MEDITAÇÃO, SILÊNCIO E CURA Autor: Dárcio Dezolt (Extraído do livro A CURA ESPIRITUAL EM SEUS PRINCÍPIOS BÁSICOS) Todo o universo

é infinitamente perfeito agora. Todos os seres já são infinitamente perfeitos agora. Todos os acontecimentos estão se manifestando em harmonia perfeita agora. Só existe o universo espiritual perfeito. Só existe o agora. Nada há para ser corrigido ou melhorado. O silêncio interior é o estado desejado pelo praticista de cura espiritual. No silêncio e na quietude interiores é que os princípios espirituais podem ser vistos como verídicos e comprovados. Nesta condição, veremos nitidamente como são limitadas as palavras ou recursos outros de que dispomos humanamente para traduzir uma "experiência espiritual" para o nível intelectual. Por esse motivo, precisamos nos dedicar seriamente à "Prática do Silêncio", para vivenciarmos a Verdade exatamente onde a Verdade Se encontra: dentro de nós, constituindo o nosso próprio Ser. A meditação como meio de Autotratamento "Eu Sou a Verdade", "o Reino de Deus está dentro de vós"--- estas palavras nos informam intelectualmente o caminho para a vivência espiritual. Porém, devemos ir muito além das palavras e do intelecto, se desejamos "vencer o mundo" e vivenciar o paraíso. O papel da meditação é exatamente este: servir de meio para a comprovação dos princípios espirituais revelados, até então somente conhecidos intelectualmente ou teoricamente. Através da meditação, alcançamos o "silêncio interior" que nos possibilita discernir as coisas espiritualmente, e este próprio discernimento é que se traduz visivelmente como as chamadas "curas". Tudo que já vimos anteriormente, os princípios, as explicações, as formas de autotratamento, tem por único objetivo a preparação da mente para a "Prática do Silêncio". E é sobre nossa atitude, durante esta "prática" que iremos, a partir de agora, tecer algumas considerações. Se analisarmos as pessoas segundo o seu aspecto físico ou mental, poderemos classificá-las quanto à idade, peso, altura, grau evolutivo, etc. Entretanto, toda avaliação dessa natureza parte do "julgamento segundo as aparências". Um praticista jamais leva em consideração os aspectos transitórios do homem e do universo. A pessoa que avalia o próximo segundo os supostos "estágios de consciência" está se comportando de maneira idêntica àquela dos materialistas, ou seja, está se submetendo às sugestões da mente carnal coletiva. Já o praticista espiritual "impersonaliza" o quadro todo, vendo-o globalmente como um "cenário ilusório uno". (vide explicação sobre a "miragem una" no cap. 01) A ilustração das laranjas verdes e maduras Se olharmos um pomar repleto de laranjeiras, constataremos a presença de laranjas verdes (em evolução) e maduras (evoluídas). Se estivermos naquele pomar, poderemos classificar as laranjas segundo os estados de maturação de cada uma (estados de consciência). Porém, se estivermos numa exposição de quadros, contemplando a pintura de um pomar colocado numa moldura, veremos que tanto as laranjas verdes quanto as maduras são frutos da mesma espécie, isto é, todas são "imagens pintadas". Nem a laranja verde nem a madura, pintadas no quadro, são a laranja verdadeira. Assim, veremos TODO O QUADRO como ILUSÓRIO, uma APARÊNCIA, que somente busca expressar uma idéia ou conceito do verdadeiro pomar. O praticista deve saber contemplar este mundo visível como um TODO, como um "CENÁRIO GLOBAL ILUSÓRIO", estejam presentes nele um Jesus Cristo ou um Barrabás,

um religioso ou ou criminoso, e assim por diante. Por mais que contemplemos uma pessoa "perfeita", ou uma pessoa "pecadora", se esta contemplação não ultrapassar os limites de percepção da mente humana, nenhuma das duas será o Cristo, ou a Presença individualizada de Deus. A mente humana somente consegue registrar uma "aparência". A função do praticista de cura espiritual é admitir que TODO O CENÁRIO VISÍVEL É ILUSÃO, e que, no ÂMAGO daquela pessoa "perfeita" e da outra "pecadora", encontra-se realmente O CRISTO: Deus, onipresente, aparecendo COMO tudo aquilo que realmente é existente. Isto corresponde à ilustração do "lápis dentro do copo com água", citada no sexto capítulo. O maior ou menor grau de distorção, que aparentemente o lápis apresenta, depende de fatores externos a ele, mas NUNCA DO LÁPIS EM SI, pois este permanece perfeito e intato durante todo o tempo. O praticista rejeita a lógica das "aparências"; ele contempla o lápis do ponto de vista do próprio lápis, isto é, reconhece-o perfeito diante da aparente imperfeição; o praticista contempla o FILHO DE DEUS que está PERFEITO, exatamente agora, no exato local em que "aparenta existir" um paciente ou alguma personalidade humana passível de ser boa ou má, de estar bem ou mal. Portanto, por mais que a mente humana capte pessoas em diversos graus de evolução, ou estágios de consciência, a Consciência Espiritual, contrariando radicalmente aquelas APARÊNCIAS, irá discernir o CRISTO manifesto COMO todas as pessoas existentes. Sim, todas elas! "Eu vim para que TODOS tenham vida(..)." Quando? AGORA! SOMENTE O AGORA EXISTE VERDADEIRAMENTE! Com o que acabamos de expor, deve ter ficado claro o motivo pelo qual tanto enfatizamos que a terapia espiritual é um autotratamento. Por meio dele, NÓS soltamos o quadro ilusório que mostra pessoas boas e más e contemplamos espiritualmente o universo divino, em que "Deus faz chover sobre justos e injustos", já que Deus, a Consciência Espiritual, contempla a Si mesmo COMO cada um de nós. Os "justos e injustos" somente existem como aparências para a ilusória mente carnal coletiva. "Eu-- Consciência Espiritual-- vim ao mundo para dar testemunho da Verdade". A cura é a consciente percepção da Presença do Cristo Quando "nos convencemos" das verdades espirituais, através do autotratamento, aguardamos a "vinda do Cristo" em nosso interior. Em outras palavras, quando soltamos por completo as sugestões da mente carnal, percebemos a PRESENÇA DE DEUS já manifesto COMO a nossa real identidade, que é espiritual. Eis por que sempre salientamos que não deve haver esforço mental durante a "Prática do Silêncio". Não iremos nos esforçar para atingir o Cristo! Aquilo seria impossível! Jamais a chamada "mente humana" alcançará o Cristo! Ela é ilusória! A ilusão nunca atingirá a Realidade! Ilusão é "NADA". Aquilo que é NADA jamais atingirá a TOTALIDADE. Por outro lado, a TOTALIDADE JÁ É AGORA! Deus constitui a TOTALIDADE de tudo o que existe. Muitos são os que sentem dificuldade para meditar devido a esse engano: tentam alcançar o Cristo empregando a suposta mente humana. "AQUIETA-TE E SABE, EU SOU DEUS." Este "aquietar" da mente humana tem o sentido de "soltar aquilo que não é", "soltar o nada", "soltar o falso conceito", "soltar da mente o lápis quebrado". Daí, segue-se o SILÊNCIO, o discernimento espiritual daquilo que É: SOMENTE DEUS É! A "meditação de cura" se encerra nesta percepção plena: DEUS, SOMENTE, É!

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