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Dívidas Rurais - Soluções administrativas e judiciais

É notório o endividamento do setor rural em todo o país, que foi gerado,


especialmente, em decorrência dos fracassados planos econômicos (Planos Collor e
Bresser). Isto porque, enquanto ocorreu uma brusca queda nos preços dos
produtos, os valores dos financiamentos foram elevados à patamares impagáveis.

Outra questão que agrava o endividamento do setor rural é a falta de informação


dos produtores sobre os benefícios contidos em leis e normativos. De fato, há
benefícios legais exclusivos para o setor agropecuário, haja vista que o empréstimo
rural tem a finalidade legal de fomentar a agricultura e não de obter lucro. No
entanto, está havendo uma inversão na finalidade dos financiamentos rurais, pois
os bancos, inclusive os oficiais, estão operando com os contratos rurais objetivando
lucrar e não incentivar o setor agropecuário.

O que justifica tal afirmação são as inúmeras ilegalidades cometidas pelas


instituições financeiras nas operações rurais, tais como: cobrança de juros acima de
12% ao ano; capitalização mensal dos juros sem pactuação expressa; cobrança de
comissão de permanência e cobrança de multa acima de 2% etc.

Importante ressaltar que uma Auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União
– TCU nos bancos oficiais que operam com o crédito rural (Banco do Brasil, Banco
da Amazônia – BASA e Banco do Nordeste do Brasil – BNB), com a finalidade de
verificar a metodologia de cálculo utilizada nas operações rurais apurou diversas
ilegalidades praticadas por esses bancos, em flagrante violação aos normativos que
regem a matéria, o que majorou indevidamente o valor da dívida.

Algumas das ilegalidades apontadas pelo TCU foram: utilização de taxa efetiva no
lugar de taxa nominal; cobrança de juros de mora superior ao limite legal;
cobrança de multa acima de 2%; encargos de inadimplemento elevados; cobrança
indevida de tarifa contratual; utilização do ano comercial (360 dias) ao invés de ano
civil (365 dias) na apuração da taxa de juros diária; metodologias matemáticas que
anulam o rebate legal concedido nos financiamentos com recursos dos Fundos
Constitucionais etc.

Outra ilegalidade comumente encontrada nos contratos rurais é o excesso de


garantias nas operações de securitização e PESA (programa especial de
saneamento de ativos), que chegam ao absurdo de mais de 500% do valor do
financiamento. A lei estabelece um limite de garantia de apenas 50% do
financiamento para as operações do PESA e de 100% para as operações de
securitização.

Como dito, os financiamentos rurais têm benefícios legais, sendo que certos tipos
de contratos foram alongados para pagamentos em 10 ou 20 anos (securitização,
PESA etc.), formas de renegociação que deveriam beneficiar os produtores rurais
de todo o país, o que inocorreu.

Um recálculo das operações rurais por especialistas no assunto é o caminho para


enquadrar os contratos nos termos da lei e reduzir o saldo devedor para o valor
real, buscando-se uma negociação administrativa através de apresentação de
proposta que possuam fundamentação jurídica e de matemática financeira, a fim de
justificar os valores e termos da proposta.

Os produtores que estão sendo executados também podem se defender através do


conhecimento dos benefícios legais para o setor rural, inclusive com redução da
dívida ou com o alongamento do débito se o contrato preencher os requisitos
legais, evitando, assim, que seu patrimônio vá a leilão judicial.

Dr. Carlos Alberto Pereira, especialista em operações rurais

Fonte: www.contratosdecreditorural.com.br/blog