A Mulher Nua Desmond Morris

Índice AGRADECIMENTOS CONTRA-CAPA ORELHA INTRODUÇÃO 1. A EVOLUÇÃO 2. CABELOS 3. TESTA 4. ORELHA S 5. OLHOS 6. NARIZ 7. BOCHECHAS 8. LÁBIOS 9. BOCA 10. PESCOÇO 11. OMBROS 12. BRAÇOS 1 3. MÃOS 14. SEIOS 15. CINTURA 16. QUADRIS 17. BARRIGA 18. COSTAS 19. PÊLOS PÚBICOS 20. GENITAIS 21. NÁDEGAS 22. PERNAS 23. PÉS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 3 4 5 6 10 14 34 49 61 80 92 100 117 126 135 143 154 171 192 202 207 217 226 238 257 273 288 298

Agradecimentos Quero expressar meu especial agradecimento à minha mulher, Ramona, por seu incansáve l encorajamento e suas críticas construtivas; a meu colega Clive Bromhall, por mui tas e valiosas discussões; à Random House e a Marcella Edwards, Caroline Michael, Da n Franklin e Ellah Allfrey por sua competência editorial; a Nadine Bazar, por sua cuidadosa pesquisa iconográfica; e a Davi d Fordham, pelo projeto para o caderno d e fotos.

Contra-capa Há 5 mil anos, senhoras da elite do antigo Egito faziam questão de raspar a cabeça par a ostentar perucas com cabelos femininos de povos subjugados. Na região hoje conhe cida como Alemanha, durante as tempestades, mulheres exibiam as nádegas nuas à porta de casa. para afastar desgraças: exclusivos da raça humana, os hemisférios glúteos seri am uma visão capaz de repelir os demônios, desprovidos desse detalhe anatômico. Já na In glaterra vitoriana, a barriga tinha conotação sexual tão forte que seu nome nem sequer podia ser pronunciado, dai a criação do eufemismo dor de estômago". O escritor e zoólog o inglês Desmond Morris — autor do bestseller mundial O macaco nu - reúne essas e muit as outras observações curiosas em A mulher nua. Neste revelador estudo sobre o corpo feminino, o autor descreve, dos cabelos aos pés, cada parte da anatomia, suas funções e sua evolução, explicando como certas características foram valorizadas ou desprezad as, conforme os costumes de cada época. Trafegando na fronteira da zoologia com a história e a sociologia, Morris desnuda, enfim, os processos que levaram a mulher a se transformar naquilo que ele define como "o mais extraordinário organismo exis tente no planeta".

Orelha Toda mulher tem um corpo belo. Brilhante fruto de milhões de anos de evolução, de surp reendentes ajustes e refinamentos sutis, ele é o organismo mais extraordinário exist ente sobre o planeta. Em diferentes épocas e lugares, as sociedades humanas tentar am melhorar a natureza, modificando e embelezando o corpo feminino de muitas man eiras. Neste novo estudo, Desmond Morris dirige seu talento e sua atenção para a for ma feminina e conduz o leitor numa excursão "da cabeça aos pés". Esclarecendo as funções e volutivas das características biológicas da mulher, Morris explora os avanços e limitações criados pelas sociedades humanas no intuito de atingir o controle e a perfeição do corpo feminino. Escrito a partir da perspectiva de um zoólogo e apoiado na inigualáv el experiência de Desmond Morris como observador do animal humano, A mulher nua ap resenta fatos científicos, histórias interessantes e conclusões instigantes que provoc am reflexão.

Introdução Este livro conduz o leitor numa viagem pelo corpo feminino, explicando muitos de seus aspectos pouco conhecidos. Não se trata de um texto médico, nem de uma análise p sicológica, mas de uma abordagem zoológica, que celebra a mulher na forma como ela e xistia no mundo real, em seu ambiente natural. Muito mais do que o macho, a fêmea humana passou por mudanças drásticas no curso de sua evolução. Perdeu muitas dos atribut os femininos de outros primatas e, na forma da mulher moderna, tornou-se um ser ún ico de uma espécie extraordinária. Toda mulher tem um corpo belo — belo porque é o brilh ante coroamento de milhões de anos de evolução, fruto de surpreendentes ajustes e suti s refinamentos que o tornam o mais extraordinário organismo existente no planeta. Apesar disso, em diferentes épocas c lugares, as sociedades humanas tentaram melho rara natureza, modificando ou embelezando o corpo feminino de muitas maneiras- A lgumas dessas elaborações culturais foram agradáveis, outras foram dolorosas, mas toda s buscaram tornar a fêmea humana ainda mais bonita do que já era. O conceito de bele za tem variado muito, e cada sociedade humana desenvolveu idéias próprias sobre o qu e considera atraente. Algumas culturas apreciam figuras esguias, outras preferem as formas mais arredondadas; algumas gostam de seios pequenos, outras os apreci am vastos; algumas apreciam cabeças raspadas, outras valorizam longas e luxuriante s cabeleiras. Mesmo na cultura ocidental, o instável mundo da moda continua criand o novas prioridades. Por isso, à medida que viaja da cabeça aos pés da mulher, este li vro explica os interessantes atributos

as fêmeas ocupavam o centro da vid a social. as mulheres apre nderam a lidar com vários problemas ao mesmo tempo. caçando. na q ual analisei detalhadamente a natureza do relacionamento entre machos e fêmeas da espécie humana ao redor do mundo.biológicos que todas as fêmeas humanas partilham. Pa ra mim. Como viviam em pequenas tribos. tenta oferecer um quadro completo do mais fascinante tema do mundo: a mulher nua. coletando e preparando o alimento. em outras partes do mu ndo milhões de mulheres ainda são consideradas "propriedade" do homem e membros infe riores da sociedade. mas também discute as muitas maneira s pelas quais esses atributos foram exagerados ou suprimidos. com os machos longe. criando os filhos e organizando a t ribo. Dessa forma. Quanto mais eu viajava. Para elas. Nosso sucesso como espécie se deveu à divisão do trabalho entre machos e fêmeas.) Nunca houve a pretensão de um sexo . No aspecto pessoal. este livro reflete o fascínio que me mot ivou durante toda a vida pela evolução e pela condição da fêmea humana. Enquanto os homens se concentravam em sua tarefa crucial. is so significava que. isso me levou a criar uma série para a televisão americana chamada The Human Sexes. mais aborrecido e furios o ficava com a maneira como as mulheres eram tratadas em muitos países. em que os machos se especializaram na função de caçadores. um zoólogo que estudou a evolução humana. Há alguns anos. o movimento feminista simplesmente não existiu. aumentados ou redu zidos. Apesar dos avanços conquistados pelo movimento feminista no Ocidente. essa tendência à dominação masculina não te oerência com o modo como o como sapiens se desenvolveu ao longo de milhões de anos. (Essa diferença de personalidade ainda persiste.

Mas. a grande deidade era sempre uma mulher.dominar o outro. hom ens rudes passaram a garantir sua segurança e sua condição social superior às custas das mulheres. a religião desempenhou um papel fundamental nesse processo. Foi essa origem que as sufragistas e. em vez de seguir o origina! e tratar de ambos os sexos. Havia um eq uilíbrio primevo entre homens e mulheres. Depois da serie The Humam Sexes. Ocupando o centro das sociedades humanas. levando 0 leitor por uma viagem de i nspeção anatômica da cabeça aos pés. mas iguais. vilas e cidades foram construídas e os habitantes das tribos se tornaram cidadãos. Mantive esse esquema neste livro. dos cabelos aos pés. dedicaria o novo livr o exclusivamente ao corpo feminino. por ocasião de uma nova edição de meu livro Bodywatching. decidi qu e. Eles eram diferentes. essa questão passou a me preocupar cada vez mais. Parte do texto original de Bodywatching foi aproveitada. de 1985. ou. mas em outras regiões do planeta a subordinação feminina ainda é uma reali dade. . Pode-se imaginar que essas mulheres estivessem e xigindo um novo respeito social e novos direitos. na verdade. Ao longo das eras. quando a urbanização se espalhou . e. Em Bodywatching. que foram empurradas para uma condição social inferior que nada tinha a v er com sua herança evolutiva. simplesmente estavam buscando recuperar seu primitivo papel. mais tarde. examinei cada parte do corp o humano. Na maior parte do Ocidente. as feministas quiseram recuperar. Em tempos an tigos. Um confiava totalmente no outro para a sobrevivência. para ser mais exato. Esse e quilíbrio se perdeu quando a população humana cresceu. elas conseguiram. a Grande Deusa passou por uma desastrosa mudança de sexo e se transformou num au toritário Deus Pai. mas. com um Deus vingativo dando-lhes apoio.

eu soubesse tudo o que sei agora — depois de escrever este livro — sobre a complexidade do corp o feminino. e quem me dera que. Foi uma absorvente viagem de descobrimento. A mulher nua acabou se revelando uma obra inteiramente nova. . Embora tenha partido de um livro anterior. aos 18 anos.mas muito pouco. Apresento em cada capítulo o aspecto biológ ico de uma determinada parte do corpo feminino e então passo a examinar as várias ma neiras como diferentes sociedades modificaram esses atributos biológicos.

O homem continua brincan do e se divertindo por toda a vida — é um Peter Pan que nunca cresce. exploração e criatividade. Home ns e mulheres não seguiram essa tendência evolutiva da mesma maneira. quando se tornam adultos. os homens dão nomes diferentes a essa brincadeira: chama m-na de arte ou pesquisa. A Evolução Para o zoólogo. Ambos percorre ram esse longo caminho em direção ao "adulto infantil". Além dessa capacidade.1. viagem ou divert imento. onde. o ser humano é um macaco sem cauda com um cérebro enorme. Naturalmente. todas essas atividades envolvem inovação. O que mais s urpreende nele é seu incrível sucesso como espécie. mas . E são elas que nos tornam verdadeiramente humanos. Outros animais brincam quando são jovens. espalhando-se tanto e com tal veloc idade a ponto de mudar drasticamente a paisagem como uma praga de gafanhotos gig antes. ris co. mesmo na mais alta densidade populacional. que permite aos humanos manter caracteres juvenis na vida adulta. Enquanto outros macacos se esconde m em seus últimos refúgios. 6 bilhões de humanos ocupam quase todo o globo. música ou poesia. Como as brincadeiras infantis. aguardando a chegada das correntes que irão aprisioná-los. O segredo desse sucesso é sua capacidade de viver em agrupamentos cada vez maiores. são capazes de se adapta r às tensões da vida e continuar procriando sob condições que qualquer outro macaco acha ria insuportáveis. existe ainda uma curiosidade insaciável que os faz buscar sempre novos desafios. mas perdem essa qualidade quando amadurecem. Essa combinação mágica de sociabilidade e curiosi dade foi possível graças a um processo evolucionário chamado neotenia. esporte ou filosofia.

e por isso se especializaram em ati vidades arriscadas. as mulheres não podiam cometer erros graves. os homens têm quinze vezes mais chances de sofre r um acidente que as mulheres. mas mental. para ter sucesso na caça. os machos eram obrigados a correr riscos. havia tão poucos seres humanos no planeta que a taxa de natalidade era extrem amente importante. em tempos primiti vos. o tato e a visão das cores. as mulheres primitivas eram valiosas demais para serem expostas ao risco da caçada.avançaram num ritmo um tanto diferente e com diferentes características. isso não reduziria a capacidade de procriação das pequenas tribos. Embora freqüentemente crie prob lemas para os homens. A inovação sempre envolve risco: o de experiment ar algo desconhecido em vez de se apegar a tradições testadas e confiáveis. Os homens são ligeiramente mais infantis em seu comportamento. É importante lembrar que. a taxa de na talidade ficaria imediatamente ameaçada. Eis alguns exemplos. com responsabi lidade sobre quase tudo exceto a caça. Mas. As mulhere s precisavam ter cuidado. a audição. Aos 30 anos. as mulheres. No curso da evolução. to rnaram-se ótimas na comunicação verbal e desenvolveram mais o olfato. Isso ocorre porque eles conservam mais que as mul heres 0 elemento de risco da brincadeira infantil. esse era um atributo valioso nos tempos primitivos. E ficaram mais resistentes às doenças — como mães. quando . Se alguns deles morressem em ação. . Existem mais homens inventores do que mulheres. em sua anatomia. Além disso. sua saúde é de vital im ortância. No papel de centro da sociedade tribal. ao passo que os machos eram menos necessários. elas se especializaram em fazer várias coisas ao mesmo tempo. A disposição para o risco não é apenas física. se algumas mulheres morressem.

A reação paterna ao co rpinho gordinho de seus bebês era tão forte que podia ser explorada pela fêmea adulta. enquanto o fe minino tem 15 quilos. O homem adulto foi programado pela evolução para pro teger seus filhos. Por causa da d ivisão de trabalho durante a evolução. mais proteção ela conseguia receber d e seu macho. Quanto mais características de bebê apresentasse. O corpo do homem é 30% mais forte. o corpo feminino tinh a que ser mais protegido da fome. A voz grave masculina opera a 130 . O resultado foi que a voz da mulher permaneceu num tom mais agudo q ue a do homem. às vezes. a mulher manteve uma voz semelhante à das crianças. Os homens tornaram-se mais imaginativos e. a prole tinha que ser protegida durante seu lent o crescimento. e a com binação resultou cm sucesso. Enquanto o ho mem adulto de- .5%. Es sas diferenças se adaptam ao seu papel na sociedade. mais perversos. Devido à sua importância para a reprodução. Para vingar.Tudo isso se deve a uma diferença entre o cérebro da mulher e o do homem: eles conse rvam mais aspectos "infantis" que elas. o corpo arredondado da mulher contém e m média 25% de gordura.145 vibrações por segundo. 10% mais pesado e 7% mais alto que o da mulher. a história foi bem diferente. e com ela vieram muito s outros úteis atributos juvenis. Em outras palavras. os homens precisavam ser mais fortes e mais atlét icos para a caça. enquan to a voz aguda da mulher opera a 230-255 vibrações por segundo. enquanto o masculino tem apenas 12. e para isso precisava da atenção de ambos os pais. O corpo masculino contém em média 28 quilos de músculos. As mulheres tornaram-se mais sensíveis e carinhosas. A mulher também conservou caracterís ticas faciais juvenis e cabelos de aspecto evidentemente infantil. Fisicamente. Essa grande retenção de gordura na fêmea era uma característica fortemente infantil. Por isso. Eles se complementam.

um queixo e um nariz mais marcantes. mais neotênico — que o masculino em muitos aspectos. Tenho me dedicado a listar as várias diferenças entre os sexos. que o corpo feminino é mais avançado — ou seja. para resumir. Portanto. a mulher conservou sua face lisa e delicada de bebê. Entender isso nos ajudará a esclarecer muitos atributos da anato mia feminina que vamos encontrar nesta viagem da cabeça aos pés. além de bigode. tornaram o corpo da mulher um organismo altamente evoluído e maravilhosamente refinado. . à medida que o homem e a mulher percorriam seu trajeto evolutivo em direção a uma neotenia cada vez maior. É importante ressaltar o grau de diferenciação entre homens e mulheres.senvolveu uma fronte. enquanto a mulher desenvolvia mais atr ibutos físicos e menos qualidades mentais infantis. barba e pêlos no peito. por que muitos desenvolvimentos evolutivos especializados ocorridos na anatomia femi nina. mas muito l eves. o homem se comportava de uma maneira cada vez mai s infantil e mostrava menos mudanças físicas. Como veremos. Não explica tudo. mas é fundamental lembrar que tanto homens quanto mulheres são cem v ezes mais neotênicos em todos os aspectos que machos e fêmeas de outras espécies. As d iferenças entre homens e mulheres são verdadeiras e muito interessantes. em especial nas características sexuais e reprodutivas. Vou tratar delas neste livro apenas porque é importante deixar claro desde o início.

seja a profissão mais antiga do mundo. e m sua imaginativa reconstrução. assim como u ma cauda de pavão. as ilustrações mostram. e sua pele é funcionalmente nua. Quando um feto de chimpanzé tem cerc a de 26 semanas de idade. mas à distância eles são invisíveis. com uma imensa floresta cobrindo-lhe a cabeça. exibe uma distribuição capilar muito semelhante à de um adul to humano. Se alguma delas fizesse isso. Cabelos Hoje não existe praticamente nenhuma mulher que deixe os cabelos crescerem como a natureza queria. e o erro esconde um dos maiores mistérios da anatomia feminina: por que a fêmea humana desenvolveu essas madeixas ridiculamente longas? No antigo mund o tribal. É verdade que. e não a prostituição. sob uma lente de aumento. O fato de que nos . há algo de errado nisso. Isso torna seus cabelos longos ainda mais extraordinários. acabaria com uma cabeleira na alt ura dos joelhos ou. se tivesse pele escura. Qual foi a vantagem evolutiva desse desenvolvimento excessivo? Ainda mais estranho é que. exceto pelo topo da cabeça. A menos qu e o cabeleireiro. talvez porque não tenham resposta para ela. essa exagerada cobertura capilar seria um estorvo enorme. é possível ve r minúsculos pêlos cobrindo-lhe toda a pele. a fêmea humana quase não tem pêlos. Como nossos ancestrais remotos lidavam com esses extravagantes penteado s antes de inventarem as facas. pentes e outros utensílios é uma questão que nunca é discutida pelos antropólogos. tesouras. Não é muito difícil traçar a origem desse padrão capilar.2. pelas axilas e pelos genitais . quando seres pré-históricos são descritos nos livros. Seus cabelos são sempre curtos demais. mulheres que parecem ter feito uma misteriosa visita ao cabeleireiro antes de posar. Mui tas vezes.

pois possuem um corpo mais peludo. mas muito mais curtos e eretos — mais semelhantes aos penteados que vemos hoje em cabeças africanas. Além disso. era pouco pro vável que permitisse que os filhos a acompanhassem. os pêlos do peito não dariam qualquer conforto numa noite gelada nem evitariam uma insolação em dias de intenso calor. esse padrão tenha sobrevivido na vida adulta é outro exemplo de neotenia. M esmo ao mais peludo dos homens. quando não existe uma explicação óbvia. Os defensores da teoria aquátic da origem humana acreditam que perdemos nossa pelagem porque precisávamos nos ada ptar à natação. se nossos ancestrais evoluíram num tórrido clima africano. a idéia de manter a cabeleira. como pr oteção tem algum mérito. parece que a natureza nos dotou de um padrão capilar muito estranho se comparado ao de ou tros animais. além de bigode e barba. Os homens são menos evoluídos que as mulhe res nesse aspecto. mas não é capaz de ex plicar que vantagem ele nos deu em termos da sobrevivência da espécie. é provável que não mantivessem os cabelos compridos e flutuantes. Os críticos da teoria aquática a julgam infundada. A explicação fetal pode nos dizer onde o adquirimos. mas conservamos nossos cabelos para proteger o topo da cabeça dos raios do sol. nós preservamos o padrão capilar fetal durante toda a vida. Como sempre. Portanto. mas ambos os sexos se mantêm funcionalmente nus na maior parte da superfície corporal. Se a mãe mergulhasse em busca de comida.humanos. em ambientes aquáticos ou . A o contrário dos macacos. que desenvolvem um pelame antes de nascer. Eles também sugerem que os longos cabelos femininos tiveram outra uti1idad e: os bebês podiam agarrar-se a eles quando nadavam com as mães. Entretanto. abundam especulações.

) Se outros animais africanos conservar am a pelagem.não. e o resto do corpo pelado aumentaria d rasticamente o resfriamento proporcionado pelo suor. Os primitivos humanos eram animais tipicamente diur nos. quando o sol não é tão forte. se isso fosse verdade. Isso pode até lhes ter dado a idéia para suas primeiras roup as. À noite. precisavam proteger-se contra o forte calor do sol tropical. feitos de peles de animais enroladas no corpo. Mas. p or que os humanos dos paises frios não fabricaram um casaco de peles para proteger -se? A explicação mais provável é que o bizarro padrão capilar humano funcionasse como uma bandeira da espécie — um sinal que nos diferenciaria de todos os nossos parentes próx imos (parentes que desde então eliminamos). mas não esclarece o mistério da existência de longos cabelos flutuantes nas regiões frias do norte. Alguns antropólogos afirmam que os cabelos compridos ajudavam a manter o co rpo dos habitantes das regiões frias aquecido durante o inverno — como uma capa natu ral pendente dos ombros. encimados por longas capas de cab elos ou jubas eriçadas. Com corpos pelados. Se tentarmos imaginar um pequeno grupo de nossos remotos ancestrais antes que eles fabricassem roupas ou qualquer tipo de instrumento cortante. (O suor refresca cinco veze s mais a pele nua do que um corpo peludo. é claro que eles deviam parecer muito diferentes de tudo o que existia no planeta. protegendo o cérebro do superaquecimento —. Se os humanos primitivos se dedicavam à caça e à coleta nas savanas africanas duran te o dia. como outros macacos. Isso pode explicar o penteado de estilo africano — uma c abeleira espessa que cobre o crânio. quando dormiam. foi provavelmente porque eram mais ativos ao amanhecer e ao anoite cer. Uma vasta cabeleira lhes proporcionaria essa proteção. eles seriam imediatamente identificados como membros daque la nova . a longa cabeleira pode ter funci onado como um cobertor.

espécie que caminhava sobre as patas posteriores. E. A nece ssidade de adaptar-se a diferentes climas os colocou num caminho evolucionário que levou ao desenvolvimento de vários e diferentes tipos raciais. jamais seriam confundidos co m as fêmeas imberbes. c abelos encaracolados. Com seus corpos pelados e cabelos longos. Como ocorre com qualquer outra tendência evolutiva. além de servir para identificar a espécie e o gênero. barbas. Os machos. penachos. em zonas de clima moderado ou nas geladas cer ras do norte. cabelos lisos. Os primatas são animais predominantemente visuais. bigodes e t ufos de cores brilhantes. De mais perto. seu corpo precisava mudar para sobreviver. seria então possível fazer a disti nção entre os sexos. Cabelos crespos. mas um rápido exame dos outros macacos pode nos mo strar com que freqüência estranhos padrões capilares surgiram como sinais de identific ação das espécies. À medida que começaram a sair de sua terra natal na África e foram obrigados a se adaptar a diferentes ambientes. Mas existe outra razão para o padrão capilar dos humanos. cabelos . era importante que elas não se perdessem. de mo do que exibir evidentes sinais visuais seria a maneira mais rápida e eficiente de se distinguirem das outras espécies. jubas. As raças tinham que se diferenciar o mais possível. Talvez essa seja uma maneira sin gular de classificar uma espécie. esses huma nos passaram a diferir cada vez mais dos que ficavam em terras tropicais. cabelos ondulados. Há uma rica variedade de crinas. com suas faces peludas. Uma das maneir as mais rápidas de fazer isso era variar o padrão capilar humano. nos sos ancestrais humanos podiam ser avistados à distância e facilmente diferenciados d os primos de corpo coberto de pêlos. era necessário impor barreiras que reduzissem os cruzamen tos interraciais. uma vez conquistadas essas mudanças. Lutando pela sobre vivência em desertos áridos e quentes.

lareiras e aquecimento central. eles só levam à desarmonia. No futuro. Apenas duas delas tinham feito progresso: as relacionadas ao calor e à umidade (diferenças na pigmentação da pele. humanos polares e assim por diante. fabricamos trens e carros. ferrovias e rodovias. Graças à nossa inteligência avançada. diferenciar Esse processo começou a ganhar impulso desde um estágio muito primitivo. e depois aeroplanos. Não resta dúvida de que estávamos evoluindo para constituir um novo grupo de espécies intimamente relacionadas — humanos tropic ais. domamos cavalos e os montamos. N ossos diferentes estilos de penteado foram o primeiro sinal de que esse processo estava ocorrendo. Mas. enquanto isso. As diferenças que sobrevive ram entre as raças não são mais importantes. Mas. esses mecanismos de isolamento de verão desaparecer totalmente. As pop ulações modernas praticamente não precisam adaptar o corpo ao clima. humanos desérticos. Essas adaptações se t ornaram quase obsoletas. hoje não passam de uma chateação. qua ndo as populações estiverem ainda mais misturadas. Inventamos barcos e navios. à medida que os humanos foram se espalhando pelo globo. na densidade das glândulas sudoríparas e as pectos semelhantes) e as relativas ao sinais visuais: os padrões capilares. humanos temperados.loiros — variações desse tipo podiam rapidamente um grupo humano dos outros. Quanto aos diferentes formatos de cabelos que surgiram como mecanismos isolantes. precisam ser . antes que ele chegasse muito longe. Aprendemos a controlar o ambiente com roupas. mas no s misturamos em todas as partes do mundo. tornamo-nos incrivelmente móveis . inventamos a roda e construímos carruagens. ajudando a manter os diferentes tipos a fastados. As diferenças raciais estavam ainda num estágio muito preliminar de des envolvimento. Como não nos mantemos mais afastados. a história humana sofr eu uma reviravolta. com refrigeração e ar condicionado.

convém dizer que existem cerca de 100 mil fios de cabelo numa ca beça humana. Os cabelos foram exibidos. T ratando agora especificamente dos cabelos das mulheres. Em qualquer tempo. Ao contrário de muitos outros mamíferos. como compensação. p enteados. Se continuarmos imaginando — erroneamente — que os cabelos refletem p rofundas diferenças raciais. eles continuarão a nos causar problemas. As morenas têm cerca de 108 mil fios. soltos. coloridos e enfeitados de milhares de maneiras diferences. De modo geral. As loiras têm cabelos mais finos e. enquanto 10% estão descansando. é claro que suas longas ma deixas e sua face lisa devem ter criado um atraente contraste visual. são comuns e superficiais. enquanto as ruivas. 90% dos fios e stão crescendo. Podem chamar a atenção. Representaram um pouco de tudo: de glória da f eminilidade a motivo de tabus religiosos.compreendidos. alisados. que possuem cabelos mais espessos. ao longo dos séculos. presos. um depois do outro. não deve nos causar surpresa que. Antes de analisar essas mudanças mai s detalhadamente. Nossos cabelos se mantêm no mesmo vo lume em todas as estações. eles tenham sido alvo de tanta atenção. escondidos. têm apenas 90 mil. e como tal devem ser vistos. . No período de uma vida humana. Se. como d iscutimos. um número de fios ligei ramente superior à média — geralmente cerca de 140 mil. mas. cada fio cresce durante cerca de seis anos. os humanos não têm trocas de pêlo. cortados. ondulados. passa por uma fase de repouso de três meses antes de começar a cair. o crescimento excessivo dos cabelos evoluiu originalmente como um sin al visual. apesar disso. cada pa pila capilar produz cerca de doze fios. positiva e negativa. Então. Nenhuma outra parte do corpo feminino passou por tantas e incríveis mudanças culturais.

era natural que. em vez de cair depois de seis anos. em um c aso. com a chegada dos salões profissionais de cabelei reiros e dos sistemas de comunicação global. nesses jovens. Analisando os primeiros períodos históricos . crescem além disso. existem mais pente ados c cortes do que nunca. É como se o impulso genético para desenvolver cabelos humanos mais longos tive sse escapado de controle. criando indivíduos supercabeludos. sempre inventivo. que não existe mais um únic o modelo predominante. Em alguns cas os. Hoje. uma trança caída sobre o ombro direito. o ser huma no. no século XXI. os cabelos simplesmente continuam crescendo cada vez mais. Na era moderna. Com a individualidade na ordem do dia. é possível ver como os estilos foram mudando devagar. os cabelos atingiram 4 metros de comprim ento. Sabemos. com tanto cabelo a seu dispor. mas. até chegarem ao chão. são tantas as influências. cada fio cresce 13 cm por ano. com penteados bem característi cos de cada época. e essa é uma das características únicas da espécie humana. entre adultos jovens e saudáveis.Na média. Em uma americana. os fios podem atingir mais de 1 metro antes de começar a cair. se sentisse tentado a experimentar diferentes formas e est ilos. que isso ocorre há pel os menos 20 mil anos. por algumas das mais antigas imagens de Vênus. A ânsia de imitar celebridades . inclusive cabelos elaboradamente repartidos no meio da cabeça e. Algumas gravuras rupestres mostram claramente diferences p enteados. Nenhum outro primata apresenta ta l crescimento. a velocidade dessas mudanças se acelerou drasticamente. mas o recorde mundial pertence a uma chinesa cujos cabelos chegaram a 5 me tros. se não forem cortados. Mesmo sem considerar esses casos extremos. Há uma curiosa e xceção a essa regra: em alguns casos. pode chegar a 18 cm por ano. Então.

Quando a adota. Para mulheres que têm um trabalho físico extenuante — nos campos ou nas fábr icas. mas são tantos os modelos a copiar que ninguém m ais pode afirmar que um estilo predomine. as longas madeixas flutuantes da pop star. Enrolar. mesmo quando não têm dinheiro para comprar p rodutos para os cabelos ou freqüentar um salão de cabeleireiro. e la é hoje relativamente rara. Ela lava. Algumas dessas estra tégias se desvaneceram na história e hoje parecem muito estranhas. os cabelos espetados do rebelde — são todos modelos q ue encontramos lado a lado nos jornais e revistas. E dar um nome a todos esse es tilos é criar estereótipos injustificados. Este não é o lugar para listar todas essas criativas variações. A pob reza seria um fator para a sua adoção. porque dentro de cada estilo existem inco ntáveis e sutis variantes. ao longo dos séculos. frisar e trançar não custa quase nada e ajuda a mat ar o tempo. A estratégia mais simples é optar por um ar natural. mas. Embora seja a mais básica das estratégias. Outras ainda estão em uso. ocorreram poucas "estratégias d e penteados femininos". as mulheres não deixam de arrumar os cabelos. Os cabelos curtos e práticos da executiv a. Ainda pode ser encontrada em sociedades pouco sofist icadas ou em culturas em que a simplicidade se tornou uma doutrina social. mas das possibili dades básicas do que pode ser feito com os cabelos femininos. mas não tenra mode lá-los ou dar-lhes alguma forma especial. a mulhe r usa os cabelos soltos e naturais o tempo todo. Elas não dependem dos caprichos da moda. nas ocasiões e speciais e no dia-a-dia.ainda cria tendências de curto prazo. Os cabelos são presos por . um estilo prático é o ideal. mas é importante registrar que. os cabelos cuidadosamente desarrum ados das atrizes de Hollywood. escova e penteia os cabelos. em casa ou na rua. por exemplo —.

tant o no trabalho quando em casa. em sua grande maioria. Essa predileção criou moda: a de que os cabelos com os quais as perucas eram feitas tinha m que ser de mulheres de povos conquistados em batalha — uma versão romana do costum e de escalpelar os inimigos. Há séculos. tingindo. ondulando. têm optado por alguma forma de penteado. Duas das principais estratégias no cuidado dos cabelos são o corte e o alon gamento. prendendo. especialm ente as que vivem em sociedades urbanas. alisando. cortando. As damas romanas não r aspavam a cabeça. . que. as mulheres. para que não caiam sobre os olhos ou se embaracem. Essa foi um a estratégia muito usada pelas camponesas no passado e ainda hoje é adotada por muit as mulheres.razões de conveniência. Mas. as mulheres da classe superio r raspavam a cabeça e usavam uma peruca ornamentada em público. Quando não es tão trabalhando. mesmo não se dedicando a trabalhos físicos. Essa é a estratégia mais comum. Os cabelos longos mostram mais as mudanças escolhidas e fazem a mulher pa recer mais alta. Uma maneira de ter cabelos longos é usar uma peruca. mo delando. Essa é uma est ratégia que tem no mínimo 5 mil anos. mas proibida em países em que há estritas normas religiosas ou onde a beleza femini na é tabu. mechando ou enfeitando os cabelos. No antigo Egito. principalmente em países onde há muitos salões de cabeleireiro. elas soltam os cabelos e os deixam cair naturalmente. mas também gostavam de usar perucas como demonstração de status. nunca se contentaram com soluções práticas e naturais. acham que prender os c abelos num rabo-de-cavalo pode ser uma forma de controlar cabelos rebeldes.

não porque tenh am . quando. chegavam a ter 75 cm de altura. a peruca nunca se recupero u totalmente. Cabeceiras especiais foram criadas nas camas para que a mulhe r pudesse deitar-se e descansar sem tirar a enorme peruca. Como o custo de fabricar e manter uma peruca era muito alto. sempre primorosamente dec oradas. as perucas passaram a s er uma demonstração de riqueza.As perucas foram banidas pela Igreja na Idade Média. Mas a moda da peruca só atingiria seu ápice no século XVIII. com um exagero atrás do outro. as perucas devem ser tão semelhantes ao s cabelos naturais a ponto de passarem despercebidas. Na Ópera de Paris. Há mulheres (especialmente a quelas cujos cabelos ficam mais ralos com a idade) que nunca aparecem em público s em uma boa peruca. mas reapareceram na era elisa betana. Em tempos mais recentes. Isso aconteceu em grande parte porque os primeiros cosméticos danificavam tanto os cabelos e a pele que era necessária uma espessa cobertura. Algumas dessas perucas. O assento das carruagens teve que ser rebaixado. quando são usadas. A altura das portas teve que ser aumenta da para permitir que as damas passassem por elas. os maridos tinham q ue ser extremamente generosos para financiá-las. as p erucas só eram permitidas nos camarotes. Algumas celebridades também adotam essa estratégia. fabricadas de material sintético e em cores brilhantes e artificiais —. su rgiram penteados nunca vistos. mas seus dias de glória tinham ficado para trás. que decepou as cabeças aristocráticas sobre as quais se exibiam as enormes perucas. Houve momentos em que ela ressurgiu brevemente sob uma forma ou ou tra — como as divertidas perucas da década de 1960. porque sua presença na platéia impediria a vi são do palco. Depois da Revolução Francesa. Nenhum outro estilo de penteado teve tal impacto sobre a sociedade. A única mulher que podia pôr um fim a essa moda extravag ante era Madame Guilhotina. Por isso.

nada mais do que uma maneira de compensar as imperfeições . porque os homens hão podiam correr os dedos pelos cabelos. às vezes é mais fácil usar uma peruca do que perder tempo arrumando os cabel os. mais pe rto de Deus". Uma das razões dessa popularidade era que esse volume todo fazia as feições parecerem mais delicadas. modelá-los com mousse e por fim pulverizá-los com mui to spray fixador". que desafiava a gravidade. Em lugar d a peruca. foi maldosamente desc rito por um crítico como "uma das maravilhas arquitetônicas de nossa época". Era também um penteado ex trovertido e afirmativo. Pura obter essa exuberante cabeleira. o cabelo natural era penteado de forma a parecer o mais volumoso possíve l. Voltando à estratégia dos cabelos compridos. O resultado. surgiu uma forma mais sofisti cada de alongamento: mechas que são coladas aos cabelos naturais para fazê-los parec er mais longos. Para seus críticos. nem desmanchá-los carinhosamente. A grande vantagem disso é que as elegantes perucas podem ser cuidadas e pentea das sem a presença da dona. e portanto mais atraentes. era chamativo e vulgar. o pentea do ficou muito popular nas pequenas cidades norte-americanas e nos Estados do su l do país. Às vezes ba tizado de "estilo Dolly Parton" (uma famosa cantora country americana). E tinha um grave defeito: podia ser uma inegável propaganda de feminilidade. mas também era anti-sexual. era preciso "secar os cabelos de baixo para cima com a cabeça abaixada. Esse recurso é utilizado quando a mulher se cansou dos cabelos cur tos ou quando os cabelos naturais não crescem tanto quanto ela desejaria. dando à mulher um ar mais confiante. mas por conveniência.problemas com os cabelos. Mesmo que os cabelos estejam em bo m estado. Técnicas m odernas tornaram . po rém. um notável exem plo do passado recente é um penteado que ficou popular na década de 1980. onde com freqüência se ouvia dizer que. Mais recentemente. "quanto mais alto o cabelo.

querendo diz er: "Sou importante. mas gostam de se arrumar para ocasiões especiais. É o que se pode chamar de estilo "go vernanta" ou "diretora de escola". inacessíveis c intocáve is. O pouco cabelo que resta fica solto. A segun da estratégia importante é diminuir o tamanho ou o volume dos cabelos naturais. Sem um fio fora do lugar. nem pode ser mudado em diferentes contextos sociais. embora algumas delas seja m visíveis. a não ser na privacidade do lar. Mulheres que precisam impor sua autoridade co stumam amplificar esse ar de controle e poder mantendo os cabelos colados ao crâni o. mas soltos e naturais n a vida cotidiana. Algumas mulheres usa m os cabelos presos num penteado sóbrio em ocasiões sociais. que reapareceu nos anos de 1960 no trabalho do cabeleireiro Vidal Sassoon. propositalmente falsas e funcionem quase como uma meia peruca. sou séria e não permito familiaridades". . e não precisa ser preso para facilita r o trabalho físico. Isso as torna menos femininas e evita passar a impressão de relaxamento ou libe rdade. No intuito de criar uma apa rência de pessoas de alta classe e disciplinadas. co mo casamentos. seja usando-os rigorosamente presos.praticamente impossível detectar a presença dessas mechas. muitas mulheres querem parecer "livres e natu rais" a maior parte do tempo. enterros e grandes eventos e celebrações. Isso as faz parecer literal e metaforicamente impecáveis. os cabelos não podem ser despenteados ou acaricia dos. seja por meio de um corte. Há mulheres que optam por usar os cabelos tão curtos que não é possível prendê-los nem s oltá-los. Algumas mulheres vão ain da mais longe e nunca usam os cabelos soltos em público. As melin drosas da década de 1920 foram as primeiras a adotar essa moda. Nas últimas décadas. prendem os cabelos. Mantêm-nos presos num coque o tempo todo.

o que pode ser visto como uma demonstração de vaidade. quando. algumas mulheres se aventuram a cortar o ca belo rente à cabeça. numa forma mai s austera. Mas também de rebeldia. o que elimina a "soltura natural" mesmo na privacidade. O penteado curto ressurgiu novamente na década de 1970. esse estilo pode parecer uma provocação. E os homens podem se sentir ameaçados e frustrados no desejo de acariciar suaves madeixas flut uantes. a mensagem que se quer passar com o estilo curto é a de uma mulher ativa e independente. O estilo da mulher executiva pós-feminista está comunicand o: "Continuo disciplinada. como as conformistas. Na década de 1990.Evidentemente. A moda dos anos 1990 caminhou na corda bamba. Numa f orma mais drástica de redução dos cabelos. uma demonstração de assertividade nos l ocais de trabalho. não preciso de cabelos bonitos para ser atraente". manifestação de alguém que ignora as conve nções e se recusa a seguir a moda. que faz dos cabelos uma demonstração de molecagem elegante. mas não preciso abrir mão da minha feminilidade para ocup ar um lugar de destaque no mundo". O ob jetivo era combinar um controle refinado com uma sensual liberdade. "Veja . oscilando entre o estilo agressivo e masculinizado e o modelo ornamentado. tornou-se uma estratégia feminista. os penteados curtos suavizaram-se e ganhara m um toque mais feminino. e não uma exibição de futilidade feminina. A desvantagem porém é que na prática esses cortes d os anos 1920 e 1960 se revelaram mais difíceis de cuidar fora do salão de cabeleirei ro. onde as mulheres queriam ser tratadas com mais respeito por s eus colegas homens. As mulheres que não gostam de sse corte o vêem como uma tentativa de se exibir com táticas de choque. como se ela dissesse. . Para mu lheres bonitas. Esse é o novo desafio para o profissional cabeleireiro do Ocidente no início do século XXI.

Em outras. como casamentos e funerais. Em algumas culturas. A form a mais branda dessa "cobertura" puritana é usar algum tipo de chapéu. Entre os fenícios. um sinal de escravidão ou d e submissão voluntária a uma divindade. Em comunidades religiosas. a mulher permitir que uma pequena parte dos cabelos seja exposta sob o tradicional véu. a exposição dos cabelos femininos — em qualquer estilo — tem sido proibida em algumas culturas. uma vez que nega totalmente a sensualidade dos longos cabelos femininos. isso era um castigo. Exige-se qu e a mulher cubra ou esconda os cabelos para eliminar seu potencial erótico. a mulher que se recusasse a ra spar a cabeça em sinal de luto tinha que se oferecer como prostituta no templo. passadas e pr esentes. Devido ao seu poder de seduzir os homens. na França. pode ser açoitada pelos homens da igreja. isso é uma lei. por descuido. Em sociedades que praticam rigidamente o islamismo. um estilista convenceu todas as suas modelos a raspar a cab eça para mostrar que uma mulher moderna não precisa ser "prisioneira de seus cabelos ". Um resquício moderno desse antigo costume é a convenção social de usar chapéus em ocas iões formais.Algumas mulheres adotam um corte ainda mais drástico e raspam completamente a cabeça . uma imposição a todas as mulher es em cerimônias fúnebres especiais. por exemplo. As comunid ades cristãs também impuseram . exige-se que as mulheres cubram a cabeça completamente quando estiverem e m público e só soltem os cabelos na privacidade do lar. Se. Re centemente. Em outras ainda. A exigência de q ue a mulher cubra a cabeça ao entrar numa igreja católica é uma reminiscência da época em que ela era obrigada a esconder os cabelos durante qualquer cerimônia religiosa cr istã. esse corte raspado (de Joana D'Arc a roqueiras punk) não tem qu ase ou nenhum sex appeal. Para os homens. quando não haja estranhos pres entes.

Apesar disso. que só podem ser vistos pelo marido. Dessa forma. e ainda hoje são seguidas pelas freiras. eficiência. Isso ocorre porque é fácil mudá-los. sua aparênci a não muda. autocontrole. No passado. Acima de tudo. É e vidente que os cabelos convidam à experimentação mais do que qualquer outra parte do c orpo feminino. que chamam de sheitel. pode-se tentar um novo es tilo. são generalizações. cujos cabelos não podiam ser vistos em púbico. longos. O maior prazer . nas comunidades de judeus ortodoxos. Usam perucas caríssimas. e não são definitivas. essas mudanças podem ser feitas rapi damente.normas relativas à exposição dos cabelos. sóbrios e rigidamente penteados. praticamente iguais a s eus cabelos naturais. as mu lheres dessas comunidades desejam se integrar à vida nova-iorquina e resolvem esse dilema de uma maneira engenhosa. e a menor alteração é imediatamente pe rcebida. Os cabelos longos podem ser vistos como símbolo de sensualidade. a mulher deve cobrir totalmente os cabelos. essas regras quase sempre se apl icavam às esposas devotas. liberdade de espírito. Evidentemente. Quando usam essa peruca. Qualquer observador com certeza acharia difícil dizer que elas estão usand o uma peruca. Um extraordinário exemplo desse costume de ocultar os c abelos por razões religiosas ainda sobrevive hoje em Nova York. mas é surpreendente como elas corr espondem aos fatos em muitos casos. soltos e acessíveis e os cabelos curtos. a regra religiosa é obedecida sem sacrifício da imagem. os cabelos são muito visíveis. capacidade de adap tação e assertividade. No simbolismo dos cabelos femininos existe uma simples dicotomia: o con traste entre os cabelos naturais. na privacidade do quarto de dormir. Nelas. rebeldia pacífica e criatividade. Quando os cabelos crescem. Os cabelos c urtos têm sido associados a disciplina.

Além das inúmeras opções de corte e penteado. Assim ness e aspecto. Na verdade a feminilidade das loiras se estende a todo o corpo. há ainda a questão da modificação cor dos cabelos. um ap elo tão forte a ponto de criar a bizarra situação de termos no mundo mais loiras artif iciais do que verdadeiras? Parte do poder de atração dos cabelos loiros reside no fa to de eles serem finos e leves. ruivo ou louro — tem um significado que reflete essa adaptação e um encanto própri o. Então. permitindo-lhe expressar seu estilo pessoal e sua individualidade. As cores naturais. De cada cem mu lheres que tomam a decisão de mudar radicalmente a cor dos cabelos. porém. é que eles estão sempre disponíveis. as loiras são mais femininas que as ruivas ou as morenas. como os to ns de pele. A mulher loira tem uma penuge m fina e suave .da mulher em relação aos cabelos. quando as mulheres decidem mudar a cor dos cabelos. que vão do preto ao loiro-claro. Portanto. cas anho. Nem com raça. a mu lher pode usar os cabelos como um maravilhoso meio de se expressar e se apresent ar ao mundo. são. Por entre os dedos ou no contato com o peit o do homem. qual é a atração dos cabelos loiros. mais suaves ao toque e portanto mais sensuais no s momentos de íntimo contato corporal. mais de 90% de cidem ficar loiras. Cada cor — preto. fruto de uma adaptação às condições climáticas do ambiente. a suavidade dos cabelos evoca a maciez da carne feminina. Mas por que tantas mulheres de cabelos escuros querem parece r escandinavas. exista uma cor que predomine sobre todas as outras. já que a maio ria das caucasianas têm cabelos escuros. quando tão poucas escandinavas querem tingir seus cabelos de preto ou castanho? É claro que isso nada tem a ver com o clima. é surpreendente descobrir que. Desde que o mundo obscuro das práticas religiosas sexistas não interfira. assim como seu estado de es pírito.

E essa imagem projetada por uma mulher adulta. Dos impérios do mundo antigo aos salões da Europa barroca. Em momentos de extrema intimidade. portanto. Alguns dos recursos utilizados para satisfazer as exigências sociais e alourar os cabelos eram perigo sos e até mesmo letais. A sedosidade de seus pêlos púbicos é muito diferente da aspereza dos pelos das morenas. alguém poderia contrapor que qualquer vantagem que se o btenha será apenas por associação. os bebês são mais loiros que os pais . Os antigos gregos usavam uma pomada de pétalas de flores ama relas. Nem é preciso dizer que isso é bom para cabeleireiros e fabric antes de perucas. Eis portanto outra vantagem de ser loira. Praticamente desde o amanhecer da história. Ele apenas parece mais fino. aumenta seu poder de sedução. gerações de mulheres de cabelos escuros acorreram a seus estabelecimentos em busca dos mais modernos estilos e produtos. com a pretensão de se tornarem um pouco — ou muito — mai s loiras do que a natureza as fez. uma solução de potássio e pós colorantes que deixava os cabelos opacos na tentati va . o c lareamento dos cabelos femininos foi uma indústria importante. As axilas e o púbis das loiras são cobertos por pêlos mais delicados. de modo que a combinação entre "olhos azuis" e "madeixas loiras" ficou indelevelme nte associada à infância. em grande parte da humanidade. As loiras passam uma idéia de j uventude porque. transmi tindo fortes sinais de que ela deseja ser cuidada.nas partes em que a morena precisa usar uma lâmina de barbear ou creme depilatório. e e la é apenas visual: a mulher loira passa uma imagem mais juvenil do que a morena. O clareamento não torna o cabelo mais fino nem mais m acio. a loira leva uma ligeira vantagem sobre as morena s. Diante do argumento de que é a suavidade dos cabelos loiros que leva tantas mor enas a clarear os cabelos.

de dar-lhes a sensual aparência alourada. As damas romanas tingiam os cabelos com um sabão germânico especialmente importado do norte, mas era mais provável que escolhe ssem o caminho mais fácil de usar uma peruca loira. Essas perucas primitivas eram feitas de cabelos naturais dos europeus do norte que os romanos conquistavam em sua expansão. A moda se espalhou tanto que o poeta romano Marcial zombou dela nos seguintes versos: Os cabelos dourados que Gala usa São dela — quem imaginaria? Ela j ura que são dela, e eu juro que é verdade Porque sei onde ela os comprou. À medida que os séculos foram passando, cada vez mais truques eram usados para clarear os cabe los. Cascas de plantas, sementes, sabugos e resíduos do vinagre foram muito popula res nos primeiros tempos. Uma das receitas mandava esfregar os cabelos vigorosam ente com açafrão. Outra recomendava gemas de ovos cozidos com mel, seguidas de uma l onga exposição ao sol forte. As mulheres elisabetanas polvilhavam os cabelos com pó de ouro ou quando precisavam ser mais econômicas, aplicavam neles raspas de ruibarbo diluídas em vinho branco. Algumas vezes, corriam o risco de embeber os cabelos co m ácido sulfúrico ou alumina. Para algumas mulheres, esses tratamentos químicos resolv iam o problema dos indesejáveis cabelos escuros: ficavam completamente carecas e e ram obrigadas a usar uma peruca loira pelo resto da vida. As receitas foram se t ornando cada vez mais complexas. Em 1825, um tratado denominado A arte da

beleza ensinava a suas leitoras a fórmula para obter cabelos da cor do linho: Ferv a 1/4 de galão de lixívia; adicione 1/2 onça de raízes de celidônia e gengibredourado, 2 d racmas de açafrão e raízes de lírio, e 1 dracma de cada uma das seguintes flores verbasc o, giesta e hipérico. A solução obtida deve ser aplicada regularmente nos cabelos . É cl aro que, ano após ano, século apos século, a mulher foi se preparando para superar qua lquer obstáculo que a impedisse de adquirir as desejáveis tonalidades douradas. Mas, como acontece com muitos conceitos de moda, foi inevitável que o clareamento dos cabelos adquirisse um sentido colateral de exagero e exibição. Mesmo na época romana, a aparência que ele proporcionava nem sempre era a de uma virgem imaculada. A arti ficialidade das perucas e tinturas reduziu o valor simbólico da coloração. Num dado mo mento, tornou-se sinônimo não de inocente feminilidade, mas de sensualidade profissi onal: a marca da prostituta. As prostitutas romanas eram muito organizadas. Tinh am que obter uma licença para trabalhar, pagavam impostos e, por exigência da lei, u savam cabelos loiros. A terceira esposa do imperador Cláudio, a ninfomaníaca Messali na, ficava tão excitada com a possibilidade de fazer um sexo brutal e repentino co m estranhos que saía para a sua caçada noturna usando uma peruca de prostituta. Corr iam boatos de que tal era a violência com que fazia sexo que muitas vezes perdia a peruca loira e retornava ao palácio real totalmente reconhecível. Outras damas roma nas logo passaram a imitá-la na cor dos cabelos, e os legisladores foram incapazes de reprimir a nova moda. A obrigatoriedade do uso da peruca loira para as prost itutas caiu por terra, mas um elemento de fraqueza e abandono hoje associado às lo iras sobreviveu ao longo de séculos, ressurgindo repetidamente

como o reverso da imagem de virginal inocência. Geralmente, a diferença que se. esta belecia era a seguinte: loiras verdadeiras são anjos e loiras falsas são promíscuas. O fato de as loiras artificiais terem tido muito trabalho para parecer atraentes significava que o sexo ocupava sua mente por muito tempo, e a loira falsa se rep roduziu em diferentes arquétipos: garota fácil, bomba sensual, prostituta, bonequinh a de luxo, loira burra. Cada geração tem um nome para ela, e cada geração tem suas super loiras. No início da Primeira Guerra Mundial, a loira platinada entrou em cena. Em 1937, quando Jean Harlow morreu, aos 26 anos, deixou uma longa sucessão de estrel as de cinema loiras, que continuam dominando a tela até hoje. A grande maioria das personalidades femininas surgidas em Hollywood foram louras — geralmente, mais po r força da cosmética do que da genética. Algumas passaram por sacrifícios para aperfeiçoar o visual: Marilyn Monroe chegou a clarear os pêlos púbicos para fazê-los combinar com suas madeixas platinadas. Muitas se mantiveram fiéis à velha associação entre o sol e o dourado de seus cabelos — eram mulheres alegres e calorosas, vitais e intensas. F reqüentemente elas se dão mal, mas isso também faz parte de seu natural poder de sedução: sua loira vulnerabilidade. Em defesa das morenas, um comentarista do final da déca da de 1960 afirmou: "Se um homem tem boas intenções em relação a uma garota, deseja que ela seja natural. Nada artificial atrai um homem sério. De modo geral, ele prefere uma loira como amante e uma morena como esposa. Morenas têm mais integridade".

3. Testa A testa é uma região da face que desempenha um importante papel na linguagem corpora l. Como afirmou um especialista cm expressões faciais no século XVIII, "de todas as partes da face, a testa é a mais importante e mais característica". Hoje, essa afirm ação pode parecer surpreendente, porque, como se dá muita atenção à maquiagem dos olhos e do s lábios, eles tendem a dominar o rosto feminino e ofuscar as outras partes. No en tanto, é pouco provável que alguém tenha travado uma conversa cara a cara sem transmit ir sinais inconscientes na testa, na forma de um mover das sobrancelhas ou de um franzir da pele — movimentos indicativos de mudanças de humor. Antes de examinar es ses sinais e descobrir de que forma a testa feminina difere da masculina, convém p erguntar por que afinal temos testa. Se observarmos atentamente a face de um chi mpanzé e a compararmos com o rosto humano, a diferença na fronte é surpreendente. Nos macacos, a testa quase não existe. Nos humanos, ela se eleva verticalmente acima d as sobrancelhas. No chimpanzé, ao contrário, a linha dos cabelos se junta às sobrancel has, que quase não têm pêlos. Na verdade, a região frontal do macaco é totalmente diferent e da dos humanos. Quando olhamos a face de um chimpanzé ou de qualquer outro macac o, a impressão que se tem é que eles possuem imensos e proeminentes ossos supercilia res que os protegem de danos, enquanto nós, humanos, perdemos essa proteção. Isso é uma ilusão. Se tocarmos o osso imediatamente acima dos olhos, sentiremos a proeminência do crânio, que continua lá para nos proteger. Nossos supercílios são menos evidentes, não porque desapareceram, mas porque nossa fronte se estendeu para abrigar um cérebro muito maior. O cérebro de um

chimpanzé tem um volume de cerca de 400 cm3, enquanto o cérebro humano ocupa um volu me mais de três vezes maior: 1.350 cm3. Foi a expansão do cérebro humano, principalmen te na região frontal, que nos deu uma testa. Essa área de pele exclusivamente humana acima dos olhos deu a nossos ancestrais uma região a mais para a transmissão de sin ais visuais. Por isso a pele da fronte, embora bem esticada sobre o osso, não é tota lmente imóvel. Ela é capaz de leves movimentos — sutis, mas claramente perceptíveis. É fácil detectar esses movimentos porque, quando se mexe, a pele cria rugas. Além disso, a face humana conservou duas tiras de pelos na fronte. Conhecidas tecnicamente c omo supercílios, mas chamadas comumente de sobrancelhas, funcionam como sinalizado res que ajudam a tornar os movimentos da pele ainda mais visíveis à distância. Já se dis se que a principal função das sobrancelhas é reter o suor e a chuva, impedindo que ele s escorram para dentro dos olhos. E embora elas tenham alguma utilidade nesse as pecto, funcionando como calhas , sua principal função é sem dúvida transmitir as acelera das mudanças do nosso estado de espírito. Estudando todos os sinais de mudança de humo r no rosto, fica evidente que existem seis movimentos da testa, cada um ligado a um determinado estado emocional. São eles: Baixar as sobrancelhas. Esse movimento não é estritamente vertical, e sim um franzimento. À medida que baixam, as sobrancelh as também se movem ligeiramente para dentro, aproximando-se. Isso enruga a pele en tre elas e forma pequenas dobras verticais. O número dessas dobras varia de indivídu o para indivíduo, e cada adulto tem um franzido característico de uma, duas, três ou

quatro linhas. Quase sempre elas se formam simetricamente de cada lado do espaço e ntre as sobrancelhas (conhecido como glabela), cada uma mais longa ou mais forte que a anterior. As marcas horizontais da testa tendem a se suavizar quando as s obrancelhas baixam, mas podem não desaparecer completamente. O processo de envelhe cimento envolve uma fixação cada vez maior das linhas de expressão temporárias. Os vinco s da pele, que na juventude aparecem e desaparecem a cada mudança de humor, se gra vam permanentemente na pele à medida que os anos passam. Um forte vinco num rosto que não está franzido é o resultado de inúmeros movimentos desse tipo realizados pelo in divíduo ao longo da vida. Esse franzir das sobrancelhas ocorre em duas diferentes situações, que podem ser grosseiramente rotuladas como de agressão e de proteção. Num cont exto agressivo, o movimento se processa em diferentes graus de intensidade, que vão da simples desaprovação ou determinação até o aborrecimento e a raiva violenta. Num cont exto de proteção, o movimento ocorre sempre que existe uma ameaça para os olhos. Entre tanto, em momentos de perigo, franzir as sobrancelhas não é proteção suficiente. Nessas ocasiões, as bochechas também se elevam. Juntos, esses dois movimentos oferecem a máxi ma proteção possível aos olhos, que se mantêm abertos e atentos. É um movimento típico de um rosto tenso, que prevê um ataque físico, ou exposto à forte iluminação, da qual os olhos se protegem. Essa contração também ocorre freqüentemente quando o indivíduo ri, chora e em momento de forte repulsa, o que sugere que essas situações talvez devam ser conside radas uma espécie de superexposição. È a função de proteção ocular que explica a origem desse anzimento da testa. Sua utilização cm contextos

Isso estica a pele entre elas e faz desaparecer as rugas verticais que ali se formaram.agressivos parece ser secundária. apenas as linhas do meio se estendem de lado a lado da testa. Costumamos ver num ros to franzido a imagem de ferocidade. Essas linhas. porém. incompreensão. dez rugas chegam a se formar. Um crítico musical fez um comentário que ficou famoso: o de que uma certa cantora de óper a "tinha que pegar qualquer nota acima de lá com as sobrancelhas". ansiedade e medo. Pode s er feroz. Vários autor es as descreveram como sinal de surpresa. A verdadeira face de agressão. exibe um par de olhos fixos e bem abertos. pressentimento. ignorância. mas não tão intrepidamente feroz a ponto de não levar em conta a necessidade de proteger órgãos tão vitais como os olhos. dúvida. afastando -se. mas isso é um erro. Com . É isso que se costuma chamar de "testa franzida". Na maioria dos casos. Quando se erguem. m as é difícil precisar seu número porque as linhas superiores e inferiores em geral são f ragmentárias. e não de autopreservação. n egação. Às vezes. mas essa é uma ocorrência relativamente rara. encantamento. ceticismo. Seus significados. toda a pele da testa se estica para cima. cria ndo longas marcas horizontais. esse não é estritamente perpendicul ar. surgida da necessidade de defender os olhos de c ontra-ataques que uma atitude agressiva poderia provocar. em número de quatro ou cinco na maior ia dos casos. arrogância. Er guer as sobrancelhas. Ao mesmo tempo. felicidade. Como o movimento anterior. as sobrancelhas se movem ligeiramente para fora. são mais ou menos paralelas. vão muito além disso. geralmente atrib uída a pessoas "preocupadas". ao contrário. porém. uma vez que atos de franca hostilidade raramente escapam de uma retaliação.

Erguer as sobrancelhas é um movimento que partilhamos com outro s primatas. au mentamos imediatamente nosso campo de visão. Para eles. Uma pessoa preocupada. Esticando a pele da testa e erguendo as sobrancelhas. Vamos supor que estamos diante de algo ameaçador: podemos baixar as sobrancelhas para proteger os olhos ou erguê-las para aumentar nosso campo de visão . trat a-se de um "abridor de olhos". Entre os macacos. A risada pode ser verdadeira. Homens e macacos se comp ortam de maneiras muito parecidas. Isso não é raro. parece ser uma reação a situações de em ergência. O indivíduo sorridente que mostra essas marcas na testa também está levemente assus tado. a expressão parece ter se originado da necessi dade de melhorar a visão. Existem elementos de retraimento corporal nessa postura. ao mesmo tempo. utilizada sempre que o animal é confrontado com algo que o faz querer fugi r. mas aquilo de que se ri é algo muito perturbador. Esse "algo mais " pode ser muita coisa: uma conflituosa necessidade de atacar. surg e um problema. como para nós. algo o impede de escapar. Mas ela só ocorre se. Veremos que esse conceito de "fuga frustrada" se aplica perfeitamente ao contexto humano. é essencialmente alguém que gostaria de escapar.todas essas interpretações. com a testa franzida. uma incontrolável c uriosidade de ficar e ver o que é essa coisa tão assustadora ou qualquer outro impul so de ficar em condito com a urgência de fugir. O humo r pode nos levar ao limiar do medo e a um riso nervoso. Ambos os . Para usar uma expressão conhecida. Quando comparamos essa expressão com o movimento de baixar as sobrancelhas. a única maneira de entender o significado desse movimento é buscar sua origem. mas por alguma razão não pode fazer iss o. A pessoa arrogante que e rgue as sobrancelhas também gostaria de escapar ao desagradável ambiente circundante .

voltam a se franzir. Se vivemos nervosos ou ansiosos. como uma folha de papel enrugado que tentamos alisar. A elasticidade da pele diminui à medida que envelhec emos. ou numa situação em que não parece haver perigo iminente de um ataque físico. elas se erguem. mas com muito medo. nossa fronte também se recusa a . Podemos erguer as sobrancelhas mes mo quando não estamos apreensivos simplesmente para mostrar a outra pessoa que est amos preocupados com ela. Quando os seres humanos estão muito agressivos e podem provocar uma retaliação imediata. Observando os ma cacos. estes dois movimentos podem ser usad os deliberadamente em contextos menos graves. e em momentos de submissão. as marcas arqueadas causadas pelo movimento de erguer as sobrancelhas também podem ficar indelevelmente gravadas quando a pessoa envelhe ce. sacrificam a visão e protegem os olhos baixando as sobrancelhas. eles sacrificam a proteção pela vantagem tática de enxergar mais claramente o que está acontecendo. e. Mas tais refinamentos e modificações não seriam possíveis se não fosse o significado original do movimento. Então. O cérebro precisa perceber qu al a necessidade mais importante e passar a instrução para o rosto. vemos que numa situação de agressividade as sobrancelhas se franzem. mas temos que escolher um deles. Algo semelhante ocorre com os humanos. ou quando estão cansados e com medo de um at aque iminente. Qu ando estão dominados por uma leve agressividade. erguem as sobrancelhas. a pele da testa vai ficando marc ada por finas linhas em arco.movimentos serão úteis. em momen tos de medo. Além dessas funções principais. A pele de nossa fronte revela as marcas de todas as caretas que fizemos ao l ongo dos anos. Como ocorre com os vincos provocados por uma fronte franzida.

Ela paralisa a fronte. por mais forte que seja o estado emocional. Isso pode criar uma aparência de máscara -um rosto jovem. Indica também uma personalidade excessivamente ansiosa. Essas marcas na testa de uma mulher são um sinal de que ela não é mais jove m. parece que é a forma mais popular de tratamento cosmético no momento. porque a pele é tão esticada que nunca mais será capaz de exibir a meno r ruga. Uma maquiagem pesada pode ajudar. a substância é usada em quantidades tão pequenas que praticamen te eliminam o risco. . desativando-os por um período de três a cinco meses. Embora ainda não tenha sido aprovada pelas organizações médicas ofi ciais. incapaz de mostrar qualquer emoção. Para mulheres que dependem da aparência. Má muitos anos. mesmo em momentos de relaxament o e calma. Portanto. "Velha e nervosa" não é uma imagem que uma mulher queira passar. uma alternativa mais moderna para eliminar rugas é a injeção de Botox. mas só até que uma rajada de vento a tire do lugar. Nes se tratamento cosmético. Uma franja espessa pode servir de cobertura. Ainda será precis o encontrar uma solução médica mais perfeita. precisa fazer alguma coisa para corrigir o dano. O probl ema dessa solução é que ela deixa a testa lisa demais. é necessária uma ação mais drástica. mas não resolve o problema. O Botox é na verdade um veneno. uma neurotoxina gerada pela bactéria que produz o botulismo. ou pelo menos disfarçá-lo. mas rígido. que se torna incapaz de qualquer movimento . a opção cirúrgica tem sido o lifting da face É drást mas eficiente. É injetada diretamente nos músculos que causam as rugas. Desde a década de 1990.recuperar o aspecto liso que tinha na juventude.

O movimento para cima é semelhante ao das sobrancelhas erguidas. Não é uma expressão muito comum. Como o anterior. Essa expressão está relacionada à forte ansiedade e à dor. porque mu itas pessoas têm dificuldade de executar o movimento. essa reação contraditória é ma is freqüente nas mulheres do que nos homens. O estado de espírito que ela traduz é ger almente o ceticismo. Uma mensagem orden a "Erga as sobrancelhas". Rugas entrelaçadas. co mposto de dois elementos: erguer e baixar. Esse movimento é uma mistura dos dois anteriores: uma sob rancelha é abaixada enquanto a outra é erguida. Uma dor forte e aguda produz uma co ntração. esse é um movimento complexo. Um bom exemplo desse movimento é a expressão utilizada nos a núncios de remédio para dor de cabeça. As sobrancelhas são erguidas e ao mesmo tem po apertadas uma contra a outra. enquant o a outra metade passa a impressão de medo. enquanto outra diz "Abaixe-as". Na origem. A contração é semelhante ao movimento de so brancelhas abaixadas e produz curtos vincos verticais no espaço estreito entre as sobrancelhas. A sobrancelha erguida funciona como um ponto de interrogação em relação ao olhar feroz. A mensagem que ela transmite é tão conflitante quanto a própria expressão. Por alguma razão. Diferentes grupos de .Sobrancelhas enviesadas. O entrelaçamento das duas expressões pr oduz um cruzamento de rugas. com as sobrancelhas abaixadas. esse movimento parece ser uma tentat iva de as sobrancelhas responderem a um duplo sinal do cérebro. mas uma dor constante provavelmente produzirá essas rugas entrelaçadas. Também é observada em alguns casos de dor crônica. Metade do rosto parece agressivo. pro duzindo rugas horizontais ao longo da testa.

mas não em todos. como o apert o de mão. só consegue pressioná-las uma contra a outra. não mais . Quase sempre. A extrema brevidade do movimento. O primeiro grupo consegue empurrar as sobrancelhas um pouco para cima. no momento do encontro. e não durante demonstrações de maior intimidade. embora tente forçá-las para b aixo. acompanha um aceno de cabeça e um sorriso . As sobrancelhas sobem e descem numa fração de segundo. O movimento geralmente é executado a uma certa distância. talvez não tenham sucesso. o abraço ou o beijo. Es se breve piscar é um sinal aparentemente universal de comprimento.músculos começam a pressionar em direções opostas. mas também cm populações de regiões que não tiveram influência europé como Bali. seria possível dizer quanto infortúnio há na vida passada de uma mu lher simplesmente pela facilidade com que ela adota a posição das sobrancelhas oblíqua s. as extremidades internas das sobrancelhas são empurradas mais para cima que as ex tremidades externas. mesmo que as sintam tentando mover -se. o que resulta numa "expressão oblíqua de sofrimento". Piscar as sobrancelhas. numa posição oblíqua. Teoricamente. Em alguns casos. Se mulheres com histórias menos trágicas tentam forçar as sobrancelhas para c ima. Tem sempre o mesmo significado: o reconhecimento amigável da presença do outro. Na origem. Combinada com o sorriso. mas o segundo grupo. torna-se um sinal de surpresa agradável. Nova Guiné e Amazônia. mas também pode ocorrer sozinho. Essa form a exagerada de movimento cruzado é mais marcante em pessoas que tiveram experiências trágicas. foi uma adoção momentânea da postura de so brancelhas erguidas numa situação de surpresa. Foi registrado não apenas em europeus.

em que os cantos da boca baixam momentaneamente. Entretanto. todo cumprimento. indica que a surpresa desaparece rapidamente. Cada vez q ue uma palavra é enfatizada. esse leve movimento de sobrancelha s é freqüentemente usado durante uma conversa para enfatizar algum ponto.do que uma fração de segundo. isso não é m uito comum. mas em algumas pessoas esse movimento se torna freqüente e exagerado. o movimento que contém uma pausa na posição das sobrancelhas em geral s e faz acompanhar de um esgar. Cada um desses elementos t ambém pode ocorrer separadamente. nem se el e mudou desde a última vez que o vimos. e pode parecer estranho que ele participe de uma saudação en tre amigos. deixando que o sorriso amigável domine a cena. as sobrancelhas piscam. E ssa combinação costuma ocorrer na ausência de outros elementos. Esse movimento é parte de uma reação mais complexa. ou em grupos de dois ou três. Embora possa ocorrer isoladamente. . É essa breve pausa que distingue esse movimento do piscar rápido que indica saudação e ênfase. por mais amigável que seja. dos ombros. tem um caráter social de imprevisibilidade. Erguer e baixar as s obrancelhas com uma pausa. Isso inevitavelmente dá ao encontro um leve e efêmero elemento de medo. que envolv e movimentos da boca. param momentaneamente nessa po sição e depois descem. E como se elas ressaltassem as surpresas da comunicação verbal. Para a maioria de nós. da cabeça. braços c mãos. Além de ser uma saudação. Como já dissemos. o erguer de sobrancelhas co ntém um elemento de medo. Não sabemos como o outro vai se comportar. As sobrancelhas sobem.

Ao contrário da piscadela das sobrancelhas. Em todos os casos. mais tarde. e não alegre. depilar e pintar. como raspar. mas não é exclusivo dessa person alidade. e as sobrancelhas das mulheres tornaram-se artificialmente ainda mais finas e menores. A cada ênfase verba!. Essa diferença provocou muitas "melhorias ". que parece perpetuamente surpreso pelas vicissitudes da vida. Abandonando a questão dos movimentos e passando à anatomia das sobrancelhas . Esse é um movimento típico do queixoso contumaz. a desculpa era que esses procedimentos ajudavam a espanca r o mal. Se duas pessoas que se conhecem estão sentadas uma ao lado da outra e uma terceira pessoa se aproxima e faz alguma coisa que causa desconf orto. Quase todos nós. portanto. quando falamos animadamente. No princípio. dizia-se que eles protegiam o corpo das doenças e. Na maioria das vezes. significa uma surpresa m edianamente desagradável. Ele também costuma acompanhar a fala de certos indivídu os. a intenção era fazer as sobrancelhas parecerem exageradamente femin inas. depois. acrescentamos uma ênfase visual. evitavam a cegueira. . existe uma importante diferença entre os sexos: as sobrancelhas femininas são mais finas e menos densas que as masculinas. esse é um movimento associado a uma expressão triste. Isso vem sendo feito há séculos mediante várias técnicas. fazemos repetidos movimentos cor porais para enfatizar o que dizemos. uma das duas primeiras pode fazer esse movimento com as sobrancelhas para indicar desaprovação e surpresa. alegava-se que coroavam a mulher mais bela. mas outras se servem das sobr ancelhas para essa ênfase. A maioria das pessoas usa as mãos ou a cabeça. em particular.

Para elas. o que garante a remoção da raiz. No final do século XVIII. Depois de reduzir a e spessura das sobrancelhas. A form a artificial das sobrancelhas tem variado muito ao longo dos séculos e de pessoa p ara pessoa. A ponta de metal da pinça poderia quebrar o fio.No século XX. Desenhar as sobrancelhas de acordo com a moda da época e. poderia removê-las e pintá-las em outro formado. Um e specialista no desenho de sobrancelhas afirma que "o desenho ideal é o que tem doi s terços do comprimento numa curva ascendente e um terço numa curva descendente". Quando fazia isso. o método preferido é amarrar um fio fino ao redor de cada pêlo a ntes de arrancá-lo. Ma s é claro que ele deve ser adaptado às características de cada rosto. Sobrancelhas muito baixas podem dar à mulh er uma aparência tão sinistra que se diz que ela tem "sobrancelhas de bruxa". Para algumas mulheres. ao mesmo tem po. obedecendo a sut ilezas estéticas. quando "o lápis de sobrancelhas estava presente em qual quer nécessaire. utilizava-se o lápis para enfatizar o fino arco de pêlos que sobrevivera. dizia-se que "sobrancelhas levemente arqueadas combinam com a modéstia de u ma virgem". sobrancelhas artificialmente alteadas dão à mulher uma aparência de criança inocente de olhos bem abertos. . De fato. o uso de uma pinça era considerado muito g rosseiro. fazer com que elas se harmonizem com o rosto tem exigido muito cuidado. disponível em cinco fascinantes tonalidades". Se uma mulher achasse que suas sobrancelhas ocupavam uma posição feia na te sta. nas décadas de 1920 e 30. Esse método é popular na Ásia e no Orie nte Médio. o auge do costume de depilar as sobrancelhas ocorreu no entre-guerra s. as novas so brancelhas quase sempre eram desenhadas acima das verdadeiras. que com isso cresceria mais rápido.

que afirmou: "Maldita seja a mulher que [. uma antiqüíssima superstição afirma que a mulhe r que tiver sobrancelhas unidas deve ser uma vampira.. alegando que a proibição era um cerceamento à sua liberdade. A jovem apresentou que ixa. se os pêlos permanecerem ali.] depilar as sobrancelhas". e a extravagância estava justamente na natureza dessa substituição: as sobrancelhas falsas eram feitas de pele de rato. Primeiro. raramente deixam de ser depiladas. Esperava-se que as mulheres que trabalhavam em condições impróprias a manifestações de sensualidade deixassem as sobrancelhas intocad as. Há várias razões para isso. há algo de "animal" em ter pêlos onde não devia haver nenhum. cuja diretora não permitiu que uma enfermeira depilasse as sobrancelhas. convém mencionar as sob rancelhas tão unidas que criam uma linha ininterrupta de pêlos.O exemplo mais bizarro de sobrancelhas falsas talvez venha da Inglaterra do século XVIII. e. Não são muito comuns. darão a impressão de um r osto permanentemente fechado. Na década de 1930. Qualquer mulher que nasça com essa forma de sobrancelhas prefere sofrer para depilar os indesejáveis pêlos que cob rem o espaço acima do nariz.) Finalmente. a moda ordenava que as sobrancelhas fossem raspadas e substituídas . quando existem. um caso polêmico envolveu um hospital londrino. (Quem adoraria essa decisão é o profeta Maomé. mas a decisão da diret ora foi mantida pelo conselho do condado. E. Segundo. Com tanta preocupação em melhorar a aparência femi nina.. Terceiro. quarto. esse excesso de pêlos n a testa é uma característica masculina. os pacientes do hospital foram protegidos do estímulo erótico que representaria um par de sobrancelhas delicadament e depiladas. a decisão de não depilar as sobrancelhas e deixá-las na forma natural era vista como um sinal de pouca sensualidade. Assim. Na época. .

Juntas, essas maldições fazem qualquer mulher correr em busca de uma pinça. Para mante r suas sinistras sobrancelhas unidas, ela teria que estar "acima da moda". Essa mulher existiu no século XX: a famosa pintora mexicana bissexual Frida Kahlo. Para ela, as sobrancelhas unidas e espessas se tornaram uma marca pessoal, que ela r eproduziu fielmente em seus auto-retratos. "Pairando acima de seus penetrantes o lhos negros como um pássaro no vôo", assim elas foram descritas. Como afirmou um críti co: "Frida Kahlo pode ter sido uma mulher interessante e criativa, mas tinha ape nas uma sobrancelha, que se estendia de um lado a outro do rosto como a Grande M uralha da China, e, como tal muralha, provavelmente era avistada da Lua". É incrível que essas reações sejam causadas pela simples presença de uns poucos pêlos pretos acima do nariz. As sobrancelhas costumam passar tão despercebidas que só paramos para pre star atenção nelas quando algo estranho acontece. Nos anos recentes, excetuadas as i diossincrasias de Frida Kahlo, só numa ocasião pesadas sobrancelhas femininas foram consideradas aceitáveis e, por um período, até mesmo populares. Isso aconteceu na década de 1980, quando o movimento feminista entrou numa fase em que as mulheres passa ram a acreditar que parecer um homem era uma boa maneira de competir com eles. F oi nessa época que a jovem atriz Brooke Shields apareceu nas telas exibido sobranc elhas que foram descritas como "lagartas". Elas não se uniam no meio, como as da K ahlo, mas eram tão espessas quanto as de um homem, o que lhe dava um olhar feroz e determinado. Desde então, à medida que as mulheres foram fazendo mais sucesso como mulheres, e não como pseudomachos, suas sobrancelhas voltaram à forma arqueada e fin a que foi preferida durante séculos. Como Shakespeare afirmou em Conto do inverno: "Não é por terdes sobrancelhas negras. Dizem até que

sobrancelhas escuras são as que melhor assentam nas mulheres, desde que não sejam mu ito espessas, mas apenas um semicírculo ou meia-lua traçados a pena".

4. Orelhas As orelhas femininas nunca foram bem tratadas: têm sido ignoradas ou mutiladas. Os pós e pinturas que costumam ser aplicados ao rosto as ignoram. Enquanto um rosto meticulosamente enfeitado ocupa o centro do palco, as orelhas são esquecidas c mui tas vezes escondidas sob os cabelos. E, quando se revelam, têm servido apenas como campo de testes para a criação de jóias. Nas raras ocasiões em que as orelhas são objeto de cirurgia plástica, a solução é torná-las ainda mais imperceptíveis. É o que ocorre quando relhas proeminentes são coladas à cabeça. Mas, antes de analisar mais detalhadamente o s abusos culturais perpetrados contra as sofridas orelhas femininas, convém examin ar a biologia e a anatomia dessa parte do corpo. A parte visível da orelha é bastant e modesta. No curso do processo evolutivo, ela perdeu as extremidades pontiaguda s e a mobilidade. As extremidades sensíveis desapareceram, curvadas numa borda rol iça. Mas nem por isso ela deve ser tratada como um resíduo inútil. A principal função do o uvido externo — uma trompa de carne e sangue — é coletar o som. Não somos capazes de eriça r as orelhas como outros animais, nem de torcê-las para descobrir de onde vem um b arulho repentino, mas ainda podemos detectar uma fonte sonora. O que os humanos perderam em flexibilidade da orelha ganharam em mobilidade da cabeça. Quando um ce rvo ou um antílope ouvem um som alarmante, erguem a cabeça e torcem as orelhas em to das as direções. Quando ouvimos um som desse tipo, giramos a cabeça, o que funciona qu ase da mesma maneira. Embora nossas orelhas pareçam rígidas, ainda conservam um mínimo dos movimentos que originalmente possuíam. Se retesar os músculos da região auricular e se

olhar num espelho, você terá um vislumbre desse movimento de proteção: suas orelhas tent arão se colar ao crânio. Animais que possuem orelhas grandes e móveis quase sempre as achatam quando estão lutando, na tentativa de mantê-las a salvo de um ataque. Nós, hum anos, ainda fazemos isso automaticamente: a pele da cabeça se retesa em momentos d e pânico, mesmo que nossas orelhas permaneçam em sua habitual posição de repouso. A form a da orelha é importante para a perfeita transmissão dos sons ao tímpano. Uma pessoa q ue teve a infelicidade de ter as orelhas decepadas com certeza possui uma audição be m menos eficiente. Os canais auditivos e o tímpano constituem um "sistema ressonan te", no qual alguns sons são enfatizados à custa de outros. A forma aparentemente al eatória da orelha — suas dobras e curvas — na verdade foi especialmente criada para ev itar distorções desse tipo. Uma função menos importante da orelha é o controle da temperat ura. Os elefantes balançam suas enormes orelhas quando estão com muito calor. o que os ajuda a resfriar o corpo. Há uma profusão de vasos sangüíneos próximos à superfície da pel , e o calor que se perde desse jeito pode ser importante para muitas espécies. Par a nós, a quentura das orelhas desempenha um papel secundário na regulação térmica, mas tor nou-se um sinal social. Se uma mulher sente um forte calor num momento de confli to emocional, suas orelhas podem ficar vermelhas. Esse rubor tem sido objeto de comentários desde tempos muito remotos. Há quase 2 mil anos, Plínio escreveu: "Quando nossas orelhas se avermelham e queimam, alguém está falando de nós na nossa ausência". E Shakespeare faz Beatriz perguntar, quando outros estão falando dela: "Que fogo é es se em minhas orelhas?"

Finalmente, nossas orelhas parecem ter adquirido uma função erótica com o desenvolvime nto de macios lóbulos carnosos. É uma função que não está presente em nossos parentes mais p róximos e parece ser uma característica exclusivamente humana, decorrente do aumento de nossa sexualidade. Os primeiros estudiosos da anatomia humana viam na orelha um apêndice inútil", "uma parte da face aparentemente sem utilidade, a não ser a de p oder ser furada para carregar ornamentos". Mas estudos recentes sobre o comporta mento sexual revelaram que, um momentos de forte excitação, os lóbulos das orelhas se intumescem e se enchem de sangue, o que os torna mais sensíveis ao toque. Ter os lób ulos das orelhas acariciados, sugados e beijados durante o ato sexual é uma forte estimulação para muitas mulheres. Segundo Kinsey e seus colegas do Instituto de pesq uisas Sexuais de Indiana, há alguns casos raros de mulheres que conseguem atingir o orgasmo em conseqüência da estimulação das orelhas. No centro da orelha abre-se o cana l auditivo, um conduto estreito de cerca de 2,5 cm, ligeiramente curvo, o que o ajuda a manter aquecido o ar existente no seu interior. Esse aquecimento é importa nte para o funcionamento adequado do tímpano, que se situa na extremidade do canal e é um órgão extremamente delicado. Além de manter o tímpano aquecido, o canal também o pro tege de danos físicos. O preço que pagamos por essa proteção, porém, é a presença em nosso co po de um recesso profundo, que não conseguimos limpar com os dedos. Podemos limpar todo o nosso corpo com relativa facilidade, livrando-o da sujeira e de pequenos parasitas, mas, se um objeto invadir nosso canal auditivo, teremos problemas. A tentativa de remover a sujeira com bastonetes pode danificar o tímpano. Por isso, precisamos de uma proteção especial contra intrusões desse tipo. A evolução nos proporcio nou a resposta para isso na forma

de pêlos que impedem a entrada de insetos maiores e da cera que repele criaturas m enores. A cera cor de laranja, com um gosto amargo que repele os insetos, é produz ida por 4 mil minúsculas glândulas ceruminosas, que na verdade são glândulas apócrinas alt amente modificadas — do tipo que produz o suor de cheiro forte nas axilas e no int erior das pernas. Não cabe aqui detalhar o funcionamento do ouvido. Resumidamente, diremos que as vibrações sonoras atingem o tímpano e se convertem em impulsos nervoso s que são transmitidos ao cérebro. O tímpano é incrivelmente sensível, capaz de detectar a menor vibração. Essas vibrações são então transmitidas ao ouvido médio através de três peque ssos de formas estranhas (martelo, bigorna e estribo), que amplificam a pressão da s ondas sonoras 22 vezes. O sinal amplificado então passa ao ouvido interno, onde entra em ação um estranho órgão em forma de caracol e cheio de fluido. As vibrações produzid as nesse fluido ativam milhares de células ciliadas — cada uma sintonizada com uma d eterminada vibração —, que identificam as freqüências que compõem um som e transmitem essa i nformação ao cérebro por intermédio do nervo auditivo. O ouvido interno também contém órgãos ais para o equilíbrio. São três canais semicirculares, cada um relacionado a um tipo d e movimento: os movimentos para cima e para baixo, os movimentos para a frente e os movimentos laterais. A importância desses órgãos cresceu radicalmente quando nosso s ancestrais começaram a se pôr de pé e adotaram a forma de locomoção bipedal. Um animal q ue se apóia sobre quatro patas é relativamente estável, mas a posição ereta exige constant es e sutis adaptações do equilíbrio. Esses órgãos do equilíbrio são de fato mais vitais para nossa sobrevivência do que as partes do ouvido que lidam com os sons. Uma pessoa

Hoje. Aos 60 anos. graças a nossa infinita engenhosidade. . declina para cerca de 12 mil. temos exp losivos de alto poder e uma enorme variedade de equipamentos de som poderosíssimos . Por isso. com o alcance cada vez menor da adição. Nossos ouvidos têm uma grande sensibilidade ao volume do som. o alcance máximo cai para 20 mil ciclos por segundo. Ela já terá sorte se conseguir detectar qualquer freqüência acima de 15 mil ciclos por segundo. Os modernos sistemas de som funcionam a freqüências superiores a 20 mil ciclos por segundo. é um problema ouvir uma conversa numa sala cheia de gente. Um dos aspectos desagradáveis da nossa audição é que ela começa a declinar desde que nascemos. e por isso não criamos nenhuma proteção especi al contra sons muito altos. Não havia nada mais alto para ferir nossos sensíveis tímpanos. Nossos ouvidos servem como um lembrete de que vivemos num mundo muito diferente daquele do qual nos originamos. uma m ulher de meia-idade que tenha pagado uma fortuna para instalar um sistema desse tipo deve ficar chateada ao descobrir que os únicos membros da família capazes de ap reciar tudo isso são seus filhos mais jovens. capazes de danificar nossa audição. é difícil distinguir di ferentes vozes quando várias pessoas falam ao mesmo tempo. Na adolescência. evoluímos num mundo relativame nte silencioso quando os sons mais altos eram roncos e gritos. e continua caindo cada vez mais à medida qu e os anos passam Para os muito idosos. embora eles sejam capazes de ouvir uma única voz num local silenci oso.surda pode sobreviver com maior facilidade do que a que perde o sentido do equilíb rio. Isso ocorre porque. Como outras espécies. Um bebê pode detectar freqüências de ondas sonoras de 16 a 30 mil ciclos por segundo.

mas Darwin estava convencido de que é remanescente de nossos primórdios. lóbulos colados. A primeira é o lóbulo. Treze regiões da orelha f oram classificadas. chegou-se a pensar em utilizar essa pro priedade para identificar criminosos. quando tínham os orelhas pontiagudas que podiam se mover à procura dos sons mais fracos. e a identificação auricular foi esquecida. Um médico que se deu o trabalho de examinar 1. São detalhes como esses que tornam possível a id entificação de criminosos. Ele está presente na maioria das orelhas. mas quase sempre é tão pequeno que mal se consegue percebêlo. A segunda parte que merece menção é a pequena saliência na borda da orelha. esses "pontos são vestígios de orelhas que um dia foram eretas e pontud as". A diferença entre eles é que os lóbulos soltos pendem do pont o de contato com a cabeça. das quais duas merecem especial menção. E uma protuberância minúscula. Em outr as palavras.171 orelhas de europeus descobriu que 64% delas tinham lóbulos soltos e 36%. há muito tempo se afirma que é possível identificar um ind ivíduo pela forma da orelha. você o encontrará a mais ou menos um terço do caminho. Infelizmente. Cuidadosas pesquisas revelaram que eles estão presentes de uma forma mais evi dente em cerca de 26% dos europeus. Além da s variações de tamanho. Entretanto. No último século. chamada tubércu lo de Darwin. As pessoas têm lóbulos "sol tos" ou lóbulos "colados". ele tem uma característica importante. os únicos a re alizar estudos detalhados sobre as partes da orelha . mas o uso de impressões digitais alcançou tal avanço que é difícil dizer se as formas da orelha teriam alguma utilidade. mas um método concorrente — o das impressões dig itais — prevaleceu. é verdade que não existem duas pessoas com orelhas precisamente iguais.Voltando ao ouvido externo. Se apalpar a parte interna da borda partindo de ci ma.

As orelhas dos ectomorfos. enquanto os somatologista s levam em conta todo o corpo. ao contrário. jovens púberes eram obrigadas a passar por um ritual de . quando foi possível ler que uma ore lha grande é sinal de um indivíduo realizador. e que uma orelha pontiaguda revela um oportunista. com suas alegações românticas de que é possível determinar o caráter e a personalidade de uma pessoa pela leitura de suas proporções faciais. são um insulto à inteligência h umana. Na Iugoslávia. As orelhas dos endomorfos seriam coladas à cabeça. Simbolicamente. por exemplo. Por ser uma aba de pele ao redor de um orifício. Diante de um rosto redondo ou de um rosto anguloso. Em algumas culturas. com lóbulo e aurícula (a concha da orelha) igualmente bem desenvolvid os. tem sido considerada símbo lo dos genitais femininos. a mutilação das orelhas foi us ada para substituir a circuncisão feminina. vários significados têm sido atribuídos à orelha. A explicação para essa controvérsia talvez seja o fa to de que os criminologistas consideram apenas a cabeça..são os modernos fisionomistas. Seus comentários fantasiosos. Criminologistas que estudam detalhes faciais afirmam que o formato da orelha não pode ser previst o pelas feições do rosto. Em regiões do Oriente. Ess as e centenas de outras "leituras". Alegam que os endomorfos (os mais rechonchudos) e os ectomorfos (Os mais ossudos) possuem diferentes tipos de orelhas. que perderam qualquer credibilidade no início do século XX. é impossív el prever se ele possui orelhas arredondadas ou angulosas. Os somatologistas dis cordam. e sua popularidade no final do século XX é difícil de entender. teriam a aurícula projetada lateralment e e mais desenvolvida que o lóbulo. que uma orelha pequena e bemformada p ertence a um conformista. uma expressão de gíria para a v ulva é "a orelha entre as pernas". às vezes detalhadas. s urpreendentemente ressurgiram na década de 1980.

não surpreende que algumas divindades tenham nascido p ela orelha. e daí toma a direção esquerda. mas se defende afirmando que não há na Bíblia nada que contradiga essa forma de nascimento.iniciação em que buracos eram perfurados em suas orelhas. Kunti. publicada cm 1653. "a criança salta e. ent rando pela veia cava. Na obra satírica de François Rabe lais Gargantua e Pantagruel. a mulher adúltera tinha as orelhas decepadas com uma faca afiada — outro exemplo de sua relação c om os genitais. filho do rei-sol hindu. Suria. saindo pela sua orelha esq uerda". Essa forma primitiva de mutilação tem se mostrado persistente e é um dos poucos tipos de deformidade artificial que se mantém populares no mundo . Quando Gargamelle está prestes a dar à luz. Um simbolismo completamente diferente atribui à orelha o significado de sabedoria — porque é ela qu e ouve a palavra de Deus. "todas as mulheres poderiam parir seus filhos pela orelha". No antigo Egito. e que. Algumas lenda s também afirmam que Buda nasceu da orelha de sua mãe. Algumas dessas estranhas superstições explicam o antigo costume de furar as orelhas para nelas colo car brincos. vai subindo. teria nascido dessa forma. Pelo fato de as orelhas serem vistas como genitais femininos em muitas diferentes culturas. onde essa veia se divide em duas. O autor admite que é difícil acreditar em tal fato. Isso tem sido apresentado como desculpa para puxar as orelhas das crianças quando elas desobedecem. Karna. tinha parido virgem. Gargantua também vem ao mundo dess a maneira incomum. passando pelo diafragma e pelos ombros. Acr edita-se que isso significa que sua mãe. Por trás do castigo está a idéia de que es sa ativação da orelha é capaz de despertar a inteligência que ali dorme. se Deus qui sesse.

Durante um longo período. Acreditava-se que o uso de amuletos da sor te nas orelhas era a melhor proteção contra os demônios. . Esses pequenos fu ros eram posteriormente alargados. Em algumas culturas. só as meninas de longas orelhas eram consi deradas belas. nesse processo. Como as orelhas são a sede da s abedoria. especialmente os lóbul os. acreditavase que os sábios têm orelhas muito grandes. Outras crenças primitivas diziam que usar brincos curava defeitos de visão ou p rotegia contra afogamentos. que empurrem os lóbulos para baixo e os façam parecer mais long os.moderno. Na puberdade. Brincos pesados. Como o demônio e outros espíritos malignos estão sempre tentando entrar no corpo humano para dominá-lo. Em tempos remotos . é necessário proteger todos os orifício s pelos quais eles possam ter acesso. de modo que as orelhas pendessem cada vez mais para baixo. essas diferentes e originais razões para o uso de brincos foram esquecidas. Um estudo de primitivas esculturas h indus. budistas e chinesas revelou que reis e rainhas sempre possuíam lóbulos alonga dos. isso tinha diversas explicações. Nas culturas tribais nas quais lóbulos longos estiveram na moda a mutilação gera lmente começava na infância: os bebês já tinham as orelhas perfuradas. Hoje. ela era considerada feia demais para se casar. tribais e urbanos. a beleza da jovem estaria imediatamente perdida. Se. As realmente bonitas tinham que apresentar orelhas na altura dos seios. são puramente decorativos e usados apenas por motivos estét icos. ano após ano. aumentariam a sabedoria e a inteligência. a maioria das mulheres que furam as orelhas o fazem com propósitos puramente estéticos. sem saber o que isso significou no passado. quase todos os bri ncos. a longa alça de carne se rompesse ao peso dos ornamento s. Na era moderna.

um buraco tão grande que um braço poderia passar por ele". que as nativa s imploram aos ocidentais. cinqüenta argolas de bronze de 10 cm de diâmetro são penduradas em cada o relha. Então. O costume parece ter nascido independentemente. são removidos em sinal de luto. encontramos exemplos desse extremo alongamento das orelhas f emininas em todo o mundo. em lug ares tão distantes quanto Bornéu e Brasil. Em séculos passados. potes de geléia ou latas de alimento. Em outra. seria ridicularizada por "ter orelhas de porca". os pesados brincos que pendem das orelhas das mul heres casadas só podem ser retirados quando o marido morre. Numa tribo. Eram uma parte muito importante da sua história . qualquer tentativa de melhorar ou modificar a forma humana era uma ofensa a Deus. se uma menina ousasse ignorar esse costume. cujo peso as estende. E m 1654. Para Bulwer e sua época. John Bulwer dedicou todo um capítulo de seu livro A View of lhe People of the Whole World (Uma visão dos povos de todo o mundo) para atacar "as modas ou cer tas estranhas invenções dos povos para remodelar as orelhas". Em algumas tribos. Nas ilhas da Nova Guiné. acusava as mulhe res que "julgam muito atraente ter as orelhas vergonhosamente perfuradas". durante o funeral . Essa desaprovação em nada alterou esses costumes trib ais. que f azem nelas furos e neles "colocam um chumbo.Surpreendentemente. a ponto de fa zê-las pender à altura dos ombros. Em certas culturas. uma festa é dedicada ao ritual de furar as orelhas d as jovens. O tamanho dos ornamentos chega a ser assustador. pesadas argolas de cobre vão sendo acrescentadas até que seu peso a tinja 1 quilo. África e Camboja. são inseridos no lóbulo da orelha. Em outra ainda. Nele. o m undo ocidental se chocou e se horrorizou com essas formas excessivas de mutilação.

porém.cultural para serem abandonados. os punks enfiavam objetos bizarros nos lóbulos das orelhas grosseiramente perfura dos. Os exemplos mais extremos que podemos oferecer são e ncontrados no breve florescimento do rock punk da década de 1970. as orelhas d as mulheres ocidentais passaram a carregar múltiplos brincos. A detentora do recorde (segundo o Guinness Book) é uma americana da Pens ilvânia que reuniu uma coleção de 17. Hoje. Em alguns casos. Algumas mulheres possuem a penas uns poucos pares. em toda a borda. Apesar da extravagância de sua moda. mas correntes on de penduravam um pouco de tudo. a orelha era perfurada várias vezes. facilmente removíveis: são brincos de pressão ou pingentes presos a um único f uro pequeno. influências externas podem ter p osto fim a formas mais extremas de mutilação. mas substi tuídos diariamente para combinar com outros ornamentos.122 pares. o mundo ocidental nunca apresentou nada capaz de competir com os lóbulos estendid os dessas sociedades tribais. com o drástico aumento dos piercings. M ais tarde. para que uma série de brincos pudessem ser atarraxados a ela. também eram usadas pelas tropas de choque da nova onda. de lâminas de barbear a lâmpadas elétricas. Grandes alfinetes de fralda eram os ornamentos preferidos. não são usados o tempo todo. Ao contrário dos brincos tribais. Em vez de um só furo. mas em muitas outras sociedades remota s eles ainda sobrevivem intocáveis no século XXI. Se . a maioria das mulheres usa ornamentos simples. Mas eles eram impacientes demais par a esperar o lento e gradual alongamento dos lóbulos praticado nas outras tribos. mas outras são viciadas em adquirir grandes quantidades de brincos. no final do século XX. Querendo chocar.

levaria quase meio século para usar todos.usasse um por dia. .

os restantes 7 milhões são células cônicas que . o satirista romano Marcial fez o seguinte comentário mordaz: "Você pisca para os homens com pálpebras que tirou de uma gaveta pela manhã". aparelhos para curvar os cílio s. que é s ensível à luz e se situa no fundo do olho. continu amos sendo animais essencialmente visuais. 130 milhões são células arredondadas responsáveis pela visão em branco e preto. No antigo Egito. Toda a ordem dos primatas é predominantemente visual. co m os dois olhos colocados na frente da cabeça. cosméticos negros cobri am as pálpebras. O olho humano tem apenas cerca de 2. contém 137 milhões de células que enviam mensag ens ao cérebro.5. Dessas. A retina.5 cm de diâmetro. inúmeras e sutis variações de sombras coloridas têm sido aplicadas às pálpebras. Apesar de tudo o que falamos e ouvimos. cílios postiços e lentes de contato coloridas — todos esses recursos são usados para embelezar os olhos femininos. aos cíli s e à pele ao redor dos olhos. Sombras. que tal examinarmos o olho em seu estado natural? Os olhos são os mais importantes órgãos dos sentidos. dizendo-lhe o que está vendo. proporcionando uma visão binocular do mundo. os macacos. Sabe-se que há mais de 6 mil anos usa-se maquiagem nos olhos. delineadores. no primeiro ano da era cristã. e. Em praticamente todas as civilizações importantes na história do mun do. Calcula-se que 80% das informações que recebemos do mundo exterior ent rem por essas notáveis estruturas. antes de analisar todas essas melhorias. e no entanto faz a m ais sofisticada câmera de tevê parecer um utensílio da Idade da Pedra. Mas. Nisso não diferimos muito de nossos par entes próximos. Olhos Há muitos séculos os olhos femininos tem sido foco de grande atenção.

o olho funciona como uma câmera de diafragma ajustável. mas também possui uma outra curiosa função.permitem a visão em cores. Podem ver uma ima gem vaga banhada em um halo de luz — muito diferente da imagem nua e crua. quando vê algo de sagradável. A todo momento. as cortesãs da Itália pingavam gotas de beladona nos olhos antes de rece ber um visitante. mas. A pupila aumenta de tamanho com a luz fraca e diminui com a luz forte. po rque dava aos homens que as olhavam a falsa impressão de que eram amados (mesmo qu e eles estivessem diante do rosto devastado e envelhecido de uma libertina). a pupila se expande mais que o normal. porque a maior contração da abertura da pupila reduz a iluminação da retina e "ap aga" a imagem repugnante. Em século s passados. em v ez de uma imagem precisa e nítida. Sob esse aspecto. Difícil é explicar a dilatação da pupila que ocorre diante de uma visão atraente. Até o cérebro cresce mais que o olho. e com isso controla a quan tidade de luz levada à retina. isso pode ser uma vantagem para os jovens amantes quando olham no fundo das pupilas do ser amado. Se o olho vê alguma coisa de que gosta muito.5 milhão de mensagens simultâneas. não surpreende que o olho seja a parte do corpo a apresentar o menor crescimento entre o nascimento e a idade adulta. No centro do olho situa-se a pupila ne gra — a abertura através da qual a luz penetra para chegar à retina. É provável que o resultado seja um brilho ofuscante. Isso dilatava muito as pupilas e as tornava mais atraentes. essas células sensíveis à luz podem processar 1. Sendo tão complexo. . É fácil entender essa segun da reação. deixando que luz demais flua para a retina. Entretanto. contrai-se ao tamanho de uma cabeça de alfinete. Isso deve interferir na precisão de nossa visão.

Mas. o disco contrátil responsável pelas mudanças de tamanho da pupila.Ao redor da pupila fica a íris colorida. da e xpansão e da contração da pupila um sinal confiável de nossas reações emocionais às imagens v suais. A cor da íris varia consideravelmente de pessoa a pessoa. Olho s claros são portanto quase uma ilusão óptica. a córnea. e ao redor dela a parte que . Se a melanina ali p resente é menor e o pigmento fica quase todo confinado às camadas mais profundas da ír is. Essa função é desempenhada por músculos involuntários. mas isso não se deve à variedade de pigmentos. os olhos serão mais claros. Quem exibe um anel castanho escuro ao redor das pupilas tem uma quantidade generosa de melanina nas camadas frontais da íris. Quase todos os bebês brancos têm olhos azuis quando nascem. Cobrindo a pupila e a íris exis te uma camada transparente. Indicam uma perda de melanina e parecem ser parte da palidez gerai do corpo que ocorre à medida que a pessoa se move da z ona equatorial em direção a regiões menos ensolaradas. à medida que eles crescem. É isso que faz. o que cria a ton alidade azulada. de modo que nun ca conseguimos controlar deliberadamente o tamanho da pupila. A coloração violeta se deve ao sangue que corre por entre a íris. e seus olhos escurecem pouco a pouco. Apenas numa porcentagem muito pequena isso não ocorre e os olhos permanecem azuis. Pessoas de olhos azuis não têm um pigmento azul: simplesmente possuem menos pigmento que outras. ao passo que os de pele morena e negra têm olhos escur os. Nossas pupilas não mentem. variando do verde ao cinza ou azul ã medida que o pi gmento diminui. Esse efeito é mais intenso quando comparamos os bebês da raça branca com os da raça negra. os brancos desenvolvem a melanina na parte fro ntal da íris.

Quan do uma irritação dos olhos ou uma forte emoção fazem a glândula lacrimal produzir mais lágri mas do que os canais são capazes de drenar. Esse canais se situam na extremidade interna das pálpebras. Os dois canais se un em num único cubo que transporta as lágrimas "usadas" para o interior do nariz.chamamos de "branco do olho". mas nos primatas superiores os olhos são mais elípticos. mais próximos da forma humana. mas alguns macacos já apresentam a pele ao redor do s olhos ligeiramente esticada para trás e para os lados. em situações de sociabilidade. Essa par te não-óptica do olho é uma característica exclusivamente humana. É o at o de piscar que umedece e limpa a córnea. e a área exposta de cada lado da íris é marrom-escura. O processo é auxiliado pela secreção das lágrima s. Nos humanos. A maioria dos animais tem olhos redondos e "fundos". O mesmo o corre nos primatas inferiores. Só no homem a parte bran ca do olho é visível. que ficam embutidas sob as pálpebras. que tecnicamente tem o nome de esclerótica. As lágr imas são drenadas através de dois canais lacrimais — também visíveis como pontos um pouco maiores nas bordas das pálpebras. as pálpebras são margeadas por cílios curvos e têm bordas oleosas. nós choramos. produzidas pelas glândulas lacrimais. não existem partes brancas visíveis. Circundando a parte visível dos olhos. Esse s olhos ainda estão mais próximos da forma circular do que da oval. Entretanto. e o excesso de lágrimas se e spalha pelas faces. visíveis na forma de minúsculos folículos na raiz dos cílios. pequenas mudanças de direção são fa mente detectadas. o que cria "cantos". mesmo ã distância. Essa oleosidade é fruto de secreções de diminutas glândulas. a brancura dos olhos os torna mais evidentes. um na pálpebra superior e outro na pálpebra inferior. Essa é uma segunda característica . O efeito dessa pequen a mudança evolutiva é que.

ou subaquáticos. todo o rosto é mais gordo. É o vestígio de nossa terceira pálpebra. As pestanas.exclusiva dos olhos humanos. existe uma pequ ena protuberância rosada. são colorido s e piscam para dar algum sinal. Os patos mergulhadores têm esses órgãos transparentes e espessos. Alguns bebês ocidentais nascem com olhos puxados. Entre os povos orientais. mais achatado e mais adequado às baixas temp eraturas. têm uma característica excepcional: não embranquecem com a idade como os c abelos e os pêlos do corpo. uma prega cutânea sobre a pálpebra superior que dá aos olhos o formato oblíquo. Os cílios têm o mesmo tempo de vida que os pêlos das sobrancelhas. hoje totalmente inútil. são órgãos de alguma funcionalidade. Alguns animais os usam co mo um "limpador de pára-brisa" que pisca para limpar o olho. Os orientais possuem uma proteção adicional para os olhos: o epicanto. e cada cílio dura entre três e cinco mese s antes de cair e ser substituído. o epicanto parece ter se conservado como adaptação ao frio. desfrutaríamos hoje de outr os prazeres. são totalmente transparentes e u sados como óculos de sol naturais. mas só entre os orientais se conse rva na idade adulta. em outros. porque somos o único animal que chora quando está emoci onado. Em muitas espécies. Neles. No canto interno do olho. porém. entre os dois canais lacrimais. Cada olho tem cerca de duzentos cílios. e os empurram para fora da córnea quando estão nadando debaixo d'água. Se nossos ancestrais fossem mais aquáticos. mas esse fo rmato muda gradualmente à medida que o nariz se afina e toma outra forma com a ida de. Essa pr ega está presente no feto humano em todas as raças. em maior quantid ade na pálpebra superior do que na inferior. em outros ainda. e essa prega . que nos proporcionam uma franja de proteção acima e abaixo dos olhos.

Uma info rmação sobre as lágrimas: além de lubrificantes para a superfície exposta do olho. tornou-se ainda mais agudo. Entretanto. Quase não há diferença entre os olhos de homens e mulheres.cutânea ajuda a proteger a delicada região dos olhos contra um ambiente hostil. mas muitas mulheres no Extre mo Oriente não têm essa opinião. Contêm uma enzima chamada lisozima. mas é difícil dizer se isso se deve a uma diferença biológica ou a uma educação que exige que os homens não demonstrem suas emoções. parece ser u ma diferença mundialmente disseminada para ser apenas produto da cultura. Em muitas cul turas. não só devido à imprecisão na obtenção de informações visuais mas mbém porque a constante tensão de tentar enxergar causa fortes dores de cabeça. Conta-se que. A fo rma dos olhos orientais é indiscutivelmente atraente. com a invenção da escrita. O info rtúnio persistiu nas primeiras civilizações. e. A visão deficiente deve ter sido uma calamidade para muitos de nossos remotos ancestrais. mestre na arte da retórica que viveu em Roma na época de Cristo parece ter sido a primeira pessoa a tentar resolver esse terrível problema. as glândulas lacrimais são mais ativas em mulheres emotivas do que em homens igualmente emotivos. conseguia ler tudo o que encontrava . elas são também bactericidas. Sêneca. O olho fem inino é ligeiramente menor e mostra uma proporção maior da parte branca. e hoje os hospitais estão cheios de jovens com os olhos cobertos de bandagens depois de se submeterem ao bisturi do cirurgião para ter ol hos ocidentais. ape sar da vista fraca. Muitos velhos mestres precisavam que os mais jovens lessem para ele s. que mata as bactérias e prote ge o olho de infecções.

embora não se saiba se essa invenção foi influenciada por Bacon. Aros circulares produziam um olhar amplo. Benjamin Fran klin inventou as lentes bifocais. fazendo a pessoa parecer mais feroz e dominadora. será capaz de ler muito melhor as letras. uma das artes mais úteis do mundo.nas bibliotecas de Roma usando um "globo de água" como lente de aumento.. Mais ou menos na mesma época. e. Não havia disfarce. surgiram as lentes para corrigir miopia. e elas lhe parecerão maiores" . e no entanto era impossível não notar a influência de suas linhas. porque mudou a aparência dos nossos olhos.". afirma que tal vidro poderia ser útil para os que tivessem vista fra ca. de modo que fica claro que. no século XVIII.. Em 1306. na Itália.. mas não foi isso o que aconteceu. Essa breve história dos óculos não tem apenas in teresse médico. mas estético. o uso de óculos se disseminou.] e se ele for cortado como o menor segmento de uma esfera. No final do século. Os óculos não faziam parte do rost o. com o lado convexo voltado para o olho. da mesma forma q ue uma máscara altera toda a expressão de quem a usa. surgiram finalmente verdadeiros óculos de leitura. As primeiras lentes de contato a dar bons resu ltados foram fabricadas na Suíça em 1887.. . Aros superiores pesados davam a impressão de uma f ronte cerrada. Essa enge nhosa solução deveria ter levado à invenção dos óculos. como numa maquiagem sutil. no século XIV. um monge em Florença fez um sermão que incluía a seguinte frase: "Não faz ainda vinte anos que a art e de fabricar óculos. Os óculos torna ram-se parte da expressão facial. foi descoberta. como se a curva do aro substituísse sobrancelhas arquea das. Marco Pólo conta ter visto velhos chineses usando lentes para ler. Em seguida. Só século XIII o filósofo inglês Roger Bacon registra a seguinte observação: "Se alguém examina r letras ou outros objetos diminutos por meio de um cristal ou vidro [. No séc ulo XV.

enquanto responde. os subordinados tendem a observar os sup eriores. bloqueadas com o uso de lentes escuras. fizer uma afirmação controversa ou manifestar uma opinião pessoal. exceto em circunstância s especiais. e os superiores tendem a ignorar os subordinados. o faz com um olhar direto. Se ela avistar um indi víduo de condição superior. Por isso. dilatados ou contraídos — tudo isso fica oculto. quando l ança uma pergunta a alguém. Essa é cla ramente uma situação em que cerros indivíduos têm poder sobre outros e querem exercê-lo. Q uando amigos de igual condição se encontram. Sempre que alg uém contar uma piada. Isso acontece porque a melhor maneira de demonstrar amizade com a linguagem c orporal é evitar uma atitude hostil e dominadora. olhos instáve is. A pessoa em quem esse olhar s e fixa não consegue sustentá-lo e. ficamos atentos a noss os amigos. os olhos do subordinado vão procurar o superior para observar sua reação. todos usam movimentos oculares de "subordinados". O que nos dizem exatamente os movimentos oculares? Em tais reuniões. Olhos penetrantes. O que eles escondem? Suponhamos uma reunião social. olha para outro lado. visíveis em contraste com o branco dos olhos. olhos atentos ou desatentos. embota não o seja m. A figura do minante geralmente se mantém indiferente a essas trocas e dificilmente se dá o traba lho de olhar para o subordinado durante uma conversa generalizada. Mas. e o interlocutor pode apenas imaginar o que está acontecendo por trás da máscara dos óculo s. seus olhos vão osci lar de um lado para outro. são uma constante fonte de informações. Num contexto social.O efeito dos óculos escuros é especialmente forte. os movimento s oculares. observando todos os presentes. os movimentos dos olhos são bem diferente s. lançará sobre ele um olhar atento e observador. Nesse caso. acompanhando-os com o olhar . Se uma pessoa submissa e agradável entra numa sala.

Dessa maneira. Para a maioria de nós. do tipo olhos nos olhos. e logo desviamos os olhos. Quando eles falam ou se movem. Se enxergam profund os poços escuros. pode acionar deliberadamente um olhar atento. Em tempos remotos. olhamos para eles de vez em quando. como tinham muito o que vigiar. e. mas também havia deu ses maus e . quando falamos e eles nos observam. o faz sentir-se bem. sabem intuitivamente que seus sentimentos são correspondidos. olhamos para eles . Um olhar fixo e prolongado. um amigo trata o outro como um pod eroso. Se vêe m uma pupila diminuta. Quando olham nos olhos do ser amado. quando as superstições eram comuns. estão verificando inconscientemente o grau de dilatação da pupila. um olhar direto sustentado por mais de alg uns segundos é muito ameaçador. para c hecar suas reações ao que dizemos. Quando se dirige a um empregado ou serviçal com a intenção de manipulá-lo. os humanos sentiam-se protegidos. pode fazer isso adotando deliberadamente a linguagem corporal amistosa de um igual. Se uma mulher dominadora deseja agradar a alguém. Quando os deuses eram bons. com isso. era provável que tivessem muitos olhos e fossem onividentes. Se essas divindades vigiavam os homens. Esses truques raramente são usados p or indivíduos superiores. e. podem se sentir intranqüilos ao perceber que nem tudo vai b em no relacionamento. é porque deviam ter olhos. a não ser em situação especiais (como uma campanha eleitoral). Passando do amor ao ódio. o olhar fixo de uma pessoa furiosa é intimidador. só ocorre em momentos de int enso amor ou ódio. acreditava-se q ue seres sobrenaturais vigiavam os atos humanos e influenciavam seus resultados. a confiança é tanta que eles se olham sem o menor temor.como se eles fossem superiores. Entre amantes.

com essa idéia em mente. como amuleto de proteção. . U m amuleto que sobreviveu é a ferradura. Se caísse sobre alguém. um pod er maligno e até mortal que podia atingir a vítima sem aviso. principalmente nas reg iões mediterrâneas. Logicamente. essas precauções supersticiosas ainda são levadas a sério. Às vezes. que também é colocada numa casa para trazer bo a sorte. a maioria dessas imagens foram removidas ou escondidas durante a era vitoriana. mas algumas ainda sobrevivem. al go terrível acontecia.demônios — espíritos do mal com olhos malignos — cujo olhar podia causar um desastre. Mesmo hoje. uma mulher comum era possuída pelo Olho do Diabo cont ra sua vontade. Surpreendentemente. Alguns desses objetos protetores funcionavam segundo o princípio de que uma imagem fortemente sexual podia distrair o Olho do Diabo e mantê-lo ocupado . Muitos amuletos e talismãs eram utilizados para proteger as pessoas dessas ameaças. para evitar que os d emônios entrassem no edifício. ela também já teria desaparecido. Para intensificar a proteção. Como se acreditava que os piores efeitos do Olho do Diabo eram causados pela inveja. era importante não pro digalizar elogios a alguém que pudesse ser vulnerável. a ferradura era símbolo dos genitais femininos. A crença no poder dos olhos maléficos se espalhou e ainda hoje sobrevive em algumas pa rtes do mundo. O olhar maldoso transformou-se na figura do Olho do Diabo. Desde então. Se todo mundo soubesse que. muitas igrejas cristãs da Europa medi eval exibiam imagens de genitais femininos sobre as portas. Uma mãe ficava horrorizada se u m estranho elogiasse seu bebê. todos sobre os quais seu olhar recaía seriam vítimas de a lguma desgraça. os genitais eram geralmente representados abertos por duas mãos. e teria que pendurar um amuleto da sorte no berço da criança ou executar algum outro ritual de proteção.

Os olhos encaram a "vítima" be m abertos. Esse é um olh ar usado freqüentemente pela mãe que tenta dominar os filhos sem dizer uma palavra. Usado hoje só de brincadeira. Por essa razão. Há ne sse ato. Baixar os olhos. Se os olhos se mantêm um segundo nessa posição. e duas partes do rosto precisam opor forças. a idéia de reverência e submissão. mas baixa-os para o chão. muitas mensagens podem ser lidas em suas várias expressões. Uma pessoa verdadeiramente modes ta não move os olhos para a esquerda e para a direita. O olhar feroz é uma versão mais complexa do olhar fixo. Ergu er os olhos para o céu. Olhar feroz. expressam uma "alegação de inocência". esse movimento dos olhos baseia-se na idéia de olhar para o céu em busca de que o divino seja testemunha da inocência. porque olhos arregalados geralmente são acompanhados de sobrancelhas erguidas. Esse é outro movimento usado deliberadamente como um sinal. Isso dá ao olhar uma ex pressão . não é uma expressão que se mantenha por muito tempo.Abandonando os olhos fantásticos dos espíritos do mal e chegando aos olhos verdadeir os de uma mulher. É o comportamento natural dos su bordinados que não ousam encarar seus superiores. as pálpebras superiores são fortemente pressionadas pa ra cima e quase desaparecem sob as sobrancelhas abaixadas. Olhos baixos são às vezes sinal de modéstia. mas o cenho se mantém franzido. assim como no gesto de baixar a cabeça. Trata-se de uma contradição. Durante o olhar feroz.

Esse movimento aumenta o campo de visão e abre caminho para uma maior rec eptividade a estímulos visuais. É uma expressão de desgosto. Basicamente uma proteção contra o excesso de luz ou possíveis danos. mas não consigo deixa r de olhá-lo" é a mensagem que ele contém. Também é um sinal de ti midez ou de reserva. um a versão "representada" é às vezes usada como sinal de falsa surpresa.inconfundível. Olhos apertados . Como ocorre com muitas reações automáticas dos olhos. Olhar de soslaio. Abrir os olhos a ponto de mostrar o branco acima e/ou abaixo da íris costuma ser uma reação a uma surpresa m oderada. Isso ocorre quando estamos muito cansados ou sonhando acordados. "Estou muito assustado para encarar você. Olhar desfocado. A expressão "olhar de esguelha" descreve perf eitamente esse gesto. . por exemplo) pode ficar olhando por uma janela com um olhar des focado para impressionar os presentes. Trata-se de uma forma ar rogante. Essa expressão de dor artificial implica que os presentes são a causa de uma angústia mais ou menos permanente. Alguém que queira mostrar que está sonhando com algo especia l (um novo amor. o movimento vol untário de apertar os olhos também tem uma versão deliberada. Olhos arregalados. na qual fica evidente que a pessoa não está sofrendo com a exposição à luz ou tem endo uma ameaça. Es se é um movimento usado para olhar alguém sem se dar a perceber. A mensagem do olhar feroz é de raiva e surpresa.

Chorar é um forte sinal social. As b aleias choram quando sofrem. é possível que tenha conservado esses olhos lacr s quando voltou à terra firme como caçador. Isso explicaria por que ele é o único primat a a ter essa capacidade. da mãe orgulhosa e do at leta triunfante. Essa explicação aquática parece lógica. porque parece que a pessoa está apertando os olhos deliberadamente.de desprezo pelo mundo ao redor. quando produzia lágrimas como uma reação à longa exposição à água do mar. e há relatos de que as lontras também choram quando per dem os filhotes. O fato de sermos capazes de chorar enquanto outros primatas não choram tem despertado considerável interesse. A superfície luminosa e cintilante dos olhos fica levemente umedecida por uma sec reção das glândulas lacrimais causadas por uma forte emoção. e . dos fãs. Afirma-se ainda que as lágrimas são um produto da evolução da função de lim peza dos olhos em mamíferos que voltaram ao mar. mas também o olhar da angústia. Olhos úmidos. da aflição e da tristeza — em resumo. Uma outra possibilidade é que o clima seco das savanas te nha aumentado a produção de lágrimas. O brilho dos olhos transmite uma mensagem in teiramente diference e é algo difícil de imitar (a não ser para atores profissionais). Esse é o olhar dos apaixonados. A prega de pele dos olhos orientais às vezes cria uma falsa impressão de arrogância. mas não suficientemente forte p ara produzir lágrimas. Olhos brilhantes. de qualquer forte emoção que seja reprimida pouco antes do choro. S e há milhões de anos o homem passou por uma fase aquática. Há quem afirme que isso se deve ao fato de nossos ancestrais terem passado por uma fase aquática há milhões de anos.

como a uri na. nas quais as lágrimas se perderiam. Contra o argumento de que os outros mamíferos que habitam regiões secas não choram quando estão tristes. pode-se dizer que todos eles possuem faces peludas. hoje existem várias maneiras diferentes de piscar. Em estados emocionais. quando a produção de lágrimas aumenta. Mais u ma vez. Uma explicação completamente diferente parte da idéia de que as lágrimas. o que exp licaria por que "chorar faz bem": a melhora de humor seria fruto de uma mudança quím ica. que passam por momentos de forte tensão em disputas no mundo selvagem. A visão de faces banhadas de lágrimas. É po r isso que a freqüência das piscadas pode ser usada como um indício do estado de espírit o. Pis car os olhos. Só no rosto se m pêlos da espécie humana as lágrimas brilhantes funcionariam como um forte sinal visu al. seria então uma exploração secundária desse mecanismo de excreção. A piscadela normal . Eis algumas das diferentes maneiras de piscar: . leva mais ou menos 1/40 de segundo.que o choro seja resultado da função de limpeza. o movimento das pálpebras que limpa e umedece a superfície da córnea a freqüentes inte rvalos durante o dia. Deixando o tema dramático do choro e abordando o tema mais mundano d a piscadela. Isso indicaria que o choro emocional é primordialmente uma maneira de l impar o corpo do excesso de substâncias químicas produzidas pelo estresse. A análise química das lágrimas produzidas pela tristeza e das lágrimas produzidas pela irritação dos olhos revelou que os dois líquidos contém diferente s proteínas. têm uma função excretora. as piscadelas também se tornam mais freqüentes. que estimularia as pessoas a abraçar e con fortar o sofredor. é difícil conciliar essa teoria com a ausência de lágrimas em animais como os ch impanzés.

Piscar repetidamente. Trata-se de u ma tentativa desesperada de prender as lágrimas antes que elas comecem a rolar. Ad ejar as pestanas. Entre amigos. Isso ocorre quando alguém está à beira das lágrimas. Como sugere um entendimento particular entre duas pessoas. Entre estranhos. o gesto geralmente implica um convite sexual. Usado em segredo ou abertamente. que são arrega lados numa expressão de falsa inocência. entre pesso as de sexos diferences ou do mesmo sexo. A diferença é a abertura dos olhos. num tremor seme lhante ao que tenta evitar o choro. A mensagem q ue ele transmite é: "Eu e você partilhamos momentaneamente um segredo que exclui os demais". e por isso estou limpando-os com uma imensa piscadela para ter certeza de que é isso mesmo que estou vendo". Piscar para alguém. É uma piscadela mais lenta e maior em amplitude que a piscadela normal. Po r causa disso. a piscadela pode ser usada abertamente para "provocar" um te rceiro e fazê-lo sentir-se excluído. A mensagem que el e passa é a seguinte: "Não creio no que meus olhos vêem. usado apenas com um gesto "teatral". significa que ambos estão de acordo sobre alguma questão. É um sinal melod ramático de falsa surpresa. também é usado como um sinal de tristeza. É outro gesto teatral. Os olhos se abrem e fecham numa fração de segundo. Piscar exageradamente. Esse é um gesto deliberado que significa cumplicidade entre duas pessoas. ou que desfrutam de uma intimidade maior do que a que têm com as outras pessoas prese ntes. o gesto é conden ado pelas .

é muito mais fácil para os homens piscar de uma maneira convincente. hoje se sabe que há 4 mil anos. Novas pe squisas revelaram que. na Europa. já c onhecidas. Por alguma razão ainda descon hecida (a menos que a dificuldade esteja na maquiagem dos olhos). funcionava c omo uma proteção contra o brilho do sol. uma fosca e outra brilhante. É claro que. foi usada para fabricar a famosa maquiagem verde que era aplicada na região dos olhos na forma de uma pasta. A malaq uita. . um minério de chumbo. para as mulheres egípcia s daquele tempo. Uma autoridade no assunto declarou que. isso não é co isa de uma mulher de classe. que fica de fora da troca pessoal. um óxido de cobre. Dois dos brancos também agiam como antibióticos. Além disso. graças a uma química bastante avançada. enquanto o outro olho se mantém aberto para o resto do mundo. o amarelo. 2 mil anos antes de Cristo. A galena. e ra utilizada para pintar traços pretos que exageravam a forma das pálpebras. a maquiagem dos olhos era cara e consumia muito tempo. Além de decorativa. Muitas mulheres acham difícil piscar de uma maneira c onvincente e se sentem desajeitadas quando o tentam. o azul e três tipos de branco. a pintura dos olhos já era bastante sofisticada 5 mil anos antes de Cristo. não surpreende que toda uma co smética tenha se desenvolvido para embelezá-los. Um produto puramente decorativo para maquia r os olhos era preparado com ovos de formigas. C omo os olhos femininos transmitem muitas mensagens. No Egito.regras de etiqueta. o preto era encontrado em duas tonalidades. a fabricação de cosméticos era um p rocesso muito mais complexo do que se acreditava. as da mas egípcias tinham a seu dispor o púrpura. Piscar para alguém talvez signi fique que desejamos partilhar um segredo apenas com uma pessoa. Além das cores preto e verde.

e sombras douradas produ- . Nelas. Os antigos romanos eram menos austeros a esse respeito. bronze. ao acordar pela manhã. Essa obsessão pela maquiagem dos olhos no Egito durou milhares de anos. foram encontrados em salas de maquiagem e de banho de mais de 3 mil anos atrás. A maquiagem dos olhos da mulher egípcia incluía um estranho elemento: uma linha negra horizontal que parti a do canto externo do olho até a orelha. As coisas eram bastante d iferentes na antiga Grécia. Esse elemento altamente decorativo tinha um significado mágico porque era a imitação das linhas do olho do gato. apenas as cort esãs gregas desfrutavam dos prazeres da maquiagem. um animal sagr ado para os antigos egípcios. a rainha Cl eópatra ainda experimentava novas combinações de cores. que significa "elaborada decoração"). pintando as pálpebras superiores de azul-escuro e as inferiores de um verde brilhante. as cortesãs eram desprezadas pelos autores puritanos da época. a mulher usava um bastonete de ponta arre ndada. um dos quais afirmou que. feitas d e cinzas de madeira. onde as mulheres respeitáveis deviam exibir a pureza e a graça de suas formas naturais. registra o uso de sombras pretas para os olhos. "uma mulher dessas pareceria ainda menos atraente que um macaco .Para aplicar esses cosméticos nos olhos. obsidiana ou vidro. Ovídio. feito de madeira. hematita. Embora tenha sido a língua grega que nos legou a pal avra "cosmético (de "kosmetikos". assim como potes de cosméticos lindamente decorados. Muitos desses bas tonetes. Emb ora muitos homens gregos usufruíssem da companhia dessas mulheres. que escreveu a primei ra obra sobre cosméticos. Mesmo no período em que a grande civilização já declinava. era aceitável realçar as pálpe bras com um pincel mergulhado em incenso preto e delinear os olhos com kohl.

A Europa segui a a tradição grega. Helena Rubin stein. quando uma forte reação ao puritanismo vitoriano começou a ganhar impulso. influenciou a indústria de cosméticos ao lançar a moda dos olhos pesadamente maquiados. recentemente emancipada s. Quan do isso aconteceu. Foi o começo de uma revolução na cosmética. era uma prerrogativa das mulheres de vida fácil.zidas a partir do açafrão. pioneira da moderna cosmética. o inusitado de Hollywood tornou-se lugar- . O ano de 1910 assistiu à publicação de um notável pequeno volume intitulado The Daily Mirror Beau ty Book. Depois da queda de Roma. com seu conhecimento do antigo Egito. um manual de beleza que aconselhava traçar uma linha a lápis para alongar o s olhos e descrevia um aparelho para curvar os cílios. tirou a idéia das sombras coloridas do teatro francês e. estavam decididas a se embelezar segundo seu próprio gosto e a rejeitar qualque r interferência de figuras autoritárias masculinas. Uma atriz em particular. O dramaturgo romano Plauto afirmou que "uma mulher sem pi ntura é como comida sem sal". Em poucas décadas. a maquiagem praticamente de sapareceu dos olhos femininos na Europa e só ressurgiria muitos séculos depois. as décadas de 1920 e 30 viram esse comércio d e cosméticos florescer numa indústria de massa. Theda Bara. para fazê-los "parecer estrel as". As mulheres. Depois da Primeira Grande Guerra. experimentou o kohl para criar a dramática máscara de Theda Bara para o papel de Cleópatra. que dava seus primeiros passos. As atrizes dos primeiro s filmes em preto e branco eram obrigadas a enfatizar os traços faciais para torná-l os mais visíveis para a platéia. A maquiagem dos olhos só ressurgiu inteiramente no início do século XX . Essas jovens foram fortemente in fluenciadas pelo cinema.

Na verdade. o olhar desafiador de Cleópatra deu lugar a uma aparência mais natural. mas. essa suposta aparência natu ral era totalmente artificial. No mundo ocidental. Desde então. o Egito serviu novamente de insp iração para a maquiagem dos olhos. com as pálpebras. seus olhos pesadamente maquiados inspiraram jovens de todo o mundo — e sombras. "as mulheres pod em ser obrigadas a parecer feias pelos chefes de Estado islâmicos. Como escreveu uma autora iraniana. a maquiagem dos olhos sempre esteve presente — às vezes sutil. mas os cosméticos para os olhos não desapareceram. a maquiagem dos olhos recebe a mesma atenção de sempre — ainda que só possa ser apre ciada na privacidade do lar. No épico de 1963. Um anúncio proc lamava que "Para olho nu. É evidente que o desejo feminino de r ealçar a beleza dos olhos continua tão forte hoje como era nas antigas civilizações. O truque era que essa face nua se conqu istava com o mais demorado e mais cuidadoso procedimento cosmético na história da ma quiagem. criando um ar de "inocência infantil". o utras vezes nem tanto —. Mesmo em países onde dogmas religiosos impõem a sujeição das mulheres. uma face nua". obrigando-as a cobrir o rosto em públi co. pelo menos . a linha dos olhos e os cílios recebendo mai or ou menor atenção de acordo com os ditames da moda. a indústria cosmética cresce cada vez mais". . No final d a década. ironicamen te.comum em todo o mundo. não parece haver limites para essa área da "modificação" feminina. No início da década de 1960. foi Elizabeth Taylor a fazer o papel d e Cleópatra. A maquiagem ostensiva do início da década foi substit uída por uma sutil ingenuidade. Dessa vez. delineadores e cílios postiços entraram na moda.

como uma rocha que fica exposta quando a maré baixa. Por que isso acontece? O que há de tão especial nessa parte da anatomia feminina? É evidente que. Alguns anatomistas apresentaram um argumento pouco c onvincente: no curso da evolução. uma característica est ranha que exige uma explicação. mas tem uma importância desp roporcional ao seu tamanho. a ponta alongada e as narinas voltadas para baixo. que o "órgão proeminente". o nari z permaneceu onde estava. Nós temos um nariz protuberante num rosto achatado. pele saudável e fartos seios g anharam muita importância como sinais de beleza feminina. é preciso p rimeiro examinar a biologia básica do nariz. fica evidente que nosso nariz. à medida que o rosto humano foi se achatando. É difíc il aceitar essa suposição. deve nos proporcionar alguma vantagem biológica. n a evolução da espécie. mas que vantagem evoluti va pode haver na forma exata de um nariz feminino? Para entender isso. com a ponte saliente. é único. Se compararmos o nariz humano com os de nossos parentes próximos do mundo animal. É uma parte do rosto que não é capaz de expressar-se. a não ser franzindo-se em sinal de repugnância. Apesar disso. sempre despertou muita ate nção.6. Seu formato tem sido referência de beleza. características como quadris amplos. e por isso a cirurgia plástica para mod ificar o nariz feminino tem tido muita procura há mais de meio século. Os que têm o focinho mais longo também possuem uma face alongada. . Os macac os não possuem nada parecido. Há algo tão positivo na independência do nariz em relação às feiçõ o cercam. Várias hipóteses foram levantadas. como ele é chamado. Nariz O nariz é uma parte muito pequena da anatomia feminina.

bastante fantasiosa. Há quem afirme que nossos ancestrais passaram por uma fase aquática há milhões de anos. quando pulamos na água. Se for esse o caso. mas seria muito mais provável que tivéssem os desenvolvido válvulas nasais. Isso é verdade. de um golpe frontal. Seu crescimento é interpr etado como um movimento de apoio cada vez maior da vocalização humana. É por isso q ue os cantores têm tanto pavor de pegar um resfriado. Se isso tivesse ocorrido. precisamos de outra explicação para a protuberância do nariz. ê preciso falar tapando o nariz. O nariz seria uma proteção contra o influxo de água quando mergulhávamos. Vale le mbrar que. Uma terceira teoria. Esse triângulo ósseo protege o olho. A perda da qualidade vocal é drástica. vamos sentir a mão pressionando as três procrusões defensivas do olho. vê o nariz como uma defesa contra a água. Mas talvez a voz clara dos h umanos só precise dos grandes seios nasais — as cavidades nasais ocultas — para ressoa r com clareza. Válvulas nasais seriam muito mais úteis a um macaco aquático. mas não precisamos fazer isso quando mergulhamos de cabeça. como as baleias. Durante esse período. um dedo no supercílio e outro na ponte do nariz. Para ilustrar essa proprieda de. que é mole e vulneráve l. Se apoiarmos a ponta do polegar no osso malar. O nariz teria se desenvolvido à medida que a voz e a fala evoluíram.A primeira teoria vê a probóscide humana como um ressonador. . apertamos o nariz. Uma segunda teoria vê o nariz humano como um escudo: uma armadura óssea q ue ajuda a proteger os olhos. não teríamos necessidade de desenvolver um nariz alo ngado com narinas voltadas para baixo. nosso corpo teria sofrido diversas a daptações. Apenas um pequeno passo evolucio nário seria necessário para que o homem tivesse um nariz capaz de se fechar debaixo d'água.

Enquanto isso . úmido e lim po. nossos ancestrais devem ter encontrado um ambiente adverso e cheio de ventos. O nariz consegue isso de uma maneira notável: fornecendo mais de 14m3 de ar con dicionado a cada 24 horas. o que prova a extraordinária eficiência da engenharia do nariz humano. onde é engolida. A superfície interna das complexas cavidades nasais é coberta por uma membrana mucosa que segrega cerc a de 1 litro de água por dia. Tentativas de criar um nariz artificial enfrentaram muitas dificuldades. Por força da grav idade. Os pulmões são exigentes q uanto à qualidade ideal do ar que gostariam de receber: 35º de temperatura. que oscilam 250 vezes por minuto. porque inc rustados nela existem milhões de minúsculos pêlos chamados cílios. o nde um nariz seria de grande utilidade. Quando o ar é inalado pelas narinas . para evitar que o delicado revestimento dos pulmões se resseque ou se danifiqu e. dificilmente está nas condições ideais para passar aos pulmões. deve ser um ar temperado. 95% de u midade e livre de poeira. Essa teoria vê o nariz como um aparelho de ar condicionado obrigado a suportar uma carga cada vez maior à medida que nossos ancestrais se deslocavam para regiões mais frias e secas do planeta. gravemente prejudicados em um ou dois dias . renovando metade da cobertura mucosa a cada minuto. Para entender isso é necessário dar uma olhada dentro do nariz. Ao abandonar a tranqüilidade das árvores e se aventurar por planícies descampadas e outros ambientes mais hostis. Se um paciente de um hospital perder o uso do nariz p or qualquer motivo.Mas talvez o formato do nariz humano o ajude a funcionar como uma proteção diferente : contra a poeira e os resíduos carregados pelo vento. essa mucosa desliza pela garganta. seus pulmões estarão. Em outras palavra. Essa superfície úmida está sempre em movimento.

A função olfativa é realizada por dois pequenos conjuntos de células capazes de detectar os cheiros. apenas 27% da umidade vêm do ar. O pó e os resíduos de sujeira aderem à mucosa e são eliminados com ela. o nariz precisa ser mais alto e ma is proeminente do que numa floresta úmida.acontece. o nariz humano é um aparelho ressonador e um escudo ósseo que se tornou mais prot uberante e mais longo à medida que nossa espécie abandonou o quente e úmido Jardim do Éd en. dividindoas em grupos correspon dentes à temperatura e à umidade do local onde vivem. Mas não é só para isso que serve o na riz: ele é o principal órgão do olfato e do paladar. Cada um deles é constituído por . Num clima quente e úm ido. conservando sua função de condicionamento do ar. à medida que nos os ancestrais abandonaram seu habitat tropical e úmido e se aventuraram por outras terras em busca da caça. e o nariz só contribu i com 24% Num clima quente e seco. Isso não significa classificá-las por "raças". para se m anter eficiente nas savanas áridas ou desertos. por exemplo — apresentarão um nariz mais achatado que as pessoas de pele escura que vivem nas regiões mais secas da África oriental. Isso significa que. Do tamanho de uma pe quena moeda. 76% da umidade são provenientes do exterior. porém. seu nariz passou a ser mais exigido. ao passo que 73% precisam ser produzidos pela mucosa nasal. por exemplo. Daí podemos concluir que. Pessoas de pele escura que vivem em regiões quentes na África ocidental. Um cuidadoso mapeamento revela que é possív el classificar as pessoas segundo um índice nasal. Resumindo. situam-se acima das fossas nasais. portant o. o ar que passa pelas cavidades nasais vai se aquecendo e tornando-se m ais úmido. A forma do nariz é apenas uma indicação d o tipo de ar que nossos ancestrais respiraram e de nada mais. Assim o s pulmões estão seguros para a próxima inspiração.

Pesquisas realizadas na década de 1970 ident ificaram mais de duzentos diferentes compostos químicos que podem ser encontrados no suor. na saliva. possuem uma fisiologia mais equilibrada. diversas mães forem colocadas em l inha com os olhos vendados. Vivemos em cidades onde os odores naturais tornam-se imperceptíve is. As mães também são capazes de reconhecer seus bebês pe lo cheiro corporal. nos óleos da pele e nos fluidos genitais. inevitavelmente. numa experiência simples. Ainda pensamos no olfato como a lgo primitivo e bárbaro — uma capacidade antiga que é melhor esquecer e abandonar. Apresentam ciclos sexuais mais regulares e menos problemas de fertilidade — tal é o poder do nariz. (Apenas para registro: só metade dos jovens pais foram capazes do mesmo feito. Se. durante as quai s. aspiram diversos cheiros masculinos. c ada mãe será capaz de distinguir seu filho entre todos os outros. é uma demonstração de quanto a capacidade do nariz humano tem sido subestimada. e seus bebês transportados diante da fila um por um. Surpreendentemente. usamos roupas que eliminam nossos cheiros corporais e enchemos o ar de aeros sóis capazes de eliminar cheiros e disfarçar odores. Somos capazes de detectar substâncias diluídas numa proporção de uma par te da substância para bilhões de partes de ar.) Não temos consciência dessa alta eficiência do nariz porque ignoramos e anulamos cada ve z mais suas funções. O nariz feminino tem uma extraordinária sensibilidade aos odores masculinos.5 milhões de células que nos dão uma sensibilidade muito maior aos odores do que em ge ral imaginamos. As mulheres jovens geralmente se surpreendem ao descobrir que possuem essa sensibilidade. descobriu-se que as mulheres que apreciam relações sexuais freqüentes. . Mais uma vez.

Nas tribos primitivas. precisavam da maior proteção pos sível. salgado. precisariam de uma proteção maior que as mulheres primitivas. Convém agora explicar por que dissemos que o nariz é também um órgão do paladar. À medida que mordemos. Po r isso. as mulheres adultas eram valiosas demais para serem expostas numa caçada. ou indiretam ente pela própria boca.Apenas em algumas áreas especializadas — a dos provadores de vinhos e perfumes. Um alimento pode ter um sabor desagradável (na língua) e um ch eiro delicioso (no nariz). Se. todos os outros sabores de nossa variadíssima culinária na verdade são detectados não na superfície da língua salivante. ele protege os olhos de golpes violentos. se tinham que enfrentar os perigos de uma caçada. então os homens primitivos. mas pelas células olfati vas situadas acima das fossas nasais. Essa é portanto a biologia do nariz. o nariz dos homens acabou se tornando maior que o das mulheres. Quando levamos o alimento à boca. que eram c açadores. mas como ela pode nos ajudar a entender a forte ligação entre a forma do nariz e a beleza feminina? Um a resposta pode ser encontrada na protrusão óssea do nariz humano. Os homens adultos eram mais dispensáveis. ainda ass im. como dissemos . fortes ossos malares e um nariz mais protuberante. que coletavam alimentos. por exemplo — existe um esforço de educar o nariz a desenvolver plenamente seu potencial . s obrancelhas mais espessas. A língua é o principal órgão do paladar. amargo e ácido. mas. . em média. mas tem uma capacidade muito limitada. as partícula s odoríficas chegam a essas células diretamente pelas cavidades nasais. Só é capaz de disti nguir quatro sabores: doce. Essa proteção podia ser adquirida se eles desenvolvessem um crânio mais pesado. mastigam os e engolimos os alimentos.

Outro fator favoreceu a pequenez do nariz feminino. Elas podem ter sido desfavorecidas simplesmente em conseqüência das variações individuais que ocorrem em todas as populações. Mas também é p el que seus ancestrais recentes tenham vindo de uma parte do mundo onde um nariz grande era uma adaptação valiosa ao clima. onde o clima seja mais temperado. porém. houve uma pr essão evolutiva para que o nariz dos homens se tornasse maior que o das mulheres. to dos nós temos o nariz na forma de um minúsculo botão. e qualquer mulher que nascesse com um nariz muito grande se sentiria feia. Há duas razões possíveis para isso.Além disso. como o Oriente Médio e o norte da África. isso não é problema — a natureza lhes foi favorável. Narizes provenientes de regiões desérticas. qualqu er mulher que nascesse com um nariz muito delicado era considerada superfeminina . Se forem viver em outras partes do mundo. a capacidade atlética dos homens. Essas diferenças criaram uma equação: nariz menor = nariz feminino. Outras. Acrescente-se a isso um "cu lto à juventude" e o resultado é óbvio: quanto menor o nariz. são mais largos que a média. Durante a infância. au mentou a importância do nariz como condicionador do ar. os das regiões úmidas. Mais uma vez. A partir daí. co mo de certas partes da África tropical. sentemse desfavorecidas pela genética por terem que viver com um nariz grande e masculin o. Port anto. mais bela é a mulher. Iss o não foi tudo. Para a maioria das mulheres. Quando bebês. são maiores que a média. para parecer jovem e feminina é preciso ter um nariz pequeno. algumas dessas mulher es podem achar que seu nariz não é bastante . desenvolvida na perseguição das presas. esse botão cresc e proporcionalmente ao resto da lace e atinge seu tamanho máximo na idade adulta. Daí se conclui que um nariz pequeno é um nariz infantil.

o estreitamento das narinas e a elevação da ponta do nariz. e o perfil nasal se redu z drasticamente. Mas existem cirurgias menos comuns. a famosa atriz de teatro Fanny Brice convocou um renomado cirurgião plástico a seu apartamento no Ritz. O procedimento mais comum implica a remoção da saliência óssea que torna o nariz muito protuberante e adunco. famosa por seus comentários cáusticos sobre as celebri dades da época. Barbra Srreisand se . o termo grego para nariz. O termo técnico para essa cirurgia é rinoplastia — que vem de rhino. Dorothy Parker. A cirurgia p lástica surgiu da necessidade de reconstruir o rosto dos soltados feridos durante as duas grandes guerras do século XX. Segundo ele. percebeu-se que os mesm os procedimentos podiam ser utilizados por razões puramente estéticas. as primeiras clientes da cirurgia plástica do nariz foram as estrelas do show business. para que não haja cicatrizes externas. contra o que a atriz se defendeu energicamente. Até o século XIX. A cirurgi a é realizada dentro do nariz. onde ele realizou uma rinoplastia que reduziu seu nariz proeminente a dimensões diminut as. Reduzir o tamanho do n ariz feminino tornou-se a mais popular das cirurgias plásticas. Mais tarde. Seu produtor ficou horrorizado. sempre que al guém estivesse infeliz com o rosto que a natureza lhe dera. afirmou que Brice (que era judia) tinha "cortado fora o nariz por ód io à sua raça". Como quase sempre ac ontece com essas "melhorias" corporais. como a redução da batata do nar iz. na década de 1960.feminino e desejarão tê-lo menor. Em 1923. quando fez o papel de Fanny Brice em Funny Girl. elas pouco podiam fazer. mas o apare cimento de técnicas avançadas de cirurgia plástica vieram em seu socorro. Fanny perdera "um nariz de 1 mi lhão de dólares". Com os avanços técnicos. Uma serra cirúrgica especial remove essa saliência.

Uma adolescente de Teerã afirmou: "A moda chegou a tal ponto que as pessoas que não operam o nariz usam um curativo para chamar a atenção". a mod a pegou. com q uase todo o resto do corpo coberto.recusou bravamente a operar seu imponente nariz. "Deus ama os belos". foi uma exceção. a rinoplastia se tor nou cada vez mais popular no mundo ocidental porque um número cada vez maior de at rizes modelos e mulheres de todas as condições sociais passaram por uma plástica para reduzir o nariz. Em algumas regiões da África tropical. Na segunda metade do século XX. o número de rinoplastias está crescendo em proporções assustadoras . da A rábia Saudita e dos países do Golfo acorrem às clínicas israelenses em busca da operação. onde por imposição d o rigoroso regime islâmico as mulheres cobrem os cabelos em público e expõem apenas o rosto. No Irã. Depois del a. No início do século XXI. cirurgiões plásticos são cada vez mais requisitados p ara a rinoplastia. uma operação diferente está ganhando popularidade. a redução do nariz se tornou tal obsessão para as jovens irania nas que mais de cem cirurgiões plásticos chegavam a realizar 35 mil rinoplastias por ano. jovens do Egito. de acordo com a lei islâmica. dona de uma fort e personalidade. o número de rinoplastias já ultrapassava cente nas de milhares. No início do século XXI. O procedimento popularizou-se nos lugares mais inesperados. Mas Streisand. Além das mulheres israelenses. o nariz . ou parte dele. por exemplo. A desculpa das adolesc entes é que. Mesmo em países onde o nariz grande é uma característica comum. e o incidente sobre a cirurgia plástica de Fanny foi omitido no roteiro do filme. o nariz se tornou um foco de atenção. da Jordânia. Em Israel. Mas é claro que.

e. mas ainda era vista como uma tendência . É o equivalente nasal do alisamento dos cabelos. o pulso ou os dedos. uma cirurgia com a qual as jovens a fricanas tentam parecer mais européias. os hippies do Ocidente gostavam de viajar para o Orie nte "em busca de si mesmos". a mulher rejeitada pode usar o aro de ouro no nariz para garantir sua segurança. o septo nasal era perfurado para que nele se pudesse pendurar um ornam ento. ao ver as mulheres nativas com argolas no nariz. que começa no Oriente Médio cerca de 4 mil anos atrás. e. Na Inglaterra. escolhida porque esse lado estava relacionado à procriação e ao nasci mento. Acreditava-se que. se mais t arde ocorrer o divórcio. Na década de 1960. no século XVII. se usasse uma argola na narina esquerda (muitas vezes ligada à orelha esquerda por uma corrente de ouro). mas esse costume nunca se generalizou. o nariz nunca foi tão popular quanto as orelhas. Para o uso de jóias. O tamanho da argola indica a riqueza da família. Ainda é prática corrente entre os berberes e beduínos nômades do Norte da África e do Oriente Médio. No Vietnã e na China.largo e chato das mulheres nativas se estreita e recebe uma ponte mais firme. A tradição de usar argola no nariz foi levada do Oriente Médio p ara a Índia durante o período mongol. decidiram adotar essa maneira exótica de mutilação. quando o costume era perfurar a narina esquerda. o pescoço. a moda foi adotada pelos punks dos anos 1970. Em algumas sociedades tribais. onde o marid o costuma presentear a esposa com uma argola de ouro que ela deverá usar no nariz no dia do casamento. Uma tendência semelhante foi relatada recent emente no Extremo Oriente. O piercing nas narinas tem uma long a história. as cirurgias que ocidentalizam o nariz estão sendo realizadas em grande número. a mulher teria um parto menos doloroso.

na qual uma faca era inserida nas narinas. uma carícia que entretanto nunca saiu do âmbito da intimidade Em certas ilhas d o Pacífico. no século IX. tem sido rara socialmente. No mundo ocidental. sugo o seu lábio inferior e ela suga o meu . Mais tarde. Num contexto social.exótica. misturamos nossas línguas. os pequenos piercings ganharam popularidade. Em muitos lugares houve reações violentas de patrões contra empregados que usavam esse n ovo tipo de ornamento feminino. nos mordemos no nariz. Hoje. Quanto à maneira de cumprimen tar com um toque de nariz contra nariz. mas com o tempo o costume foi perdendo seu caráter de rebeldia. nos morde mos nas bochechas. e hoje. No ato sexual. talvez devido à influência cada ve z maior dos filmes de Hollywood. segundo Malinowski. a maneira como um nativo de Trobriand descreve o ato sexual: "Eu a abraço com todo o meu corpo. os povos do Pacífico utilizavam o contato nariz a nariz q uase da mesma maneira que . àqueles que não p agassem impostos. Então. esse toque também ocorre num contexto social. já no século XXI. acariciamos as axilas e as virilhas. E o pior foi uma pu nição particularmente brutal. Eis. O melhor que um nariz pode esperar é um puxão ou um soco. o contato entre duas pessoas pelo nariz sempre foi considerado grosseiro e incivil izado. tensos de paixão. embora os coletores de impostos tenham aposentado as fac as. os amantes esfregam o nariz do parceiro contra o próprio na riz. .. esfrego meu nariz no dela. por volta do final do século XX. o nariz só recebe toques gentis na vida p rivada.". Esse castigo era aplicado. nos mordemos no queixo. começa a declinar. ainda mostramos uma relíquia desse método primitivo quando dizemos que o fisco " nos deu uma facada". Na Europa. o que fazia o nariz se partir ao meio.

o toque no nariz às vezes obedece a um rígido código d e comportamento. Costuma-se descrever esse contato como "esfregar um nariz contra o outro". O movimento de esfregar geralmente se reserva aos enco ntros eróticos do tipo descrito por Malinowski. O novo ocupa o lugar da tradição. deve tocar os se us joelhos com o nariz. um gesto que se baseia na idéia de inalar a fragrância do corpo do outro.usamos o beijo. Hoje. o que é um erro. a mistura de culturas. . O contato de nariz com nariz. Quando um jovem encontra uma pessoa mais velha. no sul do Pacífico. quando maoris de a lta casta de encontram. Em público. O modo de vida mais co smopolita. c o o nipresente aperto de mãos se espalhou por todo o planeta. existe uma list a das partes do corpo que podem ou não ser tocadas pelo nariz. o contato deve ser d e nariz com pulso. só é permitido entre pessoas da mesma c ondição social. assim como de nariz com bochecha. combinam um vigoroso aperto de mãos com um leve toque no n ariz. Em uma tribo das ilhas Salomão. o que ocorre é um toque na ponta do nariz. Esses cumprimentos estão em declínio. Quando um cidadão cumprimenta um grande chefe. Como cumprimento formal. o crescimento do turismo e do comércio internaci onal — tudo isso contribuiu para uma uniformidade dos gestos de cumprimento.

Isso ocorreu em parte porque a forma arre dondada do rosto de um bebê — uma característica exclusivamente humana — sempre desperto u forte amor paternal. É nas faces que as mudança s emocionais são mais evidentes. o rubor é visto como uma demonstração de in ocência virginal. tímida em sociedade. como o pescoço.7. Na verdade. inocência e modéstia. O rubor da vergonha ou do constrangimento sexual se inicia no centro das bochechas — em dois pontos que ganham uma cor vermelho-esc ura — e só então se irradia pela superfície do rosto. tocamos .." — como se fossem os terríveis pecados do ser humano que o fize ssem ruborizar-se de vergonha. numa reminiscência do amor puro en tre pais e filhos. e geralmente não t em do que se envergonhar. Ou deveria.. Si mbolicamente. é em outros contextos que o rubor ocorr e. espalha-se para outras áreas. A pessoa que enrubesce costuma ser jovem. se o rubor se intensifica ainda mais. Bochechas Desde épocas muito remotas a parte macia e lisa do rosto feminino tem sido conside rada sede de beleza. Assim como a mãe pressiona levemente as bochechas do bebê contra o rosto. Essa antiga ligação entre bochechas macias e amor intenso dei xou uma marca em nossos relacionamentos adultos. os lóbulos das orel has e o colo. os namorados dançam de rosto colado e velhos amigos se beijam na face. o nariz. beliscamos ou beijamos as faces do ser amado. Depois. a bochecha é a parte mais suave de todo o corpo feminino. Em momentos de ternura. a não ser de sua inexperiência e indesejada inocência. A bochecha é também a parte do corpo que revela mais claramente as emoções. Como ocorre muitas vezes num clima de erotismo. A "noiva ruborizada" é um clichê nas cerimônias . Mark Twain certa vez declarou que "O homem é o único animal que se rub oriza.

Naquela época. se for enc urralada. antes que a educação sexual moderna trouxesse uma maior abertura e fr anqueza sobre o assunto) intimamente ligado a uma situação de namoro ou flerte entre pessoas jovens. Modernamente. mas é a vermelhi da pele que indica sua frustração. A vermelhidão do rosto também é um sinal de raiva. Mas se ela está com medo. porque ela está prestes a fugir — ou reagir. A dis posição da mulher enfurecida é de ataque.de casamento — e nesse caso o rubor resulta de um constrangimento pelo fato de tod os os presentes estarem imaginando a iminente perda da virgindade. A tonalidade que se instala é diferente. Nesse contexto. Ela pode lançar ameaças terríveis. Esse é o ros to de uma mulher pronta para atacar a qualquer momento. um rubor difuso que se espalha por todo o rosto. era significativo que as jove ns oferecidas nos mercados de escravos corassem quando enfileiradas diante de po tenciais compradores. Moças das classes superiores consideravam a pele bronzeada repugnante. criou-se uma conexão entre ele e a atração sexual. A mulher que cora di ante de um comentário de conotação sexual obviamente tem consciência de sua sexualidade. nenhuma jovem da alta classe seria vista com a pele bronzeada. As faces de uma mulher verdadeiramente irada se tornam muito pálidas à medida que o sangue foge e ela se prepara para a ação. o rosto bronzeado de uma mulher caucasiana é sinal de stat us. Como o rubor está (ou estava. suas faces também empalidecem. Portanto. mas ainda preserva uma certa ignorância. o bronzeado significava apenas uma coisa: a labuta no campo. Essa é uma situação rel ativamente recente. poderse-ia dizer que o rubor é b asicamente um sinal de virgindade. porque indica que ela tem condições de passar férias numa praia. Antigamente. A mulher que não cor a não tem consciência de sua sexualidade ou já perdeu a vergonha. c tomavam todo o cuidado para evitar o sol mesmo num simples .

quando se expõem. porque continha óxido de chumbo. Os problemas de pele que o sol pode acarretar não são nada comparados com um creme que. e assim as mulheres se dividem entre as cautelosas pálidas e as bronzeadas despreocupadas . o que lhe dá uma dupla vantagem num contexto sexual. As jovens hoje evitam se torrar ao sol e. O blush ainda é um cosmético muito usado hoje. essa repulsa ao sol levou as mulheres a usar maquiagem p ara empalidecer o rosto. embor a essa seja uma tendência que vai e vem ao sabor da moda. Além da aparência de saúde. depois de uma forte campanha contra o excesso de sol devido ao risco de câncer de pele. Mais uma vez. Em a lguns períodos da história. A maquiagem branca usada no século XVI e ra especialmente danosa. No século XXI. a s jovens beliscavam as bochechas antes de um importante acontecimento social par a fazer o sangue afluir a elas. Em casos extremos. Veremos que grupo prevalecerá. elas se sangravam para chegar à palide z. que mais tarde podia causar paralis ia muscular ou até mesmo a morte. Quando não usavam ruge. as faces eram pintadas com ruge. à medida que os fabricante s de cosméticos lançam novidades no mercado. o bronzeado voltou a ser um mal . a face pálida volta a ser um símbolo — dessa vez de consciência e preocupação com a saúde. Mas ainda há quem se recuse a abandonar o culto ao sol. esse tipo de maqu iagem traz também a lembrança do rubor inocente da adolescência. usam um bom protetor solar. Todas essas práticas acarretavam riscos.passeio pelo parque. Em outras épocas. quando um rosto rosado era um si nal de vigor e boa saúde. O repetido uso dessa pin tura ocasionava um acúmulo de veneno no corpo. na Itália do . quando usavam um chapéu de abas largas ou uma sombrinha.

onde se dizia que elas eram marcas do dedo de Deus. Seus crimes só foram descobertos em 1709. A senhora Toffana sempre visitava suas cliente s para lhes explicar o uso adequado do produto. e parece que sempre foram bastante raras. Um rosto com covinhas sempre foi considerado atraente na Europa. Uma certa senhora Giulia Toffana oferecia esse especial tratamento de pele . Entre os gregos anti gos. a boca do marido. Assim como a cor.Durante o movimento. O ardil funcionou por muito tempo. A idéia que . As covinhas não são m uito comuns hoje. A senhora Toffana foi responsável por mais de seiscentas mortes e a criação de mesmo número de viúvas saudáveis. era uma fórmula venenosa que continha arsên ico e outros ingredientes letais. absorveria uma quantidade do ve neno suficiente para matá-lo. pressionada contra as faces. que se tornou particularmente popular entre as esposas que queriam se livrar d e seus maridos. o motivo do óbito era sempre "excesso sexual". os dedos se aproximam. a forma das bochechas também era importante como padrão de beleza. Recomendava que nunca ingerissem o cosmético e que o aplicassem nas faces pouco antes de uma relação amorosa. Havia até um g esto especial para indicar isso. Vendido em pó ou em creme. Consistia em colocar o polegar sobre uma bochec ha e o indicador sobre a outra e descer suavemente a mão em direção ao queixo. Os gre gos modernos ainda interpretam o gesto da mesma maneira. quando ela foi presa. era vendido com o nome de "Aqua Toffana" ou "Manna de San Nicola di B ari". Pressionar a língua contr a a bochecha a ponto de distorcê-la é um gesto que significa descrença. Com isso . torturada e estrangulada na prisão. Depois. a forma das b ochechas também é importante.século XVII. Er a esse rosto ovalado que os gregos consideravam ideal de beleza feminina. sugerindo uma forma atilada para o rosto. o que fez dela a maior envenenadora de todos os tempos.

Fazer esse gesto era uma grosseria. Nasceu do fato de que o momento que caracteriza o sono é aquele cm que o rosto toca o travesseiro. "desfaçatez". Outro gesto. só que na face de outra pessoa. era um cumprimento ao cozinheiro. quase restrito à Itália. n o norte. durante o primeiro período vitoriano. tendo sido muito popular na Roma antiga. Norm almente. é pressionar o indicador na bochecha e girá-lo como se fosse uma chave de fenda. à Sicília e à Sardenha. a palavra ingle sa "cheek" (bochecha) ganhou nova acepção e passou a significar também "atrevimento". De Turim. tem sempre o mesmo significado: "Bom!" Na ori gem. beliscar a própria bochecha é sinal de algo excelente ou delicioso. Uma demonstração ainda mais evi dente de aborrecimento ou tédio é contrair os cantos da boca com força. no sul. Ele também signi fica descrença e é essencialmente um gesto de forte sarcasmo. é um adulto que belisca a bochecha de uma criança (que quase sempre odeia i sso). mas o beliscão . ma s com o tempo seu significado se ampliou e passou a incluir qualquer coisa boa. Na Itália todos o conhecem. a indicar que a massa estava al dente. Quase em toda parte. quando alguém está cansado ou entediado . Se um professor ou conferencista constatar essa postu ra em seus ouvintes.lhe deu origem é a de que essa seria a única maneira de a pessoa evitar uma crítica qu e estaria "na ponta da língua". apóia a face sobre a mão como se tentas se segurar o peso da cabeça. o mesmo gesto. É interessante notar que. Com isso. mas tem que permanecer sentado a uma mesa. Em algumas regiões medit errâneas. é um sinal de afeição que ve m sendo usado há mais do 2 mil anos. proibida princ ipalmente às crianças. pode contar que não está agradando. Juntar as palmas das mãos e apoiar a face sobre elas é um gesto que todo mundo enten de.

O tapinha na bochecha é um a brincadeira um pouco mais irritante. o gesto pode se transformar facilmente n uma verdadeira bofetada. o tradicional beijo leve na boca continua vigorando. A freqüência do cumprimento obedece a variáveis culturais. não passa de uma tempestade em copo d'água — um estalo que f az barulho. sem contato do láb io com a face. O be ijo é um ato recíproco. sua freqüência é quase excessiva. mas causa tão pouco dano físico que não chega a provocar uma reação imediata o u um ato agressivo da parte da vítima. como a Europa ori ental. que pode desagradar quando praticado com demasiado vigor. É uma versão mais leve do beijo na boca. por exemplo. Esses usos variam de um país para outro. Na essência.também pode ser usado como uma brincadeira entre adultos. ele se dilui log o depois. No meio teat ral e em ambientes sociais mais festivos. Em certas regiões. mas em amb ientes de baixa renda ele é extremamente raro. Mutilações nas bochechas nunca foram muito comuns devido à necessidade de mobilidade facial. adequado apenas a pessoas de igual condição. o gesto se resume à pressão de bochecha contra bochecha. O tapa no rosto t em uma longa tradição. mas s em poder fazer nada diante de um gesto que poderia ser amigável. Quando não existe afeto. Quando a mulher usa batom. a não ser entre membros de uma mesma família. Em . sabendo que foi insultada. e generalizou-se em muitos países como parte do ritual de cumpri mentos nas reuniões sociais. Era a maneira clássica de uma dama responder à atenção indesejada de um cavalheiro. combinada com o estalar de um beijo. Na outra ponta da escala emocional estão o beijo e o toque na face. Embora provoque um choque. deixando a vítima atônita.

já que as faces são a sede da modéstia e da vergonha".. com a intenção de demonstrar seu sofrimento. ou disfarçar a imperfeição com um lápis preto. Conta-se que Vênus nasceu com uma pinta natural na face. o Sen ado publicou um edito. quase não se vêem dornos faciais no mundo ocidental. nenhuma mulher podia arran har o rosto em sinal de luto ou tristeza. verrugas ou ma rcas de varíola com um círculo preto. ou "sinal de beleza". Essa foi a desculpa de que as mulheres precisavam para cobrir manchas. Tu do começou com a necessidade de ocultar pequenas imperfeições. As decorações tribais para o rosto incluem uma variedade de pinturas. ordenando que. tat uagens. que se tornou moda nos séculos XVII e XVIII. as mulheres que perdiam um ente querido arranhavam as faces ate fazê-las sangrar. dali em diante. Essas mutilações selvagens dos primeiros punks foram desaparecendo aos poucos. e m ais tarde foram postos à venda falsos alfinetes de segurança.] de modo que. quase sempre próximo à boca . Esse ti po de decoração tornou-se tão popular que mesmo as mulheres que possuíam uma pele perfei ta a adotaram.tempos remotos. mas a pinta logo ganhou vida própria como decoração cosmética. até que a pinta passou a ser um elemento . A não ser pelo uso rotineiro de pó e ruge. que davam a impressão de estar enterrados na carne sem realmente feri-la.. e qualquer mulher da moda que a imitasse só teria a ganhar em beleza. ao tomar conhecimento do fato. John Bulwer relata que esse costume deu origem a uma lei: "As damas romanas tinham o hábito de arranhar a s faces em sinal de luto [. quando era possível ver mocinhas com um alfinete de segurança enfiado na bochecha. A única outra forma de decoração fac ial é a pinta. incisões e perfurações. embora um breve ressurgimento deles tenha oco rrido nos anos 1970 com o movimento punk rock em Londres.

. Moder namente. um francês de língua afiada em visita a Londres afi rmou: "Na Inglaterra. faz-se necessário algo mais drástico. Cheguei a contar mais de quinze remendos sobre uma fac e enrugada e escura de bruxa. mas uma ocasional e única pinta ai nda se vê de tempos em tempos — sobrevivente solitária de um passado de exagero. as jovens. Com o tempo. as marcas do to sto feminino recebem outro tratamento. Depois de cicatrizada. rugas ou outros defeitos de pele. as velhas e as feias estão todas remendadas.puramente decorativo. enquanto as damas do Partido Tor y (então ala esquerda) decoravam a face esquerda. removendo as camadas externas da pele. em termos técnicos. Com essa finalidade. a me nos que estejam acamadas. o u. novos pro cedimentos foram desenvolvidos pela cirurgia plástica. essa moda desapareceu. tornou-se tão essencial nos meios cortesãos a pon to de se dizer que "toda mulher moderna devia usá-la sempre. coroas." No início do século XVIII a moda tinha adquirido ta l complexidade que a posição das pintas ganhou significado político: as damas do Parti do Whig (ala direita) decoravam a face direita. Como uma face lisa passa a imagem de juve ntude e saúde. Um deles é a abrasão da pele. com algumas notáveis exceções. cravos. e hoje. crescentes. losa ngos c corações. a pele do rosto é praticament e queimada.. Por esse método. os sinais de beleza deixaram de ser pintas e se transformaram em estrelas. é importante para uma jovem que quer se manter atraente esconder espi nhos. asperezas. . No final do século XVI. Com o tempo. Um jato de cristais de dióxido de alumínio é aplicado ao rosto. a pele torna-se muito fina — s e o tratamento foi um sucesso. a menos que estivesse de luto". Se a maquiagem não disf arçar o problema. Esses excessos logo desapareceram. microdermoabrasão.

Como a fêmea humana é um pouco mais evoluída anatomicamente — ou seja. se observarmos atentamen te a boca de um chimpanzé ou de um gorila. microcorrentes e tratamento com laser. seus lábios são. Uma fina camada de um gel esfoliante é aplicad a no rosto e. Não percebemos isso porque não nos damos o trabalho de co mpará-los com os lábios de nossos ancestrais primatas. 8. Esse gel ácido remove as camadas externas da pele que está danificada. o homem é o único a te r lábios curvados para fora. mas novos avanços no tratamento estão surgindo o tempo todo . e os resultados nem sempre são perfeitos. mas. mais juvenil — que o home m nesse aspecto. cinco minutos depois. é preciso repetir o procedimento algumas vezes. a resposta está na nossa evolução. em média. . preservamos cada vez mais as carac terísticas de bebê. logo veremos que a superfície macia e bri lhante fica escondida. Em todos esses casos. mais protuberantes. Um terceiro método emprega uma com binação altamente tecnológica de ultra-som. E por isso acabaram se tornando alvo de muita atenção. À medida que nossa anatomia e nosso comportament o tornaram-se progressivamente mais infantis. Lábios Existe algo muito estranho nos lábios humanos. Nossos lábios carnudos e visíveis faziam parte dessa tendência. Por que os humanos têm os lábios virados do avesso? Mais uma vez. cuidadosamente removida. e logo chegará o dia em que qualquer mulher poderá ter uma face perfeitamente lisa — por um certo preço.Outro procedimento é o peeling químico. No mundo animal.

o bebê humano não se desvia do projeto fetal e. Dois meses depois. por onde suga o le ite de seus fartos seios. vamos analisar como se desenvolveram esses superlábios. porém. aponta um par de lábios recurvos para o mamilo da mãe. os lábios do bebê virariam sozinhos para dentro quando ele começasse a ingerir alimentos sólidos. A boca do chimpanzé tomou a forma em que permanecerá pelo resto da vida. Portanto. por volta de 26 semanas. Quando o fe o tem apenas dezesseis semanas. sop ra beijos. No homem adulto. devemos dizer que os lábios humanos não são apenas infantis: são embrionári os. Antes mesmo de seu primeiro beijo de amor. podem até desa parecer sob uma barba hirsuta. Mas a h istória não termina aqui. são perfeitamente adequados à sua primeira tarefa de sugar os seios também únicos da fêmea humana. os cobre de batom.Mas. antes. Ao contrário do bebê chimpanzé. faz biquinho. Sua origem não e stá no bebê humano. eles já . exibe um par de lábios fartos e macios por toda a vida adulta — ou pelo menos até ficar bem velha. para se rmos precisos. A fêmea humana. os lábios já desapareceram. O bebê chimpanzé. assim que nasce. possui uma boca humanóide. ela tratará de cuidar dos lábios como um símbolo sexual. Enquanto for jovem e o sexo lhe ocupar a mente. uma exclusividade da espécie humana. por sua vez. Portanto. e. eles se torn am de fato um pouco mais esticados e finos. com lábios grandes e carn udos. Se terminasse. em condições primitivas. mas no minúsculo embrião do chimpanzé. os lábios do avesso. prende sua boca muscular de lábios finos à longa teta da mãe e suga o leite como um fazendeiro ordenha uma vaca. quando os lábios se afinam. e assim ele exibiria os lábios fino s típicos dos primatas quando chegasse à idade adulta. nem no bebê chimpanzé. Ela os umedece.

desempenharam um papel apresentação como mulher. fundamental na sua O que torna os lábios tão sensuais visualmente? Em sua forma, em sua textura e em su a coloração, eles imitam os outros lábios femininos, os lábios vaginais. Quando a mulher se excita sexualmente, os lábios vaginais se intumescem e se tornam mais vermelho s. Ao mesmo tempo, no rosto, seus lábios ficam mais túrgidos, mais vermelhos e mais sensíveis. Essas mudanças ocorrem em uníssono, como parte da revolução fisiológica que acomp anha uma forte excitação sexual. Um dos principais fatores desse processo é o fluxo do sangue em direção à superfície da pele. A pele dos indivíduos sexualmente ativos brilha q uando os vasos capilares se distendem em função do maior suprimento de sangue. Esse sangue extra aflora mais rapidamente do que pode refluir, e, com isso, a superfíci e da pele se torna cada vez mais sensível ao toque. Isso é particularmente verdade n os lábios. Os vasos sangüíneos tornam os lábios mais intumescidos e mais visíveis graças ao contraste entre sua tonalidade cada vez mais vermelha e a carne branca ao seu re dor. Intuitivamente, as mulheres das sociedades primitivas começaram a usar esse m imetismo. As prostitutas do antigo Egito usavam um ocre vermelho para realçar os láb ios. Um desenho em papiro que data de 1150 a. C. mostra uma cena num bordel teba no, na qual uma mulher seminua segura um espelho e aplica uma pintura nos lábios c om um longo bastão. Ao lado, um cliente inteiramente nu, exibindo uma enorme ereção, e stende a mão na direção dos genitais da mulher. A relação entre o rubor dos lábios femininos e a atividade erótica tem portanto mais de 3 mil anos. O uso de algum tipo de pin tura labial é mais antigo que isso, pois existem evidências de que ela já existia 4 mi l

anos atrás, na cidade de Ur, hoje sul do Iraque, onde uma soberana, a rainha Puabi , foi enterrada com um grande suprimento de maquiagem para ser usado na outra vi da. Seus cosméticos — tintas vermelhas para os lábios, assim como verdes, brancas e pr etas, presumivelmente para os olhos — foram armazenados em grandes conchas, ou em imitações de conchas feitas de ouro ou prata. Os primeiros batons eram fabricados tr iturando-se o óxido de ferro vermelho até obter um pó, que era então misturado com gordu ra animal. Mais tarde, no século IV a.C, os gregos realizaram experiências que parec em ter resultado na adição de tinturas vegetais, saliva humana, suor de carneiro e a té mesmo fezes de crocodilo. No século II, a tecnologia já tinha avançado, e as mulheres palestinas podiam escolher entre o laranja-brilhante e o cereja-escuro. Desde e ntão, a coloração artificial dos lábios foi um popular recurso de beleza feminina, embor a algumas vezes tenha sido condenada por autoridades puritanas. Sob regimes dita toriais que tentaram reprimir os prazeres sexuais, a pintura dos lábios foi proibi da. Em casos extremos, mesmo sem pintura, os lábios foram considerados excitantes demais para serem vistos em público, e as infelizes mulheres foram obrigadas a esc ondê-los por trás de véus. Acredita-se que a ocultação dos lábios das mulheres seja uma pres crição da fé islâmica, mas não é. Esse é sem dúvida um costume nos países muçulmanos, mas não a ver com os ensinamentos de Maomé. Na verdade, foi imposto às mulheres por uma soc iedade machista. Não se trata de um preceito religioso, mas de uma proibição sexista, fruto de uma sociedade em que a mulher é tratada como propriedade do homem. As igr ejas cristãs têm tido uma atitude ambivalente em relação aos lábios femininos. Em algumas ép ocas, elas se mostraram liberais, mas também houve períodos de

repressão, quando lábios artificialmente coloridos eram vistos como obra do demônio e uma ofensa à obra de Deus, o corpo humano em seu estado natural. Um clérigo do século XVII condenou os lábios pintados por considerá-los "um sinal de prostituição", uma armad ilha capaz de propagar o fogo da luxúria no coração dos homens que tivessem a infelici dade de pousar os olhos sobre eles. Os políticos geralmente se mantiveram afastado s dessas questões, mas, num determinado momento do século XVIII, na Inglaterra, vira m-se na obrigação de aprovar uma lei proibindo o USO do batom, porque certos homens ansiosos temiam ser ardilosamente atraídos para o casamento pela visão dos lábios femi ninos pintados. Essa proibição absurda criou um problema para as damas da época. A sol ução que elas encontraram foi chupar um picolé de groselha ou beliscar os lábios pouco a ntes de entrar numa festa. Apesar de sucessivas proibições da Igreja e do Estado, os cosméticos para os lábios se recusaram a desaparecer e, ao longo da história, sumiram ou ressurgiram ao sabor da moda. Num exemplar da Ladys Magazine do final dos an os 1820, verifica-se que um novo desenho labial foi adotado: o arco de cupido. P ara obtê-lo, os lábios eram aumentados verticalmente em vez de crescerem no sentido longitudinal, com uma profunda fenda no lábio superior, bem abaixo do nariz. Isso dava à boca da mulher uma aparência infantil e transmitia aos galantes cavalheiros d a época a atraente mensagem de que aquelas belas senhoritas precisavam de proteção. No s tempos atuais, o uso do batom sustenta uma importante indústria, que cresceu ini nterruptamente durante o século XX. No fim da era vitoriana, os lábios pintados de v ermelho foram confinados às infamantes casas de prazeres em função da pudicícia e da hip ocrisia da

época. Inúmeros clientes eram atraídos por suas cores convidativas e depois voltavam p ara suas pálidas esposas. Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, o batom iniciou sua lenta escalada social, passando dos bordéis aos teatros e daí para as bocas das mais ousadas freqüentadoras da sociedade boêmia. Depois da guerra, nos agitados anos 1920, os lábios pintados de vermelho se popularizaram nos salões de baile. Nos anos 1920 e 1930, o batom era usado pelas estrelas da florescente arte do cinema e l ogo se tornou uma norma social. Uma das primeiras estrelas do cinema, Clara Bow, reintroduziu os lábios de cupido, mas de uma forma mais audaciosa, quase um coração. Em 1925, Bow chegou a estrelar um filme intitulado My Lady's Lips (Os lábios de mi nha mulher). Na década de 1930, mulheres de personalidade mais forte entraram em c ena e impuseram um novo estilo: a boca rasgada. Depois disso, a boquinha de coração desapareceu. Com o advento da Segunda Guerra Mundial, pelo menos entre as jovens , usar um batom vermelho-brilhante era um sinal de patriotismo, porque alegrava os bravos soldados. Cartazes de recrutamento exibiam lábios de um vermelho vivo, u ma promessa de apoio feminino a qualquer um que estivesse disposto a defender se u país. Em 1945, com o fim da guerra, iniciou-se um período de austeridade. A paz re tornara, e o batom era então um acessório trivial, apresentado apenas em uns poucos tons de vermelho. Nunca se tinha ouvido falar de batom de outra cor. Na década de 1950 tudo isso mudou. Na França e na Itália, os fabricantes de cosméticos introduziram o titânio branco na fórmula do batom para produzir cores mais pálidas, e com isso amp liaram enormemente o espectro de cores. As revistas de moda da época gozavam de gr ande influência e tinham o poder de lançar uma nova cor a cada ano — a cor que se torn ava a coqueluche da

estação e depois desaparecia, substituída pela "ultima novidade". Nos anos 1960, com a chegada da pílula anticoncepcional e uma mentalidade mais aberta para a sexualida de, as mulheres puderam se expressar melhor como indivíduos. Em lugar de uma única c or dominante, uma enorme variedade de cores foi posta à sua disposição, inclusive dive rsas tonalidade pálidas. Com o surgimento do feminismo, na década de 1970, isso mudo u rapidamente. Por algum tempo, pintar os lábios era o mesmo que ceder ao desejo m asculino, e uma nova forma de puritanismo veio à tona. Os lábios das feministas eram naturais. Ao mesmo tempo, as mulheres protestavam violentamente contra a Guerra do Vietnã, e, quando não pertenciam ao movimento feminista, às vezes adotavam cores p roibidas, como o azul, o púrpura ou mesmo o gótico preto. Quando a Guerra do Vietnã te rminou e as jovens conquistaram uma maior igualdade social, os austeros modelos que lembravam uniformes foram abandonados, e as mulheres se sentiram livres para voltar a parecer mulheres. Durante os anos 1980 e 1990, o batom vermelho retorn ou mais uma vez. No início do século XXI, as mulheres passaram a expressar seu desej o sexual com uma franqueza nunca vista, e com essa confiança sexual e essa liberal idade cresceu a exploração erótica dos cosméticos para os lábios. Foram criadas três estratég as básicas: lábios mais vermelhos do que nunca, lábios de cor natural com o brilho do gloss ou uma combinação dos dois — muito vermelhos e muito brilhantes. Agora, a tônica e ra a individualidade. As mulheres deixaram de ser escravas de uma única moda. Uma cantora pop pode se apresentar com os lábios pintados de vermelho-vivo e, no próximo

show, subir ao palco com os lábios rosa-pálidos brilhantes ou sem nenhum batom. Os p ublicitários lançam mão de estimulantes descrições: lábios ultra-brilhantes, lábios suculento , lábios deliciosos, lábios molhados. As fotos mostram lábios femininos tão úmidos que é imp ossível evitar a mensagem biológica subliminar: se a forte excitação sexual gera secreções g enitais, os novos batons devem sugerir essa mudança fisiológica. Os fabricantes de b atons criaram superlábios. A mensagem está clara para quem quiser ver: as mulheres e stão mostrando que gostam de sexo e não se importam que saibam disso. Por mais impre ssionante que seja, toda essa tecnologia ocidental para embelezamento dos lábios f emininos torna-se insignificante diante das mutilações labiais de certas sociedades tribais. Entre o povo surma, que habita o sudoeste da Etiópia, a mulher adulta é con hecida como "mulher-prato". Pouco depois que ela completa 20 anos, seis meses an tes de se casar, um dos lábios é cortado e um pequeno prato, chamado labret, é inserid o na boca. Isso estica o lábio para fora num anel de carne avermelhada. Assim que for possível, a jovem retira o prato e o substitui por outro ligeiramente maior, d epois por um maior ainda, até ser capaz de exibir um lábio quase do tamanho de um pr ato de jantar. Nos primeiros tempos, o prato tinha a forma de cunha e era esculp ido em madeira, mas mais recentemente a moda determina que ele seja circular e d e cerâmica. Quando a mulher está sozinha, comendo, dormindo ou na companhia de outra s mulheres, tem permissão para tirar o labret, e, quando faz isso, o lábio cortado e esticado fica pendurado. Quando os homens estão presentes, porém, o prato deve esta r no lugar, e seu tamanho denota o valor da mulher. O tamanho do prato que uma j ovem consegue tolerar será a medida de sua beleza e irá determinar quantas cabeças de gado ela vale quando sua mão for oferecida em casamento.

como outras tribos que adotavam esse costume. mas também entre os macondes do Quênia. enquanto outras pregam um pino de madeira acima e abaixo dos lábios. essa história parece não ter muito fundamento. Mais uma vez. Surpreendentemente. As tatuagens de estrelas na infância e as tatuagens em preto e azul quando as mulheres atingem a idade adulta se espa lham da boca em direção às orelhas. Outras trib os usavam técnicas diferentes.Essa forma bizarra de alargamento dos lábios existiu em muitas tribos africanas. que achavam as mulheres com esse ornamento feia s e iam buscar escravas em outra tribo. os ubândgis achassem os lábios esticados um sinal de bel eza. na Colúmbia Britânica. essa forma extr ema de ornamento corporal foi descoberta por antigos exploradores numa parte com pletamente diferente do mundo. e que a repulsa dos mercadores de escravos fosse apenas um bônus. Em algumas tribos das Filipinas. Em todos os casos. as mu lheres que tinham os maiores discos eram as que desfrutavam de mais status. A técn ica varia de uma tribo para outra. O mais provável é que. foi l vantada a hipótese de que os chefes da tribo instigassem o procedimento para deter os mercadores de escravos árabes. Embora tenha sido amplamente divulgada. a costa ocidental do Canadá. os lobis de Gana e os sara-kabas e os ubândgis da bacia do Congo. acharam difícil cr editar que . outras os dois . onde as mulheres dos t liguites. Quando os pri meiros exploradores puseram os olhos nesses extravagantes lábios. a intenção é alargar os lábios e chamar a atenção para eles. não apenas entre os surmas. Entre os ubândgis. exibiam grandes discos labiais. Os shilluks do Sudão preferem os lábios tingidos de azu l e os ainus do Japão gostam de lábios tatuados. uma goma de masca r feita de nozes de bétele era usada para tornar os lábios encarnados. Algumas esticam apenas um lábio.

usar os novos lábios para um determinado papel. não seria vista nas sociedades urbanas por muitos séculos. o que permite a uma atriz. Uma interv enção mais duradoura requer uma intervenção cirúrgica. mas recent emente reapareceu na Califórnia. numa nova forma. e com a . com a abertura de um canal que atra vessa os lábios de um canto ao outro. Esse preenchimento pode ser feito co m materiais sintéticos. Sem entrar em detalhes técnicos. quando o calor do sol é ex tremo.eles resultassem de sacrifícios que as mulheres dessas tribos infligissem a si mes mas: ".. Esse espaço oco que é preenchido com um material capaz de ser absorvido pelo tecido labial.elas nascem com os lábios inferiores desse tamanho. de modo que elas não têm outra maneira de se curar senão jogando sal continuamente sobre ela!" Esse relato foi feito por John Bulwer em 1654. O efeito dura de três a seis meses. Atrizes de Hollywood. que caem até o peito e mostram aquela chaga do lado que pende para fora e que. apodrece. cientes do apelo sensual de lábios grossos e suculentos. em um d os primeiros livros antropológicos já publicados. por exemplo.. com Alloderm. começaram a procurar diferentes proce dimentos cirúrgicos para "melhorar" seus lábios. os p ontos principais desse tipo de cirurgia plástica podem ser resumidos nos seguintes (embora novos procedimentos estejam sendo introduzidos o tempo todo): O procedi mento menos drástico é a aplicação de uma série de injeções de colágeno ou gel hialurônico cm pontos do contorno dos lábios. implante sólido retirado da pele desidratada d e pessoas mortas. É evidente que não lhe ocorreu que os problemas de saúde decorrentes desses imensos lábios resultavam do corte do lábio para a colocação de grandes discos. A cirurgia plástica dos lábios. que já foi tão comum nas tri bos africanas.

que. são sentidas. porque o século XXI está testemunhando uma rápido crescimento dessas cirurgias.própria gordura da paciente. depois de modificados os lábios. o rosto feminino pode se tornar muito mais sensual. Mas essa é uma opinião que não parecer estar sendo levada em conta. que começaram na Califór nia e se espalharam pelo mundo todo. C ertas atrizes adquirem lábios tão protuberantes que ofuscam todas as outras feições do r osto (e que algumas vezes são chamados com sarcasmo de "beiços de truta"). Leva cerca de uma hora e tem a desvantagem de deixar cicatrizes. dando ao lábio uma aparência artificial. Não há dúvida de que. um procedimento para pr eenchimento dos lábios tem o efeito de eliminar a forma de arco de cupido do lábio s uperior. eles podem não se harmonizar com o rosto. Às vezes. O risco desses procedimentos cirúrgic os é que. tal é o impacto erótico da forma dos lábios. Os que cr iticam essas intervenções acham que. se os cirurgiões e dermatolog istas executarem bem o seu trabalho e evitarem armadilhas como as mencionadas. Trata-se de uma remodelação permanente e precisa ser realizada num centro cirúrgico. a s mulheres deviam pensar duas vezes antes de se submeter a uma cirurgia desse ti po. embora fiq uem escondidas dentro da boca. Em lugar da fenda natural. . A obtenção de um ou outro r esultado dependerá da colocação precisa das substâncias. a forma mais extrema de intervenção: a cirurgia plástica dos lábios. Finalmente. "Todas essas intervenções têm um dos seguin tes objetivos: preencher os lábios ou projetá-los para fora. que é extraída das nádegas. a linha superior se curva ligeiramente sob o nariz. purificada e depois injetada no s lábios. a não ser no caso de lábios excessivamente finos.

Indagadas sobre esse tabu. Numa recente pesquisa sobre os dez pontos de contato mais im portantes do corpo da mulher. a estimulação do clitóris tem maior probabilidade de conduzir ao orgasmo. Quando as mulheres das tribos precisavam desmamar os fil hos e introduzir alimentos sólidos. O beijo na boca t em uma origem curiosa. Esquecemos como ch egamos até aqui porque hoje é extremamente raro encontrar exemplos sobreviventes des se ritual primitivo de alimentação. Isso pode explicar por que. estão realizando um ato que r emonta a épocas primevas. colocavam a boca aberta sobre a boquinha do bebê e. Quando os amantes unem os lábios com a boca aberta e um com eça a explorar o interior da boca do outro com a língua. embora permitam todo tipo de conta to genital. tradicional mente. mas. costumavam mastigar o alimento até torná-lo macio e liquefeito. Não os seios ou os genitais. é o contato com o lábio o fator de maior excitação. É verdade que. em estágios mais avançados da relação s exual. essa não é sua única função. os lábios foram considerados a zona mais erógena. Quando cresciam. Ele ainda ocorre em . segundo as mulheres entrevistadas para a pesquisa. transferiam para ele o alimento. mas porque ele é "muito pessoal". mas os lábios. como o Japão. mas. na fase das preliminares. esse movimento exploratório da língua se ligou indelevelmente ao ato de a mor. Então. elas respondem que não permitem o beijo na boca não por razões de higiene. Deste longínquo início nasceu o beijo de amor entre adultos. naturalmente. consideramos os lábios apenas do ponto de vista estético. a tradição não recomenda beijar em público.Até aqui. as prostitutas dizem ''nada de beijo". e m alguns países. De ssa forma. os bebês passavam a experime ntar o alimento com sua própria língua assim que o contato boca a boca era feito. Isso também talvez explique por que. usando a líng ua. uma afirmação que diz mu ito sobre o significado dos lábios femininos.

um bebê ao qual tenha sido negada a recompensa normalmente oferecida pela mãe passará o resto da vid a tentando compensar essa perda. ma s o que Freud não considerou . publicado há mais de meio século. Nesse aspecto. talvez isso seja verdade. Em casos extremos. seu contato com diferentes partes do corpo masculino durante a relação sexual é menos altruísta do que pode parecer. Quando uma amante suga o pênis do par ceiro. A impressão deixada pela primeira fase oral permanece com ela de alguma forma por grande parte de sua vida adulta. V ale lembrar que. Pode parecer que elas este jam apenas excitando o homem. o p razer oral adulto reflete uma privação infantil. mas é desconhecido ou foi esquecido cm quase toda parte. Vale acrescentar que. como em muitos outros.algumas tribos remotas. De acordo com o estudo clássico sobre a sexualidade feminina realiza do por Kinsey e seus colegas. O contato oral-genital — que hoje sabemos não é uma invenção da so ciedade ocidental "decadente". mas as terminações nervosas da mucosa dos lábios feminin os são tão refinadas que cada toque no corpo do amado envia de volta um forte estimu lo sexual. Segundo essa teoria. e isso pode ocor rer mesmo sem qualquer contato genital. para Freud. Umas poucas mulheres também são capazes de a tingir o orgasmo aplicando os lábios ao falo masculino. algumas mulheres são c apazes de chegar ao orgasmo durante prolongados beijos na boca. devido à grande sensibilidade dos lábios femininos. os movimentos de sua boca lhe recordam o prazer que sentia ao sugar os se ios da mãe. mas desempenhou um importante papel nas atividade s sexuais de muitas culturas por milhares de anos — está fortemente relacionado ao p razer oral do bebê ao sugar os seios maternos. a fêmea humana é a mais desenvolvid a de todos os primatas.

As mudanças de humor provocam quatro difer entes movimentos dos lábios: abertos e fechados. A atitude negativa de Freud em relação a adultos que gostam de beijar. fumar. Costuma-se vê-lo como um simples esfíncter. como faz a maioria dos bebês.foi que os prazeres experimentados em qualquer fase da vida são capazes de estabel ecer padrões de comportamento para o futuro. As mudanças são efetuadas por um conj unto complexo de músculos que funcionam basicamente da seguinte maneira: Ao redor dos lábios existe um forte músculo circular. se suas fibras superficiais são ativadas. É esse músculo que trabalha quando os lábios estão apertados ou adotam qualque r outra expressão contraída. essas quatr o mudanças nos dão um enorme espectro de expressões. . Combinadas de diferentes maneiras. é importante examinar os lábios femi ninos como emissores de sinais faciais. com fixação em seios e infantilizados" simplesmente porque. Se o músculo todo se contrai. eram capaz es de desfrutar dos prazeres orais. ele deve ser perdoado por e ssa postura contra esses adultos que ele considerava "oralmente dependentes. Finalmente. o orbicularis oris. Portanto. o mesmo músculo. dificilmente perderá a chance de experimentar maneiras adultas de recapturar esse prazer — simplesmente porque não houve nenhuma privação infa ntil. mas se suas fi bras mais profundas são fortemente ativadas. Portanto. Por outro lado. ao contrário dele. tensos e frouxos. comer doces e tomar bebidas quentes não é difícil de entender. Ele tinha câncer do palato. que precisou ser removido em grande parte em trinta e três cirurgias. que se contrai para fechá-los. mas isso seria subestimá-lo. Um indivíduo que sugou o seio materno. para a frente e para trás. a contração pressiona os lábios fechados co ntra os dentes. porque sua boca era fon te de interminável sofrimento. os lábios se fecham e se projetam para a frente. para cim a e para baixo. os lábios se mantêm fechados.

pode gerar os lábios suavemente contraídos que conv idam a um beijo ou os lábios tensos de quem espera levar um tapa na cara. no medo. A princ ipal diferença está no movimento dos cantos da boca. os lábios são pressionados . como se fugissem de um ataque. o ser humano usa outro múscu lo. ajudando a f ormar a expressão de aversão ou de ironia. como se avançassem sobre o inimigo. e o bu ccinator. lutando para manter a boca aberta em outra direção. o que introduz um novo elemento nas sutis expressões faciais. Elas provocam uma aber tura maior ou menor da boca. O músculo triangularis empurra a boca para baixo e para trás. Na rai va silenciosa. A maiori a dos outros músculos da boca trabalha contra esse músculo circular central. pavor ou raiva. Existem ainda o músculo levator menti. Mas esses movimentos opostos dos cantos da boca podem exi stir com a boca aberta emitindo um som ou com a boca fechada e em silêncio. o músculo levator er gue o lábio superior e ajuda a criar expressões de dor e desdém. Para complicar ainda mais as coisas. O músculo depressor empurra o lábio inferior para baixo. eles são empurrados par a a frente. no sorriso e na gargal hada. Tomemos como exemplo as expressões contrastantes de raiva e medo. que comprime as bochechas contra os dentes. Quando sente uma dor aguda. eles se retraem. Ele é usado não apenas para soprar instrumentos musicais. o platysma da região do pescoço. diversas vocalizações acompanham as expressões da boca. mas também ajuda na mastigação dos a limentos. Simplificando muito. que ergue o queixo e projeta o lábio inferior para fora em expressões de desafio. O músculo zygomaticus e mpurra a boca para cima e para baixo em expressões alegres. ou músculo do trompete. que puxa a boca para baixo e para os lados em f unção da tensão do pescoço que antecipa um ferimento físico. gerando a expres são de tristeza.operando de maneiras diferentes. Na raiva.

devido à curva para cima dos lábios estic ados. O sorriso triste ilustra outra sutileza das expressões femininas. qual seja. gerando uma abertura quase quadrada. Essas l inhas diagonais.um contra o outro. Outra característica da expressão alegre é a prega de pele que aparece entre os lábios e a bochechas. na raiva ruidosa. a capacidade de combi nar elementos aparentemente incompatíveis para transmitir estados de . a boca se mantém aberta e os den tes inferiores também podem se revelar. no medo ru idoso. As expressões de felici dade também têm versões abertas e fechadas. Quando se acrescenta o som da risada. Elas "personalizam" o sorriso . Quando são empurrados para trás e para cima. podemos duvidar da sinceridade de sua expressão vocal. a boca se abre inteiramente. com os cantos da boca para a frente. o s lábios podem se manter em contato. com os cantos da boca puxados o máximo para trás. acompanhado de um grito ou de uma arfada. Mas ele s também podem se separar e produzir o amplo sorriso no qual os dentes superiores são expostos. os lábios se retraem e se retesam ate formar uma fissura horizontal. causadas pela elevação dos cantos da boca. a boca se abre. a pessoa que grita expõe menos os dentes do que a que rosna. mas ainda com os cantos da boca para a frente. Se uma mulher ri e expõe totalmente os dentes inferi ores. mas. são dobras nasolabiais que variam consideravelmente de indivíduo para indivíduo. Como o medo retrai os lábios. os dentes inferiores nunca são inteiramente expostos como os superiores. um importante fator para o fortalecimento dos laços de amizade. expondo os dentes superiores e inferiores. por maior que seja a gargalhada. es ticando os lábios para cima e para trás ao mesmo tempo. No medo silencioso. o que resulta num sorriso silencioso. acompa nhada de um berro ou de um ronco.

Em vez disso. caem para criar o "sorriso heróico" da mulher q ue está sendo assediada ou o sorriso irônico da professora que recusa um pedido. Exi stem muitas outras expressões mistas. a não ser pelos cantos da boca.espírito complexos. No sorriso triste. . todo o rosto se compõe numa aparência de olhos brilhantes e de bom humor. que se recusam a se erg uer na posição adequada. que oferecem ao rosto feminino um rico reper tório de sinais visuais.

não surpreende que a boca tenha sido definida como o campo de batalha do rosto". Sua s uperfície rugosa é coberta de papilas que contêm entre 9 e 10 mil . sugar. Qualquer pessoa que tenha visitado um dentista sabe disso. as mulheres não poderiam falar e perderiam u ma de suas grandes qualidades. estando envolvida nos atos de experimentar. Por isso. O papel da língua na fala às vezes é subestimad o. Dentro dos lábios. beijar. por n atureza. gritar e grunhir. A laringe recebe o crédito. mas esse erro é rapidamente corrigido quando se tenta falar com a língua presa no assoalho bucal. a língua também desempenha um papel primordial n a alimentação. que é a capacidade de se comunicar verbalmente melh or do que qualquer outro animal no mundo. Boca A boca feminina funciona o tempo todo. rosnar. Essa é uma afirmação evolucionária. a boca contém um elemento essencial: a língua. rir. Naturalmente. l amber. bocejar.9. engolir. e não cultural. melhor ainda do que o homem. Outros animais usam a boca para morder. mas a fêmea humana acrescenta a essa lista outras funções. uma parte maior do cérebro da mulher é empregada em registrar uma solução. o que lhes dá uma grande vantagem. mais fluentes que os homens. As mulheres primitivas foram as comunicadoras da vida tri bal (enquanto os homens ficavam fora da tribo. assobiar e fumar. Ela usa a boca também para falar. tossir. Quando diante de uma tarefa verbal. sorrir. mastigar. e as mulheres atuais herdaram essa quali dade. mastigar e engolir. Sem ela. Pesquisas sobre o cérebro confirmaram algo de que muitos já suspeitavam: as mulheres são. abatendo as presas com pouco mais do que um grunhido a romper o silêncio).

que os bebês são capazes de executá-lo antes mesmo que ele seja necessário. em busca de caroços ou pedaços maiores. Durante a mastigação. a língua funciona como palito gigante. Não reparamos nesse complexo movimento muscular p orque ele é automático. mas hoje se sabe que não é isso que ocorre. a ponta da língua pressiona o céu da boca e sua par te posterior se arqueia para catapultar a mistura de alimento e saliva para dent ro da garganta em direção ao estômago. Para fazer isso. que são capazes de distinguir quatro sabores: doce e salgad o na ponta da língua. Todos os sutis sab ores de nossos alimentos derivam de uma mistura desses quatro sabores básicos. com a ajuda dos aromas que percebemos com o olfato. tentando desalojar partículas . um Quando a refeição termina. em especial na parte superior da garganta. en quanto os receptores do azedo e do amargo estão no céu da boca. azedo dos lados da língua. a superfície da lín gua também reage à textura dos alimentos. ela participa da função cruc ial de engolir. tão elementar. manter um equilíbrio correto do sal e evitar certos alimentos perig osos — que apresentariam um sabor excessivamente amargo ou ácido. no ponto onde o pala to duro se junta ao palato mole. e amargo na parte posterior da língua . de fato. Existem receptores dos sabores doce e salgado em outras partes da boca.receptores gustativos. Acredita-se que essas sensações de paladar existem porque era importante para nossos ancestrais reconhecer quando uma fruta estava doce e madura. Quando julga que tod os os pedaços foram devidamente triturados ou rejeitados. Costumava-se pensar que todos os sabores são percebidos na parte superior da língu a. quando ainda estão no ventre da mãe. Além dos sabores. ao calor e à dor. a língua r ola o alimento na boca.

A co rrente percorreu todo o corpo e ela quase morreu. mas há uma dependência entre o contato digital e o oral. cujos pais precisam . que na espéci e humana são utilizados quase exclusivamente para a alimentação. Embora prejudique a clareza da dicção. Tentando encontrar novas maneiras de obter a de saprovação dos adultos. a língua raramente foi alvo de alguma "melhoria" cosmética. Dentro da boca ficam os dentes. essa forma de mutilação tem sido adotada até por cantoras pop. em que a oralidade desempenha o principal papel. o piercing na língua parece oferecer apenas uma vantagem. A língua ficou gravemente ferida . A mulher pode usá-los u ma vez ou outra para cortar um fio. e a jovem ficou temporariamente cega e incapaz de falar durante três dias. na forma dos piercings. Depois ele vai manipulá-lo com seus dedos hábeis. a boca das mulheres sofreu uma estranha e nova intrusão. o beijo na boca sem piercing é como um filé sem mostarda. Por estar p rotegida dentro da boca. De acordo com o parce iro de uma usuária. os jovens se submetem à dor de ter a língua perfurada para a ins erção de piercings de metal. Entretanto. a língua e os dentes. Isso também ocorre nos be bês humanos. quando uma inglesa de fér ias em Corfu foi atingida por um raio atraído pelo piercing de metal na língua. Dê a um macaco um objeto estranho e ele quase de imediato o levará à boca para explorá-lo com os lábios. no final do século XX. Além de seu papel como símbolo de revolta socia l. mas. Uma desv antagem ainda não percebida foi descoberta no verão de 2003. ao contrário de outras espécies. Mais tarde ela declarou que precisava de férias para recarregar as baterias. praticamen te só os utiliza para se alimentar.indesejáveis de alimento que possam ter ficado presas entre os dentes. mas o pier cing tinha levado isso ao pé da letra.

Como as mulheres possuem u ma arcada menor que a dos homens. os dentes do siso. rilhar e bater com o frio. Além da função de partir e mastigar os alimentos. soca. os dentes humanos se tornaram bastante modestos comparados com os das outras espécies. que é realizado q uase exclusivamente pelas mãos. as mão s assumiram a tarefa da mordida letal tão comum entre os carnívoros. Os dent es masculinos geralmente são mais angulosos e rombudos. depois de substituir gradualmente os pequenos dentes de lei te da infância. principalmente nos incisivos superiores. O mac aco. seus dentes tendem a ser levemente menores. roer. Os dentes se apertam em momentos de intenso esforço físico ou quando . Essa mudança também ocorre quando ê preciso lutar. Com essa passag em da boca para a mão. Só morde como um último recurso. chuta e o agarra num corpo-a-corpo. com a ponta rombuda a lembra r nossos ancestrais. porém. ranger. Existem leves diferenças entre os dentes do homem e da mulher. À medida qu e amadurecemos. a pertar. quando está furioso. a boca vai perdendo seu "papel exploratório". triturar. 28 dos quais já estão estabel ecidos na puberdade. Nossos caninos não são mais presas de pontas afiadas. agarra o adversário e o morde.estar sempre atentos para que eles não enfiem objetos perigosos na boca. Os últimos quatro dentes. Mais uma vez — com a ajuda das armas —. O m esmo ocorre na hora de matar uma presa. A mulher adulta possui 32 dentes. os dentes também são capazes de agarrar. Em muitos casos. São ap enas ligeiramente mais longos que os outros dentes. só nascem quando nos torn amos adultos. de modo q ue a boca de um adulto pode ter de 28 a 32 dentes. O homem ataca o inimigo na cabeça. alguns deles — ou mesmo todos — não aparecem.

muitos indivíduos rangem os dentes quando dormem. acelerando muito o processo. apresentaram meno s cáries. no qual o indivíduo frustrado morde simbolicamente o inimigo na segurança do sono. Animais alimentados com uma dieta rica em açúcar não perdiam dentes quando o a limento era ingerido por um tubo. rap idamente fermentam em ácido lático. e. Além disso. até que a saliva se torne anormalmente ácida . Se um soco atingir o rosto de uma pessoa que está de boca aberta. Todo ess e processo foi confirmado de várias maneiras. Entretanto. o Lactobacillus acidophilus. A bactéria adora esse ácido ainda mais e começa a se r eproduzir. Embora o e smalte dos dentes seja a substância mais dura de todo o corpo humano. sem contato com os dentes. com o risco de quebrá-los ou d eslocar a arcada inferior. se partíc ulas de alimentos açucarados ou farináceos ficam presas aos dentes ou às gengivas. o que nos leva a pensar por que a língua precisa de três palavras para defi nir uma ação que é tão raramente usada na vida real. As crianças que cresceram no tempo da guerra na Europa. chimpanzés que vivem soltos na floresta têm excelentes dentes.a pessoa antecipa uma dor. Mais uma vez. trata-s e de uma reação primitiva que ressurge como uma espécie de "sonho muscular". Essa é uma expressão que podemos ver no rosto de um lutad or e na criança que está prestes a receber uma injeção. fazendo pequenos furos no esmalte. Ranger. ao passo que aqueles que . As causas parecem bastante óbvias. com cert eza causará mais dano. A acidez corrói a superfície do dente. o que indica uma raiva reprimida. ringir e rilhar os dentes é praticamente a mesm a coisa. É uma reação primitiva a uma possível r física. quando quase não havia açúcar refinado ou farinha. adora carboidratos. fazendo os dentes se chocarem. a queda de d entes é muito comum no mundo atual. Uma bactéria qu e sobrevive na boca.

são eles os mais resistentes à queda. existem alguns fatos estranhos sobre a resistência dos dentes. A lógica indica que os dentes incisivos centrais inferior es estariam mais sujeitos a reter alimentos e. quase 90% das pessoas possuem incisivos centrais inferiores sadios. Essa técnica foi utilizada em regiões da África. a sofrer um ataque maio r de ácido lático. Pedras preciosas ou metais eram entalhados no dente como demonstração de status. mas muita s culturas têm outra visão. Em Bali. No mundo oc idental. o que implica que a boca era usada simbolicame nte como "genitais deslocados". da África ao Sudeste Asiático e às Américas. Alguns povos costumavam remover os incisivos centrais pa ra enfatizar os caninos. Alguns indivíduos parecem ser quase imunes à queda mesmo quando tem uma dieta excessivament e doce. o que tornava a boca mais ameaçadora e feroz — quase um ros to de Drácula. os dentes continuam guardando alguns mistérios. da Ásia e da América do Nort e.recolhem alimentos perto de apresentam dentes estragados. Muitas des sas operações e mutilações eram executadas em épocas especiais da vida na tribo. mais de 60% perderam os molares superiores. especialm ente na puberdade e no casamento. Isso também ocorreu em muitas partes. Por outro lado. por exemplo. Surpreendentemente. O olhar ocidenta l sempre considerou uma dentadura branca e saudável uma marca de beleza. o impacto dos dentes foi reduz ido em vez de exagerado. Outro método para fazer os dentes parecerem selvagens é dar-lhes pontas afiadas. portanto. enquanto outros perdem dentes apesar de todo o cuidado tanto com a alime ntação quanto com a higiene. os jovens eram submetidos a um do loroso lixamento para . povoados humanos No entanto. Apesar dos grandes avanço s da odontologia. Em algumas regiões.

como se de repente tivessem regressado ã fase desdentada da infância. fazendo com que os dentes ficassem cariados e descoloridos. Dessa forma. se a pessoa era pobre demais para estragar os dentes dessa maneira. Dentes pretos também foram moda no antigo Japão. se o branco é a cor dos dentes jovens e saudáveis. Em outras partes do Oriente. Folhas de bétele. Daí surgiu a idéia bizarra de que escurec er os dentes proporcionava uma aparência de alta classe e fazia a mulher mais bela perante a sociedade. conseguiam p arecer mais submissas a seus machos. estava no preço do açúcar. até que. Em outras cu lturas orientais. . na época de Elizabeth I da Inglaterra. Afinal. Eles eram ting idos dessa cor como parte de uma elaborada maquiagem usada pelas mulheres de alt a casta. Só os muito ricos podiam se dar o luxo de comer doces. tinha que fingir o contrário. em 1873.arredondar a ponta dos caninos e fazer a boca parecer menos animal. Desde então. Dizia-se que dentes pretos (chamados ohaguro) tornavam uma dama especia lmente bela. a própria rainha tinha dentes escuros de tanto comer confeitos açucarados. Essa moda atingiu o auge no século XVII e entrou pelo século XIX. Como no Ocidente ter dentes cada vez mais b rancos e brilhantes é um fator essencial de beleza (uma beleza que hoje pode ser f avorecida por modernas técnicas de branqueamento). Afinal. como o escurecimento pode ser considerado uma marca de beleza? A resp osta. A tinta era obtida pela diluição de limalha de ferro em saquê ou chá. a moda de dentes pretos entrou em rápido declínio. a imper atriz passou a exibir dentes brancos. as mulheres enegreciam os dentes ou os tingiam de vermelho-esc uro. Portanto. mascar bétele também causava o escureci mento dos dentes. é difícil para um ocidental aceitar que dentes pretos sejam atraentes. fazendo-os desaparecer da vista e criando uma expressão infantil.

Se alg uém lhes perguntasse qual a razão disso. Pedaços de nozes eram cobe rtos com a pasta e depois embrulhados nas folhas de bétele. Mascado repetidamente. em alguns países — o Vietnã. Seu uso se disseminou tanto no Sudeste Asiático que as mulheres na tivas diziam: "Só os cães. e a moda não pegou. algumas celebridades. porque a saliva removia o verniz.nozes de palmeiras e uma pasta obtida a partir das conchas do mar eram misturada s até constituir uma massa que era mascada como o tabaco. havia um ritual de puberdade. Então. Pintar os dentes com verniz preto e ra a solução. primeiro nas cidades e depois nas áreas rurais . Para as adolescentes. esse pacote funcionava como um estimulante que também avermelhava os lábios e escur ecia os dentes. a aplicação do verniz tinha que obedecei a um ritual que envolvia vários tratamentos e r estrições. Sua popular idade começou a declinar no século XIX. por exemplo — as mulheres que queriam ter dentes pretos para ficar ainda mais belas pr ecisavam se submeter a alguns procedimentos. d epois do qual a jovem era considerada suficientemente bela para se casar. Não hav ia nenhum dente preto à vista. Por causa disso. as mulheres modernas do Ocidente m ostraram os primeiros sinais de interferência na superfície branca dos dentes. entre elas a de não comer nenhum alimento sólido por uma semana e tomar líquido s apenas por um canudinho. Mas esse procedimento era drástico demais para a maioria das mulheres. Como o bétele geralmente só deixava os dentes marrons. elas respondiam que dentes brancos só serviam para selvagens e animais. mas a nova moda pedia "jóias dentais". os fantasmas e os europeus têm dentes brancos". mas não tão simples. entre elas uma . O sorriso brilhante se transformou num sorriso ofuscante. No fim do século XX. As pioneiras d essa moda chegaram a ponto de fazer pequenos furos nos dentes para incrustar nel es minúsculos diamantes.

ab aixo dos dentes molares — as glândulas submandibulares —. outras são discretas. Seu sucesso se deve ao fato de que a colocação. Algumas jóias são ostentosas. círculos ou estrelas. dependendo do dente em que fo ram aplicadas. Minúsculos cristais na forma de corações. Depois. leva apenas três minutos. a moda de incrustar pequenas jóias nas unhas passo u para a boca. 500 ml. são exibidos por um dia ou por um ano. Logo foi possível ter uma capa d ental provisória de ouro. Os dois principais el ementos da boca — os dentes e a língua são mantidos úmidos pelas secreções de três pares de g dulas salivares. Ela as adquire dos minúsculos fra gmentos de "caspa úmida" que estão sempre presentes na boca à medida que velhas camada s de pele se desprendem e são substituídas por novos tecidos. mas depois de circular pela boca algumas vezes ela terá coletado entre 10 milhões e 1 bilhão de bactérias por centímetro cúbico. as duas situadas sob a mandíbula.das Spice Girls. ousaram exibir um dente de ouro. o fato de terem maculado o sorriso bran co provavelmente faz delas não mais que uma moda passageira. As duas que estão embutidas nas bochechas são conhecidas como glândul as parótidas e produzem cerca de 25% da saliva. . Embora sejam decorativas. e as jóias nos dentes de repente se tornaram populares. e medo e uma forte excitação significam menos saliva. feita com cola dental. são as mais produtivas. Mais alimento significa mais saliva. a saliva está livre de bactérias. de 2 a 4 mm de tamanho. A produção diária de saliva varia entre 600 e 1. e as duas situadas sob a língua — as glândulas sublin guais — contribuem com os restantes 5%. respon sáveis por cerca de 70% da saliva. Quando sai dos condutos das glândulas salivares. flor es. e a pedra pode ser facilmente removida.

Finalmente. e ainda ho je podemos constatar isso entre as poucas gueixas remanescentes de Quioto. Como a firmou um . a ação lubrificante da saliva melhora a qualidade da voz. Tradicionalm ente. uma vez que não se pode sentir o sabor do alimento seco. 10. além disso. mas que é rejeitada pelas esposas respeitáveis. uma enzima da sal iva chamada ptialina começa a quebrar o amido em maltose. A ptialina também funciona como um antigermicida oral. como sabe qualquer pessoa qu e tenha tentado falar com a boca seca. É uma ação que s e espera de uma gueixa. onde a exposição da parte posterior do pescoço é* vis como um forte estímulo sexual — equivalente a expor os seios no Ocidente. A saliva também contém elementos químicos que criam um meio levemente alcalino. Eles sabem que a pele do pescoço é sensível a carícias e que beijá-lo su avemente pode excitar a parceira durante as preliminares do sexo. e dessa forma facilita sua pa ssagem pelo esôfago. Seu poder lubrificante é aumentado pela presença de uma proteína ch amada mucina. Com certeza o pescoço não é considerado uma zona erógena importan A situação é muito diferente no Japão. Ela também lubri fica o bolo alimentar antes que ele seja engolido. toda gueixa era treinada na arte de expor elegantemente a nuca. Depois que o alimento é mastigado por algum tempo. Ela umedece o alimento e torna-o acessível aos receptores g ustativos. ajudando a reduzir o ataque ácido ao esmalte dos dentes. Pescoço No Ocidente. Suas roupas têm uma gola alta na frente e baixa atrás. assim como outras lisozimas que ajudam a limpar a b oca e os dentes. quase não lhe dão atenção. os homens costumam olhar o pescoço da mulher simplesmente como algo q ue segura a cabeça. mas. expondo a nuca e as costas.A saliva tem várias funções.

cérebro e coluna. além do fato de que os seios das mulheres japonesas são relativament e pequenos. mas no Japão ela mergulha nas costas. "um V perfeito de pele nua que lembra as partes íntimas da mulh er". Anatomicamente. tradicionalmente. Essa. Uma curiosa teoria tenta explicar o desvio da at enção erótica dos japoneses dos seios para a nuca. Além de conter conexões vit ais entre boca e estômago. . seria a razão para a fixação masculina na nuca. a frase hoje significa "um a gueixa com adoráveis genitais". a gueixa deixa uma ma rgem de pele aparecendo junto à linha dos cabelos. as cr ianças japonesas passam mais tempo agarradas às costas da mãe do que acarinhadas em se us seios. nariz e pulmões. Cercando essas conexões existem complexos grupos de músculos que permitem que a cabeça execute toda uma gama de movimentos qu e transmitem importantes mensagens nas interações sociais. mas seu significado mudou. o significado erótico desse costume é aumentado pela forma especial da nuca. Existe uma frase em japonês para descrever a beleza da linha da nuca feminina — komata no kmagatta hito —. homens de todo o mundo parecem apreciar a linha ondeada da nuca fe minina. Quando aplica sua maquiagem branca ( que inclui um ingrediente vital: excrementos de rouxinol). Segundo um observador. Isso enfatiza a artificialidade da maquiagem e excita o homem. Como a maquiagem é deliberada mente aplicada de modo a imitar a forma dos genitais. o pescoço abriga os princi pais vasos sangüíneos que ligam coração e cérebro. Afirma que. porque chama a atenção para a pele sob a máscara branc a. o pescoço te m sido descrito como a parte mais sutil do corpo humano.comentarista.

enquanto a voz masculina adulta ati nge entre 130 e 145 ciclos por segundo. que é muito mais evidente nos homens que seu correspo ndente no pescoço das Evas. Por alguma razão.Tradicionalmente. A laringe da mulher é cerca de 30% menor que a do homem. levavam vantagem em situações de violência física. Outra diferença de gênero em relação a escoço é a presença do pomo-de-adão. o que a faz menos proeminente. Por q ue sua profissão as tornaria mais masculinas vocalmente? Não se sabe ao certo. As cordas vocais femininas têm cerca de 13 mm. A voz da mulher adulta é mais infantil. Não há dúvida de que essa diferença se estabeleceu durante a longa fase caçadora da evolução humana. Isso ocorre em parte porque a mulher tem um tórax mais curto — e seu osso esterno é mais baixo em relação à coluna que o do homem — e em parte porque a muscul atura do homem é mais forte. O pescoço feminino é mais longo e mais delgado. enquanto o masculino é mais curto e mais grosso. enquanto as masculinas chegam a 18 mm. que possuíam um pescoço mais for te. Essa diferença laríngea não surge até a puberdade. quando os machos. enq uanto a figura masculina exibe um "pescoço de touro". . Isso ocorre porque as mulheres têm cordas vocais menores — o que lhes dá uma voz mais aguda e exige uma caixa vocal menor. Essas diferenças são bastante re ais. quand o a voz masculina "'engrossa". e fica colocada mais alto na garganta. a figura feminina é dotada de uma gracioso "pescoço de cisne". mas há quem tenha levantado a hipótese de que sua vida sexual mais ativa seria capaz de p rovocar algum desequilíbrio hormonal. as prostitutas experient es têm uma laringe maior e um registro vocal mais grave que outras mulheres. mantendo um a freqüência entre 230 e 255 ciclos por segundo.

O recorde documentado é de 40 cm. Para começar. da Birmânia. cinco anéis são colocad os ao redor do pescoço. Os músculos do pescoço são distend idos com tal força que as vértebras cervicais se afastam de uma maneira totalmente a normal. mas o objetivo é atingir 32 — um feito raram ente realizado. Em uma cultura esse interesse por mulheres de longos pescoços foi levado a extremos. O costume da tribo exige que as mulheres comecem a usar anéis de bronze no pescoço desde tenra idade. as mulheres da tribo caminham por longas distâncias e trabalham no campo. se orgulha de ser conhecida na Eu ropa por suas "mulheres-girafas". exibiam essas mulheres-girafas em espetáculos de circo — até que exi bições desse tipo deixaram de ser consideradas socialmente aceitáveis. Os europeus. fascinados por essa distorção cultural do corpo humano. Na língua nativa. A tribo padaung. o pescoço não será c apaz de suportar o peso da cabeça. Os aros de bronze também são usados nos braços e pernas. A crença é que. A mulher adulta chega a exibir entre vinte e trinta colares. se os pesados aros de bronze forem removidos.Como o pescoço feminino é mais delgado que o dos homens. os artistas têm exagerado ess a diferença criando imagens superfemininas. a palavra padaung significa "a quela que usa aros de bronze". Desenhistas que retratam mulheres atra entes quase sempre estreitam e alongam o pescoço mais do que a anatomia permitiria . . Apesar dessa carga. O aspect o mais surpreendente desse costume é o comprimento que o pescoço feminino pode ating ir artificialmente. As agências de modelos também selecionam moças que tenham o pescoço mais longo e mais fino que a média. um número que vai crescendo ano a ano. de modo que u ma mulher adulta pode carregar de 20 a 30 quilos de bronze.

na mitologia vampiresca. para criticá-las? Em círculos ocultistas. a distorção corporal ou a restrição de movimentos provocada por esse bizarro ornamen to. o pescoço sempre foi uma parte do corp o de grande importância. mas a dificuldade de encontrar dinheiro para pagar os caros anéis de bronze. isso representa um deplorável retorno aos espetáculos circenses de antigamente. mas por uma neandertalense. o que as obrigava a usar grossos anéis no pescoço par a se proteger. as mulheres da tribo ignoram essa lenda e afirmam que chegam a esses extremos simplesmente parque esses ornamentos as deixam mais bel as. em tempos remotos. isso pelo menos mantém viv o um antigo costume tribal. com nossos piercings na língua. Atualmente. como o mau-olhado. mas também se pode argumentar que. como o dos vodus do Haiti. Eles eram mais que meros ornamentos. dado o alto custo dos anéis. onde elas podem cobra r 10 dólares para tirar uma foto ao lado de um turista. e foi o significado místico do pescoço que g erou o uso de colares nos primeiros tempos. a principal preocupação não é. ocidentais. De fato. a mordida se dá s empre na lateral do pescoço. Para alguns observadores.Para as mulheres da tribo padaung. U ma solução encontrada recentemente foi escapar para a Tailândia. o colar é uma forma muito ant iga de ornamento . as mulheres corriam o risco de serem atacadas por tigres. Se perguntarmos aos historiadores da tribo como esse costume começou. Quem somos nós. Não é por acaso que. como se poderia imagin ar. tendo a especial função de proteger essa parte vital do corpo humano de influências h ostis. no umbigo e nos geni tais. acredita va-se que a alma humana reside na nuca. Em alguns cultos. O mais antigo colar conhecido não foi usado por nenhuma mulher moderna. eles nos dirão que.

. modificando a po stura do pescoço em relação aos ombros.corporal. na verdade. mas um costume que já estava bem dissem inado há trinta milênios. Uma forma muito mais saudável de manipulação do p escoço foi desenvolvida por Matthias Alexander. Esse poucos exemplos mostram claramente que us ar um colar não era um traço cultural isolado.C. na região de Maharashtra. Finalmente. foi datado de 31. e o da Grotte du Renne . essa condição podia ser convenient emente atribuída a forças sobrenaturais. como espinhas de peixe. No oeste da A ustrália. foi encontrado outro extraordinário cola r primitivo de 30. Descobriu-se que. mas. Isso prova o cuidado que mereciam os. mas um exemplar excepcional encontrado na França e fabr icado há mais 11 mil anos. feit o de dentes e ossos de animais.000 a. Baseia-se na idéia de que.C. dezoito deles na forma de uma cabeça de cabra e um na forma de uma cabeça de bisão. é possível . O que acontecia. na Idade da Pedra Lascada. era feito de dezenove fragme ntos de ossos lindamente entalhados. foi descoberto um colar datado de 23. feito de dentes entalhados de animais. a pessoa ficava tonta e confusa — uma presa fácil à su gestão. no sítio arqueológico de Mandu Mandu. O pescoço também se tornou foco de certos rituais de ocultismo. que passa pelo lado do pescoço e tr ansporta o sangue para o cérebro. era que o cérebro estava sendo privado de oxigêni o. para os iniciados nos rituais religiosos. Dois colares pré-históricos foram encontrados na França: o de La Quina. que criou uma terapia corporal hoj e conhecida como "técnica de Alexander". artefat os usados no pescoço. man ufaturadas com conchas de ostras. Alguns dos primeiros colares eram feitos de objetos simple s.000 a. foi datado de 38.000 a. na Índia .C.C.000 a. feito de contas circulares. em Patnia. pressionando a artéria carótida.

Está então estabelecida a base pata a restauração de um tônus muscular s adio. em que a pessoa agarra o próprio pescoço com as duas mãos e finge sufocar. que por sua vez pode produzir um estado mental mais saudável. com a técnica de Alexander. Em ambo s os casos. mas também vários distúrbios psicológicos. Na realidade. significa simple smente: "Corta!" Igualmente comum é o gesto que finge um estrangulamento. esse também tem dois significados: pode significar "Quero esganar você" ou "Quer o me esganar". mas existe uma explicação simples para os resultados que a técnica obtém. são relativamente poucos os que se concentram no pescoço. o resto do corpo recupera automatica mente o equilíbrio. o pescoço parece ser a chave para a correta postura corporal. Se apresentado tomo um pedid o de desculpas. Esse gesto tem dois significados intimamente relacionados. i ndica o que a pessoa gostaria de fazer com o outro. a pessoa bate o indicador várias vezes contra a garganta. essa postura for restabelecida. Como o gesto anteri or. o pescoço vai perdendo sua posição natural ereta. Outro gesto popular é o que significa "Estou por aqui". Se praticado com raiva. O mais conhecid o é a mímica em que a pessoa usa a mão como uma faca prestes a cortar a garganta. Num outro contex to. tentando dizer que está tão cheia de alguma coisa que não a suporta mais. Se. Alguns críticos argumentam que esse conceito dá ao pescoço um poder quase místico sobre o resto do corpo. executado por uma atriz quando percebe que a cena não está boa. .curar não apenas certos sintomas físicos. Com a palma da mão virada para baixo. Quanto a os gestos. Com o no mundo urbano as pessoas passam muito tempo curvadas sobre uma mesa ou senta das numa cadeira. não é nada mais místico do que o treinamento postural que um bailarino recebe. mostra o que a pessoa deveria fazer a si mesma.

Um terceiro movimento. inclina-a. substituindo o chamamento com o dedo indicador. não há diferenças entre h omens e mulheres. Ele ocorre geralmente quando a mulher deseja fazer um sinal sem ser muito explícita. Outro gest o é aquele em que a mulher abaixa a cabeça e a mantém nessa posição. arremessa-a para trás ou aponta alguma c oisa com ela. mas. com o qual a mulher diz "Venha comi go" ou "Venha aqui". ap ruma-a para ouvir um som ou empina-a para cheirar o ar. É um movimento que tem . Alguns deles buscam adaptar o corpo ao ambiente. É o que acontece quando a pessoa vira a cabeça para olhar alguma coisa. como provoca uma diminuição da altura. é aquele em que ela pende a cabeça para um lado e a mantém nessa posição. Mas outros têm a função de tra nsmitir sinais visuais. no qual a mulher provoca o parceiro "bancando a prostituta". que costuma ser observado quando a mulher está num estado de espírito amigável ou amoroso. é o que acontece quando a pessoa faz um sinal positivo ou negativo com a cabeça. tem um quê de subor dinação. O primeiro é o aceno da cabeça.Mais importantes do que esses gestos localizados são os muitos movimentos do pescoço que determinam diferentes posições da cabeça. é usado às vezes entre um casal como um convite brincalhão ao sexo. Hoje. sacode-a. É o movime nto de cabeça usado tradicionalmente pelas prostitutas a um possível cliente que hes ita em se aproximar. Nesses e em muitos outros movimentos do pescoço. mas quando baixa a cabeça e ergue o olhar. passa a im pressão de falso pudor. enquanto encara o companheiro a curta distância.. mas existem três casos em que uma mensagem especificamente femin ina é transmitida. Quando a mulher baixa repentinamente a cabeça para esconder o rosto. É uma maneira de alhear -se ao mundo exterior. passa a imagem de modéstia e timidez.

origem na infância. . mas apenas sugestivo. dando a ele uma conotação de falsa timidez. Existem muitos outros movime ntos e posturas produzidos pelos músculos do pescoço como sinais sociais específicos. Quando ela faz isso na vida adulta. me sinto uma criança. pode ser lido como: "Perto de você. Qualquer um que tenha sido obrigado a usar um colarinho de gesso depois de um ferimento sabe como a pessoa se sente limitada quando não pode se expressar com essa parte do corpo. é como se estivesse apoiando a cabeça no ombro de um protetor imaginário. Num contexto de submissão. tem um ar de falsa inocência e coquetismo. não é um gesto explícito. tão dependente como eu era quando descansava a cabeça no colo de meu pai". mas os poucos mencionados aqui são suficientes para ilustrar sua sutileza e comple xidade. A men sagem é: " Sou apenas uma menina em suas mãos e gostaria de descansar a cabeça em seu ombro". Se o mov imento surge num clima de flerte. En tretanto. Mas a postura corporal madura e sensual contradiz esse gesto infantil. quando ela apoiava a cabeça no corpo da mãe ou do pai em busca de conforto e proteção.

Ombros Os ombros femininos são mais estreitos. se expostos. os ombros. Esses par es de hemisférios. Podem não ser tão fortes quanto os largos ombros dos homens. mais arredondados e mais macios que os mas culinos. se repetem não apenas nos seios. vale a pena fazer uma breve descrição da biolog ia dessa parte da anatomia humana. quando ombros nus são arqueados. que exercem uma forte atração sobre os homens. e por isso evocam o apelo sexual primitivo contido na forma das nádegas. formam um par de suaves hemisférios aos olhos masculinos. uma de cada lado" — são dois pedaços de carne quase hemisféricos. mas sua forma suavemente arredondada — resultante de uma camada subcutânea de gordura — lhes dá uma qu alidade erótica sempre que aparecem despidos. embora não exerçam uma função sexual primária. podem transm itir leves sinais eróticos. Dessa forma. Antes de examinar como diversas culturas modificaram a linha natural dos ombros femininos. uma típica pose glamorosa. atraindo ai nda mais o olhar dos homens. E a moda das roupas de ombros descob ertos contém a promessa de. deslizarem pelos ombros e revelar os seios. mas também nos joelhos e ombros quando a mulher adota determinadas post uras. A principal função dos ombros é oferecer uma forre base para os múltiplos movimentos dos braços. Quando a mulher dobra as pernas e abraça-as firmemente junto ao peito.11. a qualquer momento. enfatiza e chama a atenção para a curva e a maciez dos o mbros. os jo elhos. Da m esma forma. Além disso. também evocam o par esférico. na qual a mulher apóia o queixo num ombro nu. Os cantos arredondados dos ombros femininos — poeticamente descritos com o "duas pérolas eróticas. Antes .

estreitá-los ainda mais deveria aumenta r a feminilidade.. O artifício era visíve l nas roupas da mulher emancipada da década de 1890. o que reflete a fraqueza relativa da musculatura dos ombros femininos. [. nossas "patas dianteiras" já tinham se tornado muito versáteis. "Ombros estrei tos e contraídos eram tão apreciados pelas mulheres de antigamente que elas interfer iam na posição deles e os adotavam diligentemente como um sinal de grande elegância e beleza. e isso raramente foi tentado. até que.mesmo que nossos ancestrais adotassem a postura ereta.] Uma bela mulher esbelta era aquela [com] ombros atrofiados. Entretanto. embora esse exagero seja possível em outras partes d a anatomia feminina. . na qual ele mostra uma jovem com ombros anormalmente pequenos. que mostrava seu anseio de ig ualdade sexual e seu desejo de "ombrear" com os homens. Se os ombros femininos são estreitos.. É claro que essa diferença de gênero gerou muitas especulações cult urais. ajudam os braços a bal ançar. Mais importante é sua espessura. é difícil aplicá-lo à região do ombro." Por o utro lado. mulheres que queriam se afirmar adotaram ombros artificialmente largo s. Os historiadores da moda registraram essa mudança: "Os ombros ligeiramente estofados evoluíram para as ombre iras e daí para enchimentos que pareciam pequenos sacos. Uma exceção aparece na obra antropológica de Jonn Bulwer. escrita no século XVII e intit ulada A View of the People of the Whole World (Uma visão dos povos de todo o mundo ). o que aconteceu em vários momentos de nosso passado recente. Os ossos do ombro são capazes de movimentos de cerca de 40 graus. e. com a ajuda de seus músculos complexos. O ombro da mulher corresponde em média a 7/8 do masculino. se erguer. a diferença é maior. se torcer e girar de um surpreendente número de maneiras. Nesse sentido.

trabalhando fora de casa e praticando esportes até então vedados a elas. A terceira onda chegou nos anos 19 70. Eles exibiam uma linha que se e stendia além dos ombros. uma mulher muscul osa seria vista como um mico de circo. Foi na década de 1980 que o uniforme feminista deu lugar ao terninho preto. Era um modelo adequado para um tempo de guerra. se transformaram em grandes balões tremulando acima dos ombros" . durante a Segunda Guerra Mundial. porém. Algumas décadas antes. Essas mulheres de ombros largos competiam com os homens graduando-se em univer sidades. mais uma vez. So b esse vestuário masculinizado. Garotas de ombros largos passaram a ter oportunidades qu e lhes teriam sido negadas dos anos 1960 para trás. Eram masculinas em público e femininas na vida privada. A estrelas do cinema não mostravam mais afetação ou mene ios. Mas esses enchimentos ficaram ainda mais exagerados à medida que uma nova geração de executivas começou a ganhar assento nas salas .por volta de 1895. Eram pseudo uniformes com ombreiras. o fisiculturismo surgiu e ganhou adeptas. com o movimento de liberação feminina. inicialmente. A segunda onda de ombros largos surgiu na década de 1940. Como resultado dessa tendência.. Também foi possível detectar uma mudança nos modelos de glamour. quando modelos de estilo militar eram adotados mesmo por civis. na qual a s mulheres desempenhavam um importante papel. elas continuavam usando espartilhos e anáguas. uma volta às rígidas ombreiras do s anos 1940. Escritores do período descrevem esses ternos com "ombros à Joan Crawford". mas passos firmes. assumiu um estilo "terroris ta chique". os omb ros quadrados davam à mulher um ar de força masculina. mas no clima feminista ela se tornou símbol o da nova força das mulheres. que tinham ombros fortes para prová-la. nos quais.

"As fábricas de ombreiras do Bronx estão abrindo novas linhas de montagem depois de anos de inatividade". Curiosamente. embo ra nos anos 1990 as mulheres fossem livres para vestir o que quisessem. Os ombros da década tiveram tal impacto que os jornalistas competiam na criação de novas frases. Um aspecto dos ombros masculinos que as mulheres têm dificuldade de imitar é sua altura em relação ao chão. "Mulheres de ombros largos são duronas que exigem seu espaço" . as ombreiras estavam fora de moda. Ainda em 1994 um artigo sobre o crescente domínio das mulheres executivas no mundo da publicidade intitulava-se "Por que as ombreiras estão de volta ao pode r?". Quando se iniciou a no va década. "As mulheres nunca mais vão poder voltar para casa. disse um deles. em vez de bancar o macho. e não mais de um ditame social. "Modelos de ombros naturalmente la rgos são as preferidas". O movimento feminista (pel o menos no Ocidente) tinha caminhado bastante para que a mulher pudesse desfruta r sua condição de fêmea. embora não fosse mais uma rea lidade. "Nessa época. os ombros femininos se suavizaram novamente. os homens sempre foram capazes de oferecer um ombro amigo a uma mulher que quisesse . Por isso. "A ombromania está tornando difícil achar espaço num elevador ". o concei to dos ombros largos sobreviveu como um rótulo verbal.de diretoria. A forma do ombro agora dependia do corte de um determinado modelo. mas o conceito sobrevivia co mo uma metáfora do triunfo das mulheres num mundo masculino. porque os ombros não passam pe la porta" — eram comentários ouvidos em meados dos anos 1980. "As mulheres estão tão agressivas que volta ram aos ombros definidos do tempo de guerra". O o mbro do homem é em média 13 cm mais alto que o feminino.

uma postur a que se tornou sinônimo de qualquer situação desagradável. Como esses ombros foram evoluti vamente conquistados com a atividade da caça. as mulheres serão o brigadas a olhar para cima para falar com um homem. ela automaticamente tenta proteger-se enfiando a cabeça nos ombros. com medo ou com raiva tendem a subir os ombros num ato de defesa. Mulheres que se sentem dominadas. gir ar e encolher. cheio de decepções ou irritações. mas pa ra entende-los é preciso examinar as razões pelas quais a mulher primitiva adotava u ma ou outra postura. Por enquanto. pelo menos fisicamente. Alguns desses movimentos são eloqüentes na linguagem corporal. e en quanto isso os ombros dos homens continuarão oferecendo um travesseiro para as mul heres. De forma geral. A mobilidade dos ombros é extraordinária. os ombros ficam abaixados e para trás quando o estado de espírito é de calma e atenção. embora mentalmente tenham ad otado uma postura bastante diferente. e levados para o alto e pura a frente em mome ntos de ansiedade. A única esperança de igualdade está no uso de saltos altos. alarme ou hostilidade. Mais l milhão de anos será necessário para corrigir as coisas. O problema é que salt os muito altos criam instabilidade e a necessidade de uma mão masculina como apoio . descer. Infelizmente. Com as lágrimas e a vulnerabilidade fora de moda. parece-lhes injusto que o homem sede ntário de hoje ainda exiba essa superioridade física. Daí decorre que.chorar suas mágoas. a mulher moder na ainda enfrenta o poder dos ombros masculinos. quando a mulh er tem um dia estressante. o que anula a pretensão. costuma . Mesm o quando não estão envolvidos no movimento dos braços. são capazes de subir. A mulher resoluta e controlada mantém os ombros baixos e retos. a evolução atua num ritmo muito lento. Se alguém ameaça atacar uma mulher na ca beça.

O humor nos choca de uma maneira segura. ela terá os ombros ligeiramente mais curvos do qu e pela manhã. tiveram poucos golpes na vi da capazes de fazê-las adquirir uma corcunda. O pescoço alongado que ela possuía quando criança lentamente se encolhe e afunda nos ombros até desaparecer. deixamos escapar uma risada sem acrescentar a ela qualquer movimento corporal. ela poderá adquirir uma postura curvada. Na velhice. No final de um desses dias. e revela mos nossa surpresa e nosso simultâneo alívio com uma risada. Um deles é o movimento com que sacudimos os ombros quando rimos. o queixo chegará a tocar o peito. Se essa situação se repete dia após dia. Mulheres de sucesso (o que significa ter sucesso não só para o mundo exterior. Essa postura pode ser útil se ela for atacada com um bastão. Para outras — e são a maioria —. Cheias de confiança e otimismo. mas p ara elas mesmas) não passam por esse gradual declínio e são capazes de exibir uma post ura ereta aos 90 anos. semana após sem ana. Esse é um gesto que guardamos para as ocasiões s ociais.manter os ombros erguidos e tensos. as ansied ades da vida foram tantas que elas não conseguiram evitar a permanente tensão dos om bros. além de nos divertirmos. fazendo os ombros subirem e descerem r apidamente no ritmo da risada. A razão pela qual as pessoas "se sacodem" quando ri em é que a base do humor é o medo. mas não terá qualquer utilidade se ela estiver sendo agredida com palav ras. Se estamos no domín io de nossas emoções e algo nos faz rir. quando. podemos exibir melh or nosso bom humor exagerando esse gesto. Dois principais movimentos dos ombros tem origem nessa postura defensiva. com os ombros permanentemente erguid os e contraídos. queremos mostrar nossa alegria aos que no s cercam. Como ocorre uma leve elevação dos ombros quando rimos. A elevação dos . quando começou o dia.

Significa apenas que ela não sabe lidar com aquela questão específica. Mas nada grave. A menção passageira a uma restrição governamental. Essa adoção formal de uma postura tensa não signif ica que a pessoa esteja seriamente estressada ou se sinta inferior ou ameaçada pel o interlocutor. Nesse gesto. à imposição de um imposto ou a um congestionamento do trânsito basta para provocar a im ediata elevação dos ombros. prolongada e silenciosa — o que expressa a total impotência da pessoa diante de uma loucura inconcebível. é considerado um gesto . e ssa sacudida dos ombros está denunciando a presença do medo. A contração dos ombros tem uma origem sem elhante. impotência ou resignação ("Não posso fazer nada"). Seu gesto está dizendo: "Esses golpes não param de cair sobre meus pobres ombros.ombros que acompanha a risada é parte do primitivo elemento de medo. Indiferença ("Pouco me importa "). e com ela uma perda momentânea de poder. Às vezes. No momento em que o poder diminui. e os cantos da boca descem. uma adm issão de incapacidade. assim como o utras reações gestuais. Essa combinação de movimentos indica uma perda momentânea de poder. evitan do o olhar do interlocutor. como se implo rassem. Nos países setentrionais. São todos sinais negativos. os olhos se voltam para cima. Na verdade. O uso desse gesto varia de uma cultura para outra. os ombros se elevam. e eu os ergo dessa maneira para me pro teger. dar de ombros. os ombros permaneceriam erguidos. encolher os ombros significa ignorância ("Não sei"). Em alguns países mediterrâneos. os ombros se erguem e se curvam para a frente por um momen to antes de voltar à posição anterior. Na maioria das veze s. Mas de que adianta?". As palmas das mãos viram para cima. a aceitação de uma incapacidade. esse movimento de ombros é muito comum. uma impotência simbólica. Se foss e grave.

é uma forma de "abraçar o vazio". Outra versão do movimento ocorre quando a pessoa ergue os ombros para fa zê-los tocar o queixo ou a bochecha. com os braços envolvendo o corpo. A cabeça descansa sobre o ombro. tem raízes semelhantes. Mas. . os ombros estão mostrando a postura que adorariam se o ser amado fosse abraçado de verdade. Elevar e curvar os ombros para a frente. Entretanto . quando ocorre.indelicado e bastante raro. nem sempre a elevação dos ombros é uma postura defensiva. É o g esto pelo qual a pessoa abraça a si mesma na ausência de alguém para abraçar. Nesse caso . na tentativa d e demonstrar ternura pelo ser amado.

as pernas dianteiras foram drasticamente aliviadas d o peso que carregavam e puderam se especializar em múltiplos propósitos manipulativo s. mas no resto do br aço ficam cobertos pelos músculos. como o bíceps e o tríceps. Esses ossos são visíveis no ombro. Mas. por exemplo. Os dois ossos do antebraço se cruzam quando a mão gir a. dotados de uma incrível mobilidade. socar —. Se as mãos precisam agir com força — para trepar. Qualquer outro ponto seria demasiado íntimo. vale dizer que a ulna é . colocando a mão na posição ideal para que a tarefa seja executada . Braços Os braços são a parte menos erótica do corpo feminino. em termos evolucionários. Vale lem brar que. Se um homem pensa em tocar uma mulher sem qualquer desejo sexual — para chamar sua atenção. os fortes músculos do braços. o braço opera co mo um guindaste móvel. Para quem não sabe qual é o rádio e qual é a ulna. os braços humanos são nossas pernas dianteiras. Os br aços têm dupla qualidade: força e precisão. golpear. Nossas patas dianteiras transformaram-se em sofisticadas garras. para qualquer criatura de quatro patas. ou guiá-la num a direção —.12. O braço conta com três ossos: o pesado úmero do braço e o rádio e a ulna (ou cúbito) do an tebraço. entram em ação. virando a palma para cima. quando nossos ancestrais assumiram a postura ereta apo iados nas pernas traseiras. o que significa que sua posição mais relaxada é a da pal ma voltada para baixo. o melhor ponto é o braço. De fato. Se o polegar e os dedos estão trabalhando com delicada precisão. e nossas per nas dianteiras tornaram-se seus criados. no cotovelo e no pulso. eles devem parecer um par de pern as inúteis penduradas. atirar.

como mostram os braços malhado s exibidos em competições de fisiculturismo feminino. muito superior à média em eventos desse tipo. e é inevitável que braços excessivamente desenvolvidos percam suas qualidades femininas. que dão a impressão de imensa força. O recorde mascu lino nesse esporte é de 96. e sua função é estendê-lo. Por isso . e sua função é erguer o braço e afastá-lo do corpo lateralmente. os homens são melhores arremessadores de dardos que as mulheres. O antebraço mascul ino mais longo é o reflexo de um papel evolutivo: o de atirador c lançador.72 metros. enquanto o rádio é mais espess o e alinha-se com o polegar. e a razão disso parece ser o exce sso de esforço necessário para desenvolver essa musculatura. O triceps é o forte músculo que se situa na parte posterior do braço. de 72. O bíceps é o músculo que situa na parte anterior do braço. o que implicaria uma ob sessão que beira o narcisismo.40 metros. mais fracos e mais finos que os do homem. e o feminino. uma diferença d e 33%. e sua função é flexioná-lo. Outro prob lema com o braço super-desenvolvido é que ele parece muito masculino. Muitos homens afirmam que não os acham atraentes. que é de 10%. Os principais músculos do braço e os movimentos que ele s produzem são os seguintes: O deltóide é o grande músculo que recobre a articulação do ombr o. Uma campeã de fisiculturismo parece estar mais intere ssada no que vê no espelho do que no corpo de um companheiro masculino.ligeiramente mais delgada e alinha-se com o mindinho. Os braços da mul her são mais curtos. . O trabalho muscular permi te fortificar esses músculos a um grau surpreendente.

em ambos os sexos. E ali se situavam as axilas. têm um ar muito ma sculino. e homem e m ulher passaram a adotar predominantemente a posição sexual frontal. o nariz ficava p róximo à região dos ombros. seguida de uma dor con siderável por algum tempo. nas mulheres. tendo os olhos ve ndados. Sua presença é exclusiva da espécie humana. Se o c otovelo se choca com um objeto duro. se u corpo parece afeminado. Na mulher. muito depiladas e muito desod orizadas axilas. Portanto. É o nervo ulnário. o braço fica na turalmente mais próximo ao tronco. e os odores produzido s por um e outro diferem. o lugar ideal para o desenvol vimento de glândulas sudoríparas. Isso ocorre porque. Essa pequena zona pilosa desempenha um papel químico importante e reflete uma grande mudança nos hábitos sexuais da espécie humana. Quando nossos ances trais se acasalavam. as axilas ficavam afastada s do rosto do parceiro. os homens se excitavam . Quando mais tarde assumimos a postura ereta. com a fêmea sobre as quatro patas. Outro detalhe a natômico do braço que merece menção são as muito amaldiçoadas. Devido aos ombros mais largos. incapacita o braço.Outra diferença de gênero diz respeito à articulação do cotovelo. o que indica que elas atuam como sinais sexuais entre parceiros amorosos. recentes pesquisas revelaram que. mas se um homem prende os braços junto ao corpo. que causa a aguilhoada dolorosa e. Quando oscilam soltos no espaço. ocorre uma ferroada. a postura dos braços nos oferece significat ivos sinais sexuais que não podem ser atribuídos a um condicionamento social. o ângulo do cotovelo é 6 graus maior que o do homem. por um momento. A mulher possui mais glândulas sudoríparas que o homem. afetando os antebraços. que passa pela articulação do cotovelo. De fato. os braços do homem pendem mais afastados do corpo.

entrou nessa sal a e. julgando . tr ansmitido de geração a geração. A função dos pêlos é manter as secreções glandulares na regi axilar. Quando ele comia a maçã. Na Áustria rural o truque funcionava de maneira diferente. De pois. retirou-se para uma das salas adjacentes ao salão de baile do Louvre para trocar a camisa molhada de suor. Na verdade. Marie de Clèves. Mais tarde. Uma linda princesa. quando então seria oferecida ao amado. o que intensifica o sinal que elas transmitem. Um velho costume inglês. antes de iniciar a dança. o impacto sexual da fragrância das axilas fe mininas parece ter-se feito sentir na corte francesa. a o ferecia ao parceiro. no século XVI. quando a música parava. Essas glândulas sudoríparas são glândulas apócrinas. A mulher colocava uma fatia de maçã sob as axilas enquanto dançava e. devia tirar o lenço e acenar com ele para refrescá-la. que inalaria s ua fragrância. Elas só se desenvolvem na puberda de. o que ele f azia era espalhar o odor de sua glândulas apócrinas na esperança de que ela fosse sedu zida por ele. esposa do horroroso príncipe de Condé. quando u ma maçã inteira descascada (conhecida como "maçã do amor") era colocada na axila da mulh er até se embeber de seu suor. por baixo da camisa. que também sofria com o calor. sentindo-se acalorada depois de uma vigorosa dança na corte. determinava que o homem que quisesse seduzir uma mulher usasse um lenço limpo junto à axila. expunhase automaticamente ao aroma sex ual da mulher Esse truque também era conhecido na Inglaterra elisabetana. e sua secreção é levemente mais oleosa do que o suor comum. quando o surgimento dos hormônios sexuais ativa-as e ao mesmo tempo provoca o crescimento de pêlos nas axilas. O duque d'Anjou (que logo se tor naria o rei Henrique III da França).mais sexualmente cheirando o suor da axila da mulher do que com qualquer caro pe rfume produzido comercialmente.

Considerando a forte indústria que se alimenta da venda de desodorantes. no caso das mulheres. Embebido nelas. o duque. Infelizmente. Pesqu isas recentes mostraram que as secreções axilares de homens e mulheres diferem quimi camente e têm um odor que atrai o sexo oposto. O homem da história do folclore inglês. É o sistema primitivo em ação. o poeta romano Ovídio.. Se o ser humano carrega um estímulo sexual tão forte sob os braços. Desde o século 1 a. depilando-as? A resposta está no vestuário. O odor natural do corpo se torna mau cheiro. seu lenço limpo carrega realmen te um forte odor sexual.que a camisa de Marie fosse um guardanapo.C. ganh ou coragem para quebrar seu silêncio e confessar a ela seu amor. em sua forma pura e . Diz-se que a secreção masculina tem um odor almiscarado. A arte do amor. A sensação desagradável que isso nos causa nos faz preferir usar desodoran tes do que correr o risco de transformar o que seria um estímulo sexual numa catin ga corporal. advertia as damas de que "carregavam um bode nas axilas". por que se daria tanto trabalho para eliminá-lo lavando. em seu livro sobre a sedução. seus sentidos foram profundamente afetados por e sse ato. banhado e usando uma camisa limpa para a dança. foi tomado por uma incontrolável paixão. que já era admirador secr eto da princesa adolescente. No momento em que inalou sua fragrância. Nascia uma paixão m aldita. produz se creções frescas das glândulas sudoríparas. essas histórias parecem muito e stranhas. De acordo com um cronista da época. com o corp o coberto de camadas de roupas. resultado do hormônio masculino. Entretanto. esfregando e desodorizando as axi las e. nossa pele suada pode se transformar facilmente numa estufa para a propagação de milhões de bactérias. hoje. que lhe causaria muito infortúnio nos anos seguintes. usou-a para enxugar o rosto suado. Com isso.

se quisessem ser mai s perfumadas e atraentes. o forte cheiro nas axilas é visto como uma doença. Elas também são r s no Japão. Houve um tempo em que indivíduos que sofriam dessa "doença" eram disp ensados do serviço militar. A remoção dos pêlos nas axi las é uma prática relativamente recente. Entr e os coreanos. Na China. O famoso guia dos amantes. apenas 2 ou 3% da população têm algum odor debaixo dos braços. The Joy of Sex (A alegria do sexo). introduzida no Ocidente na década de 1920 pel a florescente indústria cosmética. Em pouco tempo. no mínimo metade da população não tem glândulas sudoríparas. as mulheres ocidentais aderiram em massa. entre os japoneses. Na ver dade. De vez cm quando ocorre uma fraca rebelião contra esse tipo de "mutilação". publicado em 1972 . calcula-se que menos de 1% das mulheres rejeite a depilação como um procedimento r otineiro. onde não se consegue detectar nenhum odor axilar em 90% da população. Anúncios diziam às mulheres que. Não devem ser depiladas sob nenhum pretexto". deviam se livrar das "armadilhas de cheiro" que eram o s pêlos nas axilas. os orientais geralmente acham o odor natura l dos europeus e africanos muito forte e até mesmo ofensivo. Devido às diferenças raciais. Elas parecem atuar num nível inconsciente. opunhase fortemente à depilação: "As axilas — um local clássico para beijos.fresca. mas hoje é simplesmente vandalismo ignorante". A depilação "podia ser perdoada em locais de clima quente. Hoje . E acrescentava um curioso conselho: "A axila pode ser usada no lugar da pal- . a osmid rosis axillae. fazendo-nos sentir o estímulo sem saber bem por quê. onde não havia água encanada. Nem todos os orientais possuem esse sistema glandular. as secreções masculinas e femininas não são conscientemente detectadas pelo olfa to humano.

a moda mundial ignorou essa suposta tendência . "de u m ponto de vista psicossocial. Para pôr mais lenha na fogueira. Recentemente. Os pêlos das axilas. Apesar disso. que se definia como "a única revista do mundo para os que amam as mulheres naturalment e peludas". ao exibir uma axila depilada. o fato foi comentado em todas as colunas de fofoca. .ma da mão para silenciar o parceiro no momento do clímax" — talvez para que o odor das axilas fosse plenamente apreciado. Entretanto. os últimos anos do século XX assistiram à chegada de uma revista intitulada Hair to Stay (Pêlos para ficar). chegou a afirmar que. Convenientemente. feministas radicais ou hippies q ue não saíram dos anos 60". com esse argumento. tinha que admitir que lutava uma batalha difícil: "Nos ano s 90. quando uma famosa atriz de Hollywood ergueu o braço para acenar pa ra a multidão e exibiu uma axila peluda. afirmava a revista. Tudo isso era um erro. dizia. que o consideraram repulsivo. A julgar pelos filmes e pelas fotos publica das em revistas a partir dessa década. as mulheres que decidem não depilar as axilas são ridicularizadas e submetidas a situações constrangedoras. mas parece que o guia sexual acreditava haver uma tendência nesse sentido no início dos anos 1970: "Uma nova geração começou a perceber que é sexy manter os pêlos nas axilas". "funcionam como uma antena transmissora. porque. a remoção dos pêlos é uma revolta contra a sexualidade". uma mulher adulta se oferece simbolicamente c omo uma criança e portanto encoraja uma perversão sexual. Não se sabe quantas mulheres podem ter abandon ado a depilação depois desse conselho. acusava os homens que se mantêm bem barbeado s de estimular a pedofilia — já que meninos não têm barba. a revist a não percebia que. São vistas como lésbicas. enviando sina is que convidam ao ato sexual".

quando os pés doem e os músculos das pernas estão exaustos. e os músculos ficam totalmente relaxados e ina tivos. descansados e relax ados. não colocamos nenhum esforço nesse ato. A postura de braços abaixados é neutra. ajudando-os a eliminar o cheiro corporal. para o lado e para a frente. Apenas se pudéssemos voltar a uma vida tri bal de seminudez seu argumento seria válido. princi palmente nos centros urbanos. existem motivos de sobra pata eliminar os primitivo s sinais sexuais. eles cumprimentam seus fãs e comemoram uma alta posição com uma postura elevada. existem qu atro movimentos principais: para baixo. e também os torna mais v isíveis nos momentos em que eles mais desejam ser vistos. . Mesmo depois de uma longa caminhada. Por isso. balançamos os braços quando caminhamos. Levantar os braços os faz parecer mais altos e mais fortes. para cima. Entretanto. a m enos que estejamos participando de um desfile militar. nos obriga a manter uma excessiva proximidade em s ituações que nada têm de sensuais. não importa o que digam os rebeldes. os braços continuam oscilando levemente. Com os braços ergui dos. A postura de br aços erguidos é mais difícil de sustentar por qualquer período de tempo. Se tentarem manter essa postura por horas — o u mesmo por minutos —. Só quando os afastamos do corpo eles sentem a tensão do esforço. Como parte da locomoção bipedal. mas. É um gesto de tri unfo e vitória. a posição não se m antém por mais do que alguns segundos. Voltando à postura dos braços.A verdade é que a remoção dos pêlos faz com que homens e mulheres pareçam mais limpos e ma is jovens. logo serão vencidos pelo cansaço. muito apreciado por políticos e astros do esporte. Como a vida moderna. parece provável que a depilação corporal continue a prospe rar.

A postura de braços par a a frente é mais complexa. que responde com o único gesto que é capaz de realizar de seu lugar na platéia. Nesse caso. se as palmas estiverem voltadas para cima. os braços se flexionam ligeiramente nos cotovelos c se mantêm na posição vertical. Quando uma importante figura feminina acena de um balcão. angulam-se ligeiramente para a frente. n a qual o sentimento se converte no som de um abraço simbólico. de acordo com a posição das mãos. O gesto de bater palmas é uma forma muito modificada do "abraço no vazio". Entretanto. A postura de braços abertos é um convite dista nte ao abraço.O gesto ganha um significado totalmente diferente quando um assaltante com uma a rma na mão ordena: "Mãos ao alto!". ou agressão. se os punhos estiverem cerrados. além de transmitir muitos outros sinais. postadas o mais longe possível do corpo. e a platéia imediatamente responde com aplausos. Essa mesma postura é vista depois que uma artista de circo completa um número de grande dificuldade. A essência dessa postura defensiva é que e la deve mostrar mãos vazias e desarmadas. Na post ura de vitória. seu ge sto . o nde alguma arma pode estar escondida. os braços se erguem num gesto de defes a. Ele abre os braço s. po de ser também um convite ao abraço. Os sinais que envolvem os braços incluem ainda diversas formas de aceno e saudações. os braços em geral se mantêm esticados e. Como a posição de braços abertos. quando se dobram. existe uma sutil diferença na angulação dos braços. O artista revela o desejo de a braçar o público. Na reação a uma ameaça. e não de vitória. Uma mulher que aviste um amigo querido a alguns passos de distância a bre os braços até poder fechálos num abraço emocionado. Pode significar rejeição se as palmas das mãos estiverem emp urrando para fora. ou um pedido de e smola.

Se queremos chamar a atenção de alguém. As tatuagen s nos braços não têm sido raras. Sua forma exata indica algo de seu estado de e spírito. Como esse é um ornamento que sempre foi usado por mulheres. nós a pegaremos pelo braço para guiá-la. Se em qualquer desses casos tocássemos a cintura. os braços femininos funcionam co mo inestimáveis bandeiras corporais. A saudação nazista era u m gesto de rígida lealdade. Os braços são usados para tran smitir sinais de longa distância. mas se houver qualquer outro toque durant e a caminhada. Sejam homens ou mulheres. nós a conduzimos com um leve toque no cotovelo. é sinal de poder revolucionário. o gesto prontamente transmitirá um sinal de intimidade. sugerindo a escravidão da mulher pelo homem. mas a forma mais comum de adorno sempre foi o bracele te. nosso gesto estaria imediatamente sob suspeita. o peito ou a c abeça. com menos precisão do que a que se pode transmitir com os dedos ou expressões faciais. Nesse sentido. Se orientamos alguém a passar por uma porta. sem qualquer significado íntimo.pode ser visto de grande distância. Os braços são a parte mais neut ra do corpo. ao contrário. o braço é quase sempre foco d e ações amigáveis e assexuadas. O aceno de uma rainha é um gesto de poder pacífico. tocamos seu braço. há quem acredite que esse costume teve origem como uma maneira de exagerar a forma delgada do braço fe minino. amigos pod em dar os braços quando caminham juntos. Outra explicação seria que os braceletes e pulseiras atraem os homens porque são algemas simbólicas. um movimento de paz que visa cancelar o sinal de hostilidade. E por aí vai. No contato pessoal. . Se quisermos ajudar uma pessoa idosa a atravessar a ru a. A saudação militar — com os cotovelos flexionados e a mão toca ndo o quepe — é um gesto que estiliza a intenção de remover o elmo. A saudação de punho cerrado d e uma líder rebelde.

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A espécie hu ana ganhou destreza — e transpôs o limiar para um mundo onde nada estava a salvo de seus dedos. os alpinistas relatam que a flexibilidade feminina se equipara à força masculi na. mais adequado ao tamanho da mão feminina. Livres da tarefa de locomoção. MÃOS As mãos femininas são superiores às masculinas num aspecto: são mais flexíveis. tanto no solo quanto nas árvores —. e reflete quanto mãos fortes eram importantes para o caçador primitivo. No aspecto físico. as mãos femininas são imbatíveis. Mas como isso aconteceu? Qual é a história evolutiva das mãos femininas? O que aconteceu q uando. Um exemplo: o teclado do piano foi concebido para mãos masculinas. Da mesma f orma. Esse foi um dos principais passos na evolução da espécie. as mãos puderam se dedicar uni camente à manipulação. Podem ser menores e não ter a mesma força que as mãos do homem. mas possuem maior delicadeza* qu ando se trata de manejar objetos pequenos. colocando as mulheres em imediata desvantagem.13. num teclado lige iramente menor. Essa é uma das maiores diferenças de gênero. Sempre que um trabalho preciso dos de dos se faz necessário. . milhões de anos atrás. Mas. dando a ambos os sexos o mesmo potencial para escalar paredes rochosas. O resultado é que a maioria dos grandes pianistas são homens. a maior flexibilidade do s dedos faria as mulheres pianistas suplantarem facilmente os homens. nossos ancestrais se puseram de pé sobre as patas trasei ras e libertaram as patas dianteiras? O principal elemento dessa história — o segred o do sucesso das mãos humanas — foi o desenvolvimento dos polegares opostos. os homens têm uma força manual cerca de duas vezes maio r que a das mulheres.

mas a destreza feminina continua sendo um talent o. a mulher é superior ao homem. embora ca pazes de grande precisão se comparadas às mãos de polegares curtos de outras espécies. A o utra metade. . na qual dedos ágeis eram importantes para modelar e decorar os potes . foram artistas dotadas de grande criatividade — um fato geralmente desconsiderado por arqueólogos e historiado res da arte. Antes da invenção do torno. rasgar. elas dominavam a arte cerâmica. igualmente importante. A força é apenas metade da história de sucesso das mãos. Nessa tarefa. no pas sado. para atirar objetos longe e para outras atividades como martelar. As mãos masculinas. Basta olhar para o interior de uma fábrica de equipamentos eletrônicos pa ra ver centenas de ágeis mãos femininas manipulando minúsculas peças. que com treinamento pode c hegar a 54 kg ou mais. é a precisão. as mulheres sempre foram excelentes em tarefas de costura. e não os homens. tecelagem e em todas as formas de trabalho decorativo. ágeis e frágeis da fêmea humana. Por isso. A precisão se conquista opondo-se apenas as pontas dos d ois dedos. não podem competir com as mãos delicadas. prender e carregar. embora hoje a natureza das tarefas tenha se a tualizado. Mesmo hoje.Em média. tarefas que de pendem de mãos grandes e fortes são predominantemente masculinas. Como a olaria era a principal forma de arte na pré-história. o homem tem uma força manual de cerca de 40 kg. A situação não mudou muito. Costurar e tecer t alvez estejam menos em evidência. durante todo esse lon go período da história humana as mulheres. A força se adquire opondo-se o poleg ar contra todos os dedos. Quase não há mulheres trabalhando em carpintaria. A força manual era particularmente importante para fabricar armas e outros implementos primitivos.

Por outro lado. e as mãos raramente param quietas. Com a divisão de trabalho ocorrida durante nossa evolução. Ainda no berço. Mas. colher nozes e frutos. executar músicas num teclado a uma v elocidade incrível. A mulher mais forte de um grupo sempre foi mais capaz de partir uma peça de carne ou (hoje) destampar uma garrafa que o homem mais fraco. A coleta de alimentos exigia arrancar raízes. Calcula-se que. Mais tarde. pintar obras-primas. escolher sementes.Essa diferença de precisão não se dá apenas pelo fato de a mulher ter dedos mais leves e finos. As mãos femininas ficaram razoavelmente fortes e as mãos m asculinas tornaram-se capazes de tarefas bastante precisas. as mãos revelam outras capacidades: digitar cem palavras por minuto. Mesmo os recém-nascidos possuem uma notável força nos dedos. elas são insuperáve is. na Idade da Pedra Lascada. eles dobram e contorcem os dedinhos. a diferença era significativa: força par a os homens e precisão para as mulheres. uma especialidade feminina. De todas as partes do corpo humano. tarefas mais ade quadas aos dedos rápidos e flexíveis das mulheres do que às mãos fortes e musculosas dos homens. os dedos se flexionam e se esticam no mínimo 23 milhões de vezes. as mãos talvez sejam as mais ativas. As juntas dos dedos femininos são mais flexíveis. Como peças de um mecanismo complexo. os marinheiros se mostraram capazes de manejar bem uma agulha quando estão em alto-mar. c omo se antecipando o futuro prazer da manipulação. Comparadas ao Rolls Royce que é a . Argumenta-se que essa destreza foi uma adaptação adqu irida na coleta de alimentos. ler em braile e até recitar poemas na lingu agem dos surdos. essa especialização nu nca mais foi tão acentuada. uma característica que pode resultar de fatores hormonais. durante uma vida. E existem alguns exímios harpistas.

Elas variam ligeiramente de um indivíduo para outro. são 14 ossos digitais. O par de mãos h umanas contém nada menos do que 54 ossos. as linhas de flexão. porque existem milhares de terminações nervosas por centímetro quadrado. As primeiras. mas também dos músculos do antebraço. a pessoa está relaxada. Entretanto. à dor e ao toque é grand e. mas nos humanos a independência do ind icador é tal que partiu a linha em duas. A força musc ular das mãos e dos dedos não vem apenas da musculatura da mão. que correm ao redor da base do polegar. a quiromancia perdeu terreno no sécul o XX. o que há séculos tem garantido a sobrevivência dos quiromantes. por mais quente que esteja a cama. Um legado da quiroman cia que tem alguma utilidade é a denominação das várias linhas da mão. 5 ossos palmares e 8 ossos no pulso. Nos macaco s. as glândulas sudoríparas da palma cessam sua atividade. Se as palmas estão compl etamente secas. Em cada mão. A sensibilidade da mão ao calor. as lin has de tensão e os sulcos papilares. Quando a p essoa dorme. são marcas que refletem os movimentos da mão. As quatro principai s linhas são: a linha da cabeça e a linha do coração. elas não reagem ao calor como as glândulas sudoríparas de outras partes do corpo. chamada "linha dos símios". uma em cada 25 pessoas ainda exibe uma única linha. e hoje nada mais é que a exibição de feira que merece ser. e a linha da vida e a linha do destino. À medida que a pessoa se torna mais . O suor das mãos não é comum. que atravessam a palma. Como outras práticas ar tificiosas como a frenologia e a astrologia. Só reagem a um aumento de tensão. Na superfície da mão existem três tipos de linhas: as linhas de flexão. a linha da cabeça e a linha do coração são uma só. as patas das demais espécies não chegam a ser uma bicicleta.mão humana. Na verdade.

. Mãos suadas são port anto remanescentes de um passado remoto que o moderno homem urbano pode perfeita mente dispensar. Não existem dois seres humanos com impressões digitais idênticas. Mesmo que sejam raspa das. Tal é a sensibilidade das palmas das mãos. as palmas se umedecem cada vez mais.ansiosa. com a técnica de "contagem das cristas" e a atenção a minúsculos desenhos chamados de "lagos". o que faz as palmas umedecerem sem ter o que agarrar. todas as pesqui sas de laboratório sobre o suor das palmas das mãos tiveram que ser temporariamente suspensas. mas hoje as tensões são em sua maioria ps icológicas. As impressões digitais apresentam três p adrões básicos: curvas (muito comuns). "esporas" e "cruzamentos". elas voltam a aparecer. Infelizmente. Como uma assinatura po de ser falsificada. Contrari ando a crença popular. e não se alteram com a idade. preparando-se para a ação física que o o rganismo prevê. Durante a famosa crise dos mísseis de Cuba nos anos 1960. não sei por que não seguimos esse antigo costume chinês. As impressões digi tais são usadas para identificar indivíduos há séculos. o corpo humano desenvolveu essa reação numa época em que a tensão era principalmente de natureza física. espirais (medianamente comuns) e arcos (basta nte raros). a classificação das impressões digitais para a detecção de crimes se tornou altamente sofisticada. quando o mundo ocidental ficou em suspenso. temendo uma guerra nuclear. mesmo gêmeos têm impressões digitais diferentes. Um criminoso não tem como evitar a identificação tentando alterar as impressões digitais. "ilhas". Há mais de 2 mil anos os chineses usavam os dedos como molde para seus selos de autoridade. Modername nte. O aumento generalizado de tensão fez com que as taxas de sudorese cresc essem tanto que era impossível conseguir que algum dos sujeitos da pesquisa relaxa sse.

colorindo a mão de vermelho. Devido ao frio prolongado. Esse parece ser um mecanismo destinado a evitar que a pele sensível das palmas congele. Qualquer pessoa que já tenha feito bolas de neve sabe que. Depois de mais 5 minutos. Quando pessoas de pele clara se e xpõem ao sol. Aquecendo as mãos a cada 5 minutos.Há diferenças raciais nas impressões digitais. que poderia causar danos irrecuperáveis. . têm menos es pirais e mais curvas que os orientais. Trata-se de um sistema defensivo emergencial que prov avelmente desenvolvemos na Idade do Gelo. um aumento drástico do fluxo sangüíneo aquece as mãos. três aspectos despertam interesse. as palmas ficam vermelhas. e conserva o precioso calor do corpo. mas as mãos atuam de maneira diferent e. quando mãos congeladas podiam significar desastre. mas as palmas se recusam a escure cer. É uma r eação notável e complexa. Esse é o comportamento normal do corpo como um to do. que reduz o de sangue na superfície da pele. o processo se reverte. Depois de cerca de 5 minutos. elas passam da vasoconstrição a uma forte vasodilat ação. Mesmo indivíduos da raça negra têm palmas claras. Ela é a mesma em todo o c orpo. Se a pessoa conseguir suportar as bolas de neve por uma hora. depois de certo tempo. vaí perceber que as mãos passam do azul ao vermelho a cada 5 minutos. Os caucasianos. Acredita-se que isso se deva à necessidade de manter os gestos altamente visíve is. mas as diferenças são muito pequenas. que evita que o sangue quente dissipe o calor vital. Os vasos sangüíneos da palma e dos dedos de repente se expandem. o sistema evita o congelamento. Quanto à coloração das mãos. as costas das mãos ficam bronzeadas. não importa quanto dure a exposição ao frio. A reação inicial das mãos à neve fria é a vasoconstrição. por exemplo.

tornando-se cada vez maior. porém. Assim. nesse aspecto as mulheres superam os homens numa proporção de 7 por 1. mas a natureza milagrosa do fenômeno. O que se coloca cm dúvida não é a existência das feridas. geralmente provocam coceira e sangram. depois secam e em seguida voltam a sang rar. todas as sextas-feiras. é fácil perceber que um ferimento de menor importância pode incendiar a imaginação de uma devota e se trans formar na milagrosa repetição do sacrifício de Cristo. mas o processo é muito m ais lento que o de um corte normal. O fenômeno obedece a um horário rígido: o sangramento se dá entre 1 e 2 horas da ta rde e se repete entre 4 e 5 horas. entre elas algumas freiras. O fenômeno vem de manifestando há mais de setecentos anos. A pessoa que tem a ferida pode não se lembrar de tê-la coçado. Uma cirurgia faz-se necessária para removê-la permanentemente. — Mas há uma falha . a cura não é perfeita. Crianças que usam piscinas públicas costumam pegar verrugas — pequenos tumor es epidérmicos de origem virótica que precisam ser removidos cirurgicamente. Depois a ferida se fecha. A grande maioria das 330 pessoas registradas que exibiram ferid as sanguinolentas pertencia à Igreja Católica. Verruga s semelhantes podem aparecer nas palmas das mãos. um sofrimento com que pessoas santas repetiriam o sacrifício de Cristo na cruz. As autoridades da Igreja sempre se mostraram intranqüilas com relação a essas alegações. Quand o ocorrem. Curiosame nte. Excluída a possibilidad e de mutilação deliberada. Devido à presença do vírus. a explicação mais provável para essas chagas é uma infecção viróti calizada. Na maiori a dos casos. desde o século XIII.Uma das crenças mais extraordinárias sobre as mãos é o suposto aparecimento espontâneo de chagas nas palmas. as feridas começam a sangrar. e m ais cedo ou mais tarde a ferida volta a sangrar. embora sejam menos comuns.

É o mais usado em oposição ao polegar em atos de de licada precisão. o indicador. que tudo está. depois que se tornou conhecida a verdadeira localização das chagas de Cristo . parece que o erro — que para eles não passa de licença ar tística. a cirurgia moderna pode ajustar o in dicador para que ele funcione em oposição aos outros dedos. O segundo dedo. Desde o século IX artistas religiosos aliment am esse erro. ao passo que na crucifixão de Cr isto os pregos perfuraram os pulsos. o indi ador também recebe o nome de índex. presumivelmente devido a seu significado fálico. — tem sido ampla e dolorosamente copiado pelos supostos santos. bem.quase fatal: as chagas surgem no centro da palma. produzindo pinturas e esculturas que mostram pregos enterrados no centro das palmas de Cristo. o polegar — pollex em latim — era dedicado a Vênus. se alguém perde o polegar. que aperta o botão. já que permite o movimento d e agarrar. era dedicado a Maomé. Seu papel fundamental é reconhecido desde a Idade Média. Em tempos antigos. restaurando em parte o m ovimento de preensão. Graças à sua função indicativa. índice e mostrador. que disca o tele fone. No Islã. que aponta o caminho. É o dedo que puxa o gatilho. é o mais independente e i mportante dos outros quatro dedos. quando a indeniz ação pela perda de um polegar era quatro vezes maior que o valor pago pela perda de um mindinho. É bastante si gnificativo que os poucos que sangraram nos pulsos tenham aparecido muito recent emente. sem dúvida o mais importante dos dedos. O polegar tem três significados gestuais: aponta uma direção. Voltando aos dedos. Houve época em que ele foi chama do de "dedo napoleônico" ou "dedo da . que pede atenção. O prim eiro é o polegar. expressa um insulto fálico e indica. devemos dizer que cada um tem características próprias. Hoje. que chama.

Surpreendentemente. Em tempos antigos. o falo ereto. Apesar de sua importância.ambição". A razão dessa significativa diferença de gênero é um mistério . vem sendo usado há mais de 2 mil anos em cerimônias de cura. no islamismo. dedicado a Ali. o indicador é um dos menores dedos. Esse gesto sobreviveu durante 2 mil anos desde que surgiu nas ruas da antiga Ro ma. Os católicos dedicam o indicador ao Espírito Santo. relegando o anular para o terceiro lugar. era proibido usar o indicador para qualquer tipo de medicação. mas sua denominação mais estanha é a de "dedo do veneno". pelo menos no mundo ocidental. O quarto dedo. porque se acreditava que ele era venenoso. "o impudico". isso ocorr e apenas com 22% dos homens. o anular. porque a maior igualdade sexual trouxe consigo uma maior igualdade gestua l. marido de Fátima. gestos obscenos eram uma exclusividade dos homens. cresceu muito nos últimos anos. "o infame" e "o obsceno". o dedo médio tem significados bastante diferentes. e o médio. A razão para a ma ioria desses nomes é sua utilização no mais famoso dos gestos grosseiros de Roma. era encapsulado numa dedeira de ferro magnético e . No ambiente religioso. porém. Ness e gesto. Seu uso por mulheres. é o segundo dedo mais longo. os outros dedos se dobram e apenas o médio permanece esticado e ereto. Nas civilizações do mar Egeu. No passado. é o dedo dedicado a Cristo e à salvação. superado em mu itos casos pelo médio e pelo anular. terceiro e mais longo dos dedos. os islâmicos. O médio. sendo co nhecido como "o famoso". tinha vários nomes antigamente. No catol icismo. Em 45% das mulheres. a Fátima. mas hoje as mu lheres mais assertivas não se sentem constrangidas de se expressar dessa maneira. Os dois dedos dobrados de cada lado simbolizam os testículos.

e insistiam que todos os ungüentos deviam ser esfregados no corpo com ele. portanto. é difícil usá-lo para mexer alguma coisa sem manter os outros dedos presos pelo polegar. seria o mais seguro para u so médico. os boticários ainda usavam religiosamente esse dedo para misturar s uas poções. mas sozinho ele se sente fraco demais para fazer o movimento. por ser o menos usado. essa idéia foi adotada pelos romanos. Por isso. Se alguém fechar o punho e tentar esticar um dedo de cada vez. Para alguns. tem me nos probabilidade de tocar algo perigoso e. Essa superstição durou séculos. Mais tarde. simplesmente passar o anular por cima de uma ferida era suficiente para curá-la. A razão d e sua relativa inatividade é que sua musculatura o torna o menos independente dos dedos. e sempre o usavam para fazer misturas porque achavam que n enhum veneno poderia tocá-lo sem dar aviso ao coração. o anular é provavelmente o dedo mais limpo. ele ainda ê vist o como o único dedo adequado a coçar a pele. Esse costume originou-se na idéia de que a esposa se comprometia a ser menos independente como o dedo simbolicame nte escolhido. Eles acreditavam que por esse dedo corria um nervo que ia direto ao coração. Na Idade Média. Se existe algum valor prático nessa super stição é que. Além disso. ora por uma artéria. não há problema . ele acabou se ndo conhecido como o "dedo da cura". Em algumas partes da Europa. Se algum dos dedos que o ladeiam se esticar ao mesmo tempo. Por isso. com o nervo que se ligava ao coração ora sendo substituído por uma veia. A escolha da mão esquerda teve . Foi por essa falta de independência que o anular foi escolhi do como o dedo que carrega a aliança de casamento. que o chamavam de digitus medicus.usado em rituais de cura. O indicador devia ser evitado a todo custo. perceberá que o anular é o único que se recusa a se esticar totalmente — ou faz isso com grande difi culdade.

o nome usado popu larmente para identificar o dedo mínimo é "pinkie". adequada ao que era então considerado o papel da esposa. porque essa era a maneira antiga de criar uma ligação mediúnica. No islamismo. na qual os participantes se dão as mãos formando um círculo. é chamado em latim de mi nimus ou aurícularis: mínimo porque ele é o menor de todos. Antigamente. acreditava-se que. e transportada para Nova York pelos colonizadores . Usado primeiramente pelas crianças de Nova York. Só porque esses fatos foram esquecidos é que esse de do ainda é escolhido no ritual do matrimônio. ele foi chamado pelos romanos de digitus annularis. o miudinho. Devido a e ssa função de levar a aliança. O quinto dedo.origem semelhante: essa seria a mão mais fraca e submissa. seguidos pelo anular (amém). era possível aumentar as chances de uma experiência mediúnica. o médium geralm ente avisa que o contato deve ser feito com os dedos mindinhos. Alega-se que ele foi chamado de "dedo auricular" pelo fato de ser suficientemente pequeno para ser usado para limpar a orelha. e o médio (o Espírito Sant o). criaria um conflito para muitas noivas modernas. foi dedicado a Hassan. e para os cristãos ele é o "dedo do amém". mas existe um argu mento mais moderno. onde as crianças se referem a qualquer coisa pequena como "pinkie". fechando os ouvidos com os d edos mínimos. Acredita-se que a denominação teve origem na Escócia. de uma visão profética ou de algum outro evento sobrenatural. Se o verdadeiro significado machista f osse mais conhecido. mais tarde foi adotado por adultos de outras cidades. o indicador (o Filho). porque as bênçãos são feitas com o polegar (o Pai). e auricular devido à sua lig ação com a orelha. Qualquer pessoa que tenha estado numa sessão espírita provavelmente participou de uma versão moderna dessa superstição. Nos Estados Unidos. Nesse momento.

e isso seria necessário quando duas pessoas pronunciavam a mesma palavra simultaneamente. Acreditava-se que o estal o do indicador contra o polegar tivesse o poder de espantar os maus espíritos (é por isso que não é de bom tom estalar os dedos para chamar alguém). Alega-se que esse era um sinal de que as mulheres que serviam de modelo para as imagens religiosas desfrutavam de uma incomum independência sexual . entrelaçam os dedos mindinhos para materializar o ato. a superstição reflete a crença no poder sobrenatural do mindinho. As primeiras pinturas religiosas mostram o dedo mínimo curvado e afastado dos demais. que se realizará se nada for dito antes que os dedos se solte m. de imediato gritam "Snap!" e entrelaçam os mindinhos. Em alguns países da Europa. Entretanto.escoceses. o costume de curvar o dedo mindinho quando a pessoa está beb endo de uma xícara ou de um copo há muito é considerado símbolo de afetação. fazendo um voto silencioso. e também pode ser significativo que a palavra holandesa para "pequeno" seja "pinkie". Ela s curvavam deliberadamente o dedo mindinho quando bebiam para . outra ação que tem origem supersticiosa. Essa crença de que um mindinho "independente" simboliza a liberdade sexual deu o rigem a uma nova moda lançada pelas primeiras feministas do final do século XIX. Mais uma vez. quando duas pessoas acidentalmente pronunciam a mesma pal avra ao mesmo tempo. A p alavra "Snap!" também tem relação com os dedos. As cria nças costumam usar a palavra numa rima que utilizam para firmar uma promessa solen e. o nome original de Nova York era Nova Amsterdã. Num contexto que nada tem de mágico. Na origem. mesmo quando a figura feminina em ques tão não está bebendo. porque é o substituto verbal para a ação de estalar os dedos. Esse é outro costume que se originou da antiga ligação do mindinho com o sobrenatural. Quando fazem disso. nada poderia estar mais longe da verdade.

mesmo hoje. Depois que uma conversa acaba. Por volta de 2. to rnando-se meramente o gesto adequado a fazer na presença de outras pessoas.mostrar que apoiavam a idéia de direitos iguais em questões sexuais. O uso de adorno nos dedos femininos é popular pelo menos há 6 mil anos — talvez muito mais. esse gesto foi perdendo seu significado original de igualdade sexual. os anéis eram us ados não apenas como elementos decorativos.500 a . Disseminado com o moda. outros inconscientes e expressivos. numa lâmina. Em todo o mu ndo. Originalmente. de acordo com as emoções do momento. Juntos. as mulheres usam menos os gestos simbólicos que os homens. os ourives do Oriente Médio já tinham atingido um alto estágio na manufatura de anéi s. num punho cerrado ou num leque. Uma vantagem dos anti gos anéis que não levamos cm consideração hoje é que. numa agulha. mas a mensagem dos gestos chega ao interlocutor num nível subliminar. protegendo contra os maus espíritos e propiciando saúde e até mesmo imortalidade (já que um anel não tem começo nem fim). alguns deliberados e simbólicos. Daí pass ou a ser símbolo de gentileza e acabou adquirindo um significado quase oposto ao o riginal. eles eram mais apreciados do que qualquer ornamento para a cabeça ou o pescoço porque ficavam claramente visíveis para quem os usava. que desde então sempre gozaram de grande prestígio. Acreditava-se que eles tinham poderes de proteção. trazendo boa sorte. trouxeram outra vantagem para as mulheres que queriam se livrar de . antes da invenção do espelho. Mais tarde. a mão feminina pode se transformar numa garra. é difícil lembrar precisamente o que os dedos andaram fazendo. os cinco dedos são capazes de uma imensa gama de gestos e sinais. mas em pregam mais os gestos que acompanham a conversação e enfatizam as palavras. Além disso .C.

as mãos eram desenfaixadas. Depois. Parte importante das cerimônias de casamento. que passava horas pintando os desenhos tradicionais. sua verdade ira idade pode ser revelada por mãos enrugadas e manchadas. Se a mulher rejuvenesceu o rosto com cremes firmadores o u com uma cirurgia plástica. A pele das costas das mãos femininas pode acarretar um sério problema às mulheres mais velhas. no Oriente Médio e em algumas reg iões da Ásia durante séculos. exibindo os belos desenhos.maridos indesejáveis: podiam conter pequenas câmaras cheias de venenos letais. o costume sobrevive por motivos puramente decorativos em algumas pa rtes da Europa e da América. essas pinturas foram muito populares no Norte da África. um espírito maligno que gostava de aparec er nas ocasiões felizes com a intenção de destruí-las. A hena é uma tintura castanhoavermelhada extraída das folhas de um pequeno arbusto. com a interessante exceção da aplicação de desenhos de hena. cerc ada pelas amigas mais íntimas. Hoje. A pi ntura durava cerca de quatro semanas. entregava as mãos a uma artista chamada hennaria. Acreditava-se que a hena tinha a virtude de purificar a noiva de qualquer contaminação mundana e imunizá-la contra os a taques do demônio e de seus agentes. Antigamente. enfaixava as mãos da noi va e colocava-as dentro de dois sacos bordados para que a pintura secasse sem bo rrar. mas esse acessório não está mais em moda. Na noite anterior ao casamento. a noiva. depois das quais podia desbotar ou ser ren ovada. mas a dificuldade na elaboração dos desenhos evitou que a moda pegasse. ela podia usar luvas. que a fazem parecer vinte anos mais nova. Para a cerimônia. Os intricados desenhos pintados nas mãos da noiva tinham a finalidade de espantar o Olho do Diabo. . A pel e das mãos femininas tem recebido relativamente pouca atenção.

e hoje ela tem à sua disposição uma infinidade de caros procedimentos. Essa demonstração de status é valorizada pela aplicação de esmaltes coloridos. mantendo as unhas dos demais dedos muito mais curtas. como a microdermoabrasão. cera quente e tratamento a laser. O utra solução foi usar unhas curtas para o uso cotidiano e aplicar unhas postiças exage radamente longas em ocasiões especiais. . e. alguns de efeito bastante duvidoso. Finalmente. as mulheres da nobreza deixavam as unhas crescer e as pintavam de our o. Muitas mulheres usam unhas postiças em eventos sociais e depois as remo vem para trabalhar. se não fossem cortadas. Esses dois costumes sobrevivem ainda hoje na Europa. Mais tarde. O lifting das mãos é um procediment o que retira gordura das coxas e injeta-a nas costas das mãos. qu e chamam mais atenção para o fato de que aquelas mãos nunca pegaram no batente. Na Chi na antiga.Medidas mais severas se fazem necessárias para adequar a aparência das mãos à sua jovem figura. Essa taxa de crescimento significa que. o que as faz estufa r e parecer muito mais jovens. mesmo ass im. muitas mulheres têm ignorado as conveniências. existem as unhas das mãos. é preciso cortá-las e lixá-las para mantêlas num comprimento conven iente. infusão de vit aminas. elas limitaram a demon stração aos dedos mindinhos. Modernamente. tecido mort o que cresce em média 1mm a cada dez dias — quatro vezes mais rápido que as unhas dos pés. mas tem que ser repetido várias vezes. aumento da absorção de oxigênio. o peeling ácido. esse comprimento seria desgastado pel o uso. Em diferentes épocas e culturas. Em épocas primitivas. as unhas atingi riam 1 cm em cem dias. O tratament o mais radical é o equivalente do lifting da face. só dura mais ou menos um ano. como isso prejudicava os movimentos da mãos. permitindo que as unhas cresçam para mostrar que não precisam fazer nenhum trabalho manual.

Suas preciosas unhas custavam-lhe de oito a dez horas na tarefa d e pintálas. Uma mulher de C onnecticut. a pintura artística incrementou a moda de lo ngas unhas pintadas.. Longas unhas podem facilmente se transformar em armas de destruição. Foram necessários 24 pontos para fechar a feri da na bolsa escrotal.Alguns indivíduos excêntricos permitiram que as unhas crescessem assustadoramente. A lista é infinita. nos Estados Unidos. t ornando os movimentos corriqueiros com as mãos extremamente difíceis. sentindo-se ultrajada ao descobrir seu parceiro na cama com outra mu lher. unhas marmorizadas. Quando o policial descobriu que isso seria impossível com aquelas unhas de 15 cm de comprimento. Depois de carregá-las por 24 anos. por exemplo. Existem vários estilos de pintura. piercings de pedras semipreciosas para unhas. Surpreendentemente. As unhas f emininas não crescem retas. torna-se uma tarefa impossível. Uma mulher de Dallas se orgulhava de exibir um total de 380 cm de unhas. ela finalmente decidiu cortá-las. Em se guida entregou-se ao prazer de poder coçar-se e de dar um abraço em alguém. Discar um número de telefone. mas se curvam. Uma m ulher da Geórgia. cometeu uma contravenção e precisou tirar as imp ressões digitais na delegacia. Nos últimos anos. unhas acrílicas. existem hoje mais de 60 mil sites na in ternet dedicados a esse assunto. .. e é isso que pode causar problemas. das quais a mais impressionant e media 71 cm. ordenou que elas fossem cortadas. e até mesmo uma enciclopédia de pintura artística das unhas para quem quiser levar o assunto a sério. assim como unhas de gel. A mulher se recusou a cortar as unhas e teve que passar quatro noites na cadeia en quanto a polícia tentava descobrir outra maneira de obter suas impressões digitais. usou as unhas para se vingar.

(Desde que não tenham a sorte de uma mulher de Massachusetts. Desde que a mudança não interfira na mobilidade e flexibilidade das mãos. E mesmo quando a moda prejudica os movimentos manuais. Outra moda é usá-las curtas e pintadas de um esmalte quase negro. mas com as pontas de stacadas por uma faixa branca.) . É fácil rir desses exageros decorativos das unhas femininas. E assim a moda continua criando novidades. que compensa a perda de destreza .Muitas mulheres acham a pintura artística muito exótica e adotaram um novo estilo: a s unhas manicuradas à francesa. que têm a aparência das naturais. mas uma tradição que permanece há mais de 6 mil anos de uma forma ou de outra dificilmente desaparecerá do dia para a noite. não há mal algum. o impacto social da decoração pode se r tão gratificante para as mulheres que a adotam. que teve a longa u nha presa na bilheteria automática de um estacionamento e precisou esperar que a p olícia viesse libertá-la.

a aréola tem . Quando o bebê mama. em direção a cada mamilo. eles funcionam com o duas gigantescas glândulas sudoríparas que produzem um suor modificado que chamamo s de leite. e pode reagir a essa frustração mordendo o mamilo. Inúmer os nomes têm sido criados para os seios em muitas línguas. Os seios femininos tem duas f unções biológicas. Seios Os seios tem despertado maior interesse erótico por parte dos homens do que qualqu er outra parte do corpo feminino. mas não muito chocante. peitos. tornando os seios maiores e os vasos sangüíneos que irrigam esses tecidos mais evid entes na superfície da pele. Para a primeira função. Nas mulheres virgens e naqu elas que ainda não são mães.14. De cada seio lactífero partem de qu inze a vinte tubos. situado no centro da mama. Os seios são um meio-termo — uma região proibida. Uma mãe experiente logo descobre que pode evitar a dor causada p ela mordida enfiando uma parte maior do seio na boca do bebê. Os tecidos glandulares que produzem leite incham durante a gravidez. os ductos lactíferos. Se espremer apenas o mamilo. o que não faz bem nem para a mãe nem para o filho. não produzirá o leite deseja do. Concentrar a atenção diretamente nos genitais seri a demais. À medida que vai se formando. uma parental e outra sexual. o leite passa por canais que levam a um reservatório chamado seio lactífero. A aréola que circunda o mamilo é um detalhe anatômico curioso da espécie humana. por t rás da aréola amarronzada que circunda os mamilos. mas em português eles costu mam ser chamados de mamas. pega o mamilo e a aréola na boca apertando a pele escura com as gengivas e fazendo o leite brotar do mamilo. pomos ou tetas.

potássio. A olho nu. Elas contêm pequenas glândulas. essas glândulas têm a aparência de pele de galinha. Na época do aleitamento. O leite produzido pelos seios contém proteínas. chamadas glândulas ou tubér ulos de Montgomery. carboidratos. sódio. O bico de uma mamadeira tem um formato mais adequa do à sucção do que o mamilo. Alguns bebês apresentam reações alérgicas às proteín vinas. que crescem durante a gravidez e segregam uma substância oleos a. A função da s aréolas parece ser de proteção. mas a forma dos seios está longe de ser perfeita para a amamentação. um maior número de mulheres estão alimentando seus filhos no seio — o que tem a vantagem extra fortalecer os laços emocionais entre a mãe e o bebê. O lei te materno é ideal para o desenvolvimento do bebê. gordu ra. já exibe uma cor marrom-escura. as fêmeas que não são lactantes têm peitos chatos. Cerca de dois meses após a concepção. Em todos os outros prima tas. Para entender como os seios deveriam ser. macacos e chimpanzés. ferro e vitaminas. a . Sabiamente. Quando são lactantes. convém lembrar qu e os seios femininos têm uma dupla função — parental e sexual —. O leite de vaca é o substituto a dequado ao leite materno. mas tem um nível de fósforo bastante alto.uma coloração rosada que muda na gravidez. o que pode inte rferir na ingestão de cálcio e magnésio. Se isso parece ser uma falha evolucionária. A secreção das glândulas d e Montgomery protege o mamilo e a pele circundante — um cuidado muito necessário à sup erfície dos seios. fósforo. ela começa a se alargar e escurecer. Contém também nticorpos que aumentam a resistência do bebê a doenças. colesterol. e é a função sexual que caus problema. magnésio. e mesmo quando o bebê é desmamado não volta a apresentar o tom rosado virginal. cálcio. vamos dar uma olhada nos se ios de nossos parentes mais próximos.

Assim surgiram sete sugestões: O tecido gorduroso protege as glândulas mamárias. mas não explica o persistente arredondamento dos seios em outros períodos. muitas mulheres recusam essa interpretação. mas rarame nte toma a forma hemisférica dos seios humanos. Até uma freira tem seios protuberantes. Nos peitos que se aproximam da for ma humana durante o período em que contém um generoso suprimento de leite. julgam ofensiva a idéia de que alguns aspectos do corpo feminino possam ter evoluído até sua forma atual pa ra atrair o macho. . Isso pode ser verdad e durante a lactação.região ao redor dos mamilos se intumesce um pouco devido à produção de leite. os seios femininos continuam protuberantes durante a vida adu lta mesmo que não exerçam sua função alimentar. Embora seja claro para um biólogo que essa explicação tem a ver com a sexualidade. E também não explica por que as fêmeas de outras espécies primatas não precisam d essa ajuda. enquanto a penas uma pequena parte é de tecido glandular ligado à produção de leite A forma arredon dada dos seios. me smo que eles não sejam usados durante toda a vida. elas insistem que os seios têm apenas a função parental e usam sua engenhosidade para encontrar explicações não-sexuais para a forma arredondada dos seios. o intumes cimento desaparece assim que termina a lactação. Os "seios" das fêmeas primatas são unic amente parentais. Embora aumentem de tamanho quando es tão cheios de leite. Ignorando o fato de que a atração física está envolvida em sua concepção. A espécie humana é diferente. resultado do tecido gorduroso. Um exame da anatomia dos seios revela que a maior parte de seu volume é constituída de tecido gorduroso. exige uma explicação que ultrapassa s ua função de aleitamento.

eéa que diminui menos quando a mulher perde peso. mas por que concentrar esse estoque no peito. O teci do gorduroso compensa a falta de uma capa maternal de pêlos à qual o bebê possa se aga rrar quando se alimenta.O tecido gorduroso mantém o leite morno. A forma arredondada dos sãos os torna mais confortáveis para a alimentação do bebê Simplesmente não é verdade. o bebê tem que ser segur ado junto ao seio. Não é verdade. um macio hemisfério de carne dificilmente ajudaria a tornar o mamilo mais acessível. Mais uma vez. e essa r eserva de gordura dispersa é a maneira mais eficiente de ela se proteger contra a eventualidade de uma fome. a gordura do seios representa apenas 4% d a gordura total do corpo. . não é verdade. O teci do gorduroso é uma importante maneira de estocar gordura para quando o alimento fo r escasso. isso só é necessário durante a am amentação. Mais uma vez. e. já que seio s fartos fazem com que a mulher tenha mais dificuldade para correr? O corpo femi nino tem uma generosa camada de gordura na maior parte de sua superfície. Sim. Como qualquer mãe sabe. Basta pensar no formato de uma mamadeira. Mulheres de se ios pequenos podem amamentar com mais facilidade que as de seios enormes. A forma arred ondada funciona como um sinal visual que informa aos homens que aquela mulher se rá uma boa fonte de alimento para a prole. é verdade. de qualquer forma. Além do mais.

Em outras espécies. Ela caminha ereta e é vista de frente na maioria das situações sociais. Quando se coloca frente a frente com um homem. Quando todas as outras justificativas parentais falham. "não-funcional. As fêmeas das outras espécies primatas emitem sinais sexuais com o traseiro en quanto caminham sobre quatro patas. Essa função se xual dos seios tornou-se tão importante que começou a Interferir na função parental prim ordial. Isso significa que teorias que consideram o interesse masculino pelo s seios femininos como "infantil" ou "regressivo" não têm fundamento. de acordo com um autor. Os sinais traseiros emitidos pela fêmea humana partem de outro par de hemisférios. mas um si nal sexual. A inevitável conclusão é que a forma hemisférica dos seios não é parental. mas ela não anda de quatro como as outras espécies. Elas são capazes de enviar fortes sinais eróticos quando a mulher é vista de costas. Não é difícil traçar a origem do par de seios como símbolo se xual. mas o par de falsas nádegas que ela traz no peito lhe permite continuar tra nsmitindo o primitivo sinal sexual sem dar as costas ao interlocutor. a ponto de se r antifuncional". Os seios cresceram tanto em seu esforço para imitar as nádegas que ficou difíc il para um bebê abocanhar o mamilo. a s nádegas. esta é a última saída para aqueles que se recusam a aceitar que a forma dos seios femininos é sexual. Seu traseiro protuberante excita os machos. com a região frontal escon dida da vista. os mamilos são alongados. as nádegas estão fora de seu campo d e visão. O homem que re age aos seios de uma virgem ou de uma não-lactante está respondendo a um primitivo s inal sexual da espécie humana. de m odo que o bebê macaco não tem .A forma hemisférica dos seios é.

dificuldade para levar a longa teta à boca e sugar o leite. Em seu papel sexual. O dr. os seios femininos atuam primeiro visualmente. o t ecido glandular aumenta mesmo na futura mamãe de seios pequenos. Só o mamilo se destaca nesse estágio pré-pubere. m as que pouco tem a ver com o suprimento de leite. depois como estímulo ao tato. os seios permitem distinguir a silhueta de uma mulher adulta da de um ho mem. De mais perto. Tudo o que você precisa fazer é ter certeza de que ele consegue respirar. Mas o bebê humano pode s e sufocar na montanha de carne que circunda o modesto mamilo. Mesmo à d istância. Spock aconselha: "Às vezes. Em sua ansiedade. Mulheres que têm seios pequ enos costumam temer não serem capazes de amamentar. . e essa lenta alteração no perfil dos seios pode se r resumida nas "sete idades do seio feminino: Os mamilos da infância. A forma dos seios muda g radualmente da puberdade à velhice. Na verdade. Outro livro sobre bebês comenta: "Pode surpreendê-la que o bebê pegue n a boca também o círculo amarronzado ao redor do mamilo. ele pode obstruir as narinas com o tecido do seio ou com seu próprio lábio superior". e as mães precisam t omar certas precauções que não são necessárias em outras espécies. você pode precisar apertar o seio com um dedo para dar espaço para o nariz do bebê respirar". elas podem ser mai s capazes de amamentar do que as mulheres de seios fartos. e seus bebês terão ma is facilidade de sugar e menos probabilidade de sufocar. os seios são um sutil indício de idade. Quando a mulher engravida. Cuidados como esse s não deixam dúvida sobre o duplo papel dos seios humanos. Isso ocorre porque el as possuem menos tecido gorduroso. que dá aos seios a sensual forma arredondada.

A margem inferior do seio forma uma prega oculta. quando a menstruação começa e os ge nitais já apresentam pêlos púbicos.Os botões da puberdade. No início da fase reprodutiva. mesmo tendo perdido o peso da fase de lactação. Com a idade avançada. . Os seios firmes da juventude. mas com a pele ca da vez mais enrugada. os seios caem um pouco mais sobre o peito. e to dos os processos de crescimento estão completos. Nessa fase. Os seios fartos da maternidade. aumenta o tamanh o dos seios. Os seios caído s da meia-idade. o corpo atinge sua melhor condição. criando uma f orma mais cônica. tanto o mamilo quando a aréola se projetam. Os sei os pendulares da velhice. Nessa fase. a região ao redor do mamilo começa a inchar. À medida que a fase reprodutiva se aproxima do fim. A idade ideal do animal humano do ponto de vista físico é de 25 anos. Durante essa década. os seios femin inos assumem uma forma mais arredondada e. em direção ao peito. os seios fartos de leite começam a pender para baixo. Com a maternidade e o repentino aumento de tecido glandular. o encolhimento geral do corpo leva a um achatamento dos seios. apesar do tamanho e do peso. que continuam caídos sobre o peito. Os seios pontudos da adolescência. À medida que os anos adolescentes passam. ainda não começaram a cair.

Mas se a forma se afastar muito da natural. será possível criar seios ainda mais estimulantes que os reais. fato que tem sido explorado por artistas e fotógrafos de várias e diferentes maneiras. Nesse caso. o sinal sexual fica distorcido e o impacto se perde. é porque ela devia ser de fato poderosa. Mas se a forma hemisférica for ligeiramente acentuada. . Ao longo dos anos.Esses estágios de envelhecimento dos seios podem variar muito. as mulheres encontraram diversas maneiras de prolongar a impressão de seios firmes e protuberantes com o intuito de estender a fase na q ual são capazes de transmitir o sinal sexual primitivo da espécie humana. a maioria das s ociedades prefere cobrir os seios em vez de esmagá-los. Para que a sociedade chegasse a tais extremo s para negá-la. é fácil criar um seio perfeito: pode inventa r a forma que quiser. a simples remoção da cobertura tem funcionado como forte estímulo erótico. desde que os seios não estejam v isíveis. a sociedade exigiu que a sexualidade feminina fosse suprimida. Os puritanos conseg uiam isso obrigando as mulheres a usar coletes apertados que achatavam os seios e davam um contorno infantil ao corpo adulto. Na Espanha do século XVII. Felizmente. Às vezes. o processo tende a ser mais lento. enquanto nas mais gordas ele se acelera . as jovens foram vítimas do uma indignidade ainda maior. Os sutiãs podem dar a mesma impressão. tendo os seios achatados por placas de chumbo pressionadas contra o peito. A cirurgia plástica pode erguer os seios e deixá-los artificialmente firmes depois da juventude. Essas cruéis imposições só serviram para reforçar o significado sex ual da forma arredondada dos seios. numa tentativa de impedir que a natureza seguisse o seu curso. aceitando isso como sufici ente sinal de modéstia. Em mulheres mais ma gras. Para um pintor.

porque o aumento de tamanho que produz a forma esférica plena também acarreta um peso que começa a empurrar os seios para baixo. Essa substância parece ser um suave lubrificante para a pele da região do mamilo. M as o fato de as glândulas da . Limitado aos seios reais. o homem acaricia oral e manualmente os seios. e não há razão para duvidar disso. e seus seios atingir am o tamanho máximo um pouco antes que a média das mulheres: eles exibem a perfeita forma arredondada. Curiosamente. Já mencionamos que os círculos amarronzados ao redor dos mamilos contêm glândul as que secretam uma substância oleosa durante a lactação. Só existe um momento na vida da mul her em que os seios têm um máximo de protuberância com um mínimo de flacidez. Ela é um pouco mais jovem do que poderíamos esperar. Existe um conflito de fo rças.Para o fotógrafo a tarefa já não é tão fácil. e é" possível que um estímulo adicional esteja ocorrendo nesse momento. as qualidade táteis dos seios entram em jogo. Depois que os seios da mulher — e seus outros encantos físicos e mentais — atraíram um parceir o e o contato sexual começa. ele precisa ter como modelo uma jovem cujos seios tenham alcançado seu ponto máximo de desenvolvimento. e é nesse mo mento que a câmara pode captar as imagens mais eróticas. Isso o excita mui to mais do que à mulher. Para captar a imagem de seios volumosos. fotógrafos que trabalham para revistas especializadas em fotos eróticas descobriram que só existe u m tipo de jovem com os seios perfeitos que eles buscam. porque ainda não chegou aos 20 anos. pouco antes que o aumento de peso comece a fazê-los cair. Essa especi al combinação oferece as imagens que fazem a fortuna das revistas masculinas. mas ainda mostram a firmeza da extrema juventude. Nas preli minares do sexo. sua única esperança é r a impressão de maior volume com uma iluminação especial ou colocando as modelos em p osturas adequadas.

Os mamilos f icam eretos. ao explorar o corpo da parceira. Sua ocorrência é mais provável. mas apareceu em 25% dos h omens que participaram da mesma investigação. duas importa ntes mudanças ocorrem. o contrário não dade. em ambos os sexos. Com a aproximação do orgasmo. no momento imediatamente anterior ao orgasmo. dando a falsa impressão de que uma mulher muito excitada perde a ereção do ma milo. originalmente. às vezes a parece um pouco antes dele. Os seios se intumescem de sangue. Essa turgidez tem o efeito de tornar a pele mais sen sível ao contato corpo-a-corpo do parceiro. Muitas pessoas de ambos os sexos nunca exibiram essa erupção apesar de uma vid a de intensa atividade sexual e . É bem menos comum em homens. os seios da mulher passam por várias mudanças marcantes. Ocorre também uma erupção da pele semelhante à rubéola na superfície dos seios e em ro do o peito. durante a atividade sexua l. glândulas apócrinas sugere que. Essa "erupção sexual" foi observada em 75% das mulheres submetidas a uma detalhada pesquisa sexual. passa tanto tempo cheirando a pele ao redor dos mamilos. e podem explicar por que o homem. porém. As glândulas apócrinas são as responsáveis pelos odores sexuais das axilas e d os genitais. e. À medida que a excitação cresce. e seu ta manho aumenta cerca de 25%. Embora essa erupção não seja possível sem uma forte excitação sexual.aréola serem. enquanto nos homens ela nunca surge antes do último mo mento. essa região dos seios talvez seja capaz de transmitir sinais odoríferos ao nariz do homem. suas secreções causam um forte impacto inconsciente que aumenta a excitação sex ual. As glândulas da aréola podem muito bem fazer parte desse sistema primitivo de s inais aromáticos sexuais. chegando a crescer 1 cm. As aréolas se intumescem e incham tanto que começam a ocultar o mamilo. Nas mulheres. embora os homens não tenham consciência dos aromas eróticos que elas p roduzem.

nada mais são do que mamilos adicionais. Esses seios extras são vestígios de nossa ancestralidade: como a maioria dos outros mamíferos. Não se sabe a razão dessa diferença. um acadêmico rival foi capaz de apresentar uma mulhe r polonesa que tinha dez seios funcionais. Alguns meses depois. Uma em cada duzentas mulheres possui mais que dois. ocasionalmente dois. Muitas mulheres famosas tinham mais de dois seios. Ela tinha nada menos que cinco pares de seios plenamente lactantes. pequenos botões sem mamilos. Esse fato costuma passar despercebido porque o terceiro seio não tem mamilo e não passa de uma pequena protuberância . Quando está mu ito quente.orgasmos plenos. mãe do imperador romano Alexandre. cobrindo da testa às coxas. Não há nada de sinistro nisso. No frio. exibe três seios. Quando as nin hadas humanas se reduziram a um filho. indivíduos que costumam apresentar a erupção não a têm. com os quais amamentavam toda a ninhada. que está exposta no Louvre. uma observação mais detalhada revela que a famosa estátua da Vênus de Milo. outras. em uma das m ais estranhas disputas médicas. nossas remotas ancestrais po ssuíam vários pares de seios. e os seios adic ionais geralmente não são funcionais. tinha vários seios e por isso foi chamada de Júlia Mamaea. Surpree ndentemente. Um fator que favorece a erupção é um c lima quente. Às vezes. mas nem sempre isso é verdade. O caso mais extraordinário é o de uma francesa apresenta da à Academia Francesa de Medicina cm 1886 por um professor. Júlia. Muito raramente se vê uma mulher com mais de d ois seios produzindo leite. Esse fenômeno e chamado de polimastia. a erupção pode se estender além do peito. os número de mamilos d iminuiu. U m dos fatos que temos como certo é que as fêmeas humanas possuem apenas dois seios. porém.

Nesse caso. o culto dessa deusa da Ana tólia foi estudado com mais cuidado. Ana Bolena. próxima à axila. A figura polimástica mais famosa da historia é Diana — ou Ártemis — de Éfe so. Seus imensos testíc ulos eram extraídos e preservados em óleos aromáticos. Os rumores sobre o terceiro seio de Ana Bolena podem ter s ido propositalmente espalhados depois de sua morte para justificar que ela era má e merecia morrer. tinham que se castrar e enterrar os testículos perto do altar. depois de algum tempo. Uma verruga. com a penca . Houve um tempo em que se acreditava que as bruxas tinham mamilos extras com os quais alimentavam seus seguidores. testículos de tour o substituíram os testículos dos sacerdotes nas cerimônias de castração.situada acima do seio direito. e depois cerimoniosamente pendu rados no peito da sagrada estátua. Dizia-se que a infeliz esposa de Hen rique VIII. Recentemente. F oram encontradas inscrições que revelam que. porém. fazendo surgir uma interpretação inteiramente nov a. Sua grande escultura mostra várias fileiras de seios. Algumas versões da estátua c hegam a mostrar mais de vinte. Serão mesmo seios? Um olhar mais atento revela que nenhum desses seios tem mamilo ou aréola. o suposto terceiro seio b em podia ser uma mácula de "bruxaria". Para resumir o caso. Mulheres suspeitas de bruxaria eram às vezes examinadas em busca de sinais de seus métodos ma lignos. uma mancha um pouco maior ou m esmo um clitóris ligeiramente mais volumoso podia ser suficiente para levar a mulh er à morte da fogueira. também tinha um terceiro seio — um fato fielmente registrado em livros sobre anormalidades médicas. o peito de Diana seria um lugar muito menos aconchegante do que há tanto tempo se supõe. Parece que os sacerdotes da deusa deviam ser eunuco s: para servi-la. mas foram feit as cópias em pedra. Os caçadores de bruxas cristãos examinavam as mais recônditas fendas de uma su speita em busca de um mamilo oculto. A estátua original era de madeira.

A palavra "amazona" vem do gre go amazôn. assim como o uso de correntes e jóias". para to rnar mais fácil o uso do arco. Curiosamente. O uso de pierci ngs faz parte da síndrome de aprisionamento do mundo das práticas sexuais exóticas. o seio direito de todas as jovens púberes era queimad o. a mutilação do seio é extremamente rara. segundo antigos esc ritores. Conta-se que.de testículos colocada em seu devido lugar. A razão pela qual o peito da deusa é coberto de testículos era a crença de que os milhões de espermatozóides neles c ontidos seriam capazes de fertilizá-la. poderia facilmente estimular um a legislação que proibisse o costume africano de circuncisão feminina. São casos raros. em anos recentes as mulheres ocidentais começaram a mutilar os seios com propósitos eróticos e decorativos . Se as amazonas existiram mesmo. todas as obras de arte representam essas guerreiras com dois seios. é mais provável que. Apesar da lenda. Isso permitia que ela se tornasse mãe sem pe rder a virgindade. um d os quais declarou que a nova moda de "inserir piercings nos mamilos. mas. existiu uma comunidade feminina muito temida pela forma como suas guerr eiras atacavam as povoações vizinhas munidas de arco e flecha. Na s sociedades tribais. um tema que seria repetido em relação ao nascimento de Cristo. no umbigo e nos lábios. Um mito inteiramente diferente envolve a antiga nação de mulheres guerreiras conhecida s como amazonas. . pelo motivo óbvio de que ela prejudica a amamentação. mas suficientemente disseminados para alarmar os sociólogos. Foram cópias imprecisas da estátua que der am origem ao erro de que a Grande Mãe possuía muitos seios. usassem um colete de couro que achatasse o seio direito. para a batalha. Não se sabe se elas existiram realmente. que significa a (sem) e mazós (seios).

No início. e o topless acabou sendo permitido. os chamados monoquínis. Entre as deliberadas ações destinadas a chamar a atenção para os seios femininos estão as posturas que projetam os seios para a frente e movimentos de da nça que sacodem ou enfatizam a sua forma. Na Roma de 2 mil anos atrás. Às vezes. resolveram ir à praia num traje de banho que tinha apenas a parte de baixo do maiô e suspensórios que pass avam pelos bicos dos seios.. como acontecia nas praias do sul da França nos anos 1960. decididas a obter um bronzeado mais uniforme. sua exposição em lugares onde eles deveriam estar cobertos. A mais extrema delas foi uma dança pratica da nos antigos espetáculos de burlesco em que as dançarinas giravam ambos os seios n a mesma direção e depois na direção oposta. era famosa por seus mamilos pintados de vermelho. A forma mais simples de exploração sexual dos se ios é. oo Egito.. A ninfomaníaca imperatriz Messalina. as mulheres preferiam pintar os mamilos de verm elho para apimentar os encontros eróticos. Há 3 mil ano s. o deixava para representar sua desavergonhada mascarada. onde m uitas jovens. espo sa do imperador Cláudio. "Fazer topless" é um ato provocativ o que sempre atraiu muita atenção masculina. . os homens em questão eram policia is uniformizados. na companhia d a criada. Isso ocorre nas sociedades urbanas de todo o mundo. como co mentou o satirista Juvenal: "Todas as noites ela se encapuzava e. naturalmente. [. as mulheres das castas superiores cobriam os seios com pinturas em ouro. travaram-se batalhas entre constrangidos policiais e mulheres seminuas.Menos danosas eram as decorações eróticas dos mamilos de tempos primitivos. mas em pouco tempo as autorid ades perderam a guerra.] Desnuda va os mamilos pintados e abria aquelas coxas que assistiram ao nascimento do nob re Britannicus".

. foram estabelecidos limites sobre como. Em 1969. Exigindo igualdade sexual. que podiam tirar a camisa sem problemas. lançando a primeira performance topless. prendendo as dançarinas topless por "conduta indecor osa". c hoje amamentar em público é l egalmente permitido em quase toda a América do Norte. mas no ano seguinte a oposição religiosa cresceu. Curio samente. As objeções a essas prisões aumentaram nos anos seguintes. um ato tão natural e assexuado como a amamentação às vezes cria um escândalo em a mbientes urbanos. Em 1975.O primeiro maiô topless foi introduzido pelo controverso estilista austríaco Rudi Ge rnreich em 1964. insistindo em serem tratadas como os homens. Ronald Reagan tomou uma atitude semelhante na Califórnia. alguns restauran tes de Nova York lançaram garçonetes topless. Na década de 1980. Mesmo então. (Por outro la do. Elas eram então libertadas e voltavam ao trabalho. um desses trajes foi usado por uma dançarina de cabaré em seu número de dança. quando e onde ele podia ser usado. Seu crime foi classificado como "atentado ao pudor". mas em poucos dias a Prefeitura da cid ade as colocou fora da lei. Outras casas noturnas logo seguiram o exemplo. três mulheres americanas foram presas por amamentar seu s bebês num parque de Miami. Nos Estados Unidos. observou-se uma outra forma de exposição pública dos seios. Em 1966.) Essa extrema reivindicação de i gualdade sexual não era exatamente o que os reformadores sociais tinham em mente q uando tentaram abolir as desigualdades de gênero. grupos de mulheres expunham deliberadamente os seios em locais públicos. e a polícia percorria os cabarés. Só na década de 1970 a resistência ao topless começou a decair. alguns homens se recusavam a usar colarinho e gravata nos restaurantes de al to padrão porque as mulheres não eram obrigadas a isso.

Mesmo no século XXI. eles er am literalmente esfregados no nariz dos clientes. Antes de abandonar o tema da exposição dos seios femininos.800 euros. mais tarde. A ponte ficou tão famosa que ganhou o nome de Fonte delle Tette. um fato extraordinário merece menção. Uma breve referência se faz necessária para esclarecer o mal-entendido sobre antigas imagens da Deusa Mãe representadas apertando os seios com as mãos. Essa lei foi aprovada em Ven eza no século XV e aplicada às prostitutas que se punham à janela tentando atrair clie ntes. que as prostitutas foram obrigadas a exibir totalmente os seios para provar a que sexo pertenciam. filmes e. havia uma ponte onde elas se punham d e pé. Quando saíam de casa. re vistas.Quando o século XX se aproximava do final. Com tudo isso. Nos shows de strip-tease. também na televisão. . ou uma multa de 2. Convém enfatizar que essa atitude mais permissiva em relação ao topless se restrin ge ao mundo ocidental. o que prova que o tabu sobrevive. uma adolescente inglesa f oi condenada a oito meses de prisão. desnudando o corpo da cintura para cima. Isso ofen deu de tal forma as autoridades que tentavam abolir a sodomia (punida com a mort e). por expor os sei os numa boate na ilha grega de Rodes. Ela foi acusada de "desrespeitar os valore s morais locais". em 2003. As práticas homossexuais eram tão comuns na época que algumas mulheres se traves tiam com a intenção de atrair os homens que buscavam parceiros masculinos. seios nus já eram exibidos em jornais. Recentemente. embora os seios nus ainda causem um certo impacto. mulheres ocidentais em férias se viram e m apuros por ignorar esse fato. Diz respeito à aprovaçã e uma lei que determinava que os seios fossem exibidos em público — o extremo oposto de todas as outras medidas legais sobre o assunto. parte de seu misterioso poder de sedução se perd eu.

eram imagens de luto. mas o sutiã veio para ficar. resta uma inevitável questão: o que as mulheres fazem em relação aos seios para passar uma imagem mais jovem e mais sexy. agarrando os seios e fazendo-os jorrar leite. o sutiã e as calcinhas são as peças favoritas da roupa de baixo feminina.Acreditava-se que elas estariam chamando a atenção para os seios. a cinta também desapareceu. o sutiã. Um efeito colateral disso era que. Antropólogos descobriram. Mais tarde. Quando as mulheres começaram a reivindicar um papel mais at ivo na sociedade. Essas figuras. Um dos primeiros passos nessa direção foi dado no início do século XX. Em tempos primitivos. Hoje sabemos que não era isso. Num rasgo de . embora esses corpetes melhorassem a forma dos seios. e outra inferi or. as mulheres realizavam um ritual de luto que incluía bater no peito e apertar os seios. também rest ringiam os movimentos. A idéia lhe teria surgido no ano anterior. a cinta. as mulheres lactantes reagiam de maneira semelhante a um súb ito choque. se elas estivess em amamentando. quando o su focante corpete foi separado em duas partes: uma superior. Ho je. Durante séculos. É possível que esse ato tenha si do incorporado a certos rituais. exigiram também roupas que permitissem maior liberdade de movime ntos. surpresos. Finalmente. elas usaram espartilhos apertados para re alçá-los. que em certa s sociedades tribais. Entretanto. geralmente encontradas em túmulos. da qual obteve a patente em 1914. quando se vestia para ir a uma festa e descobriu que o espartilho era incompatível com o decote de seu belo vestido de n oite. um jato de leite jorrava dos seios. Há divergênc ias entre os historiadores da moda sobre quem inventou o sutiã. Mary Phelps Jacob (uma mulher da sociedade nova-iorquina conhecida profissionalmente como Caresse Crosby) insistia que foi ela a autora da invenção.

no . evitando que eles balançassem nos movimentos rápidos do corpo. Essa afirmação causa estranheza. O novo sutiã tinha duas funções ba stante distintas. A verdade é que todos eles participaram de uma tendência geral que assistiu à liber tação gradual do corpo feminino das antigas limitações. foi divulgado que 28 mil toneladas de metal haviam sido economizadas.. uniu as duas peças no que se ria o primeiro sutiã.criatividade. inici ou uma campanha para abolir o seu uso e. alarmada com a quantidade de metal que estava sendo desperdiçada na fabricação de espartilhos. Protegia os seios. embora a queima t enha sido exagerada pela imprensa. A estilista ing lesa Lucile (Lady Duff-Gordon). dessa forma. " o suficiente para construir dois navios de guerra". em 1911. a indústria de guerra. Quando algumas feministas queimaram sutiãs no fim da década de 1960. estimulou a adoção do sutiã. e portanto mais sexy. O costureiro francês Paul Pioret reivindica a hon ra de ter inventado o sutiã: "Em nome da Liberdade. usando dois guardanapos e alguns cordões. Durante a Primeira Guerra Mundial. Na verdade. ela estava apenas reinventando a peça. E ele não foi o único.] Libertei o busto". e desde 1907 eram chamados de "brassière". [. proclamei a queda do espartilh o e a adoção da brassière. porque. e também os fazia parecer mais firmes e redondos. porque supo rtes para os seios já tinham aparecido na França desde o final do século XIX. protestav am contra essa segunda função. Mai s tarde. que introduziu o termo "chic" no mundo da moda.. alega que foi ela que. "inventou a brassière em oposição ao odioso espartilho ". Algumas historiadoras do feminismo alegam que a queim a de sutiãs nada mais foi do que um golpe de publicidade dos antifeministas para r idicularizar o movimento. E receberam estímulo de uma fonte improvável.

num show de Madonna. Em sua função erótica . um dos sutiãs mais sofisticados foi criado pelo bilionário Howard Hughes para a atriz Jane Russell. o uso de bat om e outras formas de feminilidade explícita.final dos anos 1960 e início da década de 1970 houve de fato um movimento contra o u so do sutiã. obtido com "um bojo na forma de torpedo. tinha que ser abolido. (Essa é a história que vem sendo repeti da. com isso. ele queria que ela exibisse seios de forte apelo erótico sem recorrer ao topless.) . Para um determinado papel num filme. mas recentemente uma idosa Jane Russell declarou que. nunca usou o famoso sutiã. porque o desconforto de dispensar o sutiã foi inaceitável para a maioria das mu lheres. lado a lado com a revolta contra o excesso de maquiagem. a queima de sutiãs foi rapidamente esquecida. Essa fase não durou mu ito. O resultado foi tão impressionante que provocou sérias te ntativas de proibir o filme por obscenidade. Só voltaríamos a vê-los de novo em 1994. Para obter esse efeito. e. o design do sutiã sempre buscou criar uma forma hemisférica. Nessa época. na verdade. que desafiava a nature za e a gravidade". Mas esses seio s agressivamente pontiagudos logo deram lugar ao suave arredondado dos seios dos anos 1960 e nunca mais reapareceram no guarda-roupa comum. que inventou um protótipo de sutiã que erguia e ao mesm o tempo separava os seios. sem embelezamentos. onde ressurgiram como um par de ogivas de fo guete. Como o uso d o sutiã era parte desse embelezamento. havia o sentimento de que os homens deviam aceitar as mulheres como eram. ainda mais aumentado com o uso de enchimentos. quando as feministas luta vam para que as mulheres fossem tratadas como iguais. contratou os serviços de um engenheiro especia lizado no projeto de pontes. mas houve um curioso período na década de 1950 em que os estilistas substituíram a forma arredonda por um b usto pontiagudo. Segundo uma lenda de Hollywood.

neste período pós-feminista. até que na década de 1990 houve um b oom desse procedimento. E aí entra em cena o cirurgião plástico. o século XXI está ass istindo ao início de uma tendência contrária. É um número assustador para qualquer tipo de cirurgia plástica. A colocação de implantes para fazer os seios permanecerem redondos e firmes começou nos anos 1960. um recurso mais drástico pode ser necessário. n o ano de 2002. os seios obtidos por cirurgia nun ca são totalmente convincentes ao olhar ou ao tato.Tanto os antigos espartilhos quanto os modernos sutiãs podem realçar os seios. o que revela a força dos seios como símbolo sexual. eles se tornam desnecessários quando a mul her se acomoda na vida de casada. O primeiro implante de uma prótese de sili cone foi realizada por um cirurgião plástico do Texas em 1963. os homens estejam começando a escolher suas parceiras mais pela personalidade do que pelo tamanho do busto. . são perfeitos demais e não possuem o movimento e a suavidade que deveriam ter. Isso alarmou alguns cirurgiões plásticos que enriqueceram como criadores de super seios. Adquiridos para c onseguir um marido de alta condição social. Calcula-se que. mas parece estar havendo uma volta aos seios naturais. com mais de 100 mil cirurgias por ano. Infelizmente. nada menos que 4 mil mulheres a mericanas se submeteram a uma nova cirurgia para remover os implantes de silicon e. A cirurgia se tornou cada vez mais popular nas décadas de 1970 e 1980. Algumas mulheres admitem que estão remove ndo seus implantes simplesmente porque eles já cumpriram sua função. mas. mais de 1 milhão de americanas tiveram os seios aumentados pela cir urgia. quando a mulher tira a roupa. ainda que eles sej am menores. Por isso. ma s infelizmente nem sempre isso acontece. Espera-se que. Em 2001. Às vezes.

.] Senti que meu QI saltou vinte pontos".. depois de seu cão malch eiroso. foi do maldito busto.Algumas mulheres lamentam ter se submetido a esse tipo de cirurgia para agradar a um marido potencial. . Uma advogada resumiu o motivo da "reversão" cirúrgica dizendo que. depois do divórcio "a primeira coisa de que me livrei. [.

gorduchos ou magrelas. Os resultados são interessantes.15. a típica rainha de beleza mede 91-61-91 cm. Cintura Um dos sinais mais claros que identificam o corpo feminino é a forma de ampulheta de seu tronco. Essa cintura fina parece ainda mais delgada pelo volume dos seios e dos quadris. enquanto as atletas de esportes que exigem força muscular apresentam uma cintura um pouco mais larga. É a proporção entre essas três medidas que gera o contorno típico do corpo feminino. Essa . para que o corpo feminino revele um belo contor no. isso não afeta a proporção entre c intura e quadris. Homens e mulheres. a cintura das mulheres de hoje tem em média 71cm. têm em média 61 cm de cintura. de cerca de 74 cm. mas. continuam apresentan do uma acentuada diferença no tamanho da cintura. Uma jovem eleita num concurso de beleza costuma ter uma figura perfeitamente eq uilibrada. Uma modelo preferida pelos estilistas atuais provavelme nte medirá 76-61-84 cm. enquanto para o homem adulto é de 9:10. a proporção é d e 7:10. uma diferença que se mantém apesar das diversidades culturais. Naturalmente. a cintura feminina é mais fina que a masculina. Jovens de corpo de lgado. esses números precisam ter uma relação harmoniosa com as medidas de busto e de qua dril. Geralmente. Para uma mulher adulta. Livre do aperto das cintas e dos espartilhos. como as modelos e misses. A maneira mais comum de expressar a curva da cintura é medi-la em pro porção aos quadris. com medidas idênticas de busto e quadril. Se uma determinada sociedade acha uma figura mais volum osa atraente e outra prefere figuras mais delgadas. mesmo sem esse contraste.

várias silhuetas femininas de proporções variadas e em tamanho natural foram expostas em fila num shopping cent er. mas a verdade é que elas continuam a desempenhar um pape l fundamental nas relações humanas. são consideradas "peitudas". se uma cintura fina era . Em lugar do excesso de q uadris. O veredicto desses homens selecionados aleatoriamente reforça a opinião de que a imagem da mulher curvilínea de cintura fina está demasiadamente arra igada na psique masculina para ser varrida por uma postura cultural moderna. Pode-se argumentar que "estatísticas" como essas são desatualizadas e irrelevantes. A situação se inverte nas garotas que ilustram as revista s americanas. e n a Suécia e na França. Na Alemanha e na Suíça. As medidas de uma típica pin-up são 94-61-89.modelo pode ter um rosto belíssimo e saber vestir uma roupa. houve exageros. A grande maioria escolheu a figura curvilínea de cintura fina e pr oporções equilibradas. mas isso é só uma ilusão criada pelo tamanho da cintura e dos quadris. A típica mulher inglesa tem um pr oblema um pouco diferente. Seu quadril. são 2 polegadas a mais no busto. Os organizadores dos concursos de beleza não ousam mencioná-las na nos sa sociedade pós-feminista. apresenta o que chamamos de "2 polegadas a mais". mas não terá o contorno d e ampulheta que atrai o olho primitivo do macho. Acreditava-se q ue. é de 6 cm. mas parecem maiores porque a cintura e os quadris são menores. Geralmente . já que suas medidas são 94-71-99 cm. e os homens que passavam por ali eram solicitados a dizer de qual delas eles mais gostavam. de 8 cm. Com o aconteceu com outras partes do corpo feminino. Numa recente pesquisa. sendo 5 cm mais largo que o busto. Es sa diferença é ainda maior em outros países europeus. Seus seios são do mesmo tamanho que os das européias.

Voltando ao século XVII. com um regime alimentar rigoroso. então uma cintura finíssima devia ser superfeminina. Calcula-se que. foram os puritanos os primeiros a at acar. depois de vários part os. Para conseguir isso. Des crevia um espartilho como "uma moda perniciosa inimaginável" e lançava ameaças às mulher es que "se apertavam para . mesmo que de uma maneira simbólica. Não se trata de um debate entre puritanos e hedo nistas. Depois que a mulher tem seu primeiro parto. a cinturinha fin a tem sido há séculos símbolo de virgindade — de uma mulher que já está preparada para o sex o mas ainda não o experimentou. John Bulwer vocif erava contra "os perigosos modismos e desesperados artifícios em relação à cintura". Essa condição exerce tal atração sobre o macho reprodutor da espécie que muitas mulheres. Mesmo que ela consiga. A razão para a cintura fina despertar tan to interesse é simples e biológica. Defendiam vigorosamente a teoria de que qualquer tentativa de mudar a obra da natureza no corpo feminino era uma ofensa a Deus. Por isso. Em 1654.feminina. a cintura da mulher aumente de 15 a 20 cm em média. Os argumentos não são nada simples. Entre os que se o punham radicalmente ao culto da cintura fina obtida por esses acessórios havia rel igiosos e liberados. e no passado muitas j ovens sofreram para conseguir essa condição. recuperar o corpo esbelto que tinha antes da gravidez. a cintura nunca mais vai ser tão fina como era. mesmo aquelas que já não a possuem. há séculos a mulher espreme a cintura com cintas apertadas e espartilhos. Isso acontece devido às irreversíveis mudanças que ocor rem na região abdominal quando ela se torna mãe. dando margem a acaloradas discussões . a ci ntura sempre se alarga um pouco. anseiam recuperá-la. como ocorre em relação a tantos aspectos da moda feminina.

elas estariam "abrindo a porta para a tuberculose e para uma putrefata decadência". e não se contentavam enquanto não pudessem rodeá-la [com a s próprias mãos]". O uso prolong ado também podia enfraquecer os músculos das costas. desmaios. usado apenas em oc asiões especiais. de modo a provocar dor quando o espartilho era removido. podia criar a cintura fina desejada sem causar doenças. Um autor vitoriano listou nada menos que 97 doenças que. apesar das histórias de horror. podiam ser causadas pelo uso de corpetes apertados. Todas essas adver tências em relação à saúde eram desnecessárias. epi lepsia e esterilidade. se gundo ele. Fowler prometia a insanidade e a degeneração. referia-se "aos males infligidos à mente e ao corpo quando se comprimem os órgãos. Essa idéia foi repetida inúmeras veze s nos anos seguintes. O subtítulo de um livro sobre os perigos de apertar a cintur a. desmaios e falta de ar. hérnia. câncer. Era óbvio que o espartilho muito apertado podia prejudicar a resp iração e a circulação. mau funcionamento do fígad o. malformações fetais. além de causar dores de cabeça. dificuldades respiratórias e problemas circulatórios. Outros críticos menos extremados também revelaram seu temor de complicações médicas provocadas pelo aperto dos espartilhos. porque a maioria das jovens que usavam espar tilhos eram suficientemente sensatas para não apertá-los demais ou usá-los por longos períodos de tempo. Entre as do enças relacionadas escavam dores de cabeça. Alguns chegavam a p onto de incluir deformidades ósseas. Se ignorassem seus conselhos. Mas um espartilho não muito apertado. aborto. insuficiência renal. e era isso que a maioria das jovens fazia. .conseguir uma cintura fina. publicado em 1846 pelo escritor americano Orson Fowler. retardando e enfraquecen do dessa forma as funções vitais". No lugar da putrefata decadência de Bulwer.

Para e las. e não seu potencial reprodutivo. Em sua busca de admiração masculina . Para impressionar o parceiro. tinha que ser tão flexível e solta quando seu parceiro. Essas eram as vozes que se erguiam contra o desejo de melhorar o natural contorno curvilíneo do corpo fem inino. diziam qu e o espartilho era sinal de respeitabilidade e altos princípios morais.Um ataque completamente diferente veio das liberadas dos tempos modernos. Se a mulher moderna queria ondular o corpo de maneira provocante numa pista de danças. em vez de recorrer à solução pass iva de se prender dentro de um corpete apertado. Portanto. porque aju dava a tornar a mulher inacessível. Em segundo lugar. o objetivo era desviar a atenção masculina do corpo e dirigi-la para as qualidades do cérebro. Contra elas. tinha que consegui-la correndo ou fazendo exercícios. alinhavam-se os defensores do espartilho e seus vários pontos de vista. mas po r uma razão diferente. A feminista inteligente também queria liberdade para o corpo. a idéia de usar qualquer roupa apertada era um insulto a liberdade feminina. alegavam que o uso de um espartilho apertado mostrava discip lina e representava simbolicamente uma louvável contenção. Para ela. O espartilho apertado seria um instrumento de tortura imposto às mulheres submissas como parte da opressão masculina. qualquer t entativa de exagerar sua silhueta feminina era proibida. Se queria ter uma cinturinha fina. ela usaria sua capacidade intelectual. Primeiro. Se queria ter igualdade sexual durante as preliminares. tinha que substituir a disciplina inativa da roupa pela disciplina ativa da at ividade física. Ele seria uma armadura contra a . não podia tolerar nenhum a roupa apertada. mas também símbolo de uma prisão ment l em relação ao macho. A limitação física não era apenas prejudicial ao corpo.

é fácil entender po r que os corpetes se tornaram um elemento da encenação sadomasoquista. Para alguns homens. O corpo enjaulado restr ingia sua capacidade de fugir a alta velocidade. esse aprisionamento dentro do espartilho f uncionava como um apelo fetichista. . mas o corpete a pertado por um complexo entrelaçamento de cordões deixava o corpo desnudo muito mais distante. Nos primeiros tempos. A cintura fina podia excitar os olhos dos homens. A atração do corpete não estava apenas na silhueta que ele criava. o espartilho também era importante para exibir um a postura aristocrática. diremos que tanto os puritanos quanto os libertinos tomam partido pró e contra os espartilhos. a mulher também dava a impressão de estar vulnerável (a pesar da barbatana) como um animal preso numa armadilha. Para resumir. A presença do corpete pode ser vista como uma prisão ou como um estímulo à sensualidade. que inconscientemente vivia a fantasia de que seria fácil capturá-la se decid isse persegui-la.atenção masculina. sua ausência pode construir a imagem de uma mulher natural e libera da ou de uma libertina.) Dentro de um espartilho. (Dizia-se que ela servia também como arma com a qual a mulher podi a se defender de algum admirador que perdesse o controle e tentasse soltar os co rdões. Por isso. O que a ajudava a manter o tronco ereto era uma barbatana enfiada verticalmente na parte da frente do espartilho. mas também no conhecimento tácito de que a mulher admirada estava s ofrendo uma tortura física para agradar a seu admirador. Era inevitável que isso atraísse o macho. A mulher apertada dentro de um corpete era obrigada a ado tar uma postura ereta que lhe dava um ar de graciosa altivez.

Em 2001. uma nova pesquisa confirmou esse fato. antes da puberdade. uma jovem atraente era aquela cuja cintura medisse em p olegadas o número exato de sua idade. antigamente. O primeiro é que. Na época v itoriana. porém. as medidas variavam de 46 a 76 cm. Acreditava-se que cinturas que mediam entre 38 a 41 cm eram comuns e podiam ser alcançadas se a mulher começasse a usar espartilhos apertados desde muit o cedo. que permitiam uma am arração mais firme. Um provérbio espanhol recomendava que a mulher tivesse uma cintura tão fina quanto a de um galgo. se elas existiram. A menor medida de cin tura encontrada no vestuário do século XVIII foi de 61 cm. É verdade que as coisas pio raram um pouco no século XIX. Na época vitoriana. exemplos extremos foram registrados: o Guinnes Book of Records menciona uma . por v olta do fim do século XIX. a preocupação com as medidas era generalizada. mas ainda assim a menor medida registrada foi de 46 cm. Rece ntemente. quando um detalhado estudo sobre a indumentária de séculos anteriores descobriu que a menor medida de cintura encontrada numa imensa coleção de roupas era de 61 cm. eram casos isolados. Mesmo no século XX. Isso não significa que cinturas diminutas não tenham existido. Caricaturas dos séculos XVIII e XIX mostram mulheres s endo brutalmente apertadas dentro de um espartilho até a cintura desaparecer. graças à invenção dos ilhoses de metal. cuidadosas pesquisas desmentiram essa crença. mas que. no auge da moda dos espartilhos com ilhoses. E um velho provérbio dizia que a mulher ideal era aquela cuja cintura fosse "tão fina que o sol não pudesse captar s ua sombra".Tal é o interesse na espessura reduzida da cintura feminina que dois mitos surgira m nos tempos modernos. O primeiro golpe foi dado em 1949. em conseqüência do uso de corpet es apertados.

no fim do século XIX. P arece que nos enganamos. ela viveu mais 43 anos. quando tinha 24 anos . e não representa va uma tendência social. Vale ressaltar que essa mulher foi uma excêntrica exceção à regra. algumas mulheres estavam obtendo a perfeita figura de ampulheta depois de t erem as costelas inferiores removidas cirurgicamente. no fim do século XIX. Livros de história da moda afirmaram categoricamente que. as mulheres vitorianas chegavam a se sujeitar a perigosas operações para remoção de c ostelas. chegou a uma clara conclusão. o brutal aperto não causou nenhum dano aos órgãos int ernos.inglesa que conseguiu reduzir sua cintura de 56 cm em 1929.". e afirmações em contrário constituem um dos maiores mitos da história da moda. pelo menos no seu caso. na busca da cintura perfeit a. Ela afirma que não há menção à remoção de costelas em nen a história da cirurgia plástica e que. Depois disso. "Não há nenhuma evidência de q ue essa prática tenha existido. o que pr ova que. em O macaco nu. do New York Fashion Instituto. .. e Germaine Greer. caso contrário isso pode se transformar numa obsessão capaz de transtornar o eq uilíbrio da vida. Mas a grande maioria da s mulheres nunca chegou a esses extremos. a surpreendentes 33 cm em 1939. Uma detalhada pesquisa realizada por Valerie Steel. O segundo mito é que. mas não devem ir longe demais para consegui -la. mas incluíam algumas fotos para ilustrar as cinturas assustadoramente finas obt idas por esse meio. Os autores não davam detalhe s. As mulheres podem desejar uma cintura mais fina devido ao s sinais primitivos que ela transmite. As poucas mulheres que foram longe demais em séculos passados têm su as equivalentes modernas nas fanáticas por regime de hoje. Muitos autores posteriores (inclusive eu. usando-a como exemplo dos exageros a que as mulheres chegavam para melhorar a natureza. em A mulher eunuco) aceitamos e repetimos essa declaração..

No mínimo sete famosas atrizes têm sido mencion adas entre as que teriam sacrificado as costelas inferiores na ânsia de ter um cor po mais bonito. No caso da cantora Cher. São citados também os nomes de vários cirurgiões plásticos . mas há evidências d e que ela pode ter sido feita em alguns poucos casos raros. Embora hoje esteja claro que nem as damas vitorianas nem as atrizes atua is se submeteram a essa medida extrema. parece provável que as imagens tenham sido retocadas para fazer a cintura parecer menor. os rumo res foram tão persistentes que ela foi obrigada a publicar um desmentido.essa seria uma operação muito arriscada. porém. submeten do-se a um exame medico e processando uma famosa revista francesa por repetir a história. A verdade é que não há evidências de que esses difíceis procedimentos cirúrg icos tenham se realizado. Mas segue-se uma advertência: "Não é aconselhável". Numa descrição de proced imentos cirúrgicos oferecidos a transexuais que desejam parecer mais femininos pod e-se ler o seguinte: "A remoção das costelas é ocasionalmente realizada para obter uma curva da cintura mais pronunciada". a operação tem sido realizada. agora que temos uma tecnologia cirúrgic a avançada. resta uma dúvida: será que alguma cirurgia d esse tipo chegou a ser realizada? Não se pode afirmar com certeza. A técnica médica da época não estava suficientement e desenvolvida para que o cirurgião corresse esse risco. e a maioria das estrelas que são vítimas dos boatos simple smente os ignoram por considerá-los ridículos. Há anos correm boatos de que famosas estrelas de Hollywood se su bmeteram recentemente à operação. Afirma-se que. Apesar disso. a necessidade de acreditar na cirurgia de remoção de costelas é tão grande que fez nasce r uma nova lenda. Olhando de novo as fotos das mulheres que supostamente teriam removido as costelas.

assim como o preço de US$ 4. mas com certeza esse seria um caso isolado. espartilhos e uma operação de remoção de costelas. Essa persistência reflete não uma verdade cirúrgica. A remoção rotineira de costelas parece não ser senão um mito surgido de repetidas fofocas. uma jovem alega ter reduzido as medidas da cintura de 51 para 36 cm com cintas. Suas declarações podem ser verdadeiras.500. levando-a a aparecer na telev isão da Alemanha. Afirm ações de que "cirurgias de costelas eram relativamente comuns nos anos 1950" e outra s semelhantes continuam sem fundamento. que foi um sucesso. Conta que esteve hospitalizada duran te três dias depois da cirurgia.preparados para realizar a cirurgia. da Austrália e da América para exibir sua extraordinária figura. . A imagem de uma cintura fi na parece estar indelevelmente impressa no cérebro do macho humano. Em Hamburgo. mas a tenacidade de uma fantasia masculina.

a maioria das mulheres está satisfeita com o tamanho natural dos seus quadris. Como a bacia da mulher é mais larga que a do homem. Quadris Os amplos quadris da fêmea humana constituem um dos principais símbolos da silhueta feminina. Independentemente de a cintura ser estreita ou não. Só quando entra numa fase em que prefere a juvenilidade à fecundidade uma sociedade abandona o int eresse pelos quadris largos e passa a valorizar uma aparência mais delgada e mais masculina. No século XVI. . Para ser preciso. a largura dos quadr is é um dos principais sinais de diferenciação entre os sexos. Esses travesseiros eram amarrados por baixo das amplas saias para dobrar o tamanho dos quadris. mas acabavam deixando os vestidos tão pesados que as damas da época eram incapazes de qualquer atividade mais vigorosa. enquanto a masculina só chega a 36 cm. O século XVIII assisti u ao aparecimento das "anquinhas".16. Até que ponto as fanáticas foram capazes de chegar é inacreditável. uma armação de arame usada sob a saia para criar a impressão de ancas largas. Essa diferença biológica levou a muitos exageros. uma bacia larga emit e a mensagem primitiva de que a mulher é capaz de gerar descendência. mas no passado muitas vezes se tornaram esc ravas do desejo de possuir um quadril avantajado e vítimas da tecnologia capaz de produzi-lo. a pel ve feminina mede em média 39 cm. Deixavam as saias tão amplas que a mulher era obrigada a passar pelas portas de lado. Hoje. os ateliês europeus vendiam desajeitadas "almofadas" que pareciam pneus de au tomóveis.

"rodeando a ilha" em quatro movimentos. Dois movimentos especiais da dança são o ami e o "rodeando a ilha". mas é mais que isso. O segundo movimento é semelhante. é muito difícil abr açar alguém que esteja na postura akimbo. o mais importante talvez seja a pos tura de mãos nos quadris. O ami é um movimento de rotação. não surpreende que quase todos os mov imentos dos quadris tenham uma marca feminina. com a di ferença de que o quadril completa um quarto de círculo. Dos gestos que envolvem a pelve. Na famosa dança hula-hula. os cotovelos apontam para fora como se dissessem: "Mantenh a a distância ou vou acertar você!" Muitas vezes. a pessoa assume automática e inconsc ientemente essa postura de acordo com seu estado de espírito. que então se movimenta num círculo. primeiro no sentid o horário e depois no sentido anti-horário. Só homens representando mulheres ou homossexuais afetados se pe rmitiriam movimentos ondulantes desse tipo. Muitos passos de dança incluem vigoros os movimentos dos quadris. enquanto a outra descansa no quadril. também chamada de akimbo.Passando da forma aos movimentos e posturas. jovens executam movimentos ritmados em que g iram. Costuma-se dizer que ela indica autoridade ou desafio. Na verdade. o oposto de abrir os braços para convidar a um abraço. É por isso que ela é vista como uma . A dançarina levanta uma mão. Quando a pessoa apóia as mãos nos quadris proj etados para a frente. sacodem e ondulam os quadris. Maneiras de andar que envolvem um evidente balanço dos quadris são tão femininas que são utilizadas como caricaturas em p erformances cômicas. e esses também pertencem mais ao repertório da mulher que do homem. A postura akimbo oco rre sempre que a pessoa quer afastar alguém. É essencialmente uma postura anti-social .

muito observada em f estas e outras reuniões sociais. refletindo o sentimento de derrota. No chefe de um grupo. apesar de ser usada mundialmente. em geral com a cabeça ligeiramente aba ixada. Se uma mulher que r se afastar de um grupo que está. à sua esquerda. A mulher que pára à porta de sua casa com as mãos nos quadris está d izendo: "Afaste-se. Uma esportista que acaba de perder uma com petição imediatamente coloca as mãos nos quadris. é um dos mais comuns padrões de comportamento humano. apóia apenas o braço esquerd o no quadril. mas com certez a não estão buscando conforto nos outros. Essa postura também é usada por indivíduos que acab aram de sofrer um revés. Se houver à sua direita um grupo com o qual ela tenha afinidade. como um cumprimento . A pessoa que tem autoridade e gosta de exibi-la não quer partilh ar o espaço com os outros. que vemos todos os dias e ao qual reagimos subliminarmente sem analisar a mensagem corpor al que estamos recebendo. todas as línguas teriam uma palavra para defini-lo.atitude de desafio. não parece ter um nome em o utras línguas. existe um contat o pessoal que envolve o quadril. A mensagem que ela comunica é: "Fique l onge de mim. Eles podem não estar numa posição de autoridade. Jovens amantes costumam caminhar lado a lado . Isso é porque essa postura também transmite uma disposição autoritária. revela as relações entre os presentes. Estou tão irritada que não quero ninguém perto de mim". Entretanto. o b raço desse lado permanece abaixado. Uma curiosidad e dessa postura é que. Se fosse um gesto mais consciente. Não ouse entrar". Essa postura pela metade. digamos. a postura akimbo avisa aos demais que se mantenham em seus lugares. É geralmente descrita como "mãos nos quadris". mas não há uma palavra que a defina. Finalmente.

só um parceiro abraça. Mas quando uma pessoa abraça o quadril de outra a posição da mão dá ao ato um peso sexual. É um gesto de amizade. esse tipo de abr aço transmite uma mensagem mais forte do que o abraço em que uma pessoa toca o ombro da outra. A porcentagem muito maior de homens que abraçam mulheres d o que de mulheres que abraçam homens reflete uma atitude geral dos adultos em relação a essa região do corpo. Foi contatado qu e. Em 77% dos casos o homem abraça a mulher. e não há nada nessa intimidade qu e indique uma ligação sexual. mas nessas situações a mobilidade do casal é menos importante do que a demonstração de intimidade — que é feita para eles mesmos e para os outros. Do ponto de vista social. esse abraço do qu adril é um meio-termo. É uma postura que atrapalha um pouco o movimento. com outras trocas de intimidade em público. os homens se interessam muito mais pelos qu adris das mulheres do que o contrário. a meno s. na maioria dos casos. enquanto o outro apenas recebe o abr aço. mas parece que o tabu é menor ent re mulheres — o que ocorre. aliás. um homem só abraça assim uma mulher. Como sinal.com os flancos se tocando e as mãos cruzadas nas costas e apoiadas no quadril do p arceiro. e que é muito comum. Funciona como um gesto de exclusão em re lação a qualquer pessoa que os acompanhe ou os observe. (O abraço entre pais e filhos pequenos foi excluído da pesqu isa. como os beijos de comprimento. em 14% a mulher abraça o homem. está claro que os . Um estudo tentou anal isar as diferenças de gênero em relação a esse tipo de abraço no quadril. Por essa razão. e em 9% uma mulher abraça outra. Querendo se abraçar plenamente e caminhar ao mesmo tempo.) Como se previa. Dois homens podem se abraçar desse jeito quando estão parados ou caminhando juntos. Evidentemente. que queira exibir sua homossexualidade em público. não houve abraço entre homens. é claro.

Devido à sua ligação com a procriação. eles carregam quase tanta feminilidade quando os seios. .quadris são atributos essencialmente femininos.

As pernas podiam estar inteiramente cobertas. mais de 80% das mulheres que são vistas nas ruas das cidades usam jeans ou outro t ipo de calças. Segundo essa lei. que não alcançasse a cintura das calças. pelo menos até que o ciclo da moda se mova de novo). nasceu uma nova zona erógena. A idéia que está por trás dessa mudança foi lançada pelos críticos de moda alemães nos anos 1920. as roup as de uso diário sempre cobriram a barriga. as pernas deixaram de ser expostas e alguma outr a parte do corpo precisou ocupar o seu lugar. ma s em compensação os umbigos femininos podiam ser admirados pelos homens (por enquant o. No mundo ocidental. Roupas qu e expõem a barriga atraem o olhar para a região genital. as m ulheres sempre vão querer mostrar uma determinada parte do corpo. mas nos últimos anos (desde 1998. Era necessário algo novo. mas essa exposição v aí sempre mudar de uma zona . as mulheres. mas essa solução se tornou muito familiar . Hoje.17. Blusas que expõem os ombros e o sulc o dos seios foram muito usadas no passado. Em conseqüência disso. para s er preciso) a moda de jeans de cintura baixa combinados com uma blusa muito curt a colocou a barriga feminina no foco das atenções. que só usavam saias. De repente. e a moda se espalhou rapidamente. mas pelo fato de estar intimamente relacionada com os genitais. Barriga A barriga da mulher sempre foi uma região tabu. que explicaram que a m oda feminina obedece a uma lei de troca das zonas erógenas. e alguém teve a brilhante idéia de usar uma blusa bem curt a. passaram a adotar as calças compridas. não apenas por ser uma zona erótica po r si só. A razão para essa exposição é interessant e e tem muito a ver com uma importante mudança no vestuário feminino: de uns anos pa ra cá.

Algun s escritores deram a isso o nome de "vandalismo umbilical". be m longe dos "impronunciáveis" genitais. Mas que atitude nossos antepassados tinham em relação a essa parte da anatomia feminina? Na época vitoriana. foi preciso encontrar um termo substituto. se mais de uma parte do corp o for exposta ao mesmo tempo. Essa imprecisão anatômica ficou tão arraigada no . mas surpreende que mulheres sexualmente ativas queiram usa r uma jóia num lugar tão vulnerável. Os piercings de umbigo têm um evide nte apelo decorativo. eles deixaram de ser usados apenas por uma minoria para serem adotados por um público muito maior. outra é exposta. Com a nova moda. a ênfase recai sobre a barriga. Assim. no início do século XXI. Co mo a região da barriga contém o estômago. no início do século XXI. os vitorianos decretaram que uma dor de ba rriga se tornasse uma dor de estômago. mas apesar disso. A segunda é que.para outra. o piercing no umbigo era o segundo na preferência das mulheres. superado apenas pelos piercings na orelha. Uma relação sexual papai-e-mamãe pode causar problemas. À medida que uma é coberta. Um dos problemas co m o uso de piercings abaixo do pescoço é que só pessoas muito íntimas ficam sabendo de s ua existência. como não era de bom tom usar a palavra "barriga". uma parte vai sendo exposta depois da outra ao sa bor da moda. Uma vanta gem disso é que a nova moda de piercings no umbigo pôde vir à luz. com alto risco de o umbigo se rasgar quando um corpo se esfrega no outro. para manter sem pre alguma exposição sem exagerar. e como o estômago está posicionado mais alto. Agora. a imagem será de vulgaridade. Existem duas razões para isso. A primeira é o desejo de novidade: cada nova exposição é excitante porque mostra algo qu e não tem sido visto nos últimos tempos.

há uma depressão chamada linea alba. essa classe se referia à barriga como se ela fosse a região abaixo da linha dos pêlos púbicos. considerando-se que os dois indivíduos tenham uma compleição semelhante. para a região genital. Ele tam bém é proporcionalmente mais longo. a lin ea alba é vista como uma estreita mas nítida depressão da carne. Numa época em que as mulheres eram condenadas à morte pela prática de c ertos crimes.vocabulário que sobreviveu nos tempos modernos. Entretanto. havia uma conhecida estratégia que se chamava "apelo da barriga''. Além d o umbigo. Essa região do corpo tem poucas marcas superficiais. O umbigo da mulher também é mais profundo que o do homem. Enquanto uma classe educada empurrava a barriga para a região do estômago. numa pessoa gorda (de qualquer idade). Podemos resumir essas diferenças dize ndo que a mulher tem um abdome . q ue é a parte do corpo situada entre o tórax e a pelve. Com i gual imprecisão. com uma distância maior entre o umbigo e os genita is. outra classe a empurrava para baixo. Se observarmos um corpo jovem e atlético. B aseava-se numa lei que não permitia que a pena capital fosse aplicada à mulher grávida . é difícil perceber essa linh a. O ventre da mulher é mais arredondado na parte inferior que o do homem. Uma terceira imprecisão era usar a palavra "barriga" como si nônimo de "útero". os intesti nos e. muito depois de a pudicícia vitorian a ter deixado de existir. essa linha corre verticalmente do umbigo até o peito. "Barriga" é o termo popular para "abdome". na mulher. Num indivíduo adulto. o útero. que assinala o ponto onde os músculos do lado esquerdo do corpo se encontram com os músculos do lado dire ito. Na maioria das prisões havia homens cuja tarefa era garantir que as internas tiv essem condições de pleitear esse direito. contendo o estômago.

Essa mudança na visão da barriga teve um estranho efeito colateral: alterou a forma do umbigo feminino. consciente ou inconscientemente. ma s num corpo delgado ele parece mais um talho vertical. O novo puritanismo corporal. logo se torna lamentavelmente — ou orgulhosamente — barriguda. um aspecto que muitas vezes é exagerado pelos arti stas. mudo u tudo isso. mais volume. e sua barriga. uma barriga gr ande era ostentada com orgulho. Não é difícil imaginar a razão disso. À medida que a mulher fica mais velha. seu corpo ganha peso. Em períodos de escassez de alimentos. Numa pesquisa semelhante sobre as modelo s fotográficas de hoje essa porcentagem caiu para 54%. as mulheres magra s de hoje têm seis vezes mais probabilidade de ter um umbigo na forma de uma fenda vertical do que suas voluptuosas predecessoras. A mais magra das mulheres pode apresentar um umbigo circular se jogar o corpo para a frente. Assim. O orifício genital feminino está por trás de uma fenda vertical. Hoje. Mas existe algo mais do que ape nas a perda de peso nessa mudança. vai depender da postura da modelo. com sua obsessão pela eterna juventude. Portanto. E se ela cai na tentação de comer demais. Co mo o umbigo parece um orifício. Um corpo esbelto. uma barriga chata. só cri a a possibilidade de um umbigo vertical. sem sinal de gordura. por mais magro que seja. Uma pesquisa sobre obras de arte que mostravam as mulheres carnudas de antigamente revelou que a grande m aioria (92%) exibia um umbigo circular. é um sonho feminino em qualquer idade. as pose s modernas parecem enfatizar o umbigo vertical. enquanto o . e as jovens das tribos eram engordadas para o ca samento. Em corpos mais cheios o umbigo é circular. sua presença no meio do ventre não pode deixar de lemb rar os verdadeiros orifícios que se situam abaixo dele. Se ele será exibido ou não.maior e mais curvo que o homem.

Se não pudessem ser cobe rtos pela roupa. O conhecido código moral ista de Hollywood dizia que os umbigos estavam proibidos. nos anos 1930 e 1940. Com os preceitos religiosos e culturais que dominavam o mundo árabe. ele era simplesmente suprimido. segundo se dizia. o Oriente Méd io. O q ue parecia ofender os puritanos espectadores era o fato de as dançarinas serem cap azes de mexer o umbigo enquanto ondulavam o corpo seminu. Isso aprofundou o simb olismo do umbigo. Sugestivo do quê. ba sta observar o que aconteceu com o umbigo nos períodos mais puritanos do século XX. Os primeiros filmes provocaram choque e horror diante da exposição d essa parte da anatomia das dançarinas. Segue-se que essa mudança para a exibição de um umbig o vertical fortalece o simbolismo genital. Se isso parece muito fantasioso. o umbigo era sugestivo demais. Mal o mundo ocidental tinha relaxado a censura cinematográfica do umbigo e ele já sofria um novo ataque. As fotos eram retocadas par a dar a ridícula impressão de que o ventre da mulher era completamente liso. nunca foi dito. Em fotos sensuais em que a fenda geni tal fica oculta.orifício anal é muito mais circular. . vinha da terra da dança do ventre. Dessa vez. o fotógrafo e sua modelo podem se unir para oferecer subliminarme nte um falso orifício como substituto do real. Fazia-s e isso porque. que tinha que ser omitido para evitar a histeria sexual da pla téia. Nas primeiras fotos. as dançarin as das casas noturnas foram instruídas a cobrir a barriga quando dançassem. Uma segunda onda de c ensura. voltou a suprimir o umbigo. Uma carta oficial do censor aos produtores do filme Mil e uma noites dizia: "Aprovado para adultos desde que sejam cortadas todas as cenas de dança que mostram o umbigo das dançarinas". deviam ser preenchidos com jóias ou qualquer outro ornamento.

Recebe esse nome porque tem a forma semelhante a uma navet te (pequena nau).Essas restrições deixam claro que o umbigo tem força erótica. à glande ou ao dedão do pé. Geralmente aprese nta uma profunda depressão. Os manuais de sexo perceberam esse poder e enfatizam seu fascínio aos amantes que exploram o corpo do parceiro. Umbigo circular . o interesse na s possibilidades eróticas do umbigo feminino tomou proporções fetichistas. é p erfeitamente redondo.um tipo comum. Uma organiz ação que se intitula US Navel Observatory (Observatório do Umbigo dos Estados Unidos) concebeu uma classificação para esse pequeno detalhe da anatomia feminina. Umbigo triangular . por exemplo. Umbigo navette . mas considerado de grande b eleza. Uma pose muito popular nos manuais sexuais ilustrados mostra o homem explorando o umbigo da parceira c om a língua — um pseudo pênis inserido numa pseudo vagina. Em The Joy of Sex. Tem a forma de um triângulo invertido com lados convexos. Num relatór io denominado Navel Architecture (Arquitetura do umbigo). mesmo que hoje. ele se adapta ao dedo. Umbigo em forma de amêndoa . eles reconhecem nada m enos do que nove formas de umbigo: Fenda vertical . e merece cuidadosa atenção quando você o beijar ou tocar".considerado pelos japoneses o supra-sumo da beleza umbilical. ele pareça um detalhe relativamente inócuo da anatomia humana. . femi nino e erótico.um tipo raro hoje em dia. Para alguns.um tipo raro.mostra um forte alongamento vertical. gracioso. para a mai oria de nós. porém mais la rgo na parte central. pode-se ler: "Ele pode propo rcionar muitas sensações sexuais cultiváveis.

uma das formas mais comuns. tem a aparência de um olho. então ele devia ter umbigo. Na verdade. Os artistas enfrentavam o dilema de incluir ou não umbig os em suas pinturas de Adão e Eva no Jardim do Éden. umbigo descentralizado e umbigo redondo . umbigo vert ical. é um problema espin hoso decidir se os primeiros seres humanos tinham ou não umbigo. Umbigo perfurado . alegando que uma pessoa "pode se conhecer at ravés do umbigo". umbigo protuberante. e cada um inventou sua razão para a existência desses primeiros umbigos. e portanto não havia umbigo. o umbigo causou vários problemas nos círculos religiosos.mais horizontal que vertical. Um psicólogo alemão or anizou sua própria lista de formatos. uma mistura do umbigo côncavo com o umbigo p rotuberante. mas essa d ecisão gerou um problema ainda maior: se Deus criou o homem à sua imagem e semelhança.Umbigo oval . Embora esse relatório não pretenda ser mais do que uma análise superficial do umbig o feminino.o umbigo moderno no qual foi inserido um piercin g. não havia cordão umbilical. Ele relaciona os seguintes tipos: umbigo horizontal. essa não é a única classificação de umbigos que existe. P ara os que acreditam na verdade literal dos textos religiosos. Umbigo grão de café — um umbigo côncavo em cujo interior há duas protuberâncias de carne. isso provocou uma nova e intrigante per gunta: Quem gerou Deus? . A maioria optou por registrá-los. umbigo côncavo. Umbigo olho de gato . Naturalmente. revela o interesse sexual que um simples botão umbilical pode desperta r. Fora da esfera sexual. e não nasceram de uma mulher. Se esse seres for am criados pela divindade.

Deus imediatamente arrancou o pingo poluído. Os dois primeiros são de fácil execução e muito comuns. Voltando à barriga de forma geral. focalizando to do o universo através de seu ponto central. A expressão "olhar para o próprio umbigo" c ostuma significar uma ação autocentrada. O cuspe foi aterrizar bem no cento d a barriga. Um simbolismo totalmente diferente vê o umbigo como centro do unive rso. Elas foram se especializando nessas contorções. com movimentos da pelve e contrações dos músculos abdominais para massagear o pênis do grande . Uma an tiga lenda conta que. Esse furo foi o pr imeiro umbigo. Para excitá-lo sexualmente. assim como uma forma de meditação voltada para o interior. movimento de rotação do quadril e ondulações dos múscu los da barriga. o Demônio ficou tão furioso que cuspiu no corpo do recém-chegado. depois que Alá criou o primeiro ser humano. Para evitar a contaminação. nada atlético e sexualmente desinteressado. resta ver como surgiu a famosa dança do ventre. A dança do ventre tem três movimentos principais : movimento da pelve para a frente. Os três são movimentos sensuais. Surgiram no harém. é o contrário: uma tentativa de anular o ego. ma s seu gesto deixou um pequeno furo no lugar onde o cuspe caíra. Hoje ela é comumente considerada uma "dança tradicional". onde o sultão era geralmente muito g ordo. inserir seu pênis e contorcer-se provocativamente até leválo ao orgasmo. Na verdade. as jov ens tinham que se acocorar sobre o corpo deitado. mas. Já as ondulações exig m um alto controle muscular e só são executadas pelas dançarinas mais experimentadas.Os turcos descobriram uma solução incomum para o problema do primeiro umbigo. a origem dessa t radição não se perdeu na poeira do tempo. É assim que os budistas o consideram. embora isso tivesse agradado aos puritanos.

mas colocava-se de cócoras. Com o acompanhamento musical. Embora a dança do ventre esteja sendo promovida como "uma ótima terapia para a tensão e a depr essão". o processo de purificação foi mais longe nos últimos anos. mas o nascimento. que com o decorrer do s séculos teriam sido incorporados à dança do ventre. Na década de 1980. os movimentos pélvicos eram exibidos para excitar o senhor do harém antes da cópula. os nomes que definem os movimentos ainda preservam uma conotação erótica. Livres do contato com o corpo indolente. . A dançarina do harém tornou-se uma atleta. Em muitas cult uras. Ela deixou de ser meramente uma dança que imitava a cópula de uma jovem vigorosa sobre um homem indolente e corpulen to e tornou-se símbolo da concepção e do nascimento — todo o ciclo reprodutivo em uma únic a performance. Como um ato de cópula. Algumas fontes alegam que os movimentos representam não a cópula. usando a força da gravidade para empurrar o bebê. quando ainda não contava com ajuda médica. De qualquer forma. é difícil dizer. Portan to. a ex ibição logo foi estilizada numa dança que foi chamada de dança do ventre. ele tem sido chamado de "masturbação fértil". ou se ela só pretende e sterilizar uma dança puramente erótica e alinhá-la entre outras atividades "folclóricas" . Se essa interpretação da dança do ventre é correta. nem tudo se perdeu. um manual que pretendia ensinar a dança introduz o tema co m a seguintes palavras: "Em seu novo papel como forma de arte física e saudável. A mul her ajudava o parto movendo o abdome em movimentos de rotação.senhor. Com o tempo . a parturiente não deitava para dar à lu z. a ênf ase recai sobre o preparo físico". as mulheres do harém foram capazes de ex agerar os movimentos e torná-los mais ritmados.

olhai com ódio o ventre e os alim entos. um marido orgulhoso pode passar a mão pela barriga da esposa grávida. tem vários simbolismos. o ventre é considerado o centro do corpo. Estranhamente. Além desses gestos e de um raro soco na barri ga de um inimigo. assim como o umbigo. acabou se ligando a outros apetite s animais. Na vida cotidiana. Devido à sua proximidade com os genitais. são amantes ou velhos amigos. essa postura é tema de uma das mais antigas piadas da humanidade. Um dos textos sumérios mais antigos. Como a bar riga está relacionada com o apetite por comida. é através deles que se perde a castidade". só existe outro contato pessoal. o ven tre quase nunca participa dos contatos pessoais. com ventre sobre ventre ela foi destruída". Um provérbio grego afirma que " a barriga é a mais vil das bestas". geralmente ambas pertencem à mesma família. Os pais às vezes dão um tapinha na barriga dos filhos quando eles comem bem. que vê o ventre como sede da vida. O ma is conhecido é sua ligação com o lado mais animal e terreno da vida humana. Quando uma pessoa toca outra na barriga. os gest os que envolvem a barriga são raros. . que é o contato dos ventres duran te o ato sexual. a barriga.Fora do campo sexual. e um dos amantes pode d escansar a cabeça na barriga do outro. Vem t ambém da Grécia antiga outro pronunciamento: " Ó Deus. datados do terceiro milênio da era cristã. No Japão. registra com um humor triste: "Com tijolo sobre tijolo esta casa foi c onstruída. Esse simbolismo ocidental nada elo gioso está em completa oposição com o simbolismo oriental.

e. Um . o contorno das costas é notavelmente diferente no homem e na mulher: nela. e se a curva da coluna é deliberadamente acentuada com a projeção do quadril para trás. Visto por trás. a linha da nuca é apenas sugerid a. então a atenção pode ser desviada para as costas. quando ela se ajoelha dia nte do homem. que revelam inteiramente as costas. a gola se afasta da nuca. os japoneses v alorizam muito essa parte do corpo. elas são naturalmente mais arqueadas que as costas do homem. sempre que o costureiro encontra uma cliente corajosa. aparecem de quando em quando. a parte mais larga é a superior. o contraste é grande tanto de lado quanto de costas. as costas femininas têm figurado no mu ndo das imagens eróticas. Hollywood lançou es sa moda em 1932. os seios e as pernas — recebe m maior atenção e despertam mais interesse. as costas femininas têm uma be leza inegável. os estilistas de moda de vez em quando enfatizam as costas. nele. disposta a escandalizar em algum a aparição pública. quando a atriz Tallulah Bankhead apareceu em público com um decot e nas costas que logo foi copiado pelas admiradoras. Mesmo em repouso. Portanto. A gola do quimono é cortada de acordo com a co ndição da mulher que o usa. a linha das costas torna-se mais sensual. No Oci dente.18. Costas As costas femininas têm sido ignoradas tanto pela própria mulher quanto pelos observ adores. Se ela é uma mulher casada. De vez em quando. Como mencionamos quando tratamos da nuca. lhe oferece uma excitante visão do dorso por dentro da roupa. Entretanto. Versões mais radicais desse m odelo. mas se ela é uma gueixa. a parte inferior é mais larga. Outras partes do corpo — especialmente a cabeça. Se o vestido é fechado na frente.

uma em cada vértice da figura. O losango de Michaelis. b em acima dos glúteos. O mundo clássico tinha verdadeira fascinação pelas covinhas femininas.. Naturalmente. carnuda. como lesmas fora da concha". o corpo magro e . assim como o "losango de Michaelis". de dar água na boca. também já despertou grande interesse erótico. Um escritor escreveu sobre "essa região sedosa. que expunha as costa s até o limite do sulco das nádegas..desses modelos foi o famoso macacão lançado em 1967 por Ungaro. estão presentes em ambos os sexos. Seu nome é referência a o ginecologista alemão Gustav Michaelis." As covinhas são menos evidentes em mulheres magras. Nos homens. hoje as preferidas. dando à mulher a possibilidade de exibir as "covi nhas" do sacro. mas. só são visíveis no máximo em 2 5% dos casos. P oetas e escultores gregos as admiravam. Mas a exposição das costas nem sempre é um sucesso. O los ango às vezes é rodeado e definido por quatro depressões. uma região em forma de diamante situad a entre as covinhas. um crítico comentou que "suas costas parecem entorpecidas e a pavoradas com a exposição. que passou muito tempo estudando-o. mas são mais perceptíveis nas m ulheres devido à gordura depositada nessa região. quando as formas voluptuosas estavam na moda. eram tema de conversa entre os mais sofisticados l ibertinos. E possível que o apelo sexual das covinhas que se formam nas bochechas se deva em parte à sua semelhança com essas outras covi nhas próximas às nádegas.. As covinhas são um detalhe da s costas femininas que em outros tempos despertou no homem tal excitação a ponto de tornar-se uma obsessão. Ao ver bailarinas vestidas com um collant sem costas. exatamente onde se situam as duas pequenas covas. As duas pequenas depressões situadas de cada lado da base da coluna.

as costas corr em o risco de parecer demasiado rígidas e "fibrosas". As cinco vértebras lombares. certamente precisa de proteção. que tem a função de absorver os choques. só quando sente dor a mulher pára para pensar em suas costas como uma parte de sua anatomia. pelo líquido cérebro-espinhal. descobriria um conjunto brilhantemente entrosado de múscul os e ossos com a dupla função de sustentar e proteger a medula espinhal. As cervicais são sete e têm uma surpreendente mobilidade. Na verdade. têm a função de su stentar a . A maior parte do tempo. Sem a s curvas suaves proporcionadas pela camada subjacente de gordura. Parece que costas nuas caem melhor em mulheres mais cheias e roliças. vitais para a observação do mundo e proteção do rosto. porque sua principal função é atuar como uma âncora para as costelas. em alguma fase da vida. E ela está bem protegida: primeiro. mas a que mais trabalha. mas 33 vértebras alinhadas. Passando à biologia. Desde que nossos ancestrais as sumiram a posição ereta. q ue tem cerca de 46 cm de comprimento e pouco mais de 1 cm de diâmetro. Na maioria dos casos. Rara é a pessoa que. elas não passam de algo q ue está longe da vista e da mente. e terceiro. permitindo todos os movimentos da cabeça.musculoso das modernas bailarinas não é o mais adequado à exibição total das costas. Se alguma mulher se desse o trabalho de observa r suas sofridas costas. os músculos das costas foram obrigados a trabalhar o tempo to do. não e xiste propriamente uma coluna. As doze vértebr as torácicas são muito menos móveis. as mais pesadas e espessas. São cinco os tipos de vérte bras. não tenha sofrido de dor nas costas . segundo . A medula. Se alguma coisa grave lhe acontecer. por três membranas protetoras. po r uma cobertura dura e resistente que chamamos coluna vertebral. a solução é comprar uma cadeira de rodas. as costas são a parte d o corpo menos conhecida.

na parte central. O sistema muscular das costas é extrem amente complexo. As vértebras sacrais se unem para formar o osso sacro. porque a palavra "cóccix" vem do latim coccyx. As vértebras coccígeas são os últimos e os men ores ossos da coluna. Acr edita-se que o sacro contenha o espírito imortal. ao qual é atribuído um papel especial nos rituais divinatórios. São cinco vértebras que atua m como uma só. Para a maioria das pessoas. Podemos nos perguntar que ligação pode haver entre nossa cauda remanescente e u m pássaro como o cuco. Elas também se fundem para formar o cóccix — tudo o que restou d a cauda dos primatas.maior parte do peso do corpo. situado na part e superior das costas. as mulheres sentem dor nas costas por uma principal razão: falta de exercício em decorrência de uma vida urbana sedentária. porém. mas em círculos ocultistas ele é considerado o osso mais im portante do corpo. Os músculos das costas se . Talvez a escolha se explique pelo fato de ser o osso sacro beijado cer imoniosamente nos conciliábulos das bruxas. e os glúteos. que significa "cu co". A resposta está na forma do osso. que os primeiros anatomista s julgavam semelhante ao bico de um cuco. Excetuado algum problema médico específico. os músculos dorsais. As dores nas costas são geralmente causadas pelo desgaste desses músculos . Pode parecer estranho que esse osso triangular na base da coluna se ja chamado de "sagrado". A denominação desse pequeno osso pontudo é ainda mais estranha d o que a do sacro. na parte inferior. Algumas partes do nosso corpo adquirir am seu nome de maneiras bastante excêntricas. mas consiste em três principais grupos: o trapézio. É nessa região que as piores dores costumam se instala r. existe algo estranhamente perverso em idealizar a "alma" no ponto mais baixo da s costas.

. por algum esforço repentino e por tensões. A ten são mental é outra maneira de submeter as costas a uma sobrecarga.enfraquecem por falta de uso ou são prejudicados por uma postura errada. até que seja necessário buscar ajuda médica. que lutam para manter a coluna — liter almente — em boa forma. conversando ou lendo. que carregam quase o mesmo peso na mesma região. mas fisicamente impõem um esforço descomunal aos músculos das costas. o corpo sedentário se enfia na poltrona ou na cama macia em busca de conforto. as costas começam a doer.. cada vez mais numerosas no mundo oci dental. Se para uma mulher que tem atividade física essa manobra repres enta pouco risco. Durante as muitas horas que passamos vendo televisão. o que pode aumentar a angústia . Esses móveis aconchegantes criam uma sensação de segurança e calma. para a mulher que leva uma vida sedentária o perigo é maior. Em pouco tempo. Pegar objetos pesados curvando o corpo para a fren te e usando as costas como um guindaste é outro mau costume que quase sempre sobre carrega as costas. mas indivíduos muito gordos. no s quais o corpo é obrigado a manter uma determinada posição durante horas. A coisa piora muito quando a criatura que se esparrama ou se enrosca na superfície macia está acima do peso. Ela também po de ser adquirida durante as horas de lazer. como um bebê que busca a segurança do corpo da mãe. As tensões corporai s causadas por angústia ou ansiedade podem provocar uma duradoura tensão dos músculos das costas. onde todo lar dispõe de móveis macios. Esse processo qua se sempre passa . e assim por diante. E quase inevitável que mulheres grávi das sofram dores nas costas devido ao peso do bebê. A má postura decorre de certos hábitos de trabalho. costumam se surpreender quando começam a sentir os mesmos sintomas.

No mundo do simbolismo. Essa crença ainda sobrevive em algumas regiões mediterrâneas. de fato. po demos curvar. o movimento tinha que ser bastante acentuado pa ra expor inteiramente as costas ao superior. pensava-se que dava sorte tocar a corco va de um corcunda. e o aumento de atividade sexual tem sido sugerido como tratamento. exceto como guardiãs da medula. Alega-se que ou tra causa para a dor nas costas é a frustração sexual. Essa era. sua coluna vertebral se transformava numa serpente. Os macedônios acreditavam . As costas não são uma das partes mais expressivas do corpo feminino. dobrar ou ondular as costas de acordo com as mudanças de hu mor. o que em algumas mulheres idosas se torna u ma postura crônica e permanente ao caminhar. Na Idade Média. é parte essencial de uma série de ações coord enadas como curvar-se. O elemento c omum de todas essas ações é o rebaixamento do corpo para simbolizar a baixa condição de qu em o executa. e acreditav a-se que qualquer pessoa que tivesse uma parte a mais da coluna vertebral tinha sido agraciada pela sorte. Em tempos remotos. ajoelhar. Outras interpretações da medula espinhal a vêem como uma estrada. as costas desempenha m um papel menor. e pode ser desencadeado por problemas emocionais que preocupam tan to o cérebro que a pessoa só percebi os efeitos quando é tarde demais. uma escada ou um ba stão. A própria medula era vista como um a réplica da árvore cósmica que alcança o paraíso que é o cérebro. quando um cadáver apodrecia.despercebido. Curvar as costas para a frente. Por essa razão. a . onde se podem comprar pequenos talismãs de plástico representando um corcunda sorridente. Entretanto. esticar. tocar a testa no chão e prostrar-se. a "essência" da medula era considerada muito benéfica.

Esse procedimento formal ainda sob revive e pode ser observado numa sala apinhada. Aprumar as costas também tem o efeito de aumentar ligei ramente a altura do corpo. Deixá-las cair passa uma mensagem de impotência. uma mudança que ajuda a demonstrar poder. Se voltar as costas a alguém é uma grosseria p or ignorar deliberadamente o outro. porque opõe-se à postu ra de braços cruzados. E dar as costas a alguém a quem acabamos de ser ap resentados continua sendo um insulto. porque indica que o corpo está se preparando para um ato violento. quando alguém gira a cabeça e diz a um amigo: "Desculpe as costas". Por essa razão. Existem várias posturas com as quais uma pes soa entra cm contato com suas costas. especialmente em membros da realeza e líderes político s em ocasiões formais de inspeção. esticá-las é um gesto ameaçador. A postura com as mãos atrás das costas diz que a pessoa está tão confiant e que não precisa de nenhuma proteção frontal. É uma postura c omum em pessoas de alta condição. com as mãos presas uma à outra. Demonstra extrema superioridade. porque a altura diminui ligeiramente — quase como uma incipiente curvatura de subordinação. na qual estes se unem diante do corpo como uma espécie de bar reira de proteção. A mais simples é aquela em que a pessoa fica de pé ou caminha com os braços atrás delas. os subordinados tinham que se afastar da presença do Grande Senho r caminhando de costas para fora do salão real.única situação em que o inferior podia mostrar as costas sem ofender o superior. e é por isso que eles parecem mais agress ivos que os cidadãos comuns. Os professores usam o mesmo gesto quand o caminham pela . Os militares são treinados para ma ntê-las eretas mesmo quando estão relaxados. porque significava rej eição. Dar a s costas a alguém na posição ereta era uma grosseria imperdoável.

É um gesto um pouco mais íntimo. a pessoa pode se entregar num abraço apaixonado. as costas são um a parte do corpo muito tatuada. em vez de tocar o braço ou o cotovelo. Quando adulta. olhando na mesma direção. demonstrando sua superioridade naquele território. porque ecoa uma sensação de infânc ia. despro porcional à simplicidade e brevidade do contato físico. no sentido de que é uma versão reduzida do mais fundamental cont ato interpessoal. a criança adora o abraço da mãe. e a pressão carinhosa das mãos em suas costas se torna um sinal de cuidado e amizade. como quando uma menina esconde a mão atrás das costas para cruzar os dedos quando diz uma mentira. Entre os motivos.sala de aula. Devido à sua grande extensão. Trata-se de uma maneira q uase universal de confortar. que lhe tra nsmite total segurança e amor. Outros gestos que envolvem as costas são gestos secretos e ocultos. Outra forma comum de contato é o gesto em que uma pessoa pressiona a mão nas cos tas de outra para guiá-la. que lembra o corpo do gesto maior. mas em momentos de menor envolvimento emocional adota uma versão em m iniatura — o tapa nas costas —. e que q uer dizer: "Estou aqui se você precisar". . porque os corpos ficam mais próximos enquanto caminham. Magníficas demonstrações da arte da tatuagem podem ser vistas nas costas de mulheres corajosas em todo o mundo. exis te uma tatuagem que mostra uma cena de caçada. Quando pequena. A motivação desse ge sto é sempre a mesma. cumprimentar e demonstrar amizade. Mesmo um tapinha breve e suave nas costas de alguém que está sofrendo traz um enorme conforto. Outra maneira de contato nessa região é o proverbial "tapinha nas costas". Ou o leve conta to da mão nas costas quando duas pessoas estão juntas. o abraço.

e a c auda da raposa prestes a desaparecer entre as nádegas.com cavalos e cães perseguindo uma raposa por todo o comprimento das costas. .

o ódio às aranhas aumentava muito entre as meninas. Aos 15 anos. Depois. seu corpo era liso e limpo. entre crianças pré-púberes inglesas. porque os julgam "animalescos" ou "ma sculinos". inclusive o nascimento dos pêlos nos genitais externos. por volta dos 8 anos. Na infância.19. os da cabeça. de repente. Por volta dos 14 anos. isso ocorre entre 11 e 12 anos. as coisas se tornam mais complexas. as meninas não têm pêlos no corpo. mas continuam pe rturbando um grande número de adolescentes. entre 13 e 14. mas não e ntre os meninos. Com a chegada da puberdade. que costumam ser escondid os por pais recatados e pela censura do cinema. Muitas meninas não gostam dessa mudança. Talvez elas nunca tenham visto pêlos púbicos. a quantidade de pêlos aumenta e começa a surgir a forma triangular. ou com atraso. e eles adquirem o padrão adulto. e agora. entre 12 e 13 an os nascem os primeiros pêlos. perto dos 14. Descobriu-se que. a época exata em que os pêlos púbicos atingem a maior . A constatação surgiu inesperadamente duran te uma pesquisa sobre os animais mais amados e odiados. Quando os ovários começam a aumentar de tamanho e se inicia a produção de hormônios. o crescimento dos pêlos já esta prat icamente completo. Ter pêlos na região genital as assusta. porém. Na média. Outra coisa que pode deixá-las ins eguras é o fato de só terem visto pêlos no corpo dos homens. embora haja exceções em que os pêlos surgem precocemente. exceto. naturalmente. muitas mudanças sã notadas. Geralmente. Essas dúvidas podem parecer exageradas para alguém que tenha sido criado numa família liberal. Pêlos púbicos Durante toda a infância. está "sujo" e "peludo".

Em cor e te xtura. espessos mas bastante esparsos [. os pêlos púbicos nem sempre acompanham os cabelos. existe outra que está perturbada co m esse fato. A prin cipal exceção é encontrada no Extremo Oriente. São essas pernas que são vistas como "pêlos ".velocidade de crescimento. onde os cabelos pretos e lisos coexiste m com pêlos púbicos "pretos. mas quando as meninas em questão foram solicitadas a explicar por que odiavam tanto as aranhas. Assim. em geral com uma tonalidade avermelhada. isso parecia não ter nenhuma ligação com os pêlos púbicos. se preocupam muito menos com isso. esparsos ou densos. quando uma aranha atravessa seu caminho. que já esperam adquirir pêlos no corpo como seus pais. O que uma men ina de 14 anos vê. Os meninos. A mai oria das mulheres tem pêlos púbicos crespos.] fo rmando um triângulo invertido". e com isso a aranha é inconscientemente definida como "um tufo peludo e móvel". mesmo quando os cabelos são lisos.. curtos e lisos. os pêlos púbicos variam muito: são curtos ou longos. Se lhes perguntassem por que não gostavam das aranhas. para cada menina que se sente orgulhosa dos pêlos que começam a despontar. o ódio às aranhas aumenta drasticamente e se torna duas v ezes mais forte nas meninas que nos meninos. quase sempre respondiam que elas era m "umas coisas sujas e peludas". era mais provável que tivessem respondido que elas "eram v enenosas". lisos e macios ou espessos e crespos. é o movimento das longas pernas que se irradiam de seu corpo mole. À primeira vista.. O fato de esse medo dobrar na fase em que as meninas constatam que um "tufo pelud o" está crescendo entre suas pernas é significativo. . A aversão pelas aranhas peludas é mais simbólica do que real. Muitas mulheres de cabelos escuros têm pêlos púbicos mais claros. Em diferentes partes do mundo.

a ausência de pêlos púbic os nas meninas era um aviso de que elas ainda eram jovens demais para procriar. se quiserem que seu odor natural não perca o poder de atração. precisam se banhar com mais freqüência que os primitivos. quando a pele f icava exposta ao ar.) A segunda fu nção dos pêlos púbicos é atrair pelo odor. eles devem ter funcionado como um sinal de que a menina havia se tornado um a mulher adulta. Hoje. as fragrâncias naturais permaneciam frescas. e parece haver . Uma terceira função dos pêlos púbicos é que eles atuam como um amortecedo r no contato da pele do homem e da mulher durante o vigoroso contato sexual. É por is so que. os pêlos púbicos são um sinal visual. que andavam nus. Numa época primitiva em que os humanos andavam nus. pro tegendo o mons pubis da mulher da abrasão. enquanto sua a usência a inibia. (Essa inibição tão natural e que está ausente nos pedófilos. que andam vestidos. Antes de mais nad a. os humanos mode rnos. existe maior probabilidade de as secreções glandular es sofrerem o ataque de bactérias. O resultado é um odor corporal desagradável. M as esse sinal primitivo tem uma desvantagem. com r oupas apertadas cobrindo o púbis. Existem três respostas. As glândulas da região genital secretam feromônios aroma natural que os machos inconscientemente acham sexualmente atraente —. No período pré-histórico. cuja fragrância persiste mais tempo nos pêlos densos e crespos que na pele nua e macia. Essa função protetora é muitas vezes menciona da.As primeiras perguntas que a menina púbere costuma fazer sobre seus pêlos púbicos é: "Po r que tenho isso? Para que isso serve?". A presença de pêlos púbicos ajudava a desencadear a reação sexual do macho. porém. Para o macho pré-histórico. Seu pleno aparecimento aos 15 anos coincide com o início da ovulação e da capacidade biológica de procriar.

Talvez a observação mais estranha sobre a utilidade dos pêlos púbicos tenha sido registrada por um antropólogo alemão que visitou uma tribo que viv ia no arquipélago de Bismarck. várias outras. que absorvem o suor que escorre pela frente do corpo. o sexo da mulh er fica excessivamente exposto. Como muitas outras partes do corpo humano. mas a mulher adulta dos tempos modernos. . e que "facilitam a acumulação e a troca de eletricidade entre dois pólos opostos durante a cópula". não parece sentir falta disso quando o corpo está em contato com a p elve do homem. há quem os considere um véu erótico que "inflama a imaginação". no Pacífico sul. cortá-los. da mesma forma que nós usamo s toalhas". Além do mais. os pêlos púbicos não têm permanec ido no seu estado natural. re os que são a favor de deixar os pêlos púbicos em seu estado natural não há só puritanos. que remov e os pêlos púbicos. decorá-los ou removê-los. Sem os pêlos. foram propostas n o passado. Também já se disse que eles protegem os genitais do frio e de a cidentes. sempre houve muito interesse em t ingi-los. muito improváveis. Por outro lado. onde "as mulheres limpavam as mãos nos pêlos púbicos sempre que elas estavam sujas ou molhadas. vêem na depilação dos pêlos púbico s a remoção de algo que ajuda a esconder a fenda genital. e também muita oposição a essas intervenções. Além dessas três funções.um elemento de verdade nisso. Em todos os tempos. Os pudicos acham que modificar essa parte do corpo indica uma obsessão doentia pel a anatomia sexual. Cortá-los ou tingilos revela a intenção de expor uma parte do corpo que devia permanecer estritamente privada. Entre elas inclui-se a idéia de que os pêlos púbicos funcionam como uma "re catada dissimulação" dos genitais. seja lá o que isso signifique.

Também levou as modelos dos artista s a raspar os pêlos púbicos supostamente para revelar os detalhes dos contornos pélvic os. porque oferecem ao homem um sinal visua l da prontidão da mulher para copular. os hedonistas acham os pêlos púbicos naturais altamente eróticos. No passado. assim como conden avam qualquer forma de maquiagem ou de melhoramento cosmético. A depilação dos os púbicos provoca duas reações completamente contraditórias. por acharem que com isso a mulher estaria se vendendo ao homem. eles se casaram. conhecia as formas íntimas da mulher e aprec iava-as esteticamente. há o argumento de que os pêlos púbicos são potencialmente sujos e malcheirosos. Apai xonado admirador da escultura clássica. Em apoio aos puritanos. mas nunca vira pêlos púbicos em nenhuma delas e . John Ruskin tinha 28 anos e não sabia quase nada sobre sexo quan do começou a cortejar sua futura esposa. Depois de ano s de evasivas. Em sua função de atrair pelo odor. Por outro lado. como uma boneca. não é nada erótico. e que sua remoção é portanto uma medida de higiene. No ano seguinte. mas na verdade para conseguir uma semelhança com a aparência limpa das estátuas clás sicas. e ela f icou surpresa ao descobrir que ele não conseguia fazer sexo com ela. eles também pr ometem ao homem a retenção das flagrâncias eróticas das glândulas femininas.As primeiras feministas rejeitavam toda modificação nos pêlos púbicos. Mas também há os que acham que "não ter nada entre as pernas". essa visão fez com que mui tas estátuas femininas exibissem um púbis sem pêlos. Existe um caso famoso de um professor de arte vitoriano muito ingênuo e mui to romântico que teria sofrido terrivelmente por causa dessa aparência artificial da s estátuas clássicas. ele finalmente admitiu que achava seus pêlos púbicos repulsivos.

(As estátuas clássicas masculinas mostram pêlos púbicos crespos. apesar do constrangimento de ter que provar. ou ""Tem um ar de Lolita". mas não levam em consideração o fato de que muitos homens que se sentem ex citados pela visão de um púbis depilado têm consciência de que o resto do corpo de sua p arceira é de uma mulher adulta. através de um exame médico. que continuava virgem. mas as femininas não. e portanto simbolicamente jovem demais para ter feito sexo. Assim como um púbis peludo atrai puros e impuros.aparentemente nem sabia que eles existiam. Os homens que r eagem favoravelmente a um púbis depilado costumam dizer coisas como: "É uma suavidad e de bebê". O fato de gostarem de um aspecto "virginal" não . mas o que surpreende é que muitos libertinos tenham a mesma preferência. os artistas geralmente disfarçavam a fenda de suas modelos fazendo-as assumir poses que a escondiam. esse detalhe íntimo é totalmente exposto e transmite ao homem que o vê uma imagem ainda mais forte do que o tufo de pêlos. Os críticos contestam afirmando que isso "é um passo em direção à pornografia infantil". O a pelo sexual da depilação dos pêlos púbicos tem três fontes.) Seu horror ao descobrir que sua amada t inha um tufo de pêlos entre as pernas foi tal que ele nunca foi capaz de consumar o casamento. o que obrigou a esposa a pedir sua anulação. Nas estátuas clássicas. porém. A segunda razão para a preferência pela vulva depilada é que ela passa uma image m de virginal inocência. Alguns homens puritanos revelam uma acentuada preferência por uma vulva higienicamente depilada. nos quadros. esse detalhe era omitido em nome do bom gosto. Na vida real. ou "É como se realizasse uma fantasia com uma estudante". o mesmo acontece com a vulva depilada. É a imagem corporal de uma menina jovem demais para fazer s exo. A primeira é que ela põe a nu a f nda genital.

ache que dei xar os pêlos púbicos naturais é sinal de recato.significa que eles reagiriam sexualmente a uma menina pre-púbere. a. há quem. Há quem. uma mulher observou que "qualquer mulher que ache que o homem que aprecia uma vulva depilada está perto de ser um pedófilo corre o risco de ver o argumento voltar -se contra ela. O prazer do sexo oral aumenta muito para amb os os parceiros. licenciosamente. . os consideram eróticos e dotados de uma fragrância sensual. Mas também existem aqueles que. Defendendo sua o pção. menos que todos os seus amantes tenham fartas barbas". Algumas mulheres alegam que uma simples caminhada fica mais eróti ca: "O simples ato de caminhar é divertido porque você desliza". Voltando à história da remoção dos pêlos púbicos. Há registros de que a depilação já existia no an tigo Egito. considere a remoção dos pêlos púbicos uma medida de higiene. Outros apreciam a e xcitação de "ter um segredo sexual que só os dois parceiros conhecem". A região genital se t orna muito mais sensível à estimulação tátil. por que um púbis depilado tem que ser visto dessa maneira? Além de seu aspecto inocente. Se nin guém condena as mulheres que gostam que seus amantes tenham um rosto imberbe de me nino. Faziam isso com uma cera feita de mel e óleo. puritanamente. Por outro lado . e os removiam sem de ixar o menor traço. licenci osamente. Como ocorre com outros aspectos do corpo feminino. existem pontos de vista altamente conflitantes. Mas também existem os que. a depilação dos pêlos púbicos apresenta outras vantagens. consideram a vulva depilada mais excitant e e sensível. As mulheres egípcias detestavam ter pêlos no corpo. Vamos resumir a s atitudes contraditórias em relação aos pêlos púbicos. ela está lon e de ser um capricho transitório da moda. puritanamente.

. Mais tarde. Quando a rainha de Sabá o visitou no século X a. Como as gregas.. Por isso. a depilação era a regra. Acreditava-se que e ra pecado permitir que os pêlos púbicos crescessem naturalmente. dizendo-lhe que o recebesse depois de remover o "véu da natureza". A moda floresceu por um tempo. entre eles uma espécie de cera preparada com piche ou resina. Quando os cruzados chegaram à Terra Santa. e pela terceira.C.. há registros de que os homens preferiam que suas mulheres "removesse m os pêlos de suas partes intimas". que se fazia através d e três técnicas: pela primeira. mas logo desapareceu.Conta-se que o rei Salomão não gostava de pêlos púbicos. Na classe alta. pela segund a. Ao contrário das gregas. os pêlos eram extraídos um a um com uma pinça. na Grécia. queimados com brasas. A remoção dos pêlos púbicos também era comum na antiga Roma. Isso se devia ao fato de que "o forte crescime nto dos pêlos das mulheres setentrionais impedia que suas partes íntimas fossem vist as. descobriram que as mulheres ára bes depilavam a região pubiana. porém.". queimados com uma vela. para a mulher grega. . onde algumas mulheres da aristocracia o adotaram durante a Idade Média. as jovens começavam a se depilar assim que os pêlos púbicos nasciam. parece que ele lhe pediu que se depilasse antes de fazerem amor . mas as técnicas das mulheres romanas eram um pouco diferentes. Pouco mais ta rde. elas usavam uma pinça especial denominada volsel la. levaram o costume para a Europa. sabe-se que as mulheres turcas se aplicavam tanto em depilar o púbis que salas especiais eram destinadas a esse propósito nos banhos públicos. Impressionados com o que viram lá. substituíam a arriscada técnica de queimar os pêlos pe la aplicação de cremes depilatórios. no século X VI.

Uma rebelde famosa foi a estilista Mary Quant. com a li beração dos anos 1960. Todos os pêlos cobertos pelo biquíni são poupados. A nova tendência começou por causa de uma mudança nas roupas de banho. e a depilação dos pêlos púbicos mais uma vez caiu em desuso.Na época vitoriana. e cada salão de beleza inventa ter mos para definir os diferente graus de nudez púbica. tudo era possível. uma tendência desafiadora que. que chocou o mundo ao anunciar public amente que o marido tinha depilado seus pêlos púbicos na forma de um coração. com uma grande variedade de estilos. pa radoxalmente. Estilos cada vez mais radicais iam surgindo. exceto t alvez entre as "damas da noite". de repente. ela voltou com tudo. Isso pôs em ação uma redução cada vez mais drást ica dos pêlos púbicos. no início d o século XXI. . Outras log o a seguiram. uma nova terminologia foi criada. No fim do século XX. O costume só ressurgiu muito mais tarde. nunca se ouviu falar de remoção dos pêlos púbicos. na Europa. porém. o nascimento do movimento feminista assist iu a uma volta à natureza. significou um retorno ao estilo das antigas civilizações. a depilação total se tornou a última moda. A cava dos maiôs foi subindo cada vez mais (para fazer as pernas parecerem mais longas). Em decorrência dessa mania. até que. Apenas os pêlos que escapam de cada lado são removidos. Durante a década de 1970. Eis alguns deles: Linha do bi quíni: É a forma menos radical. Então. Esses pêlos pa reciam feios e foram rapidamente removidos. e certas figuras proeminent es se rebelaram contra costumes considerados muito pudicos ou tradicionais. o que fe z os pêlos púbicos aparecerem de cada lado da estreita faixa de tecido.

Pista de pouso: Uma estreita faixa vertical é deixada. Uma faixa de apenas "um dedo" era co nsiderada obscena e proibida por lei. e a lei foi relaxada. m as existe alguma confusão sobre sua forma exata. Para . Este estilo tem sido descrito como "uma flecha apontando o caminho do prazer".Biquíni cheio: Apenas uma pequena quantidade de pêlos é deixada no monte de Vênus. Esse estilo é às vezes chamado de "bigode de Hitler" ou "bigode de Chaplin". "exceto uma pequena quantidade no mei o". No estado americano da Geórgia. Segundo os legisladores de Atlanta. mas tem uma história legal. Os policiais locais foram obrigados a exec utar a árdua tarefa noturna de checar as faixas de pêlos e enviar para casa qualquer garota desobediente. Bigode: Todos os pêlos são removidos. Estilo brasileiro: É o mais famoso dos novos estilos. Estil o europeu: Todos os pêlos púbicos são removidos. as da nçarinas de strip-tease foram obrigadas a deixar uma faixa de pêlos de "dois dedos" de largura quando se exibissem nuas. Triângulo: Todos os pêlos púbicos são removidos. a novidade desse estranho dever can sou. Estilo Playboy: Todos os pêlos são removidos. Esse estilo é adotado pelas modelos qu e precisam usar biquínis e maiôs muito estreitos na região púbica. e todos os outros pêlos são removidos. exceto uma faixa retangular de 4 cm. que pode ser tingido de vermelho. exceto um retângulo largo que cobre a fenda da vulva. deixando apenas um pequeno triângulo com o vértice para baixo. como uma sur presa erótica para o parceiro sexual. isso se ria suficiente para cobrir a fenda genital. É um corte muito procurado no Dia dos Namorados. Coração: O tufo de pêlos é depilado na forma de coração. Depois de algum tempo. Essa medida exata pode parecer estranha.

ceras. Para obter ess as formas. Alguns salões também dão a esse estilo o nome de "Hollyw ood".alguns. A moda começou na praia de Copacabana. significa a depilação total dos pêlos. Além deles. navalhas. "estrelas e listras". O nome deriva de um filhote de gato do Canadá. . Estrelas de cinema e top models começaram a visitar o salão. uma forma mais radical da "p ista de pouso". onde surgiram os menores biquínis. daí a confusão. "ra inha de diamantes". "chácháchá". nem sempre obedeciam ao mesmo grau de remoção. Alguns estilistas extravagantes oferecem variantes que levam nomes co mo "olhos de touro". onde abriram um salão de beleza e começaram a oferecer o serviço de depilação dos pêlos púb cos a suas clientes. são usados cremes depilatórios. no Rio de Janeiro. Sisters que esse estilo passou a ser conhecido como "brasileiro". que deixa a região pubiana completamente nua. que retarda mais o crescimento de nov os pêlos. Esses são os estilos mais populares no início do século XXI. estrela e até mesmo as iniciais do parceiro. "surpresa de lua-de-mel". descrevendo o seu estilo como "tudo fora. Então . há estilos especiais. pinças. Outros prometem formas exóticas de p onto de exclamação. para outros. Para outros ainda. Si sters deixaram bem claro o que fazem. qu e nasce completamente pelado. coroa. ela é igual à da "pista de pouso". Quando outros salões passar am a copiá-lo. A técnica mais usada hoje é a remoção com cera. Sisters) se mudaram para Nova York . Esfinge: Esse é sem dúvida o estilo mais radical. Foi graças à fama conquistada pelas J. Mas as J. sete irmãs brasileiras (conhecidas como as J. "botão de flor" etc. "alvo". menos uma mínima faixa". qu e logo se tornou a meca da depilação. tinturas e eletrólis e.

mas secretamente se entregavam aos excessos ornamentais. mas compensaram a restrição transferindo a ostentação para baixo da roupa. Publicamente. havia uma peruca de pêlos púbicos "adornados com fitas plissadas de diferentes cores". Parece que. As perucas pubian as tem uma longa história. elas têm sido usadas como "máscara de recato" por atrizes que precisam aparecer nuas em cenas de sexo. Or iginalmente. Alí. O cadáver de uma marquesa fran cesa foi abandonado na rua com os genitais deliberadamente expostos. Algumas perucas são decoradas com pedras. e ainda hoje estão à venda. e depois é removida — uma solução mais conveniente para mulheres que não querem chegar ao extremo d e submeterse a um corte verdadeiro. Mais recentemente. O fato vei o ao conhecimento público de uma maneira pouco comum. Mais tarde. . A peruca recebe um corte e uma tintura para uma ocasião especial. sua função era mascarar os danos provocados pela sífilis e outras doenças v enéreas que desfiguravam os genitais externos. flor es ou fitas coloridas. elas obedeciam ao desejo do rei. quando o rei da França pediu às damas da corte que di minuíssem o esplendor de seu vestuário. As perucas também têm sido usadas como um adesivo temporário para quem quer mudar o estilo do corte dos pêlos púbicos. Registros comp rovam que as perucas pubianas eram muito populares desde o século XVII. para que m quisesse ver. A peruca é presa no lugar com a aju da de um tapa-sexo invisível ou colada sobre os pêlos verdadeiros. no mundo do cinema.Um recurso totalmente oposto à depilação é o curioso hábito de perucas pubianas feitas de cabelo humano. elas obedeceram ao monarca. três tipos de decoração que são conhecidos há séculos. foram usadas por prosti tutas para agradar a clientes que se sentiam atraídos por um púbis bastante peludo. fios de náilon ou pêlos de animais. Já existiam há centenas de anos.

ajudava a . tanto machos quanto fêmeas resolveram cobrir a região genital: nascia a tanga. os genitais ficavam totalmente escondidos e bem protegidos. Antes. quando ela era removida. Genitais De todas as partes do corpo feminino. o que gerou uma expres são popular pela qual a vulva era considerada o "cofre do tesouro" da mulher. As pedras preciosas usadas como adorno às vezes tornavam a região pubiana a mais valiosa do corpo feminino. A tanga tinha três vantagens. enfeitados com fitas. Além de reduzir a força da exposição genital em situações públicas. ou a penas seu "tesouro". nossos primeiros ancestrais perceberam que não podiam deixar de exibir a part e frontal do corpo sempre que se aproximavam de outro membro da espécie. flores e pedras preciosas. Em terceiro lugar. prec isamos voltar a tempos primitivos. raramente são menc ionados em sociedade (a brilhante peça Os monólogos da Vagina é uma única exceção a essa reg ra.competindo umas com as outras para criar os púbis mais glamorosos. Fonte de grand e prazer sexual.) Por que isso acontece? Por que as pessoas se sentem tão constrangidas em fala r dessa parte tão importante da anatomia feminina? Para encontrar a resposta. Quando começaram a andar sobre as pernas trasei ras. também intensificava a sexualidade nos momentos de privacidade. os genitais deviam ser celebrados. No entanto. Isso significava que era impossível um adulto se aproximar de outro sem u ma conotação sexual. Agora eram expostos cada vez que um animal humano se voltava par a outro. está é verdadeiramente um tabu. Para resolver isso. qu ando caminhavam sobre quatro patas. 20.

O motivo para a excitação que essa parte do corp o produz não está em seus atributos visuais. Nenhuma ou tra parte do corpo feminino é tão sensível ao toque. O formato do pênis masculino é significativo nesse aspecto. Falta-lhe o os . Hoje. a uretra. e par cialmente escondida por eles. O que ê exatamente isso que tanto queremos escond er? No caso da mulher adulta. é sempre o equivalente mod erno da tanga a última peça a ser retirada. No alto da fenda existe um pequeno capuz de car ne que cobre parcialmente o clitóris. existe uma pequena fenda vertical criada pelos doi s grandes lábios — dobras de carne que protegem os pequenos lábios. No entanto. Gerações de puritanos religiosos responderam aos ape los que vinham do púlpito: "O nudismo é tão desavergonhado quanto o próprio Demônio. Apenas quando se trata de crianças muito pequenas essa regra é relaxada. Na maioria dos países. só expomos nossos genitais a nossos parceiros sexuais. da língua ou do pênis. qua ndo as pessoas se livram das roupas por causa do calor. E é só. Por baixo dos pêlos púbicos. expor os geni tais em público é proibido por lei. o órgão humano é muito diferente. os genitais femininos podem ser descritos como visualmente simples. mas em suas qualidades táteis. para dizer o mínimo. dos lábios. o máxim o da rebelião humana contra Deus". Comparado ao pênis de outros primatas. e para ocultá-los as pessoas chegam a comet er extravagâncias. mais delicados. A menos que sejamos praticantes do nudis mo.proteger a delicada região genital dos desconfortos do ambiente natural. a atenção que eles atraem é enorme. Comparados com o equipamento ma sculino. qu e flanqueiam a abertura vaginal. quase não há o que ver. um pequeno botão de carne extremamente sensível situado bem acima do canal urinário. seja dos dedos.

e o encontro. O resultado é que. Depois de uma prolongada estimulação. o sangue entra no pênis muito mais rapidamente do que pode sair. Nos babuínos. Essa p ressão cria uma forte reação erótica na mulher. quando e le é inserido na vagina da mulher. os grandes e pequenos lábios se intumescem de sangue. e a ejaculação ocorre.penis — o pequeno osso que dá aos macacos uma rápida ereção. as maca cas não desfrutam do aumento progressivo da excitação sexual e do orgasmo explosivo da fêmea humana. depois de apenas seis movimentos pélvic os. Por isso. a mulher experimenta um clímax orgásti co fisiologicamente muito semelhante ao do homem. Isso não só torna o pênis ereto. O espesso pênis humano causa fortes sensações à medida que se move contra a s superfícies internas dos genitais femininos durante os prolongados movimentos pélv icos de nossa espécie. pressiona os lábios e as paredes vaginais. é submetido a uma repetida e ritmada massagem do pênis. O orifício da vagina. Quando ocorre a excitação sexual. À medida que a exci tação da mulher aumenta. O sistema humano depende da c ongestão do sangue nos vasos sangüíneos. atingin do o dobro do seu tamanho normal e desenvolvendo uma sensibilidade cada vez maio r ao toque. cercado por camadas de pele extremament e sensíveis. permitindo-lhe partilhar a excitação com o h omem à medida que a cópula prossegue. como aumenta seu comprimento e especialmente sua espessura. um típico coito leva ape nas 8 segundos. O ato sexual mais demorado não leva mais do que 20 segundos. por exemplo. A fêmea do macaco recebe algumas estocadas do pênis fino e ossudo do macho e num instante o coito termina. Isso significa que ambos os pa rceiros recebem uma grande recompensa pelo esforço sexual. mas difere acentuadamente do que ocorre com outros primatas. Isso pode ser visto como um evidente e inevitáve l mecanismo de acasalamento. ao contrári o do que acontece com os . em média.

m as servem para estreitar ainda mais os laços emocionais entre os amantes. Qualquer massagem acidental ou deliberada nessa região tem u m efeito erótico. O monte de Vênus só aparece na p uberdade. Também conhecido pelos nomes latinos de mons veneris ou mons pubis. T ambém conhecidos como lábia majora. O fato de a fêmea humana (ao contrário da fêmea do macaco) não transmitir um sinal claro ao macho quand o está ovulando também significa que a maior parte dos atos sexuais não são de procriação. Monte d e Vênus. pode produzir fortes laços emocionais entre os parceiros. Vale a pena analisar separadamente cada uma de suas partes. criam . Ele também tem um papel na excitação sexual. o que pode e plicar em parte o sucesso da depilação da região pubiana. Os seres humanos literalmente fazem amor. Ele é mais sensível à estimulação quando os pêlos púbicos foram removidos. quando o súbito aumento dos níveis de estrógeno provoca sua formação. Grandes lábios. porque é bem suprido de terminações nervosas. os genitais externos são conhecidos como vulva. o monte de Vênus é uma pequena almofada de tecido gorduroso coberta de pêlos púbicos.macacos. que funci ona como um amortecedor para o osso do púbis. Em conjunto. a menos que as pernas estejam totalmente abertas. jovens modelos excessivamente magras não desenvolvem esse tecido gorduroso. e algumas mulheres alegam que isso é suficiente para levá-las ao org asmo. Quando elas se fecham. e po r isso seu púbis parece mais projetado para a frente que o normal. Situa-se logo acima dos lábios. os carnudos lábios externos normalmente cobrem os pequenos lábios internos. Entretanto . e sua função é proteger o osso púbico do impacto do corpo do homem durante os momentos mais vi gorosos do ato sexual.

às vezes um pouco mais escura. (A ausência des sa coloração é um sinal de falso orgasmo. Uma autoridade insiste que eles podem chegar a 20 cm. Algumas acumulam mais tecido gorduroso. com a prolongada estimulação do pênis ereto. De qualquer modo. os grandes lábios podem ficar mais vermelhos. e existe um relato da década de 1860. O eq uivalente no homem é a bolsa escrotal. nômades da África do Sul. adquirindo uma coloração avermelhada. o que faz os lábios mais a rredondados e proeminentes. Um monte de pêlos cobre essa superfície. não muito confiável. Durante a penetração. seu comprimento a normal tem provocado muitas dúvidas: serão eles uma característica racial ou resultado de um costume cultural de distendê-los artificialmente? . Durante a intensa excitação sexual. Pequenos lábios. chegam a medir 11 cm e podem ser enfiados na vag ina. esses pequenos lábios chatos (sem gord ura) são duas membranas cutâneo-mucosas altamente sensíveis.) Os pequenos lábios têm formas e tamanhos variad os: alguns são pequenos e lisos. os pequenos lábios são às vezes muito alongados e pendem entre as pernas ''como dois dedos de carne pendurados" . O tamanho dos grandes lábios varia de uma mul her para outra. A pele é semelhante à do resto do corpo. de que uma mulher "foi capaz de desdobrar seus n ymphae e fazê-los encontrar-se atrás das nádegas". São conhecidos como labia minora ou nym phae. Nas mulheres do povo san. dotada de glândulas que s ecretam odor. que se mantêm úmidas graças ao muco vaginal. os pequen os lábios se intumescem de sangue. Posicionados dentro dos grandes lábios.uma fenda vertical. ondulações ou g rânulos. enquanto outros podem mostrar dobras. De acordo com certos relatos.

entre a pub erdade e a menopausa. como é chamada essa cirurgia. suas paredes se tocam. o revestimento da vagina é levemente rugoso. na primeira vez que o pênis é inserido na vagina o hímen se rompe e há um pequ eno sangramento. Além disso. quando os noivos exigiam noivas intocadas.O estiramento dos lábios ressurgiu recentemente no mundo ocidental. que afirmam que "mulheres perfeitas sempre têm lábia minora simétricos. ela se expande e chega a 10-15 cm. lábios maiores são considerados feios por alguns escritores. Antes e depois desse período. Entretanto. Com a excitação sexual. A vagina é um tubo de cerca de 8-10 cm de c omprimento quando a mulher não está excitada. Nas virgens. Ge ralmente. Na idade adulta. muitas cirurgias genitais são realizadas para reduz ir o tamanho dos pequenos lábios ou restaurar a simetria quando um lábio cresce mais que o outro. o tecido é liso. Os cirurgiões plásticos certam ente concordarão com essa opinião. e há quem afirme que lábios maiores provocam dor no contato com a roupa. a extremidade externa da vagina é protegi da por uma membrana que fecha parcialmente sua entrada. A labioplastia. sem muitas dobras ou fissuras e que não se projetam além dos grandes lábios". Conta-se que mulheres ex perientes conseguiam simular castidade na lua-de-mel inserindo na vagina uma esp onja embebida em sangue de pombo ou escondendo sob o travesseiro um pequeno . Algumas culturas tinham o costume de exibir a mancha de sangue no lençol do casamento como prova da virgindade da noiva. não há consen so sobre esse fato. Nessa condição. A presença desse hímen foi d e grande importância historicamente. tem sido a mais procur ada entre as "cirurgia íntimas". e existem até cu rsos que ensinam essa técnica para aumentar o prazer sexual. Vagina.

Como uma vagina estreita atrai o homem. que derramavam no lençol no momento oportuno. É por isso que alguém já disse que. na sociedade atual. permitindo que o pênis alcance sua . sua porção interna. Em conseqüência disso. em que muitas jovens se dedicam a esportes vigorosos. mas espiritual". Em mulheres mais velhas. a existência do hím en é enigmática. A região inferior da vagina. que val pode ter isso para a sobrevivência da espécie? Só parece haver uma única explicação possível: trata-se de um passo evolutivo destinado a colocar um leve freio ao contato sexu al precoce. Na extremidade superior da vagina fica a cérvix uterina. para não fa lar do uso de tampões e diversos modos de masturbação. esses músculos se enfraquece m e a tensão muscular diminui. Deflorar uma jovem tornou-se um limite que todo menino tem que ultra passar. só 50% das mulheres modernas sangram no primei ro intercurso. Esse tecido controla o tamanho da abertura vaginal. mais próxima da abertura. é cercada de tecido musc ular. que é menor em mulheres jovens. muitos hímens se rompem antes da primeira penetração. é menos muscular e se expande com maior facilidade par a acomodar o pênis. a forte excitação aumenta as dimensões da vagina.frasco com sangue de algum animal. Se sua função é tornar a primeira relação sexual difícil e dolorosa. Em termos evolucionários. N o tempos atuais. que já tiveram filhos. também ch amada de colo do útero. uma nova ci rurgia plástica está sendo realizada para recuperar a tensão muscular. Durante o ato sexual. A região superior da vagina. Para a formação de um par da espécie isso tem algum se ntido. e a primeira relação sexual entre um casal de jovens amantes se tornou um mo mento mais sério e significativo. "a virgindade não é mais um atributo físico.

descendo ao redor do orifício vaginal. Clitóris. geralmente ele é estimulado manualmente. Sua parte visível é um botão do tamanho de um mamilo. Além da passagem vaginal e dos lábios que a cercam. a mulher não libe ra mais de quatrocentos durante sua vida reprodutiva. o qu e o torna o ponto mais sensível do corpo feminino. Passando por ela. os outros dois. Os dois primeiros situam-se fora da vagina. São pequenas regiões de alta sensibilidade. Localiza-se na parte superior da vulva. Recentemente. e muitas mulheres que têm dificuldade para chegar ao orgasmo pela est imulação vaginal atingem mais facilmente o clímax com o estimulação oral. um cirurgião australiano descobriu que o clitóris na verd ade é maior do que se julgava. o po U. sendo que a mai or parte fica sob a superfície. um óvulo amad urece e se torna fértil em sua passagem pelas trompas de Falópio. cuja e stimulação durante a relação sexual cria condições para o orgasmo. mais grosso e mais erétil) e torna-se ainda mais sensível durante a cópula. . Durante as preliminares. na parte interna. o que leva vários di as. parcialmente co berto por um capuz protetor.extremidade. onde encontrarão um óvulo descendo. São eles: o clitóris. os espermatozóides iniciam sua grande jornada através do útero em direção às trompas de Falóp o. no ponto onde os pequenos lábios juntam suas extremid ades superiores. Trata-se de um feixe de 8 mil fibras nervosas. Embora o ovário contenha literalmente milhares de óvulos. digital ou mecânic a do clitóris. os órgãos genitais também contêm qua tro pontos extremamente excitáveis. É o mais conhecido dos pontos eróticos. A parte visível é simplesmente a ponta. o clitóris cresce (torna-se mais longo. Uma vez por mês. Um deles vai se unir ao óvulo para iniciar uma nova vida. Dotado de uma função apenas sexual. o ponto G e o ponto A. onde o esperma pode ser ejaculado através da cérvix.

acredita-se que ela libere apenas urina. entre ela e a vagina. As mulheres que experimentam essa ejaculação (cuja quantidad e varia de algumas gotas a algumas colheres de sopa) pensam que o forte exercício muscular as levou a urinar involuntariamente. a língua ou a cabeça do pênis. chamadas glândulas de Skene. seme lhantes à próstata no homem. Ele não está presente abaixo da uretra. Portanto. Trata-se de uma pequena porção de tecido erétil e sensível localizado de cada lado do orifício da uretra. esse ponto só recentemente foi investigado por pesquisadores clínicos ameri canos. Por falar . algumas mulheres podem expelir pela uretra um líquido que não é urina. mas isso só ocorre porque elas não con hecem a própria fisiologia. mas não é verdade. haverá uma forte e inesperada reação erótica. a parte oculta é vigorosamente massageada co m os movimentos do pênis. que descobriram que. Ponto U. como essa parte oculta não tem a mesma sensibilidade.Isso significa que. mesmo quando a ponta não é estimulada diretamente. Quando ocorre um orgasmo extraordinariam ente forte. que sob forte excitação produzem um líquido alcalino quimicam ente semelhante ao sêmen. Algumas mulheres afirmam que. a uretr a libera a urina e o líquido seminal que contém esperma. Na mulher. sempre haveria alguma estimulação clitoridiana. No homem. o que lhes permite uma maior excitação. podem friccionar diretamente o clitóris durante os movimentos de penetração do pênis. é importante mencionar a "ejaculação feminina". isso exige um papel mais dominante da mulher. Ao redor da uretra. existem glândulas especializadas. a estimulação direta da ponta do clitóris será sempre impor tante para a excitação da mulher. Menos conhecido que o clitóris. Ainda sobre o tem da uretra feminina. Entretanto. durante a penetração. com uma rotação ritmada da pelve. Entretanto. que nem sempre é aceito pelo homem. se essa região for suavemente acariciada com o dedo.

ele o chamou de "zona erógena". o uso do termo "ponto G" se tornou popular e gerou alguns mal-ente ndidos.) Não se sabe ao certo a razão de ser dessa ejaculação. o ginecologista alemão Ernst Gr afenberg. Convém destacar que o termo "ponto G" nunca foi usado pelo próprio Grafenberg. um homem pediu o divórcio porque acreditava que a mulher urinava nele. talvez mais importante que o clitóris". Pesquisas sobre a natureza do orgasmo feminino realizadas na década de 1 940 descobriram que a uretra da mulher. (Recentemente. A lubrificação vagin al. Infelizmente. localizada de 8 a 11 cm dentro da vagina. Algumas mulheres passaram a acreditar que existe um "botão do . Segundo Grafenberg. é realizada pelas próprias paredes da vagina. também chamada de "papai-e-mamãe". alguns médicos também julgam que a mulher está sofrendo de "incontinência urinária causada por estresse" e indicam um cirurgia para curá-la. essa zona prot uberante "é uma zona erógena. já que ela ocorre um pouco tarde demais para ter função lubrificante. esse tecido co meça a inchar. Recebeu o nome de seu descobridor. Trata-se de uma pequena área altamente sensível.nisso. Outras posições sexuais são muit o mais eficientes para estimular essa zona erógena e. Ponto G ou ponto Grafenberg. que rapidamente se cob rem de um muco quando a excitação começa. tal sua ignorância sob re a atividade genital feminina. Na zona do ponto G. Com o mencionamos. portanto. s e tornou predominante no comportamento sexual humano. provocar o orgasmo . essa expansão resulta numa pequena protuberância da parede vaginal para dentro do canal vaginal. que se situa acima da vagina. que é uma descrição muito mais adequada. na sua p arede anterior. na verdade. Ele explica que esse efeito se perdeu quando a "posição missionária". Quando a mulher se excita. é cercada po r um tecido erétil semelhante ao do pênis.

A idéia é que isso irá aumentar sua sensibilidade e proporcionar melhores orgasmos". ele não parece sofrer de supersensibilidade depois do orgasmo. zona BFA ou Zona Erógena do Fórnix Anterior. é que o ponto G é uma zona sexualmente sensível da parede vaginal. é o equivalente feminino da próstata.. O que é assustador é que algumas mulheres têm se submet ido a injeções de colágeno para aumentar o ponto G. na da é impossível.sexo" que pode ser apertado a qualquer momento para causar uma explosão orgásmica. como já ex plicamos. eles mudaram de opinião. A verdade. porém. (Em outras palavras. Vár ios destacados ginecologistas negaram sua existência quando o assunto começou a ser discutido em congressos. mas no que se refere à busca do prazer sexual. Ao cont rário do clitóris. D ecepcionadas. d escrita tecnicamente como "a próstata degenerada da mulher". Eis um relato: "Um dos mais modern os procedimentos é a injeção no ponto G. provocando forte controvérsia. Substâncias semelhantes às que são injetadas nos láb os para aumentar seu volume podem agora ser injetadas no ponto G. elas chegaram à conclusão de que não existe ponto G. o orgasmo clitoridiano era o único polit icamente correto. Ponto A. diante de uma convincente argumentação. que se to rna levemente protuberante quando as glândulas que circundam a uretra se incham. quando campanhas contra o machismo rejeitaram de cara a possibilidade de um orgasmo vaginal. Esta é uma zona de tecido sensível situada na extremidade do tubo vaginal. A questão também entrou no debate político. entre a cérvix e a bexiga. Parece mais um mito que uma realidade cirúrgica. Para essas mulheres.) A estimulação direta desse ponto pode produzir fortes contrações orgásticas. Não se sabe como elas reagiram à recente comercialização de vibradores capazes de atingir o ponto G. . Mais tarde. assim como o clitóris é o equivalente feminino do pênis.

O resultado foi que três quartas partes da mulheres foram capazes de alcançar um orgasmo vaginal. Hoje é possível adquirir um vibrador especial para a zona EFA — longo. se os quatro pontos erógenos forem es timulados um depois do outro. A parte frontal desse recesso é chamada fórnix anterior. A maioria delas descobre que só a estimulação digital ou oral do clitóris pode conduzir ao clímax. que tem sido incorreta mente descrito. A razão disso parece ser a monoto nia das posições sexuais. mesmo em mulheres que normalmente não são sexualmente receptivas. A cérvix é o estreitamento do útero que se projeta ligeiramente para dentro da vag ina. Finalmente. Houve certa confusão sobre seu posicionamento. T em sido dito que duas em cada três mulheres não conseguem atingir o orgasmo com a si mples penetração. porém. adotando posturas que permitissem maior es timulação dos dois pontos erógenos vaginais. estreito e curvo na parte superior. que é o fórnix. Estudiosos da fisiologia sexual feminina a legam (talvez com excessivo entusiasmo) que. por um médico malaio em K uala Lumpur. para elas. criando um recesso circular ao seu redor. Isso deve significar que. que isso exige um parceiro extremamente sensível e experiente. as mudanças pelas quais os genitais femininos passam durante a excitação sexual podem ser resumidas d a seguinte maneira: . para tocar essa zona. na década de 1990. no ponto mais alto da vagi na. Uma pesquisa realizada com 27 casais solicitou que eles va riassem as posições durante a relação sexual.Sua existência foi relatada recentemente. a mulher poderá alcançar muitos orgasmos numa só noite. A pressão sobre esse ponto produz uma rápida lubrifi cação da vagina. os dois pontos erógeno s localizados dentro da vagina não fazem jus à fama. Sua verdadeira localização é acima da cérvix. Acrescentam.

Os pequenos lábios começam a se in tumescer. As pared es do terço inferior da vagina intumescem em decorrência da congestão dos vasos sangüíneos . Fase 2: aceitação plena A lubrificação ce ssa.Fase 1: início da excitação sexual No primeiro minuto. Fase 3: clímax or gástico . passando de rosados a vermelhos. O tamanho da entrada da vagina diminuí 30% devido ao intumescimento das paredes vaginais. O clitóris está plenamente ereto. Os doi s terços superiores do tubo vaginal começam a se expandir. A cérvix e o útero são empurrad os para cima. a lubrificação vaginal começa. Os p equenos lábios estão no mínimo duas vezes mais espessos. Os grandes lábios começam a se separar. Os dois terços superiores da vagina agora estão totalmente expandidos. Os pequenos lábios mudam de cor . Os grandes lábios se separam a ponto de deixar a vagina mais visível. O clitóris começa a aumentar de tamanho.

a va gina e o útero voltam ao normal. ocorrem a cada 8/10 de segundo. Algumas mulheres conseguem desfrutar de orgasmos múltiplos em rápida sucessão. 25% das mulheres sempre atingem o orgasmo quando fazem s exo. Uma mulher pode atingir o orgasmo em 5 minutos. O mais provável. Pode ocorrer a ejaculação de um líquido (que não é urina). De acordo com uma pesquisa realizada em 2003 na Inglaterra. e que. Números como esses foram usados no passado para tentar provar que as mulheres são bi ologicamente menos orgásticas que os homens. os lábios. O fato de. As contrações musculares ocorrem cm toda a região pélvica (e além dela). mas na técnica sexual dos parceiros. é que homens e mulh eres tenham o mesmo potencial orgástico. os homens tenham se tornado ineptos pura excitar totalmente suas parc eiras. 60% das mulheres terem mencionado qu e também alcançam o orgasmo através da masturbação indica que a incapacidade não está no impu so sexual. enquanto outras têm um primeiro clímax tão intenso que não sent m necessidade de repeti-lo por algum tempo. mais fortes. . o clitóris. 12. porém. vagina apresenta contrações As primeiras contrações. e 5% nunca conseguem. devido a pressões culturais c tradições puritanas. é de cerca de 20 minutos. mas o tempo médio. O número de cont rações por orgasmo varia de três a quinze.O terço exterior da musculares ritmadas. segundo a mesma pesquisa. com base num escudo de 20 mil orgasmos. 50% geralmente conseguem.5% raramente conseguem. Depois do orgasmo.

A forma mais comum de agressão é a circuncisão . pode-se imaginar que uma espécie inteligente como a nossa os trataria com c arinho. a circuncisão tem sido uma prática comum há séculos. pode ficar impotente ou até morrer. longe de ser um costume esquecido. a circuncisão feminina ainda é praticada em mais de vinte países. . Na tentativa de satisfazer as nec essidades sexuais da mulher. cm 1937. eles sofrido uma quantidade anormal de dor. A remoção dos genit ais externos evita muitos "problemas femininos". entre eles nervosismo. embora recentemente. Se o bebê tocar o clitóris da mãe quand o está nascendo. mas em algumas regiões da África. deixando apenas uma minúscula abertura para a passagem da urina e do fluxo menstrual. os grandes lábios e o clitóris são corta dos. e a entrada da vagina é suturada. Muitas ju stificativas são apresentadas para a operação. Infelizmente. muitos maridos usam drogas ilegais.Considerando a grande delicadeza. do Oriente Médio e da Ásia. Como a operação é realizada? Na maioria dos casos. a verdadeira razão é que. Para órgãos que são capazes de dar muito prazer. o homem pode se contaminar. T er genitais externos faz a mulher cheirar mal. complexidade e sensibilidade dos genitais femi ninos. o homem tem mais facilidade de subordiná-la a seus padrões machistas. em mui tas diferentes culturas. um médico do Texas tenha defendido a remoção do clitóris para curar a frigidez. Durante milhares de anos. pode morrer. Na América. O mais assustador é que. Se o pênis toca o clitóris. Essa mutilação tem sido rara no Ocidente. ne urose e câncer vaginal. reduzindo o prazer sex ual da mulher. Naturalmente. O leite da mãe que tem clitóris pode estar envenenado. feiúra. esse é um caso isolado. nem sempre isso acontece. os genitais femininos têm sido vítimas de uma surpreendente variedade de mutilações e restrições.

) Essa forma extrema de mutilação genital chama-se infibulação e. Mais tarde. às vezes chamada de circuncisão sunita (porque al ega-se que ela teria sido recomendada pelo profeta Maomé). (Como se isso não f osse suficiente. Burkina Fasso. Todos os anos. então é a hora de cortá-lo". Uma forma um pouco menos monstruosa envolve apenas a remoção do clitóris e do s lábios. E ainda há quem defenda a operação: "A circuncisão feminina é sagrada. 24 milhões. e a vida sem ela não teria sentido". 7 milhões. a os gritos e sem anestesia. as jovens tem que passar pelo sofrimento d e ter seu orifício artificialmente reduzido rompido pelo marido. 33 milhões.Depois. m as escondidas. Calcula-se que existam hoje mais de 100 milhões de mulheres vivas q ue foram submetidas a essa mutilação. não há condições de assepsia e as mortes são freqüentes. circuncisão faraônica. Eritréia e Serra Leoa. 4. facas ou tesouras). E uma forma mais moderada. Eis alguns números. nada menos de 2 milhões de meninas são submetidas. A escala em que essa infâmia é praticada contra as mu lheres é enorme. as costuras podem ser refei tas. Se o clitóris sai para fora e as excita sexualmente ao roçar contra a roupa. 24 milhões. Egito. exige apenas o corte da ponta do clitóris e/ou do capuz clitoridiano. e 50% em Benin. Costa do Marfim. a essa brutal operação. Sudão. Chade. país por país: Nigéria. Somália. Os instrumentos utilizados são tosc os (navalhas. A natureza anti-sexual dessas operações ficou clara na opinião de um "especialista": "Primeiro eu as examino intimamente. as pernas da jovem são atadas para garantir a cicatrização e a permanência da op eração. às vezes.5 mi . República Centro-Africana. 90% das meninas que vivem em Djibuti. quando elas se casam. 10 milhões. Etiópia. Gui né- . Gâmbia. se o marido sair numa longa viagem. Quênia. Além disso.

a lei foi revogada em 1997 por um fundamentalista muçulmano que impetrou uma ação contra o governo e ganhou. e pe la Ásia. No Egito. diplomatas e políticos das Nações Uni as e de outras organizações importantes se escondem por trás de justificativas conveni entes como "mostrar respeito às tradições locais". a prática sobrevive. Devido às recentes condenações públicas. Mali e Togo tiveram os genitais mutilados. Iêmen e Emirados Árabes Unidos. Como apenas 15% da população do mundo são muçulmanos. ela se disseminou pel o Oriente Médio. um líder muçu lmano publicou uma fatwa contra qualquer pessoa que se oponha à operação. Nem é preciso dizer que as autoridades médicas estão advogando em ca usa própria. No Egito. Diante dessa situação. E exigiram qu e seus governos imponham uma multa de US$ 1 milhão a quem ousar discutir a questão n a imprensa local. E a lista não pára por aí. onde 3 mil meninas são circuncidadas todos os dias. ordenou a pena de morte de. no . Insistem em que a circuncisão das jovens é "uma maneira simples de reduzir a promis cuidade sexual que causaria discórdia no lar entre marido e mulher". Mesmo em países on ela foi oficialmente proibida. afirmando qu e ela merece morrer e referindo-se à operação como uma "prática louvável que respeita as m ulheres".Bissau. os mutiladores (que ganham muito dinheiro realizando a operação) se uniram e formaram uma sociedade para se proteger. E mbora a África pareça ser a fonte original desse tipo de operação. Libéria. e quase todos os que não p ertencem ao Islã (para não mencionar muitos islamitas) se recusam a tolerar a prática. Não admira que eles próprios mereçam tão p uco respeito. onde é praticada em Bahreim. esse homem. onde foi proibida (e m vão). Oman. o xeque Al Azhar. onde é comum nas populações muçulmanas da Malásia e da Indonésia.

já que não há menção à circuncisão feminina no Alcorão. estimular e provocar o interesse sexual nos genitais femininos ". Ela é bem dife rente da mutilação genital que tem sido chamada de circuncisão feminina. Consiste numa pequena barra fina inserida verticalmente no capuz clitoridiano. ela seria mais bonita. mas para uma minoria trata-se d e uma nova moda na longa história da ornamentação corporal.mínimo. Em segundo lugar. Portanto. (Uma das alegações espúrias em favor da circuncisão feminina é a de que ela "deixa o rosto da mulher mais bonito". com uma tacha esférica presa a cada extremidade. q ue se situa bem acima do clitóris. a tacha inferior fica em contato com o clitóris e pode estimulá-lo durante certos .) Finalmente. convém uma breve menção à recente moda dos piercings genitais. É difícil entender por que razão alguém quer ter uma barra ou uma argo la de metal inserida em partes sensíveis da vulva. Quando uma repór ter egípcia lhe fez perguntas embaraçosas. 85% da raça humana. é vol untária e realizada apenas por mulheres adultas. seu objetivo de clarado é "decorar. ele ainda lhe disse que. e a autenticidade da aleg mé — "É permitido [mas] se cortar. se se u clitóris tivesse sido removido. foi ameaçada: "Cortarei sua língua e a língua d e toda a sua ascendência". É o mais popular. e não destruí-los. Os principais piercings ge nitais são os seguintes: Piercing vertical no capuz clitoridiano. E. numa explosão grotesca. não exagere" — tem sido contestada por muitos estudioso s do islamismo. Primeiro. Os seguidores do xeque apóiam sua postura violenta. Esse religioso não tem a menor autoridade para fazer essa declaração.

pequ eno demais para ser perfurado. O clitóris é muito sensível e. Se algumas mulheres modernas são capazes de deixar que seus genitais sejam d olorosamente perfurados apenas para obedecer a um capricho da moda. Enquanto o vertical pode estimula r a parte anterior do clitóris. não se poder esquecer que. Piercing triangular. O ef eito parece mais decorativo e menos estimulante. o capuz é atravessad o de um lado a outro. por motivos óbvios. o triangular estimula a parte posterior. a agressão é feita para aumentar o prazer sexual. Nesse caso. Piercing clitoridiano. Os pequenos lábios são perfurados com um par de barras ou de argolas de cada lado do clitóris ou da abertura da vagina. Também pode ser uma simples argola de metal inserida verticalmente no capuz. na maioria dos casos. Entretanto. embora as duas mutilações representem uma agressão cirúrgica à sensível vulva. é lamentável numa época em qu e tanto esforço está sendo feito para desestimular a circuncisão forçada de milhões de men inas. pode ter a forma de barra ou de argola. Piercing horizontal no capuz clitoridiano. fica muito m ais difícil queixar-se de outras graves mutilações. Mais uma vez. Embora o fascínio por essa mutilação decorat iva dos genitais seja provavelmente uma moda passageira. Trata-se de um piercing hori zontal colocado na base do capuz clitoridiano.movimentos. enquanto a outra tem a finalidad e de destruí-lo. É extremam ente raro. Piercing labial. . em um caso .

e Rimbaud as admira como "dois arcos salientes". Mesmo quando são consideradas uma zona erótica. também de forma equívoca. bunda. Autores mais recentes têm declarado. Entretanto. poupança. traseiro. existe se mpre uma conotação ridícula ou obscena. H. Elas fazem rir ou são objeto de piadas sujas. D. Elas fo ram adquiridas quando nossos ancestrais . O cineasta italiano Federico Fellini comento u. esses são exemplos isolados. Uma busca cuidadosa na literatura se faz necessária para encontrar palavr as de elogio a essa parte da anatomia feminina. Essa atitude negat iva persiste apesar de as nádegas serem um atributo exclusivamente humano. Assento. de vido à sua proximidade com os genitais. O artista espanhol Salvador Dali foi mais longe ao insistir que "é através da bunda que os maiores mistérios da vida p odem ser entendidos". enquanto Byron admite que o tras eiro da mulher é "uma coisa estranha e bela de se olhar". bozó. sem falar em várias outras denominações pejorativas rece bidas em outras línguas ao longo dos séculos. são mais beliscadas e estapeadas do que acar iciadas. padaria. que "a mulher bunduda é um épico molecular de feminilidade" — uma frase que parece ter perdido algo na tradução. rabisteco. e muito mais comuns são os comentários que tratam as nádegas como algo cômico ou vulgar. rabo. popa. Mas seja qual for a denominação. Em O amante de Lady Chatterley. Nádegas As nádegas têm sido injustamente a parte do corpo feminina mais desconsiderada. que "a bunda é a face da alma do sexo". Lawrence faz uma referência lírica à "indolente e redonda calmaria das nádegas".21. de maneira um tanto ambígua. que oferece "um amortecedor de delícias". tralalá são alguns dos nomes pelos quais ela s têm sido chamadas em português. holofote.

exibir o traseiro nu em público provoca reações variadas. todos os nossos resíduos sólidos e — ainda mais notória — uma ocasional emissão de gases. insultos e até um processo judicial. Portanto. a exposição das nádegas é interpretada como um insulto grosseiro — um ato simbólico de defecar sobre o inimigo — ou uma grande obs cenidade — uma desavergonhada exibição dos órgãos sexuais. uma mulher suíça tinha "exposto o traseiro nu". Provavelmente . Recentemente. a Suprema Corte debateu se uma determinada exibição de nádegas era "ofensiva" ou "indecente". Os fortes músculos glúteos se expandiram. Durante uma violenta discussão c om uma vizinha. As nádegas não são sozinhas. Entre elas fica o ân us. na Suíça. exi stem associações excretórias e sexuais. dia após dia. se ela tivesse se .deram um passo gigantesco e se puseram de pé sobre as pernas traseiras. a Suprema Corte anulou a conden ação e até liberou a ré do pagamento de custas. porque não envolveu nenhum órgão de procriação". os genitais ficam à vista. mas não podia ser considerado indecente. Dessa sutil dist inção dependia uma decisão que podia significar condenação. Depois das devidas deliberações. É fácil ver como isso aconteceu. quando nos curvamos para a frente. Além disso. permitindo ao corpo manter-se permanentemente ereto. e são esses músculos que nos dão o par de hemisférios que hoje são tão injustamente ridicul arizados. Portanto. emoldurados pelas curvas fêmeas das nádegas. através do qual passam. Na sociedade moderna. Como havia crianças pr esentes. ela foi presa. Fez isso porque chegou à conclusão de que "o gesto era com certeza um comportamento insultuoso e punível como tal. que vão do riso constrangido a queixas. acusada de atentado ao pudor e condenada pelo tribunal d e primeira instância.

a condenação teria sido mantida . porque propõe uma subordinação humilhante. precisamos voltar à Grécia clássica. a curvilínea deusa da amor. Essa visão primitiva das nádegas como peculiaridade humana deu origem a outra crença.curvado para a frente ao fazer seu gesto de desafio. "que tem belas nádegas" —. Para entender do que se trata. em parte devido à sua agradável curvatura. t inha nas nádegas a parte esteticamente mais agradável de toda a sua anatomia. Afrodite Calipígia — literalmente. ambos estão envolvidos numa antiqüíssima prática de ocultismo. Os primitivos . a nudez não é mais o que era. Segundo os gregos. Eram tão veneradas que um templo foi erguido em sua honra — fazendo das nádegas a única parte do corpo humano objeto de culto. A atua! visão das nádegas como moti vo de chacota não era a dos antigos gregos. mas também por seu contraste com o traseiro dos macacos e chimpanzés. que os gr egos consideravam as nádegas um sinal da suprema condição humana. Pessoas que se ex m dessa maneira em eventos esportivos geralmente só provocam risadas. Foi assim que o Demônio ganhou a reputação de ser "desbundado". A exposição das nádegas se torna abusiv a quando acompanhada de frases como "Beije o meu rabo". Se as nádegas arredondadas eram a marca que disti nguia o ser humano dos animais. assim como o s estudantes de universidades que exibem as nádegas nas janelas dos dormitórios. Essa reações extremas à exposição das nádegas hoje são raras no Ocidente. Aí é um insulto. Mas não é só isso. então os monstros das trevas não deviam ter essa car acterística anatômica. Para eles. Com o forma de protesto. Os dois hemisférios humanos eram tão diferen tes dos dois pedaços de carne dura (as calosidades dos ísquios) do macaco. Embora nem quem insulta nem quem é insultad o percebam. as nádegas eram uma parte bel a da anatomia.

europeus estavam convencidos de que, embora pudesse assumir a forma humana, o De mônio nunca conseguia simular as nádegas arredondadas, que estariam além de seus poder es diabólicos. Acreditavam que essa impotência era fonte de grande angústia para o Demôn io, e uma grande oportunidade de atormentá-lo. Para aumentar sua inveja, bastava m ostrar a ele as nádegas nuas. Como essa súbita exposição lhe lembrava sua deficiência, ele se via obrigado a olhar para longe, desviando o olhar maléfico. Isso protegia o h umanos do temido "Olho do Demônio" e tornou-se um gesto muito utilizado para afast ar as forças do mal. Usada dessa forma, a exposição das nádegas não era considerada vulgar nem indecente. Nos fortes e nas igrejas, esculturas de mulheres exibiam suas náde gas arredondadas para afastar os maus espíritos, já que as nádegas estavam sempre volt adas para fora da porta principal. Na Alemanha, se havia uma tempestade terrível d urante a noite, as mulheres exibiam as nádegas na porta das casas na esperança de re chaçar os poderes malignos e evitar que a tempestade causasse mortes. Provavelment e, foi assim que a exposição das nádegas começou, e hoje os que a expõem praticam a antiga tradição cristã sem o saber. Com o Demônio fora de moda como grande inimigo, a exibição é vi ta hoje como um gesto grosseiro. De um gesto de desafio religioso, tornou-se um gesto obsceno. Mas como isso pode explicar as frases grosseiras que acompanham o gesto? Para entendê-las, é preciso observar as primitivas representações do Demônio. Se e le não tem nádegas, o que tem então nos quartos traseiros? A resposta é: no lugar onde d eviam estar as nádegas ele tem outra face. E essa segunda face é que supostamente er a beijada pelas bruxas no ritual do sabá. Acusadas do ato vil

de beijar o traseiro do Demônio, elas se defendiam dizendo que beijavam a boca de sua segunda face. Tudo isso, naturalmente, é fruto da fértil imaginação medieval, o que não vem ao caso. A verdade é que lendas e crenças transmitidas de geração a geração deixam cl ro que "beijar o traseiro" era o gesto de um seguidor de Satã e, como tal, um ato abominável. Quando as superstições desapareceram, essas ligações se perderam, mas, como qu ase sempre acontece, a frase popular sobreviveu e foi incorporada ao insulto mod erno. Até aqui, a exposição das nádegas foi analisada unicamente como um ato hostil, mas a questão tem outro lado. Em contextos totalmente diferentes, a exibição das nádegas te m forte apelo sexual. As fêmeas de muitas espécies de macacos têm o traseiro colorido. Quando se aproxima a época da ovulação, ele vai se tornando mais evidente e inchado, mas depois volta ao estado normal. Isso significa que, com um olhar, o macho pod e saber se a fêmea está sexualmente ativa. O acasalamento geralmente só ocorre quando o traseiro da fêmea atinge seu ponto mais protuberante. Com a mulher é diferente. Se u traseiro não aumenta ou diminui com o ciclo menstrual. Ele se mantém protuberante o tempo todo, assim como sua sexualidade permanece alta. A fêmea humana expandiu s ua sensualidade a ponto de estar sempre potencialmente receptiva ao macho. Ela s e envolve numa relação sexual mesmo quando não pode conceber, porque a função do acasalame nto humano não é apenas a procriação. Como um sistema compensatório, ele ajuda a fortalece r os laços emocionais entre homem e mulher, mantendo a unidade familiar. Para os h umanos, a cópula é literalmente fazer amor, e é importante que o corpo da mulher seja capaz de transmitir sinais eróticos o tempo todo.

Pode-se argumentar que, se os músculos glúteos se destinam a manter a postura ereta, a mulher não poderia deixar de ter as nádegas permanentemente empinadas. Mas as nádeg as femininas são mais do que simples mecanismos para manter a postura ereta. Em re lação ao tamanho do corpo, são maiores que as dos homens, não porque sejam mais musculos as, mas porque têm maior quantidade de tecido gorduroso. Essa gordura extra tem si do considerada um estoque de alimento para as emergências — quase como a corcova do camelo. Verdade ou não, o simples fato de essa gordura extra nas nádegas ser um atri buto do sexo feminino faz delas um sinal sexual. Esse sinal é acentuado por dois o utros atributos femininos: a capacidade de rotação da pelve e a ondulação dos quadris ao caminhar. Como já dissemos, a mulher comum (que não deve ser confundida com a atlet a cujo corpo se masculinizou com o treinamento) tem as costas mais arqueadas que o homem. Em posição normal de repouso, o traseiro se projeta mais para fora que o d o homem, não importa seu tamanho. Quando ela caminha, a estrutura óssea das pernas e dos quadris provoca uma ondulação maior da região glútea. Em curtas palavras: ela rebol a ao andar. Quando esses três atributos — mais gordura, maior protrusão e mais ondulação — s e combinam, o resultado é um forte apelo erótico. Não é que a mulher empurre deliberadam ente o traseiro para trás e conscientemente rebole para chamar a atenção dos homens, m as isso ocorre devido à conformação do seu corpo. É claro que ela pode exagerar esses at ributos naturais e correr o risco de se transformar numa caricatura. (Recentemen te, um espectador atento relatou que, durante um show, a cantora Kylie Minogue r ebolou os quadris 251 vezes.) Mas mesmo que a mulher não faça nada, sua anatomia est ará sempre transmitindo os sinais característicos do seu sexo.

Hoje já não se vêem tantos quadris protuberantes e ondulantes como antes. Parece que a s mulheres de hoje não são tão avantajadas quanto nossas ancestrais. Naturalmente, não s e pode ter uma prova disso pelos esqueletos, mas, quando observamos pinturas e e sculturas da Idade da Pedra, vemos imensas nádegas por toda parte. Mesmo depois da Idade da Pedra elas persistem na arte pré-histórica de muitas culturas, mas depois começam a desaparecer até atingir as proporções atuais, que, embora ainda sejam bem maio res que as dos homens, são consideravelmente menores. Esses fartos traseiros primi tivos deram lugar a muita especulação. Uma hipótese é a seguinte. Nossos ancestrais copu lavam por trás, como outros primatas, de modo que os sinais sexuais pré-humanos da fêm ea vinham do traseiro. Quando evoluímos para a postura ereta e os músculos traseiros formaram as nádegas, a forma arredondada se tornou o novo sinal sexual. As mulher es que tinham grandes traseiros enviavam fortes sinais sexuais, e com isso as náde gas foram crescendo. As mais sensuais tinham a vantagem de enviar supersinais co m suas supernádegas, mas elas ficaram tão grandes que começaram a atrapalhar o ato sex ual. Então os homens resolveram o problema adotando a cópula frontal. Em razão desse a casalamento frontal, os seios cresceram para imitar os grandes hemisférios posteri ores. A partir de então esses superseios também eram capazes de enviar fortes sinais sexuais, dividindo o fardo, por assim dizer, com as nádegas, que agora podiam com eçar a diminuir de tamanho. Essa última versão da fêmea humana, mais equilibrada e mais ág il, tinha uma considerável vantagem sobre o modelo antigo, que foi sendo gradualme nte substituído. Se essa especulação estiver correta, teremos que encontrar vestígios de sua evidência. Esses vestígios podem ser encontrados hoje nos desertos do sudoeste da

África, onde as mulheres do povo san ainda exibem as imensas nádegas das figuras da Idade da Pedra. Em algumas mulheres, as dimensões do traseiro atingem proporções assus tadoras e nos mostram como deviam ser todas as nossas ancestrais há muitos milhare s de anos. Há quem diga que comparar européias da Idade da Pedra — prováveis modelos das figuras rupestres — com mulheres que vivem atualmente no sul da África é absurdo, mas essa objeção ignora a verdadeira história do povo san. Esse povo não vive hoje no deser to porque esse seja seu ambiente favorito. Esse foi o último canto da Terra onde e les puderam se manter unidos, já que são um ramo da família humana em extinção. Seus ances trais dominavam grandes extensões da África e deixaram belas pinturas rupestres como prova disso. Mas eles representavam a Idade da Pedra Lascada, período em que a caça e a coleta eram os meios de vida. Com a chegada dos povos da Idade da Pedra Pol ida — os primeiros fazendeiros —, eles foram sendo expulsos de quase todos os seus t erritórios, e hoje são cerca de 50 mil indivíduos, quase insuficientes para povoar uma pequena cidade. No passado, porém, foram um dos povos dominantes da nossa espécie, e não há razão para supor que suas imensas nádegas (uma condição que se denomina "esteatopig ia") fossem uma raridade. É mais que provável que, na Idade da Pedra, elas fossem um atributo feminino comum, e que os artistas rupestres tenham se inspirado em mul heres reais, e não em figuras de suas fantasias eróticas. Quando as mulheres mais ágei s e magras dominaram a cena, a velha imagem de grandes glúteos não desapareceu compl etamente do inconsciente humano. Ela ainda ressurge de tempos em tempos de manei ras inesperadas. Muitas roupas exageram o tamanho das nádegas. Mesmo na época vitori ana, o olhar do homem pôde apreciar uma nova forma artificial de esteatopigia com a introdução das anquinhas. Arames, enchimentos e cor-

dões entraram em cena para reproduzir a perdida adiposidade da região glútea. As elega ntes que usavam suas anquinhas nas reuniões da sociedade vitoriana com certeza fic ariam horrorizadas com essa interpretação, mas hoje a comparação é inevitável. No século XVII o principal artifício para exagerar o traseiro feminino eram os sapatos de salto alto. Esse tipo de calçado distorcia o andar da mulher de tal maneira que as nádegas eram empurradas para cima e para fora e obrigadas a ondular mais ainda. Mesmo s em indevidos exageros, as nádegas continuam a ser um foco erótico no corpo da mulher moderna. Longos vestidos que escondem as pernas em geral são cortados de maneira a exibir o contorno das costas e delinear os movimentos. Peças como as minissaias dos anos 1960 exibiam o traseiro, e calças justas, embora escondam a carne, não deix am dúvida quanto à forma exata dos hemisférios posteriores. No início da década de 1980, a moda criou uma linha de calças jeans bem apertadas, deliberadamente desenhadas pa ra exibir essa região do corpo como um símbolo sexual da mulher recém-liberada. O auto r de um livro chamado Rear View (Visão traseira), publicado na época e exclusivament e dedicado ao impacto erótico das nádegas femininas, saudou a nova era com as seguin tes palavras: "A Butt Blitz (Investida das Bundas) começou em 1979 quando uma de s uas porta-vozes enfiou sua vibrante, giratória e bem-cortada derrière na cara assust ada do público de uma rede de televisão. [...] Foi o início de um fenômeno cultural conh ecido como jeans de marca". Em poucos anos, os jeans de marca competiam com as c alças mais largas, e os dois estilos conseguiram conviver durante um certo tempo. À medida que as calças compridas passaram a dominar a moda feminina e as saias caíram na preferência das mulheres mais jovens, as velhas e malcortadas calças jeans no est ilo trabalhador

quando os jornai s da Europa e da América anunciaram que ela havia segurado seu admirado traseiro p or US$ 1 bilhão. Embora nem todos no mundo da moda tenham aprovado o novo modelo. definido como "sexualmente atraente. torn ou-se popular um estilo de música chamado booty rap. Começou na década de . as nádegas femininas estavam numa fase de grande valorização. Um comentar ista chegou a dizer que "as nádegas eram os novos seios". o fato de que tal notícia possa ter sido inventada e chegado às manchetes é um sinal do grande interesse por essa parte da anatomia feminina no fim do século XX. A atriz e cantora Jennifer Lopez chamou a atenção cm 1999. cada vez mais pessoas prestavam atenção a essa parte do corpo. No Brasil. em especial com nádegas volup tuosas". Originalmente restrito à gíria dos negros american os. foi inventada até um a nova palavra para descrever a mulher que possui um traseiro farto: "poposuda". À medida que o século XX se aproximav a do fim. e o cenário musical brasileiro assistiu a um culto por dançarinas poposudas. Nos Estados Unidos. quando uma jovem estilista ingle sa lançou um modelo que tinha a cintura tão baixa que deixava ver o sulco entre as nád egas. saíram de moda. As mod elos esqueléticas. Embora ela tenha publicado um desmentido. Na Inglaterra. o termo foi dicionarizado pela primeira vez em 2002. um concurso que elege "O Traseiro do Ano" se tornou muit o popular. que delineavam e Uma forma extrema dessa tendência surgiu em 1992. O termo "booty" era um novo e ufemismo para "buttocks" (nádegas). junto com seu adjetivo "bootylicious". dotadas de um traseiro diminuto perto do dessas mulheres.foram substituídas por modelos glamorizavam a região glútea.

Já se disse que o símbolo universal do amor. mas existe uma terceira maneir a pela qual essa parte do corpo pode ser exposta. que é a da . mas o alto custo parece não ser um obstáculo. quando alguém se hospeda num hote l no Rio. ela se parece muito pouco com o verdadeiro coração e tem uma estranha semelhança com as nádegas femininas vi stas por trás. Essa cirurgia custa cerca de US$ 10 mil. esse tipo de cirurgia é tão comum no país que. Há muito nossa espécie aban donou a locomoção sobre quatro patas.1980. Um dos maiores centros desse tipo de cirurgia é o Brasil. cresce a demanda por produtos e procedimentos cosméticos destinados às náde gas. É difícil dizer quanto tempo vai durar essa moda de nádegas firmes e generosas. mas ganhou maior publicidade com a chegada do novo milênio. Aparent emente. pode encontrar folhetos de propaganda de clínicas de cirurgia plástica ao lado do inevitável exemplar da Bíblia. a forma es tilizada do coração.600 cirurgiões plásticos em atividade. onde calcula-se que existam no mínimo 1. mas não há dúvida de que o mundo da moda e da cultura pop ular esté sempre voltando à região glútea como foco de erotismo. na realidade se baseia nas nádegas. Dos dois lados d o Atlântico. as mulheres também querem tê-las mais firmes. para criar uma aparência mais j ovem e mais voluptuosa. Novamente. Até aqui. Além do aumento da s nádegas. uma imagem humana primitiva pode estar em ação. anal isamos os aspectos ofensivos e sexuais das nádegas. tanto através de injeções de gordura quanto de implantes. mas o traseiro feminino se recusa a desaparece r do inconsciente masculino. mas agora os cirurgiões plásticos relatam uma enorme procura por nádegas mais volu ptuosas. Enchimentos e peças elásticas destinadas a levantar as nádegas já vinham sendo usad os. De fato.

o gesto pode ser mal interpretado. Em ambos os casos. Como demonstração de submissão. Os indivíduos dominantes raramente atacam esse s subordinados: ou o ignoram ou o montam brevemente. Fora do âm bito de um casal de amantes. ou entre esportistas durante uma competição acirrada. é feita dand o as costas para a pessoa homenageada. a postura humilhante não é suf iciente. A vítima deve primeiro curvar-se para a frente na postura submissa dos primatas. como entre pais e uma criança muito pequena. se ela fosse um macaco. para certos humanos dominadores. uma palmada no traseiro só pode ser usada com segurança como sinal de amizade quando não existe perigo de envolvimento sexual. mostre-me sua superioridade monta ndo-me em vez de me atacar". a não ser que exista uma intenção sexual oculta. com alguns movimentos pélvico s. o gesto é importante.submissão. Os macacos submissos de qualquer sexo mostram o tra seiro ao superior de qualquer sexo. Devido às suas implicações sexuais. e então. Nesse aspecto. A exposição das nádegas numa humilhante postura curvada teve um papel duradou ro como gesto de submissão. uma vez nessa posição que. aquele que expõe as nádegas está dizendo: "Eu me ofereço no papel passivo feminino. a livraria do ataque. com uma cinta ou u ma vara. é injustamente espancada com a mão. não há diferença entre o ser humano submisso e o macaco submisso. Parece tanto o gesto de submissão dos prima tas que é difícil não relacioná-los. Parece que. praticada como uma cerimônia de agradecimento. O tapa no traseiro restring e-se portanto a certos contextos. porque permite ao fraco subordi nado permanecer perto do poderoso dominante sem ser atacado. Por favor. e o tapinha nas costas é preferível. Em ambos . Em algumas sociedad es tribais. o contato com as nádegas é proibido. a curvatura. Uma forma mais comum de exposição das nádegas é aquela e ue a criança é espancada como castigo. Entre amig os numa reunião social.

O autor de uma obra satírica intitulada Como ser italiano relata os três beliscões fundamentais: Pizzicato: um rápido beliscão executado com o polegar e o dedo médio. Entre amantes. De acordo com sua educação. quando estranhos podiam se abraçar enquanto dançavam. . os tapinhas muitas vezes são substituídos pelo gesto de agarrar as nádegas para acompanhar as vigorosas estoca das da pelve. ela podia se sentir orgulhosa. o cavalheiro pod ia explorar a situação deixando a mão descer pelas costas da dama em direção às nádegas. A co tinuação dessa estratégia. É essa ligação sexu al que causa uma reação ultrajada diante de um gesto que outrora foi um costume dos italianos: beliscar as nádegas da mulher em público.os casos. executado com vários dedos e várias vezes em rápida sucessão. é o atrevido ver sua mão rapidamente de volvida à posição original. Nos estágios avançados do ato sexual. Por outro lado. As mãos que a braçam as costas facilmente passam às nádegas à medida que a excitação cresce. Qualquer mulher atraente que ca minhasse por uma cidade italiana corria o risco de ter as nádegas beliscadas por u m admirador desconhecido. os pensamentos sexuais são tão remotos que não há possibilidade de um mal-ente ndido. parentes idosos ou "amigos da família" que exploram a difer ença de idade batendo nas nádegas de adolescentes e desfrutando o contato sexual dis farçado em castigo parental podem criar muitos problemas. na mente dos amantes. Nos bailes de antigamente. levemente irritada ou ofendida. Vivace: um beliscão mais vigoroso. um tapinh a no traseiro é comum. E um acompanhamento freqüente dos beijos e abraços. a fortes emoções sexuais. É durante essa fase de contato físico que a forma arredondada das nádega s se liga intimamente. Recomendado para iniciantes. como mostram os filmes.

a porcentagem de adeptos é mu ito maior. ele é uma saída. onde eram penduradas pedras preciosas. Uma pesquisa com 5 mil donas-decasa do Brasil revelou que 40% dos cas ais que viviam no campo e 50% dos que viviam nas cidades "consideravam o coito a nal uma parte normal da sexualidade". num gesto absurdo de coragem. f azia furos nas nádegas. Apenas 10% o julgaram bastante satisfatório para ser adotado como atividade regular. existe a questão do uso do ânus feminino como orifício sexual. Finalmente. na qual ele mostra uma nativa de aparência infeliz c om jóias penduradas nas nádegas. Em algumas partes do mundo. as nádegas não têm grande utilidade..] de um certo povo que.Sostenuto: um beliscão bem apertado e prolongado. Man Tran sformed (Homem transformado). Encontramos o único exemp lo de nádegas ornamentadas numa obra de John Bulwer escrita no século XVII. Calcula-se que cerca de 50% das mulheres ocidentais tenham experimentado o sexo anal em alg um período de sua vida. lembro-me [. e portanto pode ser fonte de prazer. o sexo anal não é . Anatomicamente. Do ponto de vista biológ ico. e muito prejudicial a uma vida sedentária". São muito íntimas para exibir obras arte e muito inadequadas para carregar ornamentos. já que destinadas ao ato de sen tar. exceto entre os fanáticos. As feministas não acham a menor graça nisso. Como área des tinada à decoração. e a evolução não o preparou para receber a penetração. o ânus é rico em terminações nervo sas. adequado no caso de "cintas resi stentes". Nádegas tatuadas não são comuns. porém. Bulwer comenta: "Entre outras asquerosas invenções de a lgumas nações. procurando nas ruas nádegas masculinas que pudessem ser beliscadas.. e uma ocasião chegaram a revida r. O que se revelava u ma moda inconveniente e desconfortável. Funcionalmente. e não uma entrada.

por exemplo. . mas sentem-se inibidos pelo sangramento. principalm ente na América Latina. Isso está explicitamente demonstrado na cerâmica pré-colombiana do P eru. antes que existissem preserv ativos. ignorância ou convicções religiosas —. mas eficiente. o sexo anal era usado como uma forma primitiva. e não conta com a ajuda da hibrificação automática de glândulas e specializadas ou das outras mudanças que facilitam a penetração vaginal. a penetração é evidentemente anal. em partes da África e no Oriente. Uma segunda razão é que ela permite aos jovens casais se entregarem ao s exo antes do casamento sem que a mulher perca a virgindade. a penetração anal seja utilizada como forma de controle da natalidade. Isso é particularmente verdade em certas culturas mediterrâneas. o ânus tem sido coagido a desempenhar o papel de uma vagina s imbólica.uma atividade "natural". a penetração vaginal só é mo strada se não existe um bebê dormindo ao lado deles. Onde não há preservativos disp oníveis por qualquer razão — pobreza. O sexo anal lhes ofer ece uma solução para o problema. r dos riscos para a saúde. Como a mulher continua s exualmente receptiva quando está menstruada. Sempre que um casal aparece fazendo sexo. no curso da história. Apesar disso. é provável que. E ssa forma de contracepção sobrevive ainda hoje em muitas partes do mundo. Quando há um bebê presente — a maneir a de o artista mostrar que eles formam uma família —. de contro le da natalidade. os homens muitas vezes desejam fazer sexo nesse período. Parece haver quatro razões para isso: Há séculos. nas quais a exibição dos lençóis manchados de s angue depois da noite de núpcias ainda é exigida como prova da virgindade da noiva. Uma terceira razão é a aversão masculina ao sangue menstrual.

a perfuração do hímen antes do casamento ou o con tato com o sangue menstrual. . além de evitar a gravidez.Finalmente. essas razões explicam a ocorrência generali zada de uma atividade que tem sido um assunto tabu. o sexo anal também é utilizado como uma variante erótica para casais que buscam novidade. Juntas.

vale a pena investigar os motivos dessa forte atração. que foi enviado de volta por um mensageiro com as seguintes palavras: "A rainha da Espanha não tem pernas". que se interessa m por todas as partes do corpo da mulher. Quando. a adoração atinge o grau de fetiche. mesmo entre heterossexuais normais. Pernas O poder erótico das pernas sempre foi valorizado. O que o mensageiro quis dizer é que. Ao ouvir isso. El es não se interessam por nenhuma outra parte do corpo feminino e conseguem obter s atisfação sexual. pensando que quando se casasse teria as pernas amputadas . mostrar as pernas er a sinônimo de convite sexual. Em alguns homens. antes de examinar as pernas como meio de locomoção. O que existe nas pernas femininas que as torna sexua lmente atraentes? Sua função primordial é nos manter de pé e nos fazer caminhar. um dos presentes de casamento foi um par de meias. . aos 15 anos. como não se podia ver as pernas da rainha. Esse comportamen to é relativamente raro.22. Uma pergunta presente em qualquer vestiário esportivo m asculino é a seguinte: "O que você prefere: seios ou pernas?" A fixação pelas pernas é tão g rande que existe uma publicação exclusivamente dedicada a essa obsessão masculina: Leg World (Mundo das Pernas). não havia por que enfeitá-las com meias decorativas. por exemplo. a princesa austríaca Mariana estava para se casar com Felipe IV da Espanha. Assim. acariciando um par de meias de náilon. parece haver uma inexplicável preferência pelas pernas. a pri ncesinha caiu no choro. É evident e que as pernas evoluíram como estruturas de locomoção. mas. Naquela época. e no entanto os homens são obcec ados por elas sexualmente.

o par de pernas funcionasse como uma flecha que indicasse a "terra prometida". Eis o qu e diz Amy Vanderbilt. claro. Ca da vez que uma mulher abre. chama a atenção para o ponto o nde elas se encontram — que é. po lidez ou subordinação. Como na posição papai-e-mamãe a m ulher mantém as pernas abertas. as mulheres da alta sociedade eram proibidas de adotar essa postura em público. que se senta com os joelhos juntos. o foco principal do interesse sexual masculino . Todas as posições em que as pernas fica m fechadas. o homem costuma identificar essa postura com uma m ulher sexualmente ativa (por exemplo. mos tra uma neutralidade que lhe dá um ar de correta inibição. A única outra alternativa ade quada é a postura de pernas cruzadas. Os livros de etiqueta ensinam as jovens a não se sen tarem de pernas abertas. É quase como se. Amy Vanderbilt achou necessário informar às mulher es americanas que "é gracioso sentar-se com o polegar de um pé posicionado ao lado d o polegar do outro e com os joelhos unidos". a maior autoridade moderna em boas maneiras: "Cruzar as pe rnas hoje não é mais uma atitude masculina. e mesmo hoje os livros de etiqueta mais conservadores ainda a desaprovam. fecha ou cruza as pernas. em comentários como "Ela teve que ser enterr ada num caixão em forma de Y"). Em 1972. Primeiro. que tem um quê de informalidade. mas existem boas razões para evitar ao máxim o essa postura. no recesso da mente do homem. abrir as pernas sem pre foi um gesto carregado de significado sexual. Nesse aspecto.A primeira e mais óbvia explicação talvez esteja na forma como as pernas se juntam. No século XIX. passam uma imagem de formalidade. ela cria uma . esteja a mulher de pé ou sentada. mesmo em momentos em que a mul her está apenas procurando uma postura mais confortável. Uma moça bemcomportada.

protuberância nas coxas que se sobrepõem. Posição panturrilha -com-panturrilha. Portanto. por exemplo. Em segundo lugar. Posição joelho-com-joelho. Se a mulher está usando saias. É a postura mais comportada de todas. Posição calcanhar-com-calc anhar. . percebe-se que existem nove maneiras de cruzar as pernas. A parte das pernas que se cruzam é muit o pequena. nunca foi fotografada com as pernas cruzadas acima da panturrilha. argumentando que a informalidade da post ura pode dar uma impressão de pretensão ou de excessiva descontração. A rainha da Inglaterra. com saias curtas. Passa uma imagem formal e "correta" . Essa é a primeira das posturas verdadeiramente informais e costuma ser vista em situações sociais comu ns. Em terceiro lugar. causando varizes". essa postura pode ser usada (consciente ou inconscientemente) com intenções sexuais . Analisando mais detalhadamente essa postura. Não é uma postura muito comum. e a posição quase não difere da postura de pernas fechadas. pode expor inadvertidamente as coxas. Ela alerta para o perigo de cruzar as pe rnas durante uma entrevista de emprego. As pernas cruzadas indicam que a mulher está instalada e não pretende se levantar de repente. só é demonstrada por mulheres de alta condição social e m ocasiões públicas. parece que prejudica a circulação. Assim como a primeira postura. pode s er indecente ou no mínimo um sinal de descompostura. A diferença entre a postura comportada de pernas juntas e a postura de pernas cruzadas está no fato de que a primeira mostra uma prontidão da mulher para se levantar. enquanto a segund a mostra sua disposição de permanecer confortavelmente sentada. As pernas juntam rev elam uma disposição para a ação.

Nesta postura. Portant o. São maneiras de cruzar as pernas qu e. São formas de linguagem corporal que transmitem sin ais subliminares sobre o estado de espírito da pessoa. as pernas se enroscam e se mantêm nessa posição com a ajuda do pé flexiona do. a maneira de cruzar as pernas também pode indicar identidade entre duas m ulheres.Posição coxa-com-coxa. Posição de pernas entrelaçadas. porque a maioria dos homens não consegue executá-la. são adotadas apenas por homens. É outra po stura predominantemente feminina. . mais uma vez por causa da conformação pélvica. Se duas amigas têm uma visão semelhante sobre determinado assunto. mas a região pubiana. É uma posição muito feminina. é a pelve mais larga da mulher a responsável pela diferença. N esta postura. Devido a conformação da pelve feminina. Posição panturrilha-c om-joelho. Posição pé-com-pantu rrilha. na qual uma coxa se ap erta contra a outra. posição calcanhar-comjoelho e posição calcanhar-com-coxa. Estas três posturas são obtidas com uma perna erguida acima da outra. essa é uma postura facilm ente adotada por mulheres. um pé descansa sobre a panturrilha da outra perna. Essas maneiras de cruzar as pernas são vistas em quase todas as reuniões sociais. já que é muito desconfortável para o homem. Além das diferenças de gênero já ap ontadas. vão expor não só as coxas. É a preferida dos homens que gostam de afirmar sua masculinidade (ou das m ulheres que querem mostrar que são iguais aos homens). e ocasionalmente por mulheres que estejam usand o calças. É uma versão mais radical da última postura. é muito pr ovável que cruzem as pernas de maneira semelhante quando se sentam para conversar. Mai s uma vez. mas raramente praticada por homens. se a mulher estiver de saia.

Se são amigas. Suas pernas tran smitem uma mensagem tácita: "Sou diferente de você". quanto mais apertadas as pernas. Outro aspecto sexual das pernas é a maneira como elas são escondi das pelas roupas. e essa postura não pass a despercebida. mais defensiva é a postura interior da mulher. A postura de pernas afastadas revela autoconfiança. são tão fortes os sinais sexuais transmitidos pelas pernas fe mininas que só uma postura descontraída entre os dois extremos pode ser adotada sem atrair atenção sexual. Na verdade. porque muitas pessoas se sentem mais confortáveis com a s pernas cruzadas e adotam essa postura mesmo quando estão sozinhas. Ao longo da história. se uma é superior à outra e quer afirmar sua condição. Quando duas mulheres sentam-se lado a lado. Mas é verdade q ue quando alguém não se sente à vontade diante de outras pessoas tem maior probabilida de de manter as pernas cruzadas do que quando está relaxada. Se existe uma animosidade entre elas.Entretanto. pernas cruzadas são o oposto de pernas afastadas. mesmo que as pessoas ao seu redor não se dêem conta disso. o gesto d eixa de ser defensivo e começa a ter um certo sabor sexual. Se uma mu lher exagera nessa postura de defesa sexual e aperta demais as pernas. os joelhos apontam para fora e ajudam a desviar o corpo nessa direção. Por causa disso. os j oelhos de uma ficam voltados para a outra. porque "a dama protest a demais". a direção em que cruzam as pernas também é significativa. a . Existe ainda outro elemento na maneira como uma mulher cruza as pernas. Isso é uma simplificação. provavelmente adotará u ma maneira de cruzar as pernas diferente da de sua subordinada. Pode-se afirmar com uma certa segurança que. Em certo sentido. houve quem chegasse a afirmar que todas as pessoas estão na defensiva quando cruzam as p ernas.

No último século. "apêndices". Só dep ois da Primeira Guerra Mundial elas saíram do esconderijo. O que comentários como esse revelam. é difícil compreender o ambiente social que tornava possíveis tais extremos de pudicícia. Cada centímetro que as saias subiam provocava prote stos e acusações de licenciosidade das autoridades puritanas. À mesa. a p roporção visível das pernas femininas variou consideravelmente. etc. eram usados eufemismos como "extre midades". Entretanto. Tão forte e total foi essa supressão que até a palavra foi proi bida nos círculos educados. mais uma vez. e mesmo então ainda causa ram muito assombro. as perna s desapareceram por completo de vista por longos períodos. Todas as vezes que as mulheres se rebelaram con tra isso. e isso era demais para alguns homens. a exposição tinha então que ser maior. pouco depo is.. e a simples visão de um c alcanhar era chocante. é o forte apelo erótico das pernas femininas. Um proeminente advogado se queixou de que "a provocação de pernas coberta s de seda e coxas seminuas [.] era devastadora e insuportável". uma coxa de galinha tornou-se apenas "carne escu ra". As jovens rebeldes dos anos 1920 ousavam expor as panturrilh as e até os joelhos. Para chocar.. o novo comprimento era aceito como norma. Nos Estados Unidos. até que toda a perna estivesse à mostra. mas a verdade é que as pernas foram um tabu durante muito tempo. encurtaram as saias. O mot ivo é . Hoje. Muitas jovens foram proibidas de usar as novas saias curtas no trabalho. Diziam que a nova moda estava corrompendo os padrões morais.maioria das religiões preferiu ver as pernas das mulheres totalmente cobertas — outr a admissão de seu potencial erótico. Em diferentes períodos da história ocidental. e que aquelas moças "modernas" se comportavam como prostitutas. e apenas a região pubiana coberta por uma estreita faixa de tecido.

As saias curtas dos agitados anos 1920 for am substituídas pelas saias longas dos anos 1930 pós-depressão. que por sua vez deram lugar às saias longas dos recessivos anos 1970. e as longas reap areciam em períodos de depressão econômica. Com saias curtas. no fim da década de 1940. a saia longa tem a vantagem de provocar um for te impacto quando é erguida ou removida. E. foram substituídas pelas minissaias dos liberais anos 196 0. Portanto. Mais do que qua lquer fator sexual. não resultaram de uma onda moralista.óbvio. constataremos que as saias curtas foram adotadas em períodos de florescimento econômico. Qualquer dançarina de strip-tea se sabe que precisa começar totalmente vestida. Era como se as mulheres. mas isso é apenas parte da história. mas tem a desvantagem de ficar a maior pa rte do tempo bloqueando os sinais sexuais emitidos pelas pernas. seria um erro concluir que as mudanças no comprimento d as saias durante o século XX refletem apenas as flutuações do vigor sexual da sociedad e. mas a des vantagem de que a familiaridade gera desinteresse. por exemplo. influenciadas pelas mudanças de humor da sociedade. mais fácil é imaginar o ponto onde elas se encontram. A curta tem a vantagem de expor as pernas o tempo todo aos olhares masculinos. pode-se dizer que as saias mais curtas refletem uma sociedade dotada de maior energia sexual. Entretanto. A verdade é que tanto as saias curtas quanto as longas têm potencial sexual. e que é o ato de tirar a roupa que p roduz um estímulo sexual. A s saias longas dos anos 1970. o que as minissaias proporcionaram foi uma sensação de liberdade . revelassem seu otimismo e confiança pelo comprimento das bainhas. as mulheres podem caminhar . se uma atitude otimista vai bem com uma ativa sexualidade. Quanto maior a parte das pernas à mostra. as longas do pós-guerra. Se acompanharmos o sobe-e-desce das saias década após década.

Na mente do homem. roubando das pernas a vulnerabili dade diante da abordagem masculina.vigorosamente. jovens. As que usam longas saias com muito pano ou afuni ladas perdem mobilidade. (No início do século XXI. . Elas t ambém davam a impressão de uma armadura protetora. As calças. Revelaram pela primeira vez a forma exata da região onde as pernas se enc ontram. a vanguar da da população feminina propunha a igualdade das pernas. de modo que as mulheres podem usar saias curtas e lo ngas ou calças largas e justas sem a pressão de rígidas normais sociais. Se o mundo ocidental se tornou cada vez mais liber al em relação à exposição das pernas. adotando a peça característica do vestuário masculino: as calças. médias e curtas —. saltar e correr. ficou claro para on de elas estavam caminhando — para o movimento feminista e uma nova luta por iguald ade sexual. ti rar um par de jeans é uma luta. Com a chegada dos anos 1980. as calças também mostraram vantagens e desva ntagens.) Como as saias. dando-lhes dobras e rugas anti-estéticas. que. o que lhes deu um enorme potencial erótico. levantar uma saia é fácil. A explosão de minissaias nos anos 1960 resultou de uma li berdade recém-conquistada com a invenção da pílula anticoncepcional e com o forte cresci mento econômico. 84% das mulheres de Londres pr eferiam as calças às saias. mas ao mesmo tempo não deixavam ver a suave curvatura das pernas. logo foram aceitas. est amos caminhando para a frente". Com esse último passo veio outra mudança. causaram tum ulto quando apareceram e fizeram muitas mulheres serem expulsas de ambientes eli tistas. Enquanto o confuso quadro econôm ico dava origem a uma mistura de tendências — saias longas. como as saias curtas. As longas pernas transmitiam uma mensagem social: "Nós.

em outras partes do mundo as restrições ainda são muitas. Um sinal dessa mudança foi a aparição de pernas femininas nas telas de tevê. mas em poucas semanas as belas pernas estavam de volta. Outro aspecto da s ensualidade das pernas é sua suavidade. a bemvinda liberalização da moderna China parece ser irreversível. mas agora está mudando graças à chamada "abertura" da economia chi nesa. por exemplo. Um poeta do século XVII cantou em versos as pernas de sua amada: "Pudera eu beijar as deliciosas pernas de minha Julia. uma diferença que funciona como um forte sinal de gênero. Em 1998. Tem várias vantagens: é ma is fresco. No Japão. a s mudanças não foram aceitas sem resistência. as mulheres não podem expor nenhuma parte da s pernas em público. A pele lisa e suave das pernas femininas (às vezes aperf eiçoadas com uma pequena ajuda no banheiro) contrasta com a pele peluda das pernas masculinas. As autoridades ficaram suficientemente sensibilizadas e proibiram a exposição inadequada das perna s femininas na tevê. bran cas e lisas como um ovo". Nos países muçulmanos tiranizado s por líderes religiosos conservadores. por exemplo. Uma alternativa moderna é a aplicação de um spray sedoso que ade re à pele e produz um efeito muito semelhante ao das meias. à prova d'água e nunca enruga. O uso de meia s de seda ou náilon se popularizou também como uma maneira de aumentar a aparência de suavidade das pernas. embora no século XXI um ar de modernização tenha varrido a sociedade chinesa. onde mais de 12 milhões de . Entre tanto. um grupo de estuda ntes apresentou uma queixa formal exigindo "uma tela [de tevê] livre desse lixo co mercial que expõe o corpo feminino para vender produtos de beleza". Hoje. A China comunista também impôs graves restrições às mulheres durante qu ase todo o século XX.

Pernas muito finas. ter pernas mais compridas acabou sendo sinal da chegada da maturidade sexual. nem muito gordas — estão associadas (na mente primitiva do macho) a uma condição física ideal para a procriação. mas também po rque são sinal de um corpo vigoroso e saudável. As suaves c urvas ascendentes atraem o olhar dos homens. . a sol ução do spray é ideal. Outra diferença de gênero é a forma curvilínea das pernas femininas em comparação com as musculosas pernas masculinas. mas o alongamento na medida cer ta deu às mulheres retratadas uma maior sensualidade. Dá às pernas a suave aparência "vestida" adequada ao local de trabalh o sem nenhuma das desvantagens das meias. Na mulher adulta. Numa recente pesquisa em que mil homens foram solicitados a dizer que atriz tinha as mais belas pernas. os cartunistas começaram a explorar esse aspecto. a mais votada (Nicole Kidman) é famosa por suas longas pernas. Não é difícil descobrir por que pernas compridas são tão atraentes. Portanto. tão populares no m undo da moda. as pernas são maiores que as da criança tanto em termos relativos quanto em termos abso lutos. Na déca da de 1940. Está provado que. assim como pernas muito gordas e grossas. não só porque são diferentes. não são atraentes para o hom em. Finalmente. em tod as as culturas humanas. desenhando figuras d e pernas muito mais longas que as das modelos reais. uma mulh er de pernas anormalmente longas transmite sinais de extrema feminilidade. a condição física adequada à procriação é um atributo que desperta gr nde interesse sexual. existe uma vantagem em ter pernas longas. Pernas curvilíneas — nem finas demais. É claro que se eles tivessem exagerado demais os desenhos ficariam grotescos.mulheres trabalhadoras são proibidas pelas empresas de expor as pernas nuas. Como na puberdade ocorre um rápido crescimento das pernas.

As pernas cor respondem à metade da altura do corpo.Desde então. Em outras pal avras. vamos analisar sua anatomia. Evidentemente. divide-o em quatro partes praticamente iguais: do chão aos joelhos. As pernas mais longas do mund o pertencem a uma adolescente e medem 124 de seus 190 cm. as mulheres r eais pareciam ter pernas cada vez mais longas. do púbis aos mamilos e dos mamilos ao topo da cabeça. as pernas são sexual mente excitantes porque (1) o ponto onde elas se encontram é foco da atenção erótica mas culina. Quando um pintor faz um esboço acurado do cor po humano. as pernas são metade do comprimento do corpo. dos joelhos ao púbis. Para resumir. A base esquelética das pernas compreende quat ro ossos: o fêmur. a patela. que protege a p arte frontal da articulação do joelho. (4) suas curvas enfatizam as formas do corpo feminino. A tendência continuou ano após ano. durante toda a segunda metade do século XX e início do XXI. o osso mais comprido do corpo humano. e (5) seu acelerado crescimento na puberdade faz com que pernas longas passem uma mensagem de prontidão sexual.5 cm mais compridas que a média — o que mostra a grande variação existente nas m edidas das pernas femininas adultas. isso resultava do fato de estilistas de moda. (2) suas diversas posturas indicam preocupações eróticas. Deix ando de lado o sex appeal das pernas. . São pernas proporcionalm ente 30. fotógrafos e diretores de cinema preferirem mulheres d e pernas longas. até que hoje é impossível para uma mo delo que tenha pernas curtas encontrar emprego. (3) a roupa mais cur ta permite a exposição de porções de carne que em geral permanecem escondidas.

.5 metros. só que os passos curtos ficam ainda menores. é um exagero do andar característico das mu lheres. a mulher já saltou mais de 2 metros no ar e conseguiu dar um salto em distância de 7. que se articula com o fêmur. e muitas mulheres famosas tém um andar tão característico que é fácil imitá-las. As japones as são perfeitas quando se trata de um andar mais formal. Impulsi onada por pernas fortes e bem-moldadas. O miudinho é um andar de passos rápidos mas curtos. No aspecto cultural. existem imensas diferenças entre. mas existem enormes diferenças pessoais.a tíbia. enquanto as americanas são melhores em tipos de locomoção mais casuais. A pessoa caminha com passos muito curtos. que se situa ao lado da tíbia. Para ilustrar o que estou dizendo. Muito já se escreveu s obre o andar. o passo da mulher é mais curto qu e o do homem. Normalmente. Na verdade. Foram identificadas 36 maneiras de and ar na espécie humana — do andar lento de cerca de um passo por segundo ao caminhar n ormal de dois passos por segundo até o andar rápido de quatro passos por segundo —. A maneira de caminhar de diferentes indivíduos e de diferentes cultu ras há muito fascina os observadores. mulheres japonesas e americanas. É o andar típico das mulhere s quando estão usando saias muito justas ou sapatos apertados. bas ta-me citar os nomes de Mae West e Marilyn Monroe. Uma maratona de dança que levou os participantes à exaustão durou 214 dias. por exemplo. Tais feitos de força e resistência testemun ham a evolução das pernas femininas ao longo de 1 milhão de anos. e a fíbula. ma s apenas nove delas são predominantemente femininas e merecem uma breve menção: 0 vaci lante é o andar das pessoas cujas pernas não são capazes de percorrer longas distâncias com conforto.

cheio de movimentos curtos. hoje restringe-se praticamente ao Ja pão. Marilyn Monroe realçava seu famoso gingado usando sapato s de salto alto que tinham um salto ligeiramente menor que o outro. Essa mesma conformação a natômica que permite à mulher cruzar as pernas entrelaçadas lhe dá uma diferente maneira de correr. O saltitante é um andar alegre e rápido. É um andar alegre. com muitas idas e vindas e súbitas mudanças de direção. com uma ação mais vigorosa das pernas. com pequen os saltos desnecessários. O disparado é um andar ansioso. Isso se deve à maneira como as pernas femininas estão presas à bacia. rápidos e indecisos. que ocu ltem o movimento dos pés. a mulher precisa usar saias bem longas. O gingado é o andar erótico da mulher que quer atrair atenção. Para criar o efeito desejado. o corpo par ece deslizar para a frente como se sobre rodas. com um elemento de rotação . tornase uma caricatura sexual.Pode ser descrito como um andar que demonstra "afetada precisão". O peso pas sa de uma perna para a outra. Outrora comum entre mulheres da alta sociedade em algumas partes da Europa. Com movimentos curtos e delicados dos pés. O deslizante é uma versão elegante do miudinho. O pulado é o andar típico da adolescente quando caminha com um movimento flexível que faz o corpo saltar a cada passo. O passo largo é usado pelas mulheres que imitam o vigor do an dar masculino. fazendo os quadris oscilarem. Se exagerado. A corrida nos interessa particularmente porque a conformação corporal da mu lher a obriga a executá-la de uma maneira ligeiramente diferente da do homem. que re vela saúde e otimismo. É uma versão mais rápida do pulado.

. Essa diferença quase não é percebida porque é mais com um vermos atletas correndo. o corpo feminino sacrificou algumas de suas ca pacidades atléticas adequadas à corrida. E la dá passos médios e caminha a partir dos quadris. Essas normas de "bom comportamento" parecem estranhas nos dias de hoje. o trote. sem nenhum traço da rotação da pe rna tipicamente feminina. O corpo das atletas não exibe as usuais curvas e seios fartos. em sua especialização para a procriação. Um antigo livr o de etiqueta descreve uma mulher cujo andar era socialmente aceitável: "Seu corpo se mantém ereto em perfeito equilíbrio. livres das imposições da etiqueta. Em hipótese algum a balança os braços. mas. Essa nova informalidade permitiu o aparecimento de maneiras muito pessoais de caminhar. quando uma mulher simplesment e sai de casa e caminha pela rua sem pensar que está colocando um pé diante do outro . e n a corrida suas pernas executam um movimento frontal. Essas regras variam de uma época para ou tra. a mulher é escolhida entre milhões de outras por seu andar masculino.que não existe na corrida do homem. e no entanto não há o menor sinal de rigidez. que acabou sendo uma especialização do homem (c açador primitivo). Essas são as corredoras que vemos nas telas da tevê. para chegar a ser uma atleta de ponta. o passo arrastado e a corrida. e não dos joelhos. Essa corrida desajeitada sugere que. sua camada de gordura é muito reduzida. se observarmos uma mulher menos musculosa e mais voluptuosa correndo para pegar um ônibus. ela devia evitar o "caminhar atlético". Um século atrás. nem tampouco gesticula enquanto caminha". o "passeio despreocupado". mas. havia leis estritas determinando como uma dama devi a caminhar num local público. Em tempos mais formais. ficará evidente a típica rotação da perna. Algumas formas de locomoção são provocadas por estados emocionais. en quanto outras resultam de normas sociais.

esses dois elementos — a flexão das pernas e a curvatura da cab eça — se separaram: a reverência tornou-se exclusivamente feminina. exc lusivamente masculina. é a reverência — uma saudação na qual um pé é colocado atrás outro e as duas pernas se dobram ligeiramente. A única exceção a essa norma ocorre quando a peça que foi representada se passa numa época em que a forma c orreta de saudação era a combinação entre reverência e curvatura. e a curvatura. Hoje. embora esteja desaparecendo r apidamente na sociedade moderna. . onde as atrizes tendem a copiar os atores e agradecem à platéia com uma curvatura. Essa divisão por sexo só não ocorre no teatro. quase sempre acompanhado de uma curvatura da cabeça.Finalmente. mas antigamente era muito comum como gesto de agradecimento. um movimento das pernas que merece menção. a reverência praticamente só é u sada quando uma dama cumprimenta um membro da realeza. No século XVII.

numa mulher ativa.23. Quando não encontramos uma superfície que julgávamos e star ali. o calcanha r da mulher é mais estreito em relação à planta do pé. o c omprimento médio é de 26. Calculase que. na semi-escuridão. então um pé muito pequeno será superfeminino.4 cm. de 24. correr. Mas. como afirmou Leonardo da Vinci. antes de tratar desses dolorosos procedimentos. essa diferença de tamanho tem sido explorada e exagerada. o pé contém 26 ossos. Obedecendo às in dicações dos olhos. Elas tiveram os pés apertados. vamos analisar a anatomia do pé. o que fez muitas mulheres sofrerem ao longo da história. ou quando nos deparamos com algo inesperado. PÉS Os pés são outra parte da anatomia humana que mostra as diferenças entre homens e mulh eres. com os quais mantém nosso equilíbrio e nos permite caminhar. 114 ligamentos e 20 músculos. Como ocorre com outras partes do co rpo. Nesses raros momentos . nas mulheres. e smagados e imobilizados em nome da beleza. somos obrigados a dar um passo após outro p ara subir ou descer uma escada. o pé toca o chão mais de 270 milhões de vezes durante a vida. É uma tarefa formidável. Se um pé pequeno é uma característica feminina. e no entanto ela é extremamente rara entre os mamíferos. Especificamente. espremidos. os pés nos servem sem esforço e nos transportam por ambientes mutáveis . Consideramos a postura ereta algo natural. dançar e chutar. saltar. Os pés da mulher são menores e mais estreitos que os do homem. e no entanto raramente merece um pensamento. O que torna isso possível é o pé humano — uma obra-prima de engenharia.8 cm. levamos um choque e perde mos o equilíbrio. Nos homens. E struturalmente. Um dos únicos momentos em que nos lembramos de seu maravilhoso trabalho é quando o s olhos nos faltam e.

O primeiro é fabricar sapatos apertados demais. mas também os submetem a enormes pressões. Essas três funções são executadas a cada passo. A primeira é a absorção do choque quando o pé toca o c a segunda é a sustentação do peso do corpo. O polegar se alinhou com os outro s dedos e não pode mais ser usado para agarrar objetos como as mãos. o segund o os torna mais estreitos. Três recursos têm sido utilizados pelos fabricant es de sapatos para que os pés de suas clientes pareçam menores do que são na realidade . Quando cam inhamos.nos lembramos da brilhante tarefa que nossos pés executam o tempo todo. fomos obrigados. Para que elas sejam eficient es. Juntas. dotá-los de saltos altos. e o terceiro. durante séculos as mulheres tentaram comp rimi-los em sapatos desconfortáveis. fazê-los muito pontudos . mas essa é uma perda pequena com parada com o imenso ganho que obtivemos em velocidade para caminhar e correr. a fazer um pequeno sacrifício: deixamos de ter polegares opostos como os outros primatas. os pés realizam três funções. no curso da evolução. O primeiro recurso aperta os pés. e a terceira é a propulsão que nos empurra par a a frente. ter pés maiores repre sentou uma vantagem. o segundo. que permaneceram menores e mais ágeis. Eles eram necessários para a caçada. essas três mudanças na estrutura natural podem produzir pés mais "atraentes". Na especialização do macho da espécie humana como caçador cooperativo. Essa pressão evolucionária não s e exerceu sobre os pés das mulheres. Não é por acaso que 80% das cir urgias de pé são realizadas em mulheres. e o terceiro os faz parecer menores por elevar a posição do calcanhar. . Na tenta tiva de exagerar esse atributo feminino. Por isso não somo s tão acrobáticos quando se trata de subir numa árvore.

quando partiu com o príncipe. A mulher que tenha a infelicidade de possuir pés grandes e masculinos será considerada anormal — tão estranha que o pianista de jazz Fats Walle r lhe dedicou uma canção. mas daí para baixo há pés demais.... depois que se cassasse com o príncipe. A moça amputou o dedão e ape rtou o pé sangrando dentro do sapatinho. Na verdade. ela prec isava ter pés muito pequenos. Essa paixão por pés pequenos atingiu tal inten sidade em outros séculos que algumas damas da sociedade ficaram famosas por terem amputado os dedos mindinhos para que seus pés coubessem em sapatos ainda mais pont udos. nas costas e até dores de cabeça. seus pés são grandes demais. A ersão atual de Disney é leve. P ara mim você parece um fóssil. Mas o horror que ter pés grandes representa não deixa a mulher desistir. para satisfazer sua exigência de feminilidade. não tinha nada a perder.O equilíbrio do corpo é perturbado pelo formato dos sapatos." Portanto. [. é uma rejeição direta que a expõe ao ridículo com as se uintes palavras: "No Harlem. explicando-lhe que. Por isso. mas não conseguiu. Ele então a . Dos calcanhares para cima você com certeza é delicada. Um minúsculo sapatinho de pele era usado para testar a s noivas em perspectiva.. Sim. mas a história original é selvagem e sangrenta. A menção à amputação nos traz inevitavelmente à mente a cruel história de Cinderela. Então a mãe a aconselhou a cortar o dedão. mas. A ma is velha tentou enfiar o pé no sapatinho. mas.] Oh! suas extremidades são colossais. Duas irmãs estavam desesperadas para ser escolhidas. numa mesa para dois. Um príncipe procurava uma esposa. somos quatro: eu. nunca mai s precisaria caminhar. seus pés grand es e você. ele perc ebeu o sangue manchando as meias. provocando dores nas pe rnas. não admira que muitas mulheres cheguem a a bsurdos para reduzir o tamanho dos pés.

A estranha premissa da história — a de que um homem de alta condição social procure uma mulher de pés pequenos sem levar em conta suas outras qualidades — parec e ter passado despercebida pelas platéias modernas. a menina tinha permissão para correr livremente. Depoi s a faixa rodeava o tornozelo. jatos de sangue puseram fim à farsa e ela também foi rejeitada. o costume de amarrar os pés das jovens começou no século X e durou mais de mil anos. Então. mas entre 6 e 8 anos pa ssava pela agonia de ter os pés amarrados. precisamos saber que ess a história nasceu na China. Mas isso é um engodo. Só então o príncipe encontrou Cinderela. com uma bandagem de 5 cm de largura e 3 metros de comprime nto. Vamos acompanhar esse processo. fazendo com que os dedos curvados se . Quando era pequena. que lhe ofereceu a outra filha. só foi proibido no início do século XX. Para entender o motivo de tal ênfase nos pés. os quatro dedos menores eram cruelmente curvados para trás e amarrados. a pequenez dos pés de uma moça era um sina l fundamental de beleza. Mais uma vez. c ujos pequeninos pés cabiam perfeitamente nos sapatinhos e que se tornou esposa do fetichista.devolveu para a mãe. mesmo sendo um costume bárba ro. Essa pobre moça teve o calcanha r cortado para que o pé pudesse caber no sapatinho. que confundiu vair (uma pele rara como a zibelina) com v erre (vidro). onde durante séculos amarrar os pés das meninas foi uma prát ica comum nas famílias da casta superior. Surpreendentemente. os pés eram lavados em água quent e e massageados. Lá. O príncipe só tinha uma exigência: que os pés da noiva coube ssem em minúsculos sapatinhos de pele — não de cristal. Primeiro. enquanto Cinderela er a bela. Na China. Isso ocorreu porque a versão mod erna de Cinderela converteu as duas irmãs em moças horrorosas. que parece ter entrado na histór ia por um erro de tradução.

Dizia-se que. era obrigada a caminhar para que o pé s e acostumasse à nova forma. su a forma arredondada oferecia um falso orifício que podia ser usado como uma vagina simbólica. Os Lótus Dourados. Um dos motivos para a atadura dos pés era sexual. As esposas eram literalmente incapazes de se afastar do marido.juntassem ao tornozelo. Dizia-se que a vagina verdadeira também se beneficiava com a maneira res trita de andar causada pelos pés atados: "Quanto menor o pé da mulher. juntando os pés. Essa era a vantagem social da deformid ade. apanhava. Alem disso e de outras idéias eróticas ainda mais grot escas sobre o Lótus Dourado. essas meninas estavam ale ijadas para sempre. Os mais sádicos apreciavam a facilidade com que podiam fazer a mulher gritar dura nte o ato sexual simplesmente apertando o pé mutilado. usava um sapato 0. como eram chamados os delicados pezinhos pelos seus admiradores. já que não podiam fazer nenhum trabalho manual . Se a menina chorasse. Além disso. tinh am um significado erótico. além de beijar os pés das amadas durante as p reliminares do sexo. o objetivo era reduzir o comprimento do pé a 1/3 do seu tamanho normal. incapazes de caminhar normalmente e limitadas a umas poucas atividades físicas que conseguiam realizar. mas ofereci am uma permanente demonstração de status. Só o polegar escapava ao castigo. Apesar da dor. A cada quinze dias. Quando atingiam a idade adulta. Por incrível que pareça. O resto da bandagem era enrolado várias vezes em volta do pé. Só com a modernização da China no século XX e o fim da sociedade dos mandarins essa fo rma de mutilação foi abolida. para que ele não pudesse voltar à posição normal.25 cm menor que o anterior. mais maravilh osa a concavidade da vagina". o desamparo de uma . o amante podia colocar todo o pé na boca e chupá-lo com avidez.

No mundo bizarro das fantasias sexuais. É beijado. "Era uma vez uma velha que morava num sapato" ( em outras palavras. Tant o os sapatos quanto os pés figuram no estranho mundo dos fetichistas. o simbolismo dos pés é sexual. mas em outras partes do mundo. Não só na China. E as moças sicilianas que procuram marido sempre dormem com um sapato sob o travesseiro. acariciado. e é por isso que. como diz um conto popular. Para esses h omens que têm uma fixação erótica em pés. lambido e sugado. e se a mulher tem pés muito pequenos. Mas isso nada mais é do que uma simplificação das diferenças de gênero em relação ao tamanho dos pés. se o homem com pés muito grandes. U ma velha tradição francesa exige que a noiva guarde os sapatos que usou no casamento e nunca se desfaça deles se quiser ser feliz para sempre. O sapato tem sido utilizado como símbolo dos genitais femininos. cuja vida se concentrava nos genitais) "e que tinha tantos f ilhos que não sabia o que fazer". Ela estava à mercê do homem e sofreu nas mãos dele durante séculos. esse modelo de sapatos torna-se uma arma brutal de tortura para o homem masoquista no momento em que a parceira sobe em seu corpo e o perfura com seus saltos pontiagudos. Acredita-se que. O homem pod e ou não assumir um papel de subordinação. Esses e muitos o utros costumes populares confirmam a ligação simbólica entre os sapatos e o sexo. os sapatos preferidos são sempre os de saltos muit o altos e finos.mulher que tinha os pés atados provocava uma excitação geral. E é por isso que sapatos são amarrados à traseira do c arro dos recém-casados e que um homem romântico bebe champanha no sapato da amada. tem também um pênis grande. Pode se curvar aos pés de uma parceira domina dora e obedecer às suas . tem uma vagina estreita. Já o pé descalço d esempenha um papel diferente.

O mau cheiro dos pés é tão comum que vários produtos são vendidos para combatê-lo. mas na vida urbana atual tudo isso mudou. Então. No nosso passado remoto. deixaríamos um ra stro de nossa fragrância pessoal por onde passássemos. Afinal. E também pode não haver nenhum elemento sadomasoqu ista. Dentro de no ssos sapatos onde o ar não circula. basta lembrar que um cão de caça é capaz de seguir a pista de um homem depois de 24 horas. esse sinal odorífico d os pés tinha uma utilidade. por que certos indivíduos ainda acham essa parte do corpo nada sensual tão estimulante? Por que um libertino experiente como Casanova chegou a a firmar que "homens dotados de grande apetite sexual sentem uma forte atração pelos pés femininos"? Existem duas respostas para essas perguntas. as bactérias proliferam rapidamente e as secreções o doríferas logo desaparecem. Se isso parece improvável. Em apenas 18 minutos. os pés ficam a maior parte do tempo enfiados num invólucro de couro que estimula o desenvolvimento de bactérias e até fungos. caso em que o pé é massageado e beijado como parte da excitação normal. toda essa atenção dedicada aos humildes pés parece decididamente esq uisita. quando o homem andava nu. ignorando todos os outros fortes odores que podem cruzar seu caminho. algumas tribos são capazes de detectar essa fragrância e dizer quem passou por um determinado caminho e quando. Se andássemos descalços. Ainda hoje. Existem na pele dos pés glândulas especializadas que transmitem sinais pessoais sobre o indivíduo. torturando gentilmente a parce ira com a boca até levá-la ao prazer. Mas também pode assumir um papel dominante. . ele consegue perc orrer 5 quilômetros. Uma está ligada às glândulas e outra ao simbolismo sexual. Tudo isso devia tirar muito do pode r erótico dos pés. Para a mai oria das pessoas.ordens.

como se os pés quisessem ac ompanhar os espasmos que dominam o corpo no clímax. um dedo esticado torna-se um pênis e seios lembram nádegas. e não como ele deveria ser. e os pés começam a cheirar mal. Elas pensam no pé como ele quase sempre é atualmente. banhado. mas estudos psiquiátricos provaram que. que pode se tornar intensamente erótico. durante as preliminares do sexo. em momentos de ex citação sexual. Quando libertad o da prisão dos sapatos. ele se transforma no pé cheiro so que a natureza criou. .Se não trocamos de sapatos e lavamos os pés todos os dias. Sugar o dedo d o pé de uma mulher dá ao amante a sensação de estar tocando um mamilo gigante. Não surpreende. para algumas pessoas. a natural fragrância agradáve l se deteriora rapidamente. Além desse elemento primitivo também existe uma atração simbólica. N o momento do orgasmo. a cavidade da b oca lembra a vagina. eles reagem ao toque. às vezes percebemos que as palmas da mão suam. Além disso. certas partes do corpo se tornam "ecos anatômicos" de outros órgãos. a proposta sexual é totalmente diferente. Essa umidade não pode evaporar como a natureza desejaria. No cére bro tomado de excitação. limpo e pronto para ser acariciado pelo amante. portanto. Mais uma vez. Em momentos de tensão e ag itação da vida moderna. um imenso clitóris ou mesmo a língua. mas não percebemos que nossos pés transpiram dentro dos sapatos. Li vres dos sapatos. e o contato com ele pode ser excitante para ambos os pa rceiros. que para tantas p essoas a idéia de beijar os pés seja repugnante e não tenha nada de erótica. e nossos pés sofrem. os dedos se separam e se curvam. De repente. os pés femininos não são insensíveis às carícias. essas ilações simbólicas podem parecer improváveis. os lábios da boca se tornam os lábios vaginais.

Recentemente. Imelda foi acusada de "colocar o prazer dos seu s pés" acima das necessidades de seu povo. inspirado nos sapatinh os mágicos de rubi usados pela . os pés continuam sendo uma forte zona erógena para os dois parceiros. de modo que os sapatos descartados podiam s er enviados a orfanatos e servir às pequenas órfãs. viajando o mundo to do para comprar sapatos. que se recusava a usar um par de sapatos mais do que uma ve z. Talvez o exemplo mais extraordinário de excentricidade em sapatos seja o par que foi exposto na Harrods de Londres n a primavera de 2003. ela tinha pés pequenos. Marcos já tenha conseguido criar uma nova coleção de mais 2 mil pares. desses 1. ex-primeira dama das Filipinas. apesar da maneira como são tratados. Im elda Marcos. Deixando de lado os aspectos eróticos. cordões de ouro nos torno zelos. entre elas sapatos absurdamente caros. Dizia-se que ela chegou a ter mais de 3 mil pares. e calcula-se que hoje a sra. e que.060 pares.Resumindo. só possuía 1. 1. anéis para os dedos e elaboradas pinturas das unhas. foi um exemplo. Felizmente. uma coleção que ocupava cinco salas do palácio presidencial de Manila. podemos dizer que. Era um par de sandálias criadas pelo estilista Stuart Weitzma n que exibiam 642 rubis incrustados em platina. O modelo.060 pares. de qualquer modo. Ela retrucou que os havia colecionado c omo "símbolo de amor e gratidão". Algumas mulheres demon straram seu poder e riqueza pelo tamanho de sua coleção de sapatos. Depois que ela e o marido foram afastados do poder.220 estão expostos no recém-inaugurado Museu do Calçado das Filipinas. e sposa de Napoleão III. Curio samente. os pés femininos têm sido explorados como foco de demonstrações de poder que ass umem várias formas. Ainda mais extremo foi o caso da princesa Eugênia.

Cinderela está viva. Isso levou algumas mulheres nos Estados Unidos a solicitar a remoção cirúrgica do dedo mindinho. Os atuais esti listas de sapatos impõem torturas cruéis a suas clientes. Isso permite à mulher espremer os pés recém-esculpidos nos sapa tos criados pelos estilistas modernos. precisamos admitir que o anseio p or pés anormalmente pequenos é uma dolorosa tradição que ainda sobrevive. mas alguns concord am com a opção menos drástica de encurtar o segundo e o terceiro dedos.menina Dorothy em O mágico de Oz. removendo uma pequena parte do osso. Os podólogos (ortopedistas especializa dos no tratamento dos pés) têm se recusado a fazer essa cirurgia.5 milhão). e previa-se que os modelos futuros seriam 2 0% mais estreitos e pontiagudos. foi colocado à venda por 1 milhão de libras esterlin as (aproximadamente US$ 1. Os sapatos estão se tornando cada vez mais estreitos e pontudos. Finalmente. .

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