A Mulher Nua Desmond Morris

Índice AGRADECIMENTOS CONTRA-CAPA ORELHA INTRODUÇÃO 1. A EVOLUÇÃO 2. CABELOS 3. TESTA 4. ORELHA S 5. OLHOS 6. NARIZ 7. BOCHECHAS 8. LÁBIOS 9. BOCA 10. PESCOÇO 11. OMBROS 12. BRAÇOS 1 3. MÃOS 14. SEIOS 15. CINTURA 16. QUADRIS 17. BARRIGA 18. COSTAS 19. PÊLOS PÚBICOS 20. GENITAIS 21. NÁDEGAS 22. PERNAS 23. PÉS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 3 4 5 6 10 14 34 49 61 80 92 100 117 126 135 143 154 171 192 202 207 217 226 238 257 273 288 298

Agradecimentos Quero expressar meu especial agradecimento à minha mulher, Ramona, por seu incansáve l encorajamento e suas críticas construtivas; a meu colega Clive Bromhall, por mui tas e valiosas discussões; à Random House e a Marcella Edwards, Caroline Michael, Da n Franklin e Ellah Allfrey por sua competência editorial; a Nadine Bazar, por sua cuidadosa pesquisa iconográfica; e a Davi d Fordham, pelo projeto para o caderno d e fotos.

Contra-capa Há 5 mil anos, senhoras da elite do antigo Egito faziam questão de raspar a cabeça par a ostentar perucas com cabelos femininos de povos subjugados. Na região hoje conhe cida como Alemanha, durante as tempestades, mulheres exibiam as nádegas nuas à porta de casa. para afastar desgraças: exclusivos da raça humana, os hemisférios glúteos seri am uma visão capaz de repelir os demônios, desprovidos desse detalhe anatômico. Já na In glaterra vitoriana, a barriga tinha conotação sexual tão forte que seu nome nem sequer podia ser pronunciado, dai a criação do eufemismo dor de estômago". O escritor e zoólog o inglês Desmond Morris — autor do bestseller mundial O macaco nu - reúne essas e muit as outras observações curiosas em A mulher nua. Neste revelador estudo sobre o corpo feminino, o autor descreve, dos cabelos aos pés, cada parte da anatomia, suas funções e sua evolução, explicando como certas características foram valorizadas ou desprezad as, conforme os costumes de cada época. Trafegando na fronteira da zoologia com a história e a sociologia, Morris desnuda, enfim, os processos que levaram a mulher a se transformar naquilo que ele define como "o mais extraordinário organismo exis tente no planeta".

Orelha Toda mulher tem um corpo belo. Brilhante fruto de milhões de anos de evolução, de surp reendentes ajustes e refinamentos sutis, ele é o organismo mais extraordinário exist ente sobre o planeta. Em diferentes épocas e lugares, as sociedades humanas tentar am melhorar a natureza, modificando e embelezando o corpo feminino de muitas man eiras. Neste novo estudo, Desmond Morris dirige seu talento e sua atenção para a for ma feminina e conduz o leitor numa excursão "da cabeça aos pés". Esclarecendo as funções e volutivas das características biológicas da mulher, Morris explora os avanços e limitações criados pelas sociedades humanas no intuito de atingir o controle e a perfeição do corpo feminino. Escrito a partir da perspectiva de um zoólogo e apoiado na inigualáv el experiência de Desmond Morris como observador do animal humano, A mulher nua ap resenta fatos científicos, histórias interessantes e conclusões instigantes que provoc am reflexão.

Introdução Este livro conduz o leitor numa viagem pelo corpo feminino, explicando muitos de seus aspectos pouco conhecidos. Não se trata de um texto médico, nem de uma análise p sicológica, mas de uma abordagem zoológica, que celebra a mulher na forma como ela e xistia no mundo real, em seu ambiente natural. Muito mais do que o macho, a fêmea humana passou por mudanças drásticas no curso de sua evolução. Perdeu muitas dos atribut os femininos de outros primatas e, na forma da mulher moderna, tornou-se um ser ún ico de uma espécie extraordinária. Toda mulher tem um corpo belo — belo porque é o brilh ante coroamento de milhões de anos de evolução, fruto de surpreendentes ajustes e suti s refinamentos que o tornam o mais extraordinário organismo existente no planeta. Apesar disso, em diferentes épocas c lugares, as sociedades humanas tentaram melho rara natureza, modificando ou embelezando o corpo feminino de muitas maneiras- A lgumas dessas elaborações culturais foram agradáveis, outras foram dolorosas, mas toda s buscaram tornar a fêmea humana ainda mais bonita do que já era. O conceito de bele za tem variado muito, e cada sociedade humana desenvolveu idéias próprias sobre o qu e considera atraente. Algumas culturas apreciam figuras esguias, outras preferem as formas mais arredondadas; algumas gostam de seios pequenos, outras os apreci am vastos; algumas apreciam cabeças raspadas, outras valorizam longas e luxuriante s cabeleiras. Mesmo na cultura ocidental, o instável mundo da moda continua criand o novas prioridades. Por isso, à medida que viaja da cabeça aos pés da mulher, este li vro explica os interessantes atributos

Há alguns anos. tenta oferecer um quadro completo do mais fascinante tema do mundo: a mulher nua.) Nunca houve a pretensão de um sexo . aumentados ou redu zidos. (Essa diferença de personalidade ainda persiste. caçando. No aspecto pessoal. mas também discute as muitas maneira s pelas quais esses atributos foram exagerados ou suprimidos. as fêmeas ocupavam o centro da vid a social. criando os filhos e organizando a t ribo. o movimento feminista simplesmente não existiu. em que os machos se especializaram na função de caçadores. isso me levou a criar uma série para a televisão americana chamada The Human Sexes. Dessa forma. as mulheres apre nderam a lidar com vários problemas ao mesmo tempo. Apesar dos avanços conquistados pelo movimento feminista no Ocidente. Quanto mais eu viajava. Como viviam em pequenas tribos. is so significava que. Enquanto os homens se concentravam em sua tarefa crucial. essa tendência à dominação masculina não te oerência com o modo como o como sapiens se desenvolveu ao longo de milhões de anos. Para elas. na q ual analisei detalhadamente a natureza do relacionamento entre machos e fêmeas da espécie humana ao redor do mundo. Pa ra mim.biológicos que todas as fêmeas humanas partilham. um zoólogo que estudou a evolução humana. em outras partes do mu ndo milhões de mulheres ainda são consideradas "propriedade" do homem e membros infe riores da sociedade. coletando e preparando o alimento. mais aborrecido e furios o ficava com a maneira como as mulheres eram tratadas em muitos países. este livro reflete o fascínio que me mot ivou durante toda a vida pela evolução e pela condição da fêmea humana. Nosso sucesso como espécie se deveu à divisão do trabalho entre machos e fêmeas. com os machos longe.

a grande deidade era sempre uma mulher. vilas e cidades foram construídas e os habitantes das tribos se tornaram cidadãos. Eles eram diferentes. dedicaria o novo livr o exclusivamente ao corpo feminino. Ocupando o centro das sociedades humanas. hom ens rudes passaram a garantir sua segurança e sua condição social superior às custas das mulheres. decidi qu e. Mantive esse esquema neste livro. Em tempos an tigos. elas conseguiram. a Grande Deusa passou por uma desastrosa mudança de sexo e se transformou num au toritário Deus Pai. de 1985. em vez de seguir o origina! e tratar de ambos os sexos. as feministas quiseram recuperar. Esse e quilíbrio se perdeu quando a população humana cresceu. Foi essa origem que as sufragistas e. por ocasião de uma nova edição de meu livro Bodywatching. mais tarde. mas. mas iguais. quando a urbanização se espalhou . .dominar o outro. levando 0 leitor por uma viagem de i nspeção anatômica da cabeça aos pés. com um Deus vingativo dando-lhes apoio. Em Bodywatching. examinei cada parte do corp o humano. essa questão passou a me preocupar cada vez mais. mas em outras regiões do planeta a subordinação feminina ainda é uma reali dade. a religião desempenhou um papel fundamental nesse processo. Mas. Parte do texto original de Bodywatching foi aproveitada. que foram empurradas para uma condição social inferior que nada tinha a v er com sua herança evolutiva. Um confiava totalmente no outro para a sobrevivência. na verdade. e. Ao longo das eras. dos cabelos aos pés. Pode-se imaginar que essas mulheres estivessem e xigindo um novo respeito social e novos direitos. Depois da serie The Humam Sexes. Na maior parte do Ocidente. para ser mais exato. ou. simplesmente estavam buscando recuperar seu primitivo papel. Havia um eq uilíbrio primevo entre homens e mulheres.

Embora tenha partido de um livro anterior. eu soubesse tudo o que sei agora — depois de escrever este livro — sobre a complexidade do corp o feminino. e quem me dera que.mas muito pouco. Apresento em cada capítulo o aspecto biológ ico de uma determinada parte do corpo feminino e então passo a examinar as várias ma neiras como diferentes sociedades modificaram esses atributos biológicos. . aos 18 anos. Foi uma absorvente viagem de descobrimento. A mulher nua acabou se revelando uma obra inteiramente nova.

O segredo desse sucesso é sua capacidade de viver em agrupamentos cada vez maiores. exploração e criatividade. Essa combinação mágica de sociabilidade e curiosi dade foi possível graças a um processo evolucionário chamado neotenia. O homem continua brincan do e se divertindo por toda a vida — é um Peter Pan que nunca cresce. Outros animais brincam quando são jovens. mas perdem essa qualidade quando amadurecem. que permite aos humanos manter caracteres juvenis na vida adulta. Naturalmente. A Evolução Para o zoólogo. Como as brincadeiras infantis. Home ns e mulheres não seguiram essa tendência evolutiva da mesma maneira. Além dessa capacidade. o ser humano é um macaco sem cauda com um cérebro enorme. E são elas que nos tornam verdadeiramente humanos. ris co. todas essas atividades envolvem inovação.1. aguardando a chegada das correntes que irão aprisioná-los. espalhando-se tanto e com tal veloc idade a ponto de mudar drasticamente a paisagem como uma praga de gafanhotos gig antes. Ambos percorre ram esse longo caminho em direção ao "adulto infantil". são capazes de se adapta r às tensões da vida e continuar procriando sob condições que qualquer outro macaco acha ria insuportáveis. mesmo na mais alta densidade populacional. existe ainda uma curiosidade insaciável que os faz buscar sempre novos desafios. os homens dão nomes diferentes a essa brincadeira: chama m-na de arte ou pesquisa. música ou poesia. Enquanto outros macacos se esconde m em seus últimos refúgios. onde. mas . viagem ou divert imento. O que mais s urpreende nele é seu incrível sucesso como espécie. esporte ou filosofia. quando se tornam adultos. 6 bilhões de humanos ocupam quase todo o globo.

os machos eram obrigados a correr riscos. para ter sucesso na caça. o tato e a visão das cores. A inovação sempre envolve risco: o de experiment ar algo desconhecido em vez de se apegar a tradições testadas e confiáveis. com responsabi lidade sobre quase tudo exceto a caça. Isso ocorre porque eles conservam mais que as mul heres 0 elemento de risco da brincadeira infantil. Eis alguns exemplos. Os homens são ligeiramente mais infantis em seu comportamento. as mulheres primitivas eram valiosas demais para serem expostas ao risco da caçada.avançaram num ritmo um tanto diferente e com diferentes características. . esse era um atributo valioso nos tempos primitivos. em tempos primiti vos. as mulheres. Se alguns deles morressem em ação. isso não reduziria a capacidade de procriação das pequenas tribos. Aos 30 anos. As mulhere s precisavam ter cuidado. Além disso. em sua anatomia. E ficaram mais resistentes às doenças — como mães. sua saúde é de vital im ortância. Existem mais homens inventores do que mulheres. Mas. No curso da evolução. quando . mas mental. No papel de centro da sociedade tribal. A disposição para o risco não é apenas física. havia tão poucos seres humanos no planeta que a taxa de natalidade era extrem amente importante. se algumas mulheres morressem. ao passo que os machos eram menos necessários. a taxa de na talidade ficaria imediatamente ameaçada. to rnaram-se ótimas na comunicação verbal e desenvolveram mais o olfato. É importante lembrar que. e por isso se especializaram em ati vidades arriscadas. as mulheres não podiam cometer erros graves. a audição. Embora freqüentemente crie prob lemas para os homens. os homens têm quinze vezes mais chances de sofre r um acidente que as mulheres. elas se especializaram em fazer várias coisas ao mesmo tempo.

mais proteção ela conseguia receber d e seu macho. Os homens tornaram-se mais imaginativos e. Por isso. e com ela vieram muito s outros úteis atributos juvenis. A mulher também conservou caracterís ticas faciais juvenis e cabelos de aspecto evidentemente infantil. Essa grande retenção de gordura na fêmea era uma característica fortemente infantil. Para vingar. Enquanto o ho mem adulto de- . enquanto o fe minino tem 15 quilos. A reação paterna ao co rpinho gordinho de seus bebês era tão forte que podia ser explorada pela fêmea adulta.5%. e para isso precisava da atenção de ambos os pais. enquanto o masculino tem apenas 12. Fisicamente. Por causa da d ivisão de trabalho durante a evolução. A voz grave masculina opera a 130 . O resultado foi que a voz da mulher permaneceu num tom mais agudo q ue a do homem. enquan to a voz aguda da mulher opera a 230-255 vibrações por segundo. mais perversos. o corpo arredondado da mulher contém e m média 25% de gordura. O corpo masculino contém em média 28 quilos de músculos. O corpo do homem é 30% mais forte. Eles se complementam. e a com binação resultou cm sucesso. a mulher manteve uma voz semelhante à das crianças. Em outras palavras. Quanto mais características de bebê apresentasse. 10% mais pesado e 7% mais alto que o da mulher. o corpo feminino tinh a que ser mais protegido da fome.Tudo isso se deve a uma diferença entre o cérebro da mulher e o do homem: eles conse rvam mais aspectos "infantis" que elas. O homem adulto foi programado pela evolução para pro teger seus filhos. As mulheres tornaram-se mais sensíveis e carinhosas. às vezes.145 vibrações por segundo. os homens precisavam ser mais fortes e mais atlét icos para a caça. a prole tinha que ser protegida durante seu lent o crescimento. Devido à sua importância para a reprodução. a história foi bem diferente. Es sas diferenças se adaptam ao seu papel na sociedade.

um queixo e um nariz mais marcantes. Não explica tudo. além de bigode. Entender isso nos ajudará a esclarecer muitos atributos da anato mia feminina que vamos encontrar nesta viagem da cabeça aos pés. mais neotênico — que o masculino em muitos aspectos. à medida que o homem e a mulher percorriam seu trajeto evolutivo em direção a uma neotenia cada vez maior.senvolveu uma fronte. por que muitos desenvolvimentos evolutivos especializados ocorridos na anatomia femi nina. em especial nas características sexuais e reprodutivas. o homem se comportava de uma maneira cada vez mai s infantil e mostrava menos mudanças físicas. Tenho me dedicado a listar as várias diferenças entre os sexos. As d iferenças entre homens e mulheres são verdadeiras e muito interessantes. mas é fundamental lembrar que tanto homens quanto mulheres são cem v ezes mais neotênicos em todos os aspectos que machos e fêmeas de outras espécies. barba e pêlos no peito. . É importante ressaltar o grau de diferenciação entre homens e mulheres. para resumir. Vou tratar delas neste livro apenas porque é importante deixar claro desde o início. a mulher conservou sua face lisa e delicada de bebê. tornaram o corpo da mulher um organismo altamente evoluído e maravilhosamente refinado. mas muito l eves. que o corpo feminino é mais avançado — ou seja. enquanto a mulher desenvolvia mais atr ibutos físicos e menos qualidades mentais infantis. Como veremos. Portanto.

É verdade que. O fato de que nos . Isso torna seus cabelos longos ainda mais extraordinários. pelas axilas e pelos genitais . Mui tas vezes. e não a prostituição. mulheres que parecem ter feito uma misteriosa visita ao cabeleireiro antes de posar. a fêmea humana quase não tem pêlos. as ilustrações mostram. com uma imensa floresta cobrindo-lhe a cabeça. se tivesse pele escura. Como nossos ancestrais remotos lidavam com esses extravagantes penteado s antes de inventarem as facas. acabaria com uma cabeleira na alt ura dos joelhos ou. e sua pele é funcionalmente nua. há algo de errado nisso.2. e m sua imaginativa reconstrução. sob uma lente de aumento. Qual foi a vantagem evolutiva desse desenvolvimento excessivo? Ainda mais estranho é que. exibe uma distribuição capilar muito semelhante à de um adul to humano. mas à distância eles são invisíveis. tesouras. assim como u ma cauda de pavão. talvez porque não tenham resposta para ela. Quando um feto de chimpanzé tem cerc a de 26 semanas de idade. Cabelos Hoje não existe praticamente nenhuma mulher que deixe os cabelos crescerem como a natureza queria. pentes e outros utensílios é uma questão que nunca é discutida pelos antropólogos. é possível ve r minúsculos pêlos cobrindo-lhe toda a pele. A menos qu e o cabeleireiro. quando seres pré-históricos são descritos nos livros. seja a profissão mais antiga do mundo. essa exagerada cobertura capilar seria um estorvo enorme. Se alguma delas fizesse isso. e o erro esconde um dos maiores mistérios da anatomia feminina: por que a fêmea humana desenvolveu essas madeixas ridiculamente longas? No antigo mund o tribal. exceto pelo topo da cabeça. Seus cabelos são sempre curtos demais. Não é muito difícil traçar a origem desse padrão capilar.

os pêlos do peito não dariam qualquer conforto numa noite gelada nem evitariam uma insolação em dias de intenso calor. parece que a natureza nos dotou de um padrão capilar muito estranho se comparado ao de ou tros animais.humanos. Além disso. mas ambos os sexos se mantêm funcionalmente nus na maior parte da superfície corporal. esse padrão tenha sobrevivido na vida adulta é outro exemplo de neotenia. nós preservamos o padrão capilar fetal durante toda a vida. em ambientes aquáticos ou . Os críticos da teoria aquática a julgam infundada. Eles também sugerem que os longos cabelos femininos tiveram outra uti1idad e: os bebês podiam agarrar-se a eles quando nadavam com as mães. Os homens são menos evoluídos que as mulhe res nesse aspecto. além de bigode e barba. é provável que não mantivessem os cabelos compridos e flutuantes. se nossos ancestrais evoluíram num tórrido clima africano. M esmo ao mais peludo dos homens. Como sempre. Se a mãe mergulhasse em busca de comida. abundam especulações. pois possuem um corpo mais peludo. Os defensores da teoria aquátic da origem humana acreditam que perdemos nossa pelagem porque precisávamos nos ada ptar à natação. era pouco pro vável que permitisse que os filhos a acompanhassem. mas conservamos nossos cabelos para proteger o topo da cabeça dos raios do sol. mas muito mais curtos e eretos — mais semelhantes aos penteados que vemos hoje em cabeças africanas. a idéia de manter a cabeleira. A explicação fetal pode nos dizer onde o adquirimos. A o contrário dos macacos. como pr oteção tem algum mérito. Portanto. que desenvolvem um pelame antes de nascer. mas não é capaz de ex plicar que vantagem ele nos deu em termos da sobrevivência da espécie. quando não existe uma explicação óbvia. Entretanto.

a longa cabeleira pode ter funci onado como um cobertor. Com corpos pelados. como outros macacos. se isso fosse verdade.não. Isso pode explicar o penteado de estilo africano — uma c abeleira espessa que cobre o crânio. Alguns antropólogos afirmam que os cabelos compridos ajudavam a manter o co rpo dos habitantes das regiões frias aquecido durante o inverno — como uma capa natu ral pendente dos ombros. e o resto do corpo pelado aumentaria d rasticamente o resfriamento proporcionado pelo suor. quando o sol não é tão forte. Isso pode até lhes ter dado a idéia para suas primeiras roup as. Mas. encimados por longas capas de cab elos ou jubas eriçadas. mas não esclarece o mistério da existência de longos cabelos flutuantes nas regiões frias do norte. é claro que eles deviam parecer muito diferentes de tudo o que existia no planeta. feitos de peles de animais enroladas no corpo. quando dormiam. p or que os humanos dos paises frios não fabricaram um casaco de peles para proteger -se? A explicação mais provável é que o bizarro padrão capilar humano funcionasse como uma bandeira da espécie — um sinal que nos diferenciaria de todos os nossos parentes próx imos (parentes que desde então eliminamos). Os primitivos humanos eram animais tipicamente diur nos. À noite. (O suor refresca cinco veze s mais a pele nua do que um corpo peludo. precisavam proteger-se contra o forte calor do sol tropical. foi provavelmente porque eram mais ativos ao amanhecer e ao anoite cer. eles seriam imediatamente identificados como membros daque la nova . Se os humanos primitivos se dedicavam à caça e à coleta nas savanas africanas duran te o dia. Uma vasta cabeleira lhes proporcionaria essa proteção. protegendo o cérebro do superaquecimento —.) Se outros animais africanos conservar am a pelagem. Se tentarmos imaginar um pequeno grupo de nossos remotos ancestrais antes que eles fabricassem roupas ou qualquer tipo de instrumento cortante.

cabelos . além de servir para identificar a espécie e o gênero. Talvez essa seja uma maneira sin gular de classificar uma espécie. em zonas de clima moderado ou nas geladas cer ras do norte. Cabelos crespos. c abelos encaracolados. Os primatas são animais predominantemente visuais. À medida que começaram a sair de sua terra natal na África e foram obrigados a se adaptar a diferentes ambientes. Há uma rica variedade de crinas. Mas existe outra razão para o padrão capilar dos humanos. A nece ssidade de adaptar-se a diferentes climas os colocou num caminho evolucionário que levou ao desenvolvimento de vários e diferentes tipos raciais. Uma das maneir as mais rápidas de fazer isso era variar o padrão capilar humano. seu corpo precisava mudar para sobreviver. penachos. era importante que elas não se perdessem. nos sos ancestrais humanos podiam ser avistados à distância e facilmente diferenciados d os primos de corpo coberto de pêlos. barbas.espécie que caminhava sobre as patas posteriores. Com seus corpos pelados e cabelos longos. Como ocorre com qualquer outra tendência evolutiva. As raças tinham que se diferenciar o mais possível. esses huma nos passaram a diferir cada vez mais dos que ficavam em terras tropicais. mas um rápido exame dos outros macacos pode nos mo strar com que freqüência estranhos padrões capilares surgiram como sinais de identific ação das espécies. Lutando pela sobre vivência em desertos áridos e quentes. E. seria então possível fazer a disti nção entre os sexos. bigodes e t ufos de cores brilhantes. com suas faces peludas. jamais seriam confundidos co m as fêmeas imberbes. De mais perto. jubas. Os machos. de mo do que exibir evidentes sinais visuais seria a maneira mais rápida e eficiente de se distinguirem das outras espécies. cabelos ondulados. cabelos lisos. era necessário impor barreiras que reduzissem os cruzamen tos interraciais. uma vez conquistadas essas mudanças.

tornamo-nos incrivelmente móveis . N ossos diferentes estilos de penteado foram o primeiro sinal de que esse processo estava ocorrendo. lareiras e aquecimento central. com refrigeração e ar condicionado. precisam ser . humanos temperados. Graças à nossa inteligência avançada. As diferenças que sobrevive ram entre as raças não são mais importantes. Essas adaptações se t ornaram quase obsoletas. Mas. domamos cavalos e os montamos. eles só levam à desarmonia. No futuro. na densidade das glândulas sudoríparas e as pectos semelhantes) e as relativas ao sinais visuais: os padrões capilares. Mas. enquanto isso. Inventamos barcos e navios. inventamos a roda e construímos carruagens. antes que ele chegasse muito longe. Como não nos mantemos mais afastados. As diferenças raciais estavam ainda num estágio muito preliminar de des envolvimento. humanos desérticos. qua ndo as populações estiverem ainda mais misturadas. e depois aeroplanos. esses mecanismos de isolamento de verão desaparecer totalmente. ajudando a manter os diferentes tipos a fastados. hoje não passam de uma chateação. Não resta dúvida de que estávamos evoluindo para constituir um novo grupo de espécies intimamente relacionadas — humanos tropic ais. à medida que os humanos foram se espalhando pelo globo. humanos polares e assim por diante. As pop ulações modernas praticamente não precisam adaptar o corpo ao clima.loiros — variações desse tipo podiam rapidamente um grupo humano dos outros. diferenciar Esse processo começou a ganhar impulso desde um estágio muito primitivo. mas no s misturamos em todas as partes do mundo. Aprendemos a controlar o ambiente com roupas. Apenas duas delas tinham feito progresso: as relacionadas ao calor e à umidade (diferenças na pigmentação da pele. ferrovias e rodovias. fabricamos trens e carros. Quanto aos diferentes formatos de cabelos que surgiram como mecanismos isolantes. a história humana sofr eu uma reviravolta.

um depois do outro. têm apenas 90 mil. Ao contrário de muitos outros mamíferos. são comuns e superficiais. Em qualquer tempo. passa por uma fase de repouso de três meses antes de começar a cair. Representaram um pouco de tudo: de glória da f eminilidade a motivo de tabus religiosos. e como tal devem ser vistos. Podem chamar a atenção. cortados. Se. . um número de fios ligei ramente superior à média — geralmente cerca de 140 mil. p enteados. coloridos e enfeitados de milhares de maneiras diferences. mas. eles continuarão a nos causar problemas. como compensação. soltos. o crescimento excessivo dos cabelos evoluiu originalmente como um sin al visual.compreendidos. T ratando agora especificamente dos cabelos das mulheres. As morenas têm cerca de 108 mil fios. não deve nos causar surpresa que. presos. convém dizer que existem cerca de 100 mil fios de cabelo numa ca beça humana. ondulados. apesar disso. Os cabelos foram exibidos. De modo geral. é claro que suas longas ma deixas e sua face lisa devem ter criado um atraente contraste visual. cada fio cresce durante cerca de seis anos. 90% dos fios e stão crescendo. eles tenham sido alvo de tanta atenção. As loiras têm cabelos mais finos e. escondidos. enquanto 10% estão descansando. que possuem cabelos mais espessos. Nossos cabelos se mantêm no mesmo vo lume em todas as estações. Então. alisados. Nenhuma outra parte do corpo feminino passou por tantas e incríveis mudanças culturais. ao longo dos séculos. enquanto as ruivas. os humanos não têm trocas de pêlo. cada pa pila capilar produz cerca de doze fios. No período de uma vida humana. Se continuarmos imaginando — erroneamente — que os cabelos refletem p rofundas diferenças raciais. como d iscutimos. positiva e negativa. Antes de analisar essas mudanças mai s detalhadamente.

A ânsia de imitar celebridades . com tanto cabelo a seu dispor. em um c aso. o ser huma no. os cabelos atingiram 4 metros de comprim ento. pode chegar a 18 cm por ano. criando indivíduos supercabeludos. Em alguns cas os. Analisando os primeiros períodos históricos . Algumas gravuras rupestres mostram claramente diferences p enteados. que isso ocorre há pel os menos 20 mil anos. Com a individualidade na ordem do dia. que não existe mais um únic o modelo predominante. e essa é uma das características únicas da espécie humana. se sentisse tentado a experimentar diferentes formas e est ilos. entre adultos jovens e saudáveis. com penteados bem característi cos de cada época. os cabelos simplesmente continuam crescendo cada vez mais. Sabemos. cada fio cresce 13 cm por ano. sempre inventivo. Então. mas o recorde mundial pertence a uma chinesa cujos cabelos chegaram a 5 me tros. em vez de cair depois de seis anos. inclusive cabelos elaboradamente repartidos no meio da cabeça e. a velocidade dessas mudanças se acelerou drasticamente. crescem além disso. mas.Na média. nesses jovens. uma trança caída sobre o ombro direito. são tantas as influências. os fios podem atingir mais de 1 metro antes de começar a cair. por algumas das mais antigas imagens de Vênus. no século XXI. existem mais pente ados c cortes do que nunca. É como se o impulso genético para desenvolver cabelos humanos mais longos tive sse escapado de controle. Há uma curiosa e xceção a essa regra: em alguns casos. se não forem cortados. Hoje. com a chegada dos salões profissionais de cabelei reiros e dos sistemas de comunicação global. é possível ver como os estilos foram mudando devagar. Nenhum outro primata apresenta ta l crescimento. Em uma americana. Na era moderna. até chegarem ao chão. Mesmo sem considerar esses casos extremos. era natural que.

Outras ainda estão em uso. mesmo quando não têm dinheiro para comprar p rodutos para os cabelos ou freqüentar um salão de cabeleireiro. Enrolar. mas são tantos os modelos a copiar que ninguém m ais pode afirmar que um estilo predomine. por exemplo —. mas não tenra mode lá-los ou dar-lhes alguma forma especial. Elas não dependem dos caprichos da moda. os cabelos cuidadosamente desarrum ados das atrizes de Hollywood. mas. frisar e trançar não custa quase nada e ajuda a mat ar o tempo. escova e penteia os cabelos. Os cabelos são presos por . A pob reza seria um fator para a sua adoção. os cabelos espetados do rebelde — são todos modelos q ue encontramos lado a lado nos jornais e revistas. Ainda pode ser encontrada em sociedades pouco sofist icadas ou em culturas em que a simplicidade se tornou uma doutrina social. as mulheres não deixam de arrumar os cabelos. E dar um nome a todos esse es tilos é criar estereótipos injustificados. Quando a adota. Ela lava. um estilo prático é o ideal. A estratégia mais simples é optar por um ar natural. e la é hoje relativamente rara. Os cabelos curtos e práticos da executiv a. porque dentro de cada estilo existem inco ntáveis e sutis variantes. mas das possibili dades básicas do que pode ser feito com os cabelos femininos. Este não é o lugar para listar todas essas criativas variações. ao longo dos séculos. ocorreram poucas "estratégias d e penteados femininos". mas é importante registrar que. as longas madeixas flutuantes da pop star. nas ocasiões e speciais e no dia-a-dia. Algumas dessas estra tégias se desvaneceram na história e hoje parecem muito estranhas. Para mulheres que têm um trabalho físico extenuante — nos campos ou nas fábr icas. em casa ou na rua. Embora seja a mais básica das estratégias.ainda cria tendências de curto prazo. a mulhe r usa os cabelos soltos e naturais o tempo todo.

Há séculos. nunca se contentaram com soluções práticas e naturais. . principalmente em países onde há muitos salões de cabeleireiro. prendendo. alisando. mas também gostavam de usar perucas como demonstração de status.razões de conveniência. No antigo Egito. Mas. elas soltam os cabelos e os deixam cair naturalmente. para que não caiam sobre os olhos ou se embaracem. Essa foi um a estratégia muito usada pelas camponesas no passado e ainda hoje é adotada por muit as mulheres. tant o no trabalho quando em casa. as mulheres. especialm ente as que vivem em sociedades urbanas. Os cabelos longos mostram mais as mudanças escolhidas e fazem a mulher pa recer mais alta. mesmo não se dedicando a trabalhos físicos. Uma maneira de ter cabelos longos é usar uma peruca. acham que prender os c abelos num rabo-de-cavalo pode ser uma forma de controlar cabelos rebeldes. mas proibida em países em que há estritas normas religiosas ou onde a beleza femini na é tabu. mechando ou enfeitando os cabelos. Essa é a estratégia mais comum. cortando. em sua grande maioria. Essa predileção criou moda: a de que os cabelos com os quais as perucas eram feitas tinha m que ser de mulheres de povos conquistados em batalha — uma versão romana do costum e de escalpelar os inimigos. Essa é uma est ratégia que tem no mínimo 5 mil anos. Quando não es tão trabalhando. Duas das principais estratégias no cuidado dos cabelos são o corte e o alon gamento. tingindo. As damas romanas não r aspavam a cabeça. mo delando. as mulheres da classe superio r raspavam a cabeça e usavam uma peruca ornamentada em público. têm optado por alguma forma de penteado. que. ondulando.

as p erucas só eram permitidas nos camarotes. Houve momentos em que ela ressurgiu brevemente sob uma forma ou ou tra — como as divertidas perucas da década de 1960. mas reapareceram na era elisa betana. porque sua presença na platéia impediria a vi são do palco. O assento das carruagens teve que ser rebaixado. mas seus dias de glória tinham ficado para trás. Isso aconteceu em grande parte porque os primeiros cosméticos danificavam tanto os cabelos e a pele que era necessária uma espessa cobertura. Algumas dessas perucas. quando. com um exagero atrás do outro. Depois da Revolução Francesa. chegavam a ter 75 cm de altura. Algumas celebridades também adotam essa estratégia. su rgiram penteados nunca vistos. A única mulher que podia pôr um fim a essa moda extravag ante era Madame Guilhotina. as perucas devem ser tão semelhantes ao s cabelos naturais a ponto de passarem despercebidas. Mas a moda da peruca só atingiria seu ápice no século XVIII. não porque tenh am . as perucas passaram a s er uma demonstração de riqueza. sempre primorosamente dec oradas. Cabeceiras especiais foram criadas nas camas para que a mulhe r pudesse deitar-se e descansar sem tirar a enorme peruca.As perucas foram banidas pela Igreja na Idade Média. Por isso. que decepou as cabeças aristocráticas sobre as quais se exibiam as enormes perucas. fabricadas de material sintético e em cores brilhantes e artificiais —. Na Ópera de Paris. a peruca nunca se recupero u totalmente. A altura das portas teve que ser aumenta da para permitir que as damas passassem por elas. Nenhum outro estilo de penteado teve tal impacto sobre a sociedade. quando são usadas. Como o custo de fabricar e manter uma peruca era muito alto. Há mulheres (especialmente a quelas cujos cabelos ficam mais ralos com a idade) que nunca aparecem em público s em uma boa peruca. Em tempos mais recentes. os maridos tinham q ue ser extremamente generosos para financiá-las.

Era também um penteado ex trovertido e afirmativo. mas também era anti-sexual. mais pe rto de Deus". nem desmanchá-los carinhosamente. Para seus críticos. porque os homens hão podiam correr os dedos pelos cabelos. modelá-los com mousse e por fim pulverizá-los com mui to spray fixador". "quanto mais alto o cabelo. era preciso "secar os cabelos de baixo para cima com a cabeça abaixada. um notável exem plo do passado recente é um penteado que ficou popular na década de 1980. o cabelo natural era penteado de forma a parecer o mais volumoso possíve l. às vezes é mais fácil usar uma peruca do que perder tempo arrumando os cabel os. era chamativo e vulgar. O resultado. Pura obter essa exuberante cabeleira. surgiu uma forma mais sofisti cada de alongamento: mechas que são coladas aos cabelos naturais para fazê-los parec er mais longos. Voltando à estratégia dos cabelos compridos. e portanto mais atraentes. Técnicas m odernas tornaram . o pentea do ficou muito popular nas pequenas cidades norte-americanas e nos Estados do su l do país. Mesmo que os cabelos estejam em bo m estado. dando à mulher um ar mais confiante. po rém. mas por conveniência. E tinha um grave defeito: podia ser uma inegável propaganda de feminilidade.problemas com os cabelos. Em lugar d a peruca. onde com freqüência se ouvia dizer que. A grande vantagem disso é que as elegantes perucas podem ser cuidadas e pentea das sem a presença da dona. nada mais do que uma maneira de compensar as imperfeições . Às vezes ba tizado de "estilo Dolly Parton" (uma famosa cantora country americana). que desafiava a gravidade. Uma das razões dessa popularidade era que esse volume todo fazia as feições parecerem mais delicadas. Esse recurso é utilizado quando a mulher se cansou dos cabelos cur tos ou quando os cabelos naturais não crescem tanto quanto ela desejaria. Mais recentemente. foi maldosamente desc rito por um crítico como "uma das maravilhas arquitetônicas de nossa época".

mas gostam de se arrumar para ocasiões especiais. a não ser na privacidade do lar. As melin drosas da década de 1920 foram as primeiras a adotar essa moda. Isso as torna menos femininas e evita passar a impressão de relaxamento ou libe rdade. Há mulheres que optam por usar os cabelos tão curtos que não é possível prendê-los nem s oltá-los. querendo diz er: "Sou importante. inacessíveis c intocáve is. Algumas mulheres vão ain da mais longe e nunca usam os cabelos soltos em público. É o que se pode chamar de estilo "go vernanta" ou "diretora de escola". propositalmente falsas e funcionem quase como uma meia peruca. os cabelos não podem ser despenteados ou acaricia dos. Sem um fio fora do lugar. que reapareceu nos anos de 1960 no trabalho do cabeleireiro Vidal Sassoon. mas soltos e naturais n a vida cotidiana. Isso as faz parecer literal e metaforicamente impecáveis. muitas mulheres querem parecer "livres e natu rais" a maior parte do tempo. Algumas mulheres usa m os cabelos presos num penteado sóbrio em ocasiões sociais. sou séria e não permito familiaridades". nem pode ser mudado em diferentes contextos sociais. Nas últimas décadas. O pouco cabelo que resta fica solto. e não precisa ser preso para facilita r o trabalho físico. Mantêm-nos presos num coque o tempo todo. embora algumas delas seja m visíveis. No intuito de criar uma apa rência de pessoas de alta classe e disciplinadas. enterros e grandes eventos e celebrações.praticamente impossível detectar a presença dessas mechas. seja usando-os rigorosamente presos. A segun da estratégia importante é diminuir o tamanho ou o volume dos cabelos naturais. co mo casamentos. . prendem os cabelos. Mulheres que precisam impor sua autoridade co stumam amplificar esse ar de controle e poder mantendo os cabelos colados ao crâni o. seja por meio de um corte.

tornou-se uma estratégia feminista. A desvantagem porém é que na prática esses cortes d os anos 1920 e 1960 se revelaram mais difíceis de cuidar fora do salão de cabeleirei ro. que faz dos cabelos uma demonstração de molecagem elegante. "Veja . uma demonstração de assertividade nos l ocais de trabalho. Numa f orma mais drástica de redução dos cabelos. oscilando entre o estilo agressivo e masculinizado e o modelo ornamentado. Mas também de rebeldia. a mensagem que se quer passar com o estilo curto é a de uma mulher ativa e independente. mas não preciso abrir mão da minha feminilidade para ocup ar um lugar de destaque no mundo". quando. . Para mu lheres bonitas.Evidentemente. como se ela dissesse. O estilo da mulher executiva pós-feminista está comunicand o: "Continuo disciplinada. O penteado curto ressurgiu novamente na década de 1970. A moda dos anos 1990 caminhou na corda bamba. os penteados curtos suavizaram-se e ganhara m um toque mais feminino. Na década de 1990. algumas mulheres se aventuram a cortar o ca belo rente à cabeça. o que pode ser visto como uma demonstração de vaidade. e não uma exibição de futilidade feminina. onde as mulheres queriam ser tratadas com mais respeito por s eus colegas homens. não preciso de cabelos bonitos para ser atraente". o que elimina a "soltura natural" mesmo na privacidade. numa forma mai s austera. Esse é o novo desafio para o profissional cabeleireiro do Ocidente no início do século XXI. O ob jetivo era combinar um controle refinado com uma sensual liberdade. As mulheres que não gostam de sse corte o vêem como uma tentativa de se exibir com táticas de choque. manifestação de alguém que ignora as conve nções e se recusa a seguir a moda. E os homens podem se sentir ameaçados e frustrados no desejo de acariciar suaves madeixas flut uantes. como as conformistas. esse estilo pode parecer uma provocação.

quando não haja estranhos pres entes. como casamentos e funerais. Exige-se qu e a mulher cubra ou esconda os cabelos para eliminar seu potencial erótico. por descuido. Devido ao seu poder de seduzir os homens. na França. A exigência de q ue a mulher cubra a cabeça ao entrar numa igreja católica é uma reminiscência da época em que ela era obrigada a esconder os cabelos durante qualquer cerimônia religiosa cr istã. isso era um castigo. exige-se que as mulheres cubram a cabeça completamente quando estiverem e m público e só soltem os cabelos na privacidade do lar. Um resquício moderno desse antigo costume é a convenção social de usar chapéus em ocas iões formais. Em comunidades religiosas. Se. a mulher que se recusasse a ra spar a cabeça em sinal de luto tinha que se oferecer como prostituta no templo. uma vez que nega totalmente a sensualidade dos longos cabelos femininos. Para os homens. Em outras. Em sociedades que praticam rigidamente o islamismo. Em outras ainda. por exemplo. a exposição dos cabelos femininos — em qualquer estilo — tem sido proibida em algumas culturas. a mulher permitir que uma pequena parte dos cabelos seja exposta sob o tradicional véu. um sinal de escravidão ou d e submissão voluntária a uma divindade. A form a mais branda dessa "cobertura" puritana é usar algum tipo de chapéu. Re centemente. um estilista convenceu todas as suas modelos a raspar a cab eça para mostrar que uma mulher moderna não precisa ser "prisioneira de seus cabelos ". uma imposição a todas as mulher es em cerimônias fúnebres especiais. As comunid ades cristãs também impuseram . esse corte raspado (de Joana D'Arc a roqueiras punk) não tem qu ase ou nenhum sex appeal. Em algumas culturas. pode ser açoitada pelos homens da igreja. isso é uma lei. passadas e pr esentes.Algumas mulheres adotam um corte ainda mais drástico e raspam completamente a cabeça . Entre os fenícios.

Quando os cabelos crescem. Quando usam essa peruca. No simbolismo dos cabelos femininos existe uma simples dicotomia: o con traste entre os cabelos naturais. essas mudanças podem ser feitas rapi damente. soltos e acessíveis e os cabelos curtos. Usam perucas caríssimas. e não são definitivas. os cabelos são muito visíveis. Os cabelos c urtos têm sido associados a disciplina. são generalizações.normas relativas à exposição dos cabelos. pode-se tentar um novo es tilo. Isso ocorre porque é fácil mudá-los. a mulher deve cobrir totalmente os cabelos. que só podem ser vistos pelo marido. Um extraordinário exemplo desse costume de ocultar os c abelos por razões religiosas ainda sobrevive hoje em Nova York. Os cabelos longos podem ser vistos como símbolo de sensualidade. liberdade de espírito. capacidade de adap tação e assertividade. e a menor alteração é imediatamente pe rcebida. na privacidade do quarto de dormir. O maior prazer . Nelas. e ainda hoje são seguidas pelas freiras. essas regras quase sempre se apl icavam às esposas devotas. eficiência. Qualquer observador com certeza acharia difícil dizer que elas estão usand o uma peruca. sua aparênci a não muda. as mu lheres dessas comunidades desejam se integrar à vida nova-iorquina e resolvem esse dilema de uma maneira engenhosa. Evidentemente. É e vidente que os cabelos convidam à experimentação mais do que qualquer outra parte do c orpo feminino. Acima de tudo. mas é surpreendente como elas corr espondem aos fatos em muitos casos. No passado. cujos cabelos não podiam ser vistos em púbico. sóbrios e rigidamente penteados. Apesar disso. praticamente iguais a s eus cabelos naturais. longos. autocontrole. rebeldia pacífica e criatividade. que chamam de sheitel. nas comunidades de judeus ortodoxos. a regra religiosa é obedecida sem sacrifício da imagem. Dessa forma.

De cada cem mu lheres que tomam a decisão de mudar radicalmente a cor dos cabelos. exista uma cor que predomine sobre todas as outras. a suavidade dos cabelos evoca a maciez da carne feminina. é que eles estão sempre disponíveis. quando tão poucas escandinavas querem tingir seus cabelos de preto ou castanho? É claro que isso nada tem a ver com o clima. Nem com raça. cas anho.da mulher em relação aos cabelos. quando as mulheres decidem mudar a cor dos cabelos. a mu lher pode usar os cabelos como um maravilhoso meio de se expressar e se apresent ar ao mundo. como os to ns de pele. porém. mais de 90% de cidem ficar loiras. Mas por que tantas mulheres de cabelos escuros querem parece r escandinavas. um ap elo tão forte a ponto de criar a bizarra situação de termos no mundo mais loiras artif iciais do que verdadeiras? Parte do poder de atração dos cabelos loiros reside no fa to de eles serem finos e leves. há ainda a questão da modificação cor dos cabelos. assim como seu estado de es pírito. Desde que o mundo obscuro das práticas religiosas sexistas não interfira. A mulher loira tem uma penuge m fina e suave . Assim ness e aspecto. mais suaves ao toque e portanto mais sensuais no s momentos de íntimo contato corporal. permitindo-lhe expressar seu estilo pessoal e sua individualidade. As cores naturais. Portanto. fruto de uma adaptação às condições climáticas do ambiente. Na verdade a feminilidade das loiras se estende a todo o corpo. é surpreendente descobrir que. Cada cor — preto. qual é a atração dos cabelos loiros. Por entre os dedos ou no contato com o peit o do homem. já que a maio ria das caucasianas têm cabelos escuros. Então. são. que vão do preto ao loiro-claro. as loiras são mais femininas que as ruivas ou as morenas. ruivo ou louro — tem um significado que reflete essa adaptação e um encanto própri o. Além das inúmeras opções de corte e penteado.

e e la é apenas visual: a mulher loira passa uma imagem mais juvenil do que a morena. Dos impérios do mundo antigo aos salões da Europa barroca. os bebês são mais loiros que os pais . As loiras passam uma idéia de j uventude porque. Praticamente desde o amanhecer da história. A sedosidade de seus pêlos púbicos é muito diferente da aspereza dos pelos das morenas. de modo que a combinação entre "olhos azuis" e "madeixas loiras" ficou indelevelme nte associada à infância. transmi tindo fortes sinais de que ela deseja ser cuidada. Alguns dos recursos utilizados para satisfazer as exigências sociais e alourar os cabelos eram perigo sos e até mesmo letais. a loira leva uma ligeira vantagem sobre as morena s. uma solução de potássio e pós colorantes que deixava os cabelos opacos na tentati va . Os antigos gregos usavam uma pomada de pétalas de flores ama relas. o c lareamento dos cabelos femininos foi uma indústria importante. portanto. alguém poderia contrapor que qualquer vantagem que se o btenha será apenas por associação.nas partes em que a morena precisa usar uma lâmina de barbear ou creme depilatório. O clareamento não torna o cabelo mais fino nem mais m acio. E essa imagem projetada por uma mulher adulta. aumenta seu poder de sedução. Em momentos de extrema intimidade. com a pretensão de se tornarem um pouco — ou muito — mai s loiras do que a natureza as fez. gerações de mulheres de cabelos escuros acorreram a seus estabelecimentos em busca dos mais modernos estilos e produtos. Eis portanto outra vantagem de ser loira. em grande parte da humanidade. Nem é preciso dizer que isso é bom para cabeleireiros e fabric antes de perucas. Ele apenas parece mais fino. Diante do argumento de que é a suavidade dos cabelos loiros que leva tantas mor enas a clarear os cabelos. As axilas e o púbis das loiras são cobertos por pêlos mais delicados.

de dar-lhes a sensual aparência alourada. As damas romanas tingiam os cabelos com um sabão germânico especialmente importado do norte, mas era mais provável que escolhe ssem o caminho mais fácil de usar uma peruca loira. Essas perucas primitivas eram feitas de cabelos naturais dos europeus do norte que os romanos conquistavam em sua expansão. A moda se espalhou tanto que o poeta romano Marcial zombou dela nos seguintes versos: Os cabelos dourados que Gala usa São dela — quem imaginaria? Ela j ura que são dela, e eu juro que é verdade Porque sei onde ela os comprou. À medida que os séculos foram passando, cada vez mais truques eram usados para clarear os cabe los. Cascas de plantas, sementes, sabugos e resíduos do vinagre foram muito popula res nos primeiros tempos. Uma das receitas mandava esfregar os cabelos vigorosam ente com açafrão. Outra recomendava gemas de ovos cozidos com mel, seguidas de uma l onga exposição ao sol forte. As mulheres elisabetanas polvilhavam os cabelos com pó de ouro ou quando precisavam ser mais econômicas, aplicavam neles raspas de ruibarbo diluídas em vinho branco. Algumas vezes, corriam o risco de embeber os cabelos co m ácido sulfúrico ou alumina. Para algumas mulheres, esses tratamentos químicos resolv iam o problema dos indesejáveis cabelos escuros: ficavam completamente carecas e e ram obrigadas a usar uma peruca loira pelo resto da vida. As receitas foram se t ornando cada vez mais complexas. Em 1825, um tratado denominado A arte da

beleza ensinava a suas leitoras a fórmula para obter cabelos da cor do linho: Ferv a 1/4 de galão de lixívia; adicione 1/2 onça de raízes de celidônia e gengibredourado, 2 d racmas de açafrão e raízes de lírio, e 1 dracma de cada uma das seguintes flores verbasc o, giesta e hipérico. A solução obtida deve ser aplicada regularmente nos cabelos . É cl aro que, ano após ano, século apos século, a mulher foi se preparando para superar qua lquer obstáculo que a impedisse de adquirir as desejáveis tonalidades douradas. Mas, como acontece com muitos conceitos de moda, foi inevitável que o clareamento dos cabelos adquirisse um sentido colateral de exagero e exibição. Mesmo na época romana, a aparência que ele proporcionava nem sempre era a de uma virgem imaculada. A arti ficialidade das perucas e tinturas reduziu o valor simbólico da coloração. Num dado mo mento, tornou-se sinônimo não de inocente feminilidade, mas de sensualidade profissi onal: a marca da prostituta. As prostitutas romanas eram muito organizadas. Tinh am que obter uma licença para trabalhar, pagavam impostos e, por exigência da lei, u savam cabelos loiros. A terceira esposa do imperador Cláudio, a ninfomaníaca Messali na, ficava tão excitada com a possibilidade de fazer um sexo brutal e repentino co m estranhos que saía para a sua caçada noturna usando uma peruca de prostituta. Corr iam boatos de que tal era a violência com que fazia sexo que muitas vezes perdia a peruca loira e retornava ao palácio real totalmente reconhecível. Outras damas roma nas logo passaram a imitá-la na cor dos cabelos, e os legisladores foram incapazes de reprimir a nova moda. A obrigatoriedade do uso da peruca loira para as prost itutas caiu por terra, mas um elemento de fraqueza e abandono hoje associado às lo iras sobreviveu ao longo de séculos, ressurgindo repetidamente

como o reverso da imagem de virginal inocência. Geralmente, a diferença que se. esta belecia era a seguinte: loiras verdadeiras são anjos e loiras falsas são promíscuas. O fato de as loiras artificiais terem tido muito trabalho para parecer atraentes significava que o sexo ocupava sua mente por muito tempo, e a loira falsa se rep roduziu em diferentes arquétipos: garota fácil, bomba sensual, prostituta, bonequinh a de luxo, loira burra. Cada geração tem um nome para ela, e cada geração tem suas super loiras. No início da Primeira Guerra Mundial, a loira platinada entrou em cena. Em 1937, quando Jean Harlow morreu, aos 26 anos, deixou uma longa sucessão de estrel as de cinema loiras, que continuam dominando a tela até hoje. A grande maioria das personalidades femininas surgidas em Hollywood foram louras — geralmente, mais po r força da cosmética do que da genética. Algumas passaram por sacrifícios para aperfeiçoar o visual: Marilyn Monroe chegou a clarear os pêlos púbicos para fazê-los combinar com suas madeixas platinadas. Muitas se mantiveram fiéis à velha associação entre o sol e o dourado de seus cabelos — eram mulheres alegres e calorosas, vitais e intensas. F reqüentemente elas se dão mal, mas isso também faz parte de seu natural poder de sedução: sua loira vulnerabilidade. Em defesa das morenas, um comentarista do final da déca da de 1960 afirmou: "Se um homem tem boas intenções em relação a uma garota, deseja que ela seja natural. Nada artificial atrai um homem sério. De modo geral, ele prefere uma loira como amante e uma morena como esposa. Morenas têm mais integridade".

3. Testa A testa é uma região da face que desempenha um importante papel na linguagem corpora l. Como afirmou um especialista cm expressões faciais no século XVIII, "de todas as partes da face, a testa é a mais importante e mais característica". Hoje, essa afirm ação pode parecer surpreendente, porque, como se dá muita atenção à maquiagem dos olhos e do s lábios, eles tendem a dominar o rosto feminino e ofuscar as outras partes. No en tanto, é pouco provável que alguém tenha travado uma conversa cara a cara sem transmit ir sinais inconscientes na testa, na forma de um mover das sobrancelhas ou de um franzir da pele — movimentos indicativos de mudanças de humor. Antes de examinar es ses sinais e descobrir de que forma a testa feminina difere da masculina, convém p erguntar por que afinal temos testa. Se observarmos atentamente a face de um chi mpanzé e a compararmos com o rosto humano, a diferença na fronte é surpreendente. Nos macacos, a testa quase não existe. Nos humanos, ela se eleva verticalmente acima d as sobrancelhas. No chimpanzé, ao contrário, a linha dos cabelos se junta às sobrancel has, que quase não têm pêlos. Na verdade, a região frontal do macaco é totalmente diferent e da dos humanos. Quando olhamos a face de um chimpanzé ou de qualquer outro macac o, a impressão que se tem é que eles possuem imensos e proeminentes ossos supercilia res que os protegem de danos, enquanto nós, humanos, perdemos essa proteção. Isso é uma ilusão. Se tocarmos o osso imediatamente acima dos olhos, sentiremos a proeminência do crânio, que continua lá para nos proteger. Nossos supercílios são menos evidentes, não porque desapareceram, mas porque nossa fronte se estendeu para abrigar um cérebro muito maior. O cérebro de um

chimpanzé tem um volume de cerca de 400 cm3, enquanto o cérebro humano ocupa um volu me mais de três vezes maior: 1.350 cm3. Foi a expansão do cérebro humano, principalmen te na região frontal, que nos deu uma testa. Essa área de pele exclusivamente humana acima dos olhos deu a nossos ancestrais uma região a mais para a transmissão de sin ais visuais. Por isso a pele da fronte, embora bem esticada sobre o osso, não é tota lmente imóvel. Ela é capaz de leves movimentos — sutis, mas claramente perceptíveis. É fácil detectar esses movimentos porque, quando se mexe, a pele cria rugas. Além disso, a face humana conservou duas tiras de pelos na fronte. Conhecidas tecnicamente c omo supercílios, mas chamadas comumente de sobrancelhas, funcionam como sinalizado res que ajudam a tornar os movimentos da pele ainda mais visíveis à distância. Já se dis se que a principal função das sobrancelhas é reter o suor e a chuva, impedindo que ele s escorram para dentro dos olhos. E embora elas tenham alguma utilidade nesse as pecto, funcionando como calhas , sua principal função é sem dúvida transmitir as acelera das mudanças do nosso estado de espírito. Estudando todos os sinais de mudança de humo r no rosto, fica evidente que existem seis movimentos da testa, cada um ligado a um determinado estado emocional. São eles: Baixar as sobrancelhas. Esse movimento não é estritamente vertical, e sim um franzimento. À medida que baixam, as sobrancelh as também se movem ligeiramente para dentro, aproximando-se. Isso enruga a pele en tre elas e forma pequenas dobras verticais. O número dessas dobras varia de indivídu o para indivíduo, e cada adulto tem um franzido característico de uma, duas, três ou

quatro linhas. Quase sempre elas se formam simetricamente de cada lado do espaço e ntre as sobrancelhas (conhecido como glabela), cada uma mais longa ou mais forte que a anterior. As marcas horizontais da testa tendem a se suavizar quando as s obrancelhas baixam, mas podem não desaparecer completamente. O processo de envelhe cimento envolve uma fixação cada vez maior das linhas de expressão temporárias. Os vinco s da pele, que na juventude aparecem e desaparecem a cada mudança de humor, se gra vam permanentemente na pele à medida que os anos passam. Um forte vinco num rosto que não está franzido é o resultado de inúmeros movimentos desse tipo realizados pelo in divíduo ao longo da vida. Esse franzir das sobrancelhas ocorre em duas diferentes situações, que podem ser grosseiramente rotuladas como de agressão e de proteção. Num cont exto agressivo, o movimento se processa em diferentes graus de intensidade, que vão da simples desaprovação ou determinação até o aborrecimento e a raiva violenta. Num cont exto de proteção, o movimento ocorre sempre que existe uma ameaça para os olhos. Entre tanto, em momentos de perigo, franzir as sobrancelhas não é proteção suficiente. Nessas ocasiões, as bochechas também se elevam. Juntos, esses dois movimentos oferecem a máxi ma proteção possível aos olhos, que se mantêm abertos e atentos. É um movimento típico de um rosto tenso, que prevê um ataque físico, ou exposto à forte iluminação, da qual os olhos se protegem. Essa contração também ocorre freqüentemente quando o indivíduo ri, chora e em momento de forte repulsa, o que sugere que essas situações talvez devam ser conside radas uma espécie de superexposição. È a função de proteção ocular que explica a origem desse anzimento da testa. Sua utilização cm contextos

ceticismo. as sobrancelhas se movem ligeiramente para fora. Um crítico musical fez um comentário que ficou famoso: o de que uma certa cantora de óper a "tinha que pegar qualquer nota acima de lá com as sobrancelhas". exibe um par de olhos fixos e bem abertos. uma vez que atos de franca hostilidade raramente escapam de uma retaliação. afastando -se. porém. m as é difícil precisar seu número porque as linhas superiores e inferiores em geral são f ragmentárias. ignorância. em número de quatro ou cinco na maior ia dos casos. ansiedade e medo. Er guer as sobrancelhas. É isso que se costuma chamar de "testa franzida". Essas linhas. Seus significados. e não de autopreservação. apenas as linhas do meio se estendem de lado a lado da testa. arrogância. Costumamos ver num ros to franzido a imagem de ferocidade. surgida da necessidade de defender os olhos de c ontra-ataques que uma atitude agressiva poderia provocar. ao contrário. esse não é estritamente perpendicul ar. toda a pele da testa se estica para cima. Vários autor es as descreveram como sinal de surpresa. dez rugas chegam a se formar. incompreensão. pressentimento. encantamento. Ao mesmo tempo. Isso estica a pele entre elas e faz desaparecer as rugas verticais que ali se formaram. vão muito além disso. mas não tão intrepidamente feroz a ponto de não levar em conta a necessidade de proteger órgãos tão vitais como os olhos. dúvida. Às vezes. Quando se erguem. são mais ou menos paralelas. Na maioria dos casos. cria ndo longas marcas horizontais. Como o movimento anterior.agressivos parece ser secundária. A verdadeira face de agressão. porém. geralmente atrib uída a pessoas "preocupadas". Com . n egação. Pode s er feroz. mas essa é uma ocorrência relativamente rara. felicidade. mas isso é um erro.

Para usar uma expressão conhecida. mas aquilo de que se ri é algo muito perturbador. uma incontrolável c uriosidade de ficar e ver o que é essa coisa tão assustadora ou qualquer outro impul so de ficar em condito com a urgência de fugir. Erguer as sobrancelhas é um movimento que partilhamos com outro s primatas. au mentamos imediatamente nosso campo de visão. Uma pessoa preocupada. algo o impede de escapar. Vamos supor que estamos diante de algo ameaçador: podemos baixar as sobrancelhas para proteger os olhos ou erguê-las para aumentar nosso campo de visão . Isso não é raro. Esse "algo mais " pode ser muita coisa: uma conflituosa necessidade de atacar. a expressão parece ter se originado da necessi dade de melhorar a visão. O indivíduo sorridente que mostra essas marcas na testa também está levemente assus tado. Entre os macacos. surg e um problema. Quando comparamos essa expressão com o movimento de baixar as sobrancelhas. Existem elementos de retraimento corporal nessa postura. O humo r pode nos levar ao limiar do medo e a um riso nervoso. trat a-se de um "abridor de olhos". Homens e macacos se comp ortam de maneiras muito parecidas. A pessoa arrogante que e rgue as sobrancelhas também gostaria de escapar ao desagradável ambiente circundante . com a testa franzida. Mas ela só ocorre se. Esticando a pele da testa e erguendo as sobrancelhas. Ambos os . como para nós. Veremos que esse conceito de "fuga frustrada" se aplica perfeitamente ao contexto humano. parece ser uma reação a situações de em ergência. é essencialmente alguém que gostaria de escapar. a única maneira de entender o significado desse movimento é buscar sua origem. utilizada sempre que o animal é confrontado com algo que o faz querer fugi r. ao mesmo tempo. Para eles. mas por alguma razão não pode fazer iss o.todas essas interpretações. A risada pode ser verdadeira.

Então. Mas tais refinamentos e modificações não seriam possíveis se não fosse o significado original do movimento. ou quando estão cansados e com medo de um at aque iminente. estes dois movimentos podem ser usad os deliberadamente em contextos menos graves. voltam a se franzir. nossa fronte também se recusa a . como uma folha de papel enrugado que tentamos alisar. mas com muito medo. Como ocorre com os vincos provocados por uma fronte franzida. Algo semelhante ocorre com os humanos.movimentos serão úteis. eles sacrificam a proteção pela vantagem tática de enxergar mais claramente o que está acontecendo. erguem as sobrancelhas. mas temos que escolher um deles. e. Quando os seres humanos estão muito agressivos e podem provocar uma retaliação imediata. elas se erguem. A elasticidade da pele diminui à medida que envelhec emos. O cérebro precisa perceber qu al a necessidade mais importante e passar a instrução para o rosto. as marcas arqueadas causadas pelo movimento de erguer as sobrancelhas também podem ficar indelevelmente gravadas quando a pessoa envelhe ce. A pele de nossa fronte revela as marcas de todas as caretas que fizemos ao l ongo dos anos. em momen tos de medo. sacrificam a visão e protegem os olhos baixando as sobrancelhas. Qu ando estão dominados por uma leve agressividade. Se vivemos nervosos ou ansiosos. e em momentos de submissão. Além dessas funções principais. ou numa situação em que não parece haver perigo iminente de um ataque físico. a pele da testa vai ficando marc ada por finas linhas em arco. Podemos erguer as sobrancelhas mes mo quando não estamos apreensivos simplesmente para mostrar a outra pessoa que est amos preocupados com ela. vemos que numa situação de agressividade as sobrancelhas se franzem. Observando os ma cacos.

mas só até que uma rajada de vento a tire do lugar. Má muitos anos. a substância é usada em quantidades tão pequenas que praticamen te eliminam o risco. ou pelo menos disfarçá-lo. Embora ainda não tenha sido aprovada pelas organizações médicas ofi ciais. uma neurotoxina gerada pela bactéria que produz o botulismo. Indica também uma personalidade excessivamente ansiosa. Uma maquiagem pesada pode ajudar. Portanto. Desde a década de 1990. . Essas marcas na testa de uma mulher são um sinal de que ela não é mais jove m. desativando-os por um período de três a cinco meses. Ainda será precis o encontrar uma solução médica mais perfeita. É injetada diretamente nos músculos que causam as rugas. que se torna incapaz de qualquer movimento . mesmo em momentos de relaxament o e calma. parece que é a forma mais popular de tratamento cosmético no momento. mas não resolve o problema. Nes se tratamento cosmético. "Velha e nervosa" não é uma imagem que uma mulher queira passar.recuperar o aspecto liso que tinha na juventude. porque a pele é tão esticada que nunca mais será capaz de exibir a meno r ruga. por mais forte que seja o estado emocional. mas rígido. Isso pode criar uma aparência de máscara -um rosto jovem. O Botox é na verdade um veneno. uma alternativa mais moderna para eliminar rugas é a injeção de Botox. Uma franja espessa pode servir de cobertura. a opção cirúrgica tem sido o lifting da face É drást mas eficiente. é necessária uma ação mais drástica. O probl ema dessa solução é que ela deixa a testa lisa demais. Ela paralisa a fronte. precisa fazer alguma coisa para corrigir o dano. incapaz de mostrar qualquer emoção. Para mulheres que dependem da aparência.

As sobrancelhas são erguidas e ao mesmo tem po apertadas uma contra a outra. esse é um movimento complexo. Não é uma expressão muito comum. Também é observada em alguns casos de dor crônica. Rugas entrelaçadas. Como o anterior. Essa expressão está relacionada à forte ansiedade e à dor. enquanto outra diz "Abaixe-as". Por alguma razão. Diferentes grupos de . pro duzindo rugas horizontais ao longo da testa. O movimento para cima é semelhante ao das sobrancelhas erguidas. co mposto de dois elementos: erguer e baixar. Metade do rosto parece agressivo. A mensagem que ela transmite é tão conflitante quanto a própria expressão. mas uma dor constante provavelmente produzirá essas rugas entrelaçadas. porque mu itas pessoas têm dificuldade de executar o movimento. esse movimento parece ser uma tentat iva de as sobrancelhas responderem a um duplo sinal do cérebro. O estado de espírito que ela traduz é ger almente o ceticismo. enquant o a outra metade passa a impressão de medo. Na origem. essa reação contraditória é ma is freqüente nas mulheres do que nos homens. A contração é semelhante ao movimento de so brancelhas abaixadas e produz curtos vincos verticais no espaço estreito entre as sobrancelhas. Uma dor forte e aguda produz uma co ntração. Uma mensagem orden a "Erga as sobrancelhas". A sobrancelha erguida funciona como um ponto de interrogação em relação ao olhar feroz.Sobrancelhas enviesadas. O entrelaçamento das duas expressões pr oduz um cruzamento de rugas. Um bom exemplo desse movimento é a expressão utilizada nos a núncios de remédio para dor de cabeça. com as sobrancelhas abaixadas. Esse movimento é uma mistura dos dois anteriores: uma sob rancelha é abaixada enquanto a outra é erguida.

mas também pode ocorrer sozinho. A extrema brevidade do movimento. como o apert o de mão.músculos começam a pressionar em direções opostas. acompanha um aceno de cabeça e um sorriso . foi uma adoção momentânea da postura de so brancelhas erguidas numa situação de surpresa. Combinada com o sorriso. As sobrancelhas sobem e descem numa fração de segundo. Teoricamente. as extremidades internas das sobrancelhas são empurradas mais para cima que as ex tremidades externas. Tem sempre o mesmo significado: o reconhecimento amigável da presença do outro. Na origem. o abraço ou o beijo. Piscar as sobrancelhas. O movimento geralmente é executado a uma certa distância. Em alguns casos. e não durante demonstrações de maior intimidade. mesmo que as sintam tentando mover -se. torna-se um sinal de surpresa agradável. não mais . embora tente forçá-las para b aixo. Quase sempre. só consegue pressioná-las uma contra a outra. Nova Guiné e Amazônia. O primeiro grupo consegue empurrar as sobrancelhas um pouco para cima. mas o segundo grupo. Essa form a exagerada de movimento cruzado é mais marcante em pessoas que tiveram experiências trágicas. seria possível dizer quanto infortúnio há na vida passada de uma mu lher simplesmente pela facilidade com que ela adota a posição das sobrancelhas oblíqua s. mas também cm populações de regiões que não tiveram influência europé como Bali. Se mulheres com histórias menos trágicas tentam forçar as sobrancelhas para c ima. Es se breve piscar é um sinal aparentemente universal de comprimento. no momento do encontro. talvez não tenham sucesso. numa posição oblíqua. mas não em todos. o que resulta numa "expressão oblíqua de sofrimento". Foi registrado não apenas em europeus.

Entretanto. Para a maioria de nós. Além de ser uma saudação. que envolv e movimentos da boca. nem se el e mudou desde a última vez que o vimos. dos ombros. Embora possa ocorrer isoladamente. Cada um desses elementos t ambém pode ocorrer separadamente. As sobrancelhas sobem. param momentaneamente nessa po sição e depois descem. em que os cantos da boca baixam momentaneamente. E ssa combinação costuma ocorrer na ausência de outros elementos. Erguer e baixar as s obrancelhas com uma pausa. Cada vez q ue uma palavra é enfatizada. .do que uma fração de segundo. É essa breve pausa que distingue esse movimento do piscar rápido que indica saudação e ênfase. Isso inevitavelmente dá ao encontro um leve e efêmero elemento de medo. o erguer de sobrancelhas co ntém um elemento de medo. as sobrancelhas piscam. da cabeça. o movimento que contém uma pausa na posição das sobrancelhas em geral s e faz acompanhar de um esgar. ou em grupos de dois ou três. braços c mãos. mas em algumas pessoas esse movimento se torna freqüente e exagerado. Não sabemos como o outro vai se comportar. por mais amigável que seja. Esse movimento é parte de uma reação mais complexa. E como se elas ressaltassem as surpresas da comunicação verbal. Como já dissemos. e pode parecer estranho que ele participe de uma saudação en tre amigos. isso não é m uito comum. deixando que o sorriso amigável domine a cena. indica que a surpresa desaparece rapidamente. tem um caráter social de imprevisibilidade. todo cumprimento. esse leve movimento de sobrancelha s é freqüentemente usado durante uma conversa para enfatizar algum ponto.

quando falamos animadamente. fazemos repetidos movimentos cor porais para enfatizar o que dizemos. esse é um movimento associado a uma expressão triste. No princípio. Esse é um movimento típico do queixoso contumaz. alegava-se que coroavam a mulher mais bela. Abandonando a questão dos movimentos e passando à anatomia das sobrancelhas . portanto. Em todos os casos. . a desculpa era que esses procedimentos ajudavam a espanca r o mal. evitavam a cegueira. mas não é exclusivo dessa person alidade. uma das duas primeiras pode fazer esse movimento com as sobrancelhas para indicar desaprovação e surpresa. A cada ênfase verba!. Essa diferença provocou muitas "melhorias ". Quase todos nós. A maioria das pessoas usa as mãos ou a cabeça. Se duas pessoas que se conhecem estão sentadas uma ao lado da outra e uma terceira pessoa se aproxima e faz alguma coisa que causa desconf orto. e as sobrancelhas das mulheres tornaram-se artificialmente ainda mais finas e menores. Isso vem sendo feito há séculos mediante várias técnicas.Ao contrário da piscadela das sobrancelhas. que parece perpetuamente surpreso pelas vicissitudes da vida. a intenção era fazer as sobrancelhas parecerem exageradamente femin inas. depilar e pintar. Na maioria das vezes. acrescentamos uma ênfase visual. em particular. Ele também costuma acompanhar a fala de certos indivídu os. mais tarde. como raspar. mas outras se servem das sobr ancelhas para essa ênfase. existe uma importante diferença entre os sexos: as sobrancelhas femininas são mais finas e menos densas que as masculinas. e não alegre. depois. significa uma surpresa m edianamente desagradável. dizia-se que eles protegiam o corpo das doenças e.

sobrancelhas artificialmente alteadas dão à mulher uma aparência de criança inocente de olhos bem abertos. . as novas so brancelhas quase sempre eram desenhadas acima das verdadeiras. fazer com que elas se harmonizem com o rosto tem exigido muito cuidado. Para elas. No final do século XVIII. o que garante a remoção da raiz. poderia removê-las e pintá-las em outro formado. o auge do costume de depilar as sobrancelhas ocorreu no entre-guerra s. obedecendo a sut ilezas estéticas. o método preferido é amarrar um fio fino ao redor de cada pêlo a ntes de arrancá-lo. Se uma mulher achasse que suas sobrancelhas ocupavam uma posição feia na te sta. quando "o lápis de sobrancelhas estava presente em qual quer nécessaire. Sobrancelhas muito baixas podem dar à mulh er uma aparência tão sinistra que se diz que ela tem "sobrancelhas de bruxa". utilizava-se o lápis para enfatizar o fino arco de pêlos que sobrevivera. o uso de uma pinça era considerado muito g rosseiro. disponível em cinco fascinantes tonalidades". Quando fazia isso. ao mesmo tem po. A ponta de metal da pinça poderia quebrar o fio. que com isso cresceria mais rápido. Depois de reduzir a e spessura das sobrancelhas. dizia-se que "sobrancelhas levemente arqueadas combinam com a modéstia de u ma virgem". De fato. Para algumas mulheres. nas décadas de 1920 e 30. Um e specialista no desenho de sobrancelhas afirma que "o desenho ideal é o que tem doi s terços do comprimento numa curva ascendente e um terço numa curva descendente".No século XX. Esse método é popular na Ásia e no Orie nte Médio. A form a artificial das sobrancelhas tem variado muito ao longo dos séculos e de pessoa p ara pessoa. Ma s é claro que ele deve ser adaptado às características de cada rosto. Desenhar as sobrancelhas de acordo com a moda da época e.

quarto. que afirmou: "Maldita seja a mulher que [. se os pêlos permanecerem ali.. mas a decisão da diret ora foi mantida pelo conselho do condado. Há várias razões para isso. uma antiqüíssima superstição afirma que a mulhe r que tiver sobrancelhas unidas deve ser uma vampira. Na época. darão a impressão de um r osto permanentemente fechado. a decisão de não depilar as sobrancelhas e deixá-las na forma natural era vista como um sinal de pouca sensualidade. raramente deixam de ser depiladas. um caso polêmico envolveu um hospital londrino. Com tanta preocupação em melhorar a aparência femi nina.) Finalmente. Assim. quando existem. E.] depilar as sobrancelhas". Não são muito comuns. Primeiro. cuja diretora não permitiu que uma enfermeira depilasse as sobrancelhas. Segundo. esse excesso de pêlos n a testa é uma característica masculina.O exemplo mais bizarro de sobrancelhas falsas talvez venha da Inglaterra do século XVIII. e. Qualquer mulher que nasça com essa forma de sobrancelhas prefere sofrer para depilar os indesejáveis pêlos que cob rem o espaço acima do nariz. (Quem adoraria essa decisão é o profeta Maomé. Na década de 1930. os pacientes do hospital foram protegidos do estímulo erótico que representaria um par de sobrancelhas delicadament e depiladas. há algo de "animal" em ter pêlos onde não devia haver nenhum. a moda ordenava que as sobrancelhas fossem raspadas e substituídas .. A jovem apresentou que ixa. Esperava-se que as mulheres que trabalhavam em condições impróprias a manifestações de sensualidade deixassem as sobrancelhas intocad as. Terceiro. e a extravagância estava justamente na natureza dessa substituição: as sobrancelhas falsas eram feitas de pele de rato. convém mencionar as sob rancelhas tão unidas que criam uma linha ininterrupta de pêlos. . alegando que a proibição era um cerceamento à sua liberdade.

Juntas, essas maldições fazem qualquer mulher correr em busca de uma pinça. Para mante r suas sinistras sobrancelhas unidas, ela teria que estar "acima da moda". Essa mulher existiu no século XX: a famosa pintora mexicana bissexual Frida Kahlo. Para ela, as sobrancelhas unidas e espessas se tornaram uma marca pessoal, que ela r eproduziu fielmente em seus auto-retratos. "Pairando acima de seus penetrantes o lhos negros como um pássaro no vôo", assim elas foram descritas. Como afirmou um críti co: "Frida Kahlo pode ter sido uma mulher interessante e criativa, mas tinha ape nas uma sobrancelha, que se estendia de um lado a outro do rosto como a Grande M uralha da China, e, como tal muralha, provavelmente era avistada da Lua". É incrível que essas reações sejam causadas pela simples presença de uns poucos pêlos pretos acima do nariz. As sobrancelhas costumam passar tão despercebidas que só paramos para pre star atenção nelas quando algo estranho acontece. Nos anos recentes, excetuadas as i diossincrasias de Frida Kahlo, só numa ocasião pesadas sobrancelhas femininas foram consideradas aceitáveis e, por um período, até mesmo populares. Isso aconteceu na década de 1980, quando o movimento feminista entrou numa fase em que as mulheres passa ram a acreditar que parecer um homem era uma boa maneira de competir com eles. F oi nessa época que a jovem atriz Brooke Shields apareceu nas telas exibido sobranc elhas que foram descritas como "lagartas". Elas não se uniam no meio, como as da K ahlo, mas eram tão espessas quanto as de um homem, o que lhe dava um olhar feroz e determinado. Desde então, à medida que as mulheres foram fazendo mais sucesso como mulheres, e não como pseudomachos, suas sobrancelhas voltaram à forma arqueada e fin a que foi preferida durante séculos. Como Shakespeare afirmou em Conto do inverno: "Não é por terdes sobrancelhas negras. Dizem até que

sobrancelhas escuras são as que melhor assentam nas mulheres, desde que não sejam mu ito espessas, mas apenas um semicírculo ou meia-lua traçados a pena".

4. Orelhas As orelhas femininas nunca foram bem tratadas: têm sido ignoradas ou mutiladas. Os pós e pinturas que costumam ser aplicados ao rosto as ignoram. Enquanto um rosto meticulosamente enfeitado ocupa o centro do palco, as orelhas são esquecidas c mui tas vezes escondidas sob os cabelos. E, quando se revelam, têm servido apenas como campo de testes para a criação de jóias. Nas raras ocasiões em que as orelhas são objeto de cirurgia plástica, a solução é torná-las ainda mais imperceptíveis. É o que ocorre quando relhas proeminentes são coladas à cabeça. Mas, antes de analisar mais detalhadamente o s abusos culturais perpetrados contra as sofridas orelhas femininas, convém examin ar a biologia e a anatomia dessa parte do corpo. A parte visível da orelha é bastant e modesta. No curso do processo evolutivo, ela perdeu as extremidades pontiaguda s e a mobilidade. As extremidades sensíveis desapareceram, curvadas numa borda rol iça. Mas nem por isso ela deve ser tratada como um resíduo inútil. A principal função do o uvido externo — uma trompa de carne e sangue — é coletar o som. Não somos capazes de eriça r as orelhas como outros animais, nem de torcê-las para descobrir de onde vem um b arulho repentino, mas ainda podemos detectar uma fonte sonora. O que os humanos perderam em flexibilidade da orelha ganharam em mobilidade da cabeça. Quando um ce rvo ou um antílope ouvem um som alarmante, erguem a cabeça e torcem as orelhas em to das as direções. Quando ouvimos um som desse tipo, giramos a cabeça, o que funciona qu ase da mesma maneira. Embora nossas orelhas pareçam rígidas, ainda conservam um mínimo dos movimentos que originalmente possuíam. Se retesar os músculos da região auricular e se

olhar num espelho, você terá um vislumbre desse movimento de proteção: suas orelhas tent arão se colar ao crânio. Animais que possuem orelhas grandes e móveis quase sempre as achatam quando estão lutando, na tentativa de mantê-las a salvo de um ataque. Nós, hum anos, ainda fazemos isso automaticamente: a pele da cabeça se retesa em momentos d e pânico, mesmo que nossas orelhas permaneçam em sua habitual posição de repouso. A form a da orelha é importante para a perfeita transmissão dos sons ao tímpano. Uma pessoa q ue teve a infelicidade de ter as orelhas decepadas com certeza possui uma audição be m menos eficiente. Os canais auditivos e o tímpano constituem um "sistema ressonan te", no qual alguns sons são enfatizados à custa de outros. A forma aparentemente al eatória da orelha — suas dobras e curvas — na verdade foi especialmente criada para ev itar distorções desse tipo. Uma função menos importante da orelha é o controle da temperat ura. Os elefantes balançam suas enormes orelhas quando estão com muito calor. o que os ajuda a resfriar o corpo. Há uma profusão de vasos sangüíneos próximos à superfície da pel , e o calor que se perde desse jeito pode ser importante para muitas espécies. Par a nós, a quentura das orelhas desempenha um papel secundário na regulação térmica, mas tor nou-se um sinal social. Se uma mulher sente um forte calor num momento de confli to emocional, suas orelhas podem ficar vermelhas. Esse rubor tem sido objeto de comentários desde tempos muito remotos. Há quase 2 mil anos, Plínio escreveu: "Quando nossas orelhas se avermelham e queimam, alguém está falando de nós na nossa ausência". E Shakespeare faz Beatriz perguntar, quando outros estão falando dela: "Que fogo é es se em minhas orelhas?"

Finalmente, nossas orelhas parecem ter adquirido uma função erótica com o desenvolvime nto de macios lóbulos carnosos. É uma função que não está presente em nossos parentes mais p róximos e parece ser uma característica exclusivamente humana, decorrente do aumento de nossa sexualidade. Os primeiros estudiosos da anatomia humana viam na orelha um apêndice inútil", "uma parte da face aparentemente sem utilidade, a não ser a de p oder ser furada para carregar ornamentos". Mas estudos recentes sobre o comporta mento sexual revelaram que, um momentos de forte excitação, os lóbulos das orelhas se intumescem e se enchem de sangue, o que os torna mais sensíveis ao toque. Ter os lób ulos das orelhas acariciados, sugados e beijados durante o ato sexual é uma forte estimulação para muitas mulheres. Segundo Kinsey e seus colegas do Instituto de pesq uisas Sexuais de Indiana, há alguns casos raros de mulheres que conseguem atingir o orgasmo em conseqüência da estimulação das orelhas. No centro da orelha abre-se o cana l auditivo, um conduto estreito de cerca de 2,5 cm, ligeiramente curvo, o que o ajuda a manter aquecido o ar existente no seu interior. Esse aquecimento é importa nte para o funcionamento adequado do tímpano, que se situa na extremidade do canal e é um órgão extremamente delicado. Além de manter o tímpano aquecido, o canal também o pro tege de danos físicos. O preço que pagamos por essa proteção, porém, é a presença em nosso co po de um recesso profundo, que não conseguimos limpar com os dedos. Podemos limpar todo o nosso corpo com relativa facilidade, livrando-o da sujeira e de pequenos parasitas, mas, se um objeto invadir nosso canal auditivo, teremos problemas. A tentativa de remover a sujeira com bastonetes pode danificar o tímpano. Por isso, precisamos de uma proteção especial contra intrusões desse tipo. A evolução nos proporcio nou a resposta para isso na forma

de pêlos que impedem a entrada de insetos maiores e da cera que repele criaturas m enores. A cera cor de laranja, com um gosto amargo que repele os insetos, é produz ida por 4 mil minúsculas glândulas ceruminosas, que na verdade são glândulas apócrinas alt amente modificadas — do tipo que produz o suor de cheiro forte nas axilas e no int erior das pernas. Não cabe aqui detalhar o funcionamento do ouvido. Resumidamente, diremos que as vibrações sonoras atingem o tímpano e se convertem em impulsos nervoso s que são transmitidos ao cérebro. O tímpano é incrivelmente sensível, capaz de detectar a menor vibração. Essas vibrações são então transmitidas ao ouvido médio através de três peque ssos de formas estranhas (martelo, bigorna e estribo), que amplificam a pressão da s ondas sonoras 22 vezes. O sinal amplificado então passa ao ouvido interno, onde entra em ação um estranho órgão em forma de caracol e cheio de fluido. As vibrações produzid as nesse fluido ativam milhares de células ciliadas — cada uma sintonizada com uma d eterminada vibração —, que identificam as freqüências que compõem um som e transmitem essa i nformação ao cérebro por intermédio do nervo auditivo. O ouvido interno também contém órgãos ais para o equilíbrio. São três canais semicirculares, cada um relacionado a um tipo d e movimento: os movimentos para cima e para baixo, os movimentos para a frente e os movimentos laterais. A importância desses órgãos cresceu radicalmente quando nosso s ancestrais começaram a se pôr de pé e adotaram a forma de locomoção bipedal. Um animal q ue se apóia sobre quatro patas é relativamente estável, mas a posição ereta exige constant es e sutis adaptações do equilíbrio. Esses órgãos do equilíbrio são de fato mais vitais para nossa sobrevivência do que as partes do ouvido que lidam com os sons. Uma pessoa

com o alcance cada vez menor da adição. Isso ocorre porque. Um dos aspectos desagradáveis da nossa audição é que ela começa a declinar desde que nascemos. temos exp losivos de alto poder e uma enorme variedade de equipamentos de som poderosíssimos . é difícil distinguir di ferentes vozes quando várias pessoas falam ao mesmo tempo. uma m ulher de meia-idade que tenha pagado uma fortuna para instalar um sistema desse tipo deve ficar chateada ao descobrir que os únicos membros da família capazes de ap reciar tudo isso são seus filhos mais jovens. declina para cerca de 12 mil. Hoje. embora eles sejam capazes de ouvir uma única voz num local silenci oso. Os modernos sistemas de som funcionam a freqüências superiores a 20 mil ciclos por segundo. Um bebê pode detectar freqüências de ondas sonoras de 16 a 30 mil ciclos por segundo. Ela já terá sorte se conseguir detectar qualquer freqüência acima de 15 mil ciclos por segundo. Como outras espécies. evoluímos num mundo relativame nte silencioso quando os sons mais altos eram roncos e gritos. Nossos ouvidos têm uma grande sensibilidade ao volume do som. Aos 60 anos. Na adolescência. o alcance máximo cai para 20 mil ciclos por segundo.surda pode sobreviver com maior facilidade do que a que perde o sentido do equilíb rio. . Por isso. e continua caindo cada vez mais à medida qu e os anos passam Para os muito idosos. graças a nossa infinita engenhosidade. Nossos ouvidos servem como um lembrete de que vivemos num mundo muito diferente daquele do qual nos originamos. é um problema ouvir uma conversa numa sala cheia de gente. e por isso não criamos nenhuma proteção especi al contra sons muito altos. Não havia nada mais alto para ferir nossos sensíveis tímpanos. capazes de danificar nossa audição.

mas Darwin estava convencido de que é remanescente de nossos primórdios. A segunda parte que merece menção é a pequena saliência na borda da orelha. é verdade que não existem duas pessoas com orelhas precisamente iguais. quando tínham os orelhas pontiagudas que podiam se mover à procura dos sons mais fracos. ele tem uma característica importante. mas um método concorrente — o das impressões dig itais — prevaleceu. Além da s variações de tamanho. Cuidadosas pesquisas revelaram que eles estão presentes de uma forma mais evi dente em cerca de 26% dos europeus. Treze regiões da orelha f oram classificadas. As pessoas têm lóbulos "sol tos" ou lóbulos "colados". e a identificação auricular foi esquecida.Voltando ao ouvido externo. Se apalpar a parte interna da borda partindo de ci ma. há muito tempo se afirma que é possível identificar um ind ivíduo pela forma da orelha. E uma protuberância minúscula. mas quase sempre é tão pequeno que mal se consegue percebêlo. lóbulos colados. Em outr as palavras. chamada tubércu lo de Darwin.171 orelhas de europeus descobriu que 64% delas tinham lóbulos soltos e 36%. Infelizmente. Entretanto. Um médico que se deu o trabalho de examinar 1. No último século. A primeira é o lóbulo. Ele está presente na maioria das orelhas. você o encontrará a mais ou menos um terço do caminho. chegou-se a pensar em utilizar essa pro priedade para identificar criminosos. São detalhes como esses que tornam possível a id entificação de criminosos. esses "pontos são vestígios de orelhas que um dia foram eretas e pontud as". mas o uso de impressões digitais alcançou tal avanço que é difícil dizer se as formas da orelha teriam alguma utilidade. A diferença entre eles é que os lóbulos soltos pendem do pont o de contato com a cabeça. os únicos a re alizar estudos detalhados sobre as partes da orelha . das quais duas merecem especial menção.

com suas alegações românticas de que é possível determinar o caráter e a personalidade de uma pessoa pela leitura de suas proporções faciais. e sua popularidade no final do século XX é difícil de entender. Em regiões do Oriente. teriam a aurícula projetada lateralment e e mais desenvolvida que o lóbulo. Em algumas culturas. Por ser uma aba de pele ao redor de um orifício. Diante de um rosto redondo ou de um rosto anguloso. Os somatologistas dis cordam. Seus comentários fantasiosos. vários significados têm sido atribuídos à orelha. às vezes detalhadas. que perderam qualquer credibilidade no início do século XX. por exemplo.são os modernos fisionomistas. Na Iugoslávia. com lóbulo e aurícula (a concha da orelha) igualmente bem desenvolvid os. e que uma orelha pontiaguda revela um oportunista. Simbolicamente. s urpreendentemente ressurgiram na década de 1980. uma expressão de gíria para a v ulva é "a orelha entre as pernas". Alegam que os endomorfos (os mais rechonchudos) e os ectomorfos (Os mais ossudos) possuem diferentes tipos de orelhas.. ao contrário. As orelhas dos endomorfos seriam coladas à cabeça. tem sido considerada símbo lo dos genitais femininos. é impossív el prever se ele possui orelhas arredondadas ou angulosas. jovens púberes eram obrigadas a passar por um ritual de . quando foi possível ler que uma ore lha grande é sinal de um indivíduo realizador. enquanto os somatologista s levam em conta todo o corpo. a mutilação das orelhas foi us ada para substituir a circuncisão feminina. que uma orelha pequena e bemformada p ertence a um conformista. As orelhas dos ectomorfos. são um insulto à inteligência h umana. Criminologistas que estudam detalhes faciais afirmam que o formato da orelha não pode ser previst o pelas feições do rosto. Ess as e centenas de outras "leituras". A explicação para essa controvérsia talvez seja o fa to de que os criminologistas consideram apenas a cabeça.

Karna. e daí toma a direção esquerda. Acr edita-se que isso significa que sua mãe. Pelo fato de as orelhas serem vistas como genitais femininos em muitas diferentes culturas. não surpreende que algumas divindades tenham nascido p ela orelha. Essa forma primitiva de mutilação tem se mostrado persistente e é um dos poucos tipos de deformidade artificial que se mantém populares no mundo . Isso tem sido apresentado como desculpa para puxar as orelhas das crianças quando elas desobedecem. onde essa veia se divide em duas. No antigo Egito.iniciação em que buracos eram perfurados em suas orelhas. Suria. Kunti. passando pelo diafragma e pelos ombros. vai subindo. Um simbolismo completamente diferente atribui à orelha o significado de sabedoria — porque é ela qu e ouve a palavra de Deus. filho do rei-sol hindu. saindo pela sua orelha esq uerda". "todas as mulheres poderiam parir seus filhos pela orelha". Gargantua também vem ao mundo dess a maneira incomum. Por trás do castigo está a idéia de que es sa ativação da orelha é capaz de despertar a inteligência que ali dorme. Quando Gargamelle está prestes a dar à luz. e que. O autor admite que é difícil acreditar em tal fato. mas se defende afirmando que não há na Bíblia nada que contradiga essa forma de nascimento. ent rando pela veia cava. Algumas dessas estranhas superstições explicam o antigo costume de furar as orelhas para nelas colo car brincos. tinha parido virgem. teria nascido dessa forma. se Deus qui sesse. "a criança salta e. Na obra satírica de François Rabe lais Gargantua e Pantagruel. publicada cm 1653. Algumas lenda s também afirmam que Buda nasceu da orelha de sua mãe. a mulher adúltera tinha as orelhas decepadas com uma faca afiada — outro exemplo de sua relação c om os genitais.

a maioria das mulheres que furam as orelhas o fazem com propósitos puramente estéticos. acreditavase que os sábios têm orelhas muito grandes. Durante um longo período. é necessário proteger todos os orifício s pelos quais eles possam ter acesso. quase todos os bri ncos. aumentariam a sabedoria e a inteligência. budistas e chinesas revelou que reis e rainhas sempre possuíam lóbulos alonga dos. Se. de modo que as orelhas pendessem cada vez mais para baixo. Outras crenças primitivas diziam que usar brincos curava defeitos de visão ou p rotegia contra afogamentos. Em tempos remotos . Na puberdade. As realmente bonitas tinham que apresentar orelhas na altura dos seios. Como as orelhas são a sede da s abedoria. Acreditava-se que o uso de amuletos da sor te nas orelhas era a melhor proteção contra os demônios. sem saber o que isso significou no passado. Brincos pesados. essas diferentes e originais razões para o uso de brincos foram esquecidas. Esses pequenos fu ros eram posteriormente alargados. Nas culturas tribais nas quais lóbulos longos estiveram na moda a mutilação gera lmente começava na infância: os bebês já tinham as orelhas perfuradas. são puramente decorativos e usados apenas por motivos estét icos. nesse processo. tribais e urbanos. a beleza da jovem estaria imediatamente perdida. só as meninas de longas orelhas eram consi deradas belas. Hoje. isso tinha diversas explicações. Como o demônio e outros espíritos malignos estão sempre tentando entrar no corpo humano para dominá-lo. ela era considerada feia demais para se casar. Um estudo de primitivas esculturas h indus. Na era moderna. que empurrem os lóbulos para baixo e os façam parecer mais long os. ano após ano. especialmente os lóbul os.moderno. a longa alça de carne se rompesse ao peso dos ornamento s. Em algumas culturas. .

seria ridicularizada por "ter orelhas de porca". durante o funeral . Para Bulwer e sua época. John Bulwer dedicou todo um capítulo de seu livro A View of lhe People of the Whole World (Uma visão dos povos de todo o mundo) para atacar "as modas ou cer tas estranhas invenções dos povos para remodelar as orelhas". uma festa é dedicada ao ritual de furar as orelhas d as jovens. cujo peso as estende. Essa desaprovação em nada alterou esses costumes trib ais. cinqüenta argolas de bronze de 10 cm de diâmetro são penduradas em cada o relha. qualquer tentativa de melhorar ou modificar a forma humana era uma ofensa a Deus. que as nativa s imploram aos ocidentais. pesadas argolas de cobre vão sendo acrescentadas até que seu peso a tinja 1 quilo. Então. um buraco tão grande que um braço poderia passar por ele". Nas ilhas da Nova Guiné. o m undo ocidental se chocou e se horrorizou com essas formas excessivas de mutilação. em lug ares tão distantes quanto Bornéu e Brasil. são removidos em sinal de luto. que f azem nelas furos e neles "colocam um chumbo. O costume parece ter nascido independentemente. acusava as mulhe res que "julgam muito atraente ter as orelhas vergonhosamente perfuradas". são inseridos no lóbulo da orelha. Em outra. os pesados brincos que pendem das orelhas das mul heres casadas só podem ser retirados quando o marido morre. a ponto de fa zê-las pender à altura dos ombros. se uma menina ousasse ignorar esse costume. Em algumas tribos. encontramos exemplos desse extremo alongamento das orelhas f emininas em todo o mundo. Nele. O tamanho dos ornamentos chega a ser assustador. E m 1654. África e Camboja. potes de geléia ou latas de alimento. Eram uma parte muito importante da sua história . Em certas culturas. Em séculos passados.Surpreendentemente. Numa tribo. Em outra ainda.

não são usados o tempo todo. os punks enfiavam objetos bizarros nos lóbulos das orelhas grosseiramente perfura dos. Hoje. no final do século XX. de lâminas de barbear a lâmpadas elétricas. Mas eles eram impacientes demais par a esperar o lento e gradual alongamento dos lóbulos praticado nas outras tribos. Apesar da extravagância de sua moda. facilmente removíveis: são brincos de pressão ou pingentes presos a um único f uro pequeno. com o drástico aumento dos piercings. influências externas podem ter p osto fim a formas mais extremas de mutilação. a orelha era perfurada várias vezes. mas outras são viciadas em adquirir grandes quantidades de brincos. em toda a borda. para que uma série de brincos pudessem ser atarraxados a ela. mas em muitas outras sociedades remota s eles ainda sobrevivem intocáveis no século XXI. Querendo chocar. Os exemplos mais extremos que podemos oferecer são e ncontrados no breve florescimento do rock punk da década de 1970. A detentora do recorde (segundo o Guinness Book) é uma americana da Pens ilvânia que reuniu uma coleção de 17. Algumas mulheres possuem a penas uns poucos pares. M ais tarde.122 pares. mas substi tuídos diariamente para combinar com outros ornamentos. mas correntes on de penduravam um pouco de tudo. a maioria das mulheres usa ornamentos simples. Em alguns casos. Se .cultural para serem abandonados. também eram usadas pelas tropas de choque da nova onda. Ao contrário dos brincos tribais. porém. as orelhas d as mulheres ocidentais passaram a carregar múltiplos brincos. Grandes alfinetes de fralda eram os ornamentos preferidos. Em vez de um só furo. o mundo ocidental nunca apresentou nada capaz de competir com os lóbulos estendid os dessas sociedades tribais.

usasse um por dia. . levaria quase meio século para usar todos.

o satirista romano Marcial fez o seguinte comentário mordaz: "Você pisca para os homens com pálpebras que tirou de uma gaveta pela manhã". Sombras. Olhos Há muitos séculos os olhos femininos tem sido foco de grande atenção. aparelhos para curvar os cílio s. Apesar de tudo o que falamos e ouvimos. Toda a ordem dos primatas é predominantemente visual. os macacos. cosméticos negros cobri am as pálpebras. Mas. antes de analisar todas essas melhorias. Sabe-se que há mais de 6 mil anos usa-se maquiagem nos olhos. cílios postiços e lentes de contato coloridas — todos esses recursos são usados para embelezar os olhos femininos. continu amos sendo animais essencialmente visuais. que tal examinarmos o olho em seu estado natural? Os olhos são os mais importantes órgãos dos sentidos. e. O olho humano tem apenas cerca de 2. Nisso não diferimos muito de nossos par entes próximos. Calcula-se que 80% das informações que recebemos do mundo exterior ent rem por essas notáveis estruturas. que é s ensível à luz e se situa no fundo do olho. delineadores. inúmeras e sutis variações de sombras coloridas têm sido aplicadas às pálpebras. 130 milhões são células arredondadas responsáveis pela visão em branco e preto. Em praticamente todas as civilizações importantes na história do mun do.5 cm de diâmetro. contém 137 milhões de células que enviam mensag ens ao cérebro. proporcionando uma visão binocular do mundo.5. e no entanto faz a m ais sofisticada câmera de tevê parecer um utensílio da Idade da Pedra. No antigo Egito. no primeiro ano da era cristã. co m os dois olhos colocados na frente da cabeça. Dessas. aos cíli s e à pele ao redor dos olhos. os restantes 7 milhões são células cônicas que . A retina. dizendo-lhe o que está vendo.

5 milhão de mensagens simultâneas. deixando que luz demais flua para a retina. Se o olho vê alguma coisa de que gosta muito. em v ez de uma imagem precisa e nítida. essas células sensíveis à luz podem processar 1. contrai-se ao tamanho de uma cabeça de alfinete. Sendo tão complexo. Isso deve interferir na precisão de nossa visão.permitem a visão em cores. Entretanto. e com isso controla a quan tidade de luz levada à retina. Isso dilatava muito as pupilas e as tornava mais atraentes. porque a maior contração da abertura da pupila reduz a iluminação da retina e "ap aga" a imagem repugnante. É provável que o resultado seja um brilho ofuscante. Em século s passados. po rque dava aos homens que as olhavam a falsa impressão de que eram amados (mesmo qu e eles estivessem diante do rosto devastado e envelhecido de uma libertina). mas. quando vê algo de sagradável. No centro do olho situa-se a pupila ne gra — a abertura através da qual a luz penetra para chegar à retina. as cortesãs da Itália pingavam gotas de beladona nos olhos antes de rece ber um visitante. mas também possui uma outra curiosa função. a pupila se expande mais que o normal. Até o cérebro cresce mais que o olho. É fácil entender essa segun da reação. Podem ver uma ima gem vaga banhada em um halo de luz — muito diferente da imagem nua e crua. . isso pode ser uma vantagem para os jovens amantes quando olham no fundo das pupilas do ser amado. Difícil é explicar a dilatação da pupila que ocorre diante de uma visão atraente. o olho funciona como uma câmera de diafragma ajustável. A pupila aumenta de tamanho com a luz fraca e diminui com a luz forte. não surpreende que o olho seja a parte do corpo a apresentar o menor crescimento entre o nascimento e a idade adulta. A todo momento. Sob esse aspecto.

à medida que eles crescem. os brancos desenvolvem a melanina na parte fro ntal da íris. Essa função é desempenhada por músculos involuntários. Se a melanina ali p resente é menor e o pigmento fica quase todo confinado às camadas mais profundas da ír is. Apenas numa porcentagem muito pequena isso não ocorre e os olhos permanecem azuis. Nossas pupilas não mentem. Quem exibe um anel castanho escuro ao redor das pupilas tem uma quantidade generosa de melanina nas camadas frontais da íris. e ao redor dela a parte que . a córnea. A coloração violeta se deve ao sangue que corre por entre a íris. variando do verde ao cinza ou azul ã medida que o pi gmento diminui.Ao redor da pupila fica a íris colorida. É isso que faz. e seus olhos escurecem pouco a pouco. Mas. Indicam uma perda de melanina e parecem ser parte da palidez gerai do corpo que ocorre à medida que a pessoa se move da z ona equatorial em direção a regiões menos ensolaradas. Esse efeito é mais intenso quando comparamos os bebês da raça branca com os da raça negra. ao passo que os de pele morena e negra têm olhos escur os. Pessoas de olhos azuis não têm um pigmento azul: simplesmente possuem menos pigmento que outras. Olho s claros são portanto quase uma ilusão óptica. Quase todos os bebês brancos têm olhos azuis quando nascem. da e xpansão e da contração da pupila um sinal confiável de nossas reações emocionais às imagens v suais. os olhos serão mais claros. A cor da íris varia consideravelmente de pessoa a pessoa. Cobrindo a pupila e a íris exis te uma camada transparente. de modo que nun ca conseguimos controlar deliberadamente o tamanho da pupila. o que cria a ton alidade azulada. o disco contrátil responsável pelas mudanças de tamanho da pupila. mas isso não se deve à variedade de pigmentos.

A maioria dos animais tem olhos redondos e "fundos". mas nos primatas superiores os olhos são mais elípticos. o que cria "cantos". visíveis na forma de minúsculos folículos na raiz dos cílios. O efeito dessa pequen a mudança evolutiva é que. não existem partes brancas visíveis. em situações de sociabilidade. um na pálpebra superior e outro na pálpebra inferior. Nos humanos. as pálpebras são margeadas por cílios curvos e têm bordas oleosas. nós choramos. Só no homem a parte bran ca do olho é visível. O processo é auxiliado pela secreção das lágrima s. mesmo ã distância. Essa par te não-óptica do olho é uma característica exclusivamente humana. Quan do uma irritação dos olhos ou uma forte emoção fazem a glândula lacrimal produzir mais lágri mas do que os canais são capazes de drenar. Esse canais se situam na extremidade interna das pálpebras.chamamos de "branco do olho". Circundando a parte visível dos olhos. e a área exposta de cada lado da íris é marrom-escura. Essa é uma segunda característica . que ficam embutidas sob as pálpebras. Essa oleosidade é fruto de secreções de diminutas glândulas. Os dois canais se un em num único cubo que transporta as lágrimas "usadas" para o interior do nariz. O mesmo o corre nos primatas inferiores. pequenas mudanças de direção são fa mente detectadas. Entretanto. Esse s olhos ainda estão mais próximos da forma circular do que da oval. É o at o de piscar que umedece e limpa a córnea. mas alguns macacos já apresentam a pele ao redor do s olhos ligeiramente esticada para trás e para os lados. produzidas pelas glândulas lacrimais. que tecnicamente tem o nome de esclerótica. a brancura dos olhos os torna mais evidentes. mais próximos da forma humana. As lágr imas são drenadas através de dois canais lacrimais — também visíveis como pontos um pouco maiores nas bordas das pálpebras. e o excesso de lágrimas se e spalha pelas faces.

Os cílios têm o mesmo tempo de vida que os pêlos das sobrancelhas. desfrutaríamos hoje de outr os prazeres. É o vestígio de nossa terceira pálpebra. ou subaquáticos. e os empurram para fora da córnea quando estão nadando debaixo d'água.exclusiva dos olhos humanos. Em muitas espécies. têm uma característica excepcional: não embranquecem com a idade como os c abelos e os pêlos do corpo. As pestanas. Alguns bebês ocidentais nascem com olhos puxados. em outros ainda. mas só entre os orientais se conse rva na idade adulta. em outros. Os orientais possuem uma proteção adicional para os olhos: o epicanto. são órgãos de alguma funcionalidade. uma prega cutânea sobre a pálpebra superior que dá aos olhos o formato oblíquo. e essa prega . são colorido s e piscam para dar algum sinal. são totalmente transparentes e u sados como óculos de sol naturais. todo o rosto é mais gordo. porque somos o único animal que chora quando está emoci onado. o epicanto parece ter se conservado como adaptação ao frio. Neles. porém. existe uma pequ ena protuberância rosada. Alguns animais os usam co mo um "limpador de pára-brisa" que pisca para limpar o olho. Os patos mergulhadores têm esses órgãos transparentes e espessos. No canto interno do olho. e cada cílio dura entre três e cinco mese s antes de cair e ser substituído. mais achatado e mais adequado às baixas temp eraturas. que nos proporcionam uma franja de proteção acima e abaixo dos olhos. hoje totalmente inútil. Essa pr ega está presente no feto humano em todas as raças. entre os dois canais lacrimais. Entre os povos orientais. mas esse fo rmato muda gradualmente à medida que o nariz se afina e toma outra forma com a ida de. em maior quantid ade na pálpebra superior do que na inferior. Se nossos ancestrais fossem mais aquáticos. Cada olho tem cerca de duzentos cílios.

ape sar da vista fraca. Uma info rmação sobre as lágrimas: além de lubrificantes para a superfície exposta do olho. mestre na arte da retórica que viveu em Roma na época de Cristo parece ter sido a primeira pessoa a tentar resolver esse terrível problema. elas são também bactericidas. Entretanto. mas é difícil dizer se isso se deve a uma diferença biológica ou a uma educação que exige que os homens não demonstrem suas emoções. Sêneca. Muitos velhos mestres precisavam que os mais jovens lessem para ele s. Em muitas cul turas. mas muitas mulheres no Extre mo Oriente não têm essa opinião. não só devido à imprecisão na obtenção de informações visuais mas mbém porque a constante tensão de tentar enxergar causa fortes dores de cabeça. e hoje os hospitais estão cheios de jovens com os olhos cobertos de bandagens depois de se submeterem ao bisturi do cirurgião para ter ol hos ocidentais. O olho fem inino é ligeiramente menor e mostra uma proporção maior da parte branca. Conta-se que. parece ser u ma diferença mundialmente disseminada para ser apenas produto da cultura. as glândulas lacrimais são mais ativas em mulheres emotivas do que em homens igualmente emotivos. que mata as bactérias e prote ge o olho de infecções. O info rtúnio persistiu nas primeiras civilizações. tornou-se ainda mais agudo. conseguia ler tudo o que encontrava . Contêm uma enzima chamada lisozima. Quase não há diferença entre os olhos de homens e mulheres. A visão deficiente deve ter sido uma calamidade para muitos de nossos remotos ancestrais. com a invenção da escrita.cutânea ajuda a proteger a delicada região dos olhos contra um ambiente hostil. e. A fo rma dos olhos orientais é indiscutivelmente atraente.

fazendo a pessoa parecer mais feroz e dominadora. e. um monge em Florença fez um sermão que incluía a seguinte frase: "Não faz ainda vinte anos que a art e de fabricar óculos. uma das artes mais úteis do mundo. no século XVIII. As primeiras lentes de contato a dar bons resu ltados foram fabricadas na Suíça em 1887. na Itália.] e se ele for cortado como o menor segmento de uma esfera. no século XIV. Essa enge nhosa solução deveria ter levado à invenção dos óculos. embora não se saiba se essa invenção foi influenciada por Bacon. Aros superiores pesados davam a impressão de uma f ronte cerrada. afirma que tal vidro poderia ser útil para os que tivessem vista fra ca. Em 1306.nas bibliotecas de Roma usando um "globo de água" como lente de aumento. o uso de óculos se disseminou. Não havia disfarce. de modo que fica claro que. Aros circulares produziam um olhar amplo.. Essa breve história dos óculos não tem apenas in teresse médico. Os óculos não faziam parte do rost o. No séc ulo XV. No final do século.. como numa maquiagem sutil. porque mudou a aparência dos nossos olhos.. surgiram finalmente verdadeiros óculos de leitura. Só século XIII o filósofo inglês Roger Bacon registra a seguinte observação: "Se alguém examina r letras ou outros objetos diminutos por meio de um cristal ou vidro [. e elas lhe parecerão maiores" .. foi descoberta. com o lado convexo voltado para o olho. mas não foi isso o que aconteceu. e no entanto era impossível não notar a influência de suas linhas. mas estético. Os óculos torna ram-se parte da expressão facial. da mesma forma q ue uma máscara altera toda a expressão de quem a usa. surgiram as lentes para corrigir miopia. como se a curva do aro substituísse sobrancelhas arquea das. Em seguida. Mais ou menos na mesma época. . Marco Pólo conta ter visto velhos chineses usando lentes para ler. será capaz de ler muito melhor as letras.". Benjamin Fran klin inventou as lentes bifocais.

todos usam movimentos oculares de "subordinados". O que eles escondem? Suponhamos uma reunião social. O que nos dizem exatamente os movimentos oculares? Em tais reuniões. Mas. e o interlocutor pode apenas imaginar o que está acontecendo por trás da máscara dos óculo s. A pessoa em quem esse olhar s e fixa não consegue sustentá-lo e.O efeito dos óculos escuros é especialmente forte. Se uma pessoa submissa e agradável entra numa sala. observando todos os presentes. o faz com um olhar direto. Se ela avistar um indi víduo de condição superior. Olhos penetrantes. exceto em circunstância s especiais. Nesse caso. Por isso. embota não o seja m. quando l ança uma pergunta a alguém. Sempre que alg uém contar uma piada. acompanhando-os com o olhar . seus olhos vão osci lar de um lado para outro. os movimentos dos olhos são bem diferente s. visíveis em contraste com o branco dos olhos. Num contexto social. são uma constante fonte de informações. A figura do minante geralmente se mantém indiferente a essas trocas e dificilmente se dá o traba lho de olhar para o subordinado durante uma conversa generalizada. os olhos do subordinado vão procurar o superior para observar sua reação. e os superiores tendem a ignorar os subordinados. ficamos atentos a noss os amigos. bloqueadas com o uso de lentes escuras. os movimento s oculares. fizer uma afirmação controversa ou manifestar uma opinião pessoal. Q uando amigos de igual condição se encontram. olhos atentos ou desatentos. Essa é cla ramente uma situação em que cerros indivíduos têm poder sobre outros e querem exercê-lo. lançará sobre ele um olhar atento e observador. olhos instáve is. os subordinados tendem a observar os sup eriores. enquanto responde. olha para outro lado. dilatados ou contraídos — tudo isso fica oculto. Isso acontece porque a melhor maneira de demonstrar amizade com a linguagem c orporal é evitar uma atitude hostil e dominadora.

acreditava-se q ue seres sobrenaturais vigiavam os atos humanos e influenciavam seus resultados. Quando olham nos olhos do ser amado. Se uma mulher dominadora deseja agradar a alguém. o faz sentir-se bem. é porque deviam ter olhos. pode fazer isso adotando deliberadamente a linguagem corporal amistosa de um igual. mas também havia deu ses maus e . Se essas divindades vigiavam os homens. Quando eles falam ou se movem. com isso. e. olhamos para eles de vez em quando. do tipo olhos nos olhos. Se vêe m uma pupila diminuta. Quando os deuses eram bons. e logo desviamos os olhos. Dessa maneira. Quando se dirige a um empregado ou serviçal com a intenção de manipulá-lo. um amigo trata o outro como um pod eroso. era provável que tivessem muitos olhos e fossem onividentes. o olhar fixo de uma pessoa furiosa é intimidador. Para a maioria de nós. a não ser em situação especiais (como uma campanha eleitoral). Entre amantes. quando as superstições eram comuns. pode acionar deliberadamente um olhar atento. Um olhar fixo e prolongado. podem se sentir intranqüilos ao perceber que nem tudo vai b em no relacionamento. um olhar direto sustentado por mais de alg uns segundos é muito ameaçador.como se eles fossem superiores. para c hecar suas reações ao que dizemos. e. só ocorre em momentos de int enso amor ou ódio. Esses truques raramente são usados p or indivíduos superiores. sabem intuitivamente que seus sentimentos são correspondidos. os humanos sentiam-se protegidos. Passando do amor ao ódio. olhamos para eles . Em tempos remotos. quando falamos e eles nos observam. estão verificando inconscientemente o grau de dilatação da pupila. a confiança é tanta que eles se olham sem o menor temor. Se enxergam profund os poços escuros. como tinham muito o que vigiar.

Alguns desses objetos protetores funcionavam segundo o princípio de que uma imagem fortemente sexual podia distrair o Olho do Diabo e mantê-lo ocupado . como amuleto de proteção. mas algumas ainda sobrevivem. muitas igrejas cristãs da Europa medi eval exibiam imagens de genitais femininos sobre as portas. todos sobre os quais seu olhar recaía seriam vítimas de a lguma desgraça. Como se acreditava que os piores efeitos do Olho do Diabo eram causados pela inveja. para evitar que os d emônios entrassem no edifício. ela também já teria desaparecido. um pod er maligno e até mortal que podia atingir a vítima sem aviso. Logicamente. Se todo mundo soubesse que. A crença no poder dos olhos maléficos se espalhou e ainda hoje sobrevive em algumas pa rtes do mundo. principalmente nas reg iões mediterrâneas. Uma mãe ficava horrorizada se u m estranho elogiasse seu bebê. . que também é colocada numa casa para trazer bo a sorte. Para intensificar a proteção. a ferradura era símbolo dos genitais femininos.demônios — espíritos do mal com olhos malignos — cujo olhar podia causar um desastre. essas precauções supersticiosas ainda são levadas a sério. Mesmo hoje. al go terrível acontecia. os genitais eram geralmente representados abertos por duas mãos. uma mulher comum era possuída pelo Olho do Diabo cont ra sua vontade. e teria que pendurar um amuleto da sorte no berço da criança ou executar algum outro ritual de proteção. a maioria dessas imagens foram removidas ou escondidas durante a era vitoriana. Surpreendentemente. U m amuleto que sobreviveu é a ferradura. O olhar maldoso transformou-se na figura do Olho do Diabo. era importante não pro digalizar elogios a alguém que pudesse ser vulnerável. Desde então. Muitos amuletos e talismãs eram utilizados para proteger as pessoas dessas ameaças. Às vezes. com essa idéia em mente. Se caísse sobre alguém.

expressam uma "alegação de inocência". mas o cenho se mantém franzido. esse movimento dos olhos baseia-se na idéia de olhar para o céu em busca de que o divino seja testemunha da inocência. Se os olhos se mantêm um segundo nessa posição. Baixar os olhos. Ergu er os olhos para o céu. a idéia de reverência e submissão. Esse é um olh ar usado freqüentemente pela mãe que tenta dominar os filhos sem dizer uma palavra. Olhar feroz. assim como no gesto de baixar a cabeça. Usado hoje só de brincadeira. Os olhos encaram a "vítima" be m abertos. Esse é outro movimento usado deliberadamente como um sinal. mas baixa-os para o chão. O olhar feroz é uma versão mais complexa do olhar fixo. Durante o olhar feroz. É o comportamento natural dos su bordinados que não ousam encarar seus superiores. Por essa razão. muitas mensagens podem ser lidas em suas várias expressões. e duas partes do rosto precisam opor forças.Abandonando os olhos fantásticos dos espíritos do mal e chegando aos olhos verdadeir os de uma mulher. Uma pessoa verdadeiramente modes ta não move os olhos para a esquerda e para a direita. as pálpebras superiores são fortemente pressionadas pa ra cima e quase desaparecem sob as sobrancelhas abaixadas. Há ne sse ato. Olhos baixos são às vezes sinal de modéstia. Trata-se de uma contradição. porque olhos arregalados geralmente são acompanhados de sobrancelhas erguidas. Isso dá ao olhar uma ex pressão . não é uma expressão que se mantenha por muito tempo.

Esse movimento aumenta o campo de visão e abre caminho para uma maior rec eptividade a estímulos visuais.inconfundível. Trata-se de uma forma ar rogante. Alguém que queira mostrar que está sonhando com algo especia l (um novo amor. Olhar de soslaio. o movimento vol untário de apertar os olhos também tem uma versão deliberada. É uma expressão de desgosto. Olhos arregalados. na qual fica evidente que a pessoa não está sofrendo com a exposição à luz ou tem endo uma ameaça. Olhar desfocado. Olhos apertados . . Abrir os olhos a ponto de mostrar o branco acima e/ou abaixo da íris costuma ser uma reação a uma surpresa m oderada. A mensagem do olhar feroz é de raiva e surpresa. por exemplo) pode ficar olhando por uma janela com um olhar des focado para impressionar os presentes. Também é um sinal de ti midez ou de reserva. "Estou muito assustado para encarar você. mas não consigo deixa r de olhá-lo" é a mensagem que ele contém. Basicamente uma proteção contra o excesso de luz ou possíveis danos. Es se é um movimento usado para olhar alguém sem se dar a perceber. Isso ocorre quando estamos muito cansados ou sonhando acordados. Como ocorre com muitas reações automáticas dos olhos. Essa expressão de dor artificial implica que os presentes são a causa de uma angústia mais ou menos permanente. A expressão "olhar de esguelha" descreve perf eitamente esse gesto. um a versão "representada" é às vezes usada como sinal de falsa surpresa.

Isso explicaria por que ele é o único primat a a ter essa capacidade. Uma outra possibilidade é que o clima seco das savanas te nha aumentado a produção de lágrimas. de qualquer forte emoção que seja reprimida pouco antes do choro. dos fãs. porque parece que a pessoa está apertando os olhos deliberadamente. quando produzia lágrimas como uma reação à longa exposição à água do mar. é possível que tenha conservado esses olhos lacr s quando voltou à terra firme como caçador. O brilho dos olhos transmite uma mensagem in teiramente diference e é algo difícil de imitar (a não ser para atores profissionais).de desprezo pelo mundo ao redor. mas também o olhar da angústia. mas não suficientemente forte p ara produzir lágrimas. da mãe orgulhosa e do at leta triunfante. Olhos brilhantes. e há relatos de que as lontras também choram quando per dem os filhotes. Esse é o olhar dos apaixonados. Olhos úmidos. As b aleias choram quando sofrem. Afirma-se ainda que as lágrimas são um produto da evolução da função de lim peza dos olhos em mamíferos que voltaram ao mar. Essa explicação aquática parece lógica. Chorar é um forte sinal social. da aflição e da tristeza — em resumo. e . S e há milhões de anos o homem passou por uma fase aquática. Há quem afirme que isso se deve ao fato de nossos ancestrais terem passado por uma fase aquática há milhões de anos. A superfície luminosa e cintilante dos olhos fica levemente umedecida por uma sec reção das glândulas lacrimais causadas por uma forte emoção. A prega de pele dos olhos orientais às vezes cria uma falsa impressão de arrogância. O fato de sermos capazes de chorar enquanto outros primatas não choram tem despertado considerável interesse.

É po r isso que a freqüência das piscadas pode ser usada como um indício do estado de espírit o. têm uma função excretora. Eis algumas das diferentes maneiras de piscar: . que estimularia as pessoas a abraçar e con fortar o sofredor. Só no rosto se m pêlos da espécie humana as lágrimas brilhantes funcionariam como um forte sinal visu al. A piscadela normal . seria então uma exploração secundária desse mecanismo de excreção. o que exp licaria por que "chorar faz bem": a melhora de humor seria fruto de uma mudança quím ica. Contra o argumento de que os outros mamíferos que habitam regiões secas não choram quando estão tristes. como a uri na. o movimento das pálpebras que limpa e umedece a superfície da córnea a freqüentes inte rvalos durante o dia. Deixando o tema dramático do choro e abordando o tema mais mundano d a piscadela. A análise química das lágrimas produzidas pela tristeza e das lágrimas produzidas pela irritação dos olhos revelou que os dois líquidos contém diferente s proteínas. A visão de faces banhadas de lágrimas. quando a produção de lágrimas aumenta. Mais u ma vez. nas quais as lágrimas se perderiam. hoje existem várias maneiras diferentes de piscar. as piscadelas também se tornam mais freqüentes. é difícil conciliar essa teoria com a ausência de lágrimas em animais como os ch impanzés. que passam por momentos de forte tensão em disputas no mundo selvagem. Pis car os olhos. Uma explicação completamente diferente parte da idéia de que as lágrimas. Isso indicaria que o choro emocional é primordialmente uma maneira de l impar o corpo do excesso de substâncias químicas produzidas pelo estresse. pode-se dizer que todos eles possuem faces peludas. Em estados emocionais.que o choro seja resultado da função de limpeza. leva mais ou menos 1/40 de segundo.

Piscar exageradamente. significa que ambos estão de acordo sobre alguma questão. Po r causa disso. num tremor seme lhante ao que tenta evitar o choro. A diferença é a abertura dos olhos. a piscadela pode ser usada abertamente para "provocar" um te rceiro e fazê-lo sentir-se excluído. também é usado como um sinal de tristeza. que são arrega lados numa expressão de falsa inocência. usado apenas com um gesto "teatral". A mensagem q ue ele transmite é: "Eu e você partilhamos momentaneamente um segredo que exclui os demais". A mensagem que el e passa é a seguinte: "Não creio no que meus olhos vêem. o gesto é conden ado pelas . É um sinal melod ramático de falsa surpresa. Usado em segredo ou abertamente. Isso ocorre quando alguém está à beira das lágrimas. Esse é um gesto deliberado que significa cumplicidade entre duas pessoas. Piscar para alguém. É outro gesto teatral. Como sugere um entendimento particular entre duas pessoas. o gesto geralmente implica um convite sexual. Entre estranhos. entre pesso as de sexos diferences ou do mesmo sexo. Entre amigos. ou que desfrutam de uma intimidade maior do que a que têm com as outras pessoas prese ntes. Trata-se de u ma tentativa desesperada de prender as lágrimas antes que elas comecem a rolar.Piscar repetidamente. Os olhos se abrem e fecham numa fração de segundo. É uma piscadela mais lenta e maior em amplitude que a piscadela normal. Ad ejar as pestanas. e por isso estou limpando-os com uma imensa piscadela para ter certeza de que é isso mesmo que estou vendo".

um óxido de cobre. isso não é co isa de uma mulher de classe. Por alguma razão ainda descon hecida (a menos que a dificuldade esteja na maquiagem dos olhos). . No Egito. para as mulheres egípcia s daquele tempo. na Europa. a fabricação de cosméticos era um p rocesso muito mais complexo do que se acreditava. as da mas egípcias tinham a seu dispor o púrpura. uma fosca e outra brilhante. graças a uma química bastante avançada. o preto era encontrado em duas tonalidades. um minério de chumbo. Uma autoridade no assunto declarou que. Além das cores preto e verde. 2 mil anos antes de Cristo. a maquiagem dos olhos era cara e consumia muito tempo. A malaq uita. e ra utilizada para pintar traços pretos que exageravam a forma das pálpebras. C omo os olhos femininos transmitem muitas mensagens. Além de decorativa. É claro que. Muitas mulheres acham difícil piscar de uma maneira c onvincente e se sentem desajeitadas quando o tentam. A galena. Um produto puramente decorativo para maquia r os olhos era preparado com ovos de formigas. Além disso. não surpreende que toda uma co smética tenha se desenvolvido para embelezá-los. a pintura dos olhos já era bastante sofisticada 5 mil anos antes de Cristo. já c onhecidas. Piscar para alguém talvez signi fique que desejamos partilhar um segredo apenas com uma pessoa. é muito mais fácil para os homens piscar de uma maneira convincente. Dois dos brancos também agiam como antibióticos. que fica de fora da troca pessoal. enquanto o outro olho se mantém aberto para o resto do mundo. o amarelo. funcionava c omo uma proteção contra o brilho do sol.regras de etiqueta. foi usada para fabricar a famosa maquiagem verde que era aplicada na região dos olhos na forma de uma pasta. hoje se sabe que há 4 mil anos. o azul e três tipos de branco. Novas pe squisas revelaram que.

um dos quais afirmou que. as cortesãs eram desprezadas pelos autores puritanos da época. bronze. era aceitável realçar as pálpe bras com um pincel mergulhado em incenso preto e delinear os olhos com kohl. apenas as cort esãs gregas desfrutavam dos prazeres da maquiagem. registra o uso de sombras pretas para os olhos. Mesmo no período em que a grande civilização já declinava. assim como potes de cosméticos lindamente decorados. hematita. a mulher usava um bastonete de ponta arre ndada. Nelas. feito de madeira. Embora tenha sido a língua grega que nos legou a pal avra "cosmético (de "kosmetikos". onde as mulheres respeitáveis deviam exibir a pureza e a graça de suas formas naturais. que significa "elaborada decoração"). Muitos desses bas tonetes. foram encontrados em salas de maquiagem e de banho de mais de 3 mil anos atrás. Ovídio. um animal sagr ado para os antigos egípcios. obsidiana ou vidro. A maquiagem dos olhos da mulher egípcia incluía um estranho elemento: uma linha negra horizontal que parti a do canto externo do olho até a orelha. pintando as pálpebras superiores de azul-escuro e as inferiores de um verde brilhante. a rainha Cl eópatra ainda experimentava novas combinações de cores. que escreveu a primei ra obra sobre cosméticos. As coisas eram bastante d iferentes na antiga Grécia. e sombras douradas produ- . Essa obsessão pela maquiagem dos olhos no Egito durou milhares de anos.Para aplicar esses cosméticos nos olhos. feitas d e cinzas de madeira. Esse elemento altamente decorativo tinha um significado mágico porque era a imitação das linhas do olho do gato. ao acordar pela manhã. Os antigos romanos eram menos austeros a esse respeito. "uma mulher dessas pareceria ainda menos atraente que um macaco . Emb ora muitos homens gregos usufruíssem da companhia dessas mulheres.

o inusitado de Hollywood tornou-se lugar- . Foi o começo de uma revolução na cosmética. As atrizes dos primeiro s filmes em preto e branco eram obrigadas a enfatizar os traços faciais para torná-l os mais visíveis para a platéia. recentemente emancipada s. Helena Rubin stein. Em poucas décadas. experimentou o kohl para criar a dramática máscara de Theda Bara para o papel de Cleópatra. O ano de 1910 assistiu à publicação de um notável pequeno volume intitulado The Daily Mirror Beau ty Book.zidas a partir do açafrão. Quan do isso aconteceu. Essas jovens foram fortemente in fluenciadas pelo cinema. para fazê-los "parecer estrel as". com seu conhecimento do antigo Egito. estavam decididas a se embelezar segundo seu próprio gosto e a rejeitar qualque r interferência de figuras autoritárias masculinas. as décadas de 1920 e 30 viram esse comércio d e cosméticos florescer numa indústria de massa. Theda Bara. a maquiagem praticamente de sapareceu dos olhos femininos na Europa e só ressurgiria muitos séculos depois. que dava seus primeiros passos. um manual de beleza que aconselhava traçar uma linha a lápis para alongar o s olhos e descrevia um aparelho para curvar os cílios. tirou a idéia das sombras coloridas do teatro francês e. quando uma forte reação ao puritanismo vitoriano começou a ganhar impulso. A maquiagem dos olhos só ressurgiu inteiramente no início do século XX . O dramaturgo romano Plauto afirmou que "uma mulher sem pi ntura é como comida sem sal". influenciou a indústria de cosméticos ao lançar a moda dos olhos pesadamente maquiados. Depois da queda de Roma. era uma prerrogativa das mulheres de vida fácil. As mulheres. Uma atriz em particular. pioneira da moderna cosmética. Depois da Primeira Grande Guerra. A Europa segui a a tradição grega.

com as pálpebras. No épico de 1963.comum em todo o mundo. Mesmo em países onde dogmas religiosos impõem a sujeição das mulheres. seus olhos pesadamente maquiados inspiraram jovens de todo o mundo — e sombras. . o utras vezes nem tanto —. Na verdade. foi Elizabeth Taylor a fazer o papel d e Cleópatra. pelo menos . o Egito serviu novamente de insp iração para a maquiagem dos olhos. No mundo ocidental. obrigando-as a cobrir o rosto em públi co. criando um ar de "inocência infantil". a maquiagem dos olhos sempre esteve presente — às vezes sutil. não parece haver limites para essa área da "modificação" feminina. essa suposta aparência natu ral era totalmente artificial. Desde então. Dessa vez. uma face nua". No início da década de 1960. delineadores e cílios postiços entraram na moda. ironicamen te. "as mulheres pod em ser obrigadas a parecer feias pelos chefes de Estado islâmicos. No final d a década. mas os cosméticos para os olhos não desapareceram. Como escreveu uma autora iraniana. mas. A maquiagem ostensiva do início da década foi substit uída por uma sutil ingenuidade. Um anúncio proc lamava que "Para olho nu. a maquiagem dos olhos recebe a mesma atenção de sempre — ainda que só possa ser apre ciada na privacidade do lar. O truque era que essa face nua se conqu istava com o mais demorado e mais cuidadoso procedimento cosmético na história da ma quiagem. o olhar desafiador de Cleópatra deu lugar a uma aparência mais natural. É evidente que o desejo feminino de r ealçar a beleza dos olhos continua tão forte hoje como era nas antigas civilizações. a linha dos olhos e os cílios recebendo mai or ou menor atenção de acordo com os ditames da moda. a indústria cosmética cresce cada vez mais".

Se compararmos o nariz humano com os de nossos parentes próximos do mundo animal. Apesar disso. Várias hipóteses foram levantadas. É difíc il aceitar essa suposição. Seu formato tem sido referência de beleza.6. Por que isso acontece? O que há de tão especial nessa parte da anatomia feminina? É evidente que. a não ser franzindo-se em sinal de repugnância. a ponta alongada e as narinas voltadas para baixo. e por isso a cirurgia plástica para mod ificar o nariz feminino tem tido muita procura há mais de meio século. como ele é chamado. é preciso p rimeiro examinar a biologia básica do nariz. Nós temos um nariz protuberante num rosto achatado. Alguns anatomistas apresentaram um argumento pouco c onvincente: no curso da evolução. pele saudável e fartos seios g anharam muita importância como sinais de beleza feminina. uma característica est ranha que exige uma explicação. fica evidente que nosso nariz. mas tem uma importância desp roporcional ao seu tamanho. Os que têm o focinho mais longo também possuem uma face alongada. Os macac os não possuem nada parecido. Nariz O nariz é uma parte muito pequena da anatomia feminina. . que o "órgão proeminente". é único. n a evolução da espécie. o nari z permaneceu onde estava. Há algo tão positivo na independência do nariz em relação às feiçõ o cercam. sempre despertou muita ate nção. à medida que o rosto humano foi se achatando. mas que vantagem evoluti va pode haver na forma exata de um nariz feminino? Para entender isso. como uma rocha que fica exposta quando a maré baixa. É uma parte do rosto que não é capaz de expressar-se. deve nos proporcionar alguma vantagem biológica. características como quadris amplos. com a ponte saliente.

Uma segunda teoria vê o nariz humano como um escudo: uma armadura óssea q ue ajuda a proteger os olhos. vê o nariz como uma defesa contra a água. bastante fantasiosa. Apenas um pequeno passo evolucio nário seria necessário para que o homem tivesse um nariz capaz de se fechar debaixo d'água. Vale le mbrar que. Mas talvez a voz clara dos h umanos só precise dos grandes seios nasais — as cavidades nasais ocultas — para ressoa r com clareza. O nariz seria uma proteção contra o influxo de água quando mergulhávamos. mas seria muito mais provável que tivéssem os desenvolvido válvulas nasais. de um golpe frontal. A perda da qualidade vocal é drástica. Válvulas nasais seriam muito mais úteis a um macaco aquático. Uma terceira teoria. Esse triângulo ósseo protege o olho. apertamos o nariz. vamos sentir a mão pressionando as três procrusões defensivas do olho. precisamos de outra explicação para a protuberância do nariz. Se apoiarmos a ponta do polegar no osso malar. Há quem afirme que nossos ancestrais passaram por uma fase aquática há milhões de anos. Para ilustrar essa proprieda de. que é mole e vulneráve l. Isso é verdade.A primeira teoria vê a probóscide humana como um ressonador. Se isso tivesse ocorrido. O nariz teria se desenvolvido à medida que a voz e a fala evoluíram. nosso corpo teria sofrido diversas a daptações. não teríamos necessidade de desenvolver um nariz alo ngado com narinas voltadas para baixo. quando pulamos na água. . como as baleias. ê preciso falar tapando o nariz. Durante esse período. mas não precisamos fazer isso quando mergulhamos de cabeça. Se for esse o caso. Seu crescimento é interpr etado como um movimento de apoio cada vez maior da vocalização humana. É por isso q ue os cantores têm tanto pavor de pegar um resfriado. um dedo no supercílio e outro na ponte do nariz.

Os pulmões são exigentes q uanto à qualidade ideal do ar que gostariam de receber: 35º de temperatura. onde é engolida. renovando metade da cobertura mucosa a cada minuto. que oscilam 250 vezes por minuto. Em outras palavra. essa mucosa desliza pela garganta. deve ser um ar temperado. gravemente prejudicados em um ou dois dias . Para entender isso é necessário dar uma olhada dentro do nariz.Mas talvez o formato do nariz humano o ajude a funcionar como uma proteção diferente : contra a poeira e os resíduos carregados pelo vento. nossos ancestrais devem ter encontrado um ambiente adverso e cheio de ventos. Por força da grav idade. o nde um nariz seria de grande utilidade. Quando o ar é inalado pelas narinas . O nariz consegue isso de uma maneira notável: fornecendo mais de 14m3 de ar con dicionado a cada 24 horas. o que prova a extraordinária eficiência da engenharia do nariz humano. Essa teoria vê o nariz como um aparelho de ar condicionado obrigado a suportar uma carga cada vez maior à medida que nossos ancestrais se deslocavam para regiões mais frias e secas do planeta. Enquanto isso . Ao abandonar a tranqüilidade das árvores e se aventurar por planícies descampadas e outros ambientes mais hostis. dificilmente está nas condições ideais para passar aos pulmões. porque inc rustados nela existem milhões de minúsculos pêlos chamados cílios. úmido e lim po. para evitar que o delicado revestimento dos pulmões se resseque ou se danifiqu e. 95% de u midade e livre de poeira. A superfície interna das complexas cavidades nasais é coberta por uma membrana mucosa que segrega cerc a de 1 litro de água por dia. Essa superfície úmida está sempre em movimento. seus pulmões estarão. Se um paciente de um hospital perder o uso do nariz p or qualquer motivo. Tentativas de criar um nariz artificial enfrentaram muitas dificuldades.

dividindoas em grupos correspon dentes à temperatura e à umidade do local onde vivem. Do tamanho de uma pe quena moeda. Um cuidadoso mapeamento revela que é possív el classificar as pessoas segundo um índice nasal. apenas 27% da umidade vêm do ar. Isso não significa classificá-las por "raças". o nariz humano é um aparelho ressonador e um escudo ósseo que se tornou mais prot uberante e mais longo à medida que nossa espécie abandonou o quente e úmido Jardim do Éd en. Daí podemos concluir que. conservando sua função de condicionamento do ar. A função olfativa é realizada por dois pequenos conjuntos de células capazes de detectar os cheiros. porém. o ar que passa pelas cavidades nasais vai se aquecendo e tornando-se m ais úmido. Isso significa que. o nariz precisa ser mais alto e ma is proeminente do que numa floresta úmida. situam-se acima das fossas nasais. A forma do nariz é apenas uma indicação d o tipo de ar que nossos ancestrais respiraram e de nada mais. portant o. Assim o s pulmões estão seguros para a próxima inspiração. seu nariz passou a ser mais exigido. Num clima quente e úm ido. Mas não é só para isso que serve o na riz: ele é o principal órgão do olfato e do paladar. Resumindo.acontece. Pessoas de pele escura que vivem em regiões quentes na África ocidental. Cada um deles é constituído por . O pó e os resíduos de sujeira aderem à mucosa e são eliminados com ela. por exemplo — apresentarão um nariz mais achatado que as pessoas de pele escura que vivem nas regiões mais secas da África oriental. por exemplo. ao passo que 73% precisam ser produzidos pela mucosa nasal. à medida que nos os ancestrais abandonaram seu habitat tropical e úmido e se aventuraram por outras terras em busca da caça. e o nariz só contribu i com 24% Num clima quente e seco. 76% da umidade são provenientes do exterior. para se m anter eficiente nas savanas áridas ou desertos.

Vivemos em cidades onde os odores naturais tornam-se imperceptíve is. O nariz feminino tem uma extraordinária sensibilidade aos odores masculinos. inevitavelmente. diversas mães forem colocadas em l inha com os olhos vendados. Pesquisas realizadas na década de 1970 ident ificaram mais de duzentos diferentes compostos químicos que podem ser encontrados no suor. durante as quai s. aspiram diversos cheiros masculinos.5 milhões de células que nos dão uma sensibilidade muito maior aos odores do que em ge ral imaginamos. é uma demonstração de quanto a capacidade do nariz humano tem sido subestimada. Somos capazes de detectar substâncias diluídas numa proporção de uma par te da substância para bilhões de partes de ar. possuem uma fisiologia mais equilibrada. descobriu-se que as mulheres que apreciam relações sexuais freqüentes. nos óleos da pele e nos fluidos genitais. Ainda pensamos no olfato como a lgo primitivo e bárbaro — uma capacidade antiga que é melhor esquecer e abandonar. numa experiência simples. Mais uma vez. Se. na saliva. As mães também são capazes de reconhecer seus bebês pe lo cheiro corporal. c ada mãe será capaz de distinguir seu filho entre todos os outros. Surpreendentemente. (Apenas para registro: só metade dos jovens pais foram capazes do mesmo feito.) Não temos consciência dessa alta eficiência do nariz porque ignoramos e anulamos cada ve z mais suas funções. Apresentam ciclos sexuais mais regulares e menos problemas de fertilidade — tal é o poder do nariz. usamos roupas que eliminam nossos cheiros corporais e enchemos o ar de aeros sóis capazes de eliminar cheiros e disfarçar odores. As mulheres jovens geralmente se surpreendem ao descobrir que possuem essa sensibilidade. . e seus bebês transportados diante da fila um por um.

Po r isso. as partícula s odoríficas chegam a essas células diretamente pelas cavidades nasais. mas. s obrancelhas mais espessas. . Essa proteção podia ser adquirida se eles desenvolvessem um crânio mais pesado. mastigam os e engolimos os alimentos. precisavam da maior proteção pos sível. mas tem uma capacidade muito limitada. que coletavam alimentos. como dissemos . Quando levamos o alimento à boca.Apenas em algumas áreas especializadas — a dos provadores de vinhos e perfumes. Só é capaz de disti nguir quatro sabores: doce. o nariz dos homens acabou se tornando maior que o das mulheres. então os homens primitivos. mas como ela pode nos ajudar a entender a forte ligação entre a forma do nariz e a beleza feminina? Um a resposta pode ser encontrada na protrusão óssea do nariz humano. Convém agora explicar por que dissemos que o nariz é também um órgão do paladar. ainda ass im. em média. Nas tribos primitivas. mas pelas células olfati vas situadas acima das fossas nasais. Um alimento pode ter um sabor desagradável (na língua) e um ch eiro delicioso (no nariz). ou indiretam ente pela própria boca. ele protege os olhos de golpes violentos. todos os outros sabores de nossa variadíssima culinária na verdade são detectados não na superfície da língua salivante. amargo e ácido. as mulheres adultas eram valiosas demais para serem expostas numa caçada. Se. fortes ossos malares e um nariz mais protuberante. se tinham que enfrentar os perigos de uma caçada. salgado. precisariam de uma proteção maior que as mulheres primitivas. À medida que mordemos. que eram c açadores. Os homens adultos eram mais dispensáveis. A língua é o principal órgão do paladar. Essa é portanto a biologia do nariz. por exemplo — existe um esforço de educar o nariz a desenvolver plenamente seu potencial .

Acrescente-se a isso um "cu lto à juventude" e o resultado é óbvio: quanto menor o nariz. são maiores que a média. qualqu er mulher que nascesse com um nariz muito delicado era considerada superfeminina . para parecer jovem e feminina é preciso ter um nariz pequeno. Para a maioria das mulheres. Iss o não foi tudo. os das regiões úmidas. como o Oriente Médio e o norte da África. A partir daí. esse botão cresc e proporcionalmente ao resto da lace e atinge seu tamanho máximo na idade adulta. co mo de certas partes da África tropical.Além disso. Port anto. Essas diferenças criaram uma equação: nariz menor = nariz feminino. Há duas razões possíveis para isso. Se forem viver em outras partes do mundo. onde o clima seja mais temperado. algumas dessas mulher es podem achar que seu nariz não é bastante . a capacidade atlética dos homens. Quando bebês. Outro fator favoreceu a pequenez do nariz feminino. Mais uma vez. desenvolvida na perseguição das presas. isso não é problema — a natureza lhes foi favorável. au mentou a importância do nariz como condicionador do ar. são mais largos que a média. sentemse desfavorecidas pela genética por terem que viver com um nariz grande e masculin o. e qualquer mulher que nascesse com um nariz muito grande se sentiria feia. Narizes provenientes de regiões desérticas. Durante a infância. Outras. Mas também é p el que seus ancestrais recentes tenham vindo de uma parte do mundo onde um nariz grande era uma adaptação valiosa ao clima. Daí se conclui que um nariz pequeno é um nariz infantil. mais bela é a mulher. houve uma pr essão evolutiva para que o nariz dos homens se tornasse maior que o das mulheres. to dos nós temos o nariz na forma de um minúsculo botão. Elas podem ter sido desfavorecidas simplesmente em conseqüência das variações individuais que ocorrem em todas as populações. porém.

Segundo ele. na década de 1960. onde ele realizou uma rinoplastia que reduziu seu nariz proeminente a dimensões diminut as. elas pouco podiam fazer. Em 1923. o termo grego para nariz. Dorothy Parker. Mas existem cirurgias menos comuns. Com os avanços técnicos. percebeu-se que os mesm os procedimentos podiam ser utilizados por razões puramente estéticas. Mais tarde. o estreitamento das narinas e a elevação da ponta do nariz. Reduzir o tamanho do n ariz feminino tornou-se a mais popular das cirurgias plásticas. as primeiras clientes da cirurgia plástica do nariz foram as estrelas do show business. mas o apare cimento de técnicas avançadas de cirurgia plástica vieram em seu socorro. famosa por seus comentários cáusticos sobre as celebri dades da época. e o perfil nasal se redu z drasticamente. O procedimento mais comum implica a remoção da saliência óssea que torna o nariz muito protuberante e adunco. afirmou que Brice (que era judia) tinha "cortado fora o nariz por ód io à sua raça". A cirurgia p lástica surgiu da necessidade de reconstruir o rosto dos soltados feridos durante as duas grandes guerras do século XX. Como quase sempre ac ontece com essas "melhorias" corporais.feminino e desejarão tê-lo menor. Uma serra cirúrgica especial remove essa saliência. sempre que al guém estivesse infeliz com o rosto que a natureza lhe dera. Até o século XIX. contra o que a atriz se defendeu energicamente. A cirurgi a é realizada dentro do nariz. Barbra Srreisand se . a famosa atriz de teatro Fanny Brice convocou um renomado cirurgião plástico a seu apartamento no Ritz. O termo técnico para essa cirurgia é rinoplastia — que vem de rhino. para que não haja cicatrizes externas. Fanny perdera "um nariz de 1 mi lhão de dólares". Seu produtor ficou horrorizado. como a redução da batata do nar iz. quando fez o papel de Fanny Brice em Funny Girl.

de acordo com a lei islâmica.recusou bravamente a operar seu imponente nariz. o nariz . a rinoplastia se tor nou cada vez mais popular no mundo ocidental porque um número cada vez maior de at rizes modelos e mulheres de todas as condições sociais passaram por uma plástica para reduzir o nariz. a redução do nariz se tornou tal obsessão para as jovens irania nas que mais de cem cirurgiões plásticos chegavam a realizar 35 mil rinoplastias por ano. Em Israel. da A rábia Saudita e dos países do Golfo acorrem às clínicas israelenses em busca da operação. a mod a pegou. dona de uma fort e personalidade. o nariz se tornou um foco de atenção. onde por imposição d o rigoroso regime islâmico as mulheres cobrem os cabelos em público e expõem apenas o rosto. No início do século XXI. cirurgiões plásticos são cada vez mais requisitados p ara a rinoplastia. o número de rinoplastias já ultrapassava cente nas de milhares. No início do século XXI. foi uma exceção. jovens do Egito. Em algumas regiões da África tropical. "Deus ama os belos". por exemplo. A desculpa das adolesc entes é que. e o incidente sobre a cirurgia plástica de Fanny foi omitido no roteiro do filme. o número de rinoplastias está crescendo em proporções assustadoras . Mas é claro que. Depois del a. ou parte dele. uma operação diferente está ganhando popularidade. O procedimento popularizou-se nos lugares mais inesperados. Mesmo em países onde o nariz grande é uma característica comum. Na segunda metade do século XX. Uma adolescente de Teerã afirmou: "A moda chegou a tal ponto que as pessoas que não operam o nariz usam um curativo para chamar a atenção". Além das mulheres israelenses. com q uase todo o resto do corpo coberto. da Jordânia. No Irã. Mas Streisand.

que começa no Oriente Médio cerca de 4 mil anos atrás. O tamanho da argola indica a riqueza da família. a mulher teria um parto menos doloroso. as cirurgias que ocidentalizam o nariz estão sendo realizadas em grande número. Na Inglaterra. uma cirurgia com a qual as jovens a fricanas tentam parecer mais européias. escolhida porque esse lado estava relacionado à procriação e ao nasci mento. Para o uso de jóias. mas ainda era vista como uma tendência . Uma tendência semelhante foi relatada recent emente no Extremo Oriente. quando o costume era perfurar a narina esquerda. decidiram adotar essa maneira exótica de mutilação. os hippies do Ocidente gostavam de viajar para o Orie nte "em busca de si mesmos". e. o pescoço. O piercing nas narinas tem uma long a história. Ainda é prática corrente entre os berberes e beduínos nômades do Norte da África e do Oriente Médio.largo e chato das mulheres nativas se estreita e recebe uma ponte mais firme. a mulher rejeitada pode usar o aro de ouro no nariz para garantir sua segurança. se usasse uma argola na narina esquerda (muitas vezes ligada à orelha esquerda por uma corrente de ouro). e. o pulso ou os dedos. no século XVII. se mais t arde ocorrer o divórcio. ao ver as mulheres nativas com argolas no nariz. a moda foi adotada pelos punks dos anos 1970. o nariz nunca foi tão popular quanto as orelhas. A tradição de usar argola no nariz foi levada do Oriente Médio p ara a Índia durante o período mongol. mas esse costume nunca se generalizou. Acreditava-se que. Em algumas sociedades tribais. Na década de 1960. onde o marid o costuma presentear a esposa com uma argola de ouro que ela deverá usar no nariz no dia do casamento. o septo nasal era perfurado para que nele se pudesse pendurar um ornam ento. É o equivalente nasal do alisamento dos cabelos. No Vietnã e na China.

àqueles que não p agassem impostos. Na Europa. por volta do final do século XX. Quanto à maneira de cumprimen tar com um toque de nariz contra nariz. o contato entre duas pessoas pelo nariz sempre foi considerado grosseiro e incivil izado. misturamos nossas línguas. e hoje.". os pequenos piercings ganharam popularidade. O melhor que um nariz pode esperar é um puxão ou um soco. ainda mostramos uma relíquia desse método primitivo quando dizemos que o fisco " nos deu uma facada". nos mordemos no nariz. Hoje. nos mordemos no queixo. . uma carícia que entretanto nunca saiu do âmbito da intimidade Em certas ilhas d o Pacífico. Esse castigo era aplicado.. No ato sexual.exótica. No mundo ocidental. começa a declinar. acariciamos as axilas e as virilhas. sugo o seu lábio inferior e ela suga o meu . a maneira como um nativo de Trobriand descreve o ato sexual: "Eu a abraço com todo o meu corpo. Em muitos lugares houve reações violentas de patrões contra empregados que usavam esse n ovo tipo de ornamento feminino. esfrego meu nariz no dela. segundo Malinowski. Então. Mais tarde. os amantes esfregam o nariz do parceiro contra o próprio na riz. na qual uma faca era inserida nas narinas. Num contexto social. mas com o tempo o costume foi perdendo seu caráter de rebeldia. os povos do Pacífico utilizavam o contato nariz a nariz q uase da mesma maneira que . E o pior foi uma pu nição particularmente brutal. tensos de paixão. o que fazia o nariz se partir ao meio. já no século XXI. embora os coletores de impostos tenham aposentado as fac as. esse toque também ocorre num contexto social. nos morde mos nas bochechas. talvez devido à influência cada ve z maior dos filmes de Hollywood. no século IX. tem sido rara socialmente. Eis. o nariz só recebe toques gentis na vida p rivada.

o que é um erro. o que ocorre é um toque na ponta do nariz. o contato deve ser d e nariz com pulso. O contato de nariz com nariz. Esses cumprimentos estão em declínio. . assim como de nariz com bochecha. o crescimento do turismo e do comércio internaci onal — tudo isso contribuiu para uma uniformidade dos gestos de cumprimento. a mistura de culturas. um gesto que se baseia na idéia de inalar a fragrância do corpo do outro. só é permitido entre pessoas da mesma c ondição social. quando maoris de a lta casta de encontram. o toque no nariz às vezes obedece a um rígido código d e comportamento. Costuma-se descrever esse contato como "esfregar um nariz contra o outro". O modo de vida mais co smopolita. Quando um jovem encontra uma pessoa mais velha. Quando um cidadão cumprimenta um grande chefe. Em público. O movimento de esfregar geralmente se reserva aos enco ntros eróticos do tipo descrito por Malinowski. combinam um vigoroso aperto de mãos com um leve toque no n ariz. c o o nipresente aperto de mãos se espalhou por todo o planeta. Hoje. no sul do Pacífico. Como cumprimento formal. O novo ocupa o lugar da tradição. deve tocar os se us joelhos com o nariz.usamos o beijo. existe uma list a das partes do corpo que podem ou não ser tocadas pelo nariz. Em uma tribo das ilhas Salomão.

Assim como a mãe pressiona levemente as bochechas do bebê contra o rosto. O rubor da vergonha ou do constrangimento sexual se inicia no centro das bochechas — em dois pontos que ganham uma cor vermelho-esc ura — e só então se irradia pela superfície do rosto. numa reminiscência do amor puro en tre pais e filhos. Essa antiga ligação entre bochechas macias e amor intenso dei xou uma marca em nossos relacionamentos adultos. Isso ocorreu em parte porque a forma arre dondada do rosto de um bebê — uma característica exclusivamente humana — sempre desperto u forte amor paternal. a não ser de sua inexperiência e indesejada inocência. beliscamos ou beijamos as faces do ser amado. os lóbulos das orel has e o colo. Em momentos de ternura. o nariz. Bochechas Desde épocas muito remotas a parte macia e lisa do rosto feminino tem sido conside rada sede de beleza. se o rubor se intensifica ainda mais. o rubor é visto como uma demonstração de in ocência virginal. os namorados dançam de rosto colado e velhos amigos se beijam na face. A pessoa que enrubesce costuma ser jovem. A bochecha é também a parte do corpo que revela mais claramente as emoções.. É nas faces que as mudança s emocionais são mais evidentes.7. e geralmente não t em do que se envergonhar. Depois. A "noiva ruborizada" é um clichê nas cerimônias . como o pescoço. espalha-se para outras áreas. Na verdade." — como se fossem os terríveis pecados do ser humano que o fize ssem ruborizar-se de vergonha. Ou deveria. tocamos . a bochecha é a parte mais suave de todo o corpo feminino. tímida em sociedade.. inocência e modéstia. Como ocorre muitas vezes num clima de erotismo. Mark Twain certa vez declarou que "O homem é o único animal que se rub oriza. é em outros contextos que o rubor ocorr e. Si mbolicamente.

mas é a vermelhi da pele que indica sua frustração. nenhuma jovem da alta classe seria vista com a pele bronzeada.de casamento — e nesse caso o rubor resulta de um constrangimento pelo fato de tod os os presentes estarem imaginando a iminente perda da virgindade. A mulher que cora di ante de um comentário de conotação sexual obviamente tem consciência de sua sexualidade. criou-se uma conexão entre ele e a atração sexual. Mas se ela está com medo. Esse é o ros to de uma mulher pronta para atacar a qualquer momento. A dis posição da mulher enfurecida é de ataque. o rosto bronzeado de uma mulher caucasiana é sinal de stat us. A vermelhidão do rosto também é um sinal de raiva. poderse-ia dizer que o rubor é b asicamente um sinal de virgindade. Como o rubor está (ou estava. Essa é uma situação rel ativamente recente. era significativo que as jove ns oferecidas nos mercados de escravos corassem quando enfileiradas diante de po tenciais compradores. Modernamente. Portanto. Ela pode lançar ameaças terríveis. Naquela época. mas ainda preserva uma certa ignorância. Antigamente. o bronzeado significava apenas uma coisa: a labuta no campo. porque indica que ela tem condições de passar férias numa praia. Nesse contexto. um rubor difuso que se espalha por todo o rosto. As faces de uma mulher verdadeiramente irada se tornam muito pálidas à medida que o sangue foge e ela se prepara para a ação. antes que a educação sexual moderna trouxesse uma maior abertura e fr anqueza sobre o assunto) intimamente ligado a uma situação de namoro ou flerte entre pessoas jovens. Moças das classes superiores consideravam a pele bronzeada repugnante. A tonalidade que se instala é diferente. suas faces também empalidecem. c tomavam todo o cuidado para evitar o sol mesmo num simples . A mulher que não cor a não tem consciência de sua sexualidade ou já perdeu a vergonha. porque ela está prestes a fugir — ou reagir. se for enc urralada.

na Itália do . o bronzeado voltou a ser um mal . à medida que os fabricante s de cosméticos lançam novidades no mercado. No século XXI. A maquiagem branca usada no século XVI e ra especialmente danosa. esse tipo de maqu iagem traz também a lembrança do rubor inocente da adolescência. Veremos que grupo prevalecerá. Em casos extremos. as faces eram pintadas com ruge. As jovens hoje evitam se torrar ao sol e. Os problemas de pele que o sol pode acarretar não são nada comparados com um creme que. a face pálida volta a ser um símbolo — dessa vez de consciência e preocupação com a saúde. quando um rosto rosado era um si nal de vigor e boa saúde. usam um bom protetor solar. Mais uma vez. essa repulsa ao sol levou as mulheres a usar maquiagem p ara empalidecer o rosto.passeio pelo parque. Em a lguns períodos da história. a s jovens beliscavam as bochechas antes de um importante acontecimento social par a fazer o sangue afluir a elas. Em outras épocas. depois de uma forte campanha contra o excesso de sol devido ao risco de câncer de pele. quando se expõem. Todas essas práticas acarretavam riscos. e assim as mulheres se dividem entre as cautelosas pálidas e as bronzeadas despreocupadas . porque continha óxido de chumbo. Além da aparência de saúde. O blush ainda é um cosmético muito usado hoje. que mais tarde podia causar paralis ia muscular ou até mesmo a morte. elas se sangravam para chegar à palide z. Quando não usavam ruge. O repetido uso dessa pin tura ocasionava um acúmulo de veneno no corpo. embor a essa seja uma tendência que vai e vem ao sabor da moda. quando usavam um chapéu de abas largas ou uma sombrinha. o que lhe dá uma dupla vantagem num contexto sexual. Mas ainda há quem se recuse a abandonar o culto ao sol.

quando ela foi presa. a forma das b ochechas também é importante. Os gre gos modernos ainda interpretam o gesto da mesma maneira. absorveria uma quantidade do ve neno suficiente para matá-lo. Pressionar a língua contr a a bochecha a ponto de distorcê-la é um gesto que significa descrença. Uma certa senhora Giulia Toffana oferecia esse especial tratamento de pele . que se tornou particularmente popular entre as esposas que queriam se livrar d e seus maridos. Recomendava que nunca ingerissem o cosmético e que o aplicassem nas faces pouco antes de uma relação amorosa. O ardil funcionou por muito tempo. Consistia em colocar o polegar sobre uma bochec ha e o indicador sobre a outra e descer suavemente a mão em direção ao queixo. Com isso .Durante o movimento. sugerindo uma forma atilada para o rosto. A idéia que . o motivo do óbito era sempre "excesso sexual". Vendido em pó ou em creme. onde se dizia que elas eram marcas do dedo de Deus. Er a esse rosto ovalado que os gregos consideravam ideal de beleza feminina. a boca do marido. era vendido com o nome de "Aqua Toffana" ou "Manna de San Nicola di B ari". A senhora Toffana sempre visitava suas cliente s para lhes explicar o uso adequado do produto.século XVII. Entre os gregos anti gos. a forma das bochechas também era importante como padrão de beleza. As covinhas não são m uito comuns hoje. era uma fórmula venenosa que continha arsên ico e outros ingredientes letais. A senhora Toffana foi responsável por mais de seiscentas mortes e a criação de mesmo número de viúvas saudáveis. torturada e estrangulada na prisão. os dedos se aproximam. Um rosto com covinhas sempre foi considerado atraente na Europa. o que fez dela a maior envenenadora de todos os tempos. Seus crimes só foram descobertos em 1709. pressionada contra as faces. Havia até um g esto especial para indicar isso. e parece que sempre foram bastante raras. Depois. Assim como a cor.

n o norte. Se um professor ou conferencista constatar essa postu ra em seus ouvintes. apóia a face sobre a mão como se tentas se segurar o peso da cabeça. beliscar a própria bochecha é sinal de algo excelente ou delicioso. Norm almente. mas o beliscão .lhe deu origem é a de que essa seria a única maneira de a pessoa evitar uma crítica qu e estaria "na ponta da língua". Nasceu do fato de que o momento que caracteriza o sono é aquele cm que o rosto toca o travesseiro. quando alguém está cansado ou entediado . "desfaçatez". pode contar que não está agradando. É interessante notar que. Quase em toda parte. Com isso. ma s com o tempo seu significado se ampliou e passou a incluir qualquer coisa boa. Ele também signi fica descrença e é essencialmente um gesto de forte sarcasmo. a palavra ingle sa "cheek" (bochecha) ganhou nova acepção e passou a significar também "atrevimento". Outro gesto. Juntar as palmas das mãos e apoiar a face sobre elas é um gesto que todo mundo enten de. De Turim. Uma demonstração ainda mais evi dente de aborrecimento ou tédio é contrair os cantos da boca com força. durante o primeiro período vitoriano. é um adulto que belisca a bochecha de uma criança (que quase sempre odeia i sso). só que na face de outra pessoa. é pressionar o indicador na bochecha e girá-lo como se fosse uma chave de fenda. mas tem que permanecer sentado a uma mesa. Fazer esse gesto era uma grosseria. era um cumprimento ao cozinheiro. quase restrito à Itália. Em algumas regiões medit errâneas. tendo sido muito popular na Roma antiga. o mesmo gesto. no sul. à Sicília e à Sardenha. Na Itália todos o conhecem. proibida princ ipalmente às crianças. é um sinal de afeição que ve m sendo usado há mais do 2 mil anos. tem sempre o mesmo significado: "Bom!" Na ori gem. a indicar que a massa estava al dente.

Na outra ponta da escala emocional estão o beijo e o toque na face. e generalizou-se em muitos países como parte do ritual de cumpri mentos nas reuniões sociais. deixando a vítima atônita. ele se dilui log o depois. mas causa tão pouco dano físico que não chega a provocar uma reação imediata o u um ato agressivo da parte da vítima. mas s em poder fazer nada diante de um gesto que poderia ser amigável. Embora provoque um choque. Quando a mulher usa batom. o tradicional beijo leve na boca continua vigorando. o gesto se resume à pressão de bochecha contra bochecha. sua freqüência é quase excessiva. Mutilações nas bochechas nunca foram muito comuns devido à necessidade de mobilidade facial. que pode desagradar quando praticado com demasiado vigor. No meio teat ral e em ambientes sociais mais festivos. Em certas regiões. O be ijo é um ato recíproco. adequado apenas a pessoas de igual condição. Era a maneira clássica de uma dama responder à atenção indesejada de um cavalheiro. sem contato do láb io com a face. o gesto pode se transformar facilmente n uma verdadeira bofetada. Na essência. Em . Esses usos variam de um país para outro. É uma versão mais leve do beijo na boca. O tapinha na bochecha é um a brincadeira um pouco mais irritante.também pode ser usado como uma brincadeira entre adultos. Quando não existe afeto. sabendo que foi insultada. a não ser entre membros de uma mesma família. O tapa no rosto t em uma longa tradição. não passa de uma tempestade em copo d'água — um estalo que f az barulho. combinada com o estalar de um beijo. A freqüência do cumprimento obedece a variáveis culturais. como a Europa ori ental. por exemplo. mas em amb ientes de baixa renda ele é extremamente raro.

embora um breve ressurgimento deles tenha oco rrido nos anos 1970 com o movimento punk rock em Londres. As decorações tribais para o rosto incluem uma variedade de pinturas. até que a pinta passou a ser um elemento . e m ais tarde foram postos à venda falsos alfinetes de segurança. John Bulwer relata que esse costume deu origem a uma lei: "As damas romanas tinham o hábito de arranhar a s faces em sinal de luto [. Essa foi a desculpa de que as mulheres precisavam para cobrir manchas. já que as faces são a sede da modéstia e da vergonha". com a intenção de demonstrar seu sofrimento. ao tomar conhecimento do fato. Tu do começou com a necessidade de ocultar pequenas imperfeições. quase sempre próximo à boca . A não ser pelo uso rotineiro de pó e ruge.. dali em diante. ordenando que. tat uagens. quase não se vêem dornos faciais no mundo ocidental. Conta-se que Vênus nasceu com uma pinta natural na face. que se tornou moda nos séculos XVII e XVIII.tempos remotos. ou "sinal de beleza". quando era possível ver mocinhas com um alfinete de segurança enfiado na bochecha. A única outra forma de decoração fac ial é a pinta. ou disfarçar a imperfeição com um lápis preto.] de modo que. e qualquer mulher da moda que a imitasse só teria a ganhar em beleza. Esse ti po de decoração tornou-se tão popular que mesmo as mulheres que possuíam uma pele perfei ta a adotaram. o Sen ado publicou um edito. incisões e perfurações. Essas mutilações selvagens dos primeiros punks foram desaparecendo aos poucos. nenhuma mulher podia arran har o rosto em sinal de luto ou tristeza. que davam a impressão de estar enterrados na carne sem realmente feri-la. verrugas ou ma rcas de varíola com um círculo preto. as mulheres que perdiam um ente querido arranhavam as faces ate fazê-las sangrar. mas a pinta logo ganhou vida própria como decoração cosmética..

enquanto as damas do Partido Tor y (então ala esquerda) decoravam a face esquerda. o u. as marcas do to sto feminino recebem outro tratamento." No início do século XVIII a moda tinha adquirido ta l complexidade que a posição das pintas ganhou significado político: as damas do Parti do Whig (ala direita) decoravam a face direita. Se a maquiagem não disf arçar o problema. novos pro cedimentos foram desenvolvidos pela cirurgia plástica. em termos técnicos. Com o tempo. as jovens.. . microdermoabrasão. Com o tempo.puramente decorativo. removendo as camadas externas da pele. rugas ou outros defeitos de pele. é importante para uma jovem que quer se manter atraente esconder espi nhos. a pele do rosto é praticament e queimada.. Por esse método. um francês de língua afiada em visita a Londres afi rmou: "Na Inglaterra. coroas. Como uma face lisa passa a imagem de juve ntude e saúde. Um deles é a abrasão da pele. Cheguei a contar mais de quinze remendos sobre uma fac e enrugada e escura de bruxa. Um jato de cristais de dióxido de alumínio é aplicado ao rosto. Com essa finalidade. e hoje. asperezas. a me nos que estejam acamadas. mas uma ocasional e única pinta ai nda se vê de tempos em tempos — sobrevivente solitária de um passado de exagero. a menos que estivesse de luto". com algumas notáveis exceções. as velhas e as feias estão todas remendadas. os sinais de beleza deixaram de ser pintas e se transformaram em estrelas. crescentes. Depois de cicatrizada. a pele torna-se muito fina — s e o tratamento foi um sucesso. No final do século XVI. Esses excessos logo desapareceram. essa moda desapareceu. Moder namente. cravos. losa ngos c corações. tornou-se tão essencial nos meios cortesãos a pon to de se dizer que "toda mulher moderna devia usá-la sempre. faz-se necessário algo mais drástico.

Em todos esses casos. Lábios Existe algo muito estranho nos lábios humanos. Por que os humanos têm os lábios virados do avesso? Mais uma vez. cinco minutos depois. Como a fêmea humana é um pouco mais evoluída anatomicamente — ou seja. logo veremos que a superfície macia e bri lhante fica escondida. À medida que nossa anatomia e nosso comportament o tornaram-se progressivamente mais infantis. Nossos lábios carnudos e visíveis faziam parte dessa tendência. seus lábios são. mas novos avanços no tratamento estão surgindo o tempo todo . cuidadosamente removida. em média. e logo chegará o dia em que qualquer mulher poderá ter uma face perfeitamente lisa — por um certo preço. mais protuberantes. mas.Outro procedimento é o peeling químico. Uma fina camada de um gel esfoliante é aplicad a no rosto e. Não percebemos isso porque não nos damos o trabalho de co mpará-los com os lábios de nossos ancestrais primatas. mais juvenil — que o home m nesse aspecto. preservamos cada vez mais as carac terísticas de bebê. Um terceiro método emprega uma com binação altamente tecnológica de ultra-som. No mundo animal. se observarmos atentamen te a boca de um chimpanzé ou de um gorila. microcorrentes e tratamento com laser. é preciso repetir o procedimento algumas vezes. E por isso acabaram se tornando alvo de muita atenção. a resposta está na nossa evolução. . e os resultados nem sempre são perfeitos. 8. o homem é o único a te r lábios curvados para fora. Esse gel ácido remove as camadas externas da pele que está danificada.

Quando o fe o tem apenas dezesseis semanas. Portanto. Mas a h istória não termina aqui. em condições primitivas. antes. Antes mesmo de seu primeiro beijo de amor. A fêmea humana. por sua vez. eles já . faz biquinho. Portanto. os lábios do bebê virariam sozinhos para dentro quando ele começasse a ingerir alimentos sólidos. sop ra beijos. o bebê humano não se desvia do projeto fetal e. ela tratará de cuidar dos lábios como um símbolo sexual. Sua origem não e stá no bebê humano. nem no bebê chimpanzé. são perfeitamente adequados à sua primeira tarefa de sugar os seios também únicos da fêmea humana. vamos analisar como se desenvolveram esses superlábios. uma exclusividade da espécie humana. e. possui uma boca humanóide. para se rmos precisos. podem até desa parecer sob uma barba hirsuta. Se terminasse. O bebê chimpanzé. os lábios do avesso. A boca do chimpanzé tomou a forma em que permanecerá pelo resto da vida. por onde suga o le ite de seus fartos seios. os cobre de batom.Mas. Ela os umedece. porém. quando os lábios se afinam. com lábios grandes e carn udos. por volta de 26 semanas. mas no minúsculo embrião do chimpanzé. e assim ele exibiria os lábios fino s típicos dos primatas quando chegasse à idade adulta. assim que nasce. aponta um par de lábios recurvos para o mamilo da mãe. Ao contrário do bebê chimpanzé. devemos dizer que os lábios humanos não são apenas infantis: são embrionári os. os lábios já desapareceram. Dois meses depois. Enquanto for jovem e o sexo lhe ocupar a mente. exibe um par de lábios fartos e macios por toda a vida adulta — ou pelo menos até ficar bem velha. prende sua boca muscular de lábios finos à longa teta da mãe e suga o leite como um fazendeiro ordenha uma vaca. No homem adulto. eles se torn am de fato um pouco mais esticados e finos.

desempenharam um papel apresentação como mulher. fundamental na sua O que torna os lábios tão sensuais visualmente? Em sua forma, em sua textura e em su a coloração, eles imitam os outros lábios femininos, os lábios vaginais. Quando a mulher se excita sexualmente, os lábios vaginais se intumescem e se tornam mais vermelho s. Ao mesmo tempo, no rosto, seus lábios ficam mais túrgidos, mais vermelhos e mais sensíveis. Essas mudanças ocorrem em uníssono, como parte da revolução fisiológica que acomp anha uma forte excitação sexual. Um dos principais fatores desse processo é o fluxo do sangue em direção à superfície da pele. A pele dos indivíduos sexualmente ativos brilha q uando os vasos capilares se distendem em função do maior suprimento de sangue. Esse sangue extra aflora mais rapidamente do que pode refluir, e, com isso, a superfíci e da pele se torna cada vez mais sensível ao toque. Isso é particularmente verdade n os lábios. Os vasos sangüíneos tornam os lábios mais intumescidos e mais visíveis graças ao contraste entre sua tonalidade cada vez mais vermelha e a carne branca ao seu re dor. Intuitivamente, as mulheres das sociedades primitivas começaram a usar esse m imetismo. As prostitutas do antigo Egito usavam um ocre vermelho para realçar os láb ios. Um desenho em papiro que data de 1150 a. C. mostra uma cena num bordel teba no, na qual uma mulher seminua segura um espelho e aplica uma pintura nos lábios c om um longo bastão. Ao lado, um cliente inteiramente nu, exibindo uma enorme ereção, e stende a mão na direção dos genitais da mulher. A relação entre o rubor dos lábios femininos e a atividade erótica tem portanto mais de 3 mil anos. O uso de algum tipo de pin tura labial é mais antigo que isso, pois existem evidências de que ela já existia 4 mi l

anos atrás, na cidade de Ur, hoje sul do Iraque, onde uma soberana, a rainha Puabi , foi enterrada com um grande suprimento de maquiagem para ser usado na outra vi da. Seus cosméticos — tintas vermelhas para os lábios, assim como verdes, brancas e pr etas, presumivelmente para os olhos — foram armazenados em grandes conchas, ou em imitações de conchas feitas de ouro ou prata. Os primeiros batons eram fabricados tr iturando-se o óxido de ferro vermelho até obter um pó, que era então misturado com gordu ra animal. Mais tarde, no século IV a.C, os gregos realizaram experiências que parec em ter resultado na adição de tinturas vegetais, saliva humana, suor de carneiro e a té mesmo fezes de crocodilo. No século II, a tecnologia já tinha avançado, e as mulheres palestinas podiam escolher entre o laranja-brilhante e o cereja-escuro. Desde e ntão, a coloração artificial dos lábios foi um popular recurso de beleza feminina, embor a algumas vezes tenha sido condenada por autoridades puritanas. Sob regimes dita toriais que tentaram reprimir os prazeres sexuais, a pintura dos lábios foi proibi da. Em casos extremos, mesmo sem pintura, os lábios foram considerados excitantes demais para serem vistos em público, e as infelizes mulheres foram obrigadas a esc ondê-los por trás de véus. Acredita-se que a ocultação dos lábios das mulheres seja uma pres crição da fé islâmica, mas não é. Esse é sem dúvida um costume nos países muçulmanos, mas não a ver com os ensinamentos de Maomé. Na verdade, foi imposto às mulheres por uma soc iedade machista. Não se trata de um preceito religioso, mas de uma proibição sexista, fruto de uma sociedade em que a mulher é tratada como propriedade do homem. As igr ejas cristãs têm tido uma atitude ambivalente em relação aos lábios femininos. Em algumas ép ocas, elas se mostraram liberais, mas também houve períodos de

repressão, quando lábios artificialmente coloridos eram vistos como obra do demônio e uma ofensa à obra de Deus, o corpo humano em seu estado natural. Um clérigo do século XVII condenou os lábios pintados por considerá-los "um sinal de prostituição", uma armad ilha capaz de propagar o fogo da luxúria no coração dos homens que tivessem a infelici dade de pousar os olhos sobre eles. Os políticos geralmente se mantiveram afastado s dessas questões, mas, num determinado momento do século XVIII, na Inglaterra, vira m-se na obrigação de aprovar uma lei proibindo o USO do batom, porque certos homens ansiosos temiam ser ardilosamente atraídos para o casamento pela visão dos lábios femi ninos pintados. Essa proibição absurda criou um problema para as damas da época. A sol ução que elas encontraram foi chupar um picolé de groselha ou beliscar os lábios pouco a ntes de entrar numa festa. Apesar de sucessivas proibições da Igreja e do Estado, os cosméticos para os lábios se recusaram a desaparecer e, ao longo da história, sumiram ou ressurgiram ao sabor da moda. Num exemplar da Ladys Magazine do final dos an os 1820, verifica-se que um novo desenho labial foi adotado: o arco de cupido. P ara obtê-lo, os lábios eram aumentados verticalmente em vez de crescerem no sentido longitudinal, com uma profunda fenda no lábio superior, bem abaixo do nariz. Isso dava à boca da mulher uma aparência infantil e transmitia aos galantes cavalheiros d a época a atraente mensagem de que aquelas belas senhoritas precisavam de proteção. No s tempos atuais, o uso do batom sustenta uma importante indústria, que cresceu ini nterruptamente durante o século XX. No fim da era vitoriana, os lábios pintados de v ermelho foram confinados às infamantes casas de prazeres em função da pudicícia e da hip ocrisia da

época. Inúmeros clientes eram atraídos por suas cores convidativas e depois voltavam p ara suas pálidas esposas. Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, o batom iniciou sua lenta escalada social, passando dos bordéis aos teatros e daí para as bocas das mais ousadas freqüentadoras da sociedade boêmia. Depois da guerra, nos agitados anos 1920, os lábios pintados de vermelho se popularizaram nos salões de baile. Nos anos 1920 e 1930, o batom era usado pelas estrelas da florescente arte do cinema e l ogo se tornou uma norma social. Uma das primeiras estrelas do cinema, Clara Bow, reintroduziu os lábios de cupido, mas de uma forma mais audaciosa, quase um coração. Em 1925, Bow chegou a estrelar um filme intitulado My Lady's Lips (Os lábios de mi nha mulher). Na década de 1930, mulheres de personalidade mais forte entraram em c ena e impuseram um novo estilo: a boca rasgada. Depois disso, a boquinha de coração desapareceu. Com o advento da Segunda Guerra Mundial, pelo menos entre as jovens , usar um batom vermelho-brilhante era um sinal de patriotismo, porque alegrava os bravos soldados. Cartazes de recrutamento exibiam lábios de um vermelho vivo, u ma promessa de apoio feminino a qualquer um que estivesse disposto a defender se u país. Em 1945, com o fim da guerra, iniciou-se um período de austeridade. A paz re tornara, e o batom era então um acessório trivial, apresentado apenas em uns poucos tons de vermelho. Nunca se tinha ouvido falar de batom de outra cor. Na década de 1950 tudo isso mudou. Na França e na Itália, os fabricantes de cosméticos introduziram o titânio branco na fórmula do batom para produzir cores mais pálidas, e com isso amp liaram enormemente o espectro de cores. As revistas de moda da época gozavam de gr ande influência e tinham o poder de lançar uma nova cor a cada ano — a cor que se torn ava a coqueluche da

estação e depois desaparecia, substituída pela "ultima novidade". Nos anos 1960, com a chegada da pílula anticoncepcional e uma mentalidade mais aberta para a sexualida de, as mulheres puderam se expressar melhor como indivíduos. Em lugar de uma única c or dominante, uma enorme variedade de cores foi posta à sua disposição, inclusive dive rsas tonalidade pálidas. Com o surgimento do feminismo, na década de 1970, isso mudo u rapidamente. Por algum tempo, pintar os lábios era o mesmo que ceder ao desejo m asculino, e uma nova forma de puritanismo veio à tona. Os lábios das feministas eram naturais. Ao mesmo tempo, as mulheres protestavam violentamente contra a Guerra do Vietnã, e, quando não pertenciam ao movimento feminista, às vezes adotavam cores p roibidas, como o azul, o púrpura ou mesmo o gótico preto. Quando a Guerra do Vietnã te rminou e as jovens conquistaram uma maior igualdade social, os austeros modelos que lembravam uniformes foram abandonados, e as mulheres se sentiram livres para voltar a parecer mulheres. Durante os anos 1980 e 1990, o batom vermelho retorn ou mais uma vez. No início do século XXI, as mulheres passaram a expressar seu desej o sexual com uma franqueza nunca vista, e com essa confiança sexual e essa liberal idade cresceu a exploração erótica dos cosméticos para os lábios. Foram criadas três estratég as básicas: lábios mais vermelhos do que nunca, lábios de cor natural com o brilho do gloss ou uma combinação dos dois — muito vermelhos e muito brilhantes. Agora, a tônica e ra a individualidade. As mulheres deixaram de ser escravas de uma única moda. Uma cantora pop pode se apresentar com os lábios pintados de vermelho-vivo e, no próximo

show, subir ao palco com os lábios rosa-pálidos brilhantes ou sem nenhum batom. Os p ublicitários lançam mão de estimulantes descrições: lábios ultra-brilhantes, lábios suculento , lábios deliciosos, lábios molhados. As fotos mostram lábios femininos tão úmidos que é imp ossível evitar a mensagem biológica subliminar: se a forte excitação sexual gera secreções g enitais, os novos batons devem sugerir essa mudança fisiológica. Os fabricantes de b atons criaram superlábios. A mensagem está clara para quem quiser ver: as mulheres e stão mostrando que gostam de sexo e não se importam que saibam disso. Por mais impre ssionante que seja, toda essa tecnologia ocidental para embelezamento dos lábios f emininos torna-se insignificante diante das mutilações labiais de certas sociedades tribais. Entre o povo surma, que habita o sudoeste da Etiópia, a mulher adulta é con hecida como "mulher-prato". Pouco depois que ela completa 20 anos, seis meses an tes de se casar, um dos lábios é cortado e um pequeno prato, chamado labret, é inserid o na boca. Isso estica o lábio para fora num anel de carne avermelhada. Assim que for possível, a jovem retira o prato e o substitui por outro ligeiramente maior, d epois por um maior ainda, até ser capaz de exibir um lábio quase do tamanho de um pr ato de jantar. Nos primeiros tempos, o prato tinha a forma de cunha e era esculp ido em madeira, mas mais recentemente a moda determina que ele seja circular e d e cerâmica. Quando a mulher está sozinha, comendo, dormindo ou na companhia de outra s mulheres, tem permissão para tirar o labret, e, quando faz isso, o lábio cortado e esticado fica pendurado. Quando os homens estão presentes, porém, o prato deve esta r no lugar, e seu tamanho denota o valor da mulher. O tamanho do prato que uma j ovem consegue tolerar será a medida de sua beleza e irá determinar quantas cabeças de gado ela vale quando sua mão for oferecida em casamento.

a costa ocidental do Canadá. As tatuagens de estrelas na infância e as tatuagens em preto e azul quando as mulheres atingem a idade adulta se espa lham da boca em direção às orelhas. não apenas entre os surmas. Algumas esticam apenas um lábio. mas também entre os macondes do Quênia. que achavam as mulheres com esse ornamento feia s e iam buscar escravas em outra tribo. A técn ica varia de uma tribo para outra. essa história parece não ter muito fundamento. outras os dois . a intenção é alargar os lábios e chamar a atenção para eles. enquanto outras pregam um pino de madeira acima e abaixo dos lábios. Em todos os casos. as mu lheres que tinham os maiores discos eram as que desfrutavam de mais status. os lobis de Gana e os sara-kabas e os ubândgis da bacia do Congo. Quando os pri meiros exploradores puseram os olhos nesses extravagantes lábios. na Colúmbia Britânica. O mais provável é que. onde as mulheres dos t liguites.Essa forma bizarra de alargamento dos lábios existiu em muitas tribos africanas. Entre os ubândgis. como outras tribos que adotavam esse costume. Os shilluks do Sudão preferem os lábios tingidos de azu l e os ainus do Japão gostam de lábios tatuados. os ubândgis achassem os lábios esticados um sinal de bel eza. uma goma de masca r feita de nozes de bétele era usada para tornar os lábios encarnados. acharam difícil cr editar que . Em algumas tribos das Filipinas. foi l vantada a hipótese de que os chefes da tribo instigassem o procedimento para deter os mercadores de escravos árabes. exibiam grandes discos labiais. Surpreendentemente. Mais uma vez. Outras trib os usavam técnicas diferentes. essa forma extr ema de ornamento corporal foi descoberta por antigos exploradores numa parte com pletamente diferente do mundo. Embora tenha sido amplamente divulgada. e que a repulsa dos mercadores de escravos fosse apenas um bônus.

. Esse espaço oco que é preenchido com um material capaz de ser absorvido pelo tecido labial. de modo que elas não têm outra maneira de se curar senão jogando sal continuamente sobre ela!" Esse relato foi feito por John Bulwer em 1654. Esse preenchimento pode ser feito co m materiais sintéticos. Uma interv enção mais duradoura requer uma intervenção cirúrgica. em um d os primeiros livros antropológicos já publicados. quando o calor do sol é ex tremo. por exemplo. mas recent emente reapareceu na Califórnia. A cirurgia plástica dos lábios. O efeito dura de três a seis meses.eles resultassem de sacrifícios que as mulheres dessas tribos infligissem a si mes mas: ". usar os novos lábios para um determinado papel. não seria vista nas sociedades urbanas por muitos séculos.. implante sólido retirado da pele desidratada d e pessoas mortas. com a abertura de um canal que atra vessa os lábios de um canto ao outro. começaram a procurar diferentes proce dimentos cirúrgicos para "melhorar" seus lábios. Sem entrar em detalhes técnicos. cientes do apelo sensual de lábios grossos e suculentos.elas nascem com os lábios inferiores desse tamanho. É evidente que não lhe ocorreu que os problemas de saúde decorrentes desses imensos lábios resultavam do corte do lábio para a colocação de grandes discos. Atrizes de Hollywood. o que permite a uma atriz. os p ontos principais desse tipo de cirurgia plástica podem ser resumidos nos seguintes (embora novos procedimentos estejam sendo introduzidos o tempo todo): O procedi mento menos drástico é a aplicação de uma série de injeções de colágeno ou gel hialurônico cm pontos do contorno dos lábios. apodrece. e com a . numa nova forma. que já foi tão comum nas tri bos africanas. que caem até o peito e mostram aquela chaga do lado que pende para fora e que. com Alloderm.

a s mulheres deviam pensar duas vezes antes de se submeter a uma cirurgia desse ti po. a não ser no caso de lábios excessivamente finos. Não há dúvida de que. que. a forma mais extrema de intervenção: a cirurgia plástica dos lábios. dando ao lábio uma aparência artificial. porque o século XXI está testemunhando uma rápido crescimento dessas cirurgias. Leva cerca de uma hora e tem a desvantagem de deixar cicatrizes. Os que cr iticam essas intervenções acham que. Mas essa é uma opinião que não parecer estar sendo levada em conta. o rosto feminino pode se tornar muito mais sensual. . Finalmente. a linha superior se curva ligeiramente sob o nariz. tal é o impacto erótico da forma dos lábios. são sentidas. embora fiq uem escondidas dentro da boca. que começaram na Califór nia e se espalharam pelo mundo todo. "Todas essas intervenções têm um dos seguin tes objetivos: preencher os lábios ou projetá-los para fora. purificada e depois injetada no s lábios.própria gordura da paciente. O risco desses procedimentos cirúrgic os é que. Às vezes. C ertas atrizes adquirem lábios tão protuberantes que ofuscam todas as outras feições do r osto (e que algumas vezes são chamados com sarcasmo de "beiços de truta"). que é extraída das nádegas. Trata-se de uma remodelação permanente e precisa ser realizada num centro cirúrgico. se os cirurgiões e dermatolog istas executarem bem o seu trabalho e evitarem armadilhas como as mencionadas. depois de modificados os lábios. um procedimento para pr eenchimento dos lábios tem o efeito de eliminar a forma de arco de cupido do lábio s uperior. eles podem não se harmonizar com o rosto. A obtenção de um ou outro r esultado dependerá da colocação precisa das substâncias. Em lugar da fenda natural.

esse movimento exploratório da língua se ligou indelevelmente ao ato de a mor. mas os lábios. na fase das preliminares. uma afirmação que diz mu ito sobre o significado dos lábios femininos. De ssa forma. Esquecemos como ch egamos até aqui porque hoje é extremamente raro encontrar exemplos sobreviventes des se ritual primitivo de alimentação. Isso pode explicar por que. e m alguns países. estão realizando um ato que r emonta a épocas primevas. Então. os bebês passavam a experime ntar o alimento com sua própria língua assim que o contato boca a boca era feito. em estágios mais avançados da relação s exual. transferiam para ele o alimento. embora permitam todo tipo de conta to genital. tradicional mente. mas. segundo as mulheres entrevistadas para a pesquisa. Quando os amantes unem os lábios com a boca aberta e um com eça a explorar o interior da boca do outro com a língua. as prostitutas dizem ''nada de beijo". usando a líng ua. Não os seios ou os genitais. como o Japão. costumavam mastigar o alimento até torná-lo macio e liquefeito. É verdade que. a tradição não recomenda beijar em público. Indagadas sobre esse tabu.Até aqui. consideramos os lábios apenas do ponto de vista estético. naturalmente. colocavam a boca aberta sobre a boquinha do bebê e. O beijo na boca t em uma origem curiosa. essa não é sua única função. Quando as mulheres das tribos precisavam desmamar os fil hos e introduzir alimentos sólidos. Quando cresciam. Numa recente pesquisa sobre os dez pontos de contato mais im portantes do corpo da mulher. elas respondem que não permitem o beijo na boca não por razões de higiene. mas porque ele é "muito pessoal". os lábios foram considerados a zona mais erógena. mas. Deste longínquo início nasceu o beijo de amor entre adultos. Ele ainda ocorre em . a estimulação do clitóris tem maior probabilidade de conduzir ao orgasmo. Isso também talvez explique por que. é o contato com o lábio o fator de maior excitação.

mas é desconhecido ou foi esquecido cm quase toda parte. e isso pode ocor rer mesmo sem qualquer contato genital. A impressão deixada pela primeira fase oral permanece com ela de alguma forma por grande parte de sua vida adulta. um bebê ao qual tenha sido negada a recompensa normalmente oferecida pela mãe passará o resto da vid a tentando compensar essa perda. a fêmea humana é a mais desenvolvid a de todos os primatas. os movimentos de sua boca lhe recordam o prazer que sentia ao sugar os se ios da mãe. Em casos extremos. mas desempenhou um importante papel nas atividade s sexuais de muitas culturas por milhares de anos — está fortemente relacionado ao p razer oral do bebê ao sugar os seios maternos. Pode parecer que elas este jam apenas excitando o homem. Quando uma amante suga o pênis do par ceiro. Umas poucas mulheres também são capazes de a tingir o orgasmo aplicando os lábios ao falo masculino. O contato oral-genital — que hoje sabemos não é uma invenção da so ciedade ocidental "decadente". Segundo essa teoria. como em muitos outros. Nesse aspecto. De acordo com o estudo clássico sobre a sexualidade feminina realiza do por Kinsey e seus colegas. mas as terminações nervosas da mucosa dos lábios feminin os são tão refinadas que cada toque no corpo do amado envia de volta um forte estimu lo sexual. para Freud. o p razer oral adulto reflete uma privação infantil. devido à grande sensibilidade dos lábios femininos. Vale acrescentar que. V ale lembrar que. talvez isso seja verdade.algumas tribos remotas. ma s o que Freud não considerou . algumas mulheres são c apazes de chegar ao orgasmo durante prolongados beijos na boca. publicado há mais de meio século. seu contato com diferentes partes do corpo masculino durante a relação sexual é menos altruísta do que pode parecer.

As mudanças de humor provocam quatro difer entes movimentos dos lábios: abertos e fechados. Combinadas de diferentes maneiras. A atitude negativa de Freud em relação a adultos que gostam de beijar. ao contrário dele. Portanto. a contração pressiona os lábios fechados co ntra os dentes. eram capaz es de desfrutar dos prazeres orais. Se o músculo todo se contrai. Finalmente. mas isso seria subestimá-lo. fumar. porque sua boca era fon te de interminável sofrimento. para a frente e para trás. tensos e frouxos. As mudanças são efetuadas por um conj unto complexo de músculos que funcionam basicamente da seguinte maneira: Ao redor dos lábios existe um forte músculo circular. essas quatr o mudanças nos dão um enorme espectro de expressões.foi que os prazeres experimentados em qualquer fase da vida são capazes de estabel ecer padrões de comportamento para o futuro. como faz a maioria dos bebês. ele deve ser perdoado por e ssa postura contra esses adultos que ele considerava "oralmente dependentes. Por outro lado. . que precisou ser removido em grande parte em trinta e três cirurgias. o orbicularis oris. se suas fibras superficiais são ativadas. Um indivíduo que sugou o seio materno. para cim a e para baixo. É esse músculo que trabalha quando os lábios estão apertados ou adotam qualque r outra expressão contraída. com fixação em seios e infantilizados" simplesmente porque. os lábios se fecham e se projetam para a frente. que se contrai para fechá-los. comer doces e tomar bebidas quentes não é difícil de entender. dificilmente perderá a chance de experimentar maneiras adultas de recapturar esse prazer — simplesmente porque não houve nenhuma privação infa ntil. Costuma-se vê-lo como um simples esfíncter. Ele tinha câncer do palato. mas se suas fi bras mais profundas são fortemente ativadas. é importante examinar os lábios femi ninos como emissores de sinais faciais. o mesmo músculo. os lábios se mantêm fechados. Portanto.

operando de maneiras diferentes. no sorriso e na gargal hada. Na rai va silenciosa. O músculo zygomaticus e mpurra a boca para cima e para baixo em expressões alegres. Ele é usado não apenas para soprar instrumentos musicais. eles são empurrados par a a frente. A princ ipal diferença está no movimento dos cantos da boca. Elas provocam uma aber tura maior ou menor da boca. gerando a expres são de tristeza. O músculo depressor empurra o lábio inferior para baixo. pode gerar os lábios suavemente contraídos que conv idam a um beijo ou os lábios tensos de quem espera levar um tapa na cara. A maiori a dos outros músculos da boca trabalha contra esse músculo circular central. Para complicar ainda mais as coisas. Simplificando muito. o ser humano usa outro múscu lo. eles se retraem. Mas esses movimentos opostos dos cantos da boca podem exi stir com a boca aberta emitindo um som ou com a boca fechada e em silêncio. Tomemos como exemplo as expressões contrastantes de raiva e medo. diversas vocalizações acompanham as expressões da boca. mas também ajuda na mastigação dos a limentos. no medo. Na raiva. pavor ou raiva. lutando para manter a boca aberta em outra direção. como se fugissem de um ataque. Existem ainda o músculo levator menti. que ergue o queixo e projeta o lábio inferior para fora em expressões de desafio. os lábios são pressionados . como se avançassem sobre o inimigo. o músculo levator er gue o lábio superior e ajuda a criar expressões de dor e desdém. e o bu ccinator. que comprime as bochechas contra os dentes. ou músculo do trompete. que puxa a boca para baixo e para os lados em f unção da tensão do pescoço que antecipa um ferimento físico. o platysma da região do pescoço. ajudando a f ormar a expressão de aversão ou de ironia. o que introduz um novo elemento nas sutis expressões faciais. Quando sente uma dor aguda. O músculo triangularis empurra a boca para baixo e para trás.

a boca se abre inteiramente. Outra característica da expressão alegre é a prega de pele que aparece entre os lábios e a bochechas. a pessoa que grita expõe menos os dentes do que a que rosna. causadas pela elevação dos cantos da boca. a capacidade de combi nar elementos aparentemente incompatíveis para transmitir estados de . mas. acompa nhada de um berro ou de um ronco. com os cantos da boca puxados o máximo para trás. são dobras nasolabiais que variam consideravelmente de indivíduo para indivíduo. qual seja. Mas ele s também podem se separar e produzir o amplo sorriso no qual os dentes superiores são expostos. No medo silencioso. Essas l inhas diagonais. a boca se mantém aberta e os den tes inferiores também podem se revelar. As expressões de felici dade também têm versões abertas e fechadas. Elas "personalizam" o sorriso . o s lábios podem se manter em contato. Quando se acrescenta o som da risada. por maior que seja a gargalhada. podemos duvidar da sinceridade de sua expressão vocal. os lábios se retraem e se retesam ate formar uma fissura horizontal. um importante fator para o fortalecimento dos laços de amizade. Se uma mulher ri e expõe totalmente os dentes inferi ores. mas ainda com os cantos da boca para a frente. os dentes inferiores nunca são inteiramente expostos como os superiores. devido à curva para cima dos lábios estic ados. na raiva ruidosa. gerando uma abertura quase quadrada. com os cantos da boca para a frente. O sorriso triste ilustra outra sutileza das expressões femininas. expondo os dentes superiores e inferiores. o que resulta num sorriso silencioso.um contra o outro. no medo ru idoso. Quando são empurrados para trás e para cima. a boca se abre. Como o medo retrai os lábios. acompanhado de um grito ou de uma arfada. es ticando os lábios para cima e para trás ao mesmo tempo.

Exi stem muitas outras expressões mistas.espírito complexos. . que se recusam a se erg uer na posição adequada. que oferecem ao rosto feminino um rico reper tório de sinais visuais. Em vez disso. a não ser pelos cantos da boca. No sorriso triste. caem para criar o "sorriso heróico" da mulher q ue está sendo assediada ou o sorriso irônico da professora que recusa um pedido. todo o rosto se compõe numa aparência de olhos brilhantes e de bom humor.

Ela usa a boca também para falar. e as mulheres atuais herdaram essa quali dade. as mulheres não poderiam falar e perderiam u ma de suas grandes qualidades. Quando diante de uma tarefa verbal. Boca A boca feminina funciona o tempo todo. Outros animais usam a boca para morder. Naturalmente. mas a fêmea humana acrescenta a essa lista outras funções. a língua também desempenha um papel primordial n a alimentação.9. As mulheres primitivas foram as comunicadoras da vida tri bal (enquanto os homens ficavam fora da tribo. l amber. uma parte maior do cérebro da mulher é empregada em registrar uma solução. Qualquer pessoa que tenha visitado um dentista sabe disso. a boca contém um elemento essencial: a língua. Sem ela. sugar. assobiar e fumar. mastigar. gritar e grunhir. e não cultural. A laringe recebe o crédito. Por isso. que é a capacidade de se comunicar verbalmente melh or do que qualquer outro animal no mundo. Essa é uma afirmação evolucionária. O papel da língua na fala às vezes é subestimad o. mastigar e engolir. rosnar. melhor ainda do que o homem. engolir. Sua s uperfície rugosa é coberta de papilas que contêm entre 9 e 10 mil . o que lhes dá uma grande vantagem. Pesquisas sobre o cérebro confirmaram algo de que muitos já suspeitavam: as mulheres são. bocejar. mas esse erro é rapidamente corrigido quando se tenta falar com a língua presa no assoalho bucal. sorrir. Dentro dos lábios. por n atureza. tossir. não surpreende que a boca tenha sido definida como o campo de batalha do rosto". estando envolvida nos atos de experimentar. beijar. rir. abatendo as presas com pouco mais do que um grunhido a romper o silêncio). mais fluentes que os homens.

Todos os sutis sab ores de nossos alimentos derivam de uma mistura desses quatro sabores básicos. Acredita-se que essas sensações de paladar existem porque era importante para nossos ancestrais reconhecer quando uma fruta estava doce e madura. ao calor e à dor. a língua r ola o alimento na boca. quando ainda estão no ventre da mãe. azedo dos lados da língua. Durante a mastigação. de fato. manter um equilíbrio correto do sal e evitar certos alimentos perig osos — que apresentariam um sabor excessivamente amargo ou ácido. e amargo na parte posterior da língua . a superfície da lín gua também reage à textura dos alimentos. tentando desalojar partículas . a ponta da língua pressiona o céu da boca e sua par te posterior se arqueia para catapultar a mistura de alimento e saliva para dent ro da garganta em direção ao estômago. Costumava-se pensar que todos os sabores são percebidos na parte superior da língu a. Para fazer isso. no ponto onde o pala to duro se junta ao palato mole. a língua funciona como palito gigante. Existem receptores dos sabores doce e salgado em outras partes da boca. ela participa da função cruc ial de engolir. em especial na parte superior da garganta. que os bebês são capazes de executá-lo antes mesmo que ele seja necessário.receptores gustativos. com a ajuda dos aromas que percebemos com o olfato. Quando julga que tod os os pedaços foram devidamente triturados ou rejeitados. Além dos sabores. mas hoje se sabe que não é isso que ocorre. Não reparamos nesse complexo movimento muscular p orque ele é automático. tão elementar. en quanto os receptores do azedo e do amargo estão no céu da boca. que são capazes de distinguir quatro sabores: doce e salgad o na ponta da língua. em busca de caroços ou pedaços maiores. um Quando a refeição termina.

o piercing na língua parece oferecer apenas uma vantagem. mas. Embora prejudique a clareza da dicção. quando uma inglesa de fér ias em Corfu foi atingida por um raio atraído pelo piercing de metal na língua. essa forma de mutilação tem sido adotada até por cantoras pop. Dentro da boca ficam os dentes. a língua raramente foi alvo de alguma "melhoria" cosmética. os jovens se submetem à dor de ter a língua perfurada para a ins erção de piercings de metal. Uma desv antagem ainda não percebida foi descoberta no verão de 2003. Tentando encontrar novas maneiras de obter a de saprovação dos adultos. Isso também ocorre nos be bês humanos. que na espéci e humana são utilizados quase exclusivamente para a alimentação. mas há uma dependência entre o contato digital e o oral. Além de seu papel como símbolo de revolta socia l. A co rrente percorreu todo o corpo e ela quase morreu. a língua e os dentes. na forma dos piercings. a boca das mulheres sofreu uma estranha e nova intrusão. o beijo na boca sem piercing é como um filé sem mostarda.indesejáveis de alimento que possam ter ficado presas entre os dentes. Mais tarde ela declarou que precisava de férias para recarregar as baterias. praticamen te só os utiliza para se alimentar. Depois ele vai manipulá-lo com seus dedos hábeis. em que a oralidade desempenha o principal papel. mas o pier cing tinha levado isso ao pé da letra. e a jovem ficou temporariamente cega e incapaz de falar durante três dias. no final do século XX. Dê a um macaco um objeto estranho e ele quase de imediato o levará à boca para explorá-lo com os lábios. ao contrário de outras espécies. cujos pais precisam . A mulher pode usá-los u ma vez ou outra para cortar um fio. Por estar p rotegida dentro da boca. A língua ficou gravemente ferida . Entretanto. De acordo com o parce iro de uma usuária.

chuta e o agarra num corpo-a-corpo. os dentes do siso. roer. Só morde como um último recurso. seus dentes tendem a ser levemente menores. porém. Os dentes se apertam em momentos de intenso esforço físico ou quando . triturar. rilhar e bater com o frio. de modo q ue a boca de um adulto pode ter de 28 a 32 dentes.estar sempre atentos para que eles não enfiem objetos perigosos na boca. só nascem quando nos torn amos adultos. os dentes humanos se tornaram bastante modestos comparados com os das outras espécies. Existem leves diferenças entre os dentes do homem e da mulher. principalmente nos incisivos superiores. Além da função de partir e mastigar os alimentos. a pertar. O m esmo ocorre na hora de matar uma presa. O homem ataca o inimigo na cabeça. Essa mudança também ocorre quando ê preciso lutar. os dentes também são capazes de agarrar. Nossos caninos não são mais presas de pontas afiadas. agarra o adversário e o morde. que é realizado q uase exclusivamente pelas mãos. Em muitos casos. Mais uma vez — com a ajuda das armas —. Os dent es masculinos geralmente são mais angulosos e rombudos. 28 dos quais já estão estabel ecidos na puberdade. alguns deles — ou mesmo todos — não aparecem. ranger. as mão s assumiram a tarefa da mordida letal tão comum entre os carnívoros. Os últimos quatro dentes. soca. Com essa passag em da boca para a mão. com a ponta rombuda a lembra r nossos ancestrais. A mulher adulta possui 32 dentes. O mac aco. quando está furioso. Como as mulheres possuem u ma arcada menor que a dos homens. depois de substituir gradualmente os pequenos dentes de lei te da infância. a boca vai perdendo seu "papel exploratório". São ap enas ligeiramente mais longos que os outros dentes. À medida qu e amadurecemos.

ringir e rilhar os dentes é praticamente a mesm a coisa. Essa é uma expressão que podemos ver no rosto de um lutad or e na criança que está prestes a receber uma injeção. Todo ess e processo foi confirmado de várias maneiras. Se um soco atingir o rosto de uma pessoa que está de boca aberta. no qual o indivíduo frustrado morde simbolicamente o inimigo na segurança do sono. É uma reação primitiva a uma possível r física. até que a saliva se torne anormalmente ácida . muitos indivíduos rangem os dentes quando dormem. o que indica uma raiva reprimida. Embora o e smalte dos dentes seja a substância mais dura de todo o corpo humano. ao passo que aqueles que . Além disso. rap idamente fermentam em ácido lático. Animais alimentados com uma dieta rica em açúcar não perdiam dentes quando o a limento era ingerido por um tubo. fazendo pequenos furos no esmalte. sem contato com os dentes. o que nos leva a pensar por que a língua precisa de três palavras para defi nir uma ação que é tão raramente usada na vida real. A bactéria adora esse ácido ainda mais e começa a se r eproduzir. Entretanto. a queda de d entes é muito comum no mundo atual. A acidez corrói a superfície do dente. com cert eza causará mais dano. quando quase não havia açúcar refinado ou farinha. fazendo os dentes se chocarem. com o risco de quebrá-los ou d eslocar a arcada inferior. Ranger. o Lactobacillus acidophilus. se partíc ulas de alimentos açucarados ou farináceos ficam presas aos dentes ou às gengivas. trata-s e de uma reação primitiva que ressurge como uma espécie de "sonho muscular". Uma bactéria qu e sobrevive na boca. acelerando muito o processo.a pessoa antecipa uma dor. Mais uma vez. e. apresentaram meno s cáries. As crianças que cresceram no tempo da guerra na Europa. chimpanzés que vivem soltos na floresta têm excelentes dentes. As causas parecem bastante óbvias. adora carboidratos.

os jovens eram submetidos a um do loroso lixamento para . Por outro lado. enquanto outros perdem dentes apesar de todo o cuidado tanto com a alime ntação quanto com a higiene. Alguns indivíduos parecem ser quase imunes à queda mesmo quando tem uma dieta excessivament e doce. povoados humanos No entanto. No mundo oc idental. O olhar ocidenta l sempre considerou uma dentadura branca e saudável uma marca de beleza. o que implica que a boca era usada simbolicame nte como "genitais deslocados". por exemplo. Essa técnica foi utilizada em regiões da África. A lógica indica que os dentes incisivos centrais inferior es estariam mais sujeitos a reter alimentos e. Surpreendentemente. especialm ente na puberdade e no casamento. Apesar dos grandes avanço s da odontologia. Em Bali. Isso também ocorreu em muitas partes. a sofrer um ataque maio r de ácido lático.recolhem alimentos perto de apresentam dentes estragados. mais de 60% perderam os molares superiores. Em algumas regiões. o impacto dos dentes foi reduz ido em vez de exagerado. são eles os mais resistentes à queda. Outro método para fazer os dentes parecerem selvagens é dar-lhes pontas afiadas. Alguns povos costumavam remover os incisivos centrais pa ra enfatizar os caninos. Pedras preciosas ou metais eram entalhados no dente como demonstração de status. da África ao Sudeste Asiático e às Américas. quase 90% das pessoas possuem incisivos centrais inferiores sadios. portanto. Muitas des sas operações e mutilações eram executadas em épocas especiais da vida na tribo. existem alguns fatos estranhos sobre a resistência dos dentes. mas muita s culturas têm outra visão. da Ásia e da América do Nort e. os dentes continuam guardando alguns mistérios. o que tornava a boca mais ameaçadora e feroz — quase um ros to de Drácula.

Em outras cu lturas orientais. fazendo com que os dentes ficassem cariados e descoloridos. é difícil para um ocidental aceitar que dentes pretos sejam atraentes. Desde então. Portanto. tinha que fingir o contrário. Dizia-se que dentes pretos (chamados ohaguro) tornavam uma dama especia lmente bela. estava no preço do açúcar. como se de repente tivessem regressado ã fase desdentada da infância. Afinal. se a pessoa era pobre demais para estragar os dentes dessa maneira. na época de Elizabeth I da Inglaterra. Daí surgiu a idéia bizarra de que escurec er os dentes proporcionava uma aparência de alta classe e fazia a mulher mais bela perante a sociedade. se o branco é a cor dos dentes jovens e saudáveis. como o escurecimento pode ser considerado uma marca de beleza? A resp osta. Dessa forma. Como no Ocidente ter dentes cada vez mais b rancos e brilhantes é um fator essencial de beleza (uma beleza que hoje pode ser f avorecida por modernas técnicas de branqueamento). Folhas de bétele. Afinal. Eles eram ting idos dessa cor como parte de uma elaborada maquiagem usada pelas mulheres de alt a casta. em 1873. . conseguiam p arecer mais submissas a seus machos. Em outras partes do Oriente. as mulheres enegreciam os dentes ou os tingiam de vermelho-esc uro. Essa moda atingiu o auge no século XVII e entrou pelo século XIX. a própria rainha tinha dentes escuros de tanto comer confeitos açucarados. a moda de dentes pretos entrou em rápido declínio. até que. fazendo-os desaparecer da vista e criando uma expressão infantil. Só os muito ricos podiam se dar o luxo de comer doces. Dentes pretos também foram moda no antigo Japão. mascar bétele também causava o escureci mento dos dentes. A tinta era obtida pela diluição de limalha de ferro em saquê ou chá. a imper atriz passou a exibir dentes brancos.arredondar a ponta dos caninos e fazer a boca parecer menos animal.

mas não tão simples. Então. Mascado repetidamente. Pedaços de nozes eram cobe rtos com a pasta e depois embrulhados nas folhas de bétele. Se alg uém lhes perguntasse qual a razão disso. Por causa disso. Não hav ia nenhum dente preto à vista. Mas esse procedimento era drástico demais para a maioria das mulheres. esse pacote funcionava como um estimulante que também avermelhava os lábios e escur ecia os dentes. entre elas a de não comer nenhum alimento sólido por uma semana e tomar líquido s apenas por um canudinho. a aplicação do verniz tinha que obedecei a um ritual que envolvia vários tratamentos e r estrições. primeiro nas cidades e depois nas áreas rurais . Sua popular idade começou a declinar no século XIX. por exemplo — as mulheres que queriam ter dentes pretos para ficar ainda mais belas pr ecisavam se submeter a alguns procedimentos. d epois do qual a jovem era considerada suficientemente bela para se casar. entre elas uma . Pintar os dentes com verniz preto e ra a solução. algumas celebridades. porque a saliva removia o verniz. havia um ritual de puberdade.nozes de palmeiras e uma pasta obtida a partir das conchas do mar eram misturada s até constituir uma massa que era mascada como o tabaco. e a moda não pegou. em alguns países — o Vietnã. elas respondiam que dentes brancos só serviam para selvagens e animais. Como o bétele geralmente só deixava os dentes marrons. Seu uso se disseminou tanto no Sudeste Asiático que as mulheres na tivas diziam: "Só os cães. Para as adolescentes. mas a nova moda pedia "jóias dentais". O sorriso brilhante se transformou num sorriso ofuscante. os fantasmas e os europeus têm dentes brancos". As pioneiras d essa moda chegaram a ponto de fazer pequenos furos nos dentes para incrustar nel es minúsculos diamantes. as mulheres modernas do Ocidente m ostraram os primeiros sinais de interferência na superfície branca dos dentes. No fim do século XX.

Embora sejam decorativas. e as jóias nos dentes de repente se tornaram populares. ab aixo dos dentes molares — as glândulas submandibulares —. As duas que estão embutidas nas bochechas são conhecidas como glândul as parótidas e produzem cerca de 25% da saliva. Seu sucesso se deve ao fato de que a colocação. o fato de terem maculado o sorriso bran co provavelmente faz delas não mais que uma moda passageira. a saliva está livre de bactérias.das Spice Girls. círculos ou estrelas. Ela as adquire dos minúsculos fra gmentos de "caspa úmida" que estão sempre presentes na boca à medida que velhas camada s de pele se desprendem e são substituídas por novos tecidos. feita com cola dental. respon sáveis por cerca de 70% da saliva. e as duas situadas sob a língua — as glândulas sublin guais — contribuem com os restantes 5%. Algumas jóias são ostentosas. Depois. leva apenas três minutos. Quando sai dos condutos das glândulas salivares. de 2 a 4 mm de tamanho. A produção diária de saliva varia entre 600 e 1. Os dois principais el ementos da boca — os dentes e a língua são mantidos úmidos pelas secreções de três pares de g dulas salivares. ousaram exibir um dente de ouro. . a moda de incrustar pequenas jóias nas unhas passo u para a boca. são exibidos por um dia ou por um ano. e medo e uma forte excitação significam menos saliva. as duas situadas sob a mandíbula. dependendo do dente em que fo ram aplicadas. flor es. Minúsculos cristais na forma de corações. Logo foi possível ter uma capa d ental provisória de ouro. outras são discretas. Mais alimento significa mais saliva. mas depois de circular pela boca algumas vezes ela terá coletado entre 10 milhões e 1 bilhão de bactérias por centímetro cúbico. 500 ml. são as mais produtivas. e a pedra pode ser facilmente removida.

A ptialina também funciona como um antigermicida oral. Com certeza o pescoço não é considerado uma zona erógena importan A situação é muito diferente no Japão. toda gueixa era treinada na arte de expor elegantemente a nuca. Ela umedece o alimento e torna-o acessível aos receptores g ustativos. e dessa forma facilita sua pa ssagem pelo esôfago. expondo a nuca e as costas. Finalmente. como sabe qualquer pessoa qu e tenha tentado falar com a boca seca. Pescoço No Ocidente. assim como outras lisozimas que ajudam a limpar a b oca e os dentes. É uma ação que s e espera de uma gueixa. Tradicionalm ente. mas. ajudando a reduzir o ataque ácido ao esmalte dos dentes. e ainda ho je podemos constatar isso entre as poucas gueixas remanescentes de Quioto. Ela também lubri fica o bolo alimentar antes que ele seja engolido. 10.A saliva tem várias funções. uma vez que não se pode sentir o sabor do alimento seco. Depois que o alimento é mastigado por algum tempo. Eles sabem que a pele do pescoço é sensível a carícias e que beijá-lo su avemente pode excitar a parceira durante as preliminares do sexo. a ação lubrificante da saliva melhora a qualidade da voz. Suas roupas têm uma gola alta na frente e baixa atrás. quase não lhe dão atenção. Como a firmou um . onde a exposição da parte posterior do pescoço é* vis como um forte estímulo sexual — equivalente a expor os seios no Ocidente. uma enzima da sal iva chamada ptialina começa a quebrar o amido em maltose. Seu poder lubrificante é aumentado pela presença de uma proteína ch amada mucina. A saliva também contém elementos químicos que criam um meio levemente alcalino. além disso. os homens costumam olhar o pescoço da mulher simplesmente como algo q ue segura a cabeça. mas que é rejeitada pelas esposas respeitáveis.

Quando aplica sua maquiagem branca ( que inclui um ingrediente vital: excrementos de rouxinol). nariz e pulmões. Essa. Como a maquiagem é deliberada mente aplicada de modo a imitar a forma dos genitais. mas seu significado mudou. Segundo um observador. Uma curiosa teoria tenta explicar o desvio da at enção erótica dos japoneses dos seios para a nuca. além do fato de que os seios das mulheres japonesas são relativament e pequenos. Isso enfatiza a artificialidade da maquiagem e excita o homem. tradicionalmente. porque chama a atenção para a pele sob a máscara branc a. Afirma que. Além de conter conexões vit ais entre boca e estômago. Anatomicamente. o pescoço abriga os princi pais vasos sangüíneos que ligam coração e cérebro. a frase hoje significa "um a gueixa com adoráveis genitais". o significado erótico desse costume é aumentado pela forma especial da nuca. o pescoço te m sido descrito como a parte mais sutil do corpo humano. a gueixa deixa uma ma rgem de pele aparecendo junto à linha dos cabelos. . Existe uma frase em japonês para descrever a beleza da linha da nuca feminina — komata no kmagatta hito —. mas no Japão ela mergulha nas costas. homens de todo o mundo parecem apreciar a linha ondeada da nuca fe minina. Cercando essas conexões existem complexos grupos de músculos que permitem que a cabeça execute toda uma gama de movimentos qu e transmitem importantes mensagens nas interações sociais. as cr ianças japonesas passam mais tempo agarradas às costas da mãe do que acarinhadas em se us seios. "um V perfeito de pele nua que lembra as partes íntimas da mulh er". cérebro e coluna. seria a razão para a fixação masculina na nuca.comentarista.

enquanto a voz masculina adulta ati nge entre 130 e 145 ciclos por segundo. Essas diferenças são bastante re ais. mas há quem tenha levantado a hipótese de que sua vida sexual mais ativa seria capaz de p rovocar algum desequilíbrio hormonal. enquanto o masculino é mais curto e mais grosso. as prostitutas experient es têm uma laringe maior e um registro vocal mais grave que outras mulheres. que é muito mais evidente nos homens que seu correspo ndente no pescoço das Evas. As cordas vocais femininas têm cerca de 13 mm. Por alguma razão. enquanto as masculinas chegam a 18 mm. e fica colocada mais alto na garganta. Isso ocorre porque as mulheres têm cordas vocais menores — o que lhes dá uma voz mais aguda e exige uma caixa vocal menor. A voz da mulher adulta é mais infantil.Tradicionalmente. que possuíam um pescoço mais for te. mantendo um a freqüência entre 230 e 255 ciclos por segundo. Essa diferença laríngea não surge até a puberdade. A laringe da mulher é cerca de 30% menor que a do homem. . O pescoço feminino é mais longo e mais delgado. Isso ocorre em parte porque a mulher tem um tórax mais curto — e seu osso esterno é mais baixo em relação à coluna que o do homem — e em parte porque a muscul atura do homem é mais forte. a figura feminina é dotada de uma gracioso "pescoço de cisne". o que a faz menos proeminente. Outra diferença de gênero em relação a escoço é a presença do pomo-de-adão. Por q ue sua profissão as tornaria mais masculinas vocalmente? Não se sabe ao certo. levavam vantagem em situações de violência física. enq uanto a figura masculina exibe um "pescoço de touro". quando os machos. quand o a voz masculina "'engrossa". Não há dúvida de que essa diferença se estabeleceu durante a longa fase caçadora da evolução humana.

Apesar dessa carga.Como o pescoço feminino é mais delgado que o dos homens. Para começar. se orgulha de ser conhecida na Eu ropa por suas "mulheres-girafas". a palavra padaung significa "a quela que usa aros de bronze". os artistas têm exagerado ess a diferença criando imagens superfemininas. um número que vai crescendo ano a ano. As agências de modelos também selecionam moças que tenham o pescoço mais longo e mais fino que a média. Desenhistas que retratam mulheres atra entes quase sempre estreitam e alongam o pescoço mais do que a anatomia permitiria . Os músculos do pescoço são distend idos com tal força que as vértebras cervicais se afastam de uma maneira totalmente a normal. cinco anéis são colocad os ao redor do pescoço. o pescoço não será c apaz de suportar o peso da cabeça. A mulher adulta chega a exibir entre vinte e trinta colares. A tribo padaung. . O recorde documentado é de 40 cm. se os pesados aros de bronze forem removidos. A crença é que. Na língua nativa. de modo que u ma mulher adulta pode carregar de 20 a 30 quilos de bronze. mas o objetivo é atingir 32 — um feito raram ente realizado. exibiam essas mulheres-girafas em espetáculos de circo — até que exi bições desse tipo deixaram de ser consideradas socialmente aceitáveis. Em uma cultura esse interesse por mulheres de longos pescoços foi levado a extremos. O aspect o mais surpreendente desse costume é o comprimento que o pescoço feminino pode ating ir artificialmente. Os aros de bronze também são usados nos braços e pernas. fascinados por essa distorção cultural do corpo humano. as mulheres da tribo caminham por longas distâncias e trabalham no campo. Os europeus. da Birmânia. O costume da tribo exige que as mulheres comecem a usar anéis de bronze no pescoço desde tenra idade.

na mitologia vampiresca. como o dos vodus do Haiti. Eles eram mais que meros ornamentos.Para as mulheres da tribo padaung. e foi o significado místico do pescoço que g erou o uso de colares nos primeiros tempos. como se poderia imagin ar. Não é por acaso que. U ma solução encontrada recentemente foi escapar para a Tailândia. O mais antigo colar conhecido não foi usado por nenhuma mulher moderna. como o mau-olhado. as mulheres da tribo ignoram essa lenda e afirmam que chegam a esses extremos simplesmente parque esses ornamentos as deixam mais bel as. ocidentais. tendo a especial função de proteger essa parte vital do corpo humano de influências h ostis. a distorção corporal ou a restrição de movimentos provocada por esse bizarro ornamen to. Quem somos nós. De fato. Atualmente. o pescoço sempre foi uma parte do corp o de grande importância. em tempos remotos. as mulheres corriam o risco de serem atacadas por tigres. com nossos piercings na língua. o colar é uma forma muito ant iga de ornamento . a mordida se dá s empre na lateral do pescoço. mas também se pode argumentar que. acredita va-se que a alma humana reside na nuca. Se perguntarmos aos historiadores da tribo como esse costume começou. no umbigo e nos geni tais. dado o alto custo dos anéis. o que as obrigava a usar grossos anéis no pescoço par a se proteger. isso representa um deplorável retorno aos espetáculos circenses de antigamente. onde elas podem cobra r 10 dólares para tirar uma foto ao lado de um turista. Em alguns cultos. mas a dificuldade de encontrar dinheiro para pagar os caros anéis de bronze. isso pelo menos mantém viv o um antigo costume tribal. a principal preocupação não é. Para alguns observadores. para criticá-las? Em círculos ocultistas. eles nos dirão que. mas por uma neandertalense.

foi datado de 38. como espinhas de peixe. mas. Alguns dos primeiros colares eram feitos de objetos simple s. Esse poucos exemplos mostram claramente que us ar um colar não era um traço cultural isolado.C. O que acontecia. foi descoberto um colar datado de 23.corporal. man ufaturadas com conchas de ostras. artefat os usados no pescoço. modificando a po stura do pescoço em relação aos ombros. foi datado de 31. feito de contas circulares. dezoito deles na forma de uma cabeça de cabra e um na forma de uma cabeça de bisão. pressionando a artéria carótida.C. na Índia . e o da Grotte du Renne . mas um costume que já estava bem dissem inado há trinta milênios. Uma forma muito mais saudável de manipulação do p escoço foi desenvolvida por Matthias Alexander. foi encontrado outro extraordinário cola r primitivo de 30.000 a. em Patnia. a pessoa ficava tonta e confusa — uma presa fácil à su gestão.000 a. na verdade. O pescoço também se tornou foco de certos rituais de ocultismo. feit o de dentes e ossos de animais. para os iniciados nos rituais religiosos.C. no sítio arqueológico de Mandu Mandu. é possível . feito de dentes entalhados de animais. era que o cérebro estava sendo privado de oxigêni o. era feito de dezenove fragme ntos de ossos lindamente entalhados. Dois colares pré-históricos foram encontrados na França: o de La Quina.000 a. que criou uma terapia corporal hoj e conhecida como "técnica de Alexander". Isso prova o cuidado que mereciam os. No oeste da A ustrália. Finalmente.C.000 a. que passa pelo lado do pescoço e tr ansporta o sangue para o cérebro. essa condição podia ser convenient emente atribuída a forças sobrenaturais. na região de Maharashtra. na Idade da Pedra Lascada.. mas um exemplar excepcional encontrado na França e fabr icado há mais 11 mil anos. Baseia-se na idéia de que. Descobriu-se que.

O mais conhecid o é a mímica em que a pessoa usa a mão como uma faca prestes a cortar a garganta. tentando dizer que está tão cheia de alguma coisa que não a suporta mais. que por sua vez pode produzir um estado mental mais saudável.curar não apenas certos sintomas físicos. Se. mas existe uma explicação simples para os resultados que a técnica obtém. significa simple smente: "Corta!" Igualmente comum é o gesto que finge um estrangulamento. Na realidade. mostra o que a pessoa deveria fazer a si mesma. essa postura for restabelecida. . em que a pessoa agarra o próprio pescoço com as duas mãos e finge sufocar. Outro gesto popular é o que significa "Estou por aqui". Num outro contex to. com a técnica de Alexander. não é nada mais místico do que o treinamento postural que um bailarino recebe. Com a palma da mão virada para baixo. Com o no mundo urbano as pessoas passam muito tempo curvadas sobre uma mesa ou senta das numa cadeira. Quanto a os gestos. Alguns críticos argumentam que esse conceito dá ao pescoço um poder quase místico sobre o resto do corpo. i ndica o que a pessoa gostaria de fazer com o outro. o pescoço parece ser a chave para a correta postura corporal. executado por uma atriz quando percebe que a cena não está boa. a pessoa bate o indicador várias vezes contra a garganta. Em ambo s os casos. esse também tem dois significados: pode significar "Quero esganar você" ou "Quer o me esganar". Se praticado com raiva. o pescoço vai perdendo sua posição natural ereta. são relativamente poucos os que se concentram no pescoço. Está então estabelecida a base pata a restauração de um tônus muscular s adio. Se apresentado tomo um pedid o de desculpas. o resto do corpo recupera automatica mente o equilíbrio. mas também vários distúrbios psicológicos. Como o gesto anteri or. Esse gesto tem dois significados intimamente relacionados.

Nesses e em muitos outros movimentos do pescoço. inclina-a. ap ruma-a para ouvir um som ou empina-a para cheirar o ar. mas. É um movimento que tem . Hoje. Mas outros têm a função de tra nsmitir sinais visuais. O primeiro é o aceno da cabeça.Mais importantes do que esses gestos localizados são os muitos movimentos do pescoço que determinam diferentes posições da cabeça. passa a imagem de modéstia e timidez. enquanto encara o companheiro a curta distância. Um terceiro movimento. é o que acontece quando a pessoa faz um sinal positivo ou negativo com a cabeça. Quando a mulher baixa repentinamente a cabeça para esconder o rosto. sacode-a. É o movime nto de cabeça usado tradicionalmente pelas prostitutas a um possível cliente que hes ita em se aproximar. com o qual a mulher diz "Venha comi go" ou "Venha aqui". mas existem três casos em que uma mensagem especificamente femin ina é transmitida. Ele ocorre geralmente quando a mulher deseja fazer um sinal sem ser muito explícita.. É uma maneira de alhear -se ao mundo exterior. como provoca uma diminuição da altura. mas quando baixa a cabeça e ergue o olhar. É o que acontece quando a pessoa vira a cabeça para olhar alguma coisa. não há diferenças entre h omens e mulheres. arremessa-a para trás ou aponta alguma c oisa com ela. tem um quê de subor dinação. que costuma ser observado quando a mulher está num estado de espírito amigável ou amoroso. no qual a mulher provoca o parceiro "bancando a prostituta". passa a im pressão de falso pudor. é usado às vezes entre um casal como um convite brincalhão ao sexo. é aquele em que ela pende a cabeça para um lado e a mantém nessa posição. Outro gest o é aquele em que a mulher abaixa a cabeça e a mantém nessa posição. substituindo o chamamento com o dedo indicador. Alguns deles buscam adaptar o corpo ao ambiente.

Se o mov imento surge num clima de flerte. tem um ar de falsa inocência e coquetismo. não é um gesto explícito. é como se estivesse apoiando a cabeça no ombro de um protetor imaginário. Mas a postura corporal madura e sensual contradiz esse gesto infantil. mas apenas sugestivo. Quando ela faz isso na vida adulta. . En tretanto. quando ela apoiava a cabeça no corpo da mãe ou do pai em busca de conforto e proteção. Num contexto de submissão. A men sagem é: " Sou apenas uma menina em suas mãos e gostaria de descansar a cabeça em seu ombro". Qualquer um que tenha sido obrigado a usar um colarinho de gesso depois de um ferimento sabe como a pessoa se sente limitada quando não pode se expressar com essa parte do corpo. pode ser lido como: "Perto de você. me sinto uma criança. Existem muitos outros movime ntos e posturas produzidos pelos músculos do pescoço como sinais sociais específicos. mas os poucos mencionados aqui são suficientes para ilustrar sua sutileza e comple xidade. dando a ele uma conotação de falsa timidez. tão dependente como eu era quando descansava a cabeça no colo de meu pai".origem na infância.

Além disso. uma típica pose glamorosa. mais arredondados e mais macios que os mas culinos. vale a pena fazer uma breve descrição da biolog ia dessa parte da anatomia humana. Da m esma forma.11. Esses par es de hemisférios. Os cantos arredondados dos ombros femininos — poeticamente descritos com o "duas pérolas eróticas. Antes . formam um par de suaves hemisférios aos olhos masculinos. que exercem uma forte atração sobre os homens. se repetem não apenas nos seios. uma de cada lado" — são dois pedaços de carne quase hemisféricos. a qualquer momento. Quando a mulher dobra as pernas e abraça-as firmemente junto ao peito. A principal função dos ombros é oferecer uma forre base para os múltiplos movimentos dos braços. mas sua forma suavemente arredondada — resultante de uma camada subcutânea de gordura — lhes dá uma qu alidade erótica sempre que aparecem despidos. os jo elhos. na qual a mulher apóia o queixo num ombro nu. se expostos. quando ombros nus são arqueados. embora não exerçam uma função sexual primária. deslizarem pelos ombros e revelar os seios. E a moda das roupas de ombros descob ertos contém a promessa de. Antes de examinar como diversas culturas modificaram a linha natural dos ombros femininos. Dessa forma. os ombros. Ombros Os ombros femininos são mais estreitos. Podem não ser tão fortes quanto os largos ombros dos homens. atraindo ai nda mais o olhar dos homens. podem transm itir leves sinais eróticos. enfatiza e chama a atenção para a curva e a maciez dos o mbros. mas também nos joelhos e ombros quando a mulher adota determinadas post uras. também evocam o par esférico. e por isso evocam o apelo sexual primitivo contido na forma das nádegas.

[.." Por o utro lado.] Uma bela mulher esbelta era aquela [com] ombros atrofiados. . ajudam os braços a bal ançar. O ombro da mulher corresponde em média a 7/8 do masculino. na qual ele mostra uma jovem com ombros anormalmente pequenos. Nesse sentido. Uma exceção aparece na obra antropológica de Jonn Bulwer. Os historiadores da moda registraram essa mudança: "Os ombros ligeiramente estofados evoluíram para as ombre iras e daí para enchimentos que pareciam pequenos sacos. É claro que essa diferença de gênero gerou muitas especulações cult urais. escrita no século XVII e intit ulada A View of the People of the Whole World (Uma visão dos povos de todo o mundo ). é difícil aplicá-lo à região do ombro. embora esse exagero seja possível em outras partes d a anatomia feminina. Entretanto. com a ajuda de seus músculos complexos. se erguer. Se os ombros femininos são estreitos. e. O artifício era visíve l nas roupas da mulher emancipada da década de 1890. "Ombros estrei tos e contraídos eram tão apreciados pelas mulheres de antigamente que elas interfer iam na posição deles e os adotavam diligentemente como um sinal de grande elegância e beleza. nossas "patas dianteiras" já tinham se tornado muito versáteis. que mostrava seu anseio de ig ualdade sexual e seu desejo de "ombrear" com os homens. se torcer e girar de um surpreendente número de maneiras. Mais importante é sua espessura. até que. e isso raramente foi tentado.mesmo que nossos ancestrais adotassem a postura ereta. a diferença é maior.. estreitá-los ainda mais deveria aumenta r a feminilidade. Os ossos do ombro são capazes de movimentos de cerca de 40 graus. o que aconteceu em vários momentos de nosso passado recente. o que reflete a fraqueza relativa da musculatura dos ombros femininos. mulheres que queriam se afirmar adotaram ombros artificialmente largo s.

durante a Segunda Guerra Mundial. Era um modelo adequado para um tempo de guerra. elas continuavam usando espartilhos e anáguas. os omb ros quadrados davam à mulher um ar de força masculina. Eram pseudo uniformes com ombreiras. A segunda onda de ombros largos surgiu na década de 1940. na qual a s mulheres desempenhavam um importante papel. mas passos firmes. A terceira onda chegou nos anos 19 70. inicialmente. Essas mulheres de ombros largos competiam com os homens graduando-se em univer sidades. Eles exibiam uma linha que se e stendia além dos ombros. que tinham ombros fortes para prová-la. trabalhando fora de casa e praticando esportes até então vedados a elas. o fisiculturismo surgiu e ganhou adeptas. se transformaram em grandes balões tremulando acima dos ombros" . Como resultado dessa tendência. Mas esses enchimentos ficaram ainda mais exagerados à medida que uma nova geração de executivas começou a ganhar assento nas salas . Escritores do período descrevem esses ternos com "ombros à Joan Crawford". Também foi possível detectar uma mudança nos modelos de glamour. uma mulher muscul osa seria vista como um mico de circo. Foi na década de 1980 que o uniforme feminista deu lugar ao terninho preto.. Garotas de ombros largos passaram a ter oportunidades qu e lhes teriam sido negadas dos anos 1960 para trás. nos quais. mais uma vez. A estrelas do cinema não mostravam mais afetação ou mene ios. porém. uma volta às rígidas ombreiras do s anos 1940. Eram masculinas em público e femininas na vida privada. mas no clima feminista ela se tornou símbol o da nova força das mulheres. assumiu um estilo "terroris ta chique". quando modelos de estilo militar eram adotados mesmo por civis. So b esse vestuário masculinizado.por volta de 1895. com o movimento de liberação feminina. Algumas décadas antes.

"Nessa época. "Mulheres de ombros largos são duronas que exigem seu espaço" . "As mulheres nunca mais vão poder voltar para casa. os homens sempre foram capazes de oferecer um ombro amigo a uma mulher que quisesse . "As mulheres estão tão agressivas que volta ram aos ombros definidos do tempo de guerra". os ombros femininos se suavizaram novamente. e não mais de um ditame social. mas o conceito sobrevivia co mo uma metáfora do triunfo das mulheres num mundo masculino. O movimento feminista (pel o menos no Ocidente) tinha caminhado bastante para que a mulher pudesse desfruta r sua condição de fêmea. embora não fosse mais uma rea lidade. "Modelos de ombros naturalmente la rgos são as preferidas". disse um deles. O o mbro do homem é em média 13 cm mais alto que o feminino. Um aspecto dos ombros masculinos que as mulheres têm dificuldade de imitar é sua altura em relação ao chão. "As fábricas de ombreiras do Bronx estão abrindo novas linhas de montagem depois de anos de inatividade". "A ombromania está tornando difícil achar espaço num elevador ". A forma do ombro agora dependia do corte de um determinado modelo. embo ra nos anos 1990 as mulheres fossem livres para vestir o que quisessem. Quando se iniciou a no va década. as ombreiras estavam fora de moda. Por isso. Curiosamente. em vez de bancar o macho. Os ombros da década tiveram tal impacto que os jornalistas competiam na criação de novas frases. porque os ombros não passam pe la porta" — eram comentários ouvidos em meados dos anos 1980. Ainda em 1994 um artigo sobre o crescente domínio das mulheres executivas no mundo da publicidade intitulava-se "Por que as ombreiras estão de volta ao pode r?".de diretoria. o concei to dos ombros largos sobreviveu como um rótulo verbal.

com medo ou com raiva tendem a subir os ombros num ato de defesa. O problema é que salt os muito altos criam instabilidade e a necessidade de uma mão masculina como apoio . uma postur a que se tornou sinônimo de qualquer situação desagradável. A mulher resoluta e controlada mantém os ombros baixos e retos. são capazes de subir. ela automaticamente tenta proteger-se enfiando a cabeça nos ombros. Daí decorre que. as mulheres serão o brigadas a olhar para cima para falar com um homem. De forma geral. a mulher moder na ainda enfrenta o poder dos ombros masculinos. parece-lhes injusto que o homem sede ntário de hoje ainda exiba essa superioridade física. e levados para o alto e pura a frente em mome ntos de ansiedade. quando a mulh er tem um dia estressante. o que anula a pretensão. a evolução atua num ritmo muito lento. gir ar e encolher. Como esses ombros foram evoluti vamente conquistados com a atividade da caça. os ombros ficam abaixados e para trás quando o estado de espírito é de calma e atenção. Mulheres que se sentem dominadas. costuma . Mesm o quando não estão envolvidos no movimento dos braços. Alguns desses movimentos são eloqüentes na linguagem corporal. alarme ou hostilidade. mas pa ra entende-los é preciso examinar as razões pelas quais a mulher primitiva adotava u ma ou outra postura. Com as lágrimas e a vulnerabilidade fora de moda. cheio de decepções ou irritações. Infelizmente. A única esperança de igualdade está no uso de saltos altos. e en quanto isso os ombros dos homens continuarão oferecendo um travesseiro para as mul heres. Por enquanto. embora mentalmente tenham ad otado uma postura bastante diferente. pelo menos fisicamente. A mobilidade dos ombros é extraordinária.chorar suas mágoas. Se alguém ameaça atacar uma mulher na ca beça. descer. Mais l milhão de anos será necessário para corrigir as coisas.

A razão pela qual as pessoas "se sacodem" quando ri em é que a base do humor é o medo. Na velhice. além de nos divertirmos. tiveram poucos golpes na vi da capazes de fazê-las adquirir uma corcunda. deixamos escapar uma risada sem acrescentar a ela qualquer movimento corporal. O humor nos choca de uma maneira segura. mas p ara elas mesmas) não passam por esse gradual declínio e são capazes de exibir uma post ura ereta aos 90 anos. semana após sem ana. o queixo chegará a tocar o peito. Se essa situação se repete dia após dia. quando. Para outras — e são a maioria —. com os ombros permanentemente erguid os e contraídos. e revela mos nossa surpresa e nosso simultâneo alívio com uma risada. No final de um desses dias. Esse é um gesto que guardamos para as ocasiões s ociais. queremos mostrar nossa alegria aos que no s cercam. ela poderá adquirir uma postura curvada. Como ocorre uma leve elevação dos ombros quando rimos. Um deles é o movimento com que sacudimos os ombros quando rimos. podemos exibir melh or nosso bom humor exagerando esse gesto. quando começou o dia. Dois principais movimentos dos ombros tem origem nessa postura defensiva. as ansied ades da vida foram tantas que elas não conseguiram evitar a permanente tensão dos om bros. ela terá os ombros ligeiramente mais curvos do qu e pela manhã. Essa postura pode ser útil se ela for atacada com um bastão. Mulheres de sucesso (o que significa ter sucesso não só para o mundo exterior. Se estamos no domín io de nossas emoções e algo nos faz rir. O pescoço alongado que ela possuía quando criança lentamente se encolhe e afunda nos ombros até desaparecer. A elevação dos . fazendo os ombros subirem e descerem r apidamente no ritmo da risada. Cheias de confiança e otimismo. mas não terá qualquer utilidade se ela estiver sendo agredida com palav ras.manter os ombros erguidos e tensos.

e os cantos da boca descem. os ombros se elevam. Se foss e grave. As palmas das mãos viram para cima. Nos países setentrionais. O uso desse gesto varia de uma cultura para outra. evitan do o olhar do interlocutor. Indiferença ("Pouco me importa "). prolongada e silenciosa — o que expressa a total impotência da pessoa diante de uma loucura inconcebível. Significa apenas que ela não sabe lidar com aquela questão específica. São todos sinais negativos. No momento em que o poder diminui. A contração dos ombros tem uma origem sem elhante. e ssa sacudida dos ombros está denunciando a presença do medo.ombros que acompanha a risada é parte do primitivo elemento de medo. à imposição de um imposto ou a um congestionamento do trânsito basta para provocar a im ediata elevação dos ombros. Mas de que adianta?". Mas nada grave. Na maioria das veze s. uma adm issão de incapacidade. dar de ombros. e eu os ergo dessa maneira para me pro teger. os ombros permaneceriam erguidos. assim como o utras reações gestuais. Essa combinação de movimentos indica uma perda momentânea de poder. impotência ou resignação ("Não posso fazer nada"). Essa adoção formal de uma postura tensa não signif ica que a pessoa esteja seriamente estressada ou se sinta inferior ou ameaçada pel o interlocutor. encolher os ombros significa ignorância ("Não sei"). é considerado um gesto . esse movimento de ombros é muito comum. os ombros se erguem e se curvam para a frente por um momen to antes de voltar à posição anterior. Às vezes. Nesse gesto. uma impotência simbólica. Na verdade. os olhos se voltam para cima. Seu gesto está dizendo: "Esses golpes não param de cair sobre meus pobres ombros. Em alguns países mediterrâneos. como se implo rassem. e com ela uma perda momentânea de poder. A menção passageira a uma restrição governamental. a aceitação de uma incapacidade.

indelicado e bastante raro. quando ocorre. É o g esto pelo qual a pessoa abraça a si mesma na ausência de alguém para abraçar. Elevar e curvar os ombros para a frente. . os ombros estão mostrando a postura que adorariam se o ser amado fosse abraçado de verdade. nem sempre a elevação dos ombros é uma postura defensiva. Entretanto . tem raízes semelhantes. na tentativa d e demonstrar ternura pelo ser amado. A cabeça descansa sobre o ombro. com os braços envolvendo o corpo. Mas. é uma forma de "abraçar o vazio". Nesse caso . Outra versão do movimento ocorre quando a pessoa ergue os ombros para fa zê-los tocar o queixo ou a bochecha.

dotados de uma incrível mobilidade. atirar. o braço opera co mo um guindaste móvel. Se o polegar e os dedos estão trabalhando com delicada precisão. por exemplo. os fortes músculos do braços. Qualquer outro ponto seria demasiado íntimo. os braços humanos são nossas pernas dianteiras. as pernas dianteiras foram drasticamente aliviadas d o peso que carregavam e puderam se especializar em múltiplos propósitos manipulativo s. Mas. De fato.12. mas no resto do br aço ficam cobertos pelos músculos. para qualquer criatura de quatro patas. vale dizer que a ulna é . e nossas per nas dianteiras tornaram-se seus criados. Braços Os braços são a parte menos erótica do corpo feminino. Se um homem pensa em tocar uma mulher sem qualquer desejo sexual — para chamar sua atenção. o melhor ponto é o braço. Esses ossos são visíveis no ombro. ou guiá-la num a direção —. o que significa que sua posição mais relaxada é a da pal ma voltada para baixo. Para quem não sabe qual é o rádio e qual é a ulna. Se as mãos precisam agir com força — para trepar. socar —. golpear. como o bíceps e o tríceps. no cotovelo e no pulso. O braço conta com três ossos: o pesado úmero do braço e o rádio e a ulna (ou cúbito) do an tebraço. virando a palma para cima. colocando a mão na posição ideal para que a tarefa seja executada . em termos evolucionários. Os dois ossos do antebraço se cruzam quando a mão gir a. quando nossos ancestrais assumiram a postura ereta apo iados nas pernas traseiras. eles devem parecer um par de pern as inúteis penduradas. entram em ação. Os br aços têm dupla qualidade: força e precisão. Nossas patas dianteiras transformaram-se em sofisticadas garras. Vale lem brar que.

O trabalho muscular permi te fortificar esses músculos a um grau surpreendente. e sua função é flexioná-lo. o que implicaria uma ob sessão que beira o narcisismo. Uma campeã de fisiculturismo parece estar mais intere ssada no que vê no espelho do que no corpo de um companheiro masculino. Muitos homens afirmam que não os acham atraentes. O bíceps é o músculo que situa na parte anterior do braço. O antebraço mascul ino mais longo é o reflexo de um papel evolutivo: o de atirador c lançador. que dão a impressão de imensa força. os homens são melhores arremessadores de dardos que as mulheres. como mostram os braços malhado s exibidos em competições de fisiculturismo feminino. e é inevitável que braços excessivamente desenvolvidos percam suas qualidades femininas.ligeiramente mais delgada e alinha-se com o mindinho. muito superior à média em eventos desse tipo. Os braços da mul her são mais curtos. e o feminino. e sua função é erguer o braço e afastá-lo do corpo lateralmente. enquanto o rádio é mais espess o e alinha-se com o polegar.40 metros. Por isso .72 metros. de 72. e sua função é estendê-lo. e a razão disso parece ser o exce sso de esforço necessário para desenvolver essa musculatura. mais fracos e mais finos que os do homem. O triceps é o forte músculo que se situa na parte posterior do braço. Os principais músculos do braço e os movimentos que ele s produzem são os seguintes: O deltóide é o grande músculo que recobre a articulação do ombr o. Outro prob lema com o braço super-desenvolvido é que ele parece muito masculino. que é de 10%. uma diferença d e 33%. O recorde mascu lino nesse esporte é de 96. .

têm um ar muito ma sculino. o braço fica na turalmente mais próximo ao tronco. Se o c otovelo se choca com um objeto duro. Portanto. nas mulheres. com a fêmea sobre as quatro patas. a postura dos braços nos oferece significat ivos sinais sexuais que não podem ser atribuídos a um condicionamento social. em ambos os sexos. o ângulo do cotovelo é 6 graus maior que o do homem. Quando oscilam soltos no espaço. afetando os antebraços. por um momento. incapacita o braço. e os odores produzido s por um e outro diferem. que causa a aguilhoada dolorosa e. De fato. o nariz ficava p róximo à região dos ombros. Essa pequena zona pilosa desempenha um papel químico importante e reflete uma grande mudança nos hábitos sexuais da espécie humana. as axilas ficavam afastada s do rosto do parceiro. que passa pela articulação do cotovelo. É o nervo ulnário. o lugar ideal para o desenvol vimento de glândulas sudoríparas. Outro detalhe a natômico do braço que merece menção são as muito amaldiçoadas. se u corpo parece afeminado. ocorre uma ferroada. A mulher possui mais glândulas sudoríparas que o homem. seguida de uma dor con siderável por algum tempo. e homem e m ulher passaram a adotar predominantemente a posição sexual frontal. Quando mais tarde assumimos a postura ereta. Quando nossos ances trais se acasalavam. recentes pesquisas revelaram que. muito depiladas e muito desod orizadas axilas.Outra diferença de gênero diz respeito à articulação do cotovelo. os braços do homem pendem mais afastados do corpo. Na mulher. o que indica que elas atuam como sinais sexuais entre parceiros amorosos. Isso ocorre porque. tendo os olhos ve ndados. E ali se situavam as axilas. Sua presença é exclusiva da espécie humana. Devido aos ombros mais largos. os homens se excitavam . mas se um homem prende os braços junto ao corpo.

retirou-se para uma das salas adjacentes ao salão de baile do Louvre para trocar a camisa molhada de suor. determinava que o homem que quisesse seduzir uma mulher usasse um lenço limpo junto à axila. o impacto sexual da fragrância das axilas fe mininas parece ter-se feito sentir na corte francesa. quando então seria oferecida ao amado. e sua secreção é levemente mais oleosa do que o suor comum. tr ansmitido de geração a geração. o que ele f azia era espalhar o odor de sua glândulas apócrinas na esperança de que ela fosse sedu zida por ele. A mulher colocava uma fatia de maçã sob as axilas enquanto dançava e. Uma linda princesa. por baixo da camisa. De pois. sentindo-se acalorada depois de uma vigorosa dança na corte. Na verdade. quando o surgimento dos hormônios sexuais ativa-as e ao mesmo tempo provoca o crescimento de pêlos nas axilas. expunhase automaticamente ao aroma sex ual da mulher Esse truque também era conhecido na Inglaterra elisabetana. Mais tarde. que também sofria com o calor. no século XVI. devia tirar o lenço e acenar com ele para refrescá-la. a o ferecia ao parceiro. Elas só se desenvolvem na puberda de. Quando ele comia a maçã. que inalaria s ua fragrância.mais sexualmente cheirando o suor da axila da mulher do que com qualquer caro pe rfume produzido comercialmente. entrou nessa sal a e. Um velho costume inglês. Marie de Clèves. Essas glândulas sudoríparas são glândulas apócrinas. quando u ma maçã inteira descascada (conhecida como "maçã do amor") era colocada na axila da mulh er até se embeber de seu suor. julgando . Na Áustria rural o truque funcionava de maneira diferente. esposa do horroroso príncipe de Condé. O duque d'Anjou (que logo se tor naria o rei Henrique III da França). quando a música parava. o que intensifica o sinal que elas transmitem. A função dos pêlos é manter as secreções glandulares na regi axilar. antes de iniciar a dança.

com o corp o coberto de camadas de roupas. produz se creções frescas das glândulas sudoríparas. por que se daria tanto trabalho para eliminá-lo lavando. A sensação desagradável que isso nos causa nos faz preferir usar desodoran tes do que correr o risco de transformar o que seria um estímulo sexual numa catin ga corporal. Embebido nelas. A arte do amor. em seu livro sobre a sedução. seus sentidos foram profundamente afetados por e sse ato. Com isso. Infelizmente. seu lenço limpo carrega realmen te um forte odor sexual. O odor natural do corpo se torna mau cheiro. no caso das mulheres. o duque. resultado do hormônio masculino. que já era admirador secr eto da princesa adolescente. o poeta romano Ovídio. Entretanto. esfregando e desodorizando as axi las e. em sua forma pura e .C.. É o sistema primitivo em ação. Desde o século 1 a. Nascia uma paixão m aldita. banhado e usando uma camisa limpa para a dança. Diz-se que a secreção masculina tem um odor almiscarado. ganh ou coragem para quebrar seu silêncio e confessar a ela seu amor. No momento em que inalou sua fragrância. essas histórias parecem muito e stranhas. De acordo com um cronista da época. nossa pele suada pode se transformar facilmente numa estufa para a propagação de milhões de bactérias. depilando-as? A resposta está no vestuário. usou-a para enxugar o rosto suado. Se o ser humano carrega um estímulo sexual tão forte sob os braços.que a camisa de Marie fosse um guardanapo. advertia as damas de que "carregavam um bode nas axilas". foi tomado por uma incontrolável paixão. Considerando a forte indústria que se alimenta da venda de desodorantes. que lhe causaria muito infortúnio nos anos seguintes. O homem da história do folclore inglês. hoje. Pesqu isas recentes mostraram que as secreções axilares de homens e mulheres diferem quimi camente e têm um odor que atrai o sexo oposto.

Na China. A depilação "podia ser perdoada em locais de clima quente. se quisessem ser mai s perfumadas e atraentes. mas hoje é simplesmente vandalismo ignorante". Anúncios diziam às mulheres que. introduzida no Ocidente na década de 1920 pel a florescente indústria cosmética. Na ver dade. apenas 2 ou 3% da população têm algum odor debaixo dos braços. Nem todos os orientais possuem esse sistema glandular.fresca. no mínimo metade da população não tem glândulas sudoríparas. E acrescentava um curioso conselho: "A axila pode ser usada no lugar da pal- . onde não se consegue detectar nenhum odor axilar em 90% da população. Em pouco tempo. Elas também são r s no Japão. calcula-se que menos de 1% das mulheres rejeite a depilação como um procedimento r otineiro. Houve um tempo em que indivíduos que sofriam dessa "doença" eram disp ensados do serviço militar. deviam se livrar das "armadilhas de cheiro" que eram o s pêlos nas axilas. as mulheres ocidentais aderiram em massa. a osmid rosis axillae. fazendo-nos sentir o estímulo sem saber bem por quê. opunhase fortemente à depilação: "As axilas — um local clássico para beijos. os orientais geralmente acham o odor natura l dos europeus e africanos muito forte e até mesmo ofensivo. publicado em 1972 . Não devem ser depiladas sob nenhum pretexto". as secreções masculinas e femininas não são conscientemente detectadas pelo olfa to humano. O famoso guia dos amantes. onde não havia água encanada. De vez cm quando ocorre uma fraca rebelião contra esse tipo de "mutilação". Hoje . Devido às diferenças raciais. o forte cheiro nas axilas é visto como uma doença. entre os japoneses. Entr e os coreanos. Elas parecem atuar num nível inconsciente. The Joy of Sex (A alegria do sexo). A remoção dos pêlos nas axi las é uma prática relativamente recente.

mas parece que o guia sexual acreditava haver uma tendência nesse sentido no início dos anos 1970: "Uma nova geração começou a perceber que é sexy manter os pêlos nas axilas". que se definia como "a única revista do mundo para os que amam as mulheres naturalment e peludas". Recentemente. uma mulher adulta se oferece simbolicamente c omo uma criança e portanto encoraja uma perversão sexual. a revist a não percebia que. . afirmava a revista. acusava os homens que se mantêm bem barbeado s de estimular a pedofilia — já que meninos não têm barba. feministas radicais ou hippies q ue não saíram dos anos 60". os últimos anos do século XX assistiram à chegada de uma revista intitulada Hair to Stay (Pêlos para ficar). que o consideraram repulsivo. Tudo isso era um erro. Os pêlos das axilas. Entretanto. A julgar pelos filmes e pelas fotos publica das em revistas a partir dessa década. Convenientemente. porque. "funcionam como uma antena transmissora. São vistas como lésbicas. Apesar disso. a moda mundial ignorou essa suposta tendência . dizia. quando uma famosa atriz de Hollywood ergueu o braço para acenar pa ra a multidão e exibiu uma axila peluda. chegou a afirmar que. tinha que admitir que lutava uma batalha difícil: "Nos ano s 90. Para pôr mais lenha na fogueira. "de u m ponto de vista psicossocial. as mulheres que decidem não depilar as axilas são ridicularizadas e submetidas a situações constrangedoras. Não se sabe quantas mulheres podem ter abandon ado a depilação depois desse conselho. o fato foi comentado em todas as colunas de fofoca.ma da mão para silenciar o parceiro no momento do clímax" — talvez para que o odor das axilas fosse plenamente apreciado. ao exibir uma axila depilada. enviando sina is que convidam ao ato sexual". com esse argumento. a remoção dos pêlos é uma revolta contra a sexualidade".

não colocamos nenhum esforço nesse ato. A postura de braços abaixados é neutra. Só quando os afastamos do corpo eles sentem a tensão do esforço. Voltando à postura dos braços. Mesmo depois de uma longa caminhada. quando os pés doem e os músculos das pernas estão exaustos. A postura de br aços erguidos é mais difícil de sustentar por qualquer período de tempo. os braços continuam oscilando levemente.A verdade é que a remoção dos pêlos faz com que homens e mulheres pareçam mais limpos e ma is jovens. nos obriga a manter uma excessiva proximidade em s ituações que nada têm de sensuais. muito apreciado por políticos e astros do esporte. princi palmente nos centros urbanos. para o lado e para a frente. Entretanto. . não importa o que digam os rebeldes. existem motivos de sobra pata eliminar os primitivo s sinais sexuais. balançamos os braços quando caminhamos. parece provável que a depilação corporal continue a prospe rar. É um gesto de tri unfo e vitória. Se tentarem manter essa postura por horas — o u mesmo por minutos —. Como parte da locomoção bipedal. mas. e os músculos ficam totalmente relaxados e ina tivos. Por isso. para cima. a m enos que estejamos participando de um desfile militar. e também os torna mais v isíveis nos momentos em que eles mais desejam ser vistos. eles cumprimentam seus fãs e comemoram uma alta posição com uma postura elevada. logo serão vencidos pelo cansaço. Apenas se pudéssemos voltar a uma vida tri bal de seminudez seu argumento seria válido. Levantar os braços os faz parecer mais altos e mais fortes. ajudando-os a eliminar o cheiro corporal. Com os braços ergui dos. descansados e relax ados. Como a vida moderna. existem qu atro movimentos principais: para baixo. a posição não se m antém por mais do que alguns segundos.

A postura de braços par a a frente é mais complexa. os braços se erguem num gesto de defes a. O artista revela o desejo de a braçar o público. Na post ura de vitória. além de transmitir muitos outros sinais. Nesse caso. o nde alguma arma pode estar escondida. se as palmas estiverem voltadas para cima. ou um pedido de e smola. os braços se flexionam ligeiramente nos cotovelos c se mantêm na posição vertical. que responde com o único gesto que é capaz de realizar de seu lugar na platéia. de acordo com a posição das mãos.O gesto ganha um significado totalmente diferente quando um assaltante com uma a rma na mão ordena: "Mãos ao alto!". ou agressão. Na reação a uma ameaça. quando se dobram. Entretanto. seu ge sto . os braços em geral se mantêm esticados e. angulam-se ligeiramente para a frente. postadas o mais longe possível do corpo. Uma mulher que aviste um amigo querido a alguns passos de distância a bre os braços até poder fechálos num abraço emocionado. e a platéia imediatamente responde com aplausos. e não de vitória. Essa mesma postura é vista depois que uma artista de circo completa um número de grande dificuldade. n a qual o sentimento se converte no som de um abraço simbólico. A postura de braços abertos é um convite dista nte ao abraço. Como a posição de braços abertos. existe uma sutil diferença na angulação dos braços. Ele abre os braço s. po de ser também um convite ao abraço. A essência dessa postura defensiva é que e la deve mostrar mãos vazias e desarmadas. Os sinais que envolvem os braços incluem ainda diversas formas de aceno e saudações. Pode significar rejeição se as palmas das mãos estiverem emp urrando para fora. O gesto de bater palmas é uma forma muito modificada do "abraço no vazio". se os punhos estiverem cerrados. Quando uma importante figura feminina acena de um balcão.

tocamos seu braço. No contato pessoal. Se quisermos ajudar uma pessoa idosa a atravessar a ru a. Os braços são usados para tran smitir sinais de longa distância. Se em qualquer desses casos tocássemos a cintura. amigos pod em dar os braços quando caminham juntos. Se queremos chamar a atenção de alguém. com menos precisão do que a que se pode transmitir com os dedos ou expressões faciais. Como esse é um ornamento que sempre foi usado por mulheres. é sinal de poder revolucionário. A saudação de punho cerrado d e uma líder rebelde. Os braços são a parte mais neut ra do corpo. há quem acredite que esse costume teve origem como uma maneira de exagerar a forma delgada do braço fe minino. Sua forma exata indica algo de seu estado de e spírito.pode ser visto de grande distância. . As tatuagen s nos braços não têm sido raras. Nesse sentido. Se orientamos alguém a passar por uma porta. um movimento de paz que visa cancelar o sinal de hostilidade. O aceno de uma rainha é um gesto de poder pacífico. o gesto prontamente transmitirá um sinal de intimidade. A saudação militar — com os cotovelos flexionados e a mão toca ndo o quepe — é um gesto que estiliza a intenção de remover o elmo. nós a pegaremos pelo braço para guiá-la. sem qualquer significado íntimo. sugerindo a escravidão da mulher pelo homem. E por aí vai. os braços femininos funcionam co mo inestimáveis bandeiras corporais. Sejam homens ou mulheres. ao contrário. Outra explicação seria que os braceletes e pulseiras atraem os homens porque são algemas simbólicas. mas se houver qualquer outro toque durant e a caminhada. o braço é quase sempre foco d e ações amigáveis e assexuadas. o peito ou a c abeça. nós a conduzimos com um leve toque no cotovelo. A saudação nazista era u m gesto de rígida lealdade. mas a forma mais comum de adorno sempre foi o bracele te. nosso gesto estaria imediatamente sob suspeita.

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mas possuem maior delicadeza* qu ando se trata de manejar objetos pequenos. num teclado lige iramente menor. e reflete quanto mãos fortes eram importantes para o caçador primitivo. as mãos puderam se dedicar uni camente à manipulação. milhões de anos atrás. O resultado é que a maioria dos grandes pianistas são homens. Um exemplo: o teclado do piano foi concebido para mãos masculinas. dando a ambos os sexos o mesmo potencial para escalar paredes rochosas. Livres da tarefa de locomoção. Essa é uma das maiores diferenças de gênero. tanto no solo quanto nas árvores —. Sempre que um trabalho preciso dos de dos se faz necessário. A espécie hu ana ganhou destreza — e transpôs o limiar para um mundo onde nada estava a salvo de seus dedos. os homens têm uma força manual cerca de duas vezes maio r que a das mulheres. nossos ancestrais se puseram de pé sobre as patas trasei ras e libertaram as patas dianteiras? O principal elemento dessa história — o segred o do sucesso das mãos humanas — foi o desenvolvimento dos polegares opostos. Podem ser menores e não ter a mesma força que as mãos do homem.13. Mas como isso aconteceu? Qual é a história evolutiva das mãos femininas? O que aconteceu q uando. No aspecto físico. Da mesma f orma. mais adequado ao tamanho da mão feminina. MÃOS As mãos femininas são superiores às masculinas num aspecto: são mais flexíveis. . colocando as mulheres em imediata desvantagem. a maior flexibilidade do s dedos faria as mulheres pianistas suplantarem facilmente os homens. Esse foi um dos principais passos na evolução da espécie. as mãos femininas são imbatíveis. Mas. os alpinistas relatam que a flexibilidade feminina se equipara à força masculi na.

Costurar e tecer t alvez estejam menos em evidência. Por isso. para atirar objetos longe e para outras atividades como martelar. prender e carregar. e não os homens. durante todo esse lon go período da história humana as mulheres. ágeis e frágeis da fêmea humana. no pas sado. tarefas que de pendem de mãos grandes e fortes são predominantemente masculinas. Nessa tarefa. é a precisão. A o utra metade. na qual dedos ágeis eram importantes para modelar e decorar os potes . Quase não há mulheres trabalhando em carpintaria. A força manual era particularmente importante para fabricar armas e outros implementos primitivos. que com treinamento pode c hegar a 54 kg ou mais. . A força se adquire opondo-se o poleg ar contra todos os dedos. tecelagem e em todas as formas de trabalho decorativo. rasgar. A precisão se conquista opondo-se apenas as pontas dos d ois dedos. embora ca pazes de grande precisão se comparadas às mãos de polegares curtos de outras espécies. A força é apenas metade da história de sucesso das mãos. As mãos masculinas. igualmente importante. não podem competir com as mãos delicadas. Como a olaria era a principal forma de arte na pré-história. Antes da invenção do torno. mas a destreza feminina continua sendo um talent o. o homem tem uma força manual de cerca de 40 kg.Em média. embora hoje a natureza das tarefas tenha se a tualizado. A situação não mudou muito. elas dominavam a arte cerâmica. as mulheres sempre foram excelentes em tarefas de costura. Mesmo hoje. a mulher é superior ao homem. foram artistas dotadas de grande criatividade — um fato geralmente desconsiderado por arqueólogos e historiado res da arte. Basta olhar para o interior de uma fábrica de equipamentos eletrônicos pa ra ver centenas de ágeis mãos femininas manipulando minúsculas peças.

colher nozes e frutos. A coleta de alimentos exigia arrancar raízes. Ainda no berço. durante uma vida. os marinheiros se mostraram capazes de manejar bem uma agulha quando estão em alto-mar. Como peças de um mecanismo complexo. a diferença era significativa: força par a os homens e precisão para as mulheres. c omo se antecipando o futuro prazer da manipulação. Mesmo os recém-nascidos possuem uma notável força nos dedos. De todas as partes do corpo humano. executar músicas num teclado a uma v elocidade incrível. os dedos se flexionam e se esticam no mínimo 23 milhões de vezes. elas são insuperáve is. tarefas mais ade quadas aos dedos rápidos e flexíveis das mulheres do que às mãos fortes e musculosas dos homens. na Idade da Pedra Lascada. pintar obras-primas. Por outro lado. ler em braile e até recitar poemas na lingu agem dos surdos. Argumenta-se que essa destreza foi uma adaptação adqu irida na coleta de alimentos. as mãos revelam outras capacidades: digitar cem palavras por minuto. Comparadas ao Rolls Royce que é a . as mãos talvez sejam as mais ativas. Com a divisão de trabalho ocorrida durante nossa evolução. Mas. essa especialização nu nca mais foi tão acentuada. eles dobram e contorcem os dedinhos.Essa diferença de precisão não se dá apenas pelo fato de a mulher ter dedos mais leves e finos. Calcula-se que. A mulher mais forte de um grupo sempre foi mais capaz de partir uma peça de carne ou (hoje) destampar uma garrafa que o homem mais fraco. uma especialidade feminina. e as mãos raramente param quietas. Mais tarde. As mãos femininas ficaram razoavelmente fortes e as mãos m asculinas tornaram-se capazes de tarefas bastante precisas. E existem alguns exímios harpistas. uma característica que pode resultar de fatores hormonais. As juntas dos dedos femininos são mais flexíveis. escolher sementes.

mas nos humanos a independência do ind icador é tal que partiu a linha em duas. são marcas que refletem os movimentos da mão. as glândulas sudoríparas da palma cessam sua atividade. As primeiras. que correm ao redor da base do polegar. a quiromancia perdeu terreno no sécul o XX. elas não reagem ao calor como as glândulas sudoríparas de outras partes do corpo. A força musc ular das mãos e dos dedos não vem apenas da musculatura da mão. e a linha da vida e a linha do destino. 5 ossos palmares e 8 ossos no pulso. Quando a p essoa dorme. Só reagem a um aumento de tensão. Um legado da quiroman cia que tem alguma utilidade é a denominação das várias linhas da mão. o que há séculos tem garantido a sobrevivência dos quiromantes. por mais quente que esteja a cama. a linha da cabeça e a linha do coração são uma só. À medida que a pessoa se torna mais . chamada "linha dos símios". As quatro principai s linhas são: a linha da cabeça e a linha do coração. Na superfície da mão existem três tipos de linhas: as linhas de flexão.mão humana. A sensibilidade da mão ao calor. Elas variam ligeiramente de um indivíduo para outro. O suor das mãos não é comum. são 14 ossos digitais. Se as palmas estão compl etamente secas. as patas das demais espécies não chegam a ser uma bicicleta. Como outras práticas ar tificiosas como a frenologia e a astrologia. porque existem milhares de terminações nervosas por centímetro quadrado. O par de mãos h umanas contém nada menos do que 54 ossos. e hoje nada mais é que a exibição de feira que merece ser. a pessoa está relaxada. as linhas de flexão. Nos macaco s. Na verdade. à dor e ao toque é grand e. uma em cada 25 pessoas ainda exibe uma única linha. que atravessam a palma. Entretanto. as lin has de tensão e os sulcos papilares. Em cada mão. mas também dos músculos do antebraço.

ansiosa. Durante a famosa crise dos mísseis de Cuba nos anos 1960. Há mais de 2 mil anos os chineses usavam os dedos como molde para seus selos de autoridade. não sei por que não seguimos esse antigo costume chinês. temendo uma guerra nuclear. Mesmo que sejam raspa das. o que faz as palmas umedecerem sem ter o que agarrar. Não existem dois seres humanos com impressões digitais idênticas. as palmas se umedecem cada vez mais. mas hoje as tensões são em sua maioria ps icológicas. preparando-se para a ação física que o o rganismo prevê. Mãos suadas são port anto remanescentes de um passado remoto que o moderno homem urbano pode perfeita mente dispensar. o corpo humano desenvolveu essa reação numa época em que a tensão era principalmente de natureza física. Tal é a sensibilidade das palmas das mãos. "esporas" e "cruzamentos". . espirais (medianamente comuns) e arcos (basta nte raros). As impressões digi tais são usadas para identificar indivíduos há séculos. e não se alteram com a idade. Contrari ando a crença popular. com a técnica de "contagem das cristas" e a atenção a minúsculos desenhos chamados de "lagos". As impressões digitais apresentam três p adrões básicos: curvas (muito comuns). quando o mundo ocidental ficou em suspenso. Como uma assinatura po de ser falsificada. a classificação das impressões digitais para a detecção de crimes se tornou altamente sofisticada. todas as pesqui sas de laboratório sobre o suor das palmas das mãos tiveram que ser temporariamente suspensas. mesmo gêmeos têm impressões digitais diferentes. "ilhas". O aumento generalizado de tensão fez com que as taxas de sudorese cresc essem tanto que era impossível conseguir que algum dos sujeitos da pesquisa relaxa sse. elas voltam a aparecer. Infelizmente. Um criminoso não tem como evitar a identificação tentando alterar as impressões digitais. Modername nte.

Depois de cerca de 5 minutos. É uma r eação notável e complexa. por exemplo. as palmas ficam vermelhas. Acredita-se que isso se deva à necessidade de manter os gestos altamente visíve is. Depois de mais 5 minutos. que reduz o de sangue na superfície da pele. o processo se reverte. Quanto à coloração das mãos. Ela é a mesma em todo o c orpo. colorindo a mão de vermelho. três aspectos despertam interesse. Quando pessoas de pele clara se e xpõem ao sol. mas as palmas se recusam a escure cer. Os vasos sangüíneos da palma e dos dedos de repente se expandem. Esse é o comportamento normal do corpo como um to do. Os caucasianos. Devido ao frio prolongado. Mesmo indivíduos da raça negra têm palmas claras. Qualquer pessoa que já tenha feito bolas de neve sabe que. têm menos es pirais e mais curvas que os orientais. as costas das mãos ficam bronzeadas. . que evita que o sangue quente dissipe o calor vital. mas as diferenças são muito pequenas.Há diferenças raciais nas impressões digitais. vaí perceber que as mãos passam do azul ao vermelho a cada 5 minutos. e conserva o precioso calor do corpo. Trata-se de um sistema defensivo emergencial que prov avelmente desenvolvemos na Idade do Gelo. Se a pessoa conseguir suportar as bolas de neve por uma hora. que poderia causar danos irrecuperáveis. mas as mãos atuam de maneira diferent e. um aumento drástico do fluxo sangüíneo aquece as mãos. não importa quanto dure a exposição ao frio. o sistema evita o congelamento. depois de certo tempo. Aquecendo as mãos a cada 5 minutos. elas passam da vasoconstrição a uma forte vasodilat ação. quando mãos congeladas podiam significar desastre. A reação inicial das mãos à neve fria é a vasoconstrição. Esse parece ser um mecanismo destinado a evitar que a pele sensível das palmas congele.

Uma cirurgia faz-se necessária para removê-la permanentemente. nesse aspecto as mulheres superam os homens numa proporção de 7 por 1. Curiosame nte. tornando-se cada vez maior. Depois a ferida se fecha. Verruga s semelhantes podem aparecer nas palmas das mãos. é fácil perceber que um ferimento de menor importância pode incendiar a imaginação de uma devota e se trans formar na milagrosa repetição do sacrifício de Cristo. Assim. O fenômeno vem de manifestando há mais de setecentos anos. mas a natureza milagrosa do fenômeno. todas as sextas-feiras. — Mas há uma falha . Na maiori a dos casos. a cura não é perfeita. A pessoa que tem a ferida pode não se lembrar de tê-la coçado. e m ais cedo ou mais tarde a ferida volta a sangrar. depois secam e em seguida voltam a sang rar. desde o século XIII. a explicação mais provável para essas chagas é uma infecção viróti calizada. um sofrimento com que pessoas santas repetiriam o sacrifício de Cristo na cruz. Crianças que usam piscinas públicas costumam pegar verrugas — pequenos tumor es epidérmicos de origem virótica que precisam ser removidos cirurgicamente. geralmente provocam coceira e sangram. as feridas começam a sangrar. Devido à presença do vírus. As autoridades da Igreja sempre se mostraram intranqüilas com relação a essas alegações. Quand o ocorrem.Uma das crenças mais extraordinárias sobre as mãos é o suposto aparecimento espontâneo de chagas nas palmas. O fenômeno obedece a um horário rígido: o sangramento se dá entre 1 e 2 horas da ta rde e se repete entre 4 e 5 horas. embora sejam menos comuns. porém. mas o processo é muito m ais lento que o de um corte normal. entre elas algumas freiras. O que se coloca cm dúvida não é a existência das feridas. Excluída a possibilidad e de mutilação deliberada. A grande maioria das 330 pessoas registradas que exibiram ferid as sanguinolentas pertencia à Igreja Católica.

produzindo pinturas e esculturas que mostram pregos enterrados no centro das palmas de Cristo. depois que se tornou conhecida a verdadeira localização das chagas de Cristo . O prim eiro é o polegar. O polegar tem três significados gestuais: aponta uma direção. bem. o polegar — pollex em latim — era dedicado a Vênus. restaurando em parte o m ovimento de preensão. que aponta o caminho. Voltando aos dedos. se alguém perde o polegar. quando a indeniz ação pela perda de um polegar era quatro vezes maior que o valor pago pela perda de um mindinho. devemos dizer que cada um tem características próprias. — tem sido ampla e dolorosamente copiado pelos supostos santos. Houve época em que ele foi chama do de "dedo napoleônico" ou "dedo da . presumivelmente devido a seu significado fálico. que tudo está. Graças à sua função indicativa. que disca o tele fone.quase fatal: as chagas surgem no centro da palma. o indicador. É o dedo que puxa o gatilho. Em tempos antigos. É bastante si gnificativo que os poucos que sangraram nos pulsos tenham aparecido muito recent emente. que aperta o botão. Seu papel fundamental é reconhecido desde a Idade Média. sem dúvida o mais importante dos dedos. ao passo que na crucifixão de Cr isto os pregos perfuraram os pulsos. É o mais usado em oposição ao polegar em atos de de licada precisão. índice e mostrador. o indi ador também recebe o nome de índex. O segundo dedo. expressa um insulto fálico e indica. a cirurgia moderna pode ajustar o in dicador para que ele funcione em oposição aos outros dedos. parece que o erro — que para eles não passa de licença ar tística. que chama. é o mais independente e i mportante dos outros quatro dedos. já que permite o movimento d e agarrar. No Islã. que pede atenção. era dedicado a Maomé. Desde o século IX artistas religiosos aliment am esse erro. Hoje.

Nas civilizações do mar Egeu. No passado. o dedo médio tem significados bastante diferentes. Seu uso por mulheres. os outros dedos se dobram e apenas o médio permanece esticado e ereto. relegando o anular para o terceiro lugar. Ness e gesto. pelo menos no mundo ocidental. porque a maior igualdade sexual trouxe consigo uma maior igualdade gestua l. isso ocorr e apenas com 22% dos homens. superado em mu itos casos pelo médio e pelo anular. dedicado a Ali. tinha vários nomes antigamente. porque se acreditava que ele era venenoso. Os dois dedos dobrados de cada lado simbolizam os testículos. era proibido usar o indicador para qualquer tipo de medicação. A razão para a ma ioria desses nomes é sua utilização no mais famoso dos gestos grosseiros de Roma. sendo co nhecido como "o famoso". a Fátima. Esse gesto sobreviveu durante 2 mil anos desde que surgiu nas ruas da antiga Ro ma. No ambiente religioso. O quarto dedo. é o dedo dedicado a Cristo e à salvação. o anular. Surpreendentemente. vem sendo usado há mais de 2 mil anos em cerimônias de cura. "o impudico". mas sua denominação mais estanha é a de "dedo do veneno". Apesar de sua importância.ambição". e o médio. no islamismo. era encapsulado numa dedeira de ferro magnético e . Os católicos dedicam o indicador ao Espírito Santo. cresceu muito nos últimos anos. o indicador é um dos menores dedos. Em 45% das mulheres. gestos obscenos eram uma exclusividade dos homens. No catol icismo. Em tempos antigos. terceiro e mais longo dos dedos. "o infame" e "o obsceno". porém. A razão dessa significativa diferença de gênero é um mistério . mas hoje as mu lheres mais assertivas não se sentem constrangidas de se expressar dessa maneira. o falo ereto. marido de Fátima. é o segundo dedo mais longo. os islâmicos. O médio.

Além disso. Esse costume originou-se na idéia de que a esposa se comprometia a ser menos independente como o dedo simbolicame nte escolhido. ele ainda ê vist o como o único dedo adequado a coçar a pele. que o chamavam de digitus medicus. O indicador devia ser evitado a todo custo. Essa superstição durou séculos. Por isso. Se algum dos dedos que o ladeiam se esticar ao mesmo tempo. é difícil usá-lo para mexer alguma coisa sem manter os outros dedos presos pelo polegar. ora por uma artéria.usado em rituais de cura. com o nervo que se ligava ao coração ora sendo substituído por uma veia. Mais tarde. mas sozinho ele se sente fraco demais para fazer o movimento. ele acabou se ndo conhecido como o "dedo da cura". Foi por essa falta de independência que o anular foi escolhi do como o dedo que carrega a aliança de casamento. seria o mais seguro para u so médico. não há problema . Por isso. portanto. Se alguém fechar o punho e tentar esticar um dedo de cada vez. A escolha da mão esquerda teve . o anular é provavelmente o dedo mais limpo. e insistiam que todos os ungüentos deviam ser esfregados no corpo com ele. perceberá que o anular é o único que se recusa a se esticar totalmente — ou faz isso com grande difi culdade. Eles acreditavam que por esse dedo corria um nervo que ia direto ao coração. Na Idade Média. Se existe algum valor prático nessa super stição é que. A razão d e sua relativa inatividade é que sua musculatura o torna o menos independente dos dedos. essa idéia foi adotada pelos romanos. por ser o menos usado. e sempre o usavam para fazer misturas porque achavam que n enhum veneno poderia tocá-lo sem dar aviso ao coração. tem me nos probabilidade de tocar algo perigoso e. simplesmente passar o anular por cima de uma ferida era suficiente para curá-la. os boticários ainda usavam religiosamente esse dedo para misturar s uas poções. Para alguns. Em algumas partes da Europa.

era possível aumentar as chances de uma experiência mediúnica. Antigamente. No islamismo. Só porque esses fatos foram esquecidos é que esse de do ainda é escolhido no ritual do matrimônio. o médium geralm ente avisa que o contato deve ser feito com os dedos mindinhos. Qualquer pessoa que tenha estado numa sessão espírita provavelmente participou de uma versão moderna dessa superstição. fechando os ouvidos com os d edos mínimos. Alega-se que ele foi chamado de "dedo auricular" pelo fato de ser suficientemente pequeno para ser usado para limpar a orelha. Acredita-se que a denominação teve origem na Escócia. porque as bênçãos são feitas com o polegar (o Pai). Nos Estados Unidos. de uma visão profética ou de algum outro evento sobrenatural. ele foi chamado pelos romanos de digitus annularis. adequada ao que era então considerado o papel da esposa. e para os cristãos ele é o "dedo do amém". o miudinho. Devido a e ssa função de levar a aliança. onde as crianças se referem a qualquer coisa pequena como "pinkie". acreditava-se que. seguidos pelo anular (amém). na qual os participantes se dão as mãos formando um círculo. Usado primeiramente pelas crianças de Nova York. mas existe um argu mento mais moderno. e o médio (o Espírito Sant o). é chamado em latim de mi nimus ou aurícularis: mínimo porque ele é o menor de todos. e transportada para Nova York pelos colonizadores . o indicador (o Filho). mais tarde foi adotado por adultos de outras cidades. O quinto dedo. e auricular devido à sua lig ação com a orelha. Se o verdadeiro significado machista f osse mais conhecido.origem semelhante: essa seria a mão mais fraca e submissa. Nesse momento. o nome usado popu larmente para identificar o dedo mínimo é "pinkie". porque essa era a maneira antiga de criar uma ligação mediúnica. foi dedicado a Hassan. criaria um conflito para muitas noivas modernas.

e isso seria necessário quando duas pessoas pronunciavam a mesma palavra simultaneamente. Num contexto que nada tem de mágico. a superstição reflete a crença no poder sobrenatural do mindinho. Essa crença de que um mindinho "independente" simboliza a liberdade sexual deu o rigem a uma nova moda lançada pelas primeiras feministas do final do século XIX. As primeiras pinturas religiosas mostram o dedo mínimo curvado e afastado dos demais. porque é o substituto verbal para a ação de estalar os dedos. entrelaçam os dedos mindinhos para materializar o ato. Na origem. outra ação que tem origem supersticiosa. nada poderia estar mais longe da verdade. fazendo um voto silencioso. Mais uma vez. A p alavra "Snap!" também tem relação com os dedos. o costume de curvar o dedo mindinho quando a pessoa está beb endo de uma xícara ou de um copo há muito é considerado símbolo de afetação. o nome original de Nova York era Nova Amsterdã. Ela s curvavam deliberadamente o dedo mindinho quando bebiam para . que se realizará se nada for dito antes que os dedos se solte m. Acreditava-se que o estal o do indicador contra o polegar tivesse o poder de espantar os maus espíritos (é por isso que não é de bom tom estalar os dedos para chamar alguém). As cria nças costumam usar a palavra numa rima que utilizam para firmar uma promessa solen e. de imediato gritam "Snap!" e entrelaçam os mindinhos. Esse é outro costume que se originou da antiga ligação do mindinho com o sobrenatural. Quando fazem disso. Alega-se que esse era um sinal de que as mulheres que serviam de modelo para as imagens religiosas desfrutavam de uma incomum independência sexual . mesmo quando a figura feminina em ques tão não está bebendo. quando duas pessoas acidentalmente pronunciam a mesma pal avra ao mesmo tempo. e também pode ser significativo que a palavra holandesa para "pequeno" seja "pinkie". Em alguns países da Europa. Entretanto.escoceses.

outros inconscientes e expressivos. Disseminado com o moda. a mão feminina pode se transformar numa garra. Mais tarde. de acordo com as emoções do momento. O uso de adorno nos dedos femininos é popular pelo menos há 6 mil anos — talvez muito mais. Daí pass ou a ser símbolo de gentileza e acabou adquirindo um significado quase oposto ao o riginal. é difícil lembrar precisamente o que os dedos andaram fazendo. protegendo contra os maus espíritos e propiciando saúde e até mesmo imortalidade (já que um anel não tem começo nem fim). esse gesto foi perdendo seu significado original de igualdade sexual. Em todo o mu ndo. trouxeram outra vantagem para as mulheres que queriam se livrar de . mas em pregam mais os gestos que acompanham a conversação e enfatizam as palavras.C. os anéis eram us ados não apenas como elementos decorativos.mostrar que apoiavam a idéia de direitos iguais em questões sexuais. eles eram mais apreciados do que qualquer ornamento para a cabeça ou o pescoço porque ficavam claramente visíveis para quem os usava. Além disso . Depois que uma conversa acaba. antes da invenção do espelho. as mulheres usam menos os gestos simbólicos que os homens. num punho cerrado ou num leque. Originalmente. mas a mensagem dos gestos chega ao interlocutor num nível subliminar. to rnando-se meramente o gesto adequado a fazer na presença de outras pessoas. alguns deliberados e simbólicos. os ourives do Oriente Médio já tinham atingido um alto estágio na manufatura de anéi s. numa agulha. que desde então sempre gozaram de grande prestígio. Acreditava-se que eles tinham poderes de proteção. trazendo boa sorte. Por volta de 2. Juntos. os cinco dedos são capazes de uma imensa gama de gestos e sinais. numa lâmina. mesmo hoje.500 a . Uma vantagem dos anti gos anéis que não levamos cm consideração hoje é que.

depois das quais podia desbotar ou ser ren ovada. Depois. Parte importante das cerimônias de casamento. enfaixava as mãos da noi va e colocava-as dentro de dois sacos bordados para que a pintura secasse sem bo rrar. exibindo os belos desenhos.maridos indesejáveis: podiam conter pequenas câmaras cheias de venenos letais. Acreditava-se que a hena tinha a virtude de purificar a noiva de qualquer contaminação mundana e imunizá-la contra os a taques do demônio e de seus agentes. com a interessante exceção da aplicação de desenhos de hena. cerc ada pelas amigas mais íntimas. A hena é uma tintura castanhoavermelhada extraída das folhas de um pequeno arbusto. ela podia usar luvas. A pel e das mãos femininas tem recebido relativamente pouca atenção. o costume sobrevive por motivos puramente decorativos em algumas pa rtes da Europa e da América. mas esse acessório não está mais em moda. as mãos eram desenfaixadas. que a fazem parecer vinte anos mais nova. Para a cerimônia. no Oriente Médio e em algumas reg iões da Ásia durante séculos. um espírito maligno que gostava de aparec er nas ocasiões felizes com a intenção de destruí-las. A pele das costas das mãos femininas pode acarretar um sério problema às mulheres mais velhas. Os intricados desenhos pintados nas mãos da noiva tinham a finalidade de espantar o Olho do Diabo. sua verdade ira idade pode ser revelada por mãos enrugadas e manchadas. essas pinturas foram muito populares no Norte da África. entregava as mãos a uma artista chamada hennaria. . mas a dificuldade na elaboração dos desenhos evitou que a moda pegasse. Hoje. Na noite anterior ao casamento. A pi ntura durava cerca de quatro semanas. Antigamente. a noiva. Se a mulher rejuvenesceu o rosto com cremes firmadores o u com uma cirurgia plástica. que passava horas pintando os desenhos tradicionais.

e. o que as faz estufa r e parecer muito mais jovens. O tratament o mais radical é o equivalente do lifting da face. Essa demonstração de status é valorizada pela aplicação de esmaltes coloridos. qu e chamam mais atenção para o fato de que aquelas mãos nunca pegaram no batente. permitindo que as unhas cresçam para mostrar que não precisam fazer nenhum trabalho manual. Na Chi na antiga.Medidas mais severas se fazem necessárias para adequar a aparência das mãos à sua jovem figura. Muitas mulheres usam unhas postiças em eventos sociais e depois as remo vem para trabalhar. e hoje ela tem à sua disposição uma infinidade de caros procedimentos. mesmo ass im. como a microdermoabrasão. só dura mais ou menos um ano. Modernamente. elas limitaram a demon stração aos dedos mindinhos. as mulheres da nobreza deixavam as unhas crescer e as pintavam de our o. se não fossem cortadas. Essa taxa de crescimento significa que. existem as unhas das mãos. como isso prejudicava os movimentos da mãos. aumento da absorção de oxigênio. tecido mort o que cresce em média 1mm a cada dez dias — quatro vezes mais rápido que as unhas dos pés. as unhas atingi riam 1 cm em cem dias. . infusão de vit aminas. esse comprimento seria desgastado pel o uso. Em diferentes épocas e culturas. Em épocas primitivas. alguns de efeito bastante duvidoso. o peeling ácido. Mais tarde. O lifting das mãos é um procediment o que retira gordura das coxas e injeta-a nas costas das mãos. Esses dois costumes sobrevivem ainda hoje na Europa. mas tem que ser repetido várias vezes. O utra solução foi usar unhas curtas para o uso cotidiano e aplicar unhas postiças exage radamente longas em ocasiões especiais. mantendo as unhas dos demais dedos muito mais curtas. muitas mulheres têm ignorado as conveniências. cera quente e tratamento a laser. Finalmente. é preciso cortá-las e lixá-las para mantêlas num comprimento conven iente.

piercings de pedras semipreciosas para unhas.. sentindo-se ultrajada ao descobrir seu parceiro na cama com outra mu lher. As unhas f emininas não crescem retas. Uma mulher de Dallas se orgulhava de exibir um total de 380 cm de unhas. Longas unhas podem facilmente se transformar em armas de destruição. A mulher se recusou a cortar as unhas e teve que passar quatro noites na cadeia en quanto a polícia tentava descobrir outra maneira de obter suas impressões digitais. Surpreendentemente. . e é isso que pode causar problemas. existem hoje mais de 60 mil sites na in ternet dedicados a esse assunto.Alguns indivíduos excêntricos permitiram que as unhas crescessem assustadoramente. t ornando os movimentos corriqueiros com as mãos extremamente difíceis. nos Estados Unidos. Uma mulher de C onnecticut. ordenou que elas fossem cortadas. a pintura artística incrementou a moda de lo ngas unhas pintadas. Depois de carregá-las por 24 anos.. Quando o policial descobriu que isso seria impossível com aquelas unhas de 15 cm de comprimento. ela finalmente decidiu cortá-las. A lista é infinita. mas se curvam. Nos últimos anos. torna-se uma tarefa impossível. Uma m ulher da Geórgia. cometeu uma contravenção e precisou tirar as imp ressões digitais na delegacia. Suas preciosas unhas custavam-lhe de oito a dez horas na tarefa d e pintálas. Existem vários estilos de pintura. Discar um número de telefone. assim como unhas de gel. unhas acrílicas. unhas marmorizadas. e até mesmo uma enciclopédia de pintura artística das unhas para quem quiser levar o assunto a sério. por exemplo. das quais a mais impressionant e media 71 cm. Em se guida entregou-se ao prazer de poder coçar-se e de dar um abraço em alguém. Foram necessários 24 pontos para fechar a feri da na bolsa escrotal. usou as unhas para se vingar.

Muitas mulheres acham a pintura artística muito exótica e adotaram um novo estilo: a s unhas manicuradas à francesa. (Desde que não tenham a sorte de uma mulher de Massachusetts. que têm a aparência das naturais. que teve a longa u nha presa na bilheteria automática de um estacionamento e precisou esperar que a p olícia viesse libertá-la. mas com as pontas de stacadas por uma faixa branca. o impacto social da decoração pode se r tão gratificante para as mulheres que a adotam. Desde que a mudança não interfira na mobilidade e flexibilidade das mãos. Outra moda é usá-las curtas e pintadas de um esmalte quase negro. E assim a moda continua criando novidades.) . mas uma tradição que permanece há mais de 6 mil anos de uma forma ou de outra dificilmente desaparecerá do dia para a noite. não há mal algum. E mesmo quando a moda prejudica os movimentos manuais. que compensa a perda de destreza . É fácil rir desses exageros decorativos das unhas femininas.

pega o mamilo e a aréola na boca apertando a pele escura com as gengivas e fazendo o leite brotar do mamilo. À medida que vai se formando. pomos ou tetas. o leite passa por canais que levam a um reservatório chamado seio lactífero. os ductos lactíferos. eles funcionam com o duas gigantescas glândulas sudoríparas que produzem um suor modificado que chamamo s de leite. e pode reagir a essa frustração mordendo o mamilo. Uma mãe experiente logo descobre que pode evitar a dor causada p ela mordida enfiando uma parte maior do seio na boca do bebê. Seios Os seios tem despertado maior interesse erótico por parte dos homens do que qualqu er outra parte do corpo feminino. Nas mulheres virgens e naqu elas que ainda não são mães. De cada seio lactífero partem de qu inze a vinte tubos. a aréola tem . por t rás da aréola amarronzada que circunda os mamilos. A aréola que circunda o mamilo é um detalhe anatômico curioso da espécie humana. Concentrar a atenção diretamente nos genitais seri a demais.14. não produzirá o leite deseja do. Para a primeira função. mas não muito chocante. peitos. Quando o bebê mama. uma parental e outra sexual. situado no centro da mama. Os seios femininos tem duas f unções biológicas. Inúmer os nomes têm sido criados para os seios em muitas línguas. tornando os seios maiores e os vasos sangüíneos que irrigam esses tecidos mais evid entes na superfície da pele. o que não faz bem nem para a mãe nem para o filho. Se espremer apenas o mamilo. Os seios são um meio-termo — uma região proibida. mas em português eles costu mam ser chamados de mamas. em direção a cada mamilo. Os tecidos glandulares que produzem leite incham durante a gravidez.

fósforo. O bico de uma mamadeira tem um formato mais adequa do à sucção do que o mamilo. ela começa a se alargar e escurecer. macacos e chimpanzés. carboidratos. cálcio. o que pode inte rferir na ingestão de cálcio e magnésio. Para entender como os seios deveriam ser. Quando são lactantes. mas tem um nível de fósforo bastante alto. A olho nu. convém lembrar qu e os seios femininos têm uma dupla função — parental e sexual —. chamadas glândulas ou tubér ulos de Montgomery. as fêmeas que não são lactantes têm peitos chatos. que crescem durante a gravidez e segregam uma substância oleos a. Se isso parece ser uma falha evolucionária. Cerca de dois meses após a concepção. potássio. O leite de vaca é o substituto a dequado ao leite materno. magnésio. Sabiamente. A função da s aréolas parece ser de proteção. ferro e vitaminas. mas a forma dos seios está longe de ser perfeita para a amamentação. sódio. Na época do aleitamento. A secreção das glândulas d e Montgomery protege o mamilo e a pele circundante — um cuidado muito necessário à sup erfície dos seios. Alguns bebês apresentam reações alérgicas às proteín vinas. vamos dar uma olhada nos se ios de nossos parentes mais próximos. e é a função sexual que caus problema. gordu ra. Contém também nticorpos que aumentam a resistência do bebê a doenças. essas glândulas têm a aparência de pele de galinha. um maior número de mulheres estão alimentando seus filhos no seio — o que tem a vantagem extra fortalecer os laços emocionais entre a mãe e o bebê. Elas contêm pequenas glândulas. já exibe uma cor marrom-escura. O lei te materno é ideal para o desenvolvimento do bebê. O leite produzido pelos seios contém proteínas.uma coloração rosada que muda na gravidez. colesterol. e mesmo quando o bebê é desmamado não volta a apresentar o tom rosado virginal. Em todos os outros prima tas. a .

Um exame da anatomia dos seios revela que a maior parte de seu volume é constituída de tecido gorduroso. resultado do tecido gorduroso. mas rarame nte toma a forma hemisférica dos seios humanos. Os "seios" das fêmeas primatas são unic amente parentais. enquanto a penas uma pequena parte é de tecido glandular ligado à produção de leite A forma arredon dada dos seios. A espécie humana é diferente. mas não explica o persistente arredondamento dos seios em outros períodos. muitas mulheres recusam essa interpretação. . Ignorando o fato de que a atração física está envolvida em sua concepção. o intumes cimento desaparece assim que termina a lactação. exige uma explicação que ultrapassa s ua função de aleitamento. Até uma freira tem seios protuberantes. os seios femininos continuam protuberantes durante a vida adu lta mesmo que não exerçam sua função alimentar. julgam ofensiva a idéia de que alguns aspectos do corpo feminino possam ter evoluído até sua forma atual pa ra atrair o macho. me smo que eles não sejam usados durante toda a vida. Embora aumentem de tamanho quando es tão cheios de leite. Isso pode ser verdad e durante a lactação. E também não explica por que as fêmeas de outras espécies primatas não precisam d essa ajuda. Nos peitos que se aproximam da for ma humana durante o período em que contém um generoso suprimento de leite. Embora seja claro para um biólogo que essa explicação tem a ver com a sexualidade.região ao redor dos mamilos se intumesce um pouco devido à produção de leite. Assim surgiram sete sugestões: O tecido gorduroso protege as glândulas mamárias. elas insistem que os seios têm apenas a função parental e usam sua engenhosidade para encontrar explicações não-sexuais para a forma arredondada dos seios.

O tecido gorduroso mantém o leite morno. Sim. não é verdade. um macio hemisfério de carne dificilmente ajudaria a tornar o mamilo mais acessível. já que seio s fartos fazem com que a mulher tenha mais dificuldade para correr? O corpo femi nino tem uma generosa camada de gordura na maior parte de sua superfície. mas por que concentrar esse estoque no peito. Além do mais. O teci do gorduroso é uma importante maneira de estocar gordura para quando o alimento fo r escasso. O teci do gorduroso compensa a falta de uma capa maternal de pêlos à qual o bebê possa se aga rrar quando se alimenta. isso só é necessário durante a am amentação. Mais uma vez. eéa que diminui menos quando a mulher perde peso. de qualquer forma. Basta pensar no formato de uma mamadeira. e essa r eserva de gordura dispersa é a maneira mais eficiente de ela se proteger contra a eventualidade de uma fome. Mais uma vez. é verdade. Não é verdade. A forma arredondada dos sãos os torna mais confortáveis para a alimentação do bebê Simplesmente não é verdade. e. a gordura do seios representa apenas 4% d a gordura total do corpo. o bebê tem que ser segur ado junto ao seio. Mulheres de se ios pequenos podem amamentar com mais facilidade que as de seios enormes. Como qualquer mãe sabe. . A forma arred ondada funciona como um sinal visual que informa aos homens que aquela mulher se rá uma boa fonte de alimento para a prole.

Os sinais traseiros emitidos pela fêmea humana partem de outro par de hemisférios. mas um si nal sexual. de acordo com um autor. Seu traseiro protuberante excita os machos. Não é difícil traçar a origem do par de seios como símbolo se xual.A forma hemisférica dos seios é. A inevitável conclusão é que a forma hemisférica dos seios não é parental. Isso significa que teorias que consideram o interesse masculino pelo s seios femininos como "infantil" ou "regressivo" não têm fundamento. Elas são capazes de enviar fortes sinais eróticos quando a mulher é vista de costas. de m odo que o bebê macaco não tem . os mamilos são alongados. Quando todas as outras justificativas parentais falham. a s nádegas. O homem que re age aos seios de uma virgem ou de uma não-lactante está respondendo a um primitivo s inal sexual da espécie humana. com a região frontal escon dida da vista. As fêmeas das outras espécies primatas emitem sinais sexuais com o traseiro en quanto caminham sobre quatro patas. a ponto de se r antifuncional". Em outras espécies. Quando se coloca frente a frente com um homem. Os seios cresceram tanto em seu esforço para imitar as nádegas que ficou difíc il para um bebê abocanhar o mamilo. mas o par de falsas nádegas que ela traz no peito lhe permite continuar tra nsmitindo o primitivo sinal sexual sem dar as costas ao interlocutor. esta é a última saída para aqueles que se recusam a aceitar que a forma dos seios femininos é sexual. Essa função se xual dos seios tornou-se tão importante que começou a Interferir na função parental prim ordial. as nádegas estão fora de seu campo d e visão. mas ela não anda de quatro como as outras espécies. Ela caminha ereta e é vista de frente na maioria das situações sociais. "não-funcional.

os seios permitem distinguir a silhueta de uma mulher adulta da de um ho mem. Mas o bebê humano pode s e sufocar na montanha de carne que circunda o modesto mamilo. Na verdade. Cuidados como esse s não deixam dúvida sobre o duplo papel dos seios humanos. Tudo o que você precisa fazer é ter certeza de que ele consegue respirar. ele pode obstruir as narinas com o tecido do seio ou com seu próprio lábio superior". Mulheres que têm seios pequ enos costumam temer não serem capazes de amamentar. Quando a mulher engravida. O dr. m as que pouco tem a ver com o suprimento de leite. Isso ocorre porque el as possuem menos tecido gorduroso. De mais perto. e seus bebês terão ma is facilidade de sugar e menos probabilidade de sufocar. . que dá aos seios a sensual forma arredondada. os seios são um sutil indício de idade. Em seu papel sexual. o t ecido glandular aumenta mesmo na futura mamãe de seios pequenos.dificuldade para levar a longa teta à boca e sugar o leite. Mesmo à d istância. elas podem ser mai s capazes de amamentar do que as mulheres de seios fartos. A forma dos seios muda g radualmente da puberdade à velhice. e essa lenta alteração no perfil dos seios pode se r resumida nas "sete idades do seio feminino: Os mamilos da infância. Spock aconselha: "Às vezes. os seios femininos atuam primeiro visualmente. você pode precisar apertar o seio com um dedo para dar espaço para o nariz do bebê respirar". Em sua ansiedade. Só o mamilo se destaca nesse estágio pré-pubere. e as mães precisam t omar certas precauções que não são necessárias em outras espécies. Outro livro sobre bebês comenta: "Pode surpreendê-la que o bebê pegue n a boca também o círculo amarronzado ao redor do mamilo. depois como estímulo ao tato.

os seios femin inos assumem uma forma mais arredondada e. o encolhimento geral do corpo leva a um achatamento dos seios. e to dos os processos de crescimento estão completos. tanto o mamilo quando a aréola se projetam. Com a maternidade e o repentino aumento de tecido glandular. À medida que a fase reprodutiva se aproxima do fim. Nessa fase. Durante essa década. .Os botões da puberdade. o corpo atinge sua melhor condição. quando a menstruação começa e os ge nitais já apresentam pêlos púbicos. mas com a pele ca da vez mais enrugada. No início da fase reprodutiva. os seios caem um pouco mais sobre o peito. em direção ao peito. apesar do tamanho e do peso. que continuam caídos sobre o peito. os seios fartos de leite começam a pender para baixo. Os sei os pendulares da velhice. Os seios firmes da juventude. À medida que os anos adolescentes passam. criando uma f orma mais cônica. aumenta o tamanh o dos seios. Os seios fartos da maternidade. A margem inferior do seio forma uma prega oculta. Os seios caído s da meia-idade. Os seios pontudos da adolescência. Nessa fase. a região ao redor do mamilo começa a inchar. mesmo tendo perdido o peso da fase de lactação. A idade ideal do animal humano do ponto de vista físico é de 25 anos. ainda não começaram a cair. Com a idade avançada.

Para que a sociedade chegasse a tais extremo s para negá-la. o processo tende a ser mais lento. é porque ela devia ser de fato poderosa. é fácil criar um seio perfeito: pode inventa r a forma que quiser. Na Espanha do século XVII. Em mulheres mais ma gras. numa tentativa de impedir que a natureza seguisse o seu curso. Mas se a forma se afastar muito da natural. Às vezes. a sociedade exigiu que a sexualidade feminina fosse suprimida. Nesse caso. o sinal sexual fica distorcido e o impacto se perde. aceitando isso como sufici ente sinal de modéstia. as mulheres encontraram diversas maneiras de prolongar a impressão de seios firmes e protuberantes com o intuito de estender a fase na q ual são capazes de transmitir o sinal sexual primitivo da espécie humana. desde que os seios não estejam v isíveis. Os sutiãs podem dar a mesma impressão. enquanto nas mais gordas ele se acelera . A cirurgia plástica pode erguer os seios e deixá-los artificialmente firmes depois da juventude. Essas cruéis imposições só serviram para reforçar o significado sex ual da forma arredondada dos seios. . Felizmente.Esses estágios de envelhecimento dos seios podem variar muito. será possível criar seios ainda mais estimulantes que os reais. Para um pintor. tendo os seios achatados por placas de chumbo pressionadas contra o peito. a maioria das s ociedades prefere cobrir os seios em vez de esmagá-los. as jovens foram vítimas do uma indignidade ainda maior. a simples remoção da cobertura tem funcionado como forte estímulo erótico. fato que tem sido explorado por artistas e fotógrafos de várias e diferentes maneiras. Mas se a forma hemisférica for ligeiramente acentuada. Ao longo dos anos. Os puritanos conseg uiam isso obrigando as mulheres a usar coletes apertados que achatavam os seios e davam um contorno infantil ao corpo adulto.

Só existe um momento na vida da mul her em que os seios têm um máximo de protuberância com um mínimo de flacidez. fotógrafos que trabalham para revistas especializadas em fotos eróticas descobriram que só existe u m tipo de jovem com os seios perfeitos que eles buscam. Depois que os seios da mulher — e seus outros encantos físicos e mentais — atraíram um parceir o e o contato sexual começa. sua única esperança é r a impressão de maior volume com uma iluminação especial ou colocando as modelos em p osturas adequadas. Para captar a imagem de seios volumosos. Já mencionamos que os círculos amarronzados ao redor dos mamilos contêm glândul as que secretam uma substância oleosa durante a lactação. Curiosamente. M as o fato de as glândulas da . porque o aumento de tamanho que produz a forma esférica plena também acarreta um peso que começa a empurrar os seios para baixo. as qualidade táteis dos seios entram em jogo. e é nesse mo mento que a câmara pode captar as imagens mais eróticas. Essa substância parece ser um suave lubrificante para a pele da região do mamilo. Essa especi al combinação oferece as imagens que fazem a fortuna das revistas masculinas. Isso o excita mui to mais do que à mulher. e seus seios atingir am o tamanho máximo um pouco antes que a média das mulheres: eles exibem a perfeita forma arredondada. porque ainda não chegou aos 20 anos. e não há razão para duvidar disso. Nas preli minares do sexo. pouco antes que o aumento de peso comece a fazê-los cair. Ela é um pouco mais jovem do que poderíamos esperar. Limitado aos seios reais. Existe um conflito de fo rças. e é" possível que um estímulo adicional esteja ocorrendo nesse momento.Para o fotógrafo a tarefa já não é tão fácil. mas ainda mostram a firmeza da extrema juventude. ele precisa ter como modelo uma jovem cujos seios tenham alcançado seu ponto máximo de desenvolvimento. o homem acaricia oral e manualmente os seios.

Muitas pessoas de ambos os sexos nunca exibiram essa erupção apesar de uma vid a de intensa atividade sexual e . porém. e seu ta manho aumenta cerca de 25%. Os seios se intumescem de sangue. os seios da mulher passam por várias mudanças marcantes. suas secreções causam um forte impacto inconsciente que aumenta a excitação sex ual. Essa turgidez tem o efeito de tornar a pele mais sen sível ao contato corpo-a-corpo do parceiro. mas apareceu em 25% dos h omens que participaram da mesma investigação. As glândulas da aréola podem muito bem fazer parte desse sistema primitivo de s inais aromáticos sexuais. Embora essa erupção não seja possível sem uma forte excitação sexual. originalmente. o contrário não dade. enquanto nos homens ela nunca surge antes do último mo mento. às vezes a parece um pouco antes dele. Sua ocorrência é mais provável. Nas mulheres. dando a falsa impressão de que uma mulher muito excitada perde a ereção do ma milo. Com a aproximação do orgasmo. As glândulas apócrinas são as responsáveis pelos odores sexuais das axilas e d os genitais. passa tanto tempo cheirando a pele ao redor dos mamilos. duas importa ntes mudanças ocorrem. no momento imediatamente anterior ao orgasmo. As aréolas se intumescem e incham tanto que começam a ocultar o mamilo. À medida que a excitação cresce. É bem menos comum em homens. essa região dos seios talvez seja capaz de transmitir sinais odoríferos ao nariz do homem. durante a atividade sexua l. ao explorar o corpo da parceira. embora os homens não tenham consciência dos aromas eróticos que elas p roduzem. glândulas apócrinas sugere que.aréola serem. chegando a crescer 1 cm. e podem explicar por que o homem. em ambos os sexos. Os mamilos f icam eretos. e. Ocorre também uma erupção da pele semelhante à rubéola na superfície dos seios e em ro do o peito. Essa "erupção sexual" foi observada em 75% das mulheres submetidas a uma detalhada pesquisa sexual.

mas nem sempre isso é verdade. Quando está mu ito quente. com os quais amamentavam toda a ninhada. Um fator que favorece a erupção é um c lima quente. Não há nada de sinistro nisso. Muito raramente se vê uma mulher com mais de d ois seios produzindo leite. Esses seios extras são vestígios de nossa ancestralidade: como a maioria dos outros mamíferos. uma observação mais detalhada revela que a famosa estátua da Vênus de Milo. Não se sabe a razão dessa diferença. cobrindo da testa às coxas. que está exposta no Louvre. Uma em cada duzentas mulheres possui mais que dois. tinha vários seios e por isso foi chamada de Júlia Mamaea. Esse fenômeno e chamado de polimastia. exibe três seios. nossas remotas ancestrais po ssuíam vários pares de seios. mãe do imperador romano Alexandre. Quando as nin hadas humanas se reduziram a um filho. Surpree ndentemente. e os seios adic ionais geralmente não são funcionais. Alguns meses depois. Júlia. um acadêmico rival foi capaz de apresentar uma mulhe r polonesa que tinha dez seios funcionais. a erupção pode se estender além do peito. Esse fato costuma passar despercebido porque o terceiro seio não tem mamilo e não passa de uma pequena protuberância .orgasmos plenos. ocasionalmente dois. nada mais são do que mamilos adicionais. No frio. outras. Às vezes. indivíduos que costumam apresentar a erupção não a têm. porém. U m dos fatos que temos como certo é que as fêmeas humanas possuem apenas dois seios. Muitas mulheres famosas tinham mais de dois seios. em uma das m ais estranhas disputas médicas. O caso mais extraordinário é o de uma francesa apresenta da à Academia Francesa de Medicina cm 1886 por um professor. Ela tinha nada menos que cinco pares de seios plenamente lactantes. os número de mamilos d iminuiu. pequenos botões sem mamilos.

Serão mesmo seios? Um olhar mais atento revela que nenhum desses seios tem mamilo ou aréola. o peito de Diana seria um lugar muito menos aconchegante do que há tanto tempo se supõe. Parece que os sacerdotes da deusa deviam ser eunuco s: para servi-la. depois de algum tempo. mas foram feit as cópias em pedra. Ana Bolena. com a penca . porém. próxima à axila. Sua grande escultura mostra várias fileiras de seios. testículos de tour o substituíram os testículos dos sacerdotes nas cerimônias de castração. uma mancha um pouco maior ou m esmo um clitóris ligeiramente mais volumoso podia ser suficiente para levar a mulh er à morte da fogueira. Para resumir o caso. Recentemente. e depois cerimoniosamente pendu rados no peito da sagrada estátua. Houve um tempo em que se acreditava que as bruxas tinham mamilos extras com os quais alimentavam seus seguidores. F oram encontradas inscrições que revelam que. também tinha um terceiro seio — um fato fielmente registrado em livros sobre anormalidades médicas. Uma verruga. Dizia-se que a infeliz esposa de Hen rique VIII. o suposto terceiro seio b em podia ser uma mácula de "bruxaria". tinham que se castrar e enterrar os testículos perto do altar. Algumas versões da estátua c hegam a mostrar mais de vinte. Os rumores sobre o terceiro seio de Ana Bolena podem ter s ido propositalmente espalhados depois de sua morte para justificar que ela era má e merecia morrer. Os caçadores de bruxas cristãos examinavam as mais recônditas fendas de uma su speita em busca de um mamilo oculto. o culto dessa deusa da Ana tólia foi estudado com mais cuidado. A figura polimástica mais famosa da historia é Diana — ou Ártemis — de Éfe so.situada acima do seio direito. Nesse caso. A estátua original era de madeira. Seus imensos testíc ulos eram extraídos e preservados em óleos aromáticos. fazendo surgir uma interpretação inteiramente nov a. Mulheres suspeitas de bruxaria eram às vezes examinadas em busca de sinais de seus métodos ma lignos.

A palavra "amazona" vem do gre go amazôn. para a batalha. mas suficientemente disseminados para alarmar os sociólogos. Curiosamente. Apesar da lenda. . Não se sabe se elas existiram realmente. Na s sociedades tribais. pelo motivo óbvio de que ela prejudica a amamentação. que significa a (sem) e mazós (seios). um tema que seria repetido em relação ao nascimento de Cristo. todas as obras de arte representam essas guerreiras com dois seios. São casos raros. no umbigo e nos lábios. O uso de pierci ngs faz parte da síndrome de aprisionamento do mundo das práticas sexuais exóticas. poderia facilmente estimular um a legislação que proibisse o costume africano de circuncisão feminina. usassem um colete de couro que achatasse o seio direito. a mutilação do seio é extremamente rara. Conta-se que. o seio direito de todas as jovens púberes era queimad o. assim como o uso de correntes e jóias". Foram cópias imprecisas da estátua que der am origem ao erro de que a Grande Mãe possuía muitos seios. existiu uma comunidade feminina muito temida pela forma como suas guerr eiras atacavam as povoações vizinhas munidas de arco e flecha.de testículos colocada em seu devido lugar. para to rnar mais fácil o uso do arco. Se as amazonas existiram mesmo. é mais provável que. segundo antigos esc ritores. A razão pela qual o peito da deusa é coberto de testículos era a crença de que os milhões de espermatozóides neles c ontidos seriam capazes de fertilizá-la. em anos recentes as mulheres ocidentais começaram a mutilar os seios com propósitos eróticos e decorativos . Um mito inteiramente diferente envolve a antiga nação de mulheres guerreiras conhecida s como amazonas. Isso permitia que ela se tornasse mãe sem pe rder a virgindade. mas. um d os quais declarou que a nova moda de "inserir piercings nos mamilos.

onde m uitas jovens. as mulheres das castas superiores cobriam os seios com pinturas em ouro. os chamados monoquínis. oo Egito. Às vezes. decididas a obter um bronzeado mais uniforme. A forma mais simples de exploração sexual dos se ios é. . naturalmente. Entre as deliberadas ações destinadas a chamar a atenção para os seios femininos estão as posturas que projetam os seios para a frente e movimentos de da nça que sacodem ou enfatizam a sua forma. "Fazer topless" é um ato provocativ o que sempre atraiu muita atenção masculina. espo sa do imperador Cláudio. as mulheres preferiam pintar os mamilos de verm elho para apimentar os encontros eróticos. resolveram ir à praia num traje de banho que tinha apenas a parte de baixo do maiô e suspensórios que pass avam pelos bicos dos seios.. na companhia d a criada.Menos danosas eram as decorações eróticas dos mamilos de tempos primitivos.] Desnuda va os mamilos pintados e abria aquelas coxas que assistiram ao nascimento do nob re Britannicus". [. travaram-se batalhas entre constrangidos policiais e mulheres seminuas. o deixava para representar sua desavergonhada mascarada. como acontecia nas praias do sul da França nos anos 1960. Isso ocorre nas sociedades urbanas de todo o mundo. Há 3 mil ano s. era famosa por seus mamilos pintados de vermelho. os homens em questão eram policia is uniformizados. mas em pouco tempo as autorid ades perderam a guerra. No início. como co mentou o satirista Juvenal: "Todas as noites ela se encapuzava e.. Na Roma de 2 mil anos atrás. A ninfomaníaca imperatriz Messalina. sua exposição em lugares onde eles deveriam estar cobertos. e o topless acabou sendo permitido. A mais extrema delas foi uma dança pratica da nos antigos espetáculos de burlesco em que as dançarinas giravam ambos os seios n a mesma direção e depois na direção oposta.

Só na década de 1970 a resistência ao topless começou a decair. prendendo as dançarinas topless por "conduta indecor osa". observou-se uma outra forma de exposição pública dos seios. Nos Estados Unidos. Exigindo igualdade sexual. Seu crime foi classificado como "atentado ao pudor". Curio samente. Em 1975. mas no ano seguinte a oposição religiosa cresceu. Na década de 1980.O primeiro maiô topless foi introduzido pelo controverso estilista austríaco Rudi Ge rnreich em 1964. alguns homens se recusavam a usar colarinho e gravata nos restaurantes de al to padrão porque as mulheres não eram obrigadas a isso. lançando a primeira performance topless. c hoje amamentar em público é l egalmente permitido em quase toda a América do Norte. um desses trajes foi usado por uma dançarina de cabaré em seu número de dança. mas em poucos dias a Prefeitura da cid ade as colocou fora da lei. Ronald Reagan tomou uma atitude semelhante na Califórnia. e a polícia percorria os cabarés. quando e onde ele podia ser usado. Mesmo então. Elas eram então libertadas e voltavam ao trabalho. Em 1969. um ato tão natural e assexuado como a amamentação às vezes cria um escândalo em a mbientes urbanos. Outras casas noturnas logo seguiram o exemplo. alguns restauran tes de Nova York lançaram garçonetes topless. Em 1966. foram estabelecidos limites sobre como. grupos de mulheres expunham deliberadamente os seios em locais públicos. insistindo em serem tratadas como os homens. As objeções a essas prisões aumentaram nos anos seguintes.) Essa extrema reivindicação de i gualdade sexual não era exatamente o que os reformadores sociais tinham em mente q uando tentaram abolir as desigualdades de gênero. (Por outro la do. que podiam tirar a camisa sem problemas. três mulheres americanas foram presas por amamentar seu s bebês num parque de Miami. .

Mesmo no século XXI. Recentemente. . ou uma multa de 2. uma adolescente inglesa f oi condenada a oito meses de prisão. havia uma ponte onde elas se punham d e pé. o que prova que o tabu sobrevive. Diz respeito à aprovaçã e uma lei que determinava que os seios fossem exibidos em público — o extremo oposto de todas as outras medidas legais sobre o assunto. desnudando o corpo da cintura para cima. um fato extraordinário merece menção. re vistas. Quando saíam de casa. A ponte ficou tão famosa que ganhou o nome de Fonte delle Tette. Ela foi acusada de "desrespeitar os valore s morais locais". Uma breve referência se faz necessária para esclarecer o mal-entendido sobre antigas imagens da Deusa Mãe representadas apertando os seios com as mãos. Antes de abandonar o tema da exposição dos seios femininos. mais tarde. filmes e. parte de seu misterioso poder de sedução se perd eu. por expor os sei os numa boate na ilha grega de Rodes. também na televisão. mulheres ocidentais em férias se viram e m apuros por ignorar esse fato. eles er am literalmente esfregados no nariz dos clientes. Essa lei foi aprovada em Ven eza no século XV e aplicada às prostitutas que se punham à janela tentando atrair clie ntes.Quando o século XX se aproximava do final.800 euros. Com tudo isso. embora os seios nus ainda causem um certo impacto. Isso ofen deu de tal forma as autoridades que tentavam abolir a sodomia (punida com a mort e). As práticas homossexuais eram tão comuns na época que algumas mulheres se traves tiam com a intenção de atrair os homens que buscavam parceiros masculinos. seios nus já eram exibidos em jornais. Convém enfatizar que essa atitude mais permissiva em relação ao topless se restrin ge ao mundo ocidental. que as prostitutas foram obrigadas a exibir totalmente os seios para provar a que sexo pertenciam. em 2003. Nos shows de strip-tease.

A idéia lhe teria surgido no ano anterior. o sutiã. se elas estivess em amamentando. Entretanto. e outra inferi or. Antropólogos descobriram. eram imagens de luto. Um efeito colateral disso era que. geralmente encontradas em túmulos. da qual obteve a patente em 1914. as mulheres realizavam um ritual de luto que incluía bater no peito e apertar os seios. a cinta também desapareceu. quando o su focante corpete foi separado em duas partes: uma superior. Um dos primeiros passos nessa direção foi dado no início do século XX. Quando as mulheres começaram a reivindicar um papel mais at ivo na sociedade. também rest ringiam os movimentos. as mulheres lactantes reagiam de maneira semelhante a um súb ito choque. Num rasgo de . É possível que esse ato tenha si do incorporado a certos rituais. Ho je. Finalmente. Hoje sabemos que não era isso.Acreditava-se que elas estariam chamando a atenção para os seios. Há divergênc ias entre os historiadores da moda sobre quem inventou o sutiã. elas usaram espartilhos apertados para re alçá-los. exigiram também roupas que permitissem maior liberdade de movime ntos. que em certa s sociedades tribais. o sutiã e as calcinhas são as peças favoritas da roupa de baixo feminina. Mary Phelps Jacob (uma mulher da sociedade nova-iorquina conhecida profissionalmente como Caresse Crosby) insistia que foi ela a autora da invenção. embora esses corpetes melhorassem a forma dos seios. mas o sutiã veio para ficar. surpresos. quando se vestia para ir a uma festa e descobriu que o espartilho era incompatível com o decote de seu belo vestido de n oite. a cinta. um jato de leite jorrava dos seios. Mais tarde. resta uma inevitável questão: o que as mulheres fazem em relação aos seios para passar uma imagem mais jovem e mais sexy. agarrando os seios e fazendo-os jorrar leite. Em tempos primitivos. Essas figuras. Durante séculos.

O novo sutiã tinha duas funções ba stante distintas. Quando algumas feministas queimaram sutiãs no fim da década de 1960. Na verdade. dessa forma... usando dois guardanapos e alguns cordões. que introduziu o termo "chic" no mundo da moda. A verdade é que todos eles participaram de uma tendência geral que assistiu à liber tação gradual do corpo feminino das antigas limitações. Algumas historiadoras do feminismo alegam que a queim a de sutiãs nada mais foi do que um golpe de publicidade dos antifeministas para r idicularizar o movimento. porque. e portanto mais sexy. E ele não foi o único. E receberam estímulo de uma fonte improvável. Essa afirmação causa estranheza. A estilista ing lesa Lucile (Lady Duff-Gordon). a indústria de guerra. e também os fazia parecer mais firmes e redondos. "inventou a brassière em oposição ao odioso espartilho ".] Libertei o busto". foi divulgado que 28 mil toneladas de metal haviam sido economizadas. uniu as duas peças no que se ria o primeiro sutiã. estimulou a adoção do sutiã. Durante a Primeira Guerra Mundial. Mai s tarde.criatividade. embora a queima t enha sido exagerada pela imprensa. O costureiro francês Paul Pioret reivindica a hon ra de ter inventado o sutiã: "Em nome da Liberdade. em 1911. protestav am contra essa segunda função. proclamei a queda do espartilh o e a adoção da brassière. e desde 1907 eram chamados de "brassière". porque supo rtes para os seios já tinham aparecido na França desde o final do século XIX. alega que foi ela que. inici ou uma campanha para abolir o seu uso e. [. alarmada com a quantidade de metal que estava sendo desperdiçada na fabricação de espartilhos. " o suficiente para construir dois navios de guerra". no . Protegia os seios. ela estava apenas reinventando a peça. evitando que eles balançassem nos movimentos rápidos do corpo.

ainda mais aumentado com o uso de enchimentos. sem embelezamentos. o design do sutiã sempre buscou criar uma forma hemisférica. mas recentemente uma idosa Jane Russell declarou que.final dos anos 1960 e início da década de 1970 houve de fato um movimento contra o u so do sutiã. Essa fase não durou mu ito. onde ressurgiram como um par de ogivas de fo guete. O resultado foi tão impressionante que provocou sérias te ntativas de proibir o filme por obscenidade. e. que inventou um protótipo de sutiã que erguia e ao mesm o tempo separava os seios. o uso de bat om e outras formas de feminilidade explícita. na verdade.) . a queima de sutiãs foi rapidamente esquecida. Nessa época. que desafiava a nature za e a gravidade". obtido com "um bojo na forma de torpedo. ele queria que ela exibisse seios de forte apelo erótico sem recorrer ao topless. Segundo uma lenda de Hollywood. mas houve um curioso período na década de 1950 em que os estilistas substituíram a forma arredonda por um b usto pontiagudo. um dos sutiãs mais sofisticados foi criado pelo bilionário Howard Hughes para a atriz Jane Russell. num show de Madonna. (Essa é a história que vem sendo repeti da. Em sua função erótica . Só voltaríamos a vê-los de novo em 1994. nunca usou o famoso sutiã. lado a lado com a revolta contra o excesso de maquiagem. Para um determinado papel num filme. quando as feministas luta vam para que as mulheres fossem tratadas como iguais. Mas esses seio s agressivamente pontiagudos logo deram lugar ao suave arredondado dos seios dos anos 1960 e nunca mais reapareceram no guarda-roupa comum. contratou os serviços de um engenheiro especia lizado no projeto de pontes. Como o uso d o sutiã era parte desse embelezamento. porque o desconforto de dispensar o sutiã foi inaceitável para a maioria das mu lheres. com isso. tinha que ser abolido. Para obter esse efeito. havia o sentimento de que os homens deviam aceitar as mulheres como eram.

ainda que eles sej am menores. Adquiridos para c onseguir um marido de alta condição social. Calcula-se que. nada menos que 4 mil mulheres a mericanas se submeteram a uma nova cirurgia para remover os implantes de silicon e. até que na década de 1990 houve um b oom desse procedimento. Infelizmente. o que revela a força dos seios como símbolo sexual. com mais de 100 mil cirurgias por ano. Espera-se que. os homens estejam começando a escolher suas parceiras mais pela personalidade do que pelo tamanho do busto. ma s infelizmente nem sempre isso acontece. quando a mulher tira a roupa. O primeiro implante de uma prótese de sili cone foi realizada por um cirurgião plástico do Texas em 1963. Isso alarmou alguns cirurgiões plásticos que enriqueceram como criadores de super seios. Às vezes. um recurso mais drástico pode ser necessário. Por isso.Tanto os antigos espartilhos quanto os modernos sutiãs podem realçar os seios. . neste período pós-feminista. A cirurgia se tornou cada vez mais popular nas décadas de 1970 e 1980. Algumas mulheres admitem que estão remove ndo seus implantes simplesmente porque eles já cumpriram sua função. É um número assustador para qualquer tipo de cirurgia plástica. mas. n o ano de 2002. eles se tornam desnecessários quando a mul her se acomoda na vida de casada. A colocação de implantes para fazer os seios permanecerem redondos e firmes começou nos anos 1960. mais de 1 milhão de americanas tiveram os seios aumentados pela cir urgia. mas parece estar havendo uma volta aos seios naturais. o século XXI está ass istindo ao início de uma tendência contrária. E aí entra em cena o cirurgião plástico. Em 2001. os seios obtidos por cirurgia nun ca são totalmente convincentes ao olhar ou ao tato. são perfeitos demais e não possuem o movimento e a suavidade que deveriam ter.

depois de seu cão malch eiroso. Uma advogada resumiu o motivo da "reversão" cirúrgica dizendo que. foi do maldito busto...] Senti que meu QI saltou vinte pontos". . depois do divórcio "a primeira coisa de que me livrei. [.Algumas mulheres lamentam ter se submetido a esse tipo de cirurgia para agradar a um marido potencial.

mesmo sem esse contraste. esses números precisam ter uma relação harmoniosa com as medidas de busto e de qua dril. enquanto as atletas de esportes que exigem força muscular apresentam uma cintura um pouco mais larga. têm em média 61 cm de cintura. para que o corpo feminino revele um belo contor no. Jovens de corpo de lgado. isso não afeta a proporção entre c intura e quadris.15. com medidas idênticas de busto e quadril. Essa cintura fina parece ainda mais delgada pelo volume dos seios e dos quadris. Os resultados são interessantes. gorduchos ou magrelas. Livre do aperto das cintas e dos espartilhos. a cintura das mulheres de hoje tem em média 71cm. como as modelos e misses. Naturalmente. de cerca de 74 cm. Geralmente. a cintura feminina é mais fina que a masculina. Para uma mulher adulta. A maneira mais comum de expressar a curva da cintura é medi-la em pro porção aos quadris. a típica rainha de beleza mede 91-61-91 cm. Uma modelo preferida pelos estilistas atuais provavelme nte medirá 76-61-84 cm. continuam apresentan do uma acentuada diferença no tamanho da cintura. É a proporção entre essas três medidas que gera o contorno típico do corpo feminino. Se uma determinada sociedade acha uma figura mais volum osa atraente e outra prefere figuras mais delgadas. Uma jovem eleita num concurso de beleza costuma ter uma figura perfeitamente eq uilibrada. a proporção é d e 7:10. mas. Cintura Um dos sinais mais claros que identificam o corpo feminino é a forma de ampulheta de seu tronco. uma diferença que se mantém apesar das diversidades culturais. Homens e mulheres. enquanto para o homem adulto é de 9:10. Essa .

A situação se inverte nas garotas que ilustram as revista s americanas. Com o aconteceu com outras partes do corpo feminino. e os homens que passavam por ali eram solicitados a dizer de qual delas eles mais gostavam. As medidas de uma típica pin-up são 94-61-89. já que suas medidas são 94-71-99 cm. Os organizadores dos concursos de beleza não ousam mencioná-las na nos sa sociedade pós-feminista. Acreditava-se q ue. A grande maioria escolheu a figura curvilínea de cintura fina e pr oporções equilibradas. sendo 5 cm mais largo que o busto. é de 6 cm. mas parecem maiores porque a cintura e os quadris são menores. O veredicto desses homens selecionados aleatoriamente reforça a opinião de que a imagem da mulher curvilínea de cintura fina está demasiadamente arra igada na psique masculina para ser varrida por uma postura cultural moderna. houve exageros. apresenta o que chamamos de "2 polegadas a mais". se uma cintura fina era . são consideradas "peitudas". Geralmente . A típica mulher inglesa tem um pr oblema um pouco diferente. mas não terá o contorno d e ampulheta que atrai o olho primitivo do macho. são 2 polegadas a mais no busto. Na Alemanha e na Suíça. várias silhuetas femininas de proporções variadas e em tamanho natural foram expostas em fila num shopping cent er. Seus seios são do mesmo tamanho que os das européias. de 8 cm. Numa recente pesquisa. Em lugar do excesso de q uadris. mas isso é só uma ilusão criada pelo tamanho da cintura e dos quadris. mas a verdade é que elas continuam a desempenhar um pape l fundamental nas relações humanas. e n a Suécia e na França. Es sa diferença é ainda maior em outros países europeus.modelo pode ter um rosto belíssimo e saber vestir uma roupa. Seu quadril. Pode-se argumentar que "estatísticas" como essas são desatualizadas e irrelevantes.

feminina. Isso acontece devido às irreversíveis mudanças que ocor rem na região abdominal quando ela se torna mãe. Defendiam vigorosamente a teoria de que qualquer tentativa de mudar a obra da natureza no corpo feminino era uma ofensa a Deus. e no passado muitas j ovens sofreram para conseguir essa condição. Entre os que se o punham radicalmente ao culto da cintura fina obtida por esses acessórios havia rel igiosos e liberados. A razão para a cintura fina despertar tan to interesse é simples e biológica. John Bulwer vocif erava contra "os perigosos modismos e desesperados artifícios em relação à cintura". Calcula-se que. Voltando ao século XVII. dando margem a acaloradas discussões . depois de vários part os. recuperar o corpo esbelto que tinha antes da gravidez. Por isso. a cinturinha fin a tem sido há séculos símbolo de virgindade — de uma mulher que já está preparada para o sex o mas ainda não o experimentou. Mesmo que ela consiga. Em 1654. como ocorre em relação a tantos aspectos da moda feminina. foram os puritanos os primeiros a at acar. com um regime alimentar rigoroso. a ci ntura sempre se alarga um pouco. Para conseguir isso. então uma cintura finíssima devia ser superfeminina. há séculos a mulher espreme a cintura com cintas apertadas e espartilhos. a cintura da mulher aumente de 15 a 20 cm em média. Depois que a mulher tem seu primeiro parto. a cintura nunca mais vai ser tão fina como era. Não se trata de um debate entre puritanos e hedo nistas. Essa condição exerce tal atração sobre o macho reprodutor da espécie que muitas mulheres. Des crevia um espartilho como "uma moda perniciosa inimaginável" e lançava ameaças às mulher es que "se apertavam para . anseiam recuperá-la. mesmo que de uma maneira simbólica. mesmo aquelas que já não a possuem. Os argumentos não são nada simples.

desmaios.conseguir uma cintura fina. e era isso que a maioria das jovens fazia. Essa idéia foi repetida inúmeras veze s nos anos seguintes. Todas essas adver tências em relação à saúde eram desnecessárias. Um autor vitoriano listou nada menos que 97 doenças que. aborto. Outros críticos menos extremados também revelaram seu temor de complicações médicas provocadas pelo aperto dos espartilhos. e não se contentavam enquanto não pudessem rodeá-la [com a s próprias mãos]". hérnia. epi lepsia e esterilidade. referia-se "aos males infligidos à mente e ao corpo quando se comprimem os órgãos. Mas um espartilho não muito apertado. porque a maioria das jovens que usavam espar tilhos eram suficientemente sensatas para não apertá-los demais ou usá-los por longos períodos de tempo. de modo a provocar dor quando o espartilho era removido. podiam ser causadas pelo uso de corpetes apertados. usado apenas em oc asiões especiais. apesar das histórias de horror. câncer. Fowler prometia a insanidade e a degeneração. . No lugar da putrefata decadência de Bulwer. podia criar a cintura fina desejada sem causar doenças. além de causar dores de cabeça. publicado em 1846 pelo escritor americano Orson Fowler. Se ignorassem seus conselhos. O subtítulo de um livro sobre os perigos de apertar a cintur a. mau funcionamento do fígad o. Era óbvio que o espartilho muito apertado podia prejudicar a resp iração e a circulação. malformações fetais. O uso prolong ado também podia enfraquecer os músculos das costas. dificuldades respiratórias e problemas circulatórios. se gundo ele. Entre as do enças relacionadas escavam dores de cabeça. retardando e enfraquecen do dessa forma as funções vitais". insuficiência renal. Alguns chegavam a p onto de incluir deformidades ósseas. desmaios e falta de ar. elas estariam "abrindo a porta para a tuberculose e para uma putrefata decadência".

o objetivo era desviar a atenção masculina do corpo e dirigi-la para as qualidades do cérebro. e não seu potencial reprodutivo. A limitação física não era apenas prejudicial ao corpo. mas po r uma razão diferente. Para e las. Primeiro. tinha que substituir a disciplina inativa da roupa pela disciplina ativa da at ividade física. alinhavam-se os defensores do espartilho e seus vários pontos de vista. em vez de recorrer à solução pass iva de se prender dentro de um corpete apertado. Para ela. Em segundo lugar. Contra elas. Ele seria uma armadura contra a . a idéia de usar qualquer roupa apertada era um insulto a liberdade feminina. O espartilho apertado seria um instrumento de tortura imposto às mulheres submissas como parte da opressão masculina. Se a mulher moderna queria ondular o corpo de maneira provocante numa pista de danças. não podia tolerar nenhum a roupa apertada. tinha que consegui-la correndo ou fazendo exercícios. Se queria ter uma cinturinha fina. ela usaria sua capacidade intelectual. Se queria ter igualdade sexual durante as preliminares. Para impressionar o parceiro. A feminista inteligente também queria liberdade para o corpo. Em sua busca de admiração masculina . porque aju dava a tornar a mulher inacessível. tinha que ser tão flexível e solta quando seu parceiro. qualquer t entativa de exagerar sua silhueta feminina era proibida. diziam qu e o espartilho era sinal de respeitabilidade e altos princípios morais. alegavam que o uso de um espartilho apertado mostrava discip lina e representava simbolicamente uma louvável contenção. Essas eram as vozes que se erguiam contra o desejo de melhorar o natural contorno curvilíneo do corpo fem inino. mas também símbolo de uma prisão ment l em relação ao macho. Portanto.Um ataque completamente diferente veio das liberadas dos tempos modernos.

esse aprisionamento dentro do espartilho f uncionava como um apelo fetichista. diremos que tanto os puritanos quanto os libertinos tomam partido pró e contra os espartilhos. sua ausência pode construir a imagem de uma mulher natural e libera da ou de uma libertina. mas o corpete a pertado por um complexo entrelaçamento de cordões deixava o corpo desnudo muito mais distante. é fácil entender po r que os corpetes se tornaram um elemento da encenação sadomasoquista. . Para resumir. A cintura fina podia excitar os olhos dos homens. a mulher também dava a impressão de estar vulnerável (a pesar da barbatana) como um animal preso numa armadilha.) Dentro de um espartilho. Por isso. mas também no conhecimento tácito de que a mulher admirada estava s ofrendo uma tortura física para agradar a seu admirador. Era inevitável que isso atraísse o macho. que inconscientemente vivia a fantasia de que seria fácil capturá-la se decid isse persegui-la. A presença do corpete pode ser vista como uma prisão ou como um estímulo à sensualidade. O que a ajudava a manter o tronco ereto era uma barbatana enfiada verticalmente na parte da frente do espartilho. Para alguns homens.atenção masculina. A atração do corpete não estava apenas na silhueta que ele criava. Nos primeiros tempos. O corpo enjaulado restr ingia sua capacidade de fugir a alta velocidade. (Dizia-se que ela servia também como arma com a qual a mulher podi a se defender de algum admirador que perdesse o controle e tentasse soltar os co rdões. o espartilho também era importante para exibir um a postura aristocrática. A mulher apertada dentro de um corpete era obrigada a ado tar uma postura ereta que lhe dava um ar de graciosa altivez.

mas que. A menor medida de cin tura encontrada no vestuário do século XVIII foi de 61 cm. Rece ntemente. exemplos extremos foram registrados: o Guinnes Book of Records menciona uma . antes da puberdade. Isso não significa que cinturas diminutas não tenham existido. Acreditava-se que cinturas que mediam entre 38 a 41 cm eram comuns e podiam ser alcançadas se a mulher começasse a usar espartilhos apertados desde muit o cedo. quando um detalhado estudo sobre a indumentária de séculos anteriores descobriu que a menor medida de cintura encontrada numa imensa coleção de roupas era de 61 cm. uma nova pesquisa confirmou esse fato. que permitiam uma am arração mais firme. Na época vitoriana. graças à invenção dos ilhoses de metal. se elas existiram. antigamente. a preocupação com as medidas era generalizada. Em 2001. uma jovem atraente era aquela cuja cintura medisse em p olegadas o número exato de sua idade. as medidas variavam de 46 a 76 cm. O primeiro é que. Mesmo no século XX. E um velho provérbio dizia que a mulher ideal era aquela cuja cintura fosse "tão fina que o sol não pudesse captar s ua sombra". Um provérbio espanhol recomendava que a mulher tivesse uma cintura tão fina quanto a de um galgo. O primeiro golpe foi dado em 1949. no auge da moda dos espartilhos com ilhoses. por v olta do fim do século XIX. cuidadosas pesquisas desmentiram essa crença. Caricaturas dos séculos XVIII e XIX mostram mulheres s endo brutalmente apertadas dentro de um espartilho até a cintura desaparecer. eram casos isolados. em conseqüência do uso de corpet es apertados. mas ainda assim a menor medida registrada foi de 46 cm. É verdade que as coisas pio raram um pouco no século XIX. porém.Tal é o interesse na espessura reduzida da cintura feminina que dois mitos surgira m nos tempos modernos. Na época v itoriana.

Livros de história da moda afirmaram categoricamente que. caso contrário isso pode se transformar numa obsessão capaz de transtornar o eq uilíbrio da vida. Vale ressaltar que essa mulher foi uma excêntrica exceção à regra. e afirmações em contrário constituem um dos maiores mitos da história da moda. Os autores não davam detalhe s. "Não há nenhuma evidência de q ue essa prática tenha existido.". a surpreendentes 33 cm em 1939. P arece que nos enganamos. em O macaco nu. em A mulher eunuco) aceitamos e repetimos essa declaração. do New York Fashion Instituto. Mas a grande maioria da s mulheres nunca chegou a esses extremos. mas incluíam algumas fotos para ilustrar as cinturas assustadoramente finas obt idas por esse meio. algumas mulheres estavam obtendo a perfeita figura de ampulheta depois de t erem as costelas inferiores removidas cirurgicamente..inglesa que conseguiu reduzir sua cintura de 56 cm em 1929. . Ela afirma que não há menção à remoção de costelas em nen a história da cirurgia plástica e que. no fim do século XIX. As poucas mulheres que foram longe demais em séculos passados têm su as equivalentes modernas nas fanáticas por regime de hoje. pelo menos no seu caso. Uma detalhada pesquisa realizada por Valerie Steel. ela viveu mais 43 anos.. chegou a uma clara conclusão. o que pr ova que. As mulheres podem desejar uma cintura mais fina devido ao s sinais primitivos que ela transmite. mas não devem ir longe demais para consegui -la. usando-a como exemplo dos exageros a que as mulheres chegavam para melhorar a natureza. Depois disso. as mulheres vitorianas chegavam a se sujeitar a perigosas operações para remoção de c ostelas. O segundo mito é que. Muitos autores posteriores (inclusive eu. o brutal aperto não causou nenhum dano aos órgãos int ernos. e não representa va uma tendência social. quando tinha 24 anos . e Germaine Greer. no fim do século XIX. na busca da cintura perfeit a.

mas há evidências d e que ela pode ter sido feita em alguns poucos casos raros. Embora hoje esteja claro que nem as damas vitorianas nem as atrizes atua is se submeteram a essa medida extrema. Apesar disso.essa seria uma operação muito arriscada. A verdade é que não há evidências de que esses difíceis procedimentos cirúrg icos tenham se realizado. No caso da cantora Cher. a operação tem sido realizada. agora que temos uma tecnologia cirúrgic a avançada. a necessidade de acreditar na cirurgia de remoção de costelas é tão grande que fez nasce r uma nova lenda. Mas segue-se uma advertência: "Não é aconselhável". No mínimo sete famosas atrizes têm sido mencion adas entre as que teriam sacrificado as costelas inferiores na ânsia de ter um cor po mais bonito. os rumo res foram tão persistentes que ela foi obrigada a publicar um desmentido. e a maioria das estrelas que são vítimas dos boatos simple smente os ignoram por considerá-los ridículos. porém. submeten do-se a um exame medico e processando uma famosa revista francesa por repetir a história. Afirma-se que. Há anos correm boatos de que famosas estrelas de Hollywood se su bmeteram recentemente à operação. São citados também os nomes de vários cirurgiões plásticos . resta uma dúvida: será que alguma cirurgia d esse tipo chegou a ser realizada? Não se pode afirmar com certeza. Numa descrição de proced imentos cirúrgicos oferecidos a transexuais que desejam parecer mais femininos pod e-se ler o seguinte: "A remoção das costelas é ocasionalmente realizada para obter uma curva da cintura mais pronunciada". A técnica médica da época não estava suficientement e desenvolvida para que o cirurgião corresse esse risco. Olhando de novo as fotos das mulheres que supostamente teriam removido as costelas. parece provável que as imagens tenham sido retocadas para fazer a cintura parecer menor.

A imagem de uma cintura fi na parece estar indelevelmente impressa no cérebro do macho humano. levando-a a aparecer na telev isão da Alemanha. . A remoção rotineira de costelas parece não ser senão um mito surgido de repetidas fofocas. Em Hamburgo.500. que foi um sucesso. mas a tenacidade de uma fantasia masculina. assim como o preço de US$ 4. Essa persistência reflete não uma verdade cirúrgica. da Austrália e da América para exibir sua extraordinária figura. espartilhos e uma operação de remoção de costelas.preparados para realizar a cirurgia. Suas declarações podem ser verdadeiras. uma jovem alega ter reduzido as medidas da cintura de 51 para 36 cm com cintas. Afirm ações de que "cirurgias de costelas eram relativamente comuns nos anos 1950" e outra s semelhantes continuam sem fundamento. mas com certeza esse seria um caso isolado. Conta que esteve hospitalizada duran te três dias depois da cirurgia.

Hoje. Esses travesseiros eram amarrados por baixo das amplas saias para dobrar o tamanho dos quadris. os ateliês europeus vendiam desajeitadas "almofadas" que pareciam pneus de au tomóveis. uma armação de arame usada sob a saia para criar a impressão de ancas largas. Essa diferença biológica levou a muitos exageros. No século XVI. Como a bacia da mulher é mais larga que a do homem. Deixavam as saias tão amplas que a mulher era obrigada a passar pelas portas de lado. enquanto a masculina só chega a 36 cm. . O século XVIII assisti u ao aparecimento das "anquinhas". a pel ve feminina mede em média 39 cm. mas no passado muitas vezes se tornaram esc ravas do desejo de possuir um quadril avantajado e vítimas da tecnologia capaz de produzi-lo. Até que ponto as fanáticas foram capazes de chegar é inacreditável. Só quando entra numa fase em que prefere a juvenilidade à fecundidade uma sociedade abandona o int eresse pelos quadris largos e passa a valorizar uma aparência mais delgada e mais masculina. mas acabavam deixando os vestidos tão pesados que as damas da época eram incapazes de qualquer atividade mais vigorosa. Para ser preciso. a largura dos quadr is é um dos principais sinais de diferenciação entre os sexos. uma bacia larga emit e a mensagem primitiva de que a mulher é capaz de gerar descendência. Quadris Os amplos quadris da fêmea humana constituem um dos principais símbolos da silhueta feminina. Independentemente de a cintura ser estreita ou não.16. a maioria das mulheres está satisfeita com o tamanho natural dos seus quadris.

os cotovelos apontam para fora como se dissessem: "Mantenh a a distância ou vou acertar você!" Muitas vezes. É por isso que ela é vista como uma . com a di ferença de que o quadril completa um quarto de círculo. Só homens representando mulheres ou homossexuais afetados se pe rmitiriam movimentos ondulantes desse tipo. é muito difícil abr açar alguém que esteja na postura akimbo. que então se movimenta num círculo. sacodem e ondulam os quadris. A dançarina levanta uma mão. Dois movimentos especiais da dança são o ami e o "rodeando a ilha". O segundo movimento é semelhante. o mais importante talvez seja a pos tura de mãos nos quadris. "rodeando a ilha" em quatro movimentos. Quando a pessoa apóia as mãos nos quadris proj etados para a frente. Costuma-se dizer que ela indica autoridade ou desafio. Maneiras de andar que envolvem um evidente balanço dos quadris são tão femininas que são utilizadas como caricaturas em p erformances cômicas. enquanto a outra descansa no quadril. a pessoa assume automática e inconsc ientemente essa postura de acordo com seu estado de espírito. e esses também pertencem mais ao repertório da mulher que do homem. É essencialmente uma postura anti-social . jovens executam movimentos ritmados em que g iram.Passando da forma aos movimentos e posturas. também chamada de akimbo. não surpreende que quase todos os mov imentos dos quadris tenham uma marca feminina. o oposto de abrir os braços para convidar a um abraço. Na famosa dança hula-hula. O ami é um movimento de rotação. Na verdade. Dos gestos que envolvem a pelve. mas é mais que isso. primeiro no sentid o horário e depois no sentido anti-horário. A postura akimbo oco rre sempre que a pessoa quer afastar alguém. Muitos passos de dança incluem vigoros os movimentos dos quadris.

Uma esportista que acaba de perder uma com petição imediatamente coloca as mãos nos quadris. a postura akimbo avisa aos demais que se mantenham em seus lugares. Finalmente. A mulher que pára à porta de sua casa com as mãos nos quadris está d izendo: "Afaste-se. Não ouse entrar".atitude de desafio. mas não há uma palavra que a defina. o b raço desse lado permanece abaixado. em geral com a cabeça ligeiramente aba ixada. refletindo o sentimento de derrota. Eles podem não estar numa posição de autoridade. revela as relações entre os presentes. Isso é porque essa postura também transmite uma disposição autoritária. muito observada em f estas e outras reuniões sociais. Se uma mulher que r se afastar de um grupo que está. Estou tão irritada que não quero ninguém perto de mim". não parece ter um nome em o utras línguas. apóia apenas o braço esquerd o no quadril. mas com certez a não estão buscando conforto nos outros. é um dos mais comuns padrões de comportamento humano. como um cumprimento . que vemos todos os dias e ao qual reagimos subliminarmente sem analisar a mensagem corpor al que estamos recebendo. É geralmente descrita como "mãos nos quadris". Entretanto. Jovens amantes costumam caminhar lado a lado . Essa postura pela metade. Se houver à sua direita um grupo com o qual ela tenha afinidade. todas as línguas teriam uma palavra para defini-lo. Uma curiosidad e dessa postura é que. No chefe de um grupo. Se fosse um gesto mais consciente. existe um contat o pessoal que envolve o quadril. Essa postura também é usada por indivíduos que acab aram de sofrer um revés. apesar de ser usada mundialmente. à sua esquerda. A mensagem que ela comunica é: "Fique l onge de mim. digamos. A pessoa que tem autoridade e gosta de exibi-la não quer partilh ar o espaço com os outros.

na maioria dos casos. está claro que os . um homem só abraça assim uma mulher. A porcentagem muito maior de homens que abraçam mulheres d o que de mulheres que abraçam homens reflete uma atitude geral dos adultos em relação a essa região do corpo. Um estudo tentou anal isar as diferenças de gênero em relação a esse tipo de abraço no quadril. mas nessas situações a mobilidade do casal é menos importante do que a demonstração de intimidade — que é feita para eles mesmos e para os outros. os homens se interessam muito mais pelos qu adris das mulheres do que o contrário. Mas quando uma pessoa abraça o quadril de outra a posição da mão dá ao ato um peso sexual. enquanto o outro apenas recebe o abr aço. É um gesto de amizade. Em 77% dos casos o homem abraça a mulher. É uma postura que atrapalha um pouco o movimento. Foi contatado qu e. Querendo se abraçar plenamente e caminhar ao mesmo tempo.com os flancos se tocando e as mãos cruzadas nas costas e apoiadas no quadril do p arceiro. Dois homens podem se abraçar desse jeito quando estão parados ou caminhando juntos. esse abraço do qu adril é um meio-termo. é claro. Como sinal. que queira exibir sua homossexualidade em público. Por essa razão. Evidentemente. com outras trocas de intimidade em público. aliás. (O abraço entre pais e filhos pequenos foi excluído da pesqu isa.) Como se previa. mas parece que o tabu é menor ent re mulheres — o que ocorre. Funciona como um gesto de exclusão em re lação a qualquer pessoa que os acompanhe ou os observe. a meno s. como os beijos de comprimento. e em 9% uma mulher abraça outra. Do ponto de vista social. não houve abraço entre homens. esse tipo de abr aço transmite uma mensagem mais forte do que o abraço em que uma pessoa toca o ombro da outra. só um parceiro abraça. e não há nada nessa intimidade qu e indique uma ligação sexual. e que é muito comum. em 14% a mulher abraça o homem.

eles carregam quase tanta feminilidade quando os seios. . Devido à sua ligação com a procriação.quadris são atributos essencialmente femininos.

que explicaram que a m oda feminina obedece a uma lei de troca das zonas erógenas. Roupas qu e expõem a barriga atraem o olhar para a região genital. No mundo ocidental. Blusas que expõem os ombros e o sulc o dos seios foram muito usadas no passado. ma s em compensação os umbigos femininos podiam ser admirados pelos homens (por enquant o. Era necessário algo novo. e alguém teve a brilhante idéia de usar uma blusa bem curt a. Hoje. mas pelo fato de estar intimamente relacionada com os genitais. para s er preciso) a moda de jeans de cintura baixa combinados com uma blusa muito curt a colocou a barriga feminina no foco das atenções. mas nos últimos anos (desde 1998. Barriga A barriga da mulher sempre foi uma região tabu. Segundo essa lei. As pernas podiam estar inteiramente cobertas. nasceu uma nova zona erógena. De repente.17. que não alcançasse a cintura das calças. A idéia que está por trás dessa mudança foi lançada pelos críticos de moda alemães nos anos 1920. A razão para essa exposição é interessant e e tem muito a ver com uma importante mudança no vestuário feminino: de uns anos pa ra cá. mais de 80% das mulheres que são vistas nas ruas das cidades usam jeans ou outro t ipo de calças. passaram a adotar as calças compridas. as pernas deixaram de ser expostas e alguma outr a parte do corpo precisou ocupar o seu lugar. que só usavam saias. não apenas por ser uma zona erótica po r si só. Em conseqüência disso. as roup as de uso diário sempre cobriram a barriga. mas essa solução se tornou muito familiar . as m ulheres sempre vão querer mostrar uma determinada parte do corpo. as mulheres. e a moda se espalhou rapidamente. mas essa exposição v aí sempre mudar de uma zona . pelo menos até que o ciclo da moda se mova de novo).

com alto risco de o umbigo se rasgar quando um corpo se esfrega no outro. Existem duas razões para isso.para outra. À medida que uma é coberta. A primeira é o desejo de novidade: cada nova exposição é excitante porque mostra algo qu e não tem sido visto nos últimos tempos. Essa imprecisão anatômica ficou tão arraigada no . be m longe dos "impronunciáveis" genitais. foi preciso encontrar um termo substituto. superado apenas pelos piercings na orelha. Uma relação sexual papai-e-mamãe pode causar problemas. Os piercings de umbigo têm um evide nte apelo decorativo. como não era de bom tom usar a palavra "barriga". mas surpreende que mulheres sexualmente ativas queiram usa r uma jóia num lugar tão vulnerável. Um dos problemas co m o uso de piercings abaixo do pescoço é que só pessoas muito íntimas ficam sabendo de s ua existência. para manter sem pre alguma exposição sem exagerar. Algun s escritores deram a isso o nome de "vandalismo umbilical". outra é exposta. Mas que atitude nossos antepassados tinham em relação a essa parte da anatomia feminina? Na época vitoriana. e como o estômago está posicionado mais alto. Co mo a região da barriga contém o estômago. no início do século XXI. Assim. A segunda é que. a imagem será de vulgaridade. a ênfase recai sobre a barriga. os vitorianos decretaram que uma dor de ba rriga se tornasse uma dor de estômago. uma parte vai sendo exposta depois da outra ao sa bor da moda. Agora. se mais de uma parte do corp o for exposta ao mesmo tempo. mas apesar disso. Com a nova moda. eles deixaram de ser usados apenas por uma minoria para serem adotados por um público muito maior. o piercing no umbigo era o segundo na preferência das mulheres. Uma vanta gem disso é que a nova moda de piercings no umbigo pôde vir à luz. no início do século XXI.

Ele tam bém é proporcionalmente mais longo. B aseava-se numa lei que não permitia que a pena capital fosse aplicada à mulher grávida . Além d o umbigo. é difícil perceber essa linh a. Uma terceira imprecisão era usar a palavra "barriga" como si nônimo de "útero". q ue é a parte do corpo situada entre o tórax e a pelve. Na maioria das prisões havia homens cuja tarefa era garantir que as internas tiv essem condições de pleitear esse direito. o útero. Essa região do corpo tem poucas marcas superficiais. essa classe se referia à barriga como se ela fosse a região abaixo da linha dos pêlos púbicos. "Barriga" é o termo popular para "abdome". para a região genital. Num indivíduo adulto. numa pessoa gorda (de qualquer idade). Se observarmos um corpo jovem e atlético. essa linha corre verticalmente do umbigo até o peito. que assinala o ponto onde os músculos do lado esquerdo do corpo se encontram com os músculos do lado dire ito. havia uma conhecida estratégia que se chamava "apelo da barriga''. contendo o estômago.vocabulário que sobreviveu nos tempos modernos. Com i gual imprecisão. a lin ea alba é vista como uma estreita mas nítida depressão da carne. Enquanto uma classe educada empurrava a barriga para a região do estômago. muito depois de a pudicícia vitorian a ter deixado de existir. outra classe a empurrava para baixo. considerando-se que os dois indivíduos tenham uma compleição semelhante. Numa época em que as mulheres eram condenadas à morte pela prática de c ertos crimes. com uma distância maior entre o umbigo e os genita is. O ventre da mulher é mais arredondado na parte inferior que o do homem. O umbigo da mulher também é mais profundo que o do homem. os intesti nos e. Entretanto. há uma depressão chamada linea alba. na mulher. Podemos resumir essas diferenças dize ndo que a mulher tem um abdome .

Portanto. Não é difícil imaginar a razão disso. A mais magra das mulheres pode apresentar um umbigo circular se jogar o corpo para a frente. por mais magro que seja. Essa mudança na visão da barriga teve um estranho efeito colateral: alterou a forma do umbigo feminino. E se ela cai na tentação de comer demais. consciente ou inconscientemente. mais volume. Assim. logo se torna lamentavelmente — ou orgulhosamente — barriguda. Em corpos mais cheios o umbigo é circular. enquanto o . uma barriga gr ande era ostentada com orgulho. O orifício genital feminino está por trás de uma fenda vertical. À medida que a mulher fica mais velha. Mas existe algo mais do que ape nas a perda de peso nessa mudança.maior e mais curvo que o homem. sem sinal de gordura. Em períodos de escassez de alimentos. e as jovens das tribos eram engordadas para o ca samento. uma barriga chata. Uma pesquisa sobre obras de arte que mostravam as mulheres carnudas de antigamente revelou que a grande m aioria (92%) exibia um umbigo circular. um aspecto que muitas vezes é exagerado pelos arti stas. sua presença no meio do ventre não pode deixar de lemb rar os verdadeiros orifícios que se situam abaixo dele. só cri a a possibilidade de um umbigo vertical. Se ele será exibido ou não. é um sonho feminino em qualquer idade. Um corpo esbelto. Hoje. as pose s modernas parecem enfatizar o umbigo vertical. com sua obsessão pela eterna juventude. Numa pesquisa semelhante sobre as modelo s fotográficas de hoje essa porcentagem caiu para 54%. e sua barriga. mudo u tudo isso. as mulheres magra s de hoje têm seis vezes mais probabilidade de ter um umbigo na forma de uma fenda vertical do que suas voluptuosas predecessoras. seu corpo ganha peso. ma s num corpo delgado ele parece mais um talho vertical. O novo puritanismo corporal. vai depender da postura da modelo. Co mo o umbigo parece um orifício.

Uma carta oficial do censor aos produtores do filme Mil e uma noites dizia: "Aprovado para adultos desde que sejam cortadas todas as cenas de dança que mostram o umbigo das dançarinas". Os primeiros filmes provocaram choque e horror diante da exposição d essa parte da anatomia das dançarinas. Se não pudessem ser cobe rtos pela roupa. Sugestivo do quê. Dessa vez. Com os preceitos religiosos e culturais que dominavam o mundo árabe. ele era simplesmente suprimido. O q ue parecia ofender os puritanos espectadores era o fato de as dançarinas serem cap azes de mexer o umbigo enquanto ondulavam o corpo seminu. voltou a suprimir o umbigo. Nas primeiras fotos. Em fotos sensuais em que a fenda geni tal fica oculta.orifício anal é muito mais circular. vinha da terra da dança do ventre. Uma segunda onda de c ensura. que tinha que ser omitido para evitar a histeria sexual da pla téia. ba sta observar o que aconteceu com o umbigo nos períodos mais puritanos do século XX. o fotógrafo e sua modelo podem se unir para oferecer subliminarme nte um falso orifício como substituto do real. o Oriente Méd io. Segue-se que essa mudança para a exibição de um umbig o vertical fortalece o simbolismo genital. O conhecido código moral ista de Hollywood dizia que os umbigos estavam proibidos. Fazia-s e isso porque. nunca foi dito. Isso aprofundou o simb olismo do umbigo. nos anos 1930 e 1940. as dançarin as das casas noturnas foram instruídas a cobrir a barriga quando dançassem. Se isso parece muito fantasioso. Mal o mundo ocidental tinha relaxado a censura cinematográfica do umbigo e ele já sofria um novo ataque. As fotos eram retocadas par a dar a ridícula impressão de que o ventre da mulher era completamente liso. . o umbigo era sugestivo demais. deviam ser preenchidos com jóias ou qualquer outro ornamento. segundo se dizia.

ele pareça um detalhe relativamente inócuo da anatomia humana.mostra um forte alongamento vertical. é p erfeitamente redondo. Uma organiz ação que se intitula US Navel Observatory (Observatório do Umbigo dos Estados Unidos) concebeu uma classificação para esse pequeno detalhe da anatomia feminina. pode-se ler: "Ele pode propo rcionar muitas sensações sexuais cultiváveis. por exemplo. mas considerado de grande b eleza. Em The Joy of Sex. Tem a forma de um triângulo invertido com lados convexos. Umbigo circular . o interesse na s possibilidades eróticas do umbigo feminino tomou proporções fetichistas. Num relatór io denominado Navel Architecture (Arquitetura do umbigo). Umbigo triangular . Recebe esse nome porque tem a forma semelhante a uma navet te (pequena nau). Para alguns. gracioso. mesmo que hoje. ele se adapta ao dedo.Essas restrições deixam claro que o umbigo tem força erótica.um tipo raro. Umbigo navette . à glande ou ao dedão do pé. Os manuais de sexo perceberam esse poder e enfatizam seu fascínio aos amantes que exploram o corpo do parceiro. Umbigo em forma de amêndoa .um tipo raro hoje em dia. Uma pose muito popular nos manuais sexuais ilustrados mostra o homem explorando o umbigo da parceira c om a língua — um pseudo pênis inserido numa pseudo vagina.considerado pelos japoneses o supra-sumo da beleza umbilical. . para a mai oria de nós. eles reconhecem nada m enos do que nove formas de umbigo: Fenda vertical . femi nino e erótico. e merece cuidadosa atenção quando você o beijar ou tocar". porém mais la rgo na parte central.um tipo comum. Geralmente aprese nta uma profunda depressão.

Os artistas enfrentavam o dilema de incluir ou não umbig os em suas pinturas de Adão e Eva no Jardim do Éden. é um problema espin hoso decidir se os primeiros seres humanos tinham ou não umbigo. essa não é a única classificação de umbigos que existe.o umbigo moderno no qual foi inserido um piercin g. Ele relaciona os seguintes tipos: umbigo horizontal. Fora da esfera sexual. Na verdade. P ara os que acreditam na verdade literal dos textos religiosos. o umbigo causou vários problemas nos círculos religiosos. tem a aparência de um olho. e cada um inventou sua razão para a existência desses primeiros umbigos. uma mistura do umbigo côncavo com o umbigo p rotuberante. Se esse seres for am criados pela divindade. isso provocou uma nova e intrigante per gunta: Quem gerou Deus? . Umbigo olho de gato . umbigo protuberante. umbigo descentralizado e umbigo redondo . e não nasceram de uma mulher. não havia cordão umbilical. umbigo côncavo.Umbigo oval . Embora esse relatório não pretenda ser mais do que uma análise superficial do umbig o feminino.uma das formas mais comuns. mas essa d ecisão gerou um problema ainda maior: se Deus criou o homem à sua imagem e semelhança.mais horizontal que vertical. Naturalmente. revela o interesse sexual que um simples botão umbilical pode desperta r. A maioria optou por registrá-los. Umbigo grão de café — um umbigo côncavo em cujo interior há duas protuberâncias de carne. então ele devia ter umbigo. Um psicólogo alemão or anizou sua própria lista de formatos. alegando que uma pessoa "pode se conhecer at ravés do umbigo". Umbigo perfurado . e portanto não havia umbigo. umbigo vert ical.

mas. Esse furo foi o pr imeiro umbigo. A dança do ventre tem três movimentos principais : movimento da pelve para a frente. com movimentos da pelve e contrações dos músculos abdominais para massagear o pênis do grande . A expressão "olhar para o próprio umbigo" c ostuma significar uma ação autocentrada. inserir seu pênis e contorcer-se provocativamente até leválo ao orgasmo. Para evitar a contaminação. depois que Alá criou o primeiro ser humano. Elas foram se especializando nessas contorções. resta ver como surgiu a famosa dança do ventre. Voltando à barriga de forma geral. onde o sultão era geralmente muito g ordo. Um simbolismo totalmente diferente vê o umbigo como centro do unive rso. focalizando to do o universo através de seu ponto central. Os dois primeiros são de fácil execução e muito comuns. Uma an tiga lenda conta que. Hoje ela é comumente considerada uma "dança tradicional". assim como uma forma de meditação voltada para o interior. Já as ondulações exig m um alto controle muscular e só são executadas pelas dançarinas mais experimentadas.Os turcos descobriram uma solução incomum para o problema do primeiro umbigo. ma s seu gesto deixou um pequeno furo no lugar onde o cuspe caíra. as jov ens tinham que se acocorar sobre o corpo deitado. Surgiram no harém. Na verdade. o Demônio ficou tão furioso que cuspiu no corpo do recém-chegado. a origem dessa t radição não se perdeu na poeira do tempo. O cuspe foi aterrizar bem no cento d a barriga. movimento de rotação do quadril e ondulações dos múscu los da barriga. É assim que os budistas o consideram. nada atlético e sexualmente desinteressado. Para excitá-lo sexualmente. Deus imediatamente arrancou o pingo poluído. embora isso tivesse agradado aos puritanos. Os três são movimentos sensuais. é o contrário: uma tentativa de anular o ego.

Com o tempo . nem tudo se perdeu. que com o decorrer do s séculos teriam sido incorporados à dança do ventre. . Ela deixou de ser meramente uma dança que imitava a cópula de uma jovem vigorosa sobre um homem indolente e corpulen to e tornou-se símbolo da concepção e do nascimento — todo o ciclo reprodutivo em uma únic a performance. um manual que pretendia ensinar a dança introduz o tema co m a seguintes palavras: "Em seu novo papel como forma de arte física e saudável. mas colocava-se de cócoras. quando ainda não contava com ajuda médica. Com o acompanhamento musical. A mul her ajudava o parto movendo o abdome em movimentos de rotação. a ênf ase recai sobre o preparo físico". mas o nascimento. A dançarina do harém tornou-se uma atleta. Na década de 1980. Em muitas cult uras. é difícil dizer. Algumas fontes alegam que os movimentos representam não a cópula. Como um ato de cópula. Portan to. ele tem sido chamado de "masturbação fértil". os nomes que definem os movimentos ainda preservam uma conotação erótica. ou se ela só pretende e sterilizar uma dança puramente erótica e alinhá-la entre outras atividades "folclóricas" . usando a força da gravidade para empurrar o bebê. o processo de purificação foi mais longe nos últimos anos. os movimentos pélvicos eram exibidos para excitar o senhor do harém antes da cópula. Embora a dança do ventre esteja sendo promovida como "uma ótima terapia para a tensão e a depr essão". a parturiente não deitava para dar à lu z. as mulheres do harém foram capazes de ex agerar os movimentos e torná-los mais ritmados. De qualquer forma. a ex ibição logo foi estilizada numa dança que foi chamada de dança do ventre.senhor. Se essa interpretação da dança do ventre é correta. Livres do contato com o corpo indolente.

o ven tre quase nunca participa dos contatos pessoais. que é o contato dos ventres duran te o ato sexual. os gest os que envolvem a barriga são raros. é através deles que se perde a castidade". Na vida cotidiana. olhai com ódio o ventre e os alim entos. Além desses gestos e de um raro soco na barri ga de um inimigo. o ventre é considerado o centro do corpo. com ventre sobre ventre ela foi destruída". Esse simbolismo ocidental nada elo gioso está em completa oposição com o simbolismo oriental. a barriga. acabou se ligando a outros apetite s animais. só existe outro contato pessoal. Quando uma pessoa toca outra na barriga. Devido à sua proximidade com os genitais. um marido orgulhoso pode passar a mão pela barriga da esposa grávida. Os pais às vezes dão um tapinha na barriga dos filhos quando eles comem bem. . Estranhamente. Um provérbio grego afirma que " a barriga é a mais vil das bestas".Fora do campo sexual. O ma is conhecido é sua ligação com o lado mais animal e terreno da vida humana. No Japão. geralmente ambas pertencem à mesma família. essa postura é tema de uma das mais antigas piadas da humanidade. que vê o ventre como sede da vida. são amantes ou velhos amigos. datados do terceiro milênio da era cristã. Vem t ambém da Grécia antiga outro pronunciamento: " Ó Deus. Um dos textos sumérios mais antigos. tem vários simbolismos. registra com um humor triste: "Com tijolo sobre tijolo esta casa foi c onstruída. Como a bar riga está relacionada com o apetite por comida. e um dos amantes pode d escansar a cabeça na barriga do outro. assim como o umbigo.

Como mencionamos quando tratamos da nuca. aparecem de quando em quando. sempre que o costureiro encontra uma cliente corajosa. Mesmo em repouso. Hollywood lançou es sa moda em 1932. as costas femininas têm uma be leza inegável. a linha da nuca é apenas sugerid a. os seios e as pernas — recebe m maior atenção e despertam mais interesse. os japoneses v alorizam muito essa parte do corpo. Se ela é uma mulher casada. Entretanto. as costas femininas têm figurado no mu ndo das imagens eróticas. mas se ela é uma gueixa. quando ela se ajoelha dia nte do homem. e.18. a linha das costas torna-se mais sensual. que revelam inteiramente as costas. os estilistas de moda de vez em quando enfatizam as costas. A gola do quimono é cortada de acordo com a co ndição da mulher que o usa. Outras partes do corpo — especialmente a cabeça. No Oci dente. o contorno das costas é notavelmente diferente no homem e na mulher: nela. Versões mais radicais desse m odelo. quando a atriz Tallulah Bankhead apareceu em público com um decot e nas costas que logo foi copiado pelas admiradoras. o contraste é grande tanto de lado quanto de costas. a parte inferior é mais larga. a parte mais larga é a superior. então a atenção pode ser desviada para as costas. lhe oferece uma excitante visão do dorso por dentro da roupa. De vez em quando. a gola se afasta da nuca. Portanto. elas são naturalmente mais arqueadas que as costas do homem. e se a curva da coluna é deliberadamente acentuada com a projeção do quadril para trás. Se o vestido é fechado na frente. Visto por trás. nele. Um . disposta a escandalizar em algum a aparição pública. Costas As costas femininas têm sido ignoradas tanto pela própria mulher quanto pelos observ adores.

o corpo magro e . Mas a exposição das costas nem sempre é um sucesso. As duas pequenas depressões situadas de cada lado da base da coluna. As covinhas são um detalhe da s costas femininas que em outros tempos despertou no homem tal excitação a ponto de tornar-se uma obsessão. b em acima dos glúteos. dando à mulher a possibilidade de exibir as "covi nhas" do sacro. carnuda. E possível que o apelo sexual das covinhas que se formam nas bochechas se deva em parte à sua semelhança com essas outras covi nhas próximas às nádegas. assim como o "losango de Michaelis".. eram tema de conversa entre os mais sofisticados l ibertinos. estão presentes em ambos os sexos. quando as formas voluptuosas estavam na moda. Um escritor escreveu sobre "essa região sedosa. Ao ver bailarinas vestidas com um collant sem costas. Naturalmente. Nos homens. que expunha as costa s até o limite do sulco das nádegas. O los ango às vezes é rodeado e definido por quatro depressões. como lesmas fora da concha".. O mundo clássico tinha verdadeira fascinação pelas covinhas femininas.desses modelos foi o famoso macacão lançado em 1967 por Ungaro. hoje as preferidas. um crítico comentou que "suas costas parecem entorpecidas e a pavoradas com a exposição. que passou muito tempo estudando-o. uma em cada vértice da figura. mas. também já despertou grande interesse erótico. exatamente onde se situam as duas pequenas covas. de dar água na boca. uma região em forma de diamante situad a entre as covinhas. só são visíveis no máximo em 2 5% dos casos.." As covinhas são menos evidentes em mulheres magras. Seu nome é referência a o ginecologista alemão Gustav Michaelis. mas são mais perceptíveis nas m ulheres devido à gordura depositada nessa região. P oetas e escultores gregos as admiravam. O losango de Michaelis.

vitais para a observação do mundo e proteção do rosto. Desde que nossos ancestrais as sumiram a posição ereta. A maior parte do tempo. Passando à biologia. As cinco vértebras lombares. Se alguma coisa grave lhe acontecer. que tem a função de absorver os choques. as costas são a parte d o corpo menos conhecida. os músculos das costas foram obrigados a trabalhar o tempo to do. não tenha sofrido de dor nas costas . Rara é a pessoa que. segundo . porque sua principal função é atuar como uma âncora para as costelas. por três membranas protetoras. Na maioria dos casos. po r uma cobertura dura e resistente que chamamos coluna vertebral. permitindo todos os movimentos da cabeça. as costas corr em o risco de parecer demasiado rígidas e "fibrosas". São cinco os tipos de vérte bras.musculoso das modernas bailarinas não é o mais adequado à exibição total das costas. pelo líquido cérebro-espinhal. a solução é comprar uma cadeira de rodas. certamente precisa de proteção. em alguma fase da vida. A medula. mas 33 vértebras alinhadas. E ela está bem protegida: primeiro. têm a função de su stentar a . Se alguma mulher se desse o trabalho de observa r suas sofridas costas. descobriria um conjunto brilhantemente entrosado de múscul os e ossos com a dupla função de sustentar e proteger a medula espinhal. só quando sente dor a mulher pára para pensar em suas costas como uma parte de sua anatomia. não e xiste propriamente uma coluna. elas não passam de algo q ue está longe da vista e da mente. mas a que mais trabalha. as mais pesadas e espessas. Na verdade. e terceiro. As cervicais são sete e têm uma surpreendente mobilidade. Parece que costas nuas caem melhor em mulheres mais cheias e roliças. Sem a s curvas suaves proporcionadas pela camada subjacente de gordura. q ue tem cerca de 46 cm de comprimento e pouco mais de 1 cm de diâmetro. As doze vértebr as torácicas são muito menos móveis.

Excetuado algum problema médico específico. Algumas partes do nosso corpo adquirir am seu nome de maneiras bastante excêntricas. As dores nas costas são geralmente causadas pelo desgaste desses músculos . Acr edita-se que o sacro contenha o espírito imortal. e os glúteos.maior parte do peso do corpo. que significa "cu co". porém. as mulheres sentem dor nas costas por uma principal razão: falta de exercício em decorrência de uma vida urbana sedentária. As vértebras sacrais se unem para formar o osso sacro. mas em círculos ocultistas ele é considerado o osso mais im portante do corpo. As vértebras coccígeas são os últimos e os men ores ossos da coluna. os músculos dorsais. Elas também se fundem para formar o cóccix — tudo o que restou d a cauda dos primatas. Podemos nos perguntar que ligação pode haver entre nossa cauda remanescente e u m pássaro como o cuco. É nessa região que as piores dores costumam se instala r. na parte inferior. Os músculos das costas se . Para a maioria das pessoas. situado na part e superior das costas. Talvez a escolha se explique pelo fato de ser o osso sacro beijado cer imoniosamente nos conciliábulos das bruxas. existe algo estranhamente perverso em idealizar a "alma" no ponto mais baixo da s costas. A resposta está na forma do osso. na parte central. Pode parecer estranho que esse osso triangular na base da coluna se ja chamado de "sagrado". ao qual é atribuído um papel especial nos rituais divinatórios. O sistema muscular das costas é extrem amente complexo. mas consiste em três principais grupos: o trapézio. A denominação desse pequeno osso pontudo é ainda mais estranha d o que a do sacro. que os primeiros anatomista s julgavam semelhante ao bico de um cuco. São cinco vértebras que atua m como uma só. porque a palavra "cóccix" vem do latim coccyx.

A má postura decorre de certos hábitos de trabalho. o corpo sedentário se enfia na poltrona ou na cama macia em busca de conforto. onde todo lar dispõe de móveis macios. cada vez mais numerosas no mundo oci dental.enfraquecem por falta de uso ou são prejudicados por uma postura errada. as costas começam a doer. Esses móveis aconchegantes criam uma sensação de segurança e calma. e assim por diante. A ten são mental é outra maneira de submeter as costas a uma sobrecarga. Durante as muitas horas que passamos vendo televisão. Esse processo qua se sempre passa .. como um bebê que busca a segurança do corpo da mãe. A coisa piora muito quando a criatura que se esparrama ou se enrosca na superfície macia está acima do peso. no s quais o corpo é obrigado a manter uma determinada posição durante horas. mas fisicamente impõem um esforço descomunal aos músculos das costas. As tensões corporai s causadas por angústia ou ansiedade podem provocar uma duradoura tensão dos músculos das costas. Em pouco tempo. que lutam para manter a coluna — liter almente — em boa forma. Pegar objetos pesados curvando o corpo para a fren te e usando as costas como um guindaste é outro mau costume que quase sempre sobre carrega as costas. conversando ou lendo. Ela também po de ser adquirida durante as horas de lazer. que carregam quase o mesmo peso na mesma região.. o que pode aumentar a angústia . Se para uma mulher que tem atividade física essa manobra repres enta pouco risco. mas indivíduos muito gordos. E quase inevitável que mulheres grávi das sofram dores nas costas devido ao peso do bebê. para a mulher que leva uma vida sedentária o perigo é maior. costumam se surpreender quando começam a sentir os mesmos sintomas. por algum esforço repentino e por tensões. até que seja necessário buscar ajuda médica.

tocar a testa no chão e prostrar-se. a . Entretanto. O elemento c omum de todas essas ações é o rebaixamento do corpo para simbolizar a baixa condição de qu em o executa. o que em algumas mulheres idosas se torna u ma postura crônica e permanente ao caminhar. o movimento tinha que ser bastante acentuado pa ra expor inteiramente as costas ao superior. e pode ser desencadeado por problemas emocionais que preocupam tan to o cérebro que a pessoa só percebi os efeitos quando é tarde demais. Por essa razão. pensava-se que dava sorte tocar a corco va de um corcunda. A própria medula era vista como um a réplica da árvore cósmica que alcança o paraíso que é o cérebro. e acreditav a-se que qualquer pessoa que tivesse uma parte a mais da coluna vertebral tinha sido agraciada pela sorte. No mundo do simbolismo. Alega-se que ou tra causa para a dor nas costas é a frustração sexual. as costas desempenha m um papel menor. de fato. Os macedônios acreditavam . é parte essencial de uma série de ações coord enadas como curvar-se. Curvar as costas para a frente. po demos curvar. Na Idade Média. uma escada ou um ba stão. sua coluna vertebral se transformava numa serpente. exceto como guardiãs da medula. As costas não são uma das partes mais expressivas do corpo feminino. ajoelhar. esticar. onde se podem comprar pequenos talismãs de plástico representando um corcunda sorridente. Essa crença ainda sobrevive em algumas regiões mediterrâneas. a "essência" da medula era considerada muito benéfica. Essa era. Em tempos remotos. e o aumento de atividade sexual tem sido sugerido como tratamento. dobrar ou ondular as costas de acordo com as mudanças de hu mor.despercebido. Outras interpretações da medula espinhal a vêem como uma estrada. quando um cadáver apodrecia.

É uma postura c omum em pessoas de alta condição. porque opõe-se à postu ra de braços cruzados. Os militares são treinados para ma ntê-las eretas mesmo quando estão relaxados. Existem várias posturas com as quais uma pes soa entra cm contato com suas costas. Se voltar as costas a alguém é uma grosseria p or ignorar deliberadamente o outro. Dar a s costas a alguém na posição ereta era uma grosseria imperdoável. e é por isso que eles parecem mais agress ivos que os cidadãos comuns. Por essa razão. A postura com as mãos atrás das costas diz que a pessoa está tão confiant e que não precisa de nenhuma proteção frontal. os subordinados tinham que se afastar da presença do Grande Senho r caminhando de costas para fora do salão real. E dar as costas a alguém a quem acabamos de ser ap resentados continua sendo um insulto. com as mãos presas uma à outra. A mais simples é aquela em que a pessoa fica de pé ou caminha com os braços atrás delas. Deixá-las cair passa uma mensagem de impotência. na qual estes se unem diante do corpo como uma espécie de bar reira de proteção. porque indica que o corpo está se preparando para um ato violento. especialmente em membros da realeza e líderes político s em ocasiões formais de inspeção. Aprumar as costas também tem o efeito de aumentar ligei ramente a altura do corpo. Esse procedimento formal ainda sob revive e pode ser observado numa sala apinhada.única situação em que o inferior podia mostrar as costas sem ofender o superior. Os professores usam o mesmo gesto quand o caminham pela . quando alguém gira a cabeça e diz a um amigo: "Desculpe as costas". uma mudança que ajuda a demonstrar poder. Demonstra extrema superioridade. porque a altura diminui ligeiramente — quase como uma incipiente curvatura de subordinação. porque significava rej eição. esticá-las é um gesto ameaçador.

exis te uma tatuagem que mostra uma cena de caçada. que lhe tra nsmite total segurança e amor. Mesmo um tapinha breve e suave nas costas de alguém que está sofrendo traz um enorme conforto. olhando na mesma direção. despro porcional à simplicidade e brevidade do contato físico. Devido à sua grande extensão. a pessoa pode se entregar num abraço apaixonado. porque os corpos ficam mais próximos enquanto caminham. Trata-se de uma maneira q uase universal de confortar. . o abraço. no sentido de que é uma versão reduzida do mais fundamental cont ato interpessoal. Quando pequena. cumprimentar e demonstrar amizade. e a pressão carinhosa das mãos em suas costas se torna um sinal de cuidado e amizade.sala de aula. Outra forma comum de contato é o gesto em que uma pessoa pressiona a mão nas cos tas de outra para guiá-la. porque ecoa uma sensação de infânc ia. as costas são um a parte do corpo muito tatuada. É um gesto um pouco mais íntimo. que lembra o corpo do gesto maior. demonstrando sua superioridade naquele território. Magníficas demonstrações da arte da tatuagem podem ser vistas nas costas de mulheres corajosas em todo o mundo. em vez de tocar o braço ou o cotovelo. mas em momentos de menor envolvimento emocional adota uma versão em m iniatura — o tapa nas costas —. a criança adora o abraço da mãe. e que q uer dizer: "Estou aqui se você precisar". Outros gestos que envolvem as costas são gestos secretos e ocultos. Entre os motivos. Ou o leve conta to da mão nas costas quando duas pessoas estão juntas. como quando uma menina esconde a mão atrás das costas para cruzar os dedos quando diz uma mentira. Quando adulta. A motivação desse ge sto é sempre a mesma. Outra maneira de contato nessa região é o proverbial "tapinha nas costas".

.com cavalos e cães perseguindo uma raposa por todo o comprimento das costas. e a c auda da raposa prestes a desaparecer entre as nádegas.

perto dos 14. a época exata em que os pêlos púbicos atingem a maior . inclusive o nascimento dos pêlos nos genitais externos. seu corpo era liso e limpo. Por volta dos 14 anos. e eles adquirem o padrão adulto. a quantidade de pêlos aumenta e começa a surgir a forma triangular. porque os julgam "animalescos" ou "ma sculinos". Essas dúvidas podem parecer exageradas para alguém que tenha sido criado numa família liberal. Outra coisa que pode deixá-las ins eguras é o fato de só terem visto pêlos no corpo dos homens. isso ocorre entre 11 e 12 anos. por volta dos 8 anos. os da cabeça. e agora. entre 13 e 14. muitas mudanças sã notadas. porém. Muitas meninas não gostam dessa mudança. entre 12 e 13 an os nascem os primeiros pêlos. Aos 15 anos. ou com atraso.19. de repente. Na média. embora haja exceções em que os pêlos surgem precocemente. Pêlos púbicos Durante toda a infância. as coisas se tornam mais complexas. está "sujo" e "peludo". exceto. Depois. Na infância. Talvez elas nunca tenham visto pêlos púbicos. A constatação surgiu inesperadamente duran te uma pesquisa sobre os animais mais amados e odiados. Com a chegada da puberdade. naturalmente. o crescimento dos pêlos já esta prat icamente completo. Ter pêlos na região genital as assusta. Quando os ovários começam a aumentar de tamanho e se inicia a produção de hormônios. entre crianças pré-púberes inglesas. que costumam ser escondid os por pais recatados e pela censura do cinema. as meninas não têm pêlos no corpo. mas não e ntre os meninos. Descobriu-se que. mas continuam pe rturbando um grande número de adolescentes. o ódio às aranhas aumentava muito entre as meninas. Geralmente.

mas quando as meninas em questão foram solicitadas a explicar por que odiavam tanto as aranhas. quase sempre respondiam que elas era m "umas coisas sujas e peludas". e com isso a aranha é inconscientemente definida como "um tufo peludo e móvel". espessos mas bastante esparsos [. é o movimento das longas pernas que se irradiam de seu corpo mole. onde os cabelos pretos e lisos coexiste m com pêlos púbicos "pretos. A prin cipal exceção é encontrada no Extremo Oriente. Os meninos. O fato de esse medo dobrar na fase em que as meninas constatam que um "tufo pelud o" está crescendo entre suas pernas é significativo. os pêlos púbicos variam muito: são curtos ou longos. mesmo quando os cabelos são lisos. Se lhes perguntassem por que não gostavam das aranhas. os pêlos púbicos nem sempre acompanham os cabelos. A mai oria das mulheres tem pêlos púbicos crespos. o ódio às aranhas aumenta drasticamente e se torna duas v ezes mais forte nas meninas que nos meninos. O que uma men ina de 14 anos vê. existe outra que está perturbada co m esse fato.] fo rmando um triângulo invertido". para cada menina que se sente orgulhosa dos pêlos que começam a despontar. À primeira vista. esparsos ou densos. isso parecia não ter nenhuma ligação com os pêlos púbicos. quando uma aranha atravessa seu caminho. Em cor e te xtura. em geral com uma tonalidade avermelhada. São essas pernas que são vistas como "pêlos ". era mais provável que tivessem respondido que elas "eram v enenosas". lisos e macios ou espessos e crespos. .velocidade de crescimento. A aversão pelas aranhas peludas é mais simbólica do que real. que já esperam adquirir pêlos no corpo como seus pais.. Em diferentes partes do mundo.. se preocupam muito menos com isso. curtos e lisos. Assim. Muitas mulheres de cabelos escuros têm pêlos púbicos mais claros.

É por is so que. precisam se banhar com mais freqüência que os primitivos. A presença de pêlos púbicos ajudava a desencadear a reação sexual do macho. Existem três respostas. No período pré-histórico.As primeiras perguntas que a menina púbere costuma fazer sobre seus pêlos púbicos é: "Po r que tenho isso? Para que isso serve?".) A segunda fu nção dos pêlos púbicos é atrair pelo odor. cuja fragrância persiste mais tempo nos pêlos densos e crespos que na pele nua e macia. as fragrâncias naturais permaneciam frescas. Antes de mais nad a. eles devem ter funcionado como um sinal de que a menina havia se tornado um a mulher adulta. com r oupas apertadas cobrindo o púbis. que andavam nus. Uma terceira função dos pêlos púbicos é que eles atuam como um amortecedo r no contato da pele do homem e da mulher durante o vigoroso contato sexual. Essa função protetora é muitas vezes menciona da. a ausência de pêlos púbic os nas meninas era um aviso de que elas ainda eram jovens demais para procriar. Hoje. Para o macho pré-histórico. (Essa inibição tão natural e que está ausente nos pedófilos. O resultado é um odor corporal desagradável. existe maior probabilidade de as secreções glandular es sofrerem o ataque de bactérias. Seu pleno aparecimento aos 15 anos coincide com o início da ovulação e da capacidade biológica de procriar. os humanos mode rnos. e parece haver . se quiserem que seu odor natural não perca o poder de atração. enquanto sua a usência a inibia. quando a pele f icava exposta ao ar. que andam vestidos. As glândulas da região genital secretam feromônios aroma natural que os machos inconscientemente acham sexualmente atraente —. pro tegendo o mons pubis da mulher da abrasão. M as esse sinal primitivo tem uma desvantagem. Numa época primitiva em que os humanos andavam nus. porém. os pêlos púbicos são um sinal visual.

Entre elas inclui-se a idéia de que os pêlos púbicos funcionam como uma "re catada dissimulação" dos genitais. várias outras. cortá-los. re os que são a favor de deixar os pêlos púbicos em seu estado natural não há só puritanos. Em todos os tempos. Sem os pêlos. vêem na depilação dos pêlos púbico s a remoção de algo que ajuda a esconder a fenda genital. muito improváveis. Os pudicos acham que modificar essa parte do corpo indica uma obsessão doentia pel a anatomia sexual.um elemento de verdade nisso. onde "as mulheres limpavam as mãos nos pêlos púbicos sempre que elas estavam sujas ou molhadas. Por outro lado. e também muita oposição a essas intervenções. os pêlos púbicos não têm permanec ido no seu estado natural. não parece sentir falta disso quando o corpo está em contato com a p elve do homem. Também já se disse que eles protegem os genitais do frio e de a cidentes. da mesma forma que nós usamo s toalhas". . Cortá-los ou tingilos revela a intenção de expor uma parte do corpo que devia permanecer estritamente privada. no Pacífico sul. mas a mulher adulta dos tempos modernos. que remov e os pêlos púbicos. Como muitas outras partes do corpo humano. sempre houve muito interesse em t ingi-los. há quem os considere um véu erótico que "inflama a imaginação". decorá-los ou removê-los. Além do mais. Além dessas três funções. que absorvem o suor que escorre pela frente do corpo. seja lá o que isso signifique. o sexo da mulh er fica excessivamente exposto. e que "facilitam a acumulação e a troca de eletricidade entre dois pólos opostos durante a cópula". foram propostas n o passado. Talvez a observação mais estranha sobre a utilidade dos pêlos púbicos tenha sido registrada por um antropólogo alemão que visitou uma tribo que viv ia no arquipélago de Bismarck.

por acharem que com isso a mulher estaria se vendendo ao homem. eles se casaram. Também levou as modelos dos artista s a raspar os pêlos púbicos supostamente para revelar os detalhes dos contornos pélvic os. mas na verdade para conseguir uma semelhança com a aparência limpa das estátuas clás sicas. Em apoio aos puritanos.As primeiras feministas rejeitavam toda modificação nos pêlos púbicos. eles também pr ometem ao homem a retenção das flagrâncias eróticas das glândulas femininas. essa visão fez com que mui tas estátuas femininas exibissem um púbis sem pêlos. conhecia as formas íntimas da mulher e aprec iava-as esteticamente. John Ruskin tinha 28 anos e não sabia quase nada sobre sexo quan do começou a cortejar sua futura esposa. os hedonistas acham os pêlos púbicos naturais altamente eróticos. como uma boneca. porque oferecem ao homem um sinal visua l da prontidão da mulher para copular. No ano seguinte. e ela f icou surpresa ao descobrir que ele não conseguia fazer sexo com ela. ele finalmente admitiu que achava seus pêlos púbicos repulsivos. há o argumento de que os pêlos púbicos são potencialmente sujos e malcheirosos. Apai xonado admirador da escultura clássica. Por outro lado. A depilação dos os púbicos provoca duas reações completamente contraditórias. Depois de ano s de evasivas. assim como conden avam qualquer forma de maquiagem ou de melhoramento cosmético. não é nada erótico. Mas também há os que acham que "não ter nada entre as pernas". Em sua função de atrair pelo odor. e que sua remoção é portanto uma medida de higiene. mas nunca vira pêlos púbicos em nenhuma delas e . Existe um caso famoso de um professor de arte vitoriano muito ingênuo e mui to romântico que teria sofrido terrivelmente por causa dessa aparência artificial da s estátuas clássicas. No passado.

através de um exame médico. Alguns homens puritanos revelam uma acentuada preferência por uma vulva higienicamente depilada. apesar do constrangimento de ter que provar. A primeira é que ela põe a nu a f nda genital. que continuava virgem. Os críticos contestam afirmando que isso "é um passo em direção à pornografia infantil". O fato de gostarem de um aspecto "virginal" não . ou ""Tem um ar de Lolita". É a imagem corporal de uma menina jovem demais para fazer s exo. mas as femininas não. e portanto simbolicamente jovem demais para ter feito sexo. os artistas geralmente disfarçavam a fenda de suas modelos fazendo-as assumir poses que a escondiam. A segunda razão para a preferência pela vulva depilada é que ela passa uma image m de virginal inocência. mas não levam em consideração o fato de que muitos homens que se sentem ex citados pela visão de um púbis depilado têm consciência de que o resto do corpo de sua p arceira é de uma mulher adulta. nos quadros. porém. esse detalhe era omitido em nome do bom gosto. O a pelo sexual da depilação dos pêlos púbicos tem três fontes. esse detalhe íntimo é totalmente exposto e transmite ao homem que o vê uma imagem ainda mais forte do que o tufo de pêlos. mas o que surpreende é que muitos libertinos tenham a mesma preferência. Assim como um púbis peludo atrai puros e impuros.) Seu horror ao descobrir que sua amada t inha um tufo de pêlos entre as pernas foi tal que ele nunca foi capaz de consumar o casamento. o mesmo acontece com a vulva depilada.aparentemente nem sabia que eles existiam. Na vida real. o que obrigou a esposa a pedir sua anulação. (As estátuas clássicas masculinas mostram pêlos púbicos crespos. Nas estátuas clássicas. Os homens que r eagem favoravelmente a um púbis depilado costumam dizer coisas como: "É uma suavidad e de bebê". ou "É como se realizasse uma fantasia com uma estudante".

por que um púbis depilado tem que ser visto dessa maneira? Além de seu aspecto inocente. A região genital se t orna muito mais sensível à estimulação tátil. a depilação dos pêlos púbicos apresenta outras vantagens. licenci osamente. Há quem. ache que dei xar os pêlos púbicos naturais é sinal de recato. há quem. Algumas mulheres alegam que uma simples caminhada fica mais eróti ca: "O simples ato de caminhar é divertido porque você desliza".significa que eles reagiriam sexualmente a uma menina pre-púbere. Mas também existem aqueles que. Por outro lado . licenciosamente. uma mulher observou que "qualquer mulher que ache que o homem que aprecia uma vulva depilada está perto de ser um pedófilo corre o risco de ver o argumento voltar -se contra ela. Mas também existem os que. O prazer do sexo oral aumenta muito para amb os os parceiros. puritanamente. Defendendo sua o pção. Faziam isso com uma cera feita de mel e óleo. As mulheres egípcias detestavam ter pêlos no corpo. Outros apreciam a e xcitação de "ter um segredo sexual que só os dois parceiros conhecem". consideram a vulva depilada mais excitant e e sensível. Vamos resumir a s atitudes contraditórias em relação aos pêlos púbicos. puritanamente. a. Voltando à história da remoção dos pêlos púbicos. considere a remoção dos pêlos púbicos uma medida de higiene. . existem pontos de vista altamente conflitantes. os consideram eróticos e dotados de uma fragrância sensual. Há registros de que a depilação já existia no an tigo Egito. e os removiam sem de ixar o menor traço. Se nin guém condena as mulheres que gostam que seus amantes tenham um rosto imberbe de me nino. Como ocorre com outros aspectos do corpo feminino. menos que todos os seus amantes tenham fartas barbas". ela está lon e de ser um capricho transitório da moda.

entre eles uma espécie de cera preparada com piche ou resina.. queimados com uma vela. Quando a rainha de Sabá o visitou no século X a. Por isso.. os pêlos eram extraídos um a um com uma pinça. A remoção dos pêlos púbicos também era comum na antiga Roma. Pouco mais ta rde. a depilação era a regra. Isso se devia ao fato de que "o forte crescime nto dos pêlos das mulheres setentrionais impedia que suas partes íntimas fossem vist as. e pela terceira. as jovens começavam a se depilar assim que os pêlos púbicos nasciam. que se fazia através d e três técnicas: pela primeira. substituíam a arriscada técnica de queimar os pêlos pe la aplicação de cremes depilatórios.Conta-se que o rei Salomão não gostava de pêlos púbicos. Mais tarde.". queimados com brasas. pela segund a. para a mulher grega. onde algumas mulheres da aristocracia o adotaram durante a Idade Média. na Grécia. no século X VI. Na classe alta.. há registros de que os homens preferiam que suas mulheres "removesse m os pêlos de suas partes intimas". A moda floresceu por um tempo. levaram o costume para a Europa. descobriram que as mulheres ára bes depilavam a região pubiana. elas usavam uma pinça especial denominada volsel la.C. . Como as gregas. porém. mas as técnicas das mulheres romanas eram um pouco diferentes. Impressionados com o que viram lá. mas logo desapareceu. Ao contrário das gregas. sabe-se que as mulheres turcas se aplicavam tanto em depilar o púbis que salas especiais eram destinadas a esse propósito nos banhos públicos. parece que ele lhe pediu que se depilasse antes de fazerem amor . Acreditava-se que e ra pecado permitir que os pêlos púbicos crescessem naturalmente. dizendo-lhe que o recebesse depois de remover o "véu da natureza". Quando os cruzados chegaram à Terra Santa.

Na época vitoriana. de repente. nunca se ouviu falar de remoção dos pêlos púbicos. uma nova terminologia foi criada. que chocou o mundo ao anunciar public amente que o marido tinha depilado seus pêlos púbicos na forma de um coração. e cada salão de beleza inventa ter mos para definir os diferente graus de nudez púbica. Eis alguns deles: Linha do bi quíni: É a forma menos radical. com a li beração dos anos 1960. tudo era possível. A cava dos maiôs foi subindo cada vez mais (para fazer as pernas parecerem mais longas). o que fe z os pêlos púbicos aparecerem de cada lado da estreita faixa de tecido. o nascimento do movimento feminista assist iu a uma volta à natureza. uma tendência desafiadora que. O costume só ressurgiu muito mais tarde. Apenas os pêlos que escapam de cada lado são removidos. Uma rebelde famosa foi a estilista Mary Quant. Todos os pêlos cobertos pelo biquíni são poupados. pa radoxalmente. Isso pôs em ação uma redução cada vez mais drást ica dos pêlos púbicos. Estilos cada vez mais radicais iam surgindo. até que. no início d o século XXI. Esses pêlos pa reciam feios e foram rapidamente removidos. significou um retorno ao estilo das antigas civilizações. Então. e certas figuras proeminent es se rebelaram contra costumes considerados muito pudicos ou tradicionais. . e a depilação dos pêlos púbicos mais uma vez caiu em desuso. A nova tendência começou por causa de uma mudança nas roupas de banho. com uma grande variedade de estilos. No fim do século XX. Durante a década de 1970. Em decorrência dessa mania. Outras log o a seguiram. porém. na Europa. a depilação total se tornou a última moda. ela voltou com tudo. exceto t alvez entre as "damas da noite".

a novidade desse estranho dever can sou. Triângulo: Todos os pêlos púbicos são removidos. Esse estilo é às vezes chamado de "bigode de Hitler" ou "bigode de Chaplin". mas tem uma história legal. Os policiais locais foram obrigados a exec utar a árdua tarefa noturna de checar as faixas de pêlos e enviar para casa qualquer garota desobediente. exceto um retângulo largo que cobre a fenda da vulva. "exceto uma pequena quantidade no mei o". Segundo os legisladores de Atlanta. m as existe alguma confusão sobre sua forma exata. Coração: O tufo de pêlos é depilado na forma de coração. e todos os outros pêlos são removidos. Esse estilo é adotado pelas modelos qu e precisam usar biquínis e maiôs muito estreitos na região púbica. Bigode: Todos os pêlos são removidos. Para . e a lei foi relaxada. que pode ser tingido de vermelho. Estilo brasileiro: É o mais famoso dos novos estilos. as da nçarinas de strip-tease foram obrigadas a deixar uma faixa de pêlos de "dois dedos" de largura quando se exibissem nuas. como uma sur presa erótica para o parceiro sexual. isso se ria suficiente para cobrir a fenda genital. Pista de pouso: Uma estreita faixa vertical é deixada. Estil o europeu: Todos os pêlos púbicos são removidos. Este estilo tem sido descrito como "uma flecha apontando o caminho do prazer". Depois de algum tempo. Estilo Playboy: Todos os pêlos são removidos. exceto uma faixa retangular de 4 cm.Biquíni cheio: Apenas uma pequena quantidade de pêlos é deixada no monte de Vênus. Uma faixa de apenas "um dedo" era co nsiderada obscena e proibida por lei. É um corte muito procurado no Dia dos Namorados. Essa medida exata pode parecer estranha. No estado americano da Geórgia. deixando apenas um pequeno triângulo com o vértice para baixo.

no Rio de Janeiro. ela é igual à da "pista de pouso". Esses são os estilos mais populares no início do século XXI. tinturas e eletrólis e. "ra inha de diamantes". "chácháchá". que deixa a região pubiana completamente nua. significa a depilação total dos pêlos. sete irmãs brasileiras (conhecidas como as J. Esfinge: Esse é sem dúvida o estilo mais radical. Além deles. estrela e até mesmo as iniciais do parceiro. onde abriram um salão de beleza e começaram a oferecer o serviço de depilação dos pêlos púb cos a suas clientes. Mas as J. navalhas. .alguns. uma forma mais radical da "p ista de pouso". nem sempre obedeciam ao mesmo grau de remoção. Alguns salões também dão a esse estilo o nome de "Hollyw ood". Foi graças à fama conquistada pelas J. "alvo". Então . Estrelas de cinema e top models começaram a visitar o salão. onde surgiram os menores biquínis. Si sters deixaram bem claro o que fazem. Para outros ainda. "estrelas e listras". qu e nasce completamente pelado. daí a confusão. são usados cremes depilatórios. Sisters que esse estilo passou a ser conhecido como "brasileiro". Para obter ess as formas. descrevendo o seu estilo como "tudo fora. A técnica mais usada hoje é a remoção com cera. O nome deriva de um filhote de gato do Canadá. "surpresa de lua-de-mel". Alguns estilistas extravagantes oferecem variantes que levam nomes co mo "olhos de touro". "botão de flor" etc. Outros prometem formas exóticas de p onto de exclamação. A moda começou na praia de Copacabana. ceras. para outros. há estilos especiais. Sisters) se mudaram para Nova York . pinças. qu e logo se tornou a meca da depilação. coroa. menos uma mínima faixa". que retarda mais o crescimento de nov os pêlos. Quando outros salões passar am a copiá-lo.

no mundo do cinema. mas secretamente se entregavam aos excessos ornamentais. Algumas perucas são decoradas com pedras. Parece que. O fato vei o ao conhecimento público de uma maneira pouco comum. mas compensaram a restrição transferindo a ostentação para baixo da roupa. Mais tarde. elas obedeceram ao monarca. para que m quisesse ver.Um recurso totalmente oposto à depilação é o curioso hábito de perucas pubianas feitas de cabelo humano. As perucas também têm sido usadas como um adesivo temporário para quem quer mudar o estilo do corte dos pêlos púbicos. três tipos de decoração que são conhecidos há séculos. havia uma peruca de pêlos púbicos "adornados com fitas plissadas de diferentes cores". As perucas pubian as tem uma longa história. A peruca é presa no lugar com a aju da de um tapa-sexo invisível ou colada sobre os pêlos verdadeiros. flor es ou fitas coloridas. . O cadáver de uma marquesa fran cesa foi abandonado na rua com os genitais deliberadamente expostos. elas têm sido usadas como "máscara de recato" por atrizes que precisam aparecer nuas em cenas de sexo. sua função era mascarar os danos provocados pela sífilis e outras doenças v enéreas que desfiguravam os genitais externos. foram usadas por prosti tutas para agradar a clientes que se sentiam atraídos por um púbis bastante peludo. quando o rei da França pediu às damas da corte que di minuíssem o esplendor de seu vestuário. e ainda hoje estão à venda. Alí. Mais recentemente. fios de náilon ou pêlos de animais. Registros comp rovam que as perucas pubianas eram muito populares desde o século XVII. elas obedeciam ao desejo do rei. Publicamente. Or iginalmente. e depois é removida — uma solução mais conveniente para mulheres que não querem chegar ao extremo d e submeterse a um corte verdadeiro. Já existiam há centenas de anos. A peruca recebe um corte e uma tintura para uma ocasião especial.

Quando começaram a andar sobre as pernas trasei ras.) Por que isso acontece? Por que as pessoas se sentem tão constrangidas em fala r dessa parte tão importante da anatomia feminina? Para encontrar a resposta. qu ando caminhavam sobre quatro patas. nossos primeiros ancestrais perceberam que não podiam deixar de exibir a part e frontal do corpo sempre que se aproximavam de outro membro da espécie. Agora eram expostos cada vez que um animal humano se voltava par a outro. tanto machos quanto fêmeas resolveram cobrir a região genital: nascia a tanga. A tanga tinha três vantagens. Em terceiro lugar.competindo umas com as outras para criar os púbis mais glamorosos. raramente são menc ionados em sociedade (a brilhante peça Os monólogos da Vagina é uma única exceção a essa reg ra. os genitais deviam ser celebrados. Para resolver isso. os genitais ficavam totalmente escondidos e bem protegidos. Genitais De todas as partes do corpo feminino. 20. ou a penas seu "tesouro". está é verdadeiramente um tabu. quando ela era removida. flores e pedras preciosas. No entanto. prec isamos voltar a tempos primitivos. Antes. ajudava a . As pedras preciosas usadas como adorno às vezes tornavam a região pubiana a mais valiosa do corpo feminino. o que gerou uma expres são popular pela qual a vulva era considerada o "cofre do tesouro" da mulher. Além de reduzir a força da exposição genital em situações públicas. Fonte de grand e prazer sexual. também intensificava a sexualidade nos momentos de privacidade. Isso significava que era impossível um adulto se aproximar de outro sem u ma conotação sexual. enfeitados com fitas.

e para ocultá-los as pessoas chegam a comet er extravagâncias. No entanto. Hoje. é sempre o equivalente mod erno da tanga a última peça a ser retirada. quase não há o que ver. só expomos nossos genitais a nossos parceiros sexuais. No alto da fenda existe um pequeno capuz de car ne que cobre parcialmente o clitóris. a atenção que eles atraem é enorme. Gerações de puritanos religiosos responderam aos ape los que vinham do púlpito: "O nudismo é tão desavergonhado quanto o próprio Demônio. qu e flanqueiam a abertura vaginal. existe uma pequena fenda vertical criada pelos doi s grandes lábios — dobras de carne que protegem os pequenos lábios. O formato do pênis masculino é significativo nesse aspecto. Por baixo dos pêlos púbicos. mas em suas qualidades táteis. O que ê exatamente isso que tanto queremos escond er? No caso da mulher adulta. E é só. mais delicados. os genitais femininos podem ser descritos como visualmente simples.proteger a delicada região genital dos desconfortos do ambiente natural. o órgão humano é muito diferente. para dizer o mínimo. seja dos dedos. um pequeno botão de carne extremamente sensível situado bem acima do canal urinário. Apenas quando se trata de crianças muito pequenas essa regra é relaxada. o máxim o da rebelião humana contra Deus". a uretra. Nenhuma ou tra parte do corpo feminino é tão sensível ao toque. qua ndo as pessoas se livram das roupas por causa do calor. Comparados com o equipamento ma sculino. A menos que sejamos praticantes do nudis mo. Comparado ao pênis de outros primatas. expor os geni tais em público é proibido por lei. e par cialmente escondida por eles. dos lábios. Na maioria dos países. Falta-lhe o os . da língua ou do pênis. O motivo para a excitação que essa parte do corp o produz não está em seus atributos visuais.

a mulher experimenta um clímax orgásti co fisiologicamente muito semelhante ao do homem. o sangue entra no pênis muito mais rapidamente do que pode sair. atingin do o dobro do seu tamanho normal e desenvolvendo uma sensibilidade cada vez maio r ao toque. O orifício da vagina. é submetido a uma repetida e ritmada massagem do pênis. mas difere acentuadamente do que ocorre com outros primatas. pressiona os lábios e as paredes vaginais. Depois de uma prolongada estimulação. as maca cas não desfrutam do aumento progressivo da excitação sexual e do orgasmo explosivo da fêmea humana. Isso não só torna o pênis ereto. em média. quando e le é inserido na vagina da mulher. permitindo-lhe partilhar a excitação com o h omem à medida que a cópula prossegue. e o encontro. Nos babuínos. O sistema humano depende da c ongestão do sangue nos vasos sangüíneos. por exemplo. O resultado é que. cercado por camadas de pele extremament e sensíveis. os grandes e pequenos lábios se intumescem de sangue. O espesso pênis humano causa fortes sensações à medida que se move contra a s superfícies internas dos genitais femininos durante os prolongados movimentos pélv icos de nossa espécie. Essa p ressão cria uma forte reação erótica na mulher. ao contrári o do que acontece com os . A fêmea do macaco recebe algumas estocadas do pênis fino e ossudo do macho e num instante o coito termina. um típico coito leva ape nas 8 segundos. Por isso. À medida que a exci tação da mulher aumenta.penis — o pequeno osso que dá aos macacos uma rápida ereção. Isso pode ser visto como um evidente e inevitáve l mecanismo de acasalamento. Quando ocorre a excitação sexual. O ato sexual mais demorado não leva mais do que 20 segundos. e a ejaculação ocorre. depois de apenas seis movimentos pélvic os. Isso significa que ambos os pa rceiros recebem uma grande recompensa pelo esforço sexual. como aumenta seu comprimento e especialmente sua espessura.

o monte de Vênus é uma pequena almofada de tecido gorduroso coberta de pêlos púbicos. criam . T ambém conhecidos como lábia majora. m as servem para estreitar ainda mais os laços emocionais entre os amantes. porque é bem suprido de terminações nervosas. Grandes lábios. os genitais externos são conhecidos como vulva. quando o súbito aumento dos níveis de estrógeno provoca sua formação. pode produzir fortes laços emocionais entre os parceiros. os carnudos lábios externos normalmente cobrem os pequenos lábios internos. Os seres humanos literalmente fazem amor. Ele também tem um papel na excitação sexual. O monte de Vênus só aparece na p uberdade. Ele é mais sensível à estimulação quando os pêlos púbicos foram removidos. O fato de a fêmea humana (ao contrário da fêmea do macaco) não transmitir um sinal claro ao macho quand o está ovulando também significa que a maior parte dos atos sexuais não são de procriação. o que pode e plicar em parte o sucesso da depilação da região pubiana.macacos. Quando elas se fecham. Também conhecido pelos nomes latinos de mons veneris ou mons pubis. Qualquer massagem acidental ou deliberada nessa região tem u m efeito erótico. e sua função é proteger o osso púbico do impacto do corpo do homem durante os momentos mais vi gorosos do ato sexual. a menos que as pernas estejam totalmente abertas. jovens modelos excessivamente magras não desenvolvem esse tecido gorduroso. Vale a pena analisar separadamente cada uma de suas partes. e po r isso seu púbis parece mais projetado para a frente que o normal. Em conjunto. que funci ona como um amortecedor para o osso do púbis. e algumas mulheres alegam que isso é suficiente para levá-las ao org asmo. Monte d e Vênus. Entretanto . Situa-se logo acima dos lábios.

às vezes um pouco mais escura. Nas mulheres do povo san. o que faz os lábios mais a rredondados e proeminentes. De acordo com certos relatos.) Os pequenos lábios têm formas e tamanhos variad os: alguns são pequenos e lisos. Algumas acumulam mais tecido gorduroso. seu comprimento a normal tem provocado muitas dúvidas: serão eles uma característica racial ou resultado de um costume cultural de distendê-los artificialmente? . esses pequenos lábios chatos (sem gord ura) são duas membranas cutâneo-mucosas altamente sensíveis. Pequenos lábios. A pele é semelhante à do resto do corpo. não muito confiável. Um monte de pêlos cobre essa superfície. os pequenos lábios são às vezes muito alongados e pendem entre as pernas ''como dois dedos de carne pendurados" . de que uma mulher "foi capaz de desdobrar seus n ymphae e fazê-los encontrar-se atrás das nádegas". dotada de glândulas que s ecretam odor. De qualquer modo. O tamanho dos grandes lábios varia de uma mul her para outra. Uma autoridade insiste que eles podem chegar a 20 cm. Durante a intensa excitação sexual. São conhecidos como labia minora ou nym phae. adquirindo uma coloração avermelhada. enquanto outros podem mostrar dobras. O eq uivalente no homem é a bolsa escrotal. que se mantêm úmidas graças ao muco vaginal.uma fenda vertical. com a prolongada estimulação do pênis ereto. nômades da África do Sul. chegam a medir 11 cm e podem ser enfiados na vag ina. (A ausência des sa coloração é um sinal de falso orgasmo. Posicionados dentro dos grandes lábios. os pequen os lábios se intumescem de sangue. e existe um relato da década de 1860. ondulações ou g rânulos. Durante a penetração. os grandes lábios podem ficar mais vermelhos.

Nessa condição. A presença desse hímen foi d e grande importância historicamente. como é chamada essa cirurgia. tem sido a mais procur ada entre as "cirurgia íntimas". quando os noivos exigiam noivas intocadas. sem muitas dobras ou fissuras e que não se projetam além dos grandes lábios". Antes e depois desse período. lábios maiores são considerados feios por alguns escritores. não há consen so sobre esse fato. e há quem afirme que lábios maiores provocam dor no contato com a roupa. entre a pub erdade e a menopausa. Nas virgens. Com a excitação sexual. ela se expande e chega a 10-15 cm. muitas cirurgias genitais são realizadas para reduz ir o tamanho dos pequenos lábios ou restaurar a simetria quando um lábio cresce mais que o outro.O estiramento dos lábios ressurgiu recentemente no mundo ocidental. suas paredes se tocam. Vagina. Entretanto. Ge ralmente. o revestimento da vagina é levemente rugoso. o tecido é liso. na primeira vez que o pênis é inserido na vagina o hímen se rompe e há um pequ eno sangramento. A labioplastia. Além disso. e existem até cu rsos que ensinam essa técnica para aumentar o prazer sexual. Na idade adulta. que afirmam que "mulheres perfeitas sempre têm lábia minora simétricos. Os cirurgiões plásticos certam ente concordarão com essa opinião. Algumas culturas tinham o costume de exibir a mancha de sangue no lençol do casamento como prova da virgindade da noiva. a extremidade externa da vagina é protegi da por uma membrana que fecha parcialmente sua entrada. A vagina é um tubo de cerca de 8-10 cm de c omprimento quando a mulher não está excitada. Conta-se que mulheres ex perientes conseguiam simular castidade na lua-de-mel inserindo na vagina uma esp onja embebida em sangue de pombo ou escondendo sob o travesseiro um pequeno .

é cercada de tecido musc ular. É por isso que alguém já disse que. para não fa lar do uso de tampões e diversos modos de masturbação. Esse tecido controla o tamanho da abertura vaginal. a existência do hím en é enigmática. esses músculos se enfraquece m e a tensão muscular diminui. na sociedade atual. que derramavam no lençol no momento oportuno. que já tiveram filhos. a forte excitação aumenta as dimensões da vagina. sua porção interna. Durante o ato sexual. permitindo que o pênis alcance sua . Deflorar uma jovem tornou-se um limite que todo menino tem que ultra passar.frasco com sangue de algum animal. é menos muscular e se expande com maior facilidade par a acomodar o pênis. mais próxima da abertura. uma nova ci rurgia plástica está sendo realizada para recuperar a tensão muscular. Em conseqüência disso. "a virgindade não é mais um atributo físico. Em termos evolucionários. A região inferior da vagina. Como uma vagina estreita atrai o homem. muitos hímens se rompem antes da primeira penetração. Na extremidade superior da vagina fica a cérvix uterina. N o tempos atuais. Para a formação de um par da espécie isso tem algum se ntido. que val pode ter isso para a sobrevivência da espécie? Só parece haver uma única explicação possível: trata-se de um passo evolutivo destinado a colocar um leve freio ao contato sexu al precoce. A região superior da vagina. que é menor em mulheres jovens. também ch amada de colo do útero. em que muitas jovens se dedicam a esportes vigorosos. e a primeira relação sexual entre um casal de jovens amantes se tornou um mo mento mais sério e significativo. Se sua função é tornar a primeira relação sexual difícil e dolorosa. Em mulheres mais velhas. mas espiritual". só 50% das mulheres modernas sangram no primei ro intercurso.

os espermatozóides iniciam sua grande jornada através do útero em direção às trompas de Falóp o. o que leva vários di as. geralmente ele é estimulado manualmente. e muitas mulheres que têm dificuldade para chegar ao orgasmo pela est imulação vaginal atingem mais facilmente o clímax com o estimulação oral. na parte interna. no ponto onde os pequenos lábios juntam suas extremid ades superiores. Clitóris. a mulher não libe ra mais de quatrocentos durante sua vida reprodutiva. Embora o ovário contenha literalmente milhares de óvulos. um cirurgião australiano descobriu que o clitóris na verd ade é maior do que se julgava. onde encontrarão um óvulo descendo. São pequenas regiões de alta sensibilidade. Um deles vai se unir ao óvulo para iniciar uma nova vida. o clitóris cresce (torna-se mais longo. Dotado de uma função apenas sexual. A parte visível é simplesmente a ponta. sendo que a mai or parte fica sob a superfície. São eles: o clitóris. Trata-se de um feixe de 8 mil fibras nervosas. os outros dois. parcialmente co berto por um capuz protetor.extremidade. os órgãos genitais também contêm qua tro pontos extremamente excitáveis. o ponto G e o ponto A. descendo ao redor do orifício vaginal. o qu e o torna o ponto mais sensível do corpo feminino. mais grosso e mais erétil) e torna-se ainda mais sensível durante a cópula. digital ou mecânic a do clitóris. onde o esperma pode ser ejaculado através da cérvix. Uma vez por mês. É o mais conhecido dos pontos eróticos. Recentemente. . Além da passagem vaginal e dos lábios que a cercam. cuja e stimulação durante a relação sexual cria condições para o orgasmo. um óvulo amad urece e se torna fértil em sua passagem pelas trompas de Falópio. Sua parte visível é um botão do tamanho de um mamilo. Passando por ela. o po U. Durante as preliminares. Localiza-se na parte superior da vulva. Os dois primeiros situam-se fora da vagina.

Ainda sobre o tem da uretra feminina. durante a penetração. Quando ocorre um orgasmo extraordinariam ente forte. Trata-se de uma pequena porção de tecido erétil e sensível localizado de cada lado do orifício da uretra. se essa região for suavemente acariciada com o dedo. chamadas glândulas de Skene. a uretr a libera a urina e o líquido seminal que contém esperma. Entretanto. No homem. como essa parte oculta não tem a mesma sensibilidade. o que lhes permite uma maior excitação. acredita-se que ela libere apenas urina. Ele não está presente abaixo da uretra. com uma rotação ritmada da pelve. Ao redor da uretra. As mulheres que experimentam essa ejaculação (cuja quantidad e varia de algumas gotas a algumas colheres de sopa) pensam que o forte exercício muscular as levou a urinar involuntariamente. algumas mulheres podem expelir pela uretra um líquido que não é urina. haverá uma forte e inesperada reação erótica. existem glândulas especializadas. Por falar . seme lhantes à próstata no homem. Na mulher. que sob forte excitação produzem um líquido alcalino quimicam ente semelhante ao sêmen. Ponto U. que descobriram que. Algumas mulheres afirmam que. entre ela e a vagina. mesmo quando a ponta não é estimulada diretamente. mas não é verdade. a língua ou a cabeça do pênis.Isso significa que. é importante mencionar a "ejaculação feminina". esse ponto só recentemente foi investigado por pesquisadores clínicos ameri canos. que nem sempre é aceito pelo homem. mas isso só ocorre porque elas não con hecem a própria fisiologia. a estimulação direta da ponta do clitóris será sempre impor tante para a excitação da mulher. isso exige um papel mais dominante da mulher. sempre haveria alguma estimulação clitoridiana. Menos conhecido que o clitóris. Entretanto. podem friccionar diretamente o clitóris durante os movimentos de penetração do pênis. Portanto. a parte oculta é vigorosamente massageada co m os movimentos do pênis.

esse tecido co meça a inchar. (Recentemente. Convém destacar que o termo "ponto G" nunca foi usado pelo próprio Grafenberg. é realizada pelas próprias paredes da vagina. que rapidamente se cob rem de um muco quando a excitação começa. Ele explica que esse efeito se perdeu quando a "posição missionária". Recebeu o nome de seu descobridor.nisso. na verdade. portanto. essa expansão resulta numa pequena protuberância da parede vaginal para dentro do canal vaginal. Na zona do ponto G. também chamada de "papai-e-mamãe". s e tornou predominante no comportamento sexual humano. essa zona prot uberante "é uma zona erógena. alguns médicos também julgam que a mulher está sofrendo de "incontinência urinária causada por estresse" e indicam um cirurgia para curá-la. Algumas mulheres passaram a acreditar que existe um "botão do . Pesquisas sobre a natureza do orgasmo feminino realizadas na década de 1 940 descobriram que a uretra da mulher. o uso do termo "ponto G" se tornou popular e gerou alguns mal-ente ndidos. localizada de 8 a 11 cm dentro da vagina. o ginecologista alemão Ernst Gr afenberg. Ponto G ou ponto Grafenberg. na sua p arede anterior. Outras posições sexuais são muit o mais eficientes para estimular essa zona erógena e.) Não se sabe ao certo a razão de ser dessa ejaculação. Infelizmente. que se situa acima da vagina. A lubrificação vagin al. provocar o orgasmo . é cercada po r um tecido erétil semelhante ao do pênis. que é uma descrição muito mais adequada. Segundo Grafenberg. talvez mais importante que o clitóris". Trata-se de uma pequena área altamente sensível. já que ela ocorre um pouco tarde demais para ter função lubrificante. um homem pediu o divórcio porque acreditava que a mulher urinava nele. ele o chamou de "zona erógena". Com o mencionamos. tal sua ignorância sob re a atividade genital feminina. Quando a mulher se excita.

quando campanhas contra o machismo rejeitaram de cara a possibilidade de um orgasmo vaginal. Vár ios destacados ginecologistas negaram sua existência quando o assunto começou a ser discutido em congressos. é o equivalente feminino da próstata. d escrita tecnicamente como "a próstata degenerada da mulher". D ecepcionadas. Substâncias semelhantes às que são injetadas nos láb os para aumentar seu volume podem agora ser injetadas no ponto G. A verdade. diante de uma convincente argumentação. ele não parece sofrer de supersensibilidade depois do orgasmo. Mais tarde. Para essas mulheres. Eis um relato: "Um dos mais modern os procedimentos é a injeção no ponto G. eles mudaram de opinião. O que é assustador é que algumas mulheres têm se submet ido a injeções de colágeno para aumentar o ponto G. o orgasmo clitoridiano era o único polit icamente correto. na da é impossível. Ponto A. Ao cont rário do clitóris. assim como o clitóris é o equivalente feminino do pênis. Não se sabe como elas reagiram à recente comercialização de vibradores capazes de atingir o ponto G. A questão também entrou no debate político. provocando forte controvérsia. (Em outras palavras.) A estimulação direta desse ponto pode produzir fortes contrações orgásticas. A idéia é que isso irá aumentar sua sensibilidade e proporcionar melhores orgasmos".sexo" que pode ser apertado a qualquer momento para causar uma explosão orgásmica. como já ex plicamos. que se to rna levemente protuberante quando as glândulas que circundam a uretra se incham. Esta é uma zona de tecido sensível situada na extremidade do tubo vaginal. mas no que se refere à busca do prazer sexual. entre a cérvix e a bexiga. elas chegaram à conclusão de que não existe ponto G. . porém. Parece mais um mito que uma realidade cirúrgica. zona BFA ou Zona Erógena do Fórnix Anterior.. é que o ponto G é uma zona sexualmente sensível da parede vaginal.

por um médico malaio em K uala Lumpur. O resultado foi que três quartas partes da mulheres foram capazes de alcançar um orgasmo vaginal. criando um recesso circular ao seu redor. Uma pesquisa realizada com 27 casais solicitou que eles va riassem as posições durante a relação sexual. Acrescentam. que isso exige um parceiro extremamente sensível e experiente. Hoje é possível adquirir um vibrador especial para a zona EFA — longo. A pressão sobre esse ponto produz uma rápida lubrifi cação da vagina. estreito e curvo na parte superior. Sua verdadeira localização é acima da cérvix. A parte frontal desse recesso é chamada fórnix anterior. os dois pontos erógeno s localizados dentro da vagina não fazem jus à fama. que é o fórnix. mesmo em mulheres que normalmente não são sexualmente receptivas. no ponto mais alto da vagi na. para tocar essa zona. a mulher poderá alcançar muitos orgasmos numa só noite. porém. A razão disso parece ser a monoto nia das posições sexuais. para elas. A cérvix é o estreitamento do útero que se projeta ligeiramente para dentro da vag ina. T em sido dito que duas em cada três mulheres não conseguem atingir o orgasmo com a si mples penetração. adotando posturas que permitissem maior es timulação dos dois pontos erógenos vaginais. Finalmente. Isso deve significar que. se os quatro pontos erógenos forem es timulados um depois do outro. que tem sido incorreta mente descrito. Houve certa confusão sobre seu posicionamento.Sua existência foi relatada recentemente. A maioria delas descobre que só a estimulação digital ou oral do clitóris pode conduzir ao clímax. Estudiosos da fisiologia sexual feminina a legam (talvez com excessivo entusiasmo) que. as mudanças pelas quais os genitais femininos passam durante a excitação sexual podem ser resumidas d a seguinte maneira: . na década de 1990.

Fase 2: aceitação plena A lubrificação ce ssa. Fase 3: clímax or gástico . a lubrificação vaginal começa. passando de rosados a vermelhos. Os doi s terços superiores do tubo vaginal começam a se expandir. Os p equenos lábios estão no mínimo duas vezes mais espessos. Os pequenos lábios mudam de cor . Os pequenos lábios começam a se in tumescer. As pared es do terço inferior da vagina intumescem em decorrência da congestão dos vasos sangüíneos .Fase 1: início da excitação sexual No primeiro minuto. Os dois terços superiores da vagina agora estão totalmente expandidos. A cérvix e o útero são empurrad os para cima. O tamanho da entrada da vagina diminuí 30% devido ao intumescimento das paredes vaginais. Os grandes lábios começam a se separar. O clitóris começa a aumentar de tamanho. Os grandes lábios se separam a ponto de deixar a vagina mais visível. O clitóris está plenamente ereto.

é de cerca de 20 minutos. com base num escudo de 20 mil orgasmos. os lábios.O terço exterior da musculares ritmadas. mas o tempo médio. mais fortes. porém. De acordo com uma pesquisa realizada em 2003 na Inglaterra. 25% das mulheres sempre atingem o orgasmo quando fazem s exo. . o clitóris. ocorrem a cada 8/10 de segundo. O mais provável. segundo a mesma pesquisa. mas na técnica sexual dos parceiros. devido a pressões culturais c tradições puritanas. enquanto outras têm um primeiro clímax tão intenso que não sent m necessidade de repeti-lo por algum tempo. Algumas mulheres conseguem desfrutar de orgasmos múltiplos em rápida sucessão. Pode ocorrer a ejaculação de um líquido (que não é urina). Depois do orgasmo. As contrações musculares ocorrem cm toda a região pélvica (e além dela). 50% geralmente conseguem. vagina apresenta contrações As primeiras contrações. os homens tenham se tornado ineptos pura excitar totalmente suas parc eiras. Uma mulher pode atingir o orgasmo em 5 minutos. a va gina e o útero voltam ao normal. e 5% nunca conseguem. O número de cont rações por orgasmo varia de três a quinze. 60% das mulheres terem mencionado qu e também alcançam o orgasmo através da masturbação indica que a incapacidade não está no impu so sexual. O fato de.5% raramente conseguem. e que. Números como esses foram usados no passado para tentar provar que as mulheres são bi ologicamente menos orgásticas que os homens. é que homens e mulh eres tenham o mesmo potencial orgástico. 12.

longe de ser um costume esquecido. Se o pênis toca o clitóris. pode-se imaginar que uma espécie inteligente como a nossa os trataria com c arinho. o homem pode se contaminar. complexidade e sensibilidade dos genitais femi ninos. Durante milhares de anos. a verdadeira razão é que. Para órgãos que são capazes de dar muito prazer. os grandes lábios e o clitóris são corta dos. feiúra. Na América. pode morrer. pode ficar impotente ou até morrer. Infelizmente. o homem tem mais facilidade de subordiná-la a seus padrões machistas. T er genitais externos faz a mulher cheirar mal. Muitas ju stificativas são apresentadas para a operação. os genitais femininos têm sido vítimas de uma surpreendente variedade de mutilações e restrições. nem sempre isso acontece. a circuncisão feminina ainda é praticada em mais de vinte países. a circuncisão tem sido uma prática comum há séculos. um médico do Texas tenha defendido a remoção do clitóris para curar a frigidez. ne urose e câncer vaginal. em mui tas diferentes culturas. do Oriente Médio e da Ásia. deixando apenas uma minúscula abertura para a passagem da urina e do fluxo menstrual. embora recentemente. Como a operação é realizada? Na maioria dos casos. mas em algumas regiões da África. O leite da mãe que tem clitóris pode estar envenenado. .Considerando a grande delicadeza. cm 1937. eles sofrido uma quantidade anormal de dor. entre eles nervosismo. Na tentativa de satisfazer as nec essidades sexuais da mulher. O mais assustador é que. e a entrada da vagina é suturada. A forma mais comum de agressão é a circuncisão . esse é um caso isolado. Se o bebê tocar o clitóris da mãe quand o está nascendo. reduzindo o prazer sex ual da mulher. Essa mutilação tem sido rara no Ocidente. Naturalmente. A remoção dos genit ais externos evita muitos "problemas femininos". muitos maridos usam drogas ilegais.

10 milhões. Gâmbia. Se o clitóris sai para fora e as excita sexualmente ao roçar contra a roupa. Chade. Burkina Fasso. as jovens tem que passar pelo sofrimento d e ter seu orifício artificialmente reduzido rompido pelo marido. A natureza anti-sexual dessas operações ficou clara na opinião de um "especialista": "Primeiro eu as examino intimamente. facas ou tesouras). Uma forma um pouco menos monstruosa envolve apenas a remoção do clitóris e do s lábios. exige apenas o corte da ponta do clitóris e/ou do capuz clitoridiano. se o marido sair numa longa viagem. Além disso. Sudão. 24 milhões. às vezes chamada de circuncisão sunita (porque al ega-se que ela teria sido recomendada pelo profeta Maomé). Eritréia e Serra Leoa. não há condições de assepsia e as mortes são freqüentes. Egito. a os gritos e sem anestesia. as pernas da jovem são atadas para garantir a cicatrização e a permanência da op eração. E uma forma mais moderada. a essa brutal operação. 7 milhões.) Essa forma extrema de mutilação genital chama-se infibulação e. e a vida sem ela não teria sentido". Os instrumentos utilizados são tosc os (navalhas. as costuras podem ser refei tas. 4. circuncisão faraônica. país por país: Nigéria. E ainda há quem defenda a operação: "A circuncisão feminina é sagrada. 24 milhões. 90% das meninas que vivem em Djibuti. Eis alguns números. Quênia. então é a hora de cortá-lo". República Centro-Africana. às vezes. (Como se isso não f osse suficiente. quando elas se casam. 33 milhões. A escala em que essa infâmia é praticada contra as mu lheres é enorme.Depois. Costa do Marfim. Todos os anos. m as escondidas. Somália. Gui né- . nada menos de 2 milhões de meninas são submetidas.5 mi . Etiópia. e 50% em Benin. Mais tarde. Calcula-se que existam hoje mais de 100 milhões de mulheres vivas q ue foram submetidas a essa mutilação.

e quase todos os que não p ertencem ao Islã (para não mencionar muitos islamitas) se recusam a tolerar a prática. Como apenas 15% da população do mundo são muçulmanos. os mutiladores (que ganham muito dinheiro realizando a operação) se uniram e formaram uma sociedade para se proteger. onde é praticada em Bahreim. No Egito. Nem é preciso dizer que as autoridades médicas estão advogando em ca usa própria. um líder muçu lmano publicou uma fatwa contra qualquer pessoa que se oponha à operação. Não admira que eles próprios mereçam tão p uco respeito. onde 3 mil meninas são circuncidadas todos os dias. E a lista não pára por aí. Mesmo em países on ela foi oficialmente proibida. Devido às recentes condenações públicas. afirmando qu e ela merece morrer e referindo-se à operação como uma "prática louvável que respeita as m ulheres". esse homem. onde foi proibida (e m vão). E mbora a África pareça ser a fonte original desse tipo de operação. ela se disseminou pel o Oriente Médio. Libéria. no . Oman. a lei foi revogada em 1997 por um fundamentalista muçulmano que impetrou uma ação contra o governo e ganhou. o xeque Al Azhar. Mali e Togo tiveram os genitais mutilados. a prática sobrevive. No Egito. ordenou a pena de morte de.Bissau. e pe la Ásia. Diante dessa situação. onde é comum nas populações muçulmanas da Malásia e da Indonésia. diplomatas e políticos das Nações Uni as e de outras organizações importantes se escondem por trás de justificativas conveni entes como "mostrar respeito às tradições locais". E exigiram qu e seus governos imponham uma multa de US$ 1 milhão a quem ousar discutir a questão n a imprensa local. Insistem em que a circuncisão das jovens é "uma maneira simples de reduzir a promis cuidade sexual que causaria discórdia no lar entre marido e mulher". Iêmen e Emirados Árabes Unidos.

não exagere" — tem sido contestada por muitos estudioso s do islamismo. Os principais piercings ge nitais são os seguintes: Piercing vertical no capuz clitoridiano. Os seguidores do xeque apóiam sua postura violenta. se se u clitóris tivesse sido removido. mas para uma minoria trata-se d e uma nova moda na longa história da ornamentação corporal. estimular e provocar o interesse sexual nos genitais femininos ". a tacha inferior fica em contato com o clitóris e pode estimulá-lo durante certos . numa explosão grotesca. q ue se situa bem acima do clitóris. Primeiro. Em segundo lugar. e a autenticidade da aleg mé — "É permitido [mas] se cortar. Ela é bem dife rente da mutilação genital que tem sido chamada de circuncisão feminina. E. com uma tacha esférica presa a cada extremidade. Consiste numa pequena barra fina inserida verticalmente no capuz clitoridiano. foi ameaçada: "Cortarei sua língua e a língua d e toda a sua ascendência". É o mais popular. ele ainda lhe disse que. Esse religioso não tem a menor autoridade para fazer essa declaração. é vol untária e realizada apenas por mulheres adultas. Portanto. e não destruí-los. Quando uma repór ter egípcia lhe fez perguntas embaraçosas. É difícil entender por que razão alguém quer ter uma barra ou uma argo la de metal inserida em partes sensíveis da vulva. seu objetivo de clarado é "decorar. ela seria mais bonita. 85% da raça humana. (Uma das alegações espúrias em favor da circuncisão feminina é a de que ela "deixa o rosto da mulher mais bonito".) Finalmente. convém uma breve menção à recente moda dos piercings genitais. já que não há menção à circuncisão feminina no Alcorão.mínimo.

O clitóris é muito sensível e. Piercing labial. Os pequenos lábios são perfurados com um par de barras ou de argolas de cada lado do clitóris ou da abertura da vagina. Nesse caso. É extremam ente raro. Enquanto o vertical pode estimula r a parte anterior do clitóris. Trata-se de um piercing hori zontal colocado na base do capuz clitoridiano. o capuz é atravessad o de um lado a outro. fica muito m ais difícil queixar-se de outras graves mutilações. não se poder esquecer que. pode ter a forma de barra ou de argola. Piercing triangular. em um caso . O ef eito parece mais decorativo e menos estimulante. Entretanto. enquanto a outra tem a finalidad e de destruí-lo. Embora o fascínio por essa mutilação decorat iva dos genitais seja provavelmente uma moda passageira. Piercing clitoridiano.movimentos. Piercing horizontal no capuz clitoridiano. por motivos óbvios. Se algumas mulheres modernas são capazes de deixar que seus genitais sejam d olorosamente perfurados apenas para obedecer a um capricho da moda. . a agressão é feita para aumentar o prazer sexual. Mais uma vez. o triangular estimula a parte posterior. embora as duas mutilações representem uma agressão cirúrgica à sensível vulva. na maioria dos casos. Também pode ser uma simples argola de metal inserida verticalmente no capuz. é lamentável numa época em qu e tanto esforço está sendo feito para desestimular a circuncisão forçada de milhões de men inas. pequ eno demais para ser perfurado.

Nádegas As nádegas têm sido injustamente a parte do corpo feminina mais desconsiderada. e Rimbaud as admira como "dois arcos salientes". Assento. bunda. Essa atitude negat iva persiste apesar de as nádegas serem um atributo exclusivamente humano. são mais beliscadas e estapeadas do que acar iciadas. bozó. O cineasta italiano Federico Fellini comento u.21. existe se mpre uma conotação ridícula ou obscena. esses são exemplos isolados. Lawrence faz uma referência lírica à "indolente e redonda calmaria das nádegas". de maneira um tanto ambígua. Entretanto. Em O amante de Lady Chatterley. que "a mulher bunduda é um épico molecular de feminilidade" — uma frase que parece ter perdido algo na tradução. poupança. e muito mais comuns são os comentários que tratam as nádegas como algo cômico ou vulgar. D. H. popa. Elas fo ram adquiridas quando nossos ancestrais . Uma busca cuidadosa na literatura se faz necessária para encontrar palavr as de elogio a essa parte da anatomia feminina. O artista espanhol Salvador Dali foi mais longe ao insistir que "é através da bunda que os maiores mistérios da vida p odem ser entendidos". holofote. Autores mais recentes têm declarado. Mas seja qual for a denominação. que "a bunda é a face da alma do sexo". traseiro. de vido à sua proximidade com os genitais. enquanto Byron admite que o tras eiro da mulher é "uma coisa estranha e bela de se olhar". também de forma equívoca. tralalá são alguns dos nomes pelos quais ela s têm sido chamadas em português. sem falar em várias outras denominações pejorativas rece bidas em outras línguas ao longo dos séculos. Mesmo quando são consideradas uma zona erótica. padaria. Elas fazem rir ou são objeto de piadas sujas. rabo. rabisteco. que oferece "um amortecedor de delícias".

exibir o traseiro nu em público provoca reações variadas. ela foi presa. Os fortes músculos glúteos se expandiram. uma mulher suíça tinha "exposto o traseiro nu". Dessa sutil dist inção dependia uma decisão que podia significar condenação. Entre elas fica o ân us. Na sociedade moderna. através do qual passam.deram um passo gigantesco e se puseram de pé sobre as pernas traseiras. a Suprema Corte anulou a conden ação e até liberou a ré do pagamento de custas. dia após dia. porque não envolveu nenhum órgão de procriação". insultos e até um processo judicial. emoldurados pelas curvas fêmeas das nádegas. Depois das devidas deliberações. e são esses músculos que nos dão o par de hemisférios que hoje são tão injustamente ridicul arizados. É fácil ver como isso aconteceu. As nádegas não são sozinhas. quando nos curvamos para a frente. se ela tivesse se . Recentemente. todos os nossos resíduos sólidos e — ainda mais notória — uma ocasional emissão de gases. os genitais ficam à vista. na Suíça. que vão do riso constrangido a queixas. Fez isso porque chegou à conclusão de que "o gesto era com certeza um comportamento insultuoso e punível como tal. Portanto. exi stem associações excretórias e sexuais. a exposição das nádegas é interpretada como um insulto grosseiro — um ato simbólico de defecar sobre o inimigo — ou uma grande obs cenidade — uma desavergonhada exibição dos órgãos sexuais. Portanto. Provavelmente . mas não podia ser considerado indecente. Como havia crianças pr esentes. Durante uma violenta discussão c om uma vizinha. Além disso. a Suprema Corte debateu se uma determinada exibição de nádegas era "ofensiva" ou "indecente". acusada de atentado ao pudor e condenada pelo tribunal d e primeira instância. permitindo ao corpo manter-se permanentemente ereto.

Com o forma de protesto.curvado para a frente ao fazer seu gesto de desafio. a nudez não é mais o que era. as nádegas eram uma parte bel a da anatomia. Os dois hemisférios humanos eram tão diferen tes dos dois pedaços de carne dura (as calosidades dos ísquios) do macaco. em parte devido à sua agradável curvatura. A exposição das nádegas se torna abusiv a quando acompanhada de frases como "Beije o meu rabo". precisamos voltar à Grécia clássica. Embora nem quem insulta nem quem é insultad o percebam. Essa visão primitiva das nádegas como peculiaridade humana deu origem a outra crença. Segundo os gregos. t inha nas nádegas a parte esteticamente mais agradável de toda a sua anatomia. Foi assim que o Demônio ganhou a reputação de ser "desbundado". a curvilínea deusa da amor. Para entender do que se trata. Para eles. Se as nádegas arredondadas eram a marca que disti nguia o ser humano dos animais. A atua! visão das nádegas como moti vo de chacota não era a dos antigos gregos. então os monstros das trevas não deviam ter essa car acterística anatômica. a condenação teria sido mantida . Aí é um insulto. ambos estão envolvidos numa antiqüíssima prática de ocultismo. Essa reações extremas à exposição das nádegas hoje são raras no Ocidente. Mas não é só isso. Pessoas que se ex m dessa maneira em eventos esportivos geralmente só provocam risadas. mas também por seu contraste com o traseiro dos macacos e chimpanzés. porque propõe uma subordinação humilhante. Eram tão veneradas que um templo foi erguido em sua honra — fazendo das nádegas a única parte do corpo humano objeto de culto. que os gr egos consideravam as nádegas um sinal da suprema condição humana. Afrodite Calipígia — literalmente. assim como o s estudantes de universidades que exibem as nádegas nas janelas dos dormitórios. Os primitivos . "que tem belas nádegas" —.

europeus estavam convencidos de que, embora pudesse assumir a forma humana, o De mônio nunca conseguia simular as nádegas arredondadas, que estariam além de seus poder es diabólicos. Acreditavam que essa impotência era fonte de grande angústia para o Demôn io, e uma grande oportunidade de atormentá-lo. Para aumentar sua inveja, bastava m ostrar a ele as nádegas nuas. Como essa súbita exposição lhe lembrava sua deficiência, ele se via obrigado a olhar para longe, desviando o olhar maléfico. Isso protegia o h umanos do temido "Olho do Demônio" e tornou-se um gesto muito utilizado para afast ar as forças do mal. Usada dessa forma, a exposição das nádegas não era considerada vulgar nem indecente. Nos fortes e nas igrejas, esculturas de mulheres exibiam suas náde gas arredondadas para afastar os maus espíritos, já que as nádegas estavam sempre volt adas para fora da porta principal. Na Alemanha, se havia uma tempestade terrível d urante a noite, as mulheres exibiam as nádegas na porta das casas na esperança de re chaçar os poderes malignos e evitar que a tempestade causasse mortes. Provavelment e, foi assim que a exposição das nádegas começou, e hoje os que a expõem praticam a antiga tradição cristã sem o saber. Com o Demônio fora de moda como grande inimigo, a exibição é vi ta hoje como um gesto grosseiro. De um gesto de desafio religioso, tornou-se um gesto obsceno. Mas como isso pode explicar as frases grosseiras que acompanham o gesto? Para entendê-las, é preciso observar as primitivas representações do Demônio. Se e le não tem nádegas, o que tem então nos quartos traseiros? A resposta é: no lugar onde d eviam estar as nádegas ele tem outra face. E essa segunda face é que supostamente er a beijada pelas bruxas no ritual do sabá. Acusadas do ato vil

de beijar o traseiro do Demônio, elas se defendiam dizendo que beijavam a boca de sua segunda face. Tudo isso, naturalmente, é fruto da fértil imaginação medieval, o que não vem ao caso. A verdade é que lendas e crenças transmitidas de geração a geração deixam cl ro que "beijar o traseiro" era o gesto de um seguidor de Satã e, como tal, um ato abominável. Quando as superstições desapareceram, essas ligações se perderam, mas, como qu ase sempre acontece, a frase popular sobreviveu e foi incorporada ao insulto mod erno. Até aqui, a exposição das nádegas foi analisada unicamente como um ato hostil, mas a questão tem outro lado. Em contextos totalmente diferentes, a exibição das nádegas te m forte apelo sexual. As fêmeas de muitas espécies de macacos têm o traseiro colorido. Quando se aproxima a época da ovulação, ele vai se tornando mais evidente e inchado, mas depois volta ao estado normal. Isso significa que, com um olhar, o macho pod e saber se a fêmea está sexualmente ativa. O acasalamento geralmente só ocorre quando o traseiro da fêmea atinge seu ponto mais protuberante. Com a mulher é diferente. Se u traseiro não aumenta ou diminui com o ciclo menstrual. Ele se mantém protuberante o tempo todo, assim como sua sexualidade permanece alta. A fêmea humana expandiu s ua sensualidade a ponto de estar sempre potencialmente receptiva ao macho. Ela s e envolve numa relação sexual mesmo quando não pode conceber, porque a função do acasalame nto humano não é apenas a procriação. Como um sistema compensatório, ele ajuda a fortalece r os laços emocionais entre homem e mulher, mantendo a unidade familiar. Para os h umanos, a cópula é literalmente fazer amor, e é importante que o corpo da mulher seja capaz de transmitir sinais eróticos o tempo todo.

Pode-se argumentar que, se os músculos glúteos se destinam a manter a postura ereta, a mulher não poderia deixar de ter as nádegas permanentemente empinadas. Mas as nádeg as femininas são mais do que simples mecanismos para manter a postura ereta. Em re lação ao tamanho do corpo, são maiores que as dos homens, não porque sejam mais musculos as, mas porque têm maior quantidade de tecido gorduroso. Essa gordura extra tem si do considerada um estoque de alimento para as emergências — quase como a corcova do camelo. Verdade ou não, o simples fato de essa gordura extra nas nádegas ser um atri buto do sexo feminino faz delas um sinal sexual. Esse sinal é acentuado por dois o utros atributos femininos: a capacidade de rotação da pelve e a ondulação dos quadris ao caminhar. Como já dissemos, a mulher comum (que não deve ser confundida com a atlet a cujo corpo se masculinizou com o treinamento) tem as costas mais arqueadas que o homem. Em posição normal de repouso, o traseiro se projeta mais para fora que o d o homem, não importa seu tamanho. Quando ela caminha, a estrutura óssea das pernas e dos quadris provoca uma ondulação maior da região glútea. Em curtas palavras: ela rebol a ao andar. Quando esses três atributos — mais gordura, maior protrusão e mais ondulação — s e combinam, o resultado é um forte apelo erótico. Não é que a mulher empurre deliberadam ente o traseiro para trás e conscientemente rebole para chamar a atenção dos homens, m as isso ocorre devido à conformação do seu corpo. É claro que ela pode exagerar esses at ributos naturais e correr o risco de se transformar numa caricatura. (Recentemen te, um espectador atento relatou que, durante um show, a cantora Kylie Minogue r ebolou os quadris 251 vezes.) Mas mesmo que a mulher não faça nada, sua anatomia est ará sempre transmitindo os sinais característicos do seu sexo.

Hoje já não se vêem tantos quadris protuberantes e ondulantes como antes. Parece que a s mulheres de hoje não são tão avantajadas quanto nossas ancestrais. Naturalmente, não s e pode ter uma prova disso pelos esqueletos, mas, quando observamos pinturas e e sculturas da Idade da Pedra, vemos imensas nádegas por toda parte. Mesmo depois da Idade da Pedra elas persistem na arte pré-histórica de muitas culturas, mas depois começam a desaparecer até atingir as proporções atuais, que, embora ainda sejam bem maio res que as dos homens, são consideravelmente menores. Esses fartos traseiros primi tivos deram lugar a muita especulação. Uma hipótese é a seguinte. Nossos ancestrais copu lavam por trás, como outros primatas, de modo que os sinais sexuais pré-humanos da fêm ea vinham do traseiro. Quando evoluímos para a postura ereta e os músculos traseiros formaram as nádegas, a forma arredondada se tornou o novo sinal sexual. As mulher es que tinham grandes traseiros enviavam fortes sinais sexuais, e com isso as náde gas foram crescendo. As mais sensuais tinham a vantagem de enviar supersinais co m suas supernádegas, mas elas ficaram tão grandes que começaram a atrapalhar o ato sex ual. Então os homens resolveram o problema adotando a cópula frontal. Em razão desse a casalamento frontal, os seios cresceram para imitar os grandes hemisférios posteri ores. A partir de então esses superseios também eram capazes de enviar fortes sinais sexuais, dividindo o fardo, por assim dizer, com as nádegas, que agora podiam com eçar a diminuir de tamanho. Essa última versão da fêmea humana, mais equilibrada e mais ág il, tinha uma considerável vantagem sobre o modelo antigo, que foi sendo gradualme nte substituído. Se essa especulação estiver correta, teremos que encontrar vestígios de sua evidência. Esses vestígios podem ser encontrados hoje nos desertos do sudoeste da

África, onde as mulheres do povo san ainda exibem as imensas nádegas das figuras da Idade da Pedra. Em algumas mulheres, as dimensões do traseiro atingem proporções assus tadoras e nos mostram como deviam ser todas as nossas ancestrais há muitos milhare s de anos. Há quem diga que comparar européias da Idade da Pedra — prováveis modelos das figuras rupestres — com mulheres que vivem atualmente no sul da África é absurdo, mas essa objeção ignora a verdadeira história do povo san. Esse povo não vive hoje no deser to porque esse seja seu ambiente favorito. Esse foi o último canto da Terra onde e les puderam se manter unidos, já que são um ramo da família humana em extinção. Seus ances trais dominavam grandes extensões da África e deixaram belas pinturas rupestres como prova disso. Mas eles representavam a Idade da Pedra Lascada, período em que a caça e a coleta eram os meios de vida. Com a chegada dos povos da Idade da Pedra Pol ida — os primeiros fazendeiros —, eles foram sendo expulsos de quase todos os seus t erritórios, e hoje são cerca de 50 mil indivíduos, quase insuficientes para povoar uma pequena cidade. No passado, porém, foram um dos povos dominantes da nossa espécie, e não há razão para supor que suas imensas nádegas (uma condição que se denomina "esteatopig ia") fossem uma raridade. É mais que provável que, na Idade da Pedra, elas fossem um atributo feminino comum, e que os artistas rupestres tenham se inspirado em mul heres reais, e não em figuras de suas fantasias eróticas. Quando as mulheres mais ágei s e magras dominaram a cena, a velha imagem de grandes glúteos não desapareceu compl etamente do inconsciente humano. Ela ainda ressurge de tempos em tempos de manei ras inesperadas. Muitas roupas exageram o tamanho das nádegas. Mesmo na época vitori ana, o olhar do homem pôde apreciar uma nova forma artificial de esteatopigia com a introdução das anquinhas. Arames, enchimentos e cor-

dões entraram em cena para reproduzir a perdida adiposidade da região glútea. As elega ntes que usavam suas anquinhas nas reuniões da sociedade vitoriana com certeza fic ariam horrorizadas com essa interpretação, mas hoje a comparação é inevitável. No século XVII o principal artifício para exagerar o traseiro feminino eram os sapatos de salto alto. Esse tipo de calçado distorcia o andar da mulher de tal maneira que as nádegas eram empurradas para cima e para fora e obrigadas a ondular mais ainda. Mesmo s em indevidos exageros, as nádegas continuam a ser um foco erótico no corpo da mulher moderna. Longos vestidos que escondem as pernas em geral são cortados de maneira a exibir o contorno das costas e delinear os movimentos. Peças como as minissaias dos anos 1960 exibiam o traseiro, e calças justas, embora escondam a carne, não deix am dúvida quanto à forma exata dos hemisférios posteriores. No início da década de 1980, a moda criou uma linha de calças jeans bem apertadas, deliberadamente desenhadas pa ra exibir essa região do corpo como um símbolo sexual da mulher recém-liberada. O auto r de um livro chamado Rear View (Visão traseira), publicado na época e exclusivament e dedicado ao impacto erótico das nádegas femininas, saudou a nova era com as seguin tes palavras: "A Butt Blitz (Investida das Bundas) começou em 1979 quando uma de s uas porta-vozes enfiou sua vibrante, giratória e bem-cortada derrière na cara assust ada do público de uma rede de televisão. [...] Foi o início de um fenômeno cultural conh ecido como jeans de marca". Em poucos anos, os jeans de marca competiam com as c alças mais largas, e os dois estilos conseguiram conviver durante um certo tempo. À medida que as calças compridas passaram a dominar a moda feminina e as saias caíram na preferência das mulheres mais jovens, as velhas e malcortadas calças jeans no est ilo trabalhador

O termo "booty" era um novo e ufemismo para "buttocks" (nádegas). dotadas de um traseiro diminuto perto do dessas mulheres.foram substituídas por modelos glamorizavam a região glútea. saíram de moda. em especial com nádegas volup tuosas". No Brasil. definido como "sexualmente atraente. que delineavam e Uma forma extrema dessa tendência surgiu em 1992. o termo foi dicionarizado pela primeira vez em 2002. Um comentar ista chegou a dizer que "as nádegas eram os novos seios". foi inventada até um a nova palavra para descrever a mulher que possui um traseiro farto: "poposuda". quando os jornai s da Europa e da América anunciaram que ela havia segurado seu admirado traseiro p or US$ 1 bilhão. Embora ela tenha publicado um desmentido. Nos Estados Unidos. As mod elos esqueléticas. A atriz e cantora Jennifer Lopez chamou a atenção cm 1999. Embora nem todos no mundo da moda tenham aprovado o novo modelo. as nádegas femininas estavam numa fase de grande valorização. Começou na década de . torn ou-se popular um estilo de música chamado booty rap. Originalmente restrito à gíria dos negros american os. junto com seu adjetivo "bootylicious". e o cenário musical brasileiro assistiu a um culto por dançarinas poposudas. o fato de que tal notícia possa ter sido inventada e chegado às manchetes é um sinal do grande interesse por essa parte da anatomia feminina no fim do século XX. Na Inglaterra. um concurso que elege "O Traseiro do Ano" se tornou muit o popular. À medida que o século XX se aproximav a do fim. cada vez mais pessoas prestavam atenção a essa parte do corpo. quando uma jovem estilista ingle sa lançou um modelo que tinha a cintura tão baixa que deixava ver o sulco entre as nád egas.

Há muito nossa espécie aban donou a locomoção sobre quatro patas. mas ganhou maior publicidade com a chegada do novo milênio. ela se parece muito pouco com o verdadeiro coração e tem uma estranha semelhança com as nádegas femininas vi stas por trás. quando alguém se hospeda num hote l no Rio. Essa cirurgia custa cerca de US$ 10 mil. que é a da .1980. mas não há dúvida de que o mundo da moda e da cultura pop ular esté sempre voltando à região glútea como foco de erotismo. onde calcula-se que existam no mínimo 1. pode encontrar folhetos de propaganda de clínicas de cirurgia plástica ao lado do inevitável exemplar da Bíblia. Até aqui. para criar uma aparência mais j ovem e mais voluptuosa. Novamente. a forma es tilizada do coração. esse tipo de cirurgia é tão comum no país que. Aparent emente. mas existe uma terceira maneir a pela qual essa parte do corpo pode ser exposta. uma imagem humana primitiva pode estar em ação. mas agora os cirurgiões plásticos relatam uma enorme procura por nádegas mais volu ptuosas. Dos dois lados d o Atlântico. Um dos maiores centros desse tipo de cirurgia é o Brasil. cresce a demanda por produtos e procedimentos cosméticos destinados às náde gas. mas o alto custo parece não ser um obstáculo. as mulheres também querem tê-las mais firmes. De fato. anal isamos os aspectos ofensivos e sexuais das nádegas.600 cirurgiões plásticos em atividade. Além do aumento da s nádegas. mas o traseiro feminino se recusa a desaparece r do inconsciente masculino. É difícil dizer quanto tempo vai durar essa moda de nádegas firmes e generosas. Enchimentos e peças elásticas destinadas a levantar as nádegas já vinham sendo usad os. Já se disse que o símbolo universal do amor. tanto através de injeções de gordura quanto de implantes. na realidade se baseia nas nádegas.

Os indivíduos dominantes raramente atacam esse s subordinados: ou o ignoram ou o montam brevemente. Em ambos .submissão. com uma cinta ou u ma vara. a livraria do ataque. não há diferença entre o ser humano submisso e o macaco submisso. Entre amig os numa reunião social. Parece tanto o gesto de submissão dos prima tas que é difícil não relacioná-los. o contato com as nádegas é proibido. a curvatura. A vítima deve primeiro curvar-se para a frente na postura submissa dos primatas. porque permite ao fraco subordi nado permanecer perto do poderoso dominante sem ser atacado. a postura humilhante não é suf iciente. A exposição das nádegas numa humilhante postura curvada teve um papel duradou ro como gesto de submissão. como entre pais e uma criança muito pequena. para certos humanos dominadores. Parece que. a não ser que exista uma intenção sexual oculta. praticada como uma cerimônia de agradecimento. e então. e o tapinha nas costas é preferível. é injustamente espancada com a mão. uma palmada no traseiro só pode ser usada com segurança como sinal de amizade quando não existe perigo de envolvimento sexual. O tapa no traseiro restring e-se portanto a certos contextos. Como demonstração de submissão. Nesse aspecto. o gesto é importante. Uma forma mais comum de exposição das nádegas é aquela e ue a criança é espancada como castigo. uma vez nessa posição que. ou entre esportistas durante uma competição acirrada. aquele que expõe as nádegas está dizendo: "Eu me ofereço no papel passivo feminino. se ela fosse um macaco. o gesto pode ser mal interpretado. Os macacos submissos de qualquer sexo mostram o tra seiro ao superior de qualquer sexo. mostre-me sua superioridade monta ndo-me em vez de me atacar". Devido às suas implicações sexuais. Por favor. é feita dand o as costas para a pessoa homenageada. Fora do âm bito de um casal de amantes. Em ambos os casos. Em algumas sociedad es tribais. com alguns movimentos pélvico s.

um tapinh a no traseiro é comum. levemente irritada ou ofendida. A co tinuação dessa estratégia. . o cavalheiro pod ia explorar a situação deixando a mão descer pelas costas da dama em direção às nádegas. é o atrevido ver sua mão rapidamente de volvida à posição original. Nos bailes de antigamente. executado com vários dedos e várias vezes em rápida sucessão. É durante essa fase de contato físico que a forma arredondada das nádega s se liga intimamente. Nos estágios avançados do ato sexual. quando estranhos podiam se abraçar enquanto dançavam. Vivace: um beliscão mais vigoroso. É essa ligação sexu al que causa uma reação ultrajada diante de um gesto que outrora foi um costume dos italianos: beliscar as nádegas da mulher em público. E um acompanhamento freqüente dos beijos e abraços. De acordo com sua educação. como mostram os filmes. Entre amantes. Recomendado para iniciantes. a fortes emoções sexuais. Por outro lado. Qualquer mulher atraente que ca minhasse por uma cidade italiana corria o risco de ter as nádegas beliscadas por u m admirador desconhecido. As mãos que a braçam as costas facilmente passam às nádegas à medida que a excitação cresce. na mente dos amantes. O autor de uma obra satírica intitulada Como ser italiano relata os três beliscões fundamentais: Pizzicato: um rápido beliscão executado com o polegar e o dedo médio. os tapinhas muitas vezes são substituídos pelo gesto de agarrar as nádegas para acompanhar as vigorosas estoca das da pelve. parentes idosos ou "amigos da família" que exploram a difer ença de idade batendo nas nádegas de adolescentes e desfrutando o contato sexual dis farçado em castigo parental podem criar muitos problemas. ela podia se sentir orgulhosa.os casos. os pensamentos sexuais são tão remotos que não há possibilidade de um mal-ente ndido.

] de um certo povo que. e não uma entrada. Apenas 10% o julgaram bastante satisfatório para ser adotado como atividade regular. existe a questão do uso do ânus feminino como orifício sexual. as nádegas não têm grande utilidade. exceto entre os fanáticos. procurando nas ruas nádegas masculinas que pudessem ser beliscadas. Do ponto de vista biológ ico. O que se revelava u ma moda inconveniente e desconfortável. porém. Como área des tinada à decoração. num gesto absurdo de coragem. Calcula-se que cerca de 50% das mulheres ocidentais tenham experimentado o sexo anal em alg um período de sua vida. na qual ele mostra uma nativa de aparência infeliz c om jóias penduradas nas nádegas. Finalmente. e uma ocasião chegaram a revida r. Uma pesquisa com 5 mil donas-decasa do Brasil revelou que 40% dos cas ais que viviam no campo e 50% dos que viviam nas cidades "consideravam o coito a nal uma parte normal da sexualidade". Encontramos o único exemp lo de nádegas ornamentadas numa obra de John Bulwer escrita no século XVII. Nádegas tatuadas não são comuns. onde eram penduradas pedras preciosas. e a evolução não o preparou para receber a penetração. e portanto pode ser fonte de prazer. São muito íntimas para exibir obras arte e muito inadequadas para carregar ornamentos. Anatomicamente. Em algumas partes do mundo. As feministas não acham a menor graça nisso.. o ânus é rico em terminações nervo sas. Man Tran sformed (Homem transformado). f azia furos nas nádegas. o sexo anal não é . já que destinadas ao ato de sen tar.Sostenuto: um beliscão bem apertado e prolongado. a porcentagem de adeptos é mu ito maior. adequado no caso de "cintas resi stentes". lembro-me [. Funcionalmente. ele é uma saída. e muito prejudicial a uma vida sedentária".. Bulwer comenta: "Entre outras asquerosas invenções de a lgumas nações.

E ssa forma de contracepção sobrevive ainda hoje em muitas partes do mundo. antes que existissem preserv ativos. Como a mulher continua s exualmente receptiva quando está menstruada. . a penetração vaginal só é mo strada se não existe um bebê dormindo ao lado deles. Uma terceira razão é a aversão masculina ao sangue menstrual. a penetração anal seja utilizada como forma de controle da natalidade. Uma segunda razão é que ela permite aos jovens casais se entregarem ao s exo antes do casamento sem que a mulher perca a virgindade. O sexo anal lhes ofer ece uma solução para o problema. Sempre que um casal aparece fazendo sexo. é provável que. de contro le da natalidade. Quando há um bebê presente — a maneir a de o artista mostrar que eles formam uma família —. principalm ente na América Latina. Parece haver quatro razões para isso: Há séculos. Isso é particularmente verdade em certas culturas mediterrâneas. no curso da história. ignorância ou convicções religiosas —. por exemplo. Onde não há preservativos disp oníveis por qualquer razão — pobreza.uma atividade "natural". e não conta com a ajuda da hibrificação automática de glândulas e specializadas ou das outras mudanças que facilitam a penetração vaginal. r dos riscos para a saúde. a penetração é evidentemente anal. Apesar disso. os homens muitas vezes desejam fazer sexo nesse período. o ânus tem sido coagido a desempenhar o papel de uma vagina s imbólica. Isso está explicitamente demonstrado na cerâmica pré-colombiana do P eru. mas sentem-se inibidos pelo sangramento. em partes da África e no Oriente. o sexo anal era usado como uma forma primitiva. mas eficiente. nas quais a exibição dos lençóis manchados de s angue depois da noite de núpcias ainda é exigida como prova da virgindade da noiva.

essas razões explicam a ocorrência generali zada de uma atividade que tem sido um assunto tabu.Finalmente. o sexo anal também é utilizado como uma variante erótica para casais que buscam novidade. a perfuração do hímen antes do casamento ou o con tato com o sangue menstrual. . Juntas. além de evitar a gravidez.

Quando. . que se interessa m por todas as partes do corpo da mulher. um dos presentes de casamento foi um par de meias. por exemplo. O que existe nas pernas femininas que as torna sexua lmente atraentes? Sua função primordial é nos manter de pé e nos fazer caminhar. não havia por que enfeitá-las com meias decorativas. Pernas O poder erótico das pernas sempre foi valorizado. Ao ouvir isso. pensando que quando se casasse teria as pernas amputadas . parece haver uma inexplicável preferência pelas pernas. a princesa austríaca Mariana estava para se casar com Felipe IV da Espanha. vale a pena investigar os motivos dessa forte atração. antes de examinar as pernas como meio de locomoção. Assim. mas. Em alguns homens. Esse comportamen to é relativamente raro. É evident e que as pernas evoluíram como estruturas de locomoção. Uma pergunta presente em qualquer vestiário esportivo m asculino é a seguinte: "O que você prefere: seios ou pernas?" A fixação pelas pernas é tão g rande que existe uma publicação exclusivamente dedicada a essa obsessão masculina: Leg World (Mundo das Pernas). aos 15 anos. a adoração atinge o grau de fetiche. como não se podia ver as pernas da rainha. El es não se interessam por nenhuma outra parte do corpo feminino e conseguem obter s atisfação sexual. acariciando um par de meias de náilon. que foi enviado de volta por um mensageiro com as seguintes palavras: "A rainha da Espanha não tem pernas". O que o mensageiro quis dizer é que. mesmo entre heterossexuais normais. a pri ncesinha caiu no choro. e no entanto os homens são obcec ados por elas sexualmente. Naquela época. mostrar as pernas er a sinônimo de convite sexual.22.

A única outra alternativa ade quada é a postura de pernas cruzadas. chama a atenção para o ponto o nde elas se encontram — que é. Ca da vez que uma mulher abre. no recesso da mente do homem. fecha ou cruza as pernas. Uma moça bemcomportada. claro. Como na posição papai-e-mamãe a m ulher mantém as pernas abertas. Primeiro. em comentários como "Ela teve que ser enterr ada num caixão em forma de Y"). Em 1972. e mesmo hoje os livros de etiqueta mais conservadores ainda a desaprovam. esteja a mulher de pé ou sentada. Todas as posições em que as pernas fica m fechadas. o foco principal do interesse sexual masculino . No século XIX. a maior autoridade moderna em boas maneiras: "Cruzar as pe rnas hoje não é mais uma atitude masculina. mos tra uma neutralidade que lhe dá um ar de correta inibição. o par de pernas funcionasse como uma flecha que indicasse a "terra prometida". Nesse aspecto. que tem um quê de informalidade. ela cria uma . Os livros de etiqueta ensinam as jovens a não se sen tarem de pernas abertas. passam uma imagem de formalidade. É quase como se. que se senta com os joelhos juntos. mesmo em momentos em que a mul her está apenas procurando uma postura mais confortável. o homem costuma identificar essa postura com uma m ulher sexualmente ativa (por exemplo. Eis o qu e diz Amy Vanderbilt. as mulheres da alta sociedade eram proibidas de adotar essa postura em público.A primeira e mais óbvia explicação talvez esteja na forma como as pernas se juntam. po lidez ou subordinação. abrir as pernas sem pre foi um gesto carregado de significado sexual. mas existem boas razões para evitar ao máxim o essa postura. Amy Vanderbilt achou necessário informar às mulher es americanas que "é gracioso sentar-se com o polegar de um pé posicionado ao lado d o polegar do outro e com os joelhos unidos".

É a postura mais comportada de todas. nunca foi fotografada com as pernas cruzadas acima da panturrilha. com saias curtas. Se a mulher está usando saias. enquanto a segund a mostra sua disposição de permanecer confortavelmente sentada. A diferença entre a postura comportada de pernas juntas e a postura de pernas cruzadas está no fato de que a primeira mostra uma prontidão da mulher para se levantar. Passa uma imagem formal e "correta" . Ela alerta para o perigo de cruzar as pe rnas durante uma entrevista de emprego. causando varizes". Em segundo lugar. e a posição quase não difere da postura de pernas fechadas. só é demonstrada por mulheres de alta condição social e m ocasiões públicas. A rainha da Inglaterra. Portanto. por exemplo. Posição joelho-com-joelho. pode s er indecente ou no mínimo um sinal de descompostura. Essa é a primeira das posturas verdadeiramente informais e costuma ser vista em situações sociais comu ns. argumentando que a informalidade da post ura pode dar uma impressão de pretensão ou de excessiva descontração. Assim como a primeira postura. Posição panturrilha -com-panturrilha. . percebe-se que existem nove maneiras de cruzar as pernas. pode expor inadvertidamente as coxas. A parte das pernas que se cruzam é muit o pequena. Em terceiro lugar. parece que prejudica a circulação.protuberância nas coxas que se sobrepõem. As pernas cruzadas indicam que a mulher está instalada e não pretende se levantar de repente. Não é uma postura muito comum. Posição calcanhar-com-calc anhar. Analisando mais detalhadamente essa postura. As pernas juntam rev elam uma disposição para a ação. essa postura pode ser usada (consciente ou inconscientemente) com intenções sexuais .

Posição de pernas entrelaçadas. a maneira de cruzar as pernas também pode indicar identidade entre duas m ulheres. as pernas se enroscam e se mantêm nessa posição com a ajuda do pé flexiona do. Nesta postura. São maneiras de cruzar as pernas qu e. já que é muito desconfortável para o homem. um pé descansa sobre a panturrilha da outra perna. Posição panturrilha-c om-joelho. porque a maioria dos homens não consegue executá-la. . posição calcanhar-comjoelho e posição calcanhar-com-coxa. essa é uma postura facilm ente adotada por mulheres. Portant o. É outra po stura predominantemente feminina.Posição coxa-com-coxa. vão expor não só as coxas. são adotadas apenas por homens. se a mulher estiver de saia. É uma posição muito feminina. Devido a conformação da pelve feminina. É uma versão mais radical da última postura. N esta postura. na qual uma coxa se ap erta contra a outra. mais uma vez por causa da conformação pélvica. Mai s uma vez. Essas maneiras de cruzar as pernas são vistas em quase todas as reuniões sociais. mas raramente praticada por homens. Se duas amigas têm uma visão semelhante sobre determinado assunto. É a preferida dos homens que gostam de afirmar sua masculinidade (ou das m ulheres que querem mostrar que são iguais aos homens). é a pelve mais larga da mulher a responsável pela diferença. Posição pé-com-pantu rrilha. Além das diferenças de gênero já ap ontadas. e ocasionalmente por mulheres que estejam usand o calças. mas a região pubiana. é muito pr ovável que cruzem as pernas de maneira semelhante quando se sentam para conversar. Estas três posturas são obtidas com uma perna erguida acima da outra. São formas de linguagem corporal que transmitem sin ais subliminares sobre o estado de espírito da pessoa.

porque muitas pessoas se sentem mais confortáveis com a s pernas cruzadas e adotam essa postura mesmo quando estão sozinhas. Mas é verdade q ue quando alguém não se sente à vontade diante de outras pessoas tem maior probabilida de de manter as pernas cruzadas do que quando está relaxada. Se existe uma animosidade entre elas. Ao longo da história. e essa postura não pass a despercebida. Isso é uma simplificação. provavelmente adotará u ma maneira de cruzar as pernas diferente da de sua subordinada. os j oelhos de uma ficam voltados para a outra. Suas pernas tran smitem uma mensagem tácita: "Sou diferente de você". os joelhos apontam para fora e ajudam a desviar o corpo nessa direção. a direção em que cruzam as pernas também é significativa. Na verdade. se uma é superior à outra e quer afirmar sua condição. Quando duas mulheres sentam-se lado a lado. Existe ainda outro elemento na maneira como uma mulher cruza as pernas.Entretanto. mesmo que as pessoas ao seu redor não se dêem conta disso. são tão fortes os sinais sexuais transmitidos pelas pernas fe mininas que só uma postura descontraída entre os dois extremos pode ser adotada sem atrair atenção sexual. Em certo sentido. a . porque "a dama protest a demais". Outro aspecto sexual das pernas é a maneira como elas são escondi das pelas roupas. Se uma mu lher exagera nessa postura de defesa sexual e aperta demais as pernas. o gesto d eixa de ser defensivo e começa a ter um certo sabor sexual. Por causa disso. Pode-se afirmar com uma certa segurança que. quanto mais apertadas as pernas. Se são amigas. pernas cruzadas são o oposto de pernas afastadas. mais defensiva é a postura interior da mulher. A postura de pernas afastadas revela autoconfiança. houve quem chegasse a afirmar que todas as pessoas estão na defensiva quando cruzam as p ernas.

uma coxa de galinha tornou-se apenas "carne escu ra". Um proeminente advogado se queixou de que "a provocação de pernas coberta s de seda e coxas seminuas [. O que comentários como esse revelam. No último século.maioria das religiões preferiu ver as pernas das mulheres totalmente cobertas — outr a admissão de seu potencial erótico. as perna s desapareceram por completo de vista por longos períodos. e a simples visão de um c alcanhar era chocante. À mesa. Todas as vezes que as mulheres se rebelaram con tra isso. etc.] era devastadora e insuportável". e isso era demais para alguns homens. a p roporção visível das pernas femininas variou consideravelmente. Entretanto. e mesmo então ainda causa ram muito assombro. Nos Estados Unidos.. Para chocar. a exposição tinha então que ser maior. mas a verdade é que as pernas foram um tabu durante muito tempo. Cada centímetro que as saias subiam provocava prote stos e acusações de licenciosidade das autoridades puritanas. é o forte apelo erótico das pernas femininas. pouco depo is. Só dep ois da Primeira Guerra Mundial elas saíram do esconderijo. Tão forte e total foi essa supressão que até a palavra foi proi bida nos círculos educados. O mot ivo é . Muitas jovens foram proibidas de usar as novas saias curtas no trabalho. e apenas a região pubiana coberta por uma estreita faixa de tecido. o novo comprimento era aceito como norma. mais uma vez. Em diferentes períodos da história ocidental. eram usados eufemismos como "extre midades". "apêndices". encurtaram as saias. e que aquelas moças "modernas" se comportavam como prostitutas.. As jovens rebeldes dos anos 1920 ousavam expor as panturrilh as e até os joelhos. Diziam que a nova moda estava corrompendo os padrões morais. Hoje. é difícil compreender o ambiente social que tornava possíveis tais extremos de pudicícia. até que toda a perna estivesse à mostra.

constataremos que as saias curtas foram adotadas em períodos de florescimento econômico. no fim da década de 1940. Com saias curtas. mas tem a desvantagem de ficar a maior pa rte do tempo bloqueando os sinais sexuais emitidos pelas pernas. as longas do pós-guerra. as mulheres podem caminhar . influenciadas pelas mudanças de humor da sociedade. mas isso é apenas parte da história. E. Se acompanharmos o sobe-e-desce das saias década após década. foram substituídas pelas minissaias dos liberais anos 196 0. se uma atitude otimista vai bem com uma ativa sexualidade. a saia longa tem a vantagem de provocar um for te impacto quando é erguida ou removida. A verdade é que tanto as saias curtas quanto as longas têm potencial sexual. A curta tem a vantagem de expor as pernas o tempo todo aos olhares masculinos. revelassem seu otimismo e confiança pelo comprimento das bainhas. seria um erro concluir que as mudanças no comprimento d as saias durante o século XX refletem apenas as flutuações do vigor sexual da sociedad e. o que as minissaias proporcionaram foi uma sensação de liberdade . mais fácil é imaginar o ponto onde elas se encontram. Portanto. Era como se as mulheres. Mais do que qua lquer fator sexual. por exemplo. pode-se dizer que as saias mais curtas refletem uma sociedade dotada de maior energia sexual.óbvio. mas a des vantagem de que a familiaridade gera desinteresse. que por sua vez deram lugar às saias longas dos recessivos anos 1970. e que é o ato de tirar a roupa que p roduz um estímulo sexual. A s saias longas dos anos 1970. As saias curtas dos agitados anos 1920 for am substituídas pelas saias longas dos anos 1930 pós-depressão. Quanto maior a parte das pernas à mostra. Qualquer dançarina de strip-tea se sabe que precisa começar totalmente vestida. e as longas reap areciam em períodos de depressão econômica. Entretanto. não resultaram de uma onda moralista.

A explosão de minissaias nos anos 1960 resultou de uma li berdade recém-conquistada com a invenção da pílula anticoncepcional e com o forte cresci mento econômico. est amos caminhando para a frente". Elas t ambém davam a impressão de uma armadura protetora. Na mente do homem. mas ao mesmo tempo não deixavam ver a suave curvatura das pernas. As longas pernas transmitiam uma mensagem social: "Nós. causaram tum ulto quando apareceram e fizeram muitas mulheres serem expulsas de ambientes eli tistas. ti rar um par de jeans é uma luta. como as saias curtas.) Como as saias. ficou claro para on de elas estavam caminhando — para o movimento feminista e uma nova luta por iguald ade sexual. As que usam longas saias com muito pano ou afuni ladas perdem mobilidade. Enquanto o confuso quadro econôm ico dava origem a uma mistura de tendências — saias longas. adotando a peça característica do vestuário masculino: as calças. Revelaram pela primeira vez a forma exata da região onde as pernas se enc ontram. . dando-lhes dobras e rugas anti-estéticas. de modo que as mulheres podem usar saias curtas e lo ngas ou calças largas e justas sem a pressão de rígidas normais sociais. roubando das pernas a vulnerabili dade diante da abordagem masculina. Com a chegada dos anos 1980. a vanguar da da população feminina propunha a igualdade das pernas. 84% das mulheres de Londres pr eferiam as calças às saias. Com esse último passo veio outra mudança. (No início do século XXI. jovens. As calças. levantar uma saia é fácil. Se o mundo ocidental se tornou cada vez mais liber al em relação à exposição das pernas. logo foram aceitas. que. o que lhes deu um enorme potencial erótico. médias e curtas —.vigorosamente. saltar e correr. as calças também mostraram vantagens e desva ntagens.

Em 1998. por exemplo. O uso de meia s de seda ou náilon se popularizou também como uma maneira de aumentar a aparência de suavidade das pernas.em outras partes do mundo as restrições ainda são muitas. a bemvinda liberalização da moderna China parece ser irreversível. embora no século XXI um ar de modernização tenha varrido a sociedade chinesa. uma diferença que funciona como um forte sinal de gênero. bran cas e lisas como um ovo". As autoridades ficaram suficientemente sensibilizadas e proibiram a exposição inadequada das perna s femininas na tevê. Outro aspecto da s ensualidade das pernas é sua suavidade. onde mais de 12 milhões de . No Japão. Uma alternativa moderna é a aplicação de um spray sedoso que ade re à pele e produz um efeito muito semelhante ao das meias. Nos países muçulmanos tiranizado s por líderes religiosos conservadores. mas em poucas semanas as belas pernas estavam de volta. a s mudanças não foram aceitas sem resistência. A pele lisa e suave das pernas femininas (às vezes aperf eiçoadas com uma pequena ajuda no banheiro) contrasta com a pele peluda das pernas masculinas. à prova d'água e nunca enruga. Entre tanto. por exemplo. A China comunista também impôs graves restrições às mulheres durante qu ase todo o século XX. Hoje. Tem várias vantagens: é ma is fresco. Um sinal dessa mudança foi a aparição de pernas femininas nas telas de tevê. Um poeta do século XVII cantou em versos as pernas de sua amada: "Pudera eu beijar as deliciosas pernas de minha Julia. as mulheres não podem expor nenhuma parte da s pernas em público. um grupo de estuda ntes apresentou uma queixa formal exigindo "uma tela [de tevê] livre desse lixo co mercial que expõe o corpo feminino para vender produtos de beleza". mas agora está mudando graças à chamada "abertura" da economia chi nesa.

As suaves c urvas ascendentes atraem o olhar dos homens. tão populares no m undo da moda. ter pernas mais compridas acabou sendo sinal da chegada da maturidade sexual. assim como pernas muito gordas e grossas. Como na puberdade ocorre um rápido crescimento das pernas. a sol ução do spray é ideal. em tod as as culturas humanas. a mais votada (Nicole Kidman) é famosa por suas longas pernas. mas também po rque são sinal de um corpo vigoroso e saudável. as pernas são maiores que as da criança tanto em termos relativos quanto em termos abso lutos. existe uma vantagem em ter pernas longas. não são atraentes para o hom em. nem muito gordas — estão associadas (na mente primitiva do macho) a uma condição física ideal para a procriação. Dá às pernas a suave aparência "vestida" adequada ao local de trabalh o sem nenhuma das desvantagens das meias. Numa recente pesquisa em que mil homens foram solicitados a dizer que atriz tinha as mais belas pernas.mulheres trabalhadoras são proibidas pelas empresas de expor as pernas nuas. Finalmente. . Não é difícil descobrir por que pernas compridas são tão atraentes. a condição física adequada à procriação é um atributo que desperta gr nde interesse sexual. Pernas muito finas. não só porque são diferentes. Pernas curvilíneas — nem finas demais. Na déca da de 1940. É claro que se eles tivessem exagerado demais os desenhos ficariam grotescos. desenhando figuras d e pernas muito mais longas que as das modelos reais. os cartunistas começaram a explorar esse aspecto. Está provado que. mas o alongamento na medida cer ta deu às mulheres retratadas uma maior sensualidade. Outra diferença de gênero é a forma curvilínea das pernas femininas em comparação com as musculosas pernas masculinas. Portanto. uma mulh er de pernas anormalmente longas transmite sinais de extrema feminilidade. Na mulher adulta.

isso resultava do fato de estilistas de moda. Quando um pintor faz um esboço acurado do cor po humano. vamos analisar sua anatomia. as pernas são sexual mente excitantes porque (1) o ponto onde elas se encontram é foco da atenção erótica mas culina. (2) suas diversas posturas indicam preocupações eróticas. fotógrafos e diretores de cinema preferirem mulheres d e pernas longas. as mulheres r eais pareciam ter pernas cada vez mais longas. São pernas proporcionalm ente 30. a patela.Desde então. Deix ando de lado o sex appeal das pernas. Para resumir. As pernas cor respondem à metade da altura do corpo. As pernas mais longas do mund o pertencem a uma adolescente e medem 124 de seus 190 cm. do púbis aos mamilos e dos mamilos ao topo da cabeça. (3) a roupa mais cur ta permite a exposição de porções de carne que em geral permanecem escondidas. Evidentemente. o osso mais comprido do corpo humano. A base esquelética das pernas compreende quat ro ossos: o fêmur. até que hoje é impossível para uma mo delo que tenha pernas curtas encontrar emprego. que protege a p arte frontal da articulação do joelho. Em outras pal avras. dos joelhos ao púbis. (4) suas curvas enfatizam as formas do corpo feminino. A tendência continuou ano após ano. divide-o em quatro partes praticamente iguais: do chão aos joelhos.5 cm mais compridas que a média — o que mostra a grande variação existente nas m edidas das pernas femininas adultas. durante toda a segunda metade do século XX e início do XXI. . as pernas são metade do comprimento do corpo. e (5) seu acelerado crescimento na puberdade faz com que pernas longas passem uma mensagem de prontidão sexual.

só que os passos curtos ficam ainda menores.5 metros. No aspecto cultural. Para ilustrar o que estou dizendo. e a fíbula. . mas existem enormes diferenças pessoais. A maneira de caminhar de diferentes indivíduos e de diferentes cultu ras há muito fascina os observadores. que se situa ao lado da tíbia. e muitas mulheres famosas tém um andar tão característico que é fácil imitá-las. Normalmente. é um exagero do andar característico das mu lheres. O miudinho é um andar de passos rápidos mas curtos. enquanto as americanas são melhores em tipos de locomoção mais casuais. ma s apenas nove delas são predominantemente femininas e merecem uma breve menção: 0 vaci lante é o andar das pessoas cujas pernas não são capazes de percorrer longas distâncias com conforto. Foram identificadas 36 maneiras de and ar na espécie humana — do andar lento de cerca de um passo por segundo ao caminhar n ormal de dois passos por segundo até o andar rápido de quatro passos por segundo —. Uma maratona de dança que levou os participantes à exaustão durou 214 dias. o passo da mulher é mais curto qu e o do homem. que se articula com o fêmur. Tais feitos de força e resistência testemun ham a evolução das pernas femininas ao longo de 1 milhão de anos. Muito já se escreveu s obre o andar. Impulsi onada por pernas fortes e bem-moldadas. É o andar típico das mulhere s quando estão usando saias muito justas ou sapatos apertados. existem imensas diferenças entre. A pessoa caminha com passos muito curtos. a mulher já saltou mais de 2 metros no ar e conseguiu dar um salto em distância de 7. por exemplo.a tíbia. bas ta-me citar os nomes de Mae West e Marilyn Monroe. mulheres japonesas e americanas. As japones as são perfeitas quando se trata de um andar mais formal. Na verdade.

com uma ação mais vigorosa das pernas. Para criar o efeito desejado. o corpo par ece deslizar para a frente como se sobre rodas. O saltitante é um andar alegre e rápido. que re vela saúde e otimismo. rápidos e indecisos. que ocu ltem o movimento dos pés. com muitas idas e vindas e súbitas mudanças de direção. hoje restringe-se praticamente ao Ja pão. O disparado é um andar ansioso. com pequen os saltos desnecessários. com um elemento de rotação . fazendo os quadris oscilarem. O deslizante é uma versão elegante do miudinho. Se exagerado. É uma versão mais rápida do pulado. cheio de movimentos curtos. tornase uma caricatura sexual. Com movimentos curtos e delicados dos pés. É um andar alegre. O pulado é o andar típico da adolescente quando caminha com um movimento flexível que faz o corpo saltar a cada passo. A corrida nos interessa particularmente porque a conformação corporal da mu lher a obriga a executá-la de uma maneira ligeiramente diferente da do homem. O peso pas sa de uma perna para a outra. Outrora comum entre mulheres da alta sociedade em algumas partes da Europa. Isso se deve à maneira como as pernas femininas estão presas à bacia. a mulher precisa usar saias bem longas. O gingado é o andar erótico da mulher que quer atrair atenção. O passo largo é usado pelas mulheres que imitam o vigor do an dar masculino.Pode ser descrito como um andar que demonstra "afetada precisão". Essa mesma conformação a natômica que permite à mulher cruzar as pernas entrelaçadas lhe dá uma diferente maneira de correr. Marilyn Monroe realçava seu famoso gingado usando sapato s de salto alto que tinham um salto ligeiramente menor que o outro.

o corpo feminino sacrificou algumas de suas ca pacidades atléticas adequadas à corrida. Essa diferença quase não é percebida porque é mais com um vermos atletas correndo. Algumas formas de locomoção são provocadas por estados emocionais. mas. . sem nenhum traço da rotação da pe rna tipicamente feminina. Essas são as corredoras que vemos nas telas da tevê. Em hipótese algum a balança os braços. O corpo das atletas não exibe as usuais curvas e seios fartos. Essa corrida desajeitada sugere que. o passo arrastado e a corrida. para chegar a ser uma atleta de ponta. sua camada de gordura é muito reduzida. havia leis estritas determinando como uma dama devi a caminhar num local público. mas. nem tampouco gesticula enquanto caminha". e no entanto não há o menor sinal de rigidez. se observarmos uma mulher menos musculosa e mais voluptuosa correndo para pegar um ônibus. em sua especialização para a procriação. Essas normas de "bom comportamento" parecem estranhas nos dias de hoje. E la dá passos médios e caminha a partir dos quadris. Um século atrás. e n a corrida suas pernas executam um movimento frontal. a mulher é escolhida entre milhões de outras por seu andar masculino. Essa nova informalidade permitiu o aparecimento de maneiras muito pessoais de caminhar. o trote. livres das imposições da etiqueta. o "passeio despreocupado". e não dos joelhos. ela devia evitar o "caminhar atlético". en quanto outras resultam de normas sociais. Um antigo livr o de etiqueta descreve uma mulher cujo andar era socialmente aceitável: "Seu corpo se mantém ereto em perfeito equilíbrio.que não existe na corrida do homem. que acabou sendo uma especialização do homem (c açador primitivo). ficará evidente a típica rotação da perna. quando uma mulher simplesment e sai de casa e caminha pela rua sem pensar que está colocando um pé diante do outro . Em tempos mais formais. Essas regras variam de uma época para ou tra.

A única exceção a essa norma ocorre quando a peça que foi representada se passa numa época em que a forma c orreta de saudação era a combinação entre reverência e curvatura. quase sempre acompanhado de uma curvatura da cabeça. . Hoje. Essa divisão por sexo só não ocorre no teatro. onde as atrizes tendem a copiar os atores e agradecem à platéia com uma curvatura. é a reverência — uma saudação na qual um pé é colocado atrás outro e as duas pernas se dobram ligeiramente.Finalmente. esses dois elementos — a flexão das pernas e a curvatura da cab eça — se separaram: a reverência tornou-se exclusivamente feminina. exc lusivamente masculina. mas antigamente era muito comum como gesto de agradecimento. embora esteja desaparecendo r apidamente na sociedade moderna. e a curvatura. um movimento das pernas que merece menção. a reverência praticamente só é u sada quando uma dama cumprimenta um membro da realeza. No século XVII.

Consideramos a postura ereta algo natural. Elas tiveram os pés apertados. É uma tarefa formidável. Quando não encontramos uma superfície que julgávamos e star ali. O que torna isso possível é o pé humano — uma obra-prima de engenharia. dançar e chutar. PÉS Os pés são outra parte da anatomia humana que mostra as diferenças entre homens e mulh eres. saltar. espremidos.8 cm. na semi-escuridão. Nesses raros momentos . o que fez muitas mulheres sofrerem ao longo da história. e no entanto raramente merece um pensamento. antes de tratar desses dolorosos procedimentos. e smagados e imobilizados em nome da beleza. Calculase que. Se um pé pequeno é uma característica feminina.4 cm. numa mulher ativa. o pé contém 26 ossos. o pé toca o chão mais de 270 milhões de vezes durante a vida. somos obrigados a dar um passo após outro p ara subir ou descer uma escada. vamos analisar a anatomia do pé. o c omprimento médio é de 26. Mas. Os pés da mulher são menores e mais estreitos que os do homem. de 24. como afirmou Leonardo da Vinci. Especificamente. então um pé muito pequeno será superfeminino. E struturalmente. 114 ligamentos e 20 músculos. Obedecendo às in dicações dos olhos. nas mulheres.23. com os quais mantém nosso equilíbrio e nos permite caminhar. e no entanto ela é extremamente rara entre os mamíferos. os pés nos servem sem esforço e nos transportam por ambientes mutáveis . Nos homens. levamos um choque e perde mos o equilíbrio. Como ocorre com outras partes do co rpo. correr. ou quando nos deparamos com algo inesperado. Um dos únicos momentos em que nos lembramos de seu maravilhoso trabalho é quando o s olhos nos faltam e. essa diferença de tamanho tem sido explorada e exagerada. o calcanha r da mulher é mais estreito em relação à planta do pé.

ter pés maiores repre sentou uma vantagem. o segund o os torna mais estreitos. Três recursos têm sido utilizados pelos fabricant es de sapatos para que os pés de suas clientes pareçam menores do que são na realidade . no curso da evolução. durante séculos as mulheres tentaram comp rimi-los em sapatos desconfortáveis. O polegar se alinhou com os outro s dedos e não pode mais ser usado para agarrar objetos como as mãos. os pés realizam três funções. O primeiro recurso aperta os pés. O primeiro é fabricar sapatos apertados demais. Na especialização do macho da espécie humana como caçador cooperativo. fazê-los muito pontudos . mas essa é uma perda pequena com parada com o imenso ganho que obtivemos em velocidade para caminhar e correr. fomos obrigados. Essa pressão evolucionária não s e exerceu sobre os pés das mulheres. Essas três funções são executadas a cada passo. Na tenta tiva de exagerar esse atributo feminino.nos lembramos da brilhante tarefa que nossos pés executam o tempo todo. Quando cam inhamos. A primeira é a absorção do choque quando o pé toca o c a segunda é a sustentação do peso do corpo. o segundo. Para que elas sejam eficient es. Por isso não somo s tão acrobáticos quando se trata de subir numa árvore. Eles eram necessários para a caçada. e a terceira é a propulsão que nos empurra par a a frente. mas também os submetem a enormes pressões. dotá-los de saltos altos. e o terceiro. Não é por acaso que 80% das cir urgias de pé são realizadas em mulheres. a fazer um pequeno sacrifício: deixamos de ter polegares opostos como os outros primatas. essas três mudanças na estrutura natural podem produzir pés mais "atraentes". que permaneceram menores e mais ágeis. Juntas. e o terceiro os faz parecer menores por elevar a posição do calcanhar. .

para satisfazer sua exigência de feminilidade. quando partiu com o príncipe.. mas a história original é selvagem e sangrenta. somos quatro: eu. Essa paixão por pés pequenos atingiu tal inten sidade em outros séculos que algumas damas da sociedade ficaram famosas por terem amputado os dedos mindinhos para que seus pés coubessem em sapatos ainda mais pont udos. depois que se cassasse com o príncipe." Portanto. A menção à amputação nos traz inevitavelmente à mente a cruel história de Cinderela. Então a mãe a aconselhou a cortar o dedão. Ele então a . mas.] Oh! suas extremidades são colossais.. seus pés são grandes demais. mas daí para baixo há pés demais. ele perc ebeu o sangue manchando as meias. Um príncipe procurava uma esposa. numa mesa para dois. Dos calcanhares para cima você com certeza é delicada. provocando dores nas pe rnas. Sim. [. Duas irmãs estavam desesperadas para ser escolhidas. A moça amputou o dedão e ape rtou o pé sangrando dentro do sapatinho.. A mulher que tenha a infelicidade de possuir pés grandes e masculinos será considerada anormal — tão estranha que o pianista de jazz Fats Walle r lhe dedicou uma canção. seus pés grand es e você. A ersão atual de Disney é leve. ela prec isava ter pés muito pequenos. não tinha nada a perder. não admira que muitas mulheres cheguem a a bsurdos para reduzir o tamanho dos pés. Mas o horror que ter pés grandes representa não deixa a mulher desistir.O equilíbrio do corpo é perturbado pelo formato dos sapatos. Por isso. mas. explicando-lhe que. A ma is velha tentou enfiar o pé no sapatinho.. Na verdade. nas costas e até dores de cabeça. nunca mai s precisaria caminhar. é uma rejeição direta que a expõe ao ridículo com as se uintes palavras: "No Harlem. Um minúsculo sapatinho de pele era usado para testar a s noivas em perspectiva. mas não conseguiu. P ara mim você parece um fóssil.

Primeiro.devolveu para a mãe. onde durante séculos amarrar os pés das meninas foi uma prát ica comum nas famílias da casta superior. que confundiu vair (uma pele rara como a zibelina) com v erre (vidro). Lá. Surpreendentemente. os pés eram lavados em água quent e e massageados. fazendo com que os dedos curvados se . jatos de sangue puseram fim à farsa e ela também foi rejeitada. Vamos acompanhar esse processo. Essa pobre moça teve o calcanha r cortado para que o pé pudesse caber no sapatinho. Mais uma vez. precisamos saber que ess a história nasceu na China. o costume de amarrar os pés das jovens começou no século X e durou mais de mil anos. que lhe ofereceu a outra filha. c ujos pequeninos pés cabiam perfeitamente nos sapatinhos e que se tornou esposa do fetichista. A estranha premissa da história — a de que um homem de alta condição social procure uma mulher de pés pequenos sem levar em conta suas outras qualidades — parec e ter passado despercebida pelas platéias modernas. Isso ocorreu porque a versão mod erna de Cinderela converteu as duas irmãs em moças horrorosas. Na China. enquanto Cinderela er a bela. Então. mesmo sendo um costume bárba ro. que parece ter entrado na histór ia por um erro de tradução. Quando era pequena. Só então o príncipe encontrou Cinderela. a menina tinha permissão para correr livremente. Mas isso é um engodo. só foi proibido no início do século XX. Depoi s a faixa rodeava o tornozelo. Para entender o motivo de tal ênfase nos pés. mas entre 6 e 8 anos pa ssava pela agonia de ter os pés amarrados. O príncipe só tinha uma exigência: que os pés da noiva coube ssem em minúsculos sapatinhos de pele — não de cristal. a pequenez dos pés de uma moça era um sina l fundamental de beleza. os quatro dedos menores eram cruelmente curvados para trás e amarrados. com uma bandagem de 5 cm de largura e 3 metros de comprime nto.

As esposas eram literalmente incapazes de se afastar do marido. A cada quinze dias. incapazes de caminhar normalmente e limitadas a umas poucas atividades físicas que conseguiam realizar. Alem disso e de outras idéias eróticas ainda mais grot escas sobre o Lótus Dourado. já que não podiam fazer nenhum trabalho manual . su a forma arredondada oferecia um falso orifício que podia ser usado como uma vagina simbólica. mas ofereci am uma permanente demonstração de status. Além disso. era obrigada a caminhar para que o pé s e acostumasse à nova forma. Dizia-se que a vagina verdadeira também se beneficiava com a maneira res trita de andar causada pelos pés atados: "Quanto menor o pé da mulher. como eram chamados os delicados pezinhos pelos seus admiradores. o objetivo era reduzir o comprimento do pé a 1/3 do seu tamanho normal. Só com a modernização da China no século XX e o fim da sociedade dos mandarins essa fo rma de mutilação foi abolida. Por incrível que pareça. Só o polegar escapava ao castigo. mais maravilh osa a concavidade da vagina". para que ele não pudesse voltar à posição normal. O resto da bandagem era enrolado várias vezes em volta do pé. Um dos motivos para a atadura dos pés era sexual. Os mais sádicos apreciavam a facilidade com que podiam fazer a mulher gritar dura nte o ato sexual simplesmente apertando o pé mutilado. além de beijar os pés das amadas durante as p reliminares do sexo. apanhava. Dizia-se que. Os Lótus Dourados. o desamparo de uma .25 cm menor que o anterior. juntando os pés. Se a menina chorasse. Essa era a vantagem social da deformid ade. usava um sapato 0. o amante podia colocar todo o pé na boca e chupá-lo com avidez. essas meninas estavam ale ijadas para sempre. Quando atingiam a idade adulta. Apesar da dor.juntassem ao tornozelo. tinh am um significado erótico.

Já o pé descalço d esempenha um papel diferente. "Era uma vez uma velha que morava num sapato" ( em outras palavras. E as moças sicilianas que procuram marido sempre dormem com um sapato sob o travesseiro. Ela estava à mercê do homem e sofreu nas mãos dele durante séculos. U ma velha tradição francesa exige que a noiva guarde os sapatos que usou no casamento e nunca se desfaça deles se quiser ser feliz para sempre. e se a mulher tem pés muito pequenos. E é por isso que sapatos são amarrados à traseira do c arro dos recém-casados e que um homem romântico bebe champanha no sapato da amada.mulher que tinha os pés atados provocava uma excitação geral. O sapato tem sido utilizado como símbolo dos genitais femininos. lambido e sugado. Para esses h omens que têm uma fixação erótica em pés. Esses e muitos o utros costumes populares confirmam a ligação simbólica entre os sapatos e o sexo. esse modelo de sapatos torna-se uma arma brutal de tortura para o homem masoquista no momento em que a parceira sobe em seu corpo e o perfura com seus saltos pontiagudos. É beijado. tem uma vagina estreita. os sapatos preferidos são sempre os de saltos muit o altos e finos. Acredita-se que. tem também um pênis grande. Tant o os sapatos quanto os pés figuram no estranho mundo dos fetichistas. mas em outras partes do mundo. Não só na China. Pode se curvar aos pés de uma parceira domina dora e obedecer às suas . o simbolismo dos pés é sexual. como diz um conto popular. se o homem com pés muito grandes. O homem pod e ou não assumir um papel de subordinação. cuja vida se concentrava nos genitais) "e que tinha tantos f ilhos que não sabia o que fazer". acariciado. No mundo bizarro das fantasias sexuais. Mas isso nada mais é do que uma simplificação das diferenças de gênero em relação ao tamanho dos pés. e é por isso que.

toda essa atenção dedicada aos humildes pés parece decididamente esq uisita. por que certos indivíduos ainda acham essa parte do corpo nada sensual tão estimulante? Por que um libertino experiente como Casanova chegou a a firmar que "homens dotados de grande apetite sexual sentem uma forte atração pelos pés femininos"? Existem duas respostas para essas perguntas. os pés ficam a maior parte do tempo enfiados num invólucro de couro que estimula o desenvolvimento de bactérias e até fungos. esse sinal odorífico d os pés tinha uma utilidade. O mau cheiro dos pés é tão comum que vários produtos são vendidos para combatê-lo. Ainda hoje. ele consegue perc orrer 5 quilômetros. torturando gentilmente a parce ira com a boca até levá-la ao prazer. Em apenas 18 minutos. No nosso passado remoto. . mas na vida urbana atual tudo isso mudou.ordens. E também pode não haver nenhum elemento sadomasoqu ista. Então. Dentro de no ssos sapatos onde o ar não circula. basta lembrar que um cão de caça é capaz de seguir a pista de um homem depois de 24 horas. Afinal. Mas também pode assumir um papel dominante. caso em que o pé é massageado e beijado como parte da excitação normal. ignorando todos os outros fortes odores que podem cruzar seu caminho. quando o homem andava nu. as bactérias proliferam rapidamente e as secreções o doríferas logo desaparecem. Uma está ligada às glândulas e outra ao simbolismo sexual. Se andássemos descalços. deixaríamos um ra stro de nossa fragrância pessoal por onde passássemos. Se isso parece improvável. algumas tribos são capazes de detectar essa fragrância e dizer quem passou por um determinado caminho e quando. Existem na pele dos pés glândulas especializadas que transmitem sinais pessoais sobre o indivíduo. Tudo isso devia tirar muito do pode r erótico dos pés. Para a mai oria das pessoas.

a natural fragrância agradáve l se deteriora rapidamente.Se não trocamos de sapatos e lavamos os pés todos os dias. um dedo esticado torna-se um pênis e seios lembram nádegas. que para tantas p essoas a idéia de beijar os pés seja repugnante e não tenha nada de erótica. Além disso. mas não percebemos que nossos pés transpiram dentro dos sapatos. Sugar o dedo d o pé de uma mulher dá ao amante a sensação de estar tocando um mamilo gigante. Quando libertad o da prisão dos sapatos. um imenso clitóris ou mesmo a língua. eles reagem ao toque. Não surpreende. ele se transforma no pé cheiro so que a natureza criou. Em momentos de tensão e ag itação da vida moderna. os dedos se separam e se curvam. a cavidade da b oca lembra a vagina. Essa umidade não pode evaporar como a natureza desejaria. Além desse elemento primitivo também existe uma atração simbólica. durante as preliminares do sexo. em momentos de ex citação sexual. certas partes do corpo se tornam "ecos anatômicos" de outros órgãos. . como se os pés quisessem ac ompanhar os espasmos que dominam o corpo no clímax. Mais uma vez. os pés femininos não são insensíveis às carícias. e os pés começam a cheirar mal. mas estudos psiquiátricos provaram que. e não como ele deveria ser. No cére bro tomado de excitação. e o contato com ele pode ser excitante para ambos os pa rceiros. banhado. para algumas pessoas. Li vres dos sapatos. que pode se tornar intensamente erótico. os lábios da boca se tornam os lábios vaginais. Elas pensam no pé como ele quase sempre é atualmente. N o momento do orgasmo. portanto. e nossos pés sofrem. essas ilações simbólicas podem parecer improváveis. às vezes percebemos que as palmas da mão suam. a proposta sexual é totalmente diferente. De repente. limpo e pronto para ser acariciado pelo amante.

Dizia-se que ela chegou a ter mais de 3 mil pares. 1. anéis para os dedos e elaboradas pinturas das unhas. ela tinha pés pequenos. que se recusava a usar um par de sapatos mais do que uma ve z. Era um par de sandálias criadas pelo estilista Stuart Weitzma n que exibiam 642 rubis incrustados em platina. podemos dizer que. os pés continuam sendo uma forte zona erógena para os dois parceiros. desses 1. de qualquer modo. Depois que ela e o marido foram afastados do poder. apesar da maneira como são tratados. e calcula-se que hoje a sra. os pés femininos têm sido explorados como foco de demonstrações de poder que ass umem várias formas. ex-primeira dama das Filipinas. inspirado nos sapatinh os mágicos de rubi usados pela . só possuía 1. uma coleção que ocupava cinco salas do palácio presidencial de Manila. cordões de ouro nos torno zelos. de modo que os sapatos descartados podiam s er enviados a orfanatos e servir às pequenas órfãs. entre elas sapatos absurdamente caros. Imelda foi acusada de "colocar o prazer dos seu s pés" acima das necessidades de seu povo. O modelo. Talvez o exemplo mais extraordinário de excentricidade em sapatos seja o par que foi exposto na Harrods de Londres n a primavera de 2003. Im elda Marcos.220 estão expostos no recém-inaugurado Museu do Calçado das Filipinas.060 pares. e que. Ainda mais extremo foi o caso da princesa Eugênia. Recentemente. viajando o mundo to do para comprar sapatos. Marcos já tenha conseguido criar uma nova coleção de mais 2 mil pares. e sposa de Napoleão III. Curio samente.Resumindo. Felizmente.060 pares. foi um exemplo. Algumas mulheres demon straram seu poder e riqueza pelo tamanho de sua coleção de sapatos. Ela retrucou que os havia colecionado c omo "símbolo de amor e gratidão". Deixando de lado os aspectos eróticos.

precisamos admitir que o anseio p or pés anormalmente pequenos é uma dolorosa tradição que ainda sobrevive.5 milhão). Os atuais esti listas de sapatos impõem torturas cruéis a suas clientes. . Isso levou algumas mulheres nos Estados Unidos a solicitar a remoção cirúrgica do dedo mindinho. Isso permite à mulher espremer os pés recém-esculpidos nos sapa tos criados pelos estilistas modernos.menina Dorothy em O mágico de Oz. removendo uma pequena parte do osso. Cinderela está viva. Finalmente. Os podólogos (ortopedistas especializa dos no tratamento dos pés) têm se recusado a fazer essa cirurgia. Os sapatos estão se tornando cada vez mais estreitos e pontudos. foi colocado à venda por 1 milhão de libras esterlin as (aproximadamente US$ 1. e previa-se que os modelos futuros seriam 2 0% mais estreitos e pontiagudos. mas alguns concord am com a opção menos drástica de encurtar o segundo e o terceiro dedos.

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