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História e Sociologia da Farmácia

A Farmácia e a História

J. P. Sousa Dias

Evolução da História da Farmácia

Primeiras grandes obras

1847 - Espanha - C. Mallaina e Q. Chiarlone

1853 - França - A. Phillippe

1855 - Alemanha - J. F. H. Ludwig

1866 - Portugal - Pedro José da Silva

Escola alemã

J. Berendes (1837-1914), H. Peters (1847-1920) e H. Schelenz

(1882-1960)

G. Urdang (1882-1960)

História da Farmácia e História da Ciência

História interna e História externa

História do Medicamento

Método histórico

Fontes históricas

Materiais

Iconográficas

Escritas

Orais

Método - Crítica Histórica

Heurística - Busca

Crítica - Verificação

» Externa - Autenticidade

» Interna - Credibilidade

Hermenêutica

Síntese

Ciências Auxiliares. I

Geografia

Estatística

Arqueologia

» Estuda vestígios materiais da actividade humana.

Climatologia

» Estuda evolução do clima.

Cronologia

» Estuda situação dos factos históricos no tempo, diferentes formas de medir o tempo e vários calendários.

Demografia

» Estuda quantitativamente as populações.

Diplomática

» Estudo dos diplomas e documentos oficiais.

Ciências Auxiliares. II

Heráldica.

» Estudo dos brasões.

Filologia.

» Estudo das línguas.

Genealogia.

» Estudo das filiações.

Onomástica.

» Estudo dos nomes próprios.

Paleografia.

» Paleografia. Estuda os diferentes tipos de escrita ao longo dos tempos.

Outras.

» Epigrafia, Papirologia, Sigilografia, etc.

3.000 a.C.

2.000 a.C.

3.000.000 a.C.

5.000 a.C.

1.000.000 a.C.

500.000 a.C.

1.000 a.C.

10.000 a.C.

Pré-História

c. c. c. c. c. Primeiros seres humanos sobre a Terra Idade da Pedra Idade
c.
c.
c.
c.
c.
Primeiros seres
humanos sobre
a Terra
Idade da Pedra
Idade dos
Metais
Homo
Paleolítico
Mesolítico
Neolítico
Cobre
Bronze
Ferro
erectus
c.
c.
c.
Escrita
Metais Homo Paleolítico Mesolítico Neolítico Cobre Bronze Ferro erectus c. c. c. Escrita tempos históricos
Metais Homo Paleolítico Mesolítico Neolítico Cobre Bronze Ferro erectus c. c. c. Escrita tempos históricos

tempos históricos

O Crescente Fértil

Primeiras sociedades com escrita surgem no Crescente Fértil e vale do Indo

Grande desenvolvimento desde o 4.º milénio a.C.

Egipto

Vale do Nilo

Mesopotâmia

Planície do Tigre e do Eufrates

Corredor sírio-palestiniano

Faixa mediterrânica que liga o Egipto à Mesopotâmia

Crescente Fértil

Crescente Fértil

Civilizações do Crescente Fértil

Egipto

unificado ca. 3000 a.C.

Antigo Império (2850-2052 a.C.). Capital em Mênfis

Médio Império (2052-1570 a.C.). Tebas

Novo Império (1570-715 a.C.). Tebas e depois Sais

Mesopotâmia

Sumérios (3000-1900 a.C.)

Babilónios (1900-1200 a.C.)

Assírios (1200-612 a.C.)

Corredor sírio-palestiniano

Fenícios

Hebreus

Mais antigas fontes escritas médico- farmacêuticas

Mesopotâmia

Tabuinhas de argila gravadas com estilete em escrita cuneiforme

Bibliotecas

» Hammurabi (ca. 1700 a.C.) em Mari

» Assurbanípal (ca. 630 a.C.) em Nínive

Mais antigo documento farmacêutico conhecido

Tabuinha suméria de Nippur.

» ca. último quartel do 3.º milénio

» 15 receitas medicinais

Centenas de tabuinhas médicas do primeiro milénio

Mesopotâmia

Deuses com funções concretas

Deuses da doença e de doenças específicas

Deuses pessoais

» Deuses protectores, confidentes e amigos

» Primeiros deuses a quem é pedida intervenção

» Não agem directamente

» Intercedem junto de deuses poderosos: Marduk e Ea

Marduk

Deus tutelar da Babilónia, senhor dos deuses

Deus da luz, do exorcismo, da arte de curar e da sabedoria

Pai de Nabu, deus da escrita e da literatura

Ea (Bab.) <> Enki (Sum.)

Seu reino é o oceano de água doce sob a terra.

Deus da sabedoria e da arte mágica.

Criador da vegetação e dos seres humanos

Deus ou Génio protector

Palácio de Assurnasípal II, Kalah, Síria

Deus ou Génio protector Palácio de Assurnasípal II, Kalah, Síria

Oração de Apiladad

«Ao deus, meu pai, me dirijo: isto diz Apiladad, teu servo:

porque te desentendeste comigo ?, quem te proporcionará algum que possa tomar o meu lugar ? Escreve ao deus Marduk, que é teu amigo, para que possa terminar o meu cativeiro; então olharei o teu rosto e beijarei os teus pés. Considera também a minha família, tanto os mais velhos como os pequenos:

tem piedade de mim, por eles, e concede-me o teu auxílio.»

Deuses invocados

Ea

Todo-poderoso, convém não recorrer directamente a ele

Marduk, Shamash, Isthar

» Intercessores mais invocados, mais fortes que «deus pessoal»

» por vezes recitam-se largas listas com outros deuses como Bel, Belit, Ninurta

Deuses que protegem os actos médicos

» Invocados pelos médicos

Edin-mugi

» protector dos partos difíceis;

Ninurta e Gula

» com acção sanitária

Gilgamesh

Lenda de Gilgamesh

Visão negativa da vida depois da morte

Busca da vida eterna

» Histórico

Rei sumério de Uruk (3.º milénio)

» Poema de Gilgamesh

12 tabuínhas da bibl. Assurbanípal no BM

Engidu - companheiro de G. Homem c/ força do javali, crina do leão e velocidade do pássaro Ishtar - deusa do amor e da sexualidade pretende casar com G. Depois da morte de Engidu (Ishtar), procura Shamash- napishtim que sobrevivera ao Dilúvio e se tornara imortal. Serpente Engidu conta a G. sobre o mundo dos mortos

Shamash- napishtim que sobrevivera ao Dilúvio e se tornara imortal. Serpente Engidu conta a G. sobre

Do Poema de Gilgamesh

«A vida, que tanto anseias, nunca a poderás alcançar. Porque, quando os deuses criaram o homem, infundiram-lhe a morte, reservando a vida para si mesmos. Gilgamesh, enche o teu ventre, alegra-te de dia e de noite, que os dias sejam de completo regozijo, cantando e bailando de dia e de noite. Veste-te com roupas frescas, lava a tua cabeça e banha-te. Contempla o menino que agarra a tua mão, e deita-te com a tua mulher, abraçando-a, porque isto é tudo o que se encontra ao alcance dos homens.»

Conceito de doença

Doença

Mal causado por espíritos malignos, demónios;

Aproveitando a falta de protecção dos deuses

Shêrtu

“Pecado”, “cólera divina”, “castigo”

Génese da doença

Acção directa dos deuses

Posse por demónio

» Deuses retiram a protecção

» Magia negra

» Destino (Suméria)

Causas naturais

as conhecidas são consideradas acessórias

Espíritos malignos

causadores de doenças

Edimmu ou Ekimmu

espíritos dos mortos que não conseguiram descansar

» Mortos por enterrar

» A que não se dedicavam oferendas

» Que não tinham cumprido a sua missão na terra

Lilû, Lilîtinou Ardatlilî

Resultantes da união entre demónio e humano (M/F)

Deuses inferiores ou diabos

Nergal - peste

Ashakku - Febre

Ti’u - Cefaleias

Sualu - Doenças do peito

Pazuzu, demónio das tormentas. M. Louvre

– Ashakku - Febre – Ti’u - Cefaleias – Sualu - Doenças do peito Pazuzu, demónio

Demónios

«Febre (Ashakku) no homem, invadiu a sua cabeça. Enfermidade (Namtaru) no homem, invadiu a sua vida. Um espírito mau (Utukku) invadiu o seu pescoço. Um demónio mau (Alú) invadiu o seu peito. Um fantasma mau (Ekimmu) invadiu o seu ventre. Um diabo mau (Gallu) invadiu a sua mão. Um deus mau (Ilu) invadiu o seu pé. Estes sete juntos sequestraram-no Devoram o seu corpo como um fogo consumidor.»

Interrogatório

«Semeaste a discórdia entre pai e filho? Semeaste a discórdia entre mãe e filha?

Semeaste a discórdia entre irmão e irmão? Semeaste a discórdia entre amigo e amigo?

Recusaste deixar partir o prisioneiro, tirar as correntes ao acorrentado?

Cometeste não sei que pecado contra o seu deus, não sei que pecado contra a sua deusa?

Disseste "sim" em vez de "não"?

Empregaste falsas balanças?

Expulsaste o filho legítimo? Instalaste o filho ilegítimo?

Arrancaste cercas, limites, separações?

Entraste na casa do teu próximo?

Tiveste comércio com a mulher do teu próximo?

Expulsaste da tua família um bom homem?

Roubaste a roupa do teu próximo?

Dividiste uma família unida?

Dirigiste-te contra o teu superior?

Foi a tua boca recta (mas) ou teu coração falso?

Cometeste crimes, roubaste, mandaste roubar?

Ocupaste-te de bruxarias ou de encantamentos?«

Impureza moral por contágio

«Enquanto caminhava por ruas e caminhos

foi a uma libação que se tinha vertido,

ou meteu o pé em água suja,

ou olhou a água de lavar as mãos,

ou tocou numa mulher que tinha as mãos sujas,

ou olhou para uma rapariga que não tinha as mãos limpas,

ou a sua mão tocou numa mulher embruxada,

ou tocou num homem que não tinha lavado as mãos,

ou viu alguém que não tinha lavado as mãos,

ou a sua mão tocou em alguém cujo corpo estava sujo.»

Diagnóstico

Objectivos

Que pecado cometeu ?

Que demónio se apoderou do seu corpo ?

Quais os propósitos do deus ?

Métodos

Adivinhação

» Processo pelo qual os deuses manifestam sua vontade.

» Ex. Piromancia (interpr. chama e fumo), hepatoscopia (fígado dos animais sacrificados), oniromancia (sonhos), presságios a partir de nascimentos anormais (homens/animais), astrologia.

Adivinhação

«Se um homem acode a casa de um homem doente (e) um falcão voa paralelamente à sua direita, o doente melhorará.

Se o falcão voa paralelamente à sua esquerda, o doente morrerá.

Se pela manhã na parte posterior da casa do homem doente um falcão vai de uma cerca do lado direito a outra do lado esquerdo, o doente melhorará rapidamente.

Se pela manhã na parte posterior da casa do homem doente um falcão vai de uma cerca do lado esquerdo a outra do lado direito, a sua enfermidade aumentará.

Se pela manhã na parte posterior da casa do homem doente, sai um falcão voando, o doente morrerá.»

Terapêutica

Objectivos e métodos

Reconciliação com os deuses

» Oração

Marduk e outros intermediários

Por mandato de Ea, o sacerdote representa o doente perante o tribunal dos deuses

» Sacrifícios

Alimentício (dos deuses), expiatório (destruição do bem) e substitutivo (do homem)

Expulsão dos demónios

» Encantamentos e purificações por magia

Dirigidos ao tribunal dos deuses;

Dirigidos directamente contra os demónio

Profiláticos; amuletos

Dirigidos a objectos (para lhes incutir espírito)

Encantamento

«Oh sal, criado num local puro. Enlil te destinou para alimento dos deuses. Sem ti, nenhuma comida se condimenta em Ekur. Sem ti, deus, rei, senhor, príncipe, o incenso não exala o teu aroma. Sou fulano de tal, o filho de sicrano. Encontro-me preso de um encantamento. Tenho febre devido a um feitiço. Oh sal, rompe o sortilégio ! Destrói o feitiço ! Afasta de mim o encantamento ! E te louvarei como ao meu criador.»

O justo doente

Pecado inconsciente

Nomear o pecado cometido, mesmo que inconsciente

» poder da palavra

Nome - representação espiritual de objecto ou pessoa

Mencionar algo aprox. possuí-lo

» Recitar listas de possíveis faltas

Pecado de família

Na cultura judaica: cura do cego de nascença

Discípulos a Jesus: “Rabi, quem foi que pecou para este homem ter nascido cego ? Ele ou os seus pais ?” (São João, 9, 2)

Fariseus ao cego: “Tu nasceste coberto de pecados e dás-nos lições ?” (São João, 9,

34)

O justo doente: ausência de cura

«A enfermidade de Alu cobre o meu corpo como um manto, o sono prende-me na sua rede os meus olhos parecem olhar, mas não vêm; os meus ouvidos estão abertos, mas não ouvem, a debilidade apoderou-se do meu corpo.»

Dado por morto, roubam-lhe os bens, os seus inimigos riem-se dele, os deuses desamparam-no. Porquê ? Os juizos dos deuses são por vezes insondáveis:

«O que a um lhe parece louvável é, em vez disso, desprezível para os deuses. O que parece mal ao coração é bom para o deus pessoal. Quem pode compreender a mente dos deuses na profundidade do céu ? Os pensamentos do deus são como as águas profundas, quem as pode sondar ?.»

Fontes no Egipto

Papiros

Papiro de Ebers (ca. 1550 a.C.)

» Mais importante

» Estudado por Georg Ebers (1837-1898) em 1875

» Escrita hierática

» + de 20 metros com referências a

+ de 7000 substâncias medicinais

+ de 800 fórmulas

» Actualmente na Universitats Bibliothek de Leipzig.

Outros: papiros de Hearst, de Londres e de Berlim

Contrariamente às mesopotâmicas, as fórmulas egípcias são quantitativas

Aspectos da mitologia egípcia relacionados com a saúde

Imhotep

Médico egípcio, primeiro-ministro do faraó Zoser (ca. 2700-2650 a.C.) e arquitecto da pirâmide de Sakkara e do templo de Edfu

Deificado ca. 2.500 anos após a morte

Tornou-se principal deus egípcio da medicina

Considerado pelos gregos como representação de Asclépio.

Asclépio

Asclépio • Saga de Asclépio • Píndaro (ca. 522-443 a.C.) – Filho de Apolo e da

Saga de Asclépio

Píndaro (ca. 522-443 a.C.)

Filho de Apolo e da ninfa Coronis

Tirado do ventre da mãe na pira funerária

A arte da medicina ensinada pelo centauro Quirón

Serpente ensinou-lhe como dar vida aos mortos

Morto por raio de Zeus por diminuir número dos mortos

Caduceus

Filhos de Asclépio e de Epione

Higeia e Panaceia

Apolo, Quirón e Asclépio

Apolo, Quirón e Asclépio Fresco de Pompeia, Mus. Arq. Naz., Nápoles

Fresco de Pompeia, Mus. Arq. Naz., Nápoles

Templos de Asclépio (asklépieia)

Kos, Epidauro, Knidos, Pérgamo e outros lugares

Sacerdotes dedicavam-se à cura de doentes

Incubatio

Doentes passavam a noite no templo, normalmente em grupo, mas eram visitados individualmente

Epidauro (Sec. IV a.C.)

eram visitados individualmente – Epidauro (Sec. IV a.C.) » Asclépio presta directamente cuidados curativos –

» Asclépio presta directamente cuidados curativos

Pérgamo (Sec. II d.C.)

» A. indica a prescrição

Bases filosóficas da Medicina grega

» Preocupação com explicação racional da saúde e da doença nasce com a filosofia grega

Alcméon (fl. 535 a.C.)

Saúde como equilíbrio no corpo humano de qualidades opostas

» frio e quente, húmido e seco, doce e amargo

Doença como predomínio de uma qualidade

Empédocles (492-432 a.C.)

Quatro elementos, terra, água, ar e fogo, como constituintes de todas as coisas

Doença provocada por desequilíbrio entre elementos na constituição do corpo humano

As escolas pré-hipocráticas

Escolas médicas

Knidos, Crotone e Kos

Patologia geral

Oposta à ideia dominante de que as doenças se encontravam limitadas apenas a um órgão

Processos morbosos devidos a reacção da natureza a situação de desequilíbrio humoral, constituídos por três fases:

» apepsia - aparecimento do desequilíbrio

» pepsis - reacção do corpo

febre, inflamação e pus

» crisis ou lysis - eliminação dos humores em excesso.

Hipócrates

Hipócrates de Kos (460-370 a.C.)

Médico grego, natural de Kos

Contemporâneo de Péricles, de Empédocles, Sócrates, Platão e outras figuras do florescimento intelectual ateniense

Corpus Hippocraticum

Vasta obra constituída por 53 livros

Reunido em Alexandria por Baccheio no séc. III a.C.

Tradicionalmente atribuída a Hipócrates

Só parte foi escrita por ele, restantes livros das escolas de Knidos, Kos e Crotone

Teoria dos Humores

coléricos Quente sanguíneos Bílis Amarela Sangue Fígado Coração Fogo Ar Seco Húmido Terra Água Baço
coléricos
Quente
sanguíneos
Bílis Amarela
Sangue
Fígado
Coração
Fogo
Ar
Seco
Húmido
Terra
Água
Baço
Cérebro
Bílis Negra
Linfa
melancólicos
Frio
fleugmáticos

Escola de Alexandria

Medicina grega levada para Egipto e Ásia Menor

Conquistas de Alexandre (356-323 a.C.).

Fundação de Alexandria (332 a.C.)

Biblioteca do mouseion, fundado por Ptolomeu I (c. 285 a.C.)

Escola médica

Herófilo e Erasístrato

Baccheio de Tanagra reune escritos hipocráticos.

Medicina grega

Alcméon

(fl. 535 a.C.)

Saúde como equilíbrio de qualidades opostas

frio - quente

doce - amargo húmido - seco

Quatro elementos constituintes de todas as coisas

Fogo

Terra

Ar

Água

Empédocles (492-432 a.C.)

as coisas Fogo Terra Ar Água Empédocles ( 492 -432 a.C.) Aristóteles (385-322 a.C.) Escolas pré-hipocráticas

Aristóteles

(385-322 a.C.)

Escolas pré-hipocráticas Knidos, Crotone e Kos

Escolas pré-hipocráticas Knidos, Crotone e Kos

Escolas pré-hipocráticas Knidos, Crotone e Kos
Escolas pré-hipocráticas Knidos, Crotone e Kos
a.C.) Escolas pré-hipocráticas Knidos, Crotone e Kos Hipócrates de Kos (460-370 a.C.) C o rp u
a.C.) Escolas pré-hipocráticas Knidos, Crotone e Kos Hipócrates de Kos (460-370 a.C.) C o rp u
Hipócrates de Kos

Hipócrates de Kos

(460-370 a.C.)

(460-370 a.C.)
Hipócrates de Kos (460-370 a.C.)
Hipócrates de Kos (460-370 a.C.)
Knidos, Crotone e Kos Hipócrates de Kos (460-370 a.C.) C o rp u s Hip p

C o rp u s Hip p ocra ticu m

Reunido por Baccheio em Alexandria no séc. III a.C.

Medicina Indiana

India - Ayurveda

Susruta e Caraka (ca. Sec. I a.C.)

Cinco elementos

» Eter (vazio), ar, agua, terra e fogo

Tres humores

» Prana (respiraçao) – Ar

seco, frio, ligeiro, claro e cru

» Pitta (bilis) - Fogo

» Kapha (fleuma ou muco) – Agua

Anatomia (Susruta)

» Baseado na inspecçao de cadaveres humanos

Sem faca, com uma escova após macerar em agua 1 semana

Medicina greco-romana

Roma adoptou a Medicina grega

» Asclépio tomou em Roma nome de Esculápio

» Médicos influentes em Roma são de origem grega

Figuras mais importantes da medicina e da farmácia em Roma

Celso

Plínio o velho

Scribonius Largus

Dioscórides

Galeno

Autores romanos

Aulo Cornelio Celso (ca. 25 a.C.-ca. 40)

De medicina octo libri

» Div. seg. critério terapêutico, dietético, farmacêutico e cirúrgico

» Descoberto pelo papa Nicolau V no século XV

» Primeiro livro médico a ser impresso (Florença, 1478)

Plínio o velho (23-79)

Também não era médico mas sim militar

Naturalis Historia

» Compilação enciclopédica sobre 3 reinos da natureza em 37 livros

Scribonius Largus (fl. 10-50)

» Médico do imperador Cláudio

De compositiones medicamentorum

» Formulário farmacêutico

Pedáneo Dioscórides (fl. 50-70)

Biografia

Nasceu em Anazarbo, próximo de Tarsos

Terá estudado Medicina em Tarsos e em Alexandria

Acompanhou as legiões romanas

» provavelmente como médico, na Ásia Menor, em Itália, Grécia, Gália e Espanha, no tempo de Nero

De materia medica

Considerado o fundador da Farmacognosia

materia medica – Considerado o fundador da Farmacognosia Dioscorides recebe a mandragora da ninfa Epinoia. Juliana

Dioscorides recebe a mandragora da ninfa Epinoia. Juliana Anicia Codex (512)

Dioscórides - De materia medica

Dividida em cinco livros, onde descreve cerca de

» 600 plantas

» 35 fármacos de origem animal

» 90 de origem mineral

Só cerca de 130 já apareciam no Corpus hippocraticum

100 ainda são considerados como tendo actividade farmacológica

Obra essencialmente de carácter empírico

Não seguiu nenhuma escola ou sistema médico em particular

• Obra essencialmente de carácter empírico • Não seguiu nenhuma escola ou sistema médico em particular

De materia medica

De materia medica Dioscorides. Erva-moira (Physalis) e Verbasco (Verbascum). Codex Neopolitanus, Sec. VII.

Dioscorides. Erva-moira (Physalis) e Verbasco (Verbascum). Codex Neopolitanus, Sec. VII.

Galeno (129-200)

Biografia

Nasceu em Pérgamo quando era colónia romana

Aí estudou Medicina

Médico de gladiadores. Foi viver para Roma em

161

Médico de Cómodo, filho de Marco Aurélio, igualmente imperador em 180

de gladiadores. Foi viver para Roma em 161 – Médico de Cómodo, filho de Marco Aurélio,

Galenismo

Baseou-se na Medicina hipocrática

Transformou patologia humoral em teoria sistemática

Medicina greco-romana que passou para Ocidente cristão medieval na forma de galenismo

Dominante até ao S. XVII e mantendo ainda grande influência no s. XVIII

Terapêutica medicamentosa galénica

Classificou medicamentos em 3 grandes grupos:

Simplicia - possuíam apenas uma das quatro qualidades

» seco, húmido, quente ou frio

Composita - possuíam mais que uma

Específicos - actuavam seg. efeito específico inerente à substância

» purgantes

» vomitivos

Aplicação de medicamentos dependia de factores como

» Personalidade do doente, Idade, Raça e Clima

Importante eram as qualidades e intensidade do medicamento

Dose não seria tão importante

» Propriedade do medicamento era um atributo essencialmente qualitativo e não quantitativo

A visão cristã da Medicina. I. Uso metafórico da medicina

Redenção

Cristo médico

» Quando fariseus o acusam de partilhar mesa com pecadores:

``Não são os que têm saúde que necessitam de um médico, mas sim os doentes'' (Mateus 9, 12; Marcos 2, 17; Lucas 5, 31)

» Actos dos Apóstolos:

``Pelas suas feridas fostes curados'' Pedro (1 Petr. II, 24).

Analogia cara aos filósofos clássicos: médicos da alma

Padres da igreja vêem-se como medici animarum

» Exemplo do Christus medicus - simultaneamente médico e medicamento

» Salvação <> uso de regime e meios terapêuticos penosos p/ cura

Cristo como boticário.

Viena, Österreichisches Museum für Volkskunde, colecção de arte popular religiosa do antigo convento das Ursulinas.

Viena, Österreichisches Museum für Volkskunde, colecção de arte popular religiosa do antigo convento das Ursulinas.

A visão cristã da Medicina. II.

Ancestralidade da visão da saúde e doença

Doença por possessão demoníaca

Manutenção da crença

Cristo curou com exorcismo mudo possuído por demónio

(São Mateus, 9, 32).

Associação entre doença e pecado

Episódio do cego de nascimento

Episódio do cego de nascimento. Interpretação

Visão judaica dominante na perplexidade dos fariseus

"Tu nasceste coberto de pecados e dás-nos lições ?" (João, 9, 34)

E na pergunta dos discípulos:

``Mestre, quem pecou para que este homem tenha nascido cego, ele ou os seus pais ?''.

» Preocupações herdadas do mundo sumério e assírio-babilónico.

Resposta de Jesus Cristo:

"nem ele nem os seus pais pecaram"

acontecera para que poder de Deus se manifestasse na sua cura (João 9, 1-3)

» negação do nexo causal entre doença e pecado ou negação que o pecado seja etiologia única e necessária da doença ?

Relação entre pecado e doença no Novo Testamento

Paralítico de Cafarnaum

``Meu filho, os teus pecados estão perdoados''

» antes da cura com

``Levanta-te e caminha''

(Mateus 9, 1-7; Marcos 2, 1-12; Lucas 5, 17-26)

Paralítico da piscina de Bezatha ou Bethesda.

» mais tarde quando o encontra no Templo:

``Foste curado, não voltes a pecar, para que não te suceda alguma coisa pior''

(João 5, 1-14)

Templo: – ``Foste curado, não voltes a pecar, para que não te suceda alguma coisa pior''

Pecado Original

Pecado Original • Queda do Paraíso – Homem afastado dos frutos da Árvore da Vida –

Queda do Paraíso

Homem afastado dos frutos da Árvore da Vida

Sem imortalidade

Sujeito à doença e ao sofrimento.

Pecado

individual ou colectivo, mantém-se causa última da doença.

Dor e sofrimento

Sacríficio de Cristo

tornou possível salvação do pecado

permitiu que homens alcancem o céu e a vida eterna

» erradicação da doença

Vida eterna

percurso de treino e aprendizagem terrena

sofrimento, dor física e doença

Doença causada p/ única divindade

deixa de ser mal absoluto

» provocado por entidade sobrenatural

» anulado por outra

Sofrimento com objectivo

Deus único do Cristianismo

visa bem último mesmo quando aparentemente causa o mal

Instrumento divino

para o bem e maturidade espiritual dos seus filhos

corrigir certos pecados ou fraquezas

» gula

aumentar o auto-conhecimento e estimular as graças cristãs

» humildade, a paciência e a fé

Medicina como metáfora

» Médico

Cura final exige regime e meios terapêuticos rigorosos e mesmo penosos

» Deus

Vida eterna exige conduta de vida pura e mesmo sofrimento

Religião curativa

Religião curativa – Mesmo Deus que dá a doença também pode dar a cura – Curas

Mesmo Deus que dá a doença também pode dar a cura

Curas por Jesus

» Evangelhos: ca. três dezenas e meia de curas por Jesus

» cegos, surdos, leprosos, coxos e paralíticos e ressurreição de um morto

Manifestação da vontade e poder divinos

Continuação da prática curativa

Prática de Cristo cont. p/ apóstolos e primeiros cristãos

Actos dos Apóstolos

» São Pedro e São João

São Paulo

» Em Listra, curou coxo de nascença

» Em Malta

Cura do pai de Públio, senhor da ilha

de cama com febre e disenteria

e outros doentes

» Em Tróade: Ressurreição de Eutico

rapaz que adormecera durante sermão e caira de 3.º andar

Cura ritual

» Cura ritual pelos presbíteros da Igreja, que oravam sobre o doente, ``ungindo-o com o óleo no nome do Senhor''

Condenação do culto de Asclépio

Deuses greco-romanos como demónios

Mártir Justino (mart. ca. 165)

Deuses gregos não eram ficção

» Anjos caídos que se tinham cruzado com as filhas dos homens e os seus descendentes.

Ignorantes, antigos adoptaram-nos como deuses, c/ os nomes que tinham adoptado

Asclépio

Curas praticadas na qualidade de demónio

Herança da Filosofia e Medicina clássica

Padres alexandrinos

» Clemente (ca. 150-ca. 220)

» Orígenes (ca. 184-ca. 253)

Síntese do pensamento grego e cristão

Fé deve ser corroborada pelo pensamento filosófico

Padres da Capadócia

» Basílio o Grande (S. Basílio, ca. 329-79)

» Gregório de Nazianzus (ca. 330-ca. 390)

» Gregório de Nissa (ca. 335-394)

Educação filosófica, profundamente influenciados por Orígenes

Basílio e G. de Nazianzus compilam seus escritos na Philocalia

Santo Agostinho (354-430)

Influenc. p/ filosofia cláss., part. neo-platonismo, antes da conversão

S. Jerónimo (ca. 345-ca. 419)

Formação filosófica latina

Adopção da Filosofia clássica

Adopção da Filosofia clássica • Lição de Filosofia – Fresco de catacumba romana. Séc. IV.

Lição de Filosofia

Fresco de catacumba romana. Séc. IV.

Mundo palco da Salvação e bondade da Medicina

Mundo material criado por Deus

» para ser usado por e para o homem

» Divina Providência concedeu ao homem meios materiais para sobreviver fora do Paraíso

incl. sabedoria e conhecimento para os utilizar

``Todo o conhecimento vem de Deus''

(Eclesiástico, 19, 19)

» cit. Orígenes p/ sublinhar origem divina da M. e qualidade de

``benéfica e essencial para a humanidade''

Medicina boa enquanto parte do plano p/ socorrer homem na terra.

» Orígenes, Clemente, Gregório de Nissa, João Crisóstomo e Santo Agostinho

Medicina: bem concedido por Deus que cristãos não devem ignorar

Hipócrates cristão

Hipócrates cristão • Versão cristã do Juramento hipocrático. – Manuscrito grego medieval.

Versão cristã do Juramento hipocrático.

Manuscrito grego medieval.

Culto dos santos

Afirmar a superioridade do poder curativo do cristianismo

» Cristianização do Império Romano (391)

crescimento massivo do número de cristãos

» Final Séc. IV

Elites aristocráticas e populações urbanas do Império ganhas para o Cristianismo

» Séculos seguintes

Populações rurais e bárbaros invasores pagãos ou convertidos à heresia Ariana

Culto dos santos e das relíquias

capacidade de produzir curas miraculosas

» convencer e ganhar populações

» integrar no Cristianismo formas de relação com sobrenatural herdadas do panteísmo pagão

Linha divisória

Sobrenatural lícito

Culto dos santos

Sobrenatural ilícito

Superstição, bruxaria e toda a demonologia

Papa Gregório I (590-604)

Catolicismo c/ jurisdição universal s/ povo cristão

promove principais manifestações culturais católicas medievais

» monasticismo

» virtudes ascéticas

» culto dos santos e das relíquias

» demonologia

Santos Cosme e Damião

Santos Cosme e Damião • Anargyroi » médicos que curavam sem dinheiro – Santos Cosme e

Anargyroi

» médicos que curavam sem dinheiro

Santos Cosme e Damião

» irmãos martirizados sob imperador Diocleciano

(284-305).

Fra Angelico. Cura de Justiniano por São Cosme e São Damião. 1438-40 Museo di San MArco, Florença.

Assistência e Hospitais

Actividade característica da Igreja nas Idades Média e Moderna

Cuidar dos pobres e visitar os doentes

» dever expresso nos Evangelhos - reafirmado por vários concílios

Parábola do bom samaritano (Lucas, 10, 25-27).

Seres humanos criados à imagem de Deus

» forma de homenagear o criador

na própria pessoa de Cristo:

» ``sempre que destes de comer a um homem com fome, foi a mim que o fizestes''

(Mateus, 25, 39-40)

» “amai-vos uns aos outros como eu vos amei''

(João, 15, 12).

Filantropia

Filantropia (gr. agape, lat. caritas)

» virtude central no cristianismo.

Bispos geriam fundos para assistência

criadas instituições próprias, lig. catedrais / outras igrejas:

» pandokheion (albergue de peregrinos)

» xenodochium (albergue de forasteiros)

» Mais tarde denominações latinas:

hospitium e hospitalium

Maior parte albergues,

teto e comida aos pobres

muito raramente cuidados médicos

Hospitais cristãos – Séc. IV

Basileias

fundado ca. 372 por Basílio

» nos arredores de Cesareia, actual Queisari, Anatólia Oriental

acomodações para viajantes e doentes

cuidados médicos

secção para leprosos

Geral

» primeiros hospitais cristãos com poucas décadas dos primeiros mosteiros

» organização, incl. espaços arquitetónicos, mantém semelhanças

Pantokrator

Pantokrator Hospital Pantokrator, fundado em 1136 pelo imperador bizantino João II Inclui mosteiro, asilo de terceira

Hospital Pantokrator, fundado em 1136 pelo imperador bizantino João II Inclui mosteiro, asilo de terceira idade e gafaria.

Canais dos conhecimentos greco-romanos para o Ocidente cristão

Império Romano

Império Romano

Império Romano
Império Romano
greco-romanos para o Ocidente cristão Império Romano Santos Cosme e Damião (S. IV) 31 a.C.-14 d.C.

Santos Cosme e Damião (S. IV)

31 a.C.-14 d.C. - 1.º reinado do Império (Augusto)

313 d.C. - Édito de Milão

(Constantino - Baixo Império cristão)

Império romano do Ocidente Império romano do Oriente ou Bizantino 395 - Morte de Teodósio
Império romano
do Ocidente
Império romano
do Oriente
ou Bizantino
395 - Morte de Teodósio
Invasões
Heresias do
germânicas
V 431 - Concílio de Efeso
Séc.
(Séc. V)
Edessa
489 - Encerrada
(Síria)
escola de Edessa
529 - Encerrada
Nisibis
escola de Atenas
Gundishapur
(Pérsia)
Ascensão e
expansão do
Islão (S. VII)
Ocidente
Medicina
Medicina
Cristão
bizantina
árabe
Bagdade
(S. VIII)
L atim
G rego
Siríaco Á rabe

Divisão do Império Romano (395 d.C.)

ITÁLIA BRETANHA GÁLIA HISPANIA Roma Bizâ ncio MACEDÓNIA PONTO Mé rida Nisibis Alexandria EGIPTO I.
ITÁLIA
BRETANHA
GÁLIA
HISPANIA
Roma
Bizâ ncio
MACEDÓNIA
PONTO
Mé rida
Nisibis
Alexandria
EGIPTO
I. R. do Ocidente
I. R. do Oriente
Divis ã o do Impé rio Romano
depois da morte de Teodó sio (395 d.C.)

Nestorianos

Síria

» Nisibis e Edessa - principais centros culturais

Actividade missionária para Oriente a partir do século II d.C.

Nestório

» Patriarca de Constantinopla

Condenado como herege no Concílio de Éfeso - 431

Defende que Maria não era mãe de Deus, pois Jesus seria apenas um homem habitado pelo Verbo divino

» Nestorianos

Desterrados para Edessa e Nisibis por Teodósio II

Após 451, juntam-se os partidários da heresia monofisita

Eutiques de Alexandria proclama que natureza divina e humana de Jesus são o mesmo

Expulsos de Edessa em 489

Recebidos pelos Sassânidas na Pérsia - Gundishapur

Escola de Atenas encerrada por Justiniano (527-565) em 529

Ascensão do Islão

Árabes iniciaram a expansão em 634, após conversão da Arábia à fé revelada por Maomé (570-632)

Derrotaram persas e bizantinos e conquistaram Síria, Palestina, Mesopotâmia, Egipto, Tunis e Península Ibérica (711)

Na Europa, foram detidos em Poitiers em 732

Chegaram até à Índia em 1001

Povos conquistados foram integrados no império, mantendo alguns direitos quanto á manutenção de culturas e religiões

Grego foi proibido por volta de 700

Árabe tornou-se língua oficial, incluindo literatura filosófica e científica, princ. desde período dos Abássidas, com transferência da capital de Damasco (Síria) para Bagdade (Mesopotâmia) em 750

A herança da cultura helénica pelos árabes

Medicina pouco desenvolvida no início da expansão do Islão

Papel da religião na medicina islâmica

Práticas sanitárias identificadas com cerimónias rituais e regras religiosas

Elevado conteúdo ético e religioso atrib.o à prática e conhecimento médico

Para o hakim, médico, a assistência aos doentes e a busca do conhecimento eram obrigações no caminho da salvação

Início do apoio dos dirigentes islâmicos à medicina grega

Cura do califa de Bagdá al-Mansur em 765 pelo médico Girgis ibn Gibril do hospital nestoriano de Gundishapur

Ordenada tradução do grego e sírio para árabe de autores médicos clássicos

Escola de tradutores em Bagdade

» Iniciada pelos médicos nestorianos

Abu Zakariya Yuhanna ibn Masawayh (777-857), conhecido por Mesué o velho João Damasceno

Abu Zayd Hunayn ibn Ishaq al-Ibadi (808-873), latinizado como Johannitius

» Traduzidas obras de Aristóteles, Hipócrates, Dioscórides, Galeno e outros autores

Medicina islâmica

Medicina islâmica • Galenismo arabizado – Medicina baseou-se na teoria humoral • Nível muito elevado no

Galenismo arabizado

Medicina baseou-se na teoria humoral

Nível muito elevado no campo da farmácia e do conhecimento dos medicamentos

Incorporação dos conhecimentos clássicos

Contributos próprios

» Árabes acrescentaram c. 3-4 centenas ao cerca de um milhar de drogas medicinais conhecidas na Antiguidade clássica

Grande extensão do império islâmico

Alguns autores médicos árabes

Al-Kindi (ca. 801-ca. 866)

Viveu em Bagdade. Autor de obras de filosofia e ciência

Várias obras de cunho farmacêutico

» Um Aqrabadhin (formulário)

» Outra obra traduzida para latim com título De medicinarum compositarum gradibus investigandis

Estuda os graus de intensidade das qualidades (frio, húmido, etc.) dos medicamentos composto

Propôs fórmula matemática

Al-Biruni (973-1050)

Nasceu na região a sul do Mar de Aral e faleceu no Afeganistão. Centena e meia de obras no campo da astronomia, matemática, geografia e história, e outras disciplinas

Importante obra farmacêutica, a Farmacologia

» Entradas para c. 720 medicamentos

Autores médico-farmacêuticos árabes. II

Ibn Sina, conhecido no Oc. como Avicena (980-1037)

Nasceu na Ásia central e faleceu na Pérsia. Foi médico, jurista, professor e ocupou cargos políticos

Obra enorme: quase 270 títulos de filosofia e ciência

Principal obra médica é o enciclopédico al-Qanun ou Canon com uma parte farmacêutica

Ibn al-Baytar (ca. 1190-1248)

Nasceu em Málaga e faleceu em Damasco. Estudou em Sevilha e emigrou para o Oriente ca. 1220. Estabeleceu-se no Cairo, onde foi nomeado primeiro ervanário pelo sultão

Várias obras de cunho farmacêutico

Principal contributo consistiu na sistematização do conhecimento de novas drogas introduzidas pelos árabes durante a Idade Média

Autores médico-farmacêuticos árabes. III

Abulcassis (ca.936-ca.1013), Al-Zahrawi

Nasceu e viveu em al-Zahra', perto de Córdoba, no período de maior florescimento intelectual no al-Andalus

Exerceu medicina, farmácia e cirurgia

Escreveu enciclopédia médica em trinta tratados

» Enriqueceu conhecimento da mat. méd. c/ descrições da flora e fauna ibéricas

» Tratou da preparação e purificação de várias subs. químicas medicinais

» Um capítulo foi traduzido para latim com título Liber servitoris

Geber, ou Jabir ibn Hayyan (ca.702-765)

Contributo para desenvolvimento de técnicas e operações unitárias, como a destilação, sublimação, cristalização e filtração

desenvolvimento de técnicas e operações unitárias, como a destilação, sublimação, cristalização e filtração

Canais de transmissão do galenismo

Oxford Paris Bolonha Toledo Roma Bizâ ncio Có rdoba Salerno Edessa Pé rgamo Nisibis Bagdade
Oxford
Paris
Bolonha
Toledo
Roma
Bizâ ncio
Có rdoba
Salerno
Edessa
Pé rgamo
Nisibis
Bagdade
Gundishapur
Damasco
Alexandria
Cairo
G r eg
Á r a b
La t im
o
e

A Medicina e a Farmácia monástica.

Instituições

Mosteiro de Montecassino

» Fundação (529) por São Bento (c. 480-544)

» Regula Benedicti

“Devemo-nos ocupar com importância dos enfermos: devemos servi-los como se de Jesus Cristo se tratasse, e a Ele na verdade servimos nos seus corpos, pois que Ele disse: Estive enfermo e vós cuidastes de mim, e também: O que haveis feito a qualquer um destes pobres, o haveis feito a mim ” (Capítulo 36 da Regula)

inclui necessidade de cuidar dos enfermos, com local próprio e religioso dedicado

Irmão enfermeiro e celas para enfermos

Enfermarias, boticas e jardins botânicos

Medicina monástica

Medicina monástica • Escolas médicas - Mosteiros de Montecassino e de Saint Gall • cura de

Escolas médicas - Mosteiros de Montecassino e de Saint Gall

cura de enfermos e ensino

Auge do prestígio - finais do séc. IX

Pessoas

» Cassiodoro, Isidoro de Sevilha e Hildegarde de Bingen

Procuraram compendiar conhecimentos greco-latinos, compilando e trad. p/ latim mss. antigos guardados nos mosteiros

Cassiodoro Senator (c. 480-575)

Prefeito de Teodorico, o Grande

Fundou (537) mosteiro de Vivarium, Calábria

Escola médica monástica - traduz. e copiaram Hipócrates, Dioscórides, Galeno e outros

Escreveu texto enciclopédico de história natural

Aconselhou religiosos a estudar terapêutica pelas plantas

Isidoro de Sevilha (c. 560-636)

Bispo de Sevilha

Escreveu Etymologiarum Libri XX

» obra enciclopédica compendiando em vinte livros os conhecimentos do seu tempo sobre artes e ciências

Destinada ao ensino na escola fundada por Leandro, bispo de Sevilha e irmão de Isidoro

Alguns livros dedicados à Medicina, ao corpo humano, à História Natural e à dietética

Papel importante na afirmação da Medicina no contexto do ensino

Hildegarde de Bingen (1098-1179)

Abadessa beneditina. Fundou convento de Ruperstsberg, perto de Bingen

Escreveu textos sobre uso medicinal de plantas, animais e vegetais e descrevendo as doenças e os seus medicamentos seguindo a ordenação

» ab capitae ad calcem (da cabeça aos pés)

Atenção a problemas do foro ginecológico, em perspectiva que chocava com visão tradicionalmente negativa da mulher na cultura medieval

Medicina nas Artes Liberais

Isidoro

» atribuiu lugar de destaque à Medicina entre as artes liberais

Bispo Teodulfo de Orleans (f. 821)

» proclamou-a como a oitava arte liberal, digna de ser ensinada nas

» Escolas monásticas (nos próprios mosteiros)

» Escolas episcopais ou catedralícias (em seminários)

As sete artes liberais

» Trivium

gramática, retórica e dialéctica

» Quadrivium

aritmética, geometria, música e astronomia

A Physica

A partir do séc. IX

Medicina começou a ser ensinada no quadrivium, integrada na Physica

Astronomia dividida em duas partes

» uma extraterrestre - a astronomia propriamente dita

» outra terrestre - a física

Daqui os médicos serem chamados físicos na Idade Média

Salerno - Origem

Civitas Hippocratica (c. séc. X)

» Comunidade de médicos que estudava, compendiava e ensinava a medicina

» centro laico em estreita ligação com mosteiro de Montecassino

Lenda da fundação

» Atribuída a 4 médicos

» Ponto, grego, Helinus, judeu, Adela, árabe e Salernus, latino

Primeiras figuras da escola

» Garioponto (c. 970-1050)

Autor de Passionarius Galeni - epítome de textos bizantinos

» Alfano (c. 1015-1085)

Médico, aprendeu em Montecassino. Arcebispo de Salerno

Igualmente de influência bizantina e greco-síria

Salerno - Afirmação da sua identidade

Salerno - Afirmação da sua identidade • Influência médica árabe no Studium Salernitanum – Constantino o

Influência médica árabe no Studium Salernitanum

Constantino o Africano (c. 1020-1087)

» Natural de Cartago, comerciante de drogas

» Viajou entre Oriente e Europa até se instalar em Salerno, trazendo selecção de manuscritos médicos árabes

» Recebido no mosteiro de Montecassino, onde se converteu ao cristianismo

» Traduziu, do árabe para o latim, um total de cerca de três dezenas de textos médicos importantes.

Salerno - outros autores

(séc. XII e XIII)

Tractatus de aegritudinum curatione - vários mestres

Trotula - a ela se deverá parte da obra

» De passionibus mulierum, s/ ginecologia, obstetrícia e cosmética

Articella

» Isagoge de Joahnitius; In arte parva de Galeno, Prognostikón de Hipócrates; Liber pulsum de Philaretros e o Liber urinarum de Teophilus

» Universidades Impressas pela primeira vez em Pádua em 1476

Regimen Sanitatis Salernitanus ou Flos medicinae (c. 1300)

» Poema c/ c. 360 versos com conselhos relativos a higiene e saúde

» 3 três centenas de edições em várias línguas » 1.ª ed. em Pisa, 1484.

Joannitius. Isagoge

Joannitius. Isagoge – Hunayn ibn Ishaq al-'Ibadi, 809?-873 (Joannitius). I sagoge Johannitii in Tegni Galeni .
Joannitius. Isagoge – Hunayn ibn Ishaq al-'Ibadi, 809?-873 (Joannitius). I sagoge Johannitii in Tegni Galeni .

Hunayn ibn Ishaq al-'Ibadi, 809?-873 (Joannitius). Isagoge Johannitii in Tegni Galeni.

» Oxford, Sec XIII.

(Bethesda, NLM, DeRicci NLM [78].)

Ensino médico

Ensino médico
Ensino médico

Ensino médico

Ensino médico
Ensino médico

Salerno - Farmácia e terapêutica

Obras de conteúdo farmacêutico e terapêutico

Antidotarium de Nicolaus Salernitanus (fl. 1110-1150)

» Fac. Medicina de Paris determinou (1322) ser obrigatório em todas as boticas

De simplici Medicina de Mattheus Platearius, o Jovem (c. 1120- 1161), ou Circa instans

Fora de Salerno

Macer Floridus

» atribuído a Otto de Meudon (fl. 1161), poema - trata das virtudes de 77 plantas

Toledo

Reconquista de Toledo - 1085

Arcebispo cria uma escola de tradutores com cristãos e judeus - ca.

1135

Gerardo de Cremona (c. 1114-1187) juntou-se em 1144

» Traduziu total de 90 obras, incluindo 24 de medicina.

» Entre autores médicos traduzidos:

Galeno, Hipócrates, Al-Israili, Razés, Al-Wafid, Serapião, Abulcassis, Al-Kindi e Avicena.

Fora de Toledo

Burgundio de Pisa (1110-1193), trad. directamente do grego ao latim os Aforismos de Hipócrates e vários de Galeno, incluindo o Methodus medendi.

Ensino médico nas universidades

Escola de Salerno

» centro da formação médica na Europa até finais do séc. XII

Primeira titulação médica

1140 - Rogério II da Sicília estabelece obrigatoriedade de exame oficial para exercício da medicina

1240 - édito de Melfi - promulgado por Frederico II

Algum ensino médico começou a ser ministrado ainda nas escolas clericais

A Medicina

» integra-se no conjunto do sistema universal do saber e da filosofia (Trivium e Quadrivium)

» deixa de ser um mero ofício manual

Universidades

Criação das universidades nasce

» da necessidade de professores e alunos terem uma estrutura própria, diferenc. das clericais, capaz de afirmar o seus direitos e privilégios

Salerno e Montpellier - os professores médicos na origem do impulso para a criação das universidades

» Montpellier - escola médica autorizada em 1180, mais de cem anos antes da criação da Universidade

Paris - a Universidade criada por volta de 1200, a partir da escola catedralícia. Dominada pelos teólogos.

Bolonha - Séc. XIII - dom. juristas

Oxford - Séc. XIII - dom. teólogos

Ensino da medicina

Ensino da medicina • Três fases – Bacharel » 1 ano em Artes e 3 anos

Três fases

Bacharel

» 1 ano em Artes e 3 anos em Medicina + Exames

Licenciado - licença para o exercício

» + 3 séries de lições teóticas e 1 prática + Redacção de Texto

Magister - substituído mais tarde pelo título de doutor

» + Periodo de prática e + 2 exames

Separação de facto das profissões médicas

Médicos

» Assimilação do saber médico greco-romano

» Domínio do latim e ensino universitário

» Processo de nobilitação da profissão médica

» Abandono progressivo das funções manuais

» Separação entre medicina dogmática, e a Medicina ministrante (farmacêuticos e cirurgiões)

Especieiros

» Impulso do comércio de especiarias orientais através do Mediterrâneo

» Especialização na preparação de medicamentos

» Aumento da perícia e formação técnica

» Perca progressiva do carácter ambulante

Boticários

» Formação baseada na aprendizagem com mestre

» Estabelecidos com botica (armazém)

Separação legal das profissões médicas.

Arlés, França (1162)

Posturas municipais determinam separação

Édito de Melfi (1240)

Frederico II da Sicília e Nápoles

» Reafirmou obrigatoriedade de um curso de tipo superior em Salerno para os médicos

» proibiu qualquer sociedade entre médicos e farmacêuticos

» determinou que os farmacêuticos tinham de dispensar os medicamentos de acordo

com as receitas médicas

e as normas da arte provenientes de Salerno

» Introduziu o princípio

da necessidade de controlo dos preços dos medicamentos;

do licenciamento e inspecção da actividade farmacêutica.

Alargamento das medidas de separação

Em França

Avignon (1242) e Nice (1274) proibiram sociedade entre farmacêuticos e médicos

Europa central

Basileia separou as duas profissões - entre finais séc. XIII e princ. Séc. XIV

Portugal

Obrigatoriedade da separação determinada em 1462.