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Manual Pedagógico PRONACI “Métodos e Tempos”

Elaboração: Exertus, Lda.

Eurisko – Estudos, Projectos e Consultoria, S.A. PRONACI – Programa Nacional de Qualificação de Chefias Intermédias AEP – Associação Empresarial de Portugal Março de 2003 Tiragem: 1000 exemplares Depósito Legal: 195303/03 ISBN: 972-8702-15-9

Esta publicação é propriedade da AEP – Associação Empresarial de Portugal. Qualquer reprodução dos seus conteúdos deverá respeitar o disposto nos artigos 75º e 76º do Código dos Direitos de Autor e Direitos Conexos, nomeadamente contendo a indicação da fonte.

ÍNDICE

Página 3

1 - Introdução

1.1

- Evolução histórica do Estudo dos Métodos e Tempos

- Definição do Método

- Selecção do objecto de estudo

Página 8

2 - Estudo dos Métodos

2.1 Orientações para as observações

2.2 Como registar os dados

2.3 Esquematização

2.4 Quantificação ou medição

2.5 Gráficos de análise

-

-

-

-

-

2.5.1 - Gráficos de processo

2.5.2 - Fluxogramas

2.5.3 - Gráfico de movimentos

2.6

- Exemplo de aplicação

Página 21

3 - Estudos dos Tempos

3.1 - Definição

3.2 Divisão de tarefas

3.3 Registo dos dados relevantes

3.4 Decomposição da operação ou actividade em elementos

3.5 Cronometragem

-

-

-

-

3.5.1 - Equipamento de base

3.5.2 - Tipos de cronometragem

3.5.3 - Julgamento da actividade

3.5.3.1 - Introdução

3.5.3.2 - Actividade de referência e rendimento normal

3.5.3.3 - Tipos de técnicas de avaliação do desempenho do execeutante

3.5.3.4 - Escalas de avaliação do desempenho

3.5.3.5 - Como empregar o factor de actividade, FA

3.5.3.6 - O tempo normalizado

3.5.4 - Precisão da amostra

1
1

3.5.5 - Correcções, complementos ou coeficientes

3.5.5.1 - Como empregar as correcções

3.6 - Amostragem do trabalho – Método das Observações Instantâneas

2.6.1 - Introdução

2.6.2 - Utilização da técnica

2.6.3 - Cálculo da precisão da amostra

2.6.4 - Resumo dos procedimentos

2.6.5 - Exemplos de aplicação

2
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1 - Introdução

1.1 - Evolução histórica do Estudo dos Métodos e Tempos

Os assuntos que iremos tratar neste manual não podem ser considerados, de nenhuma forma, como uma novidade para a indústria (qualquer que seja o sector). Os precursores destes métodos foram Frank B. Gilbreth e a sua esposa Lillian M. Gilbreth, que já em 1885 se preocupavam com este assunto. Mais tarde, no fim do século XIX e início do século XX, F. W. Taylor, um engenheiro americano que trabalhava na indústria extractiva (minas) e se tornou célebre por ter adoptado a divisão do trabalho em tarefas elementares repetitivas, também se questionou sobre estes assuntos, com o objectivo de responder a duas perguntas básicas, que como contramestre (encarregado) e mais tarde como mestre (director) se questionava:

• Qual a melhor maneira de executar esta tarefa?

• Qual deverá ser o trabalho diário a executar por cada operário para optimizar o trabalho do grupo?

Actualmente, este conjunto de preocupações mantém-se, envolvendo não apenas o trabalho humano mas também o binómio homem/máquina, numa constante busca de melhoria, que se traduz no aumento da eficácia e da produtividade dos sistemas industriais. Este manual procurará dotar cada formando com as ferramentas necessárias para responder ao conjunto de questões que o seu dia-a-dia profissional coloca, nomeadamente:

• Como aumentar a produção sem envolver mais recursos?

• Como reduzir o esforço de cada trabalhador?

• Como fixar objectivos em termos de cadências e tempos por operação?

- Definição do Método

- Selecção do objecto de estudo

Uma correcta definição dos métodos de trabalho e fixação dos tempos para a execução para cada operação ou actividade, embora seja uma preocupação de todos os dias, não será com certeza a única tarefa ou responsabilidade com que uma chefia se depara no seu dia-a-dia. Como gestores de homens e de processos, é indispensável que as chefias adoptem critérios objectivos que permitam seleccionar e hierarquizar, em função da sua criatividade, os problemas que constantemente surgem.

De acordo com este princípio, de não tratar cada problema “por ordem de chegada”, mas em função de critérios selectivos, devemos começar por seleccionar o Objecto a Estudar ou o Objecto do Estudo (operação, tarefa, ou posto).

por seleccionar o Objecto a Estudar ou o Objecto do Estudo (operação, tarefa, ou posto). EMPRESA
EMPRESA EMPRESA EMPRESA 3
EMPRESA
EMPRESA
EMPRESA
3

Devemos começar por investir em objectos cujo funcionamento tenha uma maior influência, ou uma influência mais relevante, sobre as variáveis operacionais da nossa área de responsabilidade. Estas variáveis são as que afectam directamente a produção e têm a ver com:

- Produção

- Paragens

- Retrabalho ou reworks

- Rejeições/defeitos/falhas e não conformidades

- Operações sem valor acrescentado

Apresenta-se de seguida um conjunto de indicadores que poderão ajudar-nos a decidir qual o objecto que será alvo da nossa intervenção. Os indicadores apresentados estão divididos em duas grandes categorias, de modo a facilitar a selecção do critério mais indicado a cada situação que pretendemos aplicar:

a) Critérios produtivos de selecção

b) Outros critérios de selecção

a) Critérios produtivos de selecção

A selecção do critério de produção será sempre função do tipo de problema com que nos defrontamos. Todavia, é vulgar utilizarem-se medidas de quantidade e de cadência:

• Se estamos perante uma linha, uma célula ou mesmo uma máquina com produção normalizada (um único produto ou um mix de produtos bem definido), usam-se, normalmente, critérios de produção periódica (diária, semanal, etc.).

• Se estamos perante máquinas ou secções sujeitos à produção de múltiplos produtos em pequenas séries, de que resultam sistemas fabris pouco balanceados e com “gargalos” (produção acumulada num determinado posto de trabalho), a melhor opção será a cadência de produção, uma vez que permite a comparação directa das diversas tarefas e/ou postos envolvidos.

Produção periódica

Os critérios de produção em quantidade são os mais usuais em qualquer organização. São exemplo:

• Número de unidades: dia ou semana

• Toneladas: dia ou semana

• Metros lineares ou metros quadrados: dia ou semana

Os dados para determinação destes indicadores podem ser provenientes de:

Históricos: calculados a partir das quantidades produzidas de um determinado produto num dado período de tempo.

Estimados: calculados a partir de um standard atribuído (por exemplo, pelo departamento técnico, para o cálculo do custo do produto).

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Cadência de produção

A noção de cadência refere-se à quantidade realizada por unidade de tempo.

Podemos ter cadências:

• Horárias

• Por minuto

• Ou por segundo

A fórmula geral de cálculo é:

Unidades_Produzidas

Unidade_de_Tempo

Exemplo

Uma determinada fábrica que trabalha 8 horas por dia tem uma produção diária de 300 carros.

A sua cadência horária é:

300 / (horas de trabalho), ou seja, 300/8 = 37,5 carros por hora

A sua cadência por minuto é:

300 / (minutos trabalhados = número horas X 60 minutos), ou seja 300 / (8 X 60) = 300 / 480 = 0,625 carros por minuto.

A cadência é um dos valores calculados a partir dos indicadores de quantidade de produção, embora muitas vezes o inverso

também seja verdade, ou seja, podemos calcular a produção de uma máquina a partir das cadências dos produtos que se prevê produzir nessa máquina num determinado período de tempo.

A cadência de produção é um dado, muitas vezes, fornecido pelos fabricantes de equipamentos.

O indicador de cadência é particularmente útil quando temos um problema, pelo menos aparente, de falta de balanceamento (desequilíbrio) de uma linha de produção, isto é, quando o trabalho se acumula, sistematicamente, numa determinada fase de fabrico.

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Tempo de paragens (como se identificam e calculam)

Motivo

Descrição

Paragens por avaria de equipamento

Definem-se como o tempo que decorre entre o momento em que um equipamento é imobilizado devido a uma disfunção e o momento em que o equipamento é dado como disponível para operar, depois de realizados os testes de aptidão correspondentes.

Paragens por avaria de ferramenta

Definem-se como o tempo que decorre entre o momento em que um equipamento é imobilizado devido a uma avaria na ferramenta e o momento em que o equipamento é dado como disponível para operar, depois de substituída e testada a ferramenta montada como substituição.

Paragens para manutenção programada

Definem-se como o tempo que decorre entre o momento em que um equipamento é imobilizado para realização de uma intervenção de manutenção programada e o momento em que o equipamento é dado como disponível para operar.

Paragens para limpezas e manutenção de 1º nível

Corresponde ao tempo concedido para a realização de limpezas e operações de manutenção a cargo do operador.

Paragens por mudanças de fabrico

Correspondem ao tempo de paragem para mudança de fabrico. Incluem os tempos de paragem da máquina para a mudança, regulações e testes.

Paragens para afinações e regulações

Compreendem os tempos de paragem necessários para a realização das regulações e afinações exigidas pelos equipamentos e pelos critérios de qualidade, relacionados com a conformidade dos produtos (tolerâncias e capacidade dos processos).

Microparagens

São todos os tempos que resultam de encravamentos, desimpedimentos, desajustamentos e desalinhamentos.A sua medição é quase impossível. Normalmente, são detectados através das degradações que provocam nas cadências.

Paragens por falta de energia e fluidos

Compreendem os tempos de paragem dos equipamentos motivados por cortes de energia e fluidos.

Paragens relacionadas com problemas de planeamento de mercado ou absentismo

Paragens por falta de materiais

Paragens por falta de trabalho

Paragens por falta de operador

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A forma mais correcta de efectuar o levantamento destes tempos é proceder a um levantamento das diferentes paragens e calcular o seu peso o tempo total de trabalho, recorrendo à fórmula:

b) Outros critérios a considerar

Soma_paragens

Tempo_trabalhado

Rejeições (falta de qualidade) Regista problemas de qualidade devido a defeitos por falhas e não conformidades.

Retrabalho (Rework) Compreende todas as operações realizadas para recuperação das falhas e não conformidades detectadas, seja pela qualidade seja em regime de autocontrolo, pelo próprio operador.

Operações sem valor acrescentado Compreende todas as operações realizadas que não acrescentem valor ao produto (todas as operações que não alteram ou transformam o produto). São exemplo, todas as operações de movimentação.

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2 - Estudo dos Métodos

A metodologia de base a seguir para se executar um Estudo de Métodos assenta na realização de quatro actividades, que deverão

ser cumpridas com rigor para que o resultado final seja fiável e se evite a perda de oportunidades de melhoria resultantes de uma má aplicação.As quatro fases são:

1. Observação

2. Recolha/registo de dados e informações

3.Análise crítica

4. Proposta de novos métodos ou oportunidades de melhoria

2.1 Orientações para as observações

A observação pode ser feita por visualização, entrevista ou por experimentação directa da tarefa ou operação em análise.

Existe um conjunto de informações que devem, obrigatoriamente, ser observadas e recolhidas para posterior tratamento, quando se pretende estudar um método.

Esta fase é de vital importância. Deve proceder-se ao registo de tudo o que se considerar que pode vir a ser útil. O que for desperdiçado poderá vir a ocasionar perdas irreparáveis na fase de análise crítica e de eventuais oportunidades de melhoria. Assim, sugerem-se as filmagens como método de recolha, por serem o método de recolha mais rico quanto a informação, uma vez que permite uma análise cuidada a posteriori.

Existem alguns cuidados a ter quando se procede a uma análise do trabalho, quer seja com recurso a filmagens quer com outro método qualquer, nomeadamente:

Recomendações ao agente/encarregado de estudo de Métodos (AEM)

• No início da recolha de dados para o Estudo de Métodos, o AEM deve ser apresentado pela chefia directa aos trabalhadores em questão. Nunca se deve iniciar o estudo sem explicar os objectivos aos intervenientes;

• Pedir sempre a opinião da chefia directa sobre a escolha dos trabalhos a estudar, dos trabalhadores a observar e sobre qualquer questão técnica que diga respeito à fabricação;

• Nunca dar uma ordem directa a um trabalhador;

• Se os trabalhadores levantarem questões que exijam decisão fora do domínio técnico do AEM, devem ser enviados à chefia directa;

• Nunca confiar a um trabalhador uma opinião que possa ser considerada crítica para a chefia directa;

• Nunca deixar os trabalhadores utilizarem a sua posição para desautorizar a chefia directa, ou para obter uma modificação das suas decisões com que não concordem.

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Cuidados a ter na realização das filmagens

• Embora os pormenores sejam importantes, deve-se ter em mente que o objectivo é a análise do método, pelo que se devem preferir planos mais abrangentes, que permitam identificar as diversas movimentações, assim como as condições de trabalho no equipamento.

• A utilização de planos superiores (acima da altura do solo), desde que possível, é preferível.

• Colocar a câmara de vídeo num local que não crie constrangimentos para os operadores do equipamento.

• Ter em consideração todas as questões de segurança.

• Filmar sempre o início e o fim das diversas tarefas, de forma a que na análise seja possível determinar a sua duração.

• Se a operação for realizada por mais do que um operador, deve-se ter o cuidado de efectuar o ponto anteriormente descrito para cada operador.

• Nunca esquecer de anotar todas as causas que se considerem assinaláveis. Estes apontamentos serão muito importantes na análise posterior, como por exemplo:

- a hora de início do estudo;

- paragens imprevistas;

- avarias;

- outros.

Como se vê, trata-se apenas de regras de tacto e de bom senso.

Quadro-síntese de questões a formular para uma observação

 

O

que é que está a ser realizado?

1. Objecto (tarefa ou operação)

Porque é que tem de ser feito?

Existe alternativa ao que está a ser feito?

 

O

que poderia ser feito em alternativa?

 

Onde está a ser realizado?

2. Local

Porque está a ser feito nesse local?

Existe um lugar alternativo?

Onde deveria ser feito em alternativa?

 

Quando está a ser realizado?

3. Sequência

Porque está a ser feito nessa sequência?

Existe momento alternativo?

 

Quando é que poderia ser feito em alternativa?

 

Quem está a realizar?

4. Executante

 

Porquê?

Existe outra pessoa que o pudesse realizar como alternativa?

Quem deve fazer como alternativa?

 

Como está a ser realizado?

5. Meios / recursos

Porque está a ser usado esse processo?

Que processo alternativo poderia ser usado?

Como deveria ser feito utilizando um processo alternativo?

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2.2

- Como registar os dados

A recolha dos dados deverá ser realizada o mais perto possível da fonte, devendo recorrer-se ao tratamento e sistematização da

observação através da utilização de folhas de registo de observações, diversos tipos de gráficos ou sinópticos, que melhor se adequem a cada situação dos quais se destacam:

• Gráficos de processo

• Esquemas de movimentação e deslocação

Lay-outs do posto de trabalho

O registo da informação poderá incluir a Medição dos Tempos requeridos para a execução de cada operação e/ou tarefa, de modo

a permitir a quantificação:

– dos tempos produtivos e não produtivos;

– da ocupação dos meios;

– da velocidade de execução.

Funciona como uma ferramenta essencial para a realização da análise crítica e para uma futura sistematização do método

alternativo.

2.3 - Esquematização

do método alternativo. 2.3 - Esquematização Como se separam as tarefas e que tipos de gráficos
do método alternativo. 2.3 - Esquematização Como se separam as tarefas e que tipos de gráficos

Como se separam as tarefas e que tipos de gráficos se adequam a cada situação

A esquematização permite o registo do método de análise de uma forma gráfica e compacta, o que é útil para a sua posterior

análise.

Existem vários esquemas gráficos para representar a grande maioria dos problemas que surgem em qualquer organização. No entanto, iremos abordar apenas dois tipos para análise do processo (gráficos de processo e fluxogramas) e um específico para análise das movimentações (gráfico de movimentos).

As metodologias de construção serão abordadas numa fase posterior do manual. Neste momento, será mais importante identificar em que situações se deve utilizar cada um de tipos de esquemas anteriormente referidos.

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Utilização

Tipo de gráfico

Área de aplicação

Exemplos de utilização

Fluxograma

Processo de fabrico

Produtos: apresentando todo o processo/método de transformação do produto

Parte específica de um método

Analisar as movimentações dos produtos dentro das secções

Gráfico de processo

Parte específica de um método

Se o objectivo é analisar as operações realizadas.

Uma operação

Para analisar as tarefas e movimentações no posto de trabalho e para avaliar a eficiência do posto de trabalho.

   

• Para analisar as movimentações do operador durante o dia;

Gráfico de movimentos

Movimentações

• Para analisar as movimentações dos operadores no posto de trabalho com o objectivo de rever o lay-out.

Separação das tarefas

A separação das tarefas constitui a base para a elaboração tanto dos gráficos de processo como dos fluxogramas.

Propomos a utilização de um esquema de divisão simples, ao qual associaremos o grafismo correspondente:

Símbolo

Tipo

Descrição

Operação  Uma operação existe quando um objecto é modificado intencionalmente numa ou mais das suas

 

Uma operação existe quando um objecto é modificado intencionalmente numa ou mais das suas características. A operação é normalmente realizada num posto de trabalho.

Transporte  Um transporte ocorre quando um objecto é deslocado de um lugar para outro, excepto

 

Um transporte ocorre quando um objecto é deslocado de um lugar para outro, excepto quando o movimento faz parte de uma operação ou inspecção.

Inspecção  Uma inspecção ocorre quando um objecto é examinado para identificação ou comparado com um

 

Uma inspecção ocorre quando um objecto é examinado para identificação ou comparado com um padrão de quantidade ou qualidade.

Espera  Uma espera ocorre quando a execução da próxima operação planeada não é efectuada (por

 

Uma espera ocorre quando a execução da próxima operação planeada não é efectuada (por exemplo: tempo de secagem da cola; espera de materiais em falta).

Armazenagem Um armazenamento ocorre quando um objecto é mantido sob controlo, e a sua movimentação

Armazenagem

Um armazenamento ocorre quando um objecto é mantido sob controlo, e a sua movimentação requer uma autorização (por exemplo: material em armazém; stock intermédio que necessita de uma ordem de trabalho para ser movimentado).

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2.4 - Quantificação ou medição

Não devemos esquecer-nos que, após ou em simultâneo, com o registo do levantamento e divisão do trabalho em elementos de trabalho, dever-se-á proceder à determinação dos tempos correspondentes, como factor determinante para a realização de uma análise crítica.

No caso de se pretender apenas identificar a forma como uma determinada operação é realizada, poderemos efectuar uma medição grosseira dos tempos envolvidos na realização de cada uma das etapas, recorrendo a um cronómetro, ou através da contabilização do tempo no vídeo (caso se tenha realizado uma filmagem como base para a análise do método). Os tempos assim recolhidos não são representativos, mas constituirão uma boa base de análise para o peso que cada etapa tem na realização de uma determinada operação.

Após a recolha e esquematização dos dados e quantificação dos tempos, passamos à fase da análise.

Depois de estabelecido o método de trabalho utilizado, deve-se realizar a análise, à luz dos critérios de Estudo dos Métodos. Este trabalho deve ser feito em equipa pelo AEM e pelas chefias directas, de modo a permitir uma uniformização tanto da terminologia utilizada como dos critérios de classificação das operações, e deverá incluir toda a informação necessária, nomeadamente:

• Uma descrição das diferentes tarefas (nesta fase deve-se utilizar a terminologia da empresa) indicando o Tipo de: operação;

transporte; inspecção; espera; armazenagem;

• A duração de cada tarefa;

• O operador que realizou a tarefa (se for mais que um operador, pode-se utilizar a terminologia; Operador 1, Operador 2, etc.);

• Classificação das tarefas:

- Tarefa essencial: tem que se realizar para cumprir o objectivo;

- Tarefa redundante: quando o objectivo da operação se repete, por exemplo, lubrificar duas vezes um determinado componente;

- Tarefa simultânea: quando mais do que uma operação é realizada no mesmo momento, por exemplo, o operador A segura a peça e o operador B solda-a;

- Tarefa em paralelo: quando duas operações, não directamente relacionadas, são realizadas ao mesmo tempo, por exemplo, enquanto o operador A pinta a Parede 1 o Operador B pinta a Parede 2;

- Tarefa sem valor acrescentado: por exemplo, transportar, limpar a ferramenta, sem necessidade técnica durante um processo de mudança de ferramentas.

Durante a análise crítica do método devemos, para cada tarefa identificada, caracterizá-la de acordo com a seguinte informação:

• Tipo: operação; transporte; inspecção; espera; armazenagem;

• Pequena descrição;

• Quem realiza (se existir mais que um operador);

• Onde é executada (equipamento, célula ou linha);

• Ferramentas ou dispositivos utilizados;

• Tempo gasto;

• Distâncias percorridas;

• Classificação: essencial, redundante, simultânea, em paralelo e sem valor acrescentado;

• Ocorrências verificadas durante o levantamento e medição de tempos.

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Desta recolha, resultará um método de trabalho com a classificação das tarefas (essenciais, redundantes, simultâneas, em paralelo

e operações sem valor acrescentado), podendo-se fazer, nesta altura, uma primeira estimativa de potenciais ganhos obtidos com

a eliminação das tarefas redundantes e sem valor acrescentado.

Deverão, ainda, ser considerados todos os dados referentes à análise do método de trabalho utilizado, nomeadamente:

causas das ocorrências assinaladas durante a realização de cada tarefa;

distâncias percorridas nas movimentações;

de

modo a esboçar um novo método de trabalho mais eficiente e/ou as possibilidades de alterações ao equipamento, de modo

a reduzir tempos e a eliminar operações.

Como possibilidades de melhoria mais frequentes podem-se realçar:

• alteração da sequência de realização das tarefas;

• introdução de dispositivos/ferramentas que reduzam tempos;

• identificação de tarefas desnecessárias;

• alargamento de funções do operador (operar mais equipamentos, ou realizar tarefas paralelas ou simultâneas);

• redistribuição das tarefas pelos operadores.

Não existe uma receita única. No entanto, nesta fase é indispensável ter o espírito aberto e colocar-se as seguintes questões:

• Porquê?

• Existe alternativa?

• Qual?

• Limitações técnicas envolvidas?

• Há espaço?

• Quanto custa?

Com esta informação, ou com o levantamento das necessidades de informação a recolher, poderemos passar à fase de concepção

de um novo método.

2.5. - Gráficos de análise

2.5.1. - Gráficos de processo

Este gráfico serve, como já foi dito, para analisar/representar um método de trabalho utilizado numa determinada instalação, secção, ou posto de trabalho. Poderá, também, servir para analisar/representar a sequência de tarefas a que um determinado objecto é sujeito durante um processo.

Representação gráfica

O aspecto do gráfico de processo é o da figura abaixo.

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Os primeiros dados a preencher são os do cabeçalho, que devem ser o mais completos possível, de modo a facilitar a fase de análise. Assim, devemos preencher os campos:

• Gráfico de sequência: o que estamos a analisar, se é o executante, o material ou o equipamento;

• O número do gráfico: é uma numeração que devemos ter em registo para o arquivo;

• O número da folha: se for mais que uma, indicar quantas são;

• Qual é o objectivo do estudo: se é para analisar movimentações, melhorar o método (reduzir tempo), melhorar a qualidade, etc.;

• O tipo de actividade que estamos a estudar: por exemplo, fabrico do modelo XTPO para o YYY45;

• Localização: por exemplo, secção de corte, prensagem YY; quinagem XX, etc.;

• O equipamento, posto de trabalho, célula ou linha em estudo;

• O executante analisado.

Procede-se ao registo das operações, de acordo com a divisão anteriormente apresentada, marcando-se com um “x” a coluna respectiva.

Devem ser indicados os tempos gastos e as distâncias percorridas (estes valores podem ser aproximados, se não se pretender resultados rigorosos), bem como todas as notas e ocorrências que se considerem importantes para cada tarefa (ex.:

especificações, outras).

No final da análise preenche-se o quadro de resumo:

• Conta-se cada tipo de tarefas;

• Somam-se para cada tipo de tarefas os tempos e as distâncias percorridas.

Sendo que, à partida, só operações poderão trazer valor acrescentado ao produto, este gráfico permitirá identificar e quantificar todos os restantes tipos de tarefas envolvidos.

Nota: o nível de detalhe a utilizar depende do rigor que queremos utilizar na análise; assim:

• A movimentação de um material dentro de uma secção: nível de detalhe por tarefa pode, por exemplo, ser:

- transporte: do material até ao equipamento X, 10 metros, 3 min;

- operação: furação com broca, 5 min;

- Etc.

• A análise de uma operação num posto de trabalho: o nível tem que ser maior; por exemplo:

- transporte: da paleta até a base da mesa, 2 metros, 3 min;

- operação: fixação da peça na mesa, 2 min;

- inspecção: verificação da centralidade da peça, 1 min;

- operação: furação com broca, 2min;

- Etc.

14
14

2.5.2. - Fluxogramas

A imagem seguinte apresenta uma representação de um fluxograma:

Distância (metros)

Símbolo

Descrição

Explicação

25,5

25,5
 
1
1

3,0

 
3,0  
 
 
2
2

4,5

   
3
3
3

3,0

3,0

Ir até à porta da garagem

Abre a porta

Vai até ao armário das ferramentas na garagem

Retira o esguicho do armário

Vai até à porta traseira da garagem

Abre a porta

Vai até à torneira na parte de trás da garagem

O Zé, sentado na varanda, decide regar o

jardim. Deixa a varanda, anda 25,5 m até à porta

da garagem. Este acto é chamado

transporte, pois anda de um lado para o outro. Abre a porta, é uma operação.

Ele anda 3 m até ao amário para pegar no esguicho.

Esta é uma operação.

Ele carrega o esguicho até à porta traseira da garagem.

Esta é uma operação.

Este é um transporte.

A separação das tarefas dos fluxogramas é semelhante à gráficos de processo.

Procedimento Procede-se ao registo das operações, de acordo com a divisão anteriormente apresentada (desenhando-se o símbolo correspondente), ligando-se com uma linha à tarefa seguinte (como apresentado na figura), devendo-se indicar as distâncias percorridas nos transportes (estes valores podem ser aproximados), bem como os motivos de cada tarefa.

No final da análise preenche-se o quadro de resumo:

• Conta-se cada tipo de tarefas;

• Somam-se as distâncias percorridas.

15
15

Sendo que, à partida, só as operações poderão trazer valor acrescentado ao produto, este gráfico permitirá identificar todos os restantes tipos de tarefas envolvidos.

Utilização de fluxogramas versus gráficos de processo

Fluxogramas

Fluxogramas

Vantagens

Mais simples de realizar

Permite uma visão mais global

Exige menos informação

Desvantagens

É mais generalista

Não permite uma análise tão sistemática

Não permite calcular o potencial de ganho em termos de tempo

2.5.3. - Gráfico de movimentos

Os gráficos de movimentos servem para analisar as movimentações das pessoas, materiais e objectos numa determinada área (espaço).

Aplicação:

• Análise do lay-out de uma instalação ou secção para, por exemplo, aproximação de postos de trabalho com ligações mais frequentes;

• Análise das movimentações dos materiais para um determinado método de fabrico para reduzir movimentações;

• Implantação de células ou linhas.

Construção:

1. Para este gráfico, necessitamos de uma planta à escala com a localização dos equipamentos e/ou postos de trabalho. 2. Para cada movimento identificado, traçamo-lo na planta tantas vezes quantas ele acontecer; identificamos o movimento com um número, letra ou cor; e registamos o número de vezes que acontece.

Em alternativa a traçar o movimento (como indicado no ponto 2 da Construção), poderemos colocar pioneses e fazer passar um fio sempre que realizarmos um determinado percurso. No final do estudo, teremos uma representação visual dos percursos

efectuados com mais frequência. Assim, para calcular o percurso total realizado medimos o fio convertendo pelo factor de escala

da

planta.

O

resultado será semelhante ao exemplo apresentado em seguida.

16
16

Este tipo de representação permite-nos, com facilidade, identificar as áreas com maior frequência de movimentação (os percursos

que fazemos mais vezes) assim como calcular o total de movimentações que realizamos para um determinado período.

A partir da análise deste tipo de gráfico, podemos aferir da necessidade de proceder a algumas alterações de lay-out (disposição

dos postos de trabalho), de modo a que as movimentações com maior frequência não sejam as mais longas. Em alternativa,

poderemos sempre proceder à alteração do método utilizado, de modo a reduzir a necessidade das movimentações registadas.

2.6 - Exemplo de aplicação

Uma empresa metalomecânica utiliza um determinado método de trabalho para realizar a operação de lustragem de uma

dobradiça. Pretende-se estabelecer um novo método que permita um ganho de produtividade.

Analisemos, então, a metodologia básica:

Observação

Analisemos, então, a metodologia básica: Observação Recolha/registo de dados e informações Análise crítica

Recolha/registo de dados e informações

Observação Recolha/registo de dados e informações Análise crítica Proposta de novos método ou oportunidades

Análise crítica

Recolha/registo de dados e informações Análise crítica Proposta de novos método ou oportunidades de melhoria 17

Proposta de novos método ou oportunidades de melhoria

17
17

Assim, como vimos anteriormente, a primeira fase é observar de modo a definir a forma como a operação é realizada. Para o efeito, dividimos nos seguintes elementos:

realizada. Para o efeito, dividimos nos seguintes elementos: Com base nesta divisão de elementos, foram efectuadas

Com base nesta divisão de elementos, foram efectuadas medições por cronometragem (cuja metodologia será apresentada no capítulo seguinte), conforme se verifica no seguinte exemplo:

18
18

Estes dados foram então analisados, de modo a identificar claramente os diferentes elementos que constituíam a operação, tendo- -se obtido a seguinte caracterização:

a operação, tendo- -se obtido a seguinte caracterização: Com os dados obtidos efectuou-se uma análise crítica,

Com os dados obtidos efectuou-se uma análise crítica, tendo-se concluído da possibilidade da alteração das ferramentas utilizadas, de modo a realizar duas peças em simultâneo. De seguida, foi definido um novo método de trabalho (sequência de tarefas da operação).

método de trabalho (sequência de tarefas da operação). Face ao aumento de cadência previsto (166 peças/hora

Face ao aumento de cadência previsto (166 peças/hora face às 125 peças/hora do método anterior), foram introduzidas as alterações propostas. Foram feitas novas medições, tendo-se obtido os seguintes valores comparativos:

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19
Em síntese: Como podemos verificar neste pequeno exemplo, que é real, o estudo dos métodos

Em síntese:

Como podemos verificar neste pequeno exemplo, que é real, o estudo dos métodos não é mais que uma sistematização de passos

de todos os dias, ou seja, em qualquer função somos capazes de observar e ter capacidade crítica. No entanto, a capacidade de

melhorar só existe quando podemos comparar com um ponto de partida.

O estudo dos métodos consiste, assim, em identificar a forma como realizamos produtos, operações ou tarefas.

Podemos fazê-lo sem utilizar as ferramentas apresentadas no manual. Porventura, obteremos resultados semelhantes, mas o esforço será muito maior. O registo nos formatos apresentados serve, sobretudo, para facilitar a análise crítica. Assim, no exemplo apresentado, a solução nasceu da análise dos tempos e do tipo de diferentes elementos que constituem a operação em estudo.

A observação necessária à esquematização também desempenha um papel relevante, pois permite identificar as diferentes

variáveis e constrangimentos envolvidos na execução da operação.

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20

3 - Estudo de Tempos

3.1 - Definição

O

Estudo de Tempos, que passaremos a designar por ET, é uma técnica de medida do trabalho que permite registar os tempos e

os

factores de actividade para os elementos de uma dada operação ou tarefa, executada em determinadas condições, e analisar

os

dados recolhidos, a fim de se obter o tempo necessário para executar esta tarefa a um nível de rendimento bem definido.

O

Estudo de Tempos pode ser utilizado para a determinação de tempos standard para operações ou tarefas já sistematizadas ou

como ferramenta de apoio ao Estudo de Métodos como apoio à análise (factor medição).

Em termos genéricos, o processo de Estudo de Tempos pode ser definido pelo seguinte esquema:

Seleccionar

Tempos pode ser definido pelo seguinte esquema: Seleccionar Medir Insuficiente Avaliar Precisão Boa Definir padrão

Medir

Insuficiente

Avaliar Precisão Boa
Avaliar
Precisão
Boa

Definir padrão

De uma forma resumida, vamos ver como se realiza cada uma das etapas:

Motivo

Descrição

Seleccionar

Consiste em escolher e preparar o assunto que vamos analisar, recolher toda a informação necessária e subdividirmos em tarefas para termos uma análise o mais rica possível.

Medir

Como o devemos fazer, que meios existem e que considerações devemos ter quando os utilizamos.

Avaliar a Precisão

Definirmos o número suficiente de medições que nos permitam ter confiança para afirmar que o tempo de uma determinada operação é “X”.

Definir o padrão

Introduzir os coeficientes necessários para que o tempo possa ser considerado como padrão.

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21

3.2 – Divisão de tarefas

Escolha do trabalho:

Como no Estudo dos Métodos, a primeira fase do Estudo de Tempos consiste em escolher o trabalho a estudar. Em regra, existe sempre uma razão para que se efectue um ET.

Eis alguns exemplos:

• Novo trabalho que nunca foi executado anteriormente (novo produto, nova peça, nova operação, nova série de actividades, nova tecnologia, etc.);

• Uma mudança de método que exige a fixação de um novo tempo de referência;

• Cálculo da necessidade de mão-de-obra;

• O cálculo de custos de produção;

• Planificação de plantas fabris;

• Programação e balanceamento de cargas;

• Um trabalhador ou um representante do pessoal queixa-se do pouco tempo previsto para uma operação;

• Uma operação constitui um “estrangulamento” ou “gargalo” que bloqueia as operações seguintes e, por exemplo, devido à acumulação de trabalho em atraso, retarda as operações precedentes;

• Urna modificação na política salarial, pela adopção, por exemplo, de um sistema de prémios de produtividade.

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22

Como exemplos de ET, enquanto ferramenta a utilizar num Estudo dos Métodos, podemos citar:

• Para quantificar as tarefas ou operações utilizadas;

• Quando se deseja comparar a eficácia de dois métodos propostos;

• Quando uma instalação aparenta ter um fraco rendimento ou cujos tempos improdutivos parecem exagerados;

• Quando o custo de um dado trabalho parece excessivo.

3.3 - Registo dos dados relevantes

É indispensável registar todos os dados relativos às condições em que o trabalho é efectuado, aos métodos e aos elementos de

actividade.

Trata-se, de facto, de efectuar uma verdadeira descrição, por escrito, do método utilizado na execução.

As informações a recolher podem ser agrupadas da seguinte maneira:

Agrupamento

Descrição

 

• Número do estudo

• Número da Folha de Observações

Informações que permitem

encontrar e identificar o estudo

• Nome do Agente de Estudo do Trabalho (Encarregado ou Agente de Métodos)

• Data do Estudo

com rapidez

• Nome do responsável pela supervisão do Estudo (Chefe do Serviço de Métodos, Director de Produção).

 

• Designação do produto, peça ou actividade

Informações que permitam

• Designação do cliente, colecção, modelo ou família de produto

identificar com precisão o

produto, a peça ou a actividade em

• Número do desenho ou do modelo ou da especificação

• Número da peça (se for diferente do nº do desenho)

• Material

questão

• Normas de qualidade ou outras aplicáveis

• Eventualmente o número de série das peças ou produtos

 

• Serviço ou local onde se efectua a operação

• Descrição da operação ou actividade

• Número da ordem de fabricação (se existir)

Informações que permitam

• Descrição do centro de trabalho, célula, máquina ou instalação e estado de funcionamento (nome do fabricante, modelo, dimensões, capacidade, etc.). Registar se houve condições anormais

• Alimentação e velocidade das máquinas, correntes de soldadura utilizadas, número de rotações, número de pontos por cm, etc.

identificar com precisão o

processo, o método, a instalação

ou a máquina

• Esboço do posto de trabalho mostrando o lay-out e dimensões (uma máquina fotográfica poderá ajudar bastante nesta fase do trabalho)

• Descrição das ferramentas, escantilhões, gabarits e calibres utilizados

 

• Condições térmicas (temperatura, humidade) se necessário

Condições ambientais no local de

• Níveis de ruído e outras características físicas (frequências dominantes, impulsividade, tempo de exposição, etc.), se necessário

• Níveis de iluminação ambiente e no plano de trabalho

trabalho

• Outras condições ambientais relevantes

 

• Nome

Informações que permitem

identificar o executante

• Número de empresa

• Categoria profissional

• Sexo;

 

• Idade

Informações relativas à duração do estudo

• Hora de início e do fim e tempo passado

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23

Esta descrição deverá incluir todos os detalhes manuais da tarefa. A terminologia a utilizar varia com a natureza do trabalho. É essencial que todos os elementos de trabalho fiquem perfeitamente descritos. O critério para um bom registo é que ele deve descrever tudo o que o trabalhador tem que fazer, de modo a que seja possível reproduzir a actividade a partir desse registo. Obviamente, se já existe um estudo prévio dos métodos, grande parte das observações já estarão feitas e o agente de ET apenas terá que verificar se a actividade actual condiz com o referido no estudo de métodos.

actual condiz com o referido no estudo de métodos. Exemplo de um cabeçalho. 3.4 - Decomposição

Exemplo de um cabeçalho.

3.4 - Decomposição da operação ou actividade em elementos

Elemento será cada parte distinta de uma dada operação ou actividade, compreendendo, por um lado, uma ou várias tarefas ou movimentos fundamentais do executante e, por outro lado, operações executadas pela máquina ou fases do processo.

Ciclo de trabalho é uma série completa dos elementos necessários para a execução de uma dada actividade ou operação, para a obtenção de uma unidade de produção. Pode conter elementos que não apareçam em todos os ciclos.

As vantagens da decomposição em elementos são diversas:

• Permitem distinguir bem o trabalho produtivo (ou tempo produtivo) de uma tarefa (ou tempo) improdutiva;

• Permitem avaliar a actividade com muito mais precisão do que com um ciclo completo;

• Permitem isolar os elementos com diferentes graus de fadiga ou exigências físicas e fixar com maior exactidão as correcções de repouso;

• Permitem controlar os tempos de referência, de modo a que se possa, mais tarde, determinar rapidamente qualquer omissão ou inserção de um novo elemento.

Os elementos podem ser:

repetidos: encontram-se em todos os ciclos (exemplo: colocar peça no posto);

constantes: com características e duração idênticas, encontram-se numa ou várias operações (por exemplo: levantar a broca a uma dada altura acima da peça a trabalhar);

24
24

variáveis: o tempo de execução varia em função das características do produto, material ou processo (por exemplo: a

forma ou o peso de um objecto a deslocar);

ocasionais: podem aparecer a intervalos regulares ou não;

estranhos à operação: podem ocorrer durante um estudo, mas sem fazer necessariamente parte da operação ou

actividade estudada.

Critérios para a escolha dos elementos

Característica

 

Descrição

Devem ser facilmente

Sendo o início e o fim bem marcados. Com frequência, o início e o fim do elemento assinalam-se por uma mudança de estado da máquina (paragem da máquina, clique da fixação de um gabari, colocação de uma ferramenta, etc.) ou por uma mudança de actividade do operador.

identificáveis

Os elementos devem ser de curta

A

duração não deverá ser inferior a 0,04 minutos (2,4 seg.). A duração de uma medição

duração

deverá estar de acordo com o objectivo que se pretende atingir. Normalmente, nenhum elemento deveria exceder 0,33 mm (20 seg.).

Os elementos devem ser o mais

Cada elemento poderá consistir de uma série bem unificada de movimentos fundamentais, tais como “procurar”,“agarrar”,“transportar”,“colocar” um objecto com uma finalidade bem definida, ou incluir parte de uma série de movimentos com um objecto e parte de outra série com outro objecto.

unificados possível

Os tempos "internos" devem ser

Os tempos manuais estão sujeitos ao controlo do operador, pelo que são muito mais susceptíveis de variação e mais difíceis de determinar com precisão.

distintos dos tempos "externos"

 

O

trabalho manual executado enquanto a máquina (ou o processo) controla a totalidade do

Os tempos "homem" devem ser

distintos dos tempos "máquina"

tempo (tempo “interno”) deve ser separado do trabalho manual executado enquanto a totalidade do tempo é controlada pelo trabalho manual (tempo “externo”).

Os elementos constantes devem ser separados dos elementos variáveis.

Os elementos ocasionais e os elementos estranhos à operação que não ocorrem em todos os ciclos devem ser considerados

separadamente. Por vezes, é necessária uma prolongada observação para os identificar, mas isso constitui uma parte do trabalho

que se pode considerar.

A automatização dos processos, que conduziu a que numa parte importante dos casos o operador desempenhe uma actividade

complementar à realizada pela máquina, e o alargamento e delegação de responsabilidades (downsizing e empowerment), tem

conduzido a que se dê um maior grau de liberdade aos operadores, alargando um pouco a dimensão dos elementos de trabalho

a considerar e ligando-os, cada vez mais, a tarefas integradas e não a tarefas elementares, o que pode conduzir a tempos unitários

que podem ser de minutos e se trabalhe algumas vezes com standards fixados pelas cadências dos próprios equipamentos.

25
25

3.5 - Cronometragem

3.5.1 - Equipamento de base

Quando se tem que proceder a Estudos de Tempos é necessário dispor de um mínimo de material de base, para uso de campo, a saber:

• Um cronómetro;

• Uma máquina de filmar e um gravador vídeo;

• Uma prancheta de cronometragem;

• Folhas de observação.

Em certas indústrias, em que as condições ambientais são críticas, há, por vezes, a necessidade de as conhecer com um certo rigor. Poderão, então, ser necessários termómetros, higrómetros, sonómetros, dosímetros, iluminómetros, dinamómetros, etc.

O cronómetro

São utilizados, normalmente, para o estudo dos tempos dois modelos de cronómetro: o cronómetro com retorno a zero e partida automática e o cronómetro vulgar de leitura contínua. Existem ainda os cronómetros de leitura fixa. Podemos encontrar cronómetros com diversos tipos de graduações, sendo mais comuns os graduados em quintos de segundo, em centésimos de minuto e em décimos milésimos de hora, fazendo o ponteiro grande uma volta num centésimo de hora.

fazendo o ponteiro grande uma volta num centésimo de hora. Encontram-se, também, nas casas da especialidade,
fazendo o ponteiro grande uma volta num centésimo de hora. Encontram-se, também, nas casas da especialidade,

Encontram-se, também, nas casas da especialidade, cronómetros digitais graduados em minutos e horas decimais e, ainda, alguns tipos menos comuns, concebidos para aplicações especiais.

Podemos, no entanto, utilizar um cronómetro normal. Para fazermos cálculos será melhor converter as leituras em horas ou minutos decimais.

Conversões A conversão é feita da seguinte forma:

Horas Decimais

Horas

Minutos

Segundos

Fica igual

Dividir por 60

Dividir por 3600

26
26

Exemplo: 2 h 30 min 22seg = 2 + 30/60 + 22/3600 = 2 + 0,5 + 0,006 = 2,506 horas

Nota: para converter em hh:mm:ss faz-se o inverso do indicado na tabela. Exemplo: 3,064 horas = 3 h (0,064 * 60 min = 3,84 = 3min + 0,84 * 60 seg = 50 seg.).Assim, temos 3 h 3 min 50 seg.

Minutos decimais

Horas

Minutos

Segundos

Multiplica por 60

Fica igual

Dividir por 60

Exemplo: 2h30min22seg = 2*60 + 30 +22/60 = 150,37 minutos Nota: para converter em hh:mm:ss faz-se o inverso do indicado na tabela. Exemplo: 250,40 min = 250/60 horas + 0,4 min = 4 horas + 0,17 * 60 min + 0,4min = 4 h +10,6 min = 4h + 10 min + 0,6 * 60 seg = 4 h 10 min 36 seg.

As folhas de observações

Os registos deverão ser efectuados em folhas impressas num formato normalizado, que permita a recolha dos dados de uma forma sistematizada e de fácil consulta.

Existem quase tantos modelos diferentes destes impressos como de serviços de ET por esse mundo fora. Os agentes de ET mais experientes têm, aliás, a sua própria concepção do tipo ideal destes impressos. De seguida, apresentam-se exemplos que se revelaram satisfatórios para estudos de carácter geral.

Os impressos mais utilizados dividem-se em duas categorias:

• Impressos de campo, nos quais se registam as observações nos locais de trabalho e;

• Impressos de cálculo, de análise e de resumo dos resultados do estudo, usados no gabinete.

cálculo, de análise e de resumo dos resultados do estudo, usados no gabinete. Impresso de campo

Impresso de campo

cálculo, de análise e de resumo dos resultados do estudo, usados no gabinete. Impresso de campo

Impresso de cálculo

27
27

Prancheta

Como se pode ver pela figura, uma prancheta é um suporte para as folhas de registo e, neste caso, com o

suporte para o cronómetro integrado. É uma ferramenta bastante útil porque facilita o registo dos dados.

Câmaras de vídeo / máquinas de filmar

registo dos dados. Câmaras de vídeo / máquinas de filmar Estes dispositivos são de uma grande

Estes dispositivos são de uma grande versatilidade e comodidade de utilização. Uma das principais vantagens é a de permitirem

a observação do trabalho o número de vezes que for necessário, facilitando, assim, uma análise mais pormenorizada.

Se o equipamento permitir ver simultaneamente na mesma imagem o tempo passado, facilmente se compreenderá a sua utilidade.

Em algumas máquinas de filmar é possível apurar, automaticamente, os tempos unitários para os elementos de trabalho de menor

dimensão, o que facilita extraordinariamente o trabalho de levantamento.

3.5.2 - Tipos de cronometragem

Há três métodos principais de cronometragem e um sistema misto que utiliza vários cronómetros simultaneamente, a saber:

Tipo de cronometragem

 

Descrição

 

O

cronómetro é posto em marcha no início do primeiro elemento do primeiro ciclo a

Cronometragem contínua

Cronometragem contínua

cronometrar e só pára no final do estudo. No fim de cada elemento, a agente de ET regista a leitura do cronómetro. Os diversos tempos elementares são obtidos por subtracções sucessivas após o estudo terminado.

Nota: quando visualizamos um filme de vídeo será este o método de análise dos tempos mais adequado, uma vez que o contador de tempo da câmara é contínuo.

Cronometragem com retorno a

O

cronómetro é posto a trabalhar no início do primeiro elemento do primeiro ciclo e é

zero

simultaneamente lido e retornado a zero no fim desse elemento, iniciando imediatamente a contagem do tempo do elemento seguinte, e assim sucessivamente. Deste modo, os tempos

elementares são obtidos sem necessidade de se efectuarem as subtracções, necessárias na cronometragem contínua.

Cronometragem de leitura fixa

No cronómetro de leitura fixa, um dos ponteiros pára quando se carrega num disparador suplementar, enquanto o outro continua a andar. Carregando uma segunda vez neste disparador,o ponteiro parado alcança o que está em movimento e ambos continuam a avançar. Desta maneira, os resultados são lidos com o ponteiro parado e não em movimento, como acontece nos dois métodos anteriores, o que aumenta, evidentemente, a precisão da leitura.

28
28

Cronometragem cumulativa

Este método envolve dois, três, ou mesmo quatro cronómetros, montados numa mesma prancheta com uma ligação mecânica entre eles. Vejamos como se procede com dois cronómetros:

• Para cronometragem contínua,o mecanismo é manipulado de modo a que no final de cada elemento um dos cronómetros é parado e o outro começa a trabalhar. O cronómetro parado é lido e os tempos elementares são obtidos posteriormente, pela subtracção de leituras alternadas. • Para cronometragem com retorno a zero, o cronómetro parado é levado a zero após a leitura e os tempos elementares são lidos directamente.

3.5.3 - Julgamento da actividade

3.5.3.1 - Introdução

A fase seguinte do Estudo de Tempos consiste na avaliação da velocidade efectiva de trabalho do executante e compará-la com

uma actividade de referência. A esta avaliação chama-se “Julgamento de Actividade”.Trata-se de um julgamento, com maior ou

menor grau de natureza subjectiva, que se baseia no conceito que o observador tem de ritmo normal, habitualmente designado

por Actividade de Referência (AR) ou Actividade Normal.

A AR pode ser definida como

“O ritmo de trabalho de um executante médio, bem qualificado e treinado, trabalhando sob a liderança de quadros qualificados,

mas sem o estímulo de uma remuneração ao rendimento”.

Este ritmo de actividade deve ser tal que possa ser mantido dia após dia sem fadiga, quer física, quer mental, sendo caracterizado

por exigir do indivíduo, não mais que um esforço razoável e regular.

3.5.3.2 - Actividade de referência e rendimento normal

Como se disse, o julgamento da actividade do operador consiste numa comparação mental, ou julgamento das velocidades com

que diferentes pessoas são capazes de realizar um determinado trabalho.

A dificuldade provém, em geral, de não existirem padrões de tempo estabelecidos para a multiplicidade de tarefas elementares,

que fazem parte dos postos de trabalho e circunstâncias particulares de cada empresa. Por isso, na generalidade dos casos,

cada empresa terá que definir os seus próprios níveis de actividade normal, a fim de poder efectuar o julgamento

da actividade dos seus executantes.

Valores considerados normais:

Actividades activas (com movimento total do corpo):

Ritmo de comparação: 6,4 km/h

Actividades sedentárias (com movimento parcial do corpo):

Ritmo de comparação: distribuição de 52 cartas em 0,375 min (23 seg)

29
29

As operações que exigem reflexão – julgar o acabamento no controlo de um produto, por exemplo – são extremamente difíceis de apreciar. É preciso ter uma grande experiência neste género de trabalho, antes de poder fazer avaliações satisfatórias.

Em síntese:

Por definição, o julgamento de actividade é uma comparação entre a cadência observada pelo agente de ET e o conceito que este faz de um ritmo de trabalho normal.

Factores influentes na cadência de execução do trabalho

Factores que escapam à vontade do executante

Factores sobre os quais o executante pode actuar

• as variações de qualidade e de outras características da

 

• as variações aceitáveis de qualidade do produto;

matéria utilizada, mesmo dentro dos limites de tolerância prescritos;

• as modificações que intervêm na eficácia das ferramentas e do material durante a sua vida útil;

• as mudanças de pouca importância e inevitáveis introduzidas nos métodos ou nas condições em que se efectua a operação;

• as variações da atenção necessária à execução de alguns elementos;

• as variações devidas a maior ou menor habilidade que o trabalhador possui;

• as variações provenientes da sua atitude mental, nomeadamente dos seus sentimentos em relação à empresa em que trabalha;

• modificações da sequência dos movimentos do executante;

• modificações da sua cadência de trabalho;

• as modificações provenientes de certas condições ambientais:

• modificações de uma e de outra, em proporções variáveis.

- iluminação, temperatura, ruído, etc.

3.5.3.3 - Tipos de técnicas de avaliação do desempenho do executante

Método

Discrição

Dados auxiliares

Avaliação subjectiva sem referências

1. Julgar a dificuldade do trabalho e formar um conceito mental de como seria o trabalho em estudo se estivesse de acordo com os requisitos de execução padronizada definidos pelas normas com que o agente está a trabalhar (i.e. o método de trabalho estabelecido). 2. Classificar a execução observada de acordo com o conceito formado no passo anterior e atribuir-lhe um valor numérico.

30
30

Avaliação subjectiva com algumas referências

Este procedimento difere do anterior nos detalhes ou referências dados na execução do 2º passo. As diferenças são: o número de subfactores em que esse passo é dividido; os termos usados para descrever a base de comparação entre a tarefa observada e o conceito formado no 1º passo; as escalas numéricas utilizadas; a existência, ou não, de postos de trabalho de referência.

Quadro a

Avaliação objectiva

1.Avaliação do ritmo observado em comparação com um ritmo-padrão de referência, que é o mesmo para todos os postos de trabalho da empresa. Esta referência está registada em filme (podendo, assim, ser consultada periodicamente para reciclagem dos agentes de ET). 2. Utilização de um ajustamento de dificuldade, que consiste num incremento em percentagem, a aplicar ao valor obtido pela avaliação efectuada no 1º passo. Este incremento é obtido em tabelas de valores empíricos obtidos experimentalmente (qua- dros 1 e 2), segundo Mundel, 1978.

Quadros 1 e 2

Quadro a

 

Destreza

Esforço

+0,15

A1

Super

+0,13

A1

Super

+0,13

A2

+0,12

A2

+0,11

B1

Excelente

+0,10

B1

Excelente

+0,08

B2

+0,08

B2

+0,06

C1

Boa

+0,05

C1

Bom

+0,03

C2

+0,02

C2

0

D

Média

0

D

Médio

-0,05

E1

Sofrível

-0,04

E1

Sofrível

-0,10

E2

-0,08

E2

-0,16

F1

Fraca

-0,13

F1

Fraco

-0,22

F2

-0,17

F2

 

Condições

Consistência

+0,06

A

Ideais

+0,04

A

Super

+0,04

B

Excelentes

+0,03

B

Excelente

+0,02

C

Boas

+0,1

C

Boa

0

D

Médias

0

D

Média

-0,03

E

Sofríveis

-0,02

E

Sofrível

-0,07

F

Fracas

-0,04

F

Fraca

31
31

Exemplo de avaliação subjectiva com algumas referências

Suponhamos que a execução de um dado elemento foi classificada, com base nos critérios apresentados na tabela acima, do seguinte modo:

Destreza = B1; Esforço = B2; Condições = C; Consistência = B.

Assim, de acordo com o quadro, os ajustamentos (Aj) seriam:

Aj = 0,11 + 0,08 + 0,02 + 0,03 = 0,24

Admitindo que o julgamento da actividade, meramente mental, efectuado no 1º passo, fora FA = 105%, e se aplicarmos as correcções anteriormente apresentadas (1 + 0,24 = 1,24), obteremos o seguinte resultado ajustado:

FA(ajustado) = 105% x 1,24 =130%

Quadro 1

32
32

Quadro 2

Quadro 2 33
33
33

Exemplo de Aplicação – Avaliação objectiva

O

ajustamento total de dificuldade para um dado elemento é a simples soma dos ajustamentos aplicáveis, obtidos nos quadros 1

e

2. Note-se que os ajustamentos de dificuldade são independentes do julgamento do ritmo efectuado no 1º passo.

Por exemplo, se a avaliação do ritmo for de 80% e o ajustamento de dificuldade total for de 15%, estes dois valores não se podem somar. O procedimento correcto será calcular 0,80 x 1,15 = 0,92. Ficaria, assim, o factor de actividade ajustado, FAaj = 92%.

Vejamos o seguinte exemplo de aplicação dos quadros, para uma operação com três elementos. Note-se que o ajustamento para

o peso é igual pois o esforço realizado é de 2,5 kg em todos os elementos.

Descrição dos elementos

 

Avaliação de cada elemento

 
   

123

 

Parte do corpo utilizada

E

8

E

8

D

5

Pedais

F

0

F

0

F

0

Trabalho com as duas mãos

H

0

H

0

E

0

Coordenação olhos/mãos

J2

J2

J2

Manipulação

O1

O1

P

2

Peso (2,5 Kg nos 3 elementos)

 

444

 

Soma ajustamentos

15

15

13

FA (observado) – 1º Passo

80%

85%

90%

FA (ajustado) – 2º Passo

92%

98%

102%

Em relação ao ajustamento para o peso, referido no quadro 2, vejamos o seguinte exemplo um pouco mais complexo:

Numa dada operação, cada ciclo tem dois elementos, cujos tempos cronometrados são, respectivamente, 0,15 min. e 0,10 min. O

2º ele-mento envolve movimentos com uma caixa pesando 23,5 Kg. Este ele-mento ocupa 40% do tempo de cada ciclo, visto que

0,10/0,25=40%.

Para 23,5 Kg o quadro 2 indica um valor básico de 0,42 e um incremento de 0,365 resultante dos 35% da duração desse ele-mento para além do mínimo de 5% do tempo. Consequentemente, o ajustamento de dificuldade (por via do peso) para o 2º elemento será 0,42 + 0,365 = 0,785 => 79%. Este valor deverá ser adicionado aos demais ajustamentos resultantes das outras categorias.

2.6.3.5 - Escalas de avaliação do desempenho

Podem utilizar-se diversas escalas de avaliação, das quais as mais correntes são as 100-133, 60-80, 75-100 e a escala 0-100 da

34
34

British Standards Institution, cuja adopção se recomenda aos leitores. O quadro seguinte dá exemplos de actividades de trabalho

qualificadas de acordo com as diversas escalas agora citadas.

   

Velocidade de

 

Escalas

 

Descrição da actividade

marcha compatível

 

(km/h)

60-100

75-100

100-133

0-100

   
   

0000

 

Actividade nula

0

       

Actividade muito lenta: movimentos inábeis e

 

40

50

67

50

hesitantes; o executante parece estar meio a dormir e não se interessa pela sua tarefa

3,2

       

Actividade compassada, sem pressa, como a de um trabalhador não remunerado à peça, sob vigilância

 

60

75

100

75

apropriada; parece lenta, mas sem qualquer desperdício deliberado de tempo durante a observação.

4,8

     

100

Gestos vivos e precisos de um trabalhador medianamente qualificado, remunerado à peça; os requisitos de qualidade e de precisão são atingidos sem hesitações.

 

(actividade

80

100

133

de

6,4

referência)

100

125

167

125

Muito rápida: o executante demonstra uma segurança, destreza e coordenação de movimentos muito superiores à de um trabalhador mediano experiente.

8

       

Excepcionalmente rápida: a actividade exige um esforço e concentração intensos e não poderá,

 

120

150

200

150

provavelmente, ser mantida durante muito tempo; requer num nível de “perito”, que só alguns trabalhadores excepcionais podem atingir.

9,6

3.5.3.5 - Como empregar o Factor de Actividade (FA)

Se a cadência de execução do trabalhador que observa não atinge o nível que julga normal, escolherá um factor inferior a 100,

por exemplo 90, ou qualquer outro número que julgue justo. Se, pelo contrário, pensa que a actividade do trabalhador ultrapassa

o nível normal, tomará para factor um número superior a 100, por exemplo 110, 115 ou 130.

Na prática costuma-se arredondar a avaliação para o múltiplo de 5 mais próximo.

3.5.3.6 - O tempo normalizado

Define-se tempo normalizado, que designaremos abreviadamente por TN, como igual ao produto do tempo por operação

observado/medido (TO), multiplicado pelo factor actividade FA e dividido pela actividade de referência (AR), isto é:

TN = TO x FA / AR

35
35

Será necessário agora referir um aspecto importante relativo à forma mais correcta de determinar o TN a partir dos tempos observados e dos julgamentos de actividade. Não há dúvida que o procedimento mais correcto será efectuar o cálculo do TN, conforme a fórmula, elemento a elemento,

multiplicando cada TO pelo quociente FA/AR correspondente (para cada medição). No final, calcular-se-á o TN médio e será esse

o valor aceite para tempo normalizado do elemento em questão.

TNmédio = (Soma de todos os TN) / (Número de TN = número de observações efectuadas)

3.5.4 - Precisão da amostra

Quando se efectua um ET, verifica-se que, mesmo que o trabalhador tente manter um ritmo constante, há sempre diferenças entre os tempos cronometrados para o mesmo elemento. Esta variabilidade pode levantar dúvidas quanto à fiabilidade das medições feitas, designadamente sobre o facto de serem ou não representativas do “verdadeiro” tempo elementar.

ou não representativas do “verdadeiro” tempo elementar. Este valor depende de dois factores: a) A variabilidade

Este valor depende de dois factores:

a) A variabilidade (dispersão) das observações que é determinada por uma medida estatística de dispersão:

pelo desvio-padrão ou pela amplitude do intervalo de variação; b) O número, N, de observações efectuadas.

A fórmula abaixo permite avaliar o erro que afecta o tempo médio de um dado número de observações. Como já se disse são

geralmente aceites em ET o nível de confiança de 95% e a precisão de +-5%.

Exemplo:

N´ = 1600 (s / m)2

s – desvio-padrão m - média

No quadro seguinte estão representados 10 tempos elementares (1ª série de observações). O observador pretende saber se esse número é suficiente para um nível de confiança de 95% e uma precisão de +-5%.

36
36

1ª série de 10 observações: (N1=10)

   

Tempos: 5-6-7-7-5-5-6-6-7-5

Média: 6

Desvio-padrão: 0,81650

Cálculo N´:

N´ = 1600 x (0,81650/6) 2 = 29,6 <=>30

Conclusão: o número de observações insuficientes N1<N´

 

2ª série de 10 observações: (N2 = N1 + 10 = 20)

   

Tempos: 6-7-5-6-6-5-7-5-5-6

Média: 5,93

Desvio-padrão: 0,75915 (dos

Cálculo N´:

N´ = 1600 x (0,75915/5,93) 2 = 26,04 <=> 27

(dos 20 tempos)

20

tempos)

Conclusão: o número de observações insuficientes N2<N´

 

2ª série de 10 observações: (N3 = N2 + 5 = 25)

   

Tempos: 6-7-6-5-6

Média: 5,96

Desvio-padrão: 0,73485 (dos

Cálculo N´:

N´ = 1600 x (0,73485/5,96) 2 = 24,03 <=> 25

(dos 25 tempos)

25

tempos)

Conclusão: o número de observações suficientes N3 <=> N´

 

3.5.5 - Correcções, complementos ou coeficientes

Vimos no Estudo dos Métodos que convém reduzir sempre ao mínimo a energia que despende o executante para realizar a sua

tarefa, aperfeiçoando os métodos e os processos de acordo com os princípios de economia de movimentos e, na medida do

possível, com a ajuda da mecanização/automatização.Todavia, a execução de um trabalho exige sempre ao executante o dispêndio

de um certo esforço, mesmo quando se adoptou o método de execução mais prático, económico e eficaz. Por esta razão, deve

sempre prever-se um complemento de tempo para lhe permitir repousar e compensar a fadiga. São as chamadas correcções de

fadiga. Devem ser também tidas em conta as necessidades pessoais do trabalhador, chamadas correcções para necessidades

pessoais, pelo que se deve prever algum tempo para esse efeito.

Para além destas há ainda outras a considerar, que serão descritas adiante.

Vejamos agora mais detalhadamente estas diversas categorias. Correcções: Correcções fadiga de base fixas
Vejamos agora mais detalhadamente estas diversas categorias.
Correcções:
Correcções
fadiga de base
fixas
Correcções:
necessidades
pessoais
Tensão nervosa
e esforço físico
intenso
Correcções
variáveis
Factores
ambientais

Correcções

Correcções Correcções

Correcções

de repouso

 

totais

Correcções por

 

ocorrências

irregulares

Correcções por

demoras

inevitáveis

Correcções

especiais

Correcções

suplementares

37
37

Classe correcção

Tipo

 

Descrição

 

Valor ou fórmula

 

Correcções de base para fadiga

Aplicam-se para compensar a energia des- pendida na execução do trabalho e para aliviar a monotonia

4% do TN

Correcções para necessidades pessoais

têm em conta a necessidade de abandonar

 

Correcções de repouso

posto de trabalho por necessidades pessoais

o

entre 5 e 7% do TN

 

acrescentadas às fixas quando as condições

 

Correcções variáveis

de

execução são nitidamente diferentes das

Valores tabelados

consideradas normais (ex. calor humidade)

     

O

procedimento mais

Correcções para ocorrências irregulares

Ocorrências irregulares

Ocorrências irregulares e aleatórias. Por exemplo: como atribuir o tempo perdido na substituição de agulhas partidas numa máquina de costura?

correcto será determinar a frequência média diária e a duração média da operação. A correcção correspondente calcula-se dividindo esse tempo pela duração do período de trabalho diário.

     

O

sistema de cálculo mais

Tempo concedido para compensar instantes

recomendado para este tipo de correcções consiste em considerar os tempos improdutivos imputáveis à máquina sob a forma de um coeficiente calculado a partir dos resultados que o trabalhador médio, efectuando esta operação, oneraria se só estivesse afecto a trabalhos manuais.

de

ociosidade forçada que têm origem na

Correcções por

demoras inevitáveis

natureza do processo ou da operação e que,

a não serem compensados, originariam um prejuízo no prémio do executante

     

O

procedimento mais correcto

Trata-se de correcções para actividades que, normalmente, não fazem parte do ciclo da operação, mas são indispensáveis à boa execução do trabalho.

será determinar a frequência média diária e a duração média

da

operação. A correcção

Correcções especiais

correspondente calcula-se dividindo esse tempo pela duração do período de trabalho diário.

3.5.1 - Como empregar as correcções

As correcções são utilizadas quando pretendemos estabelecer um padrão. São aplicadas sobre o Tempo Normalizado Médio.

Assim, a fórmula será:

Tempo-padrão = TN médio x (1 + % correcções)

38
38

Nota: na maioria das situações poderemos aplicar uma % de correcção entre 10 e 15 %, consoante o esforço (peso e facilidade de manipular os objectos) e condições (temperatura e humidade) envolvidos.

3.6 - Amostragem do trabalho – Método das Observações Instantâneas

3.6.1 - Introdução

Esta técnica encontra aplicação quer no Estudo dos Métodos quer na Medida do Trabalho, com pequenas variações. Por esta razão, alguns autores preferem incluíla no primeiro e outros no segundo daqueles dois grandes capítulos do Estudo do Trabalho.

3.6.2 - Utilização da técnica

Aplica-se a postos de trabalho sem carácter repetitivo, ou que, sendo cíclicos, tenham ciclos bastante longos (horas ou dias). Enquadram-se nesta categoria tarefas de supervisão, ou administrativas, de manutenção, assistência, etc. Permite obter, para um dado esforço de observação, uma imagem mais perfeita do que as demais técnicas.

O trabalho a realizar visa três objectivos principais:

• Determinar as percentagens relativas dos tempos de actividade e de inactividade de homens e de máquinas;

• Estabelecer um índice de actividade (ou ritmo de trabalho) durante os períodos de actividade;

• Medir o trabalho, ou seja, estabelecer um tempo-padrão para uma dada operação.

Definição da técnica

A Amostragem do Trabalho ou Método das Observações Instantâneas consiste em fazer um número grande de observações distribuídas aleatoriamente ao longo do tempo. Em cada observação é registado o tipo de actividade desempenhada nesse momento, pelos trabalhadores ou máquinas em estudo. O tipo de actividade é, assim, classificado em categorias de actividade pre- determinadas que sejam relevantes para a situação em estudo. No fim, a proporção de observações em cada categoria permitirá tirar conclusões quanto à sua importância relativamente ao conjunto das actividades em estudo.

Desta descrição pode-se concluir que a amostragem do trabalho cobre em geral um período mais ou menos longo. Trata-se, portanto, de uma técnica extensiva.

Vamos analisar um exemplo:

A determinação das percentagens do dia de trabalho em que um operador e a sua máquina estão a trabalhar ou inactivos baseia-

-se na hipótese de que a percentagem do número de observações registadas durante um dado período, em cada uma das duas

situações, constitui uma boa aproximação para a percentagem do tempo em que homem e máquina estão a trabalhar ou inactivos,

na realidade.A precisão do resultado é função do número de observações efectuadas.

Suponhamos que, quando está a trabalhar, é feita uma marca na categoria “a trabalhar”; se está inactivo, é feita uma marca em “inactivo”, como ilustra o quadro 1.

No quadro 1 há 36 observações “a trabalhar” e 4 observações “inactivo”, num total de 40 observações.

A percentagem de tempo a trabalhar será

Sendo a percentagem de tempo inactivo de

36 : 40 x 100% = 90%; 4 : 40 x 100% =10%.

39
39

Se este estudo disser respeito a um dia de trabalho de 8 horas (480 minutos), os resultados indicarão que este operador esteve

inactivo 10% do tempo, isto é, durante 48 minutos (480 x 0,10 = 48) e que trabalhou 90%, ou seja, durante 432 minutos (480 x 0,90 = 432).

Quadro 1

Registo das observações “a trabalhar” e “inactivo”

Situação

N.º de observações

 

Total

“a

trabalhar”

||||| |||||

|||||

|||||

|||||

|||||

||||| |

36

“inactivo”

||||

4

TOTAL

 

40

Este exemplo é, evidentemente, muito simples, pois apenas considera duas situações (activo e inactivo) além de se basear num número muito restrito de observações. De facto, esta técnica é muito mais potente do que isso, pois permite classificar tantos tipos ou categorias diferentes de situações quantos forem necessários para o estudo em causa. O exemplo que se apresenta mais adiante ilustra melhor as possibilidades da amostragem do trabalho.

3.6.3 - Cálculo da precisão da amostra

Este aspecto tem muita importância, pois dele depende o número de observações a efectuar, factor que determinará a duração do estudo.

A precisão do estudo depende da finalidade, embora haja alguma amplitude na sua especificação. O analista pretende obter

resultados satisfatórios sob o ponto de vista da precisão, mas ao mesmo tempo não quer fazer um número excessivamente grande de observações. É necessário determinar antecipadamente o número de observações a realizar para um dado grau de precisão.

As

fórmulas que a seguir se apresentam traduzem as características matemáticas da amostra e podem ser utilizadas para o cálculo

da

sua dimensão para diversos limites de precisão.

Se

pretendermos agora determinar p com o mesmo nível de confiança de 95% mas com uma precisão de ± 5% de p, teremos N = 1600 (1 - p) / p

Finalmente, se quisermos p com o mesmo nível de confiança de 95% e com a precisão de ±1% de p, virá

N = 40 000 (1 - p) / p

O quadro do Anexo I apresenta os valores de N relativos às expressões apresentadas.

De um modo geral, em estudos qualitativos, a maior parte dos valores dados pelo quadro em anexo são maiores do que o necessário.

40
40

Planeamento do estudo

A dimensão da amostra depende da precisão que desejarmos para o estudo e da proporção do tempo total (p) relativa à

actividade mais importante para esse estudo.

Se conhecermos aproximadamente essa proporção, poderemos fazer logo o planeamento do estudo. Caso contrário, teremos de

fazer uma amostragem preliminar, sem preocupações de grande precisão, mas que nos dê uma ideia da ordem de grandeza de p. Saberemos então quantas observações teremos que efectuar, donde poderemos calcular o número de observações diárias, sabido o tempo total disponível para o estudo.

O planeamento das observações poderá ser feito utilizando uma tabela ou um programa gerador de números aleatórios.

Outra possibilidade é numerar fichas de 8 a 12 e de 13 a 18, para as horas, e de 00 a 59, para os minutos, baralhando cada um dos dois grupos e retirando o número de pares necessários (com reposição) até perfazer a dimensão da amostra.

Se for necessário um grande número de observações, o observador nem terá tempo de se afastar do local a estudar, mas deverá

ter o cuidado de modificar o seu caminho ao acaso, fazendo variar os percursos. Se tiver este cuidado, poderá dispensar a preparação antecipada dos tempos, pois o seu percurso será, de facto, aleatório.

Outro aspecto importante da amostragem do trabalho é a preparação do registo das observações. Para isso, há que definir todas

as categorias de actividade que sejam relevantes para o estudo.

Em muitos casos, o próprio registo das observações pode ser feito pelos próprios trabalhadores, se devidamente instruídos e, como é óbvio, se forem considerados de confiança para este efeito.

3.6.4 - Resumo dos procedimentos

A. Assegurar a cooperação do encarregado ou supervisor e explicar o objectivo, a natureza e o método utilizado ;

B. Explicar aos trabalhadores o objectivo do estudo;

C. Preparar, com a ajuda do encarregado ou supervisor, a lista de categorias de actividade necessárias;

D. Se for decidido, entregar o registo das observações ao encarregado ou supervisor;

E. Apoiar até garantir a aptidão para efectuar correctamente as observações;

F. Pôr em execução as observações, conforme estabelecido, acompanhando o processo, se necessário;

G. Analisar o resumo dos dados com a colaboração das pessoas que efectuaram as observações;

H. Calcular o tempo-padrão (TP) para uma operação ou actividade, do seguinte modo:

Tempo-padrão = [tempo total do estudo x a proporção do tempo total observada para a operação x o factor de actividade / actividade de referência* x (1 + total das correcções a incluir)] a dividir pelo número de unidades de trabalho produzidas na operação durante o estudo * normalmente, 100

3.6.5 - Exemplo de aplicação

Imaginemos uma fábrica de mobiliário de madeira em que pretendemos determinar os tempos-padrão de uma série de componentes de um modelo de móvel: portas, gavetas, tampos, fundos, pés, etc., para além dos acabamentos. Pelo tipo de

41
41

actividade e pelas características de organização do trabalho, foi decidido que a técnica mais apropriada seria a amostragem do trabalho. Eis os procedimentos adoptados:

a) Definir categorias de actividade que permitam discriminar as operações com suficiente detalhe;

b) Definir as unidades de trabalho cujos tempos-padrão se pretende determinar e preparar um sistema eficaz para contagem das unidades produzidas (quadro 2);

c) Determinar o número de observações a realizar, isto é, a dimensão da amostra;

d) Preparar os impressos de registo das observações (exemplo - quadro 3);

e) Efectuar as observações e registá-las;

f) Tabular os resumos das observações e analisá-los criticamente (quadro 4);

g) Aplicar ajustamentos e correcções, conforme for pertinente;

h) Calcular os tempos-padrão;

i) Avaliar os resultados.

A fim de melhor se compreender o processo, consideremos o caso das portas.

Verifica-se que, ao iniciar o dia, se encontravam na fábrica 16 portas, das quais 8 ainda estavam por acabar. Durante o dia foram acrescentadas 60 unidades, tendo ficado 11 incompletas no fim, donde se conclui que foram acabadas 57. Obviamente que, tratando-se de actividades menos complexas, o registo será muito mais simples, bastando em muitos casos um somatório das unidades produzidas durante o período abrangido pelo estudo.

Quadro 2

Registo da produção para efeitos de utilização na amostragem do trabalho

OFICINA DE MARCENARIA – REGISTO DIÁRIO DE UNIDADES PRODUZIDAS

 

Compon./Oper./Actividades

Contagem inicial

Por acabar

Unidades acresc.

Incompl. no fim

Acabadas no final

Portas

16

8

60

11

57

Bases

28

27

74

10

65

Tampos

18

8

59

7

62

Frentes

14

3

48

8

51

Fundos

16

5

55

14

52

Gavetas

24

21

120

17

106

Pés

192

64

112

33

207

Col. puxadores

336

120

677

88

805

Col. dobradiças

266

87

190

13

356

Móveis montados

10

8

30

4

28

Móveis inspeccionados

   

26

 

26

42
42

A folha de registo das actividades individuais é a que consta do quadro 6.2.

De referir que, neste caso, se estão a registar na mesma folha as observações relativas a todos os trabalhadores simultaneamente em actividade na referida oficina. É por esta razão que em algumas casas do Quadro 3 aparece mais do que uma observação. Isso significa, apenas, que havia mais do que um trabalhador ocupado com a mesma tarefa, quer ajudando-se entre si, quer trabalhando independentemente. Há casos em que é conveniente efectuarmos o registo individual em folhas separadas. As observações devem ser registadas sob a forma de factor de actividade, e não apenas como mero registo da categoria de actividade desempenhada no momento da observação, como é o caso exemplificado no quadro 1.

Antes de se dar início ao estudo normal, fez-se uma amostragem prévia durante uma semana a fim de se obter uma primeira imagem da proporção de cada actividade em relação ao tempo total.Verificou-se que a actividade mais importante, para efeitos deste estudo, era a de montagem dos móveis, com uma proporção p = 0,15. Este exercício prévio serviu também como treino dos observadores e para os trabalhadores se habituarem à sua frequente presença na oficina.

se habituarem à sua frequente presença na oficina. Dado que o estudo era destinado à determinação

Dado que o estudo era destinado à determinação de tempos-padrão e para rever o sistema de incentivos de produtividade em vigor na empresa, impunha-se uma precisão elevada para o estudo, na ordem de 5% de p (precisão da amostra).

Sabidas estas duas condições (p = 0,15 e a precisão fixada em 5% de p), obtém-se imediatamente, pela fórmula

N = 1600 (1 - 0,15) / 0,15 = 9067 observações.

Nestas condições, e sabendo que o estudo não poderia exceder 5 semanas (por razões de planeamento da produção), haveria 25 dias úteis para o estudo. Como a fábrica estava a trabalhar a 2 turnos diários de 8 horas cada, seria possível fazer o estudo durante ambos os turnos, utilizando dois observadores. Daqui resultariam 25 x 2 x 8 = 400 horas “observáveis”, ou seja, 24 000 minutos. Dividindo por 9067, conclui-se ser necessário efectuar uma observação, em média, cada 2,65 minutos, o que corresponde a cerca de 23 observações por hora. Feita a determinação aleatória dos momentos de observação, e preenchidos em conformidade os topos das colunas do impresso de registo exemplificado no quadro 3, iniciou-se o estudo.

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Quadro 3 Admitamos que, após termos efectuado 9067 observações, relativas aos 19 operários afectos à

Quadro 3

Admitamos que, após termos efectuado 9067 observações, relativas aos 19 operários afectos à referida fábrica (10 no primeiro turno e 9 no segundo) durante as 5 semanas previstas, obtivemos o resumo que se apresenta no quadro 4.

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Quadro 4

Quadro 4 Comentários ao quadro 4: - O factor de actividade (FA) foi obtido por observação

Comentários ao quadro 4:

- O factor de actividade (FA) foi obtido por observação do ritmo de cada trabalhador no momento da observação. Se houver vários trabalhadores a realizar idênticas operações nesse instante, sem o registados outros tantos factores de actividade na casa correspondente a essa operação nesse momento.

- As correcções C foram obtidas adicionando as proporções correspondentes às operações que não constituem unidades de trabalho específicas. Contudo, as observações correspondentes a demoras evitáveis não deverão, em princípio, ser incluídas no somatório das frequências. A exclusão de uma dada categoria de actividade do número total de observações ou no somatório das correcções é um assunto delicado que deve ser bem ponderado antes de ser tomada a decisão.

-

O número de unidades produzidas é obtido dos registos diários de produção (quadro 2).

O

tempo total de operação T, em horas-homem, para cada actividade i, obtém-se multiplicando o número de dias de observação

(25) pelo número de horas de trabalho diárias em cada turno (8), pelo número de trabalhadores em observação (19) e pela

proporção p i correspondente a essa actividade. Será, então, T = 25 x 8 x 19 x p i = 3800 p i .

Exemplificando para o fabrico de uma porta e assumindo AR = 100%, o tempo-padrão para essa operação/actividade/tarefa calcula-se como se segue:

TP = [3800 x 0,092 x 104,8 / 100 x (1 + 0,15) ] / 1513 = 0,2785 horas = 16,71 minutos

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Anexo I

Anexo I Número de amostras necessárias para um nível de confiança de 95%. 46

Número de amostras necessárias para um nível de confiança de 95%.

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