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DESAFIOS DA CONSULTORIA EM ADMINISTRAÇÃO RURAL: O PERFIL

DO PRODUTOR RURAL. NA TOMADA DE DECISÃO

RESUMO

O objetivo deste trabalho foi demonstrar as modificações do perfil do homem do campo, enfatizando as mudanças quanto as tomadas de decisão. Dadas as modificações ocorridas nos diferentes segmentos de produção, o campo não foi excluso destas. A modernização, globalização exigem que cada vez mais o produtor ou mesmo as organizações estejam capacitadas para se manter no mercado. Essa pressão está modificando o perfil do homem do campo, que deixa de ser apenas produtor de sua propriedade, mas torna-se um empresário rural de uma empresa rural. Essas modificações refletem em todas suas decisões no que diz respeito ao processo produtivo, fazendo que os profissionais que prestam serviço a esta tenham conhecimento destas modificações para melhor atender seu cliente.

PALAVRAS CHAVES: Agronegócio. Tecnificação no Campo. Tomada de decisão.

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INTRODUÇÃO

As mudanças no cenário agrícola têm ocorrido de forma dinâmica e significativa. As propriedades rurais estão se transformando em empresas rurais, com a inserção de tecnologias que vão desde a mudanças nas questões administrativas (como informatização) até pacotes tecnológicos mais avançados. Para profissionais que atuam no agronegócio conhecer o novo perfil do empresariado rural torna-se imprescindível uma vez que as formas de abordagem e prestação de serviço tendem a ser diretamente com os

proprietários. Assim, esse trabalho se justifica-se pois busca listar desde as mudanças no perfil do meio rural como o dos proprietários nas suas tomadas de decisão.

O problema abordado foi quais as mudanças que estão ocorrendo no

perfil do empresariado rural. As hipóteses levantadas são que: a tecnificação e

as informações estão chegando ao campo modificando a mentalidade do proprietário rural; cada vez mais nota-se que estes procuram mais meios de monitorar, controlar e acompanhar sua produção, utilizando desde ferramentas contábeis e administrativas. Assim foi realizado uma revisão de literatura buscando analisar as mudanças ocorridas no cenário rural. As informações foram obtidas em periódicos, artigos indexados nos banco da Scielo, agrodata, bem como utilização de livros que exploram o assunto com autores renomados.

O objetivo deste trabalho foi demonstrar as modificações do perfil do

homem do campo, enfatizando as mudanças quanto as tomadas de decisão.

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AS MUDANÇAS NO PERFIL RURAL

Segundo Lisita (2005) no Brasil o processo de extensão rural nasceu sob

o comando do capital, com incentivos financeiros e forte influência norte-americana que visava superar o atraso na agricultura,. Havia a necessidade de educar o produtor rural, para que este passasse a adquirir equipamentos e insumos industrializados necessários à modernização de sua atividade agropecuária. O modelo serviria para que o homem rural entrasse na dinâmica da sociedade de mercado, produzindo mais, com melhor qualidade e maior rendimento. A extensão era um empreendimento que visava persuadir os produtores, para que esses adotassem as novas tecnologias. Seus conhecimentos empíricos não interessavam, bem como suas reais necessidades não eram levadas em conta. A extensão assumiu um caráter tutorial e paternalista.

Agravando esse quadro o produtor rural se deparava com duas vertentes:

a falta de apoio na administração dos seus recursos e a capacitação deste para

mudanças pretendidas pela atualidade. A Extensão Rural no cenário nacional teve como atuação básica a busca da modernização da agricultura e a melhoria do bem-estar social da população rural. Para cumprir com seus objetivos um trabalho árduo foi realizado conforme ressalta Vilela (2002), em que visava transferir ao produtor rural os conhecimentos gerados pela pesquisa. Entretanto conforme afirma Lisita (2005) esse programa não abrangia os agricultores familiares, em que quando o programa foi criado, a Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMBRATER), houve grande expansão do serviço de extensão rural no país. Entretanto, era condicionado pela existência do crédito agrícola, no qual os pequenos agricultores familiares que não tiveram acesso ao crédito também ficaram à margem do serviço de extensão rural, que atendiam somente os grande latifundiários da época.

Com o fim dos subsídios financeiros, o programa de assessoria teve novo caráter, abrangendo então o pequeno produtor (Lisita, 2005). Entretanto, perfil do produtor rural nesta época dificultava o trabalho, pois, quase sempre, o homem do campo de possuía um nível intelectual mais baixo, em que a capacidade empresarial e a disponibilidade de capital eram reduzidas. Para auxiliar na execução desse trabalho de difusão da tecnologia, principalmente, para o pequeno produtor, a sociedade toda deve fazer um esforço adicional, pois para o sucesso do mesmo, a educação básica é fundamental, além da adequação dos fatores da produção, os chamados fatores externos, tais como: estradas, armazéns, preços, políticas de crédito, entre outros (Vilela, 2002).

Com o passar dos anos, esse programa consolidou-se atingindo seus objetivos e uma nova concepção do campo se estabelecia como uma empresa rural. Modernizada, a área rural deixou de ser apenas um “lugar tranqüilo e até mesmo bucólico, habitado pelo tão tradicional caipira supostamente atrasado e mal informado (Costa, 2007, sp)”, para ser uma empresa com alta eficiência, obtendo um programa de gerenciamento da atividade, com objetivos claros e desenvolvimento do método de administração adequado. A criação da base deste programa depende do pleno conhecimento da estrutura física disponível para uso. Condições como tipo e fertilidade de solo, clima da região, recursos hídricos e infraestrutura também definem a capacidade de produção da propriedade e, ainda dentro desta premissa, sua localização, o tipo de topografia, etc., também vão definir sua aptidão produtiva (Costa, 2007).

Porém se houve uma mudança no processo produtivo, está não ocorreu simultaneamente com o pensamento do empresário rural. Hamer (2008) afirma que a maioria dos empresários ainda olha com desdém para a idéia de contratar uma consultoria, principalmente quando não vislumbram ameaças no horizonte concorrencial ao desempenho da empresa. Isso ocorre principalmente por dois motivos: primeiro pela postura auto-suficiente de muitos empresários, que se sentem incomodados em reconhecer a necessidade da presença de uma pessoa externa à organização, e de outro, pela má imagem e limitado senso de profissionalismo que muitos consultores apresentam no mercado. Acrescenta-se aqui a visão da “hereditariedade produtiva”, ou seja, viciados nos processos produtivos que seus antepassados adotavam e que davam resultados, entretanto estes, não apresentavam uma otimização dos insumos utilizados, deixando constantemente o produtor rural endividado e sem capital de giro, devido justamente a uma má administração de sua propriedade. A decisão do produtor rural é complexa. Nela existem elementos de tradição, de aprendizagem, de condições de infra-estrutura, motivos psicológicos e sociais, e principalmente, elementos econômicos de desejo de lucro. A força ou a influência dos diversos componentes da decisão depende também dos tipos de agricultores. Os que são orientados pela tradição, terão dificuldade em mudar de culturas, mesmo que o preço do produto não seja tão compensador. A infra- estrutura de uma empresa rural (máquinas, instalações e equipamentos) também tem força acentuada na decisão. Se não puder ser adaptada a culturas a tendência à mudança será menor. Em condições de preço ou expectativa de preços desfavoráveis poderá reduzir a área plantada. Outros fatores que influenciam a decisão do agricultor são: a família, a discussão na família, o aprendizado com amigos, o ouviu falar, o desejo de experimentar. A decisão de mudança pode ocorrer por partes. Vai mudando de uma área ou cultura aos poucos e vai observando o que se passa. A experiência ensina também muito da evolução das culturas, dos preços, do mercado, das possibilidades de lucro (Contini; Araújo e Garrido, 1984). Conhecendo esses parâmetros, o desafio do profissional de consultoria torna-se uma questão multidisciplinar, como afirma Vale (2006, sp):

“É preciso considerar, ainda, que o sistema moderno do agronegócio ampliou a complexidade da atividade agropecuária, de modo que as porteiras das fazendas não constituem mais o seu limite, mas um conjunto muito mais amplo de atividades e setores que incluem toda a cadeia produtiva, incorporando novas concepções, ações e atitudes, em que produtividade, custo, escala e eficiência, dentre outros, se impõem como regras básicas de sobrevivência. Mais do que saber produzir, é preciso que os produtores rurais saibam administrar. É a sua capacidade gerencial que faz a diferença num cenário tão complexo e desafiador. O produtor rural de sucesso, atualmente, precisa obter não apenas informações sobre produção e tecnologia, mas conceitos administrativos em áreas como marketing e finanças. Precisa também aprimorar sua tomada de decisão, aperfeiçoando as decisões estratégicas e táticas; ajustar seu negócio continuamente às mudanças tecnológicas e às condições de mercado; dar maior ênfase à análise do mercado; e aprimorar suas funções gerenciais”.

A tomada de decisão do administrador deve ser fundamentada em um estudo amplo da atividade proposta. Um dos maiores desafios pode ser o próprio produtor, entretanto o domínio do consultor pode ser fator decisivo na conquista da confiança do produtor rural, contornando os desafios apresentado, atingindo assim sua meta. Fazer com que o de o produtor assumima uma postura empreendedora, que lhe requer desenvolver uma série de qualidades pessoais, como capacidade de assumir riscos, habilidade para

identificar oportunidades, conhecimento do seu negócio, organização, disposição para tomar decisões, liderança e otimismo, torna-se uma necessidade que o administrador pode aflorar ( Vale, 2006).

2.1 A Gestão da empresa rural

Como ciência, a administração rural teve início no princípio deste século, nos Estados Unidos e Inglaterra, com a realização de estudos que procuravam analisar a viabilidade econômica de técnicas desenvolvidas por pesquisas agronômicas. Quase à mesma época, surgiram os primeiros estudos de contabilidade agrícola, realizados por professores norte-americanos que desempenhavam atividades de pesquisa e extensão. No Brasil, a administração rural seguiu um processo histórico semelhante, que se iniciou com a análise da viabilidade econômica de culturas e criações, o registro de dados contábeis e técnicos e a análise de custos de produção. Estudos posteriores indicaram que o tratamento dado à administração rural como ciência era parcial, uma vez que se atribuía uma ênfase exagerada à produção e a seus aspectos quantitativos, deixando de dar também o devido destaque a outras áreas da empresa, como comercialização, marketing, recursos humanos e finanças. O processo administrativo ainda era tido como parcial, priorizando aspectos de planejamento e controle, em detrimento da organização e direção. Pouca atenção também se atribuía aos fatores externos da empresa, que sabidamente interferem em suas condições internas e jamais poderiam ser esquecidos (SOUZA et al, 1989, p.15).

Considerando o processo histórico da administração rural nota-se significativas mudanças em relação ao presente. Já que é do conhecimento de todos que os produtores rurais do passado nem consideravam suas propriedades como empresas e muito menos admitiam a possibilidade de procurar um profissional para orientá-lo em suas decisões. Observa-se, ainda que, nos dias de hoje, ainda existem produtores com essa mentalidade e que só aceitam a ajuda de profissionais porque o banco ao realizar o financiamento da cultura, indica profissionais para auxiliá-lo e acompanhá-lo em todo decorrer da mesma. No entanto, tem-se a convicção que com a rapidez das mudanças e

o acesso as informações esse cenário irá mudar consideravelmente, facilitando

o processo de gestão agropecuária e abrindo nichos de mercado de trabalho para profissionais da área (Dias, 2007).

é a unidade de produção

que possui elevado nível de capital de exploração e alto grau de comercialização, tendo como objetivos técnicos a sobrevivência, o crescimento e a busca do lucro” (SOUZA et al., 1989, p.23). Mediante tal conceito nota-se que, a empresa rural não se difere muito das empresas que atuam em outros setores da economia, exigem as mesmas funções da administração, na qual o empresário rural tem funções de planejar, dirigir e controlar a propriedade rural,

decidindo o que deverá ser feito no ambiente interno e também no ambiente externo.

Conceituando a empresa rural temos: “[

]

O ambiente empresarial, de acordo com o comportamento do conjunto de variáveis que o compõe, pode oscilar entre um extremo, composto por um ambiente estável e previsível, e outro, por um ambiente turbulento e imprevisível. O ambiente é dinâmico dentro

desses dois pólos, dando origem a forças de influências positivas sobre as empresas, facilitando seu desempenho (SOUZA et al., 1989,

p.101).

Num enfoque amplo, nota-se que planejar estrategicamente é um meio que o produtor rural tem para se projetar no mercado e conhecendo o ambiente interno ele terá condições de conhecer, através de estudos dirigidos seus pontos fortes, fracos e também os pontos a melhorar; formando através dos pontos fortes um alicerce seguro para construir um planejamento estratégico capaz de mantê-lo competitivo no mercado. Observa-se ainda que, conhecendo o ambiente externo, através da identificação das oportunidades e ameaças, ele poderá inserir no mercado, comercializando seus produtos interna e externamente. Gerir uma organização agropecuária é ainda mais complexo que gerir uma empresa de outro segmento, pois além dos riscos e ameaças inerentes a todas as outras empresas, a empresa agropecuária conta ainda com riscos como: A seca, a chuva em excesso, ou falta de chuva, a geada, as pragas e moléstias, além, é claro, das oscilações de preços no mercado. “Na era do conhecimento, a informação tornou-se a ferramenta mais importante para a humanidade. Em todos os segmentos da cadeia produtiva, uma gestão construída sobre uma base de dados bem formatada indica boa parte do caminho para o sucesso do negócio” (COAMO, [s.d.], p.1). Em outras palavras, o produtor rural pode se beneficiar com a atualização e profissionalização na sua área, destacando que não é possível mais administrar uma propriedade rural com conhecimentos empíricos, apostando na sua intuição ou na sorte. “Nos dias de hoje, existem muitas ferramentas disponíveis para se concretizar um processo de gestão capaz de garantir o sucesso da propriedade rural e a auto-realização do produtor como administrador” (COAMO, [s.d.], p.1). O agricultor moderno, para ampliar as margens do seu negócio, tem de estar atento às principais inovações tecnológicas dentro e fora da porteira, e lançar mão de ferramentas que possam auxiliar o trabalho da administração e gerenciamento rural. No próximo capítulo será apresentada a parte teórica sobre a análise de custos e de viabilidade econômica da empresa.

3 TOMADA DE DECISÃO DO NA EMPRESA RURAL

A decisão é uma escolha, ou uma seleção, entre várias maneiras de uma coisa dada ser feita ou uma meta ser atingida. O administrador, ao tomar a decisão, julga ou escolhe a melhor alternativa. Essa alternativa pode ser a melhor ou a menos ruim.Tomar decisões requer coragem. A habilidade de tomar decisões está relacionada com o momento certo. Adiar uma decisão pode implicar uma oportunidade perdida. Por isso é importante para o administrador rural determinar

o ponto em que mais investigações não significam maior garantia e portanto

encontrar o momento certo de se tomar a decisão. Como exposto anteriormente, a tomada de decisão do homem do campo abrange vários fatores que vão desde o sentimental até o financeiro. Se a tomada de decisão fosse como sugere Peche Filho (2008) citando Peter F. Drucker, um dos papas mundialmente consagrado pelos seus trabalhos em administração de empresas "a tomada de decisão é uma tarefa do gerente", cabendo a esse, devido

à sua posição e o seu conhecimento da empresa; uma decisão com um

significativo impacto sobre toda a organização (propriedade agrícola) influenciando no seu desempenho e resultados; para Drucker "gerentes eficazes tomam decisões eficazes", trabalho do administrador seria em muito No gerenciamento agrícola, constantemente o agricultor depara com a necessidade de tomar decisões, em alguns casos, essa decisão altera completamente o processo operacional da produção, em que se faz necessário, estudos para definir qual é a alternativa que melhor se adequa aos fatos da propriedade agrícola (Peche Filho, 2008). Segundo Vivian e Floriani (2005), grande parte das informações que alimentam um processo de tomada de decisão tem sua origem em algum tipo de monitoramento de indicadores, bem como num processo de avaliação (individual ou coletiva) já construído pelo próprio agricultor. Este processo incorpora tanto o saber local e sua visão de mundo, como informações externas impregnadas de outras visões, e que são agregadas em seu sistema de tomada de decisão não- linear, mas de certo modo maleável e adaptado a contextos. Assim, entende-se que indicadores são fenômenos observáveis (experimento por ex.) que, por se repetirem dentro de um determinado padrão, podem ajudar a entender mudanças no estado qualitativo e/ou quantitativo de um sistema, sejam estas mudanças naturais ou provocadas pela ação humana. Ao se compreender um padrão de comportamento de um fenômeno e definir um indicador, é necessário um padrão de observação. Este “padrão de observação” é o que se conceitua aqui como “monitoramento”, o qual gera, pela sua interpretação

e comunicação, uma base de decisão utilizada pelos agricultores (Vivian e Floriani,

2005).

3.1 Métodos utilizados pelo produtor para tomada de decisão

Quando um agrônomo é questionado quanto ao trabalho de extensão rural

a resposta é quase unânime: é preciso convencer o produtor mostrando na prática

os benefícios de uma mudança. Assim sendo, os dias de campo, experimentos na própria propriedade, relatos de vizinhos, tem mais persuasão sobre o produtor rural que folder de propaganda ou mesmo comerciais na mídia. A questão que gira

neste contexto, volta muito ao fato do tradicionalismo do produtor rural que acostumado com certas atitudes, vem nas mudanças um fator de risco, não lembrando dos benefícios que a sua produção pode alcançar pela mudança de hábito.

Callado relaciona ainda as dificuldades de se obter informações preliminares das empresas rurais, em que embasadas no tradicionalismo agregado na gestão de algumas propriedade, as informações básicas são desconhecidas pelo próprio produtor.

As limitações organizacionais e estruturais impostas aos empreendedores rurais dificultam a tarefa de gerar informações gerenciais que permitam a tomada de decisão, com base em dados consistentes e reais. Para que as empresas rurais sejam eficientes na tomada de decisão, a contabilidade deve auxiliar os gestores da empresa, não somente nos aspetos financeiros, mas nas questões de grande importância para formulação ou avaliação dos processos administrativo e produtivo. O conhecimento dos elementos componentes do custo rural é fundamental para a tomada de decisão. Um sistema de custos provedor de informações contábeis deve ser simples, confiável, coerente e atualizado. As informações sobre custos devem ser utilizadas na definição dos preços de venda,

no controle dos diversos elementos formadores do custo e na identificação das margens de contribuição das várias atividades. A falta de precisão nos custos comprometerá a qualidade das decisões tomadas (Callado, 2008, sp.).

Entretanto como afirma Contini; Araújo e Garrido (1984), a experimentação agrícola pode ser um subsidio de tomada de decisão do agricultor. Os resultados de experimentos visam a contribuir para ampliar os processos produtivos à disposição do agricultor, aumentando a racionalidade na sua decisão. Porém, como os mesmo autores afirmam alguns experimentos básicos e muito específicos não possui uma aplicabilidade imediata e não se adaptam a uma análise econômica, entretanto, outros podem ser conduzidos em situações mais próximas do agricultor e podem e devem ser avaliados economicamente, sendo esses resultados elementos chaves para decisão do agricultor. Um exemplo prático e já adotado pelos agricultores, no que se refere à administração de recursos e otimização dos insumos utilizados é o manejo integrado de pragas com monitoramento da lavoura. No passado, a aplicação de defensivos agrícolas era feita de acordo com as épocas fenológicas, em que nem sempre eram necessárias. Depois de estudos intensivos da Embrapa e outras Instituições de pesquisa esse quadro tem mudado. Planilhas de orientação a respeito do momento crítico da atuação de pragas e doenças foram disponibilizadas e adotadas pelas empresas rurais que tem tido uma racionalização no uso de recurso para defensivos agrícola. Através de resultados de experimentos agrícolas é perfeitamente possível determinar uma função de produção e o seu ponto ótimo. Conhecendo os preços dos insumos e dos produtos pode-se determinar a quantidade ótima de cada insumo a ser utilizado para que a renda líquida do agricultor seja máxima. A quantidade ótima a ser usada de um dado insumo da cadeia produtiva será aquela que torna o seu valor da produtividade marginal igual ao preço do mesmo insumo, em que neste ponto, o lucro terá seu valor máximo (Contini; Araújo e Garrido

1984),

Esta adoção pode estar diretamente ligada ao que afirma Peche Filho (2007), que relata estudos norte-americanos que promovem a tomada de decisão dos produtores baseados na economicidade que dada ação promove.

“A questão ligada à tomada de decisão é tão importante que estudos realizados nos Estados Unidos sobre a preparação de profissionais pelas universidades americanas, identificaram que dentre os tópicos mais importantes, está a "tomada de decisão com base nos fatos", que envolve vários pontos como: custos, estratégia operacional, análise de casos, conhecimento, etc.” (Peche Filho, 2007. sp)

Em um estudo de Ribeiro, Brites e Junqueira (2006) em que avaliaram a tomada de decisão, baseado em estudo de caso em Taquara (DF), apontaram que os elementos considerados de maior importância ao na decisão dos produtores avaliados foram a possibilidade de maior lucro (98,7%), experiência e tradição na atividade (86,7%), mercado (85,3%) e menor custo de produção, considerado por 72,7% dos produtores. Afirmam ainda que o processo decisório do produtor rural está sendo conduzido sob a lógica da obtenção de um volume maior de produção a menor custo, atento às condições do clima, à obtenção de um produto de qualidade e às sinalizações do mercado, em especial às relacionadas ao preço, fazendo uso de sua

experiência e tradição, da tecnologia disponível e da assistência técnica o caminho de seu ato decisório. Assim a teoria da decisão identifica três níveis de ganho perceptíveis pelos decisores/produtores, os chamados ganhos diretos: aumento de produtividade e melhoria da qualidade do produto; os de diminuição de custo (Ribeiro, Brites e Junqueira, 2006). Com estes estudos apontam um novo paradigma na atitude do empresariado rural que passa a entender como afirma Vale (2006, sp) que:

É preciso considerar que o sistema moderno do agronegócio ampliou a complexidade da atividade agropecuária, de modo que as porteiras das fazendas não constituem mais o seu limite, mas um conjunto muito mais amplo de atividades e setores que incluem toda a cadeia produtiva, incorporando novas concepções, ações e atitudes, em que produtividade, custo, escala e eficiência, dentre outros, se impõem como regras básicas de sobrevivência”.

Sabendo deste prospecto quanto à decisão do que plantar do agricultor, em que sofre influência direta de amigos ou vizinhos produtores a aderirem a uma determinada cultura e considerando todos esses aspectos, percebe-se a necessidade de um estudo da realidade dos produtores rurais da região, fazendo uma análise de como a gestão estratégica aplicada nas propriedades rurais poderão ajudar os produtores, a comunidade acadêmica e a própria pesquisadora. Sabe-se que a atividade rural tem características instáveis, tais como as oscilações dos preços de mercado, custos de produção, fatores climáticos e a natureza da produção, além de que tais fatores dificultam de forma significativa as projeções futuras baseadas em dados passados, uma vez que nunca sabemos o que esperar, principalmente das mudanças climáticas. Torna-se necessário, neste contexto, uma análise prospectiva sobre as tendências do mercado a fim de proporcionar indicadores coerentes e seguros para orientar o produtor rural na hora de decidir o que plantar ou como gerir sua propriedade rural com êxito como firma Dias (2007).

4 A ANÁLISE DE CUSTO COMO FATOR DE DECISÃO PARA O PRODUTOR.

De acordo com Carvalho (2001), quando se propõe a executar uma análise de viabilidade econômica, é indispensável ter-se conhecimento sobre economia rural e engenharia econômica. Sustenta ainda que, quando se faz perícias, é necessário recursos de matemática financeira a fim de determinar índices importantíssimos na obtenção de resultados satisfatórios destes estudos.

O estudo dos custos é um referencial teórico importante resultado sobretudo do trabalho dos economistas pertencentes à Escola Neoclássica -, devendo ser utilizado de forma conjunta ao estudo mais amplo dos sistemas produtivos em que a propriedade está inserida. Desta Forma, deve ficar claro que o estudo dos custos de produção, stictu sensu, e a abordagem sistêmica de diagnóstico e determinação do sistema de produção da propriedade são níveis teóricos-metodológicos complementares, e, portanto, necessários

para uma visão completa de uma propriedade rural (ARBAGE, 2000,

p.199-200).

Pelo exposto, o autor considera que efetuar estudos e análises dos custos da produção é de forma indiscutível, necessária e de extrema importância para tomada de decisões ou planejar o futuro das empresas independentemente da natureza do ramo no qual ela atua. No entanto, ressalta a necessidade de efetuar um levantamento de custos correto e preciso, para que se consiga visualizar a real situação da atividade produtiva, e, com isso, verificar a rentabilidade econômica da propriedade rural, fazendo da consultoria na empresa rural um complexo estudo afim de propor a melhor ou menos ruim estratégia ou exploração que garanta mais rentabilidade para o produtor.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com o presente trabalho pode-se perceber que as modificações no cenário econômico adentram porteira adentro nas propriedades rurais que estão buscando cada vez mais a tecnificação, informação e ferramentas para gestão de suas propriedades. Essas modificações tem aumentado a eficiência do sistema produtivo agrícola na medida em que são adotadas ferramentas de controle, manutenção, monitoramento e avaliação. Isso requer que os profissionais que atuam nesta área estejam sincronizados com essas mudança para melhor atender seus clientes. Esse trabalho permitiu o acadêmico uma visão panorâmica do cenário agrícola atual, que auxiliará na sua vida profissional e pessoal.

ABSTRACT

CHALLENGES OF RURAL MANAGEMENT CONSULTING: THE PROFILE OF RURAL PRODUCER. IN DECISION-MAKING

The objective of this study was to demonstrate the changes the profile of the man of the field, emphasizing the changes as decision making. Given the changes occurring in the various segments of production, the field was not excluded these. Modernization, globalization increasingly require the producer or even organizations are trained to stay in the market. This pressure is changing the profile of the peasant who becomes not only a producer of his property, but becomes a manager of a company rural countryside. These changes reflect in all their decisions with regard to the production process, making professionals serving on this are aware of these changes to better serve your customer.

KEYWORDS: Agribusiness. Technification Field. Decision making.

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