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1. APRESENTAÇÃO

O Zoneamento Econômico, Ambiental, Social e Cultural de Rio Branco ZEAS, que está sendo elaborado pelo poder público municipal, se pauta pelos princípios da participação, equidade, sustentabilidade, visão holística e sistêmica, que possibilite estabelecer as relações de interação e interdependência entre os eixos físico-biótico, sócio-econômico e cultural-político. É um desafio inovador e extraordinário. Grande parte desse desafio está centrado no eixo cultural e político onde se pretende desenvolver uma metodologia participativa para se construir indicadores políticos capazes de aferir o nível de cidadania e participação, informação e cultura política dos cidadãos de Rio Branco. Como tratar um tema dessa envergadura cuja natureza é carregada de subjetividades, emoções, paixões e preconceitos? Como transitar e estabelecer um diálogo entre a Ciência Política, o bom senso pragmático e o senso comum? Como medir e estabelecer os graus e variações entre os níveis que separam a consciência ingênua da consciência crítica e organizativa dos munícipes de Rio Branco? Quais os parâmetros para se caracterizar o cidadão “apático e inocente”, que desconhece seus direitos; o “acomodado”, que espera, passivamente, seus direitos; a “vítima”, que só sabe se queixar, mas não sabe agir; o “chato”, que cobra seus direitos, mas, de forma errada e o “cidadão consciente”, que conhece os seus direitos e deveres e tem compromisso com a cidade? Eis algumas questões desafiadoras para a elaboração dos indicadores políticos de Rio Branco. Ademais, não se dispõe de uma bibliografia de apoio, que possa fornecer alguma luz na construção do trabalho. Ressalte-se ainda, a dimensão tempo-espacial, que conforma o universo da pesquisa a ser empreendida. Rio Branco, na sua área urbana, comporta 170 e bairros distribuídos em 7 regiões administrativas e mais 2 Regionais Rurais com mais de 70 comunidades. São 177 Associações de Moradores, 22 Conselhos ligados a Prefeitura Municipal, dezenas de Partidos Políticos, Federações / Associações de categorias profissionais, Sindicatos de Classe, Cooperativas, Organizações não Governamentais, Clubes de Serviços, Entidades Filantrópicas, etc.

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O primeiro passo é identificar e mapear toda essa malha que configura a sociedade civil organizada, suas conexões, as relações internas de poder, suas relações com o poder público municipal e outros setores da sociedade. Na seqüência, o segundo passo, será estabelecido um diálogo com os agentes públicos municipais que se relacionam mais diretamente com essas organizações. O terceiro passo é entrevistar e aplicar questionários, por amostragem, junto a essas entidades envolvendo as lideranças dirigentes e associados. A partir da sistematização e análise das informações, proceder-se-á a construção dos indicadores políticos. Um tema essencial do trabalho é a análise político-eleitoral de Rio Branco. O horizonte temporal da pesquisa será de 20 anos (1988-2008). Período que compreende a promulgação da Constituição Federal, em vigor, a chamada “Constituição Cidadã”, como foi batizada pelo Presidente do Congresso Constituinte, Ulisses Guimarães, até a recente eleição municipal de 2008. Nesse período ocorreram 11processos eleitorais, sendo 6 municipais e 5 estaduais. Para subsidiar as análises serão definidas, conceitualmente, as categorias político-sociológicas através de um glossário das principais termos políticos utilizados no trabalho. A abordagem teórica histórica-crítica e os princípios da metodologia participativa como prevê o ZEAS serão os balizadores do trabalho.

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2. JUSTIFICATIVA

“Um tijolo na cidade, outro na cidadania.”

Desde que os gregos “inventaram” a política, a democracia e a cidadania, inaugurando o processo civilizatório da humanidade, que os referidos temas estão em debate e em permanente construção. A política permeia todos os poros do tecido social e, como tal, diz respeito tanto aos agentes públicos com mandatos eletivos, como ao cidadão comum, mesmo àqueles, que dizem “não gostar de política”. Essa aversão popular à política está assentada no senso comum, na desinformação e faz parte de um sofisticado processo de dominação ideológica. É conveniente para as elites dominantes manter a massa acomodada, o povo apático e o simples cidadão alienado e afastado dos processos de decisão que, para uma imensa maioria, se restringe ao ato de votar delegando para alguém a sua representação. A Prefeitura Municipal de Rio Branco, que vem imprimindo uma gestão popular e democrática, é muito feliz quando aborda no Zoneamento da cidade um eixo para tratar da sustentabilidade política. Como se sabe, sem sustentabilidade política não há desenvolvimento, pois não há a promoção integral das pessoas (desenvolvimento humano), de todas as pessoas (desenvolvimento social) e das pessoas que ainda estão por vir (desenvolvimento sustentável). A sustentabilidade política diz respeito à ampliação da liberdade e da democracia. De uma relação, menos tensionada, entre governantes e governados; do poder exercido com moderação e compartilhamento; de uma cidadania ativa exercida com compromisso social e com a compreensão clara de que, os direitos também implicam em deveres. Portanto, cabe ao gestor público municipal cuidar, não apenas da cidade, do ambiente físico, das obras urbanísticas, etc., mas, fundamentalmente, cuidar do cidadão, do morador da cidade e este, por sua vez, devia se comportar como o cidadão da polis Ateniense, cuja constituição previa que nenhum cidadão podia se omitir sobre os assuntos da cidade,” (ARENDT, 1993) - a tão sonhada - cidadania ativa, participante. A prefeitura assenta “um tijolo na cidadania,” quando contempla no seu Zoneamento, esse tema da cultura política procurando identificar a intricada teia das

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organizações sociais da cidade (seu capital social) e de como atua o cidadão nessas entidades (capital humano), procurando construir indicadores políticos para se medir a politização, a participação, organização e o nível de cidadania que pode ser conferido ao município de Rio Branco.

3. OBJETIVOS

a) Estabelecer mecanismos metodológicos, de caráter participativo, para a construção dos “Indicadores Políticos” da cidade de Rio Branco;

b) Elaborar indicadores referentes a participação, organização e cidadania para aferir o nível de cultura e engajamento político dos munícipes de rio Branco;

c) Mapear a rede das entidades que conformam a malha das organizações da sociedade civil de Rio Branco.

d) Formular e dimensionar indicadores da legitimidade do poder municipal (Prefeitura e Câmara de Vereadores).

4. METODOLOGIA

A metodologia a ser utilizada na consecução do trabalho será de caráter participativo, buscando o permanente diálogo com os agentes públicos e demais atores sociais envolvidos. Envidar-se-á esforços buscando compartilhar conhecimentos e trocas de informações para subsidiar a construção doa indicadores. O tratamento das informações e sistematização do documento se apoiou na teoria histórica - crítica e no método dialético de análise.

5. PASSOS A SEREM PERCORRIDOS

a) Compilação da bibliografia de apoio (Revisão bibliográfica);

b) Levantamento dos dados e informações secundárias para o mapeamento das entidades da sociedade civil organizada;

c) Visita técnica as instituições para as sondagens preliminares;

d) Elaboração de questionários e roteiros de entrevistas semi-estruturadas;

e) Entrevistas com lideranças políticas, civis e sindicais sobre a história do Projeto da FPA e a construção do seu poder;

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f) Aplicação, por amostragem, dos questionários e entrevistas;

g) Tratamento e sistematização das informações;

h) Elaboração de relatórios parciais das atividades programadas;

i) Redação do artigo síntese do trabalho para o ZEAS.

6. DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO

Conforme esboçado na metodologia, iniciamos o trabalho procurando identificar a teia das entidades da sociedade civil de Rio Branco. Conseguimos listar 530 entidades, conforme quadro abaixo, salientando de antemão que essa foi uma primeira aproximação para identificar a referida rede de organizações que, com certeza, está incompleta, mas, não deixa de ser um número bastante expressivo.

QUADRO 1- REDE DAS ENTIDADES DA SOCIEDADE CIVIL ORGANIZADA DE RIO BRANCO.

ENTIDADES

QUANTIDADE

OBSERVAÇÕES

(Nº)

Partidos Políticos

24

14 com registro atualizado no TRE/AC

Federações

06

Da Indústria, Comércio, Agricultura, etc.

Centrais Sindicais

03

CUT, Força Sindical e FBTT

Cooperativas:

59

 

Crédito Mútuo

06

 

Transporte

05

 

Saúde

03

 

Agropecuária

10

 

Trabalho

23

 

Produção

09

 

Turismo e lazer

02

 

Habitação

01

 

Conselhos Profissionais

06

OAB, CREA, CRM, CRMV,C etc.

14

Conselhos temáticos- PMRB

22

 

ONGs/OSCIPS

39

 

Sindicatos

58

 

Associações (grande porte)

06

ACISA, AMAC, AABB, ASMAC, UMAMRB

Associações de Bairros

177

 

Associações Rurais

76

 

Associações Beneficentes e filantrópicas

14

APAE, Lar dos Vicentinos, MORHAN, etc.

Associações Esportivas e de lazer

30

 

Clubes de Serviço

02

Lyons e Rotary

Clubes Maçônicos

02

 

Entidades Estudantis

02

DCE/Centros Acadêmicos e CEA

Fundações

06

 

Associações dos Homossexuais

01

 

TOTAL

533

 

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

Feita a listagem preliminar dessas entidades, estabelecemos em 10% o tamanho da amostra para aplicarmos três questionários, (formulários anexos), no sentido de conhecermos melhor como funcionam essa entidades. No primeiro, procuramos identificar o perfil institucional das entidades, procurando conhecer sua estrutura organizacional, sua documentação, suas condições operacionais e suas relações com o poder público municipal e estadual. No segundo questionário procuramos sondar o perfil político-ideológico das lideranças que dirigem as referidas entidades. Procurou-se saber sua preferência partidária, suas pretensões eleitorais para cargos eletivos, sua ideologia política, suas opiniões sobre a Reforma Política e suas referências em relação às personalidades históricas e personalidades políticas nos âmbitos mundial, nacional e regional / local.

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Procuramos saber ainda sobre o conceito que as lideranças têm das demais instituições da sociedade civil brasileira e suas opiniões sobre virtude, deformação política e sonho de sociedade. Ainda no segundo questionário, aplicou-se um teste de opinião para sondar onde as lideranças se situam no campo das liberdades individuais e da relação entre o Estado e a Economia, a partir de 20 (vinte) perguntas elaboradas pelo sociólogo Alberto Almeida, que ele denominou de “politicômetro.” Esse instrumento de sondagem torna-se interessante porque permite fazer o cotejamento entre o que as lideranças admitem que seja, no campo político- ideológico, e o que realmente são, quando respondem com sinceridade as questões formuladas. O terceiro questionário foi destinado, especìficamente, aos partidos políticos que funcionam em Rio Branco. Procurou-se conhecer suas estruturas com número de diretórios, número de filiados, parlamentares, cargos executivos, etc. Seu funcionamento orgânico, sua inserção nos parlamentos e na sociedade e a posição do partido quanto às principais questões da reforma Política. É necessário registrar, que tivemos muitas dificuldades para aplicar os questionários. Mesmo dispondo de duas bolsistas, em meio expediente, e contando com o apoio de veículo da Prefeitura e ajuda do setor que articula o trabalho nas regionais da cidade, extrapolamos o tempo previsto para desenvolver essa atividade. Descompasso entre a agenda das lideranças e da nossa equipe, que não permitia aplicar os questionários diretamente quando das nossas visitas as entidades. Quando se deixava o questionário para posterior recebimento, não era respondido no prazo combinado e, até não respondido, o que nos obrigava a sortear outra entidade. O fato é que recebemos o último questionário no dia vinte e um de setembro o que protelou, por sua vez, a tabulação e tratamento dos dados e suas análises. Anote-se, ademais, que três instituições de peso social recusaram-se a responder o segundo questionário sobre o perfil das lideranças (a Federação da Agricultura e Pecuária e duas ONGs, a SOS Amazônia e o Conselho Indigenista Missionário CIMI). A primeira achou as questões banais, o CIMI considerou as questões muito subjetivas e a SOS Amazônia, simplesmente, deixou em branco sem explicar os motivos.

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QUADRO 2 RELAÇÃO DAS ENTIDADES PESQUISADAS

 

ENTIDADES

 

CNPJ

ENTREVISTADOS

1.

Fed. dos Trabalhadores da

 

05.395.850/0001-50

Maria Sebastiana Oliveira de Miranda

Agricultura do Acre FETACRE

2.

Fed. Das Indústrias do Estado

14.365.215/0001-35

João Francisco Salomão

do Acre FIEAC

 

3.

Federação da Agricultura e

   

Assuero Doca Veronez

Pecuária do Estado do Acre

4.

Ordem

dos

Advogados

do

04.087.953/0001-90

Florindo Silvestre Poerch

Brasil OAB

 

5. ACISA

 

63.599.120/0001-77

Adem Araújo da Silva

6. Junta Comercial do Estado do

34.709.279/0001-07

João Batista de Queiroz

Acre JUCEAC

 

7.

Associação dos Municípios do

01.838.734/0001-07

Raimundo Angelim Vasconcelos

Acre AMAC

 

8.

União Municipal das

 

14.352.993/0001-30

Gilson Rodrigues de Albuquerque

Associações dos Moradores de Rio Branco UMAMRB

9.

Coop. De Trabalhadores

 

03.713.023/0001-31

José Roberto de Araújo

Autônomos em Serviços Gerais

10.

Organização das

   

Emerson Costa Gomes

Cooperativas do Acre - OCB

11.

Coop. De Serviços da

 

07.211.380/0001-52

José Roberto da Silva Barbosa

Amazônia - COOPSAM

12.

Coop. Central de

 

04.814.502/0001-07

Manoel José da Silva

Comercialização Extrativista do Est. do Acre - COOPERACRE

13.

Coop. De Produtores de

 

10.663.905./0001-03

Cícero Medeiros Brandão (Pita)

Polpa do Estado do Acre- COOPERPOLPA

14.

Coop. De Economia e Crédito

34.709.527/0001-01

Solange Lins Ribeiro de Matos

Mútuo dos Servidores Públicos

CEMATER

   

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15.

Associação dos Produtores

63.603.351/0001-07

Antonino Torres Cabreiro

Rurais da Estrada do Quixadá

16.

Associação dos Produtores

01.700.679/0001-94

Francisco Mota da Silva

Rurais do Pólo Agro florestal Benfica

17.

Associação dos Produtores

 

Fátima Maria Pedrosa Maciel

Rurais União Baixa Verde

18.

Associação dos Produtores

14.365.167/0001-60

Roseneide Souza da Silva

Rurais Raimundo Melo

19.

Central Única dos

60.563.731/0037-88

Maria da Conceição Alves

Trabalhadores do Acre CUT /

AC

20.

Sindicato dos Trabalhadores

04.125.191/0001-79

Manuel da Silva Lima

em Educação do Estado do Acre

SINTEAC

21.

Sindicato dos Empregados

05.389.697/0001-58

Edjane de Araújo Batista

em Estabelecimentos Bancários do Estado do Acre

22. SINTESTE

34.703.058/0001-13

José Alberto de Araújo Lima (Lote)

23. Sindicato dos Comerciários

84.318.807/0001-67

Francisco Roberto das Neves

do Estado do Acre

24.

Centro dos Trabalhadores da

04.593.380/0001-16

Hélio Guedes Vasconcelos Silva

Amazônia CTA

25.

Comunidade Corrente do

11.015.460/0001-00

Leonardo de Alencar Barbosa Fleming

Bem CCBEM

26.

Central de Articulação das

05.889.641/0001-62

Elisama Maria de Lima

Entidades de Saúde CADES

27.

Conselho Indigenista

00.479.105/0001-74

Lindomar Dias Padilha

Missionário CIMI

28.

Associação dos Produtores

01.070.557/0001-61

Marlene Silva do Nascimento

do Pólo Geraldo Mesquita

29.

SOS-Amazônia

14.364.434/0001-85

Silvia Brilhante

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30.

Grupo de Pesquisa e

63.590.269/0001-95

Edvaldo Amaral Borges (Cazuza)

Extensão em Sistemas Agro florestais do Acre - PESACRE

31.

União da Juventude

 

Francisco Rafael da Silva Nascimento

Socialista - UJS

32.

Rede Acreana de Mulheres e

63.603.658/0001-08

Amine Carvalho Santana

Homens

33.

Ass. Moradores do

07.785.042/0001-24

Lucivaldo daCruz Ramos

Loteamento Farah AMLF

34.

Ass. Moradores do Bairro

14.328.090/0001-59

Antônio Costa de Oliveira

Tancredo Neves

35.

Ass. Moradores do Bairro

 

Antônio Ecídio Pinto da Costa

Cidade Nova

36.

Ass. Moradores do Bairro

14.353.694/0001-10

Janete de Castro Figueiredo

Boa Vista

37.

Ass. Moradores do Belo

14.412.910/0001-96

Clarice Garcia de Lima

Jardim III / Raimundo Melo

38.

Ass. Moradores do Conjunto

07.375.169/0001-75

Francisco Roberto das Neves

Ruy Lino

39.

Ass. Moradores do Terminal

14.332.454/0001-00

José Ribamar Campos

Cadeia Velha

40.

Ass. Moradores do Bairro

10.175.552/0001-94

José Adenilson Fernandes da Silva

Aeroporto Velho

41.

Ass. Moradores do Bairro

14.363.295/0001-75

Maria da Conceição Souza de Freitas

jardim Primavera

42.

Ass. Moradores do Bairro

07.238.562/0001-17

Hélio César Koury Filho

São Francisco

43.

Ass. Moradores do Conjunto

04.215.097/0001-00

Antonio Martins Maia Porto

Xavier Maia

44.

Ass. Moradores da Vila Pedro

04.822.181/0001-92

José Pinheiro Zumba

Rozeno

45.

Ass. Moradores do Conjunto

 

Benedito Paulino da Silva

Esperança I e II

19

46.

Ass. Moradores do Conjunto

14.353.890/0001-20

Felomena Leduino do Nascimento

Nova Esperança

47.

Ass. Moradores do Conjunto

03.798.435/0001-11

Francisco Paulo Abreu

Habitar Brasil

48.

Ass. Moradores do Bairro da

01.008.023/0001-05

Pedro Barbosa da Silva

Paz

49.

Ass. Moradores do Bairro da

 

Raimundo Alves Fernandes

Estação Experimental

50.

Ass. Moradores do bairro

00.640.812/0001-00

Maria Eliane Lopes da Silva

Chico Mendes

51.

Ass. Moradores do Bairro

14.368.419/0001-05

Cassimiro Andrade de Souza

Raimundo Melo

52.

Central dos Trabalhadores e

09.328.728/0001-11

José Chaves da Silva.

Trabalhadoras do Brasil - CTB

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

QUADRO 3 TIPOLOGIAS DAS ENTIDADES PESQUISADAS

ENTIDADES PESQUISADAS

QUANTIDADES (nº)

(%)

Associações de Bairros / Moradores

18

34,7

Associações de Produtores Rurais

06

11,5

Federações, Conselhos e grandes Entidades

08

15,4

Cooperativas

06

11,5

Organizações Não Governamentais - ONGs

08

15,4

Sindicatos e Centrais Sindicais

06

11,5

TOTAL

52

100,0

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

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7. A SOCIEDADE CIVIL ORGANIZADA DE RIO BRANCO

7.1CLAREANDO OS CONCEITOS

7.1.1 Sociedade

Segundo o Aurélio, “a sociedade é um ente que se rege por leis comuns, parcerias, associação, agremiação, freqüência habitual de pessoas, contrato consensual em que duas ou mais pessoas se obrigam a conjugar esforços.” A sociedade pressupõe organização, não existe sociedade “desorganizada”, pois os homens e mulheres só sobrevivem em sociedade e esta, por sua vez, só existe se organizada.

7.1.2 Sociedade Civil

A sociedade civil “é a representação de vários níveis de como os interesses

e os valores da cidadania se organizam em cada sociedade para encaminhamento

de suas demandas e em prol de políticas públicas, protestos sociais, manifestações simbólicas e pressões políticas.” (BOBBIO, 1987). A sociedade civil, portanto, é a base de todas as relações, econômicas, culturais, sociais e político-ideológicas, de onde emanam os conflitos que demandam soluções políticas. Couffignal define sociedade civil como “toda forma de organização espontânea ou institucional, duradoura ou não, cuja finalidade é a expressar-se, em determinado momento, sobre a cena política.” (COUFFIGNAL, 2000). Para Marx, a sociedade civil representa a estrutura a base, “o teatro de toda

a história sobre a qual se ergue uma superestrutura política e jurídica.”(MARX, Karl. Critica da Economia Política, in Bobbio, Norberto. O Conceito de sociedade Civil.) Na concepção de Estado Ampliadoconcebido por Gramsci, o teórico italiano desenvolve o argumento que a “sociedade civil e a sociedade política constituem o Estado (hegemonia revestida de coerção). É necessário, portanto, construir a hegemonia na sociedade civil para se chegar ao poder de Estado (direção e dominação da sociedade (GRAMSCI, 1991).

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7.1.3 Sociedade Civil Organizada

É uma parte da sociedade civil que se organiza na luta por maior inserção na atividade política na procura de soluções para os conflitos sociais.

A legitimidade da sociedade civil organizada advém da insuficiência das

ações estatais e de mercado para resolver necessidades humanas.

A isto se junta outra variável que vem legitimando e impulsionando a

crescente organização social, que é o descrédito no papel do legislativo, a crise de representação política, onde se destacam dois fatores: a excessiva fragmentação dos interesses sociais e a perda de centralidade do circuito Governo-Parlamento como itinerário de decisões políticas.” (CAMPILONGO, 1988).

Apesar da expressão ser de uso consagrado na literatura político-sociológica ela não deixa de receber críticas. Algumas, mais amenas, diz-se tratar-se de um pleonasmo, pois não existe “sociedade desorganizada” sendo, portanto, uma redundância. Outros, mais cáusticos dizem que a expressão denota uma discriminação, um modismo, porque não trata e não comporta “os militares”e “os eclesiásticos”, por exemplo.

8. A MALHA DA SOCIEDADE CIVIL DE RIO BRANCO

Rio Branco comporta mais de 500 entidades, no seu espaço rural-urbano. São partidos políticos, sindicatos e centrais sindicais, organizações do terceiro setor (ONGs e OSCIPs), Cooperativas de diversas naturezas, associações recreativas, de lazer e beneficentes, fundações, federações de classe, conselhos profissionais de várias categorias, associações de bairros e de produtores rurais, entre outras.

É uma rede complexa e, ainda incompleta, que permeiam as relações

sociais e de poder na nossa cidade. Neste trabalho, temos a pretensão de fazermos,

numa primeira aproximação, como essas entidades estão estruturadas e a visão de suas lideranças sobre algumas questões da vida social e política. Passamos, dessa forma, a apresentar os dados da pesquisa efetuada junto a essas entidades.

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8.1 RESULTADOS E ANÁLISE DOS DADOS: QUESTIONÁRIO 1

8.1.1 Tecnologia

Um pouco mais da metade das organizações ainda não dispõe de endereço eletrônico e 71,2% não estão conectadas com a tecnologia moderna de comunicação para estabelecer um diálogo mais rápido, em tempo real, com a sociedade. Ressalte-se que 44,2% das organizações, dispõem de Computador, algumas com mais de 10 unidades desse equipamento. Entre as 52 entidades entrevistadas, 22 responderam não dispor de nenhum equipamento (42,3%) foram, bàsicamente, as associações de moradores e a dos produtores rurais.

Possui e-mail?

 

Respostas

Abs.(nº)

Rel.(%)

SIM

25

48

NÃO

27

52

Total

52

100

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

Total 52 100 Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009   Possui site? Respostas Abs. (nº) Rel.(%)
 

Possui site?

Respostas

Abs. (nº)

Rel.(%)

SIM

15

28,8

NÃO

37

71,2

TOTAL

52

100

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

Rel.(%) SIM 15 28,8 NÃO 37 71,2 TOTAL 52 100 Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

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8.1.2 Base Social

O somatório de associados / filiados das 52 entidades pesquisadas atingiu 45.836 pessoas, uma média de 881pessoas por entidade. As organizações que apresentam uma base social mais ampla são as Federações, Centrais Sindicais com seus sindicatos filiados e as Cooperativas de Serviços. As Associações de produtores rurais e algumas Associações de bairros são as que apresentam o menor número de sócios. Em termos relativos, 315 das entidades contam com apenas 50 sócios e 27% não responderam, algumas alegando “não ter sócio” o que nos parece uma contradição em termos uma associação sem sócios. Já as grandes entidades, com mais de 500 sócios / filiados, representam 19% do total, um número bastante significativo.

Base Social (Nº de sócios/filiados)

Respostas

Abs.(nº)

Rel.(%)

até 50

16

30,8

50-150

8

15,4

250-500

4

7,7

500 -1000

3

5,8

+ de 1000

7

13,4

NR

14

26,9

Total

52

100

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

3 5,8 + de 1000 7 13,4 NR 14 26,9 Total 52 100 Fonte: FERNANDES, Marcos

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8.1.3 Orçamento

Quase 50% das entidades não têm orçamento e 3,8% registram um orçamento de menos de mil reais. Trata-se da realidade das associações de bairros e de produtores rurais, onde a maioria dos associados está inadimplente com a associação, em que pese ser quase simbólica, a mensalidade cobrada que é de 3 reais por mês. A quitação da mensalidade ocorre, geralmente, quando se aproxima as eleições das entidades e há disputa de chapas. Nessas ocasiões, os concorrentes, procuram “patrocinadores” para que os moradores se habilitem a votar. Entre as médias entidades, com orçamento entre 50 (cinqüenta) a 500 (quinhentos) mil reais, estão apenas 4 que representa 7,7% da sociedade civil, enquanto as grandes, com mai de 500 mil reais de orçamento anual, representam 15% do universo pesquisado.

Orçamento -2009 (R$ mil reais)

Respostas

Abs. (nº)

Rel.(%)

Menos 1

2

3,8

1 a 5

4

7,7

5 a 50

4

7,7

50 a 500

4

7,7

Mais 500

8

15,4

NTO

25

48,1

NR

5

9,6

Total

52

100

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

500 8 15,4 NTO 25 48,1 NR 5 9,6 Total 52 100 Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio,

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8.1.4 Funcionamento

O funcionamento das entidades em sede própria é a variável mais expressiva em termos de infra-estrutura. Das entidades pesquisadas, 42% funcionam em instalações próprias. As associações de moradores e produtores rurais, na sua grande maioria, funcionam em local cedido ou na própria casa dos seus presidentes e representam 34,7% do total.

Local de Funcionamento

 

Respostas

 

Abs.

Rel.

(nº)

(%)

Sede própria

 

22

42,3

Sede alugada

 

10

19,2

Sede cedida

 

5

9,6

Terreno para construir

2

3,8

Outra

(casa

do

13

25,1

presidente

Total

 

52

100,0

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

Outra (casa do 13 25,1 presidente Total   52 100,0 Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

26

8.1.5 Patrimônio

Entre as entidades da amostra, apenas 3 (três) delas dispõe, no seu patrimônio, de sede campestre com os equipamentos de lazer, campo de futebol, quadra de vôlei. Salão de jogos, etc. Apenas 1(uma) entidade informou dispor de piscina.

Um número que chama atenção, de forma positiva, é que 23% das entidades informaram possuir biblioteca e 40% contam com sala de reunião. Cinco entidades, representando 9,6% do total, contam com refeitório o que dá uma idéia de seu tamanho e importância. 19% das entidades não desfrutam de nenhum equipamento social e de lazer.

Equipamentos Sociais e de Lazer

Respostas

Abs.(nº)

Rel.(%)

Sede Campestre

3

7,7

Piscina

1

1,9

Campo de Futebol

4

7,7

Salão de jogos

1

1,9

Auditório

4

7,7

Biblioteca

12

23,1

Sala de Reunião

21

40

Bar/Lanchonete

5

9,6

Refeitório

5

9,6

Não Tem

10

19,2

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

Bar/Lanchonete 5 9,6 Refeitório 5 9,6 Não Tem 10 19,2 Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

27

8.1.6 Outros Equipamentos

Destaca-se nessa tabela, o fato de quase a metade das entidades não dispor de nenhum tipo de equipamento (42%). Apenas 3 (6%) têm TV por assinatura e 2 (4%) contam com equipamentos de filmar e fotografar. O equipamento de trabalho mais comum é o computador, onde 23 (42%) entidades responderam possuir, algumas com mais de 10 unidades. Em relação a veículos, 16 entidades possuem automóveis e apenas uma dispõe de uma moto.

Equipamentos

 

Tipos de

   

Equipamento

Entidades

Rel.(%)

Automóvel

16

30,8

Moto

1

1,9

Computador

23

44,2

Data-show

9

17,3

TV

17

32,7

TV por assinatura

3

5,8

Câmara

   

(Filmar/fotográfica)

2

3,9

Sem nenhum

   

equipamento

22

42,3

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

2 3,9 Sem nenhum     equipamento 22 42,3 Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

28

8.1.7 Quadro de Funcionários

Quase metade das entidades dispõe de um corpo de funcionários (48%). A divisão é equilibrada entre os de nível superior (44%) e os de nível médio (42%). Chama atenção a pouca participação de funcionários de escolaridade elementar, apenas de 9%, bem como, de bolsistas que somam uma dezena.

 

Funcionários

Respostas

Abs.(nº)

Rel.(%)

Sim

25

48

Não

27

52

Total

52

100

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

Funcionários por escolaridade

Respostas

Abs.

Rel.(%)

(nº)

Nível Superior

102

43,7

Nível Médio

99

42,4

Nível Elementar.

22

9,4

Bolsista/Estagiários

10

5,3

Total

233

100

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

22 9,4 Bolsista/Estagiários 10 5,3 Total 233 100 Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009
22 9,4 Bolsista/Estagiários 10 5,3 Total 233 100 Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

29

8.1.8 Escolha dos Dirigentes

As grandes maiorias das entidades escolhem seus dirigentes através do voto secreto (71,3%), cumprindo as disposições estatutárias de expedição de edital convocando a eleição, formação de chapas, quitação dos sócios, etc. A coordenação do processo eleitoral das Associações de Moradores é feita pela União Municipal das Associações dos Moradores de Rio Branco UMAMRB. A Associação deve estar com a sua contribuição em dia com a UMAMRB e os sócios, por sua vez, devem estar adimplentes com a sua Associação para ter direito a participar do processo eleitoral. Algumas Associações estabelecem períodos de residência no bairro para poder disputar a direção da entidade.

Escolha dos Dirigentes

Respostas

Abs. (nº)

Rel.(%)

Voto Secreto

37

71,3

Por Aclamação

10

19,2

Secreto/Aclamação

2

3,8

Nomeação

1

1,9

NR

2

3,8

Total

52

100

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

2 3,8 Nomeação 1 1,9 NR 2 3,8 Total 52 100 Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

30

8.1.9 Mandato

Algumas estabelecem um tempo mínimo de 6 meses, outras de 1 ano e outras, mais exigentes,de 2 anos. Merece um destaque, para um dispositivo que algumas Associações exigem para o registro de chapas, que é a expedição pela Secretária de Segurança, de uma “Certidão de Bons Antecedentes”. Candidatos com “ficha suja na polícia” não podem concorrer. Quando não existe disputa de chapas, a eleição é com chapa única, 19% admitem a eleição por aclamação. Apenas uma entidade, a Junta Comercial, tem seus dirigentes escolhidos por nomeação.

Duração do Mandato

Respostas

Abs.(nº)

Rel.(%)

2 anos

24

46,2

3 anos

15

28,8

4 anos

10

19,2

NR

3

5,8

Total

52

100

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

Total 52 100 Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009 Com relação à duração do mandato, o período

Com relação à duração do mandato, o período predominante é de 2 anos em 46,2% das entidades. Ressalte-se, entretanto, que mandatos de 3 e 4 anos aparecem, também, com números expressivos de 28,8% e 19,2%, respectivamente.

31

8.1.10 Recondução do Mandato

São 25 entidades, quase 50% do total, com mandato superior a 2 anos, os quais se multiplicam em face do mecanismo de recondução que é muito flexível, como veremos na tabela seguinte.

Recondução do Mandato

Respostas

Abs.(nº)

Rel.(%)

1 vez

7

13,5

2 vezes

11

21,2

3 vezes

3

5,8

4 vezes

1

1,9

Sem Limitação

18

34,6

Estatuto Omisso

2

3,8

NR

10

19,2

Total

52

100

2 3,8 NR 10 19,2 Total 52 100 Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009 Apenas 7 entidades

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

Apenas 7 entidades (13,5%), limitam a recondução do mandato por 1 vez. Chama atenção o fato de 38,4%, por omissão dos Estatutos, ou mesmo por conveniência, não estabelecerem limites para a reeleição. Tal mecanismo enseja a “perpetuação” dos Presidentes nas Associações de Moradores e de Produtores Rurais, nos cargos. Não raro, vê-se presidentes, que estão há mais de 10 anos nos cargos, tornando-se quase proprietários” das

32

entidades. Fato que ilustra bem esse processo é o da Ordem dos Advogados do Brasil OAB/AC, que ficou na mão de um único presidente por 36 anos consecutivos, de 1970 a 2006. Uma marca digna do livro dos recordes. Essa possibilidade de concorrer “ad infinitotraz como conseqüência, nefasta, por sinal, uma estagnação no processo de renovação de lideranças e da salutar alternância no poder, que é um dos pressupostos da democracia. Das 52 entidades pesquisadas, 11 (21,2%) permitem a recondução por 2 vezes; 3 (5,8%), por 3 (três) vezes e 1 (2%) por 4 vezes. Um número, que consideramos expressivo, de 10 entidades (19%) não respondeu essa questão

Mantém Convênio / Parceria com o Poder Público?

Respostas

Abs. (nº)

Rel.(%)

Sim

23

44,2

Não

27

52

NR

2

3,8

Total

52

100

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

 

Instituição Parceira

 

Resp

Abs.(nº)

Rel.(%)

 

PMRB

10

43,5

Gov.Estado

7

30,4

PMRB/G.E

2

8,7

 

NR

4

17,4

 

Total

23

100

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

PMRB/G.E 2 8,7   NR 4 17,4   Total 23 100 Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009
PMRB/G.E 2 8,7   NR 4 17,4   Total 23 100 Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

33

8.1.11 Parcerias

Um número expressivo de 23 entidades (44%) mantém algum tipo de convênio/parceria com o poder público local. Desse total, 43,5% relaciona-se com a Prefeitura de Rio Branco e 30,4% com o Governo do Estado e 2 entidades (8,7%) estabelece parceria/convênio com ambos entes públicos. Os números expressam um bom nível de relacionamento da sociedade civil organizada com os poderes públicos constituídos, que se confirmam nas respostas das tabelas 13 e 14. Na primeira, mais de 70% das entidades consideram que a relação com a Prefeitura é “boa ou muito boa”, 21% consideram “regular” e apenas uma entidade (2%) do total, respondeu ser “insatisfatória.”

Relação com a Prefeitura

 

Respostas.

Abs.(nº)

Rel.(%)

Muito boa

15

28,8

Boa

22

42,3

Regular

11

21,2

Insatisfatória

1

1,9

Não Tem

3

5,8

NR

-

-

Total

52

100

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

Total 52 100 Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009 Esses números são auspiciosos, tanto para Prefeitura como

Esses números são auspiciosos, tanto para Prefeitura como para o Governo do Estado e, talvez expliquem em parte a boa avaliação que as lideranças fizeram dessas instituições quando deram notas para diversas entidades que conformam a sociedade civil no Estado e no Brasil.

34

Já a relação com o Governo do Estado, ficou um pouco abaixo do concedido a Prefeitura, mas não deixa de ser um número expressivo. 67% dos entrevistados consideram a relação com o governo como “boa e muito boa”; 27% como regular e não se registrou nenhuma resposta que considerasse a relação como “insatisfatória”.

14- Relação com o Governo Estadual.

Respostas

Abs.(nº)

Rel.(%)

Muito boa

14

26,9

Boa

21

40,4

Regular

14

26,9

Insatisfatória

0

0

Não tem

2

3,9

NR

1

1,9

Total

52

100

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

0 0 Não tem 2 3,9 NR 1 1,9 Total 52 100 Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio,

35

8.2 RESULTADOS E ANÁLISE DOS DADOS: QUESTIONÁRIO 2

8.2.1

Civil de Rio Branco

Perfil

Político-ideológico

das

Lideranças

da

sociedade

Um número expressivo de lideranças (61%) são filiados aos partidos políticos, o que demonstra um bom nível de maturidade política e de cidadania, considerando que os partidos e a disputa político-eleitoral é o desaguadouro natural de quem atua nos movimentos sociais.

1 - TEM FILIAÇÃO PARTIDÁRIA?

RESPOSTAS

ABS.

(Nº)

REL. (%)

SIM

32

61,50

NÃO

19

36,50

NÃO

RESPONDEU

1

2,00

TOTAL

52

100,00

32 61,50 NÃO 19 36,50 NÃO RESPONDEU 1 2,00 TOTAL 52 100,00 Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio,

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

Em relação à preferência partidária, o destaque vai para o Partido dos Trabalhadores que aglutina quase 60% das lideranças. O PT, portanto, se apresenta como o partido de maior inserção social na sociedade de Rio Branco. Na seqüencia vem dois partidos de esquerda, o Partido Comunista do Brasil PC do B e o Partido Socialista Brasileiro PSB, com uma participação próxima aos 10% cada um. É interessante ressaltar que 9 agremiações partidárias foram citadas, cerca de 1/3 dos partidos que atuam em Rio Branco. Destaca-se também, pela ausência, dois grandes partidos nacionais que não foram citados, - PMDB e PSDB, o que,

36

certamente, indica que essas agremiações, em Rio Branco, estão pouco inseridas nos movimentos comunitários. Embora se registre um número expressivo de lideranças filiadas aos partidos políticos (62%), apenas 17% já concorreram a al gum cargo eletivo. A postulação a uma vaga de vereador na Câmara Municipal de Rio Branco, aparece com 56% da preferência e para a Assembléia Estadual, 33%. Apenas uma liderança postulou o cargo de Prefeito. Trata-se do Prefeito, reeleito, Raimundo Angelim, que concedeu entrevista como presidente da Associação dos Municípios do Acre AMAC. A grande maioria, 81% das lideranças, jamais enfrentaram o veredicto das urnas e 69% delas não pretendem concorrer a cargos no futuro. Apenas 29% das lideranças almejam disputar algum cargo eletivo,sendo que 60%, não tem opinião formada a que cargo irá concorrer.

1.1 - PARTIDO DE FILIAÇÃO

RESPOSTAS

ABS. (Nº)

REL. (%)

PT

18

56,20

PC do B

3

9,40

PSB

3

9,40

PPS

2

6,30

PR

2

6,30

PMN

 

1 3,10

PSC

 

1 3,10

PSTU

 

1 3,10

PT do B

 

1 3,10

TOTAL

32

100,00

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

PSTU   1 3,10 PT do B   1 3,10 TOTAL 32 100,00 Fonte: FERNANDES, Marcos

37

2 - JÁ CONCORREU A CARGO ELETIVO?

     

REL.

RESPOSTAS

ABS. (Nº)

(%)

NÃO

   

42

80,80

SIM

   

9

17,30

NÃO

     

RESPONDEU

 

1

1,90

TOTAL

   

52

100,00

2.1 - CARGO

 
 

ABS.

 

CARGO

(Nº)

REL. (%)

VEREADOR

 

5

55,6

DEP. ESTADUAL

3

33,3

PREFEITO

 

1

11,1

TOTAL

9

100,00

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

ESTADUAL 3 33,3 PREFEITO   1 11,1 TOTAL 9 100,00 Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

38

3 PRETENSÕES FUTURAS DE CONCORRER A CARGOS ELETIVOS?

RESPOSTAS

ABS.

REL.

(Nº)

(%)

NÃO

36

69,20

SIM

15

28,80

SEM OPINIÃO

   

FORMADA

1

2,00

TOTAL

52

100,00

3.1 CARGO

 

CARGO

ABS.

REL.

(Nº)

(%)

OUTROS/NÃO

 

ESPECIFICADO

9

60,00

VEREADOR

4

26,70

DEP. ESTADUAL

2

13,30

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

4 26,70 DEP. ESTADUAL 2 13,30 Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009 Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009
4 26,70 DEP. ESTADUAL 2 13,30 Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009 Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

39

4 - POSIÇÃO POLÍTICO / IDEOLÓGICA

     

REL.

RESPOSTAS

ABS. (Nº)

(%)

LIBERAL

11

 

21,20

ESQUERDA

10

 

19,20

DEMOCRATA

10

 

19,20

SOCIALISTA (DE ESQUERDA)

7

 

13,50

CONSERVADOR

6

 

11,50

COMUNISTA

3

 

5,80

CENTRO

2

 

3,80

OUTRO

     

(LIBERTÁRIO)

1

2,00

NÃO

     

RESPONDERAM

2

3,80

TOTAL

52

 

100,00

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

      RESPONDERAM 2 3,80 TOTAL 52   100,00 Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

40

-

Politicômetro.

8.2.3

Cotejamento

entre

a

Auto-definição

Ideológica

e

o

teste

do

Auto - definição Político-ideológica

 

Teste do Politicômetro

De Esquerda 10

4

Liberais de Centro esquerda;

5

Antiliberais de Centro- esquerda;

1

Antiliberal de centro-direita

Socialistas 07

2

Antiliberais de Centro- direita;

4

Antiliberais de centro -esquerda

1

Liberal de Centro - direita

Comunistas 03

1

Liberal da esquerda Moderada;

1

Liberal de Centro- esquerda;

1

Liberal de Centro- direita

Liberal 11

4

Liberais de Centro esquerda;

.

3

Liberais de centro-direita;

4

Antiliberais de centro-esquerda.

Democrata -10

3

Antiliberais de centro esquerda;

2

Liberais de centro direita;

1

Antiliberal de Centro- direita;

4

Liberais de centro -esquerda

Conservador 06

1

liberal de centro-esquerda;

1

Liberal de centro- direita;

1

Antiliberal de centro- direita;

3

Antiliberais de centro- esquerda.

Centro 02 (as mais coerentes)

2

Liberais de centro- esquerda

Libertário - 01

 

1

Liberal de centro-esquerda

Antes de analisarmos as respostas sobre a auto-definição político-ideológica e seu cotejamento com a sondagem do “Politicômetro” e, a título de ilustração, se faz necessário clarear esses conceitos que balizam o vocabulário político na distinção dos personagens que atuam na vida pública.

41

9. CLAREANDO OS CONCEITOS

9.1 ORIGEM HISTÓRICA DAS EXPRESSÕES DIREITA E ESQUERDA

“As expressões “direita” e “esquerda” remontam ao processo revolucionário desencadeado pela Revolução Francesa de 1789. Na 3ª fase desse processo é proclamada a República na França e a Assembléia Legislativa é substituída pela Convenção Nacional (1792-1795), eleita por sufrágio universal. As tensões ideológicas entre os deputados da Convenção se acentuam e definem-se aos partidos políticos: Girondinos (direita): Assim chamados, porque seus líderes eram provenientes da Gironda, um departamento francês. Representavam à alta e média burguesia republicana e assumiam posições conservadoras com o objetivo de garantir a liberdade econômica e suas propriedades. Temiam a participação política das massas populares, optando pelo sistema eleitoral do voto censitário (só votava quem tivesse determinada renda). No plenário, sentavam-se do lado direito, dando origem ao termo. Jacobinos (esquerda): Eram assim chamados porque se reuniam no convento de Saint Jacques, em Paris. Também eram chamados de “Montanha” por ocuparem os lugares mais altos da Câmara. Os Jacobinos representavam a pequena burguesia e as camadas populares. Liderados por Robespierre e Saint-just, eram apoiados pelos Sans-Culottes (sem camisa), precursores do proletariado urbano. Os Jacobinos queriam aprofundar a Revolução, aumentando os direitos do povo. Sentavam-se á esquerda no plenário, originando o termo ”esquerda”. Planície ou Pântano (centro): Assim Chamados por ocuparem os lugares mais baixos da Câmara. Caracterizavam-se pela indefinição política, apoiando, ora os Girondinos, ora os Jacobinos. Também representavam a burguesia. O oportunismo político e a corrupção predominavam entre seus membros.” (SARONI e

DAROS,1986)

9.1.2 As Expressões nos Debates Contemporâneos

Para o jornalista e articulista político da Folha de São Paulo, Marcelo Coelho, na matéria “Brasil Redefine Noção de Esquerda e Direita” tece a seguinte

42

consideração: “A direita não é necessariamente a favor das desigualdades, mas confia em que possam ser diminuídas à medida que favoreça a competitividade geral; minimiza o fator “proteção” e maximiza o “esforço”próprio. Ao passo que a esquerda maximiza a proteção contra a competição social.” Para o filósofo político italiano Norberto Bobbio, no seu livro: Direita e Esquerda. Razão e Significados de uma Distinção Política esclarecem que: “os conceitos “direita e esquerda” são anteriores as polêmicas capitalismo versos socialismo e abrangem atitudes políticas mais amplas. Elas continuam a servir como pontos de referência indispensáveis; são de “esquerda” as pessoas que se interessam pela eliminação das desigualdades sócias, ao passo que a “direita” insiste na condição de que as desigualdades são naturais e, enquanto tal, inelimináveis.” (BOBBIO, 1993). Hoje, são considerados de “esquerda”, genericamente, tanto socialistas como comunistas, que defendem mudanças estruturais no mundo da produção capitalista, bem como, os que defendem mudanças progressivas, não radicais, como os nacionalistas, social-democratas e, até, alguns liberais. Já as pessoas de “direita” defendem a sobrevivência do atual modo de produção e, de uma forma ou de outra, tem posturas conservadoras, contrárias a qualquer tipo de mudanças.

9.1.3 Conservadores

Conservam práticas políticas tradicionais, que se caracterizam pelo assistencialismo, clientelismo e fisiologismo. Os políticos conservadores se utilizam dos seus mandatos para barganharem cargos, empregos e outras benesses do governo. Utilizam-se da estrutura do Estado para prestar “favores” a familiares e terceiros em troca de votos. A prática conservadora de fazer política não leva muito em conta a opinião pública e os movimentos sociais, dos quais, guardam enorme distância. Em relação aos partidos políticos, os políticos conservadores utilizam-nos como “peça de reposição descartáveis”, que se troca na medida das conveniências pessoais e sem nenhum constrangimento.

43

9.1.4Liberais

A ideologia dos liberais está centrada no mercado, como espaço regulador da vida sócio-econômica, na livre iniciativa e na propriedade privada. Para eles as forças do mercado são as grandes mediadoras das questões sociais e que o Estado deve ser o menor possível e que só deveria intervir para garantir o direito da propriedade privada. São de um conservadorismo mais comedido, de posições centristas e uma postura ética e partidária mais conseqüente. Aceitam “ajudar os mais necessitados”, defendem as “privatizações” a desregulamentação do mercado e preconizam o “Estado mínimo”. Em síntese, não se diferenciam muito dos conservadores, tanto assim que um político do Império, Holanda Cavalcante, afirmou: “nada mais igual a um Saquarema (Conservador) do que um Luzia (Liberal) no poder.” (1)

9.1.5 Progressistas

São políticos oriundos dos movimentos sociais, com militância em associações, sindicatos e nos próprios partidos políticos de esquerda. Questionam e combatem o “status-quo. Alguns políticos, mesmo de partidos tradicionais e conservadores, pelas suas preocupações sociais, combatem as desigualdades e defesa da coisa pública, são considerados progressistas. Os parlamentares progressistas exercem uma ação legislativa mais responsável, fiscalizando a aplicação correta dos recursos públicos e debatem os problemas que a sociedade enfrenta.

Saquarema é o nome de um dos mais poderosos chefes da corrente

conservadora na região fluminense; Luzia era o nome dos liberais da batalha de Santa Luzia em 1842, quando da revolução liberal de Minas.

(1)

44

QUADRO RESUMO

POSIÇÃO

IDEOLOGIAS

ECONOMIA

 

ESTADO

Direita

Conservadorismo

 

Estado

Liberalismo

Capitalismo

de

livre

Centralizado

mercado

Estado Mínimo

Centro

Social Democracia

Capitalismo

regulado

pelo

Estado de Bem- Estar-Social. (Welfare Stat)

Estado

Esquerda

Socialismo/Comunismo

Substituição

do

Estado

Capitalismo

pelo

Planejador.

Anarquismo

Socialismo/Comunismo

 

Sociedade

sem

Estado

Fonte: SELL, Carlos Eduardo. 2006 “Liberais”, “democratas” e de “esquerda” são as definições em que se auto- classificam 60% das lideranças de Rio Branco. Como acontece no Brasil, aqui também ninguém se considera de “direita”, no máximo, se denominam de “conservadores” (12%) e de “centro” (4%). No arco político mais a esquerda, 14% das lideranças se definem como de “socialistas” e, apenas, 6% assumem a posição de “comunistas”. Essas auto- definições quando cotejadas com o teste do “Politicômetro”, que contempla 20 perguntas sobre temas variados, com quatro alternativas de respostas (questionário anexo), o resultado situa o entrevistado em relação as liberdades individuais e a sua concepção de Estado. E o resultado dessa sondagem apresenta contradições e/ou incoerência com a posição definida anteriormente pelo entrevistado, conforme esboçado no quadro do item 8.2.3. As contradições mais visíveis são daqueles que se dizem socialistas e comunistas. Entre os “socialistas” detectou-se na sondagem que dois são antiliberais de “centro-direita” e um. é liberal também de “centro-direita” e a “centro-direita”, decididamente, não combina com socialismo. Com os se dizem “comunistas” (apenas três), o teste revelou que são todos “liberais” que flutuam entre a “esquerda moderada” e a “centro-direita”. Aqui fica uma

45

indagação “se já não existem comunistas como antigamente” ou se como bem observou Daniel Cohn-Bandit, líder do movimento estudantil de maio de 68 na França, que disse: “a direita nunca me enganou. A esquerda já.” Entre os onze entrevistados que se auto-definiram como “liberais”, quatro deles, quando confrontados com o teste, se enquadram como “antiliberais” e mais, de “centro- esquerda”. Já os “democratas” (19%), comporta todo o espectro político-ideológico. Nessa classificação tem liberais e antiliberais, que transitam desde a “centro- esquerda” até a “centro-direita”. Já os que se dizem “conservadores”, não são tão conservadores assim, pois quatro deles foram retratados na sondagem como antiliberais, dos quais, três são de centro-esquerda. As incongruências detectadas, apontam para a necessidade de se trabalhar mais essa questão, que além da subjetividade é complexa e comporta muitas variáveis de investigação, entre elas, a variável ideológica, na concepção marxista de revelar apenas parte da verdade/realidade com que nos deparamos.

46

VIRTUDE POLÍTICA

 

RESPOSTAS

ABS. (Nº)

REL. (%)

HONESTIDADE

13

25,40

ÉTICA

6

11,50

SINCERIDADE/FIDELIDADE

6

11,50

CARÁTER

6

11,50

RESPEITO/SERIEDADE

5

9,60

COMPROMISSO

2

3,80

DEMOCRÁTICO

2

3,80

COERENTE

2

3,80

HUMILDE

2

3,80

TRABALHADOR

2

3,80

TRANSPARENTE

1

1,90

SOLIDÁRIO/PRESTATIVO

1

1,90

NÃO RESPONDERAM

4

7,70

TOTAL

52

100,00

1 1,90 NÃO RESPONDERAM 4 7,70 TOTAL 52 100,00 Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

47

DEFORMAÇÃO POLÍTICA

 

RESPOSTAS

ABS. (Nº)

REL. (%)

CORRUPÇÃO/IMPROBIDADE

34

63,00

MENTIRA/FALSIDADE

6

11,00

OMISSÃO

1

4,90

DESCOMPROMISSO

2

3,90

FALTA DE TRANSPARÊNCIA

1

1,90

DEFESA DE INTERESSE PRÓPRIO

1

1,90

FALTA DE CARÁTER

1

1,90

INDIVIDUALISMO

1

1,90

DITADOR

1

1,90

NÃO RESPONDERAM

4

7,70

TOTAL

52

100,00

NÃO RESPONDERAM 4 7,70 TOTAL 52 100,00 Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009 Para as lideranças

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

Para as lideranças de Rio Branco, a “honestidade vale ouro” como assinalado num samba antológico do Nelson Cavaquinho, que leva esse nome (“Minha Honestidade Vale Ouro”).

48

Dos entrevistados, 25% a consideram a principal virtude política vindo, logo em seguida, a ética, a sinceridade/fidelidade e o caráter, empatados em 12% na opinião das lideranças. A honestidade, como se vê, é para a sociedade civil de Rio Branco o principal requisito para o exercício da política. Os números sinalizam, que já não é mais aceitável a tese esposada pelo político paulista, Ademar de Barros, que deixou seguidores por todo Brasil, do “rouba, mas faz”. Considere-se, ademais, que apenas 4% dos entrevistados apontaram a condição de “trabalhador” como uma virtude importante. Coerentes em considerar a honestidade, a ética e a sinceridade como as principais virtudes políticas, as lideranças apontaram que a principal deformação política é a corrupção/improbidade com 65% de indicação. Essa aversão tão avassaladora às práticas de corrupção e improbidade administrativa co percentual tão significativo, demonstra que a sociedade não contemporiza nem se conforma com essas práticas. É provável que esses números reflitam, de certa maneira, a veiculação maciça e massiva na imprensa sobre os escândalos do Senado e do seu Presidente, José Sarney, que estava permanentemente na mídia quando da aplicação do questionário. Outras deformações apontadas foram: mentira e falsidade (12%), omissão, descompromisso, falta de transparência, defesa de interesses próprios, postura ditatorial, individualismo, entre outras, infelizmente, ainda tão presentes na vida política da sociedade. A percepção dessas mazelas pela sociedade civil organizada é, sem dúvida, muito salutar.

49

UM SONHO DE SOCIEDADE

 

RESPOSTAS

 

ABS. (Nº)

REL. (%)

IGUALITÁRIA

 

26

50,10

SEM VIOLÊNCIA

 

5

9,60

DESENVOLVIDA (EMPREGO, RENDA, SANEAMENTO)

 

5

9,60

SEM FOME

 

3

5,80

COM MAIS CIDADANIA

 

3

5,80

COM GOVERNANTES SÉRIOS

 

2

3,80

SOCIALISTA

 

2

3,80

COM JORGE VIANA NA PRESIDÊNCIA

 

1

1,90

COM TODOS ACEITANDO JESUS NO CORAÇÃO

 

1

1,90

NÃO RESPONDERAM

 

4

7,70

TOTAL

 

52

100,00

  4 7,70 TOTAL   52 100,00 Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009 As lideranças de Rio

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

As lideranças de Rio Branco sonham com uma sociedade igualitária (50%). É uma aspiração que remonta as tradições libertárias e fraternais que inspirou a Revolução Francesa e se propagou pelo mundo. O termo sintetiza diversas respostas tabuladas, tais como: justiça social, igualdade entre homens e mulheres, igualdade de oportunidades, acesso para todos aos bens e serviços, etc. Esse sonho está coerente com o perfil político-ideológico das lideranças, onde 60% dizem se situar no campo da esquerda.

50

A questão da violência que aflige todos os centros urbanos, sem exceção,

bem como o problemas de emprego, renda e saneamento aparecem como temas

que merecem destaques. 10% dos entrevistados almejam uma cidade sem violência

e outros 10% querem uma sociedade desenvolvida, incluindo nessa questão do

desenvolvimento a questão do saneamento além da geração de emprego e renda. Registre-se que 4% dos entrevistados tem um sonho singelo que se expressa em desejar, apenas, que os governantes sejam sérios. Nos sonhos, o ex-governador Jorge Viana foi lembrado para presidir o Brasil.

Essa liderança política que já administrou Rio Branco e governou por dois mandatos

o Estado está incorporado, definitivamente, ao imaginário popular, como se verá mais adiante, quando se indaga sobre as personalidades de referência.

9.1.6 Questões Sobre a Reforma Política e Outros Temas Políticos.

Na pesquisa junto às lideranças, procurou-se saber, essencialmente, qual o nível de informação que elas detém em relação à Reforma Política e outros temas correlatos, por entendermos a relevância dessas questões para a vida social e aperfeiçoamento dos costumes políticos.

A primeira observação que se pode fazer é a de que a sociedade de Rio

Branco, através de suas lideranças comunitárias, está, relativamente, bem informada sobre os temas da Reforma Política que, de há muito, está na pauta do

Congresso Nacional. Na opinião de muitos analistas políticos, a Reforma Política, seria a mais importante a ser feita, entretanto, pela sua amplitude e complexidade ainda não foi possível realizá-la porque não se chega a um consenso em muitos de seus pontos. Ela abrange um conjunto de propostas, que visam alterar a legislação, inclusive constitucional, que exige quorum qualificado de 3/5 dos parlamentares em dupla votação nas duas casas do Congresso.

A sua abrangência contempla mudanças na estrutura político-partidária, no

sistema eleitoral e em muitas outros assuntos relacionados aos mandatos e a representação política. São mudanças que, desde a promulgação da Constituição de 1988, vem sendo debatidas e apresentadas propostas sem, entretanto, lograr o consenso

51

necessário nos pontos mais polêmicos, quais sejam: financiamento público de campanha, voto em lista fechada, cláusula de barreira, entre outros. Na sondagem feita com as lideranças, pinçamos alguns temas que nos pareceu mais relevante da Reforma política, os quais serão analisados a seguir.

SOBRE O VOTO

 

RESPOSTAS

ABS. (Nº)

REL. (%)

SER FACULTATIVO

27

52,00

CONTINUAR OBRIGATÓRIO

23

44,20

NÃO RESPONDERAM

2

3,80

TOTAL

52

100,00

NÃO RESPONDERAM 2 3,80 TOTAL 52 100,00 Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009 Sobre o direito ao

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

Sobre o direito ao voto, se ele deve continuar obrigatório ou passar a ser facultativo, as lideranças estão divididas, com uma pequena vantagem de 8 pontos percentuais para os adeptos do voto facultativo. São 52% a favor dessa proposta e 44% favoráveis a que o voto continue obrigatório. Essa é uma questão que merece um esclarecimento. Na verdade o “voto obrigatório”, que muitos criticam, principalmente os conservadores, como uma contradição democrática, na verdade não existe. O que existe é a obrigatoriedade do cidadão alistar-se eleitor, habilitando-se a votar.

52

Estando habilitado o eleitor pode abster-se de votar, justificando a ausência, bem como, anular o voto ou votar em branco expressando seu descontentamento.

FIDELIDADE PARTIDÁRIA

 

RESPOSTAS

ABS. (Nº)

REL. (%)

A FAVOR

43

82,70

CONTRA

7

13,50

NÃO RESPONDERAM

2

3,80

52

100,00

TOTAL

   
2 3,80 52 100,00 TOTAL     Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009 A fidelidade

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

A fidelidade partidária é a questão mais consensual entre as lideranças de Rio Branco, com a expressiva marca de 82,7% a favor demonstra que a sociedade

já não aceita o troca-troca de partidos como ocorria com muita freqüência no Brasil e

no Acre. Ressalte-se, entretanto, que 40% das lideranças quando perguntadas sobre

a Súmula do Supremo Tribunal Federal STF que definiu que o mandato

parlamentar pertence aos partidos, consideraram a decisão equivocada, o que nos

53

parece ensejar uma contradição, considerando um posição tão majoritária, mais de 80%, favorável a fidelidade.

A título de informação, registre-se que, a fidelidade partidária, vigorou

durante o regime militar sendo abolida em 1985 no governo de José Sarney (E.C. nº 25/85). Agora mais recentemente, em 2007, o Supremo, corroborando a decisão do Tribunal Superior Eleitoral TSE, decidiu ,juridicamente, que o mandato pertence ao partido e não ao parlamentar.

FINANCIAMENTO DE CAMPANHA RESPOSTAS ABS. (Nº) REL. (%) PÚBLICO E PRIVADO 21 40,90 EXCLUSIVAMENTE PÚBLICO
FINANCIAMENTO DE CAMPANHA
RESPOSTAS
ABS. (Nº)
REL. (%)
PÚBLICO E PRIVADO
21
40,90
EXCLUSIVAMENTE PÚBLICO
15
28,80
EXCLUSIVAMENTE PRIVADO
7
13,00
SEM OPINIÃO FORMADA
9
17,30
TOTAL
52
100,00

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

O financiamento de campanhas eleitorais é outra questão polêmica que

divide opiniões. O seu espírito é o de coibir, em parte, o poder econômico, que

influencia, sobremaneira, no processo eleitoral e compromete a soberania popular.

O financiamento, exclusivamente público, para uns, tornariam a competição

eleitoral mais isonômica. Outros alegam que a medida seria inócua, pois não evitaria que se busque recursos “por fora” já que a fiscalização da justiça Eleitoral é precária. Aqui as lideranças, se posicionaram majoritariamente (41%) pelo financiamento público e privado, da forma como está.

54

Um grupo expressivo de 29% defendem o financiamento exclusivamente público e 13% consideram que as campanhas deviam ser realizadas apenas com recursos privados e 17% ainda não têm opinião formada a respeito.

CLÁUSULA DE BARREIRA

 

RESPOSTAS

ABS. (Nº)

REL. (%)

A FAVOR

22

42,30

CONTRA

16

30,80

SEM OPINIÃO FORMADA

12

23,10

NÃO RESPONDERAM

2

3,80

TOTAL

52

100,00

NÃO RESPONDERAM 2 3,80 TOTAL 52 100,00 Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009 A cláusula de

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

A cláusula de barreira ou de desempenho foi criada na tentativa de inibir e dificultar a proliferação das “Siglas de aluguel”, dos pequenos partidos sem representação social, criados por personalidades, apenas, no sentido de barganhar e auferir dividendos financeiros e materiais nos períodos eleitorais. Essa cláusula implica que os partidos devem alcançar 5% dos votos dados para a Câmara Federal em pelo menos 1/3 dos estados, sob pena, de não ter direito

55

ao financiamento público dos partidos, nem acesso a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, embora, possa continuar funcionando livremente considerando o dispositivo Constitucional que garante o pluralismo partidário. Essa legislação foi contemplada na Emenda Constitucional nº 11 de 1978, na lei 9096 de 1995 e foi posta em vigor nas eleições de 2006, mas o STF decidiu em dezembro daquele mesmo ano, julgando uma Ação Direta de Inconstitucionalidade ADIN, impetrada por pequenos partidos (PC do B., PSB, PV, PSC, PSOL, PRB, e PPS), que a cláusula de barreira é inconstitucional, pois fere o direito de manifestação política das minorias. Mas o tema continua em discussão e as lideranças se posicionaram da seguinte forma: 42% são a favor, 31% são contra e 23% continuam sem opinião formada. Como se vê, é uma questão que divide opiniões e as discussões continuam em aberto, até o Congresso deliberar de forma definitiva.

COLIGAÇÃO PARTIDÁRIA

 

RESPOSTAS

ABS. (Nº)

REL. (%)

A FAVOR

37

71,20

CONTRA

13

25,00

NÃO RESPONDERAM

2

3,80

TOTAL

52

100,00

CONTRA 13 25,00 NÃO RESPONDERAM 2 3,80 TOTAL 52 100,00 Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

56

Essa é uma questão mais tranqüila, onde 3/4 das lideranças se posicionam favoráveis as coligações e apenas ¼ ,ou seja, 25% são contra. O embate sobre as coligações está mais restrita as eleições proporcionais para deputados federais, estaduais e vereadores, onde os grandes partidos defendem a proibição, aceitando- a somente para eleições majoritárias. É uma tentativa dos grandes partidos de inviabilizarem as pequenas legendas. Alguns analistas consideram que a vedação às coligações proporcionais é uma espécie de reforço a “cláusula de barreira” para reduzir o número de partidos.

MECANISMO DA REELEIÇÃO

RESPOSTAS

ABS. (Nº)

REL. (%)

A FAVOR

45

86,60

CONTRA

5

9,60

NÃO RESPONDERAM

2

3,80

TOTAL

52

100,00

NÃO RESPONDERAM 2 3,80 TOTAL 52 100,00 Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009 A Emenda

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

A Emenda Constitucional que criou o mecanismo da reeleição data de 1995, no 1º mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso. A emenda foi aprovada, em meio a uma forte suspeita de compra de parlamentares para votarem favoravelmente a mudança constitucional e envolveu, inclusive, Deputados Federais do Acre. No momento, a medida pareceu casuística, pois beneficiava diretamente o ocupante da Presidência, que de fato veio se reeleger no pleito seguinte. A reeleição

57

foi estendida a todos os cargos majoritários, presidente, governador e prefeito e hoje é aceita tranquilamente pela população, que já reconduziu, pelo voto, presidentes, governadores e muitos prefeitos, entre os quais, Raimundo Angelim, atual prefeito de Rio Branco. As lideranças apóiam maciçamente, em 87%. O mecanismo da reeleição e apenas 10% são contrários.

SÚMULA DO STF, QUE DEFINIU QUE O MANDATO PERTENCE AO PARTIDO

RESPOSTAS

 

ABS. (Nº)

 

REL. (%)

DECISÃO CORRETA

 

27

 

51,90

DECISÃO EQUIVOCADA

 

21

 

40,40

NÃO RESPONDERAM

 

3

 

5,80

SEM OPINIÃO FORMADA

 

1

 

1,90

TOTAL

 

52

 

100,00

1   1,90 TOTAL   52   100,00 Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009 Embora em menor

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

Embora em menor proporção, 52% dos entrevistados, aprovam a decisão do STF, que definiu que os mandatos pertencem aos partidos, quando mais de 80% são favoráveis a fidelidade partidária. Já a posição do TSE, que impõe restrições sobre a propaganda eleitoral, “boca de urna”, shows, distribuição de brindes como camisetas e bonés, pichações em muros e postes, etc. As lideranças estão divididas quanto o acerto das medidas restritivas. 50% consideram-nas corretas e 46% opinam que tais medidas devem ser revistas já que eleições para o eleitorado

58

de Rio Branco é um momento de festa e congraçamento, trata-se de uma festa cívica e, como tal, deve-se abolir tantas restrições.

RESTRIÇÕES DO TSE SOBRE A PROPAGANDA ELEITORAL RESPOSTAS ABS. (Nº) REL. (%) SÃO CORRETAS 26
RESTRIÇÕES DO TSE SOBRE A PROPAGANDA
ELEITORAL
RESPOSTAS
ABS. (Nº)
REL. (%)
SÃO CORRETAS
26
50,00
DEVEM SER REVISTAS
24
46,20
NÃO RESPONDERAM
2
3,80
TOTAL
52
100,00

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

PROPAGANDA ELEITORAL GRATUITA PELO RÁDIO E TV

RESPOSTAS

ABS. (Nº)

REL. (%)

MUITO RELEVANTE

26

50,00

RELEVANTE

16

30,80

POUCO RELEVANTE

6

11,60

IRRELEVANTE

2

3,80

NÃO RESPONDERAM

2

3,80

TOTAL

52

100,00

59

59 Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009 Essa é uma questão pacífica onde mais de 80% dos

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

Essa é uma questão pacífica onde mais de 80% dos consultados estão de acordo sobre a relevância do horário eleitoral gratuito pelo rádio e TV, considerando- o relevante e muito relevante. O processo de urbanização, as dimensões dos colégios eleitorais e o tamanho do território brasileiro e do Acre e sua capital, além dos custos financeiros das campanhas, não há como se chegar ao eleitor sem o concurso dos meios de comunicação de massas, através da propaganda eleitoral gratuita. A cidadania de Rio Branco, através de suas lideranças tiveram essa percepção.

PERSONALIDADES

CITAÇÕES (Nº)

REL. (%)

NELSON MANDELA

11

21,40

CHICO MENDES

5

9,60

MARINA SILVA

5

9,60

MAHATMA GHANDI

4

7,70

PRESIDENTE LULA

3

5,80

JESUS CRISTO

2

3,80

MARTIN LUTHER KING

2

3,80

ERNESTO CHE GUEVARA

2

3,80

OUTROS

12

23,00

NÃO RESPONDERAM

6

11,50

TOTAL

52

100,00

60

60 Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009 PERSONALIDADE HISTÓRICA DE REFERÊNCIA NACIONAL PERSONALIDADE CITAÇÕES

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

PERSONALIDADE HISTÓRICA DE REFERÊNCIA NACIONAL

PERSONALIDADE

CITAÇÕES (Nº)

REL. (%)

MARINA SILVA

9

17,50

PRESIDENTE LULA

6

11,50

CHICO MENDES

3

5,80

PELÉ

3

5,70

TANCREDO NEVES

2

3,80

BETINHO

2

3,80

OUTROS

14

26,90

NÃO RESPONDERAM

13

25,00

TOTAL

52

100,00

61

61 Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009 PERSONALIDADE HISTÓRICA DE REFERÊNCIA LOCAL PERSONALIDADE CITAÇÕES

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

PERSONALIDADE HISTÓRICA DE REFERÊNCIA LOCAL

PERSONALIDADE

CITAÇÕES (Nº)

REL. (%)

JORGE VIANA

10

19,20

CHICO MENDES

10

19,20

PLÁCIDO DE CASTRO

3

5,80

EDMUNDO PINTO

3

5,80

MARINA SILVA

2

3,90

OUTROS

15

28,80

NÃO RESPONDERAM

9

17,30

TOTAL

52

100,00

62

62 Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009 POLÍTICO DE REFERÊNCIA MUNDIAL (COM OU SEM MANDATO) POLÍTICO

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

POLÍTICO DE REFERÊNCIA MUNDIAL (COM OU SEM MANDATO)

POLÍTICO

CITAÇÕES (Nº)

REL. (%)

PRESIDENTE LULA

14

27,00

PRESIDENTE DOS EUA BARACK OBAMA

13

25,00

OUTROS

5

9,60

NELSON MANDELA

2

3,80

MARINA SILVA

5

9,60

BILL CLYNTON (EX PRESIDENTE DOS EUA).

3

5,80

NÃO RESPONDERAM

10

19,20

TOTAL

52

100,00

63

63 Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009 POLÍTICO DE REFERÊNCIA NACIONAL (COM OU SEM MANDATO) POLÍTICO

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

POLÍTICO DE REFERÊNCIA NACIONAL (COM OU SEM MANDATO)

POLÍTICO

CITAÇÕES (Nº)

REL. (%)

PRESIDENTE LULA

14

27,00

MARINA SILVA

11

21,10

TIÃO VIANA

8

15,40

OUTROS

8

15,40

FERNANDO H. CARDOSO

2

3,80

NÃO RESPONDERAM

9

17,30

TOTAL

52

100,00

64

64 Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009 POLÍTICO DE REFERÊNCIA LOCAL (COM OU SEM MANDATO) POLÍTICO CITAÇÕES

Fonte: FERNANDES, Marcos Inácio, 2009

POLÍTICO DE REFERÊNCIA LOCAL (COM OU SEM MANDATO)

POLÍTICO

CITAÇÕES (Nº)

REL. (%)

JORGE VIANA

14

27,00

ANGELIM

9

17,30

TIÃO VIANA

5

9,60

OUTROS

5

9,60

MARINA SILVA

4

7,70

BINHO MARQUES

3

5,80

NALU GOUVEIA

2

3,80

PERPÉTUA ALMEIDA

2

3,80

NÃO RESPONDERAM