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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS Curso de Arquitetura e Urbanismo

SHIGERU BAN: PROCEDIMENTOS PROJETURAIS NA ARQUITETURA ATUAL

Belo Horizonte

2012

Débora Amaral Sebe Raimer Leal Lopes

Débora Amaral Sebe Raimer Leal Lopes

SHIGERU BAN: PROCEDIMENTOS PROJETURAIS NA ARQUITETURA ATUAL

Trabalho apresentado à disciplina de Teoria da Arquitetura da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.

Orientador: Daniele Nunes Caetano de Sá

Belo Horizonte

2012

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RESUMO

O presente trabalho trata-se de uma análise dos procedimentos projetuais do Arquiteto Shigeru Ban, no qual investigamos as bases de seu processo de projeto, isto é, como funciona seu sistema de trabalho, identificação e problematização. Shigeru Ban nasceu em 1957 e é um arquiteto japonês conhecido a nível internacional pelo seu famoso trabalho inovador com o papel, quase sempre reciclado. A escolha do grupo pela análise do arquiteto foi norteada pelo fato de existir poucas publicações brasileiras e pela sua valorização dentro da instituição. A identificação pautou-se pelas principais questões e críticas (teorias) tratadas pelos autores, identificação dos procedimentos projetuais adotados incluindo as tecnologias empregadas, o sistema de representação utilizado e as interfaces entre as críticas (teorias), a prática de projeto e a obra arquitetônica. A pesquisa nos mostra que é possível redescobrir outros materiais que substitua o concreto, principalmente aqueles recicláveis, sua aplicabilidade na construção, não ficando a mercê das tecnologias pré-existentes.

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LISTA DE FIGURAS

FIGURA 1: Villa Mairea, Alvar Aalto. Uso de madeira em seus projetos inspirou Shigeru a

projetar a exposição.

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FIGURA 2: Projeto da exposição para o Alvar Aalto, em Tokio.

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FIGURA 3: Casa móvel

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FIGURA 4: Maquete do Nomadic Museum

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FIGURA 5: Detalhe da estrutura do Prédio

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FIGURA 6: Nomadic Museum

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FIGURA 7: Vista externa do Nomadic Museum a noite.

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FIGURA 8: Interior do Nomadic Museum.

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FIGURA 9: Curtain Wall House

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FIGURA 10: Interior da Curtain Wall House

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FIGURA 11: Planta do 1º Pavimento

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FIGURA 12: Planta do 2º Pavimento

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FIGURA 13: Vista externa da Casa Panorâmica

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FIGURA 14: Vista da natureza de dentro da Casa Panorâmica

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FIGURA 15: Fachada da Nine Square Grid House

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FIGURA 16: Interior da Nine Square Grid House

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FIGURA 17: Esquema estrutural

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FIGURA 18: Glass Shutter House com as venezianas fechadas.

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FIGURA 19: Glass Shutter House com as venezianas e cortinas abertas.

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FIGURA 20: Fachada da frente do Nicolas G.Hayek Center.

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FIGURA 21: No lado esquerdo, Fachada posterior do Nicolas G.Hayek Center e ao lado

direito, a passagem entre as lojas com o showroom.

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FIGURA 22: Escritório de Shigeru no Terraço do Pompidou.

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FIGURA 23: Vista externa do Pompidou Center

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FIGURA 24: Maquete do Pompidou Center

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FIGURA 25: Entrada do Pompidou Centro

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FIGURA 26: Galeria do estilista Issey Miyake

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FIGURA 27: Expo Pavillion

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FIGURA 28: Sistema estrutural do Expo Pavillion

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FIGURA 29: Abrigos temporários em Ruanda, África

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FIGURA 30: Abrigos em Kobe, Japão.

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FIGURA 31: Igreja em Kobe, Japão.

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FIGURA 32: Interior da Igreja em Kobe, Japão.

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FIGURA 33: Abrigos na Turquia. Detalhe para a fundação de engradados de cerveja.

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FIGURA 34: Crianças observam o protótipo do prédio da escola.

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FIGURA 35: Voluntários erguem a estrutura da escola

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FIGURA 36: Esquema estrutural da escola.

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FIGURA 37: Vista superior dos 3 prédios das escolas prontos.

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FIGURA 38: Vista externa do Paper Concert Hall.

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FIGURA 39: Vista interna do Paper Concert Hall.

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FIGURA 40: Corredor do Paper Concert Hall. Detalhe para os pilares e a cortina vermelha

que esconde o isolamento acústico do prédio.

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FIGURA 41: Maquete estrutural do Paper Concert Hall.

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO

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2 PROJETOS ESTRUTURAIS

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2.1 Casa Móvel

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2.2 Museu Nômade

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REFERÊNCIAS JAPONESAS

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3.1 Curtain Wall House

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3.2 Casa Panorâmica

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3.3. Nine Square Gride House

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3.4 Glass Shutter House

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3.5 Nicolas G.Hayek Center

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4 POMPIDOU CENTER

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5 TUBOS DE PAPEL

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6 A ESTRUTURA DE PAPEL PARA ABRIGO PARA REFUGIADOS

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5.1 Ruanda, África

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5.2 Kobe, Japão

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5.3 Kobe, Japão, Igreja

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5.4 Turquia

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5.5 Chengdu, China

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5.6 Paper Concert Hall. - L’áquila, Itália

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CONCLUSÃO

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REFERÊNCIAS

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1 INTRODUÇÃO

Desde que me tornei arquiteto, fiquei muito decepcionado com minha profissão, porque trabalhamos principalmente para privilegiados, ricos, governos e construtoras”, afirma Shigeru Ban em entrevista no Arq. Futuro 2012, Rio de Janeiro, Brasil. “O fato deles terem dinheiro e poder acabam chamando arquitetos para fazerem um monumento para mostrar ao público esse poder e dinheiro, mas também tiramos vantagem dessa oportunidade para fazer nossas esculturas”. Shigeru, após sair da faculdade, esperava usar seu conhecimento e experiências não só para os privilegiados, mas para o público em geral, principalmente para aqueles que perderam suas casas em um desastre natural. O desastre natural está se transformando em desastres criados pelo homem, pois um terremoto, por exemplo, não mata pessoas sozinhas, mas o colapso dos prédios sim, e isso é responsabilidade do arquiteto. Quando acontecem esses fenômenos da natureza raramente há arquitetos envolvidos na reconstrução das casas, já que estão ocupados trabalhando para os privilegiados. Pensando em recriar a vida de necessitados em desastres naturais, Ban engaja- se em trabalhar em áreas de desastre, além de trabalhar para os privilegiados. Shigeru Ban nasceu em 1957 e é um arquiteto japonês conhecido a nível internacional pelo seu famoso trabalho inovador com o papel, quase sempre reciclado. Estudou no Instituto de Arquitetura do Sul da Califórnia entre 1977 e 1980 e entre 1980 e 1984 estudou na Escola de Arquitetura Cooper Union, em Nova York. Após formar, volta imediatamente para o Japão para abrir o seu escritório, mesmo sem experiência como arquiteto. Sua primeira obra foi uma exposição para o arquiteto finlandês Alvar Aalto, em Tókio, 1986. Ban viajou para a Finlândia várias vezes para ver seus prédios e queria projetar a exposição como arquitetura dele, mas não tinha orçamento suficiente para usar madeira, como Alvar Aalto fazia nos prédios e também não queria usar madeira em uma exposição temporária, pelo fato de ter que desmontá-la depois, tendo um desperdício desse material para um uso temporário. Então procurou algumas alternativas para substituí-la. Foi quando encontrou folhas de papel que estavam por todo o seu ateliê. Esse era muito fino e bastante maleável, mas acabou lembrando que quando acabava o papel, o tubo do papel sobrava e como odeia jogar coisas fora, os guardava para usar em outra coisa e logo pensou que esse seria um bom material. Usou os pequenos diâmetros do tubo para projetar os assentos como na Viipuri Library, projetada por Aalto, e diâmetros maiores como divisores livres. Depois,

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descobriu que o tubo de papel era muito mais forte do que esperava, começando a testa-los

para usar em estruturas de prédios e outras formas de reaproveitamento.

Figura 1: Villa Mairea, Alvar Aalto. Uso de madeira em seus projetos inspirou Shigeru a projetar a exposição.

de madeira em seus projetos inspirou Shigeru a projetar a exposição. Fonte: Site do Instituto São
de madeira em seus projetos inspirou Shigeru a projetar a exposição. Fonte: Site do Instituto São
de madeira em seus projetos inspirou Shigeru a projetar a exposição. Fonte: Site do Instituto São

Fonte: Site do Instituto São Tomás de Aquino

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Figura 2: Projeto da exposição para o Alvar Aalto, em Tokio.

2: Projeto da exposição para o Alvar Aalto, em Tokio. Fonte: Shigueru Ban Arquitects As obras
2: Projeto da exposição para o Alvar Aalto, em Tokio. Fonte: Shigueru Ban Arquitects As obras

Fonte: Shigueru Ban Arquitects

As obras do arquiteto japonês Shigeru Ban respeitam a tradição nipônica do minimalismo, a pureza da geometria e a integração fluida entre o espaço público e privado. Mas ele vai além. Minimalista não é o resultado final da obra, mas o processo para realizá-la em si. Em Shigeru Ban os fundamentos de sua obra são sua filosofia. Suas construções são

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uma defesa viva do uso criativo de materiais como tubos de papelão e engradados de cerveja, do conceito de reaproveitamento, da mobilidade das estruturas, de espaços abertos que conectem as edificações aos cenários que as cercam e, sobretudo, do respeito igual para projetos monumentais milionários e para baratíssimas habitações para desabrigados de desastres naturais.

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2 PROJETOS ESTRUTURAIS

2.1 CASA-MÓVEL

Em sua obra há a influência da arquitetura móvel de paredes deslizantes das casas tradicionais do Japão, que as integram internamente e com o espaço exterior. Ela aparece em sua obra em conceitos como o da casa-móvel - sem colunas, com o telhado sustentado por móveis como guarda-roupas - e da casa "nove quadrados" - com apenas dois cômodos fixos (cozinha e banheiro) e paredes que podem ser deslocadas, com diversas combinações possíveis. Dentro dessa ideia, o arquiteto usa bastantes materiais como cortinas de pano e venezianas de vidro. Elas permitem, dependendo do clima, a abertura completa para aproveitar o verde externo, dispensando o ar condicionado. O primeiro trabalho realizado foi o projeto de casas japonesas que não tem colunas ou paredes apoiando o teto. Toda a estrutura é feita com móveis industrializados, no qual são conectados com a fundação. Em um dia é possível instalar a estrutura dos armários e no outro, só é preciso colocar o teto. Já em Nova York, Long Island, pode aperfeiçoar a técnica. Na versão anterior os móveis eram feitos de molduras de madeira, mas dessa vez os móveis são feitos apenas de compensado. São três pedaços de compensado de 25 milímetros de espessura, conectados por finger joints. É muito mais barato e mais fácil construir essa casa.

Figura 3: Casa móvel

joints . É muito mais barato e mais fácil construir essa casa. Figura 3: Casa móvel

Fonte: Shigeru Ban Arquitects

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2.2 MUSEU NÔMADE

Outro exemplo de mobilidade mostrado pelo arquiteto foi seu museu nômade, estrutura gigantesca montada com contêineres ("Material que segue norma internacional, ou seja, é igual no mundo inteiro", explica ele). Feito numa estrutura "tabuleiro de xadrez" (com vãos entre os contêineres), o conceito do museu foi transposto para edificações de três andares para abrigar pessoas que perderam suas casas em terremoto e tsunami no Japão. O Nomadic Museum, para o artista canadense Greogory Colbert, no Pier 54, Chelsea, West Side, em 2005, foi desenvolvido para ser transportado de cidade em cidade, de país em país, mesmo possuindo 4 mil m². O desafio encarado pelo arquiteto era como fazer um prédio rapidamente e como desmontar o prédio facilmente, além de transportar um prédio grande de forma econômica. Decidiu, então, usar contêineres, pois segue padrão internacional e em qualquer lugar poderá encontra-lo. Logo, alugou contêineres no local, em Nova York, e depois que a exibição no museu acabou, devolveram ao estaleiro. Outro Museu também foi construído com essa técnica, no Píer do Rio Hudson, também nos Estados Unidos. Nesse projeto, criou um padrão quadriculado, com a intenção de minimizar o número de contêineres e tornar a estrutura mais leve, em vez de empilhar um em cima do outro. O teto foi apoiado por tubos de papel vazios, com 75 centímetros de diâmetro e 10 metros de comprimento e a armação triangular está apoiando os tetos. Já em Santa Mônica, tornou a alterar o projeto porque era um estacionamento quadrado, ao contrário do terreno de Nova York, que era 200 metros. Não podendo desenvolver a galeria com 200 metros desenvolveu duas galerias de 100 metros, sendo que entre as duas foi desenvolvido um teatro.

Figura 4: Maquete do Nomadic Museum

de 100 metros, sendo que entre as duas foi desenvolvido um teatro. Figura 4: Maquete do

Fonte: NYC

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Figura 5: Detalhe da estrutura do Prédio

Figura 5: Detalhe da estrutura do Prédio Fonte: NYC Figura 6: Nomadic Museum Fonte: NYC Figura

Fonte: NYC

Figura 6: Nomadic Museum

da estrutura do Prédio Fonte: NYC Figura 6: Nomadic Museum Fonte: NYC Figura 7: Vista externa

Fonte: NYC

Figura 7: Vista externa do Nomadic Museum a noite.

do Prédio Fonte: NYC Figura 6: Nomadic Museum Fonte: NYC Figura 7: Vista externa do Nomadic

Fonte: NYC

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Figura 8: Interior do Nomadic Museum.

Figura 8: Interior do Nomadic Museum. Fonte: NYC 3 REFERÊNCIAS JAPONESAS 3.1 CURTAIN WALL HOUSE Ban

Fonte: NYC

3 REFERÊNCIAS JAPONESAS

3.1 CURTAIN WALL HOUSE

Ban foi influenciado por Mies van der Rohe, principalmente pela casa Farnsworth para o desenvolvimento da Curtain Wall House. A casa Farnsworth é a mais original na história de arquitetura ocidental, porque o prédio fica totalmente transparente, com janelas e porta fixas. Shigeru acredita que ela é visualmente transparente, não fisicamente e partindo das habitações japonesas tradicionais, há uma porta de correr em todo o lugar e quando a casa também fica totalmente transparente, visualmente, mas também fisicamente, porque o espaço interno e externo são totalmente conectados. Então essa é a diferença entre a transparência de Mies e a tradicional do Japão. Antes de construir essa casa o dono vivia em uma antiga casa japonesa tradicional e gostava da abertura e da flexibilidade da casa. Por isso decidiu levar esse estilo ao novo prédio. São apenas três andares com três estruturas, toda a fachada é feita de portas de vidro de correr, que podem ser abertas para conectar interior e exterior. O teto tem uma borda, para proteger a privacidade ou fornecer sombra. Quando as portas estão abertas, a cortina é levada pelo vento. Mies van der Rohe foi o arquiteto que inventou o sistema “parede-cortina” para prédios mais altos com molduras de alumínios e vidro cobrindo o prédio e em vez de usar a parede-cortina de Mies, que não fornece nenhuma capacidade estrutural ao edifício, interpretou esta expressão literalmente, empregando uma parede cortina real como fachada.

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Figura 9: Curtain Wall House

Figura 9: Curtain Wall House Fonte: Blogspot Comme des files Figura 10: Interior da Curtain Wall
Figura 9: Curtain Wall House Fonte: Blogspot Comme des files Figura 10: Interior da Curtain Wall

Fonte: Blogspot Comme des files

Figura 10: Interior da Curtain Wall House

Wall House Fonte: Blogspot Comme des files Figura 10: Interior da Curtain Wall House Fonte: Blogspot

Fonte: Blogspot Comme des files

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Figura 11: Planta do 1º Pavimento

Figura 11: Planta do 1º Pavimento Fonte: Shigueru Ban Arquitects Figura 12: Planta do 2º Pavimento

Fonte: Shigueru Ban Arquitects

Figura 12: Planta do 2º Pavimento

do 1º Pavimento Fonte: Shigueru Ban Arquitects Figura 12: Planta do 2º Pavimento Fonte: Shigueru Ban

Fonte: Shigueru Ban Arquitects

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3.2 CASA PANORÂMICA

Ainda no conceito de integração entre exterior e interior, Shigeru desenvolveu a “Casa Panorâmica”. Nesse projeto em vez de fazer uma janela quadrada, panorâmica, emoldurando uma bela paisagem, como numa pintura, resolveu a estrutura toda da casa como uma janela panorâmica, emoldurando a bela vista horizontal do oceano. Pode abrir todas as portas de correr na frente e atrás e o jardim, o espaço interno e a vista do oceano são totalmente conectados pela janela panorâmica.

Figura 13: Vista externa da Casa Panorâmica

panorâmica. Figura 13: Vista externa da Casa Panorâmica Fonte: Shigueru Ban Arquitects Figura 14: Vista da

Fonte: Shigueru Ban Arquitects

Figura 14: Vista da natureza de dentro da Casa Panorâmica

Shigueru Ban Arquitects Figura 14: Vista da natureza de dentro da Casa Panorâmica Fonte: Shigueru Ban

Fonte: Shigueru Ban Arquitects

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3.3 NINE SQUARE GRID HOUSE

Já na Nine Square Grid House a fachada é quadrada e há uma estrutura de móveis pelo espaço. Esse pode ser dividido em nove quadrados com portas de correr e dessa forma as portas de correr quando fechadas produz espaços que o usuário pode definir o uso e depois estão totalmente abertas, formam um grande espaço único. Só há dois cômodos com nomes:

banheiro e cozinha. De resto, não há nomes como sala de estar, quarto, sala de jantar, pois, por exemplo, no verão, pode-se colocar a cama no lado norte da casa, que é mais fresco e no inverno coloca-se a cama no lado sul da casa, que é mais quente.

Figura 15: Fachada da Nine Square Grid House

é mais quente. Figura 15: Fachada da Nine Square Grid House Fonte: Shigueru Ban Arquitects Figura

Fonte: Shigueru Ban Arquitects

Figura 16: Interior da Nine Square Grid House

Grid House Fonte: Shigueru Ban Arquitects Figura 16: Interior da Nine Square Grid House Fonte: Shigueru

Fonte: Shigueru Ban Arquitects

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Figura 17: Esquema estrutural

Figura 17: Esquema estrutural Fonte: Shigueru Ban Arquitects 3.4 GLASS SHUTTER HOUSE O Glass Shutter House

Fonte: Shigueru Ban Arquitects

3.4 GLASS SHUTTER HOUSE

O Glass Shutter House é um pequeno restaurante em Tóquio com fachada feita de venezianas de vidro industrial. Quanto o restaurante está aberto, as venezianas sobem e você encontra a porta. Em dias agradáveis, toda a veneziana sobe e o restaurante fica totalmente exposto ao terraço ao lado, conectando interior e exterior. A relação entre o espaço interior e o espaço exterior é completamente controlada pelo fechamento ou abertura das persianas e, mais ainda, quando ajustadas em conjunto com as cortinas, torna-se possível criar situações para se adaptar a qualquer ocasião. Arquitetura que supostamente não mudaria, tem, neste projeto, tornar-se uma arquitetura que pode se ajustar a diferentes épocas e ocasiões.

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Figura 18: Glass Shutter House com as venezianas fechadas.

Figura 18: Glass Shutter House com as venezianas fechadas. Fonte: Arcspace Figura 19: Glass Shutter House

Fonte: Arcspace

Figura 19: Glass Shutter House com as venezianas e cortinas abertas.

Fonte: Arcspace Figura 19: Glass Shutter House com as venezianas e cortinas abertas. Fonte: Shigueru Ban
Fonte: Arcspace Figura 19: Glass Shutter House com as venezianas e cortinas abertas. Fonte: Shigueru Ban

Fonte: Shigueru Ban Arquitects

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3.5 NICOLAS G.HAYEK CENTER

De novo usou a veneziana de vidro em um prédio, na sede da Swatch, empresa de relógios suíça, em Tóquio. Essa é a região mais cara do mundo, Ginza. Ganhou o direito de realizar o projeto em uma competição internacional, o que não era esperado pelo arquiteto, dado o programa, o qual exigia oito lojas. O grupo Swatch é dono de muitas marcas famosas, como Omega, Tissot, Blancpain, Jacquet Droz, etc. e por ter tantas marcas de relógios famosas e oito lojas em um terreno estreito, muito linear e profundo só poderia ter uma loja a frente e o resto das lojas teria que ser nos fundos do prédio, ou em cima ou em baixo. Vendo que seria injusto só uma loja com fachada e o resto das lojas sem, problematizou a questão de realizar fachadas iguais para as oito lojas. A veneziana de vidro outra vez foi a solução encontrada que, quando totalmente aberta torna-se uma área pública, que, em um dia de sol, pode ser aberta, sem ar-condicionado e tirar vantagem da ventilação natural. Na fachada da frente localizou quatro andares e no fundo do prédio mais quatro andares, totalmente aberto por venezianas de vidro e criou uma passagem pública dentro do prédio, com um pouco de verde, jardins suspensos e filtros de água. Como em Ginza não há espaço público nem área verde, porque o terreno é muito caro, as pessoas acabaram vendo nessa passagem pública, a oportunidade de montar um showroom de vidro das oito lojas tem 3x4 metros, sendo que cada loja tem seu showroom no terreno. Casa showroom é composto por um elevador, que sobe para levar o cliente às lojas.

Figura 20: Fachada da frente do Nicolas G.Hayek Center

para levar o cliente às lojas. Figura 20: Fachada da frente do Nicolas G.Hayek Center Fonte:

Fonte: Shigueru Ban Arquitects

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Figura 21: No lado esquerdo, Fachada posterior do Nicolas G.Hayek Center e ao lado direito, a passagem entre as lojas com o showroom.

e ao lado direito, a passagem entre as lojas com o showroom. Fonte: Shigueru Ban Arquitects
e ao lado direito, a passagem entre as lojas com o showroom. Fonte: Shigueru Ban Arquitects

Fonte: Shigueru Ban Arquitects

4 POMPIDOU CENTER

A decisão de criar uma extensão do Centro Pompidou em Metz foi tomada em janeiro

de 2003 pelo então Ministro da Cultura Jean-Jacques Aillagon e pelo presidente do Centro

Pompidou, Bruno Racine. Após a aprovação pela cidade de Metz, realizou-se o concurso

vencido pelo arquiteto japonês Shigeru Ban, com 14 dos 16 votos da comissão.

As autoridades queriam, desde o princípio, que o novo prédio provocasse um impacto

na arquitetura semelhante ao criado há quase 30 anos por Renzo Piano e Richard Rogers com

o Beaubourg de Paris.

Também foi decidido que o novo edifício deveria manter a larga tradição cultural do

Centro Pompidou original, que inclui diversas formas de expressão artística. O Centro de

Metz tem pouco mais de 12.000 metros quadrados de espaço, pouco mais de um décimo do

tamanho do parisiense.

Quando venceu a competição para o novo Pompidou Center na cidade de Metz queria

ter seu próprio escritório em Paris, mas alugar escritório em Paris é muito caro, então pediu ao

presidente do Pompidou para ceder a cobertura. Queria fazer seu próprio escritório temporário

e foi interessante, pois puderam mostrar o que está sendo feito para o novo Pompidou Center

no próprio local. A construção foi feita de tubos de papel e madeira e depois, quando o

Pompidou Center em Metz foi finalizado, teve que abandonar o local.

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Figura 22: Escritório de Shigeru no Terraço do Pompidou.

Figura 22: Escritório de Shigeru no Terraço do Pompidou. Fonte: Shigueru Ban Arquitects Ban queria fazer

Fonte: Shigueru Ban Arquitects

Ban queria fazer um prédio bem contextual, com ligação com a cidade, mas o terreno era um pouco longe do centro. As galerias são lineares, com 50 metros de largura e 90 de comprimento, um espaço perfeitamente retangular. Ban queria galerias práticas e criou-as uma em cima da outra, mas em direções diferentes. Na primeira, os tubos estão voltados para a catedral, onde há grandes janelas panorâmicas, sem moldura, com a bela catedral na panorâmica. O segundo tubo é voltado para a estação de trem. Essa estação foi construída pelos alemães, quando Metz foi ocupada pelos alemães após a I Guerra Mundial. Então era uma história muito importante da cidade, e capturou-se a vista da estação de trem. Era uma forma de conectar o museu que estava longe do centro da cidade. Ban também queria que o museu fosse um espaço público e abrir o museu a público e à cidade tanto quanto possível. Então o terreno é todo feito de veneziana de vidro, que pode ser totalmente abeta para ligar o interior e exterior. O projeto de Shigeru Ban dispõe de um surpreendente telhado de bambu e papel oleado, desenhado dentro de um padrão hexagonal e de sua proposta, que era erguer três galerias tubulares de 90 por 15 metros. A ideia do teto é originalmente de uma antiga cabana chinesa de bambu, mas também tem referência ao mapa da França, que lembra o formato de um hexágono. É por isso que o hexágono é o símbolo dos franceses. O fato de usar as janelas panorâmicas, emoldurando a catedral, fez com que as pessoas visitassem o museu apenas para olhar sua própria cidade. As medidas da nave, entre 8 e 15 metros de altura, são para abrigar a exposição de grandes obras de arte contemporânea. Mas o Centro Pompidou-Metz também inclui galerias de exposição de diferentes tamanhos, estúdio de criação, centro de conferências e cinema,

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centro de documentação e pesquisa, oficinas de ensino, loja, restaurante, áreas administrativas, café e workshops técnicos.

Figura 23: Vista externa do Pompidou Center

técnicos. Figura 23: Vista externa do Pompidou Center Fonte: Site do Instituto São Tomás de Aquino

Fonte: Site do Instituto São Tomás de Aquino

Figura 24: Maquete do Pompidou Center

Fonte: Site do Instituto São Tomás de Aquino Figura 24: Maquete do Pompidou Center Fonte: Shigueru

Fonte: Shigueru Ban Arquitects

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Figura 25: Entrada do Pompidou Centro

Figura 25: Entrada do Pompidou Centro Fonte: Blogspot Arquitecture Revived 5 TUBOS DE PAPEL Em 1990
Figura 25: Entrada do Pompidou Centro Fonte: Blogspot Arquitecture Revived 5 TUBOS DE PAPEL Em 1990

Fonte: Blogspot Arquitecture Revived

5 TUBOS DE PAPEL

Em 1990 desenvolveu uma das primeiras estruturas temporárias com tubo de papel. Como não tinha permissão do governo para usar tubo de papel, usou outros materiais na estrutura, como ferro e silicone para apoiar o teto e os tubos de papel formaram um tipo de parede, para receber a pressão do vento. Na primeira construção havia 330 tubos, cada um com 55 centímetros de diâmetros e havia tubos maiores, com 120 de diâmetro, Continuou estudando a estrutura de papel, projetando uma pequena galeria para o estilista Issey Miyake, com estrutura permanente. É uma estrutura simples, só os tubos de papel criam colunas, que, dependendo da hora, listras de sombra aparecem no ambiente.

Figura 26: Galeria do estilista Issey Miyake

da hora, listras de sombra aparecem no ambiente. Figura 26: Galeria do estilista Issey Miyake Fonte:

Fonte: The Urban Earth

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Depois projetou o Expo Pavillion para o governo japonês na Expo Hanover, Alemanha. O tema principal da Expo era o meio ambiente, então o governo pediu-lhe para projetar um prédio com materiais recicláveis. O caso é que o pavilhão da expo é o próprio problema ambiental, porque se constroem vários pavilhões temporários, por meio ano, e depois os destrói, criando um monte de lixo industrial. Então o objetivo, na verdade era o prédio ser desmontado e com a possibilidade de ser remontado em outro local ou poder reciclar ou reusar todos os materiais quando o prédio fosse desmontado. Então o objetivo de Ban tornou-se não o prédio finalizado, mas sim quando fosse destruído.

Figura 27: Expo Pavillion

mas sim quando fosse destruído. Figura 27: Expo Pavillion Fonte: The Urban Earth Figura 28: Sistema

Fonte: The Urban Earth

Figura 28: Sistema estrutural do Expo Pavillion

Urban Earth Figura 28: Sistema estrutural do Expo Pavillion Fonte: The Urban Earth Os tubos de

Fonte: The Urban Earth

Os tubos de papel foram feitos por uma empresa local, com 20 metros de comprimento e diâmetro de 20 centímetros e a conexão entre eles foi feita apenas com fitas de tecido. A fundação é feita com essa caixa de madeira cheia de areia, em vez de concreto, porque

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concreto é um material muito difícil de reciclar. Para erguer a forma tridimensional há andaimes verticais, que podem ser colocados a mão. Todos os dias teve que checar a geometria e era muito difícil medi-la a partir do chão. Geralmente usa-se uma membrana de PVC, mas o PVC não é bom para o meio ambiente, então desenvolveu uma membrana de papel com proteção contra o incêndio e água, de acordo com as regras alemãs.

5 A ESTRUTURA DE PAPEL PARA ABRIGO PARA REFUGIADOS

5.1 RUANDA, ÁFRICA

Figura 29: Abrigos temporários em Ruanda, África

ÁFRICA Figura 29: Abrigos temporários em Ruanda, África Fonte: Shigueru Ban Arquitects Em 1994, Ruanda, África,
ÁFRICA Figura 29: Abrigos temporários em Ruanda, África Fonte: Shigueru Ban Arquitects Em 1994, Ruanda, África,

Fonte: Shigueru Ban Arquitects

Em 1994, Ruanda, África, duas tribos Hutu e Tutssi, lutaram e mais de 2 milhões de pessoas se tornaram refugiados e Ban ficou perplexo ao ver as fotos do refugiados passando frio, mesmo morando em abrigos, pois esses abrigos eram tão pobres que não conseguem isolar o ambiente interno do meio externo. Pensou, então, que precisa melhorar os abrigos, ou nenhum tratamento médico poderia ajuda-los. Foi a Genebra à sede do Alto Comissariado das Nações Unidas para refugiados para propor minha ideia. Teve sorte de ser aceito como consultor, pelo seguinte. As Nações Unidas dão só uma folha de plástico de 4x6 metros e cortam as árvores para criar uma moldura e apoiar o plástico. Cerca de 2 milhões de pessoas cortam árvores para abrigos. Então as Nações Unidas reconheceram esse problema ambiental do desflorestamento e forneceram canos de alumínio, mas os refugiados os vendiam, porque alumínio é caro na África, e voltaram a cortar as árvores. Como os canos de alumínio não foram uma boa solução propôs a ideia de usar tubos de papel. Realizou três protótipos em maquete física. Volta para Ruanda e coloca a tenda como protótipo, numa fase de monitoramento. O custo desse abrigo é apenas U$$0,50. São

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simplesmente tubos de papel e juntas de plástico, mas teve que testar a durabilidade, principalmente o problema com cupins, inseto comum na região.

5.2 KOBE, JAPÃO

Figura 30: Abrigos em Kobe, Japão.

5.2 KOBE, JAPÃO Figura 30: Abrigos em Kobe, Japão. Fonte: Shigueru Ban Arquitects No ano seguinte

Fonte: Shigueru Ban Arquitects

No ano seguinte no Japão, a cidade de Kobe sofreu um terrível terremoto. Mais de 3000 pessoas morreram e todas as casas se foram com o terremoto. O governo realizou habitações temporárias no parque e quando as definitivas ficaram prontas, não queriam se mudar para essas habitações do governo, porque haviam sido construídas fora da cidade, e eles deviam trabalhar para uma fabrica na área industrial. Se eles se mudassem para fora da cidade, perderiam seus empregos, por isso queriam continuar, mesmo em condições pobres. Outro problema é que havia pessoas querendo expulsá-los, com receio de que o parque virasse um campo. Ban pensou que teria que mantê-los, mas tinha que ser feito de uma forma bonita para que eles fossem aceitos e continuassem aceitos e continuassem vivendo no local. Começamos a construir habitações temporárias com tubos de papel, com 10cm de diâmetro e espessura de apenas 4 mm. E em vez de uma fundação de concreto, que é cara, realizaram a fundação com engradados plásticos de cerveja, cheios de areia dentro. Então é fácil de fazer e de desmontar. E o teto é feito com duas camadas de membrana, sendo que no verão pode abrir o frontão para entrar ventilação.

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5.3 KOBE, JÃPÃO. IGREJA.

Cerca 4.000 pessoas morreram no incêndio em uma igreja em Kobe, Japão, entre elas refugiados vietnamitas. Ban tentou ajuda-los reconstruindo o prédio com tubos de papel. É uma forma retangular simples, com 10x15 metros e a forma oval veio de uma das igrejas favoritas do arquiteto, em Roma, projetada por Bernini no qual articula o corredor e o espaço principal no interior. Essa igreja deveria ser usada por três anos, mas as pessoas adoraram, então decidiram mantê-las por 11. Tiveram a sorte em receber uma oferta de Taiwan, pedindo a doação da igreja, que foi desmontada, enviada para Taiwan para ser reconstruída, e se tornou uma igreja permanente, que ainda existe.

Figura 31: Igreja em Kobe, Japão.

que ainda existe. Figura 31: Igreja em Kobe, Japão. Fonte: Shigueru Ban Arquitects Figura 32: Interior

Fonte: Shigueru Ban Arquitects

Figura 32: Interior da Igreja em Kobe, Japão.

Japão. Fonte: Shigueru Ban Arquitects Figura 32: Interior da Igreja em Kobe, Japão. Fonte: Shigueru Ban

Fonte: Shigueru Ban Arquitects

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5.4

TURQUIA

Em 1999 também houve um grande terremoto na Turquia, onde também Shigeru construiu habitações temporárias. Nesse caso, colocou-se papel reciclado dentro do tubo de papel para criar mais isolamento térmico, porque o clima na Turquia é muito frio.

Figura 33: Abrigos na Turquia. Detalhe para a fundação de engradados de cerveja.

Turquia. Detalhe para a fundação de engradados de cerveja. Fonte: Shigueru Ban Arquitects 5.5 CHENGDU, CHINA

Fonte: Shigueru Ban Arquitects

5.5 CHENGDU, CHINA

Este projeto é colaboração entre as universidades japonesas e chinesas, envolvidas na concepção e construção de salas de aula temporárias no ensino fundamental atingidas pelo terremoto de Sichuan em maio de 2008 de tubos de papel. Enquanto a maioria da assistência consistiu na construção de habitação temporária, Ban recebeu um pedido do Chenghua Chengdu, Ministro da Educação, para reconstruir os prédios de sala de aula. Estes edifícios tinham sido oficialmente decretados como inutilizável e tinha sido completamente fechado. A equipe concebeu prédios de sala de aula temporárias para ser construído usando tubos de papel, que são baratos, recicláveis, reutilizáveis, e prontamente disponível no local. Durante as férias de verão, cerca de 120 voluntários japoneses e chineses trabalharam juntos na construção. O arquiteto desenvolveu métodos de construção simples e adequados a pessoas não qualificadas, como voluntários. Com a gestão de construção, três edifícios (nove salas de aula), foram concluídas em cerca de 40 dias. Estas foram as primeiras construções na China para ter uma estrutura de papel-tubo, e também foram os primeiros edifícios escolares a ser reconstruída na área atingida pelo terremoto.

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Figura 34: Crianças observam o protótipo do prédio da escola.

34: Crianças observam o protótipo do prédio da escola. Fonte: Shigueru Ban Arquitects Figura 35: Voluntários

Fonte: Shigueru Ban Arquitects

Figura 35: Voluntários erguem a estrutura da escola

Figura 35: Voluntários erguem a estrutura da escola Fonte: Shigueru Ban Arquitects Figura 36: Esquema estrutural

Fonte: Shigueru Ban Arquitects

Figura 36: Esquema estrutural da escola.

da escola Fonte: Shigueru Ban Arquitects Figura 36: Esquema estrutural da escola. Fonte: Shigueru Ban Arquitects

Fonte: Shigueru Ban Arquitects

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Figura 37: Vista superior dos 3 prédios das escolas prontos.

Figura 37: Vista superior dos 3 prédios das escolas prontos. Fonte: Shigueru Ban Arquitects 5.6 PAPER

Fonte: Shigueru Ban Arquitects

5.6 PAPER CONCERT HALL - L’ÁQUILA, ITÁLIA

Em L’Aquila, na Itália um terremoto destruiu a maioria dos prédios históricos foram destruídos, incluindo a sala de consertos Essa cidade é famosa pela música, que têm uma orquestra e uma escola de música, mas os músicos mas os músicos não tinham onde tocar após o desastre. Propôs fazer uma sala de concertos temporária. A sala foi finalizada com coluna de tubos de papel e com capacidade para 150 lugares. Para o isolamento acústico não foi usado o concreto, porque é caro e difícil de desmontar e sim parede com andaimes, na qual foram colocados caixas de areia dentro para torna-la bem isolada acusticamente e uma cortina por fora para esconder as caixas de areia.

Figura 38: Vista externa do Paper Concert Hall.

fora para esconder as caixas de areia. Figura 38: Vista externa do Paper Concert Hall. Fonte:

Fonte: Shigueru Ban Arquitects

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Figura 39: Vista interna do Paper Concert Hall.

Figura 39: Vista interna do Paper Concert Hall. Fonte: Shigueru Ban Arquitects Figura 40: Corredor do

Fonte: Shigueru Ban Arquitects

Figura 40: Corredor do Paper Concert Hall. Detalhe para os pilares e a cortina vermelha que esconde o isolamento acústico do prédio.

vermelha que esconde o isolamento acústico do prédio. Fonte: Shigueru Ban Arquitects Figura 41: Maquete estrutural

Fonte: Shigueru Ban Arquitects

Figura 41: Maquete estrutural do Paper Concert Hall.

Fonte: Shigueru Ban Arquitects Figura 41: Maquete estrutural do Paper Concert Hall. Fonte: Shigueru Ban Arquitects

Fonte: Shigueru Ban Arquitects

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6. CONCLUSÃO

Com esse trabalho Shigeru mostra que a durabilidade não tem nada a ver com a força do material e sim como a estrutura é pensada. “Um terremoto pode derrubar um edifício de concreto e não um de tubos de papel”, afirma. O papel, material até então desprezado pela indústria da construção civil, foi estudado pelo arquiteto e tratado para ser à prova d’água e aplicado nas obras. Pode ser aplicado em qualquer clima, pois a umidade não tem nada a ver com o material que molda o papel. E quando desmontadas, todos os materiais são reutilizados, inclusive a fundação, já que não há utilização de concreto, material caro e não reciclável. Essa base teórica também poderia ser aplicada no Brasil, país que possui inúmeros “terremotos sociais”. Como no Brasil existem muitos terrenos íngremes, nesse caso o tubo de papel seria pilares de fundação quando preenchidos com concreto para criar um assoalho e em seguida a técnica se mantém normalmente com tubos de papel em cima dessa estrutura. Seria diferente dos terrenos planos, já que usa areia e não concreto e engradados de cerveja.

Sua base projetual só foi possível porque no Japão existe a necessidade de desmontar um prédio de 20 em 20 anos para reconstruir e atualizar a tecnologia, evitando que seja destruído por intempéries. Seus trabalhos seguiram esse principio, podendo ser desmontados e reutilizados. Enfim, acreditamos que, como Shigeru Ban, devemos redescobrir o que já temos e como podemos usar de outra forma. Essa é sua pesquisa continua e será a nossa desse trabalho em diante.

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REFERÊNCIAS

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