JAIR· VITÓRIA

ZEZINHO,° DONQ DA PORQUINHAP~EJA

01, TURMA! ESTOU AQUI PARA TRAZER MAIS UMA HISTÓRIA INCRlvEL PARA VOCt=S: A HISTÓRIA DE DOIS AMIGOS INSEPARAvEIS, ZEZINHO E SUA PORQUINHA, MANINHA.

JairVitória

ZEZINHO. O DONO D\ PORQUINHA PRETA

o
O O O O O O

A Ilha Perdida Cabra das Rocas Cotação de Onça Éramos seis O caso da borboleta Atíria O escaravelho do diabo O gigante de botas
de Asas

o
O O O O O O D O O O O O O O

O rapto do Garoto de Ouro Aventuras deXisto Xisto e o pássaro cósmico
XistO no espaço

Pega ladrão O Açúcar amargo

o

O Menino O TonicO OSpharion

O A Serra dos Dois Meninos O O mistério do cinco estrelas O Zezinho, o dono da porquinha preta [J Um cadáver ouve rádio n O feijão é o sonho

Tonico e Carniça A primeira reportagem Sozinha no mundo Os pequenos jangadeiros Os barcos de papel Deus me livre! O mistério dos morros dourados Dinheiro do céu A grande fuga Perigos no mar Bem~vindos ao Rio

O O outro lado da ilha O Enigma na televisão O Os passageiros do futuro O Meninos sem pátria O A montanha das Duas Cabeças O O Ninho dos Gaviões O Garra de campeão O A vida secreta de Jonas O Aventura no Império do Sol O Quem manda já morreu O A turma da Rua Quinze DNa barreira do inferno O Um leão em família

Coordenação da Série: Fernando Paixão Capa e ilustrações: Cirton Genaro Projeto gráfico: Ary Normanha Suplemento de Trabalho: Maria Aparecida Spirandelli e Marina Appenzeller

Jair Vitória nasceu numa fazenda do Triângulo Mineiro. Seu pai era lavrador e vaqueiro, realizando qualquer tipo de trabalho nas fazendas da região. Aos sete anos, começou o curso primano, quando mudou-se para uma cidadezinha no interior de São Paulo. Como seu pai não se adaptasse à vida de comerciante, a família voltou para o campo. Jair Vitória passou a freqüentar escolinhas de roça. Apesar de já gostar muito de ler, não tinha muitas oportunidades de fazê-Io, pois não havia livros, revistas ou jornais na fazenda. Como seu pai tinha por filosofia que seus filhos devessem continuar a estudar, Jair Vitória voltou à escola na cidade de Cardoso, no interior de São Paulo, onde concluiu o curso primário aos dezesseis anos. Voltando novamente à roça, começou a sentir necessidade de prosseguir seus estudos. Iniciou um curso por correspondência e assim que fundaram o ginásio em Cardoso, voltou para lá a fim de completar o 1.0 grau. Nessa época lia sem parar. A literatura foi se transformando numa necessidade: datam desse período seus primeiros romances. Ao terminar o ginásio, partiu para São Paulo, onde trabalhou em escritórios para completar o curso colegial. Em seguida entrou na Universidade de São Paulo onde se formou em Letras. Todos os direitos reservados pela Editora Ática S.A. R. Barão de Iguape, 110 - Tel.: PABX 278-9322 C. Postal 8656 - End. Telegráfico "Bomlivro" - S. Paulo Atualmente, Jair Vitória é professor da Fundação Educacional de Brasília, onde reside.

mínha filha. . com um ano e seís meses quando este livro foi escrito.Para Lucilene.

Tinha acabado de receber uma notícia desagradável quando chutava uma bolinha de borracha com os colegas da fazenda onde moravam. . Maninha era a porquinha preta que o Zezinho tinha criado desde leitoinha. É preciso soltar isso pra larga. Maninha. Zezinho gritava: .Z Zezinho . dentro de casa. Vivia se enrolando nas pernas das pessoas e a mãe do menino chegava a fazer ameaças sérias. .Maninha. esfregava a cabeça ou o lombo nas pernas dele e ficava roncando. Zezinho. a barriga e roncando a porquinha deitava e se esticava.Seu pai vai vender a Maninha pro papai. as orelhas. . Valtério falou isso com alegria nos olhos.coçava a papadinha dela. Tinha então se tornado mansinha feito uma cadelinha. EZINHO chegou em casa com os olhos anegalados. Zezinho coçava a papadinha dela. olhando para o pai. a barriga e roncando a porquinha deitava e se esticava.Eu mato essa leitoinha. Fechava os olhos de feliz que ficava. Vou fazer um chiqueirinho pra ela. A porquinha levantava roncando e corria para o menino. Chegava perto do menino. Fazendo travessuras. as orelhas. Dentro de casa não é lugar de criar porco. Zezinho. Foi sendo ensinada assim desde pequenininha. A porquinha órfã tinha sido criada no quintal. Nem no quintal. Assim foi que a Mariinha cresceu dando trabalho dentro de casa. Foi crescendo e ficando cada vez mais mansa. vem cá.

Chegava a desmoronar-s'e. Ele era um dos lavradores mais bem situados ali na fazenda Ipê Branco. mas até para isso faltava a inspiração. Queria chorar e gritar que ele não deixava ninguém vender a Mani- nha. Nunca discutia. Zezinho achava que sim. Zezinho coçou o pescoço. Ia vender a porquinha de estima dele e pronto. O pai sentado ali num banco de madeira. Ora. Ora. . Tinha certeza que o Valtério é que tinha pedido ao pai para comprar a Maninha. Maninha mamou numa mamadeira. pai? . Os porcos deitam em cima dela e ela morre macetada. Agora ia dar cria. Quero esse quintal limpo logo.Uma meia dúzia. Zezinho não serenava com o acalmar da tarde. Ih. Queria chamar a Maninha. .Será quantos leitão a Maninha vai dar.Ela tá pequenininha. amamentou-a na mamadeira e agora não podia ser o dono dela? Arregalou os olhos para o pai novamente. Ficava era ali isolado. Os olhos arregalados. Rangeu os dentes e prometeu quase falando sozinho. cuidar da ninhada com carinho. A Maninha não era do pai! Mas o pai era durão e fazia o que bem entendesse." O sol ia serenando os ânimos do dia. Mas antes de ela dar cria. Precisava dar um jeito de evitar que o pai vendesse a porquinha preta. E tinha falado isso mais de uma vez. Orlando estava de pé no terreiro da cozinha. Nem pensava em discutir. Menino não tem nada aqui em casa. Era o pai falar e todo mundo calar. o Valtério já tinha falado que gostaria de possuir uma porquinha mansinha daquele jeito. Nem podia expor seu sentimento. Maninha foi ficando bonita. Mas precisava abordar o assunto: . Que ele é quem tinha criado aquela porquinha com todo o dengo.Ma-mas vender a Maninha. Primeiro foi só o Zezinho a cuidar dela. O pai nem parecia se importar com a figurinha dele. o Martinho tá intei(~ssado. principalmente a Ondina e a Olívia. Entretanto arrancou a voz lá do fundo da alma: ." Então ele não podia discutir com o pai. o irmão mais velho e falou autoritariamente. Ficou olhando para a figura poderosa do pai. Isso doeu por dentro parecendo até que ele estivesse respirando um outro ar. Zezinho todo encabulado ali perto. Costumava até dizer: "Menino não tem querer. mãe. O assunto importante para ele era a Maninha. E o pai ia vender a Maninha mesmo? Isso era uma coisa que não podia acontecer. triste da vida.. Começou a suar diferente de quando estava jogando futebol. Depois os irmãos e as irmãs passaram a ajudá-Io de vez em quando. deu-lhe comida. tinham deixado a leitoinha ao abandono do frio de julho e então ele a recolheu. Foi parar debaixo da figueirinha que dava sombra ao chiqueiro e ficou pensando.O quintal tá aí no mato e você mais o Zezinho só correndo atrás de bola depois do estudo. Estava todo oprimido. Só tem a roupa que veste e a comida que come. via-se destruído no seu sonho. eu quero é passar ela nos cobres. O pai do Valtério tinha condições de comprar a Maninha até por mais do que ela valia. E ele nem tinha coragem de perguntar se o pai ia mesmo vender a Maninha para o pai do Valtério. Sentia até vontade de brigar com o Valtério. Então a gente aproveita e tira um bom dinheiro dele. o pai ia mesmo vender a porquinha antes de ela dar a primeira cria. que gostaria de possuir a Maninha. "Quebro o nariz dele até sair sangue. Ele que estava doidinho para ver a cria da porquinha. Que aquela porquinha era dele. Zezinho afastou-se dali decepcionado. mas o pai nem ligava para o fato. o peito. A barriga dela estava quase arrastando no chão. pai?! É. No mesmo instante o pai chamou o Orlando.

A voz do pai era um trovão abalando o sentimento do menino. Uma hora eu pego esse estilingue e te prego no lombo. . Ouviram o pai batendo eSp'igasnas lascas da cerca e lançando no chiqueiro.Foi aquele Valtério bocudo que pediu pro pai dele comprar ela. o papai vem vindo ali. Tinha que arranjar um -jeito para evitar a venda da Maninha. Tá até com o nariz vermelho.Vai ajudar o Orlando debulhar milho pros capados. Isso é roubo. Não tenho medo de ninguém. Chegou lá no campo e foi falando pra mim: "O papai vai comprar a Maninha do seu pai". a irmãzinha de cinco anos. mas apenas engoliu o amargo da situação. Correu e foi ajudar o irmão no paiol. Ele virou depressa. O pai soltou uns gritos fortes chamando os porcos magros para o chiqueiro e os animais correram grunhindo.Foi sim. Sujeitinho ladrão. Ela continuou. . A cara dele. hein. Zezinho!? Arregalou os olhos para o Orlando e respirou profundamente. O pai vinha chegando. ia ser uma surra para deixar saudade sangrando de dor. Tava era abusando de mim. Com aquela cara lambida e aquela bocona. . O pai berrou nessa hora: . Se o pai soubesse que aquele menino estava tramando alguma coisa contra o negócio. Entrou no paiol. . Zezinho nem se lembrava do estilingue para atirar pedras nos pássaros-pretos. Era a Olívia. o nariz até meio vermelho. do do sentimento dele? Se estava.Isso não tem importância. Só quer viver atrás de passarinho. 2 estava com zombeteira desO RLANDO as espigas deuma caraEstava debochancascando milho. enfezado.Foi ele!? .Viu só!? O papai vai vender a Maninha! .Agora eu quero ver você dizer que a Maninha é só sua. Ele me paga. Aquele implicante. Ordem do pai era ORDEM de verdade.Andava com muita coisa com a Maninha e agora o papai vai vender ela. ." Os passarinhos se agitavam no costumeiro alvoroço do entardecer. Dá vontade de esbagaçar o nariz dele. Não era brincadeira. Zezinho! . O pai dizia que aquele milho engordava mais depressa. Estava com um nó na garganta. . Zezinho saiu apressadamente. Continuou trabalhando e rangendo os dentes. Orlando. Zezinho achava que aquilo era somente para dar trabalho aos filhos. apanhou meio jacá de milho com palha e tudo e sem dizer nada foi jogar para os porcos magros que viviam soltos. Zezinho não levantava a cabeça. Mas ele é mais grande que você."Quebro o nariz do Valtério.Zezinho! -'Senhor . Apanhou uma espiga de milho e começou a debulhar sem dizer nada. Nem era bom pensar em contrariá-Io. Eu brigo assim mesmo. Ele vai ver. Estava amuado. pigarreando. Vou pregar um soco no nariz dele pra botar sangue. . . O milho debulhado ficava uma noite ou mais de molho na água para os porcos de engorda. Algumas galinhas ainda correram e foram bicar grãos. O irmão continuava azucrinando a sensibilidade dele.e estremeceu por dentro. Silenciaram e ficaram bonzinhos. roncando.Ih. Quis xingar e chorar.Eu te taco uma espiga dessa na cara. Orlando soltava aquelas risadinhas debochadas olhando para a cara do irmão. .sem o pai saber.Zezinho.

É preciso tratar desses porcos mais tarde por causa das galinhas. Bicho praguejado. Ouviram o pai ralhando. Orlando azucrinava o irmão. - Então o Valtério tá te tomando a Maninha, Zezinho!? - Vai amolar os porcos - Zezinho quase gritou. - Cuidado que o papai tá ali. Se ele escutar, te pega e dá uma surra. Zezinho continuou o trabalho. Tinha que dar um jeito de evitar a venda da Maninha. Ia dar um jeito. Levasse ou não uma sova ou até mais, mas a porquinha preta não seria vendida com facilidade. Senhor Martinho era um homem bom e tinha certeza que se pedisse ao pai do Valtério para não comprar a Maninha,. ele ia atender. Mas tinha de pedir também que ele não contasse nada ao pai. Era isso mesmo. - Já chega, Zezinho. Levantou dali e foi olhar os porcos. Era a boquinha da noite. Viu a Maninha surgir dos matos, amojada, arrastando as tetas no chão. O pai estava olhando os cinco porcos de engorda, um pouco para cima. - Maninha, Maninha. A porquinha correu para o menino, roncando. Zezinho abaixou e afagou as orelhas dela. A porquinha foi se esticando. O menino coçou a papada dela e depois a barriga. Maninha deitou beirando a cerca e deixou ser afagada. Fechou os olhos e ficou toda feliz. - O papai tá querendo te vender pro seo Martinho, Maninha. "Ronc- ronc- ronc." - Mas eu não vou deixar. Vou dar um jeito de esconder você no mato. Acho que vou fazer um chiqueirinho pra você lá no meio do mato bem longe e ninguém vai achar. "Ronc-ronc- ronc."

- Não vai ter perigo de bicho não. Você vai dar cria lá. Todo dia eu vou lá escondido do papai pra levar comida pra você. Zezinho. O que foi, Olívia? Vai pra lá. Tá conversando com a Maninha? Tá falando Não é do seu nariz. Eu quero é te ajudar, Zezinho. Eu não quero que vende a Maninha de jeito nenhum. Vou falar pro papai não vender. E você tem coragem? -- Eu falo que foi você que mandou. - Fala isso pra você ver! E depois, quem vai apanhar? Olivinha coçou o braço esquerdo. Depois abaixou-se e começou a coçar a barriga da porca. Ela vai dar cria logo, né Zezinho? Vai. Por que você não põe ela no quintal? O papai não quer deixar. Por quê? Disse que vai fuçar nas mandiocas e vai querer só ficar dentro de casa que nem quando era leitoinha. - E no mato o guará não come os leitãozinho, se achar? - E não é só o guará não. É cachorro-do-mato, cachorro de casa. Mas a Maninha não vai deixar. - Será que o papai vai vender ela antes de ela dar cria? É ... Acho que sim. Maninha ficou sozinha no escuro. Tinha a cor da noite e às vezes roncava pertinho e não era vista no escuro. Zezinho foi para dentro um tanto amolado da vida. Nada havia que o fizesse rir naquela hora. Ser

menino era dolorido e triste. Por que já não era homem? Demorava tanto a crescer! Onde já se viu não ter o direito de defender um animal criado por ele! A mãe notou a tristeza desenhada no rosto dele. Sabia que estava sofrendo, pois tinha umsenti~ento de se ligar muito às coisas e depois não saber se hvrar delas. Olivinha, na sua inocência de criança, falou ali na cozinha quando o pai acabava de pegar um prato. de esmalte e caminhava para o fogão a fim de jantar: - Pai, o Zezinho falou que não vai deixar o senhor vender a Maninha. - O Zezinho!? O Zezinho não manda nem na comida que ele come. Então agora é que eu vou vender aquela porca mais depressa. Menino não é dono de nada. Não tem querer. Se o Zezinho pegar com muita coisa, ainda leva uma coça. Zezinho se defendeu: - Eh, Olivinha que inventa as coisas! Não falei nada disso. - Falou e falou sim. A mãe entrou no assunto: - Pra que vender a Maninha, Odilo? - Pra quê, Leonor? Pra fazer negócio. Uma porquinha à-toa. Pequena demais. E o Martinho parece que vai dar um bom dinheiro por ela. Daí eu compro duas do tamanho dela. - Mas é a porquinha de estima dos meninos. Que estima!? A gente estima coisa boa. - Ela é mansinha. - E isto é qualidade?! Mansinha eu só gosto de vaca. Porca é pra encher o terreiro e dar bom peso. Zezinho torcia para a mãe conseguir convencer o pai de não vender a Maninha. Viu que a mãe estava perdendo, mas pelo menos acabava de descobrir que

a mãe estava do lado dele e poderia ajudá-Io. Ah, ia pedir a ela que tentasse de todo jeito evitar que o pai vendesse a Maninha. Sabia que o pai sempre gostava de contrariar a mãe, mostrando que não aceitava opinião de ninguém em casa, mas talvez ela conseguisse alguma coisa agora.

3
noite desenhou-se inteirinha empencada Acolchão Zezinho foi milho. oOuviu o vento de estrelas. para quarto e se aninhou no de palha de da noite assobiando nos beirais da casa de barrote, trazendo o cheiro dos matos. Era naquela hora que ele mais pensava na perda da porquinha de estima. Chegou a balançar a cabeça sobre o travesseiro. "Não pode. . ." Chiquinho, o irmão abaixo dele, entrou no quarto arrastando uns chinelões feitos de botinas velhas. - Zezinho. - Hun! - Então o papai vai vender a sua porquinha mesmo? - Eu não tenho nada. Não tenho porquinha e nem nada. - Mas a Maninha não é sua? - Menino não tem nada no mundo. Nem adianta criar nada. Nada, nada. Na hora de criar e tratar todo dia é da gente, mas depois a gente não tem mais direito. É mesmo. Até o papai mesmo já falou que a Maninha era sua. Eu já escutei. Zezinho não respondeu. Estava molhando o travesseiro com umas lágrimas que vinham da fonte da sensibilidade.

- Mas isso não pode, Zezinho. Ouviu os soluços do irmão. - Fica aí chorando não. Quem sabe ele não vende nada. Pode ser só prosa. E o Valtério não falou pra mim não!? - Aquele Valtério é um velhaco. - Foi ele. Eu vou dar uma pedrada de estilingue nele sem ele ver. - Logo agora que a Maninha vai dar cria, hein! Decerto vai ser uma ninhada bonita. Tudo pretinho. Será que não? Será que vai nascer algum piauzinho? Acho que não. Vai ser tudo da cor dela. O cachaço é preto. Zezinho sentiu o nariz entupido. Parou de verter lágrimas e se pôs a trabalhar com o pensamento. Chiquinho que continuasse falando sozinho. Ele não queria ouvir ninguém e nem conversar. Queria somente pensar como arranjar uma saída para evitar a venda da Maninha. "Vou conversar com o seo Martinho amanhã. Não. Acho que não. Acho que vou é fazer um chiqueiro pra Maninha no mato. Mas não tenho tempo. De manhã é o tempo inteiro na escola. De tarde é pra capinar o quintal." - Zezinho! Já dormiu? - Ah, Chiquinho, vai amolar os cachorros. Chiquinho silenciou e o Zezinho dormiu, embora insistisse em continuar pensando numa solução para evitar que a porquinha fosse vendida. E sonhou que ia tocando a porquinha por uma estrada que parecia não ter fim. Ia conversando com a Maninha e ela roncando na frente dele: "Caminha, Maninha. Pra bem longe. Vou te esconder do papai. Vira pra trás não, sôo Anda, caminha."

Depois a estrada se perdia num. nevoeiro e o dia virava noite e a Maninha sumia no escuro. Tudo parecia se desfazer em nada mesmo. Menino não era dono de nada. Estava tudo confirmado. Acordou de madrugadinha, antes que o pai levantasse. De imediato sentiu-se às voltas com o problema. Era preciso começar a urdir alguma coisa muito séria. Será que o pai ia logo para a roça ou ia à casa do seo Martinho concluir o negócio? Logo o pai pulou da cama e pigarreou. Aquele homem nunca levantava com o dia já claro. Nem aos domingos. E punha todo mundo de pé. Ali ninguém podia ficar na cama até o sol sair. Zezinho pulou da cama logo também e descalço foi para o terreiro. - Vai pôr milho pros capados, Zezinho. Cadê o Orlando? Já levantou? - Não senhor. - Orlando! Orlando ouviu o estrondo da voz do pai e já sabia que devia pular logo da cama. Saiu apressado. do quarto. - Senhor! - Depois da escola você vai pra roça me aj~dar. Deixa só o Zezinho e o Chiquinho capinando o qumtal. - Sei. Zezinho arregalou os olhos contra a figura poderosa do pai. Queria saber é se naquel~ manhã o p_ai iria terminar o negócio com o seo Martmho. Mas nao ousava perguntar. Sentiu que se toc~s.se no as~unto, o pai seria capaz de ir terminar o negOCIO logo so para mostrar que fazia o que bem entendesse. Seo Odilo saiu logo de casa e realmente se encaminhou para a casa do seo Martinbo. Ia tentar· concluir o negócio.

mãe. Carregando os cadernos nunsembornais de alças longas. A mulher do homem respondeu: . Zezinho.Mas amansar pra ficar gostando dela pra quê. . podia ser que até já tivessem levado a Maninha e então é que ia ser triste.De tardinha ou de noite.. Zezinho carregava seu descontentamento e sua preocupação. .Martinho. Zezinho? . É pra senhora dar um jeito de fazer o papai não vender a Maninha. Quando voltasse da escola.Vim aqui depressa pra conversar com a senhora sem ninguém perto. Mãe.Então depois eu falo pra ele ir lá.Ainda tá aqui. Você cria outra leitoa e amansa que nem ela. Sabe que ele é cabeçudo. seo Odilo. Estudavam todos de manhã pois a escolinha da roça funcionava somente naquele período.Foi pescar. É pra quê? É sobre o negócio de uma porca que ele quer me comprar. . Daí sim é que ele vende. Zezinho e Chiquinho saíram logo para a escola. se depois o papai pega e vende? Essa vida de menino não presta mesmo não. Vai pra escola e deixa de encabular com a Maninha. Se a senhora pedir de todo jeito. Caminhou um pouco e ficou para trás. Faz negócio errado só pra contrariar a minha opinião. -.. -. Descalços. . Seo Odilo foi para a roça e os filhos Orlando. é capaz que ele não vende. Ia voltar correndo para pedir à mãe que desse um jeito de convencer o pai de não vender a Maninha. Ondina. .Vai logo pra escola. e pousou por lá.

OUViU o Valtério dizendo: . Orlando. 4 Zezinho tremeu de novo. Finalmente conseguiu fazer as continhas. É um invejoso. dona Vanda. Isso vocês vão discutir depois da aula. Mas eu acho que hoje de tarde ele vai lá na sua casa comprar a Maninha. .Não é nada não. Estava todo sentido por dentro. . A vontade dele era dar um murro no nariz do outro. Tentava.tujou os exercícios e ficou sem disposição para resolver. Mordeu no pé do lápis e ficou pensando na porquinha preta. Zezinho voltou-se para as continhas. Queria mesmo era levar a Maninha para bem longe.Ah. POUSOU na beira do rio. Não era mais que uma criaturinha borbulhante de queixumes. Todo mundo trabalhando. Zezinho! Não escreveu nem um número!? Você é tão inteligente e esperto! O que foi? Valtério interveio: . .Ele tá brabo porque seo Odilo tá vendendo a porquinha de estima dele pro meu pai. Rangia os dentes. vamos deixar esse caso de porquinha de lado e vamos estudar. SSIM que saiu para o recrelO. A . Esse cara é um mentiroso malandro.Uma porquinha!? . que qu~r tomar. Atravessar o rio com ela e soltá-Ia do outro lado e que ninguém desse mais notÍcias dela.O papai foi pescar ontem. mas não conseguia se concentrar direito. Resmungava baixinho. nervoso que até respirava com dificuldade. Somava os números e o resultado era a porquinha preta.Ainda não fez nada. Não pode ver nada que os outros têm.

Zezinho afastou-se às pressas e foi pelo trilho. "Ah." Costumava levar o estilingue para a escola no embornal dos cadernos.Maninha! Maninha! A porquinha não deu sinal que estava por ali..Ah. .Aquele Valtério que pediu pro pai dele comprar ela. Falaram que ele pegou um jaú do tamanho de um homem e eu queria ver. Não podia mais fugir. Chegou até a inventar maldade para acabar com a porquinha de estima.E por que o seu pai vai vender? .Maninha! Maninha! A porquinha roncou e levantou a cabeça. gente? Acho que não. Mas se fosse encontrar: com o homem. "O Zezinho tinha fugido da escola . Zezinho? . Mas não se conformava. E o papai tá querendo comprar duas ou três do tamanho dela ou maior.Eu só queria saber se ele pegou muito peixe." Agora se embaraçava em outros pensamentos. Atravessou o córrego por uma pinguela e correu atrás de uma saracura magra. Estava pensando mesmo em fugir da escola a fim de ir encontrar com o seo Martinho e pedir-lhe até pelo amor de Deus que não comprasse a Maninha.Levanta não. mas imaginava arranjar um jeito de esconder a porquinha preta.Então seu pai tá vendendo a sua porquinha de estima. Dona Odete. pensando na porquinha. Não tinha conseguido encontrar o seo Martinho e à tarde.Zezinho fungou. Maninhaestava deitada debaixo da figueirinha.era deixar a arma escondida no mato e depois da saída. durante o caminho de volta. . encoberto pelos matos. Foi pra cidade. mas a dona Vanda tinha visto e não tinha gostado. Dormindo e soltando um ronquinho de criatura gordinha. Zezinho. Tinha que trabalhar no quintal. O menino pôs a . Dona Vanda estava ali chamando os alunos para o segundo tempo da aula. Certamente o Orlando ia contar em casa e depois ele iria tomar uma surra. Quem falou isso mentiu. Pegou só piracanjuba e foi vender na cidade. sei. Ficou com inveja porque não conseguiu amansar uma porquinha que nem eu amansei e deu em cima do pai dele pra comprar a minha.Pegou jaú nenhum não. Agora o Zezinho queria saber se o pai do Valtério estava em casa. Tinha que fazer alguma coisa. Maninha.. se eu estivesse com o meu estilingue. que desculpa iria dar depois para tentar entrar atrasado na escola? Dona Vanda não iria permitir isso. " E ele até gostava de estudar. Olhou para o menino e fez algum esforço para se levantar. . piscou miudinhamente e entrou nos matos. Só de inveja. SÔo Zezinho andou depressa na direção da porquinha que se pôs de pé e ficou roncando. quando o pai voltasse da roça. Um colega se aproximou dele: . . Tá não. Ficou aborrecido até terminar a aula. Por quê? . . Ia à casa do Valtério conversar com o pai dele antes que os meninos chegassem. Chegou ao córrego e viu alguns porcos rolando na lama. Talvez fosse o melhor momento. Valtério tinha mais um irmão e uma irmã que não estavam na escola ainda. Seo Martinho tinha ido pescar e já podia ter voltado. ir atirando pedras nos passarinhos.Porque o pai dele tá dando muito dinheiro. "Será que ela já deu cria. Fugiu de todo mundo e se pôs a correr. . O jeito . deu logo um jeito de desaparecer. o seo Martinho tá aí? _. Fica aí mesmo. Mas a Maninha não merecia morrer. Quando deixou a escolinha. certamente iria passar pela casa do homem e concluir o negócio e adeus porquinha. Tinha que lutar.

Faz a sua parte. . "Faço o chiqueirinhoe ainda vou capinar um pouco. nos cipós. Ela é mansinha e vai me obedecer. Se juntasse alguns paus ali. "Eu podia ter chamado os cachorros .. lagartos e antigas locas de paca. Pra cima ela não sobe. Fincou duas forquilhas finas nos extremos e colocou uma vara. Saiu e caminhou beirando grota abaixo. Ele não dava conta de cortar madeira dura com o machado. Chiquinho foi para o quintal. "Ali é bom." Escolheu o lugar para fazer o chiqueirinho e decidiu cortar os paus. O melhor era procurar paus caídos e moles. Descansou ali beirando e acabou por decIdIr que o melhor lugar para esconder a Maninha era num chiqueirinho no fundo da grota. De vez em quando colocava as. ciscos de enchentes. Conseguiu juntar alguns. . Havia lugares onde ele precisava apenas fazer a cerca de um lado. Vou trazer a Maninha pra cá é hoje mesmo. um pouco entupida por gravetos e folhas. Desço com ela aqui e fecho lá. É um panelão. Olhou para o fundo da grota novamente e achou que ninguém iria encontrar a porquinha dele escondida lá no fundo. "Tá pronto. Decidiu apanhar algumas pedras ali perto. Isso mesmo. Havia trechos arenosos. Lugar feio! O jeito era sair e procurar um outro trecho menos esquisito. . Ondina respondeu: Foi caçar passarinho. ferramentas no chão e descansava. Faço a cerca só do lado de baixo. O pai mandou ele capinar o quintal e ele foi caçar passarinho. Chiquinho. Preciso trazer ela antes do papai voltar da roça e passar lá no seo Martinho pra vender ela. Encostou a enxada num pé de mandioca e foi chupar cana e brincar." Foi parar na grota que.. Saiu procurando troncos curtos. Não era um lugar agradável. Havia pirambeiras.Ele sumiu e eu não capinei também não." Tirou do bolso o embornal de carregar pedras de estilingue. estava cercado o chiqueirinho. Ninguém iria ter a idéia de olhar lá. Zezinho caminhou grota acima. A grota era feia. A cerquinha dele era também muito fácil.O Zezinho não toma jeito mesmo. Zezinho parou. Chiqueirinho ou imitação? Lá do alto do barranco da grota Zezinho olhou para a geringonça que tinha feito. mas ficou desanimado diante de tanto serviço. Sabe que o pai bate à toa e fica facilitando. Chiquinho falou se desculpando. Praticamente encostou os paus ali.· Estava na idade de brincar. Em casa a mãe perguntou por ele. tinha val~s . .Carregar as duas ferramentas estava pesado e incômodo para ele. "Será que a Maninha pára lá dentro? Ah. 6 chiqueirinho estava pronto. Pegou o enxadão e desceu num lugar mais fácil. Conhecia bem os matos por ali. procurando um lugar melhor para fazer o chiqueirinho? Aquela cobra rajada devia ter parado logo ali na frente. " Trabalhou com oenxadão e limpou uma passagem. não cavando quase nada na areia. E agora para continuar subindo dentro da grota.Nossa Senhora! Foi uma cobra rajada que deslizou grota acima e sumiu. Havia lodo amarelo e seco nos barrancos. fundas. Se o papai falar que a gente fez muito pouco serviço. em certos trechos. falo que estava com dor de cabeça. Buracos de cobras. Pegou um trilho no capoeirão e foi se embaraçando nas ramagens. acho que sim." Mas o tempo já tinha corrido um bom pedaço da tarde. Era O .

. ainda não. Quando estava pega-não-pega. A segunda pedra passou de raspão nas penas da ave que voou uns dez metros e o menino disparou atrás dela. Seria a sua glória de caçador. Nunca tinha conseguido matar um inhambu. fazia barulho nos matos e o inhambu continuava correndo. VIU a cabecmha e os olhos arregalados. o inhambu entrou numa larga . E nisso foi mais um naco de tempo. Zezinho estava afobado. Viu o bico roxo dele. ' O inhambu fugia mais ou menos beirando a grota. Valtério que era mais velho que ele também não tinha matado um inhambu com o estilingue. A pedra furou folhas e acertou na asa direita. O Orlando sim. mas matar mesmo. Soltava disparos adoidados. Consertava a asa camdo e corna. O menino foi com passos de gato.Ai. Estava com a asa qu~brada. Olhou para as pedras espalhadas e veio a inspiração para caçar passarinho. Um inhambu gordo correu pelo trilho. Tinha depenado e quebrado as pernas com pedradas. Houve um bom trecho de terreno em que o menino apenas perseguiu a ave sem conseguir disparar uma pedra sequer. "É agora. mas nao consegUia. ao Antônio Roxo. Um espinho de veludeiro entrou no pé descalço dele.queria mostrar para os colegas. Atirava de qualquer jeito. A ave rabicó procurando se esconder na invernada e o menino atrás. ao Zé Preto. mas com pedra de estilingue ainda não tinha feito a proeza. ele esquecia que estava com sede e nem percebia o sol quente. ao Cabinho" ao Zequito e o Valtério devia ficar sabe~do tambe~n. mas con~eguia correr muito. O menino chegou a se lançar sobre a ave que fugiu batendo a asa perfeita e arrastando a quebrada. Ficou de cócoras e foi selecionando as melhores pedras. Zezinho ro~eou a m~ita negaceando. Zezinho andava tentando. E menino que ainda não tinha conseguido matar inhambu com pedrada de estilingue. Havia algumas ramagens cobrindo o panelão e ninguém iria pensar que a Maninha pudesse estar lá no fundo. Agora o inhambu corria um pouco e parava. Às vezes o inhambu ~e distanciava. levantou e foi beber água suja nuns poços ainda mais para baixo. . Apontou na cabeça. Quando achou que já tinha apanhado o suficiente. os olhos arregalados. Precisava matar um inhambu." Caminhou beirando a grota e um pouco para baixo deu com a pedreira já conhecida dele. N aqueles momentos de perseguição mais af~ita. Queria matar aquele inhambu e mostrar ao Augusto. Ali havia fartura de pedras para o estilingue. Escondeu-se numa espessa moita enfeitada por cipó-prata e se aninhou. O inhambu deixou o trilho e entrou no mato. Agora era caprichar nas pedradas. E tinha mesmo. Tinha pego na 28 arapuca. já tinha matado um. Então era mesmo aquele inhambu que devia morrer com uma pedrada atirada por ele. esperando que a ave tivesse deitado ali perto. Precisava matar e era agora. O inhambu deu um pulo e não conseguiu voar. ainda não era considerado um caçador feito. Zezinho se alertou e se preparou para atirar a primeira pedra.um lugar bem escondido. Zezinho deixou o estilingue no chão e partIU para pegar a ave que não conseguia vo~r. Zezinho ficou todo afobado. Se matasse aquele. mas o menino ouvia o barulho da carreIra dele nos gravetinhos e folhas secas. "Só espero que ela não faça barulho e nem ronque quando gente de casa passar aqui perto. . Puxou o espinho seco às pressas e continuou a perseguição. mas sempre vendo a caça ao longe. Isso era uma das coisas que ele mais gostava de fazer." A pedra passou pertinho da cabeça da ave que encolheu ainda mais. A ave não voava e o menino ficava até admirado.

O pé espinhado estava doendo. Zezinho parou. mas não havia de ser nada. . . O inhambu se aninhou lá no meio. _ Olha o inhambuzão que eu mateI. a cabeça um pouco virada para baixo. já estava bastante machucado de tanto correr e se arranhar nos matos. espantou as formigas e depois achou que já podia trabalhar.Mas eu te pego. fujão. Agora só precisava mostrar para os colegas.Você!? . Ora. Tinha perdido muito sangue e estava alquebrado." Voltou depressa e conseguiu achar o estilingue e o embornal com algumas pedras. Havia uma turmmha:. . o Cabinho. Zé Crioulo e o Valteno. "Ah. Apanhou a ave e saiu afoitamente. Andou ao redor da moita de gravatá e conforme sua experiência. Zezmho chegou todo orgulhoso. Descobriu o inhambu aninhado. O inhambu rolou. os olhos meio fechados. achou que o inhambu estava aninhado lá no meio. O jeito era arranjar um pedaço de pau e ir macetando as folhas para fazer um caminho sem se ferir muito nos espinhos. mas não era bom confiar. Começou a macetar as folhas do gravatá. ? FehcI?. A casa mais próxima era do Zé Preto. Zezinho se entusiasmou. Esse inhambu não vai sair daqui agora tão cedo. Começou a procurar um pau. Atirou uma pedra bem de pertinho e acertou no pescoço dela. vou buscar meu estilingue. 7 O UVIU gritos de meninos toman?o banho n~ poço do córrego. FehclO! . Bateu o pedaço de pau no chão. parando de vez em quando para observar. Parecia que a ave estava quase desmaiada. Falou alto e começou a examinar as possibilidades de entrar na moita. A alegria dele era a morte do outro. Deixou o machado e o enxadão lá perto do chiqueirinho e correu para mostrar a ave que tinha matado. .moita de gravatá com longas folhas duras armadas de espinhos. Era a glória. o Augusto. Encontrou um cerne de aro eira um pouco estragado por incêndio e habitado por algumas formigas cabeçudas.

lh! Só amanhã. pegar a enxada e capinar um pouco. da rixa com o Valtério e do medo do pai. nadavam. O jacaré tinha que pegar os outros.. Zezinho vestiu a calça curta com o corpo molhado.Agora eu quero matar uma juriti e uma pomba do ar. Quem fosse pego no poço. Eu já vi ele batendo I\os meninos. Então deixa ele ir embora . .Então vem logo. moleque. Pomba do ar não vai deixar você chegar perto dela nunca e de longe você não tem força pra dar uma pedrada pra derrubar uma pomba. Dá cada surra que fica vergão. Tirou a roupa e se lançou de prancha no poço. No Zezinho mesmo. Gritavam. Zezinho! Que mentira que o quê.Eu mesmo. Vestiu a camisa e apanhou o inhambu. pessoal. . . soltando o fôlego borbulhante.Você dá conta de matar pomba do ar nada. Tinha que ter trabalhado um pouco no quintal. _ Vou brincar também. Zezinho olhou para o sol e estremeceu. corriam dentro d'água que era uma festa.Agora eu vou embora. E o enxadão e o machado? Nossa! Tinha saído tão afoitamente com o inhambu caçado que tinha esquecido as ferramentas lá beirando a grota. nem que fosse um pouquinho para tentar enganar. O Zezinho esperneava que dava até medo na gente.Vamos brincar de jacaré.-. sôo Valtério também chegou perto para ver a caça. . Mergulhou de novo.Cabinho falou. . também virava o jacaré. Hora dessa o sol já adormecia no entardecer. O papai mandou hoje. Olha como eu tou com as pernas cheias de espinhos de correr atrás dele! Quebrei a asa dele e depois tive de correr atrás dele quase uma légua! Quase uma légua?! Foi. . . Tirou a roupa depressa e foi correr do jacaré. Na invernada inteira. Hoje não dava mais tempo.Vamos. Nisso os colegas começaram a brincar de jacaré. Deixa isso pra amanhã. Os colegas insistiam para que ele brincasse de jacaré. passava a ser o bicho. mas pensou que devia ter levado a Maninha para o chiqueirinho-esconderijo na grota. E não queria levar a porquinha ainda naquele dia para o chiqueirinho do esconderijo? Será que ainda dava tempo? Olhou para o sol novamente. Era bom no nado. Agora eu vou é dar um mergulho também.Eu fico escondido debaixo de uma árvore e ela assenta pertinho. Aquele que saísse fora d'água correndo do jacaré. . Mergulhou feliz da vida e saiu lá na frente. Falou alto. engrossando a voz.O pai dele é brabo demais. Esqueceu que o Valtério estava se tornando seu inimigo e dentro do córrego teve que persegui-lo ou ser perseguido por ele. Zezinho observava o jeito do outro que nada dizia. Esqueceu de pensar no machado e no enxadão. A brincadeira era tão boa que momentaneamente ele esquecia da porquinha preta. Não brinco mais. O inhambu em cima da roupa no barranco. A brincadeira estava gostosa demais. mas mostrava estar com inveja. Mas só um pouquinho. Tinha que correr para casa. Zezinho vestiu a roupa apressadamente e naquele instante achou que a vida era uma coisa muito séria. Tenho que capinar o quintal. Zezinho. O sol já estava baixo e era preciso ir para casa depressa. Nadou um pouco. Zezinho se entusiasmou. . Lembrou-se do pai. Vai mentir pra lá.

caçando e pescando. Falaram que o Zezinho tinha sumido com as ferramentas. paizinho. . tremendo de raiva. A dor andava das costas às pernas. Zezinho? Mas o pai não dava tempo de ele açudir a dor. Achavam que ele tinha ido pescar e levado o enxadão para arrancar minhoca. Ia ser fogo. levou as mãos à boca. As lambadas eram rápidas e terríveis. os olhos até chamejando. Fugir era uma coisa que não devia nem pensar. Só se fosse para nunca mais voltar em casa. Zezinho?! Não senhor. Tava andando com molecada. Cadê o enxadão e o machado? . Mas o pai não dava tempo de ele acudir a dor. A segunda guascada atingiu as mãos dele e para aliviar a dor. vou capinar agora. pai.Aqui o seu capinar. . não me bate não! . pai. .Não. Tinha procurado o machado e o enxadãó. O homem queria consertar a cerca de um chiqueiro e andava que era um bicho feroz de enfezado. a surra não era brincadeira. As lambadas eram rápidas e terríveis. Viu aquele homem bufando de raiva ali na frente dele. A dor andava das costas às pernas. . E já foi tirando o cinturão.Não. O grito do pai estrondou de tal forma que o menino soltou o inhambu.Correu para casa. Tremeu dos pés à cabeça.Você não vai mais fazer o que eu mando. Zezinho. Zezinho pulou e acudiu com as mãos. né? Eu vou te ensinar como é que anda à toa por aí. O pai não perdoava. . . Eu já vou buscar. O pai e o Orlando tinham voltado mais cedo da roça. papaizinho do céu! Papaizinho do céu. nadando.Tá lá no mato. Fez o serviço que eu mandei. ou então tinha ido procurar mel com o machado. Quando via o pai puxando o correião daquele jeito.Zezinho! A voz do pai o atingiu feito um raio. A primeira lambada estalou nas pernas.Agora você vai é entrar no couro.

Zezinho sentiu que estava com fome. Isso é pra você lembrar de fazer o que eu mando.Eu faço sim. mas não podia demorar. vai ser outra surra . Dou veneno pra ela. O homem avisava e guascava o correião. ó." Sentia o corpinho dolorido.Vai buscar o enxadão e o machado onde você deixou e depressa. Aproximou-se de casa um tanto assustado. As pernas. Se ele vender. Ainda estava claro quando chegou onde estavam as ferramentas. pois não apanhava de ninguém e nem era mandado pelos outros. eu mato ela. Ele quase caiu sentado de susto. sumir. O sol já tinha se escondido.. papaizinho.Ele te bateu muito. Entrou no paiol. A capoeira começava a adormecer. Ele tinha se molhado todo. passava a estar contra tudo. Vou sim. . A solidão saía de entre os ramos. Quando soltou o menino. Não era mesmo bom ser menino. O menino andou depressa. Não estava gostando do mundo naquele momento. Queria mesmo é ser homem para poder viver sem ser mandado por ninguém . Começou a descascar as espigas de milho. Sentiu as ferramentas pesando nos ombros. entretanto o melhor era trabalhar. Olivinha apareceu. o traseiro e as costas ardiam de dor. papaizinho. Foi soluçando pelo trilho." Apanhou as ferramentas e começou a voltar para casa. _ E amanhã eu vou deixar uma tarefa pra você no quintal. Mas Olivinha não estava debochando dele. Ora. Ser homem é que era bom. "Quando eu crescer. Parou. Continuou debulhando o milho. O pai estava tão enfezado que podia até dar outra surra nele. inhambu caçado. estilinguee embornal de pedras.inhambu correu pelo trilho. vou embora de casa. Toda vez que apanhava. Os inhambus trilavam se aninhando nos pousos ou ainda procurando um lugar onde pudessem passar a noite. pra você fazer o que eu mando. Ondina apareceu com uma lamparina acesa. Zezinho? Não respondeu. Escurecia. Ficou trêmulo. Havia uma tristeza revoltada trabalhando no coraçãozinho dele de modo que achava a vida uma coisa ruim. Ali estavam os rastros doloridos do cinturão. Pensou em seguir por aquele trilho e ir embora. Os olhos arregalados. enxugando as últimas lágrimas na camisa. Vou pegar aquele - Valtérioe dar um murro no nariz dele pra tirar sangue. gritou: . _ Agora você vai debulhar milho sozinho pros capados. Um . "Mas a Maninha ele não vende. mandada pela mãe. Estava era com pena. vou paizinho.Vou sim. Pôs as ferramentas no paiol e de repente o pai trovejou ali pertinho de novo. todo mundo tinha visto que ele tinha levado uma surra dos diabos. Zezinho ainda se lembrou do estilingue. Na hora da surra tinha deixado tudo no chão. Aqui.Eu vou sim. Espiou com uns olhinhos fraternos. Ramagens batiam nas suas pernas doloridas. Zezinho e a natureza. macetado. O coração zabumbando no peito. Sentiu revolta contra o pai. apanhou uma espiga e começou a debulhar. Papaizinho do céu! O senhor me mata. . . Se eu chegar da roça sem você ter terminado.. Já estava escuro. Que pergunta mais debochada era aquela. Passou a mão direita nas pernas. Felizmente o pai se afastou com passos fortes. Deixou o inhambu caído no meio dos matos rasteiros onde estava e saiu adoidadamente. .

O Orlando correu para examinar a caça. Ora. Zezínho? Não respondeu.Eu não sabia que o Martinho era tratante assim não. E NTR0. Passei lá pra ver se a gente terminava o negócio e nada do homem. Ainda naquela tarde não tinha encontrado o comprador da Maninha. Certamente o Daniel iria achar o preço muito alto. Tratou certeza de me comprar uma porquinha preta chegadinha a dar cria e nada. Zezinho? Nem olhou para a Ondina e nem respondeu. Estava danado de fome. O homem não tinha cumprido o trato. mas não ia comer. Agora não. Ele entrou pela porta da cozinha carregando o inhambu já duro. Ondina foi quem viu a ave. Ele estava meio decepcionado com o Martinho. em casa com aquele jeitinho taciturno. Fez todo o . Daniel? . Lavou os pés numa bacia com fundo de pau e fOI ~ara ? quarto. Não vai jantar não. foi apanhar o mhambu. Tomara que o Daniel não quisesse comprá-Ia e que ninguém por ali se interessasse pela porquinha. Havia uma compensação em tudo aquilo. o estilingue e o embornal com algumas pedras. Os irmãos depenaram o inhambu. .serviço sem responder nada.Acho que não. ou contra o mundo ou mesmo contra todos. Sei não. Principalmente quando pega uns peixes. Ondma pICOUa ave e pôs os pedaços num prato.a mãe deu ordem. Zezinho estava com. o seu Martinho queria comprar a porquinha preta para dar de presente ao Valtério e portanto. Principalmente . A voz grossa do pai estremecia a casa. Podia ser. Imaginou tal coisa e rolou na cama. entretanto queria vingar alguma coisa no próprio íntimo. A gente já tinha praticamente fechado o negócio. Bem podia levantar à noite e levar a porquinha para o chiqueirinho da grota. . só por implicância.Matou um inhambu. O Zezinho matou um inhambu.fome. Não queria conversa com ninguém.u O paI 8 A mãe deixou o filho de lado.a Olivinha falou. Zezínho? Não respondeu. . Será que o pai tinha vendido a Maninha? Agora o pensamento dele se enrlfScava nisso. Mas era bem possível que o pai até vendesse a Maninha por um preço baixo agora.Vai tomar banho pra jantar. Vou ver. A mãe entrou no quarto. .Por que você sumiu o dia inteiro.E hoje ele foi vender peixe na cidade e não tinha voltado até agora de tarde. tinha certeza. Zezinho . Zezinho? Ãhãh. mãe! Vou fritar ele .. Os irmãos sabiam que agora ele era realmente um menino caçador. Talvez ele tivesse comido alguma coisa na casa dos outros. Comeu o quê? Quero não. . por capricho. Es!av~ gostando de ter despertado comentários entre os lrmaos sobre o inhambu caçado por ele.De vez em quando o Martinho gosta é de gastar dinheiro à toa na cidade. Ainda bem. Matou aonde. O Chiquinho ficou entusiasmado. Zezinho estava gostando porque o pai do Valtério parecia não estar mais querendo comprar a Maninha e de repente o pai oferecia a porquinha a outro vizinho. poderia pagar mais do que ela valia realmente. Não quer me comprar a porquinha não. Daniel !lão iria se interessar por ela. Estava revoltado. . estava conversando com um vizinho na sala. Depois de ~olocar o mIlho de molho no cocho.

e como tinha andado fazendo algumas travessuras e deixado de obedecer ao pai. A Maninha estava de pé ali perto da figueirinha com uma cara de fom~. Só havia um consolo: a Maninha era ainda dele e no dia seguinte iria escondê-Ia no chiqueirinho no fundo da grota. o pai falou isso e foi saindo. Zezinho lavou o rosto. ZeZinho ficou olhando para o talhão que tinha que capinar naquela tarde. Agora. O dia foi clareando aos poucos.Hoje você vai càpinar daquela laranjeira até aqui nesse pé de mandioca. Ele vai pagar é muito dinheiro por essa Maninha. Dormiu desconsolado. A porquinha estava com fome e queria morder nas mãos dele. Os pássaros dormiram. Buscou três espigas de milho e tratou da porquinha separadamente. Chego da escola e levo ela bem depressa e venho capinar isso.Levanta depressa que eu quero mostrar a sua tarefapra hoje. nega. Rolou da cama apressadamente. Os porcos roncaram dormindo. Trinados aconteciam nas frondes das árvores que despertavam também. E depois você não vai sumir não que mais tarde eu vou te levar prum chiqueirinho que eu fiz lá na grota.porque ele costumava dizer que era o dono da porquinha preta e que ninguém mandava nela.Zezinho. Enquanto o lrma~ maiS velho entrou no paiol. _ Vou buscar milho pra você. ele pulou a cerca do qumtal e chamou a porquinha em voz baixa.Maninha.Quem falou? _ Ele falou lá na cozinha agora. Ainda estava escurinho. . Dá tempo pra levar a Maninha no chiqueirinho da grota com sobra. . . Tomara que dissessem mesmo. triste. O pai foi ordenhar a vaca. . A porquinha roncou e caminhou para ele. Zezinho só acordou com o pai chamando.Se não tirar essa tarefa. Escutou? . antes de ir para a roça. esfregou os olhos e tentou livrar-se da sonolência. _ E a cria dela não vale nada não? _ O papai quer é porco grande agora pra engordar. Viu a figura poderosa do pai no terreiro. Zezinho. iria levar a porquinha para aquele esconderijo e passar a tratar dela sem que ninguém percebesse. Só não acabou o negócio ontem porque o seo Martinho não tinha chegado da cidade. ?rIand. O pai deixou o balde de leite sobre a mesa da cozinha e convidou o menino para acompanhá-Ia. E daqui até na cerca.Escutei. "Isso eu capino e é logo. Vai dar pro papai comprar três do tamanho dela. Zezinho ficou preocupado de novo. .o já vinha tratar dos porcos.Vamos lá ver a tarefa. né seo Zezinhol O papai vai passar lá no seo Martinho agora e acabar de vender ela. __ Já tá dando milho demais pra essa porquinha.Vem cá. podia perder a porquinha por isso. Os passarinhos começaram a agitação da aurora. . Tinham só uma vaca. . . A noite debulhou seus grãos de estrelas e tagarelando o córrego não parou de correr. . Vem. Vou até quebrar a rama. o pai iria à casa do seo Martinho . Iriam dizer que ela tinha morrido.Senhor. Será que ela já não deu cria! 1" Caminhou depressa no meio das mandioqueiras e foi parar no chiqueiro. . Mesmo que tomasse outra surra. OrIando implicou com ele. O corpinho dolorido. vai entrar no couro de novo.

. dona Vanda Cabinho falou. Tem de morar lá em casa. que aquilo era só fingimento.. Encobriu-se nos matos e começou a correr. pede pra dona Vanda pra voltar pra casa. Eu gosto dela mas ela tem de ser só minha. Não disse nada e foi se afastando.Não melhorou.do seo Martinho.Então é melhor você voltar pra casa. O menino não obedeceu. precisava agir ImedIatamente. Zezinho. Pensei que tinha comido na casa dos outros. senão iriam dizer que ele não estava nada doente. A mãe estava rebentando pipoca na cozinha." Não podia chegar em casa correndo. . Entrou com cara de choro. "Pego aquele Valtério e enforco. A mãe ficou um pouco preocupada. Não viu a Maninha por ali. . Realmente o pai pegou o trilho que passava na fr:nte da cas~ . O filho estava com o rosto em total desolação. Ainda chegava a achar que o Valtério já tinha levado seu animal de estimação. . Foi com receio que caminhou para os chiqueiros. Caminhou para os lados do córrego.Então vai deitar um pouco.O pai dele deu uma surra doída nele e ele tá com dor de cabeça agora. Zezinho? -. A angustIa aumentou ainda mais.. Certamente o pai do Valtério tinha voltado d~ cIdade com muito dinheiro e iria levar a sua porqumha preta. Achou que não devia perguntar nada à mãe sobre a porquinha. É isso.a professora perguntou. Ze~mho entrou com urna cara triste. Foi para o terreiro da cozinha e olhou para os lados dos chiqueiros. Bebeu leite. Se chegasse em casa e encontrasse o Valtério amarrando a Maninha para tocá-Ia para a casa dele.Dor de cabeça. debruçou-se na parede da esco~mha e c~orou. .Não senhora . No rosto havia se~pre aquela desolação de quem vai perder alguma COIsaamada. Encostou o rosto na c?rva do braço direito. É o Zezinho que tá doente. os olhos lacrimeJando. De repente estava chorando. Se não melhorar. - . mãe. 42 P ELOS arredores da escolinhaainda mais. nem sabia o que ia fazer.~ova~ente para terminar o negócio. Se ele levar a minha porquinha pra casa dele. Não queria que ninguém falasse que ele tinha levado urna surra do pai no dia anterior e ali estava o Cabinho fuxicando as coisas. . Dormiu sem jantar ontem? . HavIa uma rodmha de meninos ali perto dele. . E se o seo Martinho e o pai estivessem perto? Aí é que ia ser amargoso. Zezinho? . Ih. Ele olhou para a dona Vanda com os olhos marejando pranto.Dormi. Foi ele que deu em cima do pai dele pra comprar a minha porquinha. Zezinho. . Não agüenta ir pra escola não? . não viu A preocupação aumentou Era cer- 9 Que é isso aí? .o Valtério. Felizmente o pai tinha saído cedo e ele pensQu logo em arranjar uma saída para resolver seu caso.O que foi. sImples~~nte porque tinha que ir buscar a Maninha. Zezinho tremeu de raiva.A dona Vanda falou pra mim vir embora. vou lá e ponho veneno pra ela comer e morrer.Toma um melhoral e vai. teza 9ue o pai tinha terminado o negócio com o seo ~artmho e o Valtério nem tinha ido para a escola. comeu pipoca e saiu. Era certeza que iria fechar o neg~clO. Dona Vanda vinha chegando..Sei não.

havia um tom de choro na voz dele. Vou te levar agóra pro seu chiqueirinho escondido lá na grota. arrastando os biquinhos das tetas pelo chão. Não tinha levado nem uma espiga de milho e talve~ a porqui. Limpou todo aquele barro e a porqumha fIcou bnlhando feito asfalto molhado. com um jeito feliz da vida. vem. O dia já começava quente e os porcos já podiam estar nos lameiros ou arando a terra mole à ca~a de minhoca. _ Agora vamos pro seu chiqueirinho no escondido. Quena ~oltar e perguntar à mãe se o pai tinha vendido a porqumha e se o Valtério já tinha levado seu animal de es!im~ pa:a a casa dele. carregando toda aquela pança. Quem fora o criador dela? Aquela porquinha tinha crescido sem mãe. Ou somente por parte dele? Ah. Zezinho carregava alegria no rosto. mas ela devia saber quem era o seu verdadeiro dono. Ia levando o estilingue e o embornal com algumas pedras. Primeiro eu vou te dar um banho com água limpa. . Por direito e por amor de estimação.ogar ~gua ne~a." Uns grãozinhos de milho aqui. mas nada da Manmha. ele . Pensava com altivez. Vem aqui perto do poço. A porquinha não respondeu com aqueles roncos costu~elros. catou os grãos. pois era mansa com todo mundo. deitada num lameIro. . Passou o corpo barrento nas pernas do menino que não se importou. danada! . toda cheia de barro. A porquinha levantou a cabeça. . Maninha. Jogou uns grãos de milho no chão e enquanto a porquinha comia. roncando.. . Mas o menino empurrou-a para os rumos· de casa e ela foi indo um pouco contra a vontade.Agora vem comigo. Mas isso não podia fazer. E pelo trilho ia a porquinha preta roncando.Você tá aí. outros mais na frente e a porquinha foi acompanhando o menino para o esconderijo. Maninha. sabia que se o Valtério passasse a ser o dono dela. A porquinha acompanhou o menino que começou a j. Entrou escondido no paiol. Vem.Pensei que já tinham levado você.Maninha. Maninha.amarrou a corda no pé direito dela. a Maninha era dele e pronto. A mae Ia dIzer que a doença dele era preocupação com a porquinha simplesmente. Ele era o dono daquela porquinha e pronto. apanhou a cordinha e três espigas de milho. O menino chegou pertmho dela e ela se pôs de pé roncando. _ Vem. Ant. .. quem o faria? Achava que cada um tinha que defender o que lhe pertencia. "Quem sabe ela vai atrás de mim e não é preciso nem tocar ela segurando a cordinha. Até lá perto do chiqueiro. Foi parar no côrrego. No espírito uma decisão forte. Vem.Zezmho deixou a porquinha e correu para 44 apanhar uma cordinha. Jogou três grãos de milho ali na frente da porquinha que se moveu. Maninha.es de ch~garem no terreno limpo ali perto dos chiliUClroS. estralejou nos dentes e o menino caminhou e a Maninha o acompanhou arrastando a cordinha.Maninha . a porquinha talvez nem ficasse quase nada sentida com a nova situação. Entretanto a porquinha respondeu. Se ele não fosse defender o que era seu. Viu alguns porcos. dando-lhe trabalho e cuidado e ao mesmo tempo gerando um relacionamento de estima muito grande entre eles. A preocupação aumentou ainda mais.nha não ~uisesse deixar a gostosura do lameIro ou da agua do corrego. Chamou a porquinha e beirou o côrrego para baixo. _ Come uns grãos de milho. Realmente não queria.

. Maninha. Cerca de quinze metros para . debulhou mais uns grãos de milho e lá se foram os dois. Eu tou te fazendo um bem. Puxou a porquinha. . Um pouco para baixo havia um trecho de barranco fácil. Chegaram beirando a grota e agora o menino tinha que achar um lugar mais fácil para descer com a porquinha. Zezinho afagou a cabeça dela e por fim grudou nas orelhas.Espantou o inhambu que eu ia matar. Vamos. Maninha também entrou no mato ali no rumo da ave que assustada voou. Zezinho parou. O menino afastou os paus e após jogar milho lá dentro. mas não quis descer. . o leito da grata estava seca e fácil de andar. . a porquinha entrou sem cisma. mas a porquinha parecia já estar enfarada de milho. Parecia não querer descer. O inhambu entrou no mato e deitou ali perto. não falei pra você descer!? Até esfolei o joelho.Um inhambu correu pejo trilho. O le. mas não fugiu. Zezinho colocou uma pedra no jeito e caminhou depressa. Andou um pouquinho para frente e foi entrando. Maninha. • A porquinha parou. Viu que para pegar a ave em boa pontaria. sôo A porquinha roncou. Maninha. embora o lugar fosse fácil. Maninha levantou assustada.Aí. É ali mais embaixo que a gente vai descer. . chamou a porquinha. O menino jogou uns grãos de milho no leito da grata procurando atrair o animal.O seu lugar agora é ali mais pra cima.Desce. Cerca de quinze metros para cima estava o chiqueirinho.cima estava o chiqueirinho. Saiu no trilho novamente.ito da grota estava seco e fácil de andar. A porquinha também andou depressa. Escorregou e os dois rolaram e só pararam no leito da grata. precisava entrar no mato e chegar mais perto pelo outro lado. Pegou na corda e conversou com ela.

Tou pensando em te dar um purgante. talvez tomasse uma surra com ela. pOIS tmha somente aquela tarefa para fazer depois da escola. A porquinha ficou estralejando milho sobre a areia e após encostar os paus da cerquinha bem juntos. Voltou para casa depressa.Virou capinador de verdade agora. . mãe? . Estava disposto a terminar logo a tarefa. Sara. Acho que já dou conta. Resolveu que ia almoçar soment. estava pronto. Eu falo pra ele que você tá doente. estava livre. Fica aí quietinha.. Já passou.Ninguém vai te achar aqui. Você vai dar cria aqui e vai morar aqui agora. Zezinho? .. Foi andar pra onde. hein Zezinho? Orlando fez galhofa dele. Ninguém vai ter a idéia de olhar aqui pra baixo. Era meio-dia e meia quando os irmãos chegaram da escola.. O que tinha de fazer. Trabal~av~ até meio revoltado. Parou lá no alto do barranco e percebeu que para descobrir a porquinha lá no fundo.Tá capinando. Vai buscar água pra mim.Eu quero é água. levando a cordinha que o pai usava para amarrar o bezerro.Cadê o Zezinho. apareceu onde ele estava trabalhando. . Doente não precisa de trabalhar..Tá doente mais não. e assim.. E a dor de cabeça? Já sumiu um pouco. De uma coisa ele tinha certeza e estava satIsfeIto: tmha terminado a tarefa e estava livre para ir levar água e mais milho para a Maninha. Tou quase nada mais não . . Que doença que nada! Enfiou a enxada nos matos moles: capim-colchão. Felício tinha uma bola de borracha e sempre formavam um quebra-dedo no campo dos homens quando marcavam dois gols lá no meio com botinas ou tocos. Mas estava achando bom.. - . .Agora ele capina até doente. Pôs a cordinha no paiol sem que ninguém visse e entrou em casa. Até não sei quando. . só mesmo se alguém passasse olhando com muito cuidado. . berduega.Não vai ficar andando por aí não e nem vai tomar banho no córrego. E enfIou a enxada nos matos. mãe . -.al~oçar .Melhorou e foi capinar. Até o papai não querer te vender mais. mas ele não respondeu.e quando ter?:in~sse. Agora eu vou embora e vou capinar aquela tarefa que o papai me deu e logo depois venho aqui de novo trazer mais milho e água. Pegou a e~xada e foi para o quintal.Vou capinar. não tá doente? . Vou trazer uma latinha pra pôr água pra você. e no meio das mandioqueiras logo sentiu o suor pingando do rosto. Parou para beber água e voltou logo. nadar e ir jogar futebol com os colegas. Zezinho? . Zezinho viu os irmãos chegando. ele disse que ia almoçar. Sara buscou um copo com água para ele que parou apenas para beber.Dor de barriga. . molhando a camisa. mas não parou. E quando terminou a tarefa. Faltava apenas um pedacinho para ele terminar a tarefa. ouviu? Não tem perigo de onça não e nem guará. todo mundo Ja tmha almoçado. a irmãzinha. Zezinho. Acho que você falou que ficou doente pra nao estudar. Quando a mãe o chamou para almoçar. Tirou o chapéu de palha da cabeça e foi . a papai vai me bater se eu não tirar a tarefa. o menino foi se afastando. somente quando os irmãos chegassem da escola. Se esquecesse aquela cordinha ali na grata. . só porque levou uma surra ontem. quando terminasse.U ai. Podia caçar.

Viu a Maninha dormindo na areia. Felício? Foi não. . .. é outra sova. Vão falar que você sumiu. Maninha.Eu não fui. estavam chutando a bolinha de borracha.. ou não vai. o Augusto não foi também. Não vai querer ficar fora de casa o dia inteiro outra vez não. Orlando.Cabinho falou. Aquele homem era muito exigente e os filhos dele tinham que trabalhar desde muito cedo.Pode ficar sossegada.. Foi você.Quem é que apanhou do pai ontem até mijar na roupa? . _. Orlando falou: . da sua travessura. A mamãe me deu um melhoral e a dor de cabeça passou.Se não acabar. Zezinho rangeu os dentes e xingou: . . Acho que acabou de chegar aqui. A ponta do nariz começou a avermelhar. procurando matar outro )nhambu e foi parar no poço onde os meninos mais livres estavam sempre nadando. para a Maninha. Dep?is deitou se espojando na areia. . .Quem foi que levou uma pisa do pai ontem? Eu não levei pisa do meu pai. afagada pelo menmo. Zezinho foi parar no chiqueirinho da grota novamente. Eu sei. Maninha. Nem gostava de faltar às aulas. Mas o Orlando não devia saber do seu segredo. Foi você. Arranjou uma lata enferrujada e apanhou quatro espigas de milho.Vai amolar os cachorros. Augusto? Ah. Caminhon pelos matos atirando pedras nos passarinhos. Já tinha terminado a tarefa. não havia ninguém. Vai dar cria ali. hein? . Uma partida de futebol era um ótimo programa.Fugiu de casa de novo. .falou e olhou para o Zezinho.Chegou mais um jogador . mesmo porque o irmão era até estudioso. 10 recompensado. Zezinho estr·emeceu e chegou a inchar de raiva.Vai acabar a tarefa que o papai te deu. Ele deve aparecer logo. "Ah. Se o papai te vender. . Eu te dou uma pedrada de estilingue é agora. Apanhou água suja nos poços um pouco para baixo e levou para a porquinha.Mais milho e água pr'ocê.Seo bocudo sem-vergonha. . Zezinho? O teu pai vai te dar outra surra. Esperou o momento exato e pelos fundos fugiu sem ser visto. Mas não para casa. Olhou para o Valtério com uns olhinhos de fera. Os outros meninos não tinham assim tanta responsabilidade com serviços como os filhos do seo Odilo. mãe.Parece que o Zezinho já sumiu de novo. . ninguém vai te achar aqui.o Felício gritou. No poço onde nadavam. Nem falou que já tinha terminado a tarefa que o pai tinha lhe dado.Eu já acabei a tarefa que ele me deu. Correu afobadamente e viu a turminha conhecida. Brincou com a porquinha bastante tempo e depois achou que devia ir embora.Acho que vou . cachorro do inferno.ela gostou do chiqueírinho. Ah." . Valtério olhou para ele com olhos -zombadores e começou a fazer micagens debochando dele. Orlando acreditou nisso. Ninguém devia saber. A porquinha bebeu água e comeu mais milho. Ninguém sabia qual era o talhão da tarefa. . Zezinho? . DEPOIS do almoço estava com uma latinhaAgora queria sair às escondidas onde pudesse pôr água e com umas quatro espigas de milho. viu. . Entretanto ouviu gritos conhecidos no campo de futebol.

O homem tinha praticamente fechado o negócio com ele.Ai meu nariz. Quando o sol ensaiou seu pouso na lombada do horizonte. Se ferrasse luta com o Valtério . .. Zezinho esboçou um sorriso de alegria.Eu vou esborrachar o seu nariz também.. Muito mais cedo que o normal. Zezinho encobriu-se· nos matos e pegou o trilho de casa. Sabe é gastar o dinheiro na farra .Machucou ele.. Aliás. O sangue já brotando. Zezinho chegou beirando a casa e 04viu o pai falando sobre o seo Martinho: .Eu te pego com estilinguee tudo. Zezinho já estava chupando cana no fundo do quintal. Zezinho . Se o filho tinha terminado a tarefa. Não havia mais ambiente para ele jogar futebol naquela tarde. podia até perder. Agarrou a capanga de pedras. . Valtério ainda gritou: . bafo negro.. Não sabia que o Martinho era um homem sém palavra assim não.E enfiou a mão direita no embornal para pegar a arma. Zezinho? Não senhor. Zezinho deu um murro com a mão segurando a forquilha do estio lingue e acertou o nariz do outro.. Valtério estava pertinho .Vou contar pro seu pai e você vai levar outra surra. começou a correr. Então o que é que tá fazendo? Já vou .Augusto falou. Mas parecía tão distante o trovão. tá é andando à toa. E onde era essa tarefa? Esse pedaço que eu capinei. Seo üdilo estava decepcionado com seo Martinho.Em vez de estar capinando. O pai saiu pigarreando e perguntou num tom austero: Já debulhou o milho. Ainda pelo trilho rosnava para si mesmo: "Não falei que eu esborrachava o nariz dele?" Parou beirando o córrego e foi dar estilingadas num bem-te-vi que cantava nas varas do assa-peixe. Passou os olhos no trecho da tarefa que tinha dado para o Zezinho e não disse nada. Orlando rangeu os dentes. Disse até que queria dar a porquinha preta de' presente pro filho no aniversário dele e é tudo baleIa. 11 noite começou a esfumaçar os matos com seu . O passarinho fugiu e ele foi para a casa. porcaria. pagando um bom dinheiro pela Maninha e agora acabava de saber que o pai do Valtério não tinha dinheiro nenhum. estar dormindo hora daquela. . A . cachorro. Caminhou para o menor a fim de tomar a arma do outro. . Zezinho armou-se com as pernas e. Zezinho!? Vou contar tudo pro papai. . . Alguns trovões falaram com voz grossa. estava tudo bem. desgraçado! Valtério acudiu o nariz. seo cachorro.Felício falou. um trovão roncou e a terra estremeceu. Zezinho arregalou os olhos.Eu falei que era pra gente jogar bola e não caçar encrenca . Já acabei a tarefa que ele me deu. O pai chegou logo da roça. tinha até gastado tudo na cidade. mas não tinha medo... Estava com medo é que o outro fosse mesmo contar ao pai dele. Mas enquanto o Valtério cuidava do nariz sangrando. Não tinha jeito de forçar o irmão a trabalhar.Orlando estava ameaçador. Cargueiros de nuvens arrebanharam-se para os lados da grota onde a Maninha de.

sem ter para onde fugir. O vento com cheiro de chuva trazia desespero. E era uma chuva de vento em derramados relâmpagos e tambores de trovões tocando sua fanfarra barulhenta. mãe. Tinha feito uma coisa errada.Mas pode ser chuva passageira ..Maninha morrer afogada. lh. mas e a miuçalha? O vento já vinha bafejando com suas asas ocultas. Fazia base que a Maninha iria dar leitõezinhos naquela noite. O coraçãozinho estava ali se triturando. chegar à grota funda e tirar a Maninha de lá? Ele é que não podia fazer isso. Pensou na Maninha com mais seriedade. ruflando feito um monstro feroz. E se desse uma enchente muito grande e matasse a porquinha afogada? Meu Deus do céu! Saiu para o terreiro e foi estudar a carranca da noite. . quem sabe fugir. quanto o filho com a situação da porquinha preta.Pode. Zezinho tremeu. Que coisa mais errada.Já vou.Pelo jeito vai.Chiquinho disse. Ah. a gente consegue. dolorido qúe só vendo. Hora dessa a Maninha podia até ter dado cria já.Por quê. Estava tudo escuro. Uma travessura que era um segredo e agora tinha que agüentar a mão." . o tempo carrancudo. lh! E os leitõezinhos! Coitadinhos! Mordeu o lábio inferior. O menino coçou a cabeça. Quem sabe? Foi para o quarto numa aflição danada. era tomar outra surra. Mas que Deus ajudasse que a chuva não provocasse enchente.Por causa do jeito do tempo. Graças a Deus! Um trovão mais forte estalou. O pai não estava tão preocupado com a colheita do feijão. Os matos dançavam e as estrelas pareciam se esconder nas cavernas da imensidão. varar todo aquele trecho sem caminho. Caminhou de um lado para o outro todo aflito.. Zezinho sentiu-se diminuído. parece que vai chover e atrapalhar a colheita do feijão. o que tá fazendo no terreiro? Será que vai querer tomar a chuva no lombo? . Tou pedindo. . Coitada da porquinha que devia estarencolhidinha no fundo da grota. Mas Deus vai ajudar que não. Não tá escutando pingos graúdos caindo no telhado não? . A porquinha estava no fundo da grota. Zezinho ouviu o pai falando. Tinha feito tanto esforço para conservar a Maninha no seu poder. . Era certeza? Então a cria iria morrer afogada? A porquinha podia nadar.Aquele raio lascou algum pau . Falaram que quando a gente pede uma coisa pra Deus com devoção. pequenininho. Entrou em casa com os olhos arregalados. parecendo rachar as nuvens. Zezinho teve a impressão que o raio tinha caído lá na grota. mãe? . O pai do Valtério não ia mais comprar sua: porquinha preta.Zezinho. Quem iria se atrever a entrar nos matos com aquela escuridão. Os primeiros pingos começaram a sapatear no telhado e a sambar ameaçadoramente na alma dele também. mas muita coisa tinha dado certo. Então eu vou pedir pra Deus não deixar a . .Eh. . Contar ao pai que a Maninha estava correndo perigo. O sentimento todo se encolhendo. De vez em quando riscos luminosos de relâmpagos acontecendo. .Vai ver que lascou uma aroeira . Deus vai me ajudar.Orlando falou.. mãe? . e agora estava mais atrapalhado que nunca.Será que vai chover muito grosso. "A Maninha vai morrer afogada. gente! Nada estava mesmo dando certo. aquela grota descia de algumas cabeceiras e bebia água de outras grotas menores e então enchia adoidadamente e descia aos borbotões.

Era um toró colosso caindo. Um empurrão mais forte do vento abriu a janela de uma vez. Rolou cheio de aflição. O menino acudiu apressadamente. e se a chuva parar agora? Será que já dá praencher a grota? . Zezinho engoliu saliva seca. o focinho dela procurando ar. amarga.' Hora daquela imaginava a porquinha preta recebendo golfadas de águas fortes aos tombos grota abaixo. amarga.Mas. Era um toró colosso caindo. Ai chuva que chovia no telhado.Abriu um pouquinho a janela para estudar o temporal. Será que essa chuva enche o corgo? Já tá enchendo . e presa lá.Chiquinho respondeu. Chuva demorada! Todo mundo foi dormir cedo e ele também. Estava com os olhos arregalados no escuro. De vez em quando um relãmpago clareando repentina e rapidamente os Zezinho engoliu saliva seca. afogando os matos.Chiquinho falou. Chuva que estirava ao longo do tempo: Nunca uma chuva parecia derramar tanta maldade que nem aquela. . sendo arrastada pela enchente. Nem uma lamparina acesa mais em casa. Fechou a janela e viu que a chuva estava realmente caindo pra valer. ia morrer mesmo. Achou que nem fosse dormir direito naquela noite. que molhava os matos e que doía no segredo dele. E a grota também? É claro que vai encher a grota também Orlando falou.Hora dessa a grota já tá bebendo é muita água . chuva caindo no quarto. a Maninha ia mesmo morrer afogada. Será que não tinha sido a maldade dele contra o Valtério? Tinha tirado sangue do outro e a tempestade podia até estar deitando vingança contra ele. Certamente afogando a Maninha. Achou que nem fosse dormir direito naquela noite. molhando o rosto dele. Daquele chiqueirinho ela não ia conseguir fugir. afogando os matos. . Estirou-se nervoso na cama de tábuas e colchão de palha de milho. Ora.

Orlando apareceu pouco depois. Tem tanto tempo pra campear porca parida. Agora queria chorar. Já tava na hora.:o dia. agora valorizou mais. Será que.Será? Zezinho ardeu no seu segredo. Zezinho. Deitou-se novamente. Quando a~o:dou pela ~adrugadinha. não podia fazer nada. O pai já estava para gritar que os filhos levantassem. A chuva tinha salpicado os matos. Que tal se fosse para a escol~ e do ." Será que havia jeito e tempo? O pai estava ali. _ E com essa chuvada que deu. tinha sido uma chuva que nem uma chICo~adaque ~elxa muito estrago? Será que a Maninh~ tmh~ morndo? E. _ Faltar na escola um couro no lombo dele. Queria que alguém ava~ lIasse a mtensldade da enchente. procurando . Queria ver o fim da chuva mas o sono foi . Era uma crianç~ e acabou dormmdo antes que a chuva terminasse. . Ah. A mãe se levantou também.p~rece que o Orla?do_ falou de propósito para que o paI danasse com o umao. A preocupação acordou com ele feito um est.ermos. a cria? Imaginava que a porqumha tmha dado cna.É bem capaz. _ O Zezinho tá até falando em faltar na escola pra ir campear ela . _ É mesmo. Sentou-se na cama. Então era melhor que ela tivesse morrido plesmo. Ele abriu a janela e olhou para os pnmelros smaI~ do no. pai pul?u da cama cedo como sempre e foi para ter. iluminando a casa de barrote deles. Enquanto ele não saísse. Era uma fantasia que ele acreditava ser verdade. Enquanto o pai foi ordenhar a vaca. enchldo os carregos e as grotas mas já tinha dado no pé. Mas ISSO não era de muita importância para ele. pai. Orlando falou: _ A Maninha deve ter dado cria no mato. O dia crescia em claridade. Imaginou que o mundo sabIa enganar as pessoas. A Maninha sim .0 o 12 Não apareceu. um jeito para ir até a grota ver o que era feito da porquinha.tomando conta dele. que enchia os c?rregos e as gratas secas.meio do caminho fugisse e fosse ver se a porqumha tmha morrido? Olhando pela janela se embebia em pensamentos. Que tivesse sido carregada pela enchente da grata com a cria e tudo. Será que os irmãos já estavam dormindo? 9ueria ~onver. né Zezinho? Será que ela deu cria e tá no mato? . Ti~ha molha?o o feijã6 seco na roça no ponto de ser batIdo. Chorar feito a chuva que d~rramava seu pranto intenso nos matos. "Preciso dar um jeito de ir ~er a Maninha agora. Não esperou~ Pulou no chão descalço e foi para o terreiro. Deixe eu saber que ele faltou na escola pra ficar zanzando por aí feito bicho perdido.. _ A Maninha não apareceu não. Não queria dormir. _ Vai tratar dos porcos. isso pode ser depois da escola. Muita chuva já tinha caído. ele foi tratar dos porcos. . fazer maldade.alo. . _ Vou pedir à mamãe pra mim não ir ria escola hoje pra ir campear ela.. os galos desfIavam seus rosanos de cantIgas e não havia mais chuva caindo. Acho um preço melhor. é perigoso até leitãozinho morrer encarangado. Zezinho sentiu seu vulcão de revolta pegando fogo. O pai apareceu beirando o chiqueiro. _ Ah.sar com alguém.reI~o. Eu queria vender ela antes dela dar cria.. Que mania é essa? 58 .

A única saída era apanhar o embornal de algodão com os cadernos e marchar para a escola com os irmãos. a irmão o provocava. alguns rastros azulados.' a Valtério já estava no terreiro da escolmha. e tudo indicava que a claridade do céu azul fosse tomar conta do dia. eXIbindo uma carranca de porco selvagem encantoado. Alguns colegas ali perto dele. azucrinava sua vI~a. Orlando. Não havia tapeação. Apenas olhou. _ __ O Valtério não vai bater nele nao. h a Valtério vai te quebrar o nariz. No meu irmão ele não vai bater. ~ampo esse moleque deu um murro no nariz do Valteno que arrancou sangue. Ele falando num tom de valentia. Ficavam certos vergões. A bnga e com o Zezinho. _ Manda ele vir então. Valtério tinha um POUc? de me o o arlando. Agora havia dois grupinhos. Agora é que não podia fugir da escola. Quando saíram de casa. Apanhava. Um rodeando o yaltério rosnando sua valentia e outro rodeando o z~m~o e os irmãos. Acho que foi uma chuva passageira. o pai ia ficar em casa até depois que eles fossem para a escola. Enfrentar o pai num jogo perigoso era fogo. Irmao era sempre irmão. "Ah. . afinal de contas. Zezínho não respondeu. Cabinho gritou quando ele e os irmãos se aproximavam. mas depois passava. Não é do tamanh~ hO Zezínho.Zezinho sofreu um meio terremoto por dentro. mas sua briga era com o Zezmh~. . O sol já abria vãos entre as nuvens e lambia os matos com sua língua tímida. . . Porque o Valtério tava abusando dele porque ele apanhou do seu pai. Percebia que o pai estava armado com um pulo de gato para o lado dele.Por que.Vou esperar esquentar um pouco pra ir pra roça. Ele vai cair. todo poderoso.Orlando se doeu. dá pra virar aquele feijão e bater de tarde. o papai vai logo pra roça. Se o sol sair quente." Pensou assim pelo caminho e foi arquitetando uma nova travessura. Pouco depois ouviu o pai falando para a mãe. _ Disse que bate até em você.O Valtério falou que vai te pegar hoje e te dar uma surra. _ . Zezinho. O arlando não pode entrar. . . Era dose pra elefante. mas sempre o defendia de outros moleques. Ele que vem. Zezinho estava muito mais preocupado com a Maninha que com a possibilidade de le~ar. . _ Ele não te contou não? Ontem lá no. Carregava também o embornalzinho de caçada com algumas pedras e o estilingue. o tempo já começava a melhorar. quanto valia a sua porquinha preta no meio de tudo isso? O pai estava ali com aquela figura imponente. d _ Ele é do meu tamanho. um murro do Valtério. Meu estilingue tá aqui. Nem mesmo podia fingir que estava doente. Ia fugir da escola e de lá mesmo ia ver o que tinha virado sua porquinha de estimação.Bater nele por quê? -. _ Quero dar um murro no nariz dele com maiS força. doía muito no instante. Entretanto estava no ponto de arriscar uma nova surra. E perto do Orlando ele ~ao Ia apanhar. Alguns colegas pararam e ficaram esperando no caminho. mas. A? . agora sim. Na mm a frente ele não bate. lh. com os olhos arregalados e apalpou o embornal maIOr onde levava os cadernos e onde tinha col?~ado a capanga pequena com algumas pedras e o estümgue. Zezm o.

e começou a aula. pois era no mato que faziam as necessidades fisiológicas. Batia com a régua de caligrafia ou com uma vara. Até esquecia que fugir significava estar correndo de medo do Valtério..Valtério· ameaçou. Estava toda a molecada esperando a briga do Valtério com o Zezinho depois da aula. não havIa smal. Punha de joelhos lá na frente. Mas o Zezinho nem esperou tais provocações.se. costumavam se retirar bastante da escolinha por um caminho oposto ao da professora. Deixo minha capanga aqui e os meninos levam pra mim. mas num lugar onde nem havIa JeIto para nadar. Havia uma briga marcada ~ara a saída. é pra esperar ele. talvez a porquinha preta. No interior da escolinha reinava aquele clima de briga. Entrou no mato. Agora o Valtério não debochava do Zezinho. Decidiu-se: "Vou fugir na hora do recreio. . E se não tivesse morrido." 13 hora do recreio briga. gritando quem tinha apanhado do pai e coisa e tal. O dedo indicador estalando. o azul do céu se engalanando. prometendo surra. O sol foi corno que secando as . Não queria saber disso. Sabia que porc? ~ ?icho bom no nado. os matos se lIvrando do apipocamento do orvalho da chuva e pelas cercanias da escolinha a festança de gorjeios dos pássaros.Eu pego ele na saída . Os alunos um pouco agitados. a professora punha de castigo. aquela guerrinha fria. Certamente iria ser com o Orlando também.nuvens. Deixava o embornal dos cadernos e levava somente o embornalzinho de caçador e o estilingue. Mãos fechadas à mostra. sido ou não levada pela enchente. . Cadê o Zezinho? Hora dessa deve de estar escondido. O Orlando e o Valtério sim eram iguais no tamanho e estavam dentro das regras para a medição de forças. Quando marcavam uma briga para depOIsda aula. Fez planos que ia fugir da escola no recr~io. e foi escapulindo às ocultas. mas ele não deixava de pensar na grota. Zezinho julgava que o pai já devia ter ido para a roça virar as bandeiras de feijão para que secassem mais depressa. Dois trocando tapas e os ou- tros ali aplaudindo. As duas janelas abertas da escolinha mostravam o dia no seu embelezamento ensolarado. Não era momento para deboche. Dona Vanda foi chegando e o estopim da briga apa?ou-. Aí então· ferravam a briga. Deve ter fugido da escola de medo do Valtério. E a Maninha? Precisava ir atrás dela. Quando toda a molecada se reuniu novamente no terreiro da escola. no chiqueirinho que tinha feito para a porquinhae no sumiço da porquinha que podia ter acontecido. Sua preocupação era saber se a M~ninha tinha. Aquele clima de provocação para a briga preocupava o Zezinho agora.Ele vai te pegar na saída. . Falou que se você for homem.Zezinho cantou de galo. O máximo que podia acontecer era aquele jogúinho de insultos. Levo só o estilingue e o embornalzinho com as pedras. Zezinho.. com toda aquela pança. Se tmha consegUIdofugir ou não. Não podia mais tardar. O caso era sério. Ela chamou os alunos para dentro. ele não estava por ali. estava com a cria protegida. A professora vinha chegando. não tivesse conseguido se salvar.Deixa ele vir que eu vou quebrar os dentes dele . NA Haveria somentenão ia mesmo acontecer a Se alguém cruzasse nos tapas com alguém.

. A professora chamou os alunos para o segundo tempo da aula e nada do Zezinho. Aqui no meu bolso é que ele não tá. menos o Orlando. .Porco sujo de barro é ele que carrega veneno de chupão no corpo. Zezinho não aparecia. . .Alguns meninos comentavam tais coisas.Ele é que vem no cachorro pra ver se o cachorro não estraçalha a cara dele.E ele precisa ter medo dum frango molhado daquele? Vm dos meninos que estava perto gritou: . Orlando? . Deixou até a capanga dele aqui.Ele me pegou de traição e me deu um murro no nariz.O Orlando falou que o Valtério é um frango molhado. o Valtério falou que o Orlando é um porco sujo de barro.Isso é verdade. Os dois não se encaravam frente a frente. .Meu pai ia comprar a porquinha mansinha dele pra mim e por isso ele virou meu inimigo. dona Vanda.Falou que você é um cachorro bernento e rabugento.Ah. E as provocações continuaram assim com mensagens levadas por terceiros.Valtério falou com uma vozinha abafada.Escutou só. Valtério? . .Dona Vanda. será cadê o Zezinho? Não te falou nada não.Você desse tamanho apanhou do Zezinho!? A turma soltou umas gargalhadas fortes. Ondina também.Falou não. Orlando? .O quê? Vai bater no Zezinho? O Valtério? É mentira.Cadê o Zezinho. Orlando. . . . Valtério? . A professora não notou a ausênci~ do Zezinho. Orlando e o Chiquinho falaram baixinho: .Frango molhado é ele que é um ·porco sujo de barro . . .Não. A molecada é que tá falando isso. .Ele que é um cachorro bernento e rabugento. .O Orlando que falou. Escutou só. o Valtério era sozinho e o irmão contava com o Orlando e o Chiquinho e até ela própria que podia entrar na briga e dar umas cacetadas na cabeça do inimigo.Sei lá. Ele já anda mex:endo comigo faz tempo.Vai.O pessoal tá falando por aí que ele fugiu de medo do Valtério. Procuraram o Zezinho pelos arredores e nada do menino. .Você virou chupança. Até mesmo o Orlando e o Chiquinho estavam preocupados. instigando o fogo fumegante da briga e o Valtério somente ouvia. Meu pai ainda vai\ comprar ela . Ondina olhava com os olhos arregalados. o Zezinho foi embora da escola com medo do Valtério que falou que ia bater nele na saída. Não podia ser verdade que o Zezinhotinha fugido da escola com medo do Valtério. Ora. quase resmungando. dona Vanda. Chiquinho? . Valtério? O cachorro vai te morder. esperando a chegada do Zezinho. . piscando e rangendo os dentes.. mas o Cabinho foi falando logo: . Orlando? . .Nãó foi porque você abusou dele por causa da surra que ele tomou do pai dele não.Eu não vi nada disso. . Chiquinho soltou um risinho irônico. Será que o Zezinho era capaz de fugir de um mole-molão que nem o Valtério? . . Foi ele que me bateu ontem lá no campo e agora inventaram que eu vou bater nele.

Pensou que a pomba tinha fugido para longe. Era até perigoso encontrar o pai em casa. Os olhos ainda borbulhando lágrimas. morta decerto. A professora estava preocupada. Se tivesse matado a pomba. Certamente a Maninha tinha sido levada e hora daquela já estava rodando longe no rio Paranaíba. Não havia um pau sequer da cerquinha que ele tinha feito. . Precisava agir apressadamente. Sentou no capim. As flores enfeitiçando a natureza ainda verde também não valiam coisa alguma. O embornal dele tá aqui. O sol tinha se tornado quente. não estaria satisfeito. Estava suado. A enchente tinha levado tudo. Eu não sei de nada. Ele atirou uma pedra que passou rente ao pescoço dela. mas a todo instante o pensamento se embaralhava em coisas diversas e se atrapalhava todo. Enquanto não investigasse o que tinha acontecido com sua porquinha preta de estimação. ia abusar da carinha dele. Saiu na grota. " Não tinha muito tempo a perder atirando pedras nos passarinhos ou mesmo pensando em outras coisas. Notava que a enchente tinha sido arrasadora. Sentia que era uma travessura grave e sabia que o pai era durão demais para aceitar qualquer desculpa que ele arranjasse.. mas não tinha importância. seria outra glória de caçador. Era uma tristeza muito grande invadindo a natureza dele. "Vão dizer que eu fugi de medo do Valtério . l3-lenão viu. Ele não falou que ia embora não? Falou nàda não. Descalço foi pelo trilheiro ainda meio molhado. Falou alto. Não é minha mais. cheio de rastros dos bois. Agora podia apanhar que não tinha importância. Agachou. . _Era uma força enérgica empurrando-o para aquele recanto de mundo. Ela morreu na enchente. Foi subindo ali beirando. Lá no fundo só havia um poço com água suja. Estava tão sem.E cadê o Zezinho? Eu não sei. Ele espalhou o pranto do rosto. Ele tinha entrado no ·mato e desaparecido. Levantou-se.. mas também não vai ser de ninguém. \-. _ Desatou uma corrida. Uma juriti voou sibilando as asas. arrastada pela enchente. Havia ainda água suja correndo. Que desculpa iria dar em casa? Não poderia ainda voltar para a escola depois que investigasse o acontecido com a porquinha? Ia dizer o quê à professora? Que tinha sofrido uma dor de barriga muito grande e tinha ficado no mato todo aquele tempo? A turma ia rir dele. Estava fazendo o que queria. Nunca mais. Pousou num galho um pouco à frente.Ninguém viu o Zezinho fugindo não? Ninguém tinha visto.Fiz coisa errada. Chegou. mas no momento só sentia estar sendo arrastado por aquele impulso. A ilusãozinha dele naquela época da vida era sua porquinha de estimação. Era bem capaz que fosse tomar mais uma surra. Os olhos arregalados. A respiração carregadinha de emoção. Zezinho apanhou mais pedras numa pedreira e foi pelos trilhos dos bois na invernada cheia de"rnatos. A voz saiu com lágrimas." Estava desolado. Por ali a Maninha devia ter passado. Entusiasmou-se. A juriti voou do galho e assentou no trilho mais na frente. Os irmãos também. Parou de estalo. Os olhos dele começaram a marejar água de choro. De repente as coisas pareciam muito confusas. Agora não sabia o que fazer. "Cadê o chiqueirinho?" Não havia mais nada. O azul do céu não valia nada. Ir para casa não podia. Pouco depois quase tropeçou na ave novamente. O coraçãozinho dele se afligia mais e mais à medida que ele se aproximava de onde tinha feito o chiqueirinho. Então ela voou para longe. Devia pensar somente na Maninha. "Também não conto pra ninguém.

Caminhou beirando moitas bastas de capim jaraguá. O Orlando não vai deixar ele me bater. Zezinho viu uns Z Zeúnho estremeceu sob o domínio da emoção. Nem parecia o ronco da Maninha. danadinha! ? 14 EZINHO estremeceu sob o domínio da emoção. Decidiu que ia descer beirando a grota.sorte! O jeito era voltar para a escola. Não tinha que brigar com ninguém e tomar mais uma surra do pai não tinha importância. Esqueceu de tudo. Bateu queixo. . Os olhos ainda lagrimando.Maninha.Maninha!? Maninha!? A porquinha parecia estar brava. " Uma porca roncou valentemente numa espessa moita ali perto. Vou voltar lá na escola e dar outro murro no nariz dele. Zezinho tinha quase pisado na cria." Levantou a·· cabeça. Decidiu que não ia mesmo entrar na escola e portanto tinha tempo para ficar bestando por ali. Não. tocada de ciúme por causa da cria.Deu cria. curtindo aquela tristeza enorme. minha nega! . Roncou com ternura. Mas não devia entrar. Talvez a porquinha estivesse presa nalguma forquilha. protegendo os leitõezinhos. Estavaenciumada. "Arruf -ruf -ruf. . Maninha!? A enchente não te levou. mas repentinamente ficou branda. nalguma galhada ou até mesmo nalgum buraco no barranco. "Foi o Valtério! Ele é que me fez esconder a Maninha nessa grota pra ela morrer na enchente. mas era ela sim. minha nega! A princípio a porquinha parecia estar enraivecida. .Maninha. Decidiu apanhar algumas pedras na pedreira não longe da grota. .

. _ Você tá sonhando! O Zezinho tá na escola hora dessa. Nem era bom pensar em dar de testa com o pai e ouvir o trovão da voz dele. Maninha? Tá querendo comer a minha mão. . entrar no paiol. Se não ouvisse a voz do pai. cinco. Maninha. Zezinho sentou ali perto e descascou as outras três . Descascou uma espiga apressadamente e jogou perto da porquinha que abocanhou vorazmente. três. quatro. hem!? Ta com fome. apanhar umas três ou quatro espigas de milho e levar para a porquinha. "Vou levar uma surra. O seu dono de estima. Ouviu as irmãzinhas gritando. Precisava buscar milho para a porca~ E se encontrasse com o pai? Isso é que era duro. Os leitõezinhos correram grunhindo. Se encontrasse com o pai.Tá aqui o seu almoço. Os olhos arregalados. . mas nada de jeito do pai. Ficou ouvindo. Passou num vão entre duas lascas ali perto da figueirinha e agachadinho entrou no paiol. Agora ela já sabia que era o seu . _ O Zezinho correu. Dona Leonor ficou confusa.Zezinho! Zezinho! Ele ouviu. gentinha boba.Maninha! A porquinha respondeu com seus roncos costumeiros. Apanhou quatro espigas afobadamente e foi fugindo novamente. Começou a estralejar os grãos com apetite exagerado. mãe . De vez em quando parava e ficava escutando. . Ergueu a cabeça e farejou. Zezinho farfalhou as palhas das espigas. "Ele já foi pra roça e faz e é tempo . é porque ele tinha ido para a roça. Maninha? Coçou a porquinha. Cadê o Zezinho. era certeza que ia levar uma surra e ser mandado para a escola.. Ao se aproximar. Pretinhos que até brilhavam. Mas não tem importância. Entrou nos matos fechados.leitõezinhos pretinhos correndo no meio do capim. olha o Zezinho carregando milho! Olivinha gritou..a Sara confirmou. . Seis porqu~nhos. Correu para casa numa afoiteza de passarinho fugindo de uma gaiola. Ia chegar de mansinho. Maninha devia estar com fome e não tinha tempo de vir em casa comer.Quantos filhotinhos. sondando bem a situação.Mamnha! Tudo pretinho que nem você.Mãe. . Daí era só esperar o momento certo. A porquinha levantou-se e roncou mais agitada.bom companheiro. Olivinha? . pois tinha que produzir leite para sua meia dúzia de crias. Zezinho pulou a cerca e sumiu. Saindo debaixo do monte de capim que a mãe tinha feito para protegê-Ios contra a chuva. seis. pois precisava vigiar os leitõezinhos. Estava lutando pelos seus direitos. . O Zezinho!? . " Subiu beirando a cerca do quintal pelo lado de fora. encheu-se de desconfiança e passou a caminhar devagar. Agora sim é que o menino sentia estar embaraçado numa armadilha. Ficou ainda por algum tempo contemplando a cria. . ." O importante agora era tratar da porquinha preta que precisava comer muito. Devia esquecer o resto. A mãe também falou alto. mas não respondeu. Ia abrindo matos no peito.Um. _ Tuiquinho! Tuiquinho! Corre de mim rião. Estava lutando por aquilo que lhe pertencia.. . Eu vou buscar milho pra você.Pulou a cerca e sumiu. A porquinha deitou. ~ois. onde não havia trilhos e foi parar no fundo do quintal. Os leitõezinhos foram se desamoitando.

ora. Valtério.~~~o. . .Parou. anm a. Vem cá. cna mteIra O m . Apontou nh porqum a. Maninha ronc~ I~ m o soltou um gritinho pensou que ela fosse a u encmmada e o menino até mostrou seu ciúme ape::~ça~ ne~e. Orlando. e osse para a escola.Sabe M . e além disso nos matos beirando o caminho de casa. artaram e escapuliram Agora eu preciso ir embora M . Talvez o Zezinho surgisse dos matos.Eu quero saber depois. a. h onde eu vo P . Tinha . Voltou porquinha termina~ deez~~o fIcou se~tado ali até a deitou e foi amamentar a ~e~. QuandQ pensava no pai.Eu quero saber depois se vocês brigaram aqui perto da escola.Mas o Valtério e o Orlando vão. tá coisa. Levan. ra casa ou praescola? Ronc-ronc. Mas a porquinha logo para o milho Z . Maninha Já vo o indicador direito para ~ ~'h. fogueira intensa de após h to o lummoso numa . ._ . c uva.Cabinho falou alto.avisou com severidade. h a r~ves de gestos. Já tinha levado tantas surras. mas estava angustiado por outro lado.Felipe falou. estava lhe dizendo que eI f que a porqumha tou-se com pesar. Agarrou um deles O b' h' h longo. zm os que mamavam farP~guei o~ _não peguei. . A porquinha comia ro . eu volto aqui de tarde Lo . 15 escolinha os alunos inquietos. . danadinhos!? epoIs os leItoezinhos se f para o esconderijo. g? depOIs do almoço. mas tinha sido visto pela Olivinha! Certas coisas assim nem era bom pensar. tuiquinho. . Sei pra " u nao.um menino falou. pois não estava achando saída para o caso.O Zezinho já correu de medo. ue voce ta milho.. dona Vanda. A mãe e no o!am ~hegando cada perigo. . Quando se lembrava das lambadas doloridas. an a nao d' " que arranjar uma mentira I po Ia V~-lo. Ele teve o cuidado de ficar um pouco longe. Ih.Tchau.. Eh. . enmo aprotamente. n ar pra nmguem q '" aqUI.espigas. ~ esperar os irmãos na . mais uma não havia de ser nada. o corpo estremecia como se preparando para levar mais uma surra. Estava contente e positivo porque tinha achado. ' allIMas eu não queria co t . stava ah e nao devia haver . Chiquinho e Ondina iam lá na frente em companhia de mais alguns meninos. . o seI que vou trazer mais No céu azul o sol andava d . Valtério resmungava um pouco para trás no meio de outros colegas.- no mato com dor de barriga. Os leItoezmhos com desconfiança. OlhaNA vam pelas janelas e pelaestavamaberta procurando porta o Zezinho. a Maninha com meia dúzia de leitõezinhos. " . . o corpo tremia. pra escola!? Então eu vou p 1 Achou que estava entendendo ra esco ~.Ah. pois tinha feito mais uma travessura e ia sofrer as conseqüências. Já medou .Vem cá. Até logo. foram saindo do escond . Eu s'. ~epoIs a porquinha . a contar que tmha ficado . Ent. veItou para afagar os leitõe . Parece que as lambadas cortavam a carne. Ninguém vai brigar . . na VIda por um trilho de b' I 01 pensando saída da escola Dona V °dl. h .O Zezinho foi embora. Zezinho f . . Foi caminhando pensativo. Dona Vanda soltou os alunos e foi para a porta. ~haram para o menino t vez mais perto. ~cando.

Correndo . Acho que ele e e quer nao.Tá com o estilingue no jeito pra te tacar uma pedra já. Uma vez ele estava com mais de cem cabinhos em casa e mostrou para os colegas. ~o e Icar de castigo ama h _ .Zezinhol F . na1 com o material l' Iq~mho levava o embor. Até a professora o chamava pelo apelido.Mexeu com o Zezinho. pisou logo.O Zezinho tav t ' I o..O Valtério falou que pega é homem com espingarda e tudo. Quem bater nele é meu amigo. . d tério?! . . e repente. Valtéfio arregalou os ~lh no . ele que vem. Vou dar uma pedrada na costela dele. .s caminhavam le t os passos. Zezmho estava mescom oestilingue. A molecada aplaudiu a coragem dos rivais. Zezinho?! . Pararam.Se ele quiser me dele eu não tou. UgIU a escola de medo do Va1Que medo de Valtério!? Por que então? - Ah. Ondina apanhou um pedaço de pau de aroeira.lh. Ondina?! Vai matar o Valtério com isso._ me }mportava vmgar. f: o de você.Deixe ele vir. Tinha recebido esse apelido porque vivia cortando forquilhas para estilingue e chamava as tais forquilhas de cabinhos.Eu não. As duas turE b' n amente retirand nco nram-se nos matos Ch" o-se da escola. Cabinho era um galhofeiro. capangumha de pedras e armado 74 .Cabinho gritou aOlheaedsperando no mato. . Daí então foi deixando de ser chamado Valdemar e passou a ser conhecido por Cabinho.Quem for homem pisa aqui. . .Olha o Zezinho! . Orlando espiava ali de lado. Orlando chamou o Zezinho na fala dura: . O principal deles era o Cabinho. Dor de barriga. .Fugiu de medo do Valtério. n a a ou que vai Ah . Havia aqueles que procuravam de todo jeito fazer a briga acontecer. quer pegar o Zezinho longe Va1tério não aumentava ma. Cabinho fez um risco no chão e desafiou. precisa de saber. tamanho. . Cabinh . . Orlando. com medo do Valt" A que VOcefugIU da escola eno.Olhe o Zezinho lá Valté' .Mexeu com o Valtério. Mas não se atracaram ainda. uai. Valtério já estava pertinho do risco e para se avantajar. Orlando e os outros ia o meu.. Eu queria pegar I ' q eu Ia macetar o nariz n . Zezinho foi e pisou também. dona Va d f 1 contar pro seu pai. até a Ondina vai entrar na briga. O pessoal é que falou °A' . Valn o para trás . . Ia na frente. Valtério e a turminha continuaram caminhando. . medo dele Ele é d ta pensando que eu tenho · o meu tamanho me d o de moleque nenhum d eeu nao tenho . mexeu comigo.d f' e e e agora Não . pegar. Va1tério.? -. Gritavam coisas provocantes assim. Mexia com todo mundo e não era inimigo de ninguém. . Eu so queria é < • Quem corre de medo " Aquele Orlando ' }aamare10u. esco ar do Irmão Zezmho saiu dos matos d . Eu espero ele aqui se ele quiser vir me bater. mo lá na frente com a ?s. Quanto mais menino com estilingue.Não é você que 1 Zezinho. n a nao. VaI tomar banho na soda Cab' nh . Quem bater nele é meu amigo. deixa. ..Pra que esse pedaço de pau desse tamanho.Correu porque sabia ue dele. tério . -. mexeu comigo. m cammhando sem pressa .

mamão. Valtério cuspiu primeiro. " que você tá pensando.Tou pensando que você tá pensando?! . . .Tou pensando. Valtério olhava para o Orlandoe para o resto e dava uma de corajoso. esse desgraçado! Chorava e esperneava.Quem for mais homem.Ai-ai-ai-ai. O estilingue armado com uma pedra. O nariz estava ainda meio dolorido e a vingança era a sua honra. Estava resolvido a brigar mesmo.Você não vai entrar não. cospe aqui. desgraçado! Valtério rolou acudindo a dor que lavrava nas costelas. Zezinho deu um passo para trá~ ~ S?ltou uma pedrada nas costelas do inImIgo.Quebrou minha costela. Doía pra cachorro.. . . Valtério desafiou: . Orlando. Zezinho estava ali feito um galo índio pronto para enfrentar um carijozão. Valtério falava e olhava para o Orlando. A estilingada líquida acertou o rosto do Zezinho. Orlando também olhava com os olhos arregalados. no exato momento que o Cabinho abaixou a mão depressa. . MaMacarrão você.Tá pensando que eu tenho medo de estilingue? Tá pensando? . molequinho?! Tou pensando que eu tou pensando. que deu um passo para trás e soltou uma pedrada nas costelas do inimigo.ela resmungou. Queria enfrentar todo aquele pessoal. Cabinho colocou a mão direita entre os rostos dos dois e falou: . Zezinho confiava na ajuda do irmão e por isso mostrava mais valentia.No meu irmão ele não bate. Zezinho arregalou os olhos. Ele e o Zezinho estavam frente a frente.No Zezinho ele não bate .

Zezinho? .Sara Achei o seu ninho lá no mato. Era outro lance negativo da sorte. E onde tá o ninho dela. Sabia lá se até a Ondi~a ia mesmo atIrar aquele cacete de aroeira na cabeça dele enquanto ele fosse. O Zezinho estava chegando da escola com os irmãos!? -. seguro pelos irnla-os? O jel't o era . A uele pessoal er~ dOIdo mesmo.Orlando perguntou. Ondina intl'mou 00· Enquanto o Valtéri~ x~ngava e praguejava o quanto podia. Ze- 16 mãe olhou espantada. Os homens. e VaItomar maIS uma surra. mãe.E achou a Maninha. u El' Ul. Ondina?! Daqui de casa eu já desconfiei de tudo. .Vai caçar. vira meu inimigo. _- Vamo'bora ' menInos . Depois do recreio. you . Eu não. Achou sim. Levou milho pra ela . Pra carregar feijão se tivesse muito sol. Não tenho nada com guém. Mas eu ainda pego ele.Explica isso. E o seu pai falou que é pra todo mundo ir pra roça. ate começou a marejar sangue. . I. ' Você que provocou... como é que você explica isso? Pegou ml~hono paIOl e saiu correndo na hora do estudo e agora ta chegando da escola com os irmãos?! Virou fantasma? me?ino jogou um olhar assustado sobre a mãe engolIU salIva amarga e não disse nada. né? Na hora de me contar uma coisa.~~. ' A ? . con ar ao se~ Odllo. Desafiar o pai e não ir para a roça carregar feixes de feijão era uma doidura. .Na hora de te defender do Valtério. Tinha planejado almoçar e voltar ao ninho da porquinha.. Pelo menos uma coisa ele esperava: que o pai não estivesse lá. . d Z ~a~ o V~ltério não tinha coragem de correr atrás o eZIn o a ~Im de vingar a se~unda derrota. menino: .Vê. Cabinho gritou. Ele foi é camp~ar a Maninha. ' Agora o Zezinho tinha que enfrentar o pessoal de casa. Achei não .Quebrou uma costela dele seo uma mancha rosada. t . Os filhos estavam inquietos. Ah. Agora até eu vou falar pro Odilo vender essa porquinha. Zezinho coçou a cabeça. Zezinho? . Havia uma tagarelice dentro de casa de passarinhada festiva numa fronde de árvore num pomar. É pra almoçar e ir depressa. .. O Zezinho tá ficando bobo e doido por causa dela. Zezin. o seu pai precisa mesmo vender essa porquinha pra parar de confusão. Já tá brigando com o Valtério de novo. Queria levar mais comida para ela.dona Leonor ralhou..Dor de barriga. lá na casa dele contar pro pai dele Vo mostrar ISSOaq' A' . Meninos! . os quatro Irmaos foram se retirando. eu sou bom. Os três.ho. Orlando.Ele ficou no mato com dor de barriga. . Deve ter achado ela e veio buscar milho. Cabinho. Ficou para trás resmungando prometendo vIngança.

o Valtério que queria bater nele mãe Ondina falou. E se a gente juntar num grande monte e chover de noite. aparece aqui atrás de ração. - . Afastaram-se os três. Agora a gente vai lá no ninh~ da. Pronto. mãe. Chiquinho ajudou na ameaça. .Mas também ele levou a dele. sujo Zezinho estremeceu ao olhar para o pai.Orlando falou num tom de Iroma. O pai saiu na frente e os três ficaram convers~nd~. . Zezinho. Até parecia estar ouvindo os gritos e sentindo as lambadas. Logo ela . um pouco longo. Os três menidanado da vida. Quando ele soubesse da sua nova travessura.Aí. Chega~~m os t~es Juntos: O sol já tinha baixado mUlto. Mamnha. tudo pretinho.Não levo ninguém lá.Seis. _ Acabou o assunto da porquinha preta e. Mais tarde eu vou campear ela Ninguém vai achar ela . _ Tão enrolando o tempo. e saíram para a roça. . O pai olhou de longe e tacou um grito. Aposto que quase tudo é pretinho . Zezinho? a mãe falou.Que não vai achar o quê. Passaram a. Zezinho planejava correr.Se você não me contar onde a Maninha deu cri~. Bem podia ter contiassim o pai não podia bater o feijão. de terra e suor.E quantos leitãozinhos? . Os irmãos não largavam . bobinho. Vai caçar. ele achou o ninho dela e não quer contar pra ninguém. eu V?u contar pro papai que você fugiu da escola hOJe pra Ir campear ela. e O pai estava trabalhando muito. fica pior amanhã. OlIvmha gntou logo.. Onde tá o ninho da Maninha. Almoçaram nos. Zezinho arregalou os olhos para o pai. É só eu que sou o dono dela mesmo. Zezinho . trecho de mato... .Orlando disse. . Tudo.~~ _ Pouco mais tarde o pai percebeu que o feIJao nao estava seco o suficiente para ser batido. Orlando. Eu já tratei dela ... Zezinho. dos lelto~zinhos. Ondina. camInharam depressa para casa .dele. Zezinho ia nuado a chover.-. .. E eu ajudo o Orlando a contar. . . Orlando ameaçou o irmão. ia ser fogo. 81 .um lado juntando seu feixe e carregando para o terrelr. O menino parou e olhou para o irmão mais velho com uma carranca que exprimia revolta.Acha que só ele é que é o dono dela. Ando lá beirando a grata e acho. Lá beirando a grata. .Vocês vão carregar dali daquele eito primeiro. _ Eu acho. Ondina falou. .. Não tá dando pra bater dIreIto não.. ..Chiquinho falou. Cada um para . meninos?! Eu Ja vou aí com uma vara que vocês aprendem a trabalhar depressa. trabalhar carregando feIxes de feIjão sem nada de prosinha. Atravessaram o saíram nas roças. passar na frente do pai e Ir depressa ver a Maninha. _ O jeito é parar. . . Os três pararam e ficaram conversando. O pai pegou outro caminho e os meni~os.Vai ser o dono direitinho quando o papai vender ela .Vai ver que tem algum piauzinho .

Algum vazamento querendo escapar-se da bexiga. Vida besta! Ilusãozinha de menino é não ter direito . . mãe.Ele queria me bater. Pulou a cerca e foi ficar debaixo da figueirinha. Leonor! Eu vi. Zezinho ficou triste e revoltado. que dirá o pai. O pai trovejou novamente.Olivinha falou. de jeito nenhum. .Chiquinho falou num desabafo. ele chegoue se apoiou sobre a cerca muito sério. Uma dor fina no estômago. Parece que havia severidade também na voz dela.Cambada . Estava com o semblante da nOIte que vaI engolindo o dia e se vestindo de luto.Olivinha falou atentando o Zezinho.Você deu uma estilingada no Valtério hoje depois da escola. _ É agora que eu vou vender' essa porquinha mais depressa. Do pai. Decidiu não responder. Parecia até que tinham descoberto o mistério do seu segredo que representava a felicidade. Acabou de deitar e o pai chegou.. - 17 mara que o da noite C pelo menos elepai chegasse mesmo tarde apanhar: que passava mais tempo se~ OMEÇOU a escurecer e o pai não chegava.a mãe respondeu. ele corria. A Maninha estava em casa com os 1eitõezinhos. . _ Eu precisava acordar esse menino pra dar uma coça nele. né Zezinho? Fugiu da escola e voltou só pra brigar.Agora decerto o papai não vai vender ela mais não. né Zezinho? .O menino ouviu o rompante do pai perguntando por ele e estremeceu. . _ Cadê o Zezinho? . Tomou banho e foi logo para a cama. ToEstava triste. Ele foi com passos lentos.A mamãe levou um jacá e pegou os leitãozinho e tá tudo lá no chiqueiro já. E depois brigou com o Valtério e deu uma pedrada de estilingue no menino que machucou de fato. A mãe caminhou para o chiqueiro e admoestou: ..Sei lá disso não. Zezinho desconfiou que a mãe queria bater nele. Da mãe. Enquanto os outros festejavam debruçados na cerca do chiqueiro. O jeito era pôr a carne de molho para tomar mais uma surra. viu . ... _ Fugiu da escola pra ir campea~ a Maninha. Será que ia apanhar na cama ou ia ser levantado para levar uma pisa? _ Já tá dormindo . Tinham violado alguma coisa que por direito deveria pertencer somente a ele e )l1ais ninguém. não é? E agora? .A Maninha veio aqui em casa pra comer e "nóis foi" atrás dela e "achou" o ninho dela. A professora me contou que ele fugiu da escola hoje na hora do recreio. Não havia nenhum sabor de encantamento na alma dele. pigarreou e chamou alto: .. Se a mãe queria bater nele. já ali na porta do quarto: .. viu Zezinho. talvez chegasse sabendo de tudo já. Tá roxo e meio azulado no lugar.Eu tou sabendo de tudo.. .. . Andou pela cozinha. Será por onde estava andando o pai? Por onde ele passasse. Os irmãos correram alvoroçadamente para o chiqueiro.Um leitãozinho é meu . . mas de que 'valia tudo aquilo? Até a mãe ia pedir ao pai que vendesse a porca e tudo.Zezinho.Zezinho! O menino estremeceu dos pés à cabeça. Pode levar até pro inferno .

E como não senhor? A professora não me Você tá mentindo. E aquela vara de goiabeira alI encostada na parede? -Você deu pra fugir da escola agora? Não senhor . Então que batesse logo .Não senhor . Zezinho achava que a~U1lo era so o começo. Estava tremendo. O estilingue todo ~icado.Você vai fugir da escola mais uma vez pra ficar andando nos matos atrás de passarinho e atrás de porco.. trêmulo.ondeu com uma enxameação de soluços. o pai costumava mesmo fazer aquele sermão como se fosse um preparo para a surra. moleque. oprimindo o filho. . eu te fiz uma pergunta! . Cadê o seu· estilingue? Tá ali . Zezinho? . O pai e.Eu vou te dar uma surra pra você aprender a não fazer isso mais.. Zezinho fIC?U .Rein. Parece que o pai tinha cortado uma parte do sentimento do filho ao cortar o estilingue dele. contou! dar? Tava andando atrás de porca em vez deestuAndou fazendo o que fora da escola? Resp. O pai trovejou: Rein. cortou as bor~achase ? counnho da pedra. O pai trovejou um rompante outra vez: .. e entregou ao pai.a voz do pai estrondou estremecendo a casa. . . A calça também. Parecia até uma covardia o pai. . aquele homem forte. Anda depressa. Pega lá pra mim.. Eu já cortei uma vara d~ gOIabeIra e ela tá aqui comigo pra te ensinar como e que foge da escola e como é que dá pedrada nos outros.. Cabisbaixo.Apanhou anteontem e já quer apanhar hoje de novo? Não respondeu. Não é? Não respondeu. Assim era a sina de menino. O menino engoliu o choro alto num soluço..foi outro estrondo.Você não vai usar mais estilingue. O pai ali com a vara na mão. ia ser a mesma coisa. . Tomara eu p~gar.Tá caçando jeito de cair no couro até ficar na cama comendo galinha? Até ficar com o lombo macio. Menino era bicho sem direito. Zezinho? Soluçava num chuá-chuá de juriti arrulhando em afagos.. .com do do seu corpinho. Tá mentindo pro seu pai? Não senhor . Zezinho resolveu que não ia responder mais nada.Cala a boca .Não senhor. Zezinho? . menino. " Meio magro. Zezinho sentou-se na cama choramingando. .stava mesm? com uma vara de goiabeira. moleque!? Quer apanhar até ficar comendo galinha na cama? Rein.Não senhor .respondeu chorando. Tá pensando que menmo e passannho? Pegou o cani~etão e cortou a forquilha. Tanto fazIa responder como não.e o choro aumentou. . Aqueles chinelões rudes nos pés. . Zezinho ali todo encolhidinho. A camisinha de dormir toda rasgada. Procurou no chão os chinelões feitos de botinas velhas que usava após o banho. Pegou oestilingue . uma calça cheia de rasgados.. O paI VIU a figurinha do menino aparecer arrastando aqueles chinelões toscos. Pôs-se a chorar mais desatinadamente.- Senhor.Rein.L~van~a pra você apanhar. você c~m um estilingue.

o Valtério já estava por ali. pensou ao ver o pai carregando o balde de leite. Te bateu? _ Vai pro inferno. ".meio doente. . Cabinho.Dessa vez passa. Fechou os olhos. Talvez enchesse outro terreiro de porcos.. Zezinho? _ . Vaga-lumes enxameando as várzeas. Quando chegaram. o pai já estava ordenhando ~a vaca.foi arrastando os chinelões. Era certeza que a porquinha preta da sua estima iria embora para outra casa. _ Encontrei com o seu pai ontem e contei pra ele. Talvez desse muitas crias por lá. Mas o pai ia vender a Maninha. Estava livre da surra.Tá mentindo. Acordou com o tropel gostoso dos gorjeios dos pássaros acalentando a energia do dia. O Valteno caIU gntando e esperneando feito cachorro quando leva urna paulada pra morrer. _ Como é que o Valtério tá falando pra todo mundo que ele apanhou? . O corpinho dele estava se sentindo bem por nao ter levado a surra que estivera para acontecer.Não senhor. Alegrou-se feito um passarinho canoro em manhãs de sol. Zezinho tentou manter-se um pouco afastado. Zezinho? . Chiquinho? . Ché-toc-ché-toc . Noite bonita aquela de repente para ele.O menino encolheu-se mais. Beberam leite fervido com biscoito e foram para a escola. E a vida começando a viver simplesmente. As águas lisas do córrego escorregando sobre o lombo das pedras. Zezinho. Os três. _ Acho que apanhou. _ Depois da escola vocês vão me ajudar termmar de bater o feijão. A verdura da manhã afagando a esperança de todos. meninos.Vai dormir.. . Ela seria mesmo vendida? 18 menino dormiu o sono de quem fez uma travessura e não apanhou. O pai encostou a vara na parede e prometeu: .. Era um sábado. Zezinho pensava em tais coisas. Iam para a escola também no ~ábado. Ele abriú os olhos. .Você vai fazer isso de novo. dona Vanda chamou o Zezinho às falas: _ Por que você fugiu da escola ontem. . A beleza da manhã se abrindo num leque de ouro. "Não vou faCilitar mais não . Cabinho se aproximou: _ O Valtério falou que contou pro seu pai ontem. . Ele disse que ia ver o que tinha acontecido e conforme o caso. Ele deu uma pedrada no Valtério o~t~m que quase matou o coitado do moleque. E depois a Maninha aparecia nas suas ilusões de criança. você ia apanhar. Depois· que a turma entrou. A vara não cantou canções dolorosas contra a carne infantil dele. Agora vinham as terríveis varadas. Isso é que era ruim.Não. dona Vanda. Mas essa vara vai ficar encostada aqui na parede pra me contar quando você fizer outra arte. O Quando levantou. Z~zinho ouviu aquilo e já ficou sabendo que a tarde tena que trabalhar. Disse que mostrou o machucado e o seu pai falou que ia te bater. _ Então apanhou de novo. A fanfarra da farra dos pássaros parecia estar mais enfeitiçada. Esperou o zuim-zumbido da vara. As estrelas estrelando o céu em cardumes de constelações. Ele apanhou.

Eu devia é pôr os dois briguentos de castigo.Não. mas a professora mostrou severidade e ele calou-se. Não valia nada se apegar de amor 89 . _ É bobo mesmo. pensando COIsasde cna~1Ça. depois que tinha matado o inhambu. Agora que ele tinha se tornado um caçador completo no conceito da meninada. Também de agora em diante naod ma. cnar f animal nenhum só para não pegar estima e epOIs Icar sofrendo feito tonto.' . Que tristeza não ter mais o estilingue. . Tá bom. Tinha sido uma perda irreparável. Sentia que a p~rqum~a Ia ?eIxa?do ~e ser dele. Valtério acreditava que o Zezinho tinha mesmo levado outra surra do pai. Quando era leltomha órfã que necessitava muito seus cuidados. Tinha sido criada por ele. Ele corria e ia cuidar dela. . mas não era possível. O pai já tinha ido em?ora. Uma prosinha curta. Então vai embora sozinho. não podia mais caçar.ver ~ Marimha no chiqueiro. Você já matou um e pode matar outro. ~e~ sa~to fort'e. Queria voltar para casa sozinho. Ia ficar sem as duas coisas que ele mais prezava. . Então era um caçador de verdade. _ Quero não. Já receberam o castigo. . O pai do Valtério não parecia ter dinheiro nenhum para comprá-Ia. Zezinho. Não queria sorrir. atirando pedras nos passarinhos. Sua vingança já estava realizada. Vamos caçar lá? . Ora.Cabinho insistia em dizer bobeiras.- Chiquinho ofereceu. cost~mavam dizer. Zezinho? . e foi . Chegou em casa. Vidinha besta a de crianç~. _ Ali naquela baixada tem muito inhambu. Zezinho':. Zezinho estava embirrado. Zezinho. O assunto tá acabado. _ Pega o meu então.Orlando falou. _ O papai não tá vendo. _ _ Já falei que não vou e não vou. _ Mas eu não quero. E depois ele tinha decidido que enfrentar aquela turminha do seo Odilo era dose pra leão. Ia perder a porquinha mesmo. Quando chegaram. Parece que havia um tom de deboche na voz do irmão. Ficar sem o estilingue era ficar sem a aventura de caçar.Quer dar uma estilingada com o meu estilingue. Pelas quatro horas da tarde acabaram o serviço. mas coisas sérias. Lembrava-se que naquela manhã tinha visto os pedaços picadinhos da arma no terreiro. A leitoinha do Zezinho: "Vai cuidar da sua leitoinha. Fo~ SOZInho pela estrada solitária. . mas tinha certeza que o pai iria vendê-Ia para outro. Toda a molecada já sabia que ele tinha matado um inhambu. Orlando e o Chiquinho estavam contentes. _ Você pode pegar o meu estilingue e dar pelotada nos inhambus. era dele. já encontraram o pai com o serviço quase terminado. Zezinho não tinha mais estilingue. Orlando. Então se contentava com isso. Depois da escola foram para a roça ajudar o pai na colheita do feijão. Uma gente doida! Zezinhoestava taciturno. Agora que a porquinha valIa dmheIro. Um levou uma pedrada e o outro apanhou do pai. a porqum~a. E ISSO um fOI tempão. era dele. Não queria caçar com os irmãos. Achou que não devia maIS sentir e~tImaçao por ela. . Eu o Chiquinho e vamos caçar. . o paI era o dono dela.. O estilingue já tinha ido para o beleléu e decerto logo ia a Maninha. Carrancudamente Zezinho seguiu a viage~ d~ volta para casa.Vou não.

_ Seo Anacleto . Tou cansado de saber. Olivinha ali toda tagarela. Lá a gente combina sem pressa. Foi falando sem papas na língua. Zezinho ficou meio escondIdo no mato. mas nao vou por defeito. Ficou ouvindo. Tomara que o s~o A~acleto não compra ela não. sas. O menino engoliu saliva sem gosto. Podia arranjar veneno e dar para ela. _ Né não.de~ais por uma coisa.o menino chamou com uma voz chorosa e espontaneamente deu com a mão. Será que e mesmo. Viu o pai se aproximar do chiqueiro em companhIa do seo Anac1eto. Nem notou a tristeza decorada no rosto ào irmão. Desconsolado o menino olhou para o cavalo ~o seo Anac1eto. Decidiu que ia se afastar e esperar o homem no caminho a. fim de saber se ele tinha c01~prado a porquinha do pai. _ Oi . não devia ser de mais ninguém. Por quê? Tá interessado em vender ela depressa? . Vou dar· a resposta pro seu paI amanha. éééé . Agachou-se atrás da cerca. mas depois o homem não tinha dinheiro nenhum. sozinho. mastlgando o freio. do lado d~ fora. Zezinho. O pai e o homem foram olhar a porquinha preta. Não percebia direito que tudo vaI passando. Pro seo Anacleto. O menino continuava debruçado sobre a cerca. Eu já tratei dela tanto. Andou depressa para a estrada.o homem freou o cavalo. . Ficou lá macambúzio no cantinho dele. _ Eu já sei disso. Zezinho. Zezinho sentou-se atrás da cerca de modo a não ser visto. Vou pensar. . _ O senhor comprou a porquinha? _ Ainda não. _ Não amola não. Eu gost? tanto dela. Os homens foram para ~entro da casa e ele ficou lá todo àcachapadinho. Os homens estavam proseando sobre. Zezinho se afastou e foi tentar ouvir a negociação do pai. mas estava desencantado. . Olha bem a tralha e vamos pra dentro beber um café. Era só conversa. _ Fiquei ainda de resolver se compr~ ou nã~. Zezinho.Mas não tem jeito de pôr defeito. Agora a gente vai ficar sem ela. Acho que vou acabar comprando. Depois o menino ouviu os catatapos dos cascos do cavalo castanho no chão. O pai estava negociando a porquinha preta dele com o senhor Anac1eto. Olivinha chegou a se encostar nele e ele não respondeu. Zezmho. Quero comprar.papai falou ~ue t~ precIsando de dinheiro. seo Odilo.começou a gagueJar. Olivinha se aproximou. . Os homens ainda conversaram por um bom naco de tempo. Depois levantou-se e foi olhar para a porquinha novamente. Eu gosto tanto dela que nem voce gosta. O.Ela tava praticamente vendida para. o seo Martinho.O papai tá vendendo ela. sem responder nada. sentmdo-se um tanto sem valor na vida. _ Acho que hora dessa o papai já vendeu ela. Achou que se a porquinha não podia mais ser dele. A leitoadinha tá ?1Uito bonita mesmo. amarrado ali no terreiro da sala. . Ali debaixo da figueirinha. Zezinho. _ Só tou falando que o papai tá vendendo ela agora. Zezinho.O papai tá lá dentro vendendo a Maninha com leitãozinho e tudo pro seo Anacleto. Será que já tinham fechado o negocIo entao. Anadeto. . Anacleto soltou um risinho e falou: É capaz que "nóis combina". Ficou beirando a parede da sala. o~tras ~01. Zezinho não foi visto. Escutou direitinho quando o pai falou: . Eu não queria que o papai vendesse ela não. Pensou em dar um jeito de matar a Maninha. sarna de cachorro.

Não vou com?rara sua porqu. né? É. Havia no rosto dele sinais de desolação. hein? É que aquela porquinha é minha.Mas o senhor não pode falar pro papai que eu pedi isso pro senhor.inha e nem vou contar pra ninguém. o coração num toc-toc de galope. E ela ficou mansinha. Parou de falar. Só se outro comprar.coçou a cabeça.Até logo. É que eu queria pedir pro senhor. Até logo. . Sabia que o seo Odiloera um homem durão . O homem percebeu que o menino estava suplicando alguma coisa usando toda a força do seu sentimento sincero. . Não vou comprar a sua porquinha e nem vou contar pra ninguém... Zezinho. .. boquiaberto.. desespero. A porquinha vai continuar sendo sua. seo Anac1eto.. De estimação. . Assim que nem cachorra.Ah. Sentia-se meio suspenso. Precisa ficar triste não que eu não vou comprar ela. O seu pai tem cada mania. Estava suando. . nervoso.levantou os olhos assustados para o cavaleiro e ficou boquiaberto. .. Sabe. seo Anacleto. ele vai te bater.. Pode ficar sossegado.Hã. Zezinho. -. meio descontrolado. . Não fala pra ninguém? É que se ele souber. O senhor não fala não? Não falo não. e você não queria que o seu pai vendesse a sua porquinha? É . A mãe dela morreu e eu criei ela. . Criei ela desde de leitoinha magrinha. enrolou o cabelo castanho.Então eu não vou comprar a sua porquinha. O homem sentiu uma lamentação profunda na voz do menino. Pode acreditar em mim. - _ Pode acreditar em mim.levou a mão direita na cabeça.. Sabe. Foi um pouco até na mamadeira.. O seu paI tem cada mama .

~ cidade.Então eu não vou . mas os pais dos meninos temiam que . os três irmãos apanharam as varas de anzOlS e co?"~er·· saram alto para que a mãe pensasse que eles mam pescar somente ali no córrego. E mudou de assunto i~ediatamente. Assim mesmo a mãe falou: . Tinha certeza que o homem tinha ~m~en~ado a palavra com honra. Acreditou que o seo Anacleto era um homem generoso. Voce podia ter matado um tambén~: Hoje . h'? em. . . . .Chiquinho falou.Zezinho falou decididamente.Sei lá disso não. Do lugar raso. o Felício e o Cabinho. . Zezinho? você "não quis ficar. Chiquinho.A Ondina falou que o papai vendeu a Maninha com a leitoadinha pro seo Anacleto. Naquele dia o pai nao Ia dar golpe nenhum contra ele . Pro lado da cab eceIra da' maI's peixe quando chove.Eu quebrei a perna de um também -. Nenhum dos meninos queria que a porquinha preta passasse para outro dono. Or. Zezinho. ele também não queria que a porquinha fosse vendida. O Felício me chamou hoje. . eles . na realidade. O rio ficava a apenas tres qUllometros dalI. Zezinho? . . . É mesmo? . Sabe que a mamãe não gosta que a gente vai pescar no rio.Orlando falou.Vamos subir ou descer? .Mas o Valtério vai também . Vamos. Principalmente agora com aquela nmhada de seis leitõezinhos pretinhos.Vai eu. 19 irmãos chegaram em casa OS lando exibia um inhambu.eu tava sem sorte. Vai o Cabinho.Subir. Todos el. Tão logo o pai saiu a cavalo para .A gente pesca e caça.. Chiquinho falou. É capaz que eu vou também. _ A gente vai começar logo alI no fundo.~í. aos poucos iam criando coragem e nadavam cada vez mais longe do barranco. o Augusto. . Orlando. às vezes nao.acabassem nadando no rio e era pengoso. É capaz que eu já vou pegar um dmhemnho dele hoje.E eu também -' Chiquinho falou alto. pelo escurecer. . A gente tem que falar que vai pescar só no corgo.Vocês não vão pescar no no nao. iam ~scondidos. Domingo cedo Zezinho ouviu o pai dizendo à ~ãe: _ Vou terminar o negócio com o Ana~leto. mãe. bonitos. Chiquinho. . . Sempre que iam pescar n~ Par~~aíba. .Ficou ouvindo os tatacapos do cavalo do homem.es gostavam dela.l~ na cidade. grunhindo festivamente. _ Tá falando alto. olha só que mhambuzao eu mateI. Às vezes o Orlando parecia estar contra o Zezinho e _então queria ver a Maninha ser vendida.Não é no rio não.indo pescar. . Zezinho acreditou na promessa do seo Anacleto. Tirei pena de mais dois e nao mateI. . . Vai o Augusto.Vamos pescar no rio amanhã? O papai vai pra cidade. Zezinho .O Valtério não vai nada.. Depois silêncio. Entretanto. É. . Lá você pode dar muita estI1mgada com o meu estilingue. .Sei lá.

Zezinho resolveu experimentar a arma do Cabinho. . duvidando da promessa do seo Anacleto. .A gente quer passear de canoa. - . O estilingue era mesmo bom. " . Eu corro. Augusto estava esperando mais na frente.Cabinho foi falando logo. o negócio hoje na cidade. Lá no rio eu quero pegar é pomba do ar no jeito.é que nem o papai. Do outro lado do córrego encontraram o Felício com uma latinha de minhocas.Se pegar ele com estilingue.Barba-Preta já foi beber pinga.Experimenta meu estilingue.Levo. Meu pai não pode durmo no mato. Quero acertar uma pedra no papo ou no pescoço duma e derrubar ela da gameleira lá do porto. do azul do céu bebendo as águas lá longe. o estilingue escondido no mato de casa. não quero falar nisso. Desceram. É só deixar e não caçar perto começou a matar com~go não ia ter comIgo. Quando passaram pelo rancho do pescador.Seu pai é brabo demais mesmo. _ Vai caçando com ele até chegar no rio. Mas o negóCIO nao Ia ser fechado. Comeram frutas. Agora que o Zezinho já inhambu. . João~Pescador.Chiquinho falou. Zezinho? Cabinho já parecia olhou com azedume.. era um companheirão. . ~ez~nho não quis discutir o assunto. Vai terminar . . Encostaram no outro barranco. E a sua por.Oi seo João-Pescador. . Havia dois remos. É porque o seu pai não . . O que foi. Se um de nós correr do papai. . com o Zezinho i Ah. O fio corria com a sua serenidade. Quando nã~ bebia muita pinga.Entretanto já se considera~am homens. . Ele morava sozmho. Não era muito largo naquele trecho. O senhor leva a gente lá em Goiás? . Ela é muito maneira e se provocar muita gangorra dentro dela. Desceram beirando o córrego e encontraram o Cabinho sentado na ponte velha de madeira. Não vai dar uma volta no rio com ~ sua canoinha não? . Zezinho bebia a felicidade das águas.Tá vendendo pro seo Anacleto. O homem deixou os próprios meninos irem remando. Entraram na canoinha do pescador.Só se vocês ficarem quietinhos dentro dela. Zezinho? Ele vendeu? Chiquinho respondeu primeiro: . vai bater. não vai caçar?! Se fosse barriga-me-dói. Esse é o melhor que eu já fiz. É que no momento ele tinha ficado meio pessimista. Mas será que era verdade? Será que aquele homem iria levar em consideração o pedido dele? Parou de repente.A gente promete que fica quietinho. estar atazanando.Pois eu vou te dar um estilingue de presente. quinha. hão . Estava com inveja do colega possuidor de uma arma tão boa daquele jeito. E ele proibido de usar estilingue. .Então o seu pai cortou o seuestilingue canivete.. o conh~cido Barba-Preta estava no ranchb. Tinha lido no rosto e ouvido na voz do seo Anacleto que ele não ia comprar a porquinha dele. Depois voltaram e pescaram alguns peixinhos. Zezinho. Zezinho? Nada . Zezinho olhou para o galhofeiro Cabinho com uns olhos mais amenos. ele já não estava. ela vira e depois quem vai pra cadeia vai ser eu.O papai não quer ver ele com estilingue de JeIto nenhum mais . depois ele pega e mata de bater.

-. . 10 .Uai.Pergunta pra ela. Cai um menino dentro daquele rio e pronto.. né? Nenhum dos três respondeu. Tava batendo papo que ia ser o maior matador de inhambu daqui. bobo. Nao gostava que ninguém visse ou ouv~sse-o conversando com o animal. Estftva~ C?~ fome.. enquanto os leitõezinhos chafurdavam as tetas da mãe. minha nega. _ Eta menina besta! Vai brincar de boneca. Tem s~curl. Ja tmha chegado no rio. . Olivinha chegou pé-por-pé. Tinha que ficar negaceando para ouvir alguma coisa. Olharam entre si. O menino foi logo para casa. _ Aquele homem é brabo que nem cobra caninana quando corre atrás da gente pra morder.Então aquele pescador não falou por aí não! .Que você tem cara de cavalo. mãe.. Zezinho? . Viu o pai subir do chiqueiro paFa o terreiro da cozinha com duas espigas de milho para o cavalo... . . Sabia de tudo. .. Eu pedi pro seo Anacleto nao comprar você. "Ronc-ronc-ronc.O que você falou com ela. se você contar pros outros. e quando a gente viu. vai.Mas logo o pai esquece disso.Ãh. é perigoso. vai é apanhar . Zezinho viu o pai de longe.do melO-?Ia. Zezinho? -. mas 'eu acho q~e ele nao vendeu não. estava toda a meninada da vizinhança.Vocês foram pescar no rio. Em casa a mãe já estava um pOUCO ansiosa. eu te esganico . Tá falando b quê com ela. Se o pai dele pegar ele com um estilingue agora..Descemos o corgo. . . ora. eu escutei tudo o que você falou com ela .Agora acabou o caçador de inhambti. Valtério. o .E ela entendeu? . Deixou os irmãos e os colegas no campo e foi tentar saber das novidades. Ficava me' tolhIdo. Eu não gosto que vocês vão naquele r~~. Sentia algum receIO. Estava se esbaldando de satisfação porque tinha provocado a perda do estilingue do Zezinho e a proibição de uso por parte do pai. . . EZINHO almo~ou e foi conversar com a porquinha preta. . O sol já tinha virado os pon~ teIr~s . É mentira.. Ele falou que não ia S' quero ver se ele é homem de palavra mesmo . . Quanta gente já morreu Ia...l. Ele tinha . Tentou ler no rosto dele que ele não tinha conseguido 'vender a Maninha./ . então o seo Anaclcto tinha cumprido a palavra.Só um pouquinho. Zezinho já ~inha termmado o assunto mais importante e agora se divertia coçando a porquinha. O sol boiava por cima dos matos marcando cinco horas da tarde quando o pai do Zezinho passou ali beirando o campo a cavalo vindo de volta da cidade.Tá aí beirando a cerca. E até perigoso nem ser encontrado mais nunca. SeI que lá.Maninha.lh. você não escutou? . O pai parecia meio aborrecido. Vocês saíram daqui já com idéia ~e Ir p~scar lá. Mais tarde no campo de futebol. Z 20 _. Olha o papal fOI pra c~"dadefalando que ia te vender.. Valtério com uns olhos sem chamas de vingança. Zezinho imaginava coisas sobre o neg~clO do paI com o seo Anacleto.." .

I Irar agua do pote . Ainda não . _ Ah. Foi correndo pelo caminho estreito coberto de matos pelas laterais. Vai pra escola cedo. __ Bom dia.a mae perguntou.am?oh de futebol já esxinho: . Quando o tacou uma pergunta: co osco da cozinha. com a esposa ainda. ao almoceI o ho- Ezequiel morava perto da escola. come outra gente pra almoçar e pro Pt a e nmguem convida a pai foi almoçar na hor d . que podia á seo Anac1eto. Zezinho. Nao queria ser foi para o quarto . _ Tá com pressa de ir pra escola. em vista. Ouviram as novas ~~. Uai. leite. nha. Vendo logo' O ~a en. Que~ mais vai ge~sOtaar I~lhazva~ crescer aqui em N-' e o ezmho ao.. O UVIUo pa' f' ~ pai mentrar em casa ' e beber. zeqmel conseguir com ele o que J' ~. seo Ezequiel. _ E você não tá querendo vender a sua porquinha? Mas por quê? .eto disse que con_ Ih _ ue. . tenho uma magreladinha aí pra dar despesa. m a consegUIdo com o Os irmãos chegaram d curo. A porcadinha do senhor tá bonita. seo Ezequiel.conseguIU vender a Maniao prarela. Quando percebeu ~~~ ea~~o. nem tmha conversado . casa. _ Espera os outros. Zezinho? o papai n.a ou que tá vendendo um cavalo No quarto Zezinho ficou f r seo Anac1eto e já com a e IZ ~om a palavra do relação ao seo Ezequiel . É por causa do pito que levou do papai. Até falei pra ele que tou vendendo um cavalo e se tudo der certo. já não tá na hora!? _ Não precisa ir cedo assim não. A . a Maninha que você sempre fala nela? _ É _ o menino ficou meio nervoso. O senhor quer comprar mais porco? Por quê? Você tem porco pra me vender? O seu pai é que me ofereceu uma porca com meia dúzia de leitão ontem na cidade. Foi chegando com ares de investigador. a Sara . M as o seo Ezequiel vai comÉ!? O no. ogo. mãe . vaI nada Eu" t h . era um magricela bom e o . Mas quando vende. mem reclamou.Tou danado de fome N. o m elfo Ia fazer falta entao a I 't d' . Zezinho planejou que precisava conversar com ele naquela segunda-feira de manhã. aqu!. Nem bebeu Descuidaram um pouco e o menino fugiu. hein? _ É. né? _ É. Os olhos esbugalhados olhando para o homem magro. . conversando com o esso I a. Aprontou-se depressa e foi saindo para a escola. Iqum o perguntou baiEntão .O_senhor vendeu a Maninha '? _ Nao A' d _ ' paI. . Zezinho ficou por ali b VIstO. . o ~utro comprador uma olhadinha nela F' I zeqUIel fICOUde vir dar e quer comprar po~co. O homem já estava tratando das poucas cabeças de porcos que possuía. É que a porquinha que ele quer vender pro senhor é minha. rapazinho. gente come uma coisinh . _ Dia. alI. é bem capaz que compre. né? Uns cobrinhos de nada. hein Zezinho!? _ a mãe falou. Viu a casa de tábuas do seo Ezequiel. m a nao O A I sultou o bolso e viu q . antes que o homem fosse para a roça. homem sentou-se no ban t a a Janta. Quer me vender mais algum? _ Não. Tá cedo demais. TPuhlga atras da orelha com m a de agir I E .e~no achou. dá dinheiro.acabado de soltar o animal e . d' h ?ac.

o.. seo Ezequiel. O cavalo dele é muito bom. . Estava envolvido por esses enlevos quando o segundo aluno chegou. f nseI que fosse outra falando isso.spn:ocupado que eu não O . dando pedradas de estilingue nuns periquitos fuleiros que se misturavam com a verdura das folhas. Estava sentindo a vida sob o ângulo da luta. _ Mas pra porco não falta comprador. Pode Ir pra escola d vou comprar a sua por .E se eu co. . Aquela é da sua . Zezinho se afastou mais para um canto. .Eu vou gostar mais . Lá uas Pelos arredores mato~ e ~unclOnando como escola zu maIS matos e . _ Então o eu não vou comprar Mas senhor _ eu pedi isso pro senhor pode_ falar pro papai que _ P d' " senao ele me bate . A porquinha' e sua Eu pe . . porca. Já ouvi muita gente Então. O soltava sua primeira sauda ãoo zoan~o. emu nao comprar? .Ica só entre nós. Ao ouvir esta frase da mãe. "Tá dando estilingada pra mostrar que tem estilingue e que o papai cortou o meu e me proibiu de andar com estilingue por causa dele. tI~ha esperança que todos seu pedIdo. mem. sso . qum a nao. u com uma _ _ Mas e se eu vozinha trA 1a.. dor q conversar com t d . . Valtério ficou do outro lado. dOIS. es Ima. os moradores da fazenda PE . choramingante. esperando E o seu pai quer vender? É. .. O sol nas povoações de matos.-. ç . _ Eu pensei que pudesse até trocar a porquinha naquele cavalo. É um bobo mesmo. haveria de sair perdendo só depois de muita luta. o e· deIxar c0migo I f' .. Daí chegou a professora.FICOUolhando para o ho adlvmhasse o resto. Eu não queria nã. É.mprar a sua porquinha? _ O senhor fIca o dono dela Falo . da escolinha foi ganhando vida. Era justamente o Valtério. . Zezinho. confiado no seo Anacleto e o homem tinha cumprido a palavra. Ele quer. menmo fOI o primeiro ' estava a casa de t'b ~ chegar a escola. E assim mesmo com a cabeça erguida.· 21 N AQUELE anoitecer.. mas também só devia ser dureza para os moles. Os passaros peraltavam Zezinho sentia mais um . De tudo. tinha certeza que o seo Ezequiel também ia que ele cumprir a dele. obrigado. Zezinho ouviu o pai dizendo que o Ezequiel não podia comprar a porquinha preta também. ue o pai arranjasse para a s o . É. a mesma COIsa a todos eles iriam atender ao .Gostar mais de mi~'. O largo. Se não conseguisse. ." Logo os outros meninos foram chegando. Odilo. Assim como tinha - n:~o a sua porquinha. Cada um tinha que lutar muito para conseguir o que queria.o compraMesmo que fosse preciso edir' ua porqu~nha preta. . Zezinho percebeu que a mãe já não importava mais com a venda da Maninha . nzum das abelhas zumbind ncapoelrados. A vida não era moleza. Percebeu que tinha que lutar até o fim. zoando. O homem não podia vender o cavalo pois era a única condução que tinha. seu sentimento e era ta 'd tnunfo borbulhando no Ag ora p l'aneJava que iria o por uma emoçao posItiva ngI .

prador por ali. Depois que a peste passar. f" dOIS meses agora. Se ficar aqui no terreiro é bem capaz de morrer. Tição. _ Vender a Maninha agora é bom pra todo mundo. Estourou o alarma.Ezequiel falou entre os conhecidos. Nem queria ver a Maninha ser levada para longe. alerta.e pe~o jeito até queria mesmo u .Vou vender a Maninha d uns dez porcos . Zezinho nao osse mais ve d ntretantd um dia ouviu: n er a porquinha. E se não fosse vendida. Deita . _ Um porco morreu de peste lá em casa . Odilo falou alto: _ Vou . Quem falou que não? Eu que sei. seu pai compra mais porco e você amansa outra leitoinha pra você. Zezinho chos e três fêmeas. a causa estava nas suas travesO menino resolveu . a gostava muito daquela cria. a tal Montou no cavalo e saiu às pressas para a cidade. o. . O dia reinava de arrastO. mãe. A' ven do tudo J'unt o for "quan N vender I vem eu vendo tud o. 'Quando ouvisse o q~ed. A gente não sabe nada dessas coisas. a porqumha pra À 22 vida ia assim nesse passo lento.vender meus porcos magros e capados. Deita T" ammalzinhos foram f d ' Içao.Tiquim ' vem ca. Zezinho ficou triste duplamente naquele dia. . Ezequiel. peste. Zezinho. a peste suína chegou à fazenda matando porcos. tanto brincár com a leit~ad~hulU a e Pulguinha: De que eram uma graça..meI~ pessimista. pela peste.os A meninad Ican o mansos que nem a mãe. n. É A Aí o Zezinho ficou aborrecid . estavam mansmhos ' .preclsava apenas ficar dando a porquinha com r~I Izendo qu. ven dendo ess . meu filho. Já amanheceu um porco morto hoje. . Os leitõezinhos estavam com . tudo agora. Eram três ma· Tiquim. Os Ia d . . O sol foi abaixando o vôo do entardecer e nada do pai chegar. _ Pra ele vender depois. Dessa vez a Maninha iria embora mesmo. certamente seria morta.estava negoo que já tinha feito com ouAano1 tal.e. nervoso. cria. Chiquinho veio gritando lá do chiqueiro. F'Ica so a leltoadinha o mes que . ma logo fazer de E acreditava que ia cOnSegUi. O pai deveria chegar logo com um caminhão. vendIda. A peste suína estava abocanhando porcos e mais porcos.enhum Esse povo aqui da fazenda não tem dinheiro não Acabo . Outros porcos começaram a morrer noutros terreiros. nao aver comnheiro e todos eles ti v~a ores andavam meio sem diacreditou que o paI' _n fam seus porquinhos. Estava perd~~~~~ ~u~:~ando a Maninha FICOUalerta~ Passaram-se uns d' falou em vender a M anm h a Parecia iaS e ho pai não . Certamente q e a porqumha fosse suras. cidade ele não podia ir ed' o e . comprasse a sua porquinha PTat a m~g~em que não nhão passar apanhando' vez ate VIsseum camicom a. Estava emocionado naqueles instantes que deveriam preceder a chegada do caminhão.aceto e com o Ezequiel. comprador de porco da cidade. . quando depois de três meses que a Maninha tinha dado cria. né? O dia foi assim. _ Morreu foi de fome. Senam desmamados. a. Debocharam dele. Falaram que essa peste não perdoa porco nenhum. E . O prillleiro porco a morrer foi no chiqueiro do Ezequiel. f h e Icanam sem lU a amansado toda a uel . a mae. Menininha TtlUh~ ~eu nome: Cascudo. Mas a Maninha ela não vai matar. Cad~ u~ t~rmlUha. Sabe nada.

. mas também não achou bom porque o pai podia levar muito prejuízo. C b' ho falou. . Essa peste estourou por aí feito um inferno. Va terIO Z . atada No final do jogo estavam com a amIzade novamente. Zezmho. Bandos de urubus empretejavam os ares. Os limpadores dos terreiros estavam até enfarados. Urubu não vai comer ele. _ Só mostro se você for Ia. e Valtério gritou o nome dele e ele gritou mesmo t 1m . . Zezinho enterrou o Tiquim e resolveu ir jogar bola com os colegas. d pelo outro tambem. Os passarinhos derramavam suas canções plangentes·. . . Va~tério ~alou: a eu tenho um presente _ Se voce for Ia em cas .Ninguém compra porco de jeito nenhum. Dona Leonor já estava na porta da sala.Vendeu os porcos. mãe! Foram ver. Até o governo proibiu venda de porco. a m . Depois foram chupar cana em compan saíram.Eu vou enterrar ele. Jogaram bola no .Espera um pouquinho. Era carne demais. Odilo? .Não achou comprador. .Um capado já morreu. Os matos já estavam enferrujados e feios. . ha beirando o córrego e Enterraram a Memnm hia do Valtério. . . e saiu com um F·01. m. a e . É só ir caçar _ Anda com e e soe longe e nao chegar com ele ?em casa.Então eu vou. Era no tempo do frio. _ Essa dupla ta danada. d a no papo de um urubu _ Vou tacar uma pe r V lt'rio Vou com aquele estilingue que '!ocê me deu. As folhas amªrelavam.. Acho que 01 essa peste do inferno.Olivinha perguntou quando o homem desarreava o cavalo. Agora não sei o que vai ser de nós. Valtério.Zezinho! O Tiquim morreu! Foi o primeiro que morreu da Maninha! . "? _ O que. Empelotavam de negrume as frondes das árvores. É ' ê A{r s~c papai me pegar com ele. Zezinho. . secavam e caíam. urubuzada que trouxe essa f tudo. me dá uma o· = surra.. foi para b emza o. ho apertou a arcou um gol e o ezm 1 ' . dendo o estilingue F~ram.Aí. Zezinho! Eu r babar e morrer. O homem chegou quando o sol se despedia. Nem precisavam voar longe. Urubu tinha carniça demais para comer. . . ezm. Andavam aos trotes pelos pastos e pelas cercanias das casas. 1 ' scondido. o nome do outro. ho marcou um gol e mão dele parabemzando. u ela Se morrer tudo. Zezinho gostou porque a Maninha e os leitões iriam continuar no terreiro. _ Passa a bola. eu enterro ter o gosto de come. Zezinho estava escon Ch' uinho chegou afobadamente. Z .r . .Olivinha deu a notícia. Valtério entrou no quarto estilingue de lá. pai? . .Ih.Vendi nada. Todo mundo fala que a porcada tá toda doente. . Iam aos trotes de uma carniça para outra. Zezinho acreditava que o pai não tinha vendido os porcos. marca. quando seu pai chegar. murchavam.. no paiol :~~~ni~ha :~abou de morrer. . pegar ele já. já vai sofrer mais. O porco gordo estava deitado beirando o cocho. . Estava taciturno. . Elé e o Valtério já andavam querendo voltar às boas novamente. Pra te dar. fiquei vendo ela espernea'l t bém Urubu não vai E vou enterrar e a am . _ Vamos lá pra casa. .

Valtério? É. . os leitões pnmeIro e vam três . Pulaos urubus estava~ Ia emp t O festim era fácil. . I? Suspeitava que SIm. . do dia despertando. vam no chão e Iam banq~e ear~omerem. Zezinho? O urubu me vomitou.Mas ele não pode pegar estilingue de ninguém.Ih. Zezinho não deu importância ao falatório do irmão mais novo.Eu tou é com raiva desse bicho que tá feito macumbeiro por aí. Faz bem pra gente. Caminhou para uma árvore empretejada de urubus e atirou uma pedra no papo de um deles.Zezinho saiu apressadamente enquanto o outro ficou esperando ali na beira do córrego. Tirou a calça curta e mergulhou no poço. . depOIS e a. .. esput escoiceando. Quando o sol p~ntava o~e~r~~os nos galhos. Zezinho. Enquanto o urubu meio tontoJOdespencou do galho até uma certa altura. Falta1 terrar o terceIro eI . Vou ver ISSOnao. Foi essa urubuzada mesmo que trouxe essa Foi não. O leitão es ava mando a boca. ver! Zezinho foi.Vou contar pro papai que você arranjou um estilingue e tá andando com ele. Zezinho tomou a golfada da lavagem nos ombros. . Marimbondo te ferroou.Você tá brabo à toa.Bicho fedorento do inferno! .. . Tá aí pra limpar a carniça do terreiro. 23 O Tição tá morrendo. ba do d e en . Iam sair os dois quando o Chiquinho apareceu. Não ouviu a dona Vanda falando que essa ave é útil. .Esse estilingue é do Valtério. h ' Corre aqui! Vem Zezm o. _ Quero ver ele morrer não. seo mentiroso! Não é. A gente não agüenta esse cheiro de carniça. Zezinho. . Era carne Porcos secavam sem uru us demais. Eu que emprestei pra ele um pouquinho só. d 1t Zezinho tinha acaA noite vinha da c~r 0 't~a~'da Maninha. . Será que Iam mo:rer . credo! Zezinho tirou a camisa às pressas e jogou no córrego. . O bicho cambaleou no galho e vomitou coisas devoradas num banquete. Aquele feiticeiro! Não vem aqui perto de nós não. Chiquinho.Foi mexer com o bicho que tava quietinho na árvore. Zezinho saiu correndo para o córrego.

_ O Ezequiel tinha uma porquinha piau de estimaçao. mas de vez em quando faZIam galhofas uns dos outros. Vinha chegando a noite. _. Depois de enterrar a Toquinha. Pulou no chiqueiro e antes de tocar a leitoinha chamou alto: ' .Tão aí .. '. Caboclos pobres acendiam fogueiras e passavam a noite inteira ao redor delas.tra vez ia o menino enterrar mais uma fil~~ da Mamnha." . Os porcos se amontoavam uns sobre os outros e os mais magros e fracos até morriam macetados por baixo. Maninha! Maninha! Vem cá. Eram noites frias e tristes. Maninha. O pai andava triste. E outra vez lá estavam os urubus espiando com aqueles olhos que o menino julgava agourentos.do de mim. Não tem jeito. foi ficar debaixo da figueirinha. Soprava um ventinho frio. .fazendo macumba pra Maninha morrer.Tao. ainda ali bulindo nas tetas da mãe. raça praguejada?! Atirava mais pedras e as aves fugiam em sibilantes revoadas. . Pegou o estilingue e atirou pedras no bando.ra . E vou fincar uma cruz na cova dela Ou. O menino brincou com as papadas dela. h' eltom a da porqumha preta parecia estar morta. mas acho que vai surr. . "Vou enterrar ela. reclamando da vida. É preciso esquentar o Cascudo senão ele morre de frio. a Toquinha morreu! Não vai enterrar ela não? . Olhava para os matos amarelados e pensava: "Só falta o Cascudo agora. Zezinho afagou as orelhas dela. M·aIs uma I' . A porquinha foi roncando. abusan... · f est avam dISarçando a dor? Seo Odilo olhava para os porcos morrendo. parecendo vidrado. _ Vai fazer muito frio essa noite. safadaiada do inferno?! Euensmo voces já. A árvore ficou balançando Escondeu o estilingue novamente e foi para casa. Cascudo veio logo também. Ela amanheceu dura e ele até chorou ' ra'. . Depois dele decerto vai a Maninha. E você? Vai morrer também? Sua bestinha safadinha. Nos olhos. Reinava um céu profundo. Falei pra mamãe que ela não ia morrer.Zezinho caminhou para o chiquel'ro." . Os urubus estIcavam ~s pescoços e ficavam espiando ali perto." Viu a porquinha pastando grama ali perto. O menino tornava a esconder o estilingue e voltava para casa. Ah. Todo n:undo estava reclamando. Ela estava tesa. Maninha? Rein? O resto tudo já morreu e você não chorou. chorou sim.Vou. A revolta dele explodia contra aquelas aves. A porquinha enfiou a cabeça entre as pernas dele e parou roncando. Ele era o último da cria.Zezinho. "Será que a Pulguinha já morreu meu Deus!? Ela tá ali esticadinha que nem morta . Nas camas não havia agasalho suficiente para evitar o frio. Foi um esvoaçar assustado. Tem jeito de choro no seu rosto. né? A porquinha foi se esticando e deitou-se. Os urubus pousavam encolhidos nos galhos. _ Será que o Cascudo vai morrer logo. Você não vai morrer não. agora um tanto emagrecidas. hein? Ou chorou? Deixe eu ver. Coçava a cabeça: "Seja tudo pelo amor de Deus!" .r'a. O menino estava sentado num tronco estendido no chão. Apanhou a leitoinha e saiu pesaroso. minha nega.Pulguinha! Pulguinha! Empurrou-a com o pé direito.

A porquinha parecia estar enjoada. As vezes o ammal anOIteCIamacambúzio e amanhecia morto. Maninha. ela tá com um jeito sadio.. Queria chorar. aquele jeito triste de quem está ficando doente. Queria fugir e ficar sozinho. Hora daquela do amanhecer a porquinhà não queria saber de tais brincadeiras. Queria saber somente do milho. _ Come. lameando nos barreirose dormindo noS chiqueiros desolados. Um medo no seu sentimento dizia que a porquinha . Vai amanhecer morta não. . no dia seguinte já podia ter certeza que ela amanhecerIa morta.e lá se já não tava morto quando o bando deItou em CIma dele? . Só restava um consolo: . Maninha!? Você tá doente. chafur.. Pulava da cama e saía afoitamente para ir ver a porquinha. . MUltos porcos já tinham morrido.Vou enterrar ele assim mesmo. _ Sabe de uma coisa. Acho q~e morreu macetado pelo bando que dormiu em CIma dele. Ag?ra da família só faltava ela. Zezinho suspeitava que aquela era a última noite da Maninha.Sab. Noutro entardecer a porquinha preta estava com um jeito triste. . Parecia uma plaqumha de porco no chão. Vinha outro escurecer. Vai morrer . A peste estava por. A peste podia ter dado uma violenta cutelada e matado a Maninha. Apanhou uma espIga de milho e foi tratar dela. "Tá boa mesmo. Os chiqueiros estavam tnstes. Chiquinho. A peste não tem força pra te matar. Tá com jeito de peste não. .. Vou' enterrar ela ~ fI?Car uma cruz na cova dela." Passava mais um dia e a porquinha continuava passeando no meio dos companheiros mortos. Zezinho jogava milho para a porquinha preta e ficava observando o jeito dela comer. "Mas ela vai morrer aqui em casa sendo minha ~mguém conseguiu comprar ela. Deixou a Maninha no chiqueiro e foi para dentro.. Maninha. O menino ficou triste igual a noite com aquele ventinho frio soprando.dando suas tetas. alI feIto um monstro invisível matando os porcos. "Ela tá perrengando!" Ficou boquiaberto! Os olhos arregalados! _ Maninha. _ Bom dia.. E se não comer.escutou? Zezinho estava penando. _ Come mais senão você vai morrer." . A porquinha comeu um pouco do milho e se mostrou enjoada. O Cascudo morreu. . Mas pode ser que ela não vai morrer Deus ajuda. "Ah... A porquinha não deu sinal de muita alegria ." Mas assim mesmo ficava apreensivo no decorrer da noite. Vai ser ali na beira do corrego. vai morrer nessa noite. come. Maninha não tinha mais filho roncando ao redor d~la. Cascudo amanheceu macetado. Ela estava roncando bem vivinha. Pelo anoitecer Zezinho ia examinar a Maninha. Falei que ele ia morrer logo e você disse que não. Zezm~o pressentia que a hora da sua porquiriha preta de estIma estava chegando. viu. Garanto que ela não vai te matar. Zezinho estremeceu. O menino engoliu saliva amargosa. soprando . A peste estava invadindo o organismo dela. Todo macetadmho daquele jeito. A peste ~ntrava no or~anismo ?e ~m porco e o matava logo. Se ela mostrasse. Maninha. Ia anoitecendo.Mas eu 'acho que não foi de peste não. O último filho da Maninha acabava de ir para a cova.

inclusive um gordo. Pode ser até pro outro lado do rio. Também ninguem quena comprar porco ~or ali. danadinha! ° ° 24 mais porcos foMANINHA foi ficando. . estava de pé. Zezinho se pôs a tratar da Manin~a com de~Icação exclusiva. Você vai? Zezinho jurava que ia dar um sumiço na porquinha. Os urubus arrepiados. Houve casa nem um para continuar a raça. Talvez fosse pior. Percebeu que na vida tudo tem seu tempo de duração. Tinha valIdo a pena lutar e esperar que a porquinh~ ão morresse atacada pela peste.m dISSO.Você tá aí de pé e forte. Ela devia estar esticada. Caminhou com um receio tremendo. do sopro deixa estragos e mais estragos.° . Eu não falei pra senhora que ela não ia morrer?! Aconteceu. E a Maninha não morreu. A peste passou feito um vendaval que ?epois. Ia morrer mesmo . Talvez matasse a porquinha mais depressa. A Maninha e mais quatro porcos. Tudo faz parte da ilusão de uma época. impiedosos. menino achou que não devia falar sobre aquilo com ninguém. Mais porcos morreram. A porquinha respondeu com aqueles roncos conhecidos. único ponto de consolo era saber que a porquinha estava morrendo ali sob os cuidados dele e sendo ele ainda o dono dela. a peste estava ali para matar o seu animal de estimação. mãe. Depois todo mundo perde tudo o que tem. . dura de frio. Tinha lutado tanto para conservá-Ia no terreiro e após tanta luta. Ele estava bastante feliz. Maninha engordou um pouquinh~. HaVIa mUltas caveiras de porcos por todos os lados. Um céu empedrado de estrelas. Odilo falou alto: _ Vendo milho e compro mais porco. PaI .. Mas não. Mat~r a Maninha depois que ele tinha lutado tant~ e ela t~nha sobrevivido ao cutelo da peste?! Isso era mconcebIvel. Afastou-se de perto do pai e foi conversar com a porquinha preta. o papai falou que vai te matar pra comer a tua carne. E alé. . pode mesmo. paI nao falava em o vendê-Ia. '?I Mas o senhor tem coragem de matar eIa. menino estremeceu mais' uma vez. É.Acho que a peste já passou e foi embora dona Leonor falou. Estav~ sendo muito bem tratada.Olivinha ainda puxou assunto com o pai sobre a Mamnha: . Porcos eonde não sobrou ram morrendo. Naquele entardecer a . Foi uma noite de ventos frios.preta iria morrer naquela noite. .. Zezinho pulou cedo e foi ver a Maninha. Deitou e ficou pensando na porquinha. pois agora o pai nem andava mais 'ligando para a Maninha. Pela madrugada aconteceu o esfarinhamento da geada. Eu vou te levar pra bem longe. r: . Foi aí que o Zezmho OuVIUuma frase violenta do pai: _ Vou matar essa porquinha pra tirar um pouco de gordura e carne. Estavam esperando que o tempo se fin~asse a fIm de se convencerem que a peste tinha mesmo Ido embora de uma vez. _ Maninha.Maninha! A voz dele saiu numa tremura de emoção. Havia muito milho no paIOl e man~lOca no quintal. No terreiro do seo üdilo ficaram cinco. _ Agora ela pode criar e encher o terreiro.. A gente tem é que vacinar. As aves encolhidas.

Olivinha. "Vou pegar a estrada velha . ~~~~:n~~~[S:Í:~.Mas eu acho que ele na-o vaI' comer a carne F deIa nao. Levava também o estilingue que tinha ganhado do Valtério e um embornalzinho com pedras. . era quan o o paI Ia matar a . menino amarrou a cordinha na perna direita dela e tocou-a. Estav~ .Z~~h~d~uv~u ~quela dconvers. . Talvez pedisse ao Barba~Preta que pusesse a porquinha na canoa e a soltasse do 'outro . Bom mesmo era se d colocar a Maninha dent!'ouee~se p. Mas atravessar como? Se pedisse a d ra mas.~esca or Barbad~s coisas direitinho ~a~sre~er~~~eq~~r~a_ ~ qUfer~rsaber VIÇO Ah . Não jogava milho para a porquinha. Sobra mais carne' dana~.Fica mais fácil pra gente matar Ela deita e a gente enfia a faca no coração dela. e e raça b oa.' . A gente coça ela e 25 Z EZINHO ficou de prontidão.ir~hachata. Porco já Essa Maninha na-o~ d' aO tem pengo de morrer. Ia Dois d. Zezinho comeu biscoito e não saiu com os irmãos. Apanhou uma cordinha. .E o senhor não tem dó? . Alcançou a estrada. ~. .Não tenho dó de porco T porcadinha piau que é . _ Vou te levar pra longe.. Cada vez mais ele se envolvia naquele caso e ficava cada vez mais impressionado. pai tinha inventado que não gostava de porco preto e que o bicho trazia praga somente para matar·a Maninha. alou que não vai não. Por isso é que e vou matar a Maninha segunda ou terça que vem. precIsava enganar o Barba-Preta.. ' e e. Deixou a porquinha e entrou no mato. Vou te levar até lá no fio e depois você nada pro outro lado. Maninha. ou comprando uma vacinado contra a este u~~ raça col~sso.O~~~t:h= ~Oda~~:mj~~~:~ i~e. __ Então não come. Vai amolar os porcos. raz praga. Ainda tinha que lutar para salvar a vida da porquinha preta. mnh a e dOIZezinho é que não vai gostar '. Não podia ser visto. Havia duas estradas para o rio. Do Zezinho é o pedaço que ele comer.:~<t. A porquinha estava deitada e deitada ficou. papai vai matar a Maninha segunda-feira. Viu um cavaleiro. ° _° -=- A - ~:~v~~~~:o ~e:~~n::s::'. . um embornal onde pôs quatro espigas de milho e foí para o fundo do quintal. A velha. No domingo o pai foi cedo para a cidade. ao ana o ser. Zezinho! Você não vai mesmo comer carne dela? _ Vou não. É de quem comer a carne dela.É melhor pra voce entao.ega[ a canoinha dele. -Preta que o atraves o . . pois parecia que ninguém tinha visto a sua fuga. abandonada. e ogIando muito aquela raça. e a nova.Ee:~E:~~d:~anl~~~e ~:e~~~~.as depois o pai chegou com' oito porcos I i P us. Zezinho.Por que não? da dcita~la é mansinha demais. A Ma.. _ Eu também acho que não vou comer não. . u 116 aI a era atravessar o rio e ir pa G' . Só sabia que queria chegar ao rio e fazer a porquinha nadar para o outro lado. ° . . por onde as pessoas passavam. Tocou o animal por um trilho. paI'. Ia descalço. " Estava com sorte.A Maninha é de todo mundo.Não gosto de porco t Falam que o bicho t pre o no meu terreiro.

mas o papai não vai te matar.lado. Talvez ele até estivesse nela. O rancho estava solitário. Maninha estralejava grãos "Vou pôr a Maninha na canoa e leva~ ela p~o. A canoinha dele é maneitinha. Remar ele sabia. Um peixe deu uma lambada na flor das águas. . . .Entra. O rio parecia grande demais.o lado. Ninguém respondeu. vazio. A canoinha estava escondida onde ele sabia. ficou com medo. viajado na canoinha. o papai vai te matar. mas a canoa foi rodando e ele remando. Tinha ido algumas vezes ali. Empurrou a embarcação leve c a canoa se pôs ao largo e começou a rodar. Já sei remar. A porquinha pulou dentro da canoa para comer o milho. Enfiou o remo no volume das águas e foi se distanciando do barranco." Foi uma inspiração forte. A canoinha dele e manemnha . Até julgava que sabia remar muito bem. Se ficar desse lado. () rio não era corrente naquele trecho. Amarrou a porquinha ali perto do rancho e foi ver se a canoinha do homem estava por ali. "Vou pôr a Maninha na canoa e levar ela pro outro lado. Quando percebeu direito o que estava fazendo. Você não vai ser minha mais. Maninha. Jogou milho dentro dela e chamou a porquinha. Uma inspiração de homem que ele sentiu. Sabia também onde o pescador escondia o remo. Chegou ao rancho do pescador sem encontrar com ninguém pelo caminho.ou~. Será que não era uma sucuri tentando jogar uma laçada nele? Agora o jeito era enfrentar a travessura maior.Seo Barba-Preta. Buscou o animal para perto da canoa. Se o pescador estivesse no rancho. Já sei remar. Vou te levar e deixar do outro lado. O menino estava tão inspirado que nem olhou para o rio direito. tinha certeza que ia conseguir isso.

.Dadonde você é. E o pai? E o seu pessoal? Maninha parecia satisfeita.. menino? . A porquinha ali perto. O barranco era alto e havia matos.Vamos comer goiaba e jenipapo. Sentiu um pouco de fome apesar de ter comido muita fruta. Parece que agora queria encontrar uma casa.. Seu paI anda . A roupa secou logo. Maninha? Apanhou frutas em abundância beirando o rio. Com muito custo chegou do outro lado. Zezinho sentiu medo da travessura que estava realizando. Tinha tomado um banho mas estava tudo bem para ela. Depois foi tentar ver a canoa do Barba-Preta. VIU uma aguada de bois. .. A canoinha deslizou para baixo. saltar. pulou no rio e nadou para o barranco.Pára aí. Não sobrava mais milho para a porquinha. menino branco?! No rio . Tocou a porquinha por um trilho de gado. A porquinha ameaçou pular no rio. assustando até uns bois ali perto. Nem sabia onde ia sair. Zezinho viu jeito de bondade no rosto daquela mulher. comeu e deu à porquinha. Havia matos e mais matos.{) nos dentes. Se ao menos pudesse voltar agora e fazer de conta que nem sabia da Maninha. A embarcação do pescador Barba-Preta certamente iria embora . A preta arregalou uns olhos esquisitos para ele. A canoa . Nem sinal. Zezinho grudou num galho tentando parar a embarcação. .parou a mão de pilão. Maninha! A canoa ia se distanciando do barranco. Não conseguiu.Um menino!? 0.. . Aproximou-se. Maninha.Tenho que pegar a canoa. A porquinha deitou e viajou deitada. o menino arregalou os olhos. pois aquela era a sua maior travessura. Mora aonde. Entretanto não queria deixar a porquinha sozinha naquele mundo. O sol quente ia secando a roupa dele no corpo. A canoa foi rodando e o menino procurando ~m jeito de encostá-Ia num lugar onde pudesse .odando muito. Pisou de lado. Mas a tarefa estava quase cumprida. agora. . Tinha certeza que ia tomar a maior surra da vida. 'E. A inspiração o levava em retirada e ele nem sabia para onde. "É ali!" Tentou encostar a canoinha. Vou te dar mais milho. Maninha! Fica quieta senão você tomba a canoa. Ficaram olhando para o estranho com curiosidade. Quando estava no meio do rio Ju menos. .Vou te levar por aí. Descansou perto de uns bois. Havia um menino do tamanho dele. Então é gente de peixe. Foi puxando-se pelos galhos e molhadinho alcançou o barranco com um medo danado de sucuri e jacaré. Maninha escorregou. Pelo entardecer ele viu um rancho de capim soltando fumaça. Zezinho? O menino ficou meio desesperado...Do rio!? Três negrinhos surgiram dos arredores com o cabelinho meio marrom. A porca se entretinha com o milho e ele continuava remando. Maninha já esperava por ele. rodando sem parar. Mas não havia jeito de encostar a canoa. Zezinho ficou pendurado com os embornais. Tinha saído uns cinco quilômetros para baixo de onde sempre saíam. A canoa se enroscou nuns galhos um pouco para baixo da aguada. E nem sabia se ia voltar também. Viu uma preta socando arroz num pilão.

. A preta chamou o Zezinho e deu-lhe um pedaço de rapadura bem preta com requeijão amarelado. O João foi caçar e vai trazer passarinho.. Fazendo o que pr'essas bandas? Andando com fome. Tá com medo de alguma coisa.Quero ficar aqui. Será que o menino vai gostar da sua janta. Você não quer falar. .Longe.Vai querer morar aqui? Zezinho olhou para o homem. Coisa esquisita. Foi anoitecendo. Não conta nada .O menino mora aonde? .. .. O senhor deixa? . Até chegar gente do seu povo. meAndo com ela . Vai pra onde? . De vez em quando a mulher olhava para ele com os olhos estatalados. Zezinho foi dormir sobre um couro de cabrito. Fome acha bom o que tem. .Menino branco ficar aqui? -É. Daqui mais um pouco. Zezinho teve permissão para pôr a porquinha num chiqueiro velho que havia. Agora o menino estava danado de fome... . Fica . Eu ando é com fome. A preta fritou carne de aves do mato..Mas é esquisito. aonde? Bem longe mesmo. Aqui onça pega porco. Um menino do seu tàmanho sozinho por aqui. Os negrinhos foram se aproximando dele como se ele fosse um bicho raro... E o seu pai? Anda muito longe.. Ali naquele pedaço de cafundó era triste.. A negra falou sobre o menino e o' homem olhou para ele com desconfiança.Sei não senhor. Posso pôr ela no chiqueiro? Porquinha sua?! Onde arranjou porco. Os pretinhos soltaram umas gargalhadas..Bem longe . _ Te conheço não. O sol estava entrando quando o homem chegou com dois jaós e um mutum.. Carrego uma porquinha comigo. Onça pegava porco.. Ali estava a Maninha.Saí. Aqui perto não tem casa. E o seu pai? Sua mãe? Tudo mora longe . Ia entardecendo. Ele inspirava um pouco de medo. Isso não tá me cheirando coisa direita. Vai entender com o João. .Saiu do rio com a porca? . ..Longe . Ficou por ali. Quase não existia porco por ali. Quer comer aqui em casa? Quero. O menino tacou uma pergunta: . Veio aqui em casa mode comer? -É. Menino esquisito.. Eu queria ficar aqui . Felizmente o frio já não bafejava mais por ali. Você entende com o João quando ele chegar.. Sozinho? É. Aqueles pretos tinham umas cabecinhas que pernoitavam no chiqueiro. .

Zezinho devia ter caído no rio e morrido. Todo o pessoal da fazenda foi ajudar a procurar o Zezinho. Nem num barranco e nem no outro.. beirando o caminho. Quando o dia foi clareando.. Todo mundo procurando. Zezinho estremeceu quando viu o pai. "O Zezinho fugiu de casa com a Maninha. As meninas também. todo dolorido por dentro." O pai esbravejou seu poder: . É porque você falou que ia matar a porquinha dele. Barba-Preta?! Vi não.. A mãe chorou alto a princípio e depois ficou chorando baixinho. . A noite se encorpou de estrelas e nada. .Vi um menino tocando urna porquinha preta para o lado do rio. Barba-Preta não estava no rancho.Vou conversar com o Barba-Preta .o Zezinho morreu afogado no rio! Coitadi- Q nho dele! _ Acho que não.Será que ele não pegou sua canoinha e foi embora nela não? .Eu vou achar ele com urna correia.Os meninos já procuraram por aí em tudo quanto é casa e ninguém deu notícia. seo Odilo. Ontem não fiquei aqui. Mas o pai estava diferente. Ninguém sabia do menino.O menino saiu de casa com urna porquinha e parece que veio pra cá. . Leonor! Não fala isso não. A canoinha do Barba-Preta não estava por ali.Aquele menino é . Alguém deu notícia: . Barba-Preta levantou do seu pouso e foi caminhando para o rancho. O menino só foi descoberto peloentardecer. Os meninos dormiram. . O pai ficou perturbado. Arranjaram outra canoa e foram investigar. Leonor .o pai falou. Odilo! É. O menino só podia ter rodado com canoa e tudo e hora dessa já estava morto. O pai estava arrependido de ter planejado matar a porquinha preta do menino. Deve ter ido esconder ela bem longe. Tinha bebido muito e estava dormindo no mato. Deu de cara com o pai desolado. mulher! Foi urna noite de inquietações. . é coisa perigosa. .E ele tinha coragem pra isso? . A escuridão declarou perigo. Tou chegando agora. seo Odilo? O senhor tá esquisito! . O pai estava deveras preocupado. meu Deus do céu! . A gente acha . o alarma já tinha estourado.parece que até havia jeito de choro na voz do pai. . eu não devia ter falado.. Nalgum vizinho.A gente vai ver. _ Você não viu o Zezinho meu menino. Foram investigar.A gente acha ele. Foi anoitecendo e nada do Zezinho. mas os pais não dormiram nada. Deve tar por aí.Se foi. Foi o quê. A mãe começou a chorar. . O menino devia estar perdido nos matos e o pai ficou preocupado. Estava muito escuro e somente grilos e aves noctâmbulas davam sinais de vida beirando o rio. Tem rasto de porco aqui. Agora a apreensão tomava conta dele.26 UANDO o seo Odilo chegou da cidade. . na casa dos pretos. O pai estava com uma voz medrosa. _ Minha canoinha foi levada do lugar dela.. Parece até que entrou no rio e foi embora.Pego ele e dou uma surra pra ele não esquecer mais nunca.

Cadê a Maninha. Quinze quilômetros mais abaixo a canoinha do Barba-Preta tinha sido pega por uns pescadores. O papai não vai matar ela não. não foi nela que a porquinha preta atravessou o rio de volta. Mas. comia milho no chiqueiro dela e o menino sentia que a vida tinha um outro efeito. marejando pranto. Ela vai ficar no terreiro pra dar cria. A mãe viu o Zezinho de volta com a porquinha preta: Abraçou e beijou o filho num choro darido.de sair O pranto. A gente vai levar ela pr~ casa. meu filho?! Tá ali no chiqueiro. da cor da noite. Foi numa canoa maior. Será que ele já estava se tornando homem ou simplesmente a grande travessura tinha sido um triunfo nas suas lutas? o meninp viu o pai com os olhos. . Maninha. Sentiu um abraço diferente daquele homem. Zezinho. meu filho! Que isso!? Ficou doido de casa assim?! menino viu o pai com os olhos marejando Sentiu um abraço diferente daquele homem.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful