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Universidade do Sul de Santa Catarina

Disciplina na modalidade a distância

Noções de Direito Constitucional, Penal e Administrativo

Palhoça

UnisulVirtual

2007

Apresentação

Este livro didático corresponde à disciplina Noções de Direito Constitucional, Penal e Administrativo.

O material foi elaborado visando a uma aprendizagem autônoma,

abordando conteúdos especialmente selecionados e adotando uma linguagem que facilite seu estudo a distância.

Por falar em distância, isso não significa que você estará sozinho.

Não esqueça que sua caminhada nesta disciplina também será acompanhada constantemente pelo Sistema Tutorial da UnisulVirtual. Entre em contato sempre que sentir necessidade,

seja por correio postal, fax, telefone, e-mail ou Ambiente Virtual

de

Aprendizagem. Nossa equipe terá o maior prazer em atendê-

lo,

pois sua aprendizagem é nosso principal objetivo.

Bom estudo e sucesso!

Equipe UnisulVirtual.

Paulo Calgaro de Carvalho

Noções de Direito Constitucional, Penal e Administrativo

Livro didático

2ª edição revista e atualizada

Design instrucional Carmen Maria Cipriani Pandini

Palhoça

UnisulVirtual

2007

Copyright © UnisulVirtual 2007 Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer meio sem a prévia autorização desta instituição.

340

C32

Carvalho, Paulo Calgaro de

Noções de direito constitucional, penal e administrativo: livro didático /

Paulo Calgaro de Carvalho; design instrucional Carmen Maria Cipriani

Pandini. - 2. ed. rev. e atual - Palhoça: UnisulVirtual, 2007.

172 p. : il. ; 28 cm.

Inclui bibliografia.

ISBN 978-85-7817-047-9

1. Direito. 2. Direito constitucional. 3. Direito penal. 4. Direito

administrativo. I. Pandini, Carmen Maria Cipriani. II. Título.

Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Universitária da Unisul

Créditos

Unisul - Universidade do Sul de Santa Catarina UnisulVirtual - Educação Superior a Distância

Campus UnisulVirtual Rua João Pereira dos Santos, 303 Palhoça - SC - 88130-475 Fone/fax: (48) 3279-1541 e

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E-mail: cursovirtual@unisul.br

Site: www.virtual.unisul.br

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Vice-Reitor e Pró-Reitor Acadêmico Sebastião Salésio Heerdt

Chefe de gabinete da Reitoria Fabian Martins de Castro

Pró-Reitor Administrativo Marcus Vinícius Anátoles da Silva Ferreira

Campus Sul Diretor: Valter Alves Schmitz Neto Diretora adjunta: Alexandra Orsoni

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Bibliotecária Soraya Arruda Waltrick

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Coordenação dos Cursos Adriano Sérgio da Cunha Ana Luisa Mülbert Ana Paula Reusing Pacheco Cátia Melissa S. Rodrigues (Auxiliar) Charles Cesconetto Diva Marília Flemming Itamar Pedro Bevilaqua

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Design Gráfico Cristiano Neri Gonçalves Ribeiro (coordenador) Adriana Ferreira dos Santos Alex Sandro Xavier Evandro Guedes Machado Fernando Roberto Dias Zimmermann Higor Ghisi Luciano Pedro Paulo Alves Teixeira Rafael Pessi Vilson Martins Filho

Equipe Didático-Pedagógica Angelita Marçal Flores Carmen Maria Cipriani Pandini Caroline Batista Carolina Hoeller da Silva Boeing Cristina Klipp de Oliveira Daniela Erani Monteiro Will Dênia Falcão de Bittencourt Enzo de Oliveira Moreira Flávia Lumi Matuzawa Karla Leonora Dahse Nunes Leandro Kingeski Pacheco Ligia Maria Soufen Tumolo Márcia Loch Patrícia Meneghel Silvana Denise Guimarães Tade-Ane de Amorim Vanessa de Andrade Manuel Vanessa Francine Corrêa Viviane Bastos Viviani Poyer

Logística de Encontros Presenciais Marcia Luz de Oliveira (Coordenadora) Aracelli Araldi Graciele Marinês Lindenmayr Guilherme M. B. Pereira José Carlos Teixeira Letícia Cristina Barbosa Kênia Alexandra Costa Hermann Priscila Santos Alves

Logística de Materiais Jeferson Cassiano Almeida da Costa (coordenador) Eduardo Kraus

Monitoria e Suporte Rafael da Cunha Lara (coordenador) Adriana Silveira Caroline Mendonça Dyego Rachadel Edison Rodrigo Valim Francielle Arruda Gabriela Malinverni Barbieri Josiane Conceição Leal Maria Eugênia Ferreira Celeghin Rachel Lopes C. Pinto Simone Andréa de Castilho Tatiane Silva Vinícius Maycot Sera. m

Produção Industrial e Suporte Arthur Emmanuel F. Silveira (coordenador) Francisco Asp

Projetos Corporativos Diane Dal Mago Vanderlei Brasil

Secretaria de Ensino a Distância Karine Augusta Zanoni (secretária de ensino) Ana Luísa Mittelztatt Ana Paula Pereira Djeime Sammer Bortolotti Carla Cristina Sbardella Franciele da Silva Bruchado Grasiela Martins James Marcel Silva Ribeiro Lamuniê Souza Liana Pamplona Marcelo Pereira

Marcos Alcides Medeiros Junior Maria Isabel Aragon Olavo Lajús Priscilla Geovana Pagani Silvana Henrique Silva Vilmar Isaurino Vidal

Secretária Executiva Viviane Schalata Martins

Tecnologia Osmar de Oliveira Braz Júnior (coordenador) Ricardo Alexandre Bianchini Rodrigo de Barcelos Martins

Edição – Livro Didático

Professor Conteudista Paulo Calgaro de Carvalho

Design Instrucional Carmen Maria Cipriani Pandini

Projeto Gráfico e Capa Equipe UnisulVirtual

Diagramação

Pedro Teixeira

Revisão Ortográfica Simone Rejane Martins

Sumário

. Palavras do professor

Apresentação

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Plano de estudo

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UNIDADE

UNIDADE

UNIDADE

1

2

3

Noções de Direito Constitucional

 

17

Noções de Direito Penal

 

67

Noções de Direito Administrativo

121

Para concluir o estudo

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Referências

. Respostas e comentários das atividades de auto-avaliação

. Sobre o professor conteudista

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Palavras do professor

Caros alunos,

Palavras do professor Caros alunos, na disciplina Noções de Direito Constitucional, Penal e Administrativo você

na disciplina Noções de Direito Constitucional, Penal

e Administrativo você encontrará algumas informações

sobre o ordenamento jurídico brasileiro relacionadas

à segurança pública no Brasil. Inicialmente, alguns

conceitos serão necessários para compreender o Direito Constitucional, base dos demais direitos (Penal e Administrativo) que compõem um complexo sistema jurídico, do qual se ditam as regras de convivência social.

Assim, você irá estudar no Direito Constitucional os direitos e garantias fundamentais, essenciais no Estado Democrático de Direito, pois são tais direitos e garantias constitucionais que orientam o legislador (aqueles que fazem as leis) na realização de normas condizentes com uma sociedade justa e solidária, além de assegurar a dignidade da pessoa e garantir a segurança pública.

Em seguida, você terá oportunidade de estudar os principais crimes e as contravenções penais existentes na sociedade e que desafiam a segurança pública no Brasil. Para tanto, a Unidade 2 será dedicada a noções de Direito Penal, cujas principais regras são de imposição por meio de sanções (penas) àqueles que não preservam a segurança pública e nem observam as leis existentes.

A segurança pública é um assunto recorrente nos dias de hoje e o direito de alguns não pode prejudicar o direito de outros, servindo as leis para limitar as condutas das pessoas e possibilitar a vida em comum. O Direito Constitucional e o Direito Penal são importantes para tal convivência harmônica, tendo a administração pública como a responsável pela aplicação das leis e as medidas necessárias para tornar realidade o conjunto de normas, denominado de ordenamento jurídico.

Por fim, para entender administração pública, no Direito Administrativo você irá se deparar com os conceitos e a estrutura existente para tornar realidade a segurança pública.

Conhecer um pouco mais detalhadamente a configuração desse assunto é fundamental para o estudante deste curso. Você terá ainda a oportunidade de expor suas idéias, realizar pesquisas, socializar e interagir com seus colegas e participar desta importante caminhada.

Então, caro aluno, ingresse em mais uma etapa com entusiasmo na busca de novos horizontes do conhecimento.

Bom estudo!

Plano de estudo

Plano de estudo O plano de estudo visa a orientar você no desenvolvimento da disciplina. Ele

O plano de estudo visa a orientar você no

desenvolvimento da disciplina. Ele possui elementos que o ajudarão a conhecer o contexto da disciplina e a organizar o seu tempo de estudos.

O processo de ensino e aprendizagem na UnisulVirtual

leva em conta instrumentos que se articulam e se complementam, portanto, a construção de competências

se dá sobre a articulação de metodologias e por meio das diversas formas de ação/mediação.

São elementos desse processo:

o livro didático;

o AVA (Ambiente Virtual de Aprendizagem);

As atividades de avaliação (complementares, a distância e presenciais).

Ementa

Noções de Direito Constitucional. Noções de Direito

Penal: o Direito Penal, a infração penal, o conceito de crime e a definição das atribuições das polícias estaduais a partir do crime. Principais crimes previstos no Código

Penal

Noções de Direito Administrativo: fundamento do Direito Administrativo na Constituição Federal. Os princípios e a organização da administração pública. As

funções públicas e os poderes administrativos. Os atos e

os contratos administrativos e a licitação.

Carga horária

60 horas aula

Objetivos da disciplina

Geral

Identificar os principais conceitos e definições do ordenamento jurídico brasileiro, constantes na Constituição Federal, Código Penal, na administração pública, relacionados à segurança pública no Brasil.

Específicos

Proporcionar o aprendizado do conteúdo proposto, evoluindo gradativamente ao longo do curso, de forma que o aluno possua uma base de conceitos jurídicos a fim de aplicá-los na vida prática e capacitá-lo a interpretar algumas normas especialmente previstas na Constituição Federal e Código Penal, além de outras leis relacionadas à administração pública, buscando a reflexão sobre a segurança pública no Brasil.

Conteúdo programático/objetivos

Veja, a seguir, as unidades que compõem o livro didático desta disciplina e os seus respectivos objetivos. Esses se referem aos resultados que você deverá alcançar ao final de uma etapa de estudo. Os objetivos de cada unidade definem o conjunto de conhecimentos que você deverá possuir para o desenvolvimento de habilidades e competências necessárias à sua formação.

Unidades de estudo: 3

Unidade 1: Noções de Direito Constitucional

A Unidade 1 tem por finalidade abordar a organização do

Estado, dos poderes e as constituições brasileiras e discutir os principais direitos fundamentais, previstos na Constituição Federal de 1988 e suas as cláusulas pétreas. Aborda também

o controle da constitucionalidade e o processo legislativo com

o intuito de dar a conhecer um pouco de como funciona o legislativo.

Unidade 2: Noções de Direito Penal

A Unidade 2 tem por objetivo abordar definições de infração

penal e crime, com as atribuições das polícias estaduais e com os

crimes previstos no Código Penal, que mais ocorrem no dia-a- dia.

Unidade 3: Noções de Direito Administrativo

A Unidade 3 tem por finalidade analisar os princípios e as

normas que se destinam a ordenar a estrutura, o pessoal (órgãos

e agentes), os atos e as atividades da administração pública,

entendendo essa como o conjunto de órgãos instituídos para a consecução dos objetivos do Governo, quais sejam o bem comum da coletividade.

Agenda de atividades/ cronograma Verifique com atenção o “AVA”, organize-se para acessar periodicamente o espaço

Agenda de atividades/ cronograma

Verifique com atenção o “AVA”, organize-se para acessar periodicamente o espaço da disciplina. O

sucesso nos seus estudos depende da priorização do tempo para a leitura, da realização de análises e sínteses do conteúdo e da interação com os seus colegas

e tutor.

Não perca os prazos das atividades. Registre no espaço

a seguir as datas com base no cronograma da disciplina disponibilizado no AVA.

Use o quadro para agendar e programar as atividades relativas ao desenvolvimento da disciplina.

Atividades Avaliação a Distância 1 Avaliação Presencial - 1ª Chamada Avaliação Presencial - 2ª Chamada
Atividades
Avaliação a Distância 1
Avaliação Presencial - 1ª Chamada
Avaliação Presencial - 2ª Chamada
Avaliação Final (caso necessário)
Demais atividades (registro pessoal)

UNIDADE 1

Noções de Direito Constitucional

Objetivos de aprendizagem

Conhecer a organização do Estado, dos poderes e as constituições brasileiras.

Identificar os principais direitos fundamentais, previstos na Constituição Federal de 1988 e suas cláusulas pétreas.

Conhecer o controle da constitucionalidade e o processo legislativo nacional.

Seções de estudo

Seção 1

Contextualizando o tema.

Seção 2

As constituições brasileiras.

Seção 3

As constituições e suas classificações.

Seção 4

O poder constituinte.

Seção 5

O processo legislativo.

Seção 6

As cláusulas pétreas.

Seção 7

O controle da constitucionalidade.

Seção 8

Os direitos e os deveres individuais.

Seção 9

As garantias constitucionais.

Seção 10 Os direitos sociais ou coletivos.

Seção 11 Da nacionalidade.

Seção 12 Os direitos políticos.

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Caro aluno, a Unidade 1 trata

Para início de estudo

Caro aluno,

a

Unidade 1 trata de noções de Direito Constitucional que tem

o

objetivo de abrir as portas do conhecimento jurídico, com a

compreensão da principal norma do Estado que é a Constituição Federal, conhecida como a lei das leis, ou Carta Magna. A partir dos preceitos constitucionais são moldadas as normas jurídicas de uma sociedade, isto é, as leis somente têm validade quando estão em conformidade com a Constituição Federal. Contextualizando

o tema, você encontrará os conceitos principais e necessários para compreensão da unidade, seguindo pelo processo legislativo, controle da constitucionalidade e, finalmente, os direitos individuais, coletivos e políticos.

Para tanto você verá que a compreensão do poder constituinte

e do processo legislativo será imprescindível para entender o controle da constitucionalidade das normas jurídicas.

Desse modo, você perceberá que a Constituição Federal é a representação do contrato social, no qual cedemos parte de nossas liberdades para possibilitar a convivência na sociedade com o outro, eis que ninguém conseguiria viver em comunidade na mais absoluta liberdade. Por isso, será uma breve caminhada no conhecimento dos direitos e deveres fundamentais da pessoa.

Boa sorte e conheça a nossa Carta Magna.

Noções de Direito Constitucional, Penal e Administrativo

SEÇÃO 1 -Contextualizando o tema

Comecemos pela Constituição do Estado. Podemos defini-la sob os mesmos princípios da Constituição do Brasil? O que você

acha? Qual a sua importância no conjunto de leis? Você conhece

a Constituição do Brasil? Você já precisou utilizá-la para defender algum direito? Tema interessante, não é? Vamos estudá-lo,

então?

Bem, primeiramente, podemos dizer que a Constituição é um sistema de normas jurídicas, escritas ou costumeiras, que regula a forma de Estado, a forma de seu Governo, o modo de aquisição e

o exercício do poder, estabelece os seus órgãos e os limites de sua ação. A Constituição compõe-se no nascimento de um país por meio de alguns elementos importantes. Analise a figura a seguir, pois é sobre ela que discutiremos algumas questões importantes.

pois é sobre ela que discutiremos algumas questões importantes. Fig. 1. Organização Constitucional Unidade 1 19
pois é sobre ela que discutiremos algumas questões importantes. Fig. 1. Organização Constitucional Unidade 1 19

Fig. 1. Organização Constitucional

Unidade 1

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Vejam que as duas pirâmides representam a importância de uma Constituição Federal para nossas vidas, porque ela é a lei

das leis, ou seja, é a concretização do contrato social em que as pessoas fazem, em comum acordo, para possibilitar a convivência

em sociedade. Ora, ninguém conseguiria viver em sociedade na

mais absoluta liberdade. Você concorda não é? Assim, a vida em comum obriga o respeito ao direito de outrem, sendo tal direito e obrigação fundamentados na Constituição Federal. Se não fosse assim, todos iriam querer descansar, só haveria domingos, não precisariam trabalhar, o furto seria rotineiro, as mortes seriam comuns, etc. Enfim, um verdadeiro caos.

Dessa forma, para iniciarmos a presente caminhada de estudo no Direito Constitucional, alguns conceitos são necessários, serão a fase para entender a matéria. Vamos ver quais são?

ESTADO

Vamos ver o que esse elemento significa na contextualização do tema?

Estado é uma sociedade organizada política e juridicamente destinada a alcançar o bem comum (é uma criação humana que possibilita o controle da sociedade). Dessa definição surgem os elementos constitutivos, quais sejam: a população, o território, o ordenamento jurídico, o poder e o bem comum.

População compreende o conjunto de pessoas que compõem o Estado. Território é a área onde o Estado exerce sua soberania. Ordenamento jurídico é o conjunto de leis e normas jurídicas de um Estado. Poder é a imposição de força que o Estado utiliza para alcançar o bem comum (FÜHRER, 2005. p. 14).

É interessante que você perceba que a atual Constituição Federal

de 1988 estabelece a organização desse Estado, conforme

preceitua o seu artigo 1º: “A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: I – a soberania; II – a cidadania;

III – a dignidade da pessoa humana; IV – os valores sociais do

trabalho e da livre iniciativa; V – o pluralismo político. Parágrafo único – Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.”

Noções de Direito Constitucional, Penal e Administrativo

O Brasil é uma República Federativa, formada pela ligação

indissolúvel dos Estados, municípios, do Distrito Federal e da

União (artigo 18, da Constituição Federal). A União detém a soberania nacional.

Federal). A União detém a soberania nacional . República é a forma de governo do povo,

República é a forma de governo do povo, presumivelmente para o povo, cujo chefe do Poder Executivo e os integrantes do Legislativo têm investidura temporária, por meio de eleições. Ao contrário da Monarquia que é outra forma de governo que se caracteriza pela vitaliciedade do rei, rainha, imperador ou príncipe no poder.

Federação é a forma de Estado composto por Estados-Membros (a exemplo de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) submissos a uma Constituição Federal, que institui a União Federal.

Unitário é outra forma de Estado que é centralizado não existindo Estados-Membros com autonomia político-administrativa. Essa forma de Estado foi adotada pela Constituição do Império de 1824.

Os Estados e os municípios detêm autonomia local. Pela Constituição Federal de 1988, vê-se que o Brasil é uma República e também uma Federação.

Analise, a seguir, o segundo elemento.

NACIONALIDADE

A nacionalidade é o vínculo que pessoa tem com o seu país,

que pode ser de modo originário quando ela nasce (ius soli – onde nasceu, como por exemplo: brasileiro nato é quem nasce no Brasil) ou de modo adquirido com a adoção de outra nacionalidade (ius sanguinis – origem de sangue, independente do local de nascimento, como por exemplo o italiano), com ou sem renúncia à nacionalidade originária).

O terceiro elemento da pirâmide, o que significa?

Unidade 1

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Universidade do Sul de Santa Catarina

ORGANIZAÇÃO DOS PODERES

A organização dos poderes vem definida no artigo 2º da

Constituição Federal: “São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo (que faz as leis), o Executivo (executa as leis) e o Judiciário (fiscaliza o cumprimento das leis).”

Além desses conceitos que envolvem o Estado, há conceitos voltados às pessoas que vivem nele, quais sejam: os direitos e as garantias.

DIREITOS E GARANTIAS

Esse é um elemento importante no conjunto da estrutura da pirâmide. Vamos analisá-lo conceitualmente.

São os direitos e garantias fundamentais previstos na Constituição Federal de 1988 e buscam assegurar às pessoas uma vida em paz e harmonia, ou seja, o bem comum. Os direitos e garantias são os seguintes:

direitos e deveres individuais e coletivos (tem por finalidade assegurar a vida, a liberdade, a igualdade, a segurança e a propriedade);

direitos sociais (são os deveres do Estado em promover o bem-estar social);

nacionalidade (o vínculo que a pessoa tem com suas origens);

direitos políticos (os direitos de participar da vida política do país).

PROCESSO LEGISLATIVO

É a previsão na Constituição Federal de como as leis são feitas.

Todos obedecem às leis, porque elas representam a vontade do povo. É a Constituição Federal que regula o nascimento das leis e a forma de participação do povo na sua elaboração.

Veja, a seguir, o controle de constitucionalidade. Por que você acha que é um elemento importante e necessário?

Noções de Direito Constitucional, Penal e Administrativo

CONTROLE DA CONSTITUCIONALIDADE

É interessante lembrar que a Constituição Federal deve ser observada e, por isso, há o controle da constitucionalidade realizado, principalmente, pelo Poder Judiciário.

Conseguiu visualizar os conceitos iniciais por meio dos conceitos apresentados? Nesta caminhada você terá a oportunidade de aprofundar esses elementos.

Passaremos agora às constituições brasileiras.

SEÇÃO 2 - As constituições brasileiras

Não deve ser novidade para você que o Brasil teve, até hoje, as seguintes constituições federais: de 1824, de 1891, de 1934, de 1937, de 1946, de 1967 (emenda nº 1, de 1969) e de 1988. Mas consideramos importante abordar cada uma delas para dar uma visão geral da história das constituições. O que você acha? Melhor para compreender o contexto não é? Então vamos lá. Comecemos com a Constituição de 1924.

A Constituição do Império do Brasil, de 25 de março de 1824, foi outorgada por D. Pedro I, sendo a primeira Constituição Brasileira. Nela estavam previstos quatro poderes, quais sejam: o Legislativo, o Executivo, o Judiciário e o Moderador, esse exercido pelo imperador. As eleições eram indiretas e havia previsão de poucos direitos fundamentais.

A Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil, de 24 de fevereiro de 1891, nasceu em virtude da Proclamação da República e estabeleceu três poderes: o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.

A Constituição de 16 de julho de 1934, a segunda Constituição Republicana, teve como ênfase os direitos sociais, com a inclusão de direitos trabalhistas, de previdência social, de educação e cultura. Manteve- se também a tripartição dos poderes.

Unidade 1

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Universidade do Sul de Santa Catarina

A Constituição de 10 de novembro de 1937 foi outorgada por Getúlio Vargas que dissolveu a Câmara dos Deputados e o Senado. Ela instituiu o Estado Novo. O Poder Executivo foi fortalecido e passou a legislar por decretos-leis. Houve nacionalização das indústrias básicas (siderurgias) e proteção ao trabalho nacional.

básicas (siderurgias) e proteção ao trabalho nacional. Você sabia? Que a Câmara dos Deputados possui os

Você sabia?

Que a Câmara dos Deputados possui os representantes do povo, enquanto o Senado Federal contém os representantes dos Estados-Membros?

E que a Câmara dos Deputados e o Senado Federal

formam o Congresso Nacional? E que o Congresso Nacional tem sua sede em Brasília, Distrito Federal?

A Constituição de 18 de setembro de 1946 foi conseqüência do término da II Guerra Mundial e a deposição de Getúlio Vargas. Ela prestigiou os princípios democráticos, a separação dos poderes e os direitos e garantias fundamentais foram ampliados. Instituiu-se o parlamentarismo, com a emenda constitucional nº 04, de 02 de setembro de 1961, o qual foi abolido após um plebiscito, com a emenda constitucional nº 06, de 23 de janeiro de 1963, voltando a vigorar o presidencialismo.

de janeiro de 1963, voltando a vigorar o presidencialismo. Você sabia? que o plebiscito é uma

Você sabia?

que o plebiscito é uma consulta prévia feita

à população sobre projeto de lei ou medida

administrativa?

O parlamentarismo é o sistema de governo em

que a chefia do Estado é exercida pelo Presidente da República, mas o governo é exercido por um gabinete de ministros, liderado por um primeiro Ministro. O Presidente da República é mera peça decorativa e representa o país no exterior?

E o presidencialismo é o sistema de governo em

que a chefia do Estado e do Governo está reunida nas

mãos do Presidente da República?

Noções de Direito Constitucional, Penal e Administrativo

A Constituição de 24 de janeiro de 1967 e a emenda constitucional nº 01, de 17 de outubro de 1969, foram outorgadas após o Golpe Militar de 31 de março de 1964 e a deposição do Presidente João Goulart. A Constituição Federal de 1967 foi adequada à nova ordem política do país. A referida Constituição sofreu uma grande alteração com a emenda constitucional nº 01/1969 e vários atos institucionais passaram, então, a estabelecer as normas do país.

A Constituição da República Federativa do Brasil, de 05 de outubro de 1988, é a atual Constituição do Brasil, foi promulgada pela Assembléia Constituinte e é chamada de “Constituição-Cidadã”, sobre a qual será dedicada a presente unidade.

sobre a qual será dedicada a presente unidade. Você sabia? que o nome do Brasil mudou

Você sabia?

que o nome do Brasil mudou conforme as constituições federais?

O

nome do Brasil na Constituição Federal durante

o

Império era Império do Brasil, conforme a

Constituição de 1824. Depois o nome passou para República dos Estados Unidos do Brasil, nas

constituições federais de 1891, 1934, 1937 e 1946.

E, finalmente, República Federativa do Brasil,

nas constituições federais de 1967, com a emenda constitucional nº 01/1969 e a Constituição Federal de 1988 (FÜHRER, 2005. p. 60).

Unidade 1

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Universidade do Sul de Santa Catarina

SEÇÃO 3 - As constituições e suas classificações

SEÇÃO 3 - As constituições e suas classificações Como podemos classifi car as constituições? As

Como podemos classificar as constituições?

As constituições podem ser classificadas de cinco formas.

a) Quanto à origem

Promulgada ou votada, essa é fruto de um processo democrático (portanto, democrática). Exemplo: as constituições brasileiras de 1891, 1934,1946 e 1988.

Outorgada, essa é fruto do autoritarismo. Exemplo: as constituições brasileiras de 1824, 1937 e a de 1967.

b) Quanto à mutabilidade

Flexível: não exige para sua alteração qualquer processo mais solene.

Rígida: exige para sua alteração um critério mais solene e difícil do que o processo de elaboração da lei ordinária (comum).

Semi-rígida ou semiflexível: apresenta uma parte que

exige mutação por processo mais difícil e solene do que

o da lei ordinária.

c) Quanto à forma

Escrita ou dogmática: é aquela que está representada por um texto completo e organizado.

Costumeira ou histórica: é aquela formada por textos esparsos.

d) Quanto ao conteúdo

Material: são as Constituições que identificam a forma

e a estrutura do Estado e o sistema de governo.

Formal: são aquelas colocadas no texto constitucional, sem fazer parte da estrutura mínima e essencial de qualquer Estado.

Noções de Direito Constitucional, Penal e Administrativo

e) Quanto à sistemática

Reduzida: é representada por um código único.

Variada: os textos estão espalhados em diversos diplomas legais.

os textos estão espalhados em diversos diplomas legais. E você? Saberia situar a Constituição Brasileira na

E você? Saberia situar a Constituição Brasileira na sua respectiva classificação? Use o espaço a seguir para fazer seus registros.

Se você respondeu que a Constituição de 1988 é escrita (é redigida), legal (pois tem força normativa), rígida (é mutável, desde que observado o processo legislativo especial), democrática (promulgada, uma vez que decorreu da manifestação popular), material (traz em seu texto a forma e estrutura do Estado e o sistema de Governo) e reduzida (a um único texto constitucional) acertou na classificação. Parabéns!

Unidade 1

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Universidade do Sul de Santa Catarina

SEÇÃO 4 - O poder constituinte

O que é o poder constituinte. Você já teve oportunidade de ler ou

estudar sobre isso? Perceba como ele é importante na organização

social de um país.

O poder constituinte é a manifestação soberana da suprema

vontade popular, de um povo social e juridicamente organizado.

Seu titular é o povo, que deve manifestar sua vontade de constituir um país. Modernamente, quem exerce o poder são os representantes do povo. É o poder constituinte que dá origem à Constituição Federal.

Além do poder originário que dá origem à Constituição Federal, existe também o poder derivado (ou reformador) que é o poder dos representantes do povo de modificar a Constituição Federal, por meio de emendas constitucionais, naquilo que a própria Constituição Federal autoriza.

Veja a representação a seguir:

Constituição Federal autoriza. Veja a representação a seguir: Fig. 2. Classifi cação do poder constituinte 28

Fig. 2. Classificação do poder constituinte

Noções de Direito Constitucional, Penal e Administrativo

SEÇÃO 5 - O processo legislativo

O processo legislativo está previsto na Constituição Federal de 1988, nos artigos 59 a 69, e consiste na seqüência de atos para elaboração de normas jurídicas.

Espécies de normas jurídicas

Emendas à Constituição Federal.

Leis complementares.

Leis ordinárias.

Medidas provisórias.

Leis delegadas.

Decretos legislativos.

Resoluções.

Agora vamos ver o que cada uma significa?

Emendas constitucionais – são manifestações do poder constituinte derivado (ou reformador) e, como tal, estão limitadas, condicionadas e subordinadas às regras da própria Constituição Federal. As emendas têm a mesma hierarquia constitucional das normas constitucionais originárias, porém podem ser objeto de controle da constitucionalidade, na medida em que devem respeitar as cláusulas pétreas (art. 60, § 4º, I a IV, da Constituição Federal).

As leis complementares são normas jurídicas intermediárias entre as leis ordinárias e as emendas constitucionais. Há duas justificativas para sua existência:

a) uma que diz respeito à importância constitucional, cuja relevância impediria a possibilidade de sua constante alteração por meio de leis ordinárias; e

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b) outra para assegurar poucas alterações diante da alta mutabilidade política, social e econômica, o que, apesar da relevância, impediria sua mudança constante e também impediria seu engessamento no texto constitucional. Exemplos: Sistema Financeiro Habitacional (art. 192, caput); Ministério Público (art. 128, § 5º); art. 22, parágrafo único; etc.

As leis ordinárias são as leis comuns que são aprovadas por maioria simples de cada casa legislativa (isto é, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal).

(isto é, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal). Você sabia? Que a diferença entre

Você sabia?

Que a diferença entre a lei complementar e a lei ordinária está no quorum de votação, pois o da lei complementar depende de maioria absoluta (art. 69) das casas legislativas (Câmara dos Deputados e Senado Federal), enquanto o quorum da lei ordinária é maioria simples (art. 47). Se for lei estadual, maioria absoluta da Assembléia Legislativa para complementar, ou maioria simples para a lei ordinária. O mesmo ocorre no caso das Câmaras de Vereadores dos municípios.

As medidas provisórias são uma novidade constitucional. Surgiram na Constituição Federal de 1988 e vieram para substituir os antigos decretos- leis. A idéia inicial era limitar o poder presidencial que existia em razão desses decretos-leis. Porém, como se sabe, houve total desvirtuamento dessa idéia, em face do grande número de medidas provisórias editadas até hoje (quase duas mil desde a criação pela Constituição Federal de 1988). É pacífico da necessidade de existir uma espécie normativa que seja editada pelo chefe de Governo (no Brasil é também o chefe de Estado – sistema presidencialista), pois o Parlamento (Congresso Nacional) é muito moroso, podendo existir uma situação de urgência que precise ser disciplinada, daí a criação das medidas provisórias. São características das medidas provisórias:

Noções de Direito Constitucional, Penal e Administrativo

CARACTERÍSTICAS DAS MEDIDAS PROVISÓRIAS:

I) só podem ser editadas em situações emergenciais, pois a função legislativa é do Parlamento;

II) são sempre temporárias, pois quem pode fazer uma norma jurídica definitiva é o Congresso Nacional;

III) responsabilidade política dessa norma jurídica é do chefe do Poder Executivo.

“É importante que você perceba que as medidas provisórias têm força de lei imediatamente, isto é, assim que são editadas pelo Presidente da República, têm vigência pelo prazo de 60 (sessenta) dias, sendo uma norma jurídica temporária. A reedição é possível, pois passado o prazo citado, edita-se outra medida provisória (outro número) com a mesma matéria. Justamente por isso é que algumas vêm com a seguinte numeração: nº 375-6 (o dígito corresponde ao número de vezes que a matéria foi reeditada)”.

Deve ser remetida ao Presidente do Congresso Nacional, o qual terá o prazo de 48 horas para formar uma comissão temporária mista (7 senadores e 7 deputados) para analisá-la. A cada nova medida provisória editada será formada uma nova comissão, que emite um parecer, o qual é levado ao plenário do Congresso Nacional.

A sessão é conjunta (fisicamente), mas bicameral, e o plenário do Congresso Nacional pode tomar quatro posturas: duas pela aprovação e duas pela rejeição. Tal procedimento é regulamentado pelas resoluções nº 01 e 02/89, do Congresso Nacional.

Veja, a seguir, quais os passos para a conversão de uma medida provisória em lei.

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Conversão da medida provisória em lei ordinária

1) Aprovação integral da medida provisória: o Congresso Nacional converte a medida provisória em lei, por maioria simples na Câmara e no Senado (sessão fisicamente conjunta, mas bicameral). Após, vai para a promulgação pelo Presidente do Senado, que determinará sua publicação.

2) Aprovação com alterações: a medida provisória é aprovada com alterações (supressivas ou aditivas). É a hipótese que se verificou no Plano Real. Nesse caso, a medida provisória não se converte em lei, mas sim em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional. A partir daí, segue-se o processo legislativo ordinário (lei ordinária), com a deliberação executiva e posterior promulgação pelo Presidente da República, caso seja sancionada.

3) Rejeição expressa: ocorre quando o plenário não aprova a medida provisória. Essa rejeição tem efeitos “ex tunc”, retroagindo até a data da edição, como se essa medida provisória nunca tivesse existido. No caso de rejeição expressa, a medida provisória só poderá ser reeditada na próxima sessão legislativa (art. 67 da CF).

4) Inércia do Congresso Nacional: rejeição tácita. Se em 60 dias (prazo de vigência de uma medida provisória) o Congresso Nacional não converter a medida provisória em lei, há rejeição tácita. Baseia-se na idéia de que não pode haver uma espécie normativa, com vigência por muito tempo, editada por uma só pessoa (Presidente da República) e, assim, a medida provisória se não for reeditada perde sua vigência.

provisória se não for reeditada perde sua vigência. Registre no espaço a seguir um exemplo concreto

Registre no espaço a seguir um exemplo concreto do que foi abordado. Você conhece uma medida provisória que foi convertida em lei ou que está em discussão? Discuta esta questão com seus colegas na ferramenta Fórum.

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As leis delegadas estão previstas no artigo 68, da Constituição Federal, e são utilizadas mais no sistema parlamentarista do que no presidencialista, justamente por isso que de 1988 (com a promulgação da Constituição Federal) até hoje foi editada apenas uma lei delegada. É norma jurídica editada pelo Presidente da República mediante solicitação ao Congresso Nacional (iniciativa solicitadora exclusiva do Presidente) e autorização desse. Algumas matérias são insuscetíveis de delegação:

a) de competência exclusiva do Congresso Nacional

(art. 49 – por meio de decretos legislativos);

b) de competência privativa da Câmara e do Senado

(arts. 51 e 52 – por meio de resoluções);

c) de lei complementar (previstas taxativamente na

Constituição Federal);

d) relacionadas à organização do Poder Judiciário e do

Ministério Público, à nacionalidade, à cidadania e aos direitos individuais, políticos e eleitorais;

e) referentes ao orçamento (são três as espécies de leis

orçamentárias, quais sejam: a lei do plano plurianual; a lei de diretrizes orçamentárias e as próprias leis orçamentárias).

Legislatura compreende

o mandato do

parlamentar. Assim, o mandato dos deputados

– quatro anos – tem uma

legislatura e a Câmara se renova integralmente de quatro em quatro anos. Já o mandato dos

senadores, por sua vez, tem duas legislaturas

– oito anos – e o Senado

renova um terço e dois terços de seus membros, respectivamente, de quatro em quatro anos.

Note que o Congresso Nacional só pode delegar uma matéria que, em princípio, pode ser disciplinada por lei ordinária, respeitadas as limitações anteriores. O instrumento formal que concede a delegação é resolução aprovada por maioria simples dos votos das casas do Congresso Nacional. Nesta resolução vai constar a própria delegação, os limites de conteúdo dela e os limites de exercício (prazo para edição da lei pelo Presidente). O prazo máximo para delegação é o término da legislatura.

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O decreto legislativo é uma norma jurídica utilizada para regulamentar as competências exclusivas do Congresso Nacional. O Presidente da República não participa de sua elaboração (art. 49, da Constituição Federal). A rejeição de uma medida provisória implica em regulamentação das relações jurídicas decorrentes por meio de decreto legislativo (artigo 62, parágrafo único, da Constituição Federal).

As resoluções (art. 49, VII, da Constituição Federal) são espécies normativas utilizadas para regulamentar

os assuntos de competência do Congresso Nacional, da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

O processo legislativo da resolução do Congresso

Nacional é idêntico ao processo legislativo de feitura do decreto legislativo. Só utiliza o decreto legislativo se

for matéria do art. 49 ou do art. 62, parágrafo único, da Constituição Federal. Qualquer outra matéria que o Congresso Nacional queira regulamentar (que não esteja no art. 49 e também não no art. 62, parágrafo único, da Constituição Federal) será por meio de resolução do Congresso Nacional. Há as resoluções da Câmara (artigo 51) e do Senado (artigo 52) nos assuntos de competência privativa de cada uma dessas casas. Portanto, há espécie normativa unicameral, que são as resoluções da Câmara e do Senado Federal. A primeira é promulgada pelo Presidente da Câmara e a segunda pelo Presidente do Senado.

da Câmara e a segunda pelo Presidente do Senado. Como se classifi ca o processo legislativo?

Como se classifica o processo legislativo?

O

processo legislativo ordinário (ou comum) se destina à feitura

de

uma lei ordinária; mais completo, com maior número de fases

Além dele, há também outros processos legislativos, que podem ser:

Noções de Direito Constitucional, Penal e Administrativo

sumário (regime de urgência) – único processo com prazo certo para terminar. Próprio para leis ordinárias

e complementares. É a hipótese do artigo 64, § 1º,

da Constituição Federal, em que o Presidente da República pode solicitar urgência para apreciação de

projeto de sua iniciativa;

especial – é o processo legislativo diferenciado da lei ordinária, como por exemplo, emenda constitucional, leis complementares, medidas provisórias, leis delegadas, resoluções e decretos legislativos.

A

elaboração das leis também compreende fases. Vamos conhecer

as

fases de elaboração da lei ordinária?

1) Iniciativa – é a apresentação do projeto à casa legislativa. Na esfera federal, cabe aos membros ou às comissões do Poder Legislativo, ao Presidente da República, ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores, ao procurador-geral da República e também aos cidadãos (Art. 61, da Constituição Federal).

2) Aprovação – consiste nos estudos, debates, redações, emendas e votação do projeto. A aprovação final dá- se por maioria simples ou relativa, abrangendo apenas os parlamentares presentes à votação. Não há prazo para a aprovação ou rejeição do projeto de lei. Mas o Presidente da República poderá solicitar urgência nos projetos enviados por ele, conforme art. 64, § 1º, da Constituição Federal.

3) Sanção – é o ato pelo qual o chefe do Executivo manifesta sua concordância com o projeto de lei aprovado pelo Legislativo. Pode ser expressa ou tácita. Será tácita quando não houver manifestação no prazo de 15 dias, contados do recebimento do projeto.

4) Veto – quando manifesta sua discordância. Pode

ser total ou parcial. O veto pode ser derrubado pelo Congresso em voto da maioria absoluta dos deputados

e senadores, conforme art. 66, § 4º, da Constituição Federal.

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5) Promulgação – decorre da sanção e tem o significado de proclamação. A sanção e a promulgação se dão ao mesmo tempo, com a assinatura do Presidente da República.

6) Publicação – é a última fase. Com a publicação a lei se presume conhecida de todos, tornando-se obrigatória na data indicada para sua vigência. Se for omitida a data para sua vigência, a lei se torna obrigatória em 45 dias após a publicação, dentro do território nacional e três meses fora dele (art. 1º, da Lei de Introdução ao Código Civil).

Veja a seqüência da elaboração de forma esquemática.

FASES DE ELABORAÇÃO DA LEI ORDINÁRIA

- Iniciativa

- Aprovação

- Sanção

- Promulgação

- Publicação

Atente-se à idéia de recepção, desconstitucionalização, repristinação. Vamos ver o que é isso?

Além desses conceitos acima, há necessidade de compreender os efeitos jurídicos decorrentes da substituição de uma Constituição Federal por outra, como por exemplo, da substituição da Constituição Federal de 1967 (com sua emenda constitucional nº 01/1969) pela Constituição Federal de 1988. Nesses casos teremos basicamente três efeitos no mundo das leis, quais sejam:

a recepção, a desconstitucionalização e a repristinação, a saber:

Noções de Direito Constitucional, Penal e Administrativo

recepção é o recebimento de todo ordenamento jurídico (ou seja, de todas as leis existentes) editado na vigência das constituições anteriores e que ainda estiver em vigor pela nova Constituição Federal, desde que presente um único requisito: a compatibilidade com as novas normas constitucionais. Exemplo disso

é o Código Penal que é uma norma jurídica de 1940

e que ainda continua em vigor, apesar da vigência da Constituição Federal de 1988. Isso quer dizer que

o Código Penal existe porque foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988;

desconstitucionalização é a recepção da Constituição anterior por parte da nova ordem constitucional,

porém com força de lei, desde que apresente o requisito da compatibilidade (sentido técnico-jurídico). Não

é adotada no Brasil, pois uma nova Constituição

significa o rompimento com a anterior, mantendo-se apenas as normas infraconstitucionais compatíveis com

a nova Constituição (ou seja, no Brasil há a recepção

e não há a desconstitucionalização, conforme acima relatado);

repristinação “significa a revalidação de norma revogada pela Constituição anterior, mas que viesse a apresentar compatibilidade com a atual. Figure-se a hipótese de norma editada sob a égide da Constituição de 1946, que tenha sido revogada, por incompatibilidade, pela Constituição de 1967. Admitir a repristinação significaria que, caso essa fosse compatível com a atual Constituição, ela estaria automaticamente revalidada, o que, como se disse, não é possível, pois essa norma já desapareceu, não podendo, assim, ser ressuscitada sem previsão expressa.” (ARAUJO; NUNES JÚNIOR, 2005. p.

17-18).

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SEÇÃO 6 - As cláusulas pétreas

Você sabe o que são cláusulas pétreas? Já ouviu falar?

Bem, as cláusulas pétreas previstas na Constituição Federal

São cláusulas pétreas e por isso não podem ser modificadas por emendas constitucionais.

são aqueles artigos da Constituição Federal que não podem ser modificados por emendas constitucionais

Emendas à Constituição Federal

Analise o seguinte:

A Constituição Federal prevê, nos artigos 59, I e 60, a permissão de emendas constitucionais, ou seja, ela é mutável. Uma Constituição Federal mutável divide-se em:

I) rígida – atual Constituição Federal, posto que exige um processo legislativo especial mais dificultoso para sua alteração. Apesar disso, ela possui um núcleo imodificável (art. 60, § 4º) que são as cláusulas pétreas;

II) semi-rígida ou semiflexível – a Constituição Federal de 1824 é um exemplo, as normas têm mesma hierarquia, porém o legislador confere a algumas maior importância, determinando a essas um processo legislativo especial para alteração;

III) flexível – é aquela que pode ser modificada a qualquer momento. Exemplo: a Constituição Inglesa.

a qualquer momento. Exemplo: a Constituição Inglesa. Uma emenda constitucional é a manifestação do poder

Uma emenda constitucional é a manifestação do poder constituinte derivado (ou reformador) e, como tal, está limitada, condicionada e subordinada às regras da Constituição Federal. As emendas constitucionais têm a mesma hierarquia constitucional das normas constitucionais originárias, porém podem ser objeto de controle de constitucionalidade, à medida que devem respeitar as cláusulas pétreas, como previsto no artigo 60, § 4º, I a IV, da Constituição Federal.

Noções de Direito Constitucional, Penal e Administrativo

Isso porque o artigo 60, § 4º, I a IV, da Constituição Federal, descreve as cláusulas pétreas e impede que as emendas constitucionais venham modificar os artigos da Constituição Federal de 1988, relacionados os temas seguintes.

Forma federativa do Estado – a forma federativa é a estrutura política do Brasil em União, Estados- Membros e municípios e que não pode ser modificada por emendas constitucionais.

Voto direto, secreto, universal e periódico – significa que o regime democrático no Brasil é cláusula pétrea. Em face dessa cláusula, não seriam possíveis mandatos vitalícios. Todos os mandatos devem ser periódicos no regime democrático, isto é, de tempos em tempos o povo deve ser chamado para escolher seus representantes. O voto direto tem seu substrato no artigo 1º, da Constituição Federal (princípio da soberania popular), e significa que o representado deve votar no seu representante. Na ausência do Presidente da República, assume o Vice-Presidente; depois o Presidente da Câmara dos Deputados (“casa do povo”) seguido do Presidente do Senado (“casa dos Estados- Membros”) que é sempre o Presidente do Congresso Nacional; por fim, o Presidente do Supremo Tribunal Federal. Todos assumem, mas apenas o Vice- Presidente pode assumir o cargo de forma definitiva, já que foi eleito juntamente com o Presidente.

Separação dos poderes – é a separação da estrutura consagrada no artigo 2º, da Constituição Federal. Os poderes da República são independentes (Teoria da Separação dos Poderes) e harmônicos (Teoria dos Freios e Contrapesos norte-americana, que prega controles recíprocos de um poder por outro).

Direitos e garantias fundamentais – os direitos individuais são espécie do gênero direito e garantias fundamentais.

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Como os direitos fundamentais são classificados? cados?

Os direitos fundamentais podem ser de cinco espécies:

1. direitos e garantias individuais e coletivos (art. 5º);

2. direitos sociais (arts. 6º a 11);

3. direitos de nacionalidade (art. 12);

4. direitos políticos (art. 14); e

5. relacionados com a criação, organização e participação em partidos políticos (art. 17).

Os direitos e garantias fundamentais são cláusulas pétreas. Cite um exemplo de cláusula pétrea. Use a Constituição e descreva uma situação concreta, pétreas. Cite um exemplo de cláusula pétrea. Use a Constituição e descreva uma situação concreta, até mesmo da área em que você atua. Use o espaço a seguir para registrar suas considerações.

Vamos em frente? Agora vamos analisar como nasce uma emenda constitucional. Você sabe?

Noções de Direito Constitucional, Penal e Administrativo

Você viu o que significa uma emenda constitucional; que são manifestações do poder constituinte derivado e, como tal, está limitado, condicionado e subordinado às regras da própria Constituição Federal. Você se lembra, não é? Bem, agora veja como nasce uma emenda constitucional. Analise como se dá esse processo.

Iniciativa

A iniciativa de uma proposta de emenda constitucional (PEC)

pode ser de iniciativa do Presidente da República, ou de um terço

dos Deputados Federais, ou de mais da metade das Assembléias Legislativas, ou de um terço dos Senadores da República.

As Assembléias Legislativas são os poderes legislativos dos Estados-Membros. As Câmaras de Vereadores são os poderes legislativos dos municípios. Ambas as casas legislativas têm por função a edição de leis estaduais e municipais.

têm por função a edição de leis estaduais e municipais. Art. 60, § 5º: a matéria

Art. 60, § 5º: a matéria constante em proposta de emenda constitucional rejeitada só pode ser objeto de deliberação na próxima sessão legislativa, sem exceção.

É importante que você perceba, neste contexto, que as leis não

podem nascer de uma vontade ou de um interesse individual, portanto, é necessário que se exerça um controle efetivo, com o intuito de garantir os princípios e preceitos constitucionais e as garantias individuais e coletivas, ou seja, os direitos e deveres do cidadão e das instituições para a manutenção do equilíbrio social, exercido por meio do contrato social. Você concorda?

Então, vejamos, agora, o que significa o controle de constitucionalidade.

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SEÇÃO 7 - O controle da constitucionalidade

O controle da constitucionalidade consiste no exame de leis com o fim de excluir aquelas leis que são contrárias ao disposto na Constituição Federal de 1988. O controle pode ser preventivo ou repressivo.

a) Controle da constitucionalidade preventivo é aquele

feito pelo Poder Legislativo e Executivo em não editar

e não aplicar as leis claramente inconstitucionais. Já

imaginou se fosse editada uma lei de cortar as mãos de todo ladrão?? Tal lei seria claramente inconstitucional,

pois são proibidas pela Constituição Federal as torturas

e as penas degradantes.

b) Controle da constitucionalidade repressivo é aquele feito pelo Poder Judiciário que pode ser por defesa (difuso), aquele discutido em processo judicial

e o feito por ação, neste caso, por ação direta de inconstitucionalidade.

Assim temos:

por ação direta de inconstitucionalidade. Assim temos: Fig. 3. Controle de constitucionalidade O controle da
por ação direta de inconstitucionalidade. Assim temos: Fig. 3. Controle de constitucionalidade O controle da
por ação direta de inconstitucionalidade. Assim temos: Fig. 3. Controle de constitucionalidade O controle da
por ação direta de inconstitucionalidade. Assim temos: Fig. 3. Controle de constitucionalidade O controle da

Fig. 3. Controle de constitucionalidade

Assim temos: Fig. 3. Controle de constitucionalidade O controle da constitucionalidade é aplicável nos
Assim temos: Fig. 3. Controle de constitucionalidade O controle da constitucionalidade é aplicável nos
Assim temos: Fig. 3. Controle de constitucionalidade O controle da constitucionalidade é aplicável nos

O controle da constitucionalidade é aplicável nos sistemas jurídicos que se caracterizam pela supremacia das normas constitucionais, como o Brasil. Logo, no mínimo deve ser para uma Constituição rígida ou semi-rígida. Nos países onde a Constituição é flexível e não escrita, como a Inglaterra, não há que se falar em controle de constitucionalidade, já que não existe hierarquia entre a Constituição e as leis.

Noções de Direito Constitucional, Penal e Administrativo

Perceba que uma das formas do controle da constitucionalidade realizado pelo Poder Judiciário é a ação direta de inconstitucionalidade, que consiste numa ação que pode ser proposta no Supremo Tribunal Federal para a obtenção

de

declaração de inconstitucionalidade de uma lei ou

de

ato administrativo normativo. Com a ação direta de

inconstitucionalidade busca-se retirar de vigência uma lei inconstitucional. Só pode ser proposta no Poder Judiciário por

algumas autoridades, como o procurador-geral da República

ou partido político entre outros, conforme o artigo 103, da Constituição Federal.

O que você está achando da matéria até aqui? Está conseguindo

acompanhar? Não esqueça de marcar as partes mais importantes, fazer anotações dos pontos-chaves, isso ajudará você a

compreender melhor os conteúdos mais complexos.

SEÇÃO 8 - Os direitos e os deveres individuais

O artigo 5º, da Constituição Federal, arrola os direitos e deveres

individuais e coletivos. Os direitos são as faculdades atribuídas aos indivíduos e as garantias são as disposições que asseguram tais direitos.

A Constituição Federal de 1988 classifica os direitos e as

garantias como sendo os referentes à vida, à liberdade, à

igualdade, à segurança e à propriedade, conforme se vê do artigo

5º:

Art. 5º - Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

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Veja que a Constituição buscou garantir uma igualdade jurídica. Dessa forma, clama-se pela igualdade substancial (iguais oportunidades para todos, a serem propiciadas pelo Estado), a qual significa, em síntese, TRATAR DE MANEIRA IGUAL OS IGUAIS E DE MANEIRA DESIGUAL OS DESIGUAIS, NA MEDIDA DE SUA DESIGUALDADE. A aparente quebra do princípio da isonomia (igualdade das partes), no ordenamento jurídico (por exemplo: vagas reservadas para deficientes físicos nos estacionamentos de veículos), obedece exatamente ao princípio da igualdade real e proporcional, que impõe tratamento desigual aos desiguais, justamente para que,

supridas as diferenças, se atinja a igualdade substancial. O artigo

5º possui vários incisos, os quais podemos destacar:

I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;

Homens e mulheres são tratados com igualdade, mas por natureza são desiguais. Assim, a legislação deve adequar tais diferenças naturais para estabelecer a igualdade material. Veja um exemplo:

para estabelecer a igualdade material. Veja um exemplo: O prazo de licença maternidade de 120 dias

O prazo de licença maternidade de 120 dias e

licença paternidade de cincodias. O que no primeiro

momento parece um tratamento desigual, na verdade

se dá devido à natureza de cada um. As mulheres,

pela natureza, dedicam-se mais ao recém-nascido que carece mais da mãe.

O próximo inciso obriga o respeito à lei. As pessoas estão

obrigadas a fazer ou deixar de fazer alguma coisa somente por meio de leis estabelecidas pelo legislador.

Noções de Direito Constitucional, Penal e Administrativo

II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;

O que ele quer dizer é que qualquer ordem do Poder Estatal

em suas funções executivas, por meio de decretos, de portarias ou de qualquer forma de direito administrativo, só terá valor se estiver amparada e de acordo com a lei. Tem-se por lei, a regra, o modelo, o paradigma, a convenção para servir como um padrão

de

comportamento.

III - ninguém será submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante;

O

agentes. A lei 9.455/1997 define os crimes de tortura. Qualquer prática de tortura é crime e deve ser punido pelo Poder Judiciário.

dispositivo tem endereço certo: as autoridades públicas e seus

IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

Exteriorizar o pensamento por meio de palavras, imagens, símbolos, gestos, fotografias e desenhos é garantido pela Constituição Federal. Porém não é admitido o anonimato. A livre manifestação do pensamento não é um direito absoluto, pois é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem (art. 5º, V, CF). Dessa forma, a manifestação do pensamento não pode violar a lei, como por exemplo o ato obsceno (como se apresentar nu na praça pública ou numa janela, ou urinar na via pública) que não pode ser considerado como livre manifestação do pensamento, pois é crime previsto no artigo 233, do Código Penal.

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VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;

A inviolabilidade da liberdade de consciência e crença também não é absoluta. Tal liberdade não pode violar outros direitos fundamentais como a vida, eis que sob o manto de inviolabilidade de crença não há como legitimar sacrifícios humanos (por exemplo) em adoração a deuses.

X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;

As pessoas possuem intimidade, honra e vida privada que são invioláveis e asseguradas pela Constituição Federal. Constituem crimes a divulgação de segredo (artigo 153, do Código Penal) e a violação da honra (calúnia, difamação e injúria).

XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial;

Conforme a Constituição Federal dispõe, a casa é asilo inviolável do indivíduo e ninguém pode penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de prisão de flagrante delito ou desastre, para prestar socorro, ou durante o dia por determinação judicial. Portanto, há duas situações distintas para violação da casa:

durante a noite e durante o dia.

para violação da casa: durante a noite e durante o dia. Durante a noite , somente

Durante a noite, somente se pode entrar no domicílio alheio em quatro hipóteses: com consentimento do morador; em caso de flagrante delito; desastre; e, para prestar socorro;

Durante o dia, cinco são as hipóteses: consentimento do morador; flagrante delito; desastre; para prestar socorro; mediante mandado judicial de prisão ou de busca e apreensão.

Noções de Direito Constitucional, Penal e Administrativo

Havendo mandado de prisão, a captura, no interior da casa, somente pode ser efetuada durante o dia (do amanhecer até

o anoitecer), dispensando-se, nesse caso, o consentimento do

morador. Durante a noite, na oposição do morador ou da pessoa

a ser presa, o executor do mandado de prisão não poderá invadir

a casa, devendo aguardar até o amanhecer, e, então arrombar

a porta e cumprir o mandado. A violação do domicílio à noite,

para cumprir o mandado, sujeita o violador a crime de abuso de autoridade, consistente em “executar medida privativa de liberdade individual sem as formalidades legais ou com abuso de poder” (lei 4898/65, art. 4º, a).

XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal;

Sigilo é o segredo. Assim, ninguém pode abrir a correspondência para conhecer o seu conteúdo. A inviolabilidade do sigilo impede que o receptor o divulgue, ocasionando dano a outrem. Constitui crime previsto nos artigos 151 e 152, do Código Penal, violar correspondência alheia.

XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer;

Quer dizer que qualquer pessoa pode exercer a profissão que quiser. Porém a liberdade profissional está limitada aos requisitos que a lei ordinária estabelecer.

limitada aos requisitos que a lei ordinária estabelecer. Advocacia, medicina e policial, cujas profi ssões exigem

Advocacia, medicina e policial, cujas profissões exigem cursos de capacitação, provas, concursos etc.

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O artigo 47, da Lei de Contravenções Penais, trata do exercício

ilegal de profissão ou atividade que consiste em exercer, realizar, desempenhar ato próprio de profissão, ou atividade econômica ou anunciar, dar notícias, publicar, revelar tal mister, sem ter a devida qualificação profissional.

XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado;

A criação de associações independe de autorização do Poder

Público e o texto constitucional assegura a não-interferência do

Estado. Assim, não pode haver obrigatoriedade de associação.

A pessoa é livre em associar-se ou não a alguma entidade, clube,

associação, igreja, etc.

XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado;

Todos têm direito de receber informações dos órgãos públicos, quer sejam de interesse particular, quer sejam de interesse coletivo. O prazo de resposta da administração pública é de 15 dias contado do registro do pedido no órgão expedidor, nos termos da Lei Federal nº 9.051, de 18 de maio de 1995, que dispõe sobre a expedição de certidões para a defesa de direitos e esclarecimentos. Contudo, há informações de caráter reservado que não podem ser divulgadas a terceiros, como por exemplo, o CPF, o número de carteira de identidade, etc.

XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direito ou contra ilegalidade ou abuso de poder; b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal;

Noções de Direito Constitucional, Penal e Administrativo

É assegurado a todos o direito de petição, que é o direito de demandar, de apresentar sua pretensão à administração pública. A administração não pode recusar o fornecimento de informações, salvo se forem consideradas sigilosas por lei ordinária. A Lei Federal nº 8.159, de 8 de janeiro de 1999, dispõe sobre a política nacional de arquivos públicos e privados, e estabelece no § 1º do artigo 23: “Os documentos cuja divulgação ponha em risco a segurança da sociedade e do Estado, bem como aqueles necessários ao resguardo da inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem das pessoas são originariamente sigilosos.”

XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito;

Basta qualquer indivíduo invocar uma lesão ou ameaça para contar com o pronunciamento do Judiciário, o qual, por sua vez, garante sempre o acesso à justiça. Nenhuma norma jurídica pode impedir a pessoa de ter acesso ao Poder Judiciário para resolver seus conflitos, isto é, seus litígios.

XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada;

Direito adquirido é o direito de qualquer natureza que já se incorporou ao patrimônio da pessoa. O que foi realizado de acordo com a lei antiga não será modificado pela lei nova.

Ato jurídico perfeito é a manifestação da vontade do agente segundo as prescrições de direito. A lei também assegura, em sua plenitude, o ato jurídico perfeito, ou seja, a lei nova não pode atingir situações já consolidadas sob o império da lei antiga, resguardando-se o ato jurídico perfeito.

Coisa julgada é a situação decorrente da sentença judicial contra a qual não caiba recurso. Não se permite, portanto, que a lei nova venha interferir no direito adquirido, no ato jurídico perfeito e na coisa julgada.

Unidade 1

49

Universidade do Sul de Santa Catarina

XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal;

O princípio da legalidade já existia no artigo 1º, do Código

Penal, que foi elevado à categoria constitucional e quer dizer que somente existe crime se houver previsão legal anterior à conduta criminosa.

se houver previsão legal anterior à conduta criminosa. Só existe crime de furto porque já existe

Só existe crime de furto porque já existe lei anterior fazendo a previsão. E, ainda, somente existe cominação de pena porque já tem previsão legal.

XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu;

A lei só pode retroagir para beneficiar o réu. Tal preceito já vinha

definido no artigo 2º, do Código Penal. Por exemplo, se alguém foi preso por crime de sedução (artigo 217, do Código Penal)

deverá ser posto em liberdade a partir da lei nº 11.106, de 28

de março de 2005, que revogou o artigo 217, do Código Penal,

deixando de considerar a sedução como crime. Aquele que tinha praticado o crime de sedução deixa de ser criminoso, pois a lei nova retroage no tempo para abranger as situações passadas.

XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais;

A lei nº 8.081/90 estabeleceu os crimes e as penas aplicáveis aos

atos discriminatórios ou de preconceito de raça, cor, religião,

etnia ou procedência nacional praticados pelos meios de comunicação ou por publicação de qualquer natureza.

XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei;

A

lei nº 7.716/89, alterada pela lei nº 9.459/97, estabelece

os

crimes resultantes de raça ou cor, constituindo tal crime

inafiançável e imprescritível. Inafiançável quer dizer que se a pessoa for presa em flagrante não poderá pagar fiança para responder pelo crime em liberdade. Imprescritível quer dizer que

Noções de Direito Constitucional, Penal e Administrativo

o crime jamais será prescrito. Podem passar 20, 30 ou 40 anos

da prática delituosa que o criminoso estará sujeito a responder

a processo de crime de racismo e à cominação das penas. Por

exemplo, supondo que alguém pratique crime de racismo e resolva passar 20 anos (escondido) no país vizinho do Uruguai para fugir do processo criminal. Ora, mesmo passado tanto tempo quando pisar no Brasil estará sujeito às penas de crime de racismo, pois tal crime é imprescritível.

XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará,

entre outras, as seguintes: a) privação ou restrição da liberdade;

b)

perda de bens; c) multa; d) prestação social alternativa;

e)

suspensão ou interdição de direitos;

XLVII - não haverá penas: a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX; b) de caráter perpétuo; c) de trabalhos forçados; d) de banimento; e) cruéis;

Pena é uma sanção aplicada pelo Estado ao infrator penal como

retribuição de seu ato ilícito e para prevenir a prática de novos delitos. Também serve como aviso às pessoas para não praticarem infrações penais, pois estarão sujeitas às penas previstas nas leis penais. A Constituição Federal prevê penas permitidas e proibidas.

A pena de morte

só é permitida pela Constituição Federal, em

caso de guerra declarada,

e sua execução será feita

por fuzilamento, conforme

o Código Penal Militar.

XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado;

XLIX

- é assegurado aos presos o respeito à integridade física e

moral;

L - às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos durante o período de amamentação;

Unidade 1

51

Universidade do Sul de Santa Catarina

A pena poderá ser cumprida na penitenciária, ou na colônia

agrícola, industrial ou semelhante, ou em casa de albergue, conforme o condenado e a natureza do crime praticado. Ao preso deve ser garantida a sua integridade física e moral. Afinal, o preso mantém todos os direitos, exceto a liberdade. As mulheres não cumprem pena privativa de liberdade junto com homens. Para as mulheres há condições especiais, conforme a Lei de Execuções Penais.

LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente;

O presente inciso trata do princípio do juiz natural, quer

dizer que só pode exercer a jurisdição aquele órgão a que a Constituição atribui o Poder Jurisdicional. Só da Constituição Federal de 1988 pode emanar o Poder Jurisdicional (de julgar), de modo que não é dado ao legislador ordinário criar juízes ou tribunais de exceção (art. 5º, XXXVII, da Constituição Federal).

LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal;

Processo legal é o instrumento de que se serve o Estado para, no exercício da sua função jurisdicional, com participação das partes e obedecendo ao estabelecido na legislação processual, resolver os conflitos, solucionando-os.

O processo, como conhecemos atualmente, teve sua origem na

arbitragem compulsória do período clássico do Império Romano, em que o Pretor escolhia o árbitro para dar solução aos conflitos

(litígios).

O processo será penal ou civil, conforme a pretensão sobre a qual

incide, uma vez que o Processo penal é aquele em que existe uma pretensão punitiva do Estado. E civil é o processo que não é penal (ou seja, o resto) e por meio do qual se resolvem conflitos do Direito Privado, Direito Constitucional, Administrativo, Tributário, Trabalhista. Disciplinando um e outro processo, temos respectivamente o Direito Processual Civil e o Direito Processual Penal.

Noções de Direito Constitucional, Penal e Administrativo

LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;

A ampla defesa se caracteriza principalmente pela oportunidade

do acusado, ou do litigante, de apresentar a sua defesa, por si

ou por seu procurador constituído (artigo 133, da Constituição Federal e artigo 38, do Código de Processo Civil) de solicitar qualquer meio de prova, de ser ouvido, de ter vistas ao processo antes da decisão final da autoridade judiciária, de participar de todos os atos: mediante perguntas às testemunhas, de quesitos na perícia, enfim, de estar presente no processo.

Artigo 9º, da lei 9.099/99, e artigo 36, in fine, do Código de Processo Civil.

Por sua vez, o contraditório tem por escopo a oportunidade do acusado, ou do litigante, em rebater as alegações da acusação, ou da parte contrária, de apresentar todos os elementos probatórios, manifestar-se e ser ouvido sobre todos os elementos que constituem a acusação e/ou processo, antes da decisão final da autoridade judiciária.

Os princípios do contraditório e da ampla defesa são garantias constitucionais aos acusados em geral e aos litigantes em processo judicial e administrativo.

Por tudo isso, a ampla defesa e o contraditório são aplicados em todos os processos judiciais e administrativos. Cabe lembrar, que no inquérito policial (art. 5º, CPP), no inquérito policial militar (art. 9º, do Código de Processo Penal Militar) e na prisão em flagrante (art. 301, do CPP e 243, do Código de Processo Penal Militar) não há contraditório e ampla defesa, pois tais procedimentos administrativos visam a colher indícios de prova, para possibilitar o exercício da ação penal pelo Ministério Público.

LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos;

A regra é a da inadmissibilidade das provas ilícitas ou das

ilegítimas, sob pena de infirmar, de nulidade do processo. São consideradas provas ilícitas, por exemplo, obter confissão de crime com o uso da tortura ou interceptação telefônica sem autorização judicial.

Unidade 1

53

Universidade do Sul de Santa Catarina

LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;

Até o trânsito em julgado o acusado é considerado inocente. Isto

é, o acusado de um crime deve ser considerado inocente até que

a sentença condenatória transite em julgado (ou seja, até que não

caiba mais discussão da causa por meio recurso).

LVIII - o civilmente identificado não será submetido à identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei;

A Constituição Federal proíbe a identificação datiloscópica

(que consiste em borrar os dedos com tinta escura e colocar as digitais em papéis como forma de identificação), desde que a pessoa esteja identificada para os efeitos da vida civil, por meio

de carteira de identidade, CIC, carteira do trabalho entre outros documentos de identidade. A lei nº 10.054, de 07 de dezembro

de 2000, que dispõe sobre a identificação criminal, prevê as

hipóteses de identificação datiloscópica (criminal), por exemplo, quando houver fundada suspeita de falsificação ou adulteração do documento de identidade, ou houver registro de extrativo do documento de identidade.

LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei;

Prisão é a privação da liberdade de locomoção determinada por ordem escrita da autoridade competente ou em caso de flagrante delito.

Noções de Direito Constitucional, Penal e Administrativo

Conheça as espécies de prisão.

a) Prisão-pena ou prisão penal – é a decorrente do trânsito em julgado da sentença condenatória em que se impôs pena privativa de liberdade. Tem finalidade repressiva. A prisão-pena é, em regra, executada na penitenciária, ou colônia agrícola ou industrial, ou casa de albergue, conforme a natureza do crime e a quantidade da pena aplic ada.

b) Prisão sem pena ou prisão processual – é a prisão cautelar, também conhecida como prisão provisória,

que possui a seguinte classificação: prisão em flagrante (arts. 301 a 310, do Código de Processo Penal - CPP); prisão preventiva (arts. 311 a 316, do CPP); prisão resultante da pronúncia (arts. 282 e 408, § 1º, do CPP); prisão resultante de sentença penal condenatória não transitada em julgado (arts. 393, I, do CPP); prisão temporária (lei nº 7.960, de 21 de dezembro de 1989). A prisão processual, em regra, é executada nas cadeias públicas (também chamadas de presídios)

e nas delegacias de polícia (essas últimas quando não

existem vagas nas cadeias públicas). Cabe lembrar, ainda, que algumas pessoas têm prisões especiais e que ficam em salas separadas ou em quartéis.

c) Prisão civil – é a decretada em casos de devedor de alimentos e depositário infiel (art. 5º, LXVII, da Constituição Federal de 1988).

d) Prisão disciplinar – permitida pela Constituição para

o caso de transgressões militares e crimes militares (art. 5º, LXI, da Constituição Federal de 1988).

e) Prisão administrativa – é aquela decretada pela autoridade administrativa. Essa modalidade foi abolida pela nova ordem constitucional. A partir da promulgação da Constituição Federal de 1988, deixou de ser permitida, em nosso sistema jurídico, a prisão administrativa (CF 1988, art. 5º, LXI) – (Diário da Justiça da União de 31-3-1989, p. 4329 – RHC 66.730-9, DF, 2ª T, 2-2-1989).

Unidade 1

55

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f) Prisão para averiguações – é a privação momentânea da liberdade fora das hipóteses de flagrante e sem ordem escrita da autoridade competente, com

a finalidade de investigação. TAL PRISÃO É

ILEGAL, pois além de ser inconstitucional, configura

crime de abuso de autoridade, nos termos do art. 3º, a

e i, da lei nº 4.898/65.

“É ilegal e inconstitucional a prisão para averiguações, constituindo abuso de autoridade, por mais que se queira justificar a sua aplicabilidade na repressão preventiva ao crime (RT 425/325).”

LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada;

LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado;

LXIV - o preso tem direito à identificação dos responsáveis por

sua prisão ou por seu interrogatório policial;

LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária;

LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido,

quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança;

Os incisos acima tratam dos direitos dos presos no momento da prisão. Por exemplo, comunicar à família do preso da prisão realizada, permanecer calado, identificação dos responsáveis pela prisão, entre outros.

Noções de Direito Constitucional, Penal e Administrativo

LXVII - não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel;

Respondem pelas dívidas da pessoa o seu patrimônio. Tal patrimônio é posto para leilão pelo Poder Judiciário, caso não queira pagar a dívida por livre espontânea vontade. Somente em dois casos a pessoa pode ser presa por dívida:

1ª) prestação alimentar (quando deixa de prestar alimentos a dependente por ordem judicial); e 2ª) no caso de depositário infiel (quando o Poder Judiciário determina que a pessoa cuide de objetos vinculados a processos) e ela demonstra irresponsabilidade, como por exemplo: vendendo os objetos, destruindo-os, utilizando-se de má-fé, etc.

Por tudo isso temos o seguinte quadro:

QUADRO GERAL DOS DIREITOS INDIVIDUAIS

Liberdade: de fazer ou deixar de fazer algo, senão em virtude de lei (inciso II), de pensamento (inciso IV), de crença, consciência e de culto religioso (inciso VI), de trabalho, ofício e profissão (inciso XIII), de associação (inciso XX) e de ir e vir (incisos LXI e LXVII).

Invioláveis: a liberdade, a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas (inciso X), a casa (inciso XI), o sigilo de correspondência (inciso XII) e a previsão legal de condutas criminosas (XXXIX).

Assegurados: a igualdade de homens e mulheres (inciso I), a não-submissão à tortura (inciso

III), o direito de receber informações dos órgãos públicos (inciso XXXIII), o direito de petição aos órgãos públicos (inciso XXXIV), o direito de acesso ao Poder Judiciário (inciso XXXV), o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada (inciso XXXVI), o direito a uma pena justa, proporcional à conduta criminal (incisos XLVI e XLVII), o direito de ser considerado inocente (inciso LVII), os direitos da pessoa no momento da prisão (incisos LXII, LXIII, LXIV, LXV, LXVI), os direitos do preso (XLVIII, XLIX, L), o direito de ser julgado por autoridade competente (inciso LIII), o direito de ter um processo legal, com o contraditório e a ampla defesa (incisos LIV e LV),

e o direito de identificar-se civilmente (inciso LVIII), o direito da retroatividade da lei penal para

beneficiar o réu acusado de crime (inciso XL), o direito da não-discriminação (incisos XLI e XLII) e

o direito da não-utilização de provas ilícitas (inciso LVI).

Fonte: FÜHRER, 2005. p. 67

Unidade 1

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SEÇÃO 9 - As garantias constitucionais

As garantias constitucionais são traduzidas como remédios constitucionais para a defesa de direitos fundamentais previstos na Constituição Federal de 1988. Você concorda com essa afirmação?

Caso a pessoa venha ser presa de forma ilegal (por exemplo, prisão para averiguações) e acabe sendo lesada no seu direito de liberdade de locomoção, poderá buscar o restabelecimento do estado anterior ou sanar a violação, por meio do habeas corpus (quer dizer, corpo livre).

por meio do habeas corpus (quer dizer, corpo livre). E quais são os remédios constitucionais? A

E quais são os remédios constitucionais?

A pessoa que se sente lesada nos seus direitos poderá usar os seguintes instrumentos de defesa: o mandado de segurança (mandado de segurança coletivo); o habeas corpus; a ação popular; o mandado de injunção; o habeas data.

GARANTIAS CONSTITUCIONAIS

LXVIII - conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder;

LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público;

LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania;

LXXII - conceder-se-á habeas data: a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público; b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo;

LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência;

Noções de Direito Constitucional, Penal e Administrativo

Você viu quais são as ferramentas previstas na Constituição Federal de 1988 para a defesa dos direitos constitucionais?? Agora vamos estudar alguns direitos sociais e coletivos, que se traduzem nos deveres do Estado para com a população.

SEÇÃO 10 -Os direitos sociais ou coletivos

a população. SEÇÃO 10 -Os direitos sociais ou coletivos O que são os direitos sociais? Os

O que são os direitos sociais?

Os direitos sociais compreendem as obrigações do Estado, como a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a providência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, conforme o artigo 6º, da Constituição Federal:

“Art. 6º - São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.”

Também estão compreendidos entre os direitos sociais os direitos trabalhistas, previstos no artigo 7º da Constituição Federal.

Afora tais obrigações do Poder Público para com a comunidade, como postos de saúde, colégios gratuitos, saneamento básico, obrigações essas previstas na Constituição Federal de 1988, há ainda os direitos de nacionalidade, que vamos ver a seguir.

Unidade 1

59

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SEÇÃO 11 - Da nacionalidade

A Constituição Federal de 1988 colocou a nacionalidade como espécie dos direitos fundamentais. Nacionalidade é o vínculo jurídico-político que liga o indivíduo a um determinado Estado, tornando-o componente do mesmo. A nacionalidade pode ser:

primária (originária) – deriva de um fato natural (nascimento), sem a interferência de qualquer vontade;

secundária (derivada) – deriva de um ato voluntário (manifestação de vontade), por meio da naturalização. Não há possibilidade de o Estado naturalizar o indivíduo sem que ele queira.

Na nacionalidade originária há dois critérios clássicos para

a sua aquisição, o ius soli (direito territorial) e o ius sanguinis

(direito de sangue). Pelo primeiro, é nacional quem nasce no solo nacional (ligado ao território onde nasceu), independentemente da nacionalidade dos pais. Esse critério é adotado nos países do Novo Mundo (Brasil, p.ex.), que foram colônias e sofreram

o

e

o descendente do nacional, independentemente do local onde nasceu (a graduação do parentesco varia de país para país).

ingresso de imigrantes. Os países do Velho Mundo (Europa

Ásia) adotam, tradicionalmente, o ius sanguinis. É nacional

adotam, tradicionalmente, o ius sanguinis . É nacional O Brasil, como regra, adota o ius soli

O Brasil, como regra, adota o ius soli e, excepcionalmente, o ius sanguinis com certos requisitos (nunca o ius sanguinis puro).

São brasileiros natos

Os nascidos na República Federativa do Brasil:

território brasileiro; espaço aéreo (nascimento dentro de avião, p.ex.); subsolo (nascimento no metrô, p.ex.); mar territorial (navios e aeronaves oficiais e das forças armadas). Embaixada brasileira no exterior não é considerada território brasileiro, e as embaixadas estrangeiras no Brasil são território brasileiro (regra internacional).

Noções de Direito Constitucional, Penal e Administrativo

Os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira (ius sanguinis), desde que um deles esteja a serviço do Brasil (a serviço de qualquer dos entes, dos órgãos da administração direta ou indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios).

Além do brasileiro nato há também o brasileiro naturalizado, quando escolhe a nacionalidade brasileira por vontade própria.

SEÇÃO 12 - Os direitos políticos

Os direitos políticos são aqueles que conferem ao cidadão a possibilidade de participar do Poder Estatal, pois é por meio do voto que são escolhidos os representantes do povo.

meio do voto que são escolhidos os representantes do povo. Você sabia? que a nacionalidade e

Você sabia?

que a nacionalidade e a cidadania são termos distintos? Enquanto a nacionalidade é adquirida por fatores relacionados ao nascimento ou pela naturalização, a cidadania adquire-se formalmente pelo alistamento eleitoral, dentro de requisitos legais.

Os direitos políticos são classificados em:

a) direito político ativo, que consiste no direito de votar; e

b) direito político passivo, que é o direito de ser votado para um cargo público.

que é o direito de ser votado para um cargo público. Quanto ao direito político ativo

Quanto ao direito político ativo, o alistamento

eleitoral e o voto são obrigatórios para os maiores de

18 anos. Porém facultativos para os analfabetos, os

maiores de 70 anos e os maiores de 16 e menores de

18 anos. Não podem votar aqueles que não podem

alistar-se como eleitores, como os estrangeiros, e durante o período de serviço militar obrigatório e

os conscritos (neste último são aqueles que foram alistados, os recrutados).

Unidade 1

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Universidade do Sul de Santa Catarina Já sobre o direito político passivo, compreende as condições de

Já sobre o direito político passivo, compreende as condições de elegibilidade (isto é, as condições de ser votado): a nacionalidade brasileira; o pleno exercício dos direitos políticos; o alistamento eleitoral; o domicílio eleitoral na circunscrição; a filiação partidária; a idade mínima de: a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da República e Senador; b) trinta anos para governador e vice-governador de Estado e do Distrito Federal; c) vinte e um anos para deputado federal, deputado Estadual ou distrital, prefeito, vice-prefeito e juiz de paz; d) dezoito anos para vereador. São inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos.

Nesse contexto, cabe destacar que os partidos políticos têm por finaldade a militância dos candidatos a cargos políticos. Os partidos devem ter caráter nacional e resguardar as cláusulas pétreas da Constituição Federal de 1988. Não podem ter caráter paramilitar.

Com esta seção concluimos a Unidade 1. O que você achou? Percebeu que é necessário consultar a Contituição, não é? Também é necessário que se faça relações com a prática. São muitas questões e não podemos apresentá-las da forma como gostaríamos. Cabe a você ser um estudante proativo. Buscar aprofundamentos com leituras e consultas a websites.

Leia, a seguir, a síntese da unidade, realize as atividades de auto- avaliação e consulte as indicações do Saiba Mais. A nidade 2 vai dar Noções de Direito Penal.

Noções de Direito Constitucional, Penal e Administrativo

Noções de Direito Constitucional, Penal e Administrativo Atividades de auto-avaliação 1) Pela Constituição Federal

Atividades de auto-avaliação

1) Pela Constituição Federal de 1988, o nome do nosso país é:

a) ) República Monarquista do Brasil;

b) ) Terra de Santa Cruz;

c) (

d) (

e) (

(

(

) República Presidencialista do Brasil;

) República Federativa do Brasil;

) Ilha do Desterro.

2) Conforme a Constituição Federal:

a) (

) homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos da Constituição;

b)

(

) os homens são mais fortes que as mulheres;

c)

(

) qualquer pessoa pode ser submetida à tortura, pois é um direito do Estado;

d)

(

) a casa é um asilo para velhinhos e, portanto, violável;

e)

(

) ninguém é igual perante a lei.

3) Qual a sua opinião?

Pela Constituição Federal de 1988, a intimidade e a vida privada são violáveis, pois a imagem da pessoa é pública. Tanto assim, que já existem câmaras de vídeo da Polícia Militar instaladas nas ruas de algumas cidades do Brasil, destinadas a preservar a ordem pública e evitar a ocorrência de crimes.

Unidade 1

63

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4) O que você acha?

Todo acusado é culpado, afinal, quando há notícias de jornal sobre um crime, já se expõem a imagem e o nome da pessoa acusada do crime como se já fosse a culpada. Então, não precisa do contraditório e da ampla defesa, pois caiu nas mãos da polícia e da imprensa, com certeza já será culpado.

da polícia e da imprensa, com certeza já será culpado. Síntese Você acabou de estudar um

Síntese

Você acabou de estudar um pouco sobre a Constituição Brasileira, os principais direitos e garantias constitucionais, assuntos importantes para entender a elaboração das normas, preparando você, aluno, para a próxima unidade sobre Noções de Direito Penal.

Tal unidade envolveu, principalmente, a limitação da liberdade de ir e vir da pessoa, por imposição de sanções penais àqueles que cometeram condutas criminosas. Não obstante a preocupação constante de segurança pública, por meio dos órgãos oficiais, que aplicam a lei, cabe destacar que todos são seres humanos e, como tais, têm direitos assegurados pela Constituição Federal.

Noções de Direito Constitucional, Penal e Administrativo

Assim, segurança pública se faz com a observância da Constituição Federal e das leis infraconstitucionais, pois em última análise a LEI corresponde à vontade do povo, pois foi elaborada e editada por representantes eleitos pelo povo e para o povo.

Vamos ingressar na Unidade 2 que tem por fundamento de validade o preceito constitucional da legalidade e dos direitos fundamentais.

constitucional da legalidade e dos direitos fundamentais. Saiba mais GASPARI, E. A ditadura envergonhada. São Paulo:

Saiba mais

GASPARI, E. A ditadura envergonhada. São Paulo: Companhia das Letras. 2002. p. 123.

LOCKE, J. Segundo tratado sobre o Governo. Tradução: Alex Martins. São Paulo: Martin Claret, 2002.

ROCHA, L. S. Epistemologia jurídica e democracia. Rio Grande do Sul: Unisinos, 1998.

<http://www.suigeneris.pro.br/direito_dc.htm>

<http://www.abdconst.com.br/>

<http://www.mundojuridico.adv.br/html/artigos/direito_

constitucional.htm>

<http://www.drheart.com.br/apostilas_e_resumos_de_direito_

c.htm>

<http://professores.unirp.edu.br/azor/site/constitu.htm>

Unidade 1

65

UNIDADE 2

Noções de Direito Penal

UNIDADE 2 Noções de Direito Penal Objetivos de aprendizagem Conhecer os conceitos de crime e contravenção

Objetivos de aprendizagem

Conhecer os conceitos de crime e contravenção penal.

Entender a forma de aplicação do Código Penal na segurança pública.

Saber identificar os crimes mais comuns, previstos no Código Penal, que ocorrem no dia-a-dia.

Seções de estudo

Seção 1

O Direito Penal.

Seção 2

A infração penal e as Polícias Civil e Militar.

Seção 3

Dos crimes contra a pessoa.

Seção 4

Dos crimes contra o patrimônio.

Seção 5

Dos crimes contra o sentimento religioso e contra respeito aos mortos.

Seção 6

Dos crimes contra os costumes.

Seção 7

Dos crimes contra o casamento.

Seção 8

Dos crimes contra a paz pública.

Seção 9

Dos crimes contra a fé pública.

Seção 10 Dos crimes contra a administração pública.

2

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Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Caro aluno, você está iniciando a

Para início de estudo

Caro aluno, você está iniciando a Unidade 2, que trata de Noções de Direito Penal, que possibilitará a análise dos principais crimes previstos no Código Penal que acontecem diariamente na sociedade brasileira e põem em risco a segurança pública, necessitando da intervenção do Estado, por meio da polícia, do Poder Judiciário, do Ministério Público, entre outros órgãos públicos, com a finalidade de preservar a ordem pública e evitar a reincidência daqueles que já praticaram crimes, por meio da aplicação das penas.

Assim, a próxima unidade é uma viagem ao mundo das leis penais, com destaque ao Código Penal, principal instrumento utilizado pela polícia e pelo Poder Judiciário para evitar que as pessoas venham a praticar condutas criminosas, e coloquem em risco a paz e a harmonia social.

SEÇÃO 1 - O Direito Penal

risco a paz e a harmonia social. SEÇÃO 1 - O Direito Penal O que é

O que é Direito Penal? O que lhe vem à mente quanto você ouve falar em Direito Penal? Tente defini-lo com suas palavras no espaço abaixo.

Noções de Direito Constitucional, Penal e Administrativo

Em que você se baseou para registrar seu conceito? Todos nós temos impressões das coisas e somos capazes de defini-las com base nas experiências prévias – profissionais e pessoais –, podemos também chamar isso de senso comum. Mas vamos agora fazer uma caracterização mais científica?

Falar em Direito Penal é falar de lei, de regra, de modelo,

de paradigma, de convenção que determina um padrão de

comportamento. Concorda?

Por isso que se diz que o Direito Penal é normativo, pois se

limita a descrever as condutas proibidas e suas respectivas penas.

É,

detém a função de selecionar os comportamentos humanos mais graves e perniciosos à coletividade, capazes de colocar em risco valores fundamentais para a convivência social, e descrevê-

los como infrações penais, cominando-lhes, em conseqüência,

as respectivas sanções, além de estabelecer todas as regras

complementares e gerais necessárias à sua correta justa aplicação (CAPEZ, 2004, p.01).

o Direito Penal, um segmento do ordenamento jurídico que

O Direito Penal tem como fundamento principal o Código

Penal, que está dividido em duas partes: uma parte geral que prevê as linhas gerais de aplicação, e outra parte que descreve as condutas criminosas.

O Código Penal está dividido em duas partes: uma geral e outra especial.

Na parte geral, o Código Penal prevê as linhas gerais de sua aplicação.

Na parte especial, o Código Penal descreve as condutas criminosas e suas penas.

Por isso, o direito penal tem por missão manter a vida harmônica em sociedade. Para tanto, utiliza-se da punição para realizar o controle social.

tanto, utiliza-se da punição para realizar o controle social. Mas o que é controle social? Quem

Mas o que é controle social? Quem o exerce?

Unidade 2

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Controle social é a forma como a sociedade responde, formal ou informalmente, a comportamentos e a pessoas consideradas como desviantes, problemáticas, ameaçantes ou indesejáveis. Assim, há um controle social informal e outro controle social formal ou institucionalizado. O primeiro vem representado pela família, escola, mídia, religião, moral etc; e, o segundo, pelo controle institucionalizado no sistema penal como a Constituição Federal, as leis penais, processuais penais, penitenciárias, polícia, Ministério Público, Judiciário, etc. Em suma, o controle social é dado por um princípio binário de seleção de controle formal e informal, com a finalidade de selecionar entre os bons e os maus, os incluídos e os excluídos, quem fica dentro, quem fica fora do universo em questão (ANDRADE, 1999. p. 23).

SEÇÃO 2 - A infração penal e as Polícias Civil e Militar

2 - A infração penal e as Polícias Civil e Militar O que é infração penal?

O que é infração penal? Certamente você sabe, não é? Use o espaço para descrever uma infração penal. Dê um exemplo de algo que tenha acontecido no seu trabalho ou que você teve acesso pelos jornais ou outra fonte.

Noções de Direito Constitucional, Penal e Administrativo

Vamos às definições agora? Faça as relações com o que você escreveu, isso possibilita uma compreensão contextualizada.

Infração penal é aquela conduta humana prevista na lei como crime ou como contravenção penal. A diferença básica entre ambas é que no crime a pena prevista é mais grave do que na contravenção penal. Essa é considerada como um pequeno crime.

Alguns crimes que podemos destacar são: lesão corporal (art. 129 do CP), homicídio (art. 121 do CP), furto (art. 155 do CP), roubo (art. 157 do CP), estelionato (art. 171 do CP),

constrangimento ilegal (art. 146 do CP), ameaça (art. 147 do CP), seqüestro e cárcere privado (art. 148 do CP), violação de domicílio (art. 150 do CP) e estupro (art. 213 do CP). Entre as contravenções mais conhecidas temos: as vias de fato (art.

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da LCP), perturbação do trabalho ou sossego alheios (art.

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da LCP), vadiagem e mendicância (arts. 59 e 60 da LCP),

importunação ofensiva ao pudor (art. 61 da LCP) e embriaguez

(art. 62 da LCP).

Das excludentes de crime

Apesar da previsão legal das condutas criminosas na lei, existem situações em que o fato criminoso realizado por uma pessoa deixa de ser considerado como crime. Essas situações fáticas são chamadas de excludente de ilicitude, ou situações jurídicas.

No Código Penal encontramos excludentes de ilicitude (ou situações jurídicas) na parte geral e também na parte especial do Código. Como excludentes de ilicitude da parte geral do Código Penal, o artigo 23 traz as seguintes:

 

Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato: I - em estado de necessidade;

legítima defesa;II - em legítima defesa; III - em estrito