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Um Modelo de Interpretador para a Língua Brasileira de Sinais

Célia Ghedini Ralha, Josué de Araújo, Cristiano da Silva Melônio e José Carlos Loureiro Ralha Departamento de Ciência da Computação - Universidade de Brasília Campus Universitário Darcy Ribeiro - Caixa Postal 4466 - CEP 70.919-970 ghedini@cic.unb.br, jaraujo99@yahoo.com, csmel@ibest.com.br, ralha@cic.unb.br

Resumo - Este trabalho tem como público alvo a comunidade brasileira dos surdos, em vista da necessidade de adaptação de métodos e ferramentas de ensino às características particulares desta comunidade. Trata-se de um primeiro passo de “formalização” da gramática da Língua Brasileira de Sinais – LSB, onde nosso principal objetivo é a definição de um modelo, que possa ser utilizado na construção de um tradutor que faça as transições entre LSB e Português de forma gramaticalmente correta. Para que o modelo fosse definido foi necessário fazer um estudo da estrutura sintática da LSB, bem como da sua correlação com a língua portuguesa. Esperamos contribuir com um estudo que vise como objetivo final a construção de um tradutor automático entre as duas línguas. Tal tradutor pode ser usado como interface de comunicação para ferramentas de ensino na comunidade dos surdos.

Abstract – This article is directed to the brazilian community of problem hearing people, since they need to adapt to methods and tools more adequate to them. The result of this work is only the first step to grammar formalization of the Brazilian Sign Language – LSB, where our main objective is to define a model to be used to construct an automatic translator between LSB and Portuguese languagens. To define this model we had to study the sintactical structure of LSB and its correlation to Portugues. We hope our work may contribute to the development of automatic translators, that might be used as an interface to educational tools to problem hearing people in Portuguese speaking countries.

Index Terms People with special needs (PNE), Brazilian Sign Language (LSB), special grammars.

I.

INTRODUÇÃO

A questão do Portador de Necessidades Especiais (PNE) sempre esteve profundamente entrelaçada a sua realidade social e cultural. No passado, o PNE era, em algumas culturas, visto como um “castigado”, como alguém que não obedecia a um padrão pré estabelecido de “normalidade”. Ainda hoje, em algumas sociedades, o PNE é tratado não como alguém que possui uma necessidade especial incomum, em função de uma diferença acentuada, mas sim como um “doente” que precisa de “cura”. Estas necessidades incomuns advindas das diferenças geraram e geram a necessidade de adaptações, com o propósito de igualar os direitos garantindo a liberdade individual, em meio a nossa natural diversidade [5]. A integração de um PNE a sociedade é feita através da adaptação de recursos físicos e humanos mediados por alguma forma de educação especial. A educação especial propicia a inclusão [3], ainda que de forma precária, de um PNE na comunidade em que vive. Uma inclusão mais adequada pode ser alcançada se pudermos fazer com que as diversas comunidades, sejam elas PNEs ou não, consigam se comunicar usando as suas particulares formas de linguagem.

Neste trabalho procuramos contemplar a integração entre

as comunidades surdas e não surdas. A partir dos trabalhos

da doutora Ronice Müller de Quadros [13], focamos algumas estruturas lingüísticas da LSB e identificamos formas equivalentes na língua portuguesa do Brasil. Uma

vez realizada esta identificação procedeu-se a especificação formal da gramática de ambas as línguas.

 

O

presente artigo esta estruturado da seguinte maneira.

Na

seção II apresentamos a metodologia utilizada e na seção

III

um resumo da estrutura gramatical da LSB. A seção IV

apresenta um resumo da estrutura gramatical da língua Portuguesa, enquanto a seção V delineia algumas conclusões.

II.

METODOLOGIA

Procuramos a princípio capturar frases do cotidiano da comunidade de deficientes auditivos objetivando a classificação das mesmas com respeito a padrões gramaticais. Adotamos [13] como referência para os padrões gramaticais de LSB.

A partir do estudo de [13], centralizamos nossa proposta

sobre as estruturas verbais denominadas “plain verbs”, ou seja, verbos principais da língua inglesa, os quais correspondem principalmente aos verbos intransitivos da língua portuguesa e aos verbos sem concordância em LSB. Buscamos então correlacionar sentenças da língua portuguesa com LSB usando como modelo formal as gramáticas livres de contexto.

A escolha recaiu sobre as linguagens livres de contexto

não apenas pela simplicidade destas, mas também pela ausência de concordância, no sentido tradicional das línguas orais, que pode ser observada no “fragmento” de LSB abordado neste trabalho e apresentado na Seção IV, item C- Especificação dos Dialetos em LSB.

III. ESTRUTURA GRAMATICAL DE LSB

Neste trabalho vamos abordar algumas sentenças geradas a partir dos verbos sem concordância em LSB, cuja a origem está nos verbos principais da língua inglesa¹, os

quais correspondem aos verbos intransitivos da gramática da língua portuguesa. A grosso modo, os verbos intransitivos

da língua portuguesa são aqueles que não necessitam de

complementos, pelo menos nas suas acepções mais correntes. Nas línguas espaço visuais o canal de comunicação se

estabelece através da visão e dos movimentos corporais, em particular as expressões faciais. Portanto, para percebermos

os tipos de frases que estão sendo executadas, se afirmativa,

¹Os primeiros estudos de línguas de sinais foram realizados com a língua de sinais norte-americana, denominada “American Sign Language-ASL”.

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interrogativa, negativa ou imperativa, precisa-se estar alerta aos movimentos corpóreos do sinalizador, simultaneamente com o sinal ou toda frase. Por exemplo, frases afirmativas são gesticuladas mantendo a expressão facial neutra. Entender os espírito da gramática de uma língua é aprender as regras de formação de suas palavras e arquitetar uma estrutura frasal a partir de seus elementos básicos. A LSB pode ser compreendida como qualquer outra língua, guardadas suas peculiaridades espaço visuais; no entanto, apresenta as mesmas riquezas das línguas orais auditivas. Segundo [13], a ordem das palavras é o conceito básico relacionado a estrutura frasal de uma língua. A idéia das línguas poderem diferenciar-se em sua ordem básica da estrutura frasal apresenta um papel significativo para análise lingüística. Para [6], apud [13], existem seis combinações possíveis para estrutura frasal nas línguas de sinal, considerando-se sujeito (S), verbo (V), e objeto (O). Entre estas possíveis combinações, as seguintes são predominantes: SOV, SVO, VSO. Neste artigo investigaremos apenas a estrutura SVO, a qual está ilustrada na Fig. 1. Esta estrutura se encaixa mais facilmente no estudo das frases geradas pelos verbos intransitivos em LSB, cuja rigidez da forma frasal é mais evidente.

em LSB, cuja rigidez da forma frasal é mais evidente. Fig. 1. Estrutura SVO. Segundo [13]

Fig. 1. Estrutura SVO.

Segundo [13] as sentenças SVO não possuem, foneticamente, marca de concordância. Em LSB estruturas complexas apresentam mais restrições na distribuição de seus componentes; entretanto há várias possibilidades para agregar componentes acessórios às formas de ordem básica das palavras, o que é imprescindível para identificar as diferentes línguas. Neste momento podemos supor que a ordem SVO é a ordem subjacente em todas as sentenças de LSB, que não possuem informação gramatical adicional. Desta forma passamos a distribuir os advérbios, os adjetivos, a negação e os pronomes dentro da estrutura dos verbos sem concordância da gramática de LSB. Os advérbios formam uma classe especial em LSB, porque eles

podem habitar vários locais na sentença, além de influenciar

no movimento de outros constituintes da frase. Os adjetivos são sinais que formam uma classe específica em LSB e estão sempre na forma neutra, não havendo, portanto marcas para gênero masculino e feminino, e marcas para singular e plural. Os adjetivos são colocados na

sentença geralmente após os substantivos para qualificá-los. Em LSB, temos um sistema para representar as pessoas

do discurso de tal modo que, diferentemente do Português, o

qual possui apenas as formas singular e plural, inclui uma variedade mais rica de expressões morfológicas e sintáticas.

A seguir as Fig. 2 exemplifica o modo como o

sinalizador utiliza a pronominalização. Esta figura apresenta

o sinalizador, aquele de quem partem os sinais, o

interlocutor, ou seja, o receptor, aquele que é o “alvo” direto

dos sinais e os referentes, que são aqueles a quem pode se estar referenciando em terceira pessoa.

a quem pode se estar referenciando em terceira pessoa. Fig. 2 Pronominalização (fonte: [13]) Os pronomes
a quem pode se estar referenciando em terceira pessoa. Fig. 2 Pronominalização (fonte: [13]) Os pronomes

Fig. 2 Pronominalização (fonte: [13])

Os pronomes pessoais, como os possessivos e demonstrativos, também não possuem marca para gênero e estão relacionados às pessoas do discurso e não à coisa possuída, como acontece em Português. Com respeito aos verbos, tanto em LSB como em outras línguas de sinais e orais auditivas, padroniza o movimento dos sinais para distinguir entre os aspectos pontual, contínuo ou duradouro e iterativo. O aspecto pontual caracteriza-se por se referir a uma ação ou evento ocorrido e terminado em algum ponto do passado. Na língua Portuguesa flexiona-se o verbo para indicar ação de passado, presente e futuro, em LSB tem-se uma partícula que vai indicar estes estados. Este tipo de afixação encontrado em LSB, através da alteração do movimento, da configuração da mão e/ou do ponto de articulação do verbo não está contemplado na língua portuguesa. A LSB não possui em suas formas verbais a marca de tempo como em Português. Assim, quando um verbo refere-se a um tempo passado, presente ou futuro, o que irá assinalar o tempo de ação ou o evento serão os itens lexicais ou os sinais adverbiais. Por isso, não se corre o risco da ambigüidade; o que está sendo narrado iniciou-se no passado, presente ou futuro. Consequentemente, infere-se que a LSB e a língua portuguesa não estão tão apartadas, no que independe da modalidade espaço visual, pois se aproximam bastante nos aspectos semântico, gramatical e lexical. Segundo [13] os verbos em língua de sinais são ainda um fenômeno misterioso, ainda que eles tenham sido estudado por vários pesquisadores. O comportamento diferenciado dos verbos principais em LSB e ASL suscita questões sobre morfologia e mecanismos sintáticos que ainda estão em aberto. Em LSB as pesquisas ainda são parcas, requerem exames mais robustos e minuciosos, mas [1] propôs uma descrição tipológica funcional dos verbos em LSB. Em [12] existe uma classificação dos verbos em ASL, em três categorias:

1) “plain verbs” (sem concordância): não flexionam em número e pessoa, nem aceitam afixos localizados; 2) “agreement verbs” (com concordância): flexionam em número e pessoa , mas não aceitam afixos localizados; 3) “agreement verbs/spatial verbs” (com concordância espacial): não flexionam em número, pessoa ou aparência, mas aceitam afixos localizados.

3

A respeito dos verbos sem concordância, [4] enumerou-

os como exceção. Alguns exemplos de verbos nessa categoria são: ouvir, escutar, comer, decidir, elogiar, juntar e associar. Eles apresentam-se como exceção porque estão numa classe de verbos que não flexionam em pessoa e número (pelo menos morfologicamente). É conveniente lembrar que estas conjecturas sobre os verbos sem concordância” decorreu da teoria dos verbos principais da língua inglesa, os quais possuem as seguintes características:

1)

Eles não podem preceder a negação;

2)

A negação não pode segui-los sem o auxiliar (do-

3)

support); Eles não podem preceder advérbios situados à esquerda

4)

de VP; Eles podem suprimir a identidade (substantivo, sujeito).

Com relação aos verbos sem concordância [13] afirma que:

“Os verbos sem concordância são produzidos pela flexão afixal unidos por uma operação de fusão, seguindo a proposta de [4] para verbos principais em inglês”. Portanto, podemos supor que os verbos sem concordância são verbos foneticamente vazios. Fazendo-se uma analogia entre verbos foneticamente vazios da língua inglesa e os mesmos em LSB, veremos que eles comportam-se similarmente como ‘verbos principais da língua inglesa’. Todavia temos um problema empírico com esta análise. De acordo com [4], verbos principais em inglês são ‘afixais’ no sentido que os afixos verbais não estão unidos lexicamente, mas imersos numa operação de PF que corresponde a afixos em posição de “espera”. Isto significa que, se os verbos sem

concordância em LSB forem afixais, então há, no mesmo sentido, uma operação similar (PF) em LSB, desde que os plain verbs sejam pronunciados normalmente em suas formas simples. Além do mais, é difícil se verificar se eles possuem os afixos independentes ou unidos a eles. Independentemente disto, os verbos sem concordância hipoteticamente têm ‘afixos virtuais’ ” ([13] pag 125-126) Vamos observar como se comporta a ‘negação’ na derivação dos verbos sem concordância. Há pelo menos duas possibilidades para a negação, desde que não intervenha entre VP: a negação pode ser marcada através de um sinalizador não manual negativo ou pela negação lexical na posição final da sentença. Em LSB, nós observamos que parece haver um afixo virtual que não pode fundir com o verbo devido à exigência da “aderência” que não pode ser quebrada pela negação. Conseqüentemente, a negação com verbos “sem concordância” não pode ser introduzida nem antes nem após o verbo, posto que ela obstruirá a “aderência” da estrutura frasal ([13] pag 128). Os plain verbs terão a negação sempre no final da frase, ou incorporarão a negação no próprio sinal (isso somente acontece com alguns verbos). Alguns exemplos são caracterizados pelos pares: TER, NÃO-TER, GOSTAR, NÃO-GOSTAR, QUERER, NÃO-QUERER. Há, também, possibilidade de negação supra segmental, onde o sinal se mantém associado ao movimento de negação. Para o nosso trabalho, vamos apenas considerar a ‘negação’ restrita ao final da frase, isto é, a ‘negação’ lexical, gerada pelos verbos “sem concordância”.

IV. UM SUBCONJUNTO DA LÍNGUA PORTUGUESA

Apresentamos aqui a formalização de um dialeto para

língua portuguesa extraído do Relatório referente ao projeto 52.880648.00 – FINEP relacionado ao sistema SAFONAT/SAFO – tradutores, interpretadores e linguagem natural, esta formalização será tomada como referência para

as estruturas em português.

A seguir apresentamos a especificação de subconjunto do

Português em níveis de complexidade crescente. O mais simples desses subconjuntos, que vamos chamar de dialetos, será denotado por D i= , 0,1,2,

Sejam:

T- conjunto de símbolos terminais

N- conjunto de símbolos não terminais

P-

regras de produção

S-

sentenças de linguagem

Onde,

T={sub, adj, np, v, adv, prep, pron} N={S, SN 0 , FV, SN 1 , FV 1 , SP, LNAAD} P={produções de D 0 , D 1 }.

Os elementos de T:

sub:Substantivos art:artigo np:nomes próprios v:Verbos adv:Advérbio adj:Adjetivo prep:Preposições pron:pronomes pessoais, demonstrativo e interrogativos

Os elementos de N:

S:Axiomas SN 0 :sintagma nominal fundamental

LNAAD:

sintagma nominal estendido por listas de adj, sub, nomes, advérbio e negação

SNP:sintagma nominal estendido por preposição e negação. SP:sintagma proposicional estendido. FV:sintagma verbal FV 1 :sintagma verbal estendido por preposição e negação

Sejam produções:

A. DIALETO Do

< S >::=

< SN 0 > ‘sub’

< SN 0 > ‘adj’

< SN 0 >

< FV >

< SN 0 >::= ‘np’ ‘sub’ art’ ‘sub’ ‘negação’ ‘pron’ ‘subs’ ‘art’ ‘np’ ’pron’ ‘subs’ ‘negação’‘pron’ ‘subs’

‘art’

‘art’ ‘sub’ ‘adj’

‘sub’ ’pron’

< FV >::= ‘v’ ‘v’ ‘adv’ ‘subs’ ‘adv’ ‘v’

< SN 0 >

LISTAS de SUBSTANTIVOS, ADJETIVOS, NOMES, ADVÉRBIOS E NEGAÇÃO.

< LNAAD > ::=

‘adj’ ‘subs’ ‘subs’ ‘adj’

‘np’ ‘adj’ ‘negação’ ‘subs’ ‘adj’ ‘negação’ ‘art’ ‘subs’ ‘adv’

‘adj’

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B. DIALETO D 1

< S >

< SN 0 > < LNAAD >

< SN 0 > ‘neg’ < LNAAD >

::=

< SN 0 > < LNAAD > ‘neg’ < FV 1 >< SN 0 >

< SNP >

< SP >

::=

‘subst.’

::=

< FV 1 > ::=

‘prep’ < SN 0 > < SN 0 > ‘prep’ ‘prep’ <LNAAD >

‘prep’ ‘prep’ ‘art’ ‘prep’ ‘verbo’ ‘prep’

‘prep’ ‘adj’ ‘prep’ ‘adv.’

‘neg’ ‘v’ ‘v’ ‘prep’sinal_neg. ‘v’ < SN 0 > ‘prep’ < LNAAD > < SP > < SN 0 >

Apresentamos, a partir deste ponto a formalização do trecho da gramática de LSB escolhida, os plain verbs, com a construção das regras de formação e alguns exemplos em árvores de derivação.

C. Especificação dos Dialetos em LSB

Sejam, ST- Conjunto de Símbolos Terminais LSB- Conjunto de Símbolos não Terminais RP- Regras de Produção SL- Sentenças de Linguagem

Onde, ST={ pron, subs, v, neg, adv, np, adj} LSB={ SL, SL 0 , SLV} RP={ DSL 0 }

Elementos de ST:

- Pronomes (pron)

- Substantivos (subs)

- Verbos (v)

- Nomes Próprios (np)

- Negação (neg)

- Advérbios (adv)

- Adjetivos (adj)

SL: Axiomas SL0: Sintagma Nominal Fundamental e Negação SLV: Sintagma Verbal e Negação SLBn: Sinal de negação

Regras de Produção

DSL 0

<SL>::=

< SL 0 > < SL 0 > < SLV > < SL 0 > < SLV > < SL 0 > <SLBn>

< SL 0 >::= ‘np’

‘subs’’adv’ ‘subs’’subs’ ‘subs’’subs’ ‘adv’’subs’ ‘adj’’np’ ‘adv’ ’adv’ ‘np’ ‘adj’ ‘subs’ ‘subs’ ‘subs’ ‘adv’ ‘subs’ ‘subs’ ‘adj’ ‘subs’ ‘subs’ ‘adv’ ‘subs’ ‘subs’ ‘adj’ <SLV >::= ‘v’ ’v’ < SL 0 > ’v’ < SL 0 > <SLBn> ’v’ <SLBn> ’v’ ‘v’ <SLBn>

‘subs’ ‘pron’ ‘adj’ ‘adv’ <SLBn> ‘pron’

Apresentamos agora algumas árvores de derivação construídas a partir das regras da Gramática Livre de Contexto para alguns dos exemplos de frases traduzidas da língua portuguesa para LSB.

Português 12) A polícia fechou a rua

portuguesa para LSB. Português 12) A polícia fechou a rua A seguir apresentaremos um modelo de
portuguesa para LSB. Português 12) A polícia fechou a rua A seguir apresentaremos um modelo de

A seguir apresentaremos um modelo de tradutor com uma conjunto restrito de regras usando uma notação similar ao da ferramenta YACC GNU-BISON, de acordo com a seguinte convenção:

1) Letras minúsculas representam símbolos não terminais da gramática sendo analisada; 2) Letras maiúsculas são símbolos terminais (categorias

gramaticais como substantivo, adjetivo, artigo,

3) Os símbolos $$ é o valor a ser retornado que será associado ao lado esquerdo da regra; 4) O símbolo $ seguido de um número ($nº) são os valores associados às posições dos elementos no lado direito das regras.

);

Então seja,

s:

sn: ART SUBS

sn

sadv

{ $$ = $2

$1;}

{ $$ = $2;}

sadv: VERBO ADV

{ $$ = $2

$1;)

<s> <sn> <sadv>

<sn> (ART) (SUBS)

<sadv> (VERBO) (ADV)

árvore

derivação utilizando o conjunto de regras listados acima.

A

seguir

apresentamos

um

exemplo

de

de

(VERBO) (ADV) árvore derivação utilizando o conjunto de regras listados acima. A seguir apresentamos um exemplo

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5 Podemos observar que as estruturas sintáticas dos fragmentos das duas linguagens focalizado neste trabalho são

Podemos observar que as estruturas sintáticas dos fragmentos das duas linguagens focalizado neste trabalho são muito semelhantes. È possível transformar uma árvore de derivação na outra. Os aspectos mais difíceis e interessantes desse processo são:

De Português para LSB: associar um dicionário de imagens associados aos itens lexicais. Dessa forma, um PNE veria em sua própria língua as sentenças proferidas/escritas por uma pessoa não proficiente me LSB.

De LSB para Português: como flexionar os elementos constituintes da sentença. Algumas marcas doe espaço visual devem ser enquadradas na gramática a fim de tornar possível a tradução para Português; essas seriam incorporadas a um tradutor dirigido por sintaxe.

V.

CONCLUSÃO

A língua é o principal meio de comunicação em uma sociedade. Portanto, expandir suas possibilidades é promover a integração e a inclusão social de todos em uma sociedade. Este trabalho contempla a comunidade brasileira dos alunos com deficiência auditiva, tendo em vista a necessidade de adaptação de métodos e ferramentas de ensino as características particulares desta comunidade. Foram apresentados os passos iniciais para a formalização de um tradutor entre as duas línguas abordadas. Durante o andamento do trabalho buscamos conhecer a estrutura sintática da LSB e as correspondentes estruturas na língua portuguesa através de exemplos de correlações. A estrutura SVO da LSB utilizada neste trabalho foi desenvolvida em [13]. A partir destas estruturas estabeleceu-se um co-relacionamento entre as estruturas gramaticais das duas línguas. Acreditamos que a partir desta correlação possa ser desenvolvido um tradutor automático entre as duas línguas que sirva de interface de comunicação para ferramentas de ensino na comunidade brasileira dos alunos com deficiência auditiva.

VI.

REFERÊNCIAS

Artigos de Anais de Conferência (Publicado):

[1] T Felipe, "Por uma Tipologia dos Verbos da LSCB", Anais do VII Encontro Nacional da ANPOLL, Goiânia [s.n.] , 1993.

Periódicos:

[2] H. Lasnik, "Verbal Morfology: Syntactic Structures Meets the Minimalist Program”, Evolution and

Revolution in Linguistic Theory: Enssays in Honoror Carlos Otero", Georgetown , University Press, 1995. [3] Ronice Müller de Quadros. “Situando as diferenças implicadas na educação de surdos: inclusão/exclusão,” Revisa Ponto de Vista. NUP/UFSC, Florianópolis, 2003, no prelo. [4] Fischer, Susan D. and Bonnie Gough. "Verbs in American Sign Language." Sign Language Studies, 17- 48. Reprinted 1980 in Stokoe (1978), p.149-79.

Legislação:

[5] Lei

nº.10.436

de

24

de

http://www.mec.gov.br.

Livros:

abril

de

2002.

[Online].

[6] J. H. Greenberg-, ed. “Universals of Language”, Cambridge (MA): M.I.T. Press, 1966. [7] Ines Instituto Nacional de Surdos [Online]:

http://www.ines.org.br/ines_livros. [8] N. Chomsky, "Bare Phrase Structure", Blackwell. Oxford & Cambridge USA, 1995. [9] L. S. Vygotsky, "A formação social da mente", Martins Fontes, 1998. [10] L. F. Brito, "Integração Social e Educação de Surdos", Babel Editora, 1993. [11] J. A. Valente, "Liberando a mente: Computadores na Educação Especial", Campinas/SP, Unicamp, 1991,

p.294-96.

Dissertações:

[12] C. Padden, “Interaction of morphology and syntax in ASL”, PhD dissertation, University of California, San Diego, 1983. [13] Ronice Müller de Quadros, "Phrase Structure of Brazilian Sign Language", Doctorate dissertation, Porto Alegre, 1999.