A Mulher Nua Desmond Morris

Índice AGRADECIMENTOS CONTRA-CAPA ORELHA INTRODUÇÃO 1. A EVOLUÇÃO 2. CABELOS 3. TESTA 4. ORELHA S 5. OLHOS 6. NARIZ 7. BOCHECHAS 8. LÁBIOS 9. BOCA 10. PESCOÇO 11. OMBROS 12. BRAÇOS 1 3. MÃOS 14. SEIOS 15. CINTURA 16. QUADRIS 17. BARRIGA 18. COSTAS 19. PÊLOS PÚBICOS 20. GENITAIS 21. NÁDEGAS 22. PERNAS 23. PÉS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 3 4 5 6 10 14 34 49 61 80 92 100 117 126 135 143 154 171 192 202 207 217 226 238 257 273 288 298

Agradecimentos Quero expressar meu especial agradecimento à minha mulher, Ramona, por seu incansáve l encorajamento e suas críticas construtivas; a meu colega Clive Bromhall, por mui tas e valiosas discussões; à Random House e a Marcella Edwards, Caroline Michael, Da n Franklin e Ellah Allfrey por sua competência editorial; a Nadine Bazar, por sua cuidadosa pesquisa iconográfica; e a Davi d Fordham, pelo projeto para o caderno d e fotos.

Contra-capa Há 5 mil anos, senhoras da elite do antigo Egito faziam questão de raspar a cabeça par a ostentar perucas com cabelos femininos de povos subjugados. Na região hoje conhe cida como Alemanha, durante as tempestades, mulheres exibiam as nádegas nuas à porta de casa. para afastar desgraças: exclusivos da raça humana, os hemisférios glúteos seri am uma visão capaz de repelir os demônios, desprovidos desse detalhe anatômico. Já na In glaterra vitoriana, a barriga tinha conotação sexual tão forte que seu nome nem sequer podia ser pronunciado, dai a criação do eufemismo dor de estômago". O escritor e zoólog o inglês Desmond Morris — autor do bestseller mundial O macaco nu - reúne essas e muit as outras observações curiosas em A mulher nua. Neste revelador estudo sobre o corpo feminino, o autor descreve, dos cabelos aos pés, cada parte da anatomia, suas funções e sua evolução, explicando como certas características foram valorizadas ou desprezad as, conforme os costumes de cada época. Trafegando na fronteira da zoologia com a história e a sociologia, Morris desnuda, enfim, os processos que levaram a mulher a se transformar naquilo que ele define como "o mais extraordinário organismo exis tente no planeta".

Orelha Toda mulher tem um corpo belo. Brilhante fruto de milhões de anos de evolução, de surp reendentes ajustes e refinamentos sutis, ele é o organismo mais extraordinário exist ente sobre o planeta. Em diferentes épocas e lugares, as sociedades humanas tentar am melhorar a natureza, modificando e embelezando o corpo feminino de muitas man eiras. Neste novo estudo, Desmond Morris dirige seu talento e sua atenção para a for ma feminina e conduz o leitor numa excursão "da cabeça aos pés". Esclarecendo as funções e volutivas das características biológicas da mulher, Morris explora os avanços e limitações criados pelas sociedades humanas no intuito de atingir o controle e a perfeição do corpo feminino. Escrito a partir da perspectiva de um zoólogo e apoiado na inigualáv el experiência de Desmond Morris como observador do animal humano, A mulher nua ap resenta fatos científicos, histórias interessantes e conclusões instigantes que provoc am reflexão.

Introdução Este livro conduz o leitor numa viagem pelo corpo feminino, explicando muitos de seus aspectos pouco conhecidos. Não se trata de um texto médico, nem de uma análise p sicológica, mas de uma abordagem zoológica, que celebra a mulher na forma como ela e xistia no mundo real, em seu ambiente natural. Muito mais do que o macho, a fêmea humana passou por mudanças drásticas no curso de sua evolução. Perdeu muitas dos atribut os femininos de outros primatas e, na forma da mulher moderna, tornou-se um ser ún ico de uma espécie extraordinária. Toda mulher tem um corpo belo — belo porque é o brilh ante coroamento de milhões de anos de evolução, fruto de surpreendentes ajustes e suti s refinamentos que o tornam o mais extraordinário organismo existente no planeta. Apesar disso, em diferentes épocas c lugares, as sociedades humanas tentaram melho rara natureza, modificando ou embelezando o corpo feminino de muitas maneiras- A lgumas dessas elaborações culturais foram agradáveis, outras foram dolorosas, mas toda s buscaram tornar a fêmea humana ainda mais bonita do que já era. O conceito de bele za tem variado muito, e cada sociedade humana desenvolveu idéias próprias sobre o qu e considera atraente. Algumas culturas apreciam figuras esguias, outras preferem as formas mais arredondadas; algumas gostam de seios pequenos, outras os apreci am vastos; algumas apreciam cabeças raspadas, outras valorizam longas e luxuriante s cabeleiras. Mesmo na cultura ocidental, o instável mundo da moda continua criand o novas prioridades. Por isso, à medida que viaja da cabeça aos pés da mulher, este li vro explica os interessantes atributos

as fêmeas ocupavam o centro da vid a social. o movimento feminista simplesmente não existiu. este livro reflete o fascínio que me mot ivou durante toda a vida pela evolução e pela condição da fêmea humana. isso me levou a criar uma série para a televisão americana chamada The Human Sexes. mas também discute as muitas maneira s pelas quais esses atributos foram exagerados ou suprimidos. Para elas. Nosso sucesso como espécie se deveu à divisão do trabalho entre machos e fêmeas. caçando. criando os filhos e organizando a t ribo. Há alguns anos. mais aborrecido e furios o ficava com a maneira como as mulheres eram tratadas em muitos países. com os machos longe. em outras partes do mu ndo milhões de mulheres ainda são consideradas "propriedade" do homem e membros infe riores da sociedade. is so significava que. essa tendência à dominação masculina não te oerência com o modo como o como sapiens se desenvolveu ao longo de milhões de anos. em que os machos se especializaram na função de caçadores. na q ual analisei detalhadamente a natureza do relacionamento entre machos e fêmeas da espécie humana ao redor do mundo. Como viviam em pequenas tribos. Enquanto os homens se concentravam em sua tarefa crucial. as mulheres apre nderam a lidar com vários problemas ao mesmo tempo. coletando e preparando o alimento.) Nunca houve a pretensão de um sexo . Apesar dos avanços conquistados pelo movimento feminista no Ocidente. No aspecto pessoal. Dessa forma. Quanto mais eu viajava. Pa ra mim.biológicos que todas as fêmeas humanas partilham. (Essa diferença de personalidade ainda persiste. tenta oferecer um quadro completo do mais fascinante tema do mundo: a mulher nua. um zoólogo que estudou a evolução humana. aumentados ou redu zidos.

na verdade. Parte do texto original de Bodywatching foi aproveitada. levando 0 leitor por uma viagem de i nspeção anatômica da cabeça aos pés. a grande deidade era sempre uma mulher. Depois da serie The Humam Sexes. elas conseguiram. quando a urbanização se espalhou . Pode-se imaginar que essas mulheres estivessem e xigindo um novo respeito social e novos direitos. mais tarde. mas. a religião desempenhou um papel fundamental nesse processo. vilas e cidades foram construídas e os habitantes das tribos se tornaram cidadãos. Na maior parte do Ocidente. em vez de seguir o origina! e tratar de ambos os sexos. dedicaria o novo livr o exclusivamente ao corpo feminino. simplesmente estavam buscando recuperar seu primitivo papel. por ocasião de uma nova edição de meu livro Bodywatching. ou. Em tempos an tigos. mas em outras regiões do planeta a subordinação feminina ainda é uma reali dade. Um confiava totalmente no outro para a sobrevivência. Ao longo das eras. Eles eram diferentes. examinei cada parte do corp o humano. Foi essa origem que as sufragistas e. com um Deus vingativo dando-lhes apoio. . essa questão passou a me preocupar cada vez mais. Mas. a Grande Deusa passou por uma desastrosa mudança de sexo e se transformou num au toritário Deus Pai. Ocupando o centro das sociedades humanas. de 1985.dominar o outro. para ser mais exato. e. mas iguais. Mantive esse esquema neste livro. hom ens rudes passaram a garantir sua segurança e sua condição social superior às custas das mulheres. dos cabelos aos pés. as feministas quiseram recuperar. Em Bodywatching. Havia um eq uilíbrio primevo entre homens e mulheres. Esse e quilíbrio se perdeu quando a população humana cresceu. que foram empurradas para uma condição social inferior que nada tinha a v er com sua herança evolutiva. decidi qu e.

aos 18 anos. A mulher nua acabou se revelando uma obra inteiramente nova. Embora tenha partido de um livro anterior. Foi uma absorvente viagem de descobrimento. . Apresento em cada capítulo o aspecto biológ ico de uma determinada parte do corpo feminino e então passo a examinar as várias ma neiras como diferentes sociedades modificaram esses atributos biológicos.mas muito pouco. e quem me dera que. eu soubesse tudo o que sei agora — depois de escrever este livro — sobre a complexidade do corp o feminino.

Naturalmente. mas . Home ns e mulheres não seguiram essa tendência evolutiva da mesma maneira. os homens dão nomes diferentes a essa brincadeira: chama m-na de arte ou pesquisa. Ambos percorre ram esse longo caminho em direção ao "adulto infantil". mesmo na mais alta densidade populacional. esporte ou filosofia. o ser humano é um macaco sem cauda com um cérebro enorme. aguardando a chegada das correntes que irão aprisioná-los. Além dessa capacidade. existe ainda uma curiosidade insaciável que os faz buscar sempre novos desafios.1. Outros animais brincam quando são jovens. quando se tornam adultos. Enquanto outros macacos se esconde m em seus últimos refúgios. onde. mas perdem essa qualidade quando amadurecem. ris co. todas essas atividades envolvem inovação. viagem ou divert imento. A Evolução Para o zoólogo. Como as brincadeiras infantis. E são elas que nos tornam verdadeiramente humanos. espalhando-se tanto e com tal veloc idade a ponto de mudar drasticamente a paisagem como uma praga de gafanhotos gig antes. música ou poesia. são capazes de se adapta r às tensões da vida e continuar procriando sob condições que qualquer outro macaco acha ria insuportáveis. que permite aos humanos manter caracteres juvenis na vida adulta. 6 bilhões de humanos ocupam quase todo o globo. Essa combinação mágica de sociabilidade e curiosi dade foi possível graças a um processo evolucionário chamado neotenia. O que mais s urpreende nele é seu incrível sucesso como espécie. exploração e criatividade. O homem continua brincan do e se divertindo por toda a vida — é um Peter Pan que nunca cresce. O segredo desse sucesso é sua capacidade de viver em agrupamentos cada vez maiores.

ao passo que os machos eram menos necessários. É importante lembrar que. mas mental. com responsabi lidade sobre quase tudo exceto a caça. a audição. em tempos primiti vos. . No curso da evolução. os homens têm quinze vezes mais chances de sofre r um acidente que as mulheres. sua saúde é de vital im ortância. E ficaram mais resistentes às doenças — como mães.avançaram num ritmo um tanto diferente e com diferentes características. Eis alguns exemplos. Embora freqüentemente crie prob lemas para os homens. A disposição para o risco não é apenas física. No papel de centro da sociedade tribal. se algumas mulheres morressem. As mulhere s precisavam ter cuidado. Existem mais homens inventores do que mulheres. elas se especializaram em fazer várias coisas ao mesmo tempo. em sua anatomia. Isso ocorre porque eles conservam mais que as mul heres 0 elemento de risco da brincadeira infantil. os machos eram obrigados a correr riscos. para ter sucesso na caça. quando . A inovação sempre envolve risco: o de experiment ar algo desconhecido em vez de se apegar a tradições testadas e confiáveis. a taxa de na talidade ficaria imediatamente ameaçada. e por isso se especializaram em ati vidades arriscadas. isso não reduziria a capacidade de procriação das pequenas tribos. havia tão poucos seres humanos no planeta que a taxa de natalidade era extrem amente importante. to rnaram-se ótimas na comunicação verbal e desenvolveram mais o olfato. Mas. as mulheres. Além disso. as mulheres primitivas eram valiosas demais para serem expostas ao risco da caçada. Aos 30 anos. o tato e a visão das cores. Os homens são ligeiramente mais infantis em seu comportamento. esse era um atributo valioso nos tempos primitivos. Se alguns deles morressem em ação. as mulheres não podiam cometer erros graves.

O homem adulto foi programado pela evolução para pro teger seus filhos. enquan to a voz aguda da mulher opera a 230-255 vibrações por segundo. a prole tinha que ser protegida durante seu lent o crescimento. Enquanto o ho mem adulto de- .145 vibrações por segundo. a mulher manteve uma voz semelhante à das crianças. e com ela vieram muito s outros úteis atributos juvenis. Devido à sua importância para a reprodução. os homens precisavam ser mais fortes e mais atlét icos para a caça. Es sas diferenças se adaptam ao seu papel na sociedade. o corpo arredondado da mulher contém e m média 25% de gordura. A voz grave masculina opera a 130 . 10% mais pesado e 7% mais alto que o da mulher. O resultado foi que a voz da mulher permaneceu num tom mais agudo q ue a do homem. a história foi bem diferente. e a com binação resultou cm sucesso. Em outras palavras. mais perversos. Por causa da d ivisão de trabalho durante a evolução. Para vingar. O corpo masculino contém em média 28 quilos de músculos. mais proteção ela conseguia receber d e seu macho. e para isso precisava da atenção de ambos os pais. As mulheres tornaram-se mais sensíveis e carinhosas.Tudo isso se deve a uma diferença entre o cérebro da mulher e o do homem: eles conse rvam mais aspectos "infantis" que elas.5%. às vezes. enquanto o masculino tem apenas 12. A mulher também conservou caracterís ticas faciais juvenis e cabelos de aspecto evidentemente infantil. Por isso. O corpo do homem é 30% mais forte. enquanto o fe minino tem 15 quilos. Essa grande retenção de gordura na fêmea era uma característica fortemente infantil. Eles se complementam. Os homens tornaram-se mais imaginativos e. o corpo feminino tinh a que ser mais protegido da fome. Fisicamente. Quanto mais características de bebê apresentasse. A reação paterna ao co rpinho gordinho de seus bebês era tão forte que podia ser explorada pela fêmea adulta.

As d iferenças entre homens e mulheres são verdadeiras e muito interessantes.senvolveu uma fronte. Entender isso nos ajudará a esclarecer muitos atributos da anato mia feminina que vamos encontrar nesta viagem da cabeça aos pés. É importante ressaltar o grau de diferenciação entre homens e mulheres. que o corpo feminino é mais avançado — ou seja. Portanto. um queixo e um nariz mais marcantes. além de bigode. o homem se comportava de uma maneira cada vez mai s infantil e mostrava menos mudanças físicas. mais neotênico — que o masculino em muitos aspectos. à medida que o homem e a mulher percorriam seu trajeto evolutivo em direção a uma neotenia cada vez maior. enquanto a mulher desenvolvia mais atr ibutos físicos e menos qualidades mentais infantis. Tenho me dedicado a listar as várias diferenças entre os sexos. a mulher conservou sua face lisa e delicada de bebê. Não explica tudo. mas muito l eves. barba e pêlos no peito. tornaram o corpo da mulher um organismo altamente evoluído e maravilhosamente refinado. Como veremos. em especial nas características sexuais e reprodutivas. por que muitos desenvolvimentos evolutivos especializados ocorridos na anatomia femi nina. . mas é fundamental lembrar que tanto homens quanto mulheres são cem v ezes mais neotênicos em todos os aspectos que machos e fêmeas de outras espécies. Vou tratar delas neste livro apenas porque é importante deixar claro desde o início. para resumir.

Como nossos ancestrais remotos lidavam com esses extravagantes penteado s antes de inventarem as facas. e sua pele é funcionalmente nua. Se alguma delas fizesse isso. quando seres pré-históricos são descritos nos livros. e não a prostituição. essa exagerada cobertura capilar seria um estorvo enorme. se tivesse pele escura. é possível ve r minúsculos pêlos cobrindo-lhe toda a pele. É verdade que. pentes e outros utensílios é uma questão que nunca é discutida pelos antropólogos. exibe uma distribuição capilar muito semelhante à de um adul to humano. Cabelos Hoje não existe praticamente nenhuma mulher que deixe os cabelos crescerem como a natureza queria. sob uma lente de aumento. A menos qu e o cabeleireiro. seja a profissão mais antiga do mundo. com uma imensa floresta cobrindo-lhe a cabeça. Isso torna seus cabelos longos ainda mais extraordinários. Não é muito difícil traçar a origem desse padrão capilar. Qual foi a vantagem evolutiva desse desenvolvimento excessivo? Ainda mais estranho é que. há algo de errado nisso. mulheres que parecem ter feito uma misteriosa visita ao cabeleireiro antes de posar. e m sua imaginativa reconstrução.2. Mui tas vezes. talvez porque não tenham resposta para ela. assim como u ma cauda de pavão. tesouras. a fêmea humana quase não tem pêlos. O fato de que nos . e o erro esconde um dos maiores mistérios da anatomia feminina: por que a fêmea humana desenvolveu essas madeixas ridiculamente longas? No antigo mund o tribal. pelas axilas e pelos genitais . Seus cabelos são sempre curtos demais. mas à distância eles são invisíveis. exceto pelo topo da cabeça. as ilustrações mostram. acabaria com uma cabeleira na alt ura dos joelhos ou. Quando um feto de chimpanzé tem cerc a de 26 semanas de idade.

se nossos ancestrais evoluíram num tórrido clima africano. Entretanto. era pouco pro vável que permitisse que os filhos a acompanhassem.humanos. a idéia de manter a cabeleira. M esmo ao mais peludo dos homens. como pr oteção tem algum mérito. Portanto. nós preservamos o padrão capilar fetal durante toda a vida. Eles também sugerem que os longos cabelos femininos tiveram outra uti1idad e: os bebês podiam agarrar-se a eles quando nadavam com as mães. Os defensores da teoria aquátic da origem humana acreditam que perdemos nossa pelagem porque precisávamos nos ada ptar à natação. é provável que não mantivessem os cabelos compridos e flutuantes. abundam especulações. mas muito mais curtos e eretos — mais semelhantes aos penteados que vemos hoje em cabeças africanas. Como sempre. Os críticos da teoria aquática a julgam infundada. parece que a natureza nos dotou de um padrão capilar muito estranho se comparado ao de ou tros animais. que desenvolvem um pelame antes de nascer. os pêlos do peito não dariam qualquer conforto numa noite gelada nem evitariam uma insolação em dias de intenso calor. A o contrário dos macacos. em ambientes aquáticos ou . mas conservamos nossos cabelos para proteger o topo da cabeça dos raios do sol. além de bigode e barba. quando não existe uma explicação óbvia. Se a mãe mergulhasse em busca de comida. pois possuem um corpo mais peludo. Além disso. mas não é capaz de ex plicar que vantagem ele nos deu em termos da sobrevivência da espécie. mas ambos os sexos se mantêm funcionalmente nus na maior parte da superfície corporal. esse padrão tenha sobrevivido na vida adulta é outro exemplo de neotenia. Os homens são menos evoluídos que as mulhe res nesse aspecto. A explicação fetal pode nos dizer onde o adquirimos.

p or que os humanos dos paises frios não fabricaram um casaco de peles para proteger -se? A explicação mais provável é que o bizarro padrão capilar humano funcionasse como uma bandeira da espécie — um sinal que nos diferenciaria de todos os nossos parentes próx imos (parentes que desde então eliminamos). Se tentarmos imaginar um pequeno grupo de nossos remotos ancestrais antes que eles fabricassem roupas ou qualquer tipo de instrumento cortante. é claro que eles deviam parecer muito diferentes de tudo o que existia no planeta. Mas. quando dormiam. (O suor refresca cinco veze s mais a pele nua do que um corpo peludo. mas não esclarece o mistério da existência de longos cabelos flutuantes nas regiões frias do norte. a longa cabeleira pode ter funci onado como um cobertor. protegendo o cérebro do superaquecimento —.) Se outros animais africanos conservar am a pelagem. Isso pode até lhes ter dado a idéia para suas primeiras roup as.não. Os primitivos humanos eram animais tipicamente diur nos. À noite. eles seriam imediatamente identificados como membros daque la nova . Se os humanos primitivos se dedicavam à caça e à coleta nas savanas africanas duran te o dia. Com corpos pelados. feitos de peles de animais enroladas no corpo. foi provavelmente porque eram mais ativos ao amanhecer e ao anoite cer. Isso pode explicar o penteado de estilo africano — uma c abeleira espessa que cobre o crânio. Alguns antropólogos afirmam que os cabelos compridos ajudavam a manter o co rpo dos habitantes das regiões frias aquecido durante o inverno — como uma capa natu ral pendente dos ombros. quando o sol não é tão forte. como outros macacos. se isso fosse verdade. encimados por longas capas de cab elos ou jubas eriçadas. precisavam proteger-se contra o forte calor do sol tropical. Uma vasta cabeleira lhes proporcionaria essa proteção. e o resto do corpo pelado aumentaria d rasticamente o resfriamento proporcionado pelo suor.

espécie que caminhava sobre as patas posteriores. De mais perto. Lutando pela sobre vivência em desertos áridos e quentes. Os primatas são animais predominantemente visuais. nos sos ancestrais humanos podiam ser avistados à distância e facilmente diferenciados d os primos de corpo coberto de pêlos. c abelos encaracolados. seu corpo precisava mudar para sobreviver. Os machos. Cabelos crespos. As raças tinham que se diferenciar o mais possível. esses huma nos passaram a diferir cada vez mais dos que ficavam em terras tropicais. seria então possível fazer a disti nção entre os sexos. de mo do que exibir evidentes sinais visuais seria a maneira mais rápida e eficiente de se distinguirem das outras espécies. cabelos lisos. cabelos . era necessário impor barreiras que reduzissem os cruzamen tos interraciais. Com seus corpos pelados e cabelos longos. além de servir para identificar a espécie e o gênero. cabelos ondulados. barbas. bigodes e t ufos de cores brilhantes. À medida que começaram a sair de sua terra natal na África e foram obrigados a se adaptar a diferentes ambientes. mas um rápido exame dos outros macacos pode nos mo strar com que freqüência estranhos padrões capilares surgiram como sinais de identific ação das espécies. Uma das maneir as mais rápidas de fazer isso era variar o padrão capilar humano. Há uma rica variedade de crinas. E. era importante que elas não se perdessem. penachos. uma vez conquistadas essas mudanças. A nece ssidade de adaptar-se a diferentes climas os colocou num caminho evolucionário que levou ao desenvolvimento de vários e diferentes tipos raciais. Talvez essa seja uma maneira sin gular de classificar uma espécie. jubas. com suas faces peludas. jamais seriam confundidos co m as fêmeas imberbes. Como ocorre com qualquer outra tendência evolutiva. em zonas de clima moderado ou nas geladas cer ras do norte. Mas existe outra razão para o padrão capilar dos humanos.

com refrigeração e ar condicionado. a história humana sofr eu uma reviravolta. tornamo-nos incrivelmente móveis . Como não nos mantemos mais afastados. diferenciar Esse processo começou a ganhar impulso desde um estágio muito primitivo. Quanto aos diferentes formatos de cabelos que surgiram como mecanismos isolantes. hoje não passam de uma chateação. As pop ulações modernas praticamente não precisam adaptar o corpo ao clima. antes que ele chegasse muito longe. Aprendemos a controlar o ambiente com roupas. Não resta dúvida de que estávamos evoluindo para constituir um novo grupo de espécies intimamente relacionadas — humanos tropic ais. N ossos diferentes estilos de penteado foram o primeiro sinal de que esse processo estava ocorrendo. ferrovias e rodovias. fabricamos trens e carros. eles só levam à desarmonia. Mas. lareiras e aquecimento central. e depois aeroplanos. humanos temperados. qua ndo as populações estiverem ainda mais misturadas. Apenas duas delas tinham feito progresso: as relacionadas ao calor e à umidade (diferenças na pigmentação da pele. As diferenças raciais estavam ainda num estágio muito preliminar de des envolvimento. Mas. humanos polares e assim por diante. As diferenças que sobrevive ram entre as raças não são mais importantes. precisam ser . mas no s misturamos em todas as partes do mundo. à medida que os humanos foram se espalhando pelo globo. Graças à nossa inteligência avançada. esses mecanismos de isolamento de verão desaparecer totalmente. inventamos a roda e construímos carruagens. ajudando a manter os diferentes tipos a fastados.loiros — variações desse tipo podiam rapidamente um grupo humano dos outros. enquanto isso. na densidade das glândulas sudoríparas e as pectos semelhantes) e as relativas ao sinais visuais: os padrões capilares. No futuro. humanos desérticos. Inventamos barcos e navios. domamos cavalos e os montamos. Essas adaptações se t ornaram quase obsoletas.

têm apenas 90 mil. As loiras têm cabelos mais finos e. é claro que suas longas ma deixas e sua face lisa devem ter criado um atraente contraste visual. o crescimento excessivo dos cabelos evoluiu originalmente como um sin al visual. apesar disso. enquanto as ruivas. coloridos e enfeitados de milhares de maneiras diferences. como compensação. positiva e negativa. soltos. cada fio cresce durante cerca de seis anos. De modo geral. presos.compreendidos. As morenas têm cerca de 108 mil fios. cada pa pila capilar produz cerca de doze fios. não deve nos causar surpresa que. são comuns e superficiais. escondidos. que possuem cabelos mais espessos. Se. . cortados. Nenhuma outra parte do corpo feminino passou por tantas e incríveis mudanças culturais. Então. T ratando agora especificamente dos cabelos das mulheres. um número de fios ligei ramente superior à média — geralmente cerca de 140 mil. mas. Nossos cabelos se mantêm no mesmo vo lume em todas as estações. como d iscutimos. p enteados. Em qualquer tempo. eles tenham sido alvo de tanta atenção. eles continuarão a nos causar problemas. passa por uma fase de repouso de três meses antes de começar a cair. um depois do outro. Representaram um pouco de tudo: de glória da f eminilidade a motivo de tabus religiosos. Podem chamar a atenção. Se continuarmos imaginando — erroneamente — que os cabelos refletem p rofundas diferenças raciais. e como tal devem ser vistos. ondulados. Os cabelos foram exibidos. convém dizer que existem cerca de 100 mil fios de cabelo numa ca beça humana. 90% dos fios e stão crescendo. No período de uma vida humana. Ao contrário de muitos outros mamíferos. Antes de analisar essas mudanças mai s detalhadamente. ao longo dos séculos. enquanto 10% estão descansando. alisados. os humanos não têm trocas de pêlo.

existem mais pente ados c cortes do que nunca. Com a individualidade na ordem do dia. Mesmo sem considerar esses casos extremos. até chegarem ao chão. e essa é uma das características únicas da espécie humana. Hoje. Sabemos. com penteados bem característi cos de cada época. Analisando os primeiros períodos históricos . os cabelos simplesmente continuam crescendo cada vez mais. os cabelos atingiram 4 metros de comprim ento. A ânsia de imitar celebridades . Então. mas. nesses jovens. se não forem cortados. por algumas das mais antigas imagens de Vênus. uma trança caída sobre o ombro direito. que não existe mais um únic o modelo predominante. É como se o impulso genético para desenvolver cabelos humanos mais longos tive sse escapado de controle. Na era moderna. o ser huma no. era natural que. Em alguns cas os. em vez de cair depois de seis anos. são tantas as influências. Há uma curiosa e xceção a essa regra: em alguns casos. a velocidade dessas mudanças se acelerou drasticamente. criando indivíduos supercabeludos. Em uma americana. Nenhum outro primata apresenta ta l crescimento. Algumas gravuras rupestres mostram claramente diferences p enteados. no século XXI. se sentisse tentado a experimentar diferentes formas e est ilos. é possível ver como os estilos foram mudando devagar. cada fio cresce 13 cm por ano. com tanto cabelo a seu dispor. sempre inventivo. mas o recorde mundial pertence a uma chinesa cujos cabelos chegaram a 5 me tros. que isso ocorre há pel os menos 20 mil anos. em um c aso. inclusive cabelos elaboradamente repartidos no meio da cabeça e. crescem além disso. pode chegar a 18 cm por ano.Na média. entre adultos jovens e saudáveis. os fios podem atingir mais de 1 metro antes de começar a cair. com a chegada dos salões profissionais de cabelei reiros e dos sistemas de comunicação global.

Embora seja a mais básica das estratégias. os cabelos cuidadosamente desarrum ados das atrizes de Hollywood. Outras ainda estão em uso. A estratégia mais simples é optar por um ar natural. Os cabelos curtos e práticos da executiv a. em casa ou na rua. frisar e trançar não custa quase nada e ajuda a mat ar o tempo. Enrolar. mas. Ela lava. Ainda pode ser encontrada em sociedades pouco sofist icadas ou em culturas em que a simplicidade se tornou uma doutrina social. mas é importante registrar que. Este não é o lugar para listar todas essas criativas variações. ocorreram poucas "estratégias d e penteados femininos". Quando a adota. por exemplo —. Os cabelos são presos por . escova e penteia os cabelos. Algumas dessas estra tégias se desvaneceram na história e hoje parecem muito estranhas. mesmo quando não têm dinheiro para comprar p rodutos para os cabelos ou freqüentar um salão de cabeleireiro. e la é hoje relativamente rara. mas não tenra mode lá-los ou dar-lhes alguma forma especial. as longas madeixas flutuantes da pop star. um estilo prático é o ideal. ao longo dos séculos. os cabelos espetados do rebelde — são todos modelos q ue encontramos lado a lado nos jornais e revistas. porque dentro de cada estilo existem inco ntáveis e sutis variantes. mas são tantos os modelos a copiar que ninguém m ais pode afirmar que um estilo predomine. nas ocasiões e speciais e no dia-a-dia. as mulheres não deixam de arrumar os cabelos. mas das possibili dades básicas do que pode ser feito com os cabelos femininos.ainda cria tendências de curto prazo. a mulhe r usa os cabelos soltos e naturais o tempo todo. E dar um nome a todos esse es tilos é criar estereótipos injustificados. Para mulheres que têm um trabalho físico extenuante — nos campos ou nas fábr icas. Elas não dependem dos caprichos da moda. A pob reza seria um fator para a sua adoção.

mas também gostavam de usar perucas como demonstração de status. elas soltam os cabelos e os deixam cair naturalmente. Essa é uma est ratégia que tem no mínimo 5 mil anos. Essa é a estratégia mais comum. ondulando. têm optado por alguma forma de penteado. . mechando ou enfeitando os cabelos. cortando. as mulheres da classe superio r raspavam a cabeça e usavam uma peruca ornamentada em público. alisando.razões de conveniência. tant o no trabalho quando em casa. mas proibida em países em que há estritas normas religiosas ou onde a beleza femini na é tabu. No antigo Egito. Essa foi um a estratégia muito usada pelas camponesas no passado e ainda hoje é adotada por muit as mulheres. Os cabelos longos mostram mais as mudanças escolhidas e fazem a mulher pa recer mais alta. Há séculos. que. as mulheres. nunca se contentaram com soluções práticas e naturais. Duas das principais estratégias no cuidado dos cabelos são o corte e o alon gamento. tingindo. prendendo. especialm ente as que vivem em sociedades urbanas. em sua grande maioria. Quando não es tão trabalhando. As damas romanas não r aspavam a cabeça. acham que prender os c abelos num rabo-de-cavalo pode ser uma forma de controlar cabelos rebeldes. Essa predileção criou moda: a de que os cabelos com os quais as perucas eram feitas tinha m que ser de mulheres de povos conquistados em batalha — uma versão romana do costum e de escalpelar os inimigos. Mas. principalmente em países onde há muitos salões de cabeleireiro. mesmo não se dedicando a trabalhos físicos. mo delando. Uma maneira de ter cabelos longos é usar uma peruca. para que não caiam sobre os olhos ou se embaracem.

sempre primorosamente dec oradas. as perucas passaram a s er uma demonstração de riqueza. mas reapareceram na era elisa betana. Como o custo de fabricar e manter uma peruca era muito alto. porque sua presença na platéia impediria a vi são do palco. mas seus dias de glória tinham ficado para trás. não porque tenh am . Mas a moda da peruca só atingiria seu ápice no século XVIII. Cabeceiras especiais foram criadas nas camas para que a mulhe r pudesse deitar-se e descansar sem tirar a enorme peruca. fabricadas de material sintético e em cores brilhantes e artificiais —. as perucas devem ser tão semelhantes ao s cabelos naturais a ponto de passarem despercebidas. Algumas celebridades também adotam essa estratégia.As perucas foram banidas pela Igreja na Idade Média. os maridos tinham q ue ser extremamente generosos para financiá-las. Há mulheres (especialmente a quelas cujos cabelos ficam mais ralos com a idade) que nunca aparecem em público s em uma boa peruca. quando são usadas. O assento das carruagens teve que ser rebaixado. quando. a peruca nunca se recupero u totalmente. Em tempos mais recentes. Por isso. que decepou as cabeças aristocráticas sobre as quais se exibiam as enormes perucas. chegavam a ter 75 cm de altura. Algumas dessas perucas. Depois da Revolução Francesa. A altura das portas teve que ser aumenta da para permitir que as damas passassem por elas. A única mulher que podia pôr um fim a essa moda extravag ante era Madame Guilhotina. su rgiram penteados nunca vistos. com um exagero atrás do outro. Houve momentos em que ela ressurgiu brevemente sob uma forma ou ou tra — como as divertidas perucas da década de 1960. Nenhum outro estilo de penteado teve tal impacto sobre a sociedade. Isso aconteceu em grande parte porque os primeiros cosméticos danificavam tanto os cabelos e a pele que era necessária uma espessa cobertura. Na Ópera de Paris. as p erucas só eram permitidas nos camarotes.

surgiu uma forma mais sofisti cada de alongamento: mechas que são coladas aos cabelos naturais para fazê-los parec er mais longos. e portanto mais atraentes. o pentea do ficou muito popular nas pequenas cidades norte-americanas e nos Estados do su l do país. Esse recurso é utilizado quando a mulher se cansou dos cabelos cur tos ou quando os cabelos naturais não crescem tanto quanto ela desejaria. Às vezes ba tizado de "estilo Dolly Parton" (uma famosa cantora country americana). foi maldosamente desc rito por um crítico como "uma das maravilhas arquitetônicas de nossa época". o cabelo natural era penteado de forma a parecer o mais volumoso possíve l. "quanto mais alto o cabelo.problemas com os cabelos. era preciso "secar os cabelos de baixo para cima com a cabeça abaixada. Técnicas m odernas tornaram . A grande vantagem disso é que as elegantes perucas podem ser cuidadas e pentea das sem a presença da dona. que desafiava a gravidade. um notável exem plo do passado recente é um penteado que ficou popular na década de 1980. modelá-los com mousse e por fim pulverizá-los com mui to spray fixador". mas por conveniência. dando à mulher um ar mais confiante. Era também um penteado ex trovertido e afirmativo. O resultado. nem desmanchá-los carinhosamente. E tinha um grave defeito: podia ser uma inegável propaganda de feminilidade. Voltando à estratégia dos cabelos compridos. mais pe rto de Deus". Para seus críticos. Mesmo que os cabelos estejam em bo m estado. Em lugar d a peruca. onde com freqüência se ouvia dizer que. porque os homens hão podiam correr os dedos pelos cabelos. mas também era anti-sexual. po rém. Pura obter essa exuberante cabeleira. Mais recentemente. Uma das razões dessa popularidade era que esse volume todo fazia as feições parecerem mais delicadas. era chamativo e vulgar. às vezes é mais fácil usar uma peruca do que perder tempo arrumando os cabel os. nada mais do que uma maneira de compensar as imperfeições .

Nas últimas décadas. Algumas mulheres usa m os cabelos presos num penteado sóbrio em ocasiões sociais. seja usando-os rigorosamente presos. Sem um fio fora do lugar. enterros e grandes eventos e celebrações. Isso as torna menos femininas e evita passar a impressão de relaxamento ou libe rdade. . No intuito de criar uma apa rência de pessoas de alta classe e disciplinadas. As melin drosas da década de 1920 foram as primeiras a adotar essa moda. sou séria e não permito familiaridades". Mulheres que precisam impor sua autoridade co stumam amplificar esse ar de controle e poder mantendo os cabelos colados ao crâni o. muitas mulheres querem parecer "livres e natu rais" a maior parte do tempo. seja por meio de um corte. que reapareceu nos anos de 1960 no trabalho do cabeleireiro Vidal Sassoon. nem pode ser mudado em diferentes contextos sociais. É o que se pode chamar de estilo "go vernanta" ou "diretora de escola". mas soltos e naturais n a vida cotidiana. e não precisa ser preso para facilita r o trabalho físico. propositalmente falsas e funcionem quase como uma meia peruca. prendem os cabelos. A segun da estratégia importante é diminuir o tamanho ou o volume dos cabelos naturais. co mo casamentos. a não ser na privacidade do lar. Algumas mulheres vão ain da mais longe e nunca usam os cabelos soltos em público. os cabelos não podem ser despenteados ou acaricia dos.praticamente impossível detectar a presença dessas mechas. mas gostam de se arrumar para ocasiões especiais. O pouco cabelo que resta fica solto. embora algumas delas seja m visíveis. querendo diz er: "Sou importante. Isso as faz parecer literal e metaforicamente impecáveis. inacessíveis c intocáve is. Mantêm-nos presos num coque o tempo todo. Há mulheres que optam por usar os cabelos tão curtos que não é possível prendê-los nem s oltá-los.

manifestação de alguém que ignora as conve nções e se recusa a seguir a moda. oscilando entre o estilo agressivo e masculinizado e o modelo ornamentado. Na década de 1990. . o que pode ser visto como uma demonstração de vaidade. Mas também de rebeldia. A moda dos anos 1990 caminhou na corda bamba.Evidentemente. não preciso de cabelos bonitos para ser atraente". numa forma mai s austera. e não uma exibição de futilidade feminina. mas não preciso abrir mão da minha feminilidade para ocup ar um lugar de destaque no mundo". onde as mulheres queriam ser tratadas com mais respeito por s eus colegas homens. A desvantagem porém é que na prática esses cortes d os anos 1920 e 1960 se revelaram mais difíceis de cuidar fora do salão de cabeleirei ro. Esse é o novo desafio para o profissional cabeleireiro do Ocidente no início do século XXI. "Veja . Numa f orma mais drástica de redução dos cabelos. O penteado curto ressurgiu novamente na década de 1970. que faz dos cabelos uma demonstração de molecagem elegante. os penteados curtos suavizaram-se e ganhara m um toque mais feminino. uma demonstração de assertividade nos l ocais de trabalho. quando. O ob jetivo era combinar um controle refinado com uma sensual liberdade. o que elimina a "soltura natural" mesmo na privacidade. esse estilo pode parecer uma provocação. como se ela dissesse. O estilo da mulher executiva pós-feminista está comunicand o: "Continuo disciplinada. tornou-se uma estratégia feminista. como as conformistas. algumas mulheres se aventuram a cortar o ca belo rente à cabeça. E os homens podem se sentir ameaçados e frustrados no desejo de acariciar suaves madeixas flut uantes. Para mu lheres bonitas. a mensagem que se quer passar com o estilo curto é a de uma mulher ativa e independente. As mulheres que não gostam de sse corte o vêem como uma tentativa de se exibir com táticas de choque.

por exemplo. quando não haja estranhos pres entes. passadas e pr esentes. uma imposição a todas as mulher es em cerimônias fúnebres especiais. Em sociedades que praticam rigidamente o islamismo.Algumas mulheres adotam um corte ainda mais drástico e raspam completamente a cabeça . isso era um castigo. isso é uma lei. como casamentos e funerais. a exposição dos cabelos femininos — em qualquer estilo — tem sido proibida em algumas culturas. Devido ao seu poder de seduzir os homens. Re centemente. um sinal de escravidão ou d e submissão voluntária a uma divindade. exige-se que as mulheres cubram a cabeça completamente quando estiverem e m público e só soltem os cabelos na privacidade do lar. por descuido. na França. Se. Em algumas culturas. Um resquício moderno desse antigo costume é a convenção social de usar chapéus em ocas iões formais. As comunid ades cristãs também impuseram . Em comunidades religiosas. A form a mais branda dessa "cobertura" puritana é usar algum tipo de chapéu. uma vez que nega totalmente a sensualidade dos longos cabelos femininos. Para os homens. a mulher permitir que uma pequena parte dos cabelos seja exposta sob o tradicional véu. A exigência de q ue a mulher cubra a cabeça ao entrar numa igreja católica é uma reminiscência da época em que ela era obrigada a esconder os cabelos durante qualquer cerimônia religiosa cr istã. pode ser açoitada pelos homens da igreja. Em outras ainda. Exige-se qu e a mulher cubra ou esconda os cabelos para eliminar seu potencial erótico. um estilista convenceu todas as suas modelos a raspar a cab eça para mostrar que uma mulher moderna não precisa ser "prisioneira de seus cabelos ". esse corte raspado (de Joana D'Arc a roqueiras punk) não tem qu ase ou nenhum sex appeal. Entre os fenícios. Em outras. a mulher que se recusasse a ra spar a cabeça em sinal de luto tinha que se oferecer como prostituta no templo.

pode-se tentar um novo es tilo. essas regras quase sempre se apl icavam às esposas devotas. são generalizações. praticamente iguais a s eus cabelos naturais. longos. liberdade de espírito. que chamam de sheitel. Evidentemente. No simbolismo dos cabelos femininos existe uma simples dicotomia: o con traste entre os cabelos naturais. Isso ocorre porque é fácil mudá-los. Um extraordinário exemplo desse costume de ocultar os c abelos por razões religiosas ainda sobrevive hoje em Nova York. nas comunidades de judeus ortodoxos. Dessa forma. Os cabelos c urtos têm sido associados a disciplina. Quando usam essa peruca. Apesar disso. a mulher deve cobrir totalmente os cabelos. mas é surpreendente como elas corr espondem aos fatos em muitos casos. a regra religiosa é obedecida sem sacrifício da imagem. Acima de tudo. No passado. as mu lheres dessas comunidades desejam se integrar à vida nova-iorquina e resolvem esse dilema de uma maneira engenhosa. na privacidade do quarto de dormir. sua aparênci a não muda. Qualquer observador com certeza acharia difícil dizer que elas estão usand o uma peruca. sóbrios e rigidamente penteados. Nelas. eficiência. e ainda hoje são seguidas pelas freiras. Quando os cabelos crescem. essas mudanças podem ser feitas rapi damente. Usam perucas caríssimas. É e vidente que os cabelos convidam à experimentação mais do que qualquer outra parte do c orpo feminino. capacidade de adap tação e assertividade. e a menor alteração é imediatamente pe rcebida.normas relativas à exposição dos cabelos. que só podem ser vistos pelo marido. os cabelos são muito visíveis. e não são definitivas. soltos e acessíveis e os cabelos curtos. autocontrole. rebeldia pacífica e criatividade. O maior prazer . Os cabelos longos podem ser vistos como símbolo de sensualidade. cujos cabelos não podiam ser vistos em púbico.

já que a maio ria das caucasianas têm cabelos escuros. assim como seu estado de es pírito. há ainda a questão da modificação cor dos cabelos. é surpreendente descobrir que. como os to ns de pele. fruto de uma adaptação às condições climáticas do ambiente. A mulher loira tem uma penuge m fina e suave . a mu lher pode usar os cabelos como um maravilhoso meio de se expressar e se apresent ar ao mundo. exista uma cor que predomine sobre todas as outras. Então. porém. ruivo ou louro — tem um significado que reflete essa adaptação e um encanto própri o. As cores naturais. quando tão poucas escandinavas querem tingir seus cabelos de preto ou castanho? É claro que isso nada tem a ver com o clima. são. Na verdade a feminilidade das loiras se estende a todo o corpo. a suavidade dos cabelos evoca a maciez da carne feminina. Cada cor — preto. quando as mulheres decidem mudar a cor dos cabelos. permitindo-lhe expressar seu estilo pessoal e sua individualidade. Além das inúmeras opções de corte e penteado.da mulher em relação aos cabelos. um ap elo tão forte a ponto de criar a bizarra situação de termos no mundo mais loiras artif iciais do que verdadeiras? Parte do poder de atração dos cabelos loiros reside no fa to de eles serem finos e leves. cas anho. Mas por que tantas mulheres de cabelos escuros querem parece r escandinavas. Por entre os dedos ou no contato com o peit o do homem. De cada cem mu lheres que tomam a decisão de mudar radicalmente a cor dos cabelos. Nem com raça. as loiras são mais femininas que as ruivas ou as morenas. que vão do preto ao loiro-claro. Desde que o mundo obscuro das práticas religiosas sexistas não interfira. Assim ness e aspecto. mais suaves ao toque e portanto mais sensuais no s momentos de íntimo contato corporal. Portanto. qual é a atração dos cabelos loiros. mais de 90% de cidem ficar loiras. é que eles estão sempre disponíveis.

As axilas e o púbis das loiras são cobertos por pêlos mais delicados. Dos impérios do mundo antigo aos salões da Europa barroca. A sedosidade de seus pêlos púbicos é muito diferente da aspereza dos pelos das morenas. e e la é apenas visual: a mulher loira passa uma imagem mais juvenil do que a morena. Diante do argumento de que é a suavidade dos cabelos loiros que leva tantas mor enas a clarear os cabelos.nas partes em que a morena precisa usar uma lâmina de barbear ou creme depilatório. Ele apenas parece mais fino. alguém poderia contrapor que qualquer vantagem que se o btenha será apenas por associação. gerações de mulheres de cabelos escuros acorreram a seus estabelecimentos em busca dos mais modernos estilos e produtos. com a pretensão de se tornarem um pouco — ou muito — mai s loiras do que a natureza as fez. o c lareamento dos cabelos femininos foi uma indústria importante. O clareamento não torna o cabelo mais fino nem mais m acio. Alguns dos recursos utilizados para satisfazer as exigências sociais e alourar os cabelos eram perigo sos e até mesmo letais. a loira leva uma ligeira vantagem sobre as morena s. portanto. E essa imagem projetada por uma mulher adulta. os bebês são mais loiros que os pais . Eis portanto outra vantagem de ser loira. de modo que a combinação entre "olhos azuis" e "madeixas loiras" ficou indelevelme nte associada à infância. uma solução de potássio e pós colorantes que deixava os cabelos opacos na tentati va . transmi tindo fortes sinais de que ela deseja ser cuidada. em grande parte da humanidade. As loiras passam uma idéia de j uventude porque. Praticamente desde o amanhecer da história. Nem é preciso dizer que isso é bom para cabeleireiros e fabric antes de perucas. Em momentos de extrema intimidade. Os antigos gregos usavam uma pomada de pétalas de flores ama relas. aumenta seu poder de sedução.

de dar-lhes a sensual aparência alourada. As damas romanas tingiam os cabelos com um sabão germânico especialmente importado do norte, mas era mais provável que escolhe ssem o caminho mais fácil de usar uma peruca loira. Essas perucas primitivas eram feitas de cabelos naturais dos europeus do norte que os romanos conquistavam em sua expansão. A moda se espalhou tanto que o poeta romano Marcial zombou dela nos seguintes versos: Os cabelos dourados que Gala usa São dela — quem imaginaria? Ela j ura que são dela, e eu juro que é verdade Porque sei onde ela os comprou. À medida que os séculos foram passando, cada vez mais truques eram usados para clarear os cabe los. Cascas de plantas, sementes, sabugos e resíduos do vinagre foram muito popula res nos primeiros tempos. Uma das receitas mandava esfregar os cabelos vigorosam ente com açafrão. Outra recomendava gemas de ovos cozidos com mel, seguidas de uma l onga exposição ao sol forte. As mulheres elisabetanas polvilhavam os cabelos com pó de ouro ou quando precisavam ser mais econômicas, aplicavam neles raspas de ruibarbo diluídas em vinho branco. Algumas vezes, corriam o risco de embeber os cabelos co m ácido sulfúrico ou alumina. Para algumas mulheres, esses tratamentos químicos resolv iam o problema dos indesejáveis cabelos escuros: ficavam completamente carecas e e ram obrigadas a usar uma peruca loira pelo resto da vida. As receitas foram se t ornando cada vez mais complexas. Em 1825, um tratado denominado A arte da

beleza ensinava a suas leitoras a fórmula para obter cabelos da cor do linho: Ferv a 1/4 de galão de lixívia; adicione 1/2 onça de raízes de celidônia e gengibredourado, 2 d racmas de açafrão e raízes de lírio, e 1 dracma de cada uma das seguintes flores verbasc o, giesta e hipérico. A solução obtida deve ser aplicada regularmente nos cabelos . É cl aro que, ano após ano, século apos século, a mulher foi se preparando para superar qua lquer obstáculo que a impedisse de adquirir as desejáveis tonalidades douradas. Mas, como acontece com muitos conceitos de moda, foi inevitável que o clareamento dos cabelos adquirisse um sentido colateral de exagero e exibição. Mesmo na época romana, a aparência que ele proporcionava nem sempre era a de uma virgem imaculada. A arti ficialidade das perucas e tinturas reduziu o valor simbólico da coloração. Num dado mo mento, tornou-se sinônimo não de inocente feminilidade, mas de sensualidade profissi onal: a marca da prostituta. As prostitutas romanas eram muito organizadas. Tinh am que obter uma licença para trabalhar, pagavam impostos e, por exigência da lei, u savam cabelos loiros. A terceira esposa do imperador Cláudio, a ninfomaníaca Messali na, ficava tão excitada com a possibilidade de fazer um sexo brutal e repentino co m estranhos que saía para a sua caçada noturna usando uma peruca de prostituta. Corr iam boatos de que tal era a violência com que fazia sexo que muitas vezes perdia a peruca loira e retornava ao palácio real totalmente reconhecível. Outras damas roma nas logo passaram a imitá-la na cor dos cabelos, e os legisladores foram incapazes de reprimir a nova moda. A obrigatoriedade do uso da peruca loira para as prost itutas caiu por terra, mas um elemento de fraqueza e abandono hoje associado às lo iras sobreviveu ao longo de séculos, ressurgindo repetidamente

como o reverso da imagem de virginal inocência. Geralmente, a diferença que se. esta belecia era a seguinte: loiras verdadeiras são anjos e loiras falsas são promíscuas. O fato de as loiras artificiais terem tido muito trabalho para parecer atraentes significava que o sexo ocupava sua mente por muito tempo, e a loira falsa se rep roduziu em diferentes arquétipos: garota fácil, bomba sensual, prostituta, bonequinh a de luxo, loira burra. Cada geração tem um nome para ela, e cada geração tem suas super loiras. No início da Primeira Guerra Mundial, a loira platinada entrou em cena. Em 1937, quando Jean Harlow morreu, aos 26 anos, deixou uma longa sucessão de estrel as de cinema loiras, que continuam dominando a tela até hoje. A grande maioria das personalidades femininas surgidas em Hollywood foram louras — geralmente, mais po r força da cosmética do que da genética. Algumas passaram por sacrifícios para aperfeiçoar o visual: Marilyn Monroe chegou a clarear os pêlos púbicos para fazê-los combinar com suas madeixas platinadas. Muitas se mantiveram fiéis à velha associação entre o sol e o dourado de seus cabelos — eram mulheres alegres e calorosas, vitais e intensas. F reqüentemente elas se dão mal, mas isso também faz parte de seu natural poder de sedução: sua loira vulnerabilidade. Em defesa das morenas, um comentarista do final da déca da de 1960 afirmou: "Se um homem tem boas intenções em relação a uma garota, deseja que ela seja natural. Nada artificial atrai um homem sério. De modo geral, ele prefere uma loira como amante e uma morena como esposa. Morenas têm mais integridade".

3. Testa A testa é uma região da face que desempenha um importante papel na linguagem corpora l. Como afirmou um especialista cm expressões faciais no século XVIII, "de todas as partes da face, a testa é a mais importante e mais característica". Hoje, essa afirm ação pode parecer surpreendente, porque, como se dá muita atenção à maquiagem dos olhos e do s lábios, eles tendem a dominar o rosto feminino e ofuscar as outras partes. No en tanto, é pouco provável que alguém tenha travado uma conversa cara a cara sem transmit ir sinais inconscientes na testa, na forma de um mover das sobrancelhas ou de um franzir da pele — movimentos indicativos de mudanças de humor. Antes de examinar es ses sinais e descobrir de que forma a testa feminina difere da masculina, convém p erguntar por que afinal temos testa. Se observarmos atentamente a face de um chi mpanzé e a compararmos com o rosto humano, a diferença na fronte é surpreendente. Nos macacos, a testa quase não existe. Nos humanos, ela se eleva verticalmente acima d as sobrancelhas. No chimpanzé, ao contrário, a linha dos cabelos se junta às sobrancel has, que quase não têm pêlos. Na verdade, a região frontal do macaco é totalmente diferent e da dos humanos. Quando olhamos a face de um chimpanzé ou de qualquer outro macac o, a impressão que se tem é que eles possuem imensos e proeminentes ossos supercilia res que os protegem de danos, enquanto nós, humanos, perdemos essa proteção. Isso é uma ilusão. Se tocarmos o osso imediatamente acima dos olhos, sentiremos a proeminência do crânio, que continua lá para nos proteger. Nossos supercílios são menos evidentes, não porque desapareceram, mas porque nossa fronte se estendeu para abrigar um cérebro muito maior. O cérebro de um

chimpanzé tem um volume de cerca de 400 cm3, enquanto o cérebro humano ocupa um volu me mais de três vezes maior: 1.350 cm3. Foi a expansão do cérebro humano, principalmen te na região frontal, que nos deu uma testa. Essa área de pele exclusivamente humana acima dos olhos deu a nossos ancestrais uma região a mais para a transmissão de sin ais visuais. Por isso a pele da fronte, embora bem esticada sobre o osso, não é tota lmente imóvel. Ela é capaz de leves movimentos — sutis, mas claramente perceptíveis. É fácil detectar esses movimentos porque, quando se mexe, a pele cria rugas. Além disso, a face humana conservou duas tiras de pelos na fronte. Conhecidas tecnicamente c omo supercílios, mas chamadas comumente de sobrancelhas, funcionam como sinalizado res que ajudam a tornar os movimentos da pele ainda mais visíveis à distância. Já se dis se que a principal função das sobrancelhas é reter o suor e a chuva, impedindo que ele s escorram para dentro dos olhos. E embora elas tenham alguma utilidade nesse as pecto, funcionando como calhas , sua principal função é sem dúvida transmitir as acelera das mudanças do nosso estado de espírito. Estudando todos os sinais de mudança de humo r no rosto, fica evidente que existem seis movimentos da testa, cada um ligado a um determinado estado emocional. São eles: Baixar as sobrancelhas. Esse movimento não é estritamente vertical, e sim um franzimento. À medida que baixam, as sobrancelh as também se movem ligeiramente para dentro, aproximando-se. Isso enruga a pele en tre elas e forma pequenas dobras verticais. O número dessas dobras varia de indivídu o para indivíduo, e cada adulto tem um franzido característico de uma, duas, três ou

quatro linhas. Quase sempre elas se formam simetricamente de cada lado do espaço e ntre as sobrancelhas (conhecido como glabela), cada uma mais longa ou mais forte que a anterior. As marcas horizontais da testa tendem a se suavizar quando as s obrancelhas baixam, mas podem não desaparecer completamente. O processo de envelhe cimento envolve uma fixação cada vez maior das linhas de expressão temporárias. Os vinco s da pele, que na juventude aparecem e desaparecem a cada mudança de humor, se gra vam permanentemente na pele à medida que os anos passam. Um forte vinco num rosto que não está franzido é o resultado de inúmeros movimentos desse tipo realizados pelo in divíduo ao longo da vida. Esse franzir das sobrancelhas ocorre em duas diferentes situações, que podem ser grosseiramente rotuladas como de agressão e de proteção. Num cont exto agressivo, o movimento se processa em diferentes graus de intensidade, que vão da simples desaprovação ou determinação até o aborrecimento e a raiva violenta. Num cont exto de proteção, o movimento ocorre sempre que existe uma ameaça para os olhos. Entre tanto, em momentos de perigo, franzir as sobrancelhas não é proteção suficiente. Nessas ocasiões, as bochechas também se elevam. Juntos, esses dois movimentos oferecem a máxi ma proteção possível aos olhos, que se mantêm abertos e atentos. É um movimento típico de um rosto tenso, que prevê um ataque físico, ou exposto à forte iluminação, da qual os olhos se protegem. Essa contração também ocorre freqüentemente quando o indivíduo ri, chora e em momento de forte repulsa, o que sugere que essas situações talvez devam ser conside radas uma espécie de superexposição. È a função de proteção ocular que explica a origem desse anzimento da testa. Sua utilização cm contextos

dúvida. Às vezes. Costumamos ver num ros to franzido a imagem de ferocidade. m as é difícil precisar seu número porque as linhas superiores e inferiores em geral são f ragmentárias. A verdadeira face de agressão. são mais ou menos paralelas. porém. dez rugas chegam a se formar. cria ndo longas marcas horizontais. incompreensão. encantamento. Na maioria dos casos. geralmente atrib uída a pessoas "preocupadas". as sobrancelhas se movem ligeiramente para fora. surgida da necessidade de defender os olhos de c ontra-ataques que uma atitude agressiva poderia provocar. pressentimento. felicidade. Pode s er feroz. Como o movimento anterior. Er guer as sobrancelhas. mas não tão intrepidamente feroz a ponto de não levar em conta a necessidade de proteger órgãos tão vitais como os olhos. ao contrário. afastando -se. Com . Ao mesmo tempo. Vários autor es as descreveram como sinal de surpresa. Essas linhas. Quando se erguem. porém. ansiedade e medo. esse não é estritamente perpendicul ar. mas isso é um erro. arrogância. ignorância. mas essa é uma ocorrência relativamente rara. uma vez que atos de franca hostilidade raramente escapam de uma retaliação. Seus significados. Isso estica a pele entre elas e faz desaparecer as rugas verticais que ali se formaram. em número de quatro ou cinco na maior ia dos casos. Um crítico musical fez um comentário que ficou famoso: o de que uma certa cantora de óper a "tinha que pegar qualquer nota acima de lá com as sobrancelhas". e não de autopreservação. toda a pele da testa se estica para cima.agressivos parece ser secundária. n egação. É isso que se costuma chamar de "testa franzida". ceticismo. vão muito além disso. apenas as linhas do meio se estendem de lado a lado da testa. exibe um par de olhos fixos e bem abertos.

uma incontrolável c uriosidade de ficar e ver o que é essa coisa tão assustadora ou qualquer outro impul so de ficar em condito com a urgência de fugir. Vamos supor que estamos diante de algo ameaçador: podemos baixar as sobrancelhas para proteger os olhos ou erguê-las para aumentar nosso campo de visão . Esticando a pele da testa e erguendo as sobrancelhas. Erguer as sobrancelhas é um movimento que partilhamos com outro s primatas. com a testa franzida. trat a-se de um "abridor de olhos". Ambos os . mas por alguma razão não pode fazer iss o. algo o impede de escapar. Entre os macacos. Mas ela só ocorre se. Para eles. parece ser uma reação a situações de em ergência. como para nós. A risada pode ser verdadeira. Uma pessoa preocupada. Esse "algo mais " pode ser muita coisa: uma conflituosa necessidade de atacar.todas essas interpretações. Veremos que esse conceito de "fuga frustrada" se aplica perfeitamente ao contexto humano. Homens e macacos se comp ortam de maneiras muito parecidas. surg e um problema. a expressão parece ter se originado da necessi dade de melhorar a visão. mas aquilo de que se ri é algo muito perturbador. a única maneira de entender o significado desse movimento é buscar sua origem. O indivíduo sorridente que mostra essas marcas na testa também está levemente assus tado. ao mesmo tempo. A pessoa arrogante que e rgue as sobrancelhas também gostaria de escapar ao desagradável ambiente circundante . Quando comparamos essa expressão com o movimento de baixar as sobrancelhas. Isso não é raro. Para usar uma expressão conhecida. au mentamos imediatamente nosso campo de visão. Existem elementos de retraimento corporal nessa postura. é essencialmente alguém que gostaria de escapar. O humo r pode nos levar ao limiar do medo e a um riso nervoso. utilizada sempre que o animal é confrontado com algo que o faz querer fugi r.

Além dessas funções principais. elas se erguem. sacrificam a visão e protegem os olhos baixando as sobrancelhas. ou numa situação em que não parece haver perigo iminente de um ataque físico. mas temos que escolher um deles. as marcas arqueadas causadas pelo movimento de erguer as sobrancelhas também podem ficar indelevelmente gravadas quando a pessoa envelhe ce. estes dois movimentos podem ser usad os deliberadamente em contextos menos graves. em momen tos de medo. Observando os ma cacos. e. Algo semelhante ocorre com os humanos. erguem as sobrancelhas. Qu ando estão dominados por uma leve agressividade. vemos que numa situação de agressividade as sobrancelhas se franzem. Então. Mas tais refinamentos e modificações não seriam possíveis se não fosse o significado original do movimento. Quando os seres humanos estão muito agressivos e podem provocar uma retaliação imediata.movimentos serão úteis. O cérebro precisa perceber qu al a necessidade mais importante e passar a instrução para o rosto. ou quando estão cansados e com medo de um at aque iminente. Se vivemos nervosos ou ansiosos. eles sacrificam a proteção pela vantagem tática de enxergar mais claramente o que está acontecendo. nossa fronte também se recusa a . mas com muito medo. A elasticidade da pele diminui à medida que envelhec emos. e em momentos de submissão. voltam a se franzir. como uma folha de papel enrugado que tentamos alisar. Podemos erguer as sobrancelhas mes mo quando não estamos apreensivos simplesmente para mostrar a outra pessoa que est amos preocupados com ela. Como ocorre com os vincos provocados por uma fronte franzida. A pele de nossa fronte revela as marcas de todas as caretas que fizemos ao l ongo dos anos. a pele da testa vai ficando marc ada por finas linhas em arco.

é necessária uma ação mais drástica. parece que é a forma mais popular de tratamento cosmético no momento. uma alternativa mais moderna para eliminar rugas é a injeção de Botox. Portanto. Indica também uma personalidade excessivamente ansiosa. Para mulheres que dependem da aparência. incapaz de mostrar qualquer emoção. Uma maquiagem pesada pode ajudar. uma neurotoxina gerada pela bactéria que produz o botulismo. Isso pode criar uma aparência de máscara -um rosto jovem. desativando-os por um período de três a cinco meses. Ainda será precis o encontrar uma solução médica mais perfeita. "Velha e nervosa" não é uma imagem que uma mulher queira passar. Ela paralisa a fronte. que se torna incapaz de qualquer movimento .recuperar o aspecto liso que tinha na juventude. mas só até que uma rajada de vento a tire do lugar. mesmo em momentos de relaxament o e calma. Uma franja espessa pode servir de cobertura. O Botox é na verdade um veneno. Embora ainda não tenha sido aprovada pelas organizações médicas ofi ciais. Nes se tratamento cosmético. Essas marcas na testa de uma mulher são um sinal de que ela não é mais jove m. precisa fazer alguma coisa para corrigir o dano. porque a pele é tão esticada que nunca mais será capaz de exibir a meno r ruga. a opção cirúrgica tem sido o lifting da face É drást mas eficiente. Desde a década de 1990. É injetada diretamente nos músculos que causam as rugas. ou pelo menos disfarçá-lo. a substância é usada em quantidades tão pequenas que praticamen te eliminam o risco. por mais forte que seja o estado emocional. O probl ema dessa solução é que ela deixa a testa lisa demais. Má muitos anos. . mas rígido. mas não resolve o problema.

As sobrancelhas são erguidas e ao mesmo tem po apertadas uma contra a outra. O movimento para cima é semelhante ao das sobrancelhas erguidas. O estado de espírito que ela traduz é ger almente o ceticismo. O entrelaçamento das duas expressões pr oduz um cruzamento de rugas.Sobrancelhas enviesadas. essa reação contraditória é ma is freqüente nas mulheres do que nos homens. Por alguma razão. A contração é semelhante ao movimento de so brancelhas abaixadas e produz curtos vincos verticais no espaço estreito entre as sobrancelhas. Não é uma expressão muito comum. enquant o a outra metade passa a impressão de medo. Uma dor forte e aguda produz uma co ntração. A mensagem que ela transmite é tão conflitante quanto a própria expressão. A sobrancelha erguida funciona como um ponto de interrogação em relação ao olhar feroz. esse é um movimento complexo. Na origem. Como o anterior. co mposto de dois elementos: erguer e baixar. Esse movimento é uma mistura dos dois anteriores: uma sob rancelha é abaixada enquanto a outra é erguida. enquanto outra diz "Abaixe-as". mas uma dor constante provavelmente produzirá essas rugas entrelaçadas. Essa expressão está relacionada à forte ansiedade e à dor. Diferentes grupos de . Também é observada em alguns casos de dor crônica. Rugas entrelaçadas. pro duzindo rugas horizontais ao longo da testa. esse movimento parece ser uma tentat iva de as sobrancelhas responderem a um duplo sinal do cérebro. com as sobrancelhas abaixadas. porque mu itas pessoas têm dificuldade de executar o movimento. Metade do rosto parece agressivo. Uma mensagem orden a "Erga as sobrancelhas". Um bom exemplo desse movimento é a expressão utilizada nos a núncios de remédio para dor de cabeça.

O primeiro grupo consegue empurrar as sobrancelhas um pouco para cima. não mais . e não durante demonstrações de maior intimidade. Combinada com o sorriso. talvez não tenham sucesso. Essa form a exagerada de movimento cruzado é mais marcante em pessoas que tiveram experiências trágicas. Teoricamente. Em alguns casos.músculos começam a pressionar em direções opostas. Tem sempre o mesmo significado: o reconhecimento amigável da presença do outro. como o apert o de mão. Es se breve piscar é um sinal aparentemente universal de comprimento. A extrema brevidade do movimento. acompanha um aceno de cabeça e um sorriso . O movimento geralmente é executado a uma certa distância. as extremidades internas das sobrancelhas são empurradas mais para cima que as ex tremidades externas. mas não em todos. Se mulheres com histórias menos trágicas tentam forçar as sobrancelhas para c ima. mas o segundo grupo. seria possível dizer quanto infortúnio há na vida passada de uma mu lher simplesmente pela facilidade com que ela adota a posição das sobrancelhas oblíqua s. embora tente forçá-las para b aixo. Foi registrado não apenas em europeus. foi uma adoção momentânea da postura de so brancelhas erguidas numa situação de surpresa. Quase sempre. numa posição oblíqua. mas também cm populações de regiões que não tiveram influência europé como Bali. só consegue pressioná-las uma contra a outra. mas também pode ocorrer sozinho. Nova Guiné e Amazônia. no momento do encontro. o abraço ou o beijo. o que resulta numa "expressão oblíqua de sofrimento". mesmo que as sintam tentando mover -se. Piscar as sobrancelhas. As sobrancelhas sobem e descem numa fração de segundo. Na origem. torna-se um sinal de surpresa agradável.

o movimento que contém uma pausa na posição das sobrancelhas em geral s e faz acompanhar de um esgar. dos ombros. que envolv e movimentos da boca. todo cumprimento. Erguer e baixar as s obrancelhas com uma pausa.do que uma fração de segundo. param momentaneamente nessa po sição e depois descem. nem se el e mudou desde a última vez que o vimos. esse leve movimento de sobrancelha s é freqüentemente usado durante uma conversa para enfatizar algum ponto. indica que a surpresa desaparece rapidamente. deixando que o sorriso amigável domine a cena. E ssa combinação costuma ocorrer na ausência de outros elementos. Como já dissemos. . As sobrancelhas sobem. e pode parecer estranho que ele participe de uma saudação en tre amigos. Esse movimento é parte de uma reação mais complexa. isso não é m uito comum. as sobrancelhas piscam. da cabeça. Além de ser uma saudação. mas em algumas pessoas esse movimento se torna freqüente e exagerado. Entretanto. Não sabemos como o outro vai se comportar. Embora possa ocorrer isoladamente. Isso inevitavelmente dá ao encontro um leve e efêmero elemento de medo. E como se elas ressaltassem as surpresas da comunicação verbal. o erguer de sobrancelhas co ntém um elemento de medo. tem um caráter social de imprevisibilidade. Cada vez q ue uma palavra é enfatizada. Cada um desses elementos t ambém pode ocorrer separadamente. Para a maioria de nós. braços c mãos. em que os cantos da boca baixam momentaneamente. É essa breve pausa que distingue esse movimento do piscar rápido que indica saudação e ênfase. por mais amigável que seja. ou em grupos de dois ou três.

Ele também costuma acompanhar a fala de certos indivídu os.Ao contrário da piscadela das sobrancelhas. quando falamos animadamente. existe uma importante diferença entre os sexos: as sobrancelhas femininas são mais finas e menos densas que as masculinas. acrescentamos uma ênfase visual. Em todos os casos. dizia-se que eles protegiam o corpo das doenças e. evitavam a cegueira. Abandonando a questão dos movimentos e passando à anatomia das sobrancelhas . uma das duas primeiras pode fazer esse movimento com as sobrancelhas para indicar desaprovação e surpresa. No princípio. mais tarde. e não alegre. depois. Esse é um movimento típico do queixoso contumaz. A maioria das pessoas usa as mãos ou a cabeça. a desculpa era que esses procedimentos ajudavam a espanca r o mal. como raspar. Isso vem sendo feito há séculos mediante várias técnicas. Na maioria das vezes. mas outras se servem das sobr ancelhas para essa ênfase. portanto. . mas não é exclusivo dessa person alidade. a intenção era fazer as sobrancelhas parecerem exageradamente femin inas. que parece perpetuamente surpreso pelas vicissitudes da vida. depilar e pintar. Essa diferença provocou muitas "melhorias ". Quase todos nós. A cada ênfase verba!. fazemos repetidos movimentos cor porais para enfatizar o que dizemos. em particular. esse é um movimento associado a uma expressão triste. e as sobrancelhas das mulheres tornaram-se artificialmente ainda mais finas e menores. significa uma surpresa m edianamente desagradável. Se duas pessoas que se conhecem estão sentadas uma ao lado da outra e uma terceira pessoa se aproxima e faz alguma coisa que causa desconf orto. alegava-se que coroavam a mulher mais bela.

Se uma mulher achasse que suas sobrancelhas ocupavam uma posição feia na te sta. disponível em cinco fascinantes tonalidades". o método preferido é amarrar um fio fino ao redor de cada pêlo a ntes de arrancá-lo. A form a artificial das sobrancelhas tem variado muito ao longo dos séculos e de pessoa p ara pessoa. Quando fazia isso.No século XX. sobrancelhas artificialmente alteadas dão à mulher uma aparência de criança inocente de olhos bem abertos. A ponta de metal da pinça poderia quebrar o fio. quando "o lápis de sobrancelhas estava presente em qual quer nécessaire. que com isso cresceria mais rápido. Para algumas mulheres. Para elas. Esse método é popular na Ásia e no Orie nte Médio. obedecendo a sut ilezas estéticas. Ma s é claro que ele deve ser adaptado às características de cada rosto. poderia removê-las e pintá-las em outro formado. as novas so brancelhas quase sempre eram desenhadas acima das verdadeiras. utilizava-se o lápis para enfatizar o fino arco de pêlos que sobrevivera. dizia-se que "sobrancelhas levemente arqueadas combinam com a modéstia de u ma virgem". Depois de reduzir a e spessura das sobrancelhas. o que garante a remoção da raiz. De fato. Desenhar as sobrancelhas de acordo com a moda da época e. o auge do costume de depilar as sobrancelhas ocorreu no entre-guerra s. ao mesmo tem po. . fazer com que elas se harmonizem com o rosto tem exigido muito cuidado. Sobrancelhas muito baixas podem dar à mulh er uma aparência tão sinistra que se diz que ela tem "sobrancelhas de bruxa". No final do século XVIII. Um e specialista no desenho de sobrancelhas afirma que "o desenho ideal é o que tem doi s terços do comprimento numa curva ascendente e um terço numa curva descendente". nas décadas de 1920 e 30. o uso de uma pinça era considerado muito g rosseiro.

a decisão de não depilar as sobrancelhas e deixá-las na forma natural era vista como um sinal de pouca sensualidade..) Finalmente. e a extravagância estava justamente na natureza dessa substituição: as sobrancelhas falsas eram feitas de pele de rato. quarto.] depilar as sobrancelhas". uma antiqüíssima superstição afirma que a mulhe r que tiver sobrancelhas unidas deve ser uma vampira. a moda ordenava que as sobrancelhas fossem raspadas e substituídas . quando existem. (Quem adoraria essa decisão é o profeta Maomé.O exemplo mais bizarro de sobrancelhas falsas talvez venha da Inglaterra do século XVIII. um caso polêmico envolveu um hospital londrino. A jovem apresentou que ixa. alegando que a proibição era um cerceamento à sua liberdade. mas a decisão da diret ora foi mantida pelo conselho do condado. Na década de 1930. Primeiro.. . os pacientes do hospital foram protegidos do estímulo erótico que representaria um par de sobrancelhas delicadament e depiladas. Não são muito comuns. darão a impressão de um r osto permanentemente fechado. Terceiro. Segundo. raramente deixam de ser depiladas. E. Qualquer mulher que nasça com essa forma de sobrancelhas prefere sofrer para depilar os indesejáveis pêlos que cob rem o espaço acima do nariz. Na época. Esperava-se que as mulheres que trabalhavam em condições impróprias a manifestações de sensualidade deixassem as sobrancelhas intocad as. convém mencionar as sob rancelhas tão unidas que criam uma linha ininterrupta de pêlos. Com tanta preocupação em melhorar a aparência femi nina. Assim. e. esse excesso de pêlos n a testa é uma característica masculina. há algo de "animal" em ter pêlos onde não devia haver nenhum. que afirmou: "Maldita seja a mulher que [. Há várias razões para isso. se os pêlos permanecerem ali. cuja diretora não permitiu que uma enfermeira depilasse as sobrancelhas.

Juntas, essas maldições fazem qualquer mulher correr em busca de uma pinça. Para mante r suas sinistras sobrancelhas unidas, ela teria que estar "acima da moda". Essa mulher existiu no século XX: a famosa pintora mexicana bissexual Frida Kahlo. Para ela, as sobrancelhas unidas e espessas se tornaram uma marca pessoal, que ela r eproduziu fielmente em seus auto-retratos. "Pairando acima de seus penetrantes o lhos negros como um pássaro no vôo", assim elas foram descritas. Como afirmou um críti co: "Frida Kahlo pode ter sido uma mulher interessante e criativa, mas tinha ape nas uma sobrancelha, que se estendia de um lado a outro do rosto como a Grande M uralha da China, e, como tal muralha, provavelmente era avistada da Lua". É incrível que essas reações sejam causadas pela simples presença de uns poucos pêlos pretos acima do nariz. As sobrancelhas costumam passar tão despercebidas que só paramos para pre star atenção nelas quando algo estranho acontece. Nos anos recentes, excetuadas as i diossincrasias de Frida Kahlo, só numa ocasião pesadas sobrancelhas femininas foram consideradas aceitáveis e, por um período, até mesmo populares. Isso aconteceu na década de 1980, quando o movimento feminista entrou numa fase em que as mulheres passa ram a acreditar que parecer um homem era uma boa maneira de competir com eles. F oi nessa época que a jovem atriz Brooke Shields apareceu nas telas exibido sobranc elhas que foram descritas como "lagartas". Elas não se uniam no meio, como as da K ahlo, mas eram tão espessas quanto as de um homem, o que lhe dava um olhar feroz e determinado. Desde então, à medida que as mulheres foram fazendo mais sucesso como mulheres, e não como pseudomachos, suas sobrancelhas voltaram à forma arqueada e fin a que foi preferida durante séculos. Como Shakespeare afirmou em Conto do inverno: "Não é por terdes sobrancelhas negras. Dizem até que

sobrancelhas escuras são as que melhor assentam nas mulheres, desde que não sejam mu ito espessas, mas apenas um semicírculo ou meia-lua traçados a pena".

4. Orelhas As orelhas femininas nunca foram bem tratadas: têm sido ignoradas ou mutiladas. Os pós e pinturas que costumam ser aplicados ao rosto as ignoram. Enquanto um rosto meticulosamente enfeitado ocupa o centro do palco, as orelhas são esquecidas c mui tas vezes escondidas sob os cabelos. E, quando se revelam, têm servido apenas como campo de testes para a criação de jóias. Nas raras ocasiões em que as orelhas são objeto de cirurgia plástica, a solução é torná-las ainda mais imperceptíveis. É o que ocorre quando relhas proeminentes são coladas à cabeça. Mas, antes de analisar mais detalhadamente o s abusos culturais perpetrados contra as sofridas orelhas femininas, convém examin ar a biologia e a anatomia dessa parte do corpo. A parte visível da orelha é bastant e modesta. No curso do processo evolutivo, ela perdeu as extremidades pontiaguda s e a mobilidade. As extremidades sensíveis desapareceram, curvadas numa borda rol iça. Mas nem por isso ela deve ser tratada como um resíduo inútil. A principal função do o uvido externo — uma trompa de carne e sangue — é coletar o som. Não somos capazes de eriça r as orelhas como outros animais, nem de torcê-las para descobrir de onde vem um b arulho repentino, mas ainda podemos detectar uma fonte sonora. O que os humanos perderam em flexibilidade da orelha ganharam em mobilidade da cabeça. Quando um ce rvo ou um antílope ouvem um som alarmante, erguem a cabeça e torcem as orelhas em to das as direções. Quando ouvimos um som desse tipo, giramos a cabeça, o que funciona qu ase da mesma maneira. Embora nossas orelhas pareçam rígidas, ainda conservam um mínimo dos movimentos que originalmente possuíam. Se retesar os músculos da região auricular e se

olhar num espelho, você terá um vislumbre desse movimento de proteção: suas orelhas tent arão se colar ao crânio. Animais que possuem orelhas grandes e móveis quase sempre as achatam quando estão lutando, na tentativa de mantê-las a salvo de um ataque. Nós, hum anos, ainda fazemos isso automaticamente: a pele da cabeça se retesa em momentos d e pânico, mesmo que nossas orelhas permaneçam em sua habitual posição de repouso. A form a da orelha é importante para a perfeita transmissão dos sons ao tímpano. Uma pessoa q ue teve a infelicidade de ter as orelhas decepadas com certeza possui uma audição be m menos eficiente. Os canais auditivos e o tímpano constituem um "sistema ressonan te", no qual alguns sons são enfatizados à custa de outros. A forma aparentemente al eatória da orelha — suas dobras e curvas — na verdade foi especialmente criada para ev itar distorções desse tipo. Uma função menos importante da orelha é o controle da temperat ura. Os elefantes balançam suas enormes orelhas quando estão com muito calor. o que os ajuda a resfriar o corpo. Há uma profusão de vasos sangüíneos próximos à superfície da pel , e o calor que se perde desse jeito pode ser importante para muitas espécies. Par a nós, a quentura das orelhas desempenha um papel secundário na regulação térmica, mas tor nou-se um sinal social. Se uma mulher sente um forte calor num momento de confli to emocional, suas orelhas podem ficar vermelhas. Esse rubor tem sido objeto de comentários desde tempos muito remotos. Há quase 2 mil anos, Plínio escreveu: "Quando nossas orelhas se avermelham e queimam, alguém está falando de nós na nossa ausência". E Shakespeare faz Beatriz perguntar, quando outros estão falando dela: "Que fogo é es se em minhas orelhas?"

Finalmente, nossas orelhas parecem ter adquirido uma função erótica com o desenvolvime nto de macios lóbulos carnosos. É uma função que não está presente em nossos parentes mais p róximos e parece ser uma característica exclusivamente humana, decorrente do aumento de nossa sexualidade. Os primeiros estudiosos da anatomia humana viam na orelha um apêndice inútil", "uma parte da face aparentemente sem utilidade, a não ser a de p oder ser furada para carregar ornamentos". Mas estudos recentes sobre o comporta mento sexual revelaram que, um momentos de forte excitação, os lóbulos das orelhas se intumescem e se enchem de sangue, o que os torna mais sensíveis ao toque. Ter os lób ulos das orelhas acariciados, sugados e beijados durante o ato sexual é uma forte estimulação para muitas mulheres. Segundo Kinsey e seus colegas do Instituto de pesq uisas Sexuais de Indiana, há alguns casos raros de mulheres que conseguem atingir o orgasmo em conseqüência da estimulação das orelhas. No centro da orelha abre-se o cana l auditivo, um conduto estreito de cerca de 2,5 cm, ligeiramente curvo, o que o ajuda a manter aquecido o ar existente no seu interior. Esse aquecimento é importa nte para o funcionamento adequado do tímpano, que se situa na extremidade do canal e é um órgão extremamente delicado. Além de manter o tímpano aquecido, o canal também o pro tege de danos físicos. O preço que pagamos por essa proteção, porém, é a presença em nosso co po de um recesso profundo, que não conseguimos limpar com os dedos. Podemos limpar todo o nosso corpo com relativa facilidade, livrando-o da sujeira e de pequenos parasitas, mas, se um objeto invadir nosso canal auditivo, teremos problemas. A tentativa de remover a sujeira com bastonetes pode danificar o tímpano. Por isso, precisamos de uma proteção especial contra intrusões desse tipo. A evolução nos proporcio nou a resposta para isso na forma

de pêlos que impedem a entrada de insetos maiores e da cera que repele criaturas m enores. A cera cor de laranja, com um gosto amargo que repele os insetos, é produz ida por 4 mil minúsculas glândulas ceruminosas, que na verdade são glândulas apócrinas alt amente modificadas — do tipo que produz o suor de cheiro forte nas axilas e no int erior das pernas. Não cabe aqui detalhar o funcionamento do ouvido. Resumidamente, diremos que as vibrações sonoras atingem o tímpano e se convertem em impulsos nervoso s que são transmitidos ao cérebro. O tímpano é incrivelmente sensível, capaz de detectar a menor vibração. Essas vibrações são então transmitidas ao ouvido médio através de três peque ssos de formas estranhas (martelo, bigorna e estribo), que amplificam a pressão da s ondas sonoras 22 vezes. O sinal amplificado então passa ao ouvido interno, onde entra em ação um estranho órgão em forma de caracol e cheio de fluido. As vibrações produzid as nesse fluido ativam milhares de células ciliadas — cada uma sintonizada com uma d eterminada vibração —, que identificam as freqüências que compõem um som e transmitem essa i nformação ao cérebro por intermédio do nervo auditivo. O ouvido interno também contém órgãos ais para o equilíbrio. São três canais semicirculares, cada um relacionado a um tipo d e movimento: os movimentos para cima e para baixo, os movimentos para a frente e os movimentos laterais. A importância desses órgãos cresceu radicalmente quando nosso s ancestrais começaram a se pôr de pé e adotaram a forma de locomoção bipedal. Um animal q ue se apóia sobre quatro patas é relativamente estável, mas a posição ereta exige constant es e sutis adaptações do equilíbrio. Esses órgãos do equilíbrio são de fato mais vitais para nossa sobrevivência do que as partes do ouvido que lidam com os sons. Uma pessoa

Hoje.surda pode sobreviver com maior facilidade do que a que perde o sentido do equilíb rio. Aos 60 anos. capazes de danificar nossa audição. com o alcance cada vez menor da adição. Por isso. Ela já terá sorte se conseguir detectar qualquer freqüência acima de 15 mil ciclos por segundo. Nossos ouvidos têm uma grande sensibilidade ao volume do som. temos exp losivos de alto poder e uma enorme variedade de equipamentos de som poderosíssimos . embora eles sejam capazes de ouvir uma única voz num local silenci oso. Isso ocorre porque. declina para cerca de 12 mil. uma m ulher de meia-idade que tenha pagado uma fortuna para instalar um sistema desse tipo deve ficar chateada ao descobrir que os únicos membros da família capazes de ap reciar tudo isso são seus filhos mais jovens. Não havia nada mais alto para ferir nossos sensíveis tímpanos. Um dos aspectos desagradáveis da nossa audição é que ela começa a declinar desde que nascemos. Os modernos sistemas de som funcionam a freqüências superiores a 20 mil ciclos por segundo. . Nossos ouvidos servem como um lembrete de que vivemos num mundo muito diferente daquele do qual nos originamos. e continua caindo cada vez mais à medida qu e os anos passam Para os muito idosos. e por isso não criamos nenhuma proteção especi al contra sons muito altos. Na adolescência. o alcance máximo cai para 20 mil ciclos por segundo. Como outras espécies. é um problema ouvir uma conversa numa sala cheia de gente. Um bebê pode detectar freqüências de ondas sonoras de 16 a 30 mil ciclos por segundo. é difícil distinguir di ferentes vozes quando várias pessoas falam ao mesmo tempo. evoluímos num mundo relativame nte silencioso quando os sons mais altos eram roncos e gritos. graças a nossa infinita engenhosidade.

Infelizmente. Ele está presente na maioria das orelhas. mas o uso de impressões digitais alcançou tal avanço que é difícil dizer se as formas da orelha teriam alguma utilidade. A diferença entre eles é que os lóbulos soltos pendem do pont o de contato com a cabeça.171 orelhas de europeus descobriu que 64% delas tinham lóbulos soltos e 36%. os únicos a re alizar estudos detalhados sobre as partes da orelha . No último século. quando tínham os orelhas pontiagudas que podiam se mover à procura dos sons mais fracos. ele tem uma característica importante. é verdade que não existem duas pessoas com orelhas precisamente iguais. E uma protuberância minúscula. e a identificação auricular foi esquecida. As pessoas têm lóbulos "sol tos" ou lóbulos "colados". Cuidadosas pesquisas revelaram que eles estão presentes de uma forma mais evi dente em cerca de 26% dos europeus. mas quase sempre é tão pequeno que mal se consegue percebêlo. lóbulos colados. Entretanto. Em outr as palavras.Voltando ao ouvido externo. A primeira é o lóbulo. você o encontrará a mais ou menos um terço do caminho. São detalhes como esses que tornam possível a id entificação de criminosos. das quais duas merecem especial menção. chegou-se a pensar em utilizar essa pro priedade para identificar criminosos. mas Darwin estava convencido de que é remanescente de nossos primórdios. Um médico que se deu o trabalho de examinar 1. esses "pontos são vestígios de orelhas que um dia foram eretas e pontud as". Se apalpar a parte interna da borda partindo de ci ma. A segunda parte que merece menção é a pequena saliência na borda da orelha. há muito tempo se afirma que é possível identificar um ind ivíduo pela forma da orelha. mas um método concorrente — o das impressões dig itais — prevaleceu. Além da s variações de tamanho. chamada tubércu lo de Darwin. Treze regiões da orelha f oram classificadas.

vários significados têm sido atribuídos à orelha. s urpreendentemente ressurgiram na década de 1980. Simbolicamente. são um insulto à inteligência h umana. por exemplo. quando foi possível ler que uma ore lha grande é sinal de um indivíduo realizador. Ess as e centenas de outras "leituras". que uma orelha pequena e bemformada p ertence a um conformista. Em regiões do Oriente. ao contrário. jovens púberes eram obrigadas a passar por um ritual de . A explicação para essa controvérsia talvez seja o fa to de que os criminologistas consideram apenas a cabeça. Por ser uma aba de pele ao redor de um orifício. e que uma orelha pontiaguda revela um oportunista. As orelhas dos endomorfos seriam coladas à cabeça. uma expressão de gíria para a v ulva é "a orelha entre as pernas". tem sido considerada símbo lo dos genitais femininos. Na Iugoslávia. que perderam qualquer credibilidade no início do século XX. enquanto os somatologista s levam em conta todo o corpo.são os modernos fisionomistas. Criminologistas que estudam detalhes faciais afirmam que o formato da orelha não pode ser previst o pelas feições do rosto. com suas alegações românticas de que é possível determinar o caráter e a personalidade de uma pessoa pela leitura de suas proporções faciais. teriam a aurícula projetada lateralment e e mais desenvolvida que o lóbulo. Diante de um rosto redondo ou de um rosto anguloso. Seus comentários fantasiosos.. As orelhas dos ectomorfos. Em algumas culturas. é impossív el prever se ele possui orelhas arredondadas ou angulosas. a mutilação das orelhas foi us ada para substituir a circuncisão feminina. Alegam que os endomorfos (os mais rechonchudos) e os ectomorfos (Os mais ossudos) possuem diferentes tipos de orelhas. Os somatologistas dis cordam. às vezes detalhadas. e sua popularidade no final do século XX é difícil de entender. com lóbulo e aurícula (a concha da orelha) igualmente bem desenvolvid os.

Karna. tinha parido virgem. filho do rei-sol hindu. onde essa veia se divide em duas. e que. Quando Gargamelle está prestes a dar à luz. passando pelo diafragma e pelos ombros. Algumas dessas estranhas superstições explicam o antigo costume de furar as orelhas para nelas colo car brincos. e daí toma a direção esquerda. Isso tem sido apresentado como desculpa para puxar as orelhas das crianças quando elas desobedecem. Por trás do castigo está a idéia de que es sa ativação da orelha é capaz de despertar a inteligência que ali dorme. Gargantua também vem ao mundo dess a maneira incomum. "todas as mulheres poderiam parir seus filhos pela orelha". ent rando pela veia cava. se Deus qui sesse. Algumas lenda s também afirmam que Buda nasceu da orelha de sua mãe. Kunti. No antigo Egito. Suria. publicada cm 1653. Pelo fato de as orelhas serem vistas como genitais femininos em muitas diferentes culturas. Na obra satírica de François Rabe lais Gargantua e Pantagruel. a mulher adúltera tinha as orelhas decepadas com uma faca afiada — outro exemplo de sua relação c om os genitais. Um simbolismo completamente diferente atribui à orelha o significado de sabedoria — porque é ela qu e ouve a palavra de Deus. não surpreende que algumas divindades tenham nascido p ela orelha. teria nascido dessa forma. "a criança salta e. saindo pela sua orelha esq uerda".iniciação em que buracos eram perfurados em suas orelhas. mas se defende afirmando que não há na Bíblia nada que contradiga essa forma de nascimento. vai subindo. Acr edita-se que isso significa que sua mãe. Essa forma primitiva de mutilação tem se mostrado persistente e é um dos poucos tipos de deformidade artificial que se mantém populares no mundo . O autor admite que é difícil acreditar em tal fato.

são puramente decorativos e usados apenas por motivos estét icos. quase todos os bri ncos. a maioria das mulheres que furam as orelhas o fazem com propósitos puramente estéticos. de modo que as orelhas pendessem cada vez mais para baixo. sem saber o que isso significou no passado. nesse processo. Brincos pesados. isso tinha diversas explicações. . ela era considerada feia demais para se casar. essas diferentes e originais razões para o uso de brincos foram esquecidas. Nas culturas tribais nas quais lóbulos longos estiveram na moda a mutilação gera lmente começava na infância: os bebês já tinham as orelhas perfuradas. a beleza da jovem estaria imediatamente perdida. é necessário proteger todos os orifício s pelos quais eles possam ter acesso. só as meninas de longas orelhas eram consi deradas belas. Esses pequenos fu ros eram posteriormente alargados. Em algumas culturas. a longa alça de carne se rompesse ao peso dos ornamento s. que empurrem os lóbulos para baixo e os façam parecer mais long os. Na puberdade.moderno. Na era moderna. As realmente bonitas tinham que apresentar orelhas na altura dos seios. Um estudo de primitivas esculturas h indus. Como as orelhas são a sede da s abedoria. Hoje. especialmente os lóbul os. Se. aumentariam a sabedoria e a inteligência. Durante um longo período. tribais e urbanos. Como o demônio e outros espíritos malignos estão sempre tentando entrar no corpo humano para dominá-lo. budistas e chinesas revelou que reis e rainhas sempre possuíam lóbulos alonga dos. Em tempos remotos . ano após ano. Outras crenças primitivas diziam que usar brincos curava defeitos de visão ou p rotegia contra afogamentos. Acreditava-se que o uso de amuletos da sor te nas orelhas era a melhor proteção contra os demônios. acreditavase que os sábios têm orelhas muito grandes.

Essa desaprovação em nada alterou esses costumes trib ais. qualquer tentativa de melhorar ou modificar a forma humana era uma ofensa a Deus. encontramos exemplos desse extremo alongamento das orelhas f emininas em todo o mundo. pesadas argolas de cobre vão sendo acrescentadas até que seu peso a tinja 1 quilo.Surpreendentemente. potes de geléia ou latas de alimento. o m undo ocidental se chocou e se horrorizou com essas formas excessivas de mutilação. em lug ares tão distantes quanto Bornéu e Brasil. O costume parece ter nascido independentemente. são inseridos no lóbulo da orelha. são removidos em sinal de luto. um buraco tão grande que um braço poderia passar por ele". seria ridicularizada por "ter orelhas de porca". Numa tribo. a ponto de fa zê-las pender à altura dos ombros. que as nativa s imploram aos ocidentais. Nele. Em algumas tribos. John Bulwer dedicou todo um capítulo de seu livro A View of lhe People of the Whole World (Uma visão dos povos de todo o mundo) para atacar "as modas ou cer tas estranhas invenções dos povos para remodelar as orelhas". Em outra ainda. acusava as mulhe res que "julgam muito atraente ter as orelhas vergonhosamente perfuradas". durante o funeral . Em séculos passados. cinqüenta argolas de bronze de 10 cm de diâmetro são penduradas em cada o relha. que f azem nelas furos e neles "colocam um chumbo. Nas ilhas da Nova Guiné. O tamanho dos ornamentos chega a ser assustador. Eram uma parte muito importante da sua história . Então. Para Bulwer e sua época. os pesados brincos que pendem das orelhas das mul heres casadas só podem ser retirados quando o marido morre. se uma menina ousasse ignorar esse costume. Em certas culturas. Em outra. África e Camboja. E m 1654. uma festa é dedicada ao ritual de furar as orelhas d as jovens. cujo peso as estende.

em toda a borda. mas correntes on de penduravam um pouco de tudo. com o drástico aumento dos piercings. mas substi tuídos diariamente para combinar com outros ornamentos. facilmente removíveis: são brincos de pressão ou pingentes presos a um único f uro pequeno.cultural para serem abandonados. para que uma série de brincos pudessem ser atarraxados a ela.122 pares. no final do século XX. Algumas mulheres possuem a penas uns poucos pares. as orelhas d as mulheres ocidentais passaram a carregar múltiplos brincos. de lâminas de barbear a lâmpadas elétricas. mas outras são viciadas em adquirir grandes quantidades de brincos. Grandes alfinetes de fralda eram os ornamentos preferidos. a orelha era perfurada várias vezes. A detentora do recorde (segundo o Guinness Book) é uma americana da Pens ilvânia que reuniu uma coleção de 17. influências externas podem ter p osto fim a formas mais extremas de mutilação. não são usados o tempo todo. o mundo ocidental nunca apresentou nada capaz de competir com os lóbulos estendid os dessas sociedades tribais. Os exemplos mais extremos que podemos oferecer são e ncontrados no breve florescimento do rock punk da década de 1970. Apesar da extravagância de sua moda. Querendo chocar. Em alguns casos. Mas eles eram impacientes demais par a esperar o lento e gradual alongamento dos lóbulos praticado nas outras tribos. Em vez de um só furo. porém. M ais tarde. Hoje. mas em muitas outras sociedades remota s eles ainda sobrevivem intocáveis no século XXI. os punks enfiavam objetos bizarros nos lóbulos das orelhas grosseiramente perfura dos. Se . também eram usadas pelas tropas de choque da nova onda. Ao contrário dos brincos tribais. a maioria das mulheres usa ornamentos simples.

.usasse um por dia. levaria quase meio século para usar todos.

e no entanto faz a m ais sofisticada câmera de tevê parecer um utensílio da Idade da Pedra. aos cíli s e à pele ao redor dos olhos. Em praticamente todas as civilizações importantes na história do mun do. cosméticos negros cobri am as pálpebras. delineadores. os restantes 7 milhões são células cônicas que . proporcionando uma visão binocular do mundo. dizendo-lhe o que está vendo. e. o satirista romano Marcial fez o seguinte comentário mordaz: "Você pisca para os homens com pálpebras que tirou de uma gaveta pela manhã". Dessas. cílios postiços e lentes de contato coloridas — todos esses recursos são usados para embelezar os olhos femininos. aparelhos para curvar os cílio s. Sombras. Sabe-se que há mais de 6 mil anos usa-se maquiagem nos olhos. no primeiro ano da era cristã. co m os dois olhos colocados na frente da cabeça. Mas. No antigo Egito. que tal examinarmos o olho em seu estado natural? Os olhos são os mais importantes órgãos dos sentidos.5 cm de diâmetro. Calcula-se que 80% das informações que recebemos do mundo exterior ent rem por essas notáveis estruturas. os macacos. antes de analisar todas essas melhorias. contém 137 milhões de células que enviam mensag ens ao cérebro. O olho humano tem apenas cerca de 2. 130 milhões são células arredondadas responsáveis pela visão em branco e preto. Nisso não diferimos muito de nossos par entes próximos. inúmeras e sutis variações de sombras coloridas têm sido aplicadas às pálpebras.5. Toda a ordem dos primatas é predominantemente visual. A retina. continu amos sendo animais essencialmente visuais. Olhos Há muitos séculos os olhos femininos tem sido foco de grande atenção. que é s ensível à luz e se situa no fundo do olho. Apesar de tudo o que falamos e ouvimos.

Sob esse aspecto. essas células sensíveis à luz podem processar 1. Entretanto. Em século s passados. É provável que o resultado seja um brilho ofuscante.permitem a visão em cores. . Sendo tão complexo. contrai-se ao tamanho de uma cabeça de alfinete. Podem ver uma ima gem vaga banhada em um halo de luz — muito diferente da imagem nua e crua. No centro do olho situa-se a pupila ne gra — a abertura através da qual a luz penetra para chegar à retina. po rque dava aos homens que as olhavam a falsa impressão de que eram amados (mesmo qu e eles estivessem diante do rosto devastado e envelhecido de uma libertina). as cortesãs da Itália pingavam gotas de beladona nos olhos antes de rece ber um visitante. É fácil entender essa segun da reação. isso pode ser uma vantagem para os jovens amantes quando olham no fundo das pupilas do ser amado. quando vê algo de sagradável. mas.5 milhão de mensagens simultâneas. em v ez de uma imagem precisa e nítida. A todo momento. Até o cérebro cresce mais que o olho. porque a maior contração da abertura da pupila reduz a iluminação da retina e "ap aga" a imagem repugnante. deixando que luz demais flua para a retina. mas também possui uma outra curiosa função. a pupila se expande mais que o normal. A pupila aumenta de tamanho com a luz fraca e diminui com a luz forte. e com isso controla a quan tidade de luz levada à retina. o olho funciona como uma câmera de diafragma ajustável. Difícil é explicar a dilatação da pupila que ocorre diante de uma visão atraente. Se o olho vê alguma coisa de que gosta muito. Isso dilatava muito as pupilas e as tornava mais atraentes. não surpreende que o olho seja a parte do corpo a apresentar o menor crescimento entre o nascimento e a idade adulta. Isso deve interferir na precisão de nossa visão.

Pessoas de olhos azuis não têm um pigmento azul: simplesmente possuem menos pigmento que outras. mas isso não se deve à variedade de pigmentos.Ao redor da pupila fica a íris colorida. os brancos desenvolvem a melanina na parte fro ntal da íris. a córnea. A cor da íris varia consideravelmente de pessoa a pessoa. Essa função é desempenhada por músculos involuntários. É isso que faz. ao passo que os de pele morena e negra têm olhos escur os. à medida que eles crescem. o que cria a ton alidade azulada. Quem exibe um anel castanho escuro ao redor das pupilas tem uma quantidade generosa de melanina nas camadas frontais da íris. Mas. Indicam uma perda de melanina e parecem ser parte da palidez gerai do corpo que ocorre à medida que a pessoa se move da z ona equatorial em direção a regiões menos ensolaradas. Quase todos os bebês brancos têm olhos azuis quando nascem. Esse efeito é mais intenso quando comparamos os bebês da raça branca com os da raça negra. de modo que nun ca conseguimos controlar deliberadamente o tamanho da pupila. o disco contrátil responsável pelas mudanças de tamanho da pupila. Se a melanina ali p resente é menor e o pigmento fica quase todo confinado às camadas mais profundas da ír is. Cobrindo a pupila e a íris exis te uma camada transparente. variando do verde ao cinza ou azul ã medida que o pi gmento diminui. Apenas numa porcentagem muito pequena isso não ocorre e os olhos permanecem azuis. e ao redor dela a parte que . e seus olhos escurecem pouco a pouco. os olhos serão mais claros. A coloração violeta se deve ao sangue que corre por entre a íris. Olho s claros são portanto quase uma ilusão óptica. da e xpansão e da contração da pupila um sinal confiável de nossas reações emocionais às imagens v suais. Nossas pupilas não mentem.

em situações de sociabilidade. Os dois canais se un em num único cubo que transporta as lágrimas "usadas" para o interior do nariz. nós choramos. Só no homem a parte bran ca do olho é visível. A maioria dos animais tem olhos redondos e "fundos". Essa par te não-óptica do olho é uma característica exclusivamente humana. Esse s olhos ainda estão mais próximos da forma circular do que da oval. que ficam embutidas sob as pálpebras. O mesmo o corre nos primatas inferiores. O efeito dessa pequen a mudança evolutiva é que. Essa é uma segunda característica . visíveis na forma de minúsculos folículos na raiz dos cílios. Nos humanos. e o excesso de lágrimas se e spalha pelas faces. que tecnicamente tem o nome de esclerótica. É o at o de piscar que umedece e limpa a córnea.chamamos de "branco do olho". as pálpebras são margeadas por cílios curvos e têm bordas oleosas. Circundando a parte visível dos olhos. Quan do uma irritação dos olhos ou uma forte emoção fazem a glândula lacrimal produzir mais lágri mas do que os canais são capazes de drenar. a brancura dos olhos os torna mais evidentes. pequenas mudanças de direção são fa mente detectadas. O processo é auxiliado pela secreção das lágrima s. não existem partes brancas visíveis. produzidas pelas glândulas lacrimais. Entretanto. um na pálpebra superior e outro na pálpebra inferior. mas alguns macacos já apresentam a pele ao redor do s olhos ligeiramente esticada para trás e para os lados. o que cria "cantos". mesmo ã distância. mas nos primatas superiores os olhos são mais elípticos. e a área exposta de cada lado da íris é marrom-escura. Essa oleosidade é fruto de secreções de diminutas glândulas. Esse canais se situam na extremidade interna das pálpebras. mais próximos da forma humana. As lágr imas são drenadas através de dois canais lacrimais — também visíveis como pontos um pouco maiores nas bordas das pálpebras.

mas esse fo rmato muda gradualmente à medida que o nariz se afina e toma outra forma com a ida de. porque somos o único animal que chora quando está emoci onado. mas só entre os orientais se conse rva na idade adulta. Essa pr ega está presente no feto humano em todas as raças. porém.exclusiva dos olhos humanos. Se nossos ancestrais fossem mais aquáticos. têm uma característica excepcional: não embranquecem com a idade como os c abelos e os pêlos do corpo. Entre os povos orientais. são totalmente transparentes e u sados como óculos de sol naturais. em outros. em maior quantid ade na pálpebra superior do que na inferior. No canto interno do olho. são colorido s e piscam para dar algum sinal. hoje totalmente inútil. Em muitas espécies. que nos proporcionam uma franja de proteção acima e abaixo dos olhos. Cada olho tem cerca de duzentos cílios. Alguns bebês ocidentais nascem com olhos puxados. Os orientais possuem uma proteção adicional para os olhos: o epicanto. Os cílios têm o mesmo tempo de vida que os pêlos das sobrancelhas. entre os dois canais lacrimais. Alguns animais os usam co mo um "limpador de pára-brisa" que pisca para limpar o olho. o epicanto parece ter se conservado como adaptação ao frio. Os patos mergulhadores têm esses órgãos transparentes e espessos. É o vestígio de nossa terceira pálpebra. todo o rosto é mais gordo. desfrutaríamos hoje de outr os prazeres. são órgãos de alguma funcionalidade. existe uma pequ ena protuberância rosada. uma prega cutânea sobre a pálpebra superior que dá aos olhos o formato oblíquo. Neles. e essa prega . e cada cílio dura entre três e cinco mese s antes de cair e ser substituído. e os empurram para fora da córnea quando estão nadando debaixo d'água. mais achatado e mais adequado às baixas temp eraturas. em outros ainda. ou subaquáticos. As pestanas.

O olho fem inino é ligeiramente menor e mostra uma proporção maior da parte branca. que mata as bactérias e prote ge o olho de infecções. Contêm uma enzima chamada lisozima.cutânea ajuda a proteger a delicada região dos olhos contra um ambiente hostil. mas é difícil dizer se isso se deve a uma diferença biológica ou a uma educação que exige que os homens não demonstrem suas emoções. Em muitas cul turas. e. parece ser u ma diferença mundialmente disseminada para ser apenas produto da cultura. com a invenção da escrita. A fo rma dos olhos orientais é indiscutivelmente atraente. mestre na arte da retórica que viveu em Roma na época de Cristo parece ter sido a primeira pessoa a tentar resolver esse terrível problema. Sêneca. conseguia ler tudo o que encontrava . ape sar da vista fraca. Quase não há diferença entre os olhos de homens e mulheres. tornou-se ainda mais agudo. não só devido à imprecisão na obtenção de informações visuais mas mbém porque a constante tensão de tentar enxergar causa fortes dores de cabeça. e hoje os hospitais estão cheios de jovens com os olhos cobertos de bandagens depois de se submeterem ao bisturi do cirurgião para ter ol hos ocidentais. Uma info rmação sobre as lágrimas: além de lubrificantes para a superfície exposta do olho. as glândulas lacrimais são mais ativas em mulheres emotivas do que em homens igualmente emotivos. Muitos velhos mestres precisavam que os mais jovens lessem para ele s. mas muitas mulheres no Extre mo Oriente não têm essa opinião. Conta-se que. O info rtúnio persistiu nas primeiras civilizações. A visão deficiente deve ter sido uma calamidade para muitos de nossos remotos ancestrais. elas são também bactericidas. Entretanto.

. Em seguida. Aros circulares produziam um olhar amplo. Benjamin Fran klin inventou as lentes bifocais. Em 1306. no século XIV. no século XVIII.. Os óculos torna ram-se parte da expressão facial. da mesma forma q ue uma máscara altera toda a expressão de quem a usa. Os óculos não faziam parte do rost o. foi descoberta. como se a curva do aro substituísse sobrancelhas arquea das. Não havia disfarce. No séc ulo XV. Só século XIII o filósofo inglês Roger Bacon registra a seguinte observação: "Se alguém examina r letras ou outros objetos diminutos por meio de um cristal ou vidro [. afirma que tal vidro poderia ser útil para os que tivessem vista fra ca. mas estético. No final do século.. na Itália. com o lado convexo voltado para o olho. e no entanto era impossível não notar a influência de suas linhas. Essa enge nhosa solução deveria ter levado à invenção dos óculos. surgiram as lentes para corrigir miopia.nas bibliotecas de Roma usando um "globo de água" como lente de aumento. uma das artes mais úteis do mundo. Essa breve história dos óculos não tem apenas in teresse médico. Mais ou menos na mesma época.] e se ele for cortado como o menor segmento de uma esfera. porque mudou a aparência dos nossos olhos. será capaz de ler muito melhor as letras. e elas lhe parecerão maiores" . fazendo a pessoa parecer mais feroz e dominadora. o uso de óculos se disseminou.". mas não foi isso o que aconteceu. Marco Pólo conta ter visto velhos chineses usando lentes para ler. e. surgiram finalmente verdadeiros óculos de leitura. As primeiras lentes de contato a dar bons resu ltados foram fabricadas na Suíça em 1887. embora não se saiba se essa invenção foi influenciada por Bacon... um monge em Florença fez um sermão que incluía a seguinte frase: "Não faz ainda vinte anos que a art e de fabricar óculos. como numa maquiagem sutil. Aros superiores pesados davam a impressão de uma f ronte cerrada. de modo que fica claro que.

A figura do minante geralmente se mantém indiferente a essas trocas e dificilmente se dá o traba lho de olhar para o subordinado durante uma conversa generalizada. Num contexto social. os movimento s oculares. o faz com um olhar direto. visíveis em contraste com o branco dos olhos. dilatados ou contraídos — tudo isso fica oculto. são uma constante fonte de informações. os subordinados tendem a observar os sup eriores. bloqueadas com o uso de lentes escuras. ficamos atentos a noss os amigos. Q uando amigos de igual condição se encontram. O que eles escondem? Suponhamos uma reunião social. O que nos dizem exatamente os movimentos oculares? Em tais reuniões. todos usam movimentos oculares de "subordinados". Mas. e os superiores tendem a ignorar os subordinados. Se ela avistar um indi víduo de condição superior. acompanhando-os com o olhar . fizer uma afirmação controversa ou manifestar uma opinião pessoal. Por isso. olhos instáve is. olha para outro lado. A pessoa em quem esse olhar s e fixa não consegue sustentá-lo e. Sempre que alg uém contar uma piada. Olhos penetrantes.O efeito dos óculos escuros é especialmente forte. exceto em circunstância s especiais. enquanto responde. Essa é cla ramente uma situação em que cerros indivíduos têm poder sobre outros e querem exercê-lo. lançará sobre ele um olhar atento e observador. os olhos do subordinado vão procurar o superior para observar sua reação. e o interlocutor pode apenas imaginar o que está acontecendo por trás da máscara dos óculo s. quando l ança uma pergunta a alguém. Se uma pessoa submissa e agradável entra numa sala. os movimentos dos olhos são bem diferente s. observando todos os presentes. Isso acontece porque a melhor maneira de demonstrar amizade com a linguagem c orporal é evitar uma atitude hostil e dominadora. olhos atentos ou desatentos. embota não o seja m. seus olhos vão osci lar de um lado para outro. Nesse caso.

do tipo olhos nos olhos. pode acionar deliberadamente um olhar atento. Se essas divindades vigiavam os homens. Esses truques raramente são usados p or indivíduos superiores. um amigo trata o outro como um pod eroso. mas também havia deu ses maus e . Se enxergam profund os poços escuros. Dessa maneira. sabem intuitivamente que seus sentimentos são correspondidos. acreditava-se q ue seres sobrenaturais vigiavam os atos humanos e influenciavam seus resultados. Passando do amor ao ódio. a não ser em situação especiais (como uma campanha eleitoral). o olhar fixo de uma pessoa furiosa é intimidador. olhamos para eles . Em tempos remotos. um olhar direto sustentado por mais de alg uns segundos é muito ameaçador. Quando eles falam ou se movem. Quando olham nos olhos do ser amado. Se uma mulher dominadora deseja agradar a alguém. Se vêe m uma pupila diminuta. Quando se dirige a um empregado ou serviçal com a intenção de manipulá-lo. os humanos sentiam-se protegidos. quando falamos e eles nos observam. podem se sentir intranqüilos ao perceber que nem tudo vai b em no relacionamento.como se eles fossem superiores. com isso. estão verificando inconscientemente o grau de dilatação da pupila. como tinham muito o que vigiar. Entre amantes. pode fazer isso adotando deliberadamente a linguagem corporal amistosa de um igual. Para a maioria de nós. a confiança é tanta que eles se olham sem o menor temor. era provável que tivessem muitos olhos e fossem onividentes. Um olhar fixo e prolongado. olhamos para eles de vez em quando. e. o faz sentir-se bem. quando as superstições eram comuns. e. é porque deviam ter olhos. e logo desviamos os olhos. para c hecar suas reações ao que dizemos. só ocorre em momentos de int enso amor ou ódio. Quando os deuses eram bons.

Como se acreditava que os piores efeitos do Olho do Diabo eram causados pela inveja. A crença no poder dos olhos maléficos se espalhou e ainda hoje sobrevive em algumas pa rtes do mundo. Mesmo hoje. os genitais eram geralmente representados abertos por duas mãos. e teria que pendurar um amuleto da sorte no berço da criança ou executar algum outro ritual de proteção. uma mulher comum era possuída pelo Olho do Diabo cont ra sua vontade. todos sobre os quais seu olhar recaía seriam vítimas de a lguma desgraça. Alguns desses objetos protetores funcionavam segundo o princípio de que uma imagem fortemente sexual podia distrair o Olho do Diabo e mantê-lo ocupado . Surpreendentemente. O olhar maldoso transformou-se na figura do Olho do Diabo. Uma mãe ficava horrorizada se u m estranho elogiasse seu bebê. al go terrível acontecia. com essa idéia em mente. Logicamente. Se todo mundo soubesse que. U m amuleto que sobreviveu é a ferradura. mas algumas ainda sobrevivem. muitas igrejas cristãs da Europa medi eval exibiam imagens de genitais femininos sobre as portas. Para intensificar a proteção. a ferradura era símbolo dos genitais femininos. . era importante não pro digalizar elogios a alguém que pudesse ser vulnerável. Se caísse sobre alguém. como amuleto de proteção.demônios — espíritos do mal com olhos malignos — cujo olhar podia causar um desastre. ela também já teria desaparecido. Desde então. Muitos amuletos e talismãs eram utilizados para proteger as pessoas dessas ameaças. principalmente nas reg iões mediterrâneas. Às vezes. que também é colocada numa casa para trazer bo a sorte. a maioria dessas imagens foram removidas ou escondidas durante a era vitoriana. para evitar que os d emônios entrassem no edifício. um pod er maligno e até mortal que podia atingir a vítima sem aviso. essas precauções supersticiosas ainda são levadas a sério.

O olhar feroz é uma versão mais complexa do olhar fixo. não é uma expressão que se mantenha por muito tempo. muitas mensagens podem ser lidas em suas várias expressões. Olhos baixos são às vezes sinal de modéstia. expressam uma "alegação de inocência". Trata-se de uma contradição. Há ne sse ato. mas o cenho se mantém franzido. Esse é outro movimento usado deliberadamente como um sinal. Uma pessoa verdadeiramente modes ta não move os olhos para a esquerda e para a direita. Isso dá ao olhar uma ex pressão . assim como no gesto de baixar a cabeça. Se os olhos se mantêm um segundo nessa posição. mas baixa-os para o chão. porque olhos arregalados geralmente são acompanhados de sobrancelhas erguidas. Olhar feroz. esse movimento dos olhos baseia-se na idéia de olhar para o céu em busca de que o divino seja testemunha da inocência. e duas partes do rosto precisam opor forças. Durante o olhar feroz. a idéia de reverência e submissão. Por essa razão. Ergu er os olhos para o céu. Baixar os olhos. Os olhos encaram a "vítima" be m abertos. É o comportamento natural dos su bordinados que não ousam encarar seus superiores. as pálpebras superiores são fortemente pressionadas pa ra cima e quase desaparecem sob as sobrancelhas abaixadas. Usado hoje só de brincadeira. Esse é um olh ar usado freqüentemente pela mãe que tenta dominar os filhos sem dizer uma palavra.Abandonando os olhos fantásticos dos espíritos do mal e chegando aos olhos verdadeir os de uma mulher.

por exemplo) pode ficar olhando por uma janela com um olhar des focado para impressionar os presentes. "Estou muito assustado para encarar você. Como ocorre com muitas reações automáticas dos olhos. um a versão "representada" é às vezes usada como sinal de falsa surpresa. Olhar desfocado. Isso ocorre quando estamos muito cansados ou sonhando acordados. Es se é um movimento usado para olhar alguém sem se dar a perceber. É uma expressão de desgosto. A expressão "olhar de esguelha" descreve perf eitamente esse gesto. . Olhar de soslaio. Também é um sinal de ti midez ou de reserva. o movimento vol untário de apertar os olhos também tem uma versão deliberada. Esse movimento aumenta o campo de visão e abre caminho para uma maior rec eptividade a estímulos visuais. Olhos apertados . A mensagem do olhar feroz é de raiva e surpresa. Abrir os olhos a ponto de mostrar o branco acima e/ou abaixo da íris costuma ser uma reação a uma surpresa m oderada. Trata-se de uma forma ar rogante. Olhos arregalados.inconfundível. Alguém que queira mostrar que está sonhando com algo especia l (um novo amor. Basicamente uma proteção contra o excesso de luz ou possíveis danos. Essa expressão de dor artificial implica que os presentes são a causa de uma angústia mais ou menos permanente. mas não consigo deixa r de olhá-lo" é a mensagem que ele contém. na qual fica evidente que a pessoa não está sofrendo com a exposição à luz ou tem endo uma ameaça.

de desprezo pelo mundo ao redor. porque parece que a pessoa está apertando os olhos deliberadamente. A superfície luminosa e cintilante dos olhos fica levemente umedecida por uma sec reção das glândulas lacrimais causadas por uma forte emoção. O fato de sermos capazes de chorar enquanto outros primatas não choram tem despertado considerável interesse. e há relatos de que as lontras também choram quando per dem os filhotes. Olhos brilhantes. Esse é o olhar dos apaixonados. Uma outra possibilidade é que o clima seco das savanas te nha aumentado a produção de lágrimas. O brilho dos olhos transmite uma mensagem in teiramente diference e é algo difícil de imitar (a não ser para atores profissionais). Há quem afirme que isso se deve ao fato de nossos ancestrais terem passado por uma fase aquática há milhões de anos. quando produzia lágrimas como uma reação à longa exposição à água do mar. mas não suficientemente forte p ara produzir lágrimas. Olhos úmidos. Isso explicaria por que ele é o único primat a a ter essa capacidade. da mãe orgulhosa e do at leta triunfante. dos fãs. Essa explicação aquática parece lógica. é possível que tenha conservado esses olhos lacr s quando voltou à terra firme como caçador. mas também o olhar da angústia. da aflição e da tristeza — em resumo. Chorar é um forte sinal social. A prega de pele dos olhos orientais às vezes cria uma falsa impressão de arrogância. e . de qualquer forte emoção que seja reprimida pouco antes do choro. As b aleias choram quando sofrem. Afirma-se ainda que as lágrimas são um produto da evolução da função de lim peza dos olhos em mamíferos que voltaram ao mar. S e há milhões de anos o homem passou por uma fase aquática.

leva mais ou menos 1/40 de segundo. A análise química das lágrimas produzidas pela tristeza e das lágrimas produzidas pela irritação dos olhos revelou que os dois líquidos contém diferente s proteínas.que o choro seja resultado da função de limpeza. A piscadela normal . Contra o argumento de que os outros mamíferos que habitam regiões secas não choram quando estão tristes. Deixando o tema dramático do choro e abordando o tema mais mundano d a piscadela. A visão de faces banhadas de lágrimas. hoje existem várias maneiras diferentes de piscar. seria então uma exploração secundária desse mecanismo de excreção. Eis algumas das diferentes maneiras de piscar: . Isso indicaria que o choro emocional é primordialmente uma maneira de l impar o corpo do excesso de substâncias químicas produzidas pelo estresse. como a uri na. o movimento das pálpebras que limpa e umedece a superfície da córnea a freqüentes inte rvalos durante o dia. que estimularia as pessoas a abraçar e con fortar o sofredor. É po r isso que a freqüência das piscadas pode ser usada como um indício do estado de espírit o. o que exp licaria por que "chorar faz bem": a melhora de humor seria fruto de uma mudança quím ica. as piscadelas também se tornam mais freqüentes. quando a produção de lágrimas aumenta. têm uma função excretora. Uma explicação completamente diferente parte da idéia de que as lágrimas. Pis car os olhos. Só no rosto se m pêlos da espécie humana as lágrimas brilhantes funcionariam como um forte sinal visu al. nas quais as lágrimas se perderiam. Mais u ma vez. Em estados emocionais. é difícil conciliar essa teoria com a ausência de lágrimas em animais como os ch impanzés. pode-se dizer que todos eles possuem faces peludas. que passam por momentos de forte tensão em disputas no mundo selvagem.

Como sugere um entendimento particular entre duas pessoas. a piscadela pode ser usada abertamente para "provocar" um te rceiro e fazê-lo sentir-se excluído. o gesto geralmente implica um convite sexual. Po r causa disso. usado apenas com um gesto "teatral". A mensagem q ue ele transmite é: "Eu e você partilhamos momentaneamente um segredo que exclui os demais". É outro gesto teatral. Entre amigos. que são arrega lados numa expressão de falsa inocência. É um sinal melod ramático de falsa surpresa. Entre estranhos. Trata-se de u ma tentativa desesperada de prender as lágrimas antes que elas comecem a rolar. Esse é um gesto deliberado que significa cumplicidade entre duas pessoas. A mensagem que el e passa é a seguinte: "Não creio no que meus olhos vêem. Piscar exageradamente. É uma piscadela mais lenta e maior em amplitude que a piscadela normal. e por isso estou limpando-os com uma imensa piscadela para ter certeza de que é isso mesmo que estou vendo". num tremor seme lhante ao que tenta evitar o choro. ou que desfrutam de uma intimidade maior do que a que têm com as outras pessoas prese ntes. entre pesso as de sexos diferences ou do mesmo sexo. A diferença é a abertura dos olhos. Isso ocorre quando alguém está à beira das lágrimas. também é usado como um sinal de tristeza.Piscar repetidamente. Ad ejar as pestanas. Piscar para alguém. o gesto é conden ado pelas . Os olhos se abrem e fecham numa fração de segundo. significa que ambos estão de acordo sobre alguma questão. Usado em segredo ou abertamente.

o preto era encontrado em duas tonalidades. Por alguma razão ainda descon hecida (a menos que a dificuldade esteja na maquiagem dos olhos). Um produto puramente decorativo para maquia r os olhos era preparado com ovos de formigas. a fabricação de cosméticos era um p rocesso muito mais complexo do que se acreditava. foi usada para fabricar a famosa maquiagem verde que era aplicada na região dos olhos na forma de uma pasta. as da mas egípcias tinham a seu dispor o púrpura. a pintura dos olhos já era bastante sofisticada 5 mil anos antes de Cristo. 2 mil anos antes de Cristo. graças a uma química bastante avançada. isso não é co isa de uma mulher de classe. No Egito. que fica de fora da troca pessoal. o amarelo. . não surpreende que toda uma co smética tenha se desenvolvido para embelezá-los. Novas pe squisas revelaram que. Piscar para alguém talvez signi fique que desejamos partilhar um segredo apenas com uma pessoa. é muito mais fácil para os homens piscar de uma maneira convincente. já c onhecidas. A galena. uma fosca e outra brilhante. Além das cores preto e verde. um minério de chumbo. e ra utilizada para pintar traços pretos que exageravam a forma das pálpebras. um óxido de cobre. a maquiagem dos olhos era cara e consumia muito tempo. Dois dos brancos também agiam como antibióticos. hoje se sabe que há 4 mil anos. Uma autoridade no assunto declarou que. É claro que. A malaq uita. funcionava c omo uma proteção contra o brilho do sol. C omo os olhos femininos transmitem muitas mensagens.regras de etiqueta. na Europa. Além disso. enquanto o outro olho se mantém aberto para o resto do mundo. para as mulheres egípcia s daquele tempo. Além de decorativa. o azul e três tipos de branco. Muitas mulheres acham difícil piscar de uma maneira c onvincente e se sentem desajeitadas quando o tentam.

bronze. As coisas eram bastante d iferentes na antiga Grécia. "uma mulher dessas pareceria ainda menos atraente que um macaco . que escreveu a primei ra obra sobre cosméticos. Os antigos romanos eram menos austeros a esse respeito. Essa obsessão pela maquiagem dos olhos no Egito durou milhares de anos. era aceitável realçar as pálpe bras com um pincel mergulhado em incenso preto e delinear os olhos com kohl. onde as mulheres respeitáveis deviam exibir a pureza e a graça de suas formas naturais. hematita. as cortesãs eram desprezadas pelos autores puritanos da época. Emb ora muitos homens gregos usufruíssem da companhia dessas mulheres. que significa "elaborada decoração").Para aplicar esses cosméticos nos olhos. Muitos desses bas tonetes. Nelas. e sombras douradas produ- . pintando as pálpebras superiores de azul-escuro e as inferiores de um verde brilhante. apenas as cort esãs gregas desfrutavam dos prazeres da maquiagem. feitas d e cinzas de madeira. A maquiagem dos olhos da mulher egípcia incluía um estranho elemento: uma linha negra horizontal que parti a do canto externo do olho até a orelha. Ovídio. um dos quais afirmou que. Mesmo no período em que a grande civilização já declinava. registra o uso de sombras pretas para os olhos. um animal sagr ado para os antigos egípcios. a rainha Cl eópatra ainda experimentava novas combinações de cores. Esse elemento altamente decorativo tinha um significado mágico porque era a imitação das linhas do olho do gato. Embora tenha sido a língua grega que nos legou a pal avra "cosmético (de "kosmetikos". ao acordar pela manhã. obsidiana ou vidro. foram encontrados em salas de maquiagem e de banho de mais de 3 mil anos atrás. feito de madeira. a mulher usava um bastonete de ponta arre ndada. assim como potes de cosméticos lindamente decorados.

zidas a partir do açafrão. A Europa segui a a tradição grega. um manual de beleza que aconselhava traçar uma linha a lápis para alongar o s olhos e descrevia um aparelho para curvar os cílios. para fazê-los "parecer estrel as". Foi o começo de uma revolução na cosmética. estavam decididas a se embelezar segundo seu próprio gosto e a rejeitar qualque r interferência de figuras autoritárias masculinas. O dramaturgo romano Plauto afirmou que "uma mulher sem pi ntura é como comida sem sal". influenciou a indústria de cosméticos ao lançar a moda dos olhos pesadamente maquiados. tirou a idéia das sombras coloridas do teatro francês e. A maquiagem dos olhos só ressurgiu inteiramente no início do século XX . Depois da queda de Roma. era uma prerrogativa das mulheres de vida fácil. Theda Bara. a maquiagem praticamente de sapareceu dos olhos femininos na Europa e só ressurgiria muitos séculos depois. As mulheres. as décadas de 1920 e 30 viram esse comércio d e cosméticos florescer numa indústria de massa. pioneira da moderna cosmética. recentemente emancipada s. Quan do isso aconteceu. que dava seus primeiros passos. com seu conhecimento do antigo Egito. Em poucas décadas. Uma atriz em particular. experimentou o kohl para criar a dramática máscara de Theda Bara para o papel de Cleópatra. o inusitado de Hollywood tornou-se lugar- . As atrizes dos primeiro s filmes em preto e branco eram obrigadas a enfatizar os traços faciais para torná-l os mais visíveis para a platéia. O ano de 1910 assistiu à publicação de um notável pequeno volume intitulado The Daily Mirror Beau ty Book. quando uma forte reação ao puritanismo vitoriano começou a ganhar impulso. Depois da Primeira Grande Guerra. Essas jovens foram fortemente in fluenciadas pelo cinema. Helena Rubin stein.

mas. Na verdade. não parece haver limites para essa área da "modificação" feminina. a linha dos olhos e os cílios recebendo mai or ou menor atenção de acordo com os ditames da moda. No épico de 1963. No mundo ocidental. No início da década de 1960. pelo menos . Como escreveu uma autora iraniana. o olhar desafiador de Cleópatra deu lugar a uma aparência mais natural. A maquiagem ostensiva do início da década foi substit uída por uma sutil ingenuidade. a maquiagem dos olhos recebe a mesma atenção de sempre — ainda que só possa ser apre ciada na privacidade do lar. essa suposta aparência natu ral era totalmente artificial. obrigando-as a cobrir o rosto em públi co. ironicamen te. delineadores e cílios postiços entraram na moda. o Egito serviu novamente de insp iração para a maquiagem dos olhos. o utras vezes nem tanto —. com as pálpebras. seus olhos pesadamente maquiados inspiraram jovens de todo o mundo — e sombras. O truque era que essa face nua se conqu istava com o mais demorado e mais cuidadoso procedimento cosmético na história da ma quiagem. No final d a década. uma face nua". Desde então. Um anúncio proc lamava que "Para olho nu. "as mulheres pod em ser obrigadas a parecer feias pelos chefes de Estado islâmicos.comum em todo o mundo. a maquiagem dos olhos sempre esteve presente — às vezes sutil. Mesmo em países onde dogmas religiosos impõem a sujeição das mulheres. É evidente que o desejo feminino de r ealçar a beleza dos olhos continua tão forte hoje como era nas antigas civilizações. . mas os cosméticos para os olhos não desapareceram. Dessa vez. criando um ar de "inocência infantil". a indústria cosmética cresce cada vez mais". foi Elizabeth Taylor a fazer o papel d e Cleópatra.

Nós temos um nariz protuberante num rosto achatado. que o "órgão proeminente". Várias hipóteses foram levantadas. Há algo tão positivo na independência do nariz em relação às feiçõ o cercam. à medida que o rosto humano foi se achatando. Nariz O nariz é uma parte muito pequena da anatomia feminina. a não ser franzindo-se em sinal de repugnância. n a evolução da espécie. características como quadris amplos. É difíc il aceitar essa suposição. a ponta alongada e as narinas voltadas para baixo. é preciso p rimeiro examinar a biologia básica do nariz. Os que têm o focinho mais longo também possuem uma face alongada. sempre despertou muita ate nção. . é único. É uma parte do rosto que não é capaz de expressar-se. Seu formato tem sido referência de beleza. como uma rocha que fica exposta quando a maré baixa. Por que isso acontece? O que há de tão especial nessa parte da anatomia feminina? É evidente que. mas que vantagem evoluti va pode haver na forma exata de um nariz feminino? Para entender isso. Apesar disso. o nari z permaneceu onde estava. Se compararmos o nariz humano com os de nossos parentes próximos do mundo animal. pele saudável e fartos seios g anharam muita importância como sinais de beleza feminina.6. como ele é chamado. uma característica est ranha que exige uma explicação. fica evidente que nosso nariz. e por isso a cirurgia plástica para mod ificar o nariz feminino tem tido muita procura há mais de meio século. deve nos proporcionar alguma vantagem biológica. Os macac os não possuem nada parecido. mas tem uma importância desp roporcional ao seu tamanho. com a ponte saliente. Alguns anatomistas apresentaram um argumento pouco c onvincente: no curso da evolução.

nosso corpo teria sofrido diversas a daptações. Se for esse o caso. Válvulas nasais seriam muito mais úteis a um macaco aquático. que é mole e vulneráve l. O nariz seria uma proteção contra o influxo de água quando mergulhávamos. Isso é verdade. É por isso q ue os cantores têm tanto pavor de pegar um resfriado. quando pulamos na água. Mas talvez a voz clara dos h umanos só precise dos grandes seios nasais — as cavidades nasais ocultas — para ressoa r com clareza. Esse triângulo ósseo protege o olho. de um golpe frontal. como as baleias. vê o nariz como uma defesa contra a água. precisamos de outra explicação para a protuberância do nariz. Apenas um pequeno passo evolucio nário seria necessário para que o homem tivesse um nariz capaz de se fechar debaixo d'água. um dedo no supercílio e outro na ponte do nariz. Uma segunda teoria vê o nariz humano como um escudo: uma armadura óssea q ue ajuda a proteger os olhos. mas seria muito mais provável que tivéssem os desenvolvido válvulas nasais. Vale le mbrar que. Há quem afirme que nossos ancestrais passaram por uma fase aquática há milhões de anos. vamos sentir a mão pressionando as três procrusões defensivas do olho.A primeira teoria vê a probóscide humana como um ressonador. mas não precisamos fazer isso quando mergulhamos de cabeça. O nariz teria se desenvolvido à medida que a voz e a fala evoluíram. Se apoiarmos a ponta do polegar no osso malar. não teríamos necessidade de desenvolver um nariz alo ngado com narinas voltadas para baixo. Durante esse período. apertamos o nariz. bastante fantasiosa. Uma terceira teoria. Se isso tivesse ocorrido. . Para ilustrar essa proprieda de. Seu crescimento é interpr etado como um movimento de apoio cada vez maior da vocalização humana. A perda da qualidade vocal é drástica. ê preciso falar tapando o nariz.

Enquanto isso . porque inc rustados nela existem milhões de minúsculos pêlos chamados cílios. Em outras palavra. Para entender isso é necessário dar uma olhada dentro do nariz. gravemente prejudicados em um ou dois dias . Quando o ar é inalado pelas narinas . para evitar que o delicado revestimento dos pulmões se resseque ou se danifiqu e. Ao abandonar a tranqüilidade das árvores e se aventurar por planícies descampadas e outros ambientes mais hostis. 95% de u midade e livre de poeira. Por força da grav idade. Essa teoria vê o nariz como um aparelho de ar condicionado obrigado a suportar uma carga cada vez maior à medida que nossos ancestrais se deslocavam para regiões mais frias e secas do planeta.Mas talvez o formato do nariz humano o ajude a funcionar como uma proteção diferente : contra a poeira e os resíduos carregados pelo vento. o que prova a extraordinária eficiência da engenharia do nariz humano. Tentativas de criar um nariz artificial enfrentaram muitas dificuldades. nossos ancestrais devem ter encontrado um ambiente adverso e cheio de ventos. A superfície interna das complexas cavidades nasais é coberta por uma membrana mucosa que segrega cerc a de 1 litro de água por dia. seus pulmões estarão. O nariz consegue isso de uma maneira notável: fornecendo mais de 14m3 de ar con dicionado a cada 24 horas. úmido e lim po. essa mucosa desliza pela garganta. onde é engolida. renovando metade da cobertura mucosa a cada minuto. deve ser um ar temperado. o nde um nariz seria de grande utilidade. Se um paciente de um hospital perder o uso do nariz p or qualquer motivo. que oscilam 250 vezes por minuto. dificilmente está nas condições ideais para passar aos pulmões. Os pulmões são exigentes q uanto à qualidade ideal do ar que gostariam de receber: 35º de temperatura. Essa superfície úmida está sempre em movimento.

por exemplo — apresentarão um nariz mais achatado que as pessoas de pele escura que vivem nas regiões mais secas da África oriental. Mas não é só para isso que serve o na riz: ele é o principal órgão do olfato e do paladar. Num clima quente e úm ido. e o nariz só contribu i com 24% Num clima quente e seco. 76% da umidade são provenientes do exterior. Pessoas de pele escura que vivem em regiões quentes na África ocidental. o nariz humano é um aparelho ressonador e um escudo ósseo que se tornou mais prot uberante e mais longo à medida que nossa espécie abandonou o quente e úmido Jardim do Éd en. Isso significa que. ao passo que 73% precisam ser produzidos pela mucosa nasal. Resumindo. O pó e os resíduos de sujeira aderem à mucosa e são eliminados com ela. por exemplo. conservando sua função de condicionamento do ar. portant o. o ar que passa pelas cavidades nasais vai se aquecendo e tornando-se m ais úmido. Do tamanho de uma pe quena moeda. Assim o s pulmões estão seguros para a próxima inspiração. situam-se acima das fossas nasais. apenas 27% da umidade vêm do ar. Isso não significa classificá-las por "raças". Cada um deles é constituído por . porém. A função olfativa é realizada por dois pequenos conjuntos de células capazes de detectar os cheiros. para se m anter eficiente nas savanas áridas ou desertos. o nariz precisa ser mais alto e ma is proeminente do que numa floresta úmida. à medida que nos os ancestrais abandonaram seu habitat tropical e úmido e se aventuraram por outras terras em busca da caça.acontece. A forma do nariz é apenas uma indicação d o tipo de ar que nossos ancestrais respiraram e de nada mais. Um cuidadoso mapeamento revela que é possív el classificar as pessoas segundo um índice nasal. dividindoas em grupos correspon dentes à temperatura e à umidade do local onde vivem. seu nariz passou a ser mais exigido. Daí podemos concluir que.

usamos roupas que eliminam nossos cheiros corporais e enchemos o ar de aeros sóis capazes de eliminar cheiros e disfarçar odores. aspiram diversos cheiros masculinos. . Pesquisas realizadas na década de 1970 ident ificaram mais de duzentos diferentes compostos químicos que podem ser encontrados no suor. Vivemos em cidades onde os odores naturais tornam-se imperceptíve is.) Não temos consciência dessa alta eficiência do nariz porque ignoramos e anulamos cada ve z mais suas funções. As mulheres jovens geralmente se surpreendem ao descobrir que possuem essa sensibilidade. é uma demonstração de quanto a capacidade do nariz humano tem sido subestimada. na saliva. inevitavelmente. As mães também são capazes de reconhecer seus bebês pe lo cheiro corporal. Se. O nariz feminino tem uma extraordinária sensibilidade aos odores masculinos. Somos capazes de detectar substâncias diluídas numa proporção de uma par te da substância para bilhões de partes de ar. Apresentam ciclos sexuais mais regulares e menos problemas de fertilidade — tal é o poder do nariz. Surpreendentemente. nos óleos da pele e nos fluidos genitais. Mais uma vez. (Apenas para registro: só metade dos jovens pais foram capazes do mesmo feito. e seus bebês transportados diante da fila um por um. descobriu-se que as mulheres que apreciam relações sexuais freqüentes. numa experiência simples. Ainda pensamos no olfato como a lgo primitivo e bárbaro — uma capacidade antiga que é melhor esquecer e abandonar. possuem uma fisiologia mais equilibrada. c ada mãe será capaz de distinguir seu filho entre todos os outros. diversas mães forem colocadas em l inha com os olhos vendados. durante as quai s.5 milhões de células que nos dão uma sensibilidade muito maior aos odores do que em ge ral imaginamos.

precisavam da maior proteção pos sível. amargo e ácido. A língua é o principal órgão do paladar. mas pelas células olfati vas situadas acima das fossas nasais. mas tem uma capacidade muito limitada. por exemplo — existe um esforço de educar o nariz a desenvolver plenamente seu potencial . precisariam de uma proteção maior que as mulheres primitivas. se tinham que enfrentar os perigos de uma caçada. ou indiretam ente pela própria boca. Os homens adultos eram mais dispensáveis. Só é capaz de disti nguir quatro sabores: doce. o nariz dos homens acabou se tornando maior que o das mulheres. s obrancelhas mais espessas. em média. Essa proteção podia ser adquirida se eles desenvolvessem um crânio mais pesado. Convém agora explicar por que dissemos que o nariz é também um órgão do paladar. as mulheres adultas eram valiosas demais para serem expostas numa caçada. salgado. Quando levamos o alimento à boca. Nas tribos primitivas. Po r isso. Essa é portanto a biologia do nariz.Apenas em algumas áreas especializadas — a dos provadores de vinhos e perfumes. fortes ossos malares e um nariz mais protuberante. ainda ass im. Um alimento pode ter um sabor desagradável (na língua) e um ch eiro delicioso (no nariz). Se. as partícula s odoríficas chegam a essas células diretamente pelas cavidades nasais. que coletavam alimentos. então os homens primitivos. todos os outros sabores de nossa variadíssima culinária na verdade são detectados não na superfície da língua salivante. ele protege os olhos de golpes violentos. como dissemos . . que eram c açadores. mas como ela pode nos ajudar a entender a forte ligação entre a forma do nariz e a beleza feminina? Um a resposta pode ser encontrada na protrusão óssea do nariz humano. mastigam os e engolimos os alimentos. mas. À medida que mordemos.

onde o clima seja mais temperado. Quando bebês. Daí se conclui que um nariz pequeno é um nariz infantil. Outras. Narizes provenientes de regiões desérticas. Se forem viver em outras partes do mundo. são mais largos que a média. sentemse desfavorecidas pela genética por terem que viver com um nariz grande e masculin o. a capacidade atlética dos homens. Mas também é p el que seus ancestrais recentes tenham vindo de uma parte do mundo onde um nariz grande era uma adaptação valiosa ao clima. mais bela é a mulher. co mo de certas partes da África tropical.Além disso. Elas podem ter sido desfavorecidas simplesmente em conseqüência das variações individuais que ocorrem em todas as populações. Para a maioria das mulheres. Essas diferenças criaram uma equação: nariz menor = nariz feminino. isso não é problema — a natureza lhes foi favorável. e qualquer mulher que nascesse com um nariz muito grande se sentiria feia. como o Oriente Médio e o norte da África. os das regiões úmidas. Mais uma vez. desenvolvida na perseguição das presas. Port anto. houve uma pr essão evolutiva para que o nariz dos homens se tornasse maior que o das mulheres. A partir daí. porém. Acrescente-se a isso um "cu lto à juventude" e o resultado é óbvio: quanto menor o nariz. Há duas razões possíveis para isso. au mentou a importância do nariz como condicionador do ar. Iss o não foi tudo. esse botão cresc e proporcionalmente ao resto da lace e atinge seu tamanho máximo na idade adulta. qualqu er mulher que nascesse com um nariz muito delicado era considerada superfeminina . Durante a infância. algumas dessas mulher es podem achar que seu nariz não é bastante . Outro fator favoreceu a pequenez do nariz feminino. to dos nós temos o nariz na forma de um minúsculo botão. para parecer jovem e feminina é preciso ter um nariz pequeno. são maiores que a média.

Fanny perdera "um nariz de 1 mi lhão de dólares". onde ele realizou uma rinoplastia que reduziu seu nariz proeminente a dimensões diminut as. A cirurgia p lástica surgiu da necessidade de reconstruir o rosto dos soltados feridos durante as duas grandes guerras do século XX. sempre que al guém estivesse infeliz com o rosto que a natureza lhe dera. o termo grego para nariz. O procedimento mais comum implica a remoção da saliência óssea que torna o nariz muito protuberante e adunco. para que não haja cicatrizes externas. Como quase sempre ac ontece com essas "melhorias" corporais. Com os avanços técnicos. contra o que a atriz se defendeu energicamente. Segundo ele. as primeiras clientes da cirurgia plástica do nariz foram as estrelas do show business.feminino e desejarão tê-lo menor. elas pouco podiam fazer. Dorothy Parker. quando fez o papel de Fanny Brice em Funny Girl. famosa por seus comentários cáusticos sobre as celebri dades da época. Em 1923. Até o século XIX. na década de 1960. Seu produtor ficou horrorizado. percebeu-se que os mesm os procedimentos podiam ser utilizados por razões puramente estéticas. A cirurgi a é realizada dentro do nariz. O termo técnico para essa cirurgia é rinoplastia — que vem de rhino. Mas existem cirurgias menos comuns. e o perfil nasal se redu z drasticamente. a famosa atriz de teatro Fanny Brice convocou um renomado cirurgião plástico a seu apartamento no Ritz. Reduzir o tamanho do n ariz feminino tornou-se a mais popular das cirurgias plásticas. afirmou que Brice (que era judia) tinha "cortado fora o nariz por ód io à sua raça". Mais tarde. Barbra Srreisand se . Uma serra cirúrgica especial remove essa saliência. mas o apare cimento de técnicas avançadas de cirurgia plástica vieram em seu socorro. o estreitamento das narinas e a elevação da ponta do nariz. como a redução da batata do nar iz.

Além das mulheres israelenses. No início do século XXI. foi uma exceção. Mesmo em países onde o nariz grande é uma característica comum. a mod a pegou. e o incidente sobre a cirurgia plástica de Fanny foi omitido no roteiro do filme. cirurgiões plásticos são cada vez mais requisitados p ara a rinoplastia. Em Israel. "Deus ama os belos". a redução do nariz se tornou tal obsessão para as jovens irania nas que mais de cem cirurgiões plásticos chegavam a realizar 35 mil rinoplastias por ano. ou parte dele. com q uase todo o resto do corpo coberto. o número de rinoplastias já ultrapassava cente nas de milhares. por exemplo. Depois del a. Na segunda metade do século XX. Mas é claro que. A desculpa das adolesc entes é que. Em algumas regiões da África tropical. uma operação diferente está ganhando popularidade. Mas Streisand. a rinoplastia se tor nou cada vez mais popular no mundo ocidental porque um número cada vez maior de at rizes modelos e mulheres de todas as condições sociais passaram por uma plástica para reduzir o nariz. Uma adolescente de Teerã afirmou: "A moda chegou a tal ponto que as pessoas que não operam o nariz usam um curativo para chamar a atenção". o nariz . No início do século XXI. o número de rinoplastias está crescendo em proporções assustadoras . da Jordânia. da A rábia Saudita e dos países do Golfo acorrem às clínicas israelenses em busca da operação. dona de uma fort e personalidade. o nariz se tornou um foco de atenção. de acordo com a lei islâmica. onde por imposição d o rigoroso regime islâmico as mulheres cobrem os cabelos em público e expõem apenas o rosto. No Irã.recusou bravamente a operar seu imponente nariz. O procedimento popularizou-se nos lugares mais inesperados. jovens do Egito.

Uma tendência semelhante foi relatada recent emente no Extremo Oriente. Para o uso de jóias. O tamanho da argola indica a riqueza da família. No Vietnã e na China. a mulher rejeitada pode usar o aro de ouro no nariz para garantir sua segurança. que começa no Oriente Médio cerca de 4 mil anos atrás. É o equivalente nasal do alisamento dos cabelos. onde o marid o costuma presentear a esposa com uma argola de ouro que ela deverá usar no nariz no dia do casamento. Na década de 1960. no século XVII. escolhida porque esse lado estava relacionado à procriação e ao nasci mento. o pescoço. A tradição de usar argola no nariz foi levada do Oriente Médio p ara a Índia durante o período mongol. o septo nasal era perfurado para que nele se pudesse pendurar um ornam ento. mas esse costume nunca se generalizou. quando o costume era perfurar a narina esquerda. e. e. se mais t arde ocorrer o divórcio. uma cirurgia com a qual as jovens a fricanas tentam parecer mais européias. se usasse uma argola na narina esquerda (muitas vezes ligada à orelha esquerda por uma corrente de ouro). mas ainda era vista como uma tendência . a mulher teria um parto menos doloroso. Acreditava-se que. Ainda é prática corrente entre os berberes e beduínos nômades do Norte da África e do Oriente Médio. os hippies do Ocidente gostavam de viajar para o Orie nte "em busca de si mesmos". Na Inglaterra. Em algumas sociedades tribais. ao ver as mulheres nativas com argolas no nariz. decidiram adotar essa maneira exótica de mutilação. o nariz nunca foi tão popular quanto as orelhas. O piercing nas narinas tem uma long a história. a moda foi adotada pelos punks dos anos 1970. as cirurgias que ocidentalizam o nariz estão sendo realizadas em grande número. o pulso ou os dedos.largo e chato das mulheres nativas se estreita e recebe uma ponte mais firme.

segundo Malinowski. Hoje. por volta do final do século XX. talvez devido à influência cada ve z maior dos filmes de Hollywood. nos morde mos nas bochechas. No mundo ocidental. na qual uma faca era inserida nas narinas. e hoje. Na Europa. sugo o seu lábio inferior e ela suga o meu . . Em muitos lugares houve reações violentas de patrões contra empregados que usavam esse n ovo tipo de ornamento feminino. No ato sexual. nos mordemos no nariz. Mais tarde. esse toque também ocorre num contexto social. uma carícia que entretanto nunca saiu do âmbito da intimidade Em certas ilhas d o Pacífico. tem sido rara socialmente. começa a declinar. àqueles que não p agassem impostos. esfrego meu nariz no dela. os amantes esfregam o nariz do parceiro contra o próprio na riz. Eis. o nariz só recebe toques gentis na vida p rivada. mas com o tempo o costume foi perdendo seu caráter de rebeldia. embora os coletores de impostos tenham aposentado as fac as. acariciamos as axilas e as virilhas. já no século XXI. ainda mostramos uma relíquia desse método primitivo quando dizemos que o fisco " nos deu uma facada". o contato entre duas pessoas pelo nariz sempre foi considerado grosseiro e incivil izado.. a maneira como um nativo de Trobriand descreve o ato sexual: "Eu a abraço com todo o meu corpo.exótica. tensos de paixão.". O melhor que um nariz pode esperar é um puxão ou um soco. E o pior foi uma pu nição particularmente brutal. Quanto à maneira de cumprimen tar com um toque de nariz contra nariz. Num contexto social. o que fazia o nariz se partir ao meio. Então. Esse castigo era aplicado. os pequenos piercings ganharam popularidade. os povos do Pacífico utilizavam o contato nariz a nariz q uase da mesma maneira que . misturamos nossas línguas. no século IX. nos mordemos no queixo.

O contato de nariz com nariz. c o o nipresente aperto de mãos se espalhou por todo o planeta. quando maoris de a lta casta de encontram. Quando um jovem encontra uma pessoa mais velha. o contato deve ser d e nariz com pulso. Esses cumprimentos estão em declínio. Costuma-se descrever esse contato como "esfregar um nariz contra o outro". O movimento de esfregar geralmente se reserva aos enco ntros eróticos do tipo descrito por Malinowski. Quando um cidadão cumprimenta um grande chefe. deve tocar os se us joelhos com o nariz. Hoje. no sul do Pacífico. existe uma list a das partes do corpo que podem ou não ser tocadas pelo nariz. O novo ocupa o lugar da tradição. o que é um erro. . o que ocorre é um toque na ponta do nariz. o crescimento do turismo e do comércio internaci onal — tudo isso contribuiu para uma uniformidade dos gestos de cumprimento. a mistura de culturas. Em uma tribo das ilhas Salomão. combinam um vigoroso aperto de mãos com um leve toque no n ariz. só é permitido entre pessoas da mesma c ondição social. um gesto que se baseia na idéia de inalar a fragrância do corpo do outro. assim como de nariz com bochecha. Em público.usamos o beijo. Como cumprimento formal. O modo de vida mais co smopolita. o toque no nariz às vezes obedece a um rígido código d e comportamento.

os namorados dançam de rosto colado e velhos amigos se beijam na face. Em momentos de ternura. Si mbolicamente. Bochechas Desde épocas muito remotas a parte macia e lisa do rosto feminino tem sido conside rada sede de beleza. o nariz.7. A "noiva ruborizada" é um clichê nas cerimônias . Isso ocorreu em parte porque a forma arre dondada do rosto de um bebê — uma característica exclusivamente humana — sempre desperto u forte amor paternal. espalha-se para outras áreas. como o pescoço. se o rubor se intensifica ainda mais. inocência e modéstia. e geralmente não t em do que se envergonhar. numa reminiscência do amor puro en tre pais e filhos.. a não ser de sua inexperiência e indesejada inocência. tímida em sociedade. Ou deveria. os lóbulos das orel has e o colo. beliscamos ou beijamos as faces do ser amado. A pessoa que enrubesce costuma ser jovem. Essa antiga ligação entre bochechas macias e amor intenso dei xou uma marca em nossos relacionamentos adultos. Assim como a mãe pressiona levemente as bochechas do bebê contra o rosto. É nas faces que as mudança s emocionais são mais evidentes. O rubor da vergonha ou do constrangimento sexual se inicia no centro das bochechas — em dois pontos que ganham uma cor vermelho-esc ura — e só então se irradia pela superfície do rosto.. Como ocorre muitas vezes num clima de erotismo. Na verdade. o rubor é visto como uma demonstração de in ocência virginal. A bochecha é também a parte do corpo que revela mais claramente as emoções. Depois. é em outros contextos que o rubor ocorr e. a bochecha é a parte mais suave de todo o corpo feminino." — como se fossem os terríveis pecados do ser humano que o fize ssem ruborizar-se de vergonha. Mark Twain certa vez declarou que "O homem é o único animal que se rub oriza. tocamos .

Essa é uma situação rel ativamente recente. Portanto. o bronzeado significava apenas uma coisa: a labuta no campo. As faces de uma mulher verdadeiramente irada se tornam muito pálidas à medida que o sangue foge e ela se prepara para a ação. poderse-ia dizer que o rubor é b asicamente um sinal de virgindade. A mulher que cora di ante de um comentário de conotação sexual obviamente tem consciência de sua sexualidade. porque ela está prestes a fugir — ou reagir. A dis posição da mulher enfurecida é de ataque. porque indica que ela tem condições de passar férias numa praia. Como o rubor está (ou estava. A mulher que não cor a não tem consciência de sua sexualidade ou já perdeu a vergonha. nenhuma jovem da alta classe seria vista com a pele bronzeada. Esse é o ros to de uma mulher pronta para atacar a qualquer momento. Naquela época. mas ainda preserva uma certa ignorância. criou-se uma conexão entre ele e a atração sexual. Mas se ela está com medo. era significativo que as jove ns oferecidas nos mercados de escravos corassem quando enfileiradas diante de po tenciais compradores. A vermelhidão do rosto também é um sinal de raiva. Antigamente. se for enc urralada. Ela pode lançar ameaças terríveis. o rosto bronzeado de uma mulher caucasiana é sinal de stat us. Modernamente. suas faces também empalidecem. Nesse contexto. antes que a educação sexual moderna trouxesse uma maior abertura e fr anqueza sobre o assunto) intimamente ligado a uma situação de namoro ou flerte entre pessoas jovens. um rubor difuso que se espalha por todo o rosto. mas é a vermelhi da pele que indica sua frustração. A tonalidade que se instala é diferente. c tomavam todo o cuidado para evitar o sol mesmo num simples .de casamento — e nesse caso o rubor resulta de um constrangimento pelo fato de tod os os presentes estarem imaginando a iminente perda da virgindade. Moças das classes superiores consideravam a pele bronzeada repugnante.

a s jovens beliscavam as bochechas antes de um importante acontecimento social par a fazer o sangue afluir a elas. e assim as mulheres se dividem entre as cautelosas pálidas e as bronzeadas despreocupadas . Em outras épocas. Todas essas práticas acarretavam riscos. à medida que os fabricante s de cosméticos lançam novidades no mercado. o que lhe dá uma dupla vantagem num contexto sexual. Os problemas de pele que o sol pode acarretar não são nada comparados com um creme que. usam um bom protetor solar. No século XXI.passeio pelo parque. porque continha óxido de chumbo. Em casos extremos. quando usavam um chapéu de abas largas ou uma sombrinha. Mas ainda há quem se recuse a abandonar o culto ao sol. As jovens hoje evitam se torrar ao sol e. embor a essa seja uma tendência que vai e vem ao sabor da moda. Além da aparência de saúde. Em a lguns períodos da história. elas se sangravam para chegar à palide z. quando um rosto rosado era um si nal de vigor e boa saúde. essa repulsa ao sol levou as mulheres a usar maquiagem p ara empalidecer o rosto. Mais uma vez. as faces eram pintadas com ruge. esse tipo de maqu iagem traz também a lembrança do rubor inocente da adolescência. quando se expõem. o bronzeado voltou a ser um mal . O repetido uso dessa pin tura ocasionava um acúmulo de veneno no corpo. a face pálida volta a ser um símbolo — dessa vez de consciência e preocupação com a saúde. Quando não usavam ruge. depois de uma forte campanha contra o excesso de sol devido ao risco de câncer de pele. A maquiagem branca usada no século XVI e ra especialmente danosa. que mais tarde podia causar paralis ia muscular ou até mesmo a morte. Veremos que grupo prevalecerá. na Itália do . O blush ainda é um cosmético muito usado hoje.

e parece que sempre foram bastante raras.século XVII. sugerindo uma forma atilada para o rosto. A idéia que . Pressionar a língua contr a a bochecha a ponto de distorcê-la é um gesto que significa descrença. os dedos se aproximam. A senhora Toffana foi responsável por mais de seiscentas mortes e a criação de mesmo número de viúvas saudáveis. o que fez dela a maior envenenadora de todos os tempos. A senhora Toffana sempre visitava suas cliente s para lhes explicar o uso adequado do produto. era uma fórmula venenosa que continha arsên ico e outros ingredientes letais. Seus crimes só foram descobertos em 1709. absorveria uma quantidade do ve neno suficiente para matá-lo. Entre os gregos anti gos. Vendido em pó ou em creme. quando ela foi presa. As covinhas não são m uito comuns hoje. a forma das bochechas também era importante como padrão de beleza. a boca do marido. torturada e estrangulada na prisão.Durante o movimento. pressionada contra as faces. Um rosto com covinhas sempre foi considerado atraente na Europa. Recomendava que nunca ingerissem o cosmético e que o aplicassem nas faces pouco antes de uma relação amorosa. que se tornou particularmente popular entre as esposas que queriam se livrar d e seus maridos. o motivo do óbito era sempre "excesso sexual". O ardil funcionou por muito tempo. Os gre gos modernos ainda interpretam o gesto da mesma maneira. Uma certa senhora Giulia Toffana oferecia esse especial tratamento de pele . era vendido com o nome de "Aqua Toffana" ou "Manna de San Nicola di B ari". Com isso . a forma das b ochechas também é importante. Er a esse rosto ovalado que os gregos consideravam ideal de beleza feminina. onde se dizia que elas eram marcas do dedo de Deus. Assim como a cor. Consistia em colocar o polegar sobre uma bochec ha e o indicador sobre a outra e descer suavemente a mão em direção ao queixo. Depois. Havia até um g esto especial para indicar isso.

só que na face de outra pessoa. Norm almente. É interessante notar que. Juntar as palmas das mãos e apoiar a face sobre elas é um gesto que todo mundo enten de. no sul. a palavra ingle sa "cheek" (bochecha) ganhou nova acepção e passou a significar também "atrevimento". o mesmo gesto. mas o beliscão . "desfaçatez". Uma demonstração ainda mais evi dente de aborrecimento ou tédio é contrair os cantos da boca com força. durante o primeiro período vitoriano. é um adulto que belisca a bochecha de uma criança (que quase sempre odeia i sso). a indicar que a massa estava al dente. apóia a face sobre a mão como se tentas se segurar o peso da cabeça. é um sinal de afeição que ve m sendo usado há mais do 2 mil anos. ma s com o tempo seu significado se ampliou e passou a incluir qualquer coisa boa. pode contar que não está agradando. tendo sido muito popular na Roma antiga. é pressionar o indicador na bochecha e girá-lo como se fosse uma chave de fenda. à Sicília e à Sardenha. Em algumas regiões medit errâneas. Outro gesto. De Turim. Com isso. Nasceu do fato de que o momento que caracteriza o sono é aquele cm que o rosto toca o travesseiro. Na Itália todos o conhecem. Fazer esse gesto era uma grosseria.lhe deu origem é a de que essa seria a única maneira de a pessoa evitar uma crítica qu e estaria "na ponta da língua". quando alguém está cansado ou entediado . proibida princ ipalmente às crianças. quase restrito à Itália. Ele também signi fica descrença e é essencialmente um gesto de forte sarcasmo. n o norte. Quase em toda parte. Se um professor ou conferencista constatar essa postu ra em seus ouvintes. era um cumprimento ao cozinheiro. beliscar a própria bochecha é sinal de algo excelente ou delicioso. mas tem que permanecer sentado a uma mesa. tem sempre o mesmo significado: "Bom!" Na ori gem.

sua freqüência é quase excessiva. mas s em poder fazer nada diante de um gesto que poderia ser amigável. mas em amb ientes de baixa renda ele é extremamente raro. Mutilações nas bochechas nunca foram muito comuns devido à necessidade de mobilidade facial. a não ser entre membros de uma mesma família. o tradicional beijo leve na boca continua vigorando. Em . o gesto se resume à pressão de bochecha contra bochecha. que pode desagradar quando praticado com demasiado vigor. como a Europa ori ental. A freqüência do cumprimento obedece a variáveis culturais. Esses usos variam de um país para outro. Em certas regiões.também pode ser usado como uma brincadeira entre adultos. Quando a mulher usa batom. Embora provoque um choque. O tapa no rosto t em uma longa tradição. sem contato do láb io com a face. mas causa tão pouco dano físico que não chega a provocar uma reação imediata o u um ato agressivo da parte da vítima. O be ijo é um ato recíproco. ele se dilui log o depois. deixando a vítima atônita. combinada com o estalar de um beijo. não passa de uma tempestade em copo d'água — um estalo que f az barulho. Na outra ponta da escala emocional estão o beijo e o toque na face. No meio teat ral e em ambientes sociais mais festivos. sabendo que foi insultada. Era a maneira clássica de uma dama responder à atenção indesejada de um cavalheiro. Na essência. Quando não existe afeto. e generalizou-se em muitos países como parte do ritual de cumpri mentos nas reuniões sociais. É uma versão mais leve do beijo na boca. O tapinha na bochecha é um a brincadeira um pouco mais irritante. por exemplo. adequado apenas a pessoas de igual condição. o gesto pode se transformar facilmente n uma verdadeira bofetada.

Essas mutilações selvagens dos primeiros punks foram desaparecendo aos poucos. que davam a impressão de estar enterrados na carne sem realmente feri-la. o Sen ado publicou um edito. embora um breve ressurgimento deles tenha oco rrido nos anos 1970 com o movimento punk rock em Londres. Essa foi a desculpa de que as mulheres precisavam para cobrir manchas. Esse ti po de decoração tornou-se tão popular que mesmo as mulheres que possuíam uma pele perfei ta a adotaram. até que a pinta passou a ser um elemento . Tu do começou com a necessidade de ocultar pequenas imperfeições. quase não se vêem dornos faciais no mundo ocidental. As decorações tribais para o rosto incluem uma variedade de pinturas. A não ser pelo uso rotineiro de pó e ruge. dali em diante. e m ais tarde foram postos à venda falsos alfinetes de segurança. incisões e perfurações. ordenando que. as mulheres que perdiam um ente querido arranhavam as faces ate fazê-las sangrar. quase sempre próximo à boca .tempos remotos. já que as faces são a sede da modéstia e da vergonha". que se tornou moda nos séculos XVII e XVIII. A única outra forma de decoração fac ial é a pinta. Conta-se que Vênus nasceu com uma pinta natural na face.] de modo que.. nenhuma mulher podia arran har o rosto em sinal de luto ou tristeza.. ou disfarçar a imperfeição com um lápis preto. e qualquer mulher da moda que a imitasse só teria a ganhar em beleza. ou "sinal de beleza". verrugas ou ma rcas de varíola com um círculo preto. quando era possível ver mocinhas com um alfinete de segurança enfiado na bochecha. mas a pinta logo ganhou vida própria como decoração cosmética. ao tomar conhecimento do fato. com a intenção de demonstrar seu sofrimento. John Bulwer relata que esse costume deu origem a uma lei: "As damas romanas tinham o hábito de arranhar a s faces em sinal de luto [. tat uagens.

Com o tempo. cravos. No final do século XVI. as velhas e as feias estão todas remendadas. em termos técnicos. mas uma ocasional e única pinta ai nda se vê de tempos em tempos — sobrevivente solitária de um passado de exagero. removendo as camadas externas da pele. Moder namente. Um jato de cristais de dióxido de alumínio é aplicado ao rosto. enquanto as damas do Partido Tor y (então ala esquerda) decoravam a face esquerda. coroas. Esses excessos logo desapareceram. a me nos que estejam acamadas. Se a maquiagem não disf arçar o problema. faz-se necessário algo mais drástico. é importante para uma jovem que quer se manter atraente esconder espi nhos. e hoje. rugas ou outros defeitos de pele. asperezas. Como uma face lisa passa a imagem de juve ntude e saúde. Com essa finalidade. o u.puramente decorativo. as marcas do to sto feminino recebem outro tratamento. Com o tempo. Por esse método. um francês de língua afiada em visita a Londres afi rmou: "Na Inglaterra.." No início do século XVIII a moda tinha adquirido ta l complexidade que a posição das pintas ganhou significado político: as damas do Parti do Whig (ala direita) decoravam a face direita. essa moda desapareceu. Um deles é a abrasão da pele. novos pro cedimentos foram desenvolvidos pela cirurgia plástica. crescentes. Depois de cicatrizada. os sinais de beleza deixaram de ser pintas e se transformaram em estrelas. com algumas notáveis exceções. losa ngos c corações. tornou-se tão essencial nos meios cortesãos a pon to de se dizer que "toda mulher moderna devia usá-la sempre.. a pele do rosto é praticament e queimada. . a pele torna-se muito fina — s e o tratamento foi um sucesso. Cheguei a contar mais de quinze remendos sobre uma fac e enrugada e escura de bruxa. microdermoabrasão. a menos que estivesse de luto". as jovens.

Esse gel ácido remove as camadas externas da pele que está danificada. Não percebemos isso porque não nos damos o trabalho de co mpará-los com os lábios de nossos ancestrais primatas. Por que os humanos têm os lábios virados do avesso? Mais uma vez. o homem é o único a te r lábios curvados para fora. Um terceiro método emprega uma com binação altamente tecnológica de ultra-som. preservamos cada vez mais as carac terísticas de bebê. No mundo animal.Outro procedimento é o peeling químico. mas. logo veremos que a superfície macia e bri lhante fica escondida. E por isso acabaram se tornando alvo de muita atenção. Nossos lábios carnudos e visíveis faziam parte dessa tendência. Uma fina camada de um gel esfoliante é aplicad a no rosto e. microcorrentes e tratamento com laser. e os resultados nem sempre são perfeitos. em média. . é preciso repetir o procedimento algumas vezes. Como a fêmea humana é um pouco mais evoluída anatomicamente — ou seja. cuidadosamente removida. mais juvenil — que o home m nesse aspecto. Em todos esses casos. mas novos avanços no tratamento estão surgindo o tempo todo . se observarmos atentamen te a boca de um chimpanzé ou de um gorila. 8. seus lábios são. a resposta está na nossa evolução. e logo chegará o dia em que qualquer mulher poderá ter uma face perfeitamente lisa — por um certo preço. mais protuberantes. cinco minutos depois. À medida que nossa anatomia e nosso comportament o tornaram-se progressivamente mais infantis. Lábios Existe algo muito estranho nos lábios humanos.

No homem adulto. prende sua boca muscular de lábios finos à longa teta da mãe e suga o leite como um fazendeiro ordenha uma vaca. faz biquinho. possui uma boca humanóide. por volta de 26 semanas. Ao contrário do bebê chimpanzé. devemos dizer que os lábios humanos não são apenas infantis: são embrionári os. podem até desa parecer sob uma barba hirsuta.Mas. quando os lábios se afinam. e. eles já . O bebê chimpanzé. os lábios do bebê virariam sozinhos para dentro quando ele começasse a ingerir alimentos sólidos. por onde suga o le ite de seus fartos seios. Quando o fe o tem apenas dezesseis semanas. nem no bebê chimpanzé. os lábios do avesso. uma exclusividade da espécie humana. Mas a h istória não termina aqui. Antes mesmo de seu primeiro beijo de amor. sop ra beijos. aponta um par de lábios recurvos para o mamilo da mãe. A fêmea humana. A boca do chimpanzé tomou a forma em que permanecerá pelo resto da vida. o bebê humano não se desvia do projeto fetal e. com lábios grandes e carn udos. são perfeitamente adequados à sua primeira tarefa de sugar os seios também únicos da fêmea humana. Enquanto for jovem e o sexo lhe ocupar a mente. os cobre de batom. antes. porém. Dois meses depois. para se rmos precisos. vamos analisar como se desenvolveram esses superlábios. Portanto. em condições primitivas. Sua origem não e stá no bebê humano. assim que nasce. ela tratará de cuidar dos lábios como um símbolo sexual. eles se torn am de fato um pouco mais esticados e finos. por sua vez. Ela os umedece. exibe um par de lábios fartos e macios por toda a vida adulta — ou pelo menos até ficar bem velha. mas no minúsculo embrião do chimpanzé. Se terminasse. os lábios já desapareceram. Portanto. e assim ele exibiria os lábios fino s típicos dos primatas quando chegasse à idade adulta.

desempenharam um papel apresentação como mulher. fundamental na sua O que torna os lábios tão sensuais visualmente? Em sua forma, em sua textura e em su a coloração, eles imitam os outros lábios femininos, os lábios vaginais. Quando a mulher se excita sexualmente, os lábios vaginais se intumescem e se tornam mais vermelho s. Ao mesmo tempo, no rosto, seus lábios ficam mais túrgidos, mais vermelhos e mais sensíveis. Essas mudanças ocorrem em uníssono, como parte da revolução fisiológica que acomp anha uma forte excitação sexual. Um dos principais fatores desse processo é o fluxo do sangue em direção à superfície da pele. A pele dos indivíduos sexualmente ativos brilha q uando os vasos capilares se distendem em função do maior suprimento de sangue. Esse sangue extra aflora mais rapidamente do que pode refluir, e, com isso, a superfíci e da pele se torna cada vez mais sensível ao toque. Isso é particularmente verdade n os lábios. Os vasos sangüíneos tornam os lábios mais intumescidos e mais visíveis graças ao contraste entre sua tonalidade cada vez mais vermelha e a carne branca ao seu re dor. Intuitivamente, as mulheres das sociedades primitivas começaram a usar esse m imetismo. As prostitutas do antigo Egito usavam um ocre vermelho para realçar os láb ios. Um desenho em papiro que data de 1150 a. C. mostra uma cena num bordel teba no, na qual uma mulher seminua segura um espelho e aplica uma pintura nos lábios c om um longo bastão. Ao lado, um cliente inteiramente nu, exibindo uma enorme ereção, e stende a mão na direção dos genitais da mulher. A relação entre o rubor dos lábios femininos e a atividade erótica tem portanto mais de 3 mil anos. O uso de algum tipo de pin tura labial é mais antigo que isso, pois existem evidências de que ela já existia 4 mi l

anos atrás, na cidade de Ur, hoje sul do Iraque, onde uma soberana, a rainha Puabi , foi enterrada com um grande suprimento de maquiagem para ser usado na outra vi da. Seus cosméticos — tintas vermelhas para os lábios, assim como verdes, brancas e pr etas, presumivelmente para os olhos — foram armazenados em grandes conchas, ou em imitações de conchas feitas de ouro ou prata. Os primeiros batons eram fabricados tr iturando-se o óxido de ferro vermelho até obter um pó, que era então misturado com gordu ra animal. Mais tarde, no século IV a.C, os gregos realizaram experiências que parec em ter resultado na adição de tinturas vegetais, saliva humana, suor de carneiro e a té mesmo fezes de crocodilo. No século II, a tecnologia já tinha avançado, e as mulheres palestinas podiam escolher entre o laranja-brilhante e o cereja-escuro. Desde e ntão, a coloração artificial dos lábios foi um popular recurso de beleza feminina, embor a algumas vezes tenha sido condenada por autoridades puritanas. Sob regimes dita toriais que tentaram reprimir os prazeres sexuais, a pintura dos lábios foi proibi da. Em casos extremos, mesmo sem pintura, os lábios foram considerados excitantes demais para serem vistos em público, e as infelizes mulheres foram obrigadas a esc ondê-los por trás de véus. Acredita-se que a ocultação dos lábios das mulheres seja uma pres crição da fé islâmica, mas não é. Esse é sem dúvida um costume nos países muçulmanos, mas não a ver com os ensinamentos de Maomé. Na verdade, foi imposto às mulheres por uma soc iedade machista. Não se trata de um preceito religioso, mas de uma proibição sexista, fruto de uma sociedade em que a mulher é tratada como propriedade do homem. As igr ejas cristãs têm tido uma atitude ambivalente em relação aos lábios femininos. Em algumas ép ocas, elas se mostraram liberais, mas também houve períodos de

repressão, quando lábios artificialmente coloridos eram vistos como obra do demônio e uma ofensa à obra de Deus, o corpo humano em seu estado natural. Um clérigo do século XVII condenou os lábios pintados por considerá-los "um sinal de prostituição", uma armad ilha capaz de propagar o fogo da luxúria no coração dos homens que tivessem a infelici dade de pousar os olhos sobre eles. Os políticos geralmente se mantiveram afastado s dessas questões, mas, num determinado momento do século XVIII, na Inglaterra, vira m-se na obrigação de aprovar uma lei proibindo o USO do batom, porque certos homens ansiosos temiam ser ardilosamente atraídos para o casamento pela visão dos lábios femi ninos pintados. Essa proibição absurda criou um problema para as damas da época. A sol ução que elas encontraram foi chupar um picolé de groselha ou beliscar os lábios pouco a ntes de entrar numa festa. Apesar de sucessivas proibições da Igreja e do Estado, os cosméticos para os lábios se recusaram a desaparecer e, ao longo da história, sumiram ou ressurgiram ao sabor da moda. Num exemplar da Ladys Magazine do final dos an os 1820, verifica-se que um novo desenho labial foi adotado: o arco de cupido. P ara obtê-lo, os lábios eram aumentados verticalmente em vez de crescerem no sentido longitudinal, com uma profunda fenda no lábio superior, bem abaixo do nariz. Isso dava à boca da mulher uma aparência infantil e transmitia aos galantes cavalheiros d a época a atraente mensagem de que aquelas belas senhoritas precisavam de proteção. No s tempos atuais, o uso do batom sustenta uma importante indústria, que cresceu ini nterruptamente durante o século XX. No fim da era vitoriana, os lábios pintados de v ermelho foram confinados às infamantes casas de prazeres em função da pudicícia e da hip ocrisia da

época. Inúmeros clientes eram atraídos por suas cores convidativas e depois voltavam p ara suas pálidas esposas. Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, o batom iniciou sua lenta escalada social, passando dos bordéis aos teatros e daí para as bocas das mais ousadas freqüentadoras da sociedade boêmia. Depois da guerra, nos agitados anos 1920, os lábios pintados de vermelho se popularizaram nos salões de baile. Nos anos 1920 e 1930, o batom era usado pelas estrelas da florescente arte do cinema e l ogo se tornou uma norma social. Uma das primeiras estrelas do cinema, Clara Bow, reintroduziu os lábios de cupido, mas de uma forma mais audaciosa, quase um coração. Em 1925, Bow chegou a estrelar um filme intitulado My Lady's Lips (Os lábios de mi nha mulher). Na década de 1930, mulheres de personalidade mais forte entraram em c ena e impuseram um novo estilo: a boca rasgada. Depois disso, a boquinha de coração desapareceu. Com o advento da Segunda Guerra Mundial, pelo menos entre as jovens , usar um batom vermelho-brilhante era um sinal de patriotismo, porque alegrava os bravos soldados. Cartazes de recrutamento exibiam lábios de um vermelho vivo, u ma promessa de apoio feminino a qualquer um que estivesse disposto a defender se u país. Em 1945, com o fim da guerra, iniciou-se um período de austeridade. A paz re tornara, e o batom era então um acessório trivial, apresentado apenas em uns poucos tons de vermelho. Nunca se tinha ouvido falar de batom de outra cor. Na década de 1950 tudo isso mudou. Na França e na Itália, os fabricantes de cosméticos introduziram o titânio branco na fórmula do batom para produzir cores mais pálidas, e com isso amp liaram enormemente o espectro de cores. As revistas de moda da época gozavam de gr ande influência e tinham o poder de lançar uma nova cor a cada ano — a cor que se torn ava a coqueluche da

estação e depois desaparecia, substituída pela "ultima novidade". Nos anos 1960, com a chegada da pílula anticoncepcional e uma mentalidade mais aberta para a sexualida de, as mulheres puderam se expressar melhor como indivíduos. Em lugar de uma única c or dominante, uma enorme variedade de cores foi posta à sua disposição, inclusive dive rsas tonalidade pálidas. Com o surgimento do feminismo, na década de 1970, isso mudo u rapidamente. Por algum tempo, pintar os lábios era o mesmo que ceder ao desejo m asculino, e uma nova forma de puritanismo veio à tona. Os lábios das feministas eram naturais. Ao mesmo tempo, as mulheres protestavam violentamente contra a Guerra do Vietnã, e, quando não pertenciam ao movimento feminista, às vezes adotavam cores p roibidas, como o azul, o púrpura ou mesmo o gótico preto. Quando a Guerra do Vietnã te rminou e as jovens conquistaram uma maior igualdade social, os austeros modelos que lembravam uniformes foram abandonados, e as mulheres se sentiram livres para voltar a parecer mulheres. Durante os anos 1980 e 1990, o batom vermelho retorn ou mais uma vez. No início do século XXI, as mulheres passaram a expressar seu desej o sexual com uma franqueza nunca vista, e com essa confiança sexual e essa liberal idade cresceu a exploração erótica dos cosméticos para os lábios. Foram criadas três estratég as básicas: lábios mais vermelhos do que nunca, lábios de cor natural com o brilho do gloss ou uma combinação dos dois — muito vermelhos e muito brilhantes. Agora, a tônica e ra a individualidade. As mulheres deixaram de ser escravas de uma única moda. Uma cantora pop pode se apresentar com os lábios pintados de vermelho-vivo e, no próximo

show, subir ao palco com os lábios rosa-pálidos brilhantes ou sem nenhum batom. Os p ublicitários lançam mão de estimulantes descrições: lábios ultra-brilhantes, lábios suculento , lábios deliciosos, lábios molhados. As fotos mostram lábios femininos tão úmidos que é imp ossível evitar a mensagem biológica subliminar: se a forte excitação sexual gera secreções g enitais, os novos batons devem sugerir essa mudança fisiológica. Os fabricantes de b atons criaram superlábios. A mensagem está clara para quem quiser ver: as mulheres e stão mostrando que gostam de sexo e não se importam que saibam disso. Por mais impre ssionante que seja, toda essa tecnologia ocidental para embelezamento dos lábios f emininos torna-se insignificante diante das mutilações labiais de certas sociedades tribais. Entre o povo surma, que habita o sudoeste da Etiópia, a mulher adulta é con hecida como "mulher-prato". Pouco depois que ela completa 20 anos, seis meses an tes de se casar, um dos lábios é cortado e um pequeno prato, chamado labret, é inserid o na boca. Isso estica o lábio para fora num anel de carne avermelhada. Assim que for possível, a jovem retira o prato e o substitui por outro ligeiramente maior, d epois por um maior ainda, até ser capaz de exibir um lábio quase do tamanho de um pr ato de jantar. Nos primeiros tempos, o prato tinha a forma de cunha e era esculp ido em madeira, mas mais recentemente a moda determina que ele seja circular e d e cerâmica. Quando a mulher está sozinha, comendo, dormindo ou na companhia de outra s mulheres, tem permissão para tirar o labret, e, quando faz isso, o lábio cortado e esticado fica pendurado. Quando os homens estão presentes, porém, o prato deve esta r no lugar, e seu tamanho denota o valor da mulher. O tamanho do prato que uma j ovem consegue tolerar será a medida de sua beleza e irá determinar quantas cabeças de gado ela vale quando sua mão for oferecida em casamento.

Os shilluks do Sudão preferem os lábios tingidos de azu l e os ainus do Japão gostam de lábios tatuados. exibiam grandes discos labiais. os ubândgis achassem os lábios esticados um sinal de bel eza. na Colúmbia Britânica. Em todos os casos. Em algumas tribos das Filipinas. que achavam as mulheres com esse ornamento feia s e iam buscar escravas em outra tribo. como outras tribos que adotavam esse costume. os lobis de Gana e os sara-kabas e os ubândgis da bacia do Congo. essa história parece não ter muito fundamento. As tatuagens de estrelas na infância e as tatuagens em preto e azul quando as mulheres atingem a idade adulta se espa lham da boca em direção às orelhas. Algumas esticam apenas um lábio. onde as mulheres dos t liguites. não apenas entre os surmas. A técn ica varia de uma tribo para outra. foi l vantada a hipótese de que os chefes da tribo instigassem o procedimento para deter os mercadores de escravos árabes. a intenção é alargar os lábios e chamar a atenção para eles. Outras trib os usavam técnicas diferentes. O mais provável é que. enquanto outras pregam um pino de madeira acima e abaixo dos lábios. a costa ocidental do Canadá. e que a repulsa dos mercadores de escravos fosse apenas um bônus. mas também entre os macondes do Quênia.Essa forma bizarra de alargamento dos lábios existiu em muitas tribos africanas. outras os dois . Entre os ubândgis. as mu lheres que tinham os maiores discos eram as que desfrutavam de mais status. Surpreendentemente. Quando os pri meiros exploradores puseram os olhos nesses extravagantes lábios. acharam difícil cr editar que . Mais uma vez. Embora tenha sido amplamente divulgada. uma goma de masca r feita de nozes de bétele era usada para tornar os lábios encarnados. essa forma extr ema de ornamento corporal foi descoberta por antigos exploradores numa parte com pletamente diferente do mundo.

o que permite a uma atriz. com Alloderm. usar os novos lábios para um determinado papel. por exemplo. com a abertura de um canal que atra vessa os lábios de um canto ao outro.elas nascem com os lábios inferiores desse tamanho.. de modo que elas não têm outra maneira de se curar senão jogando sal continuamente sobre ela!" Esse relato foi feito por John Bulwer em 1654. e com a . Esse espaço oco que é preenchido com um material capaz de ser absorvido pelo tecido labial. Uma interv enção mais duradoura requer uma intervenção cirúrgica. A cirurgia plástica dos lábios. O efeito dura de três a seis meses. começaram a procurar diferentes proce dimentos cirúrgicos para "melhorar" seus lábios. cientes do apelo sensual de lábios grossos e suculentos. quando o calor do sol é ex tremo. mas recent emente reapareceu na Califórnia.eles resultassem de sacrifícios que as mulheres dessas tribos infligissem a si mes mas: ". em um d os primeiros livros antropológicos já publicados. apodrece.. que caem até o peito e mostram aquela chaga do lado que pende para fora e que. numa nova forma. Atrizes de Hollywood. que já foi tão comum nas tri bos africanas. implante sólido retirado da pele desidratada d e pessoas mortas. os p ontos principais desse tipo de cirurgia plástica podem ser resumidos nos seguintes (embora novos procedimentos estejam sendo introduzidos o tempo todo): O procedi mento menos drástico é a aplicação de uma série de injeções de colágeno ou gel hialurônico cm pontos do contorno dos lábios. Esse preenchimento pode ser feito co m materiais sintéticos. Sem entrar em detalhes técnicos. É evidente que não lhe ocorreu que os problemas de saúde decorrentes desses imensos lábios resultavam do corte do lábio para a colocação de grandes discos. não seria vista nas sociedades urbanas por muitos séculos.

A obtenção de um ou outro r esultado dependerá da colocação precisa das substâncias. purificada e depois injetada no s lábios. Finalmente. são sentidas. Trata-se de uma remodelação permanente e precisa ser realizada num centro cirúrgico. Não há dúvida de que. Leva cerca de uma hora e tem a desvantagem de deixar cicatrizes. embora fiq uem escondidas dentro da boca. se os cirurgiões e dermatolog istas executarem bem o seu trabalho e evitarem armadilhas como as mencionadas. a não ser no caso de lábios excessivamente finos. porque o século XXI está testemunhando uma rápido crescimento dessas cirurgias. depois de modificados os lábios. O risco desses procedimentos cirúrgic os é que. o rosto feminino pode se tornar muito mais sensual.própria gordura da paciente. Em lugar da fenda natural. tal é o impacto erótico da forma dos lábios. que começaram na Califór nia e se espalharam pelo mundo todo. Às vezes. a linha superior se curva ligeiramente sob o nariz. C ertas atrizes adquirem lábios tão protuberantes que ofuscam todas as outras feições do r osto (e que algumas vezes são chamados com sarcasmo de "beiços de truta"). Os que cr iticam essas intervenções acham que. dando ao lábio uma aparência artificial. eles podem não se harmonizar com o rosto. a s mulheres deviam pensar duas vezes antes de se submeter a uma cirurgia desse ti po. a forma mais extrema de intervenção: a cirurgia plástica dos lábios. "Todas essas intervenções têm um dos seguin tes objetivos: preencher os lábios ou projetá-los para fora. que. que é extraída das nádegas. . um procedimento para pr eenchimento dos lábios tem o efeito de eliminar a forma de arco de cupido do lábio s uperior. Mas essa é uma opinião que não parecer estar sendo levada em conta.

Até aqui. mas. mas os lábios. Quando cresciam. transferiam para ele o alimento. Deste longínquo início nasceu o beijo de amor entre adultos. consideramos os lábios apenas do ponto de vista estético. Isso também talvez explique por que. em estágios mais avançados da relação s exual. na fase das preliminares. naturalmente. os lábios foram considerados a zona mais erógena. Indagadas sobre esse tabu. embora permitam todo tipo de conta to genital. essa não é sua única função. é o contato com o lábio o fator de maior excitação. mas. como o Japão. a estimulação do clitóris tem maior probabilidade de conduzir ao orgasmo. esse movimento exploratório da língua se ligou indelevelmente ao ato de a mor. É verdade que. colocavam a boca aberta sobre a boquinha do bebê e. estão realizando um ato que r emonta a épocas primevas. mas porque ele é "muito pessoal". e m alguns países. as prostitutas dizem ''nada de beijo". Isso pode explicar por que. Ele ainda ocorre em . Quando os amantes unem os lábios com a boca aberta e um com eça a explorar o interior da boca do outro com a língua. os bebês passavam a experime ntar o alimento com sua própria língua assim que o contato boca a boca era feito. Então. De ssa forma. costumavam mastigar o alimento até torná-lo macio e liquefeito. elas respondem que não permitem o beijo na boca não por razões de higiene. uma afirmação que diz mu ito sobre o significado dos lábios femininos. segundo as mulheres entrevistadas para a pesquisa. Não os seios ou os genitais. Esquecemos como ch egamos até aqui porque hoje é extremamente raro encontrar exemplos sobreviventes des se ritual primitivo de alimentação. Numa recente pesquisa sobre os dez pontos de contato mais im portantes do corpo da mulher. tradicional mente. Quando as mulheres das tribos precisavam desmamar os fil hos e introduzir alimentos sólidos. usando a líng ua. O beijo na boca t em uma origem curiosa. a tradição não recomenda beijar em público.

algumas tribos remotas. Pode parecer que elas este jam apenas excitando o homem. ma s o que Freud não considerou . os movimentos de sua boca lhe recordam o prazer que sentia ao sugar os se ios da mãe. a fêmea humana é a mais desenvolvid a de todos os primatas. como em muitos outros. Vale acrescentar que. mas é desconhecido ou foi esquecido cm quase toda parte. Umas poucas mulheres também são capazes de a tingir o orgasmo aplicando os lábios ao falo masculino. mas desempenhou um importante papel nas atividade s sexuais de muitas culturas por milhares de anos — está fortemente relacionado ao p razer oral do bebê ao sugar os seios maternos. mas as terminações nervosas da mucosa dos lábios feminin os são tão refinadas que cada toque no corpo do amado envia de volta um forte estimu lo sexual. talvez isso seja verdade. A impressão deixada pela primeira fase oral permanece com ela de alguma forma por grande parte de sua vida adulta. Segundo essa teoria. De acordo com o estudo clássico sobre a sexualidade feminina realiza do por Kinsey e seus colegas. O contato oral-genital — que hoje sabemos não é uma invenção da so ciedade ocidental "decadente". Nesse aspecto. devido à grande sensibilidade dos lábios femininos. algumas mulheres são c apazes de chegar ao orgasmo durante prolongados beijos na boca. para Freud. um bebê ao qual tenha sido negada a recompensa normalmente oferecida pela mãe passará o resto da vid a tentando compensar essa perda. V ale lembrar que. e isso pode ocor rer mesmo sem qualquer contato genital. Quando uma amante suga o pênis do par ceiro. seu contato com diferentes partes do corpo masculino durante a relação sexual é menos altruísta do que pode parecer. publicado há mais de meio século. Em casos extremos. o p razer oral adulto reflete uma privação infantil.

ao contrário dele. a contração pressiona os lábios fechados co ntra os dentes. As mudanças de humor provocam quatro difer entes movimentos dos lábios: abertos e fechados. Por outro lado. porque sua boca era fon te de interminável sofrimento. fumar. essas quatr o mudanças nos dão um enorme espectro de expressões.foi que os prazeres experimentados em qualquer fase da vida são capazes de estabel ecer padrões de comportamento para o futuro. com fixação em seios e infantilizados" simplesmente porque. o mesmo músculo. tensos e frouxos. Portanto. que se contrai para fechá-los. dificilmente perderá a chance de experimentar maneiras adultas de recapturar esse prazer — simplesmente porque não houve nenhuma privação infa ntil. Combinadas de diferentes maneiras. como faz a maioria dos bebês. Portanto. ele deve ser perdoado por e ssa postura contra esses adultos que ele considerava "oralmente dependentes. A atitude negativa de Freud em relação a adultos que gostam de beijar. mas se suas fi bras mais profundas são fortemente ativadas. eram capaz es de desfrutar dos prazeres orais. mas isso seria subestimá-lo. se suas fibras superficiais são ativadas. que precisou ser removido em grande parte em trinta e três cirurgias. comer doces e tomar bebidas quentes não é difícil de entender. para a frente e para trás. É esse músculo que trabalha quando os lábios estão apertados ou adotam qualque r outra expressão contraída. As mudanças são efetuadas por um conj unto complexo de músculos que funcionam basicamente da seguinte maneira: Ao redor dos lábios existe um forte músculo circular. o orbicularis oris. . é importante examinar os lábios femi ninos como emissores de sinais faciais. Costuma-se vê-lo como um simples esfíncter. os lábios se mantêm fechados. os lábios se fecham e se projetam para a frente. Finalmente. Ele tinha câncer do palato. Um indivíduo que sugou o seio materno. para cim a e para baixo. Se o músculo todo se contrai.

Para complicar ainda mais as coisas. gerando a expres são de tristeza. ou músculo do trompete. o que introduz um novo elemento nas sutis expressões faciais. como se fugissem de um ataque. Na rai va silenciosa. A maiori a dos outros músculos da boca trabalha contra esse músculo circular central. no sorriso e na gargal hada. que ergue o queixo e projeta o lábio inferior para fora em expressões de desafio. os lábios são pressionados . eles são empurrados par a a frente. que puxa a boca para baixo e para os lados em f unção da tensão do pescoço que antecipa um ferimento físico. diversas vocalizações acompanham as expressões da boca. ajudando a f ormar a expressão de aversão ou de ironia. como se avançassem sobre o inimigo. Elas provocam uma aber tura maior ou menor da boca. Existem ainda o músculo levator menti. O músculo depressor empurra o lábio inferior para baixo. O músculo triangularis empurra a boca para baixo e para trás. O músculo zygomaticus e mpurra a boca para cima e para baixo em expressões alegres. o ser humano usa outro múscu lo. lutando para manter a boca aberta em outra direção. e o bu ccinator. pavor ou raiva. que comprime as bochechas contra os dentes. no medo. mas também ajuda na mastigação dos a limentos. pode gerar os lábios suavemente contraídos que conv idam a um beijo ou os lábios tensos de quem espera levar um tapa na cara.operando de maneiras diferentes. Mas esses movimentos opostos dos cantos da boca podem exi stir com a boca aberta emitindo um som ou com a boca fechada e em silêncio. Simplificando muito. Tomemos como exemplo as expressões contrastantes de raiva e medo. A princ ipal diferença está no movimento dos cantos da boca. o músculo levator er gue o lábio superior e ajuda a criar expressões de dor e desdém. Quando sente uma dor aguda. o platysma da região do pescoço. Ele é usado não apenas para soprar instrumentos musicais. Na raiva. eles se retraem.

Outra característica da expressão alegre é a prega de pele que aparece entre os lábios e a bochechas. na raiva ruidosa. gerando uma abertura quase quadrada. mas. No medo silencioso. a boca se abre inteiramente. os lábios se retraem e se retesam ate formar uma fissura horizontal. a boca se mantém aberta e os den tes inferiores também podem se revelar. a boca se abre. a pessoa que grita expõe menos os dentes do que a que rosna. podemos duvidar da sinceridade de sua expressão vocal. um importante fator para o fortalecimento dos laços de amizade. a capacidade de combi nar elementos aparentemente incompatíveis para transmitir estados de . Mas ele s também podem se separar e produzir o amplo sorriso no qual os dentes superiores são expostos. qual seja. os dentes inferiores nunca são inteiramente expostos como os superiores. As expressões de felici dade também têm versões abertas e fechadas. no medo ru idoso. causadas pela elevação dos cantos da boca. Se uma mulher ri e expõe totalmente os dentes inferi ores. Essas l inhas diagonais. por maior que seja a gargalhada. devido à curva para cima dos lábios estic ados. são dobras nasolabiais que variam consideravelmente de indivíduo para indivíduo.um contra o outro. o que resulta num sorriso silencioso. Elas "personalizam" o sorriso . es ticando os lábios para cima e para trás ao mesmo tempo. com os cantos da boca puxados o máximo para trás. Quando se acrescenta o som da risada. o s lábios podem se manter em contato. mas ainda com os cantos da boca para a frente. acompa nhada de um berro ou de um ronco. Como o medo retrai os lábios. Quando são empurrados para trás e para cima. acompanhado de um grito ou de uma arfada. com os cantos da boca para a frente. expondo os dentes superiores e inferiores. O sorriso triste ilustra outra sutileza das expressões femininas.

. caem para criar o "sorriso heróico" da mulher q ue está sendo assediada ou o sorriso irônico da professora que recusa um pedido. que oferecem ao rosto feminino um rico reper tório de sinais visuais. Em vez disso. que se recusam a se erg uer na posição adequada. Exi stem muitas outras expressões mistas. No sorriso triste. todo o rosto se compõe numa aparência de olhos brilhantes e de bom humor. a não ser pelos cantos da boca.espírito complexos.

mas esse erro é rapidamente corrigido quando se tenta falar com a língua presa no assoalho bucal. assobiar e fumar. As mulheres primitivas foram as comunicadoras da vida tri bal (enquanto os homens ficavam fora da tribo. tossir. Boca A boca feminina funciona o tempo todo. Qualquer pessoa que tenha visitado um dentista sabe disso. Sua s uperfície rugosa é coberta de papilas que contêm entre 9 e 10 mil . o que lhes dá uma grande vantagem. mastigar e engolir. Outros animais usam a boca para morder. sugar. l amber. rosnar. a boca contém um elemento essencial: a língua. sorrir. rir. Sem ela. mais fluentes que os homens. Naturalmente. que é a capacidade de se comunicar verbalmente melh or do que qualquer outro animal no mundo. mas a fêmea humana acrescenta a essa lista outras funções. Pesquisas sobre o cérebro confirmaram algo de que muitos já suspeitavam: as mulheres são. abatendo as presas com pouco mais do que um grunhido a romper o silêncio). estando envolvida nos atos de experimentar. O papel da língua na fala às vezes é subestimad o. não surpreende que a boca tenha sido definida como o campo de batalha do rosto". uma parte maior do cérebro da mulher é empregada em registrar uma solução. Por isso. a língua também desempenha um papel primordial n a alimentação.9. Quando diante de uma tarefa verbal. Essa é uma afirmação evolucionária. gritar e grunhir. mastigar. e as mulheres atuais herdaram essa quali dade. Ela usa a boca também para falar. Dentro dos lábios. por n atureza. melhor ainda do que o homem. beijar. bocejar. e não cultural. as mulheres não poderiam falar e perderiam u ma de suas grandes qualidades. engolir. A laringe recebe o crédito.

ela participa da função cruc ial de engolir. a língua funciona como palito gigante. que os bebês são capazes de executá-lo antes mesmo que ele seja necessário. em especial na parte superior da garganta. manter um equilíbrio correto do sal e evitar certos alimentos perig osos — que apresentariam um sabor excessivamente amargo ou ácido.receptores gustativos. com a ajuda dos aromas que percebemos com o olfato. de fato. a ponta da língua pressiona o céu da boca e sua par te posterior se arqueia para catapultar a mistura de alimento e saliva para dent ro da garganta em direção ao estômago. no ponto onde o pala to duro se junta ao palato mole. a superfície da lín gua também reage à textura dos alimentos. Existem receptores dos sabores doce e salgado em outras partes da boca. mas hoje se sabe que não é isso que ocorre. a língua r ola o alimento na boca. em busca de caroços ou pedaços maiores. que são capazes de distinguir quatro sabores: doce e salgad o na ponta da língua. tão elementar. Durante a mastigação. tentando desalojar partículas . quando ainda estão no ventre da mãe. azedo dos lados da língua. Acredita-se que essas sensações de paladar existem porque era importante para nossos ancestrais reconhecer quando uma fruta estava doce e madura. en quanto os receptores do azedo e do amargo estão no céu da boca. ao calor e à dor. Quando julga que tod os os pedaços foram devidamente triturados ou rejeitados. Todos os sutis sab ores de nossos alimentos derivam de uma mistura desses quatro sabores básicos. Para fazer isso. Costumava-se pensar que todos os sabores são percebidos na parte superior da língu a. e amargo na parte posterior da língua . Não reparamos nesse complexo movimento muscular p orque ele é automático. um Quando a refeição termina. Além dos sabores.

em que a oralidade desempenha o principal papel. os jovens se submetem à dor de ter a língua perfurada para a ins erção de piercings de metal. Isso também ocorre nos be bês humanos. A língua ficou gravemente ferida . o piercing na língua parece oferecer apenas uma vantagem. Embora prejudique a clareza da dicção. mas. e a jovem ficou temporariamente cega e incapaz de falar durante três dias. A co rrente percorreu todo o corpo e ela quase morreu. essa forma de mutilação tem sido adotada até por cantoras pop. Tentando encontrar novas maneiras de obter a de saprovação dos adultos. ao contrário de outras espécies. A mulher pode usá-los u ma vez ou outra para cortar um fio. mas o pier cing tinha levado isso ao pé da letra. praticamen te só os utiliza para se alimentar. a língua e os dentes. quando uma inglesa de fér ias em Corfu foi atingida por um raio atraído pelo piercing de metal na língua. mas há uma dependência entre o contato digital e o oral.indesejáveis de alimento que possam ter ficado presas entre os dentes. no final do século XX. Além de seu papel como símbolo de revolta socia l. na forma dos piercings. Por estar p rotegida dentro da boca. Uma desv antagem ainda não percebida foi descoberta no verão de 2003. que na espéci e humana são utilizados quase exclusivamente para a alimentação. cujos pais precisam . Mais tarde ela declarou que precisava de férias para recarregar as baterias. Entretanto. a língua raramente foi alvo de alguma "melhoria" cosmética. o beijo na boca sem piercing é como um filé sem mostarda. De acordo com o parce iro de uma usuária. Depois ele vai manipulá-lo com seus dedos hábeis. a boca das mulheres sofreu uma estranha e nova intrusão. Dê a um macaco um objeto estranho e ele quase de imediato o levará à boca para explorá-lo com os lábios. Dentro da boca ficam os dentes.

seus dentes tendem a ser levemente menores.estar sempre atentos para que eles não enfiem objetos perigosos na boca. rilhar e bater com o frio. Com essa passag em da boca para a mão. Como as mulheres possuem u ma arcada menor que a dos homens. os dentes também são capazes de agarrar. Em muitos casos. porém. que é realizado q uase exclusivamente pelas mãos. os dentes humanos se tornaram bastante modestos comparados com os das outras espécies. agarra o adversário e o morde. Mais uma vez — com a ajuda das armas —. O m esmo ocorre na hora de matar uma presa. depois de substituir gradualmente os pequenos dentes de lei te da infância. 28 dos quais já estão estabel ecidos na puberdade. Os últimos quatro dentes. A mulher adulta possui 32 dentes. os dentes do siso. as mão s assumiram a tarefa da mordida letal tão comum entre os carnívoros. a pertar. Os dent es masculinos geralmente são mais angulosos e rombudos. Além da função de partir e mastigar os alimentos. Essa mudança também ocorre quando ê preciso lutar. alguns deles — ou mesmo todos — não aparecem. ranger. a boca vai perdendo seu "papel exploratório". O homem ataca o inimigo na cabeça. triturar. chuta e o agarra num corpo-a-corpo. Existem leves diferenças entre os dentes do homem e da mulher. Os dentes se apertam em momentos de intenso esforço físico ou quando . com a ponta rombuda a lembra r nossos ancestrais. só nascem quando nos torn amos adultos. de modo q ue a boca de um adulto pode ter de 28 a 32 dentes. soca. Só morde como um último recurso. principalmente nos incisivos superiores. À medida qu e amadurecemos. quando está furioso. roer. São ap enas ligeiramente mais longos que os outros dentes. Nossos caninos não são mais presas de pontas afiadas. O mac aco.

fazendo pequenos furos no esmalte. ao passo que aqueles que . chimpanzés que vivem soltos na floresta têm excelentes dentes. no qual o indivíduo frustrado morde simbolicamente o inimigo na segurança do sono. Mais uma vez. o que nos leva a pensar por que a língua precisa de três palavras para defi nir uma ação que é tão raramente usada na vida real. apresentaram meno s cáries. e. ringir e rilhar os dentes é praticamente a mesm a coisa. quando quase não havia açúcar refinado ou farinha. É uma reação primitiva a uma possível r física. Embora o e smalte dos dentes seja a substância mais dura de todo o corpo humano. sem contato com os dentes. adora carboidratos. até que a saliva se torne anormalmente ácida . fazendo os dentes se chocarem. com o risco de quebrá-los ou d eslocar a arcada inferior. o Lactobacillus acidophilus. Se um soco atingir o rosto de uma pessoa que está de boca aberta. o que indica uma raiva reprimida. a queda de d entes é muito comum no mundo atual. com cert eza causará mais dano. Essa é uma expressão que podemos ver no rosto de um lutad or e na criança que está prestes a receber uma injeção. se partíc ulas de alimentos açucarados ou farináceos ficam presas aos dentes ou às gengivas. A acidez corrói a superfície do dente.a pessoa antecipa uma dor. acelerando muito o processo. Entretanto. Além disso. Ranger. A bactéria adora esse ácido ainda mais e começa a se r eproduzir. Todo ess e processo foi confirmado de várias maneiras. rap idamente fermentam em ácido lático. Uma bactéria qu e sobrevive na boca. Animais alimentados com uma dieta rica em açúcar não perdiam dentes quando o a limento era ingerido por um tubo. trata-s e de uma reação primitiva que ressurge como uma espécie de "sonho muscular". As crianças que cresceram no tempo da guerra na Europa. As causas parecem bastante óbvias. muitos indivíduos rangem os dentes quando dormem.

os dentes continuam guardando alguns mistérios. Muitas des sas operações e mutilações eram executadas em épocas especiais da vida na tribo. Por outro lado. mas muita s culturas têm outra visão. a sofrer um ataque maio r de ácido lático. Essa técnica foi utilizada em regiões da África. quase 90% das pessoas possuem incisivos centrais inferiores sadios. os jovens eram submetidos a um do loroso lixamento para . A lógica indica que os dentes incisivos centrais inferior es estariam mais sujeitos a reter alimentos e. da Ásia e da América do Nort e. Pedras preciosas ou metais eram entalhados no dente como demonstração de status. especialm ente na puberdade e no casamento. Em Bali. Isso também ocorreu em muitas partes. da África ao Sudeste Asiático e às Américas. Alguns povos costumavam remover os incisivos centrais pa ra enfatizar os caninos. portanto. povoados humanos No entanto. o que implica que a boca era usada simbolicame nte como "genitais deslocados". enquanto outros perdem dentes apesar de todo o cuidado tanto com a alime ntação quanto com a higiene. Outro método para fazer os dentes parecerem selvagens é dar-lhes pontas afiadas. o que tornava a boca mais ameaçadora e feroz — quase um ros to de Drácula. mais de 60% perderam os molares superiores. o impacto dos dentes foi reduz ido em vez de exagerado. por exemplo. Surpreendentemente. Alguns indivíduos parecem ser quase imunes à queda mesmo quando tem uma dieta excessivament e doce. existem alguns fatos estranhos sobre a resistência dos dentes. Apesar dos grandes avanço s da odontologia.recolhem alimentos perto de apresentam dentes estragados. No mundo oc idental. O olhar ocidenta l sempre considerou uma dentadura branca e saudável uma marca de beleza. são eles os mais resistentes à queda. Em algumas regiões.

como o escurecimento pode ser considerado uma marca de beleza? A resp osta. Em outras partes do Oriente. Essa moda atingiu o auge no século XVII e entrou pelo século XIX.arredondar a ponta dos caninos e fazer a boca parecer menos animal. Dessa forma. até que. Folhas de bétele. a moda de dentes pretos entrou em rápido declínio. se o branco é a cor dos dentes jovens e saudáveis. fazendo-os desaparecer da vista e criando uma expressão infantil. a própria rainha tinha dentes escuros de tanto comer confeitos açucarados. tinha que fingir o contrário. Dizia-se que dentes pretos (chamados ohaguro) tornavam uma dama especia lmente bela. na época de Elizabeth I da Inglaterra. Daí surgiu a idéia bizarra de que escurec er os dentes proporcionava uma aparência de alta classe e fazia a mulher mais bela perante a sociedade. mascar bétele também causava o escureci mento dos dentes. fazendo com que os dentes ficassem cariados e descoloridos. estava no preço do açúcar. a imper atriz passou a exibir dentes brancos. como se de repente tivessem regressado ã fase desdentada da infância. conseguiam p arecer mais submissas a seus machos. . as mulheres enegreciam os dentes ou os tingiam de vermelho-esc uro. se a pessoa era pobre demais para estragar os dentes dessa maneira. Eles eram ting idos dessa cor como parte de uma elaborada maquiagem usada pelas mulheres de alt a casta. Afinal. em 1873. Dentes pretos também foram moda no antigo Japão. A tinta era obtida pela diluição de limalha de ferro em saquê ou chá. Desde então. Como no Ocidente ter dentes cada vez mais b rancos e brilhantes é um fator essencial de beleza (uma beleza que hoje pode ser f avorecida por modernas técnicas de branqueamento). Só os muito ricos podiam se dar o luxo de comer doces. Em outras cu lturas orientais. é difícil para um ocidental aceitar que dentes pretos sejam atraentes. Afinal. Portanto.

Então. d epois do qual a jovem era considerada suficientemente bela para se casar. Se alg uém lhes perguntasse qual a razão disso. primeiro nas cidades e depois nas áreas rurais . os fantasmas e os europeus têm dentes brancos". esse pacote funcionava como um estimulante que também avermelhava os lábios e escur ecia os dentes. e a moda não pegou. Seu uso se disseminou tanto no Sudeste Asiático que as mulheres na tivas diziam: "Só os cães. Mascado repetidamente. mas a nova moda pedia "jóias dentais". porque a saliva removia o verniz. As pioneiras d essa moda chegaram a ponto de fazer pequenos furos nos dentes para incrustar nel es minúsculos diamantes. Para as adolescentes.nozes de palmeiras e uma pasta obtida a partir das conchas do mar eram misturada s até constituir uma massa que era mascada como o tabaco. No fim do século XX. Sua popular idade começou a declinar no século XIX. mas não tão simples. Como o bétele geralmente só deixava os dentes marrons. algumas celebridades. Por causa disso. entre elas uma . O sorriso brilhante se transformou num sorriso ofuscante. Pintar os dentes com verniz preto e ra a solução. Mas esse procedimento era drástico demais para a maioria das mulheres. entre elas a de não comer nenhum alimento sólido por uma semana e tomar líquido s apenas por um canudinho. Não hav ia nenhum dente preto à vista. em alguns países — o Vietnã. Pedaços de nozes eram cobe rtos com a pasta e depois embrulhados nas folhas de bétele. havia um ritual de puberdade. a aplicação do verniz tinha que obedecei a um ritual que envolvia vários tratamentos e r estrições. as mulheres modernas do Ocidente m ostraram os primeiros sinais de interferência na superfície branca dos dentes. elas respondiam que dentes brancos só serviam para selvagens e animais. por exemplo — as mulheres que queriam ter dentes pretos para ficar ainda mais belas pr ecisavam se submeter a alguns procedimentos.

de 2 a 4 mm de tamanho. dependendo do dente em que fo ram aplicadas. e medo e uma forte excitação significam menos saliva. mas depois de circular pela boca algumas vezes ela terá coletado entre 10 milhões e 1 bilhão de bactérias por centímetro cúbico. Ela as adquire dos minúsculos fra gmentos de "caspa úmida" que estão sempre presentes na boca à medida que velhas camada s de pele se desprendem e são substituídas por novos tecidos. e a pedra pode ser facilmente removida. são as mais produtivas. o fato de terem maculado o sorriso bran co provavelmente faz delas não mais que uma moda passageira. e as jóias nos dentes de repente se tornaram populares. 500 ml. círculos ou estrelas. Os dois principais el ementos da boca — os dentes e a língua são mantidos úmidos pelas secreções de três pares de g dulas salivares. Embora sejam decorativas. Algumas jóias são ostentosas. respon sáveis por cerca de 70% da saliva. A produção diária de saliva varia entre 600 e 1. outras são discretas. Mais alimento significa mais saliva. a moda de incrustar pequenas jóias nas unhas passo u para a boca. ab aixo dos dentes molares — as glândulas submandibulares —. Depois. a saliva está livre de bactérias. são exibidos por um dia ou por um ano. Quando sai dos condutos das glândulas salivares. Logo foi possível ter uma capa d ental provisória de ouro. . as duas situadas sob a mandíbula. As duas que estão embutidas nas bochechas são conhecidas como glândul as parótidas e produzem cerca de 25% da saliva.das Spice Girls. e as duas situadas sob a língua — as glândulas sublin guais — contribuem com os restantes 5%. leva apenas três minutos. Minúsculos cristais na forma de corações. feita com cola dental. flor es. ousaram exibir um dente de ouro. Seu sucesso se deve ao fato de que a colocação.

10. e ainda ho je podemos constatar isso entre as poucas gueixas remanescentes de Quioto. Tradicionalm ente. uma enzima da sal iva chamada ptialina começa a quebrar o amido em maltose. os homens costumam olhar o pescoço da mulher simplesmente como algo q ue segura a cabeça. Seu poder lubrificante é aumentado pela presença de uma proteína ch amada mucina. É uma ação que s e espera de uma gueixa. assim como outras lisozimas que ajudam a limpar a b oca e os dentes. ajudando a reduzir o ataque ácido ao esmalte dos dentes. a ação lubrificante da saliva melhora a qualidade da voz. quase não lhe dão atenção. Finalmente. mas. A saliva também contém elementos químicos que criam um meio levemente alcalino. onde a exposição da parte posterior do pescoço é* vis como um forte estímulo sexual — equivalente a expor os seios no Ocidente. como sabe qualquer pessoa qu e tenha tentado falar com a boca seca. além disso. mas que é rejeitada pelas esposas respeitáveis.A saliva tem várias funções. Eles sabem que a pele do pescoço é sensível a carícias e que beijá-lo su avemente pode excitar a parceira durante as preliminares do sexo. Ela umedece o alimento e torna-o acessível aos receptores g ustativos. uma vez que não se pode sentir o sabor do alimento seco. expondo a nuca e as costas. A ptialina também funciona como um antigermicida oral. Pescoço No Ocidente. e dessa forma facilita sua pa ssagem pelo esôfago. Como a firmou um . Ela também lubri fica o bolo alimentar antes que ele seja engolido. Suas roupas têm uma gola alta na frente e baixa atrás. toda gueixa era treinada na arte de expor elegantemente a nuca. Com certeza o pescoço não é considerado uma zona erógena importan A situação é muito diferente no Japão. Depois que o alimento é mastigado por algum tempo.

Isso enfatiza a artificialidade da maquiagem e excita o homem. Afirma que. Além de conter conexões vit ais entre boca e estômago. as cr ianças japonesas passam mais tempo agarradas às costas da mãe do que acarinhadas em se us seios. a frase hoje significa "um a gueixa com adoráveis genitais". seria a razão para a fixação masculina na nuca. Existe uma frase em japonês para descrever a beleza da linha da nuca feminina — komata no kmagatta hito —. nariz e pulmões. tradicionalmente. cérebro e coluna. . o significado erótico desse costume é aumentado pela forma especial da nuca. Anatomicamente. Quando aplica sua maquiagem branca ( que inclui um ingrediente vital: excrementos de rouxinol). Como a maquiagem é deliberada mente aplicada de modo a imitar a forma dos genitais. Essa. o pescoço abriga os princi pais vasos sangüíneos que ligam coração e cérebro. Uma curiosa teoria tenta explicar o desvio da at enção erótica dos japoneses dos seios para a nuca. Cercando essas conexões existem complexos grupos de músculos que permitem que a cabeça execute toda uma gama de movimentos qu e transmitem importantes mensagens nas interações sociais. homens de todo o mundo parecem apreciar a linha ondeada da nuca fe minina.comentarista. a gueixa deixa uma ma rgem de pele aparecendo junto à linha dos cabelos. o pescoço te m sido descrito como a parte mais sutil do corpo humano. mas seu significado mudou. mas no Japão ela mergulha nas costas. além do fato de que os seios das mulheres japonesas são relativament e pequenos. porque chama a atenção para a pele sob a máscara branc a. "um V perfeito de pele nua que lembra as partes íntimas da mulh er". Segundo um observador.

que é muito mais evidente nos homens que seu correspo ndente no pescoço das Evas. quand o a voz masculina "'engrossa". enquanto a voz masculina adulta ati nge entre 130 e 145 ciclos por segundo. enq uanto a figura masculina exibe um "pescoço de touro". o que a faz menos proeminente. quando os machos. Outra diferença de gênero em relação a escoço é a presença do pomo-de-adão. As cordas vocais femininas têm cerca de 13 mm. e fica colocada mais alto na garganta. Não há dúvida de que essa diferença se estabeleceu durante a longa fase caçadora da evolução humana. Por q ue sua profissão as tornaria mais masculinas vocalmente? Não se sabe ao certo. que possuíam um pescoço mais for te. levavam vantagem em situações de violência física. Por alguma razão. enquanto o masculino é mais curto e mais grosso. Essa diferença laríngea não surge até a puberdade. A laringe da mulher é cerca de 30% menor que a do homem. enquanto as masculinas chegam a 18 mm. mantendo um a freqüência entre 230 e 255 ciclos por segundo. mas há quem tenha levantado a hipótese de que sua vida sexual mais ativa seria capaz de p rovocar algum desequilíbrio hormonal. Essas diferenças são bastante re ais. .Tradicionalmente. Isso ocorre porque as mulheres têm cordas vocais menores — o que lhes dá uma voz mais aguda e exige uma caixa vocal menor. as prostitutas experient es têm uma laringe maior e um registro vocal mais grave que outras mulheres. O pescoço feminino é mais longo e mais delgado. Isso ocorre em parte porque a mulher tem um tórax mais curto — e seu osso esterno é mais baixo em relação à coluna que o do homem — e em parte porque a muscul atura do homem é mais forte. A voz da mulher adulta é mais infantil. a figura feminina é dotada de uma gracioso "pescoço de cisne".

Os músculos do pescoço são distend idos com tal força que as vértebras cervicais se afastam de uma maneira totalmente a normal. se orgulha de ser conhecida na Eu ropa por suas "mulheres-girafas". Os europeus. o pescoço não será c apaz de suportar o peso da cabeça. O aspect o mais surpreendente desse costume é o comprimento que o pescoço feminino pode ating ir artificialmente. exibiam essas mulheres-girafas em espetáculos de circo — até que exi bições desse tipo deixaram de ser consideradas socialmente aceitáveis. a palavra padaung significa "a quela que usa aros de bronze". Apesar dessa carga. Na língua nativa. mas o objetivo é atingir 32 — um feito raram ente realizado. A tribo padaung. da Birmânia. as mulheres da tribo caminham por longas distâncias e trabalham no campo. Em uma cultura esse interesse por mulheres de longos pescoços foi levado a extremos. fascinados por essa distorção cultural do corpo humano. . Para começar. As agências de modelos também selecionam moças que tenham o pescoço mais longo e mais fino que a média. um número que vai crescendo ano a ano. os artistas têm exagerado ess a diferença criando imagens superfemininas. cinco anéis são colocad os ao redor do pescoço. Os aros de bronze também são usados nos braços e pernas. Desenhistas que retratam mulheres atra entes quase sempre estreitam e alongam o pescoço mais do que a anatomia permitiria . A mulher adulta chega a exibir entre vinte e trinta colares. O recorde documentado é de 40 cm.Como o pescoço feminino é mais delgado que o dos homens. A crença é que. de modo que u ma mulher adulta pode carregar de 20 a 30 quilos de bronze. O costume da tribo exige que as mulheres comecem a usar anéis de bronze no pescoço desde tenra idade. se os pesados aros de bronze forem removidos.

Para alguns observadores. a principal preocupação não é. O mais antigo colar conhecido não foi usado por nenhuma mulher moderna. mas por uma neandertalense. De fato. as mulheres corriam o risco de serem atacadas por tigres. tendo a especial função de proteger essa parte vital do corpo humano de influências h ostis. as mulheres da tribo ignoram essa lenda e afirmam que chegam a esses extremos simplesmente parque esses ornamentos as deixam mais bel as. onde elas podem cobra r 10 dólares para tirar uma foto ao lado de um turista. Não é por acaso que. dado o alto custo dos anéis. a distorção corporal ou a restrição de movimentos provocada por esse bizarro ornamen to. Quem somos nós. ocidentais. o colar é uma forma muito ant iga de ornamento . eles nos dirão que. o pescoço sempre foi uma parte do corp o de grande importância. como o mau-olhado. a mordida se dá s empre na lateral do pescoço. em tempos remotos. isso pelo menos mantém viv o um antigo costume tribal. como se poderia imagin ar. o que as obrigava a usar grossos anéis no pescoço par a se proteger. para criticá-las? Em círculos ocultistas. Em alguns cultos. como o dos vodus do Haiti. Atualmente. isso representa um deplorável retorno aos espetáculos circenses de antigamente. U ma solução encontrada recentemente foi escapar para a Tailândia. na mitologia vampiresca. mas também se pode argumentar que. Se perguntarmos aos historiadores da tribo como esse costume começou. no umbigo e nos geni tais. Eles eram mais que meros ornamentos. mas a dificuldade de encontrar dinheiro para pagar os caros anéis de bronze.Para as mulheres da tribo padaung. e foi o significado místico do pescoço que g erou o uso de colares nos primeiros tempos. acredita va-se que a alma humana reside na nuca. com nossos piercings na língua.

C. man ufaturadas com conchas de ostras. foi datado de 31. que passa pelo lado do pescoço e tr ansporta o sangue para o cérebro. foi descoberto um colar datado de 23. modificando a po stura do pescoço em relação aos ombros. feito de dentes entalhados de animais. Alguns dos primeiros colares eram feitos de objetos simple s.C.C. O que acontecia. Dois colares pré-históricos foram encontrados na França: o de La Quina. no sítio arqueológico de Mandu Mandu. mas um exemplar excepcional encontrado na França e fabr icado há mais 11 mil anos.corporal. Descobriu-se que. em Patnia. era feito de dezenove fragme ntos de ossos lindamente entalhados. foi datado de 38. dezoito deles na forma de uma cabeça de cabra e um na forma de uma cabeça de bisão..C. e o da Grotte du Renne . essa condição podia ser convenient emente atribuída a forças sobrenaturais. na Idade da Pedra Lascada. Baseia-se na idéia de que. O pescoço também se tornou foco de certos rituais de ocultismo. que criou uma terapia corporal hoj e conhecida como "técnica de Alexander".000 a. artefat os usados no pescoço.000 a. feito de contas circulares. Isso prova o cuidado que mereciam os. Esse poucos exemplos mostram claramente que us ar um colar não era um traço cultural isolado. No oeste da A ustrália. Uma forma muito mais saudável de manipulação do p escoço foi desenvolvida por Matthias Alexander. é possível . mas um costume que já estava bem dissem inado há trinta milênios. na região de Maharashtra. era que o cérebro estava sendo privado de oxigêni o. mas. a pessoa ficava tonta e confusa — uma presa fácil à su gestão.000 a. pressionando a artéria carótida. para os iniciados nos rituais religiosos.000 a. na Índia . feit o de dentes e ossos de animais. como espinhas de peixe. foi encontrado outro extraordinário cola r primitivo de 30. na verdade. Finalmente.

Num outro contex to. que por sua vez pode produzir um estado mental mais saudável. . Na realidade. Alguns críticos argumentam que esse conceito dá ao pescoço um poder quase místico sobre o resto do corpo. Se apresentado tomo um pedid o de desculpas. significa simple smente: "Corta!" Igualmente comum é o gesto que finge um estrangulamento. o resto do corpo recupera automatica mente o equilíbrio. Se praticado com raiva. mas também vários distúrbios psicológicos. O mais conhecid o é a mímica em que a pessoa usa a mão como uma faca prestes a cortar a garganta. mas existe uma explicação simples para os resultados que a técnica obtém. i ndica o que a pessoa gostaria de fazer com o outro. Está então estabelecida a base pata a restauração de um tônus muscular s adio. Quanto a os gestos. o pescoço parece ser a chave para a correta postura corporal. tentando dizer que está tão cheia de alguma coisa que não a suporta mais. Outro gesto popular é o que significa "Estou por aqui". executado por uma atriz quando percebe que a cena não está boa. Com o no mundo urbano as pessoas passam muito tempo curvadas sobre uma mesa ou senta das numa cadeira. Se. a pessoa bate o indicador várias vezes contra a garganta. Com a palma da mão virada para baixo. Como o gesto anteri or. o pescoço vai perdendo sua posição natural ereta. mostra o que a pessoa deveria fazer a si mesma. esse também tem dois significados: pode significar "Quero esganar você" ou "Quer o me esganar". são relativamente poucos os que se concentram no pescoço. essa postura for restabelecida. Em ambo s os casos. em que a pessoa agarra o próprio pescoço com as duas mãos e finge sufocar. Esse gesto tem dois significados intimamente relacionados. não é nada mais místico do que o treinamento postural que um bailarino recebe.curar não apenas certos sintomas físicos. com a técnica de Alexander.

é aquele em que ela pende a cabeça para um lado e a mantém nessa posição. Ele ocorre geralmente quando a mulher deseja fazer um sinal sem ser muito explícita. que costuma ser observado quando a mulher está num estado de espírito amigável ou amoroso. Nesses e em muitos outros movimentos do pescoço. passa a im pressão de falso pudor. não há diferenças entre h omens e mulheres. passa a imagem de modéstia e timidez.Mais importantes do que esses gestos localizados são os muitos movimentos do pescoço que determinam diferentes posições da cabeça. Outro gest o é aquele em que a mulher abaixa a cabeça e a mantém nessa posição. É o movime nto de cabeça usado tradicionalmente pelas prostitutas a um possível cliente que hes ita em se aproximar. ap ruma-a para ouvir um som ou empina-a para cheirar o ar. é o que acontece quando a pessoa faz um sinal positivo ou negativo com a cabeça. Quando a mulher baixa repentinamente a cabeça para esconder o rosto. mas existem três casos em que uma mensagem especificamente femin ina é transmitida. O primeiro é o aceno da cabeça. Hoje. É uma maneira de alhear -se ao mundo exterior. É o que acontece quando a pessoa vira a cabeça para olhar alguma coisa. no qual a mulher provoca o parceiro "bancando a prostituta". arremessa-a para trás ou aponta alguma c oisa com ela. Um terceiro movimento. com o qual a mulher diz "Venha comi go" ou "Venha aqui". inclina-a. É um movimento que tem . enquanto encara o companheiro a curta distância. Alguns deles buscam adaptar o corpo ao ambiente.. mas quando baixa a cabeça e ergue o olhar. como provoca uma diminuição da altura. substituindo o chamamento com o dedo indicador. mas. é usado às vezes entre um casal como um convite brincalhão ao sexo. Mas outros têm a função de tra nsmitir sinais visuais. sacode-a. tem um quê de subor dinação.

tão dependente como eu era quando descansava a cabeça no colo de meu pai". A men sagem é: " Sou apenas uma menina em suas mãos e gostaria de descansar a cabeça em seu ombro". Quando ela faz isso na vida adulta. Num contexto de submissão. quando ela apoiava a cabeça no corpo da mãe ou do pai em busca de conforto e proteção. Se o mov imento surge num clima de flerte. Mas a postura corporal madura e sensual contradiz esse gesto infantil. não é um gesto explícito. pode ser lido como: "Perto de você. En tretanto. dando a ele uma conotação de falsa timidez. Existem muitos outros movime ntos e posturas produzidos pelos músculos do pescoço como sinais sociais específicos. . mas os poucos mencionados aqui são suficientes para ilustrar sua sutileza e comple xidade. mas apenas sugestivo. Qualquer um que tenha sido obrigado a usar um colarinho de gesso depois de um ferimento sabe como a pessoa se sente limitada quando não pode se expressar com essa parte do corpo. tem um ar de falsa inocência e coquetismo.origem na infância. é como se estivesse apoiando a cabeça no ombro de um protetor imaginário. me sinto uma criança.

atraindo ai nda mais o olhar dos homens. deslizarem pelos ombros e revelar os seios. mas também nos joelhos e ombros quando a mulher adota determinadas post uras. mais arredondados e mais macios que os mas culinos. na qual a mulher apóia o queixo num ombro nu. que exercem uma forte atração sobre os homens. e por isso evocam o apelo sexual primitivo contido na forma das nádegas. embora não exerçam uma função sexual primária. a qualquer momento. uma típica pose glamorosa. Quando a mulher dobra as pernas e abraça-as firmemente junto ao peito. enfatiza e chama a atenção para a curva e a maciez dos o mbros. vale a pena fazer uma breve descrição da biolog ia dessa parte da anatomia humana. Além disso. Antes de examinar como diversas culturas modificaram a linha natural dos ombros femininos. os jo elhos. Esses par es de hemisférios. se repetem não apenas nos seios. Podem não ser tão fortes quanto os largos ombros dos homens. Da m esma forma.11. Os cantos arredondados dos ombros femininos — poeticamente descritos com o "duas pérolas eróticas. Antes . formam um par de suaves hemisférios aos olhos masculinos. uma de cada lado" — são dois pedaços de carne quase hemisféricos. E a moda das roupas de ombros descob ertos contém a promessa de. mas sua forma suavemente arredondada — resultante de uma camada subcutânea de gordura — lhes dá uma qu alidade erótica sempre que aparecem despidos. quando ombros nus são arqueados. também evocam o par esférico. podem transm itir leves sinais eróticos. Dessa forma. Ombros Os ombros femininos são mais estreitos. os ombros. A principal função dos ombros é oferecer uma forre base para os múltiplos movimentos dos braços. se expostos.

Os historiadores da moda registraram essa mudança: "Os ombros ligeiramente estofados evoluíram para as ombre iras e daí para enchimentos que pareciam pequenos sacos. na qual ele mostra uma jovem com ombros anormalmente pequenos. que mostrava seu anseio de ig ualdade sexual e seu desejo de "ombrear" com os homens.. estreitá-los ainda mais deveria aumenta r a feminilidade.] Uma bela mulher esbelta era aquela [com] ombros atrofiados. Entretanto. É claro que essa diferença de gênero gerou muitas especulações cult urais. "Ombros estrei tos e contraídos eram tão apreciados pelas mulheres de antigamente que elas interfer iam na posição deles e os adotavam diligentemente como um sinal de grande elegância e beleza. até que. com a ajuda de seus músculos complexos. se erguer.mesmo que nossos ancestrais adotassem a postura ereta. a diferença é maior.. Os ossos do ombro são capazes de movimentos de cerca de 40 graus. Mais importante é sua espessura. e isso raramente foi tentado. . mulheres que queriam se afirmar adotaram ombros artificialmente largo s. Se os ombros femininos são estreitos. o que reflete a fraqueza relativa da musculatura dos ombros femininos. nossas "patas dianteiras" já tinham se tornado muito versáteis. [. O artifício era visíve l nas roupas da mulher emancipada da década de 1890." Por o utro lado. O ombro da mulher corresponde em média a 7/8 do masculino. o que aconteceu em vários momentos de nosso passado recente. e. ajudam os braços a bal ançar. é difícil aplicá-lo à região do ombro. Uma exceção aparece na obra antropológica de Jonn Bulwer. se torcer e girar de um surpreendente número de maneiras. Nesse sentido. embora esse exagero seja possível em outras partes d a anatomia feminina. escrita no século XVII e intit ulada A View of the People of the Whole World (Uma visão dos povos de todo o mundo ).

inicialmente. elas continuavam usando espartilhos e anáguas. assumiu um estilo "terroris ta chique". mas no clima feminista ela se tornou símbol o da nova força das mulheres. uma mulher muscul osa seria vista como um mico de circo. que tinham ombros fortes para prová-la. porém. Era um modelo adequado para um tempo de guerra. Essas mulheres de ombros largos competiam com os homens graduando-se em univer sidades.. Também foi possível detectar uma mudança nos modelos de glamour. A estrelas do cinema não mostravam mais afetação ou mene ios. Algumas décadas antes. nos quais. Eram masculinas em público e femininas na vida privada. Escritores do período descrevem esses ternos com "ombros à Joan Crawford". o fisiculturismo surgiu e ganhou adeptas. Eles exibiam uma linha que se e stendia além dos ombros. se transformaram em grandes balões tremulando acima dos ombros" . A terceira onda chegou nos anos 19 70. trabalhando fora de casa e praticando esportes até então vedados a elas. Foi na década de 1980 que o uniforme feminista deu lugar ao terninho preto. quando modelos de estilo militar eram adotados mesmo por civis. Mas esses enchimentos ficaram ainda mais exagerados à medida que uma nova geração de executivas começou a ganhar assento nas salas . Como resultado dessa tendência. A segunda onda de ombros largos surgiu na década de 1940. na qual a s mulheres desempenhavam um importante papel. Garotas de ombros largos passaram a ter oportunidades qu e lhes teriam sido negadas dos anos 1960 para trás. So b esse vestuário masculinizado. os omb ros quadrados davam à mulher um ar de força masculina. uma volta às rígidas ombreiras do s anos 1940.por volta de 1895. durante a Segunda Guerra Mundial. Eram pseudo uniformes com ombreiras. mas passos firmes. mais uma vez. com o movimento de liberação feminina.

"As mulheres estão tão agressivas que volta ram aos ombros definidos do tempo de guerra". "Nessa época. embo ra nos anos 1990 as mulheres fossem livres para vestir o que quisessem. mas o conceito sobrevivia co mo uma metáfora do triunfo das mulheres num mundo masculino. Ainda em 1994 um artigo sobre o crescente domínio das mulheres executivas no mundo da publicidade intitulava-se "Por que as ombreiras estão de volta ao pode r?". disse um deles. "As mulheres nunca mais vão poder voltar para casa. O o mbro do homem é em média 13 cm mais alto que o feminino. A forma do ombro agora dependia do corte de um determinado modelo. o concei to dos ombros largos sobreviveu como um rótulo verbal. "Modelos de ombros naturalmente la rgos são as preferidas". as ombreiras estavam fora de moda. Por isso. porque os ombros não passam pe la porta" — eram comentários ouvidos em meados dos anos 1980. os ombros femininos se suavizaram novamente. os homens sempre foram capazes de oferecer um ombro amigo a uma mulher que quisesse . Curiosamente. Quando se iniciou a no va década. em vez de bancar o macho. embora não fosse mais uma rea lidade. Um aspecto dos ombros masculinos que as mulheres têm dificuldade de imitar é sua altura em relação ao chão. "As fábricas de ombreiras do Bronx estão abrindo novas linhas de montagem depois de anos de inatividade". e não mais de um ditame social. Os ombros da década tiveram tal impacto que os jornalistas competiam na criação de novas frases. "A ombromania está tornando difícil achar espaço num elevador ".de diretoria. "Mulheres de ombros largos são duronas que exigem seu espaço" . O movimento feminista (pel o menos no Ocidente) tinha caminhado bastante para que a mulher pudesse desfruta r sua condição de fêmea.

Mulheres que se sentem dominadas. Infelizmente. quando a mulh er tem um dia estressante. a evolução atua num ritmo muito lento. com medo ou com raiva tendem a subir os ombros num ato de defesa. alarme ou hostilidade. Mais l milhão de anos será necessário para corrigir as coisas. e en quanto isso os ombros dos homens continuarão oferecendo um travesseiro para as mul heres. Como esses ombros foram evoluti vamente conquistados com a atividade da caça. A mobilidade dos ombros é extraordinária.chorar suas mágoas. e levados para o alto e pura a frente em mome ntos de ansiedade. O problema é que salt os muito altos criam instabilidade e a necessidade de uma mão masculina como apoio . Se alguém ameaça atacar uma mulher na ca beça. A mulher resoluta e controlada mantém os ombros baixos e retos. Por enquanto. Daí decorre que. pelo menos fisicamente. uma postur a que se tornou sinônimo de qualquer situação desagradável. o que anula a pretensão. a mulher moder na ainda enfrenta o poder dos ombros masculinos. parece-lhes injusto que o homem sede ntário de hoje ainda exiba essa superioridade física. mas pa ra entende-los é preciso examinar as razões pelas quais a mulher primitiva adotava u ma ou outra postura. cheio de decepções ou irritações. Mesm o quando não estão envolvidos no movimento dos braços. embora mentalmente tenham ad otado uma postura bastante diferente. costuma . os ombros ficam abaixados e para trás quando o estado de espírito é de calma e atenção. as mulheres serão o brigadas a olhar para cima para falar com um homem. são capazes de subir. descer. Alguns desses movimentos são eloqüentes na linguagem corporal. A única esperança de igualdade está no uso de saltos altos. De forma geral. gir ar e encolher. ela automaticamente tenta proteger-se enfiando a cabeça nos ombros. Com as lágrimas e a vulnerabilidade fora de moda.

fazendo os ombros subirem e descerem r apidamente no ritmo da risada. Na velhice. mas p ara elas mesmas) não passam por esse gradual declínio e são capazes de exibir uma post ura ereta aos 90 anos. ela terá os ombros ligeiramente mais curvos do qu e pela manhã. O pescoço alongado que ela possuía quando criança lentamente se encolhe e afunda nos ombros até desaparecer. Para outras — e são a maioria —. as ansied ades da vida foram tantas que elas não conseguiram evitar a permanente tensão dos om bros.manter os ombros erguidos e tensos. além de nos divertirmos. podemos exibir melh or nosso bom humor exagerando esse gesto. Como ocorre uma leve elevação dos ombros quando rimos. tiveram poucos golpes na vi da capazes de fazê-las adquirir uma corcunda. A razão pela qual as pessoas "se sacodem" quando ri em é que a base do humor é o medo. quando começou o dia. Um deles é o movimento com que sacudimos os ombros quando rimos. mas não terá qualquer utilidade se ela estiver sendo agredida com palav ras. Se essa situação se repete dia após dia. O humor nos choca de uma maneira segura. A elevação dos . queremos mostrar nossa alegria aos que no s cercam. com os ombros permanentemente erguid os e contraídos. o queixo chegará a tocar o peito. Cheias de confiança e otimismo. ela poderá adquirir uma postura curvada. Dois principais movimentos dos ombros tem origem nessa postura defensiva. Mulheres de sucesso (o que significa ter sucesso não só para o mundo exterior. Essa postura pode ser útil se ela for atacada com um bastão. Esse é um gesto que guardamos para as ocasiões s ociais. No final de um desses dias. semana após sem ana. e revela mos nossa surpresa e nosso simultâneo alívio com uma risada. Se estamos no domín io de nossas emoções e algo nos faz rir. quando. deixamos escapar uma risada sem acrescentar a ela qualquer movimento corporal.

impotência ou resignação ("Não posso fazer nada"). dar de ombros. Se foss e grave. Em alguns países mediterrâneos. Nos países setentrionais. Mas de que adianta?". O uso desse gesto varia de uma cultura para outra. Na verdade. os ombros permaneceriam erguidos. os olhos se voltam para cima. evitan do o olhar do interlocutor. os ombros se erguem e se curvam para a frente por um momen to antes de voltar à posição anterior. encolher os ombros significa ignorância ("Não sei").ombros que acompanha a risada é parte do primitivo elemento de medo. é considerado um gesto . As palmas das mãos viram para cima. Mas nada grave. e com ela uma perda momentânea de poder. Seu gesto está dizendo: "Esses golpes não param de cair sobre meus pobres ombros. No momento em que o poder diminui. esse movimento de ombros é muito comum. os ombros se elevam. à imposição de um imposto ou a um congestionamento do trânsito basta para provocar a im ediata elevação dos ombros. uma adm issão de incapacidade. Essa combinação de movimentos indica uma perda momentânea de poder. São todos sinais negativos. Nesse gesto. e os cantos da boca descem. Significa apenas que ela não sabe lidar com aquela questão específica. prolongada e silenciosa — o que expressa a total impotência da pessoa diante de uma loucura inconcebível. A contração dos ombros tem uma origem sem elhante. e ssa sacudida dos ombros está denunciando a presença do medo. a aceitação de uma incapacidade. Na maioria das veze s. uma impotência simbólica. Indiferença ("Pouco me importa "). A menção passageira a uma restrição governamental. como se implo rassem. e eu os ergo dessa maneira para me pro teger. assim como o utras reações gestuais. Às vezes. Essa adoção formal de uma postura tensa não signif ica que a pessoa esteja seriamente estressada ou se sinta inferior ou ameaçada pel o interlocutor.

com os braços envolvendo o corpo. Mas.indelicado e bastante raro. os ombros estão mostrando a postura que adorariam se o ser amado fosse abraçado de verdade. nem sempre a elevação dos ombros é uma postura defensiva. na tentativa d e demonstrar ternura pelo ser amado. é uma forma de "abraçar o vazio". Entretanto . . tem raízes semelhantes. quando ocorre. A cabeça descansa sobre o ombro. Outra versão do movimento ocorre quando a pessoa ergue os ombros para fa zê-los tocar o queixo ou a bochecha. Nesse caso . Elevar e curvar os ombros para a frente. É o g esto pelo qual a pessoa abraça a si mesma na ausência de alguém para abraçar.

De fato. vale dizer que a ulna é . Se um homem pensa em tocar uma mulher sem qualquer desejo sexual — para chamar sua atenção. para qualquer criatura de quatro patas. os braços humanos são nossas pernas dianteiras. e nossas per nas dianteiras tornaram-se seus criados. o braço opera co mo um guindaste móvel. Para quem não sabe qual é o rádio e qual é a ulna. as pernas dianteiras foram drasticamente aliviadas d o peso que carregavam e puderam se especializar em múltiplos propósitos manipulativo s. ou guiá-la num a direção —. atirar. no cotovelo e no pulso. o que significa que sua posição mais relaxada é a da pal ma voltada para baixo. eles devem parecer um par de pern as inúteis penduradas. quando nossos ancestrais assumiram a postura ereta apo iados nas pernas traseiras. em termos evolucionários. o melhor ponto é o braço. socar —.12. por exemplo. virando a palma para cima. Se as mãos precisam agir com força — para trepar. dotados de uma incrível mobilidade. os fortes músculos do braços. O braço conta com três ossos: o pesado úmero do braço e o rádio e a ulna (ou cúbito) do an tebraço. Qualquer outro ponto seria demasiado íntimo. Braços Os braços são a parte menos erótica do corpo feminino. Se o polegar e os dedos estão trabalhando com delicada precisão. como o bíceps e o tríceps. Mas. golpear. mas no resto do br aço ficam cobertos pelos músculos. Nossas patas dianteiras transformaram-se em sofisticadas garras. Vale lem brar que. Os br aços têm dupla qualidade: força e precisão. Esses ossos são visíveis no ombro. colocando a mão na posição ideal para que a tarefa seja executada . Os dois ossos do antebraço se cruzam quando a mão gir a. entram em ação.

e é inevitável que braços excessivamente desenvolvidos percam suas qualidades femininas. O trabalho muscular permi te fortificar esses músculos a um grau surpreendente.72 metros. enquanto o rádio é mais espess o e alinha-se com o polegar. e sua função é flexioná-lo. Os braços da mul her são mais curtos. uma diferença d e 33%. O recorde mascu lino nesse esporte é de 96. . O triceps é o forte músculo que se situa na parte posterior do braço. muito superior à média em eventos desse tipo. e sua função é estendê-lo. e sua função é erguer o braço e afastá-lo do corpo lateralmente. Outro prob lema com o braço super-desenvolvido é que ele parece muito masculino. Uma campeã de fisiculturismo parece estar mais intere ssada no que vê no espelho do que no corpo de um companheiro masculino. e a razão disso parece ser o exce sso de esforço necessário para desenvolver essa musculatura. como mostram os braços malhado s exibidos em competições de fisiculturismo feminino. Muitos homens afirmam que não os acham atraentes.ligeiramente mais delgada e alinha-se com o mindinho.40 metros. e o feminino. O antebraço mascul ino mais longo é o reflexo de um papel evolutivo: o de atirador c lançador. o que implicaria uma ob sessão que beira o narcisismo. os homens são melhores arremessadores de dardos que as mulheres. que é de 10%. Por isso . Os principais músculos do braço e os movimentos que ele s produzem são os seguintes: O deltóide é o grande músculo que recobre a articulação do ombr o. mais fracos e mais finos que os do homem. que dão a impressão de imensa força. O bíceps é o músculo que situa na parte anterior do braço. de 72.

muito depiladas e muito desod orizadas axilas. têm um ar muito ma sculino. ocorre uma ferroada. seguida de uma dor con siderável por algum tempo. Sua presença é exclusiva da espécie humana. E ali se situavam as axilas. nas mulheres. que causa a aguilhoada dolorosa e. o lugar ideal para o desenvol vimento de glândulas sudoríparas. mas se um homem prende os braços junto ao corpo. a postura dos braços nos oferece significat ivos sinais sexuais que não podem ser atribuídos a um condicionamento social. Na mulher. o ângulo do cotovelo é 6 graus maior que o do homem. em ambos os sexos. afetando os antebraços. Devido aos ombros mais largos. e homem e m ulher passaram a adotar predominantemente a posição sexual frontal. por um momento. É o nervo ulnário. se u corpo parece afeminado. que passa pela articulação do cotovelo. incapacita o braço. as axilas ficavam afastada s do rosto do parceiro. A mulher possui mais glândulas sudoríparas que o homem. Essa pequena zona pilosa desempenha um papel químico importante e reflete uma grande mudança nos hábitos sexuais da espécie humana. o nariz ficava p róximo à região dos ombros. Se o c otovelo se choca com um objeto duro. o que indica que elas atuam como sinais sexuais entre parceiros amorosos. Quando nossos ances trais se acasalavam. o braço fica na turalmente mais próximo ao tronco. os braços do homem pendem mais afastados do corpo. De fato. Quando mais tarde assumimos a postura ereta. recentes pesquisas revelaram que. Portanto. com a fêmea sobre as quatro patas. os homens se excitavam . Outro detalhe a natômico do braço que merece menção são as muito amaldiçoadas. tendo os olhos ve ndados. e os odores produzido s por um e outro diferem. Quando oscilam soltos no espaço.Outra diferença de gênero diz respeito à articulação do cotovelo. Isso ocorre porque.

antes de iniciar a dança. a o ferecia ao parceiro. que também sofria com o calor. Uma linda princesa. Na Áustria rural o truque funcionava de maneira diferente. Quando ele comia a maçã. quando u ma maçã inteira descascada (conhecida como "maçã do amor") era colocada na axila da mulh er até se embeber de seu suor. O duque d'Anjou (que logo se tor naria o rei Henrique III da França). A função dos pêlos é manter as secreções glandulares na regi axilar. Na verdade. sentindo-se acalorada depois de uma vigorosa dança na corte. A mulher colocava uma fatia de maçã sob as axilas enquanto dançava e. o que ele f azia era espalhar o odor de sua glândulas apócrinas na esperança de que ela fosse sedu zida por ele. esposa do horroroso príncipe de Condé. entrou nessa sal a e. determinava que o homem que quisesse seduzir uma mulher usasse um lenço limpo junto à axila. que inalaria s ua fragrância. Marie de Clèves. julgando . quando então seria oferecida ao amado. retirou-se para uma das salas adjacentes ao salão de baile do Louvre para trocar a camisa molhada de suor. Essas glândulas sudoríparas são glândulas apócrinas. Um velho costume inglês. De pois.mais sexualmente cheirando o suor da axila da mulher do que com qualquer caro pe rfume produzido comercialmente. no século XVI. o que intensifica o sinal que elas transmitem. e sua secreção é levemente mais oleosa do que o suor comum. quando o surgimento dos hormônios sexuais ativa-as e ao mesmo tempo provoca o crescimento de pêlos nas axilas. por baixo da camisa. devia tirar o lenço e acenar com ele para refrescá-la. Mais tarde. expunhase automaticamente ao aroma sex ual da mulher Esse truque também era conhecido na Inglaterra elisabetana. quando a música parava. o impacto sexual da fragrância das axilas fe mininas parece ter-se feito sentir na corte francesa. tr ansmitido de geração a geração. Elas só se desenvolvem na puberda de.

Entretanto. usou-a para enxugar o rosto suado. depilando-as? A resposta está no vestuário.. resultado do hormônio masculino. produz se creções frescas das glândulas sudoríparas. por que se daria tanto trabalho para eliminá-lo lavando. que lhe causaria muito infortúnio nos anos seguintes. Desde o século 1 a. De acordo com um cronista da época. A arte do amor. Com isso. Diz-se que a secreção masculina tem um odor almiscarado. hoje. ganh ou coragem para quebrar seu silêncio e confessar a ela seu amor. seu lenço limpo carrega realmen te um forte odor sexual. Se o ser humano carrega um estímulo sexual tão forte sob os braços.C. seus sentidos foram profundamente afetados por e sse ato.que a camisa de Marie fosse um guardanapo. banhado e usando uma camisa limpa para a dança. em seu livro sobre a sedução. essas histórias parecem muito e stranhas. foi tomado por uma incontrolável paixão. No momento em que inalou sua fragrância. Nascia uma paixão m aldita. Considerando a forte indústria que se alimenta da venda de desodorantes. A sensação desagradável que isso nos causa nos faz preferir usar desodoran tes do que correr o risco de transformar o que seria um estímulo sexual numa catin ga corporal. O homem da história do folclore inglês. É o sistema primitivo em ação. Embebido nelas. que já era admirador secr eto da princesa adolescente. advertia as damas de que "carregavam um bode nas axilas". o duque. esfregando e desodorizando as axi las e. O odor natural do corpo se torna mau cheiro. nossa pele suada pode se transformar facilmente numa estufa para a propagação de milhões de bactérias. com o corp o coberto de camadas de roupas. no caso das mulheres. Pesqu isas recentes mostraram que as secreções axilares de homens e mulheres diferem quimi camente e têm um odor que atrai o sexo oposto. o poeta romano Ovídio. em sua forma pura e . Infelizmente.

Nem todos os orientais possuem esse sistema glandular. no mínimo metade da população não tem glândulas sudoríparas. entre os japoneses. calcula-se que menos de 1% das mulheres rejeite a depilação como um procedimento r otineiro. publicado em 1972 . The Joy of Sex (A alegria do sexo). A depilação "podia ser perdoada em locais de clima quente. onde não se consegue detectar nenhum odor axilar em 90% da população. Elas também são r s no Japão. Anúncios diziam às mulheres que. opunhase fortemente à depilação: "As axilas — um local clássico para beijos. A remoção dos pêlos nas axi las é uma prática relativamente recente. Hoje . Na China. as mulheres ocidentais aderiram em massa. introduzida no Ocidente na década de 1920 pel a florescente indústria cosmética. os orientais geralmente acham o odor natura l dos europeus e africanos muito forte e até mesmo ofensivo. apenas 2 ou 3% da população têm algum odor debaixo dos braços. Entr e os coreanos. Houve um tempo em que indivíduos que sofriam dessa "doença" eram disp ensados do serviço militar. fazendo-nos sentir o estímulo sem saber bem por quê. se quisessem ser mai s perfumadas e atraentes. Na ver dade. as secreções masculinas e femininas não são conscientemente detectadas pelo olfa to humano. Devido às diferenças raciais. onde não havia água encanada. E acrescentava um curioso conselho: "A axila pode ser usada no lugar da pal- . deviam se livrar das "armadilhas de cheiro" que eram o s pêlos nas axilas. De vez cm quando ocorre uma fraca rebelião contra esse tipo de "mutilação".fresca. O famoso guia dos amantes. mas hoje é simplesmente vandalismo ignorante". a osmid rosis axillae. Em pouco tempo. o forte cheiro nas axilas é visto como uma doença. Elas parecem atuar num nível inconsciente. Não devem ser depiladas sob nenhum pretexto".

uma mulher adulta se oferece simbolicamente c omo uma criança e portanto encoraja uma perversão sexual. a remoção dos pêlos é uma revolta contra a sexualidade". Tudo isso era um erro. Não se sabe quantas mulheres podem ter abandon ado a depilação depois desse conselho. que se definia como "a única revista do mundo para os que amam as mulheres naturalment e peludas". quando uma famosa atriz de Hollywood ergueu o braço para acenar pa ra a multidão e exibiu uma axila peluda. com esse argumento. porque. Entretanto. Convenientemente. acusava os homens que se mantêm bem barbeado s de estimular a pedofilia — já que meninos não têm barba. "funcionam como uma antena transmissora. Os pêlos das axilas. o fato foi comentado em todas as colunas de fofoca. a moda mundial ignorou essa suposta tendência . enviando sina is que convidam ao ato sexual". "de u m ponto de vista psicossocial. tinha que admitir que lutava uma batalha difícil: "Nos ano s 90. afirmava a revista. dizia. São vistas como lésbicas. Apesar disso. as mulheres que decidem não depilar as axilas são ridicularizadas e submetidas a situações constrangedoras. feministas radicais ou hippies q ue não saíram dos anos 60". Recentemente. A julgar pelos filmes e pelas fotos publica das em revistas a partir dessa década. que o consideraram repulsivo. Para pôr mais lenha na fogueira. ao exibir uma axila depilada. chegou a afirmar que. a revist a não percebia que. mas parece que o guia sexual acreditava haver uma tendência nesse sentido no início dos anos 1970: "Uma nova geração começou a perceber que é sexy manter os pêlos nas axilas". os últimos anos do século XX assistiram à chegada de uma revista intitulada Hair to Stay (Pêlos para ficar). .ma da mão para silenciar o parceiro no momento do clímax" — talvez para que o odor das axilas fosse plenamente apreciado.

descansados e relax ados. Se tentarem manter essa postura por horas — o u mesmo por minutos —. existem qu atro movimentos principais: para baixo. parece provável que a depilação corporal continue a prospe rar. É um gesto de tri unfo e vitória. existem motivos de sobra pata eliminar os primitivo s sinais sexuais. princi palmente nos centros urbanos. A postura de braços abaixados é neutra. Por isso. e também os torna mais v isíveis nos momentos em que eles mais desejam ser vistos. balançamos os braços quando caminhamos. eles cumprimentam seus fãs e comemoram uma alta posição com uma postura elevada. Com os braços ergui dos. e os músculos ficam totalmente relaxados e ina tivos. quando os pés doem e os músculos das pernas estão exaustos. nos obriga a manter uma excessiva proximidade em s ituações que nada têm de sensuais. para o lado e para a frente. logo serão vencidos pelo cansaço. não importa o que digam os rebeldes. mas. Mesmo depois de uma longa caminhada. ajudando-os a eliminar o cheiro corporal. Apenas se pudéssemos voltar a uma vida tri bal de seminudez seu argumento seria válido. Como parte da locomoção bipedal. Levantar os braços os faz parecer mais altos e mais fortes. Voltando à postura dos braços. Só quando os afastamos do corpo eles sentem a tensão do esforço. Entretanto. . a posição não se m antém por mais do que alguns segundos. muito apreciado por políticos e astros do esporte. A postura de br aços erguidos é mais difícil de sustentar por qualquer período de tempo.A verdade é que a remoção dos pêlos faz com que homens e mulheres pareçam mais limpos e ma is jovens. para cima. a m enos que estejamos participando de um desfile militar. os braços continuam oscilando levemente. não colocamos nenhum esforço nesse ato. Como a vida moderna.

po de ser também um convite ao abraço. e a platéia imediatamente responde com aplausos. O gesto de bater palmas é uma forma muito modificada do "abraço no vazio". A essência dessa postura defensiva é que e la deve mostrar mãos vazias e desarmadas. existe uma sutil diferença na angulação dos braços. os braços se flexionam ligeiramente nos cotovelos c se mantêm na posição vertical. se as palmas estiverem voltadas para cima. que responde com o único gesto que é capaz de realizar de seu lugar na platéia. o nde alguma arma pode estar escondida.O gesto ganha um significado totalmente diferente quando um assaltante com uma a rma na mão ordena: "Mãos ao alto!". Entretanto. postadas o mais longe possível do corpo. Nesse caso. se os punhos estiverem cerrados. além de transmitir muitos outros sinais. os braços se erguem num gesto de defes a. O artista revela o desejo de a braçar o público. Pode significar rejeição se as palmas das mãos estiverem emp urrando para fora. e não de vitória. angulam-se ligeiramente para a frente. Ele abre os braço s. n a qual o sentimento se converte no som de um abraço simbólico. ou agressão. Essa mesma postura é vista depois que uma artista de circo completa um número de grande dificuldade. Na post ura de vitória. Quando uma importante figura feminina acena de um balcão. Os sinais que envolvem os braços incluem ainda diversas formas de aceno e saudações. ou um pedido de e smola. Uma mulher que aviste um amigo querido a alguns passos de distância a bre os braços até poder fechálos num abraço emocionado. de acordo com a posição das mãos. A postura de braços par a a frente é mais complexa. Como a posição de braços abertos. seu ge sto . A postura de braços abertos é um convite dista nte ao abraço. os braços em geral se mantêm esticados e. Na reação a uma ameaça. quando se dobram.

amigos pod em dar os braços quando caminham juntos. Sejam homens ou mulheres. O aceno de uma rainha é um gesto de poder pacífico. Os braços são a parte mais neut ra do corpo. o gesto prontamente transmitirá um sinal de intimidade. ao contrário. nós a pegaremos pelo braço para guiá-la. A saudação de punho cerrado d e uma líder rebelde. A saudação militar — com os cotovelos flexionados e a mão toca ndo o quepe — é um gesto que estiliza a intenção de remover o elmo. As tatuagen s nos braços não têm sido raras. os braços femininos funcionam co mo inestimáveis bandeiras corporais. nosso gesto estaria imediatamente sob suspeita. . o peito ou a c abeça. Como esse é um ornamento que sempre foi usado por mulheres. mas se houver qualquer outro toque durant e a caminhada. nós a conduzimos com um leve toque no cotovelo. com menos precisão do que a que se pode transmitir com os dedos ou expressões faciais. Se quisermos ajudar uma pessoa idosa a atravessar a ru a. A saudação nazista era u m gesto de rígida lealdade.pode ser visto de grande distância. Se queremos chamar a atenção de alguém. sugerindo a escravidão da mulher pelo homem. tocamos seu braço. sem qualquer significado íntimo. Se em qualquer desses casos tocássemos a cintura. um movimento de paz que visa cancelar o sinal de hostilidade. Os braços são usados para tran smitir sinais de longa distância. Sua forma exata indica algo de seu estado de e spírito. Nesse sentido. o braço é quase sempre foco d e ações amigáveis e assexuadas. Se orientamos alguém a passar por uma porta. E por aí vai. é sinal de poder revolucionário. No contato pessoal. há quem acredite que esse costume teve origem como uma maneira de exagerar a forma delgada do braço fe minino. mas a forma mais comum de adorno sempre foi o bracele te. Outra explicação seria que os braceletes e pulseiras atraem os homens porque são algemas simbólicas.

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Um exemplo: o teclado do piano foi concebido para mãos masculinas. nossos ancestrais se puseram de pé sobre as patas trasei ras e libertaram as patas dianteiras? O principal elemento dessa história — o segred o do sucesso das mãos humanas — foi o desenvolvimento dos polegares opostos. Livres da tarefa de locomoção. Sempre que um trabalho preciso dos de dos se faz necessário. colocando as mulheres em imediata desvantagem. e reflete quanto mãos fortes eram importantes para o caçador primitivo. as mãos puderam se dedicar uni camente à manipulação. mais adequado ao tamanho da mão feminina. mas possuem maior delicadeza* qu ando se trata de manejar objetos pequenos. Esse foi um dos principais passos na evolução da espécie. milhões de anos atrás. A espécie hu ana ganhou destreza — e transpôs o limiar para um mundo onde nada estava a salvo de seus dedos. os homens têm uma força manual cerca de duas vezes maio r que a das mulheres. tanto no solo quanto nas árvores —. Mas como isso aconteceu? Qual é a história evolutiva das mãos femininas? O que aconteceu q uando. Podem ser menores e não ter a mesma força que as mãos do homem. num teclado lige iramente menor. dando a ambos os sexos o mesmo potencial para escalar paredes rochosas. Mas. Da mesma f orma.13. No aspecto físico. a maior flexibilidade do s dedos faria as mulheres pianistas suplantarem facilmente os homens. os alpinistas relatam que a flexibilidade feminina se equipara à força masculi na. Essa é uma das maiores diferenças de gênero. . as mãos femininas são imbatíveis. O resultado é que a maioria dos grandes pianistas são homens. MÃOS As mãos femininas são superiores às masculinas num aspecto: são mais flexíveis.

a mulher é superior ao homem. mas a destreza feminina continua sendo um talent o. A força se adquire opondo-se o poleg ar contra todos os dedos. embora hoje a natureza das tarefas tenha se a tualizado. ágeis e frágeis da fêmea humana. A o utra metade. as mulheres sempre foram excelentes em tarefas de costura. durante todo esse lon go período da história humana as mulheres. na qual dedos ágeis eram importantes para modelar e decorar os potes . Costurar e tecer t alvez estejam menos em evidência. Antes da invenção do torno. rasgar. tarefas que de pendem de mãos grandes e fortes são predominantemente masculinas. . A força é apenas metade da história de sucesso das mãos. que com treinamento pode c hegar a 54 kg ou mais. Por isso. foram artistas dotadas de grande criatividade — um fato geralmente desconsiderado por arqueólogos e historiado res da arte. para atirar objetos longe e para outras atividades como martelar. e não os homens. Quase não há mulheres trabalhando em carpintaria. Como a olaria era a principal forma de arte na pré-história. embora ca pazes de grande precisão se comparadas às mãos de polegares curtos de outras espécies. As mãos masculinas.Em média. Mesmo hoje. A situação não mudou muito. A precisão se conquista opondo-se apenas as pontas dos d ois dedos. Basta olhar para o interior de uma fábrica de equipamentos eletrônicos pa ra ver centenas de ágeis mãos femininas manipulando minúsculas peças. igualmente importante. no pas sado. é a precisão. A força manual era particularmente importante para fabricar armas e outros implementos primitivos. elas dominavam a arte cerâmica. não podem competir com as mãos delicadas. Nessa tarefa. o homem tem uma força manual de cerca de 40 kg. prender e carregar. tecelagem e em todas as formas de trabalho decorativo.

A coleta de alimentos exigia arrancar raízes. Mesmo os recém-nascidos possuem uma notável força nos dedos.Essa diferença de precisão não se dá apenas pelo fato de a mulher ter dedos mais leves e finos. executar músicas num teclado a uma v elocidade incrível. uma especialidade feminina. De todas as partes do corpo humano. Mas. colher nozes e frutos. Argumenta-se que essa destreza foi uma adaptação adqu irida na coleta de alimentos. Por outro lado. uma característica que pode resultar de fatores hormonais. ler em braile e até recitar poemas na lingu agem dos surdos. Como peças de um mecanismo complexo. Ainda no berço. a diferença era significativa: força par a os homens e precisão para as mulheres. as mãos talvez sejam as mais ativas. as mãos revelam outras capacidades: digitar cem palavras por minuto. A mulher mais forte de um grupo sempre foi mais capaz de partir uma peça de carne ou (hoje) destampar uma garrafa que o homem mais fraco. As juntas dos dedos femininos são mais flexíveis. na Idade da Pedra Lascada. essa especialização nu nca mais foi tão acentuada. tarefas mais ade quadas aos dedos rápidos e flexíveis das mulheres do que às mãos fortes e musculosas dos homens. Calcula-se que. durante uma vida. Mais tarde. c omo se antecipando o futuro prazer da manipulação. eles dobram e contorcem os dedinhos. Com a divisão de trabalho ocorrida durante nossa evolução. escolher sementes. Comparadas ao Rolls Royce que é a . As mãos femininas ficaram razoavelmente fortes e as mãos m asculinas tornaram-se capazes de tarefas bastante precisas. e as mãos raramente param quietas. E existem alguns exímios harpistas. os dedos se flexionam e se esticam no mínimo 23 milhões de vezes. elas são insuperáve is. pintar obras-primas. os marinheiros se mostraram capazes de manejar bem uma agulha quando estão em alto-mar.

e a linha da vida e a linha do destino. A sensibilidade da mão ao calor. Como outras práticas ar tificiosas como a frenologia e a astrologia. A força musc ular das mãos e dos dedos não vem apenas da musculatura da mão. Quando a p essoa dorme. À medida que a pessoa se torna mais . porque existem milhares de terminações nervosas por centímetro quadrado. que correm ao redor da base do polegar. chamada "linha dos símios". elas não reagem ao calor como as glândulas sudoríparas de outras partes do corpo. Se as palmas estão compl etamente secas. Na verdade. as glândulas sudoríparas da palma cessam sua atividade.mão humana. uma em cada 25 pessoas ainda exibe uma única linha. a linha da cabeça e a linha do coração são uma só. 5 ossos palmares e 8 ossos no pulso. Um legado da quiroman cia que tem alguma utilidade é a denominação das várias linhas da mão. as patas das demais espécies não chegam a ser uma bicicleta. a pessoa está relaxada. As quatro principai s linhas são: a linha da cabeça e a linha do coração. mas nos humanos a independência do ind icador é tal que partiu a linha em duas. e hoje nada mais é que a exibição de feira que merece ser. são marcas que refletem os movimentos da mão. Nos macaco s. Elas variam ligeiramente de um indivíduo para outro. o que há séculos tem garantido a sobrevivência dos quiromantes. As primeiras. O par de mãos h umanas contém nada menos do que 54 ossos. as linhas de flexão. mas também dos músculos do antebraço. Só reagem a um aumento de tensão. Entretanto. as lin has de tensão e os sulcos papilares. por mais quente que esteja a cama. a quiromancia perdeu terreno no sécul o XX. O suor das mãos não é comum. são 14 ossos digitais. Em cada mão. Na superfície da mão existem três tipos de linhas: as linhas de flexão. que atravessam a palma. à dor e ao toque é grand e.

com a técnica de "contagem das cristas" e a atenção a minúsculos desenhos chamados de "lagos". mesmo gêmeos têm impressões digitais diferentes. Contrari ando a crença popular. Há mais de 2 mil anos os chineses usavam os dedos como molde para seus selos de autoridade. as palmas se umedecem cada vez mais. As impressões digi tais são usadas para identificar indivíduos há séculos. elas voltam a aparecer. e não se alteram com a idade. Como uma assinatura po de ser falsificada. As impressões digitais apresentam três p adrões básicos: curvas (muito comuns). quando o mundo ocidental ficou em suspenso. Não existem dois seres humanos com impressões digitais idênticas. Infelizmente. "ilhas". "esporas" e "cruzamentos". o que faz as palmas umedecerem sem ter o que agarrar. mas hoje as tensões são em sua maioria ps icológicas.ansiosa. Um criminoso não tem como evitar a identificação tentando alterar as impressões digitais. Mesmo que sejam raspa das. a classificação das impressões digitais para a detecção de crimes se tornou altamente sofisticada. . temendo uma guerra nuclear. Durante a famosa crise dos mísseis de Cuba nos anos 1960. Modername nte. O aumento generalizado de tensão fez com que as taxas de sudorese cresc essem tanto que era impossível conseguir que algum dos sujeitos da pesquisa relaxa sse. todas as pesqui sas de laboratório sobre o suor das palmas das mãos tiveram que ser temporariamente suspensas. preparando-se para a ação física que o o rganismo prevê. não sei por que não seguimos esse antigo costume chinês. Tal é a sensibilidade das palmas das mãos. Mãos suadas são port anto remanescentes de um passado remoto que o moderno homem urbano pode perfeita mente dispensar. o corpo humano desenvolveu essa reação numa época em que a tensão era principalmente de natureza física. espirais (medianamente comuns) e arcos (basta nte raros).

colorindo a mão de vermelho. vaí perceber que as mãos passam do azul ao vermelho a cada 5 minutos. Quanto à coloração das mãos. mas as palmas se recusam a escure cer. e conserva o precioso calor do corpo. Depois de cerca de 5 minutos. por exemplo. depois de certo tempo. . Depois de mais 5 minutos. Quando pessoas de pele clara se e xpõem ao sol. o processo se reverte. Ela é a mesma em todo o c orpo. elas passam da vasoconstrição a uma forte vasodilat ação. três aspectos despertam interesse. Esse parece ser um mecanismo destinado a evitar que a pele sensível das palmas congele. A reação inicial das mãos à neve fria é a vasoconstrição. um aumento drástico do fluxo sangüíneo aquece as mãos. mas as diferenças são muito pequenas. Trata-se de um sistema defensivo emergencial que prov avelmente desenvolvemos na Idade do Gelo. Aquecendo as mãos a cada 5 minutos. mas as mãos atuam de maneira diferent e. têm menos es pirais e mais curvas que os orientais. Devido ao frio prolongado. não importa quanto dure a exposição ao frio. Acredita-se que isso se deva à necessidade de manter os gestos altamente visíve is.Há diferenças raciais nas impressões digitais. quando mãos congeladas podiam significar desastre. o sistema evita o congelamento. Os vasos sangüíneos da palma e dos dedos de repente se expandem. Se a pessoa conseguir suportar as bolas de neve por uma hora. É uma r eação notável e complexa. que poderia causar danos irrecuperáveis. Esse é o comportamento normal do corpo como um to do. Mesmo indivíduos da raça negra têm palmas claras. Os caucasianos. Qualquer pessoa que já tenha feito bolas de neve sabe que. as palmas ficam vermelhas. que reduz o de sangue na superfície da pele. que evita que o sangue quente dissipe o calor vital. as costas das mãos ficam bronzeadas.

A pessoa que tem a ferida pode não se lembrar de tê-la coçado. mas o processo é muito m ais lento que o de um corte normal. todas as sextas-feiras. Curiosame nte. Crianças que usam piscinas públicas costumam pegar verrugas — pequenos tumor es epidérmicos de origem virótica que precisam ser removidos cirurgicamente. nesse aspecto as mulheres superam os homens numa proporção de 7 por 1. Quand o ocorrem. As autoridades da Igreja sempre se mostraram intranqüilas com relação a essas alegações. Na maiori a dos casos. Verruga s semelhantes podem aparecer nas palmas das mãos. Excluída a possibilidad e de mutilação deliberada. geralmente provocam coceira e sangram.Uma das crenças mais extraordinárias sobre as mãos é o suposto aparecimento espontâneo de chagas nas palmas. depois secam e em seguida voltam a sang rar. embora sejam menos comuns. é fácil perceber que um ferimento de menor importância pode incendiar a imaginação de uma devota e se trans formar na milagrosa repetição do sacrifício de Cristo. desde o século XIII. a cura não é perfeita. O fenômeno obedece a um horário rígido: o sangramento se dá entre 1 e 2 horas da ta rde e se repete entre 4 e 5 horas. mas a natureza milagrosa do fenômeno. Depois a ferida se fecha. A grande maioria das 330 pessoas registradas que exibiram ferid as sanguinolentas pertencia à Igreja Católica. a explicação mais provável para essas chagas é uma infecção viróti calizada. porém. um sofrimento com que pessoas santas repetiriam o sacrifício de Cristo na cruz. Devido à presença do vírus. entre elas algumas freiras. Uma cirurgia faz-se necessária para removê-la permanentemente. O que se coloca cm dúvida não é a existência das feridas. tornando-se cada vez maior. Assim. — Mas há uma falha . e m ais cedo ou mais tarde a ferida volta a sangrar. O fenômeno vem de manifestando há mais de setecentos anos. as feridas começam a sangrar.

que disca o tele fone. O segundo dedo. é o mais independente e i mportante dos outros quatro dedos. Hoje. ao passo que na crucifixão de Cr isto os pregos perfuraram os pulsos. Graças à sua função indicativa. É o dedo que puxa o gatilho. índice e mostrador. depois que se tornou conhecida a verdadeira localização das chagas de Cristo . que tudo está. Houve época em que ele foi chama do de "dedo napoleônico" ou "dedo da . que aperta o botão. que pede atenção. quando a indeniz ação pela perda de um polegar era quatro vezes maior que o valor pago pela perda de um mindinho. que chama. No Islã. — tem sido ampla e dolorosamente copiado pelos supostos santos. sem dúvida o mais importante dos dedos.quase fatal: as chagas surgem no centro da palma. É o mais usado em oposição ao polegar em atos de de licada precisão. parece que o erro — que para eles não passa de licença ar tística. Seu papel fundamental é reconhecido desde a Idade Média. Desde o século IX artistas religiosos aliment am esse erro. que aponta o caminho. se alguém perde o polegar. já que permite o movimento d e agarrar. a cirurgia moderna pode ajustar o in dicador para que ele funcione em oposição aos outros dedos. restaurando em parte o m ovimento de preensão. O prim eiro é o polegar. o indi ador também recebe o nome de índex. expressa um insulto fálico e indica. o indicador. devemos dizer que cada um tem características próprias. produzindo pinturas e esculturas que mostram pregos enterrados no centro das palmas de Cristo. bem. O polegar tem três significados gestuais: aponta uma direção. Voltando aos dedos. Em tempos antigos. presumivelmente devido a seu significado fálico. É bastante si gnificativo que os poucos que sangraram nos pulsos tenham aparecido muito recent emente. o polegar — pollex em latim — era dedicado a Vênus. era dedicado a Maomé.

Nas civilizações do mar Egeu. O quarto dedo. No ambiente religioso. é o segundo dedo mais longo. o indicador é um dos menores dedos. mas hoje as mu lheres mais assertivas não se sentem constrangidas de se expressar dessa maneira. No catol icismo. pelo menos no mundo ocidental. A razão dessa significativa diferença de gênero é um mistério . Ness e gesto. gestos obscenos eram uma exclusividade dos homens. cresceu muito nos últimos anos. relegando o anular para o terceiro lugar. A razão para a ma ioria desses nomes é sua utilização no mais famoso dos gestos grosseiros de Roma. Esse gesto sobreviveu durante 2 mil anos desde que surgiu nas ruas da antiga Ro ma. Apesar de sua importância. Em 45% das mulheres. porque se acreditava que ele era venenoso. O médio. era encapsulado numa dedeira de ferro magnético e . o falo ereto. a Fátima. porém. vem sendo usado há mais de 2 mil anos em cerimônias de cura. os islâmicos. os outros dedos se dobram e apenas o médio permanece esticado e ereto. o anular. Seu uso por mulheres. marido de Fátima. o dedo médio tem significados bastante diferentes. Em tempos antigos. mas sua denominação mais estanha é a de "dedo do veneno".ambição". "o infame" e "o obsceno". Surpreendentemente. superado em mu itos casos pelo médio e pelo anular. "o impudico". tinha vários nomes antigamente. porque a maior igualdade sexual trouxe consigo uma maior igualdade gestua l. No passado. sendo co nhecido como "o famoso". Os católicos dedicam o indicador ao Espírito Santo. é o dedo dedicado a Cristo e à salvação. terceiro e mais longo dos dedos. dedicado a Ali. isso ocorr e apenas com 22% dos homens. no islamismo. e o médio. Os dois dedos dobrados de cada lado simbolizam os testículos. era proibido usar o indicador para qualquer tipo de medicação.

perceberá que o anular é o único que se recusa a se esticar totalmente — ou faz isso com grande difi culdade. A escolha da mão esquerda teve . Mais tarde. por ser o menos usado. o anular é provavelmente o dedo mais limpo. mas sozinho ele se sente fraco demais para fazer o movimento. Em algumas partes da Europa. A razão d e sua relativa inatividade é que sua musculatura o torna o menos independente dos dedos. Esse costume originou-se na idéia de que a esposa se comprometia a ser menos independente como o dedo simbolicame nte escolhido. Por isso. os boticários ainda usavam religiosamente esse dedo para misturar s uas poções. e insistiam que todos os ungüentos deviam ser esfregados no corpo com ele. não há problema . ora por uma artéria. Foi por essa falta de independência que o anular foi escolhi do como o dedo que carrega a aliança de casamento. essa idéia foi adotada pelos romanos. Por isso. que o chamavam de digitus medicus. com o nervo que se ligava ao coração ora sendo substituído por uma veia. simplesmente passar o anular por cima de uma ferida era suficiente para curá-la. O indicador devia ser evitado a todo custo. Se existe algum valor prático nessa super stição é que. tem me nos probabilidade de tocar algo perigoso e. ele ainda ê vist o como o único dedo adequado a coçar a pele. Se algum dos dedos que o ladeiam se esticar ao mesmo tempo. e sempre o usavam para fazer misturas porque achavam que n enhum veneno poderia tocá-lo sem dar aviso ao coração. ele acabou se ndo conhecido como o "dedo da cura". é difícil usá-lo para mexer alguma coisa sem manter os outros dedos presos pelo polegar.usado em rituais de cura. Eles acreditavam que por esse dedo corria um nervo que ia direto ao coração. portanto. Se alguém fechar o punho e tentar esticar um dedo de cada vez. Para alguns. Na Idade Média. seria o mais seguro para u so médico. Além disso. Essa superstição durou séculos.

o miudinho. o nome usado popu larmente para identificar o dedo mínimo é "pinkie". Nesse momento. No islamismo. e transportada para Nova York pelos colonizadores . adequada ao que era então considerado o papel da esposa. foi dedicado a Hassan. o indicador (o Filho). criaria um conflito para muitas noivas modernas. Antigamente. ele foi chamado pelos romanos de digitus annularis. e auricular devido à sua lig ação com a orelha. Alega-se que ele foi chamado de "dedo auricular" pelo fato de ser suficientemente pequeno para ser usado para limpar a orelha. Nos Estados Unidos. Acredita-se que a denominação teve origem na Escócia. Usado primeiramente pelas crianças de Nova York. mas existe um argu mento mais moderno. onde as crianças se referem a qualquer coisa pequena como "pinkie". mais tarde foi adotado por adultos de outras cidades. porque as bênçãos são feitas com o polegar (o Pai). Qualquer pessoa que tenha estado numa sessão espírita provavelmente participou de uma versão moderna dessa superstição. é chamado em latim de mi nimus ou aurícularis: mínimo porque ele é o menor de todos. de uma visão profética ou de algum outro evento sobrenatural. O quinto dedo. acreditava-se que. seguidos pelo anular (amém). e o médio (o Espírito Sant o). era possível aumentar as chances de uma experiência mediúnica. Só porque esses fatos foram esquecidos é que esse de do ainda é escolhido no ritual do matrimônio. Se o verdadeiro significado machista f osse mais conhecido. fechando os ouvidos com os d edos mínimos. na qual os participantes se dão as mãos formando um círculo.origem semelhante: essa seria a mão mais fraca e submissa. o médium geralm ente avisa que o contato deve ser feito com os dedos mindinhos. porque essa era a maneira antiga de criar uma ligação mediúnica. Devido a e ssa função de levar a aliança. e para os cristãos ele é o "dedo do amém".

nada poderia estar mais longe da verdade. Mais uma vez. entrelaçam os dedos mindinhos para materializar o ato. porque é o substituto verbal para a ação de estalar os dedos. mesmo quando a figura feminina em ques tão não está bebendo. Esse é outro costume que se originou da antiga ligação do mindinho com o sobrenatural. Na origem. As cria nças costumam usar a palavra numa rima que utilizam para firmar uma promessa solen e. Entretanto. Alega-se que esse era um sinal de que as mulheres que serviam de modelo para as imagens religiosas desfrutavam de uma incomum independência sexual . As primeiras pinturas religiosas mostram o dedo mínimo curvado e afastado dos demais. Acreditava-se que o estal o do indicador contra o polegar tivesse o poder de espantar os maus espíritos (é por isso que não é de bom tom estalar os dedos para chamar alguém). Ela s curvavam deliberadamente o dedo mindinho quando bebiam para . A p alavra "Snap!" também tem relação com os dedos.escoceses. a superstição reflete a crença no poder sobrenatural do mindinho. Essa crença de que um mindinho "independente" simboliza a liberdade sexual deu o rigem a uma nova moda lançada pelas primeiras feministas do final do século XIX. Num contexto que nada tem de mágico. que se realizará se nada for dito antes que os dedos se solte m. e isso seria necessário quando duas pessoas pronunciavam a mesma palavra simultaneamente. Quando fazem disso. fazendo um voto silencioso. quando duas pessoas acidentalmente pronunciam a mesma pal avra ao mesmo tempo. Em alguns países da Europa. e também pode ser significativo que a palavra holandesa para "pequeno" seja "pinkie". o nome original de Nova York era Nova Amsterdã. o costume de curvar o dedo mindinho quando a pessoa está beb endo de uma xícara ou de um copo há muito é considerado símbolo de afetação. de imediato gritam "Snap!" e entrelaçam os mindinhos. outra ação que tem origem supersticiosa.

O uso de adorno nos dedos femininos é popular pelo menos há 6 mil anos — talvez muito mais. esse gesto foi perdendo seu significado original de igualdade sexual. mesmo hoje. to rnando-se meramente o gesto adequado a fazer na presença de outras pessoas. Uma vantagem dos anti gos anéis que não levamos cm consideração hoje é que. numa agulha. num punho cerrado ou num leque. numa lâmina. as mulheres usam menos os gestos simbólicos que os homens. Em todo o mu ndo.mostrar que apoiavam a idéia de direitos iguais em questões sexuais. trouxeram outra vantagem para as mulheres que queriam se livrar de . mas em pregam mais os gestos que acompanham a conversação e enfatizam as palavras. trazendo boa sorte.500 a . protegendo contra os maus espíritos e propiciando saúde e até mesmo imortalidade (já que um anel não tem começo nem fim). Juntos. mas a mensagem dos gestos chega ao interlocutor num nível subliminar. antes da invenção do espelho. os cinco dedos são capazes de uma imensa gama de gestos e sinais. que desde então sempre gozaram de grande prestígio. Depois que uma conversa acaba. Daí pass ou a ser símbolo de gentileza e acabou adquirindo um significado quase oposto ao o riginal. alguns deliberados e simbólicos. Mais tarde. Disseminado com o moda. outros inconscientes e expressivos. Acreditava-se que eles tinham poderes de proteção. os ourives do Oriente Médio já tinham atingido um alto estágio na manufatura de anéi s. de acordo com as emoções do momento. Além disso . a mão feminina pode se transformar numa garra. Por volta de 2.C. eles eram mais apreciados do que qualquer ornamento para a cabeça ou o pescoço porque ficavam claramente visíveis para quem os usava. os anéis eram us ados não apenas como elementos decorativos. Originalmente. é difícil lembrar precisamente o que os dedos andaram fazendo.

A pel e das mãos femininas tem recebido relativamente pouca atenção. Hoje. entregava as mãos a uma artista chamada hennaria. mas esse acessório não está mais em moda. que passava horas pintando os desenhos tradicionais. sua verdade ira idade pode ser revelada por mãos enrugadas e manchadas. Se a mulher rejuvenesceu o rosto com cremes firmadores o u com uma cirurgia plástica. que a fazem parecer vinte anos mais nova. essas pinturas foram muito populares no Norte da África. Antigamente. a noiva. depois das quais podia desbotar ou ser ren ovada. Os intricados desenhos pintados nas mãos da noiva tinham a finalidade de espantar o Olho do Diabo. ela podia usar luvas. enfaixava as mãos da noi va e colocava-as dentro de dois sacos bordados para que a pintura secasse sem bo rrar. cerc ada pelas amigas mais íntimas. Na noite anterior ao casamento. um espírito maligno que gostava de aparec er nas ocasiões felizes com a intenção de destruí-las. no Oriente Médio e em algumas reg iões da Ásia durante séculos. com a interessante exceção da aplicação de desenhos de hena. . o costume sobrevive por motivos puramente decorativos em algumas pa rtes da Europa e da América. Depois. Acreditava-se que a hena tinha a virtude de purificar a noiva de qualquer contaminação mundana e imunizá-la contra os a taques do demônio e de seus agentes. mas a dificuldade na elaboração dos desenhos evitou que a moda pegasse. exibindo os belos desenhos. Para a cerimônia. A pele das costas das mãos femininas pode acarretar um sério problema às mulheres mais velhas. A hena é uma tintura castanhoavermelhada extraída das folhas de um pequeno arbusto. as mãos eram desenfaixadas.maridos indesejáveis: podiam conter pequenas câmaras cheias de venenos letais. Parte importante das cerimônias de casamento. A pi ntura durava cerca de quatro semanas.

como a microdermoabrasão. Em diferentes épocas e culturas. Mais tarde. e. elas limitaram a demon stração aos dedos mindinhos. permitindo que as unhas cresçam para mostrar que não precisam fazer nenhum trabalho manual. O tratament o mais radical é o equivalente do lifting da face. Essa taxa de crescimento significa que. existem as unhas das mãos. as mulheres da nobreza deixavam as unhas crescer e as pintavam de our o. mesmo ass im.Medidas mais severas se fazem necessárias para adequar a aparência das mãos à sua jovem figura. e hoje ela tem à sua disposição uma infinidade de caros procedimentos. aumento da absorção de oxigênio. qu e chamam mais atenção para o fato de que aquelas mãos nunca pegaram no batente. mas tem que ser repetido várias vezes. Esses dois costumes sobrevivem ainda hoje na Europa. só dura mais ou menos um ano. O utra solução foi usar unhas curtas para o uso cotidiano e aplicar unhas postiças exage radamente longas em ocasiões especiais. tecido mort o que cresce em média 1mm a cada dez dias — quatro vezes mais rápido que as unhas dos pés. Finalmente. . O lifting das mãos é um procediment o que retira gordura das coxas e injeta-a nas costas das mãos. Em épocas primitivas. é preciso cortá-las e lixá-las para mantêlas num comprimento conven iente. mantendo as unhas dos demais dedos muito mais curtas. cera quente e tratamento a laser. muitas mulheres têm ignorado as conveniências. Modernamente. se não fossem cortadas. esse comprimento seria desgastado pel o uso. Muitas mulheres usam unhas postiças em eventos sociais e depois as remo vem para trabalhar. Na Chi na antiga. o que as faz estufa r e parecer muito mais jovens. o peeling ácido. infusão de vit aminas. como isso prejudicava os movimentos da mãos. alguns de efeito bastante duvidoso. as unhas atingi riam 1 cm em cem dias. Essa demonstração de status é valorizada pela aplicação de esmaltes coloridos.

unhas marmorizadas. Longas unhas podem facilmente se transformar em armas de destruição. nos Estados Unidos. usou as unhas para se vingar. . t ornando os movimentos corriqueiros com as mãos extremamente difíceis. As unhas f emininas não crescem retas.Alguns indivíduos excêntricos permitiram que as unhas crescessem assustadoramente.. Uma mulher de C onnecticut. A mulher se recusou a cortar as unhas e teve que passar quatro noites na cadeia en quanto a polícia tentava descobrir outra maneira de obter suas impressões digitais. sentindo-se ultrajada ao descobrir seu parceiro na cama com outra mu lher.. Em se guida entregou-se ao prazer de poder coçar-se e de dar um abraço em alguém. das quais a mais impressionant e media 71 cm. Foram necessários 24 pontos para fechar a feri da na bolsa escrotal. piercings de pedras semipreciosas para unhas. assim como unhas de gel. Suas preciosas unhas custavam-lhe de oito a dez horas na tarefa d e pintálas. Surpreendentemente. a pintura artística incrementou a moda de lo ngas unhas pintadas. existem hoje mais de 60 mil sites na in ternet dedicados a esse assunto. cometeu uma contravenção e precisou tirar as imp ressões digitais na delegacia. Nos últimos anos. Uma m ulher da Geórgia. e é isso que pode causar problemas. A lista é infinita. ela finalmente decidiu cortá-las. unhas acrílicas. Existem vários estilos de pintura. Uma mulher de Dallas se orgulhava de exibir um total de 380 cm de unhas. Discar um número de telefone. Quando o policial descobriu que isso seria impossível com aquelas unhas de 15 cm de comprimento. Depois de carregá-las por 24 anos. mas se curvam. torna-se uma tarefa impossível. ordenou que elas fossem cortadas. e até mesmo uma enciclopédia de pintura artística das unhas para quem quiser levar o assunto a sério. por exemplo.

) . É fácil rir desses exageros decorativos das unhas femininas. mas uma tradição que permanece há mais de 6 mil anos de uma forma ou de outra dificilmente desaparecerá do dia para a noite. que têm a aparência das naturais. (Desde que não tenham a sorte de uma mulher de Massachusetts. que compensa a perda de destreza . que teve a longa u nha presa na bilheteria automática de um estacionamento e precisou esperar que a p olícia viesse libertá-la. E mesmo quando a moda prejudica os movimentos manuais. Outra moda é usá-las curtas e pintadas de um esmalte quase negro. não há mal algum. mas com as pontas de stacadas por uma faixa branca. Desde que a mudança não interfira na mobilidade e flexibilidade das mãos. o impacto social da decoração pode se r tão gratificante para as mulheres que a adotam. E assim a moda continua criando novidades.Muitas mulheres acham a pintura artística muito exótica e adotaram um novo estilo: a s unhas manicuradas à francesa.

peitos. Para a primeira função. mas não muito chocante. a aréola tem . mas em português eles costu mam ser chamados de mamas. Os seios são um meio-termo — uma região proibida. Os seios femininos tem duas f unções biológicas. o que não faz bem nem para a mãe nem para o filho. Se espremer apenas o mamilo. por t rás da aréola amarronzada que circunda os mamilos. Seios Os seios tem despertado maior interesse erótico por parte dos homens do que qualqu er outra parte do corpo feminino. Quando o bebê mama. o leite passa por canais que levam a um reservatório chamado seio lactífero. tornando os seios maiores e os vasos sangüíneos que irrigam esses tecidos mais evid entes na superfície da pele. Concentrar a atenção diretamente nos genitais seri a demais. eles funcionam com o duas gigantescas glândulas sudoríparas que produzem um suor modificado que chamamo s de leite. em direção a cada mamilo. pega o mamilo e a aréola na boca apertando a pele escura com as gengivas e fazendo o leite brotar do mamilo. pomos ou tetas. À medida que vai se formando.14. Os tecidos glandulares que produzem leite incham durante a gravidez. situado no centro da mama. Nas mulheres virgens e naqu elas que ainda não são mães. uma parental e outra sexual. A aréola que circunda o mamilo é um detalhe anatômico curioso da espécie humana. não produzirá o leite deseja do. Inúmer os nomes têm sido criados para os seios em muitas línguas. Uma mãe experiente logo descobre que pode evitar a dor causada p ela mordida enfiando uma parte maior do seio na boca do bebê. e pode reagir a essa frustração mordendo o mamilo. De cada seio lactífero partem de qu inze a vinte tubos. os ductos lactíferos.

convém lembrar qu e os seios femininos têm uma dupla função — parental e sexual —. um maior número de mulheres estão alimentando seus filhos no seio — o que tem a vantagem extra fortalecer os laços emocionais entre a mãe e o bebê. macacos e chimpanzés. Cerca de dois meses após a concepção. O lei te materno é ideal para o desenvolvimento do bebê. potássio. O leite produzido pelos seios contém proteínas. Alguns bebês apresentam reações alérgicas às proteín vinas. Sabiamente. as fêmeas que não são lactantes têm peitos chatos. Para entender como os seios deveriam ser. O leite de vaca é o substituto a dequado ao leite materno. A secreção das glândulas d e Montgomery protege o mamilo e a pele circundante — um cuidado muito necessário à sup erfície dos seios. já exibe uma cor marrom-escura. Contém também nticorpos que aumentam a resistência do bebê a doenças. ela começa a se alargar e escurecer. A olho nu. Elas contêm pequenas glândulas. mas a forma dos seios está longe de ser perfeita para a amamentação. Na época do aleitamento. carboidratos. e é a função sexual que caus problema. a . magnésio. O bico de uma mamadeira tem um formato mais adequa do à sucção do que o mamilo. ferro e vitaminas. Em todos os outros prima tas. cálcio. colesterol. gordu ra. vamos dar uma olhada nos se ios de nossos parentes mais próximos. Quando são lactantes. Se isso parece ser uma falha evolucionária. que crescem durante a gravidez e segregam uma substância oleos a. essas glândulas têm a aparência de pele de galinha. A função da s aréolas parece ser de proteção. chamadas glândulas ou tubér ulos de Montgomery. mas tem um nível de fósforo bastante alto. fósforo.uma coloração rosada que muda na gravidez. o que pode inte rferir na ingestão de cálcio e magnésio. e mesmo quando o bebê é desmamado não volta a apresentar o tom rosado virginal. sódio.

me smo que eles não sejam usados durante toda a vida. julgam ofensiva a idéia de que alguns aspectos do corpo feminino possam ter evoluído até sua forma atual pa ra atrair o macho. Um exame da anatomia dos seios revela que a maior parte de seu volume é constituída de tecido gorduroso. Nos peitos que se aproximam da for ma humana durante o período em que contém um generoso suprimento de leite. Embora seja claro para um biólogo que essa explicação tem a ver com a sexualidade. E também não explica por que as fêmeas de outras espécies primatas não precisam d essa ajuda. os seios femininos continuam protuberantes durante a vida adu lta mesmo que não exerçam sua função alimentar. Embora aumentem de tamanho quando es tão cheios de leite. o intumes cimento desaparece assim que termina a lactação. mas rarame nte toma a forma hemisférica dos seios humanos. resultado do tecido gorduroso. A espécie humana é diferente. Até uma freira tem seios protuberantes. . Ignorando o fato de que a atração física está envolvida em sua concepção. muitas mulheres recusam essa interpretação. mas não explica o persistente arredondamento dos seios em outros períodos. exige uma explicação que ultrapassa s ua função de aleitamento. Isso pode ser verdad e durante a lactação. Assim surgiram sete sugestões: O tecido gorduroso protege as glândulas mamárias. elas insistem que os seios têm apenas a função parental e usam sua engenhosidade para encontrar explicações não-sexuais para a forma arredondada dos seios.região ao redor dos mamilos se intumesce um pouco devido à produção de leite. enquanto a penas uma pequena parte é de tecido glandular ligado à produção de leite A forma arredon dada dos seios. Os "seios" das fêmeas primatas são unic amente parentais.

O tecido gorduroso mantém o leite morno. eéa que diminui menos quando a mulher perde peso. O teci do gorduroso compensa a falta de uma capa maternal de pêlos à qual o bebê possa se aga rrar quando se alimenta. é verdade. Mulheres de se ios pequenos podem amamentar com mais facilidade que as de seios enormes. de qualquer forma. Além do mais. um macio hemisfério de carne dificilmente ajudaria a tornar o mamilo mais acessível. o bebê tem que ser segur ado junto ao seio. O teci do gorduroso é uma importante maneira de estocar gordura para quando o alimento fo r escasso. Como qualquer mãe sabe. não é verdade. e essa r eserva de gordura dispersa é a maneira mais eficiente de ela se proteger contra a eventualidade de uma fome. e. a gordura do seios representa apenas 4% d a gordura total do corpo. Basta pensar no formato de uma mamadeira. Mais uma vez. Sim. A forma arred ondada funciona como um sinal visual que informa aos homens que aquela mulher se rá uma boa fonte de alimento para a prole. mas por que concentrar esse estoque no peito. isso só é necessário durante a am amentação. Não é verdade. já que seio s fartos fazem com que a mulher tenha mais dificuldade para correr? O corpo femi nino tem uma generosa camada de gordura na maior parte de sua superfície. Mais uma vez. A forma arredondada dos sãos os torna mais confortáveis para a alimentação do bebê Simplesmente não é verdade. .

O homem que re age aos seios de uma virgem ou de uma não-lactante está respondendo a um primitivo s inal sexual da espécie humana. com a região frontal escon dida da vista. Quando se coloca frente a frente com um homem. mas o par de falsas nádegas que ela traz no peito lhe permite continuar tra nsmitindo o primitivo sinal sexual sem dar as costas ao interlocutor. "não-funcional. Ela caminha ereta e é vista de frente na maioria das situações sociais. Os sinais traseiros emitidos pela fêmea humana partem de outro par de hemisférios. de m odo que o bebê macaco não tem . Não é difícil traçar a origem do par de seios como símbolo se xual. Os seios cresceram tanto em seu esforço para imitar as nádegas que ficou difíc il para um bebê abocanhar o mamilo. mas um si nal sexual. Isso significa que teorias que consideram o interesse masculino pelo s seios femininos como "infantil" ou "regressivo" não têm fundamento. a s nádegas. Elas são capazes de enviar fortes sinais eróticos quando a mulher é vista de costas. de acordo com um autor. os mamilos são alongados. esta é a última saída para aqueles que se recusam a aceitar que a forma dos seios femininos é sexual. Em outras espécies. mas ela não anda de quatro como as outras espécies.A forma hemisférica dos seios é. Essa função se xual dos seios tornou-se tão importante que começou a Interferir na função parental prim ordial. Seu traseiro protuberante excita os machos. a ponto de se r antifuncional". as nádegas estão fora de seu campo d e visão. A inevitável conclusão é que a forma hemisférica dos seios não é parental. As fêmeas das outras espécies primatas emitem sinais sexuais com o traseiro en quanto caminham sobre quatro patas. Quando todas as outras justificativas parentais falham.

Tudo o que você precisa fazer é ter certeza de que ele consegue respirar. você pode precisar apertar o seio com um dedo para dar espaço para o nariz do bebê respirar". o t ecido glandular aumenta mesmo na futura mamãe de seios pequenos. depois como estímulo ao tato. os seios femininos atuam primeiro visualmente. m as que pouco tem a ver com o suprimento de leite.dificuldade para levar a longa teta à boca e sugar o leite. e essa lenta alteração no perfil dos seios pode se r resumida nas "sete idades do seio feminino: Os mamilos da infância. Mas o bebê humano pode s e sufocar na montanha de carne que circunda o modesto mamilo. Cuidados como esse s não deixam dúvida sobre o duplo papel dos seios humanos. e seus bebês terão ma is facilidade de sugar e menos probabilidade de sufocar. os seios são um sutil indício de idade. Outro livro sobre bebês comenta: "Pode surpreendê-la que o bebê pegue n a boca também o círculo amarronzado ao redor do mamilo. Só o mamilo se destaca nesse estágio pré-pubere. Isso ocorre porque el as possuem menos tecido gorduroso. Spock aconselha: "Às vezes. Em seu papel sexual. Na verdade. Mesmo à d istância. elas podem ser mai s capazes de amamentar do que as mulheres de seios fartos. e as mães precisam t omar certas precauções que não são necessárias em outras espécies. A forma dos seios muda g radualmente da puberdade à velhice. Em sua ansiedade. Quando a mulher engravida. De mais perto. O dr. que dá aos seios a sensual forma arredondada. . os seios permitem distinguir a silhueta de uma mulher adulta da de um ho mem. Mulheres que têm seios pequ enos costumam temer não serem capazes de amamentar. ele pode obstruir as narinas com o tecido do seio ou com seu próprio lábio superior".

apesar do tamanho e do peso. Os sei os pendulares da velhice. quando a menstruação começa e os ge nitais já apresentam pêlos púbicos. mesmo tendo perdido o peso da fase de lactação. No início da fase reprodutiva. A idade ideal do animal humano do ponto de vista físico é de 25 anos. os seios femin inos assumem uma forma mais arredondada e. tanto o mamilo quando a aréola se projetam. Os seios caído s da meia-idade. Os seios fartos da maternidade. Nessa fase. Com a idade avançada. À medida que os anos adolescentes passam. À medida que a fase reprodutiva se aproxima do fim. criando uma f orma mais cônica. A margem inferior do seio forma uma prega oculta. aumenta o tamanh o dos seios. e to dos os processos de crescimento estão completos. o encolhimento geral do corpo leva a um achatamento dos seios. o corpo atinge sua melhor condição. ainda não começaram a cair. Com a maternidade e o repentino aumento de tecido glandular. em direção ao peito. Nessa fase. Os seios pontudos da adolescência. a região ao redor do mamilo começa a inchar. que continuam caídos sobre o peito. Durante essa década. os seios fartos de leite começam a pender para baixo. Os seios firmes da juventude. .Os botões da puberdade. mas com a pele ca da vez mais enrugada. os seios caem um pouco mais sobre o peito.

o processo tende a ser mais lento. a sociedade exigiu que a sexualidade feminina fosse suprimida. Para um pintor. a simples remoção da cobertura tem funcionado como forte estímulo erótico. Às vezes. Para que a sociedade chegasse a tais extremo s para negá-la. fato que tem sido explorado por artistas e fotógrafos de várias e diferentes maneiras. será possível criar seios ainda mais estimulantes que os reais. numa tentativa de impedir que a natureza seguisse o seu curso. A cirurgia plástica pode erguer os seios e deixá-los artificialmente firmes depois da juventude. as mulheres encontraram diversas maneiras de prolongar a impressão de seios firmes e protuberantes com o intuito de estender a fase na q ual são capazes de transmitir o sinal sexual primitivo da espécie humana. Na Espanha do século XVII. Mas se a forma hemisférica for ligeiramente acentuada. tendo os seios achatados por placas de chumbo pressionadas contra o peito. aceitando isso como sufici ente sinal de modéstia. desde que os seios não estejam v isíveis. . Essas cruéis imposições só serviram para reforçar o significado sex ual da forma arredondada dos seios. Felizmente. Em mulheres mais ma gras. Os puritanos conseg uiam isso obrigando as mulheres a usar coletes apertados que achatavam os seios e davam um contorno infantil ao corpo adulto. Nesse caso. é porque ela devia ser de fato poderosa. enquanto nas mais gordas ele se acelera .Esses estágios de envelhecimento dos seios podem variar muito. Os sutiãs podem dar a mesma impressão. a maioria das s ociedades prefere cobrir os seios em vez de esmagá-los. as jovens foram vítimas do uma indignidade ainda maior. é fácil criar um seio perfeito: pode inventa r a forma que quiser. Mas se a forma se afastar muito da natural. o sinal sexual fica distorcido e o impacto se perde. Ao longo dos anos.

Só existe um momento na vida da mul her em que os seios têm um máximo de protuberância com um mínimo de flacidez. e é" possível que um estímulo adicional esteja ocorrendo nesse momento. Para captar a imagem de seios volumosos. o homem acaricia oral e manualmente os seios. Depois que os seios da mulher — e seus outros encantos físicos e mentais — atraíram um parceir o e o contato sexual começa. porque ainda não chegou aos 20 anos. Curiosamente. pouco antes que o aumento de peso comece a fazê-los cair. as qualidade táteis dos seios entram em jogo. ele precisa ter como modelo uma jovem cujos seios tenham alcançado seu ponto máximo de desenvolvimento. Existe um conflito de fo rças. Essa substância parece ser um suave lubrificante para a pele da região do mamilo. mas ainda mostram a firmeza da extrema juventude. e seus seios atingir am o tamanho máximo um pouco antes que a média das mulheres: eles exibem a perfeita forma arredondada. M as o fato de as glândulas da . sua única esperança é r a impressão de maior volume com uma iluminação especial ou colocando as modelos em p osturas adequadas. Ela é um pouco mais jovem do que poderíamos esperar. Isso o excita mui to mais do que à mulher. Nas preli minares do sexo. e é nesse mo mento que a câmara pode captar as imagens mais eróticas. porque o aumento de tamanho que produz a forma esférica plena também acarreta um peso que começa a empurrar os seios para baixo. e não há razão para duvidar disso. Limitado aos seios reais. fotógrafos que trabalham para revistas especializadas em fotos eróticas descobriram que só existe u m tipo de jovem com os seios perfeitos que eles buscam.Para o fotógrafo a tarefa já não é tão fácil. Já mencionamos que os círculos amarronzados ao redor dos mamilos contêm glândul as que secretam uma substância oleosa durante a lactação. Essa especi al combinação oferece as imagens que fazem a fortuna das revistas masculinas.

os seios da mulher passam por várias mudanças marcantes. no momento imediatamente anterior ao orgasmo. Ocorre também uma erupção da pele semelhante à rubéola na superfície dos seios e em ro do o peito. e seu ta manho aumenta cerca de 25%. Com a aproximação do orgasmo. dando a falsa impressão de que uma mulher muito excitada perde a ereção do ma milo. às vezes a parece um pouco antes dele. As aréolas se intumescem e incham tanto que começam a ocultar o mamilo. Muitas pessoas de ambos os sexos nunca exibiram essa erupção apesar de uma vid a de intensa atividade sexual e . As glândulas da aréola podem muito bem fazer parte desse sistema primitivo de s inais aromáticos sexuais. Essa "erupção sexual" foi observada em 75% das mulheres submetidas a uma detalhada pesquisa sexual. chegando a crescer 1 cm. Os mamilos f icam eretos. essa região dos seios talvez seja capaz de transmitir sinais odoríferos ao nariz do homem. embora os homens não tenham consciência dos aromas eróticos que elas p roduzem. duas importa ntes mudanças ocorrem. Os seios se intumescem de sangue. ao explorar o corpo da parceira. Embora essa erupção não seja possível sem uma forte excitação sexual. suas secreções causam um forte impacto inconsciente que aumenta a excitação sex ual. mas apareceu em 25% dos h omens que participaram da mesma investigação. enquanto nos homens ela nunca surge antes do último mo mento. Essa turgidez tem o efeito de tornar a pele mais sen sível ao contato corpo-a-corpo do parceiro. porém. Nas mulheres. À medida que a excitação cresce. e podem explicar por que o homem. originalmente. o contrário não dade. glândulas apócrinas sugere que. passa tanto tempo cheirando a pele ao redor dos mamilos. durante a atividade sexua l. e.aréola serem. As glândulas apócrinas são as responsáveis pelos odores sexuais das axilas e d os genitais. Sua ocorrência é mais provável. em ambos os sexos. É bem menos comum em homens.

indivíduos que costumam apresentar a erupção não a têm. Muitas mulheres famosas tinham mais de dois seios. mãe do imperador romano Alexandre. Ela tinha nada menos que cinco pares de seios plenamente lactantes. Esses seios extras são vestígios de nossa ancestralidade: como a maioria dos outros mamíferos. a erupção pode se estender além do peito. outras. U m dos fatos que temos como certo é que as fêmeas humanas possuem apenas dois seios. pequenos botões sem mamilos. No frio. Às vezes.orgasmos plenos. que está exposta no Louvre. Muito raramente se vê uma mulher com mais de d ois seios produzindo leite. Não se sabe a razão dessa diferença. Uma em cada duzentas mulheres possui mais que dois. um acadêmico rival foi capaz de apresentar uma mulhe r polonesa que tinha dez seios funcionais. Alguns meses depois. uma observação mais detalhada revela que a famosa estátua da Vênus de Milo. nossas remotas ancestrais po ssuíam vários pares de seios. porém. os número de mamilos d iminuiu. exibe três seios. nada mais são do que mamilos adicionais. Um fator que favorece a erupção é um c lima quente. Esse fato costuma passar despercebido porque o terceiro seio não tem mamilo e não passa de uma pequena protuberância . Surpree ndentemente. e os seios adic ionais geralmente não são funcionais. Quando está mu ito quente. O caso mais extraordinário é o de uma francesa apresenta da à Academia Francesa de Medicina cm 1886 por um professor. com os quais amamentavam toda a ninhada. Esse fenômeno e chamado de polimastia. mas nem sempre isso é verdade. em uma das m ais estranhas disputas médicas. cobrindo da testa às coxas. Não há nada de sinistro nisso. tinha vários seios e por isso foi chamada de Júlia Mamaea. Quando as nin hadas humanas se reduziram a um filho. ocasionalmente dois. Júlia.

Ana Bolena. mas foram feit as cópias em pedra. Serão mesmo seios? Um olhar mais atento revela que nenhum desses seios tem mamilo ou aréola. A figura polimástica mais famosa da historia é Diana — ou Ártemis — de Éfe so. Algumas versões da estátua c hegam a mostrar mais de vinte. Os caçadores de bruxas cristãos examinavam as mais recônditas fendas de uma su speita em busca de um mamilo oculto. depois de algum tempo. tinham que se castrar e enterrar os testículos perto do altar. Os rumores sobre o terceiro seio de Ana Bolena podem ter s ido propositalmente espalhados depois de sua morte para justificar que ela era má e merecia morrer. A estátua original era de madeira. testículos de tour o substituíram os testículos dos sacerdotes nas cerimônias de castração. Recentemente. e depois cerimoniosamente pendu rados no peito da sagrada estátua. com a penca . o peito de Diana seria um lugar muito menos aconchegante do que há tanto tempo se supõe. uma mancha um pouco maior ou m esmo um clitóris ligeiramente mais volumoso podia ser suficiente para levar a mulh er à morte da fogueira. fazendo surgir uma interpretação inteiramente nov a. Sua grande escultura mostra várias fileiras de seios. porém. também tinha um terceiro seio — um fato fielmente registrado em livros sobre anormalidades médicas. Seus imensos testíc ulos eram extraídos e preservados em óleos aromáticos. F oram encontradas inscrições que revelam que.situada acima do seio direito. próxima à axila. Uma verruga. Parece que os sacerdotes da deusa deviam ser eunuco s: para servi-la. Nesse caso. Para resumir o caso. Dizia-se que a infeliz esposa de Hen rique VIII. o culto dessa deusa da Ana tólia foi estudado com mais cuidado. Mulheres suspeitas de bruxaria eram às vezes examinadas em busca de sinais de seus métodos ma lignos. o suposto terceiro seio b em podia ser uma mácula de "bruxaria". Houve um tempo em que se acreditava que as bruxas tinham mamilos extras com os quais alimentavam seus seguidores.

que significa a (sem) e mazós (seios). Se as amazonas existiram mesmo. todas as obras de arte representam essas guerreiras com dois seios. Na s sociedades tribais. . O uso de pierci ngs faz parte da síndrome de aprisionamento do mundo das práticas sexuais exóticas. assim como o uso de correntes e jóias". A razão pela qual o peito da deusa é coberto de testículos era a crença de que os milhões de espermatozóides neles c ontidos seriam capazes de fertilizá-la. um tema que seria repetido em relação ao nascimento de Cristo. Foram cópias imprecisas da estátua que der am origem ao erro de que a Grande Mãe possuía muitos seios. para a batalha. pelo motivo óbvio de que ela prejudica a amamentação. a mutilação do seio é extremamente rara. no umbigo e nos lábios. usassem um colete de couro que achatasse o seio direito. Curiosamente. A palavra "amazona" vem do gre go amazôn. existiu uma comunidade feminina muito temida pela forma como suas guerr eiras atacavam as povoações vizinhas munidas de arco e flecha. Isso permitia que ela se tornasse mãe sem pe rder a virgindade. Não se sabe se elas existiram realmente. é mais provável que. mas. o seio direito de todas as jovens púberes era queimad o. Apesar da lenda. um d os quais declarou que a nova moda de "inserir piercings nos mamilos. Um mito inteiramente diferente envolve a antiga nação de mulheres guerreiras conhecida s como amazonas. mas suficientemente disseminados para alarmar os sociólogos. em anos recentes as mulheres ocidentais começaram a mutilar os seios com propósitos eróticos e decorativos . segundo antigos esc ritores. São casos raros. para to rnar mais fácil o uso do arco. Conta-se que. poderia facilmente estimular um a legislação que proibisse o costume africano de circuncisão feminina.de testículos colocada em seu devido lugar.

como co mentou o satirista Juvenal: "Todas as noites ela se encapuzava e.. Às vezes.Menos danosas eram as decorações eróticas dos mamilos de tempos primitivos. Há 3 mil ano s. oo Egito. A forma mais simples de exploração sexual dos se ios é. Entre as deliberadas ações destinadas a chamar a atenção para os seios femininos estão as posturas que projetam os seios para a frente e movimentos de da nça que sacodem ou enfatizam a sua forma. os homens em questão eram policia is uniformizados.] Desnuda va os mamilos pintados e abria aquelas coxas que assistiram ao nascimento do nob re Britannicus". espo sa do imperador Cláudio. as mulheres das castas superiores cobriam os seios com pinturas em ouro. como acontecia nas praias do sul da França nos anos 1960. e o topless acabou sendo permitido. decididas a obter um bronzeado mais uniforme. Isso ocorre nas sociedades urbanas de todo o mundo.. A mais extrema delas foi uma dança pratica da nos antigos espetáculos de burlesco em que as dançarinas giravam ambos os seios n a mesma direção e depois na direção oposta. . resolveram ir à praia num traje de banho que tinha apenas a parte de baixo do maiô e suspensórios que pass avam pelos bicos dos seios. mas em pouco tempo as autorid ades perderam a guerra. era famosa por seus mamilos pintados de vermelho. No início. sua exposição em lugares onde eles deveriam estar cobertos. A ninfomaníaca imperatriz Messalina. na companhia d a criada. [. travaram-se batalhas entre constrangidos policiais e mulheres seminuas. onde m uitas jovens. os chamados monoquínis. naturalmente. as mulheres preferiam pintar os mamilos de verm elho para apimentar os encontros eróticos. o deixava para representar sua desavergonhada mascarada. "Fazer topless" é um ato provocativ o que sempre atraiu muita atenção masculina. Na Roma de 2 mil anos atrás.

foram estabelecidos limites sobre como. As objeções a essas prisões aumentaram nos anos seguintes. mas em poucos dias a Prefeitura da cid ade as colocou fora da lei.O primeiro maiô topless foi introduzido pelo controverso estilista austríaco Rudi Ge rnreich em 1964. observou-se uma outra forma de exposição pública dos seios. c hoje amamentar em público é l egalmente permitido em quase toda a América do Norte. Só na década de 1970 a resistência ao topless começou a decair. um ato tão natural e assexuado como a amamentação às vezes cria um escândalo em a mbientes urbanos. Exigindo igualdade sexual. (Por outro la do. Outras casas noturnas logo seguiram o exemplo. . insistindo em serem tratadas como os homens. Elas eram então libertadas e voltavam ao trabalho. lançando a primeira performance topless. Em 1975. três mulheres americanas foram presas por amamentar seu s bebês num parque de Miami. Nos Estados Unidos. Em 1966. Em 1969. alguns restauran tes de Nova York lançaram garçonetes topless. grupos de mulheres expunham deliberadamente os seios em locais públicos. Seu crime foi classificado como "atentado ao pudor". mas no ano seguinte a oposição religiosa cresceu. Mesmo então. e a polícia percorria os cabarés. Ronald Reagan tomou uma atitude semelhante na Califórnia. um desses trajes foi usado por uma dançarina de cabaré em seu número de dança.) Essa extrema reivindicação de i gualdade sexual não era exatamente o que os reformadores sociais tinham em mente q uando tentaram abolir as desigualdades de gênero. Na década de 1980. prendendo as dançarinas topless por "conduta indecor osa". alguns homens se recusavam a usar colarinho e gravata nos restaurantes de al to padrão porque as mulheres não eram obrigadas a isso. quando e onde ele podia ser usado. que podiam tirar a camisa sem problemas. Curio samente.

Diz respeito à aprovaçã e uma lei que determinava que os seios fossem exibidos em público — o extremo oposto de todas as outras medidas legais sobre o assunto. Convém enfatizar que essa atitude mais permissiva em relação ao topless se restrin ge ao mundo ocidental. também na televisão. Ela foi acusada de "desrespeitar os valore s morais locais". seios nus já eram exibidos em jornais.800 euros. . eles er am literalmente esfregados no nariz dos clientes. mulheres ocidentais em férias se viram e m apuros por ignorar esse fato. havia uma ponte onde elas se punham d e pé. re vistas. embora os seios nus ainda causem um certo impacto. que as prostitutas foram obrigadas a exibir totalmente os seios para provar a que sexo pertenciam. Antes de abandonar o tema da exposição dos seios femininos. em 2003. Uma breve referência se faz necessária para esclarecer o mal-entendido sobre antigas imagens da Deusa Mãe representadas apertando os seios com as mãos. Com tudo isso. por expor os sei os numa boate na ilha grega de Rodes.Quando o século XX se aproximava do final. Essa lei foi aprovada em Ven eza no século XV e aplicada às prostitutas que se punham à janela tentando atrair clie ntes. Recentemente. Nos shows de strip-tease. desnudando o corpo da cintura para cima. ou uma multa de 2. uma adolescente inglesa f oi condenada a oito meses de prisão. As práticas homossexuais eram tão comuns na época que algumas mulheres se traves tiam com a intenção de atrair os homens que buscavam parceiros masculinos. A ponte ficou tão famosa que ganhou o nome de Fonte delle Tette. filmes e. mais tarde. Quando saíam de casa. parte de seu misterioso poder de sedução se perd eu. o que prova que o tabu sobrevive. Isso ofen deu de tal forma as autoridades que tentavam abolir a sodomia (punida com a mort e). um fato extraordinário merece menção. Mesmo no século XXI.

quando se vestia para ir a uma festa e descobriu que o espartilho era incompatível com o decote de seu belo vestido de n oite. Hoje sabemos que não era isso. quando o su focante corpete foi separado em duas partes: uma superior. um jato de leite jorrava dos seios. elas usaram espartilhos apertados para re alçá-los. as mulheres realizavam um ritual de luto que incluía bater no peito e apertar os seios. Quando as mulheres começaram a reivindicar um papel mais at ivo na sociedade.Acreditava-se que elas estariam chamando a atenção para os seios. a cinta também desapareceu. mas o sutiã veio para ficar. também rest ringiam os movimentos. se elas estivess em amamentando. o sutiã. resta uma inevitável questão: o que as mulheres fazem em relação aos seios para passar uma imagem mais jovem e mais sexy. surpresos. e outra inferi or. Durante séculos. Num rasgo de . que em certa s sociedades tribais. Um dos primeiros passos nessa direção foi dado no início do século XX. Essas figuras. as mulheres lactantes reagiam de maneira semelhante a um súb ito choque. Mais tarde. a cinta. Antropólogos descobriram. Em tempos primitivos. agarrando os seios e fazendo-os jorrar leite. A idéia lhe teria surgido no ano anterior. eram imagens de luto. exigiram também roupas que permitissem maior liberdade de movime ntos. Há divergênc ias entre os historiadores da moda sobre quem inventou o sutiã. da qual obteve a patente em 1914. Entretanto. Finalmente. Um efeito colateral disso era que. o sutiã e as calcinhas são as peças favoritas da roupa de baixo feminina. embora esses corpetes melhorassem a forma dos seios. Ho je. É possível que esse ato tenha si do incorporado a certos rituais. geralmente encontradas em túmulos. Mary Phelps Jacob (uma mulher da sociedade nova-iorquina conhecida profissionalmente como Caresse Crosby) insistia que foi ela a autora da invenção.

criatividade. e desde 1907 eram chamados de "brassière". alarmada com a quantidade de metal que estava sendo desperdiçada na fabricação de espartilhos. Quando algumas feministas queimaram sutiãs no fim da década de 1960. ela estava apenas reinventando a peça. dessa forma. Na verdade. proclamei a queda do espartilh o e a adoção da brassière. foi divulgado que 28 mil toneladas de metal haviam sido economizadas. e também os fazia parecer mais firmes e redondos. que introduziu o termo "chic" no mundo da moda. porque. Mai s tarde. a indústria de guerra. "inventou a brassière em oposição ao odioso espartilho ". no . Algumas historiadoras do feminismo alegam que a queim a de sutiãs nada mais foi do que um golpe de publicidade dos antifeministas para r idicularizar o movimento.. em 1911. uniu as duas peças no que se ria o primeiro sutiã.. protestav am contra essa segunda função. porque supo rtes para os seios já tinham aparecido na França desde o final do século XIX. A verdade é que todos eles participaram de uma tendência geral que assistiu à liber tação gradual do corpo feminino das antigas limitações. inici ou uma campanha para abolir o seu uso e. evitando que eles balançassem nos movimentos rápidos do corpo. estimulou a adoção do sutiã. E ele não foi o único. Protegia os seios. Essa afirmação causa estranheza. Durante a Primeira Guerra Mundial. A estilista ing lesa Lucile (Lady Duff-Gordon).] Libertei o busto". " o suficiente para construir dois navios de guerra". alega que foi ela que. O costureiro francês Paul Pioret reivindica a hon ra de ter inventado o sutiã: "Em nome da Liberdade. embora a queima t enha sido exagerada pela imprensa. [. e portanto mais sexy. E receberam estímulo de uma fonte improvável. usando dois guardanapos e alguns cordões. O novo sutiã tinha duas funções ba stante distintas.

Essa fase não durou mu ito. Nessa época. lado a lado com a revolta contra o excesso de maquiagem. e. quando as feministas luta vam para que as mulheres fossem tratadas como iguais. o uso de bat om e outras formas de feminilidade explícita.final dos anos 1960 e início da década de 1970 houve de fato um movimento contra o u so do sutiã. ele queria que ela exibisse seios de forte apelo erótico sem recorrer ao topless. sem embelezamentos. Mas esses seio s agressivamente pontiagudos logo deram lugar ao suave arredondado dos seios dos anos 1960 e nunca mais reapareceram no guarda-roupa comum. Para um determinado papel num filme. mas recentemente uma idosa Jane Russell declarou que. Só voltaríamos a vê-los de novo em 1994. um dos sutiãs mais sofisticados foi criado pelo bilionário Howard Hughes para a atriz Jane Russell. nunca usou o famoso sutiã. porque o desconforto de dispensar o sutiã foi inaceitável para a maioria das mu lheres. Para obter esse efeito.) . tinha que ser abolido. O resultado foi tão impressionante que provocou sérias te ntativas de proibir o filme por obscenidade. contratou os serviços de um engenheiro especia lizado no projeto de pontes. havia o sentimento de que os homens deviam aceitar as mulheres como eram. que desafiava a nature za e a gravidade". num show de Madonna. com isso. mas houve um curioso período na década de 1950 em que os estilistas substituíram a forma arredonda por um b usto pontiagudo. Segundo uma lenda de Hollywood. Como o uso d o sutiã era parte desse embelezamento. a queima de sutiãs foi rapidamente esquecida. onde ressurgiram como um par de ogivas de fo guete. na verdade. Em sua função erótica . obtido com "um bojo na forma de torpedo. ainda mais aumentado com o uso de enchimentos. o design do sutiã sempre buscou criar uma forma hemisférica. (Essa é a história que vem sendo repeti da. que inventou um protótipo de sutiã que erguia e ao mesm o tempo separava os seios.

Adquiridos para c onseguir um marido de alta condição social. mas. E aí entra em cena o cirurgião plástico. Algumas mulheres admitem que estão remove ndo seus implantes simplesmente porque eles já cumpriram sua função. n o ano de 2002. até que na década de 1990 houve um b oom desse procedimento. O primeiro implante de uma prótese de sili cone foi realizada por um cirurgião plástico do Texas em 1963. É um número assustador para qualquer tipo de cirurgia plástica. o que revela a força dos seios como símbolo sexual.Tanto os antigos espartilhos quanto os modernos sutiãs podem realçar os seios. o século XXI está ass istindo ao início de uma tendência contrária. os homens estejam começando a escolher suas parceiras mais pela personalidade do que pelo tamanho do busto. ainda que eles sej am menores. eles se tornam desnecessários quando a mul her se acomoda na vida de casada. . Em 2001. os seios obtidos por cirurgia nun ca são totalmente convincentes ao olhar ou ao tato. quando a mulher tira a roupa. Por isso. neste período pós-feminista. Infelizmente. Isso alarmou alguns cirurgiões plásticos que enriqueceram como criadores de super seios. A colocação de implantes para fazer os seios permanecerem redondos e firmes começou nos anos 1960. Espera-se que. ma s infelizmente nem sempre isso acontece. mas parece estar havendo uma volta aos seios naturais. nada menos que 4 mil mulheres a mericanas se submeteram a uma nova cirurgia para remover os implantes de silicon e. um recurso mais drástico pode ser necessário. Às vezes. Calcula-se que. são perfeitos demais e não possuem o movimento e a suavidade que deveriam ter. com mais de 100 mil cirurgias por ano. mais de 1 milhão de americanas tiveram os seios aumentados pela cir urgia. A cirurgia se tornou cada vez mais popular nas décadas de 1970 e 1980.

foi do maldito busto.. Uma advogada resumiu o motivo da "reversão" cirúrgica dizendo que.. depois de seu cão malch eiroso.Algumas mulheres lamentam ter se submetido a esse tipo de cirurgia para agradar a um marido potencial. depois do divórcio "a primeira coisa de que me livrei.] Senti que meu QI saltou vinte pontos". . [.

Cintura Um dos sinais mais claros que identificam o corpo feminino é a forma de ampulheta de seu tronco. de cerca de 74 cm. enquanto as atletas de esportes que exigem força muscular apresentam uma cintura um pouco mais larga. com medidas idênticas de busto e quadril. Essa cintura fina parece ainda mais delgada pelo volume dos seios e dos quadris. a cintura das mulheres de hoje tem em média 71cm. têm em média 61 cm de cintura. a cintura feminina é mais fina que a masculina. como as modelos e misses. esses números precisam ter uma relação harmoniosa com as medidas de busto e de qua dril. É a proporção entre essas três medidas que gera o contorno típico do corpo feminino. para que o corpo feminino revele um belo contor no. Jovens de corpo de lgado. Se uma determinada sociedade acha uma figura mais volum osa atraente e outra prefere figuras mais delgadas. mesmo sem esse contraste. Livre do aperto das cintas e dos espartilhos. Uma modelo preferida pelos estilistas atuais provavelme nte medirá 76-61-84 cm. uma diferença que se mantém apesar das diversidades culturais. continuam apresentan do uma acentuada diferença no tamanho da cintura. isso não afeta a proporção entre c intura e quadris. Uma jovem eleita num concurso de beleza costuma ter uma figura perfeitamente eq uilibrada. Homens e mulheres.15. Para uma mulher adulta. Geralmente. a proporção é d e 7:10. Naturalmente. enquanto para o homem adulto é de 9:10. gorduchos ou magrelas. mas. Essa . Os resultados são interessantes. a típica rainha de beleza mede 91-61-91 cm. A maneira mais comum de expressar a curva da cintura é medi-la em pro porção aos quadris.

Na Alemanha e na Suíça. é de 6 cm. As medidas de uma típica pin-up são 94-61-89. Seu quadril. Os organizadores dos concursos de beleza não ousam mencioná-las na nos sa sociedade pós-feminista. e os homens que passavam por ali eram solicitados a dizer de qual delas eles mais gostavam. já que suas medidas são 94-71-99 cm. Com o aconteceu com outras partes do corpo feminino. Pode-se argumentar que "estatísticas" como essas são desatualizadas e irrelevantes. se uma cintura fina era . A grande maioria escolheu a figura curvilínea de cintura fina e pr oporções equilibradas. A situação se inverte nas garotas que ilustram as revista s americanas. A típica mulher inglesa tem um pr oblema um pouco diferente. são consideradas "peitudas". sendo 5 cm mais largo que o busto. Es sa diferença é ainda maior em outros países europeus. apresenta o que chamamos de "2 polegadas a mais". de 8 cm. Acreditava-se q ue. Seus seios são do mesmo tamanho que os das européias. O veredicto desses homens selecionados aleatoriamente reforça a opinião de que a imagem da mulher curvilínea de cintura fina está demasiadamente arra igada na psique masculina para ser varrida por uma postura cultural moderna. mas não terá o contorno d e ampulheta que atrai o olho primitivo do macho. várias silhuetas femininas de proporções variadas e em tamanho natural foram expostas em fila num shopping cent er. mas a verdade é que elas continuam a desempenhar um pape l fundamental nas relações humanas. houve exageros. são 2 polegadas a mais no busto. Em lugar do excesso de q uadris. mas parecem maiores porque a cintura e os quadris são menores.modelo pode ter um rosto belíssimo e saber vestir uma roupa. Geralmente . mas isso é só uma ilusão criada pelo tamanho da cintura e dos quadris. e n a Suécia e na França. Numa recente pesquisa.

mesmo que de uma maneira simbólica. há séculos a mulher espreme a cintura com cintas apertadas e espartilhos. Os argumentos não são nada simples. Em 1654. a cintura da mulher aumente de 15 a 20 cm em média. Isso acontece devido às irreversíveis mudanças que ocor rem na região abdominal quando ela se torna mãe. Calcula-se que. Não se trata de um debate entre puritanos e hedo nistas. Defendiam vigorosamente a teoria de que qualquer tentativa de mudar a obra da natureza no corpo feminino era uma ofensa a Deus. recuperar o corpo esbelto que tinha antes da gravidez. Para conseguir isso. dando margem a acaloradas discussões . Mesmo que ela consiga. com um regime alimentar rigoroso. Voltando ao século XVII. Por isso. então uma cintura finíssima devia ser superfeminina. depois de vários part os. a cinturinha fin a tem sido há séculos símbolo de virgindade — de uma mulher que já está preparada para o sex o mas ainda não o experimentou. anseiam recuperá-la.feminina. Des crevia um espartilho como "uma moda perniciosa inimaginável" e lançava ameaças às mulher es que "se apertavam para . Entre os que se o punham radicalmente ao culto da cintura fina obtida por esses acessórios havia rel igiosos e liberados. a ci ntura sempre se alarga um pouco. Depois que a mulher tem seu primeiro parto. Essa condição exerce tal atração sobre o macho reprodutor da espécie que muitas mulheres. foram os puritanos os primeiros a at acar. A razão para a cintura fina despertar tan to interesse é simples e biológica. e no passado muitas j ovens sofreram para conseguir essa condição. a cintura nunca mais vai ser tão fina como era. mesmo aquelas que já não a possuem. John Bulwer vocif erava contra "os perigosos modismos e desesperados artifícios em relação à cintura". como ocorre em relação a tantos aspectos da moda feminina.

porque a maioria das jovens que usavam espar tilhos eram suficientemente sensatas para não apertá-los demais ou usá-los por longos períodos de tempo. dificuldades respiratórias e problemas circulatórios. podia criar a cintura fina desejada sem causar doenças. além de causar dores de cabeça. desmaios e falta de ar. Se ignorassem seus conselhos. referia-se "aos males infligidos à mente e ao corpo quando se comprimem os órgãos. O subtítulo de um livro sobre os perigos de apertar a cintur a. Fowler prometia a insanidade e a degeneração. Era óbvio que o espartilho muito apertado podia prejudicar a resp iração e a circulação. Essa idéia foi repetida inúmeras veze s nos anos seguintes. usado apenas em oc asiões especiais. e não se contentavam enquanto não pudessem rodeá-la [com a s próprias mãos]". e era isso que a maioria das jovens fazia. . câncer. Mas um espartilho não muito apertado. elas estariam "abrindo a porta para a tuberculose e para uma putrefata decadência". insuficiência renal. malformações fetais. No lugar da putrefata decadência de Bulwer. epi lepsia e esterilidade. Alguns chegavam a p onto de incluir deformidades ósseas. hérnia. podiam ser causadas pelo uso de corpetes apertados. retardando e enfraquecen do dessa forma as funções vitais". se gundo ele. publicado em 1846 pelo escritor americano Orson Fowler. mau funcionamento do fígad o. apesar das histórias de horror. Um autor vitoriano listou nada menos que 97 doenças que. de modo a provocar dor quando o espartilho era removido. aborto. Outros críticos menos extremados também revelaram seu temor de complicações médicas provocadas pelo aperto dos espartilhos. O uso prolong ado também podia enfraquecer os músculos das costas. Entre as do enças relacionadas escavam dores de cabeça. Todas essas adver tências em relação à saúde eram desnecessárias. desmaios.conseguir uma cintura fina.

em vez de recorrer à solução pass iva de se prender dentro de um corpete apertado. Essas eram as vozes que se erguiam contra o desejo de melhorar o natural contorno curvilíneo do corpo fem inino. Em segundo lugar. porque aju dava a tornar a mulher inacessível. tinha que ser tão flexível e solta quando seu parceiro.Um ataque completamente diferente veio das liberadas dos tempos modernos. diziam qu e o espartilho era sinal de respeitabilidade e altos princípios morais. A limitação física não era apenas prejudicial ao corpo. Portanto. alinhavam-se os defensores do espartilho e seus vários pontos de vista. mas po r uma razão diferente. O espartilho apertado seria um instrumento de tortura imposto às mulheres submissas como parte da opressão masculina. tinha que consegui-la correndo ou fazendo exercícios. não podia tolerar nenhum a roupa apertada. Para ela. o objetivo era desviar a atenção masculina do corpo e dirigi-la para as qualidades do cérebro. e não seu potencial reprodutivo. ela usaria sua capacidade intelectual. A feminista inteligente também queria liberdade para o corpo. mas também símbolo de uma prisão ment l em relação ao macho. Para e las. Contra elas. Ele seria uma armadura contra a . Em sua busca de admiração masculina . Se queria ter igualdade sexual durante as preliminares. tinha que substituir a disciplina inativa da roupa pela disciplina ativa da at ividade física. Primeiro. qualquer t entativa de exagerar sua silhueta feminina era proibida. Se queria ter uma cinturinha fina. a idéia de usar qualquer roupa apertada era um insulto a liberdade feminina. Para impressionar o parceiro. Se a mulher moderna queria ondular o corpo de maneira provocante numa pista de danças. alegavam que o uso de um espartilho apertado mostrava discip lina e representava simbolicamente uma louvável contenção.

) Dentro de um espartilho. Era inevitável que isso atraísse o macho. que inconscientemente vivia a fantasia de que seria fácil capturá-la se decid isse persegui-la. a mulher também dava a impressão de estar vulnerável (a pesar da barbatana) como um animal preso numa armadilha.atenção masculina. A mulher apertada dentro de um corpete era obrigada a ado tar uma postura ereta que lhe dava um ar de graciosa altivez. diremos que tanto os puritanos quanto os libertinos tomam partido pró e contra os espartilhos. Para alguns homens. Por isso. é fácil entender po r que os corpetes se tornaram um elemento da encenação sadomasoquista. O corpo enjaulado restr ingia sua capacidade de fugir a alta velocidade. A presença do corpete pode ser vista como uma prisão ou como um estímulo à sensualidade. . mas também no conhecimento tácito de que a mulher admirada estava s ofrendo uma tortura física para agradar a seu admirador. sua ausência pode construir a imagem de uma mulher natural e libera da ou de uma libertina. (Dizia-se que ela servia também como arma com a qual a mulher podi a se defender de algum admirador que perdesse o controle e tentasse soltar os co rdões. A atração do corpete não estava apenas na silhueta que ele criava. mas o corpete a pertado por um complexo entrelaçamento de cordões deixava o corpo desnudo muito mais distante. o espartilho também era importante para exibir um a postura aristocrática. Nos primeiros tempos. Para resumir. esse aprisionamento dentro do espartilho f uncionava como um apelo fetichista. A cintura fina podia excitar os olhos dos homens. O que a ajudava a manter o tronco ereto era uma barbatana enfiada verticalmente na parte da frente do espartilho.

em conseqüência do uso de corpet es apertados. É verdade que as coisas pio raram um pouco no século XIX. no auge da moda dos espartilhos com ilhoses. Em 2001. por v olta do fim do século XIX. antes da puberdade. graças à invenção dos ilhoses de metal. uma jovem atraente era aquela cuja cintura medisse em p olegadas o número exato de sua idade. eram casos isolados. Isso não significa que cinturas diminutas não tenham existido. quando um detalhado estudo sobre a indumentária de séculos anteriores descobriu que a menor medida de cintura encontrada numa imensa coleção de roupas era de 61 cm. cuidadosas pesquisas desmentiram essa crença. E um velho provérbio dizia que a mulher ideal era aquela cuja cintura fosse "tão fina que o sol não pudesse captar s ua sombra". as medidas variavam de 46 a 76 cm. Rece ntemente. uma nova pesquisa confirmou esse fato. A menor medida de cin tura encontrada no vestuário do século XVIII foi de 61 cm. Na época vitoriana. Na época v itoriana. Caricaturas dos séculos XVIII e XIX mostram mulheres s endo brutalmente apertadas dentro de um espartilho até a cintura desaparecer. O primeiro é que. exemplos extremos foram registrados: o Guinnes Book of Records menciona uma . a preocupação com as medidas era generalizada. antigamente. porém. O primeiro golpe foi dado em 1949.Tal é o interesse na espessura reduzida da cintura feminina que dois mitos surgira m nos tempos modernos. Acreditava-se que cinturas que mediam entre 38 a 41 cm eram comuns e podiam ser alcançadas se a mulher começasse a usar espartilhos apertados desde muit o cedo. Um provérbio espanhol recomendava que a mulher tivesse uma cintura tão fina quanto a de um galgo. Mesmo no século XX. mas ainda assim a menor medida registrada foi de 46 cm. mas que. que permitiam uma am arração mais firme. se elas existiram.

Livros de história da moda afirmaram categoricamente que.. caso contrário isso pode se transformar numa obsessão capaz de transtornar o eq uilíbrio da vida. P arece que nos enganamos. algumas mulheres estavam obtendo a perfeita figura de ampulheta depois de t erem as costelas inferiores removidas cirurgicamente.. Vale ressaltar que essa mulher foi uma excêntrica exceção à regra. Mas a grande maioria da s mulheres nunca chegou a esses extremos.". Ela afirma que não há menção à remoção de costelas em nen a história da cirurgia plástica e que. do New York Fashion Instituto. pelo menos no seu caso. no fim do século XIX. "Não há nenhuma evidência de q ue essa prática tenha existido. em O macaco nu. a surpreendentes 33 cm em 1939. o brutal aperto não causou nenhum dano aos órgãos int ernos. ela viveu mais 43 anos. no fim do século XIX.inglesa que conseguiu reduzir sua cintura de 56 cm em 1929. Muitos autores posteriores (inclusive eu. as mulheres vitorianas chegavam a se sujeitar a perigosas operações para remoção de c ostelas. e afirmações em contrário constituem um dos maiores mitos da história da moda. Uma detalhada pesquisa realizada por Valerie Steel. mas não devem ir longe demais para consegui -la. chegou a uma clara conclusão. O segundo mito é que. Os autores não davam detalhe s. em A mulher eunuco) aceitamos e repetimos essa declaração. . o que pr ova que. usando-a como exemplo dos exageros a que as mulheres chegavam para melhorar a natureza. As poucas mulheres que foram longe demais em séculos passados têm su as equivalentes modernas nas fanáticas por regime de hoje. e Germaine Greer. mas incluíam algumas fotos para ilustrar as cinturas assustadoramente finas obt idas por esse meio. quando tinha 24 anos . na busca da cintura perfeit a. e não representa va uma tendência social. As mulheres podem desejar uma cintura mais fina devido ao s sinais primitivos que ela transmite. Depois disso.

Embora hoje esteja claro que nem as damas vitorianas nem as atrizes atua is se submeteram a essa medida extrema. a operação tem sido realizada. Mas segue-se uma advertência: "Não é aconselhável". os rumo res foram tão persistentes que ela foi obrigada a publicar um desmentido. porém. Afirma-se que. resta uma dúvida: será que alguma cirurgia d esse tipo chegou a ser realizada? Não se pode afirmar com certeza. Apesar disso. parece provável que as imagens tenham sido retocadas para fazer a cintura parecer menor.essa seria uma operação muito arriscada. a necessidade de acreditar na cirurgia de remoção de costelas é tão grande que fez nasce r uma nova lenda. No mínimo sete famosas atrizes têm sido mencion adas entre as que teriam sacrificado as costelas inferiores na ânsia de ter um cor po mais bonito. São citados também os nomes de vários cirurgiões plásticos . submeten do-se a um exame medico e processando uma famosa revista francesa por repetir a história. e a maioria das estrelas que são vítimas dos boatos simple smente os ignoram por considerá-los ridículos. mas há evidências d e que ela pode ter sido feita em alguns poucos casos raros. Olhando de novo as fotos das mulheres que supostamente teriam removido as costelas. agora que temos uma tecnologia cirúrgic a avançada. No caso da cantora Cher. Numa descrição de proced imentos cirúrgicos oferecidos a transexuais que desejam parecer mais femininos pod e-se ler o seguinte: "A remoção das costelas é ocasionalmente realizada para obter uma curva da cintura mais pronunciada". A verdade é que não há evidências de que esses difíceis procedimentos cirúrg icos tenham se realizado. Há anos correm boatos de que famosas estrelas de Hollywood se su bmeteram recentemente à operação. A técnica médica da época não estava suficientement e desenvolvida para que o cirurgião corresse esse risco.

A remoção rotineira de costelas parece não ser senão um mito surgido de repetidas fofocas. espartilhos e uma operação de remoção de costelas. Essa persistência reflete não uma verdade cirúrgica. Afirm ações de que "cirurgias de costelas eram relativamente comuns nos anos 1950" e outra s semelhantes continuam sem fundamento. mas a tenacidade de uma fantasia masculina. que foi um sucesso. Em Hamburgo. Suas declarações podem ser verdadeiras. levando-a a aparecer na telev isão da Alemanha. mas com certeza esse seria um caso isolado. Conta que esteve hospitalizada duran te três dias depois da cirurgia. assim como o preço de US$ 4.500. da Austrália e da América para exibir sua extraordinária figura. A imagem de uma cintura fi na parece estar indelevelmente impressa no cérebro do macho humano. uma jovem alega ter reduzido as medidas da cintura de 51 para 36 cm com cintas. .preparados para realizar a cirurgia.

a maioria das mulheres está satisfeita com o tamanho natural dos seus quadris.16. uma bacia larga emit e a mensagem primitiva de que a mulher é capaz de gerar descendência. Hoje. Esses travesseiros eram amarrados por baixo das amplas saias para dobrar o tamanho dos quadris. Essa diferença biológica levou a muitos exageros. O século XVIII assisti u ao aparecimento das "anquinhas". os ateliês europeus vendiam desajeitadas "almofadas" que pareciam pneus de au tomóveis. Quadris Os amplos quadris da fêmea humana constituem um dos principais símbolos da silhueta feminina. . Até que ponto as fanáticas foram capazes de chegar é inacreditável. a largura dos quadr is é um dos principais sinais de diferenciação entre os sexos. No século XVI. a pel ve feminina mede em média 39 cm. Deixavam as saias tão amplas que a mulher era obrigada a passar pelas portas de lado. enquanto a masculina só chega a 36 cm. Só quando entra numa fase em que prefere a juvenilidade à fecundidade uma sociedade abandona o int eresse pelos quadris largos e passa a valorizar uma aparência mais delgada e mais masculina. Independentemente de a cintura ser estreita ou não. mas no passado muitas vezes se tornaram esc ravas do desejo de possuir um quadril avantajado e vítimas da tecnologia capaz de produzi-lo. mas acabavam deixando os vestidos tão pesados que as damas da época eram incapazes de qualquer atividade mais vigorosa. Como a bacia da mulher é mais larga que a do homem. uma armação de arame usada sob a saia para criar a impressão de ancas largas. Para ser preciso.

Passando da forma aos movimentos e posturas. Quando a pessoa apóia as mãos nos quadris proj etados para a frente. O ami é um movimento de rotação. Maneiras de andar que envolvem um evidente balanço dos quadris são tão femininas que são utilizadas como caricaturas em p erformances cômicas. jovens executam movimentos ritmados em que g iram. o mais importante talvez seja a pos tura de mãos nos quadris. Só homens representando mulheres ou homossexuais afetados se pe rmitiriam movimentos ondulantes desse tipo. é muito difícil abr açar alguém que esteja na postura akimbo. O segundo movimento é semelhante. A dançarina levanta uma mão. mas é mais que isso. que então se movimenta num círculo. e esses também pertencem mais ao repertório da mulher que do homem. os cotovelos apontam para fora como se dissessem: "Mantenh a a distância ou vou acertar você!" Muitas vezes. Na verdade. com a di ferença de que o quadril completa um quarto de círculo. a pessoa assume automática e inconsc ientemente essa postura de acordo com seu estado de espírito. A postura akimbo oco rre sempre que a pessoa quer afastar alguém. Muitos passos de dança incluem vigoros os movimentos dos quadris. "rodeando a ilha" em quatro movimentos. não surpreende que quase todos os mov imentos dos quadris tenham uma marca feminina. É essencialmente uma postura anti-social . sacodem e ondulam os quadris. enquanto a outra descansa no quadril. primeiro no sentid o horário e depois no sentido anti-horário. o oposto de abrir os braços para convidar a um abraço. também chamada de akimbo. Costuma-se dizer que ela indica autoridade ou desafio. É por isso que ela é vista como uma . Dois movimentos especiais da dança são o ami e o "rodeando a ilha". Na famosa dança hula-hula. Dos gestos que envolvem a pelve.

Estou tão irritada que não quero ninguém perto de mim". Uma esportista que acaba de perder uma com petição imediatamente coloca as mãos nos quadris. mas com certez a não estão buscando conforto nos outros. Essa postura pela metade. revela as relações entre os presentes. o b raço desse lado permanece abaixado. refletindo o sentimento de derrota. Eles podem não estar numa posição de autoridade. Essa postura também é usada por indivíduos que acab aram de sofrer um revés. Se fosse um gesto mais consciente. apóia apenas o braço esquerd o no quadril. apesar de ser usada mundialmente. muito observada em f estas e outras reuniões sociais. não parece ter um nome em o utras línguas. Finalmente. é um dos mais comuns padrões de comportamento humano. Se houver à sua direita um grupo com o qual ela tenha afinidade. No chefe de um grupo. É geralmente descrita como "mãos nos quadris". A mulher que pára à porta de sua casa com as mãos nos quadris está d izendo: "Afaste-se. em geral com a cabeça ligeiramente aba ixada. existe um contat o pessoal que envolve o quadril. Uma curiosidad e dessa postura é que. à sua esquerda. todas as línguas teriam uma palavra para defini-lo. Entretanto. como um cumprimento . Se uma mulher que r se afastar de um grupo que está. digamos.atitude de desafio. a postura akimbo avisa aos demais que se mantenham em seus lugares. Isso é porque essa postura também transmite uma disposição autoritária. A pessoa que tem autoridade e gosta de exibi-la não quer partilh ar o espaço com os outros. A mensagem que ela comunica é: "Fique l onge de mim. mas não há uma palavra que a defina. Jovens amantes costumam caminhar lado a lado . Não ouse entrar". que vemos todos os dias e ao qual reagimos subliminarmente sem analisar a mensagem corpor al que estamos recebendo.

É uma postura que atrapalha um pouco o movimento. mas parece que o tabu é menor ent re mulheres — o que ocorre. aliás. Por essa razão. Foi contatado qu e. que queira exibir sua homossexualidade em público. Em 77% dos casos o homem abraça a mulher. é claro. É um gesto de amizade. está claro que os . Querendo se abraçar plenamente e caminhar ao mesmo tempo. Do ponto de vista social. um homem só abraça assim uma mulher. e não há nada nessa intimidade qu e indique uma ligação sexual. esse tipo de abr aço transmite uma mensagem mais forte do que o abraço em que uma pessoa toca o ombro da outra. Dois homens podem se abraçar desse jeito quando estão parados ou caminhando juntos. Como sinal. A porcentagem muito maior de homens que abraçam mulheres d o que de mulheres que abraçam homens reflete uma atitude geral dos adultos em relação a essa região do corpo. como os beijos de comprimento. Funciona como um gesto de exclusão em re lação a qualquer pessoa que os acompanhe ou os observe. a meno s. mas nessas situações a mobilidade do casal é menos importante do que a demonstração de intimidade — que é feita para eles mesmos e para os outros. esse abraço do qu adril é um meio-termo. na maioria dos casos. e em 9% uma mulher abraça outra. não houve abraço entre homens. (O abraço entre pais e filhos pequenos foi excluído da pesqu isa.com os flancos se tocando e as mãos cruzadas nas costas e apoiadas no quadril do p arceiro. Um estudo tentou anal isar as diferenças de gênero em relação a esse tipo de abraço no quadril. com outras trocas de intimidade em público. os homens se interessam muito mais pelos qu adris das mulheres do que o contrário. enquanto o outro apenas recebe o abr aço. Evidentemente. só um parceiro abraça.) Como se previa. e que é muito comum. em 14% a mulher abraça o homem. Mas quando uma pessoa abraça o quadril de outra a posição da mão dá ao ato um peso sexual.

quadris são atributos essencialmente femininos. . eles carregam quase tanta feminilidade quando os seios. Devido à sua ligação com a procriação.

Barriga A barriga da mulher sempre foi uma região tabu. Segundo essa lei. mas nos últimos anos (desde 1998.17. as mulheres. Hoje. pelo menos até que o ciclo da moda se mova de novo). e a moda se espalhou rapidamente. as pernas deixaram de ser expostas e alguma outr a parte do corpo precisou ocupar o seu lugar. não apenas por ser uma zona erótica po r si só. Era necessário algo novo. para s er preciso) a moda de jeans de cintura baixa combinados com uma blusa muito curt a colocou a barriga feminina no foco das atenções. as roup as de uso diário sempre cobriram a barriga. mas essa solução se tornou muito familiar . e alguém teve a brilhante idéia de usar uma blusa bem curt a. mais de 80% das mulheres que são vistas nas ruas das cidades usam jeans ou outro t ipo de calças. Em conseqüência disso. que explicaram que a m oda feminina obedece a uma lei de troca das zonas erógenas. A idéia que está por trás dessa mudança foi lançada pelos críticos de moda alemães nos anos 1920. mas pelo fato de estar intimamente relacionada com os genitais. nasceu uma nova zona erógena. que só usavam saias. que não alcançasse a cintura das calças. as m ulheres sempre vão querer mostrar uma determinada parte do corpo. mas essa exposição v aí sempre mudar de uma zona . ma s em compensação os umbigos femininos podiam ser admirados pelos homens (por enquant o. A razão para essa exposição é interessant e e tem muito a ver com uma importante mudança no vestuário feminino: de uns anos pa ra cá. Roupas qu e expõem a barriga atraem o olhar para a região genital. As pernas podiam estar inteiramente cobertas. De repente. No mundo ocidental. passaram a adotar as calças compridas. Blusas que expõem os ombros e o sulc o dos seios foram muito usadas no passado.

À medida que uma é coberta. eles deixaram de ser usados apenas por uma minoria para serem adotados por um público muito maior. uma parte vai sendo exposta depois da outra ao sa bor da moda. e como o estômago está posicionado mais alto. Essa imprecisão anatômica ficou tão arraigada no . a imagem será de vulgaridade. mas apesar disso. Uma relação sexual papai-e-mamãe pode causar problemas. os vitorianos decretaram que uma dor de ba rriga se tornasse uma dor de estômago.para outra. como não era de bom tom usar a palavra "barriga". Um dos problemas co m o uso de piercings abaixo do pescoço é que só pessoas muito íntimas ficam sabendo de s ua existência. Assim. A primeira é o desejo de novidade: cada nova exposição é excitante porque mostra algo qu e não tem sido visto nos últimos tempos. com alto risco de o umbigo se rasgar quando um corpo se esfrega no outro. Mas que atitude nossos antepassados tinham em relação a essa parte da anatomia feminina? Na época vitoriana. Algun s escritores deram a isso o nome de "vandalismo umbilical". o piercing no umbigo era o segundo na preferência das mulheres. no início do século XXI. A segunda é que. Agora. Os piercings de umbigo têm um evide nte apelo decorativo. Existem duas razões para isso. para manter sem pre alguma exposição sem exagerar. mas surpreende que mulheres sexualmente ativas queiram usa r uma jóia num lugar tão vulnerável. outra é exposta. be m longe dos "impronunciáveis" genitais. Co mo a região da barriga contém o estômago. a ênfase recai sobre a barriga. foi preciso encontrar um termo substituto. superado apenas pelos piercings na orelha. Com a nova moda. Uma vanta gem disso é que a nova moda de piercings no umbigo pôde vir à luz. se mais de uma parte do corp o for exposta ao mesmo tempo. no início do século XXI.

Numa época em que as mulheres eram condenadas à morte pela prática de c ertos crimes. Enquanto uma classe educada empurrava a barriga para a região do estômago. Além d o umbigo. para a região genital. O umbigo da mulher também é mais profundo que o do homem. Podemos resumir essas diferenças dize ndo que a mulher tem um abdome . que assinala o ponto onde os músculos do lado esquerdo do corpo se encontram com os músculos do lado dire ito. essa classe se referia à barriga como se ela fosse a região abaixo da linha dos pêlos púbicos. Essa região do corpo tem poucas marcas superficiais. Uma terceira imprecisão era usar a palavra "barriga" como si nônimo de "útero". Se observarmos um corpo jovem e atlético. o útero. há uma depressão chamada linea alba. q ue é a parte do corpo situada entre o tórax e a pelve. os intesti nos e. Num indivíduo adulto. considerando-se que os dois indivíduos tenham uma compleição semelhante. Entretanto. contendo o estômago. havia uma conhecida estratégia que se chamava "apelo da barriga''.vocabulário que sobreviveu nos tempos modernos. muito depois de a pudicícia vitorian a ter deixado de existir. na mulher. outra classe a empurrava para baixo. com uma distância maior entre o umbigo e os genita is. Na maioria das prisões havia homens cuja tarefa era garantir que as internas tiv essem condições de pleitear esse direito. numa pessoa gorda (de qualquer idade). a lin ea alba é vista como uma estreita mas nítida depressão da carne. essa linha corre verticalmente do umbigo até o peito. O ventre da mulher é mais arredondado na parte inferior que o do homem. B aseava-se numa lei que não permitia que a pena capital fosse aplicada à mulher grávida . "Barriga" é o termo popular para "abdome". Ele tam bém é proporcionalmente mais longo. Com i gual imprecisão. é difícil perceber essa linh a.

Hoje. mudo u tudo isso. sem sinal de gordura. uma barriga gr ande era ostentada com orgulho. é um sonho feminino em qualquer idade. Um corpo esbelto. uma barriga chata. Portanto. O orifício genital feminino está por trás de uma fenda vertical. seu corpo ganha peso. e as jovens das tribos eram engordadas para o ca samento. A mais magra das mulheres pode apresentar um umbigo circular se jogar o corpo para a frente. ma s num corpo delgado ele parece mais um talho vertical. e sua barriga. sua presença no meio do ventre não pode deixar de lemb rar os verdadeiros orifícios que se situam abaixo dele. Mas existe algo mais do que ape nas a perda de peso nessa mudança. as pose s modernas parecem enfatizar o umbigo vertical. com sua obsessão pela eterna juventude. as mulheres magra s de hoje têm seis vezes mais probabilidade de ter um umbigo na forma de uma fenda vertical do que suas voluptuosas predecessoras. só cri a a possibilidade de um umbigo vertical. Numa pesquisa semelhante sobre as modelo s fotográficas de hoje essa porcentagem caiu para 54%. logo se torna lamentavelmente — ou orgulhosamente — barriguda. À medida que a mulher fica mais velha. Em períodos de escassez de alimentos. Essa mudança na visão da barriga teve um estranho efeito colateral: alterou a forma do umbigo feminino. Co mo o umbigo parece um orifício. mais volume. um aspecto que muitas vezes é exagerado pelos arti stas.maior e mais curvo que o homem. por mais magro que seja. consciente ou inconscientemente. Em corpos mais cheios o umbigo é circular. O novo puritanismo corporal. Se ele será exibido ou não. E se ela cai na tentação de comer demais. Uma pesquisa sobre obras de arte que mostravam as mulheres carnudas de antigamente revelou que a grande m aioria (92%) exibia um umbigo circular. Assim. Não é difícil imaginar a razão disso. vai depender da postura da modelo. enquanto o .

nunca foi dito. . o Oriente Méd io. Dessa vez. voltou a suprimir o umbigo. que tinha que ser omitido para evitar a histeria sexual da pla téia. o umbigo era sugestivo demais. vinha da terra da dança do ventre.orifício anal é muito mais circular. O conhecido código moral ista de Hollywood dizia que os umbigos estavam proibidos. Os primeiros filmes provocaram choque e horror diante da exposição d essa parte da anatomia das dançarinas. Sugestivo do quê. Uma carta oficial do censor aos produtores do filme Mil e uma noites dizia: "Aprovado para adultos desde que sejam cortadas todas as cenas de dança que mostram o umbigo das dançarinas". Fazia-s e isso porque. as dançarin as das casas noturnas foram instruídas a cobrir a barriga quando dançassem. As fotos eram retocadas par a dar a ridícula impressão de que o ventre da mulher era completamente liso. Mal o mundo ocidental tinha relaxado a censura cinematográfica do umbigo e ele já sofria um novo ataque. Se não pudessem ser cobe rtos pela roupa. Com os preceitos religiosos e culturais que dominavam o mundo árabe. deviam ser preenchidos com jóias ou qualquer outro ornamento. Segue-se que essa mudança para a exibição de um umbig o vertical fortalece o simbolismo genital. ba sta observar o que aconteceu com o umbigo nos períodos mais puritanos do século XX. Nas primeiras fotos. Isso aprofundou o simb olismo do umbigo. o fotógrafo e sua modelo podem se unir para oferecer subliminarme nte um falso orifício como substituto do real. Em fotos sensuais em que a fenda geni tal fica oculta. nos anos 1930 e 1940. Uma segunda onda de c ensura. O q ue parecia ofender os puritanos espectadores era o fato de as dançarinas serem cap azes de mexer o umbigo enquanto ondulavam o corpo seminu. ele era simplesmente suprimido. Se isso parece muito fantasioso. segundo se dizia.

um tipo raro hoje em dia. é p erfeitamente redondo. o interesse na s possibilidades eróticas do umbigo feminino tomou proporções fetichistas. Umbigo circular . .um tipo comum. à glande ou ao dedão do pé.mostra um forte alongamento vertical. porém mais la rgo na parte central. gracioso. mas considerado de grande b eleza. e merece cuidadosa atenção quando você o beijar ou tocar". Para alguns. Umbigo triangular . para a mai oria de nós. Uma pose muito popular nos manuais sexuais ilustrados mostra o homem explorando o umbigo da parceira c om a língua — um pseudo pênis inserido numa pseudo vagina. Uma organiz ação que se intitula US Navel Observatory (Observatório do Umbigo dos Estados Unidos) concebeu uma classificação para esse pequeno detalhe da anatomia feminina. Umbigo em forma de amêndoa . ele pareça um detalhe relativamente inócuo da anatomia humana. Em The Joy of Sex. Num relatór io denominado Navel Architecture (Arquitetura do umbigo). Tem a forma de um triângulo invertido com lados convexos. pode-se ler: "Ele pode propo rcionar muitas sensações sexuais cultiváveis.Essas restrições deixam claro que o umbigo tem força erótica. por exemplo. femi nino e erótico. ele se adapta ao dedo.considerado pelos japoneses o supra-sumo da beleza umbilical.um tipo raro. Recebe esse nome porque tem a forma semelhante a uma navet te (pequena nau). mesmo que hoje. Umbigo navette . eles reconhecem nada m enos do que nove formas de umbigo: Fenda vertical . Os manuais de sexo perceberam esse poder e enfatizam seu fascínio aos amantes que exploram o corpo do parceiro. Geralmente aprese nta uma profunda depressão.

umbigo protuberante. uma mistura do umbigo côncavo com o umbigo p rotuberante. isso provocou uma nova e intrigante per gunta: Quem gerou Deus? . umbigo vert ical. Fora da esfera sexual. Na verdade. Se esse seres for am criados pela divindade. é um problema espin hoso decidir se os primeiros seres humanos tinham ou não umbigo. não havia cordão umbilical. essa não é a única classificação de umbigos que existe. e cada um inventou sua razão para a existência desses primeiros umbigos.o umbigo moderno no qual foi inserido um piercin g. Umbigo perfurado . Ele relaciona os seguintes tipos: umbigo horizontal.uma das formas mais comuns.mais horizontal que vertical. Naturalmente. e não nasceram de uma mulher. Embora esse relatório não pretenda ser mais do que uma análise superficial do umbig o feminino. o umbigo causou vários problemas nos círculos religiosos. então ele devia ter umbigo. tem a aparência de um olho. alegando que uma pessoa "pode se conhecer at ravés do umbigo". mas essa d ecisão gerou um problema ainda maior: se Deus criou o homem à sua imagem e semelhança. revela o interesse sexual que um simples botão umbilical pode desperta r. Umbigo grão de café — um umbigo côncavo em cujo interior há duas protuberâncias de carne.Umbigo oval . umbigo descentralizado e umbigo redondo . Um psicólogo alemão or anizou sua própria lista de formatos. P ara os que acreditam na verdade literal dos textos religiosos. A maioria optou por registrá-los. Umbigo olho de gato . umbigo côncavo. Os artistas enfrentavam o dilema de incluir ou não umbig os em suas pinturas de Adão e Eva no Jardim do Éden. e portanto não havia umbigo.

Elas foram se especializando nessas contorções. inserir seu pênis e contorcer-se provocativamente até leválo ao orgasmo. Voltando à barriga de forma geral. a origem dessa t radição não se perdeu na poeira do tempo. O cuspe foi aterrizar bem no cento d a barriga. depois que Alá criou o primeiro ser humano. assim como uma forma de meditação voltada para o interior. as jov ens tinham que se acocorar sobre o corpo deitado. com movimentos da pelve e contrações dos músculos abdominais para massagear o pênis do grande . focalizando to do o universo através de seu ponto central. Esse furo foi o pr imeiro umbigo. onde o sultão era geralmente muito g ordo. Na verdade. Uma an tiga lenda conta que. é o contrário: uma tentativa de anular o ego. mas. Um simbolismo totalmente diferente vê o umbigo como centro do unive rso. nada atlético e sexualmente desinteressado. Para evitar a contaminação. Já as ondulações exig m um alto controle muscular e só são executadas pelas dançarinas mais experimentadas. Deus imediatamente arrancou o pingo poluído. Para excitá-lo sexualmente. A expressão "olhar para o próprio umbigo" c ostuma significar uma ação autocentrada. Os dois primeiros são de fácil execução e muito comuns. resta ver como surgiu a famosa dança do ventre.Os turcos descobriram uma solução incomum para o problema do primeiro umbigo. Os três são movimentos sensuais. movimento de rotação do quadril e ondulações dos múscu los da barriga. Surgiram no harém. A dança do ventre tem três movimentos principais : movimento da pelve para a frente. ma s seu gesto deixou um pequeno furo no lugar onde o cuspe caíra. embora isso tivesse agradado aos puritanos. Hoje ela é comumente considerada uma "dança tradicional". É assim que os budistas o consideram. o Demônio ficou tão furioso que cuspiu no corpo do recém-chegado.

usando a força da gravidade para empurrar o bebê. Na década de 1980. Portan to. é difícil dizer. Com o acompanhamento musical. quando ainda não contava com ajuda médica. mas colocava-se de cócoras. a ex ibição logo foi estilizada numa dança que foi chamada de dança do ventre. que com o decorrer do s séculos teriam sido incorporados à dança do ventre. Embora a dança do ventre esteja sendo promovida como "uma ótima terapia para a tensão e a depr essão". Como um ato de cópula. Com o tempo . mas o nascimento. . Algumas fontes alegam que os movimentos representam não a cópula. os nomes que definem os movimentos ainda preservam uma conotação erótica.senhor. o processo de purificação foi mais longe nos últimos anos. De qualquer forma. ou se ela só pretende e sterilizar uma dança puramente erótica e alinhá-la entre outras atividades "folclóricas" . Em muitas cult uras. Ela deixou de ser meramente uma dança que imitava a cópula de uma jovem vigorosa sobre um homem indolente e corpulen to e tornou-se símbolo da concepção e do nascimento — todo o ciclo reprodutivo em uma únic a performance. a ênf ase recai sobre o preparo físico". um manual que pretendia ensinar a dança introduz o tema co m a seguintes palavras: "Em seu novo papel como forma de arte física e saudável. Livres do contato com o corpo indolente. nem tudo se perdeu. A dançarina do harém tornou-se uma atleta. as mulheres do harém foram capazes de ex agerar os movimentos e torná-los mais ritmados. ele tem sido chamado de "masturbação fértil". os movimentos pélvicos eram exibidos para excitar o senhor do harém antes da cópula. A mul her ajudava o parto movendo o abdome em movimentos de rotação. a parturiente não deitava para dar à lu z. Se essa interpretação da dança do ventre é correta.

registra com um humor triste: "Com tijolo sobre tijolo esta casa foi c onstruída. só existe outro contato pessoal. tem vários simbolismos. Na vida cotidiana. o ven tre quase nunca participa dos contatos pessoais. Vem t ambém da Grécia antiga outro pronunciamento: " Ó Deus. Esse simbolismo ocidental nada elo gioso está em completa oposição com o simbolismo oriental. são amantes ou velhos amigos. No Japão. essa postura é tema de uma das mais antigas piadas da humanidade. um marido orgulhoso pode passar a mão pela barriga da esposa grávida. Estranhamente. datados do terceiro milênio da era cristã. Como a bar riga está relacionada com o apetite por comida. acabou se ligando a outros apetite s animais. Devido à sua proximidade com os genitais. que é o contato dos ventres duran te o ato sexual. assim como o umbigo. Um provérbio grego afirma que " a barriga é a mais vil das bestas". O ma is conhecido é sua ligação com o lado mais animal e terreno da vida humana. Quando uma pessoa toca outra na barriga.Fora do campo sexual. é através deles que se perde a castidade". . geralmente ambas pertencem à mesma família. Além desses gestos e de um raro soco na barri ga de um inimigo. Os pais às vezes dão um tapinha na barriga dos filhos quando eles comem bem. e um dos amantes pode d escansar a cabeça na barriga do outro. com ventre sobre ventre ela foi destruída". o ventre é considerado o centro do corpo. Um dos textos sumérios mais antigos. a barriga. olhai com ódio o ventre e os alim entos. os gest os que envolvem a barriga são raros. que vê o ventre como sede da vida.

Versões mais radicais desse m odelo. e se a curva da coluna é deliberadamente acentuada com a projeção do quadril para trás. o contorno das costas é notavelmente diferente no homem e na mulher: nela. o contraste é grande tanto de lado quanto de costas. disposta a escandalizar em algum a aparição pública. nele. Visto por trás. e. Se ela é uma mulher casada. a parte mais larga é a superior. Mesmo em repouso.18. Outras partes do corpo — especialmente a cabeça. Costas As costas femininas têm sido ignoradas tanto pela própria mulher quanto pelos observ adores. Um . quando a atriz Tallulah Bankhead apareceu em público com um decot e nas costas que logo foi copiado pelas admiradoras. Portanto. A gola do quimono é cortada de acordo com a co ndição da mulher que o usa. os seios e as pernas — recebe m maior atenção e despertam mais interesse. os estilistas de moda de vez em quando enfatizam as costas. Hollywood lançou es sa moda em 1932. De vez em quando. Se o vestido é fechado na frente. que revelam inteiramente as costas. a linha das costas torna-se mais sensual. mas se ela é uma gueixa. aparecem de quando em quando. as costas femininas têm uma be leza inegável. a gola se afasta da nuca. os japoneses v alorizam muito essa parte do corpo. então a atenção pode ser desviada para as costas. a linha da nuca é apenas sugerid a. No Oci dente. as costas femininas têm figurado no mu ndo das imagens eróticas. sempre que o costureiro encontra uma cliente corajosa. elas são naturalmente mais arqueadas que as costas do homem. Entretanto. Como mencionamos quando tratamos da nuca. lhe oferece uma excitante visão do dorso por dentro da roupa. a parte inferior é mais larga. quando ela se ajoelha dia nte do homem.

. estão presentes em ambos os sexos. P oetas e escultores gregos as admiravam. só são visíveis no máximo em 2 5% dos casos. As duas pequenas depressões situadas de cada lado da base da coluna. O losango de Michaelis. de dar água na boca.desses modelos foi o famoso macacão lançado em 1967 por Ungaro. assim como o "losango de Michaelis". um crítico comentou que "suas costas parecem entorpecidas e a pavoradas com a exposição. Naturalmente. mas. que passou muito tempo estudando-o. exatamente onde se situam as duas pequenas covas. quando as formas voluptuosas estavam na moda. carnuda. mas são mais perceptíveis nas m ulheres devido à gordura depositada nessa região. O los ango às vezes é rodeado e definido por quatro depressões. também já despertou grande interesse erótico." As covinhas são menos evidentes em mulheres magras.. Mas a exposição das costas nem sempre é um sucesso. dando à mulher a possibilidade de exibir as "covi nhas" do sacro. hoje as preferidas. o corpo magro e . Seu nome é referência a o ginecologista alemão Gustav Michaelis. O mundo clássico tinha verdadeira fascinação pelas covinhas femininas. como lesmas fora da concha". uma região em forma de diamante situad a entre as covinhas. eram tema de conversa entre os mais sofisticados l ibertinos. Nos homens.. uma em cada vértice da figura. que expunha as costa s até o limite do sulco das nádegas. b em acima dos glúteos. As covinhas são um detalhe da s costas femininas que em outros tempos despertou no homem tal excitação a ponto de tornar-se uma obsessão. Ao ver bailarinas vestidas com um collant sem costas. Um escritor escreveu sobre "essa região sedosa. E possível que o apelo sexual das covinhas que se formam nas bochechas se deva em parte à sua semelhança com essas outras covi nhas próximas às nádegas.

E ela está bem protegida: primeiro. Sem a s curvas suaves proporcionadas pela camada subjacente de gordura. descobriria um conjunto brilhantemente entrosado de múscul os e ossos com a dupla função de sustentar e proteger a medula espinhal. Desde que nossos ancestrais as sumiram a posição ereta. não tenha sofrido de dor nas costas . porque sua principal função é atuar como uma âncora para as costelas. que tem a função de absorver os choques. permitindo todos os movimentos da cabeça. vitais para a observação do mundo e proteção do rosto. por três membranas protetoras. têm a função de su stentar a . Rara é a pessoa que. Na verdade. a solução é comprar uma cadeira de rodas. não e xiste propriamente uma coluna. Parece que costas nuas caem melhor em mulheres mais cheias e roliças. as mais pesadas e espessas. As cinco vértebras lombares. e terceiro. mas a que mais trabalha. A medula. em alguma fase da vida. Se alguma coisa grave lhe acontecer. q ue tem cerca de 46 cm de comprimento e pouco mais de 1 cm de diâmetro. Se alguma mulher se desse o trabalho de observa r suas sofridas costas. As doze vértebr as torácicas são muito menos móveis. As cervicais são sete e têm uma surpreendente mobilidade.musculoso das modernas bailarinas não é o mais adequado à exibição total das costas. os músculos das costas foram obrigados a trabalhar o tempo to do. as costas corr em o risco de parecer demasiado rígidas e "fibrosas". po r uma cobertura dura e resistente que chamamos coluna vertebral. segundo . pelo líquido cérebro-espinhal. São cinco os tipos de vérte bras. elas não passam de algo q ue está longe da vista e da mente. só quando sente dor a mulher pára para pensar em suas costas como uma parte de sua anatomia. certamente precisa de proteção. A maior parte do tempo. mas 33 vértebras alinhadas. Na maioria dos casos. as costas são a parte d o corpo menos conhecida. Passando à biologia.

que os primeiros anatomista s julgavam semelhante ao bico de um cuco. É nessa região que as piores dores costumam se instala r. que significa "cu co". Os músculos das costas se . Podemos nos perguntar que ligação pode haver entre nossa cauda remanescente e u m pássaro como o cuco. Algumas partes do nosso corpo adquirir am seu nome de maneiras bastante excêntricas. situado na part e superior das costas. A denominação desse pequeno osso pontudo é ainda mais estranha d o que a do sacro. Elas também se fundem para formar o cóccix — tudo o que restou d a cauda dos primatas. porém. Acr edita-se que o sacro contenha o espírito imortal. existe algo estranhamente perverso em idealizar a "alma" no ponto mais baixo da s costas. ao qual é atribuído um papel especial nos rituais divinatórios. as mulheres sentem dor nas costas por uma principal razão: falta de exercício em decorrência de uma vida urbana sedentária. e os glúteos. O sistema muscular das costas é extrem amente complexo. na parte central. Para a maioria das pessoas. mas consiste em três principais grupos: o trapézio. Talvez a escolha se explique pelo fato de ser o osso sacro beijado cer imoniosamente nos conciliábulos das bruxas. São cinco vértebras que atua m como uma só. porque a palavra "cóccix" vem do latim coccyx. A resposta está na forma do osso. As vértebras sacrais se unem para formar o osso sacro. As dores nas costas são geralmente causadas pelo desgaste desses músculos . Pode parecer estranho que esse osso triangular na base da coluna se ja chamado de "sagrado".maior parte do peso do corpo. na parte inferior. Excetuado algum problema médico específico. mas em círculos ocultistas ele é considerado o osso mais im portante do corpo. As vértebras coccígeas são os últimos e os men ores ossos da coluna. os músculos dorsais.

mas fisicamente impõem um esforço descomunal aos músculos das costas. onde todo lar dispõe de móveis macios. como um bebê que busca a segurança do corpo da mãe.enfraquecem por falta de uso ou são prejudicados por uma postura errada. Esses móveis aconchegantes criam uma sensação de segurança e calma. o que pode aumentar a angústia . Se para uma mulher que tem atividade física essa manobra repres enta pouco risco. no s quais o corpo é obrigado a manter uma determinada posição durante horas. mas indivíduos muito gordos. cada vez mais numerosas no mundo oci dental. A má postura decorre de certos hábitos de trabalho. costumam se surpreender quando começam a sentir os mesmos sintomas.. por algum esforço repentino e por tensões.. Durante as muitas horas que passamos vendo televisão. que lutam para manter a coluna — liter almente — em boa forma. e assim por diante. Pegar objetos pesados curvando o corpo para a fren te e usando as costas como um guindaste é outro mau costume que quase sempre sobre carrega as costas. para a mulher que leva uma vida sedentária o perigo é maior. as costas começam a doer. conversando ou lendo. E quase inevitável que mulheres grávi das sofram dores nas costas devido ao peso do bebê. A ten são mental é outra maneira de submeter as costas a uma sobrecarga. A coisa piora muito quando a criatura que se esparrama ou se enrosca na superfície macia está acima do peso. o corpo sedentário se enfia na poltrona ou na cama macia em busca de conforto. que carregam quase o mesmo peso na mesma região. Em pouco tempo. até que seja necessário buscar ajuda médica. Ela também po de ser adquirida durante as horas de lazer. Esse processo qua se sempre passa . As tensões corporai s causadas por angústia ou ansiedade podem provocar uma duradoura tensão dos músculos das costas.

tocar a testa no chão e prostrar-se. Essa crença ainda sobrevive em algumas regiões mediterrâneas. o que em algumas mulheres idosas se torna u ma postura crônica e permanente ao caminhar. Outras interpretações da medula espinhal a vêem como uma estrada. po demos curvar. esticar. Por essa razão. exceto como guardiãs da medula. é parte essencial de uma série de ações coord enadas como curvar-se. e pode ser desencadeado por problemas emocionais que preocupam tan to o cérebro que a pessoa só percebi os efeitos quando é tarde demais. o movimento tinha que ser bastante acentuado pa ra expor inteiramente as costas ao superior. Os macedônios acreditavam . Essa era. Na Idade Média. No mundo do simbolismo. O elemento c omum de todas essas ações é o rebaixamento do corpo para simbolizar a baixa condição de qu em o executa. a . As costas não são uma das partes mais expressivas do corpo feminino. a "essência" da medula era considerada muito benéfica. e o aumento de atividade sexual tem sido sugerido como tratamento. onde se podem comprar pequenos talismãs de plástico representando um corcunda sorridente. pensava-se que dava sorte tocar a corco va de um corcunda. as costas desempenha m um papel menor. Curvar as costas para a frente. sua coluna vertebral se transformava numa serpente. e acreditav a-se que qualquer pessoa que tivesse uma parte a mais da coluna vertebral tinha sido agraciada pela sorte. Alega-se que ou tra causa para a dor nas costas é a frustração sexual. uma escada ou um ba stão. de fato. A própria medula era vista como um a réplica da árvore cósmica que alcança o paraíso que é o cérebro. Entretanto. ajoelhar. Em tempos remotos. dobrar ou ondular as costas de acordo com as mudanças de hu mor.despercebido. quando um cadáver apodrecia.

Esse procedimento formal ainda sob revive e pode ser observado numa sala apinhada. esticá-las é um gesto ameaçador. porque indica que o corpo está se preparando para um ato violento. especialmente em membros da realeza e líderes político s em ocasiões formais de inspeção. É uma postura c omum em pessoas de alta condição. Aprumar as costas também tem o efeito de aumentar ligei ramente a altura do corpo. os subordinados tinham que se afastar da presença do Grande Senho r caminhando de costas para fora do salão real.única situação em que o inferior podia mostrar as costas sem ofender o superior. uma mudança que ajuda a demonstrar poder. Deixá-las cair passa uma mensagem de impotência. Existem várias posturas com as quais uma pes soa entra cm contato com suas costas. Os militares são treinados para ma ntê-las eretas mesmo quando estão relaxados. porque a altura diminui ligeiramente — quase como uma incipiente curvatura de subordinação. E dar as costas a alguém a quem acabamos de ser ap resentados continua sendo um insulto. A mais simples é aquela em que a pessoa fica de pé ou caminha com os braços atrás delas. Os professores usam o mesmo gesto quand o caminham pela . Se voltar as costas a alguém é uma grosseria p or ignorar deliberadamente o outro. porque opõe-se à postu ra de braços cruzados. e é por isso que eles parecem mais agress ivos que os cidadãos comuns. A postura com as mãos atrás das costas diz que a pessoa está tão confiant e que não precisa de nenhuma proteção frontal. Dar a s costas a alguém na posição ereta era uma grosseria imperdoável. Demonstra extrema superioridade. com as mãos presas uma à outra. quando alguém gira a cabeça e diz a um amigo: "Desculpe as costas". porque significava rej eição. Por essa razão. na qual estes se unem diante do corpo como uma espécie de bar reira de proteção.

olhando na mesma direção. a criança adora o abraço da mãe. mas em momentos de menor envolvimento emocional adota uma versão em m iniatura — o tapa nas costas —. que lembra o corpo do gesto maior. A motivação desse ge sto é sempre a mesma. Outra maneira de contato nessa região é o proverbial "tapinha nas costas". Devido à sua grande extensão. em vez de tocar o braço ou o cotovelo. despro porcional à simplicidade e brevidade do contato físico. demonstrando sua superioridade naquele território. . e que q uer dizer: "Estou aqui se você precisar". Outra forma comum de contato é o gesto em que uma pessoa pressiona a mão nas cos tas de outra para guiá-la. a pessoa pode se entregar num abraço apaixonado. exis te uma tatuagem que mostra uma cena de caçada. e a pressão carinhosa das mãos em suas costas se torna um sinal de cuidado e amizade. o abraço. Outros gestos que envolvem as costas são gestos secretos e ocultos. Ou o leve conta to da mão nas costas quando duas pessoas estão juntas. cumprimentar e demonstrar amizade. porque ecoa uma sensação de infânc ia. como quando uma menina esconde a mão atrás das costas para cruzar os dedos quando diz uma mentira. Magníficas demonstrações da arte da tatuagem podem ser vistas nas costas de mulheres corajosas em todo o mundo.sala de aula. Mesmo um tapinha breve e suave nas costas de alguém que está sofrendo traz um enorme conforto. porque os corpos ficam mais próximos enquanto caminham. Quando pequena. Entre os motivos. Quando adulta. Trata-se de uma maneira q uase universal de confortar. as costas são um a parte do corpo muito tatuada. no sentido de que é uma versão reduzida do mais fundamental cont ato interpessoal. É um gesto um pouco mais íntimo. que lhe tra nsmite total segurança e amor.

e a c auda da raposa prestes a desaparecer entre as nádegas. .com cavalos e cães perseguindo uma raposa por todo o comprimento das costas.

Pêlos púbicos Durante toda a infância. porém. e agora. o crescimento dos pêlos já esta prat icamente completo. os da cabeça. perto dos 14. inclusive o nascimento dos pêlos nos genitais externos. muitas mudanças sã notadas. Muitas meninas não gostam dessa mudança. Descobriu-se que. a época exata em que os pêlos púbicos atingem a maior . Talvez elas nunca tenham visto pêlos púbicos. está "sujo" e "peludo". naturalmente. A constatação surgiu inesperadamente duran te uma pesquisa sobre os animais mais amados e odiados. as coisas se tornam mais complexas. o ódio às aranhas aumentava muito entre as meninas. de repente. Ter pêlos na região genital as assusta. Depois. que costumam ser escondid os por pais recatados e pela censura do cinema. Na média. e eles adquirem o padrão adulto. Na infância. por volta dos 8 anos. Com a chegada da puberdade. Por volta dos 14 anos.19. mas não e ntre os meninos. mas continuam pe rturbando um grande número de adolescentes. entre 12 e 13 an os nascem os primeiros pêlos. as meninas não têm pêlos no corpo. porque os julgam "animalescos" ou "ma sculinos". Quando os ovários começam a aumentar de tamanho e se inicia a produção de hormônios. Essas dúvidas podem parecer exageradas para alguém que tenha sido criado numa família liberal. isso ocorre entre 11 e 12 anos. Outra coisa que pode deixá-las ins eguras é o fato de só terem visto pêlos no corpo dos homens. ou com atraso. Aos 15 anos. seu corpo era liso e limpo. Geralmente. embora haja exceções em que os pêlos surgem precocemente. a quantidade de pêlos aumenta e começa a surgir a forma triangular. exceto. entre crianças pré-púberes inglesas. entre 13 e 14.

os pêlos púbicos variam muito: são curtos ou longos. quando uma aranha atravessa seu caminho. lisos e macios ou espessos e crespos. era mais provável que tivessem respondido que elas "eram v enenosas". Assim.. Muitas mulheres de cabelos escuros têm pêlos púbicos mais claros. Se lhes perguntassem por que não gostavam das aranhas. mesmo quando os cabelos são lisos. espessos mas bastante esparsos [. mas quando as meninas em questão foram solicitadas a explicar por que odiavam tanto as aranhas. Em cor e te xtura. os pêlos púbicos nem sempre acompanham os cabelos.velocidade de crescimento. esparsos ou densos. é o movimento das longas pernas que se irradiam de seu corpo mole. . onde os cabelos pretos e lisos coexiste m com pêlos púbicos "pretos. em geral com uma tonalidade avermelhada. existe outra que está perturbada co m esse fato. O fato de esse medo dobrar na fase em que as meninas constatam que um "tufo pelud o" está crescendo entre suas pernas é significativo. Em diferentes partes do mundo. se preocupam muito menos com isso. o ódio às aranhas aumenta drasticamente e se torna duas v ezes mais forte nas meninas que nos meninos. curtos e lisos. A mai oria das mulheres tem pêlos púbicos crespos. A aversão pelas aranhas peludas é mais simbólica do que real. quase sempre respondiam que elas era m "umas coisas sujas e peludas". Os meninos. O que uma men ina de 14 anos vê. que já esperam adquirir pêlos no corpo como seus pais. À primeira vista.] fo rmando um triângulo invertido". e com isso a aranha é inconscientemente definida como "um tufo peludo e móvel".. São essas pernas que são vistas como "pêlos ". isso parecia não ter nenhuma ligação com os pêlos púbicos. para cada menina que se sente orgulhosa dos pêlos que começam a despontar. A prin cipal exceção é encontrada no Extremo Oriente.

quando a pele f icava exposta ao ar. porém.) A segunda fu nção dos pêlos púbicos é atrair pelo odor.As primeiras perguntas que a menina púbere costuma fazer sobre seus pêlos púbicos é: "Po r que tenho isso? Para que isso serve?". e parece haver . as fragrâncias naturais permaneciam frescas. Hoje. (Essa inibição tão natural e que está ausente nos pedófilos. pro tegendo o mons pubis da mulher da abrasão. enquanto sua a usência a inibia. Numa época primitiva em que os humanos andavam nus. eles devem ter funcionado como um sinal de que a menina havia se tornado um a mulher adulta. O resultado é um odor corporal desagradável. Uma terceira função dos pêlos púbicos é que eles atuam como um amortecedo r no contato da pele do homem e da mulher durante o vigoroso contato sexual. Para o macho pré-histórico. cuja fragrância persiste mais tempo nos pêlos densos e crespos que na pele nua e macia. se quiserem que seu odor natural não perca o poder de atração. que andavam nus. Essa função protetora é muitas vezes menciona da. Antes de mais nad a. os humanos mode rnos. os pêlos púbicos são um sinal visual. Seu pleno aparecimento aos 15 anos coincide com o início da ovulação e da capacidade biológica de procriar. com r oupas apertadas cobrindo o púbis. É por is so que. precisam se banhar com mais freqüência que os primitivos. No período pré-histórico. Existem três respostas. A presença de pêlos púbicos ajudava a desencadear a reação sexual do macho. M as esse sinal primitivo tem uma desvantagem. a ausência de pêlos púbic os nas meninas era um aviso de que elas ainda eram jovens demais para procriar. que andam vestidos. existe maior probabilidade de as secreções glandular es sofrerem o ataque de bactérias. As glândulas da região genital secretam feromônios aroma natural que os machos inconscientemente acham sexualmente atraente —.

que remov e os pêlos púbicos. Como muitas outras partes do corpo humano. Talvez a observação mais estranha sobre a utilidade dos pêlos púbicos tenha sido registrada por um antropólogo alemão que visitou uma tribo que viv ia no arquipélago de Bismarck. foram propostas n o passado. cortá-los. Além dessas três funções. Entre elas inclui-se a idéia de que os pêlos púbicos funcionam como uma "re catada dissimulação" dos genitais. Sem os pêlos. onde "as mulheres limpavam as mãos nos pêlos púbicos sempre que elas estavam sujas ou molhadas. Em todos os tempos. da mesma forma que nós usamo s toalhas". sempre houve muito interesse em t ingi-los. e também muita oposição a essas intervenções. Os pudicos acham que modificar essa parte do corpo indica uma obsessão doentia pel a anatomia sexual. Cortá-los ou tingilos revela a intenção de expor uma parte do corpo que devia permanecer estritamente privada. os pêlos púbicos não têm permanec ido no seu estado natural. Além do mais. o sexo da mulh er fica excessivamente exposto. . re os que são a favor de deixar os pêlos púbicos em seu estado natural não há só puritanos. seja lá o que isso signifique. vêem na depilação dos pêlos púbico s a remoção de algo que ajuda a esconder a fenda genital.um elemento de verdade nisso. que absorvem o suor que escorre pela frente do corpo. Também já se disse que eles protegem os genitais do frio e de a cidentes. mas a mulher adulta dos tempos modernos. e que "facilitam a acumulação e a troca de eletricidade entre dois pólos opostos durante a cópula". há quem os considere um véu erótico que "inflama a imaginação". várias outras. no Pacífico sul. muito improváveis. Por outro lado. não parece sentir falta disso quando o corpo está em contato com a p elve do homem. decorá-los ou removê-los.

eles também pr ometem ao homem a retenção das flagrâncias eróticas das glândulas femininas. Existe um caso famoso de um professor de arte vitoriano muito ingênuo e mui to romântico que teria sofrido terrivelmente por causa dessa aparência artificial da s estátuas clássicas. essa visão fez com que mui tas estátuas femininas exibissem um púbis sem pêlos. No ano seguinte. por acharem que com isso a mulher estaria se vendendo ao homem. Por outro lado. e que sua remoção é portanto uma medida de higiene. e ela f icou surpresa ao descobrir que ele não conseguia fazer sexo com ela. Também levou as modelos dos artista s a raspar os pêlos púbicos supostamente para revelar os detalhes dos contornos pélvic os.As primeiras feministas rejeitavam toda modificação nos pêlos púbicos. não é nada erótico. Mas também há os que acham que "não ter nada entre as pernas". assim como conden avam qualquer forma de maquiagem ou de melhoramento cosmético. Depois de ano s de evasivas. mas na verdade para conseguir uma semelhança com a aparência limpa das estátuas clás sicas. No passado. os hedonistas acham os pêlos púbicos naturais altamente eróticos. Em sua função de atrair pelo odor. A depilação dos os púbicos provoca duas reações completamente contraditórias. conhecia as formas íntimas da mulher e aprec iava-as esteticamente. ele finalmente admitiu que achava seus pêlos púbicos repulsivos. mas nunca vira pêlos púbicos em nenhuma delas e . Em apoio aos puritanos. eles se casaram. porque oferecem ao homem um sinal visua l da prontidão da mulher para copular. John Ruskin tinha 28 anos e não sabia quase nada sobre sexo quan do começou a cortejar sua futura esposa. há o argumento de que os pêlos púbicos são potencialmente sujos e malcheirosos. como uma boneca. Apai xonado admirador da escultura clássica.

Nas estátuas clássicas. o que obrigou a esposa a pedir sua anulação. através de um exame médico. o mesmo acontece com a vulva depilada. Os homens que r eagem favoravelmente a um púbis depilado costumam dizer coisas como: "É uma suavidad e de bebê". porém.aparentemente nem sabia que eles existiam. nos quadros. (As estátuas clássicas masculinas mostram pêlos púbicos crespos. Os críticos contestam afirmando que isso "é um passo em direção à pornografia infantil". A segunda razão para a preferência pela vulva depilada é que ela passa uma image m de virginal inocência. ou "É como se realizasse uma fantasia com uma estudante". esse detalhe era omitido em nome do bom gosto. Alguns homens puritanos revelam uma acentuada preferência por uma vulva higienicamente depilada. Assim como um púbis peludo atrai puros e impuros. esse detalhe íntimo é totalmente exposto e transmite ao homem que o vê uma imagem ainda mais forte do que o tufo de pêlos. os artistas geralmente disfarçavam a fenda de suas modelos fazendo-as assumir poses que a escondiam.) Seu horror ao descobrir que sua amada t inha um tufo de pêlos entre as pernas foi tal que ele nunca foi capaz de consumar o casamento. ou ""Tem um ar de Lolita". Na vida real. mas não levam em consideração o fato de que muitos homens que se sentem ex citados pela visão de um púbis depilado têm consciência de que o resto do corpo de sua p arceira é de uma mulher adulta. O a pelo sexual da depilação dos pêlos púbicos tem três fontes. mas o que surpreende é que muitos libertinos tenham a mesma preferência. O fato de gostarem de um aspecto "virginal" não . É a imagem corporal de uma menina jovem demais para fazer s exo. e portanto simbolicamente jovem demais para ter feito sexo. que continuava virgem. mas as femininas não. apesar do constrangimento de ter que provar. A primeira é que ela põe a nu a f nda genital.

uma mulher observou que "qualquer mulher que ache que o homem que aprecia uma vulva depilada está perto de ser um pedófilo corre o risco de ver o argumento voltar -se contra ela. puritanamente. . Há quem. puritanamente. Como ocorre com outros aspectos do corpo feminino. Mas também existem aqueles que. Outros apreciam a e xcitação de "ter um segredo sexual que só os dois parceiros conhecem". As mulheres egípcias detestavam ter pêlos no corpo. ela está lon e de ser um capricho transitório da moda. Vamos resumir a s atitudes contraditórias em relação aos pêlos púbicos. Voltando à história da remoção dos pêlos púbicos. Por outro lado . Mas também existem os que. Faziam isso com uma cera feita de mel e óleo. ache que dei xar os pêlos púbicos naturais é sinal de recato. e os removiam sem de ixar o menor traço. licenciosamente. O prazer do sexo oral aumenta muito para amb os os parceiros. licenci osamente. menos que todos os seus amantes tenham fartas barbas". os consideram eróticos e dotados de uma fragrância sensual. Há registros de que a depilação já existia no an tigo Egito. A região genital se t orna muito mais sensível à estimulação tátil. existem pontos de vista altamente conflitantes. Algumas mulheres alegam que uma simples caminhada fica mais eróti ca: "O simples ato de caminhar é divertido porque você desliza". considere a remoção dos pêlos púbicos uma medida de higiene. a depilação dos pêlos púbicos apresenta outras vantagens. a. Se nin guém condena as mulheres que gostam que seus amantes tenham um rosto imberbe de me nino. Defendendo sua o pção. há quem. por que um púbis depilado tem que ser visto dessa maneira? Além de seu aspecto inocente. consideram a vulva depilada mais excitant e e sensível.significa que eles reagiriam sexualmente a uma menina pre-púbere.

as jovens começavam a se depilar assim que os pêlos púbicos nasciam. A moda floresceu por um tempo. Como as gregas. A remoção dos pêlos púbicos também era comum na antiga Roma. substituíam a arriscada técnica de queimar os pêlos pe la aplicação de cremes depilatórios. Mais tarde. há registros de que os homens preferiam que suas mulheres "removesse m os pêlos de suas partes intimas". Isso se devia ao fato de que "o forte crescime nto dos pêlos das mulheres setentrionais impedia que suas partes íntimas fossem vist as. levaram o costume para a Europa. e pela terceira. sabe-se que as mulheres turcas se aplicavam tanto em depilar o púbis que salas especiais eram destinadas a esse propósito nos banhos públicos..C. para a mulher grega. Quando os cruzados chegaram à Terra Santa. que se fazia através d e três técnicas: pela primeira. mas as técnicas das mulheres romanas eram um pouco diferentes. onde algumas mulheres da aristocracia o adotaram durante a Idade Média. parece que ele lhe pediu que se depilasse antes de fazerem amor . Ao contrário das gregas. Pouco mais ta rde. Por isso. queimados com brasas.Conta-se que o rei Salomão não gostava de pêlos púbicos. entre eles uma espécie de cera preparada com piche ou resina. Quando a rainha de Sabá o visitou no século X a. porém. descobriram que as mulheres ára bes depilavam a região pubiana. mas logo desapareceu. Acreditava-se que e ra pecado permitir que os pêlos púbicos crescessem naturalmente. dizendo-lhe que o recebesse depois de remover o "véu da natureza". pela segund a. queimados com uma vela.. elas usavam uma pinça especial denominada volsel la. os pêlos eram extraídos um a um com uma pinça. .". Impressionados com o que viram lá. no século X VI.. a depilação era a regra. na Grécia. Na classe alta.

e certas figuras proeminent es se rebelaram contra costumes considerados muito pudicos ou tradicionais. o que fe z os pêlos púbicos aparecerem de cada lado da estreita faixa de tecido. A cava dos maiôs foi subindo cada vez mais (para fazer as pernas parecerem mais longas). uma tendência desafiadora que. Eis alguns deles: Linha do bi quíni: É a forma menos radical. e cada salão de beleza inventa ter mos para definir os diferente graus de nudez púbica. com uma grande variedade de estilos. O costume só ressurgiu muito mais tarde. Outras log o a seguiram.Na época vitoriana. exceto t alvez entre as "damas da noite". e a depilação dos pêlos púbicos mais uma vez caiu em desuso. no início d o século XXI. porém. Apenas os pêlos que escapam de cada lado são removidos. Isso pôs em ação uma redução cada vez mais drást ica dos pêlos púbicos. a depilação total se tornou a última moda. ela voltou com tudo. Todos os pêlos cobertos pelo biquíni são poupados. uma nova terminologia foi criada. Estilos cada vez mais radicais iam surgindo. o nascimento do movimento feminista assist iu a uma volta à natureza. Uma rebelde famosa foi a estilista Mary Quant. Em decorrência dessa mania. até que. Durante a década de 1970. com a li beração dos anos 1960. de repente. Então. nunca se ouviu falar de remoção dos pêlos púbicos. que chocou o mundo ao anunciar public amente que o marido tinha depilado seus pêlos púbicos na forma de um coração. . pa radoxalmente. No fim do século XX. A nova tendência começou por causa de uma mudança nas roupas de banho. significou um retorno ao estilo das antigas civilizações. Esses pêlos pa reciam feios e foram rapidamente removidos. tudo era possível. na Europa.

Bigode: Todos os pêlos são removidos. É um corte muito procurado no Dia dos Namorados. Pista de pouso: Uma estreita faixa vertical é deixada. Essa medida exata pode parecer estranha. Estilo brasileiro: É o mais famoso dos novos estilos. Os policiais locais foram obrigados a exec utar a árdua tarefa noturna de checar as faixas de pêlos e enviar para casa qualquer garota desobediente. Esse estilo é adotado pelas modelos qu e precisam usar biquínis e maiôs muito estreitos na região púbica. "exceto uma pequena quantidade no mei o". exceto um retângulo largo que cobre a fenda da vulva. Estilo Playboy: Todos os pêlos são removidos. Estil o europeu: Todos os pêlos púbicos são removidos. Uma faixa de apenas "um dedo" era co nsiderada obscena e proibida por lei. como uma sur presa erótica para o parceiro sexual. mas tem uma história legal. e todos os outros pêlos são removidos. No estado americano da Geórgia. deixando apenas um pequeno triângulo com o vértice para baixo. que pode ser tingido de vermelho. Coração: O tufo de pêlos é depilado na forma de coração. e a lei foi relaxada. Este estilo tem sido descrito como "uma flecha apontando o caminho do prazer". Triângulo: Todos os pêlos púbicos são removidos. Esse estilo é às vezes chamado de "bigode de Hitler" ou "bigode de Chaplin". Depois de algum tempo. exceto uma faixa retangular de 4 cm. as da nçarinas de strip-tease foram obrigadas a deixar uma faixa de pêlos de "dois dedos" de largura quando se exibissem nuas. isso se ria suficiente para cobrir a fenda genital. a novidade desse estranho dever can sou. m as existe alguma confusão sobre sua forma exata.Biquíni cheio: Apenas uma pequena quantidade de pêlos é deixada no monte de Vênus. Para . Segundo os legisladores de Atlanta.

Quando outros salões passar am a copiá-lo. para outros. "ra inha de diamantes".alguns. qu e nasce completamente pelado. Para obter ess as formas. nem sempre obedeciam ao mesmo grau de remoção. Esfinge: Esse é sem dúvida o estilo mais radical. sete irmãs brasileiras (conhecidas como as J. que retarda mais o crescimento de nov os pêlos. Estrelas de cinema e top models começaram a visitar o salão. Para outros ainda. Foi graças à fama conquistada pelas J. descrevendo o seu estilo como "tudo fora. . "estrelas e listras". qu e logo se tornou a meca da depilação. "alvo". Sisters que esse estilo passou a ser conhecido como "brasileiro". estrela e até mesmo as iniciais do parceiro. Outros prometem formas exóticas de p onto de exclamação. Mas as J. onde surgiram os menores biquínis. pinças. são usados cremes depilatórios. Além deles. onde abriram um salão de beleza e começaram a oferecer o serviço de depilação dos pêlos púb cos a suas clientes. no Rio de Janeiro. coroa. Si sters deixaram bem claro o que fazem. tinturas e eletrólis e. que deixa a região pubiana completamente nua. "botão de flor" etc. "chácháchá". navalhas. Alguns estilistas extravagantes oferecem variantes que levam nomes co mo "olhos de touro". A técnica mais usada hoje é a remoção com cera. A moda começou na praia de Copacabana. significa a depilação total dos pêlos. uma forma mais radical da "p ista de pouso". Alguns salões também dão a esse estilo o nome de "Hollyw ood". menos uma mínima faixa". ceras. O nome deriva de um filhote de gato do Canadá. Sisters) se mudaram para Nova York . Então . "surpresa de lua-de-mel". daí a confusão. há estilos especiais. ela é igual à da "pista de pouso". Esses são os estilos mais populares no início do século XXI.

Parece que. Registros comp rovam que as perucas pubianas eram muito populares desde o século XVII. mas secretamente se entregavam aos excessos ornamentais. A peruca recebe um corte e uma tintura para uma ocasião especial. elas têm sido usadas como "máscara de recato" por atrizes que precisam aparecer nuas em cenas de sexo. havia uma peruca de pêlos púbicos "adornados com fitas plissadas de diferentes cores". Alí. mas compensaram a restrição transferindo a ostentação para baixo da roupa.Um recurso totalmente oposto à depilação é o curioso hábito de perucas pubianas feitas de cabelo humano. Algumas perucas são decoradas com pedras. Já existiam há centenas de anos. Mais recentemente. quando o rei da França pediu às damas da corte que di minuíssem o esplendor de seu vestuário. Publicamente. As perucas também têm sido usadas como um adesivo temporário para quem quer mudar o estilo do corte dos pêlos púbicos. sua função era mascarar os danos provocados pela sífilis e outras doenças v enéreas que desfiguravam os genitais externos. A peruca é presa no lugar com a aju da de um tapa-sexo invisível ou colada sobre os pêlos verdadeiros. Mais tarde. elas obedeceram ao monarca. e depois é removida — uma solução mais conveniente para mulheres que não querem chegar ao extremo d e submeterse a um corte verdadeiro. foram usadas por prosti tutas para agradar a clientes que se sentiam atraídos por um púbis bastante peludo. fios de náilon ou pêlos de animais. e ainda hoje estão à venda. O fato vei o ao conhecimento público de uma maneira pouco comum. três tipos de decoração que são conhecidos há séculos. O cadáver de uma marquesa fran cesa foi abandonado na rua com os genitais deliberadamente expostos. As perucas pubian as tem uma longa história. flor es ou fitas coloridas. . no mundo do cinema. para que m quisesse ver. elas obedeciam ao desejo do rei. Or iginalmente.

prec isamos voltar a tempos primitivos. Agora eram expostos cada vez que um animal humano se voltava par a outro. flores e pedras preciosas. A tanga tinha três vantagens. Genitais De todas as partes do corpo feminino. Para resolver isso. qu ando caminhavam sobre quatro patas. Em terceiro lugar.competindo umas com as outras para criar os púbis mais glamorosos. Antes.) Por que isso acontece? Por que as pessoas se sentem tão constrangidas em fala r dessa parte tão importante da anatomia feminina? Para encontrar a resposta. os genitais deviam ser celebrados. Quando começaram a andar sobre as pernas trasei ras. o que gerou uma expres são popular pela qual a vulva era considerada o "cofre do tesouro" da mulher. 20. ou a penas seu "tesouro". Além de reduzir a força da exposição genital em situações públicas. ajudava a . Fonte de grand e prazer sexual. nossos primeiros ancestrais perceberam que não podiam deixar de exibir a part e frontal do corpo sempre que se aproximavam de outro membro da espécie. Isso significava que era impossível um adulto se aproximar de outro sem u ma conotação sexual. tanto machos quanto fêmeas resolveram cobrir a região genital: nascia a tanga. também intensificava a sexualidade nos momentos de privacidade. No entanto. As pedras preciosas usadas como adorno às vezes tornavam a região pubiana a mais valiosa do corpo feminino. raramente são menc ionados em sociedade (a brilhante peça Os monólogos da Vagina é uma única exceção a essa reg ra. quando ela era removida. os genitais ficavam totalmente escondidos e bem protegidos. está é verdadeiramente um tabu. enfeitados com fitas.

Comparado ao pênis de outros primatas. O motivo para a excitação que essa parte do corp o produz não está em seus atributos visuais. o máxim o da rebelião humana contra Deus". um pequeno botão de carne extremamente sensível situado bem acima do canal urinário. Hoje. a atenção que eles atraem é enorme. dos lábios. E é só. expor os geni tais em público é proibido por lei. O formato do pênis masculino é significativo nesse aspecto. Falta-lhe o os . O que ê exatamente isso que tanto queremos escond er? No caso da mulher adulta. seja dos dedos. os genitais femininos podem ser descritos como visualmente simples. a uretra. e par cialmente escondida por eles. o órgão humano é muito diferente. é sempre o equivalente mod erno da tanga a última peça a ser retirada. quase não há o que ver. para dizer o mínimo. mas em suas qualidades táteis. Nenhuma ou tra parte do corpo feminino é tão sensível ao toque. A menos que sejamos praticantes do nudis mo. qua ndo as pessoas se livram das roupas por causa do calor. só expomos nossos genitais a nossos parceiros sexuais. qu e flanqueiam a abertura vaginal. Na maioria dos países. Comparados com o equipamento ma sculino. No alto da fenda existe um pequeno capuz de car ne que cobre parcialmente o clitóris. Gerações de puritanos religiosos responderam aos ape los que vinham do púlpito: "O nudismo é tão desavergonhado quanto o próprio Demônio. e para ocultá-los as pessoas chegam a comet er extravagâncias. mais delicados. existe uma pequena fenda vertical criada pelos doi s grandes lábios — dobras de carne que protegem os pequenos lábios. Apenas quando se trata de crianças muito pequenas essa regra é relaxada. Por baixo dos pêlos púbicos. No entanto. da língua ou do pênis.proteger a delicada região genital dos desconfortos do ambiente natural.

O orifício da vagina.penis — o pequeno osso que dá aos macacos uma rápida ereção. O resultado é que. atingin do o dobro do seu tamanho normal e desenvolvendo uma sensibilidade cada vez maio r ao toque. Isso pode ser visto como um evidente e inevitáve l mecanismo de acasalamento. e o encontro. e a ejaculação ocorre. as maca cas não desfrutam do aumento progressivo da excitação sexual e do orgasmo explosivo da fêmea humana. O sistema humano depende da c ongestão do sangue nos vasos sangüíneos. mas difere acentuadamente do que ocorre com outros primatas. pressiona os lábios e as paredes vaginais. Depois de uma prolongada estimulação. os grandes e pequenos lábios se intumescem de sangue. é submetido a uma repetida e ritmada massagem do pênis. como aumenta seu comprimento e especialmente sua espessura. quando e le é inserido na vagina da mulher. por exemplo. Essa p ressão cria uma forte reação erótica na mulher. em média. depois de apenas seis movimentos pélvic os. Por isso. Isso não só torna o pênis ereto. A fêmea do macaco recebe algumas estocadas do pênis fino e ossudo do macho e num instante o coito termina. Quando ocorre a excitação sexual. cercado por camadas de pele extremament e sensíveis. Nos babuínos. o sangue entra no pênis muito mais rapidamente do que pode sair. O ato sexual mais demorado não leva mais do que 20 segundos. Isso significa que ambos os pa rceiros recebem uma grande recompensa pelo esforço sexual. a mulher experimenta um clímax orgásti co fisiologicamente muito semelhante ao do homem. um típico coito leva ape nas 8 segundos. O espesso pênis humano causa fortes sensações à medida que se move contra a s superfícies internas dos genitais femininos durante os prolongados movimentos pélv icos de nossa espécie. ao contrári o do que acontece com os . À medida que a exci tação da mulher aumenta. permitindo-lhe partilhar a excitação com o h omem à medida que a cópula prossegue.

T ambém conhecidos como lábia majora. Monte d e Vênus. Em conjunto.macacos. Quando elas se fecham. a menos que as pernas estejam totalmente abertas. quando o súbito aumento dos níveis de estrógeno provoca sua formação. os carnudos lábios externos normalmente cobrem os pequenos lábios internos. Entretanto . os genitais externos são conhecidos como vulva. Os seres humanos literalmente fazem amor. Grandes lábios. O fato de a fêmea humana (ao contrário da fêmea do macaco) não transmitir um sinal claro ao macho quand o está ovulando também significa que a maior parte dos atos sexuais não são de procriação. Também conhecido pelos nomes latinos de mons veneris ou mons pubis. porque é bem suprido de terminações nervosas. que funci ona como um amortecedor para o osso do púbis. Situa-se logo acima dos lábios. o monte de Vênus é uma pequena almofada de tecido gorduroso coberta de pêlos púbicos. Vale a pena analisar separadamente cada uma de suas partes. Ele é mais sensível à estimulação quando os pêlos púbicos foram removidos. criam . pode produzir fortes laços emocionais entre os parceiros. jovens modelos excessivamente magras não desenvolvem esse tecido gorduroso. Qualquer massagem acidental ou deliberada nessa região tem u m efeito erótico. e sua função é proteger o osso púbico do impacto do corpo do homem durante os momentos mais vi gorosos do ato sexual. e algumas mulheres alegam que isso é suficiente para levá-las ao org asmo. e po r isso seu púbis parece mais projetado para a frente que o normal. m as servem para estreitar ainda mais os laços emocionais entre os amantes. O monte de Vênus só aparece na p uberdade. o que pode e plicar em parte o sucesso da depilação da região pubiana. Ele também tem um papel na excitação sexual.

enquanto outros podem mostrar dobras. não muito confiável. adquirindo uma coloração avermelhada. nômades da África do Sul. ondulações ou g rânulos. de que uma mulher "foi capaz de desdobrar seus n ymphae e fazê-los encontrar-se atrás das nádegas". e existe um relato da década de 1860. Posicionados dentro dos grandes lábios.uma fenda vertical. O eq uivalente no homem é a bolsa escrotal. Pequenos lábios. Durante a penetração. esses pequenos lábios chatos (sem gord ura) são duas membranas cutâneo-mucosas altamente sensíveis. De qualquer modo. Um monte de pêlos cobre essa superfície. São conhecidos como labia minora ou nym phae. Algumas acumulam mais tecido gorduroso. o que faz os lábios mais a rredondados e proeminentes. De acordo com certos relatos. os pequen os lábios se intumescem de sangue. Nas mulheres do povo san.) Os pequenos lábios têm formas e tamanhos variad os: alguns são pequenos e lisos. os grandes lábios podem ficar mais vermelhos. que se mantêm úmidas graças ao muco vaginal. O tamanho dos grandes lábios varia de uma mul her para outra. Uma autoridade insiste que eles podem chegar a 20 cm. seu comprimento a normal tem provocado muitas dúvidas: serão eles uma característica racial ou resultado de um costume cultural de distendê-los artificialmente? . Durante a intensa excitação sexual. chegam a medir 11 cm e podem ser enfiados na vag ina. dotada de glândulas que s ecretam odor. às vezes um pouco mais escura. A pele é semelhante à do resto do corpo. com a prolongada estimulação do pênis ereto. os pequenos lábios são às vezes muito alongados e pendem entre as pernas ''como dois dedos de carne pendurados" . (A ausência des sa coloração é um sinal de falso orgasmo.

como é chamada essa cirurgia. lábios maiores são considerados feios por alguns escritores. Na idade adulta. quando os noivos exigiam noivas intocadas. sem muitas dobras ou fissuras e que não se projetam além dos grandes lábios". ela se expande e chega a 10-15 cm. que afirmam que "mulheres perfeitas sempre têm lábia minora simétricos. Antes e depois desse período. entre a pub erdade e a menopausa. a extremidade externa da vagina é protegi da por uma membrana que fecha parcialmente sua entrada. na primeira vez que o pênis é inserido na vagina o hímen se rompe e há um pequ eno sangramento. Conta-se que mulheres ex perientes conseguiam simular castidade na lua-de-mel inserindo na vagina uma esp onja embebida em sangue de pombo ou escondendo sob o travesseiro um pequeno . A presença desse hímen foi d e grande importância historicamente. e existem até cu rsos que ensinam essa técnica para aumentar o prazer sexual. Nessa condição. Ge ralmente. A vagina é um tubo de cerca de 8-10 cm de c omprimento quando a mulher não está excitada. Nas virgens. o tecido é liso. Algumas culturas tinham o costume de exibir a mancha de sangue no lençol do casamento como prova da virgindade da noiva. o revestimento da vagina é levemente rugoso. e há quem afirme que lábios maiores provocam dor no contato com a roupa. Os cirurgiões plásticos certam ente concordarão com essa opinião. Entretanto. suas paredes se tocam. Vagina. muitas cirurgias genitais são realizadas para reduz ir o tamanho dos pequenos lábios ou restaurar a simetria quando um lábio cresce mais que o outro. Com a excitação sexual. não há consen so sobre esse fato. Além disso. tem sido a mais procur ada entre as "cirurgia íntimas". A labioplastia.O estiramento dos lábios ressurgiu recentemente no mundo ocidental.

É por isso que alguém já disse que. muitos hímens se rompem antes da primeira penetração. e a primeira relação sexual entre um casal de jovens amantes se tornou um mo mento mais sério e significativo. é menos muscular e se expande com maior facilidade par a acomodar o pênis. Em termos evolucionários. para não fa lar do uso de tampões e diversos modos de masturbação. é cercada de tecido musc ular. que derramavam no lençol no momento oportuno. a existência do hím en é enigmática. a forte excitação aumenta as dimensões da vagina. em que muitas jovens se dedicam a esportes vigorosos. Em conseqüência disso. mais próxima da abertura. Esse tecido controla o tamanho da abertura vaginal. mas espiritual". que é menor em mulheres jovens. N o tempos atuais. Como uma vagina estreita atrai o homem. Para a formação de um par da espécie isso tem algum se ntido. Deflorar uma jovem tornou-se um limite que todo menino tem que ultra passar. A região superior da vagina. Em mulheres mais velhas. esses músculos se enfraquece m e a tensão muscular diminui. na sociedade atual. que já tiveram filhos. que val pode ter isso para a sobrevivência da espécie? Só parece haver uma única explicação possível: trata-se de um passo evolutivo destinado a colocar um leve freio ao contato sexu al precoce. sua porção interna. "a virgindade não é mais um atributo físico. Durante o ato sexual.frasco com sangue de algum animal. permitindo que o pênis alcance sua . só 50% das mulheres modernas sangram no primei ro intercurso. Na extremidade superior da vagina fica a cérvix uterina. A região inferior da vagina. Se sua função é tornar a primeira relação sexual difícil e dolorosa. também ch amada de colo do útero. uma nova ci rurgia plástica está sendo realizada para recuperar a tensão muscular.

Trata-se de um feixe de 8 mil fibras nervosas. na parte interna. Passando por ela. os órgãos genitais também contêm qua tro pontos extremamente excitáveis. Além da passagem vaginal e dos lábios que a cercam. os espermatozóides iniciam sua grande jornada através do útero em direção às trompas de Falóp o. o qu e o torna o ponto mais sensível do corpo feminino. um cirurgião australiano descobriu que o clitóris na verd ade é maior do que se julgava. o clitóris cresce (torna-se mais longo. Um deles vai se unir ao óvulo para iniciar uma nova vida. Embora o ovário contenha literalmente milhares de óvulos. um óvulo amad urece e se torna fértil em sua passagem pelas trompas de Falópio. digital ou mecânic a do clitóris. no ponto onde os pequenos lábios juntam suas extremid ades superiores. É o mais conhecido dos pontos eróticos. sendo que a mai or parte fica sob a superfície. mais grosso e mais erétil) e torna-se ainda mais sensível durante a cópula. os outros dois. Os dois primeiros situam-se fora da vagina. a mulher não libe ra mais de quatrocentos durante sua vida reprodutiva. A parte visível é simplesmente a ponta. cuja e stimulação durante a relação sexual cria condições para o orgasmo. o ponto G e o ponto A. São eles: o clitóris. Dotado de uma função apenas sexual. parcialmente co berto por um capuz protetor. Durante as preliminares. . Clitóris. geralmente ele é estimulado manualmente. o que leva vários di as. Sua parte visível é um botão do tamanho de um mamilo.extremidade. e muitas mulheres que têm dificuldade para chegar ao orgasmo pela est imulação vaginal atingem mais facilmente o clímax com o estimulação oral. descendo ao redor do orifício vaginal. São pequenas regiões de alta sensibilidade. Recentemente. Localiza-se na parte superior da vulva. Uma vez por mês. onde encontrarão um óvulo descendo. o po U. onde o esperma pode ser ejaculado através da cérvix.

que descobriram que. durante a penetração.Isso significa que. Trata-se de uma pequena porção de tecido erétil e sensível localizado de cada lado do orifício da uretra. sempre haveria alguma estimulação clitoridiana. com uma rotação ritmada da pelve. mesmo quando a ponta não é estimulada diretamente. Entretanto. Portanto. se essa região for suavemente acariciada com o dedo. haverá uma forte e inesperada reação erótica. Ponto U. As mulheres que experimentam essa ejaculação (cuja quantidad e varia de algumas gotas a algumas colheres de sopa) pensam que o forte exercício muscular as levou a urinar involuntariamente. Ao redor da uretra. No homem. Ele não está presente abaixo da uretra. como essa parte oculta não tem a mesma sensibilidade. mas não é verdade. Menos conhecido que o clitóris. podem friccionar diretamente o clitóris durante os movimentos de penetração do pênis. acredita-se que ela libere apenas urina. seme lhantes à próstata no homem. é importante mencionar a "ejaculação feminina". a uretr a libera a urina e o líquido seminal que contém esperma. Quando ocorre um orgasmo extraordinariam ente forte. Entretanto. Por falar . a parte oculta é vigorosamente massageada co m os movimentos do pênis. Ainda sobre o tem da uretra feminina. esse ponto só recentemente foi investigado por pesquisadores clínicos ameri canos. Algumas mulheres afirmam que. algumas mulheres podem expelir pela uretra um líquido que não é urina. a estimulação direta da ponta do clitóris será sempre impor tante para a excitação da mulher. isso exige um papel mais dominante da mulher. que nem sempre é aceito pelo homem. que sob forte excitação produzem um líquido alcalino quimicam ente semelhante ao sêmen. chamadas glândulas de Skene. entre ela e a vagina. o que lhes permite uma maior excitação. a língua ou a cabeça do pênis. existem glândulas especializadas. mas isso só ocorre porque elas não con hecem a própria fisiologia. Na mulher.

Ele explica que esse efeito se perdeu quando a "posição missionária". s e tornou predominante no comportamento sexual humano. localizada de 8 a 11 cm dentro da vagina. esse tecido co meça a inchar. portanto. ele o chamou de "zona erógena". Com o mencionamos. que rapidamente se cob rem de um muco quando a excitação começa. que se situa acima da vagina. o uso do termo "ponto G" se tornou popular e gerou alguns mal-ente ndidos. Na zona do ponto G. Ponto G ou ponto Grafenberg. Recebeu o nome de seu descobridor. A lubrificação vagin al. é realizada pelas próprias paredes da vagina. Quando a mulher se excita. tal sua ignorância sob re a atividade genital feminina. Pesquisas sobre a natureza do orgasmo feminino realizadas na década de 1 940 descobriram que a uretra da mulher. provocar o orgasmo . (Recentemente. Infelizmente. um homem pediu o divórcio porque acreditava que a mulher urinava nele.nisso. também chamada de "papai-e-mamãe". Trata-se de uma pequena área altamente sensível. talvez mais importante que o clitóris". é cercada po r um tecido erétil semelhante ao do pênis. que é uma descrição muito mais adequada. o ginecologista alemão Ernst Gr afenberg. essa expansão resulta numa pequena protuberância da parede vaginal para dentro do canal vaginal. Outras posições sexuais são muit o mais eficientes para estimular essa zona erógena e. na sua p arede anterior. na verdade. Convém destacar que o termo "ponto G" nunca foi usado pelo próprio Grafenberg. já que ela ocorre um pouco tarde demais para ter função lubrificante. alguns médicos também julgam que a mulher está sofrendo de "incontinência urinária causada por estresse" e indicam um cirurgia para curá-la. Segundo Grafenberg. Algumas mulheres passaram a acreditar que existe um "botão do . essa zona prot uberante "é uma zona erógena.) Não se sabe ao certo a razão de ser dessa ejaculação.

. Não se sabe como elas reagiram à recente comercialização de vibradores capazes de atingir o ponto G. que se to rna levemente protuberante quando as glândulas que circundam a uretra se incham. Mais tarde. é o equivalente feminino da próstata. A idéia é que isso irá aumentar sua sensibilidade e proporcionar melhores orgasmos". . mas no que se refere à busca do prazer sexual. d escrita tecnicamente como "a próstata degenerada da mulher". o orgasmo clitoridiano era o único polit icamente correto. Parece mais um mito que uma realidade cirúrgica. A questão também entrou no debate político. diante de uma convincente argumentação. Esta é uma zona de tecido sensível situada na extremidade do tubo vaginal. Substâncias semelhantes às que são injetadas nos láb os para aumentar seu volume podem agora ser injetadas no ponto G. é que o ponto G é uma zona sexualmente sensível da parede vaginal. Ponto A. eles mudaram de opinião. na da é impossível. elas chegaram à conclusão de que não existe ponto G. quando campanhas contra o machismo rejeitaram de cara a possibilidade de um orgasmo vaginal. D ecepcionadas.) A estimulação direta desse ponto pode produzir fortes contrações orgásticas.sexo" que pode ser apertado a qualquer momento para causar uma explosão orgásmica. A verdade. (Em outras palavras. provocando forte controvérsia. Eis um relato: "Um dos mais modern os procedimentos é a injeção no ponto G. Ao cont rário do clitóris. O que é assustador é que algumas mulheres têm se submet ido a injeções de colágeno para aumentar o ponto G. zona BFA ou Zona Erógena do Fórnix Anterior. como já ex plicamos. porém. Para essas mulheres. ele não parece sofrer de supersensibilidade depois do orgasmo. assim como o clitóris é o equivalente feminino do pênis. Vár ios destacados ginecologistas negaram sua existência quando o assunto começou a ser discutido em congressos. entre a cérvix e a bexiga.

A maioria delas descobre que só a estimulação digital ou oral do clitóris pode conduzir ao clímax. na década de 1990. por um médico malaio em K uala Lumpur. a mulher poderá alcançar muitos orgasmos numa só noite. as mudanças pelas quais os genitais femininos passam durante a excitação sexual podem ser resumidas d a seguinte maneira: . A parte frontal desse recesso é chamada fórnix anterior. para tocar essa zona. que isso exige um parceiro extremamente sensível e experiente. Houve certa confusão sobre seu posicionamento. no ponto mais alto da vagi na. criando um recesso circular ao seu redor. estreito e curvo na parte superior. A cérvix é o estreitamento do útero que se projeta ligeiramente para dentro da vag ina. Estudiosos da fisiologia sexual feminina a legam (talvez com excessivo entusiasmo) que. Acrescentam. se os quatro pontos erógenos forem es timulados um depois do outro. que tem sido incorreta mente descrito. Sua verdadeira localização é acima da cérvix. porém. O resultado foi que três quartas partes da mulheres foram capazes de alcançar um orgasmo vaginal. Uma pesquisa realizada com 27 casais solicitou que eles va riassem as posições durante a relação sexual. Finalmente. para elas. A razão disso parece ser a monoto nia das posições sexuais. os dois pontos erógeno s localizados dentro da vagina não fazem jus à fama. que é o fórnix. Isso deve significar que.Sua existência foi relatada recentemente. mesmo em mulheres que normalmente não são sexualmente receptivas. A pressão sobre esse ponto produz uma rápida lubrifi cação da vagina. adotando posturas que permitissem maior es timulação dos dois pontos erógenos vaginais. Hoje é possível adquirir um vibrador especial para a zona EFA — longo. T em sido dito que duas em cada três mulheres não conseguem atingir o orgasmo com a si mples penetração.

As pared es do terço inferior da vagina intumescem em decorrência da congestão dos vasos sangüíneos .Fase 1: início da excitação sexual No primeiro minuto. Os p equenos lábios estão no mínimo duas vezes mais espessos. Os dois terços superiores da vagina agora estão totalmente expandidos. A cérvix e o útero são empurrad os para cima. Os grandes lábios se separam a ponto de deixar a vagina mais visível. O clitóris começa a aumentar de tamanho. O clitóris está plenamente ereto. Fase 3: clímax or gástico . passando de rosados a vermelhos. O tamanho da entrada da vagina diminuí 30% devido ao intumescimento das paredes vaginais. a lubrificação vaginal começa. Os doi s terços superiores do tubo vaginal começam a se expandir. Os grandes lábios começam a se separar. Os pequenos lábios mudam de cor . Fase 2: aceitação plena A lubrificação ce ssa. Os pequenos lábios começam a se in tumescer.

porém. O mais provável. é que homens e mulh eres tenham o mesmo potencial orgástico.O terço exterior da musculares ritmadas. Pode ocorrer a ejaculação de um líquido (que não é urina).5% raramente conseguem. os lábios. 60% das mulheres terem mencionado qu e também alcançam o orgasmo através da masturbação indica que a incapacidade não está no impu so sexual. mais fortes. o clitóris. com base num escudo de 20 mil orgasmos. O número de cont rações por orgasmo varia de três a quinze. Uma mulher pode atingir o orgasmo em 5 minutos. Depois do orgasmo. vagina apresenta contrações As primeiras contrações. Números como esses foram usados no passado para tentar provar que as mulheres são bi ologicamente menos orgásticas que os homens. As contrações musculares ocorrem cm toda a região pélvica (e além dela). enquanto outras têm um primeiro clímax tão intenso que não sent m necessidade de repeti-lo por algum tempo. e que. De acordo com uma pesquisa realizada em 2003 na Inglaterra. ocorrem a cada 8/10 de segundo. devido a pressões culturais c tradições puritanas. mas na técnica sexual dos parceiros. 50% geralmente conseguem. 12. . 25% das mulheres sempre atingem o orgasmo quando fazem s exo. mas o tempo médio. e 5% nunca conseguem. é de cerca de 20 minutos. a va gina e o útero voltam ao normal. os homens tenham se tornado ineptos pura excitar totalmente suas parc eiras. Algumas mulheres conseguem desfrutar de orgasmos múltiplos em rápida sucessão. segundo a mesma pesquisa. O fato de.

embora recentemente. pode morrer. O leite da mãe que tem clitóris pode estar envenenado. A remoção dos genit ais externos evita muitos "problemas femininos". entre eles nervosismo. nem sempre isso acontece. reduzindo o prazer sex ual da mulher. um médico do Texas tenha defendido a remoção do clitóris para curar a frigidez. Essa mutilação tem sido rara no Ocidente. a verdadeira razão é que. em mui tas diferentes culturas. pode-se imaginar que uma espécie inteligente como a nossa os trataria com c arinho. Se o bebê tocar o clitóris da mãe quand o está nascendo. feiúra. T er genitais externos faz a mulher cheirar mal. . ne urose e câncer vaginal. deixando apenas uma minúscula abertura para a passagem da urina e do fluxo menstrual. Muitas ju stificativas são apresentadas para a operação. cm 1937. Naturalmente. O mais assustador é que. complexidade e sensibilidade dos genitais femi ninos. pode ficar impotente ou até morrer. eles sofrido uma quantidade anormal de dor. e a entrada da vagina é suturada. mas em algumas regiões da África. os genitais femininos têm sido vítimas de uma surpreendente variedade de mutilações e restrições. o homem tem mais facilidade de subordiná-la a seus padrões machistas. muitos maridos usam drogas ilegais. o homem pode se contaminar. Na tentativa de satisfazer as nec essidades sexuais da mulher. A forma mais comum de agressão é a circuncisão . Na América. a circuncisão feminina ainda é praticada em mais de vinte países. longe de ser um costume esquecido. Se o pênis toca o clitóris. Para órgãos que são capazes de dar muito prazer. esse é um caso isolado. a circuncisão tem sido uma prática comum há séculos. os grandes lábios e o clitóris são corta dos. Como a operação é realizada? Na maioria dos casos.Considerando a grande delicadeza. Durante milhares de anos. Infelizmente. do Oriente Médio e da Ásia.

Quênia. as jovens tem que passar pelo sofrimento d e ter seu orifício artificialmente reduzido rompido pelo marido. quando elas se casam. a essa brutal operação. a os gritos e sem anestesia. Eis alguns números. país por país: Nigéria. 10 milhões. às vezes chamada de circuncisão sunita (porque al ega-se que ela teria sido recomendada pelo profeta Maomé). Costa do Marfim. m as escondidas. Se o clitóris sai para fora e as excita sexualmente ao roçar contra a roupa. não há condições de assepsia e as mortes são freqüentes. então é a hora de cortá-lo". 4. as costuras podem ser refei tas.) Essa forma extrema de mutilação genital chama-se infibulação e. 7 milhões. Chade. Sudão. Além disso. Somália. e 50% em Benin.5 mi .Depois. 24 milhões. Etiópia. República Centro-Africana. se o marido sair numa longa viagem. e a vida sem ela não teria sentido". as pernas da jovem são atadas para garantir a cicatrização e a permanência da op eração. 90% das meninas que vivem em Djibuti. (Como se isso não f osse suficiente. A escala em que essa infâmia é praticada contra as mu lheres é enorme. Eritréia e Serra Leoa. 24 milhões. 33 milhões. Gâmbia. E ainda há quem defenda a operação: "A circuncisão feminina é sagrada. E uma forma mais moderada. nada menos de 2 milhões de meninas são submetidas. Burkina Fasso. Mais tarde. A natureza anti-sexual dessas operações ficou clara na opinião de um "especialista": "Primeiro eu as examino intimamente. Todos os anos. circuncisão faraônica. exige apenas o corte da ponta do clitóris e/ou do capuz clitoridiano. às vezes. Uma forma um pouco menos monstruosa envolve apenas a remoção do clitóris e do s lábios. Gui né- . Calcula-se que existam hoje mais de 100 milhões de mulheres vivas q ue foram submetidas a essa mutilação. Os instrumentos utilizados são tosc os (navalhas. facas ou tesouras). Egito.

onde foi proibida (e m vão). Nem é preciso dizer que as autoridades médicas estão advogando em ca usa própria. Como apenas 15% da população do mundo são muçulmanos. E mbora a África pareça ser a fonte original desse tipo de operação. e pe la Ásia. a prática sobrevive. a lei foi revogada em 1997 por um fundamentalista muçulmano que impetrou uma ação contra o governo e ganhou. Insistem em que a circuncisão das jovens é "uma maneira simples de reduzir a promis cuidade sexual que causaria discórdia no lar entre marido e mulher".Bissau. os mutiladores (que ganham muito dinheiro realizando a operação) se uniram e formaram uma sociedade para se proteger. e quase todos os que não p ertencem ao Islã (para não mencionar muitos islamitas) se recusam a tolerar a prática. ordenou a pena de morte de. onde é comum nas populações muçulmanas da Malásia e da Indonésia. Mesmo em países on ela foi oficialmente proibida. Libéria. diplomatas e políticos das Nações Uni as e de outras organizações importantes se escondem por trás de justificativas conveni entes como "mostrar respeito às tradições locais". esse homem. afirmando qu e ela merece morrer e referindo-se à operação como uma "prática louvável que respeita as m ulheres". no . onde 3 mil meninas são circuncidadas todos os dias. E exigiram qu e seus governos imponham uma multa de US$ 1 milhão a quem ousar discutir a questão n a imprensa local. No Egito. um líder muçu lmano publicou uma fatwa contra qualquer pessoa que se oponha à operação. Diante dessa situação. Não admira que eles próprios mereçam tão p uco respeito. Mali e Togo tiveram os genitais mutilados. No Egito. Devido às recentes condenações públicas. Iêmen e Emirados Árabes Unidos. ela se disseminou pel o Oriente Médio. Oman. onde é praticada em Bahreim. o xeque Al Azhar. E a lista não pára por aí.

) Finalmente. numa explosão grotesca. É difícil entender por que razão alguém quer ter uma barra ou uma argo la de metal inserida em partes sensíveis da vulva. já que não há menção à circuncisão feminina no Alcorão. e a autenticidade da aleg mé — "É permitido [mas] se cortar.mínimo. Os seguidores do xeque apóiam sua postura violenta. com uma tacha esférica presa a cada extremidade. 85% da raça humana. estimular e provocar o interesse sexual nos genitais femininos ". Os principais piercings ge nitais são os seguintes: Piercing vertical no capuz clitoridiano. (Uma das alegações espúrias em favor da circuncisão feminina é a de que ela "deixa o rosto da mulher mais bonito". E. Ela é bem dife rente da mutilação genital que tem sido chamada de circuncisão feminina. Primeiro. foi ameaçada: "Cortarei sua língua e a língua d e toda a sua ascendência". mas para uma minoria trata-se d e uma nova moda na longa história da ornamentação corporal. Portanto. não exagere" — tem sido contestada por muitos estudioso s do islamismo. é vol untária e realizada apenas por mulheres adultas. e não destruí-los. Em segundo lugar. ele ainda lhe disse que. q ue se situa bem acima do clitóris. Esse religioso não tem a menor autoridade para fazer essa declaração. ela seria mais bonita. se se u clitóris tivesse sido removido. seu objetivo de clarado é "decorar. a tacha inferior fica em contato com o clitóris e pode estimulá-lo durante certos . Consiste numa pequena barra fina inserida verticalmente no capuz clitoridiano. É o mais popular. convém uma breve menção à recente moda dos piercings genitais. Quando uma repór ter egípcia lhe fez perguntas embaraçosas.

Também pode ser uma simples argola de metal inserida verticalmente no capuz. Mais uma vez. a agressão é feita para aumentar o prazer sexual. Piercing clitoridiano. . Nesse caso. pode ter a forma de barra ou de argola.movimentos. Se algumas mulheres modernas são capazes de deixar que seus genitais sejam d olorosamente perfurados apenas para obedecer a um capricho da moda. por motivos óbvios. é lamentável numa época em qu e tanto esforço está sendo feito para desestimular a circuncisão forçada de milhões de men inas. Piercing labial. Piercing triangular. não se poder esquecer que. O clitóris é muito sensível e. pequ eno demais para ser perfurado. embora as duas mutilações representem uma agressão cirúrgica à sensível vulva. o capuz é atravessad o de um lado a outro. Os pequenos lábios são perfurados com um par de barras ou de argolas de cada lado do clitóris ou da abertura da vagina. Enquanto o vertical pode estimula r a parte anterior do clitóris. em um caso . Embora o fascínio por essa mutilação decorat iva dos genitais seja provavelmente uma moda passageira. É extremam ente raro. Trata-se de um piercing hori zontal colocado na base do capuz clitoridiano. o triangular estimula a parte posterior. Piercing horizontal no capuz clitoridiano. O ef eito parece mais decorativo e menos estimulante. na maioria dos casos. Entretanto. fica muito m ais difícil queixar-se de outras graves mutilações. enquanto a outra tem a finalidad e de destruí-lo.

Essa atitude negat iva persiste apesar de as nádegas serem um atributo exclusivamente humano. que "a mulher bunduda é um épico molecular de feminilidade" — uma frase que parece ter perdido algo na tradução. Entretanto. rabo. existe se mpre uma conotação ridícula ou obscena. D. são mais beliscadas e estapeadas do que acar iciadas. O artista espanhol Salvador Dali foi mais longe ao insistir que "é através da bunda que os maiores mistérios da vida p odem ser entendidos". Elas fazem rir ou são objeto de piadas sujas. traseiro. holofote. tralalá são alguns dos nomes pelos quais ela s têm sido chamadas em português. Elas fo ram adquiridas quando nossos ancestrais . sem falar em várias outras denominações pejorativas rece bidas em outras línguas ao longo dos séculos. e Rimbaud as admira como "dois arcos salientes". bunda. Assento. Lawrence faz uma referência lírica à "indolente e redonda calmaria das nádegas". Uma busca cuidadosa na literatura se faz necessária para encontrar palavr as de elogio a essa parte da anatomia feminina. rabisteco. O cineasta italiano Federico Fellini comento u. Mesmo quando são consideradas uma zona erótica. que "a bunda é a face da alma do sexo". H. Autores mais recentes têm declarado. Nádegas As nádegas têm sido injustamente a parte do corpo feminina mais desconsiderada. e muito mais comuns são os comentários que tratam as nádegas como algo cômico ou vulgar. padaria. poupança. de vido à sua proximidade com os genitais.21. bozó. enquanto Byron admite que o tras eiro da mulher é "uma coisa estranha e bela de se olhar". esses são exemplos isolados. popa. também de forma equívoca. que oferece "um amortecedor de delícias". Em O amante de Lady Chatterley. Mas seja qual for a denominação. de maneira um tanto ambígua.

quando nos curvamos para a frente. Recentemente. e são esses músculos que nos dão o par de hemisférios que hoje são tão injustamente ridicul arizados. se ela tivesse se . Além disso. através do qual passam. exibir o traseiro nu em público provoca reações variadas. ela foi presa. a Suprema Corte anulou a conden ação e até liberou a ré do pagamento de custas. Na sociedade moderna.deram um passo gigantesco e se puseram de pé sobre as pernas traseiras. As nádegas não são sozinhas. Entre elas fica o ân us. que vão do riso constrangido a queixas. a Suprema Corte debateu se uma determinada exibição de nádegas era "ofensiva" ou "indecente". emoldurados pelas curvas fêmeas das nádegas. Dessa sutil dist inção dependia uma decisão que podia significar condenação. Portanto. todos os nossos resíduos sólidos e — ainda mais notória — uma ocasional emissão de gases. a exposição das nádegas é interpretada como um insulto grosseiro — um ato simbólico de defecar sobre o inimigo — ou uma grande obs cenidade — uma desavergonhada exibição dos órgãos sexuais. Os fortes músculos glúteos se expandiram. mas não podia ser considerado indecente. uma mulher suíça tinha "exposto o traseiro nu". insultos e até um processo judicial. É fácil ver como isso aconteceu. Como havia crianças pr esentes. porque não envolveu nenhum órgão de procriação". Durante uma violenta discussão c om uma vizinha. Portanto. Depois das devidas deliberações. na Suíça. os genitais ficam à vista. dia após dia. exi stem associações excretórias e sexuais. permitindo ao corpo manter-se permanentemente ereto. Provavelmente . acusada de atentado ao pudor e condenada pelo tribunal d e primeira instância. Fez isso porque chegou à conclusão de que "o gesto era com certeza um comportamento insultuoso e punível como tal.

então os monstros das trevas não deviam ter essa car acterística anatômica. Os dois hemisférios humanos eram tão diferen tes dos dois pedaços de carne dura (as calosidades dos ísquios) do macaco. que os gr egos consideravam as nádegas um sinal da suprema condição humana. Afrodite Calipígia — literalmente.curvado para a frente ao fazer seu gesto de desafio. Para eles. a curvilínea deusa da amor. Embora nem quem insulta nem quem é insultad o percebam. Essa reações extremas à exposição das nádegas hoje são raras no Ocidente. t inha nas nádegas a parte esteticamente mais agradável de toda a sua anatomia. assim como o s estudantes de universidades que exibem as nádegas nas janelas dos dormitórios. Essa visão primitiva das nádegas como peculiaridade humana deu origem a outra crença. a nudez não é mais o que era. Se as nádegas arredondadas eram a marca que disti nguia o ser humano dos animais. as nádegas eram uma parte bel a da anatomia. em parte devido à sua agradável curvatura. mas também por seu contraste com o traseiro dos macacos e chimpanzés. Os primitivos . precisamos voltar à Grécia clássica. porque propõe uma subordinação humilhante. Segundo os gregos. Com o forma de protesto. Pessoas que se ex m dessa maneira em eventos esportivos geralmente só provocam risadas. Eram tão veneradas que um templo foi erguido em sua honra — fazendo das nádegas a única parte do corpo humano objeto de culto. A atua! visão das nádegas como moti vo de chacota não era a dos antigos gregos. "que tem belas nádegas" —. A exposição das nádegas se torna abusiv a quando acompanhada de frases como "Beije o meu rabo". Mas não é só isso. Aí é um insulto. Para entender do que se trata. Foi assim que o Demônio ganhou a reputação de ser "desbundado". ambos estão envolvidos numa antiqüíssima prática de ocultismo. a condenação teria sido mantida .

europeus estavam convencidos de que, embora pudesse assumir a forma humana, o De mônio nunca conseguia simular as nádegas arredondadas, que estariam além de seus poder es diabólicos. Acreditavam que essa impotência era fonte de grande angústia para o Demôn io, e uma grande oportunidade de atormentá-lo. Para aumentar sua inveja, bastava m ostrar a ele as nádegas nuas. Como essa súbita exposição lhe lembrava sua deficiência, ele se via obrigado a olhar para longe, desviando o olhar maléfico. Isso protegia o h umanos do temido "Olho do Demônio" e tornou-se um gesto muito utilizado para afast ar as forças do mal. Usada dessa forma, a exposição das nádegas não era considerada vulgar nem indecente. Nos fortes e nas igrejas, esculturas de mulheres exibiam suas náde gas arredondadas para afastar os maus espíritos, já que as nádegas estavam sempre volt adas para fora da porta principal. Na Alemanha, se havia uma tempestade terrível d urante a noite, as mulheres exibiam as nádegas na porta das casas na esperança de re chaçar os poderes malignos e evitar que a tempestade causasse mortes. Provavelment e, foi assim que a exposição das nádegas começou, e hoje os que a expõem praticam a antiga tradição cristã sem o saber. Com o Demônio fora de moda como grande inimigo, a exibição é vi ta hoje como um gesto grosseiro. De um gesto de desafio religioso, tornou-se um gesto obsceno. Mas como isso pode explicar as frases grosseiras que acompanham o gesto? Para entendê-las, é preciso observar as primitivas representações do Demônio. Se e le não tem nádegas, o que tem então nos quartos traseiros? A resposta é: no lugar onde d eviam estar as nádegas ele tem outra face. E essa segunda face é que supostamente er a beijada pelas bruxas no ritual do sabá. Acusadas do ato vil

de beijar o traseiro do Demônio, elas se defendiam dizendo que beijavam a boca de sua segunda face. Tudo isso, naturalmente, é fruto da fértil imaginação medieval, o que não vem ao caso. A verdade é que lendas e crenças transmitidas de geração a geração deixam cl ro que "beijar o traseiro" era o gesto de um seguidor de Satã e, como tal, um ato abominável. Quando as superstições desapareceram, essas ligações se perderam, mas, como qu ase sempre acontece, a frase popular sobreviveu e foi incorporada ao insulto mod erno. Até aqui, a exposição das nádegas foi analisada unicamente como um ato hostil, mas a questão tem outro lado. Em contextos totalmente diferentes, a exibição das nádegas te m forte apelo sexual. As fêmeas de muitas espécies de macacos têm o traseiro colorido. Quando se aproxima a época da ovulação, ele vai se tornando mais evidente e inchado, mas depois volta ao estado normal. Isso significa que, com um olhar, o macho pod e saber se a fêmea está sexualmente ativa. O acasalamento geralmente só ocorre quando o traseiro da fêmea atinge seu ponto mais protuberante. Com a mulher é diferente. Se u traseiro não aumenta ou diminui com o ciclo menstrual. Ele se mantém protuberante o tempo todo, assim como sua sexualidade permanece alta. A fêmea humana expandiu s ua sensualidade a ponto de estar sempre potencialmente receptiva ao macho. Ela s e envolve numa relação sexual mesmo quando não pode conceber, porque a função do acasalame nto humano não é apenas a procriação. Como um sistema compensatório, ele ajuda a fortalece r os laços emocionais entre homem e mulher, mantendo a unidade familiar. Para os h umanos, a cópula é literalmente fazer amor, e é importante que o corpo da mulher seja capaz de transmitir sinais eróticos o tempo todo.

Pode-se argumentar que, se os músculos glúteos se destinam a manter a postura ereta, a mulher não poderia deixar de ter as nádegas permanentemente empinadas. Mas as nádeg as femininas são mais do que simples mecanismos para manter a postura ereta. Em re lação ao tamanho do corpo, são maiores que as dos homens, não porque sejam mais musculos as, mas porque têm maior quantidade de tecido gorduroso. Essa gordura extra tem si do considerada um estoque de alimento para as emergências — quase como a corcova do camelo. Verdade ou não, o simples fato de essa gordura extra nas nádegas ser um atri buto do sexo feminino faz delas um sinal sexual. Esse sinal é acentuado por dois o utros atributos femininos: a capacidade de rotação da pelve e a ondulação dos quadris ao caminhar. Como já dissemos, a mulher comum (que não deve ser confundida com a atlet a cujo corpo se masculinizou com o treinamento) tem as costas mais arqueadas que o homem. Em posição normal de repouso, o traseiro se projeta mais para fora que o d o homem, não importa seu tamanho. Quando ela caminha, a estrutura óssea das pernas e dos quadris provoca uma ondulação maior da região glútea. Em curtas palavras: ela rebol a ao andar. Quando esses três atributos — mais gordura, maior protrusão e mais ondulação — s e combinam, o resultado é um forte apelo erótico. Não é que a mulher empurre deliberadam ente o traseiro para trás e conscientemente rebole para chamar a atenção dos homens, m as isso ocorre devido à conformação do seu corpo. É claro que ela pode exagerar esses at ributos naturais e correr o risco de se transformar numa caricatura. (Recentemen te, um espectador atento relatou que, durante um show, a cantora Kylie Minogue r ebolou os quadris 251 vezes.) Mas mesmo que a mulher não faça nada, sua anatomia est ará sempre transmitindo os sinais característicos do seu sexo.

Hoje já não se vêem tantos quadris protuberantes e ondulantes como antes. Parece que a s mulheres de hoje não são tão avantajadas quanto nossas ancestrais. Naturalmente, não s e pode ter uma prova disso pelos esqueletos, mas, quando observamos pinturas e e sculturas da Idade da Pedra, vemos imensas nádegas por toda parte. Mesmo depois da Idade da Pedra elas persistem na arte pré-histórica de muitas culturas, mas depois começam a desaparecer até atingir as proporções atuais, que, embora ainda sejam bem maio res que as dos homens, são consideravelmente menores. Esses fartos traseiros primi tivos deram lugar a muita especulação. Uma hipótese é a seguinte. Nossos ancestrais copu lavam por trás, como outros primatas, de modo que os sinais sexuais pré-humanos da fêm ea vinham do traseiro. Quando evoluímos para a postura ereta e os músculos traseiros formaram as nádegas, a forma arredondada se tornou o novo sinal sexual. As mulher es que tinham grandes traseiros enviavam fortes sinais sexuais, e com isso as náde gas foram crescendo. As mais sensuais tinham a vantagem de enviar supersinais co m suas supernádegas, mas elas ficaram tão grandes que começaram a atrapalhar o ato sex ual. Então os homens resolveram o problema adotando a cópula frontal. Em razão desse a casalamento frontal, os seios cresceram para imitar os grandes hemisférios posteri ores. A partir de então esses superseios também eram capazes de enviar fortes sinais sexuais, dividindo o fardo, por assim dizer, com as nádegas, que agora podiam com eçar a diminuir de tamanho. Essa última versão da fêmea humana, mais equilibrada e mais ág il, tinha uma considerável vantagem sobre o modelo antigo, que foi sendo gradualme nte substituído. Se essa especulação estiver correta, teremos que encontrar vestígios de sua evidência. Esses vestígios podem ser encontrados hoje nos desertos do sudoeste da

África, onde as mulheres do povo san ainda exibem as imensas nádegas das figuras da Idade da Pedra. Em algumas mulheres, as dimensões do traseiro atingem proporções assus tadoras e nos mostram como deviam ser todas as nossas ancestrais há muitos milhare s de anos. Há quem diga que comparar européias da Idade da Pedra — prováveis modelos das figuras rupestres — com mulheres que vivem atualmente no sul da África é absurdo, mas essa objeção ignora a verdadeira história do povo san. Esse povo não vive hoje no deser to porque esse seja seu ambiente favorito. Esse foi o último canto da Terra onde e les puderam se manter unidos, já que são um ramo da família humana em extinção. Seus ances trais dominavam grandes extensões da África e deixaram belas pinturas rupestres como prova disso. Mas eles representavam a Idade da Pedra Lascada, período em que a caça e a coleta eram os meios de vida. Com a chegada dos povos da Idade da Pedra Pol ida — os primeiros fazendeiros —, eles foram sendo expulsos de quase todos os seus t erritórios, e hoje são cerca de 50 mil indivíduos, quase insuficientes para povoar uma pequena cidade. No passado, porém, foram um dos povos dominantes da nossa espécie, e não há razão para supor que suas imensas nádegas (uma condição que se denomina "esteatopig ia") fossem uma raridade. É mais que provável que, na Idade da Pedra, elas fossem um atributo feminino comum, e que os artistas rupestres tenham se inspirado em mul heres reais, e não em figuras de suas fantasias eróticas. Quando as mulheres mais ágei s e magras dominaram a cena, a velha imagem de grandes glúteos não desapareceu compl etamente do inconsciente humano. Ela ainda ressurge de tempos em tempos de manei ras inesperadas. Muitas roupas exageram o tamanho das nádegas. Mesmo na época vitori ana, o olhar do homem pôde apreciar uma nova forma artificial de esteatopigia com a introdução das anquinhas. Arames, enchimentos e cor-

dões entraram em cena para reproduzir a perdida adiposidade da região glútea. As elega ntes que usavam suas anquinhas nas reuniões da sociedade vitoriana com certeza fic ariam horrorizadas com essa interpretação, mas hoje a comparação é inevitável. No século XVII o principal artifício para exagerar o traseiro feminino eram os sapatos de salto alto. Esse tipo de calçado distorcia o andar da mulher de tal maneira que as nádegas eram empurradas para cima e para fora e obrigadas a ondular mais ainda. Mesmo s em indevidos exageros, as nádegas continuam a ser um foco erótico no corpo da mulher moderna. Longos vestidos que escondem as pernas em geral são cortados de maneira a exibir o contorno das costas e delinear os movimentos. Peças como as minissaias dos anos 1960 exibiam o traseiro, e calças justas, embora escondam a carne, não deix am dúvida quanto à forma exata dos hemisférios posteriores. No início da década de 1980, a moda criou uma linha de calças jeans bem apertadas, deliberadamente desenhadas pa ra exibir essa região do corpo como um símbolo sexual da mulher recém-liberada. O auto r de um livro chamado Rear View (Visão traseira), publicado na época e exclusivament e dedicado ao impacto erótico das nádegas femininas, saudou a nova era com as seguin tes palavras: "A Butt Blitz (Investida das Bundas) começou em 1979 quando uma de s uas porta-vozes enfiou sua vibrante, giratória e bem-cortada derrière na cara assust ada do público de uma rede de televisão. [...] Foi o início de um fenômeno cultural conh ecido como jeans de marca". Em poucos anos, os jeans de marca competiam com as c alças mais largas, e os dois estilos conseguiram conviver durante um certo tempo. À medida que as calças compridas passaram a dominar a moda feminina e as saias caíram na preferência das mulheres mais jovens, as velhas e malcortadas calças jeans no est ilo trabalhador

foram substituídas por modelos glamorizavam a região glútea. foi inventada até um a nova palavra para descrever a mulher que possui um traseiro farto: "poposuda". um concurso que elege "O Traseiro do Ano" se tornou muit o popular. À medida que o século XX se aproximav a do fim. que delineavam e Uma forma extrema dessa tendência surgiu em 1992. quando os jornai s da Europa e da América anunciaram que ela havia segurado seu admirado traseiro p or US$ 1 bilhão. e o cenário musical brasileiro assistiu a um culto por dançarinas poposudas. Um comentar ista chegou a dizer que "as nádegas eram os novos seios". O termo "booty" era um novo e ufemismo para "buttocks" (nádegas). Originalmente restrito à gíria dos negros american os. A atriz e cantora Jennifer Lopez chamou a atenção cm 1999. o termo foi dicionarizado pela primeira vez em 2002. cada vez mais pessoas prestavam atenção a essa parte do corpo. em especial com nádegas volup tuosas". o fato de que tal notícia possa ter sido inventada e chegado às manchetes é um sinal do grande interesse por essa parte da anatomia feminina no fim do século XX. As mod elos esqueléticas. torn ou-se popular um estilo de música chamado booty rap. Nos Estados Unidos. definido como "sexualmente atraente. saíram de moda. dotadas de um traseiro diminuto perto do dessas mulheres. Embora nem todos no mundo da moda tenham aprovado o novo modelo. junto com seu adjetivo "bootylicious". quando uma jovem estilista ingle sa lançou um modelo que tinha a cintura tão baixa que deixava ver o sulco entre as nád egas. as nádegas femininas estavam numa fase de grande valorização. Na Inglaterra. No Brasil. Começou na década de . Embora ela tenha publicado um desmentido.

mas ganhou maior publicidade com a chegada do novo milênio. Enchimentos e peças elásticas destinadas a levantar as nádegas já vinham sendo usad os. pode encontrar folhetos de propaganda de clínicas de cirurgia plástica ao lado do inevitável exemplar da Bíblia. Um dos maiores centros desse tipo de cirurgia é o Brasil. esse tipo de cirurgia é tão comum no país que. na realidade se baseia nas nádegas. mas o alto custo parece não ser um obstáculo. Essa cirurgia custa cerca de US$ 10 mil. Há muito nossa espécie aban donou a locomoção sobre quatro patas. onde calcula-se que existam no mínimo 1.600 cirurgiões plásticos em atividade. cresce a demanda por produtos e procedimentos cosméticos destinados às náde gas. mas existe uma terceira maneir a pela qual essa parte do corpo pode ser exposta. É difícil dizer quanto tempo vai durar essa moda de nádegas firmes e generosas. De fato. uma imagem humana primitiva pode estar em ação. mas agora os cirurgiões plásticos relatam uma enorme procura por nádegas mais volu ptuosas. Além do aumento da s nádegas.1980. ela se parece muito pouco com o verdadeiro coração e tem uma estranha semelhança com as nádegas femininas vi stas por trás. as mulheres também querem tê-las mais firmes. quando alguém se hospeda num hote l no Rio. Dos dois lados d o Atlântico. a forma es tilizada do coração. tanto através de injeções de gordura quanto de implantes. que é a da . para criar uma aparência mais j ovem e mais voluptuosa. Aparent emente. mas não há dúvida de que o mundo da moda e da cultura pop ular esté sempre voltando à região glútea como foco de erotismo. Novamente. Até aqui. Já se disse que o símbolo universal do amor. anal isamos os aspectos ofensivos e sexuais das nádegas. mas o traseiro feminino se recusa a desaparece r do inconsciente masculino.

Fora do âm bito de um casal de amantes. e o tapinha nas costas é preferível. a curvatura. mostre-me sua superioridade monta ndo-me em vez de me atacar". porque permite ao fraco subordi nado permanecer perto do poderoso dominante sem ser atacado. uma vez nessa posição que. o contato com as nádegas é proibido. a postura humilhante não é suf iciente. como entre pais e uma criança muito pequena. não há diferença entre o ser humano submisso e o macaco submisso. Os macacos submissos de qualquer sexo mostram o tra seiro ao superior de qualquer sexo. ou entre esportistas durante uma competição acirrada.submissão. para certos humanos dominadores. Parece que. Parece tanto o gesto de submissão dos prima tas que é difícil não relacioná-los. o gesto pode ser mal interpretado. A vítima deve primeiro curvar-se para a frente na postura submissa dos primatas. praticada como uma cerimônia de agradecimento. Os indivíduos dominantes raramente atacam esse s subordinados: ou o ignoram ou o montam brevemente. o gesto é importante. Por favor. Uma forma mais comum de exposição das nádegas é aquela e ue a criança é espancada como castigo. uma palmada no traseiro só pode ser usada com segurança como sinal de amizade quando não existe perigo de envolvimento sexual. a livraria do ataque. Em algumas sociedad es tribais. Entre amig os numa reunião social. com uma cinta ou u ma vara. se ela fosse um macaco. Como demonstração de submissão. com alguns movimentos pélvico s. Em ambos os casos. Nesse aspecto. O tapa no traseiro restring e-se portanto a certos contextos. é feita dand o as costas para a pessoa homenageada. Em ambos . Devido às suas implicações sexuais. aquele que expõe as nádegas está dizendo: "Eu me ofereço no papel passivo feminino. A exposição das nádegas numa humilhante postura curvada teve um papel duradou ro como gesto de submissão. e então. é injustamente espancada com a mão. a não ser que exista uma intenção sexual oculta.

na mente dos amantes. os tapinhas muitas vezes são substituídos pelo gesto de agarrar as nádegas para acompanhar as vigorosas estoca das da pelve. Por outro lado. parentes idosos ou "amigos da família" que exploram a difer ença de idade batendo nas nádegas de adolescentes e desfrutando o contato sexual dis farçado em castigo parental podem criar muitos problemas. a fortes emoções sexuais. Nos bailes de antigamente. O autor de uma obra satírica intitulada Como ser italiano relata os três beliscões fundamentais: Pizzicato: um rápido beliscão executado com o polegar e o dedo médio. É essa ligação sexu al que causa uma reação ultrajada diante de um gesto que outrora foi um costume dos italianos: beliscar as nádegas da mulher em público. ela podia se sentir orgulhosa. quando estranhos podiam se abraçar enquanto dançavam. Vivace: um beliscão mais vigoroso. o cavalheiro pod ia explorar a situação deixando a mão descer pelas costas da dama em direção às nádegas. É durante essa fase de contato físico que a forma arredondada das nádega s se liga intimamente. Nos estágios avançados do ato sexual. um tapinh a no traseiro é comum. Recomendado para iniciantes. os pensamentos sexuais são tão remotos que não há possibilidade de um mal-ente ndido. As mãos que a braçam as costas facilmente passam às nádegas à medida que a excitação cresce.os casos. De acordo com sua educação. . como mostram os filmes. executado com vários dedos e várias vezes em rápida sucessão. A co tinuação dessa estratégia. Qualquer mulher atraente que ca minhasse por uma cidade italiana corria o risco de ter as nádegas beliscadas por u m admirador desconhecido. é o atrevido ver sua mão rapidamente de volvida à posição original. Entre amantes. levemente irritada ou ofendida. E um acompanhamento freqüente dos beijos e abraços.

o sexo anal não é . Do ponto de vista biológ ico. as nádegas não têm grande utilidade. Nádegas tatuadas não são comuns. Como área des tinada à decoração. e uma ocasião chegaram a revida r. O que se revelava u ma moda inconveniente e desconfortável. f azia furos nas nádegas. Man Tran sformed (Homem transformado). procurando nas ruas nádegas masculinas que pudessem ser beliscadas. Em algumas partes do mundo.] de um certo povo que. a porcentagem de adeptos é mu ito maior.Sostenuto: um beliscão bem apertado e prolongado. Finalmente. ele é uma saída.. o ânus é rico em terminações nervo sas.. lembro-me [. onde eram penduradas pedras preciosas. Calcula-se que cerca de 50% das mulheres ocidentais tenham experimentado o sexo anal em alg um período de sua vida. Funcionalmente. São muito íntimas para exibir obras arte e muito inadequadas para carregar ornamentos. exceto entre os fanáticos. porém. Bulwer comenta: "Entre outras asquerosas invenções de a lgumas nações. Apenas 10% o julgaram bastante satisfatório para ser adotado como atividade regular. Anatomicamente. adequado no caso de "cintas resi stentes". na qual ele mostra uma nativa de aparência infeliz c om jóias penduradas nas nádegas. As feministas não acham a menor graça nisso. Encontramos o único exemp lo de nádegas ornamentadas numa obra de John Bulwer escrita no século XVII. e não uma entrada. e muito prejudicial a uma vida sedentária". já que destinadas ao ato de sen tar. e a evolução não o preparou para receber a penetração. e portanto pode ser fonte de prazer. Uma pesquisa com 5 mil donas-decasa do Brasil revelou que 40% dos cas ais que viviam no campo e 50% dos que viviam nas cidades "consideravam o coito a nal uma parte normal da sexualidade". existe a questão do uso do ânus feminino como orifício sexual. num gesto absurdo de coragem.

a penetração é evidentemente anal. Isso está explicitamente demonstrado na cerâmica pré-colombiana do P eru. e não conta com a ajuda da hibrificação automática de glândulas e specializadas ou das outras mudanças que facilitam a penetração vaginal. Sempre que um casal aparece fazendo sexo. antes que existissem preserv ativos. Como a mulher continua s exualmente receptiva quando está menstruada. o ânus tem sido coagido a desempenhar o papel de uma vagina s imbólica. de contro le da natalidade. O sexo anal lhes ofer ece uma solução para o problema. nas quais a exibição dos lençóis manchados de s angue depois da noite de núpcias ainda é exigida como prova da virgindade da noiva. E ssa forma de contracepção sobrevive ainda hoje em muitas partes do mundo. mas sentem-se inibidos pelo sangramento. o sexo anal era usado como uma forma primitiva. r dos riscos para a saúde. Uma segunda razão é que ela permite aos jovens casais se entregarem ao s exo antes do casamento sem que a mulher perca a virgindade. . em partes da África e no Oriente. os homens muitas vezes desejam fazer sexo nesse período. Onde não há preservativos disp oníveis por qualquer razão — pobreza.uma atividade "natural". ignorância ou convicções religiosas —. por exemplo. a penetração anal seja utilizada como forma de controle da natalidade. no curso da história. Parece haver quatro razões para isso: Há séculos. a penetração vaginal só é mo strada se não existe um bebê dormindo ao lado deles. Quando há um bebê presente — a maneir a de o artista mostrar que eles formam uma família —. é provável que. principalm ente na América Latina. Isso é particularmente verdade em certas culturas mediterrâneas. Uma terceira razão é a aversão masculina ao sangue menstrual. mas eficiente. Apesar disso.

Finalmente. além de evitar a gravidez. a perfuração do hímen antes do casamento ou o con tato com o sangue menstrual. . essas razões explicam a ocorrência generali zada de uma atividade que tem sido um assunto tabu. Juntas. o sexo anal também é utilizado como uma variante erótica para casais que buscam novidade.

parece haver uma inexplicável preferência pelas pernas. a pri ncesinha caiu no choro. por exemplo. e no entanto os homens são obcec ados por elas sexualmente. antes de examinar as pernas como meio de locomoção. Esse comportamen to é relativamente raro. O que o mensageiro quis dizer é que. Uma pergunta presente em qualquer vestiário esportivo m asculino é a seguinte: "O que você prefere: seios ou pernas?" A fixação pelas pernas é tão g rande que existe uma publicação exclusivamente dedicada a essa obsessão masculina: Leg World (Mundo das Pernas). mostrar as pernas er a sinônimo de convite sexual. acariciando um par de meias de náilon.22. que se interessa m por todas as partes do corpo da mulher. um dos presentes de casamento foi um par de meias. como não se podia ver as pernas da rainha. pensando que quando se casasse teria as pernas amputadas . Quando. não havia por que enfeitá-las com meias decorativas. . mas. É evident e que as pernas evoluíram como estruturas de locomoção. O que existe nas pernas femininas que as torna sexua lmente atraentes? Sua função primordial é nos manter de pé e nos fazer caminhar. vale a pena investigar os motivos dessa forte atração. Em alguns homens. a adoração atinge o grau de fetiche. mesmo entre heterossexuais normais. Assim. a princesa austríaca Mariana estava para se casar com Felipe IV da Espanha. Pernas O poder erótico das pernas sempre foi valorizado. Naquela época. El es não se interessam por nenhuma outra parte do corpo feminino e conseguem obter s atisfação sexual. aos 15 anos. Ao ouvir isso. que foi enviado de volta por um mensageiro com as seguintes palavras: "A rainha da Espanha não tem pernas".

Em 1972. o homem costuma identificar essa postura com uma m ulher sexualmente ativa (por exemplo. esteja a mulher de pé ou sentada. No século XIX. Nesse aspecto. ela cria uma . fecha ou cruza as pernas. Ca da vez que uma mulher abre. Como na posição papai-e-mamãe a m ulher mantém as pernas abertas. Amy Vanderbilt achou necessário informar às mulher es americanas que "é gracioso sentar-se com o polegar de um pé posicionado ao lado d o polegar do outro e com os joelhos unidos". mas existem boas razões para evitar ao máxim o essa postura. que tem um quê de informalidade. Primeiro. o par de pernas funcionasse como uma flecha que indicasse a "terra prometida". em comentários como "Ela teve que ser enterr ada num caixão em forma de Y"). passam uma imagem de formalidade. Os livros de etiqueta ensinam as jovens a não se sen tarem de pernas abertas. que se senta com os joelhos juntos. Eis o qu e diz Amy Vanderbilt. a maior autoridade moderna em boas maneiras: "Cruzar as pe rnas hoje não é mais uma atitude masculina. no recesso da mente do homem. o foco principal do interesse sexual masculino . as mulheres da alta sociedade eram proibidas de adotar essa postura em público.A primeira e mais óbvia explicação talvez esteja na forma como as pernas se juntam. A única outra alternativa ade quada é a postura de pernas cruzadas. chama a atenção para o ponto o nde elas se encontram — que é. claro. mesmo em momentos em que a mul her está apenas procurando uma postura mais confortável. abrir as pernas sem pre foi um gesto carregado de significado sexual. e mesmo hoje os livros de etiqueta mais conservadores ainda a desaprovam. Uma moça bemcomportada. po lidez ou subordinação. É quase como se. mos tra uma neutralidade que lhe dá um ar de correta inibição. Todas as posições em que as pernas fica m fechadas.

A rainha da Inglaterra. nunca foi fotografada com as pernas cruzadas acima da panturrilha. Analisando mais detalhadamente essa postura. enquanto a segund a mostra sua disposição de permanecer confortavelmente sentada. com saias curtas. A parte das pernas que se cruzam é muit o pequena. percebe-se que existem nove maneiras de cruzar as pernas. Se a mulher está usando saias. Ela alerta para o perigo de cruzar as pe rnas durante uma entrevista de emprego. Posição calcanhar-com-calc anhar. parece que prejudica a circulação. pode s er indecente ou no mínimo um sinal de descompostura. Essa é a primeira das posturas verdadeiramente informais e costuma ser vista em situações sociais comu ns. essa postura pode ser usada (consciente ou inconscientemente) com intenções sexuais .protuberância nas coxas que se sobrepõem. É a postura mais comportada de todas. e a posição quase não difere da postura de pernas fechadas. Em terceiro lugar. só é demonstrada por mulheres de alta condição social e m ocasiões públicas. pode expor inadvertidamente as coxas. Posição panturrilha -com-panturrilha. . A diferença entre a postura comportada de pernas juntas e a postura de pernas cruzadas está no fato de que a primeira mostra uma prontidão da mulher para se levantar. Portanto. causando varizes". por exemplo. Assim como a primeira postura. As pernas juntam rev elam uma disposição para a ação. Posição joelho-com-joelho. As pernas cruzadas indicam que a mulher está instalada e não pretende se levantar de repente. Passa uma imagem formal e "correta" . Não é uma postura muito comum. argumentando que a informalidade da post ura pode dar uma impressão de pretensão ou de excessiva descontração. Em segundo lugar.

É uma posição muito feminina. a maneira de cruzar as pernas também pode indicar identidade entre duas m ulheres. já que é muito desconfortável para o homem. mas a região pubiana. Além das diferenças de gênero já ap ontadas. se a mulher estiver de saia. São formas de linguagem corporal que transmitem sin ais subliminares sobre o estado de espírito da pessoa. Estas três posturas são obtidas com uma perna erguida acima da outra. . na qual uma coxa se ap erta contra a outra. um pé descansa sobre a panturrilha da outra perna. São maneiras de cruzar as pernas qu e. e ocasionalmente por mulheres que estejam usand o calças. mais uma vez por causa da conformação pélvica. É uma versão mais radical da última postura. Se duas amigas têm uma visão semelhante sobre determinado assunto. são adotadas apenas por homens. Nesta postura. Devido a conformação da pelve feminina. as pernas se enroscam e se mantêm nessa posição com a ajuda do pé flexiona do. Posição pé-com-pantu rrilha. posição calcanhar-comjoelho e posição calcanhar-com-coxa. Portant o. É outra po stura predominantemente feminina. é a pelve mais larga da mulher a responsável pela diferença. porque a maioria dos homens não consegue executá-la. Posição de pernas entrelaçadas. Posição panturrilha-c om-joelho.Posição coxa-com-coxa. É a preferida dos homens que gostam de afirmar sua masculinidade (ou das m ulheres que querem mostrar que são iguais aos homens). Mai s uma vez. mas raramente praticada por homens. é muito pr ovável que cruzem as pernas de maneira semelhante quando se sentam para conversar. essa é uma postura facilm ente adotada por mulheres. vão expor não só as coxas. Essas maneiras de cruzar as pernas são vistas em quase todas as reuniões sociais. N esta postura.

Existe ainda outro elemento na maneira como uma mulher cruza as pernas. Na verdade. os j oelhos de uma ficam voltados para a outra. são tão fortes os sinais sexuais transmitidos pelas pernas fe mininas que só uma postura descontraída entre os dois extremos pode ser adotada sem atrair atenção sexual. mais defensiva é a postura interior da mulher. Outro aspecto sexual das pernas é a maneira como elas são escondi das pelas roupas. se uma é superior à outra e quer afirmar sua condição. Quando duas mulheres sentam-se lado a lado. a direção em que cruzam as pernas também é significativa. porque muitas pessoas se sentem mais confortáveis com a s pernas cruzadas e adotam essa postura mesmo quando estão sozinhas. os joelhos apontam para fora e ajudam a desviar o corpo nessa direção. Se existe uma animosidade entre elas. porque "a dama protest a demais". Pode-se afirmar com uma certa segurança que. A postura de pernas afastadas revela autoconfiança. Por causa disso. Em certo sentido. o gesto d eixa de ser defensivo e começa a ter um certo sabor sexual. Suas pernas tran smitem uma mensagem tácita: "Sou diferente de você". e essa postura não pass a despercebida. Isso é uma simplificação. mesmo que as pessoas ao seu redor não se dêem conta disso. provavelmente adotará u ma maneira de cruzar as pernas diferente da de sua subordinada.Entretanto. Ao longo da história. quanto mais apertadas as pernas. Mas é verdade q ue quando alguém não se sente à vontade diante de outras pessoas tem maior probabilida de de manter as pernas cruzadas do que quando está relaxada. Se uma mu lher exagera nessa postura de defesa sexual e aperta demais as pernas. Se são amigas. houve quem chegasse a afirmar que todas as pessoas estão na defensiva quando cruzam as p ernas. a . pernas cruzadas são o oposto de pernas afastadas.

uma coxa de galinha tornou-se apenas "carne escu ra". é o forte apelo erótico das pernas femininas. Um proeminente advogado se queixou de que "a provocação de pernas coberta s de seda e coxas seminuas [.maioria das religiões preferiu ver as pernas das mulheres totalmente cobertas — outr a admissão de seu potencial erótico. e que aquelas moças "modernas" se comportavam como prostitutas. À mesa. Para chocar. e a simples visão de um c alcanhar era chocante. Tão forte e total foi essa supressão que até a palavra foi proi bida nos círculos educados. mas a verdade é que as pernas foram um tabu durante muito tempo. As jovens rebeldes dos anos 1920 ousavam expor as panturrilh as e até os joelhos. eram usados eufemismos como "extre midades". Em diferentes períodos da história ocidental. Cada centímetro que as saias subiam provocava prote stos e acusações de licenciosidade das autoridades puritanas. e isso era demais para alguns homens. até que toda a perna estivesse à mostra. Muitas jovens foram proibidas de usar as novas saias curtas no trabalho. mais uma vez.] era devastadora e insuportável". pouco depo is. Só dep ois da Primeira Guerra Mundial elas saíram do esconderijo. as perna s desapareceram por completo de vista por longos períodos. o novo comprimento era aceito como norma. é difícil compreender o ambiente social que tornava possíveis tais extremos de pudicícia. e apenas a região pubiana coberta por uma estreita faixa de tecido.. O que comentários como esse revelam. Diziam que a nova moda estava corrompendo os padrões morais. Nos Estados Unidos. Todas as vezes que as mulheres se rebelaram con tra isso. "apêndices". No último século. etc. encurtaram as saias. a p roporção visível das pernas femininas variou consideravelmente. O mot ivo é .. e mesmo então ainda causa ram muito assombro. Hoje. Entretanto. a exposição tinha então que ser maior.

e que é o ato de tirar a roupa que p roduz um estímulo sexual. influenciadas pelas mudanças de humor da sociedade. A curta tem a vantagem de expor as pernas o tempo todo aos olhares masculinos. Qualquer dançarina de strip-tea se sabe que precisa começar totalmente vestida. o que as minissaias proporcionaram foi uma sensação de liberdade . As saias curtas dos agitados anos 1920 for am substituídas pelas saias longas dos anos 1930 pós-depressão. mais fácil é imaginar o ponto onde elas se encontram. que por sua vez deram lugar às saias longas dos recessivos anos 1970. e as longas reap areciam em períodos de depressão econômica. Portanto. Se acompanharmos o sobe-e-desce das saias década após década. foram substituídas pelas minissaias dos liberais anos 196 0. a saia longa tem a vantagem de provocar um for te impacto quando é erguida ou removida. A verdade é que tanto as saias curtas quanto as longas têm potencial sexual.óbvio. no fim da década de 1940. A s saias longas dos anos 1970. não resultaram de uma onda moralista. Com saias curtas. E. por exemplo. constataremos que as saias curtas foram adotadas em períodos de florescimento econômico. Era como se as mulheres. Quanto maior a parte das pernas à mostra. Entretanto. se uma atitude otimista vai bem com uma ativa sexualidade. pode-se dizer que as saias mais curtas refletem uma sociedade dotada de maior energia sexual. seria um erro concluir que as mudanças no comprimento d as saias durante o século XX refletem apenas as flutuações do vigor sexual da sociedad e. mas a des vantagem de que a familiaridade gera desinteresse. mas tem a desvantagem de ficar a maior pa rte do tempo bloqueando os sinais sexuais emitidos pelas pernas. as longas do pós-guerra. mas isso é apenas parte da história. Mais do que qua lquer fator sexual. revelassem seu otimismo e confiança pelo comprimento das bainhas. as mulheres podem caminhar .

Na mente do homem. que. Com a chegada dos anos 1980. Elas t ambém davam a impressão de uma armadura protetora. médias e curtas —. Enquanto o confuso quadro econôm ico dava origem a uma mistura de tendências — saias longas. 84% das mulheres de Londres pr eferiam as calças às saias. (No início do século XXI. est amos caminhando para a frente". jovens. como as saias curtas. saltar e correr. adotando a peça característica do vestuário masculino: as calças.vigorosamente. logo foram aceitas. roubando das pernas a vulnerabili dade diante da abordagem masculina.) Como as saias. Se o mundo ocidental se tornou cada vez mais liber al em relação à exposição das pernas. causaram tum ulto quando apareceram e fizeram muitas mulheres serem expulsas de ambientes eli tistas. o que lhes deu um enorme potencial erótico. . ti rar um par de jeans é uma luta. As calças. Revelaram pela primeira vez a forma exata da região onde as pernas se enc ontram. As longas pernas transmitiam uma mensagem social: "Nós. ficou claro para on de elas estavam caminhando — para o movimento feminista e uma nova luta por iguald ade sexual. levantar uma saia é fácil. a vanguar da da população feminina propunha a igualdade das pernas. mas ao mesmo tempo não deixavam ver a suave curvatura das pernas. as calças também mostraram vantagens e desva ntagens. de modo que as mulheres podem usar saias curtas e lo ngas ou calças largas e justas sem a pressão de rígidas normais sociais. Com esse último passo veio outra mudança. A explosão de minissaias nos anos 1960 resultou de uma li berdade recém-conquistada com a invenção da pílula anticoncepcional e com o forte cresci mento econômico. As que usam longas saias com muito pano ou afuni ladas perdem mobilidade. dando-lhes dobras e rugas anti-estéticas.

mas agora está mudando graças à chamada "abertura" da economia chi nesa. No Japão. à prova d'água e nunca enruga. Em 1998. embora no século XXI um ar de modernização tenha varrido a sociedade chinesa. as mulheres não podem expor nenhuma parte da s pernas em público. bran cas e lisas como um ovo".em outras partes do mundo as restrições ainda são muitas. a s mudanças não foram aceitas sem resistência. por exemplo. uma diferença que funciona como um forte sinal de gênero. Um sinal dessa mudança foi a aparição de pernas femininas nas telas de tevê. a bemvinda liberalização da moderna China parece ser irreversível. onde mais de 12 milhões de . As autoridades ficaram suficientemente sensibilizadas e proibiram a exposição inadequada das perna s femininas na tevê. Entre tanto. um grupo de estuda ntes apresentou uma queixa formal exigindo "uma tela [de tevê] livre desse lixo co mercial que expõe o corpo feminino para vender produtos de beleza". mas em poucas semanas as belas pernas estavam de volta. por exemplo. Tem várias vantagens: é ma is fresco. O uso de meia s de seda ou náilon se popularizou também como uma maneira de aumentar a aparência de suavidade das pernas. A China comunista também impôs graves restrições às mulheres durante qu ase todo o século XX. Um poeta do século XVII cantou em versos as pernas de sua amada: "Pudera eu beijar as deliciosas pernas de minha Julia. Nos países muçulmanos tiranizado s por líderes religiosos conservadores. Hoje. A pele lisa e suave das pernas femininas (às vezes aperf eiçoadas com uma pequena ajuda no banheiro) contrasta com a pele peluda das pernas masculinas. Outro aspecto da s ensualidade das pernas é sua suavidade. Uma alternativa moderna é a aplicação de um spray sedoso que ade re à pele e produz um efeito muito semelhante ao das meias.

existe uma vantagem em ter pernas longas. não só porque são diferentes. Está provado que. as pernas são maiores que as da criança tanto em termos relativos quanto em termos abso lutos. os cartunistas começaram a explorar esse aspecto. desenhando figuras d e pernas muito mais longas que as das modelos reais. Não é difícil descobrir por que pernas compridas são tão atraentes. a sol ução do spray é ideal. Pernas muito finas. mas também po rque são sinal de um corpo vigoroso e saudável. É claro que se eles tivessem exagerado demais os desenhos ficariam grotescos. Na déca da de 1940. a mais votada (Nicole Kidman) é famosa por suas longas pernas. Numa recente pesquisa em que mil homens foram solicitados a dizer que atriz tinha as mais belas pernas. ter pernas mais compridas acabou sendo sinal da chegada da maturidade sexual. Como na puberdade ocorre um rápido crescimento das pernas. não são atraentes para o hom em. uma mulh er de pernas anormalmente longas transmite sinais de extrema feminilidade. Dá às pernas a suave aparência "vestida" adequada ao local de trabalh o sem nenhuma das desvantagens das meias.mulheres trabalhadoras são proibidas pelas empresas de expor as pernas nuas. Portanto. Na mulher adulta. Outra diferença de gênero é a forma curvilínea das pernas femininas em comparação com as musculosas pernas masculinas. nem muito gordas — estão associadas (na mente primitiva do macho) a uma condição física ideal para a procriação. assim como pernas muito gordas e grossas. . tão populares no m undo da moda. Finalmente. a condição física adequada à procriação é um atributo que desperta gr nde interesse sexual. em tod as as culturas humanas. mas o alongamento na medida cer ta deu às mulheres retratadas uma maior sensualidade. As suaves c urvas ascendentes atraem o olhar dos homens. Pernas curvilíneas — nem finas demais.

do púbis aos mamilos e dos mamilos ao topo da cabeça. as mulheres r eais pareciam ter pernas cada vez mais longas.Desde então. e (5) seu acelerado crescimento na puberdade faz com que pernas longas passem uma mensagem de prontidão sexual. durante toda a segunda metade do século XX e início do XXI. a patela.5 cm mais compridas que a média — o que mostra a grande variação existente nas m edidas das pernas femininas adultas. Deix ando de lado o sex appeal das pernas. (4) suas curvas enfatizam as formas do corpo feminino. Em outras pal avras. As pernas cor respondem à metade da altura do corpo. A base esquelética das pernas compreende quat ro ossos: o fêmur. Evidentemente. As pernas mais longas do mund o pertencem a uma adolescente e medem 124 de seus 190 cm. as pernas são metade do comprimento do corpo. Quando um pintor faz um esboço acurado do cor po humano. até que hoje é impossível para uma mo delo que tenha pernas curtas encontrar emprego. A tendência continuou ano após ano. São pernas proporcionalm ente 30. fotógrafos e diretores de cinema preferirem mulheres d e pernas longas. as pernas são sexual mente excitantes porque (1) o ponto onde elas se encontram é foco da atenção erótica mas culina. o osso mais comprido do corpo humano. divide-o em quatro partes praticamente iguais: do chão aos joelhos. que protege a p arte frontal da articulação do joelho. (2) suas diversas posturas indicam preocupações eróticas. (3) a roupa mais cur ta permite a exposição de porções de carne que em geral permanecem escondidas. Para resumir. dos joelhos ao púbis. . vamos analisar sua anatomia. isso resultava do fato de estilistas de moda.

a mulher já saltou mais de 2 metros no ar e conseguiu dar um salto em distância de 7. existem imensas diferenças entre. A pessoa caminha com passos muito curtos.5 metros. e a fíbula. que se articula com o fêmur. Para ilustrar o que estou dizendo. que se situa ao lado da tíbia. No aspecto cultural. Foram identificadas 36 maneiras de and ar na espécie humana — do andar lento de cerca de um passo por segundo ao caminhar n ormal de dois passos por segundo até o andar rápido de quatro passos por segundo —. mas existem enormes diferenças pessoais. As japones as são perfeitas quando se trata de um andar mais formal. Tais feitos de força e resistência testemun ham a evolução das pernas femininas ao longo de 1 milhão de anos. é um exagero do andar característico das mu lheres. É o andar típico das mulhere s quando estão usando saias muito justas ou sapatos apertados.a tíbia. O miudinho é um andar de passos rápidos mas curtos. ma s apenas nove delas são predominantemente femininas e merecem uma breve menção: 0 vaci lante é o andar das pessoas cujas pernas não são capazes de percorrer longas distâncias com conforto. A maneira de caminhar de diferentes indivíduos e de diferentes cultu ras há muito fascina os observadores. Uma maratona de dança que levou os participantes à exaustão durou 214 dias. e muitas mulheres famosas tém um andar tão característico que é fácil imitá-las. . por exemplo. enquanto as americanas são melhores em tipos de locomoção mais casuais. mulheres japonesas e americanas. bas ta-me citar os nomes de Mae West e Marilyn Monroe. Na verdade. Normalmente. só que os passos curtos ficam ainda menores. Muito já se escreveu s obre o andar. Impulsi onada por pernas fortes e bem-moldadas. o passo da mulher é mais curto qu e o do homem.

O peso pas sa de uma perna para a outra. hoje restringe-se praticamente ao Ja pão. com um elemento de rotação . rápidos e indecisos. É uma versão mais rápida do pulado. com uma ação mais vigorosa das pernas. Isso se deve à maneira como as pernas femininas estão presas à bacia. A corrida nos interessa particularmente porque a conformação corporal da mu lher a obriga a executá-la de uma maneira ligeiramente diferente da do homem. Outrora comum entre mulheres da alta sociedade em algumas partes da Europa. com pequen os saltos desnecessários. a mulher precisa usar saias bem longas. O disparado é um andar ansioso. tornase uma caricatura sexual. Se exagerado. O gingado é o andar erótico da mulher que quer atrair atenção. O deslizante é uma versão elegante do miudinho. O passo largo é usado pelas mulheres que imitam o vigor do an dar masculino. fazendo os quadris oscilarem. O pulado é o andar típico da adolescente quando caminha com um movimento flexível que faz o corpo saltar a cada passo. com muitas idas e vindas e súbitas mudanças de direção. Essa mesma conformação a natômica que permite à mulher cruzar as pernas entrelaçadas lhe dá uma diferente maneira de correr. que ocu ltem o movimento dos pés. Para criar o efeito desejado. Marilyn Monroe realçava seu famoso gingado usando sapato s de salto alto que tinham um salto ligeiramente menor que o outro. que re vela saúde e otimismo. É um andar alegre. Com movimentos curtos e delicados dos pés. O saltitante é um andar alegre e rápido.Pode ser descrito como um andar que demonstra "afetada precisão". o corpo par ece deslizar para a frente como se sobre rodas. cheio de movimentos curtos.

Essa corrida desajeitada sugere que. se observarmos uma mulher menos musculosa e mais voluptuosa correndo para pegar um ônibus. Essas normas de "bom comportamento" parecem estranhas nos dias de hoje. nem tampouco gesticula enquanto caminha". para chegar a ser uma atleta de ponta. o passo arrastado e a corrida. Em hipótese algum a balança os braços. havia leis estritas determinando como uma dama devi a caminhar num local público. e no entanto não há o menor sinal de rigidez. mas.que não existe na corrida do homem. Essa nova informalidade permitiu o aparecimento de maneiras muito pessoais de caminhar. Um antigo livr o de etiqueta descreve uma mulher cujo andar era socialmente aceitável: "Seu corpo se mantém ereto em perfeito equilíbrio. Algumas formas de locomoção são provocadas por estados emocionais. mas. Em tempos mais formais. Um século atrás. quando uma mulher simplesment e sai de casa e caminha pela rua sem pensar que está colocando um pé diante do outro . e não dos joelhos. E la dá passos médios e caminha a partir dos quadris. O corpo das atletas não exibe as usuais curvas e seios fartos. ela devia evitar o "caminhar atlético". sua camada de gordura é muito reduzida. livres das imposições da etiqueta. o corpo feminino sacrificou algumas de suas ca pacidades atléticas adequadas à corrida. Essas regras variam de uma época para ou tra. Essa diferença quase não é percebida porque é mais com um vermos atletas correndo. que acabou sendo uma especialização do homem (c açador primitivo). ficará evidente a típica rotação da perna. sem nenhum traço da rotação da pe rna tipicamente feminina. . a mulher é escolhida entre milhões de outras por seu andar masculino. o trote. o "passeio despreocupado". Essas são as corredoras que vemos nas telas da tevê. en quanto outras resultam de normas sociais. em sua especialização para a procriação. e n a corrida suas pernas executam um movimento frontal.

exc lusivamente masculina. a reverência praticamente só é u sada quando uma dama cumprimenta um membro da realeza. No século XVII.Finalmente. mas antigamente era muito comum como gesto de agradecimento. um movimento das pernas que merece menção. Hoje. quase sempre acompanhado de uma curvatura da cabeça. é a reverência — uma saudação na qual um pé é colocado atrás outro e as duas pernas se dobram ligeiramente. e a curvatura. onde as atrizes tendem a copiar os atores e agradecem à platéia com uma curvatura. embora esteja desaparecendo r apidamente na sociedade moderna. Essa divisão por sexo só não ocorre no teatro. . A única exceção a essa norma ocorre quando a peça que foi representada se passa numa época em que a forma c orreta de saudação era a combinação entre reverência e curvatura. esses dois elementos — a flexão das pernas e a curvatura da cab eça — se separaram: a reverência tornou-se exclusivamente feminina.

correr. saltar. Como ocorre com outras partes do co rpo. O que torna isso possível é o pé humano — uma obra-prima de engenharia. com os quais mantém nosso equilíbrio e nos permite caminhar. o que fez muitas mulheres sofrerem ao longo da história. e no entanto raramente merece um pensamento. E struturalmente. somos obrigados a dar um passo após outro p ara subir ou descer uma escada. Os pés da mulher são menores e mais estreitos que os do homem. vamos analisar a anatomia do pé.8 cm. os pés nos servem sem esforço e nos transportam por ambientes mutáveis . Consideramos a postura ereta algo natural. Mas. PÉS Os pés são outra parte da anatomia humana que mostra as diferenças entre homens e mulh eres. o c omprimento médio é de 26. 114 ligamentos e 20 músculos. levamos um choque e perde mos o equilíbrio. Nos homens. ou quando nos deparamos com algo inesperado.4 cm. na semi-escuridão. o calcanha r da mulher é mais estreito em relação à planta do pé. Calculase que. o pé toca o chão mais de 270 milhões de vezes durante a vida. Obedecendo às in dicações dos olhos. É uma tarefa formidável. numa mulher ativa. Se um pé pequeno é uma característica feminina. essa diferença de tamanho tem sido explorada e exagerada. o pé contém 26 ossos. espremidos. Especificamente. então um pé muito pequeno será superfeminino. dançar e chutar.23. como afirmou Leonardo da Vinci. Quando não encontramos uma superfície que julgávamos e star ali. nas mulheres. de 24. e no entanto ela é extremamente rara entre os mamíferos. Elas tiveram os pés apertados. antes de tratar desses dolorosos procedimentos. Nesses raros momentos . Um dos únicos momentos em que nos lembramos de seu maravilhoso trabalho é quando o s olhos nos faltam e. e smagados e imobilizados em nome da beleza.

no curso da evolução. o segund o os torna mais estreitos. O polegar se alinhou com os outro s dedos e não pode mais ser usado para agarrar objetos como as mãos. mas também os submetem a enormes pressões. fazê-los muito pontudos . A primeira é a absorção do choque quando o pé toca o c a segunda é a sustentação do peso do corpo. fomos obrigados. e a terceira é a propulsão que nos empurra par a a frente. ter pés maiores repre sentou uma vantagem. Três recursos têm sido utilizados pelos fabricant es de sapatos para que os pés de suas clientes pareçam menores do que são na realidade . Na especialização do macho da espécie humana como caçador cooperativo. Eles eram necessários para a caçada. essas três mudanças na estrutura natural podem produzir pés mais "atraentes". O primeiro é fabricar sapatos apertados demais. durante séculos as mulheres tentaram comp rimi-los em sapatos desconfortáveis. que permaneceram menores e mais ágeis. a fazer um pequeno sacrifício: deixamos de ter polegares opostos como os outros primatas. dotá-los de saltos altos. Por isso não somo s tão acrobáticos quando se trata de subir numa árvore. mas essa é uma perda pequena com parada com o imenso ganho que obtivemos em velocidade para caminhar e correr.nos lembramos da brilhante tarefa que nossos pés executam o tempo todo. e o terceiro os faz parecer menores por elevar a posição do calcanhar. . O primeiro recurso aperta os pés. Juntas. os pés realizam três funções. Para que elas sejam eficient es. Na tenta tiva de exagerar esse atributo feminino. Essa pressão evolucionária não s e exerceu sobre os pés das mulheres. Essas três funções são executadas a cada passo. Quando cam inhamos. Não é por acaso que 80% das cir urgias de pé são realizadas em mulheres. o segundo. e o terceiro.

. A mulher que tenha a infelicidade de possuir pés grandes e masculinos será considerada anormal — tão estranha que o pianista de jazz Fats Walle r lhe dedicou uma canção. Essa paixão por pés pequenos atingiu tal inten sidade em outros séculos que algumas damas da sociedade ficaram famosas por terem amputado os dedos mindinhos para que seus pés coubessem em sapatos ainda mais pont udos. não admira que muitas mulheres cheguem a a bsurdos para reduzir o tamanho dos pés. Um minúsculo sapatinho de pele era usado para testar a s noivas em perspectiva. nas costas e até dores de cabeça. provocando dores nas pe rnas. Um príncipe procurava uma esposa. explicando-lhe que. numa mesa para dois.. ele perc ebeu o sangue manchando as meias. A moça amputou o dedão e ape rtou o pé sangrando dentro do sapatinho. para satisfazer sua exigência de feminilidade. P ara mim você parece um fóssil. seus pés grand es e você. Então a mãe a aconselhou a cortar o dedão. mas a história original é selvagem e sangrenta.. nunca mai s precisaria caminhar. [. Por isso. mas. Ele então a . mas daí para baixo há pés demais. ela prec isava ter pés muito pequenos. Na verdade. Sim. somos quatro: eu. A menção à amputação nos traz inevitavelmente à mente a cruel história de Cinderela. é uma rejeição direta que a expõe ao ridículo com as se uintes palavras: "No Harlem. quando partiu com o príncipe.] Oh! suas extremidades são colossais.O equilíbrio do corpo é perturbado pelo formato dos sapatos.. depois que se cassasse com o príncipe. mas. Dos calcanhares para cima você com certeza é delicada. Duas irmãs estavam desesperadas para ser escolhidas. seus pés são grandes demais. A ma is velha tentou enfiar o pé no sapatinho. A ersão atual de Disney é leve. Mas o horror que ter pés grandes representa não deixa a mulher desistir." Portanto. mas não conseguiu. não tinha nada a perder.

Para entender o motivo de tal ênfase nos pés. enquanto Cinderela er a bela. que parece ter entrado na histór ia por um erro de tradução. O príncipe só tinha uma exigência: que os pés da noiva coube ssem em minúsculos sapatinhos de pele — não de cristal. Só então o príncipe encontrou Cinderela. precisamos saber que ess a história nasceu na China. mesmo sendo um costume bárba ro. onde durante séculos amarrar os pés das meninas foi uma prát ica comum nas famílias da casta superior. Surpreendentemente. Essa pobre moça teve o calcanha r cortado para que o pé pudesse caber no sapatinho. Quando era pequena. jatos de sangue puseram fim à farsa e ela também foi rejeitada. mas entre 6 e 8 anos pa ssava pela agonia de ter os pés amarrados. Mas isso é um engodo. c ujos pequeninos pés cabiam perfeitamente nos sapatinhos e que se tornou esposa do fetichista. os pés eram lavados em água quent e e massageados. Vamos acompanhar esse processo. Depoi s a faixa rodeava o tornozelo. Mais uma vez. o costume de amarrar os pés das jovens começou no século X e durou mais de mil anos. que confundiu vair (uma pele rara como a zibelina) com v erre (vidro). Então. Na China. Primeiro. que lhe ofereceu a outra filha. a pequenez dos pés de uma moça era um sina l fundamental de beleza. os quatro dedos menores eram cruelmente curvados para trás e amarrados. só foi proibido no início do século XX. com uma bandagem de 5 cm de largura e 3 metros de comprime nto. Lá.devolveu para a mãe. a menina tinha permissão para correr livremente. fazendo com que os dedos curvados se . Isso ocorreu porque a versão mod erna de Cinderela converteu as duas irmãs em moças horrorosas. A estranha premissa da história — a de que um homem de alta condição social procure uma mulher de pés pequenos sem levar em conta suas outras qualidades — parec e ter passado despercebida pelas platéias modernas.

o desamparo de uma . As esposas eram literalmente incapazes de se afastar do marido. Um dos motivos para a atadura dos pés era sexual. Além disso. usava um sapato 0. já que não podiam fazer nenhum trabalho manual . Só com a modernização da China no século XX e o fim da sociedade dos mandarins essa fo rma de mutilação foi abolida. essas meninas estavam ale ijadas para sempre. como eram chamados os delicados pezinhos pelos seus admiradores. Por incrível que pareça. Alem disso e de outras idéias eróticas ainda mais grot escas sobre o Lótus Dourado. Apesar da dor. mais maravilh osa a concavidade da vagina". o amante podia colocar todo o pé na boca e chupá-lo com avidez. era obrigada a caminhar para que o pé s e acostumasse à nova forma. juntando os pés. Dizia-se que. Os Lótus Dourados. Essa era a vantagem social da deformid ade. O resto da bandagem era enrolado várias vezes em volta do pé.juntassem ao tornozelo.25 cm menor que o anterior. tinh am um significado erótico. Quando atingiam a idade adulta. Os mais sádicos apreciavam a facilidade com que podiam fazer a mulher gritar dura nte o ato sexual simplesmente apertando o pé mutilado. su a forma arredondada oferecia um falso orifício que podia ser usado como uma vagina simbólica. para que ele não pudesse voltar à posição normal. apanhava. o objetivo era reduzir o comprimento do pé a 1/3 do seu tamanho normal. Dizia-se que a vagina verdadeira também se beneficiava com a maneira res trita de andar causada pelos pés atados: "Quanto menor o pé da mulher. mas ofereci am uma permanente demonstração de status. Só o polegar escapava ao castigo. Se a menina chorasse. A cada quinze dias. além de beijar os pés das amadas durante as p reliminares do sexo. incapazes de caminhar normalmente e limitadas a umas poucas atividades físicas que conseguiam realizar.

cuja vida se concentrava nos genitais) "e que tinha tantos f ilhos que não sabia o que fazer". e se a mulher tem pés muito pequenos. Tant o os sapatos quanto os pés figuram no estranho mundo dos fetichistas. Mas isso nada mais é do que uma simplificação das diferenças de gênero em relação ao tamanho dos pés. Ela estava à mercê do homem e sofreu nas mãos dele durante séculos. Pode se curvar aos pés de uma parceira domina dora e obedecer às suas . E as moças sicilianas que procuram marido sempre dormem com um sapato sob o travesseiro. acariciado. No mundo bizarro das fantasias sexuais. como diz um conto popular. O homem pod e ou não assumir um papel de subordinação. "Era uma vez uma velha que morava num sapato" ( em outras palavras. Acredita-se que. e é por isso que. esse modelo de sapatos torna-se uma arma brutal de tortura para o homem masoquista no momento em que a parceira sobe em seu corpo e o perfura com seus saltos pontiagudos. E é por isso que sapatos são amarrados à traseira do c arro dos recém-casados e que um homem romântico bebe champanha no sapato da amada.mulher que tinha os pés atados provocava uma excitação geral. Não só na China. Esses e muitos o utros costumes populares confirmam a ligação simbólica entre os sapatos e o sexo. o simbolismo dos pés é sexual. Para esses h omens que têm uma fixação erótica em pés. tem uma vagina estreita. tem também um pênis grande. O sapato tem sido utilizado como símbolo dos genitais femininos. se o homem com pés muito grandes. os sapatos preferidos são sempre os de saltos muit o altos e finos. U ma velha tradição francesa exige que a noiva guarde os sapatos que usou no casamento e nunca se desfaça deles se quiser ser feliz para sempre. É beijado. mas em outras partes do mundo. Já o pé descalço d esempenha um papel diferente. lambido e sugado.

toda essa atenção dedicada aos humildes pés parece decididamente esq uisita. Existem na pele dos pés glândulas especializadas que transmitem sinais pessoais sobre o indivíduo. Dentro de no ssos sapatos onde o ar não circula. quando o homem andava nu. ele consegue perc orrer 5 quilômetros. mas na vida urbana atual tudo isso mudou. Afinal. No nosso passado remoto. os pés ficam a maior parte do tempo enfiados num invólucro de couro que estimula o desenvolvimento de bactérias e até fungos. E também pode não haver nenhum elemento sadomasoqu ista. por que certos indivíduos ainda acham essa parte do corpo nada sensual tão estimulante? Por que um libertino experiente como Casanova chegou a a firmar que "homens dotados de grande apetite sexual sentem uma forte atração pelos pés femininos"? Existem duas respostas para essas perguntas. Se isso parece improvável. caso em que o pé é massageado e beijado como parte da excitação normal. basta lembrar que um cão de caça é capaz de seguir a pista de um homem depois de 24 horas. Uma está ligada às glândulas e outra ao simbolismo sexual. Ainda hoje. torturando gentilmente a parce ira com a boca até levá-la ao prazer. Para a mai oria das pessoas. as bactérias proliferam rapidamente e as secreções o doríferas logo desaparecem. Se andássemos descalços. algumas tribos são capazes de detectar essa fragrância e dizer quem passou por um determinado caminho e quando. esse sinal odorífico d os pés tinha uma utilidade. Em apenas 18 minutos. .ordens. ignorando todos os outros fortes odores que podem cruzar seu caminho. deixaríamos um ra stro de nossa fragrância pessoal por onde passássemos. O mau cheiro dos pés é tão comum que vários produtos são vendidos para combatê-lo. Tudo isso devia tirar muito do pode r erótico dos pés. Mas também pode assumir um papel dominante. Então.

Não surpreende. certas partes do corpo se tornam "ecos anatômicos" de outros órgãos. Essa umidade não pode evaporar como a natureza desejaria. e não como ele deveria ser. a cavidade da b oca lembra a vagina. e o contato com ele pode ser excitante para ambos os pa rceiros. Sugar o dedo d o pé de uma mulher dá ao amante a sensação de estar tocando um mamilo gigante. às vezes percebemos que as palmas da mão suam. para algumas pessoas. e nossos pés sofrem. Quando libertad o da prisão dos sapatos. um imenso clitóris ou mesmo a língua. Li vres dos sapatos. em momentos de ex citação sexual. mas estudos psiquiátricos provaram que. e os pés começam a cheirar mal. ele se transforma no pé cheiro so que a natureza criou. os dedos se separam e se curvam. portanto. um dedo esticado torna-se um pênis e seios lembram nádegas. banhado. a proposta sexual é totalmente diferente. Mais uma vez. .Se não trocamos de sapatos e lavamos os pés todos os dias. Além disso. De repente. Elas pensam no pé como ele quase sempre é atualmente. a natural fragrância agradáve l se deteriora rapidamente. limpo e pronto para ser acariciado pelo amante. que pode se tornar intensamente erótico. Em momentos de tensão e ag itação da vida moderna. No cére bro tomado de excitação. os lábios da boca se tornam os lábios vaginais. eles reagem ao toque. que para tantas p essoas a idéia de beijar os pés seja repugnante e não tenha nada de erótica. essas ilações simbólicas podem parecer improváveis. Além desse elemento primitivo também existe uma atração simbólica. mas não percebemos que nossos pés transpiram dentro dos sapatos. N o momento do orgasmo. os pés femininos não são insensíveis às carícias. como se os pés quisessem ac ompanhar os espasmos que dominam o corpo no clímax. durante as preliminares do sexo.

1. Ainda mais extremo foi o caso da princesa Eugênia.060 pares. entre elas sapatos absurdamente caros. e sposa de Napoleão III. só possuía 1. Felizmente. foi um exemplo. inspirado nos sapatinh os mágicos de rubi usados pela . Im elda Marcos. e calcula-se que hoje a sra. de qualquer modo. podemos dizer que. Talvez o exemplo mais extraordinário de excentricidade em sapatos seja o par que foi exposto na Harrods de Londres n a primavera de 2003. O modelo. Imelda foi acusada de "colocar o prazer dos seu s pés" acima das necessidades de seu povo. apesar da maneira como são tratados. viajando o mundo to do para comprar sapatos. os pés femininos têm sido explorados como foco de demonstrações de poder que ass umem várias formas. e que. Curio samente. Deixando de lado os aspectos eróticos. cordões de ouro nos torno zelos.220 estão expostos no recém-inaugurado Museu do Calçado das Filipinas. uma coleção que ocupava cinco salas do palácio presidencial de Manila. Recentemente. os pés continuam sendo uma forte zona erógena para os dois parceiros. Era um par de sandálias criadas pelo estilista Stuart Weitzma n que exibiam 642 rubis incrustados em platina. Algumas mulheres demon straram seu poder e riqueza pelo tamanho de sua coleção de sapatos. ex-primeira dama das Filipinas. Marcos já tenha conseguido criar uma nova coleção de mais 2 mil pares. que se recusava a usar um par de sapatos mais do que uma ve z. anéis para os dedos e elaboradas pinturas das unhas. Ela retrucou que os havia colecionado c omo "símbolo de amor e gratidão".060 pares. Dizia-se que ela chegou a ter mais de 3 mil pares. de modo que os sapatos descartados podiam s er enviados a orfanatos e servir às pequenas órfãs. Depois que ela e o marido foram afastados do poder.Resumindo. ela tinha pés pequenos. desses 1.

e previa-se que os modelos futuros seriam 2 0% mais estreitos e pontiagudos.menina Dorothy em O mágico de Oz. Cinderela está viva. removendo uma pequena parte do osso. Os podólogos (ortopedistas especializa dos no tratamento dos pés) têm se recusado a fazer essa cirurgia. Isso levou algumas mulheres nos Estados Unidos a solicitar a remoção cirúrgica do dedo mindinho. precisamos admitir que o anseio p or pés anormalmente pequenos é uma dolorosa tradição que ainda sobrevive. Isso permite à mulher espremer os pés recém-esculpidos nos sapa tos criados pelos estilistas modernos. . Os sapatos estão se tornando cada vez mais estreitos e pontudos. foi colocado à venda por 1 milhão de libras esterlin as (aproximadamente US$ 1.5 milhão). mas alguns concord am com a opção menos drástica de encurtar o segundo e o terceiro dedos. Os atuais esti listas de sapatos impõem torturas cruéis a suas clientes. Finalmente.

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