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Universidade Gama Filho – RJ Universidade UNIMED – BH

OTIMIZAÇÃO DO ESPAÇO HOSPITALAR COM A MELHORIA DO SISTEMA

DE DISTRIBUIÇÃO DE MEDICAMENTOS ATRAVÉS DE UM MODELO

MÓVEL DE DISPENSAÇÃO

Belo Horizonte – MG

2005

Camilla Pinto Grenfell

Camilla Pinto Grenfell

OTIMIZAÇÃO DO ESPAÇO HOSPITALAR COM A MELHORIA DO SISTEMA

DE DISTRIBUIÇÃO DE MEDICAMENTOS ATRAVÉS DE UM MODELO

MÓVEL DE DISPENSAÇÃO

Monografia apresentada, como pré-requisito de conclusão do curso de pós-graduação em Administração Hospitalar à Universidade Unimed – BH em parceria com a Universidade Gama Filho – RJ.

Orientadora: Virgínia Caetano de Melo Castro

Belo Horizonte – MG

2005

II

DEDICATÓRIA

Ao meu pai, pelo incentivo na realização deste curso e por me ensinar que é infindável a busca pelo saber; à minha mãe, pelo amor, dedicação e companheirismo nesta etapa. A Rafa, minha farmacêutica preferida, este trabalho é para você. Ao Silvinho, exemplo de alegria e amizade; e às minhas amigas, Elisa e Fá, pela carinhosa torcida.

III

AGRADECIMENTOS

Ao Administrador Hospitalar Silvio Denis Grenfell pelas idéias inovadoras e pensamento no futuro. Ao Arquiteto Jarbas Karman, pelo incentivo e valiosa contribuição para este trabalho. Aos Hospitais A e B, por viabilizarem a pesquisa de campo. Às Farmacêuticas responsáveis pelas Farmácias dos Hospitais pesquisados, respectivamente, Carla Bonanato de Avelar e Vera Lúcia Silva Reis. Ao Professor Victor Grabois e aos colegas e profissionais, Conceição de Maria Coelho Verdini, Américo Calzavara Neto, José Flávio Ribeiro de Andrade e Miguel Sandrone de Abreu pelas entrevistas realizadas. À Tia Beth pela ajuda na finalização do trabalho. À amiga Lila, pela vitória conquistada com dedicação, companheirismo e alegria. Á Professora e Arquiteta Virgínia Caetano de Melo Castro pelas orientações objetivas e pelo carinho e atenção no desenvolvimento do trabalho.

IV

RESUMO

A área Hospitalar vem sofrendo constantes mudanças organizacionais devido à introdução de novas tecnologias que incentivam a melhoria do gerenciamento, o controle de custos e a otimização espacial das Instituições Hospitalares. Este trabalho tem como objetivo analisar os sistemas de distribuição de medicamentos da Farmácia Hospitalar para que seja possível propor um modelo de dispensação mais flexível que visa à otimização espacial. A revisão bibliográfica aborda as definições de espaço e de espaço hospitalar, as características das unidades funcionais com ênfase na Farmácia Hospitalar, finalizando com os sistemas de distribuição de medicamentos e os carros de dispensação. O método de pesquisa escolhido é o estudo comparativo que possibilita a busca das vantagens e desvantagens dos sistemas utilizados em dois Hospitais Gerais da cidade de Belo Horizonte e a obtenção de informações e opiniões dos profissionais farmacêuticos sobre o melhor funcionamento das Farmácias Hospitalares. Através do estudo da revisão bibliográfica, da análise dos Hospitais escolhidos e das entrevistas feitas junto a profissionais da área de saúde, verifica-se que a logística farmacêutica diferenciada e o modelo móvel de dispensação de medicamentos constituem ferramentas gerenciais úteis ao farmacêutico que coordena uma Farmácia Hospitalar, por possibilitar a construção de soluções e sua implantação dentro da realidade local, privilegiando a organização de idéias, o fornecimento de subsídios para tomada de decisões, a aplicação de novas tecnologias, a participação dos profissionais e o pensamento criativo, essenciais ao planejamento de ações que possibilita a melhoria do gerenciamento da Instituição e da qualidade dos serviços prestados aos pacientes.

PALAVRAS-CHAVES

Otimização

medicamentos.

espacial,

Farmácia

Hospitalar

e

sistema

móvel

de

distribuição

de

V

ABSTRACT

The Hospital area has been suffering constant organized alterations due to introduction of new technologies that stimulate the improvement of management, the control of expenses and the spatial optimization of hospitals establishment. This woks aims the analyses of the systems of distribution of medicines on hospital pharmacy that can be possible a more flexible model of dispensation focusing a spatial optimization. The bibliography revision broaches the definitions of area and hospital area, the characteristics of functional unities emphasizing hospital pharmacy, ending with the system of medicines distribution and distribution cars. The method of research chosen is the comparative study that allows the search of advantages and disadvantages of the systems utilized in two general hospitals in the city of Belo Horizonte and the acquisition of informations and opinions of professionals chemists about the best functioning of hospitals pharmacies. Through the bibliographic revision study, the analyses of the chosen hospitals and the interviews with the health area professionals, one can verify that the distinguished pharmaceutic logistic and the movable model of distribution medicines establish management tools useful to the chemist that coordinates a hospital pharmacy, to allow the construction of solutions and its implantation within the local, reality, favouring the organization of ideas, supplying subsidies to make decisions, application of new technologies, the professionals´ participation and the creative thought, essential to projection of actions that enables the improvement of the institution management and the qualify of services given to the patients.

KEY WORDS Spatial optimization, hospital pharmacy and movable model of medicines distribution.

VI

RESUMEN

El área hospitalario, en los últimos tiempos, ha sufrido frecuentes cambios en su organización a consecuencia de la introducción de nuevas tecnologías que impulsionan la mejoría de la administración, el control de los gastos y la optimización espacial de las Instituciones Hospitalarias. Este trabajo tiene como objetivo analisar los sistemas de distribución de medicinas de la Farmacia Hospitalaria para que sea posible proponer un modelo dispensador más flexible que pretende a la optimización espacial. La revisión bibliográfica aborda las definiciones de espacio y del espacio hospitalario, las características de las unidades funcionales con énfasis en la Farmacia Hospitalaria, finalizando con los sistemas de distribución de medicinas y de los coches dispensadores. El método de investigación elegido es el estudio comparativo que posibilita la búsqueda de las ventajas y desventajas de los sistemas utilizados en dos Hospitales Generales de la ciudad de Belo Horizonte y la obtención de informaciones y opiniones de los profesionales farmacéuticos sobre lo mejor funcionamiento de las Farmacias Hospitalarias. A través de la revisión bibliográfica, del análisis de los Hospitales escogidos y de las entrevistas hechas a profesionales del área de la salud, se verifica que la logística farmacéutica diferencial y el modelo móvil dispensador de medicinas constituyen herramientas de gerencia, útiles al farmacéutico que coordina una Farmacia Hospitalaria, por posibilitar la construcción de soluciones y su implantación dentro de la realidad local, privilegiando la organización de ideas, el suministro de subsidios para toma de decisiones, la aplicación de nuevas tecnologías, la participación de los profesionales y el pensamiento creativo, esencial a la planificación de acciones que posibiliten la mejoría administrativa de la Institución y de la calidad de los sevicios a los pacientes.

PALABRAS CLAVES Optimización espacial, Farmacia Hospitalaria y el sistema móvil de distribución de medicinas.

VII

SUMÁRIO

RESUMO

IV

ABSTRACT

V

RESUMEN

VI

LISTA DE FIGURAS

X

LISTA DE TABELAS

XI

LISTA DE QUADROS

XII

LISTA DE SIGLAS

XIII

1

INTRODUÇÃO

14

1.1 Descrição do problema

15

1.2 Justificativa da pesquisa

16

 

1.3 Objetivos

16

1.3.1 Objetivo geral

17

1.3.2 Objetivos específicos

17

1.4 Metodologia

18

1.5 Resultados esperados

18

1.6 Estrutura do trabalho

19

2

SUPORTE TEÓRICO

20

2.1

Espaço

21

2.1.1

Definições de Espaço

21

2.2

Espaço Hospitalar

22

2.2.1

Definições de Espaço Hospitalar

22

2.3

Unidades Funcionais

22

2.3.1

Definições de Unidade Funcionais

22

2.4

Farmácia Hospitalar

25

2.4.1

Definições de Farmácia Hospitalar

25

VIII

2.5.1 Definições de Farmacotécnica

28

2.5.2 Definições de Farmácia

30

2.6 Carros de Dispensação

36

2.7 Infecção Hospitalar

37

3

SUPORTE PRÁTICO

39

3.1 Seleção das Instituições para efeito de diagnóstico

39

3.2 Metodologia do levantamento de dados

40

3.3 Apresentação dos locais pesquisados

41

 

3.3.1

Hospital A

41

3.3.1.1

Farmácia Hospitalar do Hospital A

45

3.3.2

Hospital B

47

3.3.2.1

Farmácia Hospitalar do Hospital B

51

3.3.3

Resultados obtidos através do Levantamento de Dados

52

4

MODELO: CARROS – MEDICAMENTOS

54

4.1 Sistema de Distribuição de Medicamentos

54

4.2 Modelo de Distribuição de Medicamentos através de Carros – Medicamentos

55

4.3 Requisitos para o Funcionamento do Sistema de Carros – Medicamentos

59

4.4 Benefícios e Dificuldades

59

5

CONSIDERAÇÕES FINAIS

61

5.1 Conclusão

61

5.2 Recomendações

63

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

64

ANEXOS

71

ANEXO A – Carta de Solicitação de Visita e Entrevista

71

ANEXO B – Questionário de Monografia sobre Farmácia Hospitalar

72

ANEXO C – Padronização dos carros de emergência

74

IX

ANEXO D – Composição do carro de emergência fornecido pelo Hospital B

79

ANEXO E – Avaliação dos carros de emergência

85

ANEXO F – Kits padronizados para cirurgias e anestesias fornecidos pelo Hospital B

86

ANEXO G – Imagens dos carros - medicamentos

98

X

LISTA DE FIGURAS

Figura 1: Organograma da estrutura do suporte teórico

 

20

Figura 2: Diagrama das unidades funcionais das Instituições Hospitalares

 

23

Figura 3: Organograma da farmácia hospitalar

27

Figura 4: Organograma da farmacotécnica

29

Figura

5:

Sistema

integrado

de

distribuição

de

medicamentos

através

de

carros

medicamentos

 

58

XI

LISTA DE TABELAS

Tabela 1: Atividades do Hospital A e o número de leitos de cada atividade

43

Tabela 2: Atividades do Hospital B e o número de leitos de cada atividade

49

XII

LISTA DE QUADROS

Quadro 1: Vantagens e desvantagens dos Sistemas de distribuição de medicamentos

34

XIII

LISTA DE SIGLAS

ADT – Atendimento Domiciliar Terapêutico CAF – Central de Abastecimento Farmacêutico CME – Central de Material Esterilizado CNEN - Comissão Nacional de Energia Nuclear CPN – Centro de Parto Normal CTI – Centro de Tratamento Intensivo DML – Depósito de Material de Limpeza EUA – Estados Unidos da América RAM – Rádio Moldagem RDC – Resolução de Diretoria Colegiada SAC – Serviço de Atendimento ao Cliente SAME – Serviço de Arquivamento Médico SAS – Serviço de Assistência à Saúde SDMDU – Sistema de Dispensação de Medicamentos em Dose Unitária SND – Serviço de Nutrição e Dietética SPP – Serviço de Prontuário do Paciente SUS – Sistema Único de Saúde UCO – Unidade de Tratamento Cardiovascular UTI – Unidade de Tratamento Intensivo UTQ – Unidade de Tratamento de Queimados

14

1 INTRODUÇÃO

Nos últimos tempos pode-se observar uma série de mudanças na área da saúde, que permitem visualizar novos cenários dentro dos Hospitais. Observa-se uma necessidade de reformular o conceito existente de gestão Hospitalar para que a unidade esteja apta a receber as novas mudanças. Qualquer processo de transformação, em qualquer área do conhecimento humano, envolve a apresentação de propostas e relaciona novas maneiras de executar, com maior eficiência e eficácia, as atividades analisadas. A reorganização administrativa de uma instituição pode apresentar numa visão micro, uma série de propostas para diversas áreas administrativas, propostas estas visando tão somente otimizar determinados fluxos e procedimentos e/ou criar novas rotinas. Para que haja mudança é necessário comprometimento e conscientização das lideranças das organizações de que o homem é o principal agente de transformação. Partindo-se do princípio de que todas as organizações, bem como seus ambientes, estão continuamente em mudança, podendo elas próprias redefinir, mudar e influenciar seu ambiente em causa própria, o processo de mudança é como se fosse um processo de aprendizagem, em que a organização está ininterruptamente reavaliando seus processos para detectar os pontos de acertos e os pontos em que foram cometidos desvios (Pereira,

2000).

A redução do espaço físico é uma das principais mudanças abordadas neste trabalho de pesquisa, conceito este que é bastante citado na idéia de Hospital do Futuro, havendo uma maior flexibilidade e adaptação dos espaços às necessidades. A aplicação dos novos conceitos requer um novo desenho do edifício hospitalar, colocando como condição prévia de projeto a discussão do modelo gerencial da futura instituição de saúde. O Modelo Gerencial pode ser definido como o conjunto de documentos que caracterizam o gerenciamento dos recursos físicos, materiais, humanos e financeiros de uma instituição, considerando sua identidade, seus aspectos jurídicos e sua localização dentro do Sistema de Saúde (Gomez, 2003).

15

Com isso, observa-se a necessidade de adoção de uma logística diferenciada para que haja uma otimização dos espaços existentes com um maior controle de custos. O que se pretende neste trabalho é apresentar um sistema de distribuição de medicamentos móvel e flexível visando à otimização dos espaços dentro dos hospitais, além de melhorias no gerenciamento da Farmácia Hospitalar.

1.1 Descrição do Problema

Vários problemas na logística e, conseqüentemente, no gerenciamento do espaço ocorrem em função da existência de várias micro-unidades subutilizadas ou até em excesso dentro das Instituições Hospitalares. Estas micro-unidades são caracterizadas como unidades de apoio para unidades maiores, que muitas vezes ocupam espaços, que podem ser melhor utilizados para os pacientes, visando o conforto assistencial. São exemplos destas micro-unidades os depósitos de materiais de limpeza, os almoxarifados descentralizados, as rouparias, as farmácias satélites, as copas, dentre outros. Além do problema espacial, outros fatores interferem no bom gerenciamento do Hospital, como os elevados gastos com equipamentos e recursos humanos, a falta de controle e segurança dos materiais e medicamentos, a logística atrasada, a falta de rotatividade de estoque e a falta de qualidade nos serviços prestados aos pacientes. Os medicamentos e materiais correlatos farmacêuticos ocupam um dos maiores custos em Hospitais e sistemas de saúde, sendo que seu gerenciamento correto representa uma importante ferramenta de crescimento das Instituições Hospitalares. Este conveniente gerenciamento das atividades de administração de materiais e de medicamentos em um hospital representa diferencial de gestão e economia de recursos financeiros, os quais, na maioria dos hospitais, são escassos (Bisson & Cavallini, 2002). Dado este contexto teórico e a realidade em que se encontram as Instituições Hospitalares, a pergunta da pesquisa é: Quais as vantagens para a Instituição Hospitalar em se adotar uma logística diferenciada, reduzindo os espaços destinados aos ambientes de apoio, centralizando-os e flexibilizando esta estrutura através de carros de transporte, dando ênfase ao sistema de distribuição de medicamentos da farmácia hospitalar?

16

1.2 Justificativa da Pesquisa

O tema da pesquisa é muito atual pois entendemos que as organizações hospitalares estão reformulando o conceito de gestão hospitalar. Novas formas de relação e de funcionamento estão surgindo para os Hospitais, nos próximos tempos. A redução de espaços dentro dos hospitais, principal tema abordado neste trabalho, é conseqüência de uma melhor maneira de se adequar às necessidades, tendendo a uma evolução e mudança em detrimento a uma rigidez e inflexibilidade interna existente. As organizações procuram melhor se adaptarem às novas demandas do mercado e às novas exigências dos clientes, o que exige novos modelos de organização para que, deste modo, elas sobrevivam no atual cenário (Lopes, 2003). Desta maneira, avaliar as vantagens e desvantagens de reduzir espaços, tornando-os mais flexíveis dentro dos hospitais, mudando a logística atual e adequando as necessidades de cada setor hospitalar são temas de grande importância. Esperamos que estudos dessa natureza possam auxiliar as instituições através de uma nova forma de pensar e compreender o gerenciamento dos espaços com uma logística diferenciada, otimizando-os e flexibilizando-os. Os estudos específicos sobre o tema - Otimização de espaços hospitalares e flexibilização de ambientes de apoio através de carros de armazenamento e distribuição - ainda são escassos, com pouca bibliografia. Por isso entendemos que este trabalho poderá dar suporte para as instituições hospitalares no que diz respeito à logística e gerenciamento de espaços.

1.3 Objetivos

Este trabalho tem os seguintes objetivos gerais e específicos:

1.3.1 Objetivo Geral

O presente trabalho tem como objetivo comparar e avaliar as vantagens e desvantagens dos sistemas de armazenamento e distribuição de medicamentos existentes em duas

17

Instituições Hospitalares. A partir dos dados levantados, analisar as unidades centralizadas e unidades descentralizadas, caracterizadas como unidades de apoio, além de avaliar a flexibilização destes espaços, utilizando carros de transportes.

A estruturação e organização das Farmácias Hospitalares visando à geração de

melhorias quanto à otimização dos espaços e controle de custos dos estabelecimentos hospitalares, é o principal foco deste trabalho. Pretende-se pesquisar os sistemas de distribuição das farmácias visando dar suporte teórico para a implementação de um sistema móvel e flexível de distribuição de medicamentos, melhorando o gerenciamento do espaço. A revisão bibliográfica aborda as definições de espaço, o conceito de espaço hospitalar, as características das unidades funcionais, o conceito e funcionamento da farmácia hospitalar, finalizando com a área de armazenamento e distribuição de medicamentos e os carros de dispensação. A identificação das características dos sistemas de distribuição de medicamentos das farmácias é realizada através de um levantamento de dados junto a funcionários e profissionais, com base na descrição de um sistema móvel de distribuição de medicamentos, melhorando o gerenciamento do espaço.

1.3.2 Objetivos Específicos

a- Adquirir uma noção atualizada do assunto através de revisão bibliográfica;

b- Realizar um levantamento de dados junto a profissionais da área de saúde, principalmente profissionais da farmácia hospitalar, para identificar as características do serviço, obtendo uma visão inicial do problema; c- Comparar os sistemas de armazenagem e distribuição e as diferentes logísticas hospitalares utilizadas no gerenciamento destes espaços; d- Dar suporte teórico para a implementação de um modelo móvel e flexível de distribuição de medicamentos, visando à otimização espacial.

18

1.4 Metodologia

O método de pesquisa escolhido é o Estudo Comparativo de Casos. Este método

envolve a escolha de mais de um caso a partir dos quais se realiza uma análise comparativa. Foram escolhidos dois hospitais gerais de médio porte da cidade de Belo Horizonte. O objetivo é o de maximizar as vantagens e desvantagens dos sistemas centralizado e descentralizado das farmácias hospitalares das Instituições escolhidas procurando, assim, oferecer uma conclusão acerca do fenômeno investigado.

A solução proposta neste trabalho tem como base a determinação de requisitos

fundamentais no conceito de espaço hospitalar com ênfase na logística e no gerenciamento destes espaços. A farmácia hospitalar é o principal enfoque deste trabalho, pois é um órgão de abrangência assistencial, técnico-científica e administrativa, onde se desenvolvem atividades ligadas à produção, armazenamento, controle, dispensação e distribuição de medicamentos e correlatos às unidades hospitalares. Para melhor abrangência do tema são citados outros ambientes hospitalares de serviços, como os depósitos de materiais de limpeza, os almoxarifados e as copas. A revisão bibliográfica sobre o assunto é o passo inicial para o delineamento conceitual do modelo a ser estudado. Segue-se a este uma busca de informações junto aos funcionários e profissionais da área para identificação de seu conceito de qualidade em logística de seleção ou planejamento, controle, compra, guarda e dispensação de medicamentos para que se obtenha uma fundamentação prática para elaboração de um modelo de estruturação do Serviço de Farmácia Hospitalar com foco na otimização espacial.

A coleta de dados relacionados ao conceito de qualidade do sistema de distribuição de

medicamentos de uma farmácia é desenvolvida, contribuindo para a descrição do modelo móvel de dispensação da medicação aos pacientes.

1.5 Resultados Esperados

A partir da realização desta pesquisa, se esperam obter alguns resultados e constatações:

a- Os conceitos de logística e gerenciamento espacial são diferenciados em relação aos profissionais farmacêuticos de cada Instituição;

19

b- Cada Instituição Hospitalar possui uma demanda diferenciada, exercendo atividades diferenciadas, com isso espera-se resultados diversos com relação aos ambientes de apoio; c- A informatização das unidades é fundamental para o funcionamento adequado do serviço de armazenagem e distribuição de medicamentos e, conseqüentemente do controle destes medicamentos;

d- O interesse da gerência da Farmácia Hospitalar e acima de tudo da instância superior têm papéis decisivos nas ações de mudanças e melhorias;

e-

A mudança da logística da farmácia hospitalar implicará em mudança gerencial

f-

de recursos humanos, custos e controle dentro das Instituições;

A importância da flexibilização espacial no ambiente hospitalar no conceito de

Hospital do Futuro;

g- Os carros de distribuição de medicamentos são equipamentos fundamentais para

o modelo proposto, porém, em alguns casos, não dispensam a utilização da farmácia satélite.

1.6 Estrutura do Trabalho

O capítulo 1 refere-se à descrição do problema, justificativa, objetivos e metodologia

utilizada para a realização do trabalho.

O capítulo 2 trata do suporte teórico para a estruturação do trabalho.

No capítulo 3, serão apresentados os locais estudados, a metodologia de pesquisa para diagnóstico dos conceitos de espaço hospitalar com ênfase na logística e no gerenciamento das farmácias hospitalares, os resultados do levantamento de dados e a análise das Instituições estudadas.

O capítulo 4 apresenta o conceito de sistema de distribuição, o modelo de distribuição

de medicamentos através dos carros – medicamentos, os requisitos necessários para o funcionamento do sistema de distribuição e os benefícios e dificuldades de implantação do

sistema. No capítulo 5 estão as conclusões e recomendações do trabalho realizado.

20

2 SUPORTE TEÓRICO

O suporte teórico apresenta o produto da revisão bibliográfica que serve como fundamentação para a compreensão de alguns conceitos. O aperfeiçoamento se dá do geral para o específico, partindo das definições de espaço, espaço hospitalar, passando pelas características das unidades funcionais, detalhando uma dessas unidades funcionais de apoio técnico, a farmácia hospitalar, chegando finalmente, à caracterização da área de armazenamento e distribuição de medicamentos, com enfoque nos carros de dispensação. A estrutura do capítulo está esquematizada no organograma da figura 1.

ESPAÇO ESPAÇO HOSPITALAR UNIDADES FUNCIONAIS UNIDADE FUNCIONAL 5 – APOIO TÉCNICO: FARMÁCIA HOSPITALAR
ESPAÇO
ESPAÇO HOSPITALAR
UNIDADES
FUNCIONAIS
UNIDADE FUNCIONAL 5 – APOIO
TÉCNICO: FARMÁCIA HOSPITALAR
FARMACOTÉCNICA
FARMÁCIA
ÁREA PARA RECEPÇÃO E
INSPEÇÃO
ÁREA PARA ARMAZENAGEM
E CONTROLE
ÁREA DE DISTRIBUIÇÃO
CARROS DE DISPENSAÇÃO

Figura 1: Organograma da estrutura do suporte teórico (Fonte: o autor, 2005)

21

2.1 Espaço

2.1.1 Definições de Espaço

Extensão indefinida; firmamento; extensão superficial limitada; extensão de tempo; intervalo; decurso; demora; duração; peça com que se formam intervalos na composição (Fernandes, 1993). Schulz (1980) define o termo espaço como um volume definido pelas superfícies limitantes das massas que o circundam. Isso implica que uma superfície pode atuar como limite para massas e espaços. Um espaço se torna arquitetônico quando é grande o suficiente para que uma pessoa possa entrar nele. Um elemento – espaço passa a existir quando os intervalos entre as superfícies limitantes ou massas circundantes adquirem caráter de figuras. Também se pode definir um elemento – espaço em função do seu grau de fechamento. O grau de fechamento de um espaço é determinado pelo número, tamanho e posição das aberturas nas superfícies limitantes (Mahfuz, 1995). Para Velloso, 2001:

O

espaço é um conceito necessário à definição de arquitetura

Se queremos analisar a práxis

da

arquitetura, devemos pensar os problemas que envolvem a conformação do espaço. Sobre o

conceito de espaço: obviamente, deixemos de lado os problemas relativos ao espaço enquanto

forma primeira da percepção sensível, considerando aqui somente o espaço pensado como materialidade.

É importante mencionar que essa categoria função e suas subdivisões (fluxo, circulação, hierarquia, modelo, zona, etc.) está tão arraigada na idéia mesma de espaço que se transformou numa das idéias matrizes para a arquitetura – tanto quanto a necessidade de luz – e assim, para todas as discussões ou proposições de projeto (Silva, 1994).

22

2.2 Espaço Hospitalar

2.2.1 Definições de Espaço Hospitalar

Na visão da arquitetura, espaço hospitalar é o ambiente ou local fisicamente determinado e especializado para o desenvolvimento de determinadas atividades, visando o cuidado ao paciente, caracterizado por dimensões e instalações. Para Silva, 1994:

concepção do edifício hospitalar assim como do espaço resultante é organizado segundo

uma especialização das áreas internas, baseada no agrupamento de atividades mais ou menos complementares que dizem respeito aos cuidados para com os pacientes. Esta maneira de

organizar o espaço estabelece uma forte estruturação do mesmo a partir dos diferentes eixos

Esta maneira de pensar o hospital conduz à estandardização formal das

soluções arquitetônicas que dissimula um raciocínio particular e caro à arquitetura: a idéia sobre o uso e sobre as atividades desenvolvidas no espaço, assim como que sobre as

de circulação

“ a

”funções”.

2.3 Unidades Funcionais

2.3.1 Definições de Unidades Funcionais

A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, no uso de suas atribuições aprova a Resolução – RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, que dispõe sobre o Regulamento Técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. Segundo especificado nesta Resolução – RDC nº 50, unidade funcional é o conjunto de atividades e sub-atividades pertencentes a uma mesma atribuição. Os grupos de atividades de cada atribuição compõem unidades funcionais, que embora com estreita conotação espacial, não constituem, por si só, unidades espaciais. São oito as unidades funcionais que se desdobram em atividades e sub-atividades representadas na figura 2.

23

7. APOIO ADMINISTRATIVO

23 7. APOIO ADMINISTRATIVO 6. ENSINO E PESQUISA 1. ATEND. EM REGIME AMBULATORIAL E DE HOSPITAL-DIA

6. ENSINO E PESQUISA

1. ATEND. EM REGIME AMBULATORIAL E DE HOSPITAL-DIA 2. ATENDIMENTO IMEDIATO 3. ATEND. EM REGIME
1.
ATEND. EM REGIME
AMBULATORIAL E DE
HOSPITAL-DIA
2. ATENDIMENTO IMEDIATO
3. ATEND. EM REGIME DE
INTERNAÇÃO
4.
APOIO AO DIAGNÓSTICO E
TERAPIA

8. APOIO

LOGÍSTICO

4. APOIO AO DIAGNÓSTICO E TERAPIA 8. APOIO LOGÍSTICO 5. APOIO TÉCNICO Figura 2: Diagrama das

5. APOIO TÉCNICO

Figura 2: Diagrama das Unidades funcionais das instituições hospitalares

(Fonte: RDC nº 50 Ministério da Saúde, 2002)

1-Prestação de atendimento eletivo de promoção e assistência à saúde em regime

ambulatorial e de hospital-dia - atenção à saúde incluindo atividades de promoção,

prevenção, vigilância à saúde da comunidade e atendimento a pacientes externos de

forma programada e continuada;

2-Prestação de atendimento imediato de assistência à saúde - atendimento a pacientes

externos em situações de sofrimento, sem risco de vida (urgência) ou com risco de

vida (emergência);

3-Prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação -

atendimento a pacientes que necessitam de assistência direta programada por período

superior a 24 horas (pacientes internos);

24

4-Prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia - atendimento a pacientes internos e externos em ações de apoio direto ao reconhecimento e recuperação do estado da saúde (contato direto);

5-Prestação de serviços de apoio técnico - atendimento direto a assistência à saúde em funções de apoio (contato indireto);

6-Formação e desenvolvimento de recursos humanos e de pesquisa - atendimento direta ou indiretamente relacionado à atenção e assistência à saúde em funções de ensino e pesquisa;

7-Prestação de serviços de apoio à gestão e execução administrativa - atendimento ao estabelecimento em funções administrativas;

8-Prestação de serviços de apoio logístico - atendimento ao estabelecimento em funções de suporte operacional.

As quatro primeiras são atribuições fim, isto é, constituem funções diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde. As quatro últimas são atribuições meio para o desenvolvimento das primeiras e de si próprias. As atividades da farmácia hospitalar correspondem à prestação de serviços de apoio técnico, que inclui:

receber e inspecionar produtos farmacêuticos;

armazenar e controlar produtos farmacêuticos;

distribuir produtos farmacêuticos;

dispensar medicamentos;

manipular, fracionar e reconstituir medicamentos;

preparar e conservar misturas endovenosas (medicamentos);

preparar nutrições parenterais;

diluir quimioterápicos;

diluir germicidas;

25

realizar controle de qualidade;

prestar informações sobre produtos farmacêuticos.

2.4 Unidade Funcional 5 – apoio técnico: Farmácia Hospitalar

2.4.1 Definições de Farmácia Hospitalar

Unidade destinada a programar, receber, estocar, preparar, controlar e distribuir medicamentos ou afins e/ou manipular fórmulas magistrais e oficinais (RDC nº 50, 2002).

A Farmácia Hospitalar é um órgão de abrangência assistencial, técnico-científica e

administrativa, onde se desenvolvem atividades ligadas à produção, armazenamento,

controle, dispensação e distribuição de medicamentos e correlatos às unidades hospitalares. É igualmente responsável pela orientação de pacientes internos e ambulatoriais, visando sempre à eficácia da terapêutica, além da redução dos custos, voltando-se também para o ensino e a pesquisa, propiciando assim um vasto campo de aprimoramento profissional. Um Serviço de Farmácia em um hospital é o apoio clínico integrado, funcional e, que está hierarquicamente, em um grupo de serviços que dependem diretamente da Direção Central e estão em constante e estreita relação com sua administração.

A principal razão de ser da Farmácia é servir ao paciente, objetivando dispensar

medicações seguras e oportunas. Sua missão compreende tudo o que se refere ao medicamento, desde sua seleção até sua dispensação, velando, a todo o momento, por sua adequada utilização no plano assistencial, econômico, investigativo e docente. O farmacêutico tem, portanto, uma importante função clínica, administrativa e de consulta. Segundo Bisson & Cavallini, 2002 a farmácia hospitalar tem como principal função garantir a qualidade de assistência prestada ao paciente por meio do uso seguro e racional de medicamentos e correlatos, adequando sua aplicação à saúde individual e coletiva, nos planos assistencial, preventivo, docente e investigativo, devendo, para tanto, contar com farmacêuticos em número suficiente para o bom desempenho da assistência. Nas atividades de assistência, é de competência da farmácia hospitalar:

26

1. Assumir a coordenação técnica nas discussões para seleção e aquisição de

medicamentos, germicidas e correlatos, garantindo sua qualidade e a eficácia da terapia medicamentosa.

2. Cumprir normas e disposições gerais relativas a armazenamento, controle de estoque

e distribuição de medicamentos, correlatos, germicidas e materiais médico-hospitalares.

3. Estabelecer um sistema eficiente e seguro de dispensação para pacientes

ambulatoriais e internados, de acordo com as condições técnicas do hospital onde se efetive.

4. Dispor do setor de farmacotécnica, composto de unidades para:

manipulação de fórmulas magistrais e oficinais;

manipulação e controle de antineoplásicos;

preparo e diluição de germicidas;

reconstituição de medicamentos, preparo de misturas intravenosas e de nutrição parenteral;

fracionamento de doses;

análises e controles correspondentes;

produção de medicamentos;

outras atividades passíveis de serem realizadas segundo a constituição da farmácia hospitalar e as características do hospital.

5. Elaborar manuais técnicos e formulários próprios.

6. Manter membro permanente nas comissões de sua competência, em especial:

na comissão de farmácia e terapêutica ou de padronização de medicamentos;

na comissão de licitação ou parecer técnico;

na comissão de suporte nutricional.

7. Atuar na Central de Esterilização, para orientação de processos de desinfecção e

esterilização de materiais, podendo mesmo ser responsável pelo setor.

8. Participar dos estudos de ensaios clínicos e do programa de farmacovigilância do

hospital.

9. Exercer atividades formativas sobre materiais de sua competência, promovendo

cursos e palestras e criando um setor de informações de medicamentos, de acordo com as condições do hospital.

27

10. Estimular a implantação e o desenvolvimento da farmácia clínica. 11. Exercer atividades de pesquisa, desenvolvimento e tecnologia farmacêuticos, no preparo de medicamentos e germicidas. A estrutura organizacional de uma Farmácia Hospitalar depende do tipo de atendimento assistencial da instituição, do número de leitos, das atividades da farmácia e dos recursos financeiros, materiais e humanos, disponíveis (Guia Básico para a Farmácia Hospitalar do Ministério da Saúde, 1994). A figura 3 mostra a organização de uma farmácia hospitalar.

FARMÁCIA HOSPITALAR Farmacotécnica Farmácia Manipulação Distribuição Dispensação Recepção e Armazenagem
FARMÁCIA HOSPITALAR
Farmacotécnica
Farmácia
Manipulação
Distribuição
Dispensação
Recepção e
Armazenagem e
Inspeção
controle
Preparo e diluição
de germicidas
Ambulatório
Matéria-prima (inflamáveis e
não inflamáveis)
Pronto-atendimento
Laboratório de
controle de
Material de embalagem e
envase
Internação
qualidade
Centro de
UTI
informações
Quarentena
sobre
UTQ
medicamentos
Limpeza e
Medicamentos (termolábeis,
imunobiológicos e
controlados
Centro Cirúrgico
higienização de
insumos
Centro Obstétrico
Preparação de
Materiais e artigos
médicos descartáveis
quimioterápicos
CPN
Manipulação de
Germicidas
Radioterapia e
nutrição
Quimioterapia
parenteral
Soluções parenterais
Diálise
Correlatos

Figura 3: Organograma da farmácia hospitalar. (Fonte: Guia Básico para a Farmácia Hospitalar do Ministério da Saúde, 1994)

28

2.5 Farmacotécnica e Farmácia

2.5.1 Definições de Farmacotécnica

É o setor ou seção da farmácia responsável pela atividade de manipular determinadas preparações farmacêuticas. De acordo com o Guia Básico para Farmácia Hospitalar do Ministério da Saúde (1994), o desenvolvimento da tecnologia farmacêutica e, sobretudo, o crescente rigor nas exigências de qualidade determina que a razão da existência da área de farmacotécnica no hospital é, principalmente, a preparação de fórmulas não existentes no mercado e a manipulação de germicidas, produtos estéreis e medicamentos em condições que garantam a correta utilização das especialidades farmacêuticas produzidas pela indústria farmacêutica. Conseqüentemente, as atividades da área de farmacotécnica compreendem a produção e o controle de uma série de preparações normalizadas e extemporâneas, a preparação de misturas intravenosas e de nutrição parenteral, além das operações de fracionamento e diluição de produtos comerciais, para sua adequação aos sistemas de distribuição do hospital e as necessidades de uso. A finalidade da farmacotécnica é de contribuir com as demais áreas da farmácia hospitalar para que esta cumpra sua missão de serviço clínico e colabore na assistência ao paciente. Os objetivos específicos da farmacotécnica no hospital são:

a- Proporcionar medicamentos com a qualidade aceitável, adaptados as necessidades específicas da população que atende.

b- Desenvolver fórmulas de medicamentos e produtos de interesse estratégico e/ou

econômico para farmácia hospitalar e hospital. c- Fracionar e/ou reenvasar os medicamentos elaborados pela indústria farmacêutica a fim de racionalizar sua distribuição e administração. d- Preparar, diluir e/ou reenvasar germicidas necessários para as ações de anti- sepsia, limpeza, desinfecção e esterilização.

e- Garantir a qualidade dos produtos elaborados, manipulados, fracionados ou reenvasados.

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f- Manipular produtos estéreis, incluindo soluções de nutrição parenteral,

citostáticos e misturas intravenosas, nas condições preconizadas pelas Boas Normas de Fabricação.

g- Contribuir na formação e reciclagem de pessoal auxiliar e outros farmacêuticos, nesta área de conhecimento e tecnologia.

A seguir a estrutura da farmacotécnica.

PREPARAÇÕES NÃO – ESTÉREIS PRODUÇÃO LABORATÓRIO DE ANÁLISE E CONTROLE DE QUALIDADE PREPARAÇÕES
PREPARAÇÕES
NÃO – ESTÉREIS
PRODUÇÃO
LABORATÓRIO DE
ANÁLISE E
CONTROLE DE
QUALIDADE
PREPARAÇÕES
PRODUÇÃO
ESTÉREIS
FRACIONAMENTO
FRACIONAMENTO
GERMICIDAS DILUIÇÃO E PRODUÇÃO
GERMICIDAS
DILUIÇÃO E
PRODUÇÃO

FORMAS FARMACÊUTICAS SÓLIDAS E SEMI

FORMAS FARMACÊUTICAS LÍQUIDAS

COLÍRIOS

NUTRIÇÃO PARENTERAL

CITOSTÁTICOS

MISTURAS INTRAVENOSAS

Figura 4: Organograma da Farmacotécnica. (Fonte: Guia Básico para a Farmácia Hospitalar do Ministério da Saúde, 1994)

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2.5.2 Definições de Farmácia

De acordo com a Resolução RDC-50 do Ministério da Saúde (2002) a Farmácia consiste nas áreas para recepção e inspeção, armazenagem e controle, distribuição e dispensação, ou seja, Central de Abastecimento Farmacêutico (CAF). O Guia Básico de Farmácia Hospitalar do Ministério da Saúde (1994) define que a Central de Abastecimento Farmacêutico tem como objetivo básico garantir a correta conservação dos medicamentos, germicidas, correlatos e outros materiais adquiridos, dentro de padrões e normas técnicas específicas, que venham assegurar as características e qualidades necessárias à sua correta utilização. A Central de Abastecimento Farmacêutico deve estar organizacionalmente dividida em:

recepção, armazenagem e distribuição. Os produtos devem ser recebidos conforme as especificações padronizadas, de modo a garantir que o produto adquirido mantenha a qualidade adequada. Quando da armazenagem, os produtos devem ser dispostos técnica e racionalmente, garantindo sua inviolabilidade e conservação. A distribuição deve ser efetuada de modo a permitir o atendimento correto, segundo o solicitado, verificando a prioridade de entrega e a integridade dos produtos fornecidos. Medicamentos, correlatos, produtos inflamáveis, radiofármacos e outros, necessitam de condições específicas de armazenamento de acordo com suas características físico- químicas, sendo conveniente à divisão em áreas isoladas:

Área de armazenagem geral – onde são acondicionados as especialidades farmacêuticas e outros produtos que não exigem condições especiais de temperatura, luz e umidade. Esta área pode ser subdividida em vários espaços para guardar, separadamente, soluções parenterais de grande volume, contrastes radiológicos, soluções anti – sépticas, matérias – primas, material para envase, correlatos e outros. Área de armazenagem de inflamáveis – exige paredes reforçadas e temperatura controlada para evitar o risco de explosão.

Área de armazenagem de termolábeis – onde são armazenados produtos sensíveis às variações de temperatura utilizando equipamentos frigoríficos adequados às

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necessidades locais e sistemas de segurança que incluem, rede alternativas de energia e sistema de alarme.

Área de armazenagem de psicotrópicos e entorpecentes – por serem produtos que causam dependência física e psíquica, precisam ser armazenados com segurança em áreas isoladas, ou em armários com fechadura.

Área de armazenagem de radiofármacos – quando a farmácia se propõe a

acondicionar estes produtos, deve seguir as normas estabelecidas pela Comissão Nacional de Energia Nuclear – CNEN. Uma das atividades de maior impacto na farmácia é a distribuição e/ou a dispensação de medicamentos. Quanto maior for a eficiência e eficácia do sistema de distribuição de medicamentos e correlatos, maior contribuição será prestada para garantir o sucesso das terapêuticas e profilaxias instauradas. Os aspectos importantes para a racionalidade e eficácia do sistema de distribuição são:

o controle de estoque, a padronização, o envolvimento de recursos humanos treinados e capacitados para o exercício das funções e o controle da qualidade de todos os processos abordados. É de extrema importância que se consiga atender a todas as áreas do hospital (Bisson & Cavallini, 2002). Os objetivos de um sistema de dispensação de medicamentos segundo a Organização Pan – Americana de Saúde são:

a- Reduzir erros de medicação – incorreta transcrição da prescrição, erros de via de administração, erros de forma farmacêutica e falha no planejamento terapêutico.

b- Racionalização da distribuição – ou seja, facilitar a administração dos fármacos por uma dispensação ordenada, segundo horários e pacientes, em condições adequadas para a pronta administração dos medicamentos pela enfermagem. c- Aumentar o controle dos medicamentos – para que o controle seja eficaz, é preciso que o farmacêutico tenha acesso às informações sobre o paciente (idade, peso, diagnóstico, medicamentos prescritos), o que permite melhor avaliação da prescrição médica e monitorização da farmacoterapia. A informação detalhada pode alertar para eventuais reações adversas, interações medicamentosas, melhores horários de absorção de determinados medicamentos e, até mesmo, para o não cumprimento do plano terapêutico.

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d- Reduzir os custos com medicamentos – preconiza-se que a dispensação deva ser diferenciada por paciente e para um período de 24 horas. Dessa forma, ocorrerá naturalmente redução do custo do estoque, a diminuição dos gastos com doses excedentes e a melhora do controle de estoque e faturamento.

e- Aumentar a segurança para os pacientes – a segurança só será obtida pelo somatório dos itens anteriores: adequação da terapêutica, redução de erros, racionalização da distribuição e aumento de controle de medicamentos e materiais. Os sistemas de dispensação de medicamentos são classificados como:

coletivo;

individualizado;

dose unitária;

misto (quando, no mesmo hospital, adota-se mais de um tipo de sistema)

No sistema de distribuição coletiva ou de estoque descentralizado por unidade assistencial, a farmácia hospitalar é mero repassador de medicamentos em embalagens originais segundo o solicitado pelo pessoal da enfermagem, ou segundo um estoque mínimo e máximo para cada unidade solicitante. Assim, quem mais executa as atividades de dispensação farmacêutica é a equipe de enfermagem, gastando cerca de 15 a 25% do seu tempo na armazenagem e preparo de medicamentos. Ocorre alto custo de estocagem, grande perda por caducidade e/ou má armazenagem, aumento da incidência de erros de medicação, incremento da possibilidade de contaminações e facilidade para desvios.

O sistema de distribuição de medicamentos por prescrição individualizada pode ser efetuado de duas maneiras, através da transcrição da prescrição médica ou de cópia da mesma. Na primeira, tem-se a possibilidade de erros de transcrição, prescrições adulteradas e outros. Com a transcrição estabelecida pela cópia, da transcrição médica, esses erros são minimizados. O fornecimento de medicamentos individualizados por paciente não determina a diminuição do tempo de preparo de doses, erros de administração, perdas por deterioração e desvios.

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Relatos afirmam que este sistema, contraposto ao de dose unitária, permite um estoque desnecessário em unidades de internação, em torno de 25%. Mesmo que a redução do problema seja parcial para a realidade brasileira, a implantação deste sistema já é um grande avanço.

Sistema de distribuição por dose unitária (SDMDU) é o sistema que tem os medicamentos contidos em embalagens unitárias, dispostos conforme o horário de administração e prontos para serem utilizados segundo a prescrição médica, individualizados e identificados para cada paciente. A implantação do SDMDU é justificada pela:

Redução da incidência de erros da medicação;

Diminuição do tempo utilizado pelo pessoal da enfermagem para armazenagem e preparo de medicamentos, com a conseqüente elevação da qualidade assistencial;

Economia de custos em atividades relacionadas aos medicamentos;

Redução de estoques nas unidades assistenciais e das perdas relativas à caducidade, falta de identificação de medicamentos e redução de desvios;

Melhor controle e racionalização na utilização de medicamentos, através de monitorização da terapêutica;

Otimização da higiene e organização do sistema de distribuição, prevenindo possíveis contaminações e alterações;

Grande adaptabilidade a sistemas automatizados e computadorizados;

Garantia da utilização do medicamento certo, na dose certa, na hora certa,

segundo a prescrição médica. Na implementação do SDMDU, faz-se necessária à adoção de providências que coloquem a disposição das unidades de internação, medicamentos para urgências. Deve-se elaborar uma listagem com quantidades máximas e mínimas de medicamentos selecionados para tal fim, bem como a forma de controle e reposição. De acordo com o Guia Básico para Farmácia Hospitalar (1994), a distribuição de correlatos pode estar incluída nas atividades do setor de dispensação ou da Central de

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Abastecimento Farmacêutico, segundo a realidade de cada instituição. A distribuição pode ser realizada, segundo os sistemas acima descritos para os medicamentos.

A seguir estão descritas as vantagens e desvantagens dos sistemas de distribuição de medicamentos mencionados no texto.

Sistemas de distribuição de medicamentos

Vantagens

Desvantagens

Dose Coletiva

Rápida disponibilidade de medicamentos na unidade assistencial; mínimas atividades de devolução à farmácia; redução das atividades de recursos humanos e de infra – estrutura da farmácia hospitalar; mínima espera na execução das prescrições; ausência de investimento inicial.

Aumento potencial de erros de medicação; perdas econômicas devido à falta de controle; aumento de estoque de medicamentos nas farmácias central e satélites; incremento das atividades do pessoal da enfermagem; facilidade de acesso aos medicamentos por qualquer pessoa; falta de segurança; difícil integração do farmacêutico à equipe de saúde.

Dose Individualizada

Diminuição dos estoques nas unidades assistenciais; redução de erros de medicação; facilidade para devoluções à farmácia; redução do tempo do pessoal da enfermagem nas

Aumento das necessidades de recursos humanos e infra – estrutura na farmácia hospitalar; exigência de investimento inicial; incremento das atividades desenvolvidas pela farmácia; necessidade de plantão na farmácia; permite ainda erros de medicação; na

com medicamentos; redução de custos; controle mais

atividades

35

 

efetivo; aumento da integração do farmacêutico com a equipe de saúde.

permite controle total sobre as perdas econômicas.

Dose Unitária

Redução de estoque nas unidades assistenciais ao mínimo necessário; diminuição drástica de erros de medicação; otimização das devoluções à farmácia; redução do tempo do pessoal da enfermagem dedicado ao preparo dos medicamentos; rapidez na administração dos medicamentos; promoção do acompanhamento de pacientes; controle efetivo do estoque; integração do farmacêutico com a equipe de saúde; oferta de medicamentos em doses organizadas e higiênicas; aumento da segurança do médico; otimização da qualidade assistencial.

Aumento das necessidades de recursos humanos e infra – estrutura da farmácia hospitalar; exigência de investimento inicial; incremento das atividades desenvolvidas pela farmácia; aquisição de materiais e equipamentos especializados.

Quadro 1: Vantagens e desvantagens dos sistemas de distribuição de medicamentos da Farmácia Hospitalar. (Fonte: Guia Básico para a Farmácia Hospitalar do Ministério da Saúde, 1994)

Alguns fatores influenciam na distribuição de medicamentos, como a estrutura organizacional e física do Hospital, uma vez que delimita as condições do sistema de

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distribuição de medicamentos. É necessário analisar a qualificação do corpo funcional, suas competências e as funções que desempenham. Dependendo destas características, o sistema de distribuição de medicamentos estará condicionado a necessidade de evitar gastos supérfluos, e também, para obter uma melhor assistência à saúde, assegurando o uso racional dos medicamentos e um controle farmacoterapêutico dos mesmos (Cipriano et al,

2001).

Com relação à estrutura física é importante observar o porte do estabelecimento, podendo ser de pequeno, médio ou grande porte. O sistema de distribuição de medicamentos também é influenciado pelo tipo de assistência prestada pelo Hospital. É importante observar a especialidade e a complexidade da instituição, podendo variar de acordo com os serviços oferecidos ao paciente.

2.6 Carros de Dispensação

2.6.1 Definições de Carros de Dispensação

Os carros de dispensação são mobiliários que transportam gaveteiros com medicamentos para as diversas unidades hospitalares. Devido à especificidade de cada setor do Hospital, os carros de dispensação de medicamentos se diferem quanto ao funcionamento, design, estrutura, logística, e, principalmente, quanto aos medicamentos que serão dispensados. Nos últimos anos, os hospitais têm modernizado os seus sistemas de trabalho, introduzindo novas tecnologias que visam a sua racionalização, economia de mão-de-obra, melhor relação custo-beneficio, buscando a melhoria contínua da qualidade na prestação de serviços (Cipriano et al, 2001). Segundo Karman (2005), o primórdio da “dispensação racional” acontece nos EUA, com carros de dispensação, especificamente de psicotrópicos, estacionados em Unidades de Internação, onde as pessoas autorizadas, médicos e enfermagem, digitam uma senha, os dados pessoais e os dados referentes ao fármaco retirado, obrigatoriamente um profissional e uma testemunha, os dados são transmitidos para a central farmacêutica para controle do estoque.

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Atualmente, a farmácia hospitalar pode contar com utilização de um sistema móvel integrado de distribuição de medicamentos para os diversos setores do estabelecimento hospitalar. A automação e a informática aperfeiçoaram o sistema. Os carros de dispensação são abastecidos em quantidade equivalente ao número de leitos da unidade hospitalar. Cada gaveta (bin) corresponde a um paciente (Anexo G).

2.7 Infecção Hospitalar

Burton (1992) define infecção hospitalar como qualquer processo infeccioso que se

manifesta quando da permanência do paciente no hospital ou que pode ser relacionado à hospitalização.

A infecção hospitalar se apresenta como resultado, obviamente não desejado, da

atenção à saúde em um hospital. Além de suas sérias implicações na saúde do paciente, aumentam de maneira significativa os custos e as responsabilidades para as instituições hospitalares (M., 2005). O controle da infecção passa a ser uma profissão bem definida no setor de atenção à saúde e de fundamental importância. Os serviços de farmácia apresentam condições específicas para o controle de infecção hospitalar, conforme descreve Bolick et al (2000) a seguir:

Os serviços de farmácia costumam fazer parte dos programas de prevenção das doenças e educação das equipes, embora sejam responsabilidades muito além das tarefas básicas de preparar e dispensar fármacos estéreis. Na verdade, as medidas tradicionais de controle de infecção, que têm como objetivo evitar a transmissão dos microrganismos patógenos entre os pacientes e membros da equipe, são consideradas irrelevantes nos ambientes controlados de um serviço de farmácia. Evidentemente, o principal problema do serviço de farmácia é evitar a contaminação dos medicamentos. A proliferação microbiana aumenta com o tempo. Assim, quanto mais tempo uma solução intravenosa ficar guardada, maiores as chances de contaminação microbiana. Isso explica porque as soluções intravenosas devem ser preparadas de acordo com a necessidade e administradas ao paciente logo que possível (em geral, dentro de 24 horas após a preparação), a menos que sejam armazenadas sob refrigeração. Os produtos preparados para uso subseqüente podem exigir técnicas rigorosas de preparação para assegurar sua assepsia e, em geral, são refrigerados e congelados.

A redução do risco de infecção hospitalar na farmácia, no sentido de evitar a

contaminação dos produtos estéreis, é possível com o armazenamento apropriado e assepsia do ambiente e equipamentos.

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A prevenção das infecções começa com o armazenamento correto dos medicamentos, considerando condições como a temperatura, iluminação, grau de umidade e ventilação. O acesso à área de armazenagem deve ser limitado para reduzir o tráfego desnecessário de pessoas. Dessa forma, segundo Gomez, 2003:

A arquitetura hospitala vem-se ocupando em dar respostas de ordem física às questões da assistência médico-hospitalar. Conforme avançam a medicina, os conceitos de assepsia e os métodos de diagnóstico e tratamento, o desenho dos hospitais vai-se modificando até encontrar um caminho funcionalista. Esta compreensão desencadeia um processo de simplificação do desenho, pela compreensão de um novo papel do ambiente físico relativo ao controle de infecção hospitalar: o de criar facilidades para que as condutas de higienização possam efetivar-se. Por outro lado, esta visão possibilita soluções gerenciais e arquitetônicas mais simples e econômicas.

A assepsia do ambiente é muito importante e os membros da equipe que preparam e dispensam produtos estéreis devem ser cuidadosamente treinados e sua técnica asséptica deve ser avaliada a intervalos periódicos. Como alguns microrganismos podem sobreviver por longos períodos, as superfícies dos ambientes, como os carros de dispensação devem ser cuidadosamente limpos e desinfectados, uma vez que transitam pelos diversos setores do hospital. A equipe de controle de infecção hospitalar deve certificar-se de que a instituição segue procedimentos adequados durante a assistência, limpeza e desinfecção rotineiras das superfícies dos ambientes e equipamentos.

3 SUPORTE PRÁTICO

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Com a finalidade de entender o funcionamento das farmácias hospitalares e buscar as vantagens e desvantagens dos sistemas utilizados nas Instituições, pretende-se realizar um levantamento de dados junto a dois hospitais gerais da cidade de Belo Horizonte. A seguir, são apresentados os critérios de seleção das organizações hospitalares, a metodologia de coleta de dados utilizada, uma breve descrição dos hospitais selecionados e os resultados obtidos através do levantamento realizado junto aos profissionais. Ao final, procede-se a análise conjunta dos dois hospitais quanto ao suporte prático. Segundo Polit & Hungler (1999) o propósito do estudo exploratório é observar, descrever e documentar aspectos de uma situação ou a maneira como ela ocorre naturalmente (apud Silva, 2003, p. 24). O estudo de caso é adequado para esta pesquisa pois possibilita responder as questões que se propõe entender, ou seja, conhecer o funcionamento das farmácias hospitalares e demais ambientes de serviços dos hospitais a fim de analisar as vantagens e desvantagens da logística utilizada em cada instituição, visando a melhor forma de gerenciar os espaços.

3.1 Seleção das Instituições para Efeito de Diagnóstico

As Instituições selecionadas, para efeito de diagnóstico, seguem alguns critérios como:

O porte da instituição pesquisada, ambos os Hospitais pesquisados são de médio porte;

A atenção em clínicas básicas e especializadas;

O número de leitos existentes no Pronto - Atendimento, no Centro de Tratamento Intensivo, na Internação Geral e o número de salas no Centro Cirúrgico, uma vez que a farmácia atende prioritariamente estes setores;

O número de atendimentos médios mensais nos serviços de Pronto- Atendimento, Cirurgia e exames de apoio ao diagnóstico;

O interesse dos Hospitais em ajudar a pesquisa;

Facilidade de acesso pelo pesquisador.

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A coleta de dados é realizada nos meses de março a junho de 2005, tendo como foco o

sistema de distribuição de medicamentos de duas farmácias hospitalares, assim como a logística do funcionamento e o bom gerenciamento do espaço.

O estudo desenvolve-se em etapas, sendo que para cada uma corresponde uma técnica

diferenciada de coleta de dados como entrevistas através de questionários, observação não -participante e análise de documentos desenvolvidos pela equipe hospitalar cedidos pelos Hospitais.

A elaboração dos questionários é realizada com base na experiência de 1 Farmacêutico,

1 Administrador Hospitalar e 1 Arquiteto (Anexo B).

A primeira etapa se consolida com a análise dos documentos desenvolvidos pela equipe

hospitalar que são cedidos pelos Hospitais com o intuito de fornecer dados estatísticos das Instituições e complementar os dados pesquisados. Esta análise possibilita uma visão geral

das situações de cada hospital.

A segunda etapa é a realização de uma entrevista estruturada seguindo um roteiro que

possibilita o pesquisador aplicar um questionário elaborado com perguntas abertas e diretas

(Anexo B). A pesquisa é feita com os farmacêuticos responsáveis das Farmácias Hospitalares dos dois Hospitais pesquisados. Na terceira etapa realizam-se observações não-participantes e visitas guiadas pelos

setores onde atua a farmácia hospitalar, tendo como foco a dispensação e administração dos medicamentos e os locais onde estes são armazenados.

A observação não-participante e direta obedece ao método de coleta de dados onde o

observador não intervém tentando provocar ou mudar o comportamento do sujeito

participante (Lo Biondo-Wood, 2001).

A quarta etapa é composta de entrevistas semi-estruturadas junto a profissionais de

diversas áreas de atuação na assistência hospitalar. Os profissionais são escolhidos de acordo com os setores de atuação, sobre o qual a farmácia hospitalar tem papel fundamental para a dispensação de medicamentos, como a unidade de pronto-atendimento, o centro cirúrgico e o centro de tratamento intensivo.

3.3 Apresentação dos Locais Pesquisados

41

Para a pesquisa foram escolhidos dois Hospitais Gerais da cidade de Belo Horizonte. São apresentadas a seguir as características dos dois Hospitais pesquisados, Hospital A e Hospital B, bem como as farmácias hospitalares de cada instituição e seus sistemas de distribuição de medicamentos e correlatos, finalizando com uma análise conjunta dos resultados obtidos.

3.3.1 Hospital A

Hospital A é um hospital geral, filantrópico, de médio porte, com 184 leitos e 860 funcionários, possuindo uma área construída de 17.000m², implantado em um terreno de

12.800m².

As atividades exercidas pelo estabelecimento, os horários e os dias por semana estão descritos abaixo:

Unidades de Serviços Especializados:

1. Ambulatório: 24 horas, sete dias da semana.

2. Internação: 24 horas, sete dias da semana.

3. Bloco Cirúrgico: 24 horas, sete dias da semana.

4. Enfermagem: 24 horas, sete dias da semana.

5. Consultórios: 6:00 às 18:00 horas, cinco dias da semana

6. UTI: 24 horas, sete dias da semana.

7. Isolamento: 24 horas, sete dias da semana.

8. Pronto-Atendimento: 24 horas, sete dias da semana.

Unidades de Apoio ao Diagnóstico:

1. Laboratório: 24 horas, sete dias da semana.

2. Anatomia Patológica: 8:00 às 19:00 horas, sete dias da semana.

3. Radioterapia: 6:30 às 18:30 horas, cinco dias da semana.

4. Oncologia: 8:00 às 17:30 horas, cinco dias da semana.

5. RAM (Rádio Moldagem): 24 horas, sete dias da semana.

6. Imagenologia: 8:00 às 18:00 horas, cinco dias da semana.

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8. Banco de Sangue: 24 horas, sete dias da semana.

Unidades de Apoio Técnico:

1. Serviço de Nutrição e Dietética: 6:00 às 22:00 horas, sete dias da semana.

2. Farmácia Hospitalar: 24 horas, sete dias da semana.

3. Central de Material Esterilizado (CME): 24 horas, sete dias da semana.

Unidades de Apoio Administrativo:

1. Tesouraria: 7:00 às 19:00 horas, sete dias da semana.

2. Recursos Humanos: 8:00 às 18:00 horas, cinco dias da semana.

3. Relações Públicas: 8:00 às 18:00 horas, cinco dias da semana.

4. SPP: 24 horas, sete dias da semana.

5. SAC: 7:00 às 17:00 horas, cinco dias da semana.

6. Arquivo Médico: 24 horas, sete dias da semana.

Unidades de Apoio Logístico:

1. Almoxarifado: 7:00 às 18:00 horas, cinco dias da semana.

2. Processamento de Roupas (Lavanderia): 24 horas, sete dias da semana.

3. Engenharia e Manutenção: 24 horas, sete dias da semana.

O Hospital A possui um total de 184 leitos divididos conforme Tabela abaixo:

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ATIVIDADE

NÚMERO DE LEITOS

1. Ambulatório

81

2. Apartamentos

61

3. RAM (Rádio Moldagem)

6

4. Isolado

2

5. CTI

14

6. UCO

6

7. Pediatria

6

TOTAL

184

Tabela 1: Atividades do Hospital A e o número de leitos de cada atividade

O número de atendimentos médios mensais das respectivas atividades e especialidades estão descritos a seguir:

Bloco Cirúrgico:

Cirurgias pequenas – 91

Cirurgias médias – 193

Cirurgias grandes – 136

Cirurgias ambulatoriais – 71

Pronto – Atendimento:

Clínica Médica – 301

Ortopedia – 31

Cirurgia geral – 13

Tratamentos:

Radioterapia – 77

Quimioterapia – 35

Consultórios:

Ambulatório – 1.844

Exames:

Endoscopia – 28

Citoscopia – 8

Eletrocardiograma – 21

44

Tomografia – 152

Ultra-sonografia – 135

Ecocardiograma – 216

Anatomia Patológica – 955

Citopatologia – 4426

Medicina Nuclear – 64

Raio X – 41

Mamografia – 36

Distribuição espacial do Hospital A:

O Hospital possui uma arquitetura horizontal e é composto por 5 pavimentos. No 1º pavimento estão localizados as enfermarias e os apartamentos, o Hospital divide a sua área de internação em 6 postos. Os postos 1 e 2 são constituídos de 19 enfermarias para atendimento do SUS (Sistema Único de Saúde), sendo estes ocupados basicamente por pacientes submetidos a tratamentos oncológicos, incluindo radioterapia e quimioterapia. Os postos 3 e 4 dispõem de 12 enfermarias e 10 apartamentos para atendimento de convênio. Nos 25 apartamentos do posto 5 e nos 28 apartamentos do posto 6, os pacientes estão internados para tratamentos diversos, incluindo radioterapia e quimioterapia. Existem 4 quartos destinados a radiomoldagem, onde pacientes recebem doses controladas de radiação. No 1º pavimento ainda se localiza o Leito-dia, onde ficam os pacientes submetidos a pequenos procedimentos cirúrgicos.

No pavimento térreo estão localizadas a Administração, o Pronto – Atendimento, para onde são levadas as pessoas que necessitam de atendimento imediato, os Consultórios que atendem nas áreas de citoscopia, oftalmologia, cardiologia, ginecologia, endoscopia, fisioterapia entre outros. O bloco cirúrgico dispõe de 6 salas de cirurgia, 1 farmácia satélite, 1 depósito de material de limpeza e 1 sala de recuperação. A central de material esterilizado e a Unidade de Tratamento Cardiovascular (UCO) estão localizadas ainda no pavimento térreo. O CTI do Hospital A conta com 14 leitos, sendo 3 específicos para pacientes em

45

isolamento, e com 1 farmácia satélite. A clínica de dor atende pacientes com dores crônicas e o laboratório realiza análises patológicas em amostras de sangue, urina e fezes de pacientes.

No 1º subsolo se localizam os serviços de quimioterapia, radioterapia, hemodinâmica, medicina nuclear, tomografia computadorizada, anatomia patológica, farmácia central, vestiários, velório, agência transfusional, raio-X, ecocardiograma, rouparia, refeitório, serviço de nutrição e dietética, manutenção e pronto – atendimento que atende o SUS.

O 2º subsolo possui apenas unidades administrativas e o 3º subsolo é gerenciado por

uma Faculdade.

3.3.1.1 Farmácia Hospitalar do Hospital A

O Hospital possui uma farmácia central localizada no 1º subsolo, como dito

anteriormente, e 3 farmácias satélites distribuídas no Centro Cirúrgico, na Internação e no Centro de Tratamento Intensivo (CTI).

A farmácia é composta por sala administrativa, área de recepção e inspeção, área de

manipulação (farmacotécnica), área de dispensação, sala de preparo e diluição de germicidas, sala de assepsia de embalagens, sala de preparação de quimioterápicos e central de armazenamento de medicamentos e materiais correlatos (CAF). A área de distribuição pertence a cada farmácia satélite, por se localizarem dentro dos setores. Uma farmacêutica é a responsável pela farmácia que possui no total 30 funcionários, sendo 2 auxiliares administrativos, 23 auxiliares de farmácia e 4 contínuos (aprendizes).

A farmácia funciona 24 horas e atende a todos os setores do hospital por horário. A

rotina de funcionamento é feita da seguinte forma, o médico prescreve no posto de enfermagem → a enfermagem transcreve e encaminha a cópia da prescrição → a farmácia separa os materiais/medicamentos para 24 horas → a enfermagem recebe e administra. Este sistema descrito acima é o sistema de distribuição de medicamentos por dose individualizada, que no Hospital A é feita por horário (de 2 em 2 horas). Uma das vantagens deste sistema de dose individualizada é a redução das devoluções de

46

medicamentos que antigamente chegava a 30% e hoje se tem 1% de produtos devolvidos. Isso porque os medicamentos são ministrados e dispensados por horário.

A farmácia conta com um sistema de dispensação de medicamentos e materiais

correlatos informatizado, o que facilita o controle. Os medicamentos prescritos pelo médico para determinado paciente são lançados em sua conta através de código de barras. As devoluções dos medicamentos não utilizados são registradas no computador e o erro de desvio de produtos é reduzido drasticamente, conforme relatado pela farmacêutica responsável. Porém, a prescrição médica ainda é feita manualmente em papel carbonado.

A farmácia do Hospital A possui um sistema descentralizado de armazenagem de

produtos, onde maior parte de seu estoque fica na central e as farmácias satélites atuam como intermediárias no processo de dispensação, abrigando os medicamentos de urgência e os produtos que serão encaminhados aos pacientes em 48 horas, além de estarem em contato direto com os médicos e enfermeiros. A farmácia não possui ligação com o almoxarifado geral do hospital. A distribuição de medicamentos e materiais é feita por meio de carros de dispensação que saem da farmácia central, abastecem as farmácias satélites para 48 horas e retornam à central. Segundo a farmacêutica responsável, estes carros de dispensação são muito antigos e falta infra-estrutura para um bom funcionamento da farmácia.

3.3.2 Hospital B

O Hospital B é um hospital geral da previdência privada, de médio porte, com 109

leitos e 891 funcionários, possuindo uma área construída de 10.439m², implantado em um terreno de 16.398m².

47

As atividades exercidas pelo estabelecimento, os horários e os dias por semana estão descritos abaixo:

Unidades de Serviços Especializados:

1. Ambulatório: 15 horas, cinco dias da semana.

2. Internação: 24 horas, sete dias da semana.

3. Enfermagem: 24 horas, sete dias da semana.

4. UTI: 24 horas, sete dias da semana.

5. Pronto-Atendimento: 24 horas, sete dias da semana.

6. Bloco Cirúrgico: 12 horas, cinco dias da semana e final de semana – urgência.

7. Hospital-Dia: 12 horas, cinco dias da semana.

8. ADT – Atendimento Domiciliar Terapêutico: 12 horas, cinco dias da semana.

9. Centro de Doenças Transmissíveis: 8 horas, cinco dias da semana.

10. Clínica da mão: 12 horas, cinco dias da semana.

Unidades de Apoio ao Diagnóstico:

1. Laboratório: 24 horas, sete dias da semana.

2. Laboratório Industrial: 12 horas, cinco dias da semana.

3. Laboratório de Citopatologia: 12 horas, cinco dias da semana.

4. Quimioterapia: 12 horas, cinco dias da semana.

5. Diagnóstico por Imagem: 13 horas, cinco dias da semana.

6. Radiologia: 24 horas, sete dias da semana.

7. Serviço Social: 9 horas, cinco dias da semana.

8. Banco de Sangue: 24 horas, sete dias da semana.

9. Fisioterapia Motora e Respiratória: 12 horas, cinco dias da semana.

10. Endoscopia Digestiva: 12 horas, cinco dias da semana.

11. Serviços de Métodos Gráficos: 12 horas, cinco dias da semana.

12. Puericultura: 12 horas, cinco dias da semana.

Unidades de Apoio Técnico:

1. Serviço de Nutrição e Dietética: 24 horas, sete dias da semana.

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2. Farmácia Hospitalar: 24 horas, sete dias da semana.

3. Central de Material Esterilizado (CME): 24 horas, sete dias da semana.

Unidades de Apoio Administrativo:

1. Faturamento: 12 horas, cinco dias da semana.

2. Licitação: 8 horas, cinco dias da semana.

3. Orçamentos e Finanças: 8 horas, cinco dias da semana.

4. Secretaria: 8 horas, cinco dias da semana.

5. Centro de Processamento de Dados: 8 horas, cinco dias da semana.

6. Recursos Humanos: 8 horas, cinco dias da semana.

7. Desenvolvimento Organizacional: 8 horas, cinco dias da semana.

8. SAS: 10 horas, cinco dias da semana.

9. SAC: 8 horas, cinco dias da semana.

10. Central de Controle de Infecção Hospitalar: 8 horas, cinco dias da semana.

11. Arquivo Médico: 24 horas, sete dias da semana.

12. Supervisão Médica: 12 horas, cinco dias da semana.

13. Auditoria Médica: 8 horas, cinco dias da semana.

14. Patrimônio: 8 horas, cinco dias da semana.

Unidades de Apoio Logístico:

1. Almoxarifado: 8 horas, cinco dias da semana.

2. Processamento de Roupas (Lavanderia): 24 horas, sete dias da semana.

3. Manutenção de Equipamentos: 12 horas, cinco dias da semana.

4. Manutenção de Obras: 8 horas, cinco dias da semana.

5. Transporte: 24 horas, sete dias da semana.

6. Segurança: 24 horas, sete dias da semana.

O Hospital B possui um total de 109 leitos divididos conforme Tabela abaixo:

 

ATIVIDADE

NÚMERO DE LEITOS

1.

Pronto – Atendimento

15

49

2. Apartamentos

16

3. Ala Feminina

26

4. Ala Masculina

30

5. CTI

7

6. Pediatria

15

TOTAL

109

Tabela 2: Atividades do Hospital B e o número de leitos de cada atividade.

O número de atendimentos médios mensais das respectivas atividades e especialidades estão descritos a seguir:

Internações:

Gerais – 350

Bloco Cirúrgico:

Cirurgias – 217

Pronto – Atendimento:

Adulto – 4.012

Pediátrico - 381

Tratamentos:

Quimioterapia – 71

Consultórios:

Ambulatório – 19.861

Exames:

Apoio ao Diagnóstico – 5.568

Distribuição espacial do Hospital B:

O Hospital possui uma arquitetura horizontal, é composto por 4 pavimentos, subsolo, térreo, 1º e 2º pavimentos e um prédio anexo. No subsolo estão localizados alguns serviços de apoio logístico como a lavanderia e o almoxarifado. O serviço de nutrição e dietética do

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hospital, considerado de apoio técnico, também se encontra neste pavimento. Dentre os serviços de atendimento aos pacientes externos estão o Pronto-Atendimento, o serviço de fisioterapia e a Puericultura e Profilaxia. Alguns setores administrativos, o velório e o SAS ainda estão localizados no subsolo, que é composto por um jardim e um pátio externo.

A maioria dos serviços administrativos, a diretoria, o SAME e o centro de estudos estão no pavimento térreo. Este pavimento abriga grande parte dos serviços de apoio ao diagnóstico, como o Raio-X, o laboratório de patologia clínica, o laboratório industrial, o laboratório de manipulação e misturas intravenosas e a endoscopia digestiva. A central de material esterilizado, considerada apoio técnico também se localiza neste andar, além do bloco cirúrgico com 5 salas de cirurgia e o ambulatório. Existe uma agência bancária no pavimento térreo.

No 1º pavimento estão concentradas as internações, têm-se as alas feminina e masculina, com leitos de enfermaria e os apartamentos. O centro de tratamento intensivo também se localiza neste andar. Os serviços existentes são a Farmácia Hospitalar, o laboratório de citopatologia, a sala de administração de quimioterápicos e a chefia de enfermagem.

O 2º pavimento é onde se localiza o setor pediátrico do Hospital B e no prédio anexo encontram-se setores administrativos e a farmácia ambulatorial.

3.3.2.1 Farmácia Hospitalar do Hospital B

O Hospital possui uma farmácia central no 1º pavimento e 3 farmácias satélites localizadas no Centro Cirúrgico, no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) e no Pronto- Atendimento.

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A farmácia é composta por área administrativa, área de recepção e inspeção, área de

dispensação, sala de preparo e diluição de germicidas, central de misturas intravenosas, quimioterápicos e injetáveis, sala de manipulação de medicamentos (farmacotécnica) e uma central de armazenamento de materiais.

O número total de funcionários que trabalha na farmácia é 34, sendo 1 farmacêutica

responsável, 2 farmacêuticos, 28 auxiliares de farmácia e 3 estagiários.

A farmácia central atende a todos os setores do hospital e funciona 24 horas, já as

farmácias satélites funcionam 12 horas e o almoxarifado de medicamentos e materiais correlatos funciona de 8 às 18 horas.

A rotina de funcionamento da farmácia é a seguinte, o médico prescreve em 2 vias

carbonadas → os auxiliares de farmácia buscam a prescrição e levam-na à farmácia → farmácia confere o pedido e administra a medicação. Os funcionários da farmácia

participam do processo de administração da medicação desde a prescrição médica por

horário, já a equipe de enfermagem faz este serviço fora dos horários padronizados, por exemplo, no caso de emergências.

O sistema de distribuição utilizado no Hospital B é misto, sendo utilizado o sistema

coletivo para medicamentos em solução de uso freqüente, que ficam nos postos de

enfermagem, como analgésicos e antitérmicos, o sistema individualizado para os

medicamentos líquidos, quando um paciente precisa tomar, por exemplo, um antibiótico (1 frasco) e o sistema de dose unitária para a maioria dos medicamentos. A farmácia hospitalar possui sistema informatizado que possibilita o controle de estoque e a real demanda de medicamentos a serem comprados, estando computado tudo o que é retirado da farmácia e as devoluções que são feitas.

O sistema descentralizado de armazenagem é o sistema utilizado no Hospital, com 1

farmácia central, 3 farmácias satélites e 1 almoxarifado de medicamentos e materiais. A dispensação é feita através de caixas separadas da farmácia central para os postos de enfermagem da internação e através de carros de dispensação do almoxarifado para a farmácia central e para as farmácias satélites do Centro Cirúrgico, Pronto-Atendimento e CTI .

3.3.3 Resultados obtidos através do levantamento de dados

52

De acordo com a análise feita dos dois Hospitais da cidade de Belo Horizonte, Hospital

A e Hospital B, é possível constatar que os sistemas de distribuição de medicamentos das

farmácias hospitalares são diferenciados em cada caso pesquisado. A farmácia hospitalar do Hospital A utiliza o sistema de distribuição de medicamentos por dose individualizada e a farmácia hospitalar do Hospital B utiliza o sistema misto de distribuição. Porém, com relação a dispensação da medicação e os espaços destinados ao armazenamento dos produtos, ambas as farmácias utilizam os sistemas descentralizados, possuindo farmácia central e farmácias satélites.

As opiniões dos responsáveis pelas farmácias pesquisadas também são diferentes com

relação à centralização dos estoques e a adoção do sistema móvel de distribuição dos medicamentos, modelo proposto neste trabalho.

A farmacêutica do Hospital A alega que a farmácia centralizada tem muitas vantagens

como economia de pessoal, redução do espaço físico e maior controle sobre os produtos. Entretanto, a desvantagem deste sistema é a localização da farmácia central, que no caso do Hospital A, se encontra distante dos setores onde presta assistência.

A farmacêutica do Hospital B afirma que uma farmácia centralizada apresenta

vantagens como redução dos custos hospitalares com um menor número de profissionais

distribuídos nas farmácias satélites e com o controle efetivo dos estoques farmacêuticos. Além, do ganho espacial que em muitos casos são necessários.

O Hospital B apresenta-se mais receptivo às mudanças organizacionais e à introdução

de novas tecnologias que propiciem o melhor funcionamento das farmácias,

principalmente, dos sistemas de distribuição de medicamentos aos pacientes.

A principal conclusão obtida com a análise dos hospitais pesquisados é que os atuais

sistemas de distribuição de medicamentos utilizados nos hospitais não atendem de forma eficiente e eficaz a demanda da farmácia, prejudicando seu funcionamento e a assistência

ao paciente. Por isso, precisam ser atualizados e providos de infra-estrutura para o melhor funcionamento da farmácia hospitalar.

Os dados obtidos através da coleta de informações nas etapas descritas anteriormente

permitem a identificação do funcionamento das farmácias hospitalares e os sistemas de distribuição de medicamentos, assim como a organização espacial e a logística adotada em

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cada caso. Possibilita também o conhecimento e as opiniões dos profissionais envolvidos nesse trabalho, com relação às vantagens e desvantagens dos sistemas e a introdução de novas tecnologias para atender a demanda da melhor forma possível. Portanto, inicialmente, apresenta-se o sistema de dispensação de medicamentos através de carros – medicamentos e, a seguir, a análise do mesmo.

4 MODELO: CARROS – MEDICAMENTOS

4.1 Sistema de Distribuição de Medicamentos

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O conceito de sistema traz as relações entre as partes e o todo, permitindo a compreensão de toda e qualquer atividade complexa, sendo os sistemas constituídos de conjuntos de componentes que se interagem, se inter-relacionam, se transformam e atuam entre si na execução de um objetivo global. Estes conjuntos podem ser assumidos como subsistemas ou processos, com funções e objetivos próprios, os quais afetam o comportamento do conjunto como um todo. Qualquer ação de uma parte, necessariamente, provoca uma reação das demais (Churchman, 1975 apud Silva, 2003). Um sistema possui entradas ou insumos (inputs), retira do ambiente o que necessita para poder operar (recursos, energia ou informação), processa suas entradas transformando- as (process), gera saídas ou resultados de suas operações na forma de produtos ou serviços (outputs), que são finalmente devolvidos ao ambiente (Chiavenato, 1994). Um sistema de distribuição de medicamentos deve possuir algumas características como a racionalidade, a eficiência, a economia e a confiabilidade e deve estar de acordo com o esquema terapêutico prescrito. Com um sistema eficaz de distribuição de medicamentos, mais garantido é o sucesso da terapêutica e da profilaxia instauradas no Hospital. Os principais objetivos de um sistema de distribuição de medicamentos, como dito anteriormente, é a redução de erros de medicação, administração, forma farmacêutica e planejamento terapêutico; a racionalização da distribuição, facilitando a administração dos fármacos por uma dispensação ordenada, segundo horários e pacientes em condições adequadas para a pronta administração pela equipe de enfermagem; o aumento do controle sobre os medicamentos; a redução dos custos com medicamentos; o aumento da segurança para os pacientes. Segundo Bisson & Cavallini (2002), em um hospital, existem setores diferenciados, com características específicas e necessidades próprias com relação aos medicamentos. Setores como o centro cirúrgico, centro de tratamento intensivo, pronto-atendimento e internação recebem materiais e medicamentos de forma diferenciada, pois são setores que se caracterizam por aspectos como:

Estoques elevados de materiais e medicamentos sem controle efetivo

Consumo excessivo de materiais e medicamentos

Custo unitário do que é consumido é alto

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Uso inadequado de alguns itens determina a ocorrência de desperdícios

Falta de cuidados com determinados produtos que necessitam de tratamentos

especiais Portanto é necessário adotar um modelo diferenciado de dispensação de medicamentos para que minimize os problemas freqüentes e otimize o funcionamento da farmácia hospitalar.

4.2 Modelo de Distribuição de Medicamentos através de Carros – Medicamentos

O modelo de distribuição de medicamentos através de carros – medicamentos é um sistema móvel, integrado a farmácia hospitalar que tem como objetivo a racionalização do processo de distribuição, redução de custos, segurança, redução de estoque periférico, reaproveitamento do espaço, melhor controle logístico, redução do tempo da enfermagem no preparo e ministração de medicamentos, dispensação de orientação quanto à diluição, estabilidade e tempo de infusão. O modelo funciona com uma logística diferenciada, onde o carro – medicamento sai da farmácia hospitalar com a medicação armazenada por horário e por paciente nos gaveteiros, denominados bins, cumpre suas atividades de medicação e retorna à farmácia central para ser reabastecido. Dessa forma, economiza o espaço das farmácias satélites e utiliza um processo de controle e segurança dos medicamentos. Este sistema centralizado de distribuição de medicamentos é um sistema em que a preparação das doses, a interpretação da ordem médica, a elaboração e armazenamento das formas farmacoterapêuticas se realizam em um mesmo lugar, na farmácia central. Isso implica em algumas vantagens, como um número menor de profissionais farmacêuticos, maior controle e supervisão de todo o processo do sistema, um menor custo, otimização espacial e uma maior assistência ao paciente por parte da equipe de enfermagem. Portanto, sua desvantagem mais significativa diz respeito à localização, pois se a farmácia central encontrar-se distante dos setores de assistência, demanda-se maior tempo para a medicação chegar ao paciente, principalmente nos setores de assistência imediata. Os hospitais possuem setores diferenciados, por isso, o sistema de dispensação também deve ser característico para cada setor. A farmácia hospitalar atende a todos os setores

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hospitalares, porém existem alguns que necessitam do medicamento ou material imediato para o atendimento ao paciente, como o pronto – atendimento, o CTI e o centro cirúrgico. Para estes setores, onde a medicação precisa estar disponível para uma emergência propõe-se a utilização do dispensador eletrônico, que funciona como um armário padronizado com a medicação básica para uma emergência. Atualmente, isso já acontece com os carros de emergência das unidades de internação, pronto – atendimento, centro cirúrgico, CTI, ambulatório e hemodinâmica, segundo o The Code Cart Statement, American Hospital Association, o conteúdo dos carros são divididos em níveis de prioridade:

Nível I – itens essenciais, que devem estar disponíveis imediatamente

Nível II – itens altamente recomendados, que devem estar disponíveis, no máximo, em 15 minutos

Nível III – itens recomendados, mas opcionais

A quantidade de drogas e equipamentos deve ser estipulada conforme necessidade da área, demanda de atendimentos e rotina institucional (Anexo C). De acordo com as entrevistas feitas com profissionais da área de saúde, para o Centro de Tratamento Intensivo propõe-se à utilização do dispensário eletrônico com os medicamentos essenciais, que devem estar disponíveis imediatamente. Os outros medicamentos necessários ao tratamento do paciente sem caráter de emergência, podem ser prescritos pelos médicos através de prescrição computadorizada até determinado horário. Dessa forma, o pedido é transmitido à farmácia por rede interligada de computadores. A farmácia confere o pedido, prepara e abastece os carros – medicamentos, que são levados aos pacientes, de acordo com uma rotina padronizada de procedimentos. Para o Centro Cirúrgico, propõe-se a utilização dos carros – medicamentos abastecidos com kits cirúrgicos e de anestesia padronizados (Anexo F), quando as cirurgias são eletivas. As cirurgias de emergência podem ser supridas com os carros de emergência ou o dispensário eletrônico com medicamentos essenciais padronizados pela instituição (Anexo D). Os produtos termolábeis, podem estar armazenados em geladeiras no posto de enfermagem e, estas, serem reabastecidas de acordo com a necessidade. Para que todo o sistema funcione adequadamente, as cirurgias devem estar organizadas segundo uma rotina, assim a enfermagem e a farmácia programam com antecedência a medicação.

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Para o setor de internação, propõe-se a utilização dos carros – medicamentos com rotinas estabelecidas, que haja padronização dos medicamentos para cada paciente e horários definidos. Segundo Cipriano et al (2001), os dispensários eletrônicos e os carros eletrônicos funcionam através de níveis de acesso que possibilitam ao usuário o controle de todas as informações, sendo que o nível 1 é o acesso ao controle e cadastro de pacientes, medicamentos, programação, relatórios e operação do carro eletrônico. O nível 2 dá acesso aos medicamentos programados, relatórios e operação do carro eletrônico. O nível 3 é o acesso aos medicamentos, programação e operação do carro. E o nível 4 é a operação do carro eletrônico. Todas as informações necessárias estão armazenadas em um banco de dados interligado através de rede com a farmácia central. A operação do carro é feita por leitor óptico, com leitura precisa e rápida do código de barras. O funcionamento acontece da seguinte forma:

Leitura do crachá para identificação do profissional (usuário)

Leitura da pulseira do paciente para identificação do paciente

O bin (gaveta) do paciente abre-se eletronicamente, mostrando todos os medicamentos e horários prescritos para aquele paciente

Leitura do medicamento informando sua prescrição

O medicamento utilizado é enviado automaticamente para a conta do paciente

Concluída a operação fecha-se o bin

Retorno do carro – medicamento para farmácia central para nova programação,

após ministração dos medicamentos em todos os horários É possível a retirada de um extrato pela equipe de farmácia para acompanhamento do perfil farmacológico do paciente com o mínimo erro, além de conter as informações do processo de ministração do medicamento. Os dispensários eletrônicos são abastecimentos após um extrato de utilização, sendo informado a quantidade de medicamento em cada bin, podendo ser abastecido de forma coletiva ou individual (Anexo G). Uma característica importante é que a farmácia tem o controle do estoque pois todo o sistema é interligado, podendo emitir pedidos de compras em datas oportunas e em quantidades adequadas.

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Outra vantagem é a liberação da equipe de enfermagem para as atividades de assistência ao paciente e não na busca por medicamentos. Karman (2005) enfatiza que o sistema apresentado é um exemplo de interação arquitetura – administração – farmácia – enfermagem, de inovações, aprimoramento gerencial, otimização e eficácia. A Figura 5, a seguir, ilustra a distribuição dos carros – medicamentos nos setores do hospital.

dos carros – medicamentos nos setores do hospital. Figura 5: Sistema integrado de distribuição de

Figura 5: Sistema integrado de distribuição de medicamentos através de carros – medicamentos pelos setores do hospital.

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(Fonte: o autor, 2005)

4.3 Requisitos para o Funcionamento do Sistema de Carros – Medicamentos

Para o funcionamento do sistema centralizado da farmácia hospitalar com dispensação de medicamentos através de carros para os diversos setores de assistência ao paciente são necessários alguns requisitos, que estão descritos a seguir:

Mudança organizacional da Instituição Hospitalar

 

Mudança cultural dos processos e rotinas estabelecidas do Hospital, principalmente da Farmácia Hospitalar

Participação e envolvimento da equipe de saúde

 

Padronização

de

medicamentos,

mantendo

atualizado

seu

Guia

Farmacoterapêutico

 

Padronização de materiais médico – hospitalares através de Kits

 

Padronização dos horários de ministração dos medicamentos

Padronização das prescrições médicas

 

Prescrição médica individualizada, sendo realizada em impresso próprio ou de forma informatizada

Sistema de distribuição de medicamentos por dose unitária (SDMDU)

 

Sistema informatizado em todo o processo de atuação da farmácia hospitalar

Infra-estrutura de computadores, equipamentos e recursos humanos treinados

Área para fracionamento e reembalagem das doses unitárias

 

Área para instalação dos computadores e equipamentos

 

Área para o estacionamento dos carros – medicamentos

Área para higienização dos carros

 

4.4 Benefícios e Dificuldades

Os benefícios para uma organização hospitalar são o de assegurar a eficiência de seus processos, garantindo a execução dos seus objetivos e metas, através de um sistema seguro e eficiente para o tratamento terapêutico de seus pacientes.

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A implantação do sistema de distribuição de medicamentos através de carros –

medicamentos implica em otimização espacial, logística diferenciada, redução de erros na medicação, informação precisa dos gastos com medicamentos, diminuição das perdas e desvios, otimização dos recursos e incremento da qualidade nos serviços prestados aos pacientes.

Os profissionais de saúde envolvidos no processo têm as suas atividades integradas e

valorizadas, o farmacêutico participa das atividades de assistência, tendo a informação sobre o perfil farmacológico do paciente, o que lhe permite participar das tomadas de decisão e orientar sobre os medicamentos. O médico pode contar com o assessoramento do profissional farmacêutico no que se refere ao tratamento farmacoterapêutico. E a equipe de enfermagem, por sua vez, dedica mais tempo aos cuidados com os pacientes.

A implantação de novas tecnologias acarreta em investimentos e custos para

modernização da estrutura da farmácia, mudança no espaço físico, normas e treinamentos

da equipe funcional. Outra dificuldade observada é a resistência por parte dos profissionais em se adequarem às mudanças, por uma questão cultural, de comodidade e rotina. É preciso lançar-se à missão de quebra de barreiras, hábitos, comportamentos e paradigmas, para a partir daí, incorporar a médio e longo prazo novas idéias, buscando resultados melhores. São necessários um compromisso institucional de mudança e uma conscientização das partes envolvidas para que haja transformação e isso demanda tempo.

O desafio é catalisar a participação para o trabalho em equipe e para a gestão da

qualidade de forma a obter resultados e ganhos significativos para Instituição, profissionais, fornecedores e clientes.

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5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este capítulo descreve as considerações finais do trabalho, que teve como base de fundamentação teórica o conceito de espaço hospitalar e o funcionamento das farmácias hospitalares, aplicada a um modelo prático de dispensação de medicamentos, os carros – medicamentos. A seguir tem-se a conclusão da pesquisa e as recomendações às instituições hospitalares, com relação à utilização do sistema, finalizando com as recomendações para a continuidade do trabalho.

5.1 Conclusão

Analisar o funcionamento de uma Farmácia Hospitalar e o que ela representa para a Instituição como um todo, em termos de espaço, de custos, de atendimento aos pacientes e integração com os outros serviços de saúde prestados, nos permite destacar as vantagens e desvantagens dos sistemas de distribuição de medicamentos utilizados e propor mudanças e novas tecnologias. Os resultados deste trabalho permitem concluir que:

As farmácias hospitalares são unidades funcionais fundamentais para as Instituições de Saúde e cada vez mais se observa uma necessidade de interação das equipes na busca pelo atendimento adequado ao paciente.

Os responsáveis pelas farmácias das Instituições analisadas possuem visões diferenciadas com relação ao funcionamento das mesmas e, principalmente, com relação às mudanças no conceito de distribuição de medicamentos.

O processo de dispensação e distribuição de medicamentos atuais apresentam pontos frágeis, dentre os quais, ambientes inadequados e infra – estrutura inadequada.

Há uma vulnerabilidade no controle de estoque e segurança das farmácias devido à presença de sub–unidades de armazenamento de medicamentos nos diversos setores do hospital, ou seja, as farmácias satélites.

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A estrutura organizacional e física do Hospital é um fator que delimita as condições do sistema de distribuição de medicamentos. Hospitais de médio porte, como os analisados, e os hospitais de pequeno porte, comportam o sistema de distribuição de medicamentos através de carros – medicamentos. Porém, um Hospital de grande porte tem a possibilidade de utilizar este sistema eletrônico, mas, não dispensam a presença do Centro de Abastecimento de Medicamentos e Materiais em alguns setores devido à complexidade e demanda de atividades.

O sistema de distribuição de medicamentos também é influenciado pelos tipos de serviços prestados ao paciente. Setores como pronto – atendimento, centro cirúrgico e centro de tratamento intensivo demandam atividades específicas, com uma necessidade especializada e medicamentos diferenciados, por isso, a distribuição da medicação também deve ser diferenciada.

Os carros – medicamentos são adaptáveis a qualquer setor do Hospital. Para isso, a farmácia central deve estabelecer uma rotina de procedimentos e uma padronização da medicação a ser ministrada.

O sistema de distribuição de medicamentos através de carros – medicamentos e dispensários eletrônicos são equipamentos que favorecem o funcionamento da farmácia hospitalar pois possibilitam a redução do estoque periférico, otimizando o espaço; a racionalização do processo; a redução dos custos com perdas de medicamentos e mão – de – obra subutilizada; o melhor controle e segurança logísticos e a interação das equipes de saúde, cada qual exercendo sua atividade de assistência ao paciente.

De acordo com os profissionais entrevistados e análise dos dados, o sistema móvel de distribuição de medicamentos é uma abordagem moderna e útil para as farmácias hospitalares, para as Instituições de Saúde e para os pacientes.

Em resumo, conclui-se a partir das afirmações anteriores, que o modelo de distribuição de medicamentos através de carros – medicamentos fundamenta-se em princípios teóricos de otimização espacial com uma logística diferenciada e sua viabilidade é comprovada através de experiências realizadas e relatos dos profissionais da área de saúde, trazendo

63

como contribuição cientifica uma interface da arquitetura hospitalar com a ciência farmacêutica. Este trabalho apresenta também uma ferramenta gerencial útil ao farmacêutico responsável pela Farmácia Hospitalar por permitir melhoria no funcionamento do serviço oferecido ao paciente e gerenciado pela Instituição.

5.2 Recomendações

As recomendações apresentadas a seguir, têm o intuito de dar continuidade ao trabalho, visando à otimização espacial dentro dos hospitais com a utilização do sistema móvel em outras unidades funcionais de apoio. Algumas unidades de apoio que se encontram descentralizadas em todo o hospital como os depósitos de materiais de limpeza, as copas, as rouparias, os almoxarifados, ocupam espaços que poderiam ser mais bem aproveitados para atividades assistenciais e gerenciados para redução e controle de custos. Karman e Fiorentini (1998) descrevem este modelo dos carros de transportes:

Sempre que viável, devem ser utilizados carros de fornecimento ou coleta. Integram os “hospitais sobre rodas”: “carros – roupeiros fechados” ao invés de rouparia; “carros – copeiros” ao invés de copas; “carros – medicamentos” ao invés de farmácias satélites; “carros – coletores” ao invés de áreas ou depósitos de roupas sujas ou de resíduos sólidos; “carros – prateleiras”; “carros – limpeza”; carros – prontuário”; “carros – emergência” e outros.

Segundo Gomez (2003), a liberdade de funcionamento e do projeto, obtida pela evolução dos conceitos de infecção hospitalar, em especial no livre trânsito de materiais, resíduos e roupas sujas, através de carros fechados, possibilita uma variedade de soluções e alternativas de funcionamento. Dessa forma, pode-se observar a abrangência da pesquisa, envolvendo e reformulando os espaços, conceitos e funcionamento de vários setores da instituição hospitalar. Para o aperfeiçoamento do modelo e do sistema recomenda-se:

A aplicação prática em outras unidades de apoio do hospital,

A elaboração de um sistema de avaliação para monitoramento constante, visando à melhoria contínua do sistema.

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Finaliza-se aqui esta pesquisa, com o intuito de que as informações obtidas através da realização do trabalho, seja base de idéias para temas futuros de pesquisa para a melhoria do gerenciamento dos espaços hospitalares.

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Lei nº 6.360, de 23 de setembro de 1976. Dispõe sobre a vigilância sanitária a que ficam sujeitos os medicamentos, as drogas, os insumos farmacêuticos e correlatos,

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Resolução do Conselho de Ministros n° 128/2002. Aprova o Plano da Farmácia Hospitalar, procedendo à revisão do Plano aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros nº 105/2000, de 11 de agosto. Diário Oficial da Republica Federativa do Brasil. Brasília, DF, 12 nov. 2002.

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67

DIAS, M. A. P. Administração de materiais: uma abordagem logística. São Paulo: Atlas,

1998.

FERNANDES, Francisco, LUFT, Celso Pedro, GUIMARÃES, F. Marques. Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa Globo. 30. ed. São Paulo: Globo, 1993.

FOUCAULT, Michel. O Nascimento da Clínica. 5. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2003. 241p.

GUIMARÃES, Jorge Ilha. Diretriz de Apoio ao Suporte Avançado de Vida em Cardiologia: Código Azul – Registro de Ressuscitação – Normatização do Carro de Emergência. São Paulo: Sergio Timerman. 22p.

GÓES, Ronald de. Manual Prático de Arquitetura Hospitalar. 1. ed. São Paulo: Edgard Blücher, 2004. 193p.

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Farmácia Hospitalar do Hospital Santo Ivo. Unicentro Newton Paiva – FACIBIS. Belo Horizonte, 2000. 30 p.

KARMAN, Jarbas e outros. Manutenção Hospitalar preditiva. São Paulo: Pini Editores,

1997.

68

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69

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Logística Total. In:

Guia

de

Logística.

Disponível

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<www.guiadelogistica.com.br>. Acesso em 18 de fev. 2005.

A logística como processo de gerenciamento do fluxo de matérias, informações e financeiro. In: Guia de Logística. 2003. Disponível em <www.guiadelogistica.com.br>. Acesso em 18 de fev. 2005.

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NIELSEN, Klavs Hjort. Logistics, Functionalism and Architecture. Denmark, 2000.

PEREIRA, Maurício Fernandes. Mudanças Estratégicas em Organizações Hospitalares:

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POLIT, D. F., HUNGLER, B.P. Fundamentos de pesquisa em enfermagem. Trad. Regina machado Garcez. 3. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1999. 391p.

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Guia de Logística. 2001. Disponível em <www.guiadelogistica.com.br>. Acesso em 18 de fev. 2005.

ROSES,

R.

E.

Una

aproximación

a

los

hospitales

del

futuro

y

las

nuevas

infraestructuras

 

de

la

salud.

Disponível

 

em:

Acesso

em

20

nov.

2004.

70

SABONARO, Maisa. Surpreenda-se com a Farmácia Hospitalar. Revista do Farmacêutico, p. 18 – 22.

SANTOS, Neusa de Queiroz. Infecção Hospitalar: Uma reflexão histórico-crítica. Florianópolis: Editora da UFSC, 1997. 144p.

SBROCCO, Emilia. Logística hospitalar: salvando vidas. In: Guia de Logística. 2001 Disponível em <www.guiadelogistica.com.br>. Acesso em 18 de fev. 2005.

SCHULZ, Cristian Norberg. Genius loci: towards a phenomenology of architecture. New York: Rizzolli, 1980.

SILVA, Elvan. Matéria, Idéia e Forma: Uma definição de arquitetura. 1. ed. Porto Alegre:

Ed. da Universidade/UFRGS, 1994. 191p.

SILVA, Ana Elisa Bauer de Camargo. Análise do Sistema de medicação de um Hospital Universitário do Estado de Goiás. Ribeirão Preto, 2003. 172p. Dissertação (Mestrado em Enfermagem) – Programa de Mestrado em Enfermagem, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, 2003.

Temas: Arquitetura Hospitalar. Revista PROPEC – IAB/MG. Ano 01, n. 01. Belo Horizonte, 2004. 1 CD-ROM.

TORRES, Silvana, LISBOA, Teresinha Covas. Limpeza e Higiene, Lavanderia Hospitalar. 2.ed. São Paulo: CLR Balieiro, 2001. 242p.

VALTINGOJER, Walter Hermano. Manual de Boas Práticas de Dispensação em Drogarias. 90 p.

71

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WILSON, Charles B. The Impact of new technologies in medicine. BMJ 319, nov. 1999.

72

ANEXOS

ANEXO A - Carta de Solicitação de visita e entrevista ao Hospital A (B)

De: Camilla Grenfell – Arquiteta e Urbanista – Aluna do Curso de Pós-Graduação de Administração Hospitalar da Universidade Unimed Para: Administração do Hospital A (B)

Belo Horizonte,

de

de 2005

Eu, Camilla Grenfell, arquiteta da Secretaria Municipal de Saúde, estou realizando Curso de Pós-Graduação em Administração Hospitalar pela Universidade Unimed. Minha monografia refere-se à otimização espacial dentro dos hospitais com enfoque na Farmácia Hospitalar. O objetivo é analisar e comprovar as vantagens e desvantagens do sistema de Farmácia centralizada, que utiliza carrinhos de distribuição em substituição às Farmácias satélites. Como o Hospital A (B) apresenta uma Farmácia Hospitalar com logística moderna e diferenciada constitui-se em campo ideal para pesquisa e análise deste modelo para minha monografia. Desta maneira, venho por meio desta, solicitar formalmente a autorização para uma visita e entrevista com o Administrador responsável e Farmacêutico responsável, incluindo ou não o nome da instituição para publicação.

Atenciosamente,

Camilla Grenfell

73

ANEXO B – Questionário de Monografia sobre Farmácia Hospitalar

A- Nome do Estabelecimento:

B- Nome da farmacêutica responsável:

C- Apresentação do local:

D- Identificação da Farmácia Hospitalar:

E- Localização:

F- Caracterização do serviço:

1- Quais os setores que compõem a Farmácia. Considerar: sala administrativa, área de recepção e inspeção, área de manipulação (farmacotécnica), área de dispensação, sala de preparo e diluição de germicidas, sala de assepsia de embalagens, sala de

preparação de quimioterápicos, setor de depósito de medicamentos e controle, área de distribuição?

2-

Quais são os setores de apoio que compõem esta farmácia? Vestiário, DML, copa e sala de utilidades.

3-

Quais os locais necessitam da farmácia próxima?

4-

Como é a infra-estrutura da farmácia hospitalar?

5- Que tipo de sistema de armazenagem é utilizado na farmácia deste Hospital?

Sistema Centralizado ou Descentralizado, ou seja, com farmácias satélites?

6- Se o sistema for descentralizado, como as farmácias satélites funcionam nos setores como CTI, Centro cirúrgico, centro obstétrico, pronto – atendimento e internação?

7- Quais as vantagens do sistema descentralizado? E as desvantagens?

8- Se o sistema for centralizado, como são supridas as necessidades do Centro Cirúrgico, do pronto - atendimento, da internação e do CTI?

9- Como é a rotina desse sistema centralizado?

10-Quais as vantagens do sistema centralizado? E as desvantagens?

11-Como é a rotina de funcionamento da farmácia? Das requisições, da distribuição e da taxação. 12-Os funcionários da farmácia é que buscam a prescrição? Levam a medicação preparada nos pacotes ou a enfermagem busca? Explicar fluxo.

74

13- Como é feita a solicitação médica por determinado medicamento? 14- Como é a distribuição de medicamentos? Através de carrinhos de distribuição? 15- Qual sistema de distribuição de medicamentos é utilizado? Dose coletiva, individualizada ou dose unitária? Como é feito? 16- Há kits cirúrgicos? Kits para anestesia? 17-Qual o sistema de controle de medicamentos utilizado? É informatizado? Como são lançados os medicamentos? Código de barra? 18- Como são lançadas as devoluções? Estorno? 19- Há controle contábil de estoque da Farmácia? Rotina de compras. 20- Faz controle de órteses e próteses? 21- Qual é a ligação com o almoxarifado? 22- Existem medicamentos manipulados? A manipulação, caso haja, é feita no hospital ou terceirizada? 23- Quais produtos são elaborados na área de farmacotécnica? Álcool? Hipoclorito? Detergentes, saneantes? 24- Quantos funcionários trabalham na farmácia? Especificar níveis e funções. Existe um farmacêutico responsável? 25-Qual o horário de trabalho?

Observações finais:

75

ANEXO C - Padronização dos carros de emergência

Normatização dos Carros de Emergência para Pacientes Adultos

Local: Intra-hospitalar : Unidade de Internação

Definições de prioridades:

Nível 1 – Item essencial. Deve estar prontamente disponível, com resposta imediata Nível 2 – Item altamente recomendável -.Deve estar disponível, no máximo em 15 minutos, variando conforme necessidade do local e protocolos Nível 3 – Item recomendado, mas opcional

FINALIDADE

 

PACIENTES ADULTOS

NÍVEL

DE

 

PRIORIDADE

 

Desfibrilador externo automático Material de proteção (luvas, máscaras e óculos) Monitor/desfibrilador com marcapasso externo, com monitorização nas pás, mínimo 3 derivações, onda bifásica Oxímetro de pulso Dextro Gerador de marcapasso

1

Avaliação e

 

1

Diagnóstico

 

2

2

 

3

3

 

Cânula orofaríngea (nº 3 e 4 ) Bolsa valva-máscara com reservatório de O 2 Tubo endotraqueal (6,0 a 9,0 ) Cânula para traqueostomia (6,0 a 9,0 ) Laringoscópio com lâmina curva nº3 e 4 Máscara de oxigênio com reservatório Cânula nasal tipo óculos Umidificador Nebulizador Extensão para nebulizador Extensão de PVC para oxigênio Cânula de aspiração flexível nº 12, 10 Fixador de cânula orotraqueal Sonda nasogástrica nº 16, 18 Detector esofágico (ou outro dispositivo para confirmação secundária) Máscara laríngea adulto

1

Controle

de

Vias

1

Aéreas

1

1

1

1

1

1

1

1

1

1

1

1

2

3

3

 

Jelco nº 14, 16, 18 e 20,22 Torneirinhas Conjunto de perfusão Agulha de intracath (para tamponamento e pneumotórax hipertensivo) SF 1000ml , Ringer Lactato 1000ml, SG 5% 500ml Equipo macrogotas Equipo para hemoderivados Bureta Seringa de 3ml, 5ml, 10ml, 20ml

1

Acesso Vascular

1

E Controle

1

Circulatório

 

1

 

1

1

1

1

76

 

Agulha 36X12 ou 36X10 Frasco a vácuo Gases Micropore

1

1

1

1

 

1

 

Água destilada 10 ml Água destilada 250 ml Água destilada 500ml (para nitroglicerina) Aspirina 300mg Atropina 1mg Adrenalina 1mg Amiodarona Lidocaína Adenosina B-bloqueador Nitroglicerina Nitroprussiato Cloreto de cálcio Gluconato de cálcio Sulfato de magnésio Procainamida Bicarbonato de sódio Glicose 50% Furosemida Broncodilatador Aminofilina Diempax Dormonid/Fentanil (sedação em geral) Morfina Dobutamina Dopamina Naloxone Diltiazem Verapamil Manitol Isoproterenol

1

1

1

Medicamentos

1

1

1

1

1

1

1

1

1

1

1

1

1

1

1

1

1

2

2

2

2

2

2

3

3

3

3

3

Local: Intra- hospitalar: Unidade de Terapia Intensiva e Pronto-atendimento

FINALIDADE

 

PACIENTES ADULTOS

NÍVEL

DE

 

PRIORIDADE

 

Monitor/desfibrilador com marcapasso externo, com monitorização nas pás, mínimo 3 derivações, onda bifásica Material de proteção (luvas, máscaras e óculos) Oxímetro de pulso Dextro Gerador de marcapasso

1

Avaliação e

 

Diagnóstico

 

1

1

 

2

3

 

Cânula orofaríngea ( nº 3 e 4 ) Bolsa valva-máscara com reservatório de O² Máscara facial tamanho adulto Tubo endotraqueal (6,0 a 9,0 )

1

Controle

de

Vias

1

Aéreas

1

1

77

 

Cânula para traqueostomia (6,0 a 9,0 ) Laringoscópio com lâmina curva nº 3 e 4 Máscara de oxigênio com reservatório Cânula nasal tipo óculos Umidificador Nebulizador Extensão para nebulizador Extensão de PVC para oxigênio Cânula de aspiração flexível nº 12, 10 Fixador de cânula orotraqueal Sonda nasogástrica nº 16, 18 Detector esofágico (ou outro dispositivo para confirmação secundária) Máscara laríngea adulto Via aérea alternativa (um ou mais dos seguintes itens: agulha para cricotireostomia, conjunto para traqueostomia percutânea)

1

1

1

1

1

1

1

1

1

1

2

3

3

3

 

Jelco nº 14, 16, 18 e 20,22 Torneirinha Conjunto de perfusão Agulha de intracath (para tamponamento e pneumotórax hipertensivo) SF 1000ml , Ringer Lactato 1000ml, SG 5% 500ml Equipo macrogotas Equipo para hemoderivados Bureta Seringa de 3ml, 5ml, 10ml, 20ml Agulha 36X12 ou 36X10 Frasco a vácuo Gase Micropore

1

Acesso Vascular

1

e Controle

1

Circulatório

1

1

1

1

1

1

1

1

1

 

1

 

Água destilada 10 ml Água destilada 250 ml Água destilada 500ml (para nitroglicerina) Aspirina 300mg Atropina 1mg Adrenalina 1mg Amiodarona Lidocaína Adenosina B-bloqueador Nitroglicerina Nitroprussiato Cloreto de cálcio Gluconato de cálcio Sulfato de magnésio Procainamida Bicarbonato de sódio Glicose 50% Furosemida Broncodilatador Aminofilina Diempax

1

1

1

Medicamentos

1

1

1

1

1

1

1

1

1

1

1

1

1

1

1

1

1

2

2

78

Dormonid/Fentanil (sedação em geral) Morfina Dobutamina Dopamina Norepinefrina Naloxone Diltiazem Verapamil Manitol Isoproterenol

2

2

2

2

2

3

3

3

3

3

Normatização dos Carros de Emergência para Pediatria

Local: Intra-hospitalar: Unidade de Internação, Pronto-atendimento e Unidade de Terapia Intensiva

FINALIDADE

 

PACIENTES PEDIÁTRICOS

NÍVEL

DE

 

PRIORIDADE

 

Monitor/desfibrilador com pás infantil, marcapasso externo infantil, com monitorização nas pás, mínimo 3 derivações, onda bifásica Material de proteção (luvas, máscaras e óculos) Oxímetro de pulso Dextro

1

Avaliação e

 

Diagnóstico

 

1

2

 

2

 

Cânula orofaríngea (nº00,0,1,2) Bolsa valva-máscara com reservatório de O² Máscara facial tamanho neonato, bebê, criança Tubo endotraqueal (2,5 a 7,0 ) Laringoscópio com lâmina reta (nº 00, 0,1, 2) Máscara de oxigênio com reservatório Cânula nasal tipo óculos Umidificador Nebulizador Extensão para nebulizador Extensão de PVC para oxigênio Cânula de aspiração flexível nº 6, 8 Fixador de cânula orotraqueal Sonda nasogátrica nº6,8 Detector de CO² (ou outro dispositivo para confirmação secundária) Via aérea alternativa (um ou mais dos seguintes itens: agulha para cricotireostomia, conjunto para traqueostomia percutânea) Máscara laríngea

1

Controle

de

Vias

1

Aéreas

1

1

1

1

1

1

1

1

1

1

1

2

2

3

3

 

Jelco nº 22,24 Agulha de punção intra-óssea Torneirinha Conjunto de perfusão Agulha de intracath (para tamponamento e pneumotórax

1

Acesso Vascular

1

E Controle

1

Circulatório

 

1

 

1

79

 

hipertensivo) SF 1000ml, Ringer Lactato 1000ml, SG 5% 500ml Equipo macrogotas Equipo para hemoderivados Bureta Seringa de 3ml, 5ml, 10ml, 20ml Agulha 36X12 ou 36X10 Frasco a vácuo Gases Micropore

1

1

1

1

1

1

1

1

1

2

 

1

 

Água destilada 10 ml Água destilada 250 ml Água destilada 500ml (para nitroglicerina) Aspirina 300mg Atropina 1mg Adrenalina 1mg Amiodarona Lidocaína Adenosina B-bloqueador Nitroglicerina Nitroprussiato Cloreto de cálcio Gluconato de cálcio Sulfato de magnésio Procainamida Furosemida Bicarbonato de sódio Glicose 50% Broncodilatador Aminofilina Diempax Dormonid/Fentanil (sedação em geral) Morfina Dobutamina Dopamina Noradrenalina Naloxone Diltiazem Verapamil Manitol Isoproterenol

1

1

1

Medicamentos

1

1

1

1

1

1

1

1

1

1

1

1

1

1

1

1

1

2

2

2

2

2

2

2

3

3

3

3

3

80

ANEXO D - Composição do carro de emergência fornecido pelo Hospital B

ENFERMARIA / APARTAMENTO

GAVETA 1 - MEDICAMENTOS

DATA DA CONFERÊNCIA:

RESPONSÁVEL:

Descrição

 

Quantidade

Validade

Adrenalina 1% - 1 Ml

14

Amp.

 

Água destilada - 10 mL

05

Amp.

 

Aminofilina 240 mg/10 mL

02

Amp.

 

Atropina, sulfato 0,5% - 1 mL

30

Amp.

 

Bicarbonato de sódio 8,4% - 10 mL

05

Amp.

 

Diazepam 10 mg /2 mL

03

Amp.

 

Dobutamina 200 mg/20 mL (Dobutrex ® )

01

Amp.

 

Dopamina 50 mg/10 mL (Revivan ® )

10

Amp.

 

Etomidato 2 mg/mL – 10 mL

01

Amp.

 

Fenitoína 250 mg/5 mL (Hidantal ® )

02

Amp.

 

Fentanila 0,5 mg/10 mL (Fentanil ® )

02

Fr. Amp.

 

Furosemida 20 mg/2 mL (Lasix ® )

05

Amp.

 

Gluconato de cálcio 10% - 10 mL

05

Amp.

 

Isossorbida, dinitrato 5 mg (Isordil ® )

05

comp.

 

Lanatósido C Desacetilado 0,2 mg/mL – 2 mL (Cedilanide ® )

03

Amp.

 

Lidocaína 2% sem vasoconstritor – 20 mL (Xylocaína ® )

02

Fr. Amp.

 

Midazolam 15 mg/3 mL (Dormonid ® )

02

Amp.

 

Nifedipina 10 mg (Adalat ® )

03

caps.

 

Soro glicosado hipertônico (50%) – 20 mL

05

Fr.

 

Suxametônio, cloreto 500 mg (Quecilin ® )

01

Fr. Amp.

 

Verapamil 5 mg/2 mL (Dilacoron ® )

03

Amp.

 

GAVETA 2 – MATERIAL MÉDICO-HOSPITALAR

Descrição

 

Quantidade

Validade

Agulha descartável 13 x 4,5

08

unid.

 

Agulha descartável 25 x 7

08

unid.

 

Agulha descartável 25 x 8

08

unid.

 

Agulha descartável 40 x 16

08

unid.

 

Cateter nasal para oxigênio tipo óculos

02

unid.

 

81

Cortador de ampola

03

unid.

 

Dispositivo para infusão venosa (Scalp) N.º 19

03

unid.

 

Dispositivo para infusão venosa (Scalp) N.º 21

03

unid.

 

Dispositivo para infusão venosa (Scalp) N.º 23

03

unid.

 

Dispositivo para infusão venosa (Scalp) N.º 25

03

unid.

 

Dispositivo para infusão venosa (Scalp) N.º 27

03

unid.

 

Eletrodo

10

unid.

 

Equipo macrotas com câmara graduada

02

unid.

 

Equipo simples com injetor lateral

03

unid.

 

Equipo simples com injetor lateral para bomba de infusão

02

unid.

 

Extensor

03

unid.

 

Jelco N.º 18

03

unid.

 

Jelco N.º 20

03

unid.

 

Jelco N.º 22

03

unid.

 

Jelco N.º 24

03

unid.

 

Lâmina para bisturi n.º 11

01

unid.

 

Seringa descartável 1 mL

01

unid.

 

Seringa descartável 3 mL

05

unid.

 

Seringa descartável 5 mL

05

unid.

 

Seringa descartável 10 mL

05

unid.

 

Seringa descartável 20 mL

05

unid.

 

Three way

03

unid.

 

GAVETA 3 – MEDICAMENTOS

Descrição

 

Quantidade

Validade

Soro fisiológico 0,9% - 500 mL

05

Fr.

 

Soro glicosado isotônico – 250 mL

02

Fr.

 

Bicarbonato de sódio 5% - 250 mL

03

Fr.

 

Soro glicosado isotônico 5% - 500 mL

05

Fr.

 

Solução de manitol 20% - 250 mL

01

Fr.

 

Solução Ringer simples - 500 mL

01

Fr.

 

GAVETA 4 – MATERIAL MÉDICO-HOSPITALAR

Descrição

 

Quantidade

Validade

Cânula endotraqueal 5

01

unid.

 

82

Cânula endotraqueal 6

01

unid.

Cânula endotraqueal 7

01

unid.

Esparadrapo

01

und.

Luva cirúrgica estéril 7.0

02

unid.

Luva cirúrgica estéril 7.5

02

unid.

Luva cirúrgica estéril 8.0

02

unid.

Sonda para aspiração (Espira) NR n.º 12

02

unid.

Sonda para aspiração (Espira) NR n.º 14

02

unid.

Sonda para aspiração (Espira) NR n.º 16

02

unid.

Sonda nasogástrica 14

01

unid.

Sonda uretral 10

01

unid.

Sonda uretral 12

01

unid.

Sonda uretral 14

01

unid.

Sonda uretral 16

01

unid.

Tubo endotraqueal 7.0

02

unid.

Tubo endotraqueal 7.5

02

unid.

Tubo endotraqueal 8.0

02

unid.

Tubo endotraqueal 8.5

02

unid.

Tubo endotraqueal 9.0

02

unid.

Tubo endotraqueal 9.5

02

unid.

COMPOSIÇÃO DO CARRO DE EMERGÊNCIA - PEDIATRIA GAVETA 1 – MEDICAMENTOS

Descrição