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1) Escolha do método Contábil e o Imposto de Renda

a) Contabilidade a base do caixa [método de caixa]

Este é o método que a maioria dos negócios agropecuários usa nos EUA, dado a sua simplicidade em considerar apenas os recebimentos e pagamentos. Na década passada quase a totalidade dos pequenos agropecuaristas usava este método, onde o lucro no ano [resultado] é obtido substraindo das vendas recebidas as despesas pagas. Acréscimos nos estoques agropecuários resultantes da atividade operacionais não são considerados lucro por este método, mas a acumulação de insumos como fertilizantes e outros são considerados uma despesa do ano a partir do momento em que eles são pagos. Portanto, despesas como depreciação de prédios e máquinas, produtos consumidos pela família etc, não são considerados como despesas, pois não representam um efetivo desembolso de caixa.

1) Escolha do método Contábil e o Imposto de Renda

b) Método contábil a base do regime de competência

Este método é obrigatório para as sociedades anônimas e alguns casos especiais. Através deste método apura-se o lucro [o resultado] do período [ano] considerando a produção obtida e as despesas associadas a esta produção, ou seja, os bens e serviços utilizados na produção. Assim, é dedutível do lucro despesa que não foram desembolsadas como: depreciação, produção consumida pela família, perdas [ou ganhos] na redução de preço da colheita e do rebanho em estoque, etc.

Este método é o preferido pelos profissionais contábeis, pois não há distorção na apuração do resultado [como ocorre no regime caixa] pois o lucro é reconhecido no ano em que ele é gerado [mesmo que não tenha ainda se transformado totalmente em caixa]. Através deste método é possível reconhecer as perdas na produção e no rebanho em estoque. Estas perdas reduzem o lucro tributável, diminuindo, portanto, o imposto devido.

2) Contabilidade de Custos e a Produção com Alta Qualidade na Agricultura

Os professores de Contabilidade Donald E. Keller e Paul Krause, ambos da California State University, Chico (5) fizeram interessante experiência no Peterson Ranch California, usando as técnicas de produção de alta qualidade num ambiente agrícola.

Eles escolheram investigar o Peterson Ranch porque queriam descobrir se es idéias desenvolvidas sobre produção com alta qualidade num contexto industrial poderam ser transferidas para operações agrícolas.

Peterson Ranch é produtor de castanha e outras frutas localizadas a 70 milhas ao norte de Sacramento, capital da Califórnia. Esta fazenda consiste em duas áreas de produção, acerca de 3.000 acres cada, produzindo principalmente amêndoas, nozes e ameixas. Cada um das duas áreas tem sua própria gerência e oficinas.

Para aplicar os conceitos e as técnicas de produção com alta qualidade os referidos professores encontraram uma sofisticada Contabilidade que propiciou resultados altamente positivos. Portanto, faremos alguns rápidos comentários sobre tal Contabilidade antes de entrar no modelo aplicado.

2) Contabilidade de Custos e a Produção com Alta Qualidade na Agricultura

b) Implantação do Sistema Produção com alta Qualidade

Os preceitos de produção com alta qualidade é reconhecido pela Contabilidade de Custo nos Estados Unidos. Como este trabalho dos dois professores acima referidos no Peterson Ranch fica provado que este sistema é também aplicável à atividade agrícola. As características deste sistema incluem:

- Aumento do volume de produção sem perder a qualidade,

- Enfase na qualidade,

- Envolvimento dos empregados e

- Eficiente uso das informações.

5) Tendência Contábil entre os Produtos Rurais

Manter uma conta bancária separada para os negócios agropecuários {separando da conta pessoal} é uma condição mínima de controle de caixa para qualquer negócio. A pesquisa revela (veja Anexo 03) que 87% dos produtores rurais inovadores consultados têm sua conta separada, enquanto que na média dos produtores estima-se que apenas 38%, conforme revelação das Instituições Financeiras, tem uma conta individualizada para o negócio, separando das suas despesas particulares. Quase 50% dos produtores consultados indicaram ter três ou mais contas bancárias para atender melhor as suas necessidades pessoais e no negócio.

Uma outra informação digna de realce no Anexo citado é que 82% dos produtores rurais inovadores ou seus familiares fazem as anotações contábeis, sendo que apensa 15% é feito por empregados que não pertence a família. Destes mesmos produtores 76% calculam custos e receita por unidade produzida, 80% calculam custo da fazenda como um todo e 65% mantém o sistema de inventário permanente. Todos estes dados deixam muito a desejar quando calculado para os produtores em geral.

5) Tendência Contábil entre os Produtos Rurais

Exercício e o Fluxo de Caixa projetado comparado com o atual em base mensal é realizado por também um pouco mais da metade. Apresentamos abaixo um quadro que identifica melhor a frequência da preparação das Demonstrações Financeiras:

Demonstrações

Quantos

Frequência de preparação das DF

Financeiras

Preparam

Mensal

Trimestral

Semestral

Anual

Balanço Patrimonial 81%

27%

09%

11%

51%

Demonst. de Resultado

80%

41%

08%

08%

41%

Fluxo de Caixa Projetado

74%

13%

10%

17%

55%

Comparação do Fluxo de caixa projetado X real

56%

37%

15%

09%

32%

7) Manual de Contabilidade Rural

Uma pesquisa realizada através do Ministério da Agricultura e Alimentação do Canadá em 1982 entre produtores da província de Ontário (14), relatou que 18% desses produtores não fizeram a Demonstração de Resultado do Exercício (ou seja, um simples relatório de Receita e Despesa) e 46% não fizeram o Balanço Patrimonial. Muitos não estavam certos da sua verdadeira posição financeira, da sua lucratividade operacional como um todo e da lucratividade por unidades que estavam liderando.

Em uma outra pesquisa no início da década passada constatou-se que 44% do total do passivo dos passivos dos produtores rurais canadenses eram dívidas referentes a créditos agrícolas concedidos por instituições financeiras daquele país. Assim estas instituições financeiras passaram a reconhecer o setor rural como um importante "filão" de negócios, identificando a necessidade de informações financeiras mais acuradas e confiáveis.

Por estas razões e outras, estabeleceu-se no início de 1984 um grupo de estudo composto de profissionais contábeis, representantes da comunidade bancária, instituições de crédito agrícolas, representantes do governo [departamento agrícola] e do agricultor, etc para estruturarem um manual de procedimentos contábeis na agricultura conhecido como "CICA Handbook" ou Accounting and Financial Reporting by Agricultural Producer. Cica {Canadian Institute Chartered Accountants} é um órgão semelhante, no Canadá, ao AICPA nos Estados Unidos.

7) Manual de Contabilidade Rural

Alguns comentários sobre importantes posições tomadas pelo grupo de estudo constante no manual se fazem necessários.

a) Referente ao método contábil há o comentário que os produtores rurais tem preferido a base do caixa principalmente para atender as exigências do Imposto de Renda. Como resultado, raramente eles dispõem dos relatórios contábeis suficientes para analisar o desempenho do negócio e a real posição financeira e econômica.

O grupo de estudo foi unânime em concordar que a contabilidade a base de caixa é um instrumento inadequado para avaliar o desempenho do negócio. As despesas devem ser confrontadas com as respectivas receitas; inventários devem ser registrados; contas a receber e a pagar, provisões e pagamentos antecipados devem ser reconhecidos. Outras informações relevantes como estas só serão possíveis a base de competência.

7) Manual de Contabilidade Rural

b) O manual também enfatiza a importância do método de custo para a

avaliação do ativo como na maioria das atividades. Não é dado crédito para a avaliação a base do valor corrente. Em geral, é entendido que os montantes relatados a base do método de custo são mais precisos, mais limitados, imediatamente determinável e mais facilmente verificável quando comparado ao valor de mercado.

c) No que tange ao inventário o manual identificou como itens a venda, o

rebanho para corte pronto para ser vendido, a safra colhida e os produtos decorrente do rebanho esperando liberação. Como itens em processo identificou-se as culturas anuais em desenvolvimento ou em estágio ainda não acabado e o rebanho na fase de engorda que será vendido no futuro. Os itens de consumos considerados são aqueles produtos usados no desenvolvimento da cultura e os usados no processo de alimentação do rebanho. Assim não são considerados neste item os animais destinados a reprodução ou produção e as culturas de vida intermediária como pomares, árvores e as demais culturas permanentes ou perenes.

7) Manual de Contabilidade Rural

d) O manual trata como ativos intermediários plantas, árvores e culturas em geral que demoram mais de um ano para produzirem. Como exemplo, pastagem, forragens para silagem, cerejeiras e outras culturas que levam mais tempo para produzir.

A maioria usa da prática contábil de capitalizar o gasto da formação com a

cultura adicionando-se os demais custos até a fase de produção. O AICPA defende a capitalização de todos os custos diretos e indiretos incorridos até a maturação e, a seguir, a depreciação com base no número de anos estimados de produção. Há ainda a abordagem de contabilizar tais plantas ao preço de mercado.

O manual entende que os respectivos custos da plantação, todo o material, mão

de obra e custos indiretos incorridos no plantil e manutenção da cultura, desde o crescimento até o estágio de produção deveria ser ativado. Para alcançar o perfeito confronto entre despesa e receita, tais ativos deveriam ser depreciados no período de produção da plantação.

Em geral, o chamado ativo intermediário inclue o rebanho de produção e de produção. O primeiro inclue animais maduros ou em crescimento destinados a procriação; o segundo trata de animais que proporcionam serviços ou produtos não relacionados a reprodução. É reconhecido que a identificação e segregação dos custos referentes ao gado em formação e ao gado em formação e ao gado do ativo intermediário em estágio de produção não é uma tarefa simples,

principalmente onde ainda não há posição bem definidas quanto ao destino do rebanho: venda ou manutenção.

Relatórios Contábeis Confiáveis

mostra que a cada dia administradores rurais e instituições financeiras estão aumentando a sua atenção para a necessidade de uma Administração Financeira rural mais acurada; mostra ainda que problemas como empréstimos rurais não líquidos, erros na Administração Financeira, negócios rurais mal

sucedidos

tem como uma das principais origens o sistema de relatórios

, financeiros inadequados.

O estudo indica que a maioria das fazendas canadenses freqüentemente operam ou fazem análise financeira como dados inadequados no auxílio à Administração Financeira. As principais deficiências apontadas nesta área são:

a) a qualidade dos registros contábeis ao nível da fazenda;

b) a

organização

dos

dados

financeiros

dentro

dos

Demonstrações Financeiras;

detalhes

das

c) o uso da Demonstração Financeira na análise e tomada de decisões.

Relatórios Contábeis Confiáveis

Os autores alegam também que muitos fazendeiros têm sido relutantes em assumir os custos de um eficiente sistema contábil. Em seguida são comentados cinco áreas de problemas específicos na atual prática dos informes financeiros:

a) terminologia inconsistente;

b) estrutura incosistente das Demonstrações Financeiras;

c) mensuração de desempenho incorreta e incosistente;

d) falta de uma checagem acurada nos registros contábeis rurais;

e) falta de uma checagem acurada na preparação das Demonstrações Financeiras.

São colocadas algumas propostas no sentido de resolver os pontos fracos do setor, como:

a) um levantamento mais abrangente dos problemas relativos aos relatórios financeiros;

b) o setor deveria se conscientizar mais das inconsistências das

terminologias na Contabilidade Rural e na análise financeira rural;

c) adotar relatórios padronizados, uniformes para a Contabilidade Rural e as Demonstrações Financeiras;

d) operar as demonstrações integradas e coordenadas como a comentada no item 8 deste trabalho.

Fluxo de Caixa

Receita Recebida (-) Despesas Pagas

Resultado Financeiro

Não considerada acréscimo no estoque agropecuário (Lucro)

Considerada Acumulação de INSUMOS como fertilizantes (Despesas Pagas)

Não considerada Depreciação/Exaustão etc.

Vantagens:

1)

Simplicidade (Não registra estoque/depreciação

)

2)

Reduz. a princípio, o I.R. (compra de INSUMO a vista) controla as flutuações

anuais do Lucro Tributável. 3) Pecuarista em expansão - reduz I.R. - crescimento/engorda provoca desembolso/Não considera o ganho de crescimento.

Fluxo de Caixa

Desvantagens 1) Venda de uma produção Acumulada (esperando preço) 2) Não reduz o lucro com perdas de ANIMAIS, colheitas, depreciação

Regime de Competência Preferido pelos profissionais contábeis É tido como complexo (comparado com o Caixa)

AS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS pedem 2 relatórios

Diferença Caixa x Competência

88%

36%