas de ginásticas

suaves, vêm comprovando que indivíduos fisicamente aptos tendem a apresentar menor

incidência da maioria dos distúrbios acima citados, fator explicável por uma série de fatos

psicológicos decorrentes da prática regular de exercícios físicos. (KNASTER, 1996)

Os exercícios possuem uma natureza multidimensional apresentando benefícios não só

fisiológicos como psicológicos. Portanto, a prática de exercícios seria um fator de proteção

não só contra as circunstâncias ou situações estressantes que colocam em risco o equilíbrio do

ser humano.

No entanto, não se pode apenas avaliar a potência dos exercícios, mas também as suas

limitações, seu volume, a dose ideal de exercícios para cada indivíduo, de modo que

realmente diminua os distúrbios emocionais e não criem um efeito paradoxal.

Como pode ser observado, pelos estudos de alguns pesquisadores como Lacerda

(1995); Knaster (1996), os efeitos dos exercícios são benéficos em certas funções cognitivas e

fisiológicas. Mas, e sobre os aspectos comportamentais do ser humano?

Os efeitos fisiológicos seriam devido a um aumento da temperatura corporal durante a

prática de exercícios resultando em uma diminuição da atividade muscular, resposta típica de

49

um estado mais relaxado, diminuição da pressão arterial, uma produção maior de endorfina e

catecolaminas (são variáveis psicoativas que estão implicadas na regulação das desordens

afetivas).

A

prática

regular

de

exercícios,

também,

tem

sido

associada,

por

médicos,

fisioterapeutas, terapeuta corporais e psicólogos, com a modificação favorável da saúde

emocional, propiciando uma diminuição da ansiedade e dos sintomas de depressão, melhora

do autoconceito, da auto - estima, do autoconhecimento, proporcionando uma sensação de

bem-estar. Há também a diminuição dos sintomas objetivos de tensão e seu efeito relaxante

ocorre tanto no aspecto central do córtex, quanto no periférico.

Pelas citações acima, pode-se dizer que o indivíduo, após os exercícios, diminui o seu

grau de ansiedade e consegue um período de relaxamento do corpo, fazendo com que os seus

pensamentos fiquem mais claros e seu comportamento mais adaptado. Porém, por que o ser

humano não consegue um equilíbrio físico e emocional em todo momento, na sua vida social

e familiar, por exemplo?

Será que é o tipo de atividade física que pratica? Será a ausência

dela? Será o fato de não conhecer o seu próprio corpo, suas tensões seus desequilíbrios

posturais e emocionais? Ou apenas seria porque ao praticar exercícios físicos não está

preocupado com as emoções, com aquilo que está sentindo e se tem relação com o corpo

físico ou não, mas sim com o lado apenas estético.

O indivíduo na maioria das situações em que se encontra, age e pensa com uma única

parte do seu eu “o pensamento” e esquece que é formado por músculos, ossos, tendões, pele e

órgãos. Pensar com o corpo, muitas vezes parece ser um conceito estranho aos olhos de

pessoas engajadas no mundo vivido na informática e na virtualidade. Aí está uma dúvida: será

que vemos ou apenas olhamos o nosso corpo? E qual seria a diferença entre ver e olhar?

Muitas vezes o corpo do outro é olhado, como meio de comparação, estreitando o pensamento

50

para a beleza, para a estética, valorizando alguns corpos, depredando outros e, até mesmo,

sendo instigado a mudar determinadas partes do corpo, para que estas sejam olhadas e

apreciadas por outros ou por ele mesmo. Vidas dedicadas ao olhar da sociedade, corpos hiper

investidos, enquanto o eu sofre uma espécie de fraqueza crônica nesse aprisionamento estético

de si. O espetáculo da moda nos proporciona cotidianamente um olhar nítido do anacronismo

do eu diante da vitória retumbante do corpo e da forma.

Olhar para a forma perfeita, sem defeitos, a qual se torna sinônimo de saúde e de

qualidade de vida sem perceber que, por meio desta forma, se constrói um olhar para corpos

vazios e sem significado. A mim me parece sem sentido o por quê de se dar importância a um

corpo vazio, a uma expressividade superficializada de conceitos sobre o que é benefício ao

meu corpo sob os olhos da sociedade.

Partindo dessa premissa, os exercícios suaves, assim como o Lian Gong encontram-se

aptos a proporcionar um conhecimento de si próprio, permitindo o resgate do potencial

psicofísico e emocional do ser humano, ou seja, representa uma “alternativa” para viver com

saúde, equilíbrio e harmonia no mundo contemporâneo.

Lian Gong em 18 Terapias

A palavra “Lian” quer dizer treinar, mas também forjar e “Gong” significa trabalho,

experiência, habilidade. Ou seja, treinar e exercitar um trabalho persistente e prolongado que

atinge um nível elevado de habilidade. (LEE, 1997, p. 13)

51

História do Lian Gong

O Lian Gong em 18 Terapias é uma prática chinesa que visa ao tratamento e à

prevenção de diversas disfunções corporais tais como: dores no pescoço, ombros, costas,

região lombar, glúteo e pernas; disfunções das articulações dos membros superiores e

inferiores; tendinites, tenossinovites e desordens funcionais dos órgãos internos.

Esta ginástica foi conhecida em Shangai, na China, no ano de 1974, criada e

desenvolvida pelo médico ortopedista Dr. ZHUANG YUEN MING. Este médico recebeu do

governo

de

Shangai

os

prêmios

de

“Pesquisa

de

Resultado

Relevante”

e

“Progresso

Científico” pelo seu trabalho e, atualmente, o Lian Gong é amplamente divulgado para a

população chinesa devido aos grandes benefícios resultantes de sua prática.

No Brasil, a ginástica foi introduzida em 1987 pela professora MARIA LÚCIA LEE, a

qual fundou uma Associação Brasileira de Lian Gong, onde, no momento, está sediada em

Belo Horizonte, Minas Gerais. Esta Associação tem o objetivo de difundir e aperfeiçoar o

ensino do Lian Gong, como também outras técnicas orientais, colocando em prática a idéia de

melhoria da qualidade de vida da população brasileira.

Estrutura do Lian Gong

O Lian Gong, por exemplo, compõe-se de duas partes:

Parte 1: é a “alma” do Lian Gong. São 18 exercícios especialmente criados para lidar

com dores no corpo.

Divide-se em três séries e cada uma contém seis exercícios prevenindo:

Série 1: dores no pescoço e ombros (cervicalgia, torcicolo, tensão acumulada,

periartrite na articulação dos ombros);

52

Série 2: dores nas costas e região lombar (lombalgia, hérnia de disco, tensão, má

postura, lesão aguda);

Série 3: dores nos glúteos e pernas (compressão de discos intervertebrais e dificuldade

para andar).

Segundo Lee (1997), as séries da primeira parte do Lia Gong tratam e auxiliam:

no alinhamento da coluna, da postura e de dores nesta região;

no alongamento dos músculos antes fatigados, tornando-os mais ativos e restaurados;

na melhoria do movimento, da coordenação e da flexibilidade do corpo;

promovem o bem-estar do corpo;

deixam uma movimentação mais livre das articulações, ou seja, sem tensões.

Parte 2: Surgiu como uma resposta para o aumento dos problemas nas articulações,

nos ligamentos e tendões, os quais se transformaram em verdadeiras epidemias depois da

expansão mundial dos microcomputadores.

Esta parte é composta também de três séries, cada uma contendo seis exercícios:

Série 4: articulações ( osteoartrite e artrite reumatóide);

Série 5: Tendinites e tenossinovites (causadas por movimentos repetitivos);

Série 6: órgãos internos (hipertensão, doenças coronárias gastrintestinais e neuroses).

As séries da segunda parte do Lian Gong auxiliam:

no

tratamento

e

na

prevenção

das

inflamações

do

tecido

que

reveste

os

tendões

(Tenossinovites);

 

na prevenção de inflamações nas articulações (artrites) e tendões (tendinites);

 

na movimentação, sem dor, das articulações;

 

na prevenção do desgaste das articulações (osteoartrite);

 

na diminuição da sensação desagradável no peito e palpitação;

 

53

na diminuição de dores de cabeça, respiração curta, insônia, fadiga e ansiedade.

A execução das seis séries do Lian Gong tem a duração de 24 minutos. Os exercícios

são simples e podem ser realizados em qualquer lugar, sem necessidade de roupas especiais

ou de equipamentos. Pode-se, dependendo de necessidades específicas e individuais, executar

exercícios isolados.

54

Descrição 1 e Ilustração dos Exercícios do Lian Gong em 18 Terapias

1 o

exercício do 1 a série: Exercícios do Pescoço - Postura de preparação: Pés separados na

do Pescoço - Postura de preparação: Pés separados na largura dos ombros, mãos na cintura
do Pescoço - Postura de preparação: Pés separados na largura dos ombros, mãos na cintura
do Pescoço - Postura de preparação: Pés separados na largura dos ombros, mãos na cintura
do Pescoço - Postura de preparação: Pés separados na largura dos ombros, mãos na cintura
do Pescoço - Postura de preparação: Pés separados na largura dos ombros, mãos na cintura

largura

dos

ombros,

mãos

na

cintura

(Fig.1).

Movimentos:

Girar

a

cabeça

lentamente

para

Fig.1

Fig 2

Fig.3

Fig. 4

à esquerda e para a direita até o seu limite (Fig.2 e 3). Voltar

Fig.5

a cabeça para frente. Levantar

lentamente a cabeça- olhar para cima (Fig.4). Voltar a posição inicial .Abaixar lentamente a

cabeça –olhar para baixo (Fig. 5). Voltar na posição inicial (Fig. 1).

2 o exercício da 1 a série: Arquear as Mãos – Posição inicial: os pés separados na largura dos

– Posição inicial: os pés separados na largura dos Fig. 1 Fig. 2 Fig. 3 ombros,

Fig. 1

Posição inicial: os pés separados na largura dos Fig. 1 Fig. 2 Fig. 3 ombros, mãos

Fig. 2

inicial: os pés separados na largura dos Fig. 1 Fig. 2 Fig. 3 ombros, mãos com

Fig. 3

ombros,

mãos

com

as

palmas

estendidas

na

frente do rosto, formando um triângulo (Fig. 1).

Movimento: As mãos afastam lentamente uma da

outra, fechando os punhos até estarem

ao

lado

do

tronco. Ao

mesmo tempo a cabeça

gira

para o lado esquerdo. O olhar acompanha a mão

e os antebraços ficam perpendiculares ao chão. (Fig. 2). Voltar para posição inicial (Fig.1).

Repetir o movimento, mas a cabeça girar para o lado direito (Fig. 3).

1 Descrição retirada do Livro Lian Gong Shi Ba Fa (Lian Gong em 18 Terapias), criado pelo Dr. Zhuang Yuan Ming, criador da Ginástica.

55

3 o exercício da 1 a série: Estender as Palmas para cima – Posição inicial: Pés separados na

Palmas para cima – Posição inicial: Pés separados na Fig.1 Fig.2 Fig. 3 Largura dos ombros,

Fig.1

para cima – Posição inicial: Pés separados na Fig.1 Fig.2 Fig. 3 Largura dos ombros, braços

Fig.2

cima – Posição inicial: Pés separados na Fig.1 Fig.2 Fig. 3 Largura dos ombros, braços flexionados

Fig. 3

Largura

dos

ombros,

braços

flexionados

de

maneira

natural

ao

lado

do

corpo,

punhos

fechados

na

altura

dos

ombros

(Fig. 1).

Movimento: As mãos se abrem

medida

que

os braços se elevam

lentamente à

os

olhos

acompanham a mão esquerda até o alto (Fig.2

e 3). Voltar à posição inicial, abaixando os braços e acompanhando a mão esquerda com o

olhar

(Fig.2).

Repetir

o

movimento

acompanhando a mão direita.

da

figura

um

e

dois

e

três,

mas

com

o

olhar

4 o exercício da 1 a série: Expandir o Peito

- Posição inicial: Pés separados na largura dos

o Peito - Posição inicial: Pés separados na largura dos ombros, mãos sobrepostas na frente do
o Peito - Posição inicial: Pés separados na largura dos ombros, mãos sobrepostas na frente do
o Peito - Posição inicial: Pés separados na largura dos ombros, mãos sobrepostas na frente do

ombros, mãos sobrepostas na frente do corpo

(Fig.1). Movimento: O olhar acompanha a

elevação

das

mãos

sobrepostas

(Fig.

2).

Girar as mãos até as palmas se voltarem para

cima,

traçando uma curva pela lateral do

Fig.1

Fig.2

Fig. 3

corpo por trás da linha dos ombros. O olhar

acompanha a mão (Fig.3). Voltar à posição inicial, mas com a mão direita sobre a esquerda e

repetir novamente o movimento, mas com o olhar acompanhando a mão direita.

5 o exercício da 1 a série: Despregar as asas – Posição inicial: Pés separados na largura dos

ombros (Fig.1). Flexionar os braços até levá-los a partir do cotovelo, fazendo uma curva por

trás

da

linha

lateral

do

Corpo. A cabeça vira para a esquerda, acompanhando

56

56 com o olhar o movimento do cotovelo, até olhar para frente, no momento que os
56 com o olhar o movimento do cotovelo, até olhar para frente, no momento que os
56 com o olhar o movimento do cotovelo, até olhar para frente, no momento que os
56 com o olhar o movimento do cotovelo, até olhar para frente, no momento que os

com o olhar o movimento do

cotovelo, até olhar para frente,

no momento que os cotovelo

esteja para cima e as mãos para

baixo (Fig. 2 e 3). As mãos

Fig. 1

Fig. 2

Fig. 3

Fig. 4

Fig. 5

ficam estendidas na frente do

rosto (Fig. 4). Os braços descem lentamente

pela

frente do

corpo

e

voltam

à posição

inicial (Fig. 1).

6 o exercício da 1 a série: Levantar os braços de ferro – Posição de preparação: Pés separados

de ferro – Posição de preparação: Pés separados Fig. 1 Fig. 2 Fig. 3 Fig. 4

Fig. 1

Fig. 2

– Posição de preparação: Pés separados Fig. 1 Fig. 2 Fig. 3 Fig. 4 na largura

Fig. 3

de preparação: Pés separados Fig. 1 Fig. 2 Fig. 3 Fig. 4 na largura dos ombros

Fig. 4

na

largura

dos ombros

(Fig. 1). Movimento: o olhar

acompanha o movimento da

mão esquerda, que se eleva

pela linha

lateral

do

corpo

com o braço estendido, olhar

para cima quando a mão chegar ao limite

do movimento. Ao mesmo tempo, a mão direita

se posiciona atrás do corpo com o braço flexionado e o dorso da mão encostando-se à região

lombar (Fig.2 e 3). O olhar acompanha a mão esquerda, que desce pela lateral do corpo até se

posicionar acima da mão direita. (Fig.4). Repetir o movimento pelo lado direito.

Série 2: dores nas costas e região lombar ( lombalgia, hérnia de disco, tensão, má

postura, lesão aguda):

57

57 Fig. 1 Fig. 2 Fig. 3 Fig. 4 1 o exercício da 2 a série:

Fig. 1

57 Fig. 1 Fig. 2 Fig. 3 Fig. 4 1 o exercício da 2 a série:

Fig. 2

57 Fig. 1 Fig. 2 Fig. 3 Fig. 4 1 o exercício da 2 a série:

Fig. 3

57 Fig. 1 Fig. 2 Fig. 3 Fig. 4 1 o exercício da 2 a série:

Fig. 4

1 o exercício da 2 a série:

Empurrar

o

céu

e

inclinar para o lado –

Postura

de

preparação:

Pés separados na largura

dos

ombros.

Mãos

posicionadas na altura do ventre, com os dedos entrelaçados, palmas das mãos para cima

(Fig. 1). Movimento: levantar os braços até a altura do queixo e, então, virar as palmas

empurrando para cima (Fig. 2). Os braços conduzem

o

tronco, fazendo-o

inclinar

duas vezes para a esquerda (Fig. 3). As palmas viram para baixo e se separam descendo pelas

laterais do corpo até voltar à postura de preparação (Fig. 4). Repetir o movimento para o outro

lado.

2 o exercício da 2 a série: Rodar a cintura e projetar a palma – Posição de preparação: Pés

e projetar a palma – Posição de preparação: Pés Fig. 1 Fig. 2 separados na largura

Fig. 1

projetar a palma – Posição de preparação: Pés Fig. 1 Fig. 2 separados na largura dos

Fig. 2

separados na largura dos ombros e punhos posicionados na

altura do quadril (Fig. 1 ). Movimento: o punho abre-se

lentamente em forma de palma e empurra para frente. Ao

mesmo tempo, a cintura gira para

a esquerda e o cotovelo

esquerdo é apontado para trás, ficando

alinhado com o

braço direito, que está na frente. Olhar para trás pelo lado

esquerdo (Fig.2) Voltar à posição inicial e repetir para o lado direito.

58

3 o exercício da 2 a série: Rodar a cintura com as mãos nos rins – Postura de preparação: Pés

separados na largura dos ombros, palmas posicionadas

sobre a região lombar,

com

o

polegares para frente dedos sobre as 4 a e 5 a vértebras (Fig.1). Movimento: Empurrar com as

mãos a bacia, fazendo-a girar no sentido horário (Fig. 2, 3, 4 e 5). Realizar um ciclo de oito

tempos da música no sentido horário e depois no sentido anti-horário.

no sentido horário e depois no sentido anti-horário. Fig 1 Fig. 2 Fig.3 Fig 4 Fig.

Fig 1

no sentido horário e depois no sentido anti-horário. Fig 1 Fig. 2 Fig.3 Fig 4 Fig.

Fig. 2

horário e depois no sentido anti-horário. Fig 1 Fig. 2 Fig.3 Fig 4 Fig. 5 4

Fig.3

e depois no sentido anti-horário. Fig 1 Fig. 2 Fig.3 Fig 4 Fig. 5 4 o

Fig 4

e depois no sentido anti-horário. Fig 1 Fig. 2 Fig.3 Fig 4 Fig. 5 4 o

Fig. 5

4

o exercício

Fig 1 Fig. 2 Fig.3 Fig 4 Fig. 5 4 o exercício Fig. 1 para da

Fig. 1

para da 2 a

2 Fig.3 Fig 4 Fig. 5 4 o exercício Fig. 1 para da 2 a Fig.

Fig. 2

série : Abrir os braços e flexionar

o

tronco

2 a Fig. 2 série : Abrir os braços e flexionar o tronco Fig. 3 Fig.

Fig. 3

2 série : Abrir os braços e flexionar o tronco Fig. 3 Fig. 4 – Postura

Fig. 4

Postura

de

os braços e flexionar o tronco Fig. 3 Fig. 4 – Postura de Fig. 5 Fig.6

Fig. 5

e flexionar o tronco Fig. 3 Fig. 4 – Postura de Fig. 5 Fig.6 preparação: Pés

Fig.6

preparação: Pés separados na largura dos ombros e mãos sobrepostas

posicionadas à frente do corpo (Fig. 1). Movimento: As mãos se

elevam sobrepostas (esquerda –direita) e, com os braços estendidos, a

cabeça acompanha o

movimento

das

mãos

e

o

peito expande,

o olhar para cima (Fig. 2). As mãos se separam e giram até as palmas

59

ficarem para cima, ao mesmo tempo de descem até a altura os ombros com os braços

estendidos (Fig. 3). As palmas se voltam para baixo, ao mesmo tempo em que o tronco é

flexionado para frente(Fig. 4). As mãos descem até o chão, com a mão direita por fora e a

cabeça erguida (Fig. 5). Repetir o movimento conforme, iniciando pela figura dois. Ao final

voltar à postura de preparação.

5 o exercício da 2 a série: Espetar com a palma para o lado – Postura Inicial: Pé separado na

a palma para o lado – Postura Inicial: Pé separado na Fig. 1 Fig. 2 Fig.

Fig. 1

para o lado – Postura Inicial: Pé separado na Fig. 1 Fig. 2 Fig. 3 largura

Fig. 2

o lado – Postura Inicial: Pé separado na Fig. 1 Fig. 2 Fig. 3 largura de

Fig. 3

largura de dois ombros e

punhos

serrados

posicio-

nados na altura do quadril

(Fig.

1).

Movimento:

O

pé esquerdo gira

90 o para

à

esquerda, o tronco

girar para a esquerda, flexionar o joelho esquerdo, ao mesmo tempo em que a mão esquerda

se abre e espeta para o lado esquerdo e o cotovelo esquerdo se projeta no sentido oposto

(Fig.2). Voltar à postura de preparação (Fig.1). Repetir o movimento para o lado direito (Fig.

3).

6 o exercício da 2 a série: Tocar os pés com as mãos – Postura de preparação: Postura ereta

com as mãos – Postura de preparação: Postura ereta com os pés juntos (Fig. 1). Movimento:
com as mãos – Postura de preparação: Postura ereta com os pés juntos (Fig. 1). Movimento:
com as mãos – Postura de preparação: Postura ereta com os pés juntos (Fig. 1). Movimento:

com os pés juntos (Fig. 1). Movimento:

com os dedos entrelaçados, as mãos

elevam

passando

pela

frente

do

abdômen (Fig.2). Na altura do queixo

as palmas se abrem para fora e empurrar

Fig. 1

Fig. 2

Fig. 3

Fig. 4

60

para acima, olhar no dorso das mãos (Fig. 3). Flexionar o tronco com a cabeça levantada. As

mãos pressionam aparte superior dos pés e a cabeça se mantém levantada (Fig. 4). Voltar à

posição inicial.

Série 3: dores nos glúteos e pernas (compressão de discos intervertebrais e dificuldade

para andar):

1 o exercício da 3 a série: Rodar os joelhos à esquerda e à direita. Posição inicial:

Pés

joelhos à esquerda e à direita. Posição inicial: Pés unidos, tronco flexionado para frente e mãos
joelhos à esquerda e à direita. Posição inicial: Pés unidos, tronco flexionado para frente e mãos
joelhos à esquerda e à direita. Posição inicial: Pés unidos, tronco flexionado para frente e mãos
joelhos à esquerda e à direita. Posição inicial: Pés unidos, tronco flexionado para frente e mãos

unidos, tronco flexionado para frente e

mãos

colocadas

sobre

os

joelhos.

Pernas estendidas e

o

olhar

voltado

para frente (Fig. 1).

Movimento:

nas

Fig. 1

Fig.2

Fig. 3

Fig. 4

contagens

1 e

2 (na música), manter as mãos sobre os joelhos e realizar uma rotação no

sentido horário (Fig. 2, 3, 4), voltando aposição inicial, (Fig. 1). Realizar 1 e 2 ciclos de oito

contagens do movimento no sentido anti-horário.

2 o exercício da 3 a série do Lian Gong: Flexionar a perna e girar o tronco - posição inicial:

Flexionar a perna e girar o tronco - posição inicial: Fig. 1 Fig.2 Fig. 3 pés

Fig. 1

a perna e girar o tronco - posição inicial: Fig. 1 Fig.2 Fig. 3 pés abertos

Fig.2

a perna e girar o tronco - posição inicial: Fig. 1 Fig.2 Fig. 3 pés abertos

Fig. 3

pés abertos na largura de dois ombros e

as mãos segurando a cintura (Fig. 1).

Movimento:

A

perna

direita

é

flexionada lentamente, ao mesmo tempo

em que

o

tronco

gira

esquerda (Fig. 2).

45 o

para

a

61

Voltar lentamente para a postura de preparação e repetir o movimento pelo outro lado,

começando flexionar a perna esquerda lentamente (Fig.,3).

3 o exercício da 3 a série: Flexionar e esticar as pernas – Posição inicial: corpo ereto e pés

unidos

(Fig. 1) Movimento: Flexionar o tronco para frente, colocar as mãos

sobre

os

joelhos. Pernas estendidas e o olhar voltado para frente ( Fig.2 ).

Com as mãos apoiadas

sobre os joelhos agachar sem tirar os calcanhares do chão (Fig.3). As palmas das mãos

tirar os calcanhares do chão (Fig.3). As palmas das mãos Fig. 1 Fig. 2 Fig. 3

Fig. 1

os calcanhares do chão (Fig.3). As palmas das mãos Fig. 1 Fig. 2 Fig. 3 Fig.

Fig. 2

do chão (Fig.3). As palmas das mãos Fig. 1 Fig. 2 Fig. 3 Fig. 4 Fig.

Fig. 3

do chão (Fig.3). As palmas das mãos Fig. 1 Fig. 2 Fig. 3 Fig. 4 Fig.

Fig. 4

(Fig.3). As palmas das mãos Fig. 1 Fig. 2 Fig. 3 Fig. 4 Fig. 5 pressionam

Fig. 5

pressionam

o

peito

do pé e estendem-se

as

pernas

(Fig.4

e

5). Voltar à postura

inicial (Fig. 1).

4 o exercício da 3 a série: Tocar o joelho e levantar a palma - Pés separados na Largura

o joelho e levantar a palma - Pés separados na Largura de Fig. 1 Fig. 2
o joelho e levantar a palma - Pés separados na Largura de Fig. 1 Fig. 2
o joelho e levantar a palma - Pés separados na Largura de Fig. 1 Fig. 2
o joelho e levantar a palma - Pés separados na Largura de Fig. 1 Fig. 2