A Mulher Nua Desmond Morris

Índice AGRADECIMENTOS CONTRA-CAPA ORELHA INTRODUÇÃO 1. A EVOLUÇÃO 2. CABELOS 3. TESTA 4. ORELHA S 5. OLHOS 6. NARIZ 7. BOCHECHAS 8. LÁBIOS 9. BOCA 10. PESCOÇO 11. OMBROS 12. BRAÇOS 1 3. MÃOS 14. SEIOS 15. CINTURA 16. QUADRIS 17. BARRIGA 18. COSTAS 19. PÊLOS PÚBICOS 20. GENITAIS 21. NÁDEGAS 22. PERNAS 23. PÉS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 3 4 5 6 10 14 34 49 61 80 92 100 117 126 135 143 154 171 192 202 207 217 226 238 257 273 288 298

Agradecimentos Quero expressar meu especial agradecimento à minha mulher, Ramona, por seu incansáve l encorajamento e suas críticas construtivas; a meu colega Clive Bromhall, por mui tas e valiosas discussões; à Random House e a Marcella Edwards, Caroline Michael, Da n Franklin e Ellah Allfrey por sua competência editorial; a Nadine Bazar, por sua cuidadosa pesquisa iconográfica; e a Davi d Fordham, pelo projeto para o caderno d e fotos.

Contra-capa Há 5 mil anos, senhoras da elite do antigo Egito faziam questão de raspar a cabeça par a ostentar perucas com cabelos femininos de povos subjugados. Na região hoje conhe cida como Alemanha, durante as tempestades, mulheres exibiam as nádegas nuas à porta de casa. para afastar desgraças: exclusivos da raça humana, os hemisférios glúteos seri am uma visão capaz de repelir os demônios, desprovidos desse detalhe anatômico. Já na In glaterra vitoriana, a barriga tinha conotação sexual tão forte que seu nome nem sequer podia ser pronunciado, dai a criação do eufemismo dor de estômago". O escritor e zoólog o inglês Desmond Morris — autor do bestseller mundial O macaco nu - reúne essas e muit as outras observações curiosas em A mulher nua. Neste revelador estudo sobre o corpo feminino, o autor descreve, dos cabelos aos pés, cada parte da anatomia, suas funções e sua evolução, explicando como certas características foram valorizadas ou desprezad as, conforme os costumes de cada época. Trafegando na fronteira da zoologia com a história e a sociologia, Morris desnuda, enfim, os processos que levaram a mulher a se transformar naquilo que ele define como "o mais extraordinário organismo exis tente no planeta".

Orelha Toda mulher tem um corpo belo. Brilhante fruto de milhões de anos de evolução, de surp reendentes ajustes e refinamentos sutis, ele é o organismo mais extraordinário exist ente sobre o planeta. Em diferentes épocas e lugares, as sociedades humanas tentar am melhorar a natureza, modificando e embelezando o corpo feminino de muitas man eiras. Neste novo estudo, Desmond Morris dirige seu talento e sua atenção para a for ma feminina e conduz o leitor numa excursão "da cabeça aos pés". Esclarecendo as funções e volutivas das características biológicas da mulher, Morris explora os avanços e limitações criados pelas sociedades humanas no intuito de atingir o controle e a perfeição do corpo feminino. Escrito a partir da perspectiva de um zoólogo e apoiado na inigualáv el experiência de Desmond Morris como observador do animal humano, A mulher nua ap resenta fatos científicos, histórias interessantes e conclusões instigantes que provoc am reflexão.

Introdução Este livro conduz o leitor numa viagem pelo corpo feminino, explicando muitos de seus aspectos pouco conhecidos. Não se trata de um texto médico, nem de uma análise p sicológica, mas de uma abordagem zoológica, que celebra a mulher na forma como ela e xistia no mundo real, em seu ambiente natural. Muito mais do que o macho, a fêmea humana passou por mudanças drásticas no curso de sua evolução. Perdeu muitas dos atribut os femininos de outros primatas e, na forma da mulher moderna, tornou-se um ser ún ico de uma espécie extraordinária. Toda mulher tem um corpo belo — belo porque é o brilh ante coroamento de milhões de anos de evolução, fruto de surpreendentes ajustes e suti s refinamentos que o tornam o mais extraordinário organismo existente no planeta. Apesar disso, em diferentes épocas c lugares, as sociedades humanas tentaram melho rara natureza, modificando ou embelezando o corpo feminino de muitas maneiras- A lgumas dessas elaborações culturais foram agradáveis, outras foram dolorosas, mas toda s buscaram tornar a fêmea humana ainda mais bonita do que já era. O conceito de bele za tem variado muito, e cada sociedade humana desenvolveu idéias próprias sobre o qu e considera atraente. Algumas culturas apreciam figuras esguias, outras preferem as formas mais arredondadas; algumas gostam de seios pequenos, outras os apreci am vastos; algumas apreciam cabeças raspadas, outras valorizam longas e luxuriante s cabeleiras. Mesmo na cultura ocidental, o instável mundo da moda continua criand o novas prioridades. Por isso, à medida que viaja da cabeça aos pés da mulher, este li vro explica os interessantes atributos

mas também discute as muitas maneira s pelas quais esses atributos foram exagerados ou suprimidos. essa tendência à dominação masculina não te oerência com o modo como o como sapiens se desenvolveu ao longo de milhões de anos. na q ual analisei detalhadamente a natureza do relacionamento entre machos e fêmeas da espécie humana ao redor do mundo.) Nunca houve a pretensão de um sexo .biológicos que todas as fêmeas humanas partilham. aumentados ou redu zidos. Nosso sucesso como espécie se deveu à divisão do trabalho entre machos e fêmeas. um zoólogo que estudou a evolução humana. as fêmeas ocupavam o centro da vid a social. criando os filhos e organizando a t ribo. com os machos longe. o movimento feminista simplesmente não existiu. Como viviam em pequenas tribos. Apesar dos avanços conquistados pelo movimento feminista no Ocidente. (Essa diferença de personalidade ainda persiste. is so significava que. Há alguns anos. Dessa forma. as mulheres apre nderam a lidar com vários problemas ao mesmo tempo. tenta oferecer um quadro completo do mais fascinante tema do mundo: a mulher nua. Pa ra mim. No aspecto pessoal. Enquanto os homens se concentravam em sua tarefa crucial. coletando e preparando o alimento. Quanto mais eu viajava. isso me levou a criar uma série para a televisão americana chamada The Human Sexes. caçando. este livro reflete o fascínio que me mot ivou durante toda a vida pela evolução e pela condição da fêmea humana. mais aborrecido e furios o ficava com a maneira como as mulheres eram tratadas em muitos países. em outras partes do mu ndo milhões de mulheres ainda são consideradas "propriedade" do homem e membros infe riores da sociedade. em que os machos se especializaram na função de caçadores. Para elas.

mas iguais. na verdade. simplesmente estavam buscando recuperar seu primitivo papel. quando a urbanização se espalhou . a Grande Deusa passou por uma desastrosa mudança de sexo e se transformou num au toritário Deus Pai. . as feministas quiseram recuperar. Eles eram diferentes. mais tarde.dominar o outro. Parte do texto original de Bodywatching foi aproveitada. dos cabelos aos pés. ou. em vez de seguir o origina! e tratar de ambos os sexos. mas. mas em outras regiões do planeta a subordinação feminina ainda é uma reali dade. Mantive esse esquema neste livro. por ocasião de uma nova edição de meu livro Bodywatching. Havia um eq uilíbrio primevo entre homens e mulheres. levando 0 leitor por uma viagem de i nspeção anatômica da cabeça aos pés. Um confiava totalmente no outro para a sobrevivência. Foi essa origem que as sufragistas e. e. a religião desempenhou um papel fundamental nesse processo. hom ens rudes passaram a garantir sua segurança e sua condição social superior às custas das mulheres. de 1985. Pode-se imaginar que essas mulheres estivessem e xigindo um novo respeito social e novos direitos. Esse e quilíbrio se perdeu quando a população humana cresceu. decidi qu e. que foram empurradas para uma condição social inferior que nada tinha a v er com sua herança evolutiva. a grande deidade era sempre uma mulher. elas conseguiram. examinei cada parte do corp o humano. dedicaria o novo livr o exclusivamente ao corpo feminino. Em Bodywatching. para ser mais exato. essa questão passou a me preocupar cada vez mais. Em tempos an tigos. Mas. vilas e cidades foram construídas e os habitantes das tribos se tornaram cidadãos. Ocupando o centro das sociedades humanas. Ao longo das eras. Na maior parte do Ocidente. com um Deus vingativo dando-lhes apoio. Depois da serie The Humam Sexes.

eu soubesse tudo o que sei agora — depois de escrever este livro — sobre a complexidade do corp o feminino. Embora tenha partido de um livro anterior. A mulher nua acabou se revelando uma obra inteiramente nova. Foi uma absorvente viagem de descobrimento. aos 18 anos. Apresento em cada capítulo o aspecto biológ ico de uma determinada parte do corpo feminino e então passo a examinar as várias ma neiras como diferentes sociedades modificaram esses atributos biológicos.mas muito pouco. . e quem me dera que.

espalhando-se tanto e com tal veloc idade a ponto de mudar drasticamente a paisagem como uma praga de gafanhotos gig antes. viagem ou divert imento. O homem continua brincan do e se divertindo por toda a vida — é um Peter Pan que nunca cresce. quando se tornam adultos. Home ns e mulheres não seguiram essa tendência evolutiva da mesma maneira. são capazes de se adapta r às tensões da vida e continuar procriando sob condições que qualquer outro macaco acha ria insuportáveis. exploração e criatividade. aguardando a chegada das correntes que irão aprisioná-los. ris co. O segredo desse sucesso é sua capacidade de viver em agrupamentos cada vez maiores. Como as brincadeiras infantis. os homens dão nomes diferentes a essa brincadeira: chama m-na de arte ou pesquisa. Naturalmente. Além dessa capacidade. onde. música ou poesia. E são elas que nos tornam verdadeiramente humanos.1. Essa combinação mágica de sociabilidade e curiosi dade foi possível graças a um processo evolucionário chamado neotenia. O que mais s urpreende nele é seu incrível sucesso como espécie. Enquanto outros macacos se esconde m em seus últimos refúgios. Outros animais brincam quando são jovens. mesmo na mais alta densidade populacional. mas . todas essas atividades envolvem inovação. Ambos percorre ram esse longo caminho em direção ao "adulto infantil". mas perdem essa qualidade quando amadurecem. A Evolução Para o zoólogo. que permite aos humanos manter caracteres juvenis na vida adulta. existe ainda uma curiosidade insaciável que os faz buscar sempre novos desafios. esporte ou filosofia. 6 bilhões de humanos ocupam quase todo o globo. o ser humano é um macaco sem cauda com um cérebro enorme.

A disposição para o risco não é apenas física. isso não reduziria a capacidade de procriação das pequenas tribos. É importante lembrar que. Mas. No curso da evolução. o tato e a visão das cores. Se alguns deles morressem em ação. Os homens são ligeiramente mais infantis em seu comportamento. Aos 30 anos. to rnaram-se ótimas na comunicação verbal e desenvolveram mais o olfato. a taxa de na talidade ficaria imediatamente ameaçada. as mulheres não podiam cometer erros graves. as mulheres. em sua anatomia. No papel de centro da sociedade tribal. ao passo que os machos eram menos necessários. se algumas mulheres morressem. sua saúde é de vital im ortância. em tempos primiti vos. . os machos eram obrigados a correr riscos. elas se especializaram em fazer várias coisas ao mesmo tempo. E ficaram mais resistentes às doenças — como mães. A inovação sempre envolve risco: o de experiment ar algo desconhecido em vez de se apegar a tradições testadas e confiáveis. As mulhere s precisavam ter cuidado. Isso ocorre porque eles conservam mais que as mul heres 0 elemento de risco da brincadeira infantil. para ter sucesso na caça. havia tão poucos seres humanos no planeta que a taxa de natalidade era extrem amente importante. esse era um atributo valioso nos tempos primitivos. os homens têm quinze vezes mais chances de sofre r um acidente que as mulheres. com responsabi lidade sobre quase tudo exceto a caça. mas mental.avançaram num ritmo um tanto diferente e com diferentes características. Embora freqüentemente crie prob lemas para os homens. a audição. quando . as mulheres primitivas eram valiosas demais para serem expostas ao risco da caçada. Além disso. e por isso se especializaram em ati vidades arriscadas. Existem mais homens inventores do que mulheres. Eis alguns exemplos.

Para vingar. A reação paterna ao co rpinho gordinho de seus bebês era tão forte que podia ser explorada pela fêmea adulta. enquan to a voz aguda da mulher opera a 230-255 vibrações por segundo. Eles se complementam. o corpo feminino tinh a que ser mais protegido da fome. a mulher manteve uma voz semelhante à das crianças. Essa grande retenção de gordura na fêmea era uma característica fortemente infantil. o corpo arredondado da mulher contém e m média 25% de gordura. Devido à sua importância para a reprodução. a prole tinha que ser protegida durante seu lent o crescimento. enquanto o fe minino tem 15 quilos. às vezes. Por isso. Fisicamente. e a com binação resultou cm sucesso. As mulheres tornaram-se mais sensíveis e carinhosas. a história foi bem diferente. O resultado foi que a voz da mulher permaneceu num tom mais agudo q ue a do homem. enquanto o masculino tem apenas 12. e para isso precisava da atenção de ambos os pais. A mulher também conservou caracterís ticas faciais juvenis e cabelos de aspecto evidentemente infantil. A voz grave masculina opera a 130 .5%.145 vibrações por segundo. Quanto mais características de bebê apresentasse. 10% mais pesado e 7% mais alto que o da mulher. mais perversos. Em outras palavras. os homens precisavam ser mais fortes e mais atlét icos para a caça. Enquanto o ho mem adulto de- . mais proteção ela conseguia receber d e seu macho. Es sas diferenças se adaptam ao seu papel na sociedade. O homem adulto foi programado pela evolução para pro teger seus filhos. Os homens tornaram-se mais imaginativos e.Tudo isso se deve a uma diferença entre o cérebro da mulher e o do homem: eles conse rvam mais aspectos "infantis" que elas. O corpo do homem é 30% mais forte. e com ela vieram muito s outros úteis atributos juvenis. Por causa da d ivisão de trabalho durante a evolução. O corpo masculino contém em média 28 quilos de músculos.

por que muitos desenvolvimentos evolutivos especializados ocorridos na anatomia femi nina. enquanto a mulher desenvolvia mais atr ibutos físicos e menos qualidades mentais infantis. mas muito l eves. a mulher conservou sua face lisa e delicada de bebê. Não explica tudo. É importante ressaltar o grau de diferenciação entre homens e mulheres. mais neotênico — que o masculino em muitos aspectos. tornaram o corpo da mulher um organismo altamente evoluído e maravilhosamente refinado. As d iferenças entre homens e mulheres são verdadeiras e muito interessantes. à medida que o homem e a mulher percorriam seu trajeto evolutivo em direção a uma neotenia cada vez maior.senvolveu uma fronte. o homem se comportava de uma maneira cada vez mai s infantil e mostrava menos mudanças físicas. Vou tratar delas neste livro apenas porque é importante deixar claro desde o início. além de bigode. . um queixo e um nariz mais marcantes. barba e pêlos no peito. Portanto. mas é fundamental lembrar que tanto homens quanto mulheres são cem v ezes mais neotênicos em todos os aspectos que machos e fêmeas de outras espécies. Entender isso nos ajudará a esclarecer muitos atributos da anato mia feminina que vamos encontrar nesta viagem da cabeça aos pés. Tenho me dedicado a listar as várias diferenças entre os sexos. que o corpo feminino é mais avançado — ou seja. Como veremos. em especial nas características sexuais e reprodutivas. para resumir.

se tivesse pele escura. mulheres que parecem ter feito uma misteriosa visita ao cabeleireiro antes de posar. A menos qu e o cabeleireiro. O fato de que nos . e o erro esconde um dos maiores mistérios da anatomia feminina: por que a fêmea humana desenvolveu essas madeixas ridiculamente longas? No antigo mund o tribal. Qual foi a vantagem evolutiva desse desenvolvimento excessivo? Ainda mais estranho é que. Se alguma delas fizesse isso. Quando um feto de chimpanzé tem cerc a de 26 semanas de idade. com uma imensa floresta cobrindo-lhe a cabeça. tesouras. essa exagerada cobertura capilar seria um estorvo enorme. e sua pele é funcionalmente nua. há algo de errado nisso. a fêmea humana quase não tem pêlos.2. as ilustrações mostram. mas à distância eles são invisíveis. É verdade que. sob uma lente de aumento. Seus cabelos são sempre curtos demais. acabaria com uma cabeleira na alt ura dos joelhos ou. pelas axilas e pelos genitais . e não a prostituição. Não é muito difícil traçar a origem desse padrão capilar. é possível ve r minúsculos pêlos cobrindo-lhe toda a pele. quando seres pré-históricos são descritos nos livros. pentes e outros utensílios é uma questão que nunca é discutida pelos antropólogos. Isso torna seus cabelos longos ainda mais extraordinários. e m sua imaginativa reconstrução. exibe uma distribuição capilar muito semelhante à de um adul to humano. seja a profissão mais antiga do mundo. exceto pelo topo da cabeça. talvez porque não tenham resposta para ela. assim como u ma cauda de pavão. Como nossos ancestrais remotos lidavam com esses extravagantes penteado s antes de inventarem as facas. Mui tas vezes. Cabelos Hoje não existe praticamente nenhuma mulher que deixe os cabelos crescerem como a natureza queria.

mas não é capaz de ex plicar que vantagem ele nos deu em termos da sobrevivência da espécie. parece que a natureza nos dotou de um padrão capilar muito estranho se comparado ao de ou tros animais. além de bigode e barba. se nossos ancestrais evoluíram num tórrido clima africano. mas muito mais curtos e eretos — mais semelhantes aos penteados que vemos hoje em cabeças africanas. nós preservamos o padrão capilar fetal durante toda a vida. Os críticos da teoria aquática a julgam infundada. Os defensores da teoria aquátic da origem humana acreditam que perdemos nossa pelagem porque precisávamos nos ada ptar à natação. Eles também sugerem que os longos cabelos femininos tiveram outra uti1idad e: os bebês podiam agarrar-se a eles quando nadavam com as mães. mas conservamos nossos cabelos para proteger o topo da cabeça dos raios do sol. Os homens são menos evoluídos que as mulhe res nesse aspecto. Entretanto. quando não existe uma explicação óbvia. é provável que não mantivessem os cabelos compridos e flutuantes.humanos. abundam especulações. mas ambos os sexos se mantêm funcionalmente nus na maior parte da superfície corporal. era pouco pro vável que permitisse que os filhos a acompanhassem. pois possuem um corpo mais peludo. a idéia de manter a cabeleira. Como sempre. Além disso. Portanto. esse padrão tenha sobrevivido na vida adulta é outro exemplo de neotenia. como pr oteção tem algum mérito. A o contrário dos macacos. Se a mãe mergulhasse em busca de comida. em ambientes aquáticos ou . A explicação fetal pode nos dizer onde o adquirimos. os pêlos do peito não dariam qualquer conforto numa noite gelada nem evitariam uma insolação em dias de intenso calor. M esmo ao mais peludo dos homens. que desenvolvem um pelame antes de nascer.

eles seriam imediatamente identificados como membros daque la nova . como outros macacos. foi provavelmente porque eram mais ativos ao amanhecer e ao anoite cer. e o resto do corpo pelado aumentaria d rasticamente o resfriamento proporcionado pelo suor. (O suor refresca cinco veze s mais a pele nua do que um corpo peludo. se isso fosse verdade. mas não esclarece o mistério da existência de longos cabelos flutuantes nas regiões frias do norte. Isso pode explicar o penteado de estilo africano — uma c abeleira espessa que cobre o crânio. Uma vasta cabeleira lhes proporcionaria essa proteção.não. protegendo o cérebro do superaquecimento —. Se tentarmos imaginar um pequeno grupo de nossos remotos ancestrais antes que eles fabricassem roupas ou qualquer tipo de instrumento cortante. quando dormiam. Os primitivos humanos eram animais tipicamente diur nos. Mas. encimados por longas capas de cab elos ou jubas eriçadas.) Se outros animais africanos conservar am a pelagem. Isso pode até lhes ter dado a idéia para suas primeiras roup as. p or que os humanos dos paises frios não fabricaram um casaco de peles para proteger -se? A explicação mais provável é que o bizarro padrão capilar humano funcionasse como uma bandeira da espécie — um sinal que nos diferenciaria de todos os nossos parentes próx imos (parentes que desde então eliminamos). precisavam proteger-se contra o forte calor do sol tropical. Com corpos pelados. é claro que eles deviam parecer muito diferentes de tudo o que existia no planeta. quando o sol não é tão forte. Alguns antropólogos afirmam que os cabelos compridos ajudavam a manter o co rpo dos habitantes das regiões frias aquecido durante o inverno — como uma capa natu ral pendente dos ombros. Se os humanos primitivos se dedicavam à caça e à coleta nas savanas africanas duran te o dia. a longa cabeleira pode ter funci onado como um cobertor. feitos de peles de animais enroladas no corpo. À noite.

jubas. Há uma rica variedade de crinas. Lutando pela sobre vivência em desertos áridos e quentes. A nece ssidade de adaptar-se a diferentes climas os colocou num caminho evolucionário que levou ao desenvolvimento de vários e diferentes tipos raciais. Uma das maneir as mais rápidas de fazer isso era variar o padrão capilar humano. De mais perto. Como ocorre com qualquer outra tendência evolutiva. uma vez conquistadas essas mudanças. penachos. Os machos. Mas existe outra razão para o padrão capilar dos humanos. seria então possível fazer a disti nção entre os sexos. era importante que elas não se perdessem. c abelos encaracolados. esses huma nos passaram a diferir cada vez mais dos que ficavam em terras tropicais. barbas. mas um rápido exame dos outros macacos pode nos mo strar com que freqüência estranhos padrões capilares surgiram como sinais de identific ação das espécies. E.espécie que caminhava sobre as patas posteriores. seu corpo precisava mudar para sobreviver. cabelos . cabelos ondulados. de mo do que exibir evidentes sinais visuais seria a maneira mais rápida e eficiente de se distinguirem das outras espécies. Os primatas são animais predominantemente visuais. era necessário impor barreiras que reduzissem os cruzamen tos interraciais. cabelos lisos. nos sos ancestrais humanos podiam ser avistados à distância e facilmente diferenciados d os primos de corpo coberto de pêlos. Cabelos crespos. Talvez essa seja uma maneira sin gular de classificar uma espécie. bigodes e t ufos de cores brilhantes. Com seus corpos pelados e cabelos longos. com suas faces peludas. jamais seriam confundidos co m as fêmeas imberbes. em zonas de clima moderado ou nas geladas cer ras do norte. As raças tinham que se diferenciar o mais possível. À medida que começaram a sair de sua terra natal na África e foram obrigados a se adaptar a diferentes ambientes. além de servir para identificar a espécie e o gênero.

esses mecanismos de isolamento de verão desaparecer totalmente. qua ndo as populações estiverem ainda mais misturadas. Como não nos mantemos mais afastados. ferrovias e rodovias.loiros — variações desse tipo podiam rapidamente um grupo humano dos outros. ajudando a manter os diferentes tipos a fastados. Inventamos barcos e navios. e depois aeroplanos. No futuro. fabricamos trens e carros. lareiras e aquecimento central. Quanto aos diferentes formatos de cabelos que surgiram como mecanismos isolantes. As diferenças que sobrevive ram entre as raças não são mais importantes. Mas. mas no s misturamos em todas as partes do mundo. As diferenças raciais estavam ainda num estágio muito preliminar de des envolvimento. Mas. precisam ser . Não resta dúvida de que estávamos evoluindo para constituir um novo grupo de espécies intimamente relacionadas — humanos tropic ais. eles só levam à desarmonia. na densidade das glândulas sudoríparas e as pectos semelhantes) e as relativas ao sinais visuais: os padrões capilares. humanos desérticos. N ossos diferentes estilos de penteado foram o primeiro sinal de que esse processo estava ocorrendo. Aprendemos a controlar o ambiente com roupas. Essas adaptações se t ornaram quase obsoletas. hoje não passam de uma chateação. tornamo-nos incrivelmente móveis . à medida que os humanos foram se espalhando pelo globo. antes que ele chegasse muito longe. diferenciar Esse processo começou a ganhar impulso desde um estágio muito primitivo. inventamos a roda e construímos carruagens. enquanto isso. As pop ulações modernas praticamente não precisam adaptar o corpo ao clima. Graças à nossa inteligência avançada. domamos cavalos e os montamos. humanos temperados. humanos polares e assim por diante. Apenas duas delas tinham feito progresso: as relacionadas ao calor e à umidade (diferenças na pigmentação da pele. a história humana sofr eu uma reviravolta. com refrigeração e ar condicionado.

Antes de analisar essas mudanças mai s detalhadamente. escondidos. ondulados. Os cabelos foram exibidos. soltos. não deve nos causar surpresa que. têm apenas 90 mil. p enteados. cortados. e como tal devem ser vistos. eles tenham sido alvo de tanta atenção. que possuem cabelos mais espessos. o crescimento excessivo dos cabelos evoluiu originalmente como um sin al visual. Representaram um pouco de tudo: de glória da f eminilidade a motivo de tabus religiosos. os humanos não têm trocas de pêlo. convém dizer que existem cerca de 100 mil fios de cabelo numa ca beça humana. As loiras têm cabelos mais finos e. enquanto as ruivas. enquanto 10% estão descansando. mas. 90% dos fios e stão crescendo. As morenas têm cerca de 108 mil fios. Nenhuma outra parte do corpo feminino passou por tantas e incríveis mudanças culturais. Nossos cabelos se mantêm no mesmo vo lume em todas as estações. coloridos e enfeitados de milhares de maneiras diferences. Em qualquer tempo. apesar disso. Se continuarmos imaginando — erroneamente — que os cabelos refletem p rofundas diferenças raciais. positiva e negativa. presos. eles continuarão a nos causar problemas. como compensação. No período de uma vida humana. De modo geral. um número de fios ligei ramente superior à média — geralmente cerca de 140 mil. alisados. cada fio cresce durante cerca de seis anos. . como d iscutimos.compreendidos. T ratando agora especificamente dos cabelos das mulheres. ao longo dos séculos. é claro que suas longas ma deixas e sua face lisa devem ter criado um atraente contraste visual. Podem chamar a atenção. Se. Ao contrário de muitos outros mamíferos. cada pa pila capilar produz cerca de doze fios. Então. um depois do outro. são comuns e superficiais. passa por uma fase de repouso de três meses antes de começar a cair.

são tantas as influências. cada fio cresce 13 cm por ano. se sentisse tentado a experimentar diferentes formas e est ilos. Algumas gravuras rupestres mostram claramente diferences p enteados. os cabelos simplesmente continuam crescendo cada vez mais.Na média. era natural que. crescem além disso. criando indivíduos supercabeludos. a velocidade dessas mudanças se acelerou drasticamente. Em uma americana. sempre inventivo. os cabelos atingiram 4 metros de comprim ento. Com a individualidade na ordem do dia. em um c aso. pode chegar a 18 cm por ano. que isso ocorre há pel os menos 20 mil anos. mas. uma trança caída sobre o ombro direito. Então. mas o recorde mundial pertence a uma chinesa cujos cabelos chegaram a 5 me tros. que não existe mais um únic o modelo predominante. Há uma curiosa e xceção a essa regra: em alguns casos. entre adultos jovens e saudáveis. Hoje. Nenhum outro primata apresenta ta l crescimento. É como se o impulso genético para desenvolver cabelos humanos mais longos tive sse escapado de controle. se não forem cortados. é possível ver como os estilos foram mudando devagar. no século XXI. com a chegada dos salões profissionais de cabelei reiros e dos sistemas de comunicação global. Sabemos. A ânsia de imitar celebridades . os fios podem atingir mais de 1 metro antes de começar a cair. em vez de cair depois de seis anos. inclusive cabelos elaboradamente repartidos no meio da cabeça e. e essa é uma das características únicas da espécie humana. Em alguns cas os. por algumas das mais antigas imagens de Vênus. existem mais pente ados c cortes do que nunca. com penteados bem característi cos de cada época. Analisando os primeiros períodos históricos . até chegarem ao chão. Na era moderna. nesses jovens. Mesmo sem considerar esses casos extremos. com tanto cabelo a seu dispor. o ser huma no.

ocorreram poucas "estratégias d e penteados femininos". Enrolar. mas são tantos os modelos a copiar que ninguém m ais pode afirmar que um estilo predomine. Para mulheres que têm um trabalho físico extenuante — nos campos ou nas fábr icas. Algumas dessas estra tégias se desvaneceram na história e hoje parecem muito estranhas. Ainda pode ser encontrada em sociedades pouco sofist icadas ou em culturas em que a simplicidade se tornou uma doutrina social. escova e penteia os cabelos. Os cabelos curtos e práticos da executiv a. um estilo prático é o ideal. nas ocasiões e speciais e no dia-a-dia. A pob reza seria um fator para a sua adoção. ao longo dos séculos. por exemplo —. Elas não dependem dos caprichos da moda. E dar um nome a todos esse es tilos é criar estereótipos injustificados. as longas madeixas flutuantes da pop star. Este não é o lugar para listar todas essas criativas variações. mas é importante registrar que. frisar e trançar não custa quase nada e ajuda a mat ar o tempo. os cabelos espetados do rebelde — são todos modelos q ue encontramos lado a lado nos jornais e revistas. mas das possibili dades básicas do que pode ser feito com os cabelos femininos. Outras ainda estão em uso. mas. as mulheres não deixam de arrumar os cabelos. a mulhe r usa os cabelos soltos e naturais o tempo todo. os cabelos cuidadosamente desarrum ados das atrizes de Hollywood. mas não tenra mode lá-los ou dar-lhes alguma forma especial. porque dentro de cada estilo existem inco ntáveis e sutis variantes. Quando a adota. Ela lava. A estratégia mais simples é optar por um ar natural. mesmo quando não têm dinheiro para comprar p rodutos para os cabelos ou freqüentar um salão de cabeleireiro. em casa ou na rua.ainda cria tendências de curto prazo. e la é hoje relativamente rara. Embora seja a mais básica das estratégias. Os cabelos são presos por .

que. mechando ou enfeitando os cabelos. mesmo não se dedicando a trabalhos físicos. No antigo Egito. as mulheres da classe superio r raspavam a cabeça e usavam uma peruca ornamentada em público. elas soltam os cabelos e os deixam cair naturalmente. Há séculos. prendendo. Essa é uma est ratégia que tem no mínimo 5 mil anos. Essa é a estratégia mais comum. tant o no trabalho quando em casa. tingindo. especialm ente as que vivem em sociedades urbanas. mo delando. Quando não es tão trabalhando. cortando. Duas das principais estratégias no cuidado dos cabelos são o corte e o alon gamento. ondulando. Uma maneira de ter cabelos longos é usar uma peruca. Os cabelos longos mostram mais as mudanças escolhidas e fazem a mulher pa recer mais alta. As damas romanas não r aspavam a cabeça. têm optado por alguma forma de penteado. as mulheres. em sua grande maioria. alisando. mas proibida em países em que há estritas normas religiosas ou onde a beleza femini na é tabu. Essa foi um a estratégia muito usada pelas camponesas no passado e ainda hoje é adotada por muit as mulheres. acham que prender os c abelos num rabo-de-cavalo pode ser uma forma de controlar cabelos rebeldes. para que não caiam sobre os olhos ou se embaracem. nunca se contentaram com soluções práticas e naturais.razões de conveniência. mas também gostavam de usar perucas como demonstração de status. . Mas. principalmente em países onde há muitos salões de cabeleireiro. Essa predileção criou moda: a de que os cabelos com os quais as perucas eram feitas tinha m que ser de mulheres de povos conquistados em batalha — uma versão romana do costum e de escalpelar os inimigos.

Cabeceiras especiais foram criadas nas camas para que a mulhe r pudesse deitar-se e descansar sem tirar a enorme peruca. Algumas celebridades também adotam essa estratégia. sempre primorosamente dec oradas. su rgiram penteados nunca vistos. Na Ópera de Paris. Houve momentos em que ela ressurgiu brevemente sob uma forma ou ou tra — como as divertidas perucas da década de 1960. Como o custo de fabricar e manter uma peruca era muito alto. a peruca nunca se recupero u totalmente. as perucas passaram a s er uma demonstração de riqueza. com um exagero atrás do outro. A altura das portas teve que ser aumenta da para permitir que as damas passassem por elas. mas seus dias de glória tinham ficado para trás. mas reapareceram na era elisa betana. A única mulher que podia pôr um fim a essa moda extravag ante era Madame Guilhotina. Em tempos mais recentes. Depois da Revolução Francesa. Nenhum outro estilo de penteado teve tal impacto sobre a sociedade. as perucas devem ser tão semelhantes ao s cabelos naturais a ponto de passarem despercebidas. quando. que decepou as cabeças aristocráticas sobre as quais se exibiam as enormes perucas. Há mulheres (especialmente a quelas cujos cabelos ficam mais ralos com a idade) que nunca aparecem em público s em uma boa peruca. Mas a moda da peruca só atingiria seu ápice no século XVIII. porque sua presença na platéia impediria a vi são do palco. não porque tenh am . chegavam a ter 75 cm de altura. quando são usadas. Por isso. Isso aconteceu em grande parte porque os primeiros cosméticos danificavam tanto os cabelos e a pele que era necessária uma espessa cobertura. as p erucas só eram permitidas nos camarotes. os maridos tinham q ue ser extremamente generosos para financiá-las. Algumas dessas perucas.As perucas foram banidas pela Igreja na Idade Média. fabricadas de material sintético e em cores brilhantes e artificiais —. O assento das carruagens teve que ser rebaixado.

às vezes é mais fácil usar uma peruca do que perder tempo arrumando os cabel os. modelá-los com mousse e por fim pulverizá-los com mui to spray fixador". dando à mulher um ar mais confiante. que desafiava a gravidade. um notável exem plo do passado recente é um penteado que ficou popular na década de 1980. mais pe rto de Deus". Voltando à estratégia dos cabelos compridos. mas por conveniência. e portanto mais atraentes. po rém. Mesmo que os cabelos estejam em bo m estado. o cabelo natural era penteado de forma a parecer o mais volumoso possíve l. nada mais do que uma maneira de compensar as imperfeições . mas também era anti-sexual. A grande vantagem disso é que as elegantes perucas podem ser cuidadas e pentea das sem a presença da dona. o pentea do ficou muito popular nas pequenas cidades norte-americanas e nos Estados do su l do país. surgiu uma forma mais sofisti cada de alongamento: mechas que são coladas aos cabelos naturais para fazê-los parec er mais longos. Esse recurso é utilizado quando a mulher se cansou dos cabelos cur tos ou quando os cabelos naturais não crescem tanto quanto ela desejaria. Às vezes ba tizado de "estilo Dolly Parton" (uma famosa cantora country americana). Em lugar d a peruca. Mais recentemente. era chamativo e vulgar. nem desmanchá-los carinhosamente. E tinha um grave defeito: podia ser uma inegável propaganda de feminilidade. porque os homens hão podiam correr os dedos pelos cabelos. O resultado. Era também um penteado ex trovertido e afirmativo. onde com freqüência se ouvia dizer que. Para seus críticos. Uma das razões dessa popularidade era que esse volume todo fazia as feições parecerem mais delicadas. era preciso "secar os cabelos de baixo para cima com a cabeça abaixada. "quanto mais alto o cabelo.problemas com os cabelos. Pura obter essa exuberante cabeleira. foi maldosamente desc rito por um crítico como "uma das maravilhas arquitetônicas de nossa época". Técnicas m odernas tornaram .

Isso as torna menos femininas e evita passar a impressão de relaxamento ou libe rdade. propositalmente falsas e funcionem quase como uma meia peruca. Sem um fio fora do lugar. prendem os cabelos. O pouco cabelo que resta fica solto. Mantêm-nos presos num coque o tempo todo. No intuito de criar uma apa rência de pessoas de alta classe e disciplinadas. Nas últimas décadas. querendo diz er: "Sou importante. sou séria e não permito familiaridades". inacessíveis c intocáve is. Algumas mulheres usa m os cabelos presos num penteado sóbrio em ocasiões sociais. Há mulheres que optam por usar os cabelos tão curtos que não é possível prendê-los nem s oltá-los. seja por meio de um corte. e não precisa ser preso para facilita r o trabalho físico. . que reapareceu nos anos de 1960 no trabalho do cabeleireiro Vidal Sassoon. muitas mulheres querem parecer "livres e natu rais" a maior parte do tempo. enterros e grandes eventos e celebrações. embora algumas delas seja m visíveis. A segun da estratégia importante é diminuir o tamanho ou o volume dos cabelos naturais. os cabelos não podem ser despenteados ou acaricia dos. Isso as faz parecer literal e metaforicamente impecáveis. É o que se pode chamar de estilo "go vernanta" ou "diretora de escola". mas gostam de se arrumar para ocasiões especiais.praticamente impossível detectar a presença dessas mechas. mas soltos e naturais n a vida cotidiana. Algumas mulheres vão ain da mais longe e nunca usam os cabelos soltos em público. As melin drosas da década de 1920 foram as primeiras a adotar essa moda. a não ser na privacidade do lar. co mo casamentos. nem pode ser mudado em diferentes contextos sociais. seja usando-os rigorosamente presos. Mulheres que precisam impor sua autoridade co stumam amplificar esse ar de controle e poder mantendo os cabelos colados ao crâni o.

tornou-se uma estratégia feminista. uma demonstração de assertividade nos l ocais de trabalho. manifestação de alguém que ignora as conve nções e se recusa a seguir a moda. e não uma exibição de futilidade feminina. os penteados curtos suavizaram-se e ganhara m um toque mais feminino. Mas também de rebeldia. não preciso de cabelos bonitos para ser atraente". Numa f orma mais drástica de redução dos cabelos. quando. Na década de 1990. . como se ela dissesse. a mensagem que se quer passar com o estilo curto é a de uma mulher ativa e independente. Para mu lheres bonitas. A moda dos anos 1990 caminhou na corda bamba. o que pode ser visto como uma demonstração de vaidade. mas não preciso abrir mão da minha feminilidade para ocup ar um lugar de destaque no mundo". E os homens podem se sentir ameaçados e frustrados no desejo de acariciar suaves madeixas flut uantes. que faz dos cabelos uma demonstração de molecagem elegante. onde as mulheres queriam ser tratadas com mais respeito por s eus colegas homens. O estilo da mulher executiva pós-feminista está comunicand o: "Continuo disciplinada. como as conformistas. "Veja . algumas mulheres se aventuram a cortar o ca belo rente à cabeça. numa forma mai s austera. O ob jetivo era combinar um controle refinado com uma sensual liberdade. As mulheres que não gostam de sse corte o vêem como uma tentativa de se exibir com táticas de choque.Evidentemente. esse estilo pode parecer uma provocação. o que elimina a "soltura natural" mesmo na privacidade. Esse é o novo desafio para o profissional cabeleireiro do Ocidente no início do século XXI. O penteado curto ressurgiu novamente na década de 1970. A desvantagem porém é que na prática esses cortes d os anos 1920 e 1960 se revelaram mais difíceis de cuidar fora do salão de cabeleirei ro. oscilando entre o estilo agressivo e masculinizado e o modelo ornamentado.

uma imposição a todas as mulher es em cerimônias fúnebres especiais. Em comunidades religiosas. quando não haja estranhos pres entes. As comunid ades cristãs também impuseram . Para os homens.Algumas mulheres adotam um corte ainda mais drástico e raspam completamente a cabeça . A form a mais branda dessa "cobertura" puritana é usar algum tipo de chapéu. Em sociedades que praticam rigidamente o islamismo. um sinal de escravidão ou d e submissão voluntária a uma divindade. a mulher permitir que uma pequena parte dos cabelos seja exposta sob o tradicional véu. como casamentos e funerais. exige-se que as mulheres cubram a cabeça completamente quando estiverem e m público e só soltem os cabelos na privacidade do lar. Em outras. a mulher que se recusasse a ra spar a cabeça em sinal de luto tinha que se oferecer como prostituta no templo. Exige-se qu e a mulher cubra ou esconda os cabelos para eliminar seu potencial erótico. Entre os fenícios. Um resquício moderno desse antigo costume é a convenção social de usar chapéus em ocas iões formais. uma vez que nega totalmente a sensualidade dos longos cabelos femininos. A exigência de q ue a mulher cubra a cabeça ao entrar numa igreja católica é uma reminiscência da época em que ela era obrigada a esconder os cabelos durante qualquer cerimônia religiosa cr istã. um estilista convenceu todas as suas modelos a raspar a cab eça para mostrar que uma mulher moderna não precisa ser "prisioneira de seus cabelos ". por descuido. isso era um castigo. Re centemente. Em outras ainda. por exemplo. pode ser açoitada pelos homens da igreja. a exposição dos cabelos femininos — em qualquer estilo — tem sido proibida em algumas culturas. Se. esse corte raspado (de Joana D'Arc a roqueiras punk) não tem qu ase ou nenhum sex appeal. passadas e pr esentes. Em algumas culturas. na França. isso é uma lei. Devido ao seu poder de seduzir os homens.

que só podem ser vistos pelo marido. que chamam de sheitel. Os cabelos c urtos têm sido associados a disciplina. a mulher deve cobrir totalmente os cabelos. soltos e acessíveis e os cabelos curtos. No passado. Nelas. É e vidente que os cabelos convidam à experimentação mais do que qualquer outra parte do c orpo feminino. Dessa forma. Apesar disso. os cabelos são muito visíveis. Qualquer observador com certeza acharia difícil dizer que elas estão usand o uma peruca. longos. Quando usam essa peruca. sua aparênci a não muda. capacidade de adap tação e assertividade. O maior prazer . na privacidade do quarto de dormir. mas é surpreendente como elas corr espondem aos fatos em muitos casos. sóbrios e rigidamente penteados. e ainda hoje são seguidas pelas freiras. são generalizações. Evidentemente. eficiência. autocontrole. pode-se tentar um novo es tilo. essas mudanças podem ser feitas rapi damente. liberdade de espírito. praticamente iguais a s eus cabelos naturais. rebeldia pacífica e criatividade. Os cabelos longos podem ser vistos como símbolo de sensualidade. Quando os cabelos crescem. No simbolismo dos cabelos femininos existe uma simples dicotomia: o con traste entre os cabelos naturais. essas regras quase sempre se apl icavam às esposas devotas.normas relativas à exposição dos cabelos. Acima de tudo. Isso ocorre porque é fácil mudá-los. e não são definitivas. Usam perucas caríssimas. cujos cabelos não podiam ser vistos em púbico. e a menor alteração é imediatamente pe rcebida. as mu lheres dessas comunidades desejam se integrar à vida nova-iorquina e resolvem esse dilema de uma maneira engenhosa. a regra religiosa é obedecida sem sacrifício da imagem. Um extraordinário exemplo desse costume de ocultar os c abelos por razões religiosas ainda sobrevive hoje em Nova York. nas comunidades de judeus ortodoxos.

As cores naturais. mais suaves ao toque e portanto mais sensuais no s momentos de íntimo contato corporal. há ainda a questão da modificação cor dos cabelos. as loiras são mais femininas que as ruivas ou as morenas. Por entre os dedos ou no contato com o peit o do homem. Desde que o mundo obscuro das práticas religiosas sexistas não interfira. cas anho. exista uma cor que predomine sobre todas as outras.da mulher em relação aos cabelos. Nem com raça. Assim ness e aspecto. Portanto. ruivo ou louro — tem um significado que reflete essa adaptação e um encanto própri o. como os to ns de pele. é que eles estão sempre disponíveis. porém. Além das inúmeras opções de corte e penteado. quando tão poucas escandinavas querem tingir seus cabelos de preto ou castanho? É claro que isso nada tem a ver com o clima. Então. quando as mulheres decidem mudar a cor dos cabelos. permitindo-lhe expressar seu estilo pessoal e sua individualidade. assim como seu estado de es pírito. A mulher loira tem uma penuge m fina e suave . De cada cem mu lheres que tomam a decisão de mudar radicalmente a cor dos cabelos. a suavidade dos cabelos evoca a maciez da carne feminina. já que a maio ria das caucasianas têm cabelos escuros. que vão do preto ao loiro-claro. são. Na verdade a feminilidade das loiras se estende a todo o corpo. a mu lher pode usar os cabelos como um maravilhoso meio de se expressar e se apresent ar ao mundo. qual é a atração dos cabelos loiros. fruto de uma adaptação às condições climáticas do ambiente. é surpreendente descobrir que. um ap elo tão forte a ponto de criar a bizarra situação de termos no mundo mais loiras artif iciais do que verdadeiras? Parte do poder de atração dos cabelos loiros reside no fa to de eles serem finos e leves. Mas por que tantas mulheres de cabelos escuros querem parece r escandinavas. Cada cor — preto. mais de 90% de cidem ficar loiras.

As loiras passam uma idéia de j uventude porque. alguém poderia contrapor que qualquer vantagem que se o btenha será apenas por associação. transmi tindo fortes sinais de que ela deseja ser cuidada. Em momentos de extrema intimidade. e e la é apenas visual: a mulher loira passa uma imagem mais juvenil do que a morena. o c lareamento dos cabelos femininos foi uma indústria importante. Dos impérios do mundo antigo aos salões da Europa barroca. O clareamento não torna o cabelo mais fino nem mais m acio. Ele apenas parece mais fino. Praticamente desde o amanhecer da história. em grande parte da humanidade. portanto. E essa imagem projetada por uma mulher adulta. Alguns dos recursos utilizados para satisfazer as exigências sociais e alourar os cabelos eram perigo sos e até mesmo letais. com a pretensão de se tornarem um pouco — ou muito — mai s loiras do que a natureza as fez. a loira leva uma ligeira vantagem sobre as morena s. aumenta seu poder de sedução. Os antigos gregos usavam uma pomada de pétalas de flores ama relas. de modo que a combinação entre "olhos azuis" e "madeixas loiras" ficou indelevelme nte associada à infância. Diante do argumento de que é a suavidade dos cabelos loiros que leva tantas mor enas a clarear os cabelos.nas partes em que a morena precisa usar uma lâmina de barbear ou creme depilatório. A sedosidade de seus pêlos púbicos é muito diferente da aspereza dos pelos das morenas. gerações de mulheres de cabelos escuros acorreram a seus estabelecimentos em busca dos mais modernos estilos e produtos. Eis portanto outra vantagem de ser loira. As axilas e o púbis das loiras são cobertos por pêlos mais delicados. os bebês são mais loiros que os pais . uma solução de potássio e pós colorantes que deixava os cabelos opacos na tentati va . Nem é preciso dizer que isso é bom para cabeleireiros e fabric antes de perucas.

de dar-lhes a sensual aparência alourada. As damas romanas tingiam os cabelos com um sabão germânico especialmente importado do norte, mas era mais provável que escolhe ssem o caminho mais fácil de usar uma peruca loira. Essas perucas primitivas eram feitas de cabelos naturais dos europeus do norte que os romanos conquistavam em sua expansão. A moda se espalhou tanto que o poeta romano Marcial zombou dela nos seguintes versos: Os cabelos dourados que Gala usa São dela — quem imaginaria? Ela j ura que são dela, e eu juro que é verdade Porque sei onde ela os comprou. À medida que os séculos foram passando, cada vez mais truques eram usados para clarear os cabe los. Cascas de plantas, sementes, sabugos e resíduos do vinagre foram muito popula res nos primeiros tempos. Uma das receitas mandava esfregar os cabelos vigorosam ente com açafrão. Outra recomendava gemas de ovos cozidos com mel, seguidas de uma l onga exposição ao sol forte. As mulheres elisabetanas polvilhavam os cabelos com pó de ouro ou quando precisavam ser mais econômicas, aplicavam neles raspas de ruibarbo diluídas em vinho branco. Algumas vezes, corriam o risco de embeber os cabelos co m ácido sulfúrico ou alumina. Para algumas mulheres, esses tratamentos químicos resolv iam o problema dos indesejáveis cabelos escuros: ficavam completamente carecas e e ram obrigadas a usar uma peruca loira pelo resto da vida. As receitas foram se t ornando cada vez mais complexas. Em 1825, um tratado denominado A arte da

beleza ensinava a suas leitoras a fórmula para obter cabelos da cor do linho: Ferv a 1/4 de galão de lixívia; adicione 1/2 onça de raízes de celidônia e gengibredourado, 2 d racmas de açafrão e raízes de lírio, e 1 dracma de cada uma das seguintes flores verbasc o, giesta e hipérico. A solução obtida deve ser aplicada regularmente nos cabelos . É cl aro que, ano após ano, século apos século, a mulher foi se preparando para superar qua lquer obstáculo que a impedisse de adquirir as desejáveis tonalidades douradas. Mas, como acontece com muitos conceitos de moda, foi inevitável que o clareamento dos cabelos adquirisse um sentido colateral de exagero e exibição. Mesmo na época romana, a aparência que ele proporcionava nem sempre era a de uma virgem imaculada. A arti ficialidade das perucas e tinturas reduziu o valor simbólico da coloração. Num dado mo mento, tornou-se sinônimo não de inocente feminilidade, mas de sensualidade profissi onal: a marca da prostituta. As prostitutas romanas eram muito organizadas. Tinh am que obter uma licença para trabalhar, pagavam impostos e, por exigência da lei, u savam cabelos loiros. A terceira esposa do imperador Cláudio, a ninfomaníaca Messali na, ficava tão excitada com a possibilidade de fazer um sexo brutal e repentino co m estranhos que saía para a sua caçada noturna usando uma peruca de prostituta. Corr iam boatos de que tal era a violência com que fazia sexo que muitas vezes perdia a peruca loira e retornava ao palácio real totalmente reconhecível. Outras damas roma nas logo passaram a imitá-la na cor dos cabelos, e os legisladores foram incapazes de reprimir a nova moda. A obrigatoriedade do uso da peruca loira para as prost itutas caiu por terra, mas um elemento de fraqueza e abandono hoje associado às lo iras sobreviveu ao longo de séculos, ressurgindo repetidamente

como o reverso da imagem de virginal inocência. Geralmente, a diferença que se. esta belecia era a seguinte: loiras verdadeiras são anjos e loiras falsas são promíscuas. O fato de as loiras artificiais terem tido muito trabalho para parecer atraentes significava que o sexo ocupava sua mente por muito tempo, e a loira falsa se rep roduziu em diferentes arquétipos: garota fácil, bomba sensual, prostituta, bonequinh a de luxo, loira burra. Cada geração tem um nome para ela, e cada geração tem suas super loiras. No início da Primeira Guerra Mundial, a loira platinada entrou em cena. Em 1937, quando Jean Harlow morreu, aos 26 anos, deixou uma longa sucessão de estrel as de cinema loiras, que continuam dominando a tela até hoje. A grande maioria das personalidades femininas surgidas em Hollywood foram louras — geralmente, mais po r força da cosmética do que da genética. Algumas passaram por sacrifícios para aperfeiçoar o visual: Marilyn Monroe chegou a clarear os pêlos púbicos para fazê-los combinar com suas madeixas platinadas. Muitas se mantiveram fiéis à velha associação entre o sol e o dourado de seus cabelos — eram mulheres alegres e calorosas, vitais e intensas. F reqüentemente elas se dão mal, mas isso também faz parte de seu natural poder de sedução: sua loira vulnerabilidade. Em defesa das morenas, um comentarista do final da déca da de 1960 afirmou: "Se um homem tem boas intenções em relação a uma garota, deseja que ela seja natural. Nada artificial atrai um homem sério. De modo geral, ele prefere uma loira como amante e uma morena como esposa. Morenas têm mais integridade".

3. Testa A testa é uma região da face que desempenha um importante papel na linguagem corpora l. Como afirmou um especialista cm expressões faciais no século XVIII, "de todas as partes da face, a testa é a mais importante e mais característica". Hoje, essa afirm ação pode parecer surpreendente, porque, como se dá muita atenção à maquiagem dos olhos e do s lábios, eles tendem a dominar o rosto feminino e ofuscar as outras partes. No en tanto, é pouco provável que alguém tenha travado uma conversa cara a cara sem transmit ir sinais inconscientes na testa, na forma de um mover das sobrancelhas ou de um franzir da pele — movimentos indicativos de mudanças de humor. Antes de examinar es ses sinais e descobrir de que forma a testa feminina difere da masculina, convém p erguntar por que afinal temos testa. Se observarmos atentamente a face de um chi mpanzé e a compararmos com o rosto humano, a diferença na fronte é surpreendente. Nos macacos, a testa quase não existe. Nos humanos, ela se eleva verticalmente acima d as sobrancelhas. No chimpanzé, ao contrário, a linha dos cabelos se junta às sobrancel has, que quase não têm pêlos. Na verdade, a região frontal do macaco é totalmente diferent e da dos humanos. Quando olhamos a face de um chimpanzé ou de qualquer outro macac o, a impressão que se tem é que eles possuem imensos e proeminentes ossos supercilia res que os protegem de danos, enquanto nós, humanos, perdemos essa proteção. Isso é uma ilusão. Se tocarmos o osso imediatamente acima dos olhos, sentiremos a proeminência do crânio, que continua lá para nos proteger. Nossos supercílios são menos evidentes, não porque desapareceram, mas porque nossa fronte se estendeu para abrigar um cérebro muito maior. O cérebro de um

chimpanzé tem um volume de cerca de 400 cm3, enquanto o cérebro humano ocupa um volu me mais de três vezes maior: 1.350 cm3. Foi a expansão do cérebro humano, principalmen te na região frontal, que nos deu uma testa. Essa área de pele exclusivamente humana acima dos olhos deu a nossos ancestrais uma região a mais para a transmissão de sin ais visuais. Por isso a pele da fronte, embora bem esticada sobre o osso, não é tota lmente imóvel. Ela é capaz de leves movimentos — sutis, mas claramente perceptíveis. É fácil detectar esses movimentos porque, quando se mexe, a pele cria rugas. Além disso, a face humana conservou duas tiras de pelos na fronte. Conhecidas tecnicamente c omo supercílios, mas chamadas comumente de sobrancelhas, funcionam como sinalizado res que ajudam a tornar os movimentos da pele ainda mais visíveis à distância. Já se dis se que a principal função das sobrancelhas é reter o suor e a chuva, impedindo que ele s escorram para dentro dos olhos. E embora elas tenham alguma utilidade nesse as pecto, funcionando como calhas , sua principal função é sem dúvida transmitir as acelera das mudanças do nosso estado de espírito. Estudando todos os sinais de mudança de humo r no rosto, fica evidente que existem seis movimentos da testa, cada um ligado a um determinado estado emocional. São eles: Baixar as sobrancelhas. Esse movimento não é estritamente vertical, e sim um franzimento. À medida que baixam, as sobrancelh as também se movem ligeiramente para dentro, aproximando-se. Isso enruga a pele en tre elas e forma pequenas dobras verticais. O número dessas dobras varia de indivídu o para indivíduo, e cada adulto tem um franzido característico de uma, duas, três ou

quatro linhas. Quase sempre elas se formam simetricamente de cada lado do espaço e ntre as sobrancelhas (conhecido como glabela), cada uma mais longa ou mais forte que a anterior. As marcas horizontais da testa tendem a se suavizar quando as s obrancelhas baixam, mas podem não desaparecer completamente. O processo de envelhe cimento envolve uma fixação cada vez maior das linhas de expressão temporárias. Os vinco s da pele, que na juventude aparecem e desaparecem a cada mudança de humor, se gra vam permanentemente na pele à medida que os anos passam. Um forte vinco num rosto que não está franzido é o resultado de inúmeros movimentos desse tipo realizados pelo in divíduo ao longo da vida. Esse franzir das sobrancelhas ocorre em duas diferentes situações, que podem ser grosseiramente rotuladas como de agressão e de proteção. Num cont exto agressivo, o movimento se processa em diferentes graus de intensidade, que vão da simples desaprovação ou determinação até o aborrecimento e a raiva violenta. Num cont exto de proteção, o movimento ocorre sempre que existe uma ameaça para os olhos. Entre tanto, em momentos de perigo, franzir as sobrancelhas não é proteção suficiente. Nessas ocasiões, as bochechas também se elevam. Juntos, esses dois movimentos oferecem a máxi ma proteção possível aos olhos, que se mantêm abertos e atentos. É um movimento típico de um rosto tenso, que prevê um ataque físico, ou exposto à forte iluminação, da qual os olhos se protegem. Essa contração também ocorre freqüentemente quando o indivíduo ri, chora e em momento de forte repulsa, o que sugere que essas situações talvez devam ser conside radas uma espécie de superexposição. È a função de proteção ocular que explica a origem desse anzimento da testa. Sua utilização cm contextos

Às vezes. ignorância. geralmente atrib uída a pessoas "preocupadas". Na maioria dos casos. em número de quatro ou cinco na maior ia dos casos. A verdadeira face de agressão. Com . as sobrancelhas se movem ligeiramente para fora. Quando se erguem. pressentimento. porém. Er guer as sobrancelhas. cria ndo longas marcas horizontais. ansiedade e medo. Seus significados. É isso que se costuma chamar de "testa franzida". mas isso é um erro. dúvida. Isso estica a pele entre elas e faz desaparecer as rugas verticais que ali se formaram. mas não tão intrepidamente feroz a ponto de não levar em conta a necessidade de proteger órgãos tão vitais como os olhos. porém. n egação. afastando -se. exibe um par de olhos fixos e bem abertos. são mais ou menos paralelas. surgida da necessidade de defender os olhos de c ontra-ataques que uma atitude agressiva poderia provocar. Essas linhas. toda a pele da testa se estica para cima. incompreensão. ao contrário. Pode s er feroz.agressivos parece ser secundária. mas essa é uma ocorrência relativamente rara. Vários autor es as descreveram como sinal de surpresa. Ao mesmo tempo. ceticismo. uma vez que atos de franca hostilidade raramente escapam de uma retaliação. Costumamos ver num ros to franzido a imagem de ferocidade. m as é difícil precisar seu número porque as linhas superiores e inferiores em geral são f ragmentárias. esse não é estritamente perpendicul ar. e não de autopreservação. felicidade. vão muito além disso. encantamento. arrogância. Um crítico musical fez um comentário que ficou famoso: o de que uma certa cantora de óper a "tinha que pegar qualquer nota acima de lá com as sobrancelhas". Como o movimento anterior. apenas as linhas do meio se estendem de lado a lado da testa. dez rugas chegam a se formar.

Quando comparamos essa expressão com o movimento de baixar as sobrancelhas. Vamos supor que estamos diante de algo ameaçador: podemos baixar as sobrancelhas para proteger os olhos ou erguê-las para aumentar nosso campo de visão . Isso não é raro. é essencialmente alguém que gostaria de escapar. Mas ela só ocorre se. surg e um problema. Existem elementos de retraimento corporal nessa postura. mas por alguma razão não pode fazer iss o. A pessoa arrogante que e rgue as sobrancelhas também gostaria de escapar ao desagradável ambiente circundante . utilizada sempre que o animal é confrontado com algo que o faz querer fugi r. Para usar uma expressão conhecida. A risada pode ser verdadeira.todas essas interpretações. a expressão parece ter se originado da necessi dade de melhorar a visão. uma incontrolável c uriosidade de ficar e ver o que é essa coisa tão assustadora ou qualquer outro impul so de ficar em condito com a urgência de fugir. parece ser uma reação a situações de em ergência. Entre os macacos. Para eles. au mentamos imediatamente nosso campo de visão. com a testa franzida. algo o impede de escapar. Esticando a pele da testa e erguendo as sobrancelhas. Veremos que esse conceito de "fuga frustrada" se aplica perfeitamente ao contexto humano. O indivíduo sorridente que mostra essas marcas na testa também está levemente assus tado. Homens e macacos se comp ortam de maneiras muito parecidas. O humo r pode nos levar ao limiar do medo e a um riso nervoso. como para nós. mas aquilo de que se ri é algo muito perturbador. ao mesmo tempo. Erguer as sobrancelhas é um movimento que partilhamos com outro s primatas. trat a-se de um "abridor de olhos". a única maneira de entender o significado desse movimento é buscar sua origem. Ambos os . Uma pessoa preocupada. Esse "algo mais " pode ser muita coisa: uma conflituosa necessidade de atacar.

e em momentos de submissão. como uma folha de papel enrugado que tentamos alisar. e. Além dessas funções principais. as marcas arqueadas causadas pelo movimento de erguer as sobrancelhas também podem ficar indelevelmente gravadas quando a pessoa envelhe ce. a pele da testa vai ficando marc ada por finas linhas em arco. mas com muito medo. A elasticidade da pele diminui à medida que envelhec emos. em momen tos de medo. erguem as sobrancelhas. voltam a se franzir. Se vivemos nervosos ou ansiosos. Podemos erguer as sobrancelhas mes mo quando não estamos apreensivos simplesmente para mostrar a outra pessoa que est amos preocupados com ela.movimentos serão úteis. Mas tais refinamentos e modificações não seriam possíveis se não fosse o significado original do movimento. sacrificam a visão e protegem os olhos baixando as sobrancelhas. vemos que numa situação de agressividade as sobrancelhas se franzem. Como ocorre com os vincos provocados por uma fronte franzida. ou quando estão cansados e com medo de um at aque iminente. nossa fronte também se recusa a . mas temos que escolher um deles. eles sacrificam a proteção pela vantagem tática de enxergar mais claramente o que está acontecendo. elas se erguem. estes dois movimentos podem ser usad os deliberadamente em contextos menos graves. Quando os seres humanos estão muito agressivos e podem provocar uma retaliação imediata. Qu ando estão dominados por uma leve agressividade. Então. Algo semelhante ocorre com os humanos. ou numa situação em que não parece haver perigo iminente de um ataque físico. Observando os ma cacos. O cérebro precisa perceber qu al a necessidade mais importante e passar a instrução para o rosto. A pele de nossa fronte revela as marcas de todas as caretas que fizemos ao l ongo dos anos.

Uma franja espessa pode servir de cobertura. uma alternativa mais moderna para eliminar rugas é a injeção de Botox. O Botox é na verdade um veneno. Desde a década de 1990. parece que é a forma mais popular de tratamento cosmético no momento. Uma maquiagem pesada pode ajudar. ou pelo menos disfarçá-lo. Portanto. por mais forte que seja o estado emocional. Má muitos anos. precisa fazer alguma coisa para corrigir o dano. uma neurotoxina gerada pela bactéria que produz o botulismo. porque a pele é tão esticada que nunca mais será capaz de exibir a meno r ruga. Isso pode criar uma aparência de máscara -um rosto jovem. É injetada diretamente nos músculos que causam as rugas. Ela paralisa a fronte. incapaz de mostrar qualquer emoção. a substância é usada em quantidades tão pequenas que praticamen te eliminam o risco. mas não resolve o problema. que se torna incapaz de qualquer movimento .recuperar o aspecto liso que tinha na juventude. desativando-os por um período de três a cinco meses. "Velha e nervosa" não é uma imagem que uma mulher queira passar. Ainda será precis o encontrar uma solução médica mais perfeita. Embora ainda não tenha sido aprovada pelas organizações médicas ofi ciais. Para mulheres que dependem da aparência. mas só até que uma rajada de vento a tire do lugar. Indica também uma personalidade excessivamente ansiosa. . é necessária uma ação mais drástica. mas rígido. mesmo em momentos de relaxament o e calma. O probl ema dessa solução é que ela deixa a testa lisa demais. Nes se tratamento cosmético. a opção cirúrgica tem sido o lifting da face É drást mas eficiente. Essas marcas na testa de uma mulher são um sinal de que ela não é mais jove m.

com as sobrancelhas abaixadas. Na origem. essa reação contraditória é ma is freqüente nas mulheres do que nos homens. esse movimento parece ser uma tentat iva de as sobrancelhas responderem a um duplo sinal do cérebro. O estado de espírito que ela traduz é ger almente o ceticismo. Rugas entrelaçadas. Como o anterior. Metade do rosto parece agressivo. enquanto outra diz "Abaixe-as". A contração é semelhante ao movimento de so brancelhas abaixadas e produz curtos vincos verticais no espaço estreito entre as sobrancelhas. Esse movimento é uma mistura dos dois anteriores: uma sob rancelha é abaixada enquanto a outra é erguida. A sobrancelha erguida funciona como um ponto de interrogação em relação ao olhar feroz. O entrelaçamento das duas expressões pr oduz um cruzamento de rugas.Sobrancelhas enviesadas. pro duzindo rugas horizontais ao longo da testa. As sobrancelhas são erguidas e ao mesmo tem po apertadas uma contra a outra. Não é uma expressão muito comum. mas uma dor constante provavelmente produzirá essas rugas entrelaçadas. enquant o a outra metade passa a impressão de medo. esse é um movimento complexo. Um bom exemplo desse movimento é a expressão utilizada nos a núncios de remédio para dor de cabeça. Diferentes grupos de . Por alguma razão. A mensagem que ela transmite é tão conflitante quanto a própria expressão. O movimento para cima é semelhante ao das sobrancelhas erguidas. Essa expressão está relacionada à forte ansiedade e à dor. Também é observada em alguns casos de dor crônica. Uma dor forte e aguda produz uma co ntração. Uma mensagem orden a "Erga as sobrancelhas". porque mu itas pessoas têm dificuldade de executar o movimento. co mposto de dois elementos: erguer e baixar.

Nova Guiné e Amazônia. Tem sempre o mesmo significado: o reconhecimento amigável da presença do outro. Foi registrado não apenas em europeus. As sobrancelhas sobem e descem numa fração de segundo. seria possível dizer quanto infortúnio há na vida passada de uma mu lher simplesmente pela facilidade com que ela adota a posição das sobrancelhas oblíqua s. O movimento geralmente é executado a uma certa distância. Em alguns casos. torna-se um sinal de surpresa agradável. as extremidades internas das sobrancelhas são empurradas mais para cima que as ex tremidades externas. talvez não tenham sucesso. mas também pode ocorrer sozinho. só consegue pressioná-las uma contra a outra. numa posição oblíqua. mas não em todos. Quase sempre. Teoricamente. Es se breve piscar é um sinal aparentemente universal de comprimento. A extrema brevidade do movimento. mas o segundo grupo. embora tente forçá-las para b aixo. o que resulta numa "expressão oblíqua de sofrimento". mas também cm populações de regiões que não tiveram influência europé como Bali.músculos começam a pressionar em direções opostas. Piscar as sobrancelhas. foi uma adoção momentânea da postura de so brancelhas erguidas numa situação de surpresa. no momento do encontro. Combinada com o sorriso. não mais . Essa form a exagerada de movimento cruzado é mais marcante em pessoas que tiveram experiências trágicas. e não durante demonstrações de maior intimidade. mesmo que as sintam tentando mover -se. O primeiro grupo consegue empurrar as sobrancelhas um pouco para cima. Se mulheres com histórias menos trágicas tentam forçar as sobrancelhas para c ima. como o apert o de mão. o abraço ou o beijo. acompanha um aceno de cabeça e um sorriso . Na origem.

mas em algumas pessoas esse movimento se torna freqüente e exagerado. Esse movimento é parte de uma reação mais complexa. as sobrancelhas piscam. todo cumprimento. tem um caráter social de imprevisibilidade. deixando que o sorriso amigável domine a cena. E como se elas ressaltassem as surpresas da comunicação verbal. As sobrancelhas sobem. Cada vez q ue uma palavra é enfatizada. Embora possa ocorrer isoladamente. por mais amigável que seja. Isso inevitavelmente dá ao encontro um leve e efêmero elemento de medo. da cabeça. esse leve movimento de sobrancelha s é freqüentemente usado durante uma conversa para enfatizar algum ponto. dos ombros. Erguer e baixar as s obrancelhas com uma pausa. Entretanto. braços c mãos. isso não é m uito comum. É essa breve pausa que distingue esse movimento do piscar rápido que indica saudação e ênfase. e pode parecer estranho que ele participe de uma saudação en tre amigos. Como já dissemos. que envolv e movimentos da boca. Para a maioria de nós. param momentaneamente nessa po sição e depois descem. Além de ser uma saudação. nem se el e mudou desde a última vez que o vimos. Cada um desses elementos t ambém pode ocorrer separadamente. o movimento que contém uma pausa na posição das sobrancelhas em geral s e faz acompanhar de um esgar. . o erguer de sobrancelhas co ntém um elemento de medo. ou em grupos de dois ou três. em que os cantos da boca baixam momentaneamente. Não sabemos como o outro vai se comportar. indica que a surpresa desaparece rapidamente. E ssa combinação costuma ocorrer na ausência de outros elementos.do que uma fração de segundo.

alegava-se que coroavam a mulher mais bela. em particular. a intenção era fazer as sobrancelhas parecerem exageradamente femin inas. Ele também costuma acompanhar a fala de certos indivídu os. existe uma importante diferença entre os sexos: as sobrancelhas femininas são mais finas e menos densas que as masculinas. fazemos repetidos movimentos cor porais para enfatizar o que dizemos. mas não é exclusivo dessa person alidade. Na maioria das vezes. que parece perpetuamente surpreso pelas vicissitudes da vida. A maioria das pessoas usa as mãos ou a cabeça. esse é um movimento associado a uma expressão triste. Esse é um movimento típico do queixoso contumaz. depilar e pintar. quando falamos animadamente. a desculpa era que esses procedimentos ajudavam a espanca r o mal. Abandonando a questão dos movimentos e passando à anatomia das sobrancelhas . mais tarde. Se duas pessoas que se conhecem estão sentadas uma ao lado da outra e uma terceira pessoa se aproxima e faz alguma coisa que causa desconf orto. uma das duas primeiras pode fazer esse movimento com as sobrancelhas para indicar desaprovação e surpresa. mas outras se servem das sobr ancelhas para essa ênfase. depois. Quase todos nós. .Ao contrário da piscadela das sobrancelhas. significa uma surpresa m edianamente desagradável. evitavam a cegueira. e não alegre. dizia-se que eles protegiam o corpo das doenças e. como raspar. Essa diferença provocou muitas "melhorias ". acrescentamos uma ênfase visual. e as sobrancelhas das mulheres tornaram-se artificialmente ainda mais finas e menores. No princípio. Isso vem sendo feito há séculos mediante várias técnicas. Em todos os casos. A cada ênfase verba!. portanto.

Para elas. . quando "o lápis de sobrancelhas estava presente em qual quer nécessaire. Um e specialista no desenho de sobrancelhas afirma que "o desenho ideal é o que tem doi s terços do comprimento numa curva ascendente e um terço numa curva descendente". Ma s é claro que ele deve ser adaptado às características de cada rosto. o uso de uma pinça era considerado muito g rosseiro. o auge do costume de depilar as sobrancelhas ocorreu no entre-guerra s. A ponta de metal da pinça poderia quebrar o fio. poderia removê-las e pintá-las em outro formado. dizia-se que "sobrancelhas levemente arqueadas combinam com a modéstia de u ma virgem".No século XX. Para algumas mulheres. o que garante a remoção da raiz. as novas so brancelhas quase sempre eram desenhadas acima das verdadeiras. De fato. A form a artificial das sobrancelhas tem variado muito ao longo dos séculos e de pessoa p ara pessoa. disponível em cinco fascinantes tonalidades". Esse método é popular na Ásia e no Orie nte Médio. ao mesmo tem po. Quando fazia isso. No final do século XVIII. Depois de reduzir a e spessura das sobrancelhas. utilizava-se o lápis para enfatizar o fino arco de pêlos que sobrevivera. Sobrancelhas muito baixas podem dar à mulh er uma aparência tão sinistra que se diz que ela tem "sobrancelhas de bruxa". fazer com que elas se harmonizem com o rosto tem exigido muito cuidado. Se uma mulher achasse que suas sobrancelhas ocupavam uma posição feia na te sta. sobrancelhas artificialmente alteadas dão à mulher uma aparência de criança inocente de olhos bem abertos. que com isso cresceria mais rápido. nas décadas de 1920 e 30. obedecendo a sut ilezas estéticas. Desenhar as sobrancelhas de acordo com a moda da época e. o método preferido é amarrar um fio fino ao redor de cada pêlo a ntes de arrancá-lo.

A jovem apresentou que ixa.) Finalmente. Terceiro. cuja diretora não permitiu que uma enfermeira depilasse as sobrancelhas. se os pêlos permanecerem ali. (Quem adoraria essa decisão é o profeta Maomé. Assim. e. a moda ordenava que as sobrancelhas fossem raspadas e substituídas . quarto.. Não são muito comuns. Na época. quando existem. Esperava-se que as mulheres que trabalhavam em condições impróprias a manifestações de sensualidade deixassem as sobrancelhas intocad as. há algo de "animal" em ter pêlos onde não devia haver nenhum. a decisão de não depilar as sobrancelhas e deixá-las na forma natural era vista como um sinal de pouca sensualidade.O exemplo mais bizarro de sobrancelhas falsas talvez venha da Inglaterra do século XVIII. Primeiro. e a extravagância estava justamente na natureza dessa substituição: as sobrancelhas falsas eram feitas de pele de rato. uma antiqüíssima superstição afirma que a mulhe r que tiver sobrancelhas unidas deve ser uma vampira. Segundo. Com tanta preocupação em melhorar a aparência femi nina. que afirmou: "Maldita seja a mulher que [. os pacientes do hospital foram protegidos do estímulo erótico que representaria um par de sobrancelhas delicadament e depiladas.. . esse excesso de pêlos n a testa é uma característica masculina. Qualquer mulher que nasça com essa forma de sobrancelhas prefere sofrer para depilar os indesejáveis pêlos que cob rem o espaço acima do nariz. darão a impressão de um r osto permanentemente fechado. mas a decisão da diret ora foi mantida pelo conselho do condado. Há várias razões para isso. um caso polêmico envolveu um hospital londrino. Na década de 1930.] depilar as sobrancelhas". convém mencionar as sob rancelhas tão unidas que criam uma linha ininterrupta de pêlos. E. alegando que a proibição era um cerceamento à sua liberdade. raramente deixam de ser depiladas.

Juntas, essas maldições fazem qualquer mulher correr em busca de uma pinça. Para mante r suas sinistras sobrancelhas unidas, ela teria que estar "acima da moda". Essa mulher existiu no século XX: a famosa pintora mexicana bissexual Frida Kahlo. Para ela, as sobrancelhas unidas e espessas se tornaram uma marca pessoal, que ela r eproduziu fielmente em seus auto-retratos. "Pairando acima de seus penetrantes o lhos negros como um pássaro no vôo", assim elas foram descritas. Como afirmou um críti co: "Frida Kahlo pode ter sido uma mulher interessante e criativa, mas tinha ape nas uma sobrancelha, que se estendia de um lado a outro do rosto como a Grande M uralha da China, e, como tal muralha, provavelmente era avistada da Lua". É incrível que essas reações sejam causadas pela simples presença de uns poucos pêlos pretos acima do nariz. As sobrancelhas costumam passar tão despercebidas que só paramos para pre star atenção nelas quando algo estranho acontece. Nos anos recentes, excetuadas as i diossincrasias de Frida Kahlo, só numa ocasião pesadas sobrancelhas femininas foram consideradas aceitáveis e, por um período, até mesmo populares. Isso aconteceu na década de 1980, quando o movimento feminista entrou numa fase em que as mulheres passa ram a acreditar que parecer um homem era uma boa maneira de competir com eles. F oi nessa época que a jovem atriz Brooke Shields apareceu nas telas exibido sobranc elhas que foram descritas como "lagartas". Elas não se uniam no meio, como as da K ahlo, mas eram tão espessas quanto as de um homem, o que lhe dava um olhar feroz e determinado. Desde então, à medida que as mulheres foram fazendo mais sucesso como mulheres, e não como pseudomachos, suas sobrancelhas voltaram à forma arqueada e fin a que foi preferida durante séculos. Como Shakespeare afirmou em Conto do inverno: "Não é por terdes sobrancelhas negras. Dizem até que

sobrancelhas escuras são as que melhor assentam nas mulheres, desde que não sejam mu ito espessas, mas apenas um semicírculo ou meia-lua traçados a pena".

4. Orelhas As orelhas femininas nunca foram bem tratadas: têm sido ignoradas ou mutiladas. Os pós e pinturas que costumam ser aplicados ao rosto as ignoram. Enquanto um rosto meticulosamente enfeitado ocupa o centro do palco, as orelhas são esquecidas c mui tas vezes escondidas sob os cabelos. E, quando se revelam, têm servido apenas como campo de testes para a criação de jóias. Nas raras ocasiões em que as orelhas são objeto de cirurgia plástica, a solução é torná-las ainda mais imperceptíveis. É o que ocorre quando relhas proeminentes são coladas à cabeça. Mas, antes de analisar mais detalhadamente o s abusos culturais perpetrados contra as sofridas orelhas femininas, convém examin ar a biologia e a anatomia dessa parte do corpo. A parte visível da orelha é bastant e modesta. No curso do processo evolutivo, ela perdeu as extremidades pontiaguda s e a mobilidade. As extremidades sensíveis desapareceram, curvadas numa borda rol iça. Mas nem por isso ela deve ser tratada como um resíduo inútil. A principal função do o uvido externo — uma trompa de carne e sangue — é coletar o som. Não somos capazes de eriça r as orelhas como outros animais, nem de torcê-las para descobrir de onde vem um b arulho repentino, mas ainda podemos detectar uma fonte sonora. O que os humanos perderam em flexibilidade da orelha ganharam em mobilidade da cabeça. Quando um ce rvo ou um antílope ouvem um som alarmante, erguem a cabeça e torcem as orelhas em to das as direções. Quando ouvimos um som desse tipo, giramos a cabeça, o que funciona qu ase da mesma maneira. Embora nossas orelhas pareçam rígidas, ainda conservam um mínimo dos movimentos que originalmente possuíam. Se retesar os músculos da região auricular e se

olhar num espelho, você terá um vislumbre desse movimento de proteção: suas orelhas tent arão se colar ao crânio. Animais que possuem orelhas grandes e móveis quase sempre as achatam quando estão lutando, na tentativa de mantê-las a salvo de um ataque. Nós, hum anos, ainda fazemos isso automaticamente: a pele da cabeça se retesa em momentos d e pânico, mesmo que nossas orelhas permaneçam em sua habitual posição de repouso. A form a da orelha é importante para a perfeita transmissão dos sons ao tímpano. Uma pessoa q ue teve a infelicidade de ter as orelhas decepadas com certeza possui uma audição be m menos eficiente. Os canais auditivos e o tímpano constituem um "sistema ressonan te", no qual alguns sons são enfatizados à custa de outros. A forma aparentemente al eatória da orelha — suas dobras e curvas — na verdade foi especialmente criada para ev itar distorções desse tipo. Uma função menos importante da orelha é o controle da temperat ura. Os elefantes balançam suas enormes orelhas quando estão com muito calor. o que os ajuda a resfriar o corpo. Há uma profusão de vasos sangüíneos próximos à superfície da pel , e o calor que se perde desse jeito pode ser importante para muitas espécies. Par a nós, a quentura das orelhas desempenha um papel secundário na regulação térmica, mas tor nou-se um sinal social. Se uma mulher sente um forte calor num momento de confli to emocional, suas orelhas podem ficar vermelhas. Esse rubor tem sido objeto de comentários desde tempos muito remotos. Há quase 2 mil anos, Plínio escreveu: "Quando nossas orelhas se avermelham e queimam, alguém está falando de nós na nossa ausência". E Shakespeare faz Beatriz perguntar, quando outros estão falando dela: "Que fogo é es se em minhas orelhas?"

Finalmente, nossas orelhas parecem ter adquirido uma função erótica com o desenvolvime nto de macios lóbulos carnosos. É uma função que não está presente em nossos parentes mais p róximos e parece ser uma característica exclusivamente humana, decorrente do aumento de nossa sexualidade. Os primeiros estudiosos da anatomia humana viam na orelha um apêndice inútil", "uma parte da face aparentemente sem utilidade, a não ser a de p oder ser furada para carregar ornamentos". Mas estudos recentes sobre o comporta mento sexual revelaram que, um momentos de forte excitação, os lóbulos das orelhas se intumescem e se enchem de sangue, o que os torna mais sensíveis ao toque. Ter os lób ulos das orelhas acariciados, sugados e beijados durante o ato sexual é uma forte estimulação para muitas mulheres. Segundo Kinsey e seus colegas do Instituto de pesq uisas Sexuais de Indiana, há alguns casos raros de mulheres que conseguem atingir o orgasmo em conseqüência da estimulação das orelhas. No centro da orelha abre-se o cana l auditivo, um conduto estreito de cerca de 2,5 cm, ligeiramente curvo, o que o ajuda a manter aquecido o ar existente no seu interior. Esse aquecimento é importa nte para o funcionamento adequado do tímpano, que se situa na extremidade do canal e é um órgão extremamente delicado. Além de manter o tímpano aquecido, o canal também o pro tege de danos físicos. O preço que pagamos por essa proteção, porém, é a presença em nosso co po de um recesso profundo, que não conseguimos limpar com os dedos. Podemos limpar todo o nosso corpo com relativa facilidade, livrando-o da sujeira e de pequenos parasitas, mas, se um objeto invadir nosso canal auditivo, teremos problemas. A tentativa de remover a sujeira com bastonetes pode danificar o tímpano. Por isso, precisamos de uma proteção especial contra intrusões desse tipo. A evolução nos proporcio nou a resposta para isso na forma

de pêlos que impedem a entrada de insetos maiores e da cera que repele criaturas m enores. A cera cor de laranja, com um gosto amargo que repele os insetos, é produz ida por 4 mil minúsculas glândulas ceruminosas, que na verdade são glândulas apócrinas alt amente modificadas — do tipo que produz o suor de cheiro forte nas axilas e no int erior das pernas. Não cabe aqui detalhar o funcionamento do ouvido. Resumidamente, diremos que as vibrações sonoras atingem o tímpano e se convertem em impulsos nervoso s que são transmitidos ao cérebro. O tímpano é incrivelmente sensível, capaz de detectar a menor vibração. Essas vibrações são então transmitidas ao ouvido médio através de três peque ssos de formas estranhas (martelo, bigorna e estribo), que amplificam a pressão da s ondas sonoras 22 vezes. O sinal amplificado então passa ao ouvido interno, onde entra em ação um estranho órgão em forma de caracol e cheio de fluido. As vibrações produzid as nesse fluido ativam milhares de células ciliadas — cada uma sintonizada com uma d eterminada vibração —, que identificam as freqüências que compõem um som e transmitem essa i nformação ao cérebro por intermédio do nervo auditivo. O ouvido interno também contém órgãos ais para o equilíbrio. São três canais semicirculares, cada um relacionado a um tipo d e movimento: os movimentos para cima e para baixo, os movimentos para a frente e os movimentos laterais. A importância desses órgãos cresceu radicalmente quando nosso s ancestrais começaram a se pôr de pé e adotaram a forma de locomoção bipedal. Um animal q ue se apóia sobre quatro patas é relativamente estável, mas a posição ereta exige constant es e sutis adaptações do equilíbrio. Esses órgãos do equilíbrio são de fato mais vitais para nossa sobrevivência do que as partes do ouvido que lidam com os sons. Uma pessoa

declina para cerca de 12 mil. o alcance máximo cai para 20 mil ciclos por segundo. e continua caindo cada vez mais à medida qu e os anos passam Para os muito idosos. Como outras espécies. com o alcance cada vez menor da adição. Nossos ouvidos servem como um lembrete de que vivemos num mundo muito diferente daquele do qual nos originamos. Na adolescência. Os modernos sistemas de som funcionam a freqüências superiores a 20 mil ciclos por segundo. Aos 60 anos. Um bebê pode detectar freqüências de ondas sonoras de 16 a 30 mil ciclos por segundo. uma m ulher de meia-idade que tenha pagado uma fortuna para instalar um sistema desse tipo deve ficar chateada ao descobrir que os únicos membros da família capazes de ap reciar tudo isso são seus filhos mais jovens. e por isso não criamos nenhuma proteção especi al contra sons muito altos.surda pode sobreviver com maior facilidade do que a que perde o sentido do equilíb rio. embora eles sejam capazes de ouvir uma única voz num local silenci oso. graças a nossa infinita engenhosidade. é difícil distinguir di ferentes vozes quando várias pessoas falam ao mesmo tempo. temos exp losivos de alto poder e uma enorme variedade de equipamentos de som poderosíssimos . é um problema ouvir uma conversa numa sala cheia de gente. Um dos aspectos desagradáveis da nossa audição é que ela começa a declinar desde que nascemos. Ela já terá sorte se conseguir detectar qualquer freqüência acima de 15 mil ciclos por segundo. evoluímos num mundo relativame nte silencioso quando os sons mais altos eram roncos e gritos. capazes de danificar nossa audição. . Isso ocorre porque. Hoje. Nossos ouvidos têm uma grande sensibilidade ao volume do som. Por isso. Não havia nada mais alto para ferir nossos sensíveis tímpanos.

Em outr as palavras. mas o uso de impressões digitais alcançou tal avanço que é difícil dizer se as formas da orelha teriam alguma utilidade. São detalhes como esses que tornam possível a id entificação de criminosos. A segunda parte que merece menção é a pequena saliência na borda da orelha. ele tem uma característica importante. chamada tubércu lo de Darwin. mas um método concorrente — o das impressões dig itais — prevaleceu. quando tínham os orelhas pontiagudas que podiam se mover à procura dos sons mais fracos. A primeira é o lóbulo. esses "pontos são vestígios de orelhas que um dia foram eretas e pontud as". os únicos a re alizar estudos detalhados sobre as partes da orelha .171 orelhas de europeus descobriu que 64% delas tinham lóbulos soltos e 36%. mas quase sempre é tão pequeno que mal se consegue percebêlo. Entretanto. Infelizmente. chegou-se a pensar em utilizar essa pro priedade para identificar criminosos. lóbulos colados. E uma protuberância minúscula. Se apalpar a parte interna da borda partindo de ci ma. há muito tempo se afirma que é possível identificar um ind ivíduo pela forma da orelha. é verdade que não existem duas pessoas com orelhas precisamente iguais.Voltando ao ouvido externo. das quais duas merecem especial menção. Um médico que se deu o trabalho de examinar 1. e a identificação auricular foi esquecida. mas Darwin estava convencido de que é remanescente de nossos primórdios. A diferença entre eles é que os lóbulos soltos pendem do pont o de contato com a cabeça. Cuidadosas pesquisas revelaram que eles estão presentes de uma forma mais evi dente em cerca de 26% dos europeus. No último século. Ele está presente na maioria das orelhas. As pessoas têm lóbulos "sol tos" ou lóbulos "colados". Além da s variações de tamanho. você o encontrará a mais ou menos um terço do caminho. Treze regiões da orelha f oram classificadas.

s urpreendentemente ressurgiram na década de 1980. e que uma orelha pontiaguda revela um oportunista. As orelhas dos endomorfos seriam coladas à cabeça. jovens púberes eram obrigadas a passar por um ritual de .. Seus comentários fantasiosos. Simbolicamente. por exemplo. Ess as e centenas de outras "leituras". Diante de um rosto redondo ou de um rosto anguloso. Por ser uma aba de pele ao redor de um orifício. A explicação para essa controvérsia talvez seja o fa to de que os criminologistas consideram apenas a cabeça. ao contrário. com suas alegações românticas de que é possível determinar o caráter e a personalidade de uma pessoa pela leitura de suas proporções faciais. teriam a aurícula projetada lateralment e e mais desenvolvida que o lóbulo. Na Iugoslávia. Em regiões do Oriente. Criminologistas que estudam detalhes faciais afirmam que o formato da orelha não pode ser previst o pelas feições do rosto. enquanto os somatologista s levam em conta todo o corpo.são os modernos fisionomistas. que uma orelha pequena e bemformada p ertence a um conformista. Em algumas culturas. a mutilação das orelhas foi us ada para substituir a circuncisão feminina. é impossív el prever se ele possui orelhas arredondadas ou angulosas. e sua popularidade no final do século XX é difícil de entender. vários significados têm sido atribuídos à orelha. são um insulto à inteligência h umana. Os somatologistas dis cordam. às vezes detalhadas. que perderam qualquer credibilidade no início do século XX. Alegam que os endomorfos (os mais rechonchudos) e os ectomorfos (Os mais ossudos) possuem diferentes tipos de orelhas. com lóbulo e aurícula (a concha da orelha) igualmente bem desenvolvid os. tem sido considerada símbo lo dos genitais femininos. As orelhas dos ectomorfos. uma expressão de gíria para a v ulva é "a orelha entre as pernas". quando foi possível ler que uma ore lha grande é sinal de um indivíduo realizador.

O autor admite que é difícil acreditar em tal fato. se Deus qui sesse. "a criança salta e. Isso tem sido apresentado como desculpa para puxar as orelhas das crianças quando elas desobedecem. e que. mas se defende afirmando que não há na Bíblia nada que contradiga essa forma de nascimento. a mulher adúltera tinha as orelhas decepadas com uma faca afiada — outro exemplo de sua relação c om os genitais. ent rando pela veia cava. não surpreende que algumas divindades tenham nascido p ela orelha. vai subindo. Kunti. "todas as mulheres poderiam parir seus filhos pela orelha". passando pelo diafragma e pelos ombros. tinha parido virgem. Essa forma primitiva de mutilação tem se mostrado persistente e é um dos poucos tipos de deformidade artificial que se mantém populares no mundo . e daí toma a direção esquerda. teria nascido dessa forma. filho do rei-sol hindu. Algumas lenda s também afirmam que Buda nasceu da orelha de sua mãe. Um simbolismo completamente diferente atribui à orelha o significado de sabedoria — porque é ela qu e ouve a palavra de Deus. Suria. Quando Gargamelle está prestes a dar à luz. Por trás do castigo está a idéia de que es sa ativação da orelha é capaz de despertar a inteligência que ali dorme. Acr edita-se que isso significa que sua mãe. Karna. onde essa veia se divide em duas. Algumas dessas estranhas superstições explicam o antigo costume de furar as orelhas para nelas colo car brincos. Na obra satírica de François Rabe lais Gargantua e Pantagruel. publicada cm 1653. Gargantua também vem ao mundo dess a maneira incomum. No antigo Egito. saindo pela sua orelha esq uerda".iniciação em que buracos eram perfurados em suas orelhas. Pelo fato de as orelhas serem vistas como genitais femininos em muitas diferentes culturas.

Esses pequenos fu ros eram posteriormente alargados. Como as orelhas são a sede da s abedoria. Acreditava-se que o uso de amuletos da sor te nas orelhas era a melhor proteção contra os demônios. Na puberdade.moderno. aumentariam a sabedoria e a inteligência. . sem saber o que isso significou no passado. Um estudo de primitivas esculturas h indus. Como o demônio e outros espíritos malignos estão sempre tentando entrar no corpo humano para dominá-lo. essas diferentes e originais razões para o uso de brincos foram esquecidas. são puramente decorativos e usados apenas por motivos estét icos. a maioria das mulheres que furam as orelhas o fazem com propósitos puramente estéticos. As realmente bonitas tinham que apresentar orelhas na altura dos seios. Hoje. Durante um longo período. é necessário proteger todos os orifício s pelos quais eles possam ter acesso. Outras crenças primitivas diziam que usar brincos curava defeitos de visão ou p rotegia contra afogamentos. acreditavase que os sábios têm orelhas muito grandes. a beleza da jovem estaria imediatamente perdida. quase todos os bri ncos. tribais e urbanos. a longa alça de carne se rompesse ao peso dos ornamento s. Em tempos remotos . nesse processo. isso tinha diversas explicações. que empurrem os lóbulos para baixo e os façam parecer mais long os. só as meninas de longas orelhas eram consi deradas belas. especialmente os lóbul os. ano após ano. Na era moderna. Nas culturas tribais nas quais lóbulos longos estiveram na moda a mutilação gera lmente começava na infância: os bebês já tinham as orelhas perfuradas. Brincos pesados. Em algumas culturas. de modo que as orelhas pendessem cada vez mais para baixo. budistas e chinesas revelou que reis e rainhas sempre possuíam lóbulos alonga dos. Se. ela era considerada feia demais para se casar.

Eram uma parte muito importante da sua história . Nas ilhas da Nova Guiné. Em outra ainda. O tamanho dos ornamentos chega a ser assustador. um buraco tão grande que um braço poderia passar por ele". África e Camboja. Para Bulwer e sua época. são inseridos no lóbulo da orelha. Essa desaprovação em nada alterou esses costumes trib ais. durante o funeral . são removidos em sinal de luto. E m 1654. acusava as mulhe res que "julgam muito atraente ter as orelhas vergonhosamente perfuradas". que as nativa s imploram aos ocidentais. os pesados brincos que pendem das orelhas das mul heres casadas só podem ser retirados quando o marido morre. cujo peso as estende. Nele. Em algumas tribos. encontramos exemplos desse extremo alongamento das orelhas f emininas em todo o mundo. Numa tribo. se uma menina ousasse ignorar esse costume. Em séculos passados. Em certas culturas. qualquer tentativa de melhorar ou modificar a forma humana era uma ofensa a Deus. o m undo ocidental se chocou e se horrorizou com essas formas excessivas de mutilação. John Bulwer dedicou todo um capítulo de seu livro A View of lhe People of the Whole World (Uma visão dos povos de todo o mundo) para atacar "as modas ou cer tas estranhas invenções dos povos para remodelar as orelhas". uma festa é dedicada ao ritual de furar as orelhas d as jovens. seria ridicularizada por "ter orelhas de porca". a ponto de fa zê-las pender à altura dos ombros. em lug ares tão distantes quanto Bornéu e Brasil.Surpreendentemente. que f azem nelas furos e neles "colocam um chumbo. O costume parece ter nascido independentemente. Então. cinqüenta argolas de bronze de 10 cm de diâmetro são penduradas em cada o relha. pesadas argolas de cobre vão sendo acrescentadas até que seu peso a tinja 1 quilo. potes de geléia ou latas de alimento. Em outra.

122 pares. mas outras são viciadas em adquirir grandes quantidades de brincos. a orelha era perfurada várias vezes. Mas eles eram impacientes demais par a esperar o lento e gradual alongamento dos lóbulos praticado nas outras tribos. para que uma série de brincos pudessem ser atarraxados a ela. também eram usadas pelas tropas de choque da nova onda. a maioria das mulheres usa ornamentos simples. Os exemplos mais extremos que podemos oferecer são e ncontrados no breve florescimento do rock punk da década de 1970. de lâminas de barbear a lâmpadas elétricas. o mundo ocidental nunca apresentou nada capaz de competir com os lóbulos estendid os dessas sociedades tribais. A detentora do recorde (segundo o Guinness Book) é uma americana da Pens ilvânia que reuniu uma coleção de 17. porém. Querendo chocar.cultural para serem abandonados. Ao contrário dos brincos tribais. em toda a borda. não são usados o tempo todo. influências externas podem ter p osto fim a formas mais extremas de mutilação. M ais tarde. Em alguns casos. Algumas mulheres possuem a penas uns poucos pares. as orelhas d as mulheres ocidentais passaram a carregar múltiplos brincos. Grandes alfinetes de fralda eram os ornamentos preferidos. os punks enfiavam objetos bizarros nos lóbulos das orelhas grosseiramente perfura dos. Se . mas em muitas outras sociedades remota s eles ainda sobrevivem intocáveis no século XXI. Em vez de um só furo. facilmente removíveis: são brincos de pressão ou pingentes presos a um único f uro pequeno. com o drástico aumento dos piercings. mas correntes on de penduravam um pouco de tudo. mas substi tuídos diariamente para combinar com outros ornamentos. no final do século XX. Hoje. Apesar da extravagância de sua moda.

usasse um por dia. . levaria quase meio século para usar todos.

os macacos. antes de analisar todas essas melhorias. aparelhos para curvar os cílio s. Sombras. cosméticos negros cobri am as pálpebras. Apesar de tudo o que falamos e ouvimos. cílios postiços e lentes de contato coloridas — todos esses recursos são usados para embelezar os olhos femininos. inúmeras e sutis variações de sombras coloridas têm sido aplicadas às pálpebras. que tal examinarmos o olho em seu estado natural? Os olhos são os mais importantes órgãos dos sentidos. 130 milhões são células arredondadas responsáveis pela visão em branco e preto. os restantes 7 milhões são células cônicas que . O olho humano tem apenas cerca de 2. no primeiro ano da era cristã.5. Dessas. que é s ensível à luz e se situa no fundo do olho. co m os dois olhos colocados na frente da cabeça. dizendo-lhe o que está vendo. delineadores. Mas. No antigo Egito. Olhos Há muitos séculos os olhos femininos tem sido foco de grande atenção. contém 137 milhões de células que enviam mensag ens ao cérebro. Sabe-se que há mais de 6 mil anos usa-se maquiagem nos olhos. Toda a ordem dos primatas é predominantemente visual. o satirista romano Marcial fez o seguinte comentário mordaz: "Você pisca para os homens com pálpebras que tirou de uma gaveta pela manhã". Nisso não diferimos muito de nossos par entes próximos. Em praticamente todas as civilizações importantes na história do mun do. proporcionando uma visão binocular do mundo.5 cm de diâmetro. A retina. e no entanto faz a m ais sofisticada câmera de tevê parecer um utensílio da Idade da Pedra. aos cíli s e à pele ao redor dos olhos. continu amos sendo animais essencialmente visuais. Calcula-se que 80% das informações que recebemos do mundo exterior ent rem por essas notáveis estruturas. e.

e com isso controla a quan tidade de luz levada à retina. deixando que luz demais flua para a retina. essas células sensíveis à luz podem processar 1. A todo momento. Entretanto.permitem a visão em cores. Sendo tão complexo. Em século s passados. mas. . Difícil é explicar a dilatação da pupila que ocorre diante de uma visão atraente. o olho funciona como uma câmera de diafragma ajustável. No centro do olho situa-se a pupila ne gra — a abertura através da qual a luz penetra para chegar à retina. A pupila aumenta de tamanho com a luz fraca e diminui com a luz forte. Até o cérebro cresce mais que o olho. mas também possui uma outra curiosa função. Podem ver uma ima gem vaga banhada em um halo de luz — muito diferente da imagem nua e crua. É provável que o resultado seja um brilho ofuscante. quando vê algo de sagradável. Sob esse aspecto. É fácil entender essa segun da reação. contrai-se ao tamanho de uma cabeça de alfinete. a pupila se expande mais que o normal. não surpreende que o olho seja a parte do corpo a apresentar o menor crescimento entre o nascimento e a idade adulta. as cortesãs da Itália pingavam gotas de beladona nos olhos antes de rece ber um visitante. porque a maior contração da abertura da pupila reduz a iluminação da retina e "ap aga" a imagem repugnante. em v ez de uma imagem precisa e nítida. Isso deve interferir na precisão de nossa visão. po rque dava aos homens que as olhavam a falsa impressão de que eram amados (mesmo qu e eles estivessem diante do rosto devastado e envelhecido de uma libertina).5 milhão de mensagens simultâneas. isso pode ser uma vantagem para os jovens amantes quando olham no fundo das pupilas do ser amado. Isso dilatava muito as pupilas e as tornava mais atraentes. Se o olho vê alguma coisa de que gosta muito.

A cor da íris varia consideravelmente de pessoa a pessoa. o disco contrátil responsável pelas mudanças de tamanho da pupila. A coloração violeta se deve ao sangue que corre por entre a íris. ao passo que os de pele morena e negra têm olhos escur os. Essa função é desempenhada por músculos involuntários. da e xpansão e da contração da pupila um sinal confiável de nossas reações emocionais às imagens v suais. mas isso não se deve à variedade de pigmentos. a córnea. Olho s claros são portanto quase uma ilusão óptica. e ao redor dela a parte que . Quem exibe um anel castanho escuro ao redor das pupilas tem uma quantidade generosa de melanina nas camadas frontais da íris. o que cria a ton alidade azulada. variando do verde ao cinza ou azul ã medida que o pi gmento diminui. Nossas pupilas não mentem.Ao redor da pupila fica a íris colorida. Pessoas de olhos azuis não têm um pigmento azul: simplesmente possuem menos pigmento que outras. É isso que faz. os olhos serão mais claros. Indicam uma perda de melanina e parecem ser parte da palidez gerai do corpo que ocorre à medida que a pessoa se move da z ona equatorial em direção a regiões menos ensolaradas. Apenas numa porcentagem muito pequena isso não ocorre e os olhos permanecem azuis. à medida que eles crescem. os brancos desenvolvem a melanina na parte fro ntal da íris. de modo que nun ca conseguimos controlar deliberadamente o tamanho da pupila. Quase todos os bebês brancos têm olhos azuis quando nascem. e seus olhos escurecem pouco a pouco. Cobrindo a pupila e a íris exis te uma camada transparente. Esse efeito é mais intenso quando comparamos os bebês da raça branca com os da raça negra. Mas. Se a melanina ali p resente é menor e o pigmento fica quase todo confinado às camadas mais profundas da ír is.

o que cria "cantos". que ficam embutidas sob as pálpebras. um na pálpebra superior e outro na pálpebra inferior. Entretanto. As lágr imas são drenadas através de dois canais lacrimais — também visíveis como pontos um pouco maiores nas bordas das pálpebras. e a área exposta de cada lado da íris é marrom-escura. Esse canais se situam na extremidade interna das pálpebras. pequenas mudanças de direção são fa mente detectadas. O mesmo o corre nos primatas inferiores. as pálpebras são margeadas por cílios curvos e têm bordas oleosas. mas nos primatas superiores os olhos são mais elípticos. Quan do uma irritação dos olhos ou uma forte emoção fazem a glândula lacrimal produzir mais lágri mas do que os canais são capazes de drenar. que tecnicamente tem o nome de esclerótica. nós choramos. em situações de sociabilidade. Os dois canais se un em num único cubo que transporta as lágrimas "usadas" para o interior do nariz. É o at o de piscar que umedece e limpa a córnea. A maioria dos animais tem olhos redondos e "fundos". O processo é auxiliado pela secreção das lágrima s. mesmo ã distância. mais próximos da forma humana. Essa par te não-óptica do olho é uma característica exclusivamente humana. Essa é uma segunda característica . O efeito dessa pequen a mudança evolutiva é que. Circundando a parte visível dos olhos. Nos humanos. a brancura dos olhos os torna mais evidentes. Só no homem a parte bran ca do olho é visível.chamamos de "branco do olho". Essa oleosidade é fruto de secreções de diminutas glândulas. e o excesso de lágrimas se e spalha pelas faces. Esse s olhos ainda estão mais próximos da forma circular do que da oval. produzidas pelas glândulas lacrimais. mas alguns macacos já apresentam a pele ao redor do s olhos ligeiramente esticada para trás e para os lados. não existem partes brancas visíveis. visíveis na forma de minúsculos folículos na raiz dos cílios.

porque somos o único animal que chora quando está emoci onado. Em muitas espécies. Cada olho tem cerca de duzentos cílios. e cada cílio dura entre três e cinco mese s antes de cair e ser substituído. porém. Neles. e essa prega . As pestanas. são colorido s e piscam para dar algum sinal. todo o rosto é mais gordo. e os empurram para fora da córnea quando estão nadando debaixo d'água.exclusiva dos olhos humanos. em outros. ou subaquáticos. são totalmente transparentes e u sados como óculos de sol naturais. uma prega cutânea sobre a pálpebra superior que dá aos olhos o formato oblíquo. em maior quantid ade na pálpebra superior do que na inferior. mas só entre os orientais se conse rva na idade adulta. No canto interno do olho. Os patos mergulhadores têm esses órgãos transparentes e espessos. Entre os povos orientais. Essa pr ega está presente no feto humano em todas as raças. Os cílios têm o mesmo tempo de vida que os pêlos das sobrancelhas. são órgãos de alguma funcionalidade. desfrutaríamos hoje de outr os prazeres. mas esse fo rmato muda gradualmente à medida que o nariz se afina e toma outra forma com a ida de. É o vestígio de nossa terceira pálpebra. entre os dois canais lacrimais. hoje totalmente inútil. mais achatado e mais adequado às baixas temp eraturas. o epicanto parece ter se conservado como adaptação ao frio. Alguns bebês ocidentais nascem com olhos puxados. Se nossos ancestrais fossem mais aquáticos. têm uma característica excepcional: não embranquecem com a idade como os c abelos e os pêlos do corpo. Os orientais possuem uma proteção adicional para os olhos: o epicanto. existe uma pequ ena protuberância rosada. em outros ainda. Alguns animais os usam co mo um "limpador de pára-brisa" que pisca para limpar o olho. que nos proporcionam uma franja de proteção acima e abaixo dos olhos.

as glândulas lacrimais são mais ativas em mulheres emotivas do que em homens igualmente emotivos. não só devido à imprecisão na obtenção de informações visuais mas mbém porque a constante tensão de tentar enxergar causa fortes dores de cabeça. Uma info rmação sobre as lágrimas: além de lubrificantes para a superfície exposta do olho. mas muitas mulheres no Extre mo Oriente não têm essa opinião. que mata as bactérias e prote ge o olho de infecções. Conta-se que. mestre na arte da retórica que viveu em Roma na época de Cristo parece ter sido a primeira pessoa a tentar resolver esse terrível problema. Entretanto. ape sar da vista fraca. e. com a invenção da escrita. Quase não há diferença entre os olhos de homens e mulheres. A visão deficiente deve ter sido uma calamidade para muitos de nossos remotos ancestrais. A fo rma dos olhos orientais é indiscutivelmente atraente. tornou-se ainda mais agudo. Sêneca. parece ser u ma diferença mundialmente disseminada para ser apenas produto da cultura. conseguia ler tudo o que encontrava . O olho fem inino é ligeiramente menor e mostra uma proporção maior da parte branca. elas são também bactericidas. e hoje os hospitais estão cheios de jovens com os olhos cobertos de bandagens depois de se submeterem ao bisturi do cirurgião para ter ol hos ocidentais. Muitos velhos mestres precisavam que os mais jovens lessem para ele s. mas é difícil dizer se isso se deve a uma diferença biológica ou a uma educação que exige que os homens não demonstrem suas emoções.cutânea ajuda a proteger a delicada região dos olhos contra um ambiente hostil. Contêm uma enzima chamada lisozima. Em muitas cul turas. O info rtúnio persistiu nas primeiras civilizações.

da mesma forma q ue uma máscara altera toda a expressão de quem a usa. porque mudou a aparência dos nossos olhos. será capaz de ler muito melhor as letras. uma das artes mais úteis do mundo. com o lado convexo voltado para o olho. e no entanto era impossível não notar a influência de suas linhas. mas não foi isso o que aconteceu. Benjamin Fran klin inventou as lentes bifocais.. e. no século XVIII. embora não se saiba se essa invenção foi influenciada por Bacon. Os óculos torna ram-se parte da expressão facial. .". e elas lhe parecerão maiores" . As primeiras lentes de contato a dar bons resu ltados foram fabricadas na Suíça em 1887. Os óculos não faziam parte do rost o. Mais ou menos na mesma época. Só século XIII o filósofo inglês Roger Bacon registra a seguinte observação: "Se alguém examina r letras ou outros objetos diminutos por meio de um cristal ou vidro [. na Itália. No final do século.. no século XIV. de modo que fica claro que. fazendo a pessoa parecer mais feroz e dominadora. como numa maquiagem sutil. Aros superiores pesados davam a impressão de uma f ronte cerrada. Aros circulares produziam um olhar amplo. Essa breve história dos óculos não tem apenas in teresse médico. mas estético.] e se ele for cortado como o menor segmento de uma esfera. Essa enge nhosa solução deveria ter levado à invenção dos óculos. surgiram as lentes para corrigir miopia. como se a curva do aro substituísse sobrancelhas arquea das. foi descoberta. Marco Pólo conta ter visto velhos chineses usando lentes para ler.nas bibliotecas de Roma usando um "globo de água" como lente de aumento.. o uso de óculos se disseminou. Em seguida. Em 1306. Não havia disfarce. afirma que tal vidro poderia ser útil para os que tivessem vista fra ca.. um monge em Florença fez um sermão que incluía a seguinte frase: "Não faz ainda vinte anos que a art e de fabricar óculos. surgiram finalmente verdadeiros óculos de leitura. No séc ulo XV.

olhos atentos ou desatentos. são uma constante fonte de informações. Sempre que alg uém contar uma piada. Num contexto social. exceto em circunstância s especiais. seus olhos vão osci lar de um lado para outro. dilatados ou contraídos — tudo isso fica oculto. Olhos penetrantes. Q uando amigos de igual condição se encontram. embota não o seja m. A pessoa em quem esse olhar s e fixa não consegue sustentá-lo e. A figura do minante geralmente se mantém indiferente a essas trocas e dificilmente se dá o traba lho de olhar para o subordinado durante uma conversa generalizada. Nesse caso. todos usam movimentos oculares de "subordinados". e o interlocutor pode apenas imaginar o que está acontecendo por trás da máscara dos óculo s. bloqueadas com o uso de lentes escuras. O que eles escondem? Suponhamos uma reunião social. os movimentos dos olhos são bem diferente s. Se uma pessoa submissa e agradável entra numa sala. Por isso. enquanto responde. acompanhando-os com o olhar . Mas. fizer uma afirmação controversa ou manifestar uma opinião pessoal. visíveis em contraste com o branco dos olhos. quando l ança uma pergunta a alguém. os olhos do subordinado vão procurar o superior para observar sua reação. os subordinados tendem a observar os sup eriores. olha para outro lado. os movimento s oculares. observando todos os presentes.O efeito dos óculos escuros é especialmente forte. lançará sobre ele um olhar atento e observador. Isso acontece porque a melhor maneira de demonstrar amizade com a linguagem c orporal é evitar uma atitude hostil e dominadora. o faz com um olhar direto. e os superiores tendem a ignorar os subordinados. olhos instáve is. Se ela avistar um indi víduo de condição superior. O que nos dizem exatamente os movimentos oculares? Em tais reuniões. Essa é cla ramente uma situação em que cerros indivíduos têm poder sobre outros e querem exercê-lo. ficamos atentos a noss os amigos.

olhamos para eles . um amigo trata o outro como um pod eroso. Passando do amor ao ódio. sabem intuitivamente que seus sentimentos são correspondidos. Se enxergam profund os poços escuros. e. e. quando falamos e eles nos observam. Quando os deuses eram bons. um olhar direto sustentado por mais de alg uns segundos é muito ameaçador. Quando se dirige a um empregado ou serviçal com a intenção de manipulá-lo.como se eles fossem superiores. era provável que tivessem muitos olhos e fossem onividentes. a não ser em situação especiais (como uma campanha eleitoral). Entre amantes. os humanos sentiam-se protegidos. olhamos para eles de vez em quando. acreditava-se q ue seres sobrenaturais vigiavam os atos humanos e influenciavam seus resultados. como tinham muito o que vigiar. pode acionar deliberadamente um olhar atento. Se essas divindades vigiavam os homens. só ocorre em momentos de int enso amor ou ódio. para c hecar suas reações ao que dizemos. Dessa maneira. do tipo olhos nos olhos. Esses truques raramente são usados p or indivíduos superiores. é porque deviam ter olhos. quando as superstições eram comuns. estão verificando inconscientemente o grau de dilatação da pupila. Quando olham nos olhos do ser amado. a confiança é tanta que eles se olham sem o menor temor. Se vêe m uma pupila diminuta. Um olhar fixo e prolongado. mas também havia deu ses maus e . Quando eles falam ou se movem. o olhar fixo de uma pessoa furiosa é intimidador. Em tempos remotos. o faz sentir-se bem. Se uma mulher dominadora deseja agradar a alguém. e logo desviamos os olhos. Para a maioria de nós. pode fazer isso adotando deliberadamente a linguagem corporal amistosa de um igual. podem se sentir intranqüilos ao perceber que nem tudo vai b em no relacionamento. com isso.

Se caísse sobre alguém. a ferradura era símbolo dos genitais femininos. Mesmo hoje. Desde então. para evitar que os d emônios entrassem no edifício. e teria que pendurar um amuleto da sorte no berço da criança ou executar algum outro ritual de proteção. Surpreendentemente. principalmente nas reg iões mediterrâneas. mas algumas ainda sobrevivem. que também é colocada numa casa para trazer bo a sorte. Se todo mundo soubesse que. al go terrível acontecia. U m amuleto que sobreviveu é a ferradura. Para intensificar a proteção. Uma mãe ficava horrorizada se u m estranho elogiasse seu bebê. Muitos amuletos e talismãs eram utilizados para proteger as pessoas dessas ameaças. como amuleto de proteção.demônios — espíritos do mal com olhos malignos — cujo olhar podia causar um desastre. os genitais eram geralmente representados abertos por duas mãos. uma mulher comum era possuída pelo Olho do Diabo cont ra sua vontade. um pod er maligno e até mortal que podia atingir a vítima sem aviso. a maioria dessas imagens foram removidas ou escondidas durante a era vitoriana. Às vezes. muitas igrejas cristãs da Europa medi eval exibiam imagens de genitais femininos sobre as portas. Alguns desses objetos protetores funcionavam segundo o princípio de que uma imagem fortemente sexual podia distrair o Olho do Diabo e mantê-lo ocupado . Logicamente. ela também já teria desaparecido. todos sobre os quais seu olhar recaía seriam vítimas de a lguma desgraça. com essa idéia em mente. O olhar maldoso transformou-se na figura do Olho do Diabo. A crença no poder dos olhos maléficos se espalhou e ainda hoje sobrevive em algumas pa rtes do mundo. era importante não pro digalizar elogios a alguém que pudesse ser vulnerável. essas precauções supersticiosas ainda são levadas a sério. . Como se acreditava que os piores efeitos do Olho do Diabo eram causados pela inveja.

Ergu er os olhos para o céu. Por essa razão. não é uma expressão que se mantenha por muito tempo. Usado hoje só de brincadeira. mas baixa-os para o chão. Olhos baixos são às vezes sinal de modéstia. O olhar feroz é uma versão mais complexa do olhar fixo. Há ne sse ato. expressam uma "alegação de inocência". Olhar feroz. Trata-se de uma contradição. a idéia de reverência e submissão. É o comportamento natural dos su bordinados que não ousam encarar seus superiores. e duas partes do rosto precisam opor forças. mas o cenho se mantém franzido. Se os olhos se mantêm um segundo nessa posição. Esse é outro movimento usado deliberadamente como um sinal. Durante o olhar feroz. Esse é um olh ar usado freqüentemente pela mãe que tenta dominar os filhos sem dizer uma palavra. Os olhos encaram a "vítima" be m abertos. Isso dá ao olhar uma ex pressão . Uma pessoa verdadeiramente modes ta não move os olhos para a esquerda e para a direita. esse movimento dos olhos baseia-se na idéia de olhar para o céu em busca de que o divino seja testemunha da inocência.Abandonando os olhos fantásticos dos espíritos do mal e chegando aos olhos verdadeir os de uma mulher. porque olhos arregalados geralmente são acompanhados de sobrancelhas erguidas. assim como no gesto de baixar a cabeça. Baixar os olhos. as pálpebras superiores são fortemente pressionadas pa ra cima e quase desaparecem sob as sobrancelhas abaixadas. muitas mensagens podem ser lidas em suas várias expressões.

o movimento vol untário de apertar os olhos também tem uma versão deliberada. Abrir os olhos a ponto de mostrar o branco acima e/ou abaixo da íris costuma ser uma reação a uma surpresa m oderada. um a versão "representada" é às vezes usada como sinal de falsa surpresa. por exemplo) pode ficar olhando por uma janela com um olhar des focado para impressionar os presentes. Isso ocorre quando estamos muito cansados ou sonhando acordados. Como ocorre com muitas reações automáticas dos olhos. A expressão "olhar de esguelha" descreve perf eitamente esse gesto. Es se é um movimento usado para olhar alguém sem se dar a perceber. Olhar de soslaio.inconfundível. É uma expressão de desgosto. Essa expressão de dor artificial implica que os presentes são a causa de uma angústia mais ou menos permanente. Olhos arregalados. mas não consigo deixa r de olhá-lo" é a mensagem que ele contém. "Estou muito assustado para encarar você. Também é um sinal de ti midez ou de reserva. na qual fica evidente que a pessoa não está sofrendo com a exposição à luz ou tem endo uma ameaça. Olhar desfocado. Basicamente uma proteção contra o excesso de luz ou possíveis danos. Esse movimento aumenta o campo de visão e abre caminho para uma maior rec eptividade a estímulos visuais. . Alguém que queira mostrar que está sonhando com algo especia l (um novo amor. Olhos apertados . A mensagem do olhar feroz é de raiva e surpresa. Trata-se de uma forma ar rogante.

As b aleias choram quando sofrem. da mãe orgulhosa e do at leta triunfante. mas também o olhar da angústia. Há quem afirme que isso se deve ao fato de nossos ancestrais terem passado por uma fase aquática há milhões de anos. de qualquer forte emoção que seja reprimida pouco antes do choro. Essa explicação aquática parece lógica. Olhos úmidos. A prega de pele dos olhos orientais às vezes cria uma falsa impressão de arrogância. O brilho dos olhos transmite uma mensagem in teiramente diference e é algo difícil de imitar (a não ser para atores profissionais). Esse é o olhar dos apaixonados. e há relatos de que as lontras também choram quando per dem os filhotes. da aflição e da tristeza — em resumo.de desprezo pelo mundo ao redor. Afirma-se ainda que as lágrimas são um produto da evolução da função de lim peza dos olhos em mamíferos que voltaram ao mar. dos fãs. e . S e há milhões de anos o homem passou por uma fase aquática. Chorar é um forte sinal social. quando produzia lágrimas como uma reação à longa exposição à água do mar. A superfície luminosa e cintilante dos olhos fica levemente umedecida por uma sec reção das glândulas lacrimais causadas por uma forte emoção. O fato de sermos capazes de chorar enquanto outros primatas não choram tem despertado considerável interesse. porque parece que a pessoa está apertando os olhos deliberadamente. Isso explicaria por que ele é o único primat a a ter essa capacidade. Uma outra possibilidade é que o clima seco das savanas te nha aumentado a produção de lágrimas. mas não suficientemente forte p ara produzir lágrimas. é possível que tenha conservado esses olhos lacr s quando voltou à terra firme como caçador. Olhos brilhantes.

Deixando o tema dramático do choro e abordando o tema mais mundano d a piscadela. A visão de faces banhadas de lágrimas. Isso indicaria que o choro emocional é primordialmente uma maneira de l impar o corpo do excesso de substâncias químicas produzidas pelo estresse. Só no rosto se m pêlos da espécie humana as lágrimas brilhantes funcionariam como um forte sinal visu al. é difícil conciliar essa teoria com a ausência de lágrimas em animais como os ch impanzés. como a uri na. as piscadelas também se tornam mais freqüentes. É po r isso que a freqüência das piscadas pode ser usada como um indício do estado de espírit o. nas quais as lágrimas se perderiam. o que exp licaria por que "chorar faz bem": a melhora de humor seria fruto de uma mudança quím ica. leva mais ou menos 1/40 de segundo. Mais u ma vez.que o choro seja resultado da função de limpeza. que estimularia as pessoas a abraçar e con fortar o sofredor. o movimento das pálpebras que limpa e umedece a superfície da córnea a freqüentes inte rvalos durante o dia. hoje existem várias maneiras diferentes de piscar. Em estados emocionais. Contra o argumento de que os outros mamíferos que habitam regiões secas não choram quando estão tristes. Uma explicação completamente diferente parte da idéia de que as lágrimas. têm uma função excretora. A piscadela normal . pode-se dizer que todos eles possuem faces peludas. A análise química das lágrimas produzidas pela tristeza e das lágrimas produzidas pela irritação dos olhos revelou que os dois líquidos contém diferente s proteínas. Pis car os olhos. Eis algumas das diferentes maneiras de piscar: . quando a produção de lágrimas aumenta. que passam por momentos de forte tensão em disputas no mundo selvagem. seria então uma exploração secundária desse mecanismo de excreção.

o gesto geralmente implica um convite sexual. Trata-se de u ma tentativa desesperada de prender as lágrimas antes que elas comecem a rolar. Usado em segredo ou abertamente. A mensagem q ue ele transmite é: "Eu e você partilhamos momentaneamente um segredo que exclui os demais". A mensagem que el e passa é a seguinte: "Não creio no que meus olhos vêem. num tremor seme lhante ao que tenta evitar o choro. Piscar exageradamente. A diferença é a abertura dos olhos. a piscadela pode ser usada abertamente para "provocar" um te rceiro e fazê-lo sentir-se excluído. Piscar para alguém. É um sinal melod ramático de falsa surpresa. Ad ejar as pestanas.Piscar repetidamente. Po r causa disso. Os olhos se abrem e fecham numa fração de segundo. É uma piscadela mais lenta e maior em amplitude que a piscadela normal. significa que ambos estão de acordo sobre alguma questão. Isso ocorre quando alguém está à beira das lágrimas. Esse é um gesto deliberado que significa cumplicidade entre duas pessoas. também é usado como um sinal de tristeza. Entre estranhos. Como sugere um entendimento particular entre duas pessoas. Entre amigos. ou que desfrutam de uma intimidade maior do que a que têm com as outras pessoas prese ntes. que são arrega lados numa expressão de falsa inocência. usado apenas com um gesto "teatral". entre pesso as de sexos diferences ou do mesmo sexo. o gesto é conden ado pelas . É outro gesto teatral. e por isso estou limpando-os com uma imensa piscadela para ter certeza de que é isso mesmo que estou vendo".

a fabricação de cosméticos era um p rocesso muito mais complexo do que se acreditava. não surpreende que toda uma co smética tenha se desenvolvido para embelezá-los. e ra utilizada para pintar traços pretos que exageravam a forma das pálpebras. uma fosca e outra brilhante. a maquiagem dos olhos era cara e consumia muito tempo. Dois dos brancos também agiam como antibióticos. que fica de fora da troca pessoal. as da mas egípcias tinham a seu dispor o púrpura. na Europa. C omo os olhos femininos transmitem muitas mensagens.regras de etiqueta. Além das cores preto e verde. Muitas mulheres acham difícil piscar de uma maneira c onvincente e se sentem desajeitadas quando o tentam. Piscar para alguém talvez signi fique que desejamos partilhar um segredo apenas com uma pessoa. . No Egito. É claro que. Além disso. é muito mais fácil para os homens piscar de uma maneira convincente. Além de decorativa. um óxido de cobre. Um produto puramente decorativo para maquia r os olhos era preparado com ovos de formigas. graças a uma química bastante avançada. Novas pe squisas revelaram que. foi usada para fabricar a famosa maquiagem verde que era aplicada na região dos olhos na forma de uma pasta. a pintura dos olhos já era bastante sofisticada 5 mil anos antes de Cristo. um minério de chumbo. 2 mil anos antes de Cristo. Por alguma razão ainda descon hecida (a menos que a dificuldade esteja na maquiagem dos olhos). funcionava c omo uma proteção contra o brilho do sol. A malaq uita. o amarelo. para as mulheres egípcia s daquele tempo. hoje se sabe que há 4 mil anos. o azul e três tipos de branco. enquanto o outro olho se mantém aberto para o resto do mundo. o preto era encontrado em duas tonalidades. isso não é co isa de uma mulher de classe. A galena. já c onhecidas. Uma autoridade no assunto declarou que.

que significa "elaborada decoração"). Mesmo no período em que a grande civilização já declinava. Essa obsessão pela maquiagem dos olhos no Egito durou milhares de anos. que escreveu a primei ra obra sobre cosméticos. hematita. Muitos desses bas tonetes. as cortesãs eram desprezadas pelos autores puritanos da época. Embora tenha sido a língua grega que nos legou a pal avra "cosmético (de "kosmetikos". um dos quais afirmou que. a mulher usava um bastonete de ponta arre ndada. A maquiagem dos olhos da mulher egípcia incluía um estranho elemento: uma linha negra horizontal que parti a do canto externo do olho até a orelha. assim como potes de cosméticos lindamente decorados. apenas as cort esãs gregas desfrutavam dos prazeres da maquiagem. obsidiana ou vidro. era aceitável realçar as pálpe bras com um pincel mergulhado em incenso preto e delinear os olhos com kohl. feito de madeira. Ovídio. Nelas. pintando as pálpebras superiores de azul-escuro e as inferiores de um verde brilhante. onde as mulheres respeitáveis deviam exibir a pureza e a graça de suas formas naturais. "uma mulher dessas pareceria ainda menos atraente que um macaco . ao acordar pela manhã. e sombras douradas produ- . foram encontrados em salas de maquiagem e de banho de mais de 3 mil anos atrás. feitas d e cinzas de madeira. Esse elemento altamente decorativo tinha um significado mágico porque era a imitação das linhas do olho do gato. registra o uso de sombras pretas para os olhos.Para aplicar esses cosméticos nos olhos. As coisas eram bastante d iferentes na antiga Grécia. Emb ora muitos homens gregos usufruíssem da companhia dessas mulheres. um animal sagr ado para os antigos egípcios. bronze. Os antigos romanos eram menos austeros a esse respeito. a rainha Cl eópatra ainda experimentava novas combinações de cores.

a maquiagem praticamente de sapareceu dos olhos femininos na Europa e só ressurgiria muitos séculos depois. o inusitado de Hollywood tornou-se lugar- . quando uma forte reação ao puritanismo vitoriano começou a ganhar impulso. A maquiagem dos olhos só ressurgiu inteiramente no início do século XX . pioneira da moderna cosmética. Em poucas décadas. Foi o começo de uma revolução na cosmética. um manual de beleza que aconselhava traçar uma linha a lápis para alongar o s olhos e descrevia um aparelho para curvar os cílios. Depois da queda de Roma. tirou a idéia das sombras coloridas do teatro francês e. para fazê-los "parecer estrel as". O ano de 1910 assistiu à publicação de um notável pequeno volume intitulado The Daily Mirror Beau ty Book. Essas jovens foram fortemente in fluenciadas pelo cinema. Uma atriz em particular. Quan do isso aconteceu. A Europa segui a a tradição grega. as décadas de 1920 e 30 viram esse comércio d e cosméticos florescer numa indústria de massa. Depois da Primeira Grande Guerra. experimentou o kohl para criar a dramática máscara de Theda Bara para o papel de Cleópatra. era uma prerrogativa das mulheres de vida fácil. As atrizes dos primeiro s filmes em preto e branco eram obrigadas a enfatizar os traços faciais para torná-l os mais visíveis para a platéia. As mulheres. influenciou a indústria de cosméticos ao lançar a moda dos olhos pesadamente maquiados. Theda Bara. estavam decididas a se embelezar segundo seu próprio gosto e a rejeitar qualque r interferência de figuras autoritárias masculinas. que dava seus primeiros passos. Helena Rubin stein. recentemente emancipada s. com seu conhecimento do antigo Egito. O dramaturgo romano Plauto afirmou que "uma mulher sem pi ntura é como comida sem sal".zidas a partir do açafrão.

a maquiagem dos olhos sempre esteve presente — às vezes sutil. ironicamen te. com as pálpebras. o Egito serviu novamente de insp iração para a maquiagem dos olhos. a maquiagem dos olhos recebe a mesma atenção de sempre — ainda que só possa ser apre ciada na privacidade do lar. essa suposta aparência natu ral era totalmente artificial. Na verdade. obrigando-as a cobrir o rosto em públi co. mas. pelo menos . . não parece haver limites para essa área da "modificação" feminina. É evidente que o desejo feminino de r ealçar a beleza dos olhos continua tão forte hoje como era nas antigas civilizações. a indústria cosmética cresce cada vez mais". uma face nua". O truque era que essa face nua se conqu istava com o mais demorado e mais cuidadoso procedimento cosmético na história da ma quiagem. Mesmo em países onde dogmas religiosos impõem a sujeição das mulheres. A maquiagem ostensiva do início da década foi substit uída por uma sutil ingenuidade. "as mulheres pod em ser obrigadas a parecer feias pelos chefes de Estado islâmicos. delineadores e cílios postiços entraram na moda. No final d a década. o utras vezes nem tanto —. No início da década de 1960. No mundo ocidental. criando um ar de "inocência infantil". mas os cosméticos para os olhos não desapareceram. Desde então.comum em todo o mundo. o olhar desafiador de Cleópatra deu lugar a uma aparência mais natural. foi Elizabeth Taylor a fazer o papel d e Cleópatra. a linha dos olhos e os cílios recebendo mai or ou menor atenção de acordo com os ditames da moda. seus olhos pesadamente maquiados inspiraram jovens de todo o mundo — e sombras. Dessa vez. Um anúncio proc lamava que "Para olho nu. No épico de 1963. Como escreveu uma autora iraniana.

como ele é chamado. Há algo tão positivo na independência do nariz em relação às feiçõ o cercam. mas tem uma importância desp roporcional ao seu tamanho. Os que têm o focinho mais longo também possuem uma face alongada. Nariz O nariz é uma parte muito pequena da anatomia feminina. Se compararmos o nariz humano com os de nossos parentes próximos do mundo animal. características como quadris amplos. Nós temos um nariz protuberante num rosto achatado. Alguns anatomistas apresentaram um argumento pouco c onvincente: no curso da evolução. fica evidente que nosso nariz. uma característica est ranha que exige uma explicação. a não ser franzindo-se em sinal de repugnância. Apesar disso. pele saudável e fartos seios g anharam muita importância como sinais de beleza feminina. Várias hipóteses foram levantadas. n a evolução da espécie. É uma parte do rosto que não é capaz de expressar-se. como uma rocha que fica exposta quando a maré baixa. mas que vantagem evoluti va pode haver na forma exata de um nariz feminino? Para entender isso. que o "órgão proeminente". É difíc il aceitar essa suposição. Seu formato tem sido referência de beleza. sempre despertou muita ate nção. e por isso a cirurgia plástica para mod ificar o nariz feminino tem tido muita procura há mais de meio século.6. Por que isso acontece? O que há de tão especial nessa parte da anatomia feminina? É evidente que. com a ponte saliente. Os macac os não possuem nada parecido. é preciso p rimeiro examinar a biologia básica do nariz. à medida que o rosto humano foi se achatando. . deve nos proporcionar alguma vantagem biológica. a ponta alongada e as narinas voltadas para baixo. o nari z permaneceu onde estava. é único.

Para ilustrar essa proprieda de. Uma segunda teoria vê o nariz humano como um escudo: uma armadura óssea q ue ajuda a proteger os olhos. A perda da qualidade vocal é drástica. Se apoiarmos a ponta do polegar no osso malar. O nariz teria se desenvolvido à medida que a voz e a fala evoluíram. não teríamos necessidade de desenvolver um nariz alo ngado com narinas voltadas para baixo. vê o nariz como uma defesa contra a água. bastante fantasiosa. Isso é verdade. Se isso tivesse ocorrido. apertamos o nariz. Válvulas nasais seriam muito mais úteis a um macaco aquático.A primeira teoria vê a probóscide humana como um ressonador. vamos sentir a mão pressionando as três procrusões defensivas do olho. Durante esse período. Há quem afirme que nossos ancestrais passaram por uma fase aquática há milhões de anos. Uma terceira teoria. nosso corpo teria sofrido diversas a daptações. O nariz seria uma proteção contra o influxo de água quando mergulhávamos. . quando pulamos na água. É por isso q ue os cantores têm tanto pavor de pegar um resfriado. um dedo no supercílio e outro na ponte do nariz. como as baleias. de um golpe frontal. Apenas um pequeno passo evolucio nário seria necessário para que o homem tivesse um nariz capaz de se fechar debaixo d'água. que é mole e vulneráve l. mas não precisamos fazer isso quando mergulhamos de cabeça. ê preciso falar tapando o nariz. Mas talvez a voz clara dos h umanos só precise dos grandes seios nasais — as cavidades nasais ocultas — para ressoa r com clareza. Esse triângulo ósseo protege o olho. Vale le mbrar que. Se for esse o caso. mas seria muito mais provável que tivéssem os desenvolvido válvulas nasais. Seu crescimento é interpr etado como um movimento de apoio cada vez maior da vocalização humana. precisamos de outra explicação para a protuberância do nariz.

Ao abandonar a tranqüilidade das árvores e se aventurar por planícies descampadas e outros ambientes mais hostis. Se um paciente de um hospital perder o uso do nariz p or qualquer motivo.Mas talvez o formato do nariz humano o ajude a funcionar como uma proteção diferente : contra a poeira e os resíduos carregados pelo vento. para evitar que o delicado revestimento dos pulmões se resseque ou se danifiqu e. Para entender isso é necessário dar uma olhada dentro do nariz. Por força da grav idade. nossos ancestrais devem ter encontrado um ambiente adverso e cheio de ventos. úmido e lim po. que oscilam 250 vezes por minuto. Os pulmões são exigentes q uanto à qualidade ideal do ar que gostariam de receber: 35º de temperatura. Essa superfície úmida está sempre em movimento. Tentativas de criar um nariz artificial enfrentaram muitas dificuldades. Em outras palavra. essa mucosa desliza pela garganta. seus pulmões estarão. gravemente prejudicados em um ou dois dias . renovando metade da cobertura mucosa a cada minuto. 95% de u midade e livre de poeira. o nde um nariz seria de grande utilidade. dificilmente está nas condições ideais para passar aos pulmões. O nariz consegue isso de uma maneira notável: fornecendo mais de 14m3 de ar con dicionado a cada 24 horas. Quando o ar é inalado pelas narinas . A superfície interna das complexas cavidades nasais é coberta por uma membrana mucosa que segrega cerc a de 1 litro de água por dia. porque inc rustados nela existem milhões de minúsculos pêlos chamados cílios. onde é engolida. Enquanto isso . Essa teoria vê o nariz como um aparelho de ar condicionado obrigado a suportar uma carga cada vez maior à medida que nossos ancestrais se deslocavam para regiões mais frias e secas do planeta. o que prova a extraordinária eficiência da engenharia do nariz humano. deve ser um ar temperado.

situam-se acima das fossas nasais. Pessoas de pele escura que vivem em regiões quentes na África ocidental. à medida que nos os ancestrais abandonaram seu habitat tropical e úmido e se aventuraram por outras terras em busca da caça. O pó e os resíduos de sujeira aderem à mucosa e são eliminados com ela. Resumindo. A função olfativa é realizada por dois pequenos conjuntos de células capazes de detectar os cheiros. conservando sua função de condicionamento do ar. ao passo que 73% precisam ser produzidos pela mucosa nasal. portant o. o ar que passa pelas cavidades nasais vai se aquecendo e tornando-se m ais úmido. A forma do nariz é apenas uma indicação d o tipo de ar que nossos ancestrais respiraram e de nada mais. e o nariz só contribu i com 24% Num clima quente e seco. Isso significa que. o nariz precisa ser mais alto e ma is proeminente do que numa floresta úmida. 76% da umidade são provenientes do exterior.acontece. dividindoas em grupos correspon dentes à temperatura e à umidade do local onde vivem. Daí podemos concluir que. Isso não significa classificá-las por "raças". Um cuidadoso mapeamento revela que é possív el classificar as pessoas segundo um índice nasal. Num clima quente e úm ido. o nariz humano é um aparelho ressonador e um escudo ósseo que se tornou mais prot uberante e mais longo à medida que nossa espécie abandonou o quente e úmido Jardim do Éd en. seu nariz passou a ser mais exigido. para se m anter eficiente nas savanas áridas ou desertos. porém. Mas não é só para isso que serve o na riz: ele é o principal órgão do olfato e do paladar. apenas 27% da umidade vêm do ar. Cada um deles é constituído por . por exemplo. por exemplo — apresentarão um nariz mais achatado que as pessoas de pele escura que vivem nas regiões mais secas da África oriental. Do tamanho de uma pe quena moeda. Assim o s pulmões estão seguros para a próxima inspiração.

(Apenas para registro: só metade dos jovens pais foram capazes do mesmo feito. aspiram diversos cheiros masculinos. na saliva. e seus bebês transportados diante da fila um por um. descobriu-se que as mulheres que apreciam relações sexuais freqüentes. As mulheres jovens geralmente se surpreendem ao descobrir que possuem essa sensibilidade. Apresentam ciclos sexuais mais regulares e menos problemas de fertilidade — tal é o poder do nariz. usamos roupas que eliminam nossos cheiros corporais e enchemos o ar de aeros sóis capazes de eliminar cheiros e disfarçar odores. Somos capazes de detectar substâncias diluídas numa proporção de uma par te da substância para bilhões de partes de ar. O nariz feminino tem uma extraordinária sensibilidade aos odores masculinos. é uma demonstração de quanto a capacidade do nariz humano tem sido subestimada. possuem uma fisiologia mais equilibrada. diversas mães forem colocadas em l inha com os olhos vendados. . numa experiência simples. Ainda pensamos no olfato como a lgo primitivo e bárbaro — uma capacidade antiga que é melhor esquecer e abandonar. durante as quai s. Mais uma vez. nos óleos da pele e nos fluidos genitais. Pesquisas realizadas na década de 1970 ident ificaram mais de duzentos diferentes compostos químicos que podem ser encontrados no suor. Se. Vivemos em cidades onde os odores naturais tornam-se imperceptíve is.) Não temos consciência dessa alta eficiência do nariz porque ignoramos e anulamos cada ve z mais suas funções. inevitavelmente. c ada mãe será capaz de distinguir seu filho entre todos os outros. Surpreendentemente.5 milhões de células que nos dão uma sensibilidade muito maior aos odores do que em ge ral imaginamos. As mães também são capazes de reconhecer seus bebês pe lo cheiro corporal.

. o nariz dos homens acabou se tornando maior que o das mulheres. Um alimento pode ter um sabor desagradável (na língua) e um ch eiro delicioso (no nariz). s obrancelhas mais espessas. Se. ou indiretam ente pela própria boca. Nas tribos primitivas. À medida que mordemos. as mulheres adultas eram valiosas demais para serem expostas numa caçada. por exemplo — existe um esforço de educar o nariz a desenvolver plenamente seu potencial . como dissemos . que coletavam alimentos. todos os outros sabores de nossa variadíssima culinária na verdade são detectados não na superfície da língua salivante. precisariam de uma proteção maior que as mulheres primitivas. Po r isso. mastigam os e engolimos os alimentos. fortes ossos malares e um nariz mais protuberante. ainda ass im. amargo e ácido. precisavam da maior proteção pos sível. Quando levamos o alimento à boca. mas. mas tem uma capacidade muito limitada. Convém agora explicar por que dissemos que o nariz é também um órgão do paladar. ele protege os olhos de golpes violentos.Apenas em algumas áreas especializadas — a dos provadores de vinhos e perfumes. se tinham que enfrentar os perigos de uma caçada. em média. as partícula s odoríficas chegam a essas células diretamente pelas cavidades nasais. mas como ela pode nos ajudar a entender a forte ligação entre a forma do nariz e a beleza feminina? Um a resposta pode ser encontrada na protrusão óssea do nariz humano. Essa é portanto a biologia do nariz. Essa proteção podia ser adquirida se eles desenvolvessem um crânio mais pesado. que eram c açadores. salgado. mas pelas células olfati vas situadas acima das fossas nasais. A língua é o principal órgão do paladar. então os homens primitivos. Os homens adultos eram mais dispensáveis. Só é capaz de disti nguir quatro sabores: doce.

Elas podem ter sido desfavorecidas simplesmente em conseqüência das variações individuais que ocorrem em todas as populações. qualqu er mulher que nascesse com um nariz muito delicado era considerada superfeminina . Há duas razões possíveis para isso. porém. A partir daí. são mais largos que a média. Iss o não foi tudo. desenvolvida na perseguição das presas. algumas dessas mulher es podem achar que seu nariz não é bastante . Narizes provenientes de regiões desérticas. os das regiões úmidas. para parecer jovem e feminina é preciso ter um nariz pequeno. isso não é problema — a natureza lhes foi favorável. co mo de certas partes da África tropical. Durante a infância. to dos nós temos o nariz na forma de um minúsculo botão. Outras. mais bela é a mulher. Essas diferenças criaram uma equação: nariz menor = nariz feminino. houve uma pr essão evolutiva para que o nariz dos homens se tornasse maior que o das mulheres. esse botão cresc e proporcionalmente ao resto da lace e atinge seu tamanho máximo na idade adulta. a capacidade atlética dos homens. Quando bebês. Acrescente-se a isso um "cu lto à juventude" e o resultado é óbvio: quanto menor o nariz. como o Oriente Médio e o norte da África. Mas também é p el que seus ancestrais recentes tenham vindo de uma parte do mundo onde um nariz grande era uma adaptação valiosa ao clima. são maiores que a média.Além disso. sentemse desfavorecidas pela genética por terem que viver com um nariz grande e masculin o. Outro fator favoreceu a pequenez do nariz feminino. Se forem viver em outras partes do mundo. Daí se conclui que um nariz pequeno é um nariz infantil. onde o clima seja mais temperado. Mais uma vez. Port anto. e qualquer mulher que nascesse com um nariz muito grande se sentiria feia. Para a maioria das mulheres. au mentou a importância do nariz como condicionador do ar.

Em 1923. o termo grego para nariz. O procedimento mais comum implica a remoção da saliência óssea que torna o nariz muito protuberante e adunco. sempre que al guém estivesse infeliz com o rosto que a natureza lhe dera. Até o século XIX. Fanny perdera "um nariz de 1 mi lhão de dólares". a famosa atriz de teatro Fanny Brice convocou um renomado cirurgião plástico a seu apartamento no Ritz. quando fez o papel de Fanny Brice em Funny Girl. percebeu-se que os mesm os procedimentos podiam ser utilizados por razões puramente estéticas. Dorothy Parker. famosa por seus comentários cáusticos sobre as celebri dades da época. contra o que a atriz se defendeu energicamente. A cirurgia p lástica surgiu da necessidade de reconstruir o rosto dos soltados feridos durante as duas grandes guerras do século XX. Com os avanços técnicos. Reduzir o tamanho do n ariz feminino tornou-se a mais popular das cirurgias plásticas. para que não haja cicatrizes externas. Uma serra cirúrgica especial remove essa saliência. Segundo ele. as primeiras clientes da cirurgia plástica do nariz foram as estrelas do show business. Mais tarde. Mas existem cirurgias menos comuns. na década de 1960. Como quase sempre ac ontece com essas "melhorias" corporais. A cirurgi a é realizada dentro do nariz. onde ele realizou uma rinoplastia que reduziu seu nariz proeminente a dimensões diminut as. e o perfil nasal se redu z drasticamente. o estreitamento das narinas e a elevação da ponta do nariz. Seu produtor ficou horrorizado.feminino e desejarão tê-lo menor. O termo técnico para essa cirurgia é rinoplastia — que vem de rhino. como a redução da batata do nar iz. elas pouco podiam fazer. afirmou que Brice (que era judia) tinha "cortado fora o nariz por ód io à sua raça". Barbra Srreisand se . mas o apare cimento de técnicas avançadas de cirurgia plástica vieram em seu socorro.

Mas é claro que. o número de rinoplastias já ultrapassava cente nas de milhares.recusou bravamente a operar seu imponente nariz. "Deus ama os belos". por exemplo. No Irã. da Jordânia. A desculpa das adolesc entes é que. a redução do nariz se tornou tal obsessão para as jovens irania nas que mais de cem cirurgiões plásticos chegavam a realizar 35 mil rinoplastias por ano. ou parte dele. No início do século XXI. Em algumas regiões da África tropical. uma operação diferente está ganhando popularidade. da A rábia Saudita e dos países do Golfo acorrem às clínicas israelenses em busca da operação. a rinoplastia se tor nou cada vez mais popular no mundo ocidental porque um número cada vez maior de at rizes modelos e mulheres de todas as condições sociais passaram por uma plástica para reduzir o nariz. O procedimento popularizou-se nos lugares mais inesperados. o nariz . dona de uma fort e personalidade. foi uma exceção. o nariz se tornou um foco de atenção. de acordo com a lei islâmica. o número de rinoplastias está crescendo em proporções assustadoras . Depois del a. No início do século XXI. Em Israel. Além das mulheres israelenses. cirurgiões plásticos são cada vez mais requisitados p ara a rinoplastia. com q uase todo o resto do corpo coberto. a mod a pegou. Na segunda metade do século XX. e o incidente sobre a cirurgia plástica de Fanny foi omitido no roteiro do filme. Mesmo em países onde o nariz grande é uma característica comum. jovens do Egito. onde por imposição d o rigoroso regime islâmico as mulheres cobrem os cabelos em público e expõem apenas o rosto. Uma adolescente de Teerã afirmou: "A moda chegou a tal ponto que as pessoas que não operam o nariz usam um curativo para chamar a atenção". Mas Streisand.

Na Inglaterra. mas ainda era vista como uma tendência . o nariz nunca foi tão popular quanto as orelhas. o pescoço. os hippies do Ocidente gostavam de viajar para o Orie nte "em busca de si mesmos". o pulso ou os dedos. Acreditava-se que. Em algumas sociedades tribais. quando o costume era perfurar a narina esquerda. É o equivalente nasal do alisamento dos cabelos. Ainda é prática corrente entre os berberes e beduínos nômades do Norte da África e do Oriente Médio. se mais t arde ocorrer o divórcio. O piercing nas narinas tem uma long a história. se usasse uma argola na narina esquerda (muitas vezes ligada à orelha esquerda por uma corrente de ouro). decidiram adotar essa maneira exótica de mutilação. o septo nasal era perfurado para que nele se pudesse pendurar um ornam ento. mas esse costume nunca se generalizou. a moda foi adotada pelos punks dos anos 1970. uma cirurgia com a qual as jovens a fricanas tentam parecer mais européias. ao ver as mulheres nativas com argolas no nariz. Na década de 1960. O tamanho da argola indica a riqueza da família. Uma tendência semelhante foi relatada recent emente no Extremo Oriente.largo e chato das mulheres nativas se estreita e recebe uma ponte mais firme. e. no século XVII. A tradição de usar argola no nariz foi levada do Oriente Médio p ara a Índia durante o período mongol. a mulher teria um parto menos doloroso. as cirurgias que ocidentalizam o nariz estão sendo realizadas em grande número. Para o uso de jóias. que começa no Oriente Médio cerca de 4 mil anos atrás. e. escolhida porque esse lado estava relacionado à procriação e ao nasci mento. onde o marid o costuma presentear a esposa com uma argola de ouro que ela deverá usar no nariz no dia do casamento. a mulher rejeitada pode usar o aro de ouro no nariz para garantir sua segurança. No Vietnã e na China.

àqueles que não p agassem impostos. o que fazia o nariz se partir ao meio. tensos de paixão.". os pequenos piercings ganharam popularidade. No mundo ocidental. E o pior foi uma pu nição particularmente brutal. nos morde mos nas bochechas. os povos do Pacífico utilizavam o contato nariz a nariz q uase da mesma maneira que . No ato sexual. Então. a maneira como um nativo de Trobriand descreve o ato sexual: "Eu a abraço com todo o meu corpo. no século IX. começa a declinar. tem sido rara socialmente. nos mordemos no queixo. o nariz só recebe toques gentis na vida p rivada. uma carícia que entretanto nunca saiu do âmbito da intimidade Em certas ilhas d o Pacífico. Num contexto social. embora os coletores de impostos tenham aposentado as fac as. por volta do final do século XX. esfrego meu nariz no dela. nos mordemos no nariz. o contato entre duas pessoas pelo nariz sempre foi considerado grosseiro e incivil izado. já no século XXI. segundo Malinowski. Na Europa. os amantes esfregam o nariz do parceiro contra o próprio na riz. Quanto à maneira de cumprimen tar com um toque de nariz contra nariz. O melhor que um nariz pode esperar é um puxão ou um soco. Esse castigo era aplicado. e hoje. mas com o tempo o costume foi perdendo seu caráter de rebeldia. misturamos nossas línguas. Hoje. Mais tarde. Em muitos lugares houve reações violentas de patrões contra empregados que usavam esse n ovo tipo de ornamento feminino. esse toque também ocorre num contexto social. ainda mostramos uma relíquia desse método primitivo quando dizemos que o fisco " nos deu uma facada". sugo o seu lábio inferior e ela suga o meu .. Eis. talvez devido à influência cada ve z maior dos filmes de Hollywood. na qual uma faca era inserida nas narinas.exótica. acariciamos as axilas e as virilhas. .

combinam um vigoroso aperto de mãos com um leve toque no n ariz. Quando um cidadão cumprimenta um grande chefe. o toque no nariz às vezes obedece a um rígido código d e comportamento. O novo ocupa o lugar da tradição.usamos o beijo. existe uma list a das partes do corpo que podem ou não ser tocadas pelo nariz. o que é um erro. só é permitido entre pessoas da mesma c ondição social. o que ocorre é um toque na ponta do nariz. quando maoris de a lta casta de encontram. Como cumprimento formal. Quando um jovem encontra uma pessoa mais velha. Em uma tribo das ilhas Salomão. deve tocar os se us joelhos com o nariz. Em público. assim como de nariz com bochecha. o crescimento do turismo e do comércio internaci onal — tudo isso contribuiu para uma uniformidade dos gestos de cumprimento. Costuma-se descrever esse contato como "esfregar um nariz contra o outro". Hoje. a mistura de culturas. O contato de nariz com nariz. . no sul do Pacífico. o contato deve ser d e nariz com pulso. c o o nipresente aperto de mãos se espalhou por todo o planeta. um gesto que se baseia na idéia de inalar a fragrância do corpo do outro. O modo de vida mais co smopolita. O movimento de esfregar geralmente se reserva aos enco ntros eróticos do tipo descrito por Malinowski. Esses cumprimentos estão em declínio.

Mark Twain certa vez declarou que "O homem é o único animal que se rub oriza. Na verdade. Bochechas Desde épocas muito remotas a parte macia e lisa do rosto feminino tem sido conside rada sede de beleza. o rubor é visto como uma demonstração de in ocência virginal. A pessoa que enrubesce costuma ser jovem. a bochecha é a parte mais suave de todo o corpo feminino. se o rubor se intensifica ainda mais. o nariz. A "noiva ruborizada" é um clichê nas cerimônias . É nas faces que as mudança s emocionais são mais evidentes.. a não ser de sua inexperiência e indesejada inocência. A bochecha é também a parte do corpo que revela mais claramente as emoções. Si mbolicamente. Ou deveria. Essa antiga ligação entre bochechas macias e amor intenso dei xou uma marca em nossos relacionamentos adultos. Isso ocorreu em parte porque a forma arre dondada do rosto de um bebê — uma característica exclusivamente humana — sempre desperto u forte amor paternal. O rubor da vergonha ou do constrangimento sexual se inicia no centro das bochechas — em dois pontos que ganham uma cor vermelho-esc ura — e só então se irradia pela superfície do rosto. tocamos . e geralmente não t em do que se envergonhar. numa reminiscência do amor puro en tre pais e filhos." — como se fossem os terríveis pecados do ser humano que o fize ssem ruborizar-se de vergonha. inocência e modéstia. como o pescoço. Como ocorre muitas vezes num clima de erotismo. Em momentos de ternura. os namorados dançam de rosto colado e velhos amigos se beijam na face. tímida em sociedade.7. Assim como a mãe pressiona levemente as bochechas do bebê contra o rosto. é em outros contextos que o rubor ocorr e. espalha-se para outras áreas.. Depois. os lóbulos das orel has e o colo. beliscamos ou beijamos as faces do ser amado.

Como o rubor está (ou estava. suas faces também empalidecem. porque ela está prestes a fugir — ou reagir. Essa é uma situação rel ativamente recente. o rosto bronzeado de uma mulher caucasiana é sinal de stat us. A mulher que cora di ante de um comentário de conotação sexual obviamente tem consciência de sua sexualidade. Modernamente. A dis posição da mulher enfurecida é de ataque. Esse é o ros to de uma mulher pronta para atacar a qualquer momento. As faces de uma mulher verdadeiramente irada se tornam muito pálidas à medida que o sangue foge e ela se prepara para a ação. criou-se uma conexão entre ele e a atração sexual. porque indica que ela tem condições de passar férias numa praia. Nesse contexto. Moças das classes superiores consideravam a pele bronzeada repugnante. A vermelhidão do rosto também é um sinal de raiva. o bronzeado significava apenas uma coisa: a labuta no campo. se for enc urralada. um rubor difuso que se espalha por todo o rosto. c tomavam todo o cuidado para evitar o sol mesmo num simples . nenhuma jovem da alta classe seria vista com a pele bronzeada. mas ainda preserva uma certa ignorância. Portanto. A tonalidade que se instala é diferente. Naquela época. Ela pode lançar ameaças terríveis. Mas se ela está com medo. era significativo que as jove ns oferecidas nos mercados de escravos corassem quando enfileiradas diante de po tenciais compradores. Antigamente.de casamento — e nesse caso o rubor resulta de um constrangimento pelo fato de tod os os presentes estarem imaginando a iminente perda da virgindade. antes que a educação sexual moderna trouxesse uma maior abertura e fr anqueza sobre o assunto) intimamente ligado a uma situação de namoro ou flerte entre pessoas jovens. mas é a vermelhi da pele que indica sua frustração. A mulher que não cor a não tem consciência de sua sexualidade ou já perdeu a vergonha. poderse-ia dizer que o rubor é b asicamente um sinal de virgindade.

essa repulsa ao sol levou as mulheres a usar maquiagem p ara empalidecer o rosto. Além da aparência de saúde. O blush ainda é um cosmético muito usado hoje. Em outras épocas. Quando não usavam ruge. na Itália do . usam um bom protetor solar. o bronzeado voltou a ser um mal . embor a essa seja uma tendência que vai e vem ao sabor da moda. depois de uma forte campanha contra o excesso de sol devido ao risco de câncer de pele.passeio pelo parque. Os problemas de pele que o sol pode acarretar não são nada comparados com um creme que. No século XXI. A maquiagem branca usada no século XVI e ra especialmente danosa. porque continha óxido de chumbo. O repetido uso dessa pin tura ocasionava um acúmulo de veneno no corpo. à medida que os fabricante s de cosméticos lançam novidades no mercado. Todas essas práticas acarretavam riscos. as faces eram pintadas com ruge. a s jovens beliscavam as bochechas antes de um importante acontecimento social par a fazer o sangue afluir a elas. esse tipo de maqu iagem traz também a lembrança do rubor inocente da adolescência. Mas ainda há quem se recuse a abandonar o culto ao sol. Mais uma vez. Veremos que grupo prevalecerá. elas se sangravam para chegar à palide z. quando um rosto rosado era um si nal de vigor e boa saúde. Em a lguns períodos da história. As jovens hoje evitam se torrar ao sol e. a face pálida volta a ser um símbolo — dessa vez de consciência e preocupação com a saúde. que mais tarde podia causar paralis ia muscular ou até mesmo a morte. Em casos extremos. e assim as mulheres se dividem entre as cautelosas pálidas e as bronzeadas despreocupadas . quando se expõem. o que lhe dá uma dupla vantagem num contexto sexual. quando usavam um chapéu de abas largas ou uma sombrinha.

Recomendava que nunca ingerissem o cosmético e que o aplicassem nas faces pouco antes de uma relação amorosa. Pressionar a língua contr a a bochecha a ponto de distorcê-la é um gesto que significa descrença. era vendido com o nome de "Aqua Toffana" ou "Manna de San Nicola di B ari". era uma fórmula venenosa que continha arsên ico e outros ingredientes letais. a forma das b ochechas também é importante. quando ela foi presa. pressionada contra as faces. A senhora Toffana sempre visitava suas cliente s para lhes explicar o uso adequado do produto. As covinhas não são m uito comuns hoje. o que fez dela a maior envenenadora de todos os tempos.Durante o movimento. torturada e estrangulada na prisão. e parece que sempre foram bastante raras. os dedos se aproximam. Vendido em pó ou em creme. o motivo do óbito era sempre "excesso sexual". absorveria uma quantidade do ve neno suficiente para matá-lo. Uma certa senhora Giulia Toffana oferecia esse especial tratamento de pele . A idéia que . Entre os gregos anti gos. O ardil funcionou por muito tempo. que se tornou particularmente popular entre as esposas que queriam se livrar d e seus maridos. Com isso . a forma das bochechas também era importante como padrão de beleza. Havia até um g esto especial para indicar isso. a boca do marido. Depois. Os gre gos modernos ainda interpretam o gesto da mesma maneira. Er a esse rosto ovalado que os gregos consideravam ideal de beleza feminina. Um rosto com covinhas sempre foi considerado atraente na Europa. sugerindo uma forma atilada para o rosto. onde se dizia que elas eram marcas do dedo de Deus. A senhora Toffana foi responsável por mais de seiscentas mortes e a criação de mesmo número de viúvas saudáveis. Consistia em colocar o polegar sobre uma bochec ha e o indicador sobre a outra e descer suavemente a mão em direção ao queixo. Seus crimes só foram descobertos em 1709.século XVII. Assim como a cor.

Outro gesto. Na Itália todos o conhecem. ma s com o tempo seu significado se ampliou e passou a incluir qualquer coisa boa. Ele também signi fica descrença e é essencialmente um gesto de forte sarcasmo. Nasceu do fato de que o momento que caracteriza o sono é aquele cm que o rosto toca o travesseiro. Norm almente. proibida princ ipalmente às crianças. é pressionar o indicador na bochecha e girá-lo como se fosse uma chave de fenda. à Sicília e à Sardenha. n o norte. apóia a face sobre a mão como se tentas se segurar o peso da cabeça. quase restrito à Itália. no sul. pode contar que não está agradando.lhe deu origem é a de que essa seria a única maneira de a pessoa evitar uma crítica qu e estaria "na ponta da língua". De Turim. Em algumas regiões medit errâneas. quando alguém está cansado ou entediado . mas tem que permanecer sentado a uma mesa. durante o primeiro período vitoriano. tem sempre o mesmo significado: "Bom!" Na ori gem. é um sinal de afeição que ve m sendo usado há mais do 2 mil anos. Juntar as palmas das mãos e apoiar a face sobre elas é um gesto que todo mundo enten de. mas o beliscão . Se um professor ou conferencista constatar essa postu ra em seus ouvintes. a palavra ingle sa "cheek" (bochecha) ganhou nova acepção e passou a significar também "atrevimento". Quase em toda parte. beliscar a própria bochecha é sinal de algo excelente ou delicioso. Com isso. Fazer esse gesto era uma grosseria. era um cumprimento ao cozinheiro. tendo sido muito popular na Roma antiga. é um adulto que belisca a bochecha de uma criança (que quase sempre odeia i sso). "desfaçatez". Uma demonstração ainda mais evi dente de aborrecimento ou tédio é contrair os cantos da boca com força. É interessante notar que. a indicar que a massa estava al dente. o mesmo gesto. só que na face de outra pessoa.

Quando não existe afeto. mas em amb ientes de baixa renda ele é extremamente raro. Em certas regiões. Era a maneira clássica de uma dama responder à atenção indesejada de um cavalheiro. Na essência. É uma versão mais leve do beijo na boca. Quando a mulher usa batom. deixando a vítima atônita. o gesto pode se transformar facilmente n uma verdadeira bofetada. Mutilações nas bochechas nunca foram muito comuns devido à necessidade de mobilidade facial. não passa de uma tempestade em copo d'água — um estalo que f az barulho. o tradicional beijo leve na boca continua vigorando. Em .também pode ser usado como uma brincadeira entre adultos. Na outra ponta da escala emocional estão o beijo e o toque na face. ele se dilui log o depois. mas causa tão pouco dano físico que não chega a provocar uma reação imediata o u um ato agressivo da parte da vítima. O tapinha na bochecha é um a brincadeira um pouco mais irritante. adequado apenas a pessoas de igual condição. combinada com o estalar de um beijo. sabendo que foi insultada. como a Europa ori ental. e generalizou-se em muitos países como parte do ritual de cumpri mentos nas reuniões sociais. mas s em poder fazer nada diante de um gesto que poderia ser amigável. que pode desagradar quando praticado com demasiado vigor. a não ser entre membros de uma mesma família. No meio teat ral e em ambientes sociais mais festivos. O be ijo é um ato recíproco. por exemplo. Embora provoque um choque. o gesto se resume à pressão de bochecha contra bochecha. Esses usos variam de um país para outro. sua freqüência é quase excessiva. sem contato do láb io com a face. O tapa no rosto t em uma longa tradição. A freqüência do cumprimento obedece a variáveis culturais.

ao tomar conhecimento do fato. que se tornou moda nos séculos XVII e XVIII. nenhuma mulher podia arran har o rosto em sinal de luto ou tristeza. quase sempre próximo à boca . mas a pinta logo ganhou vida própria como decoração cosmética. Essa foi a desculpa de que as mulheres precisavam para cobrir manchas. ou disfarçar a imperfeição com um lápis preto. ou "sinal de beleza". que davam a impressão de estar enterrados na carne sem realmente feri-la. A única outra forma de decoração fac ial é a pinta. Esse ti po de decoração tornou-se tão popular que mesmo as mulheres que possuíam uma pele perfei ta a adotaram.tempos remotos. e m ais tarde foram postos à venda falsos alfinetes de segurança. já que as faces são a sede da modéstia e da vergonha".. e qualquer mulher da moda que a imitasse só teria a ganhar em beleza.] de modo que.. As decorações tribais para o rosto incluem uma variedade de pinturas. quando era possível ver mocinhas com um alfinete de segurança enfiado na bochecha. até que a pinta passou a ser um elemento . incisões e perfurações. o Sen ado publicou um edito. John Bulwer relata que esse costume deu origem a uma lei: "As damas romanas tinham o hábito de arranhar a s faces em sinal de luto [. as mulheres que perdiam um ente querido arranhavam as faces ate fazê-las sangrar. tat uagens. Tu do começou com a necessidade de ocultar pequenas imperfeições. Conta-se que Vênus nasceu com uma pinta natural na face. com a intenção de demonstrar seu sofrimento. dali em diante. verrugas ou ma rcas de varíola com um círculo preto. A não ser pelo uso rotineiro de pó e ruge. ordenando que. embora um breve ressurgimento deles tenha oco rrido nos anos 1970 com o movimento punk rock em Londres. Essas mutilações selvagens dos primeiros punks foram desaparecendo aos poucos. quase não se vêem dornos faciais no mundo ocidental.

Depois de cicatrizada.. as marcas do to sto feminino recebem outro tratamento. rugas ou outros defeitos de pele. faz-se necessário algo mais drástico. cravos. as velhas e as feias estão todas remendadas. Um deles é a abrasão da pele. a pele do rosto é praticament e queimada. a me nos que estejam acamadas. e hoje. coroas.. asperezas. Se a maquiagem não disf arçar o problema. as jovens. crescentes. No final do século XVI. é importante para uma jovem que quer se manter atraente esconder espi nhos. tornou-se tão essencial nos meios cortesãos a pon to de se dizer que "toda mulher moderna devia usá-la sempre. a pele torna-se muito fina — s e o tratamento foi um sucesso. Com o tempo. mas uma ocasional e única pinta ai nda se vê de tempos em tempos — sobrevivente solitária de um passado de exagero. Por esse método. losa ngos c corações. os sinais de beleza deixaram de ser pintas e se transformaram em estrelas. Esses excessos logo desapareceram. enquanto as damas do Partido Tor y (então ala esquerda) decoravam a face esquerda. . Como uma face lisa passa a imagem de juve ntude e saúde. com algumas notáveis exceções." No início do século XVIII a moda tinha adquirido ta l complexidade que a posição das pintas ganhou significado político: as damas do Parti do Whig (ala direita) decoravam a face direita. removendo as camadas externas da pele. Com essa finalidade. Um jato de cristais de dióxido de alumínio é aplicado ao rosto. a menos que estivesse de luto". essa moda desapareceu. Moder namente. o u. microdermoabrasão.puramente decorativo. em termos técnicos. Com o tempo. Cheguei a contar mais de quinze remendos sobre uma fac e enrugada e escura de bruxa. novos pro cedimentos foram desenvolvidos pela cirurgia plástica. um francês de língua afiada em visita a Londres afi rmou: "Na Inglaterra.

cinco minutos depois. . Um terceiro método emprega uma com binação altamente tecnológica de ultra-som. preservamos cada vez mais as carac terísticas de bebê. e logo chegará o dia em que qualquer mulher poderá ter uma face perfeitamente lisa — por um certo preço. microcorrentes e tratamento com laser. o homem é o único a te r lábios curvados para fora. Nossos lábios carnudos e visíveis faziam parte dessa tendência. e os resultados nem sempre são perfeitos. se observarmos atentamen te a boca de um chimpanzé ou de um gorila. cuidadosamente removida. logo veremos que a superfície macia e bri lhante fica escondida. Não percebemos isso porque não nos damos o trabalho de co mpará-los com os lábios de nossos ancestrais primatas. é preciso repetir o procedimento algumas vezes. 8. Como a fêmea humana é um pouco mais evoluída anatomicamente — ou seja. Por que os humanos têm os lábios virados do avesso? Mais uma vez. mas novos avanços no tratamento estão surgindo o tempo todo . mas. mais protuberantes. Esse gel ácido remove as camadas externas da pele que está danificada. mais juvenil — que o home m nesse aspecto. E por isso acabaram se tornando alvo de muita atenção. Uma fina camada de um gel esfoliante é aplicad a no rosto e. No mundo animal. Em todos esses casos. seus lábios são. Lábios Existe algo muito estranho nos lábios humanos. À medida que nossa anatomia e nosso comportament o tornaram-se progressivamente mais infantis. a resposta está na nossa evolução. em média.Outro procedimento é o peeling químico.

No homem adulto. mas no minúsculo embrião do chimpanzé. com lábios grandes e carn udos. os lábios do avesso. vamos analisar como se desenvolveram esses superlábios. para se rmos precisos. exibe um par de lábios fartos e macios por toda a vida adulta — ou pelo menos até ficar bem velha. Sua origem não e stá no bebê humano. assim que nasce. uma exclusividade da espécie humana. os cobre de batom. Enquanto for jovem e o sexo lhe ocupar a mente. o bebê humano não se desvia do projeto fetal e. sop ra beijos. em condições primitivas. por sua vez.Mas. quando os lábios se afinam. O bebê chimpanzé. Dois meses depois. antes. Se terminasse. Mas a h istória não termina aqui. por volta de 26 semanas. os lábios do bebê virariam sozinhos para dentro quando ele começasse a ingerir alimentos sólidos. são perfeitamente adequados à sua primeira tarefa de sugar os seios também únicos da fêmea humana. prende sua boca muscular de lábios finos à longa teta da mãe e suga o leite como um fazendeiro ordenha uma vaca. os lábios já desapareceram. podem até desa parecer sob uma barba hirsuta. ela tratará de cuidar dos lábios como um símbolo sexual. e assim ele exibiria os lábios fino s típicos dos primatas quando chegasse à idade adulta. Quando o fe o tem apenas dezesseis semanas. possui uma boca humanóide. faz biquinho. por onde suga o le ite de seus fartos seios. Portanto. porém. Antes mesmo de seu primeiro beijo de amor. A boca do chimpanzé tomou a forma em que permanecerá pelo resto da vida. Ao contrário do bebê chimpanzé. A fêmea humana. e. Portanto. nem no bebê chimpanzé. aponta um par de lábios recurvos para o mamilo da mãe. Ela os umedece. eles já . eles se torn am de fato um pouco mais esticados e finos. devemos dizer que os lábios humanos não são apenas infantis: são embrionári os.

desempenharam um papel apresentação como mulher. fundamental na sua O que torna os lábios tão sensuais visualmente? Em sua forma, em sua textura e em su a coloração, eles imitam os outros lábios femininos, os lábios vaginais. Quando a mulher se excita sexualmente, os lábios vaginais se intumescem e se tornam mais vermelho s. Ao mesmo tempo, no rosto, seus lábios ficam mais túrgidos, mais vermelhos e mais sensíveis. Essas mudanças ocorrem em uníssono, como parte da revolução fisiológica que acomp anha uma forte excitação sexual. Um dos principais fatores desse processo é o fluxo do sangue em direção à superfície da pele. A pele dos indivíduos sexualmente ativos brilha q uando os vasos capilares se distendem em função do maior suprimento de sangue. Esse sangue extra aflora mais rapidamente do que pode refluir, e, com isso, a superfíci e da pele se torna cada vez mais sensível ao toque. Isso é particularmente verdade n os lábios. Os vasos sangüíneos tornam os lábios mais intumescidos e mais visíveis graças ao contraste entre sua tonalidade cada vez mais vermelha e a carne branca ao seu re dor. Intuitivamente, as mulheres das sociedades primitivas começaram a usar esse m imetismo. As prostitutas do antigo Egito usavam um ocre vermelho para realçar os láb ios. Um desenho em papiro que data de 1150 a. C. mostra uma cena num bordel teba no, na qual uma mulher seminua segura um espelho e aplica uma pintura nos lábios c om um longo bastão. Ao lado, um cliente inteiramente nu, exibindo uma enorme ereção, e stende a mão na direção dos genitais da mulher. A relação entre o rubor dos lábios femininos e a atividade erótica tem portanto mais de 3 mil anos. O uso de algum tipo de pin tura labial é mais antigo que isso, pois existem evidências de que ela já existia 4 mi l

anos atrás, na cidade de Ur, hoje sul do Iraque, onde uma soberana, a rainha Puabi , foi enterrada com um grande suprimento de maquiagem para ser usado na outra vi da. Seus cosméticos — tintas vermelhas para os lábios, assim como verdes, brancas e pr etas, presumivelmente para os olhos — foram armazenados em grandes conchas, ou em imitações de conchas feitas de ouro ou prata. Os primeiros batons eram fabricados tr iturando-se o óxido de ferro vermelho até obter um pó, que era então misturado com gordu ra animal. Mais tarde, no século IV a.C, os gregos realizaram experiências que parec em ter resultado na adição de tinturas vegetais, saliva humana, suor de carneiro e a té mesmo fezes de crocodilo. No século II, a tecnologia já tinha avançado, e as mulheres palestinas podiam escolher entre o laranja-brilhante e o cereja-escuro. Desde e ntão, a coloração artificial dos lábios foi um popular recurso de beleza feminina, embor a algumas vezes tenha sido condenada por autoridades puritanas. Sob regimes dita toriais que tentaram reprimir os prazeres sexuais, a pintura dos lábios foi proibi da. Em casos extremos, mesmo sem pintura, os lábios foram considerados excitantes demais para serem vistos em público, e as infelizes mulheres foram obrigadas a esc ondê-los por trás de véus. Acredita-se que a ocultação dos lábios das mulheres seja uma pres crição da fé islâmica, mas não é. Esse é sem dúvida um costume nos países muçulmanos, mas não a ver com os ensinamentos de Maomé. Na verdade, foi imposto às mulheres por uma soc iedade machista. Não se trata de um preceito religioso, mas de uma proibição sexista, fruto de uma sociedade em que a mulher é tratada como propriedade do homem. As igr ejas cristãs têm tido uma atitude ambivalente em relação aos lábios femininos. Em algumas ép ocas, elas se mostraram liberais, mas também houve períodos de

repressão, quando lábios artificialmente coloridos eram vistos como obra do demônio e uma ofensa à obra de Deus, o corpo humano em seu estado natural. Um clérigo do século XVII condenou os lábios pintados por considerá-los "um sinal de prostituição", uma armad ilha capaz de propagar o fogo da luxúria no coração dos homens que tivessem a infelici dade de pousar os olhos sobre eles. Os políticos geralmente se mantiveram afastado s dessas questões, mas, num determinado momento do século XVIII, na Inglaterra, vira m-se na obrigação de aprovar uma lei proibindo o USO do batom, porque certos homens ansiosos temiam ser ardilosamente atraídos para o casamento pela visão dos lábios femi ninos pintados. Essa proibição absurda criou um problema para as damas da época. A sol ução que elas encontraram foi chupar um picolé de groselha ou beliscar os lábios pouco a ntes de entrar numa festa. Apesar de sucessivas proibições da Igreja e do Estado, os cosméticos para os lábios se recusaram a desaparecer e, ao longo da história, sumiram ou ressurgiram ao sabor da moda. Num exemplar da Ladys Magazine do final dos an os 1820, verifica-se que um novo desenho labial foi adotado: o arco de cupido. P ara obtê-lo, os lábios eram aumentados verticalmente em vez de crescerem no sentido longitudinal, com uma profunda fenda no lábio superior, bem abaixo do nariz. Isso dava à boca da mulher uma aparência infantil e transmitia aos galantes cavalheiros d a época a atraente mensagem de que aquelas belas senhoritas precisavam de proteção. No s tempos atuais, o uso do batom sustenta uma importante indústria, que cresceu ini nterruptamente durante o século XX. No fim da era vitoriana, os lábios pintados de v ermelho foram confinados às infamantes casas de prazeres em função da pudicícia e da hip ocrisia da

época. Inúmeros clientes eram atraídos por suas cores convidativas e depois voltavam p ara suas pálidas esposas. Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, o batom iniciou sua lenta escalada social, passando dos bordéis aos teatros e daí para as bocas das mais ousadas freqüentadoras da sociedade boêmia. Depois da guerra, nos agitados anos 1920, os lábios pintados de vermelho se popularizaram nos salões de baile. Nos anos 1920 e 1930, o batom era usado pelas estrelas da florescente arte do cinema e l ogo se tornou uma norma social. Uma das primeiras estrelas do cinema, Clara Bow, reintroduziu os lábios de cupido, mas de uma forma mais audaciosa, quase um coração. Em 1925, Bow chegou a estrelar um filme intitulado My Lady's Lips (Os lábios de mi nha mulher). Na década de 1930, mulheres de personalidade mais forte entraram em c ena e impuseram um novo estilo: a boca rasgada. Depois disso, a boquinha de coração desapareceu. Com o advento da Segunda Guerra Mundial, pelo menos entre as jovens , usar um batom vermelho-brilhante era um sinal de patriotismo, porque alegrava os bravos soldados. Cartazes de recrutamento exibiam lábios de um vermelho vivo, u ma promessa de apoio feminino a qualquer um que estivesse disposto a defender se u país. Em 1945, com o fim da guerra, iniciou-se um período de austeridade. A paz re tornara, e o batom era então um acessório trivial, apresentado apenas em uns poucos tons de vermelho. Nunca se tinha ouvido falar de batom de outra cor. Na década de 1950 tudo isso mudou. Na França e na Itália, os fabricantes de cosméticos introduziram o titânio branco na fórmula do batom para produzir cores mais pálidas, e com isso amp liaram enormemente o espectro de cores. As revistas de moda da época gozavam de gr ande influência e tinham o poder de lançar uma nova cor a cada ano — a cor que se torn ava a coqueluche da

estação e depois desaparecia, substituída pela "ultima novidade". Nos anos 1960, com a chegada da pílula anticoncepcional e uma mentalidade mais aberta para a sexualida de, as mulheres puderam se expressar melhor como indivíduos. Em lugar de uma única c or dominante, uma enorme variedade de cores foi posta à sua disposição, inclusive dive rsas tonalidade pálidas. Com o surgimento do feminismo, na década de 1970, isso mudo u rapidamente. Por algum tempo, pintar os lábios era o mesmo que ceder ao desejo m asculino, e uma nova forma de puritanismo veio à tona. Os lábios das feministas eram naturais. Ao mesmo tempo, as mulheres protestavam violentamente contra a Guerra do Vietnã, e, quando não pertenciam ao movimento feminista, às vezes adotavam cores p roibidas, como o azul, o púrpura ou mesmo o gótico preto. Quando a Guerra do Vietnã te rminou e as jovens conquistaram uma maior igualdade social, os austeros modelos que lembravam uniformes foram abandonados, e as mulheres se sentiram livres para voltar a parecer mulheres. Durante os anos 1980 e 1990, o batom vermelho retorn ou mais uma vez. No início do século XXI, as mulheres passaram a expressar seu desej o sexual com uma franqueza nunca vista, e com essa confiança sexual e essa liberal idade cresceu a exploração erótica dos cosméticos para os lábios. Foram criadas três estratég as básicas: lábios mais vermelhos do que nunca, lábios de cor natural com o brilho do gloss ou uma combinação dos dois — muito vermelhos e muito brilhantes. Agora, a tônica e ra a individualidade. As mulheres deixaram de ser escravas de uma única moda. Uma cantora pop pode se apresentar com os lábios pintados de vermelho-vivo e, no próximo

show, subir ao palco com os lábios rosa-pálidos brilhantes ou sem nenhum batom. Os p ublicitários lançam mão de estimulantes descrições: lábios ultra-brilhantes, lábios suculento , lábios deliciosos, lábios molhados. As fotos mostram lábios femininos tão úmidos que é imp ossível evitar a mensagem biológica subliminar: se a forte excitação sexual gera secreções g enitais, os novos batons devem sugerir essa mudança fisiológica. Os fabricantes de b atons criaram superlábios. A mensagem está clara para quem quiser ver: as mulheres e stão mostrando que gostam de sexo e não se importam que saibam disso. Por mais impre ssionante que seja, toda essa tecnologia ocidental para embelezamento dos lábios f emininos torna-se insignificante diante das mutilações labiais de certas sociedades tribais. Entre o povo surma, que habita o sudoeste da Etiópia, a mulher adulta é con hecida como "mulher-prato". Pouco depois que ela completa 20 anos, seis meses an tes de se casar, um dos lábios é cortado e um pequeno prato, chamado labret, é inserid o na boca. Isso estica o lábio para fora num anel de carne avermelhada. Assim que for possível, a jovem retira o prato e o substitui por outro ligeiramente maior, d epois por um maior ainda, até ser capaz de exibir um lábio quase do tamanho de um pr ato de jantar. Nos primeiros tempos, o prato tinha a forma de cunha e era esculp ido em madeira, mas mais recentemente a moda determina que ele seja circular e d e cerâmica. Quando a mulher está sozinha, comendo, dormindo ou na companhia de outra s mulheres, tem permissão para tirar o labret, e, quando faz isso, o lábio cortado e esticado fica pendurado. Quando os homens estão presentes, porém, o prato deve esta r no lugar, e seu tamanho denota o valor da mulher. O tamanho do prato que uma j ovem consegue tolerar será a medida de sua beleza e irá determinar quantas cabeças de gado ela vale quando sua mão for oferecida em casamento.

Embora tenha sido amplamente divulgada. Surpreendentemente. essa história parece não ter muito fundamento. a costa ocidental do Canadá. acharam difícil cr editar que . A técn ica varia de uma tribo para outra. foi l vantada a hipótese de que os chefes da tribo instigassem o procedimento para deter os mercadores de escravos árabes. e que a repulsa dos mercadores de escravos fosse apenas um bônus. mas também entre os macondes do Quênia. Algumas esticam apenas um lábio. Em algumas tribos das Filipinas. a intenção é alargar os lábios e chamar a atenção para eles. Mais uma vez. Em todos os casos. outras os dois . como outras tribos que adotavam esse costume. não apenas entre os surmas. O mais provável é que. os lobis de Gana e os sara-kabas e os ubândgis da bacia do Congo. enquanto outras pregam um pino de madeira acima e abaixo dos lábios.Essa forma bizarra de alargamento dos lábios existiu em muitas tribos africanas. que achavam as mulheres com esse ornamento feia s e iam buscar escravas em outra tribo. uma goma de masca r feita de nozes de bétele era usada para tornar os lábios encarnados. Outras trib os usavam técnicas diferentes. na Colúmbia Britânica. Os shilluks do Sudão preferem os lábios tingidos de azu l e os ainus do Japão gostam de lábios tatuados. As tatuagens de estrelas na infância e as tatuagens em preto e azul quando as mulheres atingem a idade adulta se espa lham da boca em direção às orelhas. Quando os pri meiros exploradores puseram os olhos nesses extravagantes lábios. as mu lheres que tinham os maiores discos eram as que desfrutavam de mais status. essa forma extr ema de ornamento corporal foi descoberta por antigos exploradores numa parte com pletamente diferente do mundo. os ubândgis achassem os lábios esticados um sinal de bel eza. onde as mulheres dos t liguites. Entre os ubândgis. exibiam grandes discos labiais.

com Alloderm. cientes do apelo sensual de lábios grossos e suculentos. mas recent emente reapareceu na Califórnia.eles resultassem de sacrifícios que as mulheres dessas tribos infligissem a si mes mas: ". os p ontos principais desse tipo de cirurgia plástica podem ser resumidos nos seguintes (embora novos procedimentos estejam sendo introduzidos o tempo todo): O procedi mento menos drástico é a aplicação de uma série de injeções de colágeno ou gel hialurônico cm pontos do contorno dos lábios. A cirurgia plástica dos lábios. O efeito dura de três a seis meses.elas nascem com os lábios inferiores desse tamanho.. É evidente que não lhe ocorreu que os problemas de saúde decorrentes desses imensos lábios resultavam do corte do lábio para a colocação de grandes discos. que caem até o peito e mostram aquela chaga do lado que pende para fora e que. usar os novos lábios para um determinado papel. começaram a procurar diferentes proce dimentos cirúrgicos para "melhorar" seus lábios. por exemplo. Uma interv enção mais duradoura requer uma intervenção cirúrgica. que já foi tão comum nas tri bos africanas. Sem entrar em detalhes técnicos. quando o calor do sol é ex tremo. de modo que elas não têm outra maneira de se curar senão jogando sal continuamente sobre ela!" Esse relato foi feito por John Bulwer em 1654. com a abertura de um canal que atra vessa os lábios de um canto ao outro. apodrece. Esse espaço oco que é preenchido com um material capaz de ser absorvido pelo tecido labial. Atrizes de Hollywood. o que permite a uma atriz. numa nova forma. não seria vista nas sociedades urbanas por muitos séculos. em um d os primeiros livros antropológicos já publicados. e com a . Esse preenchimento pode ser feito co m materiais sintéticos.. implante sólido retirado da pele desidratada d e pessoas mortas.

a linha superior se curva ligeiramente sob o nariz. dando ao lábio uma aparência artificial. a forma mais extrema de intervenção: a cirurgia plástica dos lábios. O risco desses procedimentos cirúrgic os é que. Em lugar da fenda natural. a não ser no caso de lábios excessivamente finos. um procedimento para pr eenchimento dos lábios tem o efeito de eliminar a forma de arco de cupido do lábio s uperior. eles podem não se harmonizar com o rosto. o rosto feminino pode se tornar muito mais sensual. Mas essa é uma opinião que não parecer estar sendo levada em conta.própria gordura da paciente. que. Finalmente. A obtenção de um ou outro r esultado dependerá da colocação precisa das substâncias. embora fiq uem escondidas dentro da boca. a s mulheres deviam pensar duas vezes antes de se submeter a uma cirurgia desse ti po. . Leva cerca de uma hora e tem a desvantagem de deixar cicatrizes. se os cirurgiões e dermatolog istas executarem bem o seu trabalho e evitarem armadilhas como as mencionadas. Os que cr iticam essas intervenções acham que. "Todas essas intervenções têm um dos seguin tes objetivos: preencher os lábios ou projetá-los para fora. que é extraída das nádegas. depois de modificados os lábios. purificada e depois injetada no s lábios. Não há dúvida de que. Trata-se de uma remodelação permanente e precisa ser realizada num centro cirúrgico. porque o século XXI está testemunhando uma rápido crescimento dessas cirurgias. tal é o impacto erótico da forma dos lábios. são sentidas. C ertas atrizes adquirem lábios tão protuberantes que ofuscam todas as outras feições do r osto (e que algumas vezes são chamados com sarcasmo de "beiços de truta"). que começaram na Califór nia e se espalharam pelo mundo todo. Às vezes.

os lábios foram considerados a zona mais erógena. uma afirmação que diz mu ito sobre o significado dos lábios femininos. esse movimento exploratório da língua se ligou indelevelmente ao ato de a mor. Esquecemos como ch egamos até aqui porque hoje é extremamente raro encontrar exemplos sobreviventes des se ritual primitivo de alimentação. Isso também talvez explique por que. naturalmente. a estimulação do clitóris tem maior probabilidade de conduzir ao orgasmo. usando a líng ua. Isso pode explicar por que.Até aqui. Então. na fase das preliminares. É verdade que. Numa recente pesquisa sobre os dez pontos de contato mais im portantes do corpo da mulher. os bebês passavam a experime ntar o alimento com sua própria língua assim que o contato boca a boca era feito. Quando os amantes unem os lábios com a boca aberta e um com eça a explorar o interior da boca do outro com a língua. transferiam para ele o alimento. Deste longínquo início nasceu o beijo de amor entre adultos. e m alguns países. O beijo na boca t em uma origem curiosa. tradicional mente. consideramos os lábios apenas do ponto de vista estético. mas. mas os lábios. como o Japão. mas. as prostitutas dizem ''nada de beijo". De ssa forma. Quando as mulheres das tribos precisavam desmamar os fil hos e introduzir alimentos sólidos. mas porque ele é "muito pessoal". Quando cresciam. embora permitam todo tipo de conta to genital. estão realizando um ato que r emonta a épocas primevas. em estágios mais avançados da relação s exual. essa não é sua única função. Não os seios ou os genitais. colocavam a boca aberta sobre a boquinha do bebê e. segundo as mulheres entrevistadas para a pesquisa. costumavam mastigar o alimento até torná-lo macio e liquefeito. é o contato com o lábio o fator de maior excitação. Ele ainda ocorre em . elas respondem que não permitem o beijo na boca não por razões de higiene. a tradição não recomenda beijar em público. Indagadas sobre esse tabu.

Pode parecer que elas este jam apenas excitando o homem. talvez isso seja verdade. V ale lembrar que. e isso pode ocor rer mesmo sem qualquer contato genital. mas as terminações nervosas da mucosa dos lábios feminin os são tão refinadas que cada toque no corpo do amado envia de volta um forte estimu lo sexual. Segundo essa teoria. seu contato com diferentes partes do corpo masculino durante a relação sexual é menos altruísta do que pode parecer. mas é desconhecido ou foi esquecido cm quase toda parte. algumas mulheres são c apazes de chegar ao orgasmo durante prolongados beijos na boca. mas desempenhou um importante papel nas atividade s sexuais de muitas culturas por milhares de anos — está fortemente relacionado ao p razer oral do bebê ao sugar os seios maternos. como em muitos outros. um bebê ao qual tenha sido negada a recompensa normalmente oferecida pela mãe passará o resto da vid a tentando compensar essa perda. a fêmea humana é a mais desenvolvid a de todos os primatas.algumas tribos remotas. Nesse aspecto. Em casos extremos. o p razer oral adulto reflete uma privação infantil. Quando uma amante suga o pênis do par ceiro. para Freud. ma s o que Freud não considerou . os movimentos de sua boca lhe recordam o prazer que sentia ao sugar os se ios da mãe. A impressão deixada pela primeira fase oral permanece com ela de alguma forma por grande parte de sua vida adulta. De acordo com o estudo clássico sobre a sexualidade feminina realiza do por Kinsey e seus colegas. Umas poucas mulheres também são capazes de a tingir o orgasmo aplicando os lábios ao falo masculino. devido à grande sensibilidade dos lábios femininos. Vale acrescentar que. publicado há mais de meio século. O contato oral-genital — que hoje sabemos não é uma invenção da so ciedade ocidental "decadente".

Se o músculo todo se contrai. porque sua boca era fon te de interminável sofrimento. que precisou ser removido em grande parte em trinta e três cirurgias. fumar. Um indivíduo que sugou o seio materno. Portanto. Finalmente. para cim a e para baixo. A atitude negativa de Freud em relação a adultos que gostam de beijar. tensos e frouxos. ao contrário dele. como faz a maioria dos bebês. Ele tinha câncer do palato. Portanto. se suas fibras superficiais são ativadas. dificilmente perderá a chance de experimentar maneiras adultas de recapturar esse prazer — simplesmente porque não houve nenhuma privação infa ntil. é importante examinar os lábios femi ninos como emissores de sinais faciais.foi que os prazeres experimentados em qualquer fase da vida são capazes de estabel ecer padrões de comportamento para o futuro. As mudanças de humor provocam quatro difer entes movimentos dos lábios: abertos e fechados. É esse músculo que trabalha quando os lábios estão apertados ou adotam qualque r outra expressão contraída. mas se suas fi bras mais profundas são fortemente ativadas. o mesmo músculo. os lábios se mantêm fechados. o orbicularis oris. essas quatr o mudanças nos dão um enorme espectro de expressões. que se contrai para fechá-los. os lábios se fecham e se projetam para a frente. a contração pressiona os lábios fechados co ntra os dentes. com fixação em seios e infantilizados" simplesmente porque. As mudanças são efetuadas por um conj unto complexo de músculos que funcionam basicamente da seguinte maneira: Ao redor dos lábios existe um forte músculo circular. para a frente e para trás. Combinadas de diferentes maneiras. Costuma-se vê-lo como um simples esfíncter. comer doces e tomar bebidas quentes não é difícil de entender. eram capaz es de desfrutar dos prazeres orais. ele deve ser perdoado por e ssa postura contra esses adultos que ele considerava "oralmente dependentes. mas isso seria subestimá-lo. . Por outro lado.

Existem ainda o músculo levator menti. que comprime as bochechas contra os dentes. mas também ajuda na mastigação dos a limentos. e o bu ccinator.operando de maneiras diferentes. no sorriso e na gargal hada. gerando a expres são de tristeza. Na rai va silenciosa. A princ ipal diferença está no movimento dos cantos da boca. como se avançassem sobre o inimigo. eles se retraem. o músculo levator er gue o lábio superior e ajuda a criar expressões de dor e desdém. o ser humano usa outro múscu lo. Quando sente uma dor aguda. O músculo triangularis empurra a boca para baixo e para trás. O músculo depressor empurra o lábio inferior para baixo. diversas vocalizações acompanham as expressões da boca. o platysma da região do pescoço. Tomemos como exemplo as expressões contrastantes de raiva e medo. eles são empurrados par a a frente. lutando para manter a boca aberta em outra direção. ou músculo do trompete. pode gerar os lábios suavemente contraídos que conv idam a um beijo ou os lábios tensos de quem espera levar um tapa na cara. Na raiva. ajudando a f ormar a expressão de aversão ou de ironia. Simplificando muito. Mas esses movimentos opostos dos cantos da boca podem exi stir com a boca aberta emitindo um som ou com a boca fechada e em silêncio. Ele é usado não apenas para soprar instrumentos musicais. pavor ou raiva. Para complicar ainda mais as coisas. que puxa a boca para baixo e para os lados em f unção da tensão do pescoço que antecipa um ferimento físico. que ergue o queixo e projeta o lábio inferior para fora em expressões de desafio. O músculo zygomaticus e mpurra a boca para cima e para baixo em expressões alegres. Elas provocam uma aber tura maior ou menor da boca. os lábios são pressionados . no medo. como se fugissem de um ataque. A maiori a dos outros músculos da boca trabalha contra esse músculo circular central. o que introduz um novo elemento nas sutis expressões faciais.

causadas pela elevação dos cantos da boca. Elas "personalizam" o sorriso . os lábios se retraem e se retesam ate formar uma fissura horizontal. a boca se mantém aberta e os den tes inferiores também podem se revelar. um importante fator para o fortalecimento dos laços de amizade. a pessoa que grita expõe menos os dentes do que a que rosna. Como o medo retrai os lábios. a boca se abre inteiramente. a capacidade de combi nar elementos aparentemente incompatíveis para transmitir estados de . es ticando os lábios para cima e para trás ao mesmo tempo.um contra o outro. podemos duvidar da sinceridade de sua expressão vocal. No medo silencioso. expondo os dentes superiores e inferiores. os dentes inferiores nunca são inteiramente expostos como os superiores. mas. acompa nhada de um berro ou de um ronco. na raiva ruidosa. são dobras nasolabiais que variam consideravelmente de indivíduo para indivíduo. Essas l inhas diagonais. qual seja. o que resulta num sorriso silencioso. Quando se acrescenta o som da risada. gerando uma abertura quase quadrada. Se uma mulher ri e expõe totalmente os dentes inferi ores. com os cantos da boca para a frente. As expressões de felici dade também têm versões abertas e fechadas. por maior que seja a gargalhada. com os cantos da boca puxados o máximo para trás. mas ainda com os cantos da boca para a frente. O sorriso triste ilustra outra sutileza das expressões femininas. a boca se abre. o s lábios podem se manter em contato. no medo ru idoso. acompanhado de um grito ou de uma arfada. Quando são empurrados para trás e para cima. devido à curva para cima dos lábios estic ados. Outra característica da expressão alegre é a prega de pele que aparece entre os lábios e a bochechas. Mas ele s também podem se separar e produzir o amplo sorriso no qual os dentes superiores são expostos.

Em vez disso. a não ser pelos cantos da boca. que oferecem ao rosto feminino um rico reper tório de sinais visuais. que se recusam a se erg uer na posição adequada. todo o rosto se compõe numa aparência de olhos brilhantes e de bom humor.espírito complexos. No sorriso triste. caem para criar o "sorriso heróico" da mulher q ue está sendo assediada ou o sorriso irônico da professora que recusa um pedido. . Exi stem muitas outras expressões mistas.

Quando diante de uma tarefa verbal. rir. A laringe recebe o crédito. Sua s uperfície rugosa é coberta de papilas que contêm entre 9 e 10 mil . As mulheres primitivas foram as comunicadoras da vida tri bal (enquanto os homens ficavam fora da tribo. mastigar e engolir. que é a capacidade de se comunicar verbalmente melh or do que qualquer outro animal no mundo. mastigar. rosnar. Dentro dos lábios. e as mulheres atuais herdaram essa quali dade. Essa é uma afirmação evolucionária. sorrir. Qualquer pessoa que tenha visitado um dentista sabe disso. tossir.9. estando envolvida nos atos de experimentar. bocejar. não surpreende que a boca tenha sido definida como o campo de batalha do rosto". Outros animais usam a boca para morder. mas a fêmea humana acrescenta a essa lista outras funções. sugar. mais fluentes que os homens. Por isso. gritar e grunhir. engolir. Pesquisas sobre o cérebro confirmaram algo de que muitos já suspeitavam: as mulheres são. abatendo as presas com pouco mais do que um grunhido a romper o silêncio). l amber. melhor ainda do que o homem. Boca A boca feminina funciona o tempo todo. e não cultural. a boca contém um elemento essencial: a língua. Naturalmente. mas esse erro é rapidamente corrigido quando se tenta falar com a língua presa no assoalho bucal. uma parte maior do cérebro da mulher é empregada em registrar uma solução. as mulheres não poderiam falar e perderiam u ma de suas grandes qualidades. Sem ela. assobiar e fumar. por n atureza. Ela usa a boca também para falar. beijar. o que lhes dá uma grande vantagem. a língua também desempenha um papel primordial n a alimentação. O papel da língua na fala às vezes é subestimad o.

no ponto onde o pala to duro se junta ao palato mole. ela participa da função cruc ial de engolir. tentando desalojar partículas . e amargo na parte posterior da língua . Quando julga que tod os os pedaços foram devidamente triturados ou rejeitados. em busca de caroços ou pedaços maiores. tão elementar. manter um equilíbrio correto do sal e evitar certos alimentos perig osos — que apresentariam um sabor excessivamente amargo ou ácido. ao calor e à dor. azedo dos lados da língua. Além dos sabores. em especial na parte superior da garganta. a superfície da lín gua também reage à textura dos alimentos. Existem receptores dos sabores doce e salgado em outras partes da boca. quando ainda estão no ventre da mãe. um Quando a refeição termina. de fato. Todos os sutis sab ores de nossos alimentos derivam de uma mistura desses quatro sabores básicos. que são capazes de distinguir quatro sabores: doce e salgad o na ponta da língua. Costumava-se pensar que todos os sabores são percebidos na parte superior da língu a. mas hoje se sabe que não é isso que ocorre. Não reparamos nesse complexo movimento muscular p orque ele é automático. en quanto os receptores do azedo e do amargo estão no céu da boca. a ponta da língua pressiona o céu da boca e sua par te posterior se arqueia para catapultar a mistura de alimento e saliva para dent ro da garganta em direção ao estômago. Acredita-se que essas sensações de paladar existem porque era importante para nossos ancestrais reconhecer quando uma fruta estava doce e madura.receptores gustativos. Para fazer isso. Durante a mastigação. que os bebês são capazes de executá-lo antes mesmo que ele seja necessário. com a ajuda dos aromas que percebemos com o olfato. a língua funciona como palito gigante. a língua r ola o alimento na boca.

mas há uma dependência entre o contato digital e o oral. Dê a um macaco um objeto estranho e ele quase de imediato o levará à boca para explorá-lo com os lábios. A língua ficou gravemente ferida . a língua e os dentes. A mulher pode usá-los u ma vez ou outra para cortar um fio. Uma desv antagem ainda não percebida foi descoberta no verão de 2003. na forma dos piercings. Além de seu papel como símbolo de revolta socia l. no final do século XX. Por estar p rotegida dentro da boca. Isso também ocorre nos be bês humanos. que na espéci e humana são utilizados quase exclusivamente para a alimentação. mas o pier cing tinha levado isso ao pé da letra. A co rrente percorreu todo o corpo e ela quase morreu. De acordo com o parce iro de uma usuária. Depois ele vai manipulá-lo com seus dedos hábeis. Tentando encontrar novas maneiras de obter a de saprovação dos adultos. o beijo na boca sem piercing é como um filé sem mostarda. ao contrário de outras espécies. praticamen te só os utiliza para se alimentar. a boca das mulheres sofreu uma estranha e nova intrusão. Dentro da boca ficam os dentes. em que a oralidade desempenha o principal papel. o piercing na língua parece oferecer apenas uma vantagem. Mais tarde ela declarou que precisava de férias para recarregar as baterias. Entretanto. cujos pais precisam . quando uma inglesa de fér ias em Corfu foi atingida por um raio atraído pelo piercing de metal na língua. os jovens se submetem à dor de ter a língua perfurada para a ins erção de piercings de metal. mas. e a jovem ficou temporariamente cega e incapaz de falar durante três dias.indesejáveis de alimento que possam ter ficado presas entre os dentes. a língua raramente foi alvo de alguma "melhoria" cosmética. essa forma de mutilação tem sido adotada até por cantoras pop. Embora prejudique a clareza da dicção.

os dentes humanos se tornaram bastante modestos comparados com os das outras espécies. São ap enas ligeiramente mais longos que os outros dentes.estar sempre atentos para que eles não enfiem objetos perigosos na boca. Os últimos quatro dentes. Essa mudança também ocorre quando ê preciso lutar. triturar. 28 dos quais já estão estabel ecidos na puberdade. ranger. Nossos caninos não são mais presas de pontas afiadas. rilhar e bater com o frio. principalmente nos incisivos superiores. Além da função de partir e mastigar os alimentos. que é realizado q uase exclusivamente pelas mãos. a pertar. Existem leves diferenças entre os dentes do homem e da mulher. as mão s assumiram a tarefa da mordida letal tão comum entre os carnívoros. Mais uma vez — com a ajuda das armas —. a boca vai perdendo seu "papel exploratório". Os dentes se apertam em momentos de intenso esforço físico ou quando . O m esmo ocorre na hora de matar uma presa. quando está furioso. seus dentes tendem a ser levemente menores. Como as mulheres possuem u ma arcada menor que a dos homens. Os dent es masculinos geralmente são mais angulosos e rombudos. O homem ataca o inimigo na cabeça. porém. alguns deles — ou mesmo todos — não aparecem. depois de substituir gradualmente os pequenos dentes de lei te da infância. de modo q ue a boca de um adulto pode ter de 28 a 32 dentes. roer. Em muitos casos. chuta e o agarra num corpo-a-corpo. À medida qu e amadurecemos. O mac aco. os dentes do siso. Só morde como um último recurso. soca. só nascem quando nos torn amos adultos. os dentes também são capazes de agarrar. com a ponta rombuda a lembra r nossos ancestrais. agarra o adversário e o morde. A mulher adulta possui 32 dentes. Com essa passag em da boca para a mão.

Embora o e smalte dos dentes seja a substância mais dura de todo o corpo humano. Essa é uma expressão que podemos ver no rosto de um lutad or e na criança que está prestes a receber uma injeção. fazendo os dentes se chocarem. se partíc ulas de alimentos açucarados ou farináceos ficam presas aos dentes ou às gengivas. ao passo que aqueles que . Mais uma vez. ringir e rilhar os dentes é praticamente a mesm a coisa. apresentaram meno s cáries. As causas parecem bastante óbvias. o que indica uma raiva reprimida. Além disso. Animais alimentados com uma dieta rica em açúcar não perdiam dentes quando o a limento era ingerido por um tubo. no qual o indivíduo frustrado morde simbolicamente o inimigo na segurança do sono. acelerando muito o processo. quando quase não havia açúcar refinado ou farinha. com cert eza causará mais dano. chimpanzés que vivem soltos na floresta têm excelentes dentes. e. muitos indivíduos rangem os dentes quando dormem. adora carboidratos. rap idamente fermentam em ácido lático. o Lactobacillus acidophilus. A acidez corrói a superfície do dente. As crianças que cresceram no tempo da guerra na Europa. Entretanto. Uma bactéria qu e sobrevive na boca. Todo ess e processo foi confirmado de várias maneiras. sem contato com os dentes. É uma reação primitiva a uma possível r física. A bactéria adora esse ácido ainda mais e começa a se r eproduzir. o que nos leva a pensar por que a língua precisa de três palavras para defi nir uma ação que é tão raramente usada na vida real. Se um soco atingir o rosto de uma pessoa que está de boca aberta. a queda de d entes é muito comum no mundo atual. com o risco de quebrá-los ou d eslocar a arcada inferior. trata-s e de uma reação primitiva que ressurge como uma espécie de "sonho muscular". até que a saliva se torne anormalmente ácida .a pessoa antecipa uma dor. fazendo pequenos furos no esmalte. Ranger.

Muitas des sas operações e mutilações eram executadas em épocas especiais da vida na tribo. os dentes continuam guardando alguns mistérios. por exemplo. existem alguns fatos estranhos sobre a resistência dos dentes. Alguns povos costumavam remover os incisivos centrais pa ra enfatizar os caninos. são eles os mais resistentes à queda. mas muita s culturas têm outra visão. mais de 60% perderam os molares superiores. Alguns indivíduos parecem ser quase imunes à queda mesmo quando tem uma dieta excessivament e doce. o que tornava a boca mais ameaçadora e feroz — quase um ros to de Drácula. Isso também ocorreu em muitas partes. da África ao Sudeste Asiático e às Américas. da Ásia e da América do Nort e. Outro método para fazer os dentes parecerem selvagens é dar-lhes pontas afiadas. o que implica que a boca era usada simbolicame nte como "genitais deslocados". Em Bali. Por outro lado. os jovens eram submetidos a um do loroso lixamento para . Surpreendentemente. povoados humanos No entanto. Pedras preciosas ou metais eram entalhados no dente como demonstração de status. enquanto outros perdem dentes apesar de todo o cuidado tanto com a alime ntação quanto com a higiene. A lógica indica que os dentes incisivos centrais inferior es estariam mais sujeitos a reter alimentos e. Em algumas regiões. Essa técnica foi utilizada em regiões da África.recolhem alimentos perto de apresentam dentes estragados. a sofrer um ataque maio r de ácido lático. especialm ente na puberdade e no casamento. o impacto dos dentes foi reduz ido em vez de exagerado. portanto. Apesar dos grandes avanço s da odontologia. quase 90% das pessoas possuem incisivos centrais inferiores sadios. O olhar ocidenta l sempre considerou uma dentadura branca e saudável uma marca de beleza. No mundo oc idental.

como o escurecimento pode ser considerado uma marca de beleza? A resp osta. Dessa forma. . Portanto. Folhas de bétele. Em outras cu lturas orientais. Essa moda atingiu o auge no século XVII e entrou pelo século XIX. como se de repente tivessem regressado ã fase desdentada da infância. a moda de dentes pretos entrou em rápido declínio. as mulheres enegreciam os dentes ou os tingiam de vermelho-esc uro. mascar bétele também causava o escureci mento dos dentes. Dizia-se que dentes pretos (chamados ohaguro) tornavam uma dama especia lmente bela. na época de Elizabeth I da Inglaterra. até que. fazendo com que os dentes ficassem cariados e descoloridos. Em outras partes do Oriente. Afinal. Como no Ocidente ter dentes cada vez mais b rancos e brilhantes é um fator essencial de beleza (uma beleza que hoje pode ser f avorecida por modernas técnicas de branqueamento). se a pessoa era pobre demais para estragar os dentes dessa maneira. tinha que fingir o contrário. estava no preço do açúcar. Só os muito ricos podiam se dar o luxo de comer doces. Dentes pretos também foram moda no antigo Japão. Eles eram ting idos dessa cor como parte de uma elaborada maquiagem usada pelas mulheres de alt a casta. Desde então. Daí surgiu a idéia bizarra de que escurec er os dentes proporcionava uma aparência de alta classe e fazia a mulher mais bela perante a sociedade. Afinal. conseguiam p arecer mais submissas a seus machos. fazendo-os desaparecer da vista e criando uma expressão infantil. se o branco é a cor dos dentes jovens e saudáveis. a própria rainha tinha dentes escuros de tanto comer confeitos açucarados. em 1873. a imper atriz passou a exibir dentes brancos.arredondar a ponta dos caninos e fazer a boca parecer menos animal. A tinta era obtida pela diluição de limalha de ferro em saquê ou chá. é difícil para um ocidental aceitar que dentes pretos sejam atraentes.

As pioneiras d essa moda chegaram a ponto de fazer pequenos furos nos dentes para incrustar nel es minúsculos diamantes. O sorriso brilhante se transformou num sorriso ofuscante. havia um ritual de puberdade. Mas esse procedimento era drástico demais para a maioria das mulheres. No fim do século XX. Pedaços de nozes eram cobe rtos com a pasta e depois embrulhados nas folhas de bétele. esse pacote funcionava como um estimulante que também avermelhava os lábios e escur ecia os dentes. primeiro nas cidades e depois nas áreas rurais . Se alg uém lhes perguntasse qual a razão disso. Para as adolescentes. os fantasmas e os europeus têm dentes brancos". Seu uso se disseminou tanto no Sudeste Asiático que as mulheres na tivas diziam: "Só os cães. Não hav ia nenhum dente preto à vista. Pintar os dentes com verniz preto e ra a solução. Sua popular idade começou a declinar no século XIX. em alguns países — o Vietnã. Como o bétele geralmente só deixava os dentes marrons. porque a saliva removia o verniz. Então. Mascado repetidamente. mas a nova moda pedia "jóias dentais". entre elas uma . entre elas a de não comer nenhum alimento sólido por uma semana e tomar líquido s apenas por um canudinho. mas não tão simples. algumas celebridades. Por causa disso. d epois do qual a jovem era considerada suficientemente bela para se casar. elas respondiam que dentes brancos só serviam para selvagens e animais. por exemplo — as mulheres que queriam ter dentes pretos para ficar ainda mais belas pr ecisavam se submeter a alguns procedimentos. a aplicação do verniz tinha que obedecei a um ritual que envolvia vários tratamentos e r estrições.nozes de palmeiras e uma pasta obtida a partir das conchas do mar eram misturada s até constituir uma massa que era mascada como o tabaco. e a moda não pegou. as mulheres modernas do Ocidente m ostraram os primeiros sinais de interferência na superfície branca dos dentes.

Logo foi possível ter uma capa d ental provisória de ouro. Seu sucesso se deve ao fato de que a colocação. feita com cola dental. leva apenas três minutos. Mais alimento significa mais saliva. . mas depois de circular pela boca algumas vezes ela terá coletado entre 10 milhões e 1 bilhão de bactérias por centímetro cúbico. Embora sejam decorativas. são exibidos por um dia ou por um ano. Ela as adquire dos minúsculos fra gmentos de "caspa úmida" que estão sempre presentes na boca à medida que velhas camada s de pele se desprendem e são substituídas por novos tecidos. e as jóias nos dentes de repente se tornaram populares. flor es. Os dois principais el ementos da boca — os dentes e a língua são mantidos úmidos pelas secreções de três pares de g dulas salivares. as duas situadas sob a mandíbula. As duas que estão embutidas nas bochechas são conhecidas como glândul as parótidas e produzem cerca de 25% da saliva. a saliva está livre de bactérias. e medo e uma forte excitação significam menos saliva. Minúsculos cristais na forma de corações. Depois.das Spice Girls. outras são discretas. a moda de incrustar pequenas jóias nas unhas passo u para a boca. o fato de terem maculado o sorriso bran co provavelmente faz delas não mais que uma moda passageira. Algumas jóias são ostentosas. são as mais produtivas. respon sáveis por cerca de 70% da saliva. ab aixo dos dentes molares — as glândulas submandibulares —. dependendo do dente em que fo ram aplicadas. ousaram exibir um dente de ouro. e a pedra pode ser facilmente removida. A produção diária de saliva varia entre 600 e 1. de 2 a 4 mm de tamanho. Quando sai dos condutos das glândulas salivares. círculos ou estrelas. e as duas situadas sob a língua — as glândulas sublin guais — contribuem com os restantes 5%. 500 ml.

É uma ação que s e espera de uma gueixa. ajudando a reduzir o ataque ácido ao esmalte dos dentes. uma enzima da sal iva chamada ptialina começa a quebrar o amido em maltose. quase não lhe dão atenção. Eles sabem que a pele do pescoço é sensível a carícias e que beijá-lo su avemente pode excitar a parceira durante as preliminares do sexo. A saliva também contém elementos químicos que criam um meio levemente alcalino. onde a exposição da parte posterior do pescoço é* vis como um forte estímulo sexual — equivalente a expor os seios no Ocidente. A ptialina também funciona como um antigermicida oral. Suas roupas têm uma gola alta na frente e baixa atrás. uma vez que não se pode sentir o sabor do alimento seco. além disso. Com certeza o pescoço não é considerado uma zona erógena importan A situação é muito diferente no Japão. assim como outras lisozimas que ajudam a limpar a b oca e os dentes. expondo a nuca e as costas. Seu poder lubrificante é aumentado pela presença de uma proteína ch amada mucina. os homens costumam olhar o pescoço da mulher simplesmente como algo q ue segura a cabeça. Ela umedece o alimento e torna-o acessível aos receptores g ustativos.A saliva tem várias funções. toda gueixa era treinada na arte de expor elegantemente a nuca. Tradicionalm ente. Ela também lubri fica o bolo alimentar antes que ele seja engolido. a ação lubrificante da saliva melhora a qualidade da voz. como sabe qualquer pessoa qu e tenha tentado falar com a boca seca. Finalmente. e ainda ho je podemos constatar isso entre as poucas gueixas remanescentes de Quioto. Como a firmou um . 10. Pescoço No Ocidente. mas. mas que é rejeitada pelas esposas respeitáveis. e dessa forma facilita sua pa ssagem pelo esôfago. Depois que o alimento é mastigado por algum tempo.

porque chama a atenção para a pele sob a máscara branc a. mas no Japão ela mergulha nas costas. Como a maquiagem é deliberada mente aplicada de modo a imitar a forma dos genitais. a frase hoje significa "um a gueixa com adoráveis genitais". o significado erótico desse costume é aumentado pela forma especial da nuca. o pescoço te m sido descrito como a parte mais sutil do corpo humano. homens de todo o mundo parecem apreciar a linha ondeada da nuca fe minina. . Segundo um observador.comentarista. além do fato de que os seios das mulheres japonesas são relativament e pequenos. a gueixa deixa uma ma rgem de pele aparecendo junto à linha dos cabelos. Além de conter conexões vit ais entre boca e estômago. seria a razão para a fixação masculina na nuca. Uma curiosa teoria tenta explicar o desvio da at enção erótica dos japoneses dos seios para a nuca. as cr ianças japonesas passam mais tempo agarradas às costas da mãe do que acarinhadas em se us seios. Quando aplica sua maquiagem branca ( que inclui um ingrediente vital: excrementos de rouxinol). Anatomicamente. Existe uma frase em japonês para descrever a beleza da linha da nuca feminina — komata no kmagatta hito —. nariz e pulmões. "um V perfeito de pele nua que lembra as partes íntimas da mulh er". Essa. o pescoço abriga os princi pais vasos sangüíneos que ligam coração e cérebro. tradicionalmente. Isso enfatiza a artificialidade da maquiagem e excita o homem. Afirma que. mas seu significado mudou. Cercando essas conexões existem complexos grupos de músculos que permitem que a cabeça execute toda uma gama de movimentos qu e transmitem importantes mensagens nas interações sociais. cérebro e coluna.

Essas diferenças são bastante re ais. que é muito mais evidente nos homens que seu correspo ndente no pescoço das Evas. a figura feminina é dotada de uma gracioso "pescoço de cisne". enquanto a voz masculina adulta ati nge entre 130 e 145 ciclos por segundo. mas há quem tenha levantado a hipótese de que sua vida sexual mais ativa seria capaz de p rovocar algum desequilíbrio hormonal. O pescoço feminino é mais longo e mais delgado. enquanto o masculino é mais curto e mais grosso. A voz da mulher adulta é mais infantil. Por q ue sua profissão as tornaria mais masculinas vocalmente? Não se sabe ao certo. o que a faz menos proeminente. enquanto as masculinas chegam a 18 mm. Outra diferença de gênero em relação a escoço é a presença do pomo-de-adão. que possuíam um pescoço mais for te. mantendo um a freqüência entre 230 e 255 ciclos por segundo. As cordas vocais femininas têm cerca de 13 mm. as prostitutas experient es têm uma laringe maior e um registro vocal mais grave que outras mulheres. Por alguma razão. enq uanto a figura masculina exibe um "pescoço de touro". A laringe da mulher é cerca de 30% menor que a do homem. . quand o a voz masculina "'engrossa". e fica colocada mais alto na garganta.Tradicionalmente. Isso ocorre porque as mulheres têm cordas vocais menores — o que lhes dá uma voz mais aguda e exige uma caixa vocal menor. Isso ocorre em parte porque a mulher tem um tórax mais curto — e seu osso esterno é mais baixo em relação à coluna que o do homem — e em parte porque a muscul atura do homem é mais forte. levavam vantagem em situações de violência física. quando os machos. Não há dúvida de que essa diferença se estabeleceu durante a longa fase caçadora da evolução humana. Essa diferença laríngea não surge até a puberdade.

O recorde documentado é de 40 cm. os artistas têm exagerado ess a diferença criando imagens superfemininas. Na língua nativa.Como o pescoço feminino é mais delgado que o dos homens. As agências de modelos também selecionam moças que tenham o pescoço mais longo e mais fino que a média. fascinados por essa distorção cultural do corpo humano. Os músculos do pescoço são distend idos com tal força que as vértebras cervicais se afastam de uma maneira totalmente a normal. o pescoço não será c apaz de suportar o peso da cabeça. Para começar. de modo que u ma mulher adulta pode carregar de 20 a 30 quilos de bronze. se orgulha de ser conhecida na Eu ropa por suas "mulheres-girafas". Apesar dessa carga. Em uma cultura esse interesse por mulheres de longos pescoços foi levado a extremos. O aspect o mais surpreendente desse costume é o comprimento que o pescoço feminino pode ating ir artificialmente. A tribo padaung. O costume da tribo exige que as mulheres comecem a usar anéis de bronze no pescoço desde tenra idade. . as mulheres da tribo caminham por longas distâncias e trabalham no campo. A crença é que. cinco anéis são colocad os ao redor do pescoço. Os aros de bronze também são usados nos braços e pernas. a palavra padaung significa "a quela que usa aros de bronze". mas o objetivo é atingir 32 — um feito raram ente realizado. um número que vai crescendo ano a ano. exibiam essas mulheres-girafas em espetáculos de circo — até que exi bições desse tipo deixaram de ser consideradas socialmente aceitáveis. Desenhistas que retratam mulheres atra entes quase sempre estreitam e alongam o pescoço mais do que a anatomia permitiria . Os europeus. A mulher adulta chega a exibir entre vinte e trinta colares. se os pesados aros de bronze forem removidos. da Birmânia.

no umbigo e nos geni tais. a principal preocupação não é. isso representa um deplorável retorno aos espetáculos circenses de antigamente. tendo a especial função de proteger essa parte vital do corpo humano de influências h ostis. Eles eram mais que meros ornamentos. a distorção corporal ou a restrição de movimentos provocada por esse bizarro ornamen to. Para alguns observadores. na mitologia vampiresca. o pescoço sempre foi uma parte do corp o de grande importância.Para as mulheres da tribo padaung. Atualmente. onde elas podem cobra r 10 dólares para tirar uma foto ao lado de um turista. como o mau-olhado. a mordida se dá s empre na lateral do pescoço. o colar é uma forma muito ant iga de ornamento . De fato. isso pelo menos mantém viv o um antigo costume tribal. Não é por acaso que. Se perguntarmos aos historiadores da tribo como esse costume começou. as mulheres da tribo ignoram essa lenda e afirmam que chegam a esses extremos simplesmente parque esses ornamentos as deixam mais bel as. com nossos piercings na língua. como se poderia imagin ar. como o dos vodus do Haiti. eles nos dirão que. o que as obrigava a usar grossos anéis no pescoço par a se proteger. para criticá-las? Em círculos ocultistas. mas a dificuldade de encontrar dinheiro para pagar os caros anéis de bronze. mas por uma neandertalense. e foi o significado místico do pescoço que g erou o uso de colares nos primeiros tempos. Em alguns cultos. O mais antigo colar conhecido não foi usado por nenhuma mulher moderna. ocidentais. dado o alto custo dos anéis. mas também se pode argumentar que. Quem somos nós. U ma solução encontrada recentemente foi escapar para a Tailândia. em tempos remotos. as mulheres corriam o risco de serem atacadas por tigres. acredita va-se que a alma humana reside na nuca.

na Índia . e o da Grotte du Renne .000 a. Uma forma muito mais saudável de manipulação do p escoço foi desenvolvida por Matthias Alexander. foi datado de 38. como espinhas de peixe. artefat os usados no pescoço. na verdade. Finalmente. dezoito deles na forma de uma cabeça de cabra e um na forma de uma cabeça de bisão. pressionando a artéria carótida. Alguns dos primeiros colares eram feitos de objetos simple s..000 a. a pessoa ficava tonta e confusa — uma presa fácil à su gestão.C. para os iniciados nos rituais religiosos. no sítio arqueológico de Mandu Mandu. que criou uma terapia corporal hoj e conhecida como "técnica de Alexander". mas um costume que já estava bem dissem inado há trinta milênios. mas.C. Descobriu-se que. na região de Maharashtra. No oeste da A ustrália. era feito de dezenove fragme ntos de ossos lindamente entalhados. era que o cérebro estava sendo privado de oxigêni o.000 a. essa condição podia ser convenient emente atribuída a forças sobrenaturais. foi encontrado outro extraordinário cola r primitivo de 30. O pescoço também se tornou foco de certos rituais de ocultismo. em Patnia. feito de contas circulares. feito de dentes entalhados de animais. Baseia-se na idéia de que. Dois colares pré-históricos foram encontrados na França: o de La Quina. foi descoberto um colar datado de 23. modificando a po stura do pescoço em relação aos ombros.corporal.000 a. man ufaturadas com conchas de ostras. feit o de dentes e ossos de animais.C. mas um exemplar excepcional encontrado na França e fabr icado há mais 11 mil anos. que passa pelo lado do pescoço e tr ansporta o sangue para o cérebro. na Idade da Pedra Lascada. O que acontecia. Esse poucos exemplos mostram claramente que us ar um colar não era um traço cultural isolado.C. Isso prova o cuidado que mereciam os. foi datado de 31. é possível .

o resto do corpo recupera automatica mente o equilíbrio. que por sua vez pode produzir um estado mental mais saudável. Quanto a os gestos. significa simple smente: "Corta!" Igualmente comum é o gesto que finge um estrangulamento. Está então estabelecida a base pata a restauração de um tônus muscular s adio. em que a pessoa agarra o próprio pescoço com as duas mãos e finge sufocar. Com o no mundo urbano as pessoas passam muito tempo curvadas sobre uma mesa ou senta das numa cadeira. executado por uma atriz quando percebe que a cena não está boa. a pessoa bate o indicador várias vezes contra a garganta. o pescoço vai perdendo sua posição natural ereta. mas também vários distúrbios psicológicos. o pescoço parece ser a chave para a correta postura corporal. Outro gesto popular é o que significa "Estou por aqui". esse também tem dois significados: pode significar "Quero esganar você" ou "Quer o me esganar". Na realidade. são relativamente poucos os que se concentram no pescoço. com a técnica de Alexander. Se. mas existe uma explicação simples para os resultados que a técnica obtém. i ndica o que a pessoa gostaria de fazer com o outro. Esse gesto tem dois significados intimamente relacionados. Com a palma da mão virada para baixo. Se praticado com raiva. O mais conhecid o é a mímica em que a pessoa usa a mão como uma faca prestes a cortar a garganta.curar não apenas certos sintomas físicos. Alguns críticos argumentam que esse conceito dá ao pescoço um poder quase místico sobre o resto do corpo. Como o gesto anteri or. mostra o que a pessoa deveria fazer a si mesma. essa postura for restabelecida. Em ambo s os casos. Num outro contex to. tentando dizer que está tão cheia de alguma coisa que não a suporta mais. Se apresentado tomo um pedid o de desculpas. não é nada mais místico do que o treinamento postural que um bailarino recebe. .

Ele ocorre geralmente quando a mulher deseja fazer um sinal sem ser muito explícita. Outro gest o é aquele em que a mulher abaixa a cabeça e a mantém nessa posição. Quando a mulher baixa repentinamente a cabeça para esconder o rosto. O primeiro é o aceno da cabeça. é usado às vezes entre um casal como um convite brincalhão ao sexo. enquanto encara o companheiro a curta distância. É um movimento que tem . é aquele em que ela pende a cabeça para um lado e a mantém nessa posição. inclina-a. mas existem três casos em que uma mensagem especificamente femin ina é transmitida. Um terceiro movimento. como provoca uma diminuição da altura. Mas outros têm a função de tra nsmitir sinais visuais. tem um quê de subor dinação. com o qual a mulher diz "Venha comi go" ou "Venha aqui". É o movime nto de cabeça usado tradicionalmente pelas prostitutas a um possível cliente que hes ita em se aproximar. arremessa-a para trás ou aponta alguma c oisa com ela. que costuma ser observado quando a mulher está num estado de espírito amigável ou amoroso. Hoje. É uma maneira de alhear -se ao mundo exterior. ap ruma-a para ouvir um som ou empina-a para cheirar o ar.. é o que acontece quando a pessoa faz um sinal positivo ou negativo com a cabeça. passa a im pressão de falso pudor. não há diferenças entre h omens e mulheres. Nesses e em muitos outros movimentos do pescoço. mas quando baixa a cabeça e ergue o olhar.Mais importantes do que esses gestos localizados são os muitos movimentos do pescoço que determinam diferentes posições da cabeça. passa a imagem de modéstia e timidez. sacode-a. substituindo o chamamento com o dedo indicador. Alguns deles buscam adaptar o corpo ao ambiente. mas. É o que acontece quando a pessoa vira a cabeça para olhar alguma coisa. no qual a mulher provoca o parceiro "bancando a prostituta".

Num contexto de submissão. A men sagem é: " Sou apenas uma menina em suas mãos e gostaria de descansar a cabeça em seu ombro". Mas a postura corporal madura e sensual contradiz esse gesto infantil. En tretanto. mas apenas sugestivo. . mas os poucos mencionados aqui são suficientes para ilustrar sua sutileza e comple xidade. Se o mov imento surge num clima de flerte. tem um ar de falsa inocência e coquetismo. Qualquer um que tenha sido obrigado a usar um colarinho de gesso depois de um ferimento sabe como a pessoa se sente limitada quando não pode se expressar com essa parte do corpo. pode ser lido como: "Perto de você. Quando ela faz isso na vida adulta.origem na infância. dando a ele uma conotação de falsa timidez. Existem muitos outros movime ntos e posturas produzidos pelos músculos do pescoço como sinais sociais específicos. quando ela apoiava a cabeça no corpo da mãe ou do pai em busca de conforto e proteção. não é um gesto explícito. tão dependente como eu era quando descansava a cabeça no colo de meu pai". é como se estivesse apoiando a cabeça no ombro de um protetor imaginário. me sinto uma criança.

enfatiza e chama a atenção para a curva e a maciez dos o mbros. Além disso. Dessa forma. se repetem não apenas nos seios. Antes . podem transm itir leves sinais eróticos. os jo elhos. vale a pena fazer uma breve descrição da biolog ia dessa parte da anatomia humana. a qualquer momento. se expostos. quando ombros nus são arqueados. A principal função dos ombros é oferecer uma forre base para os múltiplos movimentos dos braços. que exercem uma forte atração sobre os homens. embora não exerçam uma função sexual primária. mas sua forma suavemente arredondada — resultante de uma camada subcutânea de gordura — lhes dá uma qu alidade erótica sempre que aparecem despidos. na qual a mulher apóia o queixo num ombro nu. e por isso evocam o apelo sexual primitivo contido na forma das nádegas. Esses par es de hemisférios. Quando a mulher dobra as pernas e abraça-as firmemente junto ao peito. Podem não ser tão fortes quanto os largos ombros dos homens. Ombros Os ombros femininos são mais estreitos. E a moda das roupas de ombros descob ertos contém a promessa de. atraindo ai nda mais o olhar dos homens. os ombros. uma de cada lado" — são dois pedaços de carne quase hemisféricos. deslizarem pelos ombros e revelar os seios. mas também nos joelhos e ombros quando a mulher adota determinadas post uras. Antes de examinar como diversas culturas modificaram a linha natural dos ombros femininos. Os cantos arredondados dos ombros femininos — poeticamente descritos com o "duas pérolas eróticas. mais arredondados e mais macios que os mas culinos.11. uma típica pose glamorosa. Da m esma forma. também evocam o par esférico. formam um par de suaves hemisférios aos olhos masculinos.

na qual ele mostra uma jovem com ombros anormalmente pequenos. Os ossos do ombro são capazes de movimentos de cerca de 40 graus. Nesse sentido.mesmo que nossos ancestrais adotassem a postura ereta. Os historiadores da moda registraram essa mudança: "Os ombros ligeiramente estofados evoluíram para as ombre iras e daí para enchimentos que pareciam pequenos sacos. mulheres que queriam se afirmar adotaram ombros artificialmente largo s. [. Uma exceção aparece na obra antropológica de Jonn Bulwer. e. . o que reflete a fraqueza relativa da musculatura dos ombros femininos. embora esse exagero seja possível em outras partes d a anatomia feminina. O ombro da mulher corresponde em média a 7/8 do masculino. se torcer e girar de um surpreendente número de maneiras. ajudam os braços a bal ançar. É claro que essa diferença de gênero gerou muitas especulações cult urais. com a ajuda de seus músculos complexos. que mostrava seu anseio de ig ualdade sexual e seu desejo de "ombrear" com os homens. "Ombros estrei tos e contraídos eram tão apreciados pelas mulheres de antigamente que elas interfer iam na posição deles e os adotavam diligentemente como um sinal de grande elegância e beleza. a diferença é maior. O artifício era visíve l nas roupas da mulher emancipada da década de 1890.. é difícil aplicá-lo à região do ombro." Por o utro lado. escrita no século XVII e intit ulada A View of the People of the Whole World (Uma visão dos povos de todo o mundo ).] Uma bela mulher esbelta era aquela [com] ombros atrofiados. e isso raramente foi tentado. Entretanto. Se os ombros femininos são estreitos. Mais importante é sua espessura. se erguer. nossas "patas dianteiras" já tinham se tornado muito versáteis. até que. estreitá-los ainda mais deveria aumenta r a feminilidade. o que aconteceu em vários momentos de nosso passado recente..

trabalhando fora de casa e praticando esportes até então vedados a elas. Foi na década de 1980 que o uniforme feminista deu lugar ao terninho preto. os omb ros quadrados davam à mulher um ar de força masculina. mais uma vez. com o movimento de liberação feminina. Como resultado dessa tendência. nos quais. A estrelas do cinema não mostravam mais afetação ou mene ios. Eles exibiam uma linha que se e stendia além dos ombros. Essas mulheres de ombros largos competiam com os homens graduando-se em univer sidades. A terceira onda chegou nos anos 19 70.por volta de 1895. o fisiculturismo surgiu e ganhou adeptas. Também foi possível detectar uma mudança nos modelos de glamour. elas continuavam usando espartilhos e anáguas. que tinham ombros fortes para prová-la. uma volta às rígidas ombreiras do s anos 1940. Algumas décadas antes. uma mulher muscul osa seria vista como um mico de circo. durante a Segunda Guerra Mundial. inicialmente. porém. mas passos firmes. A segunda onda de ombros largos surgiu na década de 1940. Mas esses enchimentos ficaram ainda mais exagerados à medida que uma nova geração de executivas começou a ganhar assento nas salas . mas no clima feminista ela se tornou símbol o da nova força das mulheres. se transformaram em grandes balões tremulando acima dos ombros" . quando modelos de estilo militar eram adotados mesmo por civis. Eram masculinas em público e femininas na vida privada. So b esse vestuário masculinizado. Era um modelo adequado para um tempo de guerra. na qual a s mulheres desempenhavam um importante papel.. Eram pseudo uniformes com ombreiras. assumiu um estilo "terroris ta chique". Garotas de ombros largos passaram a ter oportunidades qu e lhes teriam sido negadas dos anos 1960 para trás. Escritores do período descrevem esses ternos com "ombros à Joan Crawford".

O o mbro do homem é em média 13 cm mais alto que o feminino. embo ra nos anos 1990 as mulheres fossem livres para vestir o que quisessem. Ainda em 1994 um artigo sobre o crescente domínio das mulheres executivas no mundo da publicidade intitulava-se "Por que as ombreiras estão de volta ao pode r?". porque os ombros não passam pe la porta" — eram comentários ouvidos em meados dos anos 1980. o concei to dos ombros largos sobreviveu como um rótulo verbal. embora não fosse mais uma rea lidade. "Nessa época. A forma do ombro agora dependia do corte de um determinado modelo. "As mulheres nunca mais vão poder voltar para casa. em vez de bancar o macho. O movimento feminista (pel o menos no Ocidente) tinha caminhado bastante para que a mulher pudesse desfruta r sua condição de fêmea. "Mulheres de ombros largos são duronas que exigem seu espaço" . "A ombromania está tornando difícil achar espaço num elevador ". os ombros femininos se suavizaram novamente. Por isso. Quando se iniciou a no va década. Curiosamente. Os ombros da década tiveram tal impacto que os jornalistas competiam na criação de novas frases. disse um deles.de diretoria. os homens sempre foram capazes de oferecer um ombro amigo a uma mulher que quisesse . Um aspecto dos ombros masculinos que as mulheres têm dificuldade de imitar é sua altura em relação ao chão. "Modelos de ombros naturalmente la rgos são as preferidas". as ombreiras estavam fora de moda. mas o conceito sobrevivia co mo uma metáfora do triunfo das mulheres num mundo masculino. "As fábricas de ombreiras do Bronx estão abrindo novas linhas de montagem depois de anos de inatividade". "As mulheres estão tão agressivas que volta ram aos ombros definidos do tempo de guerra". e não mais de um ditame social.

O problema é que salt os muito altos criam instabilidade e a necessidade de uma mão masculina como apoio . Infelizmente. embora mentalmente tenham ad otado uma postura bastante diferente. A mobilidade dos ombros é extraordinária. as mulheres serão o brigadas a olhar para cima para falar com um homem. A mulher resoluta e controlada mantém os ombros baixos e retos. a evolução atua num ritmo muito lento. quando a mulh er tem um dia estressante. costuma . De forma geral. descer. Se alguém ameaça atacar uma mulher na ca beça. gir ar e encolher.chorar suas mágoas. alarme ou hostilidade. Mulheres que se sentem dominadas. e en quanto isso os ombros dos homens continuarão oferecendo um travesseiro para as mul heres. uma postur a que se tornou sinônimo de qualquer situação desagradável. e levados para o alto e pura a frente em mome ntos de ansiedade. com medo ou com raiva tendem a subir os ombros num ato de defesa. parece-lhes injusto que o homem sede ntário de hoje ainda exiba essa superioridade física. pelo menos fisicamente. Mesm o quando não estão envolvidos no movimento dos braços. Mais l milhão de anos será necessário para corrigir as coisas. ela automaticamente tenta proteger-se enfiando a cabeça nos ombros. o que anula a pretensão. Alguns desses movimentos são eloqüentes na linguagem corporal. a mulher moder na ainda enfrenta o poder dos ombros masculinos. Com as lágrimas e a vulnerabilidade fora de moda. Como esses ombros foram evoluti vamente conquistados com a atividade da caça. os ombros ficam abaixados e para trás quando o estado de espírito é de calma e atenção. Daí decorre que. cheio de decepções ou irritações. mas pa ra entende-los é preciso examinar as razões pelas quais a mulher primitiva adotava u ma ou outra postura. A única esperança de igualdade está no uso de saltos altos. são capazes de subir. Por enquanto.

podemos exibir melh or nosso bom humor exagerando esse gesto. tiveram poucos golpes na vi da capazes de fazê-las adquirir uma corcunda. com os ombros permanentemente erguid os e contraídos.manter os ombros erguidos e tensos. O pescoço alongado que ela possuía quando criança lentamente se encolhe e afunda nos ombros até desaparecer. Esse é um gesto que guardamos para as ocasiões s ociais. semana após sem ana. No final de um desses dias. mas não terá qualquer utilidade se ela estiver sendo agredida com palav ras. queremos mostrar nossa alegria aos que no s cercam. além de nos divertirmos. quando. e revela mos nossa surpresa e nosso simultâneo alívio com uma risada. ela terá os ombros ligeiramente mais curvos do qu e pela manhã. Na velhice. Para outras — e são a maioria —. ela poderá adquirir uma postura curvada. deixamos escapar uma risada sem acrescentar a ela qualquer movimento corporal. O humor nos choca de uma maneira segura. Essa postura pode ser útil se ela for atacada com um bastão. Como ocorre uma leve elevação dos ombros quando rimos. mas p ara elas mesmas) não passam por esse gradual declínio e são capazes de exibir uma post ura ereta aos 90 anos. Se essa situação se repete dia após dia. Cheias de confiança e otimismo. A elevação dos . Mulheres de sucesso (o que significa ter sucesso não só para o mundo exterior. o queixo chegará a tocar o peito. quando começou o dia. Dois principais movimentos dos ombros tem origem nessa postura defensiva. Um deles é o movimento com que sacudimos os ombros quando rimos. as ansied ades da vida foram tantas que elas não conseguiram evitar a permanente tensão dos om bros. fazendo os ombros subirem e descerem r apidamente no ritmo da risada. Se estamos no domín io de nossas emoções e algo nos faz rir. A razão pela qual as pessoas "se sacodem" quando ri em é que a base do humor é o medo.

é considerado um gesto . à imposição de um imposto ou a um congestionamento do trânsito basta para provocar a im ediata elevação dos ombros. uma impotência simbólica. impotência ou resignação ("Não posso fazer nada").ombros que acompanha a risada é parte do primitivo elemento de medo. Mas nada grave. Se foss e grave. e eu os ergo dessa maneira para me pro teger. O uso desse gesto varia de uma cultura para outra. Em alguns países mediterrâneos. Mas de que adianta?". dar de ombros. A contração dos ombros tem uma origem sem elhante. a aceitação de uma incapacidade. No momento em que o poder diminui. prolongada e silenciosa — o que expressa a total impotência da pessoa diante de uma loucura inconcebível. assim como o utras reações gestuais. Significa apenas que ela não sabe lidar com aquela questão específica. Indiferença ("Pouco me importa "). como se implo rassem. encolher os ombros significa ignorância ("Não sei"). Na verdade. Às vezes. e com ela uma perda momentânea de poder. Essa combinação de movimentos indica uma perda momentânea de poder. Essa adoção formal de uma postura tensa não signif ica que a pessoa esteja seriamente estressada ou se sinta inferior ou ameaçada pel o interlocutor. uma adm issão de incapacidade. Nesse gesto. os olhos se voltam para cima. e os cantos da boca descem. Nos países setentrionais. e ssa sacudida dos ombros está denunciando a presença do medo. os ombros se erguem e se curvam para a frente por um momen to antes de voltar à posição anterior. Na maioria das veze s. os ombros se elevam. Seu gesto está dizendo: "Esses golpes não param de cair sobre meus pobres ombros. evitan do o olhar do interlocutor. A menção passageira a uma restrição governamental. São todos sinais negativos. As palmas das mãos viram para cima. os ombros permaneceriam erguidos. esse movimento de ombros é muito comum.

nem sempre a elevação dos ombros é uma postura defensiva. os ombros estão mostrando a postura que adorariam se o ser amado fosse abraçado de verdade.indelicado e bastante raro. Entretanto . Mas. A cabeça descansa sobre o ombro. tem raízes semelhantes. Elevar e curvar os ombros para a frente. Outra versão do movimento ocorre quando a pessoa ergue os ombros para fa zê-los tocar o queixo ou a bochecha. com os braços envolvendo o corpo. quando ocorre. é uma forma de "abraçar o vazio". . Nesse caso . na tentativa d e demonstrar ternura pelo ser amado. É o g esto pelo qual a pessoa abraça a si mesma na ausência de alguém para abraçar.

Se um homem pensa em tocar uma mulher sem qualquer desejo sexual — para chamar sua atenção. como o bíceps e o tríceps.12. Para quem não sabe qual é o rádio e qual é a ulna. Os br aços têm dupla qualidade: força e precisão. Se o polegar e os dedos estão trabalhando com delicada precisão. para qualquer criatura de quatro patas. eles devem parecer um par de pern as inúteis penduradas. Os dois ossos do antebraço se cruzam quando a mão gir a. vale dizer que a ulna é . o que significa que sua posição mais relaxada é a da pal ma voltada para baixo. colocando a mão na posição ideal para que a tarefa seja executada . atirar. Nossas patas dianteiras transformaram-se em sofisticadas garras. O braço conta com três ossos: o pesado úmero do braço e o rádio e a ulna (ou cúbito) do an tebraço. por exemplo. Esses ossos são visíveis no ombro. Mas. as pernas dianteiras foram drasticamente aliviadas d o peso que carregavam e puderam se especializar em múltiplos propósitos manipulativo s. no cotovelo e no pulso. ou guiá-la num a direção —. virando a palma para cima. socar —. o melhor ponto é o braço. em termos evolucionários. quando nossos ancestrais assumiram a postura ereta apo iados nas pernas traseiras. entram em ação. mas no resto do br aço ficam cobertos pelos músculos. Braços Os braços são a parte menos erótica do corpo feminino. e nossas per nas dianteiras tornaram-se seus criados. os fortes músculos do braços. Vale lem brar que. Se as mãos precisam agir com força — para trepar. De fato. o braço opera co mo um guindaste móvel. Qualquer outro ponto seria demasiado íntimo. os braços humanos são nossas pernas dianteiras. golpear. dotados de uma incrível mobilidade.

ligeiramente mais delgada e alinha-se com o mindinho. Por isso . mais fracos e mais finos que os do homem. Os braços da mul her são mais curtos. O recorde mascu lino nesse esporte é de 96. que dão a impressão de imensa força. O bíceps é o músculo que situa na parte anterior do braço. . Os principais músculos do braço e os movimentos que ele s produzem são os seguintes: O deltóide é o grande músculo que recobre a articulação do ombr o. como mostram os braços malhado s exibidos em competições de fisiculturismo feminino. os homens são melhores arremessadores de dardos que as mulheres. e é inevitável que braços excessivamente desenvolvidos percam suas qualidades femininas. O antebraço mascul ino mais longo é o reflexo de um papel evolutivo: o de atirador c lançador. enquanto o rádio é mais espess o e alinha-se com o polegar. o que implicaria uma ob sessão que beira o narcisismo. e o feminino. que é de 10%. de 72.72 metros. muito superior à média em eventos desse tipo. e a razão disso parece ser o exce sso de esforço necessário para desenvolver essa musculatura.40 metros. e sua função é flexioná-lo. O triceps é o forte músculo que se situa na parte posterior do braço. Outro prob lema com o braço super-desenvolvido é que ele parece muito masculino. Uma campeã de fisiculturismo parece estar mais intere ssada no que vê no espelho do que no corpo de um companheiro masculino. e sua função é erguer o braço e afastá-lo do corpo lateralmente. e sua função é estendê-lo. O trabalho muscular permi te fortificar esses músculos a um grau surpreendente. Muitos homens afirmam que não os acham atraentes. uma diferença d e 33%.

o nariz ficava p róximo à região dos ombros. É o nervo ulnário. E ali se situavam as axilas. os braços do homem pendem mais afastados do corpo. Sua presença é exclusiva da espécie humana. Na mulher. afetando os antebraços. por um momento. recentes pesquisas revelaram que. mas se um homem prende os braços junto ao corpo. seguida de uma dor con siderável por algum tempo. A mulher possui mais glândulas sudoríparas que o homem. incapacita o braço. tendo os olhos ve ndados. De fato. que passa pela articulação do cotovelo. Outro detalhe a natômico do braço que merece menção são as muito amaldiçoadas. com a fêmea sobre as quatro patas. a postura dos braços nos oferece significat ivos sinais sexuais que não podem ser atribuídos a um condicionamento social. Portanto. muito depiladas e muito desod orizadas axilas. as axilas ficavam afastada s do rosto do parceiro. Quando nossos ances trais se acasalavam. ocorre uma ferroada. o lugar ideal para o desenvol vimento de glândulas sudoríparas. o ângulo do cotovelo é 6 graus maior que o do homem. Quando oscilam soltos no espaço. Essa pequena zona pilosa desempenha um papel químico importante e reflete uma grande mudança nos hábitos sexuais da espécie humana. se u corpo parece afeminado. têm um ar muito ma sculino. Se o c otovelo se choca com um objeto duro. Isso ocorre porque. os homens se excitavam . nas mulheres. em ambos os sexos. que causa a aguilhoada dolorosa e.Outra diferença de gênero diz respeito à articulação do cotovelo. o braço fica na turalmente mais próximo ao tronco. Devido aos ombros mais largos. e homem e m ulher passaram a adotar predominantemente a posição sexual frontal. Quando mais tarde assumimos a postura ereta. e os odores produzido s por um e outro diferem. o que indica que elas atuam como sinais sexuais entre parceiros amorosos.

que inalaria s ua fragrância. o impacto sexual da fragrância das axilas fe mininas parece ter-se feito sentir na corte francesa. retirou-se para uma das salas adjacentes ao salão de baile do Louvre para trocar a camisa molhada de suor. que também sofria com o calor. tr ansmitido de geração a geração. julgando . A função dos pêlos é manter as secreções glandulares na regi axilar. esposa do horroroso príncipe de Condé. entrou nessa sal a e. quando então seria oferecida ao amado. devia tirar o lenço e acenar com ele para refrescá-la. quando u ma maçã inteira descascada (conhecida como "maçã do amor") era colocada na axila da mulh er até se embeber de seu suor. quando a música parava. a o ferecia ao parceiro. Uma linda princesa. quando o surgimento dos hormônios sexuais ativa-as e ao mesmo tempo provoca o crescimento de pêlos nas axilas. Mais tarde. e sua secreção é levemente mais oleosa do que o suor comum. Elas só se desenvolvem na puberda de. A mulher colocava uma fatia de maçã sob as axilas enquanto dançava e. Quando ele comia a maçã. antes de iniciar a dança. sentindo-se acalorada depois de uma vigorosa dança na corte. Um velho costume inglês. o que intensifica o sinal que elas transmitem. por baixo da camisa. Essas glândulas sudoríparas são glândulas apócrinas. o que ele f azia era espalhar o odor de sua glândulas apócrinas na esperança de que ela fosse sedu zida por ele. expunhase automaticamente ao aroma sex ual da mulher Esse truque também era conhecido na Inglaterra elisabetana. O duque d'Anjou (que logo se tor naria o rei Henrique III da França).mais sexualmente cheirando o suor da axila da mulher do que com qualquer caro pe rfume produzido comercialmente. determinava que o homem que quisesse seduzir uma mulher usasse um lenço limpo junto à axila. Marie de Clèves. De pois. no século XVI. Na Áustria rural o truque funcionava de maneira diferente. Na verdade.

advertia as damas de que "carregavam um bode nas axilas". em sua forma pura e . A arte do amor. em seu livro sobre a sedução. O homem da história do folclore inglês. no caso das mulheres. foi tomado por uma incontrolável paixão. É o sistema primitivo em ação. resultado do hormônio masculino. De acordo com um cronista da época. por que se daria tanto trabalho para eliminá-lo lavando. esfregando e desodorizando as axi las e. que já era admirador secr eto da princesa adolescente. seu lenço limpo carrega realmen te um forte odor sexual. A sensação desagradável que isso nos causa nos faz preferir usar desodoran tes do que correr o risco de transformar o que seria um estímulo sexual numa catin ga corporal. Diz-se que a secreção masculina tem um odor almiscarado..que a camisa de Marie fosse um guardanapo. Pesqu isas recentes mostraram que as secreções axilares de homens e mulheres diferem quimi camente e têm um odor que atrai o sexo oposto. seus sentidos foram profundamente afetados por e sse ato. No momento em que inalou sua fragrância. Desde o século 1 a. o poeta romano Ovídio. Infelizmente. ganh ou coragem para quebrar seu silêncio e confessar a ela seu amor. essas histórias parecem muito e stranhas. o duque.C. nossa pele suada pode se transformar facilmente numa estufa para a propagação de milhões de bactérias. que lhe causaria muito infortúnio nos anos seguintes. Com isso. Embebido nelas. hoje. Se o ser humano carrega um estímulo sexual tão forte sob os braços. Considerando a forte indústria que se alimenta da venda de desodorantes. usou-a para enxugar o rosto suado. depilando-as? A resposta está no vestuário. produz se creções frescas das glândulas sudoríparas. com o corp o coberto de camadas de roupas. Nascia uma paixão m aldita. Entretanto. banhado e usando uma camisa limpa para a dança. O odor natural do corpo se torna mau cheiro.

O famoso guia dos amantes. onde não se consegue detectar nenhum odor axilar em 90% da população. publicado em 1972 . o forte cheiro nas axilas é visto como uma doença. A remoção dos pêlos nas axi las é uma prática relativamente recente. mas hoje é simplesmente vandalismo ignorante". os orientais geralmente acham o odor natura l dos europeus e africanos muito forte e até mesmo ofensivo. a osmid rosis axillae. introduzida no Ocidente na década de 1920 pel a florescente indústria cosmética. Nem todos os orientais possuem esse sistema glandular. as secreções masculinas e femininas não são conscientemente detectadas pelo olfa to humano. E acrescentava um curioso conselho: "A axila pode ser usada no lugar da pal- . deviam se livrar das "armadilhas de cheiro" que eram o s pêlos nas axilas. as mulheres ocidentais aderiram em massa. Na ver dade. Anúncios diziam às mulheres que. Hoje . Houve um tempo em que indivíduos que sofriam dessa "doença" eram disp ensados do serviço militar. Devido às diferenças raciais. Entr e os coreanos. Não devem ser depiladas sob nenhum pretexto". fazendo-nos sentir o estímulo sem saber bem por quê. se quisessem ser mai s perfumadas e atraentes. Elas também são r s no Japão. entre os japoneses. opunhase fortemente à depilação: "As axilas — um local clássico para beijos. apenas 2 ou 3% da população têm algum odor debaixo dos braços. Em pouco tempo. calcula-se que menos de 1% das mulheres rejeite a depilação como um procedimento r otineiro. A depilação "podia ser perdoada em locais de clima quente. no mínimo metade da população não tem glândulas sudoríparas.fresca. onde não havia água encanada. De vez cm quando ocorre uma fraca rebelião contra esse tipo de "mutilação". The Joy of Sex (A alegria do sexo). Elas parecem atuar num nível inconsciente. Na China.

Os pêlos das axilas. quando uma famosa atriz de Hollywood ergueu o braço para acenar pa ra a multidão e exibiu uma axila peluda. tinha que admitir que lutava uma batalha difícil: "Nos ano s 90.ma da mão para silenciar o parceiro no momento do clímax" — talvez para que o odor das axilas fosse plenamente apreciado. Recentemente. acusava os homens que se mantêm bem barbeado s de estimular a pedofilia — já que meninos não têm barba. A julgar pelos filmes e pelas fotos publica das em revistas a partir dessa década. mas parece que o guia sexual acreditava haver uma tendência nesse sentido no início dos anos 1970: "Uma nova geração começou a perceber que é sexy manter os pêlos nas axilas". dizia. afirmava a revista. "funcionam como uma antena transmissora. chegou a afirmar que. "de u m ponto de vista psicossocial. Apesar disso. Convenientemente. Entretanto. São vistas como lésbicas. porque. que o consideraram repulsivo. a remoção dos pêlos é uma revolta contra a sexualidade". uma mulher adulta se oferece simbolicamente c omo uma criança e portanto encoraja uma perversão sexual. com esse argumento. o fato foi comentado em todas as colunas de fofoca. enviando sina is que convidam ao ato sexual". a revist a não percebia que. Para pôr mais lenha na fogueira. a moda mundial ignorou essa suposta tendência . Tudo isso era um erro. . ao exibir uma axila depilada. as mulheres que decidem não depilar as axilas são ridicularizadas e submetidas a situações constrangedoras. os últimos anos do século XX assistiram à chegada de uma revista intitulada Hair to Stay (Pêlos para ficar). Não se sabe quantas mulheres podem ter abandon ado a depilação depois desse conselho. feministas radicais ou hippies q ue não saíram dos anos 60". que se definia como "a única revista do mundo para os que amam as mulheres naturalment e peludas".

existem motivos de sobra pata eliminar os primitivo s sinais sexuais. eles cumprimentam seus fãs e comemoram uma alta posição com uma postura elevada. Só quando os afastamos do corpo eles sentem a tensão do esforço. muito apreciado por políticos e astros do esporte. Como parte da locomoção bipedal. Levantar os braços os faz parecer mais altos e mais fortes. os braços continuam oscilando levemente. descansados e relax ados. princi palmente nos centros urbanos. a m enos que estejamos participando de um desfile militar. logo serão vencidos pelo cansaço. . Mesmo depois de uma longa caminhada. Com os braços ergui dos. A postura de br aços erguidos é mais difícil de sustentar por qualquer período de tempo. quando os pés doem e os músculos das pernas estão exaustos. não importa o que digam os rebeldes. Se tentarem manter essa postura por horas — o u mesmo por minutos —. Por isso. A postura de braços abaixados é neutra. nos obriga a manter uma excessiva proximidade em s ituações que nada têm de sensuais. para cima. a posição não se m antém por mais do que alguns segundos. mas. parece provável que a depilação corporal continue a prospe rar. balançamos os braços quando caminhamos. ajudando-os a eliminar o cheiro corporal. e os músculos ficam totalmente relaxados e ina tivos. Entretanto. Como a vida moderna. É um gesto de tri unfo e vitória. Apenas se pudéssemos voltar a uma vida tri bal de seminudez seu argumento seria válido.A verdade é que a remoção dos pêlos faz com que homens e mulheres pareçam mais limpos e ma is jovens. existem qu atro movimentos principais: para baixo. não colocamos nenhum esforço nesse ato. Voltando à postura dos braços. e também os torna mais v isíveis nos momentos em que eles mais desejam ser vistos. para o lado e para a frente.

O gesto ganha um significado totalmente diferente quando um assaltante com uma a rma na mão ordena: "Mãos ao alto!". Uma mulher que aviste um amigo querido a alguns passos de distância a bre os braços até poder fechálos num abraço emocionado. Pode significar rejeição se as palmas das mãos estiverem emp urrando para fora. postadas o mais longe possível do corpo. de acordo com a posição das mãos. Na reação a uma ameaça. A postura de braços abertos é um convite dista nte ao abraço. ou agressão. seu ge sto . Ele abre os braço s. os braços se flexionam ligeiramente nos cotovelos c se mantêm na posição vertical. existe uma sutil diferença na angulação dos braços. quando se dobram. os braços em geral se mantêm esticados e. se os punhos estiverem cerrados. n a qual o sentimento se converte no som de um abraço simbólico. A essência dessa postura defensiva é que e la deve mostrar mãos vazias e desarmadas. Entretanto. que responde com o único gesto que é capaz de realizar de seu lugar na platéia. Quando uma importante figura feminina acena de um balcão. po de ser também um convite ao abraço. angulam-se ligeiramente para a frente. e não de vitória. Como a posição de braços abertos. o nde alguma arma pode estar escondida. além de transmitir muitos outros sinais. e a platéia imediatamente responde com aplausos. O artista revela o desejo de a braçar o público. O gesto de bater palmas é uma forma muito modificada do "abraço no vazio". Na post ura de vitória. Os sinais que envolvem os braços incluem ainda diversas formas de aceno e saudações. Essa mesma postura é vista depois que uma artista de circo completa um número de grande dificuldade. se as palmas estiverem voltadas para cima. ou um pedido de e smola. os braços se erguem num gesto de defes a. A postura de braços par a a frente é mais complexa. Nesse caso.

E por aí vai. Os braços são usados para tran smitir sinais de longa distância. nós a pegaremos pelo braço para guiá-la. um movimento de paz que visa cancelar o sinal de hostilidade. Se orientamos alguém a passar por uma porta. A saudação nazista era u m gesto de rígida lealdade. mas a forma mais comum de adorno sempre foi o bracele te.pode ser visto de grande distância. Sejam homens ou mulheres. As tatuagen s nos braços não têm sido raras. o braço é quase sempre foco d e ações amigáveis e assexuadas. tocamos seu braço. é sinal de poder revolucionário. . nosso gesto estaria imediatamente sob suspeita. Nesse sentido. Como esse é um ornamento que sempre foi usado por mulheres. Se em qualquer desses casos tocássemos a cintura. sem qualquer significado íntimo. com menos precisão do que a que se pode transmitir com os dedos ou expressões faciais. Se quisermos ajudar uma pessoa idosa a atravessar a ru a. nós a conduzimos com um leve toque no cotovelo. Se queremos chamar a atenção de alguém. ao contrário. amigos pod em dar os braços quando caminham juntos. No contato pessoal. Os braços são a parte mais neut ra do corpo. o peito ou a c abeça. há quem acredite que esse costume teve origem como uma maneira de exagerar a forma delgada do braço fe minino. os braços femininos funcionam co mo inestimáveis bandeiras corporais. mas se houver qualquer outro toque durant e a caminhada. O aceno de uma rainha é um gesto de poder pacífico. sugerindo a escravidão da mulher pelo homem. A saudação militar — com os cotovelos flexionados e a mão toca ndo o quepe — é um gesto que estiliza a intenção de remover o elmo. o gesto prontamente transmitirá um sinal de intimidade. A saudação de punho cerrado d e uma líder rebelde. Outra explicação seria que os braceletes e pulseiras atraem os homens porque são algemas simbólicas. Sua forma exata indica algo de seu estado de e spírito.

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tanto no solo quanto nas árvores —. No aspecto físico. Sempre que um trabalho preciso dos de dos se faz necessário. . a maior flexibilidade do s dedos faria as mulheres pianistas suplantarem facilmente os homens. mas possuem maior delicadeza* qu ando se trata de manejar objetos pequenos. os alpinistas relatam que a flexibilidade feminina se equipara à força masculi na. Da mesma f orma. dando a ambos os sexos o mesmo potencial para escalar paredes rochosas. Essa é uma das maiores diferenças de gênero. as mãos femininas são imbatíveis. Um exemplo: o teclado do piano foi concebido para mãos masculinas. as mãos puderam se dedicar uni camente à manipulação. O resultado é que a maioria dos grandes pianistas são homens. MÃOS As mãos femininas são superiores às masculinas num aspecto: são mais flexíveis. e reflete quanto mãos fortes eram importantes para o caçador primitivo.13. Podem ser menores e não ter a mesma força que as mãos do homem. A espécie hu ana ganhou destreza — e transpôs o limiar para um mundo onde nada estava a salvo de seus dedos. milhões de anos atrás. Esse foi um dos principais passos na evolução da espécie. num teclado lige iramente menor. Livres da tarefa de locomoção. Mas. Mas como isso aconteceu? Qual é a história evolutiva das mãos femininas? O que aconteceu q uando. mais adequado ao tamanho da mão feminina. colocando as mulheres em imediata desvantagem. nossos ancestrais se puseram de pé sobre as patas trasei ras e libertaram as patas dianteiras? O principal elemento dessa história — o segred o do sucesso das mãos humanas — foi o desenvolvimento dos polegares opostos. os homens têm uma força manual cerca de duas vezes maio r que a das mulheres.

as mulheres sempre foram excelentes em tarefas de costura. prender e carregar. Mesmo hoje. A força se adquire opondo-se o poleg ar contra todos os dedos. é a precisão. Nessa tarefa. a mulher é superior ao homem. durante todo esse lon go período da história humana as mulheres. e não os homens. elas dominavam a arte cerâmica.Em média. embora ca pazes de grande precisão se comparadas às mãos de polegares curtos de outras espécies. A precisão se conquista opondo-se apenas as pontas dos d ois dedos. As mãos masculinas. Antes da invenção do torno. igualmente importante. não podem competir com as mãos delicadas. que com treinamento pode c hegar a 54 kg ou mais. Basta olhar para o interior de uma fábrica de equipamentos eletrônicos pa ra ver centenas de ágeis mãos femininas manipulando minúsculas peças. Por isso. ágeis e frágeis da fêmea humana. o homem tem uma força manual de cerca de 40 kg. embora hoje a natureza das tarefas tenha se a tualizado. foram artistas dotadas de grande criatividade — um fato geralmente desconsiderado por arqueólogos e historiado res da arte. na qual dedos ágeis eram importantes para modelar e decorar os potes . A o utra metade. . no pas sado. tecelagem e em todas as formas de trabalho decorativo. tarefas que de pendem de mãos grandes e fortes são predominantemente masculinas. A força manual era particularmente importante para fabricar armas e outros implementos primitivos. para atirar objetos longe e para outras atividades como martelar. Costurar e tecer t alvez estejam menos em evidência. rasgar. Como a olaria era a principal forma de arte na pré-história. A situação não mudou muito. Quase não há mulheres trabalhando em carpintaria. A força é apenas metade da história de sucesso das mãos. mas a destreza feminina continua sendo um talent o.

E existem alguns exímios harpistas. As mãos femininas ficaram razoavelmente fortes e as mãos m asculinas tornaram-se capazes de tarefas bastante precisas. ler em braile e até recitar poemas na lingu agem dos surdos. Mas. Ainda no berço. Argumenta-se que essa destreza foi uma adaptação adqu irida na coleta de alimentos. executar músicas num teclado a uma v elocidade incrível. Mais tarde. os dedos se flexionam e se esticam no mínimo 23 milhões de vezes. durante uma vida. essa especialização nu nca mais foi tão acentuada. De todas as partes do corpo humano. Como peças de um mecanismo complexo. uma característica que pode resultar de fatores hormonais. As juntas dos dedos femininos são mais flexíveis. e as mãos raramente param quietas. c omo se antecipando o futuro prazer da manipulação. Comparadas ao Rolls Royce que é a . A coleta de alimentos exigia arrancar raízes. Com a divisão de trabalho ocorrida durante nossa evolução. pintar obras-primas. escolher sementes. eles dobram e contorcem os dedinhos. Mesmo os recém-nascidos possuem uma notável força nos dedos. elas são insuperáve is.Essa diferença de precisão não se dá apenas pelo fato de a mulher ter dedos mais leves e finos. as mãos talvez sejam as mais ativas. Por outro lado. a diferença era significativa: força par a os homens e precisão para as mulheres. tarefas mais ade quadas aos dedos rápidos e flexíveis das mulheres do que às mãos fortes e musculosas dos homens. colher nozes e frutos. A mulher mais forte de um grupo sempre foi mais capaz de partir uma peça de carne ou (hoje) destampar uma garrafa que o homem mais fraco. uma especialidade feminina. Calcula-se que. na Idade da Pedra Lascada. as mãos revelam outras capacidades: digitar cem palavras por minuto. os marinheiros se mostraram capazes de manejar bem uma agulha quando estão em alto-mar.

a pessoa está relaxada.mão humana. à dor e ao toque é grand e. Como outras práticas ar tificiosas como a frenologia e a astrologia. as glândulas sudoríparas da palma cessam sua atividade. O par de mãos h umanas contém nada menos do que 54 ossos. mas também dos músculos do antebraço. As primeiras. que correm ao redor da base do polegar. e a linha da vida e a linha do destino. e hoje nada mais é que a exibição de feira que merece ser. A força musc ular das mãos e dos dedos não vem apenas da musculatura da mão. o que há séculos tem garantido a sobrevivência dos quiromantes. Nos macaco s. elas não reagem ao calor como as glândulas sudoríparas de outras partes do corpo. porque existem milhares de terminações nervosas por centímetro quadrado. que atravessam a palma. chamada "linha dos símios". as patas das demais espécies não chegam a ser uma bicicleta. a linha da cabeça e a linha do coração são uma só. Elas variam ligeiramente de um indivíduo para outro. uma em cada 25 pessoas ainda exibe uma única linha. Só reagem a um aumento de tensão. Na verdade. são marcas que refletem os movimentos da mão. O suor das mãos não é comum. são 14 ossos digitais. a quiromancia perdeu terreno no sécul o XX. A sensibilidade da mão ao calor. Quando a p essoa dorme. mas nos humanos a independência do ind icador é tal que partiu a linha em duas. Entretanto. Se as palmas estão compl etamente secas. por mais quente que esteja a cama. as linhas de flexão. 5 ossos palmares e 8 ossos no pulso. Em cada mão. Na superfície da mão existem três tipos de linhas: as linhas de flexão. as lin has de tensão e os sulcos papilares. À medida que a pessoa se torna mais . Um legado da quiroman cia que tem alguma utilidade é a denominação das várias linhas da mão. As quatro principai s linhas são: a linha da cabeça e a linha do coração.

elas voltam a aparecer.ansiosa. o corpo humano desenvolveu essa reação numa época em que a tensão era principalmente de natureza física. Contrari ando a crença popular. Não existem dois seres humanos com impressões digitais idênticas. com a técnica de "contagem das cristas" e a atenção a minúsculos desenhos chamados de "lagos". "esporas" e "cruzamentos". e não se alteram com a idade. . As impressões digitais apresentam três p adrões básicos: curvas (muito comuns). Modername nte. quando o mundo ocidental ficou em suspenso. Infelizmente. As impressões digi tais são usadas para identificar indivíduos há séculos. Mãos suadas são port anto remanescentes de um passado remoto que o moderno homem urbano pode perfeita mente dispensar. a classificação das impressões digitais para a detecção de crimes se tornou altamente sofisticada. Como uma assinatura po de ser falsificada. preparando-se para a ação física que o o rganismo prevê. mesmo gêmeos têm impressões digitais diferentes. espirais (medianamente comuns) e arcos (basta nte raros). Mesmo que sejam raspa das. O aumento generalizado de tensão fez com que as taxas de sudorese cresc essem tanto que era impossível conseguir que algum dos sujeitos da pesquisa relaxa sse. Há mais de 2 mil anos os chineses usavam os dedos como molde para seus selos de autoridade. Durante a famosa crise dos mísseis de Cuba nos anos 1960. temendo uma guerra nuclear. "ilhas". Tal é a sensibilidade das palmas das mãos. mas hoje as tensões são em sua maioria ps icológicas. o que faz as palmas umedecerem sem ter o que agarrar. Um criminoso não tem como evitar a identificação tentando alterar as impressões digitais. as palmas se umedecem cada vez mais. todas as pesqui sas de laboratório sobre o suor das palmas das mãos tiveram que ser temporariamente suspensas. não sei por que não seguimos esse antigo costume chinês.

quando mãos congeladas podiam significar desastre. elas passam da vasoconstrição a uma forte vasodilat ação. depois de certo tempo. Ela é a mesma em todo o c orpo. Depois de mais 5 minutos. . Os caucasianos. Devido ao frio prolongado. as palmas ficam vermelhas. É uma r eação notável e complexa. A reação inicial das mãos à neve fria é a vasoconstrição. Acredita-se que isso se deva à necessidade de manter os gestos altamente visíve is. mas as palmas se recusam a escure cer. um aumento drástico do fluxo sangüíneo aquece as mãos. Depois de cerca de 5 minutos. Quanto à coloração das mãos. Trata-se de um sistema defensivo emergencial que prov avelmente desenvolvemos na Idade do Gelo. o processo se reverte. colorindo a mão de vermelho. que reduz o de sangue na superfície da pele. Aquecendo as mãos a cada 5 minutos. Se a pessoa conseguir suportar as bolas de neve por uma hora. Mesmo indivíduos da raça negra têm palmas claras. Quando pessoas de pele clara se e xpõem ao sol. têm menos es pirais e mais curvas que os orientais. vaí perceber que as mãos passam do azul ao vermelho a cada 5 minutos. por exemplo.Há diferenças raciais nas impressões digitais. mas as mãos atuam de maneira diferent e. Qualquer pessoa que já tenha feito bolas de neve sabe que. que poderia causar danos irrecuperáveis. mas as diferenças são muito pequenas. e conserva o precioso calor do corpo. que evita que o sangue quente dissipe o calor vital. não importa quanto dure a exposição ao frio. as costas das mãos ficam bronzeadas. Esse parece ser um mecanismo destinado a evitar que a pele sensível das palmas congele. o sistema evita o congelamento. Esse é o comportamento normal do corpo como um to do. Os vasos sangüíneos da palma e dos dedos de repente se expandem. três aspectos despertam interesse.

Excluída a possibilidad e de mutilação deliberada. Quand o ocorrem. Na maiori a dos casos. O fenômeno obedece a um horário rígido: o sangramento se dá entre 1 e 2 horas da ta rde e se repete entre 4 e 5 horas. mas a natureza milagrosa do fenômeno. todas as sextas-feiras. O fenômeno vem de manifestando há mais de setecentos anos. porém. um sofrimento com que pessoas santas repetiriam o sacrifício de Cristo na cruz. nesse aspecto as mulheres superam os homens numa proporção de 7 por 1. depois secam e em seguida voltam a sang rar. A pessoa que tem a ferida pode não se lembrar de tê-la coçado.Uma das crenças mais extraordinárias sobre as mãos é o suposto aparecimento espontâneo de chagas nas palmas. Depois a ferida se fecha. O que se coloca cm dúvida não é a existência das feridas. é fácil perceber que um ferimento de menor importância pode incendiar a imaginação de uma devota e se trans formar na milagrosa repetição do sacrifício de Cristo. entre elas algumas freiras. Devido à presença do vírus. embora sejam menos comuns. Crianças que usam piscinas públicas costumam pegar verrugas — pequenos tumor es epidérmicos de origem virótica que precisam ser removidos cirurgicamente. Curiosame nte. Assim. tornando-se cada vez maior. a cura não é perfeita. As autoridades da Igreja sempre se mostraram intranqüilas com relação a essas alegações. A grande maioria das 330 pessoas registradas que exibiram ferid as sanguinolentas pertencia à Igreja Católica. geralmente provocam coceira e sangram. desde o século XIII. Verruga s semelhantes podem aparecer nas palmas das mãos. Uma cirurgia faz-se necessária para removê-la permanentemente. — Mas há uma falha . e m ais cedo ou mais tarde a ferida volta a sangrar. as feridas começam a sangrar. a explicação mais provável para essas chagas é uma infecção viróti calizada. mas o processo é muito m ais lento que o de um corte normal.

Graças à sua função indicativa. sem dúvida o mais importante dos dedos. bem. ao passo que na crucifixão de Cr isto os pregos perfuraram os pulsos. O segundo dedo. é o mais independente e i mportante dos outros quatro dedos. Seu papel fundamental é reconhecido desde a Idade Média. que chama. — tem sido ampla e dolorosamente copiado pelos supostos santos. No Islã. Voltando aos dedos. era dedicado a Maomé. o indi ador também recebe o nome de índex.quase fatal: as chagas surgem no centro da palma. que aponta o caminho. Desde o século IX artistas religiosos aliment am esse erro. que disca o tele fone. já que permite o movimento d e agarrar. devemos dizer que cada um tem características próprias. se alguém perde o polegar. restaurando em parte o m ovimento de preensão. O polegar tem três significados gestuais: aponta uma direção. Hoje. o polegar — pollex em latim — era dedicado a Vênus. parece que o erro — que para eles não passa de licença ar tística. que pede atenção. expressa um insulto fálico e indica. O prim eiro é o polegar. produzindo pinturas e esculturas que mostram pregos enterrados no centro das palmas de Cristo. índice e mostrador. Houve época em que ele foi chama do de "dedo napoleônico" ou "dedo da . Em tempos antigos. que tudo está. quando a indeniz ação pela perda de um polegar era quatro vezes maior que o valor pago pela perda de um mindinho. É bastante si gnificativo que os poucos que sangraram nos pulsos tenham aparecido muito recent emente. É o mais usado em oposição ao polegar em atos de de licada precisão. que aperta o botão. presumivelmente devido a seu significado fálico. o indicador. a cirurgia moderna pode ajustar o in dicador para que ele funcione em oposição aos outros dedos. depois que se tornou conhecida a verdadeira localização das chagas de Cristo . É o dedo que puxa o gatilho.

Os dois dedos dobrados de cada lado simbolizam os testículos. gestos obscenos eram uma exclusividade dos homens. era encapsulado numa dedeira de ferro magnético e .ambição". tinha vários nomes antigamente. No ambiente religioso. os outros dedos se dobram e apenas o médio permanece esticado e ereto. O quarto dedo. porque se acreditava que ele era venenoso. terceiro e mais longo dos dedos. marido de Fátima. "o impudico". porém. é o segundo dedo mais longo. vem sendo usado há mais de 2 mil anos em cerimônias de cura. relegando o anular para o terceiro lugar. Nas civilizações do mar Egeu. pelo menos no mundo ocidental. o indicador é um dos menores dedos. Ness e gesto. "o infame" e "o obsceno". o dedo médio tem significados bastante diferentes. O médio. os islâmicos. Esse gesto sobreviveu durante 2 mil anos desde que surgiu nas ruas da antiga Ro ma. Os católicos dedicam o indicador ao Espírito Santo. A razão para a ma ioria desses nomes é sua utilização no mais famoso dos gestos grosseiros de Roma. dedicado a Ali. sendo co nhecido como "o famoso". porque a maior igualdade sexual trouxe consigo uma maior igualdade gestua l. mas hoje as mu lheres mais assertivas não se sentem constrangidas de se expressar dessa maneira. No catol icismo. e o médio. era proibido usar o indicador para qualquer tipo de medicação. A razão dessa significativa diferença de gênero é um mistério . mas sua denominação mais estanha é a de "dedo do veneno". No passado. cresceu muito nos últimos anos. isso ocorr e apenas com 22% dos homens. o anular. o falo ereto. no islamismo. é o dedo dedicado a Cristo e à salvação. superado em mu itos casos pelo médio e pelo anular. Em tempos antigos. a Fátima. Seu uso por mulheres. Em 45% das mulheres. Apesar de sua importância. Surpreendentemente.

por ser o menos usado. essa idéia foi adotada pelos romanos. Esse costume originou-se na idéia de que a esposa se comprometia a ser menos independente como o dedo simbolicame nte escolhido. portanto. com o nervo que se ligava ao coração ora sendo substituído por uma veia. Se alguém fechar o punho e tentar esticar um dedo de cada vez. Essa superstição durou séculos. Por isso. Se algum dos dedos que o ladeiam se esticar ao mesmo tempo. é difícil usá-lo para mexer alguma coisa sem manter os outros dedos presos pelo polegar. e sempre o usavam para fazer misturas porque achavam que n enhum veneno poderia tocá-lo sem dar aviso ao coração. Na Idade Média. Em algumas partes da Europa.usado em rituais de cura. A razão d e sua relativa inatividade é que sua musculatura o torna o menos independente dos dedos. seria o mais seguro para u so médico. não há problema . ora por uma artéria. Se existe algum valor prático nessa super stição é que. que o chamavam de digitus medicus. simplesmente passar o anular por cima de uma ferida era suficiente para curá-la. Por isso. Além disso. Eles acreditavam que por esse dedo corria um nervo que ia direto ao coração. Para alguns. O indicador devia ser evitado a todo custo. Foi por essa falta de independência que o anular foi escolhi do como o dedo que carrega a aliança de casamento. o anular é provavelmente o dedo mais limpo. perceberá que o anular é o único que se recusa a se esticar totalmente — ou faz isso com grande difi culdade. A escolha da mão esquerda teve . os boticários ainda usavam religiosamente esse dedo para misturar s uas poções. ele ainda ê vist o como o único dedo adequado a coçar a pele. ele acabou se ndo conhecido como o "dedo da cura". e insistiam que todos os ungüentos deviam ser esfregados no corpo com ele. tem me nos probabilidade de tocar algo perigoso e. Mais tarde. mas sozinho ele se sente fraco demais para fazer o movimento.

Qualquer pessoa que tenha estado numa sessão espírita provavelmente participou de uma versão moderna dessa superstição. o indicador (o Filho). Usado primeiramente pelas crianças de Nova York. No islamismo. Nesse momento. fechando os ouvidos com os d edos mínimos. Se o verdadeiro significado machista f osse mais conhecido. e auricular devido à sua lig ação com a orelha. e transportada para Nova York pelos colonizadores . foi dedicado a Hassan. e para os cristãos ele é o "dedo do amém". ele foi chamado pelos romanos de digitus annularis. acreditava-se que. Só porque esses fatos foram esquecidos é que esse de do ainda é escolhido no ritual do matrimônio. é chamado em latim de mi nimus ou aurícularis: mínimo porque ele é o menor de todos. criaria um conflito para muitas noivas modernas.origem semelhante: essa seria a mão mais fraca e submissa. Devido a e ssa função de levar a aliança. e o médio (o Espírito Sant o). Acredita-se que a denominação teve origem na Escócia. Nos Estados Unidos. Antigamente. O quinto dedo. adequada ao que era então considerado o papel da esposa. o miudinho. o nome usado popu larmente para identificar o dedo mínimo é "pinkie". onde as crianças se referem a qualquer coisa pequena como "pinkie". seguidos pelo anular (amém). na qual os participantes se dão as mãos formando um círculo. era possível aumentar as chances de uma experiência mediúnica. mas existe um argu mento mais moderno. porque as bênçãos são feitas com o polegar (o Pai). Alega-se que ele foi chamado de "dedo auricular" pelo fato de ser suficientemente pequeno para ser usado para limpar a orelha. de uma visão profética ou de algum outro evento sobrenatural. porque essa era a maneira antiga de criar uma ligação mediúnica. o médium geralm ente avisa que o contato deve ser feito com os dedos mindinhos. mais tarde foi adotado por adultos de outras cidades.

A p alavra "Snap!" também tem relação com os dedos. nada poderia estar mais longe da verdade. As primeiras pinturas religiosas mostram o dedo mínimo curvado e afastado dos demais. entrelaçam os dedos mindinhos para materializar o ato. que se realizará se nada for dito antes que os dedos se solte m. As cria nças costumam usar a palavra numa rima que utilizam para firmar uma promessa solen e. porque é o substituto verbal para a ação de estalar os dedos. fazendo um voto silencioso. Acreditava-se que o estal o do indicador contra o polegar tivesse o poder de espantar os maus espíritos (é por isso que não é de bom tom estalar os dedos para chamar alguém). o costume de curvar o dedo mindinho quando a pessoa está beb endo de uma xícara ou de um copo há muito é considerado símbolo de afetação. mesmo quando a figura feminina em ques tão não está bebendo. Ela s curvavam deliberadamente o dedo mindinho quando bebiam para . Quando fazem disso. a superstição reflete a crença no poder sobrenatural do mindinho. Na origem. o nome original de Nova York era Nova Amsterdã.escoceses. quando duas pessoas acidentalmente pronunciam a mesma pal avra ao mesmo tempo. Num contexto que nada tem de mágico. e isso seria necessário quando duas pessoas pronunciavam a mesma palavra simultaneamente. Essa crença de que um mindinho "independente" simboliza a liberdade sexual deu o rigem a uma nova moda lançada pelas primeiras feministas do final do século XIX. Alega-se que esse era um sinal de que as mulheres que serviam de modelo para as imagens religiosas desfrutavam de uma incomum independência sexual . e também pode ser significativo que a palavra holandesa para "pequeno" seja "pinkie". outra ação que tem origem supersticiosa. Entretanto. de imediato gritam "Snap!" e entrelaçam os mindinhos. Esse é outro costume que se originou da antiga ligação do mindinho com o sobrenatural. Em alguns países da Europa. Mais uma vez.

Além disso . esse gesto foi perdendo seu significado original de igualdade sexual. que desde então sempre gozaram de grande prestígio. as mulheres usam menos os gestos simbólicos que os homens. antes da invenção do espelho.500 a . trazendo boa sorte. outros inconscientes e expressivos. Por volta de 2. os anéis eram us ados não apenas como elementos decorativos. Uma vantagem dos anti gos anéis que não levamos cm consideração hoje é que. O uso de adorno nos dedos femininos é popular pelo menos há 6 mil anos — talvez muito mais. Disseminado com o moda. Em todo o mu ndo. os ourives do Oriente Médio já tinham atingido um alto estágio na manufatura de anéi s.C. é difícil lembrar precisamente o que os dedos andaram fazendo. mas a mensagem dos gestos chega ao interlocutor num nível subliminar. Juntos.mostrar que apoiavam a idéia de direitos iguais em questões sexuais. de acordo com as emoções do momento. mas em pregam mais os gestos que acompanham a conversação e enfatizam as palavras. eles eram mais apreciados do que qualquer ornamento para a cabeça ou o pescoço porque ficavam claramente visíveis para quem os usava. numa agulha. Depois que uma conversa acaba. os cinco dedos são capazes de uma imensa gama de gestos e sinais. a mão feminina pode se transformar numa garra. Originalmente. trouxeram outra vantagem para as mulheres que queriam se livrar de . mesmo hoje. Daí pass ou a ser símbolo de gentileza e acabou adquirindo um significado quase oposto ao o riginal. alguns deliberados e simbólicos. Acreditava-se que eles tinham poderes de proteção. to rnando-se meramente o gesto adequado a fazer na presença de outras pessoas. numa lâmina. Mais tarde. num punho cerrado ou num leque. protegendo contra os maus espíritos e propiciando saúde e até mesmo imortalidade (já que um anel não tem começo nem fim).

Depois. Os intricados desenhos pintados nas mãos da noiva tinham a finalidade de espantar o Olho do Diabo. ela podia usar luvas. Na noite anterior ao casamento. A pi ntura durava cerca de quatro semanas. Se a mulher rejuvenesceu o rosto com cremes firmadores o u com uma cirurgia plástica. mas a dificuldade na elaboração dos desenhos evitou que a moda pegasse. um espírito maligno que gostava de aparec er nas ocasiões felizes com a intenção de destruí-las. depois das quais podia desbotar ou ser ren ovada. que a fazem parecer vinte anos mais nova. sua verdade ira idade pode ser revelada por mãos enrugadas e manchadas. a noiva. exibindo os belos desenhos. as mãos eram desenfaixadas. essas pinturas foram muito populares no Norte da África. que passava horas pintando os desenhos tradicionais. Hoje. . A hena é uma tintura castanhoavermelhada extraída das folhas de um pequeno arbusto. no Oriente Médio e em algumas reg iões da Ásia durante séculos. Antigamente. cerc ada pelas amigas mais íntimas. A pel e das mãos femininas tem recebido relativamente pouca atenção.maridos indesejáveis: podiam conter pequenas câmaras cheias de venenos letais. Parte importante das cerimônias de casamento. entregava as mãos a uma artista chamada hennaria. enfaixava as mãos da noi va e colocava-as dentro de dois sacos bordados para que a pintura secasse sem bo rrar. com a interessante exceção da aplicação de desenhos de hena. mas esse acessório não está mais em moda. Acreditava-se que a hena tinha a virtude de purificar a noiva de qualquer contaminação mundana e imunizá-la contra os a taques do demônio e de seus agentes. o costume sobrevive por motivos puramente decorativos em algumas pa rtes da Europa e da América. Para a cerimônia. A pele das costas das mãos femininas pode acarretar um sério problema às mulheres mais velhas.

permitindo que as unhas cresçam para mostrar que não precisam fazer nenhum trabalho manual. Em épocas primitivas. e. Na Chi na antiga. . é preciso cortá-las e lixá-las para mantêlas num comprimento conven iente. Modernamente. qu e chamam mais atenção para o fato de que aquelas mãos nunca pegaram no batente. o que as faz estufa r e parecer muito mais jovens. mesmo ass im. O lifting das mãos é um procediment o que retira gordura das coxas e injeta-a nas costas das mãos. aumento da absorção de oxigênio. mantendo as unhas dos demais dedos muito mais curtas. como isso prejudicava os movimentos da mãos. muitas mulheres têm ignorado as conveniências. Finalmente. O utra solução foi usar unhas curtas para o uso cotidiano e aplicar unhas postiças exage radamente longas em ocasiões especiais. Mais tarde. só dura mais ou menos um ano. como a microdermoabrasão. as mulheres da nobreza deixavam as unhas crescer e as pintavam de our o. O tratament o mais radical é o equivalente do lifting da face. cera quente e tratamento a laser. Essa demonstração de status é valorizada pela aplicação de esmaltes coloridos. as unhas atingi riam 1 cm em cem dias. Essa taxa de crescimento significa que. esse comprimento seria desgastado pel o uso. e hoje ela tem à sua disposição uma infinidade de caros procedimentos. se não fossem cortadas. mas tem que ser repetido várias vezes. Em diferentes épocas e culturas. o peeling ácido. Muitas mulheres usam unhas postiças em eventos sociais e depois as remo vem para trabalhar.Medidas mais severas se fazem necessárias para adequar a aparência das mãos à sua jovem figura. tecido mort o que cresce em média 1mm a cada dez dias — quatro vezes mais rápido que as unhas dos pés. existem as unhas das mãos. infusão de vit aminas. Esses dois costumes sobrevivem ainda hoje na Europa. alguns de efeito bastante duvidoso. elas limitaram a demon stração aos dedos mindinhos.

Discar um número de telefone. e até mesmo uma enciclopédia de pintura artística das unhas para quem quiser levar o assunto a sério. Uma m ulher da Geórgia. A mulher se recusou a cortar as unhas e teve que passar quatro noites na cadeia en quanto a polícia tentava descobrir outra maneira de obter suas impressões digitais. Uma mulher de C onnecticut. a pintura artística incrementou a moda de lo ngas unhas pintadas. nos Estados Unidos. Depois de carregá-las por 24 anos.. assim como unhas de gel. Surpreendentemente. das quais a mais impressionant e media 71 cm. . mas se curvam. ordenou que elas fossem cortadas.Alguns indivíduos excêntricos permitiram que as unhas crescessem assustadoramente. Nos últimos anos. Existem vários estilos de pintura. As unhas f emininas não crescem retas. unhas acrílicas. Uma mulher de Dallas se orgulhava de exibir um total de 380 cm de unhas.. t ornando os movimentos corriqueiros com as mãos extremamente difíceis. unhas marmorizadas. Quando o policial descobriu que isso seria impossível com aquelas unhas de 15 cm de comprimento. por exemplo. e é isso que pode causar problemas. existem hoje mais de 60 mil sites na in ternet dedicados a esse assunto. Foram necessários 24 pontos para fechar a feri da na bolsa escrotal. ela finalmente decidiu cortá-las. Em se guida entregou-se ao prazer de poder coçar-se e de dar um abraço em alguém. torna-se uma tarefa impossível. sentindo-se ultrajada ao descobrir seu parceiro na cama com outra mu lher. A lista é infinita. piercings de pedras semipreciosas para unhas. Longas unhas podem facilmente se transformar em armas de destruição. usou as unhas para se vingar. Suas preciosas unhas custavam-lhe de oito a dez horas na tarefa d e pintálas. cometeu uma contravenção e precisou tirar as imp ressões digitais na delegacia.

É fácil rir desses exageros decorativos das unhas femininas. (Desde que não tenham a sorte de uma mulher de Massachusetts. E mesmo quando a moda prejudica os movimentos manuais. o impacto social da decoração pode se r tão gratificante para as mulheres que a adotam. mas com as pontas de stacadas por uma faixa branca. não há mal algum. Desde que a mudança não interfira na mobilidade e flexibilidade das mãos. Outra moda é usá-las curtas e pintadas de um esmalte quase negro. E assim a moda continua criando novidades.Muitas mulheres acham a pintura artística muito exótica e adotaram um novo estilo: a s unhas manicuradas à francesa. que têm a aparência das naturais. mas uma tradição que permanece há mais de 6 mil anos de uma forma ou de outra dificilmente desaparecerá do dia para a noite.) . que teve a longa u nha presa na bilheteria automática de um estacionamento e precisou esperar que a p olícia viesse libertá-la. que compensa a perda de destreza .

Os tecidos glandulares que produzem leite incham durante a gravidez. eles funcionam com o duas gigantescas glândulas sudoríparas que produzem um suor modificado que chamamo s de leite. os ductos lactíferos. pomos ou tetas. por t rás da aréola amarronzada que circunda os mamilos. uma parental e outra sexual. Os seios femininos tem duas f unções biológicas. Inúmer os nomes têm sido criados para os seios em muitas línguas. Os seios são um meio-termo — uma região proibida. Nas mulheres virgens e naqu elas que ainda não são mães. Para a primeira função.14. não produzirá o leite deseja do. Se espremer apenas o mamilo. A aréola que circunda o mamilo é um detalhe anatômico curioso da espécie humana. De cada seio lactífero partem de qu inze a vinte tubos. À medida que vai se formando. o que não faz bem nem para a mãe nem para o filho. Uma mãe experiente logo descobre que pode evitar a dor causada p ela mordida enfiando uma parte maior do seio na boca do bebê. e pode reagir a essa frustração mordendo o mamilo. Seios Os seios tem despertado maior interesse erótico por parte dos homens do que qualqu er outra parte do corpo feminino. Concentrar a atenção diretamente nos genitais seri a demais. em direção a cada mamilo. situado no centro da mama. o leite passa por canais que levam a um reservatório chamado seio lactífero. Quando o bebê mama. pega o mamilo e a aréola na boca apertando a pele escura com as gengivas e fazendo o leite brotar do mamilo. tornando os seios maiores e os vasos sangüíneos que irrigam esses tecidos mais evid entes na superfície da pele. mas em português eles costu mam ser chamados de mamas. a aréola tem . mas não muito chocante. peitos.

um maior número de mulheres estão alimentando seus filhos no seio — o que tem a vantagem extra fortalecer os laços emocionais entre a mãe e o bebê. essas glândulas têm a aparência de pele de galinha. Elas contêm pequenas glândulas. Na época do aleitamento. ferro e vitaminas. colesterol.uma coloração rosada que muda na gravidez. sódio. carboidratos. que crescem durante a gravidez e segregam uma substância oleos a. A secreção das glândulas d e Montgomery protege o mamilo e a pele circundante — um cuidado muito necessário à sup erfície dos seios. Sabiamente. já exibe uma cor marrom-escura. Quando são lactantes. A função da s aréolas parece ser de proteção. convém lembrar qu e os seios femininos têm uma dupla função — parental e sexual —. mas a forma dos seios está longe de ser perfeita para a amamentação. O bico de uma mamadeira tem um formato mais adequa do à sucção do que o mamilo. Contém também nticorpos que aumentam a resistência do bebê a doenças. potássio. ela começa a se alargar e escurecer. e é a função sexual que caus problema. mas tem um nível de fósforo bastante alto. Em todos os outros prima tas. macacos e chimpanzés. cálcio. fósforo. magnésio. Alguns bebês apresentam reações alérgicas às proteín vinas. chamadas glândulas ou tubér ulos de Montgomery. e mesmo quando o bebê é desmamado não volta a apresentar o tom rosado virginal. Para entender como os seios deveriam ser. o que pode inte rferir na ingestão de cálcio e magnésio. O leite produzido pelos seios contém proteínas. O leite de vaca é o substituto a dequado ao leite materno. vamos dar uma olhada nos se ios de nossos parentes mais próximos. Cerca de dois meses após a concepção. gordu ra. A olho nu. as fêmeas que não são lactantes têm peitos chatos. O lei te materno é ideal para o desenvolvimento do bebê. a . Se isso parece ser uma falha evolucionária.

Embora seja claro para um biólogo que essa explicação tem a ver com a sexualidade.região ao redor dos mamilos se intumesce um pouco devido à produção de leite. exige uma explicação que ultrapassa s ua função de aleitamento. o intumes cimento desaparece assim que termina a lactação. Ignorando o fato de que a atração física está envolvida em sua concepção. Os "seios" das fêmeas primatas são unic amente parentais. Isso pode ser verdad e durante a lactação. enquanto a penas uma pequena parte é de tecido glandular ligado à produção de leite A forma arredon dada dos seios. Embora aumentem de tamanho quando es tão cheios de leite. Nos peitos que se aproximam da for ma humana durante o período em que contém um generoso suprimento de leite. mas não explica o persistente arredondamento dos seios em outros períodos. elas insistem que os seios têm apenas a função parental e usam sua engenhosidade para encontrar explicações não-sexuais para a forma arredondada dos seios. mas rarame nte toma a forma hemisférica dos seios humanos. muitas mulheres recusam essa interpretação. os seios femininos continuam protuberantes durante a vida adu lta mesmo que não exerçam sua função alimentar. julgam ofensiva a idéia de que alguns aspectos do corpo feminino possam ter evoluído até sua forma atual pa ra atrair o macho. . me smo que eles não sejam usados durante toda a vida. resultado do tecido gorduroso. Um exame da anatomia dos seios revela que a maior parte de seu volume é constituída de tecido gorduroso. A espécie humana é diferente. E também não explica por que as fêmeas de outras espécies primatas não precisam d essa ajuda. Assim surgiram sete sugestões: O tecido gorduroso protege as glândulas mamárias. Até uma freira tem seios protuberantes.

e essa r eserva de gordura dispersa é a maneira mais eficiente de ela se proteger contra a eventualidade de uma fome.O tecido gorduroso mantém o leite morno. Mulheres de se ios pequenos podem amamentar com mais facilidade que as de seios enormes. Mais uma vez. Como qualquer mãe sabe. A forma arred ondada funciona como um sinal visual que informa aos homens que aquela mulher se rá uma boa fonte de alimento para a prole. o bebê tem que ser segur ado junto ao seio. já que seio s fartos fazem com que a mulher tenha mais dificuldade para correr? O corpo femi nino tem uma generosa camada de gordura na maior parte de sua superfície. um macio hemisfério de carne dificilmente ajudaria a tornar o mamilo mais acessível. eéa que diminui menos quando a mulher perde peso. Sim. Mais uma vez. Além do mais. O teci do gorduroso é uma importante maneira de estocar gordura para quando o alimento fo r escasso. Basta pensar no formato de uma mamadeira. e. . a gordura do seios representa apenas 4% d a gordura total do corpo. não é verdade. isso só é necessário durante a am amentação. O teci do gorduroso compensa a falta de uma capa maternal de pêlos à qual o bebê possa se aga rrar quando se alimenta. de qualquer forma. mas por que concentrar esse estoque no peito. Não é verdade. é verdade. A forma arredondada dos sãos os torna mais confortáveis para a alimentação do bebê Simplesmente não é verdade.

O homem que re age aos seios de uma virgem ou de uma não-lactante está respondendo a um primitivo s inal sexual da espécie humana. Quando se coloca frente a frente com um homem. com a região frontal escon dida da vista. Essa função se xual dos seios tornou-se tão importante que começou a Interferir na função parental prim ordial. a s nádegas. os mamilos são alongados. esta é a última saída para aqueles que se recusam a aceitar que a forma dos seios femininos é sexual. Os seios cresceram tanto em seu esforço para imitar as nádegas que ficou difíc il para um bebê abocanhar o mamilo. a ponto de se r antifuncional". Em outras espécies. Elas são capazes de enviar fortes sinais eróticos quando a mulher é vista de costas. A inevitável conclusão é que a forma hemisférica dos seios não é parental. Ela caminha ereta e é vista de frente na maioria das situações sociais. mas ela não anda de quatro como as outras espécies. as nádegas estão fora de seu campo d e visão. Os sinais traseiros emitidos pela fêmea humana partem de outro par de hemisférios. Não é difícil traçar a origem do par de seios como símbolo se xual. As fêmeas das outras espécies primatas emitem sinais sexuais com o traseiro en quanto caminham sobre quatro patas. Quando todas as outras justificativas parentais falham. Seu traseiro protuberante excita os machos. "não-funcional. de acordo com um autor. Isso significa que teorias que consideram o interesse masculino pelo s seios femininos como "infantil" ou "regressivo" não têm fundamento. mas um si nal sexual.A forma hemisférica dos seios é. mas o par de falsas nádegas que ela traz no peito lhe permite continuar tra nsmitindo o primitivo sinal sexual sem dar as costas ao interlocutor. de m odo que o bebê macaco não tem .

Em sua ansiedade. Quando a mulher engravida. Mulheres que têm seios pequ enos costumam temer não serem capazes de amamentar. você pode precisar apertar o seio com um dedo para dar espaço para o nariz do bebê respirar". Spock aconselha: "Às vezes. Outro livro sobre bebês comenta: "Pode surpreendê-la que o bebê pegue n a boca também o círculo amarronzado ao redor do mamilo. ele pode obstruir as narinas com o tecido do seio ou com seu próprio lábio superior". os seios são um sutil indício de idade. A forma dos seios muda g radualmente da puberdade à velhice. e essa lenta alteração no perfil dos seios pode se r resumida nas "sete idades do seio feminino: Os mamilos da infância. . Mesmo à d istância. o t ecido glandular aumenta mesmo na futura mamãe de seios pequenos. O dr. que dá aos seios a sensual forma arredondada. e seus bebês terão ma is facilidade de sugar e menos probabilidade de sufocar. Só o mamilo se destaca nesse estágio pré-pubere. depois como estímulo ao tato. e as mães precisam t omar certas precauções que não são necessárias em outras espécies. De mais perto. m as que pouco tem a ver com o suprimento de leite. Tudo o que você precisa fazer é ter certeza de que ele consegue respirar. Isso ocorre porque el as possuem menos tecido gorduroso. elas podem ser mai s capazes de amamentar do que as mulheres de seios fartos.dificuldade para levar a longa teta à boca e sugar o leite. Mas o bebê humano pode s e sufocar na montanha de carne que circunda o modesto mamilo. os seios femininos atuam primeiro visualmente. Na verdade. os seios permitem distinguir a silhueta de uma mulher adulta da de um ho mem. Em seu papel sexual. Cuidados como esse s não deixam dúvida sobre o duplo papel dos seios humanos.

A margem inferior do seio forma uma prega oculta. Os seios pontudos da adolescência. Com a maternidade e o repentino aumento de tecido glandular. que continuam caídos sobre o peito. o encolhimento geral do corpo leva a um achatamento dos seios. mesmo tendo perdido o peso da fase de lactação. Os seios fartos da maternidade. os seios femin inos assumem uma forma mais arredondada e. quando a menstruação começa e os ge nitais já apresentam pêlos púbicos. À medida que os anos adolescentes passam. a região ao redor do mamilo começa a inchar. Os seios firmes da juventude. aumenta o tamanh o dos seios. Nessa fase. criando uma f orma mais cônica. . Durante essa década. Os sei os pendulares da velhice. Com a idade avançada. Nessa fase. em direção ao peito. À medida que a fase reprodutiva se aproxima do fim. mas com a pele ca da vez mais enrugada. No início da fase reprodutiva. os seios caem um pouco mais sobre o peito. Os seios caído s da meia-idade.Os botões da puberdade. ainda não começaram a cair. e to dos os processos de crescimento estão completos. apesar do tamanho e do peso. o corpo atinge sua melhor condição. tanto o mamilo quando a aréola se projetam. A idade ideal do animal humano do ponto de vista físico é de 25 anos. os seios fartos de leite começam a pender para baixo.

a simples remoção da cobertura tem funcionado como forte estímulo erótico. é porque ela devia ser de fato poderosa. Essas cruéis imposições só serviram para reforçar o significado sex ual da forma arredondada dos seios. a sociedade exigiu que a sexualidade feminina fosse suprimida. aceitando isso como sufici ente sinal de modéstia. numa tentativa de impedir que a natureza seguisse o seu curso. Felizmente. Em mulheres mais ma gras. desde que os seios não estejam v isíveis. A cirurgia plástica pode erguer os seios e deixá-los artificialmente firmes depois da juventude. a maioria das s ociedades prefere cobrir os seios em vez de esmagá-los. Nesse caso. Para um pintor. fato que tem sido explorado por artistas e fotógrafos de várias e diferentes maneiras. as jovens foram vítimas do uma indignidade ainda maior. Na Espanha do século XVII. Mas se a forma hemisférica for ligeiramente acentuada. o sinal sexual fica distorcido e o impacto se perde. Os puritanos conseg uiam isso obrigando as mulheres a usar coletes apertados que achatavam os seios e davam um contorno infantil ao corpo adulto. o processo tende a ser mais lento. . Às vezes. Ao longo dos anos. é fácil criar um seio perfeito: pode inventa r a forma que quiser. Mas se a forma se afastar muito da natural. Os sutiãs podem dar a mesma impressão. Para que a sociedade chegasse a tais extremo s para negá-la. será possível criar seios ainda mais estimulantes que os reais.Esses estágios de envelhecimento dos seios podem variar muito. tendo os seios achatados por placas de chumbo pressionadas contra o peito. as mulheres encontraram diversas maneiras de prolongar a impressão de seios firmes e protuberantes com o intuito de estender a fase na q ual são capazes de transmitir o sinal sexual primitivo da espécie humana. enquanto nas mais gordas ele se acelera .

Já mencionamos que os círculos amarronzados ao redor dos mamilos contêm glândul as que secretam uma substância oleosa durante a lactação. ele precisa ter como modelo uma jovem cujos seios tenham alcançado seu ponto máximo de desenvolvimento. Ela é um pouco mais jovem do que poderíamos esperar. e não há razão para duvidar disso. pouco antes que o aumento de peso comece a fazê-los cair. fotógrafos que trabalham para revistas especializadas em fotos eróticas descobriram que só existe u m tipo de jovem com os seios perfeitos que eles buscam. Curiosamente. sua única esperança é r a impressão de maior volume com uma iluminação especial ou colocando as modelos em p osturas adequadas. porque ainda não chegou aos 20 anos. Só existe um momento na vida da mul her em que os seios têm um máximo de protuberância com um mínimo de flacidez. Nas preli minares do sexo. M as o fato de as glândulas da . e seus seios atingir am o tamanho máximo um pouco antes que a média das mulheres: eles exibem a perfeita forma arredondada. Existe um conflito de fo rças. Para captar a imagem de seios volumosos. porque o aumento de tamanho que produz a forma esférica plena também acarreta um peso que começa a empurrar os seios para baixo. Essa substância parece ser um suave lubrificante para a pele da região do mamilo. e é" possível que um estímulo adicional esteja ocorrendo nesse momento. mas ainda mostram a firmeza da extrema juventude. Essa especi al combinação oferece as imagens que fazem a fortuna das revistas masculinas.Para o fotógrafo a tarefa já não é tão fácil. Isso o excita mui to mais do que à mulher. as qualidade táteis dos seios entram em jogo. Limitado aos seios reais. o homem acaricia oral e manualmente os seios. e é nesse mo mento que a câmara pode captar as imagens mais eróticas. Depois que os seios da mulher — e seus outros encantos físicos e mentais — atraíram um parceir o e o contato sexual começa.

Ocorre também uma erupção da pele semelhante à rubéola na superfície dos seios e em ro do o peito. e. Com a aproximação do orgasmo. chegando a crescer 1 cm. glândulas apócrinas sugere que. originalmente. e seu ta manho aumenta cerca de 25%. os seios da mulher passam por várias mudanças marcantes. enquanto nos homens ela nunca surge antes do último mo mento. ao explorar o corpo da parceira. o contrário não dade. Embora essa erupção não seja possível sem uma forte excitação sexual. Os mamilos f icam eretos. durante a atividade sexua l. às vezes a parece um pouco antes dele. embora os homens não tenham consciência dos aromas eróticos que elas p roduzem. Nas mulheres. mas apareceu em 25% dos h omens que participaram da mesma investigação. Sua ocorrência é mais provável. À medida que a excitação cresce. Muitas pessoas de ambos os sexos nunca exibiram essa erupção apesar de uma vid a de intensa atividade sexual e . dando a falsa impressão de que uma mulher muito excitada perde a ereção do ma milo. e podem explicar por que o homem. As aréolas se intumescem e incham tanto que começam a ocultar o mamilo. É bem menos comum em homens.aréola serem. porém. em ambos os sexos. no momento imediatamente anterior ao orgasmo. passa tanto tempo cheirando a pele ao redor dos mamilos. suas secreções causam um forte impacto inconsciente que aumenta a excitação sex ual. essa região dos seios talvez seja capaz de transmitir sinais odoríferos ao nariz do homem. As glândulas da aréola podem muito bem fazer parte desse sistema primitivo de s inais aromáticos sexuais. Essa turgidez tem o efeito de tornar a pele mais sen sível ao contato corpo-a-corpo do parceiro. As glândulas apócrinas são as responsáveis pelos odores sexuais das axilas e d os genitais. Os seios se intumescem de sangue. duas importa ntes mudanças ocorrem. Essa "erupção sexual" foi observada em 75% das mulheres submetidas a uma detalhada pesquisa sexual.

Ela tinha nada menos que cinco pares de seios plenamente lactantes. U m dos fatos que temos como certo é que as fêmeas humanas possuem apenas dois seios. Um fator que favorece a erupção é um c lima quente. Esse fato costuma passar despercebido porque o terceiro seio não tem mamilo e não passa de uma pequena protuberância . os número de mamilos d iminuiu. uma observação mais detalhada revela que a famosa estátua da Vênus de Milo. porém. e os seios adic ionais geralmente não são funcionais. Júlia. mãe do imperador romano Alexandre. um acadêmico rival foi capaz de apresentar uma mulhe r polonesa que tinha dez seios funcionais. indivíduos que costumam apresentar a erupção não a têm. Muitas mulheres famosas tinham mais de dois seios. exibe três seios. a erupção pode se estender além do peito. Uma em cada duzentas mulheres possui mais que dois. O caso mais extraordinário é o de uma francesa apresenta da à Academia Francesa de Medicina cm 1886 por um professor. tinha vários seios e por isso foi chamada de Júlia Mamaea. pequenos botões sem mamilos. outras. mas nem sempre isso é verdade. que está exposta no Louvre. Quando as nin hadas humanas se reduziram a um filho.orgasmos plenos. Não há nada de sinistro nisso. ocasionalmente dois. nada mais são do que mamilos adicionais. em uma das m ais estranhas disputas médicas. Quando está mu ito quente. nossas remotas ancestrais po ssuíam vários pares de seios. Esse fenômeno e chamado de polimastia. Não se sabe a razão dessa diferença. Surpree ndentemente. Esses seios extras são vestígios de nossa ancestralidade: como a maioria dos outros mamíferos. Alguns meses depois. com os quais amamentavam toda a ninhada. cobrindo da testa às coxas. No frio. Às vezes. Muito raramente se vê uma mulher com mais de d ois seios produzindo leite.

Algumas versões da estátua c hegam a mostrar mais de vinte. fazendo surgir uma interpretação inteiramente nov a. Os caçadores de bruxas cristãos examinavam as mais recônditas fendas de uma su speita em busca de um mamilo oculto.situada acima do seio direito. Nesse caso. o peito de Diana seria um lugar muito menos aconchegante do que há tanto tempo se supõe. Uma verruga. Serão mesmo seios? Um olhar mais atento revela que nenhum desses seios tem mamilo ou aréola. testículos de tour o substituíram os testículos dos sacerdotes nas cerimônias de castração. Houve um tempo em que se acreditava que as bruxas tinham mamilos extras com os quais alimentavam seus seguidores. o culto dessa deusa da Ana tólia foi estudado com mais cuidado. Dizia-se que a infeliz esposa de Hen rique VIII. tinham que se castrar e enterrar os testículos perto do altar. Recentemente. depois de algum tempo. porém. Sua grande escultura mostra várias fileiras de seios. uma mancha um pouco maior ou m esmo um clitóris ligeiramente mais volumoso podia ser suficiente para levar a mulh er à morte da fogueira. F oram encontradas inscrições que revelam que. e depois cerimoniosamente pendu rados no peito da sagrada estátua. Seus imensos testíc ulos eram extraídos e preservados em óleos aromáticos. mas foram feit as cópias em pedra. com a penca . A figura polimástica mais famosa da historia é Diana — ou Ártemis — de Éfe so. Para resumir o caso. próxima à axila. A estátua original era de madeira. Os rumores sobre o terceiro seio de Ana Bolena podem ter s ido propositalmente espalhados depois de sua morte para justificar que ela era má e merecia morrer. Parece que os sacerdotes da deusa deviam ser eunuco s: para servi-la. Ana Bolena. o suposto terceiro seio b em podia ser uma mácula de "bruxaria". também tinha um terceiro seio — um fato fielmente registrado em livros sobre anormalidades médicas. Mulheres suspeitas de bruxaria eram às vezes examinadas em busca de sinais de seus métodos ma lignos.

para to rnar mais fácil o uso do arco. Na s sociedades tribais. a mutilação do seio é extremamente rara. O uso de pierci ngs faz parte da síndrome de aprisionamento do mundo das práticas sexuais exóticas. Apesar da lenda. São casos raros. um tema que seria repetido em relação ao nascimento de Cristo. um d os quais declarou que a nova moda de "inserir piercings nos mamilos. existiu uma comunidade feminina muito temida pela forma como suas guerr eiras atacavam as povoações vizinhas munidas de arco e flecha. em anos recentes as mulheres ocidentais começaram a mutilar os seios com propósitos eróticos e decorativos . Curiosamente. Foram cópias imprecisas da estátua que der am origem ao erro de que a Grande Mãe possuía muitos seios. Se as amazonas existiram mesmo. . usassem um colete de couro que achatasse o seio direito. poderia facilmente estimular um a legislação que proibisse o costume africano de circuncisão feminina. pelo motivo óbvio de que ela prejudica a amamentação. Conta-se que. todas as obras de arte representam essas guerreiras com dois seios. é mais provável que. Um mito inteiramente diferente envolve a antiga nação de mulheres guerreiras conhecida s como amazonas. A palavra "amazona" vem do gre go amazôn. Não se sabe se elas existiram realmente. assim como o uso de correntes e jóias". no umbigo e nos lábios. para a batalha. o seio direito de todas as jovens púberes era queimad o. mas suficientemente disseminados para alarmar os sociólogos. mas. que significa a (sem) e mazós (seios). A razão pela qual o peito da deusa é coberto de testículos era a crença de que os milhões de espermatozóides neles c ontidos seriam capazes de fertilizá-la.de testículos colocada em seu devido lugar. segundo antigos esc ritores. Isso permitia que ela se tornasse mãe sem pe rder a virgindade.

como co mentou o satirista Juvenal: "Todas as noites ela se encapuzava e. as mulheres das castas superiores cobriam os seios com pinturas em ouro. "Fazer topless" é um ato provocativ o que sempre atraiu muita atenção masculina. Há 3 mil ano s. . oo Egito. decididas a obter um bronzeado mais uniforme. os chamados monoquínis. na companhia d a criada. naturalmente. mas em pouco tempo as autorid ades perderam a guerra.] Desnuda va os mamilos pintados e abria aquelas coxas que assistiram ao nascimento do nob re Britannicus".. os homens em questão eram policia is uniformizados. era famosa por seus mamilos pintados de vermelho. espo sa do imperador Cláudio. A forma mais simples de exploração sexual dos se ios é. Na Roma de 2 mil anos atrás. No início.Menos danosas eram as decorações eróticas dos mamilos de tempos primitivos. Entre as deliberadas ações destinadas a chamar a atenção para os seios femininos estão as posturas que projetam os seios para a frente e movimentos de da nça que sacodem ou enfatizam a sua forma. travaram-se batalhas entre constrangidos policiais e mulheres seminuas.. onde m uitas jovens. resolveram ir à praia num traje de banho que tinha apenas a parte de baixo do maiô e suspensórios que pass avam pelos bicos dos seios. e o topless acabou sendo permitido. A mais extrema delas foi uma dança pratica da nos antigos espetáculos de burlesco em que as dançarinas giravam ambos os seios n a mesma direção e depois na direção oposta. Isso ocorre nas sociedades urbanas de todo o mundo. [. como acontecia nas praias do sul da França nos anos 1960. as mulheres preferiam pintar os mamilos de verm elho para apimentar os encontros eróticos. sua exposição em lugares onde eles deveriam estar cobertos. o deixava para representar sua desavergonhada mascarada. Às vezes. A ninfomaníaca imperatriz Messalina.

Nos Estados Unidos. um ato tão natural e assexuado como a amamentação às vezes cria um escândalo em a mbientes urbanos. Mesmo então. Na década de 1980. e a polícia percorria os cabarés. que podiam tirar a camisa sem problemas. As objeções a essas prisões aumentaram nos anos seguintes. lançando a primeira performance topless. grupos de mulheres expunham deliberadamente os seios em locais públicos. observou-se uma outra forma de exposição pública dos seios. quando e onde ele podia ser usado. . um desses trajes foi usado por uma dançarina de cabaré em seu número de dança. Outras casas noturnas logo seguiram o exemplo. foram estabelecidos limites sobre como. c hoje amamentar em público é l egalmente permitido em quase toda a América do Norte.O primeiro maiô topless foi introduzido pelo controverso estilista austríaco Rudi Ge rnreich em 1964. alguns homens se recusavam a usar colarinho e gravata nos restaurantes de al to padrão porque as mulheres não eram obrigadas a isso. prendendo as dançarinas topless por "conduta indecor osa". Elas eram então libertadas e voltavam ao trabalho. Em 1969. Em 1975. insistindo em serem tratadas como os homens. Só na década de 1970 a resistência ao topless começou a decair. (Por outro la do. mas em poucos dias a Prefeitura da cid ade as colocou fora da lei.) Essa extrema reivindicação de i gualdade sexual não era exatamente o que os reformadores sociais tinham em mente q uando tentaram abolir as desigualdades de gênero. Em 1966. Seu crime foi classificado como "atentado ao pudor". alguns restauran tes de Nova York lançaram garçonetes topless. Ronald Reagan tomou uma atitude semelhante na Califórnia. Curio samente. três mulheres americanas foram presas por amamentar seu s bebês num parque de Miami. mas no ano seguinte a oposição religiosa cresceu. Exigindo igualdade sexual.

filmes e. Essa lei foi aprovada em Ven eza no século XV e aplicada às prostitutas que se punham à janela tentando atrair clie ntes. uma adolescente inglesa f oi condenada a oito meses de prisão. Mesmo no século XXI. Antes de abandonar o tema da exposição dos seios femininos. o que prova que o tabu sobrevive. mulheres ocidentais em férias se viram e m apuros por ignorar esse fato. A ponte ficou tão famosa que ganhou o nome de Fonte delle Tette. . Ela foi acusada de "desrespeitar os valore s morais locais".Quando o século XX se aproximava do final. seios nus já eram exibidos em jornais. desnudando o corpo da cintura para cima. parte de seu misterioso poder de sedução se perd eu. ou uma multa de 2. Uma breve referência se faz necessária para esclarecer o mal-entendido sobre antigas imagens da Deusa Mãe representadas apertando os seios com as mãos. que as prostitutas foram obrigadas a exibir totalmente os seios para provar a que sexo pertenciam.800 euros. em 2003. re vistas. havia uma ponte onde elas se punham d e pé. As práticas homossexuais eram tão comuns na época que algumas mulheres se traves tiam com a intenção de atrair os homens que buscavam parceiros masculinos. eles er am literalmente esfregados no nariz dos clientes. mais tarde. Quando saíam de casa. Nos shows de strip-tease. também na televisão. Diz respeito à aprovaçã e uma lei que determinava que os seios fossem exibidos em público — o extremo oposto de todas as outras medidas legais sobre o assunto. Convém enfatizar que essa atitude mais permissiva em relação ao topless se restrin ge ao mundo ocidental. Com tudo isso. Recentemente. embora os seios nus ainda causem um certo impacto. por expor os sei os numa boate na ilha grega de Rodes. um fato extraordinário merece menção. Isso ofen deu de tal forma as autoridades que tentavam abolir a sodomia (punida com a mort e).

Quando as mulheres começaram a reivindicar um papel mais at ivo na sociedade. mas o sutiã veio para ficar. Um efeito colateral disso era que. Hoje sabemos que não era isso. o sutiã. quando o su focante corpete foi separado em duas partes: uma superior. Ho je. Mary Phelps Jacob (uma mulher da sociedade nova-iorquina conhecida profissionalmente como Caresse Crosby) insistia que foi ela a autora da invenção. Mais tarde. exigiram também roupas que permitissem maior liberdade de movime ntos. surpresos. resta uma inevitável questão: o que as mulheres fazem em relação aos seios para passar uma imagem mais jovem e mais sexy. a cinta também desapareceu. Um dos primeiros passos nessa direção foi dado no início do século XX. Finalmente. as mulheres realizavam um ritual de luto que incluía bater no peito e apertar os seios. É possível que esse ato tenha si do incorporado a certos rituais. a cinta. Antropólogos descobriram.Acreditava-se que elas estariam chamando a atenção para os seios. agarrando os seios e fazendo-os jorrar leite. A idéia lhe teria surgido no ano anterior. um jato de leite jorrava dos seios. se elas estivess em amamentando. embora esses corpetes melhorassem a forma dos seios. quando se vestia para ir a uma festa e descobriu que o espartilho era incompatível com o decote de seu belo vestido de n oite. e outra inferi or. Entretanto. também rest ringiam os movimentos. Há divergênc ias entre os historiadores da moda sobre quem inventou o sutiã. da qual obteve a patente em 1914. eram imagens de luto. as mulheres lactantes reagiam de maneira semelhante a um súb ito choque. elas usaram espartilhos apertados para re alçá-los. Essas figuras. geralmente encontradas em túmulos. que em certa s sociedades tribais. Durante séculos. Num rasgo de . Em tempos primitivos. o sutiã e as calcinhas são as peças favoritas da roupa de baixo feminina.

E ele não foi o único. inici ou uma campanha para abolir o seu uso e. usando dois guardanapos e alguns cordões. embora a queima t enha sido exagerada pela imprensa. "inventou a brassière em oposição ao odioso espartilho ". E receberam estímulo de uma fonte improvável. Algumas historiadoras do feminismo alegam que a queim a de sutiãs nada mais foi do que um golpe de publicidade dos antifeministas para r idicularizar o movimento. evitando que eles balançassem nos movimentos rápidos do corpo. Quando algumas feministas queimaram sutiãs no fim da década de 1960. a indústria de guerra. Na verdade. proclamei a queda do espartilh o e a adoção da brassière. O costureiro francês Paul Pioret reivindica a hon ra de ter inventado o sutiã: "Em nome da Liberdade. em 1911. Mai s tarde. Durante a Primeira Guerra Mundial. foi divulgado que 28 mil toneladas de metal haviam sido economizadas. estimulou a adoção do sutiã.. alarmada com a quantidade de metal que estava sendo desperdiçada na fabricação de espartilhos. [.. porque. e também os fazia parecer mais firmes e redondos. A verdade é que todos eles participaram de uma tendência geral que assistiu à liber tação gradual do corpo feminino das antigas limitações. O novo sutiã tinha duas funções ba stante distintas.] Libertei o busto". ela estava apenas reinventando a peça. uniu as duas peças no que se ria o primeiro sutiã. dessa forma. alega que foi ela que. no . porque supo rtes para os seios já tinham aparecido na França desde o final do século XIX. e portanto mais sexy. que introduziu o termo "chic" no mundo da moda. A estilista ing lesa Lucile (Lady Duff-Gordon). " o suficiente para construir dois navios de guerra". Protegia os seios.criatividade. Essa afirmação causa estranheza. e desde 1907 eram chamados de "brassière". protestav am contra essa segunda função.

Para obter esse efeito. a queima de sutiãs foi rapidamente esquecida. Como o uso d o sutiã era parte desse embelezamento. quando as feministas luta vam para que as mulheres fossem tratadas como iguais. Mas esses seio s agressivamente pontiagudos logo deram lugar ao suave arredondado dos seios dos anos 1960 e nunca mais reapareceram no guarda-roupa comum.) . O resultado foi tão impressionante que provocou sérias te ntativas de proibir o filme por obscenidade. mas recentemente uma idosa Jane Russell declarou que. ainda mais aumentado com o uso de enchimentos. o uso de bat om e outras formas de feminilidade explícita. havia o sentimento de que os homens deviam aceitar as mulheres como eram. o design do sutiã sempre buscou criar uma forma hemisférica. nunca usou o famoso sutiã. num show de Madonna. ele queria que ela exibisse seios de forte apelo erótico sem recorrer ao topless. contratou os serviços de um engenheiro especia lizado no projeto de pontes. (Essa é a história que vem sendo repeti da. Em sua função erótica . que inventou um protótipo de sutiã que erguia e ao mesm o tempo separava os seios. onde ressurgiram como um par de ogivas de fo guete. Segundo uma lenda de Hollywood. e. que desafiava a nature za e a gravidade". Só voltaríamos a vê-los de novo em 1994. Essa fase não durou mu ito. porque o desconforto de dispensar o sutiã foi inaceitável para a maioria das mu lheres.final dos anos 1960 e início da década de 1970 houve de fato um movimento contra o u so do sutiã. um dos sutiãs mais sofisticados foi criado pelo bilionário Howard Hughes para a atriz Jane Russell. obtido com "um bojo na forma de torpedo. com isso. sem embelezamentos. mas houve um curioso período na década de 1950 em que os estilistas substituíram a forma arredonda por um b usto pontiagudo. Nessa época. Para um determinado papel num filme. tinha que ser abolido. na verdade. lado a lado com a revolta contra o excesso de maquiagem.

Infelizmente. os homens estejam começando a escolher suas parceiras mais pela personalidade do que pelo tamanho do busto. com mais de 100 mil cirurgias por ano. quando a mulher tira a roupa.Tanto os antigos espartilhos quanto os modernos sutiãs podem realçar os seios. ainda que eles sej am menores. ma s infelizmente nem sempre isso acontece. Isso alarmou alguns cirurgiões plásticos que enriqueceram como criadores de super seios. A cirurgia se tornou cada vez mais popular nas décadas de 1970 e 1980. mais de 1 milhão de americanas tiveram os seios aumentados pela cir urgia. n o ano de 2002. Adquiridos para c onseguir um marido de alta condição social. A colocação de implantes para fazer os seios permanecerem redondos e firmes começou nos anos 1960. mas parece estar havendo uma volta aos seios naturais. o século XXI está ass istindo ao início de uma tendência contrária. É um número assustador para qualquer tipo de cirurgia plástica. Às vezes. nada menos que 4 mil mulheres a mericanas se submeteram a uma nova cirurgia para remover os implantes de silicon e. . O primeiro implante de uma prótese de sili cone foi realizada por um cirurgião plástico do Texas em 1963. E aí entra em cena o cirurgião plástico. Em 2001. são perfeitos demais e não possuem o movimento e a suavidade que deveriam ter. os seios obtidos por cirurgia nun ca são totalmente convincentes ao olhar ou ao tato. um recurso mais drástico pode ser necessário. eles se tornam desnecessários quando a mul her se acomoda na vida de casada. neste período pós-feminista. o que revela a força dos seios como símbolo sexual. Calcula-se que. até que na década de 1990 houve um b oom desse procedimento. Por isso. Espera-se que. Algumas mulheres admitem que estão remove ndo seus implantes simplesmente porque eles já cumpriram sua função. mas.

foi do maldito busto. depois do divórcio "a primeira coisa de que me livrei.. depois de seu cão malch eiroso.Algumas mulheres lamentam ter se submetido a esse tipo de cirurgia para agradar a um marido potencial. [.] Senti que meu QI saltou vinte pontos".. Uma advogada resumiu o motivo da "reversão" cirúrgica dizendo que. .

enquanto para o homem adulto é de 9:10. como as modelos e misses.15. continuam apresentan do uma acentuada diferença no tamanho da cintura. mesmo sem esse contraste. de cerca de 74 cm. Uma modelo preferida pelos estilistas atuais provavelme nte medirá 76-61-84 cm. a cintura feminina é mais fina que a masculina. com medidas idênticas de busto e quadril. têm em média 61 cm de cintura. Essa . Uma jovem eleita num concurso de beleza costuma ter uma figura perfeitamente eq uilibrada. Jovens de corpo de lgado. gorduchos ou magrelas. a cintura das mulheres de hoje tem em média 71cm. Homens e mulheres. Naturalmente. mas. esses números precisam ter uma relação harmoniosa com as medidas de busto e de qua dril. É a proporção entre essas três medidas que gera o contorno típico do corpo feminino. uma diferença que se mantém apesar das diversidades culturais. Essa cintura fina parece ainda mais delgada pelo volume dos seios e dos quadris. A maneira mais comum de expressar a curva da cintura é medi-la em pro porção aos quadris. a proporção é d e 7:10. Os resultados são interessantes. enquanto as atletas de esportes que exigem força muscular apresentam uma cintura um pouco mais larga. Para uma mulher adulta. Se uma determinada sociedade acha uma figura mais volum osa atraente e outra prefere figuras mais delgadas. isso não afeta a proporção entre c intura e quadris. a típica rainha de beleza mede 91-61-91 cm. para que o corpo feminino revele um belo contor no. Cintura Um dos sinais mais claros que identificam o corpo feminino é a forma de ampulheta de seu tronco. Livre do aperto das cintas e dos espartilhos. Geralmente.

Numa recente pesquisa. mas não terá o contorno d e ampulheta que atrai o olho primitivo do macho. de 8 cm. Seus seios são do mesmo tamanho que os das européias. Os organizadores dos concursos de beleza não ousam mencioná-las na nos sa sociedade pós-feminista. são consideradas "peitudas". é de 6 cm. e os homens que passavam por ali eram solicitados a dizer de qual delas eles mais gostavam. As medidas de uma típica pin-up são 94-61-89. mas isso é só uma ilusão criada pelo tamanho da cintura e dos quadris. A típica mulher inglesa tem um pr oblema um pouco diferente. mas a verdade é que elas continuam a desempenhar um pape l fundamental nas relações humanas. Pode-se argumentar que "estatísticas" como essas são desatualizadas e irrelevantes. A grande maioria escolheu a figura curvilínea de cintura fina e pr oporções equilibradas. várias silhuetas femininas de proporções variadas e em tamanho natural foram expostas em fila num shopping cent er. Em lugar do excesso de q uadris. Na Alemanha e na Suíça. O veredicto desses homens selecionados aleatoriamente reforça a opinião de que a imagem da mulher curvilínea de cintura fina está demasiadamente arra igada na psique masculina para ser varrida por uma postura cultural moderna. Seu quadril. e n a Suécia e na França. apresenta o que chamamos de "2 polegadas a mais". já que suas medidas são 94-71-99 cm. mas parecem maiores porque a cintura e os quadris são menores.modelo pode ter um rosto belíssimo e saber vestir uma roupa. Es sa diferença é ainda maior em outros países europeus. se uma cintura fina era . Geralmente . Com o aconteceu com outras partes do corpo feminino. são 2 polegadas a mais no busto. A situação se inverte nas garotas que ilustram as revista s americanas. houve exageros. Acreditava-se q ue. sendo 5 cm mais largo que o busto.

dando margem a acaloradas discussões . Depois que a mulher tem seu primeiro parto. e no passado muitas j ovens sofreram para conseguir essa condição. mesmo aquelas que já não a possuem. recuperar o corpo esbelto que tinha antes da gravidez. depois de vários part os. Mesmo que ela consiga. Em 1654. Para conseguir isso. a cintura nunca mais vai ser tão fina como era. a cintura da mulher aumente de 15 a 20 cm em média. a cinturinha fin a tem sido há séculos símbolo de virgindade — de uma mulher que já está preparada para o sex o mas ainda não o experimentou. a ci ntura sempre se alarga um pouco. Entre os que se o punham radicalmente ao culto da cintura fina obtida por esses acessórios havia rel igiosos e liberados. Defendiam vigorosamente a teoria de que qualquer tentativa de mudar a obra da natureza no corpo feminino era uma ofensa a Deus. Voltando ao século XVII.feminina. com um regime alimentar rigoroso. A razão para a cintura fina despertar tan to interesse é simples e biológica. mesmo que de uma maneira simbólica. Isso acontece devido às irreversíveis mudanças que ocor rem na região abdominal quando ela se torna mãe. Des crevia um espartilho como "uma moda perniciosa inimaginável" e lançava ameaças às mulher es que "se apertavam para . Calcula-se que. Essa condição exerce tal atração sobre o macho reprodutor da espécie que muitas mulheres. Não se trata de um debate entre puritanos e hedo nistas. John Bulwer vocif erava contra "os perigosos modismos e desesperados artifícios em relação à cintura". anseiam recuperá-la. como ocorre em relação a tantos aspectos da moda feminina. foram os puritanos os primeiros a at acar. Por isso. há séculos a mulher espreme a cintura com cintas apertadas e espartilhos. então uma cintura finíssima devia ser superfeminina. Os argumentos não são nada simples.

elas estariam "abrindo a porta para a tuberculose e para uma putrefata decadência". retardando e enfraquecen do dessa forma as funções vitais". hérnia. malformações fetais. Outros críticos menos extremados também revelaram seu temor de complicações médicas provocadas pelo aperto dos espartilhos. e era isso que a maioria das jovens fazia. Mas um espartilho não muito apertado.conseguir uma cintura fina. apesar das histórias de horror. No lugar da putrefata decadência de Bulwer. mau funcionamento do fígad o. Se ignorassem seus conselhos. de modo a provocar dor quando o espartilho era removido. se gundo ele. podiam ser causadas pelo uso de corpetes apertados. Um autor vitoriano listou nada menos que 97 doenças que. insuficiência renal. . Todas essas adver tências em relação à saúde eram desnecessárias. e não se contentavam enquanto não pudessem rodeá-la [com a s próprias mãos]". desmaios e falta de ar. Fowler prometia a insanidade e a degeneração. Essa idéia foi repetida inúmeras veze s nos anos seguintes. O uso prolong ado também podia enfraquecer os músculos das costas. referia-se "aos males infligidos à mente e ao corpo quando se comprimem os órgãos. Alguns chegavam a p onto de incluir deformidades ósseas. publicado em 1846 pelo escritor americano Orson Fowler. usado apenas em oc asiões especiais. aborto. O subtítulo de um livro sobre os perigos de apertar a cintur a. Era óbvio que o espartilho muito apertado podia prejudicar a resp iração e a circulação. epi lepsia e esterilidade. além de causar dores de cabeça. câncer. desmaios. porque a maioria das jovens que usavam espar tilhos eram suficientemente sensatas para não apertá-los demais ou usá-los por longos períodos de tempo. podia criar a cintura fina desejada sem causar doenças. dificuldades respiratórias e problemas circulatórios. Entre as do enças relacionadas escavam dores de cabeça.

ela usaria sua capacidade intelectual. Portanto. alegavam que o uso de um espartilho apertado mostrava discip lina e representava simbolicamente uma louvável contenção. O espartilho apertado seria um instrumento de tortura imposto às mulheres submissas como parte da opressão masculina. tinha que consegui-la correndo ou fazendo exercícios. A limitação física não era apenas prejudicial ao corpo. Se a mulher moderna queria ondular o corpo de maneira provocante numa pista de danças. alinhavam-se os defensores do espartilho e seus vários pontos de vista. Se queria ter igualdade sexual durante as preliminares. Em sua busca de admiração masculina .Um ataque completamente diferente veio das liberadas dos tempos modernos. Para impressionar o parceiro. Se queria ter uma cinturinha fina. A feminista inteligente também queria liberdade para o corpo. porque aju dava a tornar a mulher inacessível. Para e las. tinha que ser tão flexível e solta quando seu parceiro. e não seu potencial reprodutivo. o objetivo era desviar a atenção masculina do corpo e dirigi-la para as qualidades do cérebro. Para ela. qualquer t entativa de exagerar sua silhueta feminina era proibida. a idéia de usar qualquer roupa apertada era um insulto a liberdade feminina. diziam qu e o espartilho era sinal de respeitabilidade e altos princípios morais. mas também símbolo de uma prisão ment l em relação ao macho. não podia tolerar nenhum a roupa apertada. Essas eram as vozes que se erguiam contra o desejo de melhorar o natural contorno curvilíneo do corpo fem inino. Contra elas. Ele seria uma armadura contra a . Primeiro. Em segundo lugar. em vez de recorrer à solução pass iva de se prender dentro de um corpete apertado. mas po r uma razão diferente. tinha que substituir a disciplina inativa da roupa pela disciplina ativa da at ividade física.

o espartilho também era importante para exibir um a postura aristocrática. . que inconscientemente vivia a fantasia de que seria fácil capturá-la se decid isse persegui-la. mas o corpete a pertado por um complexo entrelaçamento de cordões deixava o corpo desnudo muito mais distante. O corpo enjaulado restr ingia sua capacidade de fugir a alta velocidade. é fácil entender po r que os corpetes se tornaram um elemento da encenação sadomasoquista. Para resumir. diremos que tanto os puritanos quanto os libertinos tomam partido pró e contra os espartilhos. Nos primeiros tempos. sua ausência pode construir a imagem de uma mulher natural e libera da ou de uma libertina.) Dentro de um espartilho. Era inevitável que isso atraísse o macho. mas também no conhecimento tácito de que a mulher admirada estava s ofrendo uma tortura física para agradar a seu admirador. A atração do corpete não estava apenas na silhueta que ele criava. esse aprisionamento dentro do espartilho f uncionava como um apelo fetichista. Para alguns homens. O que a ajudava a manter o tronco ereto era uma barbatana enfiada verticalmente na parte da frente do espartilho.atenção masculina. Por isso. A presença do corpete pode ser vista como uma prisão ou como um estímulo à sensualidade. A mulher apertada dentro de um corpete era obrigada a ado tar uma postura ereta que lhe dava um ar de graciosa altivez. a mulher também dava a impressão de estar vulnerável (a pesar da barbatana) como um animal preso numa armadilha. (Dizia-se que ela servia também como arma com a qual a mulher podi a se defender de algum admirador que perdesse o controle e tentasse soltar os co rdões. A cintura fina podia excitar os olhos dos homens.

E um velho provérbio dizia que a mulher ideal era aquela cuja cintura fosse "tão fina que o sol não pudesse captar s ua sombra". mas ainda assim a menor medida registrada foi de 46 cm. Na época v itoriana. uma nova pesquisa confirmou esse fato. Em 2001. as medidas variavam de 46 a 76 cm. antes da puberdade. Na época vitoriana. Caricaturas dos séculos XVIII e XIX mostram mulheres s endo brutalmente apertadas dentro de um espartilho até a cintura desaparecer. Isso não significa que cinturas diminutas não tenham existido. quando um detalhado estudo sobre a indumentária de séculos anteriores descobriu que a menor medida de cintura encontrada numa imensa coleção de roupas era de 61 cm. porém. A menor medida de cin tura encontrada no vestuário do século XVIII foi de 61 cm. no auge da moda dos espartilhos com ilhoses. que permitiam uma am arração mais firme. O primeiro é que. se elas existiram. por v olta do fim do século XIX. em conseqüência do uso de corpet es apertados. O primeiro golpe foi dado em 1949. Rece ntemente.Tal é o interesse na espessura reduzida da cintura feminina que dois mitos surgira m nos tempos modernos. É verdade que as coisas pio raram um pouco no século XIX. mas que. Um provérbio espanhol recomendava que a mulher tivesse uma cintura tão fina quanto a de um galgo. exemplos extremos foram registrados: o Guinnes Book of Records menciona uma . Mesmo no século XX. antigamente. graças à invenção dos ilhoses de metal. cuidadosas pesquisas desmentiram essa crença. eram casos isolados. Acreditava-se que cinturas que mediam entre 38 a 41 cm eram comuns e podiam ser alcançadas se a mulher começasse a usar espartilhos apertados desde muit o cedo. uma jovem atraente era aquela cuja cintura medisse em p olegadas o número exato de sua idade. a preocupação com as medidas era generalizada.

Muitos autores posteriores (inclusive eu. as mulheres vitorianas chegavam a se sujeitar a perigosas operações para remoção de c ostelas. na busca da cintura perfeit a. mas não devem ir longe demais para consegui -la. O segundo mito é que. Depois disso. no fim do século XIX. Os autores não davam detalhe s. Mas a grande maioria da s mulheres nunca chegou a esses extremos. usando-a como exemplo dos exageros a que as mulheres chegavam para melhorar a natureza. mas incluíam algumas fotos para ilustrar as cinturas assustadoramente finas obt idas por esse meio. o brutal aperto não causou nenhum dano aos órgãos int ernos. e Germaine Greer. . e afirmações em contrário constituem um dos maiores mitos da história da moda. As mulheres podem desejar uma cintura mais fina devido ao s sinais primitivos que ela transmite. em A mulher eunuco) aceitamos e repetimos essa declaração. o que pr ova que. do New York Fashion Instituto. "Não há nenhuma evidência de q ue essa prática tenha existido. no fim do século XIX. chegou a uma clara conclusão. Vale ressaltar que essa mulher foi uma excêntrica exceção à regra.. P arece que nos enganamos.inglesa que conseguiu reduzir sua cintura de 56 cm em 1929. quando tinha 24 anos . As poucas mulheres que foram longe demais em séculos passados têm su as equivalentes modernas nas fanáticas por regime de hoje. caso contrário isso pode se transformar numa obsessão capaz de transtornar o eq uilíbrio da vida. pelo menos no seu caso. ela viveu mais 43 anos. algumas mulheres estavam obtendo a perfeita figura de ampulheta depois de t erem as costelas inferiores removidas cirurgicamente. Livros de história da moda afirmaram categoricamente que.". Uma detalhada pesquisa realizada por Valerie Steel.. e não representa va uma tendência social. a surpreendentes 33 cm em 1939. Ela afirma que não há menção à remoção de costelas em nen a história da cirurgia plástica e que. em O macaco nu.

Olhando de novo as fotos das mulheres que supostamente teriam removido as costelas. São citados também os nomes de vários cirurgiões plásticos . a necessidade de acreditar na cirurgia de remoção de costelas é tão grande que fez nasce r uma nova lenda. resta uma dúvida: será que alguma cirurgia d esse tipo chegou a ser realizada? Não se pode afirmar com certeza. No caso da cantora Cher. Numa descrição de proced imentos cirúrgicos oferecidos a transexuais que desejam parecer mais femininos pod e-se ler o seguinte: "A remoção das costelas é ocasionalmente realizada para obter uma curva da cintura mais pronunciada". submeten do-se a um exame medico e processando uma famosa revista francesa por repetir a história.essa seria uma operação muito arriscada. os rumo res foram tão persistentes que ela foi obrigada a publicar um desmentido. parece provável que as imagens tenham sido retocadas para fazer a cintura parecer menor. Embora hoje esteja claro que nem as damas vitorianas nem as atrizes atua is se submeteram a essa medida extrema. A técnica médica da época não estava suficientement e desenvolvida para que o cirurgião corresse esse risco. Há anos correm boatos de que famosas estrelas de Hollywood se su bmeteram recentemente à operação. Mas segue-se uma advertência: "Não é aconselhável". Apesar disso. e a maioria das estrelas que são vítimas dos boatos simple smente os ignoram por considerá-los ridículos. agora que temos uma tecnologia cirúrgic a avançada. porém. No mínimo sete famosas atrizes têm sido mencion adas entre as que teriam sacrificado as costelas inferiores na ânsia de ter um cor po mais bonito. mas há evidências d e que ela pode ter sido feita em alguns poucos casos raros. a operação tem sido realizada. A verdade é que não há evidências de que esses difíceis procedimentos cirúrg icos tenham se realizado. Afirma-se que.

assim como o preço de US$ 4. levando-a a aparecer na telev isão da Alemanha. Essa persistência reflete não uma verdade cirúrgica. Em Hamburgo. A remoção rotineira de costelas parece não ser senão um mito surgido de repetidas fofocas. Conta que esteve hospitalizada duran te três dias depois da cirurgia.preparados para realizar a cirurgia. da Austrália e da América para exibir sua extraordinária figura. A imagem de uma cintura fi na parece estar indelevelmente impressa no cérebro do macho humano. que foi um sucesso.500. Afirm ações de que "cirurgias de costelas eram relativamente comuns nos anos 1950" e outra s semelhantes continuam sem fundamento. espartilhos e uma operação de remoção de costelas. Suas declarações podem ser verdadeiras. . mas a tenacidade de uma fantasia masculina. uma jovem alega ter reduzido as medidas da cintura de 51 para 36 cm com cintas. mas com certeza esse seria um caso isolado.

16. uma armação de arame usada sob a saia para criar a impressão de ancas largas. O século XVIII assisti u ao aparecimento das "anquinhas". Até que ponto as fanáticas foram capazes de chegar é inacreditável. Como a bacia da mulher é mais larga que a do homem. Esses travesseiros eram amarrados por baixo das amplas saias para dobrar o tamanho dos quadris. os ateliês europeus vendiam desajeitadas "almofadas" que pareciam pneus de au tomóveis. No século XVI. a maioria das mulheres está satisfeita com o tamanho natural dos seus quadris. mas no passado muitas vezes se tornaram esc ravas do desejo de possuir um quadril avantajado e vítimas da tecnologia capaz de produzi-lo. Deixavam as saias tão amplas que a mulher era obrigada a passar pelas portas de lado. Independentemente de a cintura ser estreita ou não. Para ser preciso. Quadris Os amplos quadris da fêmea humana constituem um dos principais símbolos da silhueta feminina. Só quando entra numa fase em que prefere a juvenilidade à fecundidade uma sociedade abandona o int eresse pelos quadris largos e passa a valorizar uma aparência mais delgada e mais masculina. . uma bacia larga emit e a mensagem primitiva de que a mulher é capaz de gerar descendência. Essa diferença biológica levou a muitos exageros. a pel ve feminina mede em média 39 cm. a largura dos quadr is é um dos principais sinais de diferenciação entre os sexos. Hoje. mas acabavam deixando os vestidos tão pesados que as damas da época eram incapazes de qualquer atividade mais vigorosa. enquanto a masculina só chega a 36 cm.

a pessoa assume automática e inconsc ientemente essa postura de acordo com seu estado de espírito. não surpreende que quase todos os mov imentos dos quadris tenham uma marca feminina. com a di ferença de que o quadril completa um quarto de círculo. O ami é um movimento de rotação. mas é mais que isso. o mais importante talvez seja a pos tura de mãos nos quadris. o oposto de abrir os braços para convidar a um abraço. O segundo movimento é semelhante. Na verdade. A postura akimbo oco rre sempre que a pessoa quer afastar alguém. que então se movimenta num círculo. "rodeando a ilha" em quatro movimentos. também chamada de akimbo. jovens executam movimentos ritmados em que g iram. é muito difícil abr açar alguém que esteja na postura akimbo. É por isso que ela é vista como uma . Quando a pessoa apóia as mãos nos quadris proj etados para a frente. os cotovelos apontam para fora como se dissessem: "Mantenh a a distância ou vou acertar você!" Muitas vezes. Na famosa dança hula-hula. e esses também pertencem mais ao repertório da mulher que do homem. primeiro no sentid o horário e depois no sentido anti-horário. A dançarina levanta uma mão. Costuma-se dizer que ela indica autoridade ou desafio. sacodem e ondulam os quadris. Maneiras de andar que envolvem um evidente balanço dos quadris são tão femininas que são utilizadas como caricaturas em p erformances cômicas. É essencialmente uma postura anti-social . enquanto a outra descansa no quadril. Muitos passos de dança incluem vigoros os movimentos dos quadris. Dos gestos que envolvem a pelve.Passando da forma aos movimentos e posturas. Dois movimentos especiais da dança são o ami e o "rodeando a ilha". Só homens representando mulheres ou homossexuais afetados se pe rmitiriam movimentos ondulantes desse tipo.

Uma curiosidad e dessa postura é que. No chefe de um grupo. Uma esportista que acaba de perder uma com petição imediatamente coloca as mãos nos quadris. à sua esquerda. Se uma mulher que r se afastar de um grupo que está. Eles podem não estar numa posição de autoridade. apóia apenas o braço esquerd o no quadril.atitude de desafio. a postura akimbo avisa aos demais que se mantenham em seus lugares. Se houver à sua direita um grupo com o qual ela tenha afinidade. todas as línguas teriam uma palavra para defini-lo. muito observada em f estas e outras reuniões sociais. que vemos todos os dias e ao qual reagimos subliminarmente sem analisar a mensagem corpor al que estamos recebendo. existe um contat o pessoal que envolve o quadril. em geral com a cabeça ligeiramente aba ixada. como um cumprimento . mas com certez a não estão buscando conforto nos outros. Se fosse um gesto mais consciente. Entretanto. É geralmente descrita como "mãos nos quadris". Essa postura pela metade. Estou tão irritada que não quero ninguém perto de mim". refletindo o sentimento de derrota. Essa postura também é usada por indivíduos que acab aram de sofrer um revés. Finalmente. não parece ter um nome em o utras línguas. A pessoa que tem autoridade e gosta de exibi-la não quer partilh ar o espaço com os outros. revela as relações entre os presentes. A mulher que pára à porta de sua casa com as mãos nos quadris está d izendo: "Afaste-se. mas não há uma palavra que a defina. Não ouse entrar". digamos. A mensagem que ela comunica é: "Fique l onge de mim. apesar de ser usada mundialmente. é um dos mais comuns padrões de comportamento humano. Jovens amantes costumam caminhar lado a lado . o b raço desse lado permanece abaixado. Isso é porque essa postura também transmite uma disposição autoritária.

a meno s. Como sinal. mas parece que o tabu é menor ent re mulheres — o que ocorre. Evidentemente. É um gesto de amizade. como os beijos de comprimento. os homens se interessam muito mais pelos qu adris das mulheres do que o contrário. Funciona como um gesto de exclusão em re lação a qualquer pessoa que os acompanhe ou os observe. É uma postura que atrapalha um pouco o movimento. e que é muito comum. e não há nada nessa intimidade qu e indique uma ligação sexual. está claro que os . A porcentagem muito maior de homens que abraçam mulheres d o que de mulheres que abraçam homens reflete uma atitude geral dos adultos em relação a essa região do corpo. Mas quando uma pessoa abraça o quadril de outra a posição da mão dá ao ato um peso sexual. não houve abraço entre homens. que queira exibir sua homossexualidade em público. Dois homens podem se abraçar desse jeito quando estão parados ou caminhando juntos. esse abraço do qu adril é um meio-termo. Do ponto de vista social. em 14% a mulher abraça o homem. enquanto o outro apenas recebe o abr aço. um homem só abraça assim uma mulher. na maioria dos casos. (O abraço entre pais e filhos pequenos foi excluído da pesqu isa. e em 9% uma mulher abraça outra.com os flancos se tocando e as mãos cruzadas nas costas e apoiadas no quadril do p arceiro. Em 77% dos casos o homem abraça a mulher. esse tipo de abr aço transmite uma mensagem mais forte do que o abraço em que uma pessoa toca o ombro da outra. Um estudo tentou anal isar as diferenças de gênero em relação a esse tipo de abraço no quadril. aliás. Querendo se abraçar plenamente e caminhar ao mesmo tempo. mas nessas situações a mobilidade do casal é menos importante do que a demonstração de intimidade — que é feita para eles mesmos e para os outros.) Como se previa. é claro. Por essa razão. com outras trocas de intimidade em público. só um parceiro abraça. Foi contatado qu e.

eles carregam quase tanta feminilidade quando os seios. Devido à sua ligação com a procriação.quadris são atributos essencialmente femininos. .

Segundo essa lei. mas essa exposição v aí sempre mudar de uma zona . que só usavam saias. De repente. não apenas por ser uma zona erótica po r si só. passaram a adotar as calças compridas. Roupas qu e expõem a barriga atraem o olhar para a região genital. nasceu uma nova zona erógena. que explicaram que a m oda feminina obedece a uma lei de troca das zonas erógenas. e a moda se espalhou rapidamente. para s er preciso) a moda de jeans de cintura baixa combinados com uma blusa muito curt a colocou a barriga feminina no foco das atenções. as m ulheres sempre vão querer mostrar uma determinada parte do corpo. A idéia que está por trás dessa mudança foi lançada pelos críticos de moda alemães nos anos 1920. A razão para essa exposição é interessant e e tem muito a ver com uma importante mudança no vestuário feminino: de uns anos pa ra cá. as roup as de uso diário sempre cobriram a barriga. pelo menos até que o ciclo da moda se mova de novo). Barriga A barriga da mulher sempre foi uma região tabu. as pernas deixaram de ser expostas e alguma outr a parte do corpo precisou ocupar o seu lugar. Era necessário algo novo. ma s em compensação os umbigos femininos podiam ser admirados pelos homens (por enquant o. mais de 80% das mulheres que são vistas nas ruas das cidades usam jeans ou outro t ipo de calças. No mundo ocidental. as mulheres. Hoje. Blusas que expõem os ombros e o sulc o dos seios foram muito usadas no passado. e alguém teve a brilhante idéia de usar uma blusa bem curt a. mas essa solução se tornou muito familiar . que não alcançasse a cintura das calças. As pernas podiam estar inteiramente cobertas. mas nos últimos anos (desde 1998. mas pelo fato de estar intimamente relacionada com os genitais. Em conseqüência disso.17.

mas surpreende que mulheres sexualmente ativas queiram usa r uma jóia num lugar tão vulnerável. se mais de uma parte do corp o for exposta ao mesmo tempo. no início do século XXI. o piercing no umbigo era o segundo na preferência das mulheres. Agora. Co mo a região da barriga contém o estômago. no início do século XXI. eles deixaram de ser usados apenas por uma minoria para serem adotados por um público muito maior. Essa imprecisão anatômica ficou tão arraigada no . Existem duas razões para isso. Com a nova moda. e como o estômago está posicionado mais alto. A segunda é que. Uma relação sexual papai-e-mamãe pode causar problemas. superado apenas pelos piercings na orelha. Um dos problemas co m o uso de piercings abaixo do pescoço é que só pessoas muito íntimas ficam sabendo de s ua existência. como não era de bom tom usar a palavra "barriga". Assim. À medida que uma é coberta. mas apesar disso. a ênfase recai sobre a barriga. outra é exposta. Algun s escritores deram a isso o nome de "vandalismo umbilical". uma parte vai sendo exposta depois da outra ao sa bor da moda. Uma vanta gem disso é que a nova moda de piercings no umbigo pôde vir à luz. a imagem será de vulgaridade. Mas que atitude nossos antepassados tinham em relação a essa parte da anatomia feminina? Na época vitoriana. foi preciso encontrar um termo substituto. os vitorianos decretaram que uma dor de ba rriga se tornasse uma dor de estômago. com alto risco de o umbigo se rasgar quando um corpo se esfrega no outro.para outra. para manter sem pre alguma exposição sem exagerar. Os piercings de umbigo têm um evide nte apelo decorativo. A primeira é o desejo de novidade: cada nova exposição é excitante porque mostra algo qu e não tem sido visto nos últimos tempos. be m longe dos "impronunciáveis" genitais.

para a região genital. havia uma conhecida estratégia que se chamava "apelo da barriga''. Essa região do corpo tem poucas marcas superficiais. Podemos resumir essas diferenças dize ndo que a mulher tem um abdome . a lin ea alba é vista como uma estreita mas nítida depressão da carne. numa pessoa gorda (de qualquer idade). que assinala o ponto onde os músculos do lado esquerdo do corpo se encontram com os músculos do lado dire ito. há uma depressão chamada linea alba. considerando-se que os dois indivíduos tenham uma compleição semelhante. outra classe a empurrava para baixo.vocabulário que sobreviveu nos tempos modernos. Na maioria das prisões havia homens cuja tarefa era garantir que as internas tiv essem condições de pleitear esse direito. O umbigo da mulher também é mais profundo que o do homem. essa linha corre verticalmente do umbigo até o peito. Ele tam bém é proporcionalmente mais longo. na mulher. q ue é a parte do corpo situada entre o tórax e a pelve. Além d o umbigo. essa classe se referia à barriga como se ela fosse a região abaixo da linha dos pêlos púbicos. é difícil perceber essa linh a. Entretanto. O ventre da mulher é mais arredondado na parte inferior que o do homem. com uma distância maior entre o umbigo e os genita is. os intesti nos e. Com i gual imprecisão. o útero. Se observarmos um corpo jovem e atlético. Enquanto uma classe educada empurrava a barriga para a região do estômago. B aseava-se numa lei que não permitia que a pena capital fosse aplicada à mulher grávida . Numa época em que as mulheres eram condenadas à morte pela prática de c ertos crimes. contendo o estômago. muito depois de a pudicícia vitorian a ter deixado de existir. Uma terceira imprecisão era usar a palavra "barriga" como si nônimo de "útero". "Barriga" é o termo popular para "abdome". Num indivíduo adulto.

as mulheres magra s de hoje têm seis vezes mais probabilidade de ter um umbigo na forma de uma fenda vertical do que suas voluptuosas predecessoras. e sua barriga. só cri a a possibilidade de um umbigo vertical. e as jovens das tribos eram engordadas para o ca samento. Essa mudança na visão da barriga teve um estranho efeito colateral: alterou a forma do umbigo feminino. Numa pesquisa semelhante sobre as modelo s fotográficas de hoje essa porcentagem caiu para 54%. O novo puritanismo corporal. Se ele será exibido ou não. Co mo o umbigo parece um orifício. uma barriga chata. um aspecto que muitas vezes é exagerado pelos arti stas. E se ela cai na tentação de comer demais. mudo u tudo isso. consciente ou inconscientemente. vai depender da postura da modelo. Uma pesquisa sobre obras de arte que mostravam as mulheres carnudas de antigamente revelou que a grande m aioria (92%) exibia um umbigo circular. Hoje. ma s num corpo delgado ele parece mais um talho vertical. À medida que a mulher fica mais velha. enquanto o . logo se torna lamentavelmente — ou orgulhosamente — barriguda.maior e mais curvo que o homem. Em períodos de escassez de alimentos. mais volume. seu corpo ganha peso. Portanto. Não é difícil imaginar a razão disso. Mas existe algo mais do que ape nas a perda de peso nessa mudança. as pose s modernas parecem enfatizar o umbigo vertical. Em corpos mais cheios o umbigo é circular. Assim. uma barriga gr ande era ostentada com orgulho. O orifício genital feminino está por trás de uma fenda vertical. sua presença no meio do ventre não pode deixar de lemb rar os verdadeiros orifícios que se situam abaixo dele. com sua obsessão pela eterna juventude. A mais magra das mulheres pode apresentar um umbigo circular se jogar o corpo para a frente. sem sinal de gordura. é um sonho feminino em qualquer idade. por mais magro que seja. Um corpo esbelto.

segundo se dizia. Com os preceitos religiosos e culturais que dominavam o mundo árabe. Nas primeiras fotos. O conhecido código moral ista de Hollywood dizia que os umbigos estavam proibidos. Sugestivo do quê. Uma segunda onda de c ensura. voltou a suprimir o umbigo. Em fotos sensuais em que a fenda geni tal fica oculta. Mal o mundo ocidental tinha relaxado a censura cinematográfica do umbigo e ele já sofria um novo ataque. . ele era simplesmente suprimido. vinha da terra da dança do ventre. As fotos eram retocadas par a dar a ridícula impressão de que o ventre da mulher era completamente liso. O q ue parecia ofender os puritanos espectadores era o fato de as dançarinas serem cap azes de mexer o umbigo enquanto ondulavam o corpo seminu. as dançarin as das casas noturnas foram instruídas a cobrir a barriga quando dançassem. deviam ser preenchidos com jóias ou qualquer outro ornamento. Uma carta oficial do censor aos produtores do filme Mil e uma noites dizia: "Aprovado para adultos desde que sejam cortadas todas as cenas de dança que mostram o umbigo das dançarinas". o Oriente Méd io. Dessa vez. Se isso parece muito fantasioso. o umbigo era sugestivo demais. nos anos 1930 e 1940. o fotógrafo e sua modelo podem se unir para oferecer subliminarme nte um falso orifício como substituto do real. que tinha que ser omitido para evitar a histeria sexual da pla téia.orifício anal é muito mais circular. Os primeiros filmes provocaram choque e horror diante da exposição d essa parte da anatomia das dançarinas. Se não pudessem ser cobe rtos pela roupa. Isso aprofundou o simb olismo do umbigo. Fazia-s e isso porque. Segue-se que essa mudança para a exibição de um umbig o vertical fortalece o simbolismo genital. nunca foi dito. ba sta observar o que aconteceu com o umbigo nos períodos mais puritanos do século XX.

pode-se ler: "Ele pode propo rcionar muitas sensações sexuais cultiváveis.mostra um forte alongamento vertical. à glande ou ao dedão do pé. mas considerado de grande b eleza. Umbigo circular .um tipo raro. ele se adapta ao dedo. ele pareça um detalhe relativamente inócuo da anatomia humana. Uma pose muito popular nos manuais sexuais ilustrados mostra o homem explorando o umbigo da parceira c om a língua — um pseudo pênis inserido numa pseudo vagina. . e merece cuidadosa atenção quando você o beijar ou tocar". Geralmente aprese nta uma profunda depressão. por exemplo. Para alguns. femi nino e erótico.um tipo raro hoje em dia.considerado pelos japoneses o supra-sumo da beleza umbilical. Umbigo em forma de amêndoa . Uma organiz ação que se intitula US Navel Observatory (Observatório do Umbigo dos Estados Unidos) concebeu uma classificação para esse pequeno detalhe da anatomia feminina. Tem a forma de um triângulo invertido com lados convexos. mesmo que hoje.Essas restrições deixam claro que o umbigo tem força erótica.um tipo comum. Recebe esse nome porque tem a forma semelhante a uma navet te (pequena nau). Num relatór io denominado Navel Architecture (Arquitetura do umbigo). para a mai oria de nós. Umbigo navette . é p erfeitamente redondo. Os manuais de sexo perceberam esse poder e enfatizam seu fascínio aos amantes que exploram o corpo do parceiro. o interesse na s possibilidades eróticas do umbigo feminino tomou proporções fetichistas. porém mais la rgo na parte central. Em The Joy of Sex. eles reconhecem nada m enos do que nove formas de umbigo: Fenda vertical . Umbigo triangular . gracioso.

essa não é a única classificação de umbigos que existe. Na verdade. mas essa d ecisão gerou um problema ainda maior: se Deus criou o homem à sua imagem e semelhança. P ara os que acreditam na verdade literal dos textos religiosos. Umbigo perfurado . umbigo protuberante. isso provocou uma nova e intrigante per gunta: Quem gerou Deus? . Embora esse relatório não pretenda ser mais do que uma análise superficial do umbig o feminino. o umbigo causou vários problemas nos círculos religiosos. Um psicólogo alemão or anizou sua própria lista de formatos. Os artistas enfrentavam o dilema de incluir ou não umbig os em suas pinturas de Adão e Eva no Jardim do Éden. Umbigo olho de gato . Se esse seres for am criados pela divindade. umbigo descentralizado e umbigo redondo . então ele devia ter umbigo. uma mistura do umbigo côncavo com o umbigo p rotuberante.Umbigo oval . alegando que uma pessoa "pode se conhecer at ravés do umbigo".uma das formas mais comuns.o umbigo moderno no qual foi inserido um piercin g. Fora da esfera sexual. e cada um inventou sua razão para a existência desses primeiros umbigos. Naturalmente. tem a aparência de um olho. e portanto não havia umbigo. Ele relaciona os seguintes tipos: umbigo horizontal. umbigo vert ical. umbigo côncavo. Umbigo grão de café — um umbigo côncavo em cujo interior há duas protuberâncias de carne. é um problema espin hoso decidir se os primeiros seres humanos tinham ou não umbigo. não havia cordão umbilical. e não nasceram de uma mulher.mais horizontal que vertical. revela o interesse sexual que um simples botão umbilical pode desperta r. A maioria optou por registrá-los.

depois que Alá criou o primeiro ser humano. Os três são movimentos sensuais. Já as ondulações exig m um alto controle muscular e só são executadas pelas dançarinas mais experimentadas. Esse furo foi o pr imeiro umbigo. Hoje ela é comumente considerada uma "dança tradicional". embora isso tivesse agradado aos puritanos. com movimentos da pelve e contrações dos músculos abdominais para massagear o pênis do grande . Na verdade. Os dois primeiros são de fácil execução e muito comuns. É assim que os budistas o consideram. nada atlético e sexualmente desinteressado. Elas foram se especializando nessas contorções. focalizando to do o universo através de seu ponto central. inserir seu pênis e contorcer-se provocativamente até leválo ao orgasmo. é o contrário: uma tentativa de anular o ego. Voltando à barriga de forma geral. A dança do ventre tem três movimentos principais : movimento da pelve para a frente. ma s seu gesto deixou um pequeno furo no lugar onde o cuspe caíra. resta ver como surgiu a famosa dança do ventre. A expressão "olhar para o próprio umbigo" c ostuma significar uma ação autocentrada. Surgiram no harém. Para excitá-lo sexualmente. Uma an tiga lenda conta que. Deus imediatamente arrancou o pingo poluído. Um simbolismo totalmente diferente vê o umbigo como centro do unive rso.Os turcos descobriram uma solução incomum para o problema do primeiro umbigo. o Demônio ficou tão furioso que cuspiu no corpo do recém-chegado. a origem dessa t radição não se perdeu na poeira do tempo. movimento de rotação do quadril e ondulações dos múscu los da barriga. assim como uma forma de meditação voltada para o interior. Para evitar a contaminação. onde o sultão era geralmente muito g ordo. as jov ens tinham que se acocorar sobre o corpo deitado. mas. O cuspe foi aterrizar bem no cento d a barriga.

Se essa interpretação da dança do ventre é correta. Algumas fontes alegam que os movimentos representam não a cópula. Com o acompanhamento musical. Com o tempo .senhor. mas o nascimento. Ela deixou de ser meramente uma dança que imitava a cópula de uma jovem vigorosa sobre um homem indolente e corpulen to e tornou-se símbolo da concepção e do nascimento — todo o ciclo reprodutivo em uma únic a performance. ou se ela só pretende e sterilizar uma dança puramente erótica e alinhá-la entre outras atividades "folclóricas" . Portan to. Em muitas cult uras. a ênf ase recai sobre o preparo físico". Embora a dança do ventre esteja sendo promovida como "uma ótima terapia para a tensão e a depr essão". Na década de 1980. A mul her ajudava o parto movendo o abdome em movimentos de rotação. A dançarina do harém tornou-se uma atleta. as mulheres do harém foram capazes de ex agerar os movimentos e torná-los mais ritmados. De qualquer forma. . o processo de purificação foi mais longe nos últimos anos. é difícil dizer. a ex ibição logo foi estilizada numa dança que foi chamada de dança do ventre. os movimentos pélvicos eram exibidos para excitar o senhor do harém antes da cópula. mas colocava-se de cócoras. nem tudo se perdeu. a parturiente não deitava para dar à lu z. quando ainda não contava com ajuda médica. os nomes que definem os movimentos ainda preservam uma conotação erótica. que com o decorrer do s séculos teriam sido incorporados à dança do ventre. usando a força da gravidade para empurrar o bebê. um manual que pretendia ensinar a dança introduz o tema co m a seguintes palavras: "Em seu novo papel como forma de arte física e saudável. Livres do contato com o corpo indolente. ele tem sido chamado de "masturbação fértil". Como um ato de cópula.

Além desses gestos e de um raro soco na barri ga de um inimigo. . Vem t ambém da Grécia antiga outro pronunciamento: " Ó Deus. só existe outro contato pessoal. Na vida cotidiana. Um provérbio grego afirma que " a barriga é a mais vil das bestas". Devido à sua proximidade com os genitais. os gest os que envolvem a barriga são raros. Os pais às vezes dão um tapinha na barriga dos filhos quando eles comem bem. Um dos textos sumérios mais antigos. Como a bar riga está relacionada com o apetite por comida. com ventre sobre ventre ela foi destruída". tem vários simbolismos. geralmente ambas pertencem à mesma família. acabou se ligando a outros apetite s animais. e um dos amantes pode d escansar a cabeça na barriga do outro. que vê o ventre como sede da vida. Esse simbolismo ocidental nada elo gioso está em completa oposição com o simbolismo oriental. essa postura é tema de uma das mais antigas piadas da humanidade. é através deles que se perde a castidade". Estranhamente. assim como o umbigo. o ven tre quase nunca participa dos contatos pessoais.Fora do campo sexual. Quando uma pessoa toca outra na barriga. que é o contato dos ventres duran te o ato sexual. o ventre é considerado o centro do corpo. No Japão. são amantes ou velhos amigos. olhai com ódio o ventre e os alim entos. O ma is conhecido é sua ligação com o lado mais animal e terreno da vida humana. registra com um humor triste: "Com tijolo sobre tijolo esta casa foi c onstruída. datados do terceiro milênio da era cristã. a barriga. um marido orgulhoso pode passar a mão pela barriga da esposa grávida.

De vez em quando. Entretanto. as costas femininas têm figurado no mu ndo das imagens eróticas. Como mencionamos quando tratamos da nuca. Se ela é uma mulher casada. Hollywood lançou es sa moda em 1932. e. a linha da nuca é apenas sugerid a. que revelam inteiramente as costas. as costas femininas têm uma be leza inegável. Um . e se a curva da coluna é deliberadamente acentuada com a projeção do quadril para trás. No Oci dente. lhe oferece uma excitante visão do dorso por dentro da roupa. a linha das costas torna-se mais sensual. Se o vestido é fechado na frente. Mesmo em repouso. o contraste é grande tanto de lado quanto de costas. quando ela se ajoelha dia nte do homem. Versões mais radicais desse m odelo. os japoneses v alorizam muito essa parte do corpo. quando a atriz Tallulah Bankhead apareceu em público com um decot e nas costas que logo foi copiado pelas admiradoras. os estilistas de moda de vez em quando enfatizam as costas. disposta a escandalizar em algum a aparição pública. nele. então a atenção pode ser desviada para as costas. os seios e as pernas — recebe m maior atenção e despertam mais interesse.18. o contorno das costas é notavelmente diferente no homem e na mulher: nela. a parte inferior é mais larga. a gola se afasta da nuca. Visto por trás. Costas As costas femininas têm sido ignoradas tanto pela própria mulher quanto pelos observ adores. A gola do quimono é cortada de acordo com a co ndição da mulher que o usa. mas se ela é uma gueixa. aparecem de quando em quando. sempre que o costureiro encontra uma cliente corajosa. Portanto. Outras partes do corpo — especialmente a cabeça. a parte mais larga é a superior. elas são naturalmente mais arqueadas que as costas do homem.

Seu nome é referência a o ginecologista alemão Gustav Michaelis. eram tema de conversa entre os mais sofisticados l ibertinos. Ao ver bailarinas vestidas com um collant sem costas.. As covinhas são um detalhe da s costas femininas que em outros tempos despertou no homem tal excitação a ponto de tornar-se uma obsessão. quando as formas voluptuosas estavam na moda. assim como o "losango de Michaelis". Mas a exposição das costas nem sempre é um sucesso. que passou muito tempo estudando-o. hoje as preferidas.desses modelos foi o famoso macacão lançado em 1967 por Ungaro. dando à mulher a possibilidade de exibir as "covi nhas" do sacro. O losango de Michaelis. só são visíveis no máximo em 2 5% dos casos. O los ango às vezes é rodeado e definido por quatro depressões.. O mundo clássico tinha verdadeira fascinação pelas covinhas femininas. b em acima dos glúteos. E possível que o apelo sexual das covinhas que se formam nas bochechas se deva em parte à sua semelhança com essas outras covi nhas próximas às nádegas." As covinhas são menos evidentes em mulheres magras. um crítico comentou que "suas costas parecem entorpecidas e a pavoradas com a exposição. As duas pequenas depressões situadas de cada lado da base da coluna. mas. o corpo magro e . de dar água na boca. exatamente onde se situam as duas pequenas covas.. estão presentes em ambos os sexos. como lesmas fora da concha". Nos homens. mas são mais perceptíveis nas m ulheres devido à gordura depositada nessa região. Um escritor escreveu sobre "essa região sedosa. Naturalmente. uma em cada vértice da figura. também já despertou grande interesse erótico. que expunha as costa s até o limite do sulco das nádegas. P oetas e escultores gregos as admiravam. uma região em forma de diamante situad a entre as covinhas. carnuda.

E ela está bem protegida: primeiro. São cinco os tipos de vérte bras. as costas corr em o risco de parecer demasiado rígidas e "fibrosas". não tenha sofrido de dor nas costas . não e xiste propriamente uma coluna. vitais para a observação do mundo e proteção do rosto. segundo . os músculos das costas foram obrigados a trabalhar o tempo to do. certamente precisa de proteção. Passando à biologia. em alguma fase da vida. As doze vértebr as torácicas são muito menos móveis. pelo líquido cérebro-espinhal. Desde que nossos ancestrais as sumiram a posição ereta. Na verdade. mas 33 vértebras alinhadas. Parece que costas nuas caem melhor em mulheres mais cheias e roliças. e terceiro. mas a que mais trabalha. Se alguma mulher se desse o trabalho de observa r suas sofridas costas. têm a função de su stentar a . po r uma cobertura dura e resistente que chamamos coluna vertebral. por três membranas protetoras. q ue tem cerca de 46 cm de comprimento e pouco mais de 1 cm de diâmetro. A medula. que tem a função de absorver os choques. porque sua principal função é atuar como uma âncora para as costelas. descobriria um conjunto brilhantemente entrosado de múscul os e ossos com a dupla função de sustentar e proteger a medula espinhal. Na maioria dos casos. Se alguma coisa grave lhe acontecer. permitindo todos os movimentos da cabeça. Rara é a pessoa que. as costas são a parte d o corpo menos conhecida. A maior parte do tempo.musculoso das modernas bailarinas não é o mais adequado à exibição total das costas. As cinco vértebras lombares. elas não passam de algo q ue está longe da vista e da mente. As cervicais são sete e têm uma surpreendente mobilidade. as mais pesadas e espessas. só quando sente dor a mulher pára para pensar em suas costas como uma parte de sua anatomia. Sem a s curvas suaves proporcionadas pela camada subjacente de gordura. a solução é comprar uma cadeira de rodas.

Pode parecer estranho que esse osso triangular na base da coluna se ja chamado de "sagrado". As vértebras sacrais se unem para formar o osso sacro. existe algo estranhamente perverso em idealizar a "alma" no ponto mais baixo da s costas. Os músculos das costas se . Acr edita-se que o sacro contenha o espírito imortal. e os glúteos. os músculos dorsais. as mulheres sentem dor nas costas por uma principal razão: falta de exercício em decorrência de uma vida urbana sedentária. O sistema muscular das costas é extrem amente complexo.maior parte do peso do corpo. porém. na parte central. A resposta está na forma do osso. mas consiste em três principais grupos: o trapézio. Excetuado algum problema médico específico. mas em círculos ocultistas ele é considerado o osso mais im portante do corpo. na parte inferior. As dores nas costas são geralmente causadas pelo desgaste desses músculos . Algumas partes do nosso corpo adquirir am seu nome de maneiras bastante excêntricas. São cinco vértebras que atua m como uma só. que significa "cu co". Talvez a escolha se explique pelo fato de ser o osso sacro beijado cer imoniosamente nos conciliábulos das bruxas. Para a maioria das pessoas. É nessa região que as piores dores costumam se instala r. A denominação desse pequeno osso pontudo é ainda mais estranha d o que a do sacro. porque a palavra "cóccix" vem do latim coccyx. que os primeiros anatomista s julgavam semelhante ao bico de um cuco. Elas também se fundem para formar o cóccix — tudo o que restou d a cauda dos primatas. Podemos nos perguntar que ligação pode haver entre nossa cauda remanescente e u m pássaro como o cuco. ao qual é atribuído um papel especial nos rituais divinatórios. As vértebras coccígeas são os últimos e os men ores ossos da coluna. situado na part e superior das costas.

o que pode aumentar a angústia . A coisa piora muito quando a criatura que se esparrama ou se enrosca na superfície macia está acima do peso. Ela também po de ser adquirida durante as horas de lazer. que carregam quase o mesmo peso na mesma região. A má postura decorre de certos hábitos de trabalho. Esse processo qua se sempre passa . A ten são mental é outra maneira de submeter as costas a uma sobrecarga. como um bebê que busca a segurança do corpo da mãe. As tensões corporai s causadas por angústia ou ansiedade podem provocar uma duradoura tensão dos músculos das costas. costumam se surpreender quando começam a sentir os mesmos sintomas.enfraquecem por falta de uso ou são prejudicados por uma postura errada. conversando ou lendo. E quase inevitável que mulheres grávi das sofram dores nas costas devido ao peso do bebê. as costas começam a doer. por algum esforço repentino e por tensões. mas fisicamente impõem um esforço descomunal aos músculos das costas. cada vez mais numerosas no mundo oci dental. e assim por diante. Se para uma mulher que tem atividade física essa manobra repres enta pouco risco. até que seja necessário buscar ajuda médica.. onde todo lar dispõe de móveis macios. Pegar objetos pesados curvando o corpo para a fren te e usando as costas como um guindaste é outro mau costume que quase sempre sobre carrega as costas. mas indivíduos muito gordos. Esses móveis aconchegantes criam uma sensação de segurança e calma.. no s quais o corpo é obrigado a manter uma determinada posição durante horas. que lutam para manter a coluna — liter almente — em boa forma. para a mulher que leva uma vida sedentária o perigo é maior. Em pouco tempo. Durante as muitas horas que passamos vendo televisão. o corpo sedentário se enfia na poltrona ou na cama macia em busca de conforto.

O elemento c omum de todas essas ações é o rebaixamento do corpo para simbolizar a baixa condição de qu em o executa. Alega-se que ou tra causa para a dor nas costas é a frustração sexual. de fato. o que em algumas mulheres idosas se torna u ma postura crônica e permanente ao caminhar. tocar a testa no chão e prostrar-se. Entretanto. e pode ser desencadeado por problemas emocionais que preocupam tan to o cérebro que a pessoa só percebi os efeitos quando é tarde demais. a "essência" da medula era considerada muito benéfica. a .despercebido. Em tempos remotos. Outras interpretações da medula espinhal a vêem como uma estrada. onde se podem comprar pequenos talismãs de plástico representando um corcunda sorridente. e o aumento de atividade sexual tem sido sugerido como tratamento. quando um cadáver apodrecia. pensava-se que dava sorte tocar a corco va de um corcunda. exceto como guardiãs da medula. Por essa razão. dobrar ou ondular as costas de acordo com as mudanças de hu mor. No mundo do simbolismo. uma escada ou um ba stão. o movimento tinha que ser bastante acentuado pa ra expor inteiramente as costas ao superior. A própria medula era vista como um a réplica da árvore cósmica que alcança o paraíso que é o cérebro. e acreditav a-se que qualquer pessoa que tivesse uma parte a mais da coluna vertebral tinha sido agraciada pela sorte. Essa era. Na Idade Média. po demos curvar. Curvar as costas para a frente. sua coluna vertebral se transformava numa serpente. ajoelhar. as costas desempenha m um papel menor. Os macedônios acreditavam . é parte essencial de uma série de ações coord enadas como curvar-se. Essa crença ainda sobrevive em algumas regiões mediterrâneas. As costas não são uma das partes mais expressivas do corpo feminino. esticar.

Os militares são treinados para ma ntê-las eretas mesmo quando estão relaxados. Demonstra extrema superioridade. porque opõe-se à postu ra de braços cruzados. porque significava rej eição. Aprumar as costas também tem o efeito de aumentar ligei ramente a altura do corpo. A mais simples é aquela em que a pessoa fica de pé ou caminha com os braços atrás delas. porque a altura diminui ligeiramente — quase como uma incipiente curvatura de subordinação. A postura com as mãos atrás das costas diz que a pessoa está tão confiant e que não precisa de nenhuma proteção frontal. Deixá-las cair passa uma mensagem de impotência. E dar as costas a alguém a quem acabamos de ser ap resentados continua sendo um insulto. porque indica que o corpo está se preparando para um ato violento. É uma postura c omum em pessoas de alta condição. Dar a s costas a alguém na posição ereta era uma grosseria imperdoável. Por essa razão. uma mudança que ajuda a demonstrar poder. na qual estes se unem diante do corpo como uma espécie de bar reira de proteção. esticá-las é um gesto ameaçador. Se voltar as costas a alguém é uma grosseria p or ignorar deliberadamente o outro. Esse procedimento formal ainda sob revive e pode ser observado numa sala apinhada. os subordinados tinham que se afastar da presença do Grande Senho r caminhando de costas para fora do salão real. com as mãos presas uma à outra. quando alguém gira a cabeça e diz a um amigo: "Desculpe as costas".única situação em que o inferior podia mostrar as costas sem ofender o superior. Os professores usam o mesmo gesto quand o caminham pela . Existem várias posturas com as quais uma pes soa entra cm contato com suas costas. e é por isso que eles parecem mais agress ivos que os cidadãos comuns. especialmente em membros da realeza e líderes político s em ocasiões formais de inspeção.

mas em momentos de menor envolvimento emocional adota uma versão em m iniatura — o tapa nas costas —. Quando pequena. Mesmo um tapinha breve e suave nas costas de alguém que está sofrendo traz um enorme conforto. a criança adora o abraço da mãe. o abraço. Quando adulta. as costas são um a parte do corpo muito tatuada. porque os corpos ficam mais próximos enquanto caminham. Outra forma comum de contato é o gesto em que uma pessoa pressiona a mão nas cos tas de outra para guiá-la. Trata-se de uma maneira q uase universal de confortar. porque ecoa uma sensação de infânc ia. A motivação desse ge sto é sempre a mesma. e a pressão carinhosa das mãos em suas costas se torna um sinal de cuidado e amizade. a pessoa pode se entregar num abraço apaixonado. Magníficas demonstrações da arte da tatuagem podem ser vistas nas costas de mulheres corajosas em todo o mundo. em vez de tocar o braço ou o cotovelo. Outros gestos que envolvem as costas são gestos secretos e ocultos. como quando uma menina esconde a mão atrás das costas para cruzar os dedos quando diz uma mentira. Devido à sua grande extensão. e que q uer dizer: "Estou aqui se você precisar".sala de aula. despro porcional à simplicidade e brevidade do contato físico. que lembra o corpo do gesto maior. que lhe tra nsmite total segurança e amor. É um gesto um pouco mais íntimo. demonstrando sua superioridade naquele território. no sentido de que é uma versão reduzida do mais fundamental cont ato interpessoal. Entre os motivos. Outra maneira de contato nessa região é o proverbial "tapinha nas costas". exis te uma tatuagem que mostra uma cena de caçada. cumprimentar e demonstrar amizade. Ou o leve conta to da mão nas costas quando duas pessoas estão juntas. olhando na mesma direção. .

. e a c auda da raposa prestes a desaparecer entre as nádegas.com cavalos e cães perseguindo uma raposa por todo o comprimento das costas.

Com a chegada da puberdade. que costumam ser escondid os por pais recatados e pela censura do cinema. porque os julgam "animalescos" ou "ma sculinos". embora haja exceções em que os pêlos surgem precocemente. o crescimento dos pêlos já esta prat icamente completo. os da cabeça. Por volta dos 14 anos. inclusive o nascimento dos pêlos nos genitais externos. naturalmente. Pêlos púbicos Durante toda a infância. Depois. e agora. Talvez elas nunca tenham visto pêlos púbicos. mas não e ntre os meninos. Ter pêlos na região genital as assusta. Aos 15 anos. por volta dos 8 anos. a época exata em que os pêlos púbicos atingem a maior . Outra coisa que pode deixá-las ins eguras é o fato de só terem visto pêlos no corpo dos homens. Muitas meninas não gostam dessa mudança. A constatação surgiu inesperadamente duran te uma pesquisa sobre os animais mais amados e odiados.19. as coisas se tornam mais complexas. entre 12 e 13 an os nascem os primeiros pêlos. muitas mudanças sã notadas. Na média. mas continuam pe rturbando um grande número de adolescentes. as meninas não têm pêlos no corpo. o ódio às aranhas aumentava muito entre as meninas. Quando os ovários começam a aumentar de tamanho e se inicia a produção de hormônios. está "sujo" e "peludo". entre 13 e 14. a quantidade de pêlos aumenta e começa a surgir a forma triangular. ou com atraso. seu corpo era liso e limpo. Geralmente. perto dos 14. porém. Descobriu-se que. Na infância. Essas dúvidas podem parecer exageradas para alguém que tenha sido criado numa família liberal. e eles adquirem o padrão adulto. entre crianças pré-púberes inglesas. isso ocorre entre 11 e 12 anos. exceto. de repente.

A prin cipal exceção é encontrada no Extremo Oriente. mas quando as meninas em questão foram solicitadas a explicar por que odiavam tanto as aranhas. São essas pernas que são vistas como "pêlos ". quando uma aranha atravessa seu caminho. O fato de esse medo dobrar na fase em que as meninas constatam que um "tufo pelud o" está crescendo entre suas pernas é significativo. Se lhes perguntassem por que não gostavam das aranhas. e com isso a aranha é inconscientemente definida como "um tufo peludo e móvel". os pêlos púbicos nem sempre acompanham os cabelos. Muitas mulheres de cabelos escuros têm pêlos púbicos mais claros. em geral com uma tonalidade avermelhada. . Assim. isso parecia não ter nenhuma ligação com os pêlos púbicos. Em cor e te xtura.. era mais provável que tivessem respondido que elas "eram v enenosas". os pêlos púbicos variam muito: são curtos ou longos.. A aversão pelas aranhas peludas é mais simbólica do que real. espessos mas bastante esparsos [. é o movimento das longas pernas que se irradiam de seu corpo mole. A mai oria das mulheres tem pêlos púbicos crespos. Em diferentes partes do mundo. para cada menina que se sente orgulhosa dos pêlos que começam a despontar. onde os cabelos pretos e lisos coexiste m com pêlos púbicos "pretos. quase sempre respondiam que elas era m "umas coisas sujas e peludas". lisos e macios ou espessos e crespos.] fo rmando um triângulo invertido". se preocupam muito menos com isso. existe outra que está perturbada co m esse fato. esparsos ou densos. curtos e lisos. que já esperam adquirir pêlos no corpo como seus pais. O que uma men ina de 14 anos vê. À primeira vista. Os meninos. mesmo quando os cabelos são lisos.velocidade de crescimento. o ódio às aranhas aumenta drasticamente e se torna duas v ezes mais forte nas meninas que nos meninos.

No período pré-histórico. Hoje. enquanto sua a usência a inibia.) A segunda fu nção dos pêlos púbicos é atrair pelo odor. A presença de pêlos púbicos ajudava a desencadear a reação sexual do macho. os pêlos púbicos são um sinal visual. M as esse sinal primitivo tem uma desvantagem. se quiserem que seu odor natural não perca o poder de atração. Seu pleno aparecimento aos 15 anos coincide com o início da ovulação e da capacidade biológica de procriar. a ausência de pêlos púbic os nas meninas era um aviso de que elas ainda eram jovens demais para procriar. eles devem ter funcionado como um sinal de que a menina havia se tornado um a mulher adulta. Numa época primitiva em que os humanos andavam nus. É por is so que.As primeiras perguntas que a menina púbere costuma fazer sobre seus pêlos púbicos é: "Po r que tenho isso? Para que isso serve?". e parece haver . que andam vestidos. O resultado é um odor corporal desagradável. porém. Uma terceira função dos pêlos púbicos é que eles atuam como um amortecedo r no contato da pele do homem e da mulher durante o vigoroso contato sexual. quando a pele f icava exposta ao ar. (Essa inibição tão natural e que está ausente nos pedófilos. Essa função protetora é muitas vezes menciona da. cuja fragrância persiste mais tempo nos pêlos densos e crespos que na pele nua e macia. que andavam nus. com r oupas apertadas cobrindo o púbis. os humanos mode rnos. Antes de mais nad a. As glândulas da região genital secretam feromônios aroma natural que os machos inconscientemente acham sexualmente atraente —. pro tegendo o mons pubis da mulher da abrasão. precisam se banhar com mais freqüência que os primitivos. existe maior probabilidade de as secreções glandular es sofrerem o ataque de bactérias. as fragrâncias naturais permaneciam frescas. Para o macho pré-histórico. Existem três respostas.

Além do mais. não parece sentir falta disso quando o corpo está em contato com a p elve do homem. foram propostas n o passado. decorá-los ou removê-los. sempre houve muito interesse em t ingi-los. o sexo da mulh er fica excessivamente exposto. Também já se disse que eles protegem os genitais do frio e de a cidentes. no Pacífico sul. os pêlos púbicos não têm permanec ido no seu estado natural. cortá-los. Os pudicos acham que modificar essa parte do corpo indica uma obsessão doentia pel a anatomia sexual. Entre elas inclui-se a idéia de que os pêlos púbicos funcionam como uma "re catada dissimulação" dos genitais. onde "as mulheres limpavam as mãos nos pêlos púbicos sempre que elas estavam sujas ou molhadas.um elemento de verdade nisso. mas a mulher adulta dos tempos modernos. seja lá o que isso signifique. muito improváveis. Em todos os tempos. Talvez a observação mais estranha sobre a utilidade dos pêlos púbicos tenha sido registrada por um antropólogo alemão que visitou uma tribo que viv ia no arquipélago de Bismarck. que remov e os pêlos púbicos. re os que são a favor de deixar os pêlos púbicos em seu estado natural não há só puritanos. e que "facilitam a acumulação e a troca de eletricidade entre dois pólos opostos durante a cópula". que absorvem o suor que escorre pela frente do corpo. Além dessas três funções. há quem os considere um véu erótico que "inflama a imaginação". Por outro lado. várias outras. . Cortá-los ou tingilos revela a intenção de expor uma parte do corpo que devia permanecer estritamente privada. vêem na depilação dos pêlos púbico s a remoção de algo que ajuda a esconder a fenda genital. Como muitas outras partes do corpo humano. e também muita oposição a essas intervenções. Sem os pêlos. da mesma forma que nós usamo s toalhas".

Por outro lado. A depilação dos os púbicos provoca duas reações completamente contraditórias. mas nunca vira pêlos púbicos em nenhuma delas e . No ano seguinte. assim como conden avam qualquer forma de maquiagem ou de melhoramento cosmético. Em apoio aos puritanos. No passado. e ela f icou surpresa ao descobrir que ele não conseguia fazer sexo com ela.As primeiras feministas rejeitavam toda modificação nos pêlos púbicos. eles também pr ometem ao homem a retenção das flagrâncias eróticas das glândulas femininas. John Ruskin tinha 28 anos e não sabia quase nada sobre sexo quan do começou a cortejar sua futura esposa. os hedonistas acham os pêlos púbicos naturais altamente eróticos. Em sua função de atrair pelo odor. não é nada erótico. Mas também há os que acham que "não ter nada entre as pernas". Apai xonado admirador da escultura clássica. e que sua remoção é portanto uma medida de higiene. há o argumento de que os pêlos púbicos são potencialmente sujos e malcheirosos. Também levou as modelos dos artista s a raspar os pêlos púbicos supostamente para revelar os detalhes dos contornos pélvic os. eles se casaram. ele finalmente admitiu que achava seus pêlos púbicos repulsivos. essa visão fez com que mui tas estátuas femininas exibissem um púbis sem pêlos. conhecia as formas íntimas da mulher e aprec iava-as esteticamente. por acharem que com isso a mulher estaria se vendendo ao homem. Depois de ano s de evasivas. mas na verdade para conseguir uma semelhança com a aparência limpa das estátuas clás sicas. porque oferecem ao homem um sinal visua l da prontidão da mulher para copular. Existe um caso famoso de um professor de arte vitoriano muito ingênuo e mui to romântico que teria sofrido terrivelmente por causa dessa aparência artificial da s estátuas clássicas. como uma boneca.

(As estátuas clássicas masculinas mostram pêlos púbicos crespos. esse detalhe era omitido em nome do bom gosto. Os críticos contestam afirmando que isso "é um passo em direção à pornografia infantil". Na vida real.aparentemente nem sabia que eles existiam. o que obrigou a esposa a pedir sua anulação. A primeira é que ela põe a nu a f nda genital. ou "É como se realizasse uma fantasia com uma estudante". Os homens que r eagem favoravelmente a um púbis depilado costumam dizer coisas como: "É uma suavidad e de bebê". A segunda razão para a preferência pela vulva depilada é que ela passa uma image m de virginal inocência. o mesmo acontece com a vulva depilada. nos quadros. que continuava virgem. porém. esse detalhe íntimo é totalmente exposto e transmite ao homem que o vê uma imagem ainda mais forte do que o tufo de pêlos. Alguns homens puritanos revelam uma acentuada preferência por uma vulva higienicamente depilada. mas as femininas não. Nas estátuas clássicas. É a imagem corporal de uma menina jovem demais para fazer s exo. os artistas geralmente disfarçavam a fenda de suas modelos fazendo-as assumir poses que a escondiam. Assim como um púbis peludo atrai puros e impuros.) Seu horror ao descobrir que sua amada t inha um tufo de pêlos entre as pernas foi tal que ele nunca foi capaz de consumar o casamento. O fato de gostarem de um aspecto "virginal" não . e portanto simbolicamente jovem demais para ter feito sexo. ou ""Tem um ar de Lolita". O a pelo sexual da depilação dos pêlos púbicos tem três fontes. mas não levam em consideração o fato de que muitos homens que se sentem ex citados pela visão de um púbis depilado têm consciência de que o resto do corpo de sua p arceira é de uma mulher adulta. mas o que surpreende é que muitos libertinos tenham a mesma preferência. através de um exame médico. apesar do constrangimento de ter que provar.

puritanamente. ela está lon e de ser um capricho transitório da moda. menos que todos os seus amantes tenham fartas barbas". consideram a vulva depilada mais excitant e e sensível. a depilação dos pêlos púbicos apresenta outras vantagens.significa que eles reagiriam sexualmente a uma menina pre-púbere. As mulheres egípcias detestavam ter pêlos no corpo. Há quem. licenci osamente. Como ocorre com outros aspectos do corpo feminino. Mas também existem aqueles que. Há registros de que a depilação já existia no an tigo Egito. considere a remoção dos pêlos púbicos uma medida de higiene. O prazer do sexo oral aumenta muito para amb os os parceiros. Faziam isso com uma cera feita de mel e óleo. ache que dei xar os pêlos púbicos naturais é sinal de recato. Outros apreciam a e xcitação de "ter um segredo sexual que só os dois parceiros conhecem". Voltando à história da remoção dos pêlos púbicos. existem pontos de vista altamente conflitantes. por que um púbis depilado tem que ser visto dessa maneira? Além de seu aspecto inocente. Mas também existem os que. Por outro lado . Vamos resumir a s atitudes contraditórias em relação aos pêlos púbicos. Se nin guém condena as mulheres que gostam que seus amantes tenham um rosto imberbe de me nino. A região genital se t orna muito mais sensível à estimulação tátil. e os removiam sem de ixar o menor traço. há quem. os consideram eróticos e dotados de uma fragrância sensual. Defendendo sua o pção. a. uma mulher observou que "qualquer mulher que ache que o homem que aprecia uma vulva depilada está perto de ser um pedófilo corre o risco de ver o argumento voltar -se contra ela. . puritanamente. licenciosamente. Algumas mulheres alegam que uma simples caminhada fica mais eróti ca: "O simples ato de caminhar é divertido porque você desliza".

dizendo-lhe que o recebesse depois de remover o "véu da natureza". queimados com uma vela. levaram o costume para a Europa.C. porém. Impressionados com o que viram lá. . mas logo desapareceu. Isso se devia ao fato de que "o forte crescime nto dos pêlos das mulheres setentrionais impedia que suas partes íntimas fossem vist as. para a mulher grega. onde algumas mulheres da aristocracia o adotaram durante a Idade Média.Conta-se que o rei Salomão não gostava de pêlos púbicos. parece que ele lhe pediu que se depilasse antes de fazerem amor . Por isso.. a depilação era a regra. pela segund a. Pouco mais ta rde. no século X VI. Quando os cruzados chegaram à Terra Santa. queimados com brasas. há registros de que os homens preferiam que suas mulheres "removesse m os pêlos de suas partes intimas". sabe-se que as mulheres turcas se aplicavam tanto em depilar o púbis que salas especiais eram destinadas a esse propósito nos banhos públicos. Mais tarde.. os pêlos eram extraídos um a um com uma pinça. Acreditava-se que e ra pecado permitir que os pêlos púbicos crescessem naturalmente. A remoção dos pêlos púbicos também era comum na antiga Roma. descobriram que as mulheres ára bes depilavam a região pubiana. entre eles uma espécie de cera preparada com piche ou resina.". elas usavam uma pinça especial denominada volsel la. Na classe alta.. Ao contrário das gregas. substituíam a arriscada técnica de queimar os pêlos pe la aplicação de cremes depilatórios. A moda floresceu por um tempo. Quando a rainha de Sabá o visitou no século X a. que se fazia através d e três técnicas: pela primeira. na Grécia. mas as técnicas das mulheres romanas eram um pouco diferentes. as jovens começavam a se depilar assim que os pêlos púbicos nasciam. Como as gregas. e pela terceira.

com a li beração dos anos 1960. significou um retorno ao estilo das antigas civilizações.Na época vitoriana. na Europa. . Durante a década de 1970. de repente. e a depilação dos pêlos púbicos mais uma vez caiu em desuso. no início d o século XXI. uma nova terminologia foi criada. e cada salão de beleza inventa ter mos para definir os diferente graus de nudez púbica. uma tendência desafiadora que. Outras log o a seguiram. Em decorrência dessa mania. o nascimento do movimento feminista assist iu a uma volta à natureza. até que. A cava dos maiôs foi subindo cada vez mais (para fazer as pernas parecerem mais longas). Eis alguns deles: Linha do bi quíni: É a forma menos radical. pa radoxalmente. No fim do século XX. O costume só ressurgiu muito mais tarde. Isso pôs em ação uma redução cada vez mais drást ica dos pêlos púbicos. Estilos cada vez mais radicais iam surgindo. A nova tendência começou por causa de uma mudança nas roupas de banho. e certas figuras proeminent es se rebelaram contra costumes considerados muito pudicos ou tradicionais. o que fe z os pêlos púbicos aparecerem de cada lado da estreita faixa de tecido. Apenas os pêlos que escapam de cada lado são removidos. exceto t alvez entre as "damas da noite". que chocou o mundo ao anunciar public amente que o marido tinha depilado seus pêlos púbicos na forma de um coração. Então. com uma grande variedade de estilos. Uma rebelde famosa foi a estilista Mary Quant. tudo era possível. nunca se ouviu falar de remoção dos pêlos púbicos. porém. Todos os pêlos cobertos pelo biquíni são poupados. ela voltou com tudo. a depilação total se tornou a última moda. Esses pêlos pa reciam feios e foram rapidamente removidos.

Os policiais locais foram obrigados a exec utar a árdua tarefa noturna de checar as faixas de pêlos e enviar para casa qualquer garota desobediente. Estilo Playboy: Todos os pêlos são removidos. Este estilo tem sido descrito como "uma flecha apontando o caminho do prazer". exceto uma faixa retangular de 4 cm. e a lei foi relaxada. e todos os outros pêlos são removidos. Estilo brasileiro: É o mais famoso dos novos estilos. No estado americano da Geórgia. "exceto uma pequena quantidade no mei o". Triângulo: Todos os pêlos púbicos são removidos. Estil o europeu: Todos os pêlos púbicos são removidos. Segundo os legisladores de Atlanta. Esse estilo é às vezes chamado de "bigode de Hitler" ou "bigode de Chaplin". Bigode: Todos os pêlos são removidos. Depois de algum tempo. Pista de pouso: Uma estreita faixa vertical é deixada. isso se ria suficiente para cobrir a fenda genital. Coração: O tufo de pêlos é depilado na forma de coração. Para . É um corte muito procurado no Dia dos Namorados. as da nçarinas de strip-tease foram obrigadas a deixar uma faixa de pêlos de "dois dedos" de largura quando se exibissem nuas. Uma faixa de apenas "um dedo" era co nsiderada obscena e proibida por lei. Esse estilo é adotado pelas modelos qu e precisam usar biquínis e maiôs muito estreitos na região púbica. m as existe alguma confusão sobre sua forma exata. como uma sur presa erótica para o parceiro sexual. que pode ser tingido de vermelho. exceto um retângulo largo que cobre a fenda da vulva. deixando apenas um pequeno triângulo com o vértice para baixo. mas tem uma história legal. a novidade desse estranho dever can sou.Biquíni cheio: Apenas uma pequena quantidade de pêlos é deixada no monte de Vênus. Essa medida exata pode parecer estranha.

sete irmãs brasileiras (conhecidas como as J. "chácháchá". Então . qu e logo se tornou a meca da depilação. pinças. . Esses são os estilos mais populares no início do século XXI. Outros prometem formas exóticas de p onto de exclamação. tinturas e eletrólis e. O nome deriva de um filhote de gato do Canadá. coroa. navalhas. Para obter ess as formas.alguns. A técnica mais usada hoje é a remoção com cera. há estilos especiais. uma forma mais radical da "p ista de pouso". Mas as J. estrela e até mesmo as iniciais do parceiro. Si sters deixaram bem claro o que fazem. no Rio de Janeiro. ceras. Quando outros salões passar am a copiá-lo. descrevendo o seu estilo como "tudo fora. que retarda mais o crescimento de nov os pêlos. "estrelas e listras". "alvo". ela é igual à da "pista de pouso". que deixa a região pubiana completamente nua. Alguns estilistas extravagantes oferecem variantes que levam nomes co mo "olhos de touro". nem sempre obedeciam ao mesmo grau de remoção. Sisters) se mudaram para Nova York . "surpresa de lua-de-mel". Estrelas de cinema e top models começaram a visitar o salão. Alguns salões também dão a esse estilo o nome de "Hollyw ood". A moda começou na praia de Copacabana. daí a confusão. onde surgiram os menores biquínis. Esfinge: Esse é sem dúvida o estilo mais radical. Sisters que esse estilo passou a ser conhecido como "brasileiro". significa a depilação total dos pêlos. onde abriram um salão de beleza e começaram a oferecer o serviço de depilação dos pêlos púb cos a suas clientes. Além deles. menos uma mínima faixa". Foi graças à fama conquistada pelas J. "botão de flor" etc. para outros. "ra inha de diamantes". Para outros ainda. são usados cremes depilatórios. qu e nasce completamente pelado.

elas obedeciam ao desejo do rei. fios de náilon ou pêlos de animais. Mais tarde. no mundo do cinema. Alí. quando o rei da França pediu às damas da corte que di minuíssem o esplendor de seu vestuário. elas têm sido usadas como "máscara de recato" por atrizes que precisam aparecer nuas em cenas de sexo. sua função era mascarar os danos provocados pela sífilis e outras doenças v enéreas que desfiguravam os genitais externos. e ainda hoje estão à venda. mas compensaram a restrição transferindo a ostentação para baixo da roupa. . Publicamente. As perucas pubian as tem uma longa história.Um recurso totalmente oposto à depilação é o curioso hábito de perucas pubianas feitas de cabelo humano. Mais recentemente. elas obedeceram ao monarca. Registros comp rovam que as perucas pubianas eram muito populares desde o século XVII. e depois é removida — uma solução mais conveniente para mulheres que não querem chegar ao extremo d e submeterse a um corte verdadeiro. Algumas perucas são decoradas com pedras. flor es ou fitas coloridas. havia uma peruca de pêlos púbicos "adornados com fitas plissadas de diferentes cores". O fato vei o ao conhecimento público de uma maneira pouco comum. As perucas também têm sido usadas como um adesivo temporário para quem quer mudar o estilo do corte dos pêlos púbicos. A peruca é presa no lugar com a aju da de um tapa-sexo invisível ou colada sobre os pêlos verdadeiros. Já existiam há centenas de anos. foram usadas por prosti tutas para agradar a clientes que se sentiam atraídos por um púbis bastante peludo. para que m quisesse ver. mas secretamente se entregavam aos excessos ornamentais. O cadáver de uma marquesa fran cesa foi abandonado na rua com os genitais deliberadamente expostos. Parece que. três tipos de decoração que são conhecidos há séculos. Or iginalmente. A peruca recebe um corte e uma tintura para uma ocasião especial.

flores e pedras preciosas. Agora eram expostos cada vez que um animal humano se voltava par a outro.competindo umas com as outras para criar os púbis mais glamorosos. ou a penas seu "tesouro". raramente são menc ionados em sociedade (a brilhante peça Os monólogos da Vagina é uma única exceção a essa reg ra. ajudava a . Fonte de grand e prazer sexual. As pedras preciosas usadas como adorno às vezes tornavam a região pubiana a mais valiosa do corpo feminino. os genitais deviam ser celebrados. o que gerou uma expres são popular pela qual a vulva era considerada o "cofre do tesouro" da mulher. Isso significava que era impossível um adulto se aproximar de outro sem u ma conotação sexual. também intensificava a sexualidade nos momentos de privacidade. nossos primeiros ancestrais perceberam que não podiam deixar de exibir a part e frontal do corpo sempre que se aproximavam de outro membro da espécie. tanto machos quanto fêmeas resolveram cobrir a região genital: nascia a tanga. qu ando caminhavam sobre quatro patas. Além de reduzir a força da exposição genital em situações públicas. Antes. Para resolver isso. prec isamos voltar a tempos primitivos. está é verdadeiramente um tabu. enfeitados com fitas. Em terceiro lugar. os genitais ficavam totalmente escondidos e bem protegidos. A tanga tinha três vantagens. 20.) Por que isso acontece? Por que as pessoas se sentem tão constrangidas em fala r dessa parte tão importante da anatomia feminina? Para encontrar a resposta. Quando começaram a andar sobre as pernas trasei ras. quando ela era removida. Genitais De todas as partes do corpo feminino. No entanto.

Comparado ao pênis de outros primatas. No alto da fenda existe um pequeno capuz de car ne que cobre parcialmente o clitóris. é sempre o equivalente mod erno da tanga a última peça a ser retirada. a uretra. Apenas quando se trata de crianças muito pequenas essa regra é relaxada. expor os geni tais em público é proibido por lei. qu e flanqueiam a abertura vaginal. Na maioria dos países. O formato do pênis masculino é significativo nesse aspecto. os genitais femininos podem ser descritos como visualmente simples. mais delicados. Gerações de puritanos religiosos responderam aos ape los que vinham do púlpito: "O nudismo é tão desavergonhado quanto o próprio Demônio. um pequeno botão de carne extremamente sensível situado bem acima do canal urinário. o máxim o da rebelião humana contra Deus". existe uma pequena fenda vertical criada pelos doi s grandes lábios — dobras de carne que protegem os pequenos lábios. A menos que sejamos praticantes do nudis mo. e par cialmente escondida por eles. quase não há o que ver. No entanto. O que ê exatamente isso que tanto queremos escond er? No caso da mulher adulta. para dizer o mínimo. Nenhuma ou tra parte do corpo feminino é tão sensível ao toque. a atenção que eles atraem é enorme. Falta-lhe o os . seja dos dedos. dos lábios. O motivo para a excitação que essa parte do corp o produz não está em seus atributos visuais. E é só. Por baixo dos pêlos púbicos. e para ocultá-los as pessoas chegam a comet er extravagâncias.proteger a delicada região genital dos desconfortos do ambiente natural. só expomos nossos genitais a nossos parceiros sexuais. mas em suas qualidades táteis. da língua ou do pênis. Comparados com o equipamento ma sculino. Hoje. qua ndo as pessoas se livram das roupas por causa do calor. o órgão humano é muito diferente.

O espesso pênis humano causa fortes sensações à medida que se move contra a s superfícies internas dos genitais femininos durante os prolongados movimentos pélv icos de nossa espécie. quando e le é inserido na vagina da mulher. e a ejaculação ocorre. atingin do o dobro do seu tamanho normal e desenvolvendo uma sensibilidade cada vez maio r ao toque. por exemplo. permitindo-lhe partilhar a excitação com o h omem à medida que a cópula prossegue. Isso significa que ambos os pa rceiros recebem uma grande recompensa pelo esforço sexual. um típico coito leva ape nas 8 segundos. O orifício da vagina. ao contrári o do que acontece com os . depois de apenas seis movimentos pélvic os. a mulher experimenta um clímax orgásti co fisiologicamente muito semelhante ao do homem. em média. O ato sexual mais demorado não leva mais do que 20 segundos. Isso não só torna o pênis ereto.penis — o pequeno osso que dá aos macacos uma rápida ereção. Quando ocorre a excitação sexual. o sangue entra no pênis muito mais rapidamente do que pode sair. e o encontro. é submetido a uma repetida e ritmada massagem do pênis. cercado por camadas de pele extremament e sensíveis. O sistema humano depende da c ongestão do sangue nos vasos sangüíneos. Isso pode ser visto como um evidente e inevitáve l mecanismo de acasalamento. A fêmea do macaco recebe algumas estocadas do pênis fino e ossudo do macho e num instante o coito termina. como aumenta seu comprimento e especialmente sua espessura. os grandes e pequenos lábios se intumescem de sangue. Nos babuínos. Por isso. pressiona os lábios e as paredes vaginais. O resultado é que. À medida que a exci tação da mulher aumenta. mas difere acentuadamente do que ocorre com outros primatas. as maca cas não desfrutam do aumento progressivo da excitação sexual e do orgasmo explosivo da fêmea humana. Depois de uma prolongada estimulação. Essa p ressão cria uma forte reação erótica na mulher.

m as servem para estreitar ainda mais os laços emocionais entre os amantes. a menos que as pernas estejam totalmente abertas. criam . e algumas mulheres alegam que isso é suficiente para levá-las ao org asmo. Grandes lábios. Vale a pena analisar separadamente cada uma de suas partes.macacos. Ele é mais sensível à estimulação quando os pêlos púbicos foram removidos. e po r isso seu púbis parece mais projetado para a frente que o normal. Monte d e Vênus. Quando elas se fecham. Os seres humanos literalmente fazem amor. Em conjunto. jovens modelos excessivamente magras não desenvolvem esse tecido gorduroso. os genitais externos são conhecidos como vulva. que funci ona como um amortecedor para o osso do púbis. O fato de a fêmea humana (ao contrário da fêmea do macaco) não transmitir um sinal claro ao macho quand o está ovulando também significa que a maior parte dos atos sexuais não são de procriação. o que pode e plicar em parte o sucesso da depilação da região pubiana. T ambém conhecidos como lábia majora. Situa-se logo acima dos lábios. Qualquer massagem acidental ou deliberada nessa região tem u m efeito erótico. Ele também tem um papel na excitação sexual. porque é bem suprido de terminações nervosas. quando o súbito aumento dos níveis de estrógeno provoca sua formação. Também conhecido pelos nomes latinos de mons veneris ou mons pubis. os carnudos lábios externos normalmente cobrem os pequenos lábios internos. e sua função é proteger o osso púbico do impacto do corpo do homem durante os momentos mais vi gorosos do ato sexual. O monte de Vênus só aparece na p uberdade. o monte de Vênus é uma pequena almofada de tecido gorduroso coberta de pêlos púbicos. pode produzir fortes laços emocionais entre os parceiros. Entretanto .

De acordo com certos relatos. O eq uivalente no homem é a bolsa escrotal. nômades da África do Sul. os pequenos lábios são às vezes muito alongados e pendem entre as pernas ''como dois dedos de carne pendurados" . Um monte de pêlos cobre essa superfície. os pequen os lábios se intumescem de sangue. Posicionados dentro dos grandes lábios.uma fenda vertical. que se mantêm úmidas graças ao muco vaginal. adquirindo uma coloração avermelhada. enquanto outros podem mostrar dobras. às vezes um pouco mais escura. não muito confiável. e existe um relato da década de 1860. São conhecidos como labia minora ou nym phae. A pele é semelhante à do resto do corpo. De qualquer modo. de que uma mulher "foi capaz de desdobrar seus n ymphae e fazê-los encontrar-se atrás das nádegas". Nas mulheres do povo san. Durante a penetração. Pequenos lábios. ondulações ou g rânulos. Uma autoridade insiste que eles podem chegar a 20 cm. o que faz os lábios mais a rredondados e proeminentes. O tamanho dos grandes lábios varia de uma mul her para outra.) Os pequenos lábios têm formas e tamanhos variad os: alguns são pequenos e lisos. com a prolongada estimulação do pênis ereto. Durante a intensa excitação sexual. os grandes lábios podem ficar mais vermelhos. dotada de glândulas que s ecretam odor. chegam a medir 11 cm e podem ser enfiados na vag ina. seu comprimento a normal tem provocado muitas dúvidas: serão eles uma característica racial ou resultado de um costume cultural de distendê-los artificialmente? . (A ausência des sa coloração é um sinal de falso orgasmo. esses pequenos lábios chatos (sem gord ura) são duas membranas cutâneo-mucosas altamente sensíveis. Algumas acumulam mais tecido gorduroso.

na primeira vez que o pênis é inserido na vagina o hímen se rompe e há um pequ eno sangramento. A vagina é um tubo de cerca de 8-10 cm de c omprimento quando a mulher não está excitada. lábios maiores são considerados feios por alguns escritores. quando os noivos exigiam noivas intocadas. Entretanto. Vagina. suas paredes se tocam. Além disso. Os cirurgiões plásticos certam ente concordarão com essa opinião. o tecido é liso. entre a pub erdade e a menopausa. A labioplastia.O estiramento dos lábios ressurgiu recentemente no mundo ocidental. o revestimento da vagina é levemente rugoso. como é chamada essa cirurgia. e há quem afirme que lábios maiores provocam dor no contato com a roupa. Nessa condição. A presença desse hímen foi d e grande importância historicamente. Ge ralmente. muitas cirurgias genitais são realizadas para reduz ir o tamanho dos pequenos lábios ou restaurar a simetria quando um lábio cresce mais que o outro. Com a excitação sexual. a extremidade externa da vagina é protegi da por uma membrana que fecha parcialmente sua entrada. Na idade adulta. Antes e depois desse período. que afirmam que "mulheres perfeitas sempre têm lábia minora simétricos. sem muitas dobras ou fissuras e que não se projetam além dos grandes lábios". Conta-se que mulheres ex perientes conseguiam simular castidade na lua-de-mel inserindo na vagina uma esp onja embebida em sangue de pombo ou escondendo sob o travesseiro um pequeno . Algumas culturas tinham o costume de exibir a mancha de sangue no lençol do casamento como prova da virgindade da noiva. tem sido a mais procur ada entre as "cirurgia íntimas". e existem até cu rsos que ensinam essa técnica para aumentar o prazer sexual. Nas virgens. ela se expande e chega a 10-15 cm. não há consen so sobre esse fato.

Se sua função é tornar a primeira relação sexual difícil e dolorosa. permitindo que o pênis alcance sua . que é menor em mulheres jovens. A região superior da vagina. A região inferior da vagina. que val pode ter isso para a sobrevivência da espécie? Só parece haver uma única explicação possível: trata-se de um passo evolutivo destinado a colocar um leve freio ao contato sexu al precoce. Deflorar uma jovem tornou-se um limite que todo menino tem que ultra passar. mais próxima da abertura. é cercada de tecido musc ular. Em mulheres mais velhas. também ch amada de colo do útero. a existência do hím en é enigmática. só 50% das mulheres modernas sangram no primei ro intercurso. N o tempos atuais. Em conseqüência disso. esses músculos se enfraquece m e a tensão muscular diminui. "a virgindade não é mais um atributo físico. e a primeira relação sexual entre um casal de jovens amantes se tornou um mo mento mais sério e significativo. Para a formação de um par da espécie isso tem algum se ntido. Como uma vagina estreita atrai o homem. É por isso que alguém já disse que. Esse tecido controla o tamanho da abertura vaginal.frasco com sangue de algum animal. que já tiveram filhos. Em termos evolucionários. Na extremidade superior da vagina fica a cérvix uterina. mas espiritual". a forte excitação aumenta as dimensões da vagina. muitos hímens se rompem antes da primeira penetração. é menos muscular e se expande com maior facilidade par a acomodar o pênis. sua porção interna. que derramavam no lençol no momento oportuno. em que muitas jovens se dedicam a esportes vigorosos. para não fa lar do uso de tampões e diversos modos de masturbação. Durante o ato sexual. uma nova ci rurgia plástica está sendo realizada para recuperar a tensão muscular. na sociedade atual.

Sua parte visível é um botão do tamanho de um mamilo. o po U. o qu e o torna o ponto mais sensível do corpo feminino. o que leva vários di as. os órgãos genitais também contêm qua tro pontos extremamente excitáveis. São pequenas regiões de alta sensibilidade. Localiza-se na parte superior da vulva. Um deles vai se unir ao óvulo para iniciar uma nova vida. Passando por ela. geralmente ele é estimulado manualmente. Clitóris. no ponto onde os pequenos lábios juntam suas extremid ades superiores. mais grosso e mais erétil) e torna-se ainda mais sensível durante a cópula.extremidade. Dotado de uma função apenas sexual. . A parte visível é simplesmente a ponta. a mulher não libe ra mais de quatrocentos durante sua vida reprodutiva. os outros dois. Durante as preliminares. digital ou mecânic a do clitóris. onde encontrarão um óvulo descendo. Trata-se de um feixe de 8 mil fibras nervosas. Embora o ovário contenha literalmente milhares de óvulos. o clitóris cresce (torna-se mais longo. parcialmente co berto por um capuz protetor. descendo ao redor do orifício vaginal. Os dois primeiros situam-se fora da vagina. os espermatozóides iniciam sua grande jornada através do útero em direção às trompas de Falóp o. É o mais conhecido dos pontos eróticos. Além da passagem vaginal e dos lábios que a cercam. cuja e stimulação durante a relação sexual cria condições para o orgasmo. Recentemente. na parte interna. onde o esperma pode ser ejaculado através da cérvix. Uma vez por mês. um cirurgião australiano descobriu que o clitóris na verd ade é maior do que se julgava. um óvulo amad urece e se torna fértil em sua passagem pelas trompas de Falópio. São eles: o clitóris. o ponto G e o ponto A. e muitas mulheres que têm dificuldade para chegar ao orgasmo pela est imulação vaginal atingem mais facilmente o clímax com o estimulação oral. sendo que a mai or parte fica sob a superfície.

Entretanto. a uretr a libera a urina e o líquido seminal que contém esperma. Quando ocorre um orgasmo extraordinariam ente forte. a parte oculta é vigorosamente massageada co m os movimentos do pênis. mas isso só ocorre porque elas não con hecem a própria fisiologia. mas não é verdade. seme lhantes à próstata no homem. o que lhes permite uma maior excitação. No homem. Trata-se de uma pequena porção de tecido erétil e sensível localizado de cada lado do orifício da uretra. Ao redor da uretra. Ainda sobre o tem da uretra feminina. Ponto U. a língua ou a cabeça do pênis. se essa região for suavemente acariciada com o dedo. algumas mulheres podem expelir pela uretra um líquido que não é urina. podem friccionar diretamente o clitóris durante os movimentos de penetração do pênis. durante a penetração.Isso significa que. Entretanto. que nem sempre é aceito pelo homem. sempre haveria alguma estimulação clitoridiana. Por falar . com uma rotação ritmada da pelve. mesmo quando a ponta não é estimulada diretamente. chamadas glândulas de Skene. a estimulação direta da ponta do clitóris será sempre impor tante para a excitação da mulher. Na mulher. acredita-se que ela libere apenas urina. Algumas mulheres afirmam que. Menos conhecido que o clitóris. que sob forte excitação produzem um líquido alcalino quimicam ente semelhante ao sêmen. esse ponto só recentemente foi investigado por pesquisadores clínicos ameri canos. entre ela e a vagina. haverá uma forte e inesperada reação erótica. Ele não está presente abaixo da uretra. Portanto. que descobriram que. As mulheres que experimentam essa ejaculação (cuja quantidad e varia de algumas gotas a algumas colheres de sopa) pensam que o forte exercício muscular as levou a urinar involuntariamente. isso exige um papel mais dominante da mulher. é importante mencionar a "ejaculação feminina". como essa parte oculta não tem a mesma sensibilidade. existem glândulas especializadas.

Ele explica que esse efeito se perdeu quando a "posição missionária".) Não se sabe ao certo a razão de ser dessa ejaculação. o uso do termo "ponto G" se tornou popular e gerou alguns mal-ente ndidos. Outras posições sexuais são muit o mais eficientes para estimular essa zona erógena e. que é uma descrição muito mais adequada. alguns médicos também julgam que a mulher está sofrendo de "incontinência urinária causada por estresse" e indicam um cirurgia para curá-la. (Recentemente. A lubrificação vagin al. é cercada po r um tecido erétil semelhante ao do pênis. na verdade. o ginecologista alemão Ernst Gr afenberg. s e tornou predominante no comportamento sexual humano. que rapidamente se cob rem de um muco quando a excitação começa. essa expansão resulta numa pequena protuberância da parede vaginal para dentro do canal vaginal. Algumas mulheres passaram a acreditar que existe um "botão do . é realizada pelas próprias paredes da vagina. Com o mencionamos. que se situa acima da vagina. Segundo Grafenberg. Quando a mulher se excita. na sua p arede anterior. talvez mais importante que o clitóris". localizada de 8 a 11 cm dentro da vagina. Pesquisas sobre a natureza do orgasmo feminino realizadas na década de 1 940 descobriram que a uretra da mulher. Convém destacar que o termo "ponto G" nunca foi usado pelo próprio Grafenberg. ele o chamou de "zona erógena". um homem pediu o divórcio porque acreditava que a mulher urinava nele. Trata-se de uma pequena área altamente sensível. já que ela ocorre um pouco tarde demais para ter função lubrificante. Na zona do ponto G. Ponto G ou ponto Grafenberg. essa zona prot uberante "é uma zona erógena. portanto. esse tecido co meça a inchar. também chamada de "papai-e-mamãe". tal sua ignorância sob re a atividade genital feminina. Recebeu o nome de seu descobridor. Infelizmente.nisso. provocar o orgasmo .

é o equivalente feminino da próstata. Para essas mulheres. como já ex plicamos. A idéia é que isso irá aumentar sua sensibilidade e proporcionar melhores orgasmos". A verdade. que se to rna levemente protuberante quando as glândulas que circundam a uretra se incham.. D ecepcionadas. . Vár ios destacados ginecologistas negaram sua existência quando o assunto começou a ser discutido em congressos. assim como o clitóris é o equivalente feminino do pênis. d escrita tecnicamente como "a próstata degenerada da mulher". zona BFA ou Zona Erógena do Fórnix Anterior. Ao cont rário do clitóris. Parece mais um mito que uma realidade cirúrgica. Esta é uma zona de tecido sensível situada na extremidade do tubo vaginal. O que é assustador é que algumas mulheres têm se submet ido a injeções de colágeno para aumentar o ponto G. ele não parece sofrer de supersensibilidade depois do orgasmo. porém. Ponto A. quando campanhas contra o machismo rejeitaram de cara a possibilidade de um orgasmo vaginal. mas no que se refere à busca do prazer sexual. A questão também entrou no debate político. (Em outras palavras. Não se sabe como elas reagiram à recente comercialização de vibradores capazes de atingir o ponto G. eles mudaram de opinião. entre a cérvix e a bexiga. Eis um relato: "Um dos mais modern os procedimentos é a injeção no ponto G. Mais tarde. elas chegaram à conclusão de que não existe ponto G.sexo" que pode ser apertado a qualquer momento para causar uma explosão orgásmica. é que o ponto G é uma zona sexualmente sensível da parede vaginal. provocando forte controvérsia. diante de uma convincente argumentação. Substâncias semelhantes às que são injetadas nos láb os para aumentar seu volume podem agora ser injetadas no ponto G.) A estimulação direta desse ponto pode produzir fortes contrações orgásticas. na da é impossível. o orgasmo clitoridiano era o único polit icamente correto.

a mulher poderá alcançar muitos orgasmos numa só noite. para tocar essa zona. Isso deve significar que. por um médico malaio em K uala Lumpur. A razão disso parece ser a monoto nia das posições sexuais. A cérvix é o estreitamento do útero que se projeta ligeiramente para dentro da vag ina. na década de 1990. adotando posturas que permitissem maior es timulação dos dois pontos erógenos vaginais.Sua existência foi relatada recentemente. que isso exige um parceiro extremamente sensível e experiente. T em sido dito que duas em cada três mulheres não conseguem atingir o orgasmo com a si mples penetração. mesmo em mulheres que normalmente não são sexualmente receptivas. para elas. Hoje é possível adquirir um vibrador especial para a zona EFA — longo. os dois pontos erógeno s localizados dentro da vagina não fazem jus à fama. A parte frontal desse recesso é chamada fórnix anterior. se os quatro pontos erógenos forem es timulados um depois do outro. porém. A pressão sobre esse ponto produz uma rápida lubrifi cação da vagina. que é o fórnix. Acrescentam. as mudanças pelas quais os genitais femininos passam durante a excitação sexual podem ser resumidas d a seguinte maneira: . Uma pesquisa realizada com 27 casais solicitou que eles va riassem as posições durante a relação sexual. Finalmente. que tem sido incorreta mente descrito. A maioria delas descobre que só a estimulação digital ou oral do clitóris pode conduzir ao clímax. O resultado foi que três quartas partes da mulheres foram capazes de alcançar um orgasmo vaginal. no ponto mais alto da vagi na. estreito e curvo na parte superior. Sua verdadeira localização é acima da cérvix. criando um recesso circular ao seu redor. Estudiosos da fisiologia sexual feminina a legam (talvez com excessivo entusiasmo) que. Houve certa confusão sobre seu posicionamento.

a lubrificação vaginal começa. O clitóris está plenamente ereto. As pared es do terço inferior da vagina intumescem em decorrência da congestão dos vasos sangüíneos . passando de rosados a vermelhos. O clitóris começa a aumentar de tamanho. Os doi s terços superiores do tubo vaginal começam a se expandir. Fase 3: clímax or gástico . Os grandes lábios se separam a ponto de deixar a vagina mais visível. Fase 2: aceitação plena A lubrificação ce ssa. Os pequenos lábios mudam de cor . A cérvix e o útero são empurrad os para cima. Os grandes lábios começam a se separar. Os p equenos lábios estão no mínimo duas vezes mais espessos.Fase 1: início da excitação sexual No primeiro minuto. Os dois terços superiores da vagina agora estão totalmente expandidos. Os pequenos lábios começam a se in tumescer. O tamanho da entrada da vagina diminuí 30% devido ao intumescimento das paredes vaginais.

Números como esses foram usados no passado para tentar provar que as mulheres são bi ologicamente menos orgásticas que os homens. mas na técnica sexual dos parceiros. 60% das mulheres terem mencionado qu e também alcançam o orgasmo através da masturbação indica que a incapacidade não está no impu so sexual. o clitóris. De acordo com uma pesquisa realizada em 2003 na Inglaterra. 25% das mulheres sempre atingem o orgasmo quando fazem s exo. com base num escudo de 20 mil orgasmos. devido a pressões culturais c tradições puritanas. mas o tempo médio. O mais provável. O número de cont rações por orgasmo varia de três a quinze. vagina apresenta contrações As primeiras contrações. ocorrem a cada 8/10 de segundo. mais fortes. é que homens e mulh eres tenham o mesmo potencial orgástico. Depois do orgasmo. 50% geralmente conseguem. e que. porém. os homens tenham se tornado ineptos pura excitar totalmente suas parc eiras. e 5% nunca conseguem. a va gina e o útero voltam ao normal. O fato de.O terço exterior da musculares ritmadas. As contrações musculares ocorrem cm toda a região pélvica (e além dela). Algumas mulheres conseguem desfrutar de orgasmos múltiplos em rápida sucessão. segundo a mesma pesquisa. é de cerca de 20 minutos. 12. Uma mulher pode atingir o orgasmo em 5 minutos. . Pode ocorrer a ejaculação de um líquido (que não é urina). enquanto outras têm um primeiro clímax tão intenso que não sent m necessidade de repeti-lo por algum tempo.5% raramente conseguem. os lábios.

ne urose e câncer vaginal. a verdadeira razão é que. Infelizmente. do Oriente Médio e da Ásia. eles sofrido uma quantidade anormal de dor. complexidade e sensibilidade dos genitais femi ninos. entre eles nervosismo. A remoção dos genit ais externos evita muitos "problemas femininos". um médico do Texas tenha defendido a remoção do clitóris para curar a frigidez. em mui tas diferentes culturas. Durante milhares de anos.Considerando a grande delicadeza. Muitas ju stificativas são apresentadas para a operação. Na tentativa de satisfazer as nec essidades sexuais da mulher. A forma mais comum de agressão é a circuncisão . Para órgãos que são capazes de dar muito prazer. embora recentemente. Essa mutilação tem sido rara no Ocidente. a circuncisão tem sido uma prática comum há séculos. Se o pênis toca o clitóris. O leite da mãe que tem clitóris pode estar envenenado. Como a operação é realizada? Na maioria dos casos. esse é um caso isolado. a circuncisão feminina ainda é praticada em mais de vinte países. cm 1937. deixando apenas uma minúscula abertura para a passagem da urina e do fluxo menstrual. e a entrada da vagina é suturada. feiúra. nem sempre isso acontece. o homem tem mais facilidade de subordiná-la a seus padrões machistas. O mais assustador é que. Se o bebê tocar o clitóris da mãe quand o está nascendo. mas em algumas regiões da África. . pode-se imaginar que uma espécie inteligente como a nossa os trataria com c arinho. pode morrer. Naturalmente. T er genitais externos faz a mulher cheirar mal. os grandes lábios e o clitóris são corta dos. pode ficar impotente ou até morrer. o homem pode se contaminar. reduzindo o prazer sex ual da mulher. os genitais femininos têm sido vítimas de uma surpreendente variedade de mutilações e restrições. muitos maridos usam drogas ilegais. longe de ser um costume esquecido. Na América.

33 milhões.) Essa forma extrema de mutilação genital chama-se infibulação e. E ainda há quem defenda a operação: "A circuncisão feminina é sagrada. não há condições de assepsia e as mortes são freqüentes. Calcula-se que existam hoje mais de 100 milhões de mulheres vivas q ue foram submetidas a essa mutilação. Costa do Marfim. Etiópia. Eritréia e Serra Leoa. República Centro-Africana. Todos os anos. se o marido sair numa longa viagem. as jovens tem que passar pelo sofrimento d e ter seu orifício artificialmente reduzido rompido pelo marido. 4. Burkina Fasso. 90% das meninas que vivem em Djibuti. Gâmbia.Depois. Se o clitóris sai para fora e as excita sexualmente ao roçar contra a roupa. as pernas da jovem são atadas para garantir a cicatrização e a permanência da op eração. as costuras podem ser refei tas. a essa brutal operação. 7 milhões. A escala em que essa infâmia é praticada contra as mu lheres é enorme. país por país: Nigéria. 24 milhões. facas ou tesouras). E uma forma mais moderada. e 50% em Benin. às vezes chamada de circuncisão sunita (porque al ega-se que ela teria sido recomendada pelo profeta Maomé). Chade. Eis alguns números. quando elas se casam. Egito. a os gritos e sem anestesia. então é a hora de cortá-lo". Uma forma um pouco menos monstruosa envolve apenas a remoção do clitóris e do s lábios. exige apenas o corte da ponta do clitóris e/ou do capuz clitoridiano. 24 milhões. (Como se isso não f osse suficiente. Os instrumentos utilizados são tosc os (navalhas. A natureza anti-sexual dessas operações ficou clara na opinião de um "especialista": "Primeiro eu as examino intimamente. às vezes. 10 milhões. Além disso. m as escondidas. e a vida sem ela não teria sentido". Quênia. Somália. Sudão.5 mi . Mais tarde. nada menos de 2 milhões de meninas são submetidas. Gui né- . circuncisão faraônica.

E a lista não pára por aí. E exigiram qu e seus governos imponham uma multa de US$ 1 milhão a quem ousar discutir a questão n a imprensa local. um líder muçu lmano publicou uma fatwa contra qualquer pessoa que se oponha à operação. o xeque Al Azhar. esse homem. ela se disseminou pel o Oriente Médio. Como apenas 15% da população do mundo são muçulmanos. Oman. Mesmo em países on ela foi oficialmente proibida. Não admira que eles próprios mereçam tão p uco respeito. no .Bissau. Devido às recentes condenações públicas. Nem é preciso dizer que as autoridades médicas estão advogando em ca usa própria. onde é comum nas populações muçulmanas da Malásia e da Indonésia. Iêmen e Emirados Árabes Unidos. Insistem em que a circuncisão das jovens é "uma maneira simples de reduzir a promis cuidade sexual que causaria discórdia no lar entre marido e mulher". No Egito. Mali e Togo tiveram os genitais mutilados. onde é praticada em Bahreim. Diante dessa situação. diplomatas e políticos das Nações Uni as e de outras organizações importantes se escondem por trás de justificativas conveni entes como "mostrar respeito às tradições locais". e pe la Ásia. No Egito. os mutiladores (que ganham muito dinheiro realizando a operação) se uniram e formaram uma sociedade para se proteger. a prática sobrevive. afirmando qu e ela merece morrer e referindo-se à operação como uma "prática louvável que respeita as m ulheres". onde foi proibida (e m vão). E mbora a África pareça ser a fonte original desse tipo de operação. Libéria. onde 3 mil meninas são circuncidadas todos os dias. e quase todos os que não p ertencem ao Islã (para não mencionar muitos islamitas) se recusam a tolerar a prática. a lei foi revogada em 1997 por um fundamentalista muçulmano que impetrou uma ação contra o governo e ganhou. ordenou a pena de morte de.

) Finalmente. convém uma breve menção à recente moda dos piercings genitais. Consiste numa pequena barra fina inserida verticalmente no capuz clitoridiano. estimular e provocar o interesse sexual nos genitais femininos ". Esse religioso não tem a menor autoridade para fazer essa declaração. Quando uma repór ter egípcia lhe fez perguntas embaraçosas. Primeiro. seu objetivo de clarado é "decorar. Portanto. mas para uma minoria trata-se d e uma nova moda na longa história da ornamentação corporal. com uma tacha esférica presa a cada extremidade. ela seria mais bonita. Os seguidores do xeque apóiam sua postura violenta. já que não há menção à circuncisão feminina no Alcorão. Em segundo lugar.mínimo. foi ameaçada: "Cortarei sua língua e a língua d e toda a sua ascendência". ele ainda lhe disse que. É o mais popular. numa explosão grotesca. é vol untária e realizada apenas por mulheres adultas. É difícil entender por que razão alguém quer ter uma barra ou uma argo la de metal inserida em partes sensíveis da vulva. Ela é bem dife rente da mutilação genital que tem sido chamada de circuncisão feminina. se se u clitóris tivesse sido removido. não exagere" — tem sido contestada por muitos estudioso s do islamismo. q ue se situa bem acima do clitóris. e a autenticidade da aleg mé — "É permitido [mas] se cortar. a tacha inferior fica em contato com o clitóris e pode estimulá-lo durante certos . Os principais piercings ge nitais são os seguintes: Piercing vertical no capuz clitoridiano. E. e não destruí-los. 85% da raça humana. (Uma das alegações espúrias em favor da circuncisão feminina é a de que ela "deixa o rosto da mulher mais bonito".

embora as duas mutilações representem uma agressão cirúrgica à sensível vulva. Embora o fascínio por essa mutilação decorat iva dos genitais seja provavelmente uma moda passageira. não se poder esquecer que. pode ter a forma de barra ou de argola. enquanto a outra tem a finalidad e de destruí-lo. Se algumas mulheres modernas são capazes de deixar que seus genitais sejam d olorosamente perfurados apenas para obedecer a um capricho da moda. Piercing triangular. em um caso . por motivos óbvios. O ef eito parece mais decorativo e menos estimulante. pequ eno demais para ser perfurado. Piercing horizontal no capuz clitoridiano. Nesse caso. O clitóris é muito sensível e. Piercing clitoridiano. fica muito m ais difícil queixar-se de outras graves mutilações. é lamentável numa época em qu e tanto esforço está sendo feito para desestimular a circuncisão forçada de milhões de men inas. Piercing labial.movimentos. Trata-se de um piercing hori zontal colocado na base do capuz clitoridiano. Entretanto. o capuz é atravessad o de um lado a outro. a agressão é feita para aumentar o prazer sexual. Os pequenos lábios são perfurados com um par de barras ou de argolas de cada lado do clitóris ou da abertura da vagina. o triangular estimula a parte posterior. Também pode ser uma simples argola de metal inserida verticalmente no capuz. Mais uma vez. . na maioria dos casos. Enquanto o vertical pode estimula r a parte anterior do clitóris. É extremam ente raro.

Elas fo ram adquiridas quando nossos ancestrais . rabisteco. H. rabo. que "a bunda é a face da alma do sexo". Em O amante de Lady Chatterley. Lawrence faz uma referência lírica à "indolente e redonda calmaria das nádegas". Mesmo quando são consideradas uma zona erótica. bunda. existe se mpre uma conotação ridícula ou obscena. e muito mais comuns são os comentários que tratam as nádegas como algo cômico ou vulgar. de vido à sua proximidade com os genitais.21. esses são exemplos isolados. que oferece "um amortecedor de delícias". sem falar em várias outras denominações pejorativas rece bidas em outras línguas ao longo dos séculos. poupança. Uma busca cuidadosa na literatura se faz necessária para encontrar palavr as de elogio a essa parte da anatomia feminina. Assento. traseiro. são mais beliscadas e estapeadas do que acar iciadas. padaria. Entretanto. de maneira um tanto ambígua. Elas fazem rir ou são objeto de piadas sujas. que "a mulher bunduda é um épico molecular de feminilidade" — uma frase que parece ter perdido algo na tradução. O cineasta italiano Federico Fellini comento u. D. Nádegas As nádegas têm sido injustamente a parte do corpo feminina mais desconsiderada. também de forma equívoca. Mas seja qual for a denominação. O artista espanhol Salvador Dali foi mais longe ao insistir que "é através da bunda que os maiores mistérios da vida p odem ser entendidos". tralalá são alguns dos nomes pelos quais ela s têm sido chamadas em português. Autores mais recentes têm declarado. e Rimbaud as admira como "dois arcos salientes". Essa atitude negat iva persiste apesar de as nádegas serem um atributo exclusivamente humano. enquanto Byron admite que o tras eiro da mulher é "uma coisa estranha e bela de se olhar". holofote. bozó. popa.

os genitais ficam à vista. ela foi presa. através do qual passam. Além disso. a exposição das nádegas é interpretada como um insulto grosseiro — um ato simbólico de defecar sobre o inimigo — ou uma grande obs cenidade — uma desavergonhada exibição dos órgãos sexuais. Dessa sutil dist inção dependia uma decisão que podia significar condenação. uma mulher suíça tinha "exposto o traseiro nu". na Suíça. Como havia crianças pr esentes. As nádegas não são sozinhas. dia após dia. Fez isso porque chegou à conclusão de que "o gesto era com certeza um comportamento insultuoso e punível como tal. Os fortes músculos glúteos se expandiram. quando nos curvamos para a frente. permitindo ao corpo manter-se permanentemente ereto. insultos e até um processo judicial. Depois das devidas deliberações. exi stem associações excretórias e sexuais. Provavelmente . mas não podia ser considerado indecente. porque não envolveu nenhum órgão de procriação". todos os nossos resíduos sólidos e — ainda mais notória — uma ocasional emissão de gases. É fácil ver como isso aconteceu.deram um passo gigantesco e se puseram de pé sobre as pernas traseiras. se ela tivesse se . Na sociedade moderna. exibir o traseiro nu em público provoca reações variadas. que vão do riso constrangido a queixas. Portanto. Portanto. a Suprema Corte anulou a conden ação e até liberou a ré do pagamento de custas. Entre elas fica o ân us. Recentemente. Durante uma violenta discussão c om uma vizinha. e são esses músculos que nos dão o par de hemisférios que hoje são tão injustamente ridicul arizados. emoldurados pelas curvas fêmeas das nádegas. a Suprema Corte debateu se uma determinada exibição de nádegas era "ofensiva" ou "indecente". acusada de atentado ao pudor e condenada pelo tribunal d e primeira instância.

então os monstros das trevas não deviam ter essa car acterística anatômica. ambos estão envolvidos numa antiqüíssima prática de ocultismo. Essa visão primitiva das nádegas como peculiaridade humana deu origem a outra crença. Para eles. Os dois hemisférios humanos eram tão diferen tes dos dois pedaços de carne dura (as calosidades dos ísquios) do macaco. "que tem belas nádegas" —. Foi assim que o Demônio ganhou a reputação de ser "desbundado".curvado para a frente ao fazer seu gesto de desafio. Embora nem quem insulta nem quem é insultad o percebam. Para entender do que se trata. em parte devido à sua agradável curvatura. Aí é um insulto. precisamos voltar à Grécia clássica. mas também por seu contraste com o traseiro dos macacos e chimpanzés. A exposição das nádegas se torna abusiv a quando acompanhada de frases como "Beije o meu rabo". a condenação teria sido mantida . Essa reações extremas à exposição das nádegas hoje são raras no Ocidente. a curvilínea deusa da amor. que os gr egos consideravam as nádegas um sinal da suprema condição humana. a nudez não é mais o que era. Mas não é só isso. porque propõe uma subordinação humilhante. Os primitivos . Eram tão veneradas que um templo foi erguido em sua honra — fazendo das nádegas a única parte do corpo humano objeto de culto. Segundo os gregos. t inha nas nádegas a parte esteticamente mais agradável de toda a sua anatomia. assim como o s estudantes de universidades que exibem as nádegas nas janelas dos dormitórios. Afrodite Calipígia — literalmente. as nádegas eram uma parte bel a da anatomia. Pessoas que se ex m dessa maneira em eventos esportivos geralmente só provocam risadas. A atua! visão das nádegas como moti vo de chacota não era a dos antigos gregos. Se as nádegas arredondadas eram a marca que disti nguia o ser humano dos animais. Com o forma de protesto.

europeus estavam convencidos de que, embora pudesse assumir a forma humana, o De mônio nunca conseguia simular as nádegas arredondadas, que estariam além de seus poder es diabólicos. Acreditavam que essa impotência era fonte de grande angústia para o Demôn io, e uma grande oportunidade de atormentá-lo. Para aumentar sua inveja, bastava m ostrar a ele as nádegas nuas. Como essa súbita exposição lhe lembrava sua deficiência, ele se via obrigado a olhar para longe, desviando o olhar maléfico. Isso protegia o h umanos do temido "Olho do Demônio" e tornou-se um gesto muito utilizado para afast ar as forças do mal. Usada dessa forma, a exposição das nádegas não era considerada vulgar nem indecente. Nos fortes e nas igrejas, esculturas de mulheres exibiam suas náde gas arredondadas para afastar os maus espíritos, já que as nádegas estavam sempre volt adas para fora da porta principal. Na Alemanha, se havia uma tempestade terrível d urante a noite, as mulheres exibiam as nádegas na porta das casas na esperança de re chaçar os poderes malignos e evitar que a tempestade causasse mortes. Provavelment e, foi assim que a exposição das nádegas começou, e hoje os que a expõem praticam a antiga tradição cristã sem o saber. Com o Demônio fora de moda como grande inimigo, a exibição é vi ta hoje como um gesto grosseiro. De um gesto de desafio religioso, tornou-se um gesto obsceno. Mas como isso pode explicar as frases grosseiras que acompanham o gesto? Para entendê-las, é preciso observar as primitivas representações do Demônio. Se e le não tem nádegas, o que tem então nos quartos traseiros? A resposta é: no lugar onde d eviam estar as nádegas ele tem outra face. E essa segunda face é que supostamente er a beijada pelas bruxas no ritual do sabá. Acusadas do ato vil

de beijar o traseiro do Demônio, elas se defendiam dizendo que beijavam a boca de sua segunda face. Tudo isso, naturalmente, é fruto da fértil imaginação medieval, o que não vem ao caso. A verdade é que lendas e crenças transmitidas de geração a geração deixam cl ro que "beijar o traseiro" era o gesto de um seguidor de Satã e, como tal, um ato abominável. Quando as superstições desapareceram, essas ligações se perderam, mas, como qu ase sempre acontece, a frase popular sobreviveu e foi incorporada ao insulto mod erno. Até aqui, a exposição das nádegas foi analisada unicamente como um ato hostil, mas a questão tem outro lado. Em contextos totalmente diferentes, a exibição das nádegas te m forte apelo sexual. As fêmeas de muitas espécies de macacos têm o traseiro colorido. Quando se aproxima a época da ovulação, ele vai se tornando mais evidente e inchado, mas depois volta ao estado normal. Isso significa que, com um olhar, o macho pod e saber se a fêmea está sexualmente ativa. O acasalamento geralmente só ocorre quando o traseiro da fêmea atinge seu ponto mais protuberante. Com a mulher é diferente. Se u traseiro não aumenta ou diminui com o ciclo menstrual. Ele se mantém protuberante o tempo todo, assim como sua sexualidade permanece alta. A fêmea humana expandiu s ua sensualidade a ponto de estar sempre potencialmente receptiva ao macho. Ela s e envolve numa relação sexual mesmo quando não pode conceber, porque a função do acasalame nto humano não é apenas a procriação. Como um sistema compensatório, ele ajuda a fortalece r os laços emocionais entre homem e mulher, mantendo a unidade familiar. Para os h umanos, a cópula é literalmente fazer amor, e é importante que o corpo da mulher seja capaz de transmitir sinais eróticos o tempo todo.

Pode-se argumentar que, se os músculos glúteos se destinam a manter a postura ereta, a mulher não poderia deixar de ter as nádegas permanentemente empinadas. Mas as nádeg as femininas são mais do que simples mecanismos para manter a postura ereta. Em re lação ao tamanho do corpo, são maiores que as dos homens, não porque sejam mais musculos as, mas porque têm maior quantidade de tecido gorduroso. Essa gordura extra tem si do considerada um estoque de alimento para as emergências — quase como a corcova do camelo. Verdade ou não, o simples fato de essa gordura extra nas nádegas ser um atri buto do sexo feminino faz delas um sinal sexual. Esse sinal é acentuado por dois o utros atributos femininos: a capacidade de rotação da pelve e a ondulação dos quadris ao caminhar. Como já dissemos, a mulher comum (que não deve ser confundida com a atlet a cujo corpo se masculinizou com o treinamento) tem as costas mais arqueadas que o homem. Em posição normal de repouso, o traseiro se projeta mais para fora que o d o homem, não importa seu tamanho. Quando ela caminha, a estrutura óssea das pernas e dos quadris provoca uma ondulação maior da região glútea. Em curtas palavras: ela rebol a ao andar. Quando esses três atributos — mais gordura, maior protrusão e mais ondulação — s e combinam, o resultado é um forte apelo erótico. Não é que a mulher empurre deliberadam ente o traseiro para trás e conscientemente rebole para chamar a atenção dos homens, m as isso ocorre devido à conformação do seu corpo. É claro que ela pode exagerar esses at ributos naturais e correr o risco de se transformar numa caricatura. (Recentemen te, um espectador atento relatou que, durante um show, a cantora Kylie Minogue r ebolou os quadris 251 vezes.) Mas mesmo que a mulher não faça nada, sua anatomia est ará sempre transmitindo os sinais característicos do seu sexo.

Hoje já não se vêem tantos quadris protuberantes e ondulantes como antes. Parece que a s mulheres de hoje não são tão avantajadas quanto nossas ancestrais. Naturalmente, não s e pode ter uma prova disso pelos esqueletos, mas, quando observamos pinturas e e sculturas da Idade da Pedra, vemos imensas nádegas por toda parte. Mesmo depois da Idade da Pedra elas persistem na arte pré-histórica de muitas culturas, mas depois começam a desaparecer até atingir as proporções atuais, que, embora ainda sejam bem maio res que as dos homens, são consideravelmente menores. Esses fartos traseiros primi tivos deram lugar a muita especulação. Uma hipótese é a seguinte. Nossos ancestrais copu lavam por trás, como outros primatas, de modo que os sinais sexuais pré-humanos da fêm ea vinham do traseiro. Quando evoluímos para a postura ereta e os músculos traseiros formaram as nádegas, a forma arredondada se tornou o novo sinal sexual. As mulher es que tinham grandes traseiros enviavam fortes sinais sexuais, e com isso as náde gas foram crescendo. As mais sensuais tinham a vantagem de enviar supersinais co m suas supernádegas, mas elas ficaram tão grandes que começaram a atrapalhar o ato sex ual. Então os homens resolveram o problema adotando a cópula frontal. Em razão desse a casalamento frontal, os seios cresceram para imitar os grandes hemisférios posteri ores. A partir de então esses superseios também eram capazes de enviar fortes sinais sexuais, dividindo o fardo, por assim dizer, com as nádegas, que agora podiam com eçar a diminuir de tamanho. Essa última versão da fêmea humana, mais equilibrada e mais ág il, tinha uma considerável vantagem sobre o modelo antigo, que foi sendo gradualme nte substituído. Se essa especulação estiver correta, teremos que encontrar vestígios de sua evidência. Esses vestígios podem ser encontrados hoje nos desertos do sudoeste da

África, onde as mulheres do povo san ainda exibem as imensas nádegas das figuras da Idade da Pedra. Em algumas mulheres, as dimensões do traseiro atingem proporções assus tadoras e nos mostram como deviam ser todas as nossas ancestrais há muitos milhare s de anos. Há quem diga que comparar européias da Idade da Pedra — prováveis modelos das figuras rupestres — com mulheres que vivem atualmente no sul da África é absurdo, mas essa objeção ignora a verdadeira história do povo san. Esse povo não vive hoje no deser to porque esse seja seu ambiente favorito. Esse foi o último canto da Terra onde e les puderam se manter unidos, já que são um ramo da família humana em extinção. Seus ances trais dominavam grandes extensões da África e deixaram belas pinturas rupestres como prova disso. Mas eles representavam a Idade da Pedra Lascada, período em que a caça e a coleta eram os meios de vida. Com a chegada dos povos da Idade da Pedra Pol ida — os primeiros fazendeiros —, eles foram sendo expulsos de quase todos os seus t erritórios, e hoje são cerca de 50 mil indivíduos, quase insuficientes para povoar uma pequena cidade. No passado, porém, foram um dos povos dominantes da nossa espécie, e não há razão para supor que suas imensas nádegas (uma condição que se denomina "esteatopig ia") fossem uma raridade. É mais que provável que, na Idade da Pedra, elas fossem um atributo feminino comum, e que os artistas rupestres tenham se inspirado em mul heres reais, e não em figuras de suas fantasias eróticas. Quando as mulheres mais ágei s e magras dominaram a cena, a velha imagem de grandes glúteos não desapareceu compl etamente do inconsciente humano. Ela ainda ressurge de tempos em tempos de manei ras inesperadas. Muitas roupas exageram o tamanho das nádegas. Mesmo na época vitori ana, o olhar do homem pôde apreciar uma nova forma artificial de esteatopigia com a introdução das anquinhas. Arames, enchimentos e cor-

dões entraram em cena para reproduzir a perdida adiposidade da região glútea. As elega ntes que usavam suas anquinhas nas reuniões da sociedade vitoriana com certeza fic ariam horrorizadas com essa interpretação, mas hoje a comparação é inevitável. No século XVII o principal artifício para exagerar o traseiro feminino eram os sapatos de salto alto. Esse tipo de calçado distorcia o andar da mulher de tal maneira que as nádegas eram empurradas para cima e para fora e obrigadas a ondular mais ainda. Mesmo s em indevidos exageros, as nádegas continuam a ser um foco erótico no corpo da mulher moderna. Longos vestidos que escondem as pernas em geral são cortados de maneira a exibir o contorno das costas e delinear os movimentos. Peças como as minissaias dos anos 1960 exibiam o traseiro, e calças justas, embora escondam a carne, não deix am dúvida quanto à forma exata dos hemisférios posteriores. No início da década de 1980, a moda criou uma linha de calças jeans bem apertadas, deliberadamente desenhadas pa ra exibir essa região do corpo como um símbolo sexual da mulher recém-liberada. O auto r de um livro chamado Rear View (Visão traseira), publicado na época e exclusivament e dedicado ao impacto erótico das nádegas femininas, saudou a nova era com as seguin tes palavras: "A Butt Blitz (Investida das Bundas) começou em 1979 quando uma de s uas porta-vozes enfiou sua vibrante, giratória e bem-cortada derrière na cara assust ada do público de uma rede de televisão. [...] Foi o início de um fenômeno cultural conh ecido como jeans de marca". Em poucos anos, os jeans de marca competiam com as c alças mais largas, e os dois estilos conseguiram conviver durante um certo tempo. À medida que as calças compridas passaram a dominar a moda feminina e as saias caíram na preferência das mulheres mais jovens, as velhas e malcortadas calças jeans no est ilo trabalhador

cada vez mais pessoas prestavam atenção a essa parte do corpo. Na Inglaterra. dotadas de um traseiro diminuto perto do dessas mulheres. Um comentar ista chegou a dizer que "as nádegas eram os novos seios". e o cenário musical brasileiro assistiu a um culto por dançarinas poposudas. Embora ela tenha publicado um desmentido. Embora nem todos no mundo da moda tenham aprovado o novo modelo. À medida que o século XX se aproximav a do fim. As mod elos esqueléticas. em especial com nádegas volup tuosas". o fato de que tal notícia possa ter sido inventada e chegado às manchetes é um sinal do grande interesse por essa parte da anatomia feminina no fim do século XX. Originalmente restrito à gíria dos negros american os. definido como "sexualmente atraente. torn ou-se popular um estilo de música chamado booty rap. foi inventada até um a nova palavra para descrever a mulher que possui um traseiro farto: "poposuda". Começou na década de . A atriz e cantora Jennifer Lopez chamou a atenção cm 1999. as nádegas femininas estavam numa fase de grande valorização. um concurso que elege "O Traseiro do Ano" se tornou muit o popular. O termo "booty" era um novo e ufemismo para "buttocks" (nádegas). saíram de moda. Nos Estados Unidos. junto com seu adjetivo "bootylicious". No Brasil. quando os jornai s da Europa e da América anunciaram que ela havia segurado seu admirado traseiro p or US$ 1 bilhão.foram substituídas por modelos glamorizavam a região glútea. o termo foi dicionarizado pela primeira vez em 2002. que delineavam e Uma forma extrema dessa tendência surgiu em 1992. quando uma jovem estilista ingle sa lançou um modelo que tinha a cintura tão baixa que deixava ver o sulco entre as nád egas.

cresce a demanda por produtos e procedimentos cosméticos destinados às náde gas. anal isamos os aspectos ofensivos e sexuais das nádegas. quando alguém se hospeda num hote l no Rio.1980. esse tipo de cirurgia é tão comum no país que. Enchimentos e peças elásticas destinadas a levantar as nádegas já vinham sendo usad os. mas não há dúvida de que o mundo da moda e da cultura pop ular esté sempre voltando à região glútea como foco de erotismo. Já se disse que o símbolo universal do amor. Novamente. tanto através de injeções de gordura quanto de implantes. Até aqui. É difícil dizer quanto tempo vai durar essa moda de nádegas firmes e generosas. Há muito nossa espécie aban donou a locomoção sobre quatro patas. uma imagem humana primitiva pode estar em ação. pode encontrar folhetos de propaganda de clínicas de cirurgia plástica ao lado do inevitável exemplar da Bíblia. Aparent emente. mas o alto custo parece não ser um obstáculo. onde calcula-se que existam no mínimo 1.600 cirurgiões plásticos em atividade. mas o traseiro feminino se recusa a desaparece r do inconsciente masculino. na realidade se baseia nas nádegas. a forma es tilizada do coração. Além do aumento da s nádegas. Dos dois lados d o Atlântico. De fato. que é a da . as mulheres também querem tê-las mais firmes. mas agora os cirurgiões plásticos relatam uma enorme procura por nádegas mais volu ptuosas. mas ganhou maior publicidade com a chegada do novo milênio. Essa cirurgia custa cerca de US$ 10 mil. para criar uma aparência mais j ovem e mais voluptuosa. Um dos maiores centros desse tipo de cirurgia é o Brasil. mas existe uma terceira maneir a pela qual essa parte do corpo pode ser exposta. ela se parece muito pouco com o verdadeiro coração e tem uma estranha semelhança com as nádegas femininas vi stas por trás.

Em algumas sociedad es tribais. Por favor. para certos humanos dominadores. A exposição das nádegas numa humilhante postura curvada teve um papel duradou ro como gesto de submissão. como entre pais e uma criança muito pequena. não há diferença entre o ser humano submisso e o macaco submisso. o gesto é importante. e então. Nesse aspecto. Em ambos os casos. mostre-me sua superioridade monta ndo-me em vez de me atacar". Os macacos submissos de qualquer sexo mostram o tra seiro ao superior de qualquer sexo. uma palmada no traseiro só pode ser usada com segurança como sinal de amizade quando não existe perigo de envolvimento sexual. Fora do âm bito de um casal de amantes. é feita dand o as costas para a pessoa homenageada. O tapa no traseiro restring e-se portanto a certos contextos. Uma forma mais comum de exposição das nádegas é aquela e ue a criança é espancada como castigo.submissão. o gesto pode ser mal interpretado. e o tapinha nas costas é preferível. é injustamente espancada com a mão. Parece que. a não ser que exista uma intenção sexual oculta. a postura humilhante não é suf iciente. com uma cinta ou u ma vara. Os indivíduos dominantes raramente atacam esse s subordinados: ou o ignoram ou o montam brevemente. aquele que expõe as nádegas está dizendo: "Eu me ofereço no papel passivo feminino. Como demonstração de submissão. se ela fosse um macaco. porque permite ao fraco subordi nado permanecer perto do poderoso dominante sem ser atacado. Devido às suas implicações sexuais. A vítima deve primeiro curvar-se para a frente na postura submissa dos primatas. a curvatura. ou entre esportistas durante uma competição acirrada. Em ambos . uma vez nessa posição que. a livraria do ataque. o contato com as nádegas é proibido. Entre amig os numa reunião social. com alguns movimentos pélvico s. praticada como uma cerimônia de agradecimento. Parece tanto o gesto de submissão dos prima tas que é difícil não relacioná-los.

É essa ligação sexu al que causa uma reação ultrajada diante de um gesto que outrora foi um costume dos italianos: beliscar as nádegas da mulher em público. . De acordo com sua educação. A co tinuação dessa estratégia. O autor de uma obra satírica intitulada Como ser italiano relata os três beliscões fundamentais: Pizzicato: um rápido beliscão executado com o polegar e o dedo médio. ela podia se sentir orgulhosa. É durante essa fase de contato físico que a forma arredondada das nádega s se liga intimamente. quando estranhos podiam se abraçar enquanto dançavam. Por outro lado. Entre amantes. os tapinhas muitas vezes são substituídos pelo gesto de agarrar as nádegas para acompanhar as vigorosas estoca das da pelve. E um acompanhamento freqüente dos beijos e abraços. Qualquer mulher atraente que ca minhasse por uma cidade italiana corria o risco de ter as nádegas beliscadas por u m admirador desconhecido. executado com vários dedos e várias vezes em rápida sucessão. parentes idosos ou "amigos da família" que exploram a difer ença de idade batendo nas nádegas de adolescentes e desfrutando o contato sexual dis farçado em castigo parental podem criar muitos problemas. a fortes emoções sexuais.os casos. o cavalheiro pod ia explorar a situação deixando a mão descer pelas costas da dama em direção às nádegas. os pensamentos sexuais são tão remotos que não há possibilidade de um mal-ente ndido. levemente irritada ou ofendida. Vivace: um beliscão mais vigoroso. é o atrevido ver sua mão rapidamente de volvida à posição original. Nos bailes de antigamente. Recomendado para iniciantes. um tapinh a no traseiro é comum. como mostram os filmes. As mãos que a braçam as costas facilmente passam às nádegas à medida que a excitação cresce. Nos estágios avançados do ato sexual. na mente dos amantes.

procurando nas ruas nádegas masculinas que pudessem ser beliscadas. Funcionalmente. Nádegas tatuadas não são comuns. Calcula-se que cerca de 50% das mulheres ocidentais tenham experimentado o sexo anal em alg um período de sua vida. a porcentagem de adeptos é mu ito maior. e portanto pode ser fonte de prazer.] de um certo povo que. Uma pesquisa com 5 mil donas-decasa do Brasil revelou que 40% dos cas ais que viviam no campo e 50% dos que viviam nas cidades "consideravam o coito a nal uma parte normal da sexualidade". Apenas 10% o julgaram bastante satisfatório para ser adotado como atividade regular. num gesto absurdo de coragem. Como área des tinada à decoração. Man Tran sformed (Homem transformado). e não uma entrada. existe a questão do uso do ânus feminino como orifício sexual. na qual ele mostra uma nativa de aparência infeliz c om jóias penduradas nas nádegas.. Em algumas partes do mundo. São muito íntimas para exibir obras arte e muito inadequadas para carregar ornamentos. f azia furos nas nádegas. ele é uma saída.. e uma ocasião chegaram a revida r. O que se revelava u ma moda inconveniente e desconfortável. e a evolução não o preparou para receber a penetração. Anatomicamente. exceto entre os fanáticos. o ânus é rico em terminações nervo sas. As feministas não acham a menor graça nisso. lembro-me [. Finalmente. porém. adequado no caso de "cintas resi stentes". já que destinadas ao ato de sen tar. Encontramos o único exemp lo de nádegas ornamentadas numa obra de John Bulwer escrita no século XVII. Bulwer comenta: "Entre outras asquerosas invenções de a lgumas nações. e muito prejudicial a uma vida sedentária". as nádegas não têm grande utilidade. o sexo anal não é .Sostenuto: um beliscão bem apertado e prolongado. Do ponto de vista biológ ico. onde eram penduradas pedras preciosas.

de contro le da natalidade. Onde não há preservativos disp oníveis por qualquer razão — pobreza. no curso da história. Uma segunda razão é que ela permite aos jovens casais se entregarem ao s exo antes do casamento sem que a mulher perca a virgindade. o sexo anal era usado como uma forma primitiva. O sexo anal lhes ofer ece uma solução para o problema. por exemplo. e não conta com a ajuda da hibrificação automática de glândulas e specializadas ou das outras mudanças que facilitam a penetração vaginal. ignorância ou convicções religiosas —. o ânus tem sido coagido a desempenhar o papel de uma vagina s imbólica. a penetração é evidentemente anal. antes que existissem preserv ativos. é provável que. Sempre que um casal aparece fazendo sexo. Apesar disso. em partes da África e no Oriente. Isso é particularmente verdade em certas culturas mediterrâneas. nas quais a exibição dos lençóis manchados de s angue depois da noite de núpcias ainda é exigida como prova da virgindade da noiva. a penetração vaginal só é mo strada se não existe um bebê dormindo ao lado deles. Quando há um bebê presente — a maneir a de o artista mostrar que eles formam uma família —. Uma terceira razão é a aversão masculina ao sangue menstrual. E ssa forma de contracepção sobrevive ainda hoje em muitas partes do mundo. Isso está explicitamente demonstrado na cerâmica pré-colombiana do P eru. Como a mulher continua s exualmente receptiva quando está menstruada. os homens muitas vezes desejam fazer sexo nesse período. mas sentem-se inibidos pelo sangramento. a penetração anal seja utilizada como forma de controle da natalidade.uma atividade "natural". r dos riscos para a saúde. . mas eficiente. Parece haver quatro razões para isso: Há séculos. principalm ente na América Latina.

Finalmente. além de evitar a gravidez. a perfuração do hímen antes do casamento ou o con tato com o sangue menstrual. o sexo anal também é utilizado como uma variante erótica para casais que buscam novidade. . essas razões explicam a ocorrência generali zada de uma atividade que tem sido um assunto tabu. Juntas.

Em alguns homens. um dos presentes de casamento foi um par de meias. mostrar as pernas er a sinônimo de convite sexual. El es não se interessam por nenhuma outra parte do corpo feminino e conseguem obter s atisfação sexual. aos 15 anos. que se interessa m por todas as partes do corpo da mulher.22. mesmo entre heterossexuais normais. acariciando um par de meias de náilon. Ao ouvir isso. O que existe nas pernas femininas que as torna sexua lmente atraentes? Sua função primordial é nos manter de pé e nos fazer caminhar. por exemplo. como não se podia ver as pernas da rainha. a adoração atinge o grau de fetiche. que foi enviado de volta por um mensageiro com as seguintes palavras: "A rainha da Espanha não tem pernas". Assim. Uma pergunta presente em qualquer vestiário esportivo m asculino é a seguinte: "O que você prefere: seios ou pernas?" A fixação pelas pernas é tão g rande que existe uma publicação exclusivamente dedicada a essa obsessão masculina: Leg World (Mundo das Pernas). Quando. O que o mensageiro quis dizer é que. Pernas O poder erótico das pernas sempre foi valorizado. Naquela época. Esse comportamen to é relativamente raro. pensando que quando se casasse teria as pernas amputadas . e no entanto os homens são obcec ados por elas sexualmente. parece haver uma inexplicável preferência pelas pernas. É evident e que as pernas evoluíram como estruturas de locomoção. mas. a pri ncesinha caiu no choro. antes de examinar as pernas como meio de locomoção. . a princesa austríaca Mariana estava para se casar com Felipe IV da Espanha. não havia por que enfeitá-las com meias decorativas. vale a pena investigar os motivos dessa forte atração.

É quase como se. que se senta com os joelhos juntos. Ca da vez que uma mulher abre. abrir as pernas sem pre foi um gesto carregado de significado sexual. ela cria uma . o foco principal do interesse sexual masculino . e mesmo hoje os livros de etiqueta mais conservadores ainda a desaprovam. claro. as mulheres da alta sociedade eram proibidas de adotar essa postura em público. no recesso da mente do homem. passam uma imagem de formalidade. mesmo em momentos em que a mul her está apenas procurando uma postura mais confortável. a maior autoridade moderna em boas maneiras: "Cruzar as pe rnas hoje não é mais uma atitude masculina. que tem um quê de informalidade. Eis o qu e diz Amy Vanderbilt. No século XIX. esteja a mulher de pé ou sentada. Como na posição papai-e-mamãe a m ulher mantém as pernas abertas. Em 1972. o par de pernas funcionasse como uma flecha que indicasse a "terra prometida". A única outra alternativa ade quada é a postura de pernas cruzadas. Primeiro. Os livros de etiqueta ensinam as jovens a não se sen tarem de pernas abertas. Amy Vanderbilt achou necessário informar às mulher es americanas que "é gracioso sentar-se com o polegar de um pé posicionado ao lado d o polegar do outro e com os joelhos unidos". Uma moça bemcomportada. o homem costuma identificar essa postura com uma m ulher sexualmente ativa (por exemplo.A primeira e mais óbvia explicação talvez esteja na forma como as pernas se juntam. chama a atenção para o ponto o nde elas se encontram — que é. mos tra uma neutralidade que lhe dá um ar de correta inibição. Todas as posições em que as pernas fica m fechadas. mas existem boas razões para evitar ao máxim o essa postura. fecha ou cruza as pernas. Nesse aspecto. po lidez ou subordinação. em comentários como "Ela teve que ser enterr ada num caixão em forma de Y").

. As pernas cruzadas indicam que a mulher está instalada e não pretende se levantar de repente. por exemplo. Essa é a primeira das posturas verdadeiramente informais e costuma ser vista em situações sociais comu ns. e a posição quase não difere da postura de pernas fechadas. nunca foi fotografada com as pernas cruzadas acima da panturrilha. essa postura pode ser usada (consciente ou inconscientemente) com intenções sexuais . A parte das pernas que se cruzam é muit o pequena. A diferença entre a postura comportada de pernas juntas e a postura de pernas cruzadas está no fato de que a primeira mostra uma prontidão da mulher para se levantar. Portanto. Em terceiro lugar. Assim como a primeira postura. argumentando que a informalidade da post ura pode dar uma impressão de pretensão ou de excessiva descontração. Ela alerta para o perigo de cruzar as pe rnas durante uma entrevista de emprego. causando varizes". É a postura mais comportada de todas. Não é uma postura muito comum. Posição joelho-com-joelho. Passa uma imagem formal e "correta" . A rainha da Inglaterra. As pernas juntam rev elam uma disposição para a ação. Posição panturrilha -com-panturrilha. só é demonstrada por mulheres de alta condição social e m ocasiões públicas. Analisando mais detalhadamente essa postura. pode s er indecente ou no mínimo um sinal de descompostura. percebe-se que existem nove maneiras de cruzar as pernas. Posição calcanhar-com-calc anhar. Se a mulher está usando saias. enquanto a segund a mostra sua disposição de permanecer confortavelmente sentada. com saias curtas. Em segundo lugar.protuberância nas coxas que se sobrepõem. pode expor inadvertidamente as coxas. parece que prejudica a circulação.

Posição de pernas entrelaçadas. as pernas se enroscam e se mantêm nessa posição com a ajuda do pé flexiona do.Posição coxa-com-coxa. São formas de linguagem corporal que transmitem sin ais subliminares sobre o estado de espírito da pessoa. posição calcanhar-comjoelho e posição calcanhar-com-coxa. essa é uma postura facilm ente adotada por mulheres. Além das diferenças de gênero já ap ontadas. Posição pé-com-pantu rrilha. É uma posição muito feminina. Estas três posturas são obtidas com uma perna erguida acima da outra. porque a maioria dos homens não consegue executá-la. Essas maneiras de cruzar as pernas são vistas em quase todas as reuniões sociais. São maneiras de cruzar as pernas qu e. Nesta postura. Devido a conformação da pelve feminina. um pé descansa sobre a panturrilha da outra perna. É a preferida dos homens que gostam de afirmar sua masculinidade (ou das m ulheres que querem mostrar que são iguais aos homens). e ocasionalmente por mulheres que estejam usand o calças. se a mulher estiver de saia. vão expor não só as coxas. a maneira de cruzar as pernas também pode indicar identidade entre duas m ulheres. mas a região pubiana. N esta postura. é a pelve mais larga da mulher a responsável pela diferença. Posição panturrilha-c om-joelho. Portant o. é muito pr ovável que cruzem as pernas de maneira semelhante quando se sentam para conversar. Mai s uma vez. É outra po stura predominantemente feminina. . são adotadas apenas por homens. na qual uma coxa se ap erta contra a outra. É uma versão mais radical da última postura. mais uma vez por causa da conformação pélvica. já que é muito desconfortável para o homem. mas raramente praticada por homens. Se duas amigas têm uma visão semelhante sobre determinado assunto.

o gesto d eixa de ser defensivo e começa a ter um certo sabor sexual. e essa postura não pass a despercebida. porque "a dama protest a demais". Ao longo da história. Na verdade. Se uma mu lher exagera nessa postura de defesa sexual e aperta demais as pernas. A postura de pernas afastadas revela autoconfiança. Se são amigas. Por causa disso. Mas é verdade q ue quando alguém não se sente à vontade diante de outras pessoas tem maior probabilida de de manter as pernas cruzadas do que quando está relaxada. Em certo sentido. pernas cruzadas são o oposto de pernas afastadas. provavelmente adotará u ma maneira de cruzar as pernas diferente da de sua subordinada. Outro aspecto sexual das pernas é a maneira como elas são escondi das pelas roupas. mais defensiva é a postura interior da mulher. os joelhos apontam para fora e ajudam a desviar o corpo nessa direção. Quando duas mulheres sentam-se lado a lado. porque muitas pessoas se sentem mais confortáveis com a s pernas cruzadas e adotam essa postura mesmo quando estão sozinhas. houve quem chegasse a afirmar que todas as pessoas estão na defensiva quando cruzam as p ernas. se uma é superior à outra e quer afirmar sua condição. a .Entretanto. a direção em que cruzam as pernas também é significativa. Existe ainda outro elemento na maneira como uma mulher cruza as pernas. quanto mais apertadas as pernas. os j oelhos de uma ficam voltados para a outra. Se existe uma animosidade entre elas. mesmo que as pessoas ao seu redor não se dêem conta disso. Pode-se afirmar com uma certa segurança que. Isso é uma simplificação. Suas pernas tran smitem uma mensagem tácita: "Sou diferente de você". são tão fortes os sinais sexuais transmitidos pelas pernas fe mininas que só uma postura descontraída entre os dois extremos pode ser adotada sem atrair atenção sexual.

e isso era demais para alguns homens. encurtaram as saias. mas a verdade é que as pernas foram um tabu durante muito tempo. e apenas a região pubiana coberta por uma estreita faixa de tecido. "apêndices". Todas as vezes que as mulheres se rebelaram con tra isso. eram usados eufemismos como "extre midades". a p roporção visível das pernas femininas variou consideravelmente. Diziam que a nova moda estava corrompendo os padrões morais. Só dep ois da Primeira Guerra Mundial elas saíram do esconderijo. e que aquelas moças "modernas" se comportavam como prostitutas. O que comentários como esse revelam. No último século. é o forte apelo erótico das pernas femininas. as perna s desapareceram por completo de vista por longos períodos. O mot ivo é . até que toda a perna estivesse à mostra. uma coxa de galinha tornou-se apenas "carne escu ra". Um proeminente advogado se queixou de que "a provocação de pernas coberta s de seda e coxas seminuas [. mais uma vez. As jovens rebeldes dos anos 1920 ousavam expor as panturrilh as e até os joelhos. Em diferentes períodos da história ocidental.maioria das religiões preferiu ver as pernas das mulheres totalmente cobertas — outr a admissão de seu potencial erótico. Tão forte e total foi essa supressão que até a palavra foi proi bida nos círculos educados.. e a simples visão de um c alcanhar era chocante. pouco depo is. Para chocar. Entretanto. À mesa. o novo comprimento era aceito como norma.. etc. Hoje. e mesmo então ainda causa ram muito assombro. a exposição tinha então que ser maior. é difícil compreender o ambiente social que tornava possíveis tais extremos de pudicícia. Muitas jovens foram proibidas de usar as novas saias curtas no trabalho. Nos Estados Unidos. Cada centímetro que as saias subiam provocava prote stos e acusações de licenciosidade das autoridades puritanas.] era devastadora e insuportável".

A s saias longas dos anos 1970. que por sua vez deram lugar às saias longas dos recessivos anos 1970. Entretanto. se uma atitude otimista vai bem com uma ativa sexualidade. mas tem a desvantagem de ficar a maior pa rte do tempo bloqueando os sinais sexuais emitidos pelas pernas. as longas do pós-guerra. no fim da década de 1940. por exemplo. Qualquer dançarina de strip-tea se sabe que precisa começar totalmente vestida. não resultaram de uma onda moralista. revelassem seu otimismo e confiança pelo comprimento das bainhas. influenciadas pelas mudanças de humor da sociedade. mas isso é apenas parte da história. constataremos que as saias curtas foram adotadas em períodos de florescimento econômico. seria um erro concluir que as mudanças no comprimento d as saias durante o século XX refletem apenas as flutuações do vigor sexual da sociedad e. e as longas reap areciam em períodos de depressão econômica. Com saias curtas. A curta tem a vantagem de expor as pernas o tempo todo aos olhares masculinos. Se acompanharmos o sobe-e-desce das saias década após década. foram substituídas pelas minissaias dos liberais anos 196 0. o que as minissaias proporcionaram foi uma sensação de liberdade . mais fácil é imaginar o ponto onde elas se encontram.óbvio. Era como se as mulheres. E. Portanto. mas a des vantagem de que a familiaridade gera desinteresse. as mulheres podem caminhar . e que é o ato de tirar a roupa que p roduz um estímulo sexual. a saia longa tem a vantagem de provocar um for te impacto quando é erguida ou removida. As saias curtas dos agitados anos 1920 for am substituídas pelas saias longas dos anos 1930 pós-depressão. A verdade é que tanto as saias curtas quanto as longas têm potencial sexual. Mais do que qua lquer fator sexual. Quanto maior a parte das pernas à mostra. pode-se dizer que as saias mais curtas refletem uma sociedade dotada de maior energia sexual.

Enquanto o confuso quadro econôm ico dava origem a uma mistura de tendências — saias longas. a vanguar da da população feminina propunha a igualdade das pernas. médias e curtas —. As calças. est amos caminhando para a frente". 84% das mulheres de Londres pr eferiam as calças às saias. mas ao mesmo tempo não deixavam ver a suave curvatura das pernas. . Com a chegada dos anos 1980. ficou claro para on de elas estavam caminhando — para o movimento feminista e uma nova luta por iguald ade sexual. causaram tum ulto quando apareceram e fizeram muitas mulheres serem expulsas de ambientes eli tistas. de modo que as mulheres podem usar saias curtas e lo ngas ou calças largas e justas sem a pressão de rígidas normais sociais. dando-lhes dobras e rugas anti-estéticas. levantar uma saia é fácil. saltar e correr. o que lhes deu um enorme potencial erótico.) Como as saias. As que usam longas saias com muito pano ou afuni ladas perdem mobilidade. ti rar um par de jeans é uma luta.vigorosamente. como as saias curtas. logo foram aceitas. jovens. Com esse último passo veio outra mudança. Se o mundo ocidental se tornou cada vez mais liber al em relação à exposição das pernas. as calças também mostraram vantagens e desva ntagens. As longas pernas transmitiam uma mensagem social: "Nós. adotando a peça característica do vestuário masculino: as calças. Revelaram pela primeira vez a forma exata da região onde as pernas se enc ontram. roubando das pernas a vulnerabili dade diante da abordagem masculina. Na mente do homem. A explosão de minissaias nos anos 1960 resultou de uma li berdade recém-conquistada com a invenção da pílula anticoncepcional e com o forte cresci mento econômico. Elas t ambém davam a impressão de uma armadura protetora. que. (No início do século XXI.

A China comunista também impôs graves restrições às mulheres durante qu ase todo o século XX.em outras partes do mundo as restrições ainda são muitas. O uso de meia s de seda ou náilon se popularizou também como uma maneira de aumentar a aparência de suavidade das pernas. Um sinal dessa mudança foi a aparição de pernas femininas nas telas de tevê. mas agora está mudando graças à chamada "abertura" da economia chi nesa. As autoridades ficaram suficientemente sensibilizadas e proibiram a exposição inadequada das perna s femininas na tevê. as mulheres não podem expor nenhuma parte da s pernas em público. uma diferença que funciona como um forte sinal de gênero. Em 1998. embora no século XXI um ar de modernização tenha varrido a sociedade chinesa. por exemplo. por exemplo. a s mudanças não foram aceitas sem resistência. Hoje. No Japão. Nos países muçulmanos tiranizado s por líderes religiosos conservadores. um grupo de estuda ntes apresentou uma queixa formal exigindo "uma tela [de tevê] livre desse lixo co mercial que expõe o corpo feminino para vender produtos de beleza". Entre tanto. onde mais de 12 milhões de . bran cas e lisas como um ovo". a bemvinda liberalização da moderna China parece ser irreversível. Outro aspecto da s ensualidade das pernas é sua suavidade. à prova d'água e nunca enruga. Um poeta do século XVII cantou em versos as pernas de sua amada: "Pudera eu beijar as deliciosas pernas de minha Julia. Uma alternativa moderna é a aplicação de um spray sedoso que ade re à pele e produz um efeito muito semelhante ao das meias. A pele lisa e suave das pernas femininas (às vezes aperf eiçoadas com uma pequena ajuda no banheiro) contrasta com a pele peluda das pernas masculinas. Tem várias vantagens: é ma is fresco. mas em poucas semanas as belas pernas estavam de volta.

Outra diferença de gênero é a forma curvilínea das pernas femininas em comparação com as musculosas pernas masculinas. . As suaves c urvas ascendentes atraem o olhar dos homens. Numa recente pesquisa em que mil homens foram solicitados a dizer que atriz tinha as mais belas pernas.mulheres trabalhadoras são proibidas pelas empresas de expor as pernas nuas. a condição física adequada à procriação é um atributo que desperta gr nde interesse sexual. não são atraentes para o hom em. É claro que se eles tivessem exagerado demais os desenhos ficariam grotescos. a mais votada (Nicole Kidman) é famosa por suas longas pernas. Está provado que. existe uma vantagem em ter pernas longas. Pernas curvilíneas — nem finas demais. mas o alongamento na medida cer ta deu às mulheres retratadas uma maior sensualidade. os cartunistas começaram a explorar esse aspecto. não só porque são diferentes. Pernas muito finas. assim como pernas muito gordas e grossas. em tod as as culturas humanas. mas também po rque são sinal de um corpo vigoroso e saudável. Na mulher adulta. Como na puberdade ocorre um rápido crescimento das pernas. desenhando figuras d e pernas muito mais longas que as das modelos reais. uma mulh er de pernas anormalmente longas transmite sinais de extrema feminilidade. tão populares no m undo da moda. as pernas são maiores que as da criança tanto em termos relativos quanto em termos abso lutos. Portanto. Dá às pernas a suave aparência "vestida" adequada ao local de trabalh o sem nenhuma das desvantagens das meias. a sol ução do spray é ideal. Na déca da de 1940. ter pernas mais compridas acabou sendo sinal da chegada da maturidade sexual. Não é difícil descobrir por que pernas compridas são tão atraentes. nem muito gordas — estão associadas (na mente primitiva do macho) a uma condição física ideal para a procriação. Finalmente.

e (5) seu acelerado crescimento na puberdade faz com que pernas longas passem uma mensagem de prontidão sexual. isso resultava do fato de estilistas de moda. As pernas cor respondem à metade da altura do corpo. Para resumir. as pernas são metade do comprimento do corpo. as pernas são sexual mente excitantes porque (1) o ponto onde elas se encontram é foco da atenção erótica mas culina. Deix ando de lado o sex appeal das pernas. A base esquelética das pernas compreende quat ro ossos: o fêmur. Quando um pintor faz um esboço acurado do cor po humano. divide-o em quatro partes praticamente iguais: do chão aos joelhos. São pernas proporcionalm ente 30. . Em outras pal avras. (3) a roupa mais cur ta permite a exposição de porções de carne que em geral permanecem escondidas. do púbis aos mamilos e dos mamilos ao topo da cabeça. a patela. fotógrafos e diretores de cinema preferirem mulheres d e pernas longas.5 cm mais compridas que a média — o que mostra a grande variação existente nas m edidas das pernas femininas adultas. até que hoje é impossível para uma mo delo que tenha pernas curtas encontrar emprego. o osso mais comprido do corpo humano. A tendência continuou ano após ano. dos joelhos ao púbis. (2) suas diversas posturas indicam preocupações eróticas. (4) suas curvas enfatizam as formas do corpo feminino. As pernas mais longas do mund o pertencem a uma adolescente e medem 124 de seus 190 cm. que protege a p arte frontal da articulação do joelho. vamos analisar sua anatomia. Evidentemente. as mulheres r eais pareciam ter pernas cada vez mais longas.Desde então. durante toda a segunda metade do século XX e início do XXI.

Foram identificadas 36 maneiras de and ar na espécie humana — do andar lento de cerca de um passo por segundo ao caminhar n ormal de dois passos por segundo até o andar rápido de quatro passos por segundo —. A maneira de caminhar de diferentes indivíduos e de diferentes cultu ras há muito fascina os observadores. No aspecto cultural. mas existem enormes diferenças pessoais. Normalmente. e a fíbula. existem imensas diferenças entre. só que os passos curtos ficam ainda menores. É o andar típico das mulhere s quando estão usando saias muito justas ou sapatos apertados. Muito já se escreveu s obre o andar. e muitas mulheres famosas tém um andar tão característico que é fácil imitá-las. ma s apenas nove delas são predominantemente femininas e merecem uma breve menção: 0 vaci lante é o andar das pessoas cujas pernas não são capazes de percorrer longas distâncias com conforto. que se situa ao lado da tíbia. O miudinho é um andar de passos rápidos mas curtos. Uma maratona de dança que levou os participantes à exaustão durou 214 dias. Na verdade. por exemplo. A pessoa caminha com passos muito curtos. As japones as são perfeitas quando se trata de um andar mais formal.5 metros. . bas ta-me citar os nomes de Mae West e Marilyn Monroe. Tais feitos de força e resistência testemun ham a evolução das pernas femininas ao longo de 1 milhão de anos. enquanto as americanas são melhores em tipos de locomoção mais casuais. mulheres japonesas e americanas. é um exagero do andar característico das mu lheres. o passo da mulher é mais curto qu e o do homem. Para ilustrar o que estou dizendo. que se articula com o fêmur. a mulher já saltou mais de 2 metros no ar e conseguiu dar um salto em distância de 7.a tíbia. Impulsi onada por pernas fortes e bem-moldadas.

cheio de movimentos curtos. Isso se deve à maneira como as pernas femininas estão presas à bacia. É um andar alegre. O pulado é o andar típico da adolescente quando caminha com um movimento flexível que faz o corpo saltar a cada passo. O gingado é o andar erótico da mulher que quer atrair atenção. que ocu ltem o movimento dos pés. rápidos e indecisos. fazendo os quadris oscilarem. com um elemento de rotação . A corrida nos interessa particularmente porque a conformação corporal da mu lher a obriga a executá-la de uma maneira ligeiramente diferente da do homem. com muitas idas e vindas e súbitas mudanças de direção.Pode ser descrito como um andar que demonstra "afetada precisão". a mulher precisa usar saias bem longas. É uma versão mais rápida do pulado. o corpo par ece deslizar para a frente como se sobre rodas. Outrora comum entre mulheres da alta sociedade em algumas partes da Europa. O peso pas sa de uma perna para a outra. Essa mesma conformação a natômica que permite à mulher cruzar as pernas entrelaçadas lhe dá uma diferente maneira de correr. Se exagerado. Marilyn Monroe realçava seu famoso gingado usando sapato s de salto alto que tinham um salto ligeiramente menor que o outro. que re vela saúde e otimismo. O disparado é um andar ansioso. com uma ação mais vigorosa das pernas. com pequen os saltos desnecessários. Para criar o efeito desejado. hoje restringe-se praticamente ao Ja pão. O saltitante é um andar alegre e rápido. O deslizante é uma versão elegante do miudinho. tornase uma caricatura sexual. O passo largo é usado pelas mulheres que imitam o vigor do an dar masculino. Com movimentos curtos e delicados dos pés.

mas. .que não existe na corrida do homem. para chegar a ser uma atleta de ponta. ficará evidente a típica rotação da perna. Em tempos mais formais. sem nenhum traço da rotação da pe rna tipicamente feminina. Um antigo livr o de etiqueta descreve uma mulher cujo andar era socialmente aceitável: "Seu corpo se mantém ereto em perfeito equilíbrio. mas. a mulher é escolhida entre milhões de outras por seu andar masculino. Essa diferença quase não é percebida porque é mais com um vermos atletas correndo. Essas são as corredoras que vemos nas telas da tevê. o "passeio despreocupado". nem tampouco gesticula enquanto caminha". en quanto outras resultam de normas sociais. o trote. e n a corrida suas pernas executam um movimento frontal. Essa corrida desajeitada sugere que. Essa nova informalidade permitiu o aparecimento de maneiras muito pessoais de caminhar. Em hipótese algum a balança os braços. Essas normas de "bom comportamento" parecem estranhas nos dias de hoje. em sua especialização para a procriação. O corpo das atletas não exibe as usuais curvas e seios fartos. e no entanto não há o menor sinal de rigidez. o passo arrastado e a corrida. havia leis estritas determinando como uma dama devi a caminhar num local público. E la dá passos médios e caminha a partir dos quadris. ela devia evitar o "caminhar atlético". Um século atrás. Algumas formas de locomoção são provocadas por estados emocionais. e não dos joelhos. sua camada de gordura é muito reduzida. se observarmos uma mulher menos musculosa e mais voluptuosa correndo para pegar um ônibus. o corpo feminino sacrificou algumas de suas ca pacidades atléticas adequadas à corrida. Essas regras variam de uma época para ou tra. que acabou sendo uma especialização do homem (c açador primitivo). livres das imposições da etiqueta. quando uma mulher simplesment e sai de casa e caminha pela rua sem pensar que está colocando um pé diante do outro .

quase sempre acompanhado de uma curvatura da cabeça.Finalmente. exc lusivamente masculina. embora esteja desaparecendo r apidamente na sociedade moderna. e a curvatura. . A única exceção a essa norma ocorre quando a peça que foi representada se passa numa época em que a forma c orreta de saudação era a combinação entre reverência e curvatura. No século XVII. um movimento das pernas que merece menção. mas antigamente era muito comum como gesto de agradecimento. onde as atrizes tendem a copiar os atores e agradecem à platéia com uma curvatura. Hoje. a reverência praticamente só é u sada quando uma dama cumprimenta um membro da realeza. esses dois elementos — a flexão das pernas e a curvatura da cab eça — se separaram: a reverência tornou-se exclusivamente feminina. Essa divisão por sexo só não ocorre no teatro. é a reverência — uma saudação na qual um pé é colocado atrás outro e as duas pernas se dobram ligeiramente.

de 24. Quando não encontramos uma superfície que julgávamos e star ali. e smagados e imobilizados em nome da beleza. e no entanto raramente merece um pensamento. essa diferença de tamanho tem sido explorada e exagerada. Mas. antes de tratar desses dolorosos procedimentos. os pés nos servem sem esforço e nos transportam por ambientes mutáveis . PÉS Os pés são outra parte da anatomia humana que mostra as diferenças entre homens e mulh eres. Se um pé pequeno é uma característica feminina. Um dos únicos momentos em que nos lembramos de seu maravilhoso trabalho é quando o s olhos nos faltam e. na semi-escuridão. com os quais mantém nosso equilíbrio e nos permite caminhar. Obedecendo às in dicações dos olhos. Especificamente. levamos um choque e perde mos o equilíbrio. Consideramos a postura ereta algo natural. nas mulheres. Os pés da mulher são menores e mais estreitos que os do homem. o pé contém 26 ossos. e no entanto ela é extremamente rara entre os mamíferos. 114 ligamentos e 20 músculos. Elas tiveram os pés apertados. então um pé muito pequeno será superfeminino. Nesses raros momentos . ou quando nos deparamos com algo inesperado.8 cm. E struturalmente. o c omprimento médio é de 26. numa mulher ativa. somos obrigados a dar um passo após outro p ara subir ou descer uma escada.23. saltar. o calcanha r da mulher é mais estreito em relação à planta do pé. correr. espremidos. Calculase que. Como ocorre com outras partes do co rpo. O que torna isso possível é o pé humano — uma obra-prima de engenharia. dançar e chutar. o que fez muitas mulheres sofrerem ao longo da história.4 cm. vamos analisar a anatomia do pé. o pé toca o chão mais de 270 milhões de vezes durante a vida. É uma tarefa formidável. como afirmou Leonardo da Vinci. Nos homens.

Essas três funções são executadas a cada passo. durante séculos as mulheres tentaram comp rimi-los em sapatos desconfortáveis. Não é por acaso que 80% das cir urgias de pé são realizadas em mulheres. O primeiro recurso aperta os pés. fazê-los muito pontudos . A primeira é a absorção do choque quando o pé toca o c a segunda é a sustentação do peso do corpo. essas três mudanças na estrutura natural podem produzir pés mais "atraentes". e o terceiro os faz parecer menores por elevar a posição do calcanhar. Na tenta tiva de exagerar esse atributo feminino. a fazer um pequeno sacrifício: deixamos de ter polegares opostos como os outros primatas. Na especialização do macho da espécie humana como caçador cooperativo. os pés realizam três funções. O polegar se alinhou com os outro s dedos e não pode mais ser usado para agarrar objetos como as mãos. Para que elas sejam eficient es. O primeiro é fabricar sapatos apertados demais. fomos obrigados. dotá-los de saltos altos. Eles eram necessários para a caçada. mas também os submetem a enormes pressões.nos lembramos da brilhante tarefa que nossos pés executam o tempo todo. que permaneceram menores e mais ágeis. e o terceiro. Três recursos têm sido utilizados pelos fabricant es de sapatos para que os pés de suas clientes pareçam menores do que são na realidade . no curso da evolução. Quando cam inhamos. Juntas. ter pés maiores repre sentou uma vantagem. o segund o os torna mais estreitos. o segundo. Por isso não somo s tão acrobáticos quando se trata de subir numa árvore. . e a terceira é a propulsão que nos empurra par a a frente. mas essa é uma perda pequena com parada com o imenso ganho que obtivemos em velocidade para caminhar e correr. Essa pressão evolucionária não s e exerceu sobre os pés das mulheres.

. mas. A menção à amputação nos traz inevitavelmente à mente a cruel história de Cinderela.. seus pés são grandes demais. nas costas e até dores de cabeça. mas não conseguiu. não tinha nada a perder.O equilíbrio do corpo é perturbado pelo formato dos sapatos. P ara mim você parece um fóssil. somos quatro: eu. mas. Essa paixão por pés pequenos atingiu tal inten sidade em outros séculos que algumas damas da sociedade ficaram famosas por terem amputado os dedos mindinhos para que seus pés coubessem em sapatos ainda mais pont udos. Um príncipe procurava uma esposa. explicando-lhe que. A ma is velha tentou enfiar o pé no sapatinho. Então a mãe a aconselhou a cortar o dedão. não admira que muitas mulheres cheguem a a bsurdos para reduzir o tamanho dos pés. para satisfazer sua exigência de feminilidade. Na verdade. Mas o horror que ter pés grandes representa não deixa a mulher desistir. Duas irmãs estavam desesperadas para ser escolhidas. quando partiu com o príncipe. ela prec isava ter pés muito pequenos." Portanto. A mulher que tenha a infelicidade de possuir pés grandes e masculinos será considerada anormal — tão estranha que o pianista de jazz Fats Walle r lhe dedicou uma canção. A moça amputou o dedão e ape rtou o pé sangrando dentro do sapatinho.. seus pés grand es e você. Dos calcanhares para cima você com certeza é delicada. mas daí para baixo há pés demais. Ele então a . [.] Oh! suas extremidades são colossais. nunca mai s precisaria caminhar. Um minúsculo sapatinho de pele era usado para testar a s noivas em perspectiva. Sim. A ersão atual de Disney é leve. Por isso. depois que se cassasse com o príncipe. mas a história original é selvagem e sangrenta.. provocando dores nas pe rnas. ele perc ebeu o sangue manchando as meias. numa mesa para dois. é uma rejeição direta que a expõe ao ridículo com as se uintes palavras: "No Harlem.

A estranha premissa da história — a de que um homem de alta condição social procure uma mulher de pés pequenos sem levar em conta suas outras qualidades — parec e ter passado despercebida pelas platéias modernas. Na China. Só então o príncipe encontrou Cinderela. Mais uma vez. mas entre 6 e 8 anos pa ssava pela agonia de ter os pés amarrados.devolveu para a mãe. com uma bandagem de 5 cm de largura e 3 metros de comprime nto. Primeiro. fazendo com que os dedos curvados se . Quando era pequena. onde durante séculos amarrar os pés das meninas foi uma prát ica comum nas famílias da casta superior. Então. enquanto Cinderela er a bela. precisamos saber que ess a história nasceu na China. O príncipe só tinha uma exigência: que os pés da noiva coube ssem em minúsculos sapatinhos de pele — não de cristal. Mas isso é um engodo. Isso ocorreu porque a versão mod erna de Cinderela converteu as duas irmãs em moças horrorosas. o costume de amarrar os pés das jovens começou no século X e durou mais de mil anos. Surpreendentemente. a menina tinha permissão para correr livremente. mesmo sendo um costume bárba ro. os pés eram lavados em água quent e e massageados. só foi proibido no início do século XX. que parece ter entrado na histór ia por um erro de tradução. que lhe ofereceu a outra filha. jatos de sangue puseram fim à farsa e ela também foi rejeitada. Para entender o motivo de tal ênfase nos pés. c ujos pequeninos pés cabiam perfeitamente nos sapatinhos e que se tornou esposa do fetichista. Depoi s a faixa rodeava o tornozelo. Essa pobre moça teve o calcanha r cortado para que o pé pudesse caber no sapatinho. a pequenez dos pés de uma moça era um sina l fundamental de beleza. que confundiu vair (uma pele rara como a zibelina) com v erre (vidro). Lá. Vamos acompanhar esse processo. os quatro dedos menores eram cruelmente curvados para trás e amarrados.

As esposas eram literalmente incapazes de se afastar do marido. Os Lótus Dourados. Dizia-se que a vagina verdadeira também se beneficiava com a maneira res trita de andar causada pelos pés atados: "Quanto menor o pé da mulher. Apesar da dor. tinh am um significado erótico. era obrigada a caminhar para que o pé s e acostumasse à nova forma. mais maravilh osa a concavidade da vagina". mas ofereci am uma permanente demonstração de status.juntassem ao tornozelo. Além disso. essas meninas estavam ale ijadas para sempre. Os mais sádicos apreciavam a facilidade com que podiam fazer a mulher gritar dura nte o ato sexual simplesmente apertando o pé mutilado. Por incrível que pareça. Um dos motivos para a atadura dos pés era sexual. já que não podiam fazer nenhum trabalho manual . juntando os pés. o desamparo de uma . A cada quinze dias. Alem disso e de outras idéias eróticas ainda mais grot escas sobre o Lótus Dourado. apanhava. incapazes de caminhar normalmente e limitadas a umas poucas atividades físicas que conseguiam realizar. usava um sapato 0. como eram chamados os delicados pezinhos pelos seus admiradores. O resto da bandagem era enrolado várias vezes em volta do pé. o amante podia colocar todo o pé na boca e chupá-lo com avidez. Se a menina chorasse. Só com a modernização da China no século XX e o fim da sociedade dos mandarins essa fo rma de mutilação foi abolida. Quando atingiam a idade adulta. para que ele não pudesse voltar à posição normal. Essa era a vantagem social da deformid ade.25 cm menor que o anterior. Só o polegar escapava ao castigo. su a forma arredondada oferecia um falso orifício que podia ser usado como uma vagina simbólica. o objetivo era reduzir o comprimento do pé a 1/3 do seu tamanho normal. Dizia-se que. além de beijar os pés das amadas durante as p reliminares do sexo.

lambido e sugado. Tant o os sapatos quanto os pés figuram no estranho mundo dos fetichistas. o simbolismo dos pés é sexual. Não só na China. e é por isso que. Acredita-se que. "Era uma vez uma velha que morava num sapato" ( em outras palavras. O sapato tem sido utilizado como símbolo dos genitais femininos. Esses e muitos o utros costumes populares confirmam a ligação simbólica entre os sapatos e o sexo. como diz um conto popular. Ela estava à mercê do homem e sofreu nas mãos dele durante séculos. tem também um pênis grande. os sapatos preferidos são sempre os de saltos muit o altos e finos. cuja vida se concentrava nos genitais) "e que tinha tantos f ilhos que não sabia o que fazer". E é por isso que sapatos são amarrados à traseira do c arro dos recém-casados e que um homem romântico bebe champanha no sapato da amada. Pode se curvar aos pés de uma parceira domina dora e obedecer às suas . acariciado. U ma velha tradição francesa exige que a noiva guarde os sapatos que usou no casamento e nunca se desfaça deles se quiser ser feliz para sempre. É beijado. E as moças sicilianas que procuram marido sempre dormem com um sapato sob o travesseiro. mas em outras partes do mundo. se o homem com pés muito grandes. O homem pod e ou não assumir um papel de subordinação.mulher que tinha os pés atados provocava uma excitação geral. e se a mulher tem pés muito pequenos. No mundo bizarro das fantasias sexuais. Mas isso nada mais é do que uma simplificação das diferenças de gênero em relação ao tamanho dos pés. tem uma vagina estreita. Já o pé descalço d esempenha um papel diferente. Para esses h omens que têm uma fixação erótica em pés. esse modelo de sapatos torna-se uma arma brutal de tortura para o homem masoquista no momento em que a parceira sobe em seu corpo e o perfura com seus saltos pontiagudos.

os pés ficam a maior parte do tempo enfiados num invólucro de couro que estimula o desenvolvimento de bactérias e até fungos. esse sinal odorífico d os pés tinha uma utilidade. deixaríamos um ra stro de nossa fragrância pessoal por onde passássemos. E também pode não haver nenhum elemento sadomasoqu ista. Dentro de no ssos sapatos onde o ar não circula. por que certos indivíduos ainda acham essa parte do corpo nada sensual tão estimulante? Por que um libertino experiente como Casanova chegou a a firmar que "homens dotados de grande apetite sexual sentem uma forte atração pelos pés femininos"? Existem duas respostas para essas perguntas. Para a mai oria das pessoas. Se andássemos descalços. algumas tribos são capazes de detectar essa fragrância e dizer quem passou por um determinado caminho e quando. O mau cheiro dos pés é tão comum que vários produtos são vendidos para combatê-lo. No nosso passado remoto. torturando gentilmente a parce ira com a boca até levá-la ao prazer. toda essa atenção dedicada aos humildes pés parece decididamente esq uisita. ignorando todos os outros fortes odores que podem cruzar seu caminho. Em apenas 18 minutos.ordens. Mas também pode assumir um papel dominante. Então. mas na vida urbana atual tudo isso mudou. Uma está ligada às glândulas e outra ao simbolismo sexual. basta lembrar que um cão de caça é capaz de seguir a pista de um homem depois de 24 horas. . Ainda hoje. Tudo isso devia tirar muito do pode r erótico dos pés. Afinal. Se isso parece improvável. quando o homem andava nu. Existem na pele dos pés glândulas especializadas que transmitem sinais pessoais sobre o indivíduo. ele consegue perc orrer 5 quilômetros. caso em que o pé é massageado e beijado como parte da excitação normal. as bactérias proliferam rapidamente e as secreções o doríferas logo desaparecem.

um imenso clitóris ou mesmo a língua. para algumas pessoas. e o contato com ele pode ser excitante para ambos os pa rceiros. Além desse elemento primitivo também existe uma atração simbólica. No cére bro tomado de excitação. Li vres dos sapatos. a proposta sexual é totalmente diferente. limpo e pronto para ser acariciado pelo amante. mas não percebemos que nossos pés transpiram dentro dos sapatos. um dedo esticado torna-se um pênis e seios lembram nádegas. certas partes do corpo se tornam "ecos anatômicos" de outros órgãos. que para tantas p essoas a idéia de beijar os pés seja repugnante e não tenha nada de erótica. essas ilações simbólicas podem parecer improváveis. Mais uma vez. os pés femininos não são insensíveis às carícias. Sugar o dedo d o pé de uma mulher dá ao amante a sensação de estar tocando um mamilo gigante. ele se transforma no pé cheiro so que a natureza criou. como se os pés quisessem ac ompanhar os espasmos que dominam o corpo no clímax. portanto. e não como ele deveria ser. durante as preliminares do sexo. N o momento do orgasmo. Além disso. Em momentos de tensão e ag itação da vida moderna. os dedos se separam e se curvam. banhado. em momentos de ex citação sexual. que pode se tornar intensamente erótico. . mas estudos psiquiátricos provaram que. e os pés começam a cheirar mal. e nossos pés sofrem. Essa umidade não pode evaporar como a natureza desejaria. os lábios da boca se tornam os lábios vaginais. Não surpreende. Elas pensam no pé como ele quase sempre é atualmente. a natural fragrância agradáve l se deteriora rapidamente. às vezes percebemos que as palmas da mão suam. eles reagem ao toque. Quando libertad o da prisão dos sapatos. a cavidade da b oca lembra a vagina. De repente.Se não trocamos de sapatos e lavamos os pés todos os dias.

Dizia-se que ela chegou a ter mais de 3 mil pares. apesar da maneira como são tratados. Talvez o exemplo mais extraordinário de excentricidade em sapatos seja o par que foi exposto na Harrods de Londres n a primavera de 2003. O modelo. Deixando de lado os aspectos eróticos. Felizmente. 1. entre elas sapatos absurdamente caros. e sposa de Napoleão III. que se recusava a usar um par de sapatos mais do que uma ve z. Recentemente. Era um par de sandálias criadas pelo estilista Stuart Weitzma n que exibiam 642 rubis incrustados em platina.220 estão expostos no recém-inaugurado Museu do Calçado das Filipinas. inspirado nos sapatinh os mágicos de rubi usados pela . ex-primeira dama das Filipinas. Imelda foi acusada de "colocar o prazer dos seu s pés" acima das necessidades de seu povo. Marcos já tenha conseguido criar uma nova coleção de mais 2 mil pares.060 pares. cordões de ouro nos torno zelos. Ainda mais extremo foi o caso da princesa Eugênia.060 pares. Curio samente. uma coleção que ocupava cinco salas do palácio presidencial de Manila. podemos dizer que. Im elda Marcos. Algumas mulheres demon straram seu poder e riqueza pelo tamanho de sua coleção de sapatos.Resumindo. desses 1. foi um exemplo. de qualquer modo. os pés femininos têm sido explorados como foco de demonstrações de poder que ass umem várias formas. Ela retrucou que os havia colecionado c omo "símbolo de amor e gratidão". e calcula-se que hoje a sra. Depois que ela e o marido foram afastados do poder. anéis para os dedos e elaboradas pinturas das unhas. de modo que os sapatos descartados podiam s er enviados a orfanatos e servir às pequenas órfãs. só possuía 1. ela tinha pés pequenos. e que. os pés continuam sendo uma forte zona erógena para os dois parceiros. viajando o mundo to do para comprar sapatos.

mas alguns concord am com a opção menos drástica de encurtar o segundo e o terceiro dedos. e previa-se que os modelos futuros seriam 2 0% mais estreitos e pontiagudos.menina Dorothy em O mágico de Oz. precisamos admitir que o anseio p or pés anormalmente pequenos é uma dolorosa tradição que ainda sobrevive. . foi colocado à venda por 1 milhão de libras esterlin as (aproximadamente US$ 1. Isso permite à mulher espremer os pés recém-esculpidos nos sapa tos criados pelos estilistas modernos. Cinderela está viva. Finalmente. removendo uma pequena parte do osso. Os podólogos (ortopedistas especializa dos no tratamento dos pés) têm se recusado a fazer essa cirurgia. Os sapatos estão se tornando cada vez mais estreitos e pontudos. Isso levou algumas mulheres nos Estados Unidos a solicitar a remoção cirúrgica do dedo mindinho. Os atuais esti listas de sapatos impõem torturas cruéis a suas clientes.5 milhão).

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