ESBOÇOS de TEOLOGIA
Archibald Alexander Hodge, D. D.

Professor de Teologia Sistemática no Seminário Teológico de Princeton New Jersey, EUA

PUBLICAÇÕES EVANGÉLICAS SELECIONADAS Caixa Postal 1287 01059-970-São Paulo-SP

Título original: Outlines of Theology Primeira edição em inglês: r
1860

Primeira edição em português - Portugal: 1895 Tradução do inglês: F.J.C.S. - Lisboa Primeira edição lançada no Brasil: 2001 Linguagem atualizada: Odayr Olivetti e Azená Valim Olivetti Revisão: Antonio Poccinelli Cooperador: José Serpa Capa: Sergio Menga Impressão: Imprensa da Fé

Índice
Prefácio 1. A teologia cristã: suas diversas divisões; sua relação com outros ramos do conhecimento humano 2. A origem da idéia de Deus; prova da Sua existência 3. Os mananciais da teologia 4. A inspiração da Bíblia 5. A regra de fé e prática; as Escrituras do Velho e do Novo Testamentos; a única regra de fé e o único juiz nas controvérsias 6. Comparação de sistemas 7. Credos e confissões 8. Os atributos de Deus 9. A Santíssima Trindade 10. Os decretos de Deus em geral 11. A predestinação 12. A criação do mundo 13. Os anjos 14. A providência 15. A constituição da alma, a vontade, a liberdade, etc. 16. A criação e o estado original do homem 17. A aliança das obras 18. A natureza do pecado e o pecado de Adão 19. O pecado original - (Peccatum Habituale) 20. A incapacidade 21. A imputação do pecado original de Adão à sua posteridade 22. A aliança da graça 23. A Pessoa de Cristo 24. O ofício medianeiro de Cristo 25. A propiciação; sua natureza, necessidade, perfeição e extensão 26. A intercessão de Cristo 27. O reinado medianeiro de Cristo 28. A vocação eficaz 29. A regeneração 30. A fé 31. A união dos crentes com Cristo 32. O arrependimento e a doutrina romanista das penitências 33. A justificação 34. A adoção e a ordem observada pela graça na aplicação da redenção, nas diversas partes da justificação, a regeneração e da santificação 35. A santificação 36. A perseverança dos santos 37. A morte e o estado da alma depois da morte 38. A ressurreição 39. O segundo advento e o juízo geral 40. O céu e o inferno 41. Os sacramentos 42. O Batismo: sua natureza e propósito, seus objetos, modo, eficácia e necessidade 43. A Ceia do Senhor

Prefácio
Apresentando este livro ao leitor, tenho a dizer que a concepção e a execução da obra são devidas à experiência que tive de ser necessário tal manual de definições e argumentações teológicas, no meu trabalho de instruir os membros da Igreja da qual fui pastor. Os diversos capítulos foram, em primeiro lugar, preparados e usados por mim como as bases de uma série de discursos dirigidos, sem notas, à minha congregação nos domingos à noite, e no uso que assim fiz delas, achei que estas preparações eram úteis além das minhas esperanças; pois a maior parte da congregação foi induzida a entrar, com muito interesse, no estudo até dos assuntos mais abstrusos. Tendo, pois, esta obra passado por essa prova prática, ofereço-a, agora, a meus colegas no ministério do evangelho para que dela se sirvam, se quiserem, como um repertório de material digesto para o ensino doutrinário do seu povo, seja em classes bíblicas, seja por meio de discursos no culto público. Ofereço--a também como uma tentativa de prover assim a uma reconhecida necessidade pública, como um resumo de estudo teológico para uso dos estudantes de teologia em geral, e para uso dos muitos laboriosos pregadores do evangelho a quem falta o tempo necessário ou a oportunidade, ou outro meio essencial, para estudarem as obras custosas e elaboradas das quais se colheram os materiais deste compêndio. As perguntas têm sido conservadas formalmente, não com o fim de adaptar assim o livro de qualquer modo ao ensino catequético, e sim, por ser este o modo mais conveniente e perspícuo de apresentar um "esboço de teologia". Esta mesma necessidade de condensar, espero que sirva para desculpar, até certo ponto, alguns casos de obscuridade nas definições e alguns em que talvez haja falta de ilustrações, casos que o leitor, sem dúvida, notará. No Prefácio da segunda edição desta obra (em inglês), revista e aumentada, o editor ainda diz: O Prefácio da edição original narra, acurada e um tanto circunstanciadamente, a maneira pela qual se originou esta obra. Desde a sua primeira publicação até agora têm se multiplicado as provas de que ela proveu a uma necessidade pública, e grande número de exemplares têm sido vendidos na América do Norte e na Grã-Bretanha. Além disso, tem sido traduzida para a língua do País de Gales e para o grego moderno, e é usada em diversos seminários teológicos. Desde que saiu a sua primeira edição, o autor tem estado ocupado catorze anos no trabalho prático de instrutor teológico. Tem adquirido mais conhecimentos e também mais experiência como professor, e estes têm sido utilizados nesta nova e aumentada edição, que chegou ao seu tamanho atual mediante os acréscimos feitos durante alguns anos de ensino ministrado às diversas classes do Seminário Teológico. Esta edição contém quase cinquenta por cento mais matérias que a primeira. As discussões das doutrinas que dividem os diversos ramos da Igreja, têm sido acrescentados extratos dos principais credos, confissões e clássicos escritores teológicos das grandes Igrejas históricas. E o apêndice contém uma tradução do Consensus Tigurinus de Calvino, e da Fórmula Consensus Helvética de Heidegger e Turretino, duas confissões de muito grande interesse doutrinário para o estudante da teologia reformada, mas pouco acessíveis. A obra é outra vez oferecida à Igreja Cristã, não como um tratado completo sobre teologia sistemática para uso dos proficientes, e sim como um simples manual, adaptado às necessidades dos estudantes que tomam suas primeiras lições nesta grande ciência, e à conveniência dos muitos trabalhadores sérios que talvez desejem refrescar a sua memória por meio de uma revisão sumária do terreno sobre o qual passaram nos primeiros anos de seus estudos teológicos. -A. A. Hodge Princeton, New Jersey 06 de agosto de 1878

1 A Teologia Cristã; Suas Diversas Divisões; Sua Relação com Outros Ramos do Conhecimento Humano
1. Que é Religião? Que é Teologia, no seu sentido cristão? Religião, no seu sentido mais geral, é a soma das relações que o homem sustém para com Deus, e compreende as verdades, experiências, ações e instituições que correspondem a essas relações ou que delas provêm. Teologia, no seu sentido mais geral, é a ciência da religião. A religião cristã é aquele conjunto de verdades, experiências, ações e instituições que se acham determinadas pela revelação que nos é apresentada sobrenaturalmente nas Escrituras Sagradas. Teologia cristã é a determinação, interpretação e defesa científica dessas Escrituras, junto com a história da maneira pela qual as verdades nelas reveladas têm sido entendidas, e os deveres nelas impostos têm sido cumpridos, por todos os cristãos, em todos os séculos relações orgânicas determinadas por sua gênese e sua natureza íntima. Metodologia teológica é a ciência do método teológico. Assim como cada divisão das investigações humanas exige um modo de tratamento peculiar, e cada subdivisão de cada divisão geral exige certas modificações especiais de tratamento, e que lhe são próprias, assim também a metodologia teológica tem por fim determinar cientificamente qual o verdadeiro método geral e especial, pelo qual convém estudar as ciências teológicas. Isso inclui duas categorias distintas: (a) os métodos próprios para a investigação original e construção das diversas ciências, e (b) os métodos próprios para a instrução elementar nessas ciências. Tudo isso deve ser acompanhado de informações críticas e históricas, e de instruções sobre o modo de tirar proveito do imenso material literário com que essas ciências estão ilustradas, especificamente o calvinista ou agostiniano, e toma como verdadeiros os seguintes princípios fundamentais: 1o. As Escrituras inspiradas são a regra e padrão único e infalível de todo o conhecimento religioso. 2 o. Cristo e Sua obra são o centro ao redor do qual se dispõe, em ordem, toda a teologia cristã. 3o. A salvação trazida à luz no evangelho é sobrenatural e provém da LIVRE GRAÇA DE DEUS. 4O. Todo conhecimento religioso tem uma finalidade prática. As ciências teológicas, longe de terem a si mesmas como seu fim absoluto, têm o fim nobre de fazer os homens progredirem na santidade pessoal, de habilitá-los a servir melhor a seus semelhantes, e de PROMOVER A GLÓRIA DE DEUS. As vantagens de agruparmos assim as ciências teológicas são óbvias e grandes. As relações de todas as verdades são determinadas pela sua natureza, donde se segue que sua natureza é revelada pela exibição de suas relações. Essa exibição tenderá também a alargar o horizonte mental do estudante, a incitá-lo a adquirir largueza de cultura, e a impedir que exalte indevidamente ou cultive exclusivamente qualquer ramo especial, pervertendo assim esse ramo por olhá-lo fora de suas limitações e dependências naturais. 4. Quais as perguntas fundamentais a que toda a ciência teológica se propõe a dar respostas e que, por isso, determinam a ordem em que se seguem as diversas divisões dessa ciência geral? 1a. Existiria um Deus? 2a. Teria Deus falado? 3a. Que disse Deus? 4a. Como é que os homens, no tempo passado, entenderam a Palavra de Deus e realizaram praticamente, nas suas pessoas e instituições, as intenções de Deus?

e, mais ou menos diretamente, com toda a história humana. E é evidente também que, visto que toda a verdade é um só todo, todas as verdades e deveres revelados se acham ligados indissoluvelmente a todos os ramos do conhecimento humano e a todas as instituições da sociedade humana. Segue-se pois, que a ciência teológica em nenhum ponto pode ser separada da ciência em geral, e que algum conhecimento, de todos os ramos do conhecimento humano, acha-se compreendido necessariamente em qualquer sistema de enciclopédia teológica como auxiliar das próprias ciências teológicas. Algumas dessas ciências auxiliares sustém relações especiais para com certas ciências teológicas e estão relacionadas muito remotamente com outras. Convém, porém, atribuir-lhes um lugar próprio e separado por constituirem, em geral, uma disciplina preparatória e auxiliar da ciência de teologia considerada como um todo. 6. Quais as principais divisões da classificação proposta das ciências teológicas? 1o. Ciências auxiliares no estudo de teologia. 2o. Apologética - abrangendo as respostas às duas perguntas: existiria um Deus? Teria Deus falado? 3o. Teologia exegética - abrangendo a determinação crítica das ipsissima verba da revelação divina e a interpretação do seu sentido. 4o. Teologia sistemática - abrangendo o desenvolvimento em um sistema completo e conseqüente do conteúdo inteiro dessa revelação, e sua subseqüente elucidação e defesa. 5o. Teologia prática - abrangendo os princípios e leis revelados nas Escrituras para direção dos cristãos: (a) na promulgação dessa revelação divina, assim averiguada e interpretada, e (b) em levarem todos os homens ao cumprimento prático dos deveres nela impostos e (c) na fruição das bênçãos que ela confere. 6o. Teologia histórica ~ abrangendo a história do desenvolvimento durante todos os séculos passados e entre todos os povos, dos elementos teóricos e práticos dessa revelação: (1) na fé e (2) na vida da Igreja. 7. Quais os ramos principais do conhecimento humano, auxiliares no estudo de teologia? . 1o. História universal, que é ramo essencial a todos os demais ramos da ciência humana e, em particular, as histórias do Egito, da Babilônia, da Assíria, da Grécia, de Roma e da Europa medieval e moderna, que são auxiliares especialmente da ciência teológica. 2o. A arqueologia no seu sentido mais compreensivo, abrangendo a interpretação de inscrições, monumentos, moedas e remanescentes das artes e as ilustrações recolhidas daí e de todas as outras fontes acessíveis, da distribuição geográfica e condições físicas, e das instituições e costumes políticos, religiosos e sociais, de todos os povos e de todos os séculos. 3o. A etnologia - a ciência das divisões da família humana em raças e nações, e da sua dispersão sobre a face da terra - que indaga de sua origem e afiliações, das variedades do seu caráter físico, intelectual, moral e religioso, e também das causas e condições que modificam essas variações. 4o. A filologia comparativa - a ciência que, tomando como ponto de partida os grupos naturais das línguas humanas, investiga as relações e origens das línguas e dialetos; e, remontando além das eras em que se principia a história humana, acha aí provas da unidade de raças agora separadas, e os elementos de civilizações já há muito extintas, e os fatos de mudanças históricas que não deixaram outros vestígios. 5o.A ciência da religião comparativa (religiões comparadas) - o estudo crítico e a comparação da história, das crenças, do espírito, dos princípios, das instituições e do caráter prático de todas as religiões étnicas, investigando a luz que elas lançam sobre (a) a natureza e a história humanas, (b) o governo moral de Deus, e (c) a revelação sobrenatural contida nas Escrituras Sagradas.

6o. A filosofia - a base e mestra de todas as ciências meramente humanas. Abrange a história da origem e do desenvolvimento de todas as diversas escolas de filosofia - as antigas, as da idade média e as modernas - o estudo crítico e a comparação dos princípios, métodos e doutrinas, e da extensão e caráter da sua influência respectiva sobre todas as outras ciências e instituições, especialmente sobre as que são políticas e religiosas, e mais especialmente ainda sobre as que são definitivamente cristãs. 7°. A psicologia - ou essa divisão da ciência experimental que descobre as leis da ação da mente humana, como ela se manifesta sob condições normais (a) nos fenômenos da consciência e ação individuais, e (b) nos fenômenos da vida social e política. 8°. A estética, ou a ciência das leis do belo em todas as suas formas de música, retórica, arquitetura, pintura, etc., os princípios e a história de todas as diversas divisões da arte. 9°. As ciências físicas, seus métodos gerais e especiais; sua gênese, desenvolvimento e tendências atuais; sua relação com a filosofia, especialmente com o Deísmo e com a religião natural, com a civilização e com a história e doutrinas consignadas nas Escrituras. 10°.A estatística, cujo fim é dar-nos elementos completos sobre o estado atual da raça humana no mundo, a respeito de tudo o que se pode sujeitar a comparações - quanto ao seu número e estado físico, intelectual, religioso, social e político de civilização, comércio, literatura, ciências, artes, etc.; elementos dos quais estão sendo desenvolvidos gradualmente as formas imaturas da ciência social e da economia política. 8. Que é que se abrange sob o título de Apologética? Este ramo divide-se em dois títulos: (1) Existiria um Deus? (2) Teria Deus falado? Ele inclui: Io. A prova da existência de Deus, isto é, de uma Pessoa extra--terrena, transcendente e ao mesmo tempo imanente; criando, conservando e governando todas as coisas segundo o seu plano eterno. Isto envolve a discussão e refutação de todos os sistemas antiteístas, como sejam o ateísmo, o panteísmo, o deísmo naturalista, o materialismo, etc. 2o. O desenvolvimento da teologia natural, compreende a relação em que Deus está como Governador moral para com os agentes inteligentes e responsáveis, e as indicações da Sua vontade e propósito e, por conseguinte, dos deveres e destinos dos homens até onde é possível descobri-los à luz da natureza. 3° As provas do cristianismo, compreendendo... (1) A discussão do uso próprio da razão nas questões religiosas. (2) A demonstração da possibilidade a priori de uma revelação sobrenatural. (3) A necessidade e probabilidade de tal revelação, tomando-se em consideração o caráter de Deus e o estado do gênero humano segundo no-lo revela a luz da natureza. (4) A prova positiva do fato real de que tal revelação foi dada: (a) mediante os profetas do Velho Testamento (b) mediante os profetas do Novo Testamento, e sobretudo, (c) na Pessoa e obra de Cristo. Isto envolve naturalmente a discussão crítica de todas as provas que dizem respeito a este ponto, tanto externas como internas, históricas, racionais, morais e espirituais, naturais e sobrenaturais, teóricas e práticas; e a refutação de toda a crítica histórica e racionalista que tem impugnado o fato da revelação, ou a integridade dos escritos que a contêm. Muito daquilo que se acha mencionado aqui estará necessariamente compreendido também sob os títulos de teologia sistemática e teologia exegética.

9. O que a Teologia Exegética compreende? Quando os fatos: (1) que existe um Deus, e que (2) Deus nos tem falado - forem estabelecidos, será necessário ainda responder à pergunta: o que nos tem dito Deus? Teologia exegética é o título geral daquela divisão da ciência teológica que tem por fim a interpretação das Escrituras como a Palavra de Deus, deixada por escrito em linguagem humana, e que nos foi transmitida por canais humanos; e para conseguir esse fim, o assunto de Interpretação procura recolher e organizar todo o conhecimento que para isso é necessariamente introdutório. Isso inclui as respostas a duas perguntas: (1) Quais os livros que formam o cânon, e quais as palavras exatas contidas nos registros originais dos escritores desses diversos livros? (2) Qual o sentido dessas palavras divinas, assim averiguadas ? As respostas a todas as perguntas preliminares à interpretação, propriamente ditas, pertencem ao título introdução, e esta se divide em: (1) introdução geral, que inclui toda informação preliminar à interpretação que tem relação com a Bíblia, como um todo, ou com cada um dos Testamentos, como um todo; e (2) introdução especial, que inclui toda a preparação necessária para a interpretação de cada um dos livros da Bíblia, em separado. , . A. Introdução Geral compreende: 1o. Acrítica superior /alta crítica/, ou o exame das provas que existem e de toda espécie, em apoio da autenticidade de cada um dos livros do cânon sagrado. 2o. A crítica do texto/crítica textual, a qual, por uma comparação dos melhores manuscritos e das versões antigas, pelas provas internas, e pela história crítica do texto desde o seu primeiro surgimento até ao tempo presente, procura determinar as ipsissima verba dos autógrafos originais dos escritores sagrados. 3o. A Filologia bíblica, que dá respostas às perguntas: por que foram usadas diversas línguas nos escritos sagrados? Por que as línguas hebraica e grega? Quais são as características especiais dos dialetos dessas línguas realmente usados, e qual a sua relação para com as famílias de línguas a que elas pertencem? Quais eram as características especiais dos escritores sagrados individualmente, quanto ao dialeto, ao estilo, etc.? 4o.Arqueologia bíblica, compreendendo a geografia física e política dos países bíblicos, durante o transcurso da história bíblica e determinando a condição física, etnológica, social, política e religiosa do povo entre o qual se originaram as Escrituras, junto com a descrição de seus costumes e instituições, e da relação em que estes estavam para com os de seus antepassados e contemporâneos. 5o. Hermenêutica, ou a determinação científica dos princípios e regras de interpretação bíblica, compreendendo (1) os princípios lógicos, gramaticais e retóricos que determinam a interpretação da linguagem humana, em geral; (2) as modificações desses princípios apropriadas à interpretação das formas específicas da linguagem humana, e.g., história, poesia, profecia, parábola, símbolo, etc., e (3) as outras modificações desses princípios apropriados à interpretação dos escritos inspirados sobrenaturalmente. 6o. Inspiração bíblica. Depois de ter a apologética estabelecido o fato de serem as Escrituras Sagradas o veículo de uma revelação sobrenatural, é necessário que discutamos e determinemos a natureza e a extensão da inspiração bíblica até onde esta é determinada pelo que as Escrituras mesmas dizem sobre este ponto, e pelos fenômenos que elas representam. 7o. A História da Interpretação, incluindo a história das antigas e modernas versões e escolas de interpretação, ilustrada por uma comparação crítica dos mais importantes comentários.

no passado. J. assim como este se acha nas suas conexões originais dos Testamentos. Há diversas divisões especiais classificadas sob o título geral de teologia exegética que envolvem. e de todas as regras desenvolvidas nas precedentes divisões da introdução à interpretação do texto sagrado. B. Tem por base os resultados da exegese. a classificação e a combinação dos testemunhos bíblicos em tópicos e assuntos. como vem desenvolvida no Velho Testamento. assim como o conteúdo da revelação está em relação íntima com todos os outros ramos dos conhecimentos humanos. 3a. ocasião. parágrafos. até certo ponto. Notes on New Testament Litera-ture. desígnio e recepção. através de cada fase sucessiva. E. Introdução especial. a tarefa da teologia sistemática envolve. revelam suas próprias relações e seu lugar no sistema do qual a Pessoa e a obra de Cristo são o centro. composto do conteúdo inteiro da revelação. que investiga a evolução gradual dos diversos elementos das verdades reveladas. cada parte do qual se acha relacionada orgânicamente com todas as outras partes. a analogia das Escrituras e a direção do Espírito Santo. Cristologia do Velho Testamento. e o conteúdo inteiro de todas as revelações naturais e sobrenaturais não pode deixar de constituir um só sistema completo em si. averiguadas e interpretadas. especialmente os do ritual mosaico relacionado com a Pessoa e a obra de Cristo. Teologia bíblica. arranjados na ordem em que os achamos. necessariamente. 10. autor. Exegese própria é a aplicação de todo o conhecimento recolhido. A construção de um completo sistema composto do conteúdo da revelação. C. e exibe as formas e conexões peculiares em que essas diversas verdades são apresentadas pelos diversos escritores inspirados. teologia sistemática tem por fim reunir tudo quanto as Escrituras ensinam sobre o que devemos crer e fazer. quer material. 2a. e apresentar todos os elementos desse ensino na forma de um sistema simétrico. A construção de um completo sistema de fé e deveres. como ele prevaleceu na Igreja. em todos os seus conhecimentos. a exposição crítica da idéia messiânica. Seguindo as leis da gramática. por Dr. A verdade de Deus é una. A mente humana procura sempre unidade. . trata de cada livro da Bíblia por si e fornece sobre o seu dialeto. toda a informação necessária para a sua interpretação acurada. polêmica. e (b) todos os deveres impostos. Que é que se acha compreendido sob o título de Teologia Sistemática? Como o dá a entender o seu nome. e sua aplicação à construção de um esboço das profecias dos dois Testamentos. que são a característica distintiva de teologia sistemática. a exegese procura discernir a mentalidade do Espírito como se acha expressa nos períodos inspirados. C. quer psicológica. 4a. O método de construção é indutivo. etc. A. A teologia sistemática compreende: A. Alexander. A. Tipologia. Essas divisões são: Ia. a demonstração e a ilustração da harmonia que existe entre todas as verdades reveladas e toda a ciência legítima. A história desse processo de construção. livros. O desenvolvimento dos princípios de interpretação profética. Esses dados. desde a sua primeira sugestão. o usus loquendi das palavras.B. que compreende a determinação científica das leis dos símbolos e tipos bíblicos e sua interpretação. quando interpretados corretamente. Isso compreende o tratamento científico de: (a) todas as matérias de fé reveladas. até à sua mais completa manifestação no texto sagrado. Seus dados são passagens das Santas Escrituras. toda a verdadeira filosofia especulativa e toda a verdadeira filosofia moral e filantropia prática.

Polêmica ou teologia controversial: incluindo a defesa do verdadeiro sistema de doutrina. juntamente com sua gênese. Chalmers denomina . a ressurreição. tanto no seu todo como também em cada um de seus elementos constitutivos contra as perversões dos partidos heréticos. os meios de graça. sua história e seus efeitos práticos. Quando se segue o primeiro destes métodos. Soteriologia (a doutrina da salvação): que inclui o plano. a execução e a aplicação. e daí vai subindo até chegar à redenção e ao caráter de Deus. Chalmers prefere. juntamente com os Seus propósitos eternos e os atos temporais de criação e providência. como nela é revelado. o céu e o inferno. porém. juntamente com a obra própria do Espírito Santo. providência e redenção. Isto abrange a psicologia bíblica e a doutrina bíblica sobre o pecado. Escatologia (a ciência das últimas coisas): compreendendo a morte.método analítico. dentro do âmbito da Igreja geral. consideram seus propósitos eternos e seus atos temporais nas obras da criação. O Dr. e (b) suas relações sobrenaturais como homem remido. Tomando como ponto de partida a idéia e a natureza de Deus. Teologia propriamente dita: compreendendo a existência. regras. o segundo advento. Eclesiologia (a ciência da Igreja): incluindo a determinação científica de tudo quanto as Escrituras ensinam a respeito da Igreja visível e invisível.método sintético. (c) A história das controvérsias. agrupam-se comumente todos os elementos do sistema. extensão e edificação do reino terrestre de Deus. queda e conseqüente ruína moral. até a consumação final. 2o. assim como a teologia sistemática baseia-se numa cabal exegese. Sua vida. A comparação e crítica de todas as modificações da organização eclesiástica que tenham existido. Como arte. o que ele chama . assim também a teologia prática baseia-se nos grandes princípios desenvolvidos pela teologia . Por isso. 11. motivos e auxílios dos deveres humanos revelados na Bíblia. Isso abrange a Cristologia (a doutrina sobre Cristo): a encarnação. Como ciência. 5o. e toma por ponto de partida os fatos da experiência e da luz da natureza. a idéia da Igreja . sua natureza. Que é que se acha compreendido sob o título de Teologia Prática? Teologia prática é tanto uma arte como uma ciência.sua verdadeira definição. ao mesmo tempo científica e espiritual. 4o. e a condição atual e moralmente enferma do homem. Isso abrange: (a) Os princípios gerais e o verdadeiro método de controvérsias religiosas. e as Confissões em que se acha definida. ••. B. sua constituição e organização. o juízo geral. a maior parte dos teólogos têm seguido o que o Dr. (b) A definição do verdadeiro status quoestionis em cada controvérsia e uma exposição das fontes de testemunho e dos métodos defensivos e ofensivos de vindicar-se a verdade. História das doutrinas: que compreende a história de cada uma destas grandes doutrinas. e os efeitos gloriosos da salvação dos homens. como são determinados (a) pelas relações naturais que o homem tem como homem com os seus semelhantes. Ética cristã: abrangendo os princípios. a Palavra de Deus e os sacramentos. sob os seguintes títulos: 1o. tem por fim a publicação eficaz do conteúdo da revelação entre todos os homens e a perpetuação. tem como sua província as leis e os princípios revelados da arte acima definida. o estado intermediário da alma. a constituição da Pessoa de Cristo. 6o. reveladas nas Escrituras. seu estado original. 3o. morte e ressurreição. os atributos e a personalidade triúna de Deus. seus oficiais e suas funções.No modo de arranjar os tópicos. Antropologia (a doutrina do homem): compreendendo a criação e a natureza do homem. em seu estado temporal e no eterno. origem e modo de propagação. a investigação de seu primeiro aparecimento e subseqüente desenvolvimento através das controvérsias a que cada doutrina deu lugar. C.

do Novo Testamento. (iv) Música sagrada . sua relação para com Cristo e a Igreja. enquanto que a divisão de eclesiologia é terreno comum a essas duas divisões: é o produto de uma delas e o fundamento da outra. das diversas classes de membros.vocal e instrumental. e as controvérsias que têm ocasionado.• (c) Como regentes: (i) O ofício. 5a.extraordinários e ordinários. com a discussão e refutação de todas as outras formas de organização eclesiástica que existiram ou existem. e dos métodos de sua administração. regras e métodos práticos de disciplina na Igreja. qualificação. (ii) Formas livres de oração. Inclui as seguintes divisões principais: 1a. A determinação da Constituição divinamente prescrita da Igreja. absolutos e relativos. abuso e história. A relação das crianças batizadas com a Igreja e os deveres relativos dos pais e da Igreja em relação a elas. deveres. temporais e perpétuos: (1) Sua vocação e ordenação.inspirada e não inspirada. juntamente com os privilégios e deveres. modo de eleição e ordenação. A idéia e desígnio da Igreja e de seus atributos revelados divinamente. Os Oficiais da Igreja . Folhas. e a relação para com Cristo envolvida no fato de ser membro dela. (iii) Retórica sagrada. (2) Suas funções: (a) Como mestres. sua história. (iv) Literatura cristã. princípios e história. (iii) A Junta de presbíteros /Conselho ou Consistório: sua constituição e funções. deveres e autoridade bíblica dos presbíteros regentes. A discussão da natureza e extensão da descrição que Cristo deixou à Sua Igreja para ajustar os métodos de organização e administração eclesiástica às mutáveis condições sociais e históricas dos homens. homilética e elocução do púlpito. (iii) Salmodia . (ii) Escolas Dominicais. incluindo: (i) Catequese: sua necessidade. incluindo: (i) Liturgias . 4a. periódicos e livros permanentes. e autoridade bíblica do ofício de bispo ou pastor.sistemática. Os deveres dos pais e da Igreja quanto à educação religiosa das crianças. 3a. qualificação. (b) Como diretores do culto. (ii) O ofício. A determinação das condições sob as quais uma pessoa pode fazer-se membro da Igreja. . . A teoria. seu uso e história. 2a.seu uso. seu uso e história.

constituição e administração de Seminários teológicos.. a interpretação da letra das Escrituras Sagradas e a construção do sistema inteiro das verdades e deveres relacionados que nelas são revelados. 6o. regras e precedentes práticos que regulam a ação dos tribunais eclesiásticos. os documentos relativos às controvérsias e. E só a história que nos dá as Escrituras em que se acha contida essa revelação. Short. A relação da Igreja com sociedades voluntárias: associações de moços cristãos. incluindo nossa própria Igreja. Comissionários. Missões no estrangeiro. Missões internas. 1. precisam preceder à história do desenvolvimento dessa revelação na vida e fé da Igreja. . 3o. consagração pessoal. Theological Encyclopedia and Methodology. A mesma fonte devemos também os nossos métodos de interpretação e seus resultados. Tholuck. editado por J. queixas e apelações eclesiásticos. os diversos livros canónicos e suas ipsissima verba. Park. incluindo os deveres de administração cristã. e também os meios pelos quais podemos averiguar. incluindo a evangelização agressiva. etc. por conseguinte. A educação do ministério. cultura social. A teoria. Veja Lectures on TheologicalEncyclopedia and Methodology. a história as deve preceder e lançar fundamento para todas as demais. os livros inspirados e continua até o encerramento do cânon do Novo Testamento. Estatística eclesiástica.1844. como estes se acham ilustrados na imensa quantidade de literatura teológica acumulada até agora e associada aos nossos credos e confissões. e às relações em que estão as diversas denominações. em todos os seus ramos. ciências. social e eclesiástica. No estudo. Isso leva às funções da Igreja como um todo. D. T. as artes. A primeira tem por fonte. E. e a condição real da lei comum e estatuidade em relação à propriedade eclesiástica e à ação dos tribunais eclesiásticos no exercício da disciplina. a extensão da Igreja e a construção de edifícios para Igrejas. A Segunda principia onde a primeira acaba. pelo Prof. D. etc. etc. A teologia histórica divide-se em teologia histórica bíblica e eclesiástica. os documentos que mostram como o nosso sistema de doutrina se desenvolveu gradualmente. a direção. Que é que se acha compreendido sob o título de Teologia Histórica? Segundo a evolução lógica de todo o conteúdo das ciências teológicas. R. (v) O Sínodo e a Assembléia Geral-sua constituição e funções. Os princípios e modos de proceder de Comissões. Biblioteca Sacra. das ciências teológicas. ela tem a honra de abrir caminho para a série inteira. 1o. a sustentação de ministros entre os pobres. enquanto que na ordem de uma exposição lógica das ciências teológicas constitutivas. As obrigações dos cidadãos cristãos. D. 2o. principalmente.(iv) O presbitério e sua constituição e funções. D. pelo Rev. as reformas morais. umas para com outras. e continua até o tempo presente. e beneficência sistemática. John Mc Clintock. vol. 12. Mesas Administrativas. A relação da Igreja com o Estado. Economia cristã.. etc. 5o. L. L. porém. editado pelo Prof. A. no exercício do direito constitucional de revista e inquirição em tudo o que diz respeito a processos. criticamente. a história vem primeiro. Na ordem de produção e aquisição. 4o. as outras Igrejas e o mundo. e a verdadeira relação do Estado com a Igreja. assim como a fonte precede ao rio que dela emana. A relação da Igreja com a civilização. e à autoridade para distinções denominacionais. aos usos e abusos dessas distinções.

. música.. terminando com Gregório. (2) a fundação da Igreja Cristã pelos apóstolos. ou história das doutrinas. e sua autoridade legítima nas controvérsias modernas. O Novo Testamento. (b) antenicenos. 3o. como as atas de concílios. A história da literatura sobre a história eclesiástica. valor e doutrina de cada um desses Pais. como sejam: (a) edifícios (b) inscrições (c) moedas. (2) Arqueologia cristã. individualmente.A história bíblica subdivide-se em: Io. (3) História das doutrinas. os credos. artes. A isto acompanha naturalmente a história crítica de toda a literatura da história das doutrinas.. juntamente com a (4) História do povo escolhido durante o intervalo entre o Velho e o Novo Testamentos. arquitetura. Para o estudo da história eclesiástica. etc. As fontes de onde se deriva a história eclesiástica devem ser investigadas criticamente. medieval e moderna. 2o. . e relatórios e compilações mais modernas. entre os latinos. culto e disciplina da Igreja Primitiva. O Dr. (b) uma história completa de sua literatura e das edições principais de suas obras. e (2) história do pensamento da Igreja. com a história também de todas as formas heréticas de doutrina. entre os gregos. São: (1) geografia antiga. e da história do culto. ou a literatura dos chamados "Pais" da Igreja. são necessários diversos ramos preliminares de estudo. os arquivos de governo. pois: (1) história da vida da Igreja. Algumas das ciências auxiliares já enumeradas é preciso citarmos como exigidas especificamente nesta conexão. A história do pensamento da Igreja compreende: (1) patrística. Schaff e Kurtz. comunidades e eventos. das quais a verdade tem sido separada. (2) cronologia. como literatura contemporânea de toda qualidade. 2o. a Igreja. e patrologia.C. o grande.C. História do Velho Testamento. catecismos e liturgias de Igrejas. 2a. e com João Damasceno. 1a. e (c) pós-nicenos. etc. confissões. que são: (a) públicas. (b) Documentos particulares. 604 d. biografias. 754 d. ou de qualquer de seus ramos históricos. e (c) significado. (2) Mosaica e (3) Profética. dos métodos seguidos e do trabalho feito. Os métodos que têm sido e devem ser seguidos na colocação em ordem do material da história eclesiástica. Este estudo envolve: (a) a discussão do próprio uso dos escritos desses Pais da Igreja. poesia. em qualquer tempo. e deve ser tratada segundo os métodos ordinários de composição histórica. anais. como ciência. cristãos. é a distinção entre a vida da Igreja e sua fé. Io. ou a exibição científica de sua doutrina. (2) Fontes documentais. Mc Clintock diz que o princípio fundamental. dos princípios aceitos. O método que sempre foi e provavelmente sempre será seguido é uma combinação dos dois métodos naturais: (a) o cronológico e (b) o tópico. A história da vida da Igreja trata de pessoas. (4) estatística -mostrando qual a condição do mundo. segundo o qual se devem arranjar os materiais de história eclesiástica. as breves decretais e bulas de papas. brochuras. ou a história crítica da gênese e do desenvolvimento de cada elemento do sistema doutrinário da Igreja. que trata dos costumes. Esses "Pais" da Igreja dividem-se em três grupos: (a) apostólicos. etc. As duas divisões são. até ao fim do primeiro século. e a história das controvérsias por meio das quais foi efetuada a eliminação. ou história eclesiástica propriamente dita. (1) Fontes monumentais. pintura. (3) antigüidades de todos os povos incluídos na área pela qual se estendeu. em qualquer período dado. desde Eusébio até Neander. e inclui as eras: (1) Patriarcal. incluindo (1) a vida de Cristo. (5) o curso inteiro de história geral.

Notes on Ecclesiastical History. Alexander. (c) o estudo do conteúdo doutrinário de cada Credo e de cada grupo de Credos separadamente.) . por Mc Clintock. que envolve: (a) a determinação científica da necessidade e usos de Credos e Confissões públicos. e (d) simbólica comparativa. autoridade e influência de cada um dos Credos e Confissões da cristandade. editado pelo Dr. J. por Dr. Alexander. e a exibição sistemática de todos os pontos em que respectivamente concordam e discrepam entre si. D.(4) Simbólica. (b) a história das ocasiões. ou estudo comparativo de todas as Confissões da Igreja. da gênese e recepção. A. S. r \ (Theological Encyclopedia.

E por isso que tantos especuladores. do mundo existente. inconsciente de toda existência. denegando-lhe. dizendo-se o Seu gênero e Suas diferenças específicas. além disso. A derivação da palavra Deus (em português e latim) e Theos (em grego) tem sido comumente atribuída ao sânscritoDrá -dar "luz". em conseqüência da predominância de idéias cristãs na literatura das nações civilizadas durante os últimos dezoito séculos. E também um fato que as três únicas religiões teístas que em qualquer tempo têm prevalecido entre os homens (a judaica. são determinadas no caso de cada comunidade. Quanto ao Seu gênero.2 Origem da Idéia de Deus e Prova da Sua Existência 1. é certo que todos os homens. e todas as perfeições em harmonia com o Seu Ser. o termo "Deus" é empregado geralmente no sentido definido e permanente de um Espírito eterno. em geral. O homem que nega a existência de tal Ser. Até onde se deve à tradição. a maometana e a cristã) se acham ligadas historicamente com essa mesma revelação. que existe por si mesmo. debaixo de todas as condições conhecidas. ou de uma causa primária a que dão o nome Deus. E preciso que toda definição de Deus pressuponha o fato de que. somente por meio da revelação sobrenatural que temos nas Escrituras Sagradas. porém. A palavra Deus é muitas vezes usada em sentido panteísta. pois. em algum sentido essencial. a idéia de Deus? ' E evidente que se tem chegado à idéia completa de Deus apresentada na definição precedente. 3. Ele é infinito. e as associações que a acompanham. santidade. livre. Qual a distinção entre uma definição nominal e uma definição real? E qual a verdadeira definição do termo "Deus"? Uma definição nominal explica simplesmente a significação do termo usado. eterno e imutável. Por outro lado. em Sua existência. Theos é "Aquele a quem se faz oração". como questão de fato. Ele e Suas criaturas inteligentes são seres do mesmo gênero. reconhecem espontaneamente uma existência . aquilo que O constitui Deus. é um Espírito inteligente e pessoal. para designar a causa primária desconhecida e que se não pode conhecer. pelas tradições teológicas herdadas de seus pais. Mas. que negam real ou virtualmente a existência do Deus da cristandade. é certo também que a forma que tomam as concepções teístas. pessoal. 2. Mas Curtis. Cremer e outros derivam-na de Thes em thessesthai "implorar". e por muitos. absolutamente perfeito. e a condição da possibilidade de O conhecermos é o fato de que fomos criados à Sua imagem. Como se pode construir uma "real" definição de Deus? E evidente que Deus pode ser definido só até onde nos é conhecido. porque estamos inteiramente sem experiência ou testemunho a respeito de qualquer espécie de conhecimentos adquiridos ou juízos formados sob tais condições. debaixo de todas as condições verdadeiramente naturais. e por isso. assim mesmo repudiam indignados o nome atentas. para significar a base impessoal. nega a Deus. Quanto a Suas diferenças específicas. E em vão especular-se quanto ao resultado a que chegariam os homens. poder. e é distinto do mundo que Ele criou e sobre o qual é soberano. lhe são atribuídas pelos que fazem uso desse termo. por admitirem a existência de uma substância que existe por si. sabedoria. a posse das propriedades pessoais que. independentemente de todos os hábitos herdados e de todas as opiniões tradicionais. e uma definição real explica a natureza daquilo a que se aplica o termo usado. Deus é definido. E.

mais ou menos claro. Por conseguinte. em todas as condições naturais. Porque a verdadeira idéia de Deus é muito complexa. quando desenvolvida em condições puramente naturais e na ausência de toda revelação sobrenatural.divina que lhes é revelada. A existência dessas reconhecemos: (a) porque somos genericamente semelhantes aos outros. "Ainda que se possa analisar o processo mental que acabamos de descrever . (b) pela revelação que Deus faz de Si na nossa consciência. ou na realidade objetiva da matéria. e sim. mas ninguém apreende a Deus mesmo por uma intuição direta. Seria INATA a idéia de Deus? Seria ela uma verdade INTUITIVA? As respostas dependem do sentido em que tomamos os termos respectivos. É evidente que não há idéias "inatas" no sentido de já ter nascido criança com a concepção do ser divino. Se tomarmos o termo "intuição" no sentido estrito de visão direta de uma verdade. O processo pelo qual chegamos ao conhecimento desta verdade. a inteligência. e chega-se a ela por meio de um processo complexo. e embora ninguém possa deixar de crer nela sem que faça violência à sua natureza. ou qualquer outra já formada na sua mente. porém. e reconhecemos a existência dEle com a mesma certeza com que reconhecemos a dessas almas. envolve diversos elementos que se pode analisar e descrever. A existência do Deus automanifesto é reconhecida espontânea e universalmente. causa. por um ato intelectual que é impossível resolver em processos de pensar mais elementares. e este fato reconhecemos espontaneamente. e (b) porque seus atributos se manifestam em suas palavras e atos. e por ser constitucional o processo pelo qual se apreendem essas provas. mediatamente por meio de Suas obras. é certo que Deus Se manifesta nas operações de nossas almas e na natureza exterior de um modo análogo àquele pelo qual se nos manifestam as almas invisíveis de nossos semelhantes. e pelas características do mundo exterior. auto-manifestado na alma e no mundo. mais ou menos claramente. contudo não é uma verdade necessária. no sentido de não se poder conceber a não existência de Deus. abrange como elementos muitas intuições indubitáveis. na constituição e na experiência conhecidas de seus próprios espíritos e na natureza externa. E a existência de Deus reconhecemos: (a) porque fomos criados à Sua imagem. desígnio. E. no ato pelo qual a alma reconhece a Sua presença e ação. a concepção teísta não é mais devido à autoridade. toda a história prova que a idéia de Deus é inata. do que é devido à crença. quer espontaneamente. Por outro lado. mesmo quando querem. 2o. nesse caso. de modo que o espírito os pode compreender todos em um só ato. no sentido de ser uma verdade aceita pela grande maioria dos homens que não podem deixar de crer nela.esta é em si sintética. É certo também que a mente humana. na realidade subjetiva do espírito humano. 3o.a inferência teísta . a consciência. e inclui e aplica todos eles. as provas da Sua existência. Os princípios dos quais depende acham-se ligados entre si. uma inferência. chegam ao reconhecimento. a razão e as idéias que elas fornecem. formada debaixo das mesmas condições de educação. 4. visto à sua própria luz como verdade necessária. A vontade. E inata por serem as provas da existência divina presentes tão universalmente como o é a luz do dia. porque: 1o. há sempre. quer seja espontâneo quer não. uma dedução. no sentido de que as faculdades constitucionais do espírito humano são tais que. Por outro lado. a existência de Deus não é uma verdade apreendida intuitivamente pelos homens. quer por meio de um raciocínio elaborado. o qual. na sua apreensão de Deus. pelo menos implicitamente. Ainda que o reconhecimento da existência divina seja necessário. de Deus como a causa primária de toda existência e como o Senhor da consciência. o qué é uma prova evidente de serem claras e presentes. . Porque Deus não Se nos manifesta imediata. em toda parte. necessariamente. e serem convincentes para todos os homens desenvolvidos normalmente. como muitas vezes se diz absurdamente. nunca pode chegar a uma concepção adequada da natureza divina.

e a causa última e absoluta não pode deixar de ser eterna. "Se bem que causalidade não pressupõe desígnio. e os argumentos que têm estas idéias por base -tudo isso junta-se nesse grande processo" . em seu todo e em todas as suas partes. ou a prova da existência de Deus como causa primária. em estado normal de consciência. O Argumento a priori e o testemunho que a razão dá de Deus como o Infinito e Absoluto. As provas fornecidas pelos fenômenos das Sagradas Escrituras e pela história sobrenatural nela registrada. Confirmam e vivificam o reconhecimento espontâneo. Argumento Cosmológico.O universo. chamando a atenção para a extensão e variedade das provas que atestam a mesma verdade. 6. mas cada um deles estabelece independentemente seu elemento separado e assim é útil. Qual é o Argumento Cosmológico? Pode ser apresentado na forma de um silogismo. São de utilidade também para indicar a legitimidade do processo contra as críticas do ceticismo. contribuindo: (a) como prova confirmativa de que Deus existe. Nem todos estabelecem os mesmos elementos da concepção teísta. págs.bondade.Logo. nem desígnio bondade. 73. 2o. 72. ou as provas fornecidas pela consciência moral e pela história da raça humana. 5o. Os argumentos comuns serão examinados sob os seguintes títulos: 1o. e tornam conseqüente e completa a doutrina do teísmo" . e (b) como prova complementar quanto ao que Ele é. 4o. págs.. Esses argumentos são de valor como análises e verificações científicas dos processos mentais envolvidos implicitamente no reconhecimento espontâneo das automanifestações de Deus. ! Conclusão . e as provas de bondade o são também de inteligência e poder. o universo teve necessariamente uma causa exterior a si. .. 5 . . Flint. suplementam as provas derivadas de outras fontes. Constituem um todo orgânico. 4o. Os diversos argumentos são convergentes antes que consecutivos. é um sistema de mudanças. infinito e imutável. Premissa menor .Se a existência de Deus é reconhecida espontaneamente por todos os homens.Theism. qual a utilidade de argumentos formais para provar essa existência? E quais são os argumentos geralmente usados? 1o. 2o. 3o. 71. Os princípios da razão que nos obrigam a pensar em Deus. Prof. desígnio pressupõe causalidade. ou as provas da existência de Deus fornecidas pela ordem e adaptação que reinam no universo. As provas de inteligência são também provas de poder. Flint. e bondade. 3o. e qualquer mudança em qualquer coisa que já existe. assim: Premissa Maior. tanto causalidade como desígnio. Argumento Moral. teve necessariamente uma causa preexistente e adequada. na Suprema Inteligência Moral como um ser auto-existente..Tudo quanto principia a existir de novo. eterno. Argumento Teleológico. Prof. não causada e imutável.. e são a análise e a ilustração do ato espontâneo em virtude do qual a grande massa dos homens tem sempre reconhecido a existência de Deus. infinidade.Theism. 74.

um sistema de mudanças. 142 e 143. Mas John Stuart Mill. págs. mas tem sido empregado por eles e por todos os demais em todos os seus raciocínios sobre a origem do mundo. auto-existente e imutável do universo.1o. Uma causa real. até onde as conhecemos. esse juízo não pede causa. no seuEssay on Theism. (2) Uma série eterna de causas e efeitos é absurda. e porque (b) a . 79).Essay on Theism. quer uma alma mundi inconsciente. pois. o têm negado teoricamente. E um fato também que o movimento visível de todos os grandes corpos do universo está sendo retardado gradualmente por alguma coisa que se pode chamar "fricção etérea". 145. como também de tudo quanto ele contém. e por conseguinte. em união com a matéria.têm esse princípio na sua própria essência. sem nenhuma exceção. (2) E um fato óbvio que toda a luz e calor do sol e das estrelas. o contrário do qual nem se pode imaginar. O próprio faro. Como questão de fato. quer átomos materiais. em outras palavras. e suas propriedades são inerentes.. a degradação da energia do universo visível procede. Todas as descobertas nos campos da geologia e da astronomia. Dentro do tempo a que remontam. RESPONDEMOS: (1) A existência de "Energia" ou "Força". Este fato é reconhecido como uma indubitável verdade científica por Stewart e Tait (Unseen Universe. que é precisamente aquilo que pede uma causa. pág. e dela existe na natureza uma quantidade fixa que. Isso. sai para o espaço e nunca volta para esses corpos... postulam estes princípios. como Hume e Mill. é um absurdo. a substância ou substâncias específicas e elementares de que eles consistem. Quanto à premissa maior: o juízo causal é intuitivo e absolutamente universal e necessário. Tem-se alegado que o juízo causal conduz apenas a uma série eterna e regressiva de causas e efeitos. Sempre que na explicação de um fenômeno físico se remonta à sua causa. segundo parece. porém. E a isso pois que. É um juízo inevitável. o universo visível necessariamente teve princípio no tempo". porque seria simplesmente uma série de mudanças. Quanto à premissa menor: o fato de ser o universo. Não se sabe quando essas começam a existir. se há coisa que mereça essa distinção . acha-se que esta consta de uma certa quantidade de força combinada com certas colocações. em seu todo e em todas as suas partes. torna certo que esse processo não pode ter continuado desde toda a eternidade ou. de modo algum são efeitos. se a teoria da conservação das forças é verdadeira. porém. por conseguinte alguma coisa necessariamente tem existido desde toda a eternidade. Eles todos postulam uma causa eterna. que tudo o que principia a existir e toda a mudança naquilo que já existe. e sim. foi causado. Alguma coisa existe agora. não pode ser nem uma mudança nem uma série de mudanças. é inegável que todos os filósofos e homens de ciência. as existenciais permanentes porém. é ensinado por todos os princípios e lições da ciência moderna. Porque: (a) ainda há energia em quantidades finitas e não difusa. as mudanças são sempre os efeitos de mudanças anteriores. "Enfim. uma só massa. como sejam . é absolutamente impossível imaginar-se. de serem de tamanho finito as grandes massas do universo visível. paripassu. Há em todos os objetos outro elemento que é também permanente. eterna e imutável. tampouco causa.a hipótese nebulosa e a da evolução . devemos atribuir o caráter de Causa Primária. que parece ter todas as características daquele mesmo que estamos procurando. Para aquilo. e separada da matéria. 2o. a saber. Eis. com a agregação de massa. salvo uma fração muito diminuta. diz: "Há na natureza um elemento permanente. uma causa que satisfaça absolutamente ao juízo causal. nas mudanças da natureza material um elemento permanente. (1) O juízo não é que tudo teve uma causa. A força em si é essencialmente uma e sempre a mesma. os conhecimentos humanos não tiveram princípio. como também um elemento variável. que é eterno e imutável. pois. e aquilo que tem existido desde toda a eternidade é a causa daquilo que existe agora. e que afinal tombarão todos juntos e constituirão. quer seja um espírito pessoal. nunca aumenta nem diminui. págs. inteligente.. porém. e sim alguma coisa não causada. Alguns especuladores. em qualquer de suas formas conversíveis. embora eles sejam as causas ou concausas de tudo quanto sucede". por agregações sucessivas. e todas as especulações. 144. e tanto mais imperativamente quanto mais longa é a série.

e inteligência e vontade. Clark Maxwell (em seu discurso como presidente da British Association for Advancement of Science. dá-lhe. porque não é eterna e imutável. Qual o Argumento Teleológico? Teleologia (telos . e isso é incompatível com a idéia de ser ela eterna e auto-existente". ou dos propósitos ou desígnios. 1870. Pode ser apresentado sob duas formas. PRIMEIRA FORMA.Ordem e harmonia universais na operação concorrente de uma imensa multidão de elementos separados. na adaptação das partes aos inteiros. Depois de resolvidos até os mais sutis problemas abstratos da matemática e da mecânica. não está provado e está em contradição com a analogia científica. assim como o universo que se desenvolve dela. acham explicação só no postulado de uma causa inteligente. dos meios aos fins e dos órgãos aos seus usos. a própria lei da correlação de energia ou força para a qual o sr. Se fosse eterna. É chamado também argumento baseado no Desígnio. Premissa menor . e logos . não poderia desenvolver-se ainda para formar o universo. podem ser explicados só referindo-os a uma inteligência e vontade que tinham em vista esse fim ou propósito. provam que Deus é uma Pessoa eterna e auto-existente. o caráter essencial de um objeto fabricado. SEGUNDA FORMA. Assim pois. Conclusão . As intuições da razão. como estes se acham exibidos na natureza. todas as teorias evolutivas sobre a gênese do universo postulam necessariamente um princípio e uma neblina primordial e luminosa. é prova indubitável de ser intelectual a ordem da natureza. é. a causa eterna e absoluta do universo é uma mente inteligente. quando se acham juntas. Mas essa neblina luminosa não pode ser a Primeira Causa que o nosso juízo causal pede. Trata-se de um absurdo o postulado de uma inteligência inconsciente ou de uma inteligência que produza efeitos sem que opere vontade alguma.O universo. é evidente que o próprio fato de ser a ciência uma coisa possível. em seus últimos átomos. os processos lógicos da análise. a invenção e todas as atividades da alma é que organizam os processos científicos. quando realmente aplicada. pág. prova.matéria do universo existe ainda em massas separadas.166). Conclusão . constituem personalidade. Mill apela. é uma estrutura da ordem mais complexa e simétrica.) diz: "A igualdade exata de cada molécula com todas as demais moléculas da mesma substância. tem-se achado subseqüentemente que as soluções foram antecipadas na . não estaria sujeita a mudanças. Premissa menor . a Primeira Causa do universo não pode deixar de ser uma mente e uma vontade inteligentes que tinham em vista esses fins.Logo.O ajustamento das partes e a adaptação dos meios para efetuar um fim ou propósito. Se estes argumentos são válidos. (3) Também o seu postulado de que a matéria do universo. inferências indutivas ou dedutivas. Estas frases não representam nenhuma idéia possível. Se fosse imutável. que o universo teve princípio e terá fim (Stewart e Tait. Quanto à primeira forma do argumento. um estado transitório da matéria.discurso) é a ciência das causas finais. estaria inteiramente desenvolvida. Premissa maior . como bem o disse Sir John Herschell. 7.Logo. é eterna e imutável. uma causa. pedindo como todas as outras mudanças. afinal é baseado no reconhecimento das operações de uma causa inteligente na natureza. baseadas respectivamente nas manifestações mais gerais e mais especiais dessa inteligência. a imaginação. A ciência é um produto do espírito humano que é absolutamente incapaz de passar além das leis da sua constituição. e se estivesse inteiramente desenvolvida.O universo está cheio de semelhantes ajustamentos de partes e de organismos compostos de partes que concorrem para efetuar certos fins. Premissa maior . (4) Como questão de fato. e se não é imutável. Unseen Universe.fim. e se vê que tudo isso corresponde perfeitamente à natureza exterior. no seu todo e em todas as suas partes.

g. ou do acaso. descobrem-se mais provas espalhadas em área maior e com uma luz mais clara. cujos processos são todos executados por leis gerais. Quanto à segunda forma deste argumento . o que é absurdo. o caso das diversas partes do olho para produzir a visão. de organismo para com o instinto.natureza.. e exemplos maravilhosos de uma razão superior e do belo perfeito. tendo adquirido o costume de considerar o universo como uma unidade absoluta. Alguns cientistas. 2a. E é exatamente do mesmo modo e na mesma extensão que chegamos ao conhecimento do Autor da natureza. de serem essas leis gerais obrigadas a concorrer para. todo passo que se dá adiante nas ciências. E esses ajustamentos são. espaço. invariáveis (um modo de pensar em que a teologia agostiniana se antecipou por séculos à ciência). Mesmo no estado atual das ciências. As propriedades da matéria elementar são constantes. Em muitos casos. 8. mas as leis que as organizam são. antecipadamente. efetuar certos fins que evidentemente se deviam efetuar. No entanto. que essa analogia é falsa . Um só período num manuscrito é prova de inteligência. fazem objeção que. e de organismos e classes de organismos para com outros. por isso. etc. Noutros casos. a afirmação de que o caráter da Primeira Causa é manifestado mais ainda pelas provas encontradas em toda parte. e é a essência de todos os processos do universo. As leis da natureza são as expressões de harmonias numéricas e geométricas.O princípio de desígnio pressupõe a ordem intelectual geral do universo e suas leis. e é esse mesmo autor que a inferência deísta procura verificar. a intenção destes ajustamentos e adaptações especiais é evidente de per si e inegável. A analogia das invenções do engenho humano não é a base da nossa convicção de que a ordem e a adaptação são provas de inteligência. Diz mais. o que é certo. 7. deixar de ser o produto ou do acaso. mudam-se também as leis. e esta última suposição é absurda. Pt. desde o agrupamento de átomos até à revolução dos mundos. mesmo se o contexto for indecifrável. Esta ordem intelectual da natureza é o primeiro postulado necessário de toda a ciência.Dialogues on Natural Religion. e apresenta já. inteiramente dissemelhantes daqueles que temos experiência. RESPONDEMOS: (1)0 argumento peca por ter como base um falso postulado de fato. resultado de condições especiais e . uma parte pelo todo e um efeito incidental de uma lei geral. podemos compreender só em parte. as provas de desígnio inteligente têm sido transparentes e abundantes. e. a causa dessas leis. a não ser o que nos dá o caráter das obras pelas quais se manifesta a nós. quantidade e qualidade. Hume (. e especialmente pelos organismos vegetais e animais. (2) Todos os processos da natureza são diversos daqueles por meio dos quais os homens executam as suas obras. o resultado de ajustamentos anteriores sob as categorias de tempo. Contudo. elas mesmas. Quais são algumas das objeções feitas contra a inferência deísta tirada do argumento de desígnio especial. embora sejam invariáveis nas mesmas condições. enquanto que do autor da natureza não temos nenhum conhecimento prévio. desde a digestão de um pólipo até à ação funcional do cérebro humano. e as circunstâncias físicas em que se acham colocados. Do inventor humano.) afirma que a nossa convicção de que adaptação é prova de desígnio. por meio de ajustamentos especiais. essas leis.(1) Porque já temos conhecimento prévio do inventor humano como agente inteligente. e as relações que envolvem de um organismo para com outro organismo. porém já desde o princípio. como. pois. nem são eternas nem inerentes à constituição elementar do universo. (2) O argumento baseia-se num falso postulado de princípio. E juízo universal e necessário da razão que a ordem e a adaptação só podem proceder de uma causa inteligente. e os ajustamentos não podem. e a formação do mundo e a instituição dos processos da natureza são efeitos peculiares. a intenção é mais obscura e conjetural. é devida à experiência e não pode passar além dela: e a de que o nosso juízo dos organismos naturais implicam desígnio na sua causa é uma inferência tirada da analogia das invenções engenhosas do homem e dos seus efeitos. A medida que se mudam esses ajustamentos. Este princípio é ilustrado pelos ajustamentos mútuos descobertos nas diversas providências da natureza. efeitos complicados. da sua alma não temos conhecimento prévio nem conhecimento algum. em certos grupos ou sistemas especiais o teólogo natural toma. e quais são as respostas? Ia. tomando como prova de intenção o ajustamento das partes. ou da inteligência. por engano.

extrínsecos e supremos de qualquer ajustamento especial. e quando afirmamos que há em quaisquer coisas. sem solução de continuidade causal. Um só osso de um animal de espécie desconhecida dá testemunho inegável de adaptação especial. contudo negam a Sua imanência e constante atividade providencial nas Suas obras. por meio dos resultados especiais que eles vêem proceder da operação de leis que já têm estado operando desde toda a eternidade. 159) distingue bem os fins intrínsecos. por todo o espaço infinito e sobre um sistema infinito de partes concorrentes. . durante todo o tempo passado. "Quando afirmamos. mas do qual não temos outro conhecimento. se bem que falhe quanto ao argumento tirado do desígnio. da Sua imanência nas Suas obras. O Dr. fica muito enfraquecido. Há muitas teorias da evolução. podem ser entendidas muito bem enquanto permaneçam inteiramente desconhecidas as relações desse todo especial para com a totalidade do todo geral. na economia da planta ou do animal. e coordenadas para produzirem um resultado comum. podem ser assim classificadas: (1) As que não negam nem obscurecem o testemunho que a ordem e a adaptação observadas na natureza dão da existência de Deus. RESPONDEMOS: (1) E evidente que as relações das partes de um todo especial. é a visão. por ora. concorrendo todas para produzir um fim especial. Seu fim supremo é o fim do próprio universo. e que se pode notar a operação dessas forças. ou virtualmente obscurecem ou negam. tanto como Criador como também como Governador providencial. causas finais. que as mudanças notadas foram produzidas pela agência de forças inerentes na natureza. afirmamos somente que as coisas não são sistemas isolados e independentes. Flint (Theism. pela ordem e adaptação manifestadas nos processos da natureza. mas o termo. pág. pois. enquanto não conhece todas as suas relações para com todos os demais sistemas especiais. significa o juízo de que o estado do universo como um todo e em todas as suas partes. sem que. sobre a constituição daquele todo a que pertenceu. que o testemunho dado da existência de Deus. Todas as possíveis teorias da evolução. Certa classe de cientistas tem afirmado. ainda que a razão e a revelação derramem muita luz mesmo sobre esta última parte. em qualquer momento tem sua causa no estado em que se achava o universo. afirmamos só que as coisas são unidades sistemáticas. pág. Seus fins extrínsecos são os fins úteis para os quais esse órgão serve para o animal que o possui. no momento anterior. assim também poderá entender perfeitamente a maneira por que todas as partes que concorrem para produzir um todo especial são adaptadas para esse fim. às vezes. abstraíram organismos individuais do grande todo dinâmico do qual são tanto produtos como partes. porém. (2) Confessamos que essa crítica. enquanto não discerne o supremo fim do todo. tem força quanto ao modo pelo qual este argumento tem. que há causas finais no sentido de fins intrínsecos em quaisquer coisas. de momento para momento. Apesar disso. lançar muita luz para além de si. e sim. no sentido geral. como dizem com toda a razão os cientistas. sistemas definitivamente relacionados com outros sistemas. Assim. no sentido de fins extrínsecos. embora reconheçam a Deus como a causa original a Quem se deve referir no passado remoto a origem e os ajustamentos primários do universo. nestes últimos tempos. e ajustados de modo que são partes componentes de sistemas superiores e meios para produzir resultados mais compreensíveis do que elas mesmas" -Theism. 163 E verdade que um homem não pode discernir o supremo fim de uma parte. e pode até. senão invalidado absolutamente pela probabilidade de ser verdadeira a hipótese alternativa da evolução. assim como um homem. Dizem que mesmo se fosse inteligente a Primeira Causa do universo. e que não pode discernir todos os fins extrínsecos de qualquer sistema especial. o fim intrínseco desse ajustamento especial chamado olho. o testemunho que a ordem e adaptação do universo dão da existência e atividade de Deus. muitas vezes em grau um tanto exaltado. sido aplicado. que não sabe nada das relações que tem uma certa planta ou um animal para com a flora ou a fauna de um continente. (3) As que manifestam. Os antigos teólogos naturais. pode ter certeza absoluta quanto às funções da raiz ou de uma garra ou unha. e os fins úteis para os quais o animal serve para tudo o que está com ele. em relação imediata ou remota. os homens cometeriam um absurdo infinito nutrindo a presunção de interpretar o Seu propósito. e do Seu governo providencial sobre elas. nada saiba da relação extrínseca em que está esse todo especial para com aquilo que está fora dele. (2) As que. cujas partes se acham relacionadas definitivamente umas com outras.temporais. 3a. consideradas em sua relação com a teologia. pelo fim real da própria lei.

muito bem adaptado para um fim particular. a teoria de Darwin quanto à diferenciação de todos os organismos. e. As que executam a evolução ou antes aquelas em que é analisado o processo da evolução. Virchow. alteram-se as leis. como.Para com a primeira destas classes de teorias da evolução. tiveram necessariamente como causa. de átomos e energia mecânica. e não poderia ser gerada por aquilo que não tem vida. logicamente correlatados e persistentes. Esses ajustamentos nos quais. quando proposta para explicar o universo atual. executado por agentes inconscientes. ou o acaso ou a inteligência. deve fornecer uma explicação provável de todas as classes de fatos.. . Em vez de serem explicações. de diferenciação e reprodução sexuais. pág. mantidos pela lei da hibridade. (2) E muito filosófico e mais de acordo com a verdadeira interpretação do princípio científico de continuidade. possam desenvolver sensação. (4) Também a da consciência. A decisão madura da ciência de hoje (1878) é a que já se acha expressa no axioma antigo omne vi-vum ex vivo. operando sob a condição mútua de certos ajustamentos complicados. que admite que uma inteligência divina ideou e inaugurou o universo no princípio absoluto. que são deístas ortodoxos ou que referem todos os fenômenos do universo físico à ação dinâmica da vontade divina. por um agente inteligente". (1) Seria preciso ainda explicar a origem das leis da abiogênese. Toda teoria semelhante. como também da aplicação direta de meios adaptados para produzirem esse fim. mas sempre modos complicados de ação. naturalmente. Isso é reconhecido por todos os cientistas. (2) A origem da sensação. segundo a hipótese da evolução. (3) São incontestáveis as provas que a consciência moral do homem. em virtude de variações acidentais surgindo durante um tempo ilimitado. Mas é notório que todas as teorias da evolução puramente natural. 330. isso de modo algum afetaria as provas que nos fornecem a ordem inteligente e as adaptações notadas no universo. mas sinto-me obrigado a declarar que cada passo que temos dado para diante na província de antropologia pré-histórica tem-nos realmente afastado mais de qualquer prova de semelhante conexão (isto é. no seu recente discurso perante a Sociedade Alemã de Naturalistas e Médicos. baseia no acaso toda a lógica da evolução. de hereditariedade. de reprodução. devia achar-se latente toda futura ordem e vida. Não poderia existir na suposta neblina luminosa. Estabeleceria somente um método ou sistema de meios. deixam inteiramente de explicar os fatos seguintes: (1) A origem da vida. o teólogo natural sente. assim: "Tem sido demonstrado que um aparelho. Alterados os ajustamentos. em favor da imanência e operação eficaz de Deus. e não o modo da Sua relação para com o universo. a história e a revelação fornecem. Quanto à terceira classe de teorias da evolução que obscurecem ou negam. Este último ponto será elucidado em diversos capítulos subseqüentes. Mas mesmo se fosse possível provar como fato a evolução contínua. em todas as Suas obras. Huxley. O Prof. em Munich. é preciso que se refiram retrospectivamente aos ajustamentos originais dos elementos materiais da neblina luminosa. cabe-nos dizer: (1) Que o ponto que estamos procurando estabelecer agora é a auto-exis-tência de uma Primeira Causa inteligente. em gêneros e espécies. são elas mesmas efeitos muito complexos dos quais a razão exige uma causa intelectual. (3) Todas as leis físicas são o resultado das propriedades originais da matéria.g. 2o. consciência e vontade. Segundo Darwin. o testemunho que a ordem e a adaptação do universo são de uma inteligente Causa Primária do universo. pode ser o resultado de um método de tentativas e erros. (6) A origem do homem. de Berlim. o conceber-se a Primeira Causa como imanente no universo. só o mais amigável interesse. (3) Também a da inteligência e da vontade. (5) O estabelecimento de tipos distintos. (2) Leis nunca são causas. de ser o homem descendente de qualquer tipo inferior)". de variação das leis que. quer manifesta quer virtualmente. Segundo a teologia. porém em grau algum alteraria a natureza dos efeitos ou os atributos da causa real. Quanto à segunda classe. o resultado da coação de inúmeros agentes inconscientes. e como concorrendo orgânicamente com todas as causas secundárias e não inteligentes em todos os processos que são indícios de poder ou inteligência. razão. e caracteriza a grande maioria deles. descoberta por meio desses efeitos. em seu Criticisms on Origin of Species. mas nega que qualquer agente semelhante esteja imanente no universo dirigindo seus processos. cabe-nos dizer: Io. diz: "Saibam que me ocupo atualmente com especialidade no estudo de Antropologia. cada organismo é como uma bala de carabina atirada diretamente num alvo.

por isso. justa e inteligente. O argumento deduzido da ordem e adaptação descobertas nos processos do universo revela-nos que essa grande Causa Primária possui inteligência e vontade. que é um espírito pessoal. segundo Mill e Spencer."os organismos são como que metralhadora da qual uma bala ou poucas acertam em algum objeto. Não existem desde a eternidade. segue-se que essa característica foi estampada sobre os organismos pela natureza e que. assim também ninguém pode crer racionalmente que a ordem complicada e tão evidentemente intelectual do universo proceda do acaso. Essa responsabilidade está implícita especialmente no sentimento de culpa que acompanha toda violação de consciência. nem que uma coleção de tipos lançados ao acaso mesmo em número ilimitado de vezes possa cair em uma ordem tal que formem os dramas de Shakespeare ou Os Luzíadas por Camões. se os resultados são os ajustamentos mais cuidadosos para efetuar um fim determinado. Este grupo de argumentos pode ser assim exposto: 10. e as outras caem longe". . sem o trabalho humano. Exposição do argumento moral. na seleção natural (natural selection) é a natureza que escolhe. por isso. O argumento deduzido do desígnio inclui o argumento deduzido da causa. isto é. Nossas almas. Deus manifesta-Se e é reconhecido na consciência como uma vontade santa. bondade e verdade. e prova que a Causa Primária é benévola e amante do belo. O argumento cosmológico nos conduziu a uma Causa Primária eterna e auto-existente. porque: (a) são universalmente as mesmas. as provas fornecidas pela consciência moral e pela história da raça humana. Por conseguinte. (b) ou pelo ajustamento original do seu maquinismo. O argumento moral ou antropológico fornece dados novos para inferências. Consciência de si é a base fundamental de todo conhecimento. As adaptações encontradas na natureza. precisam de explicação. Dá-nos imediatamente o conhecimento de nós mesmos como existentes e como sujeitos a certos atributos e agentes em certas formas de atividade. confirmando as conclusões anteriores quanto ao fato da existência de uma Causa Primária pessoal e inteligente. e (b) do postulado de que o acaso. Isso implica em desígnio. e o argumento deduzido da justiça e benevolência inclui esses dons e acrescenta ainda um elemento novo que lhe é próprio. Segue-se que a alma humana foi criada. modificadas pelas associações divididas pela hereditariedade. até onde nos é possível examinar as suas relações para com criaturas sensíveis. e. (2) As leis da razão e o sentimento moral não podem ser explicados como o resultado de transformadas impressões do sentido. justiça. com todos os seus atributos. difere da antiga teoria já há muito abandonada do acaso. ao mesmo tempo. assim como ninguém pode crer que qualquer soma de tempo possa explicar a forma das facas de pedra e as pontas de seta de pedra. esses sentimentos são universais e necessários. simplicidade e espiritualidade. isto é. 2o. são caracteristicamente benéficas e dão testemunho de um propósito geral de promover a felicidade e satisfazer o sentimento do belo. ou por um Criador inteligente. A consciência implica sempre em responsabilidade para com um ser superior em autoridade moral e. porque: (1) A consciência dá testemunho da sua unidade. esta foi dirigida inteligentemente: (a) ou por uma inteligência imanente nos seus elementos. isto é. O homem é essencial e universalmente um ser religioso. um espírito santo e pessoal. operando durante um tempo indefinido. somente nos acidentes: (a) do uso enganador das palavras "leis da natureza". reta. (c) são necessárias e (d) soberanas sobre todos os impulsos. em caráter moral. Todavia. A moderna explicação científica dos processos do universo. 9. e desígnio de um especial caráter estético e moral. ou em seu todo organizado. pode fazer uma obra de inteligência. 3o. Tem os sentimentos de dependência absoluta e de responsabilidade moral inerentes em sua natureza. acrescentando a essa concepção os atributos de santidade. por meio só de causas físicas à exclusão da inteligência. (b) não podem ser analisadas. tampouco podiam ser desenvolvidas de elementos materiais. (4) Na criação artificial é o homem que escolhe. e seu Criador não pode deixar de ter atributos superiores aos da sua obra.

Os fenômenos da vida social e nacional. 10. provando-lhe que fossem quais fossem as dificuldades que se opunham à aceitação do Velho e do Novo Testamentos como livros que procederam de um ser perfeitamente sábio e bom.2. que deseja a felicidade de Suas criaturas e a isso presta alguma atenção. e sem dúvida depois de muitas lutas. a observação e as Escrituras Sagradas concorrem em revelar como fins muito mais exaltados e mais dignos da ação divina. A história inteira da raça humana. por um tempo considerável. e que.2. Pt. descobre uma ordem e um propósito morais que não acham sua explicação na inteligência ou no propósito moral dos agentes humanos que nela figuram. Ele considerava os argumentos de Butler como concludentes contra os únicos oponentes aos quais são dirigidos. o conservou. deve ser um monstro de crueldade e injustiça. e também as suas respostas ? Essas objeções baseiam-se nestes pontos: 1o. parece ter outros motivos para Suas ações. ele diz: "Ouvi-o dizer que foi a leitura da Analogy por Butler que produziu nele uma reviravolta sobre esse ponto. 3o. é onisciente e onipotente. argumenta como se fosse uma imoralidade abominável afirmar que o autor da natureza. crente na autoridade divina do cristianismo." Na sua Auto biography. porém. Como expor as objeções ao argumento moral. a manifestação da Sua própria glória e a promoção da mais exaltada excelência de Suas criaturas inteligentes. Por conseguinte. ficou em estado de perplexidade até que afinal. A intenção direta de todos os órgãos de que se acham providas as criaturas dotadas de consciência é. E essa obra. pouco podem alegar contra o cristianismo que não se possa alegar. são. as mesmas dificuldades ou maiores ainda se opõem à crença de que um ser de semelhante caráter seja o Criador do universo. sobre a qual continuava sempre a falar com muito respeito. a promoção do seu bem-estar. na maior parte dos casos. em seu Essay on Nature (Three Essays on Religion) assevera que é característico da "Natureza" infligir. reto e benévolo dos homens. Em seu Essay on Theism. ou mesmo ambos. ao mesmo tempo. a miséria e os sofrimentos incidentais desta vida podem ser os meios mais eficazes para promover esses fins. evidentemente. se a causa da natureza é uma vontade pessoal. cedeu à convicção de que sobre a origem das coisas. os motivos reais do ateísmo cético. e do desenvolvimento e difusão das civilizações e religiões. e a ausência de toda proporção entre a soma de felicidade concedida e o caráter moral dos que a recebem. por meio da educação e da disciplina. ou que estes livros registram os atos de tal ser. a dor e a miséria são incidentais. Os sofrimentos dos animais irracionais. da distribuição etnológica. contra eles. e sua inexorável falta de atenção ao bem-estar das criaturas dotadas de consciência. Estas dificuldades que de todos provam mais ou menos a fé. E certo que Deus não criou o universo com o único fim. E é evidente que a operação de inexoráveis leis gerais. com pelo menos igual força. A conclusão que tira das provas que cita. nem mesmo com o fim principal de promover a felicidade de Suas criaturas. A existência geral de males morais e físicos entre os homens. assim como nós a conhecemos. A invariabilidade mecânica das leis naturais. e motivos que têm para ele mais peso. ch. e ao mesmo tempo. e a cujo respeito é difícil crer que tenha criado o universo só para esse fim. A partilha desigual dos favores providenciais. A nossa razão. John Stewart Mill.4o. e também perfeitamente justo e benévolo de um mundo como este. que o único meio de absolvê-10 da acusação de ser cruel e injusto é negar que seja ilimitado o Seu conhecimento ou o Seu poder. absolutamente nada se pode saber". ele apresenta assim: "Um ser cujo poder é grande mas limitado. e essa história descobre também uma unidade de plano que abrange tudo. podem ser explicados unicamente pela existência de um governador e educador sábio. cuja inteligência é grande e talvez ilimitada. 2o. até onde é conhecida. sofrimentos e a morte. 4o. 2o. mas talvez mais limitada ainda do que é o seu poder. RESPONDEMOS: 1o. Mesmo a morte súbita e . Os que admitem a existência do Criador e Governador onipotente. absolutamente justo e benévolo. e limitado de um modo que nem podemos conjecturar. todos os povos e todos os séculos. sem piedade. não encontrando lugar de descanso no deísmo. falando de seu pai James Mill.

na Pessoa de Jesus Cristo. a Causa Primária. a favor da existência de Deus. veremos que aquilo que agora nos parece anômalo e incompatível tanto com a sabedoria perfeita como com a bondade perfeita. nós. Levam o . quer como castigos cuja intenção benévola é o nosso melhoramento moral. A origem do pecado é confessadamente um mistério. e as formas principais sob as quais esses argumentos têm sido apresentados. 3o. A verdade do teísmo é demonstrada na Pessoa de Jesus. de que na providência divina até o pecado terá de servir para manifestar mais plenamente as perfeições de Deus. 5o. revelado nas Sagradas Escrituras. em todos os séculos. mesmo quando O revela. Argumentos a posteriori são os que. A revelação sobrenatural que Deus manifestou. Exposição das provas bíblicas. e sim estão pressupostas em toda a nossa experiência. provavelmente. Sendo o homem criatura finita. o valor desse princípio. interpretadas por uma ordem de profetas dotados sobrenaturalmente e registradas nas Escrituras Sagradas. 6o. mediante um processo histórico de intervenções especiais em sucessão cronológica. e que os caracteres e destinos diversos exigem disciplina diversa de educação. porém. Exposição do princípio em que se baseiam os argumentos. Mas o nosso discernimento deles é necessariamente limitado pela imperfeição dos nossos conhecimentos. O Deus que a natureza encobre. a priori. ilustra essas mesmas perfeições que fomos tentados a julgar obscurecidas por certas anomalias. santidade e amor. Não são generalizações tiradas da experiência. é inevitável que as automanifestações de Deus na natureza sejam imperfeitamente apreendidas por nós. Assim. culpada e moralmente corrompida. 12. suplementa a luz da natureza. se deduzem das causas ou dos princípios. e daí por diante não mais será aceita senão por aqueles que lealmente reconheçem Sua soberania sobre a inteligência. atenuado em parte. discernir no universo provas de uma sabedoria ou bondade que fosse infinita ou mesmo perfeita. as Sagradas Escrituras no10 apresentam descoberto. 11. inteligente e reto. que os sofrimentos a que estamos sujeitos nesta vida são as conseqüências diretas e merecidas dos pecados dos homens. e contribuir para promover a excelência moral e a felicidade da criação inteligente. e essas desigualdades e desproporções apontam para reajustamentos futuros. As desigualdades das cotas concedidas pela providência e a desproporção entre o bem-estar e o caráter moral dos homens nesta vida resultam do fato de não ser este mundo lugar de recompensas e castigos. quer como penas. dos fatos da experiência. em todos os homens. a maior soma possível de alívio no campo dos sentido. explica os mistérios da Providência e dá-nos os princípios de uma verdadeira teodicéia.violenta dos animais irracionais promove.g. Estes atributos são indicados como fatos e características gerais da natureza. no estado atual dos nossos conhecimentos. e Governador moral. Almeida). revelados na Bíblia (Sal. por meio dos argumentos precedentes mediante os fatos da consciência e da natureza exterior. e também pelo fato. temos sido conduzidos ao conhecimento de Deus como um espírito pessoal. 73. Argumentos a priori são os que procedem das idéias necessárias da razão e vão às conseqüências necessariamente deduzidas delas. 4o. poderosa. em toda a perfeição da sabedoria. e. A consciência tem ensinado aos homens. quando tivermos adquirido conhecimentos mais adequados. ou às verdades necessárias nelas incluídas. sábia e benévola. pela consideração de que é o resultado do abuso da dádiva melhor e mais valiosa que nos foi concedida. a consciência e a vida. Nem o argumento teleológico nem o moral envolvem a asserção de podermos. Quem vem a Cristo vem a Deus. Mesmo no juízo só da razão é infinitamente provável que. a agência livre e responsável.. E certo que as intuições das verdades necessárias são as mesmas.

e tudo o que os nossos sentidos podem alcançar. o termo significa agora a negação da existência de um Criador pessoal e Governador moral. O nome foi aplicado pelos antigos gregos a Sócrates e a outros filósofos. pode ser não criado. como nós a concebemos. Por isso existe um Ser infinitamente perfeito porque. a idéia que temos de um Ser infinitamente perfeito. não dependendo do estado subjetivo da consciência pessoal. mas anterior e superior a todas as coisas. Essa causa não pode deixar de ser eterna. 89. do mesmo modo que o idealismo subjetivo é possível. expõe o argumento assim: temos a idéia de um Ser infinitamente perfeito. Se bem que a crença na existência de um Deus pessoal seja o resultado de um reconhecimento espontâneo de Deus. da qual seja a essência? Temos visto que a nossa razão só se pode contentar com uma causa que não teve causa. e efeito de uma inteligência. Seu argumento é que o tempo e o espaço são infinitos e existem necessariamente. a não . em suas Meditationes de prima philosophia. um Deus que não seja ilimitado em todas as Suas perfeições . Só o Autor do universo.Dr. para indicar que eles não se conformaram com a religião popular. faltaria à perfeição infinita. como no caso de chegar-se à conclusão de que: (a) Deus não existe. O ateísmo especulativo pode ainda ser (1) Dogmático. e as idéias levam a convicção de corresponderem à verdade. a fonte de todo o poder. Que é ateísmo? Ateísmo. pois. como também as da eternidade. Anselmo. manifestando-Se na nossa consciência e nas obras da natureza. AS PRINCIPAIS TEORIAS ANTITEÍSTAS 13. eterna.é uma concepção autocontraditória que a inteligência recusa-se a aceitar" . Isso não pode ser de nós mesmos. imutável. 1). em seus tratadosMonologion eProslogion. pt.suposição que não se pode conceber . em conexão com outros assuntos. Especulativo. até onde pode alcançar a razão natural. ou esta a pode formar. em nossas mentes. Mas existência é um elemento necessário para a perfeição infinita. Foi aplicado também. Aquele de quem vem toda a boa dádiva e todo o dom perfeito. no mesmo sentido. pág. 3o. o fundamento de verdades eternas. ser que sejam inteiramente ilusórias . g. 2. essa idéia nos foi comunicada necessariamente por um Ser infinitamente perfeito". universais e imutáveis. Têm validade objetiva. Que seria. Herbert Spencer. Theism. Contudo não são substâncias. auto-existente. que pode ser a base. O Dr. produzido por especulações sofísticas ou pela indulgência de paixões pecaminosas. como no caso de só duvidar-se da Sua existência e de negar-se . e por conseguinte. um elemento essencial à perfeição. Logo. diz também que essa idéia representa uma realidade objetiva. na proporção da sua clareza e (2) porque é necessária. prop. pág. o expõe assim: "Não podia ter origem numa fonte finita. Existe sob as seguintes formas: 1. infinito e perfeito. Isso completa a idéia de Deus.devem ser atribuíveis a algum ser. As conclusões dos argumentos a posteriori não satisfazem nem a inteligência nem Q coração. ou (b) que as faculdades do homem são incapazes de averiguar ou verificar a Sua existência (e. Não podem ser atribuídos ao universo. Temos. ainda assim o ateísmo é possível como estado anormal da consciência. significa negação da existência de Deus. auto-existência e imutabilidade. Prático. 1o. Flint. o Pai do nosso espírito. 291. Descartes (1596-1650). First Principies. porque já se mostrou que este não é senão um efeito. as idéias e intuições da infinidade e perfeição. enquanto não são ligadas à intuição da razão sobre a infinitude e por esta suplementadas. contingentes e imperfeitos. auto-existente e imutável.cunho da universalidade e da necessidade.. 2o. necessárias. 2. aos cristãos primitivos. O mesmo filósofo. porque: (1) é idéia muito clara. nem de coisa alguma ao alcance de nossos sentidos porque nós. (2)Cético. Arcebispo de Canterbury (1093-1109). a não ser uma natureza infinita. uma Pessoa. Segundo o uso estabelecido em todas as línguas modernas. Samuel Clarke publicou em 1705 sua Demon-stration ofthe Being and Attributes of God. de outro modo. não condicionado. existe necessariamente uma substância eterna e infinita da qual são propriedades. segundo sua etimologia. sabedoria e bondade manifestados no universo. A concepção de um Deus que não seja infinito. somos finitos. nem da natureza das coisas. e dá também consistência à idéia. "Estas. A única j questão é então: de que Ser? Deve ser dAquele que já provamos ser a Primeira Causa de tudo.

todos os que entre eles eram também teístas. F. as teorias de Darwin e Spencer. g. a teoria oposta ao Monismo) é a doutrina de existirem no universo duas essências genericamente distintas: matéria e espírito. O movimento começou com os deístas ingleses. e. Phil. apareceu como a contra-parte exotérica do panteísmo. Early Years of Christianity. foi representado essencialmente pela antiga escola dos racionalistas naturalistas que o admitiam com uma forma branda e inconseqüente do socinianismo. onde teve como representantes Lessing e Reimarus (Wolfenbüttel Fragmentist). Neste sentido. Teve origem no culto da natureza. Mill em seus Essays on Religion. Algumas das seitas dessa religião sustentavam o dualismo na sua forma absoluta. como na Africa Central e Ocidental. eram realmente dualistas cosmológicos.Manual Hist. Ormuz e Ahriman . Clarke. Tulloch. Daí passou para a Alemanha. Que é dualismo? O dualismo (em Filosofia. Modern Atheism. Theism. Veja Ulrici. sendo aí filho de uma filosofia panteísta. nos Oxford Essays. Segundo ela. no segundo século da era cristã. e J.se na tendência ascética da Igreja Cristã Primitiva. e os necessitarianos. Entre os gregos. o gênio e a civilização relativa dos diversos povos. Hobbes (1680). Christ and other Masters. Que é deísmo? O deísmo (de deus). invadindo a Igreja e a teologia. Passou para a França. enquanto se conservava na Caldéia e na Arábia. Este princípio dominava entre as diversas seitas cristãs espúrias e gnósticas. Buchanan. Flint. g. Theism.emanaram de uma suprema divindade abstrata. Depois tomou formas especiais. e referiam todo o mal à hute. Eichhorn . Thomas Paine (1809). segundo as tradições. Max Müller. Todos os antigos filósofos pagãos criam na existência eterna e independente da matéria e. entre muitos deuses limitados. g. como fazem os panteístas. Lorde Herbert de Cherbury (1581-1648).o caráter conclusivo das provas geralmente apresentadas a favor dessa existência. Na índia. em Old and New. Myth. Hero Worship. Bolingbroke (1678 -1751). e sua influência no mundo oriental manifestou. tem-se desenvolvido ao extremo o mais extravagante. e no sistema de Manes. materialistas. especialmente das estrelas e do fogo.. onde veio a ser representado por Voltaire e pelos enciclopedistas. como e. mas nega Sua presença diretora no mundo. e. Compar. substituiu o monoteísmo primitivo. por conseguinte. tanto a respeito do número quanto ao do caráter de seus deuses. no terceiro século. se bem que etimologicamente seja o mesmo que teísmo (de theos). God and nature e Review of Strauss. a matéria auto-existente.. Shaftesbury. Strauss. (c) de se adotarem explicações do universo que excluem (i) a agência de um Criador e Governador inteligente. e. S. (ii) ou o governo moral de Deus e a liberdade moral do homem. Pressensé. tornou-se o veículo para a expressão do seu humanitarismo mais apurado na apoteose de homens heróicos. a doutrina comum do cristianismo é dualista. idealistas absolutos. Carlyle. ou com a possibilidade de adquirirmos algum conhecimento a esse respeito. (b) de se negarem alguns dos atributos essenciais da natureza divina. Entre os selvagens mais grosseiros degenerou-se até ao fetichismo. que tinha por fim explicar a existência do mal. Que é politeísmo? O politeísmo ipolys e theos) distribui as perfeições e funções do Deus infinito. tem sido distinguido desde meados do século 16 eé o nome dado ao sistema que admite a existência de um Criador pessoal. 16. Tyler. Seu imediato governo moral e toda a intervenção e revelação sobrenaturais. Church History. Veja J. antes que na revelação dos deuses encarnados. representado nos mais antigos Vedas dos hindus e que. etc. Tennemann. A religião de Zoroastro era um dualismo mitológico. Neander's. (3) Virtual. Sempre que o politeísmo esteve ligado a especulações. No princípio. Ten Religions. Theology of Greek Poets. em tão pouco tempo e radicalmente. consistia em culto dos elementos. Akerenes. em geral. 15.. positivistas. Hardwicke.os princípios pessoais do bem e do mal . como no caso (a) de se manterem princípios essencialmente incompatíveis com a existência de Deus. Prof.. 14.

assim como este cedeu. Hurst. Não foi a inteligência que precedeu e produziu ordem e organização. e que adquiriram o costume de dirigir sua atenção exclusivamente aos objetos sujeitos aos nossos sentidos. Of Rationalism Analogy. mas são estas que. Hist. não há nem espírito nem matéria. entrelaçadas em todas as suas partes e. of Free-thought. volição. ao ateísmo materialista. nem Deus nem homem. Por mais que os analisemos. Theology. infinito ou não condicionado. a relação. sentimento. toda moralidade e toda religião. seriam dissolvidos o dever e a verdade. sempre distintas . a consciência é uma mentira e a liberdade da vontade é um absurdo... Farrar. a saber: uma árvore. . nota C. Diz Huxley que a vida. etc.Vocabulary of the Philosophical Sciences. como alguns pretendem a respeito de substância. o mero dualismo naturalista cedeu ao panteísmo. RESPONDEMOS: Io. Na Alemanha. ou funções de uma organização material. mas não são nada menos do que manifestações do absoluto. Isto é idealismo subjetivo. View of Deistical Writers. e uma mente que apreende essa imagem. nem céu nem terra. são propriedades da matéria.P Krauth. Segundo esse. igualmente reais ou ideais. e a outra a uma substância chamada matéria. os fenômenos chamados pensamentos. E não sendo possível fundir os fenômenos de uma dessas classes com os da outra. Strauss. A doutrina oposta ao idealismo é o realismo'''' . Na seguinte passagem de Lewes. produzem inteligência. Critical Hist. Ela tem sido mantido sob diversas formas. Se os fenômenos da consciência podem ser resolvidos em modificações de matéria e energia. D. isto é. D. é o resultado da "mecânica molecular do protoplasma". referimos uma classe a uma substância chamada espírito. então todas as verdades conclusivas e necessárias são impossíveis. O eu ca árvore só são dois termos da relação. e lhe devem sua realidade. uma imagem dessa árvore. ultimamente. ou antes. ao mesmo tempo. inércia. No entanto. e. Os psicologistas comuns me dizem que neste fato da vista acham-se implicadas três coisas. que todos os fenômenos do universo podem achar explicação nos átomos e na energia. 1878. Os darwinianos alemães chamam esse sistema o desenvolvimento mecânico causal do universo. Foi representado na América pelo falecido Theodore Parker. os da outra pela sensação. e ainda o é pela extrema esquerda do partido chamado Cristãos Liberais. A única coisa que existe (nesse fato da vista) é a idéia. Isso é idealismo objetivo. consciência. e conhecemos os de uma classe tão direta e certamente como os da outra." Veja Reid.Hist. 18. Hegel me diz que todas estas explicações são falsas. Por isso caem no erro fundamental de afirmar: (1) Que há só uma substância. entre os alemães: "Vejo uma árvore. Fichte me diz que sou eu só que existo. (2) Que inteligência. 17. Que é materialismo? Logo que começamos a refletir. Os materialistas são uma classe de filósofos superficiais nos quais a consciência moral não está muito viva. Os de uma classe conhecemos pela consciência. desenvolvidas por leis inerentes na matéria.formando uma dessas classes. Boyle Lectures por Van Mildert. Protest. Veja Leland. não podemos nunca fundir os fenômenos de uma classe com os da outra. g. ficamos cônscios da presença de duas classes de fenômenos. sentimentos e vontade. os objetos conhecidos imediatamente são idéias. Schelling me diz que tanto a árvore como o meu ego (o eu) são existenciais. o dever não obriga ninguém. Nesse caso. por Butler. por Hamilton.(1752-1827). Wegscheider (1771 -1848). por C.. Que é idealismo? "Idealismo é a doutrina de que. Esta não é nenhuma teoria recôndita. etc. e de explicar os fenômenos físicos por meio de concepções mecânicas. nas percepções externas. ou modificações de energia conversível. pode-se ver quais são algumas das formas do idealismo moderno. a honra e a esperança. em algum modo de movimento. e por conseguinte a organização. Dorner. A árvore e sua imagem são uma coisa. Paulus (1771 -1851). Isso é idealismo absoluto. e esta é uma modificação da minha mente. e a outra os chamados extensão.

a base de todas as formas da filosofia . nem segundo parece. por meio de uma evolução eterna. A individualidade intensa das ciências físicas do presente século tem reagido de um modo poderoso sobre o panteísmo. i 19. em escala maior ou menor. procedem respectivamente os mundos físico e intelectual. é absurda.000 anos. que mantém a identidade absoluta do pensamento e da existência como determinações do único Espírito absoluto. não possuímos o órgão intelectual. afastando Deus e elevando o homem. parece--me que se tem exposto a posição do materialista. etc. é chamado por Jacobi e Schleiermacher de o mais fervoroso e reverente dos místicos. e que está num processo de dispersão. até onde essa posição é sustentável. Creio que o materialista conseguirá. toma uma aparência puramente naturalista e representa o mundo como absorvendo a Deus. Logicamente torna as duas impossíveis.. de 29 de agosto de 1868) diz: "É impossível imaginar a passagem da física do cérebro para os fatos correspondentes da consciência. faculdades e poderes. é racional. possa passar além disso. da energia. (2) O panteísmo materialista de Strauss. tem lugar no cérebro uma ação correlativa. Na realidade não explicam nada". a responsabilidade moral é um preconceito. (1) O panteísmo de uma só substância. Como filosofia. é tal a flexibilidade do sistema que ele. os costumes e a mitologia do povo. que mantém a identidade absoluta do sujeito e objeto. da vontade e da consciência como modificações da matéria ou força. A explicação da matéria por meio do espírito. Deus é (to on) existência absoluta. e sob a forma contrária. ou enfim a de ambos. e tudo é Deus. o sobrenatural é impossível e a religião é uma superstição. de Spinoza. como se vê na recente degradação do panteísmo para o ateísmo. que é Deus. Modos panteístas de pensar formavam.que é só veículo da energia. pois. que possui dois atributos -pensamentos e extensão . porém. força. toma uma guisa mística e representa a Deus como a pessoa universal que absorve o mundo em Si. da qual cada coisa finita é uma forma diferenciada e transitória. Esta doutrina pode naturalmente tomar formas muito diversas. Não creio que tem o direito de dizer que seu agrupamento molecular e seus movimentos moleculares explicam tudo. porém. que Pascal e Bossuet declararam ateísta. etc. é o da índia. é uma ilusão. da matéria sabe-se que não o é .dos quais. A razão pode contentar-se com a primeira. Mesmo concedendo que um pensamento definido e uma definida ação molecular no cérebro têm lugar simultaneamente. mas não pode contentar-se com a outra. inconsciente e necessária. a respeito destas. Que é que ele sabe da natureza real do átomo. Como religião. e de Hegel. Der Alte und der Neue Glaube.? 3o. mais persistente e mais espalhado de que temos notícia na história do mundo. do que o homem científico tem da matéria. Como questão de fato. e que quando pensamos. A teoria é parcial e sem provas. Deus só chega à consciência de si no homem: a consciência da livre determinação pessoal de si no homem. durante 4. Da inteligência. tem aparecido sob três formas principais: a Sanckhya. sob uma forma. Feuerbach. e propõe-nos a raça humana em seu desenvolvimento sempre culminando como o único objeto de reverência e culto. Segundo ele. e mantém que o inteiro universo fenomenal é a forma em constante mudança da existência da única e exclusiva substância universal. Mas a explicação dos fenômenos da inteligência. Da alma humana sabe-se que é uma causa absoluta. (3) O panteísmo idealista de Schelling. ou a personalidade moral de Deus ou a do homem. sabe-se que é a causa da ordem e da organização.2o. Que é panteísmo? Panteísmo (panthéos) é monismo absoluto. afinal. O mesmo Spinoza. a Nyaya e a Vedanta. temos conhecimento mais direto e claro da alma e de suas intuições. não podemos imaginar como poderiam ser as causas da inteligência. É óbvio que o panteísmo. O panteísmo mais antigo. substituindo o idealismo pelo materialismo. o rudimento de tal órgão que nos habilitaria a passar por um processo de raciocinar de um desses fenômenos para outro. nos casos de Strauss. gravidade. na constituição atual da mente humana.. Tyndal (Athenoeum. Assim. Deus é tudo. tem modelado o caráter. em todas as suas formas. Este sustentava que Deus é a única substância absoluta de tudo. sustentar essa posição contra todos os ataques. da força e da ordem por meio da inteligência e da vontade. necessariamente nega. Mesmo assim. Quando se afirma que o crescimento do corpo é processo mecânico. porém não creio que.

Gentile and Jew. e.Edwards on Original Sin. Tornou a aparecer. Veja Hunt. capítulo 3. Londres.Faith in God. Histoire de la Philosophie Moderne. g. Edimburgo. Dõllinger. 1863. Isso é verdadeiro quanto a todos os sistemas que afirmam a impersonalidade do infinito e absoluto. O mesmo é verdadeiro também quanto a todos os sistemas que representam a preservação providencial como uma criação contínua. e o Hylozoísmo de Averróes (f 1198) que supõe a co-eternidade da matéria e de uma anima mundi plástica e inconsciente. Sanscrit Lit. Hist. Max Müller. g. 1863. e especialmente a da escola neoplatônica de Plotino (205-270). Porfírio (233-305). e Jâmblico (f 333). e que resolvem todos os atributos divinos em modos de causalidade. e terminou com os discípulos de Schelling e Hegel..Modern Pantheism. ponto 4. Hist. A mesma categoria pertence. etc. e. Buchanan. negam a eficácia real das causas secundárias e afirmam que Deus é o único agente no universo. Ritter. Além do panteísmo puro. tem havido uma variedade infinita de formas impuras de panteísmo virtual. também.. Giordano Bruno (f 1600). no ensino de João Scotus Erigena (nasceu em 800) e no dos neo--platônicos da Renaissance. O panteísmo moderno começou com Benedito Spinoza (1632-1677). e Emmons. Cousin.Anc..Essay on Pantheism. Saisset. Ancient Philos. a doutrina fantasiosa das emanações que era a feição principal das teosofias orientais. ..grega. Londres. 1866.

opiniões extremas têm sido admitidas quanto à possibilidade e validade da teologia natural. e inaugurou o movimento com seus Discursos 2.(1) Pelo testemunho das Escrituras. embora fosse imperfeito. que algum conhecimento do ser de Deus já se pressupõe logicamente pelo reconhecimento de uma certa revelação sobrenatural advinda dEle. compreende como seu campo tudo quanto nos tem sido revelado de diversos modos sobrenaturais a respeito de Deus e Sua relação com o universo. Pergunta 1. Rom. o conhecimento de Deus que as faculdades humanas podem agora deduzir dos fenômenos da natureza.g. Muitos racionalistas sobre-naturalistas alemães. somente mediante a luz da natureza? Aqui é necessário fazer-se. que negam ou a possibilidade ou o fato histórico de uma revelação sobrenatural. e que devemos as nossas primeiras informações válidas quanto à existência de Deus a uma revelação sobrenatural. 3..15. e. 2a. a razão humana. e especialmente com o homem. Capítulo 1. A teoria de Schleiermacher e da Escola Transcendental. precisando ser reforçadas somente porque os homens não lhes prestam bastante atenção. suficientes. a existência objetiva de Deus como um Espírito pessoal e extra-terreno? (2) Que é que se pode averiguar legitimamente a respeito da verdadeira natureza de Deus em si. e. Teologia natural. e em distinção da teologia revelada ? Ia.. Quais as principais respostas dadas à pergunta : qual é a fonte ou norma autoritativa do conhecimento em teologia? 1a. e. Quais as duas grandes seções em que se divide a teologia? Ia. e que estas são. 2a. Que . independentemente de todas as sugestões fornecidas pela revelação sobrenatural. com cuidado. Esta doutrina é refutada abaixo. enquanto admitem o fato histórico de uma revelação sobrenatural.g. pela luz de uma revelação sobrenatural. sustentam que esta tem por fim unicamente reforçar e ilustrar as verdades que nos são dadas na teologia natural. que é a ciência que se propõe estas duas perguntas: (1) Seria possível estabelecer. por meio das provas fornecidas nas Suas obras. sendo ajudadas. 2. o conhecimento de Deus adquirido por alguns dos filósofos pagãos. a teologia de Platão e a de Cícero. 1:20-24. (3) A validade da inferência deísta deduzida dos fenômenos da consciência e do mundo exterior foi vindicada no Cap. por provas satisfatórias. de per si. Ele foi pregador e professor em Halle e em Berlim de 1796 a 1831. autor de Teologia Medianeira.g. de não existir realmente uma ciência de teologia natural.. e 2:14. pressuposta a teologia natural. A dos deístas ou teístas naturalistas. Há cristãos que sustentam o extremo contrário. e a respeito de Suas relações com o universo. a teologia dos racionalistas modernos. e por outro lado. de per si.3 Os Mananciais da Teologia Definição geral de teologia. etc. (2) Pelo testemunho da experiência. uma distinção entre o conhecimento a que pode chegar. Perguntas 7 a 10. mesmo sem reconhecerem. e especialmente com os homens. Teologia revelada é a ciência que. e mantêm que a teologia natural descobre-nos tudo quanto é possível ou necessário que os homens saibam agora a respeito de Deus e Suas relações conosco. 1. (4) E evidente. Isso é refutado .

(2) Não condiz com a convicção uniforme dos cristãos: de que o cristianismo é um sistema de fatos e princípios revelados divinamente. num sentimento de dependência absoluta. outras tantas variações conciliáveis da mesma verdade fundamental. (a) Elas nunca prometem uma iluminação que leve os homens além do próprio ensino delas. independentemente da sua revelação nas Escrituras. como sistema remediador. Perguntas 7 a 10. e só eles. Nenhuma forma de intuição no-los pode ensinar. Se essa doutrina fosse verdadeira. e (c) testifica que essa "luz" produziu sempre uma depreciação irreverente das Escrituras. assim. (b) testifica que essa "luz interior" nunca levou nenhum indivíduo ou comunidade ao conhecimento da verdade salvadora. 3a. comunicando verdades objetivas. segundo cremos. em geral. por ensinar a direção prática e a iluminação do Espírito Santo no coração de todos os homens crentes. ou. (3) Não nos dá nenhum critério da verdade. ou da inspiração geral de todos os homens. assim também a comum consciência cristã da Igreja é aquilo para o que devemos apelar em todas as questões da fé cristã. Dirigidos aos Instruídos Entre os que a Desprezam. a qual. é a regra de fé. é gerada em cada indivíduo pelas suas relações sociais. e dos quais podemos ter conhecimento certo só por meio de uma revelação sobrenatural. os quais. OBJEÇÕES: (1) Esta doutrina contradiz as Escrituras. e A Fé Cristã sob os Princípios da Igreja Evangélica. E assim como a consciência humana. O cristianismo consiste naquela forma específica dessa consciência religiosa constitucional que foi gerada no peito de seus discípulos pelo Deus homem. Jesus Cristo. inspirada nas pessoas. quanto à sua natureza . Ele tomava a religião como uma espécie de sentimento. isto é. na sua totalidade. OBJEÇÕES: (1) Esta doutrina não condiz com a natureza do cristianismo que. 1799. o órgão das verdades religiosas. é necessário que saibamos para que se tornem eficazes. independentemente da revelação objetiva. O postulado comum de todos os racionalistas. e porque toma a "luz interior" como o testemunho que o Espírito Santo dá ao homem e com o espírito do homem. A teoria de uma Igreja inspirada. porque (1) pretende chegar ao conhecimento da verdade. experimentam todos os crentes verdadeiramente regenerados. mantida pelos Quacres. (4) Não condiz com o que ensinam as Escrituras Sagradas. Esta doutrina difere do racionalismo porque faz dos sentimentos. todas as diversas doutrinas dos diversos partidos da Igreja seriam.que ela é uma revelação. que ela é a Palavra de Deus. (2) E refutada pela experiência que (a) testifica que a "a luz interior" não dá nenhum critério por meio do qual se possa determinar a verdade de qualquer doutrina. é gerada em comunhão com aquela sociedade (a Igreja) que Cristo fundou e da qual Ele é o centro da vida. a qual consiste. 5a. Esta teoria é considerada e refutada abaixo. 5. a consciência cristã. e não as Escrituras. e no transcurso do tempo. e não só no dos fundadores oficiais e primeiros mestres da Igreja. em geral. do lado intelectual numa intuição de Deus. de todos os cristãos.sobre Religião. e quanto à necessidade para a salvação das verdades assim comunicadas. de ser a razão a fonte e medida de todo o nosso conhecimento de Deus. E assim como as instituições comuns dos homens são aquilo para o que se apela em último recurso. ao menos. Difere da iluminação espiritual que. necessaria e tão-somente. A doutrina verdadeira e protestante. Esta teoria é refutada no Cap. e sustentava que ela se baseia em nossa consciência constitucional de Deus. de que as . e do lado emocional. (b) Ensinam que a revelação objetiva dada nelas é absolutamente necessária à salvação (Rom: 11:11-18). e os torne independentes desse ensino. desordem e confusão. baseia-se em certos fatos históricos. 4a. ou ao menos no ensino oficial de seus pastores e mestres principais. e não da razão. em todas as questões dos conhecimentos naturais. nem com o que ensina explicitamente. A mística doutrina da "luz interior". e (2) afirma que pertence a todos os que queiram prestar-lhe atenção e obedecer-lhe. segundo ele. 1821. Difere da nossa doutrina da inspiração. 2a.

Outros entendem pelo termo "razão" o entendimento. nega. Nesta controvérsia. falecido em 1751) foi o pai do racionalismo crítico. designamos com o termo "razão" a inteira faculdade natural que o homem possui para. Foram . No seu sentido histórico o racionalismo.Escrituras Sagradas do Velho e Novo Testamentos. Alguns entendem por ela o órgão por cujo meio apreendemos intuições superiores. suas doutrinas.Hurst. e uma regra de fé e prática infalível e de autoridade. Qual o sentido exato em que o termo "razão" é empregado por aqueles que a contrastam com a fé como a fonte do conhecimento religioso? O termo "razão" é empregado em sentidos diversos pelas diversas classes de racionalistas.rei da Prússia. os afetos e as emoções. e manifestou-se. ou a possibilidade de poderem os homens chegar a ter qualquer conhecimento do sobrenatural. de Schelling e Cousin. Chamam razoável aquilo que está de conformidade com esse hábito ou essa massa de opiniões por eles aceitas. na interpretação da Bíblia. Com os racionalistas. Compreende. a necessidade ou a possibilidade. operando em condições naturais e independentemente de auxílio sobrenatural. 5. e os documentos em que se acham contidas. Embora pessoalmente devoto. History of Rationalism. por conseguinte. sendo inspiradas por Deus. a imaginação. devem todos ser sujeitos à razão humana como supremo árbitro. que essa revelação. O termo "racionalista" é mais geral. o princípio da "acomodação". contudo. de Schleiermacher. e a intuição do infinito. Introduziu. e a única fonte e norma autorizada da teologia cristã. e que faz uso ilegítimo da razão na interpretação das Escrituras e suas doutrinas. à exclusão de todas as outras fontes e normas. As causas a que se deve atribuir foram: (a) O estado abatido em que se achava a religião em todos os países protestantes. penetrou na massa da literatura teológica alemã e culminou nos últimos anos do século 18 e nos primeiros do século 19. o entendimento. discípulo de Leibnitz. ou rejeitados e interpretados. como seu fundamento e norma a massa inteira dos conhecimentos e opiniões hodiernas. e incluímos nela as intuições. numa classe dos escolásticos medievais e nos discípulos de Socino. tem sido ativo sempre numa ou noutra forma. de um modo notável. por conseguinte. Tais são a consciência íntima da existência e atributos de Deus. Entre os seus principais representantes sobressaem os nomes de Bretschneider. ele examinava arbitrariamente a canonicidade dos livros das Sagradas Escrituras. para serem por ela avaliados e acreditados. as verdades necessárias e conclusivas. de Newman e Parker. substituiu-as por suas próprias idéias subjetivas do que convinha. se é que esse existe. e o de Wegscheider na teologia dogmática. (b) A influência da filosofia formal e do dogmatismo de Wolf. porém. Esta tendência. sustentando que. 4. ou a faculdade lógica de observarmos. (d) A influência dos incrédulos franceses reunidos na corte de Frederico o grande . e também os sentimentos morais de intuição. (c) A influência dos deístas ingleses. Sua forma moderna e mais extrema teve origem na Alemanha em meados do século passado. ou a realidade do que se chama sobrenatural. e sem fazer caso das provas históricas. mantêm. chegar ao conhecimento da verdade. além de muitas verdades positivas. Semler. e nega por isso. Que é Racionalismo? "Naturalista" é quem sustenta que a natureza é uma esfera completa em si e inteiramente independente. ou o fato de uma revelação sobrenatural. a razão é o último fundamento e juiz da fé. embora admitam o fato de uma revelação divina. Praticamente todos os homens dão o nome respeitável de "razão" ao seu próprio hábito e atitude de espírito. Cristo e Seus apóstolos ensinaram também muitas coisas em "acomodação" às idéias geralmente aceitas entre os seus contemporâneos . professor em Halle. (nascido em 1725. e em diversos graus. como uma forma da incredulidade que brotou no meio da própria Igreja Cristã. opiniões e preconceitos de que seus ânimos estão cheios. são para nós a Sua Palavra. muito reforçada depois mediante a influência de Lessing e Reimarus o Fragmentista de Wolfen-büttel. com a inteira massa organizada de conhecimentos. Eichhorn e Paulus na teologia bíblica. por meio dela. julgarmos e tirarmos inferências dentro da esfera da experiência. Inclui os naturalistas de todos os graus e também todos os que.

New York. explicam as Sagradas Escrituras de forma que não lhes fica base histórica de fatos. na Alemanha. Os milagres. C. Scribner. a uma reação para a ortodoxia. em última instância. Esta classe de questões já foi discutida acima. Essa tendência. Jowett e Williams. Germany: its Universities. Stanley. com sua teoria Mística-. ao mesmo tempo. Estas descansam todas nos defeitos que se alega acharem-se nas provas históricas da genuinidade e autenticidade dos diversos livros do "cânon sagrado". D. em geral. Quais as duas classes em que se pode agrupar todas as bases argumentativas de oposição ao cristianismo histórico? Ia. por um lado. e de um ou de outro modo. na Escócia. tem sido representada proeminentemente por Christiano Baur. na escola dos cristãos liberais e na relaxação geral da fé. com sua teoria de Tendências. tem-se manifestado no caráter da opinião teológica na Inglaterra e América. que nega a imanência de Deus nas Suas obras. sua base histórica de fatos.especialmente os dois últimos que. Strauss. a base do qual é um modo panteísta de pensar. cujo quartel-general foi a cidade de Tubingen. Theology and Religion. com sua teoria Legendária. D. superstição ou parcialidade dos escritores. E isso o que. Appleton & Co. e o naturalista científico. Nega necessariamente o sobrenatural e postula como princípio fundamental. que limita os conhecimentos do homem a fenômenos e suas leis de coexistência e seqüência. History of German Protestantism. Clarke Ed. tinham em conta de homem bom. Desta classe de questões trata-se nas seções de Introdução Bíblica e Hermenêutica. e o cristianismo original eles consideravam como uma espécie de socialismo filosófico. por Kahnis. receberam novo impulso a especulação teológica e a interpretação bíblica. Isso deu lugar. S. New York. o deísta. e que a "razão" é o juiz supremo quanto aos livros que se devem ter por canónicos e também quanto ao que ensinam. de que estas não têm nela sua origem? São. e os milagres relacionavam a causas naturais. President Hurst. que se nota em toda parte. Quais os argumentos em prova de que a razão não é. e nega também ou torna remota ou obscura a Sua relação conosco como Governador moral e Pai espiritual: o panteísta. Schelling e Hegel. ao mesmo tempo mantiveram que é meramente uma republicação dos elementos da religião natural. em Tulloch. 6. e Renan. a impossibilidade de um milagre. o racionalismo antigo. Essa escola. negando. e na América. Bases a priori. tem sido designado historicamente pelo título de Racionalismo. por Philip Schaff. registradas nas Escrituras. no Cap. LibCriticai History ofFree Thought. com diversos graus de força. History of Rationalism. no falecido Theodoro Parker. e mais especificamente por Rationalismus vulgaris.. Farrar. German Rationalism. As narrações de milagres. a medida das idéias religiosas. três: . que nega a personalidade de Deus. e por outro. por A. principalmente na escola de Coleridge. Depois de levantarem-se as filosofias de Fitche. eles rejeitaram como indignos de crédito. por Hagenbach. admitindo o fato de ser o cristianismo uma revelação sobrenatural. Bases históricas e críticas. eles relacionavam à ignorância. D. resolvem a inspiração em gênio. Por isso o positivista. 7. por meio da "Teologia da Mediação" de Schleiermacher. Estas descansam em idéias falsas sobre a existência e natureza de Deus e de Sua relação com o mundo. A Jesus. que vê na natureza somente a operação de leis físicas que são invariáveis e automáticas: todos negam igualmente a possibilidade e credibilidade de um milagre. para explicar a origem das Escrituras do Novo Testamento. 2. a uma escola nova do racionalismo transcendental. Clarke Edinburgh Library. Maurice. e entre os latitudinários em geral. e nas discrepâncias e erros históricos e científicos que se diz encontrarem-se nas Escrituras. ou do senso comum. 2a.

1o. Os livros de que se compõe esse cânon foram inspirados de um modo sobrenatural. quando interpretado com o auxílio iluminador do Espírito Santo. descansa na Sua natureza inalterável e necessária. Uma revelação sobrenatural é necessária para o homem. no caso de nenhuma comunidade histórica. A própria razão ensina: (1) que. 6o. 4o. nem (2) conhecimento suficiente para o governo prático do homem. no seu estado atual. um remédio. nunca conseguiu resolver esses problemas. satisfazer às suas necessidades e regular a sua vida. Por aquilo que a teologia natural nos revela. O racionalismo é forte só para atacar e destruir. conseguiu dar aos homens certeza. ] . por uma divina auto-manifestação e intervenção da parte de Deus. uma revelação sobrenatural é antecedentemente provável. 8. tem-nos sido dado um documento infalível de uma revelação sobrenatural. o qual. a natureza moral do homem está em desordem. Sua relação conosco. não tem as qualidades necessárias para torná-la competente para adquirir. Podemos determinar a priori que Deus está resolvido a punir o pecado. apesar de uma revelação desprezada. por causa do estado atual do homem. e uma regra infalível e autorizada de fé e prática para os homens. de maneira que constituem a Palavra de Deus. prova a necessidade de uma revelação sobrenatural. Seu caráter. levou-os. sendo matéria de justiça. E um fato histórico que o cristianismo é uma revelação sobrenatural. de Suas relações para com os homens e de nosso estado moral. ou permitir que se ofereça. natural e universal. depende da Sua vontade. Não há dois racionalistas proeminentes que concordem quanto ao que sejam os resultados positivos e certos do ensino da razão. e que a "razão" de modo algum podia ter antecipado. como questão de fato. mas nada podemos determinar assim quanto à Sua disposição de prover. e que é manifesto em toda a história humana. para o ceticismo e a confusão. A priori. quanto à existência de Deus. A razão pode descobrir o fato de existir o pecado. de per si. de per si. porque isso. e (2) que suas relações para com Deus acham-se perturbadas pela culpa e aberração. Uma revelação sobrenatural é possível tanto aparte Dei quanto a parte hominis. Para estabelecer-se este argumento é necessário que se estabeleçam. em sua ordem e separadamente. ou Seus propósitos a nosso respeito. quanto ao modo de remediá-lo. Provas de que uma revelação sobrenatural é necessária para os homens no seu estado atual. Nunca mostrou-se muito apto para construir. 2o. 3a. nos ensina conhecimentos que são necessários à salvação. dos atributos de Deus. quando os homens confiavam nela de um modo indevido. 4a. 1a. 3o. A razão. degradação moral e culpa. sendo matéria da Sua graça. A razão nunca. A experiência universal: a razão. que é estado de ignorância. os pontos seguintes: 1o. 2a Um anelo religioso espontâneo. 2o. 5o. E também um fato histórico que o cânon atual do Velho e Novo Testamentos só consta dos documentos autênticos e genuínos que atualmente existem dessa revelação e contém todos esses documentos. nem (1) certeza. porque isso. e sempre. 3o. Como questão de tato. mas nenhuma sugestão faz.

sobrenatural e espiritual. por Albert Barnes. Como mostramos no Cap. em algum tempo e de algum modo. pelos dados da teologia natural. Wardlaw. nem a idéia do que é direito senão por um ato intuitivo de seu sentido moral. operando nas mentes daqueles que são os objetos da experiência religiosa. 3o. por G. sob o ensino do Espírito Santo aplicando a Palavra de Deus. e subordinou o sistema físico aos interesses superiores do Seu governo moral . por A. tem um conhecimento tão claro e certo da matéria compreendida na sua experiência como é o que tem da matéria que percebe por meio de seus sentidos corporais. Revela-nos que o homem precisa da ajuda de Deus. Chalmers. da parte do homem. completa a revelação. definitivas.então é evidente que limitálo quanto à maneira. explica a aplicação de princípios intuitivos às nossas verdadeiras relações e condições históricas. Provas de que uma revelação sobrenatural épossível da parte de Deus e também quanto ao que diz respeito ao homem. Farrar. 2o. Até novas idéias simples podem ser despertadas na mente humana. porém. sábio. que ele a anela e espera. Apologetics . reto e benévolo. Quanto à sua possibilidade da parte de Deus . Critical History of Free Thought. Evidences of Christianity. A revelação cristã não contém novas idéias simples. e impossíveis de serem analisadas. todas as perfeições de Deus e todas as misérias dos homens autorizam a esperança racional de que. Um cristão experimentado. tendo sido apreendidas anteriormente. acompanhando a palavra escrita. que o homem criado à imagem divina é corrupto moralmente e condenado judicialmente. eterno.se o teísmo é verdadeiro . só as idéias que. há uma impossibilidade de comunicar-se-lhe verdades novas por meio de uma revelação em forma de livro. ela narra fatos objetivos e concretos. A obra do Espírito Santo. e desperta as intuições racionais e morais a um exercício mais ativo e normal pela associação com novos aspectos de nossas relações espirituais. têm sido associadas convencionalmente a essas palavras. ao caráter e à extensão de Suas auto-manifestações a Suas criaturas. Ensina-nos. Como se pode provar que. 10. por meio de uma iluminação interior. Ela pressupõe e envolve a matéria de todas as intuições semelhantes e naturais. e absolutamente justo. e faz-nos saber os propósitos. Admitimos que é necessário que as simples idéias definitivas que não se pode analisar.9. o cristianismo é realmente uma estupenda revelação sobrenatural? A este respeito. pela maior parte. e que por isso não está incapacitado para ela. é um absurdo. que ainda dirige a operação das leis que Ele instituiu como Seu método.se Deus é uma Pessoa infinita e extra-terrena. os modernos racionalistas transcendentais têm empregado este argumento: as palavras são sinais convencionais que têm o poder de despertar. Demonstrar.2. Todas as pressuposições filosóficas alegadas contra a possibilidade de uma revelação sobrenatural da parte de Deus. O argumento que estabelece o teísmo já expusemos no Cap. uma revelação sobrenatural é antecedente provável. como o estão os anjos maus. Ninguém pode chegar a ter a idéia de cores senão pela função de seus olhos. na mente. na Sua graça. Por conseguinte. a teologia natural nos ensina que existe um Deus pessoal que é infinito. Deus. Leading Evidences of Christianity. sejam primeiro apreendidas por um órgão apropriado num ato de intuição espontânea. As obras por Paley. 2. também. S. 11. têm por base princípios deístas. Para provar que. Erskine e Alexander sobre as Evidências. materialistas ou panteístas. como fato histórico. é necessário referir ao leitor os muitos e excelentes tratados sobre as evidências do cristianismo. Evidences of Christianity in the Nineteenth Century. por Hopkins. esteja disposto a intervir de um modo sobrenatural a favor do homem e a revelar Seu caráter e Seus propósitos mais plenamente para direção do homem. que no estado atual da natureza humana. exigências e promessas de Deus. RESPONDEMOS: Io.

é necessariamente o instrumento por meio do qual apreendemos e recebemos todas as revelações subseqüentes. Por isso a razão. vemos que não é verdadeira. 3o. por Prof. mas quando essa coisa contradiz a razão. Cone Bissell. por Row. Historical Evidence of the Truth of the Scripture Records. 12. (d) prontidão para a prática de toda verdade conhecida. no Cap. por Hetherington. Westcott. sobre The Canon e sobre Introduction to the Study of the Gospels. por Tischendorf. É evidente que o maior absurdo que podemos cometer é alegarmos. Quando cremos. emocional e a experiência. por Christlieb. da inércia. que a nossa razão não pode compreender o que essa revelação ensina. Grounds of Christian Hope. (c) sinceridade perfeita e lealdade à verdade. por Pearson. e é necessariamente pre-suposta em toda revelação subseqüente. ou interpretando os escritos de uma revelação sobrenatural. da gravidade. Prize Essay on Infidelity. operando legitimamente dentro da sua própria esfera. When were our Gospels composed?. por Leathes. e (e) a iluminação e a assistência do Espírito da verdade que nos é prometido. (2) Não há outro ramo em que os homens limitem a sua fé por sua capacidade de compreender. O senso comum e o hábito de reduzir as opiniões à prática conduzem à saúde do corpo e do espírito. sobretudo. o que é um absurdo. Porque: (1) Essa objeção pressupõe que a razão humana é a mais exaltada forma de inteligência. exige (a) a cooperação de todas as faculdades do saber. e da vida ? No entanto.of the Christian Faith. a razão. por E. Por conseguinte. A razão tem. e (2) a fé se tornaria impossível. por Rawlinson. Cautions for Doubters. Qual é o ofício legítimo da razão na esfera da religião? 1o. 4. pois. ou que ela contém elementos que parecem inconciliáveis com outras verdades. Este éousus organicus da razão. por Titcomb. Farrar. Toda a incredulidade especulativa tem sua origem no louco orgulho do espírito humano. Como se pode provar que o cânon aceito do Velho e do Novo Testamentos consta só dos livros autênticos e genuínos da revelação cristã e contém todos esses livros? A este respeito também é preciso recomendar ao leitor os melhores tratados sobre o cânon das Sagradas Escrituras. A razão é a revelação primária que Deus fez ao homem. seja qual for sua espécie. por Wace. de outro modo. Porque. crêem em tudo isso. no desejo insaciável de ver tudo explicado. George P Fisher. Uma revelação dirigida aos irracionais seria tão inconseqüente como a luz para os cegos. à fé religiosa. B. julgando pelas evidências. assentimos que uma coisa é verdadeira. tem o ofício de exercer o judi-cium contradictionis. e não há momento em que não se vejam obrigados a aceitar o incompreensível como uma verdade e a reconhecer que o inexplicável é certo. Historic Origen of the Bible. porém. The Supernatural Origin of Christianity e The Beginnings of Christianity. 13. Modern Doubt and Christian Belief. como objeção a uma revelação acreditada por toda espécie de provas. 2o. inclusive a natureza moral. por Rogers. que determinar duas questões: (1) Seria Deus quem fala? (2) Que diz Ele? Isso. Pergunto: o que compreendem ou entendem os cientistas quanto à natureza original dos átomos. de ver todo o conhecimento reduzido em aparência à unidade lógica. (b) um espírito humilde e dócil. Supernatural in the New Testament. F. e. Christianianity and Morality. da energia ou força. Witness of History to Christ. . (1) Deus Se contradiria a Si mesmo. por E W. Esta é a antiga distinção entre aquilo que é contrário à razão e aquilo que está acima dela. Qual é a natureza e qual a extensão da inspiração das Escrituras Sagradas? Veja a seguir. tanto as morais como as puramente intelectuais. Segue-se que nenhuma revelação subseqüente pode contradizer a razão. Superhuman Origin of the Bible. e também. 14.

As diversas seções em que se divide a teologia cristã já foram enumeradas no capítulo 1. Coleridge. mas procurará com espírito dócil e com o auxílio do Espírito Santo. da intuição e da verdade absoluta. e até onde diz respeito a qualquer ramo das opiniões e ações dos homens. e sim os próprios princípios. Há de procurar. Fichte. Ried. e não indaga sobre substância. Indaga a respeito do âmago das leis do pensar. porém. Todo o pensar humano e toda a vida humana são um. sem falta. os que dizem respeito a substância e causa. etc. Schelling e Hegel na Europa continental. e qual a sua relação com a Teologia? Filosofia..não as inferências deduzidas desses princípios agrupados num sistema. e de Locke. 3o. propósito. pois. quanto à filosofia aristotélica da Idade Média. etc. 4o. da força e da vontade. Em nossos dias. domine a sua interpretação da Bíblia. nunca pode permitir que a sua filosofia. 2o. e consiste nesses conhecimentos interpretados e sistematizados pela razão. abrange todos os conhecimentos humanos adquiridos por meio das faculdades naturais do homem. o termo ciência está sendo limitado mais e mais definidamente ao conhecimento dos fenômenos físicos do universo. ao NeoPlatonismo do segundo período. Isso foi verdade quanto ao Platonismo. na Inglaterra. reduzido perfeitamente a um sistema. . ter uma filosofia que seja serva genuína e natural daquilo que está revelado nessa Palavra. se bem que não tenham primariamente a finalidade de ensinar filosofia. Que as Sagradas Escrituras. Que os primeiros princípios da verdadeira filosofia são pressupostos em toda a teologia. da causa absoluta. A filosofia em voga em qualquer tempo reagiu e necessariamente reagirá ante a interpretação das Escrituras e a formação de sistemas teológicos. Se. Deus fala com qualquer finalidade. O crente devoto. e suas leis ou ordem de coexistência ou sucessão. que tem a certeza de ser a Bíblia a própria Palavra de Deus. da consciência e do dever. Ciência é palavra mais específica. da natureza absoluta. Neste sentido. nota-se: 1o. Que é Filosofia. da substância e existência real. A filosofia é pressuposta. na ciência como o conhecimento primário e mais geral. no seu sentido lato. tanto natural como revelada. de Kant. Sua palavra deve ser suprema. pois. derivada de fontes humanas. que diz respeito a algum ramo especial. deve ser aceita nesse ramo como autoridade indiscutível e como a Lei suprema. a ciência tem por alvo a determinação dos fenômenos nas suas classificações de semelhança e dissemelhança. contudo pressupõem necessariamente e envolvem os princípios fundamentais de uma filosofia verdadeira .15. causa. a consciência e o dever. aos sistemas de Descartes e Leibnitz. Quanto às suas relações com a teologia. fazer sua filosofia harmonizar* se perfeitamente com aquilo que é contido implicitamente na Palavra de Deus.

EXPOSIÇÃO DA DOUTRINA DA IGREJA SOBRE A INSPIRAÇÃO . Que está dentro de tudo e age através de toda parte do interior. Que o governo moral de Deus sobre os homens e sobre todas as criaturas inteligentes. Se se duvidar de qualquer desses princípios ou fatos. e é incapaz de salvar-se dela sem intervenção sobrenatural. O fato de que a raça humana. Todas essas pressuposições necessárias. que é preciso admitir-se antes de poder afirmar a possibilidade da inspiração ou a inspiração de qualquer livro em particular? Ia. A integridade histórica das Escrituras Sagradas. a verdade das quais está envolvida na doutrina de serem inspiradas as Sagradas Escrituras. as provas do cristianismo. e sobre tudo age livremente. governo que Ele exerce por meio da verdade e de outros motivos dirigidos à razão delas e à vontade delas. deve--se procurar as suas provas nas divisões da teologia que tratam deles especialmente. o testemunho da consciência moral dos homens de que são pecadores condenados justamente. sustentando-as e governando-as em todas as Suas ações. a existência e os atributos de Deus e Suas relações com o mundo e com os homens. de fora. como por exemplo. 4a. e que dependem do testemunho histórico e crítico quanto à verdadeira origem e ao conteúdo dos livros sagrados. Que está acima de tudo. A verdade do cristianismo. e a genuinidade e autenticidade dos diversos livros que a compõem. em vez de progredir por via de um desenvolvimento natural de uma condição moral inferior para uma condição moral superior. e incapazes de salvar-se por si mesmos. em absoluta perfeição. sua veracidade como história. em Sua comunhão e em Seu serviço. crítica e exegese do texto sagrado. A existência de um Deus pessoal possuindo. Ele é ao mesmo tempo imanente e transcendente. caiu de seu estado e relação originais e está agora perdida numa condição que envolve corrupção e culpa. e segundo as leis e modos de ação que tem estabelecido para as Suas criaturas. no sentido em que este se acha exposto nos documentos sagrados. no ramo da apologética . 6a. 5a. os atributos de poder. no exercício de todas as Suas perfeições. 2a.o argumento teísta e a teologia natural. (2a) As que se fundam em questões de fato. o cânon. Quais são as pressuposições necessárias quanto a princípios e questões de fato. Que. inteligência e excelência moral. recompensa-as e castiga-as segundo os seus caracteres e as suas ações morais. em Sua relação com o universo. e as provas morais e espirituais da verdade divina como sejam. 3a. dividem-se em duas classes (Ia) As que se fundam na intuição. e educa-as benevolamente para o seu destino exaltado. a origem histórica das Escrituras.4 A Inspiração das Escrituras PRESSUPOSIÇÕES NECESSÁRIAS 1.

como documento autêntico quanto aos fatos narrados e doutrinas ensinadas. imaginação. também. Por conseguinte. O curso inteiro da redenção da qual a revelação e a inspiração eram funções especiais.Mat. O fim conseguido. 1 Tess. muitas vezes baseiam o argumento nas próprias palavras empregadas. segundo o ensino universal da Igreja. segundo esse mesmo ensino? A Igreja ensina universalmente que os escritores sagrados eram de tal modo influenciados pelo Espírito Santo que seus escritos. De modo que. de tal modo operou concorrentemente nesses e por esses escritores que o inteiro organismo das Escrituras e cada parte delas é. são ainda assim. são a Palavra de Deus para nós uma revelação de autoridade. foi uma providência especial. Gál. que não era tornar infalivelmente acertadas as opiniões dos homens inspirados (havia diferenças de opinião entre Paulo e Pedro. 2:11. 4. As Escrituras afirmam a sua inspiração verbal. como também aos pensamentos. 100:1. e como se pode provar que as palavras da Bíblia foram inspiradas? Quer dizer que. Os escritores do Novo Testamento. aprovada por Ele e enviada a nós como uma regra de fé e prática. Que essa influência estendia-se às palavras. fazer com que nos documentos fosse consignada infalivelmente a verdade. a Palavra de Deus. no sentido mais restrito do termo. não obstante virem a nós por meio do espírito. segundo o ensino da Igreja. 22:45 e Sal. Pelo próprio desígnio que a inspiração tinha em vista. tanto mais imediatamente se acham seus pensamentos associados com uma expressão verbal exatamente apropriada ao pensamento. A ação de Deus inclui os três elementos seguintes: Io. e não só aos pensamentos que as palavras exprimem . atribuindo assim autoridade às palavras. e sim. estendeu-se à expressão de seus pensamentos em palavras. Sua ação providencial em produzir as Escrituras. . Gál. 5. Os escritores humanos produziram. 2:13. em seu todo e em todas as suas partes. no original e na Vulgata. 3. Que quer dizer a expressão "inspiração verbal". no sentido em que foi escrita e é de autoridade absoluta. Que quer dizer inspiração "plena"? Uma influência divina. quando interpretados no sentido em que os autores empregavam as palavras que escreveram com autoridade divina absoluta. ao mesmo tempo. Qual o sentido em que a Bíblia é inspirada. é impossível conseguir-se ou conservar-se infalibilidade nos pensamentos independentes da infalibilidade na sua expressão verbal. 3:10 e Gên. nas condições históricas em que se achavam. Mat. e quanto mais definidamente pensam. 22:32 e Ex. 3o. é a perfeita infalibilidade das Escrituras em todas as suas partes. consciência e vontade de homens.16. torna-se evidente. 2:13. Deus. o resultado acima definido? A doutrina da Igreja reconhece o fato de que as Escrituras são. Todavia um documento consta de palavras. no exercício livre e natural de suas faculdades pessoais. . bem como os pensamentos. 3:6. Por quais meios produziu Deus. coração. nos escritos originais. um produto da ação de Deus e dos homens. e às vezes os profetas não sabiam o sentido daquilo que escreviam). fosse qual fosse a influência divina que assistia aos sagrados escritores naquilo que escreveram. neste caso. são a revelação que Deus nos fez. 1o.2. e até onde é que se estende essa inspiração. Os homens pensam em palavras. cada um a sua parte. de modo que as palavras. a linguagem exprime com certeza infalível os pensamentos que Deus queria manifestar. 1 Cor. que Deus nos fez. para nós. quando citam o Velho Testamento em apoio de um argumento. a Sua palavra infalivelmente verdadeira. e infalível tanto a respeito dos pensamentos expostos como das expressões empregadas na sua exposição. Os escritos originais da qual eram absolutamente infalíveis. 17:7.: • 4o. plena e suficiente para conseguir o seu fim. Sendo o efeito disso que. dirigindo a evolução de uma história especialmente providencial. 2o.

profecia. operando subjetivamente sobre os sagrados escritores. diretamente. A revelação de verdades inatingíveis de outro modo. como Balaão. de origem divina por testemunho apropriado. Nunca resulta no conhecimento de verdades novas. Ela difere da iluminação espiritual em que esta é um elemento essencial na obra santificadora do Espírito Santo comum a todos os cristãos. sem comunicar-lhes nada. revestidos das faculdades. 2a. o natural era a regra e o sobrenatural a exceção. com ele. eles. sendo este. como supra definidos. Davi. natureza e dotes da graça. as promessas e ameaças da Palavra de Deus. produziram os próprios escritos que Deus queria que produzissem. de modo algum. qualidades. foi-lhe revelado. a Seu tempo.Nesta. livre e espontaneamente. como o é o natural. Moisés.. como já dissemos acima. Mas. Isaías. Assim. gênio e caráter. e sim. A maioria deles foi inspirada e também iluminada espiritualmente. (2) Em que a revelação comunica. Foi revelada dessa maneira. que Deus tinha o desígnio de enviar por meio deles à Sua Igreja. o homem e. os homens expressamente destinados para ocasiões determinadas. Esta revelação era sobrenatural. objetivamente. todos os sutis acidentes pessoais foram preparados providencialmente no momento próprio como as necessárias precondições instrumentais para a obra que se devia fazer. enquanto que a revelação.as profecias sobre eventos futuros. só quando era necessária. AS PROVAS DA DOUTRINA DA IGREJA SOBRE A INSPIRAÇÃO 6. e que possuem assim os atributos de infalibilidade e autoridade. ao escritor. enquanto que a inspiração era uma influência divina. filósofo ou rei. Deus produziu providencialmente. de modo que produzissem documentos autênticos e infalíveis quanto às matérias de história. Sempre que o escritor não possuía ou não podia por meios naturais tornar-se possuidor do conhecimento que Deus queria comunicar. era concedida sobrenaturalmente. A inspiração difere. Quais as fontes de onde se deve tirar as provas quanto à natureza e à extensão da inspiração das Escrituras? Ia. etc. mediante palavras ou uma visão. não sendo regenerados foram inspirados. e em que afeta a infalibilidade igual de todos os escritos que produziram. de maneira que. 3o. Os fenômenos das Escrituras quando examinados criticamente. as doutrinas peculiares do cristianismo. somente no discernimento da beleza e do poder espirituais das verdades já reveladas nas Sagradas Escrituras. porém estavam sem iluminação espiritual. 2o. como era necessariamente o caso. mas não foi revelado. Inspiração. A inspiração é uma influência especial do Espírito Santo. tão pouco sujeito a acidentes e tanto sujeito ao desígnio racional de Deus. lavrador. dirigindo-os na escolha do assunto e em todo o curso de seus pensamentos e no modo de os exprimir em palavras. sem interferência no livre exercício natural de suas faculdades. objetiva quanto a quem a recebia. educação e experiência da graça necessárias para a produção dos escritos que Deus tencionava fazer aparecer. mas dirigindo suas faculdades no seu exercício natural. porém. em tudo o que escreveram. grande parte das Escrituras . que foi peculiar aos profetas e apóstolos e lhes assistia só no exercício de suas funções como mestres divinamente acreditados. Alguns. todo o conteúdo das Escrituras. o natural e o sobrenatural continuamente interpenetravam-se. da revelação . etc. portanto. de uma maneira sobrenatural. que atuava sobre e mediante suas faculdades naturais.(1) Em que a inspiração é a constante experiência dos escritores sagrados em tudo o que escreveram. e era-lhe certificada como verdade. As asserções das próprias Escrituras Sagradas. doutrina. . Paulo ou João. Os escritores estavam sujeitos a uma divina influência plena chamada inspiração. verdades desconhecidas.

temperada e ao mesmo tempo heróica. 16:20. Pelos milagres que realizaram . Que tinham o Espírito de conformidade com a promessa de Cristo-Atos 2:33. ITess. Atos 14:3. ficará solapada toda a fé cristã. 3:16. 13:2. 12. Gál. ou a respeito da infalibilidade e autoridade dos seus escritos. 1 Tess. e na verdade do cristianismo e na deidade de Cristo. deve ser verdade tudo quanto Cristo afirma a respeito do Velho Testamento. Deus nos manda crer quando vemos um sinal. Apoc. e negaremos a validade do seu testemunho sobre qualquer ponto. credenciando a pessoa a quem foi concedido esse poder. Como se pode justificar a apresentação das asserções das Sagradas Escrituras como prova da sua inspiração? Não raciocinamos num círculo vicioso quando baseamos a verdade da inspiração das Escrituras em suas próprias asserções. 2:4. 2:13. Como se pode mostrar que o dom da inspiração foi prometido aos apóstolos? Mat. 2:13.3. tudo quanto prometeu aos apóstolos. 4:8. não só comprovados pelos escritos dos próprios apóstolos.1 Cor. aposse do Espírito? Disseram: 10. 5:27.4. Como foram confirmadas suas asserções a esse respeito? Io. mas não podia mandar-nos crer em coisa que não fosse verdade pura comunicada de um modo infalível. seus contemporâneos e seus sucessores imediatos. Por sua vida santa.Heb. Luc.1 Cor. como agente comissionado divinamente . Todos estes testemunhos nos vêm. 1 Tess. 3o. 2 Cor. Col. inferir a inspiração dos apóstolos do fato de fazerem milagres? O milagre é um sinal divino. 4:1. 2 Cor. 1 João 4:6. 1:8. João 14:26. Mat. Atos 14:3. Por conseguinte.20. 28:19.Mat. tudo quanto estes asseveram a respeito de uma influência divina. operando neles e por meio deles. com justiça. E evidente que. mas torna absolutamente obrigatório o dever de crer. Hodge. Colocam seus escritos na mesma categoria das Escrituras do Velho Testamento 2 Ped. simples. 9:17. Como se pode. Falaram como os profetas de Deus . 13:2-4. mas também pelo testemunho uniforme dos primeiros cristãos.De que modos diversos os apóstolos reivindicaram para si. e na de seus escritores como testemunhas de fatos. 15:28. 9. Se negarmos a inspiração plena das Escrituras. 12:12. 4:16. 1:5. 15:26. 11. 8. 4:8. Este testemunho divino não só anima a crer. Falaram com autoridade plena . 5:19. Mar. Pela santidade da doutrina que ensinaram e pela virtude espiritual dessa doutrina. 21:11. João 13:20. 16:13. 16:1-4. Heb. 10 . os acusaremos de presunção fanática e de fazerem falsas representações do caráter.AS AFIRMAÇÕES DAS ESCRITURAS SAGRADAS QUANTO A NATUREZA DA SUA PRÓPRIA INSPIRAÇÃO 7. se negarmos a sua inspiração e a infalibilidade e autoridade dos seus escritos. 1 Tess. o mais grosseiro. 4o. 10:19. operando com eles por meio de sinais maravilhosos e dons do Espírito Santo. Como demonstrar que os escritores do Velho Testamento ] declaravam-se inspirados? . 2:7-Dr. 3o. 2o. Chegamos a esta questão já crendo na credibilidade das Escrituras como história.9. atestada por seus efeitos sobre comunidades e indivíduos. 2o. 2:4. E isso mais especialmente porque todas as suas reivindicações foram endossadas por Deus.

22:43. "Deus determina. constantemente. í 14. Atos 2:17 e Is. "O Senhor me disse". e são citadas como bases autorizadas para argumentação conclusiva.29-Davi afirma que falou por inspiração-2 Sam. 1:10. 34:10. 4:4.. 16:28-33). Is. 31:19-22. e que era necessário que se cumprisse tudo o que a Seu respeito se acha escrito em "Moisés". 9:8. 1:1. 22:43 e Sal. Moisés diz-nos que escreveu. 9:7. Rom. "Davi lhe chama em espírito. 21:22. 2:15. 8:1. 15. 17:3 Dr. muitas vezes citam o Velho Testamento como autoridade suprema? Cristo cita.12. 4:30. 25:4. dizendo": Mat. Heb. por isso não podem deixar de ser inspiradas. Todos apelam para as palavras das Escrituras como autoridade suprema. 2 Tim. 1:21. um divino pré-ajustamento do tipo para o antítipo. 1 Crôn. Como fato característico. 2 Sam. João 7:23. um certo dia.. Gál. e pela adaptação prática do sistema religioso que revelaram às necessidades urgentes dos homens. pela santidade de sua vida. 30:4. e como provam essas formas de expressão a inspiração das antigas Escrituras? "O Espírito Santo diz". "Está escrito" Luc.Io. 23:11. pela perfeição moral e espiritual de sua doutrina. 8 . João 2:17. 15:25. Isso. pelo menos. 3:7.9:13.10 e Deut. 21:1. São confirmadas a nós principalmente . 20:31. 3:16. 1:70.2. 4:7 e Sal. 24:44. 1 Ped. parte do Pentateuco por ordem divina: Deut. Os apóstolos costumam citar o Velho Testamento do mesmo modo.(1) Pelo cumprimento notável de muitas de suas predições. "Disseste pelo Espírito Santo por boca de Davi". tirado da maneira pela qual Cristo e Seus apóstolos. OS FENÔMENOS DAS ESCRITURAS CONSIDERADOS COMO PROVAS DA NATUREZA E EXTENSÃO DA SUA INSPIRAÇÃO . "Significando com isto o Espírito Santo" Heb. "Para que se cumprisse o que se achava escrito" é. 13:13. pelo cumprimento de muitas de suas predições (Núm. as Escrituras do Velho Testamento são o que Deus disse. 16:28. Quais as fórmulas que introduzem no Novo Testamento muitas das citações tiradas do Velho Testamento.. dizendo por David". Heb. Rom. etc. "Diz a Escritura". Miq. 2o. etc.22. 4:3. 26:54. Amós 3:1. "O Senhor falou". nos seus argumentos. para eles. 110:1. "Diz a lei" 1 Cor. 1:22. uma fórmula característica: Mat. 21:1. Assim. Mat. João 12:38. etc. Como se pode provar a inspiração dos escritores do Velho Testamento pelas declarações expressas do Novo Testamento? Luc. Como foram confirmadas as suas asserções a esse respeito? 1o. 2 Ped. de certo modo. mas introduzem suas mensagens com o prefácio: "Disse o Senhor". 18:31. (2) Pela evidente relação que existia entre a religião simbólica que promulgaram e os fatos e doutrinas do cristianismo. o que falou por boca de Davi. séculos depois de proferidas. que a lei toda éobrigatória. 21:13. 13. 17:23. 18:21. os escritores do Velho Testamento não falam em seu próprio nome.: Jer. 5:18. prova a infalibilidade das Escrituras.. 16. Núm. o Velho Testamento. Mat. Foram confirmadas a seus contemporâneos pelos milagres que esses profetas realizaram. Deut. 2o. Luc. 9:9. os profetas e os Salmos". provando assim. Heb. Qual é o argumento sobre este ponto. 44:2. 4:17. (3) Pelo abono de Cristo e Seus apóstolos. Atos 4:25 e Sal 2:1. "Diz o Senhor". Hodge. 10:35. pois. Declara que não pode falhar.

é. incontestavelmente. Os escritores de todos os livros eram homens. se refletirmos. porém. em sua maioria. o testemunho em que confia a maioria dos verdadeiros crentes. uma luz que esclarece a razão e uma autoridade que obriga a consciência. àquilo que tinham em vista como seu fim. juntamente com o testemunho do Espírito Santo. um conhecimento perfeito e íntimo dos segredos do coração humano. E isso. uma previsão de eventos futuros. e o processo de composição que lhes deu origem era. naturalmente mais conspícuas em algumas partes que em outras. e por isso seus escritos estão repletos de metáforas e símbolos. parecer-nos-á evidente que. As características pessoais do modo de pensar e sentir dos escritores operaram espontaneamente na sua atividade literária e imprimiram caráter distinto em seus escritos. que caracteriza as estatísticas das modernas nações ocidentais. Mas. Adotam os usos loquendi correntes entre o seu povo. uma moralidade perfeita. contanto que as limitemos. se bem que podemos confiar sempre na veracidade de suas afirmações. segundo a intenção dos autores. As limitações de seu conhecimento pessoal e de seu estado mental em geral. Cada um deles enxerga o seu assunto do seu ponto individual de vista. e muito melhor. e os defeitos de seus hábitos de pensar e de seu estilo são tão óbvios em seus escritos como o são outras quaisquer de suas características pessoais. e de princípios e fatos tira inferências segundo o seu próprio modo. uma compreensão de todos os motivos da experiência e vida humanas. nada são quando olhados à luz das relações comuns do homem para com Deus. mais ou menos lógico. e não de conformidade científica com suas leis ou causas abstratas. sem tomar a responsabilidade das idéias filosóficas que lhes deram origem. E evidente que Deus podia revelar--Se tão bem por meio de um camponês como de um filósofo. que não podiam vir de fonte que não fosse divina. quanto à natureza e extensão da influência divina exercida na sua produção? Ia. Arranja seu material com referência ao fim especial que tem em vista. 2a. de um modo em tudo semelhante ao efeito que o caráter de quaisquer outros escritores produz nas suas obras. Que provas temos. as características pessoais do camponês para os fins especiais que tinha em vista. Muitos pensadores superficiais têm dito que alguns dos fatos que acabamos de mencionar não condizem com o fato alegado de serem os escritores sagrados dirigidos divinamente. de pensar. em todos os séculos. praticamente. Assim como todos os homens puramente literatos. se Deus quiser revelar-Se a nós. ou em narrações cronológicas ou circunstanciais. Encontram--se reveladas nelas verdades transcendentais. E se Ele inspira homens para comunicar Sua revelação mediante escritos. Os hábitos e métodos mentais dos escritores eram os da sua nação e geração. E é evidente que todas as distinções entre os diversos graus de perfeição do conhecimento dos homens. e em toda a literatura tudo isso é característico tão-somente das Escrituras. No entanto. e na elegância do dialeto e estilo humanos. Eram orientais. eles nunca visavam essa exatidão na enumeração. Escreveram impelidos por impulsos humanos. nos fenômenos das Escrituras. caracteristicamente. E. prova. eles descrevem a ordem e os fatos da natureza segundo parecem. Tudo isso é característica de grande parte das Escrituras. As Sagradas . a sua origem divina. de antigos documentos e de testemunho contemporâneo. há outra característica das Escrituras. Que provas temos nos fenômenos das Escrituras sobre a natureza e extensão das causas humanas que cooperaram para produzi-las? Toda parte das Escrituras igualmente contém provas de uma origem humana. a qual. tomada em conexão com o precedente. Recolhe o seu material de todas as fontes que lhe são acessíveis . não irá fazê-lo senão sob todas as limitações dos modos humanos de pensar e falar. Usam a linguagem e os modismos próprios da sua nação e classe social. 18. Suas emoções e imaginações exercitam-se espontaneamente e manifestam-se como co-fator nas suas composições. previamente. se por Sua graça e meios providenciais ajustou.da experiência e observação pessoais. em ocasiões especiais e com fins determinados.17. é necessário servir-Se dos homens de um modo que condiga com a natureza destes. em seu todo e em cada uma de suas partes. Em toda parte das Escrituras acham-se provas morais e espirituais da sua origem divina. uma revelação das perfeições absolutas da Deidade. como agentes racionais e espontâneos. processo humano. sendo.

um sistema de intervenções divinas.Veja Hermeneutical Manual. naquela forma que estava melhor adaptada ao fim que então tinham em vista. mediante as correlações. por certo. e estendendo-se a todas as partes. forma. e. durante dezesseis séculos. 19. ao passo que progredia a história providencial tomando cada documento. citam a versão Septuaginta quando está conforme com o hebraico. tornou infalíveis os escritores do Novo Testamento para usarem desse material já disponível de tal modo que. Isso constitui a melhor prova de desígnio que nos é possível imaginar. Em alguns casos. além disso. ou com fatos bem averiguados da história ou da ciência. compreendendo sessenta e seis escritos. porque dizem eles. e. contudo. acompanhadas e interpretadas por uma ordem de profetas instruídos e dirigidos de um modo sobrenatural. outras vezes. um escritor infalível os teria transferido sem alteração. isto é. De modo que o evangelho cumpriu a lei. a história foi interpretada pelas doutrinas e as doutrinas deram leis ao dever e à vida.Escrituras são um organismo. tanto mais diversas e exatas se achará que são suas articulações no sistema geral do todo. E ensinaram essa verdade com autoridade divina . Quanto mais minuciosamente for estudado o conteúdo de cada livro à luz de seu fim especial. Cada uma dessas citações deve ser examinada separadamente e em seus detalhes. o mais perspicuamente. como também os do Novo Testamento fazendo as citações. As vezes. como fez o Dr. e em acomodação aparente do sentido literal. as mais intricadas e delicadas. ao fim que tem em vista. citam a versão Septuaginta mesmo quando difere do hebraico. ao mesmo tempo. Qual a objeção feita a esta doutrina. o antítipo correspondeu ao tipo e o cumprimento à predição. e outras vezes ainda. e estrutura como os diversos membros do corpo. se é verdade que um autor humano pode citar-se a si mesmo de um modo livre. e também seus próprios temas e auditório especiais e temporários. pois. tanto os escritores do Velho Testamento citados. o Espírito Santo pode. durante esse tempo. enquanto tirassem dele um sentido novo. suas citações do Velho Testamento são feitas de um modo muito livre. por Fairbairn. Assim. a ação divina na gênese de toda parte das Escrituras é determinada tão claramente e com a mesma certeza como o é na gênese mais antiga dos céus e da terra. As Escrituras são a história e a interpretação da obra da redenção. é prova de uma influência divina e sobrenatural compreendendo o seu todo. cada parte se acha ajustada às outras e ao todo. e dando um novo jeito ao seu pensamento para adaptá-lo. 20. mas tendo em vista todas um fim comum. Que objeção à doutrina da inspiração plenária tira-se do fato alegado de existirem "discrepâncias" no texto das Escrituras? E como se deve responder a esta objeção? Objeta-se que o texto sagrado contém numerosas asserções e narrações que não estão de acordo com outras contidas em outras partes das Escrituras. E. fazer o mesmo. e cerca de quarenta cooperadores humanos. introduzem uma outra tradução. a própria verdade que Deus tivera em vista desde o princípio. os intérpretes racionalistas têm dito que é impossível que fossem inspirados plenamente. se os ipsissima verba eram infalíveis em primeiro lugar. Mas. O mesmo Espírito. ensinassem só a verdade. cada um contribuiu com parte daquilo que era necessário para construir o organismo comum. e qual a resposta a essa objeção? Na maioria dos casos. Essa é uma obra que Deus preparou e levou a efeito por meio de muitos atos sucessivos durante um processo histórico que durou muitos séculos. os escritores do Novo Testamento citam os do Velho com exatidão verbal. comparativamente poucos. Baseando seu raciocínio sobre esta última classe de citações. Part 3. . Cada um dos escritores tinha sua própria ocasião especial e temporária de escrever. e no caso das Escrituras. baseada na maneira livre por que as Escrituras do Velho Testamento são citadas no Novo. mudando de expressão. o seu lugar permanente como membro do todo. Fairbairn. um todo composto de muitas partes diversificadas entre si em matéria. além de servir para o seu fim temporário. e tanto mais bem ordenada ver-se-á que é a estrutura do todo. Uma providência sobrenatural ia desenvolvendo. que tornara infalíveis os escritores do Velho Testamento para escreverem só a verdade pura.

nas línguas originais. há muitas "discrepâncias" como resultado de muitas transcrições sucessivas. E é um fato consolador que os críticos cristãos. ou em contradição com qualquer fato conhecido e indubitável. Este estado de coisas. Uma "discrepância" pois. Este exame pertence aos ramos da crítica e da exegese bíblicas. grau eextensão. Nota do tradutor. Os que afirmam sua existência devem apontá-las e provar. o produto da inspiração divina. porém. não cronológicas e fragmentárias. a existência de "discrepâncias" no sentido supra definido. A força da objeção dependeria. e quanto à sua autoridade sobre a consciência e vida como a voz de Deus. que nenhum outro dos que possuíam desde os tempos dos apóstolos. sendo alguns deles bem graves. E. não serviria. (2) Que a interpretação dada ao texto pelo objetor é a única admissível. testemunho unânime dos cristãos letrados que. para sustentarem sua posição contra as muitas probalidades que há contra ela. descobrindo e conferindo exemplares das Escrituras. até certo ponto e em certo grau. é extremamente improvável. em manuscritos cada vez mais antigos e exatos. perante juízes competentes. que tantas vezes . mesmos registros originais. porém. mesmo se fosse provada a sua existência. A dificuldade disso se tornará evidente quando se considerar que são de uma obscuridade inerente antigas narrações. mas só que eram infalíveis quanto àquilo que tinham o desígnio de anunciar. Porque. em hebraico e grego. provem. no original hebraico e grego. frase ou passagem existindo no registro original de qualquer parte das Escrituras. "sacramentum". à vista das muitas provas apresentadas acima. e que é aquilo mesmo que o escritor queria dizer. com um fundo quase impenetrável às nossas pesquisas e escritas. e diriam respeito só à sua natureza.* nem a exatidão perfeita de nenhum dos manuscritos das Escrituras. cada um dos seguintes pontos: (1) Que a discrepância alegada existia no registro original das Escrituras inspiradas. são evidentemente bem fundadas. porém. E mesmo a respeito destes nunca afirmou que tivessem conhecimentos infinitos. não só provavelmente mas sem a possibilidade de dúvida. e esses casos nada provariam contra o fato da inspiração. das Escrituras. não envolvem a perda.E evidente que semelhante estado de coisas. em Efésios 5:32. em todos os sentidos. do número e caráter dos casos de discrepância cuja existência fosse provada. nesses exemplares. como por e. antes que a alegação de existirem "discrepâncias" possa afetar a doutrina da Igreja com referência à inspiração verbal e plenária das Escrituras. A Igreja nunca ensinou a infalibilidade verbal de nenhuma tradução das Sagradas Escrituras. As seguintes considerações. no sentido em que os novos críticos afirmam e a Igreja nega sua existência. em cada caso alegado. será necessário que os que afirmam a existência de discrepâncias nas Escrituras. para refutar a doutrina de serem as Escrituras. 1a. Será necessário que se prove a existência de uma "discrepância" que. à vista de tudo o que as próprias Escrituras afirmam ou descerram quanto à natureza e extensão da influência divina que regulava e dirigia a sua gênese. em Isaías 40:2. é uma tarefa que é muito difícil e até quase impossível de se desempenhar. em circunstâncias que não conhecemos. A Igreja afirmou sempre a infalibilidade absoluta só dos registros originais das Escrituras. O ónus probandi está sobre eles exclusivamente. como eles saíram das mãos dos escritores inspirados. e são suficientes para acalmar todas as apreensões a este respeito. e Hebreus 11:21. apesar de conter inúmeros erros de tradução. 2a. 3a. nem diminuem as provas de um só fato ou doutrina essencial do cristianismo. em cada caso alegado.g. ainda que essas variações dificultem a interpretação de muitos pormenores. E óbvio que o fato de realmente existirem semelhantes "discrepâncias" pode ser determinado só pelo exame cuidadoso e independente de cada caso alegado. essencialmente. tenha estas características. que possuímos agora. estão constantemente progredindo no seu desempenho de dar à Igreja um texto mais perfeito das Escrituras. 4a. é uma palavra. É certo que. "malitia". cujo fim evidente era de afirmar como verdade alguma coisa que estava em manifesta e irreconciliável contradição com o que se dizia em outra qualquer parte desses É necessário excetuar a igreja católica romana. Esta. E reconhecido que. que declarou a tradução chamada Vulgata de autoridade indiscutível. que todos os elementos da definição supra encontram-se.

e outras que parecem irreconciliáveis umas com as outras. o que dizia era opinião dos judeus. e em Gálatas 3:15. Existem. 21. significa: "sirvo-me de uma ilustração tirada das coisas humanas". 7:10. como também provar que eles. seja realmente o único sentido que racionalmente podem ter. não o Senhor" . (4) Depois de provadas . em si. e distingue entre aquilo que Cristo ensinou e o que o apóstolo ensina. desaparecem algumas dificuldades e surgem outras. Em Romanos 3:6 significa que Paulo. de "direção" e de "sugestão". O matrimônio sempre era permitido. E é provável. "Cristo" ensinou quando estava na terra. (3) É preciso que provem também que os fatos científicos ou históricos. Romanos 3:6. Gálatas 3:15. não encontraríamos dificuldade alguma nas Sagradas Escrituras. não eu. Em 1 Coríntios 7:6: "Eu digo isto por permissão" (segundo o original e a vulgata. no sentido de toda a influência divina que atuava sobre os sagrados escritores. todos os esforços engenhosos dos críticos racionalistas de provar a existência de "discrepâncias". por amor à clareza. ou fica em pé a probabilidade da sua não existência.1 Cor. Com. e que essas afirmações sejam realmente parte do texto inspirado das Escrituras canónicas. ou as afirmações das Escrituras. senão o Senhor". Certos escritores sobre este assunto. segundo o uso da língua grega. etc. sejam deveras fatos. E como Paulo. com igual força. isto é. DECLARAÇÃO DEFECTIVA DA DOUTRINA 22. nesta passagem. e seu sentido fica determinado pelo contexto. no mais alto grau. 7:40. "Aqueles que estão unidos em matrimônio mando. Explicar o sentido de passagens como 1 Coríntios 7:6. tem sido provado de tal modo que fosse reconhecido pela comunidade de letrados crentes.Diga qual o sentido em que os escritores teológicos empregam os termos de "inspiração" de "superintendência de "elevação".embaraça o intérprete e impede o apologista de provar a perfeita harmonia das narrações.1 Cor.a realidade dos fatos. 12. só um modo regional de dizer: eu tenho. confundindo a distinção entre inspiração e revelação e empregando o primeiro destes termos. "Julgo que tenho" é.19. 5a. tanto para que conhecessem a verdade como para que a escrevessem. põe suas palavras em igualdade de autoridade com as de Cristo. A medida que os homens progridem no conhecimento. que se tivéssemos conhecimento perfeito de tudo. Em Romanos 6:19 significa: "de um modo adaptado à compreensão humana". em infalibilidade e autoridade. Finalmente. refere-se ao versículo 2.14. no sentido acima definido desta palavra. muitas passagens difíceis de serem interpretadas. "secundum indulgentia") "e não por mandamento". impede. "Julgo que também eu tenho o espírito de Deus" . on First Corinthians. distinguem entre diversos . Mas tudo isso eles devem fazer. "Como homem" ou "humanamente falando" são expressões que se encontram freqüentemente. este fato mostra que Paulo reivindicava para si uma inspiração que tornava sua palavra igual à de Cristo.12. que se alegam estar em contradição com esses fatos. e que o sentido em que elas se acham contraditórias com esses fatos. é suficiente que chamemos a atenção para o fato de que nenhum caso de "discrepância". serviase da linguagem comumente usada entre os homens. não a sua própria. são real e essencialmente irreconciliáveis. Sobre o uso deste verbo no grego. nas Escrituras. "Aos mais digo eu. porém em certas circunstâncias era inoportuno. e a legitimidade da interpretação que parece também estar em contradição com esses fatos -será ainda necessário provar que não só parece haver contradição e que esta parece irreconciliável no estado atual dos nossos conhecimentos. mas não se tem provado nenhuma "discrepância". confira-se Gálatas 2:6 e 1 Coríntios 12:22. e mostrar sua perfeita consonância com a inspiração plenária da Bíblia inteira. Paulo não tinha nenhuma dúvida de ser instrumento do Espírito Santo Hodge. a genuinidade do texto que parece estar em contradição com eles. Aqui o apóstolo refere-se àquilo que "o Senhor".

2a. naturalmente. Por "inspiração de direção" entendiam essa influência divina que dirigiu os escritores sagrados na escolha e disposição do seu material. como se certas partes das Escrituras fossem a Palavra de Deus em graus diferentes. em primeiro lugar. Outros admitem que a inspiração dos escritores dirigia os seus pensamentos. Quais as diversas formas em que se tem sustentado a doutrina de uma inspiração parcial ? Ia. sem nenhum auxílio sobrenatural. por exemplo. Por "inspiração de sugestão" entendiam essa influência divina que sugeriu a suas mentes verdades novas e que. os princípios racionalistas. suas peculiaridades individuais de pensamento. enquanto que outra parte não podia ser conhecida deles. uma fornece o material no caso dos escritores não poderem obtê-lo de outro modo.graus de inspiração para acomodar a sua teoria aos fatos do caso. e a todas as alusões a fatos ou leis científicas. Que objeções se pode fazer a essas distinções? Ia. outra dirige os escritores a todo instante. (1) em garantir a verdade infalível de tudo quanto escreveram (2) na escolha e distribuição do seu material. Porque. de outro modo. Por "inspiração de elevação" entendem essa divina influência que exaltava as qualidades naturais dos escritores sagrados a um grau de energia a que. Essas distinções nascem da falta anterior de não se distinguir entre revelação (que é fenômeno apresentado freqüentemente) e a inspiração (fenômeno apresentado constantemente nas Escrituras). em segundo lugar. é evidente que parte do conteúdo das Escrituras podia bem ser conhecida dos escritores. à negação de qualquer inspiração sobrenatural? Todos os princípios filosóficos ou modos de pensar que excluem a distinção entre o natural e o sobrenatural necessariamente conduzem à negação da inspiração. Coleridge admitia a inspiração plenária da lei e dos profetas. mas negam isso quanto aos elementos históricos e biográficos. 3a. mas negam que se estendia à sua expressão em palavras. E perigoso distinguir entre graus diferentes da inspiração. necessariamente. Afirma-se que certos livros foram inspirados plenariamente. de sentimento e de estilo.T. todos os princípios panteístas. São. 23. 2a. Por "inspiração de superintendência". FALSAS DOUTRINAS SOBRE A INSPIRAÇÃO 24. são produtos da inspiração. toda ela é igual e absolutamente a infalível Palavra de Deus. os diversos escritores fizeram uso de suas faculdades naturais e introduziram. enquanto que outros foram escritos só com o natural auxílio providencial e gracioso de Deus. S. mas negava isso a respeito dos demais livros do cânon. enquanto que. Muitos admitem que os elementos morais e espirituais das Escrituras e as doutrinas. não poderiam chegar. esses escritores queriam dizer exatamente aquilo que demos acima como a definição de inspiração. na verdade. nos seus escritos. materialistas e naturalistas. . de outro modo. estariam fora do seu alcance. 2 5. até onde estas dizem respeito à natureza e aos propósitos de Deus cujo conhecimento é inatingível de outro modo. e. Quais os princípios que conduzem. dos quais não podia passar um só i ou um til sem que fosse cumprido. no sentido em que é afirmada pela Igreja. em todas as suas formas.

proposições 1. 1:8. se lhe forem desconhecidas. e em tradições (sem escritos) que. ou em todos. 2 e 3. pág. que pertencem tanto à fé como aos costumes. em todas as controvérsias entre cristãos.. em suas Confessions of an Inquiring Spirit. e vendo que esta verdade e disciplina se contém em livros escritos. como ditadas pela boca de Cristo. Esta é a doutrina de Maurice (TheologicalEssays." Decretos dogmáticos do Concílio vaticano. recebidas pelos apóstolos da boca de Cristo. diversos homens têm mantido e afirmam que as Escrituras são só "parcialmente" inspiradas. não porque houvessem sido compostos cuidadosamente por indústria meramente humana. tanto do Velho como do Novo Testamento. como de mão em mão chegaram até nós. conservadas na igreja católica. Barclay's Apology. foram produzidas por seus escritores auxiliados pelo "grau superior daquela graça e comunhão com o Espírito que se ensina à Igreja. pág. "Ademais. e estão contidos na antiga edição da Vulgata. ou ditadas pelo Espírito Santo. de fé e prática.. Sess. ou pelo Espírito Santo. Estes admitem que há uma revelação objetiva sobrenatural e que esta é contida nas Escrituras. Esses a igreja (católica romana) tem por sagrados e canónicos. declarada pelo santo Sínodo de Trento. virtualmente. (o Concílio) seguindo o exemplo dos padres ortodoxos. Qual é a doutrina da "Inspiração da Graça"? Coleridge. no sentido de não poder ser verdadeira uma revelação pretendida que esteja em desacordo com as Escrituras. a esperar e pedir em oração". dos mesmos apóstolos. 339) e. 1870. de autoridade. todos negam que usão a palavra de Deus". em todas as circunstâncias. e sim porque. com todas as suas partes..Num desses sentidos. E esses livros do Velho e do Novo Testamentos devem ser recebidos como sagrados e canónicos. ou pelas Escrituras. como é afirmado pelas próprias Escrituras e por todas as Igrejas históricas. exceto a lei e os profetas. Por conseguinte. EXPOSIÇÕES AUTORIZADAS CATÓLICO-ROMANA . e depois pelos seus apóstolos. primeiramente promulgado pela boca de Nosso Senhor Jesus Cristo Filho de Deus. que têm chegado até nós. recebe-as e venera com igual afeto." LUTERANAS . ou aos próprios apóstolos ditadas pelo Espírito Santo.Fórmula Concordiae Epitome. sendo Deus o único autor de ambos os Testamentos. que as Escrituras são só "uma regra secundária. assim como se acham enumerados no decreto do dito Concílio. segundo a crença universal da Igreja. e que estas são juiz. e a todo o membro regenerado da Igreja de Cristo. e também as mesmas tradições. sob a condição de prestar obediência constante a essa luz que lhe é assim comunicada graciosamente a ele e a todos os homens.o mandou pregar a toda a criatura. esta revelação sobrenatural. 119: 105 e Gál. têm Deus por seu autor e foram entregues como tais à mesma Igreja. assim como está escrito em Sal. 186). 1: "Cremos. Cap. 2. a de Morell (Philosophy of Religion. venera e recebe todos os Livros. mantém que as Escrituras. é contida nos livros escritos e tradições não escritas. as quais são muito úteis e a regra. e dos quacres. o qual Espírito ilumina a todo o homem e lhe revela. nem somente por conterem uma revelação sem mistura alguma de erro. 3. piedade e reverência. ou sem elas.Decretos do Concílio de Trento. 4 "O evangelho. foram transmitidas como de mão em mão. Admitem só que elas "contêm a palavra de Deus". 26." . também. nem porque foram depois aprovados por sua autoridade. Carta 7. sess. Theses Theological. subordinada ao Espírito de quem receberam toda sua excelência". com igual afeto de piedade. tendo sido recebidas pelos apóstolos da própria boca de Cristo. na sua inteireza. tendo sido escritos por inspiração do Espírito Santo. Mas eles mantêm. e por uma contínua sucessão.. confessamos e ensinamos que a única regra e norma segundo a qual todos os dogmas e doutrinas devem ser estimados e julgados não é nenhuma outra senão os escritos proféticos e apostólicos do Velho e do Novo Testamentos. todo esse conhecimento de Deus e da Sua vontade que lhe é necessário para sua salvação e direção.

" A Confissão de Fé. seu Autor. os profetas e apóstolos.REFORMADAS . e que possuem autoridade suficiente por si só e não dos homens. mandou Seus servos. escreverem a Sua palavra revelada. E que depois Deus. fazê-la escrever toda inteira". para melhor conservação e propagação da verdade e para mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e a malícia de satanás e do mundo. Pois Deus mesmo falou aos patriarcas. aos profetas e aos apóstolos. em diversos tempos e de vários modos. por isso. e." A Confissão Belga. pelas Escrituras Sagradas.por ser a Palavra de Deus. que os homens santos de Deus é que falaram. com Seu próprio dedo.Segunda Confissão Helvética. Cap. e Escrituras divinas. 1:21). Cap. 1. 1. A autoridade das Escrituras Sagradas. e continua a falar a nós. A respeito das Escrituras Sagradas: "Cremos e confessamos que as Escrituras canónicas dos santos profetas e apóstolos de cada um dos Testamentos são a verdadeira Palavra de Deus. Art. as duas tábuas da lei. de Westminster. "Confessamos que esta Palavra de Deus não foi enviada nem entregue pela vontade do homem. e sim. levado a isso pelo cuidado especial que tem por nós e nossa salvação. deve ser recebida . a todos esses escritos. as quais devem ser cridas e obedecidas. não depende do testemunho de nenhum homem ou igreja." . e depois. e Ele mesmo escreveu. "Por isso aprouve ao Senhor revelar-Se e declarar essa Sua vontade à Sua Igreja. Por isso chamamos santos. 3. mas somente de Deus (que é a própria verdade). como diz o apóstolos Pedro (2 Ped. inspirados pelo Espírito Santo.

ou seja. comunica-nos o conhecimento da Sua vontade quanto àquilo que devemos crer a Seu respeito. 80 e 81. é intrinsecamente de igual autoridade à dos seus escritos. o ensino oral de Cristo e Seus apóstolos transmitido até nós pela igreja (católica). Por quais argumentos pode-se demonstrar a invalidade de todas as tradições eclesiásticas. 2. Os romanistas reconhecem como consenso de autoridade aquilo que foi determinado constitucionalmente pelos bispos reunidos em concílio geral. e o rio não pode subir mais alto do que a sua origem. Sess. TENDO SIDO DADAS POR INSPIRAÇÃO DE DEUS. como parte de nossa regra de fé e prática? . Defendem as tradições que têm por verdadeiras . é consenso católico. e as deduzem dos apóstolos como sua origem.(1) Com base no testemunho histórico. 2o. e precisam da tradição como seu intérprete. Tom. SÃO A ÚNICA REGRA. Tudo quanto nos comunica o conhecimento infalível daquilo que Ele ensina e ordena. O critério de que se servem para distinguir entre as tradições verdadeiras e as falsas. (b) As Escrituras são incompletas como regra de fé e prática devido haver muitas doutrinas e instituições. para o ensino de verdades adicionais. em qualquer época. Todos os Estados reconhecem tanto as leis não escritas como leis escritas. ou pelo papa ex cathedra. O que a igreja romana declara ser a regra infalível de fé e prática? A teoria romana é que a regra completa de fé e prática consta das Escrituras e da tradição.5 A Regra de Fé e Prática AS ESCRITURAS DO VELHO E NOVO TESTAMENTOS. quando determinado claramente e conhecido. As Escrituras do Velho e Novo Testamentos são os únicos meios pelos quais Deus. 2. 1. Afirmam que a tradição é necessária. DE FÉ E PRÁTICA. E REGRA INTEIRAMENTE SUFICIENTE. (5) A analogia. e que a igreja (católica romana) foi designada divinamente para ser a depositária e o juiz. (4) A necessidade: (a) As Escrituras são de sentido obscuro. O que se quer dizer quando se afirma que as Escrituras são a única regra infalível de fé e prática? Tudo quanto Deus ensina ou ordena é de autoridade soberana. (3) O ensino oral de Cristo e Seus apóstolos. Os ritualistas anglicanos limitam a aplicação desta regra aos primeiros três ou quatro séculos. para interpretar as Escrituras. 2:14(15). 3:6. e Teologia de Deus. tanto das Escrituras como da tradição -Decretos do Concílio de Trento. expressa pelo consenso católico. Seus argumentos a favor das tradições são: (1) As Escrituras autorizam-nas: 2 Tess. padres" afirmavam a autoridade da tradição e em grande parte baseavam nela a sua fé. N°. As próprias Escrituras nos têm sido transmitidas pelo testemunho da tradição. e quais os fundamentos em que baseam a autoridade das tradições que admitem como verdadeiras? 1o. 3. baseadas na tradição como suplemento às Escrituras. 4. (2) Os antigos "ss. é uma regra infalível. não contidas nas Escrituras. 1o. Por quais argumentos os defensores dessa teoria procuram estabelecer a autoridade da tradição? Qual o critério de que se servem para distinguir as tradições verdadeiras das falsas. 3o. 2o. E JUIZ NAS CONTROVÉRSIAS. durante a dispensação atual. (2) Baseando-se na autoridade da igreja. a lei comum e a lei baseada em estatutos. 4. reconhecidas universalmente. e diz-nos quais os deveres que Ele de nós exige.

são certas. por isso. orais e escritas. Sua prática não está em conformidade com seus princípios.. foi ensinado no terceiro.. em todas as questões de fé. As Escrituras não atribuem. como se afirma. à fé e à obediência.19. 8:16. 2 Tim. estão flagrantemente em oposição direta ao ensino das Escrituras. depois do tempo dos apóstolos. como demonstraremos abaixo (pergunta 18). Os romanistas não aceitam muitas das tradições mais antigas e mais bem atestadas. 7:7 (8). como aquelas que dizem respeito ao sacerdócio. Que argumentos oferecem as próprias Escrituras a favor da doutrina de serem elas a única regra infalível de fé? 1o. a história e a autoridade da igreja. na tradição. As tradições de que Paulo fala nas passagens citadas de 2 Tess. 3o. e muitas das suas pretensas tradições são invenções recentes e desconhecidas pelos seus predecessores. Que é necessário para constituir uma regra única e infalível de fé? Inspiração plenária.. 15: 7-9. (1) Porque as Escrituras. 6. existiam então. Muitas de suas tradições. 3o. eles têm pouquíssimas evidências a favor de qualquer de suas tradições. 15:3. João 5:39. Além disso. foram todas as suas instruções. São. completas e perspícuas.. que Deus suplementasse as Escrituras com a tradição. As Escrituras falam sempre em nome de Deus e se impõem.. Mar. 16:29. e por conseguinte. e mesmo o ensino dos apóstolos. como mostraremos abaixo (perguntas 7-14). 1:7. . Mat.Mat. (1) Eles não têm apoio nenhum na história. se acham todas as revelações feitas por Deus em qualquer tempo ao homem. 10:26. veja também Is. Cristo e Seus apóstolos referiam-se sempre às Escrituras escritas que. também no segundo e no primeiro. não foram transmitidas. e sim que o seu conteúdo é a única revelação que Ele nos faz agora. Por outro lado. e que a regra seja completa. é indeterminada e está sujeita a ser adulterada por todas as formas de erro. (2) A igreja (católica) não é infalível. Em que sentido é que se afirma que as Escrituras são completas como regra de fé? ■ a Não quer dizer que. etc. 2:14 (15). perspícua e acessível... e exclui a necessidade e o direito de invenções humanas. como parte de nossa regra de fé. 2o. isto é. prática e modos de prestarLhe culto. 4o. A base inteira em que os romanistas apoiam a autoridade de suas tradições.Atos 17:11. na pessoa dos predecessores destes os fariseus. Por mais de trezentos anos. obrigados a recorrer ao postulado absurdo de que aquilo que se ensinou no quarto século. como haveremos de demonstrar abaixo (pergunta 20). veja também Apoc. 3:15. e Jos. Os bereanos foram elogiados por sujeitarem todas as questões.1o. 22:18. Cristo repreendeu severamente esta mesma doutrina dos católicos romanos. ao sacrifício da missa. 3:6. nas Escrituras. é inválida. 4o. 4:2. a autoridade das Escrituras não se acha baseada. 12:32. definidas. 2o.. autoridade às tradições orais. Não obstante. 7: 5-8. (2) Porque a tradição. 4:3. essa igreja pretensamente infalível afirma a infalibilidade das Escrituras! Uma casa dividida contra si mesma não subsistirá. em última instância. à prova das Escrituras . e Deut.Luc. e que esta revelação é abundantemente suficiente para a nossa direção. 5o.. 7.. e comunicadas por ele a esses mesmos tessalonicenses. 5. e a nenhuma outra regra de fé. e as que têm contradizem-se mutuamente. por sua própria natureza.. . . a priori. Rom. como obrigatórias. Mar. fosse qual fosse . Cristo repreendeu os fariseus por fazerem acréscimos às Escrituras e pervertê-las . E improvável.

a Igreja Cristã está fazendo progresso constante na interpretação exata das Escrituras e na compreensão. enquanto não explicadas pelos eventos a que se referem. 1 Cor. conceder aos cristãos particulares e não instruídos. Supor-se. por conseguinte. 10. pelo desígnio das Escrituras. para o culto público a Deus. 6:4-9. que não é perspícua. Como se pode provar. 11. e assim também o verdadeiro povo espiritual de Deus.8. devem ensinar-nos tudo o que é necessário para esse fim. como a tradição. Que outros argumentos há para estabelecer este ponto? 1o. em todas as suas relações. Ensinam um sistema completo e conseqüente de doutrina. 3:15-17. (2) uma revelação de verdades que devemos crer. que estas são completas? . isto seria referido nelas. Afirmam. 17. 9. Mas. sem dificuldade. pois.Deut. 18 (19):8. Luc. é verdade também que. Como se pode provar a perspicuidade das Escrituras pelo fato de serem uma lei e uma mensagem? Já vimos (pergunta 8) que as Escrituras ou são completas ou falsas. 3:15. sem perigo. e afirma que em ambos estes aspectos devemos recebê-la. porém. Nem afirmam eles que se possa explicar todas as partes das Escrituras com certeza e perspicuidade. 9. . 2 Cor. fala da necessidade nem na existência de outra regra . e por meio das controvérsias. nenhum deles. 130. Quais as passagens onde é afirmada a sua perspicuidade? Sal. 118 (119): 105.João 20: 31. Elas professam ser: (1) uma lei que devemos obedecer. com o progresso dos conhecimentos históricos e críticos. Fornecem todos os tipos necessários para o governo da vida particular dos cristãos. vêem nelas essa regra completa. Se. 2 Ped. Qual o sentido em que os protestantes afirmam e os romanistas negam a clareza das Escrituras? Os protestantes não afirmam que as doutrinas reveladas nas Escrituras estejam ao nível das faculdades humanas para compreendê-las. . porque muitas das profecias são inteiramente enigmáticas. . nem uma só vez. e para a administração do reino de Deus. a licença de interpretar as Escrituras por si. 2 Tim. pelo mesmo princípio. Por quais outros argumentos pode-se provar este princípio? As próprias Escrituras se apresentam como uma regra completa para o fim a que se propõem. 13. ou a todos os crentes tomados como tais . . 2 Cor. é o mesmo que acusar a Deus de tratar-nos de um modo que é ao mesmo tempo dissimulado e cruel. pelo desígnio nelas mesmas professado. ou pode ser deduzido delas com certeza. "Se não fossem completas a este respeito. E repelem todas as pretensas tradições e inovações sacerdotais. Rom. 1:7. 1:2. para esse fim. por outro lado. em todos os séculos. 2Tim. 2: 2. que todo artigo essencial de fé e regra de prática é revelado claramente nelas. seriam mentirosas". Tudo isso o cristão menos instruído pode aprender nas Escrituras. 1:18-21. Provamos agora sua perspicuidade. As Escrituras professam conduzir-nos a Deus. do sistema nelas ensinado. 1:3. houvesse necessidade de qualquer regra suplementar. Heb. conquanto os sagrados escritores remetam constantemente aos escritos dos outros. As Escrituras são dirigidas imediatamente ou a todos os homens indistintamente. 3:14. na sua integridade. sob pena de morte eterna. Os protestantes afirmam e os romanistas negam que se pode. Sal. . tanto nos seus mandamentos como no seu ensino. Confessam que muitas delas estão além de todo o entendimento. 12.

2o. prometido a todos os cristãos (1 João 2:20. (1) Negativamente: que não há corporação alguma de homens que sejam qualificados ou estejam autorizados a interpretar as Escrituras. 1:1. Dessa autoridade se acham revestidos o papa.l. A doutrina protestante é : 1o. Que é que se entende quando se diz que as Escrituras são o juiz e também a regra. Por isso a igreja determina. e porque a Bíblia ensina assim. apesar de algumas diferenças circunstanciais em todas as comunidades cristãs. Qual foi a terceira qualidade mencionada como necessária para constituir as Escrituras em regra suficiente de fé e prática? Que fossem acessíveis. 1:2. As únicas exceções são as Epístolas dirigidas a Timóteo e Tito. e devera ser interpretadas à sua própria luz e com o auxílio gracioso do Espírito Santo. cada um de per si. Fil. ou a aplicar os seus princípios à decisão das questões particulares. E evidente que esta é a característica proeminente das Escrituras. quanto à sua forma. em todas as matérias de fé e prática cristãs. 14. Apoc.4.27) pelos indivíduos. vers. (2) Positivamente: que as Escrituras são a única voz infalível na Igreja. Ef. O que seja tradição verdadeira. Qual é a doutrina católico-romana quanto à autoridade da igreja como intérprete infalível da regra de fé e juiz autorizado de todas as controvérsias? A doutrina da igreja católica romana é que a igreja é absolutamente infalível. 1:2. em questões de fé? "Uma regra é uma norma segundo a qual se deve julgar. 15. 2o. 4o. João 5:39.1:1. examinarem as Escrituras: 2 Tim. com autoridade divina: Io. 3o. Atos 17:11. indistintamente. O que sejam Escrituras Sagradas. 1: l. 1 João 2:12. um juiz é quem expõe e aplica essa regra à decisão dos casos particulares". Que as Escrituras são a única regra infalível de fé e prática. 1:3. 1:1. A experiência universal. Tia. Os argumentos contra isso são um insulto à compreensão de todos os leitores da Bíblia no mundo. 3o. divinamente autorizada.14. 2o. Col. O que cabe à Igreja fazer a esse respeito é simplesmente dar a maior circulação possível à Palavra de Deus. como temos a respeito do sol. em todas as idades e nações que aprendem sua religião diretamente nas Escrituras. mas a sua inspiração a torna infalível na disseminação e interpretação da revelação original comunicada pelos apóstolos. no sentido de serem suas decisões obrigatórias para outros cristãos. da regra de fé. seus irmãos.17. são obrigatórios somente para os que os professam voluntariamente. e os bispos. 16. ou quando dão . 3:15. quanto à sua matéria. como corporação. Seu ofício não é a comunicação de novas revelações da parte de Deus. com a ajuda. A unidade essencial na fé e prática. 1:1. Manda-se todos os cristãos. e a depositária e intérprete. em contraste com a tradição.2Ped. que está entregue à custódia de uma corporação de sacerdotes. e com qualquer outra regra pretendida. são obrigatórios somente até onde afirmam aquilo que a Bíblia ensina. Judas. e qual a aplicação dessa regra perfeita a cada questão em particular de fé ou prática. quando se acham reunidos em concílio ecumênico. e4:2. Gál. 2:7. Qual o sentido das Escrituras e da tradição. Os credos e confissões. quando faz ou diz qualquer coisa no seu caráter oficial. mas não sob a autoridade dos outros cristãos. Temos provas tão claras do poder das Escrituras de darem luz.

96. . As promessas de Cristo feitas. Isto porque . Confirase João 20:23 com Luc. De Concil. 6o. e que "as portas do inferno não prevalecerão contra ela"-ITim. 5o. vers. Lib. Uma pretensão. 3:15. João 16:13. 2:9.95. 2 João. revestindo homens mortais de um poder de tanto peso. e a falta de se apresentarem tais provas converte a pretensão em traição contra Deus e contra a raça humana. 1:7. Heb. O mais que prometeu foi que o verdadeiro povo de Deus nunca desapareceria inteiramente da terra. 1 Ped.. 8. A analogia universal. sim. 16:19. (3) As Epístolas foram dirigidas à Igreja. 5:27. João 10:27.(1) a palavra Igreja (ecclesia) é um termo coletivo. nenhuma se estende até ao ponto de torná-la infalível. cap. 16:18.Ef. 18:18-20. 5:10. bem como a lei escrita. e abrange todos os chamados eficazmente ou regenerados Rom.28. Teologia de Deus. e a ordem de que aquele que não a ouvir seja tido por "um gentio ou um publicano" . A comissão dada à igreja (romana) como mestra do mundo-Mat. As provas apresentadas não estabelecem as suas pretensões. A necessidade. a autoridade sobre a qual se ache entregue nas mãos de uma linha perpétua de apóstolos. cap. Todas as comunidades entre os homens têm juízes vivos. vers. ao corpo inteiro dos verdadeiros crentes. aos apóstolos e seus sucessores oficiais. 2.l6:17.3. As provas apresentadas não estabelecem essas pretensões porque. mesmo se apostatasse das coisas essenciais da fé. e 1 João 2:20. 1:10.14. 28:19.l. e esta seria de pouco valor sem aqueles. 47-49. etc. Este poder é necessário para se conseguir unidade e universalidade que todos reconhecem como atributos essenciais da verdadeira igreja (a igreja católica romana). 24:48. Col. N°.. 3o. visível e contemporâneo. ICor. 4o. 27. 17.93. 1 Ped. 9:15. Jud. 2. Luc. 24. 10:16. 1:18. Luc. 3o.assentimento geral a um decreto do papa ou de um concílio -Decretos do Concílio de Trento. A igreja (romana) é dada o poder de ligar e desligar. Rom. 7o. 2:5. pode ser estabelecida só pelas provas mais claras e decisivas. e Lib. 81. Quais os argumentos que a igreja romana emprega no intuito de estabelecer essa doutrina? 1o. segundo dizem. 80. e suas decisões e interpretações autorizadas . tornandoos infalíveis. porque essas promessas não foram feitas por Cristo aos oficiais da Igreja como tais e. e por isso deve ser qualificada e estar autorizada a fazer isso-2 Tess. Os homens precisam e desejam um intérprete e juiz infalível. Quais os argumentos que demonstram não terem fundamento algum essas pretensões da igreja romana? 1o. 8o. 1:18. 2o. nem seria jamais abandonado. 2 Ped. 20. das promessas que Cristo fez à Igreja de preservá-la da extinção e do erro.Mat. 24:33. (2) Os atributos imputados à Igreja provam que ela consta tão-somente do verdadeiro povo espiritual de Deus .20:23. 1:9.49. sempre vivo. "os santos". 16:18. Bellarmine. 18:15-18. seção 4. As provas apresentadas não servem para estabelecer as suas pretensões porque a Igreja à qual foram e são feitas as promessas preciosas das Escrituras não é uma sociedade externa e visível. A igreja é declarada ser "coluna e firmamento da verdade". Ef. 2o. e nas suas saudações temos a explicação de que a expressão "à igreja" é equivalente a "os chamados". 18. A igreja (romana) recebeu a ordem de discriminar entre a verdade e o erro. 2 Tim. 4o. Mat. De Eccl. 84.3:6. 10.Mat. 1:2.94.

A religião é essencialmente uma coisa pessoal. e que em todas as questões quanto à vontade revelada de Deus se deve apelar só a elas. julgar e provar por elas todas as doutrinas e todos os que professam ser mestres dos outros-João 5:39. 3:16. ensina doutrinas evidente e radicalmente irreconciliáveis com o sentido claro das mesmas Escrituras.2 Cor. 1 Cor. 1 Ped. porque seu juízo universal nunca foi e nunca poderá ser reunido e enunciado imparcialmente. é prometido a todos os cristãos. 6:11. 1:22. 2o. autor e intérprete das Escrituras. E necessário que todo cristão conheça e creia na verdade. Gál. 8:9. como por exemplo. (2) Afirma a infalibilidade das Escrituras e. . é totalmente antibíblica. Mas. Os apóstolos inspirados não tiveram sucessores. Quais os argumentos diretos pelos quais se pode estabelecer a doutrina de que as Escrituras são o supremo juiz nas controvérsias? Que todos os cristãos devem estudar por si as Escrituras. pois."os que servem a Deus em espírito" -como se vê nas saudações em 1 e 2 Coríntios. e o testemunho do Espírito Santo.49. Ef. 1 João 4:1. impraticável.22. a igreja papal não tem sido consistente consigo no seu ensino. Col. subverteremos uma das principais provas do próprio cristianismo. as doutrinas sobre o sacerdócio. 2:13. a missa. Atos 1:21. então é evidente que a religião verdadeira e espiritual deve florescer nos países da sua comunhão e todo o resto do mundo ser um deserto moral. 9:1. além disso. Por isso é que a igreja romana esconde as Escrituras do povo. explicitamente para si.19. Tinham deixado de existir tanto o nome como o ofício. o culto prestado a Maria e às imagens. dá de si mesma -João 17:17.27. 3o. 1:8. (1) No Novo Testamento não há prova alguma de que os tivessem. Tia. porém. ITess.2. as penitências. Esta reivindicação. (2) Proveu-se para a perpetuação regular dos ofícios de presbítero e diácono (ITim. Também no corpo das Epístolas os mesmos predicados são atribuídos aos membros da verdadeira Igreja . Judas. 1:30. sobre o fundamento direto de suas próprias provas morais e espirituais. fica provado pelos seguintes fatos: 1o. Rom.19. 3:16. a saber. ao mesmo tempo. 1 e 2 Pedro. e não simplesmente sobre o fundamento da autoridade de outros. As Escrituras são dirigidas a todos os cristãos: veja pergunta 13. Se o sistema religioso dos romanistas é verdadeiro. 19. Devido ser baseada na autoridade do conjunto total dos bispos. expressa no seu assentimento geral. A fé deriva seu poder santificador da verdade que ela apreende imediatamente em função das provas experimentais que essa verdade. 5o. Efésios. A não ser assim. (1) Tem ensinado doutrinas diversas. O Espírito Santo.17. 2:10.1 Cor. 3: 113). Se. as boas obras. Colossenses. Gál. 2:9. pois as Escrituras nada sabem sobre o papa. Atos 17:11. que os fatos são exatamente o inverso disso. a fé não poderia ser o que é. 4o. nem poderia "purificar o coração". As Escrituras ordenam a todos os cristãos examiná-las. Não pode haver infalibilidade onde não há consistência própria. 1:18. As Escrituras são perspícuas: veja acima as perguntas 11-13. 1:1. como questão de fato. 24:47. um ato moral. 2:3-8 e 19-22. (3) Nos escritos dos primeiros séculos nada se encontra que diga respeito à existência de apóstolos na Igreja. a luz autoevidencial e a virtude prática da verdadeira religião. 4:2. é oposta às Escrituras pelos motivos supra expostos. mas nada absolutamente se fez para a perpetuação do apostolado. 1:21. 6o. 12:12. 5:21. e é. 1 Cor. 7o. E notório.12. (4) Nenhum daqueles que se dizem sucessores dos apóstolos têm feito ver "os sinais do apostolado" . 2 Cor. 1 João 2:20. admitimos que o sistema romano é verdadeiro. quando baseada na autoridade do papa. em diversas partes e séculos. quando aceita. 1 Ped. Confira-se João 20:23 com Luc. 5o. 1 Tess. 8o.

sobre o fundamento de ser a igreja (católica) a nossa única autoridade para crermos que as Escrituras são a Palavra de Deus? Sua objeção é que. E sendo a autoridade da igreja o fundamento da autoridade das Escrituras. O fato postulado é falso. quando com espírito humilde e crente julgam as coisas divinas à luz das Escrituras. e por dois motivos: 1o. apesar de muitas diferenças * circunstanciais. isto é. Isso é absurdo. (2) Estas mesmas Escrituras que possuímos foram escritas pelos apóstolos. entre os protestantes bíblicos existe. infinitamente mais do que precisam dele as Escrituras. tanto contra as Escrituras como contra Roma. 21. e dirigem seus . Os homens não tomam seu credo simplesmente. se soubéssemos só pelo testemunho autorizado da igreja. desde que recebemos as Escrituras como a Palavra de Deus só por confiarmos no testemunho autorizado da igreja romana. chamados assim muitos incrédulos que protestam. ser superior às Escrituras. mas: (1) Deus falou pelos apóstolos e profetas. e são . Como se pode mostrar que a teoria católico-romana. naturalmente. A diversidade que realmente existe entre eles tem sua j origem na falta de aplicarem. como é evidente (a) pela natureza de sua doutrina.20. mas só que. seria absurda a conclusão que pretendem tirar: porque a testemunha que prova a identidade ou primogenitura de um príncipe não adquire. e nem mesmo o de interpretar a vontade do príncipe. pelos romanistas. com fidelidade. provou ser juiz muito indefinido. um maravilhoso grau de acordo sobre as coisas essenciais de fé e prática. No entanto. (d) por nossa experiência pessoal e pela observação do poder da verdade. 22. racional ou irracionalmente. e que os romanistas tiram da diversidade de seitas e doutrinas entre os protestantes? 1o. bem como a protestante. na igreja e fora dela. nossa fé nas Escrituras não é senão outra forma de fé nessa igreja. 3o. impõe necessariamente ao povo a obrigação de decidir segundo o seu juízo particular? Acaso existe um Deus? Teria Ele Se revelado? Teria Ele estabelecido uma Igreja? Seria essa Igreja mestra infalível? Seria verdade que o juízo particular é guia cego? Qual de todas as pretendidas igrejas seria a verdadeira? É evidente que todas estas questões têm de ser decididas pelo juízo particular do inquiridor antes de lhe ser possível entregar. e sem preconceitos da Bíblia. 2o. como fica evidente (a) por suas provas internas. chegam a ter um conhecimento competente das j verdades essenciais. os princípios ] protestantes pelos quais contendemos. (b) pelo testemunho histórico dado por todas as testemunhas competentes e contemporâneas. como atestam seus hinos e livros de devoção. 4o. O testemunho sobre o qual aceitamos as Escrituras como a Palavra de Deus não é a autoridade da igreja (católica romana). a igreja deve. Qual a objeção apresentada contra esta doutrina. que as Escrituras são de Deus. por esse motivo. Como se deve responder ao argumento a favor da necessidade de um juiz visível. o seu juízo particular à direção da igreja que se blazona de ser infalível e não admite o direito de juízo particular. O termo protestante é simplesmente negativo. Mesmo se o fato postulado fosse verdadeiro. na sua exposição autorizada feita pelo Concílio de Trento. etc. A igreja católica romana. (b) pelos milagres que realizaram. o direito de governar o reino. Não temos a pretensão de dizer que seja infalível o juízo particular dos protestantes. Suas decisões doutrinárias precisam de um intérprete infalível. 20. (c) por suas profecias. Assim os romanistas se vêem obrigados a apelar para as Escrituras para provar que elas não podem ser entendidas..

têm decidido que há certos sinais pelos quais se pode distinguir a verdadeira igreja de todas as falsas. ou ao consenso unânime dos padres". cap. seja dada por autêntica . QUANTO À TRADIÇÃO -Prof. a compreensão e aplicação inteligentes destes sinais envolve uma soma imensa de instrução e capacidade inteligente da parte do inquiridor. confiado na sua prudência em matéria de fé e costumes. pregações e exposições. segundo o sentido que abraçou e abraça a santa madre igreja. como lhe será estabelecer que a igreja romana tem direito ao último dos sinais acima numerados. QUANTO À INTERPRETAÇÃO DAS ESCRITURAS -Decretos do Concílio de Trento. São (1) Unidade (sujeitando-se todos a uma cabeça visível. de casamentos legítimos.) 2 e 3 ."Aceito e abraço firmemente a tradição apostólica e eclesiástica."E havendo sido mal interpretadas. para refrear engenhos petulantes. contra aquele sentido que abraçou. de bispos canonicamente ordenados desde os apóstolos) Catecismo do Concílio de Trento. deve-se ter aquilo como verdadeiro sentido das Santas Escrituras que nossa santa madre igreja abraçou e abraça. 23. também. As Escrituras. Além disso. Sessão 4. se atreva ou intente rejeitá-la. Seus argumentos baseiam-se. segundo os sinais em que insistem os romanistas.. torça as Sagradas Escrituras para os seus conceitos particulares. Ora. o mesmo sacrossanto Sínodo. que pelo uso de tantos séculos foi aprovada na igreja (católica romana). determina e declara que: esta mesma antiga e vulgata edição.. Parte 1. 2 . a quem pertence julgar o verdadeiro sentido e interpretação das Escrituras. ininterrupta. 2o. pois. obrigados pela necessidade. por alguns. A TRADIÇÃO E A INFALIBILIDADE DO PAPA 1o. Ser-lhe-ia tão fácil provar-se descendente de Noé por uma série." . pertencendo a edificação da doutrina cristã.argumentos ao juízo particular dos homens para provar que o juízo particular é incompetente para nos dirigir com acerto. não exigem tanto do juízo particular. com seu poder espiritual dando testemunho delas. DOUTRINA CATÓLICO-ROMANA QUANTO A INTERPRETAÇÃO DAS ESCRITURAS. 10. em matérias de fé e costumes. Decretos dogmáticos do Concílio Vaticano. ininterrupta.C. disputas. à qual pertence julgar o verdadeiro sentido das Santas Escrituras e. naquilo a respeito do qual querem provar. nem se atreva a interpretar as mesmas Escrituras contra o unânime consenso dos padres. ainda que essas interpretações nunca venham à tona". com pretexto algum. determina que: ninguém. ninguém pode racionalmente ceder o seu direito de julgar por si o ensino da Bíblia enquanto não for claramente provado esse ponto. (2) Santidade (3) Catolicidade (4) Apostolicidade (envolvendo uma sucessão. que não tem base! . por certo. Ao mesmo tempo. a bem das almas a respeito da interpretação das Escrituras Sagradas. por isso. qual seja a igreja verdadeira? Os romanistas. nas lições públicas. por meio de seus argumentos. o papa). com o fim de refrear espíritos rebeldes.e em forma que ninguém. "Ademais. e nunca hei de tomá-las ou interpretálas de um modo que não seja de acordo com o consenso unânime dos padres. as coisas que o santo Sínodo de Trento decretou. Cap. a ninguém é permitido interpretar as Sagradas Escrituras de modo contrário a esse sentido. Como se pode provar que o povo é muito mais competente para descobrir o que seja aquilo que a Bíblia ensina do que o é para decidir. Fidei Tridentince (1564 d. e edificação da doutrina cristã. e todas as demais ordenações e instituições da mesma igreja. renovando o dito decreto. nós. e abraça a santa madre igreja a quem pertence julgar o verdadeiro sentido e interpretação das Escrituras. declaramos que este é o seu sentido: que. Aceito. as Santas Escrituras.

e tanto individual como coletivamente. pode-se recorrer ao seu tribunal. e que em todas as causas cuja decisão pertence à igreja.o que Deus não permita . ensinamos e declaramos mais que ele é o supremo juiz dos fiéis. e nele. cap. "2o. cap. "4o. pudessem guardar inviolavelmente e explicar fielmente.. para que por Seu auxílio. Decretos dogmáticos do Concílio Vaticano. e que ninguém pode reabrir a decisão da sé apostólica."Porque o Espírito Santo não foi prometido aos sucessores de Pedro a fim de que. QUANTO À AUTORIDADE ABSOLUTA DO PAPA -Decisões dogmáticas do Concílio Vaticano. Define o significado da frase bem conhecida loquens ex-cathedra. pelo auxílio divino que lhe é prometido em Pedro bem-aventurado.QUANTO À INFALIBILIDADE ABSOLUTA DO PAPA COMO MESTRE DA IGREJA EM TODO O UNIVERSO -Decretos dogmáticos do Concílio Vaticano. em todo o mundo. e que a igreja universalmente deve crer. obrigados a sujeitar-se.. 4°. por não haver autoridade superior à dela."E vendo que esta verdade e disciplina se contém em livros escritos. que é o de definir doutrinas que digam respeito à fé e costumes. Por isso desviam-se do curso reto os que afirmam que é legal apelar das decisões do pontífice romano para um concílio ecumênico. a seus sucessores. e que a ele todos. Além disso. fielmente à tradição recebida do princípio da fé cristã para a glória de Deus nosso Salvador. a doutrina de fé e costumes. define uma doutrina que diz respeito à fé ou costumes. por seu dever de subordinação hierárquica e obediência verdadeira. a saber. anunciassem doutrinas novas. isto é. por Sua revelação. isto é. de qualquer rito e dignidade que sejam. "6o. A matéria de que trata o ensino infalível. A causa eficiente da infalibilidade. . ele é revestido da infalibilidade com a qual o divino Salvador queria que fosse revestida Sua Igreja. 3 . ou uma parte ou um membro dela.a contradizer esta nossa definição. "3o. com o fim de definir doutrinas que digam respeito à fé e costumes. pois. 3o. e sem escritos nas tradições que recebidas pelos apóstolos. lhes dê o seu assentimento". em si mesmas. que são em si mesmas irreformáveis por serem. o auxílio divino prometido a Pedro. a exaltação da religião católico-romana e a salvação do povo cristão. e sim. ensinamos e definimos que é uma doutrina revelada divinamente: que o pontífice romano quando fala ex-cathedra. 4 . tanto os pastores como os fiéis. Sessão 4 . aprovando o sacrossanto concílio. falando do assento ou lugar. não só nas matérias que pertencem à fé e costumes. seja anátema". 4 ."Por isso ensinamos e declaramos que por ordenação do Senhor. O ato a que é ligado esse auxílio divino. O valor dogmático das decisões ex-cathedra. A limitação desta autoridade infalível ao ofício doutrinal da igreja. a revelação ou depósito de fé transmitida por meio dos apóstolos". "5o. diz que nesta definição há seis pontos a serem notados: "1o. chegaram até nós". Mas se alguém presumir .Concílio de Trento. ou com a autoridade do mestre supremo de todos os cristãos e obrigando o assentimento da igreja em todo o universo. a saber. no seu livro Vatican Council. nem pode alguém legalmente passar em revista a sua decisão.. ou ditadas pelo Espírito Santo aos mesmos apóstolos. e não pelo consenso da igreja. são. da boca de Cristo. em virtude de sua autoridade apostólica. como de mão em mão. cap."Aderindo. infalível e não porque a igreja.. e que por isso tais definições do pontífice romano são irreformáveis em si mesmas. quando em cumprimento do ofício de pastor e doutor de todos os cristãos. o poder de jurisdição do pontífice romano é imediato. como para uma autoridade superior à do pontífice romano". isto é. mas também nas que pertencem à disciplina e governo da igreja. O Cardeal Manning.

entre os Pais latinos. O Concílio de Calcedônia afirmou. os chamados Pais da Igreja Grega. a divindade consubstancial de Cristo foi definida no Concílio de Nicéia. 2. também. e quais os ramos da Igreja em que as grandes doutrinas da Trindade. afirmou que o Senhor possuiu uma vontade humana. o estado das opiniões teológicas nos primeiros três séculos ? Durante os três primeiros séculos que decorreram depois da morte do apóstolo João. durante os séculos 3 e 4. em meados do século 5. que foram depois vindicadas. E este. nesses séculos. no sentido de adquirir mais claras concepções e mais exatas definições da verdade divina. O sexto Concílio de Constantinopla. a unidade pessoal do Teantropos. ou. as especulações dos mais antigos escritores da Igreja Ocidental. como também uma vontade divina. As questões a respeito do pecado e da graça. principalmente. Quanto à cristologia . por homens de origem grega. grega e romana.6 Comparação de Sistemas Neste capítulo será apresentado um breve esboço das principais posições contrastadas dos três sistemas rivais do pelagianismo. e a personalidade e deidade do Espírito Santo. que as duas naturezas em Cristo são distintas. uma tendência notável para adotarem as opiniões mais corretas. os ânimos especulativos da Igreja ocupavam-se principalmente em defender a verdade do cristianismo contra os incrédulos . mas. . Essa tendência pode ser notada. é o caráter da antropologia grega. Estas decisões têm sido aceitas pela Igreja inteira.e em determinar definitivamente as questões que se desenvolveram nas controvérsias a respeito das Pessoas da Trindade. em 589. em geral. ainda hoje. foram definidas? A Igreja tem sempre feito progresso. adotaram uma espécie de semipelagianismo. tão assinaladamente. foram investigadas. da origem e das conseqüências do pecado no homem. em 451. em 325. pode-se dizer que. nem quanto à natureza da obra redentora de Cristo. que morreu cerca do ano de 220. mais claramente. no Concílio de Constantinopla. e de Hilário de Poitiers (f 368) e Ambrósio de Milão (f 397). nas obras de Tertuliano de Cartago. em 381. e foram definidas autorizadamente em sínodos. ou o método da sua aplicação pelo Espírito Santo ou da sua apropriação pela fé. Os mesmos atributos caracterizaram. em conseqüência da grande influência de Orígenes. negando a culpa do pecado original e sustentando que o pecador tem o poder de predispor-se e cooperar com a graça divina. por meio de controvérsias ativas. e da cristologia. reunidos na metade oriental da Igreja geral. 1. semipelagianismo e agostinianismo. da redenção e sua aplicação. Por que meios tem a Igreja feito progresso na clara discriminação da verdade divina? E quais os séculos.combater as heresias gnósticas geradas pelo fermento da filosofia oriental . acrescentando os latinos a cláusula Filioque. E aprouve à Providência que as diversas grandes seções do sistema revelado nas Escrituras inspiradas fossem discutidas. as questões profundas envolvidas nas seções da teologia própria. e também um esboço da história da sua origem e disseminação. Como fato geral. em séculos diversos e no seio de nações diversas também. durante o século 4 e os que se seguiram imediatamente. Quanto à teologia. quase todos. da Pessoa de Cristo. mais completa e mais claramente definidas. em primeiro lugar.o Concílio de Efeso afirmou. como são chamados em suas formas mais completamente desenvolvidas-socinianismo. Assim. arminianismo e calvinismo. em 680. Qual foi. pelo grande Agostinho. Não parece que se fizessem. exposições definidas e conseqüentes a respeito da natureza. incluídos no título geral de antropologia. no Concílio de Toledo. nem quanto à natureza e aos efeitos da graça divina. luterana e reformada. do pecado e da graça. por homens de origem latina que chegaram primeiro a conclusões definidas na controvérsia de Agostinho com Pelágio. foram mais completamente investigadas. manifestou-se. em 431.

África setentrional.durante a primeira terça parte do século 5.cada seção separada não pode deixar de sustentar muitas relações óbvias. E 3o. 3. completado no socinianismo. abrangidas sob a grande divisão da soteriologia. era um monge britânico. desde o princípio da era cristã. pelo Concílio de Milevo. a natureza da expiação e a obra do Espírito. Itália. Este repúdio apressado e universal do pelagianismo prova que. Muitas questões pertencentes à grande divisão de eclesio-logia. não foram investigadas completamente até o tempo da Reforma. onde e por quem foram primeiro discriminados claramente os princípios fundamentais das duas grandes escolas antagonistas de teologia? As posições contrastadas dos sistemas agostiniano e pelagiano foram primeiro desenvolvidas e definidas por meio de controvérsias mantidas pelos homens eminentes cujos nomes trazem . e o método da sua aplicação. quanto às coisas essenciais. como as diversas partes de um grande todo. em 407 e 416. em contraste. pelos papas Inocêncio e Zósimo. o arminianismo.As questões sobre a redenção. Agostinho foi bispo de Hipona. O desenvolvimento imperfeito e a concepção defeituosa ou exagerada de uma doutrina qualquer introduzirão. Quais são os três grandes sistemas de teologia que têm sempre subsistido na Igreja? Abrangendo a revelação dada nas Escrituras . o sistema ensinado por Agostinho devia ser. algumas lógicas outras não. No uso comum. e é um sistema de compromissos. 1o. Os termos pelagianismo e semipelagianismo são aplicados aos desvios mais extremistas ou mais moderados feitos das verdades de que trata a Antropologia.um sistema completo de verdades . Por exemplo: opiniões pelagianas sobre o estado natural do homem tendem sempre a dar em resultado opiniões socinianas sobre a Pessoa e a obra de Cristo. por sua vez. Foi ajudado nas suas controvérsias por seus discípulos Celestio e Juliano. 5. o semipelagianismo desenvolvido. Pelágio. E opiniões semipelagianas sobre o pecado e a graça são atraídas irresistivelmente e. Foram condenadas pelos dois concílios reunidos em Cartago. e todas as denominações (com exceção dos socinianos professos) as têm reputado como heresias fatais. e depois pelos grandes teólogos da Alemanha e da Suíça.Agostinho e Pelágio . De outro lado há o pelagianismo. com todas as outras seções. em 431. Há. e o termo arminianismo é empregado para designar os erros menos extremistas que neste sistema são ensinados na seção desoteriologia. só dois sistemas completos e autoconseqüentes de teologia cristã possíveis. de 395 a 430. Há. e pelo concílio ecumênico de Efeso. na Numídia. As posições mantidas por Pelágio foram condenadas geralmente pelos representantes da Igreja inteira desde aquele tempo até agora. em 416.. 2o. cujo sobrenome foi Morgan. o agostinianismo. de Eclano. como poderíamos já prever. 4. atraem opiniões arminianas sobre os atributos divinos. de um lado. a confusão e o erro no sistema inteiro. embora fossem muito imperfeitas as idéias dos primeiros pais sobre essa classe de questões. o termo socinianismo é empregado para designar esses elementos do falso sistema que dizem respeito à Trindade e à Pessoa de Cristo. o mesmo que a fé da Igreja. em sua substância. ainda hoje esperam sua solução completa no futuro. inevitavelmente. que está entre os dois. com efeito. as principais doutrinas distintivas dos sistemas agostiniano e pelagiano? . completado no calvinismo. Como se pode expor. Quando.

Por sua transgressão. porém. Sobre os outros. tem capacidade para querer e fazer o bem. não o faz em atenção à disposição moral desse homem. por natureza.O decreto divino de eleição e reprovação é fundado na presciência de Deus. E irresistível. Quanto ao pecado original:3 Agostinianismo .A vontade do homem é livre. a quem Deus previu que guardariam os mandamentos. Por isso depende só de si. Esta. contudo para que o possa fazer mais facilmente. no seu sentido mais limitado (influência graciosa) é concedida só àqueles que. Quanto ao livre-arbítrio: "Agostinianismo .Desde toda a eternidade. Mas o homem pode resistir-lhe. quer e faz o bem. Esta é uma obra interna. pecado original. operada por Deus no homem. secreta e maravilhosa. "Pelagianismo . os outros. mas só aqueles que realmente pecaram precisam da Sua morte expiatória.Pelo pecado de Adão. merecem que o seja. porém. que não pertencem ao pequeno número4 dos eleitos. em quem pecaram todos os homens juntos. Cristo veio ao mundo e morreu somente a favor dos eleitos. no seu estado atual. E uma obra que precede e também acompanha. Todo homem traz consigo para o mundo uma natureza já tão corrupta que nada pode fazer senão pecar. dando a Sua graça a qualquer homem. "4a. é só devido à obra da graça divina. Em seu atual estado f corrompido. "Pelagianismo . Adão só fez mal a si e não à sua posteridade." 6. mas opera segundo a Sua própria livre vontade. Todo homem tem o poder de querer e fazer o bem. Deus fez um decreto livre e incondicional de salvar alguns de toda a humanidade que estava corrupta e sujeita à condenação. Quanto à graça: "Agostinianismo . a vontade humana j perdeu inteiramente a sua liberdade. e mediante esta chega a ver o que é bom e recebe o poder de querer o bem. pois. Deus. cai a merecida ruína. por sua livre vontade que é um dom de Deus. Aqueles. vieram para o mundo o pecado e todos os demais castigos merecidos do pecado de Adão.Ainda que seja verdade que o homem. se for bom ou mau. "Pelagianismo . E como o homem não tem. sem o auxílio especial de Deus. tanto física como moralmente. Como o homem não pode fazer nada sem a graça. como também o mal. "3a. A propagação desta qualidade da sua natureza é pela concupiscência. assim também nada pode fazer contra ela.Se. porém. empregando fielmente suas próprias forças. o homem só pode querer e fazer o mal. Não há.Pelo pecado de Adão. Para fazer qualquer boa obra. Quanto ao que diz respeito à sua natureza moral. Por ele ficou corrompida a natureza humana. Pela graça precedente o homem alcança a fé. predestinou para a salvação. merecimento algum. para a condenação. Todos. "2a. A redenção de Cristo é geral. deu-lhe o ensino e exemplo de Cristo para o ajudar. Quanto à predestinação e à redenção: "Agostinianismo . e concedeu-lhe até mesmo as operações sobrenaturais da graça. Qual foi a origem do sistema mediano ou semipelagiano? . Deus revelou a lei. o homem. precisa da graça cooperante. i "Pelagianismo . todo o homem nasce na mesma condição em que foi criado Adão. por meio do ensino e exemplo de Cristo."1a. Aqueles que predestinou para essa salvação dá os meios necessários para conseguirem esse fim. podem ser levados a uma perfeição e virtude superior.

Esta obra ocasionou controvérsias muito dilatadas. sob diversos nomes partidários. Por outro lado. em geral. e condenada pelas bulas de Inocêncio X e Alexandre VII.. 7.. a qual foi aceita permanentemente pela Igreja Oriental. e por algum tempo. bispo de Riez. 1124 d. o verdadeiro sistema de Agostinho. com o fim de promover os interesses do monasticismo nessa região. em 1653 e . "Doctor Angelicus". com respeito a esses grandes sistemas. durante a qual permanecera entorpecida toda a especulação ativa.. tendo ido para Marselha. As controvérsias ressuscitadas assim continuaram por muitos séculos. a cujos advogados se deu o nome de massilianos. As mesmas disputas. exerce influência tão universal. 1265 d. comumente chamado agora arminianismo. é. naquele século. devido à origem do seu chefe. Qual a relação do agostinianismo com o calvinismo. de descendência síria. França. tanto entre os papistas como entre os protestantes. começou a dar publicidade a um sistema de doutrinas que ocupava posição média entre os sistemas de Agostinho e Pelágio.Enquanto a controvérsia pelagiana estava no seu auge. a designação histórica do sistema mediano ou semipelagiano. A conseqüência foi que tanto os dominicanos como os franciscanos disseram que suas opiniões haviam sido sancionadas por aquele concílio. até ser condenada pelos sínodos de Orange e Valence. e educado na Igreja Oriental. disseminada largamente também na Igreja Ocidental.C. e os franciscanos e scotistas. A ordem dos jesuítas. enquanto as exposições gerais e indefinidas de doutrina que se encontram nos seus cânones são. se bem que o gênio de seu sistema ritual e a predominância dos jesuítas nos seus concílios tenham feito prevalecer.C. na igreja papal. monge da ordem franciscana. o semipelagianismo.enquanto cassianismo seria. a eleição condicional e o poder inalienável da vontade humana de cooperar com a graça divina ou resistir-lhe. A verdade é que. Esse sistema. monge da ordem dominicana. Como se achavam divididos os partidos. de 427 a 480. cujas sessões começaram em 1546 d. por extratos numerosos. França. 8.. bispo de Ipres. na qual desenvolveu claramente e estabeleceu. fundada em 1541 d. Se se deve usar de algum nome humano como designação de um sistema de verdades. inventor da distinção denominada scientia media. uma exposição do qual falaremos numa parte subseqüente deste capítulo. por Inácio de Loyola. e como se acham divididos na moderna igreja papal? Depois de decorrida a idade das trevas. divinamente reveladas. continuam ainda a agitar a igreja romana desde a Reforma. jesuíta espanhol. João Casiano. muitas vezes. entre os escolásticos. deixando sua grande obraAugustinus. todos aqueles elementos de fé que o mundo inteiro de cristãos evangélicos mantém em comum. o grande Tomás de Aquino. alcançou tanta fama na defesa do semipelagianismo que os adeptos deste. do modo incômodo e artificial que caracterizava os escolásticos. sustentando os dominicanos e tomistas. agostinianas na forma. foi um dos defensores mais distintos e dos propagadores mais bem sucedidos dessa doutrina. a eleição incondicional e a graça eficaz. o defensor mais hábil do sistema que se chamava então semi-pelagiano. em geral. o sistema comumente chamado calvinismo . 1588 d. "Doctor Subtilis". em 529. italiano por nascimento. não inspirado. e o nome de nenhum outro homem. foi atacada ferozmente pelos jesuítas. o mesmo que agora se chama arminianismo. advogou com habilidade consumada o sistema agostiniano. como Agostinho.C. com propriedade. com propriedade. Fausto. foi. faleceu Jansênio. O Concílio Ecumênico de Trento. nos seus princípios essenciais. as explicações mais detalhadas e exatas que se lhes seguem são uniformemente semipelagianas. chamados depois semipelagianos pelos escolásticos. e do semipelagianismo com o arminianismo? Depois desse tempo. o agostinianismo tornou-se a ortodoxia reconhecida da Igreja Ocidental. propriamente. agostinianismo como oposto a semipelagianismo designa. João Duns Scotus. inglês por nascimento. tem-se identificado sempre com a teologia semi-pelagiana. o termo agostinianismo como oposto ao pelagianismo designa.C. nos Países Baixos.C. em quase toda essa igreja. Luiz Molina. Em 1638 d. procurou formular um credo indefinido que satisfizesse aos adeptos de ambos os sistemas. têm sido chamados molinistas.C.

seguidas. mantêm que. Quanto à teologia própria e à cristologia. ser considerada como a melhor testemunha ao nosso alcance a respeito daquilo que realmente é a teologia estritamente luterana.C. por suas próprias forças.C. pode. como devem fazer. Deus prevê todos os eventos. fazerem. no espírito e em todos os pontos essenciais. Tem havido. (2) Quanto à cristologia. e tinham sua sede principal na Holanda e na Bélgica. em 1713 d. e sua incapacidade absoluta de. como também em Porto Royai. a imputação antecedente e imediata do primeiro pecado de Adão. e Seu corpo. de Clemente XI. Ele preordena todas as ações dos agentes necessários. Sua alma humana tem parte na onisciência e onipotência da Sua deidade.C. em 1548. a vontade humana coopera com a graça divina. declarou. publicada em 1580 d. modificaram-se gradualmente suas opiniões sobre a liberdade do homem e a soberania da graça divina. os jansenitas e os jesuítas têm continuado até o nosso tempo. Pascal e Quesnel. na igreja romana. que são a confissão reconhecida universalmente das igrejas luteranas. Posteriormente. . com o espírito desenvolvido depois mais sistematicamente por Calvino. o elemento humano da Pessoa de Cristo tem parte com o divino em pelo menos alguns dos seus atributos. ofendeu muito os "velhos luteranos". estavam muito mais em conformidade com as que mantinham os discípulos de Zwínglio e Calvino do que com as que ensinava sua própria igreja. ensinou um sistema de fé que concorda. As controvérsias entre os dominicanos e os molinistas. Nicole. em 1870 d. na conferência de Leipzig. suas opiniões são idênticas às dos mais estrénuos proponentes da teologia reformada. por exemplo. as opiniões de Melanchthon quanto à relação do sinal significado nos sacramentos (ou seja. 9. se bem que agora o semipelagianismo junto com o jesuitismo. monge da ordem agostiniana e discípulo fervoroso de Agostinho. na sua onipresença. eles mantêm que até onde esta diz respeito às ações tios agentes morais. como. que triunfou definitivamente no Concílio Vaticano. entre eles. em virtude da união hipostática. e juntos têm o poder de dar vida ao verdadeiro crente que recebe a ordenança. condenando o Comentário do Novo Testamento. por natureza e desde o nascimento. sejam quais forem. foram subseqüentemente chamados jansenistas. a total depravação moral de todos os seus descendentes. em relação a esses dois pontos. e que não têm relação determinante com as que são más. no ato regenerador. perto de Paris. reina quase universalmente na igreja católica romana. Arnaulos. Com essas opiniões de Lutero parece que Melanchthon concordava. Afinal prevaleceu sobre seus antagonistas o partido "velho" ou dos luteranos estritos. quando desenvolvida num sistema completo. Ainda que este documento notável não chegasse a ocupar posição igual à que ocupa a Confissão de Augsburgo e sua Apologia. Por outro lado. Depois da morte de Lutero..C. As características da teologia luterana quando contrastadas com as das igrejas reformadas podem ser expostas sob os seguintes pontos: 1o. os únicos pontos em que diferem do calvinismo são os dois seguintes: (1) Quanto aos atributos divinos ligados à preordenação soberana. com e sob os elementos da eucaristia. e ocasionou controvérsias prolongadas e amargas. era o que diz respeito à presença literal e física da Pessoa de Cristo em. homens muito ilustres como Tillemont. e fez-se de suas opiniões uma completa exposição científica na Formula Concordiae. O único ponto importante em que diferiu do consenso comum das igrejas calvinistas. . pela bula célebre unigenitus. e as boas ações dos agentes livres .. as ordenanças) com a graça. que concordava com os sinergistas que afirmam que. 2o.1656 d. Assim. Os agostinianos.mas nada mais. explicitamente. coisa alguma das que pertencem à sua relação com Deus. quando publicou a primeira edição dos seus Loci communes. é limitada às ações que são boas moralmente. por Quesnel. Sua posição. Quanto à antropologia. Qual a posição da Igreja Luterana com relação a esses grandes sistemas? Lutero. com justiça. porém.

de Genebra. Os que são salvos. e quais são? Todo o mundo protestante. em rejeitarem o dogma da sucessão apostólica e as tradições da Igreja Primitiva. As igrejas CALVINISTAS ou REFORMADAS abrangem. OU as que tomaram o seu caráter de Lutero e Melanchthon. Compreendem cerca de oito milhões de reformados alemães. 10. juntamente com as igrejas nacionais da Dinamarca. cooperar. cerca de trinta e oito milhões. quanto à eleição eterna e soberana que Deus faz dos crentes em Cristo. O número de seus adeptos é estimado em vinte cinco milhões5 de luteranos autênticos. Irlanda e América do Norte formam uma subdivisão separada. tem estado dividido em duas grandes famílias de Igreja. que aderem à Confissão de Augsburgo. Seus livros simbólicos são a Confissão de Augsburgo e sua Apologia. quatro e meio milhões de batistas. que são comumente classificados com os reformados por terem—se desenvolvido historicamente daquele ramo. a graça do evangelho é absolutamente universal . e REFORMADAS. que. e de modo algum à vontade cooperante do homem. as igrejas protestantes da Suiça. França. não por causa de qualquer coisa neles. Ao mesmo tempo ensinam. Noruega e Suécia. A família LUTERANA de igrejas compreende todos aqueles protestantes da Alemanha. desde os tempos da Reforma até agora. simplesmente à própria graça.a mesmíssima graça . e não é comunicada ordinariamente por nenhum outro meio.3o. e um milhão e meio de independentes . Eles mantêm a presença real e física do Senhor na Ceia do Senhor . quanto à natureza e ao ofício da fé justificadora. os artigos de Esmalcalda. e entre elas. a Fórmula Concordiae. e os destinos são diversos porque os que se perdem persistem em resistir a essa graça. não pode. abrange. e sim. mediante a imputação ao crente tanto da obediência ativa como da passiva de Cristo.ao todo. e das províncias bálticas da Rússia. as igrejas episcopais da Inglaterra. . segundo o uso restrito do termo. mais onze milhões e meio.que Cristo morreu igualmente. em princípio. Os que se perdem. quanto à justificação forense. Em quantos grandes partidos tem estado dividido sempre o mundo protestante. a mesma que tem em comum com os perdidos . perdem-se porque resistem à graça. e sim em virtude de Sua vontade graciosa e.nem ao bom uso que fazem da graça recebida. Hungria. Deus elege soberanamente todos os que são salvos. Irlanda e América. e sob os elementos . e a grande denominação desse nome na América do Norte. por conseguinte.e que a graça significada e comunicada pelas ordenanças é necessária à salvação. formada por uma união política dos adeptos das duas confissões. porém. os Catecismos. devem sua salvação unicamente à graça. Quanto aos grandes elementos centrais da soteriologia. três e meio milhões de metodistas. e os diversos ramos da Igreja Presbiteriana da Inglaterra. provavelmente. quanto à ação somente da graça divina na regeneração do pecador. com a qual graça a alma. Num sentido geral. com óbvia inconseqiiência lógica. Por isso a teologia e vida eclesiástica dos luteranos estritos concentram-se nos sacramentos. Segundo eles. esta classe compreende todas aquelas igrejas da Alemanha que aceitam o Catecismo de Heidelberg. concordam com muita exatidão com os reformados quanto à natureza e à necessidade da obra expiatória de Cristo. grande e pequeno. todas as igrejas protestantes que derivam sua teologia. Diferem do partido altamente sacramental da Igreja Episcopal. mas não passa soberanamente por alto nos que se perdem. na divina intenção. A distinção mais importante do luteranismo diz respeito à doutrina sobre a eucaristia. enquanto que a Igreja Evangélica da Prússia. doze milhões e meio de episcopais. por todos os homens. por causa de óbvias condições modificadoras. seis milhões de presbiterianos. as igrejas nacionais da Inglaterra e Escócia. e no mesmo sentido. e os metodistas wesleyanos. ou as que receberam a impressão característica de Calvino.em. dá graça a todos igualmente. classificadas respectivamente como LUTERANAS. de Lutero e. acham-se afastados mais ainda do que a Igreja da Inglaterra. com. do tipo normal da classe geral. recebida pelo partido estrito deles. Dá a mesma graça a todos. morta por seus delitos. ou ao seu merecimento. Holanda. dois milhões da Igreja Reformada da Hungria.não em grau maior de graça ou em grau menor de pecado . quanto ao fato de dever-se atribuir a salvação de toda alma realmente salva só e unicamente à graça de Deus. as independentes e batistas da Inglaterra e América do Norte.

C. que se edificava sobre uma filosofia sensacional. operou milagres. honrado com uma especial influência divina. Channing é exemplo de um esforço de se conseguir um grande desenvolvimento do elemento espiritual. passando para a Holanda. 1818). que negasse abertamente a divindade suprema de Jesus. o Catecismo de Heidelberg. na forma de uma pomba. Bampton Lecture. Suas idéias. sobrinho de Lélio e do de J. Existia como igreja organizada em Rocow. mas afirmava que era meramente homem. de 1525 a 1560 d. subseqüente à Sua vida e obra neste mundo. 12. Priestly é exemplo do socianismo antigo. Esses escritores desenvolveram o socianismo com habilidade consumada. na Inglaterra. Tornou a aparecer. Martineau são os exemplos das fases sucessivas do unitarismo moderno. sustentava que Jesus foi mero homem. têm o nome de socinianos. Belga. e pela introdução da idéia de progresso histórico nas idéias religiosas" -Fanar Crit. no quarto século. escritas cerca do ano de 150 d. Um partido entre eles chamava-seelkasitas. no século 17. bispo de Antioquia (260-270). e a Confissão e Catecismos da Assembleia de Westminster. e nos fins do mesmo século. Eles admitiam uma apoteose ou deificação relativa de Cristo.nv> Cerinto. no Seu batismo. os trinta e nove Artigos da Igreja da Inglaterra. a ressurreição de Jesus. Uma exposição de suas posições características encontra-se abaixo.C. e ali existiu como doutrina professada por alguns hereges conspícuos. Crellio. André Wissowatis e outros reuniram as obras mais importantes dos seus teólogos mais ilustres sob o título deBibliotheca Fratrum Polonorum. Os humanistas mais distintos da Igreja Primitiva foram os dois Teodotos de Roma. Qual foi a origem da heresia unitária ? Na Igreja Primitiva. seguiram o seu exemplo. que é a obra normal do socianismo (veja a tradução de Rees. A maioria desses admitia o nascimento sobrenatural de Cristo. então. levado para a Suíça. Hist. Segunda Helvética e a Escocesa. e que foi. por este. deposto por um concílio reunido em 269 d.. com doutrina sustentada por alguns homens isolados. Durante o século 18.pelagiano na sua antropologia. os ebionitas..Artemon (f 180).C. Priestly. u : . no período da Reforma. Nos tempos modernos reviveu o unitarismo. E essas juntas constituem a base da denominação unitária moderna. na Síria oriental. da Itália. acham-se expressas nas Homilias Clementinas.. Em 1609 Schmetz. na Igreja. Foi. "Sua última forma é uma modificação do socianismo antigo. deramlhe uma forma perfeita e reduziram-no a um sistema lógico. Quando e em que circunstâncias teve origem o arminianismo moderno? . por meio dos trabalhos de Lélio Socino. humanista na sua cristologia. ambos leigos . compôs o Catecismo Racoviano. e sua soteriologia foi desenvolvida em perfeita coerência lógica e ética com esses elementos. no leste do estado de Massachussetts.. os Cânones do Sínodo de Dort. que viveu durante a última parte do primeiro século e a primeira parte do segundo. ofFree Thought. onde os hereges exilados acharam refúgio. . e Paulo de Samosata. E puramente unitário na sua teologia. com modificações especiais. um número maior de igrejas congregacionais. Negou. Durante a Idade Média. devido à pressão da religião evangélica de uma parte. e Martineau é o da elevação de vista induzida pela filosofia de Cousin. também. elevado à dignidade de Filho de Deus. Depois da sua dispersão. nascido de Maria e José. A esses sucederam os arianos. 11. com os materiais tirados do ensino de Fausto Socino. etc. foram os únicos representantes daqueles que.As confissões principais da Igreja Reformada são as Confissões Galicana. 1862. seita judia-gnóstica-cristã. e da crítica racionalista de outra. Channing e J. Serveto e Ochino. Polônia. e que o Cristo ou Logos desceu sobre Ele. quando os socinianos foram expulsos da Polônia pelos jesuítas e. de 1539 a 1658. Os seus professores mais proeminentes foram os Socino (Lélio e Fausto). não ficou nenhum partido. O Logos deixou o homem Jesus na crucificação dEle. nos tempos modernos. ficaram absorvidos pelas igrejas "remonstrantes" ou arminianas. certo número de igrejas presbiterianas da Inglaterra decaíram para o socianismo.

Pouco depois disso. e da Escola Francesa do século 17. por se conservarem lógicos. Pelo fato de ser a apresentação dessa remonstrance o seu primeiro ato combinado como um partido. a controvérsia estendeu-se a mais pontos. por tê-lo proibido o seu rei. Nas obras de Watson a antropologia e a sote-riologia do arminianismo são. presbíteros regentes e professores leológicos das igrejas da Holanda. ficaram. Os atributos divinos. Escócia. Eis um esboço das principais posições do sistema sociniano. em sentido geral. Em breve. TEOLOGIA E CRISTOLOGIA 1o. sendo conhecidos na história como xemonstrantes. Mas o seu armi-nianismo. A unidade divina. os remonstrantes. apresentaram aos Estados da Holanda e Friesland ocidental uma representação (remonstrance). ao pecado original. . de 1602 até a sua morte em 1609. (1) Não existe em Deus nenhum princípio de justiça vindicativa: nada que o impeça de aceitar os pecadores só sob a base do seu arrependimento. Le Clerc. entre eles. como este se acha exposto nas obras de Ricardo Watson. Alguns de seus autores levaram o espírito racionalista inerente no seu sistema até aos seus resultados legítimos. o bispo de Llandaff. .James Arminius. com o fim de definir bem a sua posição. Essa foi a origem dos célebres "Cinco Pontos" na controvérsia entre o calvinismo e o arminianismo. 2o. 13. apresentaram às autoridades cinco artigos em que exprimiam sua fé quanto à predestinação e a graça. ao mesmo tempo. Os delegados estrangeiros presentes eram dezenove presbiterianos das igrejas reformadas do continente. Os teólogos remonstrantes mais distintos que se sucederam a Armínio foram Episcópio. como chefe. pelos tribunais eclesiásticos. muito semelhantes às divisões correspondentes do luteranismo e do calvinismo de Baxter. Constava de pastores. cujas sessões ocorreram em 1618 e 1619. e à justificação pela fé. um Sínodo geral. a exames incômodos sobre sua ortodoxia. e alguns foram até suspeitos de socianismo. Curcelloea. a princípio. Holanda. Limborch. viram-se obrigados a ensinar doutrinas radicalmente errôneas quanto à natureza do pecado. seus discípulos constituíram-se em partido organizado e. Não se tendo conseguido. A denominação dos metodistas na Grã-Bretanha e na América é a única grande entre os protestantes do mundo inteiro cujo credo é abertamente arminiano. Bremen.. pedindo que se lhes permitisse conservar seus lugares na Igreja sem que fossem sujeitos. por outros meios. Suas opiniões difundiram-se rapidamente e foram. (2) Cristo é mero homem.. depois. Hesse. e os arminianos. Este Sínodo condenou unanimemente as doutrinas dos arminianos. combatidas pelos principais homens da Igreja. (3) O Espírito Santo é uma influência divina impessoal. Cerca de um ano após a morte de Armínio. (1) Esta unidade é incompatível com quaisquer distinções pessoais na deidade. Palatinado e Suíça -não se achando presente ninguém da França. Wetstein e o ilustre jurisconsulto Grotio. e deve sempre ser designado pelo nome qualificado de "arminianismo evangélico". embora sendo ministro da Igreja Calvinista da Holanda manteve. seu escritor mais autorizado e teólogo incomparavelmente mais competente do que Wesley. esse sistema de opinião teológica que desde aquele tempo tem sido chamado por seu nome. e de deputados das igrejas da Inglaterra. impor silêncio aos inovadores. à imputação. está muito menos afastado do calvinismo da Assembléia de Westminster do que o está o sistema dos remonstrantes ulteriores. secreta e depois mais abertamente. um da Escócia e quatro episcopais da Igreja da Inglaterra. nessa forma. porém. num pelagianismo quase irrestrito. à natureza da propiciação. professor de teologia na Universidade de Leyden. e nos seus Artigos confirmou a comum fé calvinista das igrejas reformadas. . os Estados Gerais reuniram em Dort.

cumprir todas as suas obrigações por natureza. no sentido literal das palavras.(2) E essencialmente impossível que sejam conhecidos futuros eventos contingentes. 4o. segundo a qual todos os homens. ESCATOLOGIA Io. pelas autoridades citadas. As circunstâncias nas quais se forma o caráter do homem. A presciência de Deus não se estende a tais eventos. serão afinal. Ensinou sobre a personalidade de Deus. Sua morte foi necessária como a condição imprescindível da Sua ressurreição. E ilustrou a doutrina de uma vida futura por Sua própria ressurreição. Ele ensinou uma lei nova. e a obrigação é graduada pela capacidade. e teria morrido mesmo que não tivesse pecado. dispondo--os a arrepender-se dos seus pecados. "A doutrina sobre os tormentos eternos no inferno. mas. Não havia necessidade de nenhuma propiciação da justiça divina. O homem foi criado sem caráter moral positivo. na ira de Deus. Deu o exemplo de uma vida santa. que haveria uma ressurreição tanto dos justos como dos injustos. porém. Cristo não desempenhou. 2o. mas que os justos seriam admitidos à vida eterna. 3o. e fazê-lo tão bem quanto Adão antes de pecar. não inclui a santidade. serão aniquilados ou que sofrerão a destruição eterna. que eles (os primeiros socinianos) igualmente com outros mantinham. por ser. No período intermediário entre a morte e a ressurreição. mas em sentido muito indefinido. O ofício principal de Cristo foi profético. "Porque fica evidente. por mais depravados que tenham sido seus caracteres nesta vida. depois da ressurreição. por meio de uma disciplina corretiva adaptada na . Com referência ao destino futuro dos ímpios. cometeu pecado e incorreu. 2o. assim. "A imagem de Deus" à qual. alguns sustentam que. agora. SOTERIOLOGIA A grande finalidade da missão de Cristo foi ensinar e dar certeza quanto às verdades a cujo respeito as conclusões da razão meramente humana são problemáticas. 2o. agora são menos favoráveis do que no caso de Adão. Mas Deus é infinitamente misericordioso. 3o. na sua opinião. A maioria. e transmitiu-as integralmente à sua posteridade. e por isso o homem é fraco. Io. comendo o fruto proibido. A culpa do pecado de Adão não é imputada à sua descendência. r ANTROPOLOGIA — Io. fê-lo no céu. o homem foi criado. Isso Ele fez tanto por sua doutrina como por seu exemplo." B. Wissowatio. e que os injustos seriam condenados a um castigo eterno. nem seria possível propiciá-la por meio de sofrimentos vicários. sobre a terra. tem aceitado a doutrina da restauração universal. Seu desígnio foi também o de produzir assim uma impressão moral nos pecadores. não obstante isso. retinha ainda a mesma natureza moral e as tendências com as quais fora criado. por natureza. inteiramente inconciliável com a bondade divina. e por não ter base nas Escrituras. a maior parte dos unitários de hoje (1818) rejeita. O homem foi criado mortal. a alma permanece inconsciente. Adão. O homem pode. o ofício de sacerdote. diz a Bíblia. constantemente. e assegurando-lhes a clemência de Deus.

2o. Um caráter moral não pode ser criado. Admitem que Cristo fez um sacrifício vicário de Si como substituto dos pecadores mas. porém. ECLESIOLOGIA 1°. Seu fim é o aperfeiçoamento mútuo. Negam que a preordenação de Deus se estenda às volições dos agentes livres. 5o.mas afirmam que todos têm o poder de cooperar com a graça comum. mantêm. mas é determinado só por decisão prévia de quem o possui. 14. negam que tenha sofrido a pena literal da lei ou uma pena plenamente equivalente a ela. ANTROPOLOGIA Io. Mantêm que qualquer santo pode cair da graça . 4o. 2o. 7o. Consideram a influência graciosa de Deus como sendo influência moral e suasória em vez de um exercício direto e eficaz da energia recriadora de Deus. no mesmo sentido. Negam que o homem tenha capacidade moral para principiar uma vida santa ou continuar nela. e na intenção do Filho em Se entregar.págs. ao mesmo tempo. Que a aceitação. mas também na intenção do Pai em dar Seu Filho. envolve um afrouxamento da lei divina. . levados a tornar-se bons e. Eis um esboço das posições principais do sistema arminiano. não fica determinada nem por Deus. Tanto a liberdade como a responsabilidade envolvem. que é cedível. Admitem que Deus tem presciência de todos os eventos sem nenhuma exceção. e mantêm que a eleição dos homens não é absoluta. nem por qualquer outra causa antecedente. 3o. 368. 3o. OS ATRIBUTOS DIVINOS Io. e que não é tanto um princípio necessário. a possibilidade de poder fazer o contrário. por todos os homens igualmente. que pertence antes à política administrativa. necessariamente. 2o. A Igreja é simplesmente uma sociedade voluntária. da satisfação de Cristo em vez da execução da pena na própria pessoa do pecador. Mantêm que não só com respeito à suficiência e adaptação da morte de Cristo. 3o. e sim condicionada à fé e obediência previstas. SOTERIOLOGIA Io. Costumam negar a imputação do primeiro pecado de Adão à sua posteridade. semelhança de sentimentos e aspirações. Inventaram a distinção expressa pelo termo Scientia Media para explicar a presciência certa de eventos futuros cuja ocorrência. Somente o que distingue o santo do pecador é o seu próprio uso ou abuso da graça. 6o. e mantêm que os Seus sofrimentos foram por graça aceitos como substitutos dessa pena. Cristo morreu.em qualquer período da sua vida terrestre. porém. ou de resistir-lhe. mas menos conseqüentes. da parte do Pai. felizes" Catecismo Beacoviano. Os arminianos estritos negam a depravação total do homem. Sua regra é a razão humana. 367. Admitem que a justiça vindicativa é um atributo divino. de Rees . que é opcional mais do que essencial. e só admitem que é moralmente fraco por natureza.sua severidade à natureza de cada caso particular. Seu laço comum. Armínio e Wesley eram ortodoxos. por conseqüência. por sua própria força e sem auxílio divino . Os sacramentos são simplesmente ordenanças comemorativas e instrutivas. 2o.

Esta. consiste em ser o cristão perfeitamente sincero. Eis um breve esboço das posições principais do sistema calvinista. 7o. que exige o castigo pleno de todo e qualquer pecador. e com caráter moral formado positivamente. A respeito dos pagãos. oferecer a salvação sob condições mais fáceis.só torna possível a salvação de todos . a perfeição evangélica. e antes de qualquer de seus atos.não adquire fé para ninguém mas torna possível a salvação. segundo suas diversas propriedades. Por conseguinte.4o. e num estado em que não havia defeito físico. de qualquer classe. Todos os Seus atos medianeiros envolvem o exercício concorrente das energias das duas naturezas. de perfeita conformidade com Seu caráter e com os interesses de Seu governo geral. alguns têm mantido que o evangelho é. Deus é um soberano absoluto. . justo. que sejam segundo o conselho da Sua própria vontade. Por conseguinte. e em fazer tudo o que de nós é exigido nesta dispen-sação do evangelho. segundo as explicações que eles dão a respeito dela. 5o. pregado virtual. na unidade da Sua Pessoa. senão formalmente. o Status Incredulorum. A todos os homens são concedidas influências suficientes do Espírito Santo. e cada uma retém distintos seus atributos separados e incomunicáveis. TEOLOGIA Io. que é uma só. reto. Os homens. nesta vida. Outros. Deus criou o homem por um ato imediato da Sua onipotência. A culpa do pecado público de Adão. Deus pode agora. exigindo fé e obediência evangélica em vez da obediência perfeita exigida originalmente. de um ou de outro modo. A justiça vindicativa é uma perfeição essencial e imutável da natureza divina. infinitamente sábio. Na unidade da Pessoa teantrópica as duas naturezas permanecem puras e não misturadas. 3o. 8o. começam a existir num estado de condenação. determinando. Deus. benévolo e poderoso. põe à conta imediata de cada um de seus descendentes. por conseguinte. o evangelho é uma nova lei. em resultado da satisfação feita por Cristo. privados daquelas influências do Espírito Santo das quais depende a sua vida moral e espiritual. e o Status Ignorantium. Todos os homens podem e têm a obrigação de alcançar. que no mundo futuro há três condições correspondentes às grandes classes em que se pode dividir a raça inteira. 2o. desde o momento em que começam a existir. intelectual ou moral. 2o.tirou os obstáculos legais que exigiam . sob a condição da fé. A personalidade é a do Logos eterno e imutável. 15. ao mesmo tempo verdadeiro Deus e verdadeiro homem. a ocorrência certa de todos os eventos. a todos os homens. com relação ao evangelho -o Status Credentium. oportunidades e meios de graça suficientes para serem salvos. desde toda eternidade. a obra de Cristo não salva realmente a ninguém . ANTROPOLOGIA Io. em achar-se animado por um amor perfeito. por um ato judicial. e Deus não pode afrouxar o seu exercício nem deixar de exercê-lo. Que. 6o. CRISTOLOGIA O Mediador é uma só pessoa eterna e divina. A Sua natureza humana é impessoal.

Apesar do fato que entregue a si próprio todo crente cairia imediatamente. ao arrependimento e à obediência. 2o. Embora não seja possível alcançar absoluta perfeição moral nesta vida.cumprindo. tudo o que a lei exigia. A justificação é um ato judicial de Deus. as influências salvadoras do Espírito Santo para todos aqueles por quem morreu. A natureza do homem. temos direito a todas as imunidades e recompensas condicionadas no pacto original com Adão. segundo a Sua soberana vontade. segundo o qual tornou-Se o substituto legal de Seu povo eleito. 3o. assim. no tempo exato e sob aquelas mesmas condições que foram predeterminadas no pacto eterno da graça . ou poucos ou ninguém. de um modo adequado. de conformidade com as provisões do pacto eterno da graça e com o propósito de Cristo em morrer. e nas operações da sua natureza renovada levando-os à fé. Cristo fez-Se Mediador em virtude de um pacto eterno feito entre o Pai e o Filho. todas as condições pactuadas das quais dependia sua felicidade eterna . não obstante. A salvação do homem é absolutamente da graça de Deus. e como tal cumpriu. a redenção adquirida por Cristo a todos os que intencionava salvar.cumprindo vicariamente. sob sua obediência perfeita. e merece castigo.4o. e essa tendência que neles está é da natureza do pecado. qualquer dos deveres que nascem da sua relação com Deus. 6o. é. 5o. mas. consciência e livre vontade. . 4o. e que nós. Por isso adquiriu. e já com uma tendência prévia para o pecado. e a certeza não seja da essência da fé. operando diretamente neles. pelo qual. possível e obrigatório para todo crente esforçar-se por chegar a ter certeza da sua própria salvação pessoal. Deus impede infalivelmente que até o crente mais fraco apostate inteiramente ou pereça eternamente. todas as obrigações que para esses eleitos nasceram das Suas relações federais para com a lei -pagando vicariamente mediante Seus sofrimentos a sua dívida penal .e isso faz pelo exercício imediato e intrinsecamente eficaz de Seu poder. não obstante. 5o. SOTERIOLOGIA Io. declarando que estão satisfeitas todas as exigências penais. por Sua morte. começa a nos ver e nos tratar de conformidade com essa justiça. por meio da operação da Sua graça no coração. todavia. que se esforce por tornar--se perfeito em tudo. e totalmente avesso ao que é bom espiritualmente. e é absolutamente incapaz para mudar seu coração ou cumprir. imputando-nos a justiça perfeita de Cristo na qual se acham incluídas sua obediência ativa e passiva. salvar todos ou muitos. e embora a maioria dos crentes sofra desvios temporais. Segue-se disso que principiam a ser agentes morais privados daquela retidão original que pertencia à natureza humana como a mesma foi criada em Adão. e por isso o homem continua a ser agente moral e responsável. E o Espírito Santo aplica. e esquecendo-se do que para trás fica. está morto espiritualmente. satisfazendo à justiça de Deus e adquirindo a salvação eterna daqueles por quem morreu. Deus estava livre para. graciosamente. conserva suas faculdades constitucionais de razão. por Sua obediência. em conformidade com as perfeições infinitas da Sua natureza. ainda depois da Queda. infalivelmente. por meio da Sua obediência e sofrimentos.

foi de fato assim que a Igreja procedeu. nesta obra de interpretar exatamente as Escrituras e de definir as grandes doutrinas que compõem o sistema de verdades reveladas nessas mesmas Escrituras. e pela linguagem de que os sérios estudantes da Bíblia se servem. e numa época subseqüente para o de outra. acharam nas Escrituras um sistema de fé tão completo como no caso de cada um deles lhe foi possível. também. Todos os que estudam a Bíblia fazem isso. A questão real entre a Igreja e os impugnadores de credos humanos não é. por inspiração de Deus. o autor nos dá a história da origem e da ocasião em que foi composto cada credo ou confissão. iremos considerá-los juntos neste capítulo. mas é questão entre a fé provada do corpo coletivo do povo de Deus e o juízo provado e a sabedoria desassistida do objetor individual. exposições exatas do resultado das novas aquisições e deu assim ao mundo novos credos ou confissões de fé com o fim de conservar a verdade. Por que são necessários credos e confissões. nos é dado o texto de todos os credos principais. segue-se que os homens são como que obrigados a construir. Muitas vezes a atenção da Igreja era chamada para o estudo de uma doutrina numa época. de um ou de outro modo. em suas orações e outros atos de culto e na sua costumeira conversação religiosa. no próprio processo de compreender e coordenar o seu ensino. fez a Igreja. e desde que a razão humana procura sempre e instintivamente reduzir a uma unidade e coerência lógica todos os elementos dos conhecimentos que procura adquirir. como era de supor--se. seus usos e sua história. Mas. muito vagarosamente e pouco a pouco. Assim. em todas as suas partes. No segundo e no terceiro volumes.The Creeds of Christendom.7 Credos e Confissões Embora os credos e confissões. 1545. com o fim de ter nesses credos um laço comum de fé e regra comum para o ensino e a disciplina. é o dever inalienável dos homens e uma necessidade que. e uma apreciação crítica do seu conteúdo e valor. feito particularmente. necessariamente. Essa palavra divina é. Se os homens recusarem o auxílio oferecido pelas exposições de doutrina elaboradas e definidas vagarosamente pela Igreja. como eles muitas vezes dizem. Desde que todas as verdades concordam entre si. a única norma de doutrina que tem autoridade intrínseca para obrigar a consciência. a única e toda-suficiente regra de fé e prática. todos tornam manifesto que. cada um terá de fazer seu próprio credo. e nos diversos capítulos desta obra que se seguirem serão encontradas referências ao credo particular em que se acha definida mais claramente ou com mais autoridade a doutrina particular que está sendo tratado. chegue cada um a certas conclusões a respeito daquilo que as Escrituras ensinam. No primeiro volume. A grande confissão autorizada pela igreja papal foi produzida pelo concílio ecumênico reunido em Trento. nem onde. formado gradualmente das confissões feitas nas ocasiões de batismo nas igrejas ocidentais. em diversos períodos. Philip Schaff. Todas as demais normas são de valor e autoridade só até onde ensinem o mesmo que ensinam as Escrituras. elas são para o homem. de instruir nela o povo. e como foram produzidos? Tendo sido dadas. A maioria das principais confissões . excessão feita daquele que é chamado Credo dos Apóstolos. em dois idiomas. um sistema de fé com os materiais apresentados nas Escrituras. Os credos antigos da Igreja (universal) foram compostos pelos primeiros quatro concílios ecumênicos ou gerais. 1. no seu estado atual. Sobre este assunto inteiro consulte-se a notável obra histórica e crítica por Dr. e do Credo Atanasiano. sem auxílio e confiando só na própria sabedoria. formem um ramo distinto e separado de estudos. uma questão entre a Palavra de Deus e os credos dos homens. e à medida que assim se fazia progresso gradual na discriminação clara das verdades evangélicas. não se sabe por quem. e de discriminá-la e defendê-la contra as perversões dos hereges e dos ataques dos incrédulos e. as Escrituras do Velho e do Novo Testamentos. mais ou menos formalmente. no uso de suas faculdades naturais e pelos meios comuns de interpretação. pois.

. "das quais a forma romana. e porque a subscreveram. 1. e de acordo com essa conformidade. 4. Em todas as igrejas faz-se uma distinção entre as condições nas quais se admitem membros à sua congregação e as condições nas quais os oficiais são admitidos a seu ofício sagrado de ensinar e governar. em qualquer grande crise de seu desenvolvimento. não se pode achar vestígios do Credo dos Apóstolos como um todo. em que se acha exposta essa matéria obriga só aqueles que subscreveram voluntariamente a confissão. assim chamado. pois. pois. Cartago e Hipo. considerados separadamente. ou eles mentem solenemente diante de Deus e dos homens. Para assinalar. Nenhuma igreja tem o direito de impor a seus membros particulares uma condição que Cristo não fez condição da salvação.g. As ordenanças são os selos do Seu pacto. a ninguém se pode confiar nenhum ofício numa igreja se não professa crer na verdade e sabedoria da constituição e leis que ele terá o dever de conservar e administrar. Aquileja. Enquãnto os seus diversos artigos. uma promessa ou obrigação o entendem. pág. Qual é a base e a extensão da sua autoridade ou poder de obrigar a consciência? A matéria de todos esses credos e confissões obriga as consciências dos homens só até onde está em conformidade com as Escrituras. Este credo desenvolveu-se gradualmente da comparação e assimilação dos credos batismais das principais igrejas da parte ocidental ou latina da Igreja Primitiva. porém. Duas. Para discriminar a verdade das glosas de mestres falsos. em todas as épocas da Igreja. A Igreja é o rebanho de Cristo. a qualquer ofício na Igreja Presbiteriana. uma declaração de fé pessoal em Cristo e de dedicação ao Seu serviço. os Trinta e Nove Artigos da Igreja da Inglaterra. seriam impossíveis toda harmonia de sentimentos e toda cooperação eficaz em ação. O CREDO DOS APÓSTOLOS. A forma. 2. a antiga Confissão Escocesa. Milão. É um princípio de moral admitido universalmente que o animus imponentis. por Schaff. ou a pequenos grupos de pessoas. aumentando-se com acréscimos derivados de outras. Por outro lado. 2. 20. conservar. e a Confissão e os Catecismos da Assembléia Nacional de Westminster. todos os que são presumivelmente povo de Deus têm o direito de admissão à Igreja. Quais os credos da Igreja Primitiva em que fica ainda a herança comum da Igreja moderna? IO. e uma disposição de espírito e costumes de vida que condigam com essa profissão. pouco a pouco tornou-se a mais geralmente aceita.protestantes são devidas a pessoas individuais. 3. porém. obriga a consciência das pessoas que se obrigam pelo juramento ou pela promessa. As formas mais completas e populares desses credos batismais eram os de Roma. o Catecismo de Heidelberg. anteriores ao século 6". das mais valiosas e mais geralmente aceitas confissões protestantes foram produzidas por grandes e veneráveis assembléias de teólogos eruditos. Para servir como meios na grande obra de instrução popular. Ravena. -Creeds of Chnstendom. etc. e disseminar as aquisições feitas no conhecimento das verdades cristãs por qualquer ramo da Igreja. ou crêem pessoalmente no "sistema de doutrinas" ensinado nos símbolos normais dessa Igreja. para os seguintes fins: 1. e para defini-la acuradamente na sua inteireza e em suas proporções definidas. 3. que professam a verdadeira religião de um modo que mereça crédito. A não ser assim. a Confissão de Augsburgo e a Apologia. vol. Quais são seus usos legítimos? Têm sido achados úteis. são todos de origem nicena ou anti-nicena. a saber: os Cânones do Sínodo Internacional de Dort. no sentido em que tem sido entendido historicamente ser a verdade de Deus. . Todos os candidatos. o sentido em que as pessoas que impõem um juramento. a Segunda Confissão Helvética. Todos aqueles. e. isto é. Essa profissão que mereça crédito envolve naturalmente um conhecimento competente das doutrinas fundamentais do cristianismo.

na comunhão dos santos. e foi feito homem. e sim por ser um sumário breve de fé cristã. da essência do Pai. difere da segunda forma supramencionada só nos seguintes pontos: (a) Restitui à primeira cláusula as palavras "Deus de Deus". e ao terceiro dia ressuscitou. mas tinham sido omitidas na sua forma grega niceno-constantinopolitana. episcopal e luterna. subiu ao céu. nasceu da virgem. Pai todo-poderoso. e com acréscimo das cláusulas que definem a Pessoa e a obra do Espírito Santo. ou: "É de substância. e está sentado à mão direita de Deus Pai todo-pode-roso. que. criador do céu e da terra. criador de todas as coisas visíveis e invisíveis.Foi. que negaram a deidade do Espírito Santo. junto com a Oração Dominicais os Dez Mandamentos. donde há de vir para julgar os vivos e os mortos. é a seguinte: "Creio em um só Deus. padeceu. por amor de nós os homens. E também parte do catecismo da Igreja Metodista Episcopal. 325 d. ou essência diversa". (3) A terceira. na ressurreição do corpo e na vida eterna. 2o. de um modo semelhante pelo qual se desenvolveu o Credo Apostólico. padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos. "Mas. acrescentado ao seu catecismo pelos teólogos de Westminster. e pela nossa salvação. desceu do céu e encarnou.são condenados pela santa igreja católica e apostólica".. morto e sepultado. os que dizem: "Houve tempo em que não era". "não como se fosse composto pelos apóstolos ou devesse ser considerado Escritura canónica. romana. Foram. Esta nova forma do Credo Niceno é geralmente atribuída ao Concílio de Constantinopla. e as diversas "cláusulas" acrescentadas já existiam anteriormente em formulários propostos por teólogos individuais. tanto no céu como na terra. (2) O Credo Niceno-Constantinopolitano. subiu ao céu. Existe em três formas. verdadeiro Deus de verdadeiro Deus. ou forma latina deste credo. "E em um só Senhor Jesus Cristo. e foi evidentemente moldado sobre formas preexistentes. na santa Igreja católica. E nesta segunda forma que o Credo Niceno é utilizado agora na Igreja Grega. gerado do Pai. em oposição aos erros arianos e semiarianos. desceu ao inferno (hades). e sem o anátema no fim. Este consiste do Credo Niceno. "Não era antes de ser feito e: "Foi feito do nada". não existem provas de que essas mudanças foram feitas pelo Concílio de Constantinopla. . Seu único Filho. na qual é utilizado nas igrejas romana. O CREDO NICENO. Deus de Deus. donde há de vir para julgar os vivos e os mortos. mas com uma ligeira mudança no primeiro artigo. luterana. por quem foram feitas todas as coisas. isto é. de conformidade com a Palavra de Deus e recebido antigamente nas igrejas de Cristo". gerado (não feito) de uma substância com o Pai. em 381.C. "E usado na confissão batismal das igrejas inglesa. Filho de Deus. Creio no Espírito Santo. porém. É certo que essas mudanças foram feitas mais ou menos naquela época. Unigénito. convocado pelo Imperador Teodósio. (1) A forma original em que foi composto e decretado pelo concílio ecumênico de Nicéia. o qual foi concebido por obra do Espírito Santo. "E no Espírito Santo. no qual está definida a verdadeira fé trinitária da Igreja. Maria. nosso Senhor. Amém". Luz de Luz. supratranscrito. Os que formularam a Constituição da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos retiveram-no como parte do nosso catecismo. e em Jesus Cristo. todo-poderoso. para condenar a doutrina dos macedônios. metodista episcopal e protestante episcopal. ao terceiro dia ressurgiu dos mortos. reformada. na remissão dos pecados. ou: "O Filho de Deus foi criado". haviam pertencido ao Credo Niceno original. reconhecidas pelo Concílio de Calcedônia. No entanto." E como segue: "Creio em Deus Pai. foi crucificado. em 431. ou "é mutável" ou "alterável" .

dão-lhe unanimemente origem menos antiga. e dizem que veio provavelmente do Norte da África. 23. fazendo-se objeção só às "cláusulas condenatórias". 14. o Filho é imenso. E tornará a vir com glória para julgar os vivos e os mortos. que realmente nunca deveriam fazer parte de uma composição humana. O que o Pai é. e o Espírito Santo é. foi também crucificado por amor de nós sob o poder de Pôncio Pilatos. é vulgarmente atribuído ao grande Atanásio. 24. mas procedente. e da escola de Agostinho. O CREDO ATANASIANO. é-lhe necessário. Filho unigénito de Deus. O Pai é imenso. 6. padeceu e foi sepultado. um só Espírito Santo. nem separando a substância. e a do Espírito Santo outra. nem gerado. Apresenta uma exposição muito bem expressa da fé típica de todos os cristãos. mas um só incriado e um só imenso. assim também somos proibidos pela religião católica de dizer que há três Deuses ou Senhores. especialmente de uma que faz distinções tão sutis num assunto tão profundo. contudo. que procede do Pai e do Filho (esta frase "Filioque" foi acrescentada ao credo de Constantinopla pelo concílio da Igreja Ocidental reunido em Toledo. E. não feito. confesso um só batismo para a remissão dos pecados. Maria. segundo as Escrituras. não três Filhos.(b) Acrescentou-se o célebre termo Filioque à cláusula que afirmava que o Espírito procede do Pai. E como segue: "1. 3O. o Filho é eterno. Este termo foi acrescentado pelo concílio provincial de Toledo. é como segue: "Creio em um só Deus. o Filho é Senhor. 21. O Pai não foi feito de ninguém. A qual é preciso que cada um guarde perfeita e inviolada. E. sem nenhuma ratificação ecumênica. o Filho é incriado. porém um só eterno. e está sentado à direita de Deus Pai. contudo. Este credo é aceito nas igrejas romana. não há três onipotentes. nem criado. por quem foram feitas todas as coisas. E creio no Espírito Santo. O texto deste credo. assim como somos obrigados pela verdade cristã a confessar que cada pessoa de per si é Deus e Senhor. Pai onipotente. nem gerado. o Espírito Santo é eterno. e foi feito homem. verdadeiro Deus de verdadeiro Deus. não há três Deuses. não há três Senhores. Quem quer que queira ser salvo. desceu do céu. do fim do século quinto. O Filho é só do Pai. junto com o Pai e o Filho. o Espírito Santo é Deus. por amor de nós. não três Pais. primeiro que tudo. recebido com reverência por todos os católicos e protestantes. cujo reino não terá fim. Assim também não há três incriados. e foi gradativamente aceito por toda a Igreja Ocidental. Assim o Pai é Senhor. Porque a Pessoa do Pai é uma. nem três imensos. Amém". e trindade em unidade. não feito. ou terá com certeza que perecer para sempre 3. 20. é adorado e glorificado. 18. o qual. não aparece antes do século oitavo. 12. 16. e pela nossa salvação. A fé católica. de cerca de 328 a 373. bispo de Alexandria. a do Filho outra. Os ilustrados teólogos modernos. que receba a fé católica. O Pai é incriado. porém um só Deus. Mas no Pai. e em um só Senhor Jesus Cristo. na sua forma completa. O Pai é eterno.6 2. Espanha. gerado de Seu Pai antes de todos os séculos. E . não há três eternos. 13. o Espírito Santo é Senhor. não três Espíritos Santos. o Filho é. E. 15. oposto ao arquiherege Ário. 22. Deus de Deus. 19. o Pai é onipotente. os homens. e nasceu da virgem. 11. encarnou por obra do Espírito Santo. gerado e não feito. Por isso há um só Pai. contudo. um só Filho. porém. no Filho e no Espírito Santo há uma só deidade. glória igual e majestade coeterna. 7. Luz de Luz. o Espírito Santo é imenso. Porque. o Senhor e Doador da vida. mas um só onipotente. mas um só Senhor. E rejeitado pela Igreja Grega. porém. nem criado. o qual. e ao terceiro dia ressuscitou. em 589. 8. Não confundindo as Pessoas. também chamado Quicunque vult (Quem quer que). E. Bigham refere-o a Virgílius Tapsensis. o Filho é Deus. 17. o qual falou pelos profetas. mas gerado. e espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo futuro. o Espírito Santo é incriado. Do mesmo modo. Criador dos céus e da terra. 4. e chefe do partido ortodoxo da Igreja. 5. nem criado. e daí por todos os protestantes. 10. é esta: que adoremos um só Deus em trindade. E creio numa só Igreja Católica e Apostólica. por serem estas as suas primeiras palavras. 9. grega e inglesa. contudo. o Filho é onipotente e o Espírito Santo é onipotente. em 589). O Espírito Santo é do Pai e do Filho. e de todas as coisas visíveis e invisíveis. e subiu ao céu. Assim o Pai é Deus. Schaff diz que. de uma só substância com o Pai.

Com esse credo completou-se o desenvolvimento da doutrina ortodoxa sobre a Trindade de Pessoas no Deus único. por nós e pela nossa salvação. existindo em duas naturezas sem mistura. Os decretos contêm as exposições positivas da doutrina papal. E os que tiverem praticado o bem entrarão na vida eterna. O qual. e como o credo dos santos Pais nos transmitiu". menos do que o Pai com respeito à Sua humanidade. Senhor. e sim um só. sem separação. Deus o Verbo. e sim um só e o mesmo Filho. todos unanimemente. de modo algum por confusão de substância.C. Quais os Símbolos Doutrinários da igreja de Roma? Além dos credos supramencionados. na Bitínia. seus símbolos de fé mais autorizados são: 1. 38. maior ou menor. 27. está assentado à mão direita de Deus Pai onipotente. desde o princípio. Portanto. 39. donde virá para julgar os vivos e os mortos.). 35. verdadeira fé que creiamos e confessemos que o nosso Senhor Jesus Cristo é tanto homem como Deus. mas sem pecado. 25. verdadeiramente homem. 4o. deve pensar assim a respeito da Trindade. Igual ao Pai com respeito à Sua deidade. deve-se adorar tanto a unidade em trindade como a trindade em unidade. Um só. E um só e o mesmo Cristo. 33. de modo que. o mesmo perfeito em deidade. ao terceiro dia ressurgiu dos mortos. para sustar o progresso da Reforma (1545-1563 d. distribuem a matéria sob breves títulos e condenam as doutrinas opostas em cada ponto. desceu ao inferno. gerado desde a eternidade da substância do Pai. pois. e concorrendo para (formar) uma só pessoa e uma só subsistência. quem quiser ser salvo. da substância de sua mãe. e nestes últimos dias. nasceu de Maria. não sendo. frente a Constantinopla. sem mudança. destruída a diversidade das duas naturezas por sua união. e foi convocado pelo papa Pio IV. 29. Filho. 31. 34. de uma alma racional e corpo. 30. 26. E. nosso Senhor Jesus Cristo. perfeito homem. não poderá ser salvo. assim também Deus e o homem são um só Cristo.C. O Imperador Marciano convocou o quarto Concílio ecumênico para reunir-se em Calcedônia. e sim pela unidade da Pessoa. E Deus. em tudo semelhante a nós. 5. todos os quais são de autoridade reconhecida na igreja católica romana. e consubstancial conosco segundo a humanidade. não é dois Cristos. assim como a alma racional e a carne são um só homem. os que tiverem praticado o mal irão para o fogo eterno. unigénito. o Senhor Jesus Cristo.nesta trindade nenhum é o primeiro ou o último. e como o próprio Senhor Jesus Cristo nos ensinou. Se bem que o . sobre o mar Bósforo. como se disse acima. subsistindo numa alma racional e em carne humana. e se o homem não a crer fiel e firmemente. Um só. a virgem mãe de Deus segundo a humanidade. segundo a deidade. verdadeiramente Deus. Esta é a fé católica. e sobre a dualidade de naturezas no Cristo único. em humanidade. não por conversão da Sua deidade em carne. declararam acerca dEle. seguindo aos santos Pais. O concílio foi composto de 630 bispos e esteve em sessão de 8 até 31 de outubro de 451 d. homem nascido no tempo. Em cuja vinda todos os homens ressurgirão com seus corpos. consubstancial com o Pai segundo a deidade. mas sim por ser assumida em Deus a sua humanidade. A principal parte da "Definição de Fé" em que concordou esse concílio foi como segue: "Nós. porém sendo conservadas as propriedades peculiares de cada natureza. e perfeito. 36. um só e o mesmo Filho. 40. 32. e darão conta de suas próprias obras. Subiu ao céu. Todavia todas as três pessoas coeternas são coiguais entre si. ensinamos aos homens a confessar. e Unigénito. O CREDO DE CALCEDÔNIA. para suprimir as heresias eutiquiana e nestoriana. de modo algum. embora sendo Deus e homem. portanto. Perfeito Deus.° Os Cânones e Decretos do Concílio de Trento. 37. Porque. O qual padeceu pela nossa salvação. gerado do Pai antes de todos os séculos. não separadas ou divididas em duas pessoas. Mas é necessário para a salvação eterna que também creia fielmente na encarnação de nosso Senhor Jesus Cristo. sem divisão. assim como os profetas. e também. 28. Permanece como exposição universalmente respeitada da fé comum da Igreja. Os cânones explicam os decretos. também. o qual os romanistas consideram como o vigésimo concílio ecumênico.

a saber. Amém. Professo igualmente que na missa se oferece a Deus um sacrifício verdadeiro. e se lhes deve tributar a devida honra e veneração. próprio e propiciatório pelos vivos e pelos mortos. e numa só igreja santa. 2.sistema de doutrina ensinado seja propositalmente ambíguo. ou Catecismo do Concílio de Trento. e todas as outras constituições e instituições da mesma igreja. e se fez homem. que explica e confirma os cânones do Concílio de Trento. que oferecem orações a Deus por nós. Afirmo também que o poder das indulgências foi deixado por Cristo na igreja. e espero a ressurreição dos mortos e a vida eterna no mundo futuro. Admito também as Santas Escrituras no sentido em que as abraçou e abraça a santa madre igreja. e ao terceiro dia ressuscitou segundo as Escrituras. e um verdadeiro sacramento. e nunca hei de tomá-las ou interpretá-las de um modo que não seja de conformidade com o unânime consenso dos padres. junto com a alma e a divindade de nosso Senhor Jesus Cristo. Professo também. foi crucificado por amor de nós sob o poder de Pôncio Pilatos. que procede do Pai e do Filho. Confesso um só batismo para a remissão dos pecados. e que as almas detidas nele são ajudadas com o sufrágio dos fiéis. verdadeiro Deus de verdadeiro Deus. Recebo e abraço todas e cada uma das coisas definidas e declaradas no santo Concílio de Trento a respeito do pecado e da justificação. F. ordem e matrimônio. todo--poderoso.° O Catecismo Romano. também chamado Professio Fidei Tridentinae ou Forma Professionis Fidei Catholicae. católica e apostólica. Confesso também que debaixo de cada uma das espécies separadamente se recebe o Cristo todo e inteiro. que reinam juntamente com Cristo. e no Espírito Santo. Sustento com constância que há um purgatório. Deus de Deus. confirmação e ordem não se pode reiterar sem sacrilégio. e de todas as coisas visíveis e invisíveis. o Senhor e Doador da vida. em 1566. e recebo . e todos os convertidos do protestantismo. recebidas e aprovadas na administração solene de todos os sacramentos supramencionados. e prometo e juro verdadeira obediência ao bispo romano. 3. encarnou por obra do Espírito Santo. se bem que nem todos o sejam para todos . a qual conversão a igreja católica romana chama transubstanciação. e promulgado por autoridade de Pio V. e nasceu da Virgem Maria. real e substancialmente o corpo e o sangue. gerado. Também que os santos. Recebo também e admito as cerimônias da igreja católica romana. penitência. o qual. e também as dos demais santos. e que se faz uma conversão da substância inteira do pão em seu corpo. foi composto por ordem de Pio V. gerado do Pai antes de todos os séculos. o qual falou pelos santos profetas. e que o uso delas é sumamente saudável ao povo cristão. e que se deve venerar suas relíquias. e tornará a vir com glória para julgar os vivos e os mortos. Pedro. batismo. e que conferem graça. Afirmo firmissimamente que as imagens de Cristo. eucaristia. E como segue: "Eu. Criador do céu e da terra. em 1561. junto com o Pai e o Filho. e subiu ao céu. instituídos por Jesus Cristo nosso Senhor. é evidente mas não conseqüentemente semipelagiano. devem ser honrados e invocados. confirmação. mãe e mestra de todas as igrejas. e foi promulgado numa bula pelo papa Pio IV. extrema-unção. é adorado e glorificado. e em um só Senhor Jesus Cristo. "Admito e abraço firmissimamente as tradições apostólicas e eclesiásticas. creio num só Deus Pai. por quem foram feitas todas as coisas. padeceu e foi sepultado. Professo também que há verdadeira e propriamente sete sacramentos na lei nova. por amor de nós os homens e pela nossa salvação desceu do céu. Luz de Luz. e da substância inteira do vinho em seu sangue. Subscrevem-no todos os mestres e eclesiásticos católico-romanos. e necessários para a salvação dos homens. e da mãe de Deus sempre virgem. a saber. e desses. o sucessor de S. e que no santíssimo sacramento da eucaristia estão verdadeira. batismo. seja qual for seu grau. Filho unigénito de Deus.. a quem pertence julgar do verdadeiro sentido e interpretação das Escrituras. Reconheço a santa igreja católica e apostólica.° O Credo do Papa Pio IV. cujo reino não terá fim. consubstancial com o Pai. não feito. contém um sumário das doutrinas ensinadas nos Cânones e Decretos do Concílio de Trento. príncipe dos apóstolos e vigário de Jesus Cristo. o qual. deve-se ter e conservar. creio e professo com fé firme todas e cada uma das coisas contidas no símbolo de fé usado na santa igreja católica romana. está sentado à mão direita do Pai.

fora da qual ninguém pode ser salvo. segue-se necessariamente que a série inteira de bulas papais. que professo agora livremente e abraço verdadeiramente. o título de "Ortodoxa" porque os originais credos ecumênicos. por causas primariamente políticas e eclesiásticas e secundariamente doutrinárias e rituais.. o capítulo 3. o capítulo 4. definindo as doutrinas da Trindade e da Pessoa de Cristo. o Decreto de Pio IX "Sobre a imaculada conceição da bem--aventurada Virgem Maria". o capítulo 2: "Da perpetuidade da primazia de Pedro bem-aventurado nos pontífices romanos". Os decretos desse concílio dividem-se em duas seções: (1) "A Constituição Dogmática sobre a Fé Católica". A matéria nova vem nos dois últimos capítulos. F. e a infalibilidade papal. ensinada e pregada por todos os que estão sob minha autoridade. foram produzidos na divisão oriental da Igreja Primitiva e na lingua grega. da revelação. prometo. até ao fim da minha vida. e possui alguns catecismos e confissões modernos. o capítulo 2. da fé. A Igreja Grega arroga-se. Esta abrange também quatro capítulos. e as igrejas nacionais da Grécia e da Rússia. protesto e juro abraçar com toda a constância e professar a mesma toda e inteira. reuniu-se na Basílica do Vaticano em 8 de dezembro de 1869. definidas e declaradas pelo Concílio Ecumênico Vaticano. Os mais importantes deles são: . preeminentemente. eu. sendo a sua teologia absolutamente estacionária. até onde chegarem as minhas forças. 4. quaisquer que sejam. e especialmente pelo santo Concílio de Trento (e estatuídas. Em conseqüência desse princípio de infalibilidade Papal. ou latina.indubitavelmente todas as demais coisas estatuídas. A estes seguem-se dezoito cânones que condenam os erros do racionalismo e da incredulidade modernos. dividiu--se em duas grandes seções . (2) "Primeira Constituição Dogmática sobre a Igreja de Cristo". e continuou suas sessões até ao dia 20 de outubro de 1870. e a Igreja Ocidental. e são partes dos espantosos Símbolos de Fé que são de autoridade indiscutível na igreja católica romana! 6 Quais são os símbolos normais de doutrina da Igreja Grega? A Igreja Primitiva. e todas as heresias. com a ajuda de Deus.a Igreja Oriental. de 8 de dezembro de 1864. Essa divisão tomou corpo no sétimo século e foi consumada no oitavo. em virtude do meu ofício. definidas e declaradas pelos santos cânones e concílios ecumênicos. "E condeno. ou grega.° O Santo Concílio Ecumênico Vaticano foi convocado por Pio IX. que ensinam o absolutismo papal. O capítulo 1 trata de Deus como Criador. e procurar. contenta-se ela com a repetição literal das fórmulas antigas. rejeito e anatematizo igualmente todas as coisas contrárias a isso. a sua herança. Todas as igrejas protestantes procederam da divisão ocidental ou latina da Igreja. e porque. condenadas. ou foram confiados ao meu cuidado. são todos infalíveis e irreformáveis. que a mesma seja abraçada. e seu Syllabus de erros. rejeitadas e anatematizadas pela igreja. O capítulo 1 tem por título: "Da instituição da primazia apostólica em Pedro bem-aventurado". A Igreja Grega abrange cerca de oitenta milhões de pessoas . Adere aos credos antigos e às decisões doutrinais dos sete primeiros concílios ecumênicos. e são por isso. depois do qual foi suspenso indefinidamente. Esta verdadeira fé católicoromana. e especialmente as que foram dirigidas contra os jansenistas. com a ajuda de Deus e destes santos evangelhos de Deus Amém". da fé e a razão. especialmente as que dizem respeito à primazia e à infalibilidade do pontífice romano. Esta abrange quatro capítulos. promulgado a 8 de dezembro de 18S4.a maioria dos súditos cristãos do império turco. Estas definições já foram apresentadas em extensão suficiente no capítulo 5 deste livro. o capítulo 3: "Do poder e da natureza da primazia do pontífice romano". em sentido especial.

preparados por Lutero. Os Catecismos Maior e Menor de Lutero. na Rússia. 2. Charles Krauth. "o primeiro para uso dos pregadores e professores. . cujos autores comuns foram Lutero e Melanchthon. em 1536. e. e desde 1839 usado geralmente nas igrejas e escolas da Rússia. que contém vinte um artigos. aprovado unanimemente por todos os patriarcas orientais. ao sacrifício da missa. e aprovada por todos os patriarcas do Oriente. Quais são os símbolos normais de doutrina da Igreja Luterana? Além dos grandes credos gerais que aceitam em comum todos os cristãos. estas peculiaridades estão tão longe de serem expostas explicitamente. de Shedd." . do que qualquer outra exposição feita pela Igreja Oriental. ao culto dos santos e ao purgatório. Contudo. em 1530. As mudanças principais introduzidas nessa edição tendem a opiniões sinergistas ou arminianas a respeito da graça divina de um lado. Os Artigos de Esmalcalda. Em 1540. a idéias quanto aos sacramentos que são mais simples e mais de conformidade com a das igrejas reformadas.C. Os Catecismos Russos. em fevereiro de 1537. com sete artigos. em 1643. Os "Decretos do Concílio de Jerusalém". a segunda. às boas obras e à fé. Melanchthon preparou e publicou uma edição em latim. em Esmalcalda. cap. a base fundamental da teologia luterana. metropolitano de Kiev. à justificação. e o outro para guia dos jovens. no sentido agostiniano. 7. de Augsburgo. na cidade cujo nome trazem. D. especialmente o Catecismo Maior. e subscritos pelos teólogos evangélicos. que Calvino achou esta confissão tão consoante com suas idéias sobre as verdades divinas que a subscreveu durante a sua residência em Estrasburgo. foi apresentada ao Imperador e à Dieta imperial.. 7. 1820 . aos sacramentos. A "Confissão Ortodoxa da Igreja Grega Católica e Apostólica". posto que não seja tão exata na exposição como o são as confissões calvinistas mais perfeitas. posto que menos definidamente. 1529 d. a exata e erudita edição ilustrada da Conf. na qual fizera diversas alterações e que. Depois de assinada pelos príncipes e líderes protestantes. Veja: History of Christian Doctrine. de Philaret. e do outro.D. também. e quanto à relação dos sinais sacramentais com a graça que significam. 3o. do Dr. seus símbolos de fé são: Io.1867. A Confissão de Augsburgo. que tenham a sanção do santo Sínodo. A primeira. em 1530. ficou conhecida como a Variata enquanto se chamava Invariata a confissão original e única autêntica. a mesma doutrina que o Concílio de Trento quanto às Escrituras e à tradição. ou Confissão de Dositeo. 8 e a única norma doutrinária universalmente aceita nas igrejas luteranas. O Catecismo de Filareto aproxima-se mais do princípio evangélico da supremacia da Bíblia em matérias de fé e vida cristãs. composta por Pedro Mogilas. É a mais antiga confissão protestante. É evangélica. e subscrita pelos teólogos protestantes em 1537. metropolitano de Moscou. Os decretos do Sínodo de Jerusalém ensinam substancialmente. 3o. Liv. em Augsburgo. Consta de duas grandes divisões. por isso. e contém naturalmente os germens das opiniões peculiares dos luteranos quanto à necessidade dos sacramentos para a salvação.Io. condena os principais erros característicos do romanismo. apresenta uma exposição positiva das doutrinas cristãs como os luteranos as entendem. preparada por Melanchthon. 2o. 1672.-4o. 2o. A Apologia (Defesa) da Confissão de Augsburgo. dez anos depois de adotada como símbolo público da Alemanha protestante.

é a Confessio Tetratpolitna . substituiu a Primeira Confissão Helvética de 1536. em que foi apresentado o primeiro símbolo luterano. dentre os homens. e variam um tanto em caráter. pelo Dr. segundo o propósito . Quais as principais Confissões das Igrejas Reformadas ou Calvinistas ? As Confissões das Igrejas Reformadas são muito consideráveis em número. porém. especialmente (1) a respeito da ação relativa da graça divina e da vontade humana.porque os teólogos ile quatro cidades do sul da Alemanha. Memingen e Lindau. a questão sobre se estes artigos são ou não calvinistas. essas quatro cidades adotaram a Confissão de Augsburgo. Constance. em 1553. com o fim de pôr têrmo a certas controvérsias que se haviam suscitado na Igreja Luterana.° A mais antiga confissão daquele ramo do protestantismo. Estrasburgo. preparado por Ursino e Oleviano. Hase. na Igreja. Sua autoridade. prepararam-na e a apresentaram ao imperador na mesma Dieta de Augsburgo. Era usado na Escócia para ensino das crianças. livrar da maldição e condenação os que elegeu em Cristo. posto que concordem substancialmente quanto ao sistema de doutrina que ensinam. Cranmer. e é símbolo normal de doutrina das igrejas reformadas (alemãs e holandesas) da América do Norte. 8. Quanto a esse assunto é zuingliana. da Irlanda. por Seu conselho oculto a nós. Constituem o Símbolo normal de doutrina tia Igrejas Protestantes Episcopais da Inglaterra. que leva conseqüentemente as peculiaridades da teologia luterana ao seu mais completo desenvolvimento lógico. Todos estes símbolos luteranos acham-se editados. com exceção da de Basiléia (que conservou a primeira). das Colônias e dos Estados Unidos da América do Norte. Por isso. Foram revistos e reduzidos ao número de trinta e nove pelo arcebispo Parker e outros bispos. e concorda geralmente com a Confissão de Augsburgo. e conduzi-los por Cristo à salvação eterna. e tem sido considerada sempre por todas as igrejas reformadas como da maior autoridade. em 1530. e publicada em 1566. e pelas igrejas reformadas da Polônia. preparou os Quarenta e dois Artigos de Religião que foram publicados por autoridade do Rei. Leipzig. de modo que a Confessio Tetrapolitana deixou de ser o símbolo adotado formalmente por qualquer ramo da Igreja Luterana. o principal foi Martinho Bucer. pelo Dr. em 1564. da Escócia. (2) a respeito da natureza da presença do Senhor na eucaristia. como também como meio de ensino religioso. 2. Foi estabelecido pela autoridade civil como o símbolo normal de doutrina. da Hungria e da Escócia. por aquele partido.5o. e sem motivo algum. Os pontos de diferença pertencem à doutrina sobre os sacramentos. 1836. (2) O Catecismo de Heidelberg. Esta Fórmula contém uma exposição mais científica e mais bem desenvolvida da doutrina luterana do que qualquer outra que se possa achar nos seus símbolos públicos. é decisivo e é como segue: "A predestinação à vida é o eterno propósito da Deidade. da França. para as igrejas do Palatinado . de Estrasburgo. isto é. Em 1532. que não estava satisfeito com a tendência e com o símbolo luterano. e em Creeds of Christendom. Foi aprovado pelo Sínodo de Dort. preparada por Bullinger. A Formula Concordice (Forma de Acordo). C. e seu uso foi sancionado unanimamente pela primeira Assembléia Geral da Igreja Presbiteriana Unida dos Estados Unidos. Foi adotada por todas as igrejas reformadas da Suíça. Veja: 1. em 1870. na obra da regeneração. em 1562. preparada em 1577 por Jacob Andrese e Martinho Chemnitz e outros. A. porém. Da Predestinação e Eleição. (3) Os Trinta e nove Artigos da Igreja da Inglaterra. pois o décimo sétimo Artigo. é reconhecida só pelo partido extremo dos luteranos. em latim emLibri Symbolici. e ratificados pelas duas Casas de Convocação e publicados por autoridade do Rei. em 1563. Veja as Atas. Dos teólogos que se ocuparam em sua preparação. antes da adoção dos Catecismos da Assembléia de Westminster. Consta de vinte e dois artigos. Schaff.naquele tempo um Estado alemão que incluía as duas margens do Reno.° As confissões reformadas de maior autoridade entre as igrejas são as seguintes: (1) A Segunda Confissão Helvética. os que se acham dotados de um tão excelente benefício de Deus são chamados. pelo qual (antes de lançados os fundamentos do mundo) Deus tem decretado. Tem sido discutida. acuradamente. Em 1552. auxiliado por outros bispos.

Í5)/1 Confissão e os Catecismos da Assembléia de Westminster. Essa corporação continuou em sessão de Io de julho de 1643 até 22 de fevereiro de 1649. a operação do Espírito de Cristo. não só porque estabelece e confirma muito a sua fé na salvação eterna que hão de gozar. Holanda. de Hesse. são feitos filhos de Deus por adoção. e inexplicável conforto para as pessoas devotas. adotando como artigo de fé o sistema político do governo dos Estados Unidos. afinal. Londres. juntos com o Catecismo de Heidel-berg. ou a que vivam numa segurança de vida impuríssima. e de sua filha. ou aprovaram ou adotaram. são os símbolos normais de doutrina de iodas as igrejas presbiterianas no mundo. que vai mortificando as obras da carne e seus membros terrenos. Puritans. Jesus Cristo. Também a Convenção Congregacional. da Escócia. a Declaração de Savoy. quase inteiramente. e vinte da Câmara Baixa. 178. Suas sessões tiveram continuidade de 13 de novembro de 1618 a 9 de maio de 1619. Este célebre sínodo foi convocado para reunir-se em Dort. A convocação original abrangia dez membros da Câmara Alta. como membros leigos. a confissão doutrinária da Igreja Reformada da Holanda. destituídas do Espírito de < iristo. por assim dizer. para as pessoas curiosas e carnais. de Bremen. e incorporou. vol. da Suíça e do Palatinado. por autoridade dos Estados Gerais.divino. e cento e vinte e um teólogos. E também. devemos seguir. com o fim de pôr têrmo às controvérsias suscitadas pelos discípulos de Armínio. aprovou a parte doutrinal da Confissão e dos Catecismos da Assembléia de Westminster. abandonado o uso dela (a Declaração de Savoy) em suas famílias. "A diferença entre as duas confissões é tão pequena que os independentes modernos têm. Todas as assembléias que se reuniram na Nova Inglaterra com o fim de estabelecer a base doutrinal de suas igrejas. a vontade divina que nos é declarada expressamente na Palavra de Deus". essa Confissão e esses (Catecismos como exposições exatas da sua própria fé. na Inglaterra e América. por onde o diabo as arrasta ao desespero. que se reuniu em Savoy. purgados do seu calvinismo e reduzidos em número a vinte e cinco. em 1658. Essa Confissão. e levantando os seus pensamentos às coisas altas e celestiais. A Confissão e os Catecismos que produziram foram imediatamente adotados pela Assembléia Geral da Igreja da Escócia. ou dos lordes. juntamente com os Catecismos Maior e Menor. assim também. pela misericórdia de Deus. por meio de Cristo. verdadeira e eminentemente revestida de autoridade do sistema calvinista de teologia. convocada por (Iromwell. e concordado com os presbiterianos cm usar os Catecismos da Assembléia" Neal. de derivação inglesa ou escocesa. a Igreja Reformada (holandesa) da América. são formados à imagem de Seu unigénito Filho. "Assim como a piedosa consideração da predestinação c da nossa eleição em Cristo está cheia de um suavíssimo. pág. à felicidade eterna. ante os olhos a sentença da predestinação divina é um precipício muitíssimo perigoso. chegam. por Seu Espírito. Fez assim . e as que sentem. explicitamente. vivem religiosamente em boas obras e. doce. votado em 12 de junho de 1643. Constituem. ou dos comuns. (4) Os Cânones do Sínodo de Dort. ficando assim representadas as diversas opiniões quanto ao governo da Igreja. atuando no devido tempo: pela graça obedecem ao chamamento. geralmente. Estes artigos. Constava de pastores. 2. não menos perigosa do que o desespero. e deputados das igrejas da Inglaterra. de todos os credos. em si mesmas. inclusive um novo artigo político (o vigésimo terceiro). devemos receber as promessas de Deus do modo pelo qual nos são. mas também porque torna mais fervoroso o seu amor para com Deus. presbíteros regentes e professores teológicos das igrejas da Holanda. Esta assembléia de teólogos foi convocada por ato do Parlamento Amplo. em nossas obras. em sua própria confissão. são justificados livremente. de contínuo. propostas nas Escrituras Sagradas. Os cânones desse sínodo foram aceitos por todas as igrejas reformadas como uma exibição exata. "Ademais. o que é mais estimado por todas as igrejas dos congregacionalistas. constituem o símbolo normal de doutrina da Igreja Metodista Episcopal da América. o ter. aos quais se acrescentaram depois vinte ministros.

0 Sínodo que se reuniu em Cambridge. em 1549. . No apêndice achar-se-á uma tradução exata desse documento importante. ajudado por Francisco Turretino. 1 Veja Herzog's Real-Encyclopedia." Constava de vinte e seis artigos. por Dr. por João Henrique Heidegger. em nome dos pastores de Genebra. mas em 1722 deixou de ter autoridade pública como confissão. e que produziu a Confissão de Boston. A. com o fim de efetuar acordo mútuo entre todos os partidos da Igreja Reformada a respeito das questões de que trata. Schaff. Fê-lo também o Sínodo reunido em Hoston. pastor da igreja de Genebra. as verdadeiras opiniões de Calvino sobre esta matéria. ** Aparecerá traduzida no apêndice. a respeito da doutrina da graça universal. Seu título é: "Forma de acordo das grejas reformadas suíças. Gall. St. e de alguns outros pontos". A proeminência de seus autores* e o fato de representar distin-livamente a escola mais perfeitamente conseqüente dos calvinistas antigos a tornam de muito interesse clássico. ou "O i onsenso mútuo dos pastores da Igreja de Zurich e de João Calvino. Esta é a mais científica e completa de todas as confissões reformadas. em 1552. tratando exclusivamente de questões que diziam respeito à Ceia do Senhor. e fica monumento excelso da doutrina verdadeira da Igreja Reformada sobre essa questão tão discutida. Artigo. e em maio de 1680. Genebra. e representada por Amyraldo. contudo. por Dr. (3) A Formula Consensus Helvetica. Também o fez o Sínodo reunido < in Saybrook. em junho de 1647. elaborada em Zurich.Helvetic confessions. Foi subscrito pelas igrejas de Zurich. Connecticut em 1708. É de valor especialmente porque expõe com muita clareza e com autoridade indubitável. Bamberger's Translation. e foi preparado por Calvino. de Basiléia. 1840. expostas deliberadamente depois de haver deixado de fazer esforços vãos. (1) O Consensus Tigurinus ou Consensus de Zurich. Leipzig. Tinha por fim unir as igrejas suíças em condenar e excluir a forma modificada do calvinismo que naquele século emanava da Escola Teológica de Saumur. e recebido favoravelmente em todas as diversas partes da Igreja Reformada. das doutrinas ligadas a essa. Há ainda mais algumas confissões reformadas que. e outra vez em agosto de 1648. e é uma exposição completa das idéias de Calvino sobre a Predestinação. são. a respeito da doutrina do sacramento.** Todas as confissões das igrejas reformadas acham-se publicadas num só volume na Collectio Confessionum in Ecclesiis Reformatis publicatarum. Schaffhausen. o qual produziu a Plataforma de Saybrook. e em Creeds of Christendom. Basiléia e dos Grisons. H. 3a. Foi subscrita por quase todas as igrejas suíças. Niemeyer. embora não sejam símbolos normais de doutrina de grandes denominações de cristãos. e Lucas Gernler. no intuito de conseguir a unidade do protestantismo por meio de uma concessão às opiniões luteranas quanto à presença do Senhor na eucaristia. Massachusetts. e preparou a Plataforma de Cambridge. etc. Fica como monumento proeminente dos princípios fundamentais do verdadeiro calvinismo. Neuchatel. de Genebra. de muito interesse classico e de autoridade por causa de seus autores ou das rircunstâncias em que se originaram. de Zurich. (2) O Consensus Genevensis foi preparado por Calvino. Tinha por fim unir todas as igrejas suíças em suas idéias a respeito desse ponto. em setembro de 1679. Plaoeo. em 1675.

e negamos que ele seja de qualquer modo imperfeito ou limitado. morando na mesma cidade. Neste processo atribuímos a Deus toda a excelência da qual temos experiência ou idéia. em grau algum. Este método procede com base no postulado de que nós.o que é essa vida e. O método de inferir suas características pelas obras dele que vemos ao redor de nós. 2a. pág. adequadas para representar a realidade objetiva de Suas perfeições. e em perfeição absoluta.8 Os Atributos de Deus 1. o seu conhecimento é muito imperfeito. a elucidação que nela nos é dada do Seu caráter. que em certo sentido nos é inata. embora infinitamente maior em grau à imperfeição do conhecimento que uma criança pode ler da vida de um grande filósofo ou estadista. e da nossa experiência pelo modo como nos trata. O método de analisar a idéia da perfeição infinita e absoluta. e sobretudo na revelação pessoal de Deus em Seu filho Jesus Cristo. 3o. O ensino didático das Escrituras. a conclusão necessária de que esses lermos envolvem contradições mútuas que a razão humana nao pode tolerar. contudo. Em seguida.Discussions. . A primeira posição extrema de supormos que as nossas concepções de Deus são. suplementam--se e limitam-se mutuamente. "Sir" William Hamilton. depois de provarem que somos obrigados a pensar em Deus como "causa primária". A criança não só sabe que o filósofo ou estadista vive . como (ambém porque compreende só muito imperfeitamente mesmo essa pequena parte. tanto porque apreende só uma parte muito pequena dessa vida. procedem a dar definições destes termos abstratos. quer em espécie quer em grau." A última e mais extrema consagração da verdadeira religião não pode ser outra cousa que um altar "ao Deus desconhecido e a quem não nos é possível conhecer" ("Sir" William Hamilton. 2o. na Sua revelação sobrenatural e dispensações cheias de graça. Até onde podemos ter a certeza que a realidade objetiva corresponde com as nossas concepções subjetivas da natureza divina? A respeito deste ponto há duas posições extremas e opostas que é necessário evitarmos: Ia. a imperfeição do conhecimento que os homens I cm de Deus é análoga em espécie. e (b) mesmo aquilo que sabemos dEle. A esse respeito. em grau infinito. A idéia da perfeição absoluta e infinita. que nossas concepções das perfeições de Deus não correspondem. então. A segunda posição extrema que devemos evitar é o de supor que o nosso conhecimento de Deus é ilusório. até certo ponto real. como "infinito" e "absoluto". e estas corrigem as inferências da razão natural e põem o selo da autoridade divina em nossas opiniões sobre a natureza divina. à realidade objetiva. Mansel e outros. auxilia-nos na interpretação das Escrituras. sabemos muito imperfeitamente e concebemos muito inadequadamente. Deus é incompreensível por nós no sentido de que (a) fica sempre uma parte imensurável da Sua natureza e da Sua excelência da qual não temos nem podemos ter conhecimento. é blasfêmia. Quais os três métodos de determinar os atributos que pertencem ao Ser divino? Io. fomos criados à imagem de Deus. o Sr. Todos estes métodos concordam entre si. 2. tiram a conclusão de que as nossas concepções de Deus não podem corresponder à real existência objetiva do Ser divino. como agentes morais e inteligentes. "O pensarmos que Deus seja aquilo que pensamos que é. «los quais tiram.mas sabe também.

mas não para satisfazer à nossa inteligência-não nos dizem o que Deus é em Si. Segue-se. não temos motivo algum para confiar nelas quando nos dizem que Deus é. "suficientes para dirigir a nossa vida. de modo algum correspondem à realidade objetiva. e que devem ser tomadas em sentido literal todas as passagens das Escrituras que falam em Seus olhos. ou que existe. a justiça. Limits of Religious Thought. que Ele é justo. mãos etc. e em perfeição absoluta quanto ao grau. e quais os diversos sentidos em que se emprega essa palavra? Antropomorfismo é palavra empregada para designar qualquer opinião sobre a natureza de Deus que o considere como se possuísse ou exercesse quaisquer atributos semelhantes aos do homem. etc. o sentido dessas afirmações é que Lhe atribuímos atributos da mesma espécie que os atributos que têm esses nomes e que pertencem aos homens. desde que o homem foi criado à imagem de Deus como um espírito racional e livre. e que não têm por fim dar-nos conhecimento real e científico. não envolve contradição ou absurdo algum. para as nossas necessidades atuais. Quando dizemos que Deus sabe. não temos motivo para confiar em nossos instintos ou faculdades constitutivas quanto aos outros ramos do conhecimento. porque faz de falsas representações dos atributos divinos o princípio regulador da vida moral e religiosa dos homens.isto é. Que é antropomorfismo. é bíblico. 2o. servir-nos como postulados reguladores "muito instrutivos para o sentimento e para a ação". são antropomorfísticas . e que por isso podemos conhecê-10 como Ele realmente é. que pensemos em Deus como possuindo. no qual. o amor e a benevolência não podem deixar de ser no Criador aquilo mesmo que são na criatura. e sim são determinados necessariamente pelas condições subjetivas dos modos humanos de pensar. A verdade. A palavra é empregada emmau sentido quando utilizada para designar um modo de pensar em Deus como se houvesse nEle qualquer imperfeição ou limitação. e está de acordo com a verdade objetiva. em qualquer sentido. (6) Os ditames mais exaltados e mais certos da razão humana produzem necessariamente a convicção de que os princípios morais e a natureza essencial de quaisquer atributos morais não podem deixar de ser os mesmos em todos os mundos e em todos os seres possuidores. no sentido em que as Escrituras e os homens não sofisticados dizem que Deus é absoluto e infinito. 3. Como mostraremos logo à frente (Pergunta 6) uma definição verdadeira do absoluto e do infinito. dizem que todas as nossas concepções de Deus como um Espírito pessoal. e as melhores concepções que nós. (2) Demonstrar-se-á abaixo (Pergutas 3 e 5) que temos bom fundamento para o postulado segundo o qual. Se o nosso Criador quer que pensemos nEle de um modo diverso da verdade. 132. em perfeição absoluta quanto à espécie. e suficientes. Sustentam eles que todas as representações de Deus comunicadas nas Escrituras. que é necessário tomar-se a palavra em dois sentidos: Io. como seres morais e inteligentes. de um caráter moral.. Pensar em Deus. como se . se bem que não era esse o fim que tinham em vista esses autores.22). Os antropomorfistas antigos sustentavam que Deus tem partes e órgãos corporais como os nossos. verdadeiro e misericordioso. podemos formar dEle. e sem nenhuma limitação. (5) Esse princípio é imoral. praticamente. Hamilton. quer e sente. mas. (3) Se a nossa consciência íntima e as Escrituras Sagradas nos apresentam concepções ilusórias quanto ao que Deus é. por exemplo. em Deus. e alguns outros filósofos. pág. com o auxílio das Escrituras. em perfeição absoluta e sem limites. são modos de conceber que não estão em conformidade com a verdade objetiva. e sim o que Ele quer que pensemos a Seu respeito" Mansel. (4) Esse princípio leva ao ceticismo absoluto. e sim. racional. Esse modo de pensar leva realmente ao ceticismo. todos os atributos essenciais que pertencem aos nossos espíritos. "Sir" W. pois. Os panteístas. e em Deus aquilo mesmo que são no homem. fomos real e verdadeiramente criados à imagem de Deus. se não ao ateísmo dogmático. (1) Baseia-se numa definição artificial e inaplicável de certas noções abstratas mantidas por alguns filósofos a respeito do "absoluto" e do "infinito". No bom sentido.

Estas expressões devem entender-se como metáforas. que é zeloso. 15:6. Essas metáforas encontram-se. só quer dizer que Se comporta para com os homens como um homem se comportaria quando agitado por essas paixões. que Ele é. seria um antropomorfismo falso e indigno dEle. ou experimentasse em Si as perturbações das paixões humanas. e ali. manifestado na Pessoa de Jesus Cristo. um espírito pessoal e inteligente.. 52:10. 95:10. E se este argumento é válido para estabelecer o fato da existência de Deus. Sal. é o argumento a posteriori baseado nas provas de "desígnio" que vemos nas obras de Deus. é válido também para provar que Ele possui e exerce inteligência. Mas isso seria um absurdo se o Governador moral não fosse. ou de qualquer outro modo semelhante. ou seja. e também o fez de tal modo que demonstrou sempre ser Deus tão verdadeiramente como era homem. principalmente. em Seus olhos. A natureza moral do homem. 6:6. etc. em Suas narinas. e em toda parte propugnam Sua existência. 2 Sam. 33:11 e 20. provam os seguintes fatos: Io. Deus. 4. é-nosforçoso crer nEle como espírito pessoal. mas também são válidas. Que Deus não pode ser material demonstraremos adiante. 22:9. e de responsabilidade perante um Governador moral. O mesmo é determinado também pelas leis necessárias de nossa natureza moral. E as passagens que falam dEle arrepender-Se.tivesse mãos ou pés. (1) E matéria da nossa consciência íntima. em nosso sentido dos termos. 2o.18:9. no nosso sentido das palavras. inclui o sentimento de sujeição a uma vontade reta superior à nossa. Representam só analogicamente a verdade a respeito de Deus. como em Êx. 6o. Se entristece. etc. A não ser assim. toda a teologia e toda a religião é que Deus fez o homem alma viva. as concepções antropomórficas de Deus. Se cremos em Deus. como Deut. Sal. de nosso ponto de vista. na pergunta 20. Quando o texto diz que Ele Se arrepende. entristecer-Se e estar cansado. . nas passagens muito retóricas dos livros poéticos e proféticos. que é a imagem expressa da Pessoa do Pai. As Escrituras atribuem caracteristicamente esses mesmos atributos a Deus. E determinado assim pelas leis necessárias da nossa natureza. Haveremos sempre de fazer a nossa escolha entre o princípio que sustentamos e o ateísmo absoluto. tomada essa palavra no seu bom sentido? O fato fundamental em que se baseia toda a ciência. 5. Como devemos entender as passagens das Escrituras que atribuem a Deus membros corporais e as fraquezas próprias da paixão humana? As passagens a que se faz referência são aquelas em que se fala no rosto ou face de Deus. (2) Mesmo nas adulterações aviltantes da mitologia pagã as concepções que se fazem de Deus são universalmente semelhantes a essa. Que o homem tem o direito de pensar em Deus como a fonte original e totalmente perfeita das qualidades morais e racionais que nEle se acham. e como nos parece. 3o. racional e reto. em Seus braços ou pés. Jer. à Sua própria imagem. um espírito pessoal inteligente e reto. 2 Crôn. O argumento mais durável e satisfatório para estabelecer o fato da existência de Deus. 5o. Quais as provas de que não só são necessárias. intenção benévola e a faculdade de escolher. como Gên. que está irado. * 4o. 7. Is. inata e indestrutível. Não há outro modo possível de conhecermos a Deus. 29:20. o homem não poderia compreender mais das obras de Deus do que da Sua natureza. em enfurecer-Se. exibiu em todas as situações esses mesmos atributos. 16:9. no Velho Testamento. e todas as relações de pensamentos e sentimentos entre eles seriam impossíveis.

Sal. 8. mas Deus. Quais os diversos modos pelos quais as Escrituras revelam Deus? Revelam Deus . Exprime auto-existência e imutabilidade. porque aquilo que é conhecido fica. Por meio das obras que Lhe são atribuídas. Todos estes devaneios lógicos nascem do fato de tomarem esses filósofos. no original. Limits ofReligious Thought. provavelmente abreviatura de Jeová. "Infinito" quer dizer o que não tem limites. e sua definição do absoluto é: "aquilo que existe de per si. (2) que não pode ser objeto de conhecimentos. é o nome incomunicável de Deus que os judeus. e qual o sentido em que eles são aplicados à natureza de Deus e a cada um dos Seus atributos? •• A definição que Hamilton e Mansel dão de infinito é: "aquilo que está livre de toda limitação possível. o bem e o mal. quer dizer que Ele é uma Pessoa eterna e auto-existente. não está condicionado a nenhuma das Suas criaturas. Ele transcende todas as limitações do tempo e do espaço. seja quanto a qualquer dos modos dela. (4) que não pode conhecer outras coisas. por Mansel. e é também estabelecida assim uma relação entre o conhecido e a pessoa que o conhece. E este último nome substitui o de Jeová também na vulgata e em diversas outras versões. porque. ou em qualquer tempo há de existir em todo o universo. substituindo-o. louvai a Jeová. Pela manifestação de Deus em Cristo. pelo nomt Adonai. o atual e o possível. por conseguinte. SENHOR.Io. "Absoluto". que existia antes de todos os demais seres. e com facilidade e sucesso perfeitos. isso significa que na Sua natureza inexaurível e imutável possui esses atributos em perfeição absoluta. e que. Quando os homens dizem que Deus é infinito na Sua justiça. porque a consciência pessoal implica limitação e mudança. Qual a etimologia e a significação dos diversos nomes dados a Deus nas Escrituras? Io. queremos dizer que Sua essência e as propriedades ativas desta não têm limitações que envolvam imperfeições de qualquer espécie que seja. ser. e que por isso Ele não mantém relação necessária com nada que existia fora dEle. do hebraicoHayah. o Governador moral e Redentor dos homens. 5o. e Ele quer aquilo que quer porque "assim é do seu agrado". Lectures 1.6. Art. quando aplicado a Deus. Tudo quanto existe está condicionado a Deus. desde toda a eternidade". existe agora. na sua leitura do Velho Testamento. ou poder. Pode fazer tudo quanto quer por intermédio de meios ou sem eles. 1. Por meio de Seus nomes. Baseados nestas definições. por isso mesmo. 4o. limitado. porque o conhecer implica relação. assim como o círculo está condicionado a seu centro. aquilo que é tamanho que não se pode conceber um maior. 68:4. como ponto de partida. no original. JEOVÁ. ou um modo de existência adicional que não possuísse já. . não seria mais infinito e absoluto e sim. 2o. Quando dizemos que Deus é infinito no Seu Ser. seja quanto à Sua existência. etc. nem à criação como um todo. a premissa falsa de um abstrato "infinito" e "absoluto" e substituindo isso pela Pessoa verdadeiramente infinita e absoluta revelada nas Escrituras e na consciência humana como a causa primária de todas as coisas. JAH.. finito e relativo. e que é a causa inteligente e voluntária de tudo quanto mais existiu. Por meio de Seus atributos. e conhece todas as coisas de um modo absolutamente perfeito. bondade ou verdade. Toda relação que Ele sustém para com aquilo que está fora dEle foi por Ele tomada voluntariamente. 2 e 3. se estivesse excluído dele alguma coisa real ou possível. E a última sílaba da palavra "aleluia" . Deus é o que é porque é. não pode receber atributos adicionais. 7. Tudo o que mais existe é o que é porque Deus queria que fosse o que é. por motivo supersticioso. (3) que não pode ser pessoa. . Por meio do culto que elas requerem que Lhe seja prestado. é empregado principalmente nos Salmos. não tendo nenhuma relação necessária para com outros seres". argumentam (1) que aquilo que é infinito e absoluto deve incluir em si a soma total de todas as coisas. Qual é o sentido dos termos "infinito" e "absoluto". 3 o. nunca pronunciam. conhecimento. como já foi dito Discussions por Hamilton. porque fica definido.

a forma plural. e em todas as nossas concepções.9. Legislador. A verdade. Sua vontade é Sua essência querendo. ELOIM e ELO AH. quer da Sua natureza. de fato ou na hipotética. nem sombra de variação".Rom. como: Jeová dos Exércitos. 5o. no sentido plural de deuses. Mas o verdadeiro sentido é: "Soberano das estrelas. aplicado tantas vezes a Cristo no Novo Testamento. um elemento de incompreensibilidade que é inseparável da infinidade. podemos saber tão-somente o que Lhe aprouve revelar-nos. Pai: Mat. Sal. Ao mesmo tempo. o EZEBA excelso. Muitos outros epítetos são aplicados a Deus. 9:2. é.Amós 4:13. para expor a relação que sustenta para conosco e os ofícios que Ele desempenha. exprimindo possessão e domínio absoluto. Na sua forma plural é usado. Rocha. 6o.EU SOU O QUE SOU . adjetivo verbal deâlâch-subir .6. 17:1.Is. quer no homem. 4o. equivalente a Senhor. ou exercidas visivelmente por Deus. 50:6. temer. é precedido de EL. 62:2. SADDAI. Juiz. nas Suas obras da criação. O Seu conhecimento e o Seu poder excedem tanto à compreensão como à Sua eternidade e imensidade . A respeito da natureza e das operações de Deus. E derivado àeAlah. Sal. 33:17. e dos anjos. EL. como umpluralis excellentice. mas estados coexistentes e eternamente imutáveis da essência divina. aquilo que Deus faz. hoje.Dr. e Gesenius. 21:7. Com. a Jeová como o grande objeto de adoração. às vezes. J. Is. 24:10. é "a mesma de ontem. quer nos anjos. 24:8. Fortaleza. 139:5. da providência e da redenção. ELYÔN. traduzindo Deus. como a respeito da existência. e "sem mudança. e o será por todos os séculos". a qual. Seu amor é Sua essência amando. e assim é que nos é possível compreender os supremos princípios de verdade e justiça sobre os quais Ele opera. 3o. quer em Deus. 8o. 22:2. Alguns tomam isso como o equivalente de: Deus das batalhas. Pastor. e. E aplicado também a deuses falsos. e aplicado tanto a deuses falsos como ao Deus verdadeiro . 2o.A Moisés Deus deu a conhecer Seu nome peculiar . mas de preferência. haverá sempre. 3:14. em sentido metafórico. 23:1. 24:10. força. . é usado freqüentemente como epíteto qualificativo de um dos nomes supramencionados de Deus. 7o. Agricultor: Sal.Jó 11:79. o Senhor pluralis excellentice aplicado exclusivamente a Deus. dos exércitos materiais do céu. a justiça e a bondade são naturalmente os mesmos atributos. e com a mesma significação fundamental.3.e. porém. tanto a respeito do estado e modo. 11:33-36. uma prova para a nossa fé. Heb. Sal. Is. Redentor: 2 Sam. dos exércitos. O termo TZEBAOTH. um pluralis excellentice. Lex. de conformidade com esses princípios. Os elementos morais da Sua natureza gloriosa são a norma ou o tipo original de nossas faculdades morais. dessa mesma essência divina. sendo os dois o mesmo nome. 55:8.g. seus habitantes" . João 20:17. mais comumente. Is.Ex. como são separáveis da essência da criatura as propriedades e modos de tudo o que foi criado. aplicado a Deus. nem estados que mudam. Sal. Que são atributos divinos ? Os atributos divinos são as perfeições atribuídas à essência divina nas Escrituras. on the Psalms. Jeová Deus dos Exércitos . Sal. poder. etc. como em Gên. Não são propriedades ou estados da essência divina separáveis. e o primeiro. muitas vezes. r. às vezes. Deus dos Exércitos. Rei. ADONAI. Alexander. A. da mesma raiz que Jeová. 44:10. como em Jó 5: 17. 40:28. quer dos Seus atos. o último sendo a forma singular. 26:14. Na sua forma singular é usado só nos livros poéticos e nos menos antigos. e dá ocasião para O adorarmos maravilhados .Sal. e todos estas qualidades não são capacidades latentes de ação. reverenciar. João 15:1. 6:9. onipotente. As vezes aparece só. e necessariamente. O conhecimento de Deus é Sua essência conhecendo.v 9.

Outros levam tão longe a idéia de simplicidade que negam haver distinção alguma nos próprios atributos divinos. quer seja pensamento. C. em oposição à composição material. à Sua vontade e à Sua retidão em todos . quer mecânica. ou assim como uma coisa difere de outra.10. Sendo Deus. a alma humana é simples. em segundo lugar. poder. é Deus. 3 o. os teólogos costumam dizer que os atributos divinos diferem uns dos outros e da essência divina. Esta distinção. Que quer dizer o termo SIMPLICIDADE. imensidade. eternidade.g. Lectures. emoção e volição não são sucessivos e transitórios. Quaes. Hodge. porque não é composta de elementos. onipresença. Quais os diversos princípios segundo os quais se tem procurado classificar os atributos divinos? A imensidade do assunto e a incomensurabilidade de nossas faculdades tornam evidente que nenhuma classificação que possamos fazer pode ser mais do que aproximadamente exata e completa. nós somos finitos em relação a um e a outro. No segundo sentido da palavra. Mas. quando aplicado a Deus pelos teólogos ? O termo "simplicidade" é empregado. Um atributo afirmativo é uma qualidade que exprime alguma perfeição positiva da essência divina: e. diz-se que diferem virtualiter. etc. necessariamente não deve ser levada longe demais.g.. Um atributo absoluto é uma propriedade da essência divina considerada em si: e. nossas almas são complexas. e tão necessariamente como o é a Sua existência. ou um ato. e Ele é essencialmente aquilo que é.. vontade. . partes ou órgãos. e para as concepções que por isso nós temos delas Turretino.. 2o. não realiter. e por conseguinte supõem que as propriedades da natureza divina são relacionadas com a essência divina como as propriedades das coisas criadas são relacionadas com as coisas dotadas com elas. onipotência. de modo que há nEle base ou motivo adequado para todas as representações feitas nas Escrituras a respeito das perfeições divinas. Um atributo relativo é uma propriedade da essência divina considerada em relação à criação: e. 11. Deus é infinito em relação ao espaço e ao tempo. Alguns pensam em Deus como passando por diversos modos e estados transitórios. necessariamente sempre o mesmo sem sucessor. Io. Nem. E sempre aquilo que é.g. Para evitar estes dois extremos. infinidade. em sentido metafísico. A classificação comum tem por base os seguintes princípios: . de essência e modo. onipresença. Os atributos comunicáveis são aqueles com os quais os atributos do espírito humano tem alguma analogia: e. os teólogos sustentam que nEle a essência. primeiro. etc. Distinguem-se como comunicáveis e incomunicáveis.. Institutio Theologicce. Distinguem-se também como afirmativos e negativos. No primeiro sentido da palavra. bondade e retidão. inteligência. Locus 3. 5 e 7. ou de qualquer modo que implique composição em Deus. Io. e Dr. porém. autoexistente desde toda a eternidade. para negar a relação de substância e propriedade. incompre-ensibilidade.g.g. etc. etc. e sim coexistentes e permanentes. orgânica ou química.. conhecimento. volição. e Seus modos ou estados sucessivos de existência. eterno. Um atributo negativo é uma qualidade que nega qualquer defeito ou limitação de qualquer modo nas perfeições divinas: e. e nos efeitos produzidos. infinito. e Seus diversos estados de intelecção. O que há em Deus. 2o. como se não houvesse em Deus coisa alguma que corresponda realmente a nossas concepções de Suas perfeições. porque há nelas distinção entre Sua essência e Suas propriedades. Ilustram sua idéia pelos diversos efeitos que o mesmo raio de luz do sol produz em diversos objetos. porém. imensidade. onisciência. auto-existência. Os incomunicáveis são aqueles quanto aos quais não há na criatura nada que lhes seja análogo: e. e supõem que a única diferença entre eles está no modo pelo qual se manifestam externamente. Mas Ele não é menos infinito quanto ao Seu conhecimento. 3o. Distinguem-se como absolutos e relativos. imutabilidade. como passam os homens. emoção. meramente nominaliter. as propriedades e os modos são uma só e a mesma coisa. eternidade.g.

14. eterno. Quais os dois sentidos da palavra em que UNIDADE é um predicado de Deus ? Io. Os naturais são todos os que Lhe pertencem por ser Ele um Espírito infinito e racional: e. então a singeleza e a unidade de um plano e sua operação nesse desígnio e na sua execução provam também que quem teve o desígnio foi UM SÓ. a classificação seguinte: (1) Os atributos que qualificam igualmente todos os outros . por serem todos infinitos em Deus. simples.9 aquilo que não é determinado. por terem suas analogias em nós. Ef.g. sem muita segurança. Se Deus não é um só. Isso inclui a imutabilidade. Eu proporia. 1 Cor. inteligente. Todos os atributos divinos que conhecemos ou que podemos conceber são comunicáveis. (2) Os atributos naturais: Deusé Espírito infinito. 2o. livre na vontade. Is.os Seus modos. indivisível em essência. por coisa alguma que haja fora dEle próprio. Mar. se um efeito é prova da operação prévia de uma causa. Os atributos de Deus distinguem-se como naturais e morais. 8:4. vontade. 6:4. inteligência. e constituem um só Deus indivisível. imensidade. 4o. a existência de Deus. Aquilo que é infinito e absoluto não pode deixar de ser um só. e nós somos finitos em todos estes aspectos. poderoso. A UNIDADE DE DEUS 12. pelos fenômenos do universo. 1 Reis 8:60. Que argumento se tira da harmonia da criação a favor da unidade divina? A criação inteira entre os dois extremos. verdade. (3) Os atributos morais.João 10:30. A representação uniforme das Escrituras . e argumentamos agora. entretanto todos são igualmente incomunicáveis. com exclusão de qualquer outro. misericórdia. 2). Parece haver na razão uma necessidade de concebermos a Deus como um só. Deus é único: há um só Deus.g.32. segue-se que há mais de um Deus. auto-existente. que Lhe pertencem por ser Ele Espírito infinito e reto: e. que. 13. essas três Pessoas são numericamente uma só substância ou essência.. (4) A glória excelsa de todas as perfeições divinas em união: a formosura da SANTIDADE de Deus. Já provamos. justiça. Como se pode provar a proposição de que Deus é um e indivisível? Io. imenso. eternidade. aquilo que não tem limites: absolutidade. é manifestamente um só sistema indivisível. nem quanto à Sua existência. Como se prova pelas Escrituras que a proposição segundo a qual há um só Deus é verdadeira? Com passagens como as seguintes: Deut. nem quanto ao modo da Sua existência ou da Sua ação. partindo do mesmo princípio. Os morais são os demais atributos.infinidade. . 2o. Deus é Espírito infinitamente reto. poder. 4:6. porém (Cap. Embora haja tripla distinção pessoal na unidade da Deidade. até onde chega a observação telescópica e microscópica. 11:29. 44:6. verdadeiro & fiel. 15. e se evidências de intenção e desígnio provam a existência de quem tencionava.

Negativamente. não pode ser apreendido por nenhum de nossos sentidos corporais. que todas as propriedades essenciais de nossos espíritos podem também realmente ser asseveradas a respeito dEle. senão o que se manifesta por suas propriedades. mediante os nossos sentidos. e seriam assim um só e o mesmo ser idêntico. uma força plástica. É certo que a idéia da coexistência de dois seres infinitamente perfeitos repugna tanto à razão humana como às Escrituras. e também que é que se nega na proposição segundo a qual Deus é Espírito? Nada sabemos de uma substância. Parece. e em grau infinito. que é um ser moral. Positivamente. elas dependem pura e simplesmente da vontade de Deus. cada um deles incluiria necessariamente o outro. Que é que se afirma. que Ele é um ser racional que distingue com precisão infinita entre o verdadeiro e o falso. que Ele não possui partes nem paixões corporais. 17. enfim. Este argumento é lógico. Que é politeísmo? E dualismo? Politeísmo. e que. 20. e. e que atualmente esses dois princípios estão numa relação de antagonismo incessante. Matéria é a substância cujas propriedades se manifestam diretamente aos nossos sentidos corporais. e muitos distinguidos teólogos o valorizam em muito. é um termo geral que designa todos os sistemas de religião que ensinam a existência de mais de um Deus. Dualismo é o nome que se dá ao sistema que reconhece a existência de dois princípios originais e independentes no universo. E um absurdo pensar em Deus como não existindo em qualquer tempo e em qualquer parte do espaço. cujas ações são determinadas só por Sua própria vontade. por conseguinte. Mas o que é infinito. e por isso são contingentes. A ESPIRITUALIDADE DE DEUS 19. esforçando-se sempre o bom princípio por opor-se ao mau princípio e por livrar o mundo da sua intrusão maléfica. com respeito a todas as demais existências.16. Que argumento se tira da perfeição infinita para provar que só pode haver um Deus? Deus é infinito em Seu Ser e em todas as Suas perfeições. como indica a etimologia da palavra. que não está sujeito a nenhuma das condições que limitam a existência material. Quando dizemos que Deus é Espírito. inseparável da matéria. que argumento se tira da existência necessária de Deus? Diz-se que a existência de Deus é necessária porque desde toda a eternidade tem sua causa em si mesma. exclui tudo o mais da mesma espécie. enquanto que. No entanto. a necessidade que é uniforme em todos os tempos e em qualquer parte do espaço é evidentemente uma só e indivisível. e seria por este incluído. Sobre este ponto. e só pode ser a base da existência de um só Deus. . que é agente livre. e só inferencialmente por meio de palavras e outros sinais ou modos de expressão. que não Se compõe de elementos materiais. e com todas as formas do materialismo e do panteísmo modernos. porém. !'J 18. por incluir tudo. É a mesma em todo o tempo e no espaço inteiro. um bom e o outro mau. que distingue entre o bom e o mau. envolver o erro de supor-se que a lógica humana pode ser a medida da existência. Esta grande verdade é inconciliável com a doutrina segundo a qual Deus é a alma do mundo (anima mundi). organizadora. o sentido é: Io. e também com a doutrina gnóstica da emanação. Espírito é a substância cujas propriedades se manifestam a nós diretamente na autoconsciência. Se houvesse dois seres infinitos.

Não há em parte alguma nenhum indício de propriedades materiais no Criador e Governador providencial do universo . do Seu amor e da Sua glória. Manifestando a Sua presença a qualquer criatura inteligente. Assim. assim como o ar está difuso sobre a superfície da terra. não pode ser "uma". porque o Espírito é eternamente um só e individual. A RELAÇÃO DE DEUS COM O ESPAÇO 21. A matéria. E sente-se que a idéia de que a matéria está em união com o espírito em Deus. que a inteira essência indivisível de Deus está sempre presente concomitantemente em toda parte do espaço inteiro e imenso. Manifestando o Seu poder de qualquer modo na criatura humana ou sobre ela. 24. nem se pode estender. avilta a Deus e O sujeita às limitações do tempo e do espaço.João 4:24. etc. Que é que se entende pela imensidade de Deus? "Imensidade de Deus" é a frase empregada para expressar o fato de que Deus é infinito em Sua relação com o espaço. como é o caso do homem. certo lugar no espaço. é onipresente em relação a todas as Suas criaturas. A matéria é obviamente inferior ao espírito. Como provar que Deus é onipresente quanto à Sua essência? Que Deus é onipresente quanto à Sua essência fica provado: . e dela são inseparáveis muitas imperfeições e limitações.isto é. mas a Deidade inteira. retidão e poder supremos . 2o. nem "imutável". sendo Espírito. por exemplo. está presente no inferno na manifestação e execução da Sua justa ira. de diversos modos: Io. e como se pode provar que Deus está presente em toda parte quanto à Sua essência? Podemos pensar em Deus como presente em qualquer parte ou com qualquer criatura. e no céu o está na manifestação e comunicação da Sua graça. 4o. está presente para a Sua Igreja de um modo diverso daquele pelo qual o está para o mundo. a Sua presença manifesta-se de inúmeros modos e graus diferentes. não é composto de partes. Quanto ao Seu conhecimento. Quanto à Sua essência. nem "infinita". que é um espírito pessoal. cada qual por si. 23. Não se acha presente assim em virtude de alguma multiplicação infinita do Seu Espírito. Onipresença é a característica de Deus em relação às Suas criaturas como estas ocupam. a Sua presença é sempre e em toda parte a mesma. 22.20. Nossa idéia das perfeições infinitas e absolutas de Deus. 3a. Quais as provas de que Deus é Espírito? Ia. nem é isso resultado de alguma difusão infinita da sua essência pelo espaço imenso. isto é. a todo momento da duração eterna. Quanto à Sua auto-manifestação e ao exercício do Seu poder. Como difere imensidade de onipresença? Imensidade é a característica de Deus em relação ao espaço tomado em sentido abstrato. Quanto à Sua essência e ao Seu conhecimento. 3o. consistindo em átomos separados e atuando incessantemente uns sobre os outros. está sempre presente igualmente. Quais os diversos modos da presença divina. em todo o espaço infinito e em cada parte dele. benevolência. 2a. porque. em Sua essência única e indivisível. A essência divina (Deus) é absolutamente imensa em Sua própria natureza. As Escrituras o afirmam expressamente .enquanto que todas as provas da existência de Deus testificam também que Ele é uma pessoa de sabedoria.

por provas suficientes. nem são abarcados pelo espaço. Inteiramente presente em toda parte. A RELAÇÃO DE DEUS COM O TEMPO 26. e coexiste como um momento não dividido. Atos 17:27. porém. v A idéia de "Sir" Isaac Newton . pág. porém duvido muito que a inteligência humana possa afirmar ditatorialmente que é uma idéia tão verdadeira quanto sublime" -McCosh. estão no espaço definidamente. existendo semper et ubique. acham-se cercados por todos os lados pelo espaço. está no espaço repletivamente. e. porém. mas não temos meios de saber como o tempo e o espaço se acham relacionados com Deus. nem excluído de parte alguma. e Suas ações são Sua essência agindo. Pelas Escrituras (1 Reis 8:27. medida pela sucessão. 66:1. Que é a eternidade? A eternidade é duração infinita. porque. sem fim. Is. e não acolá. ou futura. sem sucessão. Contudo. os espíritos criados não ocupam parte alguma do espaço. Quando dizemos que Deus é eterno. sem princípio e sem fim. 212. contudo. A eternidade de Deus é. absolutamente distinto de todas as demais entidades. : Podemos. Que é o tempo? Tempo é duração limitada. ou do pensamento ou do movimento. 27. Intuitions ofthe Mind. 25. Distingue-se em referência a nossas percepções em passado. Os escolásticos chamavam-na punctum stans. Não está incluído em parte alguma. 57:15. de prometer ou ameaçar primeiro." O tempo e o espaço não são nem substâncias. o presente sem mudança. o Seu conhecimento e o Seu poder estendem-se a todas as coisas. Eternitas est una individua et tota simul. Deus. que é que afirmamos. e por conseguinte impossível de classificar. porém. conceber a eternidade positivamente como duração estendida infinitamente do momento atual em duas direções. e cumprir depois a Sua palavra. e eternidade a parte post. junto com todas as sucessões do tempo à medida que aparecem e passam em sua ordem. compreende ao mesmo tempo o espaço inteiro.é por certo uma idéia sublime. uma só e indivisível. como aqui. sabemos também. Sal. (2) Pelo fato de que o Seu conhecimento é Sua essência conhecendo. nem simplesmente relações. Pela razão. para o passado e para o futuro. que Deus existe. Podemos pensar. nem qualidades. e que é que negamos? . isto é. porém. só sob as limitações do tempo e do espaço. porque de um modo transcendente a Sua essência enche o espaço todo. (1) E conseqüência necessária da Sua infinidade. Aquele que habita na eternidade transcende infinitamente a nossa inteligência. 28. sem princípio. duração despida de todos os limites. um presente que permanece sempre e para sempre. ou passada. chamadas impropriamente eternidade a parte ante. Como expor as diversas relações que os corpos (que são espíritos criados) e Deus têm com o espaço? Turretino diz: "entendemos que os corpos existem circunscntivamente no espaço. "Sabemos que o tempo e o espaço existem. presente e futuro. 29. Eles constituem um gênero separado. 139:7-10. et. 2°. durationem et spatium constituit 10 . Podemos pensar em Deus só do modo finito de determinar primeiro e executar depois. etc. Que relação tem o tempo com a eternidade? A eternidade.Io. ocupando certa porção do espaço. compreende o tempo inteiro. Is.Deus durat semper e adest ubique.28).

porque ao infinito nada se pode acrescentar e dele nada se pode tirar. pois no Seu conhecimento. E é imutável também em relação às Suas criaturas. presente ou futuro para nós.3:6. quanto ao modo da Sua existência. Io. (3) E infinito em duração. em Sua natureza e em Suas relações e sucessões verdadeiras. retidão. Pela razão: (1) Deus é auto-existente.Afirmamos. sucedendo-se no tempo como passados. e por isso não pode sofrer variação ou mudança. 34. poder. mas. . sucedendo no tempo. unos e inseparáveis.Em que sentido é que se fala nos atos de Deus como passados. O propósito eficaz. eles são invariáveis. nem a Sua vontade. o mesmo. 1:17. 1:17. (2) E o Ser absoluto. esses eventos Lhe são conhecidos como realmente sucedem. Que é que se entende por imutabilidade de Deus? Por Sua imutabilidade entendemos que é conseqüência da perfeição infinita de Deus. É. que. presentes ou futuros. sabedoria. Quanto à criação. à Sua vontade e aos Seus modos de existência. Nem a Sua existência. que há variação nos Seus estados ou modos de ser. Ele é sempre. 2o.o conhecimento que Deus tem dos eventos é sem princípio. é absolutamente imutável em Si mesmo. que todos os eventos estão sempre igualmente presentes ao Seu conhecimento. que a Sua essência. porém muda tudo. em sua relação entre si. quanto à Sua existência. porém. Pelas Escrituras: Mal. Qualquer mudança O tornaria ou menos do que infinito antes. 33. não há mudança nem sombra alguma de variação. emoções. e 3o. O propósito eficiente. fim ou sucessão. Como se prova pelas Escrituras e pela razão que Deus é imutável? Io. em conhecimento. Seus pensamentos. vontade. e 3o. senão somente quanto aos objetos e aos efeitos produzidos na criatura. ou menos do que infinito depois. 2o.33:11. Tia. não pode ser mudado por nada. e desde toda a eternidade para toda a eternidade. e.g. quanto à Sua essência. de eternidade a eternidade. nem o modo dela. Io. Negamos. estava-Lhe presente sempre e sem mudança. Io. 30 . 46:10. Sal. (4) E infinito em todas as Suas perfeições. que. no Seu propósito e na Sua verdade. assim também a Sua vontade soberana determinou livremente as relações que Ele permite que essas coisas tenham com Ele. 2o. presentes ou futuros. Em que sentido é que os eventos são futuros ou passados para Deus? Sendo infinito o conhecimento de Deus. os Seus atributos e os Seus propósitos em qualquer tempo mudarão. Como não é causado por nada e é a causa de tudo. A IMUTABILIDADE DE DEUS 32. segue-se. presentes e futuros? No tocante a Deus. Is. a determinação e o poder de criar o mundo residiram em Deus desde a eternidade. como nós os concebemos e nos são revelados. Que Ele é imutável. Assim como Ele precedeu tudo e causou tudo. o evento. pois. compreendendo o objeto. é assim passado. e por isso não pode mudar. o tempo e todas as circunstâncias. Ele os conhece assim como são em si. os Seus atos nunca são passsados. Como conciliar com a imutabilidade de Deus a criação do mundo e a encarnação do Filho? Io. sempre os mesmos. 2o. mas esse mesmo propósito eficaz era o de produzir efeito no tempo e na ordem . nunca teve princípio e nunca terá fim. Assim. que Ele não pode ser mudado por coisa alguma fora dEle. não obstante. Que Deus teve princípio ou que terá fim.Tia.. propósitos e atos. real e verdadeira esta distinção . benevolência. que. e que não mudará por causa de nenhum princípio que haja nEle. são determinados por nenhuma relação necessária que eles sustenham com coisa alguma fora dEle. 31.

Sua Pessoa eterna não mudou. ou pela comparação de uma coisa com outra. passadas e futuras por um olhar total. discerne tudo diretamente à sua própria luz. Ele conhece todas as coisas distintamente. permanecendo Ele mesmo imutável. isto é. o seu modo e o seu objeto. individual e distintamente. porque nEle não há nem sombra de mudança. Lhe escapa. Quanto à encarnação. e assim distingue-se o Seu conhecimento daquele dos homens e dos anjos. e não pelos fenômenos das coisas. não reúne os diversos predicados das coisas por meio de uma concepção diferente.2:12 . porque as conhece por Si mesmo ou por Sua própria essência. (5) Nós conhecemos imperfeitamente o presente e imperfeitamente nos recordamos do passado. 36. por um só ato imutável de cognição. imutável. Como os teólogos definem esta perfeição divina? Diz Turretino. pois nada Lhe foi tirado nem acrescentado. E um só ato indivisível de intuição. uma natureza humana criada. (2) É independente. em suas essências ocultas.apropriados. mas só entrou numa nova relação. suas relações e sucessões. muda todas as coisas. 3. A mudança efetuada por esse evento estupendo ocorreu somente na natureza criada do homem Jesus Cristo. Ele conhece todas as coisas individualmente. porém. O efeito foi produzido por Deus."A respeito do conhecimento de Deus. O modo do conhecimento divino consiste em que Deus conhece todas as coisas perfeita. e percebe assim todas as diversas mudanças das coisas. (1) Não é discursivo. O Filho divino assumiu. totalmente compreensivo e indivisível. Ele conhece todas as coisas perfeitamente. A INTELIGÊNCIA INFINITA DE DEUS 35. isto é. e sim intuitivo. Io. a saber. não relativo. Locus 3. conhece perfeitamente todas as coisas presentes. mas vê através de todas as coisas por um só ato muito distinto de intuição. antes de tudo. e não inferencialmente. porém isso não implica nem sombra de mudança em Deus. Ele conhece todas as coisas diretamente. Um só ato eterno. Sua essência incriada não sofreu mudança alguma. (3) E total e simultâneo. (4) E perfeito e essencial. Em que aspectos o modo de conhecer de Deus difere do nosso? O conhecimento de Deus é. tomar em consideração duas coisas. 1. Deus. não procede logicamente do conhecido para o desconhecido. não depende de modo algum das criaturas ou de suas ações. e nada. porque as conhece intuitivamente. enquanto que do futuro nada sabemos. numa união pessoal conSigo. isto é. 37. enquanto nós as conhecemos só por suas propriedades e em suas relações com os nossos sentidos. nem a menor coisa. deve-se. não sucessivo. 2o. isto é. como sempre presentes. 4. por meio de um processo de raciocínio discursivo. 2o. Como se pode classificar os objetos do conhecimento divino? . e de todas as coisas atuais e futuras à luz do Seu próprio propósito eterno. e sim unicamente da Sua própria intuição infinita de todas as coisas possíveis à luz da Sua própria razão. isto é. como as criaturas conhecem objetos. não sucessivo e totalmente compreensivo. vendo todas as coisas em si mesmas. 2. e. Sua essência conhecendo. por um ato direto de cognição. Ele conhece todas as coisas imutavelmente.

Io. Deus mesmo, em Seu próprio ser infinito. E evidente que este, transcendendo a soma de todos os demais objetos, é o único objeto adequado de um conhecimento realmente infinito. 2o. Todos os objetos possíveis, quer existam ou tenham existido, quer não existam e nunca venham a existir, vistos à luz da Sua própria razão infinita. 3o. Todas as coisas reais que já existiram, existem agora, ou virão a existir, Ele compreende num só ato eterno e simultânaeo de conhecimento, como atualidades sempre presentes a Ele, e conhecidos como tais à luz de Seu próprio propósito soberano e eterno. 38. Qual a designação técnica do conhecimento de coisas possíveis, e qual a base desse conhecimento? Sua designação técnica éscientia simplicis intelligentiae, isto é, conhecimento de simples inteligência, chamado assim porque o concebemos como simplesmente um ato da inteligência divina, sem que concorra um ato da vontade divina. Pela mesma razão tem sido chamado scientia necessaria, isto é, não voluntária, ou não determinada pela vontade. A base desse conhecimento é o conhecimento essencial e infinitamente perfeito que Deus tem da Sua própria onipotência. 39. Qual a designação técnica do conhecimento das coisas reais, passadas ou presentes ou futuras, e qual a base desse conhecimento? E chamado scientia visionis, ou seja, conhecimento de vista, e scientia libera, quer dizer, conhecimento livre, porque neste caso entendemos que a Sua inteligência é determinada por um ato concorrente da Sua vontade. A base desse conhecimento é o conhecimento infinito que Deus tem do Seu propósito eterno, todo ele - compreensivo e imutável. 40. Como se prova que o conhecimento de Deus estende-se a eventos futuros que são contingentes? Para nós os homens os eventos contingentes o são por dois motivos: Io. Suas causas imediatas podem ser para nós indeterminadas, como no caso do lançamento de dados; 2o. Suas causas imediatas podem consistir na volição de um agente livre. Mas, para Deus, os eventos da primeira destas duas classes não são, de modo algum, contingentes; e os da segunda Ele "preconhece" como contingentes quanto à causa, todavia nem por isso com menor certeza de que venham a suceder. Que Ele pre-conhece todos os esses eventos é certo Io. Porque as Escrituras o afirmam -1 Sam. 23:11,12; Atos 2:23; 15:18; Is. 46:9,10. • ' 2o. Muitas vezes Ele predisse eventos contingentes futuros, e as profecias cumpriram-se - Mar. 14:30. 3o. Deus é infinito em todas as Suas perfeições; por isso o Seu conhecimento deve ser (1) perfeito, e pode compreender todas as coisas futuras como também passadas; (2) independente das criaturas. Ele conhece todas as coisas em si mesmas à Sua própria luz, e de maneira nenhuma depende da vontade de qualquer criatura tornar o conhecimento de Deus mais certo ou mais completo. 41. Como se pode conciliar a certeza da presciência de Deus com a liberdade dos agentes móveis? Note-se, primeiro, a dificuldade que aqui se apresenta: a presciência de Deus é certa; por conseguinte, um evento, um ato, previsto, é com certeza futuro; mas, se é certo que é futuro, isto é, se é certo que se há de praticar o ato, como pode ser livre o agente quando o pratica?

Para evitar esta dificuldade, alguns teólogos negam a realidade da liberdade do homem, e outros afirmam que, sendo livre o conhecimento de Deus, Ele Se abstém voluntariamente de conhecer aquilo que vão fazer as Suas criaturas dotadas de liberdade. Observamos sobre isso Io. Que Deus preconhece com certeza todos os eventos futuros, e que o homem é livre, são dois fatos estabelecidos inabalavelmente sobre provas independentes. É necessário, pois, que os aceitemos como verdades, tanto um como o outro, quer nos seja possível conciliá-los, quer não. 2o. Embora a necessidade seja inconciliável com a liberdade, a certeza moral não o é, como será demonstrado detalhadamente no Cap.l5, Perg. 25. 42. Que éscientia media? Esta é a designação técnica do conhecimento que Deus tem dos eventos contingentes futuros, e que, segundo supõem os autores desta distinção, não depende do propósito eterno de Deus tornando certo o evento, e sim do livre ato da criatura previsto por Deus mediante uma intuição especial. E chamada scientia media por supor-se que ocupa lugar intermediário entre a scientia simplicis intelligentice e a scientia visionis. Difere da primeira em não ter por objeto todas as coisas possíveis, e sim uma classe especial de coisas realmente futuras. E difere da segunda em não ter sua base no propósito eterno de Deus, e sim na ação livre das criaturas, simplesmente prevista. 43. Por quem foi introduzida essa distinção, e com que fim? Pelo jesuíta Luiz Molina, que nasceu em 1535 e faleceu em 1601, e foi professor de teologia na Universidade de Évora, Portugal, em sua obra intituladaLifcm arbitrii cum gratice donis, divina prescientia, pmdestinatione et reprobatione concordia11 Foi excogitada com o fim de explicar como Deus podia pre-conhecer com certeza o que as Suas criaturas livres fariam na ausência de qualquer preordenação soberana da parte dEle, determinando as suas ações; fazendo assim a preordenação divina dos homens para a felicidade ou para a infelicidade depender da presciência divina da fé e da obediência dos homens, e negando que a presciência de Deus dependa da Sua preordenação soberana. 44. Quais os argumentos contra a validade dessa distinção? Io. Os argumentos em que se baseia essa distinção são insustentáveis. Seus defensores alegam - (1) As Escrituras -1 Sam. 23:9-12; Mat. 11:22,23. (2) Que essa distinção é obviamente necessária para tornar o modo da presciência de Deus conciliável com a liberdade do homem. Ao primeiro argumento respondemos que os eventos mencionados nas passsagens supracitadas das Escrituras não eram futuros. Ensinam simplesmente que Deus, conhecendo todas as causas, tanto as livres como as necessárias, sabe o que qualquer criatura fará em quaisquer condições. Mesmo nós sabemos que se pusermos fogo à pólvora, seguir-se-á uma explosão. Este conhecimento pertence, pois, à primeira classe das citadas acima (Perg. 38), ou seja, ao conhecimento de todas as coisas possíveis. Ao segundo argumento respondemos que a presciência certa de Deus envolve tanto a certeza do futuro ato livre da criatura como o envolve a Sua preordenação; e que a preordenação soberana de Deus, com respeito aos atos livres dos homens, só torna certamente futuros esses atos, e de modo algum determina que sejam praticados, a não ser pela livre vontade da criatura agindo livremente. 2o. Essa scientia media é desnecessária, porque todos os objetos possíveis do conhecimento, todas as coisas possíveis, e todas as coisas que realmente hão de ser, já foram compreendidas nas duas classes já citadas (Pergs. 38, 39).

3o. Se Deus preconhece com certeza qualquer evento futuro, então é com certeza futuro, e Ele o preconheceu como futuro com certeza, ou porque já era certo anteriormente, ou porque a Sua presciência o tornou certo. Se a Sua presciência o tornou certo, então a presciência envolve a preordenação. Se já era certo anteriormente, então gostaríamos de saber o que foi que o podia tornar certo, se não foi o decreto de Deus determinando uma de três coisas. (1) Será que Deus mesmo causaria o evento imediatamente? (2) Será que o causaria por meio de alguma segunda causa necessária? (3) Será que algum agente livre o causaria livremente? Só temos a escolha entre a preordenação de Deus e uma fatalidade cega. 4o. Esta teoria faz o conhecimento de Deus depender dos atos de Suas criaturas fora dEle. Isso é, ao mesmo tempo, absurdo e ímpio, porque Deus é infinito, eterno e absoluto. 5o. As Escrituras ensinam que Deus não só preconhece, mas também preordena os atos livres dos homens. Is. 10:5-15; Atos 2:23; 4:27,28. 45. Qual a diferença entre sabedoria e conhecimento, e em que é que consiste a sabedoria de Deus? Conhecimento é o simples ato da inteligência apreendendo o que uma coisa é, e compreendendo sua natureza e suas relações ou como é. Sabedoria pressupõe conhecimento, e é o uso prático que a inteligência, determinada pela vontade, faz do material do conhecimento. A sabedoria de Deus é infinita e eterna. A concepção que fazemos dela é que Ele escolhe o fim, o mais exaltado possível - a manifestação da Sua própria glória - e que escolhe e dirige, em todas as Suas operações, os melhores meios possíveis para conseguir esse fim. Sua sabedoria manifesta-se-nos de um modo glorioso nos grandes teatros da criação, da providência e da graça.

O PODER INFINITO DE DEUS 46. O que se entende pela onipotência de Deus? Poder é a eficiência que, em virtude de uma lei essencial do pensar, reconhecemos como inerente a uma causa em relação ao seu efeito. Deus é a causa primária não causada, e a eficiência causal da Sua vontade é absolutamente não limitada por coisa alguma fora das próprias perfeições divinas. 47. Que distinção se faz entre a potestas absoluta e a potestas ordinata de Deus? . „, , , As Escrituras e a razão ensinam-nos que a eficiência causal de Deus não está limitada ao universo de causas secundárias e às suas propriedades ativas e às Suas leis. A frase potestas absoluta exprime a onipotência de Deus considerada absolutamente em si mesma - e especificamente essa reserva infinita de poder que permanece nEle como um livre atributo pessoal, acima e além de todas as forças da natureza e Suas ordinárias operações providenciais sobre elas e por meio delas. Criação, milagres, etc., são operações deste poder de Deus. A potestas ordinata, porém, é o poder de Deus que Ele exerce no sistema estabelecido de causas secundárias no curso ordinário da Providência, e por meio desse sistema. Os racionalistas e os defensores do mero naturalismo, que negam os milagres e toda interferência divina no sistema estabelecido da natureza, naturalmente admitem só esta segunda, e negam a primeira forma do poder divino. 48. Em que sentido o poder de Deus é limitado, e em que sentido não o é? Quanto à nossa eficiência causal, estamos cônscios: Io. De que é muito limitada. Temos poder direto só sobre o curso de nossos pensamentos e a contração de uns poucos músculos. 2o. De que dependemos do uso de meios para produzirmos os efeitos desejados. 3o. De que dependemos de circunstâncias exteriores que nos limitam sempre e sempre nos impõem restrições.

O poder inerente na vontade divina, porém, pode produzir quaisquer efeitos que Ele deseje imediatamente, e quando condescende em empregar meios, dá-lhes livremente a eficácia que nesse caso demonstram possuir. Todas as circunstâncias exteriores, sejam quais forem, são criação dEle, e dependem da Sua vontade, e por isso não podem limitá-10 de nenhum modo. Deus não é limitado de nenhum modo que seja no exercício do Seu poder. Ele não pode cometer pecado, nem produzir contradições, porque o Seu poder é a eficiência causal de uma essência infinitamente racional e reta. Por isso o Seu poder só é limitado por Suas próprias perfeições. 49. A distinção que existe entre o nosso poder e a nossa vontade seria uma perfeição ou um defeito? E ela existe em Deus? Objeta-se que, se o nosso poder fosse igual aos nossos desígnios, e se cada volição tivesse como resultado imediato a obra desejada, não estaríamos cônscios de nenhuma diferença entre o poder e a vontade. Admitimos que é um defeito no homem quando seu poder não está comensurado à sua vontade, e que este nunca é o caso com Deus. Por outro lado, porém, quando um homem está cônscio de possuir forças que podia empregar, mas não quer empregar, está cônscio de que isto é uma excelência, e de que a sua natureza está mais perfeita por possuir essa reserva de forças, do que estaria se não a possuísse. Dizerse, pois, que o poder não se estende além da Sua vontade de exercê-lo, que não há em Deus nada que não exerça, é o mesmo que dizer que Ele não é maior do que a Sua criação. Os atos de um grande homem nos impressionam, principalmente quando olhados como os indícios de forças muito maiores que ele guarda, em reserva. Assim é com Deus também. 50. Como se pode provar que a Deus pertence a onipotência absoluta? Io. As Escrituras o afirmam-Jer. 32:17; Mat. 19:26; Luc. 1:37; Apoc. 19:6. 2o. Esta verdade está envolvida na própria idéia de Deus, como um Ser infinito. 3o. Embora tenhamos visto apenas parte dos Seus caminhos (Jó 26:14), a nossa experiência estendendo-se, cada vez mais, nos está revelando, constantemente, provas novas e mais estupendas do Seu poder, que indicam sempre uma reserva inexaurível.

A VONTADE DE DEUS 51. Que é que se entende pela vontade de Deus? A vontade de Deus é a essência infinita e eternamente sábia, poderosa e reta de Deus exercendo o Seu querer. Em nossa concepção dela é aquele atributo da Deidade ao qual referimos os Seus propósitos e decretos, como seu princípio. 52. Em que sentido se diz que a vontade de Deus é livre, e em que sentido se diz que é necessária? A vontade de Deus é a essência sábia, poderosa e reta de Deus exercendo o Seu querer. Por conseguinte, Sua vontade, em todos os Seus atos, é certa e, ao mesmo tempo, muito livremente, tanto sábia quanto reta. E evidente que a liberdade da indiferença está alheia à natureza de Deus porque a perfeição da sabedoria consiste em escolher, do modo mais sábio; e a perfeição da retidão consiste em escolher do modo mais reto. Por outro lado, porém, a vontade de Deus é, desde toda a eternidade, independente de todas as Suas criaturas e de todos os Seus atos. 53.Que se entende pela distinção entre a vontade decretatória e a vontade preceptiva de Deus?

Pela vontade decretatória Deus detemina eficazmente a futurição certa dos eventos. Pela Sua vontade preceptiva, Deus como Governador moral ordena às Suas criaturas morais que façam aquilo que Ele julga bom e sábio que elas façam nas circunstâncias em que se achem. Nisso não há nada que seja inconciliável. Aquilo que Ele quer como nosso dever pode ser bem diverso daquilo que Ele quer como Seu propósito. Aquilo que Ele permite pode estar bem longe de ser aprovado por Ele, e pode muito bem ser pecado se o fizermos. 54. Que se entende pela distinção entre a vontade secreta e a vontade revelada de Deus? A vontade secreta de Deus é Sua vontade decretatória, chamada secreta porque, embora seja às vezes revelada aos homens nas profecias e nas promessas da Bíblia, na sua maior parte nos fica oculta. A vontade claramente revelada de Deus é Sua vontade preceptiva, que nos é revelada sempre como a regra do nosso dever-Deut. 29:29. 55. Em que sentido os arminianos mantêm a distinção entre a vontade antecedente e a vontade conseqüente de Deus, e quais as objeções contra essa distinção? É uma distinção inventada pelos escolásticos, e adotada pelos arminianos, na tentativa de conciliar a vontade de Deus com a teoria deles sobre a liberdade do homem. Chamam ato antecedente da vontade de Deus aquilo que precede à ação da criatura; e.g., antes de Adão pecar, Deus queria que ele fosse feliz. Chamam ato conseqüente da vontade de Deus aquilo que se segue ao ato da criatura, e que é a conseqüência desse ato; e.g., depois do pecado de Adão, Deus queria que ele sofresse a pena devida ao seu pecado. E evidente que essa distinção não representa verdadeiramente a natureza da vontade de Deus e Sua relação com os atos de Suas criaturas. Io. Deus é eterno, e por isso não pode haver nos Seus propósitos distinção de tempo; 2o. Deus é eternamente onisciente e onipotente. Se, pois, Ele quer alguma coisa, quer necessariamente desde o princípio os meios de efetuá-la, e consegue assim o fim desejado. Se não fosse assim, Deus teria ao mesmo tempo e em relação ao mesmo objeto, duas vontades inconciliáveis. A verdade é que Deus, por um só ato compreensivo da Sua vontade, determinou eterna e imutavelmente que tudo o que sucedeu com Adão, do princípio ao fim, sucedesse nessa mesma ordem e sucessão em que cada evento ocorreu. 3o. Deus é infinitamente independente. Aviltamos a Deus se pensarmos nEle como alguém que determina aquilo que Ele não tem poder para efetuar, e depois muda de vontade em conseqüência dos atos independentes das Suas criaturas. E verdade que, em conseqüência dos limites naturais das nossas capacidades, concebemos as diversas intenções do propósito único, eterno e indivisível de Deus, como se sustentassem entre si uma certa relação lógica, não temporal, como algo principal e conseqüente. Formamos, assim, a concepção de que Deus primeiro, na ordem lógica, decretou ou determinou criar o homem e depois permitir que ele caísse, e a seguir preparar uma redenção - Turretino. 56. Em que sentido os arminianos mantêm a distinção entre a vontade absoluta e a vontade condicional de Deus, e quais as objeções contra ela? Segundo eles, a vontade absoluta de Deus é a que não depende de nenhuma condição fora dEle,e.g., a determinação de criar o homem. Sua vontade condicional é a que depende de alguma condição, e.g., Sua determinação de salvar os que crêem, isto é, sob a condição da fé deles.

E evidente que essa distinção é inconciliável com a natureza de Deus como um Ser eterno, autoexistente, independente, infinito em todas as Suas perfeições. Avilta-O a posição segundo a qual a Sua vontade é simplesmente parte coordenada da criação, limitando a criatura e sendo por esta limitada. O erro é o resultado de destacar um fragmento da vontade de Deus do propósito único, inteiro, e absolutamente compreensivo, eterno. E evidente que, quando considerado como eterno e um só, o propósito de Deus deve incluir tanto as condições todas como as suas conseqüências. A vontade de Deus não depende de nenhuma condição, mas Ele determina eternamente o evento como dependente da sua condição, e a condição como determinando o evento. Todos admitem que a vontade preceptiva de Deus, expressa em mandamentos, promessas e ameaças, depende muitas vezes de condições. Se crermos, seremos com toda a certeza salvos. Esta é a relação estabelecida imutavelmente entre a fé, como a condição, e a salvação, como conseqüência, isto é, a fé é a condição da salvação. Mas isso é coisa muito diversa do que dizer que a fé que Paulo tinha foi a condição do propósito eterno de Deus de salvá-lo; porque o mesmo propósito determinou tanto a fé, a condição, como a salvação, a sua conseqüência. Veja algo mais no Cap. 10, sobre os decretos. 57. Em que sentido se diz que a vontade de Deus é eterna? E um só ato eterno, não sucessivo, totalmente compreensivo, determinando absolutamente ou efetuar ou permitir todas as coisas, em todas as suas relações, condições e sucessões, que sucederam, sucedem e virão a suceder. 58. Em que sentido se pode dizer que a vontade de Deus é a regra de retidão? E evidente que, no sentido mais elevado, a respeito da vontade de Deus, não se pode considerar essa vontade como a base fundamental de toda a retidão, como igualmente não se pode considerar como a base fundamental de toda a sabedoria. Porque, nesse caso, seguir-se-ia, Io. que não há diferença essencial entre o bem e o mal propriamente ditos, mas somente uma diferença constituída arbitrariamente pelo próprio Deus;1 e 2o. que não há nenhum sentido em que se possa atribuir retidão a Deus; porque seria o mesmo que dizer que Ele quer como quer. A verdade é que a Sua vontade opera conforme a Sua sabedoria infinitamente reta vê estar correto. Por outro lado, porém, a vontade revelada de Deus é para nós a regra absoluta e principal da retidão, tanto quando nos manda fazer o que em si mesmo é indiferente, e assim o torna reto, como quando nos manda fazer o que em si mesmo e essencialmente é reto, porque é reto.
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A JUSTIÇA ABSOLUTA DE DEUS ^
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59. Que se entende pelas distinções de justiça absoluta e justiça relativa, rectoral, distributiva e punitiva ou vingadora de Deus? A justiça absoluta de Deus é a infinita perfeição moral ou retidão universal do Seu próprio Ser. A justiça relativa de Deus é a Sua natureza infinitamente reta, considerada como se manifesta em relação a Suas criaturas morais, como Seu Governador moral. A justiça de Deus é chamada rectoral quando considerada como se manifesta na administração geral do Seu governo universal pelo qual Ele cuida das Suas criaturas e governa as suas ações. E chamada distributiva quando considerada como se manifesta na ação de Deus pela qual Ele dá a cada criatura exatamente aquilo que lhe é devido, como prêmio ou como pena; e é chamada punitiva ou vingadora

quando considerada como se manifesta nos atos de exigir e infligir a pena adequada e proporcional por todo pecado, por causa do seu demérito intrínseco. 60. Quais as diversas opiniões a respeito da justiça punitiva de Deus, isto é, quais os diversos motivos alegados para explicar por que Deus pune o pecado? Os socinianos negam inteiramente a justiça punitiva de Deus e sustentam que Ele só pune o pecado pelo bem do pecador individual, e pelo bem da sociedade, unicamente até onde esta possa estar interessada no refreamento ou no melhoramento do pecador. Os teólogos que sustentam a teoria governamental da propiciação (ou da expiação), sustentam que Deus não pune o pecado por causa de qualquer princípio imutável que haja em Si mesmo e que exija a punição dEle, mas simplesmente pelo bem do universo, com base em certos grandes princípios imutáveis de política governamental. Reduzem assim a justiça a uma forma de benevolência geral. Leibnitz afirmava que "a justiça é a bondade dirigida pela sabedoria". Este princípio pressupõe que a felicidade é o maior bem; que a essência da virtude consiste no desejo de promover a felicidade, e que, por conseguinte, o único fim da justiça pode ser a prevenção da miséria. Este é o fundamento da teoria governamental da propiciação. Veja Cap. 25. Também Park, Atonement (Expiação). Alguns afirmam que a necessidade de punição do pecado é somente hipotética, isto é, que é tãosomente um resultado do decreto eterno de Deus. A verdade é que a própria retidão eterna e essencial de Deus determina que Ele imutavelmente castigue todo pecado com uma pena proporcional. 61. Como se prova que a benevolência desinteressada não constitui a totalidade da virtude? Io. Algumas manifestações de benevolência desinteressada, e.g:, o amor natural paterno, são puramente instintivas, e nada têm de caráter moral positivo. 2o. Algumas manifestações de benevolência desinteressada são positivamente imorais, como, e.g., quando um juiz cede à sua simpatia para com um criminoso, ou cede às instâncias dos amigos deste. 3o. Há princípios virtuosos que não se pode reduzir a benevolência desinteressada, como, e.g., possuirmos na devida consideração prudencial o nosso próprio bem; termos aspirações e empregarmos esforços para alcançar excelência pessoal; termos um santo ódio ao pecado por causa do próprio pecado, e o santo desejo de ver o pecado punido para que fique vindicada a justiça. 4o. A idéia de dever é a idéia essencial constitutiva da virtude. Nenhuma análise possível da idéia de benevolência dará como resultado a idéia de obrigação moral. Esta é simples, irredutível, nítida. O dever é o gênero, e a benevolência é uma das espécies que ele abrange. 62. Quais as provas derivadas dos princípios universais da natureza humana que mostram que a justiça de Deus não pode deixar de ser um princípio fundamental e imutável da Sua natureza, determinando-o a castigar o pecado por causa do demérito intrínseco deste? A obrigação que todo governador justo tem de castigar o pecado, o demérito intrínseco do pecado, e o princípio de que o pecado deve ser punido, são fatos determinantes da consciência moral. Não podem ser reduzidos a outros princípios, quaisquer que sejam. Prova-se isso Io. Porque estão envolvidos na consciência do seu próprio demérito que tem todo pecador despertado - "...fiz o que a teus olhos parece mal, para que sejas justificado quando falares, e puro quando julgares" (Sal. 51: 4.) No seu grau superior, este sentimento vem a ser o remorso, e este só pode ser apaziguado por uma expiação. Por isso é que muitos assassinos não tiveram paz enquanto não se entregaram às autoridades, sentindo então alívio imediato. E milhões de almas têm achado paz na aplicação do sangue

de Cristo a suas consciências perturbadas. 2o. Todos os homens julgam assim os pecados dos outros. As consciências de todos os homens bons são gratificadas quando a pena justa caiu sobre o ofensor, e tais homens ficam irados quando ele escapa. 3o. Esse princípio é testemunhado por todos os ritos sacrificiais comuns a todas as religiões antigas, pelas penitências que, numa ou noutra forma, são quase universais ainda nos tempos modernos, por todas as leis penais, e pelos sinônimos das palavras culpa, castigo, justiça, etc., comuns a todos os idiomas. 4o. E auto-evidente que a aplicação de um castigo injusto é um crime, não importa quão benévolo seja o motivo que o inspirou, nem quão bom seja o resultado que o segue. E não é menos auto-evidente que é a justiça de um castigo merecido que torna bom o seu efeito na sociedade, e não é este efeito que torna justo o castigo. A execução da pena capital num homem pelo bem da sociedade será um crime, um grave erro, a não ser que essa execução seja justificada pelo demérito do homem. Nesse caso seu demérito será visto por toda a sociedade como o motivo real da sua execução. 63. Como se prova a mesma verdade pela natureza da lei divina? Grotio, em sua grande obra, Defensio Fidei Catholicce de Satisfactione Christi (Defesa da Fé Católica sobre a Satisfação Realizada por Cristo), na qual se origina a Teoria Governamental da Propiciação, sustenta que a lei divina é produto da vontade divina e que, por conseguinte, Deus pode abrandar essa lei tanto nos seus elementos preceptivos como nos penais. Mas a verdade é que (a) a pena é parte essencial da lei divina; (b) a lei de Deus, quanto a todos os seus princípios essenciais do certo e do errado, não é produto da vontade divina, e sim um transcrito imutável da natureza divina; (c) logo, a lei é imutável e é necessário que se cumpra cada i dela. Prova-se isso - Io. Porque os princípios fundamentais têm necessariamente a sua base imutável na natureza divina, ou (a) doutro modo a distinção entre o certo e o errado seria puramente arbitrária - ao passo que são discernidos pelas nossas intuições morais a serem absolutos e independentes de qualquer volição divina ou humana; (b) doutro modo não teriam sentido as palavras quando se diz que Deus é reto, se a retidão fosse criação arbitrária da Sua vontade; (c) porque Deus declara que "não pode mentir", que ''nãopode negar-se". 2o. As Escrituras declaram que não é possível afrouxar a lei, que é necessário que se cumpra - João 7:23; 10:35; Luc. 24:44; Mat. 5:25,26. 3o. As Escrituras declaram que Cristo veio cumprir a lei, e não afrouxá-la - Mat. 5:17,18; Rom. 3:31; 10;4. 64. Que argumento se pode tirar da independência e da absoluta auto-suficiência de Deus para provar que a justiça punitiva de Deus é atributo essencial da Sua natureza? O conceito de que o Ser de Deus é obrigado pelas exigências ; exteriores da Sua criação a seguir qualquer curso de ação é inconciliável com os Seus atributos essenciais. Existem nEle, necessariamente, tanto o motivo dos Seus atos como os fins que Ele tem em vista-Col. 1:16; Rom. 11:36; Ef. 1:5,6; Rom. 9 :22,23. Se Ele castiga o pecado porque assim o determinam os princípios da Sua própria natureza, Ele age independentemente. Mas se recorre ao castigo somente como o meio necessário para refrear e governar as Suas criaturas, então os , Seus atos dependem dos atos delas. 65. Como se pode provar a mesma verdade pelo amor que Deus tem à santidade e pelo ódio que tem ao pecado?

Nas Escrituras o amor que Deus tem à santidade e o ódio que tem ao pecado são representados como essenciais e | intrínsecos nEle. Ele ama a santidade por amor dela própria, e odeia o pecado e tem a determinação de castigá-lo por causa do seu próprio demérito intrínseco. Ele odeia o pecado nos I maus todos os dias - Sal. 5:6; 7:11. "A mim me pertence a I vingança, a retribuição, a seu tempo..." - Deut. 32:35. Ele retribui a cada um segundo as suas obras - Is. 59:18; 2 Tess. I 1:6: "Se de fato é justo diante de Deus que dê em paga tribulação aos que vos atribulam" - Rom. 1:32: "...conhecendo a justiça de Deus que são dignos de morte os que tais coisas praticam, L não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem" - Deut. 7:5,6; 21:22. 66. Como se pode provar esta verdade pelo que as Escrituras ensinam a respeito da natureza e da necessidade da propiciação de ('risto? Quanto à sua natureza as Escrituras ensinam que Cristo sofreu a pena do pecado vicariamente como substituto do seu povo eleito, e que assim expiou a sua culpa, reconciliou-o a Deus e remiu as suas almas dando-Se a Si mesmo como í o preço de remissão exigido em lugar deles. As Escrituras em toda parte e de todos os modos ensinam que o desígnio da morte de Cristo foi produzir sobre o Governador do universo moral um efeito expiador do pecado, e não produzir, nem no coração do pecador, nem na consciência moral do universo inteligente, uma impressão moral. Isso tudo será provado detalhadamente nos capítulos 25 e 33. Quanto ànecessidade da propiciação as Escrituras ensinam que era absoluta. Ensinam que era necessário que Cristo morresse ou, doutra forma, os pecadores haveriam de perecer - Gál. 2:21; 3:21. Mas a propriedade de produzir uma impressão moral em cada pecador pessoalmente, ou no ânimo público do universo em geral ,não pode ter como resultado uma necessidade absoluta da parte de Deus - visto que Deus, que criou o universo e todos os seus membros componentes, podia naturalmente, se quisesse, produzir neles impressões morais de qualquer espécie, ou sem meios ou servindo-se de quaisquer meios que quisesse. Uma necessidade absoluta precisa estar baseada na natureza imutável de Deus, a qual é a base da sua vontade em todos os seus atos, e a determina. Logo, a natureza eterna de Deus O obriga, imutavelmente, a punir todo pecado. Political Science -"President Theodore D. Woolsey", vol. 1, págs. 330-335. "A teoria de que a correção é o fim principal do castigo não resiste a exame. (1) O estado não é instituição benévola (humane). (2) Essa teoria não faz distinção entre os crimes. Se um assassino parecesse reformado ao fim de uma semana, ter-se-iam conseguido os fins da sua detenção e ele deveria ser solto; enquanto que outro ofensor muito menos culpado poderia bem ter que permanecer preso durante meses e anos antes que se manifestasse nele a inoculação de bons princípios. (3) Qual a espécie de correção que se deverá desejar conseguir? Seria uma correção que dê segurança à sociedade da não repetição do crime? Nesse caso é a sociedade, e não o criminoso, que tira proveito do processo corretivo. Ou seria preciso que se procure conseguir uma transformação radical, de modo que o criminoso deixe de ser egoísta e cobiçoso, e que se despertem nele os princípios mais excelsos e puros? Nesse caso será necessário transformar a casa de correção em igreja para o ensino do evangelho. "A explicação de que o Estado protege a sua própria existência, ou os habitantes inocentes do país, infundindo em seus súditos o terror e refreando-os de cometerem crimes pelo medo do castigo, respondemos que, se bem que este efeito é real e importante, ainda não está provado que o estado tem o direito de fazê-lo. E necessário pressupor o crime e que o criminoso merece castigo antes que o senso moral aprove que lhe seja infligida uma pena. E a medida da punição exigida pelo bem público na ocasião

e demonstre a sua definição verdadeira.. tratando--os com paciência longânima. necessariamente não têm nenhum merecimento . obtendo. a felicidade deles. e às vezes é até tirânica. e toda imagem e reflexão delas nas Suas criaturas. no caso dos pecadores impenitentes. misericórdia e graça? A bondade infinita de Deus é uma perfeição gloriosa que carateriza proeminentemente a Sua natureza. porque. A graça de Deus é sua bondade procurando comunicar seus favores e. além disso. Pressupõe que. e não pensamentos. "A teoria de que o estado. especialmente nos santificados da nova criação. sobretudo. e mais ninguém. a Suas criaturas morais . . de um modo infinitamente sábio. Que distinções são indicadas pelos termos benevolência. como criaturas. cujas formas mais passivas são dó e compaixão. sendo que eles merecem positivamente o castigo divino. intenções manifestando-se em atos. Contudo. se não se desperta ao mesmo tempo o sentimento de justiça. convém que o malfeitor sofra algum mal físico ou mental. é a bondade divina manifestada com respeito à miséria de Suas criaturas.. castiga as pessoas dentro de um certo território sobre o qual tem jurisdição. e talvez aqueles seus súditos que cometam crime noutra parte. e. e para fins especiais.as quais. não sentimentos. O estado. infligindo castigo ao malfeitor só lhe dá o que ele merece.flutua muito. e que em todas as formas de governo exercido sobre criaturas morais deve haver um poder capaz de decidir quanto de castigo deve seguir-se à prática de certas e determinadas transgressões. exerce para com as Suas criaturas de vários modos segundo as suas relações e condições. a maior medida que são capazes de receber. mediante um preço infinito. é a única que parece ter fundamento sólido. e que Ele. justo e soberano. é realmente ministro de Deus. como Paulo diz. o simples terror. e faz provisão para o bem-estar delas. e que. Define-se muitas vezes a benevolência infinita de Deus como aquele atributo em virtude do qual Ele comunica a todas as Suas criaturas a maior soma possível de felicidade. 68. cometeu-se um mal moral. Benevolência é a bondade de Deus considerada genericamente.e proeminentemente Seu amor eletivo. 13:4). a comunhão da Sua própria vida e felicidade. somente o é numa esfera muito limitada. é tanto uma fonte de ódio quanto motivo para a obediência. A misericórdia de Deus. de acordo com uma particularidade que tem o apoio da nossa natureza moral." 2 A BONDADE ABSOLUTA DE DEUS 67. não castiga segundo uma escala exata de merecimentos. complacência. sentindo-as e fazendo provisão para o alívio delas. por serem criaturas pecaminosas. ou a medida que é compatível com a aquisição da maior soma de felicidade agregada ao universo moral. Exponha a definição falsa da benevolência divina feita freqüentemente. Estende-se a todas as suas criaturas. não pode saber quais são os merecimentos dos indivíduos. castiga os atos prejudiciais à sua própria existência e à comunidade dos seus súditos. desobedecendo-se a alguma lei reta e justa. isto é. vingador em ira contra aquele que procede mal (Rom. O Estado castiga atos. A complacência é a afeição aprobatória com que Deus aprecia as Suas próprias perfeições infinitas. com exceção das condenadas judicialmente por causa de seus pecados. nem o que é a culpa relativa que os diversos atos provocam nas diferentes pessoas. sem uma revelação divina.

Outros argumentam que Deus. Estes fins colocam-se nesta ordem: 1.. Como se pode provar que Deus é bondoso e está sempre pronto a perdoar o pecado? Nem a razão nem a consciência podem ensinar-nos que Deus quer perdoar o pecado. de sua natureza essencial. 69. não poderia impedir que o pecado entrasse num sistema moral. Alguns argumentam que a ação livre é essencial a um sistema moral. foram evidentemente determinadas sempre por intenções benévolas.. confirmadas por sinais e maravilhas . da providência e da religião revelada. Sobre essas teorias dizemos: Io. e Seu poder manifestado em executar o Seu desígnio nas diversas esferas da criação. A experiência e a observação. 3a. A manifestação da Sua própria glória. Quanto à segunda teoria acima. E evidentemente dever dos homens perdoar-se mutuamente as ofensas que recebem. 71. Tudo quanto a razão e a consciência nos asseguram a esse respeito é que não pode haver perdão do pecado sem uma propiciação. Benevolência é elemento essencial da perfeição moral.Êx. dirigir a vontade de agentes livres não é superior a operar contradições. Deus é infinitamente perfeito. 145:8. As asserções diretas das Escrituras . 2a. em sua relação tanto com a religião como com a bondade de Deus. e não o bem supremo do universo.. 2o. 3. mas o perdão do pecado como pecado não é da nossa alçada. sem que violasse a natureza desse sistema. Parece claro que não pode haver princípio moral que obrigue qualquer governador soberano a perdoar o pecado como transgressão da lei. devemos estar sempre lembrados de que a glória de Deus. é o fim supremo de Deus na criação e na providência.7. 1:7-9.15). 3o. que não podia ter assegurado para as Suas criaturas maior felicidade do que a de que realmente gozam.. embora onipotente. e só poderia ser conhecida à medida que fosse bondosamente revelada. e mais. e que a independência absoluta da vontade é essencial à ação livre. 2. . Ef. A suprema excelência moral de Suas criaturas. A suprema felicidade de Suas criaturas racionais. A afeição bondosa que levasse um governador a preparar uma propiciação seria. e . que limita de um modo indigno o poder de Deus. e também que O torna dependente das suas criaturas. representandoO como querendo e procurando fazer o que não consegue efetuar.Mas isso pressupõe que Deus está limitado por alguma coisa fora de Si. A permissão do pecado. perfeitamente livre e soberana. que. 34:6.Sal. em sua sabedoria infinita. A verdadeira definição da benevolência divina é que é aquele atributo em virtude do qual Deus produz no universo toda a felicidade compatível com os fins supremos que tinha em vista na criação. é um mistério inson-dável. Que a primeira tem por base uma falsa idéia das condições da liberdade e da responsabilidade humanas (veja abaixo. como objeto do poder. Cap. Por isso o evangelho é boas novas. Quais são as diversas teorias inventadas na tentativa de conciliar a existência do pecado com a bondade de Deus? Ia. permitiu que o pecado entrasse por ser isso um meio necessário para promover a maior soma possível de felicidade no universo como um todo. 1 João 4:8.9. e que por isso Deus. A sabedoria de Deus manifestada em idealizar. A razão. 70. Pressupõe também que Deus considera a felicidade como bem superior à excelência moral. Quais as fontes do nosso conhecimento de que Deus é benevolente? Ia. 2a. e por isso infinitamente benévolo.

Seus convites e exortações Ele dirige de boa fé a todos os homens: Io. sabermos que. é sempre perfeitamente conseqüente. 3o. estão em harmonia com a norma perfeita da Sua natureza. e Sua sabedoria não está sob a influência nem de preconceitos nem da paixão. no seu sentido mais lato. o sentimento do nosso demérito. porque é dever de todo homem arrepender-se e crer.8. e a vontade preceptiva de Deus é que todos o façam. por entender-se que o caso individual está naturalmente sujeito ao princípio geral de que o verdadeiro arrependimento e a fé livram de todas as ameaças e alcançam todas as bênçãos prometidas. em todas as suas operações. muitas vezes perturbam tanto o nosso juízo como o nosso coração quando queremos ajustar esses princípios aos casos individuais da vida. Como se pode mostrar que não há incongruência entre os atributos de bondade e de justiça? Bondade e justiça são aspectos diversos de uma só perfeição moral imutável. É verdadeiro. esta perfeição infinita da Sua natureza apresenta diversos aspectos. Como se pode conciliar com a sinceridade de Deus os convites e as exortações das Escrituras dirigidas àqueles que Deus não tenciona salvar? Veja acima (Perg. Mesmo em nossa experiência achamos que. Essa condição pode ser expressa explicitamente.11. fiel. E um dos privilégios da nossa fé. Sua justiça e Sua bondade.todas as tentativas de solvê-lo só servem para misturar palavras com discursos de ignorantes (Jó 38:2). e neste caso Ele as cumpre no sentido exato em que foram feitas. infinitamente sábia e soberana. é uma perfeição que qualifica todos os seus atributos morais e intelectuais.10. reta e misericordiosa. Em todas as manifestações que Deus faz das Suas perfeições a Suas criaturas. Deus não é às vezes misericordioso e outras vezes justo.Jon. a distinção entre a vontade pre-ceptiva de Deus e a Sua vontade decretatória. e assim está posto um fundamento seguro para toda a fé e todo o conhecimento. conforme determinado pelo juízo que a sabedoria infinita faz em cada caso individual. em princípio. em nossa inteligência (:intellect) e em nossa consciência. apesar de que a nossa falta de sabedoria e de conhecimento. nem misericordioso até certo ponto e justo até certo ponto. em qualquer revelação sobrenatural devidamente autenticada. não há nenhuma inconseqüência nestes atributos da nossa natureza moral. Em relação à criatura. 75. 2o. A VERDADE ABSOLUTA DE DEUS 73. esse atributo de verdade qualifica todas as relações que Deus tem com Suas criaturas racionais. sua perfeita sinceridade ao fazer todas as Suas promessas e Sua fidelidade em cumpri-las. dependentes da obediência ou do arrependimento da criatura .l8:7. 53). 3:4. porém é eterna e infinitamente misericordioso e justo. em nossos sentidos. 2o. e pode também ser condição implícita. Em seu sentido mais especial. 74. Io. a base. Como se pode conciliar a verdade de Deus com o aparente não cumprimento de algumas de Suas ameaças? As promessas e as ameaças de Deus às vezes são absolutas. embora a nossa filosofia não o possa compreender. Que é a verdade. Seu conhecimento é infinitamente verdadeiro em relação aos seus objetos. e uma simpatia meramente física. 72. As duas formas em que essa perfeição se manifesta em relação a nós são: Ia. tanto para conosco quanto para conSigo. Jer. considerada como atributo divino? A verdade de Deus. a verdade inteira que Ele mantém em todas as Suas comunicações. E o fundamento. porém. é uma permissão muito sábia. e que redundará na glória de Deus e no bem dos Seus escolhidos. porque não há coisa alguma . 2a. Muitas vezes também elas são condicionais. de toda a confiança que temos. Ele sempre age de conformidade com a Sua verdadeira natureza.

Rom. Em que se baseia a soberania absoluta de Deus? Io. não está limitado por coisa alguma fora dEle próprio. Como se prova que esse direito é afirmado nas Escrituras? Dan. nem lhe dizer: que fazes?" (Dan. Em Sua superioridade. considerada em sentido abstrato. A santidade é a glória total assim coroada. em Seu Ser e em todas as Suas perfeições em relação a todas as Suas criaturas. bem como a nossa bemaventurança nEle. 9:15-23. A infinita perfeição moral é coroa da Deidade. Que se entende pela santidade de Deus? Não se deve entender a santidade de Deus como se fosse um atributo entre outros. Que se entende pela soberania de Deus? Seu direito absoluto de governar todas as Suas criaturas simplesmente segundo a Sua própria boa vontade. 4:35). 5o. antes. . considerado em sentido concreto como soberano infinito. e de dispor delas. 4:11. Deus cumprirá também a Sua promessa. o vocábulo é um termo geral que representa a concepção da Sua perfeição consumada e a Sua glória total. 1 Tim. Haveria algum sentido em que há limites à soberania de Deus? E evidente que. são motivos para que nós não só reconheçamos essa verdade gloriosa. reta e misericordiosa. e há uma glória que pertence a todos eles juntos. Mas Deus. Apoc. e sim a todos os pecadores como tais. esses convites e exortações não são dirigidos aos réprobos como tais. 6:15. 77. 3o. 78. O Senhor reina. considerado por si só. "Todos os moradores da terra são por ele reputados em nada. A natureza intelectual é a base essencial da natureza moral. 4:25. e são agora mantidas em existência por Seu poder. Há uma glória que pertence a cada atributo. Estas foram por Ele criadas do nada. E a sua infinita perfeição moral coroando a sua infinita inteligência e o Seu infinito poder. em todos os casos em que alguém cumprir a condição. 3o. Deus nunca prometeu habilitar todos a crerem. e segundo a sua vontade ele opera com o exército do céu e os moradores da terra. e a nossa dependência dEle. entre outros. . A SOBERANIA INFINITA DE DEUS 76. 35. 11:36. A SANTIDADE INFINITA DE DEUS 80. senão a sua própria falta de vontade. como também nos regozijemos nela. 4o. ugoj 2o. Os benefícios infinitos que Ele nos concede. regozije-se a terra! 79. para a Sua própria glória e segundo a Sua própria boa vontade . a Sua soberania é qualificada por todos os demais. Rom. não há quem lhe possa deter a mão.que impeça o pecador de o fazer. como um dos atributos de Deus. Não pode senão ser uma soberania infinitamente sábia. com o fim declarado de salvar desse modo os eleitos.

. Ez.Lev.1 João 1:3. Io. 145:17. e sim perfeição da natureza criada de agentes morais segundo a sua espécie. representa. 2o. "Santificar ao Senhor" é fazê-lO santo. declarar e adorar a Sua santidade venerando a Sua majestade augusta em toda parte e em tudo aquilo em que e por que a Sua Pessoa ou o Seu caráter é representado .Is. Mat. 22:3. 4:8. 38:23. 11:44. 6. 29:23. aplicada a Deus nas Escrituras.3:15. em união e em comunhão espirituais com o Criador infinito . 6:9. pureza moral . Sal. lPed. 8:13.Is.A santidade no Criador é a perfeição total de uma inteligência infinitamente reta. quer dizer. Sal. Apoc. A palavra santidade. majestade transcendentemente augusta e venerável .3. A santidade na criatura não é mera perfeição moral.

é exatamente equivalente ao termo substância (sub-stare). Neste sentido.9 A Santíssima Trindade 1. 4. Heb. 9:4. Qual o significado teológico do termo substantia. Aplicada à doutrina da Trindade. bispo de Antioquia. locus 3. significando confiança. 2o. no uso atual da palavra. Em português: essência. 5. ou o um que é três. todos os elementos da qual as Escrituras ensinam explicitamente. Esse termo. pág. Heb. é equivalente à essência. vem da palavra grega que significa "estar sob" ou "debaixo de". Que outros termos são empregados como os equivalentes de substantia. Qual é o sentido teológico da palavra subsistentia? E empregada para designar o modo de existência que distingue qualquer coisa individual de todas as demais coisas. não triplo-trinitas e não triplicitas. Mas os termos técnicos são uma necessidade absoluta em todas as ciências: e. e que em cada uma dElas constitui a essência única em Pessoa distinta. 1:3. tornaram-se especialmente essenciais por causa das perversões sutis que sofreram as exposições simples e não técnicas da Bíblia às mãos dos incrédulos e dos hereges. 2. no princípio. de Sampson. de 168 a 183. O termo latino Trinitas foi usado primeiro por Tertuliano. 11:17. Assim. ou qualquer pessoa de todas as demais pessoas. A palavra foi utilizada. A palavra é empregada cinco vezes no Novo Testamento: Io. perg. e qual a mudança que ocorreu no seu uso? Substantia. substância.. onHeb. exprime bem o fato central da grande doutrina de uma só essência subsistindo eternamente como três Pessoas. como definido acima. 3. neste caso. indivisível. tem a palavra "hypostasis"? Esta palavra. e quando foi introduzida na linguagem da Igreja? A palavra Trindade (Trinitas) é derivada dttres-unus. nas definições desta doutrina? Os termos latinosessentia e natura..três em um. vol.Eccl. Veja Turretino. 121. Em sentido literal. Em que sentido a palavra é empregada pelos escritores eclesiásticos? . que vem da fé. ou esse estado de ânimo em que se está cônscio de que se tem uma base firme e segura: 2 Cor. A palavra não se acha nas Escrituras. isto é. no Novo Testamento. Hist. à existência independente. nota 7. na Síria. quanto à sua etimologia. como equivalente à subsistentia ou modo de existência. Em sentido figurado. 6. A palavra grega que significa trindade foi empregada primeiro nesta conexão por Teófilo. por volta do ano 220 . as três Pessoas são o mesmo em substância. subsistência é o modo de existência que é peculiar a cada uma das três Pessoas divinas. de uma só e mesma essência numérica. há nela três substantice ou Pessoas. Tomo 1. 1. Quais são a etimologia e a significação da palavra Trindade. natureza. Mosheim. Qual o significado que. enquanto há na Deidade uma só essência. 11:1. na Deidade. e os três que são um. Veja Com. 23. ser. significando natureza essencial -Heb. tnnus . 3:14.

o mesmo. É empregada neste sentido no Credo publicado pelo Concilio Niceno. alguns. distingue-se delas por propriedades incomunicáveis" -Institutas. Estes concordaram em afirmar que. separadamente. isto é. em conexão com a doutrina da Trindade. Jesus Cristo. na linguagem teológica. 7. hypostasis. incommunicabilis. principalmente graças à influência de Atanásio e. na Bitínia. é da mesma substância. a definição que Calvino oferece é melhor. em conexão com a doutrina da Trindade? A palavra latina suppositum . Ele. e para o uso dos pronomes pessoais Eu. entendo. em latim: persona. em inglês: person. hypostasis. Em relação a este grande mistério da Trindade divina de Pessoas na unidade de essência. para o Pai enviar o Filho. e como se deve definir a palavra pessoa. e também nos decretos do Concilio de Sardica. a personalidade descansa sobre a distinção de essência e parece ser inseparável desta. na revelação que qualquer das Pessoas faz de Si e das outras. na Deidade. O partido ortodoxo. com ou sem corpo.g. é um mistério infinito que não podemos compreender e que. é o mesmo que pessoa. Como porém. . e para o Pai e o Filho enviarem o Espírito Santo. Tu.· ‫״‬ 8. Que é que se entende pelos termos:"homoousios " (da mesma substância) e "homoiousios" (de substância semelhante)? No primeiro concilio ecumênico da Igreja. .. agora sustentada por todas as igrejas cristãs.uma existência distinta e individual. vel ab alia".. em seu sentido primário. Que é essencial à personalidade. por consenso geral. foi convocado pelo imperador Constantino em Nicéia. Tudo o que sabemos a respeito é que essa distinção. o qual. embora relacionada com as outras duas. Que outros termos têm sido empregados pelos teólogos como equivalentes de Pessoa. que ela é a base para Eles Se congregarem em conselhos. naquele tempo. por ser mais simples: "Por pessoa. como. Liv. . seu uso foi mudado. 13. para interagirem. ao do Pai. que mantinha a opinião.aspecto. Foi transferida para a lingua portuguesa na forma de um adjetivo. para designar a união hipostática. e. § 6. havia três grandes partidos que mantinham outras tantas opiniões a respeito da Trindade. Esses insistiram em que se Lhe aplicasse o termo específico "homoousios". Uma pessoa ésuppositum intellectuale. em 347. Cap. 10. em particular. Gerhard define pessoa assim: "Persona est substantia individua. e prosopon . No círculo inteiro da nossa experiência e observação da existência pessoal entre as criaturas. uma existência distinta e individual à qual pertencem as propriedades da razão e da livre vontade. por serem da mesma essência numérica. que pertencem eternamente ao Pai.g. uma subsistência na essência divina -uma subsistência que. ou pessoal. seu sentido. de que o Senhor Jesus. nos é impossível definir adequadamente. em 325. na Ilíria. composto de (homos) . e (ousia) substância. nesta conexão? Em grego. por isso. e só podemos conhecê-lo até onde nos é revelado. ao Filho e ao Espírito Santo. intelligens. para Se amarem mutuamente e para atuarem uns sobre os outros. em 325. em português: pessoa.Até meados do século 4 esta palavra foi empregada geralmente. quanto à Sua natureza divina. em distinção da palavra grega que significa essência. quas non sustentatur in alia. subsistentia. como equivalente ao termo substância. há só uma hypostasis. daí por diante. abrange todas essas propriedades incomunicáveis. uma árvore ou um cavalo.. idêntica. Esse modo distinto de existência que constitui a única essência divina coordenadamente em três pessoas separadas. Cada pessoa distinta é uma alma distinta. tomassem a palavra no sentido de pessoa. pois. . 1. chamada personalidade. 9. hypostasis. e não a todos em comum. de duas naturezas no Deus-homem. aspectus. e. para ensinar a grande verdade de que as três Pessoas da Deidade são um só Deus. constando de trezentos e dezoito bispos. hipóstase.

ao Deus único. duas inteligências. 2a. do partido ortodoxo.e também em separado ao Pai. que mantinham que o Filho de Deus é a maior de todas as criaturas. vontade. ou seja.g. Há um só Deus. Negavam. e "ousia". e que todas as operações divinas realizadas ad extra. substância) um só.opiniões homoousianas. pois. etc. e Ele é um só. Havendo só uma essência divina. é indivisível. Sustentavam que o Filho era "heteroousion" . Apesar do fato de que todos os atributos divinos são igualmente comuns às três Pessoas. e inseparáveis dela. mas admitiam que é de uma essência realmente semelhante e derivada do Pai ("homoiousios". e. Sendo essas Pessoas divinas um só Deus. mas não numericamente. filiação ao . A única essência divina e indivisível existe. cada Pessoa. há só uma substância. etc. e opera por meio dEla. da Sua própria livre vontade. cada pessoa distinta é uma distinta substância numérica. (1) Dt subsistência. pelo contrário. isto é. de modo que o Pai nem é gerado. possuindo. geração ao Pai. que o Filho fosse da mesma substância (homoousios) com o Pai. não comuns a ela e também às outras. ao Filho e ao Espírito Santo. 5a. é uma só. e possui uma inteligência distinta. criado antes de todos os séculos. contudo. e a primeira e a segunda enviam a terceira e operam por meio dEla. nem procede. duas vontades. Quais as proposições envolvidas essencialmente na doutrina da Trindade ? Ia.. e. ao mesmo tempo e desde toda a eternidade. cuja inteligência. há dois espíritos. com a mesma natureza e as mesmas propriedades que Ele mesmo possui.7. genericamente. eternamente como Pai. mais semelhante a Deus do que qualquer outra. contudo.de essência diferente. fez proceder de Si. ao mesmo tempo. porém. e (3) uma ordem distinta de operação. Por isso é que se diz sempre que o Pai é a primeira Pessoa. e que. não obstante isso. chamado semiarianos. Entre as criaturas. (2) De operação. e o Espírito procede eternamente do Pai e do Filho. A distinção entre as três é distinção pessoal. (2) uma concorrência em conselho e um amor mútuo.. 4a. etc. só uma indivisível Pessoa.2o. todos os atributos divinos são comuns a cada uma dElas no mesmo sentido. respectivamente. enquanto o Filho é eternamente gerado pelo Pai. co-existem eternamente nessa única essência três Pessoas. as Escrituras atribuem algumas operações divinas realizadas ad intra exclusivamente a cada uma das Pessoas divinas. de modo que a primeira Pessoa envia a segunda. de semelhante. 3a. O partido médio. porém. e. que mantinham que o Filho não é criatura. 6a. como Filho e como Espírito Santo. uma vontade distinta. o unigênito Filho de Deus. o Filho a segunda e o Espírito Santo a terceira. Quanto ao credo promulgado por esse concilio. contudo. 10. mas negavam que fosse Deus no mesmo sentido em que é o Pai. no sentido de que ocasiona (1) o uso dos pronomes pessoais Eu.. Tu. uma inteligência. a essência toda e sendo constituída em Pessoa distinta por certas propriedades incomunicáveis. como um todo. veja o cap. a providência e a redenção. tais como a criação. e sendo todos os atributos ou todas as propriedades ativas inerentes na essência a que pertencem. afirmavam que o Pai é o único Deus absoluto e autoexistente. 3o. segue-se que todos os atributos divinos devem ser identicamente comuns a cada uma das três Pessoas que subsistem em comum na única essência divina. são atribuídas ao único ser divino . revela-se-nos nas Escrituras que existe entre Elas uma certa ordem de subsistência e operação. Naquele concilio prevaleceram as opiniões do primeiro partido. considerado em sentido absoluto . Os arianos. e desse tempo em diante têm sido representadas sempre pelo termo técnico . por quem Deus criou todas as coisas. Em Cristo.uma vontade. e divino só nesse sentido. ou genéricamente dissemelhante do Pai. Na Deidade. uma Pessoa divina. Ele.

3a. JESUS DE NAZARÉ. Que o Espírito Santo é verdadeiramente Deus e. como Ele Se acha constituído agora. A resposta à pergunta: como se pode conciliar com esta doutrina fundamental da unidade divina a existência coordenada de três Pessoas distintas na Trindade. é necessário que provemos. porém. ERA VERDADEIRAMENTE DEUS E. e (3) Suas propriedades pessoais e a ordem da Sua operação ad extra. deste capítulo. e desejava que só viesse um príncipe temporal.g. ao mesmo tempo. Pessoa distinta. 5a. Pessoa distinta do Pai. quanto à Sua natureza divina. foram expostas acima. em sua ordem. o predileto do céu. Uma exposição das diversas opiniões heréticas a respeito da Sua Pessoa achar-se-á abaixo nas perguntas 96-99. 4a. Quais as diversas opiniões mantidas a respeito da Pessoa de Cristo? A doutrina ortodoxa a respeito da Pessoa de Cristo é que Ele existia desde toda a eternidade como o Filho coigual ao Pai. ou a processão eterna do Espírito Santo. constituído da mesma essência infinita e autoexistente que caracteriza o Pai e o Espírito Santo. sobre os atributos de Deus. era verdadeiramente Deus e. 12. achar-se-á abaixo na pergunta 94 deste capítulo. Essas relações podem ser assim distribuídas: (1) A relação que a segunda Pessoa mantém com a primeira. PESSOA DISTINTA DO PAI 11. Até onde esperavam os judeus do tempo de Cristo que o Messias viesse como Pessoa divina? E certo que. as seguintes proposições: Ia. respectivamente. 2a. criação ao Pai. que em alguns dos escritos rabínicos acham-se espalhados alguns indícios de que alguns dos judeus mais ilustrados e espirituais mantinham-se ainda fiéis à fé antiga. 1. processão ao Espírito Santo. Que as Escrituras ensinam diretamente que há uma Trindade de Pessoas em uma só Deidade. ao mesmo tempo. redenção ao Filho e santificação ao Espírito Santo. a grande multidão do povo judaico já não conservava mais a expectação escritu-rística de um Salvador divino.Filho. depois da Sua encarnação. . QUANTO A SUA NATUREZA DIVINA. Que Deus é um só. quando Cristo apareceu. Restará reunir tudo o que as Escrituras ensinam a respeito das relações necessárias e eternas que estas três Pessoas divinas mantêm umas com as outras entre si. tiradas da razão e das Escrituras. (2) A relação que a terceira Pessoa mantém com a primeira e a segunda. AO MESMO TEMPO. a fim de estabelecermos esta doutrina em todas as suas partes sobre o testemunho das Escrituras. ou a geração eterna do Filho. que fosse. Que Jesus de Nazaré. perguntas 12-18. Portanto. num sentido proeminente. 2. Cap. 23. DEUS É UM SÓ E HÁ UM SÓ DEUS As provas desta proposição. vem exposta no Cap. A doutrina ortodoxa a respeito da Pessoa de Cristo. Diz-se. e. 8. e há também algumas operações realizadas ad extra que as Escrituras atribuem proeminentemente a cada Pessoa.

enviado da parte de Deus. Como se pode provar que o SENHOR (Jeová. 10:9. Esse Anjo conduziu os israelitas no deserto . 32:24-30.29. 15:47. 3:1 .11. e desde o princípio Jesus é o Redentor e a Cabeça da Igreja. Comparem Sal. 16:7-13. Mat. 3:1 declara-se que "o SENHOR". que Se encarnou em Jesus de Nazaré? Este fato não é afirmado expressamente nas Escrituras. nem podia essa Pessoa ser um anjo. era a segunda Pessoa da Trindade.15. anjo. 3:14. foi também exposto pelos profetas como o Salvador de Israel e o Autor da nova dispensação.13. 18:2. Pelas passagens que declaram expressamente que Ele estava com o Pai antes de haver mundo. ou outro enviado semelhante. 24:1. 3:14. 9:7-38. 14:19. Todos os aparecimentos divinos da economia antiga são referidos a uma só pessoa . Gên. Compare Sal. Is. 12:2.. 8:58.31. 1:6 e Is. Pelas passagens que declaram que "veio ao mundo". Veja também João 8:56.. Gên. 6:46). 4o. Um Anjo luta com Jacó e o abençoa como Deus.11.2.5. mas pode ser comprovado pela comparação de muitas passagens. é. que era rico e possuía glória-João 1:1. 1:15-18. Em Mal. Col. 63:9.21. 25:1. Os.30. 2o. 13:3. 32:9.18. que se acate a opinião agora apresentada. Êx. na Versão de Almeida). 3o. algumas passagens do Novo parecem implicar diretamente esse fato. 16:28. o Anjo da . 4:32.35 com 1 Cor. Três anjos aparecem a Abraão. 14:19.17. O Anjo de Jeová aparece a Agar. 23:37.15 com Atos 7:30-35. versículo 17 . 78:15. Êx. Veja Miq. no hebraico). e isto é aplicado a Jesus em Mar. 31:11. "o Anjo da aliança". por isso. Como se pode provar pelas Escrituras a preexistência de Jesus em relação ao Seu nascimento "de mulher"? Io.Gên.58. que era ao mesmo tempo o anjo ou o enviado da economia antiga. ao mesmo tempo. e sendo ao mesmo tempo Deus . aparecendo muitas vezes aos homens. Yavé). 1:2. 5:2. Essa Pessoa única é chamada Jeová 3 (Senhor. e.3. e lhe são dados outros títulos divinos. todavia Deus o Filho foi visto (1 João 1:1.39. Em Zac. O Anjo de Jeová aparece a Moisés na sarça ardente.2.15. nome incomunicável de Deus. 15.2 com Atos 7:38 e Sal. 12:3-5 esse Anjo é chamado Deus -Êx. 20:1. 20:1. Jeová.Gên. 48:15. que Se manifestou como o Deus dos judeus (o Deus da Aliança) sob a antiga economia. e em Os. 2o. 1:10.16. 97:7 com Heb. A Igreja é uma só sob ambas as dispensações. ou enviado .13.16. 13:21. 62:7. 8:9. 2 Cor. Êx. 3:2. a quem vós buscais. na tradução portuguesa de Figueiredo (SENHOR. Deut.Êx. 1 Cor. "desceu do céu"-João 3:13.Cf. Referindo-se a passagens do Velho Testamento. 18:2-33. Jeová é representado como salvando Seu povo mediante o Anjo da Sua Presença. 13:21 com Êx. mais coerente com tudo o que nos foi revelado a respeito dos ofícios das três Pessoas divinas na obra da redenção. 3o. 14.João 1:3. Comparem também Êx. 1 Ped. 2:11. e um deles é chamado Jeová.Cf. Mas ninguém jamais viu a Deus Pai (João 1:18. De que forma no Velho Testamento se fizeram as primeiras indicações da existência e da operação de uma Pessoa distinta de Deus e ao mesmo tempo divina? Nos livros mais antigos fala-se em um Anjo. 6:62.35. 5o. Veja: Io. 6:1-5 com João 12:41. virá ao Seu próprio templo. Pelas passagens que afirmam que Ele foi o Criador do mundo .12.de repente virá ao seu templo o SENHOR (Adon.". Assim Mal.2) e enviado (João 5:36). Nee. e nos versículos seguintes esse Anjo é chamado Jeová. fala como quem tem poder divino e é chamado Deus -Gên.12 vemos que um Jeová é enviado de outro.

19. 17. 18. o que fica confirmado por Mat. atribuindo-Lhe eternidade. Mas em Rom. Paulo declara que este salmo refere-se a Cristo. 22.44). Nele. a quem vós desejais. 22:43.. Que provas temos em Isaías 9:6? E evidente que esta passagem se refere ao Messias. 2:6 e João 7:42. mesmo quando é evidente que os escritores originais queriam falar em Jeová. 1:2. Que provas temos em Miquéias 5:2? Os judeus entenderam que a referência é a Cristo. 21.2? É óbvio que esta passagem se refere ao Messias.aliança.". e pelo autor da Epístola aos Hebreus (Heb. isto é. 23. Em Is. 14:11 Paulo cita uma parte da declaração de Jeová a respeito de Si. E exorta a todos a se submeterem a Ele e a confiar nEle. A passagem declara que as Suas "origens são desde os tempos antigos. e Seu trono um trono eterno. Que provas da deidade do Messias apresenta-nos o Salmo 2? O referido salmo declara que Ele é o Filho de Deus e que como tal Lhe será dado o domínio do mundo inteiro e dos seus habitantes. Pai da eternidade. literalmente. Que provas temos em Malaquias 3:1. 1:8. e não no Messias como tal. desde a eternidade. Que provas temos no Salmo 110? Que este salmo se refere ao Messias fica provado por Cristo (Mat. O Salmo 102 é evidentemente uma oração dirigida ao Senhor supremo. E no versículo dois Lhe é atribuída uma obra divina de juízo. Mas o texto de Heb. Compare também Is. 5:6. Que provas temos na maneira pela qual os escritores do Novo Testamento aplicam a Cristo as Escrituras do Velho Testamento? Os apóstolos muitas vezes aplicam a Cristo a linguagem do Velho Testamento. é chamado "seu templo". 20. sob pena de incorrerem em Sua ira. Jesus é chamado Deus.. Declara explicitamente que o menino nascido é também "Deus forte. Que provas temos no Salmo 45? Os judeus antigos entenderam que este salmo foi dirigido ao Messias. 1:10-12 afirma que o salmo foi dirigido a Cristo. portanto. e é convidado a assentar-Se à mão direita de Jeová. que era lugar consagrado à presença e ao culto de Jeová. aplicado a Cristo em Mar. 4:14-16. 6:3 com João 12:41. Em Atos 13:33. Nele o Messias é chamado Senhor (Adonai) de Davi. O templo. Qual o caráter geral do testemunho dado a respeito deste ponto pelo Novo Teestamento? . e este fato é estabelecido em Heb. o que é confirmado por Mar. até que todos os Seus inimigos se tenham tornado escabelo de Seus pés. criação. governo providencial.9. Príncipe da paz". bem como atenção às orações e suas respostas. para provar que teremos todos que comparecer ante o tribunal de Cristo. 45:20-25 Jeová fala e afirma a Sua soberania suprema. 7:17). ou Pai eterno). culto. Pai do futuro século (Figueiredo. o que é confirmado por Mat. 16. desde os dias da eternidade". 1:2.

14. 28:19.17. Juízo . João 5:22. Provas de que o Filho.Heb. a eleição inclusive-João 1:17. Heb. 18:20. 13:14. Mat. 1:17. 1 Cor. classificado sob os títulos costumeiros. O dar a vida eterna . 1:8. 5:10. 27. .João 1:2.João 1:3. 1:8. 13:18.Esta doutrina fundamental nos é apresentada em cada um dos livros e em cada parágrafo separado do Novo Testamento. como qualquer leitor sincero poderá verificar pessoalmente.6. 11:27.60. 28:20. 20:28.12 e 13:8. Provas de que o Novo Testamento atribui títulos divinos a Cristo: Eternidade. Apoc. Mat. sendo Deus como é. 28:18.23.João 10:28. ^!UOIÍÈÇA. e ele se acha tão intimamente entrelaçado com todos os demais temas de cada passagem. Tito 2:13. Apoc. 17:5. 1:16. João 2:23-25. 9:5. Milagres . 7:10. 1 João 5:20. éPessoa distinta do Pai. A massa inteira deste testemunho é tamanha. Col. 1:11. ou por afirmação direta ou por implicação necessária.14. 15:19. Provas de que o Novo Testamento atribui obras divinas a Cristo: Criação . Conservação e Providência-Heb. 2 Cor. 1:3. O enviar o Espírito Santo . Heb. Onisciência.32. Provas de que o Novo Testamento dá títulos divinos a Cristo: João 1:1.Mat.10.João 5:21-26. 8:58.João 16:7. Santificação .18. Obras da graça. que aqui só tenho lugar para apresentar uma amostra geral do testemunho. 25:31. 25. Onipresença -João 3:13. 2Tess. 1 Tim.2 Cor.10. AUBREY ÇLABi 24. 21:17. Col. Provas de que o Novo Testamento ensina que se deve prestar culto supremo a Cristo: Mat. 5:26. 2:23. 1:6. 28.Ef. Apoc. 3:16. Mat. Apoc. João 5:22. Onipotência-João 5:17. 1:2. 1:5. 26. Fil. Imutabilidade .17. Heb. 2:9. 14:1. 1:8. 1:3. Atos 20:28. 22:13. 11:17. Rom. Atos 7:59. 1:12. 5:11.

Ao estabelecer a doutrina da Trindade. tem conhecimento. 341-360 d. que Ario ensinava que.. recebe do que é de Cristo e no-lo anuncia. Cristo foi enviado pelo Pai. fez a Sua vontade. e se acha implícito tão universalmente. operação independente.7. 31. Veja o Credo do Concilio de Constantinopla. Tu. Quando. Sabe. ajuda.7. Que seitas sustentavam que o Espírito Santo é uma criatura? A deidade do Espírito Santo é revelada tão claramente nas Escrituras que poucos se têm atrevido a pô-la em questão. o ponto principal é que se prove a Sua personalidade distinta. a respeito da deidade do Filho. 325 d.C. Isso também os títulos relativos. ensinavam. veio dEle. Veja o Novo Testamento todo. 1. 29. ־‬ .C. nunca conseguiu muita aceitação. que o sistema sabeliano. dirigiu-Se a Ele em oração. intercede -João 16. porque esquadrinha as coisas profundas de Deus. por ser revelada tão claramente a Sua divindade absoluta que a respeito dela não há controvérsia. Opera todos os dons sobrenaturais. Ensina e conduz à verdade. e que essa Pessoa.Este fato é ensinado tão claramente nas Escrituras. Church Hist.. 381 d. pois tão óbvia é a Sua personalidade distinta que praticamente não há discussão sobre isso. 2:10. Por quem o Espírito Santo foi considerado só como uma energia de Deus? Todas aquelas seitas antigas chamadas geralmente monar-quianas e patripassianas. assim também o Espírito Santo é a primeira e a maior criatura do Filho. repartindo-os entre os homens segundo a Sua boa vontade . Como se pode provar que todos os atributos de personalidade são atribuídos ao Espírito Santo nas Escrituras? Os atributos de personalidade são os seguintes: inteligência. Ele. ‫״. no que diz respeito à segunda Pessoa. PESSOA DISTINTA.. Veja Neander. Rom. Esse concilio definiu e resguardou a fé ortodoxa acrescentando cláusulas definidas à referência simples que o credo antigo fazia ao Espírito Santo. é chamada Pai. Socino.João 14:17. vol. págs. 416-420. glorifica. voltou para Ele. que ensinava que Jesus Cristo era mero homem. se quer estabelecer a veracidade da doutrina a respeito da terceira Pessoa. sustentavam que o Espírito Santo não é Deus supremo. 1 Cor. AO MESMO TEMPO. ama-O. que o nega. quando fala da relação do Espírito Santo para com Ele ou para com o Pai: "Eu o enviarei". assim como o Filho é a primeira e a maior criatura do Pai. bispo de Constantinopla." Assim. 30. volição. ·I · . "Ele dará testemunho de si. Ele argúi. que na Deidade há somente uma Pessoa. antes e depois do concilio niceno.. porém. Cap. com algumas distinções subordinadas. 15:26. Essa opinião foi condenada pelo Segundo Concilio Geral de Contantinopla. porém." "A quem o Pai enviará em meu nome. dá testemunho.26. sustentava que a expressão Espírito Santo é empregada nas Escrituras como designativo da energia divina quando opera de um modo particular. assim como uma só essência. O ESPÍRITO SANTO É VERDADEIRAMENTE DEUS E. No século 16. o ponto principal é provar a deidade absoluta de Cristo. em diversas relações. Diz-se. empregou os pronomes Tu e Ele quando falava a Ele ou a respeito dEle.C. 12:11. Pai e Filho. recebeu mandamentos dEle.41. 3. pois. Ele é enviado. ocuparam de tal modo os ânimos dos dois partidos que se prestou pouca atenção naquele tempo às questões relacionadas com o Espírito Santo. Filho ou Espírito Santo. Cristo emprega os pronomes Eu. 8:26. Diz-se que alguns dos discípulos de Macedônio. é dEle amado. As antigas controvérsias dos ortodoxos com os arianos. Essa é agora a opinião de todos os unitários e racionalistas modernos. implicam necessariamente.

4. Jó 26:13. 12:13. Heb. 1 Cor. 12:10. 12:28. Rom.Ef. 1:35. Mar. 3:7. É o advogado. Como se prova que os nomes de Deus são aplicados ao Espírito Santo? Comparando-se. etc. Como se pode provar Sua personalidade pelo que se diz do pecado contra o Espírito Santo? EmMat. Onisciência. esse pecado é chamado "blasfêmia contra o Espírito Santo". Como fica estabelecida a Sua deidade suprema pelo que as Escrituras dizem da Sua ação na obra de redenção? .Sal. 28:25. ensina e santifica a Igreja. 1 Cor. Que atributos divinos as Escrituras Lhe atribuem? Onipresença . em todo o seu ensino. Rom. 5:30. .11. 35. Ex. Sal. Traz-nos todas as graças do Cristo assunto ao céu e as torna eficazes em nossas pessoas em cada momento da nossa vida. e Luc. Gál. 8:11. ou o de associar uma energia coordenadamente com duas pessoas distintas.Gên.32. Como se pode provar Sua personalidade pelos ofícios que as Escrituras dizem que Ele desempenha ? O Novo Testamento. 38. E óbvio que a Sua distinção pessoal acha-se envolvida na própria natureza dessas funções que Ele desempenha .1 Cor. 17:7 e Sal. e nessas passagens distingue-se essa blasfêmia do mesmo pecado cometido contra as outras Pessoas da Trindade. 2:4.. 1:21. em sermos "batizados em Cristo". 1:2.32. 3:7-11. 12:9-11. 12:12. preparando‫־‬os pela comunicação de dons especiais segundo a Sua boa vontade. 15:16. blasfêmia é pecado cometido contra uma pessoa. Atos 5:32. 16:6. Que operações no mundo exterior as Escrituras Lhe atribuem? A criação . E uma das figuras mais naturais e comuns a de designar o dom pelo nome de quem o dá. . 2:10. mostra que o plano de redenção envolve essencialmente a operação do Espírito Santo em aplicar a salvação que foi a obra realizada pelo Filho e com a qual Ele visava alcançarnos. 3:27. escolhe os oficiais da Igreja. 36. 15:28. 39. Veja Atos 5:3.Mat.Luc. 3:28. Não seria possível conciliar todas as leis da linguagem e da razão com esse suposto ato de falar em "nome" de uma energia. e todo cristão é Seu cliente. 1 Cor.Luc. por exemplo. 2:13. 139:7. 33.29. 95:7 com Heb. Ora. 2 Ped. 104:30. 34. Rom. O poder de realizar milagres . 37. Que argumento se pode deduzir da fórmula do batismo a favor da personalidade do Espírito Santo? Os cristãos são batizados em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Como conciliar com a Sua personalidade expressões como "dar " ou "derramar " o Espírito ? Essas e outras expressões semelhantes são empregadas figuradamente para indicar a nossa participação nos dons e operações do Espírito. Onipotência . 12:31. Assim é que se fala em "revestir-nos de Cristo". 13:14. Ele inspirou os profetas e os apóstolos.

28:19.Dizem as Escrituras que Ele é o agente imediato da regeneração: João 3:6. 4. o Espírito descendo em forma de pomba e pousando sobre Cristo.. Tito 3:5. saindo para fora da água. e cada uma comunicando uma bênção separada. . e da ressurreição de nossos corpos: Rom. e afirmada a Sua ação relativa. que "será enviado". 45. e a comunicação do Espírito Santo em aplicar a salvação. que "foi enviado" pelo Pai e que Lhe está subordinado. vol. 43. O amor do Pai em idealizar. O Pai é a Pessoa de quem procede o Espírito.voaj 44. Parte 2. Veja o argumento apresentado por João 15:26 e seu contexto. e a natureza do sacramento (da ordenança) prova que cada uma delas é divina. O fim que o Espírito Santo tem em vista em Sua obra oficial nos corações dos homens não é o de revelar as relações da Sua Pessoa com as outras Pessoas da Deidade. Temos aí nomeadas distintamente três Pessoas. 4. do mesmo modo como entendemos o que se diz de Cristo. 8:11. A linguagem implica necessariamente que cada um desses nomes representa uma Pessoa. São três nomes pessoais distintos de ação pessoal. Sua ação na geração da natureza humana de Cristo. 4. Os cristãos batizados entram assim numa relação de pacto ou aliança com três Pessoas nomeadas distintamente em sua ordem. Aí também são apresentadas a nós três Pessoas nomeadas distintamente e descritas como operando cada uma segundo a Sua própria maneira: o Pai falando do céu. Que prova nos é dada pela narração do batismo de Cristo? Veja Mateus 3:13-17. segundo a Sua própria ordem e maneira de operação. 40. que "testificará". e sim simplesmente o de revelar o caráter e a obra mediatárias de Cristo. !. A respeito do Espírito o Filho diz que Ele "virá". 42. Veja Home's Introd. e cada um igualmente divino. e que está reivindicando a respeito de Si o direito de enviar o Espírito. 5. Como conciliar com Sua deidade expressões como "ele não falará de si mesmo"? ·‫׳‬ Essa expressão e outras semelhantes devemos entender como se referindo à obra oficial do Espírito. Veja Mat. Como é ensinada esta doutrina diretamente na fórmula da bênção apostólica? Veja 2 Coríntios 13:13. AS ESCRITURAS ENSINAM DIRETAMENTE QUE HÁ UMA TRINDADE DE PESSOAS NUMA SÓ DEIDADE Í : ■‫׳‬ 41. sec. Que dizer sobre aprova da genuinidade de 1 João 5:7? Não disponho de espaço para apresentar um bom resumo dos argumentos a favor e contra a genuinidade da cláusula em disputa. que "procede". Como é ensinada diretamente esta trindade de Pessoas na fórmula do batismo? O batismo em nome de Deus implica o reconhecermos a autoridade divina de Deus. a graça do Filho em alcançar. Sua promessa de dar-nos a vida eterna e a nossa obrigação de Lhe prestarmos culto divino e obediência. cap. Nessa passagem também temos três Pessoas distintas mencionadas ao mesmo tempo. O Filho é a Pessoa que fala sobre o Pai e sobre o Espírito. na ressurreição dEle e na inspiração das Escrituras foram manifestações do Seu poder divino em preparar a redenção que agora Ele aplica. e Cristo reconhecido como o Filho amado de Deus.

como Deus? No Salmo 45:6. 4o. etc. Lev. como Deus? Gên. 47. 46. 13:13.14. no hebraico. Qual o uso idiomático da palavra hebraica ben (filho)? E usada no sentido . pupilo. Que passagens do Velho Testamento falam do Espírito Santo como Pessoa distinta do Pai e. Gên. A doutrina ensinada nessa passagem é tão bíblica. 49. 6:2. 6:3 a tripla repetição da atribuição de santidade. no hebraico . em vez de digno de morte. e no estado atual do nosso conhecimento. De descendente. para denotar seus habitantes ou os cidadãos. como "filhos dos profetas" (1 Reis 20:35). 5.Limito-me a dizer: Io. A RELAÇÃO QUE A SEGUNDA PESSOA MANTÉM COM A PRIMEIRA. Seus adoradores.Is. devemos retê-la. 6:8. 104:30. Nas profecias fala-se do Filho sempre como uma Pessoa distinta do Pai e. "outeiro. etc. para exprimir idade. para edificação. 23:6. Confira-se a tripla repetição do nome de Jeová em Núm. . 139:7. Sal. 2:7. 11:7. qualidade. "filhos de Belial". . Que a cláusula em disputa é como se segue: "no céu: o Pai. 20:31. "filhos de Israel". Deut. RESTA-NOS CONSIDERAR O QUE AS ESCRITURAS ENSINAM A RESPEITO DAS RELAÇÕES ETERNAS E NECESSÁRIAS QUE AS TRÊS PESSOAS DIVINAS SUSTENTAM ENTRE SI. Jó 26:13. Em combinação com substantivos. a Palavra. 13:13.Heb. Que passagens do Velho Testamento implicam existir mais de uma Pessoa na Deidade? Note-se o uso do plural nas passagens seguintes: Gên. no plural. 48:16. 1:26. 1. Veja também Salmo 110:1 e Isaías 45:6. O mesmo idiotismo acha-se também no grego do Novo Testamento. 6:24-26 com a bênção apostólica em 2 Cor. Que passagens do Velho Testamento falam do Filho como Pessoa distinta do Pai e. 3 o. e estes três são um. Sal. e "filhos de Deus" aplicado (1) a reis. em vez de israelitas. E três são os que testificam na terra". no plural. em vez de malvados. e aqui. 6:3. como "filhos de Sião". e é tão íntima a conexão gramatical e lógica da cláusula com o contexto. (2) aos anjos. Jó 38:7. mas não devemos citá-la para estabelecer doutrina. Is. que. adorador. como "filho de um ano". 2o. ao mesmo tempo. em vez de: com a idade de um ano. Também unida. Jer.2. filho da gordura" em vez de outeiro fertilíssimo. 4o.Io. e o Espírito Santo. Is. 9:6. Veja Gesenius. as mais abalizadas inclinam-se contra a genuinidade da cláusula. Entre os homens ilustrados e piedosos há diferença de opiniões quanto à preponderância das evidências. ao nome de um lugar ou nação. 2o. etc. De discípulo.. De filho. 1 Sam. 3o. Note-se também em Is. "filho da morte". Deut.7. 12:6. 14:1. 3:22. ao mesmo tempo. Is.7 temos o Pai dirigindo-Se ao Filho como Deus e ungindo-O. 5:1. OU A GERAÇÃO ETERNA DO FILHO. A. A rejeição dessa passagem de modo algum diminui a força irresistível das provas fornecidas pelas Escrituras a favor da doutrina ortodoxa sobre a Trindade. (3) ao povo de Deus. Lex. ao mesmo tempo. Ele é chamado "Deus Forte". 48.

54. o menino que havia de nascer dela seria chamado o "Filho de Deus". objetos especiais do favor divino-Mat.Gál. para a aplicação desse título a Cristo. que são objetos da regeneração espiritual e da adoção . semelhança e derivação de natureza. Em que sentido os homens são chamados "filhos de Deus" nas Escrituras? A idéia geral expressa pela palavra "filho". Que resposta se deve dar ao argumento baseado em Lucas 1:35. não se segue que não haja outros e mais poderosos motivos revelados nas Escrituras para se Lhe dar esse nome. que recebem de Deus o seu poder de regência . 2o. e sim como o Theantropos (o Deus-homem). 38:7. 3:38. Mesmo que esse tenha sido um dos motivos pelos quais Cristo é chamado Filho de Deus. Nesse sentido geral. 3°. alegando: Io. e. Outros socinianos dizem que Cristo foi chamado Filho de Deus somente porque Deus O fez nascer de modo sobrenatural. 2o. Que filiação implica em derivação. que quanto a este ponto afastam-se da fé ortodoxa.50. 82:6. a eterna segunda Pessoa da Trindade. O termo é aplicado em sentido eminente aos reis e magistrados.Jó 1:6. compreende -Io. por conseguinte. Quais os motivos alegados pelos socinianos para a aplicação da expressão "Filho de Deus" a Cristo nas Escrituras? Io. 53. e antes de qualquer outra criatura. quer sejam homens quer anjos . com a única exceção da aplicação feita a Adão em Luc. Mas nunca é chamado assim. e 3o. pois foi o Espírito Santo que desceu sobre a virgem. a palavra está sempre no plural. e são semelhantes a Deus . 5:9. e não por geração natural. do mesmo modo como é aplicado no plural a reis e magistrados. E provável que o verdadeiro motivo pelo qual o anjo disse à virgem o que consta dessa passagem era fazer-lhe saber que.Sal. Em apoio disso eles citam Lucas 1:35. 2o. evidentemente para denotar a sua derivação direta de Deus. Quais os motivos alegados pelos arianos para a aplicação desse título a Cristo? Os arianos dizem que é chamado assim porque Deus O criou mais à Sua semelhança do que à de qualquer outra criatura. amor paterno e filial. . 5:45. Alguns socinianos dizem que o nome Filho de Deus é aplicado a Cristo somente como um título oficial. 51. Ele deveria ser chamado "Filho do Espírito". até que se fizesse a completa revelação da Sua filiação eterna como Pessoa divina. e em que passagens se apoiam? Eles afirmam que o título "Filho de Deus" não pertence a Cristo como o Logos. Não seria um menino comum: o que havia de nascer deveria ser considerado como relacionado de um modo peculiar com Deus. 3:26. Qual o motivo alegado por alguns trinitarianos. em inferioridade. de que Jesus foi chamado Filho de Deus somente por causa do Seu nascimento miraculoso? * Io. sem a intervenção de um pai humano. Provaremos abaixo que há. Objetam contra a doutrina ortodoxa da filiação eterna de Cristo. Se esse fosse o motivo fundamental pelo qual o nome "Filho de Deus" é aplicado tantas vezes a Cristo. estado de herdeiro. No singular é aplicada somente à segunda Pessoa da Trindade.Mat. todas as criaturas santas e inteligentes de Deus são chamadas Seus filhos. Quando aplicada a criaturas. nem há indício algum nas Escrituras de tal relação. 52. e aos cristãos. em conseqüência da geração sobrenatural de seu filho.

lança isso para um passado indeterminado. isto é. definir.como o Mediador. Quanto ao Salmo 2:7.׳:־‬i. Seu significado restrito é limitar. Mas. 97. sem que deixe de ser verdade que as duas realidades indicadas são necessariamente tão diversas como o material é diverso do espiritual. significa sempre constituir. é o Cristo.2o. de horizo) Filho de Deus em poder. Além disso. o temporal do eterno e o finito do infinito. mesmo que se conceda a interpretação que os nossos oponentes dão a essa passagem. . . o Rei de Israel. 3o. desde toda a eternidade. agora.. empregada oito vezes no Novo Testamento. Mii!‫׳·■!. sou hoje. pertencendo a Seu ofício mediatorial e não às Suas relações eternas dentro da Deidade. A essência autoexistente da Deidade pertence ao Filho e ao Pai igualmente. "O Senhor me disse". Assim. etc.) A palavra horizo. alguns dos chamados Pais gregos inclusive. afirma que significa simplesmente: "Tu és meu Filho. Suas referências bíblicas são Mat.Prove que nem o Salmo 2 nem Romanos 1:4 ensinam que Cristo foi feito filho de Deus. a primeira cláusula do versículo. designar. . O Pai gera ao Filho por um eterno e necessário ato constitucional (não voluntário). (A versão utilizada pelo tradutor da edição de 1895 (que é a de Figueiredo) diz: "Que foi predestinado Filho de Deus. ficarão intactas as . João 1:49. . João 1:49. mas que. etc.) informa que o termo é tomada pela grande maioria dos comentadores. é este o sentido em que o Dr. 2 o. e bem pode ser tomada no sentido depropor. e não a essência do Filho. contrariamente à sua coexistência como tal desde a eternidade com o Pai por necessidade da Sua natureza. on Rom. Que a expressão "Filho de Deus" Lhe é aplicada em muitas passagens como um sinônimo de "Cristo" e de outros títulos oficiais. Que no Sal. Hodge (Com. Mas essas relações humanas podem ser a melhor analogia que nos é conhecida das relações divinas de Pai e Filho. 56. . sendo o Filho eterno de Deus. ao passo que aqui se insiste em que significa manifestar.. 55. o Filho de modo algum depende do Pai ou Lhe é inferior. ' . por sua forma de reminiscência ou de narração. Essa objeção só parece plausível quando se força muito a analogia entre as relações humanas de pai e filho e as relações divinas a que se aplicam os mesmos termos. a objeção reside numa errônea compreensão da doutrina ortodoxa quanto aos seguintes pontos: Io. on Psalms). segundo o Espírito de santificação. Alexander (veja Com. sempre.J Em nenhuma dessas passagens se afirma que Ele é Filho como o Cristo. 1:4. o Dr. é gerada do Pai. Tiram o mesmo argumento de Rom. diz o texto: "Declarado (horisthen-tos. 2:7 é declarado expressamente que Cristo foi constituído "Filho de Deus" no tempo. mas quando? Se entendermos que o disse desde a eternidade. Veja abaixo. A doutrina da Igreja é que a Pessoa.' · i i r "·' ' SI . objeção baseada em Mateus 16:16. Mesmo que relacionemos "hoje" com o princípio da relação filial. e servir de base para a aplicação apropriada desses termos. deverá ver-se que a forma da expressão seria perfeitamente análoga às outras formas figuradas por cujo meio as Escrituras representam verdades realmente inefáveis na linguagem humana". eternamente Teu Pai. pela ressurreição dos mortos". Quanto a Romanos 1:4.—. caracterizar. etc. Demonstre que não tem fundamento a objeção feita contra a doutrina ortodoxa pela representação da segunda Pessoa como inferior a primeira. Demonstre que não tem fundamento a objeção feita contra a doutrina da Igreja. 4o. 16:16. e é isso que distingue esta doutrina do ensino da Igreja dos semiarianos. perg.

" (Capítulo 2. 14:11. Os teólogos que insistem nessa definição crêem que a idéia de derivação está necessariamente implicada na de geração. por necessidade da Sua natureza. refere-se à suscitação de Jesus no Seu nascimento. ' í Confissão de Westminster: "O Pai não é de ninguém . alheação ou mudança. L. e por isso esta O podia revelar ou manifestar como sendo o Filho de Deus.. que é chamada Pai para indicar a relação recíproca. Question29. Luz de Luz.. o Filho é eternamente gerado do Pai. Tom. comunicando-lhe a inteira substância indivisível da Deidade. e sim no Pai. mas não O podia constituir em Filho de Deus. 1. Porque a palavra anastesis. Seção 3). sendo de uma só substância com o Pai". Qual a resposta ortodoxa à pergunta: por que Cristo é chamado "Filho de Deus"? A doutrina ortodoxa é que Cristo é chamado "Filho de Deus" nas Escrituras para indicar a Sua eterna e necessária relação pessoal como a segunda Pessoa da Deidade com a primeira Pessoa. e continua eternamente. 3. no qual. gerado. de modo que o Filho é a imagem expressa da Pessoa do Pai. não feito. 61. . verdadeiro Deus de verdadeiro Deus. Veja especialmente Heb. nem procedente. e o Pai no Filho. Ele gera a pessoa (não a essência) do Filho. João 10:38. 59. O principal apoio bíblico da doutrina acha-se em João 5:26 . e na Confissão de Westminster? Credo Niceno: "Filho de Deus. Dessa passagem tira-se o argumento segundo o qual Jesus. . Como se acha exposta a doutrina nos credos niceno e atanasiano. sem divisão. Que exposição e explicação comuns os escritores ortodoxos dão desta doutrina? A geração eterna do Filho é definida comumente como sendo um eterno ato pessoal do Pai. principia a parte pertinente dizendo: "O Pai não é nem gerado.provas indubitáveis que muitas outras passagens dão a favor da doutrina ortodoxa. e não à Sua ressurreição dentre os mortos.Turretino.33 não prova que Jesus foi feito Filho de Deus. sendo sempre o . Porque Ele foi enviado ao mundo como o Filho de Deus. 60. o Espírito Santo é eternamente procedente do Pai e do Filho". é quase sempre acompanhada da frase dentre os mortos. Isso não pode ser: Io. Credo Atanasiano: "O Filho é somente do Pai. não feito. foi constituído em Filho de Deus como o primeiro passo na Sua exaltação oficial. nem procedente de ninguém. Com. É muito evidente que Cristo chama-Se a Si mesmo Filho de Deus e que foi reconhecido como tal por Seus discípulos antes da ressurreição. e não por querer.‫־־‬ ■:. publicado pela Missão Presbiteriana do Brasil Central. que ela é indicada pelos termos recíprocos Pai e Filho. 1:2. Quando a palavra é empregada para designar a ressurreição de Jesus. Deus de Deus. como no versículo 34. por Sua ressurreição. 58.não é gerado. onActs. gerado de Seu Pai antes de todos os séculos. : jv ‫׳‬ji. Veja Alexander. Não seriam inconciliáveis os dois motivos pelos quais Cristo é chamado o Filho de Deus.Demonstre que Atos 13:32. não do ou pelo Pai. 17:21. nem criado. mas gerado". O versículo 32 declara que foi cumprida a promessa a que se faz referência no versículo 23. não ressuscitado (a Jesus). e por todas as representações dadas nas Escrituras quanto à relação e ordem das Pessoas da Deidade. 2o. A tradução que consta no "Livro de Confissões". tendo suscitado (tendo dado surgimento).

achronôs. invisíveis. Mas a idéia de derivação. Em todos os antigos credos essa identidade quanto à essência. aitia huion. e subordinação quanto ao modo de subsistência e comunicação. 4. 64. e ao Filho e ao Espírito Santo chamavamaitiatoi. e por isso todos os atributos divinos. . apathôs. e que a designação de Pai é recíproca à de Filho. não uma transferência local. revela alguma relação. acrônicas. e não da Sua livre vontade. Que é essencial à doutrina bíblica da geração eterna do Filho? Na exposição acima feita da doutrina ortodoxa não há nada que seja incompatível com a verdade revelada. sustentavam cuidadosamente que a derivação e a geração referidas eram . como envolvida naquela da geração eterna do Filho pelo Pai. não feito". "princípio" ou "causa" do Filho. é melhor que não se fale positivamente. Como se pode mostrar que a doutrina comum não se contradiz a si mesma? E evidente que não há nada de incompatível na simples exposição bíblica dada na resposta à última pergunta.aoratôs. ao mesmo tempo. é expressa do modo indicado acima: "Deus de Deus. e o Pai no Filho. pois. "fonte da Deidade". e sem dividi-la ou mudá-la de outra maneira. "da mesma substância com o Pai". como o que lhe é equivalente. que esse termo. Que a inteira essência divina. . "unigênito". 6. 2o. parece antes ser uma explanação de fatos revelados do que um fato revelado. 2. nem mistério maior do que o que se acha envolvido na verdade segundo a qual toda a essência de Deus acha-se presente ao mesmo tempo. e sim no Pai. Para resguardar sua doutrina de derivação e de geração eternas contra todas as concepções grosseiras e antropomórficas. sem divisão ou mudança. têm dito que a doutrina ortodoxa ensina o que é manifestamente inconciliável quando diz que o Pai comunica a inteira essência divina ao Filho sem alheála de Si mesmo. e julgam que essa teoria é necessária para manter a unidade essencial das três Pessoas. 3. mas. achôristôs. em toda parte do espaço.termo Pai empregado para representar a Deidade absolutamente considerada. e são iguais pessoalmente.asomatôs. "verdadeiro Deus de verdadeiro Deus". Os teólogos antigos chamavam por isso ao Pai pegetheotetos. dentro da Deidade. Luz de Luz".1. porém. Resguardavam ao mesmo tempo a igualdade essencial do Filho e do Espírito Santo com o Pai. empregados para designar as características da segunda Pessoa e Sua relação com a primeira? . Tudo quanto é revelado explicitamente é. lhes era comunicada. sem paixão nem mudança. 65. Quais os termos. "gerado. 3o. atemporais. Todo este assunto está fora do círculo da lógica humana. Demonstre como os escritores ortodoxos procuravam resguardar sua doutrina contra toda irreverência antropomórfica. eternas. nem uma comunicação fora. que o Pai é primeiro e o Filho é segundo na ordem de revelação e operação. mas espirituais. pantelôs akataleptôs. "do Pai". totalmente incompreensíveis. e que o Filho não é do nem pelo Pai. Num assunto como este. é evidente que esta doutrina não envolve nenhuma contradição. e sim dentro da Deidade. Io. além do vocábulo "Filho". não o Pai a da Pessoa do Filho. "causados" (os que dependem de outrem como seu princípio ou sua causa). da Pessoa do Filho com a do Pai. que o termo Filho é aplicado à segunda Pessoa da Trindade. Que essa comunicação era operada por um ato eterno e necessário do Pai. não corporais. sem divisão nem difusão. 2o. que essa relação é tal que Pai e Filho são o mesmo em substância. 62. dizendo: Io. 5. 63. Contro-versistas heterodoxos. que o Filho é a imagem expressa da Pessoa do Pai.

ou o Verbo. Por Sua geração eterna entendiam a relação essencial do Filho para com o Pai como Seu Filho consubstanciai e eterno. Foram levados a filosofar assim. porque (em Cristo) havia sido produzida por Deus a Sua primeira e mais exaltada de todas as criaturas e a imagem do Seu intelecto. -Col. Que argumento a favor da filiação eterna de Cristo pode ser tirado da designação das Pessoas da Trindade como o Pai. ensina puro sabelianismo. psuche. Que distinção alguns dos chamados "Pais da Igreja"faziam entre a geração eterna. e. com alguma aparência de verdade. 1:35. inteligência. 2:6. porque não indica distinção pessoal. a razão) e o "logos prophorikos". (ratio prolata. etc. 63). Se Deus é "ens a se ipso". O termo Filho. segundo eles. Por Sua geração mundanal entendiam Seu nascimento sobrenatural em carne . A imagem. como Pessoa. O Pai. O resplendor da Sua glória . quando Ele procedeu do Pai na obra da criação. com Deus.i 1 . o Filho e o Espírito Santo? · . ·‫׳ ׳׳·׳‬ 2o. na esfera da criação externa. e a relação da razão do homem com a sua alma racional.2 Cor. 61). Seu fito imediato era ilustrar a unidade essencial da Trindade e provar. 1:3. que ensinavam que há uma espécie de trindade metafísica. que consideravam como Pessoa distinta. Col. bondade. embaralharam a controvérsia admitindo que a frastlogosprophonkos tinha realmente aplicação a Cristo. não a essência. 1:3. porém. to agathon. Por Sua geração antemundanal entendiam o começo das operações da Sua energia e a manifestação da Sua Pessoa fora do seio da Deidade. 1:15. Deus de Deus? A objeção apresentada nesta pergunta não se aplica à exposição bíblica da geração eterna do Filho apresentada acima (Perg.Heb. Assim o Filho é Deus a se ipso quanto à Sua essência. Os que insistem na validade dessa definição respondem à objeção dizendo que autoexis-tência é atributo de essência. . o logos endiathetos é a idéia refletiva de Deus mesmo "hipostatizada". e Deus de Deus quanto à Sua Pessoa. A imagem do Deus invisível .Fil. o Filho e o Espírito Santo. cuja Pessoa é constituída da mesmíssima essência auto-existente que a do Pai. e.g. 67. que a frase logos endiathetos.־. somente à teoria de derivação envolvida na definição comum (veja Perg.׳:־‬ Na bênção apostólica e na fórmula do batismo o Deus único é designado como o Pai. que habita desde toda a eternidade com o Pai. do Seu ser ou substância . não pode ser aplicado a Cristo nesta conexão como título oficial. sim.Luc. -" . contra os arianos.João 1:1. pela influência que exerciam sobre eles os filósofos platônicos daquele século. ao mesmo tempo. gera a Pessoa. O motivo pelo qual usavam essa frase era uma analogia que imaginavam existir entre a relação do logos (verbo ou razão) eterno com o Pai (João 1:1). ■. e não de Pessoa. do Filho. nous. ou impressão. 68. 3o. A forma de Deus . Designavam o Verbo pela frase logos prophonkos como a razão de Deus revelada. se Ele é Theos ek Theou. que no Deus único há três princípios constitutivos.. .Heb. 69. como pode o Filho ser Deus. aproveitando-se da imperfeição essencial desta representação. sobre um tema incompreensível. que Ele é essencialmente divino.A Palavra. Os arianos. Que distinção alguns dos chamados Pais faziam entre "o logos endiathetos" (ratio insita. 1:15. quando aplicada a Cristo.. declararam. e nada mais significa senão unicamente o próprio intelecto do Pai.· ‫־··. a antemundanal e a mundanal do Filho? Io. o Verbo de Deus. auto-existente. pela aplicação que João faz a Cristo do epíteto logos theos. mas. 4:4. e que é Deus . vitalidade. 66. Assim. a razão produzida ou expressa)? Os "pais" ortodoxos empregavam a frase logos endiathetos para designar o Verbo.

e filiação da parte da segunda. 70. e por isso conhece o Pai. que era Deus. o termo Filho é recíproco do de Pai. e não como homem. e os judeus O acusam por isso de blasfemar. era o Filho "unigênito" como Deus. Io. isto é. O uso destes termos qualificativos mostra que Cristo é chamado Filho de Deus num sentido diverso daquele em que outros são chamados assim. Em Romanos 8:32 é chamado "Seu próprio Filho". senão pelo Pai. e por isso não pode ser conhecido por ninguém.João 1:14. Rom. nem como título oficial. e quando limitada pelos termos "próprio" e "unigênito". descobriu-Se como tal a Seus discípulos pela manifestação da Sua própria glória divina. incluindo a paternidade da parte da primeira Pessoa. "glória como do (Filho) unigênito do Pai". 72. e não como o Mediador nem como homem. Qual o argumento baseado em Romanos 1:3. 8:3. É infinito em Seu Ser. a frase "Filho de Deus". no singular.ou como designativo de um homem gerado miraculosamente. Qual a prova fornecida pelas passagens que falam da manifestação do dom ou da missão do Filho? Veja 1 João 3:8. só pode ser necessário e eterno. Por conseguinte. 74. 75.4? . é chamado assim como Deus. como Filho. e é objeto de igual honra. Por conseguinte. conhece o Pai e é conhecido do Pai. é chamado assim como uma das três Pessoas divinas que constituem a Deidade. e de João 10:33-37? 'Na primeira destas passagens os termos Pai e Filho são empregados para designar duas Pessoas iguais e divinas. como Pai. João 3:16. Exponha o argumento que se extrai da aplicação feita nas Escrituras dos termos monogenes (unigênito) e idios (próprio) à filiação de Cristo. o próprio Filho de Deus. Na segunda passagem Jesus toma o título "Filho de Deus" como equivalente à asserção de que é Deus. Haja o que mais houver envolvido nessa relação. 2o. etc. e. Nesta passagem o Verbo eterno. É infinito em conhecimento. Exponha o argumento de João 1:1-14. Embora muitas criaturas de Deus sejam chamadas Seus filhos. Que argumento ê derivado de João 5:22.18.18. por conseguinte. Como Filho. 73. Que argumento se pode apresentar em apoio desta doutrina do uso da palavra "Filho" em Mateus 11:27 e em Lucas 10:22? É evidente que nestas duas passagens o termo Filho é empregado para designar a natureza divina da segunda Pessoa da Trindade em Sua relação à primeira. porque. e contexto. 71. Dizer que o Filho foi enviado ou manifestado implica que já era Filho antes de ser enviado ou manifestado como tal. Em João 5:18 Cristo chama Deus "Seu próprio Pai" (assim no grego). indica a relação da segunda Pessoa com a primeira. é aplicada unicamente a Cristo. 1 João4:9. O Filho. Cristo faz tudo o que faz o Pai. Este é chamado "Filho unigênito de Deus" . 3:16.

Apoc. 4o. tem uso inteiramente análogo. Qual o argumento baseado em Romanos 8:3? Aqui Deus envia o Seu Filho em semelhança da carne do pecado. segundo a carne. etc. Por Sua ressurreição foi manifestado com poder que Ele é o Filho de Deus quanto à Sua natureza divina. Io. é declarado que Ele é Deus e que Seu trono é eterno. alma animal. por conseguinte. Jesus. Diz-se que o Filho de Deus foi feito carne. porque é também homem e Mediador. Prova. pneuma. 76. ar em movimento. assim. Mat. 2o. como Deus. enquanto. o princípio vital. por conseguinte. vento. 41:8. Em Atos 20:28 se diz que Deus adquiriu a Igreja pelo Seu próprio sangue. Qual a etimologia da palavra Espírito. é inferior e sujeito ao Pai. como um . são antitéticas. Espírito de Jeová. Significa. não era onipresente. Jó 17:1. Cristo. também tem o mesmo uso. 1:14. (2) dos demônios. ar em movimento. falando-se de Deus: (a) absolutamente. A explicação é que é de uso comum nas Escrituras dar à Pessoa única do Deus-homem um título que Lhe pertence como possuidor de uma natureza. nelas parece inferir que Ele é inferior ao Pai. A palavra hebraica equivalente.O argumento é duplo: Io. e qual o uso dos seus equivalentes no hebraico e no grego? A palavra portuguesa "espírito" vem do latimspiritus. enquanto que aquilo que se afirma a respeito dEle só é verdade com respeito à outra natureza. Num. alma racional do homem. (3) dos anjos. Gên. ao mesmo tempo. princípio vital nos homens e nos animais. Gên. E. disposição. Io. (4) do Espírito de Deus. falando-se (1) das almas de homens falecidos. 80. B. respiração. E assim que nas passagens a que se refere a pergunta acima. não derramou Seu sangue. que Cristo. 2o. 77. chama "Filho muito amado" de Deus (Figueiredo). Gên. e que o fato dEle assumir a carne não O podia constituir em Filho de Deus. mas. daí. João 3:8. 12:23. 27:50. 5o. Gên. A palavra grega equivalente. vento. Qual o argumento baseado em Hebreus 1:5-8? Nesta passagem o autor da Epístola expõe a superioridade de Cristo como Pessoa divina. e está no céu. indicando a primeira a Sua natureza humana. 3o. que significa sopro. 6:17. por certo. e segundo o espírito de santificação. Este Filho é introduzido na redondeza da terra e. A RELAÇÃO QUE TERCEIRA PESSOA DA DEIDADE MANTÉM COM A PRIMEIRA E COM A SEGUNDA. como Filho. Mat. 30:12. e Lhe chama "o Filho" e "o Primogênito". ruach. 5:14. 11:11. Respondemos que em João 3:13 se diz que "o Filho do homem" desceu do céu. OU A PRO-CESSÃO ETERNA DO ESPÍRITO SANTO. 10:1. Vem de pneô. 4o. Heb. Mas. no versículo 13. pois. como Filho do homem. Seu sentido primário é vento. preexistia como Filho. é a imagem do Deus invisível. E evidente. Qual o argumento baseado em Colossenses 1:15-21? Nesta passagem o apóstolo fala extensamente da natureza e da glória dAquele a quem. como Filho. a alma racional. soprar. Como se pode conciliar com esta doutrina as passagens que parecem inferir que o Filho é inferior e sujeito ao Pai? A alegação é que tais passagens provam que Jesus. sopro. 79. 2o. ar. Jesus é chamado "Filho de Deus" porque é o Verbo eterno. e daí. vida. 1:2. respirar. hálito. alma. Heb. 1 Sam. E evidente que as frases. e a segunda a Sua natureza divina. índole. como Filho. 51:11. já existia como Filho quando foi introduzido. por certo. metaforicamente. que por Ele todas as coisas subsistem. 3o. que já era Filho quando Deus O enviou. 78. hálito. 8:1. Sal.

não pode ser que esse termo seja aplicado à terceira Pessoa como Sua designação pessoal. João 4:24. procedendo do Pai. por conseguinte. Rom. isto é. relação na qual. sem alheação. Gál. antes. o termo Santo não pode ser aplicado à terceira Pessoa em nenhum sentido proeminente como Sua característica pessoal. Atos 16:6. ou do Filho de Deus. 2:11. 4:14. Por que Ele é chamado Espírito Santo? Sendo a santidade um atributo da essência divina. e o fato de que Ele é o Espírito divino. 8:9. 1 Ped. 1:11. 1 Ped. Sendo idênticas em forma as frases Espírito de Deus e Espírito de Cristo. Esta frase manifesta também a relação oficial que o Espírito. 8:9. opera sobre as criaturas. o fito e glória de cuja obra no mundo moral é a santidade. assim também os epítetos Espírito.7. 1:11. 104:30. Gál. ou do Senhor. que. E designado Espírito Santo porque é o autor da santidade por todo o universo. são aplicados à terceira Pessoa para indicar. 3:17. com uma única exceção em João 15:26.atributo da Sua essência. Sua íntima relação pessoal com o Pai como Seu espírito consubstacial procedendo dEle. como no mundo físico é o belo. a certos respeitos. 1 Cor. João 15:26. divisão ou mudança. Assim como o Filho é também chamado Logos. Sua relação com a Deidade como Deus. 86. Capítub9 >. e o modo peculiar de sua operação ad extra. 81. aquilo mesmo quanto à relação com o Pai.:׳‬ 82. e o Espírito de Cristo.>‫׳. o Espírito que procede do Pai. mas. e a glória tanto do Pai e do Filho como do Espírito Santo. Por que a terceira Pessoa da Trindade é chamada Espírito? Sendo igualmente espiritual a essência divina única e indivisível que é comum a cada uma das Pessoas divinas. Sua relação pessoal com o Pai e o Filho.. e (b) como a designação pessoal da terceira Pessoa da Trindade. as relações mútuas da primeira e da segunda Pessoas. assim também o Espírito Santo é Deus Operador. Por que a terceira Pessoa é chamada Espírito de Cristo? Veja Rom. Por que Ele é chamado Espírito de Deus? Esta frase exprime Sua deidade. ou de Jesus. mantém com o Deus-homem. 4:6. a certos respeitos. Espírito de Deus. por um ato eterno e necessário. 1 Ped. isto é. E. 83. Sua inteira e idêntica essência divina. é comunicada ao Espírito Santo. Fil. com o fim de dar-nos a conhecer assim que essa Pessoa é espiritual quanto à Sua essência. a relação da terceira Pessoa com as outras duas. João 16:14. Espírito do Filho. com o fim de denotar assim o que é peculiar à Sua Pessoa. 1:19. parece evidente que é chamado Espírito de Cristo pelos mesmos motivos pelos quais é chamado Espírito de Deus. 85. Que é que se entende pela frase teológica "Processão do Espírito Santo"? Os teólogos chamam assim a relação que a terceira Pessoa mantém com a primeira e a segunda. Sendo empregados os epítetos recíprocos Pai e Filho para indicar. Que distinção os teólogos estabelecem entre processão e geração? . e Espírito Santo. 2 Cor. no fato de receber do que é dEle e no-lo anunciar. que é chamada Espírito de Deus. Fil. não decorrente de uma ação da vontade do Pai e do Filho. em Suas operações na obra da redenção. 1:19. e afirmando as Escrituras uniformemente. 84. ou Deus Revelador. 4:6. Sal. indicativo da natureza peculiar de Suas operações.

e da ordem da Sua manifestação e operação ad extra. a saber.) completou assim o tetemunho do credo niceno: "Creio no Espírito Santo. O Pai. e em conseqüência da qual a Pessoa que procede não recebe a propriedade de comunicar a outra Pessoa a mesma essência..· ־‬j·. mas o Espírito procede do Pai e do Filho ao mesmo tempo. o Senhor. 3o. "processão". o Pai.: ■. segundo o nosso modo de conceber as coisas.Como este assunto inteiro transcende infinitamente a medida de nossas faculdades. porque todos. O Filho provém por geração. 53) em relação à definição teológica comum da geração eterna do Filho. possuem desde a eternidade a única essência inteira. que só efetua personalidade. mas também semelhança. Este terreno é ao mesmo tempo sagrado e misterioso. e a terceira da primeira e da segunda. para tornarem mais inteligível o método da unidade divina em Trindade.processio missio. L... Os pontos dados nas Escrituras não devem ser forçados. mas o Espírito. Pelas mesmas razões. e. vol. é antes do Espírito. "Os escolásticos procuraram em vão fundar uma distinção entre geração e espiração sobre as operações diferentes da inteligência divina e da vontade divina. chamado apostólico: "creio no Espírito Santo". da ordem em que Seu nome se encontra uniformemente nas Escrituras.C. os teólogos têm levado longe demais a idéia de derivação e subordinação na ordem da subsistência pessoal. "geração". porém devem ser aceitos e confessados em sua nudez. a julgar do Seu nome característico e pessoal. e que por isso é chamado Amor. e em conseqüência da qual recebe a propriedade de comunicar a mesma essência à outra Pessoa. é verdade também em referência à definição comum da processão eterna do Espírito Santo. apenas podemos classificar e contrastar os predicados que a inspiração tem aplicado à relação do Espírito com o Pai e o Filho. nos é revelada só de modo que é evidente . Todavia. porque isto tornaria a segunda Pessoa dependente da primeira. que não só efetua personalidade. Qual a diferença entre as igrejas grega e latina quanto a esta doutrina? ·‫ !:׳. o Filho e o Espírito Santo. Quanto ao modo. o Filho e o Espírito Santo. O Espírito. tendo-se levantado a heresia de Macedônio. !r. idêntica. Qual seja a natureza real destas distinções na ordem de subsistência pessoal.(1) Que não envolve nenhuma distinção de tempo. o Concilio de Cons-tantinopla (381 d. sem princípio nem sucessão. (2) Não depende de nenhuma ação voluntária. 2o. (3) É uma relação tal que a segunda Pessoa é eternamente o Filho unigênito da primeira Pessoa. . que negava a deidade do Espírito Santo. "3o. contudo. mas deixou o testemunho quanto ao Espírito Santo na forma vaga em que estava no credo antigo. indivisível. nem se deve especular sobre eles. embora ambos sejam eternos. o Filho provém só do Pai. 4o. sendo certo que todas são "iguais em poder e glória".) definiu acuradamente a doutrina da deidade do Filho. 31: Diferem -" 1 Quanto à Sua origem. que procede do Pai". são igualmente eternos. e o Espírito é a terceira. imutável." 4 87. 1.‫״:.׳‬ Assim diz Turretino. na ordem de subsistência pessoal.C. Quanto à ordem. por "spiração" (espiração *). Os dados revelados por inspiração são simplesmente os seguintes: Io. Q. 89). o Autor da vida. do fato de que o Espírito é chamado Seu e procedente dEle. e que por isso é chamado Verbo de Deus. do fato de que o Filho é chamado Seu e Seu unigênito. é evidentemente de algum modo o primeiro na ordem de subsistência pessoal em relação ao Filho e ao Espírito Santo. Os termos técnicos utilizados para exprimir estes dois mistérios são generatio. 3. que. Qual é a base bíblica desta doutrina? O que dissemos acima (Perg. três Pessoas divinas. per modum voluntatis. a geração precede à processão". Perg. 88.. O Filho é a segunda Pessoa. "2o. O Pai.:‫>'· ■״‬ O célebre Concilio Niceno (325 d. em virtude da qual o Filho é chamado imagem do Pai. o Filho (veja abaixo. e a terceira é eternamente o Espírito da primeira e da Segunda Pessoas. Dizem que o Filho é gerado per modum intellectus.

tendo-0 gerado desde a eternidade. que são "da mesma substância". AS PROPRIEDADES PECULIARES A CADA UMA DAS TRÊS PESSOAS DA DEIDADE. 91. O Filho envia o Espírito e opera por meio dEle. é enviado pelo Pai. até onde nos é revelado. dando a seguinte redação à cláusula: "Credimus in Spiritum Sanctum qui a Vatvc filioque procedit". As propriedades pessoais do Filho são as seguintes: é o Filho.26. . assim como o faz também o Pai. Os latinos o afirmavam. por isso. nesta relação. Possui a mesma essência. e até ao dia de hoje o rejeita. mas isso foi afinal rejeitado por ambos os partidos. o Espírito procede dEle. por isso. a quem revela. Perg. Com a única exceção da frase "que procede do Pai" 6 (João 15:26). No referido credo é chamado. comuns às três Pessoas.João 14:16. 90.Suscitou-se depois uma controvérsia sobre a questão se as Escrituras ensinam ou não que o Espírito Santo tem exatamente a mesma relação com o Filho que a que tem com o Pai. 9). 15:26. 8. assim como o Pai. As propriedades peculiares e distintivas que pertencem a cada uma das Pessoas dá-se o nome técnico de character hypostaticus . aí revelam e manifestam o Seu poder tanto o Filho como o Pai . que o Espírito Santo tem com o Filho exatamente a mesma relação que tem com o Pai? O epíteto "Espírito" é a designação pessoal característica da terceira Pessoa.24. iguais em poder e glória". O Espírito é o Espírito do Filho assim como o é do Pai. é o Pai do Filho. o unigênito do Pai. Já foram discutidos no Cap. Os atributos de Deus são as perfeições da essência divina. enviando o Filho e o Espírito Santo. A Igreja grega opôs-se a isso com violência. é o atualmente adotado pela igreja romana. O credo constantinopolitano. Deus como Se fez conhecido. Por algum tempo contentaram-se com o compromisso: "O Espírito procedente do Pai mediante o Filho" (Spiritum Sanctum qui a Patre per Filium procedit). Assim o Pai é o primeiro em ordem e operação. e operando por meio dEles. e é Seu Espírito". as Escrituras aplicam à relação do Espírito com o Filho exatamente os mesmos predicados que aplicam à Sua relação com o Pai. e também por todos os protestantes. as propriedades de cada uma das Pessoas divinas são os modos peculiares de subsistência pessoal que fazem de cada Pessoa aquilo que ela é. do Filho como do Pai. "O Ofício Medianeiro de Cristo". Deus o Filho é o Deus revelado. Tudo quanto nos é revelado da Sua eterna e necessária relação pessoal com o Pai ou com o Filho é indicado por essa palavra. Como se pode provar.caráter pessoal. Qual o significado teológico da palavra "propriedade" quando aplicada à doutrina da Trindade. . em todas as operações da Deidade sobre a criatura. idêntica. as propriedades pessoais do Pai são as seguintes: "Não é gerado de ninguém. e na terceira assembléia eclesiástica realizada em Toledo (589 d. e. 16:7. e quais são as propriedades pessoais de cada uma das Pessoas da Deidade? . e que também constituem aquela ordem peculiar de operação que distingue cada Pessoa das outras. conforme a emenda feita no Concilio de Toledo. desde a eternidade. assim como universalmente. (Veja resposta mais detalhada no Cap. e. envia o Espírito e opera por meio dEle. Contudo é chamado Espírito do Filho como igualmente Espírito do Pai. Onde quer que esteja o Seu Espírito. "o Senhor e Doador de vida". O quanto nos são reveladas. E SUA ORDEM DE OPERAÇÃO "AD EXTRA". Tem o título de "credo niceno".)5 acrescentaram a palavra filioque (e do Filho) à versão latina do credo constantinopolitano.C. . Que ofício o Espírito exerce na economia da redenção? Na economia da redenção. e. C. No entanto. nem procede de ninguém. 89. e Deus o Espírito é a Pessoa divina que exerce a Sua energia imediatamente sobre a criatura e nela.

é enviado pelo Pai e pelo Filho. como Pessoa divina. 2o. e três num sentido inteiramente diferente. indicam esta ordem de subsistência pessoal. não porque o entendamos. E o Pai e o Filho operam diretamente sobre a criatura somente mediante o Espírito. Como se pode conciliar com a unidade da Deidade a idéia de distinções pessoais na Deidade? Ainda que a constituição trinopessoal da Deidade esteja inteiramente além do alcance da razão humana. Nesse sentido são três. é evidente que não há contradição na proposição dupla segundo a qual Deus é um só e. A essência eterna. que a geração eterna do Filho pelo Pai. "O Pai é toda a plenitude da Deidade invisível. quanto à Sua subsistência pessoal e conseqüente ordem de operação." "O Filho é toda a plenitude da Deidade manifestada. distintos por propriedades pessoais. sem forma. procedendo dEles desde a eternidade. e nos seja conhecido unicamente por meio de uma revelação sobrenatural. mas porque Deus Se nos revelou assim. 92. que está no seio do Pai. é.Io. como de fato está. a quem ninguém viu nem pode ver. o Pai. eles queriam por meio desta ilustração dar expressão da sua fé na identidade e conseqüente igualdade das Pessoas divinas quanto à Sua essência. é quem o revelou" . o Filho e o Espírito Santo são esse Deus único. Que espécie de subordinação os escritores antigos atribuíam à segunda e à terceira Pessoas em relação à primeira? Afirmavam. São um só num sentido. parece que o Pai nos é revelado só como o vemos no Filho. a imagem expressa da Pessoa do Pai. 3o. e o Pai e o Filho enviam o Espírito e operam por meio dEle. Como se pode conciliar a encarnação do Filho com a unidade divina? O Filho é idêntico ao Pai e ao Espírito quanto à essência. 95.João 1:18. Na encarnação não foi feita homem a essência divina do Filho. Luz de Luz". porque. Isto não constituiu uma . Cremos nisso. Ilustravam sua idéia deste ato eterno e necessário de comunicação com o exemplo de um corpo luminoso que lança raios de luz durante o tempo inteiro de sua existência. ele opera imediatamente sobre a criatura. Assim o credo niceno define o Filho como "Deus de Deus. O Pai envia o Filho e opera por meio dEle. "Ninguém jamais viu a Deus: o Filho unigênito. no mesmo sentido e no mesmo grau. vindo do Pai e do Filho. como de fato é. e na subordinação relativa da segunda à primeira e da terceira à segunda. porém Ele. Nesse sentido são um só. Filho e Espírito do Pai e do Filho. comum a todas as três Pessoas. Que é que se exprime pelo uso dos termos primeira. ao mesmo tempo. que operam por meio dEle." "O Espírito é toda a plenitude da Deidade operando imediatamente sobre a criatura e tornando assim manifesto o Pai na imagem do Filho. que é o Logos eterno ou o Verbo divino. Entretanto essa essência divina existe eternamente como Pai e Filho e Espírito Santo. As Escrituras dão sempre Seus nomes nesta ordem. indicam ordem diferente.As propriedades pessoais do Espírito são as seguintes: é o Espírito do Pai e do Filho. constituindo todas essas perfeições divinas chamadas atributos de Deus. entrou numa relação pessoal com a natureza humana do homem Cristo Jesus. Quanto à relação externa da Deidade com a criatura. segunda e terceira. em referência às Pessoas da Trindade? Estes termos são aplicados às Pessoas da Trindade. Assim como o brilho do sol é coevo com sua existência e tem a mesma essência do sol como fonte. As Escrituras nunca. Seus respectivos modos de operação estão sempre nesta ordem." 94. como mostramos acima. nem direta nem indiretamente. mas distinto dEles quanto à subsistência pessoal. As designações pessoais de Pai. e a processão eterna do Espírito. auto-existente. envolviam em ambos os casos derivação da essência. 93. e pelo poder do Espírito. divina.

Chamavam-nos aeons. distintos tanto em essência como em Pessoa. e sobre o grau de honra e obediência que Lhe devemos. mas simplesmente introduziu um novo elemento na Sua Pessoa eterna. Cap. 3o. contudo. só uma substância autoexistente. no caso dos únicos espíritos criados de que temos qualquer conhecimento. o pan topleroma tes theotetos. só se admitindo que são três diversos nomes. Pai. A terceira tendência herética é a de levar tão longe a unidade divina que o Pai e o Filho e o Espírito Santo tornam-Se uma essência idêntica. Quais as diversas opiniões mantidas por aqueles que negam a deidade de Cristo e a deidade ou a personalidade do Espírito Santo? Ia. e O têm em conta de mero homem dotado de um gênio moral e religioso muito superior. por procederem dEle mediante emanação. Uma segunda tendência herética é a de negar a unidade divina e manter a existência de três Deuses. Quais são os três grandes pontos que. tendo a mesma e idêntica essência numérica.7 que afirmam que Cristo era mero homem. constituídos da totalidade dessa essência indivisível e inalienável. Entre os que afirmam que Jesus era mero homem há diferença de opinião quanto à Sua concepção. tanto em essência como em Pessoa. Osgnósticos. a soma inteira de todas as auto-revelações ou auto-comunicações atuais ou possíveis da . 11-13. Alguns admitem que Ele teve uma comissão sobrenatural e divina. sobre a questão de Seus dons sobrenaturais como profeta. Outros negam inteiramente o elemento sobrenatural.nova pessoa. Veja a exposição da história e doutrina dos socinianos acima. aspectos ou funções da única Pessoa divina. enquanto que na Igreja moderna são conhecidos pelo nome de socinianos. afirmam que a expressão Espírito Santo assinala a única Pessoa divina operando no mundo da natureza . afirmavam que o Deus supremo é um só. e qualificações divinas e sobrenaturais superiores às de qualquer outro profeta. ■‫״־· ■ ׳-׳ ׳׳ ^ -׳‬ Toda esta classe sustenta que Deus é uma só Pessoa. A dos antroponianos. e que dEle emanavam diversas ordens de seres espirituais. Por conseguinte. e os mesmos e idênticos atributos. que na maior parte concordam com os socinianos.negadores do Logos. Assim. Na Igreja Primitiva eram conhecidos pelos nomes de ebionitas e alogi . OPINIÕES HERÉTICAS 96. Perg. 97. são divinos. todas as heresias sobre este ponto tiveram origem numa ou noutra de três tendências distintas. sendo que cada uma Se distingue por Suas diversas propriedades pessoais. Outros sustentam que assinala Deus na Igreja. constituem o mistério da Trindade como Ela nos é revelada nas Escrituras. Uma tendência é cortar o nó da dificuldade negando a deidade do Senhor Jesus Cristo e a personalidade do Espírito Santo. 2o. e a maior parte toma a expressão Espírito Santo somente como a designação da energia divina manifestada nas coisas humanas. cada um em comum. Não podemos conceber como três pessoas podem ter entre si uma só inteligência e vontade. 3o. Foi uma união pessoal do Filho com uma alma e um corpo humanos. A soma total desses aeons constituía. o Pai. espiritual. e destes Cristo era o maior. ou na tentativa de desembaraçar a doutrina de suas inconciliabili-dades aparentes negando ou abatendo um ou outro de seus elementos constitutivos. cada pessoa é uma essência espiritual distinta. e não houve nenhuma mudança nem na essência divina.são. 6. Io. 2o. em geral. tornando assim Deus o Pai na única Pessoa divina e possuidor exclusivo da única substância divina. 2a. o Filho e o Espírito Santo são três Pessoas distintas. Não obstante isso. e cuja inconciliabilidade aparente ocasiona a grande objeção contra esta doutrina na mente dos hereges de todas as classes? Os três grandes pontos são os seguintes: Io. como é uma só essência. Filho e Espírito Santo são cada um igualmente este Deus único . na opinião dos gnósticos. imutável. eterna. se foi sobrenatural ou não. juntos.criação e providência. Há absolutamente só um Deus. e sua personalidade distinta está discriminada definitivamente por diferença numérica de atributos. sendo que nenhum deles é realmente Deus e. Alguns dos racionalistas alemães. A dificuldade para nós está em que. nem na relação pessoal do Filho com o Pai e com o Espírito Santo.

A doutrina dos semiarianos. genericamente um.. Christ. 3a. devendo estes dois termos exprimir a mesma idéia. é subordinado ao Pai e dEle dependente. eram de diversas classes. A primeira e maior das criaturas assim criadas pelo Filho foi o Espírito Santo. essências.. . criou à Sua imagem um ser sobreangélico (heteroousion. No cumprimento do tempo. de Constantinopla.. Pessoas. Filho e Espírito Santo eram tão-somente outros tantos nomes e manifestações de um só e do mesmo Ser divino. porém individualmente distintos". a essência.Deidade inacessível. que afirmavam que há na Deidade três ousiai. João Ascusuages. e por isso se lhes deu o nome dzpatripassianos.. sustentavam que essa única Pessoa divina encarnou no homem Cristo. em oposição aos triteístas. é um indivíduo ou uma espécie. de uma essência gloriosa e semelhante mas não idêntica à do Pai. Parece que alguns dos semiarianos concordavam com os arianos em considerar o Espírito Santo como a primeira e mais gloriosa criatura do Filho. por isso. e. Uma simples energia efluente. presbítero de Alexandria durante a primeira parte do quarto século. de cerca de 230 d. Esta Pessoa única. "Afirmavam que só há uma única Pessoa divina. eram muito semelhantes aos unitários modernos. bispo de Cesaréia. Liv. 5a. afirmava que os títulos de Pai. Os arianos. o Filho não é uma subsistência na essência. que levaram à idéia de que o Pai. "Na suâ construção da doutrina da Trindade. que "há três Deuses. Sustentavam que se devia entender a ousia. como também três hypostaseis. bispo da Nicomédia. Os primeiros trinitários nominais. de essência diversa). Converteu assim a distinção real e objetiva de Pessoas (uma Trindade de essência) numa distinção meramente subjetiva e modal (Trindade de manifestações). Cap. 3.C. 99. o princípio da criação de Deus. não seria mais do que uma inspiração imanente semelhante à dos profetas" .. presbítero de Ptolomais. adotou as idéias dos monarquianos e. na Arábia. os alogi.g. Outros. e. ou da própria substância da Deidade com a humanidade de Jesus. Sabélio.C. esse Filho encarnou na Pessoa de Jesus de Nazaré. nome proveniente de Ario. de cerca de 200 d. e o Filho e o Espírito Santo são uma só Pessoa como também uma só essência? Os monarquianos. de Bostra. em meados do terceiro século. consideradas numericamente. de Alexandria (na segunda parte do sexto século) foram cabeças dos triteístas. segundo o apóstolo Paulo. do qual a hipostasis. Qual era a posição daqueles que procuravam diminuir de suas dificuldades a doutrina da Trindade negando a unidade divina? Eram os triteístas. como que na mera concepção de gênero. assim chamados porque rejeitavam a tríada e mantinham a mônada ou a unidade absoluta quanto às Pessoas como também à essência da Deidade. de Esmirna. Afirmava que a Deidade consiste numa só Pessoa eterna a qual. e por Eusébio. Este partido foi chamado assim por ocupar um terreno intermédio entre os arianos e os ortodoxos. Doe. se haviam realizado única e plenamente em Cristo Col. da Ásia Menor. procedendo de Deus e entrando na humanidade de Cristo. como Práxeas. o grande oponente de Agostinho. em oposição à doutrina promulgada por Orígenes e seus discípulos. seu Filho unigênito. Noeto. mas somente uma efluência ou energia procedendo dela. e Berilo. mas que a maioria deles tomava as palavras "Espírito Santo" como o nome de uma energia de Deus ou como sinônimo da palavra "Deus". como. Hist. por isso não podiam afirmar logicamente a união da natureza divina. porém que o Filho é pessoa divina. e que. Sustentavam que o Deus absoluto e auto-existente é uma só Pessoa. Qual era a posição daqueles que foram tão longe em sua defesa da unidade divina. e João Filopono. por meio de quem também fez os mundos.C. § 1. antes de todos os séculos. a pessoa. 4a. e que foi gerado desde a eternidade pelo Pai no livre exercício da Sua vontade e do Seu poder. 2:9.Shedd. de cerca de 250 d. Esta foi a idéia disseminada primeiro por Orígenes e defendida com muita eloqüência no Concilio Niceno por Eusébio. no princípio. 5. 98. alguns.

nos termos em que são reveladas nas Escrituras." 100. toma assim sobre Si uma relação diversa e também um nome diverso. 5 a. só se pode entender à luz dessa verdade fundamental. Qualquer outra concepção que fizermos de Deus apresentará ao nosso espírito e à nossa consciência um deus falso. Por quais considerações se pode mostrar que a doutrina da Trindade é um elemento fundamental do evangelho ? Não se pode afirmar que as sutilezas das especulações teológicas sobre este ponto sejam essenciais à fé. As Escrituras declaram explicitamente que o conhecimento do Deus verdadeiro e de Jesus Cristo que Ele enviou é a vida eterna. que é o de Deus o Filho. sofreram as mesmas conseqüências todas as demais doutrinas características do evangelho. mas em Sua encarnação chama-Se Deus o Filho. Considerações: Ia. 17:3. e a própria finalidade do evangelho é levar-nos a conhecer esse Deus precisamente no aspecto em que Se nos revelou. As vezes era empregado um modo diverso de apreender e de expor a doutrina.João 5:23. 3a. No rito de iniciação na Igreja Cristã somos batizados no nome de cada uma das três Pessoas da Trindade . e que é necessário que honremos o Filho como honramos o Pai . criando o universo e revelando-Se e comunicando-Se a este.entendida em Sua simplicidade e em Sua eternidade abstratas. 5:20. O plano inteiro da redenção é baseado sobre esta doutrina. a adoção. e tudo mais que torna o evangelho a sabedoria e o poder de Deus para a salvação.Mat. 4a. A justificação. ou o Logos. chama-Se Deus o Pai. Deus. . a santificação. 28:19. e quando sai das profundidades da Sua essência. Como fato histórico. e sim que é essencial à salvação que se creia nas três Pessoas em um só Deus. não se pode negar que sempre que em qualquer igreja foi abandonada ou obscurecida a doutrina da Trindade. 14:1. Os socinianos. Neste sentido não pode haver compromisso ou concessão sem traição. em Sua natureza e em Seu modo de ser ocultos e não revelados. 1 João 2:23. 2a. os arianos e os trinitários prestam culto a deuses diferentes. O único Deus verdadeiro é Aquele que Se nos tem revelado nas Escrituras. chama-Se Deus o Pai.

santo e sábio. sucessões e relações. procedendo de Deus e terminando na criatura. mas ao mesmo tempo diferem das ações da primeira classe por dizerem respeito à inteira criação dependente. Esses atos são os decretos eternos e imutáveis de Deus a respeito de todos os seres e eventos exteriores em relação a Ele. infinito. sendo levado a fazê-lo por motivos e com referência a finalidades. exterior à Deidade. portanto. é certo que.. sem nenhuma referência a qualquer coisa que existe fora da Deidade. governa-o segundo um plano. pela qual o Espírito procede do Pai e do Filho. 12. com os pelagianos e com os arminianos. pela qual o Filho vem do Pai. condições. existindo sozinho desde toda a eternidade. e determinando sua futurição certa. abrangendo todos os pormenores. . pág. ações livres que. do infinito com o finito. e todas as demais ações envolvidas na associação mútua das três Pessoas divinas. da soberania absoluta de Deus com a livre agência do homem. e este plano deve ser perfeito em sua compreensão. 2. 3. e do fato indubitável da origem do pecado com a santidade. 4. 2o. e Breve Cat. existem agora e em qualquer tempo existirão. como sejam os atos de Deus na criação. Ações imanentes e intrínsecas. de Fé. e segundo idéias e planos. o ato de um Ser pessoal soberano. Ações extrínsecas e transitórias. e por isso o chamamos DECRETOS. A terceira classe é semelhante à primeira. com suas causas. e os deístas dos tempos modernos. a sabedoria e o poder de Deus. pág. imutável. Se Ele tem um plano agora. Cap. todos interiores a Ele e originados unicamente por Ele. Quais são os decretos de Deus? Veja Conf. Maior. é evidente que teve esse mesmo plano sem nenhuma alteração desde o princípio. São os atos da geração eterna e necessária. a bondade. Causaram muita perplexidade aos filósofos pagãos da antigüidade. e a processão eterna e necessária. Não são peculiares a nenhum sistema de teologia. dão-se sucessivamente no tempo. juntamente com os socinianos. isto é. O decreto de Deus é Seu propósito soberano. e em que classe os teólogos colocam os decretos? Todos os atos divinos imagináveis podem ser classificados do modo seguinte: Io. O decreto de Deus é. independente. essenciais à perfeição da natureza divina e aos estados permanentes do ânimo divino. na providência e na graça. Quais são a natureza e a fonte essenciais das dificuldades que oprimem a razão humana quando cogita sobre este tema? Todas essas dificuldades têm sua origem nas relações inteiramente inescrutáveis do eterno com o temporal. pertencentes essencialmente ã perfeição da natureza divina. Como se classificam os atos de Deus. Nós. acham-nas tão insolúveis como os calvinistas. todo-perfeito e imutável. concebemos as diversas partes desse propósito único e eterno sob aspectos diversos e em relações lógicas. Caí. começou a criar o universo físico e o universo moral num vácuo absoluto. sendo ele um Ser inteligente. se Deus governa o universo. Também.10 Os Decretos de Deus em Geral 1. 7. e se encontram em qualquer sistema que reconheça a existência e o governo moral de Deus e a ação livre do homem. De que ponto de vista fixo devemos partir no estudo deste assunto? Um Deus auto-existente. em conseqüência da limitação das nossas faculdades. eterno. por serem imanentes e intrínsecas. 3o. 3. abrangendo ao mesmo tempo todas as coisas que existiram.

Qual é a posição dos arminianos sobre este ponto? Os arminianos concordam com os socinianos em negar que Deus preordene os atos voluntários de agentes livres. e dizem que tais atos são. Por isso tem que ser incompreensível.porque os decretou e assim os tornou futuros com certeza absoluta. e que em qualquer tempo houvessem de acontecer. Deus pré-conhece todos os eventos como futuros com certeza. e as ações dos agentes necessários como preordenadas absolutamente. ou que de algum modo os predetermine de maneira que sejam com certeza futuros. por sua própria natureza. desde o princípio da criação até à eternidade sem fim. reta e benévola de Deus . Algumas coisas Deus decretou eternamente fazer pessoalmente. a criação. Os decretos de Deus referem-se igualmente a todos os eventos futuros de qualquer espécie que sejam. para sempre. Eles negam que a presciência e a preordenação de Deus se estendam aos atos voluntários dos agentes livres. .. estes últimos eventos o decreto torna tão certamente futuros como qualquer dos outros. Deus decretou os fins como também os meios.determinando. 5. Sustentam que Deus prevê com certeza absoluta e desde toda a eternidade a futurição dos atos livres dos agentes morais.plano que abrange todas as coisas. a futurição certa de todos os eventos. como também às ações dos agentes necessários. desde toda a eternidade. 6. quer sejam contingentes em sua natureza. e por isso abrange e determina todas as coisas exteriores e todas as suas respectivas condições. mas limitam uma e outra aos eventos pertencentes à criação e à providência que Deus determinou fazer acontecer.absoluto. a futurição certa de todos os eventos. sob diversos títulos. de qualquer espécie que fossem. Qual a distinção entre presciência8 e preordenação. e sem mudança. às ações livres dos agentes morais. ou por meio das causas secundárias que operam sob a lei da necessidade. contingentes e só podem ser conhecidos depois de praticados. compreendendo um plano que inclui todas as obras. pré-conhecedora. 7. Preordenação é um ato da vontade infinitamente inteligente. a doutrina calvinista sobre este ponto. e a preordenação os torna com certeza futuros. 3o. e outras ainda decretou mover agentes livres para fazê-las. as causas como também os efeitos.g. ou por Sua própria agência imediata. e qual a posição geral dos socinianos sobre este ponto? Presciência é o ato da inteligência infinita de Deus. Mas diferem dos socinianos e concordam conosco em sustentar que a presciência certa de Deus estende--se igualmente a todos os eventos. as condições e os instrumentos como também os eventos que deles dependem. Podemos expor. de qualquer espécie que fossem. quer sejam produzidos por causas secundárias que operam sob a lei da necessidade. grandes e pequenas. eterno e imutável. sejam quais forem. pelo qual Ele conhece desde toda a eternidade. A presciência reconhece a futurição certa dos eventos. e. e não pode depender de coisa alguma exterior a Deus mesmo. Os socinianos admitem que a presciência e a preordenação de Deus são co-abrangentes. as ações livres dos agentes morais como apenas previstas. e que em qualquer tempo houvessem de acontecer. ao mesmo tempo. às ações pecaminosas como também às que são moralmente boas. porque já estava formado antes que existisse coisa alguma fora Deus. 2o. ou permitir que as fizessem no uso da sua liberdade. e que os abrange e os ajusta ao Seu plano eterno . 4o. outras fazer acontecer por meio da ação de causas secundárias operando sob uma lei de necessidade. Io.

e nenhum está fora. criou esse mesmo agente livre e o colocou precisamente nessas relações. o próprio decreto determina ao mesmo tempo . dizendo respeito a todos os eventos de qualquer espécie. bem como todas as suas causas. Por isso as Escrituras falam dos conselhos. O decreto de Deus determina só a futurição certa dos eventos. 6o. 8. propósitos e juízos de Deus no plural. para indicar a relação que Deus quer que um evento tenha com outro. 3o. Mesmo em nossa ignorância. e cada evento que sucede no universo é mais ou menos imediata ou remotamente a condição de todos os demais. ao mesmo tempo. (2) Que os seus antecedentes e também todos os antecedentes do ato em questão sejam o que são ou foram. existiu só. por escolha deliberada.5o. constituem uma só intenção todo-compreensiva. foram previstos claramente e. é evidente que Deus. porque esses eventos todos têm essas relações entre si. Que razões temos para ver os decretos de Deus como uma só intenção todo-compreensiva? 10. Se Deus. Mas a causa de um evento é o efeito de outro. e no tempo. Deus. desde a eternidade. abrangendo todos os eventos. porque o sistema inteiro. prevendo que. podemos ver como um fenômeno químico está em relação com uma miríade de outros fenômenos. os necessários como necessários. e sendo-nos impossível abarcar num só ato de compreensão inteligente um número infinito de eventos em todas as suas relações e conexões. Quanto ao que diz respeito ao plano eterno de um Criador onisciente e onipotente. cada causa particular. isto é. todos se acham incluídos. pois. como mostraremos abaixo. eletricidade. esse agente agiria livremente de certo modo. elas falam como se Deus Se propusesse a fazer suceder um evento como o meio ou a condição do qual outro depende. Nenhum evento é isolado. no caso dos atos livres de um agente moral. Deus decreta os eventos como realmente sucedem. condições e relações. seja em qualquer tempo obrigado a escolher entre dois males.. Isso tudo é verdade. e cada condição. são um ato eterno. É impossível que Deus. e. com perfeita presciência de sua natureza. possuindo presciência e poder infinito. desse propósito único e eterno de Deus que abrange igualmente todas as causas e todos os efeitos. os livres como livres. sendo cada elo essencial à integridade do sistema todo. Ele mesmo produziu intencionalmente. eventos produzidos por causas e dependentes de certas condições. Porque. mostre que a presciência é equivalente à preordenação. mesmo assim. Porque todo evento que realmente acontece no sistema das coisas acha-se entrelaçado com todos os demais eventos num envolvimento interminável. como um só sistema indivisível de coisas. admitidos por Ele mesmo. mas. de suas relações e de seus resultados. (4) Que o ato seja inteiramente espontâneo e livre da parte do agente. agindo assim. classificados sob os títulos de mecânica. se criasse certo agente livre e o colocasse em certas relações. começou a criar num vácuo absoluto. Quaisquer causas ou condições limitantes posteriormente existentes. somos obrigados a contemplar os eventos em grupos parciais. e concebemos o propósito de Deus em relação a eles como atos distintos e sucessivos. na realização de Sua obra. individua et tota simul. de modo que um propósito eterno da parte de Deus é forçosamente um ato todo-abrangente. predeterminaria a futurição certa do ato previsto. movido somente por Si. O decreto que determina o evento não pode deixar fora a causa ou a condição da qual depende o evento. (3) Que todas as condições atuais do ato sejam o que são. e de modo algum efetua ou causa um evento. e ceternitas est una. todos os eventos e todas as suas condições. Sendo finitas as nossas mentes. com essa previsão certa. luz e vida. . por exemplo. (5) Que seja com certeza futuro. A cor de uma flor e o ninho de um pássaro acham-se relacionados com o inteiro universo material. Assim. 9 2o.(1) Que o agente seja livre. Os propósitos de Deus. Mas o próprio decreto em todos os casos determina que o evento seja efetuado por causas operando de uma maneira perfeitamente em harmonia com a natureza do evento que vai ser efetuado. 9. e cada finalidade.

16:33. e nos Seus pensamentos e propósitos absolutamente independente de qualquer criatura. As Escrituras o afirmam . segundo o grego (assim Almeida) 2 Tess. 1:11. desde a eternidade infinito em sabedoria e conhecimento. que tu ungiste. Fil. . com os gentios e os povos de Israel. 12. pela razão. Como mostramos acima. etc. Sendo Deus infinito. 2:12.Sal. 1:20 (Figueiredo). Provamos o mesmo ponto pelas Escrituras. 3o. Io. se ajuntaram.(desde toda a eternidade) Atos 15:18. 2:13. se um só evento foi decretado absolutamente.11. pela perfeição da Sua natureza. E-nos tão impossível abranger por um só ato compreensivo da inteligência todas as obras realizadas por Deus na natureza como no-lo é abranger todos os Seus decretos. 33:11. Se um deles foi deixado indeterminado. como acabamos de mostrar. Mesmo a respeito das más ações dos homens. 1:9. Provamos que os decretos são imutáveis. 2:7. "A este (Cristo) que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus. 10. Lembrando que Deus é eterno. 2o. nem surpresa para a Sua presciência. e. 3:11.30. em grau maior ou menor. tomando-o vós.28. mas. (o eterno propósito) Ef. 13. 2:10. não só Herodes. (antes dos séculos) 1 Cor.. todos o deviam ser. nem resistência contra o Seu poder. (já antes da criação do mundo) 1 Ped. (antes da fundação do mundo) Ef. não há evento isolado. etc. porém nenhum teólogo inteligente deve supor que neles há elos quebrados ou conexão imperfeita em parte alguma. absoluto.. Por conseguinte. Mat. por conseguinte. na tradução de Figueiredo. "Porque verdadeiramente contra o teu santo Filho Jesus. como também não estão separados na natureza. todos os eventos futuros serão indeterminados com ele. Dan. Lembrando que são eternos.. Atos 17:26. Afirmam o mesmo a respeito dos eventos fortuitos -Prov. Não pode nunca haver acréscimo à Sua sabedoria.4o.Todos os erros especulativos dos homens a respeito deste ponto nascem da tendência da mente humana de prestar atenção exclusiva só a uma parte do propósito eterno de Deus e de considerar essa parte isolada das demais.Ef.—. Elas afirmam que os decretos divinos abrangem completamente todo o sistema . 1:4. 4:34. ■‫׳׳‬ws.Atos 2:23. formou desde a eternidade. Como se pode provar que os decretos de Deus são eternos? Io. Mas nenhum observador inteligente que estuda a natureza julga que haja evento isolado.. Provamos.. Os decretos de Deus não separam evento algum de suas causas ou condições. Assim também somos obrigados a estudar Seus decretos parte por parte. E ensino das Escrituras . 3o. que os decretos de Deus abrangem todos os eventos. o crucificastes e matastes pelas mãos dos injustos" . não pode nunca haver motivo para que Ele revogasse ou revogue um decreto Seu ou modificasse ou modifique esse propósito infinitamente sábio e reto que. 2o.Ef. Somos obrigados a estudar Suas obras parte por parte. 10:29. (antes dos tempos dos séculos) 2 Tim. 2:13. (desde o princípio. . 46:10. 2o. Também a respeito das ações livres dos homens . Ele é necessariamente eterno e imutável. "como primícias".35. para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer" -Atos 4:27. imutável e perfeito em sabedoria e poder.<‫׳ ׳׳ ־‬ Io. mas Pôncio Pilatos. Is. 11.

mas não certo (não decretado). Não há evento isolado. . 4:34.29. ao decretar. segue-se que incluiu nesse decreto todas as causas. -:·> ‫׳‬ 17. 2:8. 14. e sempre quis de conformidade com a perfeição da Sua natureza. compare Gên. depois da queda de Adão. 16:33. Jud. Ora. é necessário que determine toda a concatenação das causas e efeitos que constituem o universo. mas que nada decretou a respeito de pecar e nem da salvação de homens individuais. seja qual for a sua natureza. 17:13. 10:5-15. e sucederam segundo a predição. Mas. e que. 4. não depende delas. Os socinianos negavam que pudessem ser previstas as ações livres dos homens por serem intrinsecamente incertas. Em que sentido são livres os decretos de Deus? Os decretos de Deus são livres no sentido de que. vers. embora possa incluir condições. e todos os eventos em detalhe . 10:29. se Deus decretou certos eventos futuros. reta e benévola. etc. e por isso afirmavam que Deus não as pôde prever. 1:1 le Atos 15:18. Deus foi determinado unicamente por Sua boa vontade infinitamente santa.Prov.30. e das quais o evento depende. quer seja um ato voluntário. 45:7. . Escolheu sempre como quis. senão Deus.35. Como se prova a universalidade dos decretos de Deus pela providência? Segue-se da eternidade. Decreto condicional é o que decreta que um evento suceda sob a condição de ser possível suceder outro evento. Sustentavam que Deus decretou absolutamente criar a raça humana.Ef. isto é. condições. sendo muitos deles as ações voluntárias de homens. 37:28 com Gên. 16.‫׳‬it^‫־‬M· i. Is. Mas. quer seja uma necessidade mecânica. 17:17. decretou salvar todos os pecadores que se arrependessem e cressem. seja qual for. Quanto à história de José. --. todos os seus motivos e razões estão dentro da natureza divina. imutabilidade. "Não fostes vós que me enviastes para cá. fatos correlatos e conseqüências. e não são sugeridos nem ocasionados por nada do que está fora dEle. que a Sua operação temporal na providência procede em tudo segundo o Seu propósito eterno . 18. Em que sentido os decretos de Deus são soberanos? São soberanos no sentido de que. tanto da infalibilidade da presciência como da profecia. Podemos provar esta doutrina a partir da profecia.Veja também Atos 13. Que distinção há entre decretos absolutos e decretos condicionais? Decreto absoluto é o decreto que." "Vós bem intenstastes mal contra mim. Apoc. porém Deus o tornou em bem. sabedoria. para que Deus torne certamente futuro um só evento.8 e 50:20. sábia.14. Mat. Deus predisse nas Escrituras a ocorrência certa de muitos eventos." Veja também Sal. nem dependem eles de coisa alguma que haja fora dEle. torna certamente futuro o evento decretado. a base da profecia é a presciência. tanto as Escrituras como a razão nos ensinam que o governo providencial de Deus compreende tudo o que está nos céus e na terra como um todo. 1 Ped. enquanto determinam absolutamente tudo quanto sucede fora de Deus. A imutabilidade eterna do decreto é a única base. Dan. e todas as suas causas e condições. 15. e a base da presciência de um evento dado como futuro com certeza é o decreto de Deus que o torna futuro. presciência e poder infinitos de Deus.

Fil.11. Assim também os Seus pactos. reto e benévolo.Is. 33:11. 4:35. o todo o é também. 19. toda a concatenação de causas e efeitos ficaria desarranjada. 7o. são em todas as suas partes a execução do Seu propósito eterno. Contudo os decretos de Deus são soberanos . e. Abrange também o sistema inteiro de causas e efeitos de todo tipo.Os armínianos. e abrange todos os eventos. Ef. É Deus mesmo quem opera no Seu povo a fé e a obediência. embora Deus não preordenou os atos livres dos homens. 11:25.Atos 4:27. (1) como mostramos no parágrafo precedente. 3:11. 3-7) que o decreto divino é eterno e totalmente abrangente. 10. que compreendia a promessa. Mat. Ele os previu infalivelmente e proveu a esse respeito. prevendo que ele cairia. Prov. . "E aos que predestinou.· . Já mostramos acima (Pergs. Uma condição implica possibilidade de mudança. As Escrituras declaram que o decreto de Deus depende somente do Seu "beneplácito" (Figueiredo: "da sua benevolência") e "do conselho da sua vontade". Sal. 2. torná-10‫־‬ia dependente das ações voluntárias de Suas próprias criaturas. 2o. Ef. sendo um só sistema o universo inteiro. 9:11. Quais as objeções à atribuição de decretos condicionais a Deus? Os calvinistas admitem que o decreto totalmente abrangente de Deus determina todos os eventos segundo a sua natureza inerente. Deus decretou a salvação sob a condição da fé. fica provado (1) por sua eternidade. ou promessas condicionais. 1 Ped. 2:25.· ‫׳ ■ ׳■■■! :· <·' ·' ·. 9:11. 4o. Dan. 2:8. Mas. como meios para o fim em vista. 2:13.14. Os arminianos admitem que a presciência de Deus é eterna e certa. Um decreto condicional subverteria a soberania de Deus e. 1:4. a estes também chamou. e. sob a condição. como também as causas necessárias dos eventos necessários.' : ׳‬ 3o. 2 Tim. determinação nos deixa a escolha entre o decreto de um Deus infinitamente sábio. como também cuidou do proceder regular da natureza segundo as leis estabelecidas. que faz no tempo. 40:13. se uma parte é contingente. Rom. (2) pelas asserções diretas das Escrituras . Que o decreto de Deus é imutável e não depende de condições incertas. e a condição nos seus diversos lugares. decretou absolutamente preparar uma salvação para todos e salvar realmente todos os que se arrependem e crêem. 1:2. se Deus previu que certo homem. daquilo que o homem fez." Assim o Seu decreto desde o princípio abrangeu a agência livre dos homens e dela cuidou. como também todos os demais eventos. e todas as suas conseqüências. . preordenou a futurição certa desse evento. Ora. 19:21. agiria de um certo modo em certa conjuntura. Se o arminiano responder que.28. e a operação de causas necessárias. sustentam que Deus decretou absolutamente criar o homem. 6o. ou um destino cego. 46:10.Is. quanto à administração de todo o Seu governo e à execução de todos os Seus planos. decretando criar esse homem e colocá-lo nessas circunstâncias e nessa mesma conjuntura. Rom. certeza implica em determinação.·:. Io. o calvinista dirá que. Rom. neste caso Deus. prevista mas não decretada. O decreto de Deus inclui os meios e as condições -2 Tess. O Seu decreto determina absolutamente as ações livres dos homens . os livres bem como os necessários. e por isso Seus planos não podem falhar. 1:5. necessariamente.Ef. dos motivos e condições das ações livres. as chamadas condições da sua salvação . . porque. Ef. Mas é evidentemente impossível que se possa considerar o decreto de Deus como baseado em condições que não sejam elas mesmas determinadas pelo decreto.27. admitindo que Deus prevê com certeza os atos de agentes livres.26. 5o. 2:13. se falhasse uma só condição. essa presciência envolve preordenação. ao mesmo tempo e nesse mesmo ato. da sua fé e obediência. decretou a fé daqueles cuja salvação determinou efetuar. e que decretou condicionalmente a salvação de homens individuais. e (2) certeza na presciência implica em certeza no evento. Ef. 14:24. as ações de agentes livres como livres. em certas circunstâncias. 9:15-18.

22. 16:21. Pela natureza do próprio decreto.20. ou em Deus mesmo. e operando cada uma sem constrangimento. 13:29. Mat. nalguma ação ou agência eficaz para produzir ou efetuar o evento. As Escrituras atribuem certeza de futurição aos eventos decretados. porém. irresistível e irrespectivamente da livre vontade dos agentes livres envolvidos. e este é em sustentar que os eventos em questão são com certeza futuros. e esta última suposição é o fatalismo.que o decreto universal de Deus torna certa a ocorrência de todos os eventos futuros . entre a operação de motivos. alcançando os melhores fins e adotando os melhores meios para alcançar esses fins . com respeito aos eventos que Ele determinou permitir que agentes livres efetuassem. e sim segundo "o conselho da sua vontade".Luc. da parte de Deus. 11:29. Atos 2:23. tanto livres como também necessárias. se faz do fato admitido de serem livres os homens? OBJEÇÃO . como soberano infinitamente sábio e poderoso. postula o plano infinito e totalmente abrangente de um Pai infinitamente sábio. Importa que o evento suceda assim como foi "determinado" . Eficazes. Até onde são eficazes os decretos de Deus. contra esta doutrina dos decretos incondicionais. ou por Sua própria ação imediata. poderoso e benévolo. 4o. com respeito aos eventos que Ele determinou efetuar por meio de causas necessárias. operando cegamente e. por meio de uma força simples e não inteligente. 21. porém. Como se pode provar que o decreto de Deus torna certo o evento? Io. 18:31-33. . Os teólogos. e até onde são permissivos? Todos os decretos de Deus são igualmente eficazes no sentido de determinarem infalivelmente a futurição certa do evento decretado. Há uma diferença infinita entre uma máquina e um homem. classificam os decretos de Deus assim: Io. A razão de ser desta certeza está necessariamente. meios ou condições. A doutrina calvinista dos decretos. 3o.e cujo plano não é executado só por força e sim por meio de todo tipo de causas secundárias. 1 Cor. Todavia o fato de determiná-lo como certo implica. 2o. nem para motivos e escolha. o que é inconciliável com a agência livre dos homens. Não deixa lugar para fins ou propósitos finais. Permissivos. 24:46. .Presciência implica na certeza do evento. cujo plano não é determinado por mera vontade. reto. Pela natureza essencial de Deus em Sua relação com Sua criação.■ O fatalismo ensina que todos os eventos são determinados com certeza por uma lei universal de causação necessária. Mas a doutrina arminiana da pres-ciência divina faz exatamente o mesmo.. A presciência de Deus considera como certos os eventos futuros. segundo a sua natureza. Em todos os outros aspec-tos a nossa doutrina difere da doutrina pagã do destino cego. sendo cada umapré-adaptada para o seu lugar e função. e as forças mecânicas que operam sobre a matéria. inteligência. ou nos próprios eventos. efetuando seus fins. E há exatamente a mesma diferença entre o sistema de decretos divinos e a doutrina pagã do destino cego. Qual a objeção que. O decreto de Deus implica em que Deus o determinou como certo. mas é simplesmente uma evolução necessária.· ■·:. 2o. livre escolha.da antiga doutrina do fatasismo? A doutrina calvinista dos decretos concorda só num ponto com o fatalismo. que é soberano e imutável (veja acima). Como difere esta doutrina . 23.

isso Ele opera em nós o querer e o fazer segundo o Seu beneplácito. Temos o fato distintamente revelado que Deus decretou os atos livres de homens. age como lhe apraz. . Esses desejos e disposições são. 2o. quanto à Sua essência. o decreto permissivo de Deus realmente determina a futurição certa do ato. por sua vez. etc. do qual não se pode dar nenhuma explicação. sábio e poderoso.27. 50:20. veja abaixo. a verdadeira teoria da vontade é que a liberdade do agente consiste em que este. afirmam que. ■■. que pode impedir a livre agência dos homens. que. 2o. Todos os pecados que os homens cometem. igualmente independente de todos os motivos pró ou contra.g-. colocado em certas circunstâncias. Ao mesmo tempo. agiria desse modo. segundo a avaliação imediata que sua razão faça do caso em particular. determinados pelo caráter do agente em relação a suas circunstâncias. produzido por Deus. Pela natureza do pecado. é um grande mistério. assim como Deus é infinito em soberania. Deus não pode executar os Seus decretos sem violar a liberdade do agente. 4. que Deus não é o autor do pecado fica provado Io. 3o. Mas. assim também por Sua providência efetua tudo o que sucede. em caso algum. a vocação eficaz e a regeneração. Gên. as Escrituras atribuem totalmente aos mesmos homens. porque Deus. de modo que Ele é o único agente real do universo. Pela natureza de Deus. e que. mas produzido em nós. No entanto. e desobediência ao Legislador. por certo. ela está em estado de equilíbrio perfeito. isto é. e a presciência certa é impossível. Em que sentido é que alguns ensinam que Deus é o autor do pecado? Muitos pensadores de tendências panteísticas^. Contudo. é anomia. e na administração do Seu reino sempre proíbe e pune o pecado. quanto à sua essência.28. a perfeita liberdade do agente. na execução do Seu propósito. é evidente que neste caso a própria essência da liberdade consistiria em incerteza. nem quando opera em nós o que é bom. Segundo a teoria da vontade. em qualquer caso. colocou-o nessas mesmas circunstâncias em que agiu assim e cometeu o pecado.15. que em todos os casos em que a vontade faz uma escolha. e esse caráter e essas circunstâncias não estão. no Cap. Se esta é a verdadeira teoria da vontade. mas nem por isso é menor o nosso dever de o crer. Emmons. é santo. Ele nem viola nem restringe. sustentam que Deus é um agente infinitamente santo quando efetua aquilo que. e por Seu decreto determina tudo. nem quando nos põe onde sabe que com certeza havemos de fazer o mal. Nunca poderemos compreender como é que o Deus infinito opera sobre o espírito finito do homem. 3:18. ao mesmo tempo. sabendo com certeza que o homem em questão. nem menos livres nos atos que praticaram Atos 2:23..RESPONDEMOS: é evidente que é só a execução do decreto. Sobre o assunto geral do modo como Deus executa Seus decretos. Temos espaço aqui só para a seguinte exposição geral: 1 As Escrituras atribuem a Deus tudo quanto há de bom no homem. o qual. e não o decreto em si mesmo. falta de conformidade com a lei. Entretanto. Como se pode demonstrar que Deus não é o autor do pecado? A admissão do pecado na criação. os capítulos sobre a providência.. é reto. os homens não eram menos responsáveis. é pecado. fora da influência do Deus infinito.‫־‬ 24.. como demonstramos abaixo. e tão livre para escolher em oposição a todos os desejos como em harmonia com eles. que faz a liberdade do homem consistir na liberdade da indiferença. o Dr. segundo os desejos e disposições do seu coração.. por um Deus infinita mente santo. 25. isto é.

Se Deus o previu e. e o espaço inteiro como um só sistema. sendo o uso de meios ordenados por Deus. ou. Pela natureza do homem. . nem a propriedade nem a eficácia dos meios para conseguirem o resultado residem inerente e independentemente nos próprios meios. de Deus sobre o homem. Dizem que. Mas. Que objeção contra esta doutrina é derivada do uso de meios? Esta é a forma mais comum de objeção na boca de gente ignorante e irreligiosa. não como isolado de outros eventos.3o. Em que base se fundamenta o uso de meios? Este uso fundamenta-se no mandamento de Deus e naquela propriedade existente no uso de meios para conseguirmos o resultado desejado que os nossos instintos. Esse ato eterno e totalmente abrangente compreende a existência toda durante o tempo todo. porém foi surpreendido e estorvado por Suas criaturas. quando Deus decretou um evento. tendo muitas coisas sido o efeito dos meios empregados. 27. Deus não tornou certa nenhuma dessas coisas que dependem do uso de meios da parte dos homens. a concorrência. ou como independente de meios ou agentes. e não de Deus levando-o ou induzindo-o a pecar mediante qualquer forma de ação ou tentação. pois. e sim como dependente de meios e de agentes empregando livremente esses meios. Como se pode demonstrar que a doutrina dos decretos não dã fundamento racional para desencorajar alguém no uso de meios? Esta dificuldade (exposta acima. o infinito sobre o finito. Isso acha-se envolvido necessariamente em toda e qualquer teoria cristã da providência. prevendo-o. ao mesmo tempo. Segue-se daí. 29. nem é necessário que empreguemos meios para conseguir o resultado. Mas. Como se pode demonstrar que a doutrina dos decretos incondicionais não representa Deus como o autor do pecado? A dificuldade toda está no tremendo fato de existir o pecado. e no de confundir a doutrina cristã dos decretos com a doutrina pagã do destino cego (Perg. 22). ao mesmo tempo. é evidente que o predeterminou. 26. que é agente responsável e livre. e origina os seus próprios atos. e na operação de todos os meios Deus preside sempre e sempre dirige providencialmente. e instintivamente natural para o homem. cuida do todo em todas a suas partes e de todas as partes em todas as suas relações umas com as outras e com o todo. se um decreto imutável torna certos todos os eventos futuros. Representa Deus como decretando que o pecado resulte do ato livre do pecador. decretou-o futuro com certeza. então se segue que nenhum meio empregado por nós pode impedir que suceda. 27) tem sua raiz no costume de isolar uma parte do decreto eterno de Deus do todo (Perg. pode ser certo com respeito ao decreto e à presciência de Deus e. inteligência e experiência nos ensinam. Se não o previu. O mesmo decreto que torna certo o evento. e ao mau coração as ações pecaminosas dos homens. determina também o modo pelo qual tenha que ser efetuado. 7). não podia impedir que o pecado entrasse. verdadeiramente contingente na apreensão dos homens e na sua relação com os meios de que depende. Perg. 28. e sendo evidente que muitas no futuro dependem deles. e. "se há de suceder aquilo que deve suceder". e compreende tanto os meios como os fins. então não é infinito no conhecimento e no poder. embora nunca possamos explicar a ação relativa. A doutrina dos decretos incondicionais não apresenta nenhuma dificuldade especial. criou o agente e o colocou nas circunstâncias em que previu que ele cometeria o pecado. As Escrituras atribuem sempre à graça divina as ações moralmente boas. porém foram estabelecidas originariamente por Deus e são mantidas atualmente pelo próprio Deus. pois. Um evento. apesar disso. que.

Em que diversos sentidos a palavra predestinação é empregada pelos teólogos? Io. é igualmente evidente que todas as objeções feitas contra essa doutrina não terão peso algum. 1:9. 3. 1:5. Que sentidos têm no Novo Testamento as palavras eclego (eleger) e eclogé (eleição) ? .2 Tim. e a respeito da qual se nos diz em outras passagens que não é "segundo as nossas obras. uma vez provado que uma doutrina é ensinada nas Escrituras. Veja Atos 4:27.30. "segundo o beneplácito de sua vontade" . revelados claramente. O terceiro sentido dado acima é o uso mais apropriado. em Atos 2:23 e 1 Ped. ou escolha prévia. Rom. e sempre se deve dar o devido peso a essas objeções contra as provas alegadas a favor da doutrina. 31. 1:2. 9:11. Prognosis encontra-se somente duas vezes no Novo Testamento. As vezes o seu uso é tão restrito que é aplicada somente à eleição eterna do povo de Deus para a vida eterna. Entretanto. e em ambos os casos significa evidentemente aprovação. as objeções feitas contra uma doutrina biblica-mente comprovada. só servirão para ilustrar a verdade óbvia segundo a qual o intelecto finito do homem não pode compreender plenamente as coisas parcialmente reveladas e parcialmente escondidas na Palavra de Deus. e pronta obediência aos Seus mandamentos. na justiça. Não chegando a fazer isso. Quais são os efeitos práticos desta doutrina propriamente ditos? Humildade. divina de indivíduos para a vida eterna. O termo é explicado pela frase equivalente "decretado conselho" ou "determinado conselho". na bondade e na imutabilidade dos propósitos de Deus. 2o. e não os Seus decretos. Ef. Confiança implícita na sabedoria. Como equivalente à palavra genérica decreto. são a regra do nosso dever. que se possa fazer contra as provas em que se baseia qualquer doutrina.28. enquanto não tiverem força bastante para provar que as Escrituras Sagradas não são a Palavra de Deus. quer bíblicas quer outras. mas segundo o Seu próprio propósito e graça". à vista da grandeza e da soberania infinitas de Deus. 3o. e da dependência do homem. se não afetarem as provas em que ela se fundamenta (e a maioria das objeções feitas contra a doutrina calvinista dos decretos são dessa natureza). ^ ‫»׳‬ S 11 Predestinação 1. Como abrangendo somente aqueles propósitos de Deus que dizem respeito especialmente às Suas criaturas morais. incluindo a eleição soberana de alguns e a justíssima reprovação dos demais. na retidão. devendo nós estar sempre lembrados de que os preceitos de Deus. 4o. Como denominativo do conselho de Deus que diz respeito somente aos homens decaídos. incluindo todos os propósitos eternos de Deus. Que distinção sempre devemos fazer entre as objeções contra a prova de uma doutrina e as objeções contra uma doutrina comprovada? E evidente que são legítimas as objeções razoáveis.

6:64. feita por Deus ou pela Igreja. Eclogé encontra-se sete vezes no Novo Testamento. Como se pode expor a "Teoria do Individualismo Eclesiásticoassim chamada por seus defensores? Esta teoria. 1:27. 1:10. ׳‬ 6. para algum serviço especial . Na maioria dos casos. e em Romanos 3:25 e Efésios 1:9. encontra-se três vezes no Novo Testamento.João 15:16. significando preparar ou designar anteriormente. como um todo e em todas as suas partes.. Por seu nascimento. consiste na predestinação divina de comunidades e nações para o conhecimento da religião verdadeira e os privilégios exteriores do evangelho.Eclego encontra-se vinte e uma vezes no Novo Testamento. na economia da salvação. assim como a redenção é atribuída ao Filho e a santificação ao Espírito Santo-João 17:6. 11:7.Rom.28. crentes e obedientes. Sua doutrina distintiva é que Deus não escolheu certas pessoas desde a eternidade. visto que admitem que Deus prevê desde a eternidade com certeza absoluta quais as pessoas que haveriam de arrepender-se.Luc. os que fossem santos.Atos 13:17. A escolha que Deus fez da nação judaica para Seu povo peculiar . E empregada no sentido de. João 6:70. ‫׳· ־‬ 7. Em Romanos 1:13 significa um propósito de Paulo. 5:9. Uma vez significa eleição para o ofício apostólico-Atos 9:15. 1:4. o ato de eleição soberana é atribuído especialmente ao Pai. 5o. Io. e pela providência subseqüente. A quem se atribui a eleição nas Escrituras? O decreto eterno. Em todos os demais casos significa o propósito ou ato de Deus escolhendo o Seu próprio povo para a salvação -Rom. ‫־ . Protithemi. Mas. 4o. No entanto. Em que consiste a doutrina arminiana da eleição? Os arminianos admitem a presciência de Deus. encontra-se duas vezes. ou certas classes de pessoas que tivessem semelhantes caracteres. ITess. determinando que fossem salvas. 6:13. A escolha de certos homens. 11:5. 2:5. nas menos favoráveis. como nos é revelada. a eleição feita por Deus de indivíduos para a vida eterna .Atos 15:7. 2o. Esta forma de eleição. é. 8. A escolha que Maria fez da melhor parte . advogada por Stanley Faber. a respeito da salvação dos homens. A escolha que Jesus fez dos Seus discípulos . 5. pelo arcebispo Whately. segue-se que a sua doutrina é equivalente ao seguinte: prevendo Deus que certas e determinadas pessoas haveriam de . 2 Ped. 3o. 1 Tess. sem dúvida.22. e por outros. 1 Cor. crentes que perseverassem até o fim. 1:4. e. como Sua parte pessoal. envolve a afirmação de que Deus predetermina a relação dos homens com a Igreja visível e com os meios de graça. mas sim escolheu certos caracteres. é ilustrada eminentemente pelo caso dos judeus. Uma vez o termo se refere aos que foram escolhidos para a vida eterna .9. um propósito de Deus. em Romanos 9:29 e Efésios 2:10. o ato concorrente de todas as três Pessoas da Trindade em Sua perfeita unidade de conselho e vontade. mas negam a Sua preordenação absoluta em referência à salvação de indivíduos. Tia. 9:11. faz o quinhão de alguns cair nas circunstâncias as mais favoráveis.65. e o de outros. Proetomazein. Como se pode expor a teoria da predestinação chamada "Teoria da Eleição Nacional"por seus defensores? E a teoria segundo a qual a única eleição de que falam as Escrituras. Ef.28. 10:42.g. crer e perseverar na fé e na obediência até o fim. que sem dúvida alguma representa um grande fato evangélico.Luc.

bem como os calvinistas. As três teorias admitem que Deus coloca alguns em circunstâncias mais favoráveis do que outros para a salvação. ■■.. Se disser que o motivo é a sua fé prevista. aos fins e aos motivos da eleição.arrepender-se. Quanto ao motivo da eleição de que falam as Escrituras. Diferem entre si quanto aos objetos.■■· · ' ■ · · ‫״-■:׳. quanto à eleição. Quanto ao objetivo da eleição.·. E evidente também que todos os arminianos têm que admitir até esse ponto. porém. é esta: qual o motivo da predestinação eterna de certos e determinados indivíduos para a vida eterna? São a fé e o arrependimento previstos dos próprios indivíduos. É evidente que a doutrina calvinista dos decretos inclui a eleição absoluta tanto de comunidades e nações como de indivíduos para o uso dos meios de graça e para os privilégios exteriores da Igreja. será calvinista. Quais os diversos princípios em que as teorias acima mencionadas concordam. se disser que o motivo da sua eleição foi a boa vontade soberana de Deus. e esta concordância das suas posições com os calvinistas. sustentam que não é o decreto de Deus que determina o destino final de cada homem. arminiana e do "Individualismo Eclesiástico" concordam em dizer que são indivíduos. ‫־‬ 10. comunidades e nações para os privilégios exteriores do evangelho e para o uso dos meios de graça. Quais os três pontos envolvidos na doutrina calvinista sobre este assunto? . · ·. A única questão realmente em disputa entre os calvinistas e os arminianos. Isso nem os arminianos nem os calvinistas negam. por causa da sua fé e perseverança assim previstas. são uma ilustração muito sugestiva da dificuldade extrema com que os defensores dos princípios arminianos têm que lutar em suas tentativas de acomodar as palavras das Escrituras à sua doutrina. Quanto aos objetos da eleição de que falam as Escrituras.. e sim. embora concordem estas três teorias no princípio fundamental. < ! ) 1. os defensores das teorias calvinista. as teorias calvinista. o princípio da eleição absoluta. os calvinistas gozam da vantagem capital de poderem dividir os seus oponentes e refutá--losseparadamente. e quais aqueles em que diferem? As teorias da "Eleição Nacional" e do "Individualismo Eclesiástico" ensinam fatos que todos admitem. As teorias do "Individualismo Eclesiástico" e da "Eleição Nacional" dizem que o objetivo da eleição é a admissão ao uso dos meios de graça. Ele predestinou desde a eternidade essas pessoas para a vida e para a salvação. será arminiano. ao mesmo tempo. Todavia. e por isso essa admissão só não discrimina entre os dois grandes sistemas opostos. crer e perseverar na fé e na obediência até o fim.!. A teoria da "Eleição Nacional" afirma que os objetos são nações ou comunidades. as teorias calvinista e arminiana dizem que é a salvação eterna dos indivíduos eleitos. sejam quais forem as doutrinas que sustentar além dessa. enquanto que os arminianos dizem que os eleitos são tais por causa da sua fé. De um ponto de vista polêmico. da "Eleição Nacional" e do "Individualismo Eclesiástico" concordam em dizer que é a boa vontade soberana de Deus. a saber. Esta divisão entre si. que Deus predestina indivíduos.. alternando com divergências. seu arrependimento e sua perseverança previstos com certeza em cada caso individual. diferem entre si quanto ao modo pelo qual procuram harmonizar as declarações das Escrituras com esse princípio.■׳·׳‬ 9. ou é a boa vontade soberana de Deus? É forçoso que todo cristão tome lugar de um ou do outro lado desta questão. que Deus o deixou dependente da livre vontade dos próprios homens. Mas ambas essas teorias são viciosas e idênticas à arminiana em negarem que Deus predestina absolutamente as ações livres dos homens e a salvação final de indivíduos.>.

2:13. £ possível demonstrar a presunção da veracidade do que acima foi dito. 9:7.g. cap. mas não se acham restringidos por nenhuma fé na inspiração divina da Bíblia. Como se pode demonstrar que as Escrituras declaram habitualmente que a predestinação é fundada na "boa vontade" ou no "beneplácito de Deus" e no "conselho da Sua vontade"? . as comunidades e os indivíduos predestinados absolutamente a toda forma de bem e mal que lhes sobrevêm.Atos 13:48. Também é dito explicitamente que as bênçãos que essa eleição torna seguras são dadas pela graça de Deus. e não pertencem a nações. Além do pressuposto que a favor do calvinismo provém do fato mencionado no fim da resposta à Pergunta 9. As Escrituras falam deles sempre como indivíduos. Se os decretos de Deus referem-se a todos os eventos.Heb. Eis. sua eleição não podia ser limitada aos privilégios exteriores da Igreja . 12:23. 2o.Rom. 4:3. 1:5. são os elementos resultantes da salvação e dela inseparáveis. contudo. em suas Instituciones Theologice Christiance Dogmatiece. Ef. 12. § 145. 33. "para serem conformes à imagem de seu Filho". 2:13. todavia as Escrituras ensinam também e especificamente que há uma eleição (1) de indivíduos determinados. a maior autoridade que há quanto aos resultados a que chegaram os racionalistas alemães em teologia dogmática. segue-se que não restam mais eventos que pudessem constituir a condição dos decretos ou de qualquer elemento neles presente. 3o. pois. Ef. e. 2 Tess. e muito especialmente pelo espírito acanhado do particularismo judaico. declara que as passagens citadas de Paulo ensinam a doutrina calvinista. por conseguinte. Como se pode provar pelas Escrituras que os eleitos são indivíduos. Decline and Fali ofthe Roman Empire.. 3:29. Fil. 8:15. As Escrituras distinguem explicitamente entre os eleitos e a massa em geral da Igreja visível. que concordam com os arminianos na sua oposição intensa aos princípios calvinistas. Dizem as Escrituras que os nomes dos eleitos estão escritos "nos céus" e "no livro da vida" . 1 Tess.Rom. e os determinam. que os decretos de Deus são absolutos e dizem respeito a toda espécie de eventos. 1:4. 3. Nota 31: "Talvez alguém que raciocine com mais independência chegue a rir quando lê um comentário arminiano da Epístola aos Romanos". que. Sustentam. sejam quais forem. o testemunho imparcial de inimigos: Wegscheider. e. Da doutrina geral dos decretos. são salvadoras. 2 Tess. 11. Como se pode mostrar que essa eleição não se fundamenta em obras. e sim a indivíduos.Os calvinistas afirmam. de se verem os intérpretes anticalvinistas obrigados a recorrer a todo tipo de hipóteses diversas para desviar a força óbvia do testemunho bíblico a favor da predestinação absoluta. Parte 3. Cap. Rom. Veja também Gibbon. embora sejam as nações. de qualquer espécie que sejam. As Escrituras declaram explicitamente que os decretos não têm por condição obras de nenhuma espécie . por conseguinte. (3) não baseada na fé prevista das pessoas eleitas. 5:9. 1:9. 13. estabelecida no capítulo anterior. 9:4-7. -Rom. 14.16. citamos ainda o pressuposto adicional que a favor da mesma doutrina provém do fato de que os racionalistas e os incrédulos em geral. 9:15. 9:11. têm. porém que esse apóstolo foi levado ao erro pelas noções errôneas e imperfeitas do seu século. "a adoção de filhos". 4o. como mostramos no capítulo anterior. 2o. quer previstas quer não? Isto segue-se . (2) para a graça da salvação. e que a finalidade da sua eleição é a vida eterna ? Io. bastante franqueza para admitir que esse Livro só pode ser logicamente interpretado no sentido calvinista. e sim unicamente na boa vontade soberana de Deus. e que o pressuposto dessa verdade tem por base o fato de que imparciais intérpretes incrédulos e racionalistas admitem que a letra das Escrituras só pode ser adequadamente interpretada no sentido calvinista. e segue-se também que Deus decretou a fé e o arrependimento dos eleitos como também a salvação da qual são a condição.2Tim. etc.29.Io. e da eleição deles falam sempre como tendo por fim a graça ou a glória .

Contudo. em suas orações e em seus hinos exprimem sempre os sentimentos próprios da doutrina calvinista da eleição incondicional? . seja qual for sua escola teológica. (2) que. 1:2. 2:8. 9:1018. 2:13. pois. se os homens nascem com uma natureza cuja tendência universal é para o pecado. 18. se a regeneração em nenhum sentido é obra realizada pelo homem. não podem ser as condições de que depende esse propósito. Como se pode expor o argumento derivado da afirmação de que "a fé". ou que a fé e o arrependimento não podem ser as condições da eleição. Nota do tradutor. ou que ninguém pode ser eleito. nem mesmo segundo a Vulgata. "o arrependimento" e "a obediência evangélica"são frutos da eleição? E auto-evidente que as mesmas ações não podem ser ao mesmo tempo motivos da eleição e frutos dela resultantes. são resultantes do Seu propósito eterno. Atos 5:31 el Cor. (3) que ela é absolutamente necessária no caso de todos os homens vivos. Ef. nem segundo o grego. 15. "o arrependimento" e "a obediência evangélica" são frutos. pelo amor que nos teve. 2 Tim. segue-se. 1:9. para que > > 16.24.João 10:26. Mat. se a natureza humana não pode nem produzi-los nem ajudar a produzi-los. E os que crêem o fazem porque são eleitos . crêem? Todos os eleitos crêem . não pode ser a condição de que dependa o propósito de Deus. Qual o argumento derivado do fato de que todos os cristãos evangélicos. o fato de um homem os possuir é resultante de um ato de Deus. 1 Ped. enquanto não regenerados pelo Espírito de Deus. Somente os eleitos crêem . para sermos santos e imaculados diante de seus olhos" * -2Tess. O texto da Vulgata é: "Elegit nos in ipso ante mundi constitutionem. · --- No capítulo 24 será provado que as Escrituras ensinam: (1) que a regeneração é ato de Deus. A tradução fiel do grego e da Vulgata é: "Elegeu-nos nele mesmo antes do estabelecimento do mundo. Ora. 6:37-39. 11:25.26. 19.Citando textos como os seguintes: Ef. ut essemus sancti et immaculati in conspectu ejus in charitate". a alma é passiva. pois. segue-se que a natureza humana não regenerada não é capaz. 1 Esta é a versão de Figueiredo. 20. é obra realizada unicamente por Deus. 1:5-11. mas é uma obra determinada por esse propósito. 17. com respeito ao referido ato. total e inalienavelmente avessos a e incapazes de tudo o que é bom. Ensinando. a eleição tem por condições a fé e o arrependimento. Se. Rom.19. 4:7.· o. em todos os sentidos. 2:10. mas não é fiel. Faça-se a exposição do mesmo argumento derivado do fato de serem aféeo arrependimento chamados dons de Deus. 1:4: "Elegeu-nos nele mesmo antes do estabelecimento do mundo. 27-29. Se são resultantes do Seu propósito. As Escrituras ensinam essa verdade em Ef.9. e SOMENTE os eleitos. Como se prova pelas Escrituras que todos os eleitos. a Bíblia que "a fé". e sim. nem de aperfeiçoar estes dons. é necessário que o homem os produza ou ajude a produzi-los em si. João 15:16. Como expor o argumento derivado daquilo que as Escrituras ensinam quanto à natureza e à extensão da depravação inata e da incapacidade? . Se a fé e o arrependimento são "dons de Deus". 17:2. não podem ser os motivos.João 10:16. r ···‫>׳־‬ O ensino das Escrituras sobre estes pontos achar-se-á exposto e estabelecido nos capítulos 19 e 20. Se são resultantes de um ato de Deus. Disso segue-se que. Como expor o mesmo argumento pelo que as Escrituras ensinam sobre a natureza e a necessidade que o homem tem da regeneração? < <fôssemos santos e imaculados diante dele no amor". As Escrituras afirmam que a fé e o arrependimento são "dons de Deus" em Ef.Atos 13:48 e 2:47. nem de tender para a fé e o arrependimento como condições da eleição. e se são sempre.

é que um faz bom uso dessa graça e outro não. e sim à sua posteridade espiritual. incorporam os princípios e respiram o espírito do calvinismo." . Veja a análise de Rom. Ele argumenta: Io. e dá-lhes resposta. porque a ensina distintamente. isto é. O fim que o apóstolo tinha em vista em toda esta passagem era provar o soberano direito que Deus tinha de rejeitar os judeus como Seu povo peculiar e de chamar pelo evangelho todos os homens indistintamente. e se a única diferença está nos homens. chegar-se ao Salvador e aceitá-10. "Ela representa o Deus santíssimo como pior do que o diabo. 9:6-24). que se façam diferençar a si mesmos. só da Sua boa vontade. Como se pode discriminar acuradamente os dois elementos envolvidos na doutrina da reprovação? Reprovação é o aspecto que o decreto eterno de Deus apresenta relativamente àquela parte da raça humana que será finalmente condenada por causa dos seus pecados. 170.18). e 2o. de todos os cristãos evangélicos. a respeito da eleição. 9:15. .Rom. Io. A isso Paulo responde mediante dois argumentos: (1) Deus reclama para Si esse direito: "Terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia" . é a mesma que a nossa? A doutrina de Paulo é idêntica à calvinista. são as mesmas que se fazem contra a nossa (Rom. e em render-Lhe graças quando o faz. Quanto ao seu elemento negativo. que a posição sustentada por esse apóstolo. que as antigas promessas de Deus não diziam respeito aos descendentes naturais de Abraão.Só pode ser falsa aquela forma de doutrina que não pode ser incorporada lógica e conseqüentemente na experiência pessoal e no culto divino. como tais.171. A segunda objeção é que esta doutrina é incompatível com a liberdade e a responsabilidade dos homens. como no caso de Faraó (versículos 17. E só pode ser verdadeira aquela forma de doutrina que todos os cristãos. Mas. Mas contra esta doutrina da soberania divina o apóstolo expõe duas objeções. Esta mesma objeção é feita hoje contra a nossa doutrina. não condescende em apelar para a razão humana. respondendo a essa objeção. de todas as opiniões teóricas. todos os salmos. mais cruel e mais injusto. Essa objeção é na verdade absurda contra a doutrina de Paulo. porque consiste em passar por alto essa parte e em deixar de elegê-la para a vida eterna. feitas contra a sua doutrina. e o motivo simples pelo qual alguns são eleitos e outros passados por alto é a boa vontade soberana de Deus. porque aqueles que o decreto passa por alto não são piores do que os eleitos. porque os homens envolvidos são condenados à miséria eterna. pela natureza das objeções feitas contra a doutrina de Paulo. 22. exerce esse direito. 2o. que Deus é soberano absoluto na distribuição dos Seus favores. 9:6-24 no Commentary on Romans. A doutrina é. positiva.16.Methodist Doctrinal Tracts. por serem pecadores (versículos 2024). afirma simplesmente (1) a soberania de Deus como Criador. e pelas respostas que lhes deu. a reprovação é simplesmente soberana. se acham sempre impelidos a exprimir na sua comunhão com Deus. hinos e orações. Io. mais falso. págs. Ia. porque as objeções notadas por ele. segue--se que devemos pedir aos homens que se convertam a si mesmos. se Deus dá a todos os homens graça comum e suficiente. em Sua providência. e sim. Deus seria injusto se. negativa. mas é feita todos os dias pelos arminianos contra a nossa doutrina. 2a. 2o. Ora. e se a razão pela qual um homem arrepende-se e outro não. (2) Deus. manifestasse a Sua misericórdia a alguns e rejeitasse outros (versículo 14). por Hodge. Como se pode mostrar. quer escritos quer espontâneos. Paulo. Todos em suas orações pedem a Deus que faça os homens arrepender-se e crer. 21. e a dependência do homem como criatura. Mas todos concordam em pedir a Deus que os salve. e (2) o fato de estarem todos os homens expostos com toda a justiça à ira.

Io. Senhor do céu e da terra. Apoc. No caso de Jacó e Esaú (9-13). ó Pai. que "os vasos da ira" foram condenados por seus próprios pecados. ARC. 9:18. "O resto dos homens aprouve a Deus não contemplar e ordená--los para a desonra e ira por causa de seus pecados" . retira deles todas as influências da Sua graça. 1 Ped.. 24. Este é. i1 . ó Pai. como pode mandar? Veja também Methodist Doctrinal Tracts.versículo 11.versículo 21. 4.21. Cap. sem dúvida. não tendo eles ainda nascido. inflige miséria somente como a justa punição do pecado. para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra? . "De que se queixa ele ainda?" Se Ele não deu capacidade para obedecer. a massa toda é barro. não por haver neles qualquer coisa que fosse boa. Em que sentido se diz que Deus endurece os homens? Veja Romanos 9:18 e João 12:40.. 171. O apóstolo responde mostrando. que não havia neles diferença alguma. porque Deus. Ele tem que preordenar os que não crêem como também os que crêem. Como se demonstra a identidade da doutrina de Paulo com a nossa pelas ilustrações de que ele se serve no capítulo nove da Epístola aos Romanos? "Não tem o oleiro poder (exousia) sobre o barro. 13:8. Como demonstrar que contra a doutrina de Paulo se fez a mesma objeção que se faz contra a nossa? Citando Romanos 9:19. 2°. e. porque assim te aprouve" Mat. . ficasse firme.Quanto ao seu elemento positivo. Jud. e sim unicamente para manifestar-se neles a Sua graça gloriosa . 11:15. e nem mesmo para com alguns . no barro. Notem estas palavras do Senhor Jesus Cristo: "Graças te dou. a fim de manifestar-se neles a justa ira de Deus. 3. a reprovação é soberana. enquanto que "os vasos de misericórdia" foram escolhidos. 23. embora estes eventos sejam resultantes de causas bem diversas. 27. e as revelaste aos pequeninos."Porque. e a única causa da diferença dos vasos é a vontade do oleiro. a doutrina da reprovação é auto--evidentemente elemento inseparável da doutrina dos decretos e da eleição. Aqui a força inteira da ilustração está no fato de não haver nenhuma diferença na massa. é evidente que também deixa entregues a si mesmos incondicionalmente os que Lhe apraz. mas simplesmente judicial.Conf.23. . o ponto ilustrado é que um dos filhos era tão bom como o outro.26. Seção 7. mas por aquele que chama. que Deus não tem obrigação alguma de manifestar misericórdia para com todos. Sim. pág. 2:8. Como se pode demonstrar que as referidas posições acham-se envolvidos necessariamente na doutrina geral dos decretos e na doutrina específica da eleição de alguns para a vida eterna? Como já dissemos acima. segundo a eleição.21. Como se prova que isso é ensinado nas Escrituras? Pela citação de textos como os seguintes: Rom. e que a diferença posterior entre eles era devida ao "decreto de Deus segundo a eleição" .versículos 22. porque ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos.. não por causa das obras. um ato judicial no qual Deus. não eleitos para a vida.versículos 20.u· ‫־"־׳‬ 25. de Fé. em todo e qualquer caso. e os deixa entregues às tendências desenfreadas de seus corações e às influências não contrariadas do mundo e do diabo. Se Deus elege incondicionalmente a quem Lhe apraz. 26. nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de Deus. "Vós não credes porque não sois das minhas ovelhas"-João 10:26. em justo castigo dos pecados dos homens maus. vers.

recebida pela graça. porém. Por isso afirmam que o homem não pode ser punido pelo pecado original. : . e sim um simples ato de justiça em compensação pelos males que Adão trouxe sobre a nossa natureza. e se dispõem naturalmente para o mal. ■‫׳־ ׳׳··׳־■. que o auxílio do Espírito Santo. como asserção atrevida e precária. todos os homens são responsáveis. 30. Essa corrente distingue entre a culpa e a responsabilidade moral pelo caráter e pela corrupção moral da natureza. págs. ou.: ·. 29. em conseqüência do dom de Cristo. 4o. e são necessárias para que eles se tornem responsáveis e puníveis por seus pecados. porque o seu estado foi determinado inevitavelmente por um ato que não era seu. nem por nenhuma de suas conseqüências. porém. Como expor a idéia fundamental em que repousa necessariamente todo o arminianismo a respeito da relação que a obra remediadora (terapêutica) de Cristo sustenta para com a justiça de Deus. porque. visto que só assim os homens. "Rejeito". por um decreto soberano e absoluto. que não é sustentada pelas Escrituras Sagradas.D. dando a todos os homens capacidade. seria injusto da parte de Deus torná-los responsáveis e puni-los por sua falta de fé. e a respeito da relação que a raça humana sustenta para com o governo divino? Quando se analisa o sistema arminiano penetrando até os seus princípios fundamentais. como também corruptos. Essa redenção e essa capacidade recebida pela graça para crerem e obedecerem. é que ele pode restritamente ser responsável por fazer o mal". Permitir que propagassem a raça sob as incapacidades resultantes do pecado e prover um sistema redentor para todos. depois de Adão pecar. 2o. Ensina que somente Adão e Eva foram culpados. D. Segue-se ainda que é a graça que envia os homens para o inferno. Que isso é devido a todos os homens. ficam habilitados para escolher o contrário. no que se refere a esses atos de crer. ־‬ Diz o Dr. "a asserção de que Deus com justiça me podia ter passado por alto. Seus descendentes.Doctrinal Tracts. mas não são culpados nem responsáveis pelo pecado original. tendo sido criados moralmente livres. a mim e a todos os homens. 25. Deus tinha a escolha entre somente duas alternativas compatíveis com a justiça: Ia. arrepender-se e obedecer. Sustentam. para fazer tudo quanto deles exige como condição da sua salvação. e que todos os descendentes de Adão nascem com uma natureza tão depravada que são moralmente incapazes de amar a Deus. 2a. se Deus não houvesse por Cristo provido um remédio. e por isso responsáveis. é tão necessário para tornar os homens "pecadores responsáveis" como o é para trazê-los à salvação. e que a ela é devida a condenação de maior número de almas do que o de almas que por ela foram salvas. diz João Wesley (. passa por alto alguns homens e não lhes concede a graça necessária para habilitá-los a arrepender-se e a crer em Cristo. Os arminianos admitem que esse pecado foi a causa que tornou pecadora a raça inteira. porque herdaram de Adão uma natureza corrompida. acha-se que o referido sistema repousa sobre o postulado de que o dom de Cristo foi dado aos homens como compensação necessária pelos males que sobre eles trouxe o pecado de Adão. Deus deve a todos os homens. Enviar à perdição Adão e Eva antes de terem filhos.Whedon: "Somente quando se concede ao homem redentoramente o que chamamos uma capacidade dada pela graça para fazer o bem. Desta doutrina segue-se: Io. porque todos têm a graça suficiente. Que a obra de redenção não foi uma obra da graça infinita. corromperam-se voluntariamente por seu próprio ato. sem nenhuma exceção." 3o. que os homens a princípio não são responsáveis por sua condição moral. No estado atual das coisas.26). Qual a objeção feita contra a doutrina calvinista sob o fundamento de que é incompatível com a justiça? Há os que afirmam que se Deus. estão todos poluídos moralmente e mortos espiritualmente. Como demonstrar que aposição dos arminianos a este respeito é absolutamente incompatível com aquilo que as Escrituras e a Igreja Cristã inteira ensinam sobre a natureza e a necessidade da SATISFAÇÃO dada à justiça divina por Cristo? . porque nascem nessa condição anterior a toda ação pessoal. assim como os leva para o céu.28. nem poderia homem algum ser responsabilizado por qualquer ato de desobediência que fosse resultado inevitável dessa depravação original. Segue-se mais. Diz ele ainda que. por Sua graça.

. 1:17. 1 Ped.·׳ ־‬ . ‫. e na segunda afirma-se que Deus. 15:10. e que a salvação nos vem da graça de Deus . 3:22. Apoc. Dizem também que esta justa pressuposição da razão se acha confirmada nas Escrituras. Ou a salvação de nenhum indivíduo é compatível com a justiça ou o sacrifício de Cristo foi o pagamento de uma dívida. isto é. 1 Ped.. evidentemente não pode tornar-se motivo pelo qual outro pecador igualmente culpado possa exigi-la como um direito seu. não merecido. muitos. Mas as Escrituras declaram que o dom de Cristo é uma manifestação sem igual do livre amor de Deus. Qual o sentido de uma "capacidade dada pela graça e concedida redentoramente" a respeito de pessoas que nada perderam porque não são responsáveis por nada? Não seria uma impertinência falar. Mas isso seria absurdo se os homens não fossem antecedentemente responsáveis pelos pecados pelos quais era necessário que dessem satisfação. ■i i '.1 Cor. 3:24.Lam. chegaremos à conclusão de que a salvação só pode vir da graça divina. e não sobre o juízo feito a respeito de obras. ‫:. 32. é evidentemente compatível com a Sua justiça que Ele salve todos. a questão versa sobre a graça. Se tomarmos.׳׳‬ru. a poucos ou a ninguém. então o dom de Cristo não pode ser uma manifestação suprema do livre favor e amor de Deus. presumivelmente em edição antiga) de pessoas"-Atos 10:34. uns poucos. Rom. Seria incompatível com a retidão que um homem pecador exigisse ou que Deus concedesse a salvação a qualquer pessoa como algo que lhe é devido.6. porém. 4:7. 11:5. é absolutamente imparcial. Na eleição. Na primeira destas passsagens o apóstolo fala simplesmente da aplicação do evangelho aos gentios bem como aos judeus. João 3:16.. no caso delas. 1:18. concedido a quem não o merece. em "redenção" e em "graça"? ·.l9:7 Figueiredo. E todo cristão verdadeiro reconhece como elemento inseparável da sua experiência que a salvação é toda da graça de Deus. Como expor e refutar a objeção de que a nossa doutrina é incompatível com a retidão de Deus como GOVERNADOR IMPARCIAL? Muitas vezes os arminianos dizem que a razão nos ensina a esperar que o Criador e Governador onipotente de todos os homens seja imparcial no modo por que trata os indivíduos -que conceda a todos as mesmas vantagens essenciais e as mesmas condições de salvação. se não fosse satisfeita a justiça de Deus. Ef. E injusto justificar os injustos. De outro modo negar-se-ia a sentença condenatória da consciência e a cruz de Cristo ficaria sem nenhum efeito. ou nenhum. e que depende unicamente da vontade soberana de Deus se há de ser aplicada a muitos.No capítulo 25 será demonstrado que as Escrituras e a Igreja inteira ensinam que para a salvação do homem era absolutamente necessário dar-se plena satisfação ao inalienável princípio de justiça essencial à natureza divina. E a salvação de um pecador que não a merece..‫׳‬ 31. porém. e não uma graça. as quais declaram que "Deus não faz acepção (ou exceção. 5:8-14. 1:5.6. de modo que. 2:4-10. a salvação vem só da graça de Deus. Se.20. pois. Ele não poderia manifestar Sua graça a homem algum. etc. no Seu julgamento das obras humanas.19. ou se é uma compensação necessária para que sejam responsáveis. como fundamento a própria justiça. 1 Cor. Se a redenção é algo que todos os homens merecem receber. Pode ser somente uma manifestação da Sua retidão. Esta é também a explicação das doxologias do céu . Como se prova pelas Escrituras que a salvação vem da graça? Graça é favor livre. e as Escrituras em parte alguma dizem que Deus é imparcial na comunicação da Sua graça. como Lhe apraz. 6:19. Como se prova que é absurda e anticristã a objeção segundo a qual a eleição incondicional é incompatível com a justiça de Deus? A justiça considera necessariamente todos os homens como igualmente sem nenhum direito ao favor de Deus.I. como em 2 Crôn.■‫׳ ׳‬ 33.

ou adquiram o hábito de comportamento moral. devemos sempre interpretar as pressuposições da razão e os textos das Escrituras à luz dos fatos palpáveis da história humana e das dispensações diárias da providência de Deus. Como matéria de fato. nascem e são criadas em circunstâncias que não somente tornam improvável. realmente. · ׳··. que grandes multidões. não pode ser menos injusto que seja parcial na Sua distribuição de bens temporais. por motivos suficientes mas que não nos são revelados. apesar disso. para a vergonha. Uma criança nasce para a saúde. Ele prevê. Passagens como essa declaram simplesmente a benevolência essencial de Deus. viva e morra nas trevas do paganismo. se não fossem aqueles motivos. Como refutar a objeção tirada de textos como 1 Timóteo 2:4? Eis os seus termos: "O qual deseja (quer) que todos os homens sejam salvos. feitas freqüentemente contra os calvinistas.. para a posse de um coração e de uma consciência suscetíveis. 35.e. em erros supersticiosos e na pior depravação. E uma verdade terrível. desde o seu nascimento e independentemente dos seus merecimentos. Devemos acautelar-nos muito para não empregarmos armas que podem virar-se contra nós.Essays on some of the Difficulties of St. Se Deus não pode ser parcial para com indivíduos... As passagens dessa natureza afirmam simplesmente que. nos habilita a explicar de modo satisfatório" . e para todos os melhores meios de graça. e nenhuma das intenções ou propósitos de Deus pode falhar (b) porque a afirmação é que Ele quer que todos "venham ao conhecimento da verdade" no mesmo sentido em que "quer que todos sejam salvos" . quer natural quer revelado. Como provar que a nossa doutrina não influi no ânimo dos pecadores. Ensaio 3°. ao mesmo tempo. nem os calvinistas nem os arminianos podem explicar. e como se pode explicar o Seu proceder para com as nações pagãs e para com as crianças das classes criminosas de países nominalmente cristãos? O arcebispo Whately dirige a seguinte admoestação excelente a seus amigos arminianos: "Sugiro cautela no uso que se fizer de uma série de objeções tiradas dos atributos morais de Deus. Muitas outras nascem para moléstias. mas até impossível. na distribuição. porém inegável. . e são até criadas. deixa que a imensa maioria dos homens nasça. por que é que o pode ser para com nações.Além disso. não há mais lugar para o uso de meios. (b)propor-se. para honras e riquezas. é coisa que nenhum sistema de religião. nem graça eficaz para os não eleitos entre os homens. desde crianças. por que é que o Todo-poderoso não faz morrer no berço toda criança cuja malvadez e miséria. seria do agrado da Sua natureza benévola que todos os homens fossem salvos. 34. se Deus determinou desde toda a eternidade que um homem seja convertido e seja salvo e que outro seja deixado a perecer em seus pecados. não proveu redenção para os anjos caídos. mesmo nos países evangeli-zados. se viver. que obtenham qualquer conhecimento de verdades religiosas. como sua herança segura e certa. determinar-se a. Por que é que isso é permitido. e em perfeita consonância com a Sua benevolência. Paul. mas também dos meios essenciais à salvação. sobre a eleição. E. Ele faz as maiores distinções possíveis entre os homens. Ele não tem prazer na morte dos ímpios. Se é injusto em princípio que Deus seja parcial na Sua distribuição de bens espirituais.:‫. tirando-lhes o incentivo para fazerem uso de meios? Objeta-se que. ter a intenção de. e tem muito prazer na salvação dos homens. porque (a) nem todos são salvos. a pobreza. ·׳‬ A palavra querer tem dois sentidos . e cheguem ao pleno conhecimento da verdade". não só de bens temporais. a posse de um coração duro e de uma consciência obtusa. Em contextos como o da passagem acima é evidente que o sentido não pode ser que Deus tem a intenção de salvar ou que Ele Se determinou a salvar a todos.(a) desejar. e para as trevas absolutas do paganismo e da ignorância a respeito de Cristo. Assim é . independentemente da Sua participação ativa no caso deles.

.Rom. dos quais dez foram preordenados para que sejam salvos. pois. Ef.23. temos ainda o Espírito de adoção. Veja 2 Ped. a impenitência final e a conseqüente condenação de certos homens.que João Wesley.17. 5:9. e de modo algum tolhe a ação do agente. Como se pode demonstrar que esta doutrina é compatível com a oferta geral do evangelho? No evangelho. .. para o temor. Isso é tudo quanto quer dizer reprovação. não descansa na benevolência geral de Deus. a estes também santifica. ou a escolha positiva de alguns para a vida eterna.. e os outros dez foram preordenados para serem condenados. O decreto da eleição não produz a fé. e aos que chama. esta comprova a vocação eficaz. Todavia. 9:11-13. para a esperança. etc. e apresenta todos os motivos para o dever. a certeza antecedente de um ato livre não é incompatível com a sua liberdade. Rom. tão absurda quanto perversa. 1:5-10 e 1 João 2:3. que deveriam induzir todos a aceitá-la. que dá testemunho com o nosso espírito e nos sela . na obra Methodist Doctrinal Tracts. 1:12) e o de muitos cristãos. a estes também justifica. porque aos que Deus predestina a estes também chama. ■'li'■: 36. Os calvinistas crêem tão firmemente como os arminianos que todo o que praticar o mal será condenado. sendo infinitamente bom e poderoso. . a salvação mediante a fé e a santidade. Em confirmação disso temos o exemplo de Paulo (2 Tim. representa falsamente a doutrina de Toplady. dizendo: "Há.. e sabemos que aos que justifica. independentemente da consideração se é eleito ou não. e promete solenemente que . suponhamos. uma caricatura da doutrina. tenha admitido um sistema que envolve o pecado. O decreto da eleição não assegura a salvação sem a fé e a santidade. Como se pode demonstrar que esta doutrina é compatível com a benevolência de Deus? A única dificuldade a este respeito está em conciliar a benevolência geral de Deus com o fato de que Ele.. e tampouco o exime da prática de obras. O decreto da eleição só torna certos o arrependimento e a fé dos eleitos. sem nenhuma exceção. segundo a Sua boa vontade. Os fatos provam que não é incompatível com a benevolência geral de Deus permitir que alguns sejam condenados por causa dos seus pecados. 2:13). Além dessas provas fornecidas por nosso estado de graça e por nossos atos. façam o que fizerem. sendo decretados tanto os meios como o fim.. e sim no amor especial que Ele dedica aos Seus . Opera neles tanto o querer como o efetuar. A doutrina da eleição não ensina que Deus constrange os homens de um modo incompatível com a sua liberdade. façam o que fizerem". e em que se baseia essa convicção? E-nos possível alcançar nesta vida uma convicção inabalável e certa da nossa eleição. uma salvação suficiente para todos e exatamente adaptada a todos. (Fil. 38. Isso é. Os eleitos Ele. faz com que O queiram. de outro modo seria impossível a presciência de um ato livre. 4:30. Assim. 37. e esta comprova a eleição. 8:16. e sim. Deus oferece sinceramente a todos os que o ouvem.João 17:6. A eleição gratuita. E certo é que Deus fazer que um homem queira não o tolhe de sua liberdade! 3o. porém. 2o. vinte homens. Até onde podemos estar convencidos de que somos eleitos. Entretanto a mesma dificuldade aperta também o sistema arminiano. 1 Tess. Os não eleitos Ele simplesmente deixa fazer o que for de conformidade com os impulsos dos seus próprios corações maus.. os frutos do Espírito comprovam a santificação. no dia do Seu poder. CONSIDEREMOS: Io..

Fazem parte deste sistema os princípios igualmente certos da liberdade e da responsabilidade moral dos homens.. a doutrina da predestinação. Que esta verdade não é incompatível com este sistema baseado na graça de Deus. impedindo-o de aceitar as ofertas feitas no evangelho.. seja eleita ou não. Leva ao inquiridor a desesperar absolutamente de si e a aceitar cordialmente a oferta livre de Cristo. ■ ). permite que exista o pecado no Seu universo? Os arminianos não podem responder a esta pergunta melhor do que os calvinistas. deixar que o seu pecado aumente inevitavelmente? Mas os arminianos. pois. No caso do crente que tem o testemunho em si. sendo infinitamente sábio. Qualquer pessoa. Por que é que Deus. Os não eleitos Deus simplesmente deixa fazer aquilo que seus próprios corações lhes determina que façam.‫. . de um modo compatível com a Sua santidade. exceto nos seus elementos conseqüentes de vocação eficaz. ilustra as riquezas da Sua graça e o Seu justo desprazer pelo pecado. e as ofertas livres do evangelho feitas a todos. fé e vida santa. . Quando é sustentada nesses termos. Os não eleitos poderiam vir e ser salvos. e assim resulta no aumento do pecado durante toda a eternidade. ao mesmo tempo. ao mesmo tempo. A verdadeira dificuldade está no problema humanamente insolúvel da permissão do mal. Io. misericordioso e poderoso. com o fato de Lho oferecer. Mas o decreto da eleição não põe nenhum obstáculo no caminho de ninguém. a eleição é uma graça especial acrescentada àquela oferta. Imprime em nós com mais força a verdade essencial de que a salvação é inteiramente obra da graça de Deus. Io. nem jactar-se se for salvo. apesar da Sua presciência certa de que esses mesmos indivíduos continuariam a pecar eternamente.‫׳. de modo nenhum será lançado fora. formar um propósito cujo efeito e intenção é deixar esses não eleitos no pecado e. Os eleitos vêm. O evangelho é para todos. faz parte integrante dele. Exalta a majestade e a soberania absoluta de Deus e. e não o decreto da eleição. seja quem for. e que ninguém pode queixar-se se for passado por alto. . 2o. como também os calvinistas. 40. ■■ > ' 40. será salva se aceitar essas ofertas. Como. chegando à esperança certa e segura. aumenta a sua confiança. só e unicamente a pecaminosa falta de vontade que impede qualquer pessoa que ouve o evangelho de recebê-lo e gozá-lo.todo aquele que vier a Ele. das ameaças e das promessas de Deus expressos claramente nas Escrituras. especialmente à vista da consideração de que Ele prevê que os Seus oferecimentos aumentam muito e com toda a certeza a culpa e a miséria final dos que os rejeitam. e sim. Não é menor a transparente dificuldade que se encontra na tentativa de conciliar a presciência certa de Deus da impenitência final da grande maioria daqueles a quem Ele oferece o Seu amor e por toda forma de argumentos procura persuadir a aceitá-10. E. reconhecem que Deus criou a raça humana apesar de prever com toda a certeza que daria assim ocasião a muito pecado. Que a nossa única regra de dever é a que se compõe dos mandamentos.. esta doutrina o torna mais humilde e. . .:!«׳‬ 39. assim. pode Deus. Qual a legítima influência prática desta doutrina sobre a experiência e a conduta cristãs? Devemos lembrar.׳<׳‬j. 2o. o qual Ele nunca revela.:‫! -׳ ·:׳‬q 3o. pois. reto. e criou também certos indivíduos. Como se pode conciliar a doutrina da reprovação com a santidade de Deus? A reprovação deixa os não eleitos nos seus pecados. se quisessem.

4o. Mas. E como um homem que por um só ato da sua inteligência reconhece uma máquina complicada que lhe é familiar. 2o. é questão quanto à verdadeira relação que sustentam entre si as diversas partes do sistema decretado. Qual é a teoria arminiana quanto à ordem dos decretos que se referem à raça humana? Io. Que idéias a esse respeito ensinaram os teólogos protestantes franceses Cameron. ao decreto que permitiu a queda do homem. ESTA É A TEORIA COMUM ÀS IGREJAS REFORMADAS. e que fossem reprovados por seus pecados todos os que não cressem. O decreto de preparar a salvação para os eleitos. nem (b) na deliberação distinta. representa este como objeto da eleição depois de criado e decaído. sob a condição da sua fé. e de passar por alto os outros. Sendo o homem falível. prevendo que. ou opção. se os homens fossem deixados a si mesmos. O de eleger certos homens dentre a raça inteira decaída e com justiça condenada. para a vida eterna. ensinaram que Deus decretou -Io.-·■. e a respeito do fim e motivo da eleição? Do motivo e fim da eleição já tratamos por extenso acima. O decreto de criar o homem. aos quais decretou conceder as graças necessárias do arrependimento e da fé. Como se pode expor a verdadeira natureza da questão discutida pelos teólogos a respeito da ORDEM DOS DECRETOS DIVINOS? ' Desde que cremos que o decreto de Deus é uma só intenção eterna. determinando a existência do sistema inteiro. 44. no propósito divino. O todo é um só propósito. e preparar meios suficientes para aplicar eficazmente essa salvação à situação de todos. Deus elegeu desde toda a eternidade para a vida eterna aqueles cuja fé previa. por ser um agente moral e ter a sua vontade essencialmente contingente. 3o.. e reprovou aqueles que previa que continuariam impenitentes. nem (a) no tempo. Isto é. determinadas por Ele em suas diversas sucessões e relações. Mas.. não pode haver ordem de sucessão nos Seus propósitos.41. ou o decreto da predestinação considerado como subseqüente. Criar o homem.·:. Amyrant e outros? Estes professores teológicos em Saumur. Deus. O de permitir que caísse. nenhum deles se arrependeria nem creria. CONFIRMADA PELO SÍNODO DE DORT E PELA ASSEMBLÉIA DE WESTMINSTER. . e sim. da parte de Deus. na mediação de Cristo. prevendo que o homem cairia com certeza na condenação e na corrupção do pecado. Do desígnio que Deus tinha em vista ao dardos Cristo. Decretou absolutamente que fossem salvos todos os que cressem em Cristo. Permitir que ele caísse. e que outros haveriam de continuar impenitentes até ao fim. Que é a teoria infralapsariana da predestinação? A teoria infralapsariana (infra-lapsum) da predestinação. 2o. 3o. trataremos na divisão 4 do capítulo 25. predestinação e redenção? Que ensinam as Escrituras a respeito do propósito de Deus no sentido de dar Seu Filho. A ordem dos decretos é então a seguinte: Io. por isso elegeu soberanamente alguns. e sendo por isso impossível prevenir ou impedir o seu pecado. Por isso. as suas relações no sistema. Preparar. 4 o. decretou preparar uma salvação gratuita para todos os homens. como se um propósito realmente precedesse a outro. 3o. e a intenção do todo. e no mesmo ato distingue acuradamente suas diversas partes e compreende a sua unidade. 2o. 42. 45. durante o segundo quarto do século 17. deixando-os entregues às justas conseqüências dos seus pecados. Que é a teoria supralapsariana da predestinação? Chama-se supralapsariana (supra lapsum) a teoria das . O decreto de criar o homem. sob a condição dessa impenitência. Prevendo que certos indivíduos haveriam de arrepender-se e crer. salvação para todos. 43. 4o. mediante Cristo. a questão quanto à ordem dos decretos não é questão quanto à ordem dos atos de Deus ao decretar. que relação estabeleceu o único propósito eterno de Deus entre criação. Deus compreendeu naturalmente todas as partes do sistema.

3o. não o homem como já criado e decaído. e não o homem criado e decaído. capazes de ser criados. é verdade em todas as esferas compreendidas na experiência humana.diversas provisões do decreto divino nas suas relações lógicas. 2a. A ordem dos decretos seria então esta: Io. o decreto da eleição sucede ao decreto de criar e permitir a Queda. A teoria supralapsariana considera como objeto da eleição ou da reprovação. Como expor os argumentos contra a teoria supralapsariana? Não há dúvida de que esta é a teoria mais lógica de todas. Dentre todos os homens possíveis Deus primeiro decretou a salvação de uns e a condenação de outros. se o resultado final da questão toda é a glorificação de Deus na salvação dos eleitos e na perdição dos não eleitos. que supõe que o supremo fim que Deus Se propôs na salvação de uns e na condenação de outros. o grande oponente de Armínio. Ia. foi a Sua própria glória. porém. o decreto da eleição precede ao da redenção. porém. A teoria francesa ou saumuriana (da escola de Saumur) comparada com a teoria legítima das igrejas reformadas e com a arminiana: A teoria da escola de Saumur está de acordo com a reformada. E postulada sobre o princípio de que aquilo que se faz por último tencionava-se fazer desde o princípio. A teoria infralapsariana considera como único objeto desses decretos o homem como já criado e decaído. Esta foi a teoria de Beza. muito menos para que se insista nelas. Argumenta-se. e o da eleição depende tão-somente da boa vontade de Deus. o objeto da eleição e da reprovação é só o homem capaz de ser criado e de cair. 2o. A teoria supralapsariana comparada com a infralap-sariana. e que. As objeções contra a teoria supralapsariana são as seguintes. Decretou permitir que caíssem. Segundo a teoria infralapsariana. 2o. Para alcançar esse fim. e sim do número inteiro de homens pecadores realmente existentes-João 15:19. e difere da arminiana porque sustenta que a eleição depende unicamente da boa vontade soberana de Deus. que. Não poderia ser amado nem eleito. A linguagem inteira das Escrituras em relação a este assunto implica em que "os eleitos" o foram como objetos do amor eterno. decretou criar os que já havia escolhido ou reprovado. 11:5. pois.7.. a seu respeito só podemos saber aquilo que nos é positivamente revelado. Decretou preparar a salvação para os eleitos. Segundo o calvinista. a não ser que fosse considerado como já criado. 47. e sim o homem como capaz de ser criado e de cair. como meio para alcançar esse fim. O homem capaz de ser criado é uma nonentidade. Como expor os diversos pontos de acordo e de diferença entre essas diversas teorias? Io. 4o.. o decreto de eleger uns e reprovar outros precede ao decreto de criar o homem e permitir que caísse. . sucessor de Calvino em Genebra. 3o. Rom. Mas a causa em apreço é demasiado elevada para que se lhe apliquem a priori as regras ordinárias do juízo humano. decretou criar o homem e permitir que caísse. não do número de homens criáveis. Segundo esta teoria. a fim de promover assim a Sua própria glória. o decreto da redenção precede ao da eleição. difere.10 coisa que não existe. da teoria reformada e concorda com a arminiana em sustentar que o decreto da redenção precede ao da eleição. A teoria arminiana comparada com a calvinista: Segundo o arminiano. este resultado deve ter sido o propósito deliberado de Deus desde o princípio. sustentada pelas igrejas reformadas: Segundo a teoria supralapsariana. e isso. 46. sem dúvida nenhuma. e de Gomaro. e este tem por condição a fé prevista do indivíduo.

1 João 4:10. Isto parece incompatível com a retidão divina e também com o ensino das Escrituras.João 17:2. e conceder as condições subjetivas da salvação (graça eficaz) soif^te a alguns. e sim para efetuá-la para todos aqueles por quem Ele morreu. isto é. Por conseguinte. Em que sentido os luteranos ensinam que Cristo é a razão da eleição? Ensinam que Deus elegeu Seu povo para a vida eterna por amor de Cristo. As Escrituras declaram que os eleitos o foram para a santificação e para a aspersão do sangue de Cristo. e não a obra realizada por Cristo como o motivo do amor de Deus . A predestinação inclui a reprovação.9. a fé. E evidente. queria. Perg. Para esses a propiciação alcança a remissão dos pecados. Cat. o arrependimento e todos os frutos do Espírito. Essa presciência de Deus . e citam em apoio Efésios 1:4: "Como também nos elegeu nele (em Cristo) antes da fundação do mundo". Os eleitos o foram "nele". Segue-se. de Fé.3a. Perg. A verdadeira doutrina da propiciação (veja Cap. pois. não por amor de Cristo. que pelo menos no caso destes a morte de Cristo Se tornasse eficaz para a salvação deles. Ef. Cap. U. Conf. Deus.1 Ped. num só ato determinou preparar as condições objetivas da salvação (redenção pelo sangue de Cristo) para todos. tendo provido por Cristo salvação para todos. 1:4-6. quando foram eleitos eram como culpados e manchados pelo pecado .. 3. . Tudo isso ele foi comissionado para fazer. 20. Esta teoria é evidentemente refutada pelos mesmos argumentos apresentados acima contra as duas teorias que acabamos de mencionar. todos os que são remidos arrependem-se e crêem. que para que refere-se aos versículos 8 e 9. e sim porque a aliança eterna da graça inclui todos os eleitos como membros do corpo do qual Ele é a cabeça.12 Segundo essa teoria.. Veio para dar a vida eterna a todos quantos o Pai Lhe desse ..13 E evidente que esta teoria pode ser explicada. As Escrituras declaram que a finalidade para a qual Cristo veio foi executar o propósito da eleição. Porque "a presciência de Deus" nada mais é do que o fato de que Deus conhecia e sabia todas as coisas antes que existissem. A teoria supralapsariana representa Deus como reprovando os não eleitos por um ato soberano. ou que o foram porque Deus. teorias acima expostas. ou com a francesa (de Saumur). Como se pode demonstrar que a exegese correta de Efésios 3:9. que os eleitos foram escolhidos em Cristo e por amor dEle. Se o para que do versículo dez se referisse à cláusula imediatamente anterior. Seções 3-7. Por isso. 10:15. 1:2. Vej a Hoâge on Ephesians."O que primeiro deve-se notar acuradamente é a diferença entre a presciência e a predestinação ou a eleição eterna de Deus. Como expor os argumentos contra a teoria da escola de Saumur? Io. elegendo certos indivíduos.Breve Cat. 48. 3o. As Escrituras apresentam sempre o amor de Deus como o motivo do dom de Cristo. 49. 4a. não por causa dos pecados deles? e sim para a Sua própria glória. porém. 25) não é que Cristo veio para tornar possível a salvação. Não é compatível com o fato de que os propósitos de Deus constituem um só. e as£im Por dian te. Maior. nos quais Paulo declara que foi incumbido de pregar o evangelho aos gentios e de esclarecer os homens a respeit° do mistério* da redenção.João 3:16. Isso é realmente uma tentativa de reunir num só sistema o arminianismo e o calvinismo. !‫״‬ 50. ou de acordo com a teoria arminiana dos decretos. a redenção não pode preceder à eleição. que. a passagem ensinaria que Deus criou todas as coisas para que a Sua multiforme sabedoria fosse patenteada pela Igreja aos ^njos.para que fosse manifestada a glória de Deus. Os não eleitos foram preordenados por Deus para a desonra11 e ira por causa de seus pecados e para louvor de Sua gloriosa justiça. DIVERSAS EXPOSIÇÕES DAS IGREJAS EXPOSIÇÃO LUTERANA . 2o.10 não dá apoio à teoria supralapsariana? Há os que dizem que essa passagem é uma afirmação explícita da teoria supralapsariana.

determinando para onde vá. pela qual Ele concede ou recusa misericórdia.diz respeito aos homens bons tanto quanto aos maus. mas que alguns não são. um certo número de homens. para a glória de Seu soberano poder sobre as Suas criaturas."Dizemos que todos aqueles. e o fundamento da salvação. a própria vida eterna. Confissão de Fé de Westminster. para a salvação em Cristo. e até quando tenha que durar. o resto dos homens aprouve a Deus não contemplar e ordená-los para a desonra e ira por causa de seus pecados". mas estando na mesma miséria como os demais. é o propósito imutável de Deus. da Sua boa vontade muito livre. A Palavra de Deus conduz-nos a Cristo. e. nem melhores nem mais dignos do que os outros. dentre toda a raça humana. verdadeiramente. João Gerhard (1532-1637). como causa ou condição antecedente no homem que haveria de ser eleito. Cristo nos oferece. de modo que. para louvor de Sua gloriosa justiça. escolheu. é que se deve procurar a eleição eterna operada pelo Pai. porém. e é a causa da sua salvação. pelo qual. Seção 7. antes de se estabelecerem os fundamentos do mundo. a santidade e outros dons salutares. onde se acha revelada. Loci 2.Formula ConcordicB. a quem constituíra desde a eternidade como o Mediador e a Cabeça de todos os escolhidos. e a santidade. §9. Ele. ou Deus os passou por alto na Sua eleição eterna. justa.somente aqueles foram por Ele. afinal. Pois o pecado tem por origem o diabo e a vontade depravada e má do homem. A Palavra de Deus. que impele os homens a cometerem crimes. diz respeito tão-somente a Seus . Cap. em Seu conselho eterno. págs. as Escrituras Sagradas ilustram e nos recomendam esta graça livre e eterna da nossa eleição. decretou viverem na miséria comum à qual. também chamou" (Rom. Os trinta e nove artigos da Igreja da Inglaterra. e este nos é aberto e desdobrado mediante a pregação do evangelho. e de perseverar na fé até ao fim da vida . irrepreensível e imutável. § 15. Em Cristo> pois. porque disso eles devem culpar-se a si mesmos. Cap. mas nem por isso é a causa do mal. Cânones do Sínodo de Dort. Ele. embora em si seja o mal.l:4). 617-619. mais especialmente porque testificam também que nem todos os homens são escolhidos. isto é. Cap. nem a do pecado. "Por outro lado a "predestinação". § 7 . Esta mesma eleição não é feita em conseqüência de qualquer fé. Nem é essa presciência de Deus a causa pela qual os homens perecem. A DOUTRINA DAS IGREJAS REFORMADAS Veja acima. e sim para a fé e para a obediência da fé. -"Segundo o conselho de Sua própria vontade. filhos bons e escolhidos. por sua própria culpa. contribui para a salvação dos eleitos de Deus. decaída por sua própria culpa da sua integridade primitiva. e dela emanam como seu fruto e efeito a fé. santidade ou qualquer outra boa qualidade ou disposição previstas. 86 B . eleitos para a salvação". a eleição é a fonte de todo benefício salvador. 1. se haviam lançado. a eleição eterna operada por Deus. mas a presciência de Deus dispõe do mal e o limita. 8: 30). como Lhe apraz.porque assim está escrito: "elegeu-nos em Cristo -í'-14‫׳‬ antes do estabelecimento do mundo" (Ef."A eleição. . assim como está escrito: "aos que escolheu. e não conceder-lhes viva fé nem a graça da conversão". decretou que fossem salvos só e unicamente aqueles que conhecessem Seu Filho Jesus Cristo e cressem nEle verdadeiramente" . e só da Sua graça. e desde a eternidade. este é aquele livro da vida em que se acham inscritos e eleitos todos os que alcançam a salvação eterna . Além disso. E. segundo a Sua muito livre boa vontade. verdadeiramente. mediante a eficácia do Espírito Santo e o ministério do evangelho. e sim na Sua Palavra. Hase Collect. obediência de fé. o Redentor.7. A nossa salvação é baseada de tal modo sobre essa predestinação que as portas do inferno nunca a poderão subverter. Artigo 17. Essa predestinação operada por Deus não se deve procurar no conselho secreto de Deus. Porque lhes consegue a salvação e os dispõe para as coisas que Lhe pertencem. no pecado e destruição. o "livro da vida". 3. aos quais Deus.. e somente aqueles que Deus previa que haveriam de crer em Cristo.

salvar dentre a raça humana decaída. Todas as almas emanaram do mundo da luz. ordenou em Jesus Cristo. antes de lançar os fundamentos do mundo. E (decretou) também deixar no pecado e expostos à ira aqueles que não são convertidos e são incrédulos. 4. perseverassem até o fim na obediência da fé. e finalmente Cristo. Deus e a matéria. o Criador do mundo. Anterior à revelação havia duas causas prevalentes que impediam a aceitação dessa idéia. e que. pela graça do Espírito Santo. Cinco artigos preparados pelos defensores holandeses da redenção universal (1610). etc. e condená-los como estando fora de Cristo. (b) A segunda causa que exercia grande influência sobre os teístas era a idéia de que a admissão de semelhante criação prejudicaria a teologia natural. A conseqüência foi que todos os teístas tanto como os ateístas deixavam de conceber a idéia de uma criação absoluta. O universo material veio de matéria auto-existente.Remonstrantia etc. por um decreto imutável. o Jeová do Velho Testamento. ou de uma criação ex nihilo. explicada por eles como "um desenvolvimento necessário e gradual ad extra do germe de existência que estava em Deus". 12 A Criação do Mundo 1. lundada por Armínio. 1."Deus. Qual a teoria a este respeito que é comum a todos os sistemas panteístas? . Qual a origem da doutrina da criação ex nihilo? A prevalência. da auto-existência coordenada de dois princípios independentes. deve-se à influência da Palavra inspirada de Deus. porque nessa hipótese seria impossível conciliar a existência do mal com as perfeições de Deus. Quais as opiniões defendidas a este respeito pelos gnósticos? Alguns dos gnósticos ensinavam que o universo procede de Deus por meio de emanação. (a) A idéia então universalmente aceita era que o axioma ex nihilo nihilfit era verdadeiro. Aristóteles também sustentava que Deus e a matéria são coordenadamente auto-existentes e eternos. Em 1610 a seita recebeu esse nome porque os seus membros enviaram uma "remonstrance" (uma representação queixosa) aos estados. organizada pelo Demiurgo. Remonstrantes (queixosos). o Demiurgo. que existem coordenadamente numa eternidade indivisível e não sucessiva. da idéia de uma criação absoluta. por causa de Cristo e por Cristo. mas ficaram enredadas na matéria. negando que desejavam causar conflito na igreja. a doutrina do dualismo. juntamente com esta teoria de emanação. > 3. exposta ao castigo por causa do pecado. cressem em Seu Filho. nome de uma seita calvinista holandesa. assim como os raios de luz procedem do sol. que o tempo e o mundo presente e fenomênico que existe no tempo são obra de Deus. à qual Jesus Cristo veio extinguir dando às almas o poder de livrar-se afinal dos laços da matéria. que livremente molda a matéria em formas que dão imagens de Suas próprias idéias eternas e infinitamente perfeitas. em considerar o universo assim organizado como eterno. por conseguinte. como também considerava eterna a matéria da qual é formado. isto é.OS REMONSTRANTES * . senão a concepção. De Deus procederam por emanações sucessivas os ALons. segundo João 3:36. Nota de ()dayr Olivetti. Deus e a matéria. pela mesma graça. ou a rejeitavam como absurda. mas diferia de Platão em considerar Deus como eternamente auto-ativo em organizar da matéria o mundo. 2. aqueles que. A maioria dos gnósticos sustentava. em Cristo. e daí é que vem a contenda histórica entre o bem e o mal. · . Art. Seu Filho. e. Quais as opiniões defendidas pelos grandes teístas Platão e Aristóteles? Platão sustentava que há dois princípios eternos e auto-existentes.

como também a sua forma. das essências já criadas das coisas. Sal.Expor a verdadeira doutrina da criação. Sendo a idéia mesma inteiramente nova e alheia a todos os modos anteriores de pensar. é a melhor das que possui a língua hebraica para exprimir a idéia de fazer absolutamente. e. 1:1. 8. Nascer . Essas frases foram utilizadas primeiramente nas obras de certos teólogos luteranos do século 17. 2o. 31:22. derrubar. Derrubar (com espada). demarcar . exterior à Deidade.18. Deus é o Ser absoluto. Não foi um ato necessário e constitucional análogo aos atos imanentes e eternos da geração do Filho e da processão do Espírito Santo.g. Deus é o princípio persistente e auto-existente de todas as coisas. Expor prova direta da veracidade desta doutrina que temos nas Escrituras. tudo quanto existe.Ez. Io.e. 2o. Qual a significação primária. A frase "creatio secunda seu mediata" significa o ato subseqüente de Deus originando diversas formas de coisas. cortar.Gên. Assim.Ez.. quer de material já existente . logo no princípio.Gesenius. Jer. do nada. A doutrina cristã a respeito da criação envolve os seguintes pontos: Io.27.Dr.Gên.·· ‫״. . os princípios e as essências elementares de todas as coisas. está passando por ciclos incessantes de mudanças. e especialmente diversas espécies de seres vivos. Todas as teorias quanto à origem do mundo opostas a esta são essencialmente panteístas ou ateístas. talhar. 23:47. Esta doutrina é essencial ao teísmo. Essa nova idéia é sugerida inevitavelmente pelo modo em que a palavra é utilizada pela primeira vez por Moisés na narração que faz. e "creatio secunda seu mediata".·-■. 43:1. venha a existir ou pode existir. A Igreja Cristã sustenta ambas essas idéias. 2:3. 4o. Amós 4:13. por uma lei inerente e auto-operativa de desenvolvimento.Sal. uma floresta .21. 7. matar . 45:7.Os panteístas identificam Deus com o universo. Formar. Qual a distinção assinalada pelas expressões "creatio prima seu immediata". Esse ato criativo foi um ato de vontade livre e auto-determinada. os princípios originais e causas de todas as coisas. 3o. "No princípio". do nada.7. todas as coisas. produzir (quer do nada.. Niphal. fazer. Lexicon (presumivelmente uma edição antiga). deve a sua existência e a sua substância.Jos.. do qual as coisas são os modos especiais e transitórios. 2o. pois. Io.׳־·׳‬ 5 . Gerhard. Is. porém. 21:35. e por quem foi ela introduzida? A frase "creatio prima seu immediata" signfica o ato originário da vontade divina pelo qual Ele trouxe ou traz à existência. Deus chamou à existência. 51:12. 17:15. Formar. Mas foi executado no exercício de uma discrição absoluta e por motivos infinitamente sábios . 2o. o qual. Charles Hodge. 102:18. a Deus. Ser criado . completas e inseparáveis da essência divina. da gênese do céu e da terra. Ez.g. isto é. 2o. e qual o uso bíblico da palavra hebraica bará? Restritamente. esculpir. empregados anteriormente em sentido diverso. 6.18. 2:4. mas servindo-se deles de tal modo que sugerissem um sentido novo.4. Io. Talhar. só podia ser comunicada nas Escrituras por meio de termos antigos. 3o. Não foi necessário esse ato para completar a excelência e a felicidade divinas. 21:24 . as quais são eternas. Como introdução . 1°. em algum ponto de começo definido no tempo. Piei. 5:2. A palavra "bará". Quenstedt etc.

auto-exis-tente e independente. que foram criadas. ou da Sua preordenação. De que maneira está inferida nas Escrituras esta doutrina da criação absoluta do mundo por Deus? 10. 9. Apoc. com a liberdade da ação dos homens. não haverá mais dificuldade especial quanto à criação absoluta da matéria. que "todas as coisas" tiveram princípio Sal. na hipótese de que Ele possui o poder de criar absolutamente. Nee. 9:36. 11:3. da consciência e da constituição elementar da matéria podem ser aduzidos em prova de uma criação absoluta? Io. ou do Seu governo providencial. Essa mesma verdade é também sugerida inevitavelmente nas diversas formas de expressão empregadas nas Escrituras para designar a ação de Deus em Sua obra de originar o mundo. 4:17. e existimos" (Atos 17:28). 4:6. cuja existência. O testemunho da consciência torna manifesto: (1) Que as nossas almas são entidades individuais e distintas. e o Espírito de Deus pairava sobre o abismo.Deus fez o céu e a terra". 2o. Elas não poderiam dizer que Ele sustenta "todas as coisas. é suficiente para explicar a existência de todos os fenômenos do universo. 2 Cor. nos movemos. segue-se então que Ele. Ora. 1:16. 1:3). está condicionado e limitado pelas propriedades e forças essenciais e preexistentes desses elementos primordiais. . João 17:5. Segue--se. 3o. é evidente que. Não há aí o menor indício de qualquer material que já existisse. e não partes ou partículas de Deus. ao mandado de Jeová .6. Veja Rom. Embora nos seja inconcebível a criação absoluta de alguma coisa do nada. se os elementos essenciais e os princípios primordiais de todas as coisas não são criados imediatamente por Deus do nada.no princípio absoluto . Em todos os casos as Escrituras relacionam toda a ação causai da criação só e unicamente à "Palavra". nem "que nele é que vivemos. depois disso existiu o caos. Em caso algum se acha o menor indício de alusão a qualquer material preexistente ou a quaisquer condições precedentes de criação. pela palavra do seu poder" (Heb. e Ele nem seria o Soberano absoluto. Que argumentos derivados da razão. nem as coisas feitas dependeriam absolutamente da Sua vontade. 3o. Figueiredo). Em todas as passagens que ensinam que o cosmos. se Ele não fosse absolutamente o Criador e também o Formador de todas as coisas. E uma vez que se admita a criação ex nihilo dos espíritos dos homens. Col. como se faz na suposição de que a matéria é eterna. e existimos" . Rom. 4:11. Admitida a auto-existência necessária de um Espírito pessoal infinitamente sábio e poderoso. sendo que "nele vivemos.geral da história da formação do mundo e seus habitantes vem a declaração de que "No princípio . pois.Atos 17:28. 9:6. 1 Cor. para que o visível fosse feito do invisível" (Heb. "Pela fé é que nós entendemos que foram formados os mundos (o universo) pela palavra de Deus. não é filosófico multiplicar causas gratuitamente. sentimento inerente ao coração de todas as criaturas racionais e na realidade do qual as Escrituras tanto insistem. Só esta doutrina condiz com o sentimento de dependência absoluta em que a criatura está de Deus. e nos movemos. mas existem eternamente por si e independentemente dEle. porque se diz então que "a terra era vã 15e vazia". em Seus ofícios de Criador e Governador providencial. No princípio Deus fez o céu e a terra. 2o.24. 90:2. 4o. 10. e nem o é mais do que inconcebíveis são muitas outras verdades que todos se vêem obrigados a crer. isto é.Sal. não o é mais do que o é a relação da presciência infinita de Deus. 8:6. 33:6 e 148:5. (2) que não são eternas. Em todas as passagens que ensinam que Deus é o Soberano absoluto e que as criaturas dependem dEleabsolutamente.

5o. Depois que o filósofo materialista analisou a matéria até aos seus átomos finais e determinou as suas propriedades primárias e essenciais, achou neles provas tão fortes de uma causa antecedente e poderosa, e de uma inteligência com desígnios sábios, como as encontra nas organizações mais complexas da natureza; pois que outra coisa seriam as propriedades fundamentais da matéria senão os constituintes elementares das leis universais da natureza, e as condições finais de todos os fenômenos? Se intenção ou desígnio, descoberto na constituição do universo concluído, prova a existência de um Formador divino, então com igual razão a mesma intenção ou desígnio, descoberto na constituição elementar da matéria prova a existência de um Criador divino. Segundo a afirmação de Sir John Herschel, todos os átomos da mesma substância elementar, por serem todos iguais, parecem "objetos fabricados". "Quer seja autocontraditória a concepção de uma multidão de seres existentes desde toda a eternidade, quer não seja, essa concepção torna-se palpavelmente absurda quando | atribuímos uma relação de igualdade quantitativa a todos esses seres. Nesse caso, somos obrigados a olhar para além deles e ] ver alguma causa comum, ou alguma origem comum, como ^ explicação do motivo pelo qual existe essa relação singular... > Temos chegado ao limite extremo das nossas faculdades de ] pensar quando admitimos que, por não poder ser eterna e auto- 3 existente, a matéria teve necessariamente um Criàdor" Prof. J. Clerk-Maxwell, artigo "Atom", Encyclopaedia Britannica, 9a. edição. 11. Como se pode expor e refutar a objeção contra esta doutrina, baseada no axioma: "Ex nihilo nihil fit"? Objeta-se que é um princípio original e auto-evidente da razão que do nada nada pode proceder. Respondemos que essa asserção é indefinida. Se quer dizer que nenhuma coisa nova, e nenhuma mudança numa coisa já existente, podem principiar sem uma causa adequada, admitimos que isso é verdade, mas não tem aplicação ao caso de que estamos tratando. Nossa doutrina não é que o universo começou a existir sem causa adequada, e sim que as substâncias, como também as formas das coisas, tiveram princípio no tempo, e que sua causa existe somente na vontade de Deus. O poder infinito inerente a um Espírito auto-existente é precisamente a Causa à qual referimos a origem de todas as coisas. Mas se a objeção acima quer dizer que esse Deus infinito não tem o poder de criar entidades novas, respondemos que o princípio é falso e não auto-evidente; não traz nenhum dos indícios de uma intuição válida - nem auto-evidência, nem necessidade, nem universalidade. v 12. Como se pode expor e refutar a doutrina daqueles que baseiam em razões morais a auto-existência da matéria? Aqueles dentre os pensadores teístas que se sentiram tentados a tomar a matéria como eterna e autoexistente, foram levados a isso pela vã esperança de explicar assim a existência domai moral em harmonia com a santidade de Deus. Queriam referir todos os fenômenos do pecado a um princípio essencialmente mau, inerente à matéria, e assim justificar Deus, sustentando que Ele tinha feito tudo quanto Lhe era possível para limitar esse mal. Ora, além da incon-seqüência da tentativa que faz essa teoria de vindicar a santidade de Deus à custa da Sua independência, os princípios sobre os quais ela opera são absurdos, como se tornarão evidentes nas seguintes considerações: Io. O mal moral é, na sua essência, um atributo do espírito. O referi-lo a uma origem material conduz logicamente ao mais crasso materialismo.

2o. O inteiro sistema cristão de religião, e o exemplo de Cristo, estão em oposição a esse ascetismo e "mau tratamento do corpo", cuja conseqüência será necessariamente a idéia de que a matéria é a base do pecado - Col. 2:16, Figueiredo. 3o. Tendo Deus criado o universo material, disse que era muito bom - Gên. 1:31. 4o. A Segunda Pessoa da santíssima Trindade tomou um corpo real e material em união conSigo. 5o. A criação material, por ora "sujeita à vaidade" em conseqüência do pecado dos homens, haverá de ser renovada e tornada o templo em que habite o Deus-homem para sempre. Veja abaixo, Cap. 39, Perg. 17. 6o. A obra realizada por Cristo para salvar Seu povo dos seus pecados não contempla a renúncia da parte material da nossa natureza, mas os nossos corpos, que são agora "membros de Cristo" e "templos do Espírito Santo", serão transformados na ressurreição à semelhança do Seu corpo glorioso. E, contudo, nada poderia ser mais absurdo do que a idéia de que o soma pneumatikon, traduzido "corpo espiritual", não é coisa tão literalmente material como o é o soma psyquikon, traduzido "corpo animar - 1 Cor. 15:44. Se a causa do mal é essencialmente inerente à matéria, e se no passado este desenvolveu-se ! sempre, apesar dos esforços feitos por Deus para limitá-lo, que motivo de confiança pode qualquer de nós ter para o futuro? ' i 13. Como se pode provar que nas Escrituras a obra da criação j é atribuída a Deus absolutamente, isto é, a cada uma das três Pessoas da Trindade coordenadamente, e não a qualquer delas como Sua função pessoal e especial? Io. ADeidadeabsolutamente- Gên. 1:1,26. 2o. AoPai-1 Cor. 8:6. 3o. Ao Filho - João 1:3; Col. 1:16,17. 4o. Ao Espírito Santo - Gên. 1:2; Jó 26:13; Sal. 104:30 (Sempre coordenadamente). 14. Como se pode provar que nenhuma criatura pode criar absolutamente? Io. Pela natureza da obra. E patente que uma criação absoluta ex nihilo é obra que só pode efetuar quem disponha de poder infinito. E obra inconcebível para nós, porque é obra de um poder infinito, e esse poder só pode pertencer àquele Ser que, pela mesma razão, é incompreensível. 2o. As Escrituras distinguem Jeová das criaturas e dos deuses falsos, e estabelecem a Sua soberania e os Seus direitos como o Deus verdadeiro, afirmando que Ele é o Criador - Sal. 96:5; Is. 37:16; 40:12,13; 44:5; Jer. 10:11,12. 3o. Se fosse admitido que uma criatura pode criar (em termos absolutos), então as obras da criação não serviriam para levar-nos ao conhecimento infalível de que o nosso Criador é o Deus eterno e autoexistente. 15. Por que é importante que saibamos, se nos for possível alcançar este conhecimento, qual foi o fim principal que Deus teve em vista na criação? Esta não é pergunta de vã curiosidade. É evidente que, sendo Deus eterno, imutável e de inteligência absolutamente perfeita, Ele invariavelmente haveria de manter em vista o grande fim ou propósito final para o qual criou todas as coisas no princípio, de forma que todas as Suas obras devem ser, mais direta ou mais remotamente, meios para esse fim. Ora, nós somos constituídos de tal modo que podemos entender um sistema somente quando entendemos o seu fim ou o seu propósito final. Assim,e.g., podemos compreender as diversas peças de um relógio ou de uma máquina a vapor, suas relações e funções,

somente depois de compreendermos o fim a que deve servir o relógio ou a máquina por inteiro. E, embora Deus nos tenha ocultado muitos dos Seus propósitos secundários, cremos que Ele nos revelou esse grande desígnio final, sem o conhecimento do qual nunca poderíamos compreender o verdadeiro caráter da sua administração geral. Ninguém pode negar que, se Ele revelou o propósito final da Sua criação, deve ser para nós ponto da maior importância sabermos qual é. E por si mesmo evidente que nós nunca poderemos chegar a uma generalização tão sublime como essa por nenhum processo de indução daquilo que sabemos ou podemos saber das obras de Deus. E-nos necessário, pois, extrair todas as nossas conclusões a esse respeito, em primeiro lugar, ao menos, daquilo que sabemos dos atributos de Deus e do ensino explícito da Sua Palavra. 16. Qual o significado do termo TEODICÉIA, e por quem foi primeiro explorado este ramo da teologia especulativa? O termo teodicéia ("theos dike") expressa uma justificação especulativa do modo pelo qual Deus trata a raça humana, especialmente no que diz respeito à origem do mal e ao governo moral do mundo. Foi primeiro elevado a um ramo da ciência teológica pelo filósofo alemão Leibnitz, em sua grande obra intitulada Teodicéia, ou a Bondade de Deus, a Liberdade do Homem e a Origem do Mal, publicada em 1710. 17. Qual a opinião de Leibnitz a respeito do fim que Deus teve em vista na criação, e por quem mais foi adotada ? Leibnitz sustentava que se pode resolver em benevolência toda a excelência moral, e que o grande fim totalmente abrangente que Deus teve em vista na criação do universo, e que tem em vista na Sua preservação e no Seu governo, é a promoção da felicidade das Suas criaturas. Concluiu disso que Deus escolheu o melhor sistema possível para conseguir esse fim no mais alto grau possível. Este sistema é qualificado como otimismo. Essa teoria foi adotada por grande número de teólogos da Nova Inglaterra, juntamente com a teoria, também aceita por muitos, que considera a virtude como consistindo de benevolência desinteressada. As objeções a essa teoria são: Ia. A virtude não consiste somente em benevolência desinteressada - Veja acima, Cap.8, Perg. 61. E a felicidade não é o maior bem. 2a. Subordina o Criador à criatura, o maior ao menor, como o meio para conseguir-se um fim. Quando Deus formou desde a eternidade o propósito de criar, não existiam criaturas que devessem ser tornadas felizes ou infelizes. O motivo para criar, pois, não poderia ter origem naquilo que não existia, e só poderia ter origem e objeto no próprio Ser divino. 3a. As Escrituras (veja a pergunta seguinte) em parte alguma, nem direta nem indiretamente, ensinam que alguma coisa na criatura é o fim principal de Deus, nem propõem elas em parte alguma qualquer bem público ou pessoal da criatura como o fim principal que deve ter em vista a criatura mesma. 18. Como se pode expor a doutrina verdadeira? Citar as exposições da Confissão de Fé que lhe dizem respeito. A doutrina verdadeira é que o grande fim que Deus teve em vista na criação foi a Sua própria glória. Glória é excelência manifestada. A excelência dos atributos de Deus é manifestada por Sua operação. Por conseguinte, esse fim não foi o aumento, nem da Sua excelência nem da Sua felicidade, e sim Sua manifestação ad extra.

"Ao princípio aprouve a Deus o Pai, o Filho e o Espírito Santo, para manifestação da glória de Seu eterno poder, sabedoria e bondade, criar ou fazer do nada, no espaço de seis dias, e tudo muito bom, o mundo e tudo o que nele há, quer as coisas visíveis quer as invisíveis" - Confissão de Fé, Cap.4, § 1. Ela afirma também que a Sua glória é o fim principal que Deus tem em vista em todos os Seus propósitos e nas obras da providência e da redenção - Cap. 3, § 3,5,7; Cap. 5, § 1; Cap. 6, § 1; Cap.33, § 2; Catecismo Maior, Pergs. 12 e 18; Breve Cat., Perg. 7. 19. Quais são os argumentos que a razão e as Escrituras apresentam a favor da doutrina verdadeira ? Io. Tendo Deus formado o propósito de criar antes de existir criatura alguma, é evidente que o motivo para criar teve necessariamente sua origem e objeto no Criador preexistente, e não na criatura não existente. O Criador não pode estar subordinado à criatura finita e dependente, nem pode depender dela. 20. Sendo Deus mesmo infinitamente mais digno do que a soma de todas as criaturas, segue-se que a manifestação da Sua própria excelência é um fim infinitamente mais digno e mais exaltado do que o seria a felicidade das criaturas; seria realmente o fim mais exaltado e mais digno que nos é possível imaginar. 3o. Nada pode exaltar tanto a criatura e tornar-se fonte da sua felicidade como o fato de que Deus fez dela um meio de promover a Sua glória como Criador infinito, e testemunha da Sua glória; e por isso propor Deus essa glória como "o fim principal" da criação é o penhor mais seguro do progresso da criatura em excelência e bem-aventurança. 4o. As Escrituras declaram explicitamente que esse é o fim principal de Deus na criação - Prov. 16:4; Col. 1:16, e das coisas como criadas - Rom. 11:36; Apoc. 4:11. 5o. Elas ensinam que esse é também o fim principal de Deus nos seus decretos - Ef. 1:5,6,12. 6o. Elas também ensinam sobre Seu governo e Sua direção providenciais de Suas criaturas, por Sua graça - Rom. 9:17,22,23; Ef. 3:10. 7o. As Escrituras impõem como dever a toda criatura moral que adotem esse mesmo fim como o seu fim pessoal em todas as coisas - 1 Cor. 10:31; 1 Ped. 4:11. 20. Qual a atitude atual da ciência geológica em relação à narração mosaica da criação? Os resultados modernos da ciência geológica estabelecem as seguintes conclusões: (a) Que os materiais elementares de que o mundo é composto já existiam por um número indefinido de séculos, (b) Que o estado em que se acha o mundo atualmente foi produzido providencialmente por meio de uma progressão gradual, e que, durante longos tempos, esta progressão deu-se em condições físicas bem diversas entre si. (c) Que o mundo foi habitado sucessivamente por muitas ordens diversas de seres organizados, sendo cada ordem por sua vez adaptada às condições físicas em que o globo se achava durante a permanência dessa ordem, e notando-se também em cada ordem sucessiva, como regra geral, uma organização superior à da ordem anterior, passando elas das formas mais elementares para as mais perfeitas e complexas, (d) Que o homem completa a pirâmide da criação, o mais perfeito e o último formado de todos os habitantes do mundo. A única dificuldade que se encontra em se conciliarem estes resultados com a narração mosaica da criação está nos pormenores, a cujo respeito é obscuro o sentido verdadeiro da narração inspirada, e as conclusões da ciência são imaturas. Por isso é que têm falhado todas as tentativas, como, e.g., a que fez Hugh Miller em sua obra Testimony of the Rocks (O Testemunho das Rochas), de acomodar à história bíblica em todos os seus pormenores as conclusões mais ou menos certas da geologia.

Quanto à relação entre aquilo que diz a ciência a respeito da antigüidade do homem e a cronologia bíblica, veja abaixo, Cap.16. Em geral, porém, há concordância muito notável entre a narração mosaica e os resultados dos estudos da geologia quanto aos seguintes pontos: a narração concorda com aquilo que a ciência diz, ensinando - (a) A criação dos elementos num passado muito remoto, (b) A existência intermédia do caos. (c) O passar o mundo por diversas mudanças antes de chegar à sua atual condição física, (d) As criações sucessivas de diversos gêneros e espécies de seres organizados - dos vegetais antes dos animais - das formas inferiores antes das formas superiores - em adaptação às condições cada vez melhores da terra - e do homem como o último de todos. Se lembrarmos quando, onde e para que fim essa narração bíblica foi escrita e a compararmos com todas as demais cosmogonias antigas, ficaremos convencidos de que essa concordância maravilhosa com os últimos resultados dos estudos da ciência moderna é uma contribuição muito importante para as provas da sua origem divina. Vê-se com certeza que, mesmo quando se lê essa narração à luz da mais severa crítica moderna, ela é suficiente para o fim que o seu Autor divino teve em vista, a saber, que servisse como introdução geral da história da redenção, a qual, embora tivesse suas raízes na criação, foi em seguida levada avante como um sistema de revelações e influências sobrenaturais. 21. Como expor os diversos princípios que sempre devemos ter em mente quando consideramos questões que envolvem um conflito aparente entre a ciência e a revelação? Io. Tanto as obras como a Palavra de Deus são revelações Suas. Por conseguinte, as duas são igualmente verdadeiras, igualmente sagradas, e devem ser tratadas com igual reverência. É absolutamente impossível que haja conflito entre as duas revelações, quando adequadamente interpretadas. Preferência da nossa parte de uma ou de outra é traição contra o Autor e Senhor de ambas. 2o. A ciência, como interpretação das obras de Deus, é, portanto, um ramo legítimo e obrigatório dos estudos humanos. Tem seus direitos que devem ser respeitados, e seus deveres que ela deve observar. Todas as ciências têm o direito de prosseguir nas suas investigações legítimas segundo os seus próprios métodos legítimos. Não podemos exigir que o químico prossiga nas suas pesquisas segundo os métodos do filólogo, nem do geólogo que vá procurar seus fatos na história, quer sagrada quer profana. Contudo é também dever dos estudantes de qualquer ciência que se conservem dentro dos seus limites, e que reconheçam o fato de que a sua ciência é uma província apenas no imenso império da verdade, e que, por isso, devem respeitar todas as diversas ordens de verdades, tanto as verdades históricas e inspiradas como as científicas, e tanto as verdades mentais e espirituais como as materiais. 3o. Da limitação das faculdades humanas segue-se como conseqüência prática que os homens que se dedicam a um ramo especial de pesquisas adquirem hábitos especiais de pensar, como também peculiares associações de idéias, segundo os quais tornam-se propensos a medir e julgar todas e quaisquer verdades. Sucede assim que o homem científico primeiro interpreta mal e então tem ciúmes do teólogo, e este também interpeta mal e então tem ciúme do homem científico. Isso, porém, é acanhamento, e não conhecimento superior; é fraqueza, e não força. 4o. Sendo a ciência tão-somente uma interpretação humana das obras de Deus, é sempre imperfeita e comete muitos erros. Os intérpretes da Bíblia são humanos também, e por isso podem cometer erros, e nunca devem afirmar que as suas interpretações são realmente as idéias que Deus quis revelar. 5o. Todas as ciências, em sua condição imatura, têm sido consideradas como opostas à Palavra de Deus. No entanto, ao passo que se tornaram mais amadurecidas, achou-se que estavam em perfeita harmonia com essa Palavra. As vezes é a ciência que se emenda e se torna assim combinada com as idéias dos teólogos; outras vezes são as opiniões dos teólogos que se emendam e se tornam assim combinadas com a ciência aperfeiçoada e demonstrada, como, e.g., foi o caso do sistema astronômico de Copérnico, sistema primeiro odiado pela igreja, mas depois aceito universalmente por ela, e com gratidão.

6o. No caso de muitas ciências, particularmente no da geologia, ainda não chegou o tempo para que se procure ajustar suas conclusões à revelação das Escrituras. Assim como acontece com a história contemporânea em sua relação com as profecias, a geologia, em sua relação com a narração mosaica da criação, está in transitu (em transição). Suas conclusões ainda são incertas. Quando todos os geólogos estiverem de acordo entre si, todos os fatos acessíveis da ciência tiverem sido observados, analisados e classificados, a generalização estiver completa, todos os seus resultados tiverem sido recolhidos e se tiverem tornado parte indubitável e permanente da herança intelectual dos homens, ver-se-á então exposta por si mesma a concordância entre a ciência e a revelação, e que a ciência sustenta e ilustra a Palavra escrita de Deus, em vez de lhe ser oposta. 7o. Há, pois, duas tendências opostas que são igualmente prejudiciais à causa da religião, e que mostram a fraqueza da fé que caracteriza muitos dos seus amigos professos. A primeira é a fraqueza de se aceitar imediatamente como verdade líquida e certa qualquer conclusão hostil à Palavra de Deus, se for anunciada por especuladores científicos; a constante confissão que assim se faz de que a luz da revelação é inferior à luz da natureza, e a certeza das conclusões da exegese bíblica e da teologia cristã inferior à dos resultados dos trabalhos da ciência moderna; os constantes esforços para acomodar as interpretações das Escrituras, como um nariz de cera, a cada fase nova que tomam as interpetações correntes da natureza. A segunda tendência é a de ir ao extremo oposto, de nutrir preconceitos e suspeitas contra todas as conclusões averiguadas da ciência, com temor de serem, provavelmente, ofensas contra a dignidade da revelação, e de atacar com impaciência mesmo aquelas fases passageiras da ciência imperfeita que por enquanto parecem inconciliáveis com as nossas opiniões. Estando em pé sobre a rocha da verdade divina, os cristãos nada têm que temer e podem bem esperar o resultado. A fé perfeita, bem como o amor perfeito, lança fora o temor. Todas as coisas são nossas, quer sejam naturais, quer sobrenaturais, quer sejam ciência, quer revelação. Veja Isaac Taylor, Restoration ofBelief (Restauração da Fé), págs. 9,10.

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Os Anjos
1. Quais os diversos sentidos em que a palavra grega aggelos (anjo, mensageiro) é empregada nas Escrituras? "Mensageiros comuns, Jó 1:14; Luc. 7:24; 9:52; profetas, Is. 42;19; Mal. 3:1; sacerdotes, Mal. 2:7; ministros do Novo Testamento, Apoc. 1:20; também agentes impessoais, como a coluna de nuvem, Ex 14.19; apestilência, 2 Sam. 24:16,17; os ventos, Sal. 104:4; pragas, chamadas "anjos maus" (Figueiredo), Sal. 78:49; o espinho na carne de Paulo, chamado "anjo de satanás", 2 Cor.l2:7." Também a segunda Pessoa da Trindade, chamada "o anjo da sua face", "o anjo do concerto", Is 63.9; Mal. 3:1. Mas a palavra é aplicada principalmente a seres celestes, Mat. 25:31 - Veja Kitto,Bib. Encyc. 2. Quais os designativos bíblicos dos anjos, e até onde expressam eles sua natureza e seus ofícios? Os anjos bons (quanto aos maus veja Perg. 15), em referência à sua natureza, dignidade e poder, são chamados, nas Escrituras, "espíritos", Heb. 1:14; "tronos, dominações, principados, potestades, poderes", Ef. 1:21; Col. 1:16; "filhos de Deus", Jó 1:6; Luc. 20:36; "anjos seus, magníficos em poder", "os anjos do seu poder", Sal. 103:20; 2 Tess. 1:7; "santos anjos", "anjos eleitos", Luc. 9:26; 1 Tim. 5:21; e com referência aos ofícios que desempenham em relação a Deus e aos homens, são chamados "anjos", ou mensageiros, e "ministradores", Heb. 1:13,14. . . . , . 3. Quem eram os querubins? Eram criaturas idealizadas, compostas de quatro partes, a saber, as de um homem, de um boi, de um leão e de uma águia. Sua aparência predominante era a de homem, mas o número de rostos, pés e mãos diferia segundo as circunstâncias - Ez. 1:6 comp. com Ez. 41:18,19, e Êx. 25:20.

As mesmas criaturas idealizadas aplica-se também o designativo "seres viventes" (ARA), traduzido por "animais" nas versões de Almeida, Revista e Corrigida, e outras - Ez. 1:5-22; 10:15,17; Apoc. 4:6-9; 5:6-14; 6:1-7; 7:11; 14:3; 5:7; 19:4. Os querubins eram seres simbólicos das propriedades mais elevadas da vida das criaturas, e delas como indícios e manifestações da vida divina; e eram seres típicos do estado do homem redimido e glorificado, ou representações proféticas dele, como o estado em que essas propriedades seriam combinadas e manifestadas. Foram colocados no jardim do Éden imediatamente depois da queda de Adão, cabendo-lhes guardar o caminho da árvore da vida - Gên. 3:24. Outra conexão, e mais comum, em que aparece o querubim é quando se fala no trono da habitação peculiar de Deus. No mais santo lugar do tabernáculo, Êx. 25:22; Jeová era chamado o Deus que estava assentado sobre, ou entre, os querubins, 1 Sam. 4:4; Sal. 80:1; Ez. 1:26,28; cuja glória estava sobre os querubins. No Apoc. 4:6 fala-se nos animais (seres vivos) que estavam no meio do trono e ao redor dEle. Que significa tudo isso, senão o fato maravilhoso, revelado mais claramente na história da redenção, de que a natureza humana haverá de ser exaltada à habitação da Deidade? Em Cristo ela já foi assunta, por assim dizer, ao próprio seio de Deus; e por ser honrada tanto assim em Cristo, haverá de, nos seus membros, alcançar uma glória maior do que a dos anjos - Fairbairn, Typology, Part. 2, Ch. 1, Sec. 3. 4. Qual a etimologia da palavra serafim, e que ensinam as Escrituras a seu respeito? A palavra serafim significa ardente, brilhante, refulgente. Encontra-se na Bíblia somente em Isaías 6:2,6. É provável que seja outro designativo, sob aspecto diverso, dos seres idealizados chamados comumente querubins e seres vivos. 5. Haveria alguma prova de que os anjos são seres de diversas ordens e hierarquias? Que há semelhantes distinções parece evidente - Io. Pela linguagem das Escrituras. Diz-se que Gabriel é um dos que assistem diante de Deus, evidentemente em algum sentido proeminente - Luc. 1:19; e Miguel é chamado "um dos primeiros príncipes" - Dan. 10:13. Note-se também os epítetos arcanjo, tronos, dominações, potestades, principados, poderes - Ef. 1:21; Col. 1:16; Jud., vers. 9. 2o. Pela analogia dos anjos decaídos. Veja Mat. 9:34; Ef. 2:2. 3o. Pela analogia da sociedade humana e da criação universal. Em todo o universo conhecido há graduação de ordem. 6. Falariam as Escrituras em mais de um arcanjo, e este deve ser considerado como criatura? O referido termo é empregado somente duas vezes no Novo Testamento, e em ambos os casos está no número singular, e vem precedido pelo artigo definido, Ao, no grego - 1 Tess. 4:16; Jud., vers. 9. Assim, pois, o termo parece ser o título de uma só pessoa, chamada Miguel em Judas, vers. 9, e a mesma que em Daniel 10:13; 12:1, é chamada "um dos primeiros príncipes" e "grande príncipe", e de quem se diz no Apocalipse 12:7 que pelejou com seus anjos contra o dragão e seus anjos. Muitos supõem que o arcanjo é o Filho de Deus. Outros acham que pertence à classe mais elevada das criaturas, por ser chamado "um dos primeiros príncipes" em Daniel 10:13, e porque nunca lhe são atribuídos atributos divinos. 7. Que ensinam as Escrituras a respeito do número e do poder dos anjos? Io. A respeito do seu número as Escrituras só ensinam que é muito grande: "milhões de milhões" Dan. 7:10; "mais de doze legiões de anjos" - Mat. 26:53; "uma multidão dos exércitos celestiais" - Luc. 2:13; "muitos milhares de anjos" -Heb. 12:22.

2o. A respeito do seu poder as Escrituras ensinam que é muito grande, tanto quando exercitado no mundo material como no espiritual. São chamados anjos do poder de Jesus em 2 Tessalonicenses 1:7, e no Salmo 103:20, "magníficos em poder"; veja também 2 Reis 19:35. Não têm, porém, o poder de criar, e assim como os homens, só podem exercer o seu poder conectivamente com as leis gerais da natureza, no sentido absoluto dessa palavra. 8. Em que se ocupam eles? Io. Vêem a face de Deus no céu, adoram as perfeições divinas, estudam todas as revelações que Deus faz de Si nas obras da providência e da redenção, e são perfeitamente felizes na Sua presença e no Seu serviço - Mat. 18:10; Apoc. 5:11; 1 Ped. 1:12.16 2o. Deus os emprega como Seus servos na administração da Sua providência - Gên. 28:12; Dan. 10:13: (1) A Lei foi ordenada por anjos - Atos 7:53; Gál. 3:19; Heb. 2:2. (2) São ministros do bem, a favor do povo de Deus - Sal. 91:10-12; Atos 12:7; Heb. 1:14. (3) São executores dos juízos de Deus contra os Seus inimigos - 2 Reis 19:35; 1 Crôn. 21:16; Atos 12:23 - (4) No juízo final os anjos separarão os maus dos bons, recolherão os eleitos e os elevarão para encontrar Cristo nos ares-Mat. 13:30,39; 24:31; 1 Tess. 4:16,17. 9. Os anjos têm corpos? E como se pode explicar o seu aparecimento? Nas Escrituras os anjos são chamados "espíritos" (Heb. 1:14), palavra empregada também para designar as almas dos homens quando separadas dos corpos - Luc. 8:55. Mas não há nada no sentido dessa palavra, nem nas opiniões dos judeus do tempo de Cristo, nem em coisa alguma do que nos dizem as Escrituras a respeito das ocupações dos anjos, que prove que os anjos não têm corpos de espécie nenhuma. E como se diz que o Filho de Deus tem agora um "corpo glorioso", um "corpo espiritual" para sempre, e como todos os remidos hão de afinal ter corpos como o de Cristo, e os anjos são associados com os homens remidos como membros do mesmo reino infinitamente exaltado, parece provável que os anjos tenham sido criados com organização física não totalmente disse-melhante desses "corpos espirituais" dos remidos. Nos tempos bíblicos anjos apareceram e falaram aos homens sempre na forma corporal de homens, e também à semelhança de homens comuns comeram e abrigaram-se em casas Gên. 18:8; 19:3. Alguns supõem, por conseguinte, que os anjos têm corpos semelhantes aos atuais corpos "naturais" ou animais dos homens - 1 Cor. 15:44, compostos de carne, ossos e sangue, com cabeça e feições, pés e mãos, e que, quando um anjo aparecia a qualquer pessoa, não havia mudança nele, e sim ele simplesmente entrava na esfera da percepção dos sentidos dessa pessoa, apresentando-se-lhe assim como habitualmente é. Isso, porém, é inconciliável com os fatos narrados nas Escrituras. Segundo esta, os anjos "apareceram" às vezes exatamente como homens comuns, outras vezes, porém, de modos bem diversos Núm. 22:31; Atos 12:7-10, passando através de muros de pedra, aparecendo e desaparecendo à vontade, etc. Além disso, um dos três homens que apareceram a Abraão em Manre, cujos pés ele lavou e que comeram o que lhes havia preparado, era Jeová, a segunda Pessoa da Trindade, que não tinha corpo antes de o tomar séculos depois no ventre da virgem Maria. Se, pois, o corpo humano de uma dessas pessoas não era corpo real, não somos autorizados a concluir, dos fatos ali registrados, que os das outras o eram Gên. 18:4-33. Ademais, a teoria manifesta absurda confusão de pensamentos. O corpo humano animal, assim como o conhecemos, é uma organização física que está em equilíbrio com certas condições físicas definidas e exatamente ajustadas, e pode existir só nessas condições. Os animais vertebrados, dos quais o homem é a forma superior, foram mudados sempre quando se mudaram as condições físicas da terra, e deixam sempre de existir quando essas condições se mudam muito. A concepção de um corpo humano vivendo na água ou no fogo seria absurda, e mais absurda ainda parece ser a concepção de uma criatura com

sangue como o do homem, e comendo alimento, existindo indiferentemente na terra e no céu, atravessando à vontade o espaço entre as estrelas, e como verdadeiro cosmopolita vivendo alternada e indiferentemente em todos os mundos e em todos os elementos, o éter, o ar e a água, e em todas as temperaturas, desde a temperatura de milhares de graus do sol, até ao zero absoluto do vácuo entre as estrelas. A aparência corporal dos anjos deve, pois, ter sido alguma coisa nova que assumiram, ou então alguma coisa preexistente e permanente, mas bastante modificada com o fim de torná-los capazes de manifestar-se em forma humana aos homens. 10. Qual a doutrina e a prática romanas quanto ao culto prestado aos anjos? Diz oCatechismusRomanus, 3:2,9,10-"Porqueo Espírito Santo que diz: ao Deus uno seja honra e glória - 1 Tim. 1:17, manda-nos também honrar a nossos pais e aos velhos - Lev. 19:32, etc.; e dos homens santos que deram culto só ao Deus uno se diz nas Sagradas Escrituras que adoraram - Gên. 23:7,12, etc., isto é, veneraram suplicantemente, a reis. Se, pois, reis, por cujo ministério Deus governa o mundo, são tratados com tanta honra, não daremos aos espíritos angélicos uma honra tanto maior em proporção quanto esses seres felizes excedem aos reis em dignidade; (a esses espíritos angélicos) os quais aprouve a Deus constituir Seus ministros; de cujo ministério Se serve não só no governo da Igreja, mas também no do resto do universo; por cuja assistência, ainda que não os vejamos, somos libertos diariamente dos maiores perigos da alma e do corpo? Acrescentai a isso o amor com que nos amam, e que os leva, segundo nos dizem as Escrituras - Dan. 2:13,17 a oferecer suas orações pelos países sobre os quais a Providência os colocou, e sem dúvida também por aqueles cujos guardas são, porque apresentam diante do trono de Deus as nossas orações e lágrimas - Jó 3:25; 12:12; Apoc. 8:3. Por isso nosso Senhor nos ensinou no evangelho a não escandalizar os pequeninos, porque nos céus os seus anjos incessantemente estão vendo a face de seu Pai, que está nos céus - Mat. 18:10. "Sua intercessão devemos, pois, invocar, porque vêem sempre a Deus, e recebem dEle com muito boa vontade a defesa da nossa salvação. Desta sua invocação as Sagradas Escrituras dão testemunho" Gên. 48:15,16. 11. Que idéias têm sido sustentadas quanto a "anjos da guarda"? "Foi opinião predileta dos santos Pais, que cada indivíduo está sob a guarda de um anjo particular, que lhe é designado como protetor. Costumavam falar também em dois anjos -um bom e o outro mau que eles supunham que acompanhavam a cada indivíduo, incitando-o o bom anjo a tudo quanto é bom e desviando dele o mal; e incitando-o o mau anjo ao mal e desviando dele o bem (Hermas 11:6). Os judeus, com exceção dos saduceus, criam nisso, e os muçulmanos crêem nisso ainda. Os antigos pagãos criam nessa idéia sob uma forma modificada - pois os gregos tinham seus demônios tutelares (bons ou maus) e os romanos seus gênios. Na Bíblia, porém, não há nada que apóie essa idéia. As passagens que costumam citar a seu favor (Sal. 34:7; Mat. 18:10) é certo que não significam nada disso. A primeira simplesmente ensina que Deus Se serve do ministério dos anjos para livrar Seu povo de aflições e perigos; e a segunda, que os filhos dos crentes, enquanto crianças, ou os mais pequenos entre os discípulos de Cristo, dos quais os ministros da Igreja poderiam estar inclinados a descuidar-se, são tidos em tão alta estima em outra parte que nem os anjos julgam abaixo da sua dignidade ministrar-lhes" - Kino, Bib. Encyclop. 12. Quais os nomes dados a satanás, e o que significam? Satanás, que quer dizer adversário, Luc. 10:18. O diabo, sempre no singular no grego, que significa caluniador, difamador, Apoc. 20:2. Abadom (em grego Apoliom), que quer dizer destruidor, Apoc. 9:11. Belzebu, o príncipe dos demônios, do deus dos ecronitas, principal das divindades pagãs, todas as quais os judeus tinham na conta de demônios, 2 Reis 1:2 (Baal-Zebu); Mat. 12:24. O anjo do abismo, Apoc. 9:11. O príncipe deste mundo, João 12:31. O

Mar. 2 Tim. Ef. 6:16.Is. do espírito que agora opera nos filhos da desobediência". o diabo. 2 Crôn. 1 João 3:10. parece praticamente ubíquo. vers. Em alguns casos. Como se pode provar que satanás é um ser pessoal. Apoc. 12:7. 11:3. 12:7. Belial. Apoc. . As frases descritivas da sua operação. 2:4. Apoc. 2:26. 6. Ef. 15. ho diabolos. 2 Cor. 9:34. 5:5. e exercida mediante seduções enganosas. "laço". 12:7. e príncipe das trevas e dos espíritos de malícia espalhados por esses ares. Mat. Quando não pode persuadir. é-nos dito que os homens maus são filhos dele. e sinais e prodígios de mentira". persegue e tenta o verdadeiro povo de Deus até onde lhe é permitido para o bem final desse mesmo povo . inquieta. 5:13.־‬e assim "engana todo o mundo". o chefe. 20:10. anjos que pecaram. 13. 2 Tim. 1 João 3:8. Acusador. Isso mostra que ele é o principal espírito do mal. Leviatã. anjos do diabo. Enganador.2:18. 6:15.Is. 27:1. espíritos de mentira. Ef. João 8:44. 6:12. Ef. 8:31. Mat."poder. 4:4. e excitado apetites e paixões -1 Cor. e ele é chamado "príncipe dos demônios". sendo-lhe atribuído tudo o que fazem os seus agentes. 12:9. "governadores destas trevas"). também aflige. 25:41. ele cega os entendimentos dos que não crêem e conduz os cativos à sua vontade. "se transfigura em anjo de luz". e não mera personificação do mal? Em todos os diversos livros das Escrituras Sagradas fala-se sempre conseqüentemente em satanás como uma pessoa. Apoc.Luc. 1 Ped. Com relação às almas dos homens. Luc. 2 Cor. Outros espíritos maus são chamados daimones.‫ . 1 Tim. embaimento e persuasão. sugestão. 6:12. Dragão. emprega "ciladas". Is. Que poder ou influência sobre os corpos e as almas dos homens lhes é atribuído? Assim como todos os seres finitos. são como as que se seguem . 3:7. é aplicada no original somente a Belzebu. 16. 18:21. Sua relação com o mundo é indicada pela história da Queda. porém inteiramente sujeita ao domínio de Deus . 2:9. 6:12. Mat. Pecador desde o princípio. mas deixaram a sua própria habitação. 14. Ef.Jó 2:7. 2 Tess. Mentiroso e homicida. principados. Que ensinam as Escrituras a respeito da relação de satanás com outros espíritos maus e com o nosso mundo? Outros espíritos maus são chamados "seus anjos". Deus deste século (deste mundo). satanás e seus anjos não têm poder nenhum para mudar o coração ou coagir a vontade. Jud. lança mão de "dardos inflamados". 12:10. 4:4. 11:14. Apoc. e de bofetadas. 6:11.. 2 Cor. Quando pode enganar. e "príncipe das potestades do ar. "cegou os entendimentos". 2:14.10. Serpente. 18:34. sua influência é simplesmente moral. "profundezas". 25:41. e por expressões como "deus deste século" (mundo). potestades. satanás só pode estar num lugar a qualquer tempo. Algoz (Figueiredo: algozes). Quais os nomes dados nas Escrituras aos espíritos decaídos? A palavra grega. Ef. 2 Ped. Heb. príncipes das trevas deste século. Passagens como Mateus 4:1-11 e João 8:44 são decisivas. 226. 12:9. mas. 22:31. 2 Cor. E certo que ao menos às vezes exerceram uma influência inexplicável sobre os corpos dos homens. 2 Cor. 1 Tess. O que tinha o império da morte. Eles têm produzido e agravado moléstias. 2:2. 4:4. 5:8. 2 Cor. Mat. espíritos imundos. 2:14. demônios. e se lhe atribuem atributos pessoais. Lúcifer. anjos que não guardaram o seu principado. Mat. "o engano da injustiça". mantém presos à sua vontade os que não se desprendem dos seus laços. 2 Cor.2 Cor. Apoc. 2:24. Leão que ruge. empregadas nas Escrituras. hostes espirituais da maldade. 27:1. satanás tem poder sobre amorte-Heb. Atos 10:38.príncipe destas trevas (na tradução de Figueiredo. 13:16. 14:12 (Figueiredo).

que seus pais não tinham adorado. (Figueiredo: ". Davi. 32:17. 2 Ped. Jud. noutros casos. e não ao sistema do nosso mundo. excessivamente dados ao culto dos daimones. termo traduzido assim em Mat. deisidaimonia é o culto. o Procuram dar outro sentido às palavras de Cristo e Seus apóstolos. "um homem que tinha um espírito imundo" (Figueiredo: "possesso do espírito imundo"). "oprimidos do diabo". adotaram nesses aspectos a linguagem comum dos seus contemporâneos. Que os mesmíssimos sintomas. que as coisas sacrificadas pelos gentios. novos deuses que vieram há pouco dos quais não se estremeceram seus pais" (ARA). Quais os argumentos apresentados por aqueles que consideram os endemoninhados mencionados no Novo Testamento como simplesmente doentes ou alienados? Que não podemos distinguir entre os efeitos da possessão demoníaca e os de moléstias. isto é. Luc. demônios . capítulo 3. a deuses que não conheceram.Como exemplos da sua influência em tentar os homens ao pecado. 22:3..Atos 17:22. ficando reservados para o juízo" . diz: "Sacrifícios ofereceram aos demônios. 19. . Judas. Mat. 17. Qual a prova de que os pagãos adoram demônios? "O daimon é o objeto do seu culto. e curados. 2o. donde caíram. As Escrituras nada nos ensinam quanto ao lugar onde residem esses espíritos: ensinam tão-somente que eles habitavam originalmente no céu. 1 Crôn. Luc. e queriam que outros cressem também. 4:24. Apoc. Mat. e que serão afinal lançados no lago de fogo preparado para eles -Mat. 4:33. porém. e deisídaimon é quem presta o culto. 6. não a Deus. não tendo sido parte do desígnio deles ensinar aos homens a verdadeira ciência da natureza e das moléstias. Moisés.") 18. têm sido tratados como moléstias. Como se pode provar que os endemoninhados do Novo Testamento estavam realmente possessos de espíritos maus? As narrativas singelas de todos os evangelistas não deixam a mínima dúvida de que Cristo é Seus apóstolos realmente criam.Sal.Deut. 106:36. Ananias e Safira. Dizem também que essa doutrina é inconciliável com os seguintes princípios claramente revelados: I . como também a feitiçaria. falando dos israelitas apóstatas . 17:15. e a tentação a que se submeteu o nosso bendito Salvador. e não a Deus -1 Cor. 10:20. 20:10. 25:41. estes as sacrificam aos demônios. Como eram chamados os que estavampossessos de espíritos maus? "Endemoninhados".deuses novos e recentes. e qual a verdadeira interpretação de Efésios 2:2e6:12? Estas passagens declaram simplesmente que os espíritos maus pertencem ao mundo invisível e espiritual. e chamaram as moléstias por seus nomes populares. 21:1. "lunático". Gên. sem quererem. dizendo que.37. Atos 5:3.. Que os anjos decaídos já estão presos "às cadeias da escuridão. Onde residem. Davi afirma que os ídolos dos pagãos são demônios . Que.. que os endemoninhados estavam de fato possessos de demônios. Que as almas dos falecidos vão imediatamente para o céu ou para o inferno. a suposta existência de semelhantes possessões limita-se aos séculos de maior ignorância. que agora têm acesso aos habitantes do mundo." Paulo declarou que os "varões atenienses" eram deisidaimonesterons. 21. Atos 10:38. capítulo 4. 2:4. as Escrituras citam os casos de Adão. dar assim o seu apoio à teoria comum quanto à natureza da causa produtora dessas moléstias. 20.e Paulo. vers.2 Ped 2:4.

quer dizer. que é um elemento essencial do sentimento religioso. Cat. Quaes. portanto. 5:12). A preservação é aquela operação contínua da energia divina em virtude da qual o Criador mantém todas as criaturas em existência e na posse de todas essas propriedades e qualidades inerentes de que as dotou em sua criação.Mar. (b) preordenação. Peca pela base. Perg. 6. a saber. 5:9. Veja Conf. diz: "Conservatio est. 3. Maior. e (b) o governo contínuo de todas as coisas assim preservadas. Isto é. Como se pode expor a doutrina da preservação? Turretino. totalmente compreensiva e imutável.Distinguem entre possessão e moléstias .. e não só os "possessos" deles falavam (Mar. atormentando-o. e (c) a administração eficaz da coisa decretada. Mar. e também na posse daquelas que porventura tenham adquirido depois. e Breve Cat. Que argumentos estabelecem a conclusão de que a operação constante da energia divina é essencial para a preservação de todas as criaturas? Io. 2o. 18. . Esta verdade parece estar envolvida na própria concepção de uma criatura em sua relação de dependência do seu Criador. impunha-lhes ordens e os repreendia-Mat. 11. previsão. No uso técnico e teológico. A criação dá o começo absoluto das coisas no tempo. quod fit conservatione essentiae in especiebus. etc. (a) presciência. o qual é uma característica invariável da natureza humana. de pro e video. o argumento daqueles que querem dar outro sentido às palavras de Cristo e seus apóstolos a esse respeito. 1:25. Luc. O número dos que estavam numa só pessoa é mencionado . em virtude dos seus hábitos ou do seu desenvolvimento. como também no uso comum da palavra.34. Sendo assim absolutamente dependente. 1:32. seu sentido restringe--se ao último dos três acima citados. 8:32. 9:25. tanto a existência como os atributos de toda espécie. 9:26. Criatura é aquilo que depende em tudo e por tudo só da vontade do seu Criador. . Turretino define este termo como incluindo. no seu sentido mais lato. etc. Acha-se implícita no sentimento de dependência absoluta. não pode continuar por si mesmo a sua existência. ou que ela foi lançada fora de um lunático. A preordenação dá o plano. 4. qua Deus creaturas omnes in statu suo conservat. Seus desejos. 8:32.L. Qual a etimologia e o uso técnico do termo "Providência".18. literalmente. no tempo e por meio das causas secundárias originadas por Ele na criação. de modo que se efetua tudo aquilo para o que foram criadas. e é eterna. pedidos e paixões distinguem-se dos dos possessos -Mat. 14 A Providência 1. 17:18. e Cristo lhes dirigia a palavra. Saíram do "possesso" e entraram nos porcos . 2. e depois.Mar. 5. como igualmente não a pode originar. A providência inclui os dois grandes ramos: (a) A preservação contínua de todas as coisas como criadas. Perg. et virtutis in operationes". Nunca se diz que a lua entrou num homem.Luc. Os "demônios". 6:17. Mar.33. bem como a forma e as faculdades de toda criatura individual são mantidas constantemente em existência por Deus. e qual a relação desta com o decreto eterno de Deus? Providência. preparado antecipadamente para alcançar certos fins predeterminados. Cap. existentiae in individuis. a execução por Deus do Seu decreto eterno. 8:31. um arranjamento cuidadoso. ou que a lua deu altos gritos. de Fé.

6. e nos movemos. 1:3. § 1. Os fundamentos desta doutrina foram lançados por Descartes (1596-1650) na exposição de suas idéias sobre a relação da criação com o Criador. Como mostramos acima. Qual a idéia dos deístas e dos racionalistas a respeito da Preservação? Eles consideram como meramente negativa a ação de Deus na preservação contínua das criaturas . A criatura está sempre interpenetrada como também abrangida no pensamento e na vontade divinas. pode dirigir a sua atenção a um só ponto em qualquer tempo. É ensinada nas Escrituras. Qual a opinião extremo-oposta à última acima considerada. num passado infinitamente remoto. e com cada átomo da criação e em cada momento da duração do tempo. Eles sustentam que no princípio Deus criou todas as coisas. Essa opinião é antropomórfica até a um grau indigno de Deus. essa opinião é inconciliável com a relação essencial da criatura (como um efeito) com o Criador (como uma causa). Enquanto Ele quiser. e foram levadas à sua conclusão legítima e lógica no panteísmo absoluto por Spinoza . mas a causa única. perpétua e imediata de tudo quanto existe é Deus mesmo. e mesmo quando se acha presente. Parte 1. . o Criador mantém-Se fora da Sua criação do mesmo modo como um mecânico acha-se fora da máquina que fabricou e pôs em movimento. "Todas as coisas subsistem por ele" . é onipresente. em suas diversas relações. 41:8. Essas idéias foram levadas ao extremo máximo compatível com o teísmo por Malebranche. Cap. pela palavra do seu poder" . senão também quanto ao Seu conhecimento. assim como um homem deixa um relógio ao qual acaba de dar corda. "Sustentando todas as coisas."Nele vivemos. 50:10.Morell. Assim. . na doutrina das "causas ocasionais" e na de "vermos todas as coisas em Deus". Sal. 4a. E. em conseqüência. 2a. essa causa (visando a esse efeito) existirá. Sua retidão e Seu poder infinitos. Consideram o sistema de causas secundárias como dependentes da Causa Primária somente no princípio do longo curso dos acontecimentos. esta tem sido sempre a influência exercida por ela. condições e ações sucessivos. Deixando Ele de exercer a Sua vontade (com vistas a um efeito particular). O homem mantém-se necessariamente exterior à sua obra. quanto à natureza da operação divina envolvida na preservação? A opinião extremo-oposta à que acabamos de expor é que a preservação é uma criação contínua: que as criaturas e as causas secundárias não têm existência real e contínua. Deus é o único ens a seipso.Heb. nos seus respectivos estados. 4. o efeito deixaria também de existir. mas então as deixou operar independentemente de todo suporte ou direção de fora. pela perpétua emanação da vis creatrix (força criadora) de Deus.Hist. 3a. a causa não existiria mais e. Seu amor. Veja também Nee. considerando aquela como mantida por este mediante uma criação contínua.só não quer destruídas. e existimos"-Atos 17:28. segundo a sua natureza. segundo o testemunho da história. Quais as objeções contra a opinião acima exposta? Ia. 5. Está obviamente em oposição ao espírito inteiro das Escrituras. unicamente por causa de Deus. dotou-as de suas diversas forças como causas secundárias. e é sempre o que é e está como está. o estado ou ação de qualquer coisa criada num momento não tem nenhuma relação causai com o seu estado ou ação em outro momento. pois. Sua sabedoria. E óbvio que essa opinião afasta Deus para tão longe da criação que se torna irreligiosa em seus efeitos práticos. 1:17.3o. Envolve a omissão anti-intelectual de apreender a diferença essencial que existe entre a relação de Deus com a criação e a do homem com a obra de Suas mãos. porém. 9:6. da qual vemos exemplos nos textos especiais acima citados. 2. mas são reproduzidas do nada em cada momento sucessivo.Col. Phil.11. e não somente quanto à Sua essência. A única e exclusiva causa da existência da criatura é a vontade de Deus. ofMod. Deus. Segundo esta opinião. e ajustou-as num sistema equilibrado.

quer intelectuais. como agentes morais. 3o. Os filósofos sabem muito bem que essas imagens são renovadas constantemente pela impressão e reflexão de novos raios de luz. como fato histórico. quer morais. Todas possuem certas propriedades ativas e passivas. É evidente que isso envolve logicamente o panteísmo. e que aquilo que chamamos "curso da natureza" não é coisa separada da operação de Deus. e da de nossos próprios espíritos como causas reais e autodeterminantes de ação. como causas secundárias.. da religião. Diz ele que nem a existência da substância. 3. nem a da ação de qualquer coisa criada. são produzidos realmente pela operação de causas secundárias. a cada instante. tanto da consciência íntima como do mundo exterior. Parte 4. Mas. Envolve as seguintes proposições: Ia. assim como no-lo dizem as nossas intuições inatas e necessárias. enquanto conservamos os olhos fixos nelas. em qualquer momento de tempo. a existência passada da imagem não tem influência alguma para mantê-la nem por um instante. Assim é com os corpos como com essas imagens. e os fenômenos. Cap. Desmorona imediata e radicalmente os fundamentos da agência livre. e se o estado ou ato de uma criatura num momento não tem relação causai com o seu estado ou ato no momento posterior. de modo que a imagem produzida por raios anteriores está sempre desaparecendo e uma nova imagem é produzida por novos raios a cada instante. Como expor os diversos pontos da verdadeira doutrina da preservação providencial? A verdadeira doutrina está entre as duas extremidades acima expostas. e não nas substâncias. Nossas intuições originais certificam--nos da existência real e permanente de substâncias espirituais e materiais exercendo forças. 3a. então as nossas intuições primitivas e constitucionais nos enganariam. isto é. nossa própria natureza uma falsidade e o ceticismo universal seria inevitável. conduz à sua adoção. Ele ilustra a sua doutrina assim: "As imagens das coisas que vemos num espelho.. Se Deus está continuamente criando de novo cada criatura em cada momento em seus estados e ações sucessivos. É inconciliável com as nossas intuições originais e necessárias de toda espécie de verdades. e. e sim inteiramente. o universo inteiro seria uma ilusão. da responsabilidade moral. é evidente que Deus é o único Agente real no universo. de que foram dotadas por Deus. efeito de uma nova agência ou operação de causa poderosa da sua existência". 8. quer sejam físicas. 2a. As propriedades ou forças ativas têm eficácia real. tem conexão causai com a sua existência. isto é. parecem sempre as mesmas. ou com o seu estado ou com a sua ação no momento subseqüente.. se fosse verdadeira essa doutrina. tanto no espelho como nos olhos... A imagem que existe neste momento não foi derivada daquela que existiu no momento anterior. tanto espirituais como materiais. Mas é sabido que não é assim.. 4a. 2o. e causa única e imediata de tudo quanto sucede. na produção dos efeitos que lhes são próprios. o motivo da sua existência continuada está em Deus. são entidades reais. do governo moral e.Incidentalmente. efeito da sua existência passada. e não só aparente. falando em termos restritos. As substâncias criadas. possuem existência real e permanente. e. nem a do modo. sua existência atual não é. Mas essas substâncias criadas não são autoexistentes.. . em conseqüência. 7.. o presidente Edwards ensina a mesma doutrina em sua grande obra Original Sin. Como se pode mostrar que essa doutrina é falsa e perigosa? Io. e parecem conservar uma identidade perfeita e contínua. por conseguinte.

e continuando depois a estar presente em cada átomo da Sua criação. tendo no princípio criado do nada todas as coisas. e em Seu poder e sabedoria. 10. 18 e o Breve Cat. Cap. O fato estupendo de que Deus é infinito em Seu Ser. e que não deixará de empregar os melhores meios para alcançar esse fim em todas as suas partes. Continuam a existir. faz. nem que as Suas criaturas religiosas sejam isoladas dEle. que cada um e todos os eventos e ações sucedam segundo o plano eterno e imutável abrangido em Seu decreto. A sabedoria infinita de Deus certifica que Ele tinha em vista certa finalidade quando criou o mundo. 3a. de modo que. na maior parte. Maior. asegunda é o governo temporal de todas as coisas segundo esse decreto. ou no decreto antecedente. estes são fixos.mas. em Sua relação com o tempo e o espaço. a primeira é um ato imanentedentro de Deus. Turretino.o conhecimento dirigindo. pelos meios estabelecidos.. sendo que a sua vida mais elevada consiste na comunhão com Ele. Há desígnio na providência. 5. no segundo sentido do termo". ou na execução subseqüente: a primeira é a destinação eterna de todas as coisas. escolheu também inumeráveis fins subordinados. o decreto da vontade e a administração eficaz das coisas decretadas . Perg.. Corno expor a doutrina bíblica do GOVERNO providencial de Deus? Tendo Deus decretado absolutamente e desde a eternidade tudo o que sucede.5a. mantendo-as em existência e na posse de todas as propriedades e forças de que Deus as dotou. mantendo todas as coisas em existência e na posse e exercício de todas as suas propriedades. 6a.o pré-conhecimento da mente. e dirige continuamente e de tal modo as ações de todas as criaturas que esses fins gerais e especiais efetuam--se exatamente no tempo. Perg. diz: "O termo providência abrange três aspectos expressos pelos vocábulos gregos prognosin.Quaes. Sua bondade infinita torna certo que Ele não deixará Suas criaturas sensíveis e inteligentes entregues aos laços de um destino mecânico e cego. da maneira e nas condições que Ele determinou desde a eternidade.L. e Ele determinou todos os eventos e ações nas suas diversas relações para esses fins. sem nunca violar as leis de suas diversas naturezas. Que argumento se tira da inata constituição religiosa dos homens? . Ele TAMBÉM governa e dirige as ações de todas as criaturas assim preservadas. pode-se considerar a providência.. assim o é também a natureza exata da ação divina que se manifesta na manutenção de todas as coisas em existência e em ação. contudo. e sim em virtude do exercício positivo e contínuo do poder divino. recompensar e punir as criaturas que Ele fez sujeitas a obrigações morais. Por conseguinte. o Cat. prothesin e disikesin . asegunda é um ato transitório fora de Deus. Assim como são inescrutáveis todos os demais modos pelos quais o infinito atua sobre o finito. 1. e que devemos atribuir à capacidade muito limitada de nossa compreensão todas as dificuldades e contradições aparentes que para nós parecem achar-se envolvidas em semelhante providência. Sua retidão infinita garante que Ele continuará a governar. Deus escolheu Sua grande finalidade . 4a. torna evidente que Lhe é possível exercer providência universal.a manifestação da Sua própria glória . 2a. pela palavra do Seu poder. 11.ó. Veja a Conf de Fé. Que prova a consideração das perfeições divinas fornece a favor do fato de que há semelhante governo universal? Prova-se pelas seguintes considerações: Ia. não meramente em virtude de um ato negativo de Deus. o de apenas não determinar a sua destruição. 11. para alcançar esse fim. a vontade ordenando e o poder executando. 9. Tratamos aqui da providência.

os raios caloríficos. Os elementos materiais. e da natureza exterior. e (b) um sentimento de responsabilidade moral. Ora. é evidente que tampouco pertence à reunião de todos eles. os movimentos instintivos. Mas quem estuda a história geral. diferem dos elementos do mundo material em seus modos de ação. e em certos pontos até se interligando visivelmente com as ações de agentes individuais. O sentimento de dependência absoluta leva. com suas diversas propriedades. em geral e em casos individuais provam a existência de um Governador providente que tem certos desígnios. e. em todas as suas proporções e relações. estão todos agindo e reagindo sem concerto ou desígnio possível da parte deles. os resultados idealizados de modo o mais sábio e benéfico. com desígnio. porque agem. prova a existência de um Criador com certos desígnios. da lua e das estrelas no céu. regulares e outros fortuitos. compreende (a) um sentimento de dependência absoluta. contudo. sabiamente idealizados. assim também as provas de desígnio nas operações da natureza constatam a existência de um espírito que tem certos desígnios e os leva a efeito no governo providencial. e a moralidade. 12. estão produzindo os resultados mais sábios e benéficos. tanto da previsão como do desígnio de cada agente individual. e se serve da chave da revelação. é tão limitada a esfera. do mesmo modo que as provas de desígnio na constituição da natureza constatam a existência de um espírito que tem certos desígnios e os levou a efeito numa criação. quaisquer indivíduos ou comunidades só conseguem levar a efeito os seus desígnios em escala muito limitada. harmoniosamente. quando analisado. e tão inumeráveis as complicações de diversas influências que atuam entre si e sobre cada comunidade. Estar sem Deus no mundo é estar numa condição em que são negadas as convicções elementares da natureza humana. As propriedades mecânicas e químicas dos átomos materiais. E. a religião e a oração. vê claramente os traços de um desígnio geral em todos os grandes movimentos da história humana. e vemos que essas leis gerais são ajustadas de tal modo em todas as suas coincidências e interferências intrincadas que. e quase se perdem de vista no resultado geral. resultado que igualmente está além da previsão e da direção eficaz de todos. por impulso próprio. todas estas igualmente não passariam de ilusões. como um todo. por movimentos simples e outros complexos. em suas relações elementares com a sociedade humana. os movimentos do sol. em conseqüência. e 2o. Só pode pertencer a um Deus pessoal. luminosos e químicos do sol. que operam harmoniosamente na ordem de certas leis gerais. e. natural e verdadeiramente. Io. quer como reunidos em comunidades e nações. não O poderíamos conhecer.Vê-se que o sentimento religioso. a providência de Deus. vemo--los todos ajustados de tal modo. produzem em toda parte. presente no mundo. E certo que os homens. são todos incapazes de formar um desígnio. assim como o espírito que tem o desígnio não pertence a nenhum dos elementos. livremente. protegendo os bons e restringindo e castigando os maus. como também os voluntários. Por conseguinte. O sentimento de responsabilidade moral leva todos os homens a crerem num governo moral supremo e universal. que. Se Deus não estivesse real e imediatamente presente na natureza e na história da humanidade. Que argumento se tira da inteligência manifestada nas operações da natureza? O grande argumento indutivo que prova a existência de um Deus pessoal baseia-se nas provas claras de que há desígnio no universo. tanto dentro de uma como também da parte de outras comunidades. de tudo quanto vive na terra. que dirige e governa todas as coisas pelo exercício presente do seu poder inteligente nas criaturas e por intermédio delas. afinal. a obediência a Ele não Lhe seria devida nem seria possível. Como se pode estabelecer esta doutrina mediante provas derivadas da história do mundo? Se a constituição da natureza humana (alma e corpo). as leis da vida vegetal e animal. 13. quer como indivíduos. tão grande a multiplicidade dos agentes. presente. todos os homens em todas as nações e condições à convicção da presença imediata e do governo providencial de Deus em todo o universo e em todos os eventos. compreende e . exatamente do mesmo modo os resultados da associação humana. apesar disso. Ao mesmo tempo. e. totalmente sábio e todo-poderoso. e tampouco Ele nos dirigiria e nos protegeria.

como. Como se prova pelas Escrituras que a providência divina se estende aos quefazeres gerais dos homens? 1 Crôn. a ocorrência certa de determinados eventos. Luc.6. 16:31. 17. 4:13-15.·‫"־·-־׳ ■-■" ־‬V-r-q · 14. 16. seria iludir os homens. 16:9.dirige as pequenas providências dos homens. e. Todos os eventos dessa natureza. 1:53. Isso. 47:7.tanto por seus antecedentes como por suas conseqüências. sendo baseada numa condição que não estava na relação de causa para com o evento. dizendo que Deus simplesmente previa os eventos e assim os predisse. e qual é a doutrina verdadeira? A maioria dos homens admite que Deus exerce uma providência geral diretora sobre os quefazeres humanos. · -‫״·׳׳‬ r 18. Qual o argumento bíblico. Sal. As Escrituras afirmam o fato . Tia. se Deus não empregasse os meios necessários para cumprir a Sua palavra. prometeu ou ameaçou porque. 10:29. 116:7. Como se prova pelas Escrituras que a providência de Deus estende-se a todo o mundo natural? Jó 9:5. 20. e sim. 16:33. quer por serem muito sutis. 15. acham-se ligados ao sistema geral . 135:5-7. Is. 104:21-29. ‫־‬ ÍÀifV'? . mas considera supersticiosa e derrogatória da sublime dignidade e grandeza de Deus a concepção segundo a qual Ele Se importa com todos os pormenores triviais. cujas idéias sobre este ponto não são muito . dirigindo o seu curso geral e determinando os grandes e importantes eventos. a respeito de muitos.7. Sal. 6:26. Sal. 4:25.8. Como se mostra pelas Escrituras que as circunstâncias dos indivíduos são dirigidas por Deus? 1 Sam. a promessa ou ameaça é condicional. 20. derivado das profecias. Jó 5:6. da determinação de Deus de fazer um seguir-se ao outro.Ex. quer por serem muito complexas. E muitos outros. Mat. promessas e ameaças de Deus? Em inumeráveis casos Deus predisse nas Escrituras. 37:6. 148:7. Não é razoável contender. 2:6. 21:7-9. escapam à nossa observação. Atos 14:17. Sal. Que distinção se tem feito entre providência geral e providência particular. 147:8-18.. Nesse caso. 21:13. E Deus não podia prever um evento como contingente de outro que não tenha com Ele a relação causai. Prov. Chamamos fortuito o evento cujas causas próximas. 19. 21:1. porém. com muitos pormenores e absolutamente. 2:21. 75:6. Como se prova pelas Escrituras que a providência de Deus compreende os animais irracionais? Sal. 146:9. Prov. 10:12-15. a queda de uma folha. Dan.g. Prov. Jó 12:23. 45:5. porém. unicamente. 18:30. e prometeu ou ameaçou contingentemente que outros eventos aconteceriam sob certas condições. Como se prova que os eventos por nós considerados fortuitos estão sob a direção de Deus? Io. 104:14. a verdade da promessa ou ameaça certamente não pode depender de nenhuma conexão natural entre os dois eventos.

10:23. Ki andes e pequenos. e por fora. Iodos os eventos acham-se de tal modo relacionados uns com os outros como um sistema encadeado de causas. Io. 2:10. Devemos estar lembrados. Uma providência geral é especial porque consegue resultados gerais pela direção de todos os eventos. A mesma administração providencial é necessariamente ao mesmo tempo geral e especial. Rom.28. que Ele determine o homem a praticá-las independentemente da livre vontade do mesmo homem. Mas esse sentimento e essa concepção nascem de idéias muito inadequadas e antropomórficas sobre os atributos de Deus e Seu modo de operar. pois. 20:24. que produz a disposição livre e boa. Que ensinam as Escrituras quanto à agência providencial de Deus nas boas ações dos homens? As Escrituras atribuem tudo quanto há de bom no homem :! livre graça de Deus. 11:32. e então também o fazer a Sua boa vontade. Uma providência geral e uma especial não podem ser dois diversos modos de operação divina. 25:3. 2:13. 4:13. nutrem esse mesmo sentimento. Sal.claras.15. 2o. 16:1. devem estar sujeitas a Deus. 2°. efeitos e condições. As Escrituras afirmam esta verdade-Ex. 5:22-25. Ele opera primeiro em nós o querer. 2:13. Prov. 1 Sam. 12:9. gera ação. 76:10. por meio de influências morais. que contribuem para esses resultados. 24. ser-Lhe-á impossível qualquer forma de providência. que Ele as cause. assim como para nós. operando tanto providencial como espiritualmente. por conseguinte. e influindo tanto no corpo como na alma e nas relações externas do indivíduo . ou. julgando praticamente do mesmo modo todos os eventos em sua relação à providência divina. as Escrituras atribuem a Deus todas as boas ações dos homens. 24:9-15. Que ensinam as Escrituras sobre a relação da providência com as ações pecaminosas dos homens? As Escrituras ensinam: . segundo o princípio indicado na resposta à pergunta anterior. de que. nem. e tuna providência especial é geral porque dirige especialmente Iodos os seres e todas as ações individuais em todo o universo. As ações livres dos homens são causas potentes com influência sobre o sistema geral das coisas exatamente do mesmo modo como se dá com todas as outras classes de causas. 16:10. a alma humana age espontaneamente. em todos os seus atos voluntários. 33:14. isto é. Ef. 22. Sal. Como se prova pelas Escrituras que a agência providencial de Deus é exercida sobre as ações pecaminosas dos homens? 2 Sam. Jer. 19:21. de outro modo. 21. Gál. e sim que Deus opera de tal modo sobre o homem.10. que uma providência geral que não seja ao mesmo tempo especial não é mais concebível do que o é um todo que uno tenha partes ou uma corrente que não tenha elos. é determinada por seus próprios desejos e disposições predominantes. porque se estende igualmente e sem exceção a todos os eventos e a todas as criaturas do universo. uma multidão de pormenores fosse mais incômoda ou menos digna de atenção do que o é algum grande resultado. Como se prova que o governo providencial de Deus estende-sc às ações livres dos homens? Io. E também de que a alma. Atos 4:27. 23. como se também para Ele. como se para a Causa absoluta e o Governador infinito pudesse existir a mesma diferença entre coisas pequenas e grandes que existe para nós. r. Quando. porém. de dentro e espiritualmente. Fil. 21:1.2 Cor. Fil. isso não quer dizer. 12:36. embora uma causa material possa ser analisada e decomposta na interação mútua de dois ou mais corpos.

o governa. Que as ações más dos homens estão sob a direção eficaz de Deus no sentido de que elas só são praticadas com a Sua permissão e segundo o Seu propósito . Ele determina e dispõe todos os eventos e todas as ações segundo o Seu propósito soberano. o restringe. 50:20. a direção universal e eficaz de Deus. Susta e dirige eficazmente o pecado . dotou todos os diversos elementos materiais e espirituais de suas propriedades e forças respectivas. 50:20. como sejam: a eficácia real das causas secundárias. 25. Quanto ao progresso do pecado. Mas a maioria dos que adotam esta teoria mecânica nega a liberdade do homem e o considera como um dos elementos cósmicos não essencialmente diferente dos demais. o dirige. Is. 2a. A teoria intermédia ou cristã. Quanto ao fim ou ao resultado do pecado. 2 Tess.2 Tess. nem meramente negativa. Atos 4:27. 7:13.28. Jó 1:12. As que mais ou menos explicitamente negam a operação real das causas secundárias e aceitam Deus como o único agente ativo no universo. 5:5. 50:20. 6:6. Tendo-lhe dado corda. 2:11. agente livre. 45:5. isto é. 2:6-10.Gên. Deus limita a sua intensidade. ou tirando-lhes a graça de que abusaram. 3o. 50:20. 4o. ou (b) corretivo.Gên. é a única causa responsável e culpada dos seus próprios pecados.Io. o limita. Isso Ele efetua tanto por influências internas sobre o coração. Ele não concorda simplesmente com o resultado. (1) Deus o permite livremente. 76:10. não o aprova nunca.2 Crôn. isto é. Em que três classes gerais se pode dividir todas as teorias quanto ao governo providencial de Deus? Ia. seja permitido aos maus homens que ajam segundo suas naturezas más .Atos 2:23. Deus sempre o domina e o dirige para o bem . e.1 Cor. Quanto ao começo do pecado. Is.Gên. Esse abandono pode ser (a) parcial. Domina-o para o bem . e afirmam a independência completa das causas secundárias. (4) Deus entrega os homens a satanás. ao mesmo tempo.Gên. 46:4. quando Deus criou o universo. (2) Abandona os que pecam. mas determina positivamente que. Atos 3:13. 7:29. Confira 1 Sam. 1:24-26. embora o permita. 3a. 2:9-11. 26. especialmente a liberdade do homem nas suas ações e sua responsabilidade moral por elas. 10:15. Deus nem causa nem aprova o pecado. Rom. a sua duração e a sua influência sobre outros. que sustenta todos os princípios que a este respeito ensinam as Escrituras. ou não lhes dando mais. 3:18.Sal. Êx.Sal. Mas essa permissão nem é moral.28. (a) como tentador . 2o. 37:28. 76:10. Deus é a Causa primária no sentido de ser a primeira de uma série interminável de causas que se afastam cada vez mais da sua origem. Como se pode expor a teoria mecânica da providência? Esta teoria supõe que. para certos fins sábios e santos. Sal. 3:18. ou (b) como atormentador . que depois as reuniu em certas combinações e proporções. 4:27.28. Tão-somente o permite. 81:12. para provar o coração do homem . 14:17. Turretino expõe do modo seguinte o testemunho das Escrituras a respeito deste assunto: Io. e assim os tornou sujeitos a certas leis gerais. como pela direção das circunstâncias externas . em perfeita conformidade com os atributos da Sua natureza. O mundo é assim uma máquina cujas diversas peças o Criador calculou de tal modo qúe ela efetua agora de per si todos os propósitos que o Criador teve em vista. 4:27.Jer. e com as diversas propriedades de Suas criaturas. 3o. (3) Deus ordena as circunstâncias providenciais de modo que a maldade inerente aos homens se manifeste como Ele determinou permitir que o faça . pela qual. . Atos 3:13. O homem. Deus deixou o mundo entregue a si próprio. Atos 2:23. 2o. 32:31. As que afastam Deus de toda ação atual no universo. Alguns filósofos limitam este mecanismo rijo ao mundo físico e consideram a vontade livre dos homens como um fator absolutamente indeterminado compreendido no mecanismo geral do mundo. ou (c) penal .

e em todos os seus sucessivos estados e ações. Daí seus discípulos deduziram a teoria das causas ocasionais. e é somente assim que os anjos e os homens podem compreender o caráter de Deus e antecipar a Sua vontade. retidão e bondade. Que classes de filósofos têm real ou virtualmente negado a eficácia das causas secundárias? Todos os panteístas. em sua obra Reign of Law. que está necessariamente fora da sua obra.72 ־■׳·■<״■ -׳‬Como se pode demonstrar que esta teoria éfalaz? " ‫ '> !׳‬Io. e para efetuar a educação moral e intelectual dessa criação. Deixa inteiramente . impossível a revelação. a doutrina da eficácia divina. Em todo caso.que era incapaz de precalcu-lar todas as combinações necessárias. Emmons. Concebe o universo simplesmente como um sistema mecânico de causas e como se tivesse com Deus a mesma relação que uma máquina humana tem com o seu fabricante. como é natural. e a Deus como o único agente real no universo. pois. consideram todas as causas secundárias como modificações da Causa Primária. Tudo quanto sabemos que ocorre na alma humana é uma série de exercícios ligada a um fio obscuro de consciência.Portanto. 3o. em conexão com uma "teoria do exercício". apesar de crer em Deus e na real existência objetiva de agentes materiais como também espirituais. como agente pessoal. Deus é a causa . E somente assim que se pode exercitar e manifestar os atributos divinos de sabedoria. ou então. sustentava que esses agentes eram criados de novo em cada momento sucessivo. tal ação direta e ocasional é necessária para a educação do homem no seu estado atual. e. e faz parte de um plano. são os elementos intimamente correlacionados de um só sistema universalmente compreensivo. Assim. Descartes. E Theodore Parker diz: "Os homens servem-se de expedientes precários. embora efetuado pelo poder divino sem meios. é em si mesmo um meio para efetuar um fim. Baseia-se numa idéia antropomórfica de Deus. O Dr. todas as intervenções providenciais e todos os milagres seriam impossíveis. torna irrisória a oração. não obstante. por conseqüência. não há milagres na natureza". ■ 1 ■' ■ ·'‫ . "a ordem da natureza". dizendo que as mudanças ocorridas nas causas secundárias são simplesmente as ocasiões em que a Causa Primária exercita a Sua agência eficaz e produz o respectivo efeito. e são expressões da vontade de levar a efeito um propósito Apud Duque de Argyle. e os milagres. mas o Infinito não lança mão de artifícios e subterfúgios: não há caprichos em Deus. que era incapaz de produzir uma máquina que trabalhasse por si mesma. sustentava. Supor que há necessidade de semelhantes intervenções seria supor que houve algum defeito radical na obra criadora de Deus . Todas as leis naturais tiveram origem na razão divina. a providência comum de Deus. antropomórfica e nimiamente mesquinha.(1) De apreender a imanência do Criador na criação como espírito onipresente e sempre ativo e diretor. Parece necessário. que faz leis operando segundo leis com o fim de efetuar propósitos por Ele escolhidos. para criar causas secundárias e inaugurar a sua operação. livres e pessoais. Um sistema que envolva uma ordem estabelecida da natureza. A "ordem da natureza" é tão-somente um instrumento da vontade divina. Diz o professor Baden Powel: "E derrogante ao poder e à sabedoria infinitos a suposição de que a ordem de coisas foi estabelecida tão imperfeitamente que se torna necessário de vez em quando interrompê-la e violá-la". que em conexão com um sistema geral de meios e leis haja ocasionalmente exercícios diretos de poder. Isso levou ao panteísmo de Spinoza. (2) De apreender a verdadeira natureza do universo em relação aos seus fins supremos como sistema moral estabelecido com a intenção de instruir e desenvolver agentes morais. não só "no princípio. para dar aos súditos do Seu governo moral a revelação da Sua personalidade livre e de Seu interesse imediato nos afazeres deles. Está em oposição ao ensino claro da Palavra de Deus. é necessário como meio de comunicação entre o Criador e a criação inteligente. exposto nas respostas às perguntas 15-21. a responsabilidade moral em preconceito. criados à imagem de Deus. mas também subseqüentemente. 2o. de modo que realmente fazia das causas secundárias outras tantas modificações da Causa Primária. instrumento utilizado em subordinação a esse governo moral superior em cujos interesses são realizados os milagres. ou cooperar inteligente e voluntariamente com o Seu plano. da Nova Inglaterra. 28. e a religião em ilusão. porém. É essencialmente irreligiosa e materialista. Separa de Deus as almas dos homens. e que proceda com sábia adaptação dos meios para efetuar certos fins. em vez de estarem em conflito entre si. Um milagre. Deixa de reconhecer que a educação e a disciplina de agentes inteligentes e livres é o grande fim ao qual está adaptado o universo como um sistema de meios.

deixando então a cada uma a iniciativa de determinar o seu modo particular de ação. e exatamente do modo como age. 32. diziam . do mesmo modo como um músico produz num instrumento de sopro as notas sucessivas. Qual a doutrina representada pela frase "CONCURSUS simultâneo e imediato"? Esta frase exprime um ato de Deus em que Ele coopera com a criatura no ato dela. uma energia atuando sobre a criatura e determinando-a em cada caso a agir. OU seja. mas indiferentemente. sustentam que esse "concursus" é só "geral" e "indiferente". como concausa. a Causa Primária é. isto é. Alegavam que o modus operandi desscconcursus divino varia segundo a natureza da criatura em que atua. outros. e por isso não podem deixar de ser conciliáveis. Qual a doutrina expressa na frase SUSRUCNOC‫ ״‬prévio e determinante". Deus criou e conserva todas as coisas. Que é um mistério. mais logicamente. a questão a respeito de quem é o fator determinante nessa causalidade dual. e estas. (a) de que a ação humana é livre. Onde esses raios não chegam não há vida. os teólogos reformados ou calvinistas sustentavam em acréscimo a doutrina do "praecursus". que é igualmente comum a todas as causas. Que os dois fatos. conforme a sua natureza e as suas tendências. e quais foram os seus defensores? Durante muitos séculos os teólogos discutiram as questões relacionadas com o CONCURSUS. à Sua vontade. como ponto difícil e de divergência. Ao mesmo tempo. porém. o sol conserva-se indiferente a qualquer forma particular de vida ou de movimento . que por tanto tempo esteve em voga na Igreja. É evidente que esta teoria admite que Deus conserva as essências e as forças ativas de todas as coisas. 30. A esta classe de especulações pertence a teoria do "concurso". concordaram os discípulos de Tomaz de Aquino na igreja romana e todos os teólogos luteranos e reformados. nega virtualmente todo real governo providencial.e cada germe em particular brota segundo a sua própria espécie sob o poder vivificador do mesmo sol. de um "CONCURSUS prévio e determinante". tanto os maus como os bons. Como procuraram os teólogos reformados conciliar essa doutrina com a liberdade do homem e a santidade de Deus? Quanto à liberdade do homem. e que está sempre em perfeita conformidade com a natureza dessa criatura e com os seus modos de . e a agir do modo como age e não de outro modo. são claramente revelados nas Escrituras. incitando-as à ação. 29. ou seria a criatura que se determina a si mesma? 31. quer dizer. o influxo e a cooperação de Deus nas causas secundárias. e com eles os socinianos e os remonstrantes.Io. raios que são o princípio comum de toda vida e de todo movimento. por sua vez. por omissão. por assim dizer. simplesmente um estímulo às causas secundárias. Seria Deus quem determina a criatura em todos os casos a agir. Nesta teoria. e na oposição ao SUSRUCNOC‫ ״‬geral e indiferente" acima explicado. ou seja. 3o. na produção do ato como entidade. 2o. Os jesuítas. Qual a doutrina representada pela frase "CONCURSUS geral e indiferente".real. isto é. quer isso nos seja possível quer não. Segundo ela. operam espontaneamente e sem Sua direção eficaz. mas. que espalha os seus raios universal e indiferentemente sobre todos os objetos terrestres. Ainda restava. Alguns aplicaram isso unicamente às boas ações dos homens. Ilustram isso referindo-se ao poder vivificador do sol. criando em cada momento cada um desses exercícios em suas sucessões. aplicaramno a todas e quaisquer ações. e quais foram os seus defensores? Em razão da questão acima pendente. e (b) de que Deus dirige eficazmente essa ação.

pois. Sic igitur Deus movendo voluntatem non cogit ipsam. 33. 105. a Providência não concorre com a vontade humana. É eficaz . e a qualidade má é derivada unicamente da criatura. tende ao panteismo. e muitos eventos que parecem contingentes . L. mas afirmam explicitamente. É universal .Tomaz. Que há uma diferença entre um ato de per si como entidade.Io. mas não desta. Dan. 1. Illud quod movetur ab alio dicitur cogi. 4o. e da providência controladora de Deus da liberdade humana e da soberania divina. 2:17. si moveatur contra inclinationem propriam.4.ação. perg. vol. quira dat ei ejus propriam inclinationem" . achando-se a causa próxima da ação de cada homem no juízo da sua própria inteligência e na escolha espontânea da sua própria vontade. 33:11. Que a origem do pecado está num defeito ou numa causa secreta. Et sic moveri ex se non repugnat si. 6.29. segue-se que. "Desde que. . 16:9. "Sed illud principium intrinsecum potest esse ab alio principio extrinseco. Esta teoria tende a negar a eficiência de causas secundárias e. i. o fato de que Ele governa todas as Suas criaturas e todas as ações delas. Compreende os pensamentos e as volições dos homens. É particular -Mat. 2o. portanto. mas antes a sustém" -Turretino. esses teólogos sustentavam . Sal.33.. e sim racionalmente. necessariamente. Prov. Até onde as Escrituras nos oferecem algum ensino acerca da natureza do governo providencial de Deus? Nada absolutamente explicam quanto à maneira pela qual Deus exercita a Sua agência. de ultrapassar os fatos ensinados pelas Escrituras. Quanto à santidade de Deus em relação às ações pecaminosas das criaturas. quod move-tur ex alio. No caso destas. O músico é a causa de cada um dos sons produzidos em sua ordem. 2o. como se fosse coisa brutal e cega. nem por via de determinação física. E uma tentativa sem sucesso. se se tratar de um ato mau. 3°. e sua qualidade moral. 10:29-31. 1. Este perigo foi menos apreciado pelos grandes reformadores e seus sucessores. 21:1. citado por Dr. 22:28. dirigindo a vontade de uma maneira congruente com ela.2 Crôn. 2. 34. non dicitur cogi. Lam. Deus não somente coopera na sua produção. porém. nem por via de coação. deixando então a questão de reconciliá-las para o futuro. para que se possa determinar a si mesma. 3o. sed si moveatur ab alio quod sibi datpropriam inclinationem. "Moveri voluntarie est moveri ex se.Sal. Expor as diversas objeções feitas contra esta teoria de CON-CURSUS. porém o desarranjo no instrumento é o único fator causante da desarmonia. nos séculos 16 e 17. Segue-se que a relação da providência de Deus com as ações más dos homens é muito diversa da sua relação com as ações boas. Charles Hodge. Afirmam que: Io. E de suma importância que sustentemos ambas as verdades correlatas da eficiência de causas secundárias. obrigando uma vontade que não o queira. e também expõem muitas das características desse governo.e. a Providência não constrange a liberdade de ninguém. o concursus é limitado ao ato. do que. págs. sem juízo algum. mas dá também a graça que lhes comunica a sua qualidade moral. 6. Citavam como ilustração disso o caso de um instrumento musical mal afinado nas mãos de um músico perito.35. a princípio intrínseco. chegou a ser em nossos dias. 4:34. No caso das más ações. e em toda parte postulam. em sua busca de uma explanação da maneira que Deus age sobre a criatura para efetuar Seus objetivos. 16:9. 19:21. 103:17-19.Jó 23:13. Deus é a concausa eficaz daquele.

Em que sentido se diferenciam as providências extraordinárias dos eventos ordinários em sua relação com a direção providencial de Deus? Eventos como o vôo de codornizes e a pesca mencionados em Números 11:31. 28:29.Rom. como corretivo e punitivo. Como se pode conciliar com o governo providencial de Deus a existência do mal físico e do mal moral? A origem e a permissão do mal moral são um mistério que não sabemos explicar. 4o. 36.2 Tim. e sua peculiaridade consiste somente em sucederem em conjunção eminentemente . reto e misericordioso. Atos 15:17. Que nunca é enviado como um fim em si mesmo. e não de recompensas e castigos Veja Sal. até onde nós sabemos. 2:13. a existência do mal físico é justificada tanto pela razão quanto pela consciência como perfeitamente digna de um Deus sábio. 2o. 104:24. Seu fim principal é a glória de Deus. A dispensação atual é tempo de educação. a virtude é recompensada e o vício é punido mesmo neste mundo. 2:13. 73. Como regra geral. Is.Fil. subordi-nadamente a isso. mas não são sobrenaturais. 35.5o. Que nas suas relações atuais com o mal moral. e domina sobre elas para a Sua própria glória e o bem supremo da criação. PROVIDÊNCIAS EXTRAORDINÁRIAS E MILAGRES 37. E a execução do Seu propósito eterno. Deus dá a graça e o motivo. o bem supremo da Sua Igreja redimida .32 e Lucas 5:6. diferem dos eventos que sucedem sob o normal governo providencial de Deus somente na conjunção divinamente prearranjada das circunstâncias. 8:28. 9o. no caso das más ações dos homens. E. 11:36.18. compreendendo em um só sistema inteiro todas as Suas obras. e. As Escrituras ensinam também que. 3o. porque todos os agentes livres continuam livres e igualmente responsáveis. preparação e prova. E também congruente com a natureza de toda criatura sujeita a esse governo. e coopera nos atos desde o princípio até ao fim . restringe--as. permite-as simplesmente. 6o. 2o. 9:17. A felicidade e a miséria acham-se distribuídas muito mais igualmente neste mundo do que a princípio parece num exame superficial. 7o. Cada agente moral neste mundo recebe mais bens e menos males do que merece. desde o princípio -Sal. 8o. Como se pode demonstrar que a distribuição aparentemente anômala da felicidade e da miséria neste mundo não é inconciliável com a doutrina da providência? Io. 1:11. respondemos: Io. As Escrituras ensinam que é impossível que a maneira pela qual Deus executa o Seu governo providencial não seja conciliável com as Suas próprias perfeições. no caso das boas ações dos homens. Quanto ao mal físico. Ef. Os eventos são extraordinários. mas sempre como um meio para alcançar um bem maior. porque Deus "não pode negar-se a si mesmo" .

Se por "lei da natureza" entendemos o curso comum dos eventos observados na natureza. E poder-se-ia mostrar que aquilo que é realmente verdade neste milagre simples. 38. de que alguém foi comissionado e autenticado por Deus para ser mestre religioso e ensinar sua doutrina.a vontade do homem atua sobre objetos exteriores só indiretamente. e cada força adicional combina-se com outras na produção de efeitos de outro modo impossíveis. e agindo no sentido oposto ao da gravitação. prodígios. de modo que fique assinalada a sua diferença específica tanto de eventos sobrenaturais em geral. uma suspensão notável desse curso.. porém. Isso é exatamente análogo à ação da vontade humana sobre objetos físicos . Mas a mesma coisa é efetuada todos os dias pelos homens. obras de poder sobre-humano. Como são designados os milagres no Novo Testamento? São chamados . que é o de serem "sinais". e. A vontade humana não viola nenhuma lei quando opera. então nenhum milagre envolve a suspensão ou violação de tal lei.que todo evento possível tem sua explicação plena em causas adequadas que o precederam.‫··. com os quais eventos. E da experiência geral que as forças modificam umas as outras. 12:38. e (3) semeia. João 2:18. segundo a definição dada. igual à diferença dos pesos específicos da água e do ferro. (2) dunameis. por sua vez. Em que termos se pode expor a objeção a priori contra a possibilidade do milagre. Mat. nem foi suspensa a lei da gravitação. Como se deve.(1) terata. não foram mudados os pesos específicos nem do ferro nem da água. por envolver essencialmente a violação das leis da natureza? Como lhe dar resposta? Diz-se que tanto a experiência universal como a integridade da razão humana concordam em garantir que é absolutamente inviolável a lei da continuidade ..־‬up O milagre é (1) um evento-que sucede no mundo físico e que pode ser notado e discriminado com certeza pelos sentidos corporais de testemunhas humanas (2) de caráter tal que não possa ser referido racionalmente a nenhuma causa que não seja a volição imediata de Deus. enquanto que a vontade de Deus opera diretamente sobre todos os elementos do mundo que Ele criou. 40. (3) essa volição acompanhando um mestre religioso com o fim de autenticar a sua comissão divina e a veracidade do seu ensino. de uma nova força transitória. mediante o mecanismo de seu corpo. sinais. definir o milagre. Quando Eliseu "cortou um pau.aprazível com certos outros eventos como. como das providências extraordinárias definidas sob a Perg. é a causa de uma série interminável de conseqüências subseqüentes. no sentido bíblico da palavra.·! . eles não tinham nenhuma conexão natural. simplesmente combina em condições especiais diversas forças naturais. e diretamente só sobre os seus músculos voluntários. e fez nadar o ferro" . pois. Nenhum evento pode ser isolado de seus antecedentes e das respectivas conseqüências.a volição humana. nem de suas condições. Essa última designação exprime o seu verdadeiro fim. e não aniquila nenhuma força. e interpõe na soma das concausas uma concausa nova . Se por "lei da natureza" entendemos as forças físicas que produzem efeitos. impossíveis de imitar ou falsificar.־‬i. o aperto em que se achavam os israelitas ou os apóstolos. Atos 2:19.com esta exceção . 37? . . então o milagre é. e o lançou ali. Em todo evento físico há uma combinação de concausas que o efetuam.2 Reis 6:6. por uma volição divina. O milagre consistiu unicamente na interposição. 39. e toda causa opera segundo uma lei inteligível da natureza.g. que interferem na ordem natural dos eventos que ocorrem na natureza. e que cada evento. Tudo isso é verdade.‫: ·: . e o é tanto em referência aos milagres como em referência a quaisquer outros eventos.

o equilíbrio do universo não é equilíbrio permanente. e. e como responder-lhe? E um fato que o universo físico inteiro forma um só sistema. a ressurreição de Lázaro. se Deus e a criação juntos formam um todo um completo universo de coisas . para qualquer fim. A analogia alegada é boa. se tivéssemos conhecimento suficiente da química e da fisiologia da vida humana. em todos os Seus atos. especialmente em conseqüência da dissipação do calor e da concentração da matéria nos centros de atração.e. o maior de todos os racionalistas filosóficos sustenta que não há motivos a priori para que se julgue impossível o milagre. dando-lhes novas direções e novas condições. está num estado de equilíbrio tão delicado que a adição ou a subtração de um só átomo em qualquer parte perturbaria esse equilíbrio no sistema inteiro. ou ao menos de limitação da perícia do construtor. Só não é uma exceção à lei a interferência da vontade humana no curso da natureza quando incluímos entre as leis a relação de motivos para a volição. Todavia. Todo cristão está perfeitamente convencido de que as provas (históricas. e uma das leis da natureza de que os homens adquiriram primeiro o conhecimento e de que primeiro se serviram. 41. e só assim é que o equilíbrio é mantido.. é prova de defeito da máquina.então a objeção é absurda. Expor e contestar a objeção segundo a qual assumir a necessidade de interferência miraculosa seria coisa derrogatória à sabedoria e ao poder do Criador. como. e que. E evidente que esta objeção teria peso. por um minuto que fosse. mas o que ela prova é só o que tenho sustentado desde o princípio . emendas ou direção da parte do artífice ou de outrem. senão sob a suposição de que Deus mudou Seu propósito ou de que há algum defeito radical na . Demais disso. seria destrutiva para o todo. tirada do equilíbrio do universo. E o homem está constantemente modificando a natureza em extensas áreas. se o universo material fosse um todo exclusivo por si só.que se poderia provar a interferência divina no curso da natureza se tivéssemos a seu favor a mesma espécie j de provas que temos a favor das interferências humanas". ab extra . como se acha ajustado atualmente. é determinada por motivos". sob as leis físicas do universo.g\. John Stuart Mill (Essay on Theism. Alega-se que a perícia de um artífice humano manifesta--se sempre na medida em que a máquina construída faz o que deve fazer sem necessidade de consertos. 42. Por isso se diz que não pode haver necessidade de milagres. segundo a mesma regra. Parte 4) diz: "Pode-se dizer que "o poder da volição sobre os fenômenos é também uma lei.a entrada de um agente não pertencente ao sistema das coisas. Também é evidente que a vontade de Deus não está fora da soma das coisas que constituem o universo mais do que o está a vontade do homem. e se não estivesse em relação constitucional com Deus. e cada momento está fazendo a sua vontade atuar ab extra. Uma perturbação. mas está em mutação perpétua. morais e espirituais) a favor da crença na ressurreição de Jesus Cristo e dos milagres associados historicamente a esse evento são completas e suficientes. porque não podemos deixar de supor que a Deidade. Que diz a objeção contra os milagres. A soma das atividades de Deus é o necessário complemento da soma das atividades de todas as Suas criaturas.. E simplesmente uma questão de suficiência de provas. Isto é. como nova concausa. que a necessidade de intervenção ab extra.também o é nos mais complexos. a interferência da vontade divina não seria tampouco uma exceção.

O melhor sentido da palavra LEI é ordem. o ouvido. fazendo ostentação da sua violação da ordem natural. Segundo a mesma definição. (3) em circunstâncias muito diversas. da lei. cuja comissão o evento autentica. os físicos e os morais. não a violação. os atos das criaturas em obediência à lei e as intervenções do Criador impondo a lei. aquele abrange a razão. Os milagres bíblicos. instituindo ao mesmo tempo todos os fins. capaz de ser notado e discriminado com certeza pelos sentidos corporais". 43. particularmente os mais importantes deles. Todos os milagres bíblicos acham-se agrupados ao redor de grandes crises ocorridas na obra da redenção. pois. Aqui se tem objetado que nunca podemos ter a certeza de que um evento é realmente um milagre. ou para remir ou para condenar.1 ração da lei original e natural perturbada pelo pecado. porque . que o milagre seja "de caráter tal que não possa ser referido racionalmente a nenhuma causa que não seja a volição imediata de Deus". (3) E necessário que o mensageiro e sua mensagem estejam em harmonia. O desígnio do milagre é simplesmente dar a conhecer às criaturas inteligentes que o seu Criador intervém ativamente no universo moral com o fim de restaurar a ordem perturbada pelo pecado.(1) Nenhum ser humano conhece todas as leis da natureza. meios e métodos. ou da restau.corroborando-se mutuamente. sejam tais que se torne crível o representarem eles os sentimentos e a vontade de Deus. ou da igreja papal. exibições de poder. preenchem essa condição. Aquilo que é novo e inexplicável é relativamente sobrenatural. e a lei dos motivos. Segue-se. Milagre. que é necessário que todo evento semelhante. o tato . disposição ordenada. com o organismo inteiro de revelações e intervenções divinas que os precederam.criação. O sistema moral é essencialmente diferente do sistema físico. A vontade livre tornou possível o pecado. de caráter racional e moralmente congruente com a sua alegada origem divina. (2) Que o caráter do mestre religioso. (2) em ocasiões diferentes. os quais são simples prodígios. a VONTADE LIVRE. para ser crível. com isso nenhum cristão jamais sonhou. Segue-se que a suprema essência de toda lei é o propósito eterno de Deus. a consciência. isto é. segundo a definição acima.a vista. por conseguinte. 2o. em vez de serem como todos os "milagres" ‫ ׳‬dos gentios. é incapaz de ser por nós reduzido às categorias da natureza. com o fim de levar a efeito um propósito. Esse argumento teria força se o desígnio dos milagres fosse o de remediar dessa maneira qualquer defeito que porventura se houvesse descoberto no universo físico. em terceiro lugar. e também o caráter da sua doutrina. Por isso j os milagres bíblicos. são eminentemente curas de moléstias. pois foram realizados (1) à clara luz do dia. é "um evento que sucede no mundo físico. nem sabe onde está exatamente a linha de separação entre o natural e o sobrenatural. Disse Theodoro Parker: "Não há caprichos em Deus e. Como se pode saber com certeza se um evento é realmente um milagre no sentido desta palavra como foi definida acima ? Io. Este é mecânico.. Um só ato eterno de volição absolutamente inteligente abrangeu o sistema inteiro de seres e eventos em todo o espaço e em toda a duração. E necessário. (4) na presença de muitas testemunhas e (5) sujeitos ao exame de diversos sentidos . histórica e doutrinariamente. atribuição de alguma função. Contudo. Não ocorreu nenhuma intervenção miraculosa em conseqüência de um pensamento posterior. ou do espiritismo moderno. é necessário que o milagre "acompanhe um mestre religioso com o fim de autenticar a sua comissão divina e a veracidade do seu ensino". e este tornou necessária a direta intervenção divina. mesmo que o seja. 3o. seja (1) em si mesmo. (2) Os . os necessários e os livres. não há milagre na natureza". atos cuja tendência e cujo espírito implicam a restauração e a confirmação.

e que. as diversas funções envolvidas. sem emprego de outros meios. o reino de satanás é fácil de reconhecer por seu caráter. a ressurreição de Lázaro e a multiplicação de pães e peixes.e. os seus descendentes são introduzidos em seu nascimento. (3) Foram produzidos repetidas vezes. em época não científica e por indivíduos sem instrução. sua doutrina e sua relação com o sistema de revelações e intervenções miraculosas do passado. a capacidade desse agente único para desempenhar. e a condição moral e as relações legais em que. original e atual. podemos estar em dúvida quanto aos limites exatos do sobrenatural . a Liberdade. e os principais tópicos nela compreendidos são a constituição moral do homem.. É óbvio que. RESPONDEMOS: Io. as suas funções diversas sempre se restringem mutuamente. para que se entenda bem a natureza do pecado. simultânea ou sucessivamente. Ao mesmo tempo. (4) As obras eram divinas em seu caráter. temos a dizer . os efeitos que o seu pecado produziu sobre ele e sobre a sua posteridade. por conseguinte. verdade que a inteligência raciocina. antes. 2 o. etc. e não um conjunto organizado constando de diversas partes. é necessário que se tenha algum conhecimento das faculdades constitucionais da alma.maus espíritos muitas vezes realizaram obras sobrenaturais . Que princípio geral é necessário ter sempre em mente quando se trata das diversas faculdades da alma humana? A alma do homem é um só agente indivisível. e em diversas condições físicas. foram o resultado do abuso desse mesmo processo de análise. como conseqüência. e as relações providenciais em que ele foi introduzido na sua criação . por isso. 15 A Constituição da Alma.e. e muitas vezes não se lembra de que essas mesmas funções nunca estão assim em operação isoladamente. o filósofo chega a reconhecer separadamente as diferenças e as semelhanças dessas várias funções da alma. por ser a alma um só agente indivisível.por simples palavras. Quanto ao que diz respeito à questão de determinar com certeza quais os efeitos que transcendem as forças da natureza. a Vontade. e especialmente daquelas questões psicológicas e metafísicas que são inseparáveis das discussões teológicas. e os diversos membros de um conselho . e as ocasiões eram dignas delas. a consciência aprova ou condena e a vontade decide do mesmo modo como os diversos membros do corpo operam juntos. Isso é verdade especialmente com respeito à interpretação dos atos voluntários da alma humana. Nunca se deve reconhecer como milagre um evento isolado. Assim também não é. aquilo que descrevemos como suas diversas faculdades é. e quais os principais tópicos abrangidos por ela ? A seção geral é a da ANTROPOLOGIA. a condição moral do homem quando foi criado. e nunca devemos concebê-las como se fossem partes ou órgãos que existem separadamente. Em que seção geral da teologia estamos entrando agora.a natureza do pecado. 2. para que tenhamos uma idéia definida da sua natureza.g. Na prossecução da sua análise. serão em todos os casos suficientes para se poder discriminar um verdadeiro de um falso. e sim concorrentemente. 1. (2) Esses efeitos foram produzidos há dois mil anos. Essas diversas funções exercidas pela alma são tão variadas e complexas que é necessário que se faça uma análise minuciosa delas. que o coração sente.mas não se pode errar quanto àquilo que tanto excede os limites do natural. em conseqüência. o pecado de Adão. O homem. e estes ocupam lugar apropriado no sistema inteiro da revelação de Deus. convém que estejamos lembrados de que grande parte dos erros em que caíram os filósofos em suas interpretações da constituição moral do homem. é-nos impossível determinar se em qualquer caso dado a causa do evento é ou não uma volição direta de Deus. considerado psicologicamente. de fato. Quanto ao que diz respeito aos espíritos maus.(1) Que há certas classes de efeitos a cujo respeito é impossível que alguém duvide. nos mestres religiosos e nas suas doutrinas viam-se provas espirituais corroborativas dos milagres que realizaram. da influência da graça divina e da mudança operada na alma regenerada.

quer ao escolher ou recusar ou desejar a respeito de qualquer questão puramente moral. O poder autodeterminante da vontade. os afetos. de que estes dois sentidos da palavra "vontade" são essencialmente distintos. como faculdade abstrata. As intelectuais. 3. como incluindo todas as faculdades de conação (as disposições e os desejos). a imaginação. não obstante é verdade que todas as faculdades da alma humana. o intelectual na percepção e no julgamento. quer diga respeito ao julgar. sente.deliberam e decidem mediante ação conjunta de suas partes. porém a verdade é que a alma. é um absurdo como doutrina. Esta classe abrange todos os sentimentos que de algum modo acompanham o exercício das outras faculdades. Esta classe abrange todas as faculdades que de modos diversos concorrem para o exercício da função geral do conhecimento. e a faculdade singela da alma. são faculdades morais. pois. chama faculdades de conação. A vontade. porém. e quais constituem a sede da nossa natureza moral? Io. o emocional quando experimentamos prazer ou desprazer. 3o. emLectures on Metaphys-ics. mas o poder autodeterminante da alma humana como um agente fatual. moral e autodeterminante. e assim. ou do sentimento que lhe corresponda. por exemplo. uma escolha ou um ato que está de acordo com o seu desejo prevalecente. que determinam o homem no exercício da sua livre faculdade da volição. tomando tudo em consideração. Cada estado ou ato.׳־‬r ‫־ ·׳►׳׳♦ ·־■·־‬ . ou se determina a agir. Lect. embora haja um sentido em que todas as questões morais concernem à relação dos estados ou atos da vontade com a lei de Deus revelada na consciência. a vontade está operando quando escolhemos ou rejeitamos. a vontade e a consciência são proeminentemente o fundamento da natureza moral do homem. são elas a razão. como característica comum. Perg. é um fato de consciência universal e uma doutrina fundamental da filosofia moral e da teologia cristã. excitativas. racional. E necessário que se distinga essencialmente entre a vontade. para incluir a faculdade da volição junta com todos os estados espontâneos da alma (que Sir William Hamilton.) Pergunta-se muitas vezes: qual de nossas faculdades é a sede da nossa natureza moral? Pois bem. os sentidos corporais e o sentido moral (quando considerado como simples fonte de conhecimento dando parte ao entendimento). é um ato ou um estado moral. Notar-se-á que as funções da consciência envolvem faculdades que pertencem em parte à primeira classe e em parte à segunda. "uma tendência para a realização do seu fim"). Devemos lembrar-nos. isto é. e seria funesto como experiência. procu-rantes. aprova ou condena e decide. 11. e é neste que o emprego aqui. todas as faculdades. raciocina.־· . 5. Como classificar as principais faculdades da alma humana. os desejos. e que possuem. as disposições. e sim sobre a liberdade do homem em determinar-se ou em escolher. consideradas em suas relações com a distinção entre o bem e o mal. mediante a qual a alma escolhe. como acima classificadas. de qualquer das faculdades da alma humana. que é uma só e indivisível. E óbvio que somos livres se temos a liberdade de nos determinarmos como nos convém. estão em exercício em todas as distinções morais. A questão real não versa sobre a liberdade da vontade. e quando agimos. cuja operação tem como resultado uma volição. 2o. segundo nos parece bem. É empregado também em sentido lato. racional e sensível. 4. designando também o exercício dessa faculdade. e nos quais. isto é. ·!‫ ·!·!·„: :>. Que é a vontade? O termo "vontade" é empregado muitas vezes para designar a simples faculdade da volição. sensível. em conseqüência. ou se recusa. As emocionais. (Veja abaixo.

assim como todos os nossos juízos intuitivos. poder que. Esses não têm em si mesmos nenhuma qualidade moral intrínseca. Em que classes se dividem os afetos espontâneos da alma. Como se define o termo volição? \ Pela expressão "faculdade da volição" entendemos a faculdade executiva da alma. ou os que nascem cegamente. em combinação com o entendimento. sec. 1. como faculdade. e 2a. ou irrelevantes. Os desejos e afetos animalescos.Divine Government. As proposições abstratas e generalizadas que se pode derivar por abstração e por generalização desses juízos individuais. sem inteligência. mas em caso algum podem ser aceitas como base segura para a construção de um sistema de provas sobre elas. Livro 3.18 isto é. e pelo termo "volição" entendemos o exercício dessa faculdade em qualquer ato de escolha ou de autodecisão. Veja McCosh. A Palavra inspirada de Deus. podem ser verdadeiras ou não.O termo "vontade" é utilizado no sentido extenso neste capítulo. Os juízos morais dos homens. e essa lei se acha dentro de si (é uma lei para si mesma. e. Esta faculdade é soberana em sua esfera. e também as disposições morais e os atos voluntários de outros agentes livres. Esta é a maior de todas as liberdades. 7. despertados por objetos apreendidos pelo intelecto. e quais as características distintivas de cada classe? Os desejos e afetos espontâneos da alma são de duas classes distintas: Ia. Rom. a lei original escrita no coração. exerce sempre a sua volição em conformidade com a disposição ou com o desejo da vontade que prevalece no momento da volição. agradáveis à vista do que é bom. e penosas à vista do que é mau. especialmente quando a nossa consciência está ocupada em rever os estados ou as ações de nossa própria alma.. ou falsas. ou seja. faz o juízo quanto a serem bons ou maus os nossos atos livres e as nossas disposições morais. Que é a consciência? A consciência. com a faculdade de comparar e julgar. e por meio de outras considerações apriori. 8. os apetites e os afetos instintivos. 2a. e (c) está acompanhada de emoções vivas. por meio de formulários gerais representando verdades parciais expostas imperfeitamente. Quais as verdadeiras provas pelas quais se pode determinar a qualidade moral de qualquer ato ou estado mental? As únicas verdadeiras provas da qualidade moral de qualquer ato ou estado são: Ia. 4. absurdas. Os afetos e desejos racionais. compreende (a) um sentido ou uma intuição moral. e só se tornam causas de ação moral quando refreados ou satisfeitos desordenadamente. 2:14. (b) Esta faculdade julga segundo uma lei divina do bem e do mal. Cap. Muitas vezes têm sido feitas absurdas tentativas de demonstrar o caráter moral ou amoral de algum princípio. 6. . a faculdade de escolher ou de autodecidir-se. e não pode ter nada nem ninguém superior que não seja a Palavra revelada de Deus. um poder de discernir entre o bem e o mal. O homem é perfeitamente livre nas suas determinações. Os juízos espontâneos.g. práticos e universais dos homens. 1 ! 5. e a única que condiz com a racionalidade e com a responsabilidade moral.15). são dignos de confiança somente quando dizem respeito a juízos categóricos e individuais.

seja determinada por seus próprios afetos e desejos espontâneos. para todas as suas sucessivas operações dos sentimentos. Alguns desses hábitos ou disposições são inatos. e da luz escuridade" . as ações que deles nascem também são indiferentes moralmente. Apoc. Por conseguinte. e donde provém esse caráter? Existem na alma. Quando são bons. todos os homens os consideram dignos de condenação e de justa indignação. No entanto. 23:17. 2o. e sua qualidade moral depende daquela dos objetos pelos quais são atraídos. o fundamento. por causa da sua natureza essencial de bons ou maus. Que tenha em operação um senso moral para distinguir o bem do mal. e a que essa qualidade é inerente? Os afetos racionais e espontâneos são intrínseca e essencialmente ou bons. Luc. a consciência. determinam-nas para o mal. neste sentido fenomênico. 12. Constituem o caráter do homem e são a base. afetos. 24:25.1 João 2:11. volição e ação. 5:20. ou moralmente indiferentes. o intelecto está de tal modo envolvido com os afetos e emoções morais que os seus juízos e opiniões a respeito de todas as questões morais também têm caráter moral. e ao bem mal. Quem está cego para a excelência moral ou para a fealdade do pecado é condenado por todas as consciências esclarecidas. moral e racional (veja a resposta à pergunta antecedente). Ef. As Escrituras pronunciam "ai" sobre aqueles "que ao mal chamam bem. seja qual for. A que é que aplicamos a designação de "princípios ou disposições permanentes" da alma? Quando é que eles possuem caráter moral. Como se demonstra que os atos do intelecto podem ter caráter moral? Em suas operações. 13. a sua origem. O homem é responsável por seus juízos morais. Veja: Io. ela não é nem indestrutível nem infalível.9. ou maus. por serem todos determinados imediatamente pelo estado geral ou pelo caráter moral da alma. de modo algum. que é o órgão da lei de Deus na alma. que envolvem uma tendência ou uma facilidade para certas espécies de operações. Será que se pode dizer que a consciência é indestrutível e infalível? E possível tornar latente e perverter virtualmente. São as tendências finais da própria alma. se o sentido moral for considerado . esses afetos espontâneos determinam as volições para o bem. isto é. o homem está louco e não é nem livre nem responsável. quanto a seus efeitos e fenômenos. Quais os afetos racionais e espontâneos que possuem qualidade moral. desejos. Sua qualidade moral. 3o. Até onde são bons. 10. lhes é intrínseca. 3:17. que fazem da escuridade luz. Faltando qualquer destes requisitos. e sua bondade ou maldade é um fato final da consciência. subjacentes a seus estados e afetos passageiros. tenha capacidade real de autodecisão. todos os homens os consideram dignos de aprovação. O caráter moral dessas tendências morais inerentes à alma é intrínseco e essencial. certos hábitos ou disposições permanentes. e chamam ao pecado "cegueira" e "estultícia" .Is. E necessário que esteja de posse real da sua razão. e quando são maus. e sem levar em conta. Mat. e quando são maus. Quando são bons. o homem é bom e boas são as suas ações. e também por suas crenças e sentimentos morais. e até onde são indiferentes moralmente. Que sua vontade. 11. São bons ou maus ou moralmente indiferentes conforme sejam bons ou maus ou indiferentes os seus objetos. 4:18. e temporariamente. Quais as condições essenciais da responsabilidade moral? Para que o homem seja responsável moralmente é necessário que ele seja um agente livre. para distinguir a verdade da mentira. dizem respeito a objetos moralmente indiferentes. isto é. em suas volições ou atos executivos. outros são adquiridos. isto é.

como também consciências latentes. o sentimento de que há uma distinção entre o bem e o mal é uma lei eterna para o próprio ser moral. Cap. Quando despertado para agir.simplesmente em si mesmo. também. a consciência está constantemente dando decisões errôneas. . especialmente quando afetos e desejos depravados influem em sua ação. A. o pecador individual em muitos casos fica entregue judicialmente à indiferença moral. não está desenvolvida. Apesar disso. Caráter virtuoso é. a tentativa de analisá-la a destruiria. 4 e 5. sua consciência se torna latente temporariamente. isto é. sua linguagem é sempre a mesma.2. e Io. isto é. veríamos que a consciência é verdadeiramente indestrutível. e Dr. que está em conformidade com a doutrina bíblica de recompensas e castigos. O entendimento é sempre falível. Sec. e porque esta é a única teoria. Veja McCosh. de fato.Dr. Se não fora assim. depois de contrair o hábito de não prestar atenção à voz da sua consciência e de violar a sua lei. 3o. 2o. disposições permanentes ou afetos temporários da vontade. como definida na última resposta acima. é indestrutível mesmo nos corações mais depravados. porque . A essência da virtude é que obriga a vontade. Mas virtude ou vício pertence só aos estados morais da alma e a atos voluntários. Divine Government. deve ser feita. qualidade que é percebida pela faculdade moral de que todo homem é dotado. (2) Porque esse remorso ou consciência acusadora constitui o tormento essencial das almas dos perdidos. Tem sua norma na natureza imutável de Deus. não são nem aprovados nem condenados como virtuosos ou viciosos pela consciência. e nos selvagens o está muito imperfeitamente. e é chamada moral" . e esse juízo errôneo pode ser causado por uma propensão egoística. Livro 3. porque é aqui que muita filosofia falsa perverte muitas vezes a verdade. como todas as demais faculdades da alma. e o agente merece castigo. A essência do mal moral é que intrinsecamente merece desaprovação. Assim. devido a um mau juízo dos fatos e relações do caso. Moral Science. A seus afetos. o seu castigo perderia o seu caráter moral. e a percepção da qual é acompanhada de uma emoção que é diversa de todas as demais emoções. quanto ao bem moral. A. Alexander. e não sendo enganado quanto ao verdadeiro estado do caso em foco. sensual ou maligna. portanto. Moral Science. Nas crianças a consciência. é infalível. Vicioso. A suas volições. é o caráter em que esses estados e atos da vontade não estão em harmonia com a lei divina. 14. e assim como não pode ser destruído tampouco pode ser mudado. e a "certas ações voluntárias de um agente moral. Caps. A idéia de virtude é que se trata de uma intuição simples e final. nas agonias do remorso. Daí existirem consciências enganadoras. Alguns desses estados e atos da vontade não são morais.26. é certo que ela nunca é destruída. perrence somenre à vonrade do homem (incluindo nela rodas as faculdades conativas). Cap. Este é o bicho que rói e nunca morre. Se uma coisa é moralmente boa. e se pudéssemos ler a história inteira do homem mais perverso que já existiu. 15. Alexander. os afetos e desejos temporários e as volições da alma estão em harmonia com a lei divina. Qual a natureza essencial da virtude? "A virtude é uma qualidade peculiar a" certos estados da vontade. A sua disposição permanente. No ato pelo qual a consciência julga estados ou atos morais acha-se envolvida a ação conjunta do entendimento e do sentido moral. Quanto à sua infalibilidade. Quanto à sua indestrutibilidade. OBSERVE: Io. E sua própria razão suprema. porém. 6. Ao mesmo tempo. Que é que constitui um caráter virtuoso ou vicioso? A virtude. aquele em que as disposições permanentes. O que é bom é bom porque é bom.(1) Muitas vezes desperta com uma energia terrível no coração dos réprobos mais endurecidos. e sobretudo com a da propiciação realizada por Cristo. porém. Este ponto é de grande importância. 2o.

Que ele é dotado de uma razão para distinguir entre o verdadeiro e o falso. Os afetos e desejos são como as disposições permanentes. no estado atual do seu espírito. falsa. na linguagem das Escrituras. O homem age por sua própria força ativa. e de uma consciência. 3o. ou cujas disposições. contudo. Como se pode mostrar que este atributo da natureza humana é inalienável? E conceito geral que um homem está livre na sua determinação quando se determina de conformidade com as disposições e desejos que nele prevalecem num dado momento. Mas o homem virtuoso é aquele cujo coração e cujos atos. para distinguir entre o bem e o mal. se é realmente sua vontade. que esta teoria é defeituosa e. ou como o caráter.Os atos de volição serão virtuosos ou viciosos segundo forem os afetos ou desejos que os determinarem. 18. é a que sustenta que a virtude consiste do desejo inteligente de felicidade. Em que sentido afirmamos que o homem é agente livre? Respondemos explicando: Io. quer seja adquirido pelo costume. e tomadas em consideração todas as circunstâncias do caso. Quais as duas formas da teoria utilitária da virtude? Aprimeira. 17. estão em harmonia com a lei de Deus. para que os seus desejos não somente sejam racionais. afetos e volições. Taylor: "Nada é bom senão a felicidade e os meios de adquiri-la. porque neste caso os próprios demônios e as almas perdidas seriam muito virtuosos. ou de conformidade com elas ou contrários a elas. Este último é natureza da própria vontade. K. o fato de a sua qualidade moral ser virtuosa ou viciosa permanece o mesmo. à vista de todas as circunstâncias do caso Qte never can be made to voill what he does not himself desire to voill -literalmente: ele nunca poderá ser levado a querer o que ele próprio não deseja querer). por isso. Diz o Dr. porém se formam sob a luz da razão e da consciência. é como ele deseja que seja. e é um fato final e indissolúvel. A segunda e superior forma da teoria utilitária da virtude é a que a faz consistir de benevolência desinteressada. embora seja possível obrigar um homem. A matéria age só na medida em que se atua sobre ela. e a responsabilidade moral que pesa sobre o agente por seu caráter não muda. mas a sua vontade énecessariamente livre porque. e inferior. a determinar-se a fazer e também a fazer efetivamente muitas coisas que não se determinaria a fazer nem faria de fato se não fosse o medo. Quer esse caráter seja inato. Devemos estar lembrados de que o fato de que alguém tem uma consciência que aprova o bem e condena o mal. segundo o seu caráter. não torna o caráter virtuoso. 16. na linguagem dos filósofos. nos capítulos 8 e 12. pelo medo. e nada é mau senão a miséria e seus meios". 2o. Que. e que afirma que todo pecado é uma forma de egoísmo. Já se mostrou. que as suas ações sejam constrangidas. sendo espírito. como se verá também no capítulo 18. Pode ser que o juízo do homem esteja enganado. nunca poderá ser forçado a determinar-se no sentido em que ele mesmo não queira determinarse. contudo. N. Que. origina ação. os seus desejos não são necessariamente nem racionais nem retos. segundo as disposições permanentes e habituais do homem. órgão de uma lei moral inata. . mas também retos. e de que ele experimenta emoções mais ou menos vivas e penosas ou agradáveis quando condena ou aprova. isto é. W.

Segue-se que as volições são livres por sua própria essência, quer o agente determinando ou o ato determinado seja de bom senso quer não o seja, quer seja bom quer mau. 19. Acaso não ensinam as Escrituras que o homem está escravizado ã corrupção, e que perdeu a sua liberdade? Como acima demonstramos, o homem é sempre livre em suas volições responsáveis, tanto quando escolhe o que é contra a lei de Deus e da consciência, como quando escolhe de conformidade com essa lei. Contudo, no caso das criaturas não caídas e dos homens santificados perfeitamente, o estado permanente da vontade, os afetos e os desejos voluntários (o coração, na linguagem bíblica) estão em harmonia com a luz da razão e com a lei interior da consciência, e também com a lei exterior de Deus que temos na revelação objetiva. Não há conflito de princípios dentro da alma, e a lei de Deus, em vez de constranger a vontade por meio de seus mandamentos e ameaças, recebe obediência espontânea. Esta é "a liberdade dos filhos de Deus"; e a lei torna-se a "lei real" (Tia. 2:8) da liberdade quando a lei que está no coração do súdito corresponde perfeitamente à lei do Governador moral. No caso dos anjos e dos homens decaídos, porém, as disposições dominantes da vontade opõem-se à razão, à consciência e à lei de Deus; e em geral se diz que o agente, apesar de ser livre, porque se determina como lhe apraz, está sob a escravidão de uma natureza má, e que "é escravo do pecado" porque é impelido por suas disposições corrompidas a escolher aquilo que vê e sente que é prejudicial, e porque as ameaças da lei de Deus tendem a constranger a vontade pelo medo. As Escrituras não ensinam que o homem irregenerado não é livre em seu pecado, porque, neste caso, ele não seria responsável. Mas o contraste entre a liberdade dos regenerados e a escravidão dos irregenerados deve-se ao fato de que nos regenerados os desejos e tendências habitualmente dominantes não estão em conflito com os ditames da consciência e da lei de Deus. Os não regenerados, considerados psicologicamente, são livres quando pecam, porque se determinam do modo que, tudo considerado, lhes apraz; porém, considerados teologica-mente em sua relação para com a lei de Deus, aprovada pela razão e pela consciência, pode-se dizer que estão sob a escravidão dos maus desejos e disposições de seu próprio coração, que eles vêem que é mau e insensato, mas que, apesar disso, são incapazes de mudar. 20. Qual a distinção entre liberdade e capacidade? A liberdade consiste em poder um agente determinar-se como lhe apraz, por ser a volição determinada somente pelo caráter do agente determinante. A capacidade consiste em poder um agente mudar seu próprio estado subjetivo, fazer-se preferir aquilo que não prefere, e agir num dado caso em oposição aos desejos e preferências coexistentes do coração e do próprio agente. Assim, pois, o homem é tão verdadeiramente livre depois da Queda como o era antes dela, porque se determina como ^ apraz ao seu mau coração. Entretanto perdeu toda a capacidade s de obedecer à lei de Deus, porque o seu mau coração não está sujeito a essa lei, nem pode o homem mudá-lo. 21. Como definem liberdade Turretino e o presidente Edwards? Turretino, L. 10, Quass. 1- "Achando-se na alma só três coisas junto com sua essência, a saber, faculdades, hábitos e atos, a vontade (arbitrium) é comumente considerada como um ato da mente; mas aqui não significa propriamente nem um ato nem um hábito que se possa separar do homem individual e que o determina também no sentido de uma de pelo menos duas coisas contrárias; porém significa uma faculdade, todavia não uma faculdade vegetativa ou sensual e comum a nós e aos irracionais, na qual não haveria lugar nem para a virtude nem para o vício, e sim uma faculdade racional, cuja posse certamente não nos torna nem bons nem maus, mas por meio de cujos estados e ações somos capazes de nos tornar ou bons ou maus."

Quaes. 3 - "Não consistindo, pois, na indiferença a natureza essencial da liberdade, não se pode achar em outro princípio que não seja no desejo ou prontidão racional (lubentia rationali) em virtude da qual o homem faz aquilo que prefere ou se determina a fazer conforme um juízo prévio da razão (facit quod lubetpravio rationis judicio). Segue-se que dois elementos juntos são necessários para constituir esta liberdade. (1) Io proaireticon (o propósito), de modo que aquilo que se faz não é determinado por um certo impulso cego e brutal, e sim ek proaireseos, e conforme a razão previamente iluminada e um juízo prático do intelecto. (2) Io ekousion (o espontâneo), de modo que aquilo que se faz é determinado espontânea e livremente, e sem constrangimento." O presidente Edwards, On the Will, Sec. 5, define a liberdade como "o poder, oportunidade ou vantagem que qualquer pessoa tem para agir como lhe apraz". 22. Quais os dois sentidos em que se emprega a palavra motivo, como influindo sobre a vontade? E qual o sentido em que é verdade que a vontade está sempre em conformidade com o motivo mais forte? Io. Um motivo para agir pode ser alguma coisa que se acha fora da alma, como sejam o valor do dinheiro, os desejos de um amigo, a sensatez ou a insensatez, a bondade ou a malvadez de um ato considerado em si mesmo, ou os apetites ou impulsos do corpo. Neste sentido é evidente que os homens nem sempre agem segundo o mesmo ou o melhor motivo. Aquilo que atrai uma pessoa pode repelir outra, ou a pessoa pode repelir a força atrativa de um motivo externo pela força superior de alguma consideração tirada de dentro da própria alma. Assim, pois, é verdadeiro o dito: "É o homem que faz o motivo, não o motivo que faz o homem". 2o. Um motivo para agir pode ser o estado de ânimo do próprio homem, isto é, o desejo ou a aversão à vista do objeto
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exterior; ou seja, motivo no primeiro sentido. E evidente que este motivo interno influi necessariamente na volição, e igualmente evidente é o fato de que isso de modo algum torna o homem menos livre em sua autodeterminação, porque o motivo interno é nada mais que o homem mesmo desejando ou recusando, segundo a sua própria disposição ou o seu caráter. 23. Não seria possível que haja ao mesmo tempo na mente diversos desejos ou motivos internos contrários? E, quando é este o caso, como fica determinada a vontade? Muitas vezes sucede que há na mente ao mesmo tempo desejos ou afetos impelindo em sentidos contrários, e nestes casos o desejo mais forte, ou o grupo mais forte de desejos que puxem num mesmo sentido, determina a volição. Aquele que é o mais forte fica manifesto somente pelo resultado, e não pela intensidade do sentimento que desperta ou move. Alguns desses motivos internos, como, e. g., a sede de vingança, são muito vivos, e outros, como, e. g, o sentimento do dever, são muito calmos, e, contudo, o motivo calmo muitas vezes manifesta-se como o mais forte e atrai a vontade para o seu lado. Mas isso depende do caráter do agente. É este conflito interno de princípios opostos que constituem a luta da vida cristã. E é esta mesma experiência que ocasiona grande parte dessa confusão de consciência que se encontra entre os homens a respeito do problema da vontade e das condições da agência livre (ou do sujeito da ação). Muitas vezes os homens agem em oposição a certos motivos que têm, porém nunca sem motivos; e o motivo que afinal determina a vontade num dado caso pode bem ser o motivo menos claramente apreendido pelo intelecto e o que se manifesta menos vivamente nos sentimentos. Este é o caso especialmente das surpresas súbitas e das coisas de pouca importância; pois nestes a volição é determinada constantemente e quase automaticamente por impulsos vagos ou pela força do costume. Não obstante, se em qualquer caso refletirmos bem em tudo o que se passou em nossa mente na ocasião em que decidimos fazer alguma coisa, descobriremos que determinamos fazer aquilo à luz de todas as circunstâncias que o nosso entendimento nos apresentou a respeito do caso.

24. Se o estado mental imediatamente anterior ao ato da vontade determina com certeza esse ato, como pode ser livre esse ato, se foi determinado assim com certeza? Esta objeção baseia-se unicamente na confusão das duas idéias inteiramente distintas da liberdade da vontade, como uma faculdade abstrata, e da liberdade do homem que exerce a vontade. O homem nunca é determinado a querer ou a determinar-se por alguma coisa que esteja fora de si mesmo. E ele mesmo quem dá livremente e segundo o seu próprio caráter, às circunstâncias externas que sobre ele influem, todo o peso que possuem. Mas, por outro lado, o mero ato de volição, considerado em abstrato, é determinado pelo estado mental, moral e emocional do homem no momento em que se decide. Sua liberdade racional, com efeito, não consiste em alguma incerteza quanto ao seu ato, e sim no fato de que a sua alma inteira, como agente indivisível, inteligente, sensitivo e moral, determina seus próprios atos como lhe apraz. 25. Como se prova que a certeza de uma volição de modo algum é incompatível com a liberdade do agente desse ato? Io. Deus, Cristo e os santos na glória são todos eminentemente livres nas suas santas volições e ações e, contudo, nada pode haver de mais certo do que o fato de que eles, durante toda a eternidade, determinar-se-ão segundo a retidão. 2o. O homem é agente livre, contudo é certo que, desde o nascimento de uma criança, se continuar a viver, pecará. 3o. Deus, desde a eternidade, previu como certas todas as ações livres, e as preordenou, ou tornou-as certas. Nas profecias predisse muitas delas como certas. E na regeneração Seu povo torna-se "feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou (proetoimasen, preparou com antecedência, preordenou) para que andássemos nelas". 4o. Mesmo nós, se tivermos perfeito conhecimento do caráter de um amigo, e de todas as circunstâncias sob as quais ele age, poderemos muitas vezes ter plena certeza do modo como ele agirá, mesmo em nossa ausência. Esta é a base de toda a fé humana, e, por isso, a de toda a sociedade humana. 26. Em que consiste a teoria da liberdade moral chamada "Liberdade da Indiferença", "Poder Autodeterminante da Vontade", "Poder de Escolher o Contrário", "Liberdade de Contingência", etc., sustentada pelos arminianos e outros? Esta teoria afirma que na idéia de agência livre acha-se envolvido essencialmente o seguinte - Io. Que a vontade do homem em qualquer volição pode decidir-se não só em oposição a todos os induzimentos externos, mas também em oposição a todos os juízos e desejos internos, e ao inteiro estado inferior e coexistente do próprio homem. 2o. Que em todas as suas volições livres o homem está cônscio de que poderia ter se decidido em sentido diametralmente oposto, sem que houvesse alteração alguma nem nas suas circunstâncias exteriores nem no seu estado interior. 3o. Que todas as volições livres são contingentes, isto é, incertas, antes do evento, porque não são determinadas por coisa alguma que não seja só e unicamente a faculdade de volição da parte do agente -Hamilton's "Reid995 .sgáp ‫.426-״‬ A verdadeira teoria da certeza moral, porém, é que a alma é uma unidade; que a vontade não se determina a si mesma, mas é o homem que, quando determina, determina-se a si mesmo; e que sua volição é determinada com certeza pelo estado interno, racional, moral e emocional, tomado como um todo, em que o homem está no momento em que se determina. Em oposição à primeira destas duas teorias e a favor da segunda, afirmamos Io. Que o caráter do agente determina com certeza o caráter de suas ações livres, e que a certeza de um ato não é incompatível com a liberdade do agente que o pratica. Veja acima, Perg. 12.

2o. Que as doutrinas cristãs da presciência (ou do pré--conhecimento), da preordenação, da providência e da regeneração divinas provam, todas elas, que as volições dos homens nem são incertas nem indeterminadas. Quanto às provas bíblicas destas doutrinas, veja os respectivos capítulos. 3o. Concordamos com os defensores da primeira teoria em sustentar que em qualquer ato livre que praticamos estamos cônscios de o podermos praticar ou deixar de praticar segundo a nossa vontade. "Mas, ao mesmo tempo, sustentamos que não estamos menos cônscios de que essa convicção íntima de possuirmos o poder para não praticar o ato é condicional. Isto é, estamos cônscios de que o ato poderia ter sido diferente se outras e diversas opiniões, idéias ou sentimentos tivessem sido presentes em nossa mente, ou se lhes tivéssemos dado seu peso devido. Mas o homem não pode preferir contra a sua preferência, ou escolher contra a sua escolha. Pode ter uma preferência numa ocasião e outra em ocasião diversa; e pode ter em ação ao mesmo tempo diversos sentimentos e princípios opostos e em conflito mútuo, porém não pode ter ao mesmo tempo preferências opostas e em conflito mútuo." 4o. A teoria do "poder autodeterminante da vontade" considera a faculdade da vontade ou da volição como isolada das outras faculdades da alma, como um agente independente dentro de outro agente. Mas a alma é uma unidade. Tanto a consciência como as Escrituras ensinam que o homem é um agente livre e responsável. Desligando-se a faculdade de volição das disposições e desejos morais, as volições não teriam mais caráter moral; e desligando-se essa faculdade da razão, as volições não teriam mais caráter racional. Se não forem determinadas pelo estado interno do próprio homem, serão fortuitas e estarão fora do seu domínio. O homem não poderá ser livre, se a sua vontade estiver independente tanto da sua inteligência e da sua razão como do estado do seu coração, e não deverá ser tido como responsável. 27. Por que o homem é responsável por suas ações externas, por suas volições e por seus afetos e desejos? Como se prova que ele é responsável por seus afetos? O homem é responsável por suas ações externas por serem determinadas por sua vontade; é responsável por suas volições por serem determinadas pelos princípios, sentimentos e desejos do próprio homem; e é responsável por seus princípios, sentimentos e desejos por causa da sua natureza de bons ou maus, e porque são dele e constituem o seu caráter. As Escrituras ensinam e é o juízo universal dos homens que "o homem bom tira" ou produz " boas coisas do seu bom tesouro" e que "o homem mau do mau tesouro tira coisas más". Um ato deriva o seu caráter moral do estado do coração do qual provém, e o homem é responsável pelo estado do seu coração, seja esse estado inato, ou formado pela graça regene-radora, ou adquirido. Io. Por causa da natureza obrigatória daquilo que é moralmente bom e por causa do desmerecimento do pecado. 2o. Porque os afetos e desejos do coração do homem são ele mesmo amando ou recusando aquilo que é bom. É opinião de todos que um homem profano ou malévolo merece desaprovação, seja qual for a causa que o leva a ser assim. 28. Como o Dr. D. D. Whedon expõe e contrasta a posição das filosofias arminiana e calvinista? Diz ele: "A esta máxima segundo a qual somos responsáveis por nossas más volições, disposições ou natureza, seja qual for o modo pelo qual as obtivemos, contanto que as possuamos realmente, nós (os merodistas) opomos esta outra máxima segundo a qual,para que um agente seja responsável por qualquer ato ou estado, é necessário que tenha poder de praticar o ato contrário ou de produzir o estado contrário. Noutras palavras, o poder é a base da responsabilidade". A única limitação que ele admite é o caso de uma incapacidade produzida voluntariamente pelo próprio agente. Esta, acrescenta ele, é uma máxima fundamental segundo a qual se deve decidir todos os pontos em discussão entre o arminianismo e o calvinismo.

29. Como se pode mostrar que essa teoria arminiana leva a conseqüências incompatíveis com o evangelho, e que a teoria calvinista é verdadeira? O Dr. Whedon admite que Adão, depois da sua queda, perdeu toda a capacidade de obedecer à lei de Deus, e que era responsável por essa incapacidade e por todas as suas conseqüências, porque, tendo sido criado com plena capacidade, perdeu-a por seu próprio ato livre. Admite também que cada filho de Adão nasce com uma natureza corrompida e destituída de capacidade de obedecer à lei de Deus. Nega, porém, que uma criança seja responsável ou punível por essa incapacidade ou por qualquer ação pecaminosa que dela resulte, porque veio sobre ela, sem culpa da sua parte, pelo pecado de Adão. A título de justa compensação, porém, pelo grande infortúnio de serem pecadores inocentes, o Dr. Whedon afirma que Deus em Cristo dá a todos os homens graça suficiente e, por conseguinte, capacidade, advinda dessa graça, de obedecer à lei evangélica. Se um homem fizer uso da capacidade advinda dessa graça, será salvo e sua fé e obediência evangélica lhe serão imputadas como justiça perfeita; se, porém, não fizer uso dessa \ capacidade advinda da graça, será condenado como responsável por esse abuso (ou mau uso) da capacidade, e, por isso, como responsável também por todos os seus sentimentos e ações pecaminosas, e pela incapacidade subseqüente em que redunda esse abuso. Respondemos que dessa teoria arminiana segue-se: Io. Que a salvação alcançada para nós por Cristo não foi obra da graça livre, e sim uma compensação tardia e incompleta concedida aos homens pelos males imerecidos que em conseqüência do pecado de Adão vieram sobre eles ao nascerem. 2o. A "graça" concedida a todos é tão necessária para tornar os pecadores puníveis como o é para salvá-los. Assim, pois, segundo este princípio, a graça, tornando os homens responsáveis, porque opera neles a sua capacidade, envia para o inferno maior número de almas do que leva para o céu mediante a fé em Cristo. 3o. Não sendo responsáveis pela culpa original, e por isso não puníveis, os que morrem na infância vão para o céu em virtude do seu direito natural. Sustentamos, pelo contrário, que todo homem, a não ser que seja um louco, é responsável pelos seus afetos, desejos e disposições morais, seja qual for a sua origem; e que este é um fato final da consciência, confirmado pelas Escrituras e pelo juízo universal dos homens. Um ato deriva seu caráter moral do estado do coração de onde origina, mas o estado do coração não adquire do ato o seu caráter moral; pois a qualidade moral do estado do coração lhe é inerente, e responsabilidade moral é inseparável de qualidade moral. Assim é Io. Em conseqüência da natureza essencial do bem e do mal. A essência do bem, isto é, no sentido moralmente bom, é que deve ser - obriga a vontade. A essência do mal - daquilo que é moralmente mau é que não deve ser, que a vontade é obrigada ao contrário e que o praticá-lo merece castigo. 2o. Porque os afetos e desejos morais de um homem nada mais são do que o homem mesmo amando ou aborrecendo a bondade. E opinião de todos os homens que um indivíduo profano ou malévolo merece reprovação, sejam quais forem as causas que o levam a ser assim. E o caráter e não a origem da disposição moral do coração que é a questão verdadeira. Cristo disse: "O homem bom do bom tesouro do seu coração tira o bem, e o homem mau do mau tesouro do seu coração tira o mal" - Luc. 6:45.

A Criação e o Estado Original do Homem

1. Como provar que a raça humana teve origem num ato direto de criação da parte de Deus? Ia. As Escrituras o afirmam explicitamente - Gên. 1:26; 2:7. 2a. Esse fato acha-se implícito no abismo imensurável que separa o homem no seu ínfimo estado brutal da ordem mais próxima da criação inferior, indicando uma superioridade maravilhosa quanto às qualidades em que o homem e os animais irracionais são comparáveis, e uma diferença absoluta de espécie quanto à natureza intelectual, moral e religiosa do homem e à sua capacidade para um progresso irrestrito. Mesmo o Prof. Huxley, que sustenta temerariamente uma posição extrema a respeito das relações anatômicas do homem para com os animais inferiores, admite que quando se toma em consideração a natureza superior do homem, existe entre ele e os irracionais mais próximos "um abismo enorme, uma divergência imensurável e praticamente infinita" - Primeval Man, de autoria do Duque de Argyle. 3a. Está implícito no fato revelado nas Escrituras e realizado na história que o homem estava destinado a exercer domínio universal sobre todas as outras criaturas e sobre o sistema da natureza. Não podia, pois, ser um mero produto da natureza, um de uma série de entes coordenados. 4a. Está implícito no fato de serem os homens chamados "filhos de Deus" e de serem tratados como tais no sistema inteiro da providência e da redenção. A natureza moral e religiosa do homem também dá testemunho disso universalmente, e tanto mais quanto mais se acham esclarecidos e desenvolvidos esses elementos da sua natureza. E essa verdade foi assinalada proeminentemente pela união pessoal da nossa natureza com a Deidade. E óbvio que, sendo transmitidos por descendência natural tanto as naturezas e os hábitos intelectuais, morais, religiosos e sociais dos homens, como o é a sua estrutura anatômica, não somente é uma arbitrariedade mas é também um absurdo tomar em consideração apenas esta e deixar de considerar aqueles, numa investigação científica da origem do homem, ou do seu lugar e das suas relações na ordem da natureza. 2. Como expor o estado atual da questão da antiguidade da raça humana? Io. As Escrituras e todos os resultados seguros da ciência moderna ensinam acordemente que o homem foi o último de todos os seres organizados que apareceram na terra. Não foi introduzida nenhuma espécie nova depois da introdução do homem. 2o. Os sistemas de cronologia bíblica geralmente aceitos foram deduzidos das indicações prima facie que nos são conservados nos incompletos registros históricos e genealógicos do período anterior a Abraão, contidos nos primeiros capítulos de Gênesis. O sistema que indica o período mais curto, deduzido por Usher do texto hebraico, põe a criação do homem numa ocasião próxima de 4.000 anos antes do nascimento de Jesus Cristo, ou de 6.000 anos da época atual. O sistema que indica o período mais longo, deduzido por Hales e outros do texto da Septuaginta e de Josefo, põe a criação do homem numa ocasião próxima de 5.500 anos antes do nascimento de Jesus Cristo, ou de 7.500 anos antes da época atual. A respeito desses sistemas de cronologia, o Prof. W. H. Green, D. D., de Princeton, diz (Pentateuch Vindicated, pág. 128) - "Não devemos esquecer que há um elemento de incerteza numa computação de tempo baseada em genealogias, como é o caso em tão alto grau da cronologia sagrada. Quem nos poderá certificar de que as genealogias antediluvianas e das gerações anteriores a Abraão não foram condensadas do mesmo modo que o foram as de gerações posteriores a Abraão? Se Mateus omitiu alguns nomes dos avoengos do nosso Senhor Jesus Cristo para tornar iguais os três grandes períodos que menciona, não podia Moisés fazer o mesmo, a fim de apresentar sete gerações de Adão até Enoque e dez de Adão até Noé? Nossa cronologia comum é baseada

na impressãopnma facie dessas genealogias. A ela aderiremos enquanto não tivermos bons motivos para abandoná-la. Mas, se as indicações recentemente descobertas, da antigüidade do homem, a cujo respeito os círculos científicos se acham tão entusiasmados, demonstrarem, depois de bem investigadas e ponderadas, tudo o que se tenha imaginado que demonstram, qual seria o resultado? Demonstrariam simplesmente que a cronologia popular se baseia numa interpretação errada, e que um registro parcial das gerações anteriores a Abraão foi por engano considerado registro completo". 3o. As pesquisas modernas têm trazido à luz uma soma imensa e sempre crescente de provas de que a raça humana existia na terra muitos séculos antes da data fixada para a criação do homem mesmo na cronologia deduzida do texto da Septuaginta. As classes principais em que se pode dividir essas provas são as seguintes: (1) Nos monumentos egípcios têm-se descoberto pinturas etnológicas, mostrando que todas as peculiaridades divergentes dos tipos caucasiano e africano já se achavam desenvolvidas completamente como eles estão agora, e isso mais de 1.900 anos antes de Cristo. Durante todo o tempo histórico nenhuma mudança de clima ou de costumes tem produzido mudança apreciável em qualquer variedade da raça humana e, por isso, devemos concluir que muitos séculos e também grandes mudanças foram necessários para produzir tão grandes variações permanentes nos descendentes de um só casal. O duque de Argyle diz muito bem: "Exatamente na mesma proporção em que avaliamos a nossa fé na unidade da raça humana, devemos estar prontos a aceitar quaisquer provas da sua antigüidade. Quanto mais antiga se provar que a raça humana é, tanto mais possível e provável será que ela descende de um só casal" Primeval Man, pág. 128. (2) A filologia, ciência que estuda em grande amplitude as línguas, prova que em tempos muito remotos deviam ter vivido juntas e ter falado a mesma língua as nações que agora falam línguas análogas, e que as nações e suas línguas se dividiram no transcurso dos séculos em diversos ramos. Para se desenvolverem, porém, tantos e tão diversos dialetos devem ter sido necessários muitos e muitos séculos. (3) A geologia, ciência que, entre outras coisas, estuda a origem, a formação e as transformações sucessivas do globo terrestre, tem descoberto restos de corpos humanos e de obras de arte humana em depósitos de aluvião e cascalho, enterrados fundo, e em cavernas e covas, junto com os restos de animais de espécies desde há muito extintas, o que prova suficientemente que, depois da criação do homem, grupos inteiros de grandes quadrúpedes foram extintos; e também que o clima da zona temperada do norte passou por uma transformação revolucionária, e que a geografia física de todos os países examinados a este respeito sofreu mudanças radicais depois de criado o homem. 3. Como se pode provar a unidade da raça humana, e que descende de um só casal? Até o momento em que escrevemos, Agassiz é o único naturalista de primeira ordem que ensina que todas as diversas espécies de variedades e seres organizados devem ter tido origem independente e ter se propagado de países diversos. Ele afirma, por conseguinte, que a raça humana é um gênero, e que foi criado originariamente em diversas variedades específicas. A mesma teoria é sustentada com muita habilidade numa obra recente que tem atraído a atenção na Inglaterra; tem por título - The Genesis ofthe Earth and of Man. Que o homem, genericamente diverso de todas as demais criaturas, é de uma só espécie, prova-se Io. Pelas Escrituras - Atos 17:26; Rom. 5:12; 1 Cor. 15:21,22. 2o. Pela propagação de Adão, pela imputação e pela descendência, da culpa e da corrupção. O fato de ser Cristo o Cabeça representativo do Seu povo, e de Sua obediência e Seus sofrimentos vicários, implica essencialmente a unidade absoluta da raça humana e sua descendência de um só casal.

3o. A natureza moral e religiosa de todas as variedades da raça humana é especificamente idêntica. 4o. O mesmo fato é indicado geralmente pela história e pela ciência chamada filologia comparativa. 5o. No processo de domesticação de diversos ramos da mesma espécie de animais irracionais, e. g., pombas e cães, têm se verificado, como resultado, diferenças maiores do que as que existem entre as diversas variedades da raça humana. 6o. É fato admitido universalmente pelos naturalistas que a união entre animais de espécies diversas nem sempre é fértil, e que o produto de tal união raríssimas vezes pôde propagar--se - talvez nunca! Entre os homens, porém, por maior que seja a diferença nas variedades a que os pais pertencem, isso em nada influi no número de seus filhos, e estes, por sua vez, podem propagar-se indefinidamente. 4. Como se pode mostrar que, segundo as Escrituras, a natureza humana é composta de duas, e só duas, substâncias distintas? 1 As Escrituras ensinam que o homem é composto de dois elementos, chamados respectivamente em hebraico, grego, latim e português, bãsãr, soma, corpus, corpo; e ruach, psychê, pneuma, pnõe, dzõe, animus, mente, ânimo, alma, espírito. Isso é claramente revelado: Io. Na narrativa da criação - Gên. 2:7.0 corpo foi formado da terra e, então, Deus insuflou no homem um sopro de vida, e assim ele se tornou alma vivente. 2o. No que se diz a respeito da morte, Ecl. 12:7, e do estado da alma imediatamente depois da morte, enquanto os corpos estão se corrompendo na terra - 2 Cor. 5:4-8; Fil. 1:23,24; Atos 7:59. 3o. Em toda a linguagem usual das Escrituras são postulados esses dois elementos, e não são mencionados outros. 5. Como se pode expor a teoria daqueles que dizem que a nossa natureza compreende três elementos distintos, e sua suposta base bíblica? Pitágoras, e depois dele Platão, e subseqüentemente os filósofos gregos e romanos, sustentavam que o homem consiste de três elementos constitutivos: o espírito racional, nous, pneuma, mens; a alma animal, psychê, anima; e o corpo, soma, corpus. Assim ficou sendo de uso vulgar essa divisão, e o apóstolo Paulo adotou-a, empregando os três termos quando queria designar em linguagem popular o homem completo e tudo o que lhe pertence como homem. "Todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo" - 1 Tess. 5:23; Heb. 4:12; 1 Cor. 15:44. Daí alguns teólogos tiram a conclusão de que a doutrina segundo a qual a natureza humana é composta de três elementos distintos é revelada na Palavra de Deus. 6. Como se pode refutar a teoria acima e mostrar que os termos psychê e pneuma são empregadas no Novo Testamento como sinônimas? O uso que os apóstolos fizeram desses três termos prova somente que empregaram palavras no seu sentido comum e popular para exprimir idéias divinas. A palavra pneuma designa a alma, acentuando sua qualidade racional. A palavra psychê designa a mesma alma, acentuando sua qualidade como o princípio vital e animador do corpo. As duas são empregadas juntas para designar em linguagem popular o homem por inteiro. Não pode ser doutrina do Novo Testamento qutpneuma e psychê sejam duas coisas distintas, porque são trocadas habitualmente uma pela outra, sendo muitas vezes empregadas indistintamente. Assim, a palavra psychê, como também pneuma, é empregada para designar a alma como sede das faculdades intelectuais e superiores - Mat. 10:28; 16:26; 1 Ped. 1:22. E assim também a palavra pneuma é

empregada, como igualmente a palavra psychê, para designar a alma como o princípio animador do corpo - Tia. 2:26. Pessoas falecidas são chamadas indistintamente psychai, Atos 2:27,31; Apoc. 6:9; 20:4; epneumata, Luc. 24:37,39; Heb. 12:23. 7. Que ensinam os nossos livros normais e oficiais (isto é, os nossos símbolos de fé) quanto ao estado em que o homem foi criado? A Confissão de Fé, Cap. 4, § 2,0 Catecismo Maior, Perg. 17, e o Breve Catecismo, Perg. 10, ensinam os seguintes pontos -Io. Deus criou o homem à Sua imagem; 2o. Dotou-o de alma racional e imortal, por sua vez dotada de conhecimento, justiça, retidão e verdadeira santidade, e deu-lhe domínio sobre as demais criaturas; 3o. O homem foi criado com a lei de Deus inscrita em seu coração e com o poder de cumpri-la, e, ao mesmo tempo, sob a possibilidade de transgredi-la, sendo deixado à liberdade da sua própria vontade, que era sujeita a mudança. A imagem de Deus dizia respeito - Io. A espécie da sua natureza; o homem foi criado semelhante a Deus um espírito livre, racional e pessoal. 2o. Foi criado semelhante a Deus quanto à perfeição da sua natureza - no conhecimento, Col. 3:10, na retidão, justiça e verdadeira santidade, Ef. 4:24. 3o. Foi criado semelhante a Deus quanto ao poder, expresso em seu domínio sobre a natureza, Gên. 2:28. 8. Como se pode expor, em termos psicológicos, o verdadeiro estado da questão? ·. · ; . No capítulo anterior mostramos que a volição é determinada pelo caráter moral dos desejos e afetos que a estimulem, e destes a volição deriva seu caráter moral; mostramos igualmente que os afetos e desejos temporários que estimulam e motivam as volições em qualquer caso dado, vêm eles mesmos dos hábitos e disposições permanentes e da tendência da vontade, que constituem o caráter moral do homem. Mostramos ainda que o caráter moral dessas disposições permanentes da vontade, e a responsabilidade do homem por elas, são um fato final que não se pode referir a outro princípio mais fundamental ou essencial, e que esse fato é confirmado pelo juízo universal dos homens. Do acima exposto segue-se que a justiça e a santidade originais com as quais Adão foi criado consistiam na conformidade perfeita em que estavam todos os seus afetos e todas as disposições morais da sua vontade (em linguagem bíblica, seu coração) com a lei de Deus - cujo órgão era a sua consciência clara e fiel. Em conseqüência, não havia cisma ou cisão na natureza do homem. A vontade, operando livremente de conformidade com as luzes da razão e da consciência, conservava em sujeição harmoniosa todos os princípios inferiores do corpo e da alma. Em equilíbrio perfeito morava uma alma perfeita num corpo igualmente perfeito. Essa justiça original era natural no sentido (1) de que era a perfeição original da natureza do homem como havia saído das mãos do Criador. Pertencia originariamente a essa natureza, e (2) é sempre essencial à sua perfeição quanto à qualidade. (3) Teria sido propagada sempre se o homem não tivesse caído, do mesmo modo como agora a depravação inata é propagada, por descendência natural. Por outro lado, porém, não era natural no mesmo sentido em que a razão, a consciência e a agência livre são elementos especiais criados para constituir alguém em homem real. Como qualidade, é essencial à perfeição da natureza humana, mas como elemento, não é essencial à realidade dessa natureza. 9. Como se prova que Adão foi criado santo no sentido explicado acima? Pertence à essência da natureza do homem que ele seja agente moral responsável. Consideremos, porém:

no mesmo estado moral em que Adão foi criado. e 2o. e. quanto a todas as particularidades essenciais. E. e sem que fosse influenciado por nada. 1:27. Como se pode expor e contrastar a posição dos pelagianos. entretanto nega que no primeiro destes casos o agente possa ser com razão recompensado ou no segundo castigado. além disso. por . e absolutamente santa. a Sua natureza humana foi formada pelo Espírito Santo. quanto à justiça e ao pecado inatos? Os pelagianos afirmam: Io.׳‬V ■■■ . Em 1 Coríntios 15:45.Ecl. O Dr.:: <‫־‬ 10. 2o. Indiferença moral em um agente moral já é da natureza do pecado. Em que consiste a doutrina pelagiana com respeito ao estado original do homem? Os pelagianos afirmam . por isso. Que o homem pode com razão ser tido como responsável só por suas volições não influenciadas. . deve ser a mesma. 4:24. essa imagem. o homem inclusive.‫׳‬ Eles sustentam. porém sem caráter positivamente moral. e que a mortalidade da raça humana não é conseqüência do pecado. 1:31.1■ . mas. 1:35. conquanto concorde com os pelagianos naquilo que é mais importante quanto ao estado moral em que Adão foi introduzido originariamente por sua criação. ou não pode ser tido como responsável por ele. sua vontade não somente era livre. o homem foi criado à imagem de Deus . As Escrituras declaram que o homem foi criado santo . o homem exemplar da humanidade normal. e inclui santidade . D.Gên. antes de ação alguma da parte dEle. Na regeneração o homem é renovado à imagem de Deus.Io. 3o. D. . Admite que uma inclinação "criada" pode ser boa ou má.Ef. 7:29. Cristo é chamado "o último Adão". que quando o homem foi criado. 11. seu estado era de equilíbrio moral. que era primeiro indiferente tanto para o bem como para o mal e que Deus o deixara livre para formar seu caráter segundo escolhesse. 5o. a do Dr. nos dois casos. Que Adão foi criado agente moral.:׳־ !:. A bondade de uma obra humana consiste essencialmente em sua adaptação ao fim proposto por quem a fez. estando igualmente disposta para a virtude e para o vício. na criação o homem foi feito à imagem de Deus. D. · · ‫״־‬ ‫ ·· . A "bondade" de um agente moral não pode consistir em outra coisa que não seja a conformidade da sua vontade à lei moral. D. Whedon (arminiano). 2o. pois. Quando ainda estava no ventre Criação e Estado Original de Sua mãe foi chamado "o Santo" Luc. Deus declarou que todas as Suas obras. Cristo é reconhecido por amigos e inimigos como o único homem perfeito encontrado na história inteira do mundo. difere deles quanto à condição moral em que os descendentes de Adão são introduzidos por seu nascimento. Que se segue que é um absurdo dizer que o homem tem um caráter moral anterior a qualquer ação moral da sua parte. Whedon (arminiano) e a dos calvinistas. Que o homem é mortal por natureza. Que agora todos os homens nascem. quer dizer. no entanto. amável ou odiosa. Como criatura moral. e no versículo 47 "o segundo homem". 4o. eram muito boas .Gên. é necessário que o homem escolha o seu caráter. porque só é moral aquela disposição que se formou como costume por meio da prévia ação da sua livre vontade não influenciada por nada.10. 3o.

"Que é santidade? Não seria essencialmente o amor? E não poderia Deus derramar esse amor em qualquer alma sem a concordância dessa alma anterior ao seu conhecimento ou ao seu consentimento? E se Ele o fizer. pode estar em grande erro quanto à natureza dessa coisa. é juízo espontâneo e universal dos homens que os que são por natureza malévolos. na boa disposição da nossa alma. apesar disso. Isso mostra . 2o. Um agente moral pode sem culpa conservar-se indiferente para com coisas indiferentes. 2o. e. não o ato que torna esse estado bom ou mau. Que há disposições e inclinações permanentes que determinam as volições. os que têm posição doutrinária ortodoxa afirmam . se forem indiferentes. muitas são más. diz: "A essência da virtude ou do vício das disposições do coração e dos atos da vontade não está na sua causa. como mostraremos no Capítulo 19. tendo formado para si um caráter mau. tendência que. Não se tornou santo. mas em qualquer dos casos o agente é tão responsável por elas como o é por outro qualquer estado ou ato da sua vontade. e. Não obstante. pela própria natureza do caso. inerente à sua natureza. Parte 4. disse. e outras muitas são moralmente indiferentes na sua natureza essencial. Essas disposições morais podem ser inatas bem Como adquiridas. a volição necessariamente será moralmente boa. Como se pode provar que um estado de indiferentismo moral é em si mesmo pecado. Por que é que julgamos os homens responsáveis moralmente por disposições inatas e concriadas? Io. se não fosse assim. Em oposição a esses conceitos. é um absurdo dizer que um agente moral pode conservar-se indiferente a respeito de uma obrigação moral conhecida por ele como sua e que. 3o. sobre o "Pecado Original". que o incitavam a ações santas. Mas. E o estado moral da vontade (ou o coração. uma disposição moralmente indiferente não pode resultar num ato ou costume santo. e sim na sua natureza". se todas as disposições e desejos que prevalecem no coração em qualquer caso dado forem bons. arminiano como era. As crianças nascem com disposições e tendências morais muito diversas. 13. segundo citação feita por Ricardo Watson: "A santidade não consiste no bom uso que fizermos de nossas faculdades. Um agente amoral pode sem culpa conservar-se indiferente para com coisas morais. A essência da moralidade é que obriga a vontade de um agente moral. apesar disso. Mas os seus descendentes são gerados com natureza corrompida sem culpa sua. a volição será necessariamente má. 7:17-20 e 12:33) que torna o ato bom ou mau. se forem maus. seria bom e digno de prêmio. e por isso são maus e corruptos. A bondade ou maldade de um ato depende da bondade ou maldade da disposição ou dos afetos que o incitaram. a volição será forçosamente indiferente também. 3o. e sim no bom estado dessas faculdades. Adão foi criado com disposições santas. Levem isto com vocês. que todos os homens nascem com uma tendência inerente para pecar. é em si mesma pecado e digna de castigo. tornou-se mau e mereceu castigo. § 1. e que. em sua obra On the Will. cruéis e falsos não somente merecem que sejam detestados por todos. Se Adão tivesse formado para si um caráter santo. porventura o amor mudará de natureza? Deixará de ser santidade? Esse argumento jamais poderá ser sustentado". porém foi feito assim por Deus. 12. O presidente Edwards.Io. 4o. Os motivos pelos quais o homem faz uma coisa podem ser muito bons.sua disposição. E até João Wesley. porém não merecem castigo por causa disso. por ignorância ou loucura.. não seria possível que o exercício de uma faculdade volitiva assim condicionada resultasse num ato ou caráter moral? E auto-evidente que o indiferentismo moral da parte de um agente moral à vista de uma obrigação moral é em si mesmo pecado. e não dirão mais que Deus não podia criar o homem com justiça e verdadeira santidade". veja Mat. Muitas dessas inclinações são boas. contudo. mas também que devem ser tidos como moralmente responsáveis por suas disposições e ações. o caráter da qual ele não determinou para si por prévias volições não influenciadas. As Escrituras ensinam. esse indiferentismo não é moral e sim o pré-requisito de toda moralidade. Além disso..

Adão foi criado com uma vontade igualmente disposta para o bem e para o mal. pág. diz: "Por estes testemunhos dos Pais. quais sejam a razão. Dogmas. . 16. de todos os poderes e faculdades naturais e constitutivos do corpo e da alma sem pecado. isto é. Como demonstrar que a teoria pelagiana não pode basear-se na experiência? Essa teoria é toda construída sobre certas noções formadas apriori. E. resultante de o homem exercer santamente as suas faculdades. 6. ficará estabelecido que ele foi criado em estado de retidão. se se afirmar a primeira hipótese. De Gratia et Lib. e a semelhança às virtudes (perfeições morais). Mesmo que a teoria pelagiana fosse verdadeira. Arbítrio. perdeu a imagem mas não a semelhança de Deus". e se as crianças nascem assim também. Ricardo Watson. no caso de todos os homens e mulheres adultos. nunca poderíamos ter certeza disso. pág. seu primeiro ato não podia ter caráter moral de nenhuma qualidade. que não tinha caráter moral. dizem que o primeiro ato de Adão. Que ensina o Catecismo do Concilio de Trento quanto ao estado em que Adão foi criado? Veja abaixo. Se Adão foi criado sem caráter positivamente moral. em estado de inocência perfeita. e é contrária à experiência universal. como dizem os pelagianos. dzdona naturalia. e o de todos os seus atos e do seu destino para todo o tempo futuro. visto que faz evoluir toda moralidade daquilo que é moralmente indiferente. 14. de onde se segue que Adão. afirma que esse foi o germe da subseqüente doutrina medieval e romana sobre o estado original do homem. 17. Discussions. 2. 587 etc. por seu pecado. Que distinção faziam os chamados santos Pais entre a imagem e a semelhança de Deus em que o homem foi criado? -Gên. cuja consciência é a única fonte de onde podemos recolher os fatos necessários para deduzirmos deles alguns conhecimentos corretos a respeito deste ponto. Nada mais é que uma hipótese imaginada para que os interessados pudessem sair de uma dificuldade dificuldade que é resultado do fato de que o nosso poder de pensar é limitado. pág. nesses supostos casos. seguir-se-á que Adão determinou--se para o bem antes de ter um princípio de retidão .o absurdo das posições acima indicadas. com aptidões e disposições para o bem". porque nunca estivemos cientemente em tal estado de indiferentismo. Qual é a doutrina romana a respeito dos dona naturalia e dona supernaturalia? Segundo essa doutrina: Io. Como teoria é absurda. então as condições de uma agência livre. e sim que a imagem diz respeito à natureza. 15. Se se afirmar a última hipótese. Deus dotou o homem. Christ. Por "imagem" de Deus os Pais entendiam os poderes naturais e constitutivos do homem. Belarmino. diz muito bem: "Em Adão aquela retidão da qual emanaram boa escolha e bons atos. no fim deste capítulo. as doutrinas das diversas igrejas sobre este ponto. cap. porque envolve a imposição de uma pena terrível por um ato que em si não foi nem bom nem mau. não obstante. os poderes ou faculdades intelectuais e morais. 1:26. 16. a consciência e a vontade livre (o livre-arbítrio). Neander. devem ser diversas das de uma agência livre. em sua criação. teria sido injusto da parte de Deus. Veja Sir William Hamilton. 1. Por "semelhança" de Deus eles entendiam a perfeição moral amadurecida e desenvolvida da natureza humana. Se isso fosse verdade. vol. 180. Se. somos obrigados a concluir que a imagem e semelhança não são iguais em todos os aspectos. ou foi criada com ele. determinou o caráter moral do próprio homem. Todos os que têm pensado ou escrito sobre esta questão estavam cônscios de que só pode existir liberdade sob as condições de um caráter moral já formado. Hist. ou emanou de suas próprias volições.o que é absurdo.

2o. Mas.retidão natural. e sim em virtude do dom divino. Isso é concupiscência: não é pecado. págs. Belarmino . Tanto a justitia como os dona supernaturalia eram propriedades acidentais e acrescentadas à natureza humana de Adão. compreendendo todas as suas faculdades constitutivas de razão. Deus concedeu ao homem o dom adicional. não é da natureza do pecado. e. e Parte 4. que permanece ainda nos regenerados. Ele formou o homem do limo da terra. em conseqüência do seu espírito e semelhança aos anjos. no mesmo momento em que lhe foram dados os seus poderes naturais. em conseqüência da sua carne e semelhança aos animais. vontade livre (em que eles incluem a "capacidade moral") permanecem intactos. cap. Como essa doutrina influi na teoria dos católicos romanos quanto ao pecado original e ao caráter moral dessa concupiscência que permanece nos regenerados? Eles afirmam que o homem. criado e qualificado de tal modo em corpo que fosse imortal e impassível. em resultado desse conflito. em conseqüência dessas propensões diversas e contrárias. consciência. por meio do qual ele podia conservar na devida sujeição e ordem os seus poderes naturais devidamente ajustados. em virtude da força da natureza. enquanto que a própria natureza humana em si. isto é os dona supernaturalia. e mais coerente com essa doutrina. Perg. por sua queda. 19: "Em último lugar. acrescentado à constituição do homem. ao qual é induzido por sua razão e vontade. pois. Veja Mohler.Cat. existe no mesmo homem um certo conflito. 5 . Perg. tem uma certa propensão para o bem corpóreo e sensível. sendo natural e parte constitutiva da natureza humana. EXPOSIÇÕES PÚBLICAS E AUTORIZADAS DAS DIVERSAS IGREJAS DOUTRINA CATÓLICO-ROMANA . porém. Consistem na retidão ou justiça original. em primeiro lugar. e. Acrescentou então o dom admirável de justiça original. É a esta harmonia dos poderes que se chamava Justitia . A opinião geral. do Cone. Os Reformadores o definiram como "falta da justiça original e corrupção da natureza inteira". mas é suprimento e ocasião para o pecado. Assim. 3o. e ele os perdeu em conseqüência da Queda. 3. e. de Trento. porém. Por isso eles afirmam também que a concupiscência. nos apetites e paixões inferiores. ou dons extraconstitutivos. Cap.2.118. Essa tendência em si não é pecado. torna-se pecado somente quando a vontade consente nela. Para impedir a desordem que seria o resultado dessa tendência natural de se rebelarem os elementos inferiores da constituição humana contra os superiores. Havia. pondo os inferiores na devida subordinação aos superiores. Symbolism. ou a tendência de se rebelarem os poderes inferiores contra os superiores. 2. o efeito produzido pela Queda sobre a natureza moral do homem foi tão-somente negativo. Mas quanto ao que diz respeito à alma do homem. 42. que era um dom extraordinário. e depois deu-lhe o domínio sobre todos os demais animais". Perg. Veja a exposição dada logo a seguir. o homem acha muita dificuldade em agir. 117. Parte 2. que o homem consta naturalmente de carne e espírito. perdeu somente os dons acrescentados de "retidão original" (dona supernaturalia). como recompensa pelo bom uso dos seus poderes naturais. e de tal modo ajustou todos os seus apetites e atividades que estivessem sempre sujeitos ao domínio da razão. ao qual é induzido por seus sentidos e apetites. Deus ajustou devidamente esses poderes uns aos outros. Cap. em sua criação. não. e que por isso sua natureza assemelha-se em parte aos animais e em parte aos anjos."Deve-se entender. 18. é que lhe foram concedidos depois. porém. uma tendência natural para rebelar-se contra a autoridade dos poderes superiores da razão e da consciência. tem uma propensão para o bem espiritual e racional. e ela se manifesta em algum ato. 4o. .12.Gratia Primi Hominis. Alguns dos teólogos romanos sustentam que esses dons sobrenaturais foram concedidos ao homem imediatamente. pela própria natureza das coisas. os dona naturalia. 5o. criou-a à Sua imagem e semelhança: dotou-a com vontade livre. Também Parte 2.

e pureza em todos os seus afetos. na santidade ‫ ׳‬juNliça da vontade.. de Fé da Ass. Deus teria conservado esta mortalidade em imunidade perpétua da morte real. 18: "Desde o princípio o homem foi criado mortal. em harmonia com sua natureza. DOUTRINA REFORMADA . foi criado à imagem de Deus. no fim do Cap.F. Porque onde não há lei. se o primeiro homem não houvesse pecado. Mas daí não se pode inferir corretamente a imortalidade (natural) do homem. como freio de ouro. Sua vontade não era neutra. ou daquela imagem de Deus à qual o homem no princípio foi criado em verdade. e assim era inteiramente santo. em segundo lugar. Maior. 4. a qual.5 . Socino. e esta em sujeição a Deus. com justiça e retidão no seu coração e vontade. Deve-se entender. tinham uma retidão natural.19. de modo que não só podia.Canon Dordt. No entanto. que possuía uma razão dominando sobre seu apetite e seus sentidos e cobrindo-os. cap. pois. há quem diga que a justiça original do primeiro homem consistia nisso. mesmo antes de transgredir esse mandamento de Deus. 3:1 .. ornado no seu espírito com o conhecimento verdadeiro e salvador do seu Criador e das coisas espirituais. estava no poder do espírito rebelar-se ou não rebelar-se".. embora fosse possível que. fosse conservado sempre em vida". e niiiiiii prontidão para o bem. 17. 2: 24.pie nossos primeiros pais. pois Deus lhes havia dado conhecimento verdadeiro e a sabedoria necessária para seu estado. de modo que não podiam nem desejar nem agir desordenadamente. no princípio. porque não era nem impecável. estavam numa condição muito mais perfeita do que a em que nós estamos quando nascemos. possuíam também capacidade para adquirir mais conhecimento mediante a razão. De Westminster. na harmonia dos sentidos e afetos.Formula Concordice (Hase).Limborch. e nem antes disso havia perfeito acordo entre eles". que a divina providência. posto que a carne estivesse de tal modo sujeita ao espírito. veja adiante. porque não consta que por qualquer motivo se houvesse abstido de pecar. Cat.. igualmente indiferente para o bem e o mal. pág.10. Breve Cat. 10.. conservasse a parte inferior em sujeição à parte superior. Perg. nem havia ainda sido sujeito a nenhuma ocasião para pecar. muito evidente (. Não sofre dúvida que. ao menos não é possível afirmar que era certamente justo. no seu estado primitivo. Cathecismo Racov. Theol. Contudo. santidade e retidão. não era verdadeiramente justo e reto. a experiência e a revelação. como também não podia fazer outra coisa senão morrer. contudo. Mas isso dizem sem razão. porque a morte é a pena do pecado. se o homem não tivesse pecado". não teria morrido. É.enquanto uma propensão opõe-se a outra. Visto que seu espírito não era como tábua rasa e vazio de todo o conhecimento. Perg. 3: "Concluímos. como remédio desta moléstia ou languidez da natureza humana. Cap. aí o uso mais livre da vontade não traz culpa -2: 24. que não podia mover-se contra a vontade do espírito. DOUTRINA LUTERANA . A Aliança das Obras . e que não havia divergência entre eles. Pmfectionesh TeoL. Quanto à doutrina de Belarmino sobre a atual condição moral em que nascem os descendentes de Adão. isto é."Costumam dizer que a justiça original i onsistia na iluminação e retidão do espírito. a não ser que esse se rebelasse contra Deus. 640. mas antes de Deus haver-lhes imposto a lei."O homem. no princípio da criação. se fosse deixado à sua natureza. com eleito. porque o pecado cometido por Adão torna evidente que seu apetite e seus sentidos dominaram sobre sua razão. DOUTRINA SOCINIANA . Christ. devida à condição da sua "matéria". em virtude de uma bênção divina especial. Veja também: Conf. Perg. morrer. que Adão. nem rebelar-se contra o espírito. DOUTRINA DOS REMONSTRANTES . acrescentou o excelente dom da justiça original. (Pecado original) "é a privação daquela justiça com a qual a natureza humana foi criada no Paraíso.

sujeito somente à prova especial de que ele não comesse do fruto da "árvore da ciência".22. aliança) -Os. para o caso de não se cumprirem as condições. cujo cumprimento depende de (2) condições que devem ser cumpridas pela criatura. Perg. 4. )uais us diversos sentidos em que a palavra aliança ou pacto nu i mii eiin r empregada nas Escrituras? I Nt> s· niuloilc uma ordenança natural -Jer. 19:16.(1) Deus. Como as nossas exposições oficiais definem isso? Conf. Veja: Io.JCap. 4". Essa constituição é chamada concerto (pacto. traduzido às vezes por iestamento e outras vezes por aliança. esse termo é empregado no terceiro sentido acima mencionado. Perg. 33:20. Quanto ao uso do termo diathêkê. V:) 1. 4. Nu Hcntido dc unia promessa incondicional . 1:19. A "pena". As "condições". 19: § l. numa aliança feita entre iguais (pessoas/entidades) impõem-se e se obrigam mutuamente. As "partes contratantes" . Maior. Como se pode mostrar que a constituição sob a qual Adão foi posto por Deus na sua criação pode com razão ser chamada aliança? A narrativa inspirada daquilo que se passou entre Deus e Adão apresenta claramente todos os elementos essenciais de uma aliança como coexistentes nessa constituição. 2. por necessidade de sua natureza e relação.DeFé. exigindo. . Gál. 3o. As "promessas". 8:6. 4o. Estas. 2o.9.. Condições. o Governador moral.Gên. 6:7.Cat. No sentido dc uma promessa condicional-Is. 3:12. 3". imposta pelo Criador sobre a criatura. vida e favor-Mat. Quais são os elementos essenciais de uma aliança? Io. ou seja. Cap. (2) Adão. 20. Breve Cat.I (. no caso de Adão. obediência perfeita. por necessidade de Sua natureza e relação. mas numa constituição soberana.20. o livre agente moral.17. No sentido de uma dispensação ou modo de adminis-truçâo Ileb. 7: § § 1 e 2.17. de que estavam suspensas as promessas.12. Perg. Cap. 3. "No dia em que dela comeres. veja o Cap. será melhor dizer que essas "condições" são (1) promessas da parte do Criador. sob a obrigação inalienável de obedecer à lei moral. certamente morrerás" . no sentido de uma promessa dependente de condições. E (3) uma pena que será infligida se as condições não forem cumpridas.Gên. 12. conformidade absoluta à lei moral. no Novo Testamento. Nas frases teológicas "aliança das obras" e "aliança da Hiaça". 2:16. 4 § 2. 2o. Partes contratantes.

sobre "A Imputação do Pecado de Adão". Se Deus pôde fazer alianças com Noé. Gên. '·" lem sido chamada aliança das obras.12. não pode ser dever do Criador conceder à criatura. 5:12-19. Isso se torna evidente Io. principalmente o termo "aliança" i modernamente). e com Abraão. 5:12. e Adão representava toda a sua posteridade natural. \!p iK ias estendiam-se somente àquilo que o próprio homem losse e fizesse. Por que não é absurdo chamar de "Concerto" ou de "Aliança" uma constituição que o Criador impôs à criatura sem consultá-la a respeito? Io. se desobedecesse. 2o. Pelo fato de que a pena denunciada contra Adão.açnaila asse a sodad marof semon cuO ■‫׳‬I" li in sido chamada aliança da natureza. 2:17. •1". 21. Ele era uma criatura santa. Gên. . a (omunhão conSigo.5. sqm ‫ ״‬homem.Rom.. e Cristo em Sua relação para com os Seus escolhidos . 3o. uma aliança fundada na Hi aça.Rom. ״‬i i . V'. a morte e todo o mal penal vieram sobre o mundo em conseqüência do pecado de Adão . Apesar de ser uma constituição soberana imposta por Deus. como alguma coisa devida.i "i diuIh ■i‫ .ll 011 Cilíllo.i i onformidade perfeita à lei da absoluta pcrlcivtto moral. Destas palavras. porque a promessa wnexa a obediência era a vida. por que ii:i(i poderia fazer uma aliança com Adão não caído? ?êuq rop e .47. ou a felicidade eterna e inalienável. Chamamo-lo concerto ou aliança porque estas palavras são próprias para exprimir uma promessa condicional feita a um agente livre. porque exprime i irli. embora seja dever de toda criatura.. 9:11. 17:1-21. Pela declaração bíblica de que o pecado. servir ao Criador até onde lhe é possível. 15:22. porque suas . 15:22.. 1 Cor. caído e t ulpado. porque. Pelo paralelo traçado nas Escrituras entre Adão em sua relação para com os seus descendentes. "' 1· MI Milti i liíiinad. Quais eram as partes dessa aliança. e como se pode provar que Adão era nela o representante de toda a sua descendência natural? As "partes" eram Deus e Adão. muitas vezes é aplicado a outras constitui-yoes soberanas e de caráter semelhante à que o Criador impôs . essencialmente.Gên. e o arranjo era muitíssimo vantajoso para ele. 7. Foi ajustado ao homem m 11m· ‫׳‬tl ·mi nAd i uUlo.! aliança legal ou judicial porque a ii. não há motivo algum para supor que Adão não se sujeitou a ela voluntariamente. 3:17. como tal. li tem sido chamada aliança de vida. tem se tornado efetiva no caso de cada um dos seus descendentes . sustentava para com o i rUtiui < < iovt rniulor «Io universo. lira também.18. 1 Cor.li·‫ .־‬homens. Veja o Cap. ou a exaltação à infalibilidade no seu poder moral. 2o. no seu estado natural em que acabava <1· uri t i indo t di oudi não tinha caído.. assim como :i aliança da graça ajusta-se nijull ‫ ׳ ׳!׳‬III II IO iKlllll .

. além daquilo que já havia sido dado. tornando-se daí por diante impossíveis as condições da aliança. e para sempre. sob uma constituição tal qual foi a aliança (IHN olm»N.17.provação. O i■ mpo <U. assim como havia sido criado. estando o homem incurso em sua pena. Se desobediência trouxe morte. com a concessão da recompensa termina necessariamente o prazo da provação. o mandamento estava muito bem adaptado para servir como prova clara e absoluta da prontidão de Adão para submeter-se à vontade absoluta de Deus só porque era Sua vontade. 27:26. e. e sim um dom adicional de excelência moral infalível e de felicidade inalienável.8. Teve como resultado a Queda. A palavra é empregada em diversos . Rom. Mat. 18:5. Qual foi a promessa anexa à aliança? A "promessa "foi "vida" Io. Gál. o tempo ou o ato da prova. à pmvaçao. Porque se acha implícita necessariamente na pena que consistia na "morte".Deut. 2:10. Porque os anjos que não abandonaram a sua habitação (Jud. Porque a vida que nos é oferecida no "Segundo Adão" c‫ ־‬dessa natureza. porque e auto-evidente que a aplicação da pena ou a i mu < . Porque. 9. A árvore vedada foi sem dúvida chamada árvore da ciência do bem e do mal . 6°. ipso facto. 5o. era sujeito a pecar. Nee.nítidos. Tia. 10:5. e perfeita obediência a essa vontade nos atos . Io. Que é "provação" e quando e onde esteve a raça humana sujeita à provação sob a aliança das obras? Provação é prova. Porque o homem. 3o. 2o. c n pn mio nao podia ser concedido antes de finda a provação. 9:29. Qual foi a condição dessa aliança? E por que foi escolhida como prova a árvore da ciência do bem e do mal? Perfeita conformidade do coração à vontade inteira de Deus até onde fora revelada. sob a condição de obediência durante um período de provação. 2o.!d !Io prêmio poria termo. n>!o podia deixar de ser um tempo definidamente IHIIII id(i. 3:12. 4o. Como era moralmente indiferente em si a coisa proibida. Isso é evidente porque a recompensa prometida no caso de se cumprirem as "condições" deveria necessariamente compreender alguma coisa mais. 3:10. acabam as condições e a felicidade inalienável torna-se certa e segura. Porque a vida prometida devia corresponder à morte prenunciada. foram premiados com vida dessa natureza. Esta verdade é ensinada claramente noutras passagens das Escrituras -Lev. e essa morte envolvia separação eterna de Deus e destruição irremediável do pecador. Gál. e nesse estado não podia haver felicidade permanente e segura. A prova da raça humana foi feita na pessoa de Adão no Jardim do Éden. 6). 19:16. para exprimir o estado. O mandamento de abster-se de comer do fruto proibido foi dado simplesmente como prova especial e decisiva dessa obediência geral. que foi proferida expressamente. Essa vida não era simplesmente a continuação da existência que Deus lhe dera como agente moral falível. é evidente que obediência teria trazido vida. 10. é impossível outra prova. vers. Os homens são agora por natureza filhos da ira. nem excelência muito elevada.

comendo do seu fruto em desobediência a Deus. 5. tua pessoa inteira. 3:1. 23:10. 3:1. e. mas. e a pessoa inteira . "E a vida eterna é esta: que te conheçam. A morte moral e espiritual . Isso torna-se evidente Io. A obediência exigida pela lei como regra do dever é naturalmente perpétua. a ti só. 11. 1 Tim. etc. 6:47. Perg. Logo que o homem caiu. Qual a natureza da morte prenunciada no caso de desobediência? As palavras "certamente morrerás". corrupção da natureza. e ele tornou-se morto espiritualmente. Citam Num. incredulidade. as misérias da vida. mortalidade do corpo.Rom. 20. 1 Tim. E provável que Adão entendesse simplesmente que. 12:7. Pela natureza do homem como ser espiritual. § 1.Apoc. 6:13. (2) Pela percepção experimental dos seus efeitos nos seus descendentes. e Cat.g. de Fé. morre.Ecl. A natureza dessa morte é determinada . a quem enviaste" (João 17:3). e sim uma certa condição má de existência . os homens chegaram pela experiência a conhecer o valor da bondade e o mal infinito do pecado. tu mesmo. começou a operar a sua pena. etc. foi admitida sem dúvida por inadvertência. 2o. Dizem eles que Adão não podia ter outra idéia em conexão com essa palavra.(1) Pela narração dos efeitos produzidos em nossos primeiros pais. não para exprimir cessação da existência.Apoc. em virtude da intervenção da dispensação da graça. naConf. retirou-se dele o Espírito de Deus. 11:15. 12. depois de algum tempo. se pecasse. A palavra morte é empregada nas Escrituras. e sujeito à sentença de condenação à morte eterna. alheação de Deus.. literalmente "morrerás de morte". Ef. João 5:24. medo. mortal fisicamente.fica envolvida numa série sem fim de más condições. Juí. 18:4.14. 5:6. és pó e ao pó voltarás". por único Deus verdadeiro.Mat.. A palavra "perpétua". torna-se sujeita à Sua ira e maldição. Maior. As Escrituras declaram que o salário do pecado é a morte . E inútil que especulemos sobre a questão de qual foi a linguagem original em que Deus falou com Adão. nesta conexão. Sustentam que "morte" quer dizer precisa e unicamente cessação da existência. 6:23. . feita pela lei como condição da aliança das obras. o efeito pleno da sentença fica suspenso durante a presente vida. Mas a exigência de obediência. 20:6-14. Que é que os aniquilacionistas afirmam a respeito da pena denunciada na aliança das obras? ' Eles afirmam que a pena exata com que Deus ameaçou Adão foi expressa assim: "Tu. 3o. a dissolução do corpo.e. e qual foi precisamente o significado da palavra correspondente à nossa palavra "morte" que Ele empregou. Os fatos são claros Io. Ef. e isso era tudo o que Adão sabia quanto a esse ponto. segunda morte.g.porque. vergonha por se reconhecerem nus. fora limitada ao período da provação. 2:1. 8:22. Rom. perderia irremediavelmente o favor divino. A morte natural . 19. Cap.corpo e alma .2 No mesmo instante em que a alma separa-se de Deus. A morte nesse sentido já havia existido no mundo inúmeros séculos antes de Adão entre os animais inferiores. 2o. 5:6. Ez. A morte eterna . e. 2:1-5. No mesmo instante em que foi violada a lei. todas as conseqüências penais do pecado. E foi exatamente isso que aconteceu. e a Jesus Cristo. Apoc. Estas são Io. 16:30. incluem evidentemente.

e das bênçãos prometidas na aliança. Quais são as únicas provas que servem para determinar a resposta à pergunta: "Que épecado?" Ia. e sim de casos concretos e individuais. o arco-íris é o selo da aliança feita com Noé . e em que sentido está ainda em pé? Tendo sido quebrada esta aliança por Adão.Col. Capítulos 37 e 40. será demonstrado que as Escrituras não admitem. 2a. Witsius enumera quatro . Neste sentido essa lei ainda está em pé. Neste sentido a aliança das obras foi revogada sob o evangelho. 2:7. Porque Cristo. 3o. e à qual é de novo admitido mediante o segundo Adão no Paraíso celeste. Todas estas realidades foram. (b) a universalidade. essa morrerá". Mas não parece haver motivo para dizer que pertenciam à classe particular das instituições simbólicas chamadas sacramentos sob a dispensação do Novo Testamento. . A Natureza do Pecado e o Pecado de Adão 1. nem a da aniquilação dos maus depois do Juízo. porque Cristo cumpriu as suas condições. essa aliança é ainda obrigatória sobre todos os que não se recolheram ao refúgio que nos é oferecido em Cristo. 17:9-11. Rom. não podia ser um selo da aliança das obras.27. 4o. O Sábado. Gál. e condena os homens por causa dos seus pecados. tendo cumprido tanto a condição em que Adão falhou. 15. 6.12. Cap.13. O Paraíso. 13. 9:12. sem dúvida. Os juízos intuitivos dos homens. 2:11. 14.24 com Apoc. ao mesmo tempo. A circuncisão foi o selo original da aliança feita com Abraão (Gên. tendo Cristo cumprido todas as suas condições a favor do Seu povo. 1. tornou-Se o fim dessa aliança para justificar a todo aquele que crê e que nEle é tido e tratado como se houvesse guardado a aliança e merecido a recompensa nela prometida. 22:214. Mais adiante. e (c) a necessidade. a salvação é oferecida agora sob a condição da fé. A árvore da ciência do bem e do mal. em sua grande obra sobre as alianças. As provas da validade destes juízos são (a) a auto-evidência. que oferecia a vida. Esses juízos intuitivos dos homens não julgam imediata e diretamente partindo de noções abstratas ou de proposições gerais. Compare Gên. em conseqüência da sua incapacidade absoluta de cumprir os seus preceitos. A Palavra de Deus. nem um só de todos os seus descendentes naturais pode jamais cumprir suas condições. A árvore da vida. 3:26. A árvore da vida foi o sinal e selo exterior e visível da vida prometida na aliança das obras. instituído por Deus como penhor da Sua fidelidade.2o. instituições simbólicas ligadas à dispensação divina original da qual a aliança das obras era a base. Em que sentido se acha revogada a aliança das obras. e. e. quais foram os selos ou sacramentos da aliança das obras? No Vol. e da qual o homem foi excluído por causa do pecado. A árvore da ciência do bem e do mal selou a morte e. achará neles vida". em substituição da qual foi depois instituído o batismo. Ainda hoje é verdade que "o que observar estes preceitos. nem a noção do sono da alma durante o intervalo entre a morte e o Juízo Final. 4:11). Não obstante isso.Io. 2:9 e 3:22. por conseguinte.Gên. e "a alma que pecar. opera como pedagogo (aio ou preceptor) para conduzi-los a Cristo. Segundo Witsius. como também tendo sofrido a pena em que Adão incorreu. ou o dia de descanso. Assim. Que quer dizer o selo de uma aliança. sendo baseado nos princípios imutáveis da justiça. e qual foi o selo da aliança das obras? O selo de uma aliança é um sinal exterior e visível. 2o.

como o seria querer que o olfato decidisse de uma questão de sons. tira máximas gerais e as generaliza. o fato geral de que todos os corpos se atraem mutuamente na razão inversa dos quadrados das distâncias. e à aplicação indiscriminada das máximas deduzidas assim a casos que se acham fora dos limites a que se estendem as intuições. vel carens rectitudine legali debita in esse". cap. 4.. -.. Que é necessário que uma verdadeira definição da natureza do pecado abranja? E necessário que uma definição do pecado abranja Io.. Conf. de muitas convicções intuitivas e individuais. Que é lei? Que é a Lei de Deus? ■ ' ■ ■ A palavra lei é empregada em muitos e variadíssimos sentidos. 6. A soma imensa de confusão e erro que existe a respeito da natureza do pecado e do que se deve considerar como pecado é devida a uma viciosa generalização de princípios gerais deduzidos de intuições individuais. É qualquer falta de conformidade que haja nos estados e costumes morais. Perg. Quais as definições de Turretino. 1. O pecado é toda e qualquer falta de conformidade com a lei moral de Deus. actio vel omissio pugnans cum lege Dei. 14 . (Intuições da Mente). 24."Forma peccati est desconvenientia. quer seja de excesso quer de deficiência. Um fato geral. As máximas de que todo pecado consiste em ação voluntária. É tão absurdo querer que o entendimento decida de uma questão que pertence ao domínio do sentido moral. e. cap."Pecado é qualquer falta de conformidade com a lei de Deus. aut status hominis cum divina lege". com a lei de Deus. excelente.. Os físicos a empregam muitas vezes como designação He ÜBUQTÊÇÂ aubbey ÇLABH Io.2: § § 4 e 5.:·‫· ·־ ■ . Cat. e de que a nossa capacidade é a medida da nossa responsabilidade. Maior. 3. . professor de teologia em Franeker. será falsa. 3: § § 1-3. e essas máximas gerais serão verdadeiras ou falsas segundo tiver sido bem ou mal feito esse processo de generalização. como também nas ações da alma humana. e Livro 4. actus."Inclinatio. Se a definição não estiver de conformidade com estas duas regras. Quces. ou qualquer transgressão dessa lei". falecido em 1722 . ־‬ 2. Campegio Vitringa. .g. abrange duas proposições constitutivas Ia.Locus 9. de Fé. 2o. quer de comissão quer de omissão. cap. § 6. Esta última definição. Livro 1. dos nossos livros oficiais e de Vitringa? Turretino.E o entendimento que. Veja McCosh. habitus. Tudo o que a Palavra de Deus e a consciência esclarecida declaram ser pecado. 2a. Intuitions of the Mind A Natureza do Pecado. são máximas desse gênero e exemplos desse abuso. Breve Cat. Perg. Não deve abranger mais nada.

sujeição a um Governador moral. A alma que peca está sempre cônscia de que seu pecado (a) é intrinsecamente vil e maculador. "Porque onde não há lei também não há transgressão" . e.a autoridade suprema de Deus.1 João 3:4. contém a lei escrita no coração. comete igualmente ten anomian. como órgão da lei de Deus. "afastar-se do caminho". (b) corrupção. por isso. O modo de operação de uma forma específica. e (b) que com justiça merece castigo e chama sobre o pecador a justa ira de Deus. 5.g. isso está implícito nas operações da consciência. Está implícito na linguagem empregada pelo Espírito Santo nas Escrituras para exprimir a idéia de pecado\set. não é um princípio interno e auto-regulador da natureza moral do homem. etc. A própria essência do bem moral é que este deve ser. hamartano.Rom.2o. Uma ordem estabelecida da seqüência em que certos eventos sucedem. Como se pode mostrar que essa Lei (qualquer falta de conformidade com a qual épecado) exige perfeição moral absoluta? Isso se acha envolvido necessariamente na própria essência da obrigação moral. 3o. e (b) um padrão ao qual nos devemos conformar. hâtâ. Afirma-se também explicitamente nas Escrituras. e a praticarem certos ritos expiatórios. e qualquer ordem estabelecida da natureza. "Todo o que comete pecado. Veja o Salmo 51.setim. as estações do ano. mácula. uma transgressão". Esta dá testemunho da lei que nos é imposta por uma autoridade exterior em relação a nós . 4o. reatus. A lei moral de Deus. e sim uma ofensa contra um Legislador pessoal e um Governador moral que vindica sua Lei com penas. porém. Como se prova que qualquer falta de conformidade com a "Lei" é pecado? Io. a ilegalidade. e sim um padrão imperativo de excelência moral imposto aos homens de fora e de cima. Sempre que pecamos. como a lei da indução elétrica. Na falta de qualquer revelação sobrenatural. culpa. como. a crerem em recompensas e castigos administrados por Deus. 6. a consciência nos condena por não nos conformarmos a um padrão que reconhecemos intuitivamente como sendo obrigatório para nós. (c) sanções ou motivos imperativos que constrangem à obediência. Como se prova que qualquer falta de conformidade com a lei moral de Deus é pecado? Como se mostrou acima. Por isso o pecado traz sempre consigo duas características inalienáveis . 3:19). como a fingida luz interna dos quacres. como a lei interna e auto-operativa do crescimento dos animais e plantas dos seus germes ou sementes. "errar o alvo". Se qualquer . 4:15. A própria essência do mal moral é que este não deve ser.. e. Envolve (a) um certo grau de esclarecimento quanto à verdade e ao dever.parabasis (Gál. "um desviar-se. 2o. nem do sistema das coisas. Uma ordem espontânea de desenvolvimento. de sâtâh. pela autoridade suprema de um Governador moral e pessoal sobre súditos morais e pessoais. Segue-se que um pecado não é simplesmente uma violação da lei da nossa própria constituição. (b) uma regra de ação que regula a vontade e obriga à consciência. 3o. Davi assevera que toda e qualquer espécie de pecado é desobediência e uma desonra feita a Deus. ela tem levado todas as nações gentílicas a reconhecerem a autoridade de Deus ou de deuses exercendo governo. A consciência implica (a) responsabilidade moral. porque o pecado é ilegalidade" .(a) desme-recimento. A própria consciência. 7.

Por conseguinte. mas também absurda. e não somente resiste a eles. É verdadeira a antiga máxima: omne minus bonum habet rationem mali. evidentemente. Rom. e nos hinos e na literatura devocional dos cristãos de todos os séculos e de todas as igrejas. "corpo do pecado". etc. 7:5-24. não só a convicção de não estarem os nossos atos em conformidade com a lei de Deus. 7:7. sustentam ao mesmo tempo que os cristãos podem nesta vida viver sem pecado. 4:18-22. Sendo isso da essência do bem moral. 9. 8. também "concupiscência". "ignorância". não são morais. . malévolo ou impuro. "alienação da vida de Deus". Mesmo quando o homem assim não consente com o pecado que está nele. "Porque qualquer que guardar toda a lei. o cristão. Esta experiência envolve sempre convicção do pecado. Concupiscência é chamada "pecado" nas Escrituras. malévolos ou impuros. que os membros do corpo são os instrumentos do pecado. é evidente que é tão verdadeiro a respeito de cada parte como do todo. E segue-se também que todos os perfeccionistas que. embora admitam que os homens nesta vida não são capazes de guardar perfeitamente a lei de absoluta perfeição moral. é ele mesmo quem. e deste princípio dá-se testemunho em todas as orações. e por isso merecedores da condenação. Todos julgam que o estado moral do coração determina o caráter moral das ações. 5:17. e tropeçar em um só ponto. 2o. estamos mortos espiritualmente e manchados. Este sentimento acha expressão. O coração do cristão muitas vezes tem. Todo verdadeiro cristão já tem dito com Paulo: "Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?" . 2o. "homem velho". nos estados e hábitos permanentes da alma. e se não são morais.Rom. como também os condena e se aborrece por causa deles. e deles desvia a atenção. súplicas e confissões. é profano. As Escrituras chamam explicitamente "pecado" a todos os estados permanentes da alma quando não estão de conformidade com a lei de Deus. agiu produzindo "em mim toda a con-cupiscência". Diz que o pecado e suas paixões reinam no corpo mortal. se a lei não dissesse: não cobiçarás (epithumeseis). Deste princípio segue-se evidentemente que a doutrina romana de obras de supererrogação não é somente ímpia.15. Tia. . empregam. e a vontade os proíbe e refreia. não será moral. e se for moral. impotentes e insensíveis para as coisas divinas. Como se prova que qualquer falta de conformidade com essa Lei. e esta envolve como seu elemento mais uniforme e proeminente. tornou-se culpado de todos" . O mesmo fica provado pela comum experiência religiosa de todos os cristãos. sente que tais movimentos da concupiscência são pecaminosos e dignos de condenação. "cegueira do coração". desejos maus.Tia. e que o caráter moral destas torna manifesto o estado do coração. Como se pode mostrar que mesmo os primeiros movimentos espontâneos da concupiscência constituem pecado? 10. e que o homem cujos atos são habitualmente profanos. Também "as paixões (os movimentos) dos pecados". não podem ter valor moral. como também nos seus atos. 3o. e procura logo lavar-se no sangue expiatório e pelo Espírito purificador de Jesus. não são supererrogatórias. qualquer grau de falta de plena conformidade com o bem moral no mais alto grau é da natureza do pecado. "Eu não conheci o pecado senão pela lei. a "outra lei nos meus membros". 2:10.l: 14. porque eu não conheceria a concupiscência (epithumian). que os irregenerados são os servos do pecado Rom. 6:12-17. e "o pecado que habita em mim" e que. em oposição ao "espírito". e se não são obrigatórias. contudo. mas também o sentimento de que nas profundezas da nossa natureza. será coisa de obrigação. quando a consciência logo os condena. no estado permanente do seu coração.coisa for indiferente moralmente. Gál. momentânea e espontaneamente. debaixo e além do alcance da volição. Isso fica provado pelo juízo comum de todos os homens. A disposição ou "tendência" permanente para pecar chama-se "carne. sem o meu consentimento. épecado? Io. linguagem incorreta e enganadora. porque se essas obras são obrigatórias. Ef. 7:24.Rom.

Deus em nenhum sentido. pode ser dominado de modo que concorra para produzir a maior soma de bem. e que ainda em nossos dia têm seus defensores. Privação é ausência daquilo que. (a) com a independência.ou na matéria ou em algum demônio auto-existente. que circula geralmente entre todas as classes de teólogos. de Chicago: "Ou Deus não podia impedir que entrasse o pecado (a) em sistema algum. O pecado é um elemento de agência moral pervertida. infinitude e soberania de Deus. Todavia num ser sempre ativo (dinâmico). são resumidas do modo seguinte pelo professor Haven. a sua permissão será um mal menor do que o seu impedimento absoluto".Io. Veja Edwards. Mas como pode estar bem feito. independente de Deus . um defeito poderia continuar sendo puramente negativo. e 2o. que é essencialmente a rebelião contra Deus de uma livre vontade (livre-arbítrio) criada.10. Qual o primeiro grande mistério em conexão com a origem do pecado? Como e por que foi permitida a existência do pecado na criação realizada por um Deus ao mesmo tempo eterno. Parte 3. e. Que o pecado não é um ser. santidade e bondade? Todas as soluções propostas para este enigma. Todos os chamados "santos pais" unanimemente se opuseram ao maniqueísmo. nem é o autor. e (b) que por isso está bem feito. ou (b) num sistema que envolvesse agência livre. auto-existente e infinito em Sua sabedoria. (Literalmente: Nada é mal. Original Sin (O Pecado Original).il est malum nisiprivatio beni. Devemos estar lembrados. pertencendo à natureza do objeto. 2. ou (a) por ser sua existência desejável em si mesma. senão privação do bem. Negação é a ausência daquilo que não pertence à natureza de um objeto. 3o. ou (d) porque. nem a causa do pecado. poder. Não estar conformado em tudo à Sua vontade é rebelar-se contra Ele e violar a Sua lei em todos os pontos. Portanto.g. e sim. e que está sempre com obrigações morais. é: Nih. Que Deus é o Criador de todas os seres e o Governador absolutamente soberano de todos os agentes morais e de todas as suas ações. e. 11. Mas esta doutrina é incompatível. ou (b) embora não sendo desejável em si é o meio necessário para produzir a maior soma de bem.. é e sempre será um mistério que exige submissão da nossa parte e que desafia a que lhe achemos solução satisfatória. Qual foi a doutrina dos maniqueus a respeito da origem do pecado? Eles sustentavam que o pecado tem sua razão de ser em algum princípio auto-existente e eterno. em termos gerais. .. Seu pronunciamento. é necessário para a sua perfeição. Considerá-lo atributo da matéria é negá-lo. na sua essência. um defeito moral não pode senão tornar-se imediatamente em vício positivo. não quis impedir a entrada do pecado. livre e responsável. · 12. o pecado é privação porque tem sua origem na ausência das qualidades morais que devem achar-se presentes nos estados e ações de um agente moral. por causa da natureza essencialmente ativa (dinâmica) da alma humana. E evidente (a) que Deus permitiu que entrasse o pecado. a faculdade da visão a um homem. ou (c) embora não propenda para o bem. A fim de conciliar estes dois pontos. Que não obstante isso. de que a depravação inerente que "vem de uma causa defectiva ou privativa" toma imediatamente uma forma positiva. Que diz a teoria de Agostinho a respeito da natureza do pecado considerado como privação? Agostinho afirmava . é simplesmente um defeito. "Ou Deus. por algum motivo. como . Não amar a Deus é odiá-10. a faculdade da visão a uma pedra. ele sustentava. sec. e sustentaram a doutrina ortodoxa de que o pecado neste mundo só é produto do livre-arbítrio do homem. Num estado passivo de existência. porém. uma entidade.) Os teólogos distinguem propriamente entre "negação" e "privação". (b) com a natureza do pecado.g.

Que os estados da alma só podem ser comandados até onde forem o efeito direto de prévias volições. 294-312) distingue entre "o pecado propriamente assim chamado. e o pecado impropriamente assim chamado. Tracts (Tratados sobre a Doutrina Metodista). não há coisa semelhante àquilo que se chama depravação inata. Parte 2. porque todo pecado tem sua razão de ser e sua fonte nessas tendências e disposições espontâneas. O que diz a doutrina pelagiana a respeito da natureza do pecado? A teoria pelagiana do pecado. e também as dos perfeccionistas arminianos? A igreja católica romana concorda com todos os protestantes em sustentar que são pecaminosos os hábitos e disposições permanentes. então todo pecado é voluntário. Wesley (Meth. a palavra for tomada no sentido de incluir as disposições. que não estejam em conformidade com a lei de Deus.Cat. porém. sendo necessário que uma volição seja determinada só e unicamente pela vontade para que tenha caráter moral ou possa ser aprovada ou condenada. isto é. transgressão voluntária de uma lei conhecida. Eles sustentam que o primeiro movimento espontâneo dessa concupiscência não é pecado em si mesmo e não deve ser tratado como tal porém que se torna causa de pecado só quando a vontade entretém as suas solicitações e as traduz em ações . transgressão involuntária de uma lei conhecida ou não". 2o. 3o. como também as ações da alma. Quais são as peculiaridades da teoria católico-romana a este respeito. que é rejeitada por todos os ramos da Igreja Cristã. Que. 15. Se. págs. Que uma lei pode comandar volições. então a declaração de que "todo pecado é voluntário" será falsa. e em que sentido é falsa? Tudo depende do sentido em que se tomar a palavra "voluntário". cap. que acho serem conseqüência natural da ignorância e dos erros inseparáveis da mortalidade". e o fomes3 ou alimento de pecado real. e declara: "Creio que nesta vida não há perfeição que exclua essas transgressões involuntárias. de Trento. do Cone. portanto. 2. se restringir aos "atos de volição". segue-se que o pecado está fora do domínio absoluto de Deus. 4o. Que o homem não tem obrigação alguma de fazer aquilo que não tem capacidade plena para fazer. 6o. Que. Mas é uma característica proeminente da sua doutrina que eles afirmam que não são propriamente da natureza do pecado essa condição moral da alma que permanece nos regenerados em conseqüência do pecado original. tendências e afetos espontâneos que constituem o caráter permanente da alma. Que. é Io.13. Se. nos estados morais permanentes da alma. 14. isto é. 42. Qual o segundo mistério em conexão com a origem do .Doc. Em que sentido é verdadeira a declaração de que "todo pecado é voluntário". que incitam as volições e decidem da sua natureza. O PECADO DE ADÃO 16. portanto. Os arminianos servem-se mais ou menos das mesmas distinções em defesa da sua doutrina da perfeição cristã. 5o. isto é. Perg. no sentido pelagiano. o pecado consiste somente em atos de volição.

e se estes. no caso de Adão. Se as volições são como são os afetos e desejos. porém não estava confirmada.■ 3o. e nenhum outro homem jamais teve na sua consciência a experiência de Adão. O pecado começou no momento em que. Adão demorou-se em pensar nesses dois motivos. apesar de não podermos explicá-los racionalmente. e somente se tornando maus quando. Permanece sempre na vontade humana um elemento inescrutável para nós. porque é necessário que se ache presente um princípio positivamente santo que os constitua santos. Que a infalibilidade dos santos e dos anjos não lhes é inerente. Que não é lógico deduzir da vontade independente de Deus alguma conclusão a respeito da vontade dependente de uma criatura. A origem de nossas próprias volições pecaminosas é muito evidente. alguns dos dados necessários para explicar a situação de Adão. nas vontades depravadas dos homens decaídos (Luc. A vontade depravada do homem caído não pode originar afetos e volições santos. e permitiu assim que eles prevalecessem em sua alma ao ponto de neutralizar temporariamente tanto a sua reverência pela autoridade de Deus como o receio de sua ameaça. E nos é impossível explicá-los Io. sem que tenha ocorrido uma regeneração sobrenatural. na falta de sua boa direção da parte da razão e da consciência. Porque todo o nosso raciocínio baseia-se necessariamente em nossa consciência íntima. muitos princípios moralmente indiferentes. incitassem à indulgência de algum modo proibido por Deus. 6:43-45). Adão. são fatos estabelecidos pelo testemunho divino. .pecado? · ! Como pôde o pecado originar-se num ser criado com uma disposição positivamente santa? A dificuldade consiste em conciliar de um modo inteligível o fato de que o pecado originou-se assim Io. ou que um afeto ou uma volição verdadeiramente santa se origine. conquanto dotado de uma disposição santa. Mas. são bons ou maus. No entanto. porém.a vontade dele era livre. estava sem a experiência de tentações. como é que o estado permanente da alma pôde tornar-se mau? 2o. e sim é uma graça confirmadora acrescentada por Deus. por via de aproximação. Temos a obrigação de crer neles. devemos notar Io. como então uma volição pecaminosa pôde originar-se numa vontade santa? Ou. já se achavam nele. Sendo impossível que uma volição ou um desejo pecaminoso se origine na santa vontade de Deus. ou na dos santos e dos anjos. estimulados por causas externas. Com a conhecida constituição da vontade humana. 4o.-■. Com a experiência universal. 2o. incitassem o homem. -. seja qual for a teoria que a seu respeito adotarmos. 2o. levado pelas palavras persuasivas de satanás. conforme o estado moral e permanente da vontade. na sua vontade santa. em si mesmos nem bons nem maus. Adão. ou a adquirir ciência (conhecimento) de um modo proibido. faltam-nos. Não está mais em estado de provação (ou de prova) como estava Adão . apesar da proibição feita por Deus. por outro lado. a qual decaiu. a admirar e desejar comer do fruto proibido. como é que uma volição pecaminosa pôde originar-se na vontade santa de Adão? Que Adão foi criado com uma vontade santa mas falível.

2o. Apetite natural pelo fruto atraente. 2o. a morte. e Adão foi rebelde. e (3) sentença de morte eterna. 17. 3:1-6). Que Deus retirou dele o Seu favor e a Sua comunhão com ele. 19. infere-se.5o. consistiu essencialmente . Que a sua apostasia de Deus foi completa. e (2) de depravar sua própria alma. Seu terrível pecado. Que efeito o pecado de Adão produziu sobre ele? Io.Io. e como pôde a depravação total ser resultado de um só pecado? Quando se afirma que a depravação total foi o resultado imediato do primeiro pecado de Adão. Em virtude da relação estabelecida entre Deus e Adão pela aliança das obras. com todas as faculdades morais necessárias para fazer dele um agente responsável. qualquer dom sobrenatural necessário para torná-lo infalível. os movimentos iniciais cuja influência resultou no primeiro pecado dos nossos primeiros pais. pois. segundo se pode inferir da narrativa da Queda. a natureza exata do primeiro pecado de Adão? Segundo se pode inferir da narrativa (Gên. 3o. . cometida deliberadamente. tudo quanto sabemos é Io. Adão incorreu na pena sentenciada nessa aliança. 4o. Na desobediência. que pecasse. Que relação Deus sustentava para com o pecado de Adão? A respeito da relação de Deus para com o pecado de Adão. em vez da vontade de Deus. (2) corrupção da alma. Deus exige obediência perfeita. determinando. 2o. 3o. junto com a conhecida influência de uma inteligência e de uma vontade superiores. seu pecado não podia deixar de produzir imediatamente o efeito de (1) desagradar a Deus e aliená-10. Que Deus criou Adão santo. como pecou. arvoraram em lei a sua vontade. A tentação dirigiu-se a um princípio da sua natureza que era mormente indiferente. 20. Na incredulidade: trataram virtualmente a Palavra de Deus como mentira. moralmente indiferentes. nem tão corrompido como o é o melhor dos seus descendentes não regenerados.Io. as únicas condições que lhe permitiam ter vida espiritual. Nem causou nem aprovou o seu pecado. a qual compreendeu (1) mortalidade do corpo. Desejo natural de adquirir ciência (ou conhecimento). considerados em si mesmos. Decretou soberanamente permitir que pecasse. e a ele é necessário referir a origem de todos os pecados. mas o sentido éIo. 20. Qual foi. Que com todo o direito deixou de conceder-lhe. 4o. 18. 2o. durante o tempo da sua provação. eram. e o tentador era um ser de inteligência muito superior à de Adão. Eram . O poder persuasivo de satanás e de Eva juntos sobre Adão. Em que sentido o homem tornou-se totalmente depravado. O poder persuasivo de satanás sobre Eva. isto é. não se quer dizer que ele se tornou tão mau quanto lhe foi possível. Na relação natural que Adão mantinha para com Deus como súdito sob o Seu governo moral.

.NEGAMOS: Io. 4a. sobre todos aqueles de quem Adão fora o representante na aliança das obras. os apetites do corpo tornaram-se desordenados e os membros do corpo se transformaram em instrumentos de iniqüidade. Cat. A vontade passou a estar em guerra contra a consciência e.26. esse pecado alienou Deus e produziu confusão na alma do homem. CONSEQÜÊNCIAS DO PECADO DE ADÃO SOBRE A SUA POSTERIDADE São elas Ia. a expressãopecado original designa somente a corrupção moral hereditária comum a todos os homens desde o seu nascimento. sem que houvesse uma expiação. Cap. Ao definirmos esta doutrina. e desse modo levou a um curso interminável de pecado. iria de mal a pior. A expressão pecado original é empregada às vezes no sentido de incluir tanto a imputação judicial da culpa do pecado de Adão. Como se deve definir o pecado original? Veja Conf de Fé. desconfiança. e nunca mais poderia calar-se. 2a. Por motivos que aparecerão depois. tornou-se depravada a natureza inteira do homem. como conseqüência necessária. em conseqüência. e desde o primeiro momento da sua existência. Perg. Que.6. discutiremos os pontos ligados à natural corrupção e incapacidade moral do homem antes do ponto que se relaciona com a imputação. 18. nasce sem a justiça original e com uma tendência inerente que infalivelmente leva todos e cada um dos seus dependentes a pecarem. pois. Que. embora um só pecado não estabelecesse um hábito confirmado. inúmeros outros pecados. Não ficou na natureza do homem nenhum princípio recuperativo. porém. a consciência. ou a razão e o modo por que as conseqüências do pecado de Adão passam dele para os seus descendentes. O resultado disso foi que ele passou a ter medo de Deus. como tais. 3a.3o. dessa maneira. Maior. desde o seu nascimento. sendo essencialmente ativa (dinâmica) a alma humana. se Deus não interviesse. Assim. o entendimento ficou obscurecido. ficou endurecida. sujeita constantemente a ultrajes e desprezo. O Pecado Original (Peccatutn Habituale) 1. . como também a corrupção moral hereditária.Breve Cat. Que um cisma se introduziu em sua própria alma. em conseqüência. 5o. cometer prevaricação e. 25. Que os homens são absolutamente incapazes moralmente de mudar sua natureza ou de cumprir suas obrigações. Mais restritamente. Sua consciência passou a acusá-lo. Que essa corrupção seja em qualquer sentido física e que seja inerente à essência da alma ou a qualquer das suas faculdades naturais. Perg. que é uma das conseqüências dessa imputação. cada um dos seus descendentes nasce em estado de exclusão da comunhão vivificadora do Espírito divino. Assim. Que a responsabilidade legal desse pecado pesa judicialmente. 4o.

3o. Um hábito moral inato da alma. assim. e depois a odiar o vingador da justiça . (2) A presença de um hábito positivamente mau. Por que esse pecado é chamado original? Não porque pertencesse à constituição original da nossa natureza assim como esta saiu das mãos de Deus.Rom. 12:1. porque. "vem de uma causa defectiva e privativa". Como se pode provar que o pecado original não consiste em alguma moléstia. estirpe original da raça humana. 2o. o pecado manifesta-se desde o princípio por via de uma tendência positiva para o mal. tendo sua sede na vontade oposta à santa lei de Deus. Que. à cegueira do entendimento. conduz a juízos morais errados. tecnicamente. Original Sin (O Pecado Original). toma imediatamente uma forma positiva. 3. 7:17. Porque é derivado por geração ordinária de Adão.g. não é lima corrupção física como também qualquer hábito adquirido (seja hábito intelectual. quando maus. Que apresenta dois aspectos: (1) A perda do original hábito reto da vontade.Edwards. em distinção do pecado imputado e do pecado efetivo. Por outro lado. e sim. não se segue que não tenha sido infundida na alma uma qualidade má positiva. Além disso. Como se pode provar que a doutrina do pecado original não envolve corrupção da substância da alma? E juízo universal dos homens que existem na alma. Não amar a Deus é rebelião contra Ele. Porque. à corrupção da alma inteira. ou um pecado que consiste num hábito ou estado moralmente corrompido da alma. Contudo. além da sua essência e de suas faculdades naturais. da natureza essencialmente ativa (dinâmica) da alma. que determinam os afetos e desejos da vontade. Io. 2. "o pecado que habita em mim" . as Escrituras distinguem entre o pecado e o agente de um modo que prova que o hábito de pecar (o hábito pecaminoso) não é alguma coisa consubstanciai com o próprio pecador . e da natureza essencial da virtude. e não obedecer à virtude é calcá-la aos pés. Que consista só na ausência de disposições santas. e. ou disposições inerentes.2o. como diz o Presidente Edwards4. são aprovados e. são reprovados por todos. certos hábitos. AFIRMAMOS: Io. e assim essa depravação que. Esse pecado chama-se também. E um hábito depravado ou uma tendência má da vontade. Esses hábitos. do fato de não abranger esta depravação inata uma disposição positiva para o mal. O amor por nós mesmos em breve nos leva a temer. Parte 4. governam as ações do homem e. 3o. Que o pecado original é puramente moral.Heb. sec. 4o. inatos ou adquiridos. à ação desordenada da natureza sensual e. sendo a tendência inata da vontade para o mal. que qualificam (ou condicionam) a ação dessas faculdades e constituem o caráter do homem. Que consista primariamente na mera supremacia da parte sensual da nossa natureza. segue-se evidentemente que é impossível que a alma seja indiferente moralmente. Porque é a raiz interna ou a origem de todos os pecados efetivos que maculam a nossa vida. seja moral) não é uma mudança física. 4. e 2 o. quando bons. em conseqüência da atividade inerente à alma. a uma sensibilidade deficiente e pervertida em relação às coisas morais. como aquilo que obriga à vontade. o pecado original. nem somente na supremacia da parte sensorial da nossa natureza? . 2. desvia o entendimento e assim engana a consciência. Peccatum Habituale.

1. 3o. Veja acima.g. etc. 7. 7:5-17. Perg. e é um princípio final que os estados. E chamada "carne" "carnal" em oposição a "espírito" ou "espiritual".. quando está ocupada em entender alguma coisa a respeito da qual seus afetos depravados se acham interessados de um modo perverso.Embora seja verdade que os apetites desordenados do corpo dão ocasião a muitos pecados. Esse hábito inato da alma é um estado da vontade. "concupiscência".15. em que seus afetos não se acham interessados. Pelo fato de não terem nenhum elemento sensório-sensual os pecados mais graves. e o pecado deve sua origem à falta desses afetos morais que seriam supremos se ainda continuassem a reinar na vontade. a ira. E a alma em sua unidade que opera em cada função como o agente indivisível. 6:6. e. bem como os atos da vontade. ou qualquer forma de desordem física. 6:12.15. Não amar a Deus é odiá-10. "corpo do pecado". Veja acima. Ef. Entretanto. tais como o orgulho. Gál. segue--se que a ausência de boas disposições conduz imediatamente à formação de disposições positivamente más. então não há na sua ação nenhum elemento moral. Como se pode mostrar que o pecado original não consiste somente na falta da retidão original? Io.24. as diversas faculdades da alma não são outros tantos agentes separados. Cap. Como se pode mostrar que o pecado original afeta o homem inteiro? O pecado original tem sua sede na vontade. E. Perg. Rom. em relação à lei da consciência.g. As conseqüências. e "obrou toda a concupis-cência" . não é voluntária e. por conseguinte. 5. "me enganou". "homem velho". 4:18. 1:14. também "ignorância".14. Como se pode provar que esse hábito ou disposição inata da alma.e. As Escrituras lhe atribuem caráter positivo quando lhe aplicam termos como "carne". é em si mesmo pecado? Io. 6. "o pecado tomando ocasião". A desobediência conduz ao medo. 9 e 10. 5:17.Romanos. a matemática. obrigação da vontade regular a natureza inferior e sensório-sensual. não obedecer-Lhe é desobedecer-Lhe. também "concupiscência". Da atividade inerente à alma humana e da natureza inerentemente obrigatória do que é moralmente bom. Tia. "o nosso homem velho" e "corpo do pecado". Uma moléstia. Essa disposição inerente para cometer atos pecaminosos é chamada "pecado" nas Escrituras Rom. que todos os homens julgam merecer louvor ou censura. Mas. a malevolência. além disso. em todas as suas faculdades. Pela própria natureza do pecado. 2o. "lei nos meus membros". e a AVERSÃO A DEUS. ou bons ou maus. Como matéria de fato.. capítulo 7. 3o. que dela provêm mesmo nas crianças de idade muito tenra. sua ação imparcial será necessariamente prejudicada. Esses hábitos ou estados permanentes da vontade constituem o caráter do homem. e consiste primariamente nesse pendor para disposições e afetos ilícitos que é o hábito inato da alma humana. a depravação inata manifesta seu caráter positivo pelos pecados positivos. são morais. a malevolência. que leva os homens a cometerem maus atos. qualificando-se mutuamente uma à outra suas diversas faculdades segundo a sua espécie. da propensão pecaminosa da vontade na sua influência governadora sobre as operações da alma.17. o qual tem necessariamente sua sede no estado moral do princípio voluntário. 2o. é contudo evidente que a origem ou a raiz do pecado não pode estar neles Io. o orgulho. à mentira e a todas as formas de pecado. "cegueira do coração" e "separados da vida de Deus". 2o.19. serão - . não pode ser elemento de responsabilidade moral. pois. Quando a alma está ocupada em entender alguma coisa. isto é.

O entendimento. que sejam incapazes de ações ou afetos interessados em suas diversas relações com os outros seres humanos. Nem. 2:14. separado de Deus e que. (3) Que a verdade dirigida ao entendimento é o meio principal de que se serve o Espírito Santo nas obras de regeneração e de santificação . (2) Que a regeneração envolve não somente a renovação do coração. quer sejam moralmente indiferentes. 1:18. se Deus não a restringisse por meio do Seu Espírito. todos os seus atos. Col.Io. está. Ef. ENTENDE-SEIo. Nem. O corpo também se tornará corrompido. segue-se que todo homem. 4o. e que esta deterioração seria incalculavelmente mais rápida do que é. As Escrituras ensinam . Que o homem depravado não tem consciência. 1 Ped. por natureza. bem como os seus afetos . Num curso prolongado de ação pecaminosa. que os homens não regenerados. e que a própria alma da virtude consiste em ser a alma leal a Deus. e isso redundará numa consciência endurecida e numa insensibilidade moral em geral. Ef. quer sejam conformados a princípios subordinados do bem. e a perversão moral de todas as faculdades da alma e do corpo (veja a resposta à Perg. nem que todos tenham uma disposição propensa para todas as formas de pecado. na falta de direção e governo apropriados. . e sentem essas emoções vindicativas das quais a consciência está armada. e sim em estarem suas disposições e afetos em conformidade com a lei da qual a consciência é o órgão.(1) Que o entendimento do "homem natural" é depravado. mas também a sua iluminação-Atos 26:18. Que esse estado tende a resultar em mais corrupção. por natureza. e delas a imaginação também tirará material para o seu uso. em sua disposição geral. que qualquer homem seja tão depravado quanto é possível que se torne. não admirem muitas vezes o caráter virtuoso e as boas ações dos outros. 2o. possuindo uma consciência natural. (1) Seus apetites naturais. em progressão sem fim. Mas. 4:4. Que. Nem. sendo muitas vezes ultrajados e tratados com negligência.João 17:17. 5:8. 2 Cor. vão se tornando menos vivos. 3o. A bondade de um agente não consiste em ter consciência. são viciados pelo estado de rebelião contra Deus em que se acha o agente. 4:18. 3o. em todas as partes da nossa natureza. 4o. 5o. (2) Seus poderes ativos serão empregados como "instrumentos de iniqüidade". 2o. As emoções e os sentimentos que acompanham os juízos da consciência em aprovar o bem e condenar o mal. 1:18. imediatamente anterior). uma consciência enganadora e uma geral "cegueira do entendimento" a respeito de coisas morais. por conseguinte. 1:21. desde que a virtude consiste na conformidade das disposições da vontade com a lei de Deus. tornado parcial pelos afetos pervertidos. 3o. Tia. a memória ficará poluída pelos materiais amontoados das experiências corruptoras. Que se entende pela afirmação de que o homem é. dará como resultado juízos errados. operando concorrentemente com o sentido moral em formar juízos morais. Mesmo os demônios e as almas perdidas sabem o que é bom e mau. 8. se tornarão desordenados. Que esse estado da vontade dá como resultado um cisma na alma.1 Cor. totalmente depravado? Por essa frase ortodoxa NÃO SE DEVE ENTENDER Io. 2o. 2:9.

Mas essa pena toda consistiu no mal penal . por natureza. Que prova da doutrina do pecado original se pode extrair da narrativa da Queda? Deus criou o homem à Sua imagem e declarou que.4o. 6:5. é declarado nessa passagem como um fato inegável. Is. apesar de estar livre de qualquer corrupção de sua natureza. 17:9. coração. Com quais outras objeções os pelagianos e outros procuram diminuir a força do argumento baseado na universalidade do pecado? Io. João 3:6.a obrigação legal de sofrermos a penalidade . 3:10-23. por natureza.Sal.Ef. como agente moral. 1:5. Mat. 15:14. em Sua ira. 4o. mas. Diz-se que essa depravação diz respeito. Como fica estabelecida a verdade desta doutrina pelo fato da existência geral do pecado? Todos os homens. Jer. 10. Ameaçou-o com a morte no dia em que comesse do fruto proibido. aos atos. é declarado que o estado espiritual do homem agora é a "morte". baniu-o da Sua presença. 51:5. espiritual e eterna. 9.pode pecar. e que é por natureza. Io. 12. porque todos os homens pecam. Gên. depravado. 2:1. pelo fato indiscutível de que a penalidade da lei. A vida espiritual do homem depende de estar ele em comunhão com Deus. vontade. Que descrição as Escrituras fazem da natureza humana. sem exceção. mas Deus. e depravados moralmente em seu entendimento. principiam a pecar logo que se tornam capazes de ações morais. em todos os séculos. se não experimentar uma recriação miraculosa. 1 João 3:14. O homem só pode tornar-se cada vez mais e para sempre pior. Assim. 58:3. 8:7. que Adão violou. 2o. porque as ações de todos os homens envolvem um elemento de inteligência. que é desde o nascimento. a mesma pena que fora sentenciada . 15:19. a questão é: como ele pôde pecar? No de seus descendentes: por que é que todos com certeza pecam desde crianças? 14. e sejam quais forem as suas circunstâncias ou as influências educacionais que os cercaram na sua mocidade. pecam logo que se tornam agentes morais? No caso de Adão. 3o. e esta ameaça cumpriu-se literalmente só no sentido da morte espiritual. entregue a si mesma. Jó 14:4. Não resta mais nenhum elemento recuperativo na alma. e como se pode inferir daí a existência de uma depravação inata e hereditária? Segundo as Escrituras. Em conseqüência disso. e que tal criatura.do pecado de Adão imputada a nós. O pecado original. uma criatura inteligente. e o apóstolo tomou-o como base de seu argumento para provar a imputação do pecado de Adão. pois. 13. todos os homens estão totalmente separados de Deus.6. 8:21. junto com a morte natural. 2:3. corpo e ações-Rom. Os que afirmam que a liberdade do indiferentismo é essencial à agência responsável. um efeito universal deve ter causa universal também. sem exceção . que afeta a todos os homens. é infligida a todos. Que testemunho desta doutrina é dado por Romanos 5:1221? Nessa passagem Paulo prova a culpa . Ef. era muito bom. como então o fato de sua posteridade pecar poderia provar que a sua natureza é corrompida? O pecado de Adão prova que um agente moral pode ser ao mesmo tempo santo e falível. atribuem todas as ações .a morte física. 11. quanto à sua posteridade. a questão e: qual é a causa uniforme e universal por que todos. consciência. Ora. e que as volições não ficam determinadas pelo precedente estado moral do espírito. ao coração. Se Adão pecou. Sal. como julgamos que o homem é. assim também julgamos com certeza que o homem é.

e. Pois tal ordem de desenvolvimento. Respondemos: (1) As crianças uniformemente manifestam disposições depravadas numa idade tão tenra que não se pode racionalmente atribuir esse pecado à influência do exemplo. operada pelo Espírito Santo no exercício de poder sobrenatural. dando em resultado conseqüências tão uniformes.10. 4:24. Tito 2:14. somos obrigados a crer que a outra parte tornou-se efetiva também. Quanto à sua natureza. acima. por meio de uma propiciação. Que a regeneração é uma mudança radical de caráter moral. não tem analogia com o dos homens. 2o. porém também admite virtualmente o fato da depravação inata e hereditária. e nunca estiveram incluídos numa aliança de vida. embora apresente certas dificuldades peculiares. 1:19. foi sentenciada contra todos os impenitentes. 4. etc. mesmo no caso de crianças que nunca pecaram pessoalmente. Heb. 1 Ped.. 2 Cor 5:17. pervertem-nas. . 2:5. e por isso o seu caso. 1:18. Ef. 9:12-14. a morte física e a morte moral. 13:12. 2o. Tia. Outros ainda procuram explicar os fatos referindo-os à ordem natural que se segue no desenvolvimento de nossas faculdades. Outros procuram explicar os fatos alegando a influência universal do mau exemplo. E chamada "nova criação". suspensa temporariamente por amor de Cristo. 1:23. 36:26. e por último as morais. não são agentes morais. vendo que uma parte da pena tornou-se efetiva. e insistem em que o lato dele agir como age seja tomado como fato final. que o desígnio do sacrifício de Cristo e seu efeito é livrar todo o Seu povo. a morte eterna.pecaminosas ao fato alegado de não estar condicionada a vontade do homem. Como se pode provar esta doutrina pelo que as Escrituras dizem a respeito da redenção? A respeito da redenção as Escrituras afirmam Io. (2) Mesmo as crianças que desde o nascimento se acharam cercadas de influências que só podiam incliná-las para a santidade. criados para as boas obras". A geologia afirma que os animais irracionais sofreram e morreram em gerações sucessivas antes da criação e apostasia do homem. Que argumento a favor da doutrina do pecado original pode-se deduzir da universalidade da morte? A penalidade da lei foi a morte. Como se pode provar esta doutrina pelo que as Escrituras dizem a respeito da regeneração? As Escrituras declaram Io. referimo-nos à Perg. Diz-se que é absoluta e universalmente necessária -João 3:3.g. 15. e isso é ainda um dos problemas não resolvidos da providência de Deus. Em resposta. tanto do poder como da culpa do pecado . antecipando-se as superiores. depois as intelectuais. essa explicação não somente é imperfeita. é em si mesma uma corrupção total da natureza. mas a questão é: por que é que todos se aprazem em determinar-se para o pecado? Uma causa indiferente não pode explicar um resultado uniforme. 17. reconhecemos que o homem se determina sempre como lhe apraz.Ef. manifestam disposições depravadas. Mas. 3o. E. 16. -Ez. Os animais irracionais. 5:25-27. A doutrina do pecado original ensina simplesmente que o caráter depravado da própria vontade é a causa uniforme do resultado uniforme. abrangendo a morte espiritual. os regenerados são chamados "feitura de Deus. as faculdades animais. ademais. e assim as inferiores. A morte física é universal. que também sofrem e morrem. Em resposta.

1:4. Io. também Harvey's Review. por conseguinte. Veja Calvino. Quanto à sua necessidade. O pecado original consiste em más disposições e. 10:16. Gál. 2o. 3:21. porque age exatamente como quer agir. Cap. que o pecado teve origem no livre ato do homem. João 3:5. sendo a redenção uma propiciação feita por sangue. Qual a prova derivada do batismo das crianças? O batismo. 19. tudo considerado. lhe apraz. 18. 18. 19. 3o. mas também para as crianças que nunca cometeram pecado efetivo .21. Como se propaga essa corrupção da natureza? Veja abaixo. Instit. . em conseqüência do pecado e com toda justiça. que era absolutamente necessária para todos . ou se. 1829). 21.não somente para os adultos. ou simplesmente por querer mudá-la. Lib. Veja Cap. que a corrupção inteira da nossa natureza veio do pecado. que. A nossa consciência afirma que o homem é sempre responsável por seus atos livres. 1828). criado santo. 3:25. em que sofreu "o Justo pelos injustos". e se essa natureza é pecaminosa..22. e que seu ato é sempre livre quando ele se determina como. pág. o homem. Rom. 1:5. 5:9. 2:28. 19:14. Rom.Mar. Deut. e. 1. Io. Se Deus é o autor da nossa natureza.26. Tito 3:5.Atos 4:12. 24. Mas sabemos. Apoc. Fosse inerente a essa natureza originariamente. mas homem algum pode mudar a sua disposição por um ato da volição. Ambos esses ritos deviam ser aplicados às crianças. 2o. No entanto. págs. 20. 22. O hábito ou a disposição inerente à vontade é o que determina a sua ação. Por via de conseqüência natural (1) nas operações internas da própria alma. como foi com a circuncisão. pecando.29. Em que sentido o pecado pode ser o castigo do pecado? Io. Todavia a aplicação do rito externo seria inútil e profano se as crianças não precisassem e não fossem capazes daquilo que o rito significa. do mesmo autor (Hartford. 2. Alguns dizem que Cristo só remiu as crianças libertando--as da sujeição ao pecado. Mat. 6 e 11. 2:24. Como se pode conciliar esta doutrina com a liberdade do homem e sua responsabilidade por seus atos? Io. 4 e 25. Taylor. A nossa consciência declara que a incapacidade não é incompatível com a responsabilidade. 3o. se as crianças não são pecadoras. 20. Perg. sob o Cap. no desordenamento de suas faculdades. Veja Dr. (2) na confusão das relações entre o pecador e Deus.25.2o. como podemos evitar a conclusão de que Deus é o autor do pecado? Essa conclusão seria inevitável se. Concio ad Clerum (New Haven. O pecado fosse elemento essencial da nossa natureza. como saiu das mãos de Deus. age livremente. sec. O estado de inocência resultante da libertação da sujeição ao pecado não admite redenção. porém ao mesmo tempo falível. não podem ser remidas. é um rito externo que significa as graças internas da regeneração e da purificação de natureza espiritual . Deus tirou de nós as influências conservadoras do Seu Espírito Santo e deixou os homens entregues às conseqüências naturais e penais do seu pecado.

Negavam a imputação do pecado de Adão. nem porque o estado do pecador se/a tal que o Espírito Santo não tenha poder para transformá-lo. e foi depois desenvolvido completamente pelos discípulos de Fausto e Loelio Socino no século 16. cumprir as exigências nem da Lei nem do evangelho. por Sua graça. e sim porque o pecado consiste na rejeição deliberada e final de Cristo e Seu Espírito. 10:26. e sabendo que sem a Sua graça esses esforços serão infrutíferos. no princípio do quinto século. mas é a causa certa de pecados. Deus retira o Seu Espírito. 6:4. porém. 24. 2o. Por via de abandono judicial. em suas controvérsias com Agostinho. Eis aqui um resumo das doutrinas peculiares que os semipelagianos ensinavam na idade média Io. Estas passagens dão a entender que esse pecado consiste em rejeitar malignamente o sangue de Cristo e o testemunho do Espírito Santo. e porque Deus determinou soberanamente que este seria o limite final da Sua graça. Essa condição. Quais as idéias principais envolvidas na doutrina semipelagiana? Segundo a apreciação crítica feita por Wiggers em sua Historical Presentation of Augustinianism and Pelagianism (Apresentação Histórica do Agostinianismo e do Pelagianismo). dá-lhe. Todo homem possui capacidade plenária para pecar ou para arrepender-se e obedecer sempre que lhe aprouver. 1 João 5:16.32. 2o. não porque a sua culpa exceda aos merecimentos de Cristo. porém. 4o. não é pecado. Heb. 12:31. e o agostinianismo como morto.6. Quais as idéias principais envolvidas na doutrina pelagiana do pecado original? O sistema chamado pelagiano originou-se com Pelágio. O pecado de Adão só afetou a ele próprio. 3:29. 3o. o pelagianismo considera o homem como moral e espiritualmente são. o poder de começar a viver bem.30. . Por causa do pecado. Abrange os pontos seguintes: Io. O homem possui.2o. presente no coração. As crianças nascem no mesmo estado moral em que Adão foi criado. Reconheciam que o homem herda de Adão uma condição mórbida da sua natureza. 4o. 1:24-28. que o pecador rejeita direta e a que resiste desdenhosamente. o auxílio de que ele necessita. Que ensinam as Escrituras a respeito do pecado contra o Espírito Santo? Veja Mat. e então Deus. apesar de provas e contra a própria convicção. e a conseqüência disso é mais pecado-Rom. E chamado pecado contra o Espírito Santo porque é o testemunho e a influência dEle. o semipelagianismo o considera como enfermo. 25. sem auxílio divino. A responsabilidade está na razão exata da capacidade. E imperdoável. e é o dos unitários da Inglaterra e dos Estados Unidos dos séculos 18 e 19. vendo os seus esforços.27. e as exigências de Deus estão na razão das diversas capacidades (morais e constitutivas) e circunstâncias dos homens. Essa condição envolve as faculdades morais da alma a tal ponto que ninguém pode. E o sistema explicado no Catecismo Racoviano5. Mar. 3o. 23.

porém.A doutrina de Armínio e o "sinergismo" de Melanchthon reduzem-se praticamente à doutrina que acabamos de expor. à sua vontade somente mediante a natureza sensório-sensual. que a respeito dessa preferência cada ser humano determina-se logo que se torna agente moral. 4o. e consiste em ele escolher livremente como seu bem principal algum outro objeto e não Deus". e que é sempre uma preferência de algum bem menor. 28. Que a influência de Adão estende-se somente à natureza sensório-sensual dos seus descendentes. e que os arminianos e os sinergistas sustentam que o homem é tão depravado que precisa da graça de Deus para dispô-lo e habilitá-lo a começar como também a continuar e levar a efeito essa obra. A Igreja Grega ocupa a mesma posição geral a respeito do pecado original. Nathaniel W. nas "Exposições autorizadas das diversas igrejas". Gál. e não à sua natureza racional. Veja abaixo. 2a. A vontade humana tem a iniciativa na regeneração. 27. por isso. mas precisa do auxílio divino. 2:10. Sustenta igualmente que a natureza do homem. quando então essa graça comum se torna eficaz em virtude dessa cooperação. Veja Condo ad Clerum. como ocasionado por natureza. todo pecado seria mortal .Tia. somente no sentido de que a vontade o comete livremente. apesar de uniformemente. mas que a própria natureza. 3o. ao mesmo tempo. em vez de Deus. As objeções são . Qual é a doutrina concernente à mudança efetuada pela Queda na natureza moral do homem? Veja abaixo as exposições públicas das diversas igrejas. a qual. 26. Que distinção os católicos romanos fazem entre pecados mortais e pecados veniais? Dizem eles que mortais são os pecados que separam de Deus a alma e fazem perder a graça batismal. ou sua tendência inerente de ocasionar o pecado. o príncipe da teologia da escola nova da América. Isso é semipelagianismo. 3:10. em conseqüência do pecado de Adão. do mesmo autor. e que Deus então coopera imediatamente com ele. Se não fosse o sacrifício de Cristo. 1828. é a ocasião e não a causa de os homens fazerem uniformemente má escolha moral. Belarmino. de New Haven. E uma distinção que as Escrituras nunca fazem. porém que a sua eficácia depende da cooperação humana. New Haven. assim. Essa definição inclui a preferência permanente que predomina na vontade e que determina os atos de escolha especiais e transitórios. As crianças estão sem pecado. enquanto a posição correspondente do arminianismo é que a graça tem a iniciativa na regeneração. e que o pecado original é.Ia. Que o pecado original não é voluntário e por isso não é verdadeiramente pecado. todos os homens realmente têm a mesma graça comum operando neles. na condição em que começa a existir agora. EXPOSIÇÕES AUTORIZADAS DAS DOUTRINAS DAS DIVERSAS IGREJAS . não é em si pecado nem merece castigo. ensinava que o pecado consiste unicamente nos atos da vontade: que "o pecado original é ato do próprio homem. com a única diferença de que os semipelagianos sustentavam que o homem pode e necessariamente tem que iniciar em si a obra do arrependimento e obediência. estendendo-se. nada efetua enquanto o homem não coopera voluntariamente com ela. nem à sua natureza espiritual. Qual é a teoria de "New Haven" a este respeito? O Dr. Taylor. e Harvey's Review. mas que. e que veniais são os que só impedem o acesso da alma a Deus. por natureza. porque possuem só uma natureza física e propagada. e sustenta Io. 2o.

DOUTRINA CATÓLICO-ROMANA . Sess. no coração e na vontade". e não à sua descendência. na mente. tanto mais gravemente peca . ao mesmo tempo. tendo todos os homens pela prevaricação de Adão perdido a inocência e se tornado imundos. 2. e primariamente nas faculdades principais e superiores da alma. DOUTRINA LUTERANA . em tal forma são servos do pecado. no intelecto. "Declara em primeiro lugar o Santo Concilio que."A penalidade propriamente imposta em conseqüência do primeiro pecado foi a perda da retidão original e dos dons sobrenaturais que Deus tinha concedido à nossa natureza" . que é morte da alma .. ss. 5: "A questão entre nós e nossos adversários não é se a natureza humana ficou gravemente depravada em conseqüência do pecado de Adão: porque isso confessamos livremente.veja as "Exposições" no fim do Cap. e especialmente a concupiscia per se e em sua própria natureza. e que a santidade que recebeu de Deus e a justiça que perdeu. 2:3). essa natureza corrompida. mas unicamente os dona supernaturalia". de qualquer modo que se façam. para si só a perdeu e não para nós. contudo. a impotência e incapacidade. Lutero). 5:12. . o corpo e a alma."Mas."Formula Concordice". 6: Can. Sess. a fraqueza e estupidez. "Se alguém disser que todas as obras que se fazem antes da justificação (regeneração).. nem é pior a natureza humana (se tirardes a culpa original).. mas que. de maneira que se possa dizer que é o material desse pecado. Ib. verdadeiramente são pecados."De Gratia primi Hom. para se entender bem e sinceramente a doutrina da justificação. nem labora ela em maior ignorância e enfermidade do que era e laborava quando criada in puris naturalibus. 3o. o estado em que foi criado e em que estava antes de receber os dona supernaturalia . em vez da imagem perdida de Deus.anathema sit". e sujeitos ao poder do diabo e da morte.Io. "Que esse mal hereditário é culpa (desmerecimento) mediante a qual. pág. "Se alguém disser que o livre arbítrio depois do pecado de Adão foi perdido e extinguido.. como uma espécie de veneno ou lepra espiritual (como diz o Dr. 5. 16) mais do que o estado de um homem a quem roubaram a roupa difere do estado de um homem originalmente nu.. 5. E isto que os católicos romanos negam. nem a do acréscimo de nenhuma qualidade má. nós todos estamos sujeitos à ira de Deus e somos por natureza filhos da ira. Belarmino." 1: "Eles (os católicos romanos) ensinam que pelo pecado de Adão o homem inteiro ficou deteriorado..anathema sit". há também no homem uma corrupção interior.. ainda que esse pecado original infeccione e corrompa a natureza inteira do homem. Mas a controvérsia toda versa sobre este ponto . Ib."Se alguém disser que o pecado de Adão só foi nocivo a ele mesmo. no qual habita o pecado . Além disso: que o pecado original na natureza humana não só envolve a perda e a ausência totais de tudo quanto é bom nas coisas espirituais e que dizem respeito a Deus. Cap. e que há.Por isso o estado do homem depois da queda de Adão não difere do seu estado in puris naturalibus (isto é. 7. e que manchado com o pecado de desobediência só transfundira por todo o gênero humano a morte e moléstias do corpo. que tornam o homem totalmente incapaz de tudo quanto é espiritual e divino. "Amiss. ou merecem o ódio de Deus. 3:1 .6. Nem é se essa depravação pertence de qualquer modo ao pecado original. 2o. 645 .se essa corrupção da natureza. Ef. a natureza em separado e o pecado original em separado. inescrutável e indescritível da natureza inteira e de todas as faculdades. ou da imagem de Deus à qual o homem foi no princípio criado em verdade. convém que cada um conheça e confesse que. . Ib. 1.Concilio de Trento. e não o pecado. defeito e privação totais da justiça original criada no Paraíso.. C. Can. Gratia". e que com quanto maior veemência forceja alguém em se dispor para a graça.anathema sit" . 640 . Ib. péssima. como testificou o apóstolo Paulo (Rom. pág. Amiss. mas não perdeu nem o livre-arbítrio nem nenhum dos dona naturalia.. profunda. posto que o livre arbítrio não ficou neles extinto. e sim unicamente o resultado da perda do dom sobrenatural em conseqüência do pecado de Adão". 5 . como se acha nos batizados e justificados (regenerados) é propriamente pecado original. e sim atenuado de forças e inclinado".(Deve-se crer) . Que há em todos falta. por causa da desobediência de Adão e Eva. ou o próprio homem como criado por Deus. Gra. 5. Can. de modo que em nossa natureza corrompida não é possível apresentar separadamente aos olhos esses dois. ou substância do homem corrompido. Daí seguir-se que a corrupção da natureza não é o resultado da perda de dom algum. santidade e justiça.

envolvendo uma disposição pecadora inata e levando inevitavelmente a transgressões efetivas. Christ. Art. Mas negamos que isso seja pecado per se. Racoviano"."Cat. que torna a todo e qualquer homem. 3. porque. 294: "E a queda de Adão. passe de Adão para a sua posteridade. não podia ter o poder de corromper nem a natureza do próprio Adão. DOUTRINA REMONSTRANTE . "Conf. pág. produz toda espécie de pecados no homem e é por isso tão vil e execrável à vista de Deus. não é um e o mesmo que esse pecado original que habita na natureza ou na essência do homem e a corrompe. 2o. como pena. Art. e sim como um mal. A depravação total da nossa natureza.". porém. 3. tendo sido um só ato. e por isso toda pessoa que nasce neste mundo merece a ira de Deus e a condenação". 11: "Cremos que este vício (originis) é verdadeiramente pecado. réus diante de Deus. Limborch. e muito menos a da sua posteridade. A culpa. o corpo leproso e a lepra que está no corpo não são uma e a mesma coisa". ou que seja da natureza do pecado". . í 20 Incapacidade 1. devia ser igual em todos os homens. vem por propagação sobre a sua posteridade". e com uma certa propensão para pecar.original. Quais são os três elementos principais envolvidos nas conseqüências que o pecado de Adão trouxe sobre a sua posteridade? São Io. que. Não negamos. e os filhos pendem comumente para os pecados de seus pais". uma enfermidade ou vício ou qualquer nome que se lhe queira dar. e que. como raiz. "Os 39 Artigos da Igreja Anglicana. nem como um mal que. que de Adão. Contudo é agora desigual no mais alto grau. a natureza do homem está agora infeccionada de uma certa queda e de uma tendência excessiva para pecar. em conseqüência do costume constante de pecar. o reato6 ou a justa responsabilidade legal do primeiro pecado ou ato de apostasia de Adão. pelo que o homem está distanciado muitíssimo da justiça original. Belga". mas isso não lhes advém tanto de Adão como de seus pais imediatos. como no corpo do leproso. se viesse de Adão. 15: "(Peccatum originis) é essa corrupção da natureza inteira e esse vício hereditário que os torna corruptos mesmo no ventre de suas mães. Remon-strante". DOUTRINA SOCINIANA . privado da sua justiça original. 9: "(O pecado original) é um vício e corrupção da natureza de todo homem da geração de Adão. que é imputada ou imposta judicialmente sobre os seus descendentes. que é suficiente para condenar a raça humana". "Theol.". pág. Gallica". DOUTRINA REFORMADA . Art. e é de sua própria natureza inclinado ao mal."Conf. da morte eterna". sem exceção mesmo das crianças escondidas ainda no ventre de suas mães. no sentido restrito dessa palavra. 84: "Eles (os remonstrantes) não consideram o pecado original como pecado propriamente dito. Conf. de forma que a carne tem sempre desejos sensuais contrários ao espírito. e em virtude da qual cada criança nasce em estado de condenação.4: "Confessamos também que as crianças nascem menos puras do que era Adão quando foi criado."Apol.

renovada pela energia da graça.3o.(a) A natureza do homem ficou enfraquecida pela Queda de modo que. e (c) a livre . dirija e habilite a fazer qualquer boa obra. 4. (d) Por isso é só a vontade de cada um que. (a) O homem é por natureza tão inteiramente depravado que é totalmente incapaz de fazer alguma coisa espiritualmente boa. (b) a consciência. radical e permanentemente. (b) A capacidade é sempre a medida da responsabilidade. providencial e educativa.Este foi adotado por todas as igrejas protestantes originais. Os teólogos modernos sustentam. por mais que procure mudá-las assim. (d) O homem só é responsável pelos pecados cometidos por ele depois de receber e abusar das influências da graça. O tipopelagiano . 2. O tipo semipelagiano . mas estas não podem mudar os afetos. e negavam que. Quais os três tipos de doutrina que. mas julgam que é mais judicioso fazer uma distinção no uso dos dois termos. Por "capacidade". neste caso. (c) E necessário que o homem procure cumprir todos os seus deveres e. no sentido de que ela o incite. ele não pode agir bem sem auxílio divino.(a) Caráter moral só pode ser predicado de volições. e indisposta por natureza para qualquer bem espiritual. a esse respeito. seja bom ou mau. A inteira incapacidade da alma de mudar sua natureza ou de fazer coisa alguma que seja espiritualmente boa. em cooperação com a graça. A única influência divina de que o homem precisa e que é compatível com o seu caráter como agente autodeterminado é uma influência externa. mas não é em si mesmo pecado no sentido de merecer a ira de Deus. e (b) que o homem é absolutamente incapaz de mudá-las. de mudar suas disposições e tendências predominantes por meio de qualquer volição. depois da Queda. com exclusão da interferência de qualquer influência interna que venha de Deus. (d) Mesmo depois de renovada. sempre existiram na Igreja? Io. 3. (b) Esse estado moral enfraquecido que as crianças herdam de seus pais é a causa do pecado. em obediência à lei divina. (b) Mesmo sob as influências incitantes e persuasivas da graça divina. 2o. tem que decidir sobre o caráter e o destino do homem. ou (c) de exercer volições contrárias a elas. ou de obedecer aos preceitos da lei na ausência de quaisquer disposições santas. Deus lhe dá a Sua graça cooperativa e torna bem-sucedidos os seus esforços. Qual é a diferença entre os escritores protestantes antigos e os modernos quanto ao usus loquendi das palavras "liberdade" e "capacidade"? Os antigos muitas vezes empregavam a palavra "liberdade" no mesmo sentido em que empregamos agora a palavra "capacidade". Os afetos permanentes da alma governam as volições. luteranas e reformadas. exatamente a mesma doutrina que os antjgos. enquanto a própria vontade não é. a respeito da incapacidade humana para cumprir a lei de Deus. Entendem. 3o. o homem tivesse qualquer "liberdade" de vontade a respeito das coisas divinas. ou de começar ou dispor-se em qualquer grau para isso. E quando dizemos que ninguém depois da Queda tem capacidade para prestar a obediência espiritual que a lei exige. segundo as disposições e tendências predominantes da sua alma. nas coisas espirituais. entendem o poder de uma alma humana depravada. de exercer volições segundo lhe apraz. Como se pode expor a doutrina ortodoxa tanto negativa como positivamente? A doutrina ortodoxa não ensina Io. isto é. Essas faculdades são (a) a razão. a vontade do homem é totalmente incapaz de agir bem. todo homem possui sempre pleno poder de fazer tudo quanto é de seu dever fazer. pelo termo "liberdade" a propriedade inalienável de qualquer agente moral e livre. o sentido é (a) que as radicais disposições morais de todos opõem-se por natureza a essa obediência. O tipoagostiniano . pois. Que o homem tenha perdido na Queda qualquer de suas faculdades constitutivas necessárias para fazer dele um agente moral e responsável. a vontade fica sempre dependente da graça divina. (c) Por conseguinte. porém.

2o. Não é natural num sentido. porém espiritualmente está cego. ' ‫ ׳‬Í 5. 2o. onde se concede que o homem. porque não pertenceu à natureza do homem como foi criado. tanto morais como racionais e intelectuais. 5o. é inteiramente incapaz de saber. reconhece e sente as distinções e as obrigações morais. A capacidade concedida ao homem pela graça de Deus na regeneração não é um dote extranatural. porque. Ele foi criado com plena capacidade de fazer tudo quanto lhe era exigido. é responsável. nem pode mudar a sua natureza de modo que tenha mais poder.a apreensão e amor da excelência m espiritual e uma vida em conformidade com ela. "coisas do Espírito". 3o. Que. Nas confissões * de fé essas coisas são chamadas "coisas de Deus". "coisas que dizem respeito à salvação". e que pertence à nossa natureza decaída como ela se propaga por lei natural de pais a filhos.vontade (o livre-arbítrio). não lhe der capacidade graciosa de agir graciosamente e em constante dependência de Sua graça.quer direta quer indiretamente. em todas as suas volições ele prefere. sentir ou agir em conformidade com essas coisas. escolher e amar o que é espiritualmente bom. o estado moral dessas faculdades é tal que é impossível ao homem agir bem. Um homem natural pode estar esclarecido intelectualmente. mas o seu coração está morto para com Deus e é invencivelmente avesso à Sua Pessoa e à Sua Lei. E absoluta no sentido próprio deste termo. e a posse dessa capacidade é sempre necessária para a perfeição moral da sua natureza. e sim inata. Muitas vezes isso é admitido nas confissões protestantes e nas obras clássicas dos seus teólogos. Pode possuir afetos naturais. a incapacidade do homem diz ' respeito às coisas que envolvem as nossas relações. Que o homem. d Mas a doutrina ortodoxa ensina .porque não é de modo algum resultado de qualquer deficiência da natureza humana. como existe agora. que o homem não tenha o poder de sentir e fazer muitas coisas que são boas e dignas de amor. necessárias para agir bem. insensível e totalmente avessa a tudo quanto é espiritualmente bom. em que sentido é natural e em que sentido é moral? Io. contudo não homem perfeito. 2o. benévolas e justas. mediante a Sua graça. mas consiste numa parcial restauração da sua natureza à sua condição de integridade original. depois da Queda. Em que sentido essa incapacidade é absoluta. nas faculdades morais e racionais da alma. mesmo depois da Queda. enquanto todo homem responsável possui todas as faculdades. Essa incapacidade é paramente moral. no ato da regeneração.' ™ Io. Portanto. Essas todas o homem possui e tem em exercício. Nem. etc. Pode ser um homem real sem ela. depois da Queda. . como seres j espirituais. Não é natural ainda noutro sentido . Ele tem o poder de conhecer a verdade. escolhe e rejeita livremente o que lhe apraz e como lhe apraz. e seufundamento está nessa corrupção moral da alma que a torna cega. para com Deus . o bem civil. ainda tem capacidade para a humana justitia. tendências e hábitos de ação são espontâneos. 4o. nas suas relações com os seus semelhantes. entretanto não pode obedecê-la em espírito e em verdade. não lhe mudar a natureza e. nem pode preparar-se para a graça. Nenhum homem não regenerado tem o poder de fazer aquilo que a esse respeito Deus exige dele . Pode obedecer à letra desta. nem pode principiar a cooperar com a graça enquanto Deus. Enaturalno sentido de não ser acidental ou adventícia. Sua essência está na incapacidade da alma de conhecer. seus afetos.

natural. pertence à sua natureza no seu estado atual e assim é transmitida dos pais aos filhos. e é enganador. porque uma coisa pode ser ao mesmo tempo natural e moral. Não tem seu fundamento na falta de nenhuma faculdade. em sua grande obra intitulada On the Will (Sobre a Vontade). Ensinam coerentemente em toda parte que o homem não pode fazer o que é exigido dele. quando o fato é que ele é incapaz de fazer o que deve fazer. Não há por que questionar a validade e a importância dessa exposição feita pelo Presidente Edwards e do modo com ele faz essa distinção. Como se pode provar pelas Escrituras o fato dessa incapacidade? Com o exame de passagens como as seguintes: Jer. 5o. e assim tem sido empregada muitas vezes para exprimir. 9:16. de todas as faculdades constitutivas necessárias para habilitá-lo a obedecer à lei de Deus. dizer ao pecador que ele tem capacidade natural. A incapacidade do homem. e o mesmo princípio é reconhecido acima. 13:23. que nasceu em Glasgow. O Presidente (Jonathan) Edwards (da futura Universidade de Princeton). como demonstramos acima. e não é nem física nem constitutiva. e pelos seguintes motivos: ‫׳‬ Io. 3o. 8. Parte 1. Por capacidadenaíura/ ele entendia que todo homem natural está de posse. Rom. França. mas que não têm capacidade moral para fazê-lo. 2:14. Mas não é verdade. 7. adotou os mesmos termos. e sim uma nova criação moral. foi professor na escola teológica de Saumur. enquanto a verdade é que ele só possui alguns dos requisitos essenciais da capacidade. essa disposição reto tboa do coração que é necessária para o cumprimento desses deveres. A incapacidade é moral. em 1580. Essa fraseologia não é autorizada pela analogia das Escrituras. A obra realizada pelo Espírito Santo na regeneração não é uma persuasão moral. em certo sentido. os homens têm capacidade natural para fazer tudo o que deles é exigido. e nunca ensinam que o possa fazer em algum sentido. 2o. A linguagem empregada não exprime acuradamente a distinção importante que se quer assinalar. A verdade do caso é que o pecador é absolutamente incapaz por causa de uma deficiência moral. 15:5. isto é. e faleceu em 1625. 1 Cor. é com certeza inteiramente moral. como condição necessária para o tornar um agente responsável. 4. E essencialmente ambígua. afirmando que. em 1618. e outras para encobrir. e num sentido importante.65. nas respostas às perguntas 4 e 5. C. Escócia.6. "Natural" não é a antítese própria de "moral". Como se pode provar o mesmo fato pelo qual as Escrituras ensinam a respeito do estado moral do homem por natureza? . Por capacidade moral entendia esse estado moral e inerente dessas faculdades. mas sim no estado moral e corrompido das faculdades. E certo que essa incapacidade é pura e simplesmente moral. Qual a história da célebre distinção entre capacidade natural e capacidade moral? Essa distinção foi primeiro apresentada explicitamente nesta forma por João Cameron. Apesar disso. Nunca foi adotada pelas confissões de fé promulgadas pelas igrejas reformadas. Dizer que um pássaro morto tem capacidade muscular para voar e que só lhe falta a capacidade vital é brincar com palavras. Estas nunca dizem que o homem tem uma espécie de capacidade e que não tem a outra. porém. temos sérias objeções contra a fraseologia empregada. pois afirma que ele pode (fazer o que lhe é exigido). na exposição da doutrina ortodoxa. O seu emprego tende naturalmente a fazer errar e a confundir o pecador convicto de seus pecados. porém é ao mesmo tempo. João 6:44. na desinclinação inveterada dos afetos e disposições da natureza voluntária. depois da Queda. erros semipelagianos. 4o.

(b) Uma completa convicção da nossa impotência moral e inteira dependência tanto da graça divina para habilitar-nos como dos merecimentos de Cristo para justificar-nos. 4:18. ensinam que a regeneração é um "novo nascimento". 11.Mat. E claro.Gál. E necessário que o pecador chegue nos dois sentidos.Rom. uma "nova criação". antes dessa mudança operada nele pelo poder divino. (b) que as forças que agora ele goza. 3o.7 segundo a sua boa vontade" . na completa renúncia da confiança em si. 2o. . o homem só pode estar absolutamente impotente espiritualmente. Toda convicção verdadeira do pecado abrange estes dois elementos: (a) Uma completa convicção de responsabilidade e culpa. Como se pode expor e refutar a objeção feita contra a nossa doutrina.. sem nenhuma exceção. e que ele só vive espiritualmente na medida em que se apega a Cristo. 2:13. "feitura de Deus". desde que o mundo existe. a desesperar-se inteiramente de si . Sua convicção mais intima é (a) que estava absolutamente sem forças espirituais e que foi salvo por uma intervenção divina. mesmo para cooperar com a graça que o salva. E efetuada pela "sobre -excelente grandeza do seu poder" (do poder de Deus) . no caso de todo filho de Adão. 1:18-20. 9. são sustentadas só e unicamente mediante as comunicações constantes do Espírito Santo. Pela experiência universal da família humana. 5:22. os que a experimentam são "novas criaturas".ou não poderá ser conduzido a Cristo. e na maior auto-humilhação. Como se pode provar a mesma verdade pela qual as Escrituras ensinam acerca da natureza e necessidade da regeneração? Quanto à sua natureza. e que o único modo por que se pode mudar o caráter de nossas obras é que se mude o caráter de nossos corações . etc. um gerar de novo. Como se pode provar o mesmo fato pela experiência ? Io. 2:13. estão "fracos" . Os não regenerados são "servos (escravos) do pecado" .Ef. 2:26.23. a paz. ensinam que esta mudança radical dos estados e propensões predominantes da própria vontade é.Fil. "Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar. isto é. 12:33-35. 6:20.E um estado de cegueira e de trevas espirituais . a alegria etc.Col.Rom. A Bíblia afirma que os homens estão nos laços do diabo e que estão "presos à vontade dele" . só pode ser conseqüência dessa mudança. que. se descobriu caso algum de um único homem que exercesse essa capacidade. que faz o pecador justificar a Deus e prostrar-se ele mesmo diante de Deus em confissão . Quanto à sua necessidade. a fé.2 Tim. pois. Pela experiência de todo cristão verdadeiro. por mais fracas que sejam. O erro que vicia completamente a objeção acima citada contra a doutrina bíblica da incapacidade humana consiste na falta de discriminação entre as circunstâncias em que o axioma é verdadeiro e aquelas em que é falso. e que toda capacidade que em qualquer tempo possa ter.Ef. e baseada na alegação de que "a capacidade é a medida da responsabilidade"? Não há dúvida de que o axioma segundo a qual a capacidade é a medida da responsabilidade é verdadeira nalguns casos e falsa noutros. Concluímos que todo homem está absolutamente sem nenhuma capacidade espiritual porque nunca. são "fruto do Espírito" . absolutamente necessária para a salvação. como sejam o amor. a respeito da sua culpa e também a respeito da sua completa impotência espiritual. o dar-nos Deus um novo coração. ab extra. 5:6. 10. de morte espiritual . Elas afirmam que todas as graças cristãs. Pela experiência de todo pecador convicto de seu pecado.

. isto é. que determinaria sempre a extensão das exigências da Lei segundo a extensão da sua própria apostasia. como. em vez de ser. porque este princípio acabaria evidentemente com a Lei. e só segundo o seu caráter. rebaixaria consigo também a Lei. que são intrinsecamente bons. pode imediatamente.. independentemente da sua origem. isto é. As Escrituras todas dão testemunho do fato de que Deus exige que os homens tenham bons afetos. Toda volição deriva sua qualidade moral do afeto que a incita. Como se pode provar que os homens são responsáveis por seus afetos? Io. por outra.g. por um ato de volição. por mais degradado que seja. mas a qualidade moral do afeto é original. tornando de nenhum efeito tanto os seus preceitos como a sua penalidade. pois o pecador. E juízo instintivo de todos que os afetos e disposições morais são intrinsecamente bons ou maus.. e. 7:14-23. Por exemplo. como.E uma verdade auto-evidente . que os direitos de Deus diminuem à medida que aumenta a nossa rebelião contra Ele . Uma volição nossa não os pode mudar mais do que pode mudar a nossa natureza. não é menos evidente que quando a incapacidade consiste unicamente na falta de disposições e afetos convenientes e próprios.o que também é absurdo. e de coração. e em conseqüência dos seus pecados torna-se cada vez mais incapaz de obedecer. "Destes dois mandamentos depende toda a lei e os profetas. conformar-se.uma que ninguém nega que uma incapacidade que consiste (a) na ausência das faculdades absolutamente necessárias para o cumprimento de um dever. Se um homem não tiver olhos. não pode ser moralmente obrigado a ver. Verdade é que alguns afetos são em si mesmos moralmente indiferentes e se tornam bons ou maus só quando adotados pela vontade como princípio de ação em preferência a outros princípios competidores. 2o. sustentar (1) que todo homem. porém. ou (2) que o padrão de obrigação moral fica rebaixado mais e mais à medida que o homem peca. como.g. merecem louvor ou censura. Assim também um homem sem intelecto. e que Ele julga e trata os homens segundo os seus afetos. poderia com justiça ser responsabilizado por esse ato. é totalmente incompatível com responsabilidade moral no caso. Há outros afetos. neste caso. por conseguinte. a malevolência. 22:37-40) que toda a lei moral se resume nos dois mandamentos de amarmos a Deus de todo o coração e ao próximo como a nós mesmos. E é evidente também que essa ausência de responsabilidade vem só e unicamente do simples fato da incapacidade. Cristo declara (Mat. ou sem qualquer das outras faculdades constitutivas e essenciais para agência moral. O princípio acima tiraria a lei das mãos de Deus e a colocaria nas do pecador. um homem que arrancasse os próprios olhos para eximir-se ao recrutamento. ou (b) na ausência de qualquer ocasião para o seu emprego. Os que sustentam que a nossa responsabilidade é limitada por nossa capacidade devem. (2) Apesar disso. contanto que a incapacidade seja real. ou sem consciência natural. 12." Mas o "amor" é um afeto. e. e são bons ou maus sem que nisso influa de modo algum a sua origem -Rom. e que em todos os casos. e há outros que são intrinsecamente maus.. A este respeito não importa nada se a incapacidade é devida a um ato voluntário ou a um ato praticado por outrem. ou. incompatível com a responsabilidade. que a obrigação moral diminui à medida que a culpa aumenta. porém. e. Por outro lado. o amor a Deus e a benevolência desinteressada para com os nossos semelhantes.g. independente e absoluta. o que é absurdo. se os tiver mas estiver irremediavelmente sem luz. ao mais sublime padrão da virtude. somos responsáveis por eles. mas não por não ver. ou. o afeto do amor de si mesmo. por não empregar olhos que já não tem. rebaixando-se mais e mais. Nada há que seja mais certo ou mais universalmente concedido do que os fatos de que os nossos afetos e disposições (1) não estão sob o governo da nossa vontade. ela se torna motivo de uma justa condenação. ou a desconfiança a respeito de Deus. e não uma volição. não pode ser responsável por não agir como agente moral. e nem está ele sob o governo imediato das volições.

Como se pode mostrar que o legítimo efeito prático desta doutrina não é o de levar o pecador a procrastinar a obra da sua salvação? Essa doutrina tende. E. aperfeiçoar.Cremos que o intelecto. e não segundo a medida da sua incapacidade pecaminosa. As Escrituras e a experiência cristã universal ensinam que a condição comum dos homens é.Cone. anathema sit (seja anátema). pois. operar ou cooperar em coisa alguma." ··:‫ ׳‬mo!: > .■■‫״״‬ EXPOSIÇÕES AUTORIZADAS DAS DIVERSAS IGREJAS DOUTRINA ROMANA . 14. igualmente faltam a quem. abraçar.. pág. cân. não tem o poder de produzir a justiça de Deus ou a justiça espiritual. 15. nas coisas espirituais e divinas. de Trento. e por seu próprio vigor natural.. pensar. fazer.Lhe grato. ao mesmo tempo. a fim de esclarecer os entendimentos. 656 .3o. manda-nos empregá-los e prometeu abençoá-los. Teria sido uma concessão inteiramente indigna de Deus se Ele baixasse as Suas exigências em proporção aos pecados dos homens. . pág. condição de impotência moral e de responsabilidade. Como podem conciliar-se a incapacidade dos homens e os mandamentos. pág. a ser diligente e vigilante. todas e cada uma das faculdades de restaurar-se à vida espiritual. promessas e ameaças de Deus? Com toda a justiça. sem o Espírito Santo. verdadeiramente são pecados. Segue--se. Fazê-la sentir que a sua única esperança racional está em confiar imediatamente e sem reserva na graça soberana de Deus em Cristo. e a experiência tem demonstrado que Ele é fiel a Suas promessas e também que existe uma conexão instrumental entre os meios e o fim." DOUTRINA LUTERANA Formula Concordice. 6. 13. 3 o. o coração e a vontade do homem não regenerado são inteiramente incapazes. Deus trata o pecador segundo a medida da sua responsabilidade. de entender. de Augsburgo. a extinguir as falsas esperanças de todo pecador e a paralisar as suas tentativas de salvar-se empregando suas próprias forças e confiando nos seus próprios recursos. 2o. que as duas coisas não podem ser incompatíveis. 15: "A vontade humana possui certa capacidade (libertatem) para produzir retidão civil e escolher as coisas aparentes aos sentidos." Sobre este assunto o leitor poderá ver algo mais sob os títulos de "Pecado Original" e "Vocação Eficaz. Mas. sob a dispensação do evangelho. crer. e a confiar habitualmente em Deus e ser-. que tanto como a um cadáver falta o poder de revivificar-se e restaurar-se à vida corpórea. e não da capacidade do homem. Esta verdade leva o cristão. Deus estabeleceu uma conexão entre certos meios e o fim que se deseja alcançar. por causa do pecado. determinar-se. depois de convertido." Ibidem. sob a influência do Seu Espírito. Mas. porque o homem natural não percebe aquelas coisas que são de Deus. pois. Como se pode mostrar que o uso racional de meios não é incompatível com a incapacidade dos homens? A eficácia de todos os meios depende do poder de Deus.. obviamente e com razão. 579: "Cremos. tanto a razão como a experiência nos asseguram que o efeito natural e real dessa grande verdade é . Sec. 7: "Se alguém disser que todas as obras que se fazem antes da justificação. Deus faz uso de Seus mandamentos. além disso. está morto espiritualmente. promessas e ameaças como meios de atuação da Sua graça. Tornar humilde a alma e fazê-la desesperar-se de si." -Conf. a desconfiar habitualmente de si. vivificar as consciências e santificar o coração dos homens. de qualquer tipo que se façam. ou merecem o ódio de Deus.Io.

Portanto.. perdeu totalmente todo o poder de vontade para qualquer bem espiritual que acompanhe a salvação. indispostos para qualquer bem salvador. 14. acrescentando que o homem. que negam que o mal tenha sua origem no exercício da livre vontade (livre-arbítrio) de um homem bom. Cap.. sem nenhuma exceção. nem. por sua queda e por seu estado de pecado. 8. de maneira que o homem natural. porque é certo que o primeiro homem foi constituído por Deus de tal modo que se achava dotado de uma vontade livre. 10: "A condição do homem. condenamos os maniqueus. a livre vontade coopera com a graça." DOUTRINA SOCINIANA .Cat. desde o nascimento e por natureza? Io. "No homem não renovado não há vontade livre para o bem. Art. não pode. § 3: "O homem. converter-se nem preparar-se para a sua conversão. Art.. e sim a causa primária da salvação.." 21 A Imputação do Pecado Original de Adão à sua Posteridade 1. Todos os homens.. Cass. nem dispor-se para a sua correção. e que não a consideram natural. corrigir sua natureza depravada. Ninguém nega que a respeito de coisas exteriores tanto os não regenerados como os regenerados tenham do mesmo modo a vontade livre. 2o. que falam com pouca exatidão e não sem perigo os que chamam a esta incapacidade de crer incapacidade moral.. contanto que queira. Christ. portanto. por certo. nem força para o fazer. que algumas coisas ele se determina a fazer e outras determina-se a não fazer. para a fé e a invocação de Deus.Limborch. e sem a graça do Espírito Santo regenerador nem querem nem podem voltar para Deus. A graça não é a única causa. para que tenhamos vontade realmente boa. Todos nascem com uma natureza cuja tendência antecedente e preponderante é pecar. 4. quanto ao estado moral e espiritual do homem. sem a graça divina a nós provinda por meio de Cristo.. 422: "Não nos seria concedida vontade livre para que obedeçamos a Deus? Sem dúvida.." DOUTRINA REMONSTRANTE . Condenamos também os pelagianos. A respeito deste ponto. porque. Como podemos expor os fatos já provados pelas Escrituras.9. enquanto o apóstolo muito distintamente afirma que é dom de Deus (Ef. Cap. pode crer. seja qual for a condição em que seja colocado. §21: "A graça de Deus é a causa primária da fé." Conf. tem sobrevindo causa alguma pela qual Deus privasse o homem daquela livre vontade depois da sua queda. por ser inteiramente avesso a esse bem. porque o homem tem esta constituição em comum com os outros animais. Lib. que dizem que até os homens maus possuem livre vontade suficiente para fazer o bem que Deus nos manda fazer. de outro modo a obediência ou a desobediência do homem não teria lugar." Conf. de Fé (de Westminster). começam a pecar logo que exercem agência moral. 3." Artigos do Sínodo deDort. sem a qual o homem não pode fazer bom uso da sua livre vontade.. se a livre vontade não fosse incitada pela graça preveniente. e agindo conosco quando temos essa boa vontade. depois da queda de Adão. estão mortos nos pecados e são escravos do pecado. é tal que ele não pode mover--se nem preparar-se a si mesmo por sua própria força natural e boas obras. porque a própria cooperação da livre vontade com a graça vem da graça como causa primária. Racoviano. pois.. propensos para o mal.DOUTRINA REFORMADA . . não temos poder para fazer boas obras agradáveis e aceitáveis a Deus. 2:8). sec. 3: "Todos os homens são concebidos em pecado e nascem filhos da ira. pela consciência e pela observação. 22: "Sustentamos. Perg.Os Trinta e Nove Artigos da Igreja Anglicana. e reconhecidos geralmente em todos os credos das igrejas protestantes. e por estar morto no pecado. cap. por seu próprio poder. Theol. e que a fé realmente é de algum modo produto do próprio homem." Formula Consensus Helvetica.. Helvética Posterior·. não poderia cooperar com a graça.

Merece castigo e é corruptora e destruidora e. adotada pelos . merece plenamente a ira e a maldição de Deus e. e também quanto às relações em que estão umas com as outras as diversas partes do plano divino. sem nenhuma referência à sua origem em Adão. Nossas opiniões a respeito desses fatos determinarão imediata e necessariamente a nossa relação com Deus. 3o. os homens são. 4o. Achamos.3o.Theo. a respeito da nossa conexão com Adão tem sempre havido opiniões muito vagas e contrárias umas às outras . pt. da regeneração e da santificação. O erro de que a volição de Deus determina distinções morais foi por motivos opostos mantido pelos supralapsários Twisse.(1) Que as Escrituras insistem mais e falam mais freqüentemente nesses fatos que dizem respeito ao estado inato de pecado do homem. "Essay" 7:1. carrega sempre essa maldição. 2o. em sua obra Freedom of the Will (A Liberdade da Vontade). a necessidade e natureza da redenção. e por arminianos tais como Grotius. e mais. começamos a existir com uma natureza que com justiça nos expõe à condenação e infalivelmente nos predispõe para o pecado. Dizemos. e incapazes de por si sós mudar essa má tendência inerente à sua natureza e de escolher o bem em preferência ao mal. enquanto que. por natureza.. porém. A perfeição de justiça e retidão. (a) que ela é ensinada nas Escrituras. O Presidente Jonathan Edwards. e outros que Ele podia salvar a quem quisesse. Nenhuma teoria possível quanto à sua origem pode agravar o mistério ou sua significação terrível. 1. é um mistério assombroso. quando não é expiada pelo sangue de Cristo. e que elas determinam a Sua vontade em todos os Seus atos e se manifestam em todas as Suas obras. por natureza. um mal indizível e. Gomar. sec. do que em nossa responsabilidade pelo ato de apostasia de Adão. é que as imutáveis perfeições morais de Deus é que constituem a norma absoluta do que é justo. Deus não pode ser o autor do pecado. 2. (2) Que todos os grupos da Igreja Cristã. em todos os períodos. têm definido e concordado nesses fatos. 4o. mesmo sem que houvesse culpa real. diz: "A essência da virtude e do vício das disposições do coração não está na sua causa. de autoria do Diretor Cunningham. contudo. não mera soberania. Portanto. E uma noção pagã. que o reconhecimento destes fatos em sua inteireza é de muito maior importância doutrinária do que pode ser qualquer explicação da sua origem? O fato de que. antes de nos ser possível qualquer ação pessoal. é a grande distinção de todo o Seu procedimento para conosco. e também as nossas idéias sobre a natureza do pecado e da graça. 3. 4. totalmente avessos a todo bem espiritual. Como expor os princípios morais auto-evidentes pressupostos necessariamente em todas as investigações no modo pelo qual Deus trata Suas criaturas responsáveis? Io. e qualquer explicação destes últimos fatos só servirá para esclarecer e expandir as nossas idéias quanto à conformidade que existe entre as perfeições de Deus e o modo como Ele trata a raça humana. admitida agora por todos os cristãos. Não dizemos que na doutrina de sermos responsáveis pelo pecado original de Adão não haja dificuldades muito graves. portanto . 5o. Não devemos crer que Deus pode criar uma criatura de novo com natureza pecadora. A verdade fundamental. porém. um fato certo e universal. Por conseguinte são. Nem é menos evidente que o pleno conhecimento desses fatos é de muito maior importância doutrinária e prática do que o pode ser qualquer explicação da sua origem ou causa. etc. uns que Deus podia condenar a quem quisesse.. querendo mostrar. e (b) que ela é mais satisfatória à nossa razão e aos nossos sentimentos morais do que qualquer outra explicação dada em qualquer tempo. o caráter inteiro da nossa experiência religiosa. Como podemos mostrar que é nestes fatos incontestáveis que está a verdadeira dificuldade na conciliação dos caminhos de Deus para com o homem. mesmo sem que houvesse uma propiciação real. Essa tendência inata é em si mesma um pecado no sentido mais rigoroso da palavra. e sim na sua natureza". oíthe Ref. filhos da ira e seu caráter é formado e seu mau destino determinado antes de qualquer ação pessoal sua.

negando que haja corrupção inata. e de modo que o Criador do homem não é a causa do pecado? Se essa corrupção da natureza originou-se em Adão. e porque nem sempre foi conservada proeminente. é um agente real independente de Deus. e sofreu zelosa oposição de todos os antigos "Pais" da Igreja Cristã. A justiça exige que todo agente moral passe por uma prova equitativa. A teoria panteísta. etc. Os pelagianos e outros racionalistas. É óbvio que este sistema destróí o caráter moral do pecado. 5o. da eterna auto-existência de dois princípios. A. cometida antes do nascimento. ou num estado de preexistência individual. 2a. a raiz e o motivo de todos os demais males. à influência dos maus exemplos. ou como transcendental e fora do tempo. cujas condições sejam tais que lhe dêem ao menos tanto ensejo de sair-se bem quanto o perigo de sair-se mal. não absolutamente panteístas. ou com o princípio do qual a matéria é uma das manifestações. como ensinam Orígenes e. uma pura especulação não apoiada nem por fatos da consciência . e sob que fundamento de justiça. como ensina Júlio Müller no livro de sua autoria. COMO SUCEDE QUE TODAS AS ALMAS HUMANAS SÃO CORRUPTAS DESDE O NASCIMENTO? SE ESSA CORRUPÇÃO VEM TRANSMITIDA DE ADÃO. negando ou não fazendo caso da origem adâmica do pecado? Ia. identificado com a matéria. 4. diz respeito ao governo moral de Deus e à justiça de Suas dispensações. inata. como nos é transmitida? 2a Por que. resultaram em muita confusão na história da teologia de todas as épocas e escolas. inerente a toda alma humana desde o nascimento. Não podemos crer que Deus infligiria um mal físico ou moral a uma criatura que não estivesse incursa com justiça na pena da perda de seus direitos naturais. 157. embora muitas vezes confundidas. 4a. The Christian Doctrine of Sin (A Doutrina Cristã do Pecado). inflige Deus esse mal terrível. identificado com o Deus absoluto.racionalistas naturalistas. um deles bom. Alguns escritores. Esta é. e o pecado é o resultado necessário de se acharem eles enredados com a matéria. ou "a lei natural". Outros atribuem essa corrupção culpável da nossa natureza. originariamente adotada por Manes (240 d.C. 6 o. 3a. A segunda. logo no começo da nossa existência pessoal? Qual a prova equi-tativa pela qual foi permitido às crianças passarem? Quando e por que perderam elas seus direitos como criaturas que acabaram de ser criadas? É auto-evidente que estas questões são distintas e que devem ser tratadas como tais. 2. atribuem à liberdade da vontade (ao livre-arbítrio). COMO É TRANSMITIDA? 5. Como poderíamos expor as duas questões distintas que daí se derivam e que. porém. Para a primeira talvez se possa achar resposta em base fisiológica. a idéia de que "a ordem da natureza". segundo a qual o pecado é o incidente necessário de uma natureza limitada e finita. vol. A teoria dos maniqueus. A indevida desatenção a essa distinção. ou "a natureza das coisas". limitando a Sua liberdade ou operando com Ele como cooperador na produção de efeitos. Os nossos espíritos têm sua origem primária em Deus. modernamente. A "natureza" nada mais é que uma criatura e um instrumento de Deus. o Dr. e o outro mau.. E Ele quem faz o que ela gera. o fato geral de que todos os homens pecam logo que se tornam agentes livres. Edward Beecher em sua obra intitulada The Conflict of the Ages (O Conflito das Eras). evidentemente. precisamos conservar separadas ? Ia. Como é que se origina uma natureza má. em cada ser humano no começo da sua existência. Que respostas têm sido dadas a esta pergunta. a uma apostasia efetiva de cada alma. pág.) mas procedente do dualismo de Zoroastro. têm o pecado na conta de um incidente inevitável num certo grau de desenvolvimento e como o meio determinado para produzir uma perfeição superior.

Contudo. l. 15. E FUNDADO EM QUE BASE DE JUSTIÇA E RETIDÃO. O Dr. Os que sustentam que Deus cria cada alma separadamente. Hopkins. nem as Escrituras explicam este ponto explicitamente. Ridgely (Londres. Agostinho esteve indeciso entre estas duas opiniões.nem da observação. Quais as diversas teorias. e nunca foi aceita pela Igreja. no ato da sua regeneração.D. 1683-1729). vol. essa influência vivificadora. genericamente. capítulo 3. sustentam em geral também que ele. e que assim comunica à alma colocada nele por Deus iguais afetos desregrados. quanto às bases de direito e de justiça que Deus tem para trazer esse mal direta ou indiretamente sobre todos os homens no seu nascimento. Por isso. uma só substância espiritual que se corrompeu por seu próprio ato de apostasia em Adão. nem dá a seu respeito uma explicação uniforme a maior parte dos teólogos. seguindo o Dr. A alma dos homens individuais não é substância distinta. priva as almas das influências do Espírito Santo das quais depende toda a vida espiritual na criatura. 15481622). POR QUE. Cap. A maioria dos teólogos católicos romanos tem sido criacionista. 572. Segundo essa teoria. 1. A doutrina do realismo puro é que a humanidade é. porém. Tertuliano advogou a teoria segundo a qual os filhos derivam sua alma por geração natural da de seus pais (traducionismo). e que. restitui aos eleitos. muitos criacionistas atribuem a propagação de pecados habituais à geração natural. porque o pecado não pertence à matéria e só pode pertencer ao corpo em virtude de ser este o órgão instrumental da alma. em virtude da qual os filhos serão como os pais. 6. T. que admitiam a origem adâmica do pecado humano. e sim manifestação dessa única substância genérica e espiritual através de suas diversas organizações corporais. sustentadas por diversos teólogos cristãos. Pareus (Heidelberg. por meio do pecado". Jerônimo era de opinião que Deus cria cada alma independentemente quando nasce a criança (criacionismo). Quase todos os teólogos da Igreja Reformada têm sido criacionistas. B. como justa pena pelo pecado de Adão. tem contra si o testemunho das Escrituras. 1667-1734) diz (em sua obra teológica). a maior parte dos teólogos luteranos. porque Adão perdeu esses dons para si e para a sua posteridade". e "Cânones do Sínodo de Dortrecht".págs. 3o. nem o corpo de outro corpo. Essa teoria. as suas diversas manifestações. é evidente que a corrupta natureza moral de nossos primeiros pais seria transmitida inevitavelmente a todos os seus descendentes por geração natural. 413. sobre a maneira pela qual épropagado de Adão para os seus descendentes ? E óbvio que esta é uma questão de importância muito menor do que a da questão moral que ainda fica por discutir. em consideração à justiça de Cristo. ensinam que o corpo derivado dos pais "é corrompido por emoções desregradas e perversas. 2o. Rom. A teoria comum dos traducionistas não é "que a alma é gerada de outra alma. Desde o princípio os teólogos ortodoxos se dividem em traducionistas e criacionistas. sobre Romanos 5:12. Qual é a explicação arminiana desse fato? . § 33. como Lampé (Utrecht. E. têm sido traducionistas. Veja: Io. DEUS FARIA COM QUE TODOS OS SERES HUMANOS NASCESSEM PERDIDOS ANTES DE POSSUÍREM QUALQUER AGÊNCIA PESSOAL E PRÓPRIA? 7. como uma lei estabelecida por Deus. e. nunca prevaleceu. 5:12 e Gên. num sentido geral. pág. Tom. Assim De Moer. e os da Nova Inglaterra. sem indagarem sobre o modo. e sim que o homem inteiro é gerado de outro homem inteiro" . desde o nascimento. com justiça.414: "Deus cria os homens sem dons celestiais e sem luz sobrenatural. sendo corrompida a alma universal. corrompidas são também. Alguns poucos criacionistas.

como Juiz justo. posteriores a Hopkins. plena responsabilidade pessoal. querem simplesmente confessar que não têm conhecimento claro de Seus motivos e razões. e que o fato de ser soberana é o fundamento sobre o qual podemos declarar que é reta. abandonaram a doutrina de Deus como causa eficiente. No dom de Cristo. Na explicação desta doutrina tem havido diferença de opinião entre os ortodoxos. a qual não só está de acordo com as Escrituras. e ser condenado por Deus. ou que envolva culpa ou demérito digno de castigo. 5. Hopkins? O Dr. condenou a raça inteira por causa do pecado de Adão. Que essa teoria não concorda com as doutrinas das Escrituras sobre o pecado. é afirmado o fato de que Deus condenou a raça inteira por causa da apostasia de Adão? . 2o. conseqüência penal do ato de apostasia de Adão. . mas também presta honra aos atributos morais de Deus e à eqüidade do Seu governo moral. que Deus é a causa eficiente do pecado). 9. Dr.Io. 3o.. protestamos contra a teoria como uma heresia grave. e em que concordam geralmente os teólogos romanos. e que patentearemos abaixo. Christ. nas Escrituras.Io. por isso. e está de conformidade com a ortodoxia histórica. somente à vista do fato de que Ele se havia determinado a introduzir uma compensação adequada na redenção em Cristo. D. destinada imparcialmente a todos os homens. Conf. Por conseguinte. abril 1862. em Bibliotheca Sacra. etc. Que a nossa condenação em Adão é dt justiça.Cf. e que restitui a todos a capacidade de fazer o bem e. Rem. no entanto.. e que a nossa redenção em Cristo vem da GRAÇA. recusar a luz parcial que as Escrituras projetam sobre o problema. respondemos tão-somente que. OBJETAMOS contra essa doutrina afirmando . Qual é a resposta ortodoxa à pergunta acima. 2o. a fonte de vida. Se os que adotam essa teoria. Isso naturalmente dissolve a questão quanto à justiça de Deus em introduzir no mundo os descendentes de Adão como pecadores. 67. etc. luteranos e reformados? E certo que. e as influências suficientes da Sua graça. as crianças não estão sob a condenação. envolve a morte moral e espiritual. Theol. embora tenha havido diferença de opinião e falta de clareza nas exposições sobre as bases da nossa responsabilidade justa pelo pecado original de Adão.Whedon. E um simples fato que Deus. a incapacidade humana. Mas se o desígnio desses teólogos é afirmar (1) que essa constituição não é justa. 3:3. a regeneração. 10. Afirmam que está em harmonia com a justiça de Deus permitir que este grande mal viesse sobre todos os homens ao nascerem. embora reconhecendo que essa divina constituição soberana é infinitamente justa e reta. mas negam que essa condição inata seja em si mesma pecado propriamente dito. Esta é a DOUTRINA. Hopkins ensinou a doutrina da eficácia divina na produção do pecado (ou seja. enquanto simpatizamos em parte com ela. que todos os homens experimentam. Os teólogos da Nova Inglaterra. esta não pesa sobre nenhum ser humano enquanto não tiver abusado da graça que lhe é concedida. e com justiça é seguido por ela. Limborch. não podemos. Que o remédio do sistema compensador não é aplicado a muitos gentios. D.1: 3. Deus retifica o mal que sofremos permitindo Ele que Adão usasse da sua natureza depravada como o meio pelo qual gerar filhos pecadores. mas concordam com ele em negar a imputação e em referir a uma divina constituição soberana a lei que faz com que cada um dos descendentes de Adão herde a sua corrupção. ou (2) que é só a vontade divina que a torna justa. a Igreja toda tem sempre sustentado que a perda da justiça original e a nossa depravação moral e inata são a justa e reta. Qual é a resposta dada geralmente pelos teólogos da Nova Inglaterra posteriores ao tempo do Dr. porque Deus seria a causa final de todo o pecado. não soberana. Onde. Eles todos admitem que todos os homens herdam de Adão uma natureza corrompida que os predispõe para o pecado. 4. 8.

Formula Concordiae. Melanchthon (Explicatio Symboli Niceni. capítulo 5. Theo. "por sua própria culpa. pois. Cap. com Base nas Fontes Originais). Corp.1. 9.Em Romanos 5:17-19 . Pol. Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação. Conf. no qual todos os homens já existiam". professor em Zurique (1500-1561). 8. diz. Quaes. Pedro Mártir. Lutero (sobre Gênesis 1. pág. nos fosse imputado e propagado em nós de modo que nos constituísse culpados". que é morte da alma". cap.. 1 e 2.. Porque aí a natureza humana ficou sujeita não só à morte e aos males corporais. § 43). senão também ao domínio do diabo. 994: "Não foi simplesmente da vontade ou da soberania absoluta de Deus.y4mws. § 2: "A propagação do pecado de Adão entre a sua posteridade é um castigo desse mesmo pecado.. 9. Tanto a Segunda Confissão Helvética. como pela desobediência de um só homem. e sim da maior justiça e eqüidade que o pecado.. Grat. perdeu-se a justiça concriada ou original. diz: "A pena que corresponde propriamente ao pecado original é a perda da justiça original e dos dons sobrenaturais dos quais Deus supriu a nossa natureza". Apol. na raça inteira. pág. from the Original Sources (O Agosti-nianismo e o Pelagianismo. citado por Turretino (Locus 9: 2. e não foi nocivo a ele só. 5) afirma que a imagem de Adão segundo a qual foi gerado Sete "incluiu o pecado original e a pena da morte eterna infligida por causa do pecado de Adão".. págs. Agostinho diz (De Nupt. . que cometeu Adão. foi parte da pena em que Adão incorreu por sua transgressão. forçoso concluir que se entende que naquele primeiro homem todos pecaram. Aug. e não é tirado senão pelo novo nascimento". Defeito e concupiscência são tanto males penais como pecados". 3. Como se pode mostrar que a Igreja inteira está de acordo quanto a esta doutrina? O pecado de Adão foi um ato de apostasia. Sec. 11."Porque. A deserção espiritual e a conseqüente corrupção espiritual que ocorreram imediatamente em sua experiência pessoal (a própria pena denunciada) foram evidentemente uma justa conseqüência penal desse ato. porque todos estavam nele quando pecou. o erudito expositor de Augustinia-nism and Pelagianism. O Concilio de Trento. como a raiz e a origem de toda a raça humana. 2:34) . et Concup. F. a morte reinou por esse. Quenstedt (falecido em 1688)."E. sujeitos ao pecado. Belarmino. tais são também todos os por ele propagados. muitos foram feitos pecadores. 58: "No livro de Gênesis está descrita a pena imposta pelo pecado original.. como a Gálica. 23: 403 e 583) diz: "Adão e Eva trouxeram sobre seus descendentes culpa e depravação"... pág. A corrupção da natureza humana. Art.. e corrompeu-se a natureza humana". Did. e é transfundido por todo o gênero humano. G.. em sua exposição das idéias de Agostinho sobre o pecado original. à morte e a diversas calamidades". dizem que Adão. tornou-se sujeito ao pecado. 98. divisão 2. diz: "Não há por certo ninguém que possa duvidar de que o pecado original (inerente) é infligido sobre nós como vingança e castigo da primeira queda". pela sedução de satanás. Porque. afirma que "o pecado.. se pela ofensa de um só. 639 e 643 . é o castigo justo da transgressão do primeiro homem. e tal como ele depois da Queda. O Dr. 5.".. 1."Especialmente desde que. e assim o pecado entra com o nascimento. mediante a Queda. Re for. Wiggers. pelo justo juízo de Deus no castigo dos homens.

sujeitos à condenação. assim também transmitiu à sua posteridade uma natureza em primeiro lugar culpada. 211: "Recaiu sobre nós a pena do pecado de Adão. 8. Francisco Turretino. sobre Romanos. Ursino (1534-1583). não só temporal mas (ambém eterna. e em segundo depravada". porque a justiça de Deus nos nega essa justiça original. isto é. que é o castigo desse pecado.. A A R\R\ corrupção. Acréscimo e tradução de Odayr Olivetti. capítulo 12 etc. Liv.. e determinou que nascêssemos depravados por causa do seu pecado".1: "A igreja católica romana tem sempre decidido assim. H. que imita os pecados". Sínodo de Dort (1618) .* Amésio. e visto que essa privação segue ao primeiro pecado como um castigo. não somente pelo pecado único. Theol. por um juízo justo. 5. 3.. 1 . 2. cap.Hist. prim. Q. o pecado de Adão seja de tal modo carregado sobre os seus descendentes. Primeiro é a falta e privação da justiça original."Há três coisas que constituem um homem culpado diante de Deus: 1. 40. Teodoro de Beza (1519-1605). Esta propagação do pecado consta de duas partes.. Armínio. Em latim no original.Calvino: "Deus. de Leyden (1560-1609) .. Genebra (1623-1687). O pecado original. §§ 33 e 34: "E. Leyden (1577-1649). mas é também um pecado. Danaeo (1530-1596) . que os seus efeitos são. por natureza. e para todo o gênero humano pecaminoso..5ystem. pela propagação de uma natureza viciada. diz: "Assim como Adão. 9. 2. 14. Por conseguinte. 17: "2.41): "O pecado original" (inerente) "passa para" os seus descendentes. 3. e a uma privação da retidão e da santidade verdadeira". por ser culpado. É um castigo.. Pecados próprios". que foi infligido a nossos primeiros pais. cap. §§ 6. L. depois a morte. pena geralmente chamada perda da imagem divina. 4. porque essa justiça deveria achar-se presente. necessário que. O pecado emanando do fato de termos todos pecado no primeiro homem. condenou-nos à ira em Adão. G. Pelag. sofreu como castigo do seu pecado a corrupção da alma e do corpo. e que caiu sobre Adão e toda a sua posteridade. enquanto cria nossas almas. 1. e pecado original". amigo de Melanchthon e autor do Catecismo de Heidelberg. Lib. pela comissão do pecado. Locus 9. Pela imputação esse ato único de ' Turretino. 6. que o pecado original é imputado a todos... em virtude da aliança das obras. Medulla Theolog. desobediência que Adão cometeu é tornado nosso também. tais os filhos que gerou. desceu para toda a sua posteridade e pesa agora sobre esta. apud Hodge. Witsio (1636-1708).. visto que consiste essencialmente na privação da justiça original. ao mesmo tempo as priva da retidão original e dos dons originais que havia conferido aos pais". que se . falta--lhes a justiça original. filhos da ira. Economy. mais do que a de um pecado. págs. p.. J. Lib. J.pois. tanto de privação como de punição positiva. "não mediante o corpo nem mediante a alma.. e sim mediante a geração impura do homem inteiro. transmitidos a todos os filhos de Adão. pois. por cuja causa Deus.Tal como foi o homem depois da Queda. e acha-se ausente por culpa humana. e como causa eficiente real até onde se acha ligada a ela a natureza do pecado". segundo o justo juízo de Deus". 7. depois. por cuja causa nascemos sem a justiça original".. diz (Qucest. tornou--se primeiro culpado da ira de Deus e. então o pecado original tem em primeiro lugar a natureza de um castigo. Pela comunicação real. àtimputação e de comunicação real. de modo que todos são. Vóssio. segundo o justo juízo de Deus. essa privação nos vem de Adão como demérito até onde é castigo."O mesmo castigo. por um juízo justo. por causa da culpa de nossos primeiros pais.

efeito e castigo do pecado original de Adão". pág. 18. eles nasçam sem a justiça original. 22 e 25■. supralapsários e infralapsários. 65) sustentaram que a culpa imputada do pecado original de Adão constituía a única base da condenação que pesa sobre os homens em seu nascimento. Theology of the Reformation. James Thornwell. que. que de modo algum a corrupção hereditária poderia cair. responsável por esse delito. etc. em distinção do pecado original imputado. § 3. Cap. se não fosse precedida por algum pecado dessa raça trazendo sobre ela a pena dessa morte. e é a base principal da condenação à morte eterna." Formula Consensus Helvetica (1675). mas nunca por causa do pecado imputado de Adão. de Gomar e Armínio. não imputar o pecado a quem o cometeu é deixar. e cap. 12. 559. O reconhecimento da culpa é um ato judicial e não imposto pela soberania de Deus. § 2. Cone. Vol. Parte 1. nos introduz no mundo corrompidos assim. E o motivo pelo qual se atribui a salvação das crianças à graça soberana de Deus e aos merecimentos expiatórios de Cristo. etc. págs. Thomas Chalmers. Calvino e todos os primeiros reformadores e credos acentuaram muito o fato de que o pecado original inerente.Breve Cat. "reputar como". Crianças e adultos sofrem. pelo Dr. O Presidente Witherspoon.achava incluída com ele na mesma aliança. é intrinsecamente e com justiça. e nos adultos continua como fonte de todo pecado próprio e pessoal. Collected Writings. "Imputação"(o termo hebraico hâsab e o grego logízomai encontram-se freqüentemente e são traduzidos por "ter em conta". segundo as declarações das Escrituras. vol. Veja também a verdade desta doutrina afirmada pelo Dr. Mas quando se pergunta por que é que Deus. Alberto Pighio e Ambrósio Catherino (Hist. Por que se deu a esta doutrina o nome técnico de imputação do ato de apostasia de Adão? Qual o significado destes termos? No Concilio de Trento. sustentou antes uma teoria negativa mais do que positiva da corrupção culpada que é inerente ao homem. por causa do demérito do seu pecado. e um artigo de alta erudição escrito pelo Prof. Temos. por ser corrupção moral. Trent. 6. sec. e adultos são condenados por causa da culpa do pecado inerente. 1. do Sínodo de Dortrecht e da Assembléia de Westminster. "Culpa" é o que nos expõe com justiça ao castigo. Cat. pois. George E Fisher. no "New Eng-lander" de julho de 1868.. William Cunningham. 561. 2. 4. 1. como morte espiritual. etc. Ensaio 7. 97: "Parece claro que o estado de corrupção e maldade em que os homens se acham agora é. "imputar". quer haja outro motivo válido para fazer dele. Lib. direta ou indiretamente. § 2. Em conseqüência. Perg. cap. 479. Works (Obras). da Escócia e da Nova Inglaterra. como . Institutes of Theology. O Concilio não admitiu essa heresia. só castiga os culpados. quer o delito imputado tenha sido cometido pela pessoa que o leva sobre si.Confissão. apesar disso. a Igreja inteira responde. merecedor da ira e da condenação de Deus. de New Haven." Confissão e Catecismos de Westminster . luteranos e reformados. o Juiz supremamente justo de toda a terra.. porém. o consenso de católicos romanos e protestantes. Assim. Cânone 10: "Parece. Essa verdade exprime-se tecnicamente como a "imputação a nós da culpa do ato de Adão". pelo Dr. Porque Deus.) é simplesmente levar alguém sobre os seus ombros um delito como motivo justo para que contra ele se proceda segundo a lei. por Padre Paulo. sobre toda a raça humana pelo justo juízo de Deus. com justiça. mas. 6. Maior> Pergs. como mostramos acima: porque Deus nos castiga assim pela apostasia de Adão. pois.

e somente isso. 16. 7:18. 160. a culpa do pecado de Adão. 4:6.22. como conseqüência necessária. Dorner. e foi punida na raça pelo desamparo e pela conseqüente depravação. que atribui à soberania e não ao juízo justo de Deus o abandono da raça humana à operação da lei natural e hereditária.8. 19:19. vol. A imputação a nós em comum do ato de apostasia de Adão leva o homem. Turretino o chama commune peccatum. E óbvio . Seria quase um absurdo supor que os homens são punidos judicialmente tendo a corrupção inerente como castigo justo do pecado de Adão. e que admitia somente uma corrupção inerente derivada de Adão por geração ordinária. ao desamparo espiritual em particular.9. e este o leva. . E por isso que tantos defensores da doutrina da Igreja quanto à imputação imediata negam que em algum sentido a imputação possa ser mediata. Negava a primeira destas teorias. e por isso cada indivíduo nasce num estado de ruína pré-natal e justa. Isso foi condenado explicitamente pelo Sínodo Nacional francês. deve ser considerada como se Deus contemplasse a raça humana como um só todo.18. Na primeira metade do século 17 entendeu-se universalmente que Josué Plaçao. E por este designou a teoria segundo a qual Deus nos vê culpados da apostasia de Adão juntamente com ele. Plaçao subseqüentemente originou a distinção entre imputação mediata e imediata. a colocação dele sobre nós judicialmente. 2o. reunido em Charenton. Quaes. L. É evidente que o pecado de Adão não pode ser imputado mediata e imediatamente ao mesmo tempo e para o mesmo efeito.Io. isto é. porque Cristo é o Deus--homem. 13. -Rom. como um só corpo moral. 2. J.um ato da graça. do mesmo modo que foi lançada sobre ele. 2 Cor. e anteriormente ao seu próprio estado de pecador. em 1645. antes do que como uma série de indivíduos. de autoria do Dr. Lev. Chamou por aquele nome o ato de Deus fazer pesar diretamente sobre os homens. etc. judicialmente. Prot. e imputar a justiça sem obras é pôr a crédito do crente uma justiça que não é pessoalmente dele. e admitia a segunda. do mesmo modo que o foi nele. "E só enquanto a justificado forensis mantém a posição que teve na Reforma. fosse qual fosse o seu motivo. mas o Seu desamparo temporário não trouxe consigo nenhuma tendência para pecado inerente. e foi repudiado por todos os teólogos ortodoxos. A. Por outro lado. Isso os teólogos exprimem uniformemente pela frase técnica: a imputação da culpa do pecado original de Adão aos seus descendentes. 27:46). 5:19. pág. e que. porque nós também somos apóstatas em virtude da corrupção inerente. e essa restituição leva. já discutida na resposta à Perg. communis culpa. 32:2). professor em Saumur. Sal. negava qualquer imputação do pecado de Adão à sua posteridade. Theol. A raça foi condenada como um só todo. 2 Tim. e que neles é punido por depravação como o foi nele. precedendo o processo da salvação que (esta verdade doutrinária) ocupa lugar firme e seguro" . 8. tê--los como culpados desse pecado porque sofrem aquele castigo. Essa doutrina é uma negação da doutrina universal da Igreja de que o pecado de Adão foi imposto com justiça aos seus descendentes como sobre ele mesmo. 30:15. foi evidente e puramente imediata e antecedente.9. à regeneração e à santificação. ao mesmo tempo. a imputação dos nossos pecados em comum a Cristo resultou em Seu desamparo (Mat. Isso. tem estado de acordo em sustentar que a culpa do pecado original de Adão foi lançada diretamente na conta da raça humana por inteiro. 2:26. Veja Núm. Que essa doutrina de uma só imputação mediata é virtualmente a dos teólogos da Nova Inglaterra.Hist. a Igreja. 5:17.. como conseqüência necessária. Aquela imputação. 4:16. e qual tem sido o uso feito dessas expressões entre os teólogos? Como mostramos acima. é o que a Igreja entende por esta doutrina. Rom. (2 Sam. desde o princípio. tanto luteranos como reformados. de fazer pesar sobre essa pessoa a culpa do seu ato ou do seu estado como fundamento para o castigo. Qual a origem da distinção entre a imputação mediata e a imediata do pecado de Adão. à depravação inerente. 3o. A imputação a nós do pecado de Adão. A imputação a nós da justiça de Cristo é a condição da restituição do Espírito Santo.

e em geral todos os males que sobrevêm ao pecador. até o de somos tratados individualmente e na própria pessoa de cada um de nós". Mas o seu pecado nos é imputado mediatamente.todos os ortodoxos responderão explícita ou virtualmente: "É por causa da justíssima imputação imediata do pecado original de Adão". por Sua graça. (3) Alguns afirmam uma e outra. e por que Deus permite que principiemos a nossa atividade moral numa condição depravada? . 9. todos concordam em que é condenado junto com Adão por causa de uma comum depravação e vida inerentes. § 14 . podemos dizer que o pecado de Adão nos é imputado imediatamente quanto ao efeito da pena. no sentido explicado acima. Se se perguntar: por que é que cada um de nós.. 1. Pensam que um estado pecaminoso deve ter necessariamente sua origem na escolha livre da pessoa interessada. Mas a pena do pecado de Adão foi a "morte". por Sua graça. André Quenstedt (falecido em 1688). Locus 9.. Aquela é a falta ou privação da justiça original. tanto os temporais como os eternos. segundo o qual "a essência das disposições virtuosas ou viciosas do coração não está na sua causa e sim na sua natureza". Outros. o designou para isso. entretanto a respeito da segunda. porque é a causa da privação da justiça original. (2) Muitos não fazem caso da distinção. tanto temporal como eterna. Os defensores mais estrênuos da imputação imediata. Mas são idênticos quanto à unidade que subsiste nos dois casos. tanto temporais como eternos. para explicarem a inflição do pecado inato e inerente.. pode-se dizer que a pena positiva é imputada mediatamente. Pol."A pena que o pecado traz sobre nós ou é de privação ou é positiva. 6o. ao menos na ordem da natureza. O designou para isso e porque Ele assumiu voluntariamente a nossa natureza. Quaes. 14. na qual nunca se falou antes do tempo de Plaçoeo. 9. Quaes. Segue-se . depois de nascer. A culpa do pecado de Adão é imputada imediatamente à raça como um só todo. Alguns explicam isso tacitamente pelo princípio de Edwards.4o. Wittenberg. L. 5o. Cristo é um com os Seus eleitos porque Seu Pai. sustentam que a culpa inerente ao pecado inato se deve ao fato de estar ligado este pecado como um efeito com a apostasia de Adão. e Princeton Essays (Ensaios de Princeton). pessoal e subseqüentemente a seu nascimento.(1) Que todos admitem efetivamente a impu-tação imediata e negam que haja somente imputação mediata." A analogia afirmada nessas palavras diz respeito ao fato e à natureza da imputação nos dois casos. e assim deve preceder à privação. Genebra.Veja Turretino. Turretino (falecido em 1687). Quando se considera cada homem individual em si mesmo. Muitos têm dificuldade em conceber como é que a corrupção inerente e herdada pode ser ao mesmo tempo culpa e corrupção. F. A respeito da primeira. assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida. Mas todos reconhecem que a corrupção inerente é culpa. e não ao motivo ou base dela. Que prova desta doutrina nos dá a analogia que em Romanos 5:12-21 Paulo assevera existir entre a nossa condenação em Adão e a justificação em Cristo? "Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação. todos os males penais. porém. § 14. para que lhe possa ser imposta a responsabilidade que a culpa traz consigo.998: "O pecado original de Adão nos é imputado imediatamente porquanto existimos até aqui em Adão. 9. pois. é julgado culpado e não só corrompido. Adão foi um com os seus descendentes porque foi o seu cabeça natural e porque Deus. e essa imputação diz respeito a cada indivíduo anteriormente à sua existência em uma condição depravada. isto é. Theo. admitem que todos os demais elementos da pena imposta a Adão vieram sobre nós por causa de nossos próprios pecados inerentes e realmente cometidos . porque lhe ficamos expostos só depois de nascermos e nos acharmos corrompidos". que foram aplicados a Adão? Muitos dos ortodoxos responderão: "E porque o nosso próprio pecado inerente medeia a plena imputação do pecado de Adão". e por que é que somos punidos com todos os males penais. se perguntar: por que é que a raça está sob maldição. Esta é a morte. e em virtude da . Nestes aspectos há diferença nos dois casos. Did. Se.

as explicações dadas do caso têm sido diversas e muitas vezes vagas. 15. é muito ortodoxa. embora o motivo daquela seja a graça. etc. ou seja. substituiu o escolasticismo tanto em voga. levaria seus filhos consigo em seus destinos. Se não interviesse um milagre. o seu ato de apostasia foi a apostasia da raça inteira e. em New Englander. como. Veja: Io. não distribuída e não individualizada. foi aceita gradativamente tanto por luteranos e arminianos como por calvinistas. com certas modificações. por Sua graça constituiu Adão como cabeça e representante federal da raça como um todo e lhe prometeu. sob a condição de obediência temporária em condições favoráveis. de Shedd. e sim virtual ou potencialmente. A teoria federal pressupõe a relação natural. por pouco satisfatória que seja como explicação da nossa culpa. sendo culpada e também depravada a natureza comum. Até onde se considera Adão como uma pessoa. . por exemplo. lente em Franecker e em Leyden. se desobedecesse. diante de Deus no Paraíso. e Cristo leva com justiça sobre Si as nossas "muitas ofensas" e é punido por causa delas. Veja acima. da culpa do pecado original de Adão aos seus descendentes? Concordam geralmente que a raça é com justiça responsável pelas conseqüências judiciais desse pecado. pelas razões mencionadas abaixo. o motivo da imputação imediata.qual pesa sobre nós. E foi também um ato de graça em nosso favor. seu pecado foi só dele. etc. Este é um modo de pensar que ao menos pressupõe a verdade do realismo. e tem-se dito que estivemos em Adão como os ramos estão numa árvore. julho de 1860. não pessoal ou individualmente. para ele e para todos. embora o motivo desta seja a justiça. destruiu para sempre a influência das especulações supralapsárias e. 12. com a pena de morte. da sua livre vontade (do seu livre-arbítrio). no mais alto grau concebível. mas também porque nela se acha incluído. Foi considerada como um sistema muito bíblico. nem por isso é menos justa. falível. ou seja. e a linguagem empregada neste sentido tornou-se tradicional na Igreja e tem sido empregada num sentido geral por muitos que estavam longe de serem realistas em filosofia. Afora isso. Jorge P Fisher. Agostinho entendeu a raça como essencialmente uma só unidade. e não podia deixar de depender sempre. Até entre teólogos que rejeitaram explicitamente o realismo e o substituíram definitivamente por outra explicação dos fatos. e. nem por isso é menos impregnada da graça a constituição original de onde deriva. Se a imputação da justiça de Cristo é imediata. mas até onde a raça inteira estava nele em sua forma de existência essencial. Perg. e têm sido mescladas com outras essencialmente diversas. esta é com justiça distribuída nesta condição e sob a condenação a cada indivíduo. regenerados e salvos. a santidade e a felicidade confirmadas. Philip Schaff. com justiça. 2o. um agente moral. com um corpo animal e uma natureza geradora. Esta "teologia federal" foi desenvolvida e introduzida em toda a sua plenitude de pormenores e relações por Cocceio (1602-1669). e. ao passo que nós recebemos o crédito de Sua justiça e por causa dela somos aceitos. como o Curador benévolo e justo de todas as criaturas morais. têm sido conservadas formas de expressão que tiveram origem nesse realismo. Esta. a culpa do pecado original de Adão e somos punidos por causa dele. A raça inteira tem sido considerada como uma só unidade orgânica. e o ameaçou. O ato de apostasia de Adão nos é imputada como foi a Adão "porque fomos co-agentes culpados com ele nesse ato" . Por isso Deus. no Comentário de Lange sobre Romanos. universalmente pressuposta. responsável. procriadora. 191-196. Explicações como esta e outras têm continuado até aos tempos ulteriores. a da representação. Veja o que dizem o Dr. porque substituiu uma provação eterna por uma temporária. imediata deve ser também a do pecado de Adão. a vida eterna. Adão era. para ele e para todos. quando tratavam da nossa relação com Adão. Este foi um ato de graça em favor de Adão. Como têm explicado os teólogos ortodoxos o MOTIVO ou o 1■UNDAMENTO desta imputação judicial. a condenação e o desamparo. o seu estado dependia. livre. e o Dr. A raça inteira coexistia e era coativa em Adão. Tomando-se em consideração somente a lei. não só pelo número e pela autoridade dos escritores que a adotaram.Essays (Ensaios). págs.

explicam a nossa unidade moral com Adão por meio das frases gerais e não interpretadas de "que nós pecamos nele estando na sua coxa". geraria filhos à sua imagem". Melanchthon disse: "Adão e Eva mereceram culpa e depravação para sua posteridade. seus descendentes inclusive. guardá-los-ia para a sua posteridade. diz: "Deus depositou em Adão os dons com os quais quis adornar a natureza humana. E pela substituição indiscriminada dos termos vê-se que muitas vezes as duas teorias estavam latentes debaixo de uma noção geral. não se deve entender estas frases como se excluíssem toda referência à representação ou à responsabilidade que pesava sobre ele em virtude da aliança.. para nos ser imputada com justiça e imediatamente a culpa desse pecado. 22 (1646 e 1647). teremos apresentado o melhor motivo possível. Essa linguagem exprime a verdade segundo qualquer das duas teorias. ao mesmo tempo.Explicatio Symboli Niceni.Locitheol. Que. As minudências técnicas da idéia federal apareceram mais tarde.23: 403 e 583. Que se pode aduzir com justiça em apoio do modo agostiniano de explicar a nossa unidade moral com Adão? Essa teoria explica a nossa unidade moral unicamente sobre o fundamento de que ele é o cabeça e a raiz natural da raça. Prot. se Adão os guardasse para si. Hugh Miller . Que as idéias essenciais da teoria da representação federal prevaleceram muito geralmente entre os teólogos protestantes desde o princípio. como o é a economia da natureza. porque os nossos primeiros pais haviam sido dotados de integridade. de Trento. 175.Lb. e nesta provação representaram a raça humana inteiramente" . Toda condição e todo caráter humano. se pudermos provar que nós fomos "co-agentes culpados com Adão no seu pecado". João Owen (1616-1683) . 213. e da conseqüente unidade física ou orgânica da raça inteira nele. vol. 31. Expli. até onde ela se estende. e o mais satisfatório. 16.Duas coisas. Oleviano (cerca de 1563) e Rafael Eglin (Hist. essa aliança pressupõe a mais fundamental e geral relação natural de geração e educação. determinam que os direitos das crianças sejam predeterminados pelo estado de seus pais. O Dr. 90. Wittenberg. Refor. e entre os protestantes por homens como Hypério (f 1567). ou "sendo ele a nossa raiz". diz: "Adão representou a raça humana toda inteira".. 2a. A analogia.. de todo o proceder providencial geral e especial de Deus com os homens.. posteriormente ao predomínio da filosofia realista.foi. Assim também Tiago Armínio(f 1609)-(Disp. progenitores decaídos. diz: "Os motivos assinalados para a imputação e a transmissão têm como centro o caráter representativo de Adão (e Eva). Chemnitz (1522-1586). 9). Abraão e Davi incluem os filhos junto com os pais e se apoiam nas relações naturais de gerador e gerados. e Cat.177). sob a condição de que. (f 1616). diz: "E um fato amplo e palpável. 31-45). havia sido concebida claramente e proposta enfaticamente muito tempo antes dessa ocorrência. que quando os escritores teológicos.(Justification. e também a da Igreja Cristã. Hutter. Cap. 2.Testimony ofthe Rocks (O Testemunho das Rochas). pois. falando da teologia luterana como um todo. são determinados por condições históricas. A constituição da congregação judaica.214. tornam-se . a Confissão de Westminster.. de autoria do padre Paul. porém são historicamente certas: Ia. § 2. que. A favor dessa teoria se pode alegar com justiça: Io. mas. independentemente de qualquer intervenção sobrenatural. Este. Carlos P Krauth. 286). Chr. pág. Corp. Cone. é certo. 2o. quando separados completamente da civilização e de toda intervenção de caráter missionário. Theol. falando como cientista cristão. Isso fora feito por Catherino diante do Concilio de Trento (Hist. e que. Que a idéia de uma aliança com Adão. Maior. de Dorner. se os perdesse e se tornasse depravado. Com. As alianças feitas por Deus com Noé. para que a conservassem para a sua posteridade inteira. Parece. mas a idéia essencial em si existia já no começo da nossa teologia". págs. 7. é determinado por uma aliança baseada na graça. págs.Thes. ou mesmo quando as duas são combinadas numa só noção.

4o. Mesmo que fosse uma cooperação moral de natureza impessoal. T. 2o. e as suas partes podem ser distribuídas. que é essencialmente espiritual e pessoal. porque somente o primeiro pecado (o original) de Adão nos é imputado e porque não nos é imputado nenhum dos pecados subseqüentes de todos os nossos antepassados. o resultado das tentativas não nos parece mais feliz. distribuída e desenvolvida numa série de indivíduos. W. A idéia de uma coexistência e cooperação não pessoal (veja Essays e Histor. (1) porque é muito indefinida. essa noção baseia-se. por Dr.fundadores de uma raça decaída. genérica.por Dr. Veja: (1) Segundo o realismo puro. nem por meio de algum princípio nem por alguma analogia.Ex. espiritual. 192-194. tendo deixado livre a sua vontade. a quem foi dado o segundo mandamento . Todavia. (2) que. como também a Igreja Cristã. 3o. Note-se (1) que a congregação judaica. Shedd. G. págs. Philip Schaff) como a única base de uma justa responsabilidade moral não tem apoio algum no testemunho da consciência./Ensaios e História das Doutrinas Cristãs . nos casos em que Deus visita nos filhos a iniqüidade dos pais. Abraão e Davi. embora soberana. ou como co-causas com Ele. ou como agentes independentes de Deus. e o comentário de Romanos em Lange's Commentary. tratando com rebeldes que já estavam sob uma prévia condenação justa. em conexão com uma organização corporal e separada. Que razões estabelecem o caráter mais satisfatório da teoria federal da nossa unidade com Adão? . pode porventura um espírito ser dividido. e os filhos de Noé. virtual. a humanidade é uma substância simples. como poderemos defender-nos contra o panteísmo? (b) Como podem ser justificados e santificados espíritos individuais. E ainda: "Uma das conseqüências inevitáveis da natureza do homem que o Criador lhe deu é que. na falácia de que as leis do desenvolvimento natural constituem os limites necessários da operação divina. porém. 20:5. a noção não é satisfatória. foram incluídos em alianças especiais baseadas na graça. (4) Essa teoria não dá nenhuma explicação. como uma parte dessa substância espiritual será glorificada para sempre. por isso. Shedd explica que a substância espiritual genérica que pecou foi depois. A única concei-tuação do pecado que a consciência íntima nos dá é de que é o estado ou o ato de um agente pessoal livre. sendo ela mesma ininteligível. Christ. é que a constituição da natureza é criatura de Deus e Seu instrumento. deixa inteiramente de explicar a responsabilidade moral. potencial. (3) além disso. que voluntariamente apostatou e se corrompeu em Adão. Que argumentos se pode apresentar com justiça contra a suficiência dessa explicação do motivo da imputação imediata da culpa do pecado original de Adão? Io. tornando-se cada parte um agente ativo da mesma forma como foi o todo de onde essa parte foi separada? Não será isso confundir os atributos de espírito e matéria.(a) Se fizermos tão pouco caso da nossa consciência íntima. Doe. pela agência de Adão. enquanto que outra parte será para sempre condenada? (2) O Dr. A verdade. a vontade do pai se tornasse o destino do filho". Deus age com discrição realmente justa. Quando se procura explicar essa teoria segundo a filosofia realista. não poderia lançar luz sobre os fatos misteriosos para cuja explicação e justificação ela é invocada. o naturalismo e o panteísmo. e diz que nós estivemos nele como "raiz" e "os galhos de uma árvore". e. Cada pessoa humana é uma manifestação individual desse espírito comum. ao menos veladamente. 17. As iniqüidades dos pais são visitadas nos filhos". enquanto o espírito geral permanece corrompido e culpado? (c) Como foi que o Logos encarnou? (d) Em último lugar. que é a nossa única cidadela de defesa contra o materialismo. na providência natural e sem nenhuma consideração por quaisquer obrigações especiais baseadas em aliança. Mas . e explicar o pecado como material? E não é o pecado eminentemente espiritual e pessoal? 18. Quando se refere ao fato de que Adão foi nosso cabeça natural. transcenderia a nossa consciência e a nossa inteligência. (2) porque é uma explicação material e mecânica e.

por Sua graça. e fez-lhe uma promessa de "Vida" e o ameaçou de "Morte". pelo amor que nos teve. pela obediência que devia a Deus. 3a. . que passem por uma provação limitada ou ilimitada. e também por Sua graça incluiu os descendentes de Adão em sua representação. de que já se tratou acima. isso é verdadeiro e também equitativo. O terceiro é. escolheu os eleitos pelo amor que lhes tem. O plano da redenção. em seu sentido geral e em seus termos especiais (Gên. Cristo. Deus. 4a. decerto. 2:17. Esta analogia é por certo mais completa segundo a teoria federativa da união íntima entre Adão e a raça do que segundo qualquer teoria que não faça caso dessa união. e por interesse e dever. Sem dúvida ele foi feito nosso representante federal porque era nosso progenitor natural e estava em circunstâncias tais que os seus atos não podiam deixar de afetar os nossos destinos. quanto aos homens e aos anjos. Adão estava na condição mais vantajosa possível de passar incólume por essa provação limitada pela graça divina. (2) Cada indivíduo poderia ser sujeito a uma prova individual. A provação separada das almas nascentes das crianças não era de certo preferível. E evidente que. porém. sem comparação. Esta teoria é confirmada também pela analogia que as Sagradas Escrituras afirmam existir entre a imputação a nós do pecado original de Adão e a imputação a Cristo dos nossos pecados e da Sua justiça a nós. que os seus descendentes não poderiam passar por uma provação justa. E o foi mais ainda para com os seus descendentes. 2o. "Só eram possíveis três planos: (1) Deus poderia ter deixado a raça inteira em sua relação natural para com Ele." -Syllabus (Sumário) do Dr. no Cap. a aliança foi um ato da graça suprema de Deus para com Adão mesmo. A Pessoa e a Obra de Cristo na consecução da redenção. Ele era nosso cabeça natural antes de ser nosso cabeça federal. Deus. o plano mais vantajoso para os homens. A teoria de que Adão foi nosso cabeça federal pressupõe o fato de que ele foi nosso cabeça natural e nesse fato se apóia. tudo quanto de virtude que segundo esta explicação se pode supor que contém o fato de Adão ser nosso cabeça natural. não se recusou a tornar-se o cabeça federal da raça humana. O segundo é o que os pelagianos supõem que foi adotado. como ato de beneficência para com eles. Como já mostramos. Robert L. 11. E esta mesma pena. diante do qual todas as diversas escolas de teístas deste lado do véu se vêm obrigados a prostrar-se em silêncio? 22 A Aliança da Graça Todas as questões que dizem respeito ao assunto geral da redenção pertencem a um ou outro dos seguintes títulos: Io.Ia. que incluiu a raça. Dabney. sob uma aliança de obras proposta pela graça divina. tornou-se voluntariamente o Cabeça do Seu povo. Isso mostra que a raça é uma unidade com Adão e que os eleitos são uma unidade com Cristo. como matéria de fato. como a aliança das obras. Adão. (3) A raça como um todo poderia ser representada por algum termo limitado na pessoa de seu cabeça natural. É necessário. tudo isso a teoria federal retém. senão essencialmente) nele. que incluiu os eleitos. 2a. a não ser na pessoa de Adão. Tanto a aliança da graça. pois. Não será verdade que o que restar de misterioso nesta doutrina perde-se nesse abismo aberto pelo fato da permissão para que entrasse o pecado. Portanto. Parece. O primeiro plano teria com certeza tido como resultado o pecado universal. vieram da graça divina. incluindo a aliança da graça e a eleição eterna. sujeitou Adão a uma prova especial e temporariamente limitada. e porque a nossa natureza estava sendo provada (típica. Todas as criaturas morais de Deus são introduzidas na existência em estado de integridade moral que é real. da qual ele foi ameaçado. 3:16-19) tem sido infligida a toda a sua posteridade. mas instável.

como Executor e Aplicador. 2o. Desde que Deus.Núm. deve necessariamente possuir todos os atributos essenciais de uma aliança eterna entre essas Pessoas. 10:33. 24:7). 17:2-7. Qual o uso da palavra berith nas Escrituras hebraicas? Essa palavra encontra-se mais de duzentas e oitenta vezes no Velho Testamento e é traduzida pelas palavras aliança. inteligente. Veja Jer. Daí se segue que a sua aplicação deve possuir todos os atributos essenciais de uma aliança feita no tempo entre Deus e Seu povo. A aliança de Deus com o dia.5. nas suas diversas partes recíprocas. Sal. em todos os diversos ramos do Seu governo moral. deve. A aliança feita com Davi-Jer. cf. desde o princípio.Núm.1 Sam. Atos 7:8. de tudo quanto iria fazer no tempo. Uma ordem natural estabelecida divinamente. 8o. A aplicação e a consumação da redenção pela operação do Espírito Santo.Ex.Gên. e que.3o. como Dirigente e Mediador. com Abraão. os dez mandamentos"). o Decálogo. "as palavras do concerto. "a arca do concerto" . quanto à raça humana.Gên. 3o. Jônatas com Davi .Ex. sendo Deus uma inteligência infinita. com modificações especiais e temporárias de forma. constituindo a aliança nacional-eclesi-ástica de Deus com o povo de Israel. 2:24. E empregada para exprimir Io. 17:11. 3:17. 33:21. Gên. A aliança de um homem com outro. 33:20. A aliança que Deus fez com Noé quanto à sua família. do seu lado legal. Gên. A aliança feita com Arão. Providência e Redenção. A mesma aliança. deve proceder pela revelação de verdades e pelas influências de motivos. Um plano formado pelas três Pessoas. eterna e imutável. 9:13. 18:3 e capítulo 20. primeiro num livro ("o livro do concerto" . 6:18. etc. 2o. 9:9. 1°. trata o homem como um ser moral. devia ser distribuído entre Elas e por Elas ser executado. 3:13. que Paulo chama "a promessa". como Aquele que enviou e Aquele que foi enviado. voluntário e responsável. . plano no qual deviam achar-se incluídas Suas obras de Criação. 25:12. como uma graça oferecida a eles. Gên. com a noite. ter formado um plano totalmente abrangente e imutável. etc. depois depositado numa caixa de ouro. 5o. 89:4. Que. A "Aliança da Graça" feita com Abraão. concerto e pacto.22. A ALIANÇA DA GRAÇA É evidente Io. Isaque e Jacó . 4o. e depois sobre tábuas de pedra ("destas palavras tenho feito concerto contigo". junto com os meios da graça divinamente instituídos para esse fim. A mesma aliança. feita geralmente. Davi e Abner 2 Sam. 6o. 3o. Como sinal desta aliança foi estabelecida a circuncisão . A lei desta aliança foi escrita por Moisés.19. e o plano deve ser apropriado voluntariamente por aqueles que lhe estão sujeitos. Gál.13. 1. sob pena de reprovação. Tomou-se o arco-íris como um sinal dessa aliança . de um sacerdócio eterno ou perpétuo . segue-se que a execução do plano da redenção deve ser ética e não mágica em seu caráter geral. e lhe devem obedecer como a um dever imposto.

até que viesse a semente. Seu sentido fundamental é o de dispor. como também no seu elemento simbólico e típico ensinando verdades a respeito de Cristo. é. 8:6. Ia. por exemplo. quando convertidos. e prometendo eles. era. ou da palavra mais geral. tanto civil como religiosa. 7:22. Assim também a dispensação evangélica atual introduzida por Cristo. 4:24. o seu Mediador a favor dos Seus eleitos. a quem havia sido feita a promessa". chamada aliança da redenção. contudo. que. é feita por Deus com os eleitos como partes. 2a.17. tanto no seu elemento legal. 3:6. em sentido mais exaltado.17. contudo. foi realmente uma aliança. e seu Fiador. Segundo esta opinião. num aspecto. Quais são as três opiniões sustentadas pelos calvinistas. uma dispensação ou um modo de administrar a aliança da graça. foi feita desde toda a eternidade entre o Pai e o Filho como partes. "por causa das transgressões foi posto. a respeito das partes componentes da aliança da graça ? Nestas diferenças não se acha envolvida de modo algum a verdade de qualquer doutrina ensinada nas Escrituras. a saber. Heb. no seu aspecto mais exaltado. incluindo muitas promessas pela graça. porém. Gál. 4:24. feita entre Jeová (Iavé) e os israelitas. sim. 13:20. porque dispensa bênçãos que só depois poderiam ser plenamente gozadas. e por testamento quando se refere a um ato divino em relação à igreja sob a dispensação evangélica.3:14.Heb. isto é. e o Pai prometeu dar-lhe um povo e conceder a este. das quais a primeira. a diatheke antiga. crer e obedecer. Ele garante que todas as condições exigidas dos eleitos serão cumpridas por eles mediante a graça divina. designa sempre ou a antiga ou a nova dispensação.14. em Heb. sendo Cristo o Mediador e o Fiador a favor do Seu povo. Por conseguinte. Heb. grande analogia com uma disposição testamentária. e por meio da Sua morte. como. Cristo não é uma das partes da aliança. Conforme a segunda opinião. 8:8. prometendo Deus salvar os pecadores como tais sob a condição da fé.Gál. e é quase sempre traduzida por concerto ou aliança quando se refere a qualquer ato divino em relação à igreja antiga. 9:15. em vez de aliança. contrastada no Novo Testamento com a nova . A segunda. A dispensação atual da aliança da graça por meio do nosso Salvador tem.8 Veja 2 Cor. é para lamentar que essa palavra grega seja tantas vezes traduzida pela palavra específica de testamento. a palavra tem propriamente numa só passagem do Novo Testamento. . arranjar. Contudo. as alianças feitas com Abraão e com Davi. dependendo de condições. desde que as diversas dispensações dessa aliança eterna são sempre representadas nos outros lugares das Escrituras sob a forma de alianças especiais administrativas. 3:15. ao mesmo tempo. Qual o uso da palavra diatheke no Novo Testamento? Essa palavra acha-se trinta e três vezes no Novo Testamento. chamada aliança da graça. Assim. o modo de administrar essa aliança inalterável ou então alguma aliança especial feita por Cristo com Seu povo mediante a administração da aliança da graça. que toma a forma de uma aliança entre Ele e Seu povo. no Filho. Veja 2 Cor. nos clássicos essa forma específica de arranjar ou dispor refere-se ao ato de fazer um testamento.2. isto é. mas elas dizem respeito somente à forma pela qual essa verdade pode ser apresentada com maior ou menor clareza. 9:16. evidentemente. a disposição feita por Deus com a igreja antiga por meio de Moisés. que é dispensação. e é. Gál. 9:16. Apesar de nunca ser empregada para designar a aliança eterna da graça que o Pai fez com o Filho como o segundo Adão em favor do Seu povo. Nela o Filho prometeu obedecer e sofrer. a palavra diatheke é empregada numa única passagem para designar a dispensação atual da aliança da graça neste seu interessante aspecto . A primeira opinião diz respeito à aliança da graça como feita por Deus com pecadores eleitos. houve duas alianças. esse modo de administrar a aliança inalterável da graça que é chamada "dispensação nova e melhor".8-10. 3. Heb. e não sob a forma de testamentos. este sentido. 12:24. todas as bênçãos espirituais e a vida eterna. em contraste com a comparativamente imperfeita "dispensação antiga e primeira" dessa mesma aliança.

esta aliança pode ser considerada como se fosse feita pela cabeça para a salvação dos membros. Pergs. diz Cristo: "Eram teus. faz aliança com Ele e a renova em todos os atos de fé e oração. Assim. violada. 9:11.3a. A aliança nacional feita com os judeus. até onde devem ser feitas por nós -compare Gên. o crente típico. e. ou das obras ou da graça. A segunda. Segundo esta opinião. A salvação é oferecida a todos sob a condição da fé. 3:15-17. e "Tenho guardado aqueles que tu me deste. Houve assim a aliança feita por Jeová (Iavé) (a segunda Pessoa. como se fosse feito com os membros em sua cabeça e seu abonador. Para as exposições de nossos livros simbólicos (nossos símbolos de fé) sobre este assunto. Esta aliança continua até o dia de hoje a ser a carta constitucional da Igreja visível.16. feita nos conselhos da eternidade entre o Pai e o Filho como partes contratantes. condições. Como se mostrou no princípio deste capítulo.12. a vida eterna. Falando as Escrituras em dois Adãos. da nossa parte. porém. etjubes quodvise daí resulta esta complexa idéia da aliança. a aliança feita com Davi. a aliança da graça. semelhante aliança se acha virtualmente implícita na existência de um plano eterno de salvação formado mutuamente por três Pessoas pelas quais deveria ser executado. Cristo contratou com Seu povo diversas alianças especiais.. veja acima. penas e resultados dessa aliança já falei sob título anterior (veja o Capítulo 17). com o Catecismo Maior. somente as duas alianças contrastadas. As ofertas universais do evangelho durante a dispensação atual são também apresentadas sob a forma de uma aliança. Devemos estar lembrados. feita por Deus no jardim do Éden com Adão como cabeça e representante federal de toda a sua posteridade. de que nas diferentes dispensações. o segundo cabeça natural da raça humana. porém. Que Cristo representou os Seus eleitos nessa aliança está necessariamente implícito na doutrina da soberana eleição pessoal para a graça e a salvação. 2 Crôn. Aos olhos de Deus. mas a fé é dom de Deus. Das promessas. a aliança feita com Abraão. todo homem do mundo está como que contemplado numa ou noutra destas grandes alianças. quando chega ao conhecimento de Deus. . parece mais simples considerar como o fundamento de todo o proceder de Deus em relação aos homens. Êx. e tu mos deste". Mas todas e cada uma destas alianças especiais são provisões para a administração da eterna aliança da graça. a obediência etc. 2o. e as ordenanças do Batismo e da Ceia do Senhor. 2 Sam. 9. e o outro o corpo inteiro dos eleitos numa economia baseada na graça. adquirido por Cristo para os eleitos e a esses prometido e por eles exercido quando lhes é dado. 30-36. seção 3. que constituíam então a Igreja visível. o arrependimento. Porque aquilo que é uma graça vinda de Deus é para nós um dever. pois. e sendo fundada assim a Igreja visível como um agregado de famílias. Perg.15. como provisões administrativas para levar a efeito os compromissos e para aplicar-lhe os benefícios de Sua própria aliança com o Pai. representou todo o Seu povo como seu Mediador e Fiador. Gên. o Filho entrou nesta aliança na qualidade de segundo Adão.João 17:6. 7:15. 17:9-13 com Gál. assumiu o seu lugar e tomou sobre Si todas as obrigações que eles tinham debaixo da aliança das obras. e o seu único desígnio é comunicar os benefícios que asseguram àqueles a quem pertencem. em que "o Filho" representou os eleitos? Io. comparem-se a Confissão de Fé. Como se pode provar pelas Escrituras que realmente foi formada na eternidade uma "aliança da graça" entre as Pessoas Divinas. 14) com Noé. A respeito de Suas ovelhas. ou modos de administrar a eterna aliança da graça. da parte de Deus. sob um aspecto. 4. tipo de Cristo como Rei mediatário.7. dos quais um representa a raça inteira na economia da natureza. 7:18. a saber. 34:27. como ora Agostinho: "Da quodjubes. ou seja. cap. tendo o sinal e selo visível da circuncisão. A primeira destas. e nenhum deles se perdeu" . como coisas prometidas. como coisas que são do nosso dever. sob outro. Cap. significam e selam para os crentes os benefícios da aliança da graça. Todo crente. que agora lhe são anexos. isto é. e tomou sobre Si o aplicar-lhes todos os benefícios alcançados por esta eterna aliança da graça e fazer com que eles cumprissem todos os deveres envolvidos nesta mesma aliança. das obras e da graça.

Gál. a perseverança e a glória . Fil. 5. 5o. João 5:22. Is. 22:43.págs. 5:17. 6o. 53:10. por Seus eleitos. fazendo-Se seu Fiador pelo cumprimento de todos os deveres envolvidos da parte deles. As Escrituras afirmam a existência da promessa e das condições de semelhante aliança e as apresentam juntas .11. Is. é evidente que não é empregada nesses casos para designar a aliança da graça propriamente dita. mas foi Mediador (1) plenipotenciário . cap. Ele O contratou.18. e o domínio universal entregue a Ele como o Mediador. Cristo se refere constantemente a uma comissão prévia que recebera de Seu Pai-João 10:18. 3:19. 42:21. (1) toda a preparação necessária.3o. (2) que assumisse e cumprisse perfeitamente. Cristo pede a recompensa. mas. Is. 12:24.Sal. vol. em segundo lugar.primeiro. 53:10. Sal. e. e. l. Deus o Filho. Atos 2:33. Mat. As condições a serem cumpridas pelo Filho foram. Gál. incluindo as provisões para a regeneração. 53. Como Mediador. Como Mediador.João 17:6. primeiro consistindo na Sua Pessoa teantrópica. todas as condições violadas e todas as penas impostas pela aliança das obras e nas quais eles incorreram. Jer. João 1:12. 17:2. nascesse de mulher.Lect.em segundo lugar. 35:10. 28:18. realmente efetuando reconciliação por sacrifício -Rom. o que Ele devia fazer. As Escrituras afirmam expressamente a existência de semelhante aliança . 3o. 5o. Mar. Ele administra a aliança e dispensa todas as Suas bênçãos. Sal. prestando uma obediência perfeita aos preceitos da Lei. 32:40. 5:21. 42:6. Mat. representando a Deidade integralmente em Sua soberania indivisível.Mat. a justificação. Como o único Mediador entre Deus e o homem.24. 42:17. 22:29. As partes contratantes foram o Pai. e (2) Sumo Sacerdote. é aplicada três vezes a Cristo no Novo Testamento-Heb. 18:17.Ti to 1:2. (2) apoio à Sua obra. 2o. 8:29. como administrador da aliança. Em que sentido se afirma que Cristo é o Mediador da aliança da graça? Io. 2:6-11. Ef.. 4:4. 7:39. nascesse debaixo da lei. como em cada um desses casos a palavra que significa aliança é qualificada pelo adjetivo "novo" ou "melhor". Ele cumpre todas as condições previstas na aliança em favor do Seu povo. Luc. Gál.5. como o Mediador. on Theol. "o nome que esta acima de todo nome". 2:6-11 (ARA). 7o. 2 Cor. As condições às quais o Pai se impôs foram. João 9:4. (3) uma recompensa gloriosa. 3o. e sim a nova dispensação dessa aliança que Cristo introduziu em . 5:2. 4o. Quais foram as partes contratantes desta aliança da graça? Quais suas promessas ou condições da parte do Pai? E quais as suas condições da parte do Filho? Io. 28:18. 3:13. 6. Em tudo isso Cristo não foi um mero internúncio mediatário. e por outro lado. 506-509).9. tendo Ele cumprido essa comissão-João 17:4. Fil. mediador da aliança. Is. 9:15. Luc. 8:6. 89:4. A fras emesítes diathékes. expressão aplicável a Moisés .11 ÇDick. Heb. 4o. 2o. 10:5. 31:33. representando todo o Seu povo eleito e. e a entrega em Suas mãos da administração de todas as provisões da aliança da graça a favor do Seu povo. 110:1.Is. 40:8. sofrendo toda a penalidade em que Seu povo incorreu por seus pecados -Is.5. Cristo assevera constantemente que Seu povo e a glória esperada Lhe são dados por Seu Pai como recompensa . a salvação de todos aqueles pelos quais fez a aliança. (1) que encarnasse. 3:25.

Por outro lado. a alegria no Espírito Santo. e faz da graça uma condição da graça. Cristo é nosso Fiador ao mesmo tempo como Sacerdote e como Rei. a fé. que se declara que a excelência superior da administração "nova" e "melhor" consiste em que Cristo. Cristo age como Mediador sacerdotal desde a fundação do mundo . pois. e promete outros benefícios como uma recompensa que tem por condição a nossa obediência. e garante por eles que da sua parte exercerão a fé. descobre-se agora visivelmente como o verdadeiro Mediador na administração espiritual e pessoal da Sua aliança. o arrependimento e todas as graças. 3:19). que foi Moisés (Gál. Aquele que desde o princípio fora "o único mediador entre Deus e os homens" (1 Tim. Como Mediador Cristo obriga-Se também a dar a Seu povo a fé. e então. porque.Sua própria Pessoa em contraste com a menos perfeita administração dela que foi introduzida instrumentalmente por Moisés. na administração da aliança da graça. Ele administra a Seu povo as bênçãos da Sua aliança. 9. que Ele recompensa a graça com graça. como. etc. muitos deles são deveres. Cristo é Sacerdote ou Fiador segundo uma ordem superior. que Deus a oferece a todos. como seu Fiador. a vida eterna. porém. E precisamente em distinção desta relação mantida por Moisés com a revelação externa dessas instituições simbólicas e típicas. o Mediador e Fiador dessa aliança eterna sob sua dispensação "nova" e "melhor".Apoc. como tal. 2:5) é revelado agora. para com Ele. "Jesus se tem tornado fiador de superior aliança" (ARA). 7. Promete a fé a Seus eleitos e então opera neles a fé. a primeira ou "antiga dispensação" ou modo especial de administrar essa aliança visivelmente entre os homens. Da parte de Cristo são dádivas. por exemplo. etc. por meio das quais era então administrada a aliança da graça. Paulo está contrastando o sacerdócio de Cristo com o dos levitas. a palavra traduzida por "testamento" (modernamente traduzida por "aliança") significa evidentemente a nova dispensação da aliança da graça. e em seguida dá-lhes em recompensa à sua fé a paz de consciência. Na administração geral da aliança da graça. em contraste com a antiga. . Como Rei (os dois ofícios são inseparáveis nEle. sob uma revelação mais clara e uma administração mais real e mais direta da graça do que era o caso com os sacerdotes típicos. Que método geral caracteriza o modo pelo qual Cristo administra a Sua aliança sob todas as dispensações? Os benefícios adquiridos pela aliança estão postos nas mãos de Cristo para serem concedidos a Seu povo como dádivas gratuitas e soberanas. Quanto às partes da aliança da graça. on Hebrews. Pode-se dizer. quanto à forma. Ele é sempre um Sacerdote real). arrepender-se-ão e cumprirão todos os seus deveres. da nossa parte. 8. Em que sentido Cristo é chamado Fiador da aliança da graça? No único caso em que o termo fiador é aplicado a Cristo no Novo Testamento (Heb. 7:22). como tal. Veja Comm. Ele toma sobre Si e cumpre todas as nossas obrigações sob a transgredida aliança das obras. de Sampson. porque agora Ele é tornado visível na plenitude de Suas graças espirituais como o administrador imediato dessa aliança. o era instrumentalmente e. enquanto que sob a "primeira" e "antiga" ou "velha" dispensação Ele estava oculto. 6o.. dá-lhes as graças da fé e da obediência para que eles cumpram a sua parte. Como Sacerdote porque. porém. e que devem tornar-se efetivas por atos nossos. oferece-lhes graça sob as condições de fé e obediência. Assim. Qual a idéia arminiana da aliança da graça? Os arminianos sustentam: 10. para este fim entra em aliança com eles. Por isso. e que firma contrato realmente com todos os crentes. o "Filho em sua própria casa". muitas dessas bênçãos adquiridas. descendentes de Arão. 13:8. era ordenada por anjos na mão de um mediador. Ele exige de nós como deveres. como por via de eminência.

. Rom. 22:18) é o mesmíssimo evangelho que o apóstolo mesmo pregava. A fé. 17:7) abrange todas as demais. Col. isto é.Heb. 10. 3o. Heb. portanto. Quanto às suas promessas. cap. em vez de aceitar como tal somente essa perfeita obediência legal que Ele exigiu do homem sob a aliança das obras. 10:1-10. de que todos os que nele crêem receberão o perdão dos pecados pelo seu nome". 9:15. e Cristo de Deus" . 16:16. como símbolos. que estas incluem todos os benefícios temporais e eternos da redenção realizada por Cristo. porém. 2o. Como ato nosso. Assim Abraão tornou-se o pai dos que crêem. As instituições cerimoniais de Moisés eram símbolos e tipos da obra realizada por Cristo. "Tudo é vosso. para o tempo e para a eternidade. Cristo é o Jeová (Iavé) da antiga dispensação. 3o. mas nunca a causa merecedora da salvação gratuita que se segue. Veja também Is.23. Como Mediador Ele é tanto Sacerdote como Sacrifício. Eles ensinam que todos >s homens recebem graça suficiente para torná-los capazes de cumprirem tais condições.Gên. segundo as promessas. Quanto às suas condições. ela é. e como tal temos a afirmação de que Ele é o "Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo". contribuirão.. assim. 13:8. Em que sentido pode-se chamar a fé uma condição da salvação? A fé é uma condição«ne qua non da salvação. 6o. faz a todos os que crêem? A promessa feita por Deus a Abraão de que seria o seu Deus e o da sua posteridade depois dele (Gên. 5o. o meio que nos une a Cristo e.Apoc. e é a primeira parte ou o primeiro passo da salvação. 11. 14. os chamados recebam a herança eterna" . .Mar. Vista do lado humano. Em Atos 10:43 lemos: "A este dão testemunho todos os profetas. Como se pode provar que Cristo era o Mediador dos homens tanto antes como depois do Seu advento em carne? Io. 4o. e todo homem que crê será salvo.2o.1 Cor. Pergunta 3. 17:7. "Quem crer e for batizado será salvo. é o antecedente necessário. ela é o princípio e o índice da obra salvadora de Deus em nós. e 42:6. todo o capítulo. Cap. § 2. 9. como condição. por Sua graça. 2:17. se quiserem. Ela é. que necessariamente produz "confissão" e obediência. Foi prometido a Adão . a fé e a obediência evangélica como justiça. a‫״‬ 12.. e de que Ele é a vítima "para que. os merecimentos e a graça de Cristo. elas figuravam para os antigos. Veja acima. Quais são as promessas que Cristo. 3:24. 3:15. Todas as coisas. e vós de Cristo. 53. ela é um dever da nossa parte e é um ato nosso.. Perg. elas profetizavam a substância daquilo que haveria de vir . na providência e na graça. que Deus agora aceita. e como tipos. Esta aliança do evangelho é muitas vezes chamada "aliança da redenção". e para a sua salvação. mas quem não crer será condenado" . Veja acima. No capítulo 3 da Epístola aos Gálatas Paulo prova que a promessa feita a Abraão (Gên. tanto físicas como morais. para o nosso bem. Vista do lado divino. intervindo a morte para remissão das transgressões que havia debaixo da primeira aliança. a obra meritória de Cristo tendo tornado compatível com os princípios da justiça divina que Ele faça isso. nenhum adulto pode ser salvo se não crer. como o Administrador da aliança. é naturalmente fé viva.. uma dádiva que vem de Deus. 3:22.

15. 2o. como um símbolo visível dos benefícios da aliança da graça. E que essa administração da aliança da graça estendeu-se a muitos povos da terra durante esse período fica provado pela história de Jó. Os escritores do Novo Testamento elucidam sua doutrina da justificação pela fé com o exemplo de crentes do Velho Testamento. e de Melquise-deque. Que essas promessas e sacrifícios eram entendidos em sua verdadeira significação espiritual fica provado pelo que se lê em Heb. 14. 3:8. num sentido político. pela instituição da circuncisão. fez aos membros da Igreja do Velho Testamento as mesmas promessas que Ele nos faz? Io. Ez. e explicada por Paulo. 2o. tornaram-se o povo de Deus. 17:7. e explicada por Cristo. a promessa feita a Abraão. e foi exposto mais plenamente o fato de que o mundo inteiro estava interessado na salvação que ele haveria de receber Gên. Como foi administrada a aliança da graça do tempo de Adão ao de Abraão? Io. 11. 16. de Abraão. foi então formada numa congregação geral como um agregado de famílias. que existira desde o princípio nos seus membros individuais. 2:4. Gên. Este foi o evangelho anunciado primeiro . Dan. Por meio de revelações imediatas e manifestações pessoais de Jeová (Iavé) ou do Mediador divino. na Arábia.Hab. Sal. revelando que o Salvador prometido deveria vir da linhagem de Abraão e Isaque.3. pelo qual os israelitas. Assim "o Senhor" é representado nos onze primeiros capítulos de Gênesis como "falando" aos homens. 3o. Isso é afirmado no Velho Testamento . Como um pacto nacional e político. na Mesopotâmia. e como um sinal de que se pertence à Igreja. 22:18. A promessa feita durante o período anterior (Gên. 17. Veja também Sal.Gál. reconheceram-se sob o Seu governo teocrático. Também deixam clara essa verdade as expectativas e as orações do povo de Deus . Como se pode demonstrar que Cristo. o seu Deus. · < · ·' '‫־‬ 2o. cap.Salmos 51 e 16. Como foi ela administrada desde os dias de Abraão até aos de Moisés? Io. Por promessa. 17:7. 3:16. Por meio de sacrifícios típicos instituídos na família de Adão. a congregação de crentes. Gál. Gên. Os sacrifícios continuaram do mesmo modo. Jó 30:24-27. 73:24-26. 22:32. As promessas feitas ao antigo povo de Cristo abrangem claramente todas as bênçãos espirituais e eternas. Sal. 73:25. 12:3. 2:12. 36:27. Qual é a verdadeira natureza da aliança feita por Deus com os israelitas por meio de Moisés? Podemos considerá-la sob três aspectos Io. Veja Rom. 3o. A Igreja. 4 e Heb. em Canaã. no mesmo sentido em que o é agora? Io. cap. como o Administrador da aliança da graça. Mat. e tornando-se Ele. 2o. 3:15) foi revelada na forma de uma aliança mais definida. 11:4-7. 22:18. por exemplo. o . 12:2. Como se prova que a fé era a condição da salvação antes da vinda de Cristo.13. Sob um aspecto. ou seja. e a promessa feita a Abraão. neste sentido peculiar.

Quais as diferenças características existentes entre a dispensação da aliança da graça debaixo da lei de Moisés e depois da vinda de Cristo? E evidente que essas diferenças se referem somente aos modos da administração. Loc. 12. vejaTurretino . 18. Veja Hodge on Romans (Hodge sobre Romanos). Mesmo o sistema cerimonial. Elench. foi um pacto legal. porque "maldito aquele que não confirmar as palavras desta lei. -' ‫׳‬ 2o. i 23 A Pessoa de Cristo 1. não as cumprindo" .sistema todo tinha referência a essa relação. que é o modo final. A dispensação atual é espiritual. Provamos.Deut. 5o. mostrando que todas aquelas condições foram cumpridas nEle. e conformidade a essa lei foi imposta como a condição de gozarem os israelitas do favor divino e de todas as bênçãos nacionais. de Ricardo Watson. Como se pode provar que já veio o Messias prometido nas Escrituras judaicas.. 3o. É evidente que o modo anterior de administração foi preparatório para o atual. 27:26. Na significação simbólica e típica de todas as instituições mosaicas. Estava limitada a um só povo. Quanto às arminianas. veja as obras de Fletcher elnst. 3o. elas foram uma revelação mais clara e mais completa do que nenhuma anterior. livre de todas as organizações nacionais. obediência à qual foi a condição imposta na aliança das obras. Witsio. A dispensação atual. a verdade era ensinada por meio de símbolos que eram ao mesmo tempo tipos da propiciação real pelo pecado que se deveria fazer depois. Antes da vinda de Cristo. abrange o mundo inteiro.Inst. . em segundo lugar. Theo. 4o. of Theo. e sem referência a seu aspecto simbólico. Sob outro aspecto. Essa revelação era menos completa e também menos clara. que Jesus de Nazaré foi essa Pessoa. JEcon. Quanto às opiniões calvinistas sobre a aliança da graça. Estava embaraçada com tantas cerimônias que era uma dispensação comparativamente carnal. foi também uma regra de obras. Io. e não à matéria das verdades reveladas. não são mais possíveis. no seu aspecto meramente literal. Isso é comprovado abundantemente por toda a Epístola aos Hebreus.. Agora a verdade é revelada na clara história evangélica. porque a lei moral. 2o. nem da graça administrada. segundo as declarações proféticas haveriam de assinalar o Seu advento. e que Jesus Cristo é essa Pessoa? . das provisões da aliança da graça. of the Covs. Provamos anteriormente que Ele já veio. mostrando que as condições da época e as circunstâncias que. figurou nele proeminentemente.

13. como setenta semanas. Quais as profecias sobre a data. Essa profecia refere-se explicitamente ao Messias e à Sua obra peculiar e exclusiva. Como se pode mostrar que Gên. mas na destruição de Jerusalém. 2:7.Zac.Is. apareceria o Messias. As próprias palavras que deveria pronunciar na cruz foram preditas . 13:5. 23:5. que em sessenta e duas semanas de anos. ou quatrocentos e trinta e quatro anos depois de reedificada a cidade. 22:2. Veja Is. devia nascer em Belém (Miq. a profecia seria falsa.5 com Mat.i' i 3. 7:14) e ser precedido de um precursor (Mal. Além disso. 9:9. 5:2. ou.2. cap. durante o período de uma semana de anos. . 2o. é certo. Veja Ez. ao mesmo tempo. 60:1-7. confirmaria a aliança.12. Tudo isso cumpriu-se em Jesus Cristo.6). Suas vestes deveriam ser repartidas por sorteio. os judeus sempre entenderam a passagem como se referindo ao Messias. 3:1. Ag. Porque era costume judaico dividir assim o tempo. Zac. . Porque é o uso comum nos livros proféticos. ou a quem serão congregadas as gentes ou nações. seria cortado. Ele deveria entrar na cidade montado num jumentinho . ou em quarenta e nove anos depois de findo o cativeiro. Há alguma dúvida quanto à data exata da qual se deve começar calcular. verificaram-se em nosso Salvador? Ele deveria ser Rei e Conquistador de um império universal (Sal. . o lugar e as circunstâncias do nascimento do Messias. 12:6. e 3o. Foi predito também que Ele seria traspassado. 2:6. ser "objeto de desprezo e o último dos homens. 22:19. e. 53:9. Is.Is. do Dr. Apoc. 49:22.‫׳‬ ) ' . que Ele. que foram cumpridas em Jesus de Nazaré? Quanto à data. 53:5. 2:6 e 45. 60:3. pois. Deveria ser uma luz para os gentios e sob a Sua administração deveria mudar-se a condição moral do mundo inteiro . . Quais características notáveis. no meio da semana. e ser vendido por trinta moedas de prata. VejaEvidences ofChristianity (Evidências do Cristianismo).Zac. Se. como diz Figueiredo. 4. mas a maior diferença não é mais de dez anos. é só o Messias que foi "a expectação das gentes". Judá retinha o cetro e tinha legislador. 4:10 se refere ao Messias. A profecia é que em sete semanas de anos. Alexander. 5. ... e que.Is. Porque a interpretação literal das palavras. um varão de dores". 49:6. e que a Sua morte e a Sua sepultura seriam com os ímpios e com os ricos . significa paz e é aplicada ao Messias . 53 (Figueiredo). 4:6. 49:10). 2:9. e como essa passagem prova que o Messias já veio? A palavra traduzida povShilo (Figueiredo) Siló (Almeida). e nunca mais se poderia cumprir em outrem porque todas as genealogias de famílias e tribos se perderam. 9:6.9. .··. 3:1). o Messias não tivesse vindo antes dessa catástrofe. 11:12. Sua morte deveria ser expiatória . foi predito que Ele viria antes que se tirasse o cetro de Judá (Gên.Cf. no fim de quatrocentos e noventa anos depois de sair o edito mandando reedificar Jerusalém e enquanto existia ainda o segundo templo-Ag. "aquele que deve ser enviado". Além disso. Io. 55:5. General. Mal. descritas no Velho Testamento.Sal.Sal. Deveriam dar-lhe vinagre a beber . Devia nascer de uma virgem (Is. e a data mais provável faz a profecia coincidir exatamente com a história de Cristo. .Is. Que as setenta semanas mencionadas aqui devem ser interpretadas como semanas de anos. Judá perdeu todo o poder político. E quanto àprofecia de Daniel 9:24-27? .Sal. a cidade seria reedifi-cada. setenta anos depois. Quanto ao lugar e às circunstâncias. 12:10. 42:6.7). 5:2) da tribo de Judá e da família de Davi (Jer. e ser "cortado da terra dos viventes" . é impraticável. Até ao nascimento de Jesus Cristo. Miq.

Ele tinha um corpo. os sentimentos e a vontade divinos. Atos 3:25. Seu título mais comum é "o Filho do homem".6. de modo que Cristo possui ao mesmo tempo. Filho de Davi. da qual Ursinus foi o autor principal). mas sempre sendo verdadeira divindade e verdadeira humanidade. Como se pode provar que Cristo é realmente homem? E chamado homem . feito de mulher. Mat. Morreu em agonia na cruz. perturbou-Se e chorou . 3o. 53:10). e fruto dos seus lombos. 13:37.1 Tim. Jesus de Nazaré é verdadeiro Deus. 2:5. 4:4. pondo termo a uma e introduzindo outra. Luc. 5o. 24:36-44. fazendo cessar os sacrifícios e oblações (Dan. Cinco pontos envolvidos na doutrina da Igreja quanto à Pessoa de Cristo: Io. 8. 3:15. e fundando um reino que nunca teria fim (Dan. 9:3) e a de um sacerdote (Is. possuindo a natureza divina e todos os atributos essenciais da Deidade. Lázaro e o discípulo que estava recostado em Seu peito -João 11:5. Como Rei. Atos 2:30. Gên. a mente. Não obstante isso. 2:44).35. crescia em estatura (idade). dado que Ele crescia em sabedoria. sem mistura nem mudança quanto à essência. gemina sapientia robur et virtus " . eles. Mas não convém que procuremos explicar a maneira pela qual os dois espíritos afetam mutuamente um ao outro. 7. na unidade da Sua Pessoa. unidos assim. com todos os seus atributos essenciais. Ele deveria realizar a obra de um profeta (Is. a consciência. Maria. selando as visões e as profecias. Tinha os sentimentos comuns da nossa natureza. Ele amava Marta. foi sepultado. 9. de Abraão. 2o. E também verdadeiro homem. nem como as duas vontades cooperam numa só atividade na união da Pessoa única. Que obra peculiar o Messias deveria realizar e que foi realizada por Cristo ? Todos os Seus ofícios mediatários foram substancialmente preditos. A absoluta deidade de Cristo já foi provada acima. deveria administrar as diversas dispensações do Seu reino. 2:52. comia. sendo a sua natureza humana derivada por geração (comum) do tronco de Adão. 42:6. constituem uma só Pessoa. bebia. 13:23. 1581. a mente. 4o. e provou a Sua identidade por meio de sinais físicos . Esta Personalidade não é personalidade nova constituída pela união das duas naturezas no ventre da virgem. Gál.Admonitia Neostadtiensis. visto que Ele "moveu-se muito em espírito". Estas duas naturezas continuam unidas em Sua Pessoa. Cap. 1:32. Luc. a qual no tempo assumiu uma nascente natureza humana e sempre depois abrange a natureza humana com a divina na Personalidade que pertence eternamente à divina. e durante uma vida de trinta e três anos era reconhecido por todos como um verdadeiro homem. os sentimentos e a vontade humanos. 9:24).Luc. para fazer expiação pelo pecado (Dan. dois espíritos. e a consciência. gemina mens. e a esta única Pessoa pertencem os atributos das duas naturezas. dormia.9. Como se pode provar que as duas naturezas em Cristo constituíam somente uma Pessoa? . também posteridade ou descendência (semente) da mulher. Tinha uma alma racional. mas é a Pessoa eterna e imutável do logos.João 11:33. ("Gemina substancia. 9:24). nem até onde eles se unem numa só consciência.

Devemos lembrar. Ele pode. Gál. nesta conexão. constituída de duas naturezas. enquanto a Pessoa é uma só. que.Atos 20:28. por conseguinte.Em muitas passagens é feita referência às duas naturezas. é uma só. esta é designada por um título derivado da outra natureza. Col. há passagens nas quais são atribuídos a Cristo atributos e ações divinos. 8:32. tendo começado a ser como um gérmen gerado numa união pessoal com a eterna Segunda Pessoa da Deidade. 1 Cor.14. As ações mediatárias pertencem a ambas as naturezas. 2:6-11. "Pessoa". enquanto que a Sua Pessoa é designada por um título humano-João 3:13. ser designado indiferentemente por títulos humanos ou divinos. isto é.4.32. ainda era Deus. portanto. Rom. ou como "uma subsistência individual e inteligente. são atribuídos a Cristo atributos e ações divinos em certas passagens. Quando Ele morreu. pode. tem sido definida como "uma substância individual que. 9:5. ser desde o princípio. 1 Tim. 1:23. a Pessoa divina. Que princípio geral se deve seguir na explicação das passagens em que se atribuem a Cristo os atributos de uma das naturezas mas que pertencem à outra? O seguinte: a Pessoa de Cristo. 2:11-14. 1:13. enquanto. porém. 11. 10. sendo eterna e imutável. Mat. Na doutrina da Encarnação. e. "Natureza". Luc. mas o que é peculiar a uma delas nunca é atribuído à outra. Rom. e quando chama para a vida os mortos. 4:4. 3:16. quando é evidente que a referência é a uma só Pessoa . Por outro lado. 5:12. O que pertence a qualquer das naturezas é atribuído à Pessoa única. nesta conexão. não sofreu mudança essencial . 2:8. l portanto. são distintas. a dificuldade é que dois espíritos existem reunidos em uma só Pessoa. Nunca se diz que a deidade abstratamente. mas. j i 12. à qual as duas naturezas pertencem. e atributos tanto divinos como humanos podem ser-Lhe atribuídos verdadeiramente. incapaz de aumento. a dificuldade é que um só Ser espiritual existe como três Pessoas. 8:3 e 1:3. 6:62. nem que as ações e os atributos divinos são da Sua natureza humana.per se subsistens" (auto-subsistente). Que efeitos esta união pessoal produziu na natureza divina de Cristo? Sua natureza divina. fosse reunido ou manifestado numa natureza humana. deu Seu sangue por Sua Igreja.Fil. as naturezas. isto é. morreu quanto à sua natureza humana (Atos 20:28). que é ao mesmo tempo Deus e homem. ou que um poder divino. mas o que se diz concretamente da natureza divina é que uma Pessoa divina foi unida a uma natureza humana . ainda é homem. Deus. 1:31. Como os teólogos definem as designações "natureza" e j "pessoa" conforme se acham elas envolvidas nesta doutrina? ! Na doutrina da Trindade.Heb. Noutras muitas passagens fala-se nas duas naturezas como unidas. A natureza humana de Cristo nunca foi "per se subsistens". como tais. ao mesmo tempo. enquanto que a Pessoa a quem são atribuídos é designada por um título divino . Mas nunca se afirma que as ações e os atributos humanos são da natureza divina de Cristo. Assim. nem é parte de alguma outra coisa. nem é sustentada por ela". tem sido definida como "essência" ou "substância". 1 João 4:3. "in altero sustentatur" (ser j sustentado por outrem). Apoc. A união de duas naturezas em uma só Pessoa é ensinada claramente também nas passagens em que os atributos de uma das naturezas são afirmados da Pessoa. Rom. João 1:14.

está (a) presente virtualmente (apesar de localmente no céu) com Seu povo até às partes mais remotas da terra ao mesmo tempo. A inteira essência divina e imutável continuou a subsistir como o eterno Verbo pessoal. Uma exaltação de todas as excelências humanas acima do nível da natureza dos homens e de outras criaturas . nunca se tornando comuns ao corpo material os atributos do espírito.Is.assim também a natureza humana de Cristo. em conseqüência desta união.isto é. Como se dá com a união de alma e corpo no homem. composto de matéria passiva. O corpo é parte da pessoa. Daí vem a doutrina da Igreja a respeito da "communicatio idiomatum velproprietatum" (comunicação de peculiaridades ou de propriedades) das duas naturezas de Cristo. "Deus que se manifestou em carne". 3o. unicamente em razão de Seus atributos divinos. O único motivo por que devemos culto a alguém é que possui atributos divinos. Emanuel. porque Cristo tornou-se. O objeto de culto não é a excelência divina no abstrato. em empatia real) com cada membro do Seu povo como alguém que também foi tentado. em virtude da Sua união com ela numa Pessoa divina. Contudo. se não essencialmente. assim. devemos culto na perfeição de Sua Pessoa inteira. 12:2. 14. Esta doutrina é afirmada no concreto a respeito da Pessoa. em virtude da sua união com o corpo . Qual a analogia apresentada na união de duas naturezas nas pessoas dos homens? Io. está virtualmente. Uma exaltação sem igual à dignidade e glória. mas negada no abstrato a respeito das naturezas. e(b) um corpo altamente organizado. presente na percepção e na volição ativas . auto-determinando. Ao Deus-homem. a alma. foi alterada a relação da natureza divina com a criação toda. sobre todo nome que se nomeia. em virtude da sua união pessoal com o Verbo eterno.por esta união. simpatizando (isto é. mas é negada utrius naturce ad naturam (das duas naturezas para com esta ou aquela natureza). 2o. tanto do espírito como do corpo. auto-operando. 3:34. e uma comunhão de honra e glória com a Deidade. (b) praticamente inexaurível. 3o. portanto Io. embora privada absolutamente de extensão em si mesma. são . é afirmada utrius naturce adpersonam (das duas naturezas para com a Pessoa). apesar de tudo quanto se Lhe pede no exercício constante das funções mediatárias que envolvem ambas as naturezas. e como tal continua sendo para sempre uma natureza humana sem mistura e sem mudança essencial. Estes constituem uma só pessoa. Que efeitos esta união pessoal produziu na natureza humana de Cristo? A natureza humana. 15. abrangendo então uma perfeita natureza humana na unidade da Sua Pessoa e como o órgão da Sua vontade. 2o. Até onde está incluída a natureza humana de Cristo no culto que Lhe é devido? E preciso que distingamos entre o objeto e os motivos de culto. e sim a Pessoa divina de quem essa excelência é um atributo. O efeito produzido por essa união na natureza humana de Cristo foi.João 1:14. Estas naturezas permanecem distintas. 13. Todas as pessoas humanas compreendem duas naturezas: (a) um espírito cônscio. começou a existir em união com a natureza divina e como uma parte constitutiva da Pessoa divina. mas os atributos. sendo perfeita segundo a sua espécie. existindo Ele em duas naturezas. nem por isso deixa de estar presente ao mesmo tempo. desde a cabeça até às plantas dos pés. "Deus conosco". absolutamente sem extensão no espaço. nem os atributos do espírito ao corpo.

como sendo a essência da união pessoal. sim sujeito à vontade da Pessoa divina. num ocultamento das propriedades divinas da Sua natureza humana. a natureza humana de Cristo foi dotada inalienavelmente de toda a majestade divina e de todas as propriedades que a constituem. Logos non extra carnem. cada uma das duas naturezas participa dos atributos essenciais da outra. que o exercício dessas perfeições não era necessário (no sentido filosófico da palavra). e.comuns a uma e à mesma pessoa. a pessoa possui e manifesta os atributos de ambas as naturezas. Que. em virtude da união. 5o. mais conse qüente. contudo. et caro non extra Logon (ou seja. pelo próprio ato de encarnação. e a matéria inerte e insensível dos tecidos nervosos exulta com sensações e palpita com desejos pois esses nervos são sensores da alma que sente e deseja. a qual fazia a Sua natureza humana achar-se presente . Enquanto estes se acham unidos. >‫״׳: ׳ ׳‬ 4o. Estas estavam necessariamente em exercício desde o princípio. e esta não sai dos limites do Logos). pelo qual eles mantêm sua opinião peculiar sobre a presença da própria substância do corpo e do sangue de Cristo em. com extensão. com e sob o pão e o vinho na Eucaristia. Os fatos da vida de Cristo durante o Seu estado de humilhação têm. é a representada por Martinho Chemnitz e os teólogos de Giessen. sendo que aquilo que se afirma é próprio da outra. O espírito é a pessoa. A outra opinião. nem que a natureza humana tem parte em todos os atributos da Sua deidade. a humanidade de Cristo foi dotada de perfeições divinas. Na ressurreição. mas não se manifestaram durante a Sua vida terrestre. em conseqüência da união hipostática das naturezas humana e divina na Pessoa única de Cristo. e nele. ou seja. Quando ele deixa o corpo. representada por João Brentz e os teólogos de Tubingen. este é sepultado como cadáver. Lutero e os que o seguiram introduziram e elaboraram a doutrina de que. enquanto que o espírito vai para o Juízo. portanto. o espírito sem extensão acha-se presente onde quer que o corpo esteja. 2a. não afirmavam que a natureza divina participa de qualquer atributo distintivo da natureza humana. estando ocultas. o espírito reassumirá o corpo correspondente à sua pessoa. que cada uma das naturezas participasse das propriedades da outra. sua explicação numakrypsis voluntária. Desde a sua concepção no ventre da virgem. menos extrema. Ensinavam. quanto à sua relação ao espaço. 16. Os defensores dessa doutrina dividem-se em duas escolas: Ia. Qual a opinião peculiar introduzida na teologia pelos luteranos quanto à communicatio idiomatum? Quais as razões para rejeitá-la? Junto com o processo. IXBLIOTEÇA Estes sustentavam que o próprio ato de encarnação efetuou. Esta muitas vezes é designada por um título próprio de uma das naturezas. o Logos não sai dos limites da carne. onipresença e do poder de dar a vida. A escola mais extrema. e. Quando se explicavam mais completamente a esse respeito. Eles também sustentavam que. e. mas afirmavam simplesmente que a humanidade de Cristo tinha parte em Sua deidade nos atributos de onisciência. logicamente.

3. A decisão do Concilio de Efeso a respeito. 431 d. 4o. 3) . Se Ele não fosse homem. Aumenta a dificuldade do problema para cuja explicação ela foi inventada.totus extra Jesum e totus in Jesus" (totalmente fora de Jesus e totalmente em Jesus). porque. 3 (A Humilhação de Cristo."Os luteranos sustentaram a exaltação da humanidade de Cristo para encontrar a Sua deidade e (enquanto estava na terra) a kenosis da Sua humanidade. Se Cristo não é na mesma Pessoa tanto Deus como homem. e assim se expõe às mesmas críticas a que se expõe a doutrina da transubstanciação. 3o. Sacerdote e Rei. como também o Credo de Atanásio e o de Calcedônia. Pales. 2o. afirmando a distinção das naturezas (contra a idéia de fusão. B. '‫ · :׳־‬Nós rejeitamos a opinião luterana: Io. 17.C. A tendência reformada foi reconhecer a vida dupla do Logos .João 5:23. afirmando que a natureza humana de Cristo retém na completa integridade uma vontade separada como também uma inteligência separada. 2o. tmHumiliation of Christ. são exposições acuradas e autorizadas de toda a Igreja quanto a esta doutrina. D. Os luteranos sustentaram a vida dupla da Sua humanidade glorificada (a presença local e a onipresença não local). e em todos os aspectos do Seu estado de exaltação. Os reformados insistiram na realidade da vida humana de Cristo e no auto-esvaziamento(^womj da Sua deidade para encontrar a Sua humanidade. O Credo do Concilio de Nicéia.D. As Escrituras declaram expressamente que essa doutrina é essencial . na significação e valor do Seu sacrifício vicário. A. Bruce.onde e quando quer que o quisesse. a decisão do Concilio de Calcedônia (451) contra Eutico.. Sua verdade se acha envolvida em todas as demais doutrinas de todo o sistema de fé cristã. Quais os credos em que esta doutrina tem sido mais acuradamente definida? Epor quais concílios? Io. não Lhe prestar culto seria desobedecer ao Pai . 2o. Envolve a falácia de se conceber que as propriedades são separáveis das substâncias das quais elas são as forças ativas. Eles se acham no Cap. ab-rogando-a assim virtualmente e deixando efetivamente só a divina. segundo essa doutrina. voluntariamente esvaziou (kenosis) a Sua natureza humana do seu uso e do exercício de seus atributos divinos. a natureza divina assimila a natureza humana atribuindo a esta certas propriedades daquela. como Profeta. A decisão do Concilio de Constantinopla (681) contra os monotelitas (que afirmavam uma só vontade na Pessoa única de Cristo). se não fosse Deus. acima. em todos os atos mediatários de Cristo. Essas decisões conciliares . e. emendado pelo Concilio de Constantinopla. ou a Sua morte não teria valor. seria idolatria prestar-Lhe culto. 7. e a qual. 18. ao mesmo tempo.1 João 4:2. 3o. durante o período da Sua humilhação na terra. Lect. 3o. que é o coração do evangelho. Porque não é ensinada na Bíblia. e. na história inteira do Seu estado de humilhação. de Eutico).. sobretudo. Funda-se realmente em sua errônea interpretação das palavras de Cristo: "Isto é o meu corpo". a Sua história seria um mito. Esta doutrina e todos os seus elementos são ensinados nas Escrituras com suma clareza e proeminência. Ela virtualmente destrói a encarnação. Como se pode provar que a doutrina da encarnação é doutrina fundamental do evangelho? Io. condenando os nestorianos e afirmando a unidade da Pessoa. E impossível conciliá-la com os fenômenos da vida terrena de Cristo. Diz o Prof. ou não poderia morrer.

em 381d. veja acima. cerca do ano de 370. E a tendência de acentuar tanto a distinção das duas naturezas completas e não unificadas de Cristo que se torna obscuro o fato igualmente revelado da unidade da Sua Pessoa. ou (2) na negação do elemento humano em sua realidade e integridade. inclinando-se para o misticismo. Quais partidos negam a verdadeira humanidade de Cristo. Em nossos dias os racionalistas e os unitários. que não passava de uma visão ou fantasma através do qual o Logos quis manifestar-se aos homens por algum tempo. Em que consiste a heresia apolinariana? Apolinário. assim em Cristo o Logos divino toma o lugar do pnêuma humano. assim como o homem se constitui de um corpo. dedokéo. 6. Por isso os docetce (docetistas. Como se pode classificar todas as heresias sobre este assunto? No sentido de que elas procuram evitar a impossibilidade que a razão humana encontra na tentativa de compreender perfeitamente a compatibilidade mútua de todos os elementos desta doutrina. (1) na negação do elemento divino. Quais partidos sustentam que Jesus era mero homem? Na Igreja Primitiva os ebionitas e os alogi. Livrou-se ele assim da dificuldade ligada à existência de dois espíritos racionais. pág. os socinianos. ela tornou-se a característica geral dessa escola. antes que uma falsa doutrina positiva e definível. que é o Absoluto. A doutrina de Apolinário foi condenada pelo Concilio de Constantinopla. 21. em razão da sua influência.Neander. todos compreendidos em uma só pessoa. na de Antioquia predominava uma inclinação lógica e reflexiva da inteligência" ..concluíram a definição. epor quais motivos? Estas especulações tiveram todas uma origem gnóstica. bispo de Laodicéia. 19. sem nenhuma existência real e substancial. "Na escola de Alexandria predominava um modo intuitivo de pensar. pensar. ou grandes emanações espirituais de Deus. e abaixo. 20. No tempo da Reforma. Daí veio a convicção de que a matéria é má em si mesma. ensinava que. ou. autoconscientes e autodeterminantes na mesma pessoa. Tradução de Torrey. A teologia da Igreja Oriental dos séculos quarto e quinto estava dividida entre as duas grandes escolas rivais de Alexandria e de Antioquia. e da alma animal e corpo humanos. Cap. Ospnêumata vêm de Deus. anulou o fato revelado de que Cristo é ao mesmo tempo verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Essa tendência foi mais conspícua nos escritos de Teodoro de Mopsuéstia. Pergs. mas a matéria existe por si mesma e as almas animais vêm de um ser menor do que Deus. 2. 23. ao mesmo tempo. Em que consiste a heresia nestoriana? O termo nestoriano exprime uma tendência exagerada de especular sobre este assunto. medeiam entre Este e o mundo. no fim deste capítulo. parecer) sustentavam que a natureza humana (corpo e alma) de Cristo era um mero fantasma ou aparência. aperfeiçoada pouco a pouco. de uma alma animal e de uma alma racional. mas. e têm sido aceitas por todos os protestantes. e Sua Pessoa única se constitui do pnêuma divino.C. e que inúmeros ceons. 352. ou alma racional. . Quanto à sua história e suas doutrinas. supor. (3) na negação da unidade da Pessoa abarcando ambas as naturezas. 11 e 13. vol. 22./im. da Igreja sobre a Pessoa de Cristo. chefe da escola antioquiana. tido como ortodoxo e erudito. e.

Os que adotaram esta opinião foram chamados monofisitas.·. a Flaviano. Nestório. 2:7: "aniquilou-se a si mesmo". em 431 d. que Ele possuía uma só natureza. que adotou a fórmula comunicada por Leão. 26.. resultante da união da deidade com a humanidade. e uma enoikesis (presença permanente) da deidade. Em que consiste a doutrina moderna de Kénosis? A antiga doutrina sociniana ensinava que Jesus. Qual é a doutrina dos monotelitas? O Imperador Heráclio procurou reunir à Igreja os monofisitas adotando. . havia em Cristo uma só energia divino-humana e uma só vontade. Esta doutrina é ensinada com diversas modificações pelos doutores Thomasius. sucessor de Cirilo.·. e tem o apoio de declarações como : a de João 1:14: "o Verbo se fez carne.C.. pelo Logos. Ele censurou a aplicação da frase "Mãe de Deus" à virgem.. foi levado pelas tendências da escola egípcia (de Alexandria) a sustentar a perfeita união das duas naturezas. foi condenado pelo Concilio de Éfeso. mas que Deus tornou-se literalmente homem. J.C. ofDoct. Reubelt. Os eutiquianos ensinavam que a natureza humana de Cristo foi absorvida pela divina e assimilada a esta. pela qual foi exaltado a uma condição e a uma ordem intermediárias entre Deus e o universo. Cirilo. Vol. totus in nostris"(que afirma a totalidade da natureza divina e a totalidade da natureza humana na Pessoa de Cristo). numa obra muito bem traduzida (para o inglês) pelo Dr. . E derivado de Fil. como doutrina ortodoxa. contestou--o. ofDoct. sustentando. Em oposição a isto. com a cooperação do bispo de Roma. A doutrina moderna de kénosis (quénose) é que. Nestório. § 104. patriarca de Constantinopla: "Totus in suis. a decisão do Concilio de Calcedônia quanto à coexistência de duas naturezas distintas na Pessoa única de Cristo. W.Hagenbach. Com esta decisão completou-se a definição desta doutrina como esta é recebida pela Igreja toda. da Sua deidade. bispo de Roma. e é a vida do mundo. por convenção. segundo o modo antioquiano de pensar. como representante do seu partido. dando-Lhe assim o ter vida em Si mesmo. com a emenda de que. e habitou entre nós". O Filho. 24. Cirilo. § 100. ao contrário. o Grande. 1. verdadeiro homem. que havia sido monge em Antioquia. julgava que se devia distinguir claramente entre as naturezas divina e humana de Cristo e admitia somente uma synáfeia (junção) de uma e outra. -Hist. ■ :: 25. Ele comunica eternamente a plenitude da Sua essência e das perfeições divinas ao Filho. em conseqüência da união pessoal.Nestório. mas decidiu que sempre se deve conceber a vontade humana dEle como subordinada à vontade divina . O Pai só é de Si mesmo. Foram condenados pelo Concilio de Calcedônia. Hoffmann. no caso de Jesus. depois da Sua ascensão passou por uma apoteose. o Sexto Concilio Ecumênico de Constantinopla (681 d. o homem se tornou Deus e não foi unido pessoalmente à divindade. une-Se ao Pai na comunicação da Sua plenitude ao Espírito. de Hagenbach. j. Hist.. e ambos lançaram-se anátemas mútuos. 1. Ele levou a sua oposição aos nestorianos ao ponto de confundir as duas naturezas de Cristo. Os luteranos ensinavam que a natureza humana foi dotada de propriedades da divina. Ebrard. Martensen e outros.). duas energias. Gess. afirmando que Maria dera à luz ao Cristo e não a Deus. patriarca de Alexandria.:‫■ ■־‬ O termo kénosis significa um despejar voluntário de Si <‫| ׳‬ mesmo. 451 d. adotou a doutrina de duas vontades em Cristo. por isso.. Em que consiste a heresia eutiquiana ou monofisita? Eutico era abade em Constantinopla e discípulo extremo de Dióscuro.C. dimanando assim eternamente do Pai. e mui claramente pelo Dr.. veio a ser patriarca de Constantinopla. F. . tanto romana e grega como protestante. A.

8. ou como se. tem vida em Si assim como a tem o Pai. a natureza humana de Cristo se tivesse despido de suas propriedades . B. onisciente. Segue-se. Daqui se segue que Ele pode suspender Sua consciência de Si.do Pai é a fonte da Sua vida. e. e por isso estiveram suspensas a Sua onisciência. "É-me dado todo o poder no céu e na terra". pode distribuir Seu verdadeiro corpo e Seu verdadeiro sangue na Ceia do Senhor. a Sua volição quanto a receber a vida . dotado de graça preeminente e da plenitude do Espírito de Deus que nEle habitava. 4o. para cumprir (ou "encher") todas as coisas". e não há coisa alguma que Ele não possa fazer ou que Lhe seja desconhecida. tornou a começar a eterna e anteterrena comunicação da plenitude da vida divina. veja Humiliation of Christ (A Humilhação de Cristo).7. Quando Jesus foi glorificado. grega e protestante concordam todas em aceitar as definições dos credos de Nicéia e de Calce-dônia. Não é compatível com o fato de que Cristo. nem terrena. E esta presença de Cristo na Ceia não é física. Essa doutrina . Veja acima. . Quando a substância do Logos recobrou a Sua consciência de Si como o menino Jesus. e o Credo de Atanásio (assim chamado). 8. não se efetua segundo o modo e a propriedade da Sua natureza humana. A doutrina LUTERANA quanto às relações das duas naturezas: Formula Concordice. nem "capernáitica" (veja João 6: 52-59). do Pai ao Filho. 4. além disso.2. é verdadeira e substancial. e "subiu acima de todos os céus. 5. na terra e debaixo da terra. EXPOSIÇÕES AUTORIZADAS As igrejas romana. 2o." 3. Sua consciência de Si é Seu próprio ato. e muito facilmente. senão também como homem.Reubelt. E outra vez eterno. como se a humanidade de Cristo as tivesse subsistindo independentemente e separadas da Sua deidade. Admite-se em geral que é uma doutrina diversa da fé imemorial e universal da Igreja. de autoria do Dr. era Deus real e absoluto. e sim segundo o modo e a propriedade da mão direita de Deus. e Este. onipresente. pela qual o Filho tem vida em Si assim como a tem o Pai. Doct. Ele pode exercer este poder. não somente como Deus. quando na terra. Estando presente em toda parte. não é menos verdadeiramente Deus. gerada da semente de Abraão. §§ 11 e12: "Por isso. cap. Ele sabe todas as coisas e tem o poder de fazer tudo. contudo. o foi como um verdadeiro menino humano. Cap. e tem nas Suas mãos e debaixo dos Seus pés todas as coisas que estão no céu.Gess.. Tampouco é compatível com o fato de que a humanidade de Cristo foi uma humanidade real..Io. da glorificação do Filho e por ela" . Condescendendo em ser concebido no ventre da virgem. o Logos despiu-Se temporariamente da Sua consciência de Si e com ela da comunicação da vida do Pai ao Filho. É uma ofensa feita às infinitas perfeições e à imutabilidade da natureza divina." Parte 2 ("Solida Declaratio"). Per. A. Para uma discussão completa. Isso. 3o. Script. Bruce. Epitome. por essa comunhão. § 4: "Porque essa comunhão de naturezas e propriedades não é resultado de alguma efusão essencial ou natural das propriedades da natureza divina sobre a humana. embora continue a ser verdadeiramente humano. Christ. cap. que Ele. achando-Se presente. porém. onipotente. Parte 1. e Ele cresceu e se desenvolveram o Seu conhecimento e as Suas faculdades como um verdadeiro homem sem pecado. "Mas o Logos é Deus. "Assim um homem é admitido à vida trinitária da Deidade. a Sua onipresença e o Seu governo onipotente do mundo. está presente com todas as criaturas.

o Cristo.naturais. Moisés. o único Mediador entre Deus e o homem. O sentido de simples advogado ou intercessor. etc. De modo que duas naturezas inteiras. nem misturadas. 28:18 e 9:6. composição ou confusão. (2) Ele faz eficazmente reconciliação entre Deus e o homem por meio de uma expiação plenamente satisfatória e de uma obediência perfeita. da mesma substância e igual ao Pai. e. 11: "Reconhecemos. sem conversão. dizemos. sendo verdadeiro e eterno Deus. e segundo a Sua natureza humana consubstanciai conosco. Por isso nós de modo algum ensinamos que a natureza divina em Cristo tenha sofrido. ou fosse convertida na natureza divina. A doutrina das IGREJAS REFORMADAS: Confessio Helvetica Posterior. O sentido de internúncio ou mensageiro. tomou sobre Si. contudo. A qual Pessoa é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. para explicar a vontade e cumprir os mandados de uma das partes contratantes ou de ambas. homens.Mat. 2o. O sentido em que a palavra é especialmente empregada quando aplicada a Cristo. antes. 2. que apagam a propriedade da natureza humana. e em todas as coisas semelhante a nós. Neste sentido. como também uma natureza humana? .g. e. Quais os diversos sentidos da palavra Mediador. ou fosse em si e per se feita igual à natureza divina por meio dessas propriedades comunicadas dessa forma. segundo a Sua natureza humana. exceto no pecado. que faz dois Cristos de um só. e não dois. 3o. e. mas são. a segunda Pessoa da Trindade. 3:19. tenha até agora estado no mundo e assim em toda parte. a natureza do homem e todas as suas propriedades essenciais e suas enfermidades comuns. João 5:22. Disse Lutero: "Onde quer que colocardes Deus. Cristo. 25-27. sendo conservadas com suas propriedades permanentes. mas sem pecado." Confissão de Westminster.. ou que as propriedades e operações naturais fossem idênticas ou mesmo iguais. e dizemos que estas se acham juntas e unidas de tal modo que elas não são absorvidas. Cap. advogando a causa da parte ofensora na presença da parte ofendida. perfeitas e distintas. Porque estes e semelhantes erros têm sido rejeitados". e em qual destes sentidos é ela especialmente empregada quando aplicada a Cristo? Io. a deidade e a humanidade. da sua substância. sendo concebido pelo poder do Espírito Santo no ventre da virgem Maria. de modo que nós adoramos a um só Senhor. § 2: "O Filho de Deus. e a humanidade está unida mais intimamente a Deus do que a nossa pele está unida à nossa carne. não podem ser separados nem desunidos. assim como abominamos o dogma nestoriano. que em um e o mesmo Senhor Jesus Cristo há duas naturezas. e dissolvendo a união da Pessoa. quando havia chegado a plenitude do tempo. unidas e juntas em uma só Pessoa. é uma só Pessoa. verdadeiro Deus e homem. como Mediador. sim." 24 O Ofício Medianeiro de Cristo 1. cap. nem que Cristo. aí é necessário que coloqueis a humanidade (de Cristo). segundo a Sua natureza divina consubstanciai com o Pai. Por que foi necessário que o Mediador possuísse uma natureza divina. pois. foram unidas inseparavelmente em uma só pessoa. um só. Portanto. mais intimamente do que o corpo à alma". 8. um só Cristo. (1) tem entregues em Suas mãos todo o poder e todo o juízo . assim também execramos de coração a loucura de Eutico. nem confundidas. o pacificador eficiente. dos monofisitas e dos monotelitas. Gál.

a profética. em virtude da Sua natureza divina. os seus sofrimentos e as Suas tentações . E evidente que era necessário que o Mediador fosse Deus. 8:29.16. A Pessoa é muitas vezes designada por um termo derivado de uma das naturezas. porque "ninguém conhece o Pai. prestar à lei uma obediência voluntária e que não lhe devia por Sua própria conta. a fim de tornar possíveis a Sua obediência. (3) "Foi conveniente que ele se fizesse em tudo semelhante a seus irmãos..Io. a sacerdotal e a real . quanto à Sua Pessoa. e para que a Sua obediência e os Seus sofrimentos tivessem valor infinito. . 2o. Heb. pois. in loco) entre a Pessoa que age e a natureza ou a energia interna pela qual ela age. 4:15. (1) Para que representasse verdadeiramente os homens como o segundo Adão. em virtude da Sua natureza humana. Como se pode provar que Cristo era Mediador e que agia como tal tanto em Sua natureza divina como na humana? Io. Pelo fato de que o desempenho de cada uma das três grandes funções do ofício medianeiro . nas duas naturezas. 5. Veja Atos 20:28. e aquele a quem o Filho o quiser revelar" -Mat. para vir a ser um pontífice9 compassivo e fiel no seu ministério. 4. estando. 4:1-13. a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos" .18.5. acima de toda a lei. Como se pode classificar os atos de Cristo com referência a Suas duas naturezas? Os teólogos têm distinguido com propriedade (veja Turretino. 4:4. o conhecimento e o poder necessários para a administração dos reinos infinitos da providência e da graça que se acham entregues nas Suas mãos como o Príncipe medianeiro. quanto à dignidade da Sua natureza. a favor do Seu povo. e exemplo e modelo ao qual os que pertencem ao Seu povo foram predestinados "para serem conformes à imagem de seu Filho. a mesma pessoa faz estas duas classes de ações tão radicalmente distintas. 2:8. não poderia fazer eficazmente a paz.. e todos os atos que envolvem os atributos de uma natureza humana." (Figueiredo) . Também tem sido sustentada a opinião oposta. Pelo fato de se atribuírem na Bíblia todos os atos de Cristo como Mediador a uma só Pessoa.envolvem os atributos de ambas as naturezas. em Sua humanidade glorificada. senão o Filho. (4) Para que possuísse a sabedoria. em virtude das duas naturezas abrangidas por ela. 2o. (3) Para que.Heb. (2) Para que revelasse Deus e a salvação que dEle vem aos homens. (4) Para que. dizendo que era impossível que Deus intermediasse entre Si mesmo e os homens. enquanto a ação medianeira atribuída a essa Pessoa é feita evidentemente em virtude da outra natureza abrangida na Pessoa. Luc. Assim também a Pessoa única do Deus-homem realiza todos os atos que envolvem os atributos de uma natureza divina. (1) Para que fosse independente e não uma simples criatura de uma das partes.Rom. que pensa e que anda. Afirmamos assim a respeito do próprio homem. João 1:18. Neste caso. fosse o cabeça da Igreja glorificada. 11:27. Qual a diversidade de opiniões que existem sobre a questão sobre se Cristo age como Mediador em uma só natureza ou nas duas? Os católicos romanos sustentam que Cristo foi Mediador somente em Sua natureza humana.Gál. 1 Cor. que Cristo foi Mediador somente em Sua natureza divina. 9:14. considerada como abrangendo as duas naturezas. infinito. A doutrina bíblica é que Cristo foi Mediador como o Deus--homem. 2:17. pudesse. e sendo. Era evidentemente necessário que fosse homem. (2) Para que fosse feito debaixo da lei. de outro modo. com foi provado plenamente sob a Pergunta 2. a saber. 3.

Entre o indivíduo e Cristo .Heb. Porque. Perg. a Cristo. assim chamados. Não há lugar para nenhum outro mediador entre o indivíduo e Cristo . da verdadeira sucessão apostólica. Mat.·.Heb. Segundo as Escrituras.Heb. são mediadores Io.■■■. 3:22. da graça de Cristo.‫־?. 1:35. na terra e no céu . 16:14. mostra evidentemente que não o era só em Sua natureza humana. Como se pode provar que Cristo é o nosso único Mediador no sentido próprio desta palavra? Io. Porque oferecem o sacrifício da missa e fazem nela. Mat. Atos 4:12. uma verdadeira propiciação pelos pecados veniais do povo. 4:1. O Espírito desceu sobre Ele no Seu batismo. ‫־' ־' · ׳‬ 2o. a obra de propiciação propriamente dita. 5o. ': ‫׳-■׳‬ 3o. Por isso os seus sacerdotes. 10:14. 45:8. afirmam que os merecimentos dos santos são o motivo e a medida da eficácia da sua intercessão. 9:12. como dizem. Cristo desempenhou por nós todas as funções necessárias. Cristo cumpriu no Espírito todas as Suas funções medianeiras com o Seu ensino profético. todas essas funções foram por Ele desempenhadas exaustivamente . voltou Jesus para a Galiléia". 22. O romano.1 Tim. 1 João 2:1. João 3:34. e. segundo as Escrituras. Luc. tanto de propiciação como de intercessão. tendo o grande sacrifício de Cristo feito propiciação pelo pecado original e lançado o fundamento para a virtude propiciatória que pertence à missa. Porque. (2) porque a obra de atrair os homens trazendo-os a Cristo pertence ao Espírito Santo-João 6:44. "pela virtude do Espírito. Qual o sentido em que os católicos romanos têm os santos e os anjos na conta de mediadores? Eles não atribuem. 2o. mostra com igual clareza que não era Mediador somente em Sua natureza divina. em virtude da dignidade da Sua Pessoa e da perfeição da Sua natureza. 4:14. por meio da Igreja. O fato de que o Mediador o é desde a fundação do mundo (veja Cap. Seu sacrifício sacerdotal e Suas administrações reais. afirma que cada membro individual é unido imediatamente à Igreja. . 9. da mesma forma como se dá no caso de Cristo. Sal. por meio destes. sujeitos aos bispos apostólicos. sendo os únicos despenseiros autorizados dos sacramentos. a Cabeça. 2:10. "pelo Espírito eterno (Jesus) se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus" . 24. 2:17. . Col. são intercessores poderosos. ao contrário. não há salvação em nenhum outro. 9:14. segundo dizem. 2:40. 4o. (diretamente). e o fato de que o Verbo eterno encarnou-Se a fim de Se preparar adequadamente para a Sua obra medianeira (Heb.·׳ ״‬ 7. 8. Porque nEle há salvação perfeita. nem aos santos nem aos anjos. Até onde atribuem eles um caráter medianeiro a seus sacerdotes? O protestante sustenta que a Igreja é composta de uma companhia de homens unidos uns aos outros em virtude da união imediata de cada um deles com Cristo. levou-o para o deserto para ser tentado. segundo dizem. que convida todos a chegar-se a Ele imediatamente. A de gerar e dar preenchimento à Sua natureza humana. e. Contudo. Luc. 11:28. 7:25. 11).(1) porque Ele é nosso "irmão" e "sacerdote compassivo". . qual a relação do Espírito Santo com a obra medianeira de Cristo? 10. 2o. 3o.18). e ninguém pode vir ao Pai senão por Ele -João 14:6.■. 2:5. 6. Luc. Porque.־ .3o. Pelo testemunho direto das Escrituras .. .o elo necessário de união com Ele.

2:18. 7:1. Enquanto se diz que Cristo é nosso Mediador para interceder por nós no céu. sacerdote e rei? Io. é Rei sacerdotal e profético. quem primeiro agrupou estes três ofícios como pertencendo a Cristo (Livro 1. Foi Eusébio. como Mediador. 16:7-9. Assim como Cristo. mediante o Filho.3o. quando Cristo ensina.Rom. 14.1 João 2:4. 18:15. 5o. e toda a Epístola aos Hebreus. Assim.Ef. somente Ele. Nas ministrações do Espírito por Cristo. ao Pai. 110:4. 2o. a Cristo . Heb. conservando e operando todas as graças em Seu povo. 261-340 d. 1 Tim. .C. 8:26. como Mediador. traduzido "Consolador". 16:7. "o Santificador".Êx. o único Sumo Sacerdote de todos os homens. santificando. 10. e do Pai o único supremo Profeta dos profetas". Heb. a sacerdotal. ensinando. intercede por nós.João 14:16. e quando expia ou intercede é Sacerdote profético e real. 1. Apoc. Porque estas três funções são todas igualmente necessárias.. somente Ele. 27. a real. Qual o sentido bíblico da palavra profeta? Seu sentido geral é de alguém que fala por outrem com autoridade como intérprete. Atos 5:31. formando dentro de nós pensamentos e desejos segundo a vontade de Deus. e juntas exaurem toda a obra medianeira. é nosso "advogado" para com o Pai . como Mediador. Imediatamente. e ter controvérsia com o mundo . Rom. conferir Atos 3:22.18. pelo Espírito . 16:13. como quando (1) no mundo com os Seus discípulos e (2) como a luz da nova Jerusalém no meio do trono . Atos 2:33. cap. vivificando. mostrar-nos as coisas de Cristo. 8:34.l7:14. assim o Espírito Santo agora conduz. O ato de predizer eventos futuros é apenas incidental. o único Rei de toda a criação. 12:3. 1 Cor."De modo que todos estes têm referência ao verdadeiro Cristo. 7:37. A soma de tudo é que temos acesso ao Pai. 12. Cristo. 11. também se diz que o Espírito Santo. em Sua própria Pessoa. é essencialmente Mestre real e sacerdotal. mas no seu exercício elas se qualificam mutuamente em todos os atos. opera por Ele e dirige para Ele. conduzia. e sim três funções do ofício único e indivisível de Mediador. Atos 5:32. 4o. quando reina. Deut. 15:26. para ficar conosco para sempre. e como parte das condições da aliança da graça. o Verbo divino e celeste. 6o. Sal.Apoc. 3) . 26. Profeta de Deus é quem está qualificado e autorizado a falar por Deus aos homens. Devemos lembrar-nos sempre de que esses realmente não são três ofícios. quando no mundo. 7:25. Enquanto se diz que Cristo. 21:23. 6:15. Assim Moisés foi profeta para seu irmão Arão .2.João 15:26. e "o Consolador" -João 15:26. é revestido da dispensação do Espírito como "o Espírito da verdade". orando por nós com gemidos inexprimíveis . Estas funções são facílimas de distinguir no abstrato. sobre a terra. A profética. Como executa Cristo o ofício de profeta? Io. Qual o fundamento em razão do qual se aplicam a Cristo os três ofícios de profeta. 7o. 7:39. também se diz que o Espírito Santo é nosso "advogado". Porque a Bíblia atribui todas essas funções a Cristo.

Êx. 7:17. "Verbo". como também. 2o. 15. Heb. profeta é quem é qualificado e autorizado a falar por Deus aos homens. essencialmente mediador. admitido dentre os homens para apresentar-se a Deus. 11. 7. Seja santo.Núm. (b) por iluminação espiritual. 53:10.29. Já foi provado (Cap. . 9:6.Luc.Apoc. 5:8. O sacerdote era. 27:9.5. como o ministério estabelecido . Perg. Por Seu título divino de Logos. 9. Em três grandes passos sucessivos de desenvolvimento. (2) Pelos oficiais da Sua Igreja. pois. Tomado da Tipologia de Fairbairn. Êx 39:30. O sacerdote tem o direito de aproximar-se de Deus. sacerdote é quem é qualificado e autorizado a tratar com Deus a favor dos homens. 106:17.4. 12.21. Toda a significação e virtude do templo. 3o. 6:20. Como se pode provar pelo Velho Testamento que Cristo foi verdadeiramente Sacerdote? Io. Êx. 5:1-3 e (2) a fim de fazer intercessão . 2. no sentido geral. do seu serviço. e do sacerdócio levítico estava no fato de serem típicos de Cristo e da Sua obra como Sacerdote. 6:13.Is. (a) por inspiração. Cap. 5:1. Êx. 9:24. 14) que Ele é o Jeová (Iavé) da economia do Velho Testamento. que é um sacerdote no sentido bíblico desta palavra? Assim como. 110:4 com Heb. 21:23.Ef..2o. . Seja escolhido por Deus como Sua eleição e Sua propriedade especiais . 5o. Parte 3.‫׳‬ 3o. E necessário. 21:6. 4o. 15.Is. (2) depois da Sua encarnação. 14. 3o. como por Sua palavra e por Suas obras dirigidas ao entendimento. oferecer sacrifícios e fazer intercessão . assim também. 3. pois. 3o. Dan. 4:11. São-lhe atribuídas funções sacerdotais . 5:4. ou. 16:3. 30:8. Tanto externamente. Lev. 5:20. Anjo do testamento (aliança) Mal. 2o. Perg. 2o. Zac. 3:1. 4o. (1) por Seu Espírito. 1:10. 5:6. Heb.. moralmente puro e consagrado ao Senhor -Lev.12. Vol. Internamente.Núm. (1) Antes da Sua encarnação. Seja tomado dentre os homens para representá-los Heb. 16:5. É declarado expressamente. e (b) os dotados naturalmente.1 João 2:20. Isto a Epístola aos Hebreus prova claramente. Comparar Sal. e Cap. Intérprete10-Jó 33:23. (1) a fim de propiciar por meio de sacrifícios. 19:23. O fato é afirmado diretamente no Novo Testamento -1 Ped.25. Medíatamente.2. (a) os inspirados.~‫!־׳ ·■׳‬I ‫׳‬o. Apoc. ‫-׳‬u l ·.12. 16. 1:11. como apóstolos e profetas. como o eterno Revelador por natureza e também por ofício. É chamado Conselheiro . (3) durante a eternidade na glória . 13.23. Que é essencial ao ofício sacerdotal.31. 7:3. que o sacerdote . no sentido geral. pela iluminação espiritual do coração . Sal. Como se pode provar que Ele agiu como tal antes da Sua encarnação? Io.

18. Que esta obra intercessória realizada por Cristo foi real e não metafórica torna-se evidente pelo fato de que ela substituiu o serviço do templo. 4o. 7:24. pois. que parte Cristo executou na terra e que parte executa no céu? Na terra apresentou obediência. 7:20.22. podia aproximar-Se de Deus infinitamente mais do que qualquer outro ser-João 10:30. 2:17. Os sacerdotes araônicos eram só homens. Na dignidade de Sua Pessoa.Rom.Heb. 1 Tim. 10:12. Ele permanece para sempre . 7:26. Cristo foi tomado dentre os homens para representá--los diante de Deus . Heb.28. 4:15. os deles eram apenas uma sombra do de Cristo . 1:35. Eles sem juramento. Io. Rom. 3o. 8:34. Eles.16. Heb. e (2) de intercessão. 4o. 7:25. Como demonstrar que Ele realmente desempenhou todos os deveres do ofício sacerdotal? O dever de um sacerdote é mediar por meio (1) de propiciação. contudo.Heb. Assim. 20. Um tipo e sombra pressupõe necessariamente uma substância literal -Heb. Era perfeitamente santo . 10:4. 19. 8:6. No valor infinito do Seu sacrifício. Foi escolhido por Deus . Na realização de Sua obra sacerdotal. que era tão-somente um tipo dela. 10:1-3. 1 João 2:1.Heb. 2o. 13:7.25. Tinha o direito de perfeito acesso ao Pai.24. sem necessidade de repetição . 12:24. inocente. 10:1. Os sacrifícios dos outros sacerdotes não podiam tirar os pecados. Como se pode provar pelo Novo Testamento que em Cristo se achavam todos os requisitos de um sacerdote? Io. Col. 3o.27.Heb. 11:42. 1 João 2:2. Heb. Na maneira da Sua consagração. 7:26.Heb. sucederam-se por geração. 2:5. e foi oferecido uma só vez. Ele mediou no sentido geral da palavra .João 14:6.24. sendo muitos.Heb. 5:7-9. 10:10-14. imaculado . e com a maior influência-João 16:28. Era perfeito homem e. 17. Ele com juramento . 9:11. 7:24. 10:1. 9:26. 5:6. propiciação e intercessão -Heb.Heb.Heb. Ofereceu uma propiciação-Ef. Heb. Ele era santo.Luc. 5:19. Ele era o Filho eterno. 2:16. Em que aspectos foi mais excelente o sacerdócio de Cristo do que o de Arão? Io.14. Heb. Zac. 1:3. . 2o. Fez (e faz) intercessão . 3o. 9:12. Eles eram pecadores que tinham necessidade de oferecer sacrifícios primeiro pelos seus próprios pecados e depois pelos do povo. 9:10-12. e era preciso repeti-los continuadamente . 5:2. Heb. O sacrifício de Cristo foi perfeitamente eficaz. 9:26. No céu apresentou Seu sacrifício no mais santo lugar e O Ofício Medianeiro de Cristo vive sempre para interceder por nós Heb.

do qual a terra é o átrio e o céu o verdadeiro santuário . João 5:40. . Heb. 10:1.1 Cor. o Espírito Santo nos apresenta subitamente. quer ordinários quer extraordinários. 3o.37. 10:14. e com perfeição divina. De onde vem e para onde vai não sabemos. Foram duas. Melquisedeque. mas tipos são possíveis somente antes da revelação do antítipo. Constava de sacerdotes que não eram de linhagem real. sucessão ou fim. sem origem. como Esdras. 21. O fim por que foi instituído o sacerdócio araônico cumpriu-se em Cristo. 7o.Fairbairn.Rom. Col. Apoc. João 14:6. 20. 2. No Novo Testamento nunca se atribui nenhuma função sacerdotal a qualquer dos oficiais nele mencionados. sem mãe.Heb. Como se pode provar que o ministério cristão não é sacerdócio? Io.Heb. 7. ou Profeta e Sacerdote. ele tinha uma história não escrita. sacerdote e Rei. profeta. 4o. Não pode haver necessidade de sacerdote para abrir-nos caminho para Cristo. e por isso. 1 Ped.9. porque as Escrituras nos ensinam que é somente por Cristo que podemos chegar ao Pai. A profecia foi: "Tu és (ou serás) um sacerdote eterno. 2o.Mat. Como homem particular. 6:13.5o.18.5:2. Io. 7:3. 22:17. 2:10. Em que sentido Cristo foi sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque? O sacerdócio araônico foi típico de Cristo. como tipo exato da eternidade do sacerdócio de Cristo . e por isso a instituição sacerdotal foi abolida para sempre por Cristo . foi suscitado antecipadamente. Deste modo as Suas divinas perfeições proféticas e reais qualificaram e realçaram a virtude transcendental de todos os Seus atos sacerdotais . Enquanto alguns dos servos de Deus do Velho Testamento foram ao mesmo tempo profetas e reis. sacerdote real. as verdades prefiguradas a respeito de Cristo neste tipo: (1) um sacerdócio eterno. (2) a união das funções reais e sacerdotais numa só pessoa. como Davi. mas em dois principais aspectos deixou de representar o grande Antítipo.Heb. 20. segundo a ordem de Melquisedeque". Por outro lado. 3:20. 3. na história patriarcal. 1 Tim. .2. 9:11 -24. Vol. como sacerdote real. ele permanece para sempre sem pai. e também subitamente o retira. Ef. Todos os deveres de todos esses oficiais constavam só das funções de ensinar e governar .Sal. 3. 12:28. somente Cristo foi ao mesmo tempo.12.l-3. O sacerdócio de Cristo está ligado a "um tabernáculo maior e mais perfeito". 8:34. 11:28. assim como a têm os outros. Cap. Typology. Constava de sucessivas gerações de homens mortais. e com igual ênfase nos ensinam que nos é necessário chegar direta e imediatamente a Cristo . Parte 3. Cristo cumpre perfeitamente todos os deveres e fins do ofício sacerdotal. 110:4. 8:1. Em qualquer tempo os sacerdotes humanos eram possíveis somente como tipos. com os nomes significativos de "Rei de Justiça"e "Rei de Paz".Zac. Mas. quer inspirados quer não. 6o. pois. Cristo faz intercessão estando sobre um trono . como diz o Espírito Santo em Heb. Gên. 4:11. de modo que qualquer sacerdote humano (assim chamado) é um anticristo . 14:18-20.

oferecer e ministrar o Seu corpo e Seu sangue. que existe entre cada cristão e Cristo. tem ab-rogado todas estas coisas. e nove (Seção 7) com a discussão do Seu ofício real. mestres. Aquele é comum a todos os cristãos. é representada como constando principalmente da Sua apresentação de Si no céu como nosso Advogado. pois.9.. Conf. 1:6. e ensinou sempre a tradição da igreja católica.. que eram tipos de Cristo. como mostram as Sagradas Letras. Concilio de Trento... 1845. 10:19-22.í .5 o. que um e outro se encontram em todas as leis. Cap. No Novo Testamento de Cristo não há mais um sacerdócio tal como o que existiu entre o povo antigo. 2:5. A doutrina PROTESTANTE. todo crente tem parte no sacerdócio do Seu Cabeça num sentido tal que tem acesso imediato a Deus por Cristo. e só onze páginas (Seção 6) com a discussão do Seu ofício sacerdotal. pastores e presbíteros". Em que sentido todos os crentes são sacerdotes? Apesar de não poder existir na Igreja Cristã uma classe de sacerdotes que intervenham entre seus irmãos e Cristo. e pode fazer intercessão por seus amigos vivos . Sua morte e a maneira pela qual ela contribui para a nossa salvação são discutidas (Seção 5 do cap. 13:15.1 João 2:20.2. que tinha uma unção externa. e sim a oblação de louvor. Mas ocupa cento e oitenta páginas (Seção 5) com a discussão do Seu ofício profético. Veja Bibl. São chamados constantemente por nomes indicativos de uma classe inteiramente diversa de funções..io ‫׳·? ׳׳‬ EXPOSIÇÕES AUTORIZADAS A doutrina CATÓLICO-ROMANA do sacerdócio cristão. súplicas e ações de graças... arautos da salvação. como "sacerdote santo". contudo. este não. Pelo mesmo motivo eles são também profetas e reis em comunhão com Cristo . 5:10. até ao mais santo lugar . devemos também confessar que nela há um novo e visível sacerdócio. "sacerdote real". 1: "O sacrifício e o sacerdócio de tal modo são unidos por determinação de Deus. João 16:13. tais como "mensageiros. A doutrina SOCINIANA sobre os ofícios medianeiros de Cristo. sacrifícios espirituais.. o qual. e que. administradores. ao qual o antigo se transferiu. o qual deu aos apóstolos e seus sucessores no sacerdócio o poder de consagrar. pode oferecer ali. em conseqüência da união. Este sacerdócio. vindo e cumprindo-os. enquanto que a Sua obra sacerdotal. i^mory.. 18: "O ofício sacerdotal e o ofício ministerial diferem muitíssimo um do outro. 1 Tim. Porque o próprio Senhor nosso não ordenou tia Igreja do Novo Testamento nenhum sacerdote para oferecer diariamente o sacrifício do Seu corpo e do Seu sangue. sendo santificado e qualificado espiritualmente. e também de remitir e reter os pecados"... no Novo Testamento a igreja católica recebeu por instituição do Senhor o santo e visível sacramento da eucaristia. . Helv.Heb... 22. 23. 1 Ped. não damos o nome de sacerdote a ninguém da classe dos ministros. 8) sob o título de Seu ofício profético.Heb. . Vestimentas santas e numerosas cerimônias. Mas Ele permanece eternamente o único Sacerdote. Apoc. 2:1. por Jesus Cristo. foi instituído pelo mesmo Salvador nosso. unicamente ministros para pregarem e administrarem os sacramentos".q os.. a qual envolve comunhão com Ele em todas as Suas graças humanas e em todas as Suas funções medianeiras. governadores. discutida muito vagamente. não expiatórios. O Catecismo Racoviano ensina que Cristo é tanto Sacerdote como Profeta e Rei. sendo eficaz para com Deus a Sua intercessão em decorrência de Suas virtudes e de Seus sofrimentos como mártir.. e para que nada derroguemos dEle. 2: cap. Janeiro. Como. Sess. e sim. atalaias.. tanto federal como vital.tí~: .

Como o segundo Adão. 25 A Propiciação: sua Natureza.Rom. conquanto signifique propriamente expiação de culpa. a segunda a dívidas e coisas. mediante Sua obediência ativa.‫״‬OÃÇAFSITAS‫ ״‬Dessa forma se expressa acurada e adequadamente o que Cristo fez. em dívidas. Necessidade. um quid pro quo11 exato. 5o. e sim a satisfação legal que é o motivo dessa reconciliação. livra ipso facto. grau e duração. Seu significado correto é fazer reparação moral ou legal por uma falta cometida ou um mal praticado. efetuada no sofrer a pena do pecado. No Velho Testamento é empregada muitas vezes como tradução da palavra hebraica kafar. (2) Em crimes exige-se um sofrimento que. A palavra antiga empregada pelos teólogos do século 17 era . na coisa devida. 3o. quando permite que uma pessoa não obrigada desempenhe um serviço ou sofra um castigo no lugar de . 10).mi. a razão esclarecida julga exigida pela justiça. em dívidas o pagamento da coisa devida. Seu sentido é muito limitado para exprimir adequadamente a natureza completa da obra que Cristo realizou como nosso Substituto. não deixarão de ser a pena da lei. Distinção entre SATISFAÇÃO PENAL e SATISFAÇÃO PECUNIÁRIA.O significado do termo PENA. A palavra agora empregada para designar a natureza precisa da obra realizada por Cristo oferecendo-Se na cruz é "propiciação". Se um substituto submeter-se a esses sofrimentos. L. Perfeição e Extensão A NATUREZA DA PROPICIAÇÃO 1. A natureza e o grau dos sofrimentos podem com justiça ser mudados com a mudança da pessoa que os padece. e sua aceitação e a soltura do devedor não são questão de graça. ou o substituto incorre em falta. ela não exprime a reconciliação efetuada por Cristo. Ele cumpriu todas as condições da quebrada aliança das obras. porque. se de fato satisfizerem à lei. porém o caráter deles como pena permanece. Elas diferem: (1) Em crimes a exigência de se fazer expiação termina na pessoa do criminoso. Aí a palavra grega é traduzida por reconciliação. como foi deixada pelo primeiro Adão. seja quem for que o faça.14. (Turretino. 2o. Qs. e também no seu uso correto e teológico. e a conseqüente soltura do criminoso é questão de graça. cobrir por meio de um sacrifício expiatório. devido no caso de qualquer criminoso específico. com justiça. Substituição é o ato de graça de um soberano. 5:11. A primeira diz respeito a crimes e pessoas. em qualidade. No Novo Testamento (no inglês) a palavra encontra--se apenas uma vez . CASTIGOS e MALES PENAIS. (a) Ele sofreu a pena da transgressão. Males penais são sofrimentos infligidos com o desígnio de satisfazer as exigências da justiça e da lei. deixa inteiramente de exprimir o fato de que Cristo também adquiriu para nós. o prêmio positivo da vida eterna. 4o. Como se pode definir o uso e o verdadeiro significado dos diversos termos empregados na discussão deste tópico? Io. Castigos são sofrimentos com o fim de melhorar moralmente o sofredor. Significado das palavras SUBSTITUIÇÃO e VICÁRIO. (3) Em crimes é admissível um sofrimento vicário somente à discrição absoluta do soberano. em dívidas exige-se exata e unicamente a coisa devida. e a distinção entre CALAMIDADES. Calamidades são sofrimentos considerados sem referência alguma ao desígnio com que são infligidos ou permitidos. (b) Prestou a obediência que foi a condição para que houvesse "vida". Segundo o seu uso no Velho Testamento. Pena é essa espécie e grau de sofrimento que o legislador e juiz supremo determina como legalmente e.

como também a favor da pessoa originalmente obrigada. ou. mas que a redenção. Vol. Satisfactio exprime a qualidade e o efeito de toda a Sua obra terrena de obediência sofredora. Cristo.Heb. 8o. pág. Toda criatura moral. que fora rompida. em Hist. como é o caso constantemente nos clássicos. Weeks. em vez de (vice). a fim de propiciar a Deus. Isaac Barrows sobre Universal Redemption. isto é. W. ou como seu representante. O uso das palavras PROPICIAÇÃO e REDENÇÃO. Esta relação é "natural". e então significa o mesmo que propiciação . 356. foi feita indefinidamente a favor de todos os homens. 'federal" e "penal" que os homens mantêm com a lei divina? Io. Smith. Na teologia protestante exprime-se esta distinção empregando-se as expressões obediência ativa e passiva.Ef. e significa expiar a culpa do pecado. Impetração significa a obtenção meritória. e (b) como obediência às exigências da aliança.) (2) Nos tempos modernos alguns defensores calvinistas de uma propiciação indefinida distinguem assim entre os dois termos: dizem que a propiciação. (a) o ato de um só substituto pagando esse resgate. calvinistas e arminia