A Mulher Nua Desmond Morris

Índice AGRADECIMENTOS CONTRA-CAPA ORELHA INTRODUÇÃO 1. A EVOLUÇÃO 2. CABELOS 3. TESTA 4. ORELHA S 5. OLHOS 6. NARIZ 7. BOCHECHAS 8. LÁBIOS 9. BOCA 10. PESCOÇO 11. OMBROS 12. BRAÇOS 1 3. MÃOS 14. SEIOS 15. CINTURA 16. QUADRIS 17. BARRIGA 18. COSTAS 19. PÊLOS PÚBICOS 20. GENITAIS 21. NÁDEGAS 22. PERNAS 23. PÉS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 3 4 5 6 10 14 34 49 61 80 92 100 117 126 135 143 154 171 192 202 207 217 226 238 257 273 288 298

Agradecimentos Quero expressar meu especial agradecimento à minha mulher, Ramona, por seu incansáve l encorajamento e suas críticas construtivas; a meu colega Clive Bromhall, por mui tas e valiosas discussões; à Random House e a Marcella Edwards, Caroline Michael, Da n Franklin e Ellah Allfrey por sua competência editorial; a Nadine Bazar, por sua cuidadosa pesquisa iconográfica; e a Davi d Fordham, pelo projeto para o caderno d e fotos.

Contra-capa Há 5 mil anos, senhoras da elite do antigo Egito faziam questão de raspar a cabeça par a ostentar perucas com cabelos femininos de povos subjugados. Na região hoje conhe cida como Alemanha, durante as tempestades, mulheres exibiam as nádegas nuas à porta de casa. para afastar desgraças: exclusivos da raça humana, os hemisférios glúteos seri am uma visão capaz de repelir os demônios, desprovidos desse detalhe anatômico. Já na In glaterra vitoriana, a barriga tinha conotação sexual tão forte que seu nome nem sequer podia ser pronunciado, dai a criação do eufemismo dor de estômago". O escritor e zoólog o inglês Desmond Morris — autor do bestseller mundial O macaco nu - reúne essas e muit as outras observações curiosas em A mulher nua. Neste revelador estudo sobre o corpo feminino, o autor descreve, dos cabelos aos pés, cada parte da anatomia, suas funções e sua evolução, explicando como certas características foram valorizadas ou desprezad as, conforme os costumes de cada época. Trafegando na fronteira da zoologia com a história e a sociologia, Morris desnuda, enfim, os processos que levaram a mulher a se transformar naquilo que ele define como "o mais extraordinário organismo exis tente no planeta".

Orelha Toda mulher tem um corpo belo. Brilhante fruto de milhões de anos de evolução, de surp reendentes ajustes e refinamentos sutis, ele é o organismo mais extraordinário exist ente sobre o planeta. Em diferentes épocas e lugares, as sociedades humanas tentar am melhorar a natureza, modificando e embelezando o corpo feminino de muitas man eiras. Neste novo estudo, Desmond Morris dirige seu talento e sua atenção para a for ma feminina e conduz o leitor numa excursão "da cabeça aos pés". Esclarecendo as funções e volutivas das características biológicas da mulher, Morris explora os avanços e limitações criados pelas sociedades humanas no intuito de atingir o controle e a perfeição do corpo feminino. Escrito a partir da perspectiva de um zoólogo e apoiado na inigualáv el experiência de Desmond Morris como observador do animal humano, A mulher nua ap resenta fatos científicos, histórias interessantes e conclusões instigantes que provoc am reflexão.

Introdução Este livro conduz o leitor numa viagem pelo corpo feminino, explicando muitos de seus aspectos pouco conhecidos. Não se trata de um texto médico, nem de uma análise p sicológica, mas de uma abordagem zoológica, que celebra a mulher na forma como ela e xistia no mundo real, em seu ambiente natural. Muito mais do que o macho, a fêmea humana passou por mudanças drásticas no curso de sua evolução. Perdeu muitas dos atribut os femininos de outros primatas e, na forma da mulher moderna, tornou-se um ser ún ico de uma espécie extraordinária. Toda mulher tem um corpo belo — belo porque é o brilh ante coroamento de milhões de anos de evolução, fruto de surpreendentes ajustes e suti s refinamentos que o tornam o mais extraordinário organismo existente no planeta. Apesar disso, em diferentes épocas c lugares, as sociedades humanas tentaram melho rara natureza, modificando ou embelezando o corpo feminino de muitas maneiras- A lgumas dessas elaborações culturais foram agradáveis, outras foram dolorosas, mas toda s buscaram tornar a fêmea humana ainda mais bonita do que já era. O conceito de bele za tem variado muito, e cada sociedade humana desenvolveu idéias próprias sobre o qu e considera atraente. Algumas culturas apreciam figuras esguias, outras preferem as formas mais arredondadas; algumas gostam de seios pequenos, outras os apreci am vastos; algumas apreciam cabeças raspadas, outras valorizam longas e luxuriante s cabeleiras. Mesmo na cultura ocidental, o instável mundo da moda continua criand o novas prioridades. Por isso, à medida que viaja da cabeça aos pés da mulher, este li vro explica os interessantes atributos

Nosso sucesso como espécie se deveu à divisão do trabalho entre machos e fêmeas. Apesar dos avanços conquistados pelo movimento feminista no Ocidente. Como viviam em pequenas tribos. um zoólogo que estudou a evolução humana. essa tendência à dominação masculina não te oerência com o modo como o como sapiens se desenvolveu ao longo de milhões de anos. criando os filhos e organizando a t ribo. tenta oferecer um quadro completo do mais fascinante tema do mundo: a mulher nua. Há alguns anos. Pa ra mim. isso me levou a criar uma série para a televisão americana chamada The Human Sexes. Para elas. mais aborrecido e furios o ficava com a maneira como as mulheres eram tratadas em muitos países. em que os machos se especializaram na função de caçadores. as fêmeas ocupavam o centro da vid a social. na q ual analisei detalhadamente a natureza do relacionamento entre machos e fêmeas da espécie humana ao redor do mundo. Enquanto os homens se concentravam em sua tarefa crucial. No aspecto pessoal. o movimento feminista simplesmente não existiu. caçando. aumentados ou redu zidos.) Nunca houve a pretensão de um sexo . Dessa forma. com os machos longe. (Essa diferença de personalidade ainda persiste. este livro reflete o fascínio que me mot ivou durante toda a vida pela evolução e pela condição da fêmea humana. as mulheres apre nderam a lidar com vários problemas ao mesmo tempo. mas também discute as muitas maneira s pelas quais esses atributos foram exagerados ou suprimidos. coletando e preparando o alimento.biológicos que todas as fêmeas humanas partilham. is so significava que. em outras partes do mu ndo milhões de mulheres ainda são consideradas "propriedade" do homem e membros infe riores da sociedade. Quanto mais eu viajava.

mas. Pode-se imaginar que essas mulheres estivessem e xigindo um novo respeito social e novos direitos. ou. quando a urbanização se espalhou . Ocupando o centro das sociedades humanas. dedicaria o novo livr o exclusivamente ao corpo feminino. a religião desempenhou um papel fundamental nesse processo.dominar o outro. mas iguais. dos cabelos aos pés. a Grande Deusa passou por uma desastrosa mudança de sexo e se transformou num au toritário Deus Pai. Depois da serie The Humam Sexes. por ocasião de uma nova edição de meu livro Bodywatching. na verdade. e. Ao longo das eras. que foram empurradas para uma condição social inferior que nada tinha a v er com sua herança evolutiva. Parte do texto original de Bodywatching foi aproveitada. em vez de seguir o origina! e tratar de ambos os sexos. . para ser mais exato. Foi essa origem que as sufragistas e. com um Deus vingativo dando-lhes apoio. vilas e cidades foram construídas e os habitantes das tribos se tornaram cidadãos. de 1985. Mas. Um confiava totalmente no outro para a sobrevivência. mais tarde. a grande deidade era sempre uma mulher. examinei cada parte do corp o humano. Mantive esse esquema neste livro. simplesmente estavam buscando recuperar seu primitivo papel. Na maior parte do Ocidente. hom ens rudes passaram a garantir sua segurança e sua condição social superior às custas das mulheres. elas conseguiram. essa questão passou a me preocupar cada vez mais. levando 0 leitor por uma viagem de i nspeção anatômica da cabeça aos pés. Havia um eq uilíbrio primevo entre homens e mulheres. Em tempos an tigos. decidi qu e. Eles eram diferentes. Em Bodywatching. Esse e quilíbrio se perdeu quando a população humana cresceu. as feministas quiseram recuperar. mas em outras regiões do planeta a subordinação feminina ainda é uma reali dade.

e quem me dera que. Apresento em cada capítulo o aspecto biológ ico de uma determinada parte do corpo feminino e então passo a examinar as várias ma neiras como diferentes sociedades modificaram esses atributos biológicos. eu soubesse tudo o que sei agora — depois de escrever este livro — sobre a complexidade do corp o feminino. Foi uma absorvente viagem de descobrimento. aos 18 anos. A mulher nua acabou se revelando uma obra inteiramente nova. Embora tenha partido de um livro anterior.mas muito pouco. .

exploração e criatividade. espalhando-se tanto e com tal veloc idade a ponto de mudar drasticamente a paisagem como uma praga de gafanhotos gig antes. A Evolução Para o zoólogo. são capazes de se adapta r às tensões da vida e continuar procriando sob condições que qualquer outro macaco acha ria insuportáveis. Home ns e mulheres não seguiram essa tendência evolutiva da mesma maneira. todas essas atividades envolvem inovação.1. Ambos percorre ram esse longo caminho em direção ao "adulto infantil". música ou poesia. onde. mesmo na mais alta densidade populacional. quando se tornam adultos. esporte ou filosofia. o ser humano é um macaco sem cauda com um cérebro enorme. que permite aos humanos manter caracteres juvenis na vida adulta. ris co. Além dessa capacidade. mas perdem essa qualidade quando amadurecem. 6 bilhões de humanos ocupam quase todo o globo. O que mais s urpreende nele é seu incrível sucesso como espécie. Enquanto outros macacos se esconde m em seus últimos refúgios. viagem ou divert imento. mas . existe ainda uma curiosidade insaciável que os faz buscar sempre novos desafios. Como as brincadeiras infantis. O homem continua brincan do e se divertindo por toda a vida — é um Peter Pan que nunca cresce. Outros animais brincam quando são jovens. Naturalmente. E são elas que nos tornam verdadeiramente humanos. aguardando a chegada das correntes que irão aprisioná-los. O segredo desse sucesso é sua capacidade de viver em agrupamentos cada vez maiores. os homens dão nomes diferentes a essa brincadeira: chama m-na de arte ou pesquisa. Essa combinação mágica de sociabilidade e curiosi dade foi possível graças a um processo evolucionário chamado neotenia.

A inovação sempre envolve risco: o de experiment ar algo desconhecido em vez de se apegar a tradições testadas e confiáveis. Além disso. as mulheres não podiam cometer erros graves. Os homens são ligeiramente mais infantis em seu comportamento. e por isso se especializaram em ati vidades arriscadas. E ficaram mais resistentes às doenças — como mães. mas mental. isso não reduziria a capacidade de procriação das pequenas tribos. Eis alguns exemplos. Existem mais homens inventores do que mulheres. quando . As mulhere s precisavam ter cuidado. esse era um atributo valioso nos tempos primitivos. os homens têm quinze vezes mais chances de sofre r um acidente que as mulheres. havia tão poucos seres humanos no planeta que a taxa de natalidade era extrem amente importante. A disposição para o risco não é apenas física. . o tato e a visão das cores.avançaram num ritmo um tanto diferente e com diferentes características. se algumas mulheres morressem. No papel de centro da sociedade tribal. em tempos primiti vos. Aos 30 anos. Mas. No curso da evolução. em sua anatomia. ao passo que os machos eram menos necessários. os machos eram obrigados a correr riscos. Se alguns deles morressem em ação. as mulheres primitivas eram valiosas demais para serem expostas ao risco da caçada. elas se especializaram em fazer várias coisas ao mesmo tempo. com responsabi lidade sobre quase tudo exceto a caça. as mulheres. sua saúde é de vital im ortância. para ter sucesso na caça. É importante lembrar que. to rnaram-se ótimas na comunicação verbal e desenvolveram mais o olfato. a taxa de na talidade ficaria imediatamente ameaçada. Embora freqüentemente crie prob lemas para os homens. Isso ocorre porque eles conservam mais que as mul heres 0 elemento de risco da brincadeira infantil. a audição.

a prole tinha que ser protegida durante seu lent o crescimento. o corpo arredondado da mulher contém e m média 25% de gordura. Por isso. O resultado foi que a voz da mulher permaneceu num tom mais agudo q ue a do homem. enquan to a voz aguda da mulher opera a 230-255 vibrações por segundo. às vezes. enquanto o fe minino tem 15 quilos. Eles se complementam. O corpo do homem é 30% mais forte. o corpo feminino tinh a que ser mais protegido da fome.Tudo isso se deve a uma diferença entre o cérebro da mulher e o do homem: eles conse rvam mais aspectos "infantis" que elas. e com ela vieram muito s outros úteis atributos juvenis. Quanto mais características de bebê apresentasse. A mulher também conservou caracterís ticas faciais juvenis e cabelos de aspecto evidentemente infantil. os homens precisavam ser mais fortes e mais atlét icos para a caça. O corpo masculino contém em média 28 quilos de músculos. Os homens tornaram-se mais imaginativos e. Em outras palavras. a história foi bem diferente. Enquanto o ho mem adulto de- . mais perversos. Devido à sua importância para a reprodução. As mulheres tornaram-se mais sensíveis e carinhosas.5%. e a com binação resultou cm sucesso. mais proteção ela conseguia receber d e seu macho. Es sas diferenças se adaptam ao seu papel na sociedade. e para isso precisava da atenção de ambos os pais. O homem adulto foi programado pela evolução para pro teger seus filhos. 10% mais pesado e 7% mais alto que o da mulher.145 vibrações por segundo. Para vingar. Por causa da d ivisão de trabalho durante a evolução. Essa grande retenção de gordura na fêmea era uma característica fortemente infantil. Fisicamente. A reação paterna ao co rpinho gordinho de seus bebês era tão forte que podia ser explorada pela fêmea adulta. a mulher manteve uma voz semelhante à das crianças. A voz grave masculina opera a 130 . enquanto o masculino tem apenas 12.

mas muito l eves. Não explica tudo.senvolveu uma fronte. barba e pêlos no peito. enquanto a mulher desenvolvia mais atr ibutos físicos e menos qualidades mentais infantis. por que muitos desenvolvimentos evolutivos especializados ocorridos na anatomia femi nina. à medida que o homem e a mulher percorriam seu trajeto evolutivo em direção a uma neotenia cada vez maior. Vou tratar delas neste livro apenas porque é importante deixar claro desde o início. em especial nas características sexuais e reprodutivas. Portanto. mais neotênico — que o masculino em muitos aspectos. que o corpo feminino é mais avançado — ou seja. . Tenho me dedicado a listar as várias diferenças entre os sexos. As d iferenças entre homens e mulheres são verdadeiras e muito interessantes. além de bigode. um queixo e um nariz mais marcantes. Como veremos. mas é fundamental lembrar que tanto homens quanto mulheres são cem v ezes mais neotênicos em todos os aspectos que machos e fêmeas de outras espécies. o homem se comportava de uma maneira cada vez mai s infantil e mostrava menos mudanças físicas. para resumir. É importante ressaltar o grau de diferenciação entre homens e mulheres. a mulher conservou sua face lisa e delicada de bebê. tornaram o corpo da mulher um organismo altamente evoluído e maravilhosamente refinado. Entender isso nos ajudará a esclarecer muitos atributos da anato mia feminina que vamos encontrar nesta viagem da cabeça aos pés.

mas à distância eles são invisíveis. Quando um feto de chimpanzé tem cerc a de 26 semanas de idade. quando seres pré-históricos são descritos nos livros. e sua pele é funcionalmente nua. tesouras. essa exagerada cobertura capilar seria um estorvo enorme. É verdade que. Isso torna seus cabelos longos ainda mais extraordinários. Não é muito difícil traçar a origem desse padrão capilar. acabaria com uma cabeleira na alt ura dos joelhos ou. pentes e outros utensílios é uma questão que nunca é discutida pelos antropólogos. Como nossos ancestrais remotos lidavam com esses extravagantes penteado s antes de inventarem as facas. sob uma lente de aumento. Mui tas vezes. Cabelos Hoje não existe praticamente nenhuma mulher que deixe os cabelos crescerem como a natureza queria. as ilustrações mostram. seja a profissão mais antiga do mundo. há algo de errado nisso. A menos qu e o cabeleireiro. se tivesse pele escura. talvez porque não tenham resposta para ela. e m sua imaginativa reconstrução. exibe uma distribuição capilar muito semelhante à de um adul to humano. Seus cabelos são sempre curtos demais. a fêmea humana quase não tem pêlos. exceto pelo topo da cabeça.2. pelas axilas e pelos genitais . e o erro esconde um dos maiores mistérios da anatomia feminina: por que a fêmea humana desenvolveu essas madeixas ridiculamente longas? No antigo mund o tribal. e não a prostituição. com uma imensa floresta cobrindo-lhe a cabeça. Se alguma delas fizesse isso. assim como u ma cauda de pavão. Qual foi a vantagem evolutiva desse desenvolvimento excessivo? Ainda mais estranho é que. mulheres que parecem ter feito uma misteriosa visita ao cabeleireiro antes de posar. é possível ve r minúsculos pêlos cobrindo-lhe toda a pele. O fato de que nos .

além de bigode e barba. A o contrário dos macacos. como pr oteção tem algum mérito. Os defensores da teoria aquátic da origem humana acreditam que perdemos nossa pelagem porque precisávamos nos ada ptar à natação. é provável que não mantivessem os cabelos compridos e flutuantes. a idéia de manter a cabeleira. nós preservamos o padrão capilar fetal durante toda a vida. Portanto. mas conservamos nossos cabelos para proteger o topo da cabeça dos raios do sol. mas muito mais curtos e eretos — mais semelhantes aos penteados que vemos hoje em cabeças africanas. Como sempre. Entretanto. esse padrão tenha sobrevivido na vida adulta é outro exemplo de neotenia.humanos. M esmo ao mais peludo dos homens. era pouco pro vável que permitisse que os filhos a acompanhassem. Os homens são menos evoluídos que as mulhe res nesse aspecto. se nossos ancestrais evoluíram num tórrido clima africano. pois possuem um corpo mais peludo. A explicação fetal pode nos dizer onde o adquirimos. parece que a natureza nos dotou de um padrão capilar muito estranho se comparado ao de ou tros animais. os pêlos do peito não dariam qualquer conforto numa noite gelada nem evitariam uma insolação em dias de intenso calor. que desenvolvem um pelame antes de nascer. abundam especulações. Além disso. quando não existe uma explicação óbvia. em ambientes aquáticos ou . Se a mãe mergulhasse em busca de comida. mas ambos os sexos se mantêm funcionalmente nus na maior parte da superfície corporal. Eles também sugerem que os longos cabelos femininos tiveram outra uti1idad e: os bebês podiam agarrar-se a eles quando nadavam com as mães. Os críticos da teoria aquática a julgam infundada. mas não é capaz de ex plicar que vantagem ele nos deu em termos da sobrevivência da espécie.

como outros macacos. (O suor refresca cinco veze s mais a pele nua do que um corpo peludo. foi provavelmente porque eram mais ativos ao amanhecer e ao anoite cer. mas não esclarece o mistério da existência de longos cabelos flutuantes nas regiões frias do norte. é claro que eles deviam parecer muito diferentes de tudo o que existia no planeta. Os primitivos humanos eram animais tipicamente diur nos. e o resto do corpo pelado aumentaria d rasticamente o resfriamento proporcionado pelo suor. Se os humanos primitivos se dedicavam à caça e à coleta nas savanas africanas duran te o dia. Mas. feitos de peles de animais enroladas no corpo. precisavam proteger-se contra o forte calor do sol tropical. p or que os humanos dos paises frios não fabricaram um casaco de peles para proteger -se? A explicação mais provável é que o bizarro padrão capilar humano funcionasse como uma bandeira da espécie — um sinal que nos diferenciaria de todos os nossos parentes próx imos (parentes que desde então eliminamos). Isso pode até lhes ter dado a idéia para suas primeiras roup as. Alguns antropólogos afirmam que os cabelos compridos ajudavam a manter o co rpo dos habitantes das regiões frias aquecido durante o inverno — como uma capa natu ral pendente dos ombros. Uma vasta cabeleira lhes proporcionaria essa proteção. a longa cabeleira pode ter funci onado como um cobertor. quando o sol não é tão forte. eles seriam imediatamente identificados como membros daque la nova . se isso fosse verdade.) Se outros animais africanos conservar am a pelagem. Isso pode explicar o penteado de estilo africano — uma c abeleira espessa que cobre o crânio. À noite. encimados por longas capas de cab elos ou jubas eriçadas. Com corpos pelados. protegendo o cérebro do superaquecimento —.não. quando dormiam. Se tentarmos imaginar um pequeno grupo de nossos remotos ancestrais antes que eles fabricassem roupas ou qualquer tipo de instrumento cortante.

Talvez essa seja uma maneira sin gular de classificar uma espécie. Cabelos crespos. seria então possível fazer a disti nção entre os sexos. penachos. com suas faces peludas. nos sos ancestrais humanos podiam ser avistados à distância e facilmente diferenciados d os primos de corpo coberto de pêlos. era necessário impor barreiras que reduzissem os cruzamen tos interraciais. Mas existe outra razão para o padrão capilar dos humanos. De mais perto. barbas.espécie que caminhava sobre as patas posteriores. bigodes e t ufos de cores brilhantes. Uma das maneir as mais rápidas de fazer isso era variar o padrão capilar humano. cabelos ondulados. Há uma rica variedade de crinas. À medida que começaram a sair de sua terra natal na África e foram obrigados a se adaptar a diferentes ambientes. c abelos encaracolados. uma vez conquistadas essas mudanças. Os primatas são animais predominantemente visuais. Com seus corpos pelados e cabelos longos. Como ocorre com qualquer outra tendência evolutiva. E. jamais seriam confundidos co m as fêmeas imberbes. Lutando pela sobre vivência em desertos áridos e quentes. A nece ssidade de adaptar-se a diferentes climas os colocou num caminho evolucionário que levou ao desenvolvimento de vários e diferentes tipos raciais. esses huma nos passaram a diferir cada vez mais dos que ficavam em terras tropicais. As raças tinham que se diferenciar o mais possível. mas um rápido exame dos outros macacos pode nos mo strar com que freqüência estranhos padrões capilares surgiram como sinais de identific ação das espécies. cabelos . era importante que elas não se perdessem. seu corpo precisava mudar para sobreviver. em zonas de clima moderado ou nas geladas cer ras do norte. cabelos lisos. de mo do que exibir evidentes sinais visuais seria a maneira mais rápida e eficiente de se distinguirem das outras espécies. além de servir para identificar a espécie e o gênero. jubas. Os machos.

antes que ele chegasse muito longe. As diferenças que sobrevive ram entre as raças não são mais importantes. Inventamos barcos e navios. tornamo-nos incrivelmente móveis . ajudando a manter os diferentes tipos a fastados. humanos desérticos. domamos cavalos e os montamos. Graças à nossa inteligência avançada. à medida que os humanos foram se espalhando pelo globo. esses mecanismos de isolamento de verão desaparecer totalmente. As pop ulações modernas praticamente não precisam adaptar o corpo ao clima. Essas adaptações se t ornaram quase obsoletas. ferrovias e rodovias. lareiras e aquecimento central. na densidade das glândulas sudoríparas e as pectos semelhantes) e as relativas ao sinais visuais: os padrões capilares. qua ndo as populações estiverem ainda mais misturadas. Não resta dúvida de que estávamos evoluindo para constituir um novo grupo de espécies intimamente relacionadas — humanos tropic ais. humanos polares e assim por diante. enquanto isso. fabricamos trens e carros. a história humana sofr eu uma reviravolta. N ossos diferentes estilos de penteado foram o primeiro sinal de que esse processo estava ocorrendo. e depois aeroplanos. diferenciar Esse processo começou a ganhar impulso desde um estágio muito primitivo.loiros — variações desse tipo podiam rapidamente um grupo humano dos outros. No futuro. eles só levam à desarmonia. As diferenças raciais estavam ainda num estágio muito preliminar de des envolvimento. precisam ser . Mas. com refrigeração e ar condicionado. Como não nos mantemos mais afastados. Mas. inventamos a roda e construímos carruagens. humanos temperados. Aprendemos a controlar o ambiente com roupas. Apenas duas delas tinham feito progresso: as relacionadas ao calor e à umidade (diferenças na pigmentação da pele. mas no s misturamos em todas as partes do mundo. Quanto aos diferentes formatos de cabelos que surgiram como mecanismos isolantes. hoje não passam de uma chateação.

De modo geral. o crescimento excessivo dos cabelos evoluiu originalmente como um sin al visual. Se. p enteados. Ao contrário de muitos outros mamíferos. Em qualquer tempo. Se continuarmos imaginando — erroneamente — que os cabelos refletem p rofundas diferenças raciais. cada fio cresce durante cerca de seis anos. passa por uma fase de repouso de três meses antes de começar a cair. convém dizer que existem cerca de 100 mil fios de cabelo numa ca beça humana. apesar disso. 90% dos fios e stão crescendo. . Nenhuma outra parte do corpo feminino passou por tantas e incríveis mudanças culturais. Podem chamar a atenção. um depois do outro.compreendidos. enquanto as ruivas. soltos. não deve nos causar surpresa que. Nossos cabelos se mantêm no mesmo vo lume em todas as estações. No período de uma vida humana. As loiras têm cabelos mais finos e. coloridos e enfeitados de milhares de maneiras diferences. têm apenas 90 mil. eles tenham sido alvo de tanta atenção. é claro que suas longas ma deixas e sua face lisa devem ter criado um atraente contraste visual. enquanto 10% estão descansando. Representaram um pouco de tudo: de glória da f eminilidade a motivo de tabus religiosos. são comuns e superficiais. Os cabelos foram exibidos. alisados. Então. e como tal devem ser vistos. como d iscutimos. os humanos não têm trocas de pêlo. T ratando agora especificamente dos cabelos das mulheres. cada pa pila capilar produz cerca de doze fios. mas. escondidos. que possuem cabelos mais espessos. um número de fios ligei ramente superior à média — geralmente cerca de 140 mil. eles continuarão a nos causar problemas. Antes de analisar essas mudanças mai s detalhadamente. como compensação. presos. ondulados. ao longo dos séculos. positiva e negativa. As morenas têm cerca de 108 mil fios. cortados.

existem mais pente ados c cortes do que nunca. a velocidade dessas mudanças se acelerou drasticamente. que não existe mais um únic o modelo predominante. Então. se não forem cortados. os fios podem atingir mais de 1 metro antes de começar a cair. nesses jovens. pode chegar a 18 cm por ano. em um c aso. criando indivíduos supercabeludos. Em alguns cas os. até chegarem ao chão. são tantas as influências. que isso ocorre há pel os menos 20 mil anos. no século XXI. mas o recorde mundial pertence a uma chinesa cujos cabelos chegaram a 5 me tros. era natural que. os cabelos atingiram 4 metros de comprim ento. com penteados bem característi cos de cada época. Mesmo sem considerar esses casos extremos. e essa é uma das características únicas da espécie humana. entre adultos jovens e saudáveis. Em uma americana. Analisando os primeiros períodos históricos . É como se o impulso genético para desenvolver cabelos humanos mais longos tive sse escapado de controle. Nenhum outro primata apresenta ta l crescimento. com tanto cabelo a seu dispor. Hoje.Na média. A ânsia de imitar celebridades . Na era moderna. Sabemos. uma trança caída sobre o ombro direito. por algumas das mais antigas imagens de Vênus. com a chegada dos salões profissionais de cabelei reiros e dos sistemas de comunicação global. é possível ver como os estilos foram mudando devagar. Algumas gravuras rupestres mostram claramente diferences p enteados. se sentisse tentado a experimentar diferentes formas e est ilos. inclusive cabelos elaboradamente repartidos no meio da cabeça e. em vez de cair depois de seis anos. crescem além disso. os cabelos simplesmente continuam crescendo cada vez mais. Com a individualidade na ordem do dia. mas. Há uma curiosa e xceção a essa regra: em alguns casos. sempre inventivo. o ser huma no. cada fio cresce 13 cm por ano.

mas são tantos os modelos a copiar que ninguém m ais pode afirmar que um estilo predomine. Ela lava. Os cabelos curtos e práticos da executiv a. Ainda pode ser encontrada em sociedades pouco sofist icadas ou em culturas em que a simplicidade se tornou uma doutrina social. Quando a adota. mesmo quando não têm dinheiro para comprar p rodutos para os cabelos ou freqüentar um salão de cabeleireiro. as longas madeixas flutuantes da pop star. A pob reza seria um fator para a sua adoção. Enrolar. Outras ainda estão em uso. porque dentro de cada estilo existem inco ntáveis e sutis variantes. mas das possibili dades básicas do que pode ser feito com os cabelos femininos. Este não é o lugar para listar todas essas criativas variações. Embora seja a mais básica das estratégias. escova e penteia os cabelos. Para mulheres que têm um trabalho físico extenuante — nos campos ou nas fábr icas.ainda cria tendências de curto prazo. em casa ou na rua. por exemplo —. mas não tenra mode lá-los ou dar-lhes alguma forma especial. um estilo prático é o ideal. as mulheres não deixam de arrumar os cabelos. mas. a mulhe r usa os cabelos soltos e naturais o tempo todo. os cabelos cuidadosamente desarrum ados das atrizes de Hollywood. frisar e trançar não custa quase nada e ajuda a mat ar o tempo. nas ocasiões e speciais e no dia-a-dia. ocorreram poucas "estratégias d e penteados femininos". ao longo dos séculos. os cabelos espetados do rebelde — são todos modelos q ue encontramos lado a lado nos jornais e revistas. mas é importante registrar que. Os cabelos são presos por . e la é hoje relativamente rara. A estratégia mais simples é optar por um ar natural. Elas não dependem dos caprichos da moda. E dar um nome a todos esse es tilos é criar estereótipos injustificados. Algumas dessas estra tégias se desvaneceram na história e hoje parecem muito estranhas.

acham que prender os c abelos num rabo-de-cavalo pode ser uma forma de controlar cabelos rebeldes. especialm ente as que vivem em sociedades urbanas. Uma maneira de ter cabelos longos é usar uma peruca. têm optado por alguma forma de penteado. para que não caiam sobre os olhos ou se embaracem. . principalmente em países onde há muitos salões de cabeleireiro. alisando. mas proibida em países em que há estritas normas religiosas ou onde a beleza femini na é tabu. Os cabelos longos mostram mais as mudanças escolhidas e fazem a mulher pa recer mais alta. tingindo. mas também gostavam de usar perucas como demonstração de status. As damas romanas não r aspavam a cabeça. Essa é a estratégia mais comum. cortando.razões de conveniência. Mas. prendendo. tant o no trabalho quando em casa. mo delando. em sua grande maioria. as mulheres da classe superio r raspavam a cabeça e usavam uma peruca ornamentada em público. ondulando. Essa predileção criou moda: a de que os cabelos com os quais as perucas eram feitas tinha m que ser de mulheres de povos conquistados em batalha — uma versão romana do costum e de escalpelar os inimigos. nunca se contentaram com soluções práticas e naturais. mesmo não se dedicando a trabalhos físicos. Essa foi um a estratégia muito usada pelas camponesas no passado e ainda hoje é adotada por muit as mulheres. Essa é uma est ratégia que tem no mínimo 5 mil anos. Duas das principais estratégias no cuidado dos cabelos são o corte e o alon gamento. Quando não es tão trabalhando. elas soltam os cabelos e os deixam cair naturalmente. as mulheres. No antigo Egito. mechando ou enfeitando os cabelos. Há séculos. que.

os maridos tinham q ue ser extremamente generosos para financiá-las. Algumas celebridades também adotam essa estratégia. Houve momentos em que ela ressurgiu brevemente sob uma forma ou ou tra — como as divertidas perucas da década de 1960. O assento das carruagens teve que ser rebaixado.As perucas foram banidas pela Igreja na Idade Média. Por isso. Cabeceiras especiais foram criadas nas camas para que a mulhe r pudesse deitar-se e descansar sem tirar a enorme peruca. as perucas devem ser tão semelhantes ao s cabelos naturais a ponto de passarem despercebidas. sempre primorosamente dec oradas. que decepou as cabeças aristocráticas sobre as quais se exibiam as enormes perucas. com um exagero atrás do outro. Na Ópera de Paris. Isso aconteceu em grande parte porque os primeiros cosméticos danificavam tanto os cabelos e a pele que era necessária uma espessa cobertura. Em tempos mais recentes. mas seus dias de glória tinham ficado para trás. Mas a moda da peruca só atingiria seu ápice no século XVIII. Nenhum outro estilo de penteado teve tal impacto sobre a sociedade. Depois da Revolução Francesa. Algumas dessas perucas. Como o custo de fabricar e manter uma peruca era muito alto. a peruca nunca se recupero u totalmente. quando. não porque tenh am . quando são usadas. fabricadas de material sintético e em cores brilhantes e artificiais —. as p erucas só eram permitidas nos camarotes. as perucas passaram a s er uma demonstração de riqueza. su rgiram penteados nunca vistos. A altura das portas teve que ser aumenta da para permitir que as damas passassem por elas. porque sua presença na platéia impediria a vi são do palco. A única mulher que podia pôr um fim a essa moda extravag ante era Madame Guilhotina. Há mulheres (especialmente a quelas cujos cabelos ficam mais ralos com a idade) que nunca aparecem em público s em uma boa peruca. mas reapareceram na era elisa betana. chegavam a ter 75 cm de altura.

o cabelo natural era penteado de forma a parecer o mais volumoso possíve l. Uma das razões dessa popularidade era que esse volume todo fazia as feições parecerem mais delicadas. modelá-los com mousse e por fim pulverizá-los com mui to spray fixador". que desafiava a gravidade. Para seus críticos. Em lugar d a peruca. Pura obter essa exuberante cabeleira. um notável exem plo do passado recente é um penteado que ficou popular na década de 1980. era preciso "secar os cabelos de baixo para cima com a cabeça abaixada. às vezes é mais fácil usar uma peruca do que perder tempo arrumando os cabel os. nem desmanchá-los carinhosamente. Esse recurso é utilizado quando a mulher se cansou dos cabelos cur tos ou quando os cabelos naturais não crescem tanto quanto ela desejaria. porque os homens hão podiam correr os dedos pelos cabelos. A grande vantagem disso é que as elegantes perucas podem ser cuidadas e pentea das sem a presença da dona. mais pe rto de Deus". era chamativo e vulgar. E tinha um grave defeito: podia ser uma inegável propaganda de feminilidade.problemas com os cabelos. dando à mulher um ar mais confiante. onde com freqüência se ouvia dizer que. e portanto mais atraentes. Às vezes ba tizado de "estilo Dolly Parton" (uma famosa cantora country americana). "quanto mais alto o cabelo. O resultado. mas também era anti-sexual. foi maldosamente desc rito por um crítico como "uma das maravilhas arquitetônicas de nossa época". nada mais do que uma maneira de compensar as imperfeições . mas por conveniência. Mesmo que os cabelos estejam em bo m estado. o pentea do ficou muito popular nas pequenas cidades norte-americanas e nos Estados do su l do país. Técnicas m odernas tornaram . Era também um penteado ex trovertido e afirmativo. Voltando à estratégia dos cabelos compridos. surgiu uma forma mais sofisti cada de alongamento: mechas que são coladas aos cabelos naturais para fazê-los parec er mais longos. Mais recentemente. po rém.

Mantêm-nos presos num coque o tempo todo. mas soltos e naturais n a vida cotidiana. os cabelos não podem ser despenteados ou acaricia dos. Mulheres que precisam impor sua autoridade co stumam amplificar esse ar de controle e poder mantendo os cabelos colados ao crâni o. seja por meio de um corte. sou séria e não permito familiaridades". a não ser na privacidade do lar. nem pode ser mudado em diferentes contextos sociais. Isso as faz parecer literal e metaforicamente impecáveis. Nas últimas décadas. A segun da estratégia importante é diminuir o tamanho ou o volume dos cabelos naturais. . Isso as torna menos femininas e evita passar a impressão de relaxamento ou libe rdade. Algumas mulheres vão ain da mais longe e nunca usam os cabelos soltos em público. Algumas mulheres usa m os cabelos presos num penteado sóbrio em ocasiões sociais. As melin drosas da década de 1920 foram as primeiras a adotar essa moda. querendo diz er: "Sou importante. É o que se pode chamar de estilo "go vernanta" ou "diretora de escola". O pouco cabelo que resta fica solto. enterros e grandes eventos e celebrações. que reapareceu nos anos de 1960 no trabalho do cabeleireiro Vidal Sassoon. No intuito de criar uma apa rência de pessoas de alta classe e disciplinadas. prendem os cabelos.praticamente impossível detectar a presença dessas mechas. e não precisa ser preso para facilita r o trabalho físico. co mo casamentos. embora algumas delas seja m visíveis. propositalmente falsas e funcionem quase como uma meia peruca. Sem um fio fora do lugar. muitas mulheres querem parecer "livres e natu rais" a maior parte do tempo. inacessíveis c intocáve is. Há mulheres que optam por usar os cabelos tão curtos que não é possível prendê-los nem s oltá-los. mas gostam de se arrumar para ocasiões especiais. seja usando-os rigorosamente presos.

os penteados curtos suavizaram-se e ganhara m um toque mais feminino. e não uma exibição de futilidade feminina. Esse é o novo desafio para o profissional cabeleireiro do Ocidente no início do século XXI. "Veja . As mulheres que não gostam de sse corte o vêem como uma tentativa de se exibir com táticas de choque. O penteado curto ressurgiu novamente na década de 1970. algumas mulheres se aventuram a cortar o ca belo rente à cabeça. O estilo da mulher executiva pós-feminista está comunicand o: "Continuo disciplinada. como as conformistas. mas não preciso abrir mão da minha feminilidade para ocup ar um lugar de destaque no mundo". uma demonstração de assertividade nos l ocais de trabalho. A moda dos anos 1990 caminhou na corda bamba. E os homens podem se sentir ameaçados e frustrados no desejo de acariciar suaves madeixas flut uantes. como se ela dissesse. Mas também de rebeldia. não preciso de cabelos bonitos para ser atraente". o que elimina a "soltura natural" mesmo na privacidade. quando. esse estilo pode parecer uma provocação. numa forma mai s austera. O ob jetivo era combinar um controle refinado com uma sensual liberdade. Para mu lheres bonitas. o que pode ser visto como uma demonstração de vaidade. Numa f orma mais drástica de redução dos cabelos.Evidentemente. . que faz dos cabelos uma demonstração de molecagem elegante. tornou-se uma estratégia feminista. onde as mulheres queriam ser tratadas com mais respeito por s eus colegas homens. Na década de 1990. oscilando entre o estilo agressivo e masculinizado e o modelo ornamentado. a mensagem que se quer passar com o estilo curto é a de uma mulher ativa e independente. A desvantagem porém é que na prática esses cortes d os anos 1920 e 1960 se revelaram mais difíceis de cuidar fora do salão de cabeleirei ro. manifestação de alguém que ignora as conve nções e se recusa a seguir a moda.

Para os homens. por descuido. a mulher que se recusasse a ra spar a cabeça em sinal de luto tinha que se oferecer como prostituta no templo. esse corte raspado (de Joana D'Arc a roqueiras punk) não tem qu ase ou nenhum sex appeal. por exemplo. quando não haja estranhos pres entes. isso é uma lei. Em outras. exige-se que as mulheres cubram a cabeça completamente quando estiverem e m público e só soltem os cabelos na privacidade do lar. uma imposição a todas as mulher es em cerimônias fúnebres especiais. Re centemente. um estilista convenceu todas as suas modelos a raspar a cab eça para mostrar que uma mulher moderna não precisa ser "prisioneira de seus cabelos ". Entre os fenícios. isso era um castigo. a exposição dos cabelos femininos — em qualquer estilo — tem sido proibida em algumas culturas. a mulher permitir que uma pequena parte dos cabelos seja exposta sob o tradicional véu. A exigência de q ue a mulher cubra a cabeça ao entrar numa igreja católica é uma reminiscência da época em que ela era obrigada a esconder os cabelos durante qualquer cerimônia religiosa cr istã. Exige-se qu e a mulher cubra ou esconda os cabelos para eliminar seu potencial erótico. pode ser açoitada pelos homens da igreja. Devido ao seu poder de seduzir os homens. uma vez que nega totalmente a sensualidade dos longos cabelos femininos. Um resquício moderno desse antigo costume é a convenção social de usar chapéus em ocas iões formais. As comunid ades cristãs também impuseram .Algumas mulheres adotam um corte ainda mais drástico e raspam completamente a cabeça . Em algumas culturas. Em outras ainda. na França. Em sociedades que praticam rigidamente o islamismo. passadas e pr esentes. um sinal de escravidão ou d e submissão voluntária a uma divindade. Em comunidades religiosas. A form a mais branda dessa "cobertura" puritana é usar algum tipo de chapéu. como casamentos e funerais. Se.

Usam perucas caríssimas. mas é surpreendente como elas corr espondem aos fatos em muitos casos. Os cabelos c urtos têm sido associados a disciplina. essas mudanças podem ser feitas rapi damente. Nelas. Dessa forma. eficiência. longos. Um extraordinário exemplo desse costume de ocultar os c abelos por razões religiosas ainda sobrevive hoje em Nova York. Isso ocorre porque é fácil mudá-los. cujos cabelos não podiam ser vistos em púbico. e ainda hoje são seguidas pelas freiras. que só podem ser vistos pelo marido. e não são definitivas. que chamam de sheitel. autocontrole. sóbrios e rigidamente penteados. pode-se tentar um novo es tilo. No simbolismo dos cabelos femininos existe uma simples dicotomia: o con traste entre os cabelos naturais. e a menor alteração é imediatamente pe rcebida. nas comunidades de judeus ortodoxos. os cabelos são muito visíveis. Evidentemente. Qualquer observador com certeza acharia difícil dizer que elas estão usand o uma peruca. são generalizações. sua aparênci a não muda. O maior prazer . Os cabelos longos podem ser vistos como símbolo de sensualidade. No passado. soltos e acessíveis e os cabelos curtos. Apesar disso. na privacidade do quarto de dormir. a regra religiosa é obedecida sem sacrifício da imagem. É e vidente que os cabelos convidam à experimentação mais do que qualquer outra parte do c orpo feminino. Quando usam essa peruca. essas regras quase sempre se apl icavam às esposas devotas. capacidade de adap tação e assertividade. liberdade de espírito. Acima de tudo. praticamente iguais a s eus cabelos naturais. Quando os cabelos crescem. as mu lheres dessas comunidades desejam se integrar à vida nova-iorquina e resolvem esse dilema de uma maneira engenhosa. a mulher deve cobrir totalmente os cabelos.normas relativas à exposição dos cabelos. rebeldia pacífica e criatividade.

fruto de uma adaptação às condições climáticas do ambiente. a suavidade dos cabelos evoca a maciez da carne feminina. um ap elo tão forte a ponto de criar a bizarra situação de termos no mundo mais loiras artif iciais do que verdadeiras? Parte do poder de atração dos cabelos loiros reside no fa to de eles serem finos e leves. De cada cem mu lheres que tomam a decisão de mudar radicalmente a cor dos cabelos. permitindo-lhe expressar seu estilo pessoal e sua individualidade. já que a maio ria das caucasianas têm cabelos escuros. Então. Na verdade a feminilidade das loiras se estende a todo o corpo. quando tão poucas escandinavas querem tingir seus cabelos de preto ou castanho? É claro que isso nada tem a ver com o clima. a mu lher pode usar os cabelos como um maravilhoso meio de se expressar e se apresent ar ao mundo. Mas por que tantas mulheres de cabelos escuros querem parece r escandinavas. como os to ns de pele. qual é a atração dos cabelos loiros. Nem com raça. que vão do preto ao loiro-claro. é surpreendente descobrir que. porém. mais de 90% de cidem ficar loiras. são. Portanto. As cores naturais. A mulher loira tem uma penuge m fina e suave . Além das inúmeras opções de corte e penteado. há ainda a questão da modificação cor dos cabelos. Desde que o mundo obscuro das práticas religiosas sexistas não interfira. assim como seu estado de es pírito. as loiras são mais femininas que as ruivas ou as morenas.da mulher em relação aos cabelos. é que eles estão sempre disponíveis. mais suaves ao toque e portanto mais sensuais no s momentos de íntimo contato corporal. Por entre os dedos ou no contato com o peit o do homem. exista uma cor que predomine sobre todas as outras. cas anho. Assim ness e aspecto. quando as mulheres decidem mudar a cor dos cabelos. Cada cor — preto. ruivo ou louro — tem um significado que reflete essa adaptação e um encanto própri o.

gerações de mulheres de cabelos escuros acorreram a seus estabelecimentos em busca dos mais modernos estilos e produtos. a loira leva uma ligeira vantagem sobre as morena s. Praticamente desde o amanhecer da história. uma solução de potássio e pós colorantes que deixava os cabelos opacos na tentati va . alguém poderia contrapor que qualquer vantagem que se o btenha será apenas por associação. Em momentos de extrema intimidade. os bebês são mais loiros que os pais . Nem é preciso dizer que isso é bom para cabeleireiros e fabric antes de perucas. de modo que a combinação entre "olhos azuis" e "madeixas loiras" ficou indelevelme nte associada à infância. A sedosidade de seus pêlos púbicos é muito diferente da aspereza dos pelos das morenas. Ele apenas parece mais fino. Os antigos gregos usavam uma pomada de pétalas de flores ama relas. O clareamento não torna o cabelo mais fino nem mais m acio. Eis portanto outra vantagem de ser loira. E essa imagem projetada por uma mulher adulta. Alguns dos recursos utilizados para satisfazer as exigências sociais e alourar os cabelos eram perigo sos e até mesmo letais. Dos impérios do mundo antigo aos salões da Europa barroca. com a pretensão de se tornarem um pouco — ou muito — mai s loiras do que a natureza as fez. aumenta seu poder de sedução. e e la é apenas visual: a mulher loira passa uma imagem mais juvenil do que a morena. Diante do argumento de que é a suavidade dos cabelos loiros que leva tantas mor enas a clarear os cabelos. As axilas e o púbis das loiras são cobertos por pêlos mais delicados. o c lareamento dos cabelos femininos foi uma indústria importante. As loiras passam uma idéia de j uventude porque. transmi tindo fortes sinais de que ela deseja ser cuidada.nas partes em que a morena precisa usar uma lâmina de barbear ou creme depilatório. portanto. em grande parte da humanidade.

de dar-lhes a sensual aparência alourada. As damas romanas tingiam os cabelos com um sabão germânico especialmente importado do norte, mas era mais provável que escolhe ssem o caminho mais fácil de usar uma peruca loira. Essas perucas primitivas eram feitas de cabelos naturais dos europeus do norte que os romanos conquistavam em sua expansão. A moda se espalhou tanto que o poeta romano Marcial zombou dela nos seguintes versos: Os cabelos dourados que Gala usa São dela — quem imaginaria? Ela j ura que são dela, e eu juro que é verdade Porque sei onde ela os comprou. À medida que os séculos foram passando, cada vez mais truques eram usados para clarear os cabe los. Cascas de plantas, sementes, sabugos e resíduos do vinagre foram muito popula res nos primeiros tempos. Uma das receitas mandava esfregar os cabelos vigorosam ente com açafrão. Outra recomendava gemas de ovos cozidos com mel, seguidas de uma l onga exposição ao sol forte. As mulheres elisabetanas polvilhavam os cabelos com pó de ouro ou quando precisavam ser mais econômicas, aplicavam neles raspas de ruibarbo diluídas em vinho branco. Algumas vezes, corriam o risco de embeber os cabelos co m ácido sulfúrico ou alumina. Para algumas mulheres, esses tratamentos químicos resolv iam o problema dos indesejáveis cabelos escuros: ficavam completamente carecas e e ram obrigadas a usar uma peruca loira pelo resto da vida. As receitas foram se t ornando cada vez mais complexas. Em 1825, um tratado denominado A arte da

beleza ensinava a suas leitoras a fórmula para obter cabelos da cor do linho: Ferv a 1/4 de galão de lixívia; adicione 1/2 onça de raízes de celidônia e gengibredourado, 2 d racmas de açafrão e raízes de lírio, e 1 dracma de cada uma das seguintes flores verbasc o, giesta e hipérico. A solução obtida deve ser aplicada regularmente nos cabelos . É cl aro que, ano após ano, século apos século, a mulher foi se preparando para superar qua lquer obstáculo que a impedisse de adquirir as desejáveis tonalidades douradas. Mas, como acontece com muitos conceitos de moda, foi inevitável que o clareamento dos cabelos adquirisse um sentido colateral de exagero e exibição. Mesmo na época romana, a aparência que ele proporcionava nem sempre era a de uma virgem imaculada. A arti ficialidade das perucas e tinturas reduziu o valor simbólico da coloração. Num dado mo mento, tornou-se sinônimo não de inocente feminilidade, mas de sensualidade profissi onal: a marca da prostituta. As prostitutas romanas eram muito organizadas. Tinh am que obter uma licença para trabalhar, pagavam impostos e, por exigência da lei, u savam cabelos loiros. A terceira esposa do imperador Cláudio, a ninfomaníaca Messali na, ficava tão excitada com a possibilidade de fazer um sexo brutal e repentino co m estranhos que saía para a sua caçada noturna usando uma peruca de prostituta. Corr iam boatos de que tal era a violência com que fazia sexo que muitas vezes perdia a peruca loira e retornava ao palácio real totalmente reconhecível. Outras damas roma nas logo passaram a imitá-la na cor dos cabelos, e os legisladores foram incapazes de reprimir a nova moda. A obrigatoriedade do uso da peruca loira para as prost itutas caiu por terra, mas um elemento de fraqueza e abandono hoje associado às lo iras sobreviveu ao longo de séculos, ressurgindo repetidamente

como o reverso da imagem de virginal inocência. Geralmente, a diferença que se. esta belecia era a seguinte: loiras verdadeiras são anjos e loiras falsas são promíscuas. O fato de as loiras artificiais terem tido muito trabalho para parecer atraentes significava que o sexo ocupava sua mente por muito tempo, e a loira falsa se rep roduziu em diferentes arquétipos: garota fácil, bomba sensual, prostituta, bonequinh a de luxo, loira burra. Cada geração tem um nome para ela, e cada geração tem suas super loiras. No início da Primeira Guerra Mundial, a loira platinada entrou em cena. Em 1937, quando Jean Harlow morreu, aos 26 anos, deixou uma longa sucessão de estrel as de cinema loiras, que continuam dominando a tela até hoje. A grande maioria das personalidades femininas surgidas em Hollywood foram louras — geralmente, mais po r força da cosmética do que da genética. Algumas passaram por sacrifícios para aperfeiçoar o visual: Marilyn Monroe chegou a clarear os pêlos púbicos para fazê-los combinar com suas madeixas platinadas. Muitas se mantiveram fiéis à velha associação entre o sol e o dourado de seus cabelos — eram mulheres alegres e calorosas, vitais e intensas. F reqüentemente elas se dão mal, mas isso também faz parte de seu natural poder de sedução: sua loira vulnerabilidade. Em defesa das morenas, um comentarista do final da déca da de 1960 afirmou: "Se um homem tem boas intenções em relação a uma garota, deseja que ela seja natural. Nada artificial atrai um homem sério. De modo geral, ele prefere uma loira como amante e uma morena como esposa. Morenas têm mais integridade".

3. Testa A testa é uma região da face que desempenha um importante papel na linguagem corpora l. Como afirmou um especialista cm expressões faciais no século XVIII, "de todas as partes da face, a testa é a mais importante e mais característica". Hoje, essa afirm ação pode parecer surpreendente, porque, como se dá muita atenção à maquiagem dos olhos e do s lábios, eles tendem a dominar o rosto feminino e ofuscar as outras partes. No en tanto, é pouco provável que alguém tenha travado uma conversa cara a cara sem transmit ir sinais inconscientes na testa, na forma de um mover das sobrancelhas ou de um franzir da pele — movimentos indicativos de mudanças de humor. Antes de examinar es ses sinais e descobrir de que forma a testa feminina difere da masculina, convém p erguntar por que afinal temos testa. Se observarmos atentamente a face de um chi mpanzé e a compararmos com o rosto humano, a diferença na fronte é surpreendente. Nos macacos, a testa quase não existe. Nos humanos, ela se eleva verticalmente acima d as sobrancelhas. No chimpanzé, ao contrário, a linha dos cabelos se junta às sobrancel has, que quase não têm pêlos. Na verdade, a região frontal do macaco é totalmente diferent e da dos humanos. Quando olhamos a face de um chimpanzé ou de qualquer outro macac o, a impressão que se tem é que eles possuem imensos e proeminentes ossos supercilia res que os protegem de danos, enquanto nós, humanos, perdemos essa proteção. Isso é uma ilusão. Se tocarmos o osso imediatamente acima dos olhos, sentiremos a proeminência do crânio, que continua lá para nos proteger. Nossos supercílios são menos evidentes, não porque desapareceram, mas porque nossa fronte se estendeu para abrigar um cérebro muito maior. O cérebro de um

chimpanzé tem um volume de cerca de 400 cm3, enquanto o cérebro humano ocupa um volu me mais de três vezes maior: 1.350 cm3. Foi a expansão do cérebro humano, principalmen te na região frontal, que nos deu uma testa. Essa área de pele exclusivamente humana acima dos olhos deu a nossos ancestrais uma região a mais para a transmissão de sin ais visuais. Por isso a pele da fronte, embora bem esticada sobre o osso, não é tota lmente imóvel. Ela é capaz de leves movimentos — sutis, mas claramente perceptíveis. É fácil detectar esses movimentos porque, quando se mexe, a pele cria rugas. Além disso, a face humana conservou duas tiras de pelos na fronte. Conhecidas tecnicamente c omo supercílios, mas chamadas comumente de sobrancelhas, funcionam como sinalizado res que ajudam a tornar os movimentos da pele ainda mais visíveis à distância. Já se dis se que a principal função das sobrancelhas é reter o suor e a chuva, impedindo que ele s escorram para dentro dos olhos. E embora elas tenham alguma utilidade nesse as pecto, funcionando como calhas , sua principal função é sem dúvida transmitir as acelera das mudanças do nosso estado de espírito. Estudando todos os sinais de mudança de humo r no rosto, fica evidente que existem seis movimentos da testa, cada um ligado a um determinado estado emocional. São eles: Baixar as sobrancelhas. Esse movimento não é estritamente vertical, e sim um franzimento. À medida que baixam, as sobrancelh as também se movem ligeiramente para dentro, aproximando-se. Isso enruga a pele en tre elas e forma pequenas dobras verticais. O número dessas dobras varia de indivídu o para indivíduo, e cada adulto tem um franzido característico de uma, duas, três ou

quatro linhas. Quase sempre elas se formam simetricamente de cada lado do espaço e ntre as sobrancelhas (conhecido como glabela), cada uma mais longa ou mais forte que a anterior. As marcas horizontais da testa tendem a se suavizar quando as s obrancelhas baixam, mas podem não desaparecer completamente. O processo de envelhe cimento envolve uma fixação cada vez maior das linhas de expressão temporárias. Os vinco s da pele, que na juventude aparecem e desaparecem a cada mudança de humor, se gra vam permanentemente na pele à medida que os anos passam. Um forte vinco num rosto que não está franzido é o resultado de inúmeros movimentos desse tipo realizados pelo in divíduo ao longo da vida. Esse franzir das sobrancelhas ocorre em duas diferentes situações, que podem ser grosseiramente rotuladas como de agressão e de proteção. Num cont exto agressivo, o movimento se processa em diferentes graus de intensidade, que vão da simples desaprovação ou determinação até o aborrecimento e a raiva violenta. Num cont exto de proteção, o movimento ocorre sempre que existe uma ameaça para os olhos. Entre tanto, em momentos de perigo, franzir as sobrancelhas não é proteção suficiente. Nessas ocasiões, as bochechas também se elevam. Juntos, esses dois movimentos oferecem a máxi ma proteção possível aos olhos, que se mantêm abertos e atentos. É um movimento típico de um rosto tenso, que prevê um ataque físico, ou exposto à forte iluminação, da qual os olhos se protegem. Essa contração também ocorre freqüentemente quando o indivíduo ri, chora e em momento de forte repulsa, o que sugere que essas situações talvez devam ser conside radas uma espécie de superexposição. È a função de proteção ocular que explica a origem desse anzimento da testa. Sua utilização cm contextos

Vários autor es as descreveram como sinal de surpresa. Costumamos ver num ros to franzido a imagem de ferocidade. pressentimento. são mais ou menos paralelas. afastando -se. n egação. Ao mesmo tempo. Como o movimento anterior. A verdadeira face de agressão. felicidade. ceticismo. É isso que se costuma chamar de "testa franzida". Na maioria dos casos. Seus significados. incompreensão. dúvida. vão muito além disso. esse não é estritamente perpendicul ar. Com . geralmente atrib uída a pessoas "preocupadas". Pode s er feroz. ignorância. Um crítico musical fez um comentário que ficou famoso: o de que uma certa cantora de óper a "tinha que pegar qualquer nota acima de lá com as sobrancelhas". toda a pele da testa se estica para cima. encantamento. m as é difícil precisar seu número porque as linhas superiores e inferiores em geral são f ragmentárias. ansiedade e medo. Essas linhas. Quando se erguem. arrogância. e não de autopreservação. Er guer as sobrancelhas. Às vezes. porém. uma vez que atos de franca hostilidade raramente escapam de uma retaliação. mas não tão intrepidamente feroz a ponto de não levar em conta a necessidade de proteger órgãos tão vitais como os olhos. apenas as linhas do meio se estendem de lado a lado da testa. surgida da necessidade de defender os olhos de c ontra-ataques que uma atitude agressiva poderia provocar.agressivos parece ser secundária. ao contrário. dez rugas chegam a se formar. exibe um par de olhos fixos e bem abertos. Isso estica a pele entre elas e faz desaparecer as rugas verticais que ali se formaram. mas essa é uma ocorrência relativamente rara. as sobrancelhas se movem ligeiramente para fora. em número de quatro ou cinco na maior ia dos casos. cria ndo longas marcas horizontais. mas isso é um erro. porém.

com a testa franzida. trat a-se de um "abridor de olhos".todas essas interpretações. Para usar uma expressão conhecida. Isso não é raro. Esse "algo mais " pode ser muita coisa: uma conflituosa necessidade de atacar. como para nós. a expressão parece ter se originado da necessi dade de melhorar a visão. Homens e macacos se comp ortam de maneiras muito parecidas. utilizada sempre que o animal é confrontado com algo que o faz querer fugi r. uma incontrolável c uriosidade de ficar e ver o que é essa coisa tão assustadora ou qualquer outro impul so de ficar em condito com a urgência de fugir. ao mesmo tempo. A pessoa arrogante que e rgue as sobrancelhas também gostaria de escapar ao desagradável ambiente circundante . Veremos que esse conceito de "fuga frustrada" se aplica perfeitamente ao contexto humano. mas por alguma razão não pode fazer iss o. O humo r pode nos levar ao limiar do medo e a um riso nervoso. O indivíduo sorridente que mostra essas marcas na testa também está levemente assus tado. Mas ela só ocorre se. surg e um problema. A risada pode ser verdadeira. Para eles. Ambos os . a única maneira de entender o significado desse movimento é buscar sua origem. mas aquilo de que se ri é algo muito perturbador. Erguer as sobrancelhas é um movimento que partilhamos com outro s primatas. é essencialmente alguém que gostaria de escapar. Existem elementos de retraimento corporal nessa postura. Uma pessoa preocupada. Esticando a pele da testa e erguendo as sobrancelhas. algo o impede de escapar. Quando comparamos essa expressão com o movimento de baixar as sobrancelhas. au mentamos imediatamente nosso campo de visão. Vamos supor que estamos diante de algo ameaçador: podemos baixar as sobrancelhas para proteger os olhos ou erguê-las para aumentar nosso campo de visão . parece ser uma reação a situações de em ergência. Entre os macacos.

A elasticidade da pele diminui à medida que envelhec emos. como uma folha de papel enrugado que tentamos alisar. A pele de nossa fronte revela as marcas de todas as caretas que fizemos ao l ongo dos anos. erguem as sobrancelhas. sacrificam a visão e protegem os olhos baixando as sobrancelhas. Como ocorre com os vincos provocados por uma fronte franzida. O cérebro precisa perceber qu al a necessidade mais importante e passar a instrução para o rosto. e em momentos de submissão. em momen tos de medo. mas com muito medo. nossa fronte também se recusa a . Qu ando estão dominados por uma leve agressividade. Então. eles sacrificam a proteção pela vantagem tática de enxergar mais claramente o que está acontecendo. e. a pele da testa vai ficando marc ada por finas linhas em arco. elas se erguem. Além dessas funções principais. Mas tais refinamentos e modificações não seriam possíveis se não fosse o significado original do movimento. as marcas arqueadas causadas pelo movimento de erguer as sobrancelhas também podem ficar indelevelmente gravadas quando a pessoa envelhe ce. Observando os ma cacos. voltam a se franzir. Podemos erguer as sobrancelhas mes mo quando não estamos apreensivos simplesmente para mostrar a outra pessoa que est amos preocupados com ela. Quando os seres humanos estão muito agressivos e podem provocar uma retaliação imediata. Se vivemos nervosos ou ansiosos. estes dois movimentos podem ser usad os deliberadamente em contextos menos graves. Algo semelhante ocorre com os humanos. ou quando estão cansados e com medo de um at aque iminente. mas temos que escolher um deles. vemos que numa situação de agressividade as sobrancelhas se franzem.movimentos serão úteis. ou numa situação em que não parece haver perigo iminente de um ataque físico.

Má muitos anos. É injetada diretamente nos músculos que causam as rugas. mas só até que uma rajada de vento a tire do lugar. desativando-os por um período de três a cinco meses. O probl ema dessa solução é que ela deixa a testa lisa demais. Portanto. uma neurotoxina gerada pela bactéria que produz o botulismo. Essas marcas na testa de uma mulher são um sinal de que ela não é mais jove m. Indica também uma personalidade excessivamente ansiosa. precisa fazer alguma coisa para corrigir o dano. uma alternativa mais moderna para eliminar rugas é a injeção de Botox. que se torna incapaz de qualquer movimento . O Botox é na verdade um veneno. Desde a década de 1990. ou pelo menos disfarçá-lo. "Velha e nervosa" não é uma imagem que uma mulher queira passar. mas não resolve o problema. Para mulheres que dependem da aparência. porque a pele é tão esticada que nunca mais será capaz de exibir a meno r ruga. por mais forte que seja o estado emocional. Uma maquiagem pesada pode ajudar. a opção cirúrgica tem sido o lifting da face É drást mas eficiente. mesmo em momentos de relaxament o e calma. parece que é a forma mais popular de tratamento cosmético no momento.recuperar o aspecto liso que tinha na juventude. mas rígido. Nes se tratamento cosmético. Embora ainda não tenha sido aprovada pelas organizações médicas ofi ciais. Ela paralisa a fronte. Ainda será precis o encontrar uma solução médica mais perfeita. é necessária uma ação mais drástica. . Uma franja espessa pode servir de cobertura. incapaz de mostrar qualquer emoção. a substância é usada em quantidades tão pequenas que praticamen te eliminam o risco. Isso pode criar uma aparência de máscara -um rosto jovem.

Não é uma expressão muito comum. enquant o a outra metade passa a impressão de medo. Rugas entrelaçadas. Uma mensagem orden a "Erga as sobrancelhas". co mposto de dois elementos: erguer e baixar. esse é um movimento complexo. porque mu itas pessoas têm dificuldade de executar o movimento. Também é observada em alguns casos de dor crônica. O movimento para cima é semelhante ao das sobrancelhas erguidas. Um bom exemplo desse movimento é a expressão utilizada nos a núncios de remédio para dor de cabeça. Metade do rosto parece agressivo. mas uma dor constante provavelmente produzirá essas rugas entrelaçadas. O estado de espírito que ela traduz é ger almente o ceticismo. Uma dor forte e aguda produz uma co ntração. Esse movimento é uma mistura dos dois anteriores: uma sob rancelha é abaixada enquanto a outra é erguida. As sobrancelhas são erguidas e ao mesmo tem po apertadas uma contra a outra. Como o anterior. A contração é semelhante ao movimento de so brancelhas abaixadas e produz curtos vincos verticais no espaço estreito entre as sobrancelhas. enquanto outra diz "Abaixe-as". esse movimento parece ser uma tentat iva de as sobrancelhas responderem a um duplo sinal do cérebro. O entrelaçamento das duas expressões pr oduz um cruzamento de rugas. essa reação contraditória é ma is freqüente nas mulheres do que nos homens. Essa expressão está relacionada à forte ansiedade e à dor. pro duzindo rugas horizontais ao longo da testa. A mensagem que ela transmite é tão conflitante quanto a própria expressão. com as sobrancelhas abaixadas. Na origem.Sobrancelhas enviesadas. Por alguma razão. A sobrancelha erguida funciona como um ponto de interrogação em relação ao olhar feroz. Diferentes grupos de .

só consegue pressioná-las uma contra a outra. Es se breve piscar é um sinal aparentemente universal de comprimento. numa posição oblíqua. mas não em todos. mas também cm populações de regiões que não tiveram influência europé como Bali. e não durante demonstrações de maior intimidade. mas também pode ocorrer sozinho. O movimento geralmente é executado a uma certa distância. embora tente forçá-las para b aixo. mesmo que as sintam tentando mover -se. como o apert o de mão. no momento do encontro. o abraço ou o beijo. O primeiro grupo consegue empurrar as sobrancelhas um pouco para cima. talvez não tenham sucesso. Essa form a exagerada de movimento cruzado é mais marcante em pessoas que tiveram experiências trágicas. Combinada com o sorriso. Nova Guiné e Amazônia. Na origem. As sobrancelhas sobem e descem numa fração de segundo. A extrema brevidade do movimento. seria possível dizer quanto infortúnio há na vida passada de uma mu lher simplesmente pela facilidade com que ela adota a posição das sobrancelhas oblíqua s. Teoricamente. Tem sempre o mesmo significado: o reconhecimento amigável da presença do outro.músculos começam a pressionar em direções opostas. Quase sempre. Foi registrado não apenas em europeus. acompanha um aceno de cabeça e um sorriso . Se mulheres com histórias menos trágicas tentam forçar as sobrancelhas para c ima. Piscar as sobrancelhas. não mais . o que resulta numa "expressão oblíqua de sofrimento". torna-se um sinal de surpresa agradável. Em alguns casos. mas o segundo grupo. as extremidades internas das sobrancelhas são empurradas mais para cima que as ex tremidades externas. foi uma adoção momentânea da postura de so brancelhas erguidas numa situação de surpresa.

todo cumprimento. por mais amigável que seja. Isso inevitavelmente dá ao encontro um leve e efêmero elemento de medo. deixando que o sorriso amigável domine a cena. esse leve movimento de sobrancelha s é freqüentemente usado durante uma conversa para enfatizar algum ponto. o movimento que contém uma pausa na posição das sobrancelhas em geral s e faz acompanhar de um esgar. Esse movimento é parte de uma reação mais complexa. em que os cantos da boca baixam momentaneamente. Entretanto. Como já dissemos. Cada vez q ue uma palavra é enfatizada. É essa breve pausa que distingue esse movimento do piscar rápido que indica saudação e ênfase. mas em algumas pessoas esse movimento se torna freqüente e exagerado. nem se el e mudou desde a última vez que o vimos. dos ombros. da cabeça. isso não é m uito comum. as sobrancelhas piscam. que envolv e movimentos da boca. Erguer e baixar as s obrancelhas com uma pausa. Não sabemos como o outro vai se comportar. Para a maioria de nós. param momentaneamente nessa po sição e depois descem. ou em grupos de dois ou três. tem um caráter social de imprevisibilidade. E ssa combinação costuma ocorrer na ausência de outros elementos.do que uma fração de segundo. braços c mãos. indica que a surpresa desaparece rapidamente. e pode parecer estranho que ele participe de uma saudação en tre amigos. Cada um desses elementos t ambém pode ocorrer separadamente. . Embora possa ocorrer isoladamente. E como se elas ressaltassem as surpresas da comunicação verbal. Além de ser uma saudação. As sobrancelhas sobem. o erguer de sobrancelhas co ntém um elemento de medo.

existe uma importante diferença entre os sexos: as sobrancelhas femininas são mais finas e menos densas que as masculinas. em particular. Quase todos nós. mas outras se servem das sobr ancelhas para essa ênfase.Ao contrário da piscadela das sobrancelhas. Ele também costuma acompanhar a fala de certos indivídu os. uma das duas primeiras pode fazer esse movimento com as sobrancelhas para indicar desaprovação e surpresa. alegava-se que coroavam a mulher mais bela. que parece perpetuamente surpreso pelas vicissitudes da vida. esse é um movimento associado a uma expressão triste. A maioria das pessoas usa as mãos ou a cabeça. quando falamos animadamente. depilar e pintar. portanto. e não alegre. acrescentamos uma ênfase visual. fazemos repetidos movimentos cor porais para enfatizar o que dizemos. depois. evitavam a cegueira. e as sobrancelhas das mulheres tornaram-se artificialmente ainda mais finas e menores. significa uma surpresa m edianamente desagradável. como raspar. Essa diferença provocou muitas "melhorias ". Na maioria das vezes. Abandonando a questão dos movimentos e passando à anatomia das sobrancelhas . mas não é exclusivo dessa person alidade. . Se duas pessoas que se conhecem estão sentadas uma ao lado da outra e uma terceira pessoa se aproxima e faz alguma coisa que causa desconf orto. dizia-se que eles protegiam o corpo das doenças e. Esse é um movimento típico do queixoso contumaz. A cada ênfase verba!. a desculpa era que esses procedimentos ajudavam a espanca r o mal. a intenção era fazer as sobrancelhas parecerem exageradamente femin inas. No princípio. mais tarde. Isso vem sendo feito há séculos mediante várias técnicas. Em todos os casos.

o que garante a remoção da raiz. Sobrancelhas muito baixas podem dar à mulh er uma aparência tão sinistra que se diz que ela tem "sobrancelhas de bruxa". A ponta de metal da pinça poderia quebrar o fio. Se uma mulher achasse que suas sobrancelhas ocupavam uma posição feia na te sta. quando "o lápis de sobrancelhas estava presente em qual quer nécessaire. Para elas. De fato. No final do século XVIII. poderia removê-las e pintá-las em outro formado. o uso de uma pinça era considerado muito g rosseiro. que com isso cresceria mais rápido. ao mesmo tem po. nas décadas de 1920 e 30. Desenhar as sobrancelhas de acordo com a moda da época e. Um e specialista no desenho de sobrancelhas afirma que "o desenho ideal é o que tem doi s terços do comprimento numa curva ascendente e um terço numa curva descendente". disponível em cinco fascinantes tonalidades". obedecendo a sut ilezas estéticas.No século XX. sobrancelhas artificialmente alteadas dão à mulher uma aparência de criança inocente de olhos bem abertos. . o método preferido é amarrar um fio fino ao redor de cada pêlo a ntes de arrancá-lo. as novas so brancelhas quase sempre eram desenhadas acima das verdadeiras. utilizava-se o lápis para enfatizar o fino arco de pêlos que sobrevivera. A form a artificial das sobrancelhas tem variado muito ao longo dos séculos e de pessoa p ara pessoa. Para algumas mulheres. Quando fazia isso. fazer com que elas se harmonizem com o rosto tem exigido muito cuidado. Depois de reduzir a e spessura das sobrancelhas. dizia-se que "sobrancelhas levemente arqueadas combinam com a modéstia de u ma virgem". o auge do costume de depilar as sobrancelhas ocorreu no entre-guerra s. Ma s é claro que ele deve ser adaptado às características de cada rosto. Esse método é popular na Ásia e no Orie nte Médio.

alegando que a proibição era um cerceamento à sua liberdade. E. se os pêlos permanecerem ali. Assim. A jovem apresentou que ixa. raramente deixam de ser depiladas. a moda ordenava que as sobrancelhas fossem raspadas e substituídas . convém mencionar as sob rancelhas tão unidas que criam uma linha ininterrupta de pêlos. Esperava-se que as mulheres que trabalhavam em condições impróprias a manifestações de sensualidade deixassem as sobrancelhas intocad as..] depilar as sobrancelhas". Na época. Com tanta preocupação em melhorar a aparência femi nina. darão a impressão de um r osto permanentemente fechado. cuja diretora não permitiu que uma enfermeira depilasse as sobrancelhas. que afirmou: "Maldita seja a mulher que [. há algo de "animal" em ter pêlos onde não devia haver nenhum. esse excesso de pêlos n a testa é uma característica masculina. um caso polêmico envolveu um hospital londrino. quarto. mas a decisão da diret ora foi mantida pelo conselho do condado. e a extravagância estava justamente na natureza dessa substituição: as sobrancelhas falsas eram feitas de pele de rato. os pacientes do hospital foram protegidos do estímulo erótico que representaria um par de sobrancelhas delicadament e depiladas. Na década de 1930. quando existem.. Não são muito comuns. Há várias razões para isso.O exemplo mais bizarro de sobrancelhas falsas talvez venha da Inglaterra do século XVIII. (Quem adoraria essa decisão é o profeta Maomé.) Finalmente. Terceiro. e. Primeiro. Segundo. uma antiqüíssima superstição afirma que a mulhe r que tiver sobrancelhas unidas deve ser uma vampira. . a decisão de não depilar as sobrancelhas e deixá-las na forma natural era vista como um sinal de pouca sensualidade. Qualquer mulher que nasça com essa forma de sobrancelhas prefere sofrer para depilar os indesejáveis pêlos que cob rem o espaço acima do nariz.

Juntas, essas maldições fazem qualquer mulher correr em busca de uma pinça. Para mante r suas sinistras sobrancelhas unidas, ela teria que estar "acima da moda". Essa mulher existiu no século XX: a famosa pintora mexicana bissexual Frida Kahlo. Para ela, as sobrancelhas unidas e espessas se tornaram uma marca pessoal, que ela r eproduziu fielmente em seus auto-retratos. "Pairando acima de seus penetrantes o lhos negros como um pássaro no vôo", assim elas foram descritas. Como afirmou um críti co: "Frida Kahlo pode ter sido uma mulher interessante e criativa, mas tinha ape nas uma sobrancelha, que se estendia de um lado a outro do rosto como a Grande M uralha da China, e, como tal muralha, provavelmente era avistada da Lua". É incrível que essas reações sejam causadas pela simples presença de uns poucos pêlos pretos acima do nariz. As sobrancelhas costumam passar tão despercebidas que só paramos para pre star atenção nelas quando algo estranho acontece. Nos anos recentes, excetuadas as i diossincrasias de Frida Kahlo, só numa ocasião pesadas sobrancelhas femininas foram consideradas aceitáveis e, por um período, até mesmo populares. Isso aconteceu na década de 1980, quando o movimento feminista entrou numa fase em que as mulheres passa ram a acreditar que parecer um homem era uma boa maneira de competir com eles. F oi nessa época que a jovem atriz Brooke Shields apareceu nas telas exibido sobranc elhas que foram descritas como "lagartas". Elas não se uniam no meio, como as da K ahlo, mas eram tão espessas quanto as de um homem, o que lhe dava um olhar feroz e determinado. Desde então, à medida que as mulheres foram fazendo mais sucesso como mulheres, e não como pseudomachos, suas sobrancelhas voltaram à forma arqueada e fin a que foi preferida durante séculos. Como Shakespeare afirmou em Conto do inverno: "Não é por terdes sobrancelhas negras. Dizem até que

sobrancelhas escuras são as que melhor assentam nas mulheres, desde que não sejam mu ito espessas, mas apenas um semicírculo ou meia-lua traçados a pena".

4. Orelhas As orelhas femininas nunca foram bem tratadas: têm sido ignoradas ou mutiladas. Os pós e pinturas que costumam ser aplicados ao rosto as ignoram. Enquanto um rosto meticulosamente enfeitado ocupa o centro do palco, as orelhas são esquecidas c mui tas vezes escondidas sob os cabelos. E, quando se revelam, têm servido apenas como campo de testes para a criação de jóias. Nas raras ocasiões em que as orelhas são objeto de cirurgia plástica, a solução é torná-las ainda mais imperceptíveis. É o que ocorre quando relhas proeminentes são coladas à cabeça. Mas, antes de analisar mais detalhadamente o s abusos culturais perpetrados contra as sofridas orelhas femininas, convém examin ar a biologia e a anatomia dessa parte do corpo. A parte visível da orelha é bastant e modesta. No curso do processo evolutivo, ela perdeu as extremidades pontiaguda s e a mobilidade. As extremidades sensíveis desapareceram, curvadas numa borda rol iça. Mas nem por isso ela deve ser tratada como um resíduo inútil. A principal função do o uvido externo — uma trompa de carne e sangue — é coletar o som. Não somos capazes de eriça r as orelhas como outros animais, nem de torcê-las para descobrir de onde vem um b arulho repentino, mas ainda podemos detectar uma fonte sonora. O que os humanos perderam em flexibilidade da orelha ganharam em mobilidade da cabeça. Quando um ce rvo ou um antílope ouvem um som alarmante, erguem a cabeça e torcem as orelhas em to das as direções. Quando ouvimos um som desse tipo, giramos a cabeça, o que funciona qu ase da mesma maneira. Embora nossas orelhas pareçam rígidas, ainda conservam um mínimo dos movimentos que originalmente possuíam. Se retesar os músculos da região auricular e se

olhar num espelho, você terá um vislumbre desse movimento de proteção: suas orelhas tent arão se colar ao crânio. Animais que possuem orelhas grandes e móveis quase sempre as achatam quando estão lutando, na tentativa de mantê-las a salvo de um ataque. Nós, hum anos, ainda fazemos isso automaticamente: a pele da cabeça se retesa em momentos d e pânico, mesmo que nossas orelhas permaneçam em sua habitual posição de repouso. A form a da orelha é importante para a perfeita transmissão dos sons ao tímpano. Uma pessoa q ue teve a infelicidade de ter as orelhas decepadas com certeza possui uma audição be m menos eficiente. Os canais auditivos e o tímpano constituem um "sistema ressonan te", no qual alguns sons são enfatizados à custa de outros. A forma aparentemente al eatória da orelha — suas dobras e curvas — na verdade foi especialmente criada para ev itar distorções desse tipo. Uma função menos importante da orelha é o controle da temperat ura. Os elefantes balançam suas enormes orelhas quando estão com muito calor. o que os ajuda a resfriar o corpo. Há uma profusão de vasos sangüíneos próximos à superfície da pel , e o calor que se perde desse jeito pode ser importante para muitas espécies. Par a nós, a quentura das orelhas desempenha um papel secundário na regulação térmica, mas tor nou-se um sinal social. Se uma mulher sente um forte calor num momento de confli to emocional, suas orelhas podem ficar vermelhas. Esse rubor tem sido objeto de comentários desde tempos muito remotos. Há quase 2 mil anos, Plínio escreveu: "Quando nossas orelhas se avermelham e queimam, alguém está falando de nós na nossa ausência". E Shakespeare faz Beatriz perguntar, quando outros estão falando dela: "Que fogo é es se em minhas orelhas?"

Finalmente, nossas orelhas parecem ter adquirido uma função erótica com o desenvolvime nto de macios lóbulos carnosos. É uma função que não está presente em nossos parentes mais p róximos e parece ser uma característica exclusivamente humana, decorrente do aumento de nossa sexualidade. Os primeiros estudiosos da anatomia humana viam na orelha um apêndice inútil", "uma parte da face aparentemente sem utilidade, a não ser a de p oder ser furada para carregar ornamentos". Mas estudos recentes sobre o comporta mento sexual revelaram que, um momentos de forte excitação, os lóbulos das orelhas se intumescem e se enchem de sangue, o que os torna mais sensíveis ao toque. Ter os lób ulos das orelhas acariciados, sugados e beijados durante o ato sexual é uma forte estimulação para muitas mulheres. Segundo Kinsey e seus colegas do Instituto de pesq uisas Sexuais de Indiana, há alguns casos raros de mulheres que conseguem atingir o orgasmo em conseqüência da estimulação das orelhas. No centro da orelha abre-se o cana l auditivo, um conduto estreito de cerca de 2,5 cm, ligeiramente curvo, o que o ajuda a manter aquecido o ar existente no seu interior. Esse aquecimento é importa nte para o funcionamento adequado do tímpano, que se situa na extremidade do canal e é um órgão extremamente delicado. Além de manter o tímpano aquecido, o canal também o pro tege de danos físicos. O preço que pagamos por essa proteção, porém, é a presença em nosso co po de um recesso profundo, que não conseguimos limpar com os dedos. Podemos limpar todo o nosso corpo com relativa facilidade, livrando-o da sujeira e de pequenos parasitas, mas, se um objeto invadir nosso canal auditivo, teremos problemas. A tentativa de remover a sujeira com bastonetes pode danificar o tímpano. Por isso, precisamos de uma proteção especial contra intrusões desse tipo. A evolução nos proporcio nou a resposta para isso na forma

de pêlos que impedem a entrada de insetos maiores e da cera que repele criaturas m enores. A cera cor de laranja, com um gosto amargo que repele os insetos, é produz ida por 4 mil minúsculas glândulas ceruminosas, que na verdade são glândulas apócrinas alt amente modificadas — do tipo que produz o suor de cheiro forte nas axilas e no int erior das pernas. Não cabe aqui detalhar o funcionamento do ouvido. Resumidamente, diremos que as vibrações sonoras atingem o tímpano e se convertem em impulsos nervoso s que são transmitidos ao cérebro. O tímpano é incrivelmente sensível, capaz de detectar a menor vibração. Essas vibrações são então transmitidas ao ouvido médio através de três peque ssos de formas estranhas (martelo, bigorna e estribo), que amplificam a pressão da s ondas sonoras 22 vezes. O sinal amplificado então passa ao ouvido interno, onde entra em ação um estranho órgão em forma de caracol e cheio de fluido. As vibrações produzid as nesse fluido ativam milhares de células ciliadas — cada uma sintonizada com uma d eterminada vibração —, que identificam as freqüências que compõem um som e transmitem essa i nformação ao cérebro por intermédio do nervo auditivo. O ouvido interno também contém órgãos ais para o equilíbrio. São três canais semicirculares, cada um relacionado a um tipo d e movimento: os movimentos para cima e para baixo, os movimentos para a frente e os movimentos laterais. A importância desses órgãos cresceu radicalmente quando nosso s ancestrais começaram a se pôr de pé e adotaram a forma de locomoção bipedal. Um animal q ue se apóia sobre quatro patas é relativamente estável, mas a posição ereta exige constant es e sutis adaptações do equilíbrio. Esses órgãos do equilíbrio são de fato mais vitais para nossa sobrevivência do que as partes do ouvido que lidam com os sons. Uma pessoa

declina para cerca de 12 mil. Um dos aspectos desagradáveis da nossa audição é que ela começa a declinar desde que nascemos. Aos 60 anos. temos exp losivos de alto poder e uma enorme variedade de equipamentos de som poderosíssimos . uma m ulher de meia-idade que tenha pagado uma fortuna para instalar um sistema desse tipo deve ficar chateada ao descobrir que os únicos membros da família capazes de ap reciar tudo isso são seus filhos mais jovens. capazes de danificar nossa audição. Um bebê pode detectar freqüências de ondas sonoras de 16 a 30 mil ciclos por segundo. Por isso. e por isso não criamos nenhuma proteção especi al contra sons muito altos. Como outras espécies. é difícil distinguir di ferentes vozes quando várias pessoas falam ao mesmo tempo. embora eles sejam capazes de ouvir uma única voz num local silenci oso. com o alcance cada vez menor da adição. graças a nossa infinita engenhosidade. Nossos ouvidos têm uma grande sensibilidade ao volume do som. Ela já terá sorte se conseguir detectar qualquer freqüência acima de 15 mil ciclos por segundo.surda pode sobreviver com maior facilidade do que a que perde o sentido do equilíb rio. Hoje. o alcance máximo cai para 20 mil ciclos por segundo. Isso ocorre porque. evoluímos num mundo relativame nte silencioso quando os sons mais altos eram roncos e gritos. é um problema ouvir uma conversa numa sala cheia de gente. Na adolescência. Os modernos sistemas de som funcionam a freqüências superiores a 20 mil ciclos por segundo. Não havia nada mais alto para ferir nossos sensíveis tímpanos. e continua caindo cada vez mais à medida qu e os anos passam Para os muito idosos. . Nossos ouvidos servem como um lembrete de que vivemos num mundo muito diferente daquele do qual nos originamos.

E uma protuberância minúscula.171 orelhas de europeus descobriu que 64% delas tinham lóbulos soltos e 36%. As pessoas têm lóbulos "sol tos" ou lóbulos "colados". mas Darwin estava convencido de que é remanescente de nossos primórdios. Infelizmente. A primeira é o lóbulo. lóbulos colados. No último século. os únicos a re alizar estudos detalhados sobre as partes da orelha . esses "pontos são vestígios de orelhas que um dia foram eretas e pontud as". ele tem uma característica importante. Entretanto.Voltando ao ouvido externo. mas o uso de impressões digitais alcançou tal avanço que é difícil dizer se as formas da orelha teriam alguma utilidade. Um médico que se deu o trabalho de examinar 1. A diferença entre eles é que os lóbulos soltos pendem do pont o de contato com a cabeça. chamada tubércu lo de Darwin. chegou-se a pensar em utilizar essa pro priedade para identificar criminosos. Cuidadosas pesquisas revelaram que eles estão presentes de uma forma mais evi dente em cerca de 26% dos europeus. quando tínham os orelhas pontiagudas que podiam se mover à procura dos sons mais fracos. Além da s variações de tamanho. Ele está presente na maioria das orelhas. Se apalpar a parte interna da borda partindo de ci ma. das quais duas merecem especial menção. São detalhes como esses que tornam possível a id entificação de criminosos. e a identificação auricular foi esquecida. mas quase sempre é tão pequeno que mal se consegue percebêlo. Treze regiões da orelha f oram classificadas. você o encontrará a mais ou menos um terço do caminho. há muito tempo se afirma que é possível identificar um ind ivíduo pela forma da orelha. mas um método concorrente — o das impressões dig itais — prevaleceu. A segunda parte que merece menção é a pequena saliência na borda da orelha. Em outr as palavras. é verdade que não existem duas pessoas com orelhas precisamente iguais.

As orelhas dos endomorfos seriam coladas à cabeça. Ess as e centenas de outras "leituras". são um insulto à inteligência h umana. com suas alegações românticas de que é possível determinar o caráter e a personalidade de uma pessoa pela leitura de suas proporções faciais. As orelhas dos ectomorfos.. Criminologistas que estudam detalhes faciais afirmam que o formato da orelha não pode ser previst o pelas feições do rosto. Alegam que os endomorfos (os mais rechonchudos) e os ectomorfos (Os mais ossudos) possuem diferentes tipos de orelhas. quando foi possível ler que uma ore lha grande é sinal de um indivíduo realizador. Por ser uma aba de pele ao redor de um orifício. é impossív el prever se ele possui orelhas arredondadas ou angulosas. Simbolicamente. às vezes detalhadas. jovens púberes eram obrigadas a passar por um ritual de . enquanto os somatologista s levam em conta todo o corpo. teriam a aurícula projetada lateralment e e mais desenvolvida que o lóbulo. Em algumas culturas. uma expressão de gíria para a v ulva é "a orelha entre as pernas". tem sido considerada símbo lo dos genitais femininos. que perderam qualquer credibilidade no início do século XX. Na Iugoslávia. Diante de um rosto redondo ou de um rosto anguloso. por exemplo. Os somatologistas dis cordam. Seus comentários fantasiosos. Em regiões do Oriente. com lóbulo e aurícula (a concha da orelha) igualmente bem desenvolvid os. e que uma orelha pontiaguda revela um oportunista. e sua popularidade no final do século XX é difícil de entender.são os modernos fisionomistas. a mutilação das orelhas foi us ada para substituir a circuncisão feminina. ao contrário. A explicação para essa controvérsia talvez seja o fa to de que os criminologistas consideram apenas a cabeça. que uma orelha pequena e bemformada p ertence a um conformista. s urpreendentemente ressurgiram na década de 1980. vários significados têm sido atribuídos à orelha.

Isso tem sido apresentado como desculpa para puxar as orelhas das crianças quando elas desobedecem. Quando Gargamelle está prestes a dar à luz. tinha parido virgem. Acr edita-se que isso significa que sua mãe. Um simbolismo completamente diferente atribui à orelha o significado de sabedoria — porque é ela qu e ouve a palavra de Deus. Por trás do castigo está a idéia de que es sa ativação da orelha é capaz de despertar a inteligência que ali dorme. No antigo Egito. não surpreende que algumas divindades tenham nascido p ela orelha. e daí toma a direção esquerda. O autor admite que é difícil acreditar em tal fato. filho do rei-sol hindu. Algumas dessas estranhas superstições explicam o antigo costume de furar as orelhas para nelas colo car brincos. Kunti. ent rando pela veia cava. publicada cm 1653. vai subindo. se Deus qui sesse.iniciação em que buracos eram perfurados em suas orelhas. Karna. onde essa veia se divide em duas. Pelo fato de as orelhas serem vistas como genitais femininos em muitas diferentes culturas. e que. "todas as mulheres poderiam parir seus filhos pela orelha". Suria. mas se defende afirmando que não há na Bíblia nada que contradiga essa forma de nascimento. teria nascido dessa forma. saindo pela sua orelha esq uerda". a mulher adúltera tinha as orelhas decepadas com uma faca afiada — outro exemplo de sua relação c om os genitais. Essa forma primitiva de mutilação tem se mostrado persistente e é um dos poucos tipos de deformidade artificial que se mantém populares no mundo . Algumas lenda s também afirmam que Buda nasceu da orelha de sua mãe. passando pelo diafragma e pelos ombros. Gargantua também vem ao mundo dess a maneira incomum. "a criança salta e. Na obra satírica de François Rabe lais Gargantua e Pantagruel.

budistas e chinesas revelou que reis e rainhas sempre possuíam lóbulos alonga dos. Em algumas culturas. Na era moderna. especialmente os lóbul os. de modo que as orelhas pendessem cada vez mais para baixo.moderno. nesse processo. Durante um longo período. Como o demônio e outros espíritos malignos estão sempre tentando entrar no corpo humano para dominá-lo. Nas culturas tribais nas quais lóbulos longos estiveram na moda a mutilação gera lmente começava na infância: os bebês já tinham as orelhas perfuradas. Na puberdade. quase todos os bri ncos. As realmente bonitas tinham que apresentar orelhas na altura dos seios. só as meninas de longas orelhas eram consi deradas belas. acreditavase que os sábios têm orelhas muito grandes. . Um estudo de primitivas esculturas h indus. a longa alça de carne se rompesse ao peso dos ornamento s. Esses pequenos fu ros eram posteriormente alargados. ela era considerada feia demais para se casar. a maioria das mulheres que furam as orelhas o fazem com propósitos puramente estéticos. a beleza da jovem estaria imediatamente perdida. Hoje. Brincos pesados. essas diferentes e originais razões para o uso de brincos foram esquecidas. Acreditava-se que o uso de amuletos da sor te nas orelhas era a melhor proteção contra os demônios. Se. sem saber o que isso significou no passado. que empurrem os lóbulos para baixo e os façam parecer mais long os. tribais e urbanos. aumentariam a sabedoria e a inteligência. Como as orelhas são a sede da s abedoria. ano após ano. Outras crenças primitivas diziam que usar brincos curava defeitos de visão ou p rotegia contra afogamentos. Em tempos remotos . isso tinha diversas explicações. são puramente decorativos e usados apenas por motivos estét icos. é necessário proteger todos os orifício s pelos quais eles possam ter acesso.

uma festa é dedicada ao ritual de furar as orelhas d as jovens. que as nativa s imploram aos ocidentais. John Bulwer dedicou todo um capítulo de seu livro A View of lhe People of the Whole World (Uma visão dos povos de todo o mundo) para atacar "as modas ou cer tas estranhas invenções dos povos para remodelar as orelhas". Eram uma parte muito importante da sua história . o m undo ocidental se chocou e se horrorizou com essas formas excessivas de mutilação. são removidos em sinal de luto. a ponto de fa zê-las pender à altura dos ombros. Em certas culturas.Surpreendentemente. E m 1654. Numa tribo. qualquer tentativa de melhorar ou modificar a forma humana era uma ofensa a Deus. pesadas argolas de cobre vão sendo acrescentadas até que seu peso a tinja 1 quilo. Nele. cinqüenta argolas de bronze de 10 cm de diâmetro são penduradas em cada o relha. Em algumas tribos. encontramos exemplos desse extremo alongamento das orelhas f emininas em todo o mundo. Em outra ainda. os pesados brincos que pendem das orelhas das mul heres casadas só podem ser retirados quando o marido morre. Então. potes de geléia ou latas de alimento. um buraco tão grande que um braço poderia passar por ele". que f azem nelas furos e neles "colocam um chumbo. África e Camboja. O tamanho dos ornamentos chega a ser assustador. Para Bulwer e sua época. seria ridicularizada por "ter orelhas de porca". Essa desaprovação em nada alterou esses costumes trib ais. O costume parece ter nascido independentemente. se uma menina ousasse ignorar esse costume. são inseridos no lóbulo da orelha. Nas ilhas da Nova Guiné. acusava as mulhe res que "julgam muito atraente ter as orelhas vergonhosamente perfuradas". Em séculos passados. Em outra. cujo peso as estende. durante o funeral . em lug ares tão distantes quanto Bornéu e Brasil.

porém. não são usados o tempo todo. os punks enfiavam objetos bizarros nos lóbulos das orelhas grosseiramente perfura dos. Grandes alfinetes de fralda eram os ornamentos preferidos. mas substi tuídos diariamente para combinar com outros ornamentos. para que uma série de brincos pudessem ser atarraxados a ela.cultural para serem abandonados. mas em muitas outras sociedades remota s eles ainda sobrevivem intocáveis no século XXI. mas outras são viciadas em adquirir grandes quantidades de brincos. Querendo chocar. também eram usadas pelas tropas de choque da nova onda. Em alguns casos. Hoje. Os exemplos mais extremos que podemos oferecer são e ncontrados no breve florescimento do rock punk da década de 1970. Mas eles eram impacientes demais par a esperar o lento e gradual alongamento dos lóbulos praticado nas outras tribos. com o drástico aumento dos piercings. A detentora do recorde (segundo o Guinness Book) é uma americana da Pens ilvânia que reuniu uma coleção de 17. as orelhas d as mulheres ocidentais passaram a carregar múltiplos brincos. Em vez de um só furo. facilmente removíveis: são brincos de pressão ou pingentes presos a um único f uro pequeno. mas correntes on de penduravam um pouco de tudo. em toda a borda. Algumas mulheres possuem a penas uns poucos pares.122 pares. Apesar da extravagância de sua moda. a orelha era perfurada várias vezes. M ais tarde. Se . o mundo ocidental nunca apresentou nada capaz de competir com os lóbulos estendid os dessas sociedades tribais. influências externas podem ter p osto fim a formas mais extremas de mutilação. a maioria das mulheres usa ornamentos simples. no final do século XX. Ao contrário dos brincos tribais. de lâminas de barbear a lâmpadas elétricas.

.usasse um por dia. levaria quase meio século para usar todos.

que tal examinarmos o olho em seu estado natural? Os olhos são os mais importantes órgãos dos sentidos. Em praticamente todas as civilizações importantes na história do mun do. cílios postiços e lentes de contato coloridas — todos esses recursos são usados para embelezar os olhos femininos. Mas. proporcionando uma visão binocular do mundo. Nisso não diferimos muito de nossos par entes próximos. no primeiro ano da era cristã. inúmeras e sutis variações de sombras coloridas têm sido aplicadas às pálpebras. contém 137 milhões de células que enviam mensag ens ao cérebro. os macacos. Toda a ordem dos primatas é predominantemente visual. No antigo Egito. co m os dois olhos colocados na frente da cabeça. os restantes 7 milhões são células cônicas que .5. e no entanto faz a m ais sofisticada câmera de tevê parecer um utensílio da Idade da Pedra. e. Dessas. Sombras. aparelhos para curvar os cílio s.5 cm de diâmetro. Calcula-se que 80% das informações que recebemos do mundo exterior ent rem por essas notáveis estruturas. 130 milhões são células arredondadas responsáveis pela visão em branco e preto. Sabe-se que há mais de 6 mil anos usa-se maquiagem nos olhos. que é s ensível à luz e se situa no fundo do olho. Apesar de tudo o que falamos e ouvimos. dizendo-lhe o que está vendo. continu amos sendo animais essencialmente visuais. delineadores. A retina. Olhos Há muitos séculos os olhos femininos tem sido foco de grande atenção. antes de analisar todas essas melhorias. aos cíli s e à pele ao redor dos olhos. o satirista romano Marcial fez o seguinte comentário mordaz: "Você pisca para os homens com pálpebras que tirou de uma gaveta pela manhã". cosméticos negros cobri am as pálpebras. O olho humano tem apenas cerca de 2.

Entretanto. É provável que o resultado seja um brilho ofuscante. porque a maior contração da abertura da pupila reduz a iluminação da retina e "ap aga" a imagem repugnante. Sendo tão complexo. Em século s passados. isso pode ser uma vantagem para os jovens amantes quando olham no fundo das pupilas do ser amado. não surpreende que o olho seja a parte do corpo a apresentar o menor crescimento entre o nascimento e a idade adulta. as cortesãs da Itália pingavam gotas de beladona nos olhos antes de rece ber um visitante. Podem ver uma ima gem vaga banhada em um halo de luz — muito diferente da imagem nua e crua. Se o olho vê alguma coisa de que gosta muito. mas. Sob esse aspecto. Isso dilatava muito as pupilas e as tornava mais atraentes. A pupila aumenta de tamanho com a luz fraca e diminui com a luz forte. e com isso controla a quan tidade de luz levada à retina. É fácil entender essa segun da reação.5 milhão de mensagens simultâneas.permitem a visão em cores. em v ez de uma imagem precisa e nítida. Até o cérebro cresce mais que o olho. A todo momento. deixando que luz demais flua para a retina. quando vê algo de sagradável. Isso deve interferir na precisão de nossa visão. contrai-se ao tamanho de uma cabeça de alfinete. a pupila se expande mais que o normal. po rque dava aos homens que as olhavam a falsa impressão de que eram amados (mesmo qu e eles estivessem diante do rosto devastado e envelhecido de uma libertina). o olho funciona como uma câmera de diafragma ajustável. essas células sensíveis à luz podem processar 1. Difícil é explicar a dilatação da pupila que ocorre diante de uma visão atraente. No centro do olho situa-se a pupila ne gra — a abertura através da qual a luz penetra para chegar à retina. . mas também possui uma outra curiosa função.

A coloração violeta se deve ao sangue que corre por entre a íris. Apenas numa porcentagem muito pequena isso não ocorre e os olhos permanecem azuis. variando do verde ao cinza ou azul ã medida que o pi gmento diminui. A cor da íris varia consideravelmente de pessoa a pessoa. Nossas pupilas não mentem. o que cria a ton alidade azulada. Esse efeito é mais intenso quando comparamos os bebês da raça branca com os da raça negra. Quem exibe um anel castanho escuro ao redor das pupilas tem uma quantidade generosa de melanina nas camadas frontais da íris. Essa função é desempenhada por músculos involuntários. da e xpansão e da contração da pupila um sinal confiável de nossas reações emocionais às imagens v suais. de modo que nun ca conseguimos controlar deliberadamente o tamanho da pupila. ao passo que os de pele morena e negra têm olhos escur os. e ao redor dela a parte que . Olho s claros são portanto quase uma ilusão óptica. a córnea. Se a melanina ali p resente é menor e o pigmento fica quase todo confinado às camadas mais profundas da ír is. os olhos serão mais claros. Pessoas de olhos azuis não têm um pigmento azul: simplesmente possuem menos pigmento que outras. É isso que faz. Cobrindo a pupila e a íris exis te uma camada transparente. Indicam uma perda de melanina e parecem ser parte da palidez gerai do corpo que ocorre à medida que a pessoa se move da z ona equatorial em direção a regiões menos ensolaradas.Ao redor da pupila fica a íris colorida. mas isso não se deve à variedade de pigmentos. à medida que eles crescem. os brancos desenvolvem a melanina na parte fro ntal da íris. Quase todos os bebês brancos têm olhos azuis quando nascem. o disco contrátil responsável pelas mudanças de tamanho da pupila. e seus olhos escurecem pouco a pouco. Mas.

não existem partes brancas visíveis. As lágr imas são drenadas através de dois canais lacrimais — também visíveis como pontos um pouco maiores nas bordas das pálpebras. mas nos primatas superiores os olhos são mais elípticos. visíveis na forma de minúsculos folículos na raiz dos cílios. mais próximos da forma humana.chamamos de "branco do olho". em situações de sociabilidade. e a área exposta de cada lado da íris é marrom-escura. Esse s olhos ainda estão mais próximos da forma circular do que da oval. O processo é auxiliado pela secreção das lágrima s. que ficam embutidas sob as pálpebras. Essa oleosidade é fruto de secreções de diminutas glândulas. Nos humanos. O mesmo o corre nos primatas inferiores. Essa par te não-óptica do olho é uma característica exclusivamente humana. que tecnicamente tem o nome de esclerótica. a brancura dos olhos os torna mais evidentes. e o excesso de lágrimas se e spalha pelas faces. pequenas mudanças de direção são fa mente detectadas. Esse canais se situam na extremidade interna das pálpebras. A maioria dos animais tem olhos redondos e "fundos". mas alguns macacos já apresentam a pele ao redor do s olhos ligeiramente esticada para trás e para os lados. Circundando a parte visível dos olhos. Quan do uma irritação dos olhos ou uma forte emoção fazem a glândula lacrimal produzir mais lágri mas do que os canais são capazes de drenar. as pálpebras são margeadas por cílios curvos e têm bordas oleosas. Essa é uma segunda característica . um na pálpebra superior e outro na pálpebra inferior. produzidas pelas glândulas lacrimais. O efeito dessa pequen a mudança evolutiva é que. Só no homem a parte bran ca do olho é visível. Os dois canais se un em num único cubo que transporta as lágrimas "usadas" para o interior do nariz. o que cria "cantos". É o at o de piscar que umedece e limpa a córnea. Entretanto. mesmo ã distância. nós choramos.

são totalmente transparentes e u sados como óculos de sol naturais. que nos proporcionam uma franja de proteção acima e abaixo dos olhos. em outros ainda.exclusiva dos olhos humanos. todo o rosto é mais gordo. em outros. mais achatado e mais adequado às baixas temp eraturas. têm uma característica excepcional: não embranquecem com a idade como os c abelos e os pêlos do corpo. porque somos o único animal que chora quando está emoci onado. Cada olho tem cerca de duzentos cílios. existe uma pequ ena protuberância rosada. É o vestígio de nossa terceira pálpebra. desfrutaríamos hoje de outr os prazeres. hoje totalmente inútil. e cada cílio dura entre três e cinco mese s antes de cair e ser substituído. As pestanas. ou subaquáticos. mas só entre os orientais se conse rva na idade adulta. e os empurram para fora da córnea quando estão nadando debaixo d'água. Se nossos ancestrais fossem mais aquáticos. em maior quantid ade na pálpebra superior do que na inferior. Os cílios têm o mesmo tempo de vida que os pêlos das sobrancelhas. Neles. Em muitas espécies. Essa pr ega está presente no feto humano em todas as raças. No canto interno do olho. mas esse fo rmato muda gradualmente à medida que o nariz se afina e toma outra forma com a ida de. porém. uma prega cutânea sobre a pálpebra superior que dá aos olhos o formato oblíquo. o epicanto parece ter se conservado como adaptação ao frio. Entre os povos orientais. Alguns bebês ocidentais nascem com olhos puxados. Alguns animais os usam co mo um "limpador de pára-brisa" que pisca para limpar o olho. e essa prega . Os patos mergulhadores têm esses órgãos transparentes e espessos. são órgãos de alguma funcionalidade. são colorido s e piscam para dar algum sinal. Os orientais possuem uma proteção adicional para os olhos: o epicanto. entre os dois canais lacrimais.

mas é difícil dizer se isso se deve a uma diferença biológica ou a uma educação que exige que os homens não demonstrem suas emoções. Quase não há diferença entre os olhos de homens e mulheres. parece ser u ma diferença mundialmente disseminada para ser apenas produto da cultura. as glândulas lacrimais são mais ativas em mulheres emotivas do que em homens igualmente emotivos. mas muitas mulheres no Extre mo Oriente não têm essa opinião. conseguia ler tudo o que encontrava . que mata as bactérias e prote ge o olho de infecções. elas são também bactericidas. O olho fem inino é ligeiramente menor e mostra uma proporção maior da parte branca. Sêneca. e. Em muitas cul turas. Muitos velhos mestres precisavam que os mais jovens lessem para ele s. Contêm uma enzima chamada lisozima. Entretanto. não só devido à imprecisão na obtenção de informações visuais mas mbém porque a constante tensão de tentar enxergar causa fortes dores de cabeça. Uma info rmação sobre as lágrimas: além de lubrificantes para a superfície exposta do olho. e hoje os hospitais estão cheios de jovens com os olhos cobertos de bandagens depois de se submeterem ao bisturi do cirurgião para ter ol hos ocidentais. tornou-se ainda mais agudo. A fo rma dos olhos orientais é indiscutivelmente atraente.cutânea ajuda a proteger a delicada região dos olhos contra um ambiente hostil. ape sar da vista fraca. com a invenção da escrita. O info rtúnio persistiu nas primeiras civilizações. mestre na arte da retórica que viveu em Roma na época de Cristo parece ter sido a primeira pessoa a tentar resolver esse terrível problema. Conta-se que. A visão deficiente deve ter sido uma calamidade para muitos de nossos remotos ancestrais.

". Em 1306. mas não foi isso o que aconteceu. Essa enge nhosa solução deveria ter levado à invenção dos óculos. No séc ulo XV. com o lado convexo voltado para o olho. mas estético. foi descoberta. No final do século. porque mudou a aparência dos nossos olhos. Aros circulares produziam um olhar amplo. de modo que fica claro que. na Itália. e. embora não se saiba se essa invenção foi influenciada por Bacon. no século XVIII..] e se ele for cortado como o menor segmento de uma esfera. e elas lhe parecerão maiores" . o uso de óculos se disseminou. Marco Pólo conta ter visto velhos chineses usando lentes para ler. afirma que tal vidro poderia ser útil para os que tivessem vista fra ca. . surgiram as lentes para corrigir miopia. Os óculos torna ram-se parte da expressão facial. um monge em Florença fez um sermão que incluía a seguinte frase: "Não faz ainda vinte anos que a art e de fabricar óculos. como se a curva do aro substituísse sobrancelhas arquea das. Essa breve história dos óculos não tem apenas in teresse médico. Aros superiores pesados davam a impressão de uma f ronte cerrada. Não havia disfarce.. como numa maquiagem sutil. Em seguida. no século XIV. e no entanto era impossível não notar a influência de suas linhas.. Os óculos não faziam parte do rost o. será capaz de ler muito melhor as letras. uma das artes mais úteis do mundo. Só século XIII o filósofo inglês Roger Bacon registra a seguinte observação: "Se alguém examina r letras ou outros objetos diminutos por meio de um cristal ou vidro [. surgiram finalmente verdadeiros óculos de leitura.. Mais ou menos na mesma época. Benjamin Fran klin inventou as lentes bifocais. da mesma forma q ue uma máscara altera toda a expressão de quem a usa.nas bibliotecas de Roma usando um "globo de água" como lente de aumento. fazendo a pessoa parecer mais feroz e dominadora. As primeiras lentes de contato a dar bons resu ltados foram fabricadas na Suíça em 1887.

enquanto responde. visíveis em contraste com o branco dos olhos. quando l ança uma pergunta a alguém. ficamos atentos a noss os amigos. O que eles escondem? Suponhamos uma reunião social. fizer uma afirmação controversa ou manifestar uma opinião pessoal. os subordinados tendem a observar os sup eriores. Olhos penetrantes. e os superiores tendem a ignorar os subordinados. A figura do minante geralmente se mantém indiferente a essas trocas e dificilmente se dá o traba lho de olhar para o subordinado durante uma conversa generalizada.O efeito dos óculos escuros é especialmente forte. olhos atentos ou desatentos. o faz com um olhar direto. e o interlocutor pode apenas imaginar o que está acontecendo por trás da máscara dos óculo s. os olhos do subordinado vão procurar o superior para observar sua reação. Se uma pessoa submissa e agradável entra numa sala. são uma constante fonte de informações. Se ela avistar um indi víduo de condição superior. Isso acontece porque a melhor maneira de demonstrar amizade com a linguagem c orporal é evitar uma atitude hostil e dominadora. seus olhos vão osci lar de um lado para outro. observando todos os presentes. Essa é cla ramente uma situação em que cerros indivíduos têm poder sobre outros e querem exercê-lo. exceto em circunstância s especiais. os movimentos dos olhos são bem diferente s. bloqueadas com o uso de lentes escuras. Num contexto social. Q uando amigos de igual condição se encontram. Sempre que alg uém contar uma piada. olha para outro lado. Mas. O que nos dizem exatamente os movimentos oculares? Em tais reuniões. dilatados ou contraídos — tudo isso fica oculto. todos usam movimentos oculares de "subordinados". lançará sobre ele um olhar atento e observador. embota não o seja m. Nesse caso. olhos instáve is. os movimento s oculares. A pessoa em quem esse olhar s e fixa não consegue sustentá-lo e. Por isso. acompanhando-os com o olhar .

os humanos sentiam-se protegidos. com isso. Em tempos remotos. a confiança é tanta que eles se olham sem o menor temor. a não ser em situação especiais (como uma campanha eleitoral). para c hecar suas reações ao que dizemos. um olhar direto sustentado por mais de alg uns segundos é muito ameaçador. como tinham muito o que vigiar. só ocorre em momentos de int enso amor ou ódio. e. um amigo trata o outro como um pod eroso. olhamos para eles . é porque deviam ter olhos. Se essas divindades vigiavam os homens. Esses truques raramente são usados p or indivíduos superiores. pode acionar deliberadamente um olhar atento. Dessa maneira. Um olhar fixo e prolongado. podem se sentir intranqüilos ao perceber que nem tudo vai b em no relacionamento. pode fazer isso adotando deliberadamente a linguagem corporal amistosa de um igual. estão verificando inconscientemente o grau de dilatação da pupila.como se eles fossem superiores. sabem intuitivamente que seus sentimentos são correspondidos. o olhar fixo de uma pessoa furiosa é intimidador. quando falamos e eles nos observam. Quando olham nos olhos do ser amado. Se enxergam profund os poços escuros. do tipo olhos nos olhos. olhamos para eles de vez em quando. Quando se dirige a um empregado ou serviçal com a intenção de manipulá-lo. mas também havia deu ses maus e . Quando eles falam ou se movem. acreditava-se q ue seres sobrenaturais vigiavam os atos humanos e influenciavam seus resultados. o faz sentir-se bem. Passando do amor ao ódio. era provável que tivessem muitos olhos e fossem onividentes. Quando os deuses eram bons. Se vêe m uma pupila diminuta. Entre amantes. Para a maioria de nós. quando as superstições eram comuns. e logo desviamos os olhos. Se uma mulher dominadora deseja agradar a alguém. e.

Mesmo hoje. principalmente nas reg iões mediterrâneas. uma mulher comum era possuída pelo Olho do Diabo cont ra sua vontade. A crença no poder dos olhos maléficos se espalhou e ainda hoje sobrevive em algumas pa rtes do mundo. Surpreendentemente. Se caísse sobre alguém. Logicamente. U m amuleto que sobreviveu é a ferradura. ela também já teria desaparecido. a ferradura era símbolo dos genitais femininos. como amuleto de proteção. Muitos amuletos e talismãs eram utilizados para proteger as pessoas dessas ameaças. Como se acreditava que os piores efeitos do Olho do Diabo eram causados pela inveja. um pod er maligno e até mortal que podia atingir a vítima sem aviso. e teria que pendurar um amuleto da sorte no berço da criança ou executar algum outro ritual de proteção. Desde então. Uma mãe ficava horrorizada se u m estranho elogiasse seu bebê. com essa idéia em mente. todos sobre os quais seu olhar recaía seriam vítimas de a lguma desgraça. Se todo mundo soubesse que. os genitais eram geralmente representados abertos por duas mãos. era importante não pro digalizar elogios a alguém que pudesse ser vulnerável. Alguns desses objetos protetores funcionavam segundo o princípio de que uma imagem fortemente sexual podia distrair o Olho do Diabo e mantê-lo ocupado . . que também é colocada numa casa para trazer bo a sorte. O olhar maldoso transformou-se na figura do Olho do Diabo. para evitar que os d emônios entrassem no edifício. al go terrível acontecia. a maioria dessas imagens foram removidas ou escondidas durante a era vitoriana. essas precauções supersticiosas ainda são levadas a sério. muitas igrejas cristãs da Europa medi eval exibiam imagens de genitais femininos sobre as portas. mas algumas ainda sobrevivem. Para intensificar a proteção.demônios — espíritos do mal com olhos malignos — cujo olhar podia causar um desastre. Às vezes.

Esse é outro movimento usado deliberadamente como um sinal. Baixar os olhos. porque olhos arregalados geralmente são acompanhados de sobrancelhas erguidas. Olhar feroz. O olhar feroz é uma versão mais complexa do olhar fixo. expressam uma "alegação de inocência". É o comportamento natural dos su bordinados que não ousam encarar seus superiores. a idéia de reverência e submissão. Usado hoje só de brincadeira. muitas mensagens podem ser lidas em suas várias expressões.Abandonando os olhos fantásticos dos espíritos do mal e chegando aos olhos verdadeir os de uma mulher. Esse é um olh ar usado freqüentemente pela mãe que tenta dominar os filhos sem dizer uma palavra. Por essa razão. Ergu er os olhos para o céu. Durante o olhar feroz. Olhos baixos são às vezes sinal de modéstia. mas baixa-os para o chão. assim como no gesto de baixar a cabeça. as pálpebras superiores são fortemente pressionadas pa ra cima e quase desaparecem sob as sobrancelhas abaixadas. e duas partes do rosto precisam opor forças. Há ne sse ato. Os olhos encaram a "vítima" be m abertos. esse movimento dos olhos baseia-se na idéia de olhar para o céu em busca de que o divino seja testemunha da inocência. mas o cenho se mantém franzido. não é uma expressão que se mantenha por muito tempo. Isso dá ao olhar uma ex pressão . Uma pessoa verdadeiramente modes ta não move os olhos para a esquerda e para a direita. Trata-se de uma contradição. Se os olhos se mantêm um segundo nessa posição.

Olhar desfocado. Trata-se de uma forma ar rogante. Isso ocorre quando estamos muito cansados ou sonhando acordados. Esse movimento aumenta o campo de visão e abre caminho para uma maior rec eptividade a estímulos visuais. Alguém que queira mostrar que está sonhando com algo especia l (um novo amor. Também é um sinal de ti midez ou de reserva. Como ocorre com muitas reações automáticas dos olhos. mas não consigo deixa r de olhá-lo" é a mensagem que ele contém. . o movimento vol untário de apertar os olhos também tem uma versão deliberada. Olhos apertados . Essa expressão de dor artificial implica que os presentes são a causa de uma angústia mais ou menos permanente. A expressão "olhar de esguelha" descreve perf eitamente esse gesto. um a versão "representada" é às vezes usada como sinal de falsa surpresa.inconfundível. Abrir os olhos a ponto de mostrar o branco acima e/ou abaixo da íris costuma ser uma reação a uma surpresa m oderada. "Estou muito assustado para encarar você. Basicamente uma proteção contra o excesso de luz ou possíveis danos. É uma expressão de desgosto. Olhos arregalados. na qual fica evidente que a pessoa não está sofrendo com a exposição à luz ou tem endo uma ameaça. Olhar de soslaio. por exemplo) pode ficar olhando por uma janela com um olhar des focado para impressionar os presentes. Es se é um movimento usado para olhar alguém sem se dar a perceber. A mensagem do olhar feroz é de raiva e surpresa.

e há relatos de que as lontras também choram quando per dem os filhotes. porque parece que a pessoa está apertando os olhos deliberadamente. mas também o olhar da angústia. A prega de pele dos olhos orientais às vezes cria uma falsa impressão de arrogância. quando produzia lágrimas como uma reação à longa exposição à água do mar. S e há milhões de anos o homem passou por uma fase aquática. Chorar é um forte sinal social. da aflição e da tristeza — em resumo. O fato de sermos capazes de chorar enquanto outros primatas não choram tem despertado considerável interesse. dos fãs. Essa explicação aquática parece lógica. Há quem afirme que isso se deve ao fato de nossos ancestrais terem passado por uma fase aquática há milhões de anos. Esse é o olhar dos apaixonados. Olhos úmidos. Uma outra possibilidade é que o clima seco das savanas te nha aumentado a produção de lágrimas. Isso explicaria por que ele é o único primat a a ter essa capacidade. Afirma-se ainda que as lágrimas são um produto da evolução da função de lim peza dos olhos em mamíferos que voltaram ao mar. da mãe orgulhosa e do at leta triunfante. A superfície luminosa e cintilante dos olhos fica levemente umedecida por uma sec reção das glândulas lacrimais causadas por uma forte emoção.de desprezo pelo mundo ao redor. é possível que tenha conservado esses olhos lacr s quando voltou à terra firme como caçador. O brilho dos olhos transmite uma mensagem in teiramente diference e é algo difícil de imitar (a não ser para atores profissionais). de qualquer forte emoção que seja reprimida pouco antes do choro. As b aleias choram quando sofrem. mas não suficientemente forte p ara produzir lágrimas. Olhos brilhantes. e .

hoje existem várias maneiras diferentes de piscar. o movimento das pálpebras que limpa e umedece a superfície da córnea a freqüentes inte rvalos durante o dia. Só no rosto se m pêlos da espécie humana as lágrimas brilhantes funcionariam como um forte sinal visu al. Eis algumas das diferentes maneiras de piscar: . o que exp licaria por que "chorar faz bem": a melhora de humor seria fruto de uma mudança quím ica. pode-se dizer que todos eles possuem faces peludas. Em estados emocionais. seria então uma exploração secundária desse mecanismo de excreção. É po r isso que a freqüência das piscadas pode ser usada como um indício do estado de espírit o. leva mais ou menos 1/40 de segundo. A visão de faces banhadas de lágrimas.que o choro seja resultado da função de limpeza. Uma explicação completamente diferente parte da idéia de que as lágrimas. Pis car os olhos. quando a produção de lágrimas aumenta. têm uma função excretora. nas quais as lágrimas se perderiam. Deixando o tema dramático do choro e abordando o tema mais mundano d a piscadela. Isso indicaria que o choro emocional é primordialmente uma maneira de l impar o corpo do excesso de substâncias químicas produzidas pelo estresse. que estimularia as pessoas a abraçar e con fortar o sofredor. que passam por momentos de forte tensão em disputas no mundo selvagem. é difícil conciliar essa teoria com a ausência de lágrimas em animais como os ch impanzés. as piscadelas também se tornam mais freqüentes. A análise química das lágrimas produzidas pela tristeza e das lágrimas produzidas pela irritação dos olhos revelou que os dois líquidos contém diferente s proteínas. Mais u ma vez. Contra o argumento de que os outros mamíferos que habitam regiões secas não choram quando estão tristes. como a uri na. A piscadela normal .

entre pesso as de sexos diferences ou do mesmo sexo. Como sugere um entendimento particular entre duas pessoas. É outro gesto teatral. Piscar exageradamente. e por isso estou limpando-os com uma imensa piscadela para ter certeza de que é isso mesmo que estou vendo". Usado em segredo ou abertamente. É uma piscadela mais lenta e maior em amplitude que a piscadela normal. Os olhos se abrem e fecham numa fração de segundo. a piscadela pode ser usada abertamente para "provocar" um te rceiro e fazê-lo sentir-se excluído. que são arrega lados numa expressão de falsa inocência. Trata-se de u ma tentativa desesperada de prender as lágrimas antes que elas comecem a rolar. Entre amigos. A mensagem que el e passa é a seguinte: "Não creio no que meus olhos vêem. Entre estranhos. significa que ambos estão de acordo sobre alguma questão. o gesto é conden ado pelas . A mensagem q ue ele transmite é: "Eu e você partilhamos momentaneamente um segredo que exclui os demais". É um sinal melod ramático de falsa surpresa. Esse é um gesto deliberado que significa cumplicidade entre duas pessoas.Piscar repetidamente. Isso ocorre quando alguém está à beira das lágrimas. Piscar para alguém. ou que desfrutam de uma intimidade maior do que a que têm com as outras pessoas prese ntes. também é usado como um sinal de tristeza. Po r causa disso. o gesto geralmente implica um convite sexual. Ad ejar as pestanas. usado apenas com um gesto "teatral". num tremor seme lhante ao que tenta evitar o choro. A diferença é a abertura dos olhos.

o preto era encontrado em duas tonalidades. C omo os olhos femininos transmitem muitas mensagens. Novas pe squisas revelaram que. Além das cores preto e verde. hoje se sabe que há 4 mil anos. funcionava c omo uma proteção contra o brilho do sol. Dois dos brancos também agiam como antibióticos. Por alguma razão ainda descon hecida (a menos que a dificuldade esteja na maquiagem dos olhos). graças a uma química bastante avançada. um óxido de cobre. uma fosca e outra brilhante. é muito mais fácil para os homens piscar de uma maneira convincente. não surpreende que toda uma co smética tenha se desenvolvido para embelezá-los. Além de decorativa. . que fica de fora da troca pessoal. Uma autoridade no assunto declarou que. É claro que. para as mulheres egípcia s daquele tempo. Um produto puramente decorativo para maquia r os olhos era preparado com ovos de formigas. e ra utilizada para pintar traços pretos que exageravam a forma das pálpebras. Além disso. 2 mil anos antes de Cristo. o amarelo.regras de etiqueta. a fabricação de cosméticos era um p rocesso muito mais complexo do que se acreditava. já c onhecidas. um minério de chumbo. as da mas egípcias tinham a seu dispor o púrpura. A galena. na Europa. Muitas mulheres acham difícil piscar de uma maneira c onvincente e se sentem desajeitadas quando o tentam. enquanto o outro olho se mantém aberto para o resto do mundo. a pintura dos olhos já era bastante sofisticada 5 mil anos antes de Cristo. Piscar para alguém talvez signi fique que desejamos partilhar um segredo apenas com uma pessoa. No Egito. o azul e três tipos de branco. a maquiagem dos olhos era cara e consumia muito tempo. A malaq uita. isso não é co isa de uma mulher de classe. foi usada para fabricar a famosa maquiagem verde que era aplicada na região dos olhos na forma de uma pasta.

registra o uso de sombras pretas para os olhos. a rainha Cl eópatra ainda experimentava novas combinações de cores. feitas d e cinzas de madeira. que escreveu a primei ra obra sobre cosméticos. A maquiagem dos olhos da mulher egípcia incluía um estranho elemento: uma linha negra horizontal que parti a do canto externo do olho até a orelha. bronze. Essa obsessão pela maquiagem dos olhos no Egito durou milhares de anos. um dos quais afirmou que. Mesmo no período em que a grande civilização já declinava. Os antigos romanos eram menos austeros a esse respeito. Embora tenha sido a língua grega que nos legou a pal avra "cosmético (de "kosmetikos". ao acordar pela manhã. Muitos desses bas tonetes. era aceitável realçar as pálpe bras com um pincel mergulhado em incenso preto e delinear os olhos com kohl. apenas as cort esãs gregas desfrutavam dos prazeres da maquiagem. feito de madeira. pintando as pálpebras superiores de azul-escuro e as inferiores de um verde brilhante. e sombras douradas produ- . Nelas. a mulher usava um bastonete de ponta arre ndada. Emb ora muitos homens gregos usufruíssem da companhia dessas mulheres. Esse elemento altamente decorativo tinha um significado mágico porque era a imitação das linhas do olho do gato. que significa "elaborada decoração"). Ovídio. foram encontrados em salas de maquiagem e de banho de mais de 3 mil anos atrás. "uma mulher dessas pareceria ainda menos atraente que um macaco . onde as mulheres respeitáveis deviam exibir a pureza e a graça de suas formas naturais. hematita. um animal sagr ado para os antigos egípcios. As coisas eram bastante d iferentes na antiga Grécia. assim como potes de cosméticos lindamente decorados.Para aplicar esses cosméticos nos olhos. obsidiana ou vidro. as cortesãs eram desprezadas pelos autores puritanos da época.

Theda Bara. O dramaturgo romano Plauto afirmou que "uma mulher sem pi ntura é como comida sem sal". Depois da Primeira Grande Guerra. Uma atriz em particular. recentemente emancipada s. A Europa segui a a tradição grega. estavam decididas a se embelezar segundo seu próprio gosto e a rejeitar qualque r interferência de figuras autoritárias masculinas. para fazê-los "parecer estrel as". era uma prerrogativa das mulheres de vida fácil. Em poucas décadas. Quan do isso aconteceu. A maquiagem dos olhos só ressurgiu inteiramente no início do século XX . a maquiagem praticamente de sapareceu dos olhos femininos na Europa e só ressurgiria muitos séculos depois. com seu conhecimento do antigo Egito. que dava seus primeiros passos. Helena Rubin stein.zidas a partir do açafrão. As mulheres. Foi o começo de uma revolução na cosmética. pioneira da moderna cosmética. Essas jovens foram fortemente in fluenciadas pelo cinema. tirou a idéia das sombras coloridas do teatro francês e. um manual de beleza que aconselhava traçar uma linha a lápis para alongar o s olhos e descrevia um aparelho para curvar os cílios. as décadas de 1920 e 30 viram esse comércio d e cosméticos florescer numa indústria de massa. O ano de 1910 assistiu à publicação de um notável pequeno volume intitulado The Daily Mirror Beau ty Book. Depois da queda de Roma. As atrizes dos primeiro s filmes em preto e branco eram obrigadas a enfatizar os traços faciais para torná-l os mais visíveis para a platéia. quando uma forte reação ao puritanismo vitoriano começou a ganhar impulso. influenciou a indústria de cosméticos ao lançar a moda dos olhos pesadamente maquiados. experimentou o kohl para criar a dramática máscara de Theda Bara para o papel de Cleópatra. o inusitado de Hollywood tornou-se lugar- .

No início da década de 1960. não parece haver limites para essa área da "modificação" feminina. Desde então. com as pálpebras. . a indústria cosmética cresce cada vez mais". "as mulheres pod em ser obrigadas a parecer feias pelos chefes de Estado islâmicos. a linha dos olhos e os cílios recebendo mai or ou menor atenção de acordo com os ditames da moda. Na verdade. Um anúncio proc lamava que "Para olho nu. mas. uma face nua". foi Elizabeth Taylor a fazer o papel d e Cleópatra. O truque era que essa face nua se conqu istava com o mais demorado e mais cuidadoso procedimento cosmético na história da ma quiagem. a maquiagem dos olhos recebe a mesma atenção de sempre — ainda que só possa ser apre ciada na privacidade do lar. Dessa vez. É evidente que o desejo feminino de r ealçar a beleza dos olhos continua tão forte hoje como era nas antigas civilizações. o olhar desafiador de Cleópatra deu lugar a uma aparência mais natural. Mesmo em países onde dogmas religiosos impõem a sujeição das mulheres. A maquiagem ostensiva do início da década foi substit uída por uma sutil ingenuidade. seus olhos pesadamente maquiados inspiraram jovens de todo o mundo — e sombras. a maquiagem dos olhos sempre esteve presente — às vezes sutil. No mundo ocidental. delineadores e cílios postiços entraram na moda. criando um ar de "inocência infantil". pelo menos . No épico de 1963. Como escreveu uma autora iraniana. No final d a década. obrigando-as a cobrir o rosto em públi co. o utras vezes nem tanto —. essa suposta aparência natu ral era totalmente artificial.comum em todo o mundo. mas os cosméticos para os olhos não desapareceram. o Egito serviu novamente de insp iração para a maquiagem dos olhos. ironicamen te.

Por que isso acontece? O que há de tão especial nessa parte da anatomia feminina? É evidente que. que o "órgão proeminente".6. e por isso a cirurgia plástica para mod ificar o nariz feminino tem tido muita procura há mais de meio século. Há algo tão positivo na independência do nariz em relação às feiçõ o cercam. a não ser franzindo-se em sinal de repugnância. É difíc il aceitar essa suposição. é preciso p rimeiro examinar a biologia básica do nariz. n a evolução da espécie. como ele é chamado. à medida que o rosto humano foi se achatando. com a ponte saliente. a ponta alongada e as narinas voltadas para baixo. Os que têm o focinho mais longo também possuem uma face alongada. . é único. Nós temos um nariz protuberante num rosto achatado. mas tem uma importância desp roporcional ao seu tamanho. Os macac os não possuem nada parecido. uma característica est ranha que exige uma explicação. sempre despertou muita ate nção. Várias hipóteses foram levantadas. Nariz O nariz é uma parte muito pequena da anatomia feminina. como uma rocha que fica exposta quando a maré baixa. pele saudável e fartos seios g anharam muita importância como sinais de beleza feminina. Se compararmos o nariz humano com os de nossos parentes próximos do mundo animal. o nari z permaneceu onde estava. Alguns anatomistas apresentaram um argumento pouco c onvincente: no curso da evolução. mas que vantagem evoluti va pode haver na forma exata de um nariz feminino? Para entender isso. fica evidente que nosso nariz. características como quadris amplos. Seu formato tem sido referência de beleza. É uma parte do rosto que não é capaz de expressar-se. Apesar disso. deve nos proporcionar alguma vantagem biológica.

Válvulas nasais seriam muito mais úteis a um macaco aquático. precisamos de outra explicação para a protuberância do nariz. . de um golpe frontal. Há quem afirme que nossos ancestrais passaram por uma fase aquática há milhões de anos. O nariz seria uma proteção contra o influxo de água quando mergulhávamos. Apenas um pequeno passo evolucio nário seria necessário para que o homem tivesse um nariz capaz de se fechar debaixo d'água. Isso é verdade.A primeira teoria vê a probóscide humana como um ressonador. Para ilustrar essa proprieda de. como as baleias. Mas talvez a voz clara dos h umanos só precise dos grandes seios nasais — as cavidades nasais ocultas — para ressoa r com clareza. Seu crescimento é interpr etado como um movimento de apoio cada vez maior da vocalização humana. um dedo no supercílio e outro na ponte do nariz. bastante fantasiosa. mas seria muito mais provável que tivéssem os desenvolvido válvulas nasais. vamos sentir a mão pressionando as três procrusões defensivas do olho. mas não precisamos fazer isso quando mergulhamos de cabeça. ê preciso falar tapando o nariz. que é mole e vulneráve l. nosso corpo teria sofrido diversas a daptações. Se apoiarmos a ponta do polegar no osso malar. Se for esse o caso. Uma terceira teoria. quando pulamos na água. Durante esse período. Uma segunda teoria vê o nariz humano como um escudo: uma armadura óssea q ue ajuda a proteger os olhos. Esse triângulo ósseo protege o olho. não teríamos necessidade de desenvolver um nariz alo ngado com narinas voltadas para baixo. Se isso tivesse ocorrido. É por isso q ue os cantores têm tanto pavor de pegar um resfriado. A perda da qualidade vocal é drástica. O nariz teria se desenvolvido à medida que a voz e a fala evoluíram. vê o nariz como uma defesa contra a água. Vale le mbrar que. apertamos o nariz.

que oscilam 250 vezes por minuto. essa mucosa desliza pela garganta. Essa superfície úmida está sempre em movimento. Enquanto isso . 95% de u midade e livre de poeira. gravemente prejudicados em um ou dois dias . o que prova a extraordinária eficiência da engenharia do nariz humano. onde é engolida. para evitar que o delicado revestimento dos pulmões se resseque ou se danifiqu e. porque inc rustados nela existem milhões de minúsculos pêlos chamados cílios. renovando metade da cobertura mucosa a cada minuto. deve ser um ar temperado. Para entender isso é necessário dar uma olhada dentro do nariz. Ao abandonar a tranqüilidade das árvores e se aventurar por planícies descampadas e outros ambientes mais hostis. úmido e lim po. Se um paciente de um hospital perder o uso do nariz p or qualquer motivo. dificilmente está nas condições ideais para passar aos pulmões. nossos ancestrais devem ter encontrado um ambiente adverso e cheio de ventos. seus pulmões estarão. Quando o ar é inalado pelas narinas . O nariz consegue isso de uma maneira notável: fornecendo mais de 14m3 de ar con dicionado a cada 24 horas. Por força da grav idade.Mas talvez o formato do nariz humano o ajude a funcionar como uma proteção diferente : contra a poeira e os resíduos carregados pelo vento. Os pulmões são exigentes q uanto à qualidade ideal do ar que gostariam de receber: 35º de temperatura. Em outras palavra. Essa teoria vê o nariz como um aparelho de ar condicionado obrigado a suportar uma carga cada vez maior à medida que nossos ancestrais se deslocavam para regiões mais frias e secas do planeta. Tentativas de criar um nariz artificial enfrentaram muitas dificuldades. A superfície interna das complexas cavidades nasais é coberta por uma membrana mucosa que segrega cerc a de 1 litro de água por dia. o nde um nariz seria de grande utilidade.

dividindoas em grupos correspon dentes à temperatura e à umidade do local onde vivem. A função olfativa é realizada por dois pequenos conjuntos de células capazes de detectar os cheiros. Num clima quente e úm ido. conservando sua função de condicionamento do ar. o nariz precisa ser mais alto e ma is proeminente do que numa floresta úmida. à medida que nos os ancestrais abandonaram seu habitat tropical e úmido e se aventuraram por outras terras em busca da caça. Mas não é só para isso que serve o na riz: ele é o principal órgão do olfato e do paladar. para se m anter eficiente nas savanas áridas ou desertos. Cada um deles é constituído por . seu nariz passou a ser mais exigido. situam-se acima das fossas nasais. porém. o ar que passa pelas cavidades nasais vai se aquecendo e tornando-se m ais úmido. portant o. o nariz humano é um aparelho ressonador e um escudo ósseo que se tornou mais prot uberante e mais longo à medida que nossa espécie abandonou o quente e úmido Jardim do Éd en. Isso não significa classificá-las por "raças". Daí podemos concluir que. ao passo que 73% precisam ser produzidos pela mucosa nasal. apenas 27% da umidade vêm do ar. Isso significa que. por exemplo. Um cuidadoso mapeamento revela que é possív el classificar as pessoas segundo um índice nasal. Resumindo. Assim o s pulmões estão seguros para a próxima inspiração. 76% da umidade são provenientes do exterior. Pessoas de pele escura que vivem em regiões quentes na África ocidental.acontece. por exemplo — apresentarão um nariz mais achatado que as pessoas de pele escura que vivem nas regiões mais secas da África oriental. Do tamanho de uma pe quena moeda. O pó e os resíduos de sujeira aderem à mucosa e são eliminados com ela. A forma do nariz é apenas uma indicação d o tipo de ar que nossos ancestrais respiraram e de nada mais. e o nariz só contribu i com 24% Num clima quente e seco.

usamos roupas que eliminam nossos cheiros corporais e enchemos o ar de aeros sóis capazes de eliminar cheiros e disfarçar odores. numa experiência simples. inevitavelmente. As mulheres jovens geralmente se surpreendem ao descobrir que possuem essa sensibilidade. Se. Mais uma vez. Ainda pensamos no olfato como a lgo primitivo e bárbaro — uma capacidade antiga que é melhor esquecer e abandonar. possuem uma fisiologia mais equilibrada. descobriu-se que as mulheres que apreciam relações sexuais freqüentes. c ada mãe será capaz de distinguir seu filho entre todos os outros. Apresentam ciclos sexuais mais regulares e menos problemas de fertilidade — tal é o poder do nariz. Pesquisas realizadas na década de 1970 ident ificaram mais de duzentos diferentes compostos químicos que podem ser encontrados no suor. Vivemos em cidades onde os odores naturais tornam-se imperceptíve is. As mães também são capazes de reconhecer seus bebês pe lo cheiro corporal. e seus bebês transportados diante da fila um por um. Surpreendentemente.) Não temos consciência dessa alta eficiência do nariz porque ignoramos e anulamos cada ve z mais suas funções. . nos óleos da pele e nos fluidos genitais. (Apenas para registro: só metade dos jovens pais foram capazes do mesmo feito. diversas mães forem colocadas em l inha com os olhos vendados.5 milhões de células que nos dão uma sensibilidade muito maior aos odores do que em ge ral imaginamos. é uma demonstração de quanto a capacidade do nariz humano tem sido subestimada. aspiram diversos cheiros masculinos. Somos capazes de detectar substâncias diluídas numa proporção de uma par te da substância para bilhões de partes de ar. durante as quai s. O nariz feminino tem uma extraordinária sensibilidade aos odores masculinos. na saliva.

Se. mastigam os e engolimos os alimentos. fortes ossos malares e um nariz mais protuberante. Quando levamos o alimento à boca. em média. Essa é portanto a biologia do nariz. precisariam de uma proteção maior que as mulheres primitivas. precisavam da maior proteção pos sível. A língua é o principal órgão do paladar. Só é capaz de disti nguir quatro sabores: doce. Essa proteção podia ser adquirida se eles desenvolvessem um crânio mais pesado. ele protege os olhos de golpes violentos. mas tem uma capacidade muito limitada. Nas tribos primitivas. por exemplo — existe um esforço de educar o nariz a desenvolver plenamente seu potencial . s obrancelhas mais espessas.Apenas em algumas áreas especializadas — a dos provadores de vinhos e perfumes. como dissemos . ou indiretam ente pela própria boca. mas como ela pode nos ajudar a entender a forte ligação entre a forma do nariz e a beleza feminina? Um a resposta pode ser encontrada na protrusão óssea do nariz humano. À medida que mordemos. que eram c açadores. as mulheres adultas eram valiosas demais para serem expostas numa caçada. salgado. Um alimento pode ter um sabor desagradável (na língua) e um ch eiro delicioso (no nariz). se tinham que enfrentar os perigos de uma caçada. todos os outros sabores de nossa variadíssima culinária na verdade são detectados não na superfície da língua salivante. . Os homens adultos eram mais dispensáveis. ainda ass im. amargo e ácido. mas. Po r isso. o nariz dos homens acabou se tornando maior que o das mulheres. então os homens primitivos. mas pelas células olfati vas situadas acima das fossas nasais. Convém agora explicar por que dissemos que o nariz é também um órgão do paladar. que coletavam alimentos. as partícula s odoríficas chegam a essas células diretamente pelas cavidades nasais.

Essas diferenças criaram uma equação: nariz menor = nariz feminino. houve uma pr essão evolutiva para que o nariz dos homens se tornasse maior que o das mulheres. os das regiões úmidas. Acrescente-se a isso um "cu lto à juventude" e o resultado é óbvio: quanto menor o nariz. to dos nós temos o nariz na forma de um minúsculo botão. Se forem viver em outras partes do mundo. são mais largos que a média. desenvolvida na perseguição das presas. algumas dessas mulher es podem achar que seu nariz não é bastante . são maiores que a média. Port anto. sentemse desfavorecidas pela genética por terem que viver com um nariz grande e masculin o. porém. Narizes provenientes de regiões desérticas. mais bela é a mulher. Durante a infância. como o Oriente Médio e o norte da África. A partir daí. Há duas razões possíveis para isso. Para a maioria das mulheres. Outro fator favoreceu a pequenez do nariz feminino. au mentou a importância do nariz como condicionador do ar. Elas podem ter sido desfavorecidas simplesmente em conseqüência das variações individuais que ocorrem em todas as populações. a capacidade atlética dos homens. e qualquer mulher que nascesse com um nariz muito grande se sentiria feia. isso não é problema — a natureza lhes foi favorável. Mas também é p el que seus ancestrais recentes tenham vindo de uma parte do mundo onde um nariz grande era uma adaptação valiosa ao clima. Daí se conclui que um nariz pequeno é um nariz infantil. Outras. Mais uma vez. para parecer jovem e feminina é preciso ter um nariz pequeno. esse botão cresc e proporcionalmente ao resto da lace e atinge seu tamanho máximo na idade adulta. onde o clima seja mais temperado.Além disso. Iss o não foi tudo. Quando bebês. qualqu er mulher que nascesse com um nariz muito delicado era considerada superfeminina . co mo de certas partes da África tropical.

as primeiras clientes da cirurgia plástica do nariz foram as estrelas do show business. Como quase sempre ac ontece com essas "melhorias" corporais. O termo técnico para essa cirurgia é rinoplastia — que vem de rhino. onde ele realizou uma rinoplastia que reduziu seu nariz proeminente a dimensões diminut as. como a redução da batata do nar iz. elas pouco podiam fazer. Fanny perdera "um nariz de 1 mi lhão de dólares". o termo grego para nariz. o estreitamento das narinas e a elevação da ponta do nariz.feminino e desejarão tê-lo menor. O procedimento mais comum implica a remoção da saliência óssea que torna o nariz muito protuberante e adunco. contra o que a atriz se defendeu energicamente. Com os avanços técnicos. quando fez o papel de Fanny Brice em Funny Girl. Em 1923. Mais tarde. para que não haja cicatrizes externas. na década de 1960. percebeu-se que os mesm os procedimentos podiam ser utilizados por razões puramente estéticas. e o perfil nasal se redu z drasticamente. Segundo ele. sempre que al guém estivesse infeliz com o rosto que a natureza lhe dera. a famosa atriz de teatro Fanny Brice convocou um renomado cirurgião plástico a seu apartamento no Ritz. Reduzir o tamanho do n ariz feminino tornou-se a mais popular das cirurgias plásticas. Barbra Srreisand se . A cirurgi a é realizada dentro do nariz. A cirurgia p lástica surgiu da necessidade de reconstruir o rosto dos soltados feridos durante as duas grandes guerras do século XX. Uma serra cirúrgica especial remove essa saliência. Mas existem cirurgias menos comuns. Dorothy Parker. Até o século XIX. Seu produtor ficou horrorizado. mas o apare cimento de técnicas avançadas de cirurgia plástica vieram em seu socorro. famosa por seus comentários cáusticos sobre as celebri dades da época. afirmou que Brice (que era judia) tinha "cortado fora o nariz por ód io à sua raça".

Em algumas regiões da África tropical. e o incidente sobre a cirurgia plástica de Fanny foi omitido no roteiro do filme. o nariz se tornou um foco de atenção. da A rábia Saudita e dos países do Golfo acorrem às clínicas israelenses em busca da operação. Mas é claro que. "Deus ama os belos". da Jordânia. Mas Streisand. Mesmo em países onde o nariz grande é uma característica comum. No início do século XXI. por exemplo. a mod a pegou. A desculpa das adolesc entes é que. com q uase todo o resto do corpo coberto. o nariz . uma operação diferente está ganhando popularidade. onde por imposição d o rigoroso regime islâmico as mulheres cobrem os cabelos em público e expõem apenas o rosto. Além das mulheres israelenses. foi uma exceção. No início do século XXI. o número de rinoplastias está crescendo em proporções assustadoras . a redução do nariz se tornou tal obsessão para as jovens irania nas que mais de cem cirurgiões plásticos chegavam a realizar 35 mil rinoplastias por ano.recusou bravamente a operar seu imponente nariz. o número de rinoplastias já ultrapassava cente nas de milhares. de acordo com a lei islâmica. Na segunda metade do século XX. jovens do Egito. a rinoplastia se tor nou cada vez mais popular no mundo ocidental porque um número cada vez maior de at rizes modelos e mulheres de todas as condições sociais passaram por uma plástica para reduzir o nariz. O procedimento popularizou-se nos lugares mais inesperados. cirurgiões plásticos são cada vez mais requisitados p ara a rinoplastia. Depois del a. Em Israel. No Irã. ou parte dele. dona de uma fort e personalidade. Uma adolescente de Teerã afirmou: "A moda chegou a tal ponto que as pessoas que não operam o nariz usam um curativo para chamar a atenção".

mas esse costume nunca se generalizou. o septo nasal era perfurado para que nele se pudesse pendurar um ornam ento. quando o costume era perfurar a narina esquerda. e. onde o marid o costuma presentear a esposa com uma argola de ouro que ela deverá usar no nariz no dia do casamento. a moda foi adotada pelos punks dos anos 1970. se usasse uma argola na narina esquerda (muitas vezes ligada à orelha esquerda por uma corrente de ouro). Ainda é prática corrente entre os berberes e beduínos nômades do Norte da África e do Oriente Médio. no século XVII. No Vietnã e na China. e. Em algumas sociedades tribais. É o equivalente nasal do alisamento dos cabelos. A tradição de usar argola no nariz foi levada do Oriente Médio p ara a Índia durante o período mongol. O piercing nas narinas tem uma long a história. se mais t arde ocorrer o divórcio. O tamanho da argola indica a riqueza da família. ao ver as mulheres nativas com argolas no nariz. a mulher teria um parto menos doloroso. escolhida porque esse lado estava relacionado à procriação e ao nasci mento. as cirurgias que ocidentalizam o nariz estão sendo realizadas em grande número. Acreditava-se que. que começa no Oriente Médio cerca de 4 mil anos atrás. o pulso ou os dedos. Uma tendência semelhante foi relatada recent emente no Extremo Oriente.largo e chato das mulheres nativas se estreita e recebe uma ponte mais firme. Na Inglaterra. Na década de 1960. os hippies do Ocidente gostavam de viajar para o Orie nte "em busca de si mesmos". uma cirurgia com a qual as jovens a fricanas tentam parecer mais européias. a mulher rejeitada pode usar o aro de ouro no nariz para garantir sua segurança. mas ainda era vista como uma tendência . o pescoço. decidiram adotar essa maneira exótica de mutilação. o nariz nunca foi tão popular quanto as orelhas. Para o uso de jóias.

nos mordemos no nariz. E o pior foi uma pu nição particularmente brutal. Eis. No ato sexual. tem sido rara socialmente. misturamos nossas línguas. Na Europa. Num contexto social.exótica. O melhor que um nariz pode esperar é um puxão ou um soco. nos morde mos nas bochechas. segundo Malinowski. na qual uma faca era inserida nas narinas. o nariz só recebe toques gentis na vida p rivada. Hoje. já no século XXI. os pequenos piercings ganharam popularidade.". Mais tarde. esfrego meu nariz no dela. a maneira como um nativo de Trobriand descreve o ato sexual: "Eu a abraço com todo o meu corpo. começa a declinar. nos mordemos no queixo. Então. Em muitos lugares houve reações violentas de patrões contra empregados que usavam esse n ovo tipo de ornamento feminino. os povos do Pacífico utilizavam o contato nariz a nariz q uase da mesma maneira que . embora os coletores de impostos tenham aposentado as fac as. àqueles que não p agassem impostos. mas com o tempo o costume foi perdendo seu caráter de rebeldia. o que fazia o nariz se partir ao meio. No mundo ocidental. uma carícia que entretanto nunca saiu do âmbito da intimidade Em certas ilhas d o Pacífico.. o contato entre duas pessoas pelo nariz sempre foi considerado grosseiro e incivil izado. talvez devido à influência cada ve z maior dos filmes de Hollywood. acariciamos as axilas e as virilhas. os amantes esfregam o nariz do parceiro contra o próprio na riz. no século IX. sugo o seu lábio inferior e ela suga o meu . . e hoje. tensos de paixão. Quanto à maneira de cumprimen tar com um toque de nariz contra nariz. ainda mostramos uma relíquia desse método primitivo quando dizemos que o fisco " nos deu uma facada". Esse castigo era aplicado. esse toque também ocorre num contexto social. por volta do final do século XX.

Esses cumprimentos estão em declínio. o contato deve ser d e nariz com pulso.usamos o beijo. Quando um cidadão cumprimenta um grande chefe. o toque no nariz às vezes obedece a um rígido código d e comportamento. O modo de vida mais co smopolita. Em uma tribo das ilhas Salomão. o que é um erro. só é permitido entre pessoas da mesma c ondição social. O contato de nariz com nariz. no sul do Pacífico. assim como de nariz com bochecha. quando maoris de a lta casta de encontram. Como cumprimento formal. deve tocar os se us joelhos com o nariz. c o o nipresente aperto de mãos se espalhou por todo o planeta. um gesto que se baseia na idéia de inalar a fragrância do corpo do outro. Hoje. o crescimento do turismo e do comércio internaci onal — tudo isso contribuiu para uma uniformidade dos gestos de cumprimento. O novo ocupa o lugar da tradição. existe uma list a das partes do corpo que podem ou não ser tocadas pelo nariz. O movimento de esfregar geralmente se reserva aos enco ntros eróticos do tipo descrito por Malinowski. a mistura de culturas. Em público. Quando um jovem encontra uma pessoa mais velha. Costuma-se descrever esse contato como "esfregar um nariz contra o outro". o que ocorre é um toque na ponta do nariz. . combinam um vigoroso aperto de mãos com um leve toque no n ariz.

A "noiva ruborizada" é um clichê nas cerimônias . Si mbolicamente.. e geralmente não t em do que se envergonhar. o nariz. beliscamos ou beijamos as faces do ser amado. numa reminiscência do amor puro en tre pais e filhos. inocência e modéstia. Ou deveria. como o pescoço. tímida em sociedade. O rubor da vergonha ou do constrangimento sexual se inicia no centro das bochechas — em dois pontos que ganham uma cor vermelho-esc ura — e só então se irradia pela superfície do rosto. Mark Twain certa vez declarou que "O homem é o único animal que se rub oriza. é em outros contextos que o rubor ocorr e.7. a não ser de sua inexperiência e indesejada inocência. Na verdade. A pessoa que enrubesce costuma ser jovem. Assim como a mãe pressiona levemente as bochechas do bebê contra o rosto. a bochecha é a parte mais suave de todo o corpo feminino. tocamos . Isso ocorreu em parte porque a forma arre dondada do rosto de um bebê — uma característica exclusivamente humana — sempre desperto u forte amor paternal. Em momentos de ternura. os lóbulos das orel has e o colo. Bochechas Desde épocas muito remotas a parte macia e lisa do rosto feminino tem sido conside rada sede de beleza.. se o rubor se intensifica ainda mais. espalha-se para outras áreas. os namorados dançam de rosto colado e velhos amigos se beijam na face. Depois. A bochecha é também a parte do corpo que revela mais claramente as emoções." — como se fossem os terríveis pecados do ser humano que o fize ssem ruborizar-se de vergonha. o rubor é visto como uma demonstração de in ocência virginal. Essa antiga ligação entre bochechas macias e amor intenso dei xou uma marca em nossos relacionamentos adultos. Como ocorre muitas vezes num clima de erotismo. É nas faces que as mudança s emocionais são mais evidentes.

um rubor difuso que se espalha por todo o rosto. era significativo que as jove ns oferecidas nos mercados de escravos corassem quando enfileiradas diante de po tenciais compradores. Essa é uma situação rel ativamente recente. suas faces também empalidecem. Mas se ela está com medo. Modernamente. porque indica que ela tem condições de passar férias numa praia. c tomavam todo o cuidado para evitar o sol mesmo num simples . se for enc urralada. antes que a educação sexual moderna trouxesse uma maior abertura e fr anqueza sobre o assunto) intimamente ligado a uma situação de namoro ou flerte entre pessoas jovens.de casamento — e nesse caso o rubor resulta de um constrangimento pelo fato de tod os os presentes estarem imaginando a iminente perda da virgindade. Antigamente. o rosto bronzeado de uma mulher caucasiana é sinal de stat us. porque ela está prestes a fugir — ou reagir. A mulher que cora di ante de um comentário de conotação sexual obviamente tem consciência de sua sexualidade. o bronzeado significava apenas uma coisa: a labuta no campo. nenhuma jovem da alta classe seria vista com a pele bronzeada. Naquela época. A vermelhidão do rosto também é um sinal de raiva. mas é a vermelhi da pele que indica sua frustração. As faces de uma mulher verdadeiramente irada se tornam muito pálidas à medida que o sangue foge e ela se prepara para a ação. A mulher que não cor a não tem consciência de sua sexualidade ou já perdeu a vergonha. A tonalidade que se instala é diferente. criou-se uma conexão entre ele e a atração sexual. A dis posição da mulher enfurecida é de ataque. Esse é o ros to de uma mulher pronta para atacar a qualquer momento. Nesse contexto. Moças das classes superiores consideravam a pele bronzeada repugnante. Portanto. Como o rubor está (ou estava. Ela pode lançar ameaças terríveis. poderse-ia dizer que o rubor é b asicamente um sinal de virgindade. mas ainda preserva uma certa ignorância.

depois de uma forte campanha contra o excesso de sol devido ao risco de câncer de pele. Mais uma vez. as faces eram pintadas com ruge. O repetido uso dessa pin tura ocasionava um acúmulo de veneno no corpo. A maquiagem branca usada no século XVI e ra especialmente danosa. quando usavam um chapéu de abas largas ou uma sombrinha. quando se expõem. Em outras épocas. a s jovens beliscavam as bochechas antes de um importante acontecimento social par a fazer o sangue afluir a elas. que mais tarde podia causar paralis ia muscular ou até mesmo a morte. embor a essa seja uma tendência que vai e vem ao sabor da moda. a face pálida volta a ser um símbolo — dessa vez de consciência e preocupação com a saúde. esse tipo de maqu iagem traz também a lembrança do rubor inocente da adolescência. o que lhe dá uma dupla vantagem num contexto sexual. Mas ainda há quem se recuse a abandonar o culto ao sol. O blush ainda é um cosmético muito usado hoje. Todas essas práticas acarretavam riscos. quando um rosto rosado era um si nal de vigor e boa saúde.passeio pelo parque. Em casos extremos. Veremos que grupo prevalecerá. Os problemas de pele que o sol pode acarretar não são nada comparados com um creme que. Além da aparência de saúde. e assim as mulheres se dividem entre as cautelosas pálidas e as bronzeadas despreocupadas . As jovens hoje evitam se torrar ao sol e. usam um bom protetor solar. elas se sangravam para chegar à palide z. à medida que os fabricante s de cosméticos lançam novidades no mercado. essa repulsa ao sol levou as mulheres a usar maquiagem p ara empalidecer o rosto. Quando não usavam ruge. Em a lguns períodos da história. na Itália do . o bronzeado voltou a ser um mal . No século XXI. porque continha óxido de chumbo.

torturada e estrangulada na prisão. Pressionar a língua contr a a bochecha a ponto de distorcê-la é um gesto que significa descrença. Com isso .século XVII. A senhora Toffana sempre visitava suas cliente s para lhes explicar o uso adequado do produto. sugerindo uma forma atilada para o rosto. Vendido em pó ou em creme. era uma fórmula venenosa que continha arsên ico e outros ingredientes letais. era vendido com o nome de "Aqua Toffana" ou "Manna de San Nicola di B ari". As covinhas não são m uito comuns hoje. o motivo do óbito era sempre "excesso sexual". Entre os gregos anti gos. quando ela foi presa. Recomendava que nunca ingerissem o cosmético e que o aplicassem nas faces pouco antes de uma relação amorosa. O ardil funcionou por muito tempo. e parece que sempre foram bastante raras. Os gre gos modernos ainda interpretam o gesto da mesma maneira. a forma das b ochechas também é importante. Seus crimes só foram descobertos em 1709. o que fez dela a maior envenenadora de todos os tempos. que se tornou particularmente popular entre as esposas que queriam se livrar d e seus maridos. absorveria uma quantidade do ve neno suficiente para matá-lo.Durante o movimento. A idéia que . A senhora Toffana foi responsável por mais de seiscentas mortes e a criação de mesmo número de viúvas saudáveis. a boca do marido. a forma das bochechas também era importante como padrão de beleza. Assim como a cor. Er a esse rosto ovalado que os gregos consideravam ideal de beleza feminina. onde se dizia que elas eram marcas do dedo de Deus. Depois. Um rosto com covinhas sempre foi considerado atraente na Europa. Havia até um g esto especial para indicar isso. Uma certa senhora Giulia Toffana oferecia esse especial tratamento de pele . pressionada contra as faces. Consistia em colocar o polegar sobre uma bochec ha e o indicador sobre a outra e descer suavemente a mão em direção ao queixo. os dedos se aproximam.

só que na face de outra pessoa. É interessante notar que. tendo sido muito popular na Roma antiga. Com isso. durante o primeiro período vitoriano. à Sicília e à Sardenha. no sul. Nasceu do fato de que o momento que caracteriza o sono é aquele cm que o rosto toca o travesseiro. "desfaçatez". proibida princ ipalmente às crianças. era um cumprimento ao cozinheiro. apóia a face sobre a mão como se tentas se segurar o peso da cabeça. Quase em toda parte. pode contar que não está agradando. Se um professor ou conferencista constatar essa postu ra em seus ouvintes. a indicar que a massa estava al dente. o mesmo gesto. n o norte. Em algumas regiões medit errâneas. é pressionar o indicador na bochecha e girá-lo como se fosse uma chave de fenda. tem sempre o mesmo significado: "Bom!" Na ori gem. a palavra ingle sa "cheek" (bochecha) ganhou nova acepção e passou a significar também "atrevimento". Fazer esse gesto era uma grosseria. De Turim. mas o beliscão . é um adulto que belisca a bochecha de uma criança (que quase sempre odeia i sso).lhe deu origem é a de que essa seria a única maneira de a pessoa evitar uma crítica qu e estaria "na ponta da língua". Na Itália todos o conhecem. quando alguém está cansado ou entediado . beliscar a própria bochecha é sinal de algo excelente ou delicioso. ma s com o tempo seu significado se ampliou e passou a incluir qualquer coisa boa. Ele também signi fica descrença e é essencialmente um gesto de forte sarcasmo. Juntar as palmas das mãos e apoiar a face sobre elas é um gesto que todo mundo enten de. Norm almente. Outro gesto. Uma demonstração ainda mais evi dente de aborrecimento ou tédio é contrair os cantos da boca com força. é um sinal de afeição que ve m sendo usado há mais do 2 mil anos. quase restrito à Itália. mas tem que permanecer sentado a uma mesa.

O tapa no rosto t em uma longa tradição. mas s em poder fazer nada diante de um gesto que poderia ser amigável. ele se dilui log o depois. a não ser entre membros de uma mesma família. Na outra ponta da escala emocional estão o beijo e o toque na face. mas em amb ientes de baixa renda ele é extremamente raro. adequado apenas a pessoas de igual condição. No meio teat ral e em ambientes sociais mais festivos. Mutilações nas bochechas nunca foram muito comuns devido à necessidade de mobilidade facial. não passa de uma tempestade em copo d'água — um estalo que f az barulho. É uma versão mais leve do beijo na boca. Esses usos variam de um país para outro. o gesto pode se transformar facilmente n uma verdadeira bofetada. mas causa tão pouco dano físico que não chega a provocar uma reação imediata o u um ato agressivo da parte da vítima. Quando não existe afeto. sua freqüência é quase excessiva. Quando a mulher usa batom. que pode desagradar quando praticado com demasiado vigor. Em certas regiões. Na essência. deixando a vítima atônita. sabendo que foi insultada. O be ijo é um ato recíproco.também pode ser usado como uma brincadeira entre adultos. A freqüência do cumprimento obedece a variáveis culturais. Embora provoque um choque. o gesto se resume à pressão de bochecha contra bochecha. Em . O tapinha na bochecha é um a brincadeira um pouco mais irritante. combinada com o estalar de um beijo. Era a maneira clássica de uma dama responder à atenção indesejada de um cavalheiro. e generalizou-se em muitos países como parte do ritual de cumpri mentos nas reuniões sociais. sem contato do láb io com a face. como a Europa ori ental. o tradicional beijo leve na boca continua vigorando. por exemplo.

verrugas ou ma rcas de varíola com um círculo preto. Tu do começou com a necessidade de ocultar pequenas imperfeições. o Sen ado publicou um edito. as mulheres que perdiam um ente querido arranhavam as faces ate fazê-las sangrar. já que as faces são a sede da modéstia e da vergonha". Essa foi a desculpa de que as mulheres precisavam para cobrir manchas. John Bulwer relata que esse costume deu origem a uma lei: "As damas romanas tinham o hábito de arranhar a s faces em sinal de luto [. nenhuma mulher podia arran har o rosto em sinal de luto ou tristeza. ordenando que. A não ser pelo uso rotineiro de pó e ruge. quase sempre próximo à boca . quase não se vêem dornos faciais no mundo ocidental. dali em diante. e m ais tarde foram postos à venda falsos alfinetes de segurança. que se tornou moda nos séculos XVII e XVIII. que davam a impressão de estar enterrados na carne sem realmente feri-la. ao tomar conhecimento do fato. até que a pinta passou a ser um elemento .] de modo que.tempos remotos. mas a pinta logo ganhou vida própria como decoração cosmética. quando era possível ver mocinhas com um alfinete de segurança enfiado na bochecha. incisões e perfurações.. com a intenção de demonstrar seu sofrimento. Essas mutilações selvagens dos primeiros punks foram desaparecendo aos poucos.. As decorações tribais para o rosto incluem uma variedade de pinturas. tat uagens. Conta-se que Vênus nasceu com uma pinta natural na face. A única outra forma de decoração fac ial é a pinta. Esse ti po de decoração tornou-se tão popular que mesmo as mulheres que possuíam uma pele perfei ta a adotaram. embora um breve ressurgimento deles tenha oco rrido nos anos 1970 com o movimento punk rock em Londres. e qualquer mulher da moda que a imitasse só teria a ganhar em beleza. ou "sinal de beleza". ou disfarçar a imperfeição com um lápis preto.

Com essa finalidade. removendo as camadas externas da pele. novos pro cedimentos foram desenvolvidos pela cirurgia plástica. coroas. faz-se necessário algo mais drástico. cravos. os sinais de beleza deixaram de ser pintas e se transformaram em estrelas. rugas ou outros defeitos de pele. mas uma ocasional e única pinta ai nda se vê de tempos em tempos — sobrevivente solitária de um passado de exagero. as velhas e as feias estão todas remendadas. em termos técnicos. crescentes. Como uma face lisa passa a imagem de juve ntude e saúde. Um jato de cristais de dióxido de alumínio é aplicado ao rosto.. Depois de cicatrizada. Cheguei a contar mais de quinze remendos sobre uma fac e enrugada e escura de bruxa. com algumas notáveis exceções. asperezas. microdermoabrasão. a pele torna-se muito fina — s e o tratamento foi um sucesso. tornou-se tão essencial nos meios cortesãos a pon to de se dizer que "toda mulher moderna devia usá-la sempre." No início do século XVIII a moda tinha adquirido ta l complexidade que a posição das pintas ganhou significado político: as damas do Parti do Whig (ala direita) decoravam a face direita. a me nos que estejam acamadas. é importante para uma jovem que quer se manter atraente esconder espi nhos. Esses excessos logo desapareceram. a pele do rosto é praticament e queimada. No final do século XVI. e hoje. losa ngos c corações. um francês de língua afiada em visita a Londres afi rmou: "Na Inglaterra.. Um deles é a abrasão da pele. Se a maquiagem não disf arçar o problema. as marcas do to sto feminino recebem outro tratamento. Com o tempo. Moder namente. enquanto as damas do Partido Tor y (então ala esquerda) decoravam a face esquerda. o u. . as jovens. a menos que estivesse de luto".puramente decorativo. Por esse método. essa moda desapareceu. Com o tempo.

mas. e logo chegará o dia em que qualquer mulher poderá ter uma face perfeitamente lisa — por um certo preço. Lábios Existe algo muito estranho nos lábios humanos. Em todos esses casos. preservamos cada vez mais as carac terísticas de bebê. No mundo animal. e os resultados nem sempre são perfeitos. Esse gel ácido remove as camadas externas da pele que está danificada. Um terceiro método emprega uma com binação altamente tecnológica de ultra-som. mais juvenil — que o home m nesse aspecto. Uma fina camada de um gel esfoliante é aplicad a no rosto e. Não percebemos isso porque não nos damos o trabalho de co mpará-los com os lábios de nossos ancestrais primatas. cuidadosamente removida. Como a fêmea humana é um pouco mais evoluída anatomicamente — ou seja. . logo veremos que a superfície macia e bri lhante fica escondida. E por isso acabaram se tornando alvo de muita atenção. o homem é o único a te r lábios curvados para fora. em média. se observarmos atentamen te a boca de um chimpanzé ou de um gorila. é preciso repetir o procedimento algumas vezes. Por que os humanos têm os lábios virados do avesso? Mais uma vez. Nossos lábios carnudos e visíveis faziam parte dessa tendência. À medida que nossa anatomia e nosso comportament o tornaram-se progressivamente mais infantis. cinco minutos depois. microcorrentes e tratamento com laser.Outro procedimento é o peeling químico. 8. mais protuberantes. a resposta está na nossa evolução. seus lábios são. mas novos avanços no tratamento estão surgindo o tempo todo .

vamos analisar como se desenvolveram esses superlábios. Dois meses depois. por onde suga o le ite de seus fartos seios. faz biquinho. porém. e. A fêmea humana. são perfeitamente adequados à sua primeira tarefa de sugar os seios também únicos da fêmea humana. devemos dizer que os lábios humanos não são apenas infantis: são embrionári os. Ela os umedece. assim que nasce. No homem adulto. com lábios grandes e carn udos. possui uma boca humanóide. antes.Mas. por sua vez. podem até desa parecer sob uma barba hirsuta. O bebê chimpanzé. Ao contrário do bebê chimpanzé. eles já . Se terminasse. ela tratará de cuidar dos lábios como um símbolo sexual. Antes mesmo de seu primeiro beijo de amor. sop ra beijos. Quando o fe o tem apenas dezesseis semanas. Mas a h istória não termina aqui. aponta um par de lábios recurvos para o mamilo da mãe. e assim ele exibiria os lábios fino s típicos dos primatas quando chegasse à idade adulta. quando os lábios se afinam. os lábios do bebê virariam sozinhos para dentro quando ele começasse a ingerir alimentos sólidos. o bebê humano não se desvia do projeto fetal e. nem no bebê chimpanzé. por volta de 26 semanas. A boca do chimpanzé tomou a forma em que permanecerá pelo resto da vida. os lábios já desapareceram. exibe um par de lábios fartos e macios por toda a vida adulta — ou pelo menos até ficar bem velha. Sua origem não e stá no bebê humano. Enquanto for jovem e o sexo lhe ocupar a mente. os lábios do avesso. os cobre de batom. mas no minúsculo embrião do chimpanzé. para se rmos precisos. Portanto. eles se torn am de fato um pouco mais esticados e finos. prende sua boca muscular de lábios finos à longa teta da mãe e suga o leite como um fazendeiro ordenha uma vaca. uma exclusividade da espécie humana. Portanto. em condições primitivas.

desempenharam um papel apresentação como mulher. fundamental na sua O que torna os lábios tão sensuais visualmente? Em sua forma, em sua textura e em su a coloração, eles imitam os outros lábios femininos, os lábios vaginais. Quando a mulher se excita sexualmente, os lábios vaginais se intumescem e se tornam mais vermelho s. Ao mesmo tempo, no rosto, seus lábios ficam mais túrgidos, mais vermelhos e mais sensíveis. Essas mudanças ocorrem em uníssono, como parte da revolução fisiológica que acomp anha uma forte excitação sexual. Um dos principais fatores desse processo é o fluxo do sangue em direção à superfície da pele. A pele dos indivíduos sexualmente ativos brilha q uando os vasos capilares se distendem em função do maior suprimento de sangue. Esse sangue extra aflora mais rapidamente do que pode refluir, e, com isso, a superfíci e da pele se torna cada vez mais sensível ao toque. Isso é particularmente verdade n os lábios. Os vasos sangüíneos tornam os lábios mais intumescidos e mais visíveis graças ao contraste entre sua tonalidade cada vez mais vermelha e a carne branca ao seu re dor. Intuitivamente, as mulheres das sociedades primitivas começaram a usar esse m imetismo. As prostitutas do antigo Egito usavam um ocre vermelho para realçar os láb ios. Um desenho em papiro que data de 1150 a. C. mostra uma cena num bordel teba no, na qual uma mulher seminua segura um espelho e aplica uma pintura nos lábios c om um longo bastão. Ao lado, um cliente inteiramente nu, exibindo uma enorme ereção, e stende a mão na direção dos genitais da mulher. A relação entre o rubor dos lábios femininos e a atividade erótica tem portanto mais de 3 mil anos. O uso de algum tipo de pin tura labial é mais antigo que isso, pois existem evidências de que ela já existia 4 mi l

anos atrás, na cidade de Ur, hoje sul do Iraque, onde uma soberana, a rainha Puabi , foi enterrada com um grande suprimento de maquiagem para ser usado na outra vi da. Seus cosméticos — tintas vermelhas para os lábios, assim como verdes, brancas e pr etas, presumivelmente para os olhos — foram armazenados em grandes conchas, ou em imitações de conchas feitas de ouro ou prata. Os primeiros batons eram fabricados tr iturando-se o óxido de ferro vermelho até obter um pó, que era então misturado com gordu ra animal. Mais tarde, no século IV a.C, os gregos realizaram experiências que parec em ter resultado na adição de tinturas vegetais, saliva humana, suor de carneiro e a té mesmo fezes de crocodilo. No século II, a tecnologia já tinha avançado, e as mulheres palestinas podiam escolher entre o laranja-brilhante e o cereja-escuro. Desde e ntão, a coloração artificial dos lábios foi um popular recurso de beleza feminina, embor a algumas vezes tenha sido condenada por autoridades puritanas. Sob regimes dita toriais que tentaram reprimir os prazeres sexuais, a pintura dos lábios foi proibi da. Em casos extremos, mesmo sem pintura, os lábios foram considerados excitantes demais para serem vistos em público, e as infelizes mulheres foram obrigadas a esc ondê-los por trás de véus. Acredita-se que a ocultação dos lábios das mulheres seja uma pres crição da fé islâmica, mas não é. Esse é sem dúvida um costume nos países muçulmanos, mas não a ver com os ensinamentos de Maomé. Na verdade, foi imposto às mulheres por uma soc iedade machista. Não se trata de um preceito religioso, mas de uma proibição sexista, fruto de uma sociedade em que a mulher é tratada como propriedade do homem. As igr ejas cristãs têm tido uma atitude ambivalente em relação aos lábios femininos. Em algumas ép ocas, elas se mostraram liberais, mas também houve períodos de

repressão, quando lábios artificialmente coloridos eram vistos como obra do demônio e uma ofensa à obra de Deus, o corpo humano em seu estado natural. Um clérigo do século XVII condenou os lábios pintados por considerá-los "um sinal de prostituição", uma armad ilha capaz de propagar o fogo da luxúria no coração dos homens que tivessem a infelici dade de pousar os olhos sobre eles. Os políticos geralmente se mantiveram afastado s dessas questões, mas, num determinado momento do século XVIII, na Inglaterra, vira m-se na obrigação de aprovar uma lei proibindo o USO do batom, porque certos homens ansiosos temiam ser ardilosamente atraídos para o casamento pela visão dos lábios femi ninos pintados. Essa proibição absurda criou um problema para as damas da época. A sol ução que elas encontraram foi chupar um picolé de groselha ou beliscar os lábios pouco a ntes de entrar numa festa. Apesar de sucessivas proibições da Igreja e do Estado, os cosméticos para os lábios se recusaram a desaparecer e, ao longo da história, sumiram ou ressurgiram ao sabor da moda. Num exemplar da Ladys Magazine do final dos an os 1820, verifica-se que um novo desenho labial foi adotado: o arco de cupido. P ara obtê-lo, os lábios eram aumentados verticalmente em vez de crescerem no sentido longitudinal, com uma profunda fenda no lábio superior, bem abaixo do nariz. Isso dava à boca da mulher uma aparência infantil e transmitia aos galantes cavalheiros d a época a atraente mensagem de que aquelas belas senhoritas precisavam de proteção. No s tempos atuais, o uso do batom sustenta uma importante indústria, que cresceu ini nterruptamente durante o século XX. No fim da era vitoriana, os lábios pintados de v ermelho foram confinados às infamantes casas de prazeres em função da pudicícia e da hip ocrisia da

época. Inúmeros clientes eram atraídos por suas cores convidativas e depois voltavam p ara suas pálidas esposas. Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, o batom iniciou sua lenta escalada social, passando dos bordéis aos teatros e daí para as bocas das mais ousadas freqüentadoras da sociedade boêmia. Depois da guerra, nos agitados anos 1920, os lábios pintados de vermelho se popularizaram nos salões de baile. Nos anos 1920 e 1930, o batom era usado pelas estrelas da florescente arte do cinema e l ogo se tornou uma norma social. Uma das primeiras estrelas do cinema, Clara Bow, reintroduziu os lábios de cupido, mas de uma forma mais audaciosa, quase um coração. Em 1925, Bow chegou a estrelar um filme intitulado My Lady's Lips (Os lábios de mi nha mulher). Na década de 1930, mulheres de personalidade mais forte entraram em c ena e impuseram um novo estilo: a boca rasgada. Depois disso, a boquinha de coração desapareceu. Com o advento da Segunda Guerra Mundial, pelo menos entre as jovens , usar um batom vermelho-brilhante era um sinal de patriotismo, porque alegrava os bravos soldados. Cartazes de recrutamento exibiam lábios de um vermelho vivo, u ma promessa de apoio feminino a qualquer um que estivesse disposto a defender se u país. Em 1945, com o fim da guerra, iniciou-se um período de austeridade. A paz re tornara, e o batom era então um acessório trivial, apresentado apenas em uns poucos tons de vermelho. Nunca se tinha ouvido falar de batom de outra cor. Na década de 1950 tudo isso mudou. Na França e na Itália, os fabricantes de cosméticos introduziram o titânio branco na fórmula do batom para produzir cores mais pálidas, e com isso amp liaram enormemente o espectro de cores. As revistas de moda da época gozavam de gr ande influência e tinham o poder de lançar uma nova cor a cada ano — a cor que se torn ava a coqueluche da

estação e depois desaparecia, substituída pela "ultima novidade". Nos anos 1960, com a chegada da pílula anticoncepcional e uma mentalidade mais aberta para a sexualida de, as mulheres puderam se expressar melhor como indivíduos. Em lugar de uma única c or dominante, uma enorme variedade de cores foi posta à sua disposição, inclusive dive rsas tonalidade pálidas. Com o surgimento do feminismo, na década de 1970, isso mudo u rapidamente. Por algum tempo, pintar os lábios era o mesmo que ceder ao desejo m asculino, e uma nova forma de puritanismo veio à tona. Os lábios das feministas eram naturais. Ao mesmo tempo, as mulheres protestavam violentamente contra a Guerra do Vietnã, e, quando não pertenciam ao movimento feminista, às vezes adotavam cores p roibidas, como o azul, o púrpura ou mesmo o gótico preto. Quando a Guerra do Vietnã te rminou e as jovens conquistaram uma maior igualdade social, os austeros modelos que lembravam uniformes foram abandonados, e as mulheres se sentiram livres para voltar a parecer mulheres. Durante os anos 1980 e 1990, o batom vermelho retorn ou mais uma vez. No início do século XXI, as mulheres passaram a expressar seu desej o sexual com uma franqueza nunca vista, e com essa confiança sexual e essa liberal idade cresceu a exploração erótica dos cosméticos para os lábios. Foram criadas três estratég as básicas: lábios mais vermelhos do que nunca, lábios de cor natural com o brilho do gloss ou uma combinação dos dois — muito vermelhos e muito brilhantes. Agora, a tônica e ra a individualidade. As mulheres deixaram de ser escravas de uma única moda. Uma cantora pop pode se apresentar com os lábios pintados de vermelho-vivo e, no próximo

show, subir ao palco com os lábios rosa-pálidos brilhantes ou sem nenhum batom. Os p ublicitários lançam mão de estimulantes descrições: lábios ultra-brilhantes, lábios suculento , lábios deliciosos, lábios molhados. As fotos mostram lábios femininos tão úmidos que é imp ossível evitar a mensagem biológica subliminar: se a forte excitação sexual gera secreções g enitais, os novos batons devem sugerir essa mudança fisiológica. Os fabricantes de b atons criaram superlábios. A mensagem está clara para quem quiser ver: as mulheres e stão mostrando que gostam de sexo e não se importam que saibam disso. Por mais impre ssionante que seja, toda essa tecnologia ocidental para embelezamento dos lábios f emininos torna-se insignificante diante das mutilações labiais de certas sociedades tribais. Entre o povo surma, que habita o sudoeste da Etiópia, a mulher adulta é con hecida como "mulher-prato". Pouco depois que ela completa 20 anos, seis meses an tes de se casar, um dos lábios é cortado e um pequeno prato, chamado labret, é inserid o na boca. Isso estica o lábio para fora num anel de carne avermelhada. Assim que for possível, a jovem retira o prato e o substitui por outro ligeiramente maior, d epois por um maior ainda, até ser capaz de exibir um lábio quase do tamanho de um pr ato de jantar. Nos primeiros tempos, o prato tinha a forma de cunha e era esculp ido em madeira, mas mais recentemente a moda determina que ele seja circular e d e cerâmica. Quando a mulher está sozinha, comendo, dormindo ou na companhia de outra s mulheres, tem permissão para tirar o labret, e, quando faz isso, o lábio cortado e esticado fica pendurado. Quando os homens estão presentes, porém, o prato deve esta r no lugar, e seu tamanho denota o valor da mulher. O tamanho do prato que uma j ovem consegue tolerar será a medida de sua beleza e irá determinar quantas cabeças de gado ela vale quando sua mão for oferecida em casamento.

outras os dois . Quando os pri meiros exploradores puseram os olhos nesses extravagantes lábios. os ubândgis achassem os lábios esticados um sinal de bel eza. os lobis de Gana e os sara-kabas e os ubândgis da bacia do Congo. Embora tenha sido amplamente divulgada. O mais provável é que. que achavam as mulheres com esse ornamento feia s e iam buscar escravas em outra tribo.Essa forma bizarra de alargamento dos lábios existiu em muitas tribos africanas. Surpreendentemente. exibiam grandes discos labiais. essa história parece não ter muito fundamento. na Colúmbia Britânica. acharam difícil cr editar que . foi l vantada a hipótese de que os chefes da tribo instigassem o procedimento para deter os mercadores de escravos árabes. Entre os ubândgis. a costa ocidental do Canadá. Outras trib os usavam técnicas diferentes. uma goma de masca r feita de nozes de bétele era usada para tornar os lábios encarnados. onde as mulheres dos t liguites. Mais uma vez. as mu lheres que tinham os maiores discos eram as que desfrutavam de mais status. essa forma extr ema de ornamento corporal foi descoberta por antigos exploradores numa parte com pletamente diferente do mundo. enquanto outras pregam um pino de madeira acima e abaixo dos lábios. Em algumas tribos das Filipinas. não apenas entre os surmas. Em todos os casos. Algumas esticam apenas um lábio. As tatuagens de estrelas na infância e as tatuagens em preto e azul quando as mulheres atingem a idade adulta se espa lham da boca em direção às orelhas. a intenção é alargar os lábios e chamar a atenção para eles. mas também entre os macondes do Quênia. Os shilluks do Sudão preferem os lábios tingidos de azu l e os ainus do Japão gostam de lábios tatuados. A técn ica varia de uma tribo para outra. e que a repulsa dos mercadores de escravos fosse apenas um bônus. como outras tribos que adotavam esse costume.

elas nascem com os lábios inferiores desse tamanho. implante sólido retirado da pele desidratada d e pessoas mortas. Uma interv enção mais duradoura requer uma intervenção cirúrgica. e com a . que já foi tão comum nas tri bos africanas.eles resultassem de sacrifícios que as mulheres dessas tribos infligissem a si mes mas: ". com Alloderm. em um d os primeiros livros antropológicos já publicados. com a abertura de um canal que atra vessa os lábios de um canto ao outro. que caem até o peito e mostram aquela chaga do lado que pende para fora e que. os p ontos principais desse tipo de cirurgia plástica podem ser resumidos nos seguintes (embora novos procedimentos estejam sendo introduzidos o tempo todo): O procedi mento menos drástico é a aplicação de uma série de injeções de colágeno ou gel hialurônico cm pontos do contorno dos lábios. Esse preenchimento pode ser feito co m materiais sintéticos. usar os novos lábios para um determinado papel. Sem entrar em detalhes técnicos. Esse espaço oco que é preenchido com um material capaz de ser absorvido pelo tecido labial. É evidente que não lhe ocorreu que os problemas de saúde decorrentes desses imensos lábios resultavam do corte do lábio para a colocação de grandes discos.. A cirurgia plástica dos lábios. numa nova forma. cientes do apelo sensual de lábios grossos e suculentos. apodrece. de modo que elas não têm outra maneira de se curar senão jogando sal continuamente sobre ela!" Esse relato foi feito por John Bulwer em 1654. o que permite a uma atriz. Atrizes de Hollywood. não seria vista nas sociedades urbanas por muitos séculos. mas recent emente reapareceu na Califórnia. começaram a procurar diferentes proce dimentos cirúrgicos para "melhorar" seus lábios. quando o calor do sol é ex tremo. O efeito dura de três a seis meses.. por exemplo.

Trata-se de uma remodelação permanente e precisa ser realizada num centro cirúrgico. Em lugar da fenda natural.própria gordura da paciente. O risco desses procedimentos cirúrgic os é que. purificada e depois injetada no s lábios. . o rosto feminino pode se tornar muito mais sensual. um procedimento para pr eenchimento dos lábios tem o efeito de eliminar a forma de arco de cupido do lábio s uperior. C ertas atrizes adquirem lábios tão protuberantes que ofuscam todas as outras feições do r osto (e que algumas vezes são chamados com sarcasmo de "beiços de truta"). que começaram na Califór nia e se espalharam pelo mundo todo. Mas essa é uma opinião que não parecer estar sendo levada em conta. "Todas essas intervenções têm um dos seguin tes objetivos: preencher os lábios ou projetá-los para fora. a forma mais extrema de intervenção: a cirurgia plástica dos lábios. Não há dúvida de que. que é extraída das nádegas. eles podem não se harmonizar com o rosto. dando ao lábio uma aparência artificial. tal é o impacto erótico da forma dos lábios. a não ser no caso de lábios excessivamente finos. se os cirurgiões e dermatolog istas executarem bem o seu trabalho e evitarem armadilhas como as mencionadas. A obtenção de um ou outro r esultado dependerá da colocação precisa das substâncias. Às vezes. Finalmente. Os que cr iticam essas intervenções acham que. a linha superior se curva ligeiramente sob o nariz. são sentidas. Leva cerca de uma hora e tem a desvantagem de deixar cicatrizes. porque o século XXI está testemunhando uma rápido crescimento dessas cirurgias. que. depois de modificados os lábios. a s mulheres deviam pensar duas vezes antes de se submeter a uma cirurgia desse ti po. embora fiq uem escondidas dentro da boca.

consideramos os lábios apenas do ponto de vista estético. estão realizando um ato que r emonta a épocas primevas. como o Japão. essa não é sua única função. mas os lábios. Numa recente pesquisa sobre os dez pontos de contato mais im portantes do corpo da mulher. elas respondem que não permitem o beijo na boca não por razões de higiene. Então. embora permitam todo tipo de conta to genital. colocavam a boca aberta sobre a boquinha do bebê e. transferiam para ele o alimento. Quando as mulheres das tribos precisavam desmamar os fil hos e introduzir alimentos sólidos. Indagadas sobre esse tabu. a estimulação do clitóris tem maior probabilidade de conduzir ao orgasmo. Esquecemos como ch egamos até aqui porque hoje é extremamente raro encontrar exemplos sobreviventes des se ritual primitivo de alimentação. Quando cresciam. os bebês passavam a experime ntar o alimento com sua própria língua assim que o contato boca a boca era feito.Até aqui. a tradição não recomenda beijar em público. É verdade que. Isso pode explicar por que. uma afirmação que diz mu ito sobre o significado dos lábios femininos. os lábios foram considerados a zona mais erógena. usando a líng ua. Não os seios ou os genitais. Deste longínquo início nasceu o beijo de amor entre adultos. é o contato com o lábio o fator de maior excitação. segundo as mulheres entrevistadas para a pesquisa. Ele ainda ocorre em . tradicional mente. De ssa forma. na fase das preliminares. mas porque ele é "muito pessoal". esse movimento exploratório da língua se ligou indelevelmente ao ato de a mor. mas. as prostitutas dizem ''nada de beijo". em estágios mais avançados da relação s exual. Quando os amantes unem os lábios com a boca aberta e um com eça a explorar o interior da boca do outro com a língua. naturalmente. e m alguns países. mas. O beijo na boca t em uma origem curiosa. Isso também talvez explique por que. costumavam mastigar o alimento até torná-lo macio e liquefeito.

o p razer oral adulto reflete uma privação infantil. seu contato com diferentes partes do corpo masculino durante a relação sexual é menos altruísta do que pode parecer. para Freud. Quando uma amante suga o pênis do par ceiro. mas é desconhecido ou foi esquecido cm quase toda parte. ma s o que Freud não considerou . e isso pode ocor rer mesmo sem qualquer contato genital. Umas poucas mulheres também são capazes de a tingir o orgasmo aplicando os lábios ao falo masculino. Em casos extremos. mas desempenhou um importante papel nas atividade s sexuais de muitas culturas por milhares de anos — está fortemente relacionado ao p razer oral do bebê ao sugar os seios maternos. como em muitos outros. devido à grande sensibilidade dos lábios femininos.algumas tribos remotas. talvez isso seja verdade. Nesse aspecto. Pode parecer que elas este jam apenas excitando o homem. Segundo essa teoria. algumas mulheres são c apazes de chegar ao orgasmo durante prolongados beijos na boca. A impressão deixada pela primeira fase oral permanece com ela de alguma forma por grande parte de sua vida adulta. mas as terminações nervosas da mucosa dos lábios feminin os são tão refinadas que cada toque no corpo do amado envia de volta um forte estimu lo sexual. a fêmea humana é a mais desenvolvid a de todos os primatas. um bebê ao qual tenha sido negada a recompensa normalmente oferecida pela mãe passará o resto da vid a tentando compensar essa perda. Vale acrescentar que. os movimentos de sua boca lhe recordam o prazer que sentia ao sugar os se ios da mãe. publicado há mais de meio século. V ale lembrar que. O contato oral-genital — que hoje sabemos não é uma invenção da so ciedade ocidental "decadente". De acordo com o estudo clássico sobre a sexualidade feminina realiza do por Kinsey e seus colegas.

fumar. comer doces e tomar bebidas quentes não é difícil de entender. mas se suas fi bras mais profundas são fortemente ativadas. os lábios se mantêm fechados. Portanto. ele deve ser perdoado por e ssa postura contra esses adultos que ele considerava "oralmente dependentes. As mudanças são efetuadas por um conj unto complexo de músculos que funcionam basicamente da seguinte maneira: Ao redor dos lábios existe um forte músculo circular. Combinadas de diferentes maneiras.foi que os prazeres experimentados em qualquer fase da vida são capazes de estabel ecer padrões de comportamento para o futuro. com fixação em seios e infantilizados" simplesmente porque. tensos e frouxos. a contração pressiona os lábios fechados co ntra os dentes. Ele tinha câncer do palato. dificilmente perderá a chance de experimentar maneiras adultas de recapturar esse prazer — simplesmente porque não houve nenhuma privação infa ntil. o mesmo músculo. Se o músculo todo se contrai. os lábios se fecham e se projetam para a frente. Um indivíduo que sugou o seio materno. Finalmente. . que se contrai para fechá-los. eram capaz es de desfrutar dos prazeres orais. essas quatr o mudanças nos dão um enorme espectro de expressões. Portanto. A atitude negativa de Freud em relação a adultos que gostam de beijar. para cim a e para baixo. ao contrário dele. se suas fibras superficiais são ativadas. o orbicularis oris. para a frente e para trás. Costuma-se vê-lo como um simples esfíncter. É esse músculo que trabalha quando os lábios estão apertados ou adotam qualque r outra expressão contraída. Por outro lado. porque sua boca era fon te de interminável sofrimento. é importante examinar os lábios femi ninos como emissores de sinais faciais. que precisou ser removido em grande parte em trinta e três cirurgias. mas isso seria subestimá-lo. As mudanças de humor provocam quatro difer entes movimentos dos lábios: abertos e fechados. como faz a maioria dos bebês.

o ser humano usa outro múscu lo. Elas provocam uma aber tura maior ou menor da boca. Para complicar ainda mais as coisas. Na rai va silenciosa. pode gerar os lábios suavemente contraídos que conv idam a um beijo ou os lábios tensos de quem espera levar um tapa na cara. Na raiva. eles são empurrados par a a frente. ajudando a f ormar a expressão de aversão ou de ironia. o que introduz um novo elemento nas sutis expressões faciais. O músculo depressor empurra o lábio inferior para baixo. A maiori a dos outros músculos da boca trabalha contra esse músculo circular central. os lábios são pressionados . que ergue o queixo e projeta o lábio inferior para fora em expressões de desafio. Quando sente uma dor aguda. eles se retraem. Tomemos como exemplo as expressões contrastantes de raiva e medo. como se avançassem sobre o inimigo. Ele é usado não apenas para soprar instrumentos musicais. O músculo triangularis empurra a boca para baixo e para trás. ou músculo do trompete. como se fugissem de um ataque. O músculo zygomaticus e mpurra a boca para cima e para baixo em expressões alegres. no medo. mas também ajuda na mastigação dos a limentos. Simplificando muito. Existem ainda o músculo levator menti. A princ ipal diferença está no movimento dos cantos da boca. o platysma da região do pescoço. e o bu ccinator. que comprime as bochechas contra os dentes. gerando a expres são de tristeza. pavor ou raiva. lutando para manter a boca aberta em outra direção. Mas esses movimentos opostos dos cantos da boca podem exi stir com a boca aberta emitindo um som ou com a boca fechada e em silêncio. no sorriso e na gargal hada.operando de maneiras diferentes. diversas vocalizações acompanham as expressões da boca. o músculo levator er gue o lábio superior e ajuda a criar expressões de dor e desdém. que puxa a boca para baixo e para os lados em f unção da tensão do pescoço que antecipa um ferimento físico.

devido à curva para cima dos lábios estic ados. a boca se abre inteiramente. acompa nhada de um berro ou de um ronco. a pessoa que grita expõe menos os dentes do que a que rosna. a boca se mantém aberta e os den tes inferiores também podem se revelar. um importante fator para o fortalecimento dos laços de amizade. Quando se acrescenta o som da risada. qual seja. podemos duvidar da sinceridade de sua expressão vocal. o s lábios podem se manter em contato. a boca se abre. causadas pela elevação dos cantos da boca. na raiva ruidosa. Se uma mulher ri e expõe totalmente os dentes inferi ores. a capacidade de combi nar elementos aparentemente incompatíveis para transmitir estados de .um contra o outro. por maior que seja a gargalhada. Essas l inhas diagonais. o que resulta num sorriso silencioso. No medo silencioso. Quando são empurrados para trás e para cima. no medo ru idoso. es ticando os lábios para cima e para trás ao mesmo tempo. com os cantos da boca para a frente. O sorriso triste ilustra outra sutileza das expressões femininas. Outra característica da expressão alegre é a prega de pele que aparece entre os lábios e a bochechas. Mas ele s também podem se separar e produzir o amplo sorriso no qual os dentes superiores são expostos. mas. expondo os dentes superiores e inferiores. com os cantos da boca puxados o máximo para trás. acompanhado de um grito ou de uma arfada. Elas "personalizam" o sorriso . os dentes inferiores nunca são inteiramente expostos como os superiores. Como o medo retrai os lábios. As expressões de felici dade também têm versões abertas e fechadas. os lábios se retraem e se retesam ate formar uma fissura horizontal. são dobras nasolabiais que variam consideravelmente de indivíduo para indivíduo. gerando uma abertura quase quadrada. mas ainda com os cantos da boca para a frente.

que se recusam a se erg uer na posição adequada. Exi stem muitas outras expressões mistas. a não ser pelos cantos da boca. caem para criar o "sorriso heróico" da mulher q ue está sendo assediada ou o sorriso irônico da professora que recusa um pedido. que oferecem ao rosto feminino um rico reper tório de sinais visuais. . todo o rosto se compõe numa aparência de olhos brilhantes e de bom humor. Em vez disso.espírito complexos. No sorriso triste.

sugar. as mulheres não poderiam falar e perderiam u ma de suas grandes qualidades. abatendo as presas com pouco mais do que um grunhido a romper o silêncio). bocejar. Qualquer pessoa que tenha visitado um dentista sabe disso. o que lhes dá uma grande vantagem. e as mulheres atuais herdaram essa quali dade. assobiar e fumar. O papel da língua na fala às vezes é subestimad o. Naturalmente. A laringe recebe o crédito. gritar e grunhir. rir. engolir. Dentro dos lábios. l amber. estando envolvida nos atos de experimentar. rosnar. que é a capacidade de se comunicar verbalmente melh or do que qualquer outro animal no mundo. mas esse erro é rapidamente corrigido quando se tenta falar com a língua presa no assoalho bucal. Ela usa a boca também para falar. Quando diante de uma tarefa verbal. beijar. Essa é uma afirmação evolucionária. melhor ainda do que o homem. por n atureza. a língua também desempenha um papel primordial n a alimentação. Pesquisas sobre o cérebro confirmaram algo de que muitos já suspeitavam: as mulheres são. Sua s uperfície rugosa é coberta de papilas que contêm entre 9 e 10 mil . sorrir. Outros animais usam a boca para morder. a boca contém um elemento essencial: a língua. mais fluentes que os homens. mastigar.9. Boca A boca feminina funciona o tempo todo. e não cultural. Por isso. tossir. não surpreende que a boca tenha sido definida como o campo de batalha do rosto". mastigar e engolir. As mulheres primitivas foram as comunicadoras da vida tri bal (enquanto os homens ficavam fora da tribo. uma parte maior do cérebro da mulher é empregada em registrar uma solução. mas a fêmea humana acrescenta a essa lista outras funções. Sem ela.

com a ajuda dos aromas que percebemos com o olfato. Não reparamos nesse complexo movimento muscular p orque ele é automático. que são capazes de distinguir quatro sabores: doce e salgad o na ponta da língua. a superfície da lín gua também reage à textura dos alimentos. de fato. ela participa da função cruc ial de engolir. um Quando a refeição termina. a ponta da língua pressiona o céu da boca e sua par te posterior se arqueia para catapultar a mistura de alimento e saliva para dent ro da garganta em direção ao estômago. Quando julga que tod os os pedaços foram devidamente triturados ou rejeitados. Acredita-se que essas sensações de paladar existem porque era importante para nossos ancestrais reconhecer quando uma fruta estava doce e madura. Todos os sutis sab ores de nossos alimentos derivam de uma mistura desses quatro sabores básicos. Além dos sabores. a língua funciona como palito gigante. manter um equilíbrio correto do sal e evitar certos alimentos perig osos — que apresentariam um sabor excessivamente amargo ou ácido. Existem receptores dos sabores doce e salgado em outras partes da boca. en quanto os receptores do azedo e do amargo estão no céu da boca. em busca de caroços ou pedaços maiores. Costumava-se pensar que todos os sabores são percebidos na parte superior da língu a. tentando desalojar partículas . no ponto onde o pala to duro se junta ao palato mole.receptores gustativos. Para fazer isso. mas hoje se sabe que não é isso que ocorre. azedo dos lados da língua. que os bebês são capazes de executá-lo antes mesmo que ele seja necessário. quando ainda estão no ventre da mãe. a língua r ola o alimento na boca. tão elementar. e amargo na parte posterior da língua . ao calor e à dor. em especial na parte superior da garganta. Durante a mastigação.

mas o pier cing tinha levado isso ao pé da letra. essa forma de mutilação tem sido adotada até por cantoras pop. Embora prejudique a clareza da dicção.indesejáveis de alimento que possam ter ficado presas entre os dentes. A língua ficou gravemente ferida . ao contrário de outras espécies. e a jovem ficou temporariamente cega e incapaz de falar durante três dias. Isso também ocorre nos be bês humanos. mas há uma dependência entre o contato digital e o oral. Dentro da boca ficam os dentes. o beijo na boca sem piercing é como um filé sem mostarda. em que a oralidade desempenha o principal papel. Dê a um macaco um objeto estranho e ele quase de imediato o levará à boca para explorá-lo com os lábios. na forma dos piercings. De acordo com o parce iro de uma usuária. Mais tarde ela declarou que precisava de férias para recarregar as baterias. que na espéci e humana são utilizados quase exclusivamente para a alimentação. Depois ele vai manipulá-lo com seus dedos hábeis. a boca das mulheres sofreu uma estranha e nova intrusão. Além de seu papel como símbolo de revolta socia l. o piercing na língua parece oferecer apenas uma vantagem. Uma desv antagem ainda não percebida foi descoberta no verão de 2003. os jovens se submetem à dor de ter a língua perfurada para a ins erção de piercings de metal. A mulher pode usá-los u ma vez ou outra para cortar um fio. Tentando encontrar novas maneiras de obter a de saprovação dos adultos. quando uma inglesa de fér ias em Corfu foi atingida por um raio atraído pelo piercing de metal na língua. a língua raramente foi alvo de alguma "melhoria" cosmética. a língua e os dentes. Entretanto. no final do século XX. mas. cujos pais precisam . praticamen te só os utiliza para se alimentar. Por estar p rotegida dentro da boca. A co rrente percorreu todo o corpo e ela quase morreu.

Com essa passag em da boca para a mão. quando está furioso. que é realizado q uase exclusivamente pelas mãos. Em muitos casos. agarra o adversário e o morde. Essa mudança também ocorre quando ê preciso lutar. só nascem quando nos torn amos adultos.estar sempre atentos para que eles não enfiem objetos perigosos na boca. a boca vai perdendo seu "papel exploratório". Além da função de partir e mastigar os alimentos. À medida qu e amadurecemos. de modo q ue a boca de um adulto pode ter de 28 a 32 dentes. Como as mulheres possuem u ma arcada menor que a dos homens. Só morde como um último recurso. Nossos caninos não são mais presas de pontas afiadas. soca. O homem ataca o inimigo na cabeça. Os últimos quatro dentes. os dentes humanos se tornaram bastante modestos comparados com os das outras espécies. rilhar e bater com o frio. chuta e o agarra num corpo-a-corpo. Os dentes se apertam em momentos de intenso esforço físico ou quando . O m esmo ocorre na hora de matar uma presa. Existem leves diferenças entre os dentes do homem e da mulher. O mac aco. triturar. seus dentes tendem a ser levemente menores. alguns deles — ou mesmo todos — não aparecem. as mão s assumiram a tarefa da mordida letal tão comum entre os carnívoros. Mais uma vez — com a ajuda das armas —. depois de substituir gradualmente os pequenos dentes de lei te da infância. os dentes também são capazes de agarrar. ranger. os dentes do siso. roer. A mulher adulta possui 32 dentes. 28 dos quais já estão estabel ecidos na puberdade. Os dent es masculinos geralmente são mais angulosos e rombudos. principalmente nos incisivos superiores. com a ponta rombuda a lembra r nossos ancestrais. porém. São ap enas ligeiramente mais longos que os outros dentes. a pertar.

o que indica uma raiva reprimida. chimpanzés que vivem soltos na floresta têm excelentes dentes. Mais uma vez. quando quase não havia açúcar refinado ou farinha. com o risco de quebrá-los ou d eslocar a arcada inferior. apresentaram meno s cáries. As crianças que cresceram no tempo da guerra na Europa. Essa é uma expressão que podemos ver no rosto de um lutad or e na criança que está prestes a receber uma injeção. muitos indivíduos rangem os dentes quando dormem. a queda de d entes é muito comum no mundo atual. A acidez corrói a superfície do dente.a pessoa antecipa uma dor. ringir e rilhar os dentes é praticamente a mesm a coisa. Embora o e smalte dos dentes seja a substância mais dura de todo o corpo humano. trata-s e de uma reação primitiva que ressurge como uma espécie de "sonho muscular". acelerando muito o processo. ao passo que aqueles que . o Lactobacillus acidophilus. fazendo os dentes se chocarem. Todo ess e processo foi confirmado de várias maneiras. É uma reação primitiva a uma possível r física. adora carboidratos. Ranger. Animais alimentados com uma dieta rica em açúcar não perdiam dentes quando o a limento era ingerido por um tubo. Além disso. com cert eza causará mais dano. fazendo pequenos furos no esmalte. no qual o indivíduo frustrado morde simbolicamente o inimigo na segurança do sono. Entretanto. A bactéria adora esse ácido ainda mais e começa a se r eproduzir. Se um soco atingir o rosto de uma pessoa que está de boca aberta. sem contato com os dentes. Uma bactéria qu e sobrevive na boca. se partíc ulas de alimentos açucarados ou farináceos ficam presas aos dentes ou às gengivas. e. o que nos leva a pensar por que a língua precisa de três palavras para defi nir uma ação que é tão raramente usada na vida real. até que a saliva se torne anormalmente ácida . rap idamente fermentam em ácido lático. As causas parecem bastante óbvias.

especialm ente na puberdade e no casamento. Apesar dos grandes avanço s da odontologia. da Ásia e da América do Nort e. Outro método para fazer os dentes parecerem selvagens é dar-lhes pontas afiadas. No mundo oc idental. Em algumas regiões. a sofrer um ataque maio r de ácido lático. o que implica que a boca era usada simbolicame nte como "genitais deslocados". enquanto outros perdem dentes apesar de todo o cuidado tanto com a alime ntação quanto com a higiene. O olhar ocidenta l sempre considerou uma dentadura branca e saudável uma marca de beleza. Por outro lado. Em Bali. o impacto dos dentes foi reduz ido em vez de exagerado. os dentes continuam guardando alguns mistérios. Alguns povos costumavam remover os incisivos centrais pa ra enfatizar os caninos. Pedras preciosas ou metais eram entalhados no dente como demonstração de status. mas muita s culturas têm outra visão. da África ao Sudeste Asiático e às Américas. por exemplo. existem alguns fatos estranhos sobre a resistência dos dentes. o que tornava a boca mais ameaçadora e feroz — quase um ros to de Drácula. Surpreendentemente. quase 90% das pessoas possuem incisivos centrais inferiores sadios. A lógica indica que os dentes incisivos centrais inferior es estariam mais sujeitos a reter alimentos e. são eles os mais resistentes à queda. os jovens eram submetidos a um do loroso lixamento para . povoados humanos No entanto.recolhem alimentos perto de apresentam dentes estragados. Isso também ocorreu em muitas partes. Alguns indivíduos parecem ser quase imunes à queda mesmo quando tem uma dieta excessivament e doce. portanto. Essa técnica foi utilizada em regiões da África. Muitas des sas operações e mutilações eram executadas em épocas especiais da vida na tribo. mais de 60% perderam os molares superiores.

arredondar a ponta dos caninos e fazer a boca parecer menos animal. é difícil para um ocidental aceitar que dentes pretos sejam atraentes. tinha que fingir o contrário. estava no preço do açúcar. a própria rainha tinha dentes escuros de tanto comer confeitos açucarados. conseguiam p arecer mais submissas a seus machos. Dentes pretos também foram moda no antigo Japão. Essa moda atingiu o auge no século XVII e entrou pelo século XIX. fazendo-os desaparecer da vista e criando uma expressão infantil. Dessa forma. a imper atriz passou a exibir dentes brancos. mascar bétele também causava o escureci mento dos dentes. A tinta era obtida pela diluição de limalha de ferro em saquê ou chá. Em outras partes do Oriente. Portanto. como se de repente tivessem regressado ã fase desdentada da infância. Em outras cu lturas orientais. Eles eram ting idos dessa cor como parte de uma elaborada maquiagem usada pelas mulheres de alt a casta. fazendo com que os dentes ficassem cariados e descoloridos. em 1873. Afinal. se o branco é a cor dos dentes jovens e saudáveis. Como no Ocidente ter dentes cada vez mais b rancos e brilhantes é um fator essencial de beleza (uma beleza que hoje pode ser f avorecida por modernas técnicas de branqueamento). Desde então. como o escurecimento pode ser considerado uma marca de beleza? A resp osta. Dizia-se que dentes pretos (chamados ohaguro) tornavam uma dama especia lmente bela. até que. Só os muito ricos podiam se dar o luxo de comer doces. na época de Elizabeth I da Inglaterra. se a pessoa era pobre demais para estragar os dentes dessa maneira. Afinal. a moda de dentes pretos entrou em rápido declínio. Daí surgiu a idéia bizarra de que escurec er os dentes proporcionava uma aparência de alta classe e fazia a mulher mais bela perante a sociedade. . Folhas de bétele. as mulheres enegreciam os dentes ou os tingiam de vermelho-esc uro.

Então.nozes de palmeiras e uma pasta obtida a partir das conchas do mar eram misturada s até constituir uma massa que era mascada como o tabaco. a aplicação do verniz tinha que obedecei a um ritual que envolvia vários tratamentos e r estrições. O sorriso brilhante se transformou num sorriso ofuscante. e a moda não pegou. havia um ritual de puberdade. em alguns países — o Vietnã. No fim do século XX. Por causa disso. Seu uso se disseminou tanto no Sudeste Asiático que as mulheres na tivas diziam: "Só os cães. Não hav ia nenhum dente preto à vista. Mas esse procedimento era drástico demais para a maioria das mulheres. porque a saliva removia o verniz. entre elas uma . Como o bétele geralmente só deixava os dentes marrons. Mascado repetidamente. Para as adolescentes. Se alg uém lhes perguntasse qual a razão disso. Pedaços de nozes eram cobe rtos com a pasta e depois embrulhados nas folhas de bétele. As pioneiras d essa moda chegaram a ponto de fazer pequenos furos nos dentes para incrustar nel es minúsculos diamantes. esse pacote funcionava como um estimulante que também avermelhava os lábios e escur ecia os dentes. entre elas a de não comer nenhum alimento sólido por uma semana e tomar líquido s apenas por um canudinho. mas não tão simples. algumas celebridades. os fantasmas e os europeus têm dentes brancos". as mulheres modernas do Ocidente m ostraram os primeiros sinais de interferência na superfície branca dos dentes. por exemplo — as mulheres que queriam ter dentes pretos para ficar ainda mais belas pr ecisavam se submeter a alguns procedimentos. mas a nova moda pedia "jóias dentais". d epois do qual a jovem era considerada suficientemente bela para se casar. elas respondiam que dentes brancos só serviam para selvagens e animais. Pintar os dentes com verniz preto e ra a solução. primeiro nas cidades e depois nas áreas rurais . Sua popular idade começou a declinar no século XIX.

e as jóias nos dentes de repente se tornaram populares. outras são discretas. e a pedra pode ser facilmente removida. A produção diária de saliva varia entre 600 e 1. as duas situadas sob a mandíbula. são exibidos por um dia ou por um ano. 500 ml. feita com cola dental. a moda de incrustar pequenas jóias nas unhas passo u para a boca. ousaram exibir um dente de ouro. . ab aixo dos dentes molares — as glândulas submandibulares —. leva apenas três minutos. Embora sejam decorativas. círculos ou estrelas. flor es. As duas que estão embutidas nas bochechas são conhecidas como glândul as parótidas e produzem cerca de 25% da saliva. Quando sai dos condutos das glândulas salivares. Seu sucesso se deve ao fato de que a colocação. Ela as adquire dos minúsculos fra gmentos de "caspa úmida" que estão sempre presentes na boca à medida que velhas camada s de pele se desprendem e são substituídas por novos tecidos. a saliva está livre de bactérias. e medo e uma forte excitação significam menos saliva. são as mais produtivas. respon sáveis por cerca de 70% da saliva. Mais alimento significa mais saliva. Minúsculos cristais na forma de corações. de 2 a 4 mm de tamanho. Os dois principais el ementos da boca — os dentes e a língua são mantidos úmidos pelas secreções de três pares de g dulas salivares. dependendo do dente em que fo ram aplicadas. mas depois de circular pela boca algumas vezes ela terá coletado entre 10 milhões e 1 bilhão de bactérias por centímetro cúbico. Logo foi possível ter uma capa d ental provisória de ouro. Algumas jóias são ostentosas. o fato de terem maculado o sorriso bran co provavelmente faz delas não mais que uma moda passageira.das Spice Girls. e as duas situadas sob a língua — as glândulas sublin guais — contribuem com os restantes 5%. Depois.

quase não lhe dão atenção. Ela também lubri fica o bolo alimentar antes que ele seja engolido. além disso. mas que é rejeitada pelas esposas respeitáveis. expondo a nuca e as costas. Suas roupas têm uma gola alta na frente e baixa atrás. Com certeza o pescoço não é considerado uma zona erógena importan A situação é muito diferente no Japão. Seu poder lubrificante é aumentado pela presença de uma proteína ch amada mucina. Ela umedece o alimento e torna-o acessível aos receptores g ustativos. toda gueixa era treinada na arte de expor elegantemente a nuca. A saliva também contém elementos químicos que criam um meio levemente alcalino. uma enzima da sal iva chamada ptialina começa a quebrar o amido em maltose. mas. a ação lubrificante da saliva melhora a qualidade da voz. e dessa forma facilita sua pa ssagem pelo esôfago. 10. onde a exposição da parte posterior do pescoço é* vis como um forte estímulo sexual — equivalente a expor os seios no Ocidente. ajudando a reduzir o ataque ácido ao esmalte dos dentes. Como a firmou um . assim como outras lisozimas que ajudam a limpar a b oca e os dentes. A ptialina também funciona como um antigermicida oral. como sabe qualquer pessoa qu e tenha tentado falar com a boca seca. Pescoço No Ocidente. Depois que o alimento é mastigado por algum tempo. Tradicionalm ente. Finalmente. os homens costumam olhar o pescoço da mulher simplesmente como algo q ue segura a cabeça. e ainda ho je podemos constatar isso entre as poucas gueixas remanescentes de Quioto. É uma ação que s e espera de uma gueixa.A saliva tem várias funções. uma vez que não se pode sentir o sabor do alimento seco. Eles sabem que a pele do pescoço é sensível a carícias e que beijá-lo su avemente pode excitar a parceira durante as preliminares do sexo.

comentarista. homens de todo o mundo parecem apreciar a linha ondeada da nuca fe minina. a gueixa deixa uma ma rgem de pele aparecendo junto à linha dos cabelos. o significado erótico desse costume é aumentado pela forma especial da nuca. Além de conter conexões vit ais entre boca e estômago. Uma curiosa teoria tenta explicar o desvio da at enção erótica dos japoneses dos seios para a nuca. Como a maquiagem é deliberada mente aplicada de modo a imitar a forma dos genitais. cérebro e coluna. Essa. . mas seu significado mudou. tradicionalmente. o pescoço abriga os princi pais vasos sangüíneos que ligam coração e cérebro. nariz e pulmões. porque chama a atenção para a pele sob a máscara branc a. Anatomicamente. Cercando essas conexões existem complexos grupos de músculos que permitem que a cabeça execute toda uma gama de movimentos qu e transmitem importantes mensagens nas interações sociais. Existe uma frase em japonês para descrever a beleza da linha da nuca feminina — komata no kmagatta hito —. Afirma que. seria a razão para a fixação masculina na nuca. o pescoço te m sido descrito como a parte mais sutil do corpo humano. mas no Japão ela mergulha nas costas. Segundo um observador. Isso enfatiza a artificialidade da maquiagem e excita o homem. as cr ianças japonesas passam mais tempo agarradas às costas da mãe do que acarinhadas em se us seios. além do fato de que os seios das mulheres japonesas são relativament e pequenos. "um V perfeito de pele nua que lembra as partes íntimas da mulh er". a frase hoje significa "um a gueixa com adoráveis genitais". Quando aplica sua maquiagem branca ( que inclui um ingrediente vital: excrementos de rouxinol).

Isso ocorre em parte porque a mulher tem um tórax mais curto — e seu osso esterno é mais baixo em relação à coluna que o do homem — e em parte porque a muscul atura do homem é mais forte. . as prostitutas experient es têm uma laringe maior e um registro vocal mais grave que outras mulheres. mas há quem tenha levantado a hipótese de que sua vida sexual mais ativa seria capaz de p rovocar algum desequilíbrio hormonal. A laringe da mulher é cerca de 30% menor que a do homem. quando os machos. Essa diferença laríngea não surge até a puberdade. o que a faz menos proeminente. que possuíam um pescoço mais for te. Outra diferença de gênero em relação a escoço é a presença do pomo-de-adão. As cordas vocais femininas têm cerca de 13 mm. e fica colocada mais alto na garganta. O pescoço feminino é mais longo e mais delgado. que é muito mais evidente nos homens que seu correspo ndente no pescoço das Evas. Não há dúvida de que essa diferença se estabeleceu durante a longa fase caçadora da evolução humana. mantendo um a freqüência entre 230 e 255 ciclos por segundo. Por q ue sua profissão as tornaria mais masculinas vocalmente? Não se sabe ao certo. enq uanto a figura masculina exibe um "pescoço de touro". enquanto a voz masculina adulta ati nge entre 130 e 145 ciclos por segundo. A voz da mulher adulta é mais infantil. levavam vantagem em situações de violência física. Essas diferenças são bastante re ais. enquanto as masculinas chegam a 18 mm. Por alguma razão. quand o a voz masculina "'engrossa".Tradicionalmente. a figura feminina é dotada de uma gracioso "pescoço de cisne". Isso ocorre porque as mulheres têm cordas vocais menores — o que lhes dá uma voz mais aguda e exige uma caixa vocal menor. enquanto o masculino é mais curto e mais grosso.

exibiam essas mulheres-girafas em espetáculos de circo — até que exi bições desse tipo deixaram de ser consideradas socialmente aceitáveis. A crença é que. Desenhistas que retratam mulheres atra entes quase sempre estreitam e alongam o pescoço mais do que a anatomia permitiria . O costume da tribo exige que as mulheres comecem a usar anéis de bronze no pescoço desde tenra idade. A tribo padaung. Os europeus. O recorde documentado é de 40 cm. um número que vai crescendo ano a ano. se os pesados aros de bronze forem removidos. da Birmânia. fascinados por essa distorção cultural do corpo humano. a palavra padaung significa "a quela que usa aros de bronze". Os músculos do pescoço são distend idos com tal força que as vértebras cervicais se afastam de uma maneira totalmente a normal. as mulheres da tribo caminham por longas distâncias e trabalham no campo. os artistas têm exagerado ess a diferença criando imagens superfemininas. mas o objetivo é atingir 32 — um feito raram ente realizado. o pescoço não será c apaz de suportar o peso da cabeça. Apesar dessa carga. se orgulha de ser conhecida na Eu ropa por suas "mulheres-girafas". cinco anéis são colocad os ao redor do pescoço.Como o pescoço feminino é mais delgado que o dos homens. Em uma cultura esse interesse por mulheres de longos pescoços foi levado a extremos. Na língua nativa. . A mulher adulta chega a exibir entre vinte e trinta colares. de modo que u ma mulher adulta pode carregar de 20 a 30 quilos de bronze. O aspect o mais surpreendente desse costume é o comprimento que o pescoço feminino pode ating ir artificialmente. Para começar. Os aros de bronze também são usados nos braços e pernas. As agências de modelos também selecionam moças que tenham o pescoço mais longo e mais fino que a média.

como se poderia imagin ar. Atualmente. as mulheres da tribo ignoram essa lenda e afirmam que chegam a esses extremos simplesmente parque esses ornamentos as deixam mais bel as. a principal preocupação não é. mas a dificuldade de encontrar dinheiro para pagar os caros anéis de bronze. o colar é uma forma muito ant iga de ornamento . para criticá-las? Em círculos ocultistas. mas por uma neandertalense. Eles eram mais que meros ornamentos. isso pelo menos mantém viv o um antigo costume tribal. Se perguntarmos aos historiadores da tribo como esse costume começou. De fato. mas também se pode argumentar que. acredita va-se que a alma humana reside na nuca. com nossos piercings na língua. a distorção corporal ou a restrição de movimentos provocada por esse bizarro ornamen to. em tempos remotos.Para as mulheres da tribo padaung. a mordida se dá s empre na lateral do pescoço. tendo a especial função de proteger essa parte vital do corpo humano de influências h ostis. isso representa um deplorável retorno aos espetáculos circenses de antigamente. na mitologia vampiresca. no umbigo e nos geni tais. Quem somos nós. U ma solução encontrada recentemente foi escapar para a Tailândia. ocidentais. as mulheres corriam o risco de serem atacadas por tigres. Em alguns cultos. o que as obrigava a usar grossos anéis no pescoço par a se proteger. e foi o significado místico do pescoço que g erou o uso de colares nos primeiros tempos. Não é por acaso que. onde elas podem cobra r 10 dólares para tirar uma foto ao lado de um turista. Para alguns observadores. como o dos vodus do Haiti. O mais antigo colar conhecido não foi usado por nenhuma mulher moderna. como o mau-olhado. dado o alto custo dos anéis. eles nos dirão que. o pescoço sempre foi uma parte do corp o de grande importância.

No oeste da A ustrália.C. feito de contas circulares. mas. no sítio arqueológico de Mandu Mandu. mas um costume que já estava bem dissem inado há trinta milênios. dezoito deles na forma de uma cabeça de cabra e um na forma de uma cabeça de bisão. como espinhas de peixe. foi datado de 31. Uma forma muito mais saudável de manipulação do p escoço foi desenvolvida por Matthias Alexander. na Índia . na região de Maharashtra. foi datado de 38. feito de dentes entalhados de animais. O que acontecia. Alguns dos primeiros colares eram feitos de objetos simple s. é possível . feit o de dentes e ossos de animais.C..000 a. foi encontrado outro extraordinário cola r primitivo de 30. Baseia-se na idéia de que. a pessoa ficava tonta e confusa — uma presa fácil à su gestão. O pescoço também se tornou foco de certos rituais de ocultismo. pressionando a artéria carótida. que passa pelo lado do pescoço e tr ansporta o sangue para o cérebro. Finalmente. modificando a po stura do pescoço em relação aos ombros.000 a. mas um exemplar excepcional encontrado na França e fabr icado há mais 11 mil anos. para os iniciados nos rituais religiosos.000 a.C. Descobriu-se que. era feito de dezenove fragme ntos de ossos lindamente entalhados. em Patnia. Isso prova o cuidado que mereciam os. foi descoberto um colar datado de 23. e o da Grotte du Renne . na Idade da Pedra Lascada. que criou uma terapia corporal hoj e conhecida como "técnica de Alexander".C. na verdade. man ufaturadas com conchas de ostras. essa condição podia ser convenient emente atribuída a forças sobrenaturais. era que o cérebro estava sendo privado de oxigêni o.000 a.corporal. Esse poucos exemplos mostram claramente que us ar um colar não era um traço cultural isolado. Dois colares pré-históricos foram encontrados na França: o de La Quina. artefat os usados no pescoço.

a pessoa bate o indicador várias vezes contra a garganta. Com a palma da mão virada para baixo. significa simple smente: "Corta!" Igualmente comum é o gesto que finge um estrangulamento. Em ambo s os casos. são relativamente poucos os que se concentram no pescoço. executado por uma atriz quando percebe que a cena não está boa. Se praticado com raiva. Se. Se apresentado tomo um pedid o de desculpas. esse também tem dois significados: pode significar "Quero esganar você" ou "Quer o me esganar". Com o no mundo urbano as pessoas passam muito tempo curvadas sobre uma mesa ou senta das numa cadeira. Esse gesto tem dois significados intimamente relacionados. o pescoço parece ser a chave para a correta postura corporal. Quanto a os gestos. mas existe uma explicação simples para os resultados que a técnica obtém. Alguns críticos argumentam que esse conceito dá ao pescoço um poder quase místico sobre o resto do corpo. mas também vários distúrbios psicológicos. Está então estabelecida a base pata a restauração de um tônus muscular s adio. Na realidade. Outro gesto popular é o que significa "Estou por aqui". O mais conhecid o é a mímica em que a pessoa usa a mão como uma faca prestes a cortar a garganta. i ndica o que a pessoa gostaria de fazer com o outro. com a técnica de Alexander. . que por sua vez pode produzir um estado mental mais saudável.curar não apenas certos sintomas físicos. tentando dizer que está tão cheia de alguma coisa que não a suporta mais. em que a pessoa agarra o próprio pescoço com as duas mãos e finge sufocar. essa postura for restabelecida. Como o gesto anteri or. não é nada mais místico do que o treinamento postural que um bailarino recebe. o resto do corpo recupera automatica mente o equilíbrio. o pescoço vai perdendo sua posição natural ereta. mostra o que a pessoa deveria fazer a si mesma. Num outro contex to.

é o que acontece quando a pessoa faz um sinal positivo ou negativo com a cabeça. tem um quê de subor dinação. É o que acontece quando a pessoa vira a cabeça para olhar alguma coisa. passa a im pressão de falso pudor. é aquele em que ela pende a cabeça para um lado e a mantém nessa posição. Quando a mulher baixa repentinamente a cabeça para esconder o rosto. Mas outros têm a função de tra nsmitir sinais visuais. como provoca uma diminuição da altura.Mais importantes do que esses gestos localizados são os muitos movimentos do pescoço que determinam diferentes posições da cabeça.. O primeiro é o aceno da cabeça. mas existem três casos em que uma mensagem especificamente femin ina é transmitida. É um movimento que tem . Nesses e em muitos outros movimentos do pescoço. que costuma ser observado quando a mulher está num estado de espírito amigável ou amoroso. ap ruma-a para ouvir um som ou empina-a para cheirar o ar. É o movime nto de cabeça usado tradicionalmente pelas prostitutas a um possível cliente que hes ita em se aproximar. sacode-a. passa a imagem de modéstia e timidez. substituindo o chamamento com o dedo indicador. arremessa-a para trás ou aponta alguma c oisa com ela. no qual a mulher provoca o parceiro "bancando a prostituta". com o qual a mulher diz "Venha comi go" ou "Venha aqui". Alguns deles buscam adaptar o corpo ao ambiente. inclina-a. É uma maneira de alhear -se ao mundo exterior. mas. Ele ocorre geralmente quando a mulher deseja fazer um sinal sem ser muito explícita. não há diferenças entre h omens e mulheres. Outro gest o é aquele em que a mulher abaixa a cabeça e a mantém nessa posição. mas quando baixa a cabeça e ergue o olhar. enquanto encara o companheiro a curta distância. Hoje. Um terceiro movimento. é usado às vezes entre um casal como um convite brincalhão ao sexo.

pode ser lido como: "Perto de você. mas os poucos mencionados aqui são suficientes para ilustrar sua sutileza e comple xidade. quando ela apoiava a cabeça no corpo da mãe ou do pai em busca de conforto e proteção. Quando ela faz isso na vida adulta. Mas a postura corporal madura e sensual contradiz esse gesto infantil. En tretanto.origem na infância. me sinto uma criança. Existem muitos outros movime ntos e posturas produzidos pelos músculos do pescoço como sinais sociais específicos. tem um ar de falsa inocência e coquetismo. é como se estivesse apoiando a cabeça no ombro de um protetor imaginário. Qualquer um que tenha sido obrigado a usar um colarinho de gesso depois de um ferimento sabe como a pessoa se sente limitada quando não pode se expressar com essa parte do corpo. . não é um gesto explícito. mas apenas sugestivo. Num contexto de submissão. tão dependente como eu era quando descansava a cabeça no colo de meu pai". A men sagem é: " Sou apenas uma menina em suas mãos e gostaria de descansar a cabeça em seu ombro". Se o mov imento surge num clima de flerte. dando a ele uma conotação de falsa timidez.

quando ombros nus são arqueados. atraindo ai nda mais o olhar dos homens. os ombros. a qualquer momento. Os cantos arredondados dos ombros femininos — poeticamente descritos com o "duas pérolas eróticas. Esses par es de hemisférios. e por isso evocam o apelo sexual primitivo contido na forma das nádegas. se repetem não apenas nos seios. mas também nos joelhos e ombros quando a mulher adota determinadas post uras. Além disso.11. uma de cada lado" — são dois pedaços de carne quase hemisféricos. formam um par de suaves hemisférios aos olhos masculinos. embora não exerçam uma função sexual primária. Da m esma forma. Antes de examinar como diversas culturas modificaram a linha natural dos ombros femininos. mas sua forma suavemente arredondada — resultante de uma camada subcutânea de gordura — lhes dá uma qu alidade erótica sempre que aparecem despidos. deslizarem pelos ombros e revelar os seios. na qual a mulher apóia o queixo num ombro nu. Ombros Os ombros femininos são mais estreitos. uma típica pose glamorosa. podem transm itir leves sinais eróticos. se expostos. mais arredondados e mais macios que os mas culinos. os jo elhos. enfatiza e chama a atenção para a curva e a maciez dos o mbros. vale a pena fazer uma breve descrição da biolog ia dessa parte da anatomia humana. que exercem uma forte atração sobre os homens. também evocam o par esférico. Dessa forma. A principal função dos ombros é oferecer uma forre base para os múltiplos movimentos dos braços. Antes . Podem não ser tão fortes quanto os largos ombros dos homens. E a moda das roupas de ombros descob ertos contém a promessa de. Quando a mulher dobra as pernas e abraça-as firmemente junto ao peito.

. escrita no século XVII e intit ulada A View of the People of the Whole World (Uma visão dos povos de todo o mundo ).] Uma bela mulher esbelta era aquela [com] ombros atrofiados. até que. Os historiadores da moda registraram essa mudança: "Os ombros ligeiramente estofados evoluíram para as ombre iras e daí para enchimentos que pareciam pequenos sacos. embora esse exagero seja possível em outras partes d a anatomia feminina. se torcer e girar de um surpreendente número de maneiras.mesmo que nossos ancestrais adotassem a postura ereta. Os ossos do ombro são capazes de movimentos de cerca de 40 graus. "Ombros estrei tos e contraídos eram tão apreciados pelas mulheres de antigamente que elas interfer iam na posição deles e os adotavam diligentemente como um sinal de grande elegância e beleza. Mais importante é sua espessura. [. o que aconteceu em vários momentos de nosso passado recente. e. nossas "patas dianteiras" já tinham se tornado muito versáteis. e isso raramente foi tentado. O ombro da mulher corresponde em média a 7/8 do masculino. ajudam os braços a bal ançar. na qual ele mostra uma jovem com ombros anormalmente pequenos. estreitá-los ainda mais deveria aumenta r a feminilidade. É claro que essa diferença de gênero gerou muitas especulações cult urais. com a ajuda de seus músculos complexos. mulheres que queriam se afirmar adotaram ombros artificialmente largo s. Entretanto. Nesse sentido.. . Se os ombros femininos são estreitos. Uma exceção aparece na obra antropológica de Jonn Bulwer. se erguer. é difícil aplicá-lo à região do ombro. O artifício era visíve l nas roupas da mulher emancipada da década de 1890. que mostrava seu anseio de ig ualdade sexual e seu desejo de "ombrear" com os homens. o que reflete a fraqueza relativa da musculatura dos ombros femininos." Por o utro lado. a diferença é maior.

porém. mas no clima feminista ela se tornou símbol o da nova força das mulheres.por volta de 1895. mas passos firmes. Eram masculinas em público e femininas na vida privada. os omb ros quadrados davam à mulher um ar de força masculina. Mas esses enchimentos ficaram ainda mais exagerados à medida que uma nova geração de executivas começou a ganhar assento nas salas . uma volta às rígidas ombreiras do s anos 1940. Eles exibiam uma linha que se e stendia além dos ombros. uma mulher muscul osa seria vista como um mico de circo. Era um modelo adequado para um tempo de guerra. assumiu um estilo "terroris ta chique". A estrelas do cinema não mostravam mais afetação ou mene ios. nos quais. Algumas décadas antes. Eram pseudo uniformes com ombreiras. Como resultado dessa tendência. So b esse vestuário masculinizado. A terceira onda chegou nos anos 19 70. quando modelos de estilo militar eram adotados mesmo por civis. Foi na década de 1980 que o uniforme feminista deu lugar ao terninho preto. durante a Segunda Guerra Mundial. o fisiculturismo surgiu e ganhou adeptas. A segunda onda de ombros largos surgiu na década de 1940. Escritores do período descrevem esses ternos com "ombros à Joan Crawford". mais uma vez. na qual a s mulheres desempenhavam um importante papel. com o movimento de liberação feminina. se transformaram em grandes balões tremulando acima dos ombros" .. trabalhando fora de casa e praticando esportes até então vedados a elas. elas continuavam usando espartilhos e anáguas. Garotas de ombros largos passaram a ter oportunidades qu e lhes teriam sido negadas dos anos 1960 para trás. Essas mulheres de ombros largos competiam com os homens graduando-se em univer sidades. Também foi possível detectar uma mudança nos modelos de glamour. que tinham ombros fortes para prová-la. inicialmente.

A forma do ombro agora dependia do corte de um determinado modelo. Ainda em 1994 um artigo sobre o crescente domínio das mulheres executivas no mundo da publicidade intitulava-se "Por que as ombreiras estão de volta ao pode r?". e não mais de um ditame social. "As mulheres nunca mais vão poder voltar para casa. mas o conceito sobrevivia co mo uma metáfora do triunfo das mulheres num mundo masculino. "A ombromania está tornando difícil achar espaço num elevador ". "As fábricas de ombreiras do Bronx estão abrindo novas linhas de montagem depois de anos de inatividade". porque os ombros não passam pe la porta" — eram comentários ouvidos em meados dos anos 1980. Um aspecto dos ombros masculinos que as mulheres têm dificuldade de imitar é sua altura em relação ao chão. "Modelos de ombros naturalmente la rgos são as preferidas". o concei to dos ombros largos sobreviveu como um rótulo verbal. "Nessa época. O movimento feminista (pel o menos no Ocidente) tinha caminhado bastante para que a mulher pudesse desfruta r sua condição de fêmea. O o mbro do homem é em média 13 cm mais alto que o feminino. embo ra nos anos 1990 as mulheres fossem livres para vestir o que quisessem. embora não fosse mais uma rea lidade. disse um deles.de diretoria. Os ombros da década tiveram tal impacto que os jornalistas competiam na criação de novas frases. em vez de bancar o macho. Quando se iniciou a no va década. os homens sempre foram capazes de oferecer um ombro amigo a uma mulher que quisesse . os ombros femininos se suavizaram novamente. "As mulheres estão tão agressivas que volta ram aos ombros definidos do tempo de guerra". Por isso. "Mulheres de ombros largos são duronas que exigem seu espaço" . Curiosamente. as ombreiras estavam fora de moda.

as mulheres serão o brigadas a olhar para cima para falar com um homem. os ombros ficam abaixados e para trás quando o estado de espírito é de calma e atenção. e en quanto isso os ombros dos homens continuarão oferecendo um travesseiro para as mul heres. O problema é que salt os muito altos criam instabilidade e a necessidade de uma mão masculina como apoio . Infelizmente. Mesm o quando não estão envolvidos no movimento dos braços. são capazes de subir. Mulheres que se sentem dominadas. Por enquanto. Com as lágrimas e a vulnerabilidade fora de moda. Alguns desses movimentos são eloqüentes na linguagem corporal. embora mentalmente tenham ad otado uma postura bastante diferente. A mulher resoluta e controlada mantém os ombros baixos e retos. Como esses ombros foram evoluti vamente conquistados com a atividade da caça. e levados para o alto e pura a frente em mome ntos de ansiedade.chorar suas mágoas. A mobilidade dos ombros é extraordinária. pelo menos fisicamente. Daí decorre que. De forma geral. o que anula a pretensão. ela automaticamente tenta proteger-se enfiando a cabeça nos ombros. quando a mulh er tem um dia estressante. A única esperança de igualdade está no uso de saltos altos. cheio de decepções ou irritações. alarme ou hostilidade. costuma . Se alguém ameaça atacar uma mulher na ca beça. mas pa ra entende-los é preciso examinar as razões pelas quais a mulher primitiva adotava u ma ou outra postura. com medo ou com raiva tendem a subir os ombros num ato de defesa. a evolução atua num ritmo muito lento. gir ar e encolher. parece-lhes injusto que o homem sede ntário de hoje ainda exiba essa superioridade física. Mais l milhão de anos será necessário para corrigir as coisas. descer. uma postur a que se tornou sinônimo de qualquer situação desagradável. a mulher moder na ainda enfrenta o poder dos ombros masculinos.

A razão pela qual as pessoas "se sacodem" quando ri em é que a base do humor é o medo. Como ocorre uma leve elevação dos ombros quando rimos. ela poderá adquirir uma postura curvada. quando começou o dia. com os ombros permanentemente erguid os e contraídos. e revela mos nossa surpresa e nosso simultâneo alívio com uma risada. Se essa situação se repete dia após dia. No final de um desses dias. O humor nos choca de uma maneira segura. Um deles é o movimento com que sacudimos os ombros quando rimos. Mulheres de sucesso (o que significa ter sucesso não só para o mundo exterior. deixamos escapar uma risada sem acrescentar a ela qualquer movimento corporal. Na velhice. ela terá os ombros ligeiramente mais curvos do qu e pela manhã. Se estamos no domín io de nossas emoções e algo nos faz rir. Para outras — e são a maioria —. Esse é um gesto que guardamos para as ocasiões s ociais. podemos exibir melh or nosso bom humor exagerando esse gesto. queremos mostrar nossa alegria aos que no s cercam. mas p ara elas mesmas) não passam por esse gradual declínio e são capazes de exibir uma post ura ereta aos 90 anos. o queixo chegará a tocar o peito. tiveram poucos golpes na vi da capazes de fazê-las adquirir uma corcunda. fazendo os ombros subirem e descerem r apidamente no ritmo da risada. Cheias de confiança e otimismo. além de nos divertirmos. mas não terá qualquer utilidade se ela estiver sendo agredida com palav ras. as ansied ades da vida foram tantas que elas não conseguiram evitar a permanente tensão dos om bros.manter os ombros erguidos e tensos. quando. O pescoço alongado que ela possuía quando criança lentamente se encolhe e afunda nos ombros até desaparecer. semana após sem ana. Dois principais movimentos dos ombros tem origem nessa postura defensiva. A elevação dos . Essa postura pode ser útil se ela for atacada com um bastão.

uma adm issão de incapacidade. Mas nada grave. Em alguns países mediterrâneos. evitan do o olhar do interlocutor. Às vezes. Na verdade. uma impotência simbólica. Indiferença ("Pouco me importa "). Nos países setentrionais. Seu gesto está dizendo: "Esses golpes não param de cair sobre meus pobres ombros.ombros que acompanha a risada é parte do primitivo elemento de medo. São todos sinais negativos. e os cantos da boca descem. os ombros permaneceriam erguidos. A contração dos ombros tem uma origem sem elhante. Essa combinação de movimentos indica uma perda momentânea de poder. e eu os ergo dessa maneira para me pro teger. a aceitação de uma incapacidade. os olhos se voltam para cima. encolher os ombros significa ignorância ("Não sei"). é considerado um gesto . os ombros se erguem e se curvam para a frente por um momen to antes de voltar à posição anterior. e com ela uma perda momentânea de poder. Se foss e grave. Nesse gesto. prolongada e silenciosa — o que expressa a total impotência da pessoa diante de uma loucura inconcebível. como se implo rassem. e ssa sacudida dos ombros está denunciando a presença do medo. Na maioria das veze s. à imposição de um imposto ou a um congestionamento do trânsito basta para provocar a im ediata elevação dos ombros. Essa adoção formal de uma postura tensa não signif ica que a pessoa esteja seriamente estressada ou se sinta inferior ou ameaçada pel o interlocutor. O uso desse gesto varia de uma cultura para outra. A menção passageira a uma restrição governamental. As palmas das mãos viram para cima. assim como o utras reações gestuais. impotência ou resignação ("Não posso fazer nada"). No momento em que o poder diminui. Mas de que adianta?". esse movimento de ombros é muito comum. os ombros se elevam. dar de ombros. Significa apenas que ela não sabe lidar com aquela questão específica.

Mas. tem raízes semelhantes. Entretanto . A cabeça descansa sobre o ombro. É o g esto pelo qual a pessoa abraça a si mesma na ausência de alguém para abraçar. Elevar e curvar os ombros para a frente. é uma forma de "abraçar o vazio".indelicado e bastante raro. na tentativa d e demonstrar ternura pelo ser amado. . Outra versão do movimento ocorre quando a pessoa ergue os ombros para fa zê-los tocar o queixo ou a bochecha. com os braços envolvendo o corpo. os ombros estão mostrando a postura que adorariam se o ser amado fosse abraçado de verdade. quando ocorre. nem sempre a elevação dos ombros é uma postura defensiva. Nesse caso .

Vale lem brar que. entram em ação. golpear. por exemplo. atirar. O braço conta com três ossos: o pesado úmero do braço e o rádio e a ulna (ou cúbito) do an tebraço. Se o polegar e os dedos estão trabalhando com delicada precisão. dotados de uma incrível mobilidade. o melhor ponto é o braço. Mas. para qualquer criatura de quatro patas. socar —. Esses ossos são visíveis no ombro. e nossas per nas dianteiras tornaram-se seus criados. Braços Os braços são a parte menos erótica do corpo feminino. ou guiá-la num a direção —. De fato. as pernas dianteiras foram drasticamente aliviadas d o peso que carregavam e puderam se especializar em múltiplos propósitos manipulativo s. mas no resto do br aço ficam cobertos pelos músculos. Se as mãos precisam agir com força — para trepar. no cotovelo e no pulso. Os br aços têm dupla qualidade: força e precisão. eles devem parecer um par de pern as inúteis penduradas. os braços humanos são nossas pernas dianteiras. Se um homem pensa em tocar uma mulher sem qualquer desejo sexual — para chamar sua atenção. colocando a mão na posição ideal para que a tarefa seja executada .12. Nossas patas dianteiras transformaram-se em sofisticadas garras. Qualquer outro ponto seria demasiado íntimo. virando a palma para cima. os fortes músculos do braços. o que significa que sua posição mais relaxada é a da pal ma voltada para baixo. Os dois ossos do antebraço se cruzam quando a mão gir a. o braço opera co mo um guindaste móvel. quando nossos ancestrais assumiram a postura ereta apo iados nas pernas traseiras. vale dizer que a ulna é . Para quem não sabe qual é o rádio e qual é a ulna. como o bíceps e o tríceps. em termos evolucionários.

e sua função é erguer o braço e afastá-lo do corpo lateralmente. que é de 10%. O triceps é o forte músculo que se situa na parte posterior do braço. .40 metros. os homens são melhores arremessadores de dardos que as mulheres. uma diferença d e 33%. enquanto o rádio é mais espess o e alinha-se com o polegar. e é inevitável que braços excessivamente desenvolvidos percam suas qualidades femininas. O bíceps é o músculo que situa na parte anterior do braço. muito superior à média em eventos desse tipo.ligeiramente mais delgada e alinha-se com o mindinho. e a razão disso parece ser o exce sso de esforço necessário para desenvolver essa musculatura. e sua função é flexioná-lo. Muitos homens afirmam que não os acham atraentes.72 metros. Os principais músculos do braço e os movimentos que ele s produzem são os seguintes: O deltóide é o grande músculo que recobre a articulação do ombr o. O recorde mascu lino nesse esporte é de 96. Outro prob lema com o braço super-desenvolvido é que ele parece muito masculino. como mostram os braços malhado s exibidos em competições de fisiculturismo feminino. o que implicaria uma ob sessão que beira o narcisismo. mais fracos e mais finos que os do homem. de 72. Por isso . e sua função é estendê-lo. O antebraço mascul ino mais longo é o reflexo de um papel evolutivo: o de atirador c lançador. que dão a impressão de imensa força. Os braços da mul her são mais curtos. e o feminino. O trabalho muscular permi te fortificar esses músculos a um grau surpreendente. Uma campeã de fisiculturismo parece estar mais intere ssada no que vê no espelho do que no corpo de um companheiro masculino.

o lugar ideal para o desenvol vimento de glândulas sudoríparas. Sua presença é exclusiva da espécie humana. Quando oscilam soltos no espaço. o braço fica na turalmente mais próximo ao tronco. tendo os olhos ve ndados.Outra diferença de gênero diz respeito à articulação do cotovelo. as axilas ficavam afastada s do rosto do parceiro. Isso ocorre porque. Portanto. Devido aos ombros mais largos. Outro detalhe a natômico do braço que merece menção são as muito amaldiçoadas. Na mulher. recentes pesquisas revelaram que. De fato. se u corpo parece afeminado. por um momento. É o nervo ulnário. com a fêmea sobre as quatro patas. Quando nossos ances trais se acasalavam. incapacita o braço. E ali se situavam as axilas. seguida de uma dor con siderável por algum tempo. Quando mais tarde assumimos a postura ereta. A mulher possui mais glândulas sudoríparas que o homem. os braços do homem pendem mais afastados do corpo. os homens se excitavam . Essa pequena zona pilosa desempenha um papel químico importante e reflete uma grande mudança nos hábitos sexuais da espécie humana. o que indica que elas atuam como sinais sexuais entre parceiros amorosos. o ângulo do cotovelo é 6 graus maior que o do homem. afetando os antebraços. ocorre uma ferroada. e os odores produzido s por um e outro diferem. que causa a aguilhoada dolorosa e. muito depiladas e muito desod orizadas axilas. e homem e m ulher passaram a adotar predominantemente a posição sexual frontal. Se o c otovelo se choca com um objeto duro. têm um ar muito ma sculino. a postura dos braços nos oferece significat ivos sinais sexuais que não podem ser atribuídos a um condicionamento social. o nariz ficava p róximo à região dos ombros. em ambos os sexos. que passa pela articulação do cotovelo. nas mulheres. mas se um homem prende os braços junto ao corpo.

tr ansmitido de geração a geração. julgando . o impacto sexual da fragrância das axilas fe mininas parece ter-se feito sentir na corte francesa. Elas só se desenvolvem na puberda de. antes de iniciar a dança. o que ele f azia era espalhar o odor de sua glândulas apócrinas na esperança de que ela fosse sedu zida por ele. quando a música parava. retirou-se para uma das salas adjacentes ao salão de baile do Louvre para trocar a camisa molhada de suor. e sua secreção é levemente mais oleosa do que o suor comum. a o ferecia ao parceiro. quando u ma maçã inteira descascada (conhecida como "maçã do amor") era colocada na axila da mulh er até se embeber de seu suor. o que intensifica o sinal que elas transmitem. A função dos pêlos é manter as secreções glandulares na regi axilar. Marie de Clèves. que inalaria s ua fragrância. Na verdade. Na Áustria rural o truque funcionava de maneira diferente. quando então seria oferecida ao amado. devia tirar o lenço e acenar com ele para refrescá-la. determinava que o homem que quisesse seduzir uma mulher usasse um lenço limpo junto à axila. Mais tarde. Uma linda princesa. O duque d'Anjou (que logo se tor naria o rei Henrique III da França). expunhase automaticamente ao aroma sex ual da mulher Esse truque também era conhecido na Inglaterra elisabetana.mais sexualmente cheirando o suor da axila da mulher do que com qualquer caro pe rfume produzido comercialmente. A mulher colocava uma fatia de maçã sob as axilas enquanto dançava e. Um velho costume inglês. por baixo da camisa. Quando ele comia a maçã. De pois. sentindo-se acalorada depois de uma vigorosa dança na corte. esposa do horroroso príncipe de Condé. que também sofria com o calor. quando o surgimento dos hormônios sexuais ativa-as e ao mesmo tempo provoca o crescimento de pêlos nas axilas. Essas glândulas sudoríparas são glândulas apócrinas. entrou nessa sal a e. no século XVI.

Embebido nelas. foi tomado por uma incontrolável paixão. advertia as damas de que "carregavam um bode nas axilas". resultado do hormônio masculino. Desde o século 1 a. o poeta romano Ovídio. seus sentidos foram profundamente afetados por e sse ato. que lhe causaria muito infortúnio nos anos seguintes. seu lenço limpo carrega realmen te um forte odor sexual. O odor natural do corpo se torna mau cheiro. depilando-as? A resposta está no vestuário. A arte do amor. com o corp o coberto de camadas de roupas. É o sistema primitivo em ação. Considerando a forte indústria que se alimenta da venda de desodorantes. essas histórias parecem muito e stranhas. ganh ou coragem para quebrar seu silêncio e confessar a ela seu amor. nossa pele suada pode se transformar facilmente numa estufa para a propagação de milhões de bactérias. usou-a para enxugar o rosto suado. o duque. em seu livro sobre a sedução. Com isso. banhado e usando uma camisa limpa para a dança. Infelizmente. Nascia uma paixão m aldita. hoje.. Diz-se que a secreção masculina tem um odor almiscarado.que a camisa de Marie fosse um guardanapo. por que se daria tanto trabalho para eliminá-lo lavando. De acordo com um cronista da época. Pesqu isas recentes mostraram que as secreções axilares de homens e mulheres diferem quimi camente e têm um odor que atrai o sexo oposto. que já era admirador secr eto da princesa adolescente. Se o ser humano carrega um estímulo sexual tão forte sob os braços. produz se creções frescas das glândulas sudoríparas. No momento em que inalou sua fragrância. em sua forma pura e . A sensação desagradável que isso nos causa nos faz preferir usar desodoran tes do que correr o risco de transformar o que seria um estímulo sexual numa catin ga corporal.C. O homem da história do folclore inglês. esfregando e desodorizando as axi las e. Entretanto. no caso das mulheres.

mas hoje é simplesmente vandalismo ignorante". onde não havia água encanada. E acrescentava um curioso conselho: "A axila pode ser usada no lugar da pal- . no mínimo metade da população não tem glândulas sudoríparas. Elas também são r s no Japão. De vez cm quando ocorre uma fraca rebelião contra esse tipo de "mutilação". Não devem ser depiladas sob nenhum pretexto". Elas parecem atuar num nível inconsciente. o forte cheiro nas axilas é visto como uma doença. Houve um tempo em que indivíduos que sofriam dessa "doença" eram disp ensados do serviço militar. A depilação "podia ser perdoada em locais de clima quente.fresca. as mulheres ocidentais aderiram em massa. apenas 2 ou 3% da população têm algum odor debaixo dos braços. Entr e os coreanos. Na ver dade. se quisessem ser mai s perfumadas e atraentes. opunhase fortemente à depilação: "As axilas — um local clássico para beijos. Nem todos os orientais possuem esse sistema glandular. onde não se consegue detectar nenhum odor axilar em 90% da população. introduzida no Ocidente na década de 1920 pel a florescente indústria cosmética. Na China. Devido às diferenças raciais. Hoje . a osmid rosis axillae. calcula-se que menos de 1% das mulheres rejeite a depilação como um procedimento r otineiro. Em pouco tempo. O famoso guia dos amantes. Anúncios diziam às mulheres que. The Joy of Sex (A alegria do sexo). fazendo-nos sentir o estímulo sem saber bem por quê. as secreções masculinas e femininas não são conscientemente detectadas pelo olfa to humano. os orientais geralmente acham o odor natura l dos europeus e africanos muito forte e até mesmo ofensivo. A remoção dos pêlos nas axi las é uma prática relativamente recente. entre os japoneses. deviam se livrar das "armadilhas de cheiro" que eram o s pêlos nas axilas. publicado em 1972 .

ma da mão para silenciar o parceiro no momento do clímax" — talvez para que o odor das axilas fosse plenamente apreciado. tinha que admitir que lutava uma batalha difícil: "Nos ano s 90. uma mulher adulta se oferece simbolicamente c omo uma criança e portanto encoraja uma perversão sexual. quando uma famosa atriz de Hollywood ergueu o braço para acenar pa ra a multidão e exibiu uma axila peluda. Apesar disso. "funcionam como uma antena transmissora. a revist a não percebia que. porque. acusava os homens que se mantêm bem barbeado s de estimular a pedofilia — já que meninos não têm barba. feministas radicais ou hippies q ue não saíram dos anos 60". Recentemente. A julgar pelos filmes e pelas fotos publica das em revistas a partir dessa década. Tudo isso era um erro. o fato foi comentado em todas as colunas de fofoca. as mulheres que decidem não depilar as axilas são ridicularizadas e submetidas a situações constrangedoras. que o consideraram repulsivo. Para pôr mais lenha na fogueira. a moda mundial ignorou essa suposta tendência . os últimos anos do século XX assistiram à chegada de uma revista intitulada Hair to Stay (Pêlos para ficar). "de u m ponto de vista psicossocial. mas parece que o guia sexual acreditava haver uma tendência nesse sentido no início dos anos 1970: "Uma nova geração começou a perceber que é sexy manter os pêlos nas axilas". enviando sina is que convidam ao ato sexual". afirmava a revista. São vistas como lésbicas. Não se sabe quantas mulheres podem ter abandon ado a depilação depois desse conselho. Convenientemente. dizia. com esse argumento. ao exibir uma axila depilada. chegou a afirmar que. Os pêlos das axilas. que se definia como "a única revista do mundo para os que amam as mulheres naturalment e peludas". . Entretanto. a remoção dos pêlos é uma revolta contra a sexualidade".

Mesmo depois de uma longa caminhada. nos obriga a manter uma excessiva proximidade em s ituações que nada têm de sensuais. Só quando os afastamos do corpo eles sentem a tensão do esforço. muito apreciado por políticos e astros do esporte. A postura de br aços erguidos é mais difícil de sustentar por qualquer período de tempo. Entretanto. Como a vida moderna. Por isso. princi palmente nos centros urbanos. os braços continuam oscilando levemente. e também os torna mais v isíveis nos momentos em que eles mais desejam ser vistos. Apenas se pudéssemos voltar a uma vida tri bal de seminudez seu argumento seria válido. não colocamos nenhum esforço nesse ato. ajudando-os a eliminar o cheiro corporal.A verdade é que a remoção dos pêlos faz com que homens e mulheres pareçam mais limpos e ma is jovens. descansados e relax ados. A postura de braços abaixados é neutra. Voltando à postura dos braços. Levantar os braços os faz parecer mais altos e mais fortes. eles cumprimentam seus fãs e comemoram uma alta posição com uma postura elevada. . É um gesto de tri unfo e vitória. existem motivos de sobra pata eliminar os primitivo s sinais sexuais. Como parte da locomoção bipedal. existem qu atro movimentos principais: para baixo. para o lado e para a frente. Se tentarem manter essa postura por horas — o u mesmo por minutos —. parece provável que a depilação corporal continue a prospe rar. Com os braços ergui dos. a posição não se m antém por mais do que alguns segundos. balançamos os braços quando caminhamos. e os músculos ficam totalmente relaxados e ina tivos. a m enos que estejamos participando de um desfile militar. não importa o que digam os rebeldes. quando os pés doem e os músculos das pernas estão exaustos. para cima. logo serão vencidos pelo cansaço. mas.

Nesse caso. seu ge sto . A postura de braços abertos é um convite dista nte ao abraço. além de transmitir muitos outros sinais. que responde com o único gesto que é capaz de realizar de seu lugar na platéia. existe uma sutil diferença na angulação dos braços. de acordo com a posição das mãos. po de ser também um convite ao abraço. Na reação a uma ameaça. se os punhos estiverem cerrados. se as palmas estiverem voltadas para cima. Uma mulher que aviste um amigo querido a alguns passos de distância a bre os braços até poder fechálos num abraço emocionado. postadas o mais longe possível do corpo. Pode significar rejeição se as palmas das mãos estiverem emp urrando para fora. Na post ura de vitória. Essa mesma postura é vista depois que uma artista de circo completa um número de grande dificuldade. n a qual o sentimento se converte no som de um abraço simbólico. Entretanto. O artista revela o desejo de a braçar o público. e não de vitória. Os sinais que envolvem os braços incluem ainda diversas formas de aceno e saudações.O gesto ganha um significado totalmente diferente quando um assaltante com uma a rma na mão ordena: "Mãos ao alto!". o nde alguma arma pode estar escondida. os braços se erguem num gesto de defes a. angulam-se ligeiramente para a frente. A essência dessa postura defensiva é que e la deve mostrar mãos vazias e desarmadas. Ele abre os braço s. os braços se flexionam ligeiramente nos cotovelos c se mantêm na posição vertical. A postura de braços par a a frente é mais complexa. e a platéia imediatamente responde com aplausos. Quando uma importante figura feminina acena de um balcão. ou agressão. Como a posição de braços abertos. ou um pedido de e smola. O gesto de bater palmas é uma forma muito modificada do "abraço no vazio". quando se dobram. os braços em geral se mantêm esticados e.

Nesse sentido. mas se houver qualquer outro toque durant e a caminhada. O aceno de uma rainha é um gesto de poder pacífico. A saudação militar — com os cotovelos flexionados e a mão toca ndo o quepe — é um gesto que estiliza a intenção de remover o elmo. é sinal de poder revolucionário. há quem acredite que esse costume teve origem como uma maneira de exagerar a forma delgada do braço fe minino. . Se quisermos ajudar uma pessoa idosa a atravessar a ru a. sem qualquer significado íntimo. nós a pegaremos pelo braço para guiá-la. o braço é quase sempre foco d e ações amigáveis e assexuadas. tocamos seu braço. o peito ou a c abeça. As tatuagen s nos braços não têm sido raras. mas a forma mais comum de adorno sempre foi o bracele te. os braços femininos funcionam co mo inestimáveis bandeiras corporais.pode ser visto de grande distância. E por aí vai. ao contrário. um movimento de paz que visa cancelar o sinal de hostilidade. Sejam homens ou mulheres. nós a conduzimos com um leve toque no cotovelo. amigos pod em dar os braços quando caminham juntos. Se queremos chamar a atenção de alguém. Se orientamos alguém a passar por uma porta. A saudação de punho cerrado d e uma líder rebelde. nosso gesto estaria imediatamente sob suspeita. Sua forma exata indica algo de seu estado de e spírito. Outra explicação seria que os braceletes e pulseiras atraem os homens porque são algemas simbólicas. com menos precisão do que a que se pode transmitir com os dedos ou expressões faciais. o gesto prontamente transmitirá um sinal de intimidade. Os braços são a parte mais neut ra do corpo. No contato pessoal. Como esse é um ornamento que sempre foi usado por mulheres. Os braços são usados para tran smitir sinais de longa distância. A saudação nazista era u m gesto de rígida lealdade. Se em qualquer desses casos tocássemos a cintura. sugerindo a escravidão da mulher pelo homem.

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nossos ancestrais se puseram de pé sobre as patas trasei ras e libertaram as patas dianteiras? O principal elemento dessa história — o segred o do sucesso das mãos humanas — foi o desenvolvimento dos polegares opostos. MÃOS As mãos femininas são superiores às masculinas num aspecto: são mais flexíveis. tanto no solo quanto nas árvores —. os homens têm uma força manual cerca de duas vezes maio r que a das mulheres. e reflete quanto mãos fortes eram importantes para o caçador primitivo. Mas. Da mesma f orma. Sempre que um trabalho preciso dos de dos se faz necessário. mais adequado ao tamanho da mão feminina. Esse foi um dos principais passos na evolução da espécie. colocando as mulheres em imediata desvantagem. os alpinistas relatam que a flexibilidade feminina se equipara à força masculi na. A espécie hu ana ganhou destreza — e transpôs o limiar para um mundo onde nada estava a salvo de seus dedos. as mãos puderam se dedicar uni camente à manipulação.13. O resultado é que a maioria dos grandes pianistas são homens. Um exemplo: o teclado do piano foi concebido para mãos masculinas. Mas como isso aconteceu? Qual é a história evolutiva das mãos femininas? O que aconteceu q uando. num teclado lige iramente menor. dando a ambos os sexos o mesmo potencial para escalar paredes rochosas. mas possuem maior delicadeza* qu ando se trata de manejar objetos pequenos. Podem ser menores e não ter a mesma força que as mãos do homem. as mãos femininas são imbatíveis. No aspecto físico. . Livres da tarefa de locomoção. a maior flexibilidade do s dedos faria as mulheres pianistas suplantarem facilmente os homens. Essa é uma das maiores diferenças de gênero. milhões de anos atrás.

tecelagem e em todas as formas de trabalho decorativo. embora hoje a natureza das tarefas tenha se a tualizado. . na qual dedos ágeis eram importantes para modelar e decorar os potes . foram artistas dotadas de grande criatividade — um fato geralmente desconsiderado por arqueólogos e historiado res da arte. Por isso. A força se adquire opondo-se o poleg ar contra todos os dedos. As mãos masculinas. a mulher é superior ao homem. para atirar objetos longe e para outras atividades como martelar. A o utra metade. durante todo esse lon go período da história humana as mulheres. A precisão se conquista opondo-se apenas as pontas dos d ois dedos. embora ca pazes de grande precisão se comparadas às mãos de polegares curtos de outras espécies. tarefas que de pendem de mãos grandes e fortes são predominantemente masculinas. Costurar e tecer t alvez estejam menos em evidência. A força manual era particularmente importante para fabricar armas e outros implementos primitivos. é a precisão. que com treinamento pode c hegar a 54 kg ou mais. as mulheres sempre foram excelentes em tarefas de costura. Nessa tarefa. no pas sado. mas a destreza feminina continua sendo um talent o. não podem competir com as mãos delicadas. ágeis e frágeis da fêmea humana.Em média. elas dominavam a arte cerâmica. rasgar. igualmente importante. o homem tem uma força manual de cerca de 40 kg. Basta olhar para o interior de uma fábrica de equipamentos eletrônicos pa ra ver centenas de ágeis mãos femininas manipulando minúsculas peças. Antes da invenção do torno. A força é apenas metade da história de sucesso das mãos. Como a olaria era a principal forma de arte na pré-história. Quase não há mulheres trabalhando em carpintaria. e não os homens. A situação não mudou muito. prender e carregar. Mesmo hoje.

essa especialização nu nca mais foi tão acentuada. durante uma vida. A mulher mais forte de um grupo sempre foi mais capaz de partir uma peça de carne ou (hoje) destampar uma garrafa que o homem mais fraco. As mãos femininas ficaram razoavelmente fortes e as mãos m asculinas tornaram-se capazes de tarefas bastante precisas. Ainda no berço. Comparadas ao Rolls Royce que é a . escolher sementes. c omo se antecipando o futuro prazer da manipulação. ler em braile e até recitar poemas na lingu agem dos surdos. as mãos revelam outras capacidades: digitar cem palavras por minuto. eles dobram e contorcem os dedinhos. Argumenta-se que essa destreza foi uma adaptação adqu irida na coleta de alimentos. elas são insuperáve is. As juntas dos dedos femininos são mais flexíveis.Essa diferença de precisão não se dá apenas pelo fato de a mulher ter dedos mais leves e finos. Por outro lado. os marinheiros se mostraram capazes de manejar bem uma agulha quando estão em alto-mar. A coleta de alimentos exigia arrancar raízes. Calcula-se que. colher nozes e frutos. Com a divisão de trabalho ocorrida durante nossa evolução. as mãos talvez sejam as mais ativas. Mas. Mais tarde. pintar obras-primas. na Idade da Pedra Lascada. Como peças de um mecanismo complexo. De todas as partes do corpo humano. Mesmo os recém-nascidos possuem uma notável força nos dedos. E existem alguns exímios harpistas. uma característica que pode resultar de fatores hormonais. executar músicas num teclado a uma v elocidade incrível. os dedos se flexionam e se esticam no mínimo 23 milhões de vezes. e as mãos raramente param quietas. tarefas mais ade quadas aos dedos rápidos e flexíveis das mulheres do que às mãos fortes e musculosas dos homens. uma especialidade feminina. a diferença era significativa: força par a os homens e precisão para as mulheres.

e hoje nada mais é que a exibição de feira que merece ser. mas nos humanos a independência do ind icador é tal que partiu a linha em duas. Entretanto. Na verdade. Quando a p essoa dorme. a quiromancia perdeu terreno no sécul o XX. Elas variam ligeiramente de um indivíduo para outro. 5 ossos palmares e 8 ossos no pulso. Um legado da quiroman cia que tem alguma utilidade é a denominação das várias linhas da mão. à dor e ao toque é grand e. À medida que a pessoa se torna mais . porque existem milhares de terminações nervosas por centímetro quadrado. que atravessam a palma. O par de mãos h umanas contém nada menos do que 54 ossos. por mais quente que esteja a cama. Na superfície da mão existem três tipos de linhas: as linhas de flexão. as linhas de flexão. uma em cada 25 pessoas ainda exibe uma única linha. As quatro principai s linhas são: a linha da cabeça e a linha do coração. O suor das mãos não é comum. e a linha da vida e a linha do destino. A força musc ular das mãos e dos dedos não vem apenas da musculatura da mão. são 14 ossos digitais. Em cada mão. as glândulas sudoríparas da palma cessam sua atividade. as lin has de tensão e os sulcos papilares. Se as palmas estão compl etamente secas. a linha da cabeça e a linha do coração são uma só.mão humana. são marcas que refletem os movimentos da mão. As primeiras. chamada "linha dos símios". as patas das demais espécies não chegam a ser uma bicicleta. Nos macaco s. mas também dos músculos do antebraço. que correm ao redor da base do polegar. A sensibilidade da mão ao calor. elas não reagem ao calor como as glândulas sudoríparas de outras partes do corpo. a pessoa está relaxada. Só reagem a um aumento de tensão. o que há séculos tem garantido a sobrevivência dos quiromantes. Como outras práticas ar tificiosas como a frenologia e a astrologia.

Mesmo que sejam raspa das. Infelizmente. a classificação das impressões digitais para a detecção de crimes se tornou altamente sofisticada. Modername nte. Durante a famosa crise dos mísseis de Cuba nos anos 1960. . "esporas" e "cruzamentos". e não se alteram com a idade. "ilhas". elas voltam a aparecer. Tal é a sensibilidade das palmas das mãos. As impressões digitais apresentam três p adrões básicos: curvas (muito comuns).ansiosa. mas hoje as tensões são em sua maioria ps icológicas. Mãos suadas são port anto remanescentes de um passado remoto que o moderno homem urbano pode perfeita mente dispensar. as palmas se umedecem cada vez mais. temendo uma guerra nuclear. quando o mundo ocidental ficou em suspenso. preparando-se para a ação física que o o rganismo prevê. Não existem dois seres humanos com impressões digitais idênticas. o corpo humano desenvolveu essa reação numa época em que a tensão era principalmente de natureza física. O aumento generalizado de tensão fez com que as taxas de sudorese cresc essem tanto que era impossível conseguir que algum dos sujeitos da pesquisa relaxa sse. As impressões digi tais são usadas para identificar indivíduos há séculos. todas as pesqui sas de laboratório sobre o suor das palmas das mãos tiveram que ser temporariamente suspensas. o que faz as palmas umedecerem sem ter o que agarrar. não sei por que não seguimos esse antigo costume chinês. Um criminoso não tem como evitar a identificação tentando alterar as impressões digitais. Como uma assinatura po de ser falsificada. Contrari ando a crença popular. mesmo gêmeos têm impressões digitais diferentes. com a técnica de "contagem das cristas" e a atenção a minúsculos desenhos chamados de "lagos". Há mais de 2 mil anos os chineses usavam os dedos como molde para seus selos de autoridade. espirais (medianamente comuns) e arcos (basta nte raros).

depois de certo tempo. Esse é o comportamento normal do corpo como um to do. Acredita-se que isso se deva à necessidade de manter os gestos altamente visíve is. Ela é a mesma em todo o c orpo. É uma r eação notável e complexa. mas as palmas se recusam a escure cer. que poderia causar danos irrecuperáveis. mas as diferenças são muito pequenas. A reação inicial das mãos à neve fria é a vasoconstrição. Depois de mais 5 minutos. as costas das mãos ficam bronzeadas. não importa quanto dure a exposição ao frio. um aumento drástico do fluxo sangüíneo aquece as mãos. e conserva o precioso calor do corpo. Os caucasianos. vaí perceber que as mãos passam do azul ao vermelho a cada 5 minutos. Qualquer pessoa que já tenha feito bolas de neve sabe que. que evita que o sangue quente dissipe o calor vital. Esse parece ser um mecanismo destinado a evitar que a pele sensível das palmas congele.Há diferenças raciais nas impressões digitais. Os vasos sangüíneos da palma e dos dedos de repente se expandem. Mesmo indivíduos da raça negra têm palmas claras. Aquecendo as mãos a cada 5 minutos. têm menos es pirais e mais curvas que os orientais. elas passam da vasoconstrição a uma forte vasodilat ação. Depois de cerca de 5 minutos. colorindo a mão de vermelho. Devido ao frio prolongado. as palmas ficam vermelhas. Trata-se de um sistema defensivo emergencial que prov avelmente desenvolvemos na Idade do Gelo. por exemplo. . Se a pessoa conseguir suportar as bolas de neve por uma hora. que reduz o de sangue na superfície da pele. o processo se reverte. três aspectos despertam interesse. mas as mãos atuam de maneira diferent e. quando mãos congeladas podiam significar desastre. Quando pessoas de pele clara se e xpõem ao sol. Quanto à coloração das mãos. o sistema evita o congelamento.

Crianças que usam piscinas públicas costumam pegar verrugas — pequenos tumor es epidérmicos de origem virótica que precisam ser removidos cirurgicamente. Quand o ocorrem. A pessoa que tem a ferida pode não se lembrar de tê-la coçado. Curiosame nte. geralmente provocam coceira e sangram. O fenômeno obedece a um horário rígido: o sangramento se dá entre 1 e 2 horas da ta rde e se repete entre 4 e 5 horas. as feridas começam a sangrar. depois secam e em seguida voltam a sang rar. é fácil perceber que um ferimento de menor importância pode incendiar a imaginação de uma devota e se trans formar na milagrosa repetição do sacrifício de Cristo. Assim. mas o processo é muito m ais lento que o de um corte normal. a explicação mais provável para essas chagas é uma infecção viróti calizada. entre elas algumas freiras. A grande maioria das 330 pessoas registradas que exibiram ferid as sanguinolentas pertencia à Igreja Católica. Excluída a possibilidad e de mutilação deliberada. embora sejam menos comuns. O fenômeno vem de manifestando há mais de setecentos anos. Devido à presença do vírus. nesse aspecto as mulheres superam os homens numa proporção de 7 por 1. O que se coloca cm dúvida não é a existência das feridas. Uma cirurgia faz-se necessária para removê-la permanentemente. e m ais cedo ou mais tarde a ferida volta a sangrar. porém. um sofrimento com que pessoas santas repetiriam o sacrifício de Cristo na cruz. — Mas há uma falha . Na maiori a dos casos.Uma das crenças mais extraordinárias sobre as mãos é o suposto aparecimento espontâneo de chagas nas palmas. desde o século XIII. mas a natureza milagrosa do fenômeno. Depois a ferida se fecha. a cura não é perfeita. As autoridades da Igreja sempre se mostraram intranqüilas com relação a essas alegações. Verruga s semelhantes podem aparecer nas palmas das mãos. tornando-se cada vez maior. todas as sextas-feiras.

devemos dizer que cada um tem características próprias. que tudo está. já que permite o movimento d e agarrar. depois que se tornou conhecida a verdadeira localização das chagas de Cristo . Em tempos antigos. bem. se alguém perde o polegar. índice e mostrador. No Islã. Desde o século IX artistas religiosos aliment am esse erro.quase fatal: as chagas surgem no centro da palma. sem dúvida o mais importante dos dedos. ao passo que na crucifixão de Cr isto os pregos perfuraram os pulsos. O segundo dedo. que disca o tele fone. É o dedo que puxa o gatilho. É bastante si gnificativo que os poucos que sangraram nos pulsos tenham aparecido muito recent emente. parece que o erro — que para eles não passa de licença ar tística. Seu papel fundamental é reconhecido desde a Idade Média. o indi ador também recebe o nome de índex. presumivelmente devido a seu significado fálico. era dedicado a Maomé. é o mais independente e i mportante dos outros quatro dedos. O polegar tem três significados gestuais: aponta uma direção. restaurando em parte o m ovimento de preensão. expressa um insulto fálico e indica. Houve época em que ele foi chama do de "dedo napoleônico" ou "dedo da . Graças à sua função indicativa. que aperta o botão. Hoje. a cirurgia moderna pode ajustar o in dicador para que ele funcione em oposição aos outros dedos. o indicador. quando a indeniz ação pela perda de um polegar era quatro vezes maior que o valor pago pela perda de um mindinho. que pede atenção. o polegar — pollex em latim — era dedicado a Vênus. que aponta o caminho. Voltando aos dedos. O prim eiro é o polegar. É o mais usado em oposição ao polegar em atos de de licada precisão. — tem sido ampla e dolorosamente copiado pelos supostos santos. que chama. produzindo pinturas e esculturas que mostram pregos enterrados no centro das palmas de Cristo.

os outros dedos se dobram e apenas o médio permanece esticado e ereto. marido de Fátima. porém. No passado. Em 45% das mulheres. os islâmicos. era encapsulado numa dedeira de ferro magnético e . Em tempos antigos. era proibido usar o indicador para qualquer tipo de medicação. porque a maior igualdade sexual trouxe consigo uma maior igualdade gestua l.ambição". Os dois dedos dobrados de cada lado simbolizam os testículos. tinha vários nomes antigamente. A razão para a ma ioria desses nomes é sua utilização no mais famoso dos gestos grosseiros de Roma. o indicador é um dos menores dedos. é o dedo dedicado a Cristo e à salvação. relegando o anular para o terceiro lugar. vem sendo usado há mais de 2 mil anos em cerimônias de cura. terceiro e mais longo dos dedos. Os católicos dedicam o indicador ao Espírito Santo. Surpreendentemente. dedicado a Ali. é o segundo dedo mais longo. isso ocorr e apenas com 22% dos homens. a Fátima. Seu uso por mulheres. o falo ereto. o anular. pelo menos no mundo ocidental. O quarto dedo. sendo co nhecido como "o famoso". Apesar de sua importância. cresceu muito nos últimos anos. No ambiente religioso. no islamismo. "o infame" e "o obsceno". Esse gesto sobreviveu durante 2 mil anos desde que surgiu nas ruas da antiga Ro ma. porque se acreditava que ele era venenoso. o dedo médio tem significados bastante diferentes. e o médio. Ness e gesto. mas hoje as mu lheres mais assertivas não se sentem constrangidas de se expressar dessa maneira. superado em mu itos casos pelo médio e pelo anular. "o impudico". O médio. gestos obscenos eram uma exclusividade dos homens. No catol icismo. A razão dessa significativa diferença de gênero é um mistério . Nas civilizações do mar Egeu. mas sua denominação mais estanha é a de "dedo do veneno".

ele acabou se ndo conhecido como o "dedo da cura". A razão d e sua relativa inatividade é que sua musculatura o torna o menos independente dos dedos. Esse costume originou-se na idéia de que a esposa se comprometia a ser menos independente como o dedo simbolicame nte escolhido. portanto. Se existe algum valor prático nessa super stição é que. seria o mais seguro para u so médico. Além disso. Mais tarde. Na Idade Média. O indicador devia ser evitado a todo custo. Em algumas partes da Europa. não há problema . Foi por essa falta de independência que o anular foi escolhi do como o dedo que carrega a aliança de casamento. ora por uma artéria. tem me nos probabilidade de tocar algo perigoso e. o anular é provavelmente o dedo mais limpo. Para alguns. Por isso. Por isso. os boticários ainda usavam religiosamente esse dedo para misturar s uas poções. Se alguém fechar o punho e tentar esticar um dedo de cada vez. essa idéia foi adotada pelos romanos. perceberá que o anular é o único que se recusa a se esticar totalmente — ou faz isso com grande difi culdade. Essa superstição durou séculos. ele ainda ê vist o como o único dedo adequado a coçar a pele. Se algum dos dedos que o ladeiam se esticar ao mesmo tempo. por ser o menos usado. e sempre o usavam para fazer misturas porque achavam que n enhum veneno poderia tocá-lo sem dar aviso ao coração. é difícil usá-lo para mexer alguma coisa sem manter os outros dedos presos pelo polegar. simplesmente passar o anular por cima de uma ferida era suficiente para curá-la. mas sozinho ele se sente fraco demais para fazer o movimento. Eles acreditavam que por esse dedo corria um nervo que ia direto ao coração. com o nervo que se ligava ao coração ora sendo substituído por uma veia. A escolha da mão esquerda teve . e insistiam que todos os ungüentos deviam ser esfregados no corpo com ele.usado em rituais de cura. que o chamavam de digitus medicus.

Alega-se que ele foi chamado de "dedo auricular" pelo fato de ser suficientemente pequeno para ser usado para limpar a orelha. Devido a e ssa função de levar a aliança. o indicador (o Filho). O quinto dedo. onde as crianças se referem a qualquer coisa pequena como "pinkie". e transportada para Nova York pelos colonizadores . o nome usado popu larmente para identificar o dedo mínimo é "pinkie". e para os cristãos ele é o "dedo do amém". Se o verdadeiro significado machista f osse mais conhecido. era possível aumentar as chances de uma experiência mediúnica. o miudinho. e o médio (o Espírito Sant o). foi dedicado a Hassan. porque as bênçãos são feitas com o polegar (o Pai).origem semelhante: essa seria a mão mais fraca e submissa. e auricular devido à sua lig ação com a orelha. ele foi chamado pelos romanos de digitus annularis. mais tarde foi adotado por adultos de outras cidades. adequada ao que era então considerado o papel da esposa. Nesse momento. seguidos pelo anular (amém). é chamado em latim de mi nimus ou aurícularis: mínimo porque ele é o menor de todos. Qualquer pessoa que tenha estado numa sessão espírita provavelmente participou de uma versão moderna dessa superstição. de uma visão profética ou de algum outro evento sobrenatural. fechando os ouvidos com os d edos mínimos. Acredita-se que a denominação teve origem na Escócia. Antigamente. criaria um conflito para muitas noivas modernas. acreditava-se que. mas existe um argu mento mais moderno. Só porque esses fatos foram esquecidos é que esse de do ainda é escolhido no ritual do matrimônio. porque essa era a maneira antiga de criar uma ligação mediúnica. o médium geralm ente avisa que o contato deve ser feito com os dedos mindinhos. Nos Estados Unidos. na qual os participantes se dão as mãos formando um círculo. No islamismo. Usado primeiramente pelas crianças de Nova York.

que se realizará se nada for dito antes que os dedos se solte m. outra ação que tem origem supersticiosa. A p alavra "Snap!" também tem relação com os dedos.escoceses. nada poderia estar mais longe da verdade. Em alguns países da Europa. Na origem. e também pode ser significativo que a palavra holandesa para "pequeno" seja "pinkie". As cria nças costumam usar a palavra numa rima que utilizam para firmar uma promessa solen e. a superstição reflete a crença no poder sobrenatural do mindinho. Num contexto que nada tem de mágico. de imediato gritam "Snap!" e entrelaçam os mindinhos. Mais uma vez. Acreditava-se que o estal o do indicador contra o polegar tivesse o poder de espantar os maus espíritos (é por isso que não é de bom tom estalar os dedos para chamar alguém). Alega-se que esse era um sinal de que as mulheres que serviam de modelo para as imagens religiosas desfrutavam de uma incomum independência sexual . porque é o substituto verbal para a ação de estalar os dedos. Ela s curvavam deliberadamente o dedo mindinho quando bebiam para . Essa crença de que um mindinho "independente" simboliza a liberdade sexual deu o rigem a uma nova moda lançada pelas primeiras feministas do final do século XIX. o costume de curvar o dedo mindinho quando a pessoa está beb endo de uma xícara ou de um copo há muito é considerado símbolo de afetação. o nome original de Nova York era Nova Amsterdã. e isso seria necessário quando duas pessoas pronunciavam a mesma palavra simultaneamente. entrelaçam os dedos mindinhos para materializar o ato. Esse é outro costume que se originou da antiga ligação do mindinho com o sobrenatural. mesmo quando a figura feminina em ques tão não está bebendo. fazendo um voto silencioso. Entretanto. Quando fazem disso. quando duas pessoas acidentalmente pronunciam a mesma pal avra ao mesmo tempo. As primeiras pinturas religiosas mostram o dedo mínimo curvado e afastado dos demais.

mas a mensagem dos gestos chega ao interlocutor num nível subliminar. Em todo o mu ndo. os ourives do Oriente Médio já tinham atingido um alto estágio na manufatura de anéi s. trouxeram outra vantagem para as mulheres que queriam se livrar de . O uso de adorno nos dedos femininos é popular pelo menos há 6 mil anos — talvez muito mais. os cinco dedos são capazes de uma imensa gama de gestos e sinais. Além disso . alguns deliberados e simbólicos. num punho cerrado ou num leque. Mais tarde. Daí pass ou a ser símbolo de gentileza e acabou adquirindo um significado quase oposto ao o riginal. Acreditava-se que eles tinham poderes de proteção.C. protegendo contra os maus espíritos e propiciando saúde e até mesmo imortalidade (já que um anel não tem começo nem fim).500 a . Depois que uma conversa acaba. esse gesto foi perdendo seu significado original de igualdade sexual. mas em pregam mais os gestos que acompanham a conversação e enfatizam as palavras. Uma vantagem dos anti gos anéis que não levamos cm consideração hoje é que. Por volta de 2. antes da invenção do espelho. to rnando-se meramente o gesto adequado a fazer na presença de outras pessoas. os anéis eram us ados não apenas como elementos decorativos. Juntos. numa agulha.mostrar que apoiavam a idéia de direitos iguais em questões sexuais. outros inconscientes e expressivos. eles eram mais apreciados do que qualquer ornamento para a cabeça ou o pescoço porque ficavam claramente visíveis para quem os usava. a mão feminina pode se transformar numa garra. que desde então sempre gozaram de grande prestígio. Originalmente. trazendo boa sorte. mesmo hoje. de acordo com as emoções do momento. numa lâmina. é difícil lembrar precisamente o que os dedos andaram fazendo. Disseminado com o moda. as mulheres usam menos os gestos simbólicos que os homens.

enfaixava as mãos da noi va e colocava-as dentro de dois sacos bordados para que a pintura secasse sem bo rrar. que passava horas pintando os desenhos tradicionais. Depois. a noiva. mas a dificuldade na elaboração dos desenhos evitou que a moda pegasse. . no Oriente Médio e em algumas reg iões da Ásia durante séculos. Hoje. Se a mulher rejuvenesceu o rosto com cremes firmadores o u com uma cirurgia plástica.maridos indesejáveis: podiam conter pequenas câmaras cheias de venenos letais. Na noite anterior ao casamento. as mãos eram desenfaixadas. com a interessante exceção da aplicação de desenhos de hena. entregava as mãos a uma artista chamada hennaria. um espírito maligno que gostava de aparec er nas ocasiões felizes com a intenção de destruí-las. Parte importante das cerimônias de casamento. Os intricados desenhos pintados nas mãos da noiva tinham a finalidade de espantar o Olho do Diabo. cerc ada pelas amigas mais íntimas. Acreditava-se que a hena tinha a virtude de purificar a noiva de qualquer contaminação mundana e imunizá-la contra os a taques do demônio e de seus agentes. A pel e das mãos femininas tem recebido relativamente pouca atenção. sua verdade ira idade pode ser revelada por mãos enrugadas e manchadas. A pele das costas das mãos femininas pode acarretar um sério problema às mulheres mais velhas. ela podia usar luvas. essas pinturas foram muito populares no Norte da África. que a fazem parecer vinte anos mais nova. depois das quais podia desbotar ou ser ren ovada. Para a cerimônia. exibindo os belos desenhos. mas esse acessório não está mais em moda. o costume sobrevive por motivos puramente decorativos em algumas pa rtes da Europa e da América. A hena é uma tintura castanhoavermelhada extraída das folhas de um pequeno arbusto. Antigamente. A pi ntura durava cerca de quatro semanas.

cera quente e tratamento a laser. Em diferentes épocas e culturas. se não fossem cortadas. O tratament o mais radical é o equivalente do lifting da face. Esses dois costumes sobrevivem ainda hoje na Europa. alguns de efeito bastante duvidoso. Na Chi na antiga. Modernamente. existem as unhas das mãos. como isso prejudicava os movimentos da mãos. as mulheres da nobreza deixavam as unhas crescer e as pintavam de our o. O utra solução foi usar unhas curtas para o uso cotidiano e aplicar unhas postiças exage radamente longas em ocasiões especiais. Muitas mulheres usam unhas postiças em eventos sociais e depois as remo vem para trabalhar. o peeling ácido. Em épocas primitivas. as unhas atingi riam 1 cm em cem dias. Mais tarde. muitas mulheres têm ignorado as conveniências. tecido mort o que cresce em média 1mm a cada dez dias — quatro vezes mais rápido que as unhas dos pés. mantendo as unhas dos demais dedos muito mais curtas. como a microdermoabrasão. só dura mais ou menos um ano. Finalmente. mas tem que ser repetido várias vezes. e hoje ela tem à sua disposição uma infinidade de caros procedimentos. elas limitaram a demon stração aos dedos mindinhos.Medidas mais severas se fazem necessárias para adequar a aparência das mãos à sua jovem figura. infusão de vit aminas. e. permitindo que as unhas cresçam para mostrar que não precisam fazer nenhum trabalho manual. Essa demonstração de status é valorizada pela aplicação de esmaltes coloridos. qu e chamam mais atenção para o fato de que aquelas mãos nunca pegaram no batente. aumento da absorção de oxigênio. . é preciso cortá-las e lixá-las para mantêlas num comprimento conven iente. esse comprimento seria desgastado pel o uso. Essa taxa de crescimento significa que. mesmo ass im. O lifting das mãos é um procediment o que retira gordura das coxas e injeta-a nas costas das mãos. o que as faz estufa r e parecer muito mais jovens.

Quando o policial descobriu que isso seria impossível com aquelas unhas de 15 cm de comprimento. Depois de carregá-las por 24 anos. Surpreendentemente. unhas acrílicas.Alguns indivíduos excêntricos permitiram que as unhas crescessem assustadoramente. por exemplo.. existem hoje mais de 60 mil sites na in ternet dedicados a esse assunto. assim como unhas de gel. . a pintura artística incrementou a moda de lo ngas unhas pintadas. torna-se uma tarefa impossível. piercings de pedras semipreciosas para unhas. ela finalmente decidiu cortá-las. A lista é infinita. nos Estados Unidos. e até mesmo uma enciclopédia de pintura artística das unhas para quem quiser levar o assunto a sério. t ornando os movimentos corriqueiros com as mãos extremamente difíceis. usou as unhas para se vingar. A mulher se recusou a cortar as unhas e teve que passar quatro noites na cadeia en quanto a polícia tentava descobrir outra maneira de obter suas impressões digitais. Discar um número de telefone. ordenou que elas fossem cortadas. e é isso que pode causar problemas. das quais a mais impressionant e media 71 cm. Uma mulher de Dallas se orgulhava de exibir um total de 380 cm de unhas. Foram necessários 24 pontos para fechar a feri da na bolsa escrotal. Em se guida entregou-se ao prazer de poder coçar-se e de dar um abraço em alguém. Existem vários estilos de pintura. Suas preciosas unhas custavam-lhe de oito a dez horas na tarefa d e pintálas. sentindo-se ultrajada ao descobrir seu parceiro na cama com outra mu lher. As unhas f emininas não crescem retas. Nos últimos anos. unhas marmorizadas. cometeu uma contravenção e precisou tirar as imp ressões digitais na delegacia.. Longas unhas podem facilmente se transformar em armas de destruição. Uma mulher de C onnecticut. Uma m ulher da Geórgia. mas se curvam.

E assim a moda continua criando novidades. o impacto social da decoração pode se r tão gratificante para as mulheres que a adotam.) . Desde que a mudança não interfira na mobilidade e flexibilidade das mãos. não há mal algum. que têm a aparência das naturais. Outra moda é usá-las curtas e pintadas de um esmalte quase negro. que teve a longa u nha presa na bilheteria automática de um estacionamento e precisou esperar que a p olícia viesse libertá-la.Muitas mulheres acham a pintura artística muito exótica e adotaram um novo estilo: a s unhas manicuradas à francesa. mas com as pontas de stacadas por uma faixa branca. que compensa a perda de destreza . E mesmo quando a moda prejudica os movimentos manuais. É fácil rir desses exageros decorativos das unhas femininas. mas uma tradição que permanece há mais de 6 mil anos de uma forma ou de outra dificilmente desaparecerá do dia para a noite. (Desde que não tenham a sorte de uma mulher de Massachusetts.

pomos ou tetas. o que não faz bem nem para a mãe nem para o filho. Os seios femininos tem duas f unções biológicas. tornando os seios maiores e os vasos sangüíneos que irrigam esses tecidos mais evid entes na superfície da pele. Os tecidos glandulares que produzem leite incham durante a gravidez. mas não muito chocante.14. eles funcionam com o duas gigantescas glândulas sudoríparas que produzem um suor modificado que chamamo s de leite. os ductos lactíferos. não produzirá o leite deseja do. Uma mãe experiente logo descobre que pode evitar a dor causada p ela mordida enfiando uma parte maior do seio na boca do bebê. Concentrar a atenção diretamente nos genitais seri a demais. Nas mulheres virgens e naqu elas que ainda não são mães. Os seios são um meio-termo — uma região proibida. situado no centro da mama. À medida que vai se formando. o leite passa por canais que levam a um reservatório chamado seio lactífero. De cada seio lactífero partem de qu inze a vinte tubos. Para a primeira função. a aréola tem . Seios Os seios tem despertado maior interesse erótico por parte dos homens do que qualqu er outra parte do corpo feminino. e pode reagir a essa frustração mordendo o mamilo. Se espremer apenas o mamilo. por t rás da aréola amarronzada que circunda os mamilos. Quando o bebê mama. em direção a cada mamilo. mas em português eles costu mam ser chamados de mamas. peitos. Inúmer os nomes têm sido criados para os seios em muitas línguas. uma parental e outra sexual. A aréola que circunda o mamilo é um detalhe anatômico curioso da espécie humana. pega o mamilo e a aréola na boca apertando a pele escura com as gengivas e fazendo o leite brotar do mamilo.

O bico de uma mamadeira tem um formato mais adequa do à sucção do que o mamilo. A olho nu. mas tem um nível de fósforo bastante alto. as fêmeas que não são lactantes têm peitos chatos. A secreção das glândulas d e Montgomery protege o mamilo e a pele circundante — um cuidado muito necessário à sup erfície dos seios. um maior número de mulheres estão alimentando seus filhos no seio — o que tem a vantagem extra fortalecer os laços emocionais entre a mãe e o bebê. ela começa a se alargar e escurecer. essas glândulas têm a aparência de pele de galinha. cálcio. Para entender como os seios deveriam ser. o que pode inte rferir na ingestão de cálcio e magnésio. Em todos os outros prima tas. e é a função sexual que caus problema. potássio. Contém também nticorpos que aumentam a resistência do bebê a doenças. Se isso parece ser uma falha evolucionária. O leite produzido pelos seios contém proteínas. O lei te materno é ideal para o desenvolvimento do bebê. sódio. Alguns bebês apresentam reações alérgicas às proteín vinas. Elas contêm pequenas glândulas. A função da s aréolas parece ser de proteção. convém lembrar qu e os seios femininos têm uma dupla função — parental e sexual —. gordu ra. carboidratos. Na época do aleitamento. ferro e vitaminas. que crescem durante a gravidez e segregam uma substância oleos a.uma coloração rosada que muda na gravidez. e mesmo quando o bebê é desmamado não volta a apresentar o tom rosado virginal. Cerca de dois meses após a concepção. colesterol. fósforo. macacos e chimpanzés. chamadas glândulas ou tubér ulos de Montgomery. magnésio. O leite de vaca é o substituto a dequado ao leite materno. vamos dar uma olhada nos se ios de nossos parentes mais próximos. Quando são lactantes. mas a forma dos seios está longe de ser perfeita para a amamentação. Sabiamente. já exibe uma cor marrom-escura. a .

julgam ofensiva a idéia de que alguns aspectos do corpo feminino possam ter evoluído até sua forma atual pa ra atrair o macho. exige uma explicação que ultrapassa s ua função de aleitamento. me smo que eles não sejam usados durante toda a vida. Embora aumentem de tamanho quando es tão cheios de leite. mas não explica o persistente arredondamento dos seios em outros períodos. resultado do tecido gorduroso. os seios femininos continuam protuberantes durante a vida adu lta mesmo que não exerçam sua função alimentar. E também não explica por que as fêmeas de outras espécies primatas não precisam d essa ajuda. Ignorando o fato de que a atração física está envolvida em sua concepção. A espécie humana é diferente.região ao redor dos mamilos se intumesce um pouco devido à produção de leite. Até uma freira tem seios protuberantes. mas rarame nte toma a forma hemisférica dos seios humanos. Nos peitos que se aproximam da for ma humana durante o período em que contém um generoso suprimento de leite. Os "seios" das fêmeas primatas são unic amente parentais. Um exame da anatomia dos seios revela que a maior parte de seu volume é constituída de tecido gorduroso. muitas mulheres recusam essa interpretação. Assim surgiram sete sugestões: O tecido gorduroso protege as glândulas mamárias. enquanto a penas uma pequena parte é de tecido glandular ligado à produção de leite A forma arredon dada dos seios. elas insistem que os seios têm apenas a função parental e usam sua engenhosidade para encontrar explicações não-sexuais para a forma arredondada dos seios. Embora seja claro para um biólogo que essa explicação tem a ver com a sexualidade. Isso pode ser verdad e durante a lactação. o intumes cimento desaparece assim que termina a lactação. .

Mais uma vez. um macio hemisfério de carne dificilmente ajudaria a tornar o mamilo mais acessível. Como qualquer mãe sabe. Mais uma vez. de qualquer forma. e essa r eserva de gordura dispersa é a maneira mais eficiente de ela se proteger contra a eventualidade de uma fome. a gordura do seios representa apenas 4% d a gordura total do corpo. eéa que diminui menos quando a mulher perde peso. isso só é necessário durante a am amentação. Sim. é verdade. . Basta pensar no formato de uma mamadeira. O teci do gorduroso compensa a falta de uma capa maternal de pêlos à qual o bebê possa se aga rrar quando se alimenta. e. o bebê tem que ser segur ado junto ao seio. não é verdade. Além do mais. Não é verdade. O teci do gorduroso é uma importante maneira de estocar gordura para quando o alimento fo r escasso. mas por que concentrar esse estoque no peito. Mulheres de se ios pequenos podem amamentar com mais facilidade que as de seios enormes. já que seio s fartos fazem com que a mulher tenha mais dificuldade para correr? O corpo femi nino tem uma generosa camada de gordura na maior parte de sua superfície. A forma arred ondada funciona como um sinal visual que informa aos homens que aquela mulher se rá uma boa fonte de alimento para a prole.O tecido gorduroso mantém o leite morno. A forma arredondada dos sãos os torna mais confortáveis para a alimentação do bebê Simplesmente não é verdade.

Não é difícil traçar a origem do par de seios como símbolo se xual. a s nádegas. as nádegas estão fora de seu campo d e visão. esta é a última saída para aqueles que se recusam a aceitar que a forma dos seios femininos é sexual. O homem que re age aos seios de uma virgem ou de uma não-lactante está respondendo a um primitivo s inal sexual da espécie humana. Em outras espécies. mas ela não anda de quatro como as outras espécies. A inevitável conclusão é que a forma hemisférica dos seios não é parental. mas o par de falsas nádegas que ela traz no peito lhe permite continuar tra nsmitindo o primitivo sinal sexual sem dar as costas ao interlocutor. "não-funcional. Os seios cresceram tanto em seu esforço para imitar as nádegas que ficou difíc il para um bebê abocanhar o mamilo. a ponto de se r antifuncional". Isso significa que teorias que consideram o interesse masculino pelo s seios femininos como "infantil" ou "regressivo" não têm fundamento. Essa função se xual dos seios tornou-se tão importante que começou a Interferir na função parental prim ordial. mas um si nal sexual. de acordo com um autor. com a região frontal escon dida da vista. As fêmeas das outras espécies primatas emitem sinais sexuais com o traseiro en quanto caminham sobre quatro patas. Seu traseiro protuberante excita os machos. Os sinais traseiros emitidos pela fêmea humana partem de outro par de hemisférios. de m odo que o bebê macaco não tem . Ela caminha ereta e é vista de frente na maioria das situações sociais. Quando todas as outras justificativas parentais falham. Quando se coloca frente a frente com um homem. os mamilos são alongados. Elas são capazes de enviar fortes sinais eróticos quando a mulher é vista de costas.A forma hemisférica dos seios é.

Mulheres que têm seios pequ enos costumam temer não serem capazes de amamentar. m as que pouco tem a ver com o suprimento de leite. Só o mamilo se destaca nesse estágio pré-pubere. e essa lenta alteração no perfil dos seios pode se r resumida nas "sete idades do seio feminino: Os mamilos da infância. O dr. Em seu papel sexual. elas podem ser mai s capazes de amamentar do que as mulheres de seios fartos. Outro livro sobre bebês comenta: "Pode surpreendê-la que o bebê pegue n a boca também o círculo amarronzado ao redor do mamilo. os seios são um sutil indício de idade. Na verdade. Mas o bebê humano pode s e sufocar na montanha de carne que circunda o modesto mamilo. Em sua ansiedade. Mesmo à d istância. De mais perto. que dá aos seios a sensual forma arredondada. o t ecido glandular aumenta mesmo na futura mamãe de seios pequenos. Quando a mulher engravida. Spock aconselha: "Às vezes. os seios permitem distinguir a silhueta de uma mulher adulta da de um ho mem. ele pode obstruir as narinas com o tecido do seio ou com seu próprio lábio superior". Cuidados como esse s não deixam dúvida sobre o duplo papel dos seios humanos. . e seus bebês terão ma is facilidade de sugar e menos probabilidade de sufocar. Tudo o que você precisa fazer é ter certeza de que ele consegue respirar.dificuldade para levar a longa teta à boca e sugar o leite. Isso ocorre porque el as possuem menos tecido gorduroso. os seios femininos atuam primeiro visualmente. e as mães precisam t omar certas precauções que não são necessárias em outras espécies. A forma dos seios muda g radualmente da puberdade à velhice. você pode precisar apertar o seio com um dedo para dar espaço para o nariz do bebê respirar". depois como estímulo ao tato.

quando a menstruação começa e os ge nitais já apresentam pêlos púbicos. Os seios caído s da meia-idade.Os botões da puberdade. apesar do tamanho e do peso. os seios femin inos assumem uma forma mais arredondada e. aumenta o tamanh o dos seios. . criando uma f orma mais cônica. o corpo atinge sua melhor condição. mesmo tendo perdido o peso da fase de lactação. Com a maternidade e o repentino aumento de tecido glandular. tanto o mamilo quando a aréola se projetam. À medida que a fase reprodutiva se aproxima do fim. A margem inferior do seio forma uma prega oculta. Durante essa década. em direção ao peito. Os seios fartos da maternidade. mas com a pele ca da vez mais enrugada. que continuam caídos sobre o peito. ainda não começaram a cair. e to dos os processos de crescimento estão completos. Com a idade avançada. a região ao redor do mamilo começa a inchar. À medida que os anos adolescentes passam. Os seios pontudos da adolescência. A idade ideal do animal humano do ponto de vista físico é de 25 anos. o encolhimento geral do corpo leva a um achatamento dos seios. Nessa fase. Os sei os pendulares da velhice. Os seios firmes da juventude. Nessa fase. os seios fartos de leite começam a pender para baixo. No início da fase reprodutiva. os seios caem um pouco mais sobre o peito.

Ao longo dos anos. Para um pintor. as jovens foram vítimas do uma indignidade ainda maior. Nesse caso. Os sutiãs podem dar a mesma impressão. o processo tende a ser mais lento. Essas cruéis imposições só serviram para reforçar o significado sex ual da forma arredondada dos seios. tendo os seios achatados por placas de chumbo pressionadas contra o peito. A cirurgia plástica pode erguer os seios e deixá-los artificialmente firmes depois da juventude. é fácil criar um seio perfeito: pode inventa r a forma que quiser. Mas se a forma hemisférica for ligeiramente acentuada. as mulheres encontraram diversas maneiras de prolongar a impressão de seios firmes e protuberantes com o intuito de estender a fase na q ual são capazes de transmitir o sinal sexual primitivo da espécie humana. desde que os seios não estejam v isíveis. Em mulheres mais ma gras. . Os puritanos conseg uiam isso obrigando as mulheres a usar coletes apertados que achatavam os seios e davam um contorno infantil ao corpo adulto. Mas se a forma se afastar muito da natural. o sinal sexual fica distorcido e o impacto se perde. a maioria das s ociedades prefere cobrir os seios em vez de esmagá-los. enquanto nas mais gordas ele se acelera . Às vezes. Na Espanha do século XVII. numa tentativa de impedir que a natureza seguisse o seu curso. será possível criar seios ainda mais estimulantes que os reais. fato que tem sido explorado por artistas e fotógrafos de várias e diferentes maneiras. a sociedade exigiu que a sexualidade feminina fosse suprimida. aceitando isso como sufici ente sinal de modéstia. Para que a sociedade chegasse a tais extremo s para negá-la. é porque ela devia ser de fato poderosa.Esses estágios de envelhecimento dos seios podem variar muito. Felizmente. a simples remoção da cobertura tem funcionado como forte estímulo erótico.

pouco antes que o aumento de peso comece a fazê-los cair. as qualidade táteis dos seios entram em jogo. M as o fato de as glândulas da . Existe um conflito de fo rças. Depois que os seios da mulher — e seus outros encantos físicos e mentais — atraíram um parceir o e o contato sexual começa. sua única esperança é r a impressão de maior volume com uma iluminação especial ou colocando as modelos em p osturas adequadas. e seus seios atingir am o tamanho máximo um pouco antes que a média das mulheres: eles exibem a perfeita forma arredondada. Essa substância parece ser um suave lubrificante para a pele da região do mamilo. Ela é um pouco mais jovem do que poderíamos esperar. ele precisa ter como modelo uma jovem cujos seios tenham alcançado seu ponto máximo de desenvolvimento. fotógrafos que trabalham para revistas especializadas em fotos eróticas descobriram que só existe u m tipo de jovem com os seios perfeitos que eles buscam. porque o aumento de tamanho que produz a forma esférica plena também acarreta um peso que começa a empurrar os seios para baixo. Curiosamente. Para captar a imagem de seios volumosos. Nas preli minares do sexo.Para o fotógrafo a tarefa já não é tão fácil. e é nesse mo mento que a câmara pode captar as imagens mais eróticas. Essa especi al combinação oferece as imagens que fazem a fortuna das revistas masculinas. Só existe um momento na vida da mul her em que os seios têm um máximo de protuberância com um mínimo de flacidez. porque ainda não chegou aos 20 anos. Limitado aos seios reais. Já mencionamos que os círculos amarronzados ao redor dos mamilos contêm glândul as que secretam uma substância oleosa durante a lactação. mas ainda mostram a firmeza da extrema juventude. e é" possível que um estímulo adicional esteja ocorrendo nesse momento. o homem acaricia oral e manualmente os seios. e não há razão para duvidar disso. Isso o excita mui to mais do que à mulher.

chegando a crescer 1 cm. Embora essa erupção não seja possível sem uma forte excitação sexual. e.aréola serem. As aréolas se intumescem e incham tanto que começam a ocultar o mamilo. suas secreções causam um forte impacto inconsciente que aumenta a excitação sex ual. e seu ta manho aumenta cerca de 25%. glândulas apócrinas sugere que. Os mamilos f icam eretos. mas apareceu em 25% dos h omens que participaram da mesma investigação. ao explorar o corpo da parceira. passa tanto tempo cheirando a pele ao redor dos mamilos. e podem explicar por que o homem. o contrário não dade. durante a atividade sexua l. À medida que a excitação cresce. Com a aproximação do orgasmo. Sua ocorrência é mais provável. os seios da mulher passam por várias mudanças marcantes. às vezes a parece um pouco antes dele. É bem menos comum em homens. porém. Muitas pessoas de ambos os sexos nunca exibiram essa erupção apesar de uma vid a de intensa atividade sexual e . Essa turgidez tem o efeito de tornar a pele mais sen sível ao contato corpo-a-corpo do parceiro. Ocorre também uma erupção da pele semelhante à rubéola na superfície dos seios e em ro do o peito. em ambos os sexos. dando a falsa impressão de que uma mulher muito excitada perde a ereção do ma milo. essa região dos seios talvez seja capaz de transmitir sinais odoríferos ao nariz do homem. Nas mulheres. As glândulas da aréola podem muito bem fazer parte desse sistema primitivo de s inais aromáticos sexuais. duas importa ntes mudanças ocorrem. no momento imediatamente anterior ao orgasmo. As glândulas apócrinas são as responsáveis pelos odores sexuais das axilas e d os genitais. Essa "erupção sexual" foi observada em 75% das mulheres submetidas a uma detalhada pesquisa sexual. Os seios se intumescem de sangue. embora os homens não tenham consciência dos aromas eróticos que elas p roduzem. enquanto nos homens ela nunca surge antes do último mo mento. originalmente.

No frio. Não se sabe a razão dessa diferença. Muitas mulheres famosas tinham mais de dois seios. indivíduos que costumam apresentar a erupção não a têm. uma observação mais detalhada revela que a famosa estátua da Vênus de Milo. pequenos botões sem mamilos. mãe do imperador romano Alexandre. Às vezes. outras. nossas remotas ancestrais po ssuíam vários pares de seios.orgasmos plenos. Um fator que favorece a erupção é um c lima quente. um acadêmico rival foi capaz de apresentar uma mulhe r polonesa que tinha dez seios funcionais. Esse fenômeno e chamado de polimastia. Alguns meses depois. Esses seios extras são vestígios de nossa ancestralidade: como a maioria dos outros mamíferos. Júlia. ocasionalmente dois. exibe três seios. Não há nada de sinistro nisso. que está exposta no Louvre. Muito raramente se vê uma mulher com mais de d ois seios produzindo leite. Esse fato costuma passar despercebido porque o terceiro seio não tem mamilo e não passa de uma pequena protuberância . em uma das m ais estranhas disputas médicas. e os seios adic ionais geralmente não são funcionais. com os quais amamentavam toda a ninhada. porém. U m dos fatos que temos como certo é que as fêmeas humanas possuem apenas dois seios. tinha vários seios e por isso foi chamada de Júlia Mamaea. nada mais são do que mamilos adicionais. Uma em cada duzentas mulheres possui mais que dois. Quando está mu ito quente. Ela tinha nada menos que cinco pares de seios plenamente lactantes. O caso mais extraordinário é o de uma francesa apresenta da à Academia Francesa de Medicina cm 1886 por um professor. Quando as nin hadas humanas se reduziram a um filho. a erupção pode se estender além do peito. os número de mamilos d iminuiu. cobrindo da testa às coxas. Surpree ndentemente. mas nem sempre isso é verdade.

Houve um tempo em que se acreditava que as bruxas tinham mamilos extras com os quais alimentavam seus seguidores. Sua grande escultura mostra várias fileiras de seios. o culto dessa deusa da Ana tólia foi estudado com mais cuidado. Para resumir o caso. também tinha um terceiro seio — um fato fielmente registrado em livros sobre anormalidades médicas. mas foram feit as cópias em pedra.situada acima do seio direito. Uma verruga. A figura polimástica mais famosa da historia é Diana — ou Ártemis — de Éfe so. porém. uma mancha um pouco maior ou m esmo um clitóris ligeiramente mais volumoso podia ser suficiente para levar a mulh er à morte da fogueira. o suposto terceiro seio b em podia ser uma mácula de "bruxaria". Os rumores sobre o terceiro seio de Ana Bolena podem ter s ido propositalmente espalhados depois de sua morte para justificar que ela era má e merecia morrer. próxima à axila. F oram encontradas inscrições que revelam que. Serão mesmo seios? Um olhar mais atento revela que nenhum desses seios tem mamilo ou aréola. A estátua original era de madeira. testículos de tour o substituíram os testículos dos sacerdotes nas cerimônias de castração. Mulheres suspeitas de bruxaria eram às vezes examinadas em busca de sinais de seus métodos ma lignos. Ana Bolena. fazendo surgir uma interpretação inteiramente nov a. com a penca . depois de algum tempo. Recentemente. Parece que os sacerdotes da deusa deviam ser eunuco s: para servi-la. tinham que se castrar e enterrar os testículos perto do altar. Seus imensos testíc ulos eram extraídos e preservados em óleos aromáticos. Os caçadores de bruxas cristãos examinavam as mais recônditas fendas de uma su speita em busca de um mamilo oculto. Dizia-se que a infeliz esposa de Hen rique VIII. o peito de Diana seria um lugar muito menos aconchegante do que há tanto tempo se supõe. e depois cerimoniosamente pendu rados no peito da sagrada estátua. Nesse caso. Algumas versões da estátua c hegam a mostrar mais de vinte.

Um mito inteiramente diferente envolve a antiga nação de mulheres guerreiras conhecida s como amazonas. um tema que seria repetido em relação ao nascimento de Cristo. São casos raros. existiu uma comunidade feminina muito temida pela forma como suas guerr eiras atacavam as povoações vizinhas munidas de arco e flecha. A razão pela qual o peito da deusa é coberto de testículos era a crença de que os milhões de espermatozóides neles c ontidos seriam capazes de fertilizá-la. a mutilação do seio é extremamente rara. assim como o uso de correntes e jóias". Curiosamente. mas suficientemente disseminados para alarmar os sociólogos. no umbigo e nos lábios. Conta-se que. poderia facilmente estimular um a legislação que proibisse o costume africano de circuncisão feminina. A palavra "amazona" vem do gre go amazôn. é mais provável que. Na s sociedades tribais. todas as obras de arte representam essas guerreiras com dois seios. para a batalha. Isso permitia que ela se tornasse mãe sem pe rder a virgindade. que significa a (sem) e mazós (seios). usassem um colete de couro que achatasse o seio direito. mas. Foram cópias imprecisas da estátua que der am origem ao erro de que a Grande Mãe possuía muitos seios. Não se sabe se elas existiram realmente.de testículos colocada em seu devido lugar. Se as amazonas existiram mesmo. o seio direito de todas as jovens púberes era queimad o. pelo motivo óbvio de que ela prejudica a amamentação. O uso de pierci ngs faz parte da síndrome de aprisionamento do mundo das práticas sexuais exóticas. em anos recentes as mulheres ocidentais começaram a mutilar os seios com propósitos eróticos e decorativos . um d os quais declarou que a nova moda de "inserir piercings nos mamilos. . para to rnar mais fácil o uso do arco. segundo antigos esc ritores. Apesar da lenda.

A mais extrema delas foi uma dança pratica da nos antigos espetáculos de burlesco em que as dançarinas giravam ambos os seios n a mesma direção e depois na direção oposta.Menos danosas eram as decorações eróticas dos mamilos de tempos primitivos. Às vezes. na companhia d a criada. e o topless acabou sendo permitido. oo Egito. Há 3 mil ano s. resolveram ir à praia num traje de banho que tinha apenas a parte de baixo do maiô e suspensórios que pass avam pelos bicos dos seios. era famosa por seus mamilos pintados de vermelho. travaram-se batalhas entre constrangidos policiais e mulheres seminuas. as mulheres preferiam pintar os mamilos de verm elho para apimentar os encontros eróticos. o deixava para representar sua desavergonhada mascarada. .] Desnuda va os mamilos pintados e abria aquelas coxas que assistiram ao nascimento do nob re Britannicus". como co mentou o satirista Juvenal: "Todas as noites ela se encapuzava e. sua exposição em lugares onde eles deveriam estar cobertos. onde m uitas jovens.. Entre as deliberadas ações destinadas a chamar a atenção para os seios femininos estão as posturas que projetam os seios para a frente e movimentos de da nça que sacodem ou enfatizam a sua forma. os chamados monoquínis. No início. Na Roma de 2 mil anos atrás. naturalmente. [. A ninfomaníaca imperatriz Messalina. como acontecia nas praias do sul da França nos anos 1960. "Fazer topless" é um ato provocativ o que sempre atraiu muita atenção masculina. as mulheres das castas superiores cobriam os seios com pinturas em ouro. A forma mais simples de exploração sexual dos se ios é. os homens em questão eram policia is uniformizados. decididas a obter um bronzeado mais uniforme.. Isso ocorre nas sociedades urbanas de todo o mundo. mas em pouco tempo as autorid ades perderam a guerra. espo sa do imperador Cláudio.

lançando a primeira performance topless. observou-se uma outra forma de exposição pública dos seios. quando e onde ele podia ser usado. Em 1975. alguns restauran tes de Nova York lançaram garçonetes topless. . um desses trajes foi usado por uma dançarina de cabaré em seu número de dança.O primeiro maiô topless foi introduzido pelo controverso estilista austríaco Rudi Ge rnreich em 1964. Curio samente. grupos de mulheres expunham deliberadamente os seios em locais públicos. Mesmo então.) Essa extrema reivindicação de i gualdade sexual não era exatamente o que os reformadores sociais tinham em mente q uando tentaram abolir as desigualdades de gênero. Nos Estados Unidos. Exigindo igualdade sexual. três mulheres americanas foram presas por amamentar seu s bebês num parque de Miami. Em 1969. (Por outro la do. Na década de 1980. Elas eram então libertadas e voltavam ao trabalho. Em 1966. e a polícia percorria os cabarés. alguns homens se recusavam a usar colarinho e gravata nos restaurantes de al to padrão porque as mulheres não eram obrigadas a isso. Seu crime foi classificado como "atentado ao pudor". um ato tão natural e assexuado como a amamentação às vezes cria um escândalo em a mbientes urbanos. c hoje amamentar em público é l egalmente permitido em quase toda a América do Norte. insistindo em serem tratadas como os homens. mas em poucos dias a Prefeitura da cid ade as colocou fora da lei. Ronald Reagan tomou uma atitude semelhante na Califórnia. Outras casas noturnas logo seguiram o exemplo. foram estabelecidos limites sobre como. prendendo as dançarinas topless por "conduta indecor osa". Só na década de 1970 a resistência ao topless começou a decair. As objeções a essas prisões aumentaram nos anos seguintes. que podiam tirar a camisa sem problemas. mas no ano seguinte a oposição religiosa cresceu.

re vistas. Quando saíam de casa. que as prostitutas foram obrigadas a exibir totalmente os seios para provar a que sexo pertenciam. Essa lei foi aprovada em Ven eza no século XV e aplicada às prostitutas que se punham à janela tentando atrair clie ntes. um fato extraordinário merece menção. por expor os sei os numa boate na ilha grega de Rodes. Ela foi acusada de "desrespeitar os valore s morais locais". seios nus já eram exibidos em jornais. embora os seios nus ainda causem um certo impacto.Quando o século XX se aproximava do final. eles er am literalmente esfregados no nariz dos clientes. Mesmo no século XXI. Convém enfatizar que essa atitude mais permissiva em relação ao topless se restrin ge ao mundo ocidental. Isso ofen deu de tal forma as autoridades que tentavam abolir a sodomia (punida com a mort e). mulheres ocidentais em férias se viram e m apuros por ignorar esse fato. Uma breve referência se faz necessária para esclarecer o mal-entendido sobre antigas imagens da Deusa Mãe representadas apertando os seios com as mãos. A ponte ficou tão famosa que ganhou o nome de Fonte delle Tette. desnudando o corpo da cintura para cima. Nos shows de strip-tease. havia uma ponte onde elas se punham d e pé. ou uma multa de 2. uma adolescente inglesa f oi condenada a oito meses de prisão. em 2003. Antes de abandonar o tema da exposição dos seios femininos. o que prova que o tabu sobrevive. mais tarde. Com tudo isso. filmes e. também na televisão. As práticas homossexuais eram tão comuns na época que algumas mulheres se traves tiam com a intenção de atrair os homens que buscavam parceiros masculinos. Recentemente.800 euros. parte de seu misterioso poder de sedução se perd eu. Diz respeito à aprovaçã e uma lei que determinava que os seios fossem exibidos em público — o extremo oposto de todas as outras medidas legais sobre o assunto. .

quando o su focante corpete foi separado em duas partes: uma superior. eram imagens de luto. A idéia lhe teria surgido no ano anterior. geralmente encontradas em túmulos. Mais tarde. Num rasgo de . Um efeito colateral disso era que. a cinta também desapareceu. exigiram também roupas que permitissem maior liberdade de movime ntos. se elas estivess em amamentando. Um dos primeiros passos nessa direção foi dado no início do século XX. Ho je. Entretanto. um jato de leite jorrava dos seios. É possível que esse ato tenha si do incorporado a certos rituais. Quando as mulheres começaram a reivindicar um papel mais at ivo na sociedade. as mulheres realizavam um ritual de luto que incluía bater no peito e apertar os seios. o sutiã e as calcinhas são as peças favoritas da roupa de baixo feminina. embora esses corpetes melhorassem a forma dos seios. e outra inferi or. Em tempos primitivos. Mary Phelps Jacob (uma mulher da sociedade nova-iorquina conhecida profissionalmente como Caresse Crosby) insistia que foi ela a autora da invenção. Finalmente. Essas figuras. o sutiã. Hoje sabemos que não era isso. a cinta. agarrando os seios e fazendo-os jorrar leite. Há divergênc ias entre os historiadores da moda sobre quem inventou o sutiã. quando se vestia para ir a uma festa e descobriu que o espartilho era incompatível com o decote de seu belo vestido de n oite. mas o sutiã veio para ficar. as mulheres lactantes reagiam de maneira semelhante a um súb ito choque. também rest ringiam os movimentos. resta uma inevitável questão: o que as mulheres fazem em relação aos seios para passar uma imagem mais jovem e mais sexy. elas usaram espartilhos apertados para re alçá-los. Antropólogos descobriram. que em certa s sociedades tribais.Acreditava-se que elas estariam chamando a atenção para os seios. da qual obteve a patente em 1914. surpresos. Durante séculos.

dessa forma. no .] Libertei o busto". ela estava apenas reinventando a peça. foi divulgado que 28 mil toneladas de metal haviam sido economizadas. inici ou uma campanha para abolir o seu uso e. Protegia os seios.. a indústria de guerra. estimulou a adoção do sutiã. A verdade é que todos eles participaram de uma tendência geral que assistiu à liber tação gradual do corpo feminino das antigas limitações. usando dois guardanapos e alguns cordões. [. Durante a Primeira Guerra Mundial. "inventou a brassière em oposição ao odioso espartilho ". Quando algumas feministas queimaram sutiãs no fim da década de 1960. Algumas historiadoras do feminismo alegam que a queim a de sutiãs nada mais foi do que um golpe de publicidade dos antifeministas para r idicularizar o movimento. Essa afirmação causa estranheza. protestav am contra essa segunda função.. A estilista ing lesa Lucile (Lady Duff-Gordon). E ele não foi o único. em 1911. e desde 1907 eram chamados de "brassière". Na verdade. O costureiro francês Paul Pioret reivindica a hon ra de ter inventado o sutiã: "Em nome da Liberdade.criatividade. alega que foi ela que. " o suficiente para construir dois navios de guerra". E receberam estímulo de uma fonte improvável. e portanto mais sexy. uniu as duas peças no que se ria o primeiro sutiã. proclamei a queda do espartilh o e a adoção da brassière. Mai s tarde. porque. alarmada com a quantidade de metal que estava sendo desperdiçada na fabricação de espartilhos. e também os fazia parecer mais firmes e redondos. porque supo rtes para os seios já tinham aparecido na França desde o final do século XIX. embora a queima t enha sido exagerada pela imprensa. O novo sutiã tinha duas funções ba stante distintas. evitando que eles balançassem nos movimentos rápidos do corpo. que introduziu o termo "chic" no mundo da moda.

mas recentemente uma idosa Jane Russell declarou que. o design do sutiã sempre buscou criar uma forma hemisférica. mas houve um curioso período na década de 1950 em que os estilistas substituíram a forma arredonda por um b usto pontiagudo. o uso de bat om e outras formas de feminilidade explícita. quando as feministas luta vam para que as mulheres fossem tratadas como iguais. ainda mais aumentado com o uso de enchimentos. que desafiava a nature za e a gravidade". porque o desconforto de dispensar o sutiã foi inaceitável para a maioria das mu lheres. nunca usou o famoso sutiã. tinha que ser abolido. Segundo uma lenda de Hollywood. com isso. Nessa época. O resultado foi tão impressionante que provocou sérias te ntativas de proibir o filme por obscenidade. na verdade. Para um determinado papel num filme. Só voltaríamos a vê-los de novo em 1994. Essa fase não durou mu ito. sem embelezamentos. havia o sentimento de que os homens deviam aceitar as mulheres como eram. obtido com "um bojo na forma de torpedo. onde ressurgiram como um par de ogivas de fo guete. e. (Essa é a história que vem sendo repeti da. a queima de sutiãs foi rapidamente esquecida. um dos sutiãs mais sofisticados foi criado pelo bilionário Howard Hughes para a atriz Jane Russell.) . lado a lado com a revolta contra o excesso de maquiagem. Para obter esse efeito. Como o uso d o sutiã era parte desse embelezamento. Mas esses seio s agressivamente pontiagudos logo deram lugar ao suave arredondado dos seios dos anos 1960 e nunca mais reapareceram no guarda-roupa comum.final dos anos 1960 e início da década de 1970 houve de fato um movimento contra o u so do sutiã. Em sua função erótica . contratou os serviços de um engenheiro especia lizado no projeto de pontes. num show de Madonna. que inventou um protótipo de sutiã que erguia e ao mesm o tempo separava os seios. ele queria que ela exibisse seios de forte apelo erótico sem recorrer ao topless.

mais de 1 milhão de americanas tiveram os seios aumentados pela cir urgia. Isso alarmou alguns cirurgiões plásticos que enriqueceram como criadores de super seios. neste período pós-feminista. o que revela a força dos seios como símbolo sexual.Tanto os antigos espartilhos quanto os modernos sutiãs podem realçar os seios. um recurso mais drástico pode ser necessário. mas. O primeiro implante de uma prótese de sili cone foi realizada por um cirurgião plástico do Texas em 1963. quando a mulher tira a roupa. Calcula-se que. Infelizmente. Às vezes. o século XXI está ass istindo ao início de uma tendência contrária. Por isso. É um número assustador para qualquer tipo de cirurgia plástica. E aí entra em cena o cirurgião plástico. Algumas mulheres admitem que estão remove ndo seus implantes simplesmente porque eles já cumpriram sua função. Adquiridos para c onseguir um marido de alta condição social. . até que na década de 1990 houve um b oom desse procedimento. os homens estejam começando a escolher suas parceiras mais pela personalidade do que pelo tamanho do busto. Em 2001. n o ano de 2002. os seios obtidos por cirurgia nun ca são totalmente convincentes ao olhar ou ao tato. ma s infelizmente nem sempre isso acontece. Espera-se que. com mais de 100 mil cirurgias por ano. eles se tornam desnecessários quando a mul her se acomoda na vida de casada. mas parece estar havendo uma volta aos seios naturais. ainda que eles sej am menores. são perfeitos demais e não possuem o movimento e a suavidade que deveriam ter. A cirurgia se tornou cada vez mais popular nas décadas de 1970 e 1980. A colocação de implantes para fazer os seios permanecerem redondos e firmes começou nos anos 1960. nada menos que 4 mil mulheres a mericanas se submeteram a uma nova cirurgia para remover os implantes de silicon e.

. foi do maldito busto. Uma advogada resumiu o motivo da "reversão" cirúrgica dizendo que. depois do divórcio "a primeira coisa de que me livrei.] Senti que meu QI saltou vinte pontos".Algumas mulheres lamentam ter se submetido a esse tipo de cirurgia para agradar a um marido potencial. . [.. depois de seu cão malch eiroso.

uma diferença que se mantém apesar das diversidades culturais. continuam apresentan do uma acentuada diferença no tamanho da cintura. gorduchos ou magrelas. enquanto as atletas de esportes que exigem força muscular apresentam uma cintura um pouco mais larga. a cintura feminina é mais fina que a masculina. Naturalmente. para que o corpo feminino revele um belo contor no. Para uma mulher adulta. enquanto para o homem adulto é de 9:10. Uma jovem eleita num concurso de beleza costuma ter uma figura perfeitamente eq uilibrada. como as modelos e misses. É a proporção entre essas três medidas que gera o contorno típico do corpo feminino. Homens e mulheres. Essa cintura fina parece ainda mais delgada pelo volume dos seios e dos quadris. Se uma determinada sociedade acha uma figura mais volum osa atraente e outra prefere figuras mais delgadas.15. Geralmente. mas. mesmo sem esse contraste. esses números precisam ter uma relação harmoniosa com as medidas de busto e de qua dril. a proporção é d e 7:10. A maneira mais comum de expressar a curva da cintura é medi-la em pro porção aos quadris. Livre do aperto das cintas e dos espartilhos. a cintura das mulheres de hoje tem em média 71cm. Cintura Um dos sinais mais claros que identificam o corpo feminino é a forma de ampulheta de seu tronco. a típica rainha de beleza mede 91-61-91 cm. de cerca de 74 cm. Essa . têm em média 61 cm de cintura. Jovens de corpo de lgado. isso não afeta a proporção entre c intura e quadris. Uma modelo preferida pelos estilistas atuais provavelme nte medirá 76-61-84 cm. com medidas idênticas de busto e quadril. Os resultados são interessantes.

As medidas de uma típica pin-up são 94-61-89. e os homens que passavam por ali eram solicitados a dizer de qual delas eles mais gostavam. Geralmente . várias silhuetas femininas de proporções variadas e em tamanho natural foram expostas em fila num shopping cent er. mas isso é só uma ilusão criada pelo tamanho da cintura e dos quadris. mas parecem maiores porque a cintura e os quadris são menores. Em lugar do excesso de q uadris. sendo 5 cm mais largo que o busto. são 2 polegadas a mais no busto. Os organizadores dos concursos de beleza não ousam mencioná-las na nos sa sociedade pós-feminista. Acreditava-se q ue. Seus seios são do mesmo tamanho que os das européias. A situação se inverte nas garotas que ilustram as revista s americanas. Na Alemanha e na Suíça. mas a verdade é que elas continuam a desempenhar um pape l fundamental nas relações humanas. Numa recente pesquisa. é de 6 cm. já que suas medidas são 94-71-99 cm. e n a Suécia e na França. A grande maioria escolheu a figura curvilínea de cintura fina e pr oporções equilibradas. O veredicto desses homens selecionados aleatoriamente reforça a opinião de que a imagem da mulher curvilínea de cintura fina está demasiadamente arra igada na psique masculina para ser varrida por uma postura cultural moderna. são consideradas "peitudas". Pode-se argumentar que "estatísticas" como essas são desatualizadas e irrelevantes.modelo pode ter um rosto belíssimo e saber vestir uma roupa. se uma cintura fina era . apresenta o que chamamos de "2 polegadas a mais". Com o aconteceu com outras partes do corpo feminino. de 8 cm. Seu quadril. mas não terá o contorno d e ampulheta que atrai o olho primitivo do macho. houve exageros. Es sa diferença é ainda maior em outros países europeus. A típica mulher inglesa tem um pr oblema um pouco diferente.

Calcula-se que. Para conseguir isso. a ci ntura sempre se alarga um pouco. Essa condição exerce tal atração sobre o macho reprodutor da espécie que muitas mulheres. Voltando ao século XVII. Des crevia um espartilho como "uma moda perniciosa inimaginável" e lançava ameaças às mulher es que "se apertavam para . há séculos a mulher espreme a cintura com cintas apertadas e espartilhos. mesmo que de uma maneira simbólica. Entre os que se o punham radicalmente ao culto da cintura fina obtida por esses acessórios havia rel igiosos e liberados. como ocorre em relação a tantos aspectos da moda feminina. anseiam recuperá-la. Isso acontece devido às irreversíveis mudanças que ocor rem na região abdominal quando ela se torna mãe. Os argumentos não são nada simples. Em 1654. Por isso. Não se trata de um debate entre puritanos e hedo nistas. John Bulwer vocif erava contra "os perigosos modismos e desesperados artifícios em relação à cintura". Mesmo que ela consiga. A razão para a cintura fina despertar tan to interesse é simples e biológica. depois de vários part os. recuperar o corpo esbelto que tinha antes da gravidez. foram os puritanos os primeiros a at acar. Depois que a mulher tem seu primeiro parto. mesmo aquelas que já não a possuem. a cintura da mulher aumente de 15 a 20 cm em média.feminina. com um regime alimentar rigoroso. então uma cintura finíssima devia ser superfeminina. a cintura nunca mais vai ser tão fina como era. Defendiam vigorosamente a teoria de que qualquer tentativa de mudar a obra da natureza no corpo feminino era uma ofensa a Deus. a cinturinha fin a tem sido há séculos símbolo de virgindade — de uma mulher que já está preparada para o sex o mas ainda não o experimentou. e no passado muitas j ovens sofreram para conseguir essa condição. dando margem a acaloradas discussões .

de modo a provocar dor quando o espartilho era removido. O subtítulo de um livro sobre os perigos de apertar a cintur a. retardando e enfraquecen do dessa forma as funções vitais". mau funcionamento do fígad o. Se ignorassem seus conselhos. dificuldades respiratórias e problemas circulatórios. hérnia. . podia criar a cintura fina desejada sem causar doenças. Entre as do enças relacionadas escavam dores de cabeça. porque a maioria das jovens que usavam espar tilhos eram suficientemente sensatas para não apertá-los demais ou usá-los por longos períodos de tempo. publicado em 1846 pelo escritor americano Orson Fowler. usado apenas em oc asiões especiais. Essa idéia foi repetida inúmeras veze s nos anos seguintes. Um autor vitoriano listou nada menos que 97 doenças que. Era óbvio que o espartilho muito apertado podia prejudicar a resp iração e a circulação. câncer. O uso prolong ado também podia enfraquecer os músculos das costas. referia-se "aos males infligidos à mente e ao corpo quando se comprimem os órgãos. desmaios. se gundo ele. Alguns chegavam a p onto de incluir deformidades ósseas. insuficiência renal. e era isso que a maioria das jovens fazia. malformações fetais. Mas um espartilho não muito apertado. elas estariam "abrindo a porta para a tuberculose e para uma putrefata decadência". podiam ser causadas pelo uso de corpetes apertados. e não se contentavam enquanto não pudessem rodeá-la [com a s próprias mãos]". No lugar da putrefata decadência de Bulwer. desmaios e falta de ar. Outros críticos menos extremados também revelaram seu temor de complicações médicas provocadas pelo aperto dos espartilhos.conseguir uma cintura fina. apesar das histórias de horror. Fowler prometia a insanidade e a degeneração. epi lepsia e esterilidade. aborto. além de causar dores de cabeça. Todas essas adver tências em relação à saúde eram desnecessárias.

tinha que consegui-la correndo ou fazendo exercícios. Se a mulher moderna queria ondular o corpo de maneira provocante numa pista de danças. Em sua busca de admiração masculina . Portanto. Ele seria uma armadura contra a . o objetivo era desviar a atenção masculina do corpo e dirigi-la para as qualidades do cérebro. A limitação física não era apenas prejudicial ao corpo. mas po r uma razão diferente. porque aju dava a tornar a mulher inacessível. Primeiro. Para impressionar o parceiro. não podia tolerar nenhum a roupa apertada. qualquer t entativa de exagerar sua silhueta feminina era proibida. A feminista inteligente também queria liberdade para o corpo. Se queria ter igualdade sexual durante as preliminares. diziam qu e o espartilho era sinal de respeitabilidade e altos princípios morais. tinha que substituir a disciplina inativa da roupa pela disciplina ativa da at ividade física. a idéia de usar qualquer roupa apertada era um insulto a liberdade feminina. ela usaria sua capacidade intelectual. e não seu potencial reprodutivo. Em segundo lugar. alinhavam-se os defensores do espartilho e seus vários pontos de vista. tinha que ser tão flexível e solta quando seu parceiro. Para ela. mas também símbolo de uma prisão ment l em relação ao macho. Essas eram as vozes que se erguiam contra o desejo de melhorar o natural contorno curvilíneo do corpo fem inino. alegavam que o uso de um espartilho apertado mostrava discip lina e representava simbolicamente uma louvável contenção. Para e las. Contra elas.Um ataque completamente diferente veio das liberadas dos tempos modernos. Se queria ter uma cinturinha fina. O espartilho apertado seria um instrumento de tortura imposto às mulheres submissas como parte da opressão masculina. em vez de recorrer à solução pass iva de se prender dentro de um corpete apertado.

Por isso. Para alguns homens. a mulher também dava a impressão de estar vulnerável (a pesar da barbatana) como um animal preso numa armadilha. O que a ajudava a manter o tronco ereto era uma barbatana enfiada verticalmente na parte da frente do espartilho. mas o corpete a pertado por um complexo entrelaçamento de cordões deixava o corpo desnudo muito mais distante. A atração do corpete não estava apenas na silhueta que ele criava.) Dentro de um espartilho. . A presença do corpete pode ser vista como uma prisão ou como um estímulo à sensualidade. (Dizia-se que ela servia também como arma com a qual a mulher podi a se defender de algum admirador que perdesse o controle e tentasse soltar os co rdões. diremos que tanto os puritanos quanto os libertinos tomam partido pró e contra os espartilhos. Para resumir. Era inevitável que isso atraísse o macho. que inconscientemente vivia a fantasia de que seria fácil capturá-la se decid isse persegui-la. Nos primeiros tempos. esse aprisionamento dentro do espartilho f uncionava como um apelo fetichista. o espartilho também era importante para exibir um a postura aristocrática. mas também no conhecimento tácito de que a mulher admirada estava s ofrendo uma tortura física para agradar a seu admirador.atenção masculina. A cintura fina podia excitar os olhos dos homens. é fácil entender po r que os corpetes se tornaram um elemento da encenação sadomasoquista. A mulher apertada dentro de um corpete era obrigada a ado tar uma postura ereta que lhe dava um ar de graciosa altivez. sua ausência pode construir a imagem de uma mulher natural e libera da ou de uma libertina. O corpo enjaulado restr ingia sua capacidade de fugir a alta velocidade.

Acreditava-se que cinturas que mediam entre 38 a 41 cm eram comuns e podiam ser alcançadas se a mulher começasse a usar espartilhos apertados desde muit o cedo. antigamente. no auge da moda dos espartilhos com ilhoses. mas ainda assim a menor medida registrada foi de 46 cm. Rece ntemente. eram casos isolados. Na época v itoriana. exemplos extremos foram registrados: o Guinnes Book of Records menciona uma . em conseqüência do uso de corpet es apertados. Mesmo no século XX. uma jovem atraente era aquela cuja cintura medisse em p olegadas o número exato de sua idade. Um provérbio espanhol recomendava que a mulher tivesse uma cintura tão fina quanto a de um galgo. graças à invenção dos ilhoses de metal. Em 2001. Caricaturas dos séculos XVIII e XIX mostram mulheres s endo brutalmente apertadas dentro de um espartilho até a cintura desaparecer. A menor medida de cin tura encontrada no vestuário do século XVIII foi de 61 cm. se elas existiram. Isso não significa que cinturas diminutas não tenham existido. as medidas variavam de 46 a 76 cm. O primeiro é que. É verdade que as coisas pio raram um pouco no século XIX. antes da puberdade. quando um detalhado estudo sobre a indumentária de séculos anteriores descobriu que a menor medida de cintura encontrada numa imensa coleção de roupas era de 61 cm. porém. Na época vitoriana.Tal é o interesse na espessura reduzida da cintura feminina que dois mitos surgira m nos tempos modernos. E um velho provérbio dizia que a mulher ideal era aquela cuja cintura fosse "tão fina que o sol não pudesse captar s ua sombra". por v olta do fim do século XIX. uma nova pesquisa confirmou esse fato. cuidadosas pesquisas desmentiram essa crença. que permitiam uma am arração mais firme. O primeiro golpe foi dado em 1949. mas que. a preocupação com as medidas era generalizada.

ela viveu mais 43 anos.. as mulheres vitorianas chegavam a se sujeitar a perigosas operações para remoção de c ostelas. . algumas mulheres estavam obtendo a perfeita figura de ampulheta depois de t erem as costelas inferiores removidas cirurgicamente. e afirmações em contrário constituem um dos maiores mitos da história da moda. o que pr ova que. caso contrário isso pode se transformar numa obsessão capaz de transtornar o eq uilíbrio da vida.". Vale ressaltar que essa mulher foi uma excêntrica exceção à regra. As poucas mulheres que foram longe demais em séculos passados têm su as equivalentes modernas nas fanáticas por regime de hoje. P arece que nos enganamos. e Germaine Greer. usando-a como exemplo dos exageros a que as mulheres chegavam para melhorar a natureza. pelo menos no seu caso. o brutal aperto não causou nenhum dano aos órgãos int ernos. Depois disso. a surpreendentes 33 cm em 1939. Mas a grande maioria da s mulheres nunca chegou a esses extremos. mas incluíam algumas fotos para ilustrar as cinturas assustadoramente finas obt idas por esse meio. Ela afirma que não há menção à remoção de costelas em nen a história da cirurgia plástica e que. quando tinha 24 anos . mas não devem ir longe demais para consegui -la.. em A mulher eunuco) aceitamos e repetimos essa declaração. O segundo mito é que. do New York Fashion Instituto. chegou a uma clara conclusão. Uma detalhada pesquisa realizada por Valerie Steel. "Não há nenhuma evidência de q ue essa prática tenha existido. na busca da cintura perfeit a. no fim do século XIX. no fim do século XIX. Livros de história da moda afirmaram categoricamente que. Muitos autores posteriores (inclusive eu. As mulheres podem desejar uma cintura mais fina devido ao s sinais primitivos que ela transmite. Os autores não davam detalhe s. em O macaco nu. e não representa va uma tendência social.inglesa que conseguiu reduzir sua cintura de 56 cm em 1929.

agora que temos uma tecnologia cirúrgic a avançada. e a maioria das estrelas que são vítimas dos boatos simple smente os ignoram por considerá-los ridículos. Apesar disso. mas há evidências d e que ela pode ter sido feita em alguns poucos casos raros. Numa descrição de proced imentos cirúrgicos oferecidos a transexuais que desejam parecer mais femininos pod e-se ler o seguinte: "A remoção das costelas é ocasionalmente realizada para obter uma curva da cintura mais pronunciada". Embora hoje esteja claro que nem as damas vitorianas nem as atrizes atua is se submeteram a essa medida extrema. a necessidade de acreditar na cirurgia de remoção de costelas é tão grande que fez nasce r uma nova lenda. parece provável que as imagens tenham sido retocadas para fazer a cintura parecer menor. A verdade é que não há evidências de que esses difíceis procedimentos cirúrg icos tenham se realizado. No caso da cantora Cher.essa seria uma operação muito arriscada. Mas segue-se uma advertência: "Não é aconselhável". Afirma-se que. porém. Há anos correm boatos de que famosas estrelas de Hollywood se su bmeteram recentemente à operação. submeten do-se a um exame medico e processando uma famosa revista francesa por repetir a história. São citados também os nomes de vários cirurgiões plásticos . resta uma dúvida: será que alguma cirurgia d esse tipo chegou a ser realizada? Não se pode afirmar com certeza. os rumo res foram tão persistentes que ela foi obrigada a publicar um desmentido. a operação tem sido realizada. A técnica médica da época não estava suficientement e desenvolvida para que o cirurgião corresse esse risco. No mínimo sete famosas atrizes têm sido mencion adas entre as que teriam sacrificado as costelas inferiores na ânsia de ter um cor po mais bonito. Olhando de novo as fotos das mulheres que supostamente teriam removido as costelas.

mas a tenacidade de uma fantasia masculina. A imagem de uma cintura fi na parece estar indelevelmente impressa no cérebro do macho humano. Afirm ações de que "cirurgias de costelas eram relativamente comuns nos anos 1950" e outra s semelhantes continuam sem fundamento. mas com certeza esse seria um caso isolado. Conta que esteve hospitalizada duran te três dias depois da cirurgia. levando-a a aparecer na telev isão da Alemanha. uma jovem alega ter reduzido as medidas da cintura de 51 para 36 cm com cintas. A remoção rotineira de costelas parece não ser senão um mito surgido de repetidas fofocas. que foi um sucesso.preparados para realizar a cirurgia. espartilhos e uma operação de remoção de costelas. assim como o preço de US$ 4. Em Hamburgo. . da Austrália e da América para exibir sua extraordinária figura.500. Suas declarações podem ser verdadeiras. Essa persistência reflete não uma verdade cirúrgica.

Deixavam as saias tão amplas que a mulher era obrigada a passar pelas portas de lado. Só quando entra numa fase em que prefere a juvenilidade à fecundidade uma sociedade abandona o int eresse pelos quadris largos e passa a valorizar uma aparência mais delgada e mais masculina. Hoje. Quadris Os amplos quadris da fêmea humana constituem um dos principais símbolos da silhueta feminina. enquanto a masculina só chega a 36 cm. No século XVI. a pel ve feminina mede em média 39 cm. Como a bacia da mulher é mais larga que a do homem. mas acabavam deixando os vestidos tão pesados que as damas da época eram incapazes de qualquer atividade mais vigorosa. Esses travesseiros eram amarrados por baixo das amplas saias para dobrar o tamanho dos quadris. O século XVIII assisti u ao aparecimento das "anquinhas". Independentemente de a cintura ser estreita ou não. os ateliês europeus vendiam desajeitadas "almofadas" que pareciam pneus de au tomóveis. a largura dos quadr is é um dos principais sinais de diferenciação entre os sexos. uma armação de arame usada sob a saia para criar a impressão de ancas largas.16. . Essa diferença biológica levou a muitos exageros. uma bacia larga emit e a mensagem primitiva de que a mulher é capaz de gerar descendência. Para ser preciso. mas no passado muitas vezes se tornaram esc ravas do desejo de possuir um quadril avantajado e vítimas da tecnologia capaz de produzi-lo. Até que ponto as fanáticas foram capazes de chegar é inacreditável. a maioria das mulheres está satisfeita com o tamanho natural dos seus quadris.

o mais importante talvez seja a pos tura de mãos nos quadris. Dos gestos que envolvem a pelve. também chamada de akimbo. A postura akimbo oco rre sempre que a pessoa quer afastar alguém. Dois movimentos especiais da dança são o ami e o "rodeando a ilha". Só homens representando mulheres ou homossexuais afetados se pe rmitiriam movimentos ondulantes desse tipo. "rodeando a ilha" em quatro movimentos.Passando da forma aos movimentos e posturas. Muitos passos de dança incluem vigoros os movimentos dos quadris. É por isso que ela é vista como uma . É essencialmente uma postura anti-social . jovens executam movimentos ritmados em que g iram. Maneiras de andar que envolvem um evidente balanço dos quadris são tão femininas que são utilizadas como caricaturas em p erformances cômicas. o oposto de abrir os braços para convidar a um abraço. O ami é um movimento de rotação. não surpreende que quase todos os mov imentos dos quadris tenham uma marca feminina. enquanto a outra descansa no quadril. sacodem e ondulam os quadris. é muito difícil abr açar alguém que esteja na postura akimbo. Costuma-se dizer que ela indica autoridade ou desafio. e esses também pertencem mais ao repertório da mulher que do homem. Na verdade. O segundo movimento é semelhante. que então se movimenta num círculo. a pessoa assume automática e inconsc ientemente essa postura de acordo com seu estado de espírito. os cotovelos apontam para fora como se dissessem: "Mantenh a a distância ou vou acertar você!" Muitas vezes. mas é mais que isso. com a di ferença de que o quadril completa um quarto de círculo. primeiro no sentid o horário e depois no sentido anti-horário. Quando a pessoa apóia as mãos nos quadris proj etados para a frente. A dançarina levanta uma mão. Na famosa dança hula-hula.

Essa postura pela metade. muito observada em f estas e outras reuniões sociais. Se fosse um gesto mais consciente. Uma curiosidad e dessa postura é que. apóia apenas o braço esquerd o no quadril. A mensagem que ela comunica é: "Fique l onge de mim. revela as relações entre os presentes. A mulher que pára à porta de sua casa com as mãos nos quadris está d izendo: "Afaste-se. mas não há uma palavra que a defina. existe um contat o pessoal que envolve o quadril. mas com certez a não estão buscando conforto nos outros. não parece ter um nome em o utras línguas. refletindo o sentimento de derrota. Se houver à sua direita um grupo com o qual ela tenha afinidade. todas as línguas teriam uma palavra para defini-lo. Se uma mulher que r se afastar de um grupo que está. Isso é porque essa postura também transmite uma disposição autoritária. No chefe de um grupo. à sua esquerda. Finalmente. a postura akimbo avisa aos demais que se mantenham em seus lugares. como um cumprimento . Jovens amantes costumam caminhar lado a lado . Entretanto.atitude de desafio. digamos. Essa postura também é usada por indivíduos que acab aram de sofrer um revés. o b raço desse lado permanece abaixado. Estou tão irritada que não quero ninguém perto de mim". é um dos mais comuns padrões de comportamento humano. A pessoa que tem autoridade e gosta de exibi-la não quer partilh ar o espaço com os outros. Eles podem não estar numa posição de autoridade. Não ouse entrar". que vemos todos os dias e ao qual reagimos subliminarmente sem analisar a mensagem corpor al que estamos recebendo. em geral com a cabeça ligeiramente aba ixada. apesar de ser usada mundialmente. É geralmente descrita como "mãos nos quadris". Uma esportista que acaba de perder uma com petição imediatamente coloca as mãos nos quadris.

Querendo se abraçar plenamente e caminhar ao mesmo tempo. Por essa razão. e não há nada nessa intimidade qu e indique uma ligação sexual. Como sinal. Mas quando uma pessoa abraça o quadril de outra a posição da mão dá ao ato um peso sexual. Foi contatado qu e. Funciona como um gesto de exclusão em re lação a qualquer pessoa que os acompanhe ou os observe. os homens se interessam muito mais pelos qu adris das mulheres do que o contrário. a meno s. Dois homens podem se abraçar desse jeito quando estão parados ou caminhando juntos. aliás. não houve abraço entre homens. e em 9% uma mulher abraça outra. mas parece que o tabu é menor ent re mulheres — o que ocorre. como os beijos de comprimento. É uma postura que atrapalha um pouco o movimento. (O abraço entre pais e filhos pequenos foi excluído da pesqu isa.com os flancos se tocando e as mãos cruzadas nas costas e apoiadas no quadril do p arceiro. mas nessas situações a mobilidade do casal é menos importante do que a demonstração de intimidade — que é feita para eles mesmos e para os outros. Um estudo tentou anal isar as diferenças de gênero em relação a esse tipo de abraço no quadril. em 14% a mulher abraça o homem. A porcentagem muito maior de homens que abraçam mulheres d o que de mulheres que abraçam homens reflete uma atitude geral dos adultos em relação a essa região do corpo. é claro. e que é muito comum. que queira exibir sua homossexualidade em público. Em 77% dos casos o homem abraça a mulher. um homem só abraça assim uma mulher. Evidentemente. só um parceiro abraça. É um gesto de amizade. na maioria dos casos. esse tipo de abr aço transmite uma mensagem mais forte do que o abraço em que uma pessoa toca o ombro da outra. enquanto o outro apenas recebe o abr aço. esse abraço do qu adril é um meio-termo. está claro que os .) Como se previa. com outras trocas de intimidade em público. Do ponto de vista social.

Devido à sua ligação com a procriação. eles carregam quase tanta feminilidade quando os seios.quadris são atributos essencialmente femininos. .

ma s em compensação os umbigos femininos podiam ser admirados pelos homens (por enquant o. A idéia que está por trás dessa mudança foi lançada pelos críticos de moda alemães nos anos 1920. nasceu uma nova zona erógena. e alguém teve a brilhante idéia de usar uma blusa bem curt a. No mundo ocidental. mas essa exposição v aí sempre mudar de uma zona . mas nos últimos anos (desde 1998. Segundo essa lei. Em conseqüência disso. as mulheres. As pernas podiam estar inteiramente cobertas. as pernas deixaram de ser expostas e alguma outr a parte do corpo precisou ocupar o seu lugar. pelo menos até que o ciclo da moda se mova de novo). Blusas que expõem os ombros e o sulc o dos seios foram muito usadas no passado. mas essa solução se tornou muito familiar . passaram a adotar as calças compridas. De repente. para s er preciso) a moda de jeans de cintura baixa combinados com uma blusa muito curt a colocou a barriga feminina no foco das atenções. Hoje. A razão para essa exposição é interessant e e tem muito a ver com uma importante mudança no vestuário feminino: de uns anos pa ra cá. que só usavam saias. mas pelo fato de estar intimamente relacionada com os genitais. as roup as de uso diário sempre cobriram a barriga. mais de 80% das mulheres que são vistas nas ruas das cidades usam jeans ou outro t ipo de calças. Roupas qu e expõem a barriga atraem o olhar para a região genital. que explicaram que a m oda feminina obedece a uma lei de troca das zonas erógenas. as m ulheres sempre vão querer mostrar uma determinada parte do corpo. Barriga A barriga da mulher sempre foi uma região tabu. e a moda se espalhou rapidamente.17. Era necessário algo novo. que não alcançasse a cintura das calças. não apenas por ser uma zona erótica po r si só.

be m longe dos "impronunciáveis" genitais. Os piercings de umbigo têm um evide nte apelo decorativo. Co mo a região da barriga contém o estômago. foi preciso encontrar um termo substituto. no início do século XXI. a ênfase recai sobre a barriga. Com a nova moda. outra é exposta. e como o estômago está posicionado mais alto. Mas que atitude nossos antepassados tinham em relação a essa parte da anatomia feminina? Na época vitoriana.para outra. mas apesar disso. como não era de bom tom usar a palavra "barriga". Uma vanta gem disso é que a nova moda de piercings no umbigo pôde vir à luz. superado apenas pelos piercings na orelha. o piercing no umbigo era o segundo na preferência das mulheres. para manter sem pre alguma exposição sem exagerar. A primeira é o desejo de novidade: cada nova exposição é excitante porque mostra algo qu e não tem sido visto nos últimos tempos. no início do século XXI. eles deixaram de ser usados apenas por uma minoria para serem adotados por um público muito maior. mas surpreende que mulheres sexualmente ativas queiram usa r uma jóia num lugar tão vulnerável. Agora. uma parte vai sendo exposta depois da outra ao sa bor da moda. Algun s escritores deram a isso o nome de "vandalismo umbilical". Existem duas razões para isso. Essa imprecisão anatômica ficou tão arraigada no . À medida que uma é coberta. a imagem será de vulgaridade. Assim. Um dos problemas co m o uso de piercings abaixo do pescoço é que só pessoas muito íntimas ficam sabendo de s ua existência. A segunda é que. Uma relação sexual papai-e-mamãe pode causar problemas. com alto risco de o umbigo se rasgar quando um corpo se esfrega no outro. se mais de uma parte do corp o for exposta ao mesmo tempo. os vitorianos decretaram que uma dor de ba rriga se tornasse uma dor de estômago.

para a região genital. q ue é a parte do corpo situada entre o tórax e a pelve. Numa época em que as mulheres eram condenadas à morte pela prática de c ertos crimes. Enquanto uma classe educada empurrava a barriga para a região do estômago. "Barriga" é o termo popular para "abdome". Podemos resumir essas diferenças dize ndo que a mulher tem um abdome . O ventre da mulher é mais arredondado na parte inferior que o do homem. a lin ea alba é vista como uma estreita mas nítida depressão da carne. é difícil perceber essa linh a. na mulher. que assinala o ponto onde os músculos do lado esquerdo do corpo se encontram com os músculos do lado dire ito. Se observarmos um corpo jovem e atlético. Essa região do corpo tem poucas marcas superficiais. Entretanto.vocabulário que sobreviveu nos tempos modernos. Uma terceira imprecisão era usar a palavra "barriga" como si nônimo de "útero". essa classe se referia à barriga como se ela fosse a região abaixo da linha dos pêlos púbicos. Ele tam bém é proporcionalmente mais longo. considerando-se que os dois indivíduos tenham uma compleição semelhante. Num indivíduo adulto. Além d o umbigo. numa pessoa gorda (de qualquer idade). O umbigo da mulher também é mais profundo que o do homem. muito depois de a pudicícia vitorian a ter deixado de existir. havia uma conhecida estratégia que se chamava "apelo da barriga''. contendo o estômago. essa linha corre verticalmente do umbigo até o peito. há uma depressão chamada linea alba. B aseava-se numa lei que não permitia que a pena capital fosse aplicada à mulher grávida . os intesti nos e. o útero. outra classe a empurrava para baixo. com uma distância maior entre o umbigo e os genita is. Com i gual imprecisão. Na maioria das prisões havia homens cuja tarefa era garantir que as internas tiv essem condições de pleitear esse direito.

as mulheres magra s de hoje têm seis vezes mais probabilidade de ter um umbigo na forma de uma fenda vertical do que suas voluptuosas predecessoras. Em períodos de escassez de alimentos. E se ela cai na tentação de comer demais. Mas existe algo mais do que ape nas a perda de peso nessa mudança. Numa pesquisa semelhante sobre as modelo s fotográficas de hoje essa porcentagem caiu para 54%. só cri a a possibilidade de um umbigo vertical. Hoje. Essa mudança na visão da barriga teve um estranho efeito colateral: alterou a forma do umbigo feminino. À medida que a mulher fica mais velha. Em corpos mais cheios o umbigo é circular. sem sinal de gordura. Portanto. Assim. Se ele será exibido ou não. consciente ou inconscientemente. ma s num corpo delgado ele parece mais um talho vertical. O orifício genital feminino está por trás de uma fenda vertical. A mais magra das mulheres pode apresentar um umbigo circular se jogar o corpo para a frente. com sua obsessão pela eterna juventude. mais volume. enquanto o . logo se torna lamentavelmente — ou orgulhosamente — barriguda. e sua barriga. mudo u tudo isso. um aspecto que muitas vezes é exagerado pelos arti stas. por mais magro que seja. uma barriga chata. é um sonho feminino em qualquer idade. e as jovens das tribos eram engordadas para o ca samento. uma barriga gr ande era ostentada com orgulho. seu corpo ganha peso. Não é difícil imaginar a razão disso. Uma pesquisa sobre obras de arte que mostravam as mulheres carnudas de antigamente revelou que a grande m aioria (92%) exibia um umbigo circular.maior e mais curvo que o homem. O novo puritanismo corporal. as pose s modernas parecem enfatizar o umbigo vertical. vai depender da postura da modelo. sua presença no meio do ventre não pode deixar de lemb rar os verdadeiros orifícios que se situam abaixo dele. Um corpo esbelto. Co mo o umbigo parece um orifício.

Se isso parece muito fantasioso. o umbigo era sugestivo demais. As fotos eram retocadas par a dar a ridícula impressão de que o ventre da mulher era completamente liso. Os primeiros filmes provocaram choque e horror diante da exposição d essa parte da anatomia das dançarinas. Com os preceitos religiosos e culturais que dominavam o mundo árabe. nunca foi dito. nos anos 1930 e 1940. voltou a suprimir o umbigo. Uma carta oficial do censor aos produtores do filme Mil e uma noites dizia: "Aprovado para adultos desde que sejam cortadas todas as cenas de dança que mostram o umbigo das dançarinas". O q ue parecia ofender os puritanos espectadores era o fato de as dançarinas serem cap azes de mexer o umbigo enquanto ondulavam o corpo seminu. Em fotos sensuais em que a fenda geni tal fica oculta. segundo se dizia. O conhecido código moral ista de Hollywood dizia que os umbigos estavam proibidos. . Uma segunda onda de c ensura. o Oriente Méd io. Isso aprofundou o simb olismo do umbigo. ele era simplesmente suprimido. vinha da terra da dança do ventre. deviam ser preenchidos com jóias ou qualquer outro ornamento. as dançarin as das casas noturnas foram instruídas a cobrir a barriga quando dançassem. o fotógrafo e sua modelo podem se unir para oferecer subliminarme nte um falso orifício como substituto do real. Sugestivo do quê.orifício anal é muito mais circular. Nas primeiras fotos. ba sta observar o que aconteceu com o umbigo nos períodos mais puritanos do século XX. Fazia-s e isso porque. Segue-se que essa mudança para a exibição de um umbig o vertical fortalece o simbolismo genital. Dessa vez. Mal o mundo ocidental tinha relaxado a censura cinematográfica do umbigo e ele já sofria um novo ataque. Se não pudessem ser cobe rtos pela roupa. que tinha que ser omitido para evitar a histeria sexual da pla téia.

é p erfeitamente redondo. mas considerado de grande b eleza. e merece cuidadosa atenção quando você o beijar ou tocar". ele se adapta ao dedo. à glande ou ao dedão do pé. Umbigo navette . Uma organiz ação que se intitula US Navel Observatory (Observatório do Umbigo dos Estados Unidos) concebeu uma classificação para esse pequeno detalhe da anatomia feminina. Num relatór io denominado Navel Architecture (Arquitetura do umbigo). Em The Joy of Sex. Tem a forma de um triângulo invertido com lados convexos. Recebe esse nome porque tem a forma semelhante a uma navet te (pequena nau). eles reconhecem nada m enos do que nove formas de umbigo: Fenda vertical .um tipo raro. para a mai oria de nós.um tipo raro hoje em dia. porém mais la rgo na parte central. Os manuais de sexo perceberam esse poder e enfatizam seu fascínio aos amantes que exploram o corpo do parceiro.um tipo comum. Umbigo triangular . Umbigo circular . mesmo que hoje. Uma pose muito popular nos manuais sexuais ilustrados mostra o homem explorando o umbigo da parceira c om a língua — um pseudo pênis inserido numa pseudo vagina.mostra um forte alongamento vertical.considerado pelos japoneses o supra-sumo da beleza umbilical. pode-se ler: "Ele pode propo rcionar muitas sensações sexuais cultiváveis. Umbigo em forma de amêndoa . femi nino e erótico. Geralmente aprese nta uma profunda depressão. gracioso. o interesse na s possibilidades eróticas do umbigo feminino tomou proporções fetichistas.Essas restrições deixam claro que o umbigo tem força erótica. ele pareça um detalhe relativamente inócuo da anatomia humana. Para alguns. por exemplo. .

Umbigo oval . umbigo vert ical. P ara os que acreditam na verdade literal dos textos religiosos. Na verdade. Umbigo perfurado . Umbigo grão de café — um umbigo côncavo em cujo interior há duas protuberâncias de carne. tem a aparência de um olho. não havia cordão umbilical. A maioria optou por registrá-los. uma mistura do umbigo côncavo com o umbigo p rotuberante.uma das formas mais comuns. Os artistas enfrentavam o dilema de incluir ou não umbig os em suas pinturas de Adão e Eva no Jardim do Éden. Embora esse relatório não pretenda ser mais do que uma análise superficial do umbig o feminino. então ele devia ter umbigo. isso provocou uma nova e intrigante per gunta: Quem gerou Deus? . Naturalmente. e cada um inventou sua razão para a existência desses primeiros umbigos.o umbigo moderno no qual foi inserido um piercin g. e não nasceram de uma mulher. Um psicólogo alemão or anizou sua própria lista de formatos. o umbigo causou vários problemas nos círculos religiosos.mais horizontal que vertical. Fora da esfera sexual. umbigo côncavo. Umbigo olho de gato . revela o interesse sexual que um simples botão umbilical pode desperta r. Se esse seres for am criados pela divindade. umbigo protuberante. mas essa d ecisão gerou um problema ainda maior: se Deus criou o homem à sua imagem e semelhança. essa não é a única classificação de umbigos que existe. Ele relaciona os seguintes tipos: umbigo horizontal. é um problema espin hoso decidir se os primeiros seres humanos tinham ou não umbigo. e portanto não havia umbigo. umbigo descentralizado e umbigo redondo . alegando que uma pessoa "pode se conhecer at ravés do umbigo".

o Demônio ficou tão furioso que cuspiu no corpo do recém-chegado. Voltando à barriga de forma geral. movimento de rotação do quadril e ondulações dos múscu los da barriga. Um simbolismo totalmente diferente vê o umbigo como centro do unive rso. é o contrário: uma tentativa de anular o ego. Esse furo foi o pr imeiro umbigo. resta ver como surgiu a famosa dança do ventre. ma s seu gesto deixou um pequeno furo no lugar onde o cuspe caíra. Na verdade. A dança do ventre tem três movimentos principais : movimento da pelve para a frente. com movimentos da pelve e contrações dos músculos abdominais para massagear o pênis do grande . Deus imediatamente arrancou o pingo poluído. Elas foram se especializando nessas contorções. Hoje ela é comumente considerada uma "dança tradicional". Surgiram no harém. depois que Alá criou o primeiro ser humano. Os dois primeiros são de fácil execução e muito comuns. Para evitar a contaminação. É assim que os budistas o consideram. focalizando to do o universo através de seu ponto central. Uma an tiga lenda conta que. as jov ens tinham que se acocorar sobre o corpo deitado. a origem dessa t radição não se perdeu na poeira do tempo. onde o sultão era geralmente muito g ordo.Os turcos descobriram uma solução incomum para o problema do primeiro umbigo. Os três são movimentos sensuais. embora isso tivesse agradado aos puritanos. O cuspe foi aterrizar bem no cento d a barriga. A expressão "olhar para o próprio umbigo" c ostuma significar uma ação autocentrada. nada atlético e sexualmente desinteressado. mas. Já as ondulações exig m um alto controle muscular e só são executadas pelas dançarinas mais experimentadas. inserir seu pênis e contorcer-se provocativamente até leválo ao orgasmo. assim como uma forma de meditação voltada para o interior. Para excitá-lo sexualmente.

A mul her ajudava o parto movendo o abdome em movimentos de rotação. Com o acompanhamento musical. Como um ato de cópula. mas o nascimento. Com o tempo . os nomes que definem os movimentos ainda preservam uma conotação erótica. Livres do contato com o corpo indolente. as mulheres do harém foram capazes de ex agerar os movimentos e torná-los mais ritmados. mas colocava-se de cócoras. a parturiente não deitava para dar à lu z. Ela deixou de ser meramente uma dança que imitava a cópula de uma jovem vigorosa sobre um homem indolente e corpulen to e tornou-se símbolo da concepção e do nascimento — todo o ciclo reprodutivo em uma únic a performance. é difícil dizer. ele tem sido chamado de "masturbação fértil". os movimentos pélvicos eram exibidos para excitar o senhor do harém antes da cópula. a ênf ase recai sobre o preparo físico". De qualquer forma.senhor. que com o decorrer do s séculos teriam sido incorporados à dança do ventre. A dançarina do harém tornou-se uma atleta. o processo de purificação foi mais longe nos últimos anos. Em muitas cult uras. Algumas fontes alegam que os movimentos representam não a cópula. Portan to. ou se ela só pretende e sterilizar uma dança puramente erótica e alinhá-la entre outras atividades "folclóricas" . quando ainda não contava com ajuda médica. nem tudo se perdeu. usando a força da gravidade para empurrar o bebê. . a ex ibição logo foi estilizada numa dança que foi chamada de dança do ventre. Se essa interpretação da dança do ventre é correta. um manual que pretendia ensinar a dança introduz o tema co m a seguintes palavras: "Em seu novo papel como forma de arte física e saudável. Na década de 1980. Embora a dança do ventre esteja sendo promovida como "uma ótima terapia para a tensão e a depr essão".

No Japão. Vem t ambém da Grécia antiga outro pronunciamento: " Ó Deus. . que vê o ventre como sede da vida. Na vida cotidiana. geralmente ambas pertencem à mesma família. acabou se ligando a outros apetite s animais. Estranhamente. são amantes ou velhos amigos. Como a bar riga está relacionada com o apetite por comida. é através deles que se perde a castidade". que é o contato dos ventres duran te o ato sexual. assim como o umbigo. Além desses gestos e de um raro soco na barri ga de um inimigo. Um dos textos sumérios mais antigos. registra com um humor triste: "Com tijolo sobre tijolo esta casa foi c onstruída. o ventre é considerado o centro do corpo. e um dos amantes pode d escansar a cabeça na barriga do outro. a barriga. O ma is conhecido é sua ligação com o lado mais animal e terreno da vida humana. o ven tre quase nunca participa dos contatos pessoais. Quando uma pessoa toca outra na barriga. essa postura é tema de uma das mais antigas piadas da humanidade. tem vários simbolismos. só existe outro contato pessoal.Fora do campo sexual. um marido orgulhoso pode passar a mão pela barriga da esposa grávida. os gest os que envolvem a barriga são raros. Um provérbio grego afirma que " a barriga é a mais vil das bestas". com ventre sobre ventre ela foi destruída". datados do terceiro milênio da era cristã. olhai com ódio o ventre e os alim entos. Devido à sua proximidade com os genitais. Os pais às vezes dão um tapinha na barriga dos filhos quando eles comem bem. Esse simbolismo ocidental nada elo gioso está em completa oposição com o simbolismo oriental.

a parte mais larga é a superior. Entretanto. a linha das costas torna-se mais sensual. Como mencionamos quando tratamos da nuca. o contorno das costas é notavelmente diferente no homem e na mulher: nela. os estilistas de moda de vez em quando enfatizam as costas. Se ela é uma mulher casada. elas são naturalmente mais arqueadas que as costas do homem. a gola se afasta da nuca. quando a atriz Tallulah Bankhead apareceu em público com um decot e nas costas que logo foi copiado pelas admiradoras. Portanto. a linha da nuca é apenas sugerid a. No Oci dente. Outras partes do corpo — especialmente a cabeça. disposta a escandalizar em algum a aparição pública. Costas As costas femininas têm sido ignoradas tanto pela própria mulher quanto pelos observ adores. aparecem de quando em quando. os seios e as pernas — recebe m maior atenção e despertam mais interesse. Um . De vez em quando. nele. Se o vestido é fechado na frente. mas se ela é uma gueixa. sempre que o costureiro encontra uma cliente corajosa. A gola do quimono é cortada de acordo com a co ndição da mulher que o usa. as costas femininas têm figurado no mu ndo das imagens eróticas. então a atenção pode ser desviada para as costas. Mesmo em repouso. que revelam inteiramente as costas. e se a curva da coluna é deliberadamente acentuada com a projeção do quadril para trás.18. as costas femininas têm uma be leza inegável. o contraste é grande tanto de lado quanto de costas. Versões mais radicais desse m odelo. Visto por trás. quando ela se ajoelha dia nte do homem. Hollywood lançou es sa moda em 1932. os japoneses v alorizam muito essa parte do corpo. e. a parte inferior é mais larga. lhe oferece uma excitante visão do dorso por dentro da roupa.

As duas pequenas depressões situadas de cada lado da base da coluna. o corpo magro e .desses modelos foi o famoso macacão lançado em 1967 por Ungaro. As covinhas são um detalhe da s costas femininas que em outros tempos despertou no homem tal excitação a ponto de tornar-se uma obsessão. mas são mais perceptíveis nas m ulheres devido à gordura depositada nessa região. assim como o "losango de Michaelis". O losango de Michaelis. P oetas e escultores gregos as admiravam. eram tema de conversa entre os mais sofisticados l ibertinos. hoje as preferidas. Nos homens. que passou muito tempo estudando-o. uma região em forma de diamante situad a entre as covinhas. exatamente onde se situam as duas pequenas covas.. carnuda. b em acima dos glúteos. Naturalmente." As covinhas são menos evidentes em mulheres magras. mas. uma em cada vértice da figura. Seu nome é referência a o ginecologista alemão Gustav Michaelis. E possível que o apelo sexual das covinhas que se formam nas bochechas se deva em parte à sua semelhança com essas outras covi nhas próximas às nádegas. como lesmas fora da concha". O mundo clássico tinha verdadeira fascinação pelas covinhas femininas. dando à mulher a possibilidade de exibir as "covi nhas" do sacro. de dar água na boca. O los ango às vezes é rodeado e definido por quatro depressões. Mas a exposição das costas nem sempre é um sucesso. só são visíveis no máximo em 2 5% dos casos.. Ao ver bailarinas vestidas com um collant sem costas.. um crítico comentou que "suas costas parecem entorpecidas e a pavoradas com a exposição. que expunha as costa s até o limite do sulco das nádegas. estão presentes em ambos os sexos. também já despertou grande interesse erótico. Um escritor escreveu sobre "essa região sedosa. quando as formas voluptuosas estavam na moda.

Sem a s curvas suaves proporcionadas pela camada subjacente de gordura. não e xiste propriamente uma coluna. as mais pesadas e espessas. que tem a função de absorver os choques. vitais para a observação do mundo e proteção do rosto. as costas corr em o risco de parecer demasiado rígidas e "fibrosas". segundo . os músculos das costas foram obrigados a trabalhar o tempo to do.musculoso das modernas bailarinas não é o mais adequado à exibição total das costas. só quando sente dor a mulher pára para pensar em suas costas como uma parte de sua anatomia. Se alguma mulher se desse o trabalho de observa r suas sofridas costas. mas 33 vértebras alinhadas. Na verdade. permitindo todos os movimentos da cabeça. elas não passam de algo q ue está longe da vista e da mente. As cervicais são sete e têm uma surpreendente mobilidade. mas a que mais trabalha. porque sua principal função é atuar como uma âncora para as costelas. As cinco vértebras lombares. Na maioria dos casos. Desde que nossos ancestrais as sumiram a posição ereta. q ue tem cerca de 46 cm de comprimento e pouco mais de 1 cm de diâmetro. a solução é comprar uma cadeira de rodas. As doze vértebr as torácicas são muito menos móveis. as costas são a parte d o corpo menos conhecida. Passando à biologia. certamente precisa de proteção. Se alguma coisa grave lhe acontecer. em alguma fase da vida. por três membranas protetoras. têm a função de su stentar a . pelo líquido cérebro-espinhal. São cinco os tipos de vérte bras. A medula. Rara é a pessoa que. não tenha sofrido de dor nas costas . A maior parte do tempo. descobriria um conjunto brilhantemente entrosado de múscul os e ossos com a dupla função de sustentar e proteger a medula espinhal. E ela está bem protegida: primeiro. po r uma cobertura dura e resistente que chamamos coluna vertebral. Parece que costas nuas caem melhor em mulheres mais cheias e roliças. e terceiro.

na parte inferior. na parte central. Acr edita-se que o sacro contenha o espírito imortal. Pode parecer estranho que esse osso triangular na base da coluna se ja chamado de "sagrado". Podemos nos perguntar que ligação pode haver entre nossa cauda remanescente e u m pássaro como o cuco. As dores nas costas são geralmente causadas pelo desgaste desses músculos . situado na part e superior das costas.maior parte do peso do corpo. os músculos dorsais. Talvez a escolha se explique pelo fato de ser o osso sacro beijado cer imoniosamente nos conciliábulos das bruxas. mas consiste em três principais grupos: o trapézio. São cinco vértebras que atua m como uma só. A resposta está na forma do osso. que os primeiros anatomista s julgavam semelhante ao bico de um cuco. O sistema muscular das costas é extrem amente complexo. A denominação desse pequeno osso pontudo é ainda mais estranha d o que a do sacro. Para a maioria das pessoas. e os glúteos. porém. As vértebras sacrais se unem para formar o osso sacro. Algumas partes do nosso corpo adquirir am seu nome de maneiras bastante excêntricas. as mulheres sentem dor nas costas por uma principal razão: falta de exercício em decorrência de uma vida urbana sedentária. É nessa região que as piores dores costumam se instala r. ao qual é atribuído um papel especial nos rituais divinatórios. que significa "cu co". mas em círculos ocultistas ele é considerado o osso mais im portante do corpo. existe algo estranhamente perverso em idealizar a "alma" no ponto mais baixo da s costas. Excetuado algum problema médico específico. As vértebras coccígeas são os últimos e os men ores ossos da coluna. Os músculos das costas se . porque a palavra "cóccix" vem do latim coccyx. Elas também se fundem para formar o cóccix — tudo o que restou d a cauda dos primatas.

Ela também po de ser adquirida durante as horas de lazer. As tensões corporai s causadas por angústia ou ansiedade podem provocar uma duradoura tensão dos músculos das costas. mas fisicamente impõem um esforço descomunal aos músculos das costas. A má postura decorre de certos hábitos de trabalho. A ten são mental é outra maneira de submeter as costas a uma sobrecarga. cada vez mais numerosas no mundo oci dental. mas indivíduos muito gordos. como um bebê que busca a segurança do corpo da mãe. no s quais o corpo é obrigado a manter uma determinada posição durante horas. Durante as muitas horas que passamos vendo televisão. as costas começam a doer. até que seja necessário buscar ajuda médica. E quase inevitável que mulheres grávi das sofram dores nas costas devido ao peso do bebê. o que pode aumentar a angústia . para a mulher que leva uma vida sedentária o perigo é maior. A coisa piora muito quando a criatura que se esparrama ou se enrosca na superfície macia está acima do peso. Pegar objetos pesados curvando o corpo para a fren te e usando as costas como um guindaste é outro mau costume que quase sempre sobre carrega as costas. costumam se surpreender quando começam a sentir os mesmos sintomas. Em pouco tempo.enfraquecem por falta de uso ou são prejudicados por uma postura errada. onde todo lar dispõe de móveis macios. por algum esforço repentino e por tensões. Se para uma mulher que tem atividade física essa manobra repres enta pouco risco. Esse processo qua se sempre passa . que carregam quase o mesmo peso na mesma região.. e assim por diante. o corpo sedentário se enfia na poltrona ou na cama macia em busca de conforto.. que lutam para manter a coluna — liter almente — em boa forma. conversando ou lendo. Esses móveis aconchegantes criam uma sensação de segurança e calma.

quando um cadáver apodrecia. Em tempos remotos. tocar a testa no chão e prostrar-se.despercebido. o que em algumas mulheres idosas se torna u ma postura crônica e permanente ao caminhar. Por essa razão. a . é parte essencial de uma série de ações coord enadas como curvar-se. Outras interpretações da medula espinhal a vêem como uma estrada. po demos curvar. Curvar as costas para a frente. ajoelhar. Entretanto. e o aumento de atividade sexual tem sido sugerido como tratamento. Os macedônios acreditavam . onde se podem comprar pequenos talismãs de plástico representando um corcunda sorridente. a "essência" da medula era considerada muito benéfica. de fato. No mundo do simbolismo. dobrar ou ondular as costas de acordo com as mudanças de hu mor. exceto como guardiãs da medula. As costas não são uma das partes mais expressivas do corpo feminino. Essa era. e pode ser desencadeado por problemas emocionais que preocupam tan to o cérebro que a pessoa só percebi os efeitos quando é tarde demais. pensava-se que dava sorte tocar a corco va de um corcunda. esticar. A própria medula era vista como um a réplica da árvore cósmica que alcança o paraíso que é o cérebro. Alega-se que ou tra causa para a dor nas costas é a frustração sexual. e acreditav a-se que qualquer pessoa que tivesse uma parte a mais da coluna vertebral tinha sido agraciada pela sorte. as costas desempenha m um papel menor. o movimento tinha que ser bastante acentuado pa ra expor inteiramente as costas ao superior. uma escada ou um ba stão. Na Idade Média. sua coluna vertebral se transformava numa serpente. O elemento c omum de todas essas ações é o rebaixamento do corpo para simbolizar a baixa condição de qu em o executa. Essa crença ainda sobrevive em algumas regiões mediterrâneas.

com as mãos presas uma à outra. Os professores usam o mesmo gesto quand o caminham pela . Por essa razão. porque opõe-se à postu ra de braços cruzados. Aprumar as costas também tem o efeito de aumentar ligei ramente a altura do corpo. Existem várias posturas com as quais uma pes soa entra cm contato com suas costas. uma mudança que ajuda a demonstrar poder. Dar a s costas a alguém na posição ereta era uma grosseria imperdoável. Deixá-las cair passa uma mensagem de impotência. porque significava rej eição. porque indica que o corpo está se preparando para um ato violento. quando alguém gira a cabeça e diz a um amigo: "Desculpe as costas". esticá-las é um gesto ameaçador. A postura com as mãos atrás das costas diz que a pessoa está tão confiant e que não precisa de nenhuma proteção frontal. Esse procedimento formal ainda sob revive e pode ser observado numa sala apinhada. É uma postura c omum em pessoas de alta condição. Os militares são treinados para ma ntê-las eretas mesmo quando estão relaxados. Se voltar as costas a alguém é uma grosseria p or ignorar deliberadamente o outro. porque a altura diminui ligeiramente — quase como uma incipiente curvatura de subordinação. especialmente em membros da realeza e líderes político s em ocasiões formais de inspeção. e é por isso que eles parecem mais agress ivos que os cidadãos comuns. E dar as costas a alguém a quem acabamos de ser ap resentados continua sendo um insulto. A mais simples é aquela em que a pessoa fica de pé ou caminha com os braços atrás delas. na qual estes se unem diante do corpo como uma espécie de bar reira de proteção. Demonstra extrema superioridade. os subordinados tinham que se afastar da presença do Grande Senho r caminhando de costas para fora do salão real.única situação em que o inferior podia mostrar as costas sem ofender o superior.

e que q uer dizer: "Estou aqui se você precisar". a pessoa pode se entregar num abraço apaixonado. em vez de tocar o braço ou o cotovelo. as costas são um a parte do corpo muito tatuada. que lhe tra nsmite total segurança e amor. . Trata-se de uma maneira q uase universal de confortar. Quando pequena. mas em momentos de menor envolvimento emocional adota uma versão em m iniatura — o tapa nas costas —. A motivação desse ge sto é sempre a mesma. demonstrando sua superioridade naquele território. Outros gestos que envolvem as costas são gestos secretos e ocultos. Magníficas demonstrações da arte da tatuagem podem ser vistas nas costas de mulheres corajosas em todo o mundo. e a pressão carinhosa das mãos em suas costas se torna um sinal de cuidado e amizade. porque ecoa uma sensação de infânc ia. É um gesto um pouco mais íntimo. o abraço. Devido à sua grande extensão. a criança adora o abraço da mãe. despro porcional à simplicidade e brevidade do contato físico. Entre os motivos. olhando na mesma direção. exis te uma tatuagem que mostra uma cena de caçada. que lembra o corpo do gesto maior. Outra maneira de contato nessa região é o proverbial "tapinha nas costas". porque os corpos ficam mais próximos enquanto caminham. Ou o leve conta to da mão nas costas quando duas pessoas estão juntas. como quando uma menina esconde a mão atrás das costas para cruzar os dedos quando diz uma mentira. Outra forma comum de contato é o gesto em que uma pessoa pressiona a mão nas cos tas de outra para guiá-la. cumprimentar e demonstrar amizade.sala de aula. Mesmo um tapinha breve e suave nas costas de alguém que está sofrendo traz um enorme conforto. Quando adulta. no sentido de que é uma versão reduzida do mais fundamental cont ato interpessoal.

e a c auda da raposa prestes a desaparecer entre as nádegas. .com cavalos e cães perseguindo uma raposa por todo o comprimento das costas.

porém. Muitas meninas não gostam dessa mudança. as coisas se tornam mais complexas. entre 12 e 13 an os nascem os primeiros pêlos. os da cabeça. seu corpo era liso e limpo. Outra coisa que pode deixá-las ins eguras é o fato de só terem visto pêlos no corpo dos homens. Quando os ovários começam a aumentar de tamanho e se inicia a produção de hormônios. as meninas não têm pêlos no corpo.19. Depois. ou com atraso. entre crianças pré-púberes inglesas. A constatação surgiu inesperadamente duran te uma pesquisa sobre os animais mais amados e odiados. porque os julgam "animalescos" ou "ma sculinos". Pêlos púbicos Durante toda a infância. está "sujo" e "peludo". muitas mudanças sã notadas. e agora. e eles adquirem o padrão adulto. a época exata em que os pêlos púbicos atingem a maior . o ódio às aranhas aumentava muito entre as meninas. a quantidade de pêlos aumenta e começa a surgir a forma triangular. naturalmente. Por volta dos 14 anos. de repente. isso ocorre entre 11 e 12 anos. inclusive o nascimento dos pêlos nos genitais externos. exceto. Aos 15 anos. entre 13 e 14. Essas dúvidas podem parecer exageradas para alguém que tenha sido criado numa família liberal. Talvez elas nunca tenham visto pêlos púbicos. mas continuam pe rturbando um grande número de adolescentes. Descobriu-se que. o crescimento dos pêlos já esta prat icamente completo. mas não e ntre os meninos. Com a chegada da puberdade. que costumam ser escondid os por pais recatados e pela censura do cinema. Na média. perto dos 14. Na infância. embora haja exceções em que os pêlos surgem precocemente. Geralmente. Ter pêlos na região genital as assusta. por volta dos 8 anos.

espessos mas bastante esparsos [. A aversão pelas aranhas peludas é mais simbólica do que real. Em diferentes partes do mundo. existe outra que está perturbada co m esse fato. os pêlos púbicos nem sempre acompanham os cabelos. Se lhes perguntassem por que não gostavam das aranhas. Muitas mulheres de cabelos escuros têm pêlos púbicos mais claros. Em cor e te xtura. A prin cipal exceção é encontrada no Extremo Oriente. quase sempre respondiam que elas era m "umas coisas sujas e peludas". quando uma aranha atravessa seu caminho. e com isso a aranha é inconscientemente definida como "um tufo peludo e móvel". para cada menina que se sente orgulhosa dos pêlos que começam a despontar. Assim.. era mais provável que tivessem respondido que elas "eram v enenosas". o ódio às aranhas aumenta drasticamente e se torna duas v ezes mais forte nas meninas que nos meninos. onde os cabelos pretos e lisos coexiste m com pêlos púbicos "pretos. em geral com uma tonalidade avermelhada. A mai oria das mulheres tem pêlos púbicos crespos. os pêlos púbicos variam muito: são curtos ou longos. que já esperam adquirir pêlos no corpo como seus pais. é o movimento das longas pernas que se irradiam de seu corpo mole. . curtos e lisos. esparsos ou densos. lisos e macios ou espessos e crespos. se preocupam muito menos com isso. isso parecia não ter nenhuma ligação com os pêlos púbicos. O que uma men ina de 14 anos vê. São essas pernas que são vistas como "pêlos ".. Os meninos.] fo rmando um triângulo invertido". À primeira vista. mesmo quando os cabelos são lisos. mas quando as meninas em questão foram solicitadas a explicar por que odiavam tanto as aranhas. O fato de esse medo dobrar na fase em que as meninas constatam que um "tufo pelud o" está crescendo entre suas pernas é significativo.velocidade de crescimento.

que andavam nus. os pêlos púbicos são um sinal visual. Para o macho pré-histórico. enquanto sua a usência a inibia. (Essa inibição tão natural e que está ausente nos pedófilos. a ausência de pêlos púbic os nas meninas era um aviso de que elas ainda eram jovens demais para procriar. cuja fragrância persiste mais tempo nos pêlos densos e crespos que na pele nua e macia. precisam se banhar com mais freqüência que os primitivos. quando a pele f icava exposta ao ar.) A segunda fu nção dos pêlos púbicos é atrair pelo odor. os humanos mode rnos. Uma terceira função dos pêlos púbicos é que eles atuam como um amortecedo r no contato da pele do homem e da mulher durante o vigoroso contato sexual. e parece haver . É por is so que. Existem três respostas. M as esse sinal primitivo tem uma desvantagem. Essa função protetora é muitas vezes menciona da. A presença de pêlos púbicos ajudava a desencadear a reação sexual do macho. eles devem ter funcionado como um sinal de que a menina havia se tornado um a mulher adulta. Hoje. O resultado é um odor corporal desagradável. porém. existe maior probabilidade de as secreções glandular es sofrerem o ataque de bactérias. com r oupas apertadas cobrindo o púbis. Numa época primitiva em que os humanos andavam nus. pro tegendo o mons pubis da mulher da abrasão. No período pré-histórico. Seu pleno aparecimento aos 15 anos coincide com o início da ovulação e da capacidade biológica de procriar. As glândulas da região genital secretam feromônios aroma natural que os machos inconscientemente acham sexualmente atraente —.As primeiras perguntas que a menina púbere costuma fazer sobre seus pêlos púbicos é: "Po r que tenho isso? Para que isso serve?". as fragrâncias naturais permaneciam frescas. que andam vestidos. Antes de mais nad a. se quiserem que seu odor natural não perca o poder de atração.

Sem os pêlos. e que "facilitam a acumulação e a troca de eletricidade entre dois pólos opostos durante a cópula". não parece sentir falta disso quando o corpo está em contato com a p elve do homem. seja lá o que isso signifique. Entre elas inclui-se a idéia de que os pêlos púbicos funcionam como uma "re catada dissimulação" dos genitais. da mesma forma que nós usamo s toalhas". Os pudicos acham que modificar essa parte do corpo indica uma obsessão doentia pel a anatomia sexual. os pêlos púbicos não têm permanec ido no seu estado natural. Além do mais. Como muitas outras partes do corpo humano. há quem os considere um véu erótico que "inflama a imaginação". o sexo da mulh er fica excessivamente exposto. mas a mulher adulta dos tempos modernos. no Pacífico sul. foram propostas n o passado.um elemento de verdade nisso. Talvez a observação mais estranha sobre a utilidade dos pêlos púbicos tenha sido registrada por um antropólogo alemão que visitou uma tribo que viv ia no arquipélago de Bismarck. que remov e os pêlos púbicos. onde "as mulheres limpavam as mãos nos pêlos púbicos sempre que elas estavam sujas ou molhadas. e também muita oposição a essas intervenções. Além dessas três funções. . várias outras. Em todos os tempos. Por outro lado. muito improváveis. re os que são a favor de deixar os pêlos púbicos em seu estado natural não há só puritanos. decorá-los ou removê-los. que absorvem o suor que escorre pela frente do corpo. Também já se disse que eles protegem os genitais do frio e de a cidentes. Cortá-los ou tingilos revela a intenção de expor uma parte do corpo que devia permanecer estritamente privada. cortá-los. vêem na depilação dos pêlos púbico s a remoção de algo que ajuda a esconder a fenda genital. sempre houve muito interesse em t ingi-los.

há o argumento de que os pêlos púbicos são potencialmente sujos e malcheirosos. mas na verdade para conseguir uma semelhança com a aparência limpa das estátuas clás sicas. como uma boneca. assim como conden avam qualquer forma de maquiagem ou de melhoramento cosmético. por acharem que com isso a mulher estaria se vendendo ao homem. Em sua função de atrair pelo odor. conhecia as formas íntimas da mulher e aprec iava-as esteticamente. A depilação dos os púbicos provoca duas reações completamente contraditórias. Apai xonado admirador da escultura clássica. Existe um caso famoso de um professor de arte vitoriano muito ingênuo e mui to romântico que teria sofrido terrivelmente por causa dessa aparência artificial da s estátuas clássicas. ele finalmente admitiu que achava seus pêlos púbicos repulsivos. Também levou as modelos dos artista s a raspar os pêlos púbicos supostamente para revelar os detalhes dos contornos pélvic os. não é nada erótico. eles se casaram. mas nunca vira pêlos púbicos em nenhuma delas e .As primeiras feministas rejeitavam toda modificação nos pêlos púbicos. Mas também há os que acham que "não ter nada entre as pernas". Em apoio aos puritanos. essa visão fez com que mui tas estátuas femininas exibissem um púbis sem pêlos. No ano seguinte. e que sua remoção é portanto uma medida de higiene. os hedonistas acham os pêlos púbicos naturais altamente eróticos. eles também pr ometem ao homem a retenção das flagrâncias eróticas das glândulas femininas. e ela f icou surpresa ao descobrir que ele não conseguia fazer sexo com ela. John Ruskin tinha 28 anos e não sabia quase nada sobre sexo quan do começou a cortejar sua futura esposa. Depois de ano s de evasivas. porque oferecem ao homem um sinal visua l da prontidão da mulher para copular. Por outro lado. No passado.

É a imagem corporal de uma menina jovem demais para fazer s exo.) Seu horror ao descobrir que sua amada t inha um tufo de pêlos entre as pernas foi tal que ele nunca foi capaz de consumar o casamento. mas as femininas não. A primeira é que ela põe a nu a f nda genital. e portanto simbolicamente jovem demais para ter feito sexo. ou ""Tem um ar de Lolita". esse detalhe era omitido em nome do bom gosto. através de um exame médico. Nas estátuas clássicas. porém. A segunda razão para a preferência pela vulva depilada é que ela passa uma image m de virginal inocência. mas o que surpreende é que muitos libertinos tenham a mesma preferência. Assim como um púbis peludo atrai puros e impuros. Na vida real. apesar do constrangimento de ter que provar. os artistas geralmente disfarçavam a fenda de suas modelos fazendo-as assumir poses que a escondiam. Os críticos contestam afirmando que isso "é um passo em direção à pornografia infantil". (As estátuas clássicas masculinas mostram pêlos púbicos crespos. Os homens que r eagem favoravelmente a um púbis depilado costumam dizer coisas como: "É uma suavidad e de bebê". o mesmo acontece com a vulva depilada. o que obrigou a esposa a pedir sua anulação.aparentemente nem sabia que eles existiam. ou "É como se realizasse uma fantasia com uma estudante". O a pelo sexual da depilação dos pêlos púbicos tem três fontes. O fato de gostarem de um aspecto "virginal" não . nos quadros. que continuava virgem. mas não levam em consideração o fato de que muitos homens que se sentem ex citados pela visão de um púbis depilado têm consciência de que o resto do corpo de sua p arceira é de uma mulher adulta. esse detalhe íntimo é totalmente exposto e transmite ao homem que o vê uma imagem ainda mais forte do que o tufo de pêlos. Alguns homens puritanos revelam uma acentuada preferência por uma vulva higienicamente depilada.

significa que eles reagiriam sexualmente a uma menina pre-púbere. Algumas mulheres alegam que uma simples caminhada fica mais eróti ca: "O simples ato de caminhar é divertido porque você desliza". ela está lon e de ser um capricho transitório da moda. considere a remoção dos pêlos púbicos uma medida de higiene. puritanamente. e os removiam sem de ixar o menor traço. Faziam isso com uma cera feita de mel e óleo. Defendendo sua o pção. existem pontos de vista altamente conflitantes. consideram a vulva depilada mais excitant e e sensível. Voltando à história da remoção dos pêlos púbicos. há quem. uma mulher observou que "qualquer mulher que ache que o homem que aprecia uma vulva depilada está perto de ser um pedófilo corre o risco de ver o argumento voltar -se contra ela. . Vamos resumir a s atitudes contraditórias em relação aos pêlos púbicos. Outros apreciam a e xcitação de "ter um segredo sexual que só os dois parceiros conhecem". Por outro lado . Há quem. a. menos que todos os seus amantes tenham fartas barbas". licenciosamente. licenci osamente. A região genital se t orna muito mais sensível à estimulação tátil. Mas também existem os que. Como ocorre com outros aspectos do corpo feminino. a depilação dos pêlos púbicos apresenta outras vantagens. Se nin guém condena as mulheres que gostam que seus amantes tenham um rosto imberbe de me nino. Mas também existem aqueles que. por que um púbis depilado tem que ser visto dessa maneira? Além de seu aspecto inocente. As mulheres egípcias detestavam ter pêlos no corpo. Há registros de que a depilação já existia no an tigo Egito. puritanamente. ache que dei xar os pêlos púbicos naturais é sinal de recato. O prazer do sexo oral aumenta muito para amb os os parceiros. os consideram eróticos e dotados de uma fragrância sensual.

Quando os cruzados chegaram à Terra Santa... descobriram que as mulheres ára bes depilavam a região pubiana. Impressionados com o que viram lá. os pêlos eram extraídos um a um com uma pinça.Conta-se que o rei Salomão não gostava de pêlos púbicos. elas usavam uma pinça especial denominada volsel la. mas as técnicas das mulheres romanas eram um pouco diferentes. Acreditava-se que e ra pecado permitir que os pêlos púbicos crescessem naturalmente. sabe-se que as mulheres turcas se aplicavam tanto em depilar o púbis que salas especiais eram destinadas a esse propósito nos banhos públicos. Por isso.. substituíam a arriscada técnica de queimar os pêlos pe la aplicação de cremes depilatórios. para a mulher grega. . Isso se devia ao fato de que "o forte crescime nto dos pêlos das mulheres setentrionais impedia que suas partes íntimas fossem vist as. no século X VI. onde algumas mulheres da aristocracia o adotaram durante a Idade Média. e pela terceira. A moda floresceu por um tempo. parece que ele lhe pediu que se depilasse antes de fazerem amor . A remoção dos pêlos púbicos também era comum na antiga Roma. dizendo-lhe que o recebesse depois de remover o "véu da natureza". na Grécia. levaram o costume para a Europa. que se fazia através d e três técnicas: pela primeira. há registros de que os homens preferiam que suas mulheres "removesse m os pêlos de suas partes intimas". Como as gregas. Mais tarde.". Ao contrário das gregas. mas logo desapareceu. a depilação era a regra. Pouco mais ta rde. porém. queimados com brasas. Quando a rainha de Sabá o visitou no século X a. entre eles uma espécie de cera preparada com piche ou resina. queimados com uma vela. as jovens começavam a se depilar assim que os pêlos púbicos nasciam. pela segund a. Na classe alta.C.

com uma grande variedade de estilos. A nova tendência começou por causa de uma mudança nas roupas de banho. Então. Apenas os pêlos que escapam de cada lado são removidos. até que. a depilação total se tornou a última moda. e a depilação dos pêlos púbicos mais uma vez caiu em desuso. Todos os pêlos cobertos pelo biquíni são poupados. O costume só ressurgiu muito mais tarde. Uma rebelde famosa foi a estilista Mary Quant. na Europa. nunca se ouviu falar de remoção dos pêlos púbicos. A cava dos maiôs foi subindo cada vez mais (para fazer as pernas parecerem mais longas). e cada salão de beleza inventa ter mos para definir os diferente graus de nudez púbica. Outras log o a seguiram. Esses pêlos pa reciam feios e foram rapidamente removidos. com a li beração dos anos 1960. e certas figuras proeminent es se rebelaram contra costumes considerados muito pudicos ou tradicionais. Eis alguns deles: Linha do bi quíni: É a forma menos radical. no início d o século XXI. significou um retorno ao estilo das antigas civilizações. de repente. ela voltou com tudo. Durante a década de 1970. pa radoxalmente. porém. que chocou o mundo ao anunciar public amente que o marido tinha depilado seus pêlos púbicos na forma de um coração. uma tendência desafiadora que. Isso pôs em ação uma redução cada vez mais drást ica dos pêlos púbicos. tudo era possível. No fim do século XX. uma nova terminologia foi criada. exceto t alvez entre as "damas da noite". Estilos cada vez mais radicais iam surgindo. Em decorrência dessa mania. o nascimento do movimento feminista assist iu a uma volta à natureza.Na época vitoriana. o que fe z os pêlos púbicos aparecerem de cada lado da estreita faixa de tecido. .

isso se ria suficiente para cobrir a fenda genital. Para . as da nçarinas de strip-tease foram obrigadas a deixar uma faixa de pêlos de "dois dedos" de largura quando se exibissem nuas. Pista de pouso: Uma estreita faixa vertical é deixada. Bigode: Todos os pêlos são removidos. Essa medida exata pode parecer estranha. Estilo brasileiro: É o mais famoso dos novos estilos. É um corte muito procurado no Dia dos Namorados. Este estilo tem sido descrito como "uma flecha apontando o caminho do prazer". Segundo os legisladores de Atlanta. Triângulo: Todos os pêlos púbicos são removidos. que pode ser tingido de vermelho. como uma sur presa erótica para o parceiro sexual. Estil o europeu: Todos os pêlos púbicos são removidos. Uma faixa de apenas "um dedo" era co nsiderada obscena e proibida por lei. Estilo Playboy: Todos os pêlos são removidos. "exceto uma pequena quantidade no mei o". a novidade desse estranho dever can sou. Esse estilo é adotado pelas modelos qu e precisam usar biquínis e maiôs muito estreitos na região púbica. No estado americano da Geórgia.Biquíni cheio: Apenas uma pequena quantidade de pêlos é deixada no monte de Vênus. Coração: O tufo de pêlos é depilado na forma de coração. mas tem uma história legal. Os policiais locais foram obrigados a exec utar a árdua tarefa noturna de checar as faixas de pêlos e enviar para casa qualquer garota desobediente. e todos os outros pêlos são removidos. exceto um retângulo largo que cobre a fenda da vulva. Esse estilo é às vezes chamado de "bigode de Hitler" ou "bigode de Chaplin". Depois de algum tempo. deixando apenas um pequeno triângulo com o vértice para baixo. m as existe alguma confusão sobre sua forma exata. exceto uma faixa retangular de 4 cm. e a lei foi relaxada.

. tinturas e eletrólis e. A moda começou na praia de Copacabana. nem sempre obedeciam ao mesmo grau de remoção. que deixa a região pubiana completamente nua. ceras. "estrelas e listras". Sisters) se mudaram para Nova York . que retarda mais o crescimento de nov os pêlos. Quando outros salões passar am a copiá-lo. "chácháchá". são usados cremes depilatórios. Para outros ainda. significa a depilação total dos pêlos. Além deles. ela é igual à da "pista de pouso". Para obter ess as formas. descrevendo o seu estilo como "tudo fora. Si sters deixaram bem claro o que fazem. Esses são os estilos mais populares no início do século XXI. daí a confusão. "alvo". navalhas. onde abriram um salão de beleza e começaram a oferecer o serviço de depilação dos pêlos púb cos a suas clientes. Mas as J. uma forma mais radical da "p ista de pouso". "botão de flor" etc. Outros prometem formas exóticas de p onto de exclamação. há estilos especiais. Estrelas de cinema e top models começaram a visitar o salão. menos uma mínima faixa". Sisters que esse estilo passou a ser conhecido como "brasileiro". Alguns estilistas extravagantes oferecem variantes que levam nomes co mo "olhos de touro". Foi graças à fama conquistada pelas J. sete irmãs brasileiras (conhecidas como as J. Alguns salões também dão a esse estilo o nome de "Hollyw ood". para outros. coroa. qu e nasce completamente pelado. A técnica mais usada hoje é a remoção com cera. "ra inha de diamantes".alguns. qu e logo se tornou a meca da depilação. estrela e até mesmo as iniciais do parceiro. "surpresa de lua-de-mel". Esfinge: Esse é sem dúvida o estilo mais radical. Então . O nome deriva de um filhote de gato do Canadá. no Rio de Janeiro. pinças. onde surgiram os menores biquínis.

As perucas pubian as tem uma longa história. Publicamente. O fato vei o ao conhecimento público de uma maneira pouco comum. fios de náilon ou pêlos de animais. flor es ou fitas coloridas. sua função era mascarar os danos provocados pela sífilis e outras doenças v enéreas que desfiguravam os genitais externos.Um recurso totalmente oposto à depilação é o curioso hábito de perucas pubianas feitas de cabelo humano. A peruca recebe um corte e uma tintura para uma ocasião especial. Registros comp rovam que as perucas pubianas eram muito populares desde o século XVII. Alí. O cadáver de uma marquesa fran cesa foi abandonado na rua com os genitais deliberadamente expostos. . e ainda hoje estão à venda. para que m quisesse ver. elas obedeciam ao desejo do rei. Or iginalmente. Mais recentemente. foram usadas por prosti tutas para agradar a clientes que se sentiam atraídos por um púbis bastante peludo. elas têm sido usadas como "máscara de recato" por atrizes que precisam aparecer nuas em cenas de sexo. A peruca é presa no lugar com a aju da de um tapa-sexo invisível ou colada sobre os pêlos verdadeiros. e depois é removida — uma solução mais conveniente para mulheres que não querem chegar ao extremo d e submeterse a um corte verdadeiro. mas compensaram a restrição transferindo a ostentação para baixo da roupa. elas obedeceram ao monarca. três tipos de decoração que são conhecidos há séculos. Já existiam há centenas de anos. no mundo do cinema. Parece que. Mais tarde. Algumas perucas são decoradas com pedras. As perucas também têm sido usadas como um adesivo temporário para quem quer mudar o estilo do corte dos pêlos púbicos. quando o rei da França pediu às damas da corte que di minuíssem o esplendor de seu vestuário. havia uma peruca de pêlos púbicos "adornados com fitas plissadas de diferentes cores". mas secretamente se entregavam aos excessos ornamentais.

prec isamos voltar a tempos primitivos. está é verdadeiramente um tabu. qu ando caminhavam sobre quatro patas. nossos primeiros ancestrais perceberam que não podiam deixar de exibir a part e frontal do corpo sempre que se aproximavam de outro membro da espécie. Antes. Além de reduzir a força da exposição genital em situações públicas. Quando começaram a andar sobre as pernas trasei ras. Em terceiro lugar. Isso significava que era impossível um adulto se aproximar de outro sem u ma conotação sexual. enfeitados com fitas. também intensificava a sexualidade nos momentos de privacidade. Fonte de grand e prazer sexual. os genitais deviam ser celebrados. No entanto. 20. A tanga tinha três vantagens. Genitais De todas as partes do corpo feminino. Agora eram expostos cada vez que um animal humano se voltava par a outro. flores e pedras preciosas. ou a penas seu "tesouro". As pedras preciosas usadas como adorno às vezes tornavam a região pubiana a mais valiosa do corpo feminino. tanto machos quanto fêmeas resolveram cobrir a região genital: nascia a tanga.) Por que isso acontece? Por que as pessoas se sentem tão constrangidas em fala r dessa parte tão importante da anatomia feminina? Para encontrar a resposta. os genitais ficavam totalmente escondidos e bem protegidos. Para resolver isso. o que gerou uma expres são popular pela qual a vulva era considerada o "cofre do tesouro" da mulher.competindo umas com as outras para criar os púbis mais glamorosos. quando ela era removida. raramente são menc ionados em sociedade (a brilhante peça Os monólogos da Vagina é uma única exceção a essa reg ra. ajudava a .

e par cialmente escondida por eles. Hoje. Comparado ao pênis de outros primatas. dos lábios. Comparados com o equipamento ma sculino. seja dos dedos.proteger a delicada região genital dos desconfortos do ambiente natural. O motivo para a excitação que essa parte do corp o produz não está em seus atributos visuais. e para ocultá-los as pessoas chegam a comet er extravagâncias. da língua ou do pênis. E é só. Apenas quando se trata de crianças muito pequenas essa regra é relaxada. qu e flanqueiam a abertura vaginal. Nenhuma ou tra parte do corpo feminino é tão sensível ao toque. mas em suas qualidades táteis. um pequeno botão de carne extremamente sensível situado bem acima do canal urinário. a atenção que eles atraem é enorme. existe uma pequena fenda vertical criada pelos doi s grandes lábios — dobras de carne que protegem os pequenos lábios. Na maioria dos países. Gerações de puritanos religiosos responderam aos ape los que vinham do púlpito: "O nudismo é tão desavergonhado quanto o próprio Demônio. O formato do pênis masculino é significativo nesse aspecto. O que ê exatamente isso que tanto queremos escond er? No caso da mulher adulta. os genitais femininos podem ser descritos como visualmente simples. mais delicados. a uretra. é sempre o equivalente mod erno da tanga a última peça a ser retirada. só expomos nossos genitais a nossos parceiros sexuais. Falta-lhe o os . para dizer o mínimo. qua ndo as pessoas se livram das roupas por causa do calor. expor os geni tais em público é proibido por lei. No entanto. Por baixo dos pêlos púbicos. A menos que sejamos praticantes do nudis mo. o máxim o da rebelião humana contra Deus". o órgão humano é muito diferente. quase não há o que ver. No alto da fenda existe um pequeno capuz de car ne que cobre parcialmente o clitóris.

o sangue entra no pênis muito mais rapidamente do que pode sair. depois de apenas seis movimentos pélvic os. À medida que a exci tação da mulher aumenta. um típico coito leva ape nas 8 segundos. O espesso pênis humano causa fortes sensações à medida que se move contra a s superfícies internas dos genitais femininos durante os prolongados movimentos pélv icos de nossa espécie. mas difere acentuadamente do que ocorre com outros primatas. e a ejaculação ocorre. A fêmea do macaco recebe algumas estocadas do pênis fino e ossudo do macho e num instante o coito termina. O orifício da vagina. por exemplo. é submetido a uma repetida e ritmada massagem do pênis. Por isso. ao contrári o do que acontece com os . Nos babuínos. cercado por camadas de pele extremament e sensíveis. Isso não só torna o pênis ereto. Isso pode ser visto como um evidente e inevitáve l mecanismo de acasalamento. Depois de uma prolongada estimulação. permitindo-lhe partilhar a excitação com o h omem à medida que a cópula prossegue. como aumenta seu comprimento e especialmente sua espessura. Essa p ressão cria uma forte reação erótica na mulher. os grandes e pequenos lábios se intumescem de sangue. O ato sexual mais demorado não leva mais do que 20 segundos. as maca cas não desfrutam do aumento progressivo da excitação sexual e do orgasmo explosivo da fêmea humana. O sistema humano depende da c ongestão do sangue nos vasos sangüíneos. O resultado é que. a mulher experimenta um clímax orgásti co fisiologicamente muito semelhante ao do homem.penis — o pequeno osso que dá aos macacos uma rápida ereção. quando e le é inserido na vagina da mulher. Isso significa que ambos os pa rceiros recebem uma grande recompensa pelo esforço sexual. e o encontro. pressiona os lábios e as paredes vaginais. em média. atingin do o dobro do seu tamanho normal e desenvolvendo uma sensibilidade cada vez maio r ao toque. Quando ocorre a excitação sexual.

e sua função é proteger o osso púbico do impacto do corpo do homem durante os momentos mais vi gorosos do ato sexual. Qualquer massagem acidental ou deliberada nessa região tem u m efeito erótico. Quando elas se fecham. que funci ona como um amortecedor para o osso do púbis. Entretanto . Os seres humanos literalmente fazem amor. Situa-se logo acima dos lábios. Também conhecido pelos nomes latinos de mons veneris ou mons pubis. criam . e algumas mulheres alegam que isso é suficiente para levá-las ao org asmo. porque é bem suprido de terminações nervosas. T ambém conhecidos como lábia majora. quando o súbito aumento dos níveis de estrógeno provoca sua formação. pode produzir fortes laços emocionais entre os parceiros. o monte de Vênus é uma pequena almofada de tecido gorduroso coberta de pêlos púbicos. O fato de a fêmea humana (ao contrário da fêmea do macaco) não transmitir um sinal claro ao macho quand o está ovulando também significa que a maior parte dos atos sexuais não são de procriação. Vale a pena analisar separadamente cada uma de suas partes. Ele é mais sensível à estimulação quando os pêlos púbicos foram removidos. jovens modelos excessivamente magras não desenvolvem esse tecido gorduroso.macacos. Ele também tem um papel na excitação sexual. Monte d e Vênus. m as servem para estreitar ainda mais os laços emocionais entre os amantes. Em conjunto. Grandes lábios. a menos que as pernas estejam totalmente abertas. O monte de Vênus só aparece na p uberdade. e po r isso seu púbis parece mais projetado para a frente que o normal. os carnudos lábios externos normalmente cobrem os pequenos lábios internos. os genitais externos são conhecidos como vulva. o que pode e plicar em parte o sucesso da depilação da região pubiana.

A pele é semelhante à do resto do corpo. nômades da África do Sul. seu comprimento a normal tem provocado muitas dúvidas: serão eles uma característica racial ou resultado de um costume cultural de distendê-los artificialmente? . os pequen os lábios se intumescem de sangue. Posicionados dentro dos grandes lábios. com a prolongada estimulação do pênis ereto. ondulações ou g rânulos. não muito confiável.uma fenda vertical. De acordo com certos relatos. os pequenos lábios são às vezes muito alongados e pendem entre as pernas ''como dois dedos de carne pendurados" . Durante a intensa excitação sexual. O tamanho dos grandes lábios varia de uma mul her para outra. Durante a penetração. São conhecidos como labia minora ou nym phae. De qualquer modo. e existe um relato da década de 1860. dotada de glândulas que s ecretam odor. Pequenos lábios. às vezes um pouco mais escura. Uma autoridade insiste que eles podem chegar a 20 cm. Nas mulheres do povo san.) Os pequenos lábios têm formas e tamanhos variad os: alguns são pequenos e lisos. que se mantêm úmidas graças ao muco vaginal. (A ausência des sa coloração é um sinal de falso orgasmo. Algumas acumulam mais tecido gorduroso. enquanto outros podem mostrar dobras. adquirindo uma coloração avermelhada. esses pequenos lábios chatos (sem gord ura) são duas membranas cutâneo-mucosas altamente sensíveis. O eq uivalente no homem é a bolsa escrotal. o que faz os lábios mais a rredondados e proeminentes. os grandes lábios podem ficar mais vermelhos. Um monte de pêlos cobre essa superfície. de que uma mulher "foi capaz de desdobrar seus n ymphae e fazê-los encontrar-se atrás das nádegas". chegam a medir 11 cm e podem ser enfiados na vag ina.

O estiramento dos lábios ressurgiu recentemente no mundo ocidental. A labioplastia. A vagina é um tubo de cerca de 8-10 cm de c omprimento quando a mulher não está excitada. Com a excitação sexual. não há consen so sobre esse fato. muitas cirurgias genitais são realizadas para reduz ir o tamanho dos pequenos lábios ou restaurar a simetria quando um lábio cresce mais que o outro. ela se expande e chega a 10-15 cm. Vagina. quando os noivos exigiam noivas intocadas. e existem até cu rsos que ensinam essa técnica para aumentar o prazer sexual. como é chamada essa cirurgia. que afirmam que "mulheres perfeitas sempre têm lábia minora simétricos. Antes e depois desse período. Nas virgens. Na idade adulta. Conta-se que mulheres ex perientes conseguiam simular castidade na lua-de-mel inserindo na vagina uma esp onja embebida em sangue de pombo ou escondendo sob o travesseiro um pequeno . A presença desse hímen foi d e grande importância historicamente. o revestimento da vagina é levemente rugoso. Entretanto. Algumas culturas tinham o costume de exibir a mancha de sangue no lençol do casamento como prova da virgindade da noiva. sem muitas dobras ou fissuras e que não se projetam além dos grandes lábios". na primeira vez que o pênis é inserido na vagina o hímen se rompe e há um pequ eno sangramento. a extremidade externa da vagina é protegi da por uma membrana que fecha parcialmente sua entrada. Os cirurgiões plásticos certam ente concordarão com essa opinião. Além disso. e há quem afirme que lábios maiores provocam dor no contato com a roupa. lábios maiores são considerados feios por alguns escritores. entre a pub erdade e a menopausa. o tecido é liso. tem sido a mais procur ada entre as "cirurgia íntimas". Nessa condição. Ge ralmente. suas paredes se tocam.

Na extremidade superior da vagina fica a cérvix uterina. só 50% das mulheres modernas sangram no primei ro intercurso. A região inferior da vagina. Como uma vagina estreita atrai o homem. sua porção interna. em que muitas jovens se dedicam a esportes vigorosos. na sociedade atual. Esse tecido controla o tamanho da abertura vaginal. mais próxima da abertura. uma nova ci rurgia plástica está sendo realizada para recuperar a tensão muscular. esses músculos se enfraquece m e a tensão muscular diminui. que derramavam no lençol no momento oportuno. N o tempos atuais. também ch amada de colo do útero. Em termos evolucionários. É por isso que alguém já disse que. é cercada de tecido musc ular. que já tiveram filhos. Em conseqüência disso. Durante o ato sexual. muitos hímens se rompem antes da primeira penetração. Se sua função é tornar a primeira relação sexual difícil e dolorosa. é menos muscular e se expande com maior facilidade par a acomodar o pênis. Para a formação de um par da espécie isso tem algum se ntido. a forte excitação aumenta as dimensões da vagina. e a primeira relação sexual entre um casal de jovens amantes se tornou um mo mento mais sério e significativo. para não fa lar do uso de tampões e diversos modos de masturbação. a existência do hím en é enigmática. Em mulheres mais velhas. A região superior da vagina. Deflorar uma jovem tornou-se um limite que todo menino tem que ultra passar. que é menor em mulheres jovens. "a virgindade não é mais um atributo físico. permitindo que o pênis alcance sua . mas espiritual". que val pode ter isso para a sobrevivência da espécie? Só parece haver uma única explicação possível: trata-se de um passo evolutivo destinado a colocar um leve freio ao contato sexu al precoce.frasco com sangue de algum animal.

Durante as preliminares. Trata-se de um feixe de 8 mil fibras nervosas. o que leva vários di as. e muitas mulheres que têm dificuldade para chegar ao orgasmo pela est imulação vaginal atingem mais facilmente o clímax com o estimulação oral. digital ou mecânic a do clitóris. Um deles vai se unir ao óvulo para iniciar uma nova vida. Clitóris. São eles: o clitóris. o qu e o torna o ponto mais sensível do corpo feminino. Uma vez por mês. na parte interna. cuja e stimulação durante a relação sexual cria condições para o orgasmo. parcialmente co berto por um capuz protetor. É o mais conhecido dos pontos eróticos. onde o esperma pode ser ejaculado através da cérvix. Sua parte visível é um botão do tamanho de um mamilo. um óvulo amad urece e se torna fértil em sua passagem pelas trompas de Falópio. Dotado de uma função apenas sexual. . um cirurgião australiano descobriu que o clitóris na verd ade é maior do que se julgava. Recentemente. onde encontrarão um óvulo descendo. Embora o ovário contenha literalmente milhares de óvulos. os espermatozóides iniciam sua grande jornada através do útero em direção às trompas de Falóp o. Além da passagem vaginal e dos lábios que a cercam. Localiza-se na parte superior da vulva. descendo ao redor do orifício vaginal. Os dois primeiros situam-se fora da vagina. no ponto onde os pequenos lábios juntam suas extremid ades superiores. o ponto G e o ponto A. o po U. mais grosso e mais erétil) e torna-se ainda mais sensível durante a cópula. A parte visível é simplesmente a ponta. Passando por ela. o clitóris cresce (torna-se mais longo. os outros dois. a mulher não libe ra mais de quatrocentos durante sua vida reprodutiva. São pequenas regiões de alta sensibilidade. sendo que a mai or parte fica sob a superfície. os órgãos genitais também contêm qua tro pontos extremamente excitáveis. geralmente ele é estimulado manualmente.extremidade.

Ele não está presente abaixo da uretra. existem glândulas especializadas. mas não é verdade. Portanto. a parte oculta é vigorosamente massageada co m os movimentos do pênis. As mulheres que experimentam essa ejaculação (cuja quantidad e varia de algumas gotas a algumas colheres de sopa) pensam que o forte exercício muscular as levou a urinar involuntariamente. acredita-se que ela libere apenas urina. Entretanto. Ainda sobre o tem da uretra feminina.Isso significa que. a estimulação direta da ponta do clitóris será sempre impor tante para a excitação da mulher. Na mulher. se essa região for suavemente acariciada com o dedo. como essa parte oculta não tem a mesma sensibilidade. algumas mulheres podem expelir pela uretra um líquido que não é urina. Entretanto. seme lhantes à próstata no homem. entre ela e a vagina. é importante mencionar a "ejaculação feminina". chamadas glândulas de Skene. a língua ou a cabeça do pênis. o que lhes permite uma maior excitação. mas isso só ocorre porque elas não con hecem a própria fisiologia. Ponto U. com uma rotação ritmada da pelve. Quando ocorre um orgasmo extraordinariam ente forte. sempre haveria alguma estimulação clitoridiana. que descobriram que. isso exige um papel mais dominante da mulher. que nem sempre é aceito pelo homem. durante a penetração. Por falar . Trata-se de uma pequena porção de tecido erétil e sensível localizado de cada lado do orifício da uretra. que sob forte excitação produzem um líquido alcalino quimicam ente semelhante ao sêmen. a uretr a libera a urina e o líquido seminal que contém esperma. haverá uma forte e inesperada reação erótica. esse ponto só recentemente foi investigado por pesquisadores clínicos ameri canos. Ao redor da uretra. podem friccionar diretamente o clitóris durante os movimentos de penetração do pênis. Algumas mulheres afirmam que. Menos conhecido que o clitóris. No homem. mesmo quando a ponta não é estimulada diretamente.

que é uma descrição muito mais adequada. que se situa acima da vagina. o uso do termo "ponto G" se tornou popular e gerou alguns mal-ente ndidos. um homem pediu o divórcio porque acreditava que a mulher urinava nele. ele o chamou de "zona erógena". Pesquisas sobre a natureza do orgasmo feminino realizadas na década de 1 940 descobriram que a uretra da mulher. Na zona do ponto G. é realizada pelas próprias paredes da vagina. Com o mencionamos. A lubrificação vagin al. tal sua ignorância sob re a atividade genital feminina. Trata-se de uma pequena área altamente sensível. s e tornou predominante no comportamento sexual humano. na verdade. Ponto G ou ponto Grafenberg. esse tecido co meça a inchar. Recebeu o nome de seu descobridor. Algumas mulheres passaram a acreditar que existe um "botão do . Outras posições sexuais são muit o mais eficientes para estimular essa zona erógena e. já que ela ocorre um pouco tarde demais para ter função lubrificante. também chamada de "papai-e-mamãe". Ele explica que esse efeito se perdeu quando a "posição missionária". talvez mais importante que o clitóris". Convém destacar que o termo "ponto G" nunca foi usado pelo próprio Grafenberg.nisso.) Não se sabe ao certo a razão de ser dessa ejaculação. é cercada po r um tecido erétil semelhante ao do pênis. que rapidamente se cob rem de um muco quando a excitação começa. o ginecologista alemão Ernst Gr afenberg. na sua p arede anterior. essa zona prot uberante "é uma zona erógena. alguns médicos também julgam que a mulher está sofrendo de "incontinência urinária causada por estresse" e indicam um cirurgia para curá-la. Quando a mulher se excita. provocar o orgasmo . Segundo Grafenberg. essa expansão resulta numa pequena protuberância da parede vaginal para dentro do canal vaginal. portanto. localizada de 8 a 11 cm dentro da vagina. Infelizmente. (Recentemente.

Vár ios destacados ginecologistas negaram sua existência quando o assunto começou a ser discutido em congressos. Parece mais um mito que uma realidade cirúrgica. . A idéia é que isso irá aumentar sua sensibilidade e proporcionar melhores orgasmos". Para essas mulheres. é que o ponto G é uma zona sexualmente sensível da parede vaginal. Ponto A.) A estimulação direta desse ponto pode produzir fortes contrações orgásticas. elas chegaram à conclusão de que não existe ponto G. Substâncias semelhantes às que são injetadas nos láb os para aumentar seu volume podem agora ser injetadas no ponto G. Ao cont rário do clitóris. d escrita tecnicamente como "a próstata degenerada da mulher". é o equivalente feminino da próstata. (Em outras palavras. mas no que se refere à busca do prazer sexual. na da é impossível. Mais tarde. quando campanhas contra o machismo rejeitaram de cara a possibilidade de um orgasmo vaginal. zona BFA ou Zona Erógena do Fórnix Anterior. o orgasmo clitoridiano era o único polit icamente correto. entre a cérvix e a bexiga. A questão também entrou no debate político.. Esta é uma zona de tecido sensível situada na extremidade do tubo vaginal. Não se sabe como elas reagiram à recente comercialização de vibradores capazes de atingir o ponto G. provocando forte controvérsia. como já ex plicamos. ele não parece sofrer de supersensibilidade depois do orgasmo. que se to rna levemente protuberante quando as glândulas que circundam a uretra se incham. eles mudaram de opinião. assim como o clitóris é o equivalente feminino do pênis.sexo" que pode ser apertado a qualquer momento para causar uma explosão orgásmica. Eis um relato: "Um dos mais modern os procedimentos é a injeção no ponto G. O que é assustador é que algumas mulheres têm se submet ido a injeções de colágeno para aumentar o ponto G. diante de uma convincente argumentação. A verdade. D ecepcionadas. porém.

se os quatro pontos erógenos forem es timulados um depois do outro.Sua existência foi relatada recentemente. que tem sido incorreta mente descrito. estreito e curvo na parte superior. que é o fórnix. adotando posturas que permitissem maior es timulação dos dois pontos erógenos vaginais. os dois pontos erógeno s localizados dentro da vagina não fazem jus à fama. A razão disso parece ser a monoto nia das posições sexuais. Sua verdadeira localização é acima da cérvix. criando um recesso circular ao seu redor. para elas. A maioria delas descobre que só a estimulação digital ou oral do clitóris pode conduzir ao clímax. porém. mesmo em mulheres que normalmente não são sexualmente receptivas. Estudiosos da fisiologia sexual feminina a legam (talvez com excessivo entusiasmo) que. Houve certa confusão sobre seu posicionamento. Uma pesquisa realizada com 27 casais solicitou que eles va riassem as posições durante a relação sexual. Acrescentam. as mudanças pelas quais os genitais femininos passam durante a excitação sexual podem ser resumidas d a seguinte maneira: . A cérvix é o estreitamento do útero que se projeta ligeiramente para dentro da vag ina. para tocar essa zona. que isso exige um parceiro extremamente sensível e experiente. Hoje é possível adquirir um vibrador especial para a zona EFA — longo. T em sido dito que duas em cada três mulheres não conseguem atingir o orgasmo com a si mples penetração. por um médico malaio em K uala Lumpur. O resultado foi que três quartas partes da mulheres foram capazes de alcançar um orgasmo vaginal. a mulher poderá alcançar muitos orgasmos numa só noite. no ponto mais alto da vagi na. Isso deve significar que. na década de 1990. Finalmente. A pressão sobre esse ponto produz uma rápida lubrifi cação da vagina. A parte frontal desse recesso é chamada fórnix anterior.

O clitóris está plenamente ereto. Fase 2: aceitação plena A lubrificação ce ssa. Os dois terços superiores da vagina agora estão totalmente expandidos. Os grandes lábios começam a se separar. Os grandes lábios se separam a ponto de deixar a vagina mais visível. O tamanho da entrada da vagina diminuí 30% devido ao intumescimento das paredes vaginais.Fase 1: início da excitação sexual No primeiro minuto. O clitóris começa a aumentar de tamanho. Os pequenos lábios começam a se in tumescer. As pared es do terço inferior da vagina intumescem em decorrência da congestão dos vasos sangüíneos . a lubrificação vaginal começa. Os pequenos lábios mudam de cor . Os doi s terços superiores do tubo vaginal começam a se expandir. A cérvix e o útero são empurrad os para cima. passando de rosados a vermelhos. Fase 3: clímax or gástico . Os p equenos lábios estão no mínimo duas vezes mais espessos.

As contrações musculares ocorrem cm toda a região pélvica (e além dela). e que. os homens tenham se tornado ineptos pura excitar totalmente suas parc eiras. segundo a mesma pesquisa. Números como esses foram usados no passado para tentar provar que as mulheres são bi ologicamente menos orgásticas que os homens. O número de cont rações por orgasmo varia de três a quinze. ocorrem a cada 8/10 de segundo. . mas na técnica sexual dos parceiros. a va gina e o útero voltam ao normal. é que homens e mulh eres tenham o mesmo potencial orgástico. 25% das mulheres sempre atingem o orgasmo quando fazem s exo. e 5% nunca conseguem. vagina apresenta contrações As primeiras contrações. Uma mulher pode atingir o orgasmo em 5 minutos. Pode ocorrer a ejaculação de um líquido (que não é urina). é de cerca de 20 minutos. o clitóris. mas o tempo médio. devido a pressões culturais c tradições puritanas. 50% geralmente conseguem.O terço exterior da musculares ritmadas. Algumas mulheres conseguem desfrutar de orgasmos múltiplos em rápida sucessão. porém. Depois do orgasmo. mais fortes. 12.5% raramente conseguem. os lábios. com base num escudo de 20 mil orgasmos. De acordo com uma pesquisa realizada em 2003 na Inglaterra. enquanto outras têm um primeiro clímax tão intenso que não sent m necessidade de repeti-lo por algum tempo. O fato de. O mais provável. 60% das mulheres terem mencionado qu e também alcançam o orgasmo através da masturbação indica que a incapacidade não está no impu so sexual.

ne urose e câncer vaginal. esse é um caso isolado. A remoção dos genit ais externos evita muitos "problemas femininos". Na tentativa de satisfazer as nec essidades sexuais da mulher. um médico do Texas tenha defendido a remoção do clitóris para curar a frigidez. Essa mutilação tem sido rara no Ocidente. Se o bebê tocar o clitóris da mãe quand o está nascendo. cm 1937. do Oriente Médio e da Ásia. os grandes lábios e o clitóris são corta dos. deixando apenas uma minúscula abertura para a passagem da urina e do fluxo menstrual. Naturalmente. Durante milhares de anos. a circuncisão feminina ainda é praticada em mais de vinte países. embora recentemente. pode-se imaginar que uma espécie inteligente como a nossa os trataria com c arinho.Considerando a grande delicadeza. reduzindo o prazer sex ual da mulher. O leite da mãe que tem clitóris pode estar envenenado. A forma mais comum de agressão é a circuncisão . mas em algumas regiões da África. entre eles nervosismo. T er genitais externos faz a mulher cheirar mal. eles sofrido uma quantidade anormal de dor. Muitas ju stificativas são apresentadas para a operação. feiúra. e a entrada da vagina é suturada. Se o pênis toca o clitóris. os genitais femininos têm sido vítimas de uma surpreendente variedade de mutilações e restrições. longe de ser um costume esquecido. Como a operação é realizada? Na maioria dos casos. Infelizmente. pode morrer. nem sempre isso acontece. em mui tas diferentes culturas. . o homem tem mais facilidade de subordiná-la a seus padrões machistas. o homem pode se contaminar. muitos maridos usam drogas ilegais. a circuncisão tem sido uma prática comum há séculos. complexidade e sensibilidade dos genitais femi ninos. Na América. pode ficar impotente ou até morrer. O mais assustador é que. a verdadeira razão é que. Para órgãos que são capazes de dar muito prazer.

m as escondidas.5 mi . Costa do Marfim. 4. Todos os anos. Gâmbia. circuncisão faraônica. e 50% em Benin. Além disso. 7 milhões. 33 milhões. quando elas se casam. não há condições de assepsia e as mortes são freqüentes.Depois.) Essa forma extrema de mutilação genital chama-se infibulação e. (Como se isso não f osse suficiente. exige apenas o corte da ponta do clitóris e/ou do capuz clitoridiano. 24 milhões. facas ou tesouras). Quênia. se o marido sair numa longa viagem. Gui né- . as costuras podem ser refei tas. Se o clitóris sai para fora e as excita sexualmente ao roçar contra a roupa. Eritréia e Serra Leoa. as jovens tem que passar pelo sofrimento d e ter seu orifício artificialmente reduzido rompido pelo marido. 24 milhões. a essa brutal operação. Uma forma um pouco menos monstruosa envolve apenas a remoção do clitóris e do s lábios. as pernas da jovem são atadas para garantir a cicatrização e a permanência da op eração. às vezes chamada de circuncisão sunita (porque al ega-se que ela teria sido recomendada pelo profeta Maomé). A escala em que essa infâmia é praticada contra as mu lheres é enorme. República Centro-Africana. Etiópia. às vezes. Egito. E uma forma mais moderada. país por país: Nigéria. 90% das meninas que vivem em Djibuti. Eis alguns números. 10 milhões. Burkina Fasso. e a vida sem ela não teria sentido". a os gritos e sem anestesia. E ainda há quem defenda a operação: "A circuncisão feminina é sagrada. Chade. Calcula-se que existam hoje mais de 100 milhões de mulheres vivas q ue foram submetidas a essa mutilação. Os instrumentos utilizados são tosc os (navalhas. Mais tarde. Somália. A natureza anti-sexual dessas operações ficou clara na opinião de um "especialista": "Primeiro eu as examino intimamente. Sudão. então é a hora de cortá-lo". nada menos de 2 milhões de meninas são submetidas.

Iêmen e Emirados Árabes Unidos. afirmando qu e ela merece morrer e referindo-se à operação como uma "prática louvável que respeita as m ulheres". diplomatas e políticos das Nações Uni as e de outras organizações importantes se escondem por trás de justificativas conveni entes como "mostrar respeito às tradições locais". ela se disseminou pel o Oriente Médio. ordenou a pena de morte de. onde é comum nas populações muçulmanas da Malásia e da Indonésia. no . Mali e Togo tiveram os genitais mutilados. onde é praticada em Bahreim. esse homem. Não admira que eles próprios mereçam tão p uco respeito. Mesmo em países on ela foi oficialmente proibida. o xeque Al Azhar. E exigiram qu e seus governos imponham uma multa de US$ 1 milhão a quem ousar discutir a questão n a imprensa local. a lei foi revogada em 1997 por um fundamentalista muçulmano que impetrou uma ação contra o governo e ganhou. Como apenas 15% da população do mundo são muçulmanos. Oman. os mutiladores (que ganham muito dinheiro realizando a operação) se uniram e formaram uma sociedade para se proteger. onde 3 mil meninas são circuncidadas todos os dias. e pe la Ásia. a prática sobrevive. Devido às recentes condenações públicas. Insistem em que a circuncisão das jovens é "uma maneira simples de reduzir a promis cuidade sexual que causaria discórdia no lar entre marido e mulher". No Egito. Libéria. No Egito. Nem é preciso dizer que as autoridades médicas estão advogando em ca usa própria. um líder muçu lmano publicou uma fatwa contra qualquer pessoa que se oponha à operação. Diante dessa situação. e quase todos os que não p ertencem ao Islã (para não mencionar muitos islamitas) se recusam a tolerar a prática. onde foi proibida (e m vão). E mbora a África pareça ser a fonte original desse tipo de operação. E a lista não pára por aí.Bissau.

Os principais piercings ge nitais são os seguintes: Piercing vertical no capuz clitoridiano. seu objetivo de clarado é "decorar. q ue se situa bem acima do clitóris. é vol untária e realizada apenas por mulheres adultas. e a autenticidade da aleg mé — "É permitido [mas] se cortar. foi ameaçada: "Cortarei sua língua e a língua d e toda a sua ascendência". É o mais popular. Esse religioso não tem a menor autoridade para fazer essa declaração. mas para uma minoria trata-se d e uma nova moda na longa história da ornamentação corporal. Ela é bem dife rente da mutilação genital que tem sido chamada de circuncisão feminina. e não destruí-los. não exagere" — tem sido contestada por muitos estudioso s do islamismo. ela seria mais bonita. E. Portanto. 85% da raça humana. Consiste numa pequena barra fina inserida verticalmente no capuz clitoridiano. a tacha inferior fica em contato com o clitóris e pode estimulá-lo durante certos . numa explosão grotesca. Primeiro. Os seguidores do xeque apóiam sua postura violenta. É difícil entender por que razão alguém quer ter uma barra ou uma argo la de metal inserida em partes sensíveis da vulva. ele ainda lhe disse que. com uma tacha esférica presa a cada extremidade. se se u clitóris tivesse sido removido. Quando uma repór ter egípcia lhe fez perguntas embaraçosas. Em segundo lugar. convém uma breve menção à recente moda dos piercings genitais.mínimo. já que não há menção à circuncisão feminina no Alcorão. (Uma das alegações espúrias em favor da circuncisão feminina é a de que ela "deixa o rosto da mulher mais bonito".) Finalmente. estimular e provocar o interesse sexual nos genitais femininos ".

é lamentável numa época em qu e tanto esforço está sendo feito para desestimular a circuncisão forçada de milhões de men inas. Mais uma vez. Entretanto. Os pequenos lábios são perfurados com um par de barras ou de argolas de cada lado do clitóris ou da abertura da vagina. O clitóris é muito sensível e. pode ter a forma de barra ou de argola. Enquanto o vertical pode estimula r a parte anterior do clitóris. na maioria dos casos. Se algumas mulheres modernas são capazes de deixar que seus genitais sejam d olorosamente perfurados apenas para obedecer a um capricho da moda. pequ eno demais para ser perfurado. Piercing clitoridiano. Trata-se de um piercing hori zontal colocado na base do capuz clitoridiano.movimentos. Piercing horizontal no capuz clitoridiano. . o triangular estimula a parte posterior. enquanto a outra tem a finalidad e de destruí-lo. fica muito m ais difícil queixar-se de outras graves mutilações. Também pode ser uma simples argola de metal inserida verticalmente no capuz. por motivos óbvios. É extremam ente raro. o capuz é atravessad o de um lado a outro. Piercing labial. em um caso . a agressão é feita para aumentar o prazer sexual. não se poder esquecer que. Nesse caso. Embora o fascínio por essa mutilação decorat iva dos genitais seja provavelmente uma moda passageira. embora as duas mutilações representem uma agressão cirúrgica à sensível vulva. O ef eito parece mais decorativo e menos estimulante. Piercing triangular.

esses são exemplos isolados. são mais beliscadas e estapeadas do que acar iciadas. traseiro. de maneira um tanto ambígua. O cineasta italiano Federico Fellini comento u. Elas fazem rir ou são objeto de piadas sujas. Essa atitude negat iva persiste apesar de as nádegas serem um atributo exclusivamente humano. Entretanto. Assento. poupança. sem falar em várias outras denominações pejorativas rece bidas em outras línguas ao longo dos séculos. popa. que "a bunda é a face da alma do sexo". também de forma equívoca. que oferece "um amortecedor de delícias". Mesmo quando são consideradas uma zona erótica. existe se mpre uma conotação ridícula ou obscena. Em O amante de Lady Chatterley. Uma busca cuidadosa na literatura se faz necessária para encontrar palavr as de elogio a essa parte da anatomia feminina.21. e Rimbaud as admira como "dois arcos salientes". de vido à sua proximidade com os genitais. padaria. Lawrence faz uma referência lírica à "indolente e redonda calmaria das nádegas". H. tralalá são alguns dos nomes pelos quais ela s têm sido chamadas em português. O artista espanhol Salvador Dali foi mais longe ao insistir que "é através da bunda que os maiores mistérios da vida p odem ser entendidos". Nádegas As nádegas têm sido injustamente a parte do corpo feminina mais desconsiderada. rabo. D. bunda. Elas fo ram adquiridas quando nossos ancestrais . Autores mais recentes têm declarado. rabisteco. Mas seja qual for a denominação. enquanto Byron admite que o tras eiro da mulher é "uma coisa estranha e bela de se olhar". bozó. que "a mulher bunduda é um épico molecular de feminilidade" — uma frase que parece ter perdido algo na tradução. e muito mais comuns são os comentários que tratam as nádegas como algo cômico ou vulgar. holofote.

exi stem associações excretórias e sexuais. emoldurados pelas curvas fêmeas das nádegas. Além disso. Durante uma violenta discussão c om uma vizinha. Portanto. As nádegas não são sozinhas. através do qual passam. Recentemente. ela foi presa. todos os nossos resíduos sólidos e — ainda mais notória — uma ocasional emissão de gases. Fez isso porque chegou à conclusão de que "o gesto era com certeza um comportamento insultuoso e punível como tal.deram um passo gigantesco e se puseram de pé sobre as pernas traseiras. Como havia crianças pr esentes. insultos e até um processo judicial. e são esses músculos que nos dão o par de hemisférios que hoje são tão injustamente ridicul arizados. dia após dia. Os fortes músculos glúteos se expandiram. na Suíça. Na sociedade moderna. a Suprema Corte anulou a conden ação e até liberou a ré do pagamento de custas. se ela tivesse se . porque não envolveu nenhum órgão de procriação". mas não podia ser considerado indecente. Entre elas fica o ân us. Depois das devidas deliberações. exibir o traseiro nu em público provoca reações variadas. Portanto. Provavelmente . a exposição das nádegas é interpretada como um insulto grosseiro — um ato simbólico de defecar sobre o inimigo — ou uma grande obs cenidade — uma desavergonhada exibição dos órgãos sexuais. os genitais ficam à vista. acusada de atentado ao pudor e condenada pelo tribunal d e primeira instância. a Suprema Corte debateu se uma determinada exibição de nádegas era "ofensiva" ou "indecente". permitindo ao corpo manter-se permanentemente ereto. uma mulher suíça tinha "exposto o traseiro nu". quando nos curvamos para a frente. É fácil ver como isso aconteceu. que vão do riso constrangido a queixas. Dessa sutil dist inção dependia uma decisão que podia significar condenação.

Segundo os gregos. Afrodite Calipígia — literalmente. Os primitivos . Os dois hemisférios humanos eram tão diferen tes dos dois pedaços de carne dura (as calosidades dos ísquios) do macaco. Para entender do que se trata. A exposição das nádegas se torna abusiv a quando acompanhada de frases como "Beije o meu rabo". Essa reações extremas à exposição das nádegas hoje são raras no Ocidente. Eram tão veneradas que um templo foi erguido em sua honra — fazendo das nádegas a única parte do corpo humano objeto de culto. Aí é um insulto. precisamos voltar à Grécia clássica. Com o forma de protesto. a curvilínea deusa da amor. "que tem belas nádegas" —.curvado para a frente ao fazer seu gesto de desafio. em parte devido à sua agradável curvatura. Mas não é só isso. a condenação teria sido mantida . então os monstros das trevas não deviam ter essa car acterística anatômica. assim como o s estudantes de universidades que exibem as nádegas nas janelas dos dormitórios. Foi assim que o Demônio ganhou a reputação de ser "desbundado". as nádegas eram uma parte bel a da anatomia. Pessoas que se ex m dessa maneira em eventos esportivos geralmente só provocam risadas. t inha nas nádegas a parte esteticamente mais agradável de toda a sua anatomia. que os gr egos consideravam as nádegas um sinal da suprema condição humana. porque propõe uma subordinação humilhante. A atua! visão das nádegas como moti vo de chacota não era a dos antigos gregos. ambos estão envolvidos numa antiqüíssima prática de ocultismo. Se as nádegas arredondadas eram a marca que disti nguia o ser humano dos animais. Essa visão primitiva das nádegas como peculiaridade humana deu origem a outra crença. Para eles. Embora nem quem insulta nem quem é insultad o percebam. a nudez não é mais o que era. mas também por seu contraste com o traseiro dos macacos e chimpanzés.

europeus estavam convencidos de que, embora pudesse assumir a forma humana, o De mônio nunca conseguia simular as nádegas arredondadas, que estariam além de seus poder es diabólicos. Acreditavam que essa impotência era fonte de grande angústia para o Demôn io, e uma grande oportunidade de atormentá-lo. Para aumentar sua inveja, bastava m ostrar a ele as nádegas nuas. Como essa súbita exposição lhe lembrava sua deficiência, ele se via obrigado a olhar para longe, desviando o olhar maléfico. Isso protegia o h umanos do temido "Olho do Demônio" e tornou-se um gesto muito utilizado para afast ar as forças do mal. Usada dessa forma, a exposição das nádegas não era considerada vulgar nem indecente. Nos fortes e nas igrejas, esculturas de mulheres exibiam suas náde gas arredondadas para afastar os maus espíritos, já que as nádegas estavam sempre volt adas para fora da porta principal. Na Alemanha, se havia uma tempestade terrível d urante a noite, as mulheres exibiam as nádegas na porta das casas na esperança de re chaçar os poderes malignos e evitar que a tempestade causasse mortes. Provavelment e, foi assim que a exposição das nádegas começou, e hoje os que a expõem praticam a antiga tradição cristã sem o saber. Com o Demônio fora de moda como grande inimigo, a exibição é vi ta hoje como um gesto grosseiro. De um gesto de desafio religioso, tornou-se um gesto obsceno. Mas como isso pode explicar as frases grosseiras que acompanham o gesto? Para entendê-las, é preciso observar as primitivas representações do Demônio. Se e le não tem nádegas, o que tem então nos quartos traseiros? A resposta é: no lugar onde d eviam estar as nádegas ele tem outra face. E essa segunda face é que supostamente er a beijada pelas bruxas no ritual do sabá. Acusadas do ato vil

de beijar o traseiro do Demônio, elas se defendiam dizendo que beijavam a boca de sua segunda face. Tudo isso, naturalmente, é fruto da fértil imaginação medieval, o que não vem ao caso. A verdade é que lendas e crenças transmitidas de geração a geração deixam cl ro que "beijar o traseiro" era o gesto de um seguidor de Satã e, como tal, um ato abominável. Quando as superstições desapareceram, essas ligações se perderam, mas, como qu ase sempre acontece, a frase popular sobreviveu e foi incorporada ao insulto mod erno. Até aqui, a exposição das nádegas foi analisada unicamente como um ato hostil, mas a questão tem outro lado. Em contextos totalmente diferentes, a exibição das nádegas te m forte apelo sexual. As fêmeas de muitas espécies de macacos têm o traseiro colorido. Quando se aproxima a época da ovulação, ele vai se tornando mais evidente e inchado, mas depois volta ao estado normal. Isso significa que, com um olhar, o macho pod e saber se a fêmea está sexualmente ativa. O acasalamento geralmente só ocorre quando o traseiro da fêmea atinge seu ponto mais protuberante. Com a mulher é diferente. Se u traseiro não aumenta ou diminui com o ciclo menstrual. Ele se mantém protuberante o tempo todo, assim como sua sexualidade permanece alta. A fêmea humana expandiu s ua sensualidade a ponto de estar sempre potencialmente receptiva ao macho. Ela s e envolve numa relação sexual mesmo quando não pode conceber, porque a função do acasalame nto humano não é apenas a procriação. Como um sistema compensatório, ele ajuda a fortalece r os laços emocionais entre homem e mulher, mantendo a unidade familiar. Para os h umanos, a cópula é literalmente fazer amor, e é importante que o corpo da mulher seja capaz de transmitir sinais eróticos o tempo todo.

Pode-se argumentar que, se os músculos glúteos se destinam a manter a postura ereta, a mulher não poderia deixar de ter as nádegas permanentemente empinadas. Mas as nádeg as femininas são mais do que simples mecanismos para manter a postura ereta. Em re lação ao tamanho do corpo, são maiores que as dos homens, não porque sejam mais musculos as, mas porque têm maior quantidade de tecido gorduroso. Essa gordura extra tem si do considerada um estoque de alimento para as emergências — quase como a corcova do camelo. Verdade ou não, o simples fato de essa gordura extra nas nádegas ser um atri buto do sexo feminino faz delas um sinal sexual. Esse sinal é acentuado por dois o utros atributos femininos: a capacidade de rotação da pelve e a ondulação dos quadris ao caminhar. Como já dissemos, a mulher comum (que não deve ser confundida com a atlet a cujo corpo se masculinizou com o treinamento) tem as costas mais arqueadas que o homem. Em posição normal de repouso, o traseiro se projeta mais para fora que o d o homem, não importa seu tamanho. Quando ela caminha, a estrutura óssea das pernas e dos quadris provoca uma ondulação maior da região glútea. Em curtas palavras: ela rebol a ao andar. Quando esses três atributos — mais gordura, maior protrusão e mais ondulação — s e combinam, o resultado é um forte apelo erótico. Não é que a mulher empurre deliberadam ente o traseiro para trás e conscientemente rebole para chamar a atenção dos homens, m as isso ocorre devido à conformação do seu corpo. É claro que ela pode exagerar esses at ributos naturais e correr o risco de se transformar numa caricatura. (Recentemen te, um espectador atento relatou que, durante um show, a cantora Kylie Minogue r ebolou os quadris 251 vezes.) Mas mesmo que a mulher não faça nada, sua anatomia est ará sempre transmitindo os sinais característicos do seu sexo.

Hoje já não se vêem tantos quadris protuberantes e ondulantes como antes. Parece que a s mulheres de hoje não são tão avantajadas quanto nossas ancestrais. Naturalmente, não s e pode ter uma prova disso pelos esqueletos, mas, quando observamos pinturas e e sculturas da Idade da Pedra, vemos imensas nádegas por toda parte. Mesmo depois da Idade da Pedra elas persistem na arte pré-histórica de muitas culturas, mas depois começam a desaparecer até atingir as proporções atuais, que, embora ainda sejam bem maio res que as dos homens, são consideravelmente menores. Esses fartos traseiros primi tivos deram lugar a muita especulação. Uma hipótese é a seguinte. Nossos ancestrais copu lavam por trás, como outros primatas, de modo que os sinais sexuais pré-humanos da fêm ea vinham do traseiro. Quando evoluímos para a postura ereta e os músculos traseiros formaram as nádegas, a forma arredondada se tornou o novo sinal sexual. As mulher es que tinham grandes traseiros enviavam fortes sinais sexuais, e com isso as náde gas foram crescendo. As mais sensuais tinham a vantagem de enviar supersinais co m suas supernádegas, mas elas ficaram tão grandes que começaram a atrapalhar o ato sex ual. Então os homens resolveram o problema adotando a cópula frontal. Em razão desse a casalamento frontal, os seios cresceram para imitar os grandes hemisférios posteri ores. A partir de então esses superseios também eram capazes de enviar fortes sinais sexuais, dividindo o fardo, por assim dizer, com as nádegas, que agora podiam com eçar a diminuir de tamanho. Essa última versão da fêmea humana, mais equilibrada e mais ág il, tinha uma considerável vantagem sobre o modelo antigo, que foi sendo gradualme nte substituído. Se essa especulação estiver correta, teremos que encontrar vestígios de sua evidência. Esses vestígios podem ser encontrados hoje nos desertos do sudoeste da

África, onde as mulheres do povo san ainda exibem as imensas nádegas das figuras da Idade da Pedra. Em algumas mulheres, as dimensões do traseiro atingem proporções assus tadoras e nos mostram como deviam ser todas as nossas ancestrais há muitos milhare s de anos. Há quem diga que comparar européias da Idade da Pedra — prováveis modelos das figuras rupestres — com mulheres que vivem atualmente no sul da África é absurdo, mas essa objeção ignora a verdadeira história do povo san. Esse povo não vive hoje no deser to porque esse seja seu ambiente favorito. Esse foi o último canto da Terra onde e les puderam se manter unidos, já que são um ramo da família humana em extinção. Seus ances trais dominavam grandes extensões da África e deixaram belas pinturas rupestres como prova disso. Mas eles representavam a Idade da Pedra Lascada, período em que a caça e a coleta eram os meios de vida. Com a chegada dos povos da Idade da Pedra Pol ida — os primeiros fazendeiros —, eles foram sendo expulsos de quase todos os seus t erritórios, e hoje são cerca de 50 mil indivíduos, quase insuficientes para povoar uma pequena cidade. No passado, porém, foram um dos povos dominantes da nossa espécie, e não há razão para supor que suas imensas nádegas (uma condição que se denomina "esteatopig ia") fossem uma raridade. É mais que provável que, na Idade da Pedra, elas fossem um atributo feminino comum, e que os artistas rupestres tenham se inspirado em mul heres reais, e não em figuras de suas fantasias eróticas. Quando as mulheres mais ágei s e magras dominaram a cena, a velha imagem de grandes glúteos não desapareceu compl etamente do inconsciente humano. Ela ainda ressurge de tempos em tempos de manei ras inesperadas. Muitas roupas exageram o tamanho das nádegas. Mesmo na época vitori ana, o olhar do homem pôde apreciar uma nova forma artificial de esteatopigia com a introdução das anquinhas. Arames, enchimentos e cor-

dões entraram em cena para reproduzir a perdida adiposidade da região glútea. As elega ntes que usavam suas anquinhas nas reuniões da sociedade vitoriana com certeza fic ariam horrorizadas com essa interpretação, mas hoje a comparação é inevitável. No século XVII o principal artifício para exagerar o traseiro feminino eram os sapatos de salto alto. Esse tipo de calçado distorcia o andar da mulher de tal maneira que as nádegas eram empurradas para cima e para fora e obrigadas a ondular mais ainda. Mesmo s em indevidos exageros, as nádegas continuam a ser um foco erótico no corpo da mulher moderna. Longos vestidos que escondem as pernas em geral são cortados de maneira a exibir o contorno das costas e delinear os movimentos. Peças como as minissaias dos anos 1960 exibiam o traseiro, e calças justas, embora escondam a carne, não deix am dúvida quanto à forma exata dos hemisférios posteriores. No início da década de 1980, a moda criou uma linha de calças jeans bem apertadas, deliberadamente desenhadas pa ra exibir essa região do corpo como um símbolo sexual da mulher recém-liberada. O auto r de um livro chamado Rear View (Visão traseira), publicado na época e exclusivament e dedicado ao impacto erótico das nádegas femininas, saudou a nova era com as seguin tes palavras: "A Butt Blitz (Investida das Bundas) começou em 1979 quando uma de s uas porta-vozes enfiou sua vibrante, giratória e bem-cortada derrière na cara assust ada do público de uma rede de televisão. [...] Foi o início de um fenômeno cultural conh ecido como jeans de marca". Em poucos anos, os jeans de marca competiam com as c alças mais largas, e os dois estilos conseguiram conviver durante um certo tempo. À medida que as calças compridas passaram a dominar a moda feminina e as saias caíram na preferência das mulheres mais jovens, as velhas e malcortadas calças jeans no est ilo trabalhador

foi inventada até um a nova palavra para descrever a mulher que possui um traseiro farto: "poposuda". Começou na década de . O termo "booty" era um novo e ufemismo para "buttocks" (nádegas). as nádegas femininas estavam numa fase de grande valorização. À medida que o século XX se aproximav a do fim. um concurso que elege "O Traseiro do Ano" se tornou muit o popular. que delineavam e Uma forma extrema dessa tendência surgiu em 1992. No Brasil. Na Inglaterra. junto com seu adjetivo "bootylicious". e o cenário musical brasileiro assistiu a um culto por dançarinas poposudas. definido como "sexualmente atraente. quando os jornai s da Europa e da América anunciaram que ela havia segurado seu admirado traseiro p or US$ 1 bilhão. Embora ela tenha publicado um desmentido. Um comentar ista chegou a dizer que "as nádegas eram os novos seios". quando uma jovem estilista ingle sa lançou um modelo que tinha a cintura tão baixa que deixava ver o sulco entre as nád egas. Originalmente restrito à gíria dos negros american os. o fato de que tal notícia possa ter sido inventada e chegado às manchetes é um sinal do grande interesse por essa parte da anatomia feminina no fim do século XX. dotadas de um traseiro diminuto perto do dessas mulheres. torn ou-se popular um estilo de música chamado booty rap. Embora nem todos no mundo da moda tenham aprovado o novo modelo. cada vez mais pessoas prestavam atenção a essa parte do corpo. saíram de moda. o termo foi dicionarizado pela primeira vez em 2002.foram substituídas por modelos glamorizavam a região glútea. A atriz e cantora Jennifer Lopez chamou a atenção cm 1999. em especial com nádegas volup tuosas". Nos Estados Unidos. As mod elos esqueléticas.

anal isamos os aspectos ofensivos e sexuais das nádegas. onde calcula-se que existam no mínimo 1. mas o traseiro feminino se recusa a desaparece r do inconsciente masculino. uma imagem humana primitiva pode estar em ação. De fato. mas não há dúvida de que o mundo da moda e da cultura pop ular esté sempre voltando à região glútea como foco de erotismo. ela se parece muito pouco com o verdadeiro coração e tem uma estranha semelhança com as nádegas femininas vi stas por trás. Um dos maiores centros desse tipo de cirurgia é o Brasil. esse tipo de cirurgia é tão comum no país que. Já se disse que o símbolo universal do amor. mas existe uma terceira maneir a pela qual essa parte do corpo pode ser exposta.1980. Aparent emente. mas agora os cirurgiões plásticos relatam uma enorme procura por nádegas mais volu ptuosas. mas o alto custo parece não ser um obstáculo. Essa cirurgia custa cerca de US$ 10 mil. pode encontrar folhetos de propaganda de clínicas de cirurgia plástica ao lado do inevitável exemplar da Bíblia. Além do aumento da s nádegas. na realidade se baseia nas nádegas. as mulheres também querem tê-las mais firmes. que é a da . É difícil dizer quanto tempo vai durar essa moda de nádegas firmes e generosas. Há muito nossa espécie aban donou a locomoção sobre quatro patas. mas ganhou maior publicidade com a chegada do novo milênio.600 cirurgiões plásticos em atividade. para criar uma aparência mais j ovem e mais voluptuosa. Novamente. Até aqui. Enchimentos e peças elásticas destinadas a levantar as nádegas já vinham sendo usad os. quando alguém se hospeda num hote l no Rio. a forma es tilizada do coração. cresce a demanda por produtos e procedimentos cosméticos destinados às náde gas. tanto através de injeções de gordura quanto de implantes. Dos dois lados d o Atlântico.

A exposição das nádegas numa humilhante postura curvada teve um papel duradou ro como gesto de submissão. Como demonstração de submissão. é feita dand o as costas para a pessoa homenageada. Os indivíduos dominantes raramente atacam esse s subordinados: ou o ignoram ou o montam brevemente. Por favor. mostre-me sua superioridade monta ndo-me em vez de me atacar". para certos humanos dominadores. Parece tanto o gesto de submissão dos prima tas que é difícil não relacioná-los. o gesto é importante. como entre pais e uma criança muito pequena. Devido às suas implicações sexuais. Fora do âm bito de um casal de amantes. a livraria do ataque. o gesto pode ser mal interpretado. e então. O tapa no traseiro restring e-se portanto a certos contextos. com alguns movimentos pélvico s. praticada como uma cerimônia de agradecimento. a postura humilhante não é suf iciente. Entre amig os numa reunião social. uma palmada no traseiro só pode ser usada com segurança como sinal de amizade quando não existe perigo de envolvimento sexual. Em ambos . o contato com as nádegas é proibido. se ela fosse um macaco. é injustamente espancada com a mão. A vítima deve primeiro curvar-se para a frente na postura submissa dos primatas. e o tapinha nas costas é preferível. Nesse aspecto. com uma cinta ou u ma vara. aquele que expõe as nádegas está dizendo: "Eu me ofereço no papel passivo feminino. a não ser que exista uma intenção sexual oculta. não há diferença entre o ser humano submisso e o macaco submisso. Parece que.submissão. a curvatura. Uma forma mais comum de exposição das nádegas é aquela e ue a criança é espancada como castigo. Os macacos submissos de qualquer sexo mostram o tra seiro ao superior de qualquer sexo. porque permite ao fraco subordi nado permanecer perto do poderoso dominante sem ser atacado. ou entre esportistas durante uma competição acirrada. Em ambos os casos. uma vez nessa posição que. Em algumas sociedad es tribais.

como mostram os filmes. É essa ligação sexu al que causa uma reação ultrajada diante de um gesto que outrora foi um costume dos italianos: beliscar as nádegas da mulher em público. quando estranhos podiam se abraçar enquanto dançavam. os pensamentos sexuais são tão remotos que não há possibilidade de um mal-ente ndido. um tapinh a no traseiro é comum. levemente irritada ou ofendida. Qualquer mulher atraente que ca minhasse por uma cidade italiana corria o risco de ter as nádegas beliscadas por u m admirador desconhecido. Entre amantes. De acordo com sua educação. É durante essa fase de contato físico que a forma arredondada das nádega s se liga intimamente.os casos. Nos estágios avançados do ato sexual. As mãos que a braçam as costas facilmente passam às nádegas à medida que a excitação cresce. Vivace: um beliscão mais vigoroso. Nos bailes de antigamente. o cavalheiro pod ia explorar a situação deixando a mão descer pelas costas da dama em direção às nádegas. os tapinhas muitas vezes são substituídos pelo gesto de agarrar as nádegas para acompanhar as vigorosas estoca das da pelve. Recomendado para iniciantes. a fortes emoções sexuais. executado com vários dedos e várias vezes em rápida sucessão. Por outro lado. O autor de uma obra satírica intitulada Como ser italiano relata os três beliscões fundamentais: Pizzicato: um rápido beliscão executado com o polegar e o dedo médio. é o atrevido ver sua mão rapidamente de volvida à posição original. parentes idosos ou "amigos da família" que exploram a difer ença de idade batendo nas nádegas de adolescentes e desfrutando o contato sexual dis farçado em castigo parental podem criar muitos problemas. E um acompanhamento freqüente dos beijos e abraços. ela podia se sentir orgulhosa. . na mente dos amantes. A co tinuação dessa estratégia.

e uma ocasião chegaram a revida r. Uma pesquisa com 5 mil donas-decasa do Brasil revelou que 40% dos cas ais que viviam no campo e 50% dos que viviam nas cidades "consideravam o coito a nal uma parte normal da sexualidade". Funcionalmente. Nádegas tatuadas não são comuns. o sexo anal não é . procurando nas ruas nádegas masculinas que pudessem ser beliscadas.] de um certo povo que. Finalmente. na qual ele mostra uma nativa de aparência infeliz c om jóias penduradas nas nádegas. lembro-me [. e a evolução não o preparou para receber a penetração. onde eram penduradas pedras preciosas. e portanto pode ser fonte de prazer. num gesto absurdo de coragem. ele é uma saída. Como área des tinada à decoração. Calcula-se que cerca de 50% das mulheres ocidentais tenham experimentado o sexo anal em alg um período de sua vida. Encontramos o único exemp lo de nádegas ornamentadas numa obra de John Bulwer escrita no século XVII.. a porcentagem de adeptos é mu ito maior. já que destinadas ao ato de sen tar. Em algumas partes do mundo. Do ponto de vista biológ ico. O que se revelava u ma moda inconveniente e desconfortável. exceto entre os fanáticos. As feministas não acham a menor graça nisso. as nádegas não têm grande utilidade. existe a questão do uso do ânus feminino como orifício sexual. o ânus é rico em terminações nervo sas. e não uma entrada. f azia furos nas nádegas. Anatomicamente. Apenas 10% o julgaram bastante satisfatório para ser adotado como atividade regular.. adequado no caso de "cintas resi stentes". e muito prejudicial a uma vida sedentária". porém. Man Tran sformed (Homem transformado). Bulwer comenta: "Entre outras asquerosas invenções de a lgumas nações.Sostenuto: um beliscão bem apertado e prolongado. São muito íntimas para exibir obras arte e muito inadequadas para carregar ornamentos.

O sexo anal lhes ofer ece uma solução para o problema. no curso da história. . mas sentem-se inibidos pelo sangramento. e não conta com a ajuda da hibrificação automática de glândulas e specializadas ou das outras mudanças que facilitam a penetração vaginal. Sempre que um casal aparece fazendo sexo. ignorância ou convicções religiosas —. antes que existissem preserv ativos. Apesar disso. principalm ente na América Latina. Isso está explicitamente demonstrado na cerâmica pré-colombiana do P eru. Como a mulher continua s exualmente receptiva quando está menstruada. a penetração vaginal só é mo strada se não existe um bebê dormindo ao lado deles. em partes da África e no Oriente. r dos riscos para a saúde. Uma segunda razão é que ela permite aos jovens casais se entregarem ao s exo antes do casamento sem que a mulher perca a virgindade. é provável que. de contro le da natalidade. o ânus tem sido coagido a desempenhar o papel de uma vagina s imbólica. a penetração anal seja utilizada como forma de controle da natalidade. nas quais a exibição dos lençóis manchados de s angue depois da noite de núpcias ainda é exigida como prova da virgindade da noiva. E ssa forma de contracepção sobrevive ainda hoje em muitas partes do mundo. mas eficiente. por exemplo. Onde não há preservativos disp oníveis por qualquer razão — pobreza. Quando há um bebê presente — a maneir a de o artista mostrar que eles formam uma família —. Uma terceira razão é a aversão masculina ao sangue menstrual. Isso é particularmente verdade em certas culturas mediterrâneas.uma atividade "natural". Parece haver quatro razões para isso: Há séculos. a penetração é evidentemente anal. os homens muitas vezes desejam fazer sexo nesse período. o sexo anal era usado como uma forma primitiva.

essas razões explicam a ocorrência generali zada de uma atividade que tem sido um assunto tabu. Juntas. a perfuração do hímen antes do casamento ou o con tato com o sangue menstrual. o sexo anal também é utilizado como uma variante erótica para casais que buscam novidade.Finalmente. além de evitar a gravidez. .

a adoração atinge o grau de fetiche. mesmo entre heterossexuais normais. Ao ouvir isso. mas. mostrar as pernas er a sinônimo de convite sexual. acariciando um par de meias de náilon. por exemplo. Em alguns homens. não havia por que enfeitá-las com meias decorativas. que foi enviado de volta por um mensageiro com as seguintes palavras: "A rainha da Espanha não tem pernas". El es não se interessam por nenhuma outra parte do corpo feminino e conseguem obter s atisfação sexual. . e no entanto os homens são obcec ados por elas sexualmente. que se interessa m por todas as partes do corpo da mulher. a pri ncesinha caiu no choro. aos 15 anos. como não se podia ver as pernas da rainha. antes de examinar as pernas como meio de locomoção. Esse comportamen to é relativamente raro. Uma pergunta presente em qualquer vestiário esportivo m asculino é a seguinte: "O que você prefere: seios ou pernas?" A fixação pelas pernas é tão g rande que existe uma publicação exclusivamente dedicada a essa obsessão masculina: Leg World (Mundo das Pernas). Quando. É evident e que as pernas evoluíram como estruturas de locomoção. Naquela época. vale a pena investigar os motivos dessa forte atração. pensando que quando se casasse teria as pernas amputadas . Pernas O poder erótico das pernas sempre foi valorizado. a princesa austríaca Mariana estava para se casar com Felipe IV da Espanha. parece haver uma inexplicável preferência pelas pernas. um dos presentes de casamento foi um par de meias.22. Assim. O que existe nas pernas femininas que as torna sexua lmente atraentes? Sua função primordial é nos manter de pé e nos fazer caminhar. O que o mensageiro quis dizer é que.

mas existem boas razões para evitar ao máxim o essa postura. esteja a mulher de pé ou sentada. Os livros de etiqueta ensinam as jovens a não se sen tarem de pernas abertas. Uma moça bemcomportada. e mesmo hoje os livros de etiqueta mais conservadores ainda a desaprovam. No século XIX. que se senta com os joelhos juntos. chama a atenção para o ponto o nde elas se encontram — que é. o homem costuma identificar essa postura com uma m ulher sexualmente ativa (por exemplo. Amy Vanderbilt achou necessário informar às mulher es americanas que "é gracioso sentar-se com o polegar de um pé posicionado ao lado d o polegar do outro e com os joelhos unidos". em comentários como "Ela teve que ser enterr ada num caixão em forma de Y"). claro.A primeira e mais óbvia explicação talvez esteja na forma como as pernas se juntam. fecha ou cruza as pernas. no recesso da mente do homem. passam uma imagem de formalidade. Todas as posições em que as pernas fica m fechadas. Em 1972. que tem um quê de informalidade. o foco principal do interesse sexual masculino . É quase como se. A única outra alternativa ade quada é a postura de pernas cruzadas. as mulheres da alta sociedade eram proibidas de adotar essa postura em público. Ca da vez que uma mulher abre. Como na posição papai-e-mamãe a m ulher mantém as pernas abertas. ela cria uma . po lidez ou subordinação. mos tra uma neutralidade que lhe dá um ar de correta inibição. a maior autoridade moderna em boas maneiras: "Cruzar as pe rnas hoje não é mais uma atitude masculina. abrir as pernas sem pre foi um gesto carregado de significado sexual. Eis o qu e diz Amy Vanderbilt. o par de pernas funcionasse como uma flecha que indicasse a "terra prometida". Nesse aspecto. mesmo em momentos em que a mul her está apenas procurando uma postura mais confortável. Primeiro.

essa postura pode ser usada (consciente ou inconscientemente) com intenções sexuais . É a postura mais comportada de todas. As pernas cruzadas indicam que a mulher está instalada e não pretende se levantar de repente. A rainha da Inglaterra. Posição joelho-com-joelho. Portanto. Assim como a primeira postura. com saias curtas. . pode s er indecente ou no mínimo um sinal de descompostura. enquanto a segund a mostra sua disposição de permanecer confortavelmente sentada. pode expor inadvertidamente as coxas. Passa uma imagem formal e "correta" . Em terceiro lugar. Posição panturrilha -com-panturrilha. parece que prejudica a circulação. Se a mulher está usando saias. Não é uma postura muito comum. Ela alerta para o perigo de cruzar as pe rnas durante uma entrevista de emprego. Analisando mais detalhadamente essa postura. e a posição quase não difere da postura de pernas fechadas. Essa é a primeira das posturas verdadeiramente informais e costuma ser vista em situações sociais comu ns. Em segundo lugar. causando varizes". por exemplo. A diferença entre a postura comportada de pernas juntas e a postura de pernas cruzadas está no fato de que a primeira mostra uma prontidão da mulher para se levantar. A parte das pernas que se cruzam é muit o pequena. Posição calcanhar-com-calc anhar.protuberância nas coxas que se sobrepõem. percebe-se que existem nove maneiras de cruzar as pernas. só é demonstrada por mulheres de alta condição social e m ocasiões públicas. As pernas juntam rev elam uma disposição para a ação. argumentando que a informalidade da post ura pode dar uma impressão de pretensão ou de excessiva descontração. nunca foi fotografada com as pernas cruzadas acima da panturrilha.

são adotadas apenas por homens. a maneira de cruzar as pernas também pode indicar identidade entre duas m ulheres. se a mulher estiver de saia. N esta postura. um pé descansa sobre a panturrilha da outra perna. é muito pr ovável que cruzem as pernas de maneira semelhante quando se sentam para conversar. São formas de linguagem corporal que transmitem sin ais subliminares sobre o estado de espírito da pessoa. Nesta postura.Posição coxa-com-coxa. Devido a conformação da pelve feminina. Se duas amigas têm uma visão semelhante sobre determinado assunto. Posição de pernas entrelaçadas. Além das diferenças de gênero já ap ontadas. Portant o. Mai s uma vez. É outra po stura predominantemente feminina. É uma posição muito feminina. É uma versão mais radical da última postura. essa é uma postura facilm ente adotada por mulheres. mas raramente praticada por homens. Posição pé-com-pantu rrilha. É a preferida dos homens que gostam de afirmar sua masculinidade (ou das m ulheres que querem mostrar que são iguais aos homens). e ocasionalmente por mulheres que estejam usand o calças. mais uma vez por causa da conformação pélvica. Posição panturrilha-c om-joelho. São maneiras de cruzar as pernas qu e. já que é muito desconfortável para o homem. . as pernas se enroscam e se mantêm nessa posição com a ajuda do pé flexiona do. Essas maneiras de cruzar as pernas são vistas em quase todas as reuniões sociais. na qual uma coxa se ap erta contra a outra. Estas três posturas são obtidas com uma perna erguida acima da outra. é a pelve mais larga da mulher a responsável pela diferença. posição calcanhar-comjoelho e posição calcanhar-com-coxa. vão expor não só as coxas. porque a maioria dos homens não consegue executá-la. mas a região pubiana.

Existe ainda outro elemento na maneira como uma mulher cruza as pernas. pernas cruzadas são o oposto de pernas afastadas. porque muitas pessoas se sentem mais confortáveis com a s pernas cruzadas e adotam essa postura mesmo quando estão sozinhas. Se uma mu lher exagera nessa postura de defesa sexual e aperta demais as pernas. Pode-se afirmar com uma certa segurança que. quanto mais apertadas as pernas. A postura de pernas afastadas revela autoconfiança. se uma é superior à outra e quer afirmar sua condição. a direção em que cruzam as pernas também é significativa. Na verdade. porque "a dama protest a demais". Se são amigas. Por causa disso. e essa postura não pass a despercebida. mesmo que as pessoas ao seu redor não se dêem conta disso. Se existe uma animosidade entre elas. mais defensiva é a postura interior da mulher. Suas pernas tran smitem uma mensagem tácita: "Sou diferente de você". houve quem chegasse a afirmar que todas as pessoas estão na defensiva quando cruzam as p ernas. os joelhos apontam para fora e ajudam a desviar o corpo nessa direção. os j oelhos de uma ficam voltados para a outra. Mas é verdade q ue quando alguém não se sente à vontade diante de outras pessoas tem maior probabilida de de manter as pernas cruzadas do que quando está relaxada. Em certo sentido. provavelmente adotará u ma maneira de cruzar as pernas diferente da de sua subordinada. a . Outro aspecto sexual das pernas é a maneira como elas são escondi das pelas roupas. Isso é uma simplificação. Quando duas mulheres sentam-se lado a lado. o gesto d eixa de ser defensivo e começa a ter um certo sabor sexual. são tão fortes os sinais sexuais transmitidos pelas pernas fe mininas que só uma postura descontraída entre os dois extremos pode ser adotada sem atrair atenção sexual. Ao longo da história.Entretanto.

À mesa. No último século. é o forte apelo erótico das pernas femininas. As jovens rebeldes dos anos 1920 ousavam expor as panturrilh as e até os joelhos. Um proeminente advogado se queixou de que "a provocação de pernas coberta s de seda e coxas seminuas [. Hoje. e que aquelas moças "modernas" se comportavam como prostitutas. Entretanto. a exposição tinha então que ser maior. pouco depo is. mais uma vez. "apêndices". encurtaram as saias. até que toda a perna estivesse à mostra.. Tão forte e total foi essa supressão que até a palavra foi proi bida nos círculos educados. a p roporção visível das pernas femininas variou consideravelmente. eram usados eufemismos como "extre midades". Só dep ois da Primeira Guerra Mundial elas saíram do esconderijo. Todas as vezes que as mulheres se rebelaram con tra isso. O que comentários como esse revelam..] era devastadora e insuportável". Nos Estados Unidos. etc. O mot ivo é .maioria das religiões preferiu ver as pernas das mulheres totalmente cobertas — outr a admissão de seu potencial erótico. e a simples visão de um c alcanhar era chocante. as perna s desapareceram por completo de vista por longos períodos. Para chocar. o novo comprimento era aceito como norma. Diziam que a nova moda estava corrompendo os padrões morais. e isso era demais para alguns homens. Muitas jovens foram proibidas de usar as novas saias curtas no trabalho. é difícil compreender o ambiente social que tornava possíveis tais extremos de pudicícia. Em diferentes períodos da história ocidental. uma coxa de galinha tornou-se apenas "carne escu ra". mas a verdade é que as pernas foram um tabu durante muito tempo. e mesmo então ainda causa ram muito assombro. Cada centímetro que as saias subiam provocava prote stos e acusações de licenciosidade das autoridades puritanas. e apenas a região pubiana coberta por uma estreita faixa de tecido.

o que as minissaias proporcionaram foi uma sensação de liberdade . influenciadas pelas mudanças de humor da sociedade. E. pode-se dizer que as saias mais curtas refletem uma sociedade dotada de maior energia sexual. mas a des vantagem de que a familiaridade gera desinteresse. A s saias longas dos anos 1970. Com saias curtas. revelassem seu otimismo e confiança pelo comprimento das bainhas. A curta tem a vantagem de expor as pernas o tempo todo aos olhares masculinos. Qualquer dançarina de strip-tea se sabe que precisa começar totalmente vestida. no fim da década de 1940. Entretanto. e que é o ato de tirar a roupa que p roduz um estímulo sexual. seria um erro concluir que as mudanças no comprimento d as saias durante o século XX refletem apenas as flutuações do vigor sexual da sociedad e. As saias curtas dos agitados anos 1920 for am substituídas pelas saias longas dos anos 1930 pós-depressão. Era como se as mulheres. não resultaram de uma onda moralista. a saia longa tem a vantagem de provocar um for te impacto quando é erguida ou removida. por exemplo. as longas do pós-guerra. constataremos que as saias curtas foram adotadas em períodos de florescimento econômico. se uma atitude otimista vai bem com uma ativa sexualidade. Portanto. Se acompanharmos o sobe-e-desce das saias década após década. Quanto maior a parte das pernas à mostra. mas tem a desvantagem de ficar a maior pa rte do tempo bloqueando os sinais sexuais emitidos pelas pernas. mais fácil é imaginar o ponto onde elas se encontram. A verdade é que tanto as saias curtas quanto as longas têm potencial sexual.óbvio. mas isso é apenas parte da história. que por sua vez deram lugar às saias longas dos recessivos anos 1970. as mulheres podem caminhar . foram substituídas pelas minissaias dos liberais anos 196 0. e as longas reap areciam em períodos de depressão econômica. Mais do que qua lquer fator sexual.

jovens. A explosão de minissaias nos anos 1960 resultou de uma li berdade recém-conquistada com a invenção da pílula anticoncepcional e com o forte cresci mento econômico. Elas t ambém davam a impressão de uma armadura protetora. adotando a peça característica do vestuário masculino: as calças. Na mente do homem. levantar uma saia é fácil. de modo que as mulheres podem usar saias curtas e lo ngas ou calças largas e justas sem a pressão de rígidas normais sociais. est amos caminhando para a frente". Se o mundo ocidental se tornou cada vez mais liber al em relação à exposição das pernas. Enquanto o confuso quadro econôm ico dava origem a uma mistura de tendências — saias longas. que. 84% das mulheres de Londres pr eferiam as calças às saias. ficou claro para on de elas estavam caminhando — para o movimento feminista e uma nova luta por iguald ade sexual. ti rar um par de jeans é uma luta. médias e curtas —. roubando das pernas a vulnerabili dade diante da abordagem masculina. (No início do século XXI.) Como as saias. dando-lhes dobras e rugas anti-estéticas. o que lhes deu um enorme potencial erótico. saltar e correr. Com a chegada dos anos 1980. a vanguar da da população feminina propunha a igualdade das pernas. . Com esse último passo veio outra mudança. As calças. como as saias curtas. As longas pernas transmitiam uma mensagem social: "Nós. as calças também mostraram vantagens e desva ntagens.vigorosamente. mas ao mesmo tempo não deixavam ver a suave curvatura das pernas. Revelaram pela primeira vez a forma exata da região onde as pernas se enc ontram. logo foram aceitas. causaram tum ulto quando apareceram e fizeram muitas mulheres serem expulsas de ambientes eli tistas. As que usam longas saias com muito pano ou afuni ladas perdem mobilidade.

A pele lisa e suave das pernas femininas (às vezes aperf eiçoadas com uma pequena ajuda no banheiro) contrasta com a pele peluda das pernas masculinas. uma diferença que funciona como um forte sinal de gênero. Um poeta do século XVII cantou em versos as pernas de sua amada: "Pudera eu beijar as deliciosas pernas de minha Julia. Um sinal dessa mudança foi a aparição de pernas femininas nas telas de tevê. As autoridades ficaram suficientemente sensibilizadas e proibiram a exposição inadequada das perna s femininas na tevê. O uso de meia s de seda ou náilon se popularizou também como uma maneira de aumentar a aparência de suavidade das pernas. embora no século XXI um ar de modernização tenha varrido a sociedade chinesa. à prova d'água e nunca enruga. por exemplo. A China comunista também impôs graves restrições às mulheres durante qu ase todo o século XX. No Japão. mas agora está mudando graças à chamada "abertura" da economia chi nesa.em outras partes do mundo as restrições ainda são muitas. Uma alternativa moderna é a aplicação de um spray sedoso que ade re à pele e produz um efeito muito semelhante ao das meias. Em 1998. Tem várias vantagens: é ma is fresco. mas em poucas semanas as belas pernas estavam de volta. bran cas e lisas como um ovo". Entre tanto. Hoje. Outro aspecto da s ensualidade das pernas é sua suavidade. a s mudanças não foram aceitas sem resistência. por exemplo. onde mais de 12 milhões de . um grupo de estuda ntes apresentou uma queixa formal exigindo "uma tela [de tevê] livre desse lixo co mercial que expõe o corpo feminino para vender produtos de beleza". a bemvinda liberalização da moderna China parece ser irreversível. as mulheres não podem expor nenhuma parte da s pernas em público. Nos países muçulmanos tiranizado s por líderes religiosos conservadores.

assim como pernas muito gordas e grossas. mas o alongamento na medida cer ta deu às mulheres retratadas uma maior sensualidade. Na déca da de 1940. mas também po rque são sinal de um corpo vigoroso e saudável.mulheres trabalhadoras são proibidas pelas empresas de expor as pernas nuas. os cartunistas começaram a explorar esse aspecto. Numa recente pesquisa em que mil homens foram solicitados a dizer que atriz tinha as mais belas pernas. a sol ução do spray é ideal. uma mulh er de pernas anormalmente longas transmite sinais de extrema feminilidade. Como na puberdade ocorre um rápido crescimento das pernas. Pernas muito finas. a mais votada (Nicole Kidman) é famosa por suas longas pernas. As suaves c urvas ascendentes atraem o olhar dos homens. Na mulher adulta. Outra diferença de gênero é a forma curvilínea das pernas femininas em comparação com as musculosas pernas masculinas. Pernas curvilíneas — nem finas demais. existe uma vantagem em ter pernas longas. É claro que se eles tivessem exagerado demais os desenhos ficariam grotescos. Não é difícil descobrir por que pernas compridas são tão atraentes. a condição física adequada à procriação é um atributo que desperta gr nde interesse sexual. as pernas são maiores que as da criança tanto em termos relativos quanto em termos abso lutos. . não só porque são diferentes. não são atraentes para o hom em. ter pernas mais compridas acabou sendo sinal da chegada da maturidade sexual. Portanto. desenhando figuras d e pernas muito mais longas que as das modelos reais. nem muito gordas — estão associadas (na mente primitiva do macho) a uma condição física ideal para a procriação. Está provado que. tão populares no m undo da moda. em tod as as culturas humanas. Finalmente. Dá às pernas a suave aparência "vestida" adequada ao local de trabalh o sem nenhuma das desvantagens das meias.

Deix ando de lado o sex appeal das pernas.Desde então. que protege a p arte frontal da articulação do joelho. dos joelhos ao púbis. (4) suas curvas enfatizam as formas do corpo feminino. Em outras pal avras. do púbis aos mamilos e dos mamilos ao topo da cabeça. o osso mais comprido do corpo humano. Quando um pintor faz um esboço acurado do cor po humano. as mulheres r eais pareciam ter pernas cada vez mais longas. As pernas mais longas do mund o pertencem a uma adolescente e medem 124 de seus 190 cm. São pernas proporcionalm ente 30. Evidentemente.5 cm mais compridas que a média — o que mostra a grande variação existente nas m edidas das pernas femininas adultas. Para resumir. . durante toda a segunda metade do século XX e início do XXI. até que hoje é impossível para uma mo delo que tenha pernas curtas encontrar emprego. A tendência continuou ano após ano. fotógrafos e diretores de cinema preferirem mulheres d e pernas longas. as pernas são metade do comprimento do corpo. divide-o em quatro partes praticamente iguais: do chão aos joelhos. A base esquelética das pernas compreende quat ro ossos: o fêmur. e (5) seu acelerado crescimento na puberdade faz com que pernas longas passem uma mensagem de prontidão sexual. (2) suas diversas posturas indicam preocupações eróticas. as pernas são sexual mente excitantes porque (1) o ponto onde elas se encontram é foco da atenção erótica mas culina. vamos analisar sua anatomia. a patela. As pernas cor respondem à metade da altura do corpo. isso resultava do fato de estilistas de moda. (3) a roupa mais cur ta permite a exposição de porções de carne que em geral permanecem escondidas.

e muitas mulheres famosas tém um andar tão característico que é fácil imitá-las. mas existem enormes diferenças pessoais. O miudinho é um andar de passos rápidos mas curtos. Na verdade.5 metros. o passo da mulher é mais curto qu e o do homem. Normalmente. A maneira de caminhar de diferentes indivíduos e de diferentes cultu ras há muito fascina os observadores. Para ilustrar o que estou dizendo. existem imensas diferenças entre. mulheres japonesas e americanas.a tíbia. Foram identificadas 36 maneiras de and ar na espécie humana — do andar lento de cerca de um passo por segundo ao caminhar n ormal de dois passos por segundo até o andar rápido de quatro passos por segundo —. As japones as são perfeitas quando se trata de um andar mais formal. bas ta-me citar os nomes de Mae West e Marilyn Monroe. Uma maratona de dança que levou os participantes à exaustão durou 214 dias. Tais feitos de força e resistência testemun ham a evolução das pernas femininas ao longo de 1 milhão de anos. A pessoa caminha com passos muito curtos. . e a fíbula. enquanto as americanas são melhores em tipos de locomoção mais casuais. a mulher já saltou mais de 2 metros no ar e conseguiu dar um salto em distância de 7. É o andar típico das mulhere s quando estão usando saias muito justas ou sapatos apertados. que se situa ao lado da tíbia. é um exagero do andar característico das mu lheres. que se articula com o fêmur. Impulsi onada por pernas fortes e bem-moldadas. só que os passos curtos ficam ainda menores. No aspecto cultural. ma s apenas nove delas são predominantemente femininas e merecem uma breve menção: 0 vaci lante é o andar das pessoas cujas pernas não são capazes de percorrer longas distâncias com conforto. por exemplo. Muito já se escreveu s obre o andar.

Pode ser descrito como um andar que demonstra "afetada precisão". tornase uma caricatura sexual. O deslizante é uma versão elegante do miudinho. Outrora comum entre mulheres da alta sociedade em algumas partes da Europa. Para criar o efeito desejado. O passo largo é usado pelas mulheres que imitam o vigor do an dar masculino. cheio de movimentos curtos. A corrida nos interessa particularmente porque a conformação corporal da mu lher a obriga a executá-la de uma maneira ligeiramente diferente da do homem. com pequen os saltos desnecessários. O peso pas sa de uma perna para a outra. a mulher precisa usar saias bem longas. que ocu ltem o movimento dos pés. É um andar alegre. hoje restringe-se praticamente ao Ja pão. com um elemento de rotação . com uma ação mais vigorosa das pernas. Marilyn Monroe realçava seu famoso gingado usando sapato s de salto alto que tinham um salto ligeiramente menor que o outro. O saltitante é um andar alegre e rápido. Se exagerado. fazendo os quadris oscilarem. rápidos e indecisos. É uma versão mais rápida do pulado. Isso se deve à maneira como as pernas femininas estão presas à bacia. Com movimentos curtos e delicados dos pés. com muitas idas e vindas e súbitas mudanças de direção. O pulado é o andar típico da adolescente quando caminha com um movimento flexível que faz o corpo saltar a cada passo. O gingado é o andar erótico da mulher que quer atrair atenção. Essa mesma conformação a natômica que permite à mulher cruzar as pernas entrelaçadas lhe dá uma diferente maneira de correr. O disparado é um andar ansioso. o corpo par ece deslizar para a frente como se sobre rodas. que re vela saúde e otimismo.

que não existe na corrida do homem. ficará evidente a típica rotação da perna. Um século atrás. livres das imposições da etiqueta. e n a corrida suas pernas executam um movimento frontal. em sua especialização para a procriação. ela devia evitar o "caminhar atlético". Essa nova informalidade permitiu o aparecimento de maneiras muito pessoais de caminhar. mas. o corpo feminino sacrificou algumas de suas ca pacidades atléticas adequadas à corrida. sem nenhum traço da rotação da pe rna tipicamente feminina. Essa diferença quase não é percebida porque é mais com um vermos atletas correndo. Em hipótese algum a balança os braços. Algumas formas de locomoção são provocadas por estados emocionais. mas. o passo arrastado e a corrida. Essa corrida desajeitada sugere que. nem tampouco gesticula enquanto caminha". para chegar a ser uma atleta de ponta. . en quanto outras resultam de normas sociais. e não dos joelhos. se observarmos uma mulher menos musculosa e mais voluptuosa correndo para pegar um ônibus. havia leis estritas determinando como uma dama devi a caminhar num local público. e no entanto não há o menor sinal de rigidez. Em tempos mais formais. Essas regras variam de uma época para ou tra. que acabou sendo uma especialização do homem (c açador primitivo). O corpo das atletas não exibe as usuais curvas e seios fartos. o "passeio despreocupado". o trote. Um antigo livr o de etiqueta descreve uma mulher cujo andar era socialmente aceitável: "Seu corpo se mantém ereto em perfeito equilíbrio. Essas normas de "bom comportamento" parecem estranhas nos dias de hoje. a mulher é escolhida entre milhões de outras por seu andar masculino. sua camada de gordura é muito reduzida. E la dá passos médios e caminha a partir dos quadris. Essas são as corredoras que vemos nas telas da tevê. quando uma mulher simplesment e sai de casa e caminha pela rua sem pensar que está colocando um pé diante do outro .

esses dois elementos — a flexão das pernas e a curvatura da cab eça — se separaram: a reverência tornou-se exclusivamente feminina. um movimento das pernas que merece menção. mas antigamente era muito comum como gesto de agradecimento. Hoje. embora esteja desaparecendo r apidamente na sociedade moderna. A única exceção a essa norma ocorre quando a peça que foi representada se passa numa época em que a forma c orreta de saudação era a combinação entre reverência e curvatura. quase sempre acompanhado de uma curvatura da cabeça. exc lusivamente masculina. e a curvatura. . Essa divisão por sexo só não ocorre no teatro. onde as atrizes tendem a copiar os atores e agradecem à platéia com uma curvatura.Finalmente. a reverência praticamente só é u sada quando uma dama cumprimenta um membro da realeza. No século XVII. é a reverência — uma saudação na qual um pé é colocado atrás outro e as duas pernas se dobram ligeiramente.

o c omprimento médio é de 26. o pé contém 26 ossos. E struturalmente. o calcanha r da mulher é mais estreito em relação à planta do pé. espremidos. Especificamente. os pés nos servem sem esforço e nos transportam por ambientes mutáveis . como afirmou Leonardo da Vinci. o pé toca o chão mais de 270 milhões de vezes durante a vida. Os pés da mulher são menores e mais estreitos que os do homem. Calculase que. nas mulheres. na semi-escuridão. É uma tarefa formidável. O que torna isso possível é o pé humano — uma obra-prima de engenharia. de 24. Mas. com os quais mantém nosso equilíbrio e nos permite caminhar. Consideramos a postura ereta algo natural. o que fez muitas mulheres sofrerem ao longo da história. PÉS Os pés são outra parte da anatomia humana que mostra as diferenças entre homens e mulh eres. antes de tratar desses dolorosos procedimentos. saltar. correr. e smagados e imobilizados em nome da beleza.8 cm. vamos analisar a anatomia do pé. Obedecendo às in dicações dos olhos. 114 ligamentos e 20 músculos.4 cm.23. Quando não encontramos uma superfície que julgávamos e star ali. Nesses raros momentos . Se um pé pequeno é uma característica feminina. levamos um choque e perde mos o equilíbrio. somos obrigados a dar um passo após outro p ara subir ou descer uma escada. e no entanto ela é extremamente rara entre os mamíferos. dançar e chutar. Nos homens. ou quando nos deparamos com algo inesperado. essa diferença de tamanho tem sido explorada e exagerada. Como ocorre com outras partes do co rpo. numa mulher ativa. Elas tiveram os pés apertados. Um dos únicos momentos em que nos lembramos de seu maravilhoso trabalho é quando o s olhos nos faltam e. então um pé muito pequeno será superfeminino. e no entanto raramente merece um pensamento.

no curso da evolução. A primeira é a absorção do choque quando o pé toca o c a segunda é a sustentação do peso do corpo. Na especialização do macho da espécie humana como caçador cooperativo. Para que elas sejam eficient es. e o terceiro.nos lembramos da brilhante tarefa que nossos pés executam o tempo todo. Três recursos têm sido utilizados pelos fabricant es de sapatos para que os pés de suas clientes pareçam menores do que são na realidade . O polegar se alinhou com os outro s dedos e não pode mais ser usado para agarrar objetos como as mãos. os pés realizam três funções. Eles eram necessários para a caçada. Essas três funções são executadas a cada passo. Na tenta tiva de exagerar esse atributo feminino. durante séculos as mulheres tentaram comp rimi-los em sapatos desconfortáveis. Essa pressão evolucionária não s e exerceu sobre os pés das mulheres. Por isso não somo s tão acrobáticos quando se trata de subir numa árvore. e a terceira é a propulsão que nos empurra par a a frente. a fazer um pequeno sacrifício: deixamos de ter polegares opostos como os outros primatas. Quando cam inhamos. mas também os submetem a enormes pressões. O primeiro é fabricar sapatos apertados demais. O primeiro recurso aperta os pés. o segundo. Não é por acaso que 80% das cir urgias de pé são realizadas em mulheres. Juntas. dotá-los de saltos altos. o segund o os torna mais estreitos. fazê-los muito pontudos . mas essa é uma perda pequena com parada com o imenso ganho que obtivemos em velocidade para caminhar e correr. que permaneceram menores e mais ágeis. fomos obrigados. essas três mudanças na estrutura natural podem produzir pés mais "atraentes". . ter pés maiores repre sentou uma vantagem. e o terceiro os faz parecer menores por elevar a posição do calcanhar.

mas a história original é selvagem e sangrenta. é uma rejeição direta que a expõe ao ridículo com as se uintes palavras: "No Harlem. Ele então a . somos quatro: eu. para satisfazer sua exigência de feminilidade. P ara mim você parece um fóssil. A ma is velha tentou enfiar o pé no sapatinho. Dos calcanhares para cima você com certeza é delicada. nas costas e até dores de cabeça. numa mesa para dois. Um minúsculo sapatinho de pele era usado para testar a s noivas em perspectiva. não admira que muitas mulheres cheguem a a bsurdos para reduzir o tamanho dos pés. Na verdade. mas. Por isso.. ele perc ebeu o sangue manchando as meias. A mulher que tenha a infelicidade de possuir pés grandes e masculinos será considerada anormal — tão estranha que o pianista de jazz Fats Walle r lhe dedicou uma canção. depois que se cassasse com o príncipe. quando partiu com o príncipe. ela prec isava ter pés muito pequenos. A menção à amputação nos traz inevitavelmente à mente a cruel história de Cinderela. Sim. Então a mãe a aconselhou a cortar o dedão. mas não conseguiu. seus pés grand es e você. Duas irmãs estavam desesperadas para ser escolhidas.. nunca mai s precisaria caminhar. Um príncipe procurava uma esposa. não tinha nada a perder. A moça amputou o dedão e ape rtou o pé sangrando dentro do sapatinho. Mas o horror que ter pés grandes representa não deixa a mulher desistir. mas. seus pés são grandes demais. Essa paixão por pés pequenos atingiu tal inten sidade em outros séculos que algumas damas da sociedade ficaram famosas por terem amputado os dedos mindinhos para que seus pés coubessem em sapatos ainda mais pont udos.. provocando dores nas pe rnas." Portanto.] Oh! suas extremidades são colossais. A ersão atual de Disney é leve. mas daí para baixo há pés demais. explicando-lhe que.O equilíbrio do corpo é perturbado pelo formato dos sapatos. [..

Surpreendentemente. que lhe ofereceu a outra filha. Vamos acompanhar esse processo.devolveu para a mãe. Depoi s a faixa rodeava o tornozelo. os pés eram lavados em água quent e e massageados. a menina tinha permissão para correr livremente. mas entre 6 e 8 anos pa ssava pela agonia de ter os pés amarrados. precisamos saber que ess a história nasceu na China. Mas isso é um engodo. os quatro dedos menores eram cruelmente curvados para trás e amarrados. enquanto Cinderela er a bela. onde durante séculos amarrar os pés das meninas foi uma prát ica comum nas famílias da casta superior. Isso ocorreu porque a versão mod erna de Cinderela converteu as duas irmãs em moças horrorosas. com uma bandagem de 5 cm de largura e 3 metros de comprime nto. só foi proibido no início do século XX. Essa pobre moça teve o calcanha r cortado para que o pé pudesse caber no sapatinho. a pequenez dos pés de uma moça era um sina l fundamental de beleza. Só então o príncipe encontrou Cinderela. Mais uma vez. mesmo sendo um costume bárba ro. Para entender o motivo de tal ênfase nos pés. Quando era pequena. que parece ter entrado na histór ia por um erro de tradução. A estranha premissa da história — a de que um homem de alta condição social procure uma mulher de pés pequenos sem levar em conta suas outras qualidades — parec e ter passado despercebida pelas platéias modernas. Primeiro. O príncipe só tinha uma exigência: que os pés da noiva coube ssem em minúsculos sapatinhos de pele — não de cristal. Na China. Lá. jatos de sangue puseram fim à farsa e ela também foi rejeitada. o costume de amarrar os pés das jovens começou no século X e durou mais de mil anos. Então. fazendo com que os dedos curvados se . c ujos pequeninos pés cabiam perfeitamente nos sapatinhos e que se tornou esposa do fetichista. que confundiu vair (uma pele rara como a zibelina) com v erre (vidro).

incapazes de caminhar normalmente e limitadas a umas poucas atividades físicas que conseguiam realizar. tinh am um significado erótico. Por incrível que pareça. essas meninas estavam ale ijadas para sempre. além de beijar os pés das amadas durante as p reliminares do sexo. Só o polegar escapava ao castigo. Dizia-se que. como eram chamados os delicados pezinhos pelos seus admiradores. Essa era a vantagem social da deformid ade. juntando os pés. apanhava. Um dos motivos para a atadura dos pés era sexual. já que não podiam fazer nenhum trabalho manual . para que ele não pudesse voltar à posição normal.25 cm menor que o anterior. mas ofereci am uma permanente demonstração de status. Alem disso e de outras idéias eróticas ainda mais grot escas sobre o Lótus Dourado. Além disso. O resto da bandagem era enrolado várias vezes em volta do pé. era obrigada a caminhar para que o pé s e acostumasse à nova forma. Dizia-se que a vagina verdadeira também se beneficiava com a maneira res trita de andar causada pelos pés atados: "Quanto menor o pé da mulher. mais maravilh osa a concavidade da vagina". Os Lótus Dourados. o desamparo de uma . A cada quinze dias. Apesar da dor. Só com a modernização da China no século XX e o fim da sociedade dos mandarins essa fo rma de mutilação foi abolida. Quando atingiam a idade adulta. Os mais sádicos apreciavam a facilidade com que podiam fazer a mulher gritar dura nte o ato sexual simplesmente apertando o pé mutilado. o amante podia colocar todo o pé na boca e chupá-lo com avidez. As esposas eram literalmente incapazes de se afastar do marido.juntassem ao tornozelo. usava um sapato 0. su a forma arredondada oferecia um falso orifício que podia ser usado como uma vagina simbólica. o objetivo era reduzir o comprimento do pé a 1/3 do seu tamanho normal. Se a menina chorasse.

lambido e sugado. Já o pé descalço d esempenha um papel diferente. "Era uma vez uma velha que morava num sapato" ( em outras palavras. Para esses h omens que têm uma fixação erótica em pés. No mundo bizarro das fantasias sexuais. Acredita-se que. Tant o os sapatos quanto os pés figuram no estranho mundo dos fetichistas. os sapatos preferidos são sempre os de saltos muit o altos e finos. se o homem com pés muito grandes. tem uma vagina estreita. como diz um conto popular. Pode se curvar aos pés de uma parceira domina dora e obedecer às suas . e se a mulher tem pés muito pequenos. U ma velha tradição francesa exige que a noiva guarde os sapatos que usou no casamento e nunca se desfaça deles se quiser ser feliz para sempre.mulher que tinha os pés atados provocava uma excitação geral. mas em outras partes do mundo. Mas isso nada mais é do que uma simplificação das diferenças de gênero em relação ao tamanho dos pés. O sapato tem sido utilizado como símbolo dos genitais femininos. acariciado. o simbolismo dos pés é sexual. E é por isso que sapatos são amarrados à traseira do c arro dos recém-casados e que um homem romântico bebe champanha no sapato da amada. Ela estava à mercê do homem e sofreu nas mãos dele durante séculos. Não só na China. cuja vida se concentrava nos genitais) "e que tinha tantos f ilhos que não sabia o que fazer". e é por isso que. tem também um pênis grande. O homem pod e ou não assumir um papel de subordinação. É beijado. Esses e muitos o utros costumes populares confirmam a ligação simbólica entre os sapatos e o sexo. esse modelo de sapatos torna-se uma arma brutal de tortura para o homem masoquista no momento em que a parceira sobe em seu corpo e o perfura com seus saltos pontiagudos. E as moças sicilianas que procuram marido sempre dormem com um sapato sob o travesseiro.

Afinal. por que certos indivíduos ainda acham essa parte do corpo nada sensual tão estimulante? Por que um libertino experiente como Casanova chegou a a firmar que "homens dotados de grande apetite sexual sentem uma forte atração pelos pés femininos"? Existem duas respostas para essas perguntas. Então. Existem na pele dos pés glândulas especializadas que transmitem sinais pessoais sobre o indivíduo. Tudo isso devia tirar muito do pode r erótico dos pés. No nosso passado remoto. toda essa atenção dedicada aos humildes pés parece decididamente esq uisita. deixaríamos um ra stro de nossa fragrância pessoal por onde passássemos. E também pode não haver nenhum elemento sadomasoqu ista. ele consegue perc orrer 5 quilômetros. torturando gentilmente a parce ira com a boca até levá-la ao prazer. os pés ficam a maior parte do tempo enfiados num invólucro de couro que estimula o desenvolvimento de bactérias e até fungos. Se isso parece improvável. Ainda hoje. O mau cheiro dos pés é tão comum que vários produtos são vendidos para combatê-lo. Mas também pode assumir um papel dominante. algumas tribos são capazes de detectar essa fragrância e dizer quem passou por um determinado caminho e quando. Se andássemos descalços. esse sinal odorífico d os pés tinha uma utilidade.ordens. ignorando todos os outros fortes odores que podem cruzar seu caminho. mas na vida urbana atual tudo isso mudou. as bactérias proliferam rapidamente e as secreções o doríferas logo desaparecem. Em apenas 18 minutos. . basta lembrar que um cão de caça é capaz de seguir a pista de um homem depois de 24 horas. Para a mai oria das pessoas. quando o homem andava nu. Dentro de no ssos sapatos onde o ar não circula. caso em que o pé é massageado e beijado como parte da excitação normal. Uma está ligada às glândulas e outra ao simbolismo sexual.

como se os pés quisessem ac ompanhar os espasmos que dominam o corpo no clímax. mas não percebemos que nossos pés transpiram dentro dos sapatos. eles reagem ao toque. um imenso clitóris ou mesmo a língua. portanto. Sugar o dedo d o pé de uma mulher dá ao amante a sensação de estar tocando um mamilo gigante. Além disso. Além desse elemento primitivo também existe uma atração simbólica. os lábios da boca se tornam os lábios vaginais.Se não trocamos de sapatos e lavamos os pés todos os dias. em momentos de ex citação sexual. No cére bro tomado de excitação. Essa umidade não pode evaporar como a natureza desejaria. essas ilações simbólicas podem parecer improváveis. limpo e pronto para ser acariciado pelo amante. que pode se tornar intensamente erótico. ele se transforma no pé cheiro so que a natureza criou. e os pés começam a cheirar mal. Em momentos de tensão e ag itação da vida moderna. os dedos se separam e se curvam. Não surpreende. que para tantas p essoas a idéia de beijar os pés seja repugnante e não tenha nada de erótica. . e nossos pés sofrem. para algumas pessoas. os pés femininos não são insensíveis às carícias. durante as preliminares do sexo. a cavidade da b oca lembra a vagina. Li vres dos sapatos. Quando libertad o da prisão dos sapatos. um dedo esticado torna-se um pênis e seios lembram nádegas. às vezes percebemos que as palmas da mão suam. Mais uma vez. e não como ele deveria ser. e o contato com ele pode ser excitante para ambos os pa rceiros. a proposta sexual é totalmente diferente. Elas pensam no pé como ele quase sempre é atualmente. banhado. De repente. N o momento do orgasmo. mas estudos psiquiátricos provaram que. a natural fragrância agradáve l se deteriora rapidamente. certas partes do corpo se tornam "ecos anatômicos" de outros órgãos.

Imelda foi acusada de "colocar o prazer dos seu s pés" acima das necessidades de seu povo. Depois que ela e o marido foram afastados do poder. os pés continuam sendo uma forte zona erógena para os dois parceiros. ex-primeira dama das Filipinas. uma coleção que ocupava cinco salas do palácio presidencial de Manila. O modelo. foi um exemplo. e que. podemos dizer que. Felizmente. Algumas mulheres demon straram seu poder e riqueza pelo tamanho de sua coleção de sapatos. Im elda Marcos. 1.220 estão expostos no recém-inaugurado Museu do Calçado das Filipinas. só possuía 1. Ela retrucou que os havia colecionado c omo "símbolo de amor e gratidão". viajando o mundo to do para comprar sapatos. Deixando de lado os aspectos eróticos. os pés femininos têm sido explorados como foco de demonstrações de poder que ass umem várias formas. e sposa de Napoleão III. entre elas sapatos absurdamente caros. Dizia-se que ela chegou a ter mais de 3 mil pares.Resumindo.060 pares. Recentemente. Era um par de sandálias criadas pelo estilista Stuart Weitzma n que exibiam 642 rubis incrustados em platina. de modo que os sapatos descartados podiam s er enviados a orfanatos e servir às pequenas órfãs. Talvez o exemplo mais extraordinário de excentricidade em sapatos seja o par que foi exposto na Harrods de Londres n a primavera de 2003. que se recusava a usar um par de sapatos mais do que uma ve z. e calcula-se que hoje a sra. desses 1. Marcos já tenha conseguido criar uma nova coleção de mais 2 mil pares. Curio samente. apesar da maneira como são tratados. anéis para os dedos e elaboradas pinturas das unhas. de qualquer modo. Ainda mais extremo foi o caso da princesa Eugênia.060 pares. ela tinha pés pequenos. inspirado nos sapatinh os mágicos de rubi usados pela . cordões de ouro nos torno zelos.

Os atuais esti listas de sapatos impõem torturas cruéis a suas clientes. Isso levou algumas mulheres nos Estados Unidos a solicitar a remoção cirúrgica do dedo mindinho. foi colocado à venda por 1 milhão de libras esterlin as (aproximadamente US$ 1. mas alguns concord am com a opção menos drástica de encurtar o segundo e o terceiro dedos. Os podólogos (ortopedistas especializa dos no tratamento dos pés) têm se recusado a fazer essa cirurgia. Os sapatos estão se tornando cada vez mais estreitos e pontudos. Isso permite à mulher espremer os pés recém-esculpidos nos sapa tos criados pelos estilistas modernos. removendo uma pequena parte do osso. Cinderela está viva. Finalmente. . precisamos admitir que o anseio p or pés anormalmente pequenos é uma dolorosa tradição que ainda sobrevive.menina Dorothy em O mágico de Oz. e previa-se que os modelos futuros seriam 2 0% mais estreitos e pontiagudos.5 milhão).

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