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1 INTRODUÇÃO Mais de vinte tipos diferentes de doenças são transmitidas através do contato sexual (O’LEARY; CHENEY, 1993) e representam grave problema de saúde publica por suas repercussões medicas, sociais e econômicas. As doenças sexualmente transmissíveis (DST) ocorrem com maior freqüência nos países em desenvolvimento, onde constituem a segunda maior causa de perda de vida saudável entre mulheres de 15 a 45 anos (DALLABETTA; et al., 1997). Atualmente, tem sido ressaltada sua associação com maior risco de infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) (CDC, 1998). Apesar disso, as DST só voltaram a readquirir importância como problema de saúde pública após a epidemia de AIDS. Estudos mostraram que pessoas com DST e infecções do trato reprodutivo não ulcerativas têm um risco aumentado de 3 a 10 vezes de se infectar pelo HIV, o que sobe para 18 vezes se a doença cursa com úlceras genitais (FLEMING; WASSERHEIT, 1999). Evidências recentes sugerem que o herpes genital pode ser responsável pela maior proporção de novas infecções por HIV (RODRIGUEZ; et al., 2002). Sua prevalência é elevada no Brasil, apesar do baixo percentual de indivíduos que relatam sintoma prévio (CARVALHO; et al., 1999). Somente no ano de 1999, a Organização Mundial de Saúde (OMS) estimou um total de 340 milhões de casos novos por ano de DST curáveis em todo o mundo, em pessoas na faixa etária entre 15 e 49 anos, sendo 10 a 12 milhões destes casos no Brasil. Outros tantos milhões de DST não curáveis (virais), incluindo o herpes genital (HSV-2), infecções pelo papilomavirus humano (HPV), hepatite B (HBV) e infecção pelo HIV ocorrem anualmente (World Health Organization, 2005 apud BRASIL, Ministério da Saúde. 40 ed., 2006). As doenças sexualmente transmissíveis (DST) estão entre as cinco principais causas de procura por serviço de saúde e podem provocar sérias complicações, tais como infertilidade, abortamento espontâneo, malformações congênitas e até a morte, se não tratadas. São doenças de difícil detecção, uma vez que acarretam poucos sintomas visíveis e, muitas vezes, apresentam-se de forma assintomática.

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O aumento da prevalência e da infecção pelo HIV entre as mulheres, a gravidade das conseqüências das DST para elas e sua freqüente ocorrência entre monogâmicas mostram a necessidade de uma abordagem dessas questões sob a perspectiva de gênero. (JIMÉNEZ, 2004). Segundo Brasil, Ministério da Saúde (40 ed., 2006), as DST de notificação compulsória são: AIDS, HIV na gestante/criança exposta, sífilis na gestação e sífilis congênita. Para as outras DST, não há um sistema de notificação compulsória e a ausência de estudos de base populacional dificulta a visibilidade do problema e implantação de intervenções prioritárias, avaliação de sua efetividade e seu redirecionamento, sendo necessário um esforço coletivo para divulgar a situação das DST e capacitar os serviços para atender os pacientes. Diante de todo esse quadro exposto, reconhecemos a necessidade de se trabalhar com a população á respeito das DSTs, e devido á isto, o presente trabalho tem por objetivo orientar, informar, estimular e promover assim as mudanças no comportamento sexual e adoção de medidas preventivas com ênfase na utilização do preservativo, a fim de prevenir as doenças sexualmente transmissíveis para toda a população sexualmente ativa, independente da idade, sexo ou situação econômica. Para cumprir com este objetivo, é composto por duas partes: a parte escrita onde contem todo o referencial teórico e a parte prática composta por uma campanha voltada para a população sexualmente ativa independente da idade, sexo ou situação econômica. Como algumas DST podem também ser transmitidas por vias não sexuais como compartilhamento de toalhas e sabonetes, compartilhamento de seringas por usuários de drogas injetáveis, transfusão sanguínea, acidentes durante manipulação de instrumentos perfurocortantes, por funcionários de laboratórios e hospitais (BRASIL, Ministério da Saúde, 2010 a), o presente trabalho além de ser voltado principalmente para os aspectos da transmissão sexual, que é a principal característica das DST, contém um pouco também de promocão para prevenção de contágio por compartilhamento de seringas por usuários de drogas injetáveis e orienta e informa medidas para evitar contágio por acidentes durante manipulação de instrumentos perfurocortantes, por funcionários de laboratórios e hospitais.

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2 DESENVOLVIMENTO 2.1. Histórico As DST acompanham a história da humanidade. Durante a evolução da espécie humana, as DST vêm acometendo pessoas de todas as classes, sexos e religiões (CARVALHO, 2003). No tempo da Grécia antiga, as DSTs, foram chamadas de doenças venéreas, como referência a Vênus, a Deusa do Amor (HISTÓRIA DAS DSTs, 2008). A sífilis, que até o século XV era desconhecida, teve seus primeiros registros em figuras encontradas em tumbas do Egito no tempo dos faraós (HISTÓRIA DAS DSTs, 2008). No início do século XX, o cientista Shaudinn descobre que a sífilis é causada por uma bactéria, chamada de Treponema pallidum. Em seguida, outro cientista, Wassermann, desenvolve um teste feito no sangue, o VDRL, que serve para detectar a infecção (HISTÓRIA DAS DSTs, 2008). Com a descoberta da penicilina, na década de 40, as epidemias de algumas DST começam a recuar (SILVA, 2010). Nos anos 60/70, com a descoberta da pílula anticoncepcional e com a maior liberdade sexual entre os jovens, voltam a aumentar os números de casos de DST em todo mundo (SILVA, 2010). Nos anos 80/90 observou-se um aumento dramático dos casos de sífilis e gonorréia, muitos dos quais têm ocorrido na população adolescente e de adultos jovens (História das DSTs, 2008). As DST são atualmente um grande problema de saúde pública no Brasil, principalmente porque facilitam a transmissão do HIV (tal fato foi observado em uma população da África, em que o controle e tratamento das DST propiciou redução de 40% na propagação do HIV), portanto uma parcela de responsabilidade pela atual dimensão da epidemia da AIDS estão nas DST. (SILVA, 2003).

(CARRET. A maioria dos estudos encontrados se concentram em grupos de alto risco. raros são os serviços onde a notificação é realizada de forma sistemática (BRASIL. Embora as clássicas doenças sexualmente transmissíveis. As pandemias mundiais de HIV e HBV continuam fora de controle e envolvem adultos de ambos os sexos e crianças de mães infectadas. mononucleose infecciosa (EBV) e infecções congênitas oportunistas em lactentes com AIDS (CMV) (Quadro 1). essas doenças estão aumentando em taxas epidêmicas entre certas populações urbanas nos Estados Unidos.4 2. Poucas referências de base populacional sobre DST foram identificadas. tendo relações sexuais com número cada vez maior de parceiros e elevando o número absoluto de relações sexuais. e a possibilidade de transmissão vertical contrastam com um tratamento fácil e de baixo custo. Desta forma. apenas a AIDS e a sífilis congênita são de notificação compulsória. com disseminação entre parceiros. Entretanto. São escassos os dados epidemiológicos relativos às DST.2 Possíveis causas para alta prevalência de DST entre a população. o grande número de pessoas . Ministério da Saúde. 2004). Os vírus que se propagam por contato intimo incluem aqueles que causam vesículas orais e genitais (HSV-1 e HSV-2). como trabalhadores do sexo. baixa escolaridade e baixa renda a maior risco para DST e AIDS. O acometimento principalmente de adultos em idade reprodutiva. O problema é agravado pela grande quantidade de indivíduos que se automedica com tratamento inadequados. as pessoas vêm aumentando a sua atividade sexual. Maria Laura Vidal et al. Estudos vem demonstrando também que além da idade cada vez mais precoce da primeira relação sexual. e/ou em clinicas especializadas em DST. tenham diminuído sobremodo em alguns segmentos das sociedades ocidentais. Outro aspecto relacionado à alta prevalência das DST é que frequentemente as orientações dadas aos pacientes não contemplam atitudes capazes de prevenir a reincidência da doença e o tratamento dos parceiros. Vários autores associam menor idade de iniciação sexual. resultando em aumento da resistência antimicrobiana e podendo levar a quadros subclinicos que os mantém transmissores. 1999). sífilis e infecção por clamidia. gonorréia.

das condutas sexuais dele (FAÚNDES. Na maioria das sociedades. o autor relata os seguintes: . SANGI-HAGHPEYKAR et al. fixas ou de longa duração. o grande percentual de jovem. 1995.. 1993. . PAIVA. estas tem pouco ou nenhum controle quanto às decisões relativas à quando e sob quais condições ter relação sexual. VAN DAM. obviamente apresenta um resultado catastrófico (CARVALHO. MACDONALD. Assim. . não adotam esse método de forma regular. HEBLING. é difícil que o uso do condom seja . 1997. Com relação aos motivos pelos quais as pessoas vem aumentando suas atividades sexuais. entretanto. 1994. por eles. estimulando a abstinência. por não fazer parte de sua rotina de vida (Gertig. diversas campanhas educativas tem encorajado o uso do condom pelo casal para prevenir as DST/AIDS.Progresso da humanidade tendendo a maiores aglomerações urbanas. 1992. AGHA.Advento dos métodos contraceptivos (pílulas anticoncepcionais). . o que dificultaria a discussão aberta com o parceiro a respeito de sexo e modos de proteção (ROSENBERG. et al. VILLELA. GOLLUB. 1997.Erotização propagada pelos meios de comunicação. a pratica da monogamia e o uso do condom masculino (BADIANI et al. Nos paises em desenvolvimento. tem sido observado que os casais heterossexuais com relações consideradas. Alem disso em um relacionamento afetivo. o rápido aumento da urbanização e o baixo status da mulher são alguns dos fatores contribuintes para o crescimento dessas doenças.5 tendo cada vez mais um maior número de relações sexuais somados à existência progressiva de maior e mais diversificado número de microrganismo de transmissão sexual. 1997). 1998).. Uma explicação possível é que as mulheres ocupam posição secundária na relação. menos ainda. Até agora. culturais e socioeconômicos contribuem para a alta incidência e prevalência de DST e de infecção pelo HIV em mulheres. sexual e duradouro. 1997).Facilidade de locomoção das pessoas pelo avanço dos meios de transportes. 2003). que implica “conhecer” e “confiar” no marido ou companheiro. grande parte dos esforços em relação à prevenção das DST tem sido dirigida a mudar o comportamento sexual. Fatores biológicos. 1997. com relação ao uso do condom pelo parceiro e. 1996).

Isso ocorre por provisão insuficiente ou pelo uso para tratamento de outras enfermidades (BRASIL. incluindo a avaliação das parcerias sexuais. etc) (BRASIL. 1998). Tal se dá. a confiança no parceiro constitui o método de prevenção (GUIMARÃES. disseminação da informação para reconhecimento de sinais e sintomas. As diretrizes para diagnóstico e tratamento precoces. muitas vezes. sendo de 80% de responsabilidade do nível federal nas regiões sul e sudeste e de 90% nas regiões norte. Pouco se valoriza a prevenção especificamente dirigida ao controle das DST (educação em saúde.. 40 ed. nordeste e centro-oeste. Porém esta pactuação vem sendo cumprida com dificuldades. Não existe disponibilidade contínua de medicamentos padronizados para portadores de DST. O atendimento é muitas vezes inadequado. A irregularidade na disponibilização de medicamentos específicos é mais uma das causas de afastamento dos indivíduos com DST dos serviços de saúde. e a aquisição de preservativos é compartilhada. Pouquíssimas unidades são capazes de oferecer resultados de testes conclusivos no momento da consulta. 1996. campanha em mídia. Essas situações ferem a confidencialidade. GOGNA. A pactuação entre os três níveis de governo estabelece que a aquisição dos medicamentos para as DST é de responsabilidade dos estados e municípios. convocação de parceiros. demonstram seus próprios preconceitos ao emitirem juízos de valor. Para muitas das DST. as técnicas laboratoriais existentes não apresentam a sensibilidade e/ou a especificidade satisfatórias. Ministério da Saúde. 2006). 1999). Ministério da Saúde. por exemplo. Para algumas mulheres. discriminam as pessoas com DST e contribuem para afastá-las dos serviços de saúde (BRASIL. Soma-se a isso o fato de que o sistema público de saúde no Brasil apresenta reduzidas condições para a realização dos testes e freqüentemente os técnicos responsáveis estão desmotivados e/ou despreparados (BRASIL. 1999). .6 negociado. Os portadores de DST continuam sendo discriminados nos vários níveis do sistema de saúde. quando os pacientes têm que expor seus problemas em locais sem privacidade ou a funcionários despreparados que. bem como de preservativos. busca precoce por assistência. 1999). Ministério da Saúde. são pouco conhecidas ou implementadas pelo sistema de saúde. Ministério da Saúde. resultando em segregação e exposição a situações de constrangimento.

Finalmente. os serviços que atendem DST tendem a ser clínicas especializadas. demonstram a erotização para os jovens telespectadores em telenovelas e programas afins. que inclusive referia congêneres no exterior. não reconhecendo a DST sintomática como uma emergência. quando os adolescentes ou até mesmo pré-adolescentes “ligam seus televisores” observam diversas cenas “quase” de sexo explícito “bombardeando” suas mentes. as crianças dormindo excepcionalmente antes das 22:00 horas. demonstrando o modo de viver de um grupo de pessoas e explicitando seus relacionamentos amorosos”. 1999). Ministério da Saúde. nem esperar em longas filas. “Recentemente tivemos oportunidade de observar programa de televisão. levando os homens portadores de DST a continuar procurando prontos socorros. frequentemente assintomáticas. farmácias. 2003). o que estigmatiza a população que as procura (BRASIL. O autor ainda relata que têm observado inúmeras propagandas . 2006). Os meios de comunicação não tem se utilizado de nenhum tipo de critério com relação á divulgação maciça da sexualidade. Ministério da Saúde.1 Relação dos meios de comunicação com o alto índice de DST na população Segundo (CARVALHO. (CARVALHO. curandeiros ou auto-medicação. ídolos.7 Apesar dos avanços na atenção básica nos últimos anos. ou seja: as farmácias comerciais (BRASIL.. E o pior é que. muitas unidades de saúde têm restrita capacidade resolutiva e trabalham com agendamento de consultas. 2. somada à liberalidade sexual. Isso restringe a acessibilidade aos serviços. A conseqüência mais evidente dessa situação de baixa resolutividade dos serviços é a busca de atendimento em locais nos quais não seja necessário se expor. não são rastreadas ou orientadas no seu atendimento ginecológico. destinando pouco ou nenhum espaço para atendimento à demanda espontânea. As mulheres. facilitam bastante a propagação das DST. acabam por receber também estas informações. 40 ed. “gurus”. 2003). Em horários de fim de tarde.2. Artistas. a erotização propagada pelos meios de comunicação merece uma maior consideração já que a divulgação maciça da sexualidade pelos diversos meios de comunicação.

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a favor do ato sexual, entretanto nenhuma menção sobre como se prevenir das DST, da gravidez indesejada e sugere aproveitar o momento, até para fazer campanhas anti-drogas, que se incluem neste contexto. Além disto, utiliza-se do erótico nos meios de comunicação para aumentar o número de vendas de vários produtos: carros, roupas, sapatos, artigos de beleza, etc.,, utilizam o erotismo para melhor propagarem suas vantagens. Neste contexto, as poucas informações veiculadas pelos órgãos governamentais, apenas em determinadas épocas, como no carnaval, praticamente se diluem neste “mar de informações eróticas” (CARVALHO, 2003). Segundo CARVALHO (2003), a influência dos meios de comunicação como ponte provavelmente de fundamental importância para elevação de transmissão de DST entre a população e através de convite ao leitor para tentar pôr em prática idéias que possam modificar ou melhor, adaptar-se aos tempos da epidemia das DST demonstra como é necessário que em contrapartida á todo esse contexto, sejam feitas campanhas que promovam práticas mais saudáveis evitando assim a propagação e contágio das DST.

2.3 Legislação sobre DST/AIDS O reconhecimento do direito constitucional à saúde responde diretamente ao foco da Rede de Direitos Humanos do Departamento de DST e AIDS e garante a regulamentação e a aplicação de uma legislação que equacione e proponha a solução dos conflitos gerados pela manifestação das DST e da epidemia do HIV. A produção da legislação brasileira em saúde, mais especificamente ligada às DST e AIDS, tem como objetivo maior oferecer extenso material de consulta, comparação e reflexão sobre as diversas leis e suas interpretações à realidade da epidemia, para melhor enfrentar esse desafio à saúde pública e manter os princípios da cidadania, resultado da luta por reconstruir e preservar na democracia (BRASIL, Ministério da Saúde, 2010 a). Devido á alta mortalidade e morbidade caudas pelo HIV, há um grande número de normas e leis regulando especificamente o tema.

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Normas que tratam da proibição de discriminar pessoas vivendo com HIV e AIDS:
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Normas internacionais – sistema global Normas internacionais – sistema interamericano Normas nacionais federais Normas nacionais estaduais e municipais

a) Normas internacionais – sistema global

Declaração Universal de Direitos Humanos Art. 2º - “Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidas nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição”. Não será tampouco feita qualquer distinção fundada na condição política, jurídica ou internacional do país ou território a que pertença uma pessoa, quer se trate de um território independente, sob tutela, sem governo próprio, quer sujeito a qualquer outra limitação de soberania.

Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos (Decreto n° 592, de 6 de Julho de 1992) Art. 2o - 1. Os Estados-partes no presente Pacto comprometem-se a garantir a todos os indivíduos que se encontrem em seu território e que estejam sujeitos à sua jurisdição os direitos reconhecidos no presente Pacto, sem discriminação alguma por motivo de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de qualquer outra natureza, origem nacional ou social, situação econômica, nascimento ou qualquer outra situação. (...)

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Art. 3o - Os Estados-partes no presente Pacto comprometem-se a assegurar a homens e mulheres igualdade no gozo de todos os direitos civis e políticos enunciados no presente Pacto. Convenção Sobre os Direitos da Criança (Decreto N° 99.710, de 21 de Novembro de 1990.) Artigo 2 1. Os Estados Partes respeitarão os direitos enunciados na presente Convenção e assegurarão sua aplicação a cada criança sujeita à sua jurisdição, sem distinção alguma, independentemente de raça, cor, sexo, idioma, crença, opinião política ou de outra índole, origem nacional, étnica ou social, posição econômica, deficiências físicas, nascimento ou qualquer outra condição da criança, de seus pais ou de seus representantes legais. Convenção nº 111 da Organização Internacional do Trabalho – OIT Artigo 1 1 - Para os fins da presente Convenção, o termo "discriminação" compreende: a - toda distinção, exclusão ou preferência fundada na raça, cor, sexo, religião, opinião política, ascendência nacional ou origem social, que tenha por efeito destruir ou alterar a igualdade de oportunidades ou de tratamento em matéria de emprego ou profissão; b - qualquer outra distinção; exclusão ou preferência que tenha por efeito destruir ou alterar a igualdade de oportunidades ou tratamento em matéria de emprego ou profissão, que poderá ser especificada pelo Membro interessado depois de consultadas as organizações representativas de empregadores e trabalhadores, quando estas existam, e outros organismos adequados. 2 - As distinções, exclusões ou preferências fundadas em qualificações exigidas para um determinado emprego não são consideradas como discriminação.

idioma. cor. Convenção Americana . origem nacional ou social.Obrigação de Não Discriminação Os Estados-Partes neste Protocolo comprometem-se a garantir o exercício dos direitos nele enunciados. . Para efeitos desta Convenção. bem como as condições de emprego. posição econômica.Protocolo Adicional Sobre Direitos Econômicos. sexo. sexo. sem discriminação alguma por motivo de raça. cor. idioma. por motivo de raça. 1o .Obrigação de respeitar os direitos 1. de 19 de Abril de 1995) Artigo 3 . de 6 de Novembro de 1992 Art. pessoa é todo ser humano.11 3 . sem discriminação alguma. nascimento ou qualquer outra condição social. opiniões políticas ou de qualquer outra natureza.Para os fins da presente Convenção as palavras "emprego" e "profissão" incluem o acesso à formação profissional. religião. b) Normas internacionais – sistema interamericano Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de San José da Costa Rica) . opiniões políticas ou de qualquer outra natureza. religião. origem nacional ou social. 2. Os Estados-partes nesta Convenção comprometem-se a respeitar os direitos e liberdades nela reconhecidos e a garantir seu livre e pleno exercício a toda pessoa que esteja sujeita à sua jurisdição.Decreto n° 678. posição econômica. ao emprego e às diferentes profissões. nascimento ou qualquer outra condição social. Sociais e Culturais (Decreto Legislativo n0 56.

(.. 5º Todos são iguais perante a lei. a vida privada.. PORTARIA INTERMINISTERIAL N. (.PARECER N. à segurança e à propriedade. de 11 de AGOSTO de 1992 .são invioláveis a intimidade. à liberdade.. assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação.º 869.12 c) Normas nacionais federais Constituição Federal de 1988 Art. à igualdade.º 05. sem distinção de qualquer natureza.homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações. nos exames pré-admissionais e periódicos e demissionais de saúde dos servidores públicos CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA . nos termos seguintes: I ..) X . Trabalho e da Administração Proíbe a testagem para detecção do vírus HIV.CFM .) XLI . garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida.a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais.dos Ministros da Saúde. de 18 de FEVEREIRO de 1989 – Proíbe a realização de teste sorológico para a AIDS como exame admissional . nos termos desta Constituição. a honra e a imagem das pessoas.

DE 09 DE ABRIL DE 1997 .Proíbe a discriminação aos portadores do vírus HIV ou às pessoas com AIDS e dá outras providências .556. em indivíduos menores de 13 (treze) anos de idade.Dispõe sobre a realização de testes sorológicos para o vírus da imunodeficência humana sem prévio consentimento do candidato a concursos civis ou militares.PARECER Nº 15.º 486. DE 27 DE MAIO DE 1993 do Secretário de Saúde – SES . Leis estaduais Espírito Santo LEI ESTADUAL Nº 7. e sobre a incapacitação destes candidatos pelo fato de apresentarem tais exames sorológicos positivos d) Normas nacionais estaduais e municipais – discriminação em razão do HIV/AIDS Distrito Federal PORTARIA Nº 007. do Ministro de Estado da Saúde (SAS) . DE 16 DE MAIO DE 2000.CFM . para fins de vigilância epidemiológica.13 CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA .Aprova a revisão e atualização das orientações e critérios relativos à definição nacional de casos de AIDS. DE 10 DE NOVEMBRO DE 2003 .Proíbe a testagem para detecção do vírus HIV nos exames pré-admissionais e periódicos de saúde dos servidores públicos PORTARIA N.

AIDS .Proíbe a discriminação aos portadores do vírus HIV ou às pessoas com AIDS e dá outras providência Legislação protege o direito do cidadão com HIV/ AIDS: .Veda discriminação aos portadores do vírus HIV ou a pessoas com AIDS Rio de Janeiro LEI ESTADUAL Nº 3. DE 26 DE JANEIRO DE 1995 .Estabelece penalidades aos estabelecimentos que discriminem portadores de vírus HIV. e dá outras providências São Paulo LEI ESTADUAL Nº 11. sintomáticos e assintomáticos.14 Goiás LEI ESTADUAL Nº 12.559. DE 19 DE ABRIL DE 2004 .e pessoa com síndrome da imunodeficiência adquirida .362.582.Veda e penaliza qualquer ato discriminatório em relação às pessoas com HIV/AIDS Minas Gerais LEI ESTADUAL Nº 14.Proíbe a discriminação contra portador do vírus da imunodeficiência humana .199.595. DE 12 DE JULHO DE 2002 .nos órgãos e entidades da administração direta e indireta do estado e dá outras providências Paraná LEI ESTADUAL Nº 14.HIV . DE 15 DE MAIO DE 2001 . DE 17 DE JANEIRO DE 2003 .

apesar da sensação de melhora (BRASIL. 2010). Algumas DST são de fácil tratamento e rápida resolução. no âmbito do Sistema Único de Saúde . seja de homem com mulher. principalmente. geralmente. o Projeto Nascer-Maternidades para evitar transmissão do HIV da mãe para o filho e dá outras providências. Outras Garantias de Direitos Humanos Lei nº 7670/88 – Garante direito à licença para tratamento de saúde e liberação dos fundos PIS/PASEP e FGTS Lei nº 7713/88 – Isenta portadores de HIV/AIDS do Imposto de Renda sobre aposentaria ou reforma Lei nº 8742/93 – Garante um salário mínimo mensal a pessoa portadora de deficiência e a pacientes sem condições de trabalhar 2.SUS. seja feminina ou masculina. se manifestam por meio de feridas. principalmente quando . homem com homem ou mulher com mulher. por contato sexual sem o uso consistente da camisinha. Em geral.313 de 13 de novembro de 1996 – Obriga a distribuição de toda medicação necessária para tratamento da AIDS. Ministério da Saúde. bolhas ou verrugas.º 2104/GM de 19/11/02 – Institui. que são doenças causadas por vários tipos de agentes.4 O que são DST? A sigla DST é a abreviação de: doenças sexualmente transmissíveis. As DST são doenças transmitidas principalmente por meio da relação sexual. transmitidas. corrimentos. Outras têm tratamento mais difícil ou podem persistir ativas. Portaria Interministerial de 12/04/02 – Institui Política de Saúde nos Presídios Portaria Ministerial n. com uma pessoa que esteja infectada e.15 Preconceito e Discriminação Portaria Interministerial Sheila Cartopassi nº discriminação de crianças portadoras de HIV/aids nas escolas 796/92 – Proíbe Garantia de Acesso à Saúde LEI Nº 9. a pessoa infectada transmite a DST para seus parceiros.

órgãos ou tecidos doados e através da mãe infectada ao feto ou durante o parto. que é a principal características das DST. . bem como o público alvo dessas intervenções (BRASIL.16 acontece penetração (DOENÇAS: DST-DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS. Algumas DST podem também ser transmitidas por vias não sexuais como compartilhamento de toalhas e sabonetes. produtos derivados do sangue. o Brasil optou por abordá-las em conjunto. nascimento de bebês prematuros com problemas de saúde. inclusive a AIDS (DOENÇAS: DST-DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS. compartilhamento de seringas por usuários de drogas injetáveis. por funcionários de laboratórios e hospitais. por funcionários de laboratórios e hospitais. 2010 a). transfusão sanguínea. acidentes durante manipulação de instrumentos perfurocortantes. A abordagem em conjunto é endossada pela OMS. deficiência física ou mental. Uma pessoa com DST também tem mais chance de pegar outras DST. esterilidade. 2010). e contém um pouco também de promocão para prevenção de contágio por compartilhamento de seringas por usuários de drogas injetáveis e para evitar contágio por acidentes durante manipulação de instrumentos perfurocortantes. já que existem outras vias de transmissão como sangue. considerando que o principal modo de transmissão do vírus HIV é sexual e muitas das medidas para prevenção da transmissão sexual do HIV e de DST são as mesmas. aborto. O presente trabalho é dirigido principalmente voltado para os aspectos da transmissão sexual. Apesar das críticas quanto á abordagem da AIDS no elenco das DST. alguns tipos de câncer e até a morte. as DST são doenças graves que podem causar disfunções sexuais. 2010). Ministério da Saúde. Ao contrário do que muita gente pensa.

1 Quem pode pegar DST? • • Quem tem relações sexuais sem camisinha. • Corrimentos: aparecem no homem e na mulher no canal da uretra.pode pegar DST. Alguns têm cheiro forte e ruim. 2. adultos. jovens. quando o corrimento é pouco. Tem gente que sente dor ao urinar ou durante a relação sexual.casados.4. • Verrugas: são como caroços. sem camisinha. • • seringas. Quem tem parceiro que mantém relações sexuais com outras pessoas Pessoas que usam drogas injetáveis e compartilham seringas.2 Quais os principais sinais? • Feridas (úlceras): aparecem nos órgão genitais ou em qualquer parte do corpo. Podem ser esbranquiçados. (DOENÇAS: DST-DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS. esverdeados ou amarelados como pus. mas pode ocorrer irritação TRANSMISSÍVEIS. (DOENÇAS: DST-DOENÇAS SEXUALMENTE doença está em estágio avançado. Pessoas que têm parceiros que usem drogas injetáveis. . compartilhando Pessoas que recebem transfusão de sangue não testado. • Qualquer um . Nas mulheres. 2010). só é visto em exames ginecológicos. solteiros. ricos ou pobres . Podem doer ou não. Em geral não dói. podem parecer uma couve-flor quando a ou coceiras.4.17 2. vagina ou ânus. 2010).

Isto.5 DST: agravo prioritário de Saúde Pública Segundo (BRASIL. Quais os principais sintomas? • Ardência ou coceira: mais sentidas ao urinar ou nas relações sexuais. ao evacuar ou nas relações sexuais (DOENÇAS: DST-DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS. por exemplo. existem outras causas para úlceras ou corrimentos genitais como. quando conjugados às informações geradas em outros países. Além das doenças sexualmente transmissíveis. para saber o diagnóstico correto. torna o problema ainda maior.18 Nem toda ferida ou corrimento genital é necessariamente uma DST. 2. ao menos permitem.4. Ministério da Saúde. transcendência. tampão retido etc. vulnerabilidade e factibilidade. • Dor e mal-estar: embaixo do umbigo. lesões cervicais causadas por inflamações provocadas por corpos estranhos (dispositivo intra-uterino. sem saber. as DST devem ser priorizadas de acordo com os quatro critérios para a priorização de agravos em saúde pública: magnitude. É aconselhável. Ministério da Saúde. 2010). ao urinar. traumatismo e irritantes químicos como géis ou cremes (WORLD HEALTH ORFANIZATION. transmitem DST para seus parceiros.).3. 2010 d). procurar um serviço de saúde (BRASIL. a realização de estimativas que concluem pela elevada freqüência das DST em nosso país. 1999). 2. já que muitos dos casos não . outras somente uma e muitas pessoas não sentem nada e. 2010). na parte baixa da barriga. Há pessoas que sentem as duas coisas. associado ao alto índice de automedicação. a) Magnitude: Embora os poucos dados epidemiológicos existentes não se prestem a fazer inferências para o País como um todo.

que se traduz em custos indiretos para a economia do País e que. ou seja. não só para o diagnóstico e tratamento. unidades de saúde acessíveis para pronto atendimento. existem tratamentos eficazes para todas elas. à medida que se consiga conscientizar os pacientes da necessidade de procurar rapidamente um serviço de saúde para tratar-se adequadamente e a seus parceiros sexuais. se logrará. ficando sub-clínicos. Além disso. quando não diagnosticadas e tratadas a tempo. como por exemplo a utilização de preservativos. de forma adequada.19 recebem a orientação e tratamento adequados. durante a gestação. desde que existam bons programas preventivos e uma rede de serviços básicos resolutivos. somados aos enormes custos diretos decorrentes das internações e procedimentos necessários para o tratamento de suas complicações. portanto. mas também para o adequado acolhimento e . causando-lhe importantes lesões ou mesmo provocando a interrupção espontânea da gravidez. • as DST causam também grande impacto social. em todas as relações sexuais. permanecendo transmissores e mantendo-se como os elos fundamentais na cadeia de transmissão das doenças. d) Factibilidade: O controle das DST é possível. elevam dramaticamente esses custos totais. • algumas DST. com profissionais preparados. c) Vulnerabilidade: As DST. com exceção das DST causadas por vírus. • as DST podem causar grande impacto psicológico em seus portadores. romper a cadeia de transmissão dessas doenças e consequentemente da infecção pelo HIV. são agravos vulneráveis a ações de prevenção primária. a curto prazo. b) Transcendência: • as DST são o principal fator facilitador da transmissão sexual do HIV. podem evoluir para complicações graves e até o óbito. podem ser transmitidas ao feto. • algumas delas. por suas características epidemiológicas.

1995. oftalmia purulenta do recémnascido. Segundo a World Health Organization (2004) apud BRASIL. 2. .. 1997). dor pélvica crônica e infecções recorrentes do trato superior (DIXON MUELLER. Outras complicações associadas às DST são aborto. o que possibilita a ocorrência de esterilidade. 1993. baixo peso ao nascer e mortes perinatais (AZEZE et al. infecções puerperais.20 aconselhamento dos portadores de DST e de seus parceiros sexuais. 1997.... parto prematuro. entre mulheres com infecções não tratadas por gonorréia e/ou clamídia. pois podem causar doença inflamatória pélvica. a gravidez ectópica contribui com mais de 15% das mortes maternas.. WASSERHEIT. Como conseqüência. apesar de algumas serem curáveis. e que tenham a garantia de um fluxo contínuo de medicamentos e preservativos. algumas mulheres optam por não procurar os devidos cuidados médicos (VAN DAM. observa-se que a taxa de infertilidade por causas não infecciosas é estimada em 3 a 7%. gravidez ectópica.6 Conseqüências das DST na saúde individual As DST têm sido associadas à promiscuidade sexual. mais de 25% se tornarão inférteis. 1998). Ministério da Saúde (40 ed. a maioria dessas doenças apresenta infecções sub-clinicas ou pode ser assintomática durante muito tempo (DALLABETTA et al. as DST podem causar sofrimento por complicações e seqüelas decorrentes da ausência de tratamento. CDC. DALLABETTA et al. Destas. 2006). Nesse contexto. Para as mulheres. Dados de países desenvolvidos indicam que mulheres que tiveram DIP têm probabilidade 6 a 10 vezes maior de desenvolver gravidez ectópica. 1997). Nos países em desenvolvimento.. 1995. provocando estigma moral e social nas pessoas que as contraem. já que. 1997). DALLABETTA et al. MEDA et al. ruptura prematura de membranas. 10 a 40% desenvolvem Doença Inflamatória Pélvica (DIP). levando à deterioração de seus relacionamentos e desvalorização social. sífilis congênita. Para efeito de comparação. As Doenças Sexualmente Transmissíveis são responsáveis em grande parte por infertilidade e óbito femininos em países em desenvolvimento. as DST significam serio problema para a saúde reprodutiva.

1997). protozoários ou ectoparasitas.7. LEITICH. et al. et al.. mais facilmente transmitirá o HIV aos seus parceiros sexuais. et al. 1997). Pereira Junior e Serruya (1982 ) sugeriram uma classificação baseada na obrigatoriedade ou não do ato sexual para a sua transmissão: • Doenças essencialmente transmitidas pelo contato sexual: sífilis. uretrite não gonocócica. Tem importantes implicações no período gestacional. 2004. . 1999).. Por outro lado. et al. se o portador de HIV também é portador de alguma DST. sem diferença na concentração sanguínea. 2004. A vaginose bacteriana. Saliente-se que a cada dia surge um novo agente para se agrupar a esta classificação. 2005). com aumento do risco de prematuridade e infecção puerperal (KLEBANOFF. dobra o risco de infecção pelo HIV (SEWAMKAMBO. Outras conseqüências associadas ao HPV incluem carcinoma de colo uterino. ELLEY. Classificação das doenças sexualmente transmissíveis A multiplicidade de agentes com potencial poder de transmissão sexual se traduz na dificuldade de estabelecer uma classificação simplificada destas moléstias. MARDH 2004.. como é o caso da hepatite pelo vírus C p. candidíase. uma infecção do trato reprodutivo (ITR) de origem endógena. • Doenças freqüentemente transmitidas pelo contato sexual: donovanose.. fitiriase e hepatite B. et al. bactérias. 1997). Baseado nos agentes transmissores. Por outro lado. O HIV também está presente na secreção cérvicovaginal numa freqüência duas vezes maior entre mulheres com gonorréia. três vezes maior na presença de clamídia e quatro vezes maior se existe ulceração no colo uterino ou na vagina (GHYS.. cancro mole e linfogranuloma venéreo. de pênis e de ânus. et al. Entre homens. após o tratamento. gonorréia. 1997.21 Há ainda evidencias de associação entre a infecção por Papilomavirus Humano (HPV) e maior risco de ter câncer de colo do útero (DALLABETTA et al. fungos. a clamídia também pode causar infertilidade (KARINEN. 2.. A concentração média de HIV no líquido seminal é oito vezes maior em homens com uretrite. STRICKLER et al. Holmes (1980) classificou as DST como podendo ser provocadas por: vírus.. 2003). et al. herpes. condiloma.ex. a concentração seminal volta a ser comparável (COHEN.

discutiremos as lesões induzidas por HSV-1 e HSV-2.8.1. Dentro do núcleo das células epiteliais do hospedeiro. shiguelose. pediculose. o herpesvirus símio é um vírus de macacos do Velho Mundo que se assemelha ao HSV-1 e pode causar uma doença neurológica fatal em manipuladores de animais. Ademais.8. e vírus do grupo γ – EBV e HHV-8.8 Descrição das DSTS 2. onde causam lesões vesiculares da epiderme e infectam os neurônios que inervam esses locais.1 Historia Natural das Infecções por HSV-1 e HSV-2 O HSV-1 e HSV-2 são geneticamente semelhantes e causam um conjunto similar de infecções primarias e recorrentes. proteínas codificadas pelo HSV formam um compartimento de replicação onde o DNA viral é produzido e proteínas do capsideo são fixadas. porem os herpesvirus permanecem latentes nas células nervosas. 2. Infecções por Herpesvírus O herpes vírus são vírus encapsulados grandes com um genoma de DNA de duplo filamento que codifica cerca de 70 proteínas.22 • Doenças eventualmente transmitidas pelo contato sexual: molusco contagioso. herpesvirus humano 6 (que causa o exantema súbito. Em hospedeiros imunocompetentes. a infecção por HSV primaria resolve em algumas semanas. Isolaram-se nove tipos de herpes vírus de seres humanos. incluindo o HSV-1. incluindo o CMV. uma erupção benigna em lactentes) e herpesvirus humano 7 (que ainda não está associado a uma doença especifica). Ambos os vírus replicam-se na pele e mucosas no local de entrada do vírus (orofaringe ou órgãos genitais). 2. pertencentes a três grupos: vírus neurotrópicos do grupo α. A latência é definida operacionalmente como a incapacidade de recuperar partículas infecciosas de células rompidas que abrigam o . HSV-2 e vírus varicela-zoster (VZV). a causa aparente do sarcoma de Kaposi. escabiose.1. Aqui. vírus linfotropicos do grupo β. amebíase.

HIV-2 HSV-1. essa inflamação parece ser mediada imunologicamente porque responde a corticosteroides. e resulta na extensão do vírus dos neurônios para a pele ou mucosas. cervicite não-gonocócica Uretrite. Alem de responsável por lesões cutâneas. em particular os lobos temporais. A reativação do HSV-1 e HSV-2 pode ocorrer repetidamente. neonatos e indivíduos com imunidade celular deprimida secundária à AIDS ou quimioterapia podem sofrer infecções herpes virais disseminadas. Alem disso. O HSV-1 também é uma causa importante de encefalite esporádica fatal nos Estados Unidos. micoplasmas Linfogranuloma venéreo Uretrite. QUADRO 1 Agente Causal • Vírus AIDS Lesões herpéticas Codiloma. neoplasia cervical Manifestações Patológicas__________ ________Transmitidas Exclusiva ou Regularmente por Contato Sexual_______ HIV-1. quando os vírus se propagam no cérebro. embora o DNA viral e alguns RNAm virais possam ser identificados por métodos moleculares.23 vírus. cervicite não-gonocócica Gonorréia Sífilis (lues venérea) Cancro mole Grunuloma inguinal Chlamydia trachomatis (tipo L) Clamydia trachomatis Ureaplasma urealyticum • Bactérias Neisseria gonorrhoeae Treponema pallidum Haemophilus ducreyi Calymmatobacterium donovani . o HSV-1 é a principal causa infecciosa de cegueira corneal nos Estados Unidos. e as lesões mostram numerosas células mononucleares circundando ceratinocitos. HSV-2 Papilomavírus • Clamídias. com ou sem sintomas. secundaria a conjuntivite do estroma.

Bacilos Gram-negativos • Fungos Cândida • Protozoários Sapinho. os herpesvirus produzem sincícios multinucleados que ostentam inclusões. róseas a violáceas (Cowdry do tipo A) que contem vírions intactos e rompidos e empurram a cromatina da célula hospedeira de coloração escura para as margens do núcleo. abscesso hepático 2. cistite Estreptococos do grupo B. Embora o tamanho das células e núcleos aumente apenas um pouco. verrugas Citomegalovírus. . os quais são diagnósticos em esfregaços do liquido vesicular. vírus de Epstein-Barr.8. mononucleose. vírus da hepatite B. vaginite Entamoeba histolytica Colite. vírus do Molusco contagioso • Bactérias Sepse neonatal.1.24 • Protozoários Tricomoniase Trichomonas vaginalis • Por artrópodes Phthirus púbis Pediculose púbica (chatos) Sexualmente Transmissíveis por Outros Meios • Vírus Hepatite.2 Morfologia Todas as lesões do HSV se caracterizam pela formação de inclusões intranucleares grandes.

com linfadenopatia generalizada. a ceratite estromal herpética mostra infiltrados de células mononucleares ao redor de ceratinócitos e células endoteliais levando a neovascularização. onde sua distribuição frequentemente é bilateral e independente de dermátomos cutâneos. pustulares ou hemorrágicas. supra-renais e sistema nervoso central. As vesículas febris ou herpes labial tem predileção pela pele facial ao redor dos orifícios mucosos (lábios. com freqüência eclodem e formam uma crosta. O HSV-2 é transmitido a neonatos durante sua passagem através do canal de parto de mães infectadas. que são formadas por edema intracelular e degeneração em balão de células epidérmicas. muitas vezes com infecção bacteriana secundaria e disseminação viral para vísceras internas. fígado. é mais frequentemente fulminante. É uma erupção vesicular que se estende da língua à retrofaringe e causa linfadenopatia cervical. O herpes genital caracteriza-se por vesículas nas mucosas genitais e na genitália externa que são rapidamente convertidas em ulcerações superficiais. enquanto o eczema herpético caracterizase por vesículas confluentes. As infecções herpéticas disseminadas da pele e vísceras geralmente são encontradas em pacientes hospitalizados com alguma forma de câncer subjacente ou sob tratamento imunossupressor. é observada em crianças. que. opacificação da córnea e eventual cegueira. que pode ser provocada por . A gengivoestomatite. circundadas por um infiltrado inflamatório. formação de cicatrizes. Esta é uma reação imunológica à infecção por HSV e responde à terapia com corticosteróides. é causada pelo HSV-1.25 O HSV-1 e o HSV-2 causam lesões que abrangem desde o herpes labial e o gengivoestomatite autolimitados a infecções viscerais disseminadas e encefalite ameaçadoras à vida. A erupção variceliforme de Kaposi é um distúrbio vesicular generalizado da pele. nariz). Embora a doença neonatal devida ao HSV-2 possa ser leve. Vesículas intra-epiteliais (bolhas). A esofagite herpética frequentemente é complicada por infecção secundaria devido a bactérias ou fungos. Duas formas de lesões da córnea são causadas pelo HSV. em geral. Em contraste. esplenomegalia e focos necroticos espalhados nos pulmões. mas algumas produzem ulcerações superficiais. A broncopneumonia herpética. A ceratite epitelial herpética mostra citólise típica induzida por vírus do epitélio superficial e é sensível a drogas antivirais.

26 uma aérea inserida através de lesões herpéticas orais. corrimento vaginal. entre 15 e 49 anos. O vírus herpes simplex pode provocar uma doença grave em bebês que forem expostos a ele durante o parto. ardor. sendo 650. Podem surgir bolhas nas coxas e nádegas e. mas o estado ainda é infeccioso. muito raramente. Os sintomas podem incluir: • Vesículas cheias de liquido e dores nos genitais. • • • • • Prurido.000 de herpes genital.8. Nas mulheres. inflamação e vermelhidão da área afetada. e a hepatite herpética pode causar insuficiência hepática. . Dor ao urinar.1. Contudo. O tipo 1 provoca vesículas em volta da boca.2 Herpes Genital Uma infecção viral que provoca uma erupção dolorosa e recorrente nos genitais e em sua volta. devido ao sexo oral ou anal. febre e dores musculares. o sexo oral com uma pessoa que tenha vesículas pode transmitir o VHS-1 da boca para os genitais e originar o herpes genital.2. De 10 a 12 milhões deles ocorrem no Brasil. Inchaço e dores nos gânglios linfáticos das virilhas. 2. Nas mulheres. Os sintomas são mais leves em crises seguintes. que tem duas formas: tipo 1 (VHS-1) e tipo 2 (VHS-2). A doença tende a ressurgir. na boca ou no reto. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima em 340 bilhões os novos casos por ano de DST curáveis em todo o mundo. 2. especialmente nos primeiros anos após a crise inicial. A doença é provocada pelo vírus do herpes simplex.8. Enxaquecas. Quais são os sintomas? A primeira crise de herpes genital é a mais grave e ocorre num período de cinco dias após o contato com a pessoa infectada. tende a ocorrer de cinco a 12 dias antes do período menstrual e a desaparecer em cinco a dez dias. O herpes genital é causado pelo tipo 2. muitas vezes é necrosante. O herpes genital é uma doença sexualmente transmissível (DST) comum.

trachomatis causa a síndrome de Reiter.3. trachomatis causa mais meio milhão de casos notificados de uretrite não-gonocócica por anos nos Estados Unidos. o vírus permanece no corpo e a infecção pode voltar a qualquer momento. Pode colher uma amostra das bolhas para detectar a presença do vírus.27 Após dez a 21 dias. Em alguns homens. Qual é o prognóstico? Quando se tem herpes genital. O medico pode prescrever um medicamento antiviral.2. A C. uma . Na maioria das pessoas. mas podem ocorrer novas crises. a infecção por C.8. é preciso consultar o medico. Se ele for tomado na fase inicial. O que pode ser feito? Se houver suspeita de que um dos parceiros tem herpes genital. a qual é sintomática com maior freqüência nos homens que nas mulheres. Ele será capaz de fazer um diagnostico pela analise dos sintomas e por exame físico. geralmente reduz a gravidade dos sintomas.3. mesmo que não apresentem qualquer sintoma. afetando geralmente as mesmas áreas. Os parceiros sexuais devem ser examinados. e investigar a ocorrência de outras DST. 2. a Chlamydia pneumoniae e Chlamydia psittaci causam pneumonias leve e intensa.8.2. 2. O herpes genital não tem cura. durante uma crise.8. os sintomas do herpes genital são menos graves em crises subseqüentes e a freqüência das crises diminui (GUIA DA SAÚDE DA FAMÍLIA.2. 2008). Cerca de duas em dez pessoas infectadas têm só uma crise. Infecções por Clamídias A Chlamydia trachomatis é um patógeno intracelular das células epiteliais colunares que causa uretrite venérea. linfogranuloma venéreo e tracoma (Quadro 2). respectivamente. Outras têm algumas crises anuais durante vários anos. Intimamente relacionadas. Um tratamento preventivo regular pode diminuir o numero de crises. 2. os sintomas desaparecem.

que causam lise das células hospedeiras. 2. os corpos reticulados se transformam de volta em corpos elementares. De acordo com a espécie de Chlamydia e tipo de célula hospedeira. que se ligam a microvilosidades nas células epiteliais colunares do hospedeiro.28 tríade de conjuntivite. Os recém-nascidos de mães com cervicite por C. que jamais se dividem. os microrganismos induzem as mitocôndrias das células hospedeiras (que produzem ATP) a se justaporem estreitamente ao corpúsculo de inclusão. uma causa global importante de cegueira. os microrganismos penetram as células através de endossomas ou fagossomas. infectando as células vizinha. Os corpos elementares tem uma parede celular que se torna rígida por ligações de dissulfeto. Então. Dentro de corpúsculos de inclusão encerados por endossomas que não se fundem com lisossomas do hospedeiro. portanto.3. Quadro 2 – Doenças Humanas e Espécies de Clamídias Espécie e Sorotipo Chlamydia psittaci Doenças Ornitose (psitacose) Transmissão Aspiração de partículas contaminadas por pássaros . trachomatis e resulta em inflamação granulomatosa dos linfonodos inguinais e retais. O tracoma ou ceratoconjuntivite crônica. as clamídias não são suscetíveis à penicilina. que se multiplicam dentro das células hospedeiras. é uma doença da pobreza e de aglomerações. e corpos reticulados. Possuem adesinas na superfície. e não pelas peptidoglicanas entrecruzadas encontradas na maioria das bactérias. Como as clamídias são incapazes de sintetizar ATP. O linfogranuloma venéreo é causado por uma cepa especifica de C. mas não são infecciosos. mas são infecciosos. transmitida de um olho a outro por aerossóis ou por contato manual. trachomatis podem desenvolver conjuntivite de inclusão ou pneumonia neonatal.1 Patogenia As clamídias existem em duas formas: corpos elementares. poliartrite e infecção genital. os corpos elementares se transformam em corpos reticulados e se multiplicam até 500 microrganismos por célula do hospedeiro.8.

Abscessos estelares irregulares formam-se quando os granulomas com centro supurativos se fundem.2 Morfologia As inclusões de formas clamidiais em células epiteliais são mais bem vistas com anticorpos anti-Chlamydia fluorescentes. K Pneumonia leve Aerossóis (de uma pessoa a outra) Tracoma Conjuntivite de inclusão Contato insetos repetido. Ademais. H. L2. 2000) . I. infiltrados de plasmócitos e fibrose crescente. amiúde granulomatosa. Depois. artrite L1. C D. Contato Sexual Contato Sexual 2. E. Esses abscessos são contornados por uma camada de macrófagos epitelióides e assemelham-se às lesões vistas na doença da arranha-dura de gato. pélvicos e retais por uma mistura de inflamação supurativa e granulomatosa. B.3. Ba. J. Infecção do canal de parto (lactentes) Contato (adulto) Sexual. A uretrite ou a cervicite clamidial também podem ser diagnosticadas por cultura em células de McCoy e por métodos de biologia molecular.29 [Chlamydia pneumoniae Chlamydia trachomatis A. L3 Linfogranuloma venéreo Contato Sexual Contato Sexual faringite.8. as lesões do linfogranuloma venéreo mostram menos granulomas. há uma zona de inflamação crônica. objetos. O linfogranuloma venéreo causa uma pequena vesícula epidérmica no local de infecção na genitália. G. F. cervicite. natação Uretrite não-gonogocica Uretrite pos-gonogocica Proctite. A vesícula ulcera-se. que são os mais sensíveis. (ROBBINS. o linfogranuloma venéreo causa tumefação rápida dos linfonodos inguinais.

bacteremia e. com a síndrome de WaterhouseFriderichsen.8. A infecção das tubas de Falópio em mulheres (salpiginite) pode gerar cicatrizes. gonorrhoeae é um patógeno intracelular facultativo que se fixa às células epiteliais e as invade. gonorrhoeae é geneticamente semelhante à Neisseria meningitidis. que mostram variação antigênica por mecanismos genéticos diferentes daqueles do pili.4 Gonorréia A gonorréia é causada pela Neisseria gonorrhoeae.1 Patogenia A N. A N. um diplococo Gramnegativo encapsulado pirogênico. gonorrhoeae também causa faringite ou proctite.4.000 casos notificados de uretrite gonocócica por ano nos Estados Unidos. As bactérias aderem através de adesinas ou pili. As neissérias patogênicas secretam uma protease que cliva a IgA. Ademais. 2. coagulação intravascular disseminada (CID). nos casos fatais. A internalização baseia-se em um segundo conjunto de adesinas. que mostram variação antigênica com base em recombinação intragenômica e recombinação após incorporação de DNA exógeno de gonococo lisados. Os polissacarídeos capsulares contribuem para a virulência ao inibirem a fagocitose na ausência de anticorpos antigonococicos. Os sítios importantes de ligação celular incluem a vitronectina e sindecam (um receptor de proteoglicana).30 2. o gonococo pode resultar em estenoses uretrais e infecções crônicas do epidídimo.8. mas a N. liberam . próstata e vesículas seminais. de acordo com as praticas sexuais. que causa meningite. Em homens. enquanto a internalização depende de rearranjos nos filamentos de actina da célula hospedeira. A bacteremia gonocócica causa uma síndrome de artrite-dermatite. que aumentam as taxas de esterilidade e prenhez ectópica ou levam a infecções crônicas por bactérias anaeróbicas. enquanto a conjuntivite pode aparecer em adultos por auto-inoculaçao. Ocorrem quase 700.

Se as bactérias já estiverem espalhadas pelo corpo é necessário um . em geral. 2000). desaparece em três a quatro dias. 2. gonorrhoeae também pode ser mediada pelo FNT. É provável que outras DST sejam investigadas.8. Em mulheres.31 peptidoglicanas e endotoxinas. Se não tratada. A gonorréia é tratada com antibióticos e.α. é preciso consultar o medico.4. A lesão das células epiteliais das tubas de Falópio por N. que induzem as células do hospedeiro a secretarem FNT. Para confirmar o diagnostico. enquanto abscessos frequentemente causam abaulamento das glândulas de Bartholin e Skene.4. porem a salpingite pode vedar as tubas de Falópio. que pode causar choque e insuficiência de multiplos sistemas. . uma mostra das áreas possivelmente infectadas é colhida para exame. (ROBBINS. 2. como a cervicite por clamídia. epidídimo. infiltração de plasmócitos e fibrose. que se tornam maciçamente distendidas com pus e podem permanecer com cicatrizes externas.8. os gonococos causam um corrimento mucopurulento de um meato uretral edematoso e inflamado 2 a 7 dias após a exposição.2 Morfologia Todas as lesões gonocócicas mostram reações exsudativas e purulentas. A inflamação crônica pode acarretar estenoses uretrais e esterilidade. a inflamação uretral é menos proeminente.3 O que pode ser feito? Quando há suspeita de que um dos parceiros tem gonorréia.α. próstata e vesículas seminais. seguidas por formação de tecido de granulação. Os abscessos tubo ovarianos e peritonite pélvica (doença inflamatório pélvica) resultam de extensão adicional e podem criar múltiplas aderências e pontos de bloqueio dos ovidutos. A cervicite gonocócica acarreta poucas seqüelas. a inflamação supurativa com abscessos focais estende-se à uretra posterior. Em homens.

2008). localizada no local de invasão do treponema no pênis. 2. Os espiroquetas T. A transmissão transplacentária do T. Embora os espiroquetas semeiem o corpo por disseminação hematogênica. uma doença venérea sistêmica com múltiplas apresentações clinicas. todos os quais são cobertos por uma membrana unitária denominada bainha externa.32 tratamento no hospital com antibióticos intravenosos. caracteriza-se por um exantema difuso. sobretudo nas palmas e plantas.5 Sífilis O Treponema pallidum é o espiroqueta microaerofilico causador da sífilis.8. A exemplo dos espiroquetas Borrelia da doença de Lyme e febre recorrente. firme. o cancro resolve em algumas semanas. O intercurso sexual é o modo de transmissão habitual. com ou sem tratamento. Essas lesões também remitem espontaneamente. os microrganismos T. linfadenopatia. consiste em uma única lesão eritematosa. parede vaginal ou anus. mesmo que não apresentem os sintomas. que ocorre 2 a 10 semanas após o cancro primário. pinta (Treponema carateum) e doença periodontal (Treponema denticola). indolor e elevada (cancro). colo uterino. exame em campo escuro e técnicas de imunofluorescência. descritas adiante. pallidum não são cultiváveis.1 Manifestações Clinicas da Sífilis O estagio primário da sífilis. que pode ser acompanhado de lesões orais brancas. e a doença ativa durante a gravidez resulta em sífilis congênita.5. pallidum ocorre prontamente. (GUIA DA SAÚDE DA FAMÍLIA. Todos os parceiros sexuais devem ser examinados e tratados. O estagio secundário da sífilis. que ocorre cerca de 3 semanas após o contato com um individuo infectado. mas são detectáveis por colorações de prata. febre. 2. Outros treponemas intimamente relacionados causam a bouba (Treponema pertenue). pallidum tem um flagelo periplasmático axial enrolado ao redor de um protoplasma helicoidal delgado. por isso designada o grande impostor. cefaléia e artrite. O estagio .8.

Os infiltrados mononucleares refletem uma resposta imunológica. O cancro é uma pápula eritematosa. A endarterite é secundaria à fixação dos espiroquetas às células endoteliais.8. Os anticorpos podem ser contra antígenos específicos do espiroqueta (a base dos testes sorológicos treponêmicos) ou contra antígenos que exibem reação cruzada com moléculas do hospedeiro (a base dos testes não treponêmicos. as marcas histológicas da sífilis são endarterite obliterativa e infiltrados mononucleares ricos em plasmócitos.33 terciário. com até vários centímetros de diâmetro. firme e um pouco elevada. Isso pode ocorrer porque a membrana externa dos espiroquetas da sífilis contem 100 vezes menos proteínas que as bactérias Gram-negativas habituais e. mas são insuficientes para eliminar os espiroquetas.5. 2.5. Em modelos de animais.2 Patogenia Seja qual for o estagio da doença e a localizaçao das lesões. incluindo os teste de Wassemann e VDRL (Veneral Disease Research Laboratory]).3 Morfologia Na sífilis primaria. é caracterizado por lesões inflamatórias ativas da aorta. um cancro ocorre no pênis ou escroto de 70% dos homens e na vulva ou colo uterino de 50% das mulheres. Como alternativa. A induração contígua produz . mediada por moléculas de fibronectina ligas à superfície dos espiroquetas. ossos e pele. 2. uma resposta de hipersensibilidade do tipo tardio é mais importante que os anticorpos na limitação da infecção localizada inicial. que sofre erosão criando uma ulcera rasa de base limpa. As respostas imunes humoral e celular do hospedeiro podem impedir a formação de um cancro em infecções subseqüentes por T. a evasão do treponema das respostas imunes do hospedeiro pode ser secundaria a uma sub-regulaçao das células T auxiliares da Classe TA1. que ocorre anos após a lesão primaria. carecem de antígenos. portanto. pallidum.8. coração e sistema nervoso central ou por lesões quiescentes (gomas) envolvendo o fígado.

o sistema nervoso central (5 a 10%). Os nodos regionais geralmente estão aumentados e podem mostram linfadenite aguda ou crônica inespecífica infiltrados ricos em plasmócitos ou granulomas epitelióides focais. constituindo a base da designação cancro duro. A neurossífilis assume uma de varias formas. ossos e testículos (gomas). mas sobretudo na pele. ossos e articulações. O exantema com freqüência é macular. tabes dorsalis e paresia geral. Na sífilis secundária. o cancro contém um infiltrado intenso de plasmócitos. Ao exame histológico. Lesões populares na região do pênis ou vulva formam placas castanhoavermelhadas elevadas de 2 a 3 cm. as lesões da sífilis secundaria mostram o mesmo infiltrado de plasmocitos e endarterite obliterativa do cancro primário. Ocorrem na maioria dos órgãos. alargamento e incompetência do anel valvar aórtico e estreitamento das bocas dos óstios coronários. com manchas castanho-avermelhadas distintas medindo menos de 5mm de diâmetro. ocorrem lesões isoladas ou múltiplas e seu tamanho varia desde defeitos microscópicos semelhantes a tubérculos a grandes massas tumorais. Histologicamente. anulares ou descamativas. mas podem ser foliculares. com macrófagos e linfócitos esparsos e uma endarterite obliterativa. palmas e plantas. Placas mucosas eritematosas na boca ou vagina contem o maior numero de microrganismos e são as lesões mais infecciosas. Ao exame histológico. lesões cutaneomucosas difusas envolvem a cavidade oral. as quais se denominam condilomas acuminados. e o fígado. A sífilis terciária ocorre anos após a infecção inicial e envolve mais frequentemente a aorta (80 a 85%). designadas sífilis meningovascular. tecido subcutâneo.34 uma massa semelhante a um botão subjacente à pele erodida. a formação de cicatrizes em conseqüências das gomas pode causar uma lesão hepática distintiva conhecida como hepar lobatum. pustulares. as gomas contêm um centro de material necrótico coagulado e margens compostas de fibroblastos e macrófagos roliços ou em paliçada circundados por grande números . Os treponemas são visíveis com colorações de prata ou técnicas de imunofluorescência na superfície da ulcera. As gomas sifilíticas são cinza-esbranquiçadas e elásticas. chamadas de condilomas planos (que não devem ser confundidos com verrugas venéreas. A aortite manifesta-se por aneurismas aórticos nos quais há cicatrizes inflamatórias da túnica média. No fígado. embora a inflamação com freqüência seja menos intensa.

coração. A sífilis congênita é mais intensa quando a infecção materna é recente. Na sífilis perinatal e do lactente. encontram-se gomas no fígado. órgãos endócrinos e sistema nervoso central). ou tíbia em sabre. e encontra-se cartilagem como ilhas deslocadas dentro da metáfise. Como os treponemas não invadem o tecido placentário ou o feto até o quinto mês de gestação. . A destruição do vômer causa colapso da ponte do nariz e. rim. A surdez do oitavo nervo e a atrofia do nervo óptico desenvolvem-se em decorrência da sífilis meningovascular. parto de natimorto ou morte logo após o parto. que difere daquele do estagio secundário adquirido porque há esfacelamento extenso do epitélio. Os pulmões podem ser afetados por uma fibrose intersticial difusa. os pulmões são pálidos e não contem ar (pneumonia alba). baço. A osteocondrite e a periostite sifilíticas afetam todos os ossos. pâncreas. Os treponemas são escassos nessas gomas e difíceis de demonstrar. As epífises tornam-se alargadas.plantas e pele em volta da boca e anus. Há também uma alteração difusa da formação de osso endocondral.35 de leucócitos mononucleares. há um exantema difuso. frequentemente com incisuras no esmalte (dentes de Hutchinson). Essas lesões estão repletas de espiroquetas..ex. dentes de Hutchinson e surdez do oitavo nervo. acompanhada do infiltrado de leucócitos e alterações vasculares típicas. O fígado muitas vezes é afetado intensamente na sífilis congênita. principalmente plasmócitos. embora as lesões do nariz e parte interior das pernas sejam mais distintivas. isolando as células hepáticas em pequenos ninhos. Às vezes. a sífilis causa aborto tardio. enquanto a cartilagem cresce excessivamente. A forma tardia da sífilis congênita caracteriza-se pela tríade de ceratite intersticial. a típica deformidade do nariz em sela. particularmente nas palmas. até mesmo nos casos incipientes. ou persiste de forma latente evidenciando-se somente durante a infância ou idade adulta. No natimorto com sífilis. timo. que são pequenos e exibem a forma de uma chave-de-fenda ou cavilha. A espiroquetemia generalizada pode acarretar reações inflamatórias intersticiais difusas em praticamente qualquer outro órgão (p. As alterações oculares consistem em ceratite intersticial e coroidite com produção de pigmento anormal causando uma retina manchada. As alterações dentarias envolvem os incisivos. mais tarde. A periostite da tíbia produz crescimento excessivo de osso novo nas faces anteriores e arqueamento anterior. Fibrose difusa permeia os lóbulos.

mas sem invadir tecidos do hospedeiro. ou em esfregaços corados a Glemsa (ROBBINS. há apenas uma forma em trofozoíto. pode ser assintomática. um parasita protozoário flagelado. É o mais simples de todos os parasitas protozoários. A infecção por T. Ao exame histológico. É exacerbada pela menstruação e gravidez. anaeróbico. denominada hidrogenossoma. na qual as enzimas mitocôndriais da fosforilação oxidativa são substituídas por enzimas de fermentação anaeróbica. Os tricomonas em forma de nabo são mais bem vistos em preparações a fresco diluídas com solução salina morna. sexualmente transmissível.1 Morfologia Os Trichomonas causam eritema macular e edema da mucosa afetada. vaginalis causa polaciúria e disúria. plasmócitos e leucócitos polimorfonucleares. causa prurido e um corrimento vaginal aquoso profundo. . os tricomonas vivem em uma luz anaeróbica e são fermentadores obrigatórios. A colonização uretral por T. Apresentam uma mitocôndria modificada. onde são rapidamente moveis.6. mas pode resultar em uretrite não gonocócica e raramente prostatite.36 2. às vezes com pequenas vesículas ou pápulas. Os lactente infectados com T. Assim como a Giárdia e Entamoeba. que adere às superfícies mucosas dos tratos genitais masculino e feminino causando lesões superficiais. como na infecção gonocócica ou clamidial. infecta cerca de 3 milhões de novas pessoas a cada ano. vaginalis em mulheres muitas vezes está associada à perda dos bacilos de Dörderlein produtores de acido. mas.8. referidas como mucosa em morango. vaginalis no homem é assintomática na maioria dos casos.6 Tricomoníase O Trichomonas vaginalis. a mucosa e submucosa superficial são infiltradas por linfócitos. vaginalis durante o processo de nascimento eliminam os parasitas espontaneamente dentro de algumas semanas.8. 2000). com freqüência. O corrimento raramente é purulento. A infecção por T. 2.

42.37 2. quando associados a outros cofatores. 18. da vagina e da região anal. na vagina. Pode também assumir uma forma intraepiteliais de alto grau e carcinomas do colo uterino. no pênis. 52 . os chamados condilomas acuminados.7 Infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV) O Papilomavírus humano (HPV) é um DNA-vírus do grupo papovavírus. no colo uterino. Os tipos de alto risco oncogênico. 2006 A maioria das infecções são assintomáticas ou inaparentes. 40 ed. Alto risco: Possuem uma alta correlação com as lesões 33. da vulva.8. 43 e 44 Tipos de HPV . de acordo com seu potencial de oncogenicidade (Quadro 3). Outras podem apresentar-se sob a forma de lesões exofíticas. 6. 31. da vulva.58. 59 e 68 Fonte: BRASIL. 46. 16. 11. Estão divididos em 2 grupos. ânus e do pênis (raro). na uretra e no ânus. têm relação com o desenvolvimento das neoplasias intra-epiteliais e do câncer invasor do colo uterino. Estão presentes na maioria das infecções clinicamente aparentes (verrugas genitais visíveis) e podem aparecer na vulva . 20 dos quais podem infectar o trato genital. verrugas genitais ou cristas de galo. com mais de 100 tipos reconhecidos atualmente. 51. Quadro 3: Associação de subtipos HPV e doenças neoplásicas e seus precursores: Classificação Tipos de HPV Classificação Baixo risco: Estão associados às infecções benignas do trato genital como o condiloma acuminado ou plano e lesões intra-epiteliais de baixo grau. do 45 . Ministério da Saúde. 39. 56 . 35. no escroto.

mas têm sido associados com lesões externas (vulva. Os fatores que determinam a persistência da infecção e sua progressão para neoplasias intraepiteliais de alto grau (neoplasia intra-epitelial moderada. Dependendo do tamanho e localização anatômica. 56 e 58. podem ser dolorosos. 31. Papulose Bowenóide. mucosa nasal.38 subclínica. Menos freqüentemente podem estar presentes em áreas extragenitais como conjuntivas. e na mulher. visível apenas sob técnicas de magnificação (lentes) e após aplicação de reagentes. A recidiva das lesões do HPV está mais provavelmente relacionada à ativação de “reservatórios” de vírus do que à reinfecção pelo parceiro sexual. Eritroplasia de Queyrat e Doença de Bowen da genitália. 2.8. vertical (mãe-filho) ou raramente por fômites. Quando assintomático. como o ácido acético. sulco bálano-prepucial e região perianal. Os tipos 6 e 11 raramente se associam com carcinoma invasivo de células escamosas. região perianal. estão associados a carcinoma in situ de células escamosas. 45. na glande. as lesões podem ser únicas ou múltiplas. 51. De transmissão sexual. variando de semanas a décadas. não é possível estabelecer o intervalo mínimo entre a contaminação e o desenvolvimento de lesões (incubação). 35. 33. grave ou carcinoma in situ) são os tipos virais presentes e cofatores como o estado imunológico e tabagismo. Os tipos 16. . vagina e colo. Quando na genitália externa. oral e laríngea. 18. pode ser detectável por meio de técnicas moleculares. são mais associados aos condilomas (lesões clínicas). localizando-se. friáveis e/ou pruriginosos. restritas ou difusas e de tamanho variável.7.1 Infecção clínica pelo HPV na genitália (com lesão macroscópica) Na forma clínica condilomatosa. Pode permanecer por muitos anos no estado latente. Assim. pênis e ânus) e lesões intra-epiteliais ou invasivas do colo uterino e vagina. são encontrados ocasionalmente na forma clínica da infecção (verrugas genitais). mais freqüentemente. não é conhecido o tempo que o vírus pode permanecer quiescente e que fatores são responsáveis pelo desenvolvimento de lesões. na vulva. no homem. 52. períneo.

Se deixados sem tratamento. Captura Híbrida II). são geralmente detectadas pela citologia oncótica. além de sua morfologia Mais recentemente. O diagnóstico definitivo da infecção pelo HPV é feito pela identificação da presença do DNA viral por meio de testes de hibridização molecular (hibridização in situ. permanecerem inalterados. ou seja. • as lesões não responderem ao tratamento convencional. podendo ser confirmado por biópsia. foram publicados os primeiros resultados que demonstram a eficácia da vacina contra HPV 16 (HARPER et al. devendo ser avaliadas pela colposcopia. 2004). Fatores que podem influenciar a escolha do tratamento são: o tamanho. os condilomas podem desaparecer. • o paciente for imunodeficiente. o que leva a cura da maioria dos pacientes. cada caso deverá ser avaliado para a escolha da conduta mais adequada. PCR. Nenhum dos tratamentos disponíveis é superior aos outros. • as lesões aumentarem de tamanho durante ou após o tratamento. número e local da lesão. . Tratamento O objetivo principal do tratamento da infecção pelo HPV é a remoção das lesões condilomatosas. endurecidas. O diagnóstico do condiloma é basicamente clínico. Nenhuma evidência indica que os tratamentos disponíveis erradicam ou afetam a história da infecção natural do HPV.39 Pacientes que têm verrugas genitais podem estar infectados simultaneamente com vários tipos de HPV. A biópsia está indicada quando: • Existir dúvida diagnóstica ou suspeita de neoplasia (lesões pigmentadas. As lesões cervicais. teste de Schiller (iodo) e biópsias dirigidas. e nenhum tratamento será o ideal para todos os pacientes nem para todas as verrugas. subclínicas.. fixas ou ulceradas). ou aumentar em tamanho ou número.

seu diagnóstico é questionável. Portanto. seja pelo aumento da vascularização. Na ausência de lesão intra-epitelial. muitos especialistas indicam a sua remoção. biopsiadas. . Não se sabe.7. ocorre de forma indireta pela observação de áreas que se tornam brancas após aplicação do ácido acético sob visão colposcópica ou outras técnicas de magnificação. se possível.7.40 2. se a via de transmissão é transplacentária. apresentam alterações citológicas compatíveis com infecção pelo HPV. a operação cesariana deverá ser indicada. Como as lesões durante a gestação podem proliferar e tornarem-se friáveis. e nenhuma terapia foi capaz de erradicar o vírus. Não há nenhuma sugestão de que a operação cesareana tenha algum valor preventivo. até o momento. não deve ser realizada para prevenção da transmissão do HPV para o recém-nascido. não é recomendável tratar as lesões subclínicas pelo HPV diagnosticadas por colpocitologia.8. Apenas quando o tamanho e localização das lesões estão causando obstrução do canal de parto.8. ou quando o parto vaginal possa ocasionar sangramento excessivo. Os tipos 6 e 11 podem causar papilomatose laringeal em recém-nascidos e crianças. mas é uma situação clínica muito rara. testes com ácido acético ou testes de identificação do DNA viral. O HPV foi identificado em áreas adjacentes a neoplasias intra-epiteliais tratadas por laser e vaporizadas. 2. na 1ª metade da gestação. biópsia. Podem ser encontradas em qualquer local da genitália masculina ou feminina. colposcopia. e que.2 Gestantes Na gestação. com o objetivo de eliminar a infecção. as lesões condilomatosas poderão atingir grandes proporções. O diagnóstico. perinatal ou pós-natal. seja pelas alterações hormonais e imunológicas que ocorrem nesse período.3 macroscópica) Infecção subclínica pelo HPV na genitália (sem lesão A infecção subclínica pelo HPV é mais freqüente do que as lesões macroscópicas. Freqüentemente. quase sempre. tanto em homens quanto em mulheres.

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Na presença de lesão intra-epitelial, o paciente deve ser referido a serviço especializado e o tratamento será feito em função do grau da doença. Não existe um teste simples e prático para detectar a infecção subclínica pelo HPV. O uso de preservativos pode reduzir a chance de transmissão do HPV para parceiros provavelmente não infectados (novos parceiros). Não se sabe se a contagiosidade dessa forma de infecção é similar à das lesões exofíticas. Pessoas imunossuprimidas (ex: HIV, transplantados) podem não responder ao tratamento para o HPV como as imunocompetentes e podem acontecer recidivas mais freqüentes. Como o carcinoma escamoso pode surgir mais freqüentemente em imunossuprimidos. O tratamento deve basear-se nos mesmos princípios referidos para os HIV negativos. Pacientes com lesões intraepiteliais de alto grau (High Grade Squamous Intraepithelial Lesion - HSIL) ou displasias moderada ou acentuada, ou carcinoma in situ NIC II ou NIC III devem ser referidos a serviço especializado para confirmação diagnóstica, para afastar possibilidade de carcinoma invasivo e realização de tratamento especializado. O risco dessas lesões progredirem para carcinoma invasivo em pacientes imunocompetentes, após tratamento efetivo, reduz-se significativamente.

2.8.7.4 Rastreio de Câncer Cérvico-uterino em mulheres que têm ou tiveram DST Mulheres com história ou portadoras de DST apresentam risco maior para câncer cérvico-uterino e para outros fatores que aumentam esse risco, como a infecção pelo HPV. Estudos de prevalência mostram que as lesões precursoras do câncer cérvicouterino são cinco vezes mais freqüentes em mulheres portadoras de DST do que naquelas que procuram outros serviços médicos como, por exemplo, para planejamento familiar(BRASIL, Ministério da Saúde, 40 ed. 2006). O consenso brasileiro recomenda a realização da colpocitologia a cada três anos, após duas colpocitologias consecutivas negativas, com intervalo de um ano em mulheres sexualmente ativas.

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2.8.8 Infecção por HIV A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) foi reconhecida em meados de 1981, nos EUA, a partir da identificação de um número elevado de pacientes adultos do sexo masculino, homossexuais e moradores de São Francisco ou Nova York, que apresentavam sarcoma de Kaposi, pneumonia por Pneumocystis carinii e comprometimento do sistema imune, o que levou à conclusão de que se tratava de uma nova doença, ainda não classificada, de etiologia provavelmente infecciosa e transmissível. Posteriormente alguns casos ocorridos nos últimos anos da década dos 70, foram identificados como tendo sido AIDS (BRASIL, Ministério da Saúde, 1999). No Brasil, a AIDS foi identificada pela primeira vez em 1982, quando o diagnóstico foi feito em sete pacientes homo ou bissexuais. Um caso foi reconhecido retrospectivamente, no estado de São Paulo, como tendo ocorrido em 1980. Nos últimos anos, vêm ocorrendo importantes mudanças no perfil epidemiológico da AIDS. A epidemia que, em sua primeira fase (1980 a 1986), caracterizava-se pela preponderância da transmissão em homens homo e bissexuais, de escolaridade elevada, em sua segunda fase (1987 a 1991), passou a caracterizar-se pela transmissão sanguínea, especialmente na subcategoria de usuários de drogas injetáveis (UDI), dando início, nesta fase, a um processo mais ou menos simultâneo de pauperização e interiorização da epidemia, ou seja, mais pessoas com baixa escolaridade e de pequenas cidades do interior estavam se infectando. Finalmente, em sua terceira fase (1992 até os dias atuais), um grande aumento de casos por exposição heterossexual vem sendo observado, assumindo cada vez maior importância a introdução de casos do sexo feminino (feminização da epidemia) (BRASIL, Ministério da Saúde, 1999). Temos portanto, a exposição heterossexual atualmente representando a principal subcategoria de exposição em crescimento (em 1991, eram 21%, e em 1996/97 passam a 55%) (BRASIL, Ministério da Saúde, 1999).

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2.8.8.1 Agente Etiológico O HIV-1 foi isolado em 1983, de pacientes com AIDS, pelos pesquisadores Luc Montaigner, na França e Robert Gallo, nos EUA, recebendo os nomes de LAV (Lymphadenopathy Associated Virus ou Vírus Associado à Linfadenopatia) e HTLVIII (Human T-Lymphotrophic Virus ou Vírus T-Linfotrópico Humano tipo lll) respectivamente nos dois países. Em 1986 foi identificado um segundo agente etiológico, também retrovírus, com características semelhantes ao HIV-1, denominado HIV-2. Nesse mesmo ano um comitê internacional recomendou o termo HIV (Human Immunodeficiency Virus ou Vírus da Imunodeficiência Humana) para denominá-lo, reconhecendo-o como capaz de infectar seres humanos. O HIV é um retrovírus com genoma RNA, da família Lentiviridae. Pertence ao grupo dos retrovírus citopáticos e não-oncogênicos que necessitam, para multiplicarse, de uma enzima denominada transcriptase reversa, responsável pela transcrição do RNA viral para uma cópia DNA, que pode então integrar-se ao genoma do hospedeiro. O HIV é bastante lábil no meio externo, sendo inativado por uma variedade de agentes físicos (calor) e químicos (hipoclorito de sódio, glutaraldeído). Em condições experimentais controladas, as partículas virais intracelulares parecem sobreviver no meio externo por até, no máximo, um dia, enquanto que partículas virais livres podem sobreviver por 15 dias à temperatura ambiente ou até 11 dias a 37ºC.

2.8.8.2 Ciclo vital do HIV na célula humana 1. ligação de glicoproteínas virais (gp120) ao receptor específico da superfície celular (principalmente CD4); 2. fusão do envelope do vírus com a membrana da célula hospedeira; 3. liberação do “core” do vírus para o citoplasma da célula hospedeira; 4. transcrição do RNA viral em DNA complementar, dependente da enzima transcriptase reversa;

Além destas formas.44 5.3 Formas de transmissão e prevenção As principais formas de transmissão do HIV são: sexual. proteínas virais são produzidas e quebradas em subunidades por meio das enzimas proteases. o vírion recém-formado é liberado para o meio circundante da célula hospedeira. as proteínas virais produzidas regulam a síntese de novos genomas virais e formam a estrutura externa de outros vírus que serão liberados pela célula hospedeira. 2.8. pode ocorrer também a transmissão ocupacional. transporte do DNA complementar para o núcleo da célula. dependente da enzima integrase. Algumas considerações sobre essas formas de transmissão: a) Transmissão sexual A principal forma de transmissão do HIV no mundo todo é a sexual. 8. 9.8. onde pode haver integração no genoma celular (provírus). Atualmente estão disponíveis comercialmente drogas que interferem em duas fases deste ciclo: a fase 4 (inibidores da transcriptase reversa) e a fase 7 (inibidores da protease). podendo permanecer no fluído extracelular ou infectar novas células. 7. A interferência em qualquer um destes passos do ciclo vital do vírus impediria a multiplicação e/ ou a liberação de novos vírus. 6. ocasionada por acidente de trabalho. mais freqüentes. o provírus é reativado e produz RNA mensageiro viral indo então para o citoplasma da célula. sendo que a transmissão heterossexual por meio de relações sem o uso de preservativo é considerada. em profissionais da área da saúde que sofrem ferimentos com instrumentos pérfurocortantes contaminados com sangue de pacientes infectados pelo HIV. ou permanecer em forma circular isoladamente. . parto ou por aleitamento materno). sangüínea (em receptores de sangue ou hemoderivados não testados e em usuários de drogas injetáveis ou UDI) e perinatal (transmissão da mãe para o filho durante a gestação. pela OMS. como a mais freqüente do ponto de vista global (BRASIL.

sendo sentida principalmente nas regiões Sul. Estudos recentes sugerem que a concentração de nonoxynol-9 normalmente preconizada nos preservativos seria insuficiente para inativar o HIV. Os preservativos masculinos e femininos são a única barreira comprovadamente eficaz contra o HIV. mesmo as que causam corrimentos ou verrugas. e o uso correto e sistemático deste método pode reduzir substancialmente o risco de transmissão do HIV e das outras DST. . A transmissão sangüínea associada ao uso de drogas injetáveis é um meio muito eficaz de transmissão do HIV devido ao uso compartilhado de seringas e agulhas. consequentemente. não só as úlceras resultantes de infecções por agentes sexualmente transmissíveis aumentam o risco de transmissão do HIV. a segurança e eficácia dos espermicidas atualmente disponíveis. não estão bem estabelecidas e mais estudos clínicos controlados são necessários para esta determinação. a) Transmissão sangüínea A transmissão por meio da transfusão de sangue e derivados tem apresentado importância decrescente nos países industrializados e naqueles que adotaram medidas de controle da qualidade do sangue utilizado. como é o caso do Brasil. América Latina e no Caribe. Sudeste e Centro-Oeste. Esta forma tem importância crescente em várias partes do mundo. como na Ásia. reduzindo a freqüência de ruptura e escape e. nas condições de uso corrente. esta forma tem importância crescente nas áreas rota do tráfico de drogas. No Brasil. Sabe-se hoje que. imunodeficiência avançada. sendo que o uso de concentrações mais elevadas poderiam apresentar toxicidade. Entretanto. principalmente as ulcerativas. aumentando sua eficácia. O uso regular de preservativos pode levar ao aperfeiçoamento na técnica de utilização. relação anal receptiva. Os fatores que aumentam o risco de transmissão do HIV numa relação heterossexual são: alta viremia. relação sexual durante a menstruação e presença de outras DST. 1999). mas também outras DST. Os produtos espermicidas à base de nonoxynol-9 são capazes de inativar o HIV e agentes de outras DST “in vitro” e poderiam ter seu papel na redução da transmissão sexual do HIV se usados em associação com os preservativos.45 Ministério da Saúde.

e da possibilidade de modificá-lo por meio de intervenções preventivas. se todos os estudos demonstram redução de risco. Os profissionais de saúde. de modo a reduzir o risco de transmissão do HIV. Desde 1986 tornou-se claro que os usuários de drogas injetáveis (UDI) representavam um grupo focal particularmente importante. Os elementos desses programas de prevenção incluem: orientação educativa. A disseminação da infecção pelo HIV entre UDI em vários países. Ministério da Saúde. recrutados na própria comunidade (BRASIL. Porém. e consequentemente para as crianças (BRASIL. 1999). Atualmente há evidências suficientes para concluir que foi possível reduzir o nível epidêmico da transmissão do HIV em locais onde programas inovadores de saúde pública foram iniciados precocemente. facilitação de acesso aos serviços de tratamento da dependência de drogas. não se concretizou (BRASIL. 1999). a partir de profissionais de saúde e/ou agentes comunitários. Em relação às mudanças comportamentais. Ministério da Saúde. O temor de que a estratégia de redução de danos.46 A prevenção da transmissão por meio da transfusão de sangue e derivados se resume ao controle da qualidade do sangue e derivados pelos Bancos de Sangue. levantou importantes questões sobre a natureza do comportamento dos dependentes. devido ao risco específico de ocorrência de epidemias de HIV nessa população e ao potencial de representarem a interface por meio da qual a infecção por HIV se difundiria para a população heterossexual não usuária de drogas. baseada na facilitação do acesso a equipamento estéril de injeções. demonstrou-se que os UDI podem ser sensíveis às ações preventivas e capazes de reduzir a freqüência das situações de risco. além de ações que se desenvolvem na comunidade de usuários de drogas. Houve ceticismo inicial acerca da eficácia de ações educativas nessa população. Ministério da Saúde. ao vigiar e denunciar as irregularidades às autoridades sanitárias. 1999). . pudesse levar ao aumento da população de usuários de drogas. outras DST e de outras doenças que podem ser transmitidas pelo sangue. acesso a equipamento estéril de injeção. disponibilidade de testes sorológicos. desempenharão importante papel na prevenção e controle da transmissão do HIV.

e pelo recém-nascido por 6 semanas. A transmissão intrauterina é possível em qualquer fase da gravidez.3%. 1999). c) Transmissão ocupacional A transmissão ocupacional ocorre quando profissionais da área da saúde sofrem ferimentos com instrumentos pérfuro-cortantes contaminados com sangue de pacientes portadores do HIV. parto ou aleitamento materno vem aumentando devido à maior transmissão heterossexual. Em 1994 os resultados do Protocolo 076 do Aids Clinical Trial Group (ACTG076) comprovaram que o uso do AZT pela mulher durante a gestação. pode reduzir a transmissão vertical do HIV em cerca de 70%. Nos caso de exposição de mucosas. decorrente da exposição da criança durante a gestação. Os fatores de risco já identificados como favorecedores deste tipo de contaminação são: a profundidade e extensão do ferimento a presença de sangue . Ministério da Saúde. b) Transmissão Perinatal A transmissão perinatal. A transmissão pelo leite materno é evitada com o uso de aleitamento artificial ou de bancos de leite humano que fazem aconselhamento e triagem das doadoras. As infecções ocorridas neste período não têm sido associadas a malformações fetais.1% (BRASIL. 1999). Estima-se que o risco médio de contrair o HIV após uma exposição percutânea a sangue contaminado seja de aproximadamente 0. Ministério da Saúde. e seriam causados por: • transfusão do sangue materno para o feto durante as contrações uterinas. Segundo Brasil. Ministério da Saúde (1999). trabalho de parto e parto. • infecção após a rotura das membranas. mesmo nas cidades onde se obteve razoável impacto das ações preventivas (BRASIL. porém é menos freqüente no primeiro trimestre.47 evidenciam. a persistência de níveis importantes do comportamento de risco. alguns estudos demonstraram que uma proporção substancial dos casos de transmissão do HIV da mãe para o filho ocorre durante o período intraparto. esse risco é de aproximadamente 0. infelizmente. • contato do feto com as secreções ou sangue infectados do trato genital materno.

o procedimento que resultou na exposição envolver agulha colocada diretamente na veia ou artéria de paciente portador de HIV e. uso de equipamentos de proteção individual (luvas. • na determinação dos fatores de risco associados e na sua eliminação. CD4 baixo). baseia-se: • na utilização sistemática das normas de biossegurança. urina. podem também influir no risco de transmissão do HIV. secreções vaginais e leite materno têm sido implicados como fontes de infecção (BRASIL. grau de experiência dos profissionais de saúde no cuidado desse tipo de paciente. carga viral elevada. e • na implantação de novas tecnologias da instrumentação usadas na rotina de procedimentos invasivos. Embora alguns tipos de exposição acidental. finalmente. 1999). O risco da transmissão do HIV por saliva foi avaliado em vários estudos laboratoriais e epidemiológicos.48 visível no instrumento que produziu o ferimento. óculos de proteção. etc. 1999). como o contato de sangue ou secreções com mucosas ou pele íntegra. máscaras. sêmen. Ministério da Saúde. os riscos são insignificantes quando comparados com a exposição percutânea.) bem como a freqüência de utilização de procedimentos invasivos. . O meio mais eficiente de reduzir-se tanto a transmissão profissional-paciente quanto a paciente-profissional. aventais. Dados laboratoriais e epidemiológicos não provêm qualquer suporte à possibilidade de infecção por HIV por qualquer das seguintes vias teóricas de transmissão: contato interpessoal não-sexual e não-percutâneo (contato casual). o paciente fonte da infecção ter evidências de imunodeficiência avançada (sinais clínicos da doença. Esses estudos mostram que a concentração e a infectividade dos vírus da saliva de indivíduos portadores do HIV é extremamente baixa (BRASIL. lágrimas. Ministério da Saúde. por meio de instrumental pérfurocortante. Fatores como prevalência da infecção pelo HIV na população de pacientes. d) Hipóteses de outras possíveis formas de transmissão Embora o vírus tenha sido isolado de vários fluidos corporais como saliva. teoricamente possam ser responsáveis pela infecção. somente o contato com sangue.

também. também chamada de síndrome da infecção retroviral aguda ou infecção primária. c) fase sintomática inicial ou precoce. sendo. Este aumento de células T CD8+. que posteriormente aumentam. provavelmente. . e d) aids. Conclui-se que formas alternativas de transmissão são altamente improváveis e que a experiência cumulativa é suficientemente ampla para se assegurar enfaticamente que não há qualquer justificativa para restringir a participação de indivíduos infectados em seus ambientes domésticos. ocorre diminuição rápida dos linfócitos T CD4+. Seu diagnóstico é pouco realizado devido ao baixo índice de suspeição. Durante o pico de viremia. retrospectivo. em sua maioria. com a inversão da relação CD4+/CD8+.49 vetores artrópodes (picadas de insetos). escolares. reflete uma resposta T citotóxica potente. 2. Observa-se. O tempo entre a exposição e os sintomas é de cinco a 30 dias. sociais ou profissionais. a) Infecção aguda A infecção aguda. Existem evidências de que a imunidade celular desempenha papel fundamental no controle da viremia na infecção primária. por exemplo) e objetos inanimados (fômites). além de instalações sanitárias.8. fontes ambientais (aerossóis. que se torna menor que um.4 Aspectos clínicos A infecção pelo HIV pode ser dividida em quatro fases clínicas: a) infecção aguda. como por resposta imune intensa. aumento do número absoluto de linfócitos T CD8+ circulantes. mas geralmente não retornam aos níveis prévios à infecção. b) fase assintomática. também conhecida como latência clínica. que é detectada antes do aparecimento de anticorpos neutralizantes.8. A história natural da infecção aguda caracteriza-se tanto por viremia elevada. ocorre em cerca de 50% a 90% dos pacientes.

o estado clínico básico é mínimo ou inexistente. adenopatia. hiporexia. adinamia. os profissionais de saúde poderão. mialgia. Alguns pacientes podem apresentar uma linfoadenopatia generalizada persistente. cefaléia. visto que as DST facilitam a progressão para doença clínica. em média. A queda da contagem de linfócitos T CD4+. rash cutâneo maculopapular eritematoso. a partir dos sintomas e sinais mencionados. de 30 a 90 células por ano. artralgia. “flutuante” e indolor. ulcerações muco-cutâneas envolvendo mucosa oral. Com base nos dados epidemiológicos e clínicos.50 Os sintomas aparecem durante o pico da viremia e da atividade imunológica. a abordagem clínica nestes indivíduos no início de seu seguimento prende-se a uma . presença de linfócitos atípicos. As manifestações clínicas podem variar desde quadro gripal até uma síndrome que se assemelha à mononucleose. neuropatia periférica. É importante lembrar que o tratamento adequado de outras DST. também conhecida como fase assintomática. definidos pela velocidade da replicação e clareamento viral. os pacientes podem apresentar candidíase oral. Além de sintomas de infecção viral. quando presentes. auxilia o prognóstico do portador da infecção pelo HIV. como febre. b) Fase assintomática Na infecção precoce pelo HIV. sendo o quadro clínico autolimitado. plaquetopenia e elevação sérica das enzimas hepáticas. fotofobia. perda de peso. ocorre a estabilização da viremia em níveis variáveis (set points). meningoencefalite asséptica e síndrome de Guillain-Barré. hepatoesplenomegalia. esôfago e genitália. Os achados laboratoriais inespecíficos são transitórios e incluem: linfopenia seguida de linfocitose. Após a resolução da fase aguda. Os sintomas duram. faringite. ao determinar os riscos de infecção pelo HIV em seus pacientes. ajudá-los a reconhecer esses riscos e aconselhá-los para reduzi-los e para realizarem o teste anti-HIV. O set point é fator prognóstico de evolução da doença. A ocorrência da síndrome de infecção retroviral aguda clinicamente importante ou a persistência dos sintomas por mais de 14 dias parecem estar relacionadas com a evolução mais rápida para AIDS. está diretamente relacionada à velocidade da replicação viral e progressão para a AIDS. Portanto. náuseas e vômitos. 14 dias. além de romper a cadeia de transmissão.

c) Fase sintomática inicial Nesta fase. doenças sexualmente transmissíveis. . desidrogenase lática. uso prévio ou atual de medicamentos. No que diz respeito à avaliação laboratorial nesta fase. Geralmente encontra-se associado a outras condições como anorexia. doenças psiquiátricas. o portador da infecção pelo HIV pode apresentar sinais e sintomas inespecíficos e de intensidade variável. uma ampla variedade de alterações podem estar presentes. perfil imunológico e carga viral. radiografia de tórax. situações que podem complicar ou serem agravantes em alguma fase de desenvolvimento da doença pelo HIV. seu nível de entendimento e orientação sobre a doença são extremamente importantes. amilase). sorologia para citomegalovírus e herpes. doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). enfim. Alguns dos exames laboratoriais que podem auxiliar num melhor diagnóstico e prognóstico: hemograma completo. doenças hepáticas.51 história clínica prévia. Nessa situação deve ser considerada a possibilidade de infecção oportunista. principalmente em pele e mucosas. As alterações mais freqüentes são: d) Sinais e sintomas inespecíficos • Sudorese noturna: é queixa bastante comum e tipicamente inespecífica entre os pacientes com infecção sintomática inicial pelo HIV. sorologia para os vírus da hepatite. pulmonares. renais. intestinais. Papanicolaou. devendo-se lançar mão de investigação clínica e laboratorial específicas. sendo referido em 95-100% dos pacientes com doença em progressão. níveis bioquímicos (funções hepática e renal. • Emagrecimento: é um dos mais comuns entre os sintomas gerais associados com infecção pelo HIV. sorologia para sífilis. além de processos oportunistas de menor gravidade. PPD (derivado protéico purificado). hábitos de vida. sorologia para toxoplasmose. Pode ser recorrente e pode ou não vir acompanhada de febre. investigando condições de base como hipertensão arterial sistêmica. como também uma avaliação do perfil emocional e psicossocial do paciente. tuberculose e outras doenças endêmicas. A associação com diarréia aquosa o faz mais intenso. A história familiar. diabetes.

Clinicamente. como manifestação precoce de imunodeficiência pelo HIV. com ou sem acometimento oral. Mulheres HIV+ podem apresentar formas extensas ou recorrentes de candidíase vulvo-vaginal. que clinicamente apresenta-se como lesões brancas que variam em tamanho e aparência. produz eritema e fissuras nos ângulos da boca.52 • Trombocitopenia: na maioria das vezes é uma anormalidade hematológica isolada com um número normal ou aumentado de megacariócitos na medula óssea e níveis elevados de imunoglobulinas associadas a plaquetas. A queilite angular. sendo a evolução rapidamente progressiva. • Leucoplasia Pilosa Oral: é um espessamento epitelial benigno causado provavelmente pelo vírus Epstein-Barr. Laboratorialmente considera-se o número de plaquetas menor que 100. observada em estágios mais avançados da doença. mas podem ocupar localizações da mucosa oral: mucosa bucal. Já a forma eritematosa é vista como placas avermelhadas em mucosa. . • Gengivite: a gengivite e outras doenças periodontais pode manifestar-se de forma leve ou agressiva em pacientes com infecção pelo HIV. C.000 células/mm3. exposição e seqüestro ósseo. bem como nas fases mais avançadas da doença. palato mole e duro ou superfície dorsal da língua. síndrome clínica chamada púrpura trombocitopênica imune. A forma pseudomembranosa consiste em placas esbranquiçadas removíveis em língua e mucosas que podem ser pequenas ou amplas e disseminadas. podendo ser planas ou em forma de pregas. C. também freqüente. perda de tecidos moles periodontais. os pacientes podem apresentar somente sangramentos mínimos como petéquias. Ocorre mais freqüentemente em margens laterais da língua. palato mole e duro. Processos oportunistas mais comuns na fase sintomática inicial • Candidíase Oral e Vaginal (inclusive a recorrente): a candidíase oral é a mais comum infecção fúngica em pacientes portadores do HIV e apresenta-se com sintomas e aparência macroscópica característicos. tropicalis. parapsilosis e outras menos comumente isoladas. levando a um processo necrotizante acompanhado de dor. equimoses e ocasionalmente epistaxes. As espécies patogênicas incluem Candida albicans. vilosidades ou projeções.

geralmente reconhecidos em fase mais avançada da doença causada pelo HIV. Moraxella catarrhalis e H. patógenos entéricos mais comuns devem ser suspeitados: Salmonella sp. de caráter recorrente e etiologia não definida. a maioria dos adultos foi previamente infectada pelo vírus varicela zoster. • Herpes Simples Recorrente: a maioria dos indivíduos infectados pelo HIV é co-infectada com um ou ambos os tipos de vírus herpes simples (1 e 2). desenvolvendo episódios de herpes zoster freqüentes. Na infecção precoce pelo HIV. aureus e P. Giardia lamblia. cefaléia. resultantes da coalescência de pequenas úlceras em cavidade oral e faringe. Outros agentes como S. drenagem mucopurulenta nasal fazem parte do quadro. A forma aguda é mais comum no estágio inicial da doença pelo HIV. aeruginosa e fungos têm sido achados em sinusite aguda. Determinar a causa da diarréia pode ser difícil e o exame das fezes para agentes específicos se faz necessário. sintomas locais. adenovírus. Entamoeba histolytica. anorexia e debilitação do estado geral com sintomas constitucionais acompanhando o quadro. Febre. a sintomatologia clássica pode manifestar-se independente do estágio da doença pelo HIV. • Diarréia: consiste em manifestação freqüente da infecção pelo HIV desde sua fase inicial. Resultam em grande incômodo produzindo odinofagia. Agentes como Cryptosporidium parvum e Isospora belli. incluindo os mesmos agentes considerados em pacientes imunocompetentes: Streptococus pneumoniae. Geralmente a apresentação clínica dos quadros de recorrência é atípica ao comparar-se aos quadros em indivíduos imunocompetentes. influenzae. rotavírus. no entanto. porém seu comprometimento em sinusites crônicas é maior. Embora o HSV-1 seja responsável por lesões orolabiais e o HSV-2 por lesões genitais. Campylobacter sp. Shigella sp.53 • Úlceras Aftosas: em indivíduos infectados pelo HIV é comum a presença de úlceras consideravelmente extensas. podem apresentar-se como expressão clínica autolimitada • Sinusopatias: sinusites e outras sinusopatias ocorrem com relativa freqüência entre os pacientes com infecção pelo HIV. sendo mais comum a evidência de recorrência do que infecção primária. • Herpes Zoster: de modo similar ao que ocorre com o HSV em pacientes com doença pelo HIV. os dois tipos podem causar infecção em qualquer sítio. O quadro .

Isosporíase. ou seja. É importante assinalar que o câncer de colo do útero compõe o elenco de doenças que apontuam a definição de caso de AIDS em mulher. Estas são geralmente de origem infecciosa. Infecções oportunistas podem ser causadas por microrganismos não considerados usualmente patogênicos. • Bactérias: Micobacterioses (tuberculose e complexo Mycobacterium aviumintracellulare). Candidíase. rash localizado ou segmentar comprometendo um a três dermátomos. protozoários. fungos e certas neoplasias: • Vírus: Citomegalovirose. que não são capazes de desencadear doença em pessoas com sistema imune normal. • Fungos: Pneumocistose. bactérias. Entretanto. neoplasias intraepiteliais anal e cervical. Herpes simples. Criptosporidiose. que são as doenças que se desenvolvem em decorrência de uma alteração imunitária do hospedeiro. as infecções necessariamente assumem um caráter de maior gravidade ou agressividade para serem consideradas oportunistas. porém várias neoplasias também podem ser consideradas oportunistas. Porém. Criptococose. Salmonelose. Histoplasmose.54 inicia com dor radicular. Pode também apresentar-se com disseminação cutânea extensa. . linfomas não-Hodgkin. microrganismos normalmente patogênicos também podem eventualmente ser causadores de infecções oportunistas. e) Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) É a fase do espectro da infecção pelo HIV em que se instalam as doenças oportunistas. As doenças oportunistas associadas à aids são várias. • Protozoários: Toxoplasmose. seguindo o surgimento de maculopapulas dolorosas que evoluem para vesículas com conteúdo infectante. • Neoplasias: sarcoma de Kaposi. nesta situação. pneumoniae). Pneumonias (S. podendo ser causadas por vírus. Leucoencafalopatia Multifocal Progressiva.

o resultado dos testes sorológicos é de difícil interpretação. As técnicas rotineiramente utilizadas para o diagnóstico da infecção pelo HIV são baseadas na detecção de anticorpos contra o vírus. Nesta fase observa-se o seqüestro das partículas virais e das células infectadas (linfócitos . Varia de seis a doze semanas (um mês e meio a três meses) após a aquisição do vírus. Detectam a resposta do hospedeiro contra o vírus. etc. Os testes utilizados são capazes de identificar as amostras de soroconversão em até 95% dos casos 5. mensuração da carga viral para controle de tratamento. sendo de escolha para toda e qualquer triagem inicial.8 meses após a transmissão.5 Testes diagnósticos Os anticorpos contra o HIV aparecem principalmente no soro ou plasma de indivíduos infectados. testes de detecção de antígenos. Essas técnicas apresentam excelentes resultados e são menos dispendiosas. técnicas de cultura viral e testes de amplificação do genoma do vírus. Freqüentemente os anticorpos detectados contra o vírus são decorrentes da transferência passiva de anticorpos maternos. com o período médio de aproximadamente 2 meses. Em crianças com até 18 meses. Janela imunológica: é o tempo compreendido entre a aquisição da infecção e a soroconversão (também chamada de janela biológica). tais como: esclarecimento de exames sorológicos indeterminados ou duvidosos. em média.8. e não o próprio vírus diretamente.8. Soroconversão: é a positivação da sorologia para o HIV. As outras três técnicas detectam diretamente o vírus ou suas partículas e são utilizadas em situações específicas. Nesses casos. 3 a 12 semanas após a infecção. Esta recuperação é devida tanto à resposta imune celular quanto à humoral. os testes imunológicos não permitem a caracterização da infecção. A soroconversão é acompanhada de uma queda expressiva na quantidade de vírus no plasma (carga viral).55 2. acompanhamento laboratorial de pacientes. seguida pela recuperação parcial dos linfócitos T CD4+ no sangue periférico. Os testes para detecção da infecção pelo HIV podem ser divididos basicamente em quatro grupos: testes de detecção de anticorpos.

e qual a melhor combinação a ser instituída. particularmente os linfonodos. 1999). antes e depois do teste. gerando atitudes que visem a promoção da saúde e/ou a prevenção da infecção pelo HIV nos indivíduos testados.56 T CD4+) pelos órgãos linfóides responsáveis por nossa imunidade. encaminhando-o. seja feito de forma cuidadosa.8. deve ser atribuição de infectologistas ou clínicos com experiência no manejo desses pacientes. • seja feita a profilaxia das infecções oportunistas.6 Tratamento a) Terapia Anti-Retroviral A terapia anti-HIV é uma área complexa. conforme o diagnóstico obtido a partir da avaliação clínica e laboratorial do paciente (BRASIL. As recomendações deverão ser revistas periodicamente com o objetivo de incorporar novos conhecimentos gerados pelos ensaios clínicos. É importante enfatizar que mesmo com processamento adequado das amostras de sangue e a execução técnica correta de todas as etapas da reação sorológica no laboratório. • a adesão ao tratamento seja satisfatória.8. devem contribuir para que: • seja estabelecido o diagnóstico inicial. torna-se difícil atualizar-se com a rapidez que o tema exige a fim de promover o manejo adequado dos indivíduos infectados pelo HIV ou com aids. sujeita a constantes mudanças. Pelo exposto. seja corretamente interpretado. quando necessário. para que o resultado do exame. . 2. e • o paciente passe a adotar práticas preventivas evitando sua reinfecção e a transmissão do vírus para outras pessoas. • o paciente compareça periodicamente ao serviço especializado. Os demais médicos que acompanham o paciente. é fundamental que o processo de aconselhamento. a um serviço especializado. Ministério da Saúde. definir o momento do início da terapia anti-retroviral. tanto pelo profissional de saúde quanto pelo paciente. quando necessário. Sendo assim.

ou de classes diferentes (ex. d) Terapia Combinada É o tratamento anti-retroviral com associação de duas ou mais drogas da mesma classe farmacológica (ex. particularmente redução da replicação viral por potencializar efeito terapêutico ou por sinergismo de ação em sítios diferentes do ciclo de replicação viral. c) Inibidores da Protease Estas drogas agem no último estágio da formação do HIV. impedindo a ação da enzima protease que é fundamental para a clivagem das cadeias protéicas produzidas pela célula infectada em proteínas virais estruturais e enzimas que formarão cada partícula do HIV. Outros estudos evidenciaram redução na emergência de cepas multirresistentes quando da utilização da terapêutica combinada. retinite por CMV. e) Profilaxia primária de infecções oportunistas em adultos e adolescentes infectados pelo HIV É importante lembrar que pacientes que já apresentaram processos oportunistas de maior gravidade. .: dois análogos nucleosídeos). carinii. como pneumonia por P. Atualmente estão disponíveis.: dois análogos nucleosídeos e um inibidor de protease).57 Existem até o momento duas classes de drogas liberadas para o tratamento anti-HIV: b) Inibidores da Transcriptase Reversa São drogas que inibem a replicação do HIV bloqueando a ação da enzima transcriptase reversa que age convertendo o RNA viral em DNA. neurotoxoplasmose. Estudos multicêntricos demonstraram aumento na atividade anti-retroviral (elevação de linfócitos T-CD4+ e redução nos títulos plasmáticos de RNA-HIV) quando da associação de drogas. podem necessitar de terapia de manutenção para os agentes causais por tempo indeterminado para evitar recidivas.

e seus parceiros (para evitar a reinfecção). 2006). para a quimioprofilaxia.9 Formas de controle das DST Segundo Brasil. Ministério da Saúde (20 ed. O início da medicação após largos intervalos de tempo (1 a 2 semanas) pode ser considerado somente para exposição com elevado risco de transmissão do HIV. f) Quimioprofilaxia após a exposição ocupacional a material biológico O profissional de saúde exposto deverá ser encaminhado nas primeiras horas (idealmente dentro de 1 a 2 horas) após o acidente. ou seja. detectando precocemente os casos. tratando os infectados. • prevenir novas ocorrências: por meio de aconselhamento específico.. durante o qual as orientações sejam discutidas conjuntamente. como em qualquer processo de controle de epidemias. quando houver indicação . contribuindo. . os princípios básicos para atenção às DST. Para maiores informações sobre quimioprofilaxia para o HIV após a exposição ocupacional a material biológico. adequada e oportunamente. 2. pode se consultar o manual de condutas “Exposição Ocupacional a Material Biológico: Hepatite e HIV” do Ministério da Saúde. alguns pacientes deverão fazer uso de quimioprofilaxia e imunização para certos processos oportunistas mais prevalentes e cuja relação custo-benefício tem se mostrado amplamente favorável. para a adoção de práticas sexuais mais seguras.58 Além da terapia anti-HIV. favorecendo a compreensão e o seguimento das prescrições. A duração da quimioprofilaxia é de 4 semanas. são os seguintes: • interromper a cadeia de transmissão: atuando objetivamente nos “elos” que formam essa corrente. de forma mais efetiva. assim. Estudos em animais sugerem que a quimioprofilaxia não é eficaz quando iniciada de 24 a 36 horas após o acidente.

com importantes diferenças regionais (BRASIL. também suscetíveis a graves complicações. ainda. A assistência às DST deve ser realizada de forma integrada pelo Programa de Saúde da Família. estratégia básica para o controle da transmissão das DST e do HIV. As atividades de aconselhamento das pessoas com DST e seus parceiros durante o atendimento são fundamentais. as DST devem ser priorizadas. As principais estratégias de prevenção empregadas pelos programas de controle envolvem também a promoção do uso de agulhas e seringas esterilizadas ou descartáveis. O primeiro. Ministério da Saúde. explicitando a existência de casos assintomáticos ou pouco sintomáticos.9. transcendência. protegendo a si e a seus parceiros.9.. pelas suas caracterísitcas. Pela sua magnitude. As ações nessa direção existem no país de forma pulverizada.1 Estratégias para o controle 2. 40 ed. 1999). pode facilitar o acesso ao cuidado e a busca de parceiros sexuais. a adoção de cuidados na exposição ocupacional a material biológico e o manejo adequado das outras DST (DST-DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS. . vulnerabilidade às ações e factibilidade de controle.1 Promoção para prevenção A prevenção. 2010). prevenindo assim a ocorrência de novos episódios. 2006). desta forma. Sabe-se que as estratégias de prevenção primária (uso do preservativo) e secundária (diagnóstico e tratamento) podem permitir o controle das DST e suas consequências. Deve-se sempre enfatizar a associação existente entre as DST e a infecção pelo HIV. o controle do sangue e derivados. no sentido de buscar que os indivíduos percebam a necessidade de maior cuidado.59 2. Ministério da Saúde. estimular a adesão ao tratamento.1. as mudanças no comportamento sexual e a promoção e adoção de medidas preventivas com ênfase na utilização adequada do preservativo. dar-se-á por meio da constante informação para a população geral e das atividades educativas que priorizem: a percepção de risco. a assistência pode se constituir em um momento privilegiado de prevenção (BRASIL. Unidades Básicas de Saúde (UBS) e serviços de referência regionalizados. Deve-se. A promoção e disponibilização de preservativos deve ser função de todos os serviços.

o HIV. em todas as relações sexuais (oral. A disponibilidade do preservativo distribuído pelo sistema público de saúde. 40 ed. Ministério da Saúde.. na disponibilização de insumos laboratoriais. próprias deste insumo..60 enquanto as UBS e os últimos devem exercer um papel fundamental no tratamento adequado e seguimento clínico (BRASIL. Estudo realizado em 2004 revelou que o uso do preservativo na primeira relação sexual foi referido por 53. Também foi referido por 74. o uso na última relação sexual foi de 57. por isso muitos acabam deixando de usá-lo. é importante conscientizar as pessoas que seu uso é necessário para se evitar DST (BRASIL.2% dos entrevistados. 2006). 2006). quanto para contracepção.3%.. ou seja. sendo menor quanto mais baixa a escolaridade. 2006). sendo menor nas regiões Norte e Nordeste. É o único método que oferece duplaproteção. 2004b). O uso regular aperfeiçoa a técnica de utilização. na disponibilidade de preservativos e outros insumos (BRASIL.. Usar preservativos. reduzindo a . é eficaz tanto para a redução do risco de transmissão do HIV e outras DST. Ministério da Saúde. anal e vaginal) é o método mais eficaz para a redução do risco de transmissão das DST.1% dos entrevistados o uso do preservativo na última relação sexual com parceria eventual. 40 ed. A eficácia e segurança do preservativo dependem de seu uso correto e consistente em todas as relações sexuais e da técnica de uso e conservação. Deve haver participação e controle de ações pelas organizações da sociedade civil no acesso aos serviços. Ministério da Saúde. O nível de informação da população de 15 a 24 anos quanto aos meios de prevenção da transmissão do HIV por via sexual é alto: 95% identificam o uso do preservativo como eficaz nesta condição (BRASIL. em especial do vírus da AIDS. (BRASIL. 40 ed. 2006). no cumprimento da pactuação para aquisição de medicamentos. Ministério da Saúde. masculinos ou femininos. a) Informações para prevenção e o uso de preservativo (prevenção primária). nem sempre é suficiente para suprir as necessidades dos usuários. Assim. 40 ed. Ministério da Saúde.

desenrolá-lo até a base do pênis. 2006).. retirar o pênis ainda ereto. pois o uso de lubrificantes oleosos (como vaselina ou óleos alimentares) danifica o látex. bem como o prazo de validade. • após a ejaculação. • não observação do prazo de validade.61 freqüência de ruptura e escape. . • receptáculo existente na extremidade do preservativo deve ser mantido apertado entre os dedos durante a colocação. • sexo anal sem lubrificação adequada. • observar integridade da embalagem. o preservativo deve ser substituído imediatamente. • lubrificação vaginal insuficiente. 2006). retirando todo o ar do seu interior. Ministério da Saúde. • uso de lubrificantes oleosos. • o preservativo não pode ser reutilizado e deve ser descartado no lixo (não no vaso sanitário) após o uso (BRASIL. • devem ser usados apenas lubrificantes de base aquosa (gel lubrificante). 40 ed. • deve ser colocado antes da penetração. • ainda segurando a ponta do preservativo. • danificação da embalagem. aumentando sua eficácia (BRASIL. durante ereção peniana. porta-luvas. se oriente sobre como colocá-los e retirá-los (Figs.. 1 e 2) e as medidas adequadas para uso e conservação dos preservativos masculino e feminino conforme seguem abaixo: Cuidados com o preservativo masculino: • deve ser armazenado afastado do calor (como bolso de calça. amassado em bolsas). Ministério da Saúde. É necessário que além de conscientizar as pessoas para o uso de preservativos. Fatores de risco para ruptura ou escape do preservativo masculino: • más condições de armazenamento. • no caso de ruptura. segurando o preservativo pela base para que não haja vazamento de esperma. 40 ed. ocasionando sua ruptura.

evitar com a mão a abertura esperma camisinha Fonte: BRASIL. doenças e ● Após a ejaculação. • perda de ereção durante o ato sexual. Cuidados com o preservativo feminino: . • retirada do pênis sem que se segure firmemente a base do preservativo. 40 ed. Usar a camisinha duas vezes não previne contra gravidez. mas antes aperte a ponta para retirar o ar. Fechando que vaze o da retire a camisinha com o pênis para duro. • uso de dois preservativos (devido à fricção que ocorre entre eles). Nunca use a camisinha mais de uma vez. ● Dê um nó no meio da camisinha e jogue-a no lixo. e Evite outros vaselina lubrificantes à base de óleo. • tamanho inadequado em relação ao pênis. 2006).. • contração da musculatura vaginal durante a retirada do pênis. Ministério da Saúde. Ministério da Saúde (2010 c).nunca com os dentes . Figura 1: Como deve ser a colocado e retirado o preservativo masculino: ● Desenrole a camisinha ● Abra a embalagem com cuidado .para não furar a camisinha.62 • presença de ar e/ou ausência de espaço para recolher o esperma na extremidade do preservativo. • uso de um mesmo preservativo durante coito prolongado (BRASIL. ● Coloque a camisinha somente quando o pênis estiver ereto até a base do pênis. ● Só use lubrificante à base de água.

se for preciso. empurre a camisinha o mais fundo possível colo do útero). observando-se a integridade da embalagem e prazo de validade. agachada ou deitada. • já vem lubrificado.. agachada ou deitada). • deve ser utilizado um novo preservativo a cada nova relação (BRASIL. para evitar que o esperma escorra do interior do preservativo. ● Segure a camisinha com o anel externo pendurado para baixo. Figura 2: Como deve ser a colocado e retirado o preservativo feminino: ● Encontre uma posição confortável para você pode ser em pé com um dos pés em cima de uma cadeira. (a camisinha deve cobrir o . Com o dedo indicador ele deve ser empurrado o mais profundamente possível para alcançar o colo do útero. o feminino pode ser colocado até oito horas antes da relação e retirado com tranqüilidade após a relação. no entanto. 40 ed. ● Com o dedo indicador. • o anel móvel deve ser apertado e introduzido na vagina. • não usar junto com o preservativo masculino. a argola fixa (externa) deve ficar aproximadamente 3 cm para fora da vagina. devem ser usados lubrificantes de base oleosa fina na parte interna. Ministério da Saúde. 2006). a mulher deve encontrar uma posição confortável (em pé com um dos pés em cima de uma cadeira. durante a penetração o pênis deve ser guiado para o centro do anel externo. ● Aperte o anel interno e introduza na vagina. sentada com os joelhos afastados. de preferência antes da mulher levantar-se. • para colocá-lo corretamente. • ao contrário do preservativo masculino. sentada com os joelhos afastados.63 • armazenar afastado do calor.

1.9. Ministério da Saúde. Por isto. . pênis e vagina se alargam e então a camisinha se ajusta melhor). Dessa forma. devido ao risco específico de ocorrência de epidemias de HIV nesta população. 2010).não estranhe. A transmissão da doença depende da integridade das mucosas das cavidades oral ou vaginal. ficou claro que os UDI representavam um grupo focal particularmente importante. Muitas pessoas podem se infectar com alguma DST e não ter reações do organismo durante semanas. e ao potencial de representarem a interface através da qual a infecção por HIV se difundiria para a população heterossexual não usuária de drogas e consequentemente para as crianças (DST-DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS. 2010 d). o sexo deve ser feito sempre com camisinha (BRASIL. 2. Ministério da Saúde (2010 b).2 Promoção para prevenção em usúarios de drogas injetáveis (UDI) Desde 1986. ● Até que você e o seu parceiro tenham segurança. guie o pênis dele com a sua mão para dentro da sua vagina. O fato é que nenhuma das relações sexuais sem proteção é isenta de risco . independente da forma praticada. até anos. 2010 d).64 ● O anel externo deve ficar uns 3 cm para fora da vagina . Ministério da Saúde. Fonte: BRASIL. pois essa parte que fica para fora a serve a para aumentar (durante proteção penetração. a única maneira de se prevenir efetivamente é usar a camisinha também em todas as relações sexuais (BRASIL. Algumas pessoas acham que as chances de se contrair uma DST através do sexo oral são menores do que sexo com penetração.algumas DST têm maior risco que outras.

de modo a reduzir a transmissão do HIV (DST-DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS.3 Orientações para prevenção em Exposição Ocupacional Embora alguns tipos de exposição acidental.1.9.65 A disseminação da infecção pelo HIV entre UDI em muitos países com características diferentes. disponibilidade de testes sorológicos. como o contato de sangue ou secreções com mucosas ou pele íntegra teoricamente possam ser responsáveis por infecção pelo HIV. não se concretizou. baseadas na facilitação do acesso a equipamento estéril de injeções pudesse levar ao aumento da população de usuários de drogas injetáveis. 2010). 2010). 2010). levantou importantes questões sobre a natureza do comportamento dos dependentes. 2. e da possibilidade de modificá-lo mediante intervenções preventivas. mas o temor de que a estratégia de redução de danos. demonstrou-se que os UDI podem ser sensíveis às ações preventivas e capazes de reduzir a freqüência das situações de risco. facilitação de acesso aos serviços de atendimento aos dependentes de drogas. grau de experiência dos profissionais de saúde no cuidado desse tipo de paciente. . recrutados na própria comunidade (DST-DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS. Inicialmente não acreditou-se na eficácia de ações educativas para esta população. além de ações que se desenvolvem na comunidade de usuários de drogas a partir da intervenção de profissionais de saúde e/ou agente comunitários. os seus riscos são insignificantes quando comparados com a exposição percutânea. Há atualmente evidências suficientes para concluir que foi possível reduzir o nível epidêmico da transmissão do HIV em locais onde programas inovadores de saúde pública foram iniciados precocemente (DST-DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS. Em relação às mudanças comportamentais. através de instrumentos pérfuro-cortantes (DST-DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS. Fatores como prevalência da infecção pelo HIV na população de pacientes. acesso a equipamento estéril de injeção. 2010) Os elementos desses programas de prevenção incluem orientação educativa.

pode ser consultado o manual de condutas “Exposição Ocupacional a Material Biológico: Hepatite e HIV” do Ministério da Saúde (BRASIL.1. em serviços que executam atendimento ginecológico.9. podem também influir no risco de transmissão do HIV. o profissional de saúde exposto deverá ser encaminhado para um Serviço de Assistência Especializado (SAE) nas primeiras horas (idealmente dentro de 1 a 2 horas) após o acidente. máscaras. na determinação dos fatores de risco associados. 4 0 ed. Tão importante quanto diagnosticar e tratar o mais precocemente possível os portadores sintomáticos é realizar a detecção dos portadores assintomáticos. Entre as estratégias que poderão suprir essa importante lacuna estão os rastreamentos de DST assintomáticas. Ministério da Saúde. Ministério da Saúde. bem como na implantação de novas tecnologias da instrumentação usadas na rotina de procedimentos invasivos (DSTDoenças Sexualmente Transmissíveis. relação sem camisinha). Estudos em animais sugerem que a quimioprofilaxia não é eficaz quando iniciada de 24 a 36 horas após o acidente. Em caso de acidentes. bem como a freqüência de utilização de procedimentos invasivos. O início da medicação após largos intervalos de tempo (1 a 2 semanas) pode ser considerado somente para exposição com elevado risco de transmissão do HIV. baseia-se na utilização sistemática das normas de biossegurança. quando houver indicação para a quimioprofilaxia. óculos de proteção. 2010 d).). etc. O meio mais eficiente para reduzir tanto a transmissão profissional-paciente quanto a paciente-profissional. gonorréia e clamídia em gestantes e/ou adolescentes.4 Diagnóstico precoce Deve-se procurar regularmente o serviço de saúde para realizar os exames de rotina. especialmente sífilis. aventais. em especial os . 2. Para maiores informações sobre quimioprofilaxia para o HIV após a exposição ocupacional à material biológico. Caso haja alguma exposição de risco (por exemplo. é preciso procurar um profissional de saúde para fazer o diagnóstico e receber o atendimento adequado (BRASIL. 2006).66 uso de precauções universais (luvas. e na sua eliminação. 2010)..

1. Para que esse tipo de assistência seja adequadamente implementada. 2006). sempre que possível. 1999). Ao agendar a consulta para outro dia. agrupados. A utilização de alguns fluxogramas desenvolvidos. quando realizados.. 40 ed. de pré-natal e os serviços de prevenção do câncer ginecológico (BRASIL. 1999). 40 ed.. testados e já validados. Ministério da Saúde.67 de planejamento familiar. vão confirmar a adequação dos tratamentos prescritos. provê a possibilidade de tratamento imediato e a ruptura imediata da cadeia de transmissão. a infecção pode evoluir para formas crônicas graves e se mantém a transmissão (BRASIL. Como conseqüência. aos agentes etiológicos mais comuns na síndrome em estudo (BRASIL. 2006). 2. são pesquisados os sinais e sintomas que.5 transmissão) Tratamento imediato (prevenção secundária para evitar O atendimento imediato de uma DST não é apenas uma ação curativa. é também uma ação preventiva da transmissão e do surgimento de outras complicações. então. Nesta abordagem(abordagem Sindrômica). Ministério da Saúde. 1999). Algumas mudanças na orientação dos profissionais de saúde para que passem a fazer assistência integral aos usuários são de fundamental importância pois. mas a conduta não deve ser postergada aguardando seus resultados. Os exames laboratoriais. forneçam o diagnóstico de uma síndrome. Ministério da Saúde. O tratamento visará. com isso. preferencialmente com medicação por via oral e em dose única. Ministério da Saúde.9. O tratamento deve ser instituído no momento da consulta. pode ocorrer o desaparecimento dos sintomas desestimulando a busca por tratamento. ou com o menor número possível de doses. contribuir na vigilância do perfil . Ministério da Saúde. A identificação das diferentes vulnerabilidades e o exame físico devem se constituir nos principais elementos diagnósticos das DST tendo em vista a dificuldade de acesso imediato aos exames laboratoriais (BRASIL. pessoas em situação de risco teriam oportunidade para diagnóstico e/ou aconselhamento (BRASIL. Os exames laboratoriais devem ser colhidos na mesma oportunidade.

Ministério da Saúde. 2006).9.. 2 0 ed. Ministério da Saúde.. Ministério da Saúde. profissionais do sexo e para portadores de DST até 30 anos de idade (BRASIL. Devem ser realizados também. mas tem como ser imunizado na rede de saúde particular .6 Imunização No atendimento que deve ocorrer na primeira consulta. aconselhamento para redução de risco. o que é muito freqüente. 2010 d). 2. o comitê decidiu pela não incorporação da vacina contra o HPV no SUS (BRASIL. 2006). (para isso é importante que seja explicado a importância desses procedimentos sorológicos) e vacinar contra hepatite B. avalia. 40 ed. orientações para adesão aos tratamentos fracionados. Ministério da Saúde. 40 ed. onde só está indicada para os indivíduos suscetíveis identificados por sorologia (BRASIL.. 1999).1. Ministério da Saúde. Um comitê de Acompanhamento da Vacina. deve ser realizada sorologia para sífilis e hepatites. 40 ed. Deve ser considerado também a associação entre as DST e a infecção pelo HIV então também deve ser feito o aconselhamento pré-teste e oferecer a realização de sorologia anti-HIV (BRASIL. também se recomenda a vacinação contra hepatite B para todos os portadores de DST com menos de 30 anos. A vacina contra hepatite B está disponível no SUS para diferentes situações inclusive para homens que praticam sexo com homens. promoção e disponibilização de preservativos (BRASIL. tratamento de parceiros. Considerando a possibilidade de associação de mais de uma DST. 2006). Ministério da Saúde. exceto em zonas endêmicas. 2006).68 etiológico das diferentes síndromes clínicas e da sensibilidade aos medicamentos preconizados (BRASIL. Até o momento.. formado por representantes de diversas instituições ligadas à Saúde. se é oportuno recomendar a vacinação em larga escala no país. periodicamente. Há vacinas também anti HPV do tipo 16.

sentimentos de culpa. anal ou oral). Ministério da Saúde.. com taxas variáveis de infecção para cada agente específico. Pacientes que receberam a IGHAB devem iniciar ou completar o esquema de imunização contra a hepatite B (BRASIL. Entre 16 a 58% das mulheres que sofrem violência sexual são infectadas por pelo menos uma DST. • Comunicantes sexuais de caso agudo de hepatite B. sendo crime previsto no artigo 213 do Código Penal Brasileiro. a idade e suscetibilidade da mulher. 40 ed. anal).7 Controle das DST em caso de estupro Define-se como estupro o ato de constranger a mulher de qualquer idade ou condição à conjunção carnal (relação com penetração vaginal. disponível nos CRIE. a condição himenal e a presença de DST ou úlcera genital prévia. o número de agressores. O estupro deve ser diferenciado do atentado violento ao pudor. Entre grávidas que sofrem abuso sexual a prevalência . incluindo o tipo de violência sofrida (vaginal. Sua real freqüência é desconhecida porque as vítimas hesitam em informar. 20 ed. medo. • Recém-nascidos de mãe sabidamente portadora do HBV.. desconhecimento sobre as leis e descrédito no sistema judicial (BRASIL. • Vítimas de exposição sangüínea (acidente pérfurocortante ou exposição de mucosas).9. que consiste em constranger alguém mediante violência ou grave ameaça a praticar ou permitir que se pratique ato libidinoso diverso da conjugação carnal. devido à humilhação. 2006). Ministério da Saúde.69 Imunoglobulina humana anti-hepatite tipo B A imunoglobulina humana anti-hepatite tipo B (IGHAB). é indicada para pessoas não vacinadas após exposição ao vírus da hepatite B nas seguintes situações: • Vítimas de abuso sexual. A prevalência de DST em situações de violência sexual pode ser elevada e o risco de infecção depende de diversas variáveis. por meio de violência ou grave ameaça. 2006). a ocorrência de traumatismos genitais.1. quando o caso fonte for portador do HBV ou de alto risco. 2. o que também é crime (artigo 214 do Código Penal Brasileiro).

quando não tratadas. deverá ser considerada a vacinação das crianças não vacinadas previamente) e imunoterapia passiva para hepatite B. 4 0 ed. 2006). O atendimento à vítima de estupro é complexo. HIV. 40 ed. sobre os efeitos físicos e psicológicos do abuso sexual e da necessidade de: • início da antibioticoprofilaxia para DST. • Vacina para hepatite B (como a vacinação para hepatite B já está incluída no calendário vacinal. no atendimento. crianças apresentam maior vulnerabilidade para as DST pela imaturidade anatômica e fisiológica da mucosa vaginal (BRASIL. independente da presença ou . 2006). adquiridas durante o estupro. Ministério da Saúde. necessitando idealmente de cuidados de uma equipe multidisciplinar familiarizada com casos similares. não sendo aceitável a recusa que pode gerar infração segundo o artigo 13.. 40 ed. incluindo profilaxia das DST. Ministério da Saúde. 2006). Cabe ao médico atender a vítima da violência. § 2º do Código Penal Brasileiro (qualquer conseqüência para saúde física e mental decorrente da omissão de atendimento) (BRASIL. Da mesma forma. podem levar a quadros de doença inflamatória pélvica e esterilidade... As vítimas de estupro necessitam de diagnóstico e acompanhamento cuidadosos para uma multiplicidade de condições clínicas. Está indicada nas situações de exposição com risco de transmissão.70 de DST é duas vezes maior quando comparada com grávidas não violentadas. dentre estas pode estar a infecção pelo HIV (BRASIL. Ministério da Saúde. • coleta imediata de sangue para sorologia para sífilis. A pessoa que sofreu abuso deve ser informada. QUADRO PROFILAXIA DAS DST NÃO VIRAIS EM ADULTOS E a) Profilaxias das DST não virais como medida de prevenção A profilaxia das DST não virais em mulheres que sofrem violência sexual visa os agentes mais prevalentes e de repercussão clínica relevante. • Profilaxia do HIV. As infecções de transmissão sexual. hepatite B e C (para conhecimento do estado sorológico no momento do atendimento para posterior comparação). e • agendamento do retorno para acompanhamento psicológico e realização de sorologia para sífilis (após 30 dias) e para o HIV (após no mínimo 3 meses).

. Diferente do que ocorre na profilaxia da infecção pelo HIV. masculino ou feminino.. dose única. A IGHAHB pode ser administrada até. O Programa Nacional de Imunizações e o Programa Nacional de Hepatites Virais recomendam o uso de IGHAHB em todos as mulheres em situação de violência sexual não imunizadas ou com esquema vacinal incompleto (BRASIL. Não deverão receber a imunoprofilaxia para hepatite B casos de violência sexual onde o indivíduo apresente exposição crônica e repetida com mesmo agressor. Não deverão receber a imunoprofilaxia para hepatite B os indivíduos cujo agressor seja sabidamente vacinado ou quando ocorrer uso de preservativo. a profilaxia do HIV é indicada quando ocorre . A IGHAHB está disponível nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais – CRIE (BRASIL. 2006). 20 ed. 2006). mas recomenda-se que seja realizada imediatamente. 40 ed. em função das condições de adesão da mulher. Ministério da Saúde. 20 ed. 14 dias após a violência sexual.. Ministério da Saúde. durante o crime sexual (BRASIL. Ministério da Saúde. embora se recomende o uso nas primeiras 48 horas. sempre que possível (BRASIL. Ministério da Saúde. 40 ed. Não deverão receber profilaxia de DST não virais casos de violência sexual em que ocorra exposição crônica e repetida ao agressor. b) Profilaxia da hepatite B como medida de prevenção Os indivíduos em situação de violência sexual também devem receber Imunoglobulina hiperimune para hepatite B (IGHAHB). c) Profilaxia da Infecção pelo HIV como medida de prevenção Nas situações em que o estado sorológico do agressor não pode ser conhecido em tempo elegível. situação freqüente em casos de violência sexual intrafamiliar. ou quando ocorrer uso de preservativo. 2006). Ministério da Saúde.. situação comum em violência sexual intrafamiliar.71 gravidade das lesões físicas e idade da mulher (BRASIL. 2006). a prevenção das DST não virais pode ser eventualmente postergada. masculino ou feminino. no máximo. 20 ed. durante todo o crime sexual.. 2006).

idealmente sob orientação de um infectologista. criança ou adolescente apresente exposição crônica e repetida ao mesmo agressor. associada ou não ao coito oral. Ministério da Saúde. 40 ed. mesmo após o início da quimioprofilaxia. A realização do teste anti-HIV no agressor deve ser feita sempre que possível. a presença de outra DST inflamatória ou ulcerativa. mesmo com ejaculação dentro da cavidade oral. 40 ed. Em situações de violência sexual com sexo oral exclusivo. e a exposição a secreções sexuais e/ou sangue. O grau de risco de contrair HIV depende da condição clínica e sorológica do agressor. Não devem receber a profilaxia para o HIV casos de violência sexual em que a mulher. Ministério da Saúde. 40 ed. Ministério da Saúde. tratando-se de penetração vaginal ou anal. Nos casos em que o agressor é sabidamente HIV positivo e está em tratamento com uso de anti-retrovirais. riscos e benefícios devem ser cuidadosamente ponderados e a decisão deve ser individualizada (BRASIL. Também o uso de teste rápido pode ser indicado para a tomada de decisão terapêutica. quando a condição sorológica do agressor é desconhecida. 2006).. A prescrição da quimioprofilaxia pós-exposição sexual ao HIV dependerá da avaliação cuidadosa pelo médico. Não deverá ser realizada a profilaxia para o HIV quando ocorrer uso de preservativo. do tipo de trauma e das freqüências das agressões. com o objetivo de suspender a medicação anti-retroviral se o resultado for negativo. 2006). Essa condição corresponde à maioria dos casos de violência sexual atendidos pelos serviços de saúde. a decisão de iniciar a profilaxia não deve se basear em critérios de gravidade. até o momento. . O tipo de exposição sexual (vaginal. mas o mesmo é identificável e existindo tempo para sua avaliação em menos de 72 horas da violência (BRASIL. Ministério da Saúde.. masculino ou feminino. não existem evidências para assegurar a indicação profilática dos anti-retrovirais. durante todo o crime sexual (BRASIL. são relevantes na avaliação do risco de transmissão do HIV (BRASIL. quanto ao tipo e grau de risco do ato violento.. 20 ed. Nesses casos. 2006).72 penetração vaginal e/ou anal. 2006). a decisão do tipo de combinação de medicamentos para profilaxia deverá ser individualizada. anal ou oral) o trauma associado. No entanto.

40 ed.. Ministério da Saúde. O esquema de primeira escolha geralmente combina três drogas. quando não diagnosticadas e tratadas a tempo. é importante não sentir vergonha de conversar com o profissional de saúde e tirar todas as dúvidas sobre sexo ou qualquer coisa diferente que esteja percebendo ou sentindo (BRASIL.. 2006). podem evoluir para complicações graves e até a morte (BRASIL. 2010 d) e também diminui o risco de transmissão do HIV/AIDS. 2010 a). Ministério da Saúde. 2010 a). O prazo de 72 horas não deve ser ultrapassado. Algumas DST. 40 ed. sem interrupção. Ministério da Saúde. do ponto de vista virológico. 2006).. Os medicamentos devem ser mantidos.10 Tratamento O tratamento das DST melhora a qualidade de vida do paciente e interrompe a cadeia de transmissão dessas doenças (BRASIL. 2006). Ministério da Saúde. mas a decisão final deve considerar a motivação e o desejo da mulher de se submeter ao tratamento (BRASIL. Deve-se tratar o mais precocemente possível os portadores sintomáticos e assintomáticos depois de diagnosticados. . Por isto.73 bem como o tempo decorrido até a chegada da pessoa agredida ao serviço de referência após o crime. 2006). Ministério da Saúde. por 4 semanas consecutivas (BRASIL. 2. A profilaxia do HIV. 4 0 ed. com limite de 72 horas da violência sexual. pela reconhecida maior eficácia na redução da carga viral plasmática (BRASIL. Ministério da Saúde.. Ministério da Saúde. Embora não existam esquemas definitivos de anti-retrovirais para essa finalidade. mesmo em situações de múltiplos e elevados fatores de risco e agravo de exposição ao HIV (BRASIL. com baixo potencial de toxicidade e boa perspectiva de adesão. 2010 d). Ministério da Saúde. pois as feridas nos órgãos genitais favorecem a entrada do HIV (BRASIL. 40 ed. geralmente o médico recomenda o emprego de drogas potentes. deve ser iniciada no menor prazo possível. com o uso de anti-retrovirais.

horário certo e até o fim. a . etc. o risco de infecção. a necessidade de atendimento em uma unidade de saúde e a importância de evitar contato sexual até que seja tratado também). 2007). mesmo que os sinais e sintomas tenham desaparecidos. só manter relações usando camisinha. são serviços de saúde que pertencem ao Sistema Único de Saúde (SUS) e que contam com profissionais de saúde capacitados na Abordagem Sindrômica das DST. parentes. É importante repassar a eles informações sobre as formas de contágio. ● Evitar relação sexual nesse período e se não der para evitar. ● Tomar o medicamento na quantidade certa. podendo ou não contar com estrutura laboratorial. mas algumas medidas durante o tratamento precisam ser tomadas: ● Faça apenas o tratamento indicado por um profissional de saúde. senão o problema continua.74 Com exceção á AIDS. não aceite indicações de vizinhos. E as mulheres. funcionários de farmácias. geralmente sem seqüelas se diagnosticadas e tratadas precocemente (SILVA. Cada DST tem um tipo de tratamento e só o profissional de saúde poderá avaliar e fazer essa indicação corretamente.11 Serviços que atendem casos de DST Os serviços que atendem DST. 2. 2010).. todas as DST podem ser praticamente curadas. para fazer a revisão. ● Peça também para fazer o teste da AIDS. É melhor sempre se prevenir (DOENÇAS: DST-DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS. promovendo a assistência clínica e o tratamento adequado. para fazerem também o exame preventivo do câncer de colo do útero. ● Retornar ao Serviço de Saúde quando terminar o tratamento. ● Os parceiros devem ser conscientizados (devem ser alertados sempre que uma DST é diagnosticada.

Construção da Cidadania. disponível em: http://www10.sp. atendimento e assistência á pessoas com DST entre outros.gov. Região onde atua: município de São Paulo Tipo de trabalho desenvolvido: A área temática de DST/AIDS da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo coordena. o fornecimento de preservativos e aconselhamento para testagem para o HIV (DOENÇAS: DST-DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS.br Público Alvo: a população de São Paulo. centros de apoio. em conjunto com as Coordenadorias de Saúde das Subprefeituras. Defesa dos Princípios do SUS – Sistema Único de .Fax: 11 3218-4198 E-mail: cmssp@prefeitura. a ação de 21 unidades especializadas localizadas nas várias regiões da cidade.75 prevenção.gov.sp. movimentos. pode-se consultar o Guia para o controle de DST/AIDS na Cidade de São Paulo Edição 2008. Ela tem como princípios a Defesa dos Direitos Civis e Humanos. organizações e institutos que trabalham o tema DST e prestam serviços como: orientações.pdf c) Secretaria Municipal da Saúde em conjunto com a Prefeitura Municipal de São Paulo: DST/AIDS Cidade de São Paulo Secretaria Municipal da Saúde Prefeitura Municipal de São Paulo Telefone: 3218-4000 E-mail: dstaids@prefeitura.br/dstaids/novo_site/images/fotos/Guia. projetos. o Respeito à Diversidade. núcleos. 4194 .gov. Para obter mais informações como endereços e tipo de atendimento. Para saber a localização mais próxima existe o Dique-Saúde 0800 61 1997. com destaque aos setores mais vulneráveis.prefeitura.br b) Organizações da Sociedade Civil: formadas por várias associações. 2010). a) Comissão Municipal de DST/AIDS – Conselho Municipal de Saúde: Tel: 11 3218-4193.

de segunda a sexta.CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento).CR (Centro de Referência). Todas as unidades desenvolvem ações de prevenção. .AE (Ambulatório de Especialidades).SAE (Serviço de Assistência Especializada). Eles são formados pelos: . Universidades e Empresas no enfrentamento Há também os Serviços Municipais de DST/AIDS Os serviços municipais de saúde especializados em DST incluindo HIV e AIDS atendem gratuitamente.CPA (Centro de Prevenção e Assistência) e . . Podem ser contactados da seguinte forma: CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento): CTA Centro: Telefone: (11) 3241-2224 CTA Santo Amaro: Telefone: (11) 5686-9960 CTA São Miguel: Telefone: (11) 6297-6052 CTA Cidade Tiradentes: Telefone: (11) 6964-0784 CTA Pirituba: Telefone: (11) 3978-1213 SAE (Serviço de Assistência Especializada): Sae Campos Elíseos: Telefone: (11) 222-3066 Sae Santana: Telefone: (11) 6950-9217 Sae Cidade Dutra: Telefone: (11) 5666-8301 Sae Jardim Mitsutani: Telefone: (11) 5841-9020 Sae Ipiranga:Telefone: (11) 273-4592 Sae Cidade Lider Ii: Telefone: (11) 6748-0255 Sae São Miguel: Telefone: (11) 6621.0217 . Os serviços municipais de saúde de São Paulo são integrados ao SUS.76 Saúde e Parceria com as ONGs. com seringas.distribuem camisinhas. materiais educativos e kits de redução de danos para usuários de drogas injetáveis. . das 7 às 19 horas. agulhas e outros insumos de prevenção às DST/AIDS. Organizações da Sociedade Civil.

gestantes e idosos Condições de acesso: Não precisa ter encaminhamento. exames e consulta médica.com.77 Sae Sapopemba: Telefone: (11) 6704-0833 Sae Butantã: Telefone: (11) 3735-1190 CR (Centro de Referência): CR Nossa Senhora do Ó: (11) Telefone:3975-9473 CR Santo Amaro: Telefone: (11) 5686-1613 CR Penha: Telefone: (11) 295-0391 CPA (Centro de Prevenção e Assistência): CPA Lapa: Telefone: (11) 3832-2386 AE (Ambulatório de Especialidades): AE Jabaquara: Telefone: (11) 5577-9143 AE Vila Prudente: Telefone: (11) 6211-5763 d) Atendimento Ambulatorial: Hospitais Hospital do Servidor Público Estadual Endereço: Rua Pedro de Toledo. homem.br População atendida: Mulher. 1800 Bairro: Vila Clementino CEP: 04039-000 Telefone: (11) 5088-8000 Fax: (11) 5088-8224 E-mail: mihspesp@terra. mas precisa ser servidor público estadual Tipo de atendimento oferecido: Hospital dia. pode vir de qualquer bairro da cidade. crianças. dispensação de antiretroviral. .

Hospital Heliópolis Endereço: Av. exames e consulta médica. dispensação de antiretroviral. dispensação de antiretroviral e consulta médica Hospital Ipiranga-Ambulatório de MI (Moléstias Infecciosas) Endereço: Av. gestante e idosos Condições de acesso: Precisa ter encaminhamento e atende pessoas de qualquer bairro da cidade. pode viver em qualquer bairro da cidade Tipo de atendimento oferecido: Hospital dia. Almirante Delamare. Nazaré. homem. Tipo de atendimento oferecido: Consulta médica. 28 Bairro: Ipiranga CEP: 04262-000 Telefone: (11) 6215-7799 Fax: (11) 6215-6449 População atendida: mulher. 60 Bairro: Aclimação CEP: 01532-900 Telefone: 11 3208-2211 População atendida: Adultos com HIV/AIDS Condições de acesso: é exclusivo para servidor público municipal Tipo de atendimento oferecido: hospital dia. dispensação de antiretroviral e todos exames . 1534 Bairro: Sacomã CEP: 04230-001 Telefone: (11) 6914-8611 Fax: (11) 274-7646/6215-4337 População atendida: Adultos.78 Hospital do Servidor Público Municipal Endereço: Rua Castro Alves. homem e mulher Condições de acesso: Não precisa ter encaminhamento.

Outros orgãos governamentais e universitários: Núcleo de Atendimento à Gestante Patológica HIV/AIDS Endereço: Rua dos Otonis. Arnaldo.unifesp.br População atendida: Adultos com HIV/AIDS Condições de acesso: Se a pessoa tiver teste de HIV/AIDS positivo é atendido. e pode vir de qualquer bairro da cidade. exames e consulta médica.com.br Home-page: www.Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Unidade Ambulatorial de Moléstias Infecciosas e Parasitárias Endereço: Rua Loefgreen. Dr. 1588 Bairro: Vila Clementino CEP: 04040-002 Telefone: 11 5081-2821/5573-5081 Fax: 11 5081-2821/5573-5081 E-mail: ccdi@vento.79 Hospital São Paulo . dispensação de antiretroviral. 165 Bairro: Cerqueira César . Tipo de atendimento oferecido: Hospital dia. 545 Bairro: Vila Clementino CEP: 04025-001 Telefone: (11) 5571-5971 Centro de Atendimento de Infectologia Pediátrica Endereço: Rua Pedro de Toledo. 924 Bairro: Vila Clementino CEP: 04039-002 Telefone: (11) 5085-0229 Instituto de Infectologia Emílio Ribas Endereço: Av.

Atende preferencialmente pacientes de sua região.br Home-page: www. dispensação de antiretroviral e outros medicamentos.gov.emilioribas. faz exames e consultas médicas Irmandade Santa Casa de Misericórdia de São Paulo Endereço: Rua Cesário Motta Junior.icr. Dr.sp.br População alvo: Atendimento para crianças Tipo de atendimento oferecido: Consulta e ambulatório . homens. Para atendimento de emergência.hcnet. Tipo de atendimento oferecido: Hospital dia.FMUSP Endereço: Av. como Aids.org. 112 Bairro: Vila Buarque CEP: 01277-900 Telefone: (011) 3226-7040 Fax: (011) 3331-6279 E-mail: dir. não.br Instituto da Criança do Hospital das Clínicas .br População atendida: Mulheres.tecnica@santacasasp. já que o atendimento a algumas doenças.com. Pode atender a pacientes de todas as regiões do Estado em caso de epidemias. crianças. é hoje descentralizado.usp. gestantes e idosos portadores de doenças infecto-contagiosas Condições de acesso: É necessário encaminhamento e agendamento prévio para consultas de rotina. 647 Bairro: Cerqueira César CEP: 05403-900 Telefone: 11 3069-8500 Fax: 11 3069-8503 Home-page: www.80 CEP: 01246-900 Telefone: 11 3896-1200 Fax: 11 3088-3954 E-mail: expedientetecnica@ig. Enéias de Carvalho Aguiar.

3 METODOLOGIA Será feito uma campanha para promoção informando sobre as DST cujo conteúdo será baseado no referencial teórico deste presente trabalho. Durante a apresentação da campanha. 177 Bairro: Itaquera CEP: 08270-070 Telefone: (011) 6170-6181 E-mail: admsm@hospsantamarcelina. baseados em estudos bibliográficos. estas tem pouco ou nenhum controle quanto às decisões relativas à quando e sob quais condições ter relação sexual. com a finalidade de promover a prevenção através de sensibilização quanto à importância do uso de preservativos. menos ainda. também serão distribuídos kits contendo folhetos explicativos. Faz testagem e tratamento. 4. Na maioria das sociedades. mais independência e autonomia. DISCUSSÃO Segundo os autores FAÚNDES (1994). Acreditamos ser um fato a ser discutido.br População alvo: Atendimento para adultos Tipo de atendimento oferecido: Encaminhamento para ambulatório de moléstias infecciosas. já que a mulher sempre brigou para ter seus direitos. porque surge um questionamento de quanto a mulher têm conquistado de direitos em uma relação á . com relação ao uso do condom pelo parceiro e. informativos das principais DST e preservativos. e ultimamente vêm conquistando postos antes ocupados apenas por homens. VAN DAM (1995) e MACDONALD (1996). das condutas sexuais dele.com.81 Casa de Saúde Santa Marcelina Endereço: Rua Santa Marcelina. culturais e socioeconômicos contribuem para a alta incidência e prevalência de DST e de infecção pelo HIV em mulheres. Isso chama a atenção. Fatores biológicos.

bem como o público alvo dessas intervenções. geralmente. A abordagem em conjunto é endossada pela OMS. seja feminina ou masculina. por contato sexual sem o uso consistente da camisinha. que define DST como doenças causadas por vários tipos de agentes. por funcionários de laboratórios e hospitais. porque a DST é a abreviação de Doenças Sexualmente Transmissíveis. através do conteúdo deste trabalho.82 dois. utilizamos neste trabalho. órgãos ou tecidos doados e através da mãe infectada ao feto ou durante o parto. produtos derivados do sangue. transfusão sanguínea. periodicamente. a definição fornecida pelo Ministério da Saúde (2010). com uma pessoa que esteja infectada e. já que existem outras vias de transmissão como sangue. É interessante observar isto. (2010 a). bolhas ou verrugas. apesar das críticas quanto á abordagem da AIDS no elenco das DST. transmitidas. Pelo que os autores relatam. outras DST também podem ser transmitidas por vias não sexuais como compartilhamento de toalhas e sabonetes. principalmente. se manifestam por meio de feridas. mas tem como ser imunizado na rede de saúde particular . Ministério da Saúde. apesar da sensação de melhora. percebe-se que a mulher ainda é submissa e dominada. corrimentos. o Brasil optou por abordá-las em conjunto. avalia. Outras têm tratamento mais difícil ou podem persistir ativas. Um comitê de Acompanhamento da Vacina. Algumas DST são de fácil tratamento e rápida resolução. considerando que o principal modo de transmissão do vírus HIV é sexual e muitas das medidas para prevenção da transmissão sexual do HIV e de DST são as mesmas. De acordo com o Ministério da Saúde. acidentes durante manipulação de instrumentos perfurocortantes. Outro ponto a ser discutido é sobre as vacinas anti-HPV Há vacinas também anti HPV. e precisa tomar cuidado para não acreditar que este grupo de doenças é formado apenas por doenças que têm o contágio apenas por relação sexual. na sua vida afetiva. Para evitar confusões. compartilhamento de seringas por usuários de drogas injetáveis. ou seja. se é oportuno recomendar a vacinação em larga escala no país. Vimos. o comitê decidiu pela não incorporação da vacina contra o HPV no SUS (BRASIL. 2010 d). não têm suas vontades e limites respeitados. que além do HIV. Até o momento. formado por representantes de diversas instituições ligadas à Saúde.

como trabalhadores do sexo. além da descoberta da pílula sexual e liberdade sexual entre os jovens como por exemplo: . resultando em aumento da resistência antimicrobiana e podendo levar a quadros subclinicos que os mantém transmissores. voltam a aumentar os números de casos de DST em todo mundo.estudos vem demonstrando também que além da idade cada vez mais precoce da primeira relação sexual.apesar das diversas leis que há relacionadas á DST. facilitam o contágio do HIV. A maioria dos estudos encontrados se concentram em grupos de alto risco. . Existem diversos fatores que podem ter contribuído para o aumento das DST entre a população. . para este item e de grande relevância seria a erotização propagada de forma descontrolada e sem nenhum critério pelos meio de comunicação e em nenhum momento há uma estimulação para a práticas mais seguras. sociais e econômicas. inclusive AIDS. diminuiu-se os casos de DST. Na década de 40. como o uso de preservativos. Nos anos 60/70. tendo relações sexuais com número cada vez maior de parceiros e elevando o número absoluto de relações sexuais. que foi demonstrado no trabalhos. devido ao advento da penicilina. com a descoberta da pílula anticoncepcional e com a maior liberdade sexual entre os jovens.83 5. Além disso. os portadores de DST continuam sendo discriminados nos vários níveis do sistema de saúde. discriminam as . O atendimento é muitas vezes inadequado. Essas situações ferem a confidencialidade.poucas referências de base populacional sobre DST foram identificadas. e/ou em clinicas especializadas em DST. Estas doenças deixaram de receber a devida atenção. para assegurar que a pessoa portadora de DST. Um dos fatores.a grande quantidade de indivíduos que se automedica com tratamento inadequados. resultando em segregação e exposição a situações de constrangimento. as DSTS voltaram a ser motivo de atenção em todo o planeta devido facilitar o contágio do HIV. na década de 80. as pessoas vêm aumentando a sua atividade sexual. mas somente após a Epidemia da AIDS. CONSIDERAÇÕES FINAIS As DST estão entre os problemas de Saúde Pública mais comuns e representam grave problema de saúde pública por suas repercussões medicas. .

abortamento espontâneo. . e a impossibilidade de realizar exames para um diagnóstico conclusivo logo na primeira consulta. A prevenção. São doenças de difícil detecção.Outro problema também é a falta de medicamento nas Unidade de Saúde. sexo ou situação econômica. contribuindo. . assim. estimulando para promover essas mudanças em toda a população sexualmente ativa. É evidente a necessidade de se trabalhar com a população á respeito das DSTs. muitas vezes.84 pessoas com DST e contribuem para afastá-las dos serviços de saúde.prevenir novas ocorrências: por meio de aconselhamento específico. para a adoção de práticas sexuais mais seguras.interromper a cadeia de transmissão: atuando objetivamente nos “elos” que formam essa corrente. tratando os infectados. . estratégia básica para o controle da transmissão das DST se baseia na constante informação para a população geral e nas atividades educativas que priorizem: a percepção de risco. favorecendo a compreensão e o seguimento das prescrições. durante o qual as orientações sejam discutidas conjuntamente. tais como infertilidade. detectando precocemente os casos. uma vez que acarretam poucos sintomas visíveis e. e seus parceiros (para evitar a reinfecção). orientando. Há ainda evidencias de associação entre a infecção por Papilomavirus Humano (HPV) e maior risco de ter câncer de colo do útero. O aumento da infecção pelo HIV entre as mulheres. as mudanças no comportamento sexual e a promoção e adoção de medidas preventivas com ênfase na utilização adequada do preservativo. se não tratadas. adequada e oportunamente. contribuindo para o aumento da transmissão. apresentam-se de forma assintomática. independente da idade. ou seja. informando. malformações congênitas e até a morte. a gravidade das conseqüências das DST para elas (as Doenças Sexualmente Transmissíveis são responsáveis em grande parte por infertilidade e óbito femininos em países em desenvolvimento) e sua freqüente ocorrência entre monogâmicas mostram a necessidade de uma abordagem dessas questões sob a perspectiva de gênero. Atualmente as doenças sexualmente transmissíveis (DST) estão entre as cinco principais causas de procura por serviço de saúde e podem provocar sérias complicações. de forma mais efetiva. As medidas de controle adequadas são as que visam: . como é recomendado.

por funcionários de laboratórios e hospitais também. com profissionais preparados. pelas suas caracterísitcas. O primeiro. O controle das DST é possível. A assistência às DST deve ser realizada de forma integrada pelo Programa de Saúde da Família. vulnerabilidade às ações e factibilidade de controle. geralmente sem seqüelas se diagnosticadas e tratadas precocemente portanto. a curto prazo.85 Algumas DST podem também ser transmitidas por vias não sexuais como compartilhamento de toalhas e sabonetes. à medida que se consiga conscientizar os pacientes da necessidade de procurar rapidamente um serviço de saúde para tratarse adequadamente e a seus parceiros sexuais. Unidades Básicas de Saúde (UBS) e serviços de referência regionalizados. a utilização de preservativos. por suas características epidemiológicas. acidentes durante manipulação de instrumentos perfurocortantes. como por exemplo. romper a cadeia de transmissão dessas doenças e consequentemente da infecção pelo HIV. e que tenham a garantia de um fluxo contínuo de medicamentos e preservativos. todas as DST podem ser praticamente curadas. mas também para o adequado acolhimento e aconselhamento dos portadores de DST e de seus parceiros sexuais. se logrará. as DST devem ser priorizadas. em todas as relações sexuais. compartilhamento de seringas por usuários de drogas injetáveis. ou seja. unidades de saúde acessíveis para pronto atendimento. transcendência. As DST. são agravos vulneráveis a ações de prevenção primária. desde que existam bons programas preventivos e uma rede de serviços básicos resolutivos. não só para o diagnóstico e tratamento. . Com exceção á AIDS. por funcionários de laboratórios e hospitais por isto também é importante fazer promocão para prevenção de contágio por compartilhamento de seringas por usuários de drogas injetáveis e para evitar contágio por acidentes durante manipulação de instrumentos perfurocortantes. Pela sua magnitude. enquanto as UBS e os últimos devem exercer um papel fundamental no tratamento adequado e seguimento clínico. de forma adequada. além de incentivo á prática de relação sexual com preservativo. pode facilitar o acesso ao cuidado e a busca de parceiros sexuais. transfusão sanguínea.

na disponibilização de insumos laboratoriais.86 Deve haver participação e controle de ações pelas organizações da sociedade civil no acesso aos serviços. no cumprimento da pactuação para aquisição de medicamentos. na disponibilidade de preservativos e outros insumos .

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