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INS TITUTO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS CURS O DE BACHARELADO EM DIREITO VÍCIOS REDIBITÓRIOS na Disciplina

INS TITUTO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS

CURS O DE BACHARELADO EM DIREITO

VÍCIOS REDIBITÓRIOS

na Disciplina

de Teoria Geral dos C ontratos, sob

Trabalho elaborado

a orientação da

Profª Evelyn

Santinom, com a

finalidade de

cumprir a tarefa d e Atividades Práticas Supervisiona das.

SOROCABA

2012

INS TITUTO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS CURS O DE BACHARELADO EM DIREITO VÍCI OS REDIBITÓRIOS Betânia

INS TITUTO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS

CURS O DE BACHARELADO EM DIREITO

VÍCI OS REDIBITÓRIOS

Betânia Malaquias Mônaco RA: a702jc-0

Helen Cristina Domingues P roença RA: a59jde-5

Rayssa Camargo Freitas RA: a58beh-0

Ricardo Antunes Ramos RA: t924ah-0

SOROCABA

2012

RESUMO

O presente trabalho visa demonstrar como se opera a garantia contra vício

redibitório, tanto na lei, doutrina e jurisprudência.

Dentre algumas das obrigações do alienante encontra-se a de dar garantias contra

os vícios redibitórios, tal previsão legal é encontrada no Código Civil e no Código de

Defesa do Consumidor.

O legislador criou este instituto a fim de evitar o desequilíbrio contratual, que pode gerar benefício indevido a uma das partes e, em contrapartida, prejuízo da outra.

Palavras-chave: Vício redibitório, Código de Defesa do Consumidor e Código Civil.

Sumário

DISCIPLINA NO CÓDIGO CIVIL

5

1. INTRODUÇÃO:

5

2. CONCEITO:

5

3. FUNDAMENTO JURÍDICO:

6

4. REQUISITOS PARA CARACTERIZAÇÃO DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS

7

5. EFEITOS

8

6. ESPÉCIES DE AÇÕES E PRAZOS

8

DISCIPLINA NO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR

9

7. DA RESPONSABILIDADE POR VÍCIO DO PRODUTO

9

8. TIPOS DE VÍCIOS: QUALIDADE E QUANTIDADE

10

9. A GARANTIA LEGAL E O REGIME DE RESPONSABILIZAÇÃO

12

10. PRAZOS DE RECLAMAÇÃO:

14

11. PRESSUPOSTOS DA RESPONSABILIDADE POR VÍCIOS

15

12. EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE

15

13. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA

16

14. A INVESÃO DO ÔNUS DA PROVA

16

REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS

17

ANEXOS

17

ANEXO 1:

18

ANEXO 2

37

ANEXO 3

43

ANEXO 4:

47

5

VÍCIOS REDIBITÓRIOS

DISCIPLINA NO CÓDIGO CIVIL

1. INTRODUÇÃO:

Como no direito romano não existia uma garantia implícita da coisa que seria objeto de compra e venda num contrato, declarações de que a coisa estava isenta de vícios, eram feitas para que surgisse a responsabilidade do alienante. Na ausência de tais declarações de garantia surgiam as disputas, principalmente com relação à venda de escravos.

O edil curul, magistrado que cuidava da fiscalização dos mercados, editou

normas para que tais controvérsias fossem evitadas. Segundo ele, os vendedores

de escravos ou de certos animais, estavam obrigados a declarar os vícios ou defeitos das coisas vendidas.

Como consequências desta garantia surgiram a actio redhitória 1 e a actio quanti minoris. 2

A intervenção dos edis nos contratos tornou obrigatória uma estipulação

dupla, em que eram garantidos não somente os vícios ocultos na coisa, mas também os vícios de direito protegidos pela evicção.

No direito romano tais garantias eram dispensadas, já no direito de Justiniano estas garantias já existiam.

2. CONCEITO:

1 Seu objetivo é a resolução da venda. Deveria ser ajuizada em seis meses a contar da data do contrato e deveria objetivar a devolução de tudo que foi pago. O comprador devolvia a coisa com todos os seus acessórios e o vendedor devolvia o preço com os juros correspondentes. Caso o vendedor se negasse a restituir o valor, ficaria condenado a pagar o dobro. O comprador poderia cobrar os gastos com a manutenção da coisa e os danos dela decorrentes. 2 Seu objetivo é obter do vendedor uma dedução do preço pago pela coisa. Seu pedido deveria ser em um ano a contar da venda e podia ser exercido várias vezes, à medida que se descobrisse novos vícios.

6

Vícios redibitórios são defeitos ocultos em coisa recebida em virtude de contrato comutativo, que torna a coisa imprópria ao uso a que se destina, ou lhe diminuam o valor, de tal forma que o ato negocial não se realizaria se esses defeitos fossem conhecidos. Podendo o adquirente enjeita-la, mediante devolução do preço, podendo acumular com perdas e danos se o alienante conhecia o defeito, ou ficar com a coisa e reclamar abatimento do preço. 3

Podemos encontrar facilmente descrito tal conceito nos artigos 441, 442, 443 do Código Civil.

Vícios redibitórios são os defeitos ocultos existentes a época da contratação, possibilitando ao adquirente, a rejeição da coisa e a restituição dos valores por ele despendidos por força de sua aquisição.

Redibida a coisa, o transmitente devera proceder à restituição do valor recebido, acrescida das despesas contratuais.

Nos contratos comutativos 4 e nas doações onerosas 5 cabe ao adquirente à utilização da garantia legal contra defeitos ocultos que tornem a coisa imprópria para o uso e que diminuam o seu valor.

Faz-se necessário, neste momento, diferenciar vicio redibitório de erro. O Primeiro decorre da própria coisa, que é a verdadeiramente desejada pela parte e o adquirente não toma conhecimento do defeito, pois este se encontra oculto. Já no segundo, o adquirente tem uma ideia falsa da realidade, é subjetivo. Se for induzido intencionalmente pelo alienante ou por terceiros, o vício de vontade passa a ser dolo; o adquirente recebe uma coisa por outra, o declarante forma uma convicção diversa da realidade, a coisa em si não é viciada. 6

3. FUNDAMENTO JURÍDICO:

Várias fundamentos existem para explicar a teoria dos vícios:

Teoria do erro= não faz nenhuma distinção entre defeitos ocultos e erro sobre as qualidades essenciais do objeto, tudo não passaria de mera consequência da ignorância em que se achava o adquirente.

3 Dos Vícios Redibitórios (Carlos Roberto Gonçalves, Direito Civil Brasileiro, Contratos E Atos Unilaterais, 2012).

4 Contrato comutativo é aquele em que cada uma das partes, além de receber da outra prestação igual a sua, pode imediatamente apreciar e estimar essa equivalência.

5 Doação com encargo é aquela em que impõe ao beneficiário a prestação de um serviço ou cumprimento de uma obrigação.

6

Venosa, Silvio Salvo, p. 545.

7

Teoria do inadimplemento contratual= tem por fundamento a violação do princípio de garantia que onera todo alienante e o faz responsável pelo perfeito estado da coisa, em condições de uso a que é destinada.

Teoria dos riscos= afirma que o alienante responde pelos vícios porque tem a obrigação de suportar os riscos da coisa alienada.

Teoria da equidade= afirma a necessidade de se manter justo equilíbrio entre as prestações dos contratantes, como é de rigor nos contratos comutativos.

A mais aceita é a do inadimplemento contratual, que tem seu fundamento no principio da garantia, ou seja, o alienante deve assegurar ao indivíduo o uso da coisa adquirida para os fins destinados.

4. REQUISITOS PARA CARACTERIZAÇÃO DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS.

Partindo do pressuposto de que não é qualquer defeito ou falha existente na coisa recebida em virtude de contrato comutativo que enseje responsabilidade do alienante por vício redibitório. Segundo o art. 441 e seguintes do Código Civil, devem ser caracterizados alguns requisitos para verificação do vício. Há cinco requisitos que detalharemos em seguida:

a) Que a coisa tenha sido recebida em virtude de contrato

comutativo 7 , ou de doação onerosa 8 ; Em razão de sua natureza, nos contratos comutativos deve haver uma correspondência entre as prestações das partes, tanto o é que, o vício oculto acarretaria um desequilíbrio nos efeitos da relação negocial, de tal modo se fosse conhecido inviabilizaria a concretização do negócio se fosse conhecido.

b) Que os defeitos sejam ocultos de tal forma que não permitam a

imediata percepção, pois não é caracterizado vício redibitório quando os efeitos são facilmente verificáveis com um exame de diligencia normal.

Não se pode alegar vício redibitório se o defeito for aparente, a ponto de ser percebido por um exame atento, neste caso, presume que o

7 São os de prestação certas e determinadas, onde as partes podem antever as vantagens e os sacrifícios, que geralmente se equivalem, decorrentes de sua celebração, porque não envolvem nenhum risco. (nota de rodapé 4).

8 Onerosa, modal, com encargo ou gravada é aquela em que o doador impõe ao donatário uma incumbência ou dever.

8

adquirente já sabia do vício e julgou não suficiente para impedir o negócio, renunciando a garantia legal da redibição 9 .

c) Que os defeitos existam no momento da celebração do contrato

e que perdurem até o momento da reclamação, não respondendo o alienante

pelos defeitos que vierem depois que presumirem resultantes pelo mau uso da coisa (supervenientes), mas somente aos que ao tempo da alienação já

existiam, ainda que venham se manifestar depois. Assim prevê o art. 443 e 444 do Código Civil, dizendo que a ignorância de tais vícios pelo alienante não o exime da responsabilidade, devendo restituir o valor recebido, mais as despesas do contrato.

d) Que os defeitos sejam desconhecidos do adquirente, pois se o

mesmo os conhecia presume-se que renunciou à garantia.

e) Que os defeitos sejam graves, pois apenas aqueles que sua

gravidade prejudique o uso da coisa ou diminua seu valor podem ser arguidos

nas ações redibitórias e quanti minoris 10 , não os de somenos importância (minimis non curat praetor) 11 .

5. EFEITOS

O primeiro ponto a ser comentado diz respeito à boa ou má fé do alienante. A

responsabilidade pelos vícios redibitórios sempre existirá, independentemente do elemento subjetivo, relativamente ao alienante, porem a consequência na reparação do prejuízo esta vinculada a esse elemento.

Se o alienante desconhecia os vícios ou defeitos ocultos da coisa vendida, a sua responsabilidade estará restrita simplesmente à restituição do valor recebido e mais as despesas do contrato: se, ao contrário, conhecia o vício ou defeito, restituirá o que recebeu com perdas e danos (artigos 441 a 444 do Código Civil).

6. ESPÉCIES DE AÇÕES E PRAZOS

Neste tópico examinaremos as ações cabíveis para a defesa do adquirente diante da ocorrência de vícios ou defeitos ocultos na coisa adquirida.

9 Redibição é um ato judicial pelo qual o comprador de uma coisa móvel ou semovente anula o contrato de compra e venda por ter a coisa adquirida um vício ou defeito oculto que não sabia existir. 10 Ação quanti minoris é aquela mediante a qual se pede a redução do preço de alguma coisa.

11 De minimis non curat praetor. O magistrado não deve preocupar-se com as questões insignificantes.

9

As ações recebem o nome de edilícias, em alusão aos edis curules, que atuavam junto aos grandes mercados, na época do direito romano, em questões referentes à resolução do contrato ou abatimento do preço.

O art. 442 Código Civil diz que o adquirente pode tanto rejeitar a coisa, rescindindo o contrato e pleiteando a devolução do preço pago, mediante a ação redibitória ou conserva-la reclamando o abatimento do preço, pela ação quanti minoris ou estimatória, porem quando ocorrer o perecimento da coisa em razão do defeito oculto, na hipótese do art.444 Código Civil.

Os prazos, para o ajuizamento das ações edilícias são decadenciais, trinta dias, se relativas a bens móveis, e um ano, se relativas a imóveis, contados, nos dois casos, da tradição. Podem os contraentes ampliar o prazo convencionalmente.

Dispõe o art. 445 do Código Civil que, em se tratando de vício que só for conhecido mais tarde, a contagem se inicia no momento em que o adquirente dele tiver ciência, com prazo máximo de cento e oitenta dias em se tratando de bens móveis, e de um ano, para os imóveis, em caso de animais os prazos serão estabelecidos por lei especial ou os disposto no §1º, pois neste caso justifica-se a exceção, uma vez que o período de incubação do agente nocivo é, às vezes, superior ao prazo legal.

Há hipóteses em que são descabíveis as ações edilícias, são elas:

a) Coisas vendidas conjuntamente, como dispõe o art. 503 do

Código Civil, somente a coisa defeituosa pode ser restituída e o seu valor deduzido do preço, salvo se formarem um todo inseparável, respondendo então o alienante integralmente pelo vicio.

b) Inadimplemento contratual, conforme o art. 389 do Código civil,

que diz que em caso de inexecução do contrato, assiste ao lesado o direito de exigir o seu cumprimento ou pedir a resolução com perdas e danos, não configurando vício redibitório.

DISCIPLINA NO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR

7. DA RESPONSABILIDADE POR VÍCIO DO PRODUTO

A Responsabilidade por Vícios busca proteger a esfera econômica, ensejando o ressarcimento por substituição da peça viciada, do produto por outro, restituição da quantia paga ou abatimento do preço (Art. 18, caput e § 1º, I a III, CDC).

10

A responsabilidade por vícios é aquela atribuída do fornecedor por anormalidades que não causem riscos à saúde e a segurança do consumidor, entretanto afetam o funcionamento do produto, no que diz respeito sua qualidade e quantidade, tornando-os impróprios para o uso e reduzindo o seu valor.

8. TIPOS DE VÍCIOS: QUALIDADE E QUANTIDADE

Qualidades dos produtos

São aqueles que tornam os produtos impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam ou lhes diminuam o valor (vencidos, falsificados, corrompidos, adulterados), bem como aqueles que por qualquer motivo, se revelam inadequados ao fim a que se destinam, ou seja, aqueles incapazes de satisfazer os tipos determinantes de sua aquisição (expectativa do consumidor). (Art. 18 caput, § 6º, I a III, CDC).

APELAÇÃO CÍVEL. RESPONSABILIDADE CIVIL. VÍCIO REDIBITÓRIO EM COLHEITADEIRA. AGRICULTOR. DESTINATÁRIO FINAL. APLICABILIDADE DAS DISPOSIÇÕES DO CDC. DECADÊNCIA NÃO OPERADA. PROCESSO EM CONDIÇÕES DE JULGAMENTO. ART. 515, § 3º DO CPC. PRINCÍPIO DA CELERIDADE PROCESSUAL. DIREITO DO AUTOR À SUBSTITUIÇÃO DA MÁQUINA DEFEITUOSA RECONHECIDO. PROVA PERICIAL QUE VEIO AO ENCONTRO DE SUAS ALEGAÇÕES. INTELIGÊNCIA DO ART. 18 DO CDC. LUCROS CESSANTES. APURAÇÃO EM LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA. PERDAS E DANOS NÃO COMPROVADAS. DIREITO À INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS INEXISTENTE.CDC515§ 3ºCPC18CDCSendo o autor

12

12 VICIO REDIBTÓRIO EM COLHEITADEIRA.

Direito do autor a substituição da máquina defeituosa, apuradas em prova pericial, que apontou um erro de projeto ou no gabarito da plataforma, problemas na unidade de trilha e de limpeza, a colheitadeira andava muito devagar, colocando pouco menos de impureza na caixa de grãos, perdendo muitos grãos no saca-palhas que caiam no solo, não permitindo a regulagem adequada, o espaço ideal entre os dentes do côncavo, recomendado pela fabrica que é de 3 milímetros, tendo que ser alterada em 38 milímetros para alcançar a sua eficiência, não atendia os padrões de fábrica estabelecidos, e mesmo cortada a peça de 38 mm e feito desgastes dos dentes, a distancia ficou em 18 mm entre os dentes do pente, não conseguindo atingir o que a empresa relata em seu catálogo. O defeito da máquina vinculando-se às precárias e incorretas condições de funcionamento com os consequentes prejuízos que devem ser objeto de reparação.

Assim, a perícia Técnica demonstrou, à saciedade, os defeitos da colheitadeira. A prova pericial foi cabal, a maquina adquirida jamais funcionou, apresentando defeitos que impediram o seu uso para os fins pretendidos.

11

Cabe ao Código do Consumidor, pois sendo o autor produtor rural, utilizando colheitadeira em suas lides profissionais, é seu destinatário final, o fato de que o equipamento ser utilizado para a colheita de grãos, especificamente o arroz, mesmo que o produto seja depois vendido, daí advindo lucro ao agricultor, não retira deste a qualidade de consumidor.

Conforme artigo 2º do Código do Consumidor

I- O agricultor que adquire bem móvel com a finalidade de utilizá-lo em sua atividade produtiva, deve ser considerado destinatário final.

II- Aplica-se o Código de Defesa do Consumidor às relações jurídicas originadas dos pactos firmados entre os agentes econômicos, as instituições financeiras e os usuários de seus produtos e serviços.

Que seja substituída por outra da mesma espécie, em plenas condições de funcionamento como lhe é facultado pelo inciso I do § 1º do artigo 18 do Código do consumidor.

§ 1.º Não sendo o vício sanado no prazo máximo de trinta dias, pode o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha:

I- A substituição do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas condições de uso;

Solicitou a substituição da máquina em 17/08/1999.

Apesar de ter se passado dois anos sendo objeto de consertos pelo fabricante, sem jamais se apresentar apta para o fim a que dispunha, sutenta que o prazo de 15 dias, assinado pelo § 2º do artigo 178 do Código Civil - Lei 3071/16 é exíguo, pois a reveleção do defeito somente foi possivel após a experimentação do equipamento.

Art. 178. Prescreve:

§ 2º Em 15 (quinze) dias, contados da tradição da coisa, a ação para haver abatimento do preço da coisa móvel, recebida com vício redibitório, ou para rescindir o contrato e reaver o preço pago, mais perdas e danos. (Redação dada pelo Decreto do Poder Legislativo nº 3.725 , de 15.1.1919)

“ O prazo decadencial para exercer o direito de reclamar fica obstado desde o próprio dia da reclamação, formulada pelo consumidor perante o fornecedor ( devidamente comprovada), e só recomeça a correr, se este responder negativamente.

Nesses casos, se o fornecedor responder reconhecendo o vício do produto (ou do serviço) mas não satisfazer o consumidor, continuará obstada a decadência”

(ARRUDA ALVIM, Código do Consumidor Comentado)

Diante disso não há falar em decadência do direito do autor.

A máquina teria apresentado defeitos, encaminhada a assistência, e persistindo os defeitos tentou a resolução extrajudiciais para a resolução do problema.

Os lucros cessantes, que vem a ser prejuízos causados pela interrupção de qualquer das atividades de uma empresa ou de um profissional liberal, no qual o objeto de suas atividades é o lucro, também pode ser entendido por situação análoga, o rendimento salarial que a vítima deixa de ganhar devido a ocorrência do dano, conforme artigo 1.059, parágrafo único, CCB/1916- Lei 3071/16, e artigo.403, CCB atual- Lei 10406/02.

12

(70032539041 RS , Relator: Romeu Marques Ribeiro Filho, Data de Julgamento: 21/09/2011, Quinta Câmara Cível, Data de Publicação: Diário da Justiça do dia 26/09/2011) 13 .

Quantidade dos produtos

São aqueles que, respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, seu conteúdo liquido for inferior às indicações constantes do recipiente da embalagem, do rótulo ou de mensagem publicitária (Art. 19, CDC).

9. A GARANTIA LEGAL E O REGIME DE RESPONSABILIZAÇÃO

Art. 1.059. Salvo as exceções previstas neste Código, de modo expresso, as perdas e danos devidos ao credor abrangem, além do que ele efetivamente perdeu, o que razoavelmente deixou de lucrar. Parágrafo único. O devedor, porém, que não pagou no tempo e forma devidos, só responde pelos lucros, que foram ou podiam ser previstos na data da obrigação.

Art. 403. Ainda que a inexecução resulte de dolo do devedor, as perdas e danos só incluem os prejuízos efetivos e os lucros cessantes por efeito dela direto e imediato, sem prejuízo do disposto na lei processual.

Foram efetivamente experimentados pelo autor, devendo ser auferidas em liquidação de sentença por arbitramento, elaborado por perito contábil, há necessária a realização de calculo apurado do quantun debeatur, a partir do cotejo do faturamento bruto da empresa e do lucro liquido computando- se todas as despesas a serem incluias pois há a impossibilidade de se apurar si et quantum. Relatou prejuizos durante tres safras, estimando perdas da produção, em virtude dos defeitos da máquina, em 4.367 de 1999; 1.387,70 na de 2000; e 1.514.20 na de 2001, totalizando 7.028,90 sacas, estimando o preço de R$ 15 cada saca, totalizando R$ 105.433,50 mais os gastos a título de aluguel de máquinas de terceiros no valor de R$ 6.847,50.

Resta apreciar o pedido de indenização por danos extrapatrimoniais, responsabilidade civil, comprovadas a ocorrência de fatos e acontecimentos capazes de romper com o equilíbrio psicológico do indivíduo, necessários para a configuração da pretensão indenizatória.

Conforme artigo 941 do Código Civil brasileiro de 2002

As penas previstas nos artigos 939 e 940 não se aplicarão quando o autor desistir da ação antes de contestada a lide, salvo o réu o direito de haver indenização por algum prejuízo que prove ter sofrido.

Não demostrada qualquer conduta ofensiva, desrespeitosa e vexatória, não há falar em dano moral.

Afastada a decadência, cabe ao réu substituir a colheitadeira arcando com as despesas de frete para sua entrega a propriedade do autor e o pagamento de 2/3 das custas processuais, cabendo o terço restante ao autor.

13

A própria lei outorga a garantia ao consumidor, independente da garantia contratual (CDC, art. 24 C/C o art. 50), determinando produtos ou serviços de boa qualidade, sem vícios ou defeitos ou tornem o uso impróprio ou lhe diminuam o valor.

Como regra, tem-se a responsabilidade solidária de todos os fornecedores, sejam eles, fabricantes, produtor, construtor, importador e incorporador (art. 25, § 2º CDC). Cabe ao consumidor fazer a escolha de quem vai exigir o cumprimento da obrigação e não cabe alegar benefício de ordem.

A responsabilidade será do fornecedor imediato no caso de fornecimento de produtos in natura, sem identificação clara do seu produtor (art. 18, § 5º, CDC), e quando a pesagem ou a medição são feitas pelo vendedor e o instrumento utilizado não estiver aferido segundo os padrões oficiais (art. 19, § 2º, CDC).

Na hipótese de vício de qualidade de produtos tendo o consumidor se valido das alternativas (art. 18, § 1º I a III, CDC) prevista na lei de proteção, vier se deparar com a impossibilidade de substituição do produto, por não existir na loja ou estar indisponível no mercado, poderá exigir a substituição pro outro de mesma espécie, marca ou modelo, bem como a complementação do pagamento ou a restituição da diferença (art. 18, § 4º, CDC).

AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. BLINDAGEM DE VEÍCULO ADULTERADA. PEDIDOS DE ABATIMENTO DO PREÇO E DE INDENIZAÇÃO.1. A blindagem do veículo comprado pelos autores apresentou vícios, de modo que pediram o abatimento do preço pago e indenização equivalente. Vícios redibitórios (art. 18 do CDC).18CDC2. Os vícios foram constatados por ocasião do roubo do qual o autor foi vítima. Ajuizamento do pedido um ano após o conhecimento dos vícios. Decadência (art. 26, inc. II, do CDC).Improcedência dos pedidos.26IICDC 14

(2127705720088260100 SP 0212770-57.2008.8.26.0100, Relator:

Carlos Alberto Garbi, Data de Julgamento: 01/06/2011, 26ª Câmara de Direito Privado, Data de Publicação: 06/06/2011) 15 .

14 O presente julgado trata-se de uma ação de indenização que o comprador de um veículo blindado ajuizou contra uma revendedora de automóveis. Tendo passado quase que um ano da compra, o proprietário foi vítima de roubo com arma de fogo, ocasião em que a blindagem se mostrou ineficiente, revelando assim vício que até então estava oculto. Acontece que a demanda também só foi ajuizada um ano após o fato ocorrido, operando-se assim a decadência, visto que, segundo o art. 26, II e § 3º do CDC, o consumidor tem um prazo de trinta dias, tratando-se de fornecimento de serviço e produto não durável e de noventa dias tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos duráveis para reclamar pelos vícios aparentes ou de fácil constatação. Tratando-se de vício oculto, o prazo decadencial inicia-se no momento em que ficar evidenciado o defeito. A ré recorreu e do recurso foram julgados improcedentes os pedidos dos autores. 15 Inteiro teor Anexo 2

14

Em se tratando de vício de quantidade, o consumidor poderá exigir, alternativamente e a sua escolha, as alternativas previstas no art. 19, I a IV, CDC, encontrando a impossibilidade de substituição do produto, poderá se manifestar da mesma forma que foi adotada para o vício de qualidade.

10.PRAZOS DE RECLAMAÇÃO:

Segundo o art. 26, I e II e §§ 1º e 3º do CDC, os prazos são de trinta a noventa dias, tratando-se de produto ou serviço não durável ou durável, respectivamente. Se o vício for aparente ou de fácil constatação, conta-se a partir da entrega efetiva do produto ou do término da execução do serviço, se for oculto, a partir do momento em que ficar evidenciado o defeito.

BEM MÓVEL VEÍCULO AUTOMOTOR AUTOMÓVEL USADO - VÍCIO REDIBITÓRIO DECADÊNCIA CDC ART. 26, I.CDC26IO direito de reclamar pelos vícios ocultos e/ou aparentes caduca em 90 dias da data da posse e/ou dada à natureza do vício. Recurso não provido.

(25308720078260080 SP 0002530-87.2007.8.26.0080, Relator:

Clóvis Castelo, Data de Julgamento: 03/10/2011, 35ª Câmara de Direito Privado, Data de Publicação: 05/10/2011) 16 .

INDENIZATÓRIA. CONSUMIDOR. AQUISIÇÃO DE PISO ESMALTADO. VÍCIO REDIBITÓRIO. RECLAMAÇÃO À RÉ QUANDO DECORRIDOS NOVE MESES DA COLOCAÇÃO E SUBSEQUENTE CONSTATAÇÃO DOS VÍCIOS (OUTUBRO/2009 - JULHO/2010). LAPSO DECADENCIAL IMPLDO. INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 26, § 3º, DO CDC. EXTINÇÃO DO FEITO, COM RESOLUÇÃO DE MÉRITO. RECURSO PROVIDO.26§ 3ºCDC(Recurso Cível Nº 71003559028, Primeira Turma Recursal Cível, Turmas Recursais, Relator: Fernanda Carravetta Vilande, Julgado em 22/03/2012) 17

16 Inteiro teor Anexo 3.

17 No acórdão a autora pede indenização por vicio redibitório em face da ré por razão de pisos esmaltado que autora comprou e logo em seguida ocorreu que os mesmos começaram a apresentar defeitos que não era visível na hora da aquisição. Em primeira estância o juiz deu causa favorável a autora e condenando a ré a pagar uma quantia como indenização para que com isso diminuísse os transtornos causados a autora. A ré insatisfeita com o resultado pediu a impugnação da sentença alegando decadência em face da autora para mover o processo sobre alegação de vicio oculto; já que autora não respeitou o prazo de 90 dias (artigo 26 paragrafo 3º do código de defesa do consumidor) após a o conhecimento do vicio para a o direito de reclamar em face judicial.

15

(71003559028 RS , Relator: Fernanda Carravetta Vilande, Data de Julgamento: 22/03/2012, Primeira Turma Recursal Cível, Data de Publicação: Diário da Justiça do dia 23/03/2012) 18

11.PRESSUPOSTOS DA RESPONSABILIDADE POR VÍCIOS

São eles:

Aquisição, pelo consumidor, de produto colocado no mercado de consumo, de fabricante ou de vendedor;

A ocorrência de vicio de qualidade ou quantidade que

comprometa o funcionamento do produto ou lhe diminua a valor;

Que a reclamação acerca do vicio ocorra dentro do prazo fixado

por lei.

12.EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE

A responsabilidade do fornecedor se exclui com a prova dos seguintes fatores:

De que não é o fabricante, produtor, construtor, importador,

comerciante ou incorporador do produto, ou seja, não colocou o produto no mercado;

De que o vício seja inexistente, embora reconhecendo a

colocação no mercado;

Que haja decadência, sem que seja tomada tal providência;

Por culpa exclusiva do consumidor ou de terceiros;

Por caso fortuito ou força maior.

Com essa nova alegação da ré o juiz reformulou sua decisão e deu improcedência na ação promovida pela autora.

16

13.DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA.

O Código do consumidor adotou a teoria da desconsideração da

personalidade jurídica (Art. 28, §§ 2º a 5º, CDC). Segundo esta, ocorrendo abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social, em detrimento do consumidor, o juiz pode desconsiderar a pessoa jurídica e responsabilizar civilmente o sócio-gerente, o administrador, o sócio majoritário, etc., alcançando-lhes os respectivos patrimônios, adotando o mesmo procedimento para falência, estado de insolvência, encerramento, etc., e até quando

a personalidade jurídica for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos cansados ao consumidor (Art. 28, caput e § 5º, CDC).

Regras fixadas em razão estrutura empresarial:

da sofisticação e

da complexidade da

São solidariamente responsáveis as empresas consorciadas

(Art. 28, § 3º, CDC);

São subsidiariamente responsáveis as sociedades integrantes

dos grupos societários e as sociedades controladas (Art. 28, § 2º, CDC);

As sociedades coligadas só responderão por culpa (Art. 28 § 4º,

CDC).

14.A INVESÃO DO ÔNUS DA PROVA

Por força de sua situação hipossuficiente, o consumidor encontrava dificuldade para provar as suas alegações contra o fornecedor, visto que este tem a sua disposição os elementos necessários para compor a demanda. Pensando nisso

o legislador alterou, para as relações de consumo, a regra processual do ônus da prova, limitando-a ao processo civil e às seguintes situações:

Quando houver verossimilhança nas alegações;

A critério do juiz;

Segundo as regras ordinárias de experiência;

Quando houver comprovação da condição hipossuficiente do

consumidor.

17

REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS

Venosa, Sílvio de Salvo. Direito civil: teoria geral das obrigações

e teoria geral dos contratos. 11. Ed–São Paulo: Atlas, 2011. - (Coleção direito civil; v.2).

Silva, De Plácido e. Vocabulário Jurídico. Atualizadores: Nagib

Slaibi Filho e Gláucia Carvalho – Rio de Janeiro, 2003.

Glagliano, Pablo Stolze. Novo curso de direito civil, volume III.

Stolze, Pablo. et. al. Responsabilidade civil 9 ed – São Paulo :

Saraiva, 2011.

Monteiro, Washington de Barros. Curso de Direito Civil 5. Direito das Obrigações. 38ª edição. Saraiva, 2011.

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ANEXOS

ANEXO 1:

APELAÇÃO CÍVEL. RESPONSABILIDADE CIVIL. VÍCIO REDIBITÓRIO EM COLHEITADEIRA. AGRICULTOR. DESTINATÁRIO FINAL. APLICABILIDADE DAS DISPOSIÇÕES DO CDC. DECADÊNCIA NÃO OPERADA. PROCESSO EM CONDIÇÕES DE JULGAMENTO. ART. 515, § 3º DO CPC. PRINCÍPIO DA CELERIDADE PROCESSUAL. DIREITO DO AUTOR À SUBSTITUIÇÃO DA MÁQUINA DEFEITUOSA RECONHECIDO. PROVA PERICIAL QUE VEIO AO ENCONTRO DE SUAS ALEGAÇÕES. INTELIGÊNCIA DO ART. 18 DO CDC. LUCROS CESSANTES. APURAÇÃO EM LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA. PERDAS E DANOS NÃO COMPROVADAS. DIREITO À INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS INEXISTENTE. Sendo o autor produtor rural, utilizando a colheitadeira em suas lides profissionais, evidentemente é seu destinatário final. O fato de o equipamento ser utilizado para a colheita de grãos, especificamente o arroz, mesmo que o produto seja depois vendido, daí advindo lucro ao agricultor, não retira deste a qualidade de consumidor. Caso em que não houve o efetivo conserto da colheitadeira, não voltando a correr o intervalo decadencial, cujo curso retornaria se a recorrida tivesse efetivamente negado o pleito do consumidor ou com o término da execução do serviço. Tendo em vista que o processo possui condições de imediato julgamento, possível a análise do pedido em atenção ao princípio da celeridade processual, bem como ao disposto no art. 515, § 3º, do CPC. Defeitos de fabricação da máquina apurados em alentada prova pericial. Acolhimento do pleito do autor para que a colheitadeira defeituosa seja substituída por outra da mesma espécie, em plenas condições de funcionamento, como lhe é facultado pelo inc. I do § 1º do art. 18 do CDC. Despesas de frete carreadas à demandada. Os lucros cessantes foram efetivamente experimentados pelo autor, devendo ser auferidos em liquidação de sentença por arbitramento. Já as perdas e danos não restaram comprovadas, ônus que incumbia ao requerente, a teor do disposto no inc. I do art. 333 do CPC. A situação vivenciada pela parte autora não ultrapassa a esfera dos meros dissabores, não havendo falar em dano moral indenizável. Ação julgada parcialmente procedente. Ônus sucumbenciais redimensionados. APELO PARCIALMENTE PROVIDO.

APELAÇÃO CÍVEL

Nº 70032539041

QUINTA CÂMARA CÍVEL

COMARCA DE SANTA VITÓRIA DO PALMAR

PAULO

ROBERTO

CARDOSO

DE

APELANTE

CARVALHO

 

AGCO DO BRASIL - COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA.

 

APELADA

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos os autos.

Acordam os Desembargadores integrantes da Quinta Câmara Cível do

Tribunal de Justiça do Estado, à unanimidade, em dar parcial provimento ao apelo.

Custas na forma da lei.

Participaram do julgamento, além do signatário, os eminentes

Senhores DES. GELSON ROLIM STOCKER (PRESIDENTE) E DES.ª ISABEL

DIAS ALMEIDA.

Porto Alegre, 21 de setembro de 2011.

DES. ROMEU MARQUES RIBEIRO FILHO, Relator.

RELATÓRIO

DES. ROMEU MARQUES RIBEIRO FILHO (RELATOR)

Transcrevo, inicialmente, o relatório da sentença (fls. 959-963v):

PAULO ROBERTO CARDOSO DE CARVALHO, já qualificado nos autos, ajuizou ação indenizatória em face de AGCO DO BRASIL – COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA., presentada por seus “Gerentes-Delegados” qualificados na procuração da fl. 139, narrando que adquirira uma colheitadeira de fabricação da ré junto ao estabelecimento comercial CIMMA (Comércio de Implementos, Motores e Máquinas Agrícolas Ltda.), na cidade de Pelotas, em 29/01/1999, ao preço total de R$ 82.000,00, sendo R$ 41.000,00 pago à vista, diretamente à

ré, e o restante mediante financiamento junto ao Banco do Brasil. Aduziu que a máquina teria apresentado defeitos de fabricação na colheita do ano de 1999, em virtude do que foi encaminhada à assistência técnica prestada pela CIMMA, tendo, contudo, persistidos os defeitos. Alegou que as tentativas extrajudiciais de tentar a resolução do problema

restaram infrutíferas. Asseverou que notificou a CIMMA acerca dos problemas em 17/08/1999, solicitando a substituição da máquina. Relatou que sofreu prejuízos durante três safras, estimando as perdas da produção, em virtude dos defeitos da máquina, em 4.367 sacas de arroz limpo e seco na colheita de 1999; 1.387,70 na de 2000; e 1.514,20 na de 2001, totalizando 7.028,90 sacas. Estimou, ademais, o preço de cada saca em R$ 15,00, totalizando R$ 105.433,50. Além disso, citou que teria gastado R$ 6.847,50 a título de aluguel de máquinas de terceiros, cujo montante pleiteava o ressarcimento. Referiu que

a máquina foi operada por funcionário com curso administrado

pela própria ré. Embasou a pretensão no Código de Defesa do Consumidor (CDC), requerendo a substituição da colheitadeira por outra nova, com as mesmas características da adquirida, ou a devolução do valor pago, devidamente corrigido. Pleiteou, ainda, condenação em danos morais pelo evento. Juntou documentos (fls. 20/92).

Sobreveio contestação ao pedido, na qual a ré suscitou, de plano, a decadência do direito do autor, fundamentando que o lapso do art. 26, II, do CDC – 90 dias – já havia sido implementado. Citou que os vícios alegados pelo autor seriam de fácil constatação, e não ocultos. Relatou que a máquina não apresentou os defeitos alegados pelo autor. Asseverou que as reclamações do autor seriam excessivas, argumentando,

inclusive, que o próprio teria elogiado, via correspondência, o desempenho da máquina na safra de 1999. Suscitou que o autor utilizou a máquina por mais duas colheitas após ter reclamado dos defeitos. Defendeu a inexistência de nexo causal entre os alegados prejuízos e os defeitos apontados. Lembrou que o autor realizou três colheitas com a máquina, a qual já contaria com mais de 800 horas de uso, evidenciando a normalidade. Impugnou os laudos acostados à inicial, atacando

a parcialidade dos mesmos. Levantou quatro hipóteses para

atacar o pleito da inicial: a lavoura excessivamente alagada, que teria prejudicado o rendimento da colheitadeira; o operador de máquina não seria habilitado; teria havido falta de planejamento da colheita; e adversidades climáticas. Impugnou, também, os recibos de aluguel de máquina juntados com a inicial, ao argumento de que seriam provas unilaterais, sem força de convencimento. Defendeu a inexistência de danos morais na espécie. Requereu a improcedência da demanda (fls. 122/137). Juntou documentos (fls. 148/298).

Houve réplica (fls. 304/313), ocasião em que foram juntados novos documentos (fls. 314/329).

Realizada a audiência prevista no art. 331, do CPC, foi fixado como ponto controvertido a existência de defeito no equipamento, sua extensão e eventos danosos. Como meio de prova, a ré requereu perícia na colheitadeira, a fim de comprovar a ausência de defeito de fabricação, além do depoimento pessoal do autor e oitiva de testemunhas. De outro lado, o autor também requereu a oitiva de testemunhas (fl.

339).

Apresentados os quesitos, bem como um novo documento pelo autor (fls. 341/350). A ré igualmente apresentou quesitos, bem como indicou assistente técnico (fls. 359/362).

Em resposta de ofício anteriormente expedido, a CIMMA Ltda. ofereceu resposta (fl. 406).

Nomeado o perito (fl. 424), este designou data para a inspeção da máquina (fl. 443), tendo posteriormente apresentado o laudo (fls. 452/502).

Dada vista às partes do laudo, manifestaram-se o autor (fls. 504/512) e a ré, requerendo a complementação (fls. 513/514).

de

respectivos assistentes técnicos (fls. 516/531 e 534/552).

As

partes

requereram

a

juntada

de

laudos

seus

O perito juntou novo laudo (fls. 553/588).

Houve manifestações tanto do autor, às fls. 591/597, quanto da ré, às fls. 600/613, esta requerendo nova suplementação do laudo, o que foi atendido às fls. 617/621.

Da complementação, foi dada vista às partes, que se manifestaram (fls. 623/628 e 629/631), ocasião em que a ré pleiteou nova perícia, o que foi indeferido (fl. 632).

Desta decisão a ré interpôs agravo retido (fls. 636/637), que foi recebido (fl. 642), contra-arrazoado (fls. 644/647), sem retratação (fl. 650).

Por ocasião da audiência de instrução foram ouvidos o perito e o autor, em depoimento pessoal, além de as partes terem, ao final, requerido diligências (fls. 659/663).

Determinada a complementação da prova pericial (fls. 665/666), em razão do que a ré apresentou seus quesitos (fls. 668/670), enquanto o autor interpôs agravo retido da decisão (fls. 671/674), acostando documentos (fls. 675/679).

O referido recurso foi recebido (fl. 680) e contra-arrazoado (fls. 683/686), sendo mantida a decisão hostilizada (fl. 689).

Sobreveio

a

complementação

do

laudo

pericial

(fls.

712/725).

 

O

autor

requereu

o

prosseguimento

do

feito

(fl.

727),

enquanto a ré teceu observações às fls. 732/737.

Intimado, o expert rechaçou as impugnações levantadas pela ré (fls. 745/747).

Por ocasião da audiência de instrução, foram colhidos os depoimentos das testemunhas arroladas pelas partes (fls.

784/805).

Retornadas

as

precatórias

inquiritórias

das

demais

testemunhas (fls. 840/842, 846/855 e 881/882).

realização

encerrada a instrução, sendo aberto prazo para memoriais (fl.

893), apresentados somente pela parte ré (fls. 926/956).

Ausente

pedido

de

de

outras

provas,

foi

Vieram os autos conclusos para sentença.

Sobreveio decisão mediante a qual o digno Juízo a quo, afastando a aplicabilidade das disposições do Código de Defesa do consumidor à espécie, deu

por implementada a decadência do direito do autor quanto a redibir ou rescindir o contrato

reavendo o que pagou pelo produto, já que ultrapassados mais de 15 dias (art. 178, § 2°, do

CC/16) desde a última visita técnica (entendendo-se tal data como o final da garantia) até o

ajuizamento da ação (em 11/06/2001)”.

E o dispositivo restou vazado nos seguintes termos:

Diante do exposto, JULGO IMPROCEDENTE o pedido aviado por Paulo Roberto Cardoso de Carvalho em face de AGCO do Brasil – Comércio e Indústria Ltda., fulcro no art. 269, inciso I, do Código de Processo Civil.

Sucumbente o autor, condeno-o ao pagamento da totalidade das custas processuais.

Arcará o autor, ainda, com os honorários advocatícios em favor dos procuradores da ré que atuaram no feito, que ora vão fixados em R$ 1.000,00 (mil reais), considerando a complexidade da causa, o zelo na condução do processo, a realidade econômica e por reputar coerente ao trabalho

desenvolvido pelos advogados, nos termos das diretrizes dispostas no art. 20, § 4°, do CPC, ficando tal quantia atrelada à correção monetária pelo índice IGP-M, a partir da publicação da sentença, e acrescida de juros de mora de 1% ao mês, a contar do trânsito em julgado da presente decisão.

Inconformado, apela o autor.

Em suas razões (fls. 971-987), defende a incidência do CDC à relação havida entre as partes, alegando que o produto adquirido pelo apelante – uma colheitadeira – foi utilizado para a produção da colheita de arroz, o que não pode suprimir sua condição de destinatário final, uma vez que não se trata de um mero equipamento para a redução de perdas, ou simplesmente um veículo apto a dar continuidade a uma cadeira produtiva, mas, isto, sim, encerra tal cadeia, mediante a colheita dos grãos. Pondera que o recorrente é produtor rural e não comerciante, sendo a aquisição destinada para a prática da agricultura, e o agricultor, pois, seu destinatário final. Por outro lado, mesmo que mantido o entendimento do Magistrado sentenciante, qual seja, pela aplicação do Código Civil/1916, argumenta que nunca pode exercer a plenitude funcional de sua máquina, pois, embora o defeito tenha se manifestado após cinco dias de sua utilização, passou dois anos sendo objeto de consertos pelo fabricante, sem jamais se apresentar apta para o fim a que se dispunha. Assim, defende que o termo inicial da garantia oferecida pela fábrica seja computado a partir do momento em que a máquina foi entregue em condições de utilização, como preceituado nos manuais técnicos, sob pena de outorgar à apelada a possibilidade de produzir sucessivos remendos no equipamento até que venha a terminar o prazo de garantia. Nesse passo, sustenta que o prazo de 15 dias, assinado pelo § 2º do art. 178 do CC/1916 é exíguo, pois a revelação do defeito somente foi possível após a experimentação do equipamento.

Entendendo, pois, necessariamente aplicável o CDC à relação contratual havida, defende a inversão do ônus da prova, cabendo à demandada demonstrar que o equipamento não apresentava defeito ou vício oculto, do que não se desempenhou. Além disso, a perícia realizada apontou um erro de projeto ou no gabarito da plataforma, não permitindo a regulagem adequada, restando manifesto o defeito da máquina vinculando-se às precárias e incorretas condições de funcionamento com os conseqüentes prejuízos que devem ser objeto de reparação.

Pugna, ainda, pelo reconhecimento do dano moral infligido ao recorrente, salientando que os pedidos elencados na inicial são autônomos, com fatos geradores diversos.

Requer, por fim, o provimento do apelo para que seja reconhecida a aplicação do CDC à espécie, com a condenação da recorrida nos termos expendidos na inicial.

Efetuado o preparo (fl. 981) e oferecidas contrarrazões (fac simile às fls. 991-1016 e originais às fls. 1018-1043), subiram os autos, vindo distribuídos ao signatário.

Na sessão realizada no dia 28-05-2010, decidiu esta 5ª Câmara Cível, à unanimidade de seus integrantes, declinar da competência (fls. 1048-1050v), sendo o recurso redistribuído à eminente Desembargadora Judith dos Santos Mottecy, integrante da Colenda 12ª Câmara Cível, a qual, na sessão do dia 19-08- 2010, suscitou conflito negativo de competência (fls. 1056-1058v), julgado procedente (fls. 1066-1068), retornando os autos conclusos ao signatário, sendo o recurso ora incluído em pauta.

Registro que foi observado o disposto nos artigos 549, 551 e 552 do CPC, tendo em vista a adoção do sistema informatizado.

É o relatório.

VOTOS

DES. ROMEU MARQUES RIBEIRO FILHO (RELATOR)

Presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, conheço do apelo interposto.

Imperativa a análise da aplicabilidade ou não das disposições do Código de Defesa do Consumidor à espécie, haja vista que o digno Juízo a quo afastou a incidência do mencionado diploma legal, por entender que o autor, ora apelante, na qualidade de produtor rural, não se apresentava como destinatário final do produto, deixando de enquadrar-se, assim, no conceito de consumidor.

Com a devida vênia, entendo que tal entendimento é equivocado. Ora, sendo o autor produtor rural, utilizando a colheitadeira em suas lides profissionais, evidentemente é seu destinatário final. O fato de o equipamento ser utilizado para a

colheita de grãos, especificamente o arroz, mesmo que o produto seja depois vendido, daí advindo lucro ao agricultor, não retira deste a qualidade de consumidor.

Nesse sentido calha o seguinte precedente desta Câmara:

APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO PRIVADO NÃO ESPECIFICADO. AGRAVO RETIDO. AÇÃO DE ANULAÇÃO DE DUPLICATA. ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA. RENDIMENTOS INFERIORES A SEIS SALÁRIOS MÍNIMOS. DECLARAÇÃO DE ISENTO. TROCA DE PEÇAS DO TRATOR EM PERÍODO POSTERIOR À GARANTIA. DEFEITO NÃO SOLUCIONADO

NO PERÍODO DA GARANTIA. Do Agravo Retido (

perfeita incidência normativa do Código de Defesa do Consumidor na relação havida entre as partes, aplicando- se ao caso em análise o disposto no art. 6º, VIII, do referido diploma legal. Norma esta que estabelece a inversão do ônus da prova neste tipo de negócio jurídico diante da hipossuficiência do consumidor. 4.A parte demandada não logrou êxito em comprovar que a troca de peças se realizou em função do desgaste natural destas ou pelo uso incorreto da máquina. ( )

3.

)

Negado provimento ao apelo. (Apelação Cível Nº 70021392535, Décima Segunda Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Jorge Luiz Lopes do Canto, Julgado em

13/12/2007).

Na mesma vereda também já decidiu o Egrégio Superior Tribunal de Justiça, em decisão colacionada pelo apelante:

CONTRATOS BANCÁRIOS – CONTRATO DE REPASSE DE EMPRÉSTIMO EXTERNO PARA COMPRA DE COLHEITADEIRA – AGRICULTOR – DESTINATÁRIO FINAL – INCIDÊNCIA – CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR – COMPROVAÇÃO – CAPTAÇÃO DE RECURSOS – MATÉRIA DE PROVA – PREQUESTIONAMENTO – AUSÊNCIA. I – O agricultor que adquire bem móvel com a finalidade de utilizá-lo em sua atividade produtiva, deve ser considerado destinatário final, para os fins do artigo 2º do Código de Defesa do Consumidor. II – Aplica-se o Código de Defesa do Consumidor às relações jurídicas originadas dos pactos firmados entre os agentes econômicos, as instituições financeiras e os usuários de seus produtos e serviços. Recurso especial não conhecido, com ressalvas quanto à terminologia. (REsp 445854 (2002/0079754-9 - Rel. Ministro. TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02.12.2003, DJe 19/12/2003)

Portanto, razão assiste ao apelante ao invocar a aplicabilidade das normas consumeristas à negociação travada entre as partes.

Cumpre, então, verificar se o consumidor decaiu de seu direito.

A colheitadeira foi adquirida junto à recorrida em 29-01-1999, restando incontroverso entre as partes que desde a colheita daquele ano – poucos dias após a entrega da empilhadeira - o apelante alegou problemas em seu funcionamento, tendo acionado a assistência técnica da vendedora. Entretanto, a despeito de reparos efetuados pelos técnicos da empresa, inclusive com o recolhimento da máquina, os problemas perduraram, sendo a recorrida extrajudicialmente notificada pelo autor em 17-08-1999, pleiteando sua substituição por outra máquina, o que não foi atendido.

Como apanhado pelo Magistrado sentenciante, a última manutenção na colheitadeira ocorreu em 14-03-2001 (nota fiscal à fl. 82), acolhendo a alegação do autor, em seu depoimento pessoal, acerca da extensão do prazo de garantia por igual período ao originalmente assinado (doze meses, a teor do documento da fl. 297). Assim, mesmo que tenha sido verbalmente estendida até 18-02-2001, haja vista que a máquina foi entregue ao autor em 18-02-1999 (fl. 23), constata-se que o último atendimento pela assistência técnica foi, como já mencionado, em 14-03- 2001, embora conste do comprovante da fl. 297 que era necessário aguardar “eixo

descarga grãos e solda na plataforma para terminar a montagem”.

Tem-se que O prazo decadencial para exercer o direito de reclamar fica obstado desde o próprio dia da reclamação, formulada pelo consumidor perante o fornecedor (devidamente comprovada), e só recomeça a correr, se e quando, este responder negativamente. Nessas condições, se o fornecedor responder reconhecendo o vício do produto (ou do serviço) mas não satisfizer o consumidor, continuará obstada a

decadência.(ARRUDA ALVIM e Outros. Código do Consumidor Comentado. Ed. Revista dos Tribunais, 1995. p. 148)

No caso dos autos, considerando-se que na última visita técnica, em 14-03-2001, persistiam os problemas apresentados na colheitadeira, como reconhecido pelo técnico que esteve realizando reparos na máquina, inclusive mencionando a necessidade de novo atendimento, o prazo decadencial, por conseguinte, ficou obstado, nada impedindo que o consumidor pedisse à fornecedora a satisfação da obrigação ou que demandasse em Juízo para deduzir seu cumprimento. Em outras palavras, não houve o efetivo conserto da colheitadeira, não voltando a correr o intervalo decadencial, cujo curso retornaria se

a recorrida tivesse efetivamente negado o pleito do consumidor ou com o término da execução do serviço.

Nesse sentido:

RELAÇÃO DE CONSUMO. RESPONSABILIDADE CIVIL. VÍCIO DO PRODUTO. AUTOMÓVEL. DECADÊNCIA. ARTS. 26 E 18 DO CDC. DESPESAS. DANO MORAL. Obstado o prazo decadencial pela reclamação do consumidor, somente voltará a correr se houver resposta negativa por parte do vendedor. Mantida a interrupção do prazo de decadência com resposta que confirmou a existência do vício. Não ocorrendo sanação do defeito com a troca de peça viciada, lícita a opção do consumidor em postular a devolução do valor pago, mediante restituição do produto. ( ) Apelo da ré provido em parte e negado provimento ao recurso do autor. (Apelação Cível Nº 70001848035, Décima Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Jorge Alberto Schreiner Pestana, Julgado em 22/11/2001).

Enfim, o consumidor não se quedou inerte ao constatar o defeito na máquina, envidando todos os esforços na busca da solução junto à fornecedora.

Evidentemente que isso não implica reconhecer que a garantia deva se eternizar, mas, diante do problema reiteradamente apontado, a despeito das tentativas de reparo, a colheitadeira continuou apresentando o mesmo defeito, impondo-se a apreciação da pretensão deduzida em Juízo.

Diante disso, não há falar em decadência do direito do autor.

Do mérito

Tendo em vista que o processo possui condições de imediato julgamento, passo a analisar o pedido postulado pelo autor, em atenção ao princípio da celeridade processual. Veja-se o disposto no § 3º do art. 515 do CPC:

Art. 515. A apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada. § 3 o Nos casos de extinção do processo sem julgamento do mérito (art. 267), o tribunal pode julgar desde logo a lide, se a causa versar questão exclusivamente de direito e estiver em condições de imediato julgamento.

demandada

Como se constata da inicial, o autor argumentou que, embora a

mencionados

tenha

prestado

assistência

técnica

na

máquina,

os

defeitos de fabricação teriam persistido. Apesar disso, a ré se negou a substituir a colheitadeira defeituosa por uma nova, causando prejuízos de ordem moral e material ao autor, uma vez que os problemas apresentados pela colheitadeira teriam ocasionado considerável perda da colheita de sacas de arroz.

Pugnou o autor, mediante o ajuizamento desta demanda, pela condenação da ré: I) à entrega de uma máquina nova ou a restituição do valor pago por ela, devidamente corrigido; II) ao pagamento de indenização por lucros cessantes, referentes à alegada perda da colheita, implicando no equivalente a 7.028,90 sacas de arroz seco e limpo, de 50 kg cada uma, ou no valor equivalente em dinheiro, arbitrado à oportunidade em R$ 105.433,50; III) ao pagamento de indenização por perdas e danos, relativa aos prejuízos tidos pelo autor na contratação de máquinas de terceiros, no total correspondente a 240 sacas de arroz seco e limpo, de 50 kg cada uma, ou no valor equivalente em dinheiro, estimado pelo autor em R$ 3.600,00, mais R$ 3.247,50 (documentos nºs 39 e 78, fls. 58 e 87, respectivamente); e IV) ao pagamento de indenização por danos morais, em valor a ser arbitrado pelo Juízo.

A alegação de decadência levantada pela ré já foi afastada.

Quanto à responsabilização do autor pelos defeitos apresentados pela colheitadeira, não lhe assiste razão.

De acordo com a conclusão do expert nomeado pelo Juízo (fls. 556- 586), relatando a perícia realizada na colheitadeira no dia 05-04-2004:

a máquina possui defeitos de fabricação, apresentando

problemas na unidade de trilha e de limpeza, pois coloca uma quantidade excessiva e grãos e panículas não trilhadas (com grãos) fora da máquina (no solo) após a passagem pela unidade de trilha e o sistema de limpeza. Também ficou constatado que após ter feito todas as regulagens possíveis “relato do profissional da CIMMA” que realizou as regulagens na máquina no dia da perícia, a colheitadeira andava muito devagar, colocando um pouco menos de impureza na caixa de grãos, mas perdendo muitos grãos no saca-palhas (trilhados e também não trilhados) que caiam no solo, não atendendo o manual de rendimento e produtividade do fabricante ou a máquina andava numa velocidade maior, tinha perda um pouco menor de grãos no saca-palhas (trilhados e não trilhados), mas colocava mais impurezas na caixa de grãos, não existindo uma regulagem adequada que melhorasse seu desempenho ao mesmo tempo ou seja menos impurezas na caixa de grão, melhor trilha e menos perda de grãos jogados fora pelo saca- palhas (no solo). Foi verificado ainda, que a máquina apresenta

) (

uma batida na frente constatando-se que é no caracol da plataforma de corte”.

Em resposta aos quesitos suplementares formulados pela ré (fls. 619- 621), o perito reiterou os termos da conclusão da perícia, rechaçando a alegação da demandada que teria omitido dados ou favorecido alguma das partes. Isso porque a ré sustentou que os procuradores das partes não deveriam ter acompanhado a perícia, mas apenas seus assistentes técnicos. Alegou que, estando presente o patrono do autor, o expert deveria, por dever de lealdade, ter comunicado ao Juízo tal situação, o que oportunizaria, ademais, a presença dos procuradores da demandada ao ato. Além disso, argumentou que o próprio autor operou a máquina à ocasião.

Nesse ponto, cumpre repelir tais alegações da ré. As partes, por intermédio de seus procuradores, foram devidamente intimadas da data e do horário da realização da perícia (fl. 445), ato ao qual se fizeram presentes seus assistentes técnicos, como mencionado pelo expert. E o fato de não constar referida a presença do patrono do autor não implica deslealdade do expert, que não fez menção a algum incidente ou irregularidade havido em face disso. Por outro lado, se os procuradores da requerida preferiram não se fazer presentes ao ato – o que não é legalmente vedado -, entendendo bastar a presença de seu assistente técnico, no qual, afinal, depositaram plena confiança, é opção que lhes cabia, cumprindo a tal profissional noticiar a ocorrência de qualquer irregularidade. Entretanto, não constou qualquer menção em seu laudo (fls. 534-552) quanto a tal alegação. Assim, verifica-se que a ré não se desincumbiu de comprovar a pretensa deslealdade do expert, não ultrapassando sua inconformidade o mero campo das alegações.

Ao ser ouvido em Juízo (fl. 661), o perito reafirmou suas conclusões, asseverando, inclusive, que o técnico da empresa CIMMA, que presta assistência mecânica à demandada, efetuou regulagem da máquina quando da diligência, sendo que todos os ajustes possíveis, de acordo com os procedimentos da empresa, foram realizados, e, mediante seu acompanhamento e verificação a cada ajuste, os problemas apresentados persistiram.

Na audiência (fls. 659/660) em que ouvido o perito, restou determinada a realização de perícia complementar, para que fosse examinada a alteração havida

entre o côncavo e o cilindro de trilha, haja vista que não examinada quando da realização da diligência.

Procedida nova perícia, veio o laudo complementar das fls. 713-725, concluindo o expert que a alteração feita pelo proprietário nas chapas laterais da máquina propiciaram que fosse atingido “o espaço ideal entre os dentes do côncavo,

recomendado pela fabrica que é de 3 milímetros “, reafirmando que “a máquina colhedora

tem problema de fabrica, pois se não houvesse problema a mesma não precisaria ser

alterada em 38 milímetros para alcançar a sua eficiência ‘prometida’ ao proprietário no

momento de sua compra”. E disse mais:

“Por todos os dados colhidos no dia da perícia, comparações feitas com dentes novos e outras averiguações o Perito concluiu na sua vistoria que a máquina como veio de fábrica e foi entregue não atenderia os padrões de fábrica estabelecidos e com os desejos do proprietário, já que se não tivesse ocorrido a alteração a colhedora não alcançaria o seu desempenho e o padrão da fábrica, haja visto que ao colocar a peça que foi cortada (38mm) em seu lugar a distância entre os dentes do pente ficou em 18 milímetros e mesmo com os desgastes dos dentes verificados não conseguiria atingir o que a empresa relata em seu catalogo. Por isso como relatado pelo Perito no teste feito a campo as causas da máquina apresentar problemas na unidade de trilha e de limpeza, colocar uma quantidade excessiva de grãos e panículas não trilhadas (com grãos) fora da máquina (no solo), após a passagem pela unidade de trilha e o sistema de limpeza, estão mais claras agora e também com relato do profissional da empresa CIMMA que realizou as regulagens na máquina na oportunidade e que disse ‘ter feito todas as regulagens possíveis’ e não haver mais nenhuma a fazer”.

Assim, tenho que a perícia técnica demonstrou, à saciedade, os defeitos de fabricação da colheitadeira.

A prova testemunhal produzida (fls. 791-803) igualmente corroborou as alegações do autor.

Merece destaque a seguinte passagem da oitiva do coordenador técnico indicado pela requerida para acompanhar a perícia, após ter afirmado que os problemas de regulagem da máquina e as condições da lavoura do autor não se adequavam a maneira da colheita, em razão da umidade (fls. 804/805):

Autor: A testemunha faz referência de que acompanhou os problemas a partir da perícia, acompanhou a prova pericial, como é que ele então se julga na condição de averiguar a

condição da lavoura se ele nunca participou, nunca freqüentou, nunca foi nessa lavoura? Testemunha: Porque o representante, o meu gerente lá, ele vinha constantemente a Santa Vitória e os próprios meus colegas afirmavam isto. Autor: O senhor confirma então que nunca participou, nunca foi no local, na lavoura? Testemunha: Não, conforme eu disse no início não. Autor: Como é que o senhor explica de que partindo nas mesmas condições de lavoura, as outras máquinas conseguiram efetivar o corte em proporções razoáveis, coisa que a máquina que a sua empresa prestava assistência técnica não conseguia? Testemunha: Geralmente nas mesmas condições eu não sei, mas eu não tenho conhecimento de máquinas que joguem o produto fora ou bote fora acima do normal, que na lavoura em questão eu não acompanhei diretamente.

Ouvido por precatória ex-funcionário da revendedora CIMMA, indicado pela recorrida (fls. 841/842), este, além de noticiar haver sido expulso da propriedade do autor, após realizadas em torno de 20 ou 30 visitas de assistência técnica, aproximadamente, disse que tal atrito em nada influenciava seu depoimento. Assim, apenas acrescentou aos autos a reiteração das visitas sem que uma solução fosse dada, o que, muito provavelmente, provocou a reação do autor, ante a continuidade dos problemas apresentados pela máquina.

Já o engenheiro agrícola da requerida, igualmente ouvido por precatória (fls. 881/882), mencionou que fatores como clima, tipo de lavoura e qualificação do operador influenciam de maneira importante para o rendimento da máquina, e que a alteração promovida pelo autor teria gerado o prejuízo na atuação da máquina.

Ocorre que tal alteração foi procedida na colheita do ano de 2004, quando já expirada a garantia do fabricante, como noticiado pelo autor (fls. 671-674), cinco anos após a compra, e, de acordo com o perito, teria melhorado o desempenho da colheitadeira. Além disso, tal alteração, por óbvio, não justificaria todos os problemas ocorridos desde a compra, pois procedida muitos anos depois!

Aqui necessário destacar que, exatamente por se tratar o autor de parte hipossuficiente, é de ser acolhido o pleito de inversão do ônus da prova.

No caso dos autos, entretanto, verifico que sequer haveria necessidade de tal inversão, porquanto a prova pericial produzida foi cabal, demonstrando que a máquina adquirida jamais funcionou a contento, apresentando defeitos que impediram o seu uso para os fins pretendidos.

E a demandada não logrou êxito em comprovar o uso incorreto da máquina e que os defeitos alegados pelo autor não existiam, o que se constata no expressivo número de vezes em que foi acionada a assistência técnica. No mínimo, deveria ter exigido que seus técnicos verificassem as condições em que a máquina era operada, bem como as características da lavoura, e, quiçá, exigido que seus operadores se submetessem a treinamento, não sendo crível que continuasse prestando assistência técnica se a colheitadeira estivesse sendo mal utilizada!

Diante disso, tenho que é de ser acolhido o pleito do autor para que a colheitadeira defeituosa seja substituída por outra da mesma espécie, em plenas condições de funcionamento, como lhe é facultado pelo inc. I do § 1º do art. 18 do CDC.

Nesse sentido, mutatis mutandis:

“RESPONSABILIDADE CIVIL POR VÍCIO DO PRODUTO. DIREITO DO CONSUMIDOR. É cabível a substituição por outro veículo de mesma espécie e condições, quando aquele adquirido pela autora, zero quilômetro, ao longo de quinze meses vem apresentando defeitos não integralmente sanados pela revendedora. Inteligência do art. 18 do CDC. Apelação provida.” (Apelação Cível n º 70000313767. Nona Câmara Cível, rel. Des. Rejane Maria Dias de Castro Bins, julgada em

01/12/1999).

De igual forma tem entendido o egrégio Superior Tribunal de Justiça:

“CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. Vício de qualidade. Automóvel. Não sanado o vício de qualidade, cabe ao consumidor a escolha de uma das alternativas previstas no art. 18, § 1 º , do CDC. Recurso conhecido e provido para restabelecer a sentença que dera pela procedência da ação, condenada a fabricante a substituir o automóvel.” (STJ, RESP n º 185836/SP. Quarta Turma, rel. Min. Ruy Rosado de Aguiar, julgado em

23/11/1998).

Tal solução se apresenta mais exequível do que aquela requerida em seu pleito subsidiário, ou seja, de restituição do valor pago pela colheitadeira, haja

vista que condicionado, pelo próprio requerente, à opção da demandada em receber o bem defeituoso, a qual não foi exercida.

O valor do frete deverá ser suportado pela ré, diante de sua culpa pelo defeito na colheitadeira.

Quanto ao pedido de condenação da ré pelos lucros cessantes tenho que esses restaram demonstrados, porquanto reconhecidos os defeitos da colheitadeira a impedir sua utilização plena pelo autor. Entretanto, a verificação desses prejuízos deverá ocorrer em liquidação de sentença, por arbitramento, diante da necessidade de aferição por profissional afeito à área, haja vista que a perícia realizada nos autos se ateve à verificação dos defeitos da máquina.

Para tanto, deverá ser observado o período entre o recebimento da colheitadeira pelo autor, 18-02-1999, até a data do término da colheita de arroz no ano de 2001, 28-04-2001, nos limites do pedido. Deverá ser observado, ainda, que a requerida emprestou outra máquina ao autor, em 13-04-2000, devendo ser esclarecido pelas partes até quando durou o empréstimo, porquanto esse dado não veio aos autos. Finalmente, os documentos acostados aos autos servirão de subsídio ao expert, que, obviamente, poderá se valer de outros para estabelecer de forma razoável os prejuízos experimentados pelo autor durante os períodos em que não pode se valer da máquina para a realização da colheita das safras referidas.

Nesse trilho:

APELAÇÃO CÍVEL. RESPONSABILIDADE CIVIL EM ACIDENTE DE TRÂNSITO. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS (LUCROS CESSANTES). ILEGITIMIDADE ATIVA. AGRAVO RETIDO. AGRAVO RETIDO. ILEGITIMIDADE ATIVA. LUCROS CESSANTES. AN DEBEATUR E QUANTUM DEBEATUR. LIQUIDAÇÃO POR ARBITRAMENTO. Sendo inquestionável a existência de lucros cessantes (an debeatur), não se mostra justo, em virtude da ausência de provas seguras do quantum auferia o autor, denegar-se de pronto o pedido de lucros cessantes. Havendo provas bastantes, documentais, da atividade de fretista, inclusive com viagens ao exterior, razoável que se apure o montante que o apelante deixou de auferir (quantum debeatur) no período de paralisação do caminhão, 34 (trinta e quatro) dias, questão essa não controvertida pela ré, em oportuna liquidação por arbitramento. AGRAVO RETIDO DESPROVIDO E APELAÇÃO PROVIDA. (Apelação Cível Nº 70036579415, Décima Segunda Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS,

Relator: Ana Lúcia Carvalho Pinto Vieira Rebout, Julgado em

09/06/2011).

APELAÇÕES CÍVEIS. RESPONSABILIDADE CIVIL EM

ACIDENTE DE TRÂNSITO. AÇÃO DE RESSARCIMENTO DE DANOS. LUCROS CESSANTES. AGRAVO RETIDO. PROVA TESTEMUNHAL. DENUNCIAÇÃO À LIDE. ENCARGOS

LUCROS

CESSANTES. Sendo inconteste o an debeatur e persistindo

dúvida acerca do quantum debeatur, o impasse deverá ser resolvido por meio de cálculo seguro, elaborado por perito contábil. Impossibilidade de se apurar, si et quantum, o lucro líquido auferido pela autora, porquanto necessária a realização de cálculo apurado a partir do cotejo do faturamento bruto da empresa (todo o valor auferido) e do lucro líquido, computando-se todas as despesas a serem incluídas. Necessidade de apuração do quantum debeatur

em liquidação por arbitramento. (

SUCUMBENCIAIS.

AGRAVO

RETIDO.(

).

)

DESPROVIMENTO DO

AGRAVO RETIDO E PARCIAL PROVIMENTO DOS APELOS. (Apelação Cível Nº 70037685468, Décima Segunda Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Ana Lúcia Carvalho Pinto Vieira Rebout, Julgado em 09/06/2011).

Quanto às perdas e danos, em face da alegada necessidade de contratação de máquinas de terceiros, os recibos acostados às fls. 58 e 87 não se prestam para comprová-los, haja vista que deles não consta com clareza a que correspondem, sendo nitidamente preenchidos pela mesma pessoa, e, ainda, por tratar-se o da fl. 87 de mera cópia. Assim, por não comprovada a alegação neste particular, não se desempenhando o autor do ônus que lhe incumbia, a teor do disposto no art. 333, I, do CPC, julgo improcedente o pedido de condenação da ré ao pagamento das alegadas perdas e danos sofridos.

Por derradeiro, resta apreciar o pedido de indenização por danos extrapatrimoniais, que tenho por inocorrentes, tanto por laconicamente deduzido o pleito e destituído de qualquer fundamentação, quanto por não restar comprovada a ocorrência de fatos e acontecimentos capazes de romper com o equilíbrio psicológico do indivíduo, necessários para a configuração da pretensão indenizatória.

Para que seja viável a indenização por tais danos, deve o lesado comprovar a ocorrência de um dano a sua personalidade, bem como o nexo de causalidade entre este e a conduta, tanto comissiva como omissiva, do causador.

Sérgio Cavalieri Filho 19 conceitua o dano moral como “lesão de bem

integrante da personalidade, tal como a honra, a liberdade, a saúde, a integridade

psicológica, causando dor, sofrimento, tristeza, vexame e humilhação à vítima.

Nessa categoria incluem-se também os chamados novos direitos de personalidade:

intimidade, imagem, bom nome, privacidade, a integridade da esfera íntima. Tutela-

se, aí, o interesse da pessoa humana de guardar só para si, ou para estrito círculo

de pessoas, os variadíssimos aspectos de sua vida privada (

E arremata o doutrinador:

Mero dissabor, aborrecimento, mágoa, irritação ou sensibilidade exacerbada estão fora da órbita do dano moral, porquanto, além de fazerem parte da normalidade do nosso dia-a-dia, no trabalho, no trânsito, entre os amigos e até no ambiente familiar, tais situações não são intensas e duradouras, a ponto de romper o equilíbrio psicológico do indivíduo.”

Assim, não demonstrada qualquer conduta ofensiva, desrespeitosa e

vexatória, não há falar em dano moral, uma vez que o alegado dano extrapatrimonial

não pode ser presumido, no caso em apreço, competindo a quem o alega a

demonstração dos fatos constitutivos de seu direito, nos termos do artigo 333, inc. I,

do CPC.

Ante o exposto, dou parcial provimento ao apelo e julgo parcialmente

procedente a demanda para, afastada a decadência pronunciada na sentença,

condenar a recorrida a substituir a colheitadeira defeituosa por outra da mesma

espécie, em plenas condições de funcionamento, arcando com as despesas de frete

para sua entrega na propriedade do autor. Condeno a ré, ainda, ao pagamento dos

lucros cessantes sofridos pelo autor, mediante apuração em liquidação de sentença,

por arbitramento, nos termos da fundamentação, diante da necessidade de aferição

por profissional afeito à área.

Em face do resultado do julgamento, redimensiono a sucumbência,

condenando a requerida ao pagamento de 2/3 das custas processuais, cabendo o

terço restante ao autor. Os honorários dos procuradores do autor vão fixados em

15% sobre o valor da condenação, de acordo com as moduladoras do § 3º do art. 20

19 Programa de Responsabilidade Civil, 2ª edição, p.74/75 e 78.

do CPC, já devidamente observada a iliquidez quanto aos lucros cessantes. Já os honorários dos patronos da ré são mantidos em R$ 1.000,00, como fixados na sentença, devidamente atendidos os parâmetros do § 4º do mencionado art. 20 do CPC, notadamente a longa tramitação do feito. Fica admitida a compensação dos honorários advocatícios, a teor da súmula 306 do E. STJ.

DES.ª ISABEL DIAS ALMEIDA (REVISORA) - De acordo com o(a) Relator(a).

DES. GELSON ROLIM STOCKER (PRESIDENTE) - De acordo com o(a) Relator(a).

DES. GELSON ROLIM STOCKER - Presidente - Apelação Cível nº 70032539041, Comarca de Santa Vitória do Palmar: "DERAM PARCIAL PROVIMENTO AO APELO. UNÂNIME."

Julgador(a) de 1º Grau: JULIANO PEREIRA BREDA

ANEXO 2

ANEXO 2

ANEXO 3

ANEXO 3

ANEXO 4:

INDENIZATÓRIA. CONSUMIDOR. AQUISIÇÃO DE PISO ESMALTADO. VÍCIO REDIBITÓRIO. RECLAMAÇÃO À RÉ QUANDO DECORRIDOS NOVE MESES DA COLOCAÇÃO E SUBSEQUENTE CONSTATAÇÃO DOS VÍCIOS (OUTUBRO/2009 – JULHO/2010). LAPSO DECADENCIAL IMPLEMENTADO. INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 26, §3º, DO CDC. EXTINÇÃO DO FEITO, COM RESOLUÇÃO DE MÉRITO. RECURSO PROVIDO.

RECURSO INOMINADO

PRIMEIRA TURMA RECURSAL CÍVEL

Nº 71003559028

COMARCA DE GETÚLIO VARGAS

BIGOLIN MATERIAIS DE CONSTRUCAO LTDA

RECORRENTE

LEONIR TIEPO

RECORRIDO

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos os autos.

Acordam os Juízes de Direito integrantes da Primeira Turma Recursal

Cível dos Juizados Especiais Cíveis do Estado do Rio Grande do Sul, à unanimidade,

em dar provimento ao recurso.

Participaram do julgamento, além da signatária, os eminentes Senhores

DR. RICARDO TORRES HERMANN (PRESIDENTE) E DR.ª MARTA BORGES

ORTIZ.

Porto Alegre, 22 de março de 2012.

DRA. FERNANDA CARRAVETTA VILANDE, Relatora.

RELATÓRIO

Cuida-se de ação indenizatória, em que a parte autora afirmou ter adquirido 100m² de piso esmaltado da ré, o qual apresentou inúmeros defeitos, situação causadora de severos transtornos.

Contestado

o

feito,

sobreveio

sentença

de

procedência,

com

a

condenação da ré ao pagamento de R$ 3.745,60, em favor do autor.

Inconformada, recorreu a ré, pugnando pela reforma da decisão.

Sem contrarrazões, vieram os autos conclusos.

VOTOS

DRA. FERNANDA CARRAVETTA VILANDE (RELATORA)

Merece provimento o recurso.

Narra o autor, no pedido inicial, que os defeitos no piso apareceram logo após a colocação, em outubro de 2009, sendo que buscou solução administrativa somente no mês de julho de 2010, consoante termo de audiência da fl. 26.

Nesse passo, é certo que o direito do autor, no sentido de pleitear a substituição do piso, ou a devolução do valor adimplido, nasceu a partir do conhecimento do defeito, nos termos do artigo 26, §3º, do Código de Defesa do Consumidor.

Nesse sentido, precedentes:

“CONSUMIDOR. PISO DE PORCELANATO. DANOS MATERIAIS. VÍCIO OCULTO. DECADÊNCIA VERIFICADA. SENTENÇA REFORMADA. Tratando-se de vício do produto, o direito de reclamá-lo decai em 90 dias a contar do momento em que restou evidenciado o defeito, a teor do art. 26, II, e § 3º, do CDC. Caso em que a autora relatou o problema junto à revenda, tendo a loja remetido resposta - via AR - recebida em 03.02.2009. Somente em 20.7.2009 - mais de cinco meses após a resposta da reclamação - a autora ingressou com a ação. Evidenciada a decadência (art. 26, II, do CDC), merecendo ser reformada a sentença e julgada extinta a ação. PRELIMINAR ACOLHIDA. RECURSO PROVIDO. UNÂNIME”. 20

“CONSUMIDOR. SUPOSTO DEFEITO NO PRODUTO CONSTATADO MAIS DE TRÊS ANOS APÓS A AQUISIÇÃO. DECADENCIA DO DIREITO FRENTE AO DISPOSTO NO ART. 26, II, DO CDC. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA, OUTROSSIM, QUE NÃO DISPENSA O AUTOR DE DEMONSTRAR A VEROSSIMILHANÇA DO ALEGADO. RECURSO IMPROVIDO. Decadência

20 Recurso Cível Nº 71002452811, Terceira Turma Recursal Cível, Turmas Recursais, Relator: Jerson Moacir Gubert, Julgado em 27/05/2010.

do direito. É de 90 dias o direito de reclamar por vício aparente ou de fácil constatação. Compete ao consumidor, no momento em que recebe o produto, verificar se está de acordo com o adquirido, uma vez que esta espécie de venda piso cerâmico é feita por amostragem. A constatação feita mais de três anos depois, e posterior a instalação, retira toda e qualquer verossimilhança da versão apresentada”. 21

Portanto, é possível afirmar que quando o autor resolveu procurar a ré,

buscando solucionar os problemas constatados em 2009, nada mais poderia exigir,

diante da decadência operada.

VOTO, POIS, PARA DAR PROVIMENTO AO RECURSO, A FIM DE EXTINGUIR O FEITO,

COM

RESOLUÇÃO

DE

DELINEADOS.

MÉRITO,

PELA

IMPLEMENTAÇÃO

DA

DECADÊNCIA,

NOS

TERMOS

ACIMA

SEM SUCUMBÊNCIA, EM FACE DO RESULTADO DO JULGAMENTO, DE ACORDO COM O

ARTIGO 55 DA LEI Nº. 9.099/95.

DR.

Relator(a).

DR.ª MARTA BORGES ORTIZ - De acordo com o(a) Relator(a).

RICARDO

TORRES

HERMANN

(PRESIDENTE)

-

De

acordo

com

o(a)

DR. RICARDO TORRES HERMANN - Presidente - Recurso Inominado nº 71003559028, Comarca de Getúlio Vargas: "DERAM PROVIMENTO AO RECURSO. UNÂNIME."

Juízo de Origem: VARA GETULIO VARGAS - Comarca de Getúlio Vargas

21 Recurso Cível Nº 71001743558, Segunda Turma Recursal Cível, Turmas Recursais, Relator: Vivian Cristina Angonese Spengler, Julgado em 18/03/2009.