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CARTA PASTORAL

Bem-Aventurado aquele que crê

(Beatus qui credit)

Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues

Arcebispo Metropolitano

Arquidiocese de Sorocaba/SP

2012

DOM EDUARDO BENES DE SALES RODRIGUES

BEM-AVENTURADO AQUELE QUE CRÊ

CARTA PASTORAL

1ª Edição

Sorocaba|SP

2012

CRÉDITOS

Comissão Editorial

D. Eduardo Benes de Sales Rodrigues

– doutor honoris causa

Pe. Rodolfo Gasparini Morbiolo

– mestre em teologia

Pe. Manoel César de Camargo Júnior

– especialista em liturgia

Pe. André Luiz Sueiro – mestrando em filosofia Pe. Ricardo Cirino Vaz

– especializando em saúde mental

Me. Alex Villas Boas Oliveira Mariano

– doutorando em teologia

Edição

Pe. Me. Rodolfo Gasparini Morbiolo

Supervisão Teológica

Me. Alex Villas Boas Oliveira Mariano

Revisão Ortográfica

Dr. Luiz Fernando Fonseca Silveira

- doutor em língua portuguesa Capa William Pires Corrêa Diagramação e Arte Final JT Comunicação e Marketing Impressão Gráfica e Editora Paratodos

R696b

Rodrigues, Dom Eduardo Benes de Sales. Bem-aventurado aquele que crê / Carta Pastoral. Sorocaba/SP: Eduardo Benes de Sales Rodrigues, 2012.

24p.

ISBN - 978-85-914535-0-4

1. Ano da Fé. 2. Igreja Católica. I. Título.

CDD: 230

SUMÁRIO

Carta Pastoral Beatus qui credit

Sobre o Ano da Fé 2012-2013

| 07

Atividades Sugeridas

| 19

Referências Documentais

| 21

Abreviaturas

PF

Porta Fidei – convocação papal para o Ano da Fé

PFn

Nota pastoral sobre o Ano da Fé

DGAE

Diretrizes Gerais da Igreja do Brasil

CARTA PASTORAL

Beatus qui credit

Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues

Arcebispo Metropolitano de Sorocaba

Aos Caríssimos Irmãos e Irmãs, Sacerdotes e Leigos, Religiosos e Consagrados, Povo Fiel, Por ocasião da convocação papal para o Ano da Fé 2012-2013

Introdução Beatus qui credit – Bem-aventurado aquele que crê (cf. Lc 2,46). Atendendo ao que sugere a Congregação para a Doutrina da Fé: “Cada Bispo poderá dedicar uma Carta pastoral ao tema da fé, recordando a importância do Concílio Vaticano II e do Catecismo da Igreja Católica levando em conta as circunstâncias pastorais específicas da porção de

fiéis a ele confiada” 1 , dirijo-me a você, irmão (ã) na fé, para exortá-lo

a que, em comunhão com toda a Igreja, presente no mundo inteiro,

viva intensamente esse tempo de graça a nós proposto pelo sucessor de Pedro. É este o apelo do Papa Bento XVI a nós bispos: “Nesta feliz ocorrência, pretendo convidar os Irmãos Bispos de todo o mundo para que se unam ao sucessor de Pedro, no tempo de graça espiritual que o Senhor nos oferece, a fim de comemorar o dom precioso da fé” 2 . Lembro a propósito a profissão de Fé de Pedro sobre a qual é construída a Igreja: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo” (cf. Mt 16,16). A profissão de fé de Pedro – a pedra sobre a qual a Igreja é construída no decurso da história - continua a chegar-nos, em seus desdobramentos, pela palavra de seu sucessor, o Papa Bento XVI. Sua orientação coloca- nos no caminho que o próprio Senhor da Igreja quer que percorramos conforme a palavra do próprio Jesus: “Tudo o que ligares na terra será

ligado no céu” (cf. Mt 16,19). Queremos de coração, estar ligados, às orientações do sucessor de Pedro, certos de que nelas se manifesta

a vontade do Pai que, pelo Espírito de Amor, revela o Caminho que conduz à Verdade e à Vida, que é Jesus.

1 Cf. PFn, III:7. 2 Cf. PF, 8.

O Ano da Fé deverá ter precedência sobre todas as outras iniciativas de nossa Igreja bem como deverá iluminá-las e lhes dar seu sentido maior. A proposta do Santo Padre Bento XVI vem ao encontro do caminho que a Igreja, desde o pontificado de João Paulo II, vem

fazendo. O Documento de Aparecida, o próximo Sínodo sobre a nova evangelização, as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no

Brasil, insistem no encontro com Cristo, como o fundamento e a razão de ser da Igreja.

As Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil

ao estabelecer as cinco urgências explicitam os caminhos a serem percorridos para que Cristo, luz dos povos, seja fonte de vida para todos. A Iniciação à Vida Cristã, como desdobramento do Querigma, é

o coração das diretrizes uma vez que por ela o cristão se torna adulto em Cristo. O Ano da Fé deve ser considerado um tempo de retomar

todo o processo de iniciação à vida cristã para dar maior consistência

e coerência de vida a todos os fiéis católicos. É para nós, um especial momento de graça, uma vez que estamos procurando assimilar as Diretrizes da Igreja no Brasil. Viveremos o Ano da Fé no esforço de

concretizar em nossas comunidades a segunda urgência das Diretrizes 3 .

O Ano da Fé, abraçado por todos, será o nosso projeto á partir de 11 de

outubro do presente ano. À luz do Concílio Vaticano II, tendo na Palavra

de Deus e na Profissão de Fé a síntese das verdades reveladas, queremos na catequese, na liturgia e em outras formas de oração, renovar nossa vivência da fé e nossa adesão a Jesus Cristo, tornando-nos mais

perfeitamente a Igreja tal como o Concílio Vaticano II no-la apresenta. A reflexão que estou a propor nessas páginas, bem como as orientações para bem viver o Ano da Fé, quer ser um estímulo e veemente apelo

a que todos os fiéis se dediquem na oração e na reflexão a responder

generosamente ao apelo do Santo Padre, por meio de quem Nosso Senhor pelo Espírito fala à sua Igreja. O texto abaixo contém breves citações da Carta Apostólica Porta Fidei acompanhadas de pequenos comentários e algumas iniciativas e propostas a serem assumidas por todos nós.

3 Cf. DGAE, 44-55.

Por que um Ano da Fé?

O Santo Padre coloca a razão principal para o Ano da Fé, que

nasce da percepção de que há uma crise de fé em nosso mundo que atinge também, e fortemente, os cristãos. Essa crise se relaciona com a profunda mudança sociocultural que atinge a sociedade inteira, em todo o mundo. E assim vem descrita: “Sucede não poucas vezes que os cristãos sintam maior preocupação com as consequências sociais,

culturais e políticas da fé do que com a própria fé, considerando esta como um pressuposto óbvio da sua vida diária. Ora, tal pressuposto, não só deixou de existir, mas frequentemente acaba até negado. Enquanto, no passado, era possível reconhecer um tecido cultural unitário, amplamente compartilhado no seu apelo aos conteúdos da fé e aos valores por ela inspirados, hoje parece que já não é assim em grandes setores da sociedade devido a uma profunda crise de fé que atingiu muitas pessoas” 4 .

A crise de fé acontece em razão das mudanças culturais que

geram modos de pensar e de se comportar diferentes e, até mesmo divergentes 5 . 1. Os filhos, mais numerosos que hoje, viviam a maior parte do tempo sob a influência da família e todas as famílias eram mais ou menos iguais no que diz respeito à religião e aos costumes. Hoje os filhos passam a maior parte do tempo sob a influência de outras instâncias e têm contato permanente com formas de pensar e de viver diferentes daquelas de sua própria família. Tornou-se frequente que pais cristãos se queixem de que seus filhos não os acompanham mais na prática da própria religião. Há espaços sociais e culturais que estão absolutamente fora do controle familiar onde alternativas outras, muitas vezes opostas, de como viver exercem forte influência nas novas gerações 6 . Acrescente-se a essa mudança o espaço das redes sociais onde tudo se discute e onde se comunicam as mais variadas experiências e onde se contestam os valores tradicionais que teceram as relações sociais no regime de cristandade.

4 Cf. PF, 2. 5 Cf. DGAE, 17-24.

2.

A industrialização, com o acelerado e desordenado processo

de urbanização, quebrou a unidade cultural religiosa que caracterizava

a sociedade de tipo rural. A migração para os centros urbanos trouxe insegurança para a população acostumada ao ritmo lento da vida rural, gerando também os problemas de desemprego e os bolsões de

pobreza com consequente desestruturação da vida familiar, propiciando o desenvolvimento do comércio das drogas, verdadeiro flagelo social. Nesse contexto, a perda das raízes cristãs-católicas por parte de muitos e a necessidade de encontrar solução para as angústias emergentes de um contexto de anomia sociocultural abriram espaço para as mais variadas propostas religiosas vistas como resposta para as próprias aflições. Multiplicaram-se os grupos religiosos onde de certa forma as pessoas, nessa situação, encontram abrigo, segurança e orientação para suas vidas.

3. Uma cultura global, gestada pelo sonho de uma felicidade

fácil, a ser concretizada pelo acesso aos bens de consumo, e um conceito de liberdade como possibilidade de satisfazer a todos os desejos,

substitui a noção de ideal que exija dedicação, espírito de sacrifício e

a procura de uma vida virtuosa bem como o empenho na construção

de um mundo melhor para todos. Nesse contexto se tornam difíceis as opções definitivas de entrega da própria vida a uma causa ou a um

ideal onde o bem do outro ou o bem de todos seja a razão do próprio

viver. A felicidade não está em encontrar uma verdade que dê sentido

à totalidade da existência e, portanto, ao viver e ao morrer; a felicidade consiste em viver com intensidade prazerosa o momento. Dispensa- se a questão do sentido e fica abolido qualquer tipo de escatologia, individual ou coletiva.

4. Nesse contexto o Santo Padre chama a atenção para o fato de

que muitos cristãos se preocupam mais com as consequências sociais,

culturais e políticas da fé do que com a própria fé, considerando esta como um pressuposto óbvio da sua vida diária. É preciso observar que

o Santo Padre não nega a importância dessa preocupação que, aliás,

6 Cf. DGAE, 39.

na América Latina, ocupou amplo espaço no pensamento teológico e

exerceu forte influência em nossas práticas pastorais. Sua constatação

é que chegamos a um ponto em que o pressuposto – a fé viva – que

deve sustentar a prática cristã no mundo da cultura e da política vem se esvaziando progressivamente. De fato, fazemos o discurso sobre a necessidade de uma cultura onde se valorize a dignidade da pessoa e de uma prática política que valorize a vida e procure o bem comum e nos deparamos com uma prática completamente alheia aos princípios do Evangelho. Não temos cristãos suficientemente formados e comprometidos com o Evangelho no mundo da profissão, das artes, das ciências e da política.

A Urgência de uma Nova Evangelização A Igreja vem insistindo com veemência na urgência de repropor

o Evangelho – a Pessoa e o Mistério de Cristo 7 – como resposta ao

anseio de felicidade que habita o coração do ser humano. Assim se exprime o Santo Padre: “Queremos celebrar este Ano de forma digna e

fecunda. Deverá intensificar-se a reflexão sobre a fé, para ajudar a todos os crentes em Cristo a tornarem-se mais conscientes e a revigorarem

a sua adesão ao Evangelho, sobretudo num momento de profunda

mudança como este que a humanidade está a viver” 8 . Não obstante as mudanças culturais esboçadas acima o anseio de felicidade é no coração humano um grito pelo encontro com Deus: “não podemos esquecer que, no nosso contexto cultural, há muitas pessoas que, embora não reconhecendo em si mesmas o dom da fé, todavia vivem uma busca sincera do sentido último e da verdade definitiva acerca da sua existência e do mundo. Esta busca é um verdadeiro preâmbulo da fé, porque move as pessoas pela estrada que conduz ao mistério de Deus. De fato, a própria razão do homem traz inscrita em si mesma a exigência daquilo que vale e permanece sempre. Esta exigência constitui um convite permanente, inscrito indelevelmente no coração humano, para caminhar ao encontro d’Aquele que não teríamos procurado se Ele

7 Cf. DGAE, 4-16. 8 Cf. PF, 8.

mesmo não tivesse já vindo ao nosso encontro. É precisamente a este encontro que nos convida e abre plenamente a fé” 9 .

A Igreja está sendo convidada, inclusive para que possa estar

presente de forma significativa na construção da história, a retomar esta que é sua missão essencial: anunciar Jesus Cristo e, de tal modo torná-lo conhecido e amado que sua presença fecunde com o amor de Deus a convivência entre os seres humanos. 10

O Ano da Fé: o Concílio e o Catecismo da Igreja Católica Segundo a orientação do Santo Padre, este Ano deverá ser um tempo de oração e de aprofundamento dos ensinamentos do Concílio

Vaticano II bem como do Catecismo da Igreja Católica: O Ano da Fé

“terá início a 11 de Outubro de 2012, no cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II, e terminará na Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, a 24 de Novembro de 2013. Na referida data de 11 de Outubro de 2012, completar-se-ão também vinte anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica, texto promulgado pelo

meu Predecessor, o Beato Papa João Paulo II, com o objetivo de ilustrar a todos os fiéis a força e a beleza da fé” 11 .

O Santo Padre exorta-nos: “Desejamos que este Ano suscite,

em cada crente, o anseio de confessar a fé plenamente e com renovada convicção, com confiança e esperança. Será uma ocasião propícia também para intensificar a celebração da fé na liturgia, particularmente

na Eucaristia, que é a meta para a qual se encaminha a ação da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua força. Simultaneamente esperamos

que o testemunho de vida dos crentes cresça na sua credibilidade. Descobrir novamente os conteúdos da fé professada, celebrada, vivida e rezada e refletir sobre o próprio ato com que se crê, é um compromisso que cada crente deve assumir, sobretudo neste Ano. Não foi sem razão que, nos primeiros séculos, os cristãos eram obrigados a aprender de memória o Credo. É que este lhes servia de oração diária, para não esquecerem o compromisso assumido com o Batismo. Recorda-o, com

12

9 Cf. PF, 10.

10 Cf. DGAE, 30-36.

11 Cf. PF, 4.

palavras densas de significado, Santo Agostinho quando afirma numa homilia sobre a redditio symboli (a entrega do Credo): O símbolo do

santo mistério, que recebestes todos juntos e que hoje proferistes um a um, reúne as palavras sobre as quais está edificada com solidez a fé da Igreja, nossa Mãe, apoiada no alicerce seguro que é Cristo Senhor. E vós recebeste-lo e proferiste-lo, mas deveis tê-lo sempre presente na mente e no coração, deveis repeti-lo nos vossos leitos, pensar nele nas praças e não o esquecer durante as refeições; e, mesmo quando o corpo dorme, o vosso coração continue de vigília por ele” 12 .

Retomar os conteúdos essenciais da Fé, no espírito do Concílio Vaticano II, conforme no-lo propõe o Catecismo da Igreja Católica, é a tarefa que nos incumbe nesse Ano de Graça que estamos iniciando 13 . O Santo Padre com lucidez mostra-nos a profunda relação entre os dois aspectos da fé: a fé como adesão inteligente às verdades reveladas e a fé como encontro pessoal com Cristo e cita São Paulo:

“Queria agora delinear um percurso que ajude a compreender de maneira mais profunda os conteúdos da fé e, juntamente com eles, também o ato pelo qual decidimos, com plena liberdade, entregar-nos totalmente a Deus. De fato, existe uma unidade profunda entre o ato com que se crê e os conteúdos a que damos o nosso assentimento. O apóstolo Paulo permite entrar dentro desta realidade quando escreve:

Acredita-se com o coração e, com a boca, faz-se a profissão

de fé (Cf. Rm 10, 10). O coração indica que o primeiro ato, pelo qual se chega à fé, é dom de Deus e ação da graça que age e transforma a pessoa até ao mais íntimo dela mesma” 14 . A Fé é encontro com a pessoa de Cristo. Os conteúdos da fé - as verdades reveladas - explicitam para a inteligência do fiel a riqueza inesgotável desse encontro e permitem professá-lo publicamente em comunidade. O conhecimento da fé deve ser fruto do desejo de entrar, com o coração, mais profundamente no mistério de Cristo e deve alimentar esse encontro. Donde ser o Ano da Fé um tempo de oração, de celebração e de crescimento na vivência e na inteligência

12 Cf. PF, 9. 13 Cf. DGAE, 41-42. 14 Cf. PF, 10.

13

da própria fé, de modo a nos tornarmos sempre mais capazes de dar aos irmãos de humanidade as razões de nossa esperança Assim nos ensina o Santo Padre: “Como se pode notar, o conhecimento dos conteúdos de fé é essencial para se dar o próprio assentimento, isto é, para aderir plenamente com a inteligência e a vontade a quanto é proposto pela Igreja. O conhecimento da fé introduz na totalidade do mistério salvífico revelado por Deus. Por isso, o assentimento prestado implica que, quando se acredita, se aceita livremente todo o mistério da fé, porque o garante da sua verdade é o próprio Deus, que Se revela e permite conhecer o seu mistério de amor. Por outro lado, não podemos esquecer que, no nosso contexto cultural, há muitas pessoas que, embora não reconhecendo em si mesmas o dom da fé, todavia vivem uma busca sincera do sentido último e da verdade definitiva acerca da sua existência e do mundo. Esta busca é um verdadeiro preâmbulo da fé, porque move as pessoas pela estrada que conduz ao mistério de Deus. De fato, a própria razão do homem traz inscrita em si mesma a

exigência daquilo que vale e permanece sempre. Esta exigência constitui

um convite permanente, inscrito indelevelmente no coração humano, para caminhar ao encontro d’Aquele que não teríamos procurado se Ele mesmo não tivesse já vindo ao nosso encontro. É precisamente a este encontro que nos convida e abre plenamente a fé” 15 . Dar as razões de nossa esperança para, na caridade, propiciar, aos que buscam, o encontro do Caminho, da Verdade e da Vida (cf. Jo 14,6), salienta a importância de aprofundar os conteúdos do Catecismo

da Igreja Católica, como salienta o Santo Padre: “o Catecismo da Igreja

Católica apresenta o desenvolvimento da fé até chegar aos grandes temas da vida diária. Repassando as páginas, descobre-se que o que ali se apresenta não é uma teoria, mas o encontro com uma Pessoa que vive na Igreja. Na verdade, a seguir à profissão de fé, vem a explicação da vida sacramental, na qual Cristo está presente e operante, continuando a construir a sua Igreja. Sem a liturgia e os sacramentos, a profissão de fé não seria eficaz, porque faltaria a graça que sustenta o testemunho

15 Cf. PF, 10.

dos cristãos. Na mesma linha, a doutrina do Catecismo sobre a vida moral adquire todo o seu significado, se for colocada em relação com a fé, a liturgia e a oração” 16 . “Será decisivo repassar, durante este Ano, a história da nossa fé, que faz ver o mistério insondável da santidade entrelaçada com o pecado. Enquanto a primeira põe em evidência a grande contribuição que homens e mulheres prestaram para o crescimento e o progresso da comunidade com o testemunho da sua vida, o segundo deve provocar em todos, uma sincera e contínua obra de conversão para experimentar a misericórdia do Pai, que vem ao encontro de todos” 17 .

O Olhar Fixo em Jesus Cristo e as Testemunhas da Fé 18 Ao longo deste tempo, manteremos o olhar fixo sobre Jesus Cristo, autor e consumador da fé (cf. Hb 12, 2): n’Ele encontra plena realização toda a ânsia e a aspiração do coração humano. A alegria do amor, a resposta ao drama da tribulação e do sofrimento, a força do perdão face à ofensa recebida e a vitória da vida sobre o vazio da morte, tudo isto encontra plena realização no mistério da sua Encarnação, do seu fazer-Se homem, do partilhar conosco a fragilidade humana para transformá-la com a força da sua ressurreição. N’Ele, morto e ressuscitado para a nossa salvação, encontram plena luz os exemplos de fé que marcaram estes dois mil anos da nossa história de salvação. E, inspirado na Epístola aos Hebreus (cf. Hb 11), o Santo Padre coloca-nos, começando pela mãe de Jesus, diante de modelos de fé que devem animar-nos no caminho: “Pela fé, Maria acolheu a palavra do Anjo e acreditou no anúncio de que seria Mãe de Deus na obediência da sua dedicação (cf. Lc 1,38). Ao visitar Isabel, elevou o seu cântico de louvor ao Altíssimo pelas maravilhas que realizava em quantos a Ele se confiavam (cf. Lc 1,46-55). Com alegria e trepidação, deu à luz o seu Filho unigénito, mantendo intacta a sua virgindade (cf. Lc 2,6-7).

Confiando em José, seu Esposo, levou Jesus para o Egito a fim de salvá-Lo

da perseguição de Herodes (cf. Mt 2,13-15). Com a mesma fé, seguiu o

16 Cf. PF, 11.

17 Cf. PF, 13.

18 Cf. Idem.

15

Senhor na sua pregação e permaneceu a seu lado mesmo no Gólgota (cf. Jo 19, 25-27). Com fé, Maria saboreou os frutos da ressurreição de Jesus e, conservando no coração a memória de tudo (cf. Lc 2,19.51), transmitiu-a aos Doze reunidos com Ela no Cenáculo para receberem o Espírito Santo (cf. At 1,14; 2,1-4). Pela fé, os Apóstolos deixaram tudo para seguir o Mestre (cf. Mc 10, 28). Acreditaram nas palavras com que Ele anunciava o Reino de Deus presente e realizado na sua Pessoa (cf. Lc 11,20). Viveram em comunhão de vida com Jesus, que os instruía com a sua doutrina, deixando-lhes uma nova regra de vida pela qual haveriam de ser reconhecidos como seus discípulos depois da morte d’Ele (cf. Jo 13,34-35). Pela fé, foram pelo mundo inteiro, obedecendo ao mandato de levar o Evangelho a toda a criatura (cf. Mc 16,15) e, sem temor algum, anunciaram a todos a alegria da ressurreição, de que foram fiéis testemunhas. Pela fé, os discípulos formaram a primeira comunidade reunida à volta do ensino dos Apóstolos, na oração, na celebração da Eucaristia, pondo em comum àquilo que possuíam para acudir às necessidades dos irmãos (cf. At 2,42-47). Pela fé, os mártires deram a sua vida para testemunhar a verdade do Evangelho que os transformara, tornando-os capazes de chegar até ao dom maior do amor com o perdão dos seus próprios perseguidores. Pela fé, homens e mulheres consagraram a sua vida a Cristo, deixando tudo para viver em simplicidade evangélica a obediência, a pobreza e a castidade, sinais concretos de quem aguarda o Senhor, que não tarda a vir. Pela fé, muitos cristãos se fizeram promotores de uma ação em prol da justiça, para tornar palpável a palavra do Senhor, que veio anunciar a libertação da opressão e um ano de graça para todos (cf. Lc 4,18-19). Pela fé, no decurso dos séculos, homens e mulheres de todas as idades, cujo nome está escrito no Livro da vida (cf. Ap 7,9; 13,8), confessaram a beleza de seguir o Senhor Jesus nos lugares onde eram chamados a dar testemunho do seu ser cristão: na família, na profissão,

na vida pública, no exercício dos carismas e ministérios a que foram chamados. Pela fé, vivemos também nós, reconhecendo o Senhor Jesus vivo e presente na nossa vida e na história” 19 .

Fé e Caridade Inseparáveis Por fim o Santo Padre, embora já esteja presente em todo o texto a dimensão existencial da fé como atitude de amor, recorda-

nos que sem a virtude teologal da caridade a fé é morta: “A fé sem

a caridade não dá fruto, e a caridade sem a fé seria um sentimento

constantemente à mercê da dúvida. Fé e caridade reclamam-se mutuamente, de tal modo que uma consente à outra realizar o seu caminho. De fato, não poucos cristãos dedicam amorosamente a sua vida a quem vive sozinho, marginalizado ou excluído, considerando-o como o primeiro a quem atender e o mais importante a socorrer, porque é precisamente nele que se espelha o próprio rosto de Cristo. Em virtude da fé, podemos reconhecer naqueles que pedem o nosso amor o rosto do Senhor ressuscitado. Sempre que fizestes isto a um dos

meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes (Cf. Mt 25,40):

estas palavras de Jesus são uma advertência que não se deve esquecer

e um convite perene a devolvermos aquele amor com que Ele cuida de

nós. É a fé que permite reconhecer Cristo, e é o seu próprio amor que

impele a socorrê-Lo sempre que Se faz próximo nosso no caminho da vida. Sustentados pela fé, olhamos com esperança o nosso serviço no

mundo, aguardando novos céus e uma nova terra, onde habite a justiça

(cf. 2Pd 3,13; Ap 21,1)” 20 .

Conclusão Temos diante de nós um formidável horizonte para nossa ação

evangelizadora. Os desafios do momento pedem-nos fé e criatividade para encontrarmos os meios de envolver na missão todos os católicos,

a começar pelos que frequentam nossas Missas Dominicais, atingindo

também aqueles que, embora professem a fé católica, vivem mais ou

19 Cf. PF, 13.20

20 Cf. PF, 14; DGAE, 65-72.

menos distanciados da vida cristã. Mais ainda: o Ano da Fé, pela ação do Espírito Santo, deverá abrir caminhos que nos permitam chegar a todos os irmãos de humanidade com os quais vivemos a mesma história e que aguardam, mesmo sem esta consciência, a mensagem do Evangelho, que só ela dá sentido pleno à vida humana 21 . Para o sucesso espiritual e evangelizador do Ano da Fé contamos com o entusiasmo e a efetiva participação de todos: presbíteros, diáconos, religiosos (as), e fiéis leigos. As instituições de ensino católicas haverão de programar atividades que permitam a educadores e estudantes intensificarem sua vida cristã e compreenderem com mais profundidade a fé na qual foram batizados. Os movimentos e as pastorais da Igreja igualmente deverão abraçar com entusiasmo as propostas do Santo Padre, prevendo, em sua programação, atividades que ajudem seus membros a se engajarem com entusiasmo no esforço de compreender e testemunhar a própria fé. Peço às Regiões e Áreas pastorais que pensem em suas reuniões quais ações e/ou atividades podem programar para melhor viverem o Ano da Fé. A Igreja Particular de Sorocaba quer responder ao aos apelos de Deus, por isso ora ao Senhor: Senhor Jesus, conhecer-te é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; encontrar-te foi o melhor que aconteceu em nossas vidas; tornar-te conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria. Faze, Senhor, que pela ação do Espírito Santo, a tua Verdade seja nossa Vida e que anunciar-te e te fazer conhecido seja de fato nossa alegria. Nossa Senhora da Ponte, fica conosco e contagia-nos com o amor de teu Filho, para que sejamos também comunidade missionária, sinal desse amor para nossos irmãos e irmãs de humanidade, aqui nesse chão de Sorocaba, que nasceu e cresceu sob tua proteção! Amém.

21 Cf. DGAE, 139-141.

ATIVIDADES SUGERIDAS

1. Encontro de Abertura do Ano da Fé para dia 11 de Outubro

de 2012 na Catedral Metropolitana de Sorocaba. Como também, opor-

tuna solenidade de encerramento na Festa de Cristo Rei do Universo em novembro de 2013.

2. Abertura Paroquial do Ano da Fé nas Paróquias nos dias 11

e 12, motivando o Povo Fiel a participar intensamente dos eventos e reflexões referentes ao mesmo.

3. Confecção de material catequético para aprofundamento do

Símbolo Niceno-Constantinopolitano para ser objeto de oração e refle-

xão nas paróquias (movimentos, grupos de oração, pequenas comuni- dades, pastorais, círculos bíblicos, etc ).

E ainda:

- Que seja elaborado um pequeno texto de oração e reflexão para a

visita de Nossa Senhora da Ponte às paróquias no próximo ano que contemple o Ano da Fé.

- Que as festas dos padroeiros (as) – novenas ou tríduos – tenham como temas de pregação e de oração as propostas do Ano da Fé.

- Que as Rádios Católicas procurem divulgar e continuem a propor re-

flexões sobre o Concílio Vaticano II e sobre o Símbolo Niceno-Constan- tinopolitano.

- Que sejam mantidos ou criados Cursos de Teologia, Escolas da Fé ou

Bíblicas, com forte conteúdo missionário, por cidade ou Região e Área Pastoral como instrumento privilegiado para a vivência do Ano da Fé.

- Que o Instituto de Teologia João Paulo II inclua em sua programação eventos acadêmicos de aprofundamento, sobretudo dos conteúdos do Concílio Vaticano II.

- Que em todas as missas sejam feitas pregações que reportem à Pro-

fissão de Fé Católica.

- Que seja rezado o Credo Niceno-Constantinopolitano em todas as

missas dominicais e solenidades.

- Que o Catecismo para Jovens – YouCat – seja, depois da Bíblia, o livro mais importante dos eventos e das catequeses da Jornada Mundial da

Juventude.

- Que seja criado um Blog do Ano da Fé, como outros meios de divul- gação eletrônica para aprofundamento da fé católica.

Finalmente:

Que as iniciativas não se resumam apenas àquelas indicadas acima, mas os agentes de pastoral e movimentos com seus respectivos pastores deixem-se guiar pela criatividade missionária do Espírito San- to que os impele à evangelização e ao anúncio do Evangelho da Salva- ção em todos os ambientes do mundo contemporâneo e da sociedade hodierna. É o meu desejo como pastor desta porção do Povo de Deus a mim confiada!

Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues

Arcebispo Metropolitano

REFERÊNCIAS DOCUMENTAIS

BENTO XVI. Porta Fidei.

Carta Apostólica sobre a forma de Motu Proprio com a qual se proclama o Ano da Fé. Disponibilidade Eletrônica: www.vatican.va

DOCUMENTOS DO CONCÍLIO VATICANO II. (1962-1965). 4.ed. SP: Paulus, 2007.

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. Edição revisada típica de acordo com o texto oficial em latim promulgada por S.S. João Paulo II.

SP: Loyola, Ave-Maria, Paulinas, Paulus; Petrópolis/RJ: Vozes,

1999.

CONGREGAÇÃO PARA DOUTRINA DA FÉ. Nota com indicações pastorais para o Ano da Fé. Disponibilidade Eletrônica: www.vatican.va

CONSELHO EPISCOPAL LATINO-AMERICANO. Documento de Aparecida. Texto conclusivo da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe. 2.ed. SP: Paulus, Paulinas; Brasília/DF: Edições CNBB, 2007.

CNBB. Diretrizes gerais para ação evangelizadora da Igreja no Brasil

2011-2015. Jesus Cristo, “Caminho, Verdade e Vida” (cf. Jo 14,6). Brasília/DF: Edições CNBB, 2011.

YOUCAT BRASIL. Catecismo jovem da Igreja Católica. SP: Paulus, 2011.

A Diocese de Sorocaba foi criada em 4 de julho de 1924 pela Bula Ubi

A Diocese de Sorocaba foi criada em 4 de julho de 1924 pela Bula Ubi

praesules do Papa Pio XI, sendo desmembrada da Diocese de Botucatu.

No dia 29 de abril de 1992 foi elevada à Arquidiocese pela Bula Brasiliensis Fidelis, do Papa João Paulo II, sendo suas dioceses sufragâneas: Jundiaí, Itapeva, Registro e Itapetininga. Pertence ao Conselho Episcopal Regional Sul I da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

A Arquidiocese de Sorocaba é responsável direta pela vida eclesial

católica apostólica romana nos municípios de Sorocaba, Araçoiaba da Serra, Boituva, Cerquilho, Iperó, Jumirim, Piedade, Porto Feliz, Salto de Pirapora, Tapiraí, Tietê e Votorantim. E tem Nossa Senhora da Ponte como padroeira.

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Sua Santidade o Papa Bento XVI, preocupado com o aprofundamento da Fé do povo católico convocou para início em 11 de outubro de 2012, um ano de reflexão sobre a “força” a “beleza” da Fé Cristã, que terminará na Solenidade de Cristo Rei em novembro de 2013 e será chamado de Ano da Fé. Oportunidade única para conhecer melhor a Profissão de Fé Batismal da Igreja, quer através da

Escritura Sagrada, quer por meio do Catecismo Católico Apostólico Romano.

A convocação do Ano da Fé também ressalta a celebração dos 50 anos da abertura do Concílio Vaticano II, que se deu em 11 de outubro de 1962. Esta celebração histórica da Fé coloca-nos em contato com dois mil anos de reflexão doutrinal da Igreja.

Na Arquidiocese de Sorocaba, Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues, está convidando todos os fiéis, clérigos e leigos, para um aprofundamento da Fé Batismal, por meio do estudo contínuo do Símbolo Niceno- Constantinopolitano. Sua Carta Pastoral intitulada a partir do elogio de Isabel à Maria é como o ecoar do permanente convite àquela Fé que faz guardar no coração, com amor e obediência filiais, toda Palavra que vem da boca de Deus.

e obediência filiais, toda Palavra que vem da boca de Deus. Dom Eduardo Benes de Sales

Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues

Eduardo nasceu em 25 de junho de 1941, em Bias Fortes/MG. Filho de José Justino Rodrigues e Aurora Sales Rodrigues, entrou para o Seminário Diocesano Santo Antônio aos 10 anos de idade. Foi ordenado sacerdote em 13 de dezembro de 1964 por Dom Geraldo Maria de Moraes Penido. A ordenação episcopal aconteceu em 21 de junho de 1998, tendo como lema: mitis et humilis corde: “manso e humilde de coração” (cf. Mt 11,29). No mesmo ano, o papa João Paulo II o nomeou bispo auxiliar da Arquidiocese de Porto Alegre/RS, onde permaneceu até o ano 2000. Já em 2001 foi nomeado bispo da Diocese de Lorena/SP. Promovido à Arcebispo tomou posse na Catedral de Sorocaba/SP em 3 de junho de

2005.