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NOSSA MISSÃO É PROMOVER MUDANÇAS

As Empresas & A Biodiversidade

É PROMOVER MUDANÇAS As Empresas & A Biodiversidade Um Manual de Orientação para Ações Corporativas World
É PROMOVER MUDANÇAS As Empresas & A Biodiversidade Um Manual de Orientação para Ações Corporativas World

Um Manual de Orientação para Ações Corporativas

Um Manual de Orientação para Ações Corporativas World Business Council for Sustainable Development Conselho

World Business Council

for Sustainable Development

Conselho Empresarial Brasileiro

para o Desenvolvimento Sustentável

ANOS
ANOS

AGRADECIMENTOS

Os autores deste Manual, Coralie Abbott, Cherryl André de la Porte, Robert Barrington, Nick Bertrand, Christine Carey, Albert Fry, Andrés Prag e Frank Vorhies, representam as instituições a que são filiados: Earthwatch Europe, IUCN e WBCSD.

Os autores agradecem Steve Hounsell, Sachin Kapila, Jeff McNeely, Keith Miller, Caroline Mitchell, Katherine Reed, David Richard, Chris Spray e Richard Sykes pela revisão crítica do texto e por e outras formas de contribui- ção igualmente valiosas.

Gostaríamos também de agradecer o patrocínio das seguintes empresas:

3M

BP CEMEX Department for Environment, Food & Rural Affairs (Defra), United Kingdom DuPont Novartis Nothumbrian Water Ontario Power Generation Pluspetrol Peru Corporation Rio Tinto RMC Group Royal Dutch / Shell Group of Companies Wildlife Conservation Research Unit (‘Unidade de Pesquisa da Conservação da Vida Selvagem’, da Universidade de Oxford)

CAPA Pesquisa Genética Kudu em Movimento Floresta Tropical

DECLARAÇÃO

Este manual foi elaborado por Earthwatch Europe, IUCN – the World Conservation Union - e World Business Council for Sustainable Development. As citações apresentadas e o conteúdo desta publicação não constituem, absolutamen- te, a expressão da opinião destas instituições quanto à legalidade de qualquer país, território, cidade, área ou suas respectivas autoridades, assim como as suas fronteiras ou limites geográficos.

Do mesmo modo, as visões apresenta- das nesta publicação não refletem necessariamente as visões do Earthwatch Europe, do IUCN ou do World Business Council for Sustainable Development; a citação de marcas comerciais ou de processos comerciais também não constitui qualquer endosso por parte das instituições acima citadas.

Havendo a devida referência à fonte, esta publicação poderá ser reproduzida em parte ou em sua totalidade ou ainda de qualquer outra forma para fins educacionais ou não lucrativos sem a necessidade de permissão especial dos detentores dos direitos autorais.

No entanto, esta publicação não poderá ser utilizada para revenda ou para qualquer outro fim comercial sem permissão por escrito concedida previamente pelos detentores dos direitos autorais.

PEDIDOS DE PUBLICAÇÕES

WBCSD, Earthprint Limited Tel: (44 1438) 748111 Fax: (44 1438) 748844 E-mail: wbcsd@earthprint.com

As publicações estão disponíveis nos seguintes websites:

http://www.wbcsd.org. e http://www.earthprint.com

Publicação original em papel fabrica- do com celulose alvejada totalmente sem cloro.

Copyright © 2002 Earthwatch Institute (Europe), International Union for conservation of Nature and Natural Resources, World Business Council for Sustainable Development. Todos os direitos reservados. ISBN 2-940240-28-0 Publicado originalmente por ATAR Roto Presse SA, Suíça

CRÉDITOS

Diretor do Projeto: Frank Vorhies Editor: Nick Bertrand Capa: Michael Martin Produção: Cherryl André de la Porte

Esta publicação foi originalmente produzida em inglês pelo World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), entretanto, este Conselho não se responsabiliza por qualquer inconsis- tência decorrente de tradução.

PREFÁCIO

A Biodiversidade é a célula mãe do

desenvolvimento sustentável, pois afeta a qualidade da vida humana e constitui um componente essencial da sustentabilidade de toda a atividade humana, incluindo a atividade econômi-

ca. Com este Manual pretendemos atrair

a atenção da comunidade empresarial

para a importância da biodiversidade. Sendo assim, o Sumário Executivo tem como leitor-alvo os líderes empresariais, enquanto que o texto principal é endereçado aos responsáveis por Saúde, Segurança e Meio Ambiente ou Desen- volvimento Sustentável nas empresas.

Em Junho de 1997, o World Conservation Union (IUCN) e o World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) elaboraram o Business and Biodiversity, a Guide for the Private Sector (‘As Empresas e

a Biodiversidade - Um Guia para o Setor

Privado’), o qual discutiu, sob várias óticas, porque as empresas devem se envolver no debate sobre a biodiversidade, apresen- tando também diversas sugestões para uma participação mais eficaz.

A seguir, o Earthwatch Europe aderiu à

parceria entre o IUCN e WBCSD para promover a interação entre biodiversidade e as comunidades empresariais através da elaboração de um relatório atualizado, este que aqui apresentamos: As Empresas e a Biodiversidade – um Manual de Orienta- ção para Ações Corporativas.

Este Manual complementa a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) de 1992, o mais importante acordo interna- cional sobre biodiversidade, assentado sobre os três componentes da biodiversidade: ecossistemas, espécies e genes. A Convenção estabelece como seus três objetivos fundamentais:

1. A conservação da biodiversidade,

2. O uso sustentável dos recursos biológicos,

3. A distribuição eqüitativa dos benefícios advindos do uso da biodiversidade.

A biodiversidade está em toda parte e

todos somos responsáveis por ela. O conceito de biodiversidade vai além do uso racional da natureza e dos recursos naturais por parte das empresas de extração de recursos: instituições financeiras, empresas de bens de consumo, companhias de serviços e de informações tecnológicas também são

responsáveis pelos três objetivos funda- mentais determinados pela Convenção.

O Earthwatch Europe, o IUCN e o World

Business Council for Sustainable Development esperam que um número

cada vez maior de organizações de todos

os segmentos do setor privado aceite o

desafio imposto por esses objetivos, integrando as questões de biodiversidade aos seus sistemas de gestão e tomando atitudes concretas para a conservação da biodiversidade. É importante que mais e mais empresas compreendam que a biodiversidade é a base para a sustentabilidade das gerações futuras.

Este Manual chama a atenção dos

leitores para os caminhos que diversas empresas que aceitaram esse desafio estão trilhando. Essencialmente, este

Manual

• Advoga a biodiversidade como uma prática corporativa,

• Identifica as questões corporativas referentes à biodiversidade,

• Fornece orientações para o desenvolvimento de ações corporativas pró- biodiversidade.

As empresas e organizações que apoiaram financeiramente a produção deste Manual são mencionadas na seção Agradecimentos na contra-capa. Além destas, muitas outras empresas enviaram

valiosas contribuições sob a forma de casos de estudo com evidências tangíveis

de ações corporativas para a conservação

e enriquecimento da biodiversidade.

Nossos agradecimentos especiais a Wildlife Conservation Research Unit (WildCRU) da Universidade de Oxford por sua extraordinária colaboração na elaboração deste Manual. A Universida- de tem conduzido cursos e apresentações para gerentes de empresas orientando- os sobre como tornar a biodiversidade um componente inerente às operações diárias de suas empresas.

O desenvolvimento sustentável compre-

ende todas as ações que atendem às necessidades das gerações atuais ao mesmo tempo em que preservam os ecossistemas, as espécies e os componen- tes genéticos que constituem a biodiversidade, a qual, por sua vez, é um fator crucial para que possamos atender às demandas das gerações futuras. O Earthwatch Europe, o IUCN e o WBCSD apresentam este Manual ao Rio + 10 em Johanesburgo (WSSD – ‘World Summit for Sustainable Development’) como uma contribuição à importante agenda sobre a atividade econômica e a biodiversidade.

agenda sobre a atividade econômica e a biodiversidade. Robert Barrington CEO do Earthwatch Europe Achim Steiner

Robert Barrington CEO do Earthwatch Europe

biodiversidade. Robert Barrington CEO do Earthwatch Europe Achim Steiner Diretor Geral do IUCN – The World

Achim Steiner Diretor Geral do IUCN – The World Conservation Unit

Diretor Geral do IUCN – The World Conservation Unit Björn Stigson Presidente do World Business Council

Björn Stigson Presidente do World Business Council for Sustainable Development

ÍNDICE Prefácio . . . . . . . . . . . . .
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ÍNDICE

Prefácio

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3

Sumário

Executivo

 

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6

1.

A biodiversidade como uma prática corporativa

 

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1.1

O que é biodiversidade?

 

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1.2

O que podemos efetivamente

 

fazer pela biodiversidade?

 

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1.3

Biodiversidade e Responsabilidade

 

Social

Corporativa

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1.4

Gestão dos riscos da biodiversidade

 

15

1.5

Trabalhando as oportunidades

 

de biodiversidade

 

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1.6

A biodiversidade como uma prática corporativa

 

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2.

Questões corporativas referentes à biodiversidade

 

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2.1

Questões referentes aos ecossistemas

 

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2.2

Questões

especiais

 

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2.3

Questões sobre recursos genéticos

 

33

2.4

A identificação e priorização das questões

 

referentes

à

biodiversidade

 

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3.

Ações corporativas pró-biodiversidade

 

36

3.1

As principais etapas do plano de ações corporativas

 

37

3.2

Os elementos chave do plano de ações corporativas pró-biodiversidade

 

45

3.3

As empresas

e a biodiversidade

 

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53

O Capítulo 1, A biodiversidade como uma prática corporativa, discorre sobre a gestão da biodiversidade
O Capítulo 1, A biodiversidade como uma prática corporativa, discorre sobre a gestão da
biodiversidade como uma postura corporativa responsável, uma questão de fundamental importância.
Aqui explicamos o conceito de biodiversidade e os três objetivos da Convenção sobre Diversidade
Biológica: conservação, uso sustentável dos recursos biológicos e distribuição eqüitativa dos benefícios.
Exploramos, também, os riscos e as oportunidades que a biodiversidade representa para a atividade
econômica e as visões de empresas que reiteram nosso posicionamento em relação à biodiversidade.
O Capítulo 2, Questões corporativas referentes à biodiversidade, analisa questões de importância específica para o
O Capítulo 2, Questões corporativas referentes à biodiversidade, analisa questões de
importância específica para o setor empresarial. Discutimos aqui algumas lições que aprendemos
com o mundo corporativo que podem ser aplicadas a questões tais como áreas de proteção
ambiental e ‘hotspots’ 1 , espécies ameaçadas, a invasão de determinadas áreas por espécies não
endêmicas e o acesso aos recursos genéticos. Apresentamos também recomendações sobre como
uma empresa deve identificar e priorizar as questões de biodiversidade que lhe dizem respeito.
O Capítulo 3, Ações corporativas pró-biodiversidade, apresenta um ponto de partida para as empresas lidarem
O Capítulo 3, Ações corporativas pró-biodiversidade, apresenta um ponto de partida
para as empresas lidarem com questões referentes à biodiversidade e desenvolverem um
plano de ações. Oferecemos orientações práticas para as empresas integrarem a
biodiversidade aos seus programas ambientais e de responsabilidade social. Apresentamos a
estrutura e os elementos chave de um plano de ações corporativas pró-biodiversidade ilustra-
dos por exemplos de práticas corporativas já existentes.

1 NT = Termo utilizado formalmente pela Conservation International para designar uma área de alta concentração de espécies naturais, grande ameaça à diversidade das espécies ou ambos.

© RIO TINTO

As Empresas & A Biodiversidade: Um Manual de Orientação para Ações Corporativas

Sumário

Executivo

A biodiversidade constitui o sistema de apoio à vida em nosso plane-

ta. A população mundial atual, pouco mais de seis bilhões de pessoas, atingirá a marca dos oito ou nove bilhões em 2050. Sua sobrevivência dependerá da biodiversidade do planeta, traduzida nas diferentes formas de ecossistemas, espécies e material genético. As opiniões podem divergir sobre o grau de perda, mas indubitavelmente ecossistemas, espécies e genes estão sofrendo baixas ou sendo ameaça- dos em proporção jamais vista anteriormente. Tais baixas minam a riqueza natural de nosso planeta e ameaçam nossa sustentabilidade futura. Este Manual parte da premissa que as empresas e a sociedade em geral compartilham a mesma responsabilidade pela atual situação de deterioração do planeta, assim como por apresentar soluções para a melhoria desta situação.

A atividade econômica pode ter um papel extremamente positivo na

conservação da biodiversidade. E felizmente, a defesa da integração das questões referentes à biodiversidade aos principais sistemas de gestão corporativa está se tornando cada vez mais forte e sendo abraçada por mais e mais empresas.

Ecossistemas saudáveis são vitais para a existência de pessoas sadias, empresas sustentáveis, economias sólidas e, conseqüentemente, o desenvolvimento sustentável.

Biodiversidade e desenvolvimento sustentável

A atividade econômica está ligada a nossa

sobrevivência e para sobreviver, a ativida- de econômica deve gerar lucros. No entanto, hoje muitas empresas reconhe-

cem que o desenvolvimento sustentável em longo prazo depende de um bom desempenho ambiental e social. Este

Manual advoga a biodiversidade associada

a um bom desempenho ambiental,

econômico e social, sendo estes elementos consistentes com os três objetivos da Convenção sobre Diversidade Biológica:

conservação, uso sustentável e distribuição eqüitativa dos benefícios gerados.

Quando as empresas começaram a demonstrar alguma preocupação pelas questões ambientais, sua ótica era inicialmente determinada pelos riscos ou

custos decorrentes. Atualmente, as questões ambientais representam uma vantagem competitiva, uma forma de reduzir desperdícios, de evitar poluição e, conseqüentemente, de oferecer produtos e serviços de melhor qualidade. Neste Manual, no entanto, vamos além, fazendo

a seguinte colocação: ao ignorar a

biodiversidade a empresa coloca-se em risco. Assim como em relação a outras questões ambientais, deparamo-nos com riscos decorrentes da biodiversidade, mas também com oportunidades geradas pela biodiversidade, oportunidades essas de avaliação e de gestão que nos possibilitam melhorar nosso desempenho corporativo. Além disso, não podemos esquecer a importância ética das questões de biodiversidade. As empresas devem gerenciar os impactos que a biodi-

versidade acarreta simplesmente porque essa é a atitude correta a ser tomada.

Assumir a co-responsabilidade e efetiva- mente agir pró-biodiversidade não constitui, de forma alguma, uma obra de caridade. Ações filantrópicas para a conservação da natureza são sempre bem-vindas, mas nada pode substituir a gestão ativa da biodiversidade nas

Sumário executivo

operações do dia a dia de uma empresa. Este Manual advoga a integração das questões de biodiversidade aos sistemas de gestão corporativa. Ecossistemas saudáveis são vitais para a existência de pessoas sadias, empresas sustentáveis, economias sólidas e, conseqüentemente,

o desenvolvimento sustentável.

A diversidade da atividade econômica Nem toda a atividade econômica é igual:

para as empresas de exploração de recursos naturais – atividade florestal, pesca, recursos hídricos, mineração, petróleo e gás – a biodiversidade está mais intimamente ligada à gestão dos ecossistemas. Em primeiro lugar, essas empresas precisam ir atrás dos recursos existentes. A seguir, precisam demonstrar sua habilidade em extrair esses recursos com o menor impacto possível à biodiversidade. E ao longo de todo o processo, precisam obter permissão do governo – a licença ‘formal’ de opera- ção, assim como a licença ‘informal’ de todos os envolvidos (por exemplo, das comunidades locais, das Ongs, da comunidade acadêmica).

Uma determinada empresa terá alcançado um desempenho ‘excelente’

se puder comprovar que a sociedade e

a biodiversidade encontram-se em

melhores condições ao longo e ao término de determinado projeto do que se encontravam quando o projeto se iniciou. Por outro lado, uma outra empresa terá alcançado um desempe- nho ‘sofrível’ se tiver que comprovar que os danos causados à biodiversidade foram minimizados ou anulados por

outras ações por ela tomadas.

Para a indústria florestal, que depende de recursos renováveis, a questão centra-se na gestão ou manejo florestal sustentável, ou seja, no reflorestamen- to, na conservação dos habitats originais, no manejo da erosão genéti- ca, e na gestão total de um infindável ciclo natural sustentável.

As Empresas & A Biodiversidade: Um Manual de Orientação para Ações Corporativas

A biodiversidade está em toda parte, e todos somos responsáveis por ela.

Para a indústria pesqueira, a questão centra-se no esgotamento da base de recursos oceânicos renováveis por uma pesca intensiva com um número excessi- vo de barcos e utilizando tecnologias que destroem a biodiversidade marinha da qual a própria indústria pesqueira depende. Para as empresas envolvidas com o suprimento e tratamento de recursos hídricos, a questão consiste em conscientizar todos os seus clientes a prevenir a poluição e a gerenciar os níveis de consumo. Uma boa gestão de ecossistemas naturais garante água limpa para as futuras gerações.

Para as empresas envolvidas na extração de recursos não renováveis, a questão primor- dial concentra-se nas práticas de gestão ambiental adequadas. Uma gestão inade- quada pode resultar na perda da licença de operação ou na perda de oportunidades de negócios futuros. Uma empresa que perdeu sua reputação dificilmente sobreviverá em mercados competitivos.

Para as indústrias de produção, as questões referentes à biodiversidade podem afetar a localização de suas instalações ou acarretar alterações em seus processos de modo a garantir que sua produção não cause impactos adversos à biodiversidade. No setor farmacêutico, o acesso à biodiversidade traduz-se na produção de importantes medicamentos para diversas doenças e em garantir que os proprietários originais dessa biodiversidade usufruam seus benefícios de maneira eqüitativa.

Para a maior parte da indústria de serviços, as questões referentes à biodiversidade estão associadas essenci- almente com sua reputação e imagem pública, mas também podem estar ligadas ao consumo de recursos que afetem a biodiversidade, como por exemplo, no setor de turismo.

No cômputo geral, a biodiversidade está em toda parte, e todos somos responsá- veis por ela. Todas as empresas, mesmo

aquelas localizadas em zonas urbanas, podem dar uma contribuição positiva à biodiversidade. Além disso, a maior parte da atividade econômica não está inserida em um contexto global ou multinacional: precisamos engajar as empresas domésticas, as empresas de pequeno e médio porte e as cooperati-

vas artesanais nesse posicionamento pró- biodiversidade. Principalmente nos países em desenvolvimento, as empresas locais e as pequenas e médias empresas podem ter um papel fundamental para

a conservação da biodiversidade. Apesar

da maioria dos exemplos citados neste Manual serem de grandes empresas, esperamos que estes exemplos motivem

a comunidade empresarial como um

todo a ‘pensar globalmente’ mas a ‘agir localmente’ no tocante à biodiversidade.

Biodiversidade e riscos Se não lidarmos com as questões referen- tes à biodiversidade adequadamente, poderemos impor riscos à atividade econômica. A posição de uma empresa no mercado - e sua lucratividade - pode ser ameaçada pelos seguintes riscos:

• Questionamento de sua licença legal de operação,

• Ruptura de sua cadeia de suprimentos,

• Danos à imagem de sua marca,

• Boicote por parte dos consumidores e anti-campanhas promovidas por Ongs ambientalistas,

• Multas, sinistros por danos ambientais a terceiros e futuras responsabilidades ambientais,

• Baixo desempenho e valor nos mercados financeiros, e

• Baixo moral de seus colaboradores e redução de sua produtividade.

Esses riscos precisam ser cuidadosamente avaliados e gerenciados.

Biodiversidade e oportunidades Por outro lado, a preocupação com a biodiversidade gera múltiplas oportuni- dades, tais como:

Não existe uma fórmula única aplicável a todas as empresas: ações de biodiversidade deverão ser individualizadas para atender a necessidades específicas.

• Garantia de licença de operação,

• Fortalecimento da cadeia de supri- mentos,

• Melhor relacionamento com todos os stakeholders,

• Imagem mais positiva junto aos consumidores éticos,

• Garantia de crescimento sustentável,

• Atrair a atenção de investidores socialmente responsáveis, e

• Melhoria na produtividade dos colaboradores.

Este Manual apresenta exemplos de todas essas oportunidades de negócios as quais constituem, na verdade, o outro lado da moeda dos riscos, pois uma gestão competente sempre consegue transfor- mar riscos em oportunidades.

Ações corporativas pró-biodiversidade Tendo reconhecido a biodiversidade como uma prática corporativa, as empresas precisarão desenvolver planos de ações e políticas de conservação da biodiversidade integradas às suas atividades. Não existe uma fórmula única aplicável a todas as empresas:

ações de biodiversidade deverão ser individualizadas para atender a necessidades específicas.

O Capítulo 3 deste Manual detalha um possível caminho a ser trilhado, ou uma checklist para as empresas desenvolverem seus planos de ações, a saber:

1. Advogue o conceito de biodiversidade como uma prática corporativa,

2. Identifique um ‘campeão’ de biodiver- sidade em nível sênior na empresa,

3. Conduza uma avaliação da biodiversidade,

4. Garanta o endosso de toda a diretoria,

5. Desenvolva uma estratégia corporativa para a biodiversidade,

6. Desenvolva um plano de ações corporativas para a biodiversidade,

7. Implante efetivamente esse plano de ações.

Sumário executivo

A partir das informações colhidas na

etapa de avaliação da biodiversidade e da meta definida pela estratégia corporativa, o plano de ações pró-biodiversidade deverá indicar claramente como essa estratégia será implantada, designar responsabilida- des para cada atividade, determinar onde essas atividades serão desenvolvi- das e os envolvidos, como o progresso será medido e estabelecer um prazo para cada etapa.

Esse plano deverá cobrir uma variada

gama de ações que se entrelaçam em todos os níveis e instalações da empresa.

A ênfase deverá ser sempre o desenvolvi-

mento e a implantação de programas que integram as questões referentes à biodiversidade aos sistemas de gestão já existentes, assim como na determinação

de prioridades e objetivos dessas questões de biodiversidade dentro do contexto local e nacional.

Conclusões

• A biodiversidade é um elemento crucial em qualquer estratégia de desenvolvimento sustentável em longo prazo.

• Advogamos a integração das questões referentes à biodiversidade aos principais sistemas de gestão, de modo a gerenciar os riscos, capitalizar as oportunidades e atingir as metas de responsabilidade social corporativa.

• Muitas empresas ignoraram as questões referentes à biodiversidade por muito tempo – um tempo longo demais. Este Manual fornece a logística necessária para que ações corporativas pró-biodiversidade sejam agora implantadas.

© UNILEVER

As Empresas & A Biodiversidade: Um Manual de Orientação para Ações Corporativas

1. A biodiversidade

como uma prática corporativa

Mais e mais empresas reconhecem que um sucesso comercial duradouro

depende da integração das questões ambientais e sociais a seus planos de negócios. Igualmente, a responsabilidade social e ambiental tornou- se um fator essencial para o sucesso. Houve um progresso significativo em muitas empresas, por exemplo, em relação àquelas questões ambientais ‘marrons’, tais como poluição e resíduos, mas, ainda man- tendo a analogia com cores, as questões ambientais ‘verdes’, como a gestão dos ecossistemas e o uso sustentável dos recursos biológicos, ainda não são bem compreendidas quanto às responsabilidades, riscos

e oportunidades que representam para a atividade econômica. Este

Manual define o conceito de ‘biodiversidade’ e explica porque e como as empresas devem tratar as questões referentes à biodiversidade.

A

expressão ‘atividade econômica’ engloba uma ampla gama de atores

e

abrange setores tão diversos como o das indústrias extrativas (mine-

ração, petróleo e gás); o setor bancário e financeiro; as atividades diretamente ligadas à biodiversidade, como a agricultura, a pesca, a atividade florestal e os recursos hídricos; o setor de turismo; de ener- gia; as empresas de produção; e várias outras. A atividade econômica também opera em diferentes escalas: desde atividades artesanais em pequena escala até empresas de pequeno e médio porte e as multinacionais globais. Estas empresas apresentam necessidades bastante diversas também. Ao mesmo tempo em que neste Manual apresentamos uma visão geral e uma logística para as atividades corporativas e as questões referentes à biodiversidade, reconhecemos esta diversidade e a necessidade de um tratamento individualizado para cada atividade no que se refere à biodiversidade.

A biodiversidade refere-se à variedade de formas de vida na Terra.

Para uma empresa, uma perspectiva de ecossistema determina onde suas atividades se encaixam dentro de um contexto ecológico mais amplo.

1.1 O QUE É BIODIVERSIDADE?

A biodiversidade como uma prática corporativa

O

termo Biodiversidade refere-se à

sistemas marinhos (ex: recifes de corais,

Para uma empresa, uma perspectiva de

A atividade econômica também depende

Espécies

variedade de formas de vida na Terra, incluindo a ampla gama de populações geneticamente distintas de cada espécie, assim como todas as várias espécies, comunidades e ecossistemas dos quais fazem parte. Por ser tão abrangente, este

conceito aplica-se a toda a ecosfera, seus ecossistemas e componentes vivos e os processos ecológicos e evolucionários que

zonas de marés) e sistemas de águas continentais (ex: lagos, rios e alagados).

ecossistema determina onde suas atividades se encaixam dentro de um contexto ecológico mais amplo, seja uma fábrica instalada ao lado de um rio tropical, uma serraria em uma floresta

os

mantém em funcionamento e constan-

temperada, uma plataforma de perfura-

evolução. A Convenção sobre Diversi-

te

dade Biológica (CDB), um dos acordos mais importantes assinados na Eco 92 no Rio de Janeiro, adotada por mais de 180 países, assim define biodiversidade:

ção no Mar do Norte, um gasoduto cruzando a tundra no Ártico, ou um resort turístico na encosta de uma montanha.

de serviços apoiados nos ecossistemas,

“a

variedade de organismos vivos de

principalmente no que se refere à a sua

todo o tipo de fonte, incluindo, inter alia, organismos terrestres, marinhos e de outros ecossistemas aquáticos e os

assimilação e tratamento de resíduos. No entanto, muitos ecossistemas estão sendo degradados por atividades não sustentá-

complexos ecológicos dos quais fazem parte; isso abrange a diversidade dentro

veis, acarretando conseqüências gravíssimas como o consumo de recursos

das próprias espécies, entre as espécies e

em uma progressão superior a seus níveis

os

ecossistemas.”

naturais de reposição ou efluentes

Desde 1992, os especialistas e os redatores de políticas de biodiversidade adotaram uma visão de biodiversidade subdividida em três níveis: ecossistemas, espécies e genes. Estes níveis ou compo- nentes representam uma perspectiva mais prática para as empresas no tocante à biodiversidade. No próximo capítulo, estes três níveis constituirão o ponto de partida para explicarmos questões essenciais da biodiversidade.

Ecossistemas

excedendo sua capacidade de assimila- ção de resíduos. O saldo final é a depleção do capital natural.

Uma espécie é um grupo de organismos caracteristicamente distinto de outros grupos, tipicamente reconhecido por sua combinação de características físicas e biológicas. Indivíduos de uma mesma espécie acasalam somente entre si e apresentam uma distribuição geográfica única em habitats específicos. As espécies podem ser divididas em categorias, tais

A

CDB define um ecossistema como

como bactérias, fungos, moluscos,

“um complexo dinâmico de comunidades

crustáceos, insetos, plantas, répteis, anfíbios, aves, peixes e mamíferos. Até

vegetais, animais e de micro-organismos

hoje, 1.750,0000 espécies foram catalo-

e

seus ambientes não-vivos que

gadas, mas este número representa uma

interagem como uma unidade funcional.”

pequena porcentagem do número total de espécies existentes na natureza.

Exemplos de ecossistemas incluem florestas (ex: mangues, florestas tropicais

e florestas temperadas), pastagens e savanas (ex: pradarias e pampas), alagados (ex: pântanos e turfas),

As atividades econômicas causam impactos positivos e negativos em inúmeras espécies. Os processos de produção de alguns setores, como a

As Empresas & A Biodiversidade: Um Manual de Orientação para Ações Corporativas

agricultura e a atividade florestal, dependem diretamente dos recursos naturais. Na verdade, todos os setores econômicos e todas as pessoas deste planeta dependem dos recursos biológicos – principalmente para sua alimentação.

Todos os setores econômicos, na verdade todas as pessoas deste planeta dependem dos recursos biológicos.

A CDB fornece tanto uma plataforma de estratégias globais quanto orientações específicas para as empresas desenvolverem estratégias corporativas e planos de ações pró-biodiversidade.

Recursos Genéticos Material genético é assim definido pela CDB:

“Qualquer material de origem vegetal, animal ou microbial que contenha unidades funcionais de hereditariedade.”

Por material genético entendemos sementes, mudas, organismos individuais ou DNA. As empresas exercem um papel determinante no uso comercial de recursos genéticos e seus derivados. Por exemplo, fabricantes de alimentos e bebidas usam material genético botânico para adoçar ou fortificar seus produtos; empresas comerciais de sementes colhem e desenvolvem variedades de sementes para a horticultura; fábricas de cosméticos e de produtos de higiene pessoal pesquisam e desenvolvem substâncias para diluir, colorir ou adicionar fragrâncias a seus produtos. Importantes avanços futuros na indústria farmacêutica dependerão de uma base genética ampla e variada.

A Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB)

Mais de 180 países são Signatários da Convenção sobre Diversidade Biológica (‘Convention on Biological Diversity’ – CBD), cujo objetivo é estimular e auxiliar todos os países a conservarem suas biodiversidades, usarem seus componentes de maneira sustentável e repartirem eqüitativamente os benefíci- os advindos de sua utilização. Em muitos casos, a conservação da biodiversidade depende da determinação individual de cada país de utilizar componentes da biodiversidade de maneira sustentá- vel, ao mesmo tempo atendendo às necessidades de longo prazo das populações e preservando a base de recursos naturais. Os Signatários da CDB, no entanto, preocupam-se com a significativa redução da biodiversidade pela atividade humana, incluindo as atividades econômicas.

A CDB é uma convenção estrutural, ou seja, os principais poderes de decisão concentram-se no nível nacional de seus Estados membros. Diferentemente de outros acordos sobre biodiversidade que listam áreas de proteção ou espécies ameaçadas, a CDB apresenta uma abordagem integrativa à gestão da biodiversidade. Desta forma, a CDB torna-se particularmente útil e atraente às empresas, pois fornece tanto uma plataforma de estratégias globais quanto orientações específicas para as empresas desenvolverem estratégias corporativas e planos de ações pró- biodiversidade.

A biodiversidade como uma prática corporativa

1.2 O QUE PODEMOS EFETIVAMENTE FAZER PELA BIODIVERSIDADE?

A CDB, além de apresentar uma

definição para biodiversidade, discute, de maneira bastante esclarecedora, o

que efetivamente podemos fazer por ela.

O Artigo 1 declara que:

“Os objetivos desta Convenção, a serem atingidos de acordo com suas provisões relevantes, são a conservação da diversidade biológica, o uso sustentável de seus componentes e a distribuição justa e eqüitativa dos benefícios advindos ”

da utilização dos recursos genéticos

Estes três objetivos fornecem uma plataforma de estratégias globais para ações corporativas: a ‘conservação da diversidade biológica compreende a sustentabilidade ambiental; o ‘uso sustentável de seus componentes’ refere- se à sustentabilidade econômica; e ‘a distribuição justa e eqüitativa dos benefícios advindos da utilização dos recursos genéticos’ abrange a sustentabilidade social.

Desde 1992, no entanto, os redatores das políticas de biodiversidade expandiram

o foco do terceiro objetivo de modo a

incluir todos os tipos de recursos biológi- cos: os ecossistemas, as espécies e as fontes genéticas. Decisões recentemente tomadas na Conferência das Partes da Convenção explicitamente referem-se à “distribuição justa e eqüitativa dos benefícios advindos da utilização da diversidade biológica” em um contexto mais amplo, abrangendo por exemplo a

avaliação do impacto ambiental, a diversidade vegetal e o ecoturismo. Com essa nova ênfase, a CDB apresenta uma abordagem integrativa à gestão da biodiversidade para todos os setores econômicos, combinando:

1. A conservação da biodiversidade,

2. O uso sustentável de recursos biológicos, e

3. A distribuição eqüitativa dos benefícios advindos da biodiversidade.

Para cada um destes objetivos, as empresas devem desenvolver estratégi- as, políticas e planos de ações relevantes que integram a biodiversidade ao seu modelo de negócio.

Conservação e biodiversidade

A CDB reconhece a importância da

biodiversidade em todo o mundo. Pela

própria existência deste acordo global e por terem o dever de preocupar-se com

a proteção do meio ambiente, as

empresas – qualquer que seja sua atividade econômica e onde quer que atuem – têm a responsabilidade de conservar a biodiversidade. Assim sendo, vários empresas como a BP (British Petroleum) e a Royal Dutch/Shell Group of Companies (Shell) no setor de

energia; a Northumbrian Water no setor de recursos hídricos; e a Rio Tinto, no setor de mineração, estão desenvolvendo estratégias corporativas bastante abrangentes para gerenciar os impactos causados à biodiversidade.

Implantada em 2000, a estratégia de biodiversidade da BP tornou as questões referentes à biodiversidade uma parte integral de seus sistemas de gestão ambiental e do ciclo de vida de suas

atividades e produtos. Esta estratégia inclui

a operação responsável, contribuindo para as políticas e projetos de conservação públicos; a promoção de pesquisas e

projetos de educação e conscientização; e

o engajamento dos stakeholders. Durante o

ano de 2001, a empresa trabalhou em parceria com Ongs, comunidades locais, governos e outros stakeholders para desenvolver seu plano de ações e colher opiniões sobre como adotar parâmetros de desempenho em biodiversidade.

Para muitos setores, como o de energia, mineração, alimentação, pesca e transpor- te, a gestão da produção está ligada à preservação da integridade dos ecossistemas. Por exemplo, a construção de barragens pode causar impactos aos

© CATERPILLAR BRASIL

As Empresas & A Biodiversidade: Um Manual de Orientação para Ações Corporativas

sistemas de água corrente – à vida animal e vegetal das margens dos rios e aos peixes que migram ao longo dos mesmos.

Sendo assim, a Electricité de France introduziu tecnologias como as de escadas de peixes em suas hidrelétricas para garantir a integridade dos sistemas de água corrente.

Para que haja uma distribuição eqüitativa dos benefícios advindos da biodiversidade, as empresas precisam integrar uma gestão competente da biodiversidade à responsabilidade social.

As espécies com potencial comercial são medidas um ano antes do corte

Uso sustentável dos recursos biológicos Em contraste marcante com convenções anteriores sobre biodiversidade, a CDB explicitamente reconhece o valor do uso sustentável. Segundo a CDB

O uso sustentável traduz-se no uso dos componentes da diversidade biológica de tal forma e em tal proporção que não acarrete a perda em longo prazo da diversidade biológica, mantendo assim seu potencial de atender às demandas e aspirações das gerações atuais e futuras.”

Nos setores diretamente dependentes da biodiversidade, como a agricultura, a ativi- dade florestal e a pesca, o uso sustentável torna-se uma característica essencial de seu modelo econômico. A Tropical Forest Foundation (‘Fundação das Florestas Tropi- cais’), nos Estados Unidos e no Brasil, junto com a Caterpillar, uma indústria de equi- pamentos pesados, desenvolveu um equi- pamento para o corte de árvores que re- duz os danos causados e aumenta a efici- ência de crescimento e maturação das ár- vores nas florestas tropicais. Comparada às técnicas convencionais de corte de madei- ra, esta tecnologia também diminui os custos e aumenta a margem de lucros.

também diminui os custos e aumenta a margem de lucros. Do mesmo modo, as empresas dos

Do mesmo modo, as empresas dos mais variados setores, desde o turismo e lazer até a indústria de produção e o setor bancário, devem questionar a sustentabilidade dos insumos biológi- cos às suas atividades. Mais e mais empresas preocupam-se com a sustentabilidade de sua cadeia de suprimentos. O uso de papel, por exemplo, é comumente monitorado agora. Outros tipos de insumo mere- cem igual atenção, seja, por exemplo, materiais de construção ou as refeições servidas nas cantinas das empresas.

Distribuição eqüitativa de benefícios

A distribuição eqüitativa dos benefícios

advindos da biodiversidade demanda uma gestão competente da biodiversidade integrada à responsabi- lidade social. Isto requer uma aborda- gem de consulta aos stakeholders:

clientes, funcionários, investidores, comunidades vizinhas e todos os que são de alguma maneira afetados pela relação que uma empresa estabelece com a biodiversidade.

A Vilanculos Coastal Wildlife Sanctuary, uma

empresa privada de turismo em Moçambique, assumiu o compromisso de gerar empregos para uma comunidade rural muito pobre, estabelecendo parcerias com operadoras de turismo próximas a Vilanculos para difundir práticas adequadas de conservação da biodiversidade.

Em 1999 a empresa farmacêutica GlaxoSmithKline uniu-se à empresa brasileira de biotecnologia Extracta para investigar o potencial da biodiversidade da Amazônia para o desenvolvimento de medicamentos. Ambas comprometeram-

se a não colher amostras de espécies

ameaçadas e a retornar para a fonte um quarto dos royalties das vendas de qualquer medicamento desenvolvido a partir de insumos desta área, de modo a financiar a conservação, a saúde e a educação da comunidade local.

A biodiversidade como uma prática corporativa

O sucesso econômico ou financeiro está inexoravelmente ligado ao desempenho ambiental e social.

1.3 BIODIVERSIDADE E RESPONSABILIDADE SOCIAL CORPORATIVA

Hoje o empresariado reconhece clara- mente que o sucesso econômico ou financeiro está inexoravelmente ligado ao desempenho ambiental e social. Apesar desse não ser ainda o pensamen- to geral vigente, todas as empresas, em maior ou menor grau, estão atentas ao conceito de ‘responsabilidade social corporativa’. Essa atenção tem levado as empresas a incorporar às suas práticas as três dimensões da sustentabilidade – ambiental, econômica e social – as quais são também conhecidas como a base tríplice. A Shell e o ING Bank, por exemplo, adotaram o seguinte slogan – o planeta, os lucros e as pessoas.

Os três objetivos estabelecidos pela CDB são plenamente compatíveis com perspectivas que incluem atividades econômicas sustentáveis, finanças sustentáveis e desenvolvimento sustentá- vel. Além disso, a biodiversidade não constitui um elemento adicional à responsabilidade social corporativa, mas sim uma parte integrante da responsabi- lidade social corporativa e de programas de sustentabilidade de uma empresa.

e de programas de sustentabilidade de uma empresa. 1.4 GESTÃO DOS RISCOS DA BIODIVERSIDADE As questões
e de programas de sustentabilidade de uma empresa. 1.4 GESTÃO DOS RISCOS DA BIODIVERSIDADE As questões
e de programas de sustentabilidade de uma empresa. 1.4 GESTÃO DOS RISCOS DA BIODIVERSIDADE As questões
e de programas de sustentabilidade de uma empresa. 1.4 GESTÃO DOS RISCOS DA BIODIVERSIDADE As questões
e de programas de sustentabilidade de uma empresa. 1.4 GESTÃO DOS RISCOS DA BIODIVERSIDADE As questões
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e de programas de sustentabilidade de uma empresa. 1.4 GESTÃO DOS RISCOS DA BIODIVERSIDADE As questões
e de programas de sustentabilidade de uma empresa. 1.4 GESTÃO DOS RISCOS DA BIODIVERSIDADE As questões
e de programas de sustentabilidade de uma empresa. 1.4 GESTÃO DOS RISCOS DA BIODIVERSIDADE As questões
e de programas de sustentabilidade de uma empresa. 1.4 GESTÃO DOS RISCOS DA BIODIVERSIDADE As questões
e de programas de sustentabilidade de uma empresa. 1.4 GESTÃO DOS RISCOS DA BIODIVERSIDADE As questões
e de programas de sustentabilidade de uma empresa. 1.4 GESTÃO DOS RISCOS DA BIODIVERSIDADE As questões
e de programas de sustentabilidade de uma empresa. 1.4 GESTÃO DOS RISCOS DA BIODIVERSIDADE As questões
e de programas de sustentabilidade de uma empresa. 1.4 GESTÃO DOS RISCOS DA BIODIVERSIDADE As questões
e de programas de sustentabilidade de uma empresa. 1.4 GESTÃO DOS RISCOS DA BIODIVERSIDADE As questões
e de programas de sustentabilidade de uma empresa. 1.4 GESTÃO DOS RISCOS DA BIODIVERSIDADE As questões
e de programas de sustentabilidade de uma empresa. 1.4 GESTÃO DOS RISCOS DA BIODIVERSIDADE As questões

1.4 GESTÃO DOS RISCOS DA BIODIVERSIDADE

As questões referentes à biodiversidade fazem parte da gestão ambiental de uma empresa e assim como outras questões ambientais, o conceito de biodiversidade como prática corporativa assenta-se sobre os riscos e as oportuni- dades. A principal preocupação da maioria das empresas sobre determina- da questão ambiental relaciona-se com os riscos. Mas se uma empresa não se posicionar pró- biodiversidade, sua posição no mercado – e certamente sua lucratividade – pode ser ameaçada por vários tipos de riscos, tais como:

• Questionamento de sua licença legal de operação,

• Ruptura de sua cadeia de suprimentos,

• Danos à imagem de sua marca,

• Boicote por parte dos consumidores e anti-campanhas promovidas por Ongs ambientalistas,

• Multas, sinistros por danos ambientais a terceiros e futuras responsabilidades ambientais,

• Baixo desempenho e valor nos mercados financeiros, e

• Baixo moral de seus colaboradores e redução de sua produtividade.

Inúmeros exemplos ilustram esta questão, desde o abertamente alardeado embate da Shell com o Greenpeace sobre o Brent Spar, o oleoduto abandonado que afundou, até o investimento feito pela International Finance Corporation, a empresa privada do Grupo World Bank, em um controverso projeto de mineração no Chile.

A gestão dos riscos é, sem dúvida, uma questão fundamental do conceito de biodiversidade como prática corporativa. No entanto, este Manual adota uma abordagem mais abrangente, advogan- do a biodiversidade como prática corporativa não somente como obediên- cia à regulamentação ambiental e a consideração dos riscos financeiros, mas principalmente a partir da perspectiva de oportunidades de negócios.

© WEYERHAEUSER

As Empresas & A Biodiversidade: Um Manual de Orientação para Ações Corporativas

Os riscos referentes à biodiversidade podem ser transformados em oportunidades benéficas, tanto para

a própria biodiversidade quanto para

a empresa.

para a própria biodiversidade quanto para a empresa. ” Clayoquot Sound, na ilha de Vancouver, parte

Clayoquot Sound, na ilha de Vancouver, parte da ‘Floresta do Grande Urso’

Com uma gestão competente, os riscos podem ser transformados em oportuni- dades benéficas, tanto para a própria biodiversidade quanto para a empresa.

Essa perspectiva facilita o processo de integração da biodiversidade a novos projetos ou operações. No setor

energético, por exemplo, a integração da

biodiversidade à logística da exploração

e produção, é relativamente automática,

principalmente na avaliação dos impactos sociais e ambientais. Por outro lado, a integração da biodiversidade a processos

e sistemas já existentes requer considera- ções mais detalhadas por parte de refinarias já em operação.

Tanto a Shell quanto o ING Bank, menciona- dos acima, passaram a abordar os diferentes aspectos da biodiversidade sob o prisma de maximização das oportunidades.

A Shell determinou um Padrão de

Biodiversidade do Grupo, com uma estratégia e um plano de ações claramente definidos para todas as suas operações. A International Finance Corporation está reestruturando suas práticas de investimen- tos de acordo com a base tríplice da sustentabilidade, além de lançar um portfólio pioneiro sobre investimentos em negócios de biodiversidade.

Na província canadense de British Columbia, a campanha “Great Bear Rainforest” (‘A Floresta do Grande Urso’), liderada por Ongs, incentivou os princi- pais clientes de madeireiras a questionar as práticas de empresas florestais locais. Cinco empresas, lideradas pela Weyerhauser, e quatro organizações ambientais (incluindo a Rain Forest Action Network e o Greenpeace) mediaram o conflito aberto que se instalou. O projeto também envolveu a First Nations e outras comunidades locais para auxiliar a negociação de uma solução conjunta que atendesse as demandas do mercado por produtos madeireiros ecologicamente responsáveis.

1.5 TRABALHANDO AS OPORTUNIDADES DE BIODIVERSIDADE

A biodiversidade como uma prática

corporativa oferece novas oportunidades às empresas de melhorar seu desempenho financeiro e de promover a sustentabilidade. Vários tipos de oportuni- dades aplicam-se à maioria das empresas:

• Garantia de licença de operação,

• Fortalecimento da cadeia de suprimentos,

• Melhor relacionamento com todos os stakeholders, Imagem mais positiva junto aos consumidores éticos,

• Garantia de crescimento sustentável,

• Atrair a atenção de investidores socialmente responsáveis, e

• Melhoria na produtividade dos colaboradores.

Garantia da licença de operação

O planejamento e desenvolvimento de

novos projetos requer investimentos em recursos humanos e financeiros significati- vos, os quais podem ser prejudicados por regulamentações de planejamento onerosas e pela burocracia governamental, ou pela não concessão da licença de operação, o que aumenta os custos desses projetos drasticamente. Ao considerar os três objetivos da CDB desde o início do processo, uma empresa tem chances maiores de garantir a concessão da licença de operação, pois os objetivos da

biodiversidade, como mencionado anteriormente, estão diretamente relacionados ao objetivo político do desenvolvimento sustentável e à demanda por responsabilidade social corporativa. O respeito às questões referentes à biodiversidade também contribui para a manutenção da licença de operação e o contínuo monitoramento das mudanças permite à empresa identificar a queda de qualidade de seu desempenho e solucio- nar esse problema antes de perder sua licença de operação.

Martin Bell, o Gerente de Manejo da Terra da Imperial Chemical Industries

Demonstrar que um determinado processo industrial ou de produção pode coexistir com ecossistemas naturais está se tornando um critério cada vez mais importante para qualquer empresa manter sua ‘licença de operação’.

Ganhar o apoio da comunidade leva algum tempo e só é possível através de esforços sinceros e genuínos de programas bem estruturados que se harmonizam com os valores da comunidade.

A biodiversidade como uma prática corporativa

(ICI) explica que: “É de todo interesse de uma empresa preservar os habitats de vida selvagem e programas de conserva- ção conduzidos nas adjacências de suas instalações. A conservação da biodiversidade é não somente uma parte essencial do desenvolvimento sustentável, como também demonstrar que um determinado processo industrial ou de produção pode coexistir com ecossistemas naturais está se tornando um critério cada vez mais importante para qualquer empresa manter sua ‘licença de operação’, tanto em nível nacional quanto em nível internacional. Além disso, essa compatibilidade com a conservação da natureza é geralmente essencial para se obter aprovação oficial para um novo desenvolvimento nas instalações já existentes ou, principalmente, aprovação para novas instalações.”

Steve Hounsell, Consultor Ambiental da Ontário Power Generation (OPG), uma empresa de fornecimento de energia elétrica, acredita que programas de biodiversidade representam investimentos pequenos se comparados aos benefícios que trazem à imagem da empresa. “Certos grupos que seriam normalmente muito críticos a OPG (e as nossas emissões fósseis) passaram a nos apoiar e a apoiar nossos programas. Tornaram-se nossos aliados. Essa ‘licença de operação concedi- da pela comunidade’, não pode ser traduzida em dólares, mas a perda do apoio da comunidade pode, por outro lado, parar nossas operações. Ganhar esse apoio leva algum tempo e só é possível através de esforços sinceros e genuínos de programas bem estruturados que se harmonizam com os valores da comunida- de. De modo geral, a biodiversidade e outras questões ambientais fazem parte somente da retórica, pois a economia tradicional e os mecanismos de mercado não estão alinhados com essas questões. Até que mudanças fundamentais ocorram nesse âmbito, teremos que usar aborda- gens mais apelativas, como a imagem da marca, para promover a tão necessária mudança desses mecanismos.”

Segundo a BP, seu bom desempenho e reputação ambiental foram determinantes para obter autorização para novos desenvolvimentos e pesqui- sas de exploração, como a autorização para uma pesquisa sísmica completa, empregando técnicas especiais de prevenção de danos a habitats sensíveis. Essa pesquisa foi vital, pois os dados colhidos possibilitaram a localização mais precisa dos poços a ser perfurados. Isso possibilitou a perfuração de um número menor de poços e o aumento dos índices de produção.

Fortalecimento da cadeia de suprimentos Todas as empresas precisam de cadeias de suprimentos sustentáveis e como os recursos biológicos estão intimamente ligados a todos os processos de produção, o uso sustentável desses recursos torna-se um fator chave para a cadeia de supri- mentos de qualquer empresa. Sem isso, uma empresa corre o risco de não conseguir atender a demanda. Além disso, a reputação de uma empresa pode ser manchada se sua gestão da biodiversidade estiver relacionada a produtos originários de fontes não sustentáveis, sob proteção ou ameaçadas.

Sainsbury, uma rede de supermercados britânica, implantou um sistema para promover a gestão da biodiversidade entre seus fornecedores agrícolas. Além de planos de ação que asseguram o menor impacto possível de sua cadeia de suprimentos à biodiversidade, a empresa possui suas próprias fazendas de produtos orgânicos para garantir o suprimento desse tipo de produtos.

Outro exemplo: Otto Versand, uma empresa varejista que atende pedidos por correspondência. Ao decidir usar algodão orgânico em seus produtos, a empresa decidiu importar a matéria prima da Turquia e passou a utilizar os serviços de uma tecelagem ecológica local que filtra todos os poluentes dos corantes e da água que utiliza.

© CEMEX

© CEMEX

As Empresas & A Biodiversidade: Um Manual de Orientação para Ações Corporativas

Um Manual de Orientação para Ações Corporativas O veado de rabo branco foi reintegrado à Área

O veado de rabo branco foi reintegrado à Área de Conservação da Vida Selvagem em Santa Mônica

O comprometimento de uma empresa para com a biodiversidade é mais facilmente compreendido se experimentado por populações cujo ambiente natural sofra uma melhora visível decorrente das ações desenvol- vidas por uma empresa.

Perus selvagens re-adaptados à Área de Conservação da Vida Selvagem em Santa Mônica

A Pioneer Hi-Bred International, uma

empresa de sementes do grupo DuPont, desenvolveu um sistema de informações que processa diagnósticos de doenças vegetais sob encomenda de seus colaboradores e clientes. Ao enviar-lhes

respostas sobre sintomas desconhecidos ou não facilmente reconhecidos, a empresa permite que tratamentos adequados sejam conduzidos rapida-

mente, reduzindo as perdas nas colheitas

e o uso de pesticidas que afetam a biodiversidade.

Melhor relacionamento com todos os stakeholders

A população em geral reage mais

prontamente a questões referentes à biodiversidade que são mais ‘visíveis’, como por exemplo, à conservação da vida selvagem, do que a impactos ambientais menos ‘tangíveis’, como as emissões de monóxido de carbono e aos danos à camada de ozônio. Desta forma, o comprometimento de uma empresa para com a biodiversidade é mais facilmente compreendido se experimentado por populações cujo ambiente natural sofra uma melhora visível decorrente das ações desenvolvidas por uma empresa.

A Northumbrian Water elaborou um

detalhado plano de ações referente à biodiversidade que é revisado a cada cinco anos e que inclui critérios de monitoramento das espécies e seus habitats. Mantém também um canal de comunicação com a população local e

com outras populações em nível regional

e nacional promovendo palestras,

conferências e oficinas nos quais educa e informa as populações.

Outro exemplo vem da CEMEX, uma empresa de materiais de construção, que tem trabalhado na reintegração de espécies nativas – o veado de rabo branco, o peru selvagem e o veado mula (espécie nativa dos EUA) – na Área de Conservação da Vida Selvagem em Santa Mônica, México. Ao ter seu trabalho reconhecido por Ongs, pelo governo, por instituições educacionais e empresários, a empresa melhorou sua imagem e suas relações com seus stakeholders.

Imagem mais positiva junto aos consumidores éticos Ao ser ‘responsável para com a biodiversidade’ uma empresa angaria inúmeros benefícios junto ao mercado: a manutenção ou o aumento de sua fatia de mercado, seja atraindo mais consu- midores tradicionais ou ganhando acesso a novos consumidores e mercados; acrescenta um diferencial importante a seus produtos, agregando-lhes valor (inclusive monetário). Além disso, diversos setores, como a atividade florestal, pesca, agricultura e turismo estabeleceram a prática de certificação para empresas responsáveis, tendo como objetivo principal encorajar o uso sustentável e a proteção da biodiversidade.

No setor florestal, o Forest Stewardship Council (FSC) certifica empresas de produtos florestais a partir de um conjunto de princípios e critérios acorda-

Council (FSC) certifica empresas de produtos florestais a partir de um conjunto de princípios e critérios

A biodiversidade como uma prática corporativa

dos internacionalmente. Isso encorajou mais de 700 empresas – dentre as quais a B&Q, Collins Pine, Home Depot, Ikea e Svea Skog – a afiliarem-se à Forest and Trade Networks, organização que se comprometeu a promover os produtos florestais certificadas pela FSC.

Além da FSC, surgiram várias outras instituições de certificação florestal, principalmente a Pan European Forest Certification Scheme (Pefcs), a Sustainable Forest Initiative (SFI), a American Tree Farm Standard (Atfs) e a Canadian Standards Association (CSA). No entanto, menos de 2,5% de todas as florestas do mundo são certificadas, o que representa uma área inferior a 100 milhões de hectares. A International Mutual Recognition Framework for Forest Certification, apoiada pelo WBCSD, tem por objetivo reunir todos os processos de certificação emitidos por consultores independentes para que um padrão de alta qualidade seja acordado, estimulan- do assim o manejo florestal sustentável.

Uma prática de certificação também foi adotada pelo setor pesqueiro. O Marine Stewardship Council (MSC), criado através de uma parceria entre a Unilever e a WWF para gerar práticas pesqueiras sustentá- veis, desenvolveu um selo que informa aos consumidores que os produtos com o logotipo “Fish Forever’ em sua embalagem provêm de empresas pesqueiras sustentá- veis. Mais recentemente, foi criado o Marine Aquarium Council (MAC) para a certificação da pesca e o comércio de peixes ornamentais.

Do mesmo modo, foram criados inúmeros selos para produtos agrícolas orgânicos, muitos dos quais são filiados à International Federation of Organic Agriculture Movements (Ifoam). No setor de turismo há uma crescente certificação relacionada à biodiversidade e à prestação de serviços para um público cada vez maior de consumidores éticos.

Garantia de crescimento sustentável Ao integrar a biodiversidade à responsa- bilidade corporativa, e principalmente a todas as suas políticas e práticas gerenciais, uma empresa está na verdade gerando oportunidades de novos negócios, as quais, por sua vez, devem ser identificadas e exploradas. A atenção à conservação de ecossistemas ou de determinadas extensões de terra permite a empresa maximizar suas

relações sociais e ambientais, assim como

o uso sustentável, principalmente na

cadeia de suprimentos, permite a identificação de novos recursos e uma melhor utilização dos recursos já existentes. Do mesmo modo, uma empresa consciente das interligações entre seu ambiente natural e seus stakeholders consegue gerar novas oportunidades de benefícios à própria

empresa, a seus clientes e colaboradores

e às comunidades vizinhas.

Ao longo do ano passado, a Starbucks, uma cadeia americana de cafeterias, desenvolveu um conjunto de orientações sobre as fontes de sua matéria prima de modo a comprar grãos somente de fornecedores que adotam um processamento estritamente dentro dos padrões ambientais, econômicos e sociais. Sob a orientação do Centro de Liderança Ambiental em Negócios da Conservation International, a Starbucks está expandindo a rede de produção de cafés sustentáveis, como por exemplo, o café cultivado à sombra. Desde 1988 este projeto se concentra na região de Chiapas, no México, onde a empresa estimula a cultura do café à sombra em uma floresta tropical e implantou uma política de remuneração aos cafeicultores baseada em preços de mercado.

As Empresas & A Biodiversidade: Um Manual de Orientação para Ações Corporativas

um padrão comum para avaliar o desempenho social e ambiental das empresas.

Cumprindo o Prometido, de Charles O. Holliday Jr., Stephan Schmidheiny e Philip Watts. Editora Campos, Rio de Janeiro, 2002

Atrair a atenção de investidores socialmente responsáveis Mais e mais investidores individuais e institucionais investem em empresas socialmente responsáveis. Conseqüen- temente, uma grande variedade de fundos de investimentos socialmente responsáveis é hoje oferecida por organizações como a Friends Provident, no Reino Unido, e a Calvert, nos Estados Unidos. Ao integrar as questões referentes à biodiversidade a seus modelos de negócios, as empre- sas conseguem atrair a crescente oferta de capital socialmente respon- sável, que, no entanto, apresenta uma crescente capacidade analítica de avaliar o desempenho social e ambiental das empresas, auxiliados por iniciativas como a da Global Reporting Initiative, que está desen- volvendo um padrão comum para avaliar o desempenho social e ambiental das empresas.

Nos últimos cinco anos, o Djsi sistematicamente superou o Djgi tanto em mercados de compra quanto em mercados de venda

Djgi tanto em mercados de compra quanto em mercados de venda Por exemplo, os Dow Jones
Djgi tanto em mercados de compra quanto em mercados de venda Por exemplo, os Dow Jones
Djgi tanto em mercados de compra quanto em mercados de venda Por exemplo, os Dow Jones
Djgi tanto em mercados de compra quanto em mercados de venda Por exemplo, os Dow Jones
Djgi tanto em mercados de compra quanto em mercados de venda Por exemplo, os Dow Jones

Por exemplo, os Dow Jones Sustainability Indexes (Djsi – ‘Índices Dow Jones de Sustentabilidade’), elaborados pela instituição suiça Sustainable Asset Management, apresentam um ranking de desempenho em sustentabilidade para as maiores empresas do mundo. A análise do desempenho do DJSI World revela que esse índice sistematicamente superou o Dow Jones Global Index (Djgi – ‘Índice Global Dow Jones’) World.

No Reino Unido, o Índice FTSE4Good compreende empresas que apresentam um histórico em questões ambientais, de direitos humanos, sociais e relações com stakeholders, enquanto que o Business in the Environment (BiE) Index (‘Índice de Negócios em Meio Ambiente’) em Corporate Environmental Engagement (‘Engajamento Ambiental Corporativo’) compara a extensão do engajamento de uma empresa em gestão ambiental e como essa empresa avalia e gerencia seu desempenho em áreas chave de impacto ambiental, incluindo a biodiversidade.

Programas de ranking de responsabilida- de social de empresas e fundos de investimentos a eles associados são encontrados na maioria dos países que possuem mercados de capitais estabele- cidos. No mercado de capitais america- no, o Business for Social Responsability estima que 1/8 de todos os investimentos estão sujeitos a algum tipo de avaliação de responsabilidade social e ambiental.

O Terra Capital Fund, um fundo regional para a América Latina, é o primeiro fundo de capital privado a priorizar investimentos em biodiversidade, principalmente em negócios de médio- porte na agricultura e no setor florestal não madeireiro. Do mesmo modo,

bancos, como o Triodos e o Rabobank nos Países Baixos, estão investindo direta- mente em projetos relacionados à biodiversidade, principalmente na agricultura sustentável.

Um comprometimento sólido e transparente para com a conserva- ção da biodiversidade permitirá às empresas melhorar a qualidade da produtividade de sua força de trabalho.

A biodiversidade como uma prática corporativa baseia-se na compreen- são do quê podemos realmente fazer pela biodiversidade.

A biodiversidade como uma prática corporativa

Melhoria na produtividade dos colaboradores Empresas responsáveis atraem e moti- vam colaboradores competentes. Jovens profissionais demonstram preferir empresas comprometidas com o meio- ambiente e com a responsabilidade social. Sendo assim, um comprometi- mento sólido e transparente para com a conservação da biodiversidade permitirá às empresas melhorar a qualidade da produtividade de sua força de trabalho.

A Shell, por exemplo, reconhece a importância da responsabilidade para com a biodiversidade na gestão de seus recursos humanos. Em uma série de comerciais para a TV sobre biodiversidade, a empresa mostra uma equipe técnica jovem, competente e dedicada à conservação e à sustentabilidade. Três comerciais são especificamente direcionados aos consumidores e a captar novos talentos para a Shell.

Diversas empresas estabeleceram parcerias com Ongs de conservação da biodiversidade para ajudar seus colabo- radores a incorporar as questões referentes à biodiversidade ao local de trabalho. A empresa de mineração Rio Tinto, por exemplo, fechou uma parceria com o Earthwatch Institute para estimu- lar seus colaboradores a tornarem-se voluntários em conservação. Além de incentivar o trabalho direto com a biodiversidade em ambientes específi- cos, esse programa estimula a continua- ção do voluntariado promovendo esses colaboradores a ‘campeões de conserva- ção’ dentro da empresa.

1.6 A BIODIVERSIDADE COMO UMA PRÁTICA CORPORATIVA

A biodiversidade como uma prática

corporativa baseia-se na compreensão do quê podemos realmente fazer pela biodiversidade, integrando os três objetivos desse conceito: (1) a conser- vação da biodiversidade, (2) o uso

sustentável dos recursos biológicos e (3)

a distribuição eqüitativa dos benefícios

à responsabilidade social corporativa ou ao programa de sustentabilidade de uma empresa.

Ao tornar a biodiversidade uma prática corporativa uma empresa conseguirá gerenciar os riscos e, principalmente, trabalhar as oportunidades geradas. As principais oportunidades incluem:

• Garantia de licença de operação,

• Fortalecimento da cadeia de suprimentos,

• Melhor relacionamento com todos os stakeholders,

• Imagem mais positiva junto aos consumidores éticos,

• Garantia de crescimento sustentável,

• Atrair a atenção de investidores socialmente responsáveis, e

• Melhoria na produtividade dos colaboradores.

Ao identificar e trabalhar essas oportu- nidades, a empresa terá um salto qualitativo e quantitativo em seu desempenho. No entanto, é importante ressaltar que para cada empresa – dependendo do que ela produz, para quem ela produz e acima de tudo onde ela produz – a gama de questões referentes à biodiversidade, seus riscos e oportunidades será diferente. Acima de tudo, as empresas colherão, indubitavelmente, inúmeras vantagens ao tornar a biodiversidade uma prática corporativa, obtendo benefícios próprios

e beneficiando também o ambiente natural onde atuam.

© UNILEVER

As Empresas & A Biodiversidade: Um Manual de Orientação para Ações Corporativas

2. Questões corporativas

para Ações Corporativas 2. Questões corporativas referentes à biodiversidade A biodiversidade engloba uma

referentes à biodiversidade

A biodiversidade engloba uma vasta e complexa gama de questões para as empresas, algumas das quais apresentam riscos e outras, oportunidades. Este capítulo apresenta várias questões corporativas referentes à biodiversidade, agrupadas de acordo com seus três compo- nentes: ecossistemas, espécies e genes.

Apresentamos também casos de estudo empresariais para ilustrar essas questões.

Questões corporativas referentes à biodiversidade

2.1 QUESTÕES REFERENTES AOS ECOSSISTEMAS

Questões fundamentais envolvendo os ecossistemas compreendem: áreas de proteção ambiental, áreas de Patrimônio Natural da Humanidade, alagados, ‘hotspots’ e a reintegração de ecossistemas.

Áreas de proteção ambiental A CDB define uma área de proteção ambiental como:

“uma área geograficamente definida e designada, regulamentada e administra- da de modo a atingir objetivos de conservação específicos.”

Áreas de proteção ambiental são importantes para as empresas em relação a pelo menos três aspectos:

• As empresas precisam estudar os objetivos de uma área de proteção ambiental cuidadosamente antes de iniciar qualquer atividade na área ou em suas adjacências,

• Áreas de proteção ambiental permi- tem às empresas um melhor entendi- mento de como estas devem adminis- trar suas propriedades de terra, e

• As empresas devem integrar seus sistemas de gestão da biodiversidade à redes de áreas de proteção ambiental em uma perspectiva de atuação mais abrangente.

A classificação de áreas de proteção ambiental do IUCN compreende seis categorias que variam de reservas estritamente naturais/áreas selvagens (categoria I) à áreas de proteção ambiental com manejo de recursos (categoria VI). A mais recente Lista de Áreas de Proteção Ambiental das Nações Unidas (1997), apoiada nas categorias de manejo do IUCN, cobre 8% da superfície terrestre. Para alguns setores econômicos, as áreas de proteção ambiental representam um elemento de incerteza. Por exemplo, a maior parte da comunidade ligada à conservação tem sido mais favorável a atividades de turismo do que a atividades de minera- ção em áreas de proteção ambiental, como ilustra uma resolução bem recente dos membros do IUCN proibindo a exploração e extração de recursos minerais de áreas nas categorias I-IV. O Projeto Mining, Minerals and Sustainable Development (‘Mineração, Minerais e Desenvolvimento Sustentá- vel’), iniciado pelo WBCSD, apoiado pela Global Mining Initative e adminis- trado pelo International Institute for Environment and Development discutiu esta questão sob a perspectiva da contribuição da mineração para o desenvolvimento sustentável, incluindo a conservação da biodiversidade.

da contribuição da mineração para o desenvolvimento sustentável, incluindo a conservação da biodiversidade. 23
da contribuição da mineração para o desenvolvimento sustentável, incluindo a conservação da biodiversidade. 23
da contribuição da mineração para o desenvolvimento sustentável, incluindo a conservação da biodiversidade. 23
da contribuição da mineração para o desenvolvimento sustentável, incluindo a conservação da biodiversidade. 23
da contribuição da mineração para o desenvolvimento sustentável, incluindo a conservação da biodiversidade. 23
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da contribuição da mineração para o desenvolvimento sustentável, incluindo a conservação da biodiversidade. 23
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da contribuição da mineração para o desenvolvimento sustentável, incluindo a conservação da biodiversidade. 23
da contribuição da mineração para o desenvolvimento sustentável, incluindo a conservação da biodiversidade. 23
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da contribuição da mineração para o desenvolvimento sustentável, incluindo a conservação da biodiversidade. 23

© RIO TINTO

As Empresas & A Biodiversidade: Um Manual de Orientação para Ações Corporativas

A Companhia Vale do Rio Doce (CVRD),

um conglomerado industrial brasileiro, desenvolveu um plano-diretor para o uso

das áreas de proteção ambiental situadas dentro de suas propriedades. Em Carajás,

a CVRD é detentora dos direitos de uso

de 400.000 hectares dentro de três áreas de proteção ambiental distintas que representam uma extensão contínua de terra com florestas de alto valor de conservação. O plano de uso define zonas específicas para:

• Atividades de prospecção, mineração, processamento, transporte e marketing dos recursos minerais,

• Desenvolver ações de responsabilida- de pelos recursos florestais onde estas são viáveis no tocante a aspectos ecológicos e econômicos,

• Ações de proteção de recursos hídricos, paisagens, sítios históricos e arqueológicos e da biodiversidade,

• Pesquisa científica e outras atividades relacionadas à educação ambiental, e

• Atividades de lazer e turismo, particularmente o ecoturismo.

Na parte oeste da Austrália, a Hamersley Iron, uma subsidiária da Rio Tinto, é responsável pelo manejo de pastagens de gado adjacentes ao Parque Nacional Karijini, atendendo aos objetivos de

Mapa de Operações da Hamersley Iron

aos objetivos de Mapa de Operações da Hamersley Iron reabilitação e manutenção dos ecossistemas. Depois de

reabilitação e manutenção dos ecossistemas. Depois de cercar toda a área, completar o controle de espécies não endêmicas e realizar queimadas em sistema de cooperação, a empresa

conseguiu delimitar o acesso do gado e reduzir os impactos da pecuária em outras pastagens adjacentes ao parque. Essas medidas visavam estabelecer um padrão de uso da terra por zoneamento de acordo com o conceito de ‘O Homem

e a Biosfera’ estabelecido pela Unesco.

Patrimônios Naturais da Humanidade

A Convenção para a Proteção do

Patrimônio Cultural e Natural da Humanidade, adotada em 1972, regulamenta a designação de sítios culturais ou naturais de “valor universal extraordinário” como Patrimônios da Humanidade, objetivando principalmen- te fomentar a cooperação internacional para preservar estas áreas.

A P.T.Jaytasha Putrindo Utama, uma

empresa privada de ecoturismo na Indonésia, é um claro exemplo de benefícios mútuos para a empresa e a biodiversidade. Contando com o apoio da Global Environment Facility, esta empresa uniu-se a The Nature Conservancy para administrar o Parque Nacional de Komodo – um Patrimônio da Humanidade famoso por seus dragões.

No entanto, o papel de outros setores como o de mineração, atividades florestais e pesca no que se refere a Patrimônios Naturais da Humanidade não está tão claramente definido e merece consideração mais específica, caso a caso.

Alagados

Os alagados constituem ecossistemas altamente ameaçados em todo o mundo.

A Convenção Relativa às Zonas Úmidas de

Importância Internacional, particularmen- te como Habitats das Aves Aquáticas, foi assinada em 1971 em Ramsar, no Irã.

© JOHN PRIES/CH2M HILL CANADA LTD.

Questões corporativas referentes à biodiversidade

A Convenção de Ramsar – o nome

comumente adotado – propõe uma plataforma de cooperação internacional para a conservação de alagados, que são assim definidos:

“brejos, pântanos, pantanais ou áreas permanente ou temporariamente inundadas, natural ou artificialmente, com água parada ou corrente, fresca, escura ou salgada, incluindo áreas com águas do mar, cuja profundidade na maré baixa não exceda seis metros.”

As Partes da Convenção designam os sítios naturais a fazer parte da ‘Lista de Alagados de Importância Internacional’, atualmente composta por 1000 sítios que cobrem uma área superior a 80 milhões de hectares. Felizmente, as ações corporativas que valorizam o status de conservação dos alagados são mais e mais freqüentes. Assim como a CDB, a Convenção de Ramsar também incorpo-

ra o conceito de uso sustentável – ou ‘uso

inteligente’, definido como “a utilização sustentável dos recursos dos alagados de tal modo a beneficiar a comunidade humana e ao mesmo tempo manter seu potencial de atender às necessidades e aspirações das gerações futuras”.

O Lago de Tratamento da Town of Brighton funciona o ano todo para reduzir os poluentes que seriam levados a Baía de Presqu’ile

os poluentes que seriam levados a Baía de Presqu’ile Lançado em 1998, o Projeto Evian é

Lançado em 1998, o Projeto Evian é uma parceria entre o Grupo Danone (que além de alimentos produz a água mineral Evian), a French Global Environment Facility, a municipalidade de Evian e o Conservatoire du Littoral. Esse projeto apóia a Convenção de Ramsar, promoven- do a transferência de know-how, treina- mentos para os gerentes de alagados, apoio a projetos piloto de água e saúde, conscientização de tomadores de decisão e patrocínio aos materiais de comunica- ção da Convenção.

Vários dos reservatórios da Northumbrian Water – como o de Abberton (1.000 hectares) e o de Cow Green (310 hectares) constituem sítios da Convenção de Ramsar, Áreas Especiais de Conservação da União Européia e Sítios de Interesse Científico Especial. Reconhecendo a importância da proteção de aves e espécies vegetais para os interesses nacionais e internacionais, a empresa implantou planos de ações de biodiversidade que priorizam a conserva- ção de espécies e habitats prioritários. Esses planos fazem parte da estratégia global de biodiversidade da empresa e foram desenvolvidos em cooperação com organizações parceiras, integrando o Sistema de Gestão Ambiental ISO 14000 da empresa. Exemplos de ações específicas incluem a pesquisa e monitoramento, manejo ecológico, proteção de espécies, treinamento e repasse de informações.

No Canadá, a empresa de consultoria CH2MHILL construiu um lago de trata- mento de seis hectares para despoluir os efluentes da Town of Brightoton, área de lagoas em Ontário formada por efluentes, para reduzir a contaminação da adjacen- te Baía de Presqu’ile. Os alagados em volta da baía, classificados como ‘Classe 1’ (de importância regional), são reconheci- damente um ponto de parada para grande populações de aves migratórias dos alagados. A construção do lago de tratamento apresentou uma melhor relação custo-benefício em relação ao capital, às operações e a sua manutenção

© ROHM AND HAAS COMPANY

© BANROCK STATION

As Empresas & A Biodiversidade: Um Manual de Orientação para Ações Corporativas

do que qualquer outra solução convencio- nal de tratamento.

que qualquer outra solução convencio- nal de tratamento. ‘Cumbungi’ no alagado da Fábrica de Geelong “

‘Cumbungi’ no alagado da Fábrica de Geelong

Ao abordarmos a biodiversidade sob a ótica da sustentabilidade estamos reconhecendo o real valor da biodiversidade para todas as pessoas de todo o mundo.

Outro exemplo vem da empresa química Rohm and Haas. Em sua fábrica

na Austrália, a empresa desenvolveu um

sistema auto-suficiente que abastece a fábrica com toda a água que esta necessita ao mesmo tempo em que cria um habitat para a vida selvagem aquática. Este sistema de alagado, além dos ganhos econômicos, também reduz a pressão sobre o sistema de esgotos de Melbourne e oferece um habitat natural para a espécie ‘cumbungi’.

O próximo exemplo é fornecido pelo

Banrock Station, um vinhedo de 1.700 hectares no sul da Austrália, dos quais somente 250 são dedicados ao plantio de uvas. A área restante foi reintegrada a seu estado natural original, incluindo 900 hectares de alagados. Além disso, a empresa doa uma porcentagem de seu faturamento para projetos para os alagados em cada um dos países onde seus vinhos são comercializados. Essas ações de conservação agregaram valor à marca de vinhos através de um aumento nos royalties e a expansão do mercado para um público mais amplo, como o de observadores de pássaros.

‘Hotspots’

As principais organizações de conserva-

ção desenvolveram instrumentos globais para priorizar áreas de conservação da biodiversidade, entre eles ‘hotspots’, ‘eco-regiões’, ‘áreas de aves endêmicas’ e ‘centros de diversidade vegetal’.

Vista panorâmica de Banrock Station

Genericamente, o termo ‘’hotspot’ refere- se a uma área de alta concentração de espécies naturais, com séria ameaça à diversidade das espécies ou ambos, e é formalmente usado pela Conservation International para designar 25 grandes ‘hotspots’ específicos (como Madagascar ou a região de Cape na África do Sul) que são “as reservas de vida animal e vegetal mais ricas e ameaçadas do planeta.”

A Shell está patrocinando um projeto de

capacitação, o Flower Valley Project que

é a prioridade do Plano de Ação para o

Meio Ambiente. As metas deste projeto

são a conservação da biodiversidade dos ‘fynbos’ das terras baixas visando melhorar as condições de vida em uma região com alto índice de desemprego.

A colheita sustentável das flores de

‘fynbos’, associada a micro-empresas como a fabricação de papel, tem possibilitado a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores rurais e de suas famílias através dos serviços de educação e saúde oferecidos.

O conceito de ‘hotspots’ é um tanto

controverso nos círculos de conservação

porque o foco em ‘hotspots’ pode sugerir que a biodiversidade só é importante onde ocorre em níveis elevados. Mas sob

a ótica da sustentabilidade, reconhece-

mos o real valor da biodiversidade para todas as pessoas de todo o mundo. Nosso próprio quintal deve ser visto

como nosso próprio ‘hotspot’ e por isso, instrumentos para identificar ‘hotspots’ são particularmente importantes para

a gestão da biodiversidade.

isso, instrumentos para identificar ‘hotspots’ são particularmente importantes para a gestão da biodiversidade. 26

Nosso próprio quintal deve ser visto como nosso próprio ‘hotspot’

Instrumentos de ‘hotspots’ auxiliam as empresas a priorizar suas ações de biodiversidade dentro de seus próprios sistemas de gestão.

Questões corporativas referentes à biodiversidade

As 200 Eco-regiões Globais Outro instrumento de ‘hotspots’ é a lista de 200 Eco-regiões do WWF, que

identifica os habitats terrestres, aquáticos

e marinhos biologicamente mais

importantes. Estas regiões de grande extensão e clima relativamente uniforme apresentam um conjunto característico de espécies e comunidades ecológicas de cada habitat, desde a tundra ártica e as florestas temperadas às florestas tropicais e os recifes de coral. O objetivo desta lista é garantir que toda a variedade de ecossistemas esteja representada nas estratégias de conser- vação e desenvolvimento adotadas regionalmente e assim, o conjunto de ações de conservação de todo o mundo promoverá as prioridades globais de biodiversidade.

Áreas de aves endêmicas

Uma espécie endêmica é aquela confinada

a uma área específica, freqüentemente um

país, como o pássaro ‘Kagu’, que só é encontrado naturalmente na Nova Caledônia. Mais de 2.500 espécies de endêmicas (quase 1/3 de todas as aves) são encontradas em áreas com um raio inferior a 50.000 km 2 . A BirdLife International identificou 218 dessas áreas em todo o mundo, sendo que a distribui- ção de pelo menos duas dessas áreas restritas de aves endêmicas sobrepõem-se.

Essas áreas são de suma importância para

a conservação das aves e estão localizadas principalmente em ilhas ou regiões montanhosas, com mais de 80% de seu

território coberto por florestas. As análises conduzidas revelam que mais de 20% de todas as espécies de aves do mundo, incluindo 75% de todas as espécies ameaçadas de extinção, estão confinadas

a 1% da superfície terrestre do globo.

Centros de Diversidade Vegetal Centros de Diversidade Vegetal, uma obra composta por três volumes, publicada pelo IUCN e pelo WWF, é o resultado de informações colhidas por centenas de

botânicos em todo o mundo, e identifica alguns dos sítios mais importantes de espécies vegetais. Esta obra é uma referência para autoridades de conser- vação e organizações globais de conservação implantarem seus objetivos de biodiversidade.

Cada um dos instrumentos de ‘hotspots’ discutidos acima identifica áreas do mais alto valor de biodiversidade. Em sua totalidade ou individualmente, instru- mentos de ‘hotspots’ auxiliam as empresas a priorizar suas ações de biodiversidade dentro de seus próprios sistemas de gestão. Além disso, diversas organizações de conservação, como o Centro de Monitoramento da Conserva- ção Mundial do Unep, oferecem serviços de mapeamento para empresas que seguem esses instrumentos.

Reintegração de ecossistemas Os impactos negativos das atividades de uma empresa à biodiversidade não podem ser permanentes: as empresas devem restaurar as áreas que não mais usam, regenerando seus habitats ou preparando a área adequadamente para algum uso futuro.

Em Março de 2000, a Lafarge, fabricante e fornecedora de materiais de constru- ção, estabeleceu uma ‘parceria para a conservação’ com o WWF para desenvol- ver os aspectos de biodiversidade da estratégia da empresa para a reabilita- ção de suas pedreiras, possibilitando assim o fortalecimento de suas políticas ambientais, a redação de orientações específicas para as estratégias ambientais e a informação de todo seu staff, de seus concorrentes e da mídia sobre suas atividades.

Por outro lado, a Skanska, uma compa- nhia suíça de engenharia e construção, assinou vários contratos de projetos que atuam positivamente sobre a biodiversidade. Na antiga mina de Silver Bell, nas Montanhas Rochosas, a Skanska

© RIO TINTO

As Empresas & A Biodiversidade: Um Manual de Orientação para Ações Corporativas

Planejamento do processo de mineração de ilmenita na costa sudeste de Madagascar

recebeu a missão de planejar a reinte- gração e limpar dezesseis hectares de resíduos de prata, chumbo, cobre e zinco. Passado um ano do final do trabalho, observou-se um crescimento significativo da vegetação e um aumento da atividade de vida selvagem. Já no projeto na Ilha Poplar na Baia de Chesapeake, na costa leste dos Estados Unidos, a Skanska projetou e construiu diques de apoio em volta da ilha para prevenir a erosão futura.

Na indústria de extração, muitas empresas mostraram-se bastante ativas na reabilitação e reintegração, apesar das necessidades e oportunidades de reabilitação variarem bastante em todos os países. No caso de regeneração de um habitat, é importante considerar

quais as medidas de contenção uma empresa deve tomar.

Sendo a Rio Tinto uma empresa de mineração, suas atividades atraem a atenção pública. Em um projeto de avaliação de depósito de ilmenita das dunas de areia no sudeste de Madagascar, as questões sociais e as referentes à biodiversidade exigiram da empresa uma abordagem integrativa para desenvolver seu planejamento. As áreas próximas ou na superfície da mina apresentam rica biodiversidade, apesar do uso não sustentável dos recursos pela comunidade e de não estar legalmente sob proteção. O projeto desenvolvido pela subsidiária da Rio Tinto, a QIT Madagascar Minerals, utilizou a experi- ência adquirida pela matriz na avaliação

subsidiária da Rio Tinto, a QIT Madagascar Minerals, utilizou a experi- ência adquirida pela matriz na

© RIO TINTO

© DUPONT

© DUPONT

Questões corporativas referentes à biodiversidade

2.1 QUESTÕES ESPECIAIS

Planejamento do restauro da vegetação no projeto de mineração de ilmenita na costa sudeste de Madagascar

de ecossistemas, reabilitação e desenvol- vimento de comunidades na sua mina de Richards Bay Minerals na África do Sul.

na sua mina de Richards Bay Minerals na África do Sul. Alagados regenerados na área da
na sua mina de Richards Bay Minerals na África do Sul. Alagados regenerados na área da

Alagados regenerados na área da mina da DuPont na Flórida

Como parte de um processo de regene- ração de terras em suas minas de titânio na Florida, a DuPont estabeleceu uma parceria com a escola secundária local para desenvolver um método inovador e de baixo custo para reintegrar os alagados locais. À medida que o projeto foi implantado, observou-se que a regeneração poderia trazer benefícios econômicos e também à imagem da DuPont junto à comunidade local, realizando assim uma economia de US$ 1,5 milhões se comparado a outros processos de regeneração.

Pôneis da raça Astúria pastando na fábrica da DuPont em Astúrias

raça Astúria pastando na fábrica da DuPont em Astúrias As empresas devem também considerar outras questões

As empresas devem também considerar

outras questões fundamentais referentes

às espécies, incluindo espécies

ameaçadas, espécies ameaçadas pelo comércio, espécies migratórias, invasão de espécies não endêmicas e a reinte-

gração de espécies.

Espécies ameaçadas As espécies constituem o nível mais fácil de monitoramento da biodiversidade e por isso a maior parte das ações de conservação foca-se nas espécies ameaçadas. A ‘Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas’, elaborada pela Comissão de Espécies Ameaçadas do IUCN, constitui a pesquisa global mais abrangente sobre espécies vegetais e animais em risco, uma avaliação de mais de 18.000 espécies de todo o planeta. As espécies da ‘Lista Vermelha’ são classificadas por níveis de ameaça, níveis esses avaliados por um conjunto de cinco critérios quantitativos com base em fatores biológicos do risco de extinção, incluindo a taxa de declínio das populações, o tamanho das popula- ções e a área de distribuição.

As cinco categorias de ameaça mais grave estabelecidas pelo IUCN são:

Extinta, Extinta em Áreas Selvagens, Criticamente Ameaçadas, Ameaçada e Vulnerável. Das espécies pesquisadas em 2000, mais de 11.000 estão classificadas como ameaçadas de extinção, incluindo o mico leão dourado na América do Sul, a ‘green pitcher’, uma planta carnívora

insetívora nativa dos Estados Unidos, e

o leopardo da neve na Ásia Central.

Na Espanha, a DuPont desenvolveu uma prática de manutenção da terra na sua fábrica de fibras nas Astúrias que conserva variedades de espécies domésticas ameaçadas – principalmente

os pôneis das Astúrias, o carneiro ‘Xalda’

e o gado montanhês. A sustentabilidade

financeira deste programa é garantida pela venda de ações excedentes.

© UPM-KYMMENE

© INTERNATIONAL PAPER

As Empresas & A Biodiversidade: Um Manual de Orientação para Ações Corporativas

Um Manual de Orientação para Ações Corporativas As áreas imediatamente adjacentes aos pequenos ecossistemas

As áreas imediatamente adjacentes aos pequenos ecossistemas hídricos são importantes habitats para várias espécies vegetais ameaçadas

habitats para várias espécies vegetais ameaçadas O habitat dos pica-paus de crista vermelha na Geórgia, EUA

O habitat dos pica-paus de crista vermelha na Geórgia, EUA

Cada raça reintegrada a essa área

provém de uma associação de criadores

– essencialmente fazendeiros – e, sendo

assim, instalou-se uma forte parceria entre a fábrica e a comunidade local

instalou-se. Esta iniciativa demonstra que

o trabalho com a biodiversidade in situ pode agregar valor tanto à empresa

quanto à comunidade.

O exemplo dado pela Chevron Texaco,

uma companhia de petróleo, é a sua participação no Plano de Conservação dos Habitats das espécies ameaçadas, desenvolvido na Califórnia pela Associação dos Estados Produtores de Petróleo do Oeste dos Estados Unidos. Algo em torno de 800.000 hectares de

terra fornecerão as condições necessári-

as para a conservação sustentável de 30

espécies animais e vegetais ameaçadas. No nível corporativo, a Chevron Texaco está finalizando seu próprio plano de conservação de habitats – 6.000 hectares de habitat para várias espécies sob proteção, com 10% da área restante reservado para as atividades da empresa.

A compreensão do papel da

biodiversidade na funcionalidade das florestas levou a International Paper, uma empresa florestal e de produtos de papel, a desenvolver seu projeto de preservação dos pica-paus de crista vermelha. Este projeto, que visa

estimular práticas de conservação mais efetivas dessa espécie em terrenos particulares, flexibiliza o manejo da terra. Ao implantar áreas de conserva- ção do pica-pau de crista vermelha em suas florestas no estado da Geórgia (EUA), a empresa pode extrair madeira de outros terrenos de sua propriedade que não atraem os pica-paus. A capitalização destes créditos de conservação a outros proprietários de

terra – objetivando diminuir a destrui- ção do habitat dos pica-paus – permite

à empresa transformar os pica-paus em um ativo de seus negócios.

Outra empresa florestal e de produtos de papel, a UPM-Kymmene. Seguindo a Lei Florestal Finlandesa de 1997 – que promove a manutenção da biodiversidade em florestas comerciais através da identificação e proteção de pequenos habitats florestais específicos – esta empresa desenvolveu sua estratégia de biodiversidade a partir da identifica- ção dos principais biótipos nas florestas de suas propriedades. Como alguns desses biótipos de espécies ameaçadas não estavam sob proteção legal, a companhia a seguir mapeou a área, identificando pequenos ecossistemas hídricos – como riachos, fontes e peque- nos lagos – como habitats de importan- tes espécies ameaçadas e implantou a proteção de 12.000 pequenos habitats.

Espécies ameaçadas pelo comércio Estima-se que o comércio internacional de vida selvagem represente anualmen- te bilhões de dólares e centenas de milhões de espécimes animais e vege- tais, com produtos tão diversos como animais vivos e plantas e inúmeros produtos derivados, incluindo produtos alimentícios, produtos fabricados com couros exóticos, instrumentos musicais de madeira, madeira cortada, souvenires para turistas e medicamentos.

A Convenção sobre o Comércio Internaci- onal das Espécies da Flora e Fauna Selvagens Ameaçadas de Extinção (‘Cites’, sigla original), vigente desde 1975, elaborou listas de espécies ameaçadas para as quais o comércio internacional está proibido ou regula- mentado por sistemas de permissão para combater o comércio ilegal, a super- exploração e a extinção dessas espécies.

Por exemplo, o ginseng americano (Panax quinquefolius), nativo da América do Norte, é extraído em florestas e exporta- do há décadas, principalmente para a Ásia Oriental onde é processado para uso internacional e também doméstico na medicina chinesa tradicional.

© MEADWESTVACO

© MEADWESTVACO O extremo sul da Área de Manejo da Vida Selvagem: plantações de sicômoro e

O extremo sul da Área de Manejo da Vida Selvagem: plantações de sicômoro e choupos adjacentes ao habitat de aves aquáticas migratórias

Questões corporativas referentes à biodiversidade

Os consumidores acreditam que a raiz do ginseng americano restabelece as funções orgânicas e age como um tônico para os pulmões, o estômago, a bexiga e o coração. Esta planta está listada no Apêndice II do CITES e a exploração tanto do ginseng selvagem – colhido in natura – na verdade, suas raízes inteiras – quanto de seus espécimes cultivados – geralmen- te fatiados ou macerados – requer a aprovação dos governos americano ou canadense. A Pajor’s, uma empresa canadense, tomou então a iniciativa de fornecer produtos à base de ginseng cultivado com práticas sustentáveis.

Espécies migratórias

A Convenção sobre Espécies Migratórias

de Animais Selvagens apresenta orientações para a implantação de ações de conservação de espécies migratórias e

de seus habitats. Mais de 80 espécies, incluindo aves, primatas, baleias e morcegos, são classificadas como ‘ameaçadas’ pela Convenção, a qual também condena atividades comerciais

e restabelece áreas de habitat para espécies migratórias.

No estado de Kentucky, a empresa florestal e de produtos de papel MeadWestvaco transformou a provisão para a proteção e manejo de 20.000 hectares de novos habitats de aves aquáticas do Plano Norte Americano de Manejo de Aves Aquáticas na primeira área para aves aquáticas nos Estados Unidos de iniciativa privada e pública. A criação da Área de Manejo da Vida Selvagem MeadWestvaco permitiu à empresa continuar produ- zindo papel em sua fábrica localizada em um santuário de aves aquáticas ao longo do Rio Mississipi. O considerável aumento no número de aves aquáticas nessa reserva de 1.600 hectares prova que o manejo competente de florestas pode co-existir com habitats que sustentam a biodiversidade.

Espécies invasoras Invasões de espécies não endêmicas ameaçam a integridade da biodiversidade em todo o mundo. Os atuais padrões globais de viagem e transporte permitem a muitas espécies viajarem grandes distâncias até áreas onde, uma vez estabelecidas, ameaçam

as espécies nativas que não são capazes

de resistir a seus impactos.

A invasão de espécies não endêmicas

pode ser observada em todo o mundo, mas é especialmente problemática para ecossistemas insulares, os quais evoluí- ram em condições de extremo isola- mento. Além do impacto à biodiversidade nativa, acarretam custos econômicos diretos que chegam a bilhões de dólares por ano.

Essas espécies constituem uma questão crucial para a indústria naval, por exemplo. Apesar de o carregamento e o despejo da água de lastro ser um componente inevitável da navegação internacional, esses procedimentos tornaram-se potenciais causadores da invasão de espécies não endêmicas litorâneas em novos ambientes. Calcula- se que o mexilhão listrado Eurasiano, por exemplo, introduzido na região dos Grandes Lagos da América do Norte, tenha causado prejuízos de US$ 4 bilhões anuais por causa das grandes colônias bloquearem fisicamente os canos de absorção de água do equipa- mento de refrigeração.

Sendo assim, a empresa norueguesa Det Norske Veritas (DNV) está desenvolvendo um novo sistema de informações que identifica a probabilidade de espécies invasoras estabelecerem-se em determi- nado ambiente através da avaliação da compatibilidade biogeográfica e de princípios de gestão de riscos. Este sistema leva em consideração o destino do despejo de um navio e ‘aprova’ uma viagem quando a troca da água de lastro não representa uma ameaça.

© OPTIMARIN

© WMC

© CEMEX

As Empresas & A Biodiversidade: Um Manual de Orientação para Ações Corporativas

Um Manual de Orientação para Ações Corporativas O sistema OPTIMAR de tratamento da água de lastro

O

sistema OPTIMAR de tratamento da água

de

lastro da Optimarin’s, instalado no navio

Regal Princess, baseia-se na separação de

sólidos e irradiação ultravioleta

na separação de sólidos e irradiação ultravioleta O ’bilby’, uma espécie ameaçada reintegrada à Reserva

O ’bilby’, uma espécie ameaçada reintegrada

à Reserva de Recuperação das Terras Áridas

As viagens não ‘aprovadas’ do sistema recebem recomendações de como reduzir os riscos. A DNV foi contratada pela Statoil, uma companhia norueguesa de petróleo, para monitorar o transporte marítimo de gás de petróleo líquido utilizando este sistema.

A Princess Cruises, sediada nos Estados

Unidos, instalou sistemas experimentais

de tratamento da água de lastro em seus navios de cruzeiro, assim como também

o fez a empresa norueguesa OptiMarin e

a americana Hyde Marine. Na Suécia, a

BenRad Marine Technology, uma subsidiária da Wallenius Line, também está desenvolvendo sistemas de trata- mento da água de lastro. Além destas e de outras iniciativas do setor privado, a International Maritime Organization publicou guias de orientação, está redigindo regulamentações para o lastramento e, através de seu Programa Global de Gestão de Lastro, está auxiliando países em desenvolvimento a gerenciar este problema.

Projeto El Carmen: carneiros ‘Big Horn’ oficialmente reintegrados em 24 de Novembro de 2001

Horn’ oficialmente reintegrados em 24 de Novembro de 2001 Reintegração de espécies Algumas vezes, as empresas

Reintegração de espécies Algumas vezes, as empresas têm a oportunidade de patrocinar programas de reintegração de espécies, retornando espécies aos seus habitats de origem.

O Projeto de Recuperação Árida é uma

iniciativa conjunta da WMC, uma mineradora, a Universidade de Adelaide, o Departamento de Meio Ambiente e Patrimônio da Austrália Meridional e um grupo da comunida- de. Após uma década de intenso monitoramento biológico da mina Barragem Olímpica da empresa, determinou-se que animais ferozes e domésticos causavam impactos mais sérios ao meio ambiente local do que a mineração. A instalação de uma cerca contra coelhos, gatos e raposas ao redor de uma área de 60 km 2 permitiu

a recuperação dos ecossistemas locais e

a reintegração de várias espécies de

roedores nativos, como o ‘bilby’. Esta iniciativa contribuiu para uma melhor percepção pública da credibilidade ambiental da WMC e benefícios em longo prazo no tocante a acesso ao mercado, licença de opera- ção e orgulho por parte dos colabo- radores e acionistas.

A empresa de materiais de construção

CEMEX adquiriu 33.000 hectares da Reserva Natural sob Proteção Del Carmen, no México, garantindo sua conservação, a pesquisa científica, a regeneração dos habitats e a reintegração da vida selvagem. Graças aos esforços da El Carmen Pilares Nursery, por exemplo, os carneiros ‘Big Horn’ do deserto estão sendo reintegrados ao seu habitat.

Questões corporativas referentes à biodiversidade

2.3 QUESTÕES SOBRE RECURSOS GENÉTICOS

No nível genético, as questões cruciais para as empresas relacionam-se a temas complexos e controversos: direitos da propriedade intelectual e biopros- pecção, organismos geneticamente modificados e biossegurança.

Direitos da propriedade intelectual e bioprospecção Direitos da propriedade intelectual

(DPIs) são direitos legais privados que

se aplicam à contribuição humana

intangível para a produção de deter- minada tecnologia.

As opiniões divergem enormemente se os DPIs promovem ou prejudicam a conservação da biodiversidade. Por um lado, DPIs associam valor ao que era anteriormente propriedade comum, estimulando o interesse no uso susten- tável de produtos biológicos. Mas por outro lado, sérias preocupações emergiram quanto ao uso de recursos

biológicos nas indústrias farmacêutica e agrícola. A bioprospecção de recursos genéticos, por exemplo, atraiu bastan-

te atenção pública e corporativa nos

últimos anos.

A Novartis, uma empresa de produtos

para a saúde, tem conduzido uma

pesquisa considerável sobre produtos naturais com o objetivo de descobrir novas drogas potenciais. Obedecendo

à Convenção sobre Diversidade

Biológica, a Novartis adaptou sua política de bioprospecção de modo a reconhecer o princípio de soberania dos países sobre seus recursos genéti- cos e sobre a distribuição de benefíci- os advindos de produtos baseados em

compostos naturais.

Baseando-se nestes princípios, em 1994,

a Novartis iniciou seu primeiro grande

projeto de bioprospecção com parceiros no México, Panamá e Índia, assim como também cooperou com pesquisadores chineses para desenvolver um tratamen- to contra a malária utilizando a

Artemísia annua, uma planta medicinal da China. Atualmente, a medicação é produzida por uma companhia local e comercializada pela Novartis.

Outro exemplo vem dos Estados Unidos, onde o Serviço de Parques Nacionais está desenvolvendo acordos de distribuição de benefícios que permitem o retorno de benefícios aos parques quando os resultados das pesquisas levam a descobertas comercialmente valiosas. A Diversa, uma empresa de biotecnologia, assinou um acordo dessa natureza com o Parque Nacional de Yellowstone, uma área de interesse para a empresa por abrigar 60% das características geotermais do mundo e assim sendo, muitos organismos termofílicos.

© NOVO NORDISK

As Empresas & A Biodiversidade: Um Manual de Orientação para Ações Corporativas

Fábrica de fermentação em Kalundborg, Dinamarca

Organismos geneticamente modificados e biossegurança A transferência e manipulação de material genético vegetal e animal, por meios bioquímicos, trouxeram muitos avanços para a medicina, agricultura e indústria. Ao mesmo tempo, existe a preocupação sobre os riscos potenciais à biodiversidade e à saúde humana que os organismos vivos modificados (OVMs) e os organismos geneticamente modifica- dos (OGMs) representam.

Sendo que a estabilidade dos genes inseridos em plantas não pode ser sempre determinada, eles representam uma ameaça a diversas espécies, podendo também causar desequilíbrios em cadeias alimentares há muito estabelecidas e levando a uma ‘poluição genética’ de espécies naturais e à perda da biodiversidade.

OGMs são utilizados pela Novo Nordisk na fermentação microbial necessária à produção de proteínas terapêuticas, um ingrediente ativo dos produtos farmacêuticos dessa empresa. Apesar de a Novo Nordisk acreditar que seu sistema de gestão é seguro, a empresa reconhece a necessidade do debate público sobre a engenharia genética e

por isso auxiliou a Sociedade Dinamar- quesa para a Conservação da Natureza

a produzir materiais didáticos que

explicam as vantagens e os riscos deste tipo de tecnologia.

O Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança

Adaptado em Janeiro de 2000 como um

acordo complementar a CDB, o Protoco-

lo de Cartagena sobre Biossegurança

tem por objetivo “garantir uma proteção

adequada à transferência, manuseio e uso de organismos vivos modificados que resultam de moderna biotecnologia e que possam ter efeitos adversos na conservação e sustentabilidade da diversidade biológica, levando em consideração os riscos à saúde humana

e concentrando sua atenção particular-

mente nos movimentos trans-fronteiri- ços”. Sua elaboração forneceu informa- ções importantes para o desenvolvi- mento de acordos, além de permitir que países tomem decisões sobre a importação de tais organismos apoia- dos em uma base informada.

além de permitir que países tomem decisões sobre a importação de tais organismos apoia- dos em

Empresas que operam em diferentes setores, regiões e em diferentes níveis da cadeia de suprimentos devem ter, cada uma, seu próprio conjunto de prioridades sobre as questões da biodiversidade, seus riscos e oportunidades.

Questões corporativas referentes à biodiversidade

2.4 A IDENTIFICAÇÃO E PRIORIZAÇÃO DAS QUESTÕES DA BIODIVERSIDADE

A biodiversidade pode ser um tema

desafiadoramente complexo. Há uma infinidade de questões sobre ecossistemas, espécies e material genético, como discutido neste capítulo. Há também inúmeras ques-

tões referentes aos objetivos de conser- vação, uso sustentável e distribuição eqüitativa dos benefícios. Empresas que operam em diferentes setores, regiões e em diferentes níveis da cadeia de suprimentos devem ter, cada uma, seu próprio conjunto de prioridades sobre

as questões da biodiversidade, seus

riscos e oportunidades.

Uma matriz de gestão da biodiversidade deve ser aplicada na identificação destas questões prioritárias. É muito improvável que uma empresa tenha questões referentes à biodiversidade de grande importância em todas as nove células da tabela apresentada abaixo; no entanto, um passo crítico para o desenvolvimento de um plano de ações corporativas referentes à biodiversidade será decidir quais questões devem ser priorizadas. Ao completar a tabela abaixo, uma empresa poderá identificar um grupo de questões relacionadas a um determinado componente da biodiversidade, como por exemplo, aos ecossistemas, ou a um objetivo da biodiversidade, como por exemplo, a distribuição eqüitativa dos benefícios por ela gerados.

O desafio reside no desenvolvimento de um plano de ações corporativas que adequadamente aborde as questões referentes à biodiversidade.

desenvolvimento de um plano de ações corporativas que adequadamente aborde as questões referentes à biodiversidade. 35
desenvolvimento de um plano de ações corporativas que adequadamente aborde as questões referentes à biodiversidade. 35
desenvolvimento de um plano de ações corporativas que adequadamente aborde as questões referentes à biodiversidade. 35
desenvolvimento de um plano de ações corporativas que adequadamente aborde as questões referentes à biodiversidade. 35
desenvolvimento de um plano de ações corporativas que adequadamente aborde as questões referentes à biodiversidade. 35
desenvolvimento de um plano de ações corporativas que adequadamente aborde as questões referentes à biodiversidade. 35
desenvolvimento de um plano de ações corporativas que adequadamente aborde as questões referentes à biodiversidade. 35
desenvolvimento de um plano de ações corporativas que adequadamente aborde as questões referentes à biodiversidade. 35
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desenvolvimento de um plano de ações corporativas que adequadamente aborde as questões referentes à biodiversidade. 35

© PLUSPETROL PERU CORPORATION

As Empresas & A Biodiversidade: Um Manual de Orientação para Ações Corporativas

3.Ações corporativas

pró-biodiversidade

Uma empresa pode abordar as questões referentes à biodiversidade de várias maneiras. Desde a conscientização de seus colaboradores sobre a conservação e a gestão dos impactos ambientais até a valorização da biodiversidade em sua propriedade e o uso sustentá- vel dos recursos biológicos.

Este capítulo apresenta uma logística para as ações corporativas, auxiliando as empresas a avaliar a importância corporativa da biodiversidade, a identificar e expandir práticas já existentes e a integrar as ações pró-biodiversidade a todo o seu modelo de negócio.

3.1 AS PRINCIPAIS ETAPAS DO PLANO DE AÇÕES CORPORATIVAS

Sete das principais etapas do plano de ações corporativas pró-biodiversidade são apontadas aqui a partir de experiên- cias de várias empresas bastante ativas nesta área, de sua abordagem à biodiversidade e de suas visões sobre alguns dos elementos críticos. Esta logística deverá ser adaptada para atender às circunstâncias e às necessida- des específicas de cada empresa.

Etapas básicas para desenvolver ações corporativas

1. Advogue a biodiversidade como uma prática corporativa,

2. Identifique um ‘campeão’ de biodiversidade em nível sênior na empresa,

3. Conduza uma avaliação da biodiversidade,

4. Garanta o endosso de toda a diretoria,

5. Desenvolva uma estratégia corporativa pró-biodiversidade,

6. Desenvolva um plano de ações corporativas pró-biodiversidade, e

7. Implante efetivamente esse plano de ações.

Discutimos, a seguir, porque cada uma dessas etapas é essencial ao processo e quais as considerações que cada etapa envolve, ilustrando essas explicações com experiências de diversas empresas.

Passo 1 Advogue a biodiversidade como uma prática corporativa Para gerar e obter o apoio em todos os níveis, a empresa deverá ilustrar de maneira relevante a importância da biodiversidade para as principais atividades da empresa. Isso significa elaborar e advogar essa causa, conven- cendo os indivíduos chave na empresa que a biodiversidade é uma área importante o bastante para todos envolverem-se nessa questão.

Ações corporativas pró-biodiversidade

A proposta da causa deverá incluir os

objetivos das atividades propostas, os benefícios para a empresa, o processo interno de implantação da proposta e os recursos necessários para completar cada fase do processo e passar para a seguin- te. Esses objetivos devem ser consistentes com os objetivos de conservação, uso sustentável e distribuição eqüitativa dos benefícios gerados, enfatizando as oportunidades referentes aos objetivos

estratégicos e operacionais da empresa.

Alguns dos benefícios da causa pró- biodiversidade são intangíveis, e, portanto, não facilmente perceptíveis, como por exemplo, melhor reputação da empresa, maior confiança pública e a realização dos compromissos ambientais. Outros benefícios, por outro lado, são mais tangíveis como a redução dos custos com ações remediadoras ou o aumento no valor da terra gerado pela atitude ambiental apropriada.

Exemplos para esta fase vêm da BP e da Rio Tinto. No início de 2002, uma pesquisa interna conduzida pela BP revelou a visão dos colaboradores sobre alguns dos benefícios que uma empresa pode colher. A Rio Tinto, após idêntica iniciativa, pôde conduzir uma avaliação das oportunidades, custos e riscos e mais facilmente advogar ações corporativas pró-biodiversidade como uma estratégi-

ca corporativa. Para se ter uma idéia, os principais benefícios apontados incluíam

a licença para operação, a lealdade dos

investidores, a moral dos colaboradores e

a reputação da empresa.

Um plano pró-biodiversidade pode também identificar um determinado processo interno e designar responsabili- dades. Para aumentar as possibilidades de implantação e de eficácia de um plano de ações, o foco deverá ser a integração da biodiversidade aos sistemas de gestão social e ambiental já existentes. Ao avaliar os recursos necessá-

© UNILEVER

As Empresas & A Biodiversidade: Um Manual de Orientação para Ações Corporativas

O apoio dos níveis mais altos da organização pode ser determinante para um engajamento geral que

leve as iniciativas pró-biodiversidade

à frente.

rios, deve-se também considerar a sinergia com outros departamentos e atividades da empresa. No tocante aos riscos, a análise de diversos aspectos do plano de ações poderá também contri- buir para a identificação das atividades de gestão de riscos.

A Brooke Bond Kenya, uma empresa de

cultivo de chá do grupo Unilever, percebeu a importância da biodiversidade como parte integrante de seu compromisso para com a agricultura

sustentável. A empresa plantou, até hoje, 30.000 árvores nativas em sua proprieda- de para repor árvores derrubadas e queimadas, pois essas árvores aumentam

a retenção de água pelo solo, um fator de impacto econômico e benefícios diretos para uma agricultura tão dependente de chuvas como a cultura do chá.

A regeneração de faixas ripárias nas terras da Brooke Bond

regeneração de faixas ripárias nas terras da Brooke Bond Passo 2 Identifique um ‘campeão’ de biodiversidade

Passo 2 Identifique um ‘campeão’

de biodiversidade em nível sênior na empresa

A avaliação da biodiversidade e de

suas relações com a empresa envolve recursos humanos e financeiros. Como acontece com várias outras idéias e iniciativas dentro de uma empresa, o apoio dos níveis mais altos da organi- zação pode ser determinante para um engajamento geral que leve as

iniciativas pró-biodiversidade à frente.

A identificação de um ‘campeão’ de

biodiversidade em nível sênior logo na fase inicial do plano pró- biodiversidade é uma maneira eficaz de dar o pontapé inicial no processo. E para angariar o engajamento dos outros colaboradores, a empresa deverá conduzir apresentações e palestras e distribuir material informativo.

Passo 3 Conduza uma avaliação da biodiversidade Uma vez obtido o comprometimento para com o processo, a empresa deve avaliar a real compreensão das diversas questões referentes à biodiversidade e desenvolver as atividades necessárias para implantar o plano. Esta fase constitui um processo recorrente, que deve ser revisado em estágios posterio- res do processo, mas que principalmen- te auxiliará a determinar a base do plano de ações. Essa avaliação visa determinar quais questões referentes à biodiversidade merecem maior atenção e também fornecer informa- ções e evidências que estimulem outros colaboradores a comprar tanto a causa da biodiversidade como uma ação corporativa como do processo de implantação do plano pró- biodiversidade.

Quatro perguntas podem auxiliar a empresa a estruturar sua avaliação da

biodiversidade:

© ONTARIO POWER GENERATION

Qual é a estrutura de políticas externas para a biodiversidade? As políticas externas moldam o ambiente no qual as empresas atuam e essa estrutura determina quais ques- tões são particularmente importantes e relevantes para a empresa.

Ações corporativas pró-biodiversidade

Quais questões são particularmente relevantes para a empresa? Esta fase vai também requerer uma avaliação das atividades e operações da empresa e sua relação com a biodiversidade, incluindo os impactos diretos e indiretos causados à biodiversidade, a cadeia de suprimen-

Em relação à biodiversidade, a Conven-

tos e o uso de seus produtos e serviços;

ção sobre Diversidade Biológica é uma

o

uso da biodiversidade pela empresa;

referência bastante útil. Para compreen-

e

a contribuição da empresa à

der sua estrutura, deve-se também ler outras publicações sobre biodiversidade, afiliar-se a organismos governamentais, organizações

biodiversidade, através de seus sistemas de gestão ambiental e outras atividades.

ambientais, fóruns sobre economia e

A

matriz de gestão da biodiversidade

biodiversidade, participar de eventos sobre biodiversidade e sempre manter um canal aberto com stakeholders e outras empresas que operam no mesmo segmento para trocar experiências.

(capítulo 2) auxilia as empresas a determinar, para cada objetivo da biodiversidade, os impactos de suas ações em cada um dos três componen- tes da biodiversidade. Quanto à conservação, é necessário avaliar a

Iniciativas de Conservação na Usina Nuclear de Darlington da Ontario Power Generation

na Usina Nuclear de Darlington da Ontario Power Generation contribuição da empresa à integridade e diversidade

contribuição da empresa à integridade

e diversidade em um raio maior que o

de suas atividades. Em relação ao uso

sustentável, será necessário determinar

a sustentabilidade da cadeia de

suprimentos e o impacto da produção de bens e serviços. E finalmente, quanto à distribuição de benefícios, avaliar a influência e a qualidade das parcerias e das relações externas de modo a gerar oportunidades e valor para todos os stakeholders.

A Ontario Power Generation (OPG),

uma fornecedora de energia elétrica, reconheceu que para desenvolver suas atividades estratégicas pró- biodiversidade precisava antes identificar as questões prioritárias, como o impacto das atividades da empresa nas espécies em risco e nos habitats sensíveis. Isso foi feito em todas as instalações da empresa através da consulta aos bancos de dados sobre biodiversidade existentes em cada província do Canadá e também através de levantamentos biológicos conduzidos nas maiores usinas da empresa.

As Empresas & A Biodiversidade: Um Manual de Orientação para Ações Corporativas

A avaliação de biodiversidade deve

cobrir todos os departamentos, desde

o escritório da matriz até as instala-

ções locais e outros centros de atividade.

Quais políticas, práticas e procedimentos sobre essas questões a empresa já possui? Provavelmente cada empresa já possui algum tipo de políticas, práticas e procedimentos próprios referentes à biodiversidade, mas não tenha consciên- cia disso se essas políticas e procedimen- tos não estiverem explicitamente integrados em sua gestão ambiental.

Esta fase visa identificar o que já é conhecido sobre biodiversidade e a

relação entre esta e as atividades da empresa, incluindo informações sobre a

área, localização e propriedades da empresa. Se possível, a avaliação deve cobrir todos os departamentos, desde o escritório da matriz (compras, marketing, engenharia, manutenção e terceirização) até as instalações locais e outros centros de atividade, estabelecen- do sempre sua relação e a de seu staff com a biodiversidade.

de conscientização sobre essas questões e estão auxiliando a empresa a desenvol- ver políticas adequadas para cobrir as lacunas identificadas.

Como a empresa pode fortalecer e expandir as atividades em andamento para benefici- ar a si própria e à biodiversidade? A partir das questões, atividades e nível de conscientização revelados pela avaliação, a empresa deve identificar as áreas de ação prioritárias. As ações de conservação e uso sustentáveis relacio- nam-se à gestão dos impactos diretos ou indiretos causados pelas atividades da empresa, estratégias e planejamento corporativo e pelas políticas de identifi- cação de fontes e compras, enquanto que as ações de distribuição de benefíci- os envolverão atividades sobre as responsabilidades dos stakeholders, sendo também de valor estratégico para os negócios da empresa.

O objetivo deste levantamento é identificar riscos potenciais, áreas nas quais a empresa causa impactos negativos, e então determinar priorida- des de ação; atividades pró- biodiversidade já em andamento e seu valor estratégico para a empresa; áreas nas quais a empresa tem um impacto positivo na biodiversidade e como isso pode ser transformado em benefícios; e finalmente, áreas da empresa onde há interesse ou especialistas em biodiversidade, assim como áreas onde isso se faz necessário.

Em 2001 a Rio Tinto conduziu um levantamento em suas 27 instalações e nos centros de atividade associados para avaliar a biodiversidade e atividades correlatas em andamento, utilizando um questionário elaborado a partir de insumos de três organizações parceiras em biodiversidade e que cobria todas as ações pró-biodiversidade em diferentes níveis da empresa: matriz e grupos operacionais e de exploração. Os resultados demonstraram um alto nível

A estratégia para a biodiversidade é um subconjunto das responsabi- lidades sociais gerais da empresa ou de sua agenda para a sustentabilidade.

Passo 4 Garanta o endosso de toda a diretoria Antes de qualquer outra ação, será necessário garantir o endosso de toda a diretoria, o qual estimulará apoio e engajamento em todos os outros níveis da empresa.

Esta é a hora de redigir uma política para a biodiversidade detalhando o comprometimento da empresa e explicitando seus objetivos claramente de modo a angariar o apoio em todos os níveis. O endosso da diretoria será fundamental para o reconhecimento da biodiversidade como uma questão importante e para centrar o foco na integração da biodiversidade a todos os sistemas de gestão da empresa.

A Shell publicou um Padrão de Biodiversidade para todo o Grupo para todas as suas operações, o qual foi elaborado após um workshop sobre biodiversidade com as principais organizações de conservação. Esse Padrão declara que: “No Grupo Shell, reconhece- mos a importância da biodiversidade e nos comprometemos a manter os ecossistemas, a respeitar as áreas sob proteção e a estabelecer parcerias que nos ajudem a contribuir positivamente para a conservação da biodiversidade global. As empresas Shell conduzirão avaliações ambientais, inclusive sobre os impactos potenciais à biodiversidade, antes de qualquer nova atividade ou alteração significativa às atividades em vigor; e focarão a gestão de atividades em ‘hotspots’ internacionalmente reconhecidos, incluindo a identificação e a consulta aos principais stakeholders.”

Ações corporativas pró-biodiversidade

Passo 5 Desenvolva uma estratégia corporativa pró-biodiversidade Obtido o apoio necessário, a empresa deve agora revisar a avaliação conduzida anteriormente para desenvolver uma estratégia corporativa pró- biodiversidade.

A estratégia deve estabelecer os

objetivos da empresa, metas aceitá- veis, mecanismos de ação e identificar os papéis dos stakeholders, tendo em vista a integração da biodiversidade às atividades da empresa e reconhe- cendo que a estratégia para a biodiversidade é um subconjunto das responsabilidades sociais gerais da empresa ou de sua agenda para a sustentabilidade. Essa estratégia deve priorizar o fortalecimento das ativida- des antes de iniciar novos programas, além de engajar os principais stakeholders – tanto os afetados pelas atividades da empresa quanto os que influenciam de alguma maneira suas atividades – e gerar oportunidades para novas parcerias estratégicas com organizações relevantes.

A OPG desenvolveu e implantou sua

política para conservação da biodiversidade em 1995, comprometen- do-se a planejar e gerenciar suas atividades de modo a promover a preservação de espécies nativas e dos ecossistemas dos quais elas dependem.

A estratégia da empresa foi elaborada

como um processo de benefícios múltiplos para a biodiversidade, as mudanças climáticas e as comunidades baseado nos três Rs da conservação:

Retenção (proteção) da paisagem natural; Recuperação do que foi afetado e Reposição, sempre que possível, do que foi perdido. A estratégia da OPG combina a gestão da biodiversidade in loco com a gestão da biodiversidade e seqüestro de carbono em suas instalações.

© RMC GROUP

As Empresas & A Biodiversidade: Um Manual de Orientação para Ações Corporativas

Várias atividades estão sendo desenvol- vidas para orientar as empresas sobre

as prioridades, processos e iniciativas

que podem ser associadas às suas próprias ações pró-biodiversidade. Algumas delas são detalhadas a seguir.

Engajamento dos stakeholders

O envolvimento de stakeholders

relevantes no desenvolvimento e implantação da estratégia pró- biodiversidade traz diversos benefícios, incluindo a confiança pública, a credibilidade dos resultados e a incorporação de várias perspectivas que contribuem para a eficácia e sucesso da estratégia. Esses stakeholders incluem os colaboradores, fornecedo- res, reguladores, clientes, acionistas, comunidades locais e Ongs.

clientes, acionistas, comunidades locais e Ongs. Vista aérea da área doada à Florida International

Vista aérea da área doada à Florida International University

O componente humano dos

ecossistemas é reconhecido na ‘aborda- gem de ecossistema’ formalmente adaptada pela CDB como uma ferramenta de avaliação e planejamen- to. As comunidades locais geralmente têm perspectivas diferentes das dos cientistas sobre as questões referentes à biodiversidade. Seu conhecimento tradicional das fontes biológicas representa percepções únicas sobre os usos sustentáveis e práticas de manejo. Seu envolvimento no planejamento de uso da terra em áreas onde as empre- sas atuam pode ser vital para a

sustentabilidade desses esquemas. Sendo assim, a inclusão do conheci-

mento da comunidade é essencial para

a avaliação e planejamento da biodiversidade.

Cientes dos fatores que ameaçam a sobrevivência de pequenas comunida- des dependentes da cultura do cacau, várias indústrias de chocolate america- nas e européias estão patrocinando a pesquisa e ações de desenvolvimento na África Ocidental e Central via uma parceria entre os setores público e privado no Programa de Culturas

Arbóreas Sustentáveis (do inglês STCP). Através deste programa, empresas como a M&M/Mars estabelecem parcerias com os plantadores e beneficiadores de cacau, os produtores de chocolate, agências de desenvolvi- mento, governos, ONGs, grupos de conservação e institutos de pesquisa visando a produção de cacau sustentável.

Ao invés de devolver a área de sua pedreira ao governo, como usualmente é feito, a RMC Florida, apoiada pelo governo desse estado, estabeleceu uma parceria inédita com a Florida International University (FIU). A iniciativa de doar 370 hectares à FIU para esta conduzir um dos primeiros programas de estudo aplicado em regeneração de alagados aumentou a credibilidade da RMC na comunidade dos Everglades e também aumentará as chances da empresa obter licenças de operação em áreas semelhantes.

Conseguir o engajamento dos stakeholders depende principalmente de como esse processo é conduzido. Mas a comunicação clara sobre o âmbito, as restrições e os resultados do processo manterá os stakeholders envolvidos e confiantes.

Parcerias com organizações de conservação Mais e mais empresas reconhecem as vantagens das parcerias estratégicas com organizações de conservação. Encontros num ambiente informal facilitam a comunicação e a compreen- são sobre a empresa e seus parceiros, seus objetivos e metas e encorajam a confiança e a credibilidade. Segundo Chris Spray, Diretor de Meio Ambiente da Northumbrian Water, “parcerias são vitais”.

Essas parcerias proporcionam às empresas o aceso ao conhecimento especializado sobre biodiversidade, fortalecem e legitimam as atividades

© CARLTON WARD JR. SIMAB

pró-biodiversidade, auxiliam a escolha da terceirização de atividades não familiares à empresa, desenvolvem capacitações valiosas (também para outras áreas da empresa) e promovem

o intercâmbio cultural.

Mas a escolha dos parceiros certos pode ser crítica para o sucesso. Características comuns a parcerias de sucesso relacionam-se à identificação de objetivos comuns, e isso requer uma comunicação adequada sobre a logística, os resultados esperados e a divisão das responsabilidades entre os parceiros. A parceria deve ser validada pela diretoria e também pela gerência local da empresa para garantir que a experiência acumulada pelos funcioná- rios junto as Ongs seja valorizada e integrada às decisões da empresa.

Ongs seja valorizada e integrada às decisões da empresa. Trabalho de campo sobre biodiversidade no Complexo

Trabalho de campo sobre biodiversidade no Complexo de Gamba, no Gabão

A Rio Tinto formou parcerias com várias

organizações globais de conservação para desenvolver sua estratégia pró- biodiversidade. Contatos informais e discussões bilaterais iniciais evoluíram para acordos formais. Isso requer respeito mútuo aos objetivos e priori- dades – que não podem ser conflitantes, foco e atividades centradas onde estes coincidem. Algumas parcerias, como a do Centro de Monitoramento da Conservação Mundial da Unep, datam de 10 anos atrás e derivaram da necessidade

operacional por informações, outras, como as do Royal Botanic Gardens Kew, BirdLife Internacional, Fauna and Flora International e Earthwatch estão entrando em seu segundo ou terceiro ano e amadurecerem ao longo de um processo de compreensão e respeito mútuo e fluxo de mão dupla para o know-how e a consulta.

A estratégia para a biodiversidade da

Shell compreende esquemas de alerta para que as atividades não entrem, por exemplo, em áreas de Patrimônio da Humanidade ou áreas de proteção do

Ações corporativas pró-biodiversidade

IUCN categorias I-IV, e para que a coleta de dados não prejudique espécies endêmicas, habitats e funções dos ecossistemas. Numa parceria de cinco anos, a Shell e o Instituto Smithsonian estão conduzindo a avaliação da biodiversidade e o monitoramento do Complexo de Gamba, no Gabão.

Esta parceria visa principalmente uma avaliação independente precisa dos impactos das operações da Shell, expandir os conhecimentos sobre biodiversidade, capacitar o governo do Gabão e contribuir para o planejamen- to sustentável da Shell no Gabão.

Atividades setoriais e conjuntas Atividades com outras empresas do mesmo setor e outras atividades conjuntas permitem às empresas criar um pool de conhecimentos e recursos especializados e desenvolver soluções conjuntas para problemas comuns.

Por exemplo, The Energy and Biodiversity Initiative (EBI) reúne quatro empresas do setor energético (BP, ChevronTexaco, Shell

e Statoil) e cinco organizações de conserva- ção (Conservation International, Fauna & Flora International, IUCN, Instituto Smithsonian e The Nature Conservancy). Reunidas pelo Centro para a Liderança Ambiental em Negócios do Conservation

International, visam desenvolver ferramen- tas e orientações para integrar a biodiversidade às atividades de petróleo e gás através de quatro grupos de trabalho:

o grupo de causa promove a logística para

a integração corporativa da conservação

da biodiversidade; o grupo de práticas de conservação identifica e implanta práticas de excelência e técnicas de conservação; o grupo de métrica desenvolve indicadores de desempenho para medir os impactos causados pelas operações de petróleo e gás; e o grupo de seleção de sítios desenvolve critérios para a operação – ou não – em ambien- tes biologicamente sensíveis.

As Empresas & A Biodiversidade: Um Manual de Orientação para Ações Corporativas

Passo 6 Desenvolva um plano de ações

O plano, finalizado em 2001, investigou como o ambiente natural pode ser

Muitas ações podem ser implantadas

corporativas pró-biodiversidade

melhorado a partir da interação com a

A

partir da avaliação de biodiversidade

indústria e resultou no desenvolvimento

e

estratégia pró-biodiversidade, o Plano de Ações pró-Biodiversidade (PAB) deve indicar como a estratégia será implantada, todos os envolvidos e as responsabilidades para cada atividade, onde estas se desenvolverão, como serão financiadas, como o progresso será medido e quais os prazos.

da direção determinada pela

de um PAB para as instalações que complementou o PAB local, atualmente em implantação. Ambos os planos contaram com o envolvimento direto do Countryside Council for Wales.

em localidades específicas, dentro dos departamentos de operações das empresas em suas respectivas responsa-

O

Plano cobrirá várias ações em todos

bilidades. Na próxima seção apresen-

os níveis e instalações da empresa. A ênfase deverá ser o desenvolvimento e implantação de programas que integram a biodiversidade aos sistemas de gestão já existentes, contextualizando as prioridades e os objetivos em nível local e nacional.

tamos uma plataforma para a identifi- cação dos principais componentes de um PAB corporativo.

A Northumbriam Water elaborou seu PAB

de acordo com as políticas locais e nacionais, considerando seus impactos em quatro áreas: a empresa como operadora, como proprietária de terras, como financiadora e como advogada do Plano. Na posição de proprietária de terras, a empresa desenvolveu PABs específicos para cada uma de suas instalações a partir de pesquisas nos locais e identifica- ção das prioridades. Na posição de advogada do PAB, formou parcerias e organizou seminários com organizações

ambientais e autoridades locais para promover as ações estabelecidas.

O PAB da Wessex Water, uma empresa

hídrica no Reino Unido, centra-se da gestão das terras da empresa, minimizando os efeitos de novas operações e associando-se a organiza- ções de conservação.

Já a refinaria de Pembroke da

ChevronTexaco, no Reino Unido, é a única refinaria que participou do plano piloto ‘Biodiversity in Action on Industrial Sites’ na União Européia.

© CHEVRONTEXACO

Passo 7 Implante efetivamente esse plano de ações

Agora começa o trabalho de verdade!

O PAB deverá conter marcos, indicado-

res, procedimentos para a comunicação

e, principalmente, ligações claras com a

melhoria do desempenho da empresa.

Principais características do habitat na refinaria de Pembroke

características do habitat na refinaria de Pembroke Ações corporativas pró-biodiversidade 3.2 OS ELEMENTOS

Ações corporativas pró-biodiversidade

3.2 OS ELEMENTOS CHAVE DO PLANO DE AÇÕES CORPORATIVAS PRÓ-BIODIVERSIDADE

Para garantir sua plena integração ao processo de gestão e ter o melhor desempenho possível, o plano de ações corporativas pró-biodiversidade deve conter todos os elementos aqui identificados. Esses elementos são pontos de partida a ser adaptados a cada caso individual.

Elementos chave de um plano de ações corporativas pró-biodiversidade

1. Conservação da biodiversidade,

2. Uso sustentável dos recursos biológicos,

3. Distribuição eqüitativa dos benefícios,

4. Fortalecimento dos sistemas de gestão,

5. Monitoramento e avaliação,

6. Repasse de informações,

7. Identificação de novas oportunidades.

Elemento 1 Conservação da biodiversidade Empresas com grandes propriedades de terra ou cujas atividades causam impactos aos habitats e ecossistemas devem desenvolver PABs específicos às suas instalações respeitando as priori- dades de biodiversidade locais e nacionais. As Estratégias e Planos de Ação Nacionais pró-Biodiversidade (Epanb) fornecem uma logística para as empresas definirem prioridades e elaborarem seus PABs.

Um PAB específico para instalações possibilita o manejo da terra e dos habitats face aos objetivos e priorida- des nacionais, regionais e locais, garante a conscientização dos colabo- radores, oferece oportunidades de treinamento, avalia os impactos das decisões locais e estabelece um padrão para a comunicação do progresso e do desempenho.

© PLUSPETROL PERU CORPORATION

© LANDCARE RESEARCH

As Empresas & A Biodiversidade: Um Manual de Orientação para Ações Corporativas

Um Manual de Orientação para Ações Corporativas Floresta Amazônica, no Peru Para garantir a implantação e

Floresta Amazônica, no Peru

Para garantir a implantação e a observân- cia das práticas de gestão, o PAB deve designar explicitamente as responsabili- dades e promover o monitoramento e a comunicação com toda a empresa de acordo com os modelos globais para PABs que são compatíveis.

Nos seus campos de gás na região amazônica do Peru, a política ambiental da Pluspetrol Peru Corporation estabeleceu a meta de ‘nenhuma perda líquida dos benefícios da biodiversidade’. A empresa está implantando processos de avaliação da biodiversidade, monitoramento, regenera- ção e ações emergenciais para minimizar os impactos negativos de seus 40 anos de atividades na área.

A BP desenvolveu um modelo, resumin-

do as características principais de PABs específicos para instalações, o qual está reproduzido na página a seguir com dados fictícios.

Regeneração da área de pastagem de carneiros da floresta nativa através dos parâmetros da Emissions/Biodiversity Exchange

através dos parâmetros da Emissions/Biodiversity Exchange Compensação dos danos Quando as atividades de uma empresa

Compensação dos danos Quando as atividades de uma empresa causam impactos negativos, como a mineração a céu aberto ou outras ativida-

des onde a destruição ou danos a habitats são inevitáveis, a compensação dos danos deve estar integrada ao PAB e as medidas

a serem tomadas devem incluir o suporte

econômico da área sob proteção sob a forma de capacitação, pesquisa no país hospedeiro, contribuições a fundos de conservação ou a áreas adjacentes ou semelhantes à área afetada, de modo a compensar as perdas causadas à biodiversidade. Em alguns países, medidas de compensação são exigências legais.

A compensação dos danos é uma aborda-

gem controversa e levanta questões sobre

o valor, o papel e a reposição da

biodiversidade. Por exemplo, uma empresa deve conservar uma área adjacente às suas novas instalações ou conservar uma área de biodiversidade igualmente rica em outra parte do país? Alguns argumentam que compensações

são inaceitáveis porque nada pode compensar a perda de habitats e espécies únicas. Por isso, a consulta aos principais stakeholders é importante para obter a aceitação de um plano de compensação.

Quando solicitou uma área de armazena- gem adicional para os resíduos de sua mina de cobre em Kennecott, Utah, de modo a compensar danos aos habitats da área, a Rio Tinto foi além das suas obrigações legais. A compra de 1.000 hectares a pouco menos de uma milha da área de armazena- gem não somente repôs a área de alagados perdida como também criou um habitat adicional para aves de alagados. Em 1997, pesquisas indicaram um aumento de mil vezes do uso da área por aves ao observado nos dois anos imediatamente anteriores e um aumento da Reserva Inland Sea Shorebird Reserve em 450 hectares.

Na Nova Zelândia, o fabricante de equipamentos para atividades ao ar livre Macpac, a indústria de roupas Snowy Peak e a operadora de turismo Adventure South investiram na regeneração da floresta nativa para compensar suas emissões de gases do efeito estufa utilizando os parâmetros da Landcare Research, membro fundados do Conselho Empresari- al Neozelandês para o Desenvolvimento Sustentável. Esses parâmetros calculam as emissões e a área de seqüestro necessária, designando a área permanentemente através de acordos formais com seus proprietários e conduzindo auditorias com medidas que avaliam a redução do carbono e os benefícios à biodiversidade.

Sendo 1/3 de sua eletricidade derivada de combustíveis fósseis, a OPG reconhe- ce os impactos que podem ser causados pela geração de eletricidade – perdas em habitats e modificação do sistema de vazão das águas correntes.

Também ciente que as emissões de gases de efeito estufa podem causar alterações dramáticas na estrutura e composição dos ecossistemas, a OPG adotou como

estratégia pró-biodiversidade um processo de regeneração que também se aplica a mudanças climáticas. Seu principal componente, um projeto de seqüestro de carbono e a gestão da biodiversidade,

Ações corporativas pró-biodiversidade

levou à compra de 900 hectares para o plantio de 2 milhões de árvores nativas até 2005, restaurando assim o habitat florestal ao sul de Ontário, o qual perdeu mais de 80% de sua cobertura florestal original.

 

RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DE PABS ESPECÍFICOS PARA INSTALAÇÕES (DADOS FICTÍCIOS)

 

Instalações / Nome da Unidade de Negócios, Localização, Atividades Principais.

 

O

campo de petróleo da No-Org Clue Acres está localizado na costa meridional do Oceano Índico, incluindo no momento cinco instalações (duas no litoral e três

marítimas) interligadas por dutos subterrâneos, canais de comunicação e cabos. O número de instalações deve aumentar para 10 em 2010 e as operações devem continuar por mais 15 anos a partir de então. A produção média atual é de 5.000 barris/dia/instalação. Ao final do período da licença de operação, em 2025, todas as instalações serão reintegradas a seu estado original ou conforme acordado com o Ministério Nacional de Meio ambiente, Minas e Energia.

Principais contatos

 

Nome

Telefone

E-mail

Gerente

Ambiental

 

Ibu Charlotte Tobba Barry Morgan Bapak Nuri Waryanto

 

23 11 129 7234 52 21 3445 923 52 21 346 271

ctobba@noorg.glob

Gerente

Local

rmorgan@lc.noorg.glob

Coordenador do Fórum sobre Meio Ambiente

Descrição do Ambiente Adjacente

 

Muitas das instalações estão circundadas por áreas de importância ecológica, como corais de recife, floresta de manguezais, vegetação rasteira marinha, rios, campos inundados e praias. O coral de recife é santuário para mais de 300 espécies de peixes e 250 espécies de invertebrados, algumas das quais de importância internacional, incluindo a garoupa, “elasmobranch” e tartarugas. Nos manguezais abundam Rhizophora spp e Avicennia spp de suma importância para a biodiversidade, a sobrevivência de outras espécies e à proteção costeira.

Breve Descrição do Uso da Terra

 

A

relação entre área de terra ocupada e área de terra com manejo para conservação é aproximadamente 1:3.

 

Localização (Lat-Long)

Área das

 

Designadas

Manejo para

Sem Manejo no a conservação

Área Total

 

Instalações

para conservação

momento

10S 150L

84

 

10

52

200

346

Principais Questões referentes à Biodiversidade

 

• Mudança no Uso da Terra: remoção de habitat para a construção das instalações causou perda e fragmentação de habitat.

 

• Poluição: despejo de poluentes afeta a água, vida marinha e os recifes de corais. Emissões aéreas afetam a qualidade do ar. Existência das instalações causa distúrbios na vida selvagem local. Poluição sonora e de iluminação associada às pessoas e maquinários trabalhando nas instalações. Potenciais acidentes de despejo de petróleo ou outros produtos.

• Uso não sustentável da biodiversidade: uso de materiais naturais na construção.

 

´ Introdução de espécies: uso de solos e plantas importados para o paisagismo das instalações.

 

Principais Itens do Plano de Ações para 2002 e em longo prazo e sua contribuição positiva

 

Ação Proposta

 

Prazo

Contribuição à Biodiversidade

 

Redução do uso da terra em habitats sensíveis; 2002 - 2025 Redução da ameaça a habitats e espécies prioritárias manejo da terra para conservação transferindo atividades atuais para outras instalações;

Alinhamento da conservação e monitoramento com

 

2002 - 2025

Identificação e redução de ameaças a habitats e espécies prioritárias

as

prioridades locais e nacionais

Avaliação das cadeias de suprimento de matérias-primas

2002 - 2025

Redução dos impactos do suprimento e extração de recursos naturais. Aumentar a conscientização dos stakeholders dos impactos indiretos.

e

compreender o impacto à biodiversidade

Aumentar

a conscientização através de programas

 

2002 - 2010

Aumentar o conhecimento sobre biodiversidade e elevar os padrões ambientais.

de visitas, consultas, palestras, etc.

 

Organizações com as quais trabalhamos no momento

 

FFI Nacional, Escritório do IUCN, Departamento de Biologia da Universidade de Amperman, Fórum Local das Ongs Ambientais e de Desenvolvimento (Fsplh)

Contexto de Determinação de Prioridades

 

Nenhum PAB adotado, por isso estamos trabalhando com o FFI no país e a Universidade local.

 

As Informações foram Revisadas?

Responsável pela Revisão

Data de Revisão

Próxima Revisão

 

SIM

NÃO

As Empresas & A Biodiversidade: Um Manual de Orientação para Ações Corporativas

Elemento 2 Uso sustentável dos recursos biológicos Para muitas empresas, os impactos mais significativos estão ligados ao uso direto ou indireto dos recursos. Um plano de ações deve garantir que todos os tipos de atividades usem os recursos biológicos de forma sustentável, o que requer um trabalho conjunto com os fornecedores para que estes melhores seus próprios desempenhos ambientais e também a procura de novas fontes certificadas.

Existem diversas plataformas de certificação que estão cada vez mais focando as questões referentes à biodiversidade que podem ser aplica- das à cadeia de suprimento – incluindo os elaborados pelo FSC, MSC e Ifoam –, auxiliando assim as empresas a adquirir uma vantagem competitiva.

Quando as plataformas de certificação não forem apropriadas, deve-se trabalhar com organizações ambientais e outras stakeholders que possuam conhecimento especializado para garantir que as atividades pró- biodiversidade sejam executadas com propriedade e credibilidade.

Elemento 3

Distribuição eqüitativa dos benefícios

A biodiversidade representa grandes

oportunidades para estreitar os laços entre as empresas e seus stakeholders. PABs bem elaborados agregam valor ao integrar atividades ambientais aos programas de responsabilidade social corporativa. Atividades ambientais que agregam valor incluem:

Envolvimento com a comunidade Os PABs devem integrar as preocupa- ções dos stakeholders principalmente em relação aos problemas da comunidade.

A BT, uma empresa de comunicação,

separou 5 hectares de alagados, terras florestais e campos para propósitos de estudo e lazer em uma de suas estações satélite. A empresa é responsável pelo manejo da vida selvagem na área e, em parceria com a Agência de Meio Ambiente do Reino Unido e o conselho local, planeja construir salas de aula e outras instalações educacionais na área.

Apoio a iniciativas pró-biodiversidade Tanto em nível local como regional, as empresas podem suprir conhecimento especializado ou assistência a iniciati- vas de conservação coordenadas por outras organizações.

A 3M, uma empresa de tecnologia

diversificada, estabeleceu uma parceria com a Nature Conservancy nos EUA para 2001-2003 totalizando um patrocínio de US$ 5,1 milhões para expandir e desenvolver duas áreas sob proteção em Minnesota e outras duas no Texas.

O banco de investimentos Warburg e a

empresa de comércio Mitsubishi Corporation estão entre as cinco empresas que patrocinam o Programa de Fellowship Africano do Earthwatch, oferecendo treinamento para os conservacionistas em quinze países

© RMC GROUP

© RMC GROUP

© RMC GROUP © RMC GROUP Voluntários do Hotham-William’s Greening Challenge Cobertura de calcário protegida em

Voluntários do Hotham-William’s Greening Challenge

GROUP Voluntários do Hotham-William’s Greening Challenge Cobertura de calcário protegida em Cumbria, Reino Unido.

Cobertura de calcário protegida em Cumbria, Reino Unido.

africanos escolhidos entre as comunida- des nas quais as empresas atuam e apoio logístico ao programa. Por seu âmbito pan-africano, o programa conquistou enorme respeito.

Implantação e apoio a iniciativas industriais Para obter o apoio de toda a indústria, deve-se estabelecer uma cooperação igualitária de todo o setor.

A cobertura de calcário, uma formação

geológica rara sob ameaça devido à procura dessa pedra para arquitetura de jardins, está coberta pelo Plano de Ações para o Habitat do Reino Unido. A RCM, empresa de materiais pesados para construção, tem fortemente apoiado a ação governamental para a proteção deste recurso não renovável,

através de um compromisso de não uso

e do trabalho conjunto com a Agência

do Interior do Reino Unido, ganhando assim o respeito de Ongs. Além de oferecer outras opções para os consu- midores, a empresa ganhou uma vantagem competitiva sobre outras empresas extratoras de calcário.

Programas de envolvimento do staff Todos devem preocupar-se com a biodiversidade, incluindo os colabora- dores da empresa, cujas ações repre- sentam uma oportunidade de motiva- ção importante.

Em 1996, a Western Power Corporation, uma empresa de gás e eletricidade, apoiou o maior projeto voluntário de re-vegetação na Austrá- lia. Desde então, o Hotham-William’s Greening Challenge tem atraído mais de 5.000 voluntários para plantar 4 milhões de árvores e sementes nativas em áreas degradadas.

Do mesmo modo, o Environmental Team Challenges (‘Desafios para Equipes Ambientais’), da consultoria KPMG, permite ao staff do Reino Unido

Ações corporativas pró-biodiversidade

participar de atividades de conserva- ção de um dia, as quais fornecem aos colaboradores experiências de real- mente atuar na biodiversidade local.

A HSBC Holdings plc estabeleceu um projeto de 5 anos com o Earthwatch Institute permitindo que 2.000 colaboradores de todos os níveis em todo o mundo trabalhem por uma quinzena como assistentes de campo nos projetos do Earthwatch, recebendo em retorno, uma bolsa de US$ 500 cada um pelo trabalho em projetos de conservação com as comunidades locais. Esta contribuição representará mais de 120 anos de trabalho nos projetos de campo do Earthwatch, 2.000 ‘campeões’ em biodiversidade dentro do banco e milhares de projetos com as comunidades locais. A HSBC está usando o envolvimento dos próprios colaboradores para dissemi- nar todas as suas iniciativas pró- biodiversidade internamente.

Compartilhar dados e informações sobre biodiversidade Ao colher e compartilhar conhecimentos sobre biodiversidade com a comunida- de acadêmica e de conservação, uma empresa melhora sua imagem, fortalece seus elos com redes de conservação, obtém acesso a conhecimento especi- alizado, aumenta sua capacitação, fortalece seus elos com stakeholders, diminui os impactos negativos à biodiversidade, melhora o moral e o comprometimento do staff, otimiza o recrutamento e retenção de mão de obra, contribui para a formação de políticas e melhora suas relações com as comunidades onde atua.

Nos últimos 10 anos, a Imperial Chemical Industries (ICI), uma compa- nhia química e de revestimentos, tem conduzido o Nature Link, um projeto que estimula e envolve os colaboradores na conservação da natureza ao redor do mundo. Pesquisas sobre a vida selvagem

© PALLISER ESTATE WINES

As Empresas & A Biodiversidade: Um Manual de Orientação para Ações Corporativas

Um Manual de Orientação para Ações Corporativas Rabo-de-leque, ave nativa da Nova Zelândia conduzidas pela

Rabo-de-leque, ave nativa da Nova Zelândia

conduzidas pela Nature Link constituem

a base de projetos locais supervisionados

por consultores ecológicos. Essas pesqui- sas permitiram à empresa construir uma base de dados sobre mais de 2.500 espécies encontradas em suas instala- ções, a qual está disponível na Internet.

À medida que a exploração de petróleo

avança para águas cada vez mais profundos, o Programa de

Biodiversidade Marinha da BP permitiu

à empresa formar uma base de dados,

avaliar os impactos e adequar suas operações. Ao compartilhar essas informações, algumas até de pouco uso

para a empresa, a BP está contribuindo para o aumento dos conhecimentos na área e desenvolvendo boas relações com

a comunidade científica internacional.

Elemento 4 Fortalecimento dos sistemas de gestão Como em qualquer outra questão e iniciativa, a integração das questões referentes à biodiversidade à cultura empresarial e aos sistemas de gestão social e ambiental já existentes certa- mente garantirá uma prática mais sustentável e eficiente.

A Palliser Estate Wines, um vinhedo

neozelandês afiliado ao Conselho Empresarial Neozelandês para o Desenvolvimento Sustentável, desenvol- veu um sistema ambiental junto com outras empresas do mesmo setor para monitorar os impactos ambientais. Um exemplo é o uso dos rabo-de-leque, aves muito úteis para controlar as moscas de frutas nas vinhas e das gramíneas nativas Manuka spp, que atraem vespas que por sua vez controlam o número de lagartas.

Muitas empresas no setor corporativo desenvolveram Sistemas de Gestão Ambiental (SGA) para identificar,

priorizar e gerenciar riscos, melhorar o desempenho e reduzir impactos, os quais constituem excelentes ferramentas de aprendizagem dentro das próprias operações da empresa. Ao integrar os PABs completamente aos sistemas de gestão ambiental, uma empresa garante

a sistemática verificação das questões referentes á biodiversidade.

O modelo de SGA mais usado é a série

Especificações de Sistemas de Gestão Ambiental do ISO 14000, certificação conferida a empresas que alcançam seus padrões. Outras certificações dentro da

gestão da cadeia de suprimentos podem ser igualmente relevantes para a gestão da biodiversidade.

Como parte de sua Estratégia Pró- Biodiversidade, a OPG desenvolveu um componente especifico para suas instalações que foca nas espécies em risco e nos habitats para espécies em

declínio regionalmente, prevenindo assim que estas se tornem ‘espécies ameaçadas’. O plano de gestão está apoiado no Sistema de Gestão Ambiental de cada instalação certificada com o ISO 14001. Além destas, quatro outras instalações possuem planos de gestão certificados e auditorados pelo Wildlife Habitat Council, no Reino Unido.

O setor bancário pode adotar a aborda- gem de ‘ação diligente’ à biodiversidade. Como parte de sua Engenharia de Riscos Ambientais, o Zurich Financial Services Group desenvol- veu serviços de ações diligentes que incluem avaliações de riscos ecológicos. Para quantificar a contaminação de águas correntes, por exemplo, a empresa colhe amostras de mel de abelhas, pois as abelhas bebem água em um raio de uma milha de suas colméias.

Ações corporativas pró-biodiversidade

Elemento 5 Monitoramento e avaliação

O desempenho de uma empresa deve

ser avaliado em relação as suas metas, padrões e expectativas dos stakeholders, de modo a orientar ações corretivas e a revisão/inclusão de futuras metas. Um processo de monitoramento e avaliação deve permear todas as etapas do plano de ações.

O

desempenho apresenta dois aspectos:

o