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UNIVERSIDADE CAMILO CASTELO BRANCO CURSO DE DIREITO

CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS DO ACIDENTE DE TRABALHO

DESCALVADO 2012

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UNIVERSIDADE CAMILO CASTELO BRANCO CURSO DE DIREITO

ELISANGELA FELIPPE BERTONCELLI

CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS DO ACIDENTE DE TRABALHO

DESCALVADO 2012

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO .......................................................................................................................... 4 1. DEFINIÇÃO DE ACIDENTE DO TRABALHO ........................................................... 5 1.1 2.2 2.3 3. 4. Obrigações da Empresa no Caso de Acidente de Trabalho ..................................... 5 Obrigações da empresa em relação ao acidente de trabalho .................................... 6 Estabilidade provisória do acidentado no caso de acidente do trabalho .................. 7

CONCEITO DE ACIDENTE DO TRABALHO ............................................................ 9 CAUSAS DE ACIDENTE DO TRABALHO .............................................................. 16 3.1 Divisão das Causas dos Acidentes de Trabalho ..................................................... 16

5.

AS CONSEQUÊNCIAS DO ACIDENTE DE TRABALHO ....................................... 20 5.1 A CAT nos acidentes de Trabalho ......................................................................... 21

6. 7.

RESPONSABILIDADE TRABALHISTA NO ACIDENTE DE TRABALHO .......... 25 RESPONSABILIDADE CIVIL NO ACIDENTE DE TRABALHO ........................... 27 7.1 7.2 7.3 Responsabilidade civil subjetiva ............................................................................ 29 Responsabilidade civil objetiva .............................................................................. 32 Da Obrigação de Indenizar ..................................................................................... 32

8. 9.

CONCLUSÃO ............................................................................................................... 34 BIBLIOGRAFIA ........................................................................................................... 35

Tendo em vista que. a atual organização do trabalho impõe ao indivíduo condições de realização das suas tarefas cotidianas de forma muitas vezes inadequada. que o ser humano.4 INTRODUÇÃO Esta pesquisa tem por objetivo demonstrar o que é acidente de trabalho e como ele está definido em lei. quais são os direitos que estão previstos em relação ao acidentado. sujeito trabalhador. bem como para toda a sociedade em torno de mencionado fato acidental. qual é a responsabilidade da empresa na ocorrência de um acidente. Também se buscou demonstrar quem é competente para averiguação do acidente do trabalho. para a elaboração desse trabalho buscou-se utilizar de artigos encontrados por diversos meios. que serão citados no decorrer dele e também de informações encontradas em sites jurídicos. Será elucidado no decorrer da análise. culminando em vivências de sofrimento. O trabalho vem se tornando cada vez mais central na vida das pessoas. esta centralidade traz conseqüências conflitantes para a integridade física. quais são as causas e consequências desse acidente do trabalho para a empresa e para o acidentado de um modo geral. . Por fim. que tratam sobre o assunto. tal qual livros de autores renomados. psíquica e social dos trabalhadores. muitas vezes marcadas pela angústia e pelo medo. encontra-se em meio à ocasião atual em que se desenvolvem as estruturas de trabalho.

1. a incapacidade para o trabalho e o nexo entre o trabalho e o agravo. ou seja. Caberá a perícia médica do INSS (Instituto Nacional Do Seguro Social). Sendo reconhecida pela perícia médica feita pelo INSS. provocando nesses trabalhadores uma lesão corporal ou perturbação funcional que possa causar a sua morte. no exercício de suas atividades. terá direito ele ao auxílio doença que é como é denominado o direito que tem este trabalhador que será prestado pelo INSS. médico residente. DEFINIÇÃO DE ACIDENTE DO TRABALHO Acidente do trabalho é aquele que ocorre com o segurado empregado. pelo exercício do trabalho a serviço da empresa.1 Obrigações da Empresa no Caso de Acidente de Trabalho A empresa é responsável pela informação e utilização das medidas coletivas e individuais de proteção e segurança da saúde do trabalhador que presta seus serviços a ela. utilizando-se para tanto a identificação do nexo entre o trabalho e o agravo do acidentado. da capacidade para o trabalho.5 1. e existir o nexo entre a atividade que o mesmo exercia para a empresa e o agravo de seu estado de saúde. serão devidas as prestações acidentárias a que o beneficiário tenha direito. bem como com o segurado especial. . mas não sendo encontrado nenhum motivo ou nexo que determine e que acarrete em uma piora no estado de saúde do trabalhador se o mesmo continuar a exercer suas funções na empresa não terá este direito ao auxílio prestado pelo INSS. se através da perícia médica que é realizada pelo INSS for reconhecida a incapacidade para o trabalho do acidentado. não serão devidas as prestações. caso contrário. perda ou redução. caracterizar de maneira técnica o acidente do trabalho. que este trabalhador exercia para a empresa. trabalhador avulso. temporária ou permanente.

serão promovidas de forma regular instrução e formação com o intuito de auxiliar nos costumes e nas atitudes que visam prevenir em relação a matéria de acidentes. 2.6 sendo também seu dever prestar de maneira clara e específica informações sobre os riscos da operação a executar e do produto a manipular em seu trabalho. associações de classe. sendo que entre estes surgem as CIPAS (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes). que é punida com multa. É considerada contravenção penal. em caso de morte. especialmente os acidentes de trabalho. órgãos públicos e outros meios. sendo que este comunicado deve ocorrer até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência e do acidente. sucessivamente aumentada nas reincidências. Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho. O pagamento pela Previdência Social das prestações que são decorrentes do acidente do trabalho não exclui a responsabilidade civil da empresa ou de terceiros que são responsáveis pela segurança dos trabalhadores que estão sob os seus cuidados. à autoridade competente. sindicatos. o acidentado . se a empresa por qualquer que seja o motivo deixar de cumprir as normas de segurança e higiene do trabalho. este deverá ocorrer de imediato.2 Obrigações da empresa em relação ao acidente de trabalho Uma das obrigações da empresa é comunicar o acidente do trabalho à Previdência Social. Nos casos em que ocorrer negligência quanto às normas de segurança e saúde do trabalho indicadas para a proteção individual e coletiva. sob pena de multa variável entre o limite mínimo e o limite máximo do saláriode-contribuição. as quais serão aplicadas e cobradas pela Previdência Social. Por intermédio dos estabelecimentos de ensino. Deverão receber desta comunicação cópia fiel. poderá a previdência social propor ação regressiva contra os responsáveis pela empresa que assim agir.

a manutenção do seu contrato de trabalho na empresa. isto é. a data do início da incapacidade laborativa para o exercício da atividade habitual. pelo prazo mínimo de 12 (doze) meses. sendo que não prevalece nestes casos o prazo legal de apenas um dia útil. ou o dia da segregação compulsória. a qual iremos dar mais ênfase no decorrer deste trabalho. ou o dia em que for realizado o diagnóstico. a entidade sindical competente. para que esta faça a aplicação e a cobrança da multa devida pela empresa. o trabalhador avulso. após a . qual destes vier a infringir o trabalhador primeiramente. bem como o sindicato a que corresponda a sua categoria. É considerado como dia do acidente. o segurado especial e o médico-residente. Mesmo neste caso. Esta comunicação que se torna obrigatória para a empresa recebeu a sigla CAT.3 Estabilidade provisória do acidentado no caso de acidente do trabalho O segurado que venha a sofrer um acidente de trabalho tem garantido. 2. Deixando a empresa de comunicar o acidente. Assim caberá ao setor de benefícios do INSS comunicar a ocorrência ao setor de fiscalização. valendo para este efeito o que ocorrer primeiro. poderá formalizá-lo o próprio acidentado. Deverá ser comunicado os acidentes ocorridos com o segurado empregado (exceto o doméstico). o médico que o assistiu ou qualquer autoridade pública. a empresa continuará sendo responsável pela falta de cumprimento da legislação. Poderão acompanhar a cobrança das multas efetuadas pela previdência social no caso do descumprimento desta obrigação por parte da empresa os sindicatos e entidades representativas de classe.7 ou seus dependentes. no caso de doença profissional ou do trabalho. seus dependentes.

terá o trabalhador que sofreu um acidente de trabalho garantido por mais um ano o seu trabalho na empresa mesmo que este venha a receber por parte do INSS qualquer auxílio motivado por este acidente. . ou seja.8 cessação do auxílio-doença acidentário. independentemente da percepção de auxílio-acidente.

o trabalho. sendo este um dos direitos fundamentais encontrados em nossa Constituição de 1988 em seu art. raça. sexo. sem excluir a indenização a que este está obrigado. a previdência social. no Capítulo Dos Direitos Sociais. a moradia. XXVIII). .. na forma desta Constituição. o que imediatamente se protege é a saúde como integridade psicofísica (art. Art.seguro contra acidentes de trabalho. Quando se reconhece constitucionalmente o direito à saúde e ao ressarcimento de danos físicos.9 3. 7º. além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais. idade e quaisquer outras formas de discriminação. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: IV . 6º. o qual corresponde a um dever do Estado: Art. Dessa maneira. trata-se a saúde de um direito subjetivo público.promover o bem de todos. a proteção à maternidade e à infância. a assistência aos desamparados. a cargo do empregador. atualmente ela é vista como um fenômeno psicossomático. no art. 3°. CONCEITO DE ACIDENTE DO TRABALHO Um dos principais objetivos da República Federativa do Brasil consiste em promover o bem de todos. garantindo-se. Além de constitucionalmente garantida ela é um direito fundamental das pessoas. a alimentação. cor. Tendo em vista essa princípio que foi adotado pela nossa Constituição Federal. com intuito de melhor seguirmos suas diretrizes: Art. o lazer. a segurança. se entendia a enfermidade como um fenômeno de foro físico. quando incorrer em dolo ou culpa. Até o século XIX. se verifica a importância de conceituarmos o que seria um acidente de trabalho. que se exige do Estado. inciso IV. o direito à saúde a todos. a saúde. sem preconceitos de origem..) XXVIII . 6º São direitos sociais a educação.

como se sabe. podendo ser neutralizadas ou eliminadas. Com as crescentes e rápidas transformações no ambiente de trabalho.213/91 que dispõe sobre os planos de benefícios da previdência social. p. com a modernidade industrial e tecnológica. a necessidade de ser competitivos. prevenível. 19: . José Cairo Júnior ressalta que (2003. se encontra na legislação brasileira o conceito de acidente de trabalho. que se realizou ou ocorreu independentemente da vontade do agente e pela ausência de dolo ou de mau desígnio de sua parte. acontece pela falta de prevenção dos riscos no ambiente de trabalho. Confundindo-se com o acaso.58): Na realidade.10 Assim podemos considerar como acidente. p. isto é. os impactos tecnológicos que são gerados por essas transformações e também com a globalização. o acidente laboral não passa de um acontecimento determinado. nos trazem desafios permanentes. Sendo que a idéia clássica de acontecimento do acaso e de imprevisibilidade não mais é aceita como regra geral dentro do atual conceito de acidente de trabalho. uma grande parte dos acidentes laborais ou de trabalho. A lei 8. incluindo as doenças profissionais e do trabalho e outros eventos acidentários. como um acontecimento que não podia ser previsto ou que ocorreu de maneira fortuita que resulta dano à coisa ou à pessoa. quando no exercício normal do seu ofício ou de suas atividades profissionais. in abstrato. previsível. os inúmeros desequilíbrios relacionam-se direta e indiretamente com as atuais condições de trabalho e de vida. isto porque. e. Após aperfeiçoamentos e avanços. pois suas causas são perfeitamente identificáveis dentro do meio ambiente do trabalho. conceitua acidente de trabalho em seu art.24): Ato involuntário. Nas palavras de Plácido e Silva (1989. de forma mais abrangente. Distingue-se como acidente do trabalho todo e qualquer acontecimento infeliz que advém fortuitamente ou atinge o operário. na linguagem corrente. na maioria das vezes. como por exemplo.

permanente ou temporária. .. Conforme nos ensina Odonel Urbano Gonçales (2002. da capacidade para o trabalho. verifica-se que é indispensável a ocorrência de nexo. que haja nexo entre o evento e o trabalho que resulte em lesão. exceto nas hipóteses previstas na lei. e. se esta não for incapacitante para o trabalho. porque provoca lesão corporal ou perturbação funcional que causa a morte. 11 desta Lei.11 Art. para se completar o círculo do conceito de acidente do trabalho. inclusive daquele escrito na lei nº 8. p. Ainda nesse sentido Odonel Urbano Gonçales (2002. de causa entre o trabalho e o efeito acidente. Esse nexo. da capacidade para o trabalho. o fato de que o trabalho foi a causa do infortúnio. é um evento que não é provocado. 3) do nexo etiológico ou causal. não haverá reparabilidade. assim. mas sem lesão. temporária ou definitivamente. p. 40): Não existindo relação entre o acidente e o trabalho. tríplice: 1ª acidente-trabalho. não haverá infortúnio do trabalho. é. mas que acontece por acaso e. provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução. permanente ou temporária. ou redução. 3ª lesão-incapacidade. p. essa relação causa-efeito. i. É necessário. a ligação entre ambos. porque o acidente do trabalho é um acontecimento. E mesmo havendo lesão. 19. na verdade. ou perda. 2) da prejudicialidade. ou seja.25): O conceito de acidente do trabalho assenta-se em 3 (três) requisitos: 1) da causalidade. que é a relação de causa e efeito entre o trabalho e o acidente-tipo (ou doença profissional equiparada ao acidente do trabalho). 2ª acidente-lesão. Acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII do art. não há dolo. incapacitando o obreiro para o trabalho.213/91. 39): No estudo do conceito de acidente de trabalho. Ocorrendo acidente do trabalho. Para Irineu Antônio Pedrotti (1986. não haverá cobertura acidentária.

assim estabelece o art. em seu § 1º. No estudo do conceito do acidente do trabalho verifica-se que a relação de causa e efeito entre o acidente e o trabalho deve. constante da relação mencionada no inciso I. nos termos do artigo anterior. 20. d) a doença endêmica adquirida por segurado habitante de região em que ela se desenvolva. que podemos encontrar algumas doenças que não deverão ser consideradas acidente de trabalho. salvo comprovação de que é resultante de exposição ou contato direto determinado pela natureza do trabalho. o § 2º do mesmo artigo e diz que: § 2º Em caso excepcional. 20. Sendo que estas são exceções previstas na lei. 20.12 A jurisprudência é pacifica nesse sentido. assim entendida a produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e constante da respectiva relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social. o legislador partindo da premissa de que a cobertura do acidente do trabalho deve ser estendida a eventos que ocorram indiretamente em razão do trabalho assim inseriu na lei algumas circunstâncias que se utilizam de cobertura do seguro acidente do trabalho. Consideram-se acidente do trabalho. No entanto.doença profissional. segundo o legislador. acidente e incapacidade. Mas no sentido contrário vem. II . assim entendida a adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente. para os efeitos legais.213/91: Art. estar presente. Também vemos que art. quanto à necessidade da presença dessa relação de causa e efeito entre trabalho. em regra. equiparando tais circunstâncias ao acidente propriamente dito. b) a inerente a grupo etário. constatando-se que a doença não incluída na relação prevista nos incisos I e II deste artigo resultou das condições especiais em que o trabalho é . as seguintes entidades mórbidas: I . a saber: § 1º Não são consideradas como doença do trabalho: a) a doença degenerativa.doença do trabalho. c) a que não produza incapacidade laborativa. incisos I e II da Lei nº 8.

inclusive veículo de propriedade do segurado. no local do trabalho ou durante este. haja contribuído diretamente para a morte do segurado. para efeitos desta Lei: I . inclusive para estudo quando financiada por esta dentro de seus planos para melhor capacitação da mão-de-obra.o acidente sofrido pelo segurado no local e no horário do trabalho. o empregado é considerado no exercício do trabalho.o acidente sofrido pelo segurado ainda que fora do local e horário de trabalho: a) na execução de ordem ou na realização de serviço sob a autoridade da empresa. II . inclusive veículo de propriedade do segurado. Já no art. ou por ocasião da satisfação de outras necessidades fisiológicas.13 executado e com ele se relaciona diretamente. III . 21.a doença proveniente de contaminação acidental do empregado no exercício de sua atividade. IV . . por motivo de disputa relacionada ao trabalho. incêndio e outros casos fortuitos ou decorrentes de força maior. d) no percurso da residência para o local de trabalho ou deste para aquela. de negligência ou de imperícia de terceiro ou de companheiro de trabalho. e) desabamento. ou produzido lesão que exija atenção médica para a sua recuperação. b) na prestação espontânea de qualquer serviço à empresa para lhe evitar prejuízo ou proporcionar proveito. independentemente do meio de locomoção utilizado. que é a parte mais fraca da relação de trabalho. o legislador amplia ainda mais o conceito de acidente de trabalho sendo que teve por princípio a proteção do trabalhador. embora não tenha sido a causa única. Equiparam-se também ao acidente do trabalho. § 1º Nos períodos destinados a refeição ou descanso. para redução ou perda da sua capacidade para o trabalho. inundação. 21 da mesma lei. b) ofensa física intencional. d) ato de pessoa privada do uso da razão. inclusive de terceiro. a Previdência Social deve considerá-la acidente do trabalho. passando a considerar como acidente de trabalho fatos que tenham nexo causal com o exercício do trabalho: Art. sabotagem ou terrorismo praticado por terceiro ou companheiro de trabalho. c) em viagem a serviço da empresa. em consequência de: a) ato de agressão. qualquer que seja o meio de locomoção. c) ato de imprudência.o acidente ligado ao trabalho que.

Sendo assim. p. Ou seja. responder criminalmente por este ato. ou qualquer outro meio fraudulento: (. ardil.85): “A teoria da responsabilidade objetiva dá arrimo à cobertura dos danos nos acidentes do trabalho. 171 . Para Odonel Urbano Gonçales (2002. No entanto. no direito acidentário. vantagem ilícita. induzindo ou mantendo alguém em erro. o legislador amplia essa proteção a outras situações. Podendo neste caso o agente que agiu de maneira dolosa com a intenção de tirar proveito dessa situação. A lei traz para o mundo jurídico o conceito de acidente de trabalho. Por isso. se perde o conceito e a finalidade do acidente de trabalho. Mas. dentro da filosofia de dar proteção ao trabalhador vítima de acidente do trabalho. se o trabalhador foi ou não culpado pelo acidente. mediante artifício. responde pelo ato até mesmo na esfera penal. não se discute mais de quem é a culpa pela ocorrência”. quando o empregador ou terceiro que exerce um poder hierárquico sobre o trabalhador age com a intenção de lesar o mesmo. em prejuízo alheio. Também não há o que se discutir.) . para si ou para outrem..Obter.. § 2 inciso V: Art. Está previsto tal crime no Código Penal Brasileiro em seu art. já que esse fato não o descaracteriza. prendendo-o a nexo estreito com a atividade desenvolvida. se o trabalhador agir com desejo de lesar seu corpo para receber algum tipo de reparação acidentária. que não tem vinculação direta com a atividade desenvolvida pelo trabalhador. Passando o primeiro a ter seus direitos resguardados no caso de um acidente de trabalho que ocorre no desempenho de suas funções de trabalho. se este for o caso. 171. dessa forma não vai existir nenhuma responsabilidade do Estado pelo evento ocorrido.14 O legislador do direito parte do princípio de que é necessário amparar o trabalhador na ocorrência de acidentes. passando a criar no âmbito judiciário mais uma forma de proteção ao trabalhador que é tido como a parte mais fraca na relação de trabalho que existe entre este e seu empregador.

ou oculta coisa própria. ou agrava as consequências da lesão ou doença. .Nas mesmas penas incorre quem: (. ou lesa o próprio corpo ou a saúde. com o intuito de haver indenização ou valor de seguro.. total ou parcialmente.destrói.15 § 2º ..) V .

ou ainda.360): Esta permanente exposição ao perigo é ineliminável na vida da sociedade industrial. Após a Revolução Industrial e com a criação de máquinas. CAUSAS DE ACIDENTE DO TRABALHO O risco de ocorrerem acidentes no trabalho é inerente à própria atividade que é exercida pelo trabalhador. Sendo que atos inseguros são fatores importantes que colaboram para a ocorrência de acidentes do trabalho e que são definidos como causas de acidentes que são encontrados exclusivamente no fator humano. sendo que aqui também estão compreendidas as doenças ocupacionais. p. cada vez mais sofisticadas esse risco aumentou de maneira acentuada. ou seja. Na verdade. neste caso o trabalhador deixa de seguir determinadas regras estipuladas pela empresa para a sua própria segurança e ajuda para . Mas. que pode levar a ocorrência de um acidente. não existe uma fórmula capaz de eliminar os riscos de acidentes no trabalho. a atividade perigosa será tanto mais segura quanto mais se aproximar de níveis aceitáveis de convivência com seus riscos. O que a sociedade pode fazer é adotar medidas de higiene e segurança que resguardem a vida e a saúde do trabalhador. Washington Luiz da Trindade destaca que (2009. a violação de um procedimento aceito como seguro. de maneira que seja cem por cento seguro o trabalho que é feito pelo trabalhador. aqueles que decorrem da execução das tarefas de forma contrária às normas de segurança. cujas causas sejam as condições adversas enfrentadas na atividade laboral. tendo que a segurança corresponde á ausência de perigo.1 Divisão das Causas dos Acidentes de Trabalho As causas de acidente do trabalho podem se dividir em atos inseguros.16 4. 3. condições inseguras e ordem-limpeza.

não é levado em conta por qual razão que o trabalhador agiu de tal maneira. Não podemos confundir a condição insegura com o risco inerente a certas operações industriais. é possível analisar os fatores relacionados com a ocorrência destes e controlá-los. por ser perigosa. Deve-se lembrar que quando esse tipo de acidente ocorre não é apenas o trabalhador que sai prejudicado. não usar EPI. São exemplos que podemos citar como atos inseguros: agir sem permissão. Ao se estudar os atos inseguros praticados não se devem considerar as razões para o comportamento da pessoa que os cometeu. não pode ser considerada .17 a ocorrência desse acidente de trabalho. as condições inseguras são consideradas como falhas técnicas. os atos inseguros no trabalho provocam a grande maioria dos acidentes. De outro lado. o que se deve fazer tão somente é relacionar tais atos inseguros. no entanto. que estão presentes no ambiente de trabalho. fios expostos. Portanto. a eletricidade. dirigir perigosamente. Na verdade. entre outros. Por exemplo. podendo assim comprometer a segurança dos trabalhadores e a própria segurança das instalações e dos equipamentos que fazem parte da estrutura da empresa. mas também a própria empresa que investiu em treinamento desse funcionário e agora terá que substituí-lo por outro que também deverá passar por um treinamento para poder exercer a função que era desempenhada pelo trabalhador que se acidentou. Instalações mal feitas ou improvisadas. são condições inseguras. Não é verdadeira a idéia de que não se pode predizer nem controlar o comportamento humano. assim assumindo o risco de causa o acidente onde poderá se ferir de maneira grave ou até mesmo vir a morrer por conta desse acidente. ou instalações elétricas. não é raro o trabalhador que se utiliza de ferramentas inadequadas por estarem mais próximas de si ou procura fazer a limpeza de máquinas em movimento por ter preguiça de desligá-las. não pode ser considerada uma condição insegura. a corrente elétrica é um risco inerente a trabalhos que envolvem eletricidade. já a energia elétrica em si.

chão sujo de graxa. quando devidamente isolada das pessoas. temos: passagens obstruídas com tábuas.18 uma condição insegura. Exemplificando. obstáculos onde se pode facilmente tropeçar ou escorregar. Outros exemplos: falta de dispositivos de proteção ou inadequados. produtos acabados. pois não iremos encontrar em ambiente organizado ferramentas que estejam fora de lugar ou peças que possam causar tal acidente. causar até mesmo o escorregão de algum trabalhador. A energia elétrica. Já que quando temos um ambiente de trabalho organizado o risco da ocorrência de acidente de trabalho é reduzido em muito. Esse estado psicológico poderá afetar o relacionamento dos trabalhadores e expô-los ao risco de acidentes. é sabido que no ambiente de trabalho muitos fatores de ordem física exercem influências de ordem psicológica sobre as pessoas. . pois esta é uma ferramenta indispensável para a realização do trabalho. É certo que as pessoas que trabalham num ambiente desorganizado sentem uma sensação de mal-estar e também de stress que poderá tornar-se um agravante de um estado emocional já perturbado por outros problemas que esse trabalhador já enfrenta em seu dia a dia. Por fim. iluminação inadequada. como vimos nos exemplos. excesso de ruído etc. além de prejudicar a própria produção da empresa. combustíveis ou substâncias químicas etc. Sendo que estes últimos três exemplos de limpeza. a ordem e a limpeza constituem um fator de influência positiva no comportamento do trabalhador. caixotes. podendo. Neste contexto. ventilação inadequada. podendo este sofrer graves consequências. interferindo de maneira positiva ou negativa no comportamento humano conforme as condições em que se apresentam. obstáculos que impedem o trânsito normal das pessoas entre máquinas ou corredores. passa a ser um risco controlado e não constitui uma condição insegura. estejam jogadas em qualquer canto e se terá sempre tudo no seu devido lugar sabendo o trabalhador onde encontrá-las quando tiver que fazer uso destas. temos a ordem e limpeza. já que também é fator de acidentes de trabalho a falta de limpeza do ambiente de trabalho.

o acidente não se repetirá novamente. . anulando estes. O acidente só se dá quando um homem ou um grupo de homens executa uma operação perigosa em situação de risco. o que é sempre o que se busca e passando a não mais existir os riscos.19 O que podemos dizer é que acidente de trabalho não é fruto do azar ou do acaso. Quando estas causas são encontradas ou eliminadas. ou ainda diminuindo estes. Existem uma ou várias causas que ocorrem simultaneamente desencadeando os acidentes. É imprescindível que o trabalhador atue sobre os próprios riscos. A eliminação do fator central que é o ato inseguro e/ou a condição perigosa constitui a base da prevenção dos acidentes e poderá ser conseguida através de uma abordagem imediata através do controle direto da atividade humana e do ambiente de trabalho ou em longo prazo com a formação e a educação dos trabalhadores.

. Os acidentes e as violências em nosso país são agravos que. mas é sabido que ele acarreta uma grande parte da população que se utiliza d Sistema Único de Saúde e está ai o dever de se buscar obter registros deste tipo de trabalhador que sofre acidentes no exercício de suas funções. com efeitos induzidos aos mais variados níveis. O maior problema é que não temos um sistema de informação que nos permitam estimar e acompanhar o real impacto do acidente de trabalho sobre a saúde da população brasileira. não existe em nosso país nenhum registro a respeito desse tipo de acidente. mas os acidentes que ocorrem com os trabalhadores informais. deve continuar a buscar formas efetivas para o seu combate. portanto. que. quando desencadeado. aqueles que trabalham de forma irregular ou que não contribuem para o INSS. AS CONSEQUÊNCIAS DO ACIDENTE DE TRABALHO Um acidente de trabalho é determinado por múltiplos fatores os quais nós não percebemos. Diversos estudos destacam a inexistência de um sistema de informação destinada à captação dos acidentes do trabalho ocorridos fora da população previdenciária coberta pelo Seguro de Acidente do Trabalho. de diversas ordens.20 5. ou cujo efeito não entendemos em muitas situações. Por outro lado. Outros estudos destacam a existência de sub-registro dessas ocorrências na população coberta pelo seguro acidente. sendo. Para além da incidência econômica e da problemática dos custos. em conjunto com outros segmentos dos serviços públicos e da sociedade civil. sociais e econômicas. Em todos os casos qualquer acidente tem sempre consequências individuais. existe uma multiplicidade de consequências indiretas dos acidentes. se constituem em uma importante problemática da saúde pública. pelo seu expressivo impacto na mortalidade da população. mas estes são apenas registros feitos pela Previdência Social. ainda que de forma irregular. objeto prioritário das ações do Sistema Único de Saúde. familiares. dá origem a inúmeras consequências.

em caso de morte. 5. As informações das CAT’s permitem. que tenha ocorrido na empresa ou loca de trabalho. é atingido de frente pela falta de tal resposta por parte dos órgãos competentes. A empresa deverá comunicar o acidente do trabalho à Previdência Social até o 1º dia útil da ocorrência e.21 Uma das consequências do desconhecimento do impacto do trabalho sobre a saúde é a falta de respostas organizadas por parte do SUS e até mesmo do próprio Ministério do Trabalho e Emprego em relação à sua prevenção e ao seu controle. de gravidade da lesão ou localizá-los no tempo. Esta por sua vez deve comunicar o fato à Previdência Social através da CAT. com as investigações e informações . informando de imediato seu superior hierárquico para que este possa levar a conhecimento das pessoas responsáveis para a elaboração do CAT. selecionar os acidentes por ordem de importância. que deveria ser assumido como um dos pilares da estruturação dos sistemas de saúde locais. O princípio da integralidade. sob pena de multa.1 A CAT nos acidentes de Trabalho Um importante instrumento para melhor visualizarmos as consequências e a proporção do acidente de trabalho está na CAT que nada mais é que uma Comunicação de Acidente do Trabalho. As CAT’s são documentos úteis para se conhecer a história dos acidentes na empresa. regionais e nacional. e daí liberando o benefício que é o adequado ao acidentado. de imediato. por exemplo. A comunicação de acidente do Trabalho por sua vez gera o processo administrativo que tem a finalidade de proteger o empregado. à autoridade competente. além de possibilitar o resgate das atas da CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidente). de tipo. Na ocorrência do acidente de trabalho o empregado deve levar o fato ao conhecimento da empresa. que apurará as causas e consequências do fato.

onde não há necessidade de efeito lesivo ao trabalhador em virtude da ocorrência. Se encararmos o acidente de trabalho do ponto de vista prevencionista. o empregador arcará com as despesas do salário do acidentado. no exemplo anterior. a importância do trabalho como determinante de saúde das populações de seus respectivos territórios. que o próprio país é afetado com todo o conjunto de efeitos negativos advindos dos acidentes do trabalho. teria como suas consequências: o empregado encarregado do rearmazenamento despenderá esforço para o trabalho. . inclusive passando pelo risco inerente à atividade. a queda de um fardo de algodão que foi mal armazenado. para a empresa. ou o faz de modo extremamente limitado. a empresa seguradora. do dia do acidente e dos seguintes 15 (quinze) dias. a simples perda de tempo para normalizar a situação já representa um custo para este. pagará as despesas de atendimento médico e os salários a partir do 15º dia até o retorno do acidentado ao trabalho normal de suas atividades. Dessa forma percebe-se que a concepção de saúde adotada nos sistemas deixa de considerar. para a sociedade de uma forma geral. Percebe-se dessa maneira. há perda de produção pela necessidade de execução do serviço várias vezes. cita-se como consequência: o operário ficará prejudicado em sua saúde. O problema é que em muitos casos a CAT não chega ao conhecimento do INSS em razão das empresas não liberarem.22 complementares referentes aos acidentes. o empregador pagará duas vezes pelo serviço de armazenagem. o que seria desnecessário se o armazenamento inicial tivesse feito de maneira correta. em princípio. Qualquer acidente do trabalho acarreta prejuízos para o acidentado. Se. Por exemplo. a qual no caso será o INSS. tendo em vista que o número de acidente de trabalho no seu estabelecimento pode refletir no quantum dos impostos a serem pagos pelas mesmas. um trabalhador for atingido pelo fardo que caíra e necessitar de um afastamento temporário para sua recuperação.

César P. ou ainda. após o qual o trabalhador retorna às suas atividades normais de trabalho. p.53): . e o trabalhador retorna ao trabalho logo em seguida. um acidente pode deixar o trabalhador impedido de realizar suas atividades por dias seguidos. É o que ocorre. ou na incapacidade parcial e permanente. Nesse caso. (1999. S. por exemplo. quando o são tornam-se de difícil medição. porém. além de não serem identificados na totalidade. A incapacidade parcial e permanente é a diminuição. Nos casos extremos. mas isso não significa que ele está incapacitado para exercer outro tipo de atividade dentro da própria empresa que já trabalhava. É o que acontece. Há diversos custos que o próprio bom-senso facilmente pode determinar. da capacidade física total para o trabalho.23 Um acidente do trabalho pode levar o trabalhador a se ausentar da empresa apenas por algumas horas. Segundo. na incapacidade total e permanente para o trabalho do funcionário que venha a sofrer tal acidente. ou de forma definitiva. Nota-se que os danos causados pelos acidentes são sempre bem maiores do que se imagina em uma primeira análise. se um trabalhador perde as duas vistas em um acidente do trabalho. temos o chamado acidente com afastamento. e assim não poderá voltar a exercer qualquer tipo de trabalho mesmo que em outra função. Machado Jr. o acidente resulta na morte do trabalhador. por exemplo. quando o acidente resulta num pequeno corte no dedo. o que é chamado de acidente sem afastamento. ou meses. Outras vezes. por exemplo. A incapacidade temporária é a perda da capacidade para o trabalho por um período limitado de tempo. neste tipo de incapacidade o trabalhador fica impossibilitado de exercer a mesma atividade que exercia anteriormente. que pode resultar na incapacidade temporária. Outros. quando ocorre a perda de um dedo ou de uma vista. É o que acontece. A incapacidade total e permanente é a invalidez incurável para o trabalho. por toda vida. Se o trabalhador acidentado não retornar ao trabalho imediatamente ou até na jornada seguinte. o trabalhador não tem mais condições para trabalhar.

Cada trabalhador deve ser exemplo no trato dessa questão. alcançando a responsabilidade pela reparação de danos patrimoniais ou morais advindos. pautando por atitudes prevencionistas. que extrapola os limites da responsabilidade derivada do contrato de trabalho. mas que se tenha essa obrigação porque se está lidando com o homem. com o cidadão que deve ter seus direitos individuais respeitados. na prática. como o verdadeiro patrimônio da empresa. . já que é através de seu trabalho que o empregador constrói seu patrimônio e este é um dos principais fatores que deve influenciar na proteção destes trabalhadores. que considerem o homem. zelando não só pela sua saúde física e mental. mas também pela de seus colegas. No que se refere à responsabilidade civil e criminal no caso do acidente de trabalho não se pretende despertar para os cuidados para com a segurança apenas porque há o risco de uma penalização ao infrator. inclusive em nossa Carta Magna. como está prevista em nossas legislações.24 O empregador tem responsabilidade ampla quanto à integridade física de seu empregado.

157 da CLT: Art. férias. quando do acidente de trabalho. II .Cabe às empresas: I . descanso semanal e indenizações. cabendo-lhe ainda. inclusive. pessoalmente ou através de seu representante ou representante de sua empresa. III .25 6.facilitar o exercício da fiscalização pela autoridade competente. remuneração.cumprir e fazer cumprir as normas de segurança e medicina do trabalho. Por lei. assim ocorrerá o vínculo trabalhista que é uma das características desse direito que é o seguro acidente. Para que o profissional assuma esse tipo de responsabilidade é preciso que ele contrate seus empregados. a empresa é responsável pela adoção e uso das medidas coletivas e individuais de proteção e segurança da saúde do trabalhador. como previsto no art. quanto às precauções a tomar no sentido de evitar acidentes do trabalho ou doenças ocupacionais. através de ordens de serviço.instruir os empregados. . IV . aquelas resultantes de acidentes que prejudicam a integridade física do trabalhador. RESPONSABILIDADE TRABALHISTA NO ACIDENTE DE TRABALHO A matéria é regulada pelas Leis Trabalhistas em vigor e legislação extravagante e resulta das relações entre os empregados e trabalhadores que compreendem: direito ao trabalho.adotar as medidas que lhes sejam determinadas pelo órgão regional competente. devendo esta prestar informações detalhadas sobre os riscos da operação a ser executada e do produto que irá se manipular. 157 .

. II . 158. b) ao uso dos equipamentos de proteção individual fornecidos pela empresa.colaborar com a empresa na aplicação dos dispositivos deste Capítulo.Cabe aos empregados: I . conforme previsto no art. inclusive as instruções de que trata o item II do artigo anterior.Constitui ato faltoso do empregado a recusa injustificada: a) à observância das instruções expedidas pelo empregador na forma do item II do artigo anterior.observar as normas de segurança e medicina do trabalho. 158 . sem justificativa. Parágrafo único .26 Devendo inclusive punir o empregado que. recusar-se a observar as referidas ordens de serviço e a usar os equipamentos de proteção individual fornecidos pela empresa. e parágrafos da CLT: Art.

A obrigação fundada na responsabilidade civil é a obrigação de indenizar a pessoa que sofre o dano causado pelo agente. moral ou ao seu patrimônio. portanto se distingue.27 7. uma vez que advêm da apuração do fato que estabelecerá a pena imposta ao agente ou responsável pela prática do ato ilícito. Esta responsabilidade é de caráter contratual. isto é. atos que por provocarem danos à lei. constitui-se um desequilíbrio onde se torna imprescindível que se invoque o instituto da responsabilidade civil a fim de restabelecer o status quo ante (devolver ao estado em que se encontrava antes da ocorrência do ato ilícito). Podemos dizer que a todo o momento surge o problema da responsabilidade civil. para efeito de reparação do dano injustamente causado. ou seja. resumem-se em responsabilidade para o agente. assim equilibrando a situação anterior e posterior ao . A principal fonte geradora da responsabilidade civil é justamente o interesse de que se reestabeleça o equilíbrio violado pelo dano que sofreu a pessoa. pois a cada atentado sofrido pela pessoa. da responsabilidade fundada no ato ilícito em si. provêm do Direito Romano: neminem laedere (não lesar a ninguém). por esta razão. se uma pessoa provocar por qualquer que seja o motivo um dano à lei e este prejudicar alguma pessoa de alguma forma poderá esta pessoa utilizar o princípio da responsabilidade civil do agente para ter seu prejuízo ou dano sanado por este agente. RESPONSABILIDADE CIVIL NO ACIDENTE DE TRABALHO Os princípios jurídicos que podemos encontrar a responsabilidade civil. em consequência de ato ilícito ou lícito provocado pelo agente. relativamente no que diz respeito à sua honra.

mediante a reparação do dano causado a outrem. Ação é quando o agente comete um determinado ato e em consequência deste a vítima sofre um dano. causa um prejuízo ou dano a outra pessoa ou vitima e assim esta deve ter seus prejuízos sanados pelo agente causador do dano. elo de causalidade ou nexo causal. A responsabilidade civil. por não realizar determinado ato que deveria fazer. Estes fatos ou circunstâncias são ação ou omissão. por meio da reparação desse dano sendo que. sua natureza é compensatória. é uma sanção civil por não prever uma condenação no âmbito penal ao agente que causou o dano a outro. pois deverá compensar o dano causado. A omissão ocorre quando o agente. dano. ou seja. por meio do ressarcimento. é o resulta que decorre dessa ação ou omissão que foi praticada pelo agente causador. . sendo que esta segurança é de que terá ele o lesado ressarcida a perda que teve com o dano sofrido. sem os quais não há como se falar na aplicação desta sanção para o agente infrator que provoque o dano. de natureza compensatória. sendo que este ressarcimento seja do mesmo valor que o dano que tenha sofrido a pessoa vítima deste. como já dito anteriormente. por sua vez é o resultado da ação ou da omissão do agente para com o terceiro que é a vitima dessa ação ou omissão. para ser caracterizada. esta deve ser no valor do prejuízo ou dano que o agente tenha causado. que são indispensáveis simultaneamente. o instituto da responsabilidade civil tem duas funções primordiais que são: garantir o direito do lesado à segurança. ou seja. necessita da ocorrência de três fatos ou circunstâncias. Assim sendo. e servir como sanção civil. Dano.28 dano sofrido pela vítima.

sem que exista uma prova real e concreta de uma lesão certa a determinado bem ou interesse jurídico. pois se há um dano. a pessoa que deve pagar pelo dano causado é a pessoa que concorreu para que esse dano se concretizasse. também chamado de nexo causal entre ação/omissão e dano causado é imprescindível para que se tenha á prova do referido elo causal entre o dano e a ação/omissão. não há que se falar em culpa deste e não terá ele a obrigação de reparar tal dano causado. ou seja. mesmo que pudesse ser previsto. a responsabilidade por danos causados em função de caso fortuito. ou seja. é necessária a prova concreta de tal lesão sobre um bem ou um interesse jurídico para que se possa falar em responsabilidade civil. Não é possível se responsabilizar civilmente uma pessoa.29 O elo de causalidade. se não houver uma fato que ligue o agente que venha a ter provocado o dano a ação ou a omissão provocadora desse. em função de culpa exclusiva da vítima. seria impossível de se evitar. De pronto se afasta. que neste caso de torna a vítima. que nada mais é que algo que não poderia ser previsto. é algo que. ou no caso de força maior. as quais trataremos em seguida. sendo que a primeira é a responsabilidade civil objetiva e a segunda forma é a responsabilidade civil subjetiva. 7. não há como se responsabilizar o réu. mas este se deu. em função de ato doloso ou culposo: .1 Responsabilidade civil subjetiva A responsabilidade civil subjetiva é a decorrente de dano causado diretamente pela pessoa obrigada a reparar. A responsabilidade civil pode ser dividida em duas. por exemplo.

Quanto à culpa. E por fim. O ato por negligência é a omissão voluntária de diligência ou cuidado. imprudência ou ainda de imperícia do agente causador do dano. mas nem por não ter o agente a intenção de causar um dano este se exclui da obrigação de reparar o dano causado. que se origina da má escolha do empregado ou trabalhador. ou experiência ou de previsão no exercício de determinada função. o ato por imperícia é a falta de especial habilidade. e mesmo sabendo disso efetua o trabalho de maneira incorreta. é a falta de cuidado do agente que permitiu que ocorresse o dano. como exemplo disto temos: eletricista contratado sem a mínima qualificação necessária para fazer o serviço. Culpa. Culpa in vigilando (falha na supervisão). agir de maneira precipitada. ou ainda não sabia que se por um ato que ele cometesse ou deixasse de realizar poderia isto acarretar em um dano a terceiros. profissão. isto é. desta forma. ela pode ser caracterizada como: Culpa in elegendo (falha na escolha). que é a ausência de fiscalização por parte do empregador ou do .30 Assim dolo é a ação ou omissão voluntária. é quando uma pessoa que não sabe ou ainda não tem a experiência necessária para determinado ato. sem consideração ou ainda de maneira inconstante. arte ou ofício. Consiste em praticar uma ação sem as necessárias precauções. e provoca um acidente que lesiona seu colega de trabalho que o auxiliava. é aquela em que o agente tinha intenção de fazer ou não fazer. decorre de um ato de negligência. ou ainda a falta ou demora no intuito de prevenir ou obstar um dano que venha a ocorrer. ou ainda que tivesse consciência que se agisse de determinado modo ou não o fizesse acarretaria uma consequência para um terceiro que sofreria um dano. O ato por imprudência é aquela ação que é feita de maneira intempestiva ou ainda sem que o agente reflita sobre o que deve ser feito em determinada ação. Como visto o ato se subdivide em três tipos. neste caso o agente não teve a intenção de causar o dano.

deixando de praticar os atos impeditivos à ocorrência do ato danoso. De acordo com o artigo acima transcrito. . negligência. verificamos que a obrigação de indenizar. que é um ato negativo ou omissão. Como podemos ver. por ação ou omissão voluntária. tanto em relação aos empregados. O agente negligencia com as cautelas recomendadas. Aquele que. ainda que exclusivamente moral.31 responsável pela empresa. 186 do Código Civil: “Art. temos caracterizado de forma clara a obrigação da empresa de reparar o dano causado a seu empregado. a existência dos seguintes elementos: ação ou omissão. Culpa in omitendo (falha de omissão). Sendo que esta culpa. que é a falta de cautela ou atenção. a responsabilidade civil subjetiva implica necessariamente. ato imprudente ou ato imperito. Dessa forma. quanto em relação à coisa exemplo: empregado conduz veículo da empresa sem freios e colide com outro veículo provocando lesões corporais generalizadas nos envolvidos. se caracterizará quando o agente causador do dano atuar com negligência ou imprudência conforme a interpretação da primeira parte do art. negligência ou imprudência. quando este por ação ou omissão causar dano a um dos seus empregados. elo de causalidade entre ação/omissão e dano e o dolo ou culpa do agente causador. comete ato ilícito”. por dolo ou culpa. 186. que nada mais é que reparar o dano é a consequência juridicamente lógica do ato ilícito. dano. por ter natureza civil. violar direito e causar dano a outrem. Culpa in comitendo (falha na produção) que é a prática de ato positivo que resulta em dano. Culpa in custodiendo (a culpa é de acordo).

ao seguinte: § 6º . se fundou no risco profissional e a reparação dos danos causados aos trabalhadores passou a se fazer independentemente da verificação da culpa ou não deste trabalhador.32 7. diante da ocorrência de certos fatos. onde a prova do nexo causal entre o fato que causou a lesão e os danos que forem apurados em decorrência dessa lesão. impessoalidade. datada de 19 de outubro de 1976. assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. também. mais precisamente no Código Civil. Se tratando de matéria de acidente do trabalho.As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes. moralidade. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União. mais precisamente em seu art. que dispõe o seguinte: Art. encontramos as regras em relação à responsabilidade objetiva. Em nossa Carta Magna. dos Estados. 37. mais artigos a respeito deste tema. do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade. causarem a terceiros. 37 parágrafo 6°. publicidade e eficiência e. entende-se que a Lei 6367. conforme visto a seguir: . já é suficiente para obrigar à reparação dos danos sofridos pela vítima. 7. independentemente de ter ou não havido culpa do agente que tenha praticado ou provocado o evento danoso a esta vítima.3 Da Obrigação de Indenizar Em relação ao dano em si ainda podemos encontrar em nosso ordenamento jurídico.2 Responsabilidade civil objetiva A lei define a responsabilidade de determinada pessoa física ou jurídica. nessa qualidade.

por sua natureza. (. quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal. II . pelos pupilos e curatelados. por ato ilícito (arts. nos casos especificados em lei. Parágrafo único. independentemente de culpa. não se podendo questionar mais sobre a existência do fato..33 Art. ou em razão dele. São também responsáveis pela reparação civil: I . fica obrigado a repará-lo.o empregador ou comitente. por seus empregados. causar dano a outrem. 927. serviçais e prepostos. no exercício do trabalho que lhes competir. lembrando que em se tratando de Código Civil a responsabilidade referida será sempre a responsabilidade civil. .os pais. As pessoas indicadas nos incisos I a V do artigo antecedente. 933. A responsabilidade civil é independente da criminal. ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar. Art. ou sobre quem seja o seu autor. Estes são outros dispositivos que encontramos em nosso ordenamento jurídico que também legislam a respeito da responsabilidade. Art. que se acharem nas mesmas condições. Aquele que. risco para os direitos de outrem. 932. ainda que não haja culpa de sua parte. 186 e 187).. III . Haverá obrigação de reparar o dano. responderão pelos atos praticados pelos terceiros ali referidos.) Art.o tutor e o curador. pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia. 935.

34 8. mas também pela saúde de seus colegas de trabalho. fazendo parte destes as chamadas doenças ocupacionais. zelando não só pela sua saúde física e mental. . mas que se tenha essa obrigação de zelar para o bem do trabalhador. O que a sociedade pode e deve fazer é adotar medidas de higiene e segurança que resguardem o máximo possível. como já foi demonstrando. não resta a menor dúvida da necessidade de buscar medidas que tenham por finalidade prevenir os Acidentes de Trabalho. CONCLUSÃO O risco de acidentes está ligado à própria atividade que exerce o trabalhador. pois. os riscos de acidentes no trabalho. Diante do que foi demonstrado no decorrer desse trabalho. tomando todos os cuidados necessários para que não ocorra os Acidentes de Trabalho. mas também ao seu empregador e a sociedade como um todo. completamente. Na verdade não existe uma fórmula que seja capaz de eliminar. Cada trabalhador deve ser exemplo em relação a esta questão. e não apenas sobre o trabalhador vítima desse acidente. com um cidadão que deve ter seus direitos individuais respeitados. os reflexos dos acidentes de trabalho incidi sobre diversas áreas da coletividade. Desta forma. porque se está lidando com um homem. não se deve despertar para os cuidados em relação somente com a segurança ou ainda apenas porque há o risco de uma penalização ao infrator que não observar essas regras. conforme prevê nossa Constituição Federal. cujas causas sejam as condições adversas enfrentadas na atividade de trabalho que este exerça. a vida e a saúde do trabalhador.

Consolidação das Leis Trabalhistas: decreto-lei 5452/43. In: http://www. Acesso em 08 de maio de 2012. Machado. In: http://www.406/02. Planos de Benefícios da Previdência Social decreto-lei 8. Acesso em 06 de maio de 2012.gov.htm. 2003.planalto. São Paulo: LTr. GONÇALES. . Manual de Direito Previdenciário.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848. Código Civil: decreto-lei 10.planalto. Odonel Urbano.gov.htm. JUNIOR. Brasília.35 9. 1999. In: http://www. In: http://www.840/40. Acesso em 05 de maio de 2012.br/ccivil_03/decreto-lei/Del5452. São Paulo: Atlas. José Cairo. DF: Senado. BRASIL.br/legislacao/const/con1988.213/91.planalto. LTr. Código Penal: decreto-lei 2. BRASIL. 1º Ed.br/ccivil_03/leis/2002/L10406. In: http://www. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.htm.senado. O Acidente do Trabalho e a Responsabilidade Civil do Empregador. 10º Ed. Direito do Trabalho. BRASIL. S.planalto.htm. César P.gov. BIBLIOGRAFIA BRASIL. 2002. BRASIL. 1988.gov. JUNIOR.gov. Acesso em 03 de maio de 2012. Acesso em 07 de maio de 2012.br/ccivil_03/leis/L8213cons.

. 1989. SILVA. Universitária de Direito. São Paulo: Forense. Vocabulário Jurídico. 11º Ed. 1º Ed. São Paulo. Escritos de Direito do Trabalho.36 PEDROTTI. Irineu Antônio. 2009. Comentários ás Leis de Acidente do Trabalho. 1º Ed. De Plácido e. LTr. Washington Luiz da. 1986. TRINDADE.

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