MULHERES IDOSAS RESSIGNIFICAM O ENVELHECIMENTO - CONTRIBUIÇÕES DA EDUCOMUNICAÇÃO

RESUMO No Brasil do início do século XXI, o processo de envelhecimento vem sendo pensado, vivenciado e representado como uma nova fase da vida, em que homens e mulheres podem construir novas identidades e projetos. A população idosa, apoiada pelo campo da gerontologia e por políticas públicas específicas, procura estabelecer novos espaços na sociedade que a exclui. Este tempo é também marcado pela digitalização e popularização das tecnologias de comunicação. Os meios para produzir e compartilhar, conteúdos na rede mundial de computadores e em outros espaços, estão hoje mais acessíveis, o que contribui para o exercício da comunicação popular, para a expressão e para a integração de grupos socialmente excluídos. A educomunicação é um campo de saber e fazer que, promovendo educação por meio da produção coletiva de comunicação, possibilita que as pessoas envolvidas nesta prática desloquem-se da posição de espectadores para posição de autores de seus discursos. Neste contexto, é relevante compreender de que forma as novas possibilidades de fazer comunicação podem contribuir no processo de ressignificação do envelhecimento por parte da população idosa. Este estudo teve o objetivo de descrever como a prática de produção audiovisual esteve relacionada ao processo de ressignificação do envelhecimento, na vivência de cinco mulheres que participaram de uma oficina de vídeo, oferecida no Centro de Referência do Idoso Vera Lucia Pilla (CRI), em São Carlos, cuja condução foi inspirada na metodologia Cala-boca já morreu, inserida na perspectiva da educomunicação. Trata-se de um estudo de caso, no qual os dados foram coletados por meio de observação participante, com registros em diário de campo e gravações em vídeo, no período compreendido entre abril e julho de 2012, durante as atividades da oficina. A análise dos dados foi feita com base em três categorias: Ressignificando o envelhecimento; Colaborando e Comunicando. Os resultados mostraram que as participantes do grupo, que estão vivenciando seus processos de ressignificação da velhice, procuram a integração social e o convívio com outras pessoas idosas, o que as fortalece e encoraja. Elas sentem-se motivadas a aprender coisas novas, conhecer e reivindicar seus direitos de cidadania e lutar, contra discriminações, por meio da construção de novas imagens do envelhecimento. Ressalta-se que a prática da educomunicação, fundamentalmente dialógica, contribuiu para que as mulheres experimentassem processos de autoria e co-autoria, passando a valorizar a colaboração, bem como, que utilizassem a comunicação audiovisual para refletirem e expressarem-se sobre o envelhecimento a partir de sua perspectiva de mulheres idosas. A produção coletiva de comunicação mostrou-se como possibilidade, ainda pouco explorada, de promover educação de pessoas idosas, que deve ser lembrada no planejamento de ações culturais para este público. Mostrou também que o emprego de tecnologias digitais não deve ser encarado como obstáculo para a promoção de atividades junto a esta população. O estudo traz contribuições para que educadores e gestores públicos reflitam sobre a importância de garantir às pessoas idosas o direito à educação, investindo em programas que promovam processos de autoria. Afinal, o tempo todo da vida é tempo de aprender. Palavras-chave: Processos Educativos, Produção de vídeo, Mulheres idosas, Educomunicação.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS / CENTRO DE EDUCAÇÃO E CIÊNCIAS HUMANAS / PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO / MARTA KAWAMURA GONÇALVES

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