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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO

12ª Promotoria de Justiça do Núcleo de Defesa do Pat. Público e da Probidade Administrativa


MISSÃO: Defender o regime democrático, a ordem jurídica e os interesses sociais e individuais indisponíveis, buscando a justiça social e pleno
exercício da cidadania.

Exmo. Juiz de Direito da Vara Especializada de Ação Cível Pública e Ação Popular da
Comarca de Cuiabá.

O MINISTÉRIO PÚBLICO DO
ESTADO DE MATO GROSSO pelo Promotor de Justiça abaixo assinado, no
exercício de suas atribuições legais, legitimado pelos arts. 127 e 129 inciso III, da
Constituição Federal, art. 103 da Constituição Estadual, art. 1º da Lei Complementar
Estadual nº 27/93, 25 inciso IV, letra “b”; 26, inciso I e 29 inciso VIII, da Lei nº
8.625/93-LONMP e pela Lei Federal nº 7.347/85 – ACP vem perante Vossa Excelência
propor a presente AÇÃO CIVIL DE RESSARCIMENTO DE DANOS AO ERÁRIO C/C
PEDIDO LIMINAR DE INDISPONIBILIDADE DE BENS E EXIBIÇÃO DE
DOCUMENTOS contra:
1 – JOSÉ GERALDO RIVA, brasileiro,
separado, Deputado Estadual, Presidente da Assembléia Legislativa do Estado de
Mato Grosso, portador da cédula de identidade RG n° 297.707/SSP-MT e do CPF n°
387.539.109-82, nascido em Guaçuí-ES em 08/04/59, filho de Daury Riva e Maria
Pirovani Riva, residente na rua Estevão de Mendonça, nº 199, Edifício Giardino de
Roma, Bairro Goiabeiras, em Cuiabá-MT;
2 – HUMBERTO MELO BOSAIPO,
brasileiro, casado, Conselheiro do TCE/MT e advogado, inscrito na OAB/MT sob o nº
3.655/MT, com CPF n° 094.169.601-44, nascido em Goiânia-GO em 03/11/54, filho de
Antônio Bosaipo e Teresa Costa Melo Bosaipo, residente na rua Manoel Leopoldino,
apt° 265, Ed. Luciana, Bairro Araés, em Cuiabá-MT;
3 – GUILHERME DA COSTA GARCIA,
brasileiro, casado, economista, servidor da Assembléia Legislativa de Mato Grosso,
Edifício Sede das Promotorias de Justiça Reunidas, setor do Ministério Público, rua 04, s/nº., Centro Político Administrativo - CPA.
CEP 78.049-921 – Cuiabá-MT – fones (65) 3613-5224 e 3613-5201 – E-mail: probidade.administrativa@mp.mt.gov.br – SRS - Pags. 1 de 16
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MISSÃO: Defender o regime democrático, a ordem jurídica e os interesses sociais e individuais indisponíveis, buscando a justiça social e pleno
exercício da cidadania.

portador da cédula de identidade RG nº 099.641/SSP-MT e do CPF nº 001.706.071-


00, nascido em Vila Bela da Santíssima Trindade-MT em 08/11/43, filho de Joaquim da
Costa Garcia e Trinidad Poquiviqui, residente na rua Estevão de Mendonça, n° 2148,
bairro Morada do Sol, em Cuiabá-MT;
4 – GERALDO LAURO, brasileiro, casado,
funcionário público, portador da cédula de identidade RG nº 0145976-7/SSP-MT e do
CPF nº 201.139.351-53, nascido em Irerê-PR em 23/09/60, filho de José Lauro Neto e
Nair Cavalarini Lauro, residente e domiciliado na rua 93, quadra 87, casa 37, bairro
Morada da Serra IV, em Cuiabá-MT;
5 – VARNEY FIGUEIREDO DE LIMA,
brasileiro, casado, funcionário público, portador da cédula de identidade RG nº
0614132-3/SSP-MT e do CPF nº 363.119.101-44, nascido em Cuiabá em
19/10/65, filho de Mário Gonçalves de Lima e Darcy Fortunato Gonçalves de
Lima, residente e domiciliado na Rua A, s/n, quadra 11, bloco 9, apartamento
101, Residencial Paiaguás, CEP 78048240, em Cuiabá-MT;
6 – NIVALDO DE ARAÚJO, brasileiro,
casado, funcionário público, portador da cédula de identidade RG nº 1305768-5/SSP-
MT e do CPF nº 042.675.241-49, nascido em Cáceres-MT em 15/09/48, filho de
Gastão de Araújo e Saturnina de Araújo, também conhecida como “Bazurina de
Araújo”, residente e domiciliado na rua Cel. João Lourenço de Figueiredo, quadra 3,
casa 1, Jardim Tropical, em Cuiabá-MT; pelos motivos de fato e de direito que passa a
aduzir.

I - SÍNTESE DOS PEDIDOS


1 – O Ministério Público do Estado de Mato
Grosso, por meio dessa ação pretende a condenação dos requeridos JOSÉ
GERALDO RIVA e HUMBERTO DE MELLO BOSAIPO ao ressarcimento dos danos
causados ao erário, em razão de atos ilícitos, no valor de R$ 3.320.078,50 (três
milhões, trezentos e vinte mil, setenta e oito reais e cinqüenta centavos), porque na
qualidade de gestores responsáveis pela Administração da Assembléia Legislativa
Estadual foram responsáveis por aquele desvio.
Também busca-se responsabilizar os requeridos GUILHERME
GARCIA, GERALDO LAURO, VARNEY FIGUEIREDO DE LIMA e NIVALDO DE

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ARAUJO pois estes na qualidade de servidores públicos responsáveis à época dos


fatos pelos setores de finanças, licitação e patrimônio da Assembléia Legislativa
Estadual, colaboraram diretamente na prática dos atos fraudulentos, concorrendo para
consecução dos mesmos, beneficiando-se direta e indiretamente dos ilícitos
perpetrados contra o patrimônio público. Ressalta-se não inclusão de LUIZ EUGÊNIO
DE GODÓY no pólo passivo da presente ação ante a circunstância de ter falecido em
03/04/2007 (fls. 357), bem como por ser solidária a responsabilidade dos demais
requeridos pelos danos causados ao erário.
2 – Reivindica-se, pelos fundamentos
expostos na presente ação, liminar de indisponibilidade de bens dos requeridos, assim
como exibição de documentos por parte da Assembléia Legislativa de Mato Grosso.
II – FATOS
3 – Em 19/11/03 o autor instaurou o
Inquérito Civil nº 049/2004 (GEAP nº 000324-02/2004) com dois volumes e três
anexos, em continuidade às investigações relativas às denúncias de desvio e
apropriação indevida de recursos públicos do Poder Legislativo Estadual, através da
emissão e pagamento com cheques para empresas inexistentes ou irregulares.
As investigações tiveram início em do encaminhamento de
documentos pela Justiça Federal, demonstrando que mais de sessenta e cinco
milhões de reais oriundos da Assembléia Legislativa do Estado de Mato Grosso
haviam circulado pelas contas da Confiança Factoring Fomento Mercantil Ltda,
empresa pertencente ao grupo João Arcanjo Ribeiro, sendo isso um dos
desdobramentos da operação intitulada “Arca de Noé”, desencadeada em conjunto
pela Polícia Federal, Ministério Público Federal e Ministério Público Estadual, visando
desmantelar a organização criminosa chefiada pelo então temido e poderoso
“comendador” (fls. 78/101, do anexo I).
4 – Os documentos apreendidos na
factoring de Arcanjo demonstraram uma inusitada movimentação financeira, com o
desconto em favor da Confiança Factoring de um grande volume de cheques sacados
contra a conta corrente da Assembléia Legislativa deste Estado, que somados ao
relatório do Banco Central encaminhado ao MPE pela Justiça Federal (fls. 03/178,
anexo I), geraram a suspeita de que a factoring teria sido utilizada para a lavagem de
dinheiro proveniente da AL/MT, mediante pagamentos efetuados para pretensos
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credores.
5 – Para apurar a ocorrência destes
pagamentos o autor desta ação ingressou com uma medida judicial de exceção ao
sigilo bancário da conta corrente nº 86.100-6, Agência Setor Público do Banco do
Brasil de Cuiabá-MT, de titularidade da Assembléia Legislativa do Estado de Mato
Grosso. Em virtude desta medida, foram encaminhados ao Ministério Público cópias de
inúmeros cheques emitidos e sacados contra a conta corrente da AL/MT, sendo que
dentre os documentos mencionados foram identificadas 54 (cinquenta e quatro) cópias
de cheques nominais à empresa LOCADORA BARÃO LTDA., a seguir relacionados
(fls. 59/60, do anexo II):
cheque nº data valor observação
3315 05/04/00 R$ 76.000,00 c/c Confiança Factoring
3609 05/04/00 R$ 75.000,00 c/c Confiança Factoring
3835 04/05/00 R$ 69.500,00 c/c Confiança Factoring
3700 06/06/00 R$ 77.000,00 c/c Laje Eng. Planej. Ltda.
3665 06/06/00 R$ 78.000,00 c/c Confiança Factoring
3686 06/06/00 R$ 74.726,00 compensado
4019 16/06/00 R$ 55.000,00 sacado, endosso G. Garcia
4383 05/07/00 R$ 61.000,00 c/c Laje Eng. Planej. Ltda.
4268 21/09/00 R$ 66.968,00 sacado
5038 05/10/00 R$ 75.000,00 c/c Confiança Factoring
4911 05/10/00 R$ 70.000,00 sacado, endosso G. Garcia
5443 01/11/00 R$ 76.500,00 c/c Confiança Factoring
5454 01/11/00 R$ 74.250,00 c/c Confiança Factoring
922112 06/11/00 R$ 74.725,00 compensado, banco 291, ag. 159
8669 07/12/00 R$ 78.000,00 compensado banco 291
8913 07/12/00 R$ 76.500,00 c/c Confiança Factoring
8281 02/03/01 R$ 53.000,00 sacado, endosso Godoy
7598 22/03/01 R$ 72.750,00 c/c Confiança Factoring
7086 17/05/01 R$ 77.000,00 c/c Confiança Factoring
7261 23/05/01 R$ 54.400,00 sacado, endosso Godoy
6907 05/06/01 R$ 65.200,00 c/c Confiança Factoring
9531 09/07/01 R$ 54.000,00 compensado banco 320
8532 16/07/01 R$ 53.000,00 sacado, endosso Godoy
6919 06/08/01 R$ 60.000,00 compensado, banco 320
6927 06/08/01 R$ 71.000,00 compensado, banco 320
9947 23/08/01 R$ 77.000,00 sacado, endosso Godoy
7651 30/08/01 R$ 78.500,00 compensado, banco 291, confirmado por Varney
9351 17/09/01 R$ 72.700,00 c/c Supermercado Guarani
10280 27/09/01 R$ 30.000,00 sacado, endosso Godoy

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exercício da cidadania.

10752 08/11/01 R$ 78.350,00 sacado, endosso Godoy


11468 21/12/01 R$ 72.299,00 sacado
11555 26/12/01 R$ 68.800,00 sacado, endosso Godoy
11578 27/12/01 R$ 60.000,00 sacado
11241 02/01/02 R$ 49.725,00 sacado, endosso Godoy
12206 05/02/02 R$ 25.000,00 sacado
12424 21/02/02 R$ 63.835,00 sacado, endosso Godoy
12396 25/02/02 R$ 77.330,00 sacado, endosso Godoy
11012 28/03/02 R$ 64.087,50 compensado, banco 237
13057 09/04/02 R$ 32.000,00 sacado, endosso Godoy
13156 27/05/02 R$ 77.200,00 c/c Petrobrás
14162 19/06/02 R$ 67.100,00 sacado
14053 04/07/02 R$ 33.200,00 sacado
14344 29/07/02 R$ 75.000,00 sacado, endosso G. Lauro
14651 13/08/02 R$ 25.000,00 sacado
15041 28/08/02 R$ 45.955,00 compensado
15447 27/09/02 R$ 45.600,00 compensado
15534 03/10/02 R$ 34.648,00 sacado
15473 16/10/02 R$ 48.550,00 sacado
17246 16/11/02 R$ 65.280,00 sacado
17311 22/11/02 R$ 45.600,00 sacado
13614 26/11/02 R$ 50.000,00 sacado
16293 27/11/02 R$ 55.600,00 sacado
17434 04/12/02 R$ 20.000,00 sacado, endosso Godoy
16055 05/12/02 R$ 63.200,00 sacado, endosso Godoy
Total: R$ 3.320.078,50

6 – Diante da grande quantidade de cheques


e do alto valor do montante pago à LOCADORA BARÃO, o autor realizou diligências
buscando averiguar a idoneidade e a existência da empresa acima indicada.
Iniciadas as investigações, prontamente apurou-se que a
empresa LOCADORA BARÃO não funciona no endereço constante de seu contrato
social, conforme relatório do GAECO/MT, que apontou que ali reside outra pessoa há
mais de 30 anos (fls. 66/68). Além disso, não possui Inscrição Estadual (fls. 54/59) e
as informações da Secretaria Municipal de Finanças apontam que não houve qualquer
recolhimento de ISS (fls. 36/40).
Também é bastante revelador o fato de a empresa ter sido
constituída em 23/03/00, para logo em seguida, em 05/04/00, receber o primeiro dos
cheques sacados da conta da Assembléia Legislativa.
Além disso, seus supostos proprietários Fauzer Figueiredo de
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exercício da cidadania.

Almeida e Aeceo Luiz Cavalcante da Silva são pessoas fictícias, criadas


exclusivamente para compor o quadro societário da empresa, conforme se depreende
das informações da SEJUSP de que os números dos RGs informados no contrato
social pertencem a outras pessoas (fls. 17/25). Também é certa a inexistência de
qualquer registro dessas pessoas no INSS (fls. 29/34) e no TRE/MT (fls. 62/65).
Pela situação comprovada da empresa pode-se afirmar que
tratava-se de empresa “fantasma”, constituída em nome de pessoas inexistentes, com
o único e exclusivo propósito de ser utilizada para prática de atos fraudulentos e
dilapidação do patrimônio público.
7 – Como se vê pelo quadro acima e pela
análise da documentação referente à empresa LOCADORA BARÃO LTDA., está
claramente demonstrado que a empresa fora utilizada fraudulentamente para justificar
a emissão dos cheques de titularidade da AL/MT, restando evidente a existência de um
esquema de lavagem e desvio de dinheiro público.
Todo esse esquema de montar e utilizar empresas inexistentes ou
irregulares como supostas beneficiárias de cheques emitidos pela AL/MT, contou com
a efetiva participação das pessoas de JOSÉ QUIRINO PEREIRA e JOEL QUIRINO
PEREIRA. Durante investigações realizadas no âmbito do inquérito policial nº 252/03,
instaurado pela Delegacia Fazendária para apuração de crimes contra a ordem
econômica e tributária e no cumprimento de determinação judicial de busca e
apreensão, foram encontradas no escritório de contabilidade dos acusados JOEL e
JOSÉ QUIRINO, robustas provas do envolvimento deles com a geração e montagem
de empresas, utilizadas posteriormente como pretensas fornecedoras da AL/MT. Entre
os documentos apreendidos encontram-se arquivos referentes aos contratos sociais
das empresas e um arquivo intitulado “Relatório AL”, onde consta relação de firmas e a
indicação de que elas seriam utilizadas para licitações junto à AL/MT. Consta ainda
desse “relatório” relação de empresas utilizadas, data de emissão dos cheques e
respectivos valores. Cópias de tais documentos foram encaminhadas ao MPE e
encontram-se juntadas no anexo III, que faz parte do inquérito civil que embasa a
demanda.
O nome da empresa LOCADORA BARÃO LTDA. e de seus
proprietários Fauzer Figueiredo de Almeida e Aeceo Luiz Cavalcante da Silva
aparecem às fls. 7, 12, 19, 20, 29, 30 e 82, o que demonstra sua utilização no

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esquema de desvio de dinheiro público. Consta também a importante observação falta


abrir + cinco empresas (fls. 17).
8 – Restou ainda demonstrado pelos
documentos acima indicados, o vínculo indissolúvel entre esses contadores e os
agentes públicos responsáveis por providenciar e efetuar os pagamentos ilícitos,
constando dos autos que Joel e José Quirino Pereira são pessoas ligadas ao então
Deputado Estadual Bosaipo e ao requerido Nivaldo Araújo, Presidente da Comissão de
Licitação da AL/MT, conforme declarações de Edil Dias Corrêa (fls. 359/366).
A empresa denominada LOCADORA BARÃO LTDA., criada pelos
contadores JOEL e JOSÉ QUIRINO PEREIRA, foi utilizada dolosamente como
pretensa fornecedora da Assembléia Legislativa Estadual por GUILHERME DA
COSTA GARCIA, GERALDO LAURO, VARNEY FIGUEIREDO DE LIMA e NIVALDO
ARAÚJO, responsáveis à época dos fatos pelos setores de finanças, licitação e
patrimônio da AL/MT, que colaboraram com as falcatruas e beneficiaram-se do
esquema montado. Todos agiam em conjunto dentro da Assembléia Legislativa e sob
orientação e comando dos Deputados HUMBERTO MELO BOSAIPO e JOSÉ
GERALDO RIVA, como verdadeira quadrilha, organizada por eles para desviarem e
apropriarem-se, criminosamente de dinheiro público.
09 – Visando apurar tais fatos, expediu-se
ofício datado de 16/12/03 (fls. 71/72), requisitando cópias de todos os procedimentos
de licitação, empenho e comprovantes de recebimento de mercadoria ou da prestação
de serviços relativos aos pagamentos efetuados para aquela empresa, mas o então
Presidente da AL/MT, José Geraldo Riva, deixou de atender a requisição ministerial ao
argumento de que as informações já seriam objeto de apreciação pelo Tribunal de
Contas Estadual, onde já teria sido designado data para sua inquirição (fls. 73).
A verdade é que até o presente momento os documentos que
justificariam a emissão dos cheques estão em sigilo indevido, imoral e ilegal, levando a
crer que não existam.
Posteriormente foram extraídas de outro procedimento, fotocópias
dos atos do Poder Legislativo Estadual constando os nomes dos membros da
comissão de licitação desde o ano de 1995 e termos de declarações por eles
prestadas, que foram acostadas ao inquérito que fundamenta esta ação (fls. 142/227).
10 – Pela análise das cópias dos cheques e

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dos extratos bancários referentes à conta corrente da AL/MT, bem como do relatório
do Banco Central, verifica-se que do total de cheques emitidos em favor da suposta
empresa LOCADORA BARÃO, 29 (vinte e nove) deles foram sacados diretamente na
boca do caixa, conforme consta da relação que está no bojo desta inicial.
Os cheques sacados diretamente na boca do caixa tem no verso
dos mesmos uma assinatura que pretensamente pertenceria a um dos representantes
da empresa LOCADORA BARÃO, mas que na verdade é uma assinatura falsificada,
uma vez que a empresa e seus proprietários não existiam.
Além da assinatura do pretenso representante da empresa,
consta também do verso destes cheques a assinatura de um dos emitentes, ou seja,
de um dos requeridos que á época representavam a AL/MT, GUILHERME GARCIA e
GERALDO LAURO. Essa assinatura funcionava junto ao Banco do Brasil como uma
autorização para o saque direto no caixa, sendo que algumas vezes eles mesmos
sacavam os cheques e em outras o saque se dava por pessoas por eles indicadas,
providenciando, inclusive, a provisão de numerário junto ao banco para os saques.
Esses fatos foram confirmados pela gerente de contas da agência
do setor público do Banco do Brasil, Raquel Alves Coelho em 10/03/03, através de
declarações prestadas nos autos do Inquérito Civil Público nº 009/03, juntadas às fls.
126/127 do procedimento que dá suporte a esta inicial.
11 – Também é certo que parte dos cheques
emitidos em favor da suposta empresa LOCADORA BARÃO foram creditados, via
compensação bancária, na conta corrente de titularidade da CONFIANÇA
FACTORING, empresa pertencente ao grupo JAR (João Arcanjo Ribeiro) e por onde
circularam, conforme relatório do banco central (fls. 78/101 do anexo I), mais de
sessenta e cinco milhões provenientes da Assembléia Legislativa do Estado.
Os requeridos RIVA e BOSAIPO alegaram que a AL/MT não
mantinha negociações diretas com a factoring e que este montante foi movimentado
por credores e fornecedores da AL/MT que mantinham negócios com a empresa de
João Arcanjo Ribeiro. Todavia, essa versão não corresponde à verdade, pois o que
realmente ocorria era a utilização da factoring para sacar dinheiro público, forjando
pagamento inexistentes e indevidos, dando aparência de legalidade a um plano
arquitetado para espoliar fraudulentamente o erário.
As investigações revelaram que necessitando de dinheiro para

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exercício da cidadania.

pagamento de despesas pessoais ou de campanhas eleitorais, os requeridos JOSÉ


RIVA e HUMBERTO BOSAIPO recorriam, freqüentemente, à Confiança Factoring
onde emprestavam dinheiro e, em troca, para garantir a quitação das operações
(empréstimos) eram entregues por eles cheques emitidos contra a conta corrente da
Assembléia Legislativa deste Estado (conta n° 86.100, Agência Setor Público do Banco
do Brasil de Cuiabá-MT). Tais cheques eram nominais a supostos fornecedores da
AL/MT (como no caso da empresa ora investigada) e eram registrados junto à
factoring como se estivessem sendo descontados em uma operação de fomento
mercantil, tudo como forma de encobrir o desvio e a apropriação de recursos públicos.
Para que isso ocorresse, emitiram cheques como se essas
empresas fossem fornecedores da AL/MT, encaminhando-os para a Confiança
Factoring, onde eram trocados por dinheiro ou por outros cheques emitidos pela
factoring e nominais a pessoas ou empresas indicadas pelos referidos deputados.
Para completar a operação de rombo, os cheques emitidos contra a conta corrente da
Assembléia Legislativa Estadual eram compensados ou sacados em prol da Confiança
Factoring, fechando-se assim o círculo criminoso de desvio de dinheiro público.
12 – Nesse sentido, bem esclarecedoras
são as declarações de Nilson Roberto Teixeira, à época dos fatos gerente da
empresa Confiança Factoring. Primeiramente, ouvido em sede inquisitorial em
21/06/03 (fls. 92/105) confirmou a utilização fraudulenta do nome de uma das empresa
do “esquema” para mascarar uma operação de crédito realizada entre a Confiança
Factoring e os Deputados José Geraldo Riva e Humberto Bosaipo. Tais fatos foram
plenamente confirmados pelo depoimento de Kátia Maria Aprá, colhido em 30/07/03
(fls. 111/113), funcionária da Confiança Factoring, encarregada da tesouraria e
responsável pela emissão dos cheques pela factoring, obedecendo as ordens de
Nilson Teixeira. A mesma Kátia Aprá em depoimento colhido posteriormente, em
09/03/04 (fls. 117/121), corroborou as declarações anteriores.
13 – É evidente que toda essa operação de
desvio e apropriação indevida de dinheiro público não poderia, de forma alguma, ter
sido realizada com êxito sem a efetiva participação dos Deputados Estaduais JOSÉ
RIVA e HUMBERTO BOSAIPO que, à época dos fatos, exerciam cargo de comando
na Assembléia Legislativa deste Estado. Foram co-responsáveis e eram ordenadores
de despesas, além de emitentes dos cheques nominais a supostos credores, utilizados

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exercício da cidadania.

para a quitação de operações financeiras realizadas junto à Confiança Factoring.


Essa versão é confirmada pelas declarações de JURACY BRITO
(fls. 308/310) e CRISTIANO GUERINO VOLPATO (fls. 299/301), onde afirmam que
como funcionários da AL/MT compareceram, mais de uma vez, à Confiança Factoring,
a mando dos Deputados JOSÉ GERALDO RIVA e HUMBERTO BOSAIPO e que lá
receberam cheques, que, posteriormente, foram sacados ou endossados em prol dos
referidos Deputados.
Esclarecedoras também são as declarações prestadas por
ROMILDO ROSA NASCIMENTO (fls. 303/306), de que, como funcionário da AL/MT,
exercendo o cargo de motorista à disposição do Deputado JOSÉ GERALDO RIVA,
obedecendo a ordens deste, pagava as contas pessoais do Deputado, tais como,
água, telefone, energia, escola dos filhos etc... e que, para isso, descontava cheques
que muitas vezes eram de emissão da Confiança Factoring. Afirma também que
algumas vezes os cheques eram emitidos pela Factoring nominais a ele, que
descontava os referidos cheques e pagava as contas pessoais do Deputado JOSÉ
GERALDO RIVA.
14 – Em relação aos servidores
GUILHERME DA COSTA GARCIA, GERALDO LAURO e NIVALDO DE ARAÚJO,
foram incluídos no pólo passivo desta ação porque atuavam conjuntamente como
ordenadores de despesa, por integrarem a Mesa Diretora da Assembléia Legislativa e
por atribuição do cargo de Secretário de Finanças (tesoureiro) da AL/MT e nessa
qualidade Guilherme e Geraldo assinavam cheques emitidos contra a conta corrente
daquele Parlamento Estadual, sendo que o requerido VARNEY FIGUEIREDO DE
LIMA colaborou com as falcatruas porque, conhecedor do esquema, também
confirmou o pagamento do cheque de nº 7651 de emissão da AL/MT em favor da
mencionada empresa.
Nivaldo era um dos responsáveis pelos setores de licitação e
patrimônio, portanto incumbido da fiscalização e obediência aos princípios norteadores
da licitação pública, sua legalidade e regularidade, o que em nenhum momento foi
observado.
15 – Importante anotar que conforme pode
ser visto da planilha de cheques juntada no Anexo II foram beneficiadas algumas
pessoas jurídicas, como a LAJE ENGENHARIA E PLANEJAMENTO (cheques nº 3700

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e 4383), PETROBRÁS (cheque nº 13156) e SUPERMERCADO GUARANI (cheque nº


9351).
O representante legal da empresa LAJE ENGENHARIA E
PLANEJAMENTO afirmou taxativamente nunca ter comercializado com a Assembléia
Legislativa Estadual e que o recebimento desse título se deu em decorrência de ter
efetuado uma operação financeira junto à empresa CONFIANÇA FACTORING
FOMENTO MERCANTIL LTDA, oportunidade em que vários cheques emitidos pela
Assembléia Legislativa foram depositados na conta corrente de sua empresa (fls.
191/195 do anexo II).
Já o proprietário da empresa SUPERMERCADOS GUARANI,
VALCIR PIRAN, essa empresa nunca contratou com a Assembléia Legislativa e esse
montante teria sido recebido do senhor Odir Luiz Zullian, em razão da locação de dois
aviões (fls. 172/174 do anexo II), o que foi por ele negado e deverá ser elucidado em
juízo (fls. 178/180 do anexo II).
A verdade é que os cheques não se destinavam a empresa em
questão, que nada forneceu e não prestou nenhum serviço à AL/MT, servindo apenas
para justificar a emissão deles, possibilitando o saque e apropriação do dinheiro
público.
16 – Em face do ocorrido e das provas
anexas a esta inicial, não resta outra alternativa ao Ministério Público Estadual senão
ingressar com a presente ação civil pública para buscar o ressarcimento dos prejuízos
causados ao erário pelos diversos desvios perpetrados.
III - D I R E I T O
17 – A Lei nº 7.347/85 (Ação Civil Pública),
em seu artigo 1º, inciso IV, prevê a ação de responsabilidade por danos causados a
qualquer interesse difuso ou coletivo. A natureza difusa dos danos ao erário é
inconteste, tendo em vista que a agressão não fere exclusivamente a pessoa jurídica
de direito público interno, mas sim a toda a coletividade, que mantém o funcionamento
da administração pública por meio do pagamento de tributos. A respeito da natureza
do bem jurídico tutelado no caso em concreto, leciona o professor Paulo de Tarso
Brandão1:
... É inegável o caráter preponderantemente difuso do
interesse que envolve a higidez do erário público.

1 BRANDÃO, Paulo de Tarso. Ação Civil Pública. São Paulo: Obra Jurídica. 1996.
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exercício da cidadania.

Talvez esse seja o exemplo mais puro de interesse


difuso, na medida em que diz respeito a um número
indeterminado de pessoas, ou seja, a todos aqueles
que habitam o Município, o Estado ou o próprio País,
a cujos governos cabe gerir o patrimônio lesado, e
mais todas as pessoas que venham ou possam vir, ainda
que transitoriamente, a desfrutar do conforto de uma
perfeita aplicação ou a ter os dissabores da má
gestão do dinheiro público.
Lembro que, infelizmente, as sanções pela prática de ato de
improbidade administrativa não poderão ser aplicadas, em virtude da prescrição.
Porém, perfeitamente preservado o direito de buscar o ressarcimento da importância
que deixou os cofres públicos indevidamente e proporcionou enriquecimento ilícito aos
particulares, a teor do artigo 37, § 5º, da Constituição Federal, cabendo ao Ministério
Público a proteção do patrimônio público por expressa determinação contida nos arts.
127 e 129, inciso III, da Constituição Federal, art. 103 da Constituição Estadual, art. 1º
da Lei Complementar Estadual nº 27/93, art. 25, inciso IV da Lei 8.625/93 – LONMP e
na Lei Federal nº 7.347/85 – ACP.
18 – A atitude dos requeridos causou
prejuízo ao erário, saltando aos olhos a necessidade de serem condenados ao
ressarcimento. O fundamento jurídico que determina a indenização do dano é princípio
antigo do direito, segundo o qual todo aquele que causa dano tem o dever de fazer sua
recomposição, pois as normas jurídicas não admitem o enriquecimento sem causa,
sendo certo que o prejuízo sofrido pelo patrimônio público possui uma característica
sui generis, o fato de ser, por mandamento constitucional, imprescritível.
Portanto, do cotejo entre os fatos relatados com o direito posto, a
única conclusão aceitável e admitida é a condenação dos requeridos no dever de
indenizar o patrimônio público pelo imenso prejuízo que lhe causaram, na medida em
que desviaram mais de R$ 3.320.078,50 dos cofres estaduais para proveito próprio,
enriquecendo-se às custas da população mato-grossense.

IV – PEDIDOS DE LIMINARES
A) PEDIDO DE INDISPONIBILIDADE DE BENS
19 – Nos termos do art. 12, § 1º da Lei nº
7.347/85, requer-se em sede liminar a indisponibilidade dos bens dos requeridos JOSÉ
GERALDO RIVA, HUMBERTO MELO BOSAIPO, GUILHERME DA COSTA GARCIA,
GERALDO LAURO, VARNEY FIGUEIREDO DE LIMA e NIVALDO DE ARAÚJO até a
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exercício da cidadania.

medida necessária para o ressarcimento do dano aqui fixado.


A documentação que instrui esta ação colaciona provas
manifestas da prática de atos praticados pelos requeridos que prejudicaram os cofres
públicos. A decretação da indisponibilidade de bens do deputado e de seus cúmplices
é medida obrigatória que visa resguardar o ressarcimento integral do dano causado ao
patrimônio público com acessórios e demais penalidades previstas em lei (multa civil,
correção monetária e juros), especialmente pelo montante desfalcado e pelas várias
ações civis públicas já propostas (mais de setenta), representando altos valores em
reais, com enorme possibilidade de serem frustradas futuras execuções.
Nesse sentido, cautelarmente, requer-se a concessão de
liminar de indisponibilidade de bens dos requeridos e, para assegurar seu
cumprimento, requeiro a Vossa Excelência sejam ordenadas as seguintes
providências:
(a) – oficiar aos cartórios de registro de imóveis de Cuiabá, Várzea Grande, Juara,
Juína, Portos dos Gaúchos, Chapada dos Guimarães e Barra do Garças, para que
se averbe em todas as matrículas de imóveis pertencentes aos requeridos a
cláusula de indisponibilidade aqui versada, para ciência de terceiros, remetendo-se
a este Juízo cópias das matriculas encontradas em nome dos requeridos;
(b) – oficiar ao Presidente do Departamento Estadual de Trânsito – DETRAN/MT, para
que insira restrição de indisponibilidade nos registros e se abstenha de efetuar
qualquer transferência de veículos pertencentes aos requeridos desta ação,
encaminhando a este Juízo relação com informações completas de todos os bens
encontrados;
(c) – mandar intimar os requeridos da concessão da liminar de indisponibilidade de
bens, ordenando-lhes expressamente que se abstenham da prática de quaisquer
atos que impliquem alienação parcial ou total dos seus patrimônios, sob as penas
da lei.
B) PEDIDO DE EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS
20 – É fundamental para o deslinde da
presente ação o exame de todos os procedimentos referentes às hipotéticas licitações,
empenhos, comprovação da entrega de bens ou serviços e dos pagamentos efetuados
pela AL/MT em favor da empresa LOCADORA BARÃO LTDA., se é que eles existem,
pois tudo indica o contrário.

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exercício da cidadania.

Embora estes documentos tenham sido requisitados, não foram


apresentados ao Ministério Público para análise durante o processamento do
procedimento que serve de base à presente ação. Quem sabe agora, por
determinação judicial, eles apareçam!
Anoto que os artigos 355 a 363 do Código de Processo Civil
trazem como meio de prova lícito o pedido de exibição de documento ou coisa,
concedendo ao magistrado o poder de ordenar que a parte ou um terceiro apresente,
em juízo, documentos que estejam em seu poder e que sejam importantes para o
deslinde da causa.
Assim, diante dessa possibilidade e considerando a
necessidade da medida, pois administrativamente a Assembléia Legislativa se
nega a conceder cópia da documentação, requer-se liminarmente que Vossa
Excelência determine à Assembléia Legislativa, por meio de seu representante e com
fundamento no art. 360 do CPC, a EXIBIÇÃO de todos os documentos relativos às
possíveis licitações ou quaisquer processos de compra que envolvam a empresa
LOCADORA BARÃO LTDA., contendo todos os comprovantes, em especial os de
liquidação da despesa, com o empenho, pagamento e comprovação da entrega de
bens ou serviços, conforme cheques emitidos e sacados contra a conta corrente da
AL/MT, já relacionados nesta inicial.
V – PREQUESTIONA MENTO
21 – Expressamente e desde já o Ministério
Público prequestiona a matéria legal e constitucional envolvida na presente causa,
para efeitos de eventual recurso especial e extraordinário, devendo sobre ela esse
Juízo posicionar-se de forma clara e precisa.
Na verdade, trata-se de simples cautela processual para, na
eventualidade de serem potencialmente utilizados os recursos especial e
extraordinário, não se faça Juízo de Admissibilidade Negativo, com fundamento na
ausência de prequestionamento, em todas as instâncias.
Assim, o não acolhimento da pretensão formulada pelo Ministério
Público nesta causa, contraria e nega vigência a lei federal, consubstanciada no artigo
1º, V, da Lei Federal nº 7.347/85 e também contraria dispositivo da Constituição da
República, consubstanciado no artigo 37 caput e 5º.
VI – PEDIDOS DE MÉRITO
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exercício da cidadania.

22 – Pelo acima exposto o Ministério Público


de Mato Grosso requer a Vossa Excelência:
(a) – a distribuição, registro e autuação desta petição juntamente com o Inquérito Civil
Nº 049/2004 (GEAP nº 000733-02/2004), com dois volumes, contendo os anexos I,
II e III que integram as investigações, justificam a propositura da presente demanda
e contém provas dos atos lesivos ao erário;
(b) – seja determinada a distribuição, registro e autuação com o recebimento da inicial,
procedendo-se à intimação pessoal do ESTADO DE MATO GROSSO, na pessoa
do Excelentíssimo Procurador-Geral do Estado, o qual pode ser encontrado na rua
06, s/nº, Centro Político Administrativo, nesta Capital, a fim de que, dentro do prazo
de 15 (quinze) dias, manifeste-se sobre a ação, observando-se a que esta intimação
deverá anteceder a citação dos requeridos, eis que poderá integrar a lide na
qualidade de litisconsorte ativo;
(c) – seja adotado rito ordinário e observada a Lei nº 7.347/85-LACP, já que
pretende-se apenas o ressarcimento dos danos causados ao erário, determinando-
se a citação dos réus para apresentarem contestação, no prazo e forma legal, com
as advertências dos arts. 285 e 319 do CPC, sob as pena da lei;
(d) – seja permitido provar-se o alegado por todos os meio em direito admitidos, tais
como perícias, a serem especificadas oportunamente, depoimentos de
testemunhas, a serem arroladas tempestivamente, juntada oportuna de novos
documentos e especialmente a colheita de depoimento pessoal dos requeridos, sob
pena de confissão;
(e) – ao final, seja julgada procedente em todos os seus termos a presente ação para
condenar solidariamente os réus ao ressarcimento integral do dano causado ao
erário, no valor de R$ 3.320.078,50 (três milhões, trezentos e vinte mil, setenta e
oito reais e cinqüenta centavos), valor não atualizado, sobre o qual deverá incidir
correção monetária e juros de mora, até o efetivo ressarcimento aos cofres do
Estado, a serem apurados em futura liquidação;
(f) – sejam os requeridos ainda condenados ao ônus da sucumbência, uma vez que a
lei da ação civil pública não os isentou desse encargo, quando vencidos;
(g) – que determine a intimação pessoal do autor (MPE) nesta ação, conforme
determinação do art. 236 § 2º, do CPC, no endereço constante do rodapé,
observando-se ainda o disposto no art. 18 da Lei nº 7.347/85 (sem adiantamento de

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exercício da cidadania.

custas, emolumentos, honorários periciais ou outras despesas).


26 – Dá-se à presente causa para efeitos
legais o valor de R$ 3.320.078,50.
Nestes termos, pede deferimento.
Cuiabá, 11 de fevereiro de 2009.

CÉLIO JOUBERT FÚRIO


Promotor de Justiça

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