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ALENTEJO – uma SEARA VOCABULAR – 08 Riquezas dos Falares Regionais Manuel João da Silva (Santiago do Cacém – Sines - 1985

) 08 MJSilva

José Rabaça Gaspar – 2012 11

recolha e proposta de estudo – Joraga.net 2012

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GLOSSÁRIO ALENTEJANO In Riquezas dos Falares Regionais, de Manuel João da silva (Santiago do Cacém – Sines - 1985)
TERMO / expressão or. CITAÇÃO/INFORMAÇÃO /Significado Abalam a correr Abalar à pressa sem dizer nada a ninguém Abalar à pressa e envergonhado, de qualquer lugar por ter sido expulso ou por ter medo. Abalou à pressa e envergonhado por ter levado uma descompostura ou uma tarefa A pessoa calar-se ou começar a falar menos, durante uma discussão. Vespa. Pessoa que se zanga rápida e violentamente Acabar uma tarefa nos trabalhos agrícolas. Guardar alfaias e produtos colhidos Pertenceu-me Juntar bens materiais, produzir, angariar Andar a observar disfarçadamente uma pessoa ou coisa OBRA Pag

ABALAM DESENGAITERADOS ABALAR DE ESCALHO TAPADO ABALAR DE RABO RIPADO ABALOU DE RABO RIPADO ABAXAR O FACHO ABÊSPRA ABROGOAR ACABEDOU-ME ACAREAR ACÊRAR

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C3 C7 C7 C3 C7 C7 C4 C4 C6 C7

Alentejo – searavocabular 08 – MJSilva – riqueza falares regionais

ACERTAR NA MUJA ACILHAR ADARNANDO AFIAMBRAR AGORA É QUE VOCEIA ME PARTIU AGUENTAR O PUXO AH! AGORA CÁ AI QUE ME DERRETO TODA... AINIM AJUNTAR

Pôr uma bala, uma malha, etc., no ponto central dum alvo Assentar, permanecer Pessoa que caminha com dificuldade debaixo duma grande carga (Será corruptela de adernar) Diz-se quando várias pessoas fazem qualquer actividade em competição e cada um faz o melhor que sabe Deixou atrapalhado Aguentar o trabalho ao desafio com outra pessoa Nada disso! Dito com que se pretende ridicularizar uma pessoa presumida, que fala de maneira afectada com intenção de se tomar muito simpática ou fazer-se passar por pessoa culta Ferimento, estrago causado por qualquer objecto Trabalho geralmente feito por mulheres, que consistia em juntar as paveias em braçados que eram colocados sobre os atilhos, para fazer os molhos, que os homens, como mais possantes, apertavam e enrolavam as pontas para não se desatarem Como o trabalho é muito violento, as pessoas emagrecem e as calças ficam largas Tu consentes ou admites ofensas? Tacho ou prato com grande quantidade de comida Zangar-se, tomar atitudes agressivas Conseguir Conversa que uma pessoa faz para se defender ou

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C5 C3 C7

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C5 C6 C1 C7

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C2 C7

ALARGAR OS COSES DAS CALÇAS ALBARDAS ISSO (TU)? ALBORCADA ALCRAPOCHAR-SE ALCURSAR ALDEAGAR

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C6 C7 C6 C3 C6 C7

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ALFAQUE ALGOSO ALICATES ALOA ALOMBAR AMEZIAR ANDAR A ASSOMBRAR ANDAR A CARREGAR PEDRAS ANDAR COM AS VENTAS NO AR ANDAR GRUNDANDO ANDAR NA AMANSIA

justificar, mas sem convencer ninguém Cova na estrada, geralmente causada pela água da chuva Egoísta, pessoa que quer tudo para si Os dedos Falatório numa localidade, escândalo motivado por uma má acção praticada Pôr às costas Denunciar uma pessoa à autoridade por qualquer infracção que tenha cometido Andar a exercer influência sobre uma pessoa ou coisa Diz-se do rapaz que vai visitar a namorada Andar - dum lado para o outro de cabeça n ar, conquistando as raparigas Animal que anda entretido a procurar alimento, em liberdade Dizia-se das crianças quando começavam a trabalhar à jorna, em comparação com os bezerros ou outros animais domésticos quando começavam a ajudar o homem nos trabalhos campestres Puxar e empurrar violentamente alguém. Lutar Quando uma pessoa provoca outra continuamente, aproveitando todas as ocasiões para a ofender Andei a lutar corpo a corpo Chegar tarde ao trabalho Apanhar uma repreensão de forma violenta e rápida

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C2 C2 C7 C7 C4 C2 C6 C3 C3 C2 C6

ANDAR ÔS TIRAPUXOS ANDEM AQUI DE TIRA VIRÃ ANDI PEGADA A PATROA APANHAR O PAU APANHAR UMA CHARAMBUTADA

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C7 C7 C7 C6 C2

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APANHAR UMA CHARUTADA APANHAR UMA PESSOA ONDE SÓ 4 OLHOS VEJAM APORREAR APRACER ASSIM APRACER EM CASA O GAJO DA BOTA FINA OU APRACER O GASPAR APRACEREM A UMA ILHA DE CORNOS APRACEREM COM OS SALÊROS EM BAIXO APRELAITADA APUS DELA ARARA ARMANHA ARRAMADA ARREPARTIR A CEIA ARROMBAR ARROTI-LE ASTICIOSOS

Apanhar uma repreensão no trabalho dado pelo patrão ou pelo encarregado Diz-se quando se ameaça de agressão uma pessoa quando se encontra só Provocar com palavras ofensivas ou sarcásticas Aparecer grávida Acabar-se a alimentação ou haver dificuldades em casa do pequeno agricultor Geralmente quando uma pessoa se zangava com outra mandava-a «ap'racer a esta ilha». Era uma frase ofensiva Aparecerem com os cornos partidos (cabeça partida) Salêros - Espécie de caixas feitas em chifre de boi onde os trabalhadores usavam o sal Que apresenta modos e vestuário de pessoa fina (Cremos ser corruptela de «aperaltada») Ir em sua perseguição Pessoa fraca Grande volume Casa onde os bois dormem e se alimentam durante a noite Pôr a comida na mesa Deslocar os ossos ou os músculos por causa de um grande esforço Respondeu à letra, a alguém mostrando não ter medo. Ameaçar Artistas. Mas neste caso tinha a sentido contrário

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C6 C6 C7 C3 C5 C7 C3 C7 C7 C4 C4 C6 C4 C4 C7 C7

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ASTÓIRO DE FAMILA

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ATABANITO ATAR ÁTÉ TENHO RESCUNHO ATÉI É PENA ANDAR À SEMANA ATIÇAR ATINGÉINO ATRÁS DAS ESTEVAS BACAISO BALDEADO BALSA BARROSOS, LAIMAS BASTA QUE SIM BATATAS BALHADAS BATER AS COLHERES BATUCALHO BELO TRABALHO PARA FAZER MACACO BENZE-TE BILHARDÊRA BILHARÊTA

Muita gente junta a ouvir uma discussão, a ver uma zaragata, um espectáculo (Cremos que este termo é corruptela de auditório) Espiga de trigo pequena e enfezada, quase sem grão Na ceifa manual, o trigo é atado em molhos com atilhos feitos com os caules do trigo ceifado Até tenho nojo, aborrecimento Comentário e crítica que se faz a uma pessoa com pretensões a ser «gente fina» mas que tem que trabalhar nos serviços rudes do campo Incitar uma pessoa a fazer mal a outrem Discussão acalorada, escândalo No campo, no monte Tiro de espingarda Individuo «aéreo», sem orientação de vida Espécie de alcofa de palma, com tampa e uma faixa para trazer ao ombro Pés Expressão que significa que a pessoa desconhecia o que ouviu dizer ou para mostrar atenção à pessoa que fala Batatas sem qualquer outro alimento a acompanhar Morrer Ataque epiléptico Fazer dor nas costas por se andar curvado muito tempo Não apanhas nada, não tens sorte nenhuma Mulher pouco asseada Malandrice, má acção

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C7 C4 C7 C7 C7 C7 C7 C5 C2 C3 C7 C4 C7 C4 C7 C2 C6 C6 C2 C3

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BISCAINHA BOI CAPADO NÃO SE DESCAPA BORNICOS BORRALHADA BORRASÊRO BORREFA BRIGAR BUFÊRO CACAISOS CAGÁ SENTENÇAS CAGANIFÃINÇA CAGOU CAROCHO CAGUFE CAIR DA BURRA ABAXO CALATRÓIA CALHOU A COTA COM A PERDIGOTA CANORÇA CARA DE ESCÁRNE CARAS ALTAS QUE ANDA A FORTUNA A RÉS 00

Mulher má, que gosta de ver as pessoas em desordem Não se pode desfazer aquilo que foi feito Pequenos galhos secos que caem dos sobreiros, com ao cortiça por fora e a madeira apodrecida por dentro Tiro de espingarda caçadeira Chuva miudinha Pessoa modesta, exageradamente vaidosa, que se julga importante Esforçar-se, teimar até conseguir o que pretende Cu Copos de vinho na taberna Só a mandar os outros trabalhar, ou dar opiniões descabidas Pequena quantidade ou coisa sem importância Nada, nunca, de modo nenhum. Ex: A respeito de pagar o que deve, cagou carocho Medo Compreender de momento, uma situação que desconhecia Refeição cozinhada à pressa, geralmente feita no campo Diz-se quando se juntam duas coisas más ou com os mesmos defeitos Termo para exprimir uma mulher desajeitada no falar e no vestir De modo escarninho Expressão que as pessoas usam para se avisarem umas às outras quando alguém deita gases malcheirosos

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C7 C3 C7 C2 C2 C7 C5 C6 C6 C7 C7 C3 C3 C3 C7 C3 C6 C7 C4

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CHÃO CARCACHADA CARGUIO CARPINTINA CARRIÇOS CARROLÊRA CARROLÊRO CASA NÃO PRECISA DE MOIRÕES (A) CASCOS CASÊRO CASMARROS CAVAR MILHO CELIMA CHALDABALDA CHEGAR A ALBARDA P'RA DIANTE A ALGUÉM CHEGAR O VINAGRE AS VENTAS CHEIA DE NOVE HORAS À MEIA NÔTE CHÊRANDO MANTUROS CHUPÃO

Gargalhada Carga grande Barulho que uma pessoa faz quando está zangada, ou se lamenta por muito tempo em voz alta Sobreiros pequenos que nascem debaixo dos outros maiores e têm que ser desbastados Caminho feito pelas rodas das carroças, através dos campos Copo de vinho (na taberna) Isto dizem os pais das raparigas para afastar os rapazes que se vão encostar às paredes da casa para as namorar Pinhas secas para queimar Porco de engorda, do pequeno agricultor Pequenos sobreiros que se arrancam quando é preciso desbastar o montado Sachar milho Cinema Diz-se quando se queima qualquer coisa em que o fogo faz grandes labaredas mas de pouca duração Agredir, bater em alguém Arreliar-se, começar a zangar-se Diz-se com ar de crítica quando uma pessoa se apresenta com luxo exagerado Um rapaz andar de casa em casa à procura de raparigas Pequena chaminé só para fazer lume e aspirar o fumo

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CILHA DE TERRA COCA ou COQUEIRA COCARIA COM A BUTANA APEGADA AO CHÃO COMEÇOU A COZER ABOBRA COMO QUEM PISOU UM SACO DE ALACRARAS (LACRAUS) COMO QUEM PRANTOU PITROL NO LUME CONDO O RELÃO TUFA QUE FARÁ. O PÓ CONTARÊLOS CORNO (O) CU P'LOS TORRÕES (O) CUDE NAS SUAS OVELHAS QUE OS MÊS CARNÊROS ANDAM À SOLTA DAR ÀS HORAS

Terreno bastante comprido e estreito Cozinheira que no campo faz a comida para os trabalhadores rurais Lugar onde os trabalhadores dum grupo, fazem o comer e dormem, isto nos trabalhos do campo, conjuntamente com os utensílios de cozinha e roupa Sentada com o rabo no chão sem se levantar, nem incomodar Mudar de atitude por medo das consequências, arrepender de ter tomado uma decisão neste «dito» pretende-se comparar as pessoas más com os lacraus quando são provocados Quer dizer que uma pessoa se zangou rápida e violentamente Aqui cita-se o rolão (farinha grosseira) e o pó (farinha fina) para significar que se uma pessoa é vaidosa sendo pobre, o que faria se fosse rica. Tufa cresce, incha Alcovitices, mentiras O saleiro. Os trabalhadores rurais usavam geralmente o sal dentro dum chifre de boi cortado e ralhado nas duas extremidades Pessoa baixa Esta expressão é dita pelas mães que têm filhos às que têm filhas Fazer cumprir o horário de trabalho num grupo de trabalhadores

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C4 C6 C6 C7 C7 C7 C7 C7 C7 C7 C3 C3 C7

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DAR DAR DAR DAR

UM MALHÃO UMA REMALHA UMA TUNA VIVAS À QUESTINA

DE RAMOTÃO DEIXAR FURAR A MANTA DEIXARAM O CAPOTE EMPENHADO DELADOIRO DELANÊRO DERREMUNHO DESABAGACHADAS DESCOSER-SE A MANTA DESEMBOGAR DESEMBOGAR A LOIÇA DESPADIR DESSEM QUE FAZER DESTAQUES DÊTAR OS BOFES PELA BOCA DÊTO-LE OS CABOS DEVE SER MAIS OUTRA

Cair, dar uma queda (Serra E. – deu um carvalhós…) Dar uma tareia Dar uma tareia Lamentar-se uma pessoa ou protestar violentamente por qualquer coisa que lhe desagradou De mau modo. Com brutalidade Diz-se quando o pastor deixa o gado fazer estragos nas searas ou outras plantas Expressão que significa que num rancho de pessoas a ceifar, os atadores não conseguem ao mesmo tempo, atar em molhos, todo o trigo que os companheiros ceifam Desordem, desarrumação de objectos, casa desarrumada Luta, zaragata Remoinho de vento. Diz-se de uma pessoa que dá muitas voltas, rapidamente, na dança, principalmente Com o fato desabotoado Descobrir-se um segredo Dar a primeira lavagem à roupa ou à loiça para lhe tirar a maior quantidade de sujidade Dar-lhe a primeira lavagem para uma vez com mais tempo lavar convenientemente Partir a correr Admitissem no trabalho, empregassem Palavras descabidas ou inconvenientes Estar muito cansada Agarrei-a com as mãos É uma expressão que se diz quando se ouve uma pessoa

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PELE DIABO CAGOU PEDRAS (O) É CAJADIÇO É COMO A BICHA, TEM QUE PICAR TRÊS VEZES O DIA É COMO LAVAR A CABEÇA A UM BURRO E MANDÁ-LO P'RÓ ESPOJÊRO É POETA EMBÊRADA EMPESTADA EMPINADELAS EMPINAR AS AIVECAS ENCABECIONAR ENCHER A MALVADA ENCHER A MULA ENFUSTO COM ELA ENGRENÇO ENREGAR A PESCAR ENSAMPADO

ameaçar outra e se pretende ridicularizar a pessoa que ameaça, fazendo crer que vai matar a outra e tirar-lhe a pele, para juntar a outras que já tem Diz-se dum lugar onde há muitas pedras ou outras coisas prejudiciais Tendência para Ex.: é cajadiço a adoecer Segundo a crença popular nalgumas regiões, a bicha (víbora) tem que picar seja no que for, três vezes por dia. Comparava-se então com este animal, à pessoa má ou «neurótica» que tem de ofender os outros mesmo sem motivo justificado Usa-se esta expressão quando se aconselha uma pessoa para o bem e ela procede ao contrário É esperto, desembaraçado, artista Bocado de terra húmida onde se cultivam produtos de hortejo Ofendida, zangada Discussões acaloradas Morrer Manter uma ideia fixa, apaixonar-se Encher a barriga Encher a barriga Invisto com ela, empurrei-a violentamente Criança de tenra idade ou ainda por nascer Começar a cabecear com sono Muito admirado

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ERA FÊTA DE CHÊXOS BRANCOS ERA UMA BOA FÔCE ESBORNICOU-SE ESCOPAITA ESMANGRITAR-SE ESPALAIADA ESPERNEGO-TE ESPOJÊRO DUM BURRO ESTABERNEQUIAVA ESTAFOREIA ESTAR DELAINHO ESTAR NA MÓ DE BAIXO ESTARRABAGIDA ESTENDER A APÊRAJA ESTICÃO ESTRAFANÁIRA ESTRELAIO FALAR A POLÍTICA FALE BEM QUE JÁ TEM DENTES FANGUÊROS (120)

Calhaus de quartzo Era uma boa ceifeira Partiu-se, estragou-se Pessoa que quer as coisas muito perfeitas e geralmente põe defeitos em tudo quanto os outros fazem Desfazer-se, encangalhar-se Mulher que usa de modos e amabilidades exageradas. Afectada na maneira de falar Mato-te, dou cabo de ti Pequena courela Som produzido pela mulher que lava a louça, arruma os móveis, mexe em objectos.. Lida agitada, trabalho feito à pressa Diz-se do tempo quando está muito chuvoso, ou duma pessoa que está bem disposta e fala muito Estar numa posição inferior em relação a outra pessoa Termo onomatopaico. Significa o som produzido por um carro que trava repentinamente, um animal que escorrega com as ferraduras Cair. Ficar estendido no chão Grande caminhada Estouvada, «aérea», pouco cuidadosa Coisa mal apresentada por desmazelo, desarrumação Falar na linguagem das pessoas cultas Era uma forma suave de repreender uma pessoa pelas palavras indecentes ou ofensivas que proferia 120 escudos

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FARRAJO DE PÃO FARRAMACHOS DE ANO SECO FAZ O TRABALHO POR CIMA DA BURRA FAZER A ATADA ASSIM À CACHAMÔRRA FAZER BORRÊGOS

FAZER CARDENHOS FAZER FIO DE PORCA MAGRA FAZER GOVERNO FAZER QUERENA FAZER UMAS RUAS FAZEREM UM CALCO FERROLHO FÊTA À FACA FÊTA NUMA MIRRA

Naco de pão Diz-se quando uma pessoa se mostra muito zangada e faz muito barulho, mas por fim tudo fica em nada. Grande aparato que não corresponde à realidade. Coisa aparatosa que se desfaz em nada. Faz o trabalho imperfeito por desmazelo, falta de cuidado ou má intenção Fazer propositadamente como vingança um serviço imperfeito Em grande parte dos casos, os lavradores eram avarentos para as suas mulheres, ao ponto de algumas terem sérias dificuldades para comprarem quaisquer objectos para uso doméstico ou mesmo roupa para si e para os filhos. Então vendiam produtos da propriedade (feijão, trigo, milho, etc.) às escondidas dos maridos, a pessoas da sua confiança. Estes produtos eram vendidos mais baratos que o preço corrente para os compradores guardarem segredo. Era fazer um «borrego» Roubar géneros de pouco valor, pequeno roubo Andar apressadamente em qualquer direcção sem atender nem reparar no que fica ao lado Casar Fazer um gesto de quem quer praticar qualquer acção Fazer uns aceiros Fazerem uma ideia. Avaliar Espingarda velha Feita à pressa e de forma imperfeita Múmia. Cadáver que se disseca sem entrar em

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FICAR NO CARRINHO FROXÉIS FURAR A GAMELA FUSCATONA GAIFONAS GAITINHAS GALGUÊRA GALHAPANÇO GANHANHA GANHAR O CORNO DA MERDA GARREAR COM OS CÃJE DOS LAVARDORES

GARROADA GARROCHADA GASGUÊRO GIMBRAR (A) GOUCHA GOZEAR

putrefacção, ficando só a pele e os ossos Ser ultrapassado, no trabalho da ceifa, pelos companheiros mais desembaraçados Roupa interior de senhora Comer toda a comida que se apresentou para a refeição Mulher apresentável Carinhos fingidos, modos muito graciosos com o fim de conquistar alguém Centeio. Chama-se assim porque os garotos fazem gaitas com os caules deste cereal Tarimba, cama improvisada Gaiato, rapazote Pessoa desajeitada e preguiçosa Dizia-se quando um trabalhador prejudicava os companheiros a favor do patrão para ganhar as «boas graças» dele ou pequenos favores como recompensa Como uma desgraça nunca vem só, os cães odiavam e perseguiam os mendigos, certamente pelos andrajos que traziam, o alforge e os sacos com farrapos para improvisarem uma cama onde pernoitavam. Se chegasse uma pessoa bem vestida a casa do lavrador, os cães geralmente não ladravam Aguaceiro, bátega Aperto de mão Chapéu velho A trabalhar Pequena extensão de terreno coberta de mato O grunhir aflitivo dos porcos quando os estão matando.

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GRAMIÇO HAVER CHAPUZ COM COUVE HORTA HORTALIÇO IA DEZENDO UMA BRABURA IGREJA IR A ESCOLA IR A FALCA IR A MATO IR ABAXAR-SE IR DE ESGALHARÊTA IR LEVAR AS ALCOFINHAS IR PARA A CAGAMANCHA IR RABOLINDO ISSO QUE ZUNA! ISTO ATÉ ME DÁ FERNICOQUES JÁ TAR PASSAGÊRO JA VISTE O CU DA JUILA? JAGÁS

Neste caso significa sofrer Pescoço Haver zaragatas, conflitos violentos Seara de milho Meeiro que cultiva uma seara de milho a meias com o dono da terra, em que este semeia o milho e o outro parceiro faz todos os trabalhos da cultura e da colheita Ia dizendo uma palavra indecente Taberna, venda Ir ao mato buscar um feixe de lenha às costas Ir à esmola Ir evacuar Ir evacuar Ir apressadamente aos trambolhões Ir contar a outras pessoas, tudo o que sabe a respeito de terceiros, com o fim de os prejudicar Ir para a cadeia Sair apressadamente dum lugar, donde se foi expulso Incitar alguém a trabalhar depressa Expressão que se usa quando qualquer coisa faz enervar uma pessoa e esta não pode desabafar Já estar esquecido ou ter perturbações mentais devido à idade Esta frase emprega-se em atenção à pessoa que concordou com as nossas ideias Burro

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C7 C7 C6 C6 C7 C2 C4 C6 C1 C4 C7 C7 C2 C3 C7 C4 C5 C7 C2

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JANEIRINHA JARDO JOGO DE LOBOS JOGO DE MARJAS LÁ ESTÃO ELES NO SURRADOIRO LÁ NOS SITOS ONDE A ZORRA CANTA LABORDA LAMBANA LANCE COM A FÔCE LANÊTA LASÊRO LAVOR LEVANTAR-SE COM A ESTRELA COM QUE O BOI MÓSCA LEVAR COM A TÁVUA NO CU LEVAR LEVAS LEVAS LEVAS UM CAMAÇO UM ENXUGO UM ENXUGO UMA REMALHA

Cevada que se semeia em Janeiro Terreno onde foi queimado o mato existente Diz-se quando a casa se encontra desarrumada, balbúrdia de objectos O número de margens que cada ceifeiro ceifava duma vez. As mulheres ceifavam 2 margens e os homens 3. Diz-se dos namorados quando estão a falar muito juntos um ao outro Nos campos, nos montes Desarranjo e porcaria Comida mal confeccionada e de sabor desagradável por falta de substâncias nutritivas (temperos) Cada vez que se mete a foice à seara e se corta uma mão cheia de caules de trigo Coelho Aberta entre duas chuvadas Melancial É com o Sol que aparecem as moscas que apoquentam os bois Dizia-se quando um patrão despedia um trabalhador e cortava relações com ele, de forma a nunca mais ser admitido em qualquer trabalho nessa casa Levar uma tareia Levas uma tareia Levas uma tareia Levas uma tareia

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C6 C4 C2 C6 C3 C5 C6 C7 C7 C2 C2 C4 C5 C7 C7 C3 C6 C4

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LINHO (NINHO) LOMBERÃO LOMBÊRONA LUGARÊRO QUE NA PAGA LUGUEL, FORA COM ELE LUMES FUGIDOS MACHOCHINHO MANDAR NA FAMILA MANGÔRRA MÃO DE TERRA MÃO LAVA A OUTRA E AS DUAS LAVAM O ROSTO (UMA) MARJA MASCAVLA MEDIR UNS COPOS MÊS DA FÊRA DA ABELA MÊS DA FÊRA DE GARVÃO MÊS DE ÊRAS MÊS DE S. JOÃO MÊS DO BANHO DO 29 OU DE S. ROMAO MÊS DO NATAL MÊS DOS SANTOS

Cama Preguiçoso Preguiçosa Esta expressão era usada pelas pessoas, querendo dizer que as coisas inúteis (neste caso os «gases») deviam ser expulsos como o inquilino que não paga renda Incêndios no campo Pequena porção de qualquer coisa, coisa de pouco valor Orientar e vigiar um grupo de trabalhadores. Serviço de manajeiro ou capataz Preguiça, falta de vontade para trabalhar Faixa de terreno com cerca de 10 metros de largura, entre dois regos. «Enregava-se» assim a terra quando o trabalho da sementeira e adubação era manual Quer isto dizer que devemos retribuir às pessoas que nos fazem favores Cordão de cereal entre dois regos. Margem Defeito, ferida, aleijão Encher copos de vinho ao balcão Mês de Outubro Maio Julho. Quando se faz o trabalho de debulha nas eiras Junho Mês de Agosto Dezembro Novembro

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C4 C6 C4 C7 C7 C6 C7 C6 C6 C5 C6 C2 C6 C6 C6 C6 C6 C6 C6 C6

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MILHARADA TA NA BARRIGA DUMA TRAVOADA (UMA) MILHO SAI ARRABOLÃO (O) MOÊRA MULHER POMBINHA MUNTO CEGO ÉI QUE(n)iM N A VÊi POR UMA REDE DE OVELHAS NÃ QUERIA DAR CRÉTO NÃ QUERO AQUI PATEFARIAS NÃ QUERO CÁ BACROS COM GUIZO NÃ TEM OS CINCO ALQUEIRES BEM MEDIDOS NÃO CONHECER UMA LETRA DO TAMANHO DUM BURRO NÃO É CAPAZ DE DEITAR UMA ZORRA FORA DUM VALE NÃO HÁ MÉ NEM MEIO MÉ NÃO QUERO CHOCOS NÃO SE DAR JUNTO DENTRO DUMA ALCOFA

Esta expressão teve origem no facto de chover no Verão quase só quando há trovoadas o que vai beneficiar as searas de milho que se cultivam nesta época Isto passa-se nas eiras onde vários meeiros punham o milho a secar. Alguns menos honestos faziam rebolar as maçarocas das «pélas» dos outros para as suas Mangual, utensílio para malhar cereais Mulher que só vive para se enfeitar Frase que se diz para manifestar o desagrado pela ingratidão ou incompreensão duma pessoa Ofereceu resistência. Não se queria deixar dominar Nã quero aqui palavras ofensivas ou atitudes provocadoras Não quero situações duvidosas ou que as pessoas possam censurar Não regula bem da cabeça Ser analfabeto Pessoa sem préstimo nem actividade Não há nada a fazer Não quero namoros demorados Expressão usada quando doem os músculos todos, motivado pelo esforço do trabalho

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C6 C6 C6 C3 C7 C7 C7 C7 C7 C5 C2 C3 C3 C4

Alentejo – searavocabular 08 – MJSilva – riqueza falares regionais

VELHA NEGÓIÇQ DA POÊRA NEM UMA BALA ME PASSAVA O QUE NÃ VAI A ÊRA V AI À FÊRA ONDA MARINHÊRA PANDÊRÃO PANINHO DE ARMAR

PAPELOTE PARA NÃO ME ENCHER DE CABELOS NEM QUERO A BURRA PARDO LAMBARDO PASSAR DA BONECA PASSAR O MILHO À PÁ PATACA PATINHAS DO MÊ GATO

Era a expressão usada pelos mendigos para designar a esmola que apanhavam - geralmente uma tigelinha de farinha de milho. Farinhas = pó, poeira Expressão usada para significar que a pessoa está muito zangada Que dizer que o cereal que não se aproveitou na ceifa, se não ia para a eira, era comido pelo gado que se vendia na feira. Deste modo pouco se perdia Diz-se quando num momento a pessoa per de a cabeça e pratica uma acção violenta Homem corpulento mas sem actividede. Indolente Rapaz pobre e pouco trabalhador mas que gosta de andar bem vestido. (Esta expressão vem dos panos vistosos com que se armavam as barracas nas feiras, festas, etc.) Espectáculo. Ridículo que provoca riso Diz-se quando se prescinde de qualquer favor ou conveniência, sabendo de antemão que isso nos trará aborrecimentos Ao anoitecer, lusco-fusco Endoidecer Trabalho nas eiras em que se lança o cereal ao ar para que o vento leve as impurezas Espécie de caixa de cabedal com tampa, própria para guardar tabaco, que se usava no bolso Deitei a correr

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(AH!)PEGA TUDO PEL D'IRÓ PÊLA PELADIÇO PELGAZONA PERDIZES PÉS DA MULHER (OS) PESPENÊGA P'LAS CANDEIAS PÔR A ARREATA EM CIMA

POR AQUELES CHARALDOS AFORA PÔR O CACIFRE A TRABALHAR PÔR O PENÊRO NOS OLHOS DE ALGUÉM PÔR PITAFE PÔR-SE EM SÊ PÉ E EM SÊ

Começámos a luta Termo depreciativo geralmente usado pelo marido, em relação à companheira Camada de maçarocas de milho que se estende na eira para secar Extensão de terreno limpo no meio do matagal Termo depreciativo que significa mulher que não merece consideração. Mulher forte e desajeitada Papas de milho Assim se chama aos animais (geralmente burros) em que as donas de casa do campo ou as ciganas, se deslocam nas suas viagens Velhaca, mulher mal intencionada Na época da Senhora das Candeias que se festeja em 2 de Fevereiro Expressão usada quando uma pessoa pretende educar outra, ou tenta chamá-la ao bom caminho e depois de ver que não consegue o que pretende, a abandona deixando-a fazer tolices à vontade Por matos e charnecas, nos descampados Pôr a frigideira ao lume para fazer um petisco Enganar alguém por grande espaço de tempo sem que este se aperceba que está a ser enganado Pôr defeito Resolver-se a abalar ou a fazer qualquer coisa depois de

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TRAPO PÔS-LHE AS PERAS A OITO PRESUNTOS QUARTA (medida) QUE Só COM UM CORNO QUEM ACOSTUMA BURROS A ASSOVALHOS, TEM DOBRADOS OS TRABALHOS QUEM MUNTO SE ABAXA O CU L'APARECE QUEM NÃ TEM PANELA NÃ PRESTA QUÊMOU-SE LOGO RABACÊRO RAIVENTA REPUXOU RESMORDER RETALHÊRA REZÃO RUA É DOS CÃES (A) SABUGO SAINONA SAIR FORA 00 CORTE DE

hesitações e dificuldades Repreender asperamente e mandar embora uma pessoa que nos quer prejudicar Pés Infusa, vasilha de barro para a água Diz-se quando a terra está muito dura em que se torna muito difícil o trabalho agrícola Isto quer dizer que quando se trata demasiadamente bem as pessoas ou animais, estes tornam-se mais exigentes e de difícil convivência, ou seja mais impertinentes Quando alguém se mostra muito tolerante, geralmente é prejudicado e ofendido pelas pessoas más Quem não tem «panela» (aqui significa vaidade e brio) não presta por ser uma pessoa desmazelada Deu-se sinal de ter sido atingida Namoradeiro, perseguidor de mulheres Pessoa feia e sem qualquer simpatia Deu, fez sair com força Criticar, repreender, resmungar Lebre Palavra, expressão A rua é livre. Ninguém pode mandar alguém embora quando está na rua Maçaroca de milho, pequena, que não se criou devidamente por falta de condições para se desenvolver Pessoa imbecil e pouco activa Sair fora do local onde trabalha para fazer qualquer

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TRABALHO SALTA P'RA TERRÊRO SALVAR A JORNA SAMEAR BUANO (GUANO) SAPELGA,.. SAPELGA... A SALAMANQUEAR SARMOCINA SEM CAJÃO SER O ESFREGÃO SEREMONIANOO Cerimomiando SERENA SINGELÊIRO SÓ O MESTÉIRO QUE TEM SOL COELHÊRO NÃ ENGANA CABRÊRO SORTE DE CÃO CAPADO, ATÉ AS CADELAS LE MORDEM SOVADA AVEIA SOVADA BRANCA SURRADOIRO TÁ QUÊTA BIA! TAMÊRA

necessidade Expressão que se usa quando se desafia alguém para medir forças Trabalhar no campo por conta própria e ganhar tanto como se trabalhasse à jorna Adubar as terras espalhando adubo com a mão Diz-se quando um coxo ou uma pessoa trôpega vai andando depressa Repreensão ou discussão monótona e continua Sem haver prejuízo, sem nada de mal Ser uma pessoa que sofre debaixo do domínio de outra Cantarolando em voz baixa Gás mal cheiroso que sai sem ruído pelo ânus Homem que tem como meio de vida uma carroça puxada por uma parelha ou junta de bois Só o valor que tem Diz-se quando em épocas de chuva o sol aparece descoberto e muito brilhante de manhã Expressão usada quando as coisas correm mal a uma pessoa Aveia Cevada Namoro «muito chegado» Nem pensar nisso! Espécie de cabana improvisada com ramos para os caçadores se esconderem quando esperam caça

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TAPAR O VELHO TAS AÍ FÊTA CADELA TASGANA TEMPO REMOLGOU (O) TENHO A BARRIGA APEGADA AS COSTAS TENHO VISTO MUNTOS OLHOS PRETOS, AGORA ASSIM CARA E TUDO NA É FÁCEL TER A BURRA NAS COUVES TER LETRAS TER O RABO ENTALADO TERRA CRÊRA TESTUGÓES TIÇQS TODA ARREGOUGADA TODO DE CODILHO TODO ENTRANQUILHADO TODO PARTIDO TOMOS NAS CANDEIAS TOU A SERVIR DE ESPARRAGIL TOUQUEMÔCHO

Ir a favor, defender Estás a ofender ou tratar mal alguém Foice de ceifar Diz-se quando depois de um período de bom tempo, aparecem sinais de chuva Frase usada pela pessoa que está cheia de fome e sente a desagradável sensação de vazio no estômago Comentário que se faz quando se observa qualquer acção menos correcta que choca as pessoas Isto diz-se a qualquer pessoa quando as coisas não correm bem Ter estudos, saber ler Ter cometido qualquer acção que não lhe interessava que fosse divulgada Terra com xisto e saibro, argila Apertões, pressão feita com os punhos Bocados de lenha meio queimada (Tição) Espevitada, com ares de pessoa importante Todo duma só vez sem descansar Todo trôpego, caminhar com dificuldade e passo incerto, motivado pelas dores e velhice Moído de trabalho Estamos a 2 de Fevereiro (dia da Senhora das Candeias) Estou a servir de objecto de vexames, de escárnio, de «gozo» Pessoa taciturna e atrasada

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TUDO NUM FRAGUME

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ULA-ULA UMA ZORRA TEM SETE MANHAS E ELA TEM MANHAS DE SETE ZORRAS VAI ABAXAR-TE VERGONHA NELE É COMO MANTÊGA EM FOCINHO DE CÃO VIR COM A LUA BRABA VIR P'LO BURRO, VOLTAR P'LA ALBARDA VOLTA AS TRUQUESES VOLTAR ALGUÉM DO AVESSO VOLTAR UM ANIMAL ZAMBURINO ZÉ ANTÓINO AGARROUSE A RODA DO CARRO

Muita gente a trabalhar apressadamente, cada um no seu trabalho Diz-se quando o trabalho é feito à pressa e sem cuidado na sua perfeição. Ditado que se emprega quando se pretende denunciar as más qualidades de uma mulher Vai fazer as necessidades, evacuar Não tem vergonha nenhuma Vir de mau humor ou com a «neura». Pessoa que se apresenta conflituosa em certos dias Ir a um lugar em vão, sem realizar o que pretendia Morde com as mandíbulas, defende-se Dominar alguém pela força física sem que o outro possa replicar Enxotá-lo de qualquer cultura onde esteja a fazer dano Bordão, cacete O carro ficou atascado ou caiu numa cova donde é difícil tirá-lo

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Alentejo_searavocavular_SIGLAS usadas nos diversos documentos desta IMENSA SEARA VOCABULAR. Siglas usadas nas tabelas: AFAlves Os Comeres dos Ganhões – Memórias de Aníbal Falcato Campo das Letras outros Sabores Alves Editores, S. A. Porto, Maio de 1994 BCamacho Memórias e Narrativas Alentejanas Brito Camacho - Guimarães Editores, 1988 CFicalho O ELEMENTO ÁRABE NA LINGUAGEM Conde de Ficalho Tradiçao de Serpa, DOS PASTORES ALENTEJANOS, Francisco Manuel 1899 publicado in em A TRADIÇÃO de Serpa, de Melo Breyner Notas Históricas a partir do ANNO I - N° 6, Junho de Serpa, 27 de acerca de Serpa, 1979 1899, p. 81, ver 97, 113 e 129 Julho de 1837 – e in NOTAS HISTÓRICAS ACERCA DE Lisboa, 19 de SERPA e O ELEMENTO ÁRABE NA Abril de 1903), foi LINGUAGEM DOS PASTORES um botânico ALENTEJANOS, que nessa obra vai da português e o 4º página 141 a 173, Lisboa 1979 conde de Ficalho. Delgado A Linguagem Popular do Baixo Alentejo e Manuel Joaquim 2ª ed. Ed. Assembleia o Dialecto Barranquenho, Delgado Distrital de Beja, 1983 FMRamos Alcunhas Alentejanas Francisco Martins Monsaraz, 1990 Ramos JPulga Alentejanando – Estórias e Sabores Joaquim Pulga Editor, Casa do Sul 2006 Lobato Amareleja Rumo à sua História Padre Gráfica Eborense, JoãoRodrigues 1961 Lobato

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Loendrero Machado MFlorencio MJSilva MRitaSerpa

Memórias de Manuel Loendrêro Humor à Alentejana Monografia de Vila Verde de Ficalho Dialecto Alentejano RIQUEZA DOS FALARES REGIONAIS Cancioneiro de Serpa

Luís Santa Maria Francisco Valente Machado Manuela Florêncio Manuel João da Silva Maria Rita Ortigão Pinto cortez, Pedro Jardim Professor Joaquim Roque Vítor Fernando Barros Lourivaldo Martins Guerreiro Hernâni Matos J. M. Monarca Pinheiro…

Chiado Editora, 2011 07 Ed. Da Biblioteca – Museu de Vila Verde de Ficalho, 1980 Ed. Colibri, 2001 Ed. Câmara Municipal de Santiago do Cacém e Sines – 1985 Edição da Câmara Municipal de Serpa, 1994 Chiado editora, 2011 Ed. CM Ferreira do Alentejo - 2ª ed. 1990 Campo das Letras – 2005

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PJardim Roque VFBarros+

Crónicas do Avô Chico Nostalgia da minha Infância no Alentejo Alentejo CEM por Cento Dicionário de Falares do Alentejo - Ed.

xCuba xHMatos xjTC, n° 0 Fev.94

Alunos da EBI Fialho de Almeida- Cuba dotempodaoutrasenhora Jornal Terras do Cante, Nº 0, FEV. 94

blog.net http://www.terrasdent ro.pt/Edicoes/

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xOlivenca xxBarrancos1

José Luís Valiña Reguera A Linguagem Popular do Baixo Alentejo e o Dialecto Barranquenho – (Estudo etnofilológico) – Filologia Barranquenha SEARA VOCABULAR – colecção feita na máxima parte pela Excelentíssima Senhora D. Cesária de Figueiredo e aumentada um pouco, e aqui e além anotada por J. L. de V.

Manuel Joaquim Delgado

2ª edição - Ed. da Assembleia Distrital de Beja – 1983 Fac-simile de 1955 Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 1981 – Outubro

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José Leite de Vasconcelos

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trabalho realizado por @ JORAGA Vale de Milhaços, Corroios, Seixal 2012

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