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Por Marcos Bueno Doença mental afeta o trabalho, segundo psicólogo Muitos trabalhadores de Catalão poderão ficar

Por Marcos Bueno

Doença mental afeta o trabalho, segundo psicólogo

Muitos trabalhadores de Catalão poderão ficar doentes nos próximos anos se as empresas não adotarem medidas preventivas urgentes

No ambiente de trabalho, o empregado não está sujeito somente às doenças físicas e acidentes do trabalho como LER ou DORT, por exemplo, mas também aos transtornos mentais, que vêm se desenvolvendo de forma preocupante no Brasil. O psicólogo e professor Marcos Bueno, de Catalão, explica que a chegada da tecnologia nas empresas tem causado grande impacto na saúde dos trabalhadores, segundo o Dr. Christoph Dejours, psiquiatra e psicanalista francês e autoridade mundial em saúde mental no trabalho.

Vitima de elevada pressão e competição, o empregado é submetido a riscos diários para que a empresa atinja níveis muito altos na produção, já que ela também precisa acompanhar as exigências do mercado globalizado e extremamente competitivo. “As empresas ditam um ritmo rápido, repetitivo e de padrões mundiais de qualidade de trabalho, as pessoas tem dificuldade em acompanhar continuamente esse padrão. Diferente das máquinas tem desgastes e limitações que precisam ser respeitados”, defendeu.

As doenças mentais são responsáveis por cinco das dez principais causas de afastamento do trabalho no País - sendo a primeira delas a depressão -, o que representa um gasto de R$ 2,2 bilhões por ano. Os números aparecem num levantamento sobre a infra-estrutura dos serviços de saúde mental no Brasil feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em parceria com o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS). Acidentes e doenças relacionadas ao trabalho: quando os fatores psicológicos são apontados como causas? LER/DORT: 80% dos casos de concessão de benefício e Transtornos mentais e do comportamento: 3ª lugar como causa de afastamento do trabalho.

Nos últimos anos se constata um interesse crescente por questões relacionadas aos vínculos entre trabalho e saúde/doença mental. Tal interesse é conseqüência, em parte, do número crescente de transtornos mentais e do comportamento associados ao trabalho que se constata nas estatísticas oficiais e não oficiais. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde, os chamados transtornos mentais menores acometem cerca de 30% dos trabalhadores ocupados e os transtornos mentais graves, cerca de 5 a 10%. No Brasil, segundo estatísticas do INSS, referentes apenas aos trabalhadores com registro formal, os transtornos mentais ocupam a 3ª posição entre as causas de concessão de benefício previdenciário como auxílio doença, afastamento do trabalho por mais de 15 dias e aposentadorias por invalidez (Ministério da Saúde do Brasil, 2001).

De acordo com Bueno, o ambiente de trabalho influencia diretamente a saúde mental do trabalhador. Fatores como estilo de gestão, estresse, periculosidade, ruídos, condição ambiental, entre outros, afetam não só fisicamente, mas mentalmente o individuo. “As principais reclamações estão relacionadas à depressão, ansiedade e transtorno do pânico, entretanto, existe atualmente uma doença que está veiculada diretamente ao ambiente de trabalho chamada Síndrome de Burnout” que refere-se a exaustão emocional.

“Devido às exigências das empresas, vemos atualmente funcionários irritados, esgotados, vitimas de acidentes do trabalho, pois nem sempre é possível produzir o que é exigido”. Estudo mostra que

48,5% dos trabalhadores que se afastam por mais de 15 dias de serviço padecem deste tipo de algum tipo de doença mental Raquel Casiraghi,Um estudo da Universidade de Brasília (UnB) e do INSS mostra que o número de trabalhadores com problemas mentais vem aumentando nos últimos anos. Bancários, frentistas, trabalhadores do comércio, metalúrgicos, rodoviários e transportadores aéreos estão entre as categorias de maior risco. No levantamento, 48,8% dos trabalhadores que se afastam por mais de 15 de dias do serviço sofrem algum tipo de doença mental. Anadergh Barbosa Branco, coordenadora do Laboratório de Saúde do Trabalhador da Faculdade de Ciências da Saúde da UnB, afirma que a depressão é o problema que mais afeta os trabalhadores. Dissertações de mestrado e teses de Doutorado, segundo o psicólogo, têm procurado explicar que o trabalho pode ser considerado fonte de prazer, sofrimento ou adoecimento. “O trabalho faz bem, é necessário e fundamental a vida humana, não conseguimos viver sem trabalho, mas pode se tornar nocivo quando ultrapassa os limites do ser humano. O funcionário que não recebe os cuidados adequados da empresa pode desencadear problemas físicos ou mentais”, o que poderá comprometer a empresa e o empregado, e até o país opinou Bueno.

Um seminário organizado pela deputada Jô Moraes (PCdoB/MG) e os deputados Ricardo Berzoini (PT-SP) e Pepe Vargas (PT-RS), na Câmara dos Deputados, discutiu as condições de trabalho no país.Segundo dados mais recentes do Ministério da Previdência Social, em 2007 foram registrados 653 mil e 90 acidentes de trabalho. Um aumento em 140 mil do número de ocorrências em relação a 2006. “Acidentes que são responsáveis por mortes, incapacitação e afastamento de trabalhadores. Que consomem 4% do Produto Interno Bruto que foi de R$ 2,6 trilhões em 2007, o que resulta numa perda altíssima.

Trata-se de parte considerável de toda a riqueza produzida em nosso país que está se perdendo por falta de gestão e cuidados essenciais com o que demais importante temos: a vida humana. Estamos falando da vida do trabalhador, de uma pessoa em condições plenas de exercer uma profissão, uma atividade laboral”, alertou a parlamentar. “Geram bilhões em prejuízos emocionais e financeiros”, disse. “Sem dúvida nenhuma, num mundo em que se avança cada vez mais no desenvolvimento tecnológico, é lamentável que presenciemos o crescimento do número de vítimas do trabalho”, disse.

Um problema social. É como podemos caracterizar a questão dos acidentes de trabalho em nosso País e que gera uma morte a cada duas horas de trabalho, bilhões em prejuízos emocionais, financeiros. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Brasil ocupa o nono lugar mundial no ranking dos acidentes de trabalho. Em pleno século 21 não podemos mais aceitar que trabalhadores morram, fiquem incapacitados para o trabalho, portanto para uma vida digna, plena, por condições inadequadas, por falta de investimentos em mecanismos básicos de proteção.

Saúde e Segurança Ocupacional

Brasília - As empresas que baixarem os índices de acidentes de trabalho vão ser beneficiadas, a partir de janeiro de 2010, com o pagamento de alíquota diferenciada à Previdência Social. Atualmente, elas recolhem de 1% a 3% sobre a folha salarial, conforme o índice de acidentes, e passarão a ter esses fatores multiplicados por 0,5% a 2%, conforme os resultados de sua política de redução de acidentes.

O ministro da Previdência Social, José Pimentel, anunciou nesta quarta-feira (24 de junho de 2009), a instituição do Fator Acidentário de Prevenção (FAP), que vai multiplicar a contribuição atual de acordo com o grau de risco do ramo de atividade, que inclui também a ocorrência de doenças profissionais.

Onde os índices forem maiores, poderá haver aumento de até 100% na alíquota de contribuição, cabendo a redução se houver regressão das estatísticas atuais, segundo Pimentel. A intenção do Ministério da Previdência Social, de acordo com Pimentel, "é criar uma cultura de prevenção de acidentes e doenças ocupacionais".

Segundo a deputada Rosangela Reis O país gasta segundo dados do próprio governo, R$ 32 bilhões anuais com acidentes e doenças do trabalho, incluídas as indenizações pagas pela Previdência, os custos em saúde e a perda de produtividade do profissional. Trata-se de uma política de recuperação, de altíssimo custo. Especialistas acreditam que as fiscalizações do ambiente de trabalho vêm aumentando e que as empresas e sindicatos estão abandonando a cultura de "esconder" acidentes, enfraquecendo a ´teoria do culpado´. Mas além do sério problema da informalidade ainda temos muito a fazer no aspecto da educação e da formação técnica para a prevenção de acidentes.

Evoluímos em relação à legislação e muito ainda pode ser melhorado, mas o enfoque do planejamento, das ações e investimentos voltados para a saúde e segurança do trabalhador precisa mudar de curativo e reativo para preventivo e proativo. Aí entram questões como a redução de jornada de trabalho sem perda salarial e a avaliação da qualidade do serviço, setor por setor e o cuidado maior com a qualidade de vida do trabalhador.

O que nos faz feliz?

O psicólogo e professor Marcos Bueno garante: “quando o funcionário está bem no trabalho há uma contaminação positiva no ambiente, mas quando ele está mal há uma contaminação negativa que afeta a moral da equipe e da empresa, derrubando a produção e a qualidade dos produtos e serviços. O ambiente fica tenso propiciando os transtornos mentais”. Bueno faz ainda um alerta: “O número de trabalhadores doentes daqui alguns anos será assustador por isso a importância da prevenção”. Todos os indicadores do INSS nos levam a essa conclusão, os números não mentem. O funcionário satisfeito possui uma qualidade de vida melhor e naturalmente produz mais. Entretanto, a dúvida é: O que deixaria um funcionário feliz? “Salário condizente com o mercado, reconhecimento, benefícios e incentivos que complementem sua renda, possíveis promoções, o pagamento de cursos técnico ou superior, incentivo nos estudos, bom relacionamento, etc”, ressaltou.

Assedio Moral

Profundamente danoso, na opinião de Marcos Bueno, o assedio moral é atualmente responsável por grande parte dos transtornos mentais que acometem os trabalhadores. “A imposição, o abuso, a sedução, e a humilhação vindos da chefia causam um mal considerável e aparentemente invisível. Eu atendi funcionários que foram humilhados e diminuídos, o que gerou grandes danos emocionais”, disse. Bueno acredita que parte dos cargos de chefia é ocupada por pessoas mal preparadas e que abusam levianamente da amizade e das relações de poder onde acreditam que podem fazer tudo sem ser punidos. “É inadmissível existir atualmente chefes com a mente voltada para o século passado, que tratam seus subordinados de forma terrorista e danosa”, indignou-se.

Catalão

Para ele, o assunto deve ser considerado preocupante já que a quantidade de pessoas em busca de neurologistas, psiquiatras e psicólogos dobrou nos últimos anos. “O número de pacientes, em Catalão, aumentou consideravelmente e cerca de 80% são queixas relacionadas ao trabalho, por isso a importância da empresa dar mais atenção ao emocional do funcionário”, citou Bueno. Segundo o professor, a situação no Brasil melhoraria muito se houvesse a união de órgãos como Ministério da Saúde, INSS e RHs em prol da saúde do trabalhador. “Eu soube de trabalhadores afastados por depressão crônica serem liberados pelo INSS mesmo doentes e sem condições de voltar ao trabalho. O RH das empresas deveria analisar cuidadosamente a situação e ser mais humano porque a empresa é responsável pelas pessoas que contrata”, criticou. Segundo Marcos Bueno, e outros profissionais de Catalão, irá existir nos próximos anos um grande número de trabalhadores afastados devido aos transtornos mentais, já que algumas empresas dão pouca atenção à saúde física e mental dos funcionários.

Pensamento positivo

O psicólogo e professor Marcos Bueno ensina um segredo que pode ajudar quando bater o desânimo no local de trabalho. “Desenvolva a seguinte consciência: o meu trabalho é importante para a empresa e sou muito importante para a cidade, para o país, para minha família, para os meus amigos e para mim mesmo. Ter consciência da nossa importância é fundamental”, finalizou. Ter consciência da sua importância no mundo e buscar fazer atividades que te trazem alegrias e prazer, ajude uma organização social a minimizar as dores de pessoas que sofrem mais do que você. Seja mais solidário e menos egoísta.

Saiba Mais

Síndrome de Burnout: é uma doença psicológica caracterizada pela manifestação inconsciente do esgotamento emocional. Tal esgotamento ocorre por causa de grandes esforços realizados no trabalho que fazem com que o profissional fique mais agressivo, irritado, desinteressado, desmotivado, frustrado, depressivo, angustiado e que se avalia negativamente. A pessoa que apresenta tal síndrome perde consideravelmente seu nível de rendimento e de responsabilidade para com as pessoas e para com a organização que faz parte. Também apresenta manifestações fisiológicas como cansaço, dores musculares, falta de apetite, insônia, frieza, dores de cabeça freqüente e dificuldades respiratórias.

Doença Mental: é o desequilíbrio da consciência humana, segundo Marcos Bueno. Por devemos entender qualquer anormalidade na mente ou no seu funcionamento. A anormalidade perante o comportamento aceito de uma sociedade é indicativo de doença. A doença mental é conhecida no campo científico como psicopatologia ou distúrbio mental e é campo de estudo da psiquiatria, neurologia e psicologia. Seguem critérios de diagnóstico de resoluções psiquiátricas, que atualmente são o DSM IV, e o CID 10.Os transtornos podem ser leve, moderado ou grave e vai desde a uma tristeza até surtos psicóticos que causam agressividades, perca da memória entre outros sintomas. Há duas classificações básicas de doenças mentais, que são as neuroses, e as psicoses.

Tratamento: O trabalhador deve procurar o médico da empresa. Se necessário, ele será encaminhado para o neurologista, psicólogo ou psiquiatra. Embora os transtornos mentais causem certo constrangimento para alguns pacientes, vale lembrar que os tratamentos são modernos e eficazes, trazendo novamente a qualidade de vida necessária. Participar de terapias ou usar medicamentos receitados por médicos, neurologistas e psiquiatras é uma maneira digna de recuperar a saúde e a vontade de viver. Resgatar você mesmo do sofrimento.