A Mulher Nua Desmond Morris

Índice AGRADECIMENTOS CONTRA-CAPA ORELHA INTRODUÇÃO 1. A EVOLUÇÃO 2. CABELOS 3. TESTA 4. ORELHA S 5. OLHOS 6. NARIZ 7. BOCHECHAS 8. LÁBIOS 9. BOCA 10. PESCOÇO 11. OMBROS 12. BRAÇOS 1 3. MÃOS 14. SEIOS 15. CINTURA 16. QUADRIS 17. BARRIGA 18. COSTAS 19. PÊLOS PÚBICOS 20. GENITAIS 21. NÁDEGAS 22. PERNAS 23. PÉS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 3 4 5 6 10 14 34 49 61 80 92 100 117 126 135 143 154 171 192 202 207 217 226 238 257 273 288 298

Agradecimentos Quero expressar meu especial agradecimento à minha mulher, Ramona, por seu incansáve l encorajamento e suas críticas construtivas; a meu colega Clive Bromhall, por mui tas e valiosas discussões; à Random House e a Marcella Edwards, Caroline Michael, Da n Franklin e Ellah Allfrey por sua competência editorial; a Nadine Bazar, por sua cuidadosa pesquisa iconográfica; e a Davi d Fordham, pelo projeto para o caderno d e fotos.

Contra-capa Há 5 mil anos, senhoras da elite do antigo Egito faziam questão de raspar a cabeça par a ostentar perucas com cabelos femininos de povos subjugados. Na região hoje conhe cida como Alemanha, durante as tempestades, mulheres exibiam as nádegas nuas à porta de casa. para afastar desgraças: exclusivos da raça humana, os hemisférios glúteos seri am uma visão capaz de repelir os demônios, desprovidos desse detalhe anatômico. Já na In glaterra vitoriana, a barriga tinha conotação sexual tão forte que seu nome nem sequer podia ser pronunciado, dai a criação do eufemismo dor de estômago". O escritor e zoólog o inglês Desmond Morris — autor do bestseller mundial O macaco nu - reúne essas e muit as outras observações curiosas em A mulher nua. Neste revelador estudo sobre o corpo feminino, o autor descreve, dos cabelos aos pés, cada parte da anatomia, suas funções e sua evolução, explicando como certas características foram valorizadas ou desprezad as, conforme os costumes de cada época. Trafegando na fronteira da zoologia com a história e a sociologia, Morris desnuda, enfim, os processos que levaram a mulher a se transformar naquilo que ele define como "o mais extraordinário organismo exis tente no planeta".

Orelha Toda mulher tem um corpo belo. Brilhante fruto de milhões de anos de evolução, de surp reendentes ajustes e refinamentos sutis, ele é o organismo mais extraordinário exist ente sobre o planeta. Em diferentes épocas e lugares, as sociedades humanas tentar am melhorar a natureza, modificando e embelezando o corpo feminino de muitas man eiras. Neste novo estudo, Desmond Morris dirige seu talento e sua atenção para a for ma feminina e conduz o leitor numa excursão "da cabeça aos pés". Esclarecendo as funções e volutivas das características biológicas da mulher, Morris explora os avanços e limitações criados pelas sociedades humanas no intuito de atingir o controle e a perfeição do corpo feminino. Escrito a partir da perspectiva de um zoólogo e apoiado na inigualáv el experiência de Desmond Morris como observador do animal humano, A mulher nua ap resenta fatos científicos, histórias interessantes e conclusões instigantes que provoc am reflexão.

Introdução Este livro conduz o leitor numa viagem pelo corpo feminino, explicando muitos de seus aspectos pouco conhecidos. Não se trata de um texto médico, nem de uma análise p sicológica, mas de uma abordagem zoológica, que celebra a mulher na forma como ela e xistia no mundo real, em seu ambiente natural. Muito mais do que o macho, a fêmea humana passou por mudanças drásticas no curso de sua evolução. Perdeu muitas dos atribut os femininos de outros primatas e, na forma da mulher moderna, tornou-se um ser ún ico de uma espécie extraordinária. Toda mulher tem um corpo belo — belo porque é o brilh ante coroamento de milhões de anos de evolução, fruto de surpreendentes ajustes e suti s refinamentos que o tornam o mais extraordinário organismo existente no planeta. Apesar disso, em diferentes épocas c lugares, as sociedades humanas tentaram melho rara natureza, modificando ou embelezando o corpo feminino de muitas maneiras- A lgumas dessas elaborações culturais foram agradáveis, outras foram dolorosas, mas toda s buscaram tornar a fêmea humana ainda mais bonita do que já era. O conceito de bele za tem variado muito, e cada sociedade humana desenvolveu idéias próprias sobre o qu e considera atraente. Algumas culturas apreciam figuras esguias, outras preferem as formas mais arredondadas; algumas gostam de seios pequenos, outras os apreci am vastos; algumas apreciam cabeças raspadas, outras valorizam longas e luxuriante s cabeleiras. Mesmo na cultura ocidental, o instável mundo da moda continua criand o novas prioridades. Por isso, à medida que viaja da cabeça aos pés da mulher, este li vro explica os interessantes atributos

Há alguns anos. No aspecto pessoal. as fêmeas ocupavam o centro da vid a social. este livro reflete o fascínio que me mot ivou durante toda a vida pela evolução e pela condição da fêmea humana. caçando. as mulheres apre nderam a lidar com vários problemas ao mesmo tempo. Dessa forma. em que os machos se especializaram na função de caçadores. tenta oferecer um quadro completo do mais fascinante tema do mundo: a mulher nua.) Nunca houve a pretensão de um sexo . em outras partes do mu ndo milhões de mulheres ainda são consideradas "propriedade" do homem e membros infe riores da sociedade. isso me levou a criar uma série para a televisão americana chamada The Human Sexes. mas também discute as muitas maneira s pelas quais esses atributos foram exagerados ou suprimidos. essa tendência à dominação masculina não te oerência com o modo como o como sapiens se desenvolveu ao longo de milhões de anos. criando os filhos e organizando a t ribo.biológicos que todas as fêmeas humanas partilham. Como viviam em pequenas tribos. coletando e preparando o alimento. com os machos longe. um zoólogo que estudou a evolução humana. is so significava que. mais aborrecido e furios o ficava com a maneira como as mulheres eram tratadas em muitos países. Enquanto os homens se concentravam em sua tarefa crucial. Quanto mais eu viajava. o movimento feminista simplesmente não existiu. Para elas. Pa ra mim. Apesar dos avanços conquistados pelo movimento feminista no Ocidente. aumentados ou redu zidos. Nosso sucesso como espécie se deveu à divisão do trabalho entre machos e fêmeas. (Essa diferença de personalidade ainda persiste. na q ual analisei detalhadamente a natureza do relacionamento entre machos e fêmeas da espécie humana ao redor do mundo.

mas iguais. quando a urbanização se espalhou . examinei cada parte do corp o humano. em vez de seguir o origina! e tratar de ambos os sexos. Pode-se imaginar que essas mulheres estivessem e xigindo um novo respeito social e novos direitos. hom ens rudes passaram a garantir sua segurança e sua condição social superior às custas das mulheres. Esse e quilíbrio se perdeu quando a população humana cresceu. Em Bodywatching. de 1985. mas. Ocupando o centro das sociedades humanas. a religião desempenhou um papel fundamental nesse processo. Foi essa origem que as sufragistas e. Na maior parte do Ocidente. decidi qu e. que foram empurradas para uma condição social inferior que nada tinha a v er com sua herança evolutiva. para ser mais exato.dominar o outro. e. essa questão passou a me preocupar cada vez mais. dos cabelos aos pés. ou. vilas e cidades foram construídas e os habitantes das tribos se tornaram cidadãos. . Em tempos an tigos. mais tarde. as feministas quiseram recuperar. com um Deus vingativo dando-lhes apoio. elas conseguiram. Um confiava totalmente no outro para a sobrevivência. Havia um eq uilíbrio primevo entre homens e mulheres. na verdade. dedicaria o novo livr o exclusivamente ao corpo feminino. Depois da serie The Humam Sexes. levando 0 leitor por uma viagem de i nspeção anatômica da cabeça aos pés. a grande deidade era sempre uma mulher. Mantive esse esquema neste livro. mas em outras regiões do planeta a subordinação feminina ainda é uma reali dade. Ao longo das eras. simplesmente estavam buscando recuperar seu primitivo papel. por ocasião de uma nova edição de meu livro Bodywatching. Mas. a Grande Deusa passou por uma desastrosa mudança de sexo e se transformou num au toritário Deus Pai. Eles eram diferentes. Parte do texto original de Bodywatching foi aproveitada.

Foi uma absorvente viagem de descobrimento. Embora tenha partido de um livro anterior.mas muito pouco. eu soubesse tudo o que sei agora — depois de escrever este livro — sobre a complexidade do corp o feminino. A mulher nua acabou se revelando uma obra inteiramente nova. e quem me dera que. aos 18 anos. . Apresento em cada capítulo o aspecto biológ ico de uma determinada parte do corpo feminino e então passo a examinar as várias ma neiras como diferentes sociedades modificaram esses atributos biológicos.

aguardando a chegada das correntes que irão aprisioná-los. esporte ou filosofia. exploração e criatividade. mas . todas essas atividades envolvem inovação. o ser humano é um macaco sem cauda com um cérebro enorme. O segredo desse sucesso é sua capacidade de viver em agrupamentos cada vez maiores. onde. Naturalmente. mesmo na mais alta densidade populacional. Ambos percorre ram esse longo caminho em direção ao "adulto infantil". Como as brincadeiras infantis. Outros animais brincam quando são jovens. Essa combinação mágica de sociabilidade e curiosi dade foi possível graças a um processo evolucionário chamado neotenia. E são elas que nos tornam verdadeiramente humanos. existe ainda uma curiosidade insaciável que os faz buscar sempre novos desafios. A Evolução Para o zoólogo. Enquanto outros macacos se esconde m em seus últimos refúgios.1. viagem ou divert imento. mas perdem essa qualidade quando amadurecem. O homem continua brincan do e se divertindo por toda a vida — é um Peter Pan que nunca cresce. ris co. que permite aos humanos manter caracteres juvenis na vida adulta. são capazes de se adapta r às tensões da vida e continuar procriando sob condições que qualquer outro macaco acha ria insuportáveis. O que mais s urpreende nele é seu incrível sucesso como espécie. 6 bilhões de humanos ocupam quase todo o globo. música ou poesia. espalhando-se tanto e com tal veloc idade a ponto de mudar drasticamente a paisagem como uma praga de gafanhotos gig antes. os homens dão nomes diferentes a essa brincadeira: chama m-na de arte ou pesquisa. quando se tornam adultos. Home ns e mulheres não seguiram essa tendência evolutiva da mesma maneira. Além dessa capacidade.

elas se especializaram em fazer várias coisas ao mesmo tempo.avançaram num ritmo um tanto diferente e com diferentes características. sua saúde é de vital im ortância. As mulhere s precisavam ter cuidado. para ter sucesso na caça. A inovação sempre envolve risco: o de experiment ar algo desconhecido em vez de se apegar a tradições testadas e confiáveis. com responsabi lidade sobre quase tudo exceto a caça. em tempos primiti vos. os homens têm quinze vezes mais chances de sofre r um acidente que as mulheres. É importante lembrar que. os machos eram obrigados a correr riscos. mas mental. A disposição para o risco não é apenas física. a audição. ao passo que os machos eram menos necessários. isso não reduziria a capacidade de procriação das pequenas tribos. Mas. No papel de centro da sociedade tribal. Aos 30 anos. o tato e a visão das cores. Embora freqüentemente crie prob lemas para os homens. as mulheres não podiam cometer erros graves. as mulheres. Além disso. e por isso se especializaram em ati vidades arriscadas. to rnaram-se ótimas na comunicação verbal e desenvolveram mais o olfato. Os homens são ligeiramente mais infantis em seu comportamento. E ficaram mais resistentes às doenças — como mães. se algumas mulheres morressem. Existem mais homens inventores do que mulheres. as mulheres primitivas eram valiosas demais para serem expostas ao risco da caçada. havia tão poucos seres humanos no planeta que a taxa de natalidade era extrem amente importante. esse era um atributo valioso nos tempos primitivos. em sua anatomia. quando . No curso da evolução. . Se alguns deles morressem em ação. a taxa de na talidade ficaria imediatamente ameaçada. Eis alguns exemplos. Isso ocorre porque eles conservam mais que as mul heres 0 elemento de risco da brincadeira infantil.

Para vingar. Essa grande retenção de gordura na fêmea era uma característica fortemente infantil. 10% mais pesado e 7% mais alto que o da mulher. enquan to a voz aguda da mulher opera a 230-255 vibrações por segundo. a prole tinha que ser protegida durante seu lent o crescimento. Por causa da d ivisão de trabalho durante a evolução. A reação paterna ao co rpinho gordinho de seus bebês era tão forte que podia ser explorada pela fêmea adulta. às vezes. a mulher manteve uma voz semelhante à das crianças. o corpo arredondado da mulher contém e m média 25% de gordura. O resultado foi que a voz da mulher permaneceu num tom mais agudo q ue a do homem.145 vibrações por segundo. Es sas diferenças se adaptam ao seu papel na sociedade. mais perversos. Em outras palavras. os homens precisavam ser mais fortes e mais atlét icos para a caça. e com ela vieram muito s outros úteis atributos juvenis. A mulher também conservou caracterís ticas faciais juvenis e cabelos de aspecto evidentemente infantil. A voz grave masculina opera a 130 . e a com binação resultou cm sucesso. Devido à sua importância para a reprodução. Por isso. O corpo masculino contém em média 28 quilos de músculos. enquanto o fe minino tem 15 quilos. Quanto mais características de bebê apresentasse. O corpo do homem é 30% mais forte. Os homens tornaram-se mais imaginativos e.Tudo isso se deve a uma diferença entre o cérebro da mulher e o do homem: eles conse rvam mais aspectos "infantis" que elas. e para isso precisava da atenção de ambos os pais. o corpo feminino tinh a que ser mais protegido da fome. mais proteção ela conseguia receber d e seu macho. enquanto o masculino tem apenas 12. Enquanto o ho mem adulto de- . O homem adulto foi programado pela evolução para pro teger seus filhos. As mulheres tornaram-se mais sensíveis e carinhosas. Eles se complementam. a história foi bem diferente. Fisicamente.5%.

Tenho me dedicado a listar as várias diferenças entre os sexos. mas muito l eves. enquanto a mulher desenvolvia mais atr ibutos físicos e menos qualidades mentais infantis. barba e pêlos no peito. tornaram o corpo da mulher um organismo altamente evoluído e maravilhosamente refinado. o homem se comportava de uma maneira cada vez mai s infantil e mostrava menos mudanças físicas.senvolveu uma fronte. por que muitos desenvolvimentos evolutivos especializados ocorridos na anatomia femi nina. Portanto. mais neotênico — que o masculino em muitos aspectos. Como veremos. As d iferenças entre homens e mulheres são verdadeiras e muito interessantes. para resumir. a mulher conservou sua face lisa e delicada de bebê. que o corpo feminino é mais avançado — ou seja. Vou tratar delas neste livro apenas porque é importante deixar claro desde o início. um queixo e um nariz mais marcantes. Entender isso nos ajudará a esclarecer muitos atributos da anato mia feminina que vamos encontrar nesta viagem da cabeça aos pés. em especial nas características sexuais e reprodutivas. além de bigode. mas é fundamental lembrar que tanto homens quanto mulheres são cem v ezes mais neotênicos em todos os aspectos que machos e fêmeas de outras espécies. Não explica tudo. É importante ressaltar o grau de diferenciação entre homens e mulheres. . à medida que o homem e a mulher percorriam seu trajeto evolutivo em direção a uma neotenia cada vez maior.

quando seres pré-históricos são descritos nos livros. O fato de que nos . exceto pelo topo da cabeça. acabaria com uma cabeleira na alt ura dos joelhos ou. pelas axilas e pelos genitais . seja a profissão mais antiga do mundo. tesouras. sob uma lente de aumento. e m sua imaginativa reconstrução. essa exagerada cobertura capilar seria um estorvo enorme. mas à distância eles são invisíveis. há algo de errado nisso. com uma imensa floresta cobrindo-lhe a cabeça. a fêmea humana quase não tem pêlos.2. Se alguma delas fizesse isso. Seus cabelos são sempre curtos demais. é possível ve r minúsculos pêlos cobrindo-lhe toda a pele. talvez porque não tenham resposta para ela. Isso torna seus cabelos longos ainda mais extraordinários. Cabelos Hoje não existe praticamente nenhuma mulher que deixe os cabelos crescerem como a natureza queria. se tivesse pele escura. Qual foi a vantagem evolutiva desse desenvolvimento excessivo? Ainda mais estranho é que. e sua pele é funcionalmente nua. assim como u ma cauda de pavão. e o erro esconde um dos maiores mistérios da anatomia feminina: por que a fêmea humana desenvolveu essas madeixas ridiculamente longas? No antigo mund o tribal. Quando um feto de chimpanzé tem cerc a de 26 semanas de idade. e não a prostituição. Mui tas vezes. mulheres que parecem ter feito uma misteriosa visita ao cabeleireiro antes de posar. É verdade que. pentes e outros utensílios é uma questão que nunca é discutida pelos antropólogos. as ilustrações mostram. Como nossos ancestrais remotos lidavam com esses extravagantes penteado s antes de inventarem as facas. A menos qu e o cabeleireiro. exibe uma distribuição capilar muito semelhante à de um adul to humano. Não é muito difícil traçar a origem desse padrão capilar.

A o contrário dos macacos. em ambientes aquáticos ou . Entretanto. abundam especulações. mas muito mais curtos e eretos — mais semelhantes aos penteados que vemos hoje em cabeças africanas. a idéia de manter a cabeleira. Eles também sugerem que os longos cabelos femininos tiveram outra uti1idad e: os bebês podiam agarrar-se a eles quando nadavam com as mães. Além disso. Os defensores da teoria aquátic da origem humana acreditam que perdemos nossa pelagem porque precisávamos nos ada ptar à natação. M esmo ao mais peludo dos homens. nós preservamos o padrão capilar fetal durante toda a vida. se nossos ancestrais evoluíram num tórrido clima africano. além de bigode e barba. Se a mãe mergulhasse em busca de comida. mas ambos os sexos se mantêm funcionalmente nus na maior parte da superfície corporal. como pr oteção tem algum mérito. Os homens são menos evoluídos que as mulhe res nesse aspecto. esse padrão tenha sobrevivido na vida adulta é outro exemplo de neotenia. é provável que não mantivessem os cabelos compridos e flutuantes. pois possuem um corpo mais peludo. Os críticos da teoria aquática a julgam infundada. que desenvolvem um pelame antes de nascer. mas conservamos nossos cabelos para proteger o topo da cabeça dos raios do sol. A explicação fetal pode nos dizer onde o adquirimos.humanos. mas não é capaz de ex plicar que vantagem ele nos deu em termos da sobrevivência da espécie. Como sempre. os pêlos do peito não dariam qualquer conforto numa noite gelada nem evitariam uma insolação em dias de intenso calor. quando não existe uma explicação óbvia. era pouco pro vável que permitisse que os filhos a acompanhassem. Portanto. parece que a natureza nos dotou de um padrão capilar muito estranho se comparado ao de ou tros animais.

quando o sol não é tão forte. é claro que eles deviam parecer muito diferentes de tudo o que existia no planeta. Alguns antropólogos afirmam que os cabelos compridos ajudavam a manter o co rpo dos habitantes das regiões frias aquecido durante o inverno — como uma capa natu ral pendente dos ombros. Mas. Isso pode explicar o penteado de estilo africano — uma c abeleira espessa que cobre o crânio. mas não esclarece o mistério da existência de longos cabelos flutuantes nas regiões frias do norte. quando dormiam. Os primitivos humanos eram animais tipicamente diur nos. (O suor refresca cinco veze s mais a pele nua do que um corpo peludo. Com corpos pelados. foi provavelmente porque eram mais ativos ao amanhecer e ao anoite cer. p or que os humanos dos paises frios não fabricaram um casaco de peles para proteger -se? A explicação mais provável é que o bizarro padrão capilar humano funcionasse como uma bandeira da espécie — um sinal que nos diferenciaria de todos os nossos parentes próx imos (parentes que desde então eliminamos). a longa cabeleira pode ter funci onado como um cobertor. e o resto do corpo pelado aumentaria d rasticamente o resfriamento proporcionado pelo suor. se isso fosse verdade. Uma vasta cabeleira lhes proporcionaria essa proteção. Isso pode até lhes ter dado a idéia para suas primeiras roup as.não. À noite. precisavam proteger-se contra o forte calor do sol tropical. como outros macacos. encimados por longas capas de cab elos ou jubas eriçadas. protegendo o cérebro do superaquecimento —. feitos de peles de animais enroladas no corpo. Se os humanos primitivos se dedicavam à caça e à coleta nas savanas africanas duran te o dia. Se tentarmos imaginar um pequeno grupo de nossos remotos ancestrais antes que eles fabricassem roupas ou qualquer tipo de instrumento cortante.) Se outros animais africanos conservar am a pelagem. eles seriam imediatamente identificados como membros daque la nova .

jubas. era importante que elas não se perdessem. Talvez essa seja uma maneira sin gular de classificar uma espécie. E. barbas. Lutando pela sobre vivência em desertos áridos e quentes.espécie que caminhava sobre as patas posteriores. Como ocorre com qualquer outra tendência evolutiva. cabelos . As raças tinham que se diferenciar o mais possível. Cabelos crespos. era necessário impor barreiras que reduzissem os cruzamen tos interraciais. penachos. em zonas de clima moderado ou nas geladas cer ras do norte. De mais perto. c abelos encaracolados. mas um rápido exame dos outros macacos pode nos mo strar com que freqüência estranhos padrões capilares surgiram como sinais de identific ação das espécies. Os machos. cabelos ondulados. Há uma rica variedade de crinas. esses huma nos passaram a diferir cada vez mais dos que ficavam em terras tropicais. Com seus corpos pelados e cabelos longos. bigodes e t ufos de cores brilhantes. uma vez conquistadas essas mudanças. Mas existe outra razão para o padrão capilar dos humanos. seria então possível fazer a disti nção entre os sexos. com suas faces peludas. seu corpo precisava mudar para sobreviver. A nece ssidade de adaptar-se a diferentes climas os colocou num caminho evolucionário que levou ao desenvolvimento de vários e diferentes tipos raciais. Os primatas são animais predominantemente visuais. jamais seriam confundidos co m as fêmeas imberbes. cabelos lisos. Uma das maneir as mais rápidas de fazer isso era variar o padrão capilar humano. além de servir para identificar a espécie e o gênero. de mo do que exibir evidentes sinais visuais seria a maneira mais rápida e eficiente de se distinguirem das outras espécies. nos sos ancestrais humanos podiam ser avistados à distância e facilmente diferenciados d os primos de corpo coberto de pêlos. À medida que começaram a sair de sua terra natal na África e foram obrigados a se adaptar a diferentes ambientes.

ajudando a manter os diferentes tipos a fastados. ferrovias e rodovias. antes que ele chegasse muito longe. As diferenças que sobrevive ram entre as raças não são mais importantes. fabricamos trens e carros. a história humana sofr eu uma reviravolta. Inventamos barcos e navios. Mas. precisam ser . N ossos diferentes estilos de penteado foram o primeiro sinal de que esse processo estava ocorrendo. humanos polares e assim por diante. As diferenças raciais estavam ainda num estágio muito preliminar de des envolvimento. Graças à nossa inteligência avançada. hoje não passam de uma chateação. Mas. domamos cavalos e os montamos. mas no s misturamos em todas as partes do mundo. Quanto aos diferentes formatos de cabelos que surgiram como mecanismos isolantes.loiros — variações desse tipo podiam rapidamente um grupo humano dos outros. As pop ulações modernas praticamente não precisam adaptar o corpo ao clima. qua ndo as populações estiverem ainda mais misturadas. Aprendemos a controlar o ambiente com roupas. Como não nos mantemos mais afastados. e depois aeroplanos. Não resta dúvida de que estávamos evoluindo para constituir um novo grupo de espécies intimamente relacionadas — humanos tropic ais. eles só levam à desarmonia. na densidade das glândulas sudoríparas e as pectos semelhantes) e as relativas ao sinais visuais: os padrões capilares. inventamos a roda e construímos carruagens. lareiras e aquecimento central. No futuro. com refrigeração e ar condicionado. enquanto isso. humanos desérticos. Essas adaptações se t ornaram quase obsoletas. esses mecanismos de isolamento de verão desaparecer totalmente. à medida que os humanos foram se espalhando pelo globo. humanos temperados. diferenciar Esse processo começou a ganhar impulso desde um estágio muito primitivo. tornamo-nos incrivelmente móveis . Apenas duas delas tinham feito progresso: as relacionadas ao calor e à umidade (diferenças na pigmentação da pele.

Nenhuma outra parte do corpo feminino passou por tantas e incríveis mudanças culturais. ao longo dos séculos. como d iscutimos. T ratando agora especificamente dos cabelos das mulheres. Se continuarmos imaginando — erroneamente — que os cabelos refletem p rofundas diferenças raciais. No período de uma vida humana. mas. os humanos não têm trocas de pêlo. enquanto 10% estão descansando. eles continuarão a nos causar problemas. que possuem cabelos mais espessos. presos. um depois do outro. passa por uma fase de repouso de três meses antes de começar a cair. Antes de analisar essas mudanças mai s detalhadamente.compreendidos. escondidos. enquanto as ruivas. 90% dos fios e stão crescendo. são comuns e superficiais. não deve nos causar surpresa que. Em qualquer tempo. Podem chamar a atenção. e como tal devem ser vistos. . p enteados. o crescimento excessivo dos cabelos evoluiu originalmente como um sin al visual. Ao contrário de muitos outros mamíferos. alisados. cortados. positiva e negativa. cada pa pila capilar produz cerca de doze fios. têm apenas 90 mil. apesar disso. soltos. Então. convém dizer que existem cerca de 100 mil fios de cabelo numa ca beça humana. é claro que suas longas ma deixas e sua face lisa devem ter criado um atraente contraste visual. De modo geral. como compensação. Representaram um pouco de tudo: de glória da f eminilidade a motivo de tabus religiosos. Se. ondulados. cada fio cresce durante cerca de seis anos. eles tenham sido alvo de tanta atenção. As loiras têm cabelos mais finos e. As morenas têm cerca de 108 mil fios. Nossos cabelos se mantêm no mesmo vo lume em todas as estações. um número de fios ligei ramente superior à média — geralmente cerca de 140 mil. coloridos e enfeitados de milhares de maneiras diferences. Os cabelos foram exibidos.

existem mais pente ados c cortes do que nunca. Então. Na era moderna. inclusive cabelos elaboradamente repartidos no meio da cabeça e. Com a individualidade na ordem do dia. sempre inventivo.Na média. com penteados bem característi cos de cada época. Em uma americana. e essa é uma das características únicas da espécie humana. com tanto cabelo a seu dispor. é possível ver como os estilos foram mudando devagar. Algumas gravuras rupestres mostram claramente diferences p enteados. em um c aso. criando indivíduos supercabeludos. É como se o impulso genético para desenvolver cabelos humanos mais longos tive sse escapado de controle. uma trança caída sobre o ombro direito. Mesmo sem considerar esses casos extremos. mas. em vez de cair depois de seis anos. era natural que. Nenhum outro primata apresenta ta l crescimento. mas o recorde mundial pertence a uma chinesa cujos cabelos chegaram a 5 me tros. por algumas das mais antigas imagens de Vênus. com a chegada dos salões profissionais de cabelei reiros e dos sistemas de comunicação global. no século XXI. o ser huma no. A ânsia de imitar celebridades . são tantas as influências. até chegarem ao chão. Há uma curiosa e xceção a essa regra: em alguns casos. entre adultos jovens e saudáveis. que não existe mais um únic o modelo predominante. pode chegar a 18 cm por ano. Analisando os primeiros períodos históricos . Hoje. nesses jovens. que isso ocorre há pel os menos 20 mil anos. se não forem cortados. se sentisse tentado a experimentar diferentes formas e est ilos. os fios podem atingir mais de 1 metro antes de começar a cair. a velocidade dessas mudanças se acelerou drasticamente. Em alguns cas os. os cabelos atingiram 4 metros de comprim ento. crescem além disso. Sabemos. os cabelos simplesmente continuam crescendo cada vez mais. cada fio cresce 13 cm por ano.

Enrolar. Este não é o lugar para listar todas essas criativas variações.ainda cria tendências de curto prazo. Ela lava. Os cabelos curtos e práticos da executiv a. Os cabelos são presos por . mas. Embora seja a mais básica das estratégias. as longas madeixas flutuantes da pop star. os cabelos espetados do rebelde — são todos modelos q ue encontramos lado a lado nos jornais e revistas. Ainda pode ser encontrada em sociedades pouco sofist icadas ou em culturas em que a simplicidade se tornou uma doutrina social. mesmo quando não têm dinheiro para comprar p rodutos para os cabelos ou freqüentar um salão de cabeleireiro. Para mulheres que têm um trabalho físico extenuante — nos campos ou nas fábr icas. Elas não dependem dos caprichos da moda. ao longo dos séculos. os cabelos cuidadosamente desarrum ados das atrizes de Hollywood. frisar e trançar não custa quase nada e ajuda a mat ar o tempo. nas ocasiões e speciais e no dia-a-dia. ocorreram poucas "estratégias d e penteados femininos". um estilo prático é o ideal. mas é importante registrar que. A pob reza seria um fator para a sua adoção. E dar um nome a todos esse es tilos é criar estereótipos injustificados. A estratégia mais simples é optar por um ar natural. mas não tenra mode lá-los ou dar-lhes alguma forma especial. porque dentro de cada estilo existem inco ntáveis e sutis variantes. a mulhe r usa os cabelos soltos e naturais o tempo todo. escova e penteia os cabelos. Outras ainda estão em uso. Quando a adota. mas das possibili dades básicas do que pode ser feito com os cabelos femininos. mas são tantos os modelos a copiar que ninguém m ais pode afirmar que um estilo predomine. e la é hoje relativamente rara. as mulheres não deixam de arrumar os cabelos. por exemplo —. Algumas dessas estra tégias se desvaneceram na história e hoje parecem muito estranhas. em casa ou na rua.

Duas das principais estratégias no cuidado dos cabelos são o corte e o alon gamento. prendendo. . mas proibida em países em que há estritas normas religiosas ou onde a beleza femini na é tabu. mas também gostavam de usar perucas como demonstração de status. têm optado por alguma forma de penteado. Essa predileção criou moda: a de que os cabelos com os quais as perucas eram feitas tinha m que ser de mulheres de povos conquistados em batalha — uma versão romana do costum e de escalpelar os inimigos. nunca se contentaram com soluções práticas e naturais. as mulheres. cortando. Essa é uma est ratégia que tem no mínimo 5 mil anos. mo delando. No antigo Egito. Mas. As damas romanas não r aspavam a cabeça. para que não caiam sobre os olhos ou se embaracem. especialm ente as que vivem em sociedades urbanas. mechando ou enfeitando os cabelos. principalmente em países onde há muitos salões de cabeleireiro. mesmo não se dedicando a trabalhos físicos. tingindo. Há séculos. as mulheres da classe superio r raspavam a cabeça e usavam uma peruca ornamentada em público. Essa é a estratégia mais comum. Uma maneira de ter cabelos longos é usar uma peruca. tant o no trabalho quando em casa. ondulando. Quando não es tão trabalhando. acham que prender os c abelos num rabo-de-cavalo pode ser uma forma de controlar cabelos rebeldes. em sua grande maioria. Os cabelos longos mostram mais as mudanças escolhidas e fazem a mulher pa recer mais alta. Essa foi um a estratégia muito usada pelas camponesas no passado e ainda hoje é adotada por muit as mulheres. alisando. elas soltam os cabelos e os deixam cair naturalmente.razões de conveniência. que.

mas seus dias de glória tinham ficado para trás. Em tempos mais recentes. sempre primorosamente dec oradas. fabricadas de material sintético e em cores brilhantes e artificiais —. A única mulher que podia pôr um fim a essa moda extravag ante era Madame Guilhotina. quando são usadas. Algumas dessas perucas. Como o custo de fabricar e manter uma peruca era muito alto. mas reapareceram na era elisa betana. as perucas passaram a s er uma demonstração de riqueza. Isso aconteceu em grande parte porque os primeiros cosméticos danificavam tanto os cabelos e a pele que era necessária uma espessa cobertura. Houve momentos em que ela ressurgiu brevemente sob uma forma ou ou tra — como as divertidas perucas da década de 1960. A altura das portas teve que ser aumenta da para permitir que as damas passassem por elas. Há mulheres (especialmente a quelas cujos cabelos ficam mais ralos com a idade) que nunca aparecem em público s em uma boa peruca.As perucas foram banidas pela Igreja na Idade Média. Mas a moda da peruca só atingiria seu ápice no século XVIII. chegavam a ter 75 cm de altura. Por isso. as p erucas só eram permitidas nos camarotes. Algumas celebridades também adotam essa estratégia. quando. as perucas devem ser tão semelhantes ao s cabelos naturais a ponto de passarem despercebidas. Na Ópera de Paris. su rgiram penteados nunca vistos. Nenhum outro estilo de penteado teve tal impacto sobre a sociedade. porque sua presença na platéia impediria a vi são do palco. a peruca nunca se recupero u totalmente. O assento das carruagens teve que ser rebaixado. não porque tenh am . que decepou as cabeças aristocráticas sobre as quais se exibiam as enormes perucas. Cabeceiras especiais foram criadas nas camas para que a mulhe r pudesse deitar-se e descansar sem tirar a enorme peruca. Depois da Revolução Francesa. os maridos tinham q ue ser extremamente generosos para financiá-las. com um exagero atrás do outro.

Uma das razões dessa popularidade era que esse volume todo fazia as feições parecerem mais delicadas. A grande vantagem disso é que as elegantes perucas podem ser cuidadas e pentea das sem a presença da dona. era chamativo e vulgar. mas também era anti-sexual. era preciso "secar os cabelos de baixo para cima com a cabeça abaixada. Mesmo que os cabelos estejam em bo m estado. um notável exem plo do passado recente é um penteado que ficou popular na década de 1980. Era também um penteado ex trovertido e afirmativo. o pentea do ficou muito popular nas pequenas cidades norte-americanas e nos Estados do su l do país. foi maldosamente desc rito por um crítico como "uma das maravilhas arquitetônicas de nossa época". Esse recurso é utilizado quando a mulher se cansou dos cabelos cur tos ou quando os cabelos naturais não crescem tanto quanto ela desejaria.problemas com os cabelos. que desafiava a gravidade. O resultado. "quanto mais alto o cabelo. Mais recentemente. e portanto mais atraentes. nem desmanchá-los carinhosamente. dando à mulher um ar mais confiante. porque os homens hão podiam correr os dedos pelos cabelos. mas por conveniência. Para seus críticos. surgiu uma forma mais sofisti cada de alongamento: mechas que são coladas aos cabelos naturais para fazê-los parec er mais longos. Voltando à estratégia dos cabelos compridos. às vezes é mais fácil usar uma peruca do que perder tempo arrumando os cabel os. po rém. nada mais do que uma maneira de compensar as imperfeições . E tinha um grave defeito: podia ser uma inegável propaganda de feminilidade. mais pe rto de Deus". o cabelo natural era penteado de forma a parecer o mais volumoso possíve l. onde com freqüência se ouvia dizer que. modelá-los com mousse e por fim pulverizá-los com mui to spray fixador". Às vezes ba tizado de "estilo Dolly Parton" (uma famosa cantora country americana). Em lugar d a peruca. Técnicas m odernas tornaram . Pura obter essa exuberante cabeleira.

co mo casamentos. a não ser na privacidade do lar. Mantêm-nos presos num coque o tempo todo. A segun da estratégia importante é diminuir o tamanho ou o volume dos cabelos naturais. Mulheres que precisam impor sua autoridade co stumam amplificar esse ar de controle e poder mantendo os cabelos colados ao crâni o. Algumas mulheres usa m os cabelos presos num penteado sóbrio em ocasiões sociais. e não precisa ser preso para facilita r o trabalho físico. . inacessíveis c intocáve is. Algumas mulheres vão ain da mais longe e nunca usam os cabelos soltos em público. que reapareceu nos anos de 1960 no trabalho do cabeleireiro Vidal Sassoon. As melin drosas da década de 1920 foram as primeiras a adotar essa moda. seja por meio de um corte. Isso as torna menos femininas e evita passar a impressão de relaxamento ou libe rdade. mas soltos e naturais n a vida cotidiana. mas gostam de se arrumar para ocasiões especiais. Isso as faz parecer literal e metaforicamente impecáveis. Sem um fio fora do lugar. embora algumas delas seja m visíveis. os cabelos não podem ser despenteados ou acaricia dos. sou séria e não permito familiaridades".praticamente impossível detectar a presença dessas mechas. Há mulheres que optam por usar os cabelos tão curtos que não é possível prendê-los nem s oltá-los. muitas mulheres querem parecer "livres e natu rais" a maior parte do tempo. prendem os cabelos. enterros e grandes eventos e celebrações. Nas últimas décadas. No intuito de criar uma apa rência de pessoas de alta classe e disciplinadas. seja usando-os rigorosamente presos. O pouco cabelo que resta fica solto. querendo diz er: "Sou importante. nem pode ser mudado em diferentes contextos sociais. propositalmente falsas e funcionem quase como uma meia peruca. É o que se pode chamar de estilo "go vernanta" ou "diretora de escola".

numa forma mai s austera. O estilo da mulher executiva pós-feminista está comunicand o: "Continuo disciplinada. e não uma exibição de futilidade feminina. tornou-se uma estratégia feminista. O penteado curto ressurgiu novamente na década de 1970. manifestação de alguém que ignora as conve nções e se recusa a seguir a moda. não preciso de cabelos bonitos para ser atraente". Numa f orma mais drástica de redução dos cabelos. a mensagem que se quer passar com o estilo curto é a de uma mulher ativa e independente. esse estilo pode parecer uma provocação. "Veja . Esse é o novo desafio para o profissional cabeleireiro do Ocidente no início do século XXI. uma demonstração de assertividade nos l ocais de trabalho. mas não preciso abrir mão da minha feminilidade para ocup ar um lugar de destaque no mundo". . o que pode ser visto como uma demonstração de vaidade.Evidentemente. A desvantagem porém é que na prática esses cortes d os anos 1920 e 1960 se revelaram mais difíceis de cuidar fora do salão de cabeleirei ro. o que elimina a "soltura natural" mesmo na privacidade. que faz dos cabelos uma demonstração de molecagem elegante. O ob jetivo era combinar um controle refinado com uma sensual liberdade. quando. Para mu lheres bonitas. como se ela dissesse. algumas mulheres se aventuram a cortar o ca belo rente à cabeça. oscilando entre o estilo agressivo e masculinizado e o modelo ornamentado. E os homens podem se sentir ameaçados e frustrados no desejo de acariciar suaves madeixas flut uantes. como as conformistas. onde as mulheres queriam ser tratadas com mais respeito por s eus colegas homens. A moda dos anos 1990 caminhou na corda bamba. As mulheres que não gostam de sse corte o vêem como uma tentativa de se exibir com táticas de choque. Na década de 1990. os penteados curtos suavizaram-se e ganhara m um toque mais feminino. Mas também de rebeldia.

a mulher permitir que uma pequena parte dos cabelos seja exposta sob o tradicional véu. quando não haja estranhos pres entes. A exigência de q ue a mulher cubra a cabeça ao entrar numa igreja católica é uma reminiscência da época em que ela era obrigada a esconder os cabelos durante qualquer cerimônia religiosa cr istã. Em outras ainda. As comunid ades cristãs também impuseram . uma imposição a todas as mulher es em cerimônias fúnebres especiais. um estilista convenceu todas as suas modelos a raspar a cab eça para mostrar que uma mulher moderna não precisa ser "prisioneira de seus cabelos ". a mulher que se recusasse a ra spar a cabeça em sinal de luto tinha que se oferecer como prostituta no templo. a exposição dos cabelos femininos — em qualquer estilo — tem sido proibida em algumas culturas. Exige-se qu e a mulher cubra ou esconda os cabelos para eliminar seu potencial erótico. esse corte raspado (de Joana D'Arc a roqueiras punk) não tem qu ase ou nenhum sex appeal. Um resquício moderno desse antigo costume é a convenção social de usar chapéus em ocas iões formais. uma vez que nega totalmente a sensualidade dos longos cabelos femininos. pode ser açoitada pelos homens da igreja. exige-se que as mulheres cubram a cabeça completamente quando estiverem e m público e só soltem os cabelos na privacidade do lar. Em algumas culturas. passadas e pr esentes. por exemplo. isso é uma lei. como casamentos e funerais. Devido ao seu poder de seduzir os homens. um sinal de escravidão ou d e submissão voluntária a uma divindade. por descuido. Em sociedades que praticam rigidamente o islamismo.Algumas mulheres adotam um corte ainda mais drástico e raspam completamente a cabeça . Em outras. Se. Em comunidades religiosas. na França. Para os homens. Entre os fenícios. Re centemente. A form a mais branda dessa "cobertura" puritana é usar algum tipo de chapéu. isso era um castigo.

Quando usam essa peruca. Nelas. a regra religiosa é obedecida sem sacrifício da imagem. Os cabelos c urtos têm sido associados a disciplina. eficiência. sua aparênci a não muda. sóbrios e rigidamente penteados. Quando os cabelos crescem. No passado. praticamente iguais a s eus cabelos naturais. e a menor alteração é imediatamente pe rcebida. Os cabelos longos podem ser vistos como símbolo de sensualidade. mas é surpreendente como elas corr espondem aos fatos em muitos casos. Isso ocorre porque é fácil mudá-los. É e vidente que os cabelos convidam à experimentação mais do que qualquer outra parte do c orpo feminino. Qualquer observador com certeza acharia difícil dizer que elas estão usand o uma peruca. cujos cabelos não podiam ser vistos em púbico. essas regras quase sempre se apl icavam às esposas devotas. Evidentemente. autocontrole. Apesar disso. as mu lheres dessas comunidades desejam se integrar à vida nova-iorquina e resolvem esse dilema de uma maneira engenhosa. longos. a mulher deve cobrir totalmente os cabelos. nas comunidades de judeus ortodoxos. Acima de tudo. e ainda hoje são seguidas pelas freiras. essas mudanças podem ser feitas rapi damente. soltos e acessíveis e os cabelos curtos. e não são definitivas. que chamam de sheitel. pode-se tentar um novo es tilo. que só podem ser vistos pelo marido.normas relativas à exposição dos cabelos. O maior prazer . liberdade de espírito. Dessa forma. Usam perucas caríssimas. Um extraordinário exemplo desse costume de ocultar os c abelos por razões religiosas ainda sobrevive hoje em Nova York. na privacidade do quarto de dormir. rebeldia pacífica e criatividade. capacidade de adap tação e assertividade. são generalizações. No simbolismo dos cabelos femininos existe uma simples dicotomia: o con traste entre os cabelos naturais. os cabelos são muito visíveis.

mais suaves ao toque e portanto mais sensuais no s momentos de íntimo contato corporal. há ainda a questão da modificação cor dos cabelos. fruto de uma adaptação às condições climáticas do ambiente. Portanto. quando as mulheres decidem mudar a cor dos cabelos. Mas por que tantas mulheres de cabelos escuros querem parece r escandinavas. são. A mulher loira tem uma penuge m fina e suave . Além das inúmeras opções de corte e penteado. porém. exista uma cor que predomine sobre todas as outras. qual é a atração dos cabelos loiros. quando tão poucas escandinavas querem tingir seus cabelos de preto ou castanho? É claro que isso nada tem a ver com o clima. um ap elo tão forte a ponto de criar a bizarra situação de termos no mundo mais loiras artif iciais do que verdadeiras? Parte do poder de atração dos cabelos loiros reside no fa to de eles serem finos e leves. cas anho. a suavidade dos cabelos evoca a maciez da carne feminina. a mu lher pode usar os cabelos como um maravilhoso meio de se expressar e se apresent ar ao mundo. como os to ns de pele. Desde que o mundo obscuro das práticas religiosas sexistas não interfira. as loiras são mais femininas que as ruivas ou as morenas. ruivo ou louro — tem um significado que reflete essa adaptação e um encanto própri o. Na verdade a feminilidade das loiras se estende a todo o corpo. já que a maio ria das caucasianas têm cabelos escuros. Por entre os dedos ou no contato com o peit o do homem. que vão do preto ao loiro-claro. Cada cor — preto. As cores naturais. é surpreendente descobrir que. é que eles estão sempre disponíveis. permitindo-lhe expressar seu estilo pessoal e sua individualidade. Nem com raça. assim como seu estado de es pírito. Então. De cada cem mu lheres que tomam a decisão de mudar radicalmente a cor dos cabelos.da mulher em relação aos cabelos. mais de 90% de cidem ficar loiras. Assim ness e aspecto.

Eis portanto outra vantagem de ser loira. os bebês são mais loiros que os pais . As loiras passam uma idéia de j uventude porque. Em momentos de extrema intimidade. portanto. a loira leva uma ligeira vantagem sobre as morena s. em grande parte da humanidade. Praticamente desde o amanhecer da história. E essa imagem projetada por uma mulher adulta. Dos impérios do mundo antigo aos salões da Europa barroca. Alguns dos recursos utilizados para satisfazer as exigências sociais e alourar os cabelos eram perigo sos e até mesmo letais. As axilas e o púbis das loiras são cobertos por pêlos mais delicados. Os antigos gregos usavam uma pomada de pétalas de flores ama relas. uma solução de potássio e pós colorantes que deixava os cabelos opacos na tentati va . alguém poderia contrapor que qualquer vantagem que se o btenha será apenas por associação.nas partes em que a morena precisa usar uma lâmina de barbear ou creme depilatório. gerações de mulheres de cabelos escuros acorreram a seus estabelecimentos em busca dos mais modernos estilos e produtos. Diante do argumento de que é a suavidade dos cabelos loiros que leva tantas mor enas a clarear os cabelos. o c lareamento dos cabelos femininos foi uma indústria importante. e e la é apenas visual: a mulher loira passa uma imagem mais juvenil do que a morena. O clareamento não torna o cabelo mais fino nem mais m acio. aumenta seu poder de sedução. A sedosidade de seus pêlos púbicos é muito diferente da aspereza dos pelos das morenas. Nem é preciso dizer que isso é bom para cabeleireiros e fabric antes de perucas. transmi tindo fortes sinais de que ela deseja ser cuidada. de modo que a combinação entre "olhos azuis" e "madeixas loiras" ficou indelevelme nte associada à infância. Ele apenas parece mais fino. com a pretensão de se tornarem um pouco — ou muito — mai s loiras do que a natureza as fez.

de dar-lhes a sensual aparência alourada. As damas romanas tingiam os cabelos com um sabão germânico especialmente importado do norte, mas era mais provável que escolhe ssem o caminho mais fácil de usar uma peruca loira. Essas perucas primitivas eram feitas de cabelos naturais dos europeus do norte que os romanos conquistavam em sua expansão. A moda se espalhou tanto que o poeta romano Marcial zombou dela nos seguintes versos: Os cabelos dourados que Gala usa São dela — quem imaginaria? Ela j ura que são dela, e eu juro que é verdade Porque sei onde ela os comprou. À medida que os séculos foram passando, cada vez mais truques eram usados para clarear os cabe los. Cascas de plantas, sementes, sabugos e resíduos do vinagre foram muito popula res nos primeiros tempos. Uma das receitas mandava esfregar os cabelos vigorosam ente com açafrão. Outra recomendava gemas de ovos cozidos com mel, seguidas de uma l onga exposição ao sol forte. As mulheres elisabetanas polvilhavam os cabelos com pó de ouro ou quando precisavam ser mais econômicas, aplicavam neles raspas de ruibarbo diluídas em vinho branco. Algumas vezes, corriam o risco de embeber os cabelos co m ácido sulfúrico ou alumina. Para algumas mulheres, esses tratamentos químicos resolv iam o problema dos indesejáveis cabelos escuros: ficavam completamente carecas e e ram obrigadas a usar uma peruca loira pelo resto da vida. As receitas foram se t ornando cada vez mais complexas. Em 1825, um tratado denominado A arte da

beleza ensinava a suas leitoras a fórmula para obter cabelos da cor do linho: Ferv a 1/4 de galão de lixívia; adicione 1/2 onça de raízes de celidônia e gengibredourado, 2 d racmas de açafrão e raízes de lírio, e 1 dracma de cada uma das seguintes flores verbasc o, giesta e hipérico. A solução obtida deve ser aplicada regularmente nos cabelos . É cl aro que, ano após ano, século apos século, a mulher foi se preparando para superar qua lquer obstáculo que a impedisse de adquirir as desejáveis tonalidades douradas. Mas, como acontece com muitos conceitos de moda, foi inevitável que o clareamento dos cabelos adquirisse um sentido colateral de exagero e exibição. Mesmo na época romana, a aparência que ele proporcionava nem sempre era a de uma virgem imaculada. A arti ficialidade das perucas e tinturas reduziu o valor simbólico da coloração. Num dado mo mento, tornou-se sinônimo não de inocente feminilidade, mas de sensualidade profissi onal: a marca da prostituta. As prostitutas romanas eram muito organizadas. Tinh am que obter uma licença para trabalhar, pagavam impostos e, por exigência da lei, u savam cabelos loiros. A terceira esposa do imperador Cláudio, a ninfomaníaca Messali na, ficava tão excitada com a possibilidade de fazer um sexo brutal e repentino co m estranhos que saía para a sua caçada noturna usando uma peruca de prostituta. Corr iam boatos de que tal era a violência com que fazia sexo que muitas vezes perdia a peruca loira e retornava ao palácio real totalmente reconhecível. Outras damas roma nas logo passaram a imitá-la na cor dos cabelos, e os legisladores foram incapazes de reprimir a nova moda. A obrigatoriedade do uso da peruca loira para as prost itutas caiu por terra, mas um elemento de fraqueza e abandono hoje associado às lo iras sobreviveu ao longo de séculos, ressurgindo repetidamente

como o reverso da imagem de virginal inocência. Geralmente, a diferença que se. esta belecia era a seguinte: loiras verdadeiras são anjos e loiras falsas são promíscuas. O fato de as loiras artificiais terem tido muito trabalho para parecer atraentes significava que o sexo ocupava sua mente por muito tempo, e a loira falsa se rep roduziu em diferentes arquétipos: garota fácil, bomba sensual, prostituta, bonequinh a de luxo, loira burra. Cada geração tem um nome para ela, e cada geração tem suas super loiras. No início da Primeira Guerra Mundial, a loira platinada entrou em cena. Em 1937, quando Jean Harlow morreu, aos 26 anos, deixou uma longa sucessão de estrel as de cinema loiras, que continuam dominando a tela até hoje. A grande maioria das personalidades femininas surgidas em Hollywood foram louras — geralmente, mais po r força da cosmética do que da genética. Algumas passaram por sacrifícios para aperfeiçoar o visual: Marilyn Monroe chegou a clarear os pêlos púbicos para fazê-los combinar com suas madeixas platinadas. Muitas se mantiveram fiéis à velha associação entre o sol e o dourado de seus cabelos — eram mulheres alegres e calorosas, vitais e intensas. F reqüentemente elas se dão mal, mas isso também faz parte de seu natural poder de sedução: sua loira vulnerabilidade. Em defesa das morenas, um comentarista do final da déca da de 1960 afirmou: "Se um homem tem boas intenções em relação a uma garota, deseja que ela seja natural. Nada artificial atrai um homem sério. De modo geral, ele prefere uma loira como amante e uma morena como esposa. Morenas têm mais integridade".

3. Testa A testa é uma região da face que desempenha um importante papel na linguagem corpora l. Como afirmou um especialista cm expressões faciais no século XVIII, "de todas as partes da face, a testa é a mais importante e mais característica". Hoje, essa afirm ação pode parecer surpreendente, porque, como se dá muita atenção à maquiagem dos olhos e do s lábios, eles tendem a dominar o rosto feminino e ofuscar as outras partes. No en tanto, é pouco provável que alguém tenha travado uma conversa cara a cara sem transmit ir sinais inconscientes na testa, na forma de um mover das sobrancelhas ou de um franzir da pele — movimentos indicativos de mudanças de humor. Antes de examinar es ses sinais e descobrir de que forma a testa feminina difere da masculina, convém p erguntar por que afinal temos testa. Se observarmos atentamente a face de um chi mpanzé e a compararmos com o rosto humano, a diferença na fronte é surpreendente. Nos macacos, a testa quase não existe. Nos humanos, ela se eleva verticalmente acima d as sobrancelhas. No chimpanzé, ao contrário, a linha dos cabelos se junta às sobrancel has, que quase não têm pêlos. Na verdade, a região frontal do macaco é totalmente diferent e da dos humanos. Quando olhamos a face de um chimpanzé ou de qualquer outro macac o, a impressão que se tem é que eles possuem imensos e proeminentes ossos supercilia res que os protegem de danos, enquanto nós, humanos, perdemos essa proteção. Isso é uma ilusão. Se tocarmos o osso imediatamente acima dos olhos, sentiremos a proeminência do crânio, que continua lá para nos proteger. Nossos supercílios são menos evidentes, não porque desapareceram, mas porque nossa fronte se estendeu para abrigar um cérebro muito maior. O cérebro de um

chimpanzé tem um volume de cerca de 400 cm3, enquanto o cérebro humano ocupa um volu me mais de três vezes maior: 1.350 cm3. Foi a expansão do cérebro humano, principalmen te na região frontal, que nos deu uma testa. Essa área de pele exclusivamente humana acima dos olhos deu a nossos ancestrais uma região a mais para a transmissão de sin ais visuais. Por isso a pele da fronte, embora bem esticada sobre o osso, não é tota lmente imóvel. Ela é capaz de leves movimentos — sutis, mas claramente perceptíveis. É fácil detectar esses movimentos porque, quando se mexe, a pele cria rugas. Além disso, a face humana conservou duas tiras de pelos na fronte. Conhecidas tecnicamente c omo supercílios, mas chamadas comumente de sobrancelhas, funcionam como sinalizado res que ajudam a tornar os movimentos da pele ainda mais visíveis à distância. Já se dis se que a principal função das sobrancelhas é reter o suor e a chuva, impedindo que ele s escorram para dentro dos olhos. E embora elas tenham alguma utilidade nesse as pecto, funcionando como calhas , sua principal função é sem dúvida transmitir as acelera das mudanças do nosso estado de espírito. Estudando todos os sinais de mudança de humo r no rosto, fica evidente que existem seis movimentos da testa, cada um ligado a um determinado estado emocional. São eles: Baixar as sobrancelhas. Esse movimento não é estritamente vertical, e sim um franzimento. À medida que baixam, as sobrancelh as também se movem ligeiramente para dentro, aproximando-se. Isso enruga a pele en tre elas e forma pequenas dobras verticais. O número dessas dobras varia de indivídu o para indivíduo, e cada adulto tem um franzido característico de uma, duas, três ou

quatro linhas. Quase sempre elas se formam simetricamente de cada lado do espaço e ntre as sobrancelhas (conhecido como glabela), cada uma mais longa ou mais forte que a anterior. As marcas horizontais da testa tendem a se suavizar quando as s obrancelhas baixam, mas podem não desaparecer completamente. O processo de envelhe cimento envolve uma fixação cada vez maior das linhas de expressão temporárias. Os vinco s da pele, que na juventude aparecem e desaparecem a cada mudança de humor, se gra vam permanentemente na pele à medida que os anos passam. Um forte vinco num rosto que não está franzido é o resultado de inúmeros movimentos desse tipo realizados pelo in divíduo ao longo da vida. Esse franzir das sobrancelhas ocorre em duas diferentes situações, que podem ser grosseiramente rotuladas como de agressão e de proteção. Num cont exto agressivo, o movimento se processa em diferentes graus de intensidade, que vão da simples desaprovação ou determinação até o aborrecimento e a raiva violenta. Num cont exto de proteção, o movimento ocorre sempre que existe uma ameaça para os olhos. Entre tanto, em momentos de perigo, franzir as sobrancelhas não é proteção suficiente. Nessas ocasiões, as bochechas também se elevam. Juntos, esses dois movimentos oferecem a máxi ma proteção possível aos olhos, que se mantêm abertos e atentos. É um movimento típico de um rosto tenso, que prevê um ataque físico, ou exposto à forte iluminação, da qual os olhos se protegem. Essa contração também ocorre freqüentemente quando o indivíduo ri, chora e em momento de forte repulsa, o que sugere que essas situações talvez devam ser conside radas uma espécie de superexposição. È a função de proteção ocular que explica a origem desse anzimento da testa. Sua utilização cm contextos

ao contrário. Como o movimento anterior. ignorância. É isso que se costuma chamar de "testa franzida".agressivos parece ser secundária. apenas as linhas do meio se estendem de lado a lado da testa. são mais ou menos paralelas. geralmente atrib uída a pessoas "preocupadas". porém. dúvida. Isso estica a pele entre elas e faz desaparecer as rugas verticais que ali se formaram. mas isso é um erro. incompreensão. n egação. pressentimento. arrogância. Às vezes. uma vez que atos de franca hostilidade raramente escapam de uma retaliação. Na maioria dos casos. ceticismo. cria ndo longas marcas horizontais. em número de quatro ou cinco na maior ia dos casos. Er guer as sobrancelhas. exibe um par de olhos fixos e bem abertos. Essas linhas. encantamento. afastando -se. surgida da necessidade de defender os olhos de c ontra-ataques que uma atitude agressiva poderia provocar. mas não tão intrepidamente feroz a ponto de não levar em conta a necessidade de proteger órgãos tão vitais como os olhos. A verdadeira face de agressão. mas essa é uma ocorrência relativamente rara. dez rugas chegam a se formar. felicidade. toda a pele da testa se estica para cima. esse não é estritamente perpendicul ar. Costumamos ver num ros to franzido a imagem de ferocidade. Um crítico musical fez um comentário que ficou famoso: o de que uma certa cantora de óper a "tinha que pegar qualquer nota acima de lá com as sobrancelhas". m as é difícil precisar seu número porque as linhas superiores e inferiores em geral são f ragmentárias. Ao mesmo tempo. Vários autor es as descreveram como sinal de surpresa. Quando se erguem. Com . as sobrancelhas se movem ligeiramente para fora. Pode s er feroz. Seus significados. ansiedade e medo. e não de autopreservação. porém. vão muito além disso.

Para eles. au mentamos imediatamente nosso campo de visão. Veremos que esse conceito de "fuga frustrada" se aplica perfeitamente ao contexto humano. Esticando a pele da testa e erguendo as sobrancelhas. A risada pode ser verdadeira. Ambos os . O humo r pode nos levar ao limiar do medo e a um riso nervoso. trat a-se de um "abridor de olhos". a expressão parece ter se originado da necessi dade de melhorar a visão. Uma pessoa preocupada. Esse "algo mais " pode ser muita coisa: uma conflituosa necessidade de atacar. a única maneira de entender o significado desse movimento é buscar sua origem. O indivíduo sorridente que mostra essas marcas na testa também está levemente assus tado. Para usar uma expressão conhecida. Isso não é raro. Existem elementos de retraimento corporal nessa postura. Homens e macacos se comp ortam de maneiras muito parecidas. utilizada sempre que o animal é confrontado com algo que o faz querer fugi r. como para nós. Vamos supor que estamos diante de algo ameaçador: podemos baixar as sobrancelhas para proteger os olhos ou erguê-las para aumentar nosso campo de visão . mas por alguma razão não pode fazer iss o. A pessoa arrogante que e rgue as sobrancelhas também gostaria de escapar ao desagradável ambiente circundante . ao mesmo tempo. Mas ela só ocorre se. mas aquilo de que se ri é algo muito perturbador. é essencialmente alguém que gostaria de escapar. Erguer as sobrancelhas é um movimento que partilhamos com outro s primatas. algo o impede de escapar. parece ser uma reação a situações de em ergência.todas essas interpretações. Quando comparamos essa expressão com o movimento de baixar as sobrancelhas. com a testa franzida. surg e um problema. Entre os macacos. uma incontrolável c uriosidade de ficar e ver o que é essa coisa tão assustadora ou qualquer outro impul so de ficar em condito com a urgência de fugir.

vemos que numa situação de agressividade as sobrancelhas se franzem. estes dois movimentos podem ser usad os deliberadamente em contextos menos graves. Se vivemos nervosos ou ansiosos. elas se erguem. O cérebro precisa perceber qu al a necessidade mais importante e passar a instrução para o rosto. mas com muito medo. e. Então. Observando os ma cacos. Qu ando estão dominados por uma leve agressividade. mas temos que escolher um deles. Mas tais refinamentos e modificações não seriam possíveis se não fosse o significado original do movimento. eles sacrificam a proteção pela vantagem tática de enxergar mais claramente o que está acontecendo. A elasticidade da pele diminui à medida que envelhec emos. nossa fronte também se recusa a . erguem as sobrancelhas. e em momentos de submissão. Algo semelhante ocorre com os humanos. Podemos erguer as sobrancelhas mes mo quando não estamos apreensivos simplesmente para mostrar a outra pessoa que est amos preocupados com ela. Quando os seres humanos estão muito agressivos e podem provocar uma retaliação imediata. em momen tos de medo. Além dessas funções principais. a pele da testa vai ficando marc ada por finas linhas em arco. Como ocorre com os vincos provocados por uma fronte franzida.movimentos serão úteis. ou numa situação em que não parece haver perigo iminente de um ataque físico. como uma folha de papel enrugado que tentamos alisar. as marcas arqueadas causadas pelo movimento de erguer as sobrancelhas também podem ficar indelevelmente gravadas quando a pessoa envelhe ce. voltam a se franzir. A pele de nossa fronte revela as marcas de todas as caretas que fizemos ao l ongo dos anos. ou quando estão cansados e com medo de um at aque iminente. sacrificam a visão e protegem os olhos baixando as sobrancelhas.

uma neurotoxina gerada pela bactéria que produz o botulismo. Portanto. por mais forte que seja o estado emocional. uma alternativa mais moderna para eliminar rugas é a injeção de Botox. É injetada diretamente nos músculos que causam as rugas. O Botox é na verdade um veneno. . "Velha e nervosa" não é uma imagem que uma mulher queira passar. a opção cirúrgica tem sido o lifting da face É drást mas eficiente. Indica também uma personalidade excessivamente ansiosa. a substância é usada em quantidades tão pequenas que praticamen te eliminam o risco. Ainda será precis o encontrar uma solução médica mais perfeita. Má muitos anos. mesmo em momentos de relaxament o e calma. Para mulheres que dependem da aparência. mas rígido. Isso pode criar uma aparência de máscara -um rosto jovem. desativando-os por um período de três a cinco meses. Essas marcas na testa de uma mulher são um sinal de que ela não é mais jove m. Nes se tratamento cosmético. parece que é a forma mais popular de tratamento cosmético no momento. é necessária uma ação mais drástica. Ela paralisa a fronte. Uma maquiagem pesada pode ajudar. Embora ainda não tenha sido aprovada pelas organizações médicas ofi ciais. incapaz de mostrar qualquer emoção. precisa fazer alguma coisa para corrigir o dano. Uma franja espessa pode servir de cobertura. que se torna incapaz de qualquer movimento . porque a pele é tão esticada que nunca mais será capaz de exibir a meno r ruga. mas não resolve o problema.recuperar o aspecto liso que tinha na juventude. mas só até que uma rajada de vento a tire do lugar. O probl ema dessa solução é que ela deixa a testa lisa demais. ou pelo menos disfarçá-lo. Desde a década de 1990.

O estado de espírito que ela traduz é ger almente o ceticismo. Também é observada em alguns casos de dor crônica. A sobrancelha erguida funciona como um ponto de interrogação em relação ao olhar feroz.Sobrancelhas enviesadas. enquant o a outra metade passa a impressão de medo. Como o anterior. A mensagem que ela transmite é tão conflitante quanto a própria expressão. Metade do rosto parece agressivo. esse é um movimento complexo. porque mu itas pessoas têm dificuldade de executar o movimento. Diferentes grupos de . com as sobrancelhas abaixadas. As sobrancelhas são erguidas e ao mesmo tem po apertadas uma contra a outra. O movimento para cima é semelhante ao das sobrancelhas erguidas. essa reação contraditória é ma is freqüente nas mulheres do que nos homens. Na origem. co mposto de dois elementos: erguer e baixar. Uma dor forte e aguda produz uma co ntração. pro duzindo rugas horizontais ao longo da testa. Por alguma razão. Rugas entrelaçadas. A contração é semelhante ao movimento de so brancelhas abaixadas e produz curtos vincos verticais no espaço estreito entre as sobrancelhas. esse movimento parece ser uma tentat iva de as sobrancelhas responderem a um duplo sinal do cérebro. Uma mensagem orden a "Erga as sobrancelhas". Essa expressão está relacionada à forte ansiedade e à dor. Não é uma expressão muito comum. O entrelaçamento das duas expressões pr oduz um cruzamento de rugas. mas uma dor constante provavelmente produzirá essas rugas entrelaçadas. Esse movimento é uma mistura dos dois anteriores: uma sob rancelha é abaixada enquanto a outra é erguida. enquanto outra diz "Abaixe-as". Um bom exemplo desse movimento é a expressão utilizada nos a núncios de remédio para dor de cabeça.

A extrema brevidade do movimento. seria possível dizer quanto infortúnio há na vida passada de uma mu lher simplesmente pela facilidade com que ela adota a posição das sobrancelhas oblíqua s. Foi registrado não apenas em europeus. o abraço ou o beijo. embora tente forçá-las para b aixo. O movimento geralmente é executado a uma certa distância. foi uma adoção momentânea da postura de so brancelhas erguidas numa situação de surpresa. Nova Guiné e Amazônia. mesmo que as sintam tentando mover -se. mas também cm populações de regiões que não tiveram influência europé como Bali. Em alguns casos. as extremidades internas das sobrancelhas são empurradas mais para cima que as ex tremidades externas. numa posição oblíqua. acompanha um aceno de cabeça e um sorriso . mas não em todos. Teoricamente. mas também pode ocorrer sozinho. Essa form a exagerada de movimento cruzado é mais marcante em pessoas que tiveram experiências trágicas. Combinada com o sorriso. e não durante demonstrações de maior intimidade. como o apert o de mão. Na origem. Piscar as sobrancelhas. o que resulta numa "expressão oblíqua de sofrimento". Es se breve piscar é um sinal aparentemente universal de comprimento. talvez não tenham sucesso. não mais .músculos começam a pressionar em direções opostas. As sobrancelhas sobem e descem numa fração de segundo. mas o segundo grupo. só consegue pressioná-las uma contra a outra. Tem sempre o mesmo significado: o reconhecimento amigável da presença do outro. Quase sempre. torna-se um sinal de surpresa agradável. O primeiro grupo consegue empurrar as sobrancelhas um pouco para cima. Se mulheres com histórias menos trágicas tentam forçar as sobrancelhas para c ima. no momento do encontro.

Além de ser uma saudação. Para a maioria de nós. isso não é m uito comum. Cada vez q ue uma palavra é enfatizada. da cabeça. tem um caráter social de imprevisibilidade. deixando que o sorriso amigável domine a cena. As sobrancelhas sobem. todo cumprimento. o erguer de sobrancelhas co ntém um elemento de medo. em que os cantos da boca baixam momentaneamente. E ssa combinação costuma ocorrer na ausência de outros elementos. ou em grupos de dois ou três. braços c mãos. por mais amigável que seja. esse leve movimento de sobrancelha s é freqüentemente usado durante uma conversa para enfatizar algum ponto. Entretanto. mas em algumas pessoas esse movimento se torna freqüente e exagerado. param momentaneamente nessa po sição e depois descem. Embora possa ocorrer isoladamente. É essa breve pausa que distingue esse movimento do piscar rápido que indica saudação e ênfase. e pode parecer estranho que ele participe de uma saudação en tre amigos. E como se elas ressaltassem as surpresas da comunicação verbal. Cada um desses elementos t ambém pode ocorrer separadamente. nem se el e mudou desde a última vez que o vimos. as sobrancelhas piscam. .do que uma fração de segundo. Esse movimento é parte de uma reação mais complexa. Erguer e baixar as s obrancelhas com uma pausa. indica que a surpresa desaparece rapidamente. Isso inevitavelmente dá ao encontro um leve e efêmero elemento de medo. o movimento que contém uma pausa na posição das sobrancelhas em geral s e faz acompanhar de um esgar. que envolv e movimentos da boca. Como já dissemos. dos ombros. Não sabemos como o outro vai se comportar.

Se duas pessoas que se conhecem estão sentadas uma ao lado da outra e uma terceira pessoa se aproxima e faz alguma coisa que causa desconf orto. portanto. esse é um movimento associado a uma expressão triste. e não alegre. A maioria das pessoas usa as mãos ou a cabeça. existe uma importante diferença entre os sexos: as sobrancelhas femininas são mais finas e menos densas que as masculinas. alegava-se que coroavam a mulher mais bela. quando falamos animadamente.Ao contrário da piscadela das sobrancelhas. fazemos repetidos movimentos cor porais para enfatizar o que dizemos. . e as sobrancelhas das mulheres tornaram-se artificialmente ainda mais finas e menores. dizia-se que eles protegiam o corpo das doenças e. a desculpa era que esses procedimentos ajudavam a espanca r o mal. evitavam a cegueira. Ele também costuma acompanhar a fala de certos indivídu os. Esse é um movimento típico do queixoso contumaz. mas outras se servem das sobr ancelhas para essa ênfase. depois. significa uma surpresa m edianamente desagradável. Em todos os casos. a intenção era fazer as sobrancelhas parecerem exageradamente femin inas. depilar e pintar. Isso vem sendo feito há séculos mediante várias técnicas. que parece perpetuamente surpreso pelas vicissitudes da vida. Essa diferença provocou muitas "melhorias ". Abandonando a questão dos movimentos e passando à anatomia das sobrancelhas . Quase todos nós. acrescentamos uma ênfase visual. mas não é exclusivo dessa person alidade. Na maioria das vezes. em particular. uma das duas primeiras pode fazer esse movimento com as sobrancelhas para indicar desaprovação e surpresa. No princípio. mais tarde. A cada ênfase verba!. como raspar.

. quando "o lápis de sobrancelhas estava presente em qual quer nécessaire. ao mesmo tem po. Se uma mulher achasse que suas sobrancelhas ocupavam uma posição feia na te sta. o uso de uma pinça era considerado muito g rosseiro. Depois de reduzir a e spessura das sobrancelhas. Quando fazia isso. dizia-se que "sobrancelhas levemente arqueadas combinam com a modéstia de u ma virgem". obedecendo a sut ilezas estéticas. as novas so brancelhas quase sempre eram desenhadas acima das verdadeiras. Ma s é claro que ele deve ser adaptado às características de cada rosto. Um e specialista no desenho de sobrancelhas afirma que "o desenho ideal é o que tem doi s terços do comprimento numa curva ascendente e um terço numa curva descendente". o auge do costume de depilar as sobrancelhas ocorreu no entre-guerra s. Sobrancelhas muito baixas podem dar à mulh er uma aparência tão sinistra que se diz que ela tem "sobrancelhas de bruxa". Para elas. utilizava-se o lápis para enfatizar o fino arco de pêlos que sobrevivera. sobrancelhas artificialmente alteadas dão à mulher uma aparência de criança inocente de olhos bem abertos. De fato. o método preferido é amarrar um fio fino ao redor de cada pêlo a ntes de arrancá-lo.No século XX. Para algumas mulheres. nas décadas de 1920 e 30. poderia removê-las e pintá-las em outro formado. Desenhar as sobrancelhas de acordo com a moda da época e. que com isso cresceria mais rápido. A ponta de metal da pinça poderia quebrar o fio. disponível em cinco fascinantes tonalidades". A form a artificial das sobrancelhas tem variado muito ao longo dos séculos e de pessoa p ara pessoa. No final do século XVIII. fazer com que elas se harmonizem com o rosto tem exigido muito cuidado. Esse método é popular na Ásia e no Orie nte Médio. o que garante a remoção da raiz.

um caso polêmico envolveu um hospital londrino. (Quem adoraria essa decisão é o profeta Maomé. quarto.) Finalmente. uma antiqüíssima superstição afirma que a mulhe r que tiver sobrancelhas unidas deve ser uma vampira. a decisão de não depilar as sobrancelhas e deixá-las na forma natural era vista como um sinal de pouca sensualidade. A jovem apresentou que ixa. darão a impressão de um r osto permanentemente fechado. mas a decisão da diret ora foi mantida pelo conselho do condado. Há várias razões para isso. Esperava-se que as mulheres que trabalhavam em condições impróprias a manifestações de sensualidade deixassem as sobrancelhas intocad as. alegando que a proibição era um cerceamento à sua liberdade. Primeiro. esse excesso de pêlos n a testa é uma característica masculina. e. a moda ordenava que as sobrancelhas fossem raspadas e substituídas . que afirmou: "Maldita seja a mulher que [. os pacientes do hospital foram protegidos do estímulo erótico que representaria um par de sobrancelhas delicadament e depiladas. . Terceiro. convém mencionar as sob rancelhas tão unidas que criam uma linha ininterrupta de pêlos. e a extravagância estava justamente na natureza dessa substituição: as sobrancelhas falsas eram feitas de pele de rato. Na época.O exemplo mais bizarro de sobrancelhas falsas talvez venha da Inglaterra do século XVIII. Não são muito comuns. se os pêlos permanecerem ali. Qualquer mulher que nasça com essa forma de sobrancelhas prefere sofrer para depilar os indesejáveis pêlos que cob rem o espaço acima do nariz. E. Com tanta preocupação em melhorar a aparência femi nina. quando existem.. cuja diretora não permitiu que uma enfermeira depilasse as sobrancelhas.] depilar as sobrancelhas".. Na década de 1930. raramente deixam de ser depiladas. Segundo. há algo de "animal" em ter pêlos onde não devia haver nenhum. Assim.

Juntas, essas maldições fazem qualquer mulher correr em busca de uma pinça. Para mante r suas sinistras sobrancelhas unidas, ela teria que estar "acima da moda". Essa mulher existiu no século XX: a famosa pintora mexicana bissexual Frida Kahlo. Para ela, as sobrancelhas unidas e espessas se tornaram uma marca pessoal, que ela r eproduziu fielmente em seus auto-retratos. "Pairando acima de seus penetrantes o lhos negros como um pássaro no vôo", assim elas foram descritas. Como afirmou um críti co: "Frida Kahlo pode ter sido uma mulher interessante e criativa, mas tinha ape nas uma sobrancelha, que se estendia de um lado a outro do rosto como a Grande M uralha da China, e, como tal muralha, provavelmente era avistada da Lua". É incrível que essas reações sejam causadas pela simples presença de uns poucos pêlos pretos acima do nariz. As sobrancelhas costumam passar tão despercebidas que só paramos para pre star atenção nelas quando algo estranho acontece. Nos anos recentes, excetuadas as i diossincrasias de Frida Kahlo, só numa ocasião pesadas sobrancelhas femininas foram consideradas aceitáveis e, por um período, até mesmo populares. Isso aconteceu na década de 1980, quando o movimento feminista entrou numa fase em que as mulheres passa ram a acreditar que parecer um homem era uma boa maneira de competir com eles. F oi nessa época que a jovem atriz Brooke Shields apareceu nas telas exibido sobranc elhas que foram descritas como "lagartas". Elas não se uniam no meio, como as da K ahlo, mas eram tão espessas quanto as de um homem, o que lhe dava um olhar feroz e determinado. Desde então, à medida que as mulheres foram fazendo mais sucesso como mulheres, e não como pseudomachos, suas sobrancelhas voltaram à forma arqueada e fin a que foi preferida durante séculos. Como Shakespeare afirmou em Conto do inverno: "Não é por terdes sobrancelhas negras. Dizem até que

sobrancelhas escuras são as que melhor assentam nas mulheres, desde que não sejam mu ito espessas, mas apenas um semicírculo ou meia-lua traçados a pena".

4. Orelhas As orelhas femininas nunca foram bem tratadas: têm sido ignoradas ou mutiladas. Os pós e pinturas que costumam ser aplicados ao rosto as ignoram. Enquanto um rosto meticulosamente enfeitado ocupa o centro do palco, as orelhas são esquecidas c mui tas vezes escondidas sob os cabelos. E, quando se revelam, têm servido apenas como campo de testes para a criação de jóias. Nas raras ocasiões em que as orelhas são objeto de cirurgia plástica, a solução é torná-las ainda mais imperceptíveis. É o que ocorre quando relhas proeminentes são coladas à cabeça. Mas, antes de analisar mais detalhadamente o s abusos culturais perpetrados contra as sofridas orelhas femininas, convém examin ar a biologia e a anatomia dessa parte do corpo. A parte visível da orelha é bastant e modesta. No curso do processo evolutivo, ela perdeu as extremidades pontiaguda s e a mobilidade. As extremidades sensíveis desapareceram, curvadas numa borda rol iça. Mas nem por isso ela deve ser tratada como um resíduo inútil. A principal função do o uvido externo — uma trompa de carne e sangue — é coletar o som. Não somos capazes de eriça r as orelhas como outros animais, nem de torcê-las para descobrir de onde vem um b arulho repentino, mas ainda podemos detectar uma fonte sonora. O que os humanos perderam em flexibilidade da orelha ganharam em mobilidade da cabeça. Quando um ce rvo ou um antílope ouvem um som alarmante, erguem a cabeça e torcem as orelhas em to das as direções. Quando ouvimos um som desse tipo, giramos a cabeça, o que funciona qu ase da mesma maneira. Embora nossas orelhas pareçam rígidas, ainda conservam um mínimo dos movimentos que originalmente possuíam. Se retesar os músculos da região auricular e se

olhar num espelho, você terá um vislumbre desse movimento de proteção: suas orelhas tent arão se colar ao crânio. Animais que possuem orelhas grandes e móveis quase sempre as achatam quando estão lutando, na tentativa de mantê-las a salvo de um ataque. Nós, hum anos, ainda fazemos isso automaticamente: a pele da cabeça se retesa em momentos d e pânico, mesmo que nossas orelhas permaneçam em sua habitual posição de repouso. A form a da orelha é importante para a perfeita transmissão dos sons ao tímpano. Uma pessoa q ue teve a infelicidade de ter as orelhas decepadas com certeza possui uma audição be m menos eficiente. Os canais auditivos e o tímpano constituem um "sistema ressonan te", no qual alguns sons são enfatizados à custa de outros. A forma aparentemente al eatória da orelha — suas dobras e curvas — na verdade foi especialmente criada para ev itar distorções desse tipo. Uma função menos importante da orelha é o controle da temperat ura. Os elefantes balançam suas enormes orelhas quando estão com muito calor. o que os ajuda a resfriar o corpo. Há uma profusão de vasos sangüíneos próximos à superfície da pel , e o calor que se perde desse jeito pode ser importante para muitas espécies. Par a nós, a quentura das orelhas desempenha um papel secundário na regulação térmica, mas tor nou-se um sinal social. Se uma mulher sente um forte calor num momento de confli to emocional, suas orelhas podem ficar vermelhas. Esse rubor tem sido objeto de comentários desde tempos muito remotos. Há quase 2 mil anos, Plínio escreveu: "Quando nossas orelhas se avermelham e queimam, alguém está falando de nós na nossa ausência". E Shakespeare faz Beatriz perguntar, quando outros estão falando dela: "Que fogo é es se em minhas orelhas?"

Finalmente, nossas orelhas parecem ter adquirido uma função erótica com o desenvolvime nto de macios lóbulos carnosos. É uma função que não está presente em nossos parentes mais p róximos e parece ser uma característica exclusivamente humana, decorrente do aumento de nossa sexualidade. Os primeiros estudiosos da anatomia humana viam na orelha um apêndice inútil", "uma parte da face aparentemente sem utilidade, a não ser a de p oder ser furada para carregar ornamentos". Mas estudos recentes sobre o comporta mento sexual revelaram que, um momentos de forte excitação, os lóbulos das orelhas se intumescem e se enchem de sangue, o que os torna mais sensíveis ao toque. Ter os lób ulos das orelhas acariciados, sugados e beijados durante o ato sexual é uma forte estimulação para muitas mulheres. Segundo Kinsey e seus colegas do Instituto de pesq uisas Sexuais de Indiana, há alguns casos raros de mulheres que conseguem atingir o orgasmo em conseqüência da estimulação das orelhas. No centro da orelha abre-se o cana l auditivo, um conduto estreito de cerca de 2,5 cm, ligeiramente curvo, o que o ajuda a manter aquecido o ar existente no seu interior. Esse aquecimento é importa nte para o funcionamento adequado do tímpano, que se situa na extremidade do canal e é um órgão extremamente delicado. Além de manter o tímpano aquecido, o canal também o pro tege de danos físicos. O preço que pagamos por essa proteção, porém, é a presença em nosso co po de um recesso profundo, que não conseguimos limpar com os dedos. Podemos limpar todo o nosso corpo com relativa facilidade, livrando-o da sujeira e de pequenos parasitas, mas, se um objeto invadir nosso canal auditivo, teremos problemas. A tentativa de remover a sujeira com bastonetes pode danificar o tímpano. Por isso, precisamos de uma proteção especial contra intrusões desse tipo. A evolução nos proporcio nou a resposta para isso na forma

de pêlos que impedem a entrada de insetos maiores e da cera que repele criaturas m enores. A cera cor de laranja, com um gosto amargo que repele os insetos, é produz ida por 4 mil minúsculas glândulas ceruminosas, que na verdade são glândulas apócrinas alt amente modificadas — do tipo que produz o suor de cheiro forte nas axilas e no int erior das pernas. Não cabe aqui detalhar o funcionamento do ouvido. Resumidamente, diremos que as vibrações sonoras atingem o tímpano e se convertem em impulsos nervoso s que são transmitidos ao cérebro. O tímpano é incrivelmente sensível, capaz de detectar a menor vibração. Essas vibrações são então transmitidas ao ouvido médio através de três peque ssos de formas estranhas (martelo, bigorna e estribo), que amplificam a pressão da s ondas sonoras 22 vezes. O sinal amplificado então passa ao ouvido interno, onde entra em ação um estranho órgão em forma de caracol e cheio de fluido. As vibrações produzid as nesse fluido ativam milhares de células ciliadas — cada uma sintonizada com uma d eterminada vibração —, que identificam as freqüências que compõem um som e transmitem essa i nformação ao cérebro por intermédio do nervo auditivo. O ouvido interno também contém órgãos ais para o equilíbrio. São três canais semicirculares, cada um relacionado a um tipo d e movimento: os movimentos para cima e para baixo, os movimentos para a frente e os movimentos laterais. A importância desses órgãos cresceu radicalmente quando nosso s ancestrais começaram a se pôr de pé e adotaram a forma de locomoção bipedal. Um animal q ue se apóia sobre quatro patas é relativamente estável, mas a posição ereta exige constant es e sutis adaptações do equilíbrio. Esses órgãos do equilíbrio são de fato mais vitais para nossa sobrevivência do que as partes do ouvido que lidam com os sons. Uma pessoa

é um problema ouvir uma conversa numa sala cheia de gente. o alcance máximo cai para 20 mil ciclos por segundo. Na adolescência. com o alcance cada vez menor da adição. capazes de danificar nossa audição. e continua caindo cada vez mais à medida qu e os anos passam Para os muito idosos. embora eles sejam capazes de ouvir uma única voz num local silenci oso.surda pode sobreviver com maior facilidade do que a que perde o sentido do equilíb rio. Um bebê pode detectar freqüências de ondas sonoras de 16 a 30 mil ciclos por segundo. Os modernos sistemas de som funcionam a freqüências superiores a 20 mil ciclos por segundo. Ela já terá sorte se conseguir detectar qualquer freqüência acima de 15 mil ciclos por segundo. . é difícil distinguir di ferentes vozes quando várias pessoas falam ao mesmo tempo. declina para cerca de 12 mil. Isso ocorre porque. Como outras espécies. Um dos aspectos desagradáveis da nossa audição é que ela começa a declinar desde que nascemos. graças a nossa infinita engenhosidade. Aos 60 anos. evoluímos num mundo relativame nte silencioso quando os sons mais altos eram roncos e gritos. Nossos ouvidos servem como um lembrete de que vivemos num mundo muito diferente daquele do qual nos originamos. e por isso não criamos nenhuma proteção especi al contra sons muito altos. Por isso. Nossos ouvidos têm uma grande sensibilidade ao volume do som. temos exp losivos de alto poder e uma enorme variedade de equipamentos de som poderosíssimos . Hoje. uma m ulher de meia-idade que tenha pagado uma fortuna para instalar um sistema desse tipo deve ficar chateada ao descobrir que os únicos membros da família capazes de ap reciar tudo isso são seus filhos mais jovens. Não havia nada mais alto para ferir nossos sensíveis tímpanos.

E uma protuberância minúscula. e a identificação auricular foi esquecida. No último século. lóbulos colados. mas Darwin estava convencido de que é remanescente de nossos primórdios. Em outr as palavras. mas quase sempre é tão pequeno que mal se consegue percebêlo. você o encontrará a mais ou menos um terço do caminho. A primeira é o lóbulo. Treze regiões da orelha f oram classificadas. os únicos a re alizar estudos detalhados sobre as partes da orelha . Um médico que se deu o trabalho de examinar 1. ele tem uma característica importante. chamada tubércu lo de Darwin. é verdade que não existem duas pessoas com orelhas precisamente iguais. A diferença entre eles é que os lóbulos soltos pendem do pont o de contato com a cabeça. Entretanto. As pessoas têm lóbulos "sol tos" ou lóbulos "colados". Se apalpar a parte interna da borda partindo de ci ma.Voltando ao ouvido externo. mas um método concorrente — o das impressões dig itais — prevaleceu. Infelizmente. chegou-se a pensar em utilizar essa pro priedade para identificar criminosos. quando tínham os orelhas pontiagudas que podiam se mover à procura dos sons mais fracos. mas o uso de impressões digitais alcançou tal avanço que é difícil dizer se as formas da orelha teriam alguma utilidade. há muito tempo se afirma que é possível identificar um ind ivíduo pela forma da orelha.171 orelhas de europeus descobriu que 64% delas tinham lóbulos soltos e 36%. esses "pontos são vestígios de orelhas que um dia foram eretas e pontud as". Cuidadosas pesquisas revelaram que eles estão presentes de uma forma mais evi dente em cerca de 26% dos europeus. São detalhes como esses que tornam possível a id entificação de criminosos. Além da s variações de tamanho. A segunda parte que merece menção é a pequena saliência na borda da orelha. Ele está presente na maioria das orelhas. das quais duas merecem especial menção.

às vezes detalhadas. e que uma orelha pontiaguda revela um oportunista. s urpreendentemente ressurgiram na década de 1980. que perderam qualquer credibilidade no início do século XX. com lóbulo e aurícula (a concha da orelha) igualmente bem desenvolvid os. é impossív el prever se ele possui orelhas arredondadas ou angulosas. A explicação para essa controvérsia talvez seja o fa to de que os criminologistas consideram apenas a cabeça. com suas alegações românticas de que é possível determinar o caráter e a personalidade de uma pessoa pela leitura de suas proporções faciais. Em algumas culturas. tem sido considerada símbo lo dos genitais femininos. teriam a aurícula projetada lateralment e e mais desenvolvida que o lóbulo. jovens púberes eram obrigadas a passar por um ritual de . que uma orelha pequena e bemformada p ertence a um conformista. Criminologistas que estudam detalhes faciais afirmam que o formato da orelha não pode ser previst o pelas feições do rosto. Alegam que os endomorfos (os mais rechonchudos) e os ectomorfos (Os mais ossudos) possuem diferentes tipos de orelhas. Diante de um rosto redondo ou de um rosto anguloso. Seus comentários fantasiosos.. ao contrário. Simbolicamente. e sua popularidade no final do século XX é difícil de entender. uma expressão de gíria para a v ulva é "a orelha entre as pernas". As orelhas dos endomorfos seriam coladas à cabeça. Em regiões do Oriente. Os somatologistas dis cordam. por exemplo. Na Iugoslávia. são um insulto à inteligência h umana. vários significados têm sido atribuídos à orelha. enquanto os somatologista s levam em conta todo o corpo. a mutilação das orelhas foi us ada para substituir a circuncisão feminina. Por ser uma aba de pele ao redor de um orifício. Ess as e centenas de outras "leituras". As orelhas dos ectomorfos. quando foi possível ler que uma ore lha grande é sinal de um indivíduo realizador.são os modernos fisionomistas.

Gargantua também vem ao mundo dess a maneira incomum. e que. mas se defende afirmando que não há na Bíblia nada que contradiga essa forma de nascimento. Um simbolismo completamente diferente atribui à orelha o significado de sabedoria — porque é ela qu e ouve a palavra de Deus. a mulher adúltera tinha as orelhas decepadas com uma faca afiada — outro exemplo de sua relação c om os genitais.iniciação em que buracos eram perfurados em suas orelhas. teria nascido dessa forma. Por trás do castigo está a idéia de que es sa ativação da orelha é capaz de despertar a inteligência que ali dorme. Kunti. O autor admite que é difícil acreditar em tal fato. "a criança salta e. vai subindo. tinha parido virgem. se Deus qui sesse. ent rando pela veia cava. Suria. Isso tem sido apresentado como desculpa para puxar as orelhas das crianças quando elas desobedecem. não surpreende que algumas divindades tenham nascido p ela orelha. Quando Gargamelle está prestes a dar à luz. publicada cm 1653. filho do rei-sol hindu. No antigo Egito. e daí toma a direção esquerda. Acr edita-se que isso significa que sua mãe. onde essa veia se divide em duas. Karna. saindo pela sua orelha esq uerda". Pelo fato de as orelhas serem vistas como genitais femininos em muitas diferentes culturas. "todas as mulheres poderiam parir seus filhos pela orelha". passando pelo diafragma e pelos ombros. Na obra satírica de François Rabe lais Gargantua e Pantagruel. Algumas dessas estranhas superstições explicam o antigo costume de furar as orelhas para nelas colo car brincos. Algumas lenda s também afirmam que Buda nasceu da orelha de sua mãe. Essa forma primitiva de mutilação tem se mostrado persistente e é um dos poucos tipos de deformidade artificial que se mantém populares no mundo .

nesse processo. Acreditava-se que o uso de amuletos da sor te nas orelhas era a melhor proteção contra os demônios. de modo que as orelhas pendessem cada vez mais para baixo. a maioria das mulheres que furam as orelhas o fazem com propósitos puramente estéticos. Brincos pesados. aumentariam a sabedoria e a inteligência. só as meninas de longas orelhas eram consi deradas belas. Durante um longo período. budistas e chinesas revelou que reis e rainhas sempre possuíam lóbulos alonga dos. Em tempos remotos . especialmente os lóbul os. Nas culturas tribais nas quais lóbulos longos estiveram na moda a mutilação gera lmente começava na infância: os bebês já tinham as orelhas perfuradas. isso tinha diversas explicações. sem saber o que isso significou no passado. As realmente bonitas tinham que apresentar orelhas na altura dos seios. Hoje. . tribais e urbanos. que empurrem os lóbulos para baixo e os façam parecer mais long os.moderno. Como as orelhas são a sede da s abedoria. é necessário proteger todos os orifício s pelos quais eles possam ter acesso. Na puberdade. essas diferentes e originais razões para o uso de brincos foram esquecidas. a longa alça de carne se rompesse ao peso dos ornamento s. Um estudo de primitivas esculturas h indus. Outras crenças primitivas diziam que usar brincos curava defeitos de visão ou p rotegia contra afogamentos. acreditavase que os sábios têm orelhas muito grandes. Se. Na era moderna. Em algumas culturas. ela era considerada feia demais para se casar. são puramente decorativos e usados apenas por motivos estét icos. Esses pequenos fu ros eram posteriormente alargados. Como o demônio e outros espíritos malignos estão sempre tentando entrar no corpo humano para dominá-lo. quase todos os bri ncos. ano após ano. a beleza da jovem estaria imediatamente perdida.

o m undo ocidental se chocou e se horrorizou com essas formas excessivas de mutilação. um buraco tão grande que um braço poderia passar por ele". Eram uma parte muito importante da sua história . cujo peso as estende. O costume parece ter nascido independentemente. Essa desaprovação em nada alterou esses costumes trib ais. Em séculos passados. cinqüenta argolas de bronze de 10 cm de diâmetro são penduradas em cada o relha. uma festa é dedicada ao ritual de furar as orelhas d as jovens. se uma menina ousasse ignorar esse costume. Em outra ainda. são inseridos no lóbulo da orelha. E m 1654. África e Camboja. seria ridicularizada por "ter orelhas de porca". Nas ilhas da Nova Guiné.Surpreendentemente. que f azem nelas furos e neles "colocam um chumbo. os pesados brincos que pendem das orelhas das mul heres casadas só podem ser retirados quando o marido morre. O tamanho dos ornamentos chega a ser assustador. durante o funeral . qualquer tentativa de melhorar ou modificar a forma humana era uma ofensa a Deus. que as nativa s imploram aos ocidentais. Em algumas tribos. pesadas argolas de cobre vão sendo acrescentadas até que seu peso a tinja 1 quilo. acusava as mulhe res que "julgam muito atraente ter as orelhas vergonhosamente perfuradas". Numa tribo. Em outra. Em certas culturas. Para Bulwer e sua época. John Bulwer dedicou todo um capítulo de seu livro A View of lhe People of the Whole World (Uma visão dos povos de todo o mundo) para atacar "as modas ou cer tas estranhas invenções dos povos para remodelar as orelhas". a ponto de fa zê-las pender à altura dos ombros. são removidos em sinal de luto. Então. Nele. potes de geléia ou latas de alimento. em lug ares tão distantes quanto Bornéu e Brasil. encontramos exemplos desse extremo alongamento das orelhas f emininas em todo o mundo.

cultural para serem abandonados. influências externas podem ter p osto fim a formas mais extremas de mutilação. a maioria das mulheres usa ornamentos simples. Em vez de um só furo. o mundo ocidental nunca apresentou nada capaz de competir com os lóbulos estendid os dessas sociedades tribais. Ao contrário dos brincos tribais. de lâminas de barbear a lâmpadas elétricas. porém. Em alguns casos. mas outras são viciadas em adquirir grandes quantidades de brincos. com o drástico aumento dos piercings. também eram usadas pelas tropas de choque da nova onda. mas em muitas outras sociedades remota s eles ainda sobrevivem intocáveis no século XXI. Se . para que uma série de brincos pudessem ser atarraxados a ela.122 pares. no final do século XX. mas correntes on de penduravam um pouco de tudo. M ais tarde. mas substi tuídos diariamente para combinar com outros ornamentos. Grandes alfinetes de fralda eram os ornamentos preferidos. Algumas mulheres possuem a penas uns poucos pares. A detentora do recorde (segundo o Guinness Book) é uma americana da Pens ilvânia que reuniu uma coleção de 17. os punks enfiavam objetos bizarros nos lóbulos das orelhas grosseiramente perfura dos. as orelhas d as mulheres ocidentais passaram a carregar múltiplos brincos. Querendo chocar. em toda a borda. a orelha era perfurada várias vezes. Hoje. Os exemplos mais extremos que podemos oferecer são e ncontrados no breve florescimento do rock punk da década de 1970. não são usados o tempo todo. Mas eles eram impacientes demais par a esperar o lento e gradual alongamento dos lóbulos praticado nas outras tribos. Apesar da extravagância de sua moda. facilmente removíveis: são brincos de pressão ou pingentes presos a um único f uro pequeno.

usasse um por dia. . levaria quase meio século para usar todos.

A retina.5. Em praticamente todas as civilizações importantes na história do mun do. e. aos cíli s e à pele ao redor dos olhos. 130 milhões são células arredondadas responsáveis pela visão em branco e preto. Apesar de tudo o que falamos e ouvimos. no primeiro ano da era cristã. que tal examinarmos o olho em seu estado natural? Os olhos são os mais importantes órgãos dos sentidos. o satirista romano Marcial fez o seguinte comentário mordaz: "Você pisca para os homens com pálpebras que tirou de uma gaveta pela manhã". que é s ensível à luz e se situa no fundo do olho. aparelhos para curvar os cílio s. delineadores. antes de analisar todas essas melhorias. Sabe-se que há mais de 6 mil anos usa-se maquiagem nos olhos. Toda a ordem dos primatas é predominantemente visual. cílios postiços e lentes de contato coloridas — todos esses recursos são usados para embelezar os olhos femininos. inúmeras e sutis variações de sombras coloridas têm sido aplicadas às pálpebras. Mas. proporcionando uma visão binocular do mundo. cosméticos negros cobri am as pálpebras. Dessas. co m os dois olhos colocados na frente da cabeça. continu amos sendo animais essencialmente visuais. Nisso não diferimos muito de nossos par entes próximos. O olho humano tem apenas cerca de 2. Sombras. contém 137 milhões de células que enviam mensag ens ao cérebro. os macacos. No antigo Egito. dizendo-lhe o que está vendo. e no entanto faz a m ais sofisticada câmera de tevê parecer um utensílio da Idade da Pedra. Calcula-se que 80% das informações que recebemos do mundo exterior ent rem por essas notáveis estruturas. os restantes 7 milhões são células cônicas que . Olhos Há muitos séculos os olhos femininos tem sido foco de grande atenção.5 cm de diâmetro.

deixando que luz demais flua para a retina. Isso deve interferir na precisão de nossa visão. Difícil é explicar a dilatação da pupila que ocorre diante de uma visão atraente. mas. as cortesãs da Itália pingavam gotas de beladona nos olhos antes de rece ber um visitante. É provável que o resultado seja um brilho ofuscante. Podem ver uma ima gem vaga banhada em um halo de luz — muito diferente da imagem nua e crua. quando vê algo de sagradável. em v ez de uma imagem precisa e nítida. isso pode ser uma vantagem para os jovens amantes quando olham no fundo das pupilas do ser amado. Se o olho vê alguma coisa de que gosta muito. No centro do olho situa-se a pupila ne gra — a abertura através da qual a luz penetra para chegar à retina. Isso dilatava muito as pupilas e as tornava mais atraentes. a pupila se expande mais que o normal. e com isso controla a quan tidade de luz levada à retina.5 milhão de mensagens simultâneas. Sendo tão complexo. contrai-se ao tamanho de uma cabeça de alfinete.permitem a visão em cores. porque a maior contração da abertura da pupila reduz a iluminação da retina e "ap aga" a imagem repugnante. Até o cérebro cresce mais que o olho. o olho funciona como uma câmera de diafragma ajustável. mas também possui uma outra curiosa função. É fácil entender essa segun da reação. essas células sensíveis à luz podem processar 1. não surpreende que o olho seja a parte do corpo a apresentar o menor crescimento entre o nascimento e a idade adulta. . Entretanto. A pupila aumenta de tamanho com a luz fraca e diminui com a luz forte. A todo momento. po rque dava aos homens que as olhavam a falsa impressão de que eram amados (mesmo qu e eles estivessem diante do rosto devastado e envelhecido de uma libertina). Sob esse aspecto. Em século s passados.

Olho s claros são portanto quase uma ilusão óptica. variando do verde ao cinza ou azul ã medida que o pi gmento diminui. Quem exibe um anel castanho escuro ao redor das pupilas tem uma quantidade generosa de melanina nas camadas frontais da íris. da e xpansão e da contração da pupila um sinal confiável de nossas reações emocionais às imagens v suais. A coloração violeta se deve ao sangue que corre por entre a íris. Nossas pupilas não mentem. A cor da íris varia consideravelmente de pessoa a pessoa. Mas. Quase todos os bebês brancos têm olhos azuis quando nascem. os olhos serão mais claros. os brancos desenvolvem a melanina na parte fro ntal da íris. Essa função é desempenhada por músculos involuntários.Ao redor da pupila fica a íris colorida. Apenas numa porcentagem muito pequena isso não ocorre e os olhos permanecem azuis. Esse efeito é mais intenso quando comparamos os bebês da raça branca com os da raça negra. ao passo que os de pele morena e negra têm olhos escur os. o que cria a ton alidade azulada. à medida que eles crescem. Indicam uma perda de melanina e parecem ser parte da palidez gerai do corpo que ocorre à medida que a pessoa se move da z ona equatorial em direção a regiões menos ensolaradas. e ao redor dela a parte que . Cobrindo a pupila e a íris exis te uma camada transparente. o disco contrátil responsável pelas mudanças de tamanho da pupila. Pessoas de olhos azuis não têm um pigmento azul: simplesmente possuem menos pigmento que outras. e seus olhos escurecem pouco a pouco. É isso que faz. mas isso não se deve à variedade de pigmentos. de modo que nun ca conseguimos controlar deliberadamente o tamanho da pupila. Se a melanina ali p resente é menor e o pigmento fica quase todo confinado às camadas mais profundas da ír is. a córnea.

Só no homem a parte bran ca do olho é visível.chamamos de "branco do olho". o que cria "cantos". produzidas pelas glândulas lacrimais. que tecnicamente tem o nome de esclerótica. Nos humanos. mais próximos da forma humana. Quan do uma irritação dos olhos ou uma forte emoção fazem a glândula lacrimal produzir mais lágri mas do que os canais são capazes de drenar. Essa par te não-óptica do olho é uma característica exclusivamente humana. Essa é uma segunda característica . e o excesso de lágrimas se e spalha pelas faces. pequenas mudanças de direção são fa mente detectadas. não existem partes brancas visíveis. As lágr imas são drenadas através de dois canais lacrimais — também visíveis como pontos um pouco maiores nas bordas das pálpebras. O efeito dessa pequen a mudança evolutiva é que. É o at o de piscar que umedece e limpa a córnea. Circundando a parte visível dos olhos. Esse s olhos ainda estão mais próximos da forma circular do que da oval. nós choramos. mas alguns macacos já apresentam a pele ao redor do s olhos ligeiramente esticada para trás e para os lados. que ficam embutidas sob as pálpebras. O mesmo o corre nos primatas inferiores. A maioria dos animais tem olhos redondos e "fundos". a brancura dos olhos os torna mais evidentes. Entretanto. mesmo ã distância. em situações de sociabilidade. Esse canais se situam na extremidade interna das pálpebras. mas nos primatas superiores os olhos são mais elípticos. um na pálpebra superior e outro na pálpebra inferior. O processo é auxiliado pela secreção das lágrima s. Essa oleosidade é fruto de secreções de diminutas glândulas. visíveis na forma de minúsculos folículos na raiz dos cílios. e a área exposta de cada lado da íris é marrom-escura. Os dois canais se un em num único cubo que transporta as lágrimas "usadas" para o interior do nariz. as pálpebras são margeadas por cílios curvos e têm bordas oleosas.

No canto interno do olho. o epicanto parece ter se conservado como adaptação ao frio. Neles. Os cílios têm o mesmo tempo de vida que os pêlos das sobrancelhas. e cada cílio dura entre três e cinco mese s antes de cair e ser substituído. em maior quantid ade na pálpebra superior do que na inferior. uma prega cutânea sobre a pálpebra superior que dá aos olhos o formato oblíquo. Entre os povos orientais. Alguns bebês ocidentais nascem com olhos puxados. porque somos o único animal que chora quando está emoci onado. em outros ainda. Alguns animais os usam co mo um "limpador de pára-brisa" que pisca para limpar o olho. É o vestígio de nossa terceira pálpebra. desfrutaríamos hoje de outr os prazeres. Cada olho tem cerca de duzentos cílios. hoje totalmente inútil. ou subaquáticos. em outros. são órgãos de alguma funcionalidade. As pestanas. entre os dois canais lacrimais. são colorido s e piscam para dar algum sinal. são totalmente transparentes e u sados como óculos de sol naturais. mas só entre os orientais se conse rva na idade adulta. existe uma pequ ena protuberância rosada. Os patos mergulhadores têm esses órgãos transparentes e espessos. mas esse fo rmato muda gradualmente à medida que o nariz se afina e toma outra forma com a ida de. Se nossos ancestrais fossem mais aquáticos. todo o rosto é mais gordo. que nos proporcionam uma franja de proteção acima e abaixo dos olhos. e os empurram para fora da córnea quando estão nadando debaixo d'água. têm uma característica excepcional: não embranquecem com a idade como os c abelos e os pêlos do corpo. e essa prega . Em muitas espécies. porém. Essa pr ega está presente no feto humano em todas as raças. mais achatado e mais adequado às baixas temp eraturas. Os orientais possuem uma proteção adicional para os olhos: o epicanto.exclusiva dos olhos humanos.

cutânea ajuda a proteger a delicada região dos olhos contra um ambiente hostil. A visão deficiente deve ter sido uma calamidade para muitos de nossos remotos ancestrais. Sêneca. as glândulas lacrimais são mais ativas em mulheres emotivas do que em homens igualmente emotivos. tornou-se ainda mais agudo. e. O info rtúnio persistiu nas primeiras civilizações. Muitos velhos mestres precisavam que os mais jovens lessem para ele s. O olho fem inino é ligeiramente menor e mostra uma proporção maior da parte branca. Uma info rmação sobre as lágrimas: além de lubrificantes para a superfície exposta do olho. Contêm uma enzima chamada lisozima. ape sar da vista fraca. Em muitas cul turas. Quase não há diferença entre os olhos de homens e mulheres. não só devido à imprecisão na obtenção de informações visuais mas mbém porque a constante tensão de tentar enxergar causa fortes dores de cabeça. mestre na arte da retórica que viveu em Roma na época de Cristo parece ter sido a primeira pessoa a tentar resolver esse terrível problema. A fo rma dos olhos orientais é indiscutivelmente atraente. Conta-se que. mas muitas mulheres no Extre mo Oriente não têm essa opinião. parece ser u ma diferença mundialmente disseminada para ser apenas produto da cultura. elas são também bactericidas. e hoje os hospitais estão cheios de jovens com os olhos cobertos de bandagens depois de se submeterem ao bisturi do cirurgião para ter ol hos ocidentais. com a invenção da escrita. mas é difícil dizer se isso se deve a uma diferença biológica ou a uma educação que exige que os homens não demonstrem suas emoções. Entretanto. conseguia ler tudo o que encontrava . que mata as bactérias e prote ge o olho de infecções.

Essa enge nhosa solução deveria ter levado à invenção dos óculos.] e se ele for cortado como o menor segmento de uma esfera. Em seguida. Marco Pólo conta ter visto velhos chineses usando lentes para ler. Aros circulares produziam um olhar amplo. afirma que tal vidro poderia ser útil para os que tivessem vista fra ca. no século XVIII. Não havia disfarce. Só século XIII o filósofo inglês Roger Bacon registra a seguinte observação: "Se alguém examina r letras ou outros objetos diminutos por meio de um cristal ou vidro [. .". fazendo a pessoa parecer mais feroz e dominadora. como se a curva do aro substituísse sobrancelhas arquea das. Aros superiores pesados davam a impressão de uma f ronte cerrada. porque mudou a aparência dos nossos olhos. será capaz de ler muito melhor as letras. surgiram finalmente verdadeiros óculos de leitura. no século XIV. o uso de óculos se disseminou.. na Itália. Os óculos não faziam parte do rost o. Mais ou menos na mesma época. Benjamin Fran klin inventou as lentes bifocais. As primeiras lentes de contato a dar bons resu ltados foram fabricadas na Suíça em 1887. e. e no entanto era impossível não notar a influência de suas linhas. e elas lhe parecerão maiores" . de modo que fica claro que. mas estético. surgiram as lentes para corrigir miopia. mas não foi isso o que aconteceu.nas bibliotecas de Roma usando um "globo de água" como lente de aumento. Em 1306.. embora não se saiba se essa invenção foi influenciada por Bacon. um monge em Florença fez um sermão que incluía a seguinte frase: "Não faz ainda vinte anos que a art e de fabricar óculos. No séc ulo XV.. com o lado convexo voltado para o olho. foi descoberta. Os óculos torna ram-se parte da expressão facial. da mesma forma q ue uma máscara altera toda a expressão de quem a usa. como numa maquiagem sutil.. Essa breve história dos óculos não tem apenas in teresse médico. uma das artes mais úteis do mundo. No final do século.

Q uando amigos de igual condição se encontram. os movimentos dos olhos são bem diferente s. A figura do minante geralmente se mantém indiferente a essas trocas e dificilmente se dá o traba lho de olhar para o subordinado durante uma conversa generalizada. visíveis em contraste com o branco dos olhos. O que eles escondem? Suponhamos uma reunião social.O efeito dos óculos escuros é especialmente forte. todos usam movimentos oculares de "subordinados". Olhos penetrantes. O que nos dizem exatamente os movimentos oculares? Em tais reuniões. quando l ança uma pergunta a alguém. embota não o seja m. são uma constante fonte de informações. ficamos atentos a noss os amigos. enquanto responde. Sempre que alg uém contar uma piada. observando todos os presentes. bloqueadas com o uso de lentes escuras. Mas. Por isso. lançará sobre ele um olhar atento e observador. Num contexto social. olhos atentos ou desatentos. olhos instáve is. Nesse caso. A pessoa em quem esse olhar s e fixa não consegue sustentá-lo e. exceto em circunstância s especiais. dilatados ou contraídos — tudo isso fica oculto. Essa é cla ramente uma situação em que cerros indivíduos têm poder sobre outros e querem exercê-lo. os movimento s oculares. olha para outro lado. acompanhando-os com o olhar . e os superiores tendem a ignorar os subordinados. fizer uma afirmação controversa ou manifestar uma opinião pessoal. Se ela avistar um indi víduo de condição superior. seus olhos vão osci lar de um lado para outro. o faz com um olhar direto. os subordinados tendem a observar os sup eriores. Isso acontece porque a melhor maneira de demonstrar amizade com a linguagem c orporal é evitar uma atitude hostil e dominadora. os olhos do subordinado vão procurar o superior para observar sua reação. e o interlocutor pode apenas imaginar o que está acontecendo por trás da máscara dos óculo s. Se uma pessoa submissa e agradável entra numa sala.

os humanos sentiam-se protegidos. pode acionar deliberadamente um olhar atento. Se enxergam profund os poços escuros. era provável que tivessem muitos olhos e fossem onividentes. Quando eles falam ou se movem. o faz sentir-se bem. Quando se dirige a um empregado ou serviçal com a intenção de manipulá-lo. só ocorre em momentos de int enso amor ou ódio. e. Dessa maneira. Para a maioria de nós. sabem intuitivamente que seus sentimentos são correspondidos. um olhar direto sustentado por mais de alg uns segundos é muito ameaçador. a confiança é tanta que eles se olham sem o menor temor. Quando os deuses eram bons. pode fazer isso adotando deliberadamente a linguagem corporal amistosa de um igual. Um olhar fixo e prolongado. e logo desviamos os olhos. podem se sentir intranqüilos ao perceber que nem tudo vai b em no relacionamento. Entre amantes. Quando olham nos olhos do ser amado. com isso. Se essas divindades vigiavam os homens. como tinham muito o que vigiar. mas também havia deu ses maus e . do tipo olhos nos olhos. acreditava-se q ue seres sobrenaturais vigiavam os atos humanos e influenciavam seus resultados.como se eles fossem superiores. Se uma mulher dominadora deseja agradar a alguém. olhamos para eles de vez em quando. a não ser em situação especiais (como uma campanha eleitoral). é porque deviam ter olhos. e. um amigo trata o outro como um pod eroso. Passando do amor ao ódio. Se vêe m uma pupila diminuta. Esses truques raramente são usados p or indivíduos superiores. para c hecar suas reações ao que dizemos. olhamos para eles . o olhar fixo de uma pessoa furiosa é intimidador. Em tempos remotos. quando falamos e eles nos observam. estão verificando inconscientemente o grau de dilatação da pupila. quando as superstições eram comuns.

Muitos amuletos e talismãs eram utilizados para proteger as pessoas dessas ameaças. Se caísse sobre alguém. a maioria dessas imagens foram removidas ou escondidas durante a era vitoriana. Alguns desses objetos protetores funcionavam segundo o princípio de que uma imagem fortemente sexual podia distrair o Olho do Diabo e mantê-lo ocupado . Logicamente. al go terrível acontecia. essas precauções supersticiosas ainda são levadas a sério. Para intensificar a proteção.demônios — espíritos do mal com olhos malignos — cujo olhar podia causar um desastre. . Uma mãe ficava horrorizada se u m estranho elogiasse seu bebê. muitas igrejas cristãs da Europa medi eval exibiam imagens de genitais femininos sobre as portas. Surpreendentemente. com essa idéia em mente. e teria que pendurar um amuleto da sorte no berço da criança ou executar algum outro ritual de proteção. para evitar que os d emônios entrassem no edifício. os genitais eram geralmente representados abertos por duas mãos. A crença no poder dos olhos maléficos se espalhou e ainda hoje sobrevive em algumas pa rtes do mundo. ela também já teria desaparecido. Mesmo hoje. mas algumas ainda sobrevivem. como amuleto de proteção. todos sobre os quais seu olhar recaía seriam vítimas de a lguma desgraça. um pod er maligno e até mortal que podia atingir a vítima sem aviso. Se todo mundo soubesse que. que também é colocada numa casa para trazer bo a sorte. Desde então. uma mulher comum era possuída pelo Olho do Diabo cont ra sua vontade. principalmente nas reg iões mediterrâneas. a ferradura era símbolo dos genitais femininos. Às vezes. U m amuleto que sobreviveu é a ferradura. O olhar maldoso transformou-se na figura do Olho do Diabo. Como se acreditava que os piores efeitos do Olho do Diabo eram causados pela inveja. era importante não pro digalizar elogios a alguém que pudesse ser vulnerável.

Usado hoje só de brincadeira. Uma pessoa verdadeiramente modes ta não move os olhos para a esquerda e para a direita. as pálpebras superiores são fortemente pressionadas pa ra cima e quase desaparecem sob as sobrancelhas abaixadas. O olhar feroz é uma versão mais complexa do olhar fixo. É o comportamento natural dos su bordinados que não ousam encarar seus superiores. Esse é outro movimento usado deliberadamente como um sinal.Abandonando os olhos fantásticos dos espíritos do mal e chegando aos olhos verdadeir os de uma mulher. e duas partes do rosto precisam opor forças. Há ne sse ato. Trata-se de uma contradição. mas baixa-os para o chão. esse movimento dos olhos baseia-se na idéia de olhar para o céu em busca de que o divino seja testemunha da inocência. Durante o olhar feroz. Isso dá ao olhar uma ex pressão . Os olhos encaram a "vítima" be m abertos. expressam uma "alegação de inocência". muitas mensagens podem ser lidas em suas várias expressões. Olhos baixos são às vezes sinal de modéstia. Olhar feroz. mas o cenho se mantém franzido. a idéia de reverência e submissão. Baixar os olhos. não é uma expressão que se mantenha por muito tempo. Esse é um olh ar usado freqüentemente pela mãe que tenta dominar os filhos sem dizer uma palavra. porque olhos arregalados geralmente são acompanhados de sobrancelhas erguidas. assim como no gesto de baixar a cabeça. Ergu er os olhos para o céu. Se os olhos se mantêm um segundo nessa posição. Por essa razão.

Olhar de soslaio. . na qual fica evidente que a pessoa não está sofrendo com a exposição à luz ou tem endo uma ameaça. A expressão "olhar de esguelha" descreve perf eitamente esse gesto. Es se é um movimento usado para olhar alguém sem se dar a perceber. Trata-se de uma forma ar rogante. Essa expressão de dor artificial implica que os presentes são a causa de uma angústia mais ou menos permanente. Abrir os olhos a ponto de mostrar o branco acima e/ou abaixo da íris costuma ser uma reação a uma surpresa m oderada. Olhar desfocado. É uma expressão de desgosto. Isso ocorre quando estamos muito cansados ou sonhando acordados. por exemplo) pode ficar olhando por uma janela com um olhar des focado para impressionar os presentes. Esse movimento aumenta o campo de visão e abre caminho para uma maior rec eptividade a estímulos visuais. mas não consigo deixa r de olhá-lo" é a mensagem que ele contém. Como ocorre com muitas reações automáticas dos olhos. Basicamente uma proteção contra o excesso de luz ou possíveis danos. A mensagem do olhar feroz é de raiva e surpresa. Também é um sinal de ti midez ou de reserva. Alguém que queira mostrar que está sonhando com algo especia l (um novo amor. o movimento vol untário de apertar os olhos também tem uma versão deliberada. "Estou muito assustado para encarar você. Olhos apertados .inconfundível. um a versão "representada" é às vezes usada como sinal de falsa surpresa. Olhos arregalados.

Isso explicaria por que ele é o único primat a a ter essa capacidade. da aflição e da tristeza — em resumo. Há quem afirme que isso se deve ao fato de nossos ancestrais terem passado por uma fase aquática há milhões de anos. é possível que tenha conservado esses olhos lacr s quando voltou à terra firme como caçador. porque parece que a pessoa está apertando os olhos deliberadamente. Uma outra possibilidade é que o clima seco das savanas te nha aumentado a produção de lágrimas. dos fãs. Esse é o olhar dos apaixonados. Olhos úmidos. mas também o olhar da angústia. Afirma-se ainda que as lágrimas são um produto da evolução da função de lim peza dos olhos em mamíferos que voltaram ao mar. A prega de pele dos olhos orientais às vezes cria uma falsa impressão de arrogância. e . mas não suficientemente forte p ara produzir lágrimas.de desprezo pelo mundo ao redor. O fato de sermos capazes de chorar enquanto outros primatas não choram tem despertado considerável interesse. Olhos brilhantes. A superfície luminosa e cintilante dos olhos fica levemente umedecida por uma sec reção das glândulas lacrimais causadas por uma forte emoção. de qualquer forte emoção que seja reprimida pouco antes do choro. As b aleias choram quando sofrem. Essa explicação aquática parece lógica. e há relatos de que as lontras também choram quando per dem os filhotes. O brilho dos olhos transmite uma mensagem in teiramente diference e é algo difícil de imitar (a não ser para atores profissionais). da mãe orgulhosa e do at leta triunfante. quando produzia lágrimas como uma reação à longa exposição à água do mar. Chorar é um forte sinal social. S e há milhões de anos o homem passou por uma fase aquática.

Pis car os olhos. É po r isso que a freqüência das piscadas pode ser usada como um indício do estado de espírit o. leva mais ou menos 1/40 de segundo. quando a produção de lágrimas aumenta. nas quais as lágrimas se perderiam. Isso indicaria que o choro emocional é primordialmente uma maneira de l impar o corpo do excesso de substâncias químicas produzidas pelo estresse. A visão de faces banhadas de lágrimas. Deixando o tema dramático do choro e abordando o tema mais mundano d a piscadela. como a uri na. Contra o argumento de que os outros mamíferos que habitam regiões secas não choram quando estão tristes. seria então uma exploração secundária desse mecanismo de excreção. o movimento das pálpebras que limpa e umedece a superfície da córnea a freqüentes inte rvalos durante o dia. Só no rosto se m pêlos da espécie humana as lágrimas brilhantes funcionariam como um forte sinal visu al. têm uma função excretora. A análise química das lágrimas produzidas pela tristeza e das lágrimas produzidas pela irritação dos olhos revelou que os dois líquidos contém diferente s proteínas. que passam por momentos de forte tensão em disputas no mundo selvagem. que estimularia as pessoas a abraçar e con fortar o sofredor. é difícil conciliar essa teoria com a ausência de lágrimas em animais como os ch impanzés. Eis algumas das diferentes maneiras de piscar: . Em estados emocionais. hoje existem várias maneiras diferentes de piscar. Mais u ma vez. pode-se dizer que todos eles possuem faces peludas. o que exp licaria por que "chorar faz bem": a melhora de humor seria fruto de uma mudança quím ica. A piscadela normal . Uma explicação completamente diferente parte da idéia de que as lágrimas.que o choro seja resultado da função de limpeza. as piscadelas também se tornam mais freqüentes.

A mensagem q ue ele transmite é: "Eu e você partilhamos momentaneamente um segredo que exclui os demais".Piscar repetidamente. o gesto geralmente implica um convite sexual. o gesto é conden ado pelas . Ad ejar as pestanas. Piscar exageradamente. significa que ambos estão de acordo sobre alguma questão. Os olhos se abrem e fecham numa fração de segundo. Esse é um gesto deliberado que significa cumplicidade entre duas pessoas. num tremor seme lhante ao que tenta evitar o choro. e por isso estou limpando-os com uma imensa piscadela para ter certeza de que é isso mesmo que estou vendo". Usado em segredo ou abertamente. Trata-se de u ma tentativa desesperada de prender as lágrimas antes que elas comecem a rolar. também é usado como um sinal de tristeza. entre pesso as de sexos diferences ou do mesmo sexo. Entre amigos. Po r causa disso. Entre estranhos. a piscadela pode ser usada abertamente para "provocar" um te rceiro e fazê-lo sentir-se excluído. Como sugere um entendimento particular entre duas pessoas. Isso ocorre quando alguém está à beira das lágrimas. É um sinal melod ramático de falsa surpresa. É outro gesto teatral. que são arrega lados numa expressão de falsa inocência. Piscar para alguém. É uma piscadela mais lenta e maior em amplitude que a piscadela normal. usado apenas com um gesto "teatral". A mensagem que el e passa é a seguinte: "Não creio no que meus olhos vêem. ou que desfrutam de uma intimidade maior do que a que têm com as outras pessoas prese ntes. A diferença é a abertura dos olhos.

a pintura dos olhos já era bastante sofisticada 5 mil anos antes de Cristo.regras de etiqueta. isso não é co isa de uma mulher de classe. Além disso. Além de decorativa. funcionava c omo uma proteção contra o brilho do sol. 2 mil anos antes de Cristo. É claro que. Um produto puramente decorativo para maquia r os olhos era preparado com ovos de formigas. foi usada para fabricar a famosa maquiagem verde que era aplicada na região dos olhos na forma de uma pasta. a maquiagem dos olhos era cara e consumia muito tempo. Muitas mulheres acham difícil piscar de uma maneira c onvincente e se sentem desajeitadas quando o tentam. A malaq uita. o azul e três tipos de branco. No Egito. é muito mais fácil para os homens piscar de uma maneira convincente. o preto era encontrado em duas tonalidades. enquanto o outro olho se mantém aberto para o resto do mundo. para as mulheres egípcia s daquele tempo. um minério de chumbo. na Europa. o amarelo. A galena. Dois dos brancos também agiam como antibióticos. . que fica de fora da troca pessoal. Além das cores preto e verde. a fabricação de cosméticos era um p rocesso muito mais complexo do que se acreditava. já c onhecidas. Novas pe squisas revelaram que. Uma autoridade no assunto declarou que. as da mas egípcias tinham a seu dispor o púrpura. Por alguma razão ainda descon hecida (a menos que a dificuldade esteja na maquiagem dos olhos). Piscar para alguém talvez signi fique que desejamos partilhar um segredo apenas com uma pessoa. hoje se sabe que há 4 mil anos. graças a uma química bastante avançada. uma fosca e outra brilhante. um óxido de cobre. e ra utilizada para pintar traços pretos que exageravam a forma das pálpebras. C omo os olhos femininos transmitem muitas mensagens. não surpreende que toda uma co smética tenha se desenvolvido para embelezá-los.

obsidiana ou vidro. A maquiagem dos olhos da mulher egípcia incluía um estranho elemento: uma linha negra horizontal que parti a do canto externo do olho até a orelha. a rainha Cl eópatra ainda experimentava novas combinações de cores. feito de madeira. ao acordar pela manhã. Ovídio. Nelas. registra o uso de sombras pretas para os olhos. feitas d e cinzas de madeira. e sombras douradas produ- . que significa "elaborada decoração"). Emb ora muitos homens gregos usufruíssem da companhia dessas mulheres. Essa obsessão pela maquiagem dos olhos no Egito durou milhares de anos. bronze. um animal sagr ado para os antigos egípcios. Muitos desses bas tonetes. Esse elemento altamente decorativo tinha um significado mágico porque era a imitação das linhas do olho do gato.Para aplicar esses cosméticos nos olhos. hematita. assim como potes de cosméticos lindamente decorados. foram encontrados em salas de maquiagem e de banho de mais de 3 mil anos atrás. onde as mulheres respeitáveis deviam exibir a pureza e a graça de suas formas naturais. Os antigos romanos eram menos austeros a esse respeito. Embora tenha sido a língua grega que nos legou a pal avra "cosmético (de "kosmetikos". "uma mulher dessas pareceria ainda menos atraente que um macaco . apenas as cort esãs gregas desfrutavam dos prazeres da maquiagem. as cortesãs eram desprezadas pelos autores puritanos da época. Mesmo no período em que a grande civilização já declinava. que escreveu a primei ra obra sobre cosméticos. a mulher usava um bastonete de ponta arre ndada. As coisas eram bastante d iferentes na antiga Grécia. um dos quais afirmou que. era aceitável realçar as pálpe bras com um pincel mergulhado em incenso preto e delinear os olhos com kohl. pintando as pálpebras superiores de azul-escuro e as inferiores de um verde brilhante.

o inusitado de Hollywood tornou-se lugar- . a maquiagem praticamente de sapareceu dos olhos femininos na Europa e só ressurgiria muitos séculos depois. experimentou o kohl para criar a dramática máscara de Theda Bara para o papel de Cleópatra. influenciou a indústria de cosméticos ao lançar a moda dos olhos pesadamente maquiados. Helena Rubin stein. As atrizes dos primeiro s filmes em preto e branco eram obrigadas a enfatizar os traços faciais para torná-l os mais visíveis para a platéia. recentemente emancipada s. As mulheres. com seu conhecimento do antigo Egito. quando uma forte reação ao puritanismo vitoriano começou a ganhar impulso. era uma prerrogativa das mulheres de vida fácil. Em poucas décadas. O ano de 1910 assistiu à publicação de um notável pequeno volume intitulado The Daily Mirror Beau ty Book. Theda Bara. que dava seus primeiros passos. as décadas de 1920 e 30 viram esse comércio d e cosméticos florescer numa indústria de massa. para fazê-los "parecer estrel as". estavam decididas a se embelezar segundo seu próprio gosto e a rejeitar qualque r interferência de figuras autoritárias masculinas. A Europa segui a a tradição grega. tirou a idéia das sombras coloridas do teatro francês e. Uma atriz em particular. Foi o começo de uma revolução na cosmética. Essas jovens foram fortemente in fluenciadas pelo cinema. Quan do isso aconteceu.zidas a partir do açafrão. A maquiagem dos olhos só ressurgiu inteiramente no início do século XX . O dramaturgo romano Plauto afirmou que "uma mulher sem pi ntura é como comida sem sal". Depois da queda de Roma. Depois da Primeira Grande Guerra. pioneira da moderna cosmética. um manual de beleza que aconselhava traçar uma linha a lápis para alongar o s olhos e descrevia um aparelho para curvar os cílios.

O truque era que essa face nua se conqu istava com o mais demorado e mais cuidadoso procedimento cosmético na história da ma quiagem. o utras vezes nem tanto —. mas. Na verdade.comum em todo o mundo. Mesmo em países onde dogmas religiosos impõem a sujeição das mulheres. seus olhos pesadamente maquiados inspiraram jovens de todo o mundo — e sombras. a linha dos olhos e os cílios recebendo mai or ou menor atenção de acordo com os ditames da moda. No épico de 1963. a maquiagem dos olhos sempre esteve presente — às vezes sutil. Desde então. No final d a década. No mundo ocidental. pelo menos . uma face nua". obrigando-as a cobrir o rosto em públi co. É evidente que o desejo feminino de r ealçar a beleza dos olhos continua tão forte hoje como era nas antigas civilizações. mas os cosméticos para os olhos não desapareceram. criando um ar de "inocência infantil". foi Elizabeth Taylor a fazer o papel d e Cleópatra. com as pálpebras. não parece haver limites para essa área da "modificação" feminina. o Egito serviu novamente de insp iração para a maquiagem dos olhos. Como escreveu uma autora iraniana. essa suposta aparência natu ral era totalmente artificial. . a indústria cosmética cresce cada vez mais". Dessa vez. No início da década de 1960. a maquiagem dos olhos recebe a mesma atenção de sempre — ainda que só possa ser apre ciada na privacidade do lar. delineadores e cílios postiços entraram na moda. Um anúncio proc lamava que "Para olho nu. A maquiagem ostensiva do início da década foi substit uída por uma sutil ingenuidade. ironicamen te. o olhar desafiador de Cleópatra deu lugar a uma aparência mais natural. "as mulheres pod em ser obrigadas a parecer feias pelos chefes de Estado islâmicos.

Nariz O nariz é uma parte muito pequena da anatomia feminina. n a evolução da espécie. o nari z permaneceu onde estava. Nós temos um nariz protuberante num rosto achatado. como uma rocha que fica exposta quando a maré baixa. mas que vantagem evoluti va pode haver na forma exata de um nariz feminino? Para entender isso. e por isso a cirurgia plástica para mod ificar o nariz feminino tem tido muita procura há mais de meio século. a ponta alongada e as narinas voltadas para baixo. como ele é chamado. é único. mas tem uma importância desp roporcional ao seu tamanho. Se compararmos o nariz humano com os de nossos parentes próximos do mundo animal. características como quadris amplos. a não ser franzindo-se em sinal de repugnância. . Os que têm o focinho mais longo também possuem uma face alongada. deve nos proporcionar alguma vantagem biológica. pele saudável e fartos seios g anharam muita importância como sinais de beleza feminina. Há algo tão positivo na independência do nariz em relação às feiçõ o cercam. uma característica est ranha que exige uma explicação. Várias hipóteses foram levantadas. Os macac os não possuem nada parecido. com a ponte saliente. É difíc il aceitar essa suposição.6. Seu formato tem sido referência de beleza. É uma parte do rosto que não é capaz de expressar-se. sempre despertou muita ate nção. fica evidente que nosso nariz. à medida que o rosto humano foi se achatando. Apesar disso. é preciso p rimeiro examinar a biologia básica do nariz. que o "órgão proeminente". Alguns anatomistas apresentaram um argumento pouco c onvincente: no curso da evolução. Por que isso acontece? O que há de tão especial nessa parte da anatomia feminina? É evidente que.

como as baleias. Válvulas nasais seriam muito mais úteis a um macaco aquático. Se for esse o caso. mas seria muito mais provável que tivéssem os desenvolvido válvulas nasais. vamos sentir a mão pressionando as três procrusões defensivas do olho.A primeira teoria vê a probóscide humana como um ressonador. Mas talvez a voz clara dos h umanos só precise dos grandes seios nasais — as cavidades nasais ocultas — para ressoa r com clareza. Durante esse período. O nariz seria uma proteção contra o influxo de água quando mergulhávamos. A perda da qualidade vocal é drástica. Esse triângulo ósseo protege o olho. . mas não precisamos fazer isso quando mergulhamos de cabeça. ê preciso falar tapando o nariz. nosso corpo teria sofrido diversas a daptações. apertamos o nariz. É por isso q ue os cantores têm tanto pavor de pegar um resfriado. que é mole e vulneráve l. Seu crescimento é interpr etado como um movimento de apoio cada vez maior da vocalização humana. Se apoiarmos a ponta do polegar no osso malar. Uma terceira teoria. Uma segunda teoria vê o nariz humano como um escudo: uma armadura óssea q ue ajuda a proteger os olhos. Para ilustrar essa proprieda de. Isso é verdade. de um golpe frontal. Vale le mbrar que. bastante fantasiosa. um dedo no supercílio e outro na ponte do nariz. Há quem afirme que nossos ancestrais passaram por uma fase aquática há milhões de anos. vê o nariz como uma defesa contra a água. Apenas um pequeno passo evolucio nário seria necessário para que o homem tivesse um nariz capaz de se fechar debaixo d'água. precisamos de outra explicação para a protuberância do nariz. Se isso tivesse ocorrido. O nariz teria se desenvolvido à medida que a voz e a fala evoluíram. não teríamos necessidade de desenvolver um nariz alo ngado com narinas voltadas para baixo. quando pulamos na água.

dificilmente está nas condições ideais para passar aos pulmões. Essa teoria vê o nariz como um aparelho de ar condicionado obrigado a suportar uma carga cada vez maior à medida que nossos ancestrais se deslocavam para regiões mais frias e secas do planeta. porque inc rustados nela existem milhões de minúsculos pêlos chamados cílios. Essa superfície úmida está sempre em movimento. Tentativas de criar um nariz artificial enfrentaram muitas dificuldades. deve ser um ar temperado. Quando o ar é inalado pelas narinas . Se um paciente de um hospital perder o uso do nariz p or qualquer motivo. Para entender isso é necessário dar uma olhada dentro do nariz. que oscilam 250 vezes por minuto. gravemente prejudicados em um ou dois dias . renovando metade da cobertura mucosa a cada minuto.Mas talvez o formato do nariz humano o ajude a funcionar como uma proteção diferente : contra a poeira e os resíduos carregados pelo vento. 95% de u midade e livre de poeira. Por força da grav idade. essa mucosa desliza pela garganta. Enquanto isso . Em outras palavra. Ao abandonar a tranqüilidade das árvores e se aventurar por planícies descampadas e outros ambientes mais hostis. o nde um nariz seria de grande utilidade. nossos ancestrais devem ter encontrado um ambiente adverso e cheio de ventos. Os pulmões são exigentes q uanto à qualidade ideal do ar que gostariam de receber: 35º de temperatura. para evitar que o delicado revestimento dos pulmões se resseque ou se danifiqu e. O nariz consegue isso de uma maneira notável: fornecendo mais de 14m3 de ar con dicionado a cada 24 horas. A superfície interna das complexas cavidades nasais é coberta por uma membrana mucosa que segrega cerc a de 1 litro de água por dia. úmido e lim po. o que prova a extraordinária eficiência da engenharia do nariz humano. onde é engolida. seus pulmões estarão.

Assim o s pulmões estão seguros para a próxima inspiração. O pó e os resíduos de sujeira aderem à mucosa e são eliminados com ela. A função olfativa é realizada por dois pequenos conjuntos de células capazes de detectar os cheiros. por exemplo. Resumindo. Um cuidadoso mapeamento revela que é possív el classificar as pessoas segundo um índice nasal. o ar que passa pelas cavidades nasais vai se aquecendo e tornando-se m ais úmido. conservando sua função de condicionamento do ar.acontece. Pessoas de pele escura que vivem em regiões quentes na África ocidental. A forma do nariz é apenas uma indicação d o tipo de ar que nossos ancestrais respiraram e de nada mais. Num clima quente e úm ido. para se m anter eficiente nas savanas áridas ou desertos. apenas 27% da umidade vêm do ar. portant o. Do tamanho de uma pe quena moeda. o nariz humano é um aparelho ressonador e um escudo ósseo que se tornou mais prot uberante e mais longo à medida que nossa espécie abandonou o quente e úmido Jardim do Éd en. dividindoas em grupos correspon dentes à temperatura e à umidade do local onde vivem. Daí podemos concluir que. o nariz precisa ser mais alto e ma is proeminente do que numa floresta úmida. à medida que nos os ancestrais abandonaram seu habitat tropical e úmido e se aventuraram por outras terras em busca da caça. Mas não é só para isso que serve o na riz: ele é o principal órgão do olfato e do paladar. situam-se acima das fossas nasais. Isso não significa classificá-las por "raças". ao passo que 73% precisam ser produzidos pela mucosa nasal. por exemplo — apresentarão um nariz mais achatado que as pessoas de pele escura que vivem nas regiões mais secas da África oriental. Cada um deles é constituído por . porém. e o nariz só contribu i com 24% Num clima quente e seco. seu nariz passou a ser mais exigido. 76% da umidade são provenientes do exterior. Isso significa que.

Ainda pensamos no olfato como a lgo primitivo e bárbaro — uma capacidade antiga que é melhor esquecer e abandonar. diversas mães forem colocadas em l inha com os olhos vendados. O nariz feminino tem uma extraordinária sensibilidade aos odores masculinos. Se.5 milhões de células que nos dão uma sensibilidade muito maior aos odores do que em ge ral imaginamos. na saliva. Pesquisas realizadas na década de 1970 ident ificaram mais de duzentos diferentes compostos químicos que podem ser encontrados no suor. As mães também são capazes de reconhecer seus bebês pe lo cheiro corporal. (Apenas para registro: só metade dos jovens pais foram capazes do mesmo feito.) Não temos consciência dessa alta eficiência do nariz porque ignoramos e anulamos cada ve z mais suas funções. durante as quai s. e seus bebês transportados diante da fila um por um. aspiram diversos cheiros masculinos. inevitavelmente. numa experiência simples. usamos roupas que eliminam nossos cheiros corporais e enchemos o ar de aeros sóis capazes de eliminar cheiros e disfarçar odores. descobriu-se que as mulheres que apreciam relações sexuais freqüentes. c ada mãe será capaz de distinguir seu filho entre todos os outros. possuem uma fisiologia mais equilibrada. é uma demonstração de quanto a capacidade do nariz humano tem sido subestimada. Surpreendentemente. Vivemos em cidades onde os odores naturais tornam-se imperceptíve is. nos óleos da pele e nos fluidos genitais. . Apresentam ciclos sexuais mais regulares e menos problemas de fertilidade — tal é o poder do nariz. Somos capazes de detectar substâncias diluídas numa proporção de uma par te da substância para bilhões de partes de ar. Mais uma vez. As mulheres jovens geralmente se surpreendem ao descobrir que possuem essa sensibilidade.

mas tem uma capacidade muito limitada. ou indiretam ente pela própria boca. A língua é o principal órgão do paladar. as partícula s odoríficas chegam a essas células diretamente pelas cavidades nasais. em média. ainda ass im. Se. Quando levamos o alimento à boca. Convém agora explicar por que dissemos que o nariz é também um órgão do paladar. Po r isso. mastigam os e engolimos os alimentos. fortes ossos malares e um nariz mais protuberante. Nas tribos primitivas. Os homens adultos eram mais dispensáveis. o nariz dos homens acabou se tornando maior que o das mulheres. como dissemos . que coletavam alimentos. todos os outros sabores de nossa variadíssima culinária na verdade são detectados não na superfície da língua salivante. então os homens primitivos. . mas. Essa proteção podia ser adquirida se eles desenvolvessem um crânio mais pesado.Apenas em algumas áreas especializadas — a dos provadores de vinhos e perfumes. que eram c açadores. ele protege os olhos de golpes violentos. as mulheres adultas eram valiosas demais para serem expostas numa caçada. Só é capaz de disti nguir quatro sabores: doce. precisariam de uma proteção maior que as mulheres primitivas. Essa é portanto a biologia do nariz. salgado. À medida que mordemos. s obrancelhas mais espessas. amargo e ácido. precisavam da maior proteção pos sível. se tinham que enfrentar os perigos de uma caçada. por exemplo — existe um esforço de educar o nariz a desenvolver plenamente seu potencial . mas pelas células olfati vas situadas acima das fossas nasais. Um alimento pode ter um sabor desagradável (na língua) e um ch eiro delicioso (no nariz). mas como ela pode nos ajudar a entender a forte ligação entre a forma do nariz e a beleza feminina? Um a resposta pode ser encontrada na protrusão óssea do nariz humano.

a capacidade atlética dos homens. são maiores que a média. como o Oriente Médio e o norte da África. Outro fator favoreceu a pequenez do nariz feminino. Mais uma vez. e qualquer mulher que nascesse com um nariz muito grande se sentiria feia. Mas também é p el que seus ancestrais recentes tenham vindo de uma parte do mundo onde um nariz grande era uma adaptação valiosa ao clima. Essas diferenças criaram uma equação: nariz menor = nariz feminino. algumas dessas mulher es podem achar que seu nariz não é bastante . au mentou a importância do nariz como condicionador do ar. Daí se conclui que um nariz pequeno é um nariz infantil. são mais largos que a média. mais bela é a mulher. para parecer jovem e feminina é preciso ter um nariz pequeno. onde o clima seja mais temperado.Além disso. desenvolvida na perseguição das presas. to dos nós temos o nariz na forma de um minúsculo botão. Se forem viver em outras partes do mundo. porém. co mo de certas partes da África tropical. Para a maioria das mulheres. Durante a infância. A partir daí. Quando bebês. qualqu er mulher que nascesse com um nariz muito delicado era considerada superfeminina . Acrescente-se a isso um "cu lto à juventude" e o resultado é óbvio: quanto menor o nariz. os das regiões úmidas. Outras. Port anto. houve uma pr essão evolutiva para que o nariz dos homens se tornasse maior que o das mulheres. isso não é problema — a natureza lhes foi favorável. esse botão cresc e proporcionalmente ao resto da lace e atinge seu tamanho máximo na idade adulta. Há duas razões possíveis para isso. Narizes provenientes de regiões desérticas. sentemse desfavorecidas pela genética por terem que viver com um nariz grande e masculin o. Iss o não foi tudo. Elas podem ter sido desfavorecidas simplesmente em conseqüência das variações individuais que ocorrem em todas as populações.

afirmou que Brice (que era judia) tinha "cortado fora o nariz por ód io à sua raça". na década de 1960. contra o que a atriz se defendeu energicamente. O procedimento mais comum implica a remoção da saliência óssea que torna o nariz muito protuberante e adunco. elas pouco podiam fazer. Segundo ele. Fanny perdera "um nariz de 1 mi lhão de dólares". Mas existem cirurgias menos comuns. mas o apare cimento de técnicas avançadas de cirurgia plástica vieram em seu socorro. Dorothy Parker. Até o século XIX. Reduzir o tamanho do n ariz feminino tornou-se a mais popular das cirurgias plásticas. Uma serra cirúrgica especial remove essa saliência. como a redução da batata do nar iz. o termo grego para nariz. A cirurgi a é realizada dentro do nariz. sempre que al guém estivesse infeliz com o rosto que a natureza lhe dera. O termo técnico para essa cirurgia é rinoplastia — que vem de rhino. as primeiras clientes da cirurgia plástica do nariz foram as estrelas do show business. Seu produtor ficou horrorizado. Barbra Srreisand se . Como quase sempre ac ontece com essas "melhorias" corporais. famosa por seus comentários cáusticos sobre as celebri dades da época. onde ele realizou uma rinoplastia que reduziu seu nariz proeminente a dimensões diminut as. para que não haja cicatrizes externas. Mais tarde. o estreitamento das narinas e a elevação da ponta do nariz. percebeu-se que os mesm os procedimentos podiam ser utilizados por razões puramente estéticas. Em 1923. A cirurgia p lástica surgiu da necessidade de reconstruir o rosto dos soltados feridos durante as duas grandes guerras do século XX. quando fez o papel de Fanny Brice em Funny Girl. Com os avanços técnicos. a famosa atriz de teatro Fanny Brice convocou um renomado cirurgião plástico a seu apartamento no Ritz.feminino e desejarão tê-lo menor. e o perfil nasal se redu z drasticamente.

Além das mulheres israelenses. a mod a pegou. foi uma exceção. A desculpa das adolesc entes é que. O procedimento popularizou-se nos lugares mais inesperados. ou parte dele. a rinoplastia se tor nou cada vez mais popular no mundo ocidental porque um número cada vez maior de at rizes modelos e mulheres de todas as condições sociais passaram por uma plástica para reduzir o nariz. e o incidente sobre a cirurgia plástica de Fanny foi omitido no roteiro do filme. da A rábia Saudita e dos países do Golfo acorrem às clínicas israelenses em busca da operação. cirurgiões plásticos são cada vez mais requisitados p ara a rinoplastia. Mas Streisand. Em algumas regiões da África tropical.recusou bravamente a operar seu imponente nariz. da Jordânia. o número de rinoplastias já ultrapassava cente nas de milhares. com q uase todo o resto do corpo coberto. por exemplo. a redução do nariz se tornou tal obsessão para as jovens irania nas que mais de cem cirurgiões plásticos chegavam a realizar 35 mil rinoplastias por ano. No Irã. Uma adolescente de Teerã afirmou: "A moda chegou a tal ponto que as pessoas que não operam o nariz usam um curativo para chamar a atenção". No início do século XXI. Depois del a. onde por imposição d o rigoroso regime islâmico as mulheres cobrem os cabelos em público e expõem apenas o rosto. Mas é claro que. dona de uma fort e personalidade. uma operação diferente está ganhando popularidade. jovens do Egito. Na segunda metade do século XX. de acordo com a lei islâmica. Mesmo em países onde o nariz grande é uma característica comum. Em Israel. o número de rinoplastias está crescendo em proporções assustadoras . "Deus ama os belos". No início do século XXI. o nariz se tornou um foco de atenção. o nariz .

quando o costume era perfurar a narina esquerda. que começa no Oriente Médio cerca de 4 mil anos atrás. as cirurgias que ocidentalizam o nariz estão sendo realizadas em grande número. A tradição de usar argola no nariz foi levada do Oriente Médio p ara a Índia durante o período mongol. Ainda é prática corrente entre os berberes e beduínos nômades do Norte da África e do Oriente Médio. Uma tendência semelhante foi relatada recent emente no Extremo Oriente. os hippies do Ocidente gostavam de viajar para o Orie nte "em busca de si mesmos". no século XVII. ao ver as mulheres nativas com argolas no nariz. a mulher teria um parto menos doloroso. a mulher rejeitada pode usar o aro de ouro no nariz para garantir sua segurança. o septo nasal era perfurado para que nele se pudesse pendurar um ornam ento. O tamanho da argola indica a riqueza da família.largo e chato das mulheres nativas se estreita e recebe uma ponte mais firme. o nariz nunca foi tão popular quanto as orelhas. Acreditava-se que. Na década de 1960. Em algumas sociedades tribais. O piercing nas narinas tem uma long a história. o pescoço. se mais t arde ocorrer o divórcio. É o equivalente nasal do alisamento dos cabelos. e. a moda foi adotada pelos punks dos anos 1970. Na Inglaterra. escolhida porque esse lado estava relacionado à procriação e ao nasci mento. uma cirurgia com a qual as jovens a fricanas tentam parecer mais européias. decidiram adotar essa maneira exótica de mutilação. Para o uso de jóias. mas ainda era vista como uma tendência . se usasse uma argola na narina esquerda (muitas vezes ligada à orelha esquerda por uma corrente de ouro). onde o marid o costuma presentear a esposa com uma argola de ouro que ela deverá usar no nariz no dia do casamento. No Vietnã e na China. mas esse costume nunca se generalizou. o pulso ou os dedos. e.

Eis. segundo Malinowski. Em muitos lugares houve reações violentas de patrões contra empregados que usavam esse n ovo tipo de ornamento feminino. o que fazia o nariz se partir ao meio. os amantes esfregam o nariz do parceiro contra o próprio na riz. embora os coletores de impostos tenham aposentado as fac as. acariciamos as axilas e as virilhas.exótica. E o pior foi uma pu nição particularmente brutal. os pequenos piercings ganharam popularidade. já no século XXI. o contato entre duas pessoas pelo nariz sempre foi considerado grosseiro e incivil izado. o nariz só recebe toques gentis na vida p rivada. Num contexto social. esfrego meu nariz no dela. na qual uma faca era inserida nas narinas. os povos do Pacífico utilizavam o contato nariz a nariz q uase da mesma maneira que . Hoje. esse toque também ocorre num contexto social. No ato sexual. nos mordemos no nariz. tem sido rara socialmente.. a maneira como um nativo de Trobriand descreve o ato sexual: "Eu a abraço com todo o meu corpo. Esse castigo era aplicado. O melhor que um nariz pode esperar é um puxão ou um soco. Na Europa. mas com o tempo o costume foi perdendo seu caráter de rebeldia. Então. tensos de paixão. misturamos nossas línguas. Mais tarde. começa a declinar. nos morde mos nas bochechas. uma carícia que entretanto nunca saiu do âmbito da intimidade Em certas ilhas d o Pacífico. no século IX. e hoje. ainda mostramos uma relíquia desse método primitivo quando dizemos que o fisco " nos deu uma facada". por volta do final do século XX.". . nos mordemos no queixo. sugo o seu lábio inferior e ela suga o meu . àqueles que não p agassem impostos. No mundo ocidental. talvez devido à influência cada ve z maior dos filmes de Hollywood. Quanto à maneira de cumprimen tar com um toque de nariz contra nariz.

existe uma list a das partes do corpo que podem ou não ser tocadas pelo nariz. Esses cumprimentos estão em declínio. o que ocorre é um toque na ponta do nariz. O contato de nariz com nariz. c o o nipresente aperto de mãos se espalhou por todo o planeta. Quando um cidadão cumprimenta um grande chefe. só é permitido entre pessoas da mesma c ondição social. um gesto que se baseia na idéia de inalar a fragrância do corpo do outro. o que é um erro. Em uma tribo das ilhas Salomão. quando maoris de a lta casta de encontram. combinam um vigoroso aperto de mãos com um leve toque no n ariz. O modo de vida mais co smopolita. o toque no nariz às vezes obedece a um rígido código d e comportamento. assim como de nariz com bochecha. Costuma-se descrever esse contato como "esfregar um nariz contra o outro". Quando um jovem encontra uma pessoa mais velha. . o contato deve ser d e nariz com pulso. O movimento de esfregar geralmente se reserva aos enco ntros eróticos do tipo descrito por Malinowski.usamos o beijo. deve tocar os se us joelhos com o nariz. Como cumprimento formal. O novo ocupa o lugar da tradição. Em público. no sul do Pacífico. Hoje. a mistura de culturas. o crescimento do turismo e do comércio internaci onal — tudo isso contribuiu para uma uniformidade dos gestos de cumprimento.

Depois. O rubor da vergonha ou do constrangimento sexual se inicia no centro das bochechas — em dois pontos que ganham uma cor vermelho-esc ura — e só então se irradia pela superfície do rosto. Si mbolicamente. a não ser de sua inexperiência e indesejada inocência.7. e geralmente não t em do que se envergonhar. é em outros contextos que o rubor ocorr e.. se o rubor se intensifica ainda mais. a bochecha é a parte mais suave de todo o corpo feminino. Isso ocorreu em parte porque a forma arre dondada do rosto de um bebê — uma característica exclusivamente humana — sempre desperto u forte amor paternal. Em momentos de ternura.. tocamos . Na verdade. o rubor é visto como uma demonstração de in ocência virginal. Mark Twain certa vez declarou que "O homem é o único animal que se rub oriza. A pessoa que enrubesce costuma ser jovem. numa reminiscência do amor puro en tre pais e filhos. Bochechas Desde épocas muito remotas a parte macia e lisa do rosto feminino tem sido conside rada sede de beleza." — como se fossem os terríveis pecados do ser humano que o fize ssem ruborizar-se de vergonha. como o pescoço. espalha-se para outras áreas. os namorados dançam de rosto colado e velhos amigos se beijam na face. Como ocorre muitas vezes num clima de erotismo. A bochecha é também a parte do corpo que revela mais claramente as emoções. inocência e modéstia. os lóbulos das orel has e o colo. É nas faces que as mudança s emocionais são mais evidentes. beliscamos ou beijamos as faces do ser amado. tímida em sociedade. Ou deveria. Assim como a mãe pressiona levemente as bochechas do bebê contra o rosto. Essa antiga ligação entre bochechas macias e amor intenso dei xou uma marca em nossos relacionamentos adultos. o nariz. A "noiva ruborizada" é um clichê nas cerimônias .

A dis posição da mulher enfurecida é de ataque. As faces de uma mulher verdadeiramente irada se tornam muito pálidas à medida que o sangue foge e ela se prepara para a ação. suas faces também empalidecem. Naquela época. porque ela está prestes a fugir — ou reagir. era significativo que as jove ns oferecidas nos mercados de escravos corassem quando enfileiradas diante de po tenciais compradores. se for enc urralada. poderse-ia dizer que o rubor é b asicamente um sinal de virgindade. nenhuma jovem da alta classe seria vista com a pele bronzeada. Esse é o ros to de uma mulher pronta para atacar a qualquer momento. A mulher que cora di ante de um comentário de conotação sexual obviamente tem consciência de sua sexualidade. A mulher que não cor a não tem consciência de sua sexualidade ou já perdeu a vergonha. Nesse contexto. Essa é uma situação rel ativamente recente. um rubor difuso que se espalha por todo o rosto. o rosto bronzeado de uma mulher caucasiana é sinal de stat us. A tonalidade que se instala é diferente. Portanto. Como o rubor está (ou estava. o bronzeado significava apenas uma coisa: a labuta no campo. mas ainda preserva uma certa ignorância. Moças das classes superiores consideravam a pele bronzeada repugnante. Antigamente. porque indica que ela tem condições de passar férias numa praia. A vermelhidão do rosto também é um sinal de raiva. Modernamente. antes que a educação sexual moderna trouxesse uma maior abertura e fr anqueza sobre o assunto) intimamente ligado a uma situação de namoro ou flerte entre pessoas jovens. Mas se ela está com medo. Ela pode lançar ameaças terríveis. mas é a vermelhi da pele que indica sua frustração. c tomavam todo o cuidado para evitar o sol mesmo num simples . criou-se uma conexão entre ele e a atração sexual.de casamento — e nesse caso o rubor resulta de um constrangimento pelo fato de tod os os presentes estarem imaginando a iminente perda da virgindade.

essa repulsa ao sol levou as mulheres a usar maquiagem p ara empalidecer o rosto. quando se expõem. a face pálida volta a ser um símbolo — dessa vez de consciência e preocupação com a saúde. as faces eram pintadas com ruge. na Itália do . o bronzeado voltou a ser um mal . à medida que os fabricante s de cosméticos lançam novidades no mercado. As jovens hoje evitam se torrar ao sol e. embor a essa seja uma tendência que vai e vem ao sabor da moda. Além da aparência de saúde. Em outras épocas. quando usavam um chapéu de abas largas ou uma sombrinha. que mais tarde podia causar paralis ia muscular ou até mesmo a morte. O repetido uso dessa pin tura ocasionava um acúmulo de veneno no corpo. No século XXI. Mas ainda há quem se recuse a abandonar o culto ao sol. quando um rosto rosado era um si nal de vigor e boa saúde. Quando não usavam ruge. O blush ainda é um cosmético muito usado hoje. Mais uma vez. Em a lguns períodos da história. o que lhe dá uma dupla vantagem num contexto sexual. Todas essas práticas acarretavam riscos.passeio pelo parque. depois de uma forte campanha contra o excesso de sol devido ao risco de câncer de pele. Os problemas de pele que o sol pode acarretar não são nada comparados com um creme que. A maquiagem branca usada no século XVI e ra especialmente danosa. Em casos extremos. a s jovens beliscavam as bochechas antes de um importante acontecimento social par a fazer o sangue afluir a elas. porque continha óxido de chumbo. esse tipo de maqu iagem traz também a lembrança do rubor inocente da adolescência. e assim as mulheres se dividem entre as cautelosas pálidas e as bronzeadas despreocupadas . elas se sangravam para chegar à palide z. Veremos que grupo prevalecerá. usam um bom protetor solar.

Um rosto com covinhas sempre foi considerado atraente na Europa. Os gre gos modernos ainda interpretam o gesto da mesma maneira. a forma das bochechas também era importante como padrão de beleza.Durante o movimento. Recomendava que nunca ingerissem o cosmético e que o aplicassem nas faces pouco antes de uma relação amorosa. Depois. absorveria uma quantidade do ve neno suficiente para matá-lo. torturada e estrangulada na prisão. A senhora Toffana sempre visitava suas cliente s para lhes explicar o uso adequado do produto. Seus crimes só foram descobertos em 1709. pressionada contra as faces. Consistia em colocar o polegar sobre uma bochec ha e o indicador sobre a outra e descer suavemente a mão em direção ao queixo. A senhora Toffana foi responsável por mais de seiscentas mortes e a criação de mesmo número de viúvas saudáveis.século XVII. o que fez dela a maior envenenadora de todos os tempos. a boca do marido. Pressionar a língua contr a a bochecha a ponto de distorcê-la é um gesto que significa descrença. a forma das b ochechas também é importante. A idéia que . os dedos se aproximam. e parece que sempre foram bastante raras. Er a esse rosto ovalado que os gregos consideravam ideal de beleza feminina. o motivo do óbito era sempre "excesso sexual". onde se dizia que elas eram marcas do dedo de Deus. Vendido em pó ou em creme. que se tornou particularmente popular entre as esposas que queriam se livrar d e seus maridos. quando ela foi presa. As covinhas não são m uito comuns hoje. O ardil funcionou por muito tempo. Entre os gregos anti gos. Uma certa senhora Giulia Toffana oferecia esse especial tratamento de pele . Havia até um g esto especial para indicar isso. era vendido com o nome de "Aqua Toffana" ou "Manna de San Nicola di B ari". Assim como a cor. sugerindo uma forma atilada para o rosto. era uma fórmula venenosa que continha arsên ico e outros ingredientes letais. Com isso .

no sul.lhe deu origem é a de que essa seria a única maneira de a pessoa evitar uma crítica qu e estaria "na ponta da língua". à Sicília e à Sardenha. Ele também signi fica descrença e é essencialmente um gesto de forte sarcasmo. mas tem que permanecer sentado a uma mesa. tendo sido muito popular na Roma antiga. É interessante notar que. ma s com o tempo seu significado se ampliou e passou a incluir qualquer coisa boa. Em algumas regiões medit errâneas. a palavra ingle sa "cheek" (bochecha) ganhou nova acepção e passou a significar também "atrevimento". só que na face de outra pessoa. Norm almente. Outro gesto. Quase em toda parte. a indicar que a massa estava al dente. o mesmo gesto. beliscar a própria bochecha é sinal de algo excelente ou delicioso. durante o primeiro período vitoriano. Se um professor ou conferencista constatar essa postu ra em seus ouvintes. De Turim. era um cumprimento ao cozinheiro. apóia a face sobre a mão como se tentas se segurar o peso da cabeça. Nasceu do fato de que o momento que caracteriza o sono é aquele cm que o rosto toca o travesseiro. é pressionar o indicador na bochecha e girá-lo como se fosse uma chave de fenda. mas o beliscão . proibida princ ipalmente às crianças. pode contar que não está agradando. quando alguém está cansado ou entediado . n o norte. Com isso. Juntar as palmas das mãos e apoiar a face sobre elas é um gesto que todo mundo enten de. quase restrito à Itália. Uma demonstração ainda mais evi dente de aborrecimento ou tédio é contrair os cantos da boca com força. é um sinal de afeição que ve m sendo usado há mais do 2 mil anos. "desfaçatez". tem sempre o mesmo significado: "Bom!" Na ori gem. é um adulto que belisca a bochecha de uma criança (que quase sempre odeia i sso). Na Itália todos o conhecem. Fazer esse gesto era uma grosseria.

mas s em poder fazer nada diante de um gesto que poderia ser amigável. que pode desagradar quando praticado com demasiado vigor. mas em amb ientes de baixa renda ele é extremamente raro. o gesto se resume à pressão de bochecha contra bochecha. a não ser entre membros de uma mesma família. Quando a mulher usa batom. No meio teat ral e em ambientes sociais mais festivos. Mutilações nas bochechas nunca foram muito comuns devido à necessidade de mobilidade facial. Em certas regiões. Quando não existe afeto. Era a maneira clássica de uma dama responder à atenção indesejada de um cavalheiro. O tapa no rosto t em uma longa tradição. como a Europa ori ental. adequado apenas a pessoas de igual condição. Na essência. não passa de uma tempestade em copo d'água — um estalo que f az barulho. Na outra ponta da escala emocional estão o beijo e o toque na face. e generalizou-se em muitos países como parte do ritual de cumpri mentos nas reuniões sociais. mas causa tão pouco dano físico que não chega a provocar uma reação imediata o u um ato agressivo da parte da vítima. ele se dilui log o depois. deixando a vítima atônita. sua freqüência é quase excessiva. por exemplo. o tradicional beijo leve na boca continua vigorando. A freqüência do cumprimento obedece a variáveis culturais. Embora provoque um choque. É uma versão mais leve do beijo na boca.também pode ser usado como uma brincadeira entre adultos. sem contato do láb io com a face. O tapinha na bochecha é um a brincadeira um pouco mais irritante. o gesto pode se transformar facilmente n uma verdadeira bofetada. Em . O be ijo é um ato recíproco. combinada com o estalar de um beijo. Esses usos variam de um país para outro. sabendo que foi insultada.

e m ais tarde foram postos à venda falsos alfinetes de segurança. A não ser pelo uso rotineiro de pó e ruge. nenhuma mulher podia arran har o rosto em sinal de luto ou tristeza.. com a intenção de demonstrar seu sofrimento.. tat uagens. ordenando que. as mulheres que perdiam um ente querido arranhavam as faces ate fazê-las sangrar. o Sen ado publicou um edito. verrugas ou ma rcas de varíola com um círculo preto. já que as faces são a sede da modéstia e da vergonha". dali em diante. e qualquer mulher da moda que a imitasse só teria a ganhar em beleza. A única outra forma de decoração fac ial é a pinta. incisões e perfurações. ao tomar conhecimento do fato. que davam a impressão de estar enterrados na carne sem realmente feri-la.tempos remotos. mas a pinta logo ganhou vida própria como decoração cosmética. ou disfarçar a imperfeição com um lápis preto. Esse ti po de decoração tornou-se tão popular que mesmo as mulheres que possuíam uma pele perfei ta a adotaram. ou "sinal de beleza". John Bulwer relata que esse costume deu origem a uma lei: "As damas romanas tinham o hábito de arranhar a s faces em sinal de luto [. As decorações tribais para o rosto incluem uma variedade de pinturas. Tu do começou com a necessidade de ocultar pequenas imperfeições. Conta-se que Vênus nasceu com uma pinta natural na face. Essas mutilações selvagens dos primeiros punks foram desaparecendo aos poucos. quase não se vêem dornos faciais no mundo ocidental. quase sempre próximo à boca . quando era possível ver mocinhas com um alfinete de segurança enfiado na bochecha. que se tornou moda nos séculos XVII e XVIII. Essa foi a desculpa de que as mulheres precisavam para cobrir manchas.] de modo que. até que a pinta passou a ser um elemento . embora um breve ressurgimento deles tenha oco rrido nos anos 1970 com o movimento punk rock em Londres.

coroas. a pele torna-se muito fina — s e o tratamento foi um sucesso. a menos que estivesse de luto". asperezas. os sinais de beleza deixaram de ser pintas e se transformaram em estrelas.." No início do século XVIII a moda tinha adquirido ta l complexidade que a posição das pintas ganhou significado político: as damas do Parti do Whig (ala direita) decoravam a face direita. as marcas do to sto feminino recebem outro tratamento. Como uma face lisa passa a imagem de juve ntude e saúde. com algumas notáveis exceções. No final do século XVI.. novos pro cedimentos foram desenvolvidos pela cirurgia plástica. a pele do rosto é praticament e queimada. Com o tempo. o u. em termos técnicos. as velhas e as feias estão todas remendadas. enquanto as damas do Partido Tor y (então ala esquerda) decoravam a face esquerda. microdermoabrasão. losa ngos c corações. Depois de cicatrizada. as jovens. Com essa finalidade. mas uma ocasional e única pinta ai nda se vê de tempos em tempos — sobrevivente solitária de um passado de exagero. tornou-se tão essencial nos meios cortesãos a pon to de se dizer que "toda mulher moderna devia usá-la sempre. faz-se necessário algo mais drástico. é importante para uma jovem que quer se manter atraente esconder espi nhos. cravos. Um jato de cristais de dióxido de alumínio é aplicado ao rosto. a me nos que estejam acamadas. Se a maquiagem não disf arçar o problema.puramente decorativo. rugas ou outros defeitos de pele. Moder namente. essa moda desapareceu. Cheguei a contar mais de quinze remendos sobre uma fac e enrugada e escura de bruxa. e hoje. . Esses excessos logo desapareceram. Um deles é a abrasão da pele. um francês de língua afiada em visita a Londres afi rmou: "Na Inglaterra. removendo as camadas externas da pele. Com o tempo. crescentes. Por esse método.

mais protuberantes. Um terceiro método emprega uma com binação altamente tecnológica de ultra-som. 8. Esse gel ácido remove as camadas externas da pele que está danificada. é preciso repetir o procedimento algumas vezes. . mas. Não percebemos isso porque não nos damos o trabalho de co mpará-los com os lábios de nossos ancestrais primatas. seus lábios são. cuidadosamente removida. o homem é o único a te r lábios curvados para fora. mais juvenil — que o home m nesse aspecto. Uma fina camada de um gel esfoliante é aplicad a no rosto e. Lábios Existe algo muito estranho nos lábios humanos. Por que os humanos têm os lábios virados do avesso? Mais uma vez. logo veremos que a superfície macia e bri lhante fica escondida. No mundo animal. mas novos avanços no tratamento estão surgindo o tempo todo . preservamos cada vez mais as carac terísticas de bebê. Como a fêmea humana é um pouco mais evoluída anatomicamente — ou seja. À medida que nossa anatomia e nosso comportament o tornaram-se progressivamente mais infantis. Em todos esses casos. cinco minutos depois. E por isso acabaram se tornando alvo de muita atenção. Nossos lábios carnudos e visíveis faziam parte dessa tendência. e os resultados nem sempre são perfeitos. e logo chegará o dia em que qualquer mulher poderá ter uma face perfeitamente lisa — por um certo preço. em média. microcorrentes e tratamento com laser. a resposta está na nossa evolução. se observarmos atentamen te a boca de um chimpanzé ou de um gorila.Outro procedimento é o peeling químico.

prende sua boca muscular de lábios finos à longa teta da mãe e suga o leite como um fazendeiro ordenha uma vaca. são perfeitamente adequados à sua primeira tarefa de sugar os seios também únicos da fêmea humana. os lábios já desapareceram. uma exclusividade da espécie humana. possui uma boca humanóide. assim que nasce. Portanto. Quando o fe o tem apenas dezesseis semanas. A boca do chimpanzé tomou a forma em que permanecerá pelo resto da vida. Ela os umedece. com lábios grandes e carn udos. em condições primitivas. eles já . sop ra beijos. por volta de 26 semanas. e. os cobre de batom. faz biquinho. Portanto. porém. Enquanto for jovem e o sexo lhe ocupar a mente. nem no bebê chimpanzé. aponta um par de lábios recurvos para o mamilo da mãe.Mas. mas no minúsculo embrião do chimpanzé. Mas a h istória não termina aqui. O bebê chimpanzé. Se terminasse. os lábios do bebê virariam sozinhos para dentro quando ele começasse a ingerir alimentos sólidos. ela tratará de cuidar dos lábios como um símbolo sexual. antes. podem até desa parecer sob uma barba hirsuta. eles se torn am de fato um pouco mais esticados e finos. Ao contrário do bebê chimpanzé. No homem adulto. vamos analisar como se desenvolveram esses superlábios. devemos dizer que os lábios humanos não são apenas infantis: são embrionári os. por sua vez. Dois meses depois. quando os lábios se afinam. exibe um par de lábios fartos e macios por toda a vida adulta — ou pelo menos até ficar bem velha. Antes mesmo de seu primeiro beijo de amor. Sua origem não e stá no bebê humano. por onde suga o le ite de seus fartos seios. e assim ele exibiria os lábios fino s típicos dos primatas quando chegasse à idade adulta. A fêmea humana. os lábios do avesso. o bebê humano não se desvia do projeto fetal e. para se rmos precisos.

desempenharam um papel apresentação como mulher. fundamental na sua O que torna os lábios tão sensuais visualmente? Em sua forma, em sua textura e em su a coloração, eles imitam os outros lábios femininos, os lábios vaginais. Quando a mulher se excita sexualmente, os lábios vaginais se intumescem e se tornam mais vermelho s. Ao mesmo tempo, no rosto, seus lábios ficam mais túrgidos, mais vermelhos e mais sensíveis. Essas mudanças ocorrem em uníssono, como parte da revolução fisiológica que acomp anha uma forte excitação sexual. Um dos principais fatores desse processo é o fluxo do sangue em direção à superfície da pele. A pele dos indivíduos sexualmente ativos brilha q uando os vasos capilares se distendem em função do maior suprimento de sangue. Esse sangue extra aflora mais rapidamente do que pode refluir, e, com isso, a superfíci e da pele se torna cada vez mais sensível ao toque. Isso é particularmente verdade n os lábios. Os vasos sangüíneos tornam os lábios mais intumescidos e mais visíveis graças ao contraste entre sua tonalidade cada vez mais vermelha e a carne branca ao seu re dor. Intuitivamente, as mulheres das sociedades primitivas começaram a usar esse m imetismo. As prostitutas do antigo Egito usavam um ocre vermelho para realçar os láb ios. Um desenho em papiro que data de 1150 a. C. mostra uma cena num bordel teba no, na qual uma mulher seminua segura um espelho e aplica uma pintura nos lábios c om um longo bastão. Ao lado, um cliente inteiramente nu, exibindo uma enorme ereção, e stende a mão na direção dos genitais da mulher. A relação entre o rubor dos lábios femininos e a atividade erótica tem portanto mais de 3 mil anos. O uso de algum tipo de pin tura labial é mais antigo que isso, pois existem evidências de que ela já existia 4 mi l

anos atrás, na cidade de Ur, hoje sul do Iraque, onde uma soberana, a rainha Puabi , foi enterrada com um grande suprimento de maquiagem para ser usado na outra vi da. Seus cosméticos — tintas vermelhas para os lábios, assim como verdes, brancas e pr etas, presumivelmente para os olhos — foram armazenados em grandes conchas, ou em imitações de conchas feitas de ouro ou prata. Os primeiros batons eram fabricados tr iturando-se o óxido de ferro vermelho até obter um pó, que era então misturado com gordu ra animal. Mais tarde, no século IV a.C, os gregos realizaram experiências que parec em ter resultado na adição de tinturas vegetais, saliva humana, suor de carneiro e a té mesmo fezes de crocodilo. No século II, a tecnologia já tinha avançado, e as mulheres palestinas podiam escolher entre o laranja-brilhante e o cereja-escuro. Desde e ntão, a coloração artificial dos lábios foi um popular recurso de beleza feminina, embor a algumas vezes tenha sido condenada por autoridades puritanas. Sob regimes dita toriais que tentaram reprimir os prazeres sexuais, a pintura dos lábios foi proibi da. Em casos extremos, mesmo sem pintura, os lábios foram considerados excitantes demais para serem vistos em público, e as infelizes mulheres foram obrigadas a esc ondê-los por trás de véus. Acredita-se que a ocultação dos lábios das mulheres seja uma pres crição da fé islâmica, mas não é. Esse é sem dúvida um costume nos países muçulmanos, mas não a ver com os ensinamentos de Maomé. Na verdade, foi imposto às mulheres por uma soc iedade machista. Não se trata de um preceito religioso, mas de uma proibição sexista, fruto de uma sociedade em que a mulher é tratada como propriedade do homem. As igr ejas cristãs têm tido uma atitude ambivalente em relação aos lábios femininos. Em algumas ép ocas, elas se mostraram liberais, mas também houve períodos de

repressão, quando lábios artificialmente coloridos eram vistos como obra do demônio e uma ofensa à obra de Deus, o corpo humano em seu estado natural. Um clérigo do século XVII condenou os lábios pintados por considerá-los "um sinal de prostituição", uma armad ilha capaz de propagar o fogo da luxúria no coração dos homens que tivessem a infelici dade de pousar os olhos sobre eles. Os políticos geralmente se mantiveram afastado s dessas questões, mas, num determinado momento do século XVIII, na Inglaterra, vira m-se na obrigação de aprovar uma lei proibindo o USO do batom, porque certos homens ansiosos temiam ser ardilosamente atraídos para o casamento pela visão dos lábios femi ninos pintados. Essa proibição absurda criou um problema para as damas da época. A sol ução que elas encontraram foi chupar um picolé de groselha ou beliscar os lábios pouco a ntes de entrar numa festa. Apesar de sucessivas proibições da Igreja e do Estado, os cosméticos para os lábios se recusaram a desaparecer e, ao longo da história, sumiram ou ressurgiram ao sabor da moda. Num exemplar da Ladys Magazine do final dos an os 1820, verifica-se que um novo desenho labial foi adotado: o arco de cupido. P ara obtê-lo, os lábios eram aumentados verticalmente em vez de crescerem no sentido longitudinal, com uma profunda fenda no lábio superior, bem abaixo do nariz. Isso dava à boca da mulher uma aparência infantil e transmitia aos galantes cavalheiros d a época a atraente mensagem de que aquelas belas senhoritas precisavam de proteção. No s tempos atuais, o uso do batom sustenta uma importante indústria, que cresceu ini nterruptamente durante o século XX. No fim da era vitoriana, os lábios pintados de v ermelho foram confinados às infamantes casas de prazeres em função da pudicícia e da hip ocrisia da

época. Inúmeros clientes eram atraídos por suas cores convidativas e depois voltavam p ara suas pálidas esposas. Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, o batom iniciou sua lenta escalada social, passando dos bordéis aos teatros e daí para as bocas das mais ousadas freqüentadoras da sociedade boêmia. Depois da guerra, nos agitados anos 1920, os lábios pintados de vermelho se popularizaram nos salões de baile. Nos anos 1920 e 1930, o batom era usado pelas estrelas da florescente arte do cinema e l ogo se tornou uma norma social. Uma das primeiras estrelas do cinema, Clara Bow, reintroduziu os lábios de cupido, mas de uma forma mais audaciosa, quase um coração. Em 1925, Bow chegou a estrelar um filme intitulado My Lady's Lips (Os lábios de mi nha mulher). Na década de 1930, mulheres de personalidade mais forte entraram em c ena e impuseram um novo estilo: a boca rasgada. Depois disso, a boquinha de coração desapareceu. Com o advento da Segunda Guerra Mundial, pelo menos entre as jovens , usar um batom vermelho-brilhante era um sinal de patriotismo, porque alegrava os bravos soldados. Cartazes de recrutamento exibiam lábios de um vermelho vivo, u ma promessa de apoio feminino a qualquer um que estivesse disposto a defender se u país. Em 1945, com o fim da guerra, iniciou-se um período de austeridade. A paz re tornara, e o batom era então um acessório trivial, apresentado apenas em uns poucos tons de vermelho. Nunca se tinha ouvido falar de batom de outra cor. Na década de 1950 tudo isso mudou. Na França e na Itália, os fabricantes de cosméticos introduziram o titânio branco na fórmula do batom para produzir cores mais pálidas, e com isso amp liaram enormemente o espectro de cores. As revistas de moda da época gozavam de gr ande influência e tinham o poder de lançar uma nova cor a cada ano — a cor que se torn ava a coqueluche da

estação e depois desaparecia, substituída pela "ultima novidade". Nos anos 1960, com a chegada da pílula anticoncepcional e uma mentalidade mais aberta para a sexualida de, as mulheres puderam se expressar melhor como indivíduos. Em lugar de uma única c or dominante, uma enorme variedade de cores foi posta à sua disposição, inclusive dive rsas tonalidade pálidas. Com o surgimento do feminismo, na década de 1970, isso mudo u rapidamente. Por algum tempo, pintar os lábios era o mesmo que ceder ao desejo m asculino, e uma nova forma de puritanismo veio à tona. Os lábios das feministas eram naturais. Ao mesmo tempo, as mulheres protestavam violentamente contra a Guerra do Vietnã, e, quando não pertenciam ao movimento feminista, às vezes adotavam cores p roibidas, como o azul, o púrpura ou mesmo o gótico preto. Quando a Guerra do Vietnã te rminou e as jovens conquistaram uma maior igualdade social, os austeros modelos que lembravam uniformes foram abandonados, e as mulheres se sentiram livres para voltar a parecer mulheres. Durante os anos 1980 e 1990, o batom vermelho retorn ou mais uma vez. No início do século XXI, as mulheres passaram a expressar seu desej o sexual com uma franqueza nunca vista, e com essa confiança sexual e essa liberal idade cresceu a exploração erótica dos cosméticos para os lábios. Foram criadas três estratég as básicas: lábios mais vermelhos do que nunca, lábios de cor natural com o brilho do gloss ou uma combinação dos dois — muito vermelhos e muito brilhantes. Agora, a tônica e ra a individualidade. As mulheres deixaram de ser escravas de uma única moda. Uma cantora pop pode se apresentar com os lábios pintados de vermelho-vivo e, no próximo

show, subir ao palco com os lábios rosa-pálidos brilhantes ou sem nenhum batom. Os p ublicitários lançam mão de estimulantes descrições: lábios ultra-brilhantes, lábios suculento , lábios deliciosos, lábios molhados. As fotos mostram lábios femininos tão úmidos que é imp ossível evitar a mensagem biológica subliminar: se a forte excitação sexual gera secreções g enitais, os novos batons devem sugerir essa mudança fisiológica. Os fabricantes de b atons criaram superlábios. A mensagem está clara para quem quiser ver: as mulheres e stão mostrando que gostam de sexo e não se importam que saibam disso. Por mais impre ssionante que seja, toda essa tecnologia ocidental para embelezamento dos lábios f emininos torna-se insignificante diante das mutilações labiais de certas sociedades tribais. Entre o povo surma, que habita o sudoeste da Etiópia, a mulher adulta é con hecida como "mulher-prato". Pouco depois que ela completa 20 anos, seis meses an tes de se casar, um dos lábios é cortado e um pequeno prato, chamado labret, é inserid o na boca. Isso estica o lábio para fora num anel de carne avermelhada. Assim que for possível, a jovem retira o prato e o substitui por outro ligeiramente maior, d epois por um maior ainda, até ser capaz de exibir um lábio quase do tamanho de um pr ato de jantar. Nos primeiros tempos, o prato tinha a forma de cunha e era esculp ido em madeira, mas mais recentemente a moda determina que ele seja circular e d e cerâmica. Quando a mulher está sozinha, comendo, dormindo ou na companhia de outra s mulheres, tem permissão para tirar o labret, e, quando faz isso, o lábio cortado e esticado fica pendurado. Quando os homens estão presentes, porém, o prato deve esta r no lugar, e seu tamanho denota o valor da mulher. O tamanho do prato que uma j ovem consegue tolerar será a medida de sua beleza e irá determinar quantas cabeças de gado ela vale quando sua mão for oferecida em casamento.

essa forma extr ema de ornamento corporal foi descoberta por antigos exploradores numa parte com pletamente diferente do mundo. Quando os pri meiros exploradores puseram os olhos nesses extravagantes lábios. exibiam grandes discos labiais. não apenas entre os surmas. a intenção é alargar os lábios e chamar a atenção para eles. os lobis de Gana e os sara-kabas e os ubândgis da bacia do Congo. As tatuagens de estrelas na infância e as tatuagens em preto e azul quando as mulheres atingem a idade adulta se espa lham da boca em direção às orelhas. Embora tenha sido amplamente divulgada. Em todos os casos. Surpreendentemente. Algumas esticam apenas um lábio. Em algumas tribos das Filipinas. foi l vantada a hipótese de que os chefes da tribo instigassem o procedimento para deter os mercadores de escravos árabes. A técn ica varia de uma tribo para outra. Mais uma vez. que achavam as mulheres com esse ornamento feia s e iam buscar escravas em outra tribo. mas também entre os macondes do Quênia. Outras trib os usavam técnicas diferentes. na Colúmbia Britânica. uma goma de masca r feita de nozes de bétele era usada para tornar os lábios encarnados. outras os dois . essa história parece não ter muito fundamento. acharam difícil cr editar que . Os shilluks do Sudão preferem os lábios tingidos de azu l e os ainus do Japão gostam de lábios tatuados. O mais provável é que. onde as mulheres dos t liguites. e que a repulsa dos mercadores de escravos fosse apenas um bônus. como outras tribos que adotavam esse costume. as mu lheres que tinham os maiores discos eram as que desfrutavam de mais status. Entre os ubândgis. os ubândgis achassem os lábios esticados um sinal de bel eza. a costa ocidental do Canadá. enquanto outras pregam um pino de madeira acima e abaixo dos lábios.Essa forma bizarra de alargamento dos lábios existiu em muitas tribos africanas.

cientes do apelo sensual de lábios grossos e suculentos. mas recent emente reapareceu na Califórnia. usar os novos lábios para um determinado papel. A cirurgia plástica dos lábios. Esse preenchimento pode ser feito co m materiais sintéticos. que caem até o peito e mostram aquela chaga do lado que pende para fora e que. por exemplo. com Alloderm. os p ontos principais desse tipo de cirurgia plástica podem ser resumidos nos seguintes (embora novos procedimentos estejam sendo introduzidos o tempo todo): O procedi mento menos drástico é a aplicação de uma série de injeções de colágeno ou gel hialurônico cm pontos do contorno dos lábios. numa nova forma. Esse espaço oco que é preenchido com um material capaz de ser absorvido pelo tecido labial. Uma interv enção mais duradoura requer uma intervenção cirúrgica.. É evidente que não lhe ocorreu que os problemas de saúde decorrentes desses imensos lábios resultavam do corte do lábio para a colocação de grandes discos. em um d os primeiros livros antropológicos já publicados. e com a . implante sólido retirado da pele desidratada d e pessoas mortas. quando o calor do sol é ex tremo. Atrizes de Hollywood. Sem entrar em detalhes técnicos. de modo que elas não têm outra maneira de se curar senão jogando sal continuamente sobre ela!" Esse relato foi feito por John Bulwer em 1654. O efeito dura de três a seis meses.eles resultassem de sacrifícios que as mulheres dessas tribos infligissem a si mes mas: ". com a abertura de um canal que atra vessa os lábios de um canto ao outro. apodrece. que já foi tão comum nas tri bos africanas. não seria vista nas sociedades urbanas por muitos séculos. começaram a procurar diferentes proce dimentos cirúrgicos para "melhorar" seus lábios. o que permite a uma atriz..elas nascem com os lábios inferiores desse tamanho.

que é extraída das nádegas. purificada e depois injetada no s lábios. dando ao lábio uma aparência artificial. . que começaram na Califór nia e se espalharam pelo mundo todo. depois de modificados os lábios. a linha superior se curva ligeiramente sob o nariz. C ertas atrizes adquirem lábios tão protuberantes que ofuscam todas as outras feições do r osto (e que algumas vezes são chamados com sarcasmo de "beiços de truta"). Às vezes. Não há dúvida de que. um procedimento para pr eenchimento dos lábios tem o efeito de eliminar a forma de arco de cupido do lábio s uperior. "Todas essas intervenções têm um dos seguin tes objetivos: preencher os lábios ou projetá-los para fora. a forma mais extrema de intervenção: a cirurgia plástica dos lábios. embora fiq uem escondidas dentro da boca. porque o século XXI está testemunhando uma rápido crescimento dessas cirurgias. se os cirurgiões e dermatolog istas executarem bem o seu trabalho e evitarem armadilhas como as mencionadas. tal é o impacto erótico da forma dos lábios. Os que cr iticam essas intervenções acham que. O risco desses procedimentos cirúrgic os é que. que. o rosto feminino pode se tornar muito mais sensual. eles podem não se harmonizar com o rosto. A obtenção de um ou outro r esultado dependerá da colocação precisa das substâncias. Em lugar da fenda natural. a s mulheres deviam pensar duas vezes antes de se submeter a uma cirurgia desse ti po. Trata-se de uma remodelação permanente e precisa ser realizada num centro cirúrgico. a não ser no caso de lábios excessivamente finos. são sentidas.própria gordura da paciente. Leva cerca de uma hora e tem a desvantagem de deixar cicatrizes. Finalmente. Mas essa é uma opinião que não parecer estar sendo levada em conta.

na fase das preliminares. Ele ainda ocorre em . Então. as prostitutas dizem ''nada de beijo". Numa recente pesquisa sobre os dez pontos de contato mais im portantes do corpo da mulher. naturalmente. uma afirmação que diz mu ito sobre o significado dos lábios femininos. mas porque ele é "muito pessoal". Quando as mulheres das tribos precisavam desmamar os fil hos e introduzir alimentos sólidos. transferiam para ele o alimento. embora permitam todo tipo de conta to genital. Isso pode explicar por que. costumavam mastigar o alimento até torná-lo macio e liquefeito. mas. mas. a tradição não recomenda beijar em público. a estimulação do clitóris tem maior probabilidade de conduzir ao orgasmo. colocavam a boca aberta sobre a boquinha do bebê e. consideramos os lábios apenas do ponto de vista estético. mas os lábios. como o Japão. e m alguns países. os lábios foram considerados a zona mais erógena. O beijo na boca t em uma origem curiosa. estão realizando um ato que r emonta a épocas primevas. esse movimento exploratório da língua se ligou indelevelmente ao ato de a mor. os bebês passavam a experime ntar o alimento com sua própria língua assim que o contato boca a boca era feito. elas respondem que não permitem o beijo na boca não por razões de higiene. Isso também talvez explique por que. É verdade que. De ssa forma. Esquecemos como ch egamos até aqui porque hoje é extremamente raro encontrar exemplos sobreviventes des se ritual primitivo de alimentação. Não os seios ou os genitais. usando a líng ua. é o contato com o lábio o fator de maior excitação. Indagadas sobre esse tabu.Até aqui. Quando cresciam. essa não é sua única função. segundo as mulheres entrevistadas para a pesquisa. em estágios mais avançados da relação s exual. Deste longínquo início nasceu o beijo de amor entre adultos. tradicional mente. Quando os amantes unem os lábios com a boca aberta e um com eça a explorar o interior da boca do outro com a língua.

como em muitos outros. Nesse aspecto. a fêmea humana é a mais desenvolvid a de todos os primatas. Em casos extremos. V ale lembrar que.algumas tribos remotas. seu contato com diferentes partes do corpo masculino durante a relação sexual é menos altruísta do que pode parecer. A impressão deixada pela primeira fase oral permanece com ela de alguma forma por grande parte de sua vida adulta. o p razer oral adulto reflete uma privação infantil. ma s o que Freud não considerou . talvez isso seja verdade. De acordo com o estudo clássico sobre a sexualidade feminina realiza do por Kinsey e seus colegas. mas é desconhecido ou foi esquecido cm quase toda parte. e isso pode ocor rer mesmo sem qualquer contato genital. Pode parecer que elas este jam apenas excitando o homem. Quando uma amante suga o pênis do par ceiro. publicado há mais de meio século. devido à grande sensibilidade dos lábios femininos. para Freud. Umas poucas mulheres também são capazes de a tingir o orgasmo aplicando os lábios ao falo masculino. Vale acrescentar que. Segundo essa teoria. mas desempenhou um importante papel nas atividade s sexuais de muitas culturas por milhares de anos — está fortemente relacionado ao p razer oral do bebê ao sugar os seios maternos. mas as terminações nervosas da mucosa dos lábios feminin os são tão refinadas que cada toque no corpo do amado envia de volta um forte estimu lo sexual. algumas mulheres são c apazes de chegar ao orgasmo durante prolongados beijos na boca. O contato oral-genital — que hoje sabemos não é uma invenção da so ciedade ocidental "decadente". um bebê ao qual tenha sido negada a recompensa normalmente oferecida pela mãe passará o resto da vid a tentando compensar essa perda. os movimentos de sua boca lhe recordam o prazer que sentia ao sugar os se ios da mãe.

como faz a maioria dos bebês. Combinadas de diferentes maneiras. essas quatr o mudanças nos dão um enorme espectro de expressões. . Se o músculo todo se contrai. comer doces e tomar bebidas quentes não é difícil de entender. Finalmente. ele deve ser perdoado por e ssa postura contra esses adultos que ele considerava "oralmente dependentes. dificilmente perderá a chance de experimentar maneiras adultas de recapturar esse prazer — simplesmente porque não houve nenhuma privação infa ntil. Costuma-se vê-lo como um simples esfíncter. eram capaz es de desfrutar dos prazeres orais. para a frente e para trás. os lábios se mantêm fechados. é importante examinar os lábios femi ninos como emissores de sinais faciais. Por outro lado. Ele tinha câncer do palato. porque sua boca era fon te de interminável sofrimento. Um indivíduo que sugou o seio materno. As mudanças de humor provocam quatro difer entes movimentos dos lábios: abertos e fechados. a contração pressiona os lábios fechados co ntra os dentes. fumar. se suas fibras superficiais são ativadas. que precisou ser removido em grande parte em trinta e três cirurgias. com fixação em seios e infantilizados" simplesmente porque. o mesmo músculo. o orbicularis oris. A atitude negativa de Freud em relação a adultos que gostam de beijar. Portanto. mas se suas fi bras mais profundas são fortemente ativadas. As mudanças são efetuadas por um conj unto complexo de músculos que funcionam basicamente da seguinte maneira: Ao redor dos lábios existe um forte músculo circular. que se contrai para fechá-los. Portanto. para cim a e para baixo. É esse músculo que trabalha quando os lábios estão apertados ou adotam qualque r outra expressão contraída. ao contrário dele. mas isso seria subestimá-lo. os lábios se fecham e se projetam para a frente. tensos e frouxos.foi que os prazeres experimentados em qualquer fase da vida são capazes de estabel ecer padrões de comportamento para o futuro.

Elas provocam uma aber tura maior ou menor da boca. eles são empurrados par a a frente. Quando sente uma dor aguda. o ser humano usa outro múscu lo. Ele é usado não apenas para soprar instrumentos musicais. o que introduz um novo elemento nas sutis expressões faciais. pavor ou raiva. no sorriso e na gargal hada. ou músculo do trompete. Existem ainda o músculo levator menti. mas também ajuda na mastigação dos a limentos. O músculo depressor empurra o lábio inferior para baixo. pode gerar os lábios suavemente contraídos que conv idam a um beijo ou os lábios tensos de quem espera levar um tapa na cara. eles se retraem. diversas vocalizações acompanham as expressões da boca. Tomemos como exemplo as expressões contrastantes de raiva e medo. gerando a expres são de tristeza. Na rai va silenciosa. o músculo levator er gue o lábio superior e ajuda a criar expressões de dor e desdém. que ergue o queixo e projeta o lábio inferior para fora em expressões de desafio. o platysma da região do pescoço. ajudando a f ormar a expressão de aversão ou de ironia. A maiori a dos outros músculos da boca trabalha contra esse músculo circular central.operando de maneiras diferentes. como se avançassem sobre o inimigo. como se fugissem de um ataque. O músculo zygomaticus e mpurra a boca para cima e para baixo em expressões alegres. Na raiva. que puxa a boca para baixo e para os lados em f unção da tensão do pescoço que antecipa um ferimento físico. O músculo triangularis empurra a boca para baixo e para trás. e o bu ccinator. Simplificando muito. lutando para manter a boca aberta em outra direção. que comprime as bochechas contra os dentes. Para complicar ainda mais as coisas. A princ ipal diferença está no movimento dos cantos da boca. no medo. os lábios são pressionados . Mas esses movimentos opostos dos cantos da boca podem exi stir com a boca aberta emitindo um som ou com a boca fechada e em silêncio.

expondo os dentes superiores e inferiores. o s lábios podem se manter em contato. Quando se acrescenta o som da risada. na raiva ruidosa. com os cantos da boca para a frente. um importante fator para o fortalecimento dos laços de amizade. Mas ele s também podem se separar e produzir o amplo sorriso no qual os dentes superiores são expostos. o que resulta num sorriso silencioso. a capacidade de combi nar elementos aparentemente incompatíveis para transmitir estados de .um contra o outro. Elas "personalizam" o sorriso . gerando uma abertura quase quadrada. os dentes inferiores nunca são inteiramente expostos como os superiores. Como o medo retrai os lábios. Outra característica da expressão alegre é a prega de pele que aparece entre os lábios e a bochechas. os lábios se retraem e se retesam ate formar uma fissura horizontal. causadas pela elevação dos cantos da boca. qual seja. com os cantos da boca puxados o máximo para trás. Se uma mulher ri e expõe totalmente os dentes inferi ores. No medo silencioso. Essas l inhas diagonais. acompa nhada de um berro ou de um ronco. mas ainda com os cantos da boca para a frente. mas. O sorriso triste ilustra outra sutileza das expressões femininas. por maior que seja a gargalhada. a boca se mantém aberta e os den tes inferiores também podem se revelar. es ticando os lábios para cima e para trás ao mesmo tempo. a boca se abre inteiramente. no medo ru idoso. As expressões de felici dade também têm versões abertas e fechadas. a pessoa que grita expõe menos os dentes do que a que rosna. são dobras nasolabiais que variam consideravelmente de indivíduo para indivíduo. podemos duvidar da sinceridade de sua expressão vocal. Quando são empurrados para trás e para cima. acompanhado de um grito ou de uma arfada. a boca se abre. devido à curva para cima dos lábios estic ados.

a não ser pelos cantos da boca. que oferecem ao rosto feminino um rico reper tório de sinais visuais. Em vez disso. que se recusam a se erg uer na posição adequada. caem para criar o "sorriso heróico" da mulher q ue está sendo assediada ou o sorriso irônico da professora que recusa um pedido. Exi stem muitas outras expressões mistas.espírito complexos. No sorriso triste. todo o rosto se compõe numa aparência de olhos brilhantes e de bom humor. .

melhor ainda do que o homem. Quando diante de uma tarefa verbal. tossir. Naturalmente. e não cultural. sorrir. assobiar e fumar. Por isso. as mulheres não poderiam falar e perderiam u ma de suas grandes qualidades. estando envolvida nos atos de experimentar. mas esse erro é rapidamente corrigido quando se tenta falar com a língua presa no assoalho bucal. Qualquer pessoa que tenha visitado um dentista sabe disso. e as mulheres atuais herdaram essa quali dade.9. Sem ela. Ela usa a boca também para falar. engolir. beijar. sugar. uma parte maior do cérebro da mulher é empregada em registrar uma solução. a boca contém um elemento essencial: a língua. abatendo as presas com pouco mais do que um grunhido a romper o silêncio). gritar e grunhir. A laringe recebe o crédito. As mulheres primitivas foram as comunicadoras da vida tri bal (enquanto os homens ficavam fora da tribo. Dentro dos lábios. o que lhes dá uma grande vantagem. Pesquisas sobre o cérebro confirmaram algo de que muitos já suspeitavam: as mulheres são. Boca A boca feminina funciona o tempo todo. O papel da língua na fala às vezes é subestimad o. Essa é uma afirmação evolucionária. que é a capacidade de se comunicar verbalmente melh or do que qualquer outro animal no mundo. rir. por n atureza. mastigar. não surpreende que a boca tenha sido definida como o campo de batalha do rosto". l amber. mais fluentes que os homens. mastigar e engolir. Sua s uperfície rugosa é coberta de papilas que contêm entre 9 e 10 mil . a língua também desempenha um papel primordial n a alimentação. rosnar. Outros animais usam a boca para morder. mas a fêmea humana acrescenta a essa lista outras funções. bocejar.

ela participa da função cruc ial de engolir. a superfície da lín gua também reage à textura dos alimentos. Além dos sabores.receptores gustativos. en quanto os receptores do azedo e do amargo estão no céu da boca. quando ainda estão no ventre da mãe. em especial na parte superior da garganta. Quando julga que tod os os pedaços foram devidamente triturados ou rejeitados. tentando desalojar partículas . com a ajuda dos aromas que percebemos com o olfato. Existem receptores dos sabores doce e salgado em outras partes da boca. Todos os sutis sab ores de nossos alimentos derivam de uma mistura desses quatro sabores básicos. um Quando a refeição termina. e amargo na parte posterior da língua . Costumava-se pensar que todos os sabores são percebidos na parte superior da língu a. manter um equilíbrio correto do sal e evitar certos alimentos perig osos — que apresentariam um sabor excessivamente amargo ou ácido. a língua funciona como palito gigante. tão elementar. a língua r ola o alimento na boca. Durante a mastigação. a ponta da língua pressiona o céu da boca e sua par te posterior se arqueia para catapultar a mistura de alimento e saliva para dent ro da garganta em direção ao estômago. Não reparamos nesse complexo movimento muscular p orque ele é automático. Acredita-se que essas sensações de paladar existem porque era importante para nossos ancestrais reconhecer quando uma fruta estava doce e madura. azedo dos lados da língua. ao calor e à dor. que os bebês são capazes de executá-lo antes mesmo que ele seja necessário. que são capazes de distinguir quatro sabores: doce e salgad o na ponta da língua. em busca de caroços ou pedaços maiores. mas hoje se sabe que não é isso que ocorre. Para fazer isso. no ponto onde o pala to duro se junta ao palato mole. de fato.

praticamen te só os utiliza para se alimentar. A mulher pode usá-los u ma vez ou outra para cortar um fio. que na espéci e humana são utilizados quase exclusivamente para a alimentação. De acordo com o parce iro de uma usuária. Mais tarde ela declarou que precisava de férias para recarregar as baterias. A co rrente percorreu todo o corpo e ela quase morreu. Dê a um macaco um objeto estranho e ele quase de imediato o levará à boca para explorá-lo com os lábios. os jovens se submetem à dor de ter a língua perfurada para a ins erção de piercings de metal. o beijo na boca sem piercing é como um filé sem mostarda. A língua ficou gravemente ferida . mas. a língua raramente foi alvo de alguma "melhoria" cosmética. Uma desv antagem ainda não percebida foi descoberta no verão de 2003. ao contrário de outras espécies. Tentando encontrar novas maneiras de obter a de saprovação dos adultos. quando uma inglesa de fér ias em Corfu foi atingida por um raio atraído pelo piercing de metal na língua. a língua e os dentes. essa forma de mutilação tem sido adotada até por cantoras pop. o piercing na língua parece oferecer apenas uma vantagem. em que a oralidade desempenha o principal papel. Por estar p rotegida dentro da boca. mas o pier cing tinha levado isso ao pé da letra. Entretanto.indesejáveis de alimento que possam ter ficado presas entre os dentes. e a jovem ficou temporariamente cega e incapaz de falar durante três dias. no final do século XX. na forma dos piercings. Além de seu papel como símbolo de revolta socia l. Isso também ocorre nos be bês humanos. Depois ele vai manipulá-lo com seus dedos hábeis. a boca das mulheres sofreu uma estranha e nova intrusão. Embora prejudique a clareza da dicção. mas há uma dependência entre o contato digital e o oral. Dentro da boca ficam os dentes. cujos pais precisam .

Como as mulheres possuem u ma arcada menor que a dos homens. Só morde como um último recurso. São ap enas ligeiramente mais longos que os outros dentes. que é realizado q uase exclusivamente pelas mãos. Essa mudança também ocorre quando ê preciso lutar. O mac aco. O m esmo ocorre na hora de matar uma presa. os dentes também são capazes de agarrar. roer. a pertar. Os últimos quatro dentes. Os dent es masculinos geralmente são mais angulosos e rombudos. 28 dos quais já estão estabel ecidos na puberdade. quando está furioso. Mais uma vez — com a ajuda das armas —. a boca vai perdendo seu "papel exploratório". seus dentes tendem a ser levemente menores. Os dentes se apertam em momentos de intenso esforço físico ou quando . principalmente nos incisivos superiores.estar sempre atentos para que eles não enfiem objetos perigosos na boca. triturar. Em muitos casos. À medida qu e amadurecemos. só nascem quando nos torn amos adultos. depois de substituir gradualmente os pequenos dentes de lei te da infância. ranger. chuta e o agarra num corpo-a-corpo. os dentes humanos se tornaram bastante modestos comparados com os das outras espécies. porém. rilhar e bater com o frio. O homem ataca o inimigo na cabeça. os dentes do siso. de modo q ue a boca de um adulto pode ter de 28 a 32 dentes. alguns deles — ou mesmo todos — não aparecem. A mulher adulta possui 32 dentes. soca. Existem leves diferenças entre os dentes do homem e da mulher. as mão s assumiram a tarefa da mordida letal tão comum entre os carnívoros. com a ponta rombuda a lembra r nossos ancestrais. agarra o adversário e o morde. Nossos caninos não são mais presas de pontas afiadas. Além da função de partir e mastigar os alimentos. Com essa passag em da boca para a mão.

fazendo pequenos furos no esmalte. Todo ess e processo foi confirmado de várias maneiras. até que a saliva se torne anormalmente ácida . muitos indivíduos rangem os dentes quando dormem. Além disso. As causas parecem bastante óbvias. adora carboidratos. Entretanto. sem contato com os dentes. o Lactobacillus acidophilus. A acidez corrói a superfície do dente. Essa é uma expressão que podemos ver no rosto de um lutad or e na criança que está prestes a receber uma injeção. e. Animais alimentados com uma dieta rica em açúcar não perdiam dentes quando o a limento era ingerido por um tubo. com cert eza causará mais dano. rap idamente fermentam em ácido lático. Mais uma vez. apresentaram meno s cáries. Se um soco atingir o rosto de uma pessoa que está de boca aberta. É uma reação primitiva a uma possível r física.a pessoa antecipa uma dor. A bactéria adora esse ácido ainda mais e começa a se r eproduzir. o que nos leva a pensar por que a língua precisa de três palavras para defi nir uma ação que é tão raramente usada na vida real. com o risco de quebrá-los ou d eslocar a arcada inferior. o que indica uma raiva reprimida. Ranger. a queda de d entes é muito comum no mundo atual. trata-s e de uma reação primitiva que ressurge como uma espécie de "sonho muscular". no qual o indivíduo frustrado morde simbolicamente o inimigo na segurança do sono. As crianças que cresceram no tempo da guerra na Europa. ringir e rilhar os dentes é praticamente a mesm a coisa. chimpanzés que vivem soltos na floresta têm excelentes dentes. se partíc ulas de alimentos açucarados ou farináceos ficam presas aos dentes ou às gengivas. Uma bactéria qu e sobrevive na boca. quando quase não havia açúcar refinado ou farinha. Embora o e smalte dos dentes seja a substância mais dura de todo o corpo humano. ao passo que aqueles que . fazendo os dentes se chocarem. acelerando muito o processo.

o impacto dos dentes foi reduz ido em vez de exagerado. portanto. enquanto outros perdem dentes apesar de todo o cuidado tanto com a alime ntação quanto com a higiene. o que tornava a boca mais ameaçadora e feroz — quase um ros to de Drácula. Em Bali. Alguns indivíduos parecem ser quase imunes à queda mesmo quando tem uma dieta excessivament e doce. quase 90% das pessoas possuem incisivos centrais inferiores sadios. Apesar dos grandes avanço s da odontologia. A lógica indica que os dentes incisivos centrais inferior es estariam mais sujeitos a reter alimentos e.recolhem alimentos perto de apresentam dentes estragados. mas muita s culturas têm outra visão. Em algumas regiões. existem alguns fatos estranhos sobre a resistência dos dentes. da África ao Sudeste Asiático e às Américas. O olhar ocidenta l sempre considerou uma dentadura branca e saudável uma marca de beleza. Por outro lado. Isso também ocorreu em muitas partes. Outro método para fazer os dentes parecerem selvagens é dar-lhes pontas afiadas. especialm ente na puberdade e no casamento. por exemplo. o que implica que a boca era usada simbolicame nte como "genitais deslocados". Surpreendentemente. os jovens eram submetidos a um do loroso lixamento para . Alguns povos costumavam remover os incisivos centrais pa ra enfatizar os caninos. Essa técnica foi utilizada em regiões da África. Pedras preciosas ou metais eram entalhados no dente como demonstração de status. a sofrer um ataque maio r de ácido lático. os dentes continuam guardando alguns mistérios. No mundo oc idental. Muitas des sas operações e mutilações eram executadas em épocas especiais da vida na tribo. são eles os mais resistentes à queda. da Ásia e da América do Nort e. mais de 60% perderam os molares superiores. povoados humanos No entanto.

como o escurecimento pode ser considerado uma marca de beleza? A resp osta. tinha que fingir o contrário. Dessa forma. Dentes pretos também foram moda no antigo Japão. conseguiam p arecer mais submissas a seus machos. A tinta era obtida pela diluição de limalha de ferro em saquê ou chá. estava no preço do açúcar. mascar bétele também causava o escureci mento dos dentes. Folhas de bétele. é difícil para um ocidental aceitar que dentes pretos sejam atraentes. . Portanto. a imper atriz passou a exibir dentes brancos. Eles eram ting idos dessa cor como parte de uma elaborada maquiagem usada pelas mulheres de alt a casta. na época de Elizabeth I da Inglaterra. Afinal. fazendo com que os dentes ficassem cariados e descoloridos. Como no Ocidente ter dentes cada vez mais b rancos e brilhantes é um fator essencial de beleza (uma beleza que hoje pode ser f avorecida por modernas técnicas de branqueamento). a própria rainha tinha dentes escuros de tanto comer confeitos açucarados. Em outras partes do Oriente. Desde então. as mulheres enegreciam os dentes ou os tingiam de vermelho-esc uro. Só os muito ricos podiam se dar o luxo de comer doces. fazendo-os desaparecer da vista e criando uma expressão infantil. a moda de dentes pretos entrou em rápido declínio. até que. Afinal. Essa moda atingiu o auge no século XVII e entrou pelo século XIX. como se de repente tivessem regressado ã fase desdentada da infância. Em outras cu lturas orientais. Daí surgiu a idéia bizarra de que escurec er os dentes proporcionava uma aparência de alta classe e fazia a mulher mais bela perante a sociedade. se a pessoa era pobre demais para estragar os dentes dessa maneira.arredondar a ponta dos caninos e fazer a boca parecer menos animal. se o branco é a cor dos dentes jovens e saudáveis. em 1873. Dizia-se que dentes pretos (chamados ohaguro) tornavam uma dama especia lmente bela.

os fantasmas e os europeus têm dentes brancos". mas não tão simples. No fim do século XX. d epois do qual a jovem era considerada suficientemente bela para se casar. Não hav ia nenhum dente preto à vista. Pintar os dentes com verniz preto e ra a solução. por exemplo — as mulheres que queriam ter dentes pretos para ficar ainda mais belas pr ecisavam se submeter a alguns procedimentos. Mascado repetidamente. algumas celebridades. mas a nova moda pedia "jóias dentais". Seu uso se disseminou tanto no Sudeste Asiático que as mulheres na tivas diziam: "Só os cães. As pioneiras d essa moda chegaram a ponto de fazer pequenos furos nos dentes para incrustar nel es minúsculos diamantes. Para as adolescentes. a aplicação do verniz tinha que obedecei a um ritual que envolvia vários tratamentos e r estrições. primeiro nas cidades e depois nas áreas rurais . Se alg uém lhes perguntasse qual a razão disso. Então. entre elas uma . as mulheres modernas do Ocidente m ostraram os primeiros sinais de interferência na superfície branca dos dentes. O sorriso brilhante se transformou num sorriso ofuscante. e a moda não pegou. elas respondiam que dentes brancos só serviam para selvagens e animais. havia um ritual de puberdade. esse pacote funcionava como um estimulante que também avermelhava os lábios e escur ecia os dentes.nozes de palmeiras e uma pasta obtida a partir das conchas do mar eram misturada s até constituir uma massa que era mascada como o tabaco. Mas esse procedimento era drástico demais para a maioria das mulheres. entre elas a de não comer nenhum alimento sólido por uma semana e tomar líquido s apenas por um canudinho. Por causa disso. Como o bétele geralmente só deixava os dentes marrons. porque a saliva removia o verniz. Pedaços de nozes eram cobe rtos com a pasta e depois embrulhados nas folhas de bétele. Sua popular idade começou a declinar no século XIX. em alguns países — o Vietnã.

e a pedra pode ser facilmente removida. Seu sucesso se deve ao fato de que a colocação. Depois. 500 ml. Minúsculos cristais na forma de corações. a saliva está livre de bactérias.das Spice Girls. Mais alimento significa mais saliva. a moda de incrustar pequenas jóias nas unhas passo u para a boca. Ela as adquire dos minúsculos fra gmentos de "caspa úmida" que estão sempre presentes na boca à medida que velhas camada s de pele se desprendem e são substituídas por novos tecidos. leva apenas três minutos. Quando sai dos condutos das glândulas salivares. são exibidos por um dia ou por um ano. Embora sejam decorativas. mas depois de circular pela boca algumas vezes ela terá coletado entre 10 milhões e 1 bilhão de bactérias por centímetro cúbico. ab aixo dos dentes molares — as glândulas submandibulares —. as duas situadas sob a mandíbula. são as mais produtivas. o fato de terem maculado o sorriso bran co provavelmente faz delas não mais que uma moda passageira. círculos ou estrelas. As duas que estão embutidas nas bochechas são conhecidas como glândul as parótidas e produzem cerca de 25% da saliva. Algumas jóias são ostentosas. outras são discretas. A produção diária de saliva varia entre 600 e 1. Os dois principais el ementos da boca — os dentes e a língua são mantidos úmidos pelas secreções de três pares de g dulas salivares. flor es. e as jóias nos dentes de repente se tornaram populares. dependendo do dente em que fo ram aplicadas. . e medo e uma forte excitação significam menos saliva. de 2 a 4 mm de tamanho. respon sáveis por cerca de 70% da saliva. ousaram exibir um dente de ouro. feita com cola dental. Logo foi possível ter uma capa d ental provisória de ouro. e as duas situadas sob a língua — as glândulas sublin guais — contribuem com os restantes 5%.

A ptialina também funciona como um antigermicida oral. toda gueixa era treinada na arte de expor elegantemente a nuca. os homens costumam olhar o pescoço da mulher simplesmente como algo q ue segura a cabeça. e dessa forma facilita sua pa ssagem pelo esôfago.A saliva tem várias funções. Pescoço No Ocidente. mas que é rejeitada pelas esposas respeitáveis. É uma ação que s e espera de uma gueixa. Como a firmou um . como sabe qualquer pessoa qu e tenha tentado falar com a boca seca. quase não lhe dão atenção. Seu poder lubrificante é aumentado pela presença de uma proteína ch amada mucina. A saliva também contém elementos químicos que criam um meio levemente alcalino. mas. uma enzima da sal iva chamada ptialina começa a quebrar o amido em maltose. Ela também lubri fica o bolo alimentar antes que ele seja engolido. ajudando a reduzir o ataque ácido ao esmalte dos dentes. Finalmente. assim como outras lisozimas que ajudam a limpar a b oca e os dentes. Suas roupas têm uma gola alta na frente e baixa atrás. a ação lubrificante da saliva melhora a qualidade da voz. 10. Eles sabem que a pele do pescoço é sensível a carícias e que beijá-lo su avemente pode excitar a parceira durante as preliminares do sexo. Tradicionalm ente. onde a exposição da parte posterior do pescoço é* vis como um forte estímulo sexual — equivalente a expor os seios no Ocidente. Com certeza o pescoço não é considerado uma zona erógena importan A situação é muito diferente no Japão. expondo a nuca e as costas. uma vez que não se pode sentir o sabor do alimento seco. Depois que o alimento é mastigado por algum tempo. Ela umedece o alimento e torna-o acessível aos receptores g ustativos. e ainda ho je podemos constatar isso entre as poucas gueixas remanescentes de Quioto. além disso.

. a frase hoje significa "um a gueixa com adoráveis genitais". o pescoço abriga os princi pais vasos sangüíneos que ligam coração e cérebro. Uma curiosa teoria tenta explicar o desvio da at enção erótica dos japoneses dos seios para a nuca. seria a razão para a fixação masculina na nuca. Além de conter conexões vit ais entre boca e estômago. Segundo um observador. o significado erótico desse costume é aumentado pela forma especial da nuca.comentarista. além do fato de que os seios das mulheres japonesas são relativament e pequenos. Cercando essas conexões existem complexos grupos de músculos que permitem que a cabeça execute toda uma gama de movimentos qu e transmitem importantes mensagens nas interações sociais. Isso enfatiza a artificialidade da maquiagem e excita o homem. tradicionalmente. Existe uma frase em japonês para descrever a beleza da linha da nuca feminina — komata no kmagatta hito —. as cr ianças japonesas passam mais tempo agarradas às costas da mãe do que acarinhadas em se us seios. Anatomicamente. o pescoço te m sido descrito como a parte mais sutil do corpo humano. mas seu significado mudou. Essa. nariz e pulmões. Afirma que. mas no Japão ela mergulha nas costas. porque chama a atenção para a pele sob a máscara branc a. Como a maquiagem é deliberada mente aplicada de modo a imitar a forma dos genitais. cérebro e coluna. "um V perfeito de pele nua que lembra as partes íntimas da mulh er". homens de todo o mundo parecem apreciar a linha ondeada da nuca fe minina. Quando aplica sua maquiagem branca ( que inclui um ingrediente vital: excrementos de rouxinol). a gueixa deixa uma ma rgem de pele aparecendo junto à linha dos cabelos.

A laringe da mulher é cerca de 30% menor que a do homem. Essa diferença laríngea não surge até a puberdade. Por alguma razão. A voz da mulher adulta é mais infantil. mantendo um a freqüência entre 230 e 255 ciclos por segundo. quando os machos. Outra diferença de gênero em relação a escoço é a presença do pomo-de-adão. Essas diferenças são bastante re ais. mas há quem tenha levantado a hipótese de que sua vida sexual mais ativa seria capaz de p rovocar algum desequilíbrio hormonal. O pescoço feminino é mais longo e mais delgado. Por q ue sua profissão as tornaria mais masculinas vocalmente? Não se sabe ao certo. enquanto as masculinas chegam a 18 mm. a figura feminina é dotada de uma gracioso "pescoço de cisne". e fica colocada mais alto na garganta. enq uanto a figura masculina exibe um "pescoço de touro". Não há dúvida de que essa diferença se estabeleceu durante a longa fase caçadora da evolução humana. As cordas vocais femininas têm cerca de 13 mm. que é muito mais evidente nos homens que seu correspo ndente no pescoço das Evas. o que a faz menos proeminente. levavam vantagem em situações de violência física. enquanto o masculino é mais curto e mais grosso.Tradicionalmente. Isso ocorre em parte porque a mulher tem um tórax mais curto — e seu osso esterno é mais baixo em relação à coluna que o do homem — e em parte porque a muscul atura do homem é mais forte. . enquanto a voz masculina adulta ati nge entre 130 e 145 ciclos por segundo. quand o a voz masculina "'engrossa". as prostitutas experient es têm uma laringe maior e um registro vocal mais grave que outras mulheres. que possuíam um pescoço mais for te. Isso ocorre porque as mulheres têm cordas vocais menores — o que lhes dá uma voz mais aguda e exige uma caixa vocal menor.

. a palavra padaung significa "a quela que usa aros de bronze". Em uma cultura esse interesse por mulheres de longos pescoços foi levado a extremos. Os europeus. da Birmânia. cinco anéis são colocad os ao redor do pescoço. os artistas têm exagerado ess a diferença criando imagens superfemininas.Como o pescoço feminino é mais delgado que o dos homens. se os pesados aros de bronze forem removidos. fascinados por essa distorção cultural do corpo humano. mas o objetivo é atingir 32 — um feito raram ente realizado. se orgulha de ser conhecida na Eu ropa por suas "mulheres-girafas". O aspect o mais surpreendente desse costume é o comprimento que o pescoço feminino pode ating ir artificialmente. um número que vai crescendo ano a ano. Apesar dessa carga. A mulher adulta chega a exibir entre vinte e trinta colares. O recorde documentado é de 40 cm. as mulheres da tribo caminham por longas distâncias e trabalham no campo. A tribo padaung. Para começar. exibiam essas mulheres-girafas em espetáculos de circo — até que exi bições desse tipo deixaram de ser consideradas socialmente aceitáveis. de modo que u ma mulher adulta pode carregar de 20 a 30 quilos de bronze. Na língua nativa. Desenhistas que retratam mulheres atra entes quase sempre estreitam e alongam o pescoço mais do que a anatomia permitiria . o pescoço não será c apaz de suportar o peso da cabeça. As agências de modelos também selecionam moças que tenham o pescoço mais longo e mais fino que a média. A crença é que. Os músculos do pescoço são distend idos com tal força que as vértebras cervicais se afastam de uma maneira totalmente a normal. Os aros de bronze também são usados nos braços e pernas. O costume da tribo exige que as mulheres comecem a usar anéis de bronze no pescoço desde tenra idade.

De fato. mas por uma neandertalense. tendo a especial função de proteger essa parte vital do corpo humano de influências h ostis. o que as obrigava a usar grossos anéis no pescoço par a se proteger.Para as mulheres da tribo padaung. com nossos piercings na língua. eles nos dirão que. Em alguns cultos. Para alguns observadores. isso representa um deplorável retorno aos espetáculos circenses de antigamente. a distorção corporal ou a restrição de movimentos provocada por esse bizarro ornamen to. como se poderia imagin ar. O mais antigo colar conhecido não foi usado por nenhuma mulher moderna. a mordida se dá s empre na lateral do pescoço. Se perguntarmos aos historiadores da tribo como esse costume começou. mas também se pode argumentar que. em tempos remotos. ocidentais. acredita va-se que a alma humana reside na nuca. a principal preocupação não é. Atualmente. e foi o significado místico do pescoço que g erou o uso de colares nos primeiros tempos. como o dos vodus do Haiti. na mitologia vampiresca. como o mau-olhado. para criticá-las? Em círculos ocultistas. U ma solução encontrada recentemente foi escapar para a Tailândia. Eles eram mais que meros ornamentos. dado o alto custo dos anéis. onde elas podem cobra r 10 dólares para tirar uma foto ao lado de um turista. Não é por acaso que. isso pelo menos mantém viv o um antigo costume tribal. no umbigo e nos geni tais. mas a dificuldade de encontrar dinheiro para pagar os caros anéis de bronze. Quem somos nós. o colar é uma forma muito ant iga de ornamento . as mulheres corriam o risco de serem atacadas por tigres. o pescoço sempre foi uma parte do corp o de grande importância. as mulheres da tribo ignoram essa lenda e afirmam que chegam a esses extremos simplesmente parque esses ornamentos as deixam mais bel as.

na Idade da Pedra Lascada. era que o cérebro estava sendo privado de oxigêni o. Uma forma muito mais saudável de manipulação do p escoço foi desenvolvida por Matthias Alexander. foi datado de 31.000 a. Esse poucos exemplos mostram claramente que us ar um colar não era um traço cultural isolado.000 a. pressionando a artéria carótida. foi descoberto um colar datado de 23. e o da Grotte du Renne .corporal. modificando a po stura do pescoço em relação aos ombros. em Patnia. Finalmente. que criou uma terapia corporal hoj e conhecida como "técnica de Alexander".C. feit o de dentes e ossos de animais. era feito de dezenove fragme ntos de ossos lindamente entalhados. mas um costume que já estava bem dissem inado há trinta milênios. é possível . na verdade. a pessoa ficava tonta e confusa — uma presa fácil à su gestão. Descobriu-se que. mas. feito de dentes entalhados de animais. como espinhas de peixe. na Índia .C. O pescoço também se tornou foco de certos rituais de ocultismo. foi datado de 38. Alguns dos primeiros colares eram feitos de objetos simple s. que passa pelo lado do pescoço e tr ansporta o sangue para o cérebro. na região de Maharashtra.. foi encontrado outro extraordinário cola r primitivo de 30. essa condição podia ser convenient emente atribuída a forças sobrenaturais. O que acontecia. man ufaturadas com conchas de ostras.C.000 a. feito de contas circulares. para os iniciados nos rituais religiosos. mas um exemplar excepcional encontrado na França e fabr icado há mais 11 mil anos.000 a. no sítio arqueológico de Mandu Mandu. Dois colares pré-históricos foram encontrados na França: o de La Quina. dezoito deles na forma de uma cabeça de cabra e um na forma de uma cabeça de bisão. Baseia-se na idéia de que.C. Isso prova o cuidado que mereciam os. artefat os usados no pescoço. No oeste da A ustrália.

curar não apenas certos sintomas físicos. Como o gesto anteri or. . Se praticado com raiva. Com a palma da mão virada para baixo. Num outro contex to. Se apresentado tomo um pedid o de desculpas. mostra o que a pessoa deveria fazer a si mesma. com a técnica de Alexander. o pescoço parece ser a chave para a correta postura corporal. o resto do corpo recupera automatica mente o equilíbrio. são relativamente poucos os que se concentram no pescoço. Se. significa simple smente: "Corta!" Igualmente comum é o gesto que finge um estrangulamento. o pescoço vai perdendo sua posição natural ereta. tentando dizer que está tão cheia de alguma coisa que não a suporta mais. que por sua vez pode produzir um estado mental mais saudável. i ndica o que a pessoa gostaria de fazer com o outro. Na realidade. Quanto a os gestos. mas também vários distúrbios psicológicos. O mais conhecid o é a mímica em que a pessoa usa a mão como uma faca prestes a cortar a garganta. esse também tem dois significados: pode significar "Quero esganar você" ou "Quer o me esganar". a pessoa bate o indicador várias vezes contra a garganta. essa postura for restabelecida. executado por uma atriz quando percebe que a cena não está boa. Em ambo s os casos. em que a pessoa agarra o próprio pescoço com as duas mãos e finge sufocar. mas existe uma explicação simples para os resultados que a técnica obtém. Com o no mundo urbano as pessoas passam muito tempo curvadas sobre uma mesa ou senta das numa cadeira. Está então estabelecida a base pata a restauração de um tônus muscular s adio. Esse gesto tem dois significados intimamente relacionados. não é nada mais místico do que o treinamento postural que um bailarino recebe. Outro gesto popular é o que significa "Estou por aqui". Alguns críticos argumentam que esse conceito dá ao pescoço um poder quase místico sobre o resto do corpo.

inclina-a. Alguns deles buscam adaptar o corpo ao ambiente. é aquele em que ela pende a cabeça para um lado e a mantém nessa posição. Mas outros têm a função de tra nsmitir sinais visuais. É um movimento que tem . tem um quê de subor dinação. Nesses e em muitos outros movimentos do pescoço. mas quando baixa a cabeça e ergue o olhar. não há diferenças entre h omens e mulheres. sacode-a. Um terceiro movimento. substituindo o chamamento com o dedo indicador. ap ruma-a para ouvir um som ou empina-a para cheirar o ar. É o que acontece quando a pessoa vira a cabeça para olhar alguma coisa. Quando a mulher baixa repentinamente a cabeça para esconder o rosto. passa a imagem de modéstia e timidez. com o qual a mulher diz "Venha comi go" ou "Venha aqui". no qual a mulher provoca o parceiro "bancando a prostituta". O primeiro é o aceno da cabeça. Ele ocorre geralmente quando a mulher deseja fazer um sinal sem ser muito explícita. enquanto encara o companheiro a curta distância. Hoje. como provoca uma diminuição da altura. arremessa-a para trás ou aponta alguma c oisa com ela. é o que acontece quando a pessoa faz um sinal positivo ou negativo com a cabeça.Mais importantes do que esses gestos localizados são os muitos movimentos do pescoço que determinam diferentes posições da cabeça. É o movime nto de cabeça usado tradicionalmente pelas prostitutas a um possível cliente que hes ita em se aproximar. passa a im pressão de falso pudor. É uma maneira de alhear -se ao mundo exterior.. que costuma ser observado quando a mulher está num estado de espírito amigável ou amoroso. é usado às vezes entre um casal como um convite brincalhão ao sexo. mas. mas existem três casos em que uma mensagem especificamente femin ina é transmitida. Outro gest o é aquele em que a mulher abaixa a cabeça e a mantém nessa posição.

mas apenas sugestivo. Qualquer um que tenha sido obrigado a usar um colarinho de gesso depois de um ferimento sabe como a pessoa se sente limitada quando não pode se expressar com essa parte do corpo. me sinto uma criança. En tretanto. Num contexto de submissão. Existem muitos outros movime ntos e posturas produzidos pelos músculos do pescoço como sinais sociais específicos. é como se estivesse apoiando a cabeça no ombro de um protetor imaginário. mas os poucos mencionados aqui são suficientes para ilustrar sua sutileza e comple xidade. tem um ar de falsa inocência e coquetismo. dando a ele uma conotação de falsa timidez. quando ela apoiava a cabeça no corpo da mãe ou do pai em busca de conforto e proteção.origem na infância. não é um gesto explícito. A men sagem é: " Sou apenas uma menina em suas mãos e gostaria de descansar a cabeça em seu ombro". pode ser lido como: "Perto de você. Se o mov imento surge num clima de flerte. Mas a postura corporal madura e sensual contradiz esse gesto infantil. . Quando ela faz isso na vida adulta. tão dependente como eu era quando descansava a cabeça no colo de meu pai".

embora não exerçam uma função sexual primária. se expostos. quando ombros nus são arqueados. que exercem uma forte atração sobre os homens. Antes de examinar como diversas culturas modificaram a linha natural dos ombros femininos. se repetem não apenas nos seios. enfatiza e chama a atenção para a curva e a maciez dos o mbros. Dessa forma. E a moda das roupas de ombros descob ertos contém a promessa de. Esses par es de hemisférios. mas sua forma suavemente arredondada — resultante de uma camada subcutânea de gordura — lhes dá uma qu alidade erótica sempre que aparecem despidos. formam um par de suaves hemisférios aos olhos masculinos. a qualquer momento. mas também nos joelhos e ombros quando a mulher adota determinadas post uras. Antes . vale a pena fazer uma breve descrição da biolog ia dessa parte da anatomia humana. Ombros Os ombros femininos são mais estreitos. os ombros.11. uma típica pose glamorosa. uma de cada lado" — são dois pedaços de carne quase hemisféricos. e por isso evocam o apelo sexual primitivo contido na forma das nádegas. na qual a mulher apóia o queixo num ombro nu. A principal função dos ombros é oferecer uma forre base para os múltiplos movimentos dos braços. Da m esma forma. Quando a mulher dobra as pernas e abraça-as firmemente junto ao peito. mais arredondados e mais macios que os mas culinos. Os cantos arredondados dos ombros femininos — poeticamente descritos com o "duas pérolas eróticas. Podem não ser tão fortes quanto os largos ombros dos homens. podem transm itir leves sinais eróticos. Além disso. os jo elhos. deslizarem pelos ombros e revelar os seios. atraindo ai nda mais o olhar dos homens. também evocam o par esférico.

Os ossos do ombro são capazes de movimentos de cerca de 40 graus.. o que reflete a fraqueza relativa da musculatura dos ombros femininos. o que aconteceu em vários momentos de nosso passado recente. O ombro da mulher corresponde em média a 7/8 do masculino. Entretanto. escrita no século XVII e intit ulada A View of the People of the Whole World (Uma visão dos povos de todo o mundo ). . "Ombros estrei tos e contraídos eram tão apreciados pelas mulheres de antigamente que elas interfer iam na posição deles e os adotavam diligentemente como um sinal de grande elegância e beleza. a diferença é maior. e isso raramente foi tentado. Mais importante é sua espessura. ajudam os braços a bal ançar.] Uma bela mulher esbelta era aquela [com] ombros atrofiados. O artifício era visíve l nas roupas da mulher emancipada da década de 1890. Nesse sentido. e. Os historiadores da moda registraram essa mudança: "Os ombros ligeiramente estofados evoluíram para as ombre iras e daí para enchimentos que pareciam pequenos sacos. [.. é difícil aplicá-lo à região do ombro. nossas "patas dianteiras" já tinham se tornado muito versáteis. mulheres que queriam se afirmar adotaram ombros artificialmente largo s. se erguer. embora esse exagero seja possível em outras partes d a anatomia feminina. até que.mesmo que nossos ancestrais adotassem a postura ereta. estreitá-los ainda mais deveria aumenta r a feminilidade. na qual ele mostra uma jovem com ombros anormalmente pequenos." Por o utro lado. É claro que essa diferença de gênero gerou muitas especulações cult urais. Se os ombros femininos são estreitos. com a ajuda de seus músculos complexos. que mostrava seu anseio de ig ualdade sexual e seu desejo de "ombrear" com os homens. se torcer e girar de um surpreendente número de maneiras. Uma exceção aparece na obra antropológica de Jonn Bulwer.

Como resultado dessa tendência. uma volta às rígidas ombreiras do s anos 1940. na qual a s mulheres desempenhavam um importante papel. A segunda onda de ombros largos surgiu na década de 1940. Era um modelo adequado para um tempo de guerra. porém. nos quais. A estrelas do cinema não mostravam mais afetação ou mene ios. Foi na década de 1980 que o uniforme feminista deu lugar ao terninho preto.. So b esse vestuário masculinizado. os omb ros quadrados davam à mulher um ar de força masculina. com o movimento de liberação feminina. inicialmente. Mas esses enchimentos ficaram ainda mais exagerados à medida que uma nova geração de executivas começou a ganhar assento nas salas . mais uma vez. Também foi possível detectar uma mudança nos modelos de glamour. Eles exibiam uma linha que se e stendia além dos ombros. o fisiculturismo surgiu e ganhou adeptas. assumiu um estilo "terroris ta chique". Essas mulheres de ombros largos competiam com os homens graduando-se em univer sidades. Eram masculinas em público e femininas na vida privada. uma mulher muscul osa seria vista como um mico de circo. mas passos firmes. elas continuavam usando espartilhos e anáguas. se transformaram em grandes balões tremulando acima dos ombros" .por volta de 1895. durante a Segunda Guerra Mundial. Algumas décadas antes. Garotas de ombros largos passaram a ter oportunidades qu e lhes teriam sido negadas dos anos 1960 para trás. Escritores do período descrevem esses ternos com "ombros à Joan Crawford". quando modelos de estilo militar eram adotados mesmo por civis. que tinham ombros fortes para prová-la. A terceira onda chegou nos anos 19 70. trabalhando fora de casa e praticando esportes até então vedados a elas. Eram pseudo uniformes com ombreiras. mas no clima feminista ela se tornou símbol o da nova força das mulheres.

o concei to dos ombros largos sobreviveu como um rótulo verbal. mas o conceito sobrevivia co mo uma metáfora do triunfo das mulheres num mundo masculino. os homens sempre foram capazes de oferecer um ombro amigo a uma mulher que quisesse . porque os ombros não passam pe la porta" — eram comentários ouvidos em meados dos anos 1980. Por isso. os ombros femininos se suavizaram novamente. "As fábricas de ombreiras do Bronx estão abrindo novas linhas de montagem depois de anos de inatividade".de diretoria. e não mais de um ditame social. Ainda em 1994 um artigo sobre o crescente domínio das mulheres executivas no mundo da publicidade intitulava-se "Por que as ombreiras estão de volta ao pode r?". Quando se iniciou a no va década. disse um deles. "A ombromania está tornando difícil achar espaço num elevador ". embora não fosse mais uma rea lidade. "Modelos de ombros naturalmente la rgos são as preferidas". em vez de bancar o macho. Curiosamente. Um aspecto dos ombros masculinos que as mulheres têm dificuldade de imitar é sua altura em relação ao chão. "As mulheres nunca mais vão poder voltar para casa. "Mulheres de ombros largos são duronas que exigem seu espaço" . "Nessa época. "As mulheres estão tão agressivas que volta ram aos ombros definidos do tempo de guerra". O movimento feminista (pel o menos no Ocidente) tinha caminhado bastante para que a mulher pudesse desfruta r sua condição de fêmea. as ombreiras estavam fora de moda. Os ombros da década tiveram tal impacto que os jornalistas competiam na criação de novas frases. O o mbro do homem é em média 13 cm mais alto que o feminino. A forma do ombro agora dependia do corte de um determinado modelo. embo ra nos anos 1990 as mulheres fossem livres para vestir o que quisessem.

os ombros ficam abaixados e para trás quando o estado de espírito é de calma e atenção. A única esperança de igualdade está no uso de saltos altos. mas pa ra entende-los é preciso examinar as razões pelas quais a mulher primitiva adotava u ma ou outra postura. quando a mulh er tem um dia estressante. e levados para o alto e pura a frente em mome ntos de ansiedade. embora mentalmente tenham ad otado uma postura bastante diferente. descer. Mulheres que se sentem dominadas. pelo menos fisicamente. o que anula a pretensão. Daí decorre que. a mulher moder na ainda enfrenta o poder dos ombros masculinos.chorar suas mágoas. Como esses ombros foram evoluti vamente conquistados com a atividade da caça. com medo ou com raiva tendem a subir os ombros num ato de defesa. costuma . Com as lágrimas e a vulnerabilidade fora de moda. Infelizmente. ela automaticamente tenta proteger-se enfiando a cabeça nos ombros. parece-lhes injusto que o homem sede ntário de hoje ainda exiba essa superioridade física. De forma geral. uma postur a que se tornou sinônimo de qualquer situação desagradável. são capazes de subir. alarme ou hostilidade. gir ar e encolher. Mais l milhão de anos será necessário para corrigir as coisas. cheio de decepções ou irritações. O problema é que salt os muito altos criam instabilidade e a necessidade de uma mão masculina como apoio . as mulheres serão o brigadas a olhar para cima para falar com um homem. e en quanto isso os ombros dos homens continuarão oferecendo um travesseiro para as mul heres. A mulher resoluta e controlada mantém os ombros baixos e retos. Alguns desses movimentos são eloqüentes na linguagem corporal. a evolução atua num ritmo muito lento. Por enquanto. Se alguém ameaça atacar uma mulher na ca beça. A mobilidade dos ombros é extraordinária. Mesm o quando não estão envolvidos no movimento dos braços.

Na velhice. as ansied ades da vida foram tantas que elas não conseguiram evitar a permanente tensão dos om bros. Essa postura pode ser útil se ela for atacada com um bastão. No final de um desses dias. mas não terá qualquer utilidade se ela estiver sendo agredida com palav ras. Se estamos no domín io de nossas emoções e algo nos faz rir.manter os ombros erguidos e tensos. Como ocorre uma leve elevação dos ombros quando rimos. além de nos divertirmos. Mulheres de sucesso (o que significa ter sucesso não só para o mundo exterior. Esse é um gesto que guardamos para as ocasiões s ociais. Se essa situação se repete dia após dia. A razão pela qual as pessoas "se sacodem" quando ri em é que a base do humor é o medo. tiveram poucos golpes na vi da capazes de fazê-las adquirir uma corcunda. e revela mos nossa surpresa e nosso simultâneo alívio com uma risada. ela poderá adquirir uma postura curvada. fazendo os ombros subirem e descerem r apidamente no ritmo da risada. semana após sem ana. com os ombros permanentemente erguid os e contraídos. ela terá os ombros ligeiramente mais curvos do qu e pela manhã. A elevação dos . O pescoço alongado que ela possuía quando criança lentamente se encolhe e afunda nos ombros até desaparecer. Um deles é o movimento com que sacudimos os ombros quando rimos. deixamos escapar uma risada sem acrescentar a ela qualquer movimento corporal. quando. Dois principais movimentos dos ombros tem origem nessa postura defensiva. quando começou o dia. Para outras — e são a maioria —. mas p ara elas mesmas) não passam por esse gradual declínio e são capazes de exibir uma post ura ereta aos 90 anos. podemos exibir melh or nosso bom humor exagerando esse gesto. O humor nos choca de uma maneira segura. Cheias de confiança e otimismo. queremos mostrar nossa alegria aos que no s cercam. o queixo chegará a tocar o peito.

A contração dos ombros tem uma origem sem elhante. esse movimento de ombros é muito comum. São todos sinais negativos. e ssa sacudida dos ombros está denunciando a presença do medo. Seu gesto está dizendo: "Esses golpes não param de cair sobre meus pobres ombros. impotência ou resignação ("Não posso fazer nada"). A menção passageira a uma restrição governamental. é considerado um gesto . As palmas das mãos viram para cima. os olhos se voltam para cima. prolongada e silenciosa — o que expressa a total impotência da pessoa diante de uma loucura inconcebível.ombros que acompanha a risada é parte do primitivo elemento de medo. Nos países setentrionais. como se implo rassem. Mas nada grave. a aceitação de uma incapacidade. e com ela uma perda momentânea de poder. os ombros se erguem e se curvam para a frente por um momen to antes de voltar à posição anterior. e os cantos da boca descem. dar de ombros. No momento em que o poder diminui. Indiferença ("Pouco me importa "). evitan do o olhar do interlocutor. O uso desse gesto varia de uma cultura para outra. Essa combinação de movimentos indica uma perda momentânea de poder. assim como o utras reações gestuais. e eu os ergo dessa maneira para me pro teger. Em alguns países mediterrâneos. Na maioria das veze s. Na verdade. os ombros permaneceriam erguidos. uma impotência simbólica. Às vezes. Nesse gesto. uma adm issão de incapacidade. Se foss e grave. à imposição de um imposto ou a um congestionamento do trânsito basta para provocar a im ediata elevação dos ombros. Significa apenas que ela não sabe lidar com aquela questão específica. encolher os ombros significa ignorância ("Não sei"). Essa adoção formal de uma postura tensa não signif ica que a pessoa esteja seriamente estressada ou se sinta inferior ou ameaçada pel o interlocutor. Mas de que adianta?". os ombros se elevam.

Outra versão do movimento ocorre quando a pessoa ergue os ombros para fa zê-los tocar o queixo ou a bochecha. Nesse caso . Mas. . nem sempre a elevação dos ombros é uma postura defensiva. É o g esto pelo qual a pessoa abraça a si mesma na ausência de alguém para abraçar. quando ocorre. Elevar e curvar os ombros para a frente. tem raízes semelhantes. é uma forma de "abraçar o vazio". com os braços envolvendo o corpo. A cabeça descansa sobre o ombro. na tentativa d e demonstrar ternura pelo ser amado. Entretanto . os ombros estão mostrando a postura que adorariam se o ser amado fosse abraçado de verdade.indelicado e bastante raro.

eles devem parecer um par de pern as inúteis penduradas. Nossas patas dianteiras transformaram-se em sofisticadas garras.12. Mas. os braços humanos são nossas pernas dianteiras. e nossas per nas dianteiras tornaram-se seus criados. entram em ação. no cotovelo e no pulso. dotados de uma incrível mobilidade. socar —. Para quem não sabe qual é o rádio e qual é a ulna. as pernas dianteiras foram drasticamente aliviadas d o peso que carregavam e puderam se especializar em múltiplos propósitos manipulativo s. virando a palma para cima. para qualquer criatura de quatro patas. O braço conta com três ossos: o pesado úmero do braço e o rádio e a ulna (ou cúbito) do an tebraço. golpear. De fato. em termos evolucionários. Os dois ossos do antebraço se cruzam quando a mão gir a. Se as mãos precisam agir com força — para trepar. o que significa que sua posição mais relaxada é a da pal ma voltada para baixo. vale dizer que a ulna é . Vale lem brar que. por exemplo. como o bíceps e o tríceps. os fortes músculos do braços. atirar. o braço opera co mo um guindaste móvel. Os br aços têm dupla qualidade: força e precisão. colocando a mão na posição ideal para que a tarefa seja executada . quando nossos ancestrais assumiram a postura ereta apo iados nas pernas traseiras. Braços Os braços são a parte menos erótica do corpo feminino. o melhor ponto é o braço. ou guiá-la num a direção —. mas no resto do br aço ficam cobertos pelos músculos. Qualquer outro ponto seria demasiado íntimo. Se um homem pensa em tocar uma mulher sem qualquer desejo sexual — para chamar sua atenção. Esses ossos são visíveis no ombro. Se o polegar e os dedos estão trabalhando com delicada precisão.

O bíceps é o músculo que situa na parte anterior do braço. e a razão disso parece ser o exce sso de esforço necessário para desenvolver essa musculatura. que é de 10%. O recorde mascu lino nesse esporte é de 96. O trabalho muscular permi te fortificar esses músculos a um grau surpreendente. muito superior à média em eventos desse tipo. os homens são melhores arremessadores de dardos que as mulheres. O antebraço mascul ino mais longo é o reflexo de um papel evolutivo: o de atirador c lançador. de 72. Outro prob lema com o braço super-desenvolvido é que ele parece muito masculino.72 metros. . e é inevitável que braços excessivamente desenvolvidos percam suas qualidades femininas. Muitos homens afirmam que não os acham atraentes. e o feminino. como mostram os braços malhado s exibidos em competições de fisiculturismo feminino. e sua função é estendê-lo. Os principais músculos do braço e os movimentos que ele s produzem são os seguintes: O deltóide é o grande músculo que recobre a articulação do ombr o. e sua função é flexioná-lo.ligeiramente mais delgada e alinha-se com o mindinho. uma diferença d e 33%. O triceps é o forte músculo que se situa na parte posterior do braço. enquanto o rádio é mais espess o e alinha-se com o polegar. Os braços da mul her são mais curtos.40 metros. mais fracos e mais finos que os do homem. que dão a impressão de imensa força. Uma campeã de fisiculturismo parece estar mais intere ssada no que vê no espelho do que no corpo de um companheiro masculino. e sua função é erguer o braço e afastá-lo do corpo lateralmente. o que implicaria uma ob sessão que beira o narcisismo. Por isso .

com a fêmea sobre as quatro patas. De fato. Quando mais tarde assumimos a postura ereta. o ângulo do cotovelo é 6 graus maior que o do homem. Outro detalhe a natômico do braço que merece menção são as muito amaldiçoadas. os braços do homem pendem mais afastados do corpo. o que indica que elas atuam como sinais sexuais entre parceiros amorosos. as axilas ficavam afastada s do rosto do parceiro. Portanto. E ali se situavam as axilas. afetando os antebraços. se u corpo parece afeminado. seguida de uma dor con siderável por algum tempo. muito depiladas e muito desod orizadas axilas. têm um ar muito ma sculino. Na mulher. Quando nossos ances trais se acasalavam. recentes pesquisas revelaram que. mas se um homem prende os braços junto ao corpo. que causa a aguilhoada dolorosa e. a postura dos braços nos oferece significat ivos sinais sexuais que não podem ser atribuídos a um condicionamento social. Se o c otovelo se choca com um objeto duro.Outra diferença de gênero diz respeito à articulação do cotovelo. e os odores produzido s por um e outro diferem. Sua presença é exclusiva da espécie humana. o lugar ideal para o desenvol vimento de glândulas sudoríparas. por um momento. A mulher possui mais glândulas sudoríparas que o homem. ocorre uma ferroada. o nariz ficava p róximo à região dos ombros. incapacita o braço. os homens se excitavam . que passa pela articulação do cotovelo. o braço fica na turalmente mais próximo ao tronco. e homem e m ulher passaram a adotar predominantemente a posição sexual frontal. nas mulheres. Devido aos ombros mais largos. tendo os olhos ve ndados. É o nervo ulnário. Essa pequena zona pilosa desempenha um papel químico importante e reflete uma grande mudança nos hábitos sexuais da espécie humana. Quando oscilam soltos no espaço. Isso ocorre porque. em ambos os sexos.

o impacto sexual da fragrância das axilas fe mininas parece ter-se feito sentir na corte francesa. De pois. que também sofria com o calor. A função dos pêlos é manter as secreções glandulares na regi axilar. Uma linda princesa. Na Áustria rural o truque funcionava de maneira diferente. O duque d'Anjou (que logo se tor naria o rei Henrique III da França). antes de iniciar a dança. quando u ma maçã inteira descascada (conhecida como "maçã do amor") era colocada na axila da mulh er até se embeber de seu suor. que inalaria s ua fragrância. entrou nessa sal a e. sentindo-se acalorada depois de uma vigorosa dança na corte. a o ferecia ao parceiro. retirou-se para uma das salas adjacentes ao salão de baile do Louvre para trocar a camisa molhada de suor. Quando ele comia a maçã. devia tirar o lenço e acenar com ele para refrescá-la. quando o surgimento dos hormônios sexuais ativa-as e ao mesmo tempo provoca o crescimento de pêlos nas axilas. quando a música parava. o que ele f azia era espalhar o odor de sua glândulas apócrinas na esperança de que ela fosse sedu zida por ele. Elas só se desenvolvem na puberda de. julgando . Um velho costume inglês. Marie de Clèves. esposa do horroroso príncipe de Condé. determinava que o homem que quisesse seduzir uma mulher usasse um lenço limpo junto à axila. Mais tarde. A mulher colocava uma fatia de maçã sob as axilas enquanto dançava e. Na verdade. expunhase automaticamente ao aroma sex ual da mulher Esse truque também era conhecido na Inglaterra elisabetana. Essas glândulas sudoríparas são glândulas apócrinas. o que intensifica o sinal que elas transmitem. tr ansmitido de geração a geração. no século XVI.mais sexualmente cheirando o suor da axila da mulher do que com qualquer caro pe rfume produzido comercialmente. quando então seria oferecida ao amado. por baixo da camisa. e sua secreção é levemente mais oleosa do que o suor comum.

depilando-as? A resposta está no vestuário. usou-a para enxugar o rosto suado. Se o ser humano carrega um estímulo sexual tão forte sob os braços. no caso das mulheres. Pesqu isas recentes mostraram que as secreções axilares de homens e mulheres diferem quimi camente e têm um odor que atrai o sexo oposto. por que se daria tanto trabalho para eliminá-lo lavando. É o sistema primitivo em ação. seu lenço limpo carrega realmen te um forte odor sexual. que lhe causaria muito infortúnio nos anos seguintes. advertia as damas de que "carregavam um bode nas axilas". banhado e usando uma camisa limpa para a dança. seus sentidos foram profundamente afetados por e sse ato. Desde o século 1 a. com o corp o coberto de camadas de roupas. que já era admirador secr eto da princesa adolescente.C. Considerando a forte indústria que se alimenta da venda de desodorantes.que a camisa de Marie fosse um guardanapo. Infelizmente. resultado do hormônio masculino. O odor natural do corpo se torna mau cheiro. Diz-se que a secreção masculina tem um odor almiscarado. ganh ou coragem para quebrar seu silêncio e confessar a ela seu amor. hoje. A sensação desagradável que isso nos causa nos faz preferir usar desodoran tes do que correr o risco de transformar o que seria um estímulo sexual numa catin ga corporal. Nascia uma paixão m aldita. em sua forma pura e . nossa pele suada pode se transformar facilmente numa estufa para a propagação de milhões de bactérias. essas histórias parecem muito e stranhas. em seu livro sobre a sedução. De acordo com um cronista da época. produz se creções frescas das glândulas sudoríparas. o duque. No momento em que inalou sua fragrância. Entretanto.. O homem da história do folclore inglês. esfregando e desodorizando as axi las e. Embebido nelas. A arte do amor. foi tomado por uma incontrolável paixão. o poeta romano Ovídio. Com isso.

Devido às diferenças raciais. Elas parecem atuar num nível inconsciente. deviam se livrar das "armadilhas de cheiro" que eram o s pêlos nas axilas. Nem todos os orientais possuem esse sistema glandular. as secreções masculinas e femininas não são conscientemente detectadas pelo olfa to humano. as mulheres ocidentais aderiram em massa. os orientais geralmente acham o odor natura l dos europeus e africanos muito forte e até mesmo ofensivo. Não devem ser depiladas sob nenhum pretexto". apenas 2 ou 3% da população têm algum odor debaixo dos braços. entre os japoneses. A remoção dos pêlos nas axi las é uma prática relativamente recente. no mínimo metade da população não tem glândulas sudoríparas. o forte cheiro nas axilas é visto como uma doença. calcula-se que menos de 1% das mulheres rejeite a depilação como um procedimento r otineiro. a osmid rosis axillae. Elas também são r s no Japão. fazendo-nos sentir o estímulo sem saber bem por quê. publicado em 1972 . E acrescentava um curioso conselho: "A axila pode ser usada no lugar da pal- . The Joy of Sex (A alegria do sexo). Na ver dade. Houve um tempo em que indivíduos que sofriam dessa "doença" eram disp ensados do serviço militar. A depilação "podia ser perdoada em locais de clima quente. Na China. Hoje . Entr e os coreanos. mas hoje é simplesmente vandalismo ignorante". se quisessem ser mai s perfumadas e atraentes. onde não havia água encanada. De vez cm quando ocorre uma fraca rebelião contra esse tipo de "mutilação".fresca. opunhase fortemente à depilação: "As axilas — um local clássico para beijos. onde não se consegue detectar nenhum odor axilar em 90% da população. O famoso guia dos amantes. Anúncios diziam às mulheres que. Em pouco tempo. introduzida no Ocidente na década de 1920 pel a florescente indústria cosmética.

quando uma famosa atriz de Hollywood ergueu o braço para acenar pa ra a multidão e exibiu uma axila peluda. São vistas como lésbicas. feministas radicais ou hippies q ue não saíram dos anos 60". dizia. Convenientemente. que se definia como "a única revista do mundo para os que amam as mulheres naturalment e peludas". uma mulher adulta se oferece simbolicamente c omo uma criança e portanto encoraja uma perversão sexual. mas parece que o guia sexual acreditava haver uma tendência nesse sentido no início dos anos 1970: "Uma nova geração começou a perceber que é sexy manter os pêlos nas axilas". Apesar disso. Não se sabe quantas mulheres podem ter abandon ado a depilação depois desse conselho. o fato foi comentado em todas as colunas de fofoca. Tudo isso era um erro. afirmava a revista. Entretanto. "funcionam como uma antena transmissora. enviando sina is que convidam ao ato sexual". Recentemente. A julgar pelos filmes e pelas fotos publica das em revistas a partir dessa década. a moda mundial ignorou essa suposta tendência . com esse argumento. a remoção dos pêlos é uma revolta contra a sexualidade". as mulheres que decidem não depilar as axilas são ridicularizadas e submetidas a situações constrangedoras. . "de u m ponto de vista psicossocial. a revist a não percebia que. porque. Para pôr mais lenha na fogueira. que o consideraram repulsivo. ao exibir uma axila depilada. tinha que admitir que lutava uma batalha difícil: "Nos ano s 90. chegou a afirmar que.ma da mão para silenciar o parceiro no momento do clímax" — talvez para que o odor das axilas fosse plenamente apreciado. os últimos anos do século XX assistiram à chegada de uma revista intitulada Hair to Stay (Pêlos para ficar). acusava os homens que se mantêm bem barbeado s de estimular a pedofilia — já que meninos não têm barba. Os pêlos das axilas.

Apenas se pudéssemos voltar a uma vida tri bal de seminudez seu argumento seria válido. Só quando os afastamos do corpo eles sentem a tensão do esforço. existem qu atro movimentos principais: para baixo. É um gesto de tri unfo e vitória. descansados e relax ados. mas. Como a vida moderna. Mesmo depois de uma longa caminhada. não colocamos nenhum esforço nesse ato. a m enos que estejamos participando de um desfile militar. parece provável que a depilação corporal continue a prospe rar. Voltando à postura dos braços. eles cumprimentam seus fãs e comemoram uma alta posição com uma postura elevada. Por isso. muito apreciado por políticos e astros do esporte. quando os pés doem e os músculos das pernas estão exaustos. e os músculos ficam totalmente relaxados e ina tivos.A verdade é que a remoção dos pêlos faz com que homens e mulheres pareçam mais limpos e ma is jovens. para o lado e para a frente. Com os braços ergui dos. A postura de br aços erguidos é mais difícil de sustentar por qualquer período de tempo. balançamos os braços quando caminhamos. nos obriga a manter uma excessiva proximidade em s ituações que nada têm de sensuais. princi palmente nos centros urbanos. existem motivos de sobra pata eliminar os primitivo s sinais sexuais. e também os torna mais v isíveis nos momentos em que eles mais desejam ser vistos. Se tentarem manter essa postura por horas — o u mesmo por minutos —. não importa o que digam os rebeldes. para cima. os braços continuam oscilando levemente. . Entretanto. ajudando-os a eliminar o cheiro corporal. Levantar os braços os faz parecer mais altos e mais fortes. Como parte da locomoção bipedal. a posição não se m antém por mais do que alguns segundos. A postura de braços abaixados é neutra. logo serão vencidos pelo cansaço.

de acordo com a posição das mãos. quando se dobram. Entretanto. Os sinais que envolvem os braços incluem ainda diversas formas de aceno e saudações. Na post ura de vitória. Na reação a uma ameaça. que responde com o único gesto que é capaz de realizar de seu lugar na platéia. ou agressão. seu ge sto . O gesto de bater palmas é uma forma muito modificada do "abraço no vazio". os braços se erguem num gesto de defes a. A postura de braços par a a frente é mais complexa. A essência dessa postura defensiva é que e la deve mostrar mãos vazias e desarmadas. existe uma sutil diferença na angulação dos braços. Nesse caso. A postura de braços abertos é um convite dista nte ao abraço.O gesto ganha um significado totalmente diferente quando um assaltante com uma a rma na mão ordena: "Mãos ao alto!". se as palmas estiverem voltadas para cima. n a qual o sentimento se converte no som de um abraço simbólico. O artista revela o desejo de a braçar o público. Como a posição de braços abertos. o nde alguma arma pode estar escondida. ou um pedido de e smola. os braços se flexionam ligeiramente nos cotovelos c se mantêm na posição vertical. além de transmitir muitos outros sinais. Pode significar rejeição se as palmas das mãos estiverem emp urrando para fora. Uma mulher que aviste um amigo querido a alguns passos de distância a bre os braços até poder fechálos num abraço emocionado. angulam-se ligeiramente para a frente. Ele abre os braço s. e não de vitória. os braços em geral se mantêm esticados e. Quando uma importante figura feminina acena de um balcão. postadas o mais longe possível do corpo. Essa mesma postura é vista depois que uma artista de circo completa um número de grande dificuldade. e a platéia imediatamente responde com aplausos. po de ser também um convite ao abraço. se os punhos estiverem cerrados.

E por aí vai. é sinal de poder revolucionário. o peito ou a c abeça. o gesto prontamente transmitirá um sinal de intimidade. Sejam homens ou mulheres. As tatuagen s nos braços não têm sido raras. amigos pod em dar os braços quando caminham juntos. O aceno de uma rainha é um gesto de poder pacífico. A saudação militar — com os cotovelos flexionados e a mão toca ndo o quepe — é um gesto que estiliza a intenção de remover o elmo. No contato pessoal. Os braços são usados para tran smitir sinais de longa distância. Os braços são a parte mais neut ra do corpo. Se orientamos alguém a passar por uma porta. . com menos precisão do que a que se pode transmitir com os dedos ou expressões faciais. A saudação nazista era u m gesto de rígida lealdade. os braços femininos funcionam co mo inestimáveis bandeiras corporais. mas se houver qualquer outro toque durant e a caminhada. sem qualquer significado íntimo. tocamos seu braço. ao contrário. Nesse sentido. Sua forma exata indica algo de seu estado de e spírito. nosso gesto estaria imediatamente sob suspeita.pode ser visto de grande distância. nós a conduzimos com um leve toque no cotovelo. Se quisermos ajudar uma pessoa idosa a atravessar a ru a. Se em qualquer desses casos tocássemos a cintura. sugerindo a escravidão da mulher pelo homem. há quem acredite que esse costume teve origem como uma maneira de exagerar a forma delgada do braço fe minino. um movimento de paz que visa cancelar o sinal de hostilidade. Se queremos chamar a atenção de alguém. A saudação de punho cerrado d e uma líder rebelde. mas a forma mais comum de adorno sempre foi o bracele te. Como esse é um ornamento que sempre foi usado por mulheres. nós a pegaremos pelo braço para guiá-la. o braço é quase sempre foco d e ações amigáveis e assexuadas. Outra explicação seria que os braceletes e pulseiras atraem os homens porque são algemas simbólicas.

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tanto no solo quanto nas árvores —. Livres da tarefa de locomoção. .13. MÃOS As mãos femininas são superiores às masculinas num aspecto: são mais flexíveis. num teclado lige iramente menor. e reflete quanto mãos fortes eram importantes para o caçador primitivo. Essa é uma das maiores diferenças de gênero. O resultado é que a maioria dos grandes pianistas são homens. Mas. colocando as mulheres em imediata desvantagem. as mãos puderam se dedicar uni camente à manipulação. nossos ancestrais se puseram de pé sobre as patas trasei ras e libertaram as patas dianteiras? O principal elemento dessa história — o segred o do sucesso das mãos humanas — foi o desenvolvimento dos polegares opostos. Sempre que um trabalho preciso dos de dos se faz necessário. mas possuem maior delicadeza* qu ando se trata de manejar objetos pequenos. mais adequado ao tamanho da mão feminina. No aspecto físico. A espécie hu ana ganhou destreza — e transpôs o limiar para um mundo onde nada estava a salvo de seus dedos. os homens têm uma força manual cerca de duas vezes maio r que a das mulheres. os alpinistas relatam que a flexibilidade feminina se equipara à força masculi na. as mãos femininas são imbatíveis. Podem ser menores e não ter a mesma força que as mãos do homem. dando a ambos os sexos o mesmo potencial para escalar paredes rochosas. Um exemplo: o teclado do piano foi concebido para mãos masculinas. milhões de anos atrás. Mas como isso aconteceu? Qual é a história evolutiva das mãos femininas? O que aconteceu q uando. a maior flexibilidade do s dedos faria as mulheres pianistas suplantarem facilmente os homens. Da mesma f orma. Esse foi um dos principais passos na evolução da espécie.

para atirar objetos longe e para outras atividades como martelar. a mulher é superior ao homem. na qual dedos ágeis eram importantes para modelar e decorar os potes . as mulheres sempre foram excelentes em tarefas de costura. no pas sado. A situação não mudou muito. Mesmo hoje. Por isso. A o utra metade. Costurar e tecer t alvez estejam menos em evidência. A força manual era particularmente importante para fabricar armas e outros implementos primitivos. Antes da invenção do torno. A força é apenas metade da história de sucesso das mãos. embora ca pazes de grande precisão se comparadas às mãos de polegares curtos de outras espécies. o homem tem uma força manual de cerca de 40 kg. A precisão se conquista opondo-se apenas as pontas dos d ois dedos. Quase não há mulheres trabalhando em carpintaria. é a precisão. Como a olaria era a principal forma de arte na pré-história. que com treinamento pode c hegar a 54 kg ou mais. A força se adquire opondo-se o poleg ar contra todos os dedos. . rasgar. As mãos masculinas. prender e carregar.Em média. tarefas que de pendem de mãos grandes e fortes são predominantemente masculinas. mas a destreza feminina continua sendo um talent o. foram artistas dotadas de grande criatividade — um fato geralmente desconsiderado por arqueólogos e historiado res da arte. não podem competir com as mãos delicadas. embora hoje a natureza das tarefas tenha se a tualizado. Nessa tarefa. tecelagem e em todas as formas de trabalho decorativo. e não os homens. elas dominavam a arte cerâmica. igualmente importante. durante todo esse lon go período da história humana as mulheres. Basta olhar para o interior de uma fábrica de equipamentos eletrônicos pa ra ver centenas de ágeis mãos femininas manipulando minúsculas peças. ágeis e frágeis da fêmea humana.

uma característica que pode resultar de fatores hormonais.Essa diferença de precisão não se dá apenas pelo fato de a mulher ter dedos mais leves e finos. c omo se antecipando o futuro prazer da manipulação. E existem alguns exímios harpistas. as mãos revelam outras capacidades: digitar cem palavras por minuto. Ainda no berço. os marinheiros se mostraram capazes de manejar bem uma agulha quando estão em alto-mar. colher nozes e frutos. Calcula-se que. Argumenta-se que essa destreza foi uma adaptação adqu irida na coleta de alimentos. ler em braile e até recitar poemas na lingu agem dos surdos. Com a divisão de trabalho ocorrida durante nossa evolução. escolher sementes. A mulher mais forte de um grupo sempre foi mais capaz de partir uma peça de carne ou (hoje) destampar uma garrafa que o homem mais fraco. os dedos se flexionam e se esticam no mínimo 23 milhões de vezes. pintar obras-primas. durante uma vida. Por outro lado. Mas. eles dobram e contorcem os dedinhos. Comparadas ao Rolls Royce que é a . De todas as partes do corpo humano. Mais tarde. tarefas mais ade quadas aos dedos rápidos e flexíveis das mulheres do que às mãos fortes e musculosas dos homens. Mesmo os recém-nascidos possuem uma notável força nos dedos. essa especialização nu nca mais foi tão acentuada. e as mãos raramente param quietas. a diferença era significativa: força par a os homens e precisão para as mulheres. A coleta de alimentos exigia arrancar raízes. elas são insuperáve is. As juntas dos dedos femininos são mais flexíveis. as mãos talvez sejam as mais ativas. uma especialidade feminina. Como peças de um mecanismo complexo. executar músicas num teclado a uma v elocidade incrível. As mãos femininas ficaram razoavelmente fortes e as mãos m asculinas tornaram-se capazes de tarefas bastante precisas. na Idade da Pedra Lascada.

mas também dos músculos do antebraço. uma em cada 25 pessoas ainda exibe uma única linha. A força musc ular das mãos e dos dedos não vem apenas da musculatura da mão. à dor e ao toque é grand e. as glândulas sudoríparas da palma cessam sua atividade. As quatro principai s linhas são: a linha da cabeça e a linha do coração. que atravessam a palma. a pessoa está relaxada. Só reagem a um aumento de tensão. as linhas de flexão. são marcas que refletem os movimentos da mão. e hoje nada mais é que a exibição de feira que merece ser. O par de mãos h umanas contém nada menos do que 54 ossos. Na verdade. As primeiras.mão humana. Nos macaco s. À medida que a pessoa se torna mais . Um legado da quiroman cia que tem alguma utilidade é a denominação das várias linhas da mão. A sensibilidade da mão ao calor. Elas variam ligeiramente de um indivíduo para outro. são 14 ossos digitais. chamada "linha dos símios". e a linha da vida e a linha do destino. as patas das demais espécies não chegam a ser uma bicicleta. Entretanto. as lin has de tensão e os sulcos papilares. Como outras práticas ar tificiosas como a frenologia e a astrologia. mas nos humanos a independência do ind icador é tal que partiu a linha em duas. por mais quente que esteja a cama. a linha da cabeça e a linha do coração são uma só. elas não reagem ao calor como as glândulas sudoríparas de outras partes do corpo. O suor das mãos não é comum. 5 ossos palmares e 8 ossos no pulso. a quiromancia perdeu terreno no sécul o XX. Se as palmas estão compl etamente secas. porque existem milhares de terminações nervosas por centímetro quadrado. Na superfície da mão existem três tipos de linhas: as linhas de flexão. que correm ao redor da base do polegar. o que há séculos tem garantido a sobrevivência dos quiromantes. Quando a p essoa dorme. Em cada mão.

Não existem dois seres humanos com impressões digitais idênticas. e não se alteram com a idade. As impressões digi tais são usadas para identificar indivíduos há séculos.ansiosa. Há mais de 2 mil anos os chineses usavam os dedos como molde para seus selos de autoridade. Infelizmente. Como uma assinatura po de ser falsificada. todas as pesqui sas de laboratório sobre o suor das palmas das mãos tiveram que ser temporariamente suspensas. não sei por que não seguimos esse antigo costume chinês. Tal é a sensibilidade das palmas das mãos. com a técnica de "contagem das cristas" e a atenção a minúsculos desenhos chamados de "lagos". Durante a famosa crise dos mísseis de Cuba nos anos 1960. Mesmo que sejam raspa das. Mãos suadas são port anto remanescentes de um passado remoto que o moderno homem urbano pode perfeita mente dispensar. . temendo uma guerra nuclear. o corpo humano desenvolveu essa reação numa época em que a tensão era principalmente de natureza física. o que faz as palmas umedecerem sem ter o que agarrar. mas hoje as tensões são em sua maioria ps icológicas. mesmo gêmeos têm impressões digitais diferentes. preparando-se para a ação física que o o rganismo prevê. "esporas" e "cruzamentos". elas voltam a aparecer. O aumento generalizado de tensão fez com que as taxas de sudorese cresc essem tanto que era impossível conseguir que algum dos sujeitos da pesquisa relaxa sse. Modername nte. Um criminoso não tem como evitar a identificação tentando alterar as impressões digitais. As impressões digitais apresentam três p adrões básicos: curvas (muito comuns). Contrari ando a crença popular. "ilhas". quando o mundo ocidental ficou em suspenso. a classificação das impressões digitais para a detecção de crimes se tornou altamente sofisticada. espirais (medianamente comuns) e arcos (basta nte raros). as palmas se umedecem cada vez mais.

um aumento drástico do fluxo sangüíneo aquece as mãos. não importa quanto dure a exposição ao frio. Esse parece ser um mecanismo destinado a evitar que a pele sensível das palmas congele. três aspectos despertam interesse. que evita que o sangue quente dissipe o calor vital. e conserva o precioso calor do corpo. colorindo a mão de vermelho. mas as mãos atuam de maneira diferent e. mas as diferenças são muito pequenas. Qualquer pessoa que já tenha feito bolas de neve sabe que. Mesmo indivíduos da raça negra têm palmas claras. têm menos es pirais e mais curvas que os orientais. o sistema evita o congelamento. que poderia causar danos irrecuperáveis. depois de certo tempo. vaí perceber que as mãos passam do azul ao vermelho a cada 5 minutos. Depois de mais 5 minutos. as palmas ficam vermelhas. . Quanto à coloração das mãos. por exemplo. Os caucasianos. Devido ao frio prolongado. Os vasos sangüíneos da palma e dos dedos de repente se expandem. Se a pessoa conseguir suportar as bolas de neve por uma hora. Trata-se de um sistema defensivo emergencial que prov avelmente desenvolvemos na Idade do Gelo.Há diferenças raciais nas impressões digitais. A reação inicial das mãos à neve fria é a vasoconstrição. Depois de cerca de 5 minutos. o processo se reverte. que reduz o de sangue na superfície da pele. É uma r eação notável e complexa. quando mãos congeladas podiam significar desastre. Quando pessoas de pele clara se e xpõem ao sol. elas passam da vasoconstrição a uma forte vasodilat ação. Ela é a mesma em todo o c orpo. Acredita-se que isso se deva à necessidade de manter os gestos altamente visíve is. Esse é o comportamento normal do corpo como um to do. mas as palmas se recusam a escure cer. Aquecendo as mãos a cada 5 minutos. as costas das mãos ficam bronzeadas.

porém. A grande maioria das 330 pessoas registradas que exibiram ferid as sanguinolentas pertencia à Igreja Católica. geralmente provocam coceira e sangram. O fenômeno vem de manifestando há mais de setecentos anos. Curiosame nte. mas o processo é muito m ais lento que o de um corte normal. todas as sextas-feiras. Na maiori a dos casos. Depois a ferida se fecha. Verruga s semelhantes podem aparecer nas palmas das mãos. As autoridades da Igreja sempre se mostraram intranqüilas com relação a essas alegações. Assim. a explicação mais provável para essas chagas é uma infecção viróti calizada. desde o século XIII. tornando-se cada vez maior. depois secam e em seguida voltam a sang rar. Crianças que usam piscinas públicas costumam pegar verrugas — pequenos tumor es epidérmicos de origem virótica que precisam ser removidos cirurgicamente. Quand o ocorrem. é fácil perceber que um ferimento de menor importância pode incendiar a imaginação de uma devota e se trans formar na milagrosa repetição do sacrifício de Cristo.Uma das crenças mais extraordinárias sobre as mãos é o suposto aparecimento espontâneo de chagas nas palmas. Uma cirurgia faz-se necessária para removê-la permanentemente. A pessoa que tem a ferida pode não se lembrar de tê-la coçado. O fenômeno obedece a um horário rígido: o sangramento se dá entre 1 e 2 horas da ta rde e se repete entre 4 e 5 horas. Excluída a possibilidad e de mutilação deliberada. — Mas há uma falha . as feridas começam a sangrar. O que se coloca cm dúvida não é a existência das feridas. e m ais cedo ou mais tarde a ferida volta a sangrar. a cura não é perfeita. entre elas algumas freiras. embora sejam menos comuns. um sofrimento com que pessoas santas repetiriam o sacrifício de Cristo na cruz. mas a natureza milagrosa do fenômeno. nesse aspecto as mulheres superam os homens numa proporção de 7 por 1. Devido à presença do vírus.

devemos dizer que cada um tem características próprias. Em tempos antigos. Graças à sua função indicativa. que tudo está. Desde o século IX artistas religiosos aliment am esse erro. sem dúvida o mais importante dos dedos. bem. Voltando aos dedos. É o dedo que puxa o gatilho. que disca o tele fone.quase fatal: as chagas surgem no centro da palma. a cirurgia moderna pode ajustar o in dicador para que ele funcione em oposição aos outros dedos. O prim eiro é o polegar. o polegar — pollex em latim — era dedicado a Vênus. se alguém perde o polegar. parece que o erro — que para eles não passa de licença ar tística. que chama. restaurando em parte o m ovimento de preensão. Hoje. presumivelmente devido a seu significado fálico. o indicador. — tem sido ampla e dolorosamente copiado pelos supostos santos. que pede atenção. Seu papel fundamental é reconhecido desde a Idade Média. quando a indeniz ação pela perda de um polegar era quatro vezes maior que o valor pago pela perda de um mindinho. expressa um insulto fálico e indica. era dedicado a Maomé. o indi ador também recebe o nome de índex. É bastante si gnificativo que os poucos que sangraram nos pulsos tenham aparecido muito recent emente. já que permite o movimento d e agarrar. O polegar tem três significados gestuais: aponta uma direção. É o mais usado em oposição ao polegar em atos de de licada precisão. No Islã. Houve época em que ele foi chama do de "dedo napoleônico" ou "dedo da . que aponta o caminho. é o mais independente e i mportante dos outros quatro dedos. depois que se tornou conhecida a verdadeira localização das chagas de Cristo . que aperta o botão. O segundo dedo. índice e mostrador. ao passo que na crucifixão de Cr isto os pregos perfuraram os pulsos. produzindo pinturas e esculturas que mostram pregos enterrados no centro das palmas de Cristo.

o anular. Em tempos antigos. Os católicos dedicam o indicador ao Espírito Santo. era encapsulado numa dedeira de ferro magnético e . relegando o anular para o terceiro lugar.ambição". tinha vários nomes antigamente. Os dois dedos dobrados de cada lado simbolizam os testículos. e o médio. o dedo médio tem significados bastante diferentes. Surpreendentemente. Nas civilizações do mar Egeu. cresceu muito nos últimos anos. "o infame" e "o obsceno". "o impudico". gestos obscenos eram uma exclusividade dos homens. porque se acreditava que ele era venenoso. mas sua denominação mais estanha é a de "dedo do veneno". o falo ereto. Em 45% das mulheres. Esse gesto sobreviveu durante 2 mil anos desde que surgiu nas ruas da antiga Ro ma. é o segundo dedo mais longo. No passado. porque a maior igualdade sexual trouxe consigo uma maior igualdade gestua l. sendo co nhecido como "o famoso". os outros dedos se dobram e apenas o médio permanece esticado e ereto. superado em mu itos casos pelo médio e pelo anular. a Fátima. os islâmicos. era proibido usar o indicador para qualquer tipo de medicação. O quarto dedo. porém. é o dedo dedicado a Cristo e à salvação. Ness e gesto. o indicador é um dos menores dedos. marido de Fátima. terceiro e mais longo dos dedos. isso ocorr e apenas com 22% dos homens. mas hoje as mu lheres mais assertivas não se sentem constrangidas de se expressar dessa maneira. O médio. A razão dessa significativa diferença de gênero é um mistério . vem sendo usado há mais de 2 mil anos em cerimônias de cura. no islamismo. Apesar de sua importância. A razão para a ma ioria desses nomes é sua utilização no mais famoso dos gestos grosseiros de Roma. dedicado a Ali. No catol icismo. pelo menos no mundo ocidental. No ambiente religioso. Seu uso por mulheres.

que o chamavam de digitus medicus. Mais tarde. ele acabou se ndo conhecido como o "dedo da cura". e insistiam que todos os ungüentos deviam ser esfregados no corpo com ele. Se algum dos dedos que o ladeiam se esticar ao mesmo tempo. Se existe algum valor prático nessa super stição é que. não há problema . ele ainda ê vist o como o único dedo adequado a coçar a pele. Eles acreditavam que por esse dedo corria um nervo que ia direto ao coração. e sempre o usavam para fazer misturas porque achavam que n enhum veneno poderia tocá-lo sem dar aviso ao coração. Para alguns. Por isso. A razão d e sua relativa inatividade é que sua musculatura o torna o menos independente dos dedos. por ser o menos usado. simplesmente passar o anular por cima de uma ferida era suficiente para curá-la. Esse costume originou-se na idéia de que a esposa se comprometia a ser menos independente como o dedo simbolicame nte escolhido. os boticários ainda usavam religiosamente esse dedo para misturar s uas poções. Essa superstição durou séculos. Além disso. tem me nos probabilidade de tocar algo perigoso e. perceberá que o anular é o único que se recusa a se esticar totalmente — ou faz isso com grande difi culdade. com o nervo que se ligava ao coração ora sendo substituído por uma veia. mas sozinho ele se sente fraco demais para fazer o movimento. é difícil usá-lo para mexer alguma coisa sem manter os outros dedos presos pelo polegar. O indicador devia ser evitado a todo custo. seria o mais seguro para u so médico.usado em rituais de cura. Na Idade Média. ora por uma artéria. Por isso. Em algumas partes da Europa. portanto. o anular é provavelmente o dedo mais limpo. Foi por essa falta de independência que o anular foi escolhi do como o dedo que carrega a aliança de casamento. essa idéia foi adotada pelos romanos. Se alguém fechar o punho e tentar esticar um dedo de cada vez. A escolha da mão esquerda teve .

mas existe um argu mento mais moderno.origem semelhante: essa seria a mão mais fraca e submissa. criaria um conflito para muitas noivas modernas. No islamismo. porque essa era a maneira antiga de criar uma ligação mediúnica. o miudinho. porque as bênçãos são feitas com o polegar (o Pai). e transportada para Nova York pelos colonizadores . Devido a e ssa função de levar a aliança. e o médio (o Espírito Sant o). fechando os ouvidos com os d edos mínimos. de uma visão profética ou de algum outro evento sobrenatural. o nome usado popu larmente para identificar o dedo mínimo é "pinkie". ele foi chamado pelos romanos de digitus annularis. e auricular devido à sua lig ação com a orelha. Antigamente. mais tarde foi adotado por adultos de outras cidades. Nos Estados Unidos. o indicador (o Filho). foi dedicado a Hassan. onde as crianças se referem a qualquer coisa pequena como "pinkie". adequada ao que era então considerado o papel da esposa. acreditava-se que. Alega-se que ele foi chamado de "dedo auricular" pelo fato de ser suficientemente pequeno para ser usado para limpar a orelha. Qualquer pessoa que tenha estado numa sessão espírita provavelmente participou de uma versão moderna dessa superstição. Acredita-se que a denominação teve origem na Escócia. O quinto dedo. Se o verdadeiro significado machista f osse mais conhecido. é chamado em latim de mi nimus ou aurícularis: mínimo porque ele é o menor de todos. Usado primeiramente pelas crianças de Nova York. o médium geralm ente avisa que o contato deve ser feito com os dedos mindinhos. Só porque esses fatos foram esquecidos é que esse de do ainda é escolhido no ritual do matrimônio. era possível aumentar as chances de uma experiência mediúnica. e para os cristãos ele é o "dedo do amém". na qual os participantes se dão as mãos formando um círculo. Nesse momento. seguidos pelo anular (amém).

que se realizará se nada for dito antes que os dedos se solte m. e isso seria necessário quando duas pessoas pronunciavam a mesma palavra simultaneamente. Mais uma vez. fazendo um voto silencioso. o costume de curvar o dedo mindinho quando a pessoa está beb endo de uma xícara ou de um copo há muito é considerado símbolo de afetação. e também pode ser significativo que a palavra holandesa para "pequeno" seja "pinkie". Entretanto. nada poderia estar mais longe da verdade. porque é o substituto verbal para a ação de estalar os dedos. Ela s curvavam deliberadamente o dedo mindinho quando bebiam para . entrelaçam os dedos mindinhos para materializar o ato. Esse é outro costume que se originou da antiga ligação do mindinho com o sobrenatural. Em alguns países da Europa. Alega-se que esse era um sinal de que as mulheres que serviam de modelo para as imagens religiosas desfrutavam de uma incomum independência sexual . As cria nças costumam usar a palavra numa rima que utilizam para firmar uma promessa solen e. de imediato gritam "Snap!" e entrelaçam os mindinhos. As primeiras pinturas religiosas mostram o dedo mínimo curvado e afastado dos demais. a superstição reflete a crença no poder sobrenatural do mindinho. Quando fazem disso. Acreditava-se que o estal o do indicador contra o polegar tivesse o poder de espantar os maus espíritos (é por isso que não é de bom tom estalar os dedos para chamar alguém). mesmo quando a figura feminina em ques tão não está bebendo. Essa crença de que um mindinho "independente" simboliza a liberdade sexual deu o rigem a uma nova moda lançada pelas primeiras feministas do final do século XIX. quando duas pessoas acidentalmente pronunciam a mesma pal avra ao mesmo tempo. Na origem. A p alavra "Snap!" também tem relação com os dedos.escoceses. outra ação que tem origem supersticiosa. o nome original de Nova York era Nova Amsterdã. Num contexto que nada tem de mágico.

eles eram mais apreciados do que qualquer ornamento para a cabeça ou o pescoço porque ficavam claramente visíveis para quem os usava. alguns deliberados e simbólicos. de acordo com as emoções do momento. os anéis eram us ados não apenas como elementos decorativos. Daí pass ou a ser símbolo de gentileza e acabou adquirindo um significado quase oposto ao o riginal. os cinco dedos são capazes de uma imensa gama de gestos e sinais. trazendo boa sorte.C. é difícil lembrar precisamente o que os dedos andaram fazendo. numa agulha. Mais tarde. Acreditava-se que eles tinham poderes de proteção. Em todo o mu ndo. mas em pregam mais os gestos que acompanham a conversação e enfatizam as palavras. a mão feminina pode se transformar numa garra. Depois que uma conversa acaba. Juntos.mostrar que apoiavam a idéia de direitos iguais em questões sexuais. trouxeram outra vantagem para as mulheres que queriam se livrar de . Disseminado com o moda. mas a mensagem dos gestos chega ao interlocutor num nível subliminar. protegendo contra os maus espíritos e propiciando saúde e até mesmo imortalidade (já que um anel não tem começo nem fim).500 a . Além disso . Por volta de 2. as mulheres usam menos os gestos simbólicos que os homens. outros inconscientes e expressivos. num punho cerrado ou num leque. Originalmente. to rnando-se meramente o gesto adequado a fazer na presença de outras pessoas. os ourives do Oriente Médio já tinham atingido um alto estágio na manufatura de anéi s. numa lâmina. antes da invenção do espelho. Uma vantagem dos anti gos anéis que não levamos cm consideração hoje é que. que desde então sempre gozaram de grande prestígio. O uso de adorno nos dedos femininos é popular pelo menos há 6 mil anos — talvez muito mais. mesmo hoje. esse gesto foi perdendo seu significado original de igualdade sexual.

o costume sobrevive por motivos puramente decorativos em algumas pa rtes da Europa e da América. . A hena é uma tintura castanhoavermelhada extraída das folhas de um pequeno arbusto. entregava as mãos a uma artista chamada hennaria. A pele das costas das mãos femininas pode acarretar um sério problema às mulheres mais velhas. que a fazem parecer vinte anos mais nova. A pi ntura durava cerca de quatro semanas. cerc ada pelas amigas mais íntimas. que passava horas pintando os desenhos tradicionais. exibindo os belos desenhos. Para a cerimônia. essas pinturas foram muito populares no Norte da África. Parte importante das cerimônias de casamento. A pel e das mãos femininas tem recebido relativamente pouca atenção. Antigamente. com a interessante exceção da aplicação de desenhos de hena. as mãos eram desenfaixadas. no Oriente Médio e em algumas reg iões da Ásia durante séculos. ela podia usar luvas. depois das quais podia desbotar ou ser ren ovada. Se a mulher rejuvenesceu o rosto com cremes firmadores o u com uma cirurgia plástica. um espírito maligno que gostava de aparec er nas ocasiões felizes com a intenção de destruí-las. sua verdade ira idade pode ser revelada por mãos enrugadas e manchadas. Na noite anterior ao casamento. a noiva. mas esse acessório não está mais em moda. mas a dificuldade na elaboração dos desenhos evitou que a moda pegasse. Hoje. Acreditava-se que a hena tinha a virtude de purificar a noiva de qualquer contaminação mundana e imunizá-la contra os a taques do demônio e de seus agentes. Os intricados desenhos pintados nas mãos da noiva tinham a finalidade de espantar o Olho do Diabo.maridos indesejáveis: podiam conter pequenas câmaras cheias de venenos letais. enfaixava as mãos da noi va e colocava-as dentro de dois sacos bordados para que a pintura secasse sem bo rrar. Depois.

. O utra solução foi usar unhas curtas para o uso cotidiano e aplicar unhas postiças exage radamente longas em ocasiões especiais. e. O tratament o mais radical é o equivalente do lifting da face. e hoje ela tem à sua disposição uma infinidade de caros procedimentos. Em épocas primitivas. Em diferentes épocas e culturas. cera quente e tratamento a laser. alguns de efeito bastante duvidoso. Mais tarde. Na Chi na antiga. o que as faz estufa r e parecer muito mais jovens. as mulheres da nobreza deixavam as unhas crescer e as pintavam de our o. Esses dois costumes sobrevivem ainda hoje na Europa. muitas mulheres têm ignorado as conveniências. só dura mais ou menos um ano. esse comprimento seria desgastado pel o uso. permitindo que as unhas cresçam para mostrar que não precisam fazer nenhum trabalho manual. Essa demonstração de status é valorizada pela aplicação de esmaltes coloridos. infusão de vit aminas. O lifting das mãos é um procediment o que retira gordura das coxas e injeta-a nas costas das mãos.Medidas mais severas se fazem necessárias para adequar a aparência das mãos à sua jovem figura. o peeling ácido. as unhas atingi riam 1 cm em cem dias. mantendo as unhas dos demais dedos muito mais curtas. é preciso cortá-las e lixá-las para mantêlas num comprimento conven iente. tecido mort o que cresce em média 1mm a cada dez dias — quatro vezes mais rápido que as unhas dos pés. Finalmente. aumento da absorção de oxigênio. mesmo ass im. Muitas mulheres usam unhas postiças em eventos sociais e depois as remo vem para trabalhar. Essa taxa de crescimento significa que. elas limitaram a demon stração aos dedos mindinhos. mas tem que ser repetido várias vezes. como isso prejudicava os movimentos da mãos. Modernamente. como a microdermoabrasão. qu e chamam mais atenção para o fato de que aquelas mãos nunca pegaram no batente. se não fossem cortadas. existem as unhas das mãos.

piercings de pedras semipreciosas para unhas.Alguns indivíduos excêntricos permitiram que as unhas crescessem assustadoramente. torna-se uma tarefa impossível.. A lista é infinita. Uma mulher de Dallas se orgulhava de exibir um total de 380 cm de unhas. Discar um número de telefone. cometeu uma contravenção e precisou tirar as imp ressões digitais na delegacia. As unhas f emininas não crescem retas. a pintura artística incrementou a moda de lo ngas unhas pintadas. Foram necessários 24 pontos para fechar a feri da na bolsa escrotal. sentindo-se ultrajada ao descobrir seu parceiro na cama com outra mu lher. Quando o policial descobriu que isso seria impossível com aquelas unhas de 15 cm de comprimento. Existem vários estilos de pintura. unhas acrílicas. Longas unhas podem facilmente se transformar em armas de destruição.. e até mesmo uma enciclopédia de pintura artística das unhas para quem quiser levar o assunto a sério. existem hoje mais de 60 mil sites na in ternet dedicados a esse assunto. Em se guida entregou-se ao prazer de poder coçar-se e de dar um abraço em alguém. Suas preciosas unhas custavam-lhe de oito a dez horas na tarefa d e pintálas. unhas marmorizadas. A mulher se recusou a cortar as unhas e teve que passar quatro noites na cadeia en quanto a polícia tentava descobrir outra maneira de obter suas impressões digitais. assim como unhas de gel. ordenou que elas fossem cortadas. t ornando os movimentos corriqueiros com as mãos extremamente difíceis. mas se curvam. Uma mulher de C onnecticut. Surpreendentemente. Uma m ulher da Geórgia. usou as unhas para se vingar. por exemplo. das quais a mais impressionant e media 71 cm. Depois de carregá-las por 24 anos. ela finalmente decidiu cortá-las. e é isso que pode causar problemas. . Nos últimos anos. nos Estados Unidos.

Desde que a mudança não interfira na mobilidade e flexibilidade das mãos. Outra moda é usá-las curtas e pintadas de um esmalte quase negro. o impacto social da decoração pode se r tão gratificante para as mulheres que a adotam. que teve a longa u nha presa na bilheteria automática de um estacionamento e precisou esperar que a p olícia viesse libertá-la. que têm a aparência das naturais. (Desde que não tenham a sorte de uma mulher de Massachusetts. que compensa a perda de destreza . mas uma tradição que permanece há mais de 6 mil anos de uma forma ou de outra dificilmente desaparecerá do dia para a noite. É fácil rir desses exageros decorativos das unhas femininas.Muitas mulheres acham a pintura artística muito exótica e adotaram um novo estilo: a s unhas manicuradas à francesa.) . E mesmo quando a moda prejudica os movimentos manuais. E assim a moda continua criando novidades. mas com as pontas de stacadas por uma faixa branca. não há mal algum.

por t rás da aréola amarronzada que circunda os mamilos. Se espremer apenas o mamilo. Seios Os seios tem despertado maior interesse erótico por parte dos homens do que qualqu er outra parte do corpo feminino. À medida que vai se formando. mas em português eles costu mam ser chamados de mamas. mas não muito chocante. Uma mãe experiente logo descobre que pode evitar a dor causada p ela mordida enfiando uma parte maior do seio na boca do bebê. em direção a cada mamilo. De cada seio lactífero partem de qu inze a vinte tubos. situado no centro da mama. eles funcionam com o duas gigantescas glândulas sudoríparas que produzem um suor modificado que chamamo s de leite. Nas mulheres virgens e naqu elas que ainda não são mães. não produzirá o leite deseja do. e pode reagir a essa frustração mordendo o mamilo. Para a primeira função. os ductos lactíferos. pomos ou tetas. a aréola tem . o leite passa por canais que levam a um reservatório chamado seio lactífero. tornando os seios maiores e os vasos sangüíneos que irrigam esses tecidos mais evid entes na superfície da pele. Os tecidos glandulares que produzem leite incham durante a gravidez. uma parental e outra sexual. Os seios femininos tem duas f unções biológicas. Quando o bebê mama. A aréola que circunda o mamilo é um detalhe anatômico curioso da espécie humana. Inúmer os nomes têm sido criados para os seios em muitas línguas. Concentrar a atenção diretamente nos genitais seri a demais. peitos. Os seios são um meio-termo — uma região proibida.14. o que não faz bem nem para a mãe nem para o filho. pega o mamilo e a aréola na boca apertando a pele escura com as gengivas e fazendo o leite brotar do mamilo.

O leite de vaca é o substituto a dequado ao leite materno.uma coloração rosada que muda na gravidez. A função da s aréolas parece ser de proteção. que crescem durante a gravidez e segregam uma substância oleos a. O leite produzido pelos seios contém proteínas. essas glândulas têm a aparência de pele de galinha. macacos e chimpanzés. já exibe uma cor marrom-escura. O bico de uma mamadeira tem um formato mais adequa do à sucção do que o mamilo. colesterol. Para entender como os seios deveriam ser. mas tem um nível de fósforo bastante alto. O lei te materno é ideal para o desenvolvimento do bebê. as fêmeas que não são lactantes têm peitos chatos. Elas contêm pequenas glândulas. Se isso parece ser uma falha evolucionária. Quando são lactantes. chamadas glândulas ou tubér ulos de Montgomery. ela começa a se alargar e escurecer. vamos dar uma olhada nos se ios de nossos parentes mais próximos. mas a forma dos seios está longe de ser perfeita para a amamentação. um maior número de mulheres estão alimentando seus filhos no seio — o que tem a vantagem extra fortalecer os laços emocionais entre a mãe e o bebê. carboidratos. Em todos os outros prima tas. cálcio. e é a função sexual que caus problema. gordu ra. Alguns bebês apresentam reações alérgicas às proteín vinas. e mesmo quando o bebê é desmamado não volta a apresentar o tom rosado virginal. ferro e vitaminas. potássio. a . Contém também nticorpos que aumentam a resistência do bebê a doenças. sódio. Na época do aleitamento. magnésio. Sabiamente. A olho nu. A secreção das glândulas d e Montgomery protege o mamilo e a pele circundante — um cuidado muito necessário à sup erfície dos seios. o que pode inte rferir na ingestão de cálcio e magnésio. Cerca de dois meses após a concepção. fósforo. convém lembrar qu e os seios femininos têm uma dupla função — parental e sexual —.

mas não explica o persistente arredondamento dos seios em outros períodos. Embora seja claro para um biólogo que essa explicação tem a ver com a sexualidade. . o intumes cimento desaparece assim que termina a lactação. julgam ofensiva a idéia de que alguns aspectos do corpo feminino possam ter evoluído até sua forma atual pa ra atrair o macho. elas insistem que os seios têm apenas a função parental e usam sua engenhosidade para encontrar explicações não-sexuais para a forma arredondada dos seios. Assim surgiram sete sugestões: O tecido gorduroso protege as glândulas mamárias. enquanto a penas uma pequena parte é de tecido glandular ligado à produção de leite A forma arredon dada dos seios. E também não explica por que as fêmeas de outras espécies primatas não precisam d essa ajuda. Um exame da anatomia dos seios revela que a maior parte de seu volume é constituída de tecido gorduroso. me smo que eles não sejam usados durante toda a vida. exige uma explicação que ultrapassa s ua função de aleitamento.região ao redor dos mamilos se intumesce um pouco devido à produção de leite. muitas mulheres recusam essa interpretação. Embora aumentem de tamanho quando es tão cheios de leite. mas rarame nte toma a forma hemisférica dos seios humanos. resultado do tecido gorduroso. Os "seios" das fêmeas primatas são unic amente parentais. Nos peitos que se aproximam da for ma humana durante o período em que contém um generoso suprimento de leite. os seios femininos continuam protuberantes durante a vida adu lta mesmo que não exerçam sua função alimentar. Ignorando o fato de que a atração física está envolvida em sua concepção. Até uma freira tem seios protuberantes. Isso pode ser verdad e durante a lactação. A espécie humana é diferente.

não é verdade. e. eéa que diminui menos quando a mulher perde peso. a gordura do seios representa apenas 4% d a gordura total do corpo. A forma arred ondada funciona como um sinal visual que informa aos homens que aquela mulher se rá uma boa fonte de alimento para a prole. isso só é necessário durante a am amentação. Mulheres de se ios pequenos podem amamentar com mais facilidade que as de seios enormes. de qualquer forma. um macio hemisfério de carne dificilmente ajudaria a tornar o mamilo mais acessível.O tecido gorduroso mantém o leite morno. . Não é verdade. o bebê tem que ser segur ado junto ao seio. O teci do gorduroso compensa a falta de uma capa maternal de pêlos à qual o bebê possa se aga rrar quando se alimenta. Como qualquer mãe sabe. Sim. Mais uma vez. Basta pensar no formato de uma mamadeira. é verdade. mas por que concentrar esse estoque no peito. Mais uma vez. já que seio s fartos fazem com que a mulher tenha mais dificuldade para correr? O corpo femi nino tem uma generosa camada de gordura na maior parte de sua superfície. A forma arredondada dos sãos os torna mais confortáveis para a alimentação do bebê Simplesmente não é verdade. O teci do gorduroso é uma importante maneira de estocar gordura para quando o alimento fo r escasso. e essa r eserva de gordura dispersa é a maneira mais eficiente de ela se proteger contra a eventualidade de uma fome. Além do mais.

mas ela não anda de quatro como as outras espécies. os mamilos são alongados. mas um si nal sexual. Quando se coloca frente a frente com um homem. de acordo com um autor. Quando todas as outras justificativas parentais falham. Não é difícil traçar a origem do par de seios como símbolo se xual. A inevitável conclusão é que a forma hemisférica dos seios não é parental. Ela caminha ereta e é vista de frente na maioria das situações sociais. As fêmeas das outras espécies primatas emitem sinais sexuais com o traseiro en quanto caminham sobre quatro patas. esta é a última saída para aqueles que se recusam a aceitar que a forma dos seios femininos é sexual. "não-funcional. Elas são capazes de enviar fortes sinais eróticos quando a mulher é vista de costas. mas o par de falsas nádegas que ela traz no peito lhe permite continuar tra nsmitindo o primitivo sinal sexual sem dar as costas ao interlocutor. Essa função se xual dos seios tornou-se tão importante que começou a Interferir na função parental prim ordial. Os sinais traseiros emitidos pela fêmea humana partem de outro par de hemisférios.A forma hemisférica dos seios é. Isso significa que teorias que consideram o interesse masculino pelo s seios femininos como "infantil" ou "regressivo" não têm fundamento. a s nádegas. Seu traseiro protuberante excita os machos. de m odo que o bebê macaco não tem . as nádegas estão fora de seu campo d e visão. Em outras espécies. a ponto de se r antifuncional". O homem que re age aos seios de uma virgem ou de uma não-lactante está respondendo a um primitivo s inal sexual da espécie humana. com a região frontal escon dida da vista. Os seios cresceram tanto em seu esforço para imitar as nádegas que ficou difíc il para um bebê abocanhar o mamilo.

o t ecido glandular aumenta mesmo na futura mamãe de seios pequenos. Mesmo à d istância. A forma dos seios muda g radualmente da puberdade à velhice. De mais perto. . depois como estímulo ao tato. os seios permitem distinguir a silhueta de uma mulher adulta da de um ho mem. Spock aconselha: "Às vezes. Em seu papel sexual. Mulheres que têm seios pequ enos costumam temer não serem capazes de amamentar. Na verdade. que dá aos seios a sensual forma arredondada. e as mães precisam t omar certas precauções que não são necessárias em outras espécies. m as que pouco tem a ver com o suprimento de leite. os seios femininos atuam primeiro visualmente. você pode precisar apertar o seio com um dedo para dar espaço para o nariz do bebê respirar". Mas o bebê humano pode s e sufocar na montanha de carne que circunda o modesto mamilo. O dr. elas podem ser mai s capazes de amamentar do que as mulheres de seios fartos.dificuldade para levar a longa teta à boca e sugar o leite. Outro livro sobre bebês comenta: "Pode surpreendê-la que o bebê pegue n a boca também o círculo amarronzado ao redor do mamilo. ele pode obstruir as narinas com o tecido do seio ou com seu próprio lábio superior". os seios são um sutil indício de idade. Só o mamilo se destaca nesse estágio pré-pubere. e essa lenta alteração no perfil dos seios pode se r resumida nas "sete idades do seio feminino: Os mamilos da infância. Tudo o que você precisa fazer é ter certeza de que ele consegue respirar. Quando a mulher engravida. Em sua ansiedade. e seus bebês terão ma is facilidade de sugar e menos probabilidade de sufocar. Cuidados como esse s não deixam dúvida sobre o duplo papel dos seios humanos. Isso ocorre porque el as possuem menos tecido gorduroso.

apesar do tamanho e do peso. ainda não começaram a cair. aumenta o tamanh o dos seios. em direção ao peito. Com a maternidade e o repentino aumento de tecido glandular. a região ao redor do mamilo começa a inchar. Nessa fase.Os botões da puberdade. mesmo tendo perdido o peso da fase de lactação. o encolhimento geral do corpo leva a um achatamento dos seios. À medida que os anos adolescentes passam. que continuam caídos sobre o peito. os seios fartos de leite começam a pender para baixo. Durante essa década. os seios caem um pouco mais sobre o peito. os seios femin inos assumem uma forma mais arredondada e. tanto o mamilo quando a aréola se projetam. A idade ideal do animal humano do ponto de vista físico é de 25 anos. Os seios fartos da maternidade. Os sei os pendulares da velhice. o corpo atinge sua melhor condição. . Os seios pontudos da adolescência. e to dos os processos de crescimento estão completos. quando a menstruação começa e os ge nitais já apresentam pêlos púbicos. Os seios caído s da meia-idade. No início da fase reprodutiva. Os seios firmes da juventude. Com a idade avançada. À medida que a fase reprodutiva se aproxima do fim. Nessa fase. A margem inferior do seio forma uma prega oculta. criando uma f orma mais cônica. mas com a pele ca da vez mais enrugada.

será possível criar seios ainda mais estimulantes que os reais. fato que tem sido explorado por artistas e fotógrafos de várias e diferentes maneiras. desde que os seios não estejam v isíveis. Os puritanos conseg uiam isso obrigando as mulheres a usar coletes apertados que achatavam os seios e davam um contorno infantil ao corpo adulto. Nesse caso. aceitando isso como sufici ente sinal de modéstia. enquanto nas mais gordas ele se acelera . é fácil criar um seio perfeito: pode inventa r a forma que quiser. a sociedade exigiu que a sexualidade feminina fosse suprimida. a maioria das s ociedades prefere cobrir os seios em vez de esmagá-los. . é porque ela devia ser de fato poderosa.Esses estágios de envelhecimento dos seios podem variar muito. Na Espanha do século XVII. Mas se a forma hemisférica for ligeiramente acentuada. a simples remoção da cobertura tem funcionado como forte estímulo erótico. o processo tende a ser mais lento. as mulheres encontraram diversas maneiras de prolongar a impressão de seios firmes e protuberantes com o intuito de estender a fase na q ual são capazes de transmitir o sinal sexual primitivo da espécie humana. Mas se a forma se afastar muito da natural. o sinal sexual fica distorcido e o impacto se perde. Os sutiãs podem dar a mesma impressão. Em mulheres mais ma gras. Felizmente. Para que a sociedade chegasse a tais extremo s para negá-la. tendo os seios achatados por placas de chumbo pressionadas contra o peito. as jovens foram vítimas do uma indignidade ainda maior. numa tentativa de impedir que a natureza seguisse o seu curso. Para um pintor. Ao longo dos anos. A cirurgia plástica pode erguer os seios e deixá-los artificialmente firmes depois da juventude. Essas cruéis imposições só serviram para reforçar o significado sex ual da forma arredondada dos seios. Às vezes.

Para captar a imagem de seios volumosos. Só existe um momento na vida da mul her em que os seios têm um máximo de protuberância com um mínimo de flacidez. pouco antes que o aumento de peso comece a fazê-los cair. as qualidade táteis dos seios entram em jogo. Curiosamente. e seus seios atingir am o tamanho máximo um pouco antes que a média das mulheres: eles exibem a perfeita forma arredondada. Essa substância parece ser um suave lubrificante para a pele da região do mamilo. Isso o excita mui to mais do que à mulher. e é" possível que um estímulo adicional esteja ocorrendo nesse momento. Essa especi al combinação oferece as imagens que fazem a fortuna das revistas masculinas. e não há razão para duvidar disso. Ela é um pouco mais jovem do que poderíamos esperar. Limitado aos seios reais. o homem acaricia oral e manualmente os seios. porque ainda não chegou aos 20 anos. fotógrafos que trabalham para revistas especializadas em fotos eróticas descobriram que só existe u m tipo de jovem com os seios perfeitos que eles buscam. sua única esperança é r a impressão de maior volume com uma iluminação especial ou colocando as modelos em p osturas adequadas. e é nesse mo mento que a câmara pode captar as imagens mais eróticas. Depois que os seios da mulher — e seus outros encantos físicos e mentais — atraíram um parceir o e o contato sexual começa. porque o aumento de tamanho que produz a forma esférica plena também acarreta um peso que começa a empurrar os seios para baixo.Para o fotógrafo a tarefa já não é tão fácil. M as o fato de as glândulas da . ele precisa ter como modelo uma jovem cujos seios tenham alcançado seu ponto máximo de desenvolvimento. Existe um conflito de fo rças. mas ainda mostram a firmeza da extrema juventude. Nas preli minares do sexo. Já mencionamos que os círculos amarronzados ao redor dos mamilos contêm glândul as que secretam uma substância oleosa durante a lactação.

À medida que a excitação cresce. Sua ocorrência é mais provável. Essa "erupção sexual" foi observada em 75% das mulheres submetidas a uma detalhada pesquisa sexual. As glândulas da aréola podem muito bem fazer parte desse sistema primitivo de s inais aromáticos sexuais. mas apareceu em 25% dos h omens que participaram da mesma investigação. Nas mulheres. ao explorar o corpo da parceira. passa tanto tempo cheirando a pele ao redor dos mamilos. originalmente. Essa turgidez tem o efeito de tornar a pele mais sen sível ao contato corpo-a-corpo do parceiro. duas importa ntes mudanças ocorrem. em ambos os sexos. enquanto nos homens ela nunca surge antes do último mo mento. durante a atividade sexua l. embora os homens não tenham consciência dos aromas eróticos que elas p roduzem.aréola serem. os seios da mulher passam por várias mudanças marcantes. As glândulas apócrinas são as responsáveis pelos odores sexuais das axilas e d os genitais. às vezes a parece um pouco antes dele. Os mamilos f icam eretos. Os seios se intumescem de sangue. glândulas apócrinas sugere que. As aréolas se intumescem e incham tanto que começam a ocultar o mamilo. no momento imediatamente anterior ao orgasmo. Embora essa erupção não seja possível sem uma forte excitação sexual. dando a falsa impressão de que uma mulher muito excitada perde a ereção do ma milo. suas secreções causam um forte impacto inconsciente que aumenta a excitação sex ual. Ocorre também uma erupção da pele semelhante à rubéola na superfície dos seios e em ro do o peito. o contrário não dade. essa região dos seios talvez seja capaz de transmitir sinais odoríferos ao nariz do homem. e seu ta manho aumenta cerca de 25%. e podem explicar por que o homem. chegando a crescer 1 cm. É bem menos comum em homens. Com a aproximação do orgasmo. Muitas pessoas de ambos os sexos nunca exibiram essa erupção apesar de uma vid a de intensa atividade sexual e . porém. e.

uma observação mais detalhada revela que a famosa estátua da Vênus de Milo. Alguns meses depois. O caso mais extraordinário é o de uma francesa apresenta da à Academia Francesa de Medicina cm 1886 por um professor. com os quais amamentavam toda a ninhada. outras. a erupção pode se estender além do peito. Esses seios extras são vestígios de nossa ancestralidade: como a maioria dos outros mamíferos. nossas remotas ancestrais po ssuíam vários pares de seios. No frio. cobrindo da testa às coxas. pequenos botões sem mamilos. um acadêmico rival foi capaz de apresentar uma mulhe r polonesa que tinha dez seios funcionais. Quando está mu ito quente. e os seios adic ionais geralmente não são funcionais. tinha vários seios e por isso foi chamada de Júlia Mamaea. Um fator que favorece a erupção é um c lima quente. Esse fato costuma passar despercebido porque o terceiro seio não tem mamilo e não passa de uma pequena protuberância . ocasionalmente dois. mãe do imperador romano Alexandre. Esse fenômeno e chamado de polimastia. Quando as nin hadas humanas se reduziram a um filho. U m dos fatos que temos como certo é que as fêmeas humanas possuem apenas dois seios. Não há nada de sinistro nisso. os número de mamilos d iminuiu. Não se sabe a razão dessa diferença. Uma em cada duzentas mulheres possui mais que dois. exibe três seios. Às vezes.orgasmos plenos. porém. mas nem sempre isso é verdade. Júlia. nada mais são do que mamilos adicionais. Surpree ndentemente. Ela tinha nada menos que cinco pares de seios plenamente lactantes. que está exposta no Louvre. Muitas mulheres famosas tinham mais de dois seios. Muito raramente se vê uma mulher com mais de d ois seios produzindo leite. indivíduos que costumam apresentar a erupção não a têm. em uma das m ais estranhas disputas médicas.

depois de algum tempo. A figura polimástica mais famosa da historia é Diana — ou Ártemis — de Éfe so. Sua grande escultura mostra várias fileiras de seios. Houve um tempo em que se acreditava que as bruxas tinham mamilos extras com os quais alimentavam seus seguidores. e depois cerimoniosamente pendu rados no peito da sagrada estátua. A estátua original era de madeira. o peito de Diana seria um lugar muito menos aconchegante do que há tanto tempo se supõe. Ana Bolena. tinham que se castrar e enterrar os testículos perto do altar. uma mancha um pouco maior ou m esmo um clitóris ligeiramente mais volumoso podia ser suficiente para levar a mulh er à morte da fogueira. F oram encontradas inscrições que revelam que. porém. fazendo surgir uma interpretação inteiramente nov a. testículos de tour o substituíram os testículos dos sacerdotes nas cerimônias de castração. próxima à axila. Os caçadores de bruxas cristãos examinavam as mais recônditas fendas de uma su speita em busca de um mamilo oculto. também tinha um terceiro seio — um fato fielmente registrado em livros sobre anormalidades médicas. Para resumir o caso. Dizia-se que a infeliz esposa de Hen rique VIII. o suposto terceiro seio b em podia ser uma mácula de "bruxaria". Os rumores sobre o terceiro seio de Ana Bolena podem ter s ido propositalmente espalhados depois de sua morte para justificar que ela era má e merecia morrer. Nesse caso. Mulheres suspeitas de bruxaria eram às vezes examinadas em busca de sinais de seus métodos ma lignos. com a penca . mas foram feit as cópias em pedra. Parece que os sacerdotes da deusa deviam ser eunuco s: para servi-la.situada acima do seio direito. Serão mesmo seios? Um olhar mais atento revela que nenhum desses seios tem mamilo ou aréola. o culto dessa deusa da Ana tólia foi estudado com mais cuidado. Seus imensos testíc ulos eram extraídos e preservados em óleos aromáticos. Recentemente. Uma verruga. Algumas versões da estátua c hegam a mostrar mais de vinte.

segundo antigos esc ritores. todas as obras de arte representam essas guerreiras com dois seios. um d os quais declarou que a nova moda de "inserir piercings nos mamilos.de testículos colocada em seu devido lugar. A razão pela qual o peito da deusa é coberto de testículos era a crença de que os milhões de espermatozóides neles c ontidos seriam capazes de fertilizá-la. Um mito inteiramente diferente envolve a antiga nação de mulheres guerreiras conhecida s como amazonas. O uso de pierci ngs faz parte da síndrome de aprisionamento do mundo das práticas sexuais exóticas. Não se sabe se elas existiram realmente. Apesar da lenda. pelo motivo óbvio de que ela prejudica a amamentação. um tema que seria repetido em relação ao nascimento de Cristo. assim como o uso de correntes e jóias". usassem um colete de couro que achatasse o seio direito. Se as amazonas existiram mesmo. São casos raros. a mutilação do seio é extremamente rara. Na s sociedades tribais. que significa a (sem) e mazós (seios). é mais provável que. para to rnar mais fácil o uso do arco. Conta-se que. existiu uma comunidade feminina muito temida pela forma como suas guerr eiras atacavam as povoações vizinhas munidas de arco e flecha. Foram cópias imprecisas da estátua que der am origem ao erro de que a Grande Mãe possuía muitos seios. poderia facilmente estimular um a legislação que proibisse o costume africano de circuncisão feminina. no umbigo e nos lábios. Isso permitia que ela se tornasse mãe sem pe rder a virgindade. o seio direito de todas as jovens púberes era queimad o. mas. mas suficientemente disseminados para alarmar os sociólogos. . para a batalha. Curiosamente. em anos recentes as mulheres ocidentais começaram a mutilar os seios com propósitos eróticos e decorativos . A palavra "amazona" vem do gre go amazôn.

Entre as deliberadas ações destinadas a chamar a atenção para os seios femininos estão as posturas que projetam os seios para a frente e movimentos de da nça que sacodem ou enfatizam a sua forma. A mais extrema delas foi uma dança pratica da nos antigos espetáculos de burlesco em que as dançarinas giravam ambos os seios n a mesma direção e depois na direção oposta. travaram-se batalhas entre constrangidos policiais e mulheres seminuas. Há 3 mil ano s. na companhia d a criada. oo Egito. era famosa por seus mamilos pintados de vermelho. naturalmente. "Fazer topless" é um ato provocativ o que sempre atraiu muita atenção masculina. como co mentou o satirista Juvenal: "Todas as noites ela se encapuzava e. Isso ocorre nas sociedades urbanas de todo o mundo.Menos danosas eram as decorações eróticas dos mamilos de tempos primitivos. onde m uitas jovens. sua exposição em lugares onde eles deveriam estar cobertos. as mulheres das castas superiores cobriam os seios com pinturas em ouro. A forma mais simples de exploração sexual dos se ios é. decididas a obter um bronzeado mais uniforme. as mulheres preferiam pintar os mamilos de verm elho para apimentar os encontros eróticos. Às vezes.. A ninfomaníaca imperatriz Messalina. como acontecia nas praias do sul da França nos anos 1960. os homens em questão eram policia is uniformizados. os chamados monoquínis. e o topless acabou sendo permitido. o deixava para representar sua desavergonhada mascarada. espo sa do imperador Cláudio. . resolveram ir à praia num traje de banho que tinha apenas a parte de baixo do maiô e suspensórios que pass avam pelos bicos dos seios. mas em pouco tempo as autorid ades perderam a guerra.. Na Roma de 2 mil anos atrás. No início.] Desnuda va os mamilos pintados e abria aquelas coxas que assistiram ao nascimento do nob re Britannicus". [.

Exigindo igualdade sexual. alguns homens se recusavam a usar colarinho e gravata nos restaurantes de al to padrão porque as mulheres não eram obrigadas a isso. lançando a primeira performance topless. Outras casas noturnas logo seguiram o exemplo. quando e onde ele podia ser usado. Só na década de 1970 a resistência ao topless começou a decair. um ato tão natural e assexuado como a amamentação às vezes cria um escândalo em a mbientes urbanos. Seu crime foi classificado como "atentado ao pudor". As objeções a essas prisões aumentaram nos anos seguintes. grupos de mulheres expunham deliberadamente os seios em locais públicos. que podiam tirar a camisa sem problemas. foram estabelecidos limites sobre como. prendendo as dançarinas topless por "conduta indecor osa".) Essa extrema reivindicação de i gualdade sexual não era exatamente o que os reformadores sociais tinham em mente q uando tentaram abolir as desigualdades de gênero. um desses trajes foi usado por uma dançarina de cabaré em seu número de dança. observou-se uma outra forma de exposição pública dos seios. Em 1969. Mesmo então. (Por outro la do. e a polícia percorria os cabarés. Em 1975. três mulheres americanas foram presas por amamentar seu s bebês num parque de Miami. c hoje amamentar em público é l egalmente permitido em quase toda a América do Norte. alguns restauran tes de Nova York lançaram garçonetes topless. Na década de 1980. Em 1966. Elas eram então libertadas e voltavam ao trabalho. insistindo em serem tratadas como os homens. mas em poucos dias a Prefeitura da cid ade as colocou fora da lei. Nos Estados Unidos. . mas no ano seguinte a oposição religiosa cresceu.O primeiro maiô topless foi introduzido pelo controverso estilista austríaco Rudi Ge rnreich em 1964. Ronald Reagan tomou uma atitude semelhante na Califórnia. Curio samente.

Uma breve referência se faz necessária para esclarecer o mal-entendido sobre antigas imagens da Deusa Mãe representadas apertando os seios com as mãos. . parte de seu misterioso poder de sedução se perd eu. seios nus já eram exibidos em jornais. mais tarde. ou uma multa de 2. que as prostitutas foram obrigadas a exibir totalmente os seios para provar a que sexo pertenciam.800 euros. As práticas homossexuais eram tão comuns na época que algumas mulheres se traves tiam com a intenção de atrair os homens que buscavam parceiros masculinos. havia uma ponte onde elas se punham d e pé. eles er am literalmente esfregados no nariz dos clientes. Quando saíam de casa. A ponte ficou tão famosa que ganhou o nome de Fonte delle Tette. também na televisão. Recentemente. Antes de abandonar o tema da exposição dos seios femininos. desnudando o corpo da cintura para cima. Convém enfatizar que essa atitude mais permissiva em relação ao topless se restrin ge ao mundo ocidental. filmes e.Quando o século XX se aproximava do final. Mesmo no século XXI. Nos shows de strip-tease. uma adolescente inglesa f oi condenada a oito meses de prisão. o que prova que o tabu sobrevive. Ela foi acusada de "desrespeitar os valore s morais locais". embora os seios nus ainda causem um certo impacto. mulheres ocidentais em férias se viram e m apuros por ignorar esse fato. Isso ofen deu de tal forma as autoridades que tentavam abolir a sodomia (punida com a mort e). por expor os sei os numa boate na ilha grega de Rodes. Com tudo isso. em 2003. re vistas. Diz respeito à aprovaçã e uma lei que determinava que os seios fossem exibidos em público — o extremo oposto de todas as outras medidas legais sobre o assunto. Essa lei foi aprovada em Ven eza no século XV e aplicada às prostitutas que se punham à janela tentando atrair clie ntes. um fato extraordinário merece menção.

Mais tarde. eram imagens de luto. se elas estivess em amamentando. as mulheres lactantes reagiam de maneira semelhante a um súb ito choque. o sutiã. exigiram também roupas que permitissem maior liberdade de movime ntos. um jato de leite jorrava dos seios. Entretanto. Durante séculos. quando se vestia para ir a uma festa e descobriu que o espartilho era incompatível com o decote de seu belo vestido de n oite. e outra inferi or. quando o su focante corpete foi separado em duas partes: uma superior. elas usaram espartilhos apertados para re alçá-los. A idéia lhe teria surgido no ano anterior. Num rasgo de . também rest ringiam os movimentos. as mulheres realizavam um ritual de luto que incluía bater no peito e apertar os seios. Hoje sabemos que não era isso. agarrando os seios e fazendo-os jorrar leite. Finalmente. surpresos. que em certa s sociedades tribais. Antropólogos descobriram. embora esses corpetes melhorassem a forma dos seios. Ho je. Um dos primeiros passos nessa direção foi dado no início do século XX. Quando as mulheres começaram a reivindicar um papel mais at ivo na sociedade. Há divergênc ias entre os historiadores da moda sobre quem inventou o sutiã. geralmente encontradas em túmulos. resta uma inevitável questão: o que as mulheres fazem em relação aos seios para passar uma imagem mais jovem e mais sexy.Acreditava-se que elas estariam chamando a atenção para os seios. Um efeito colateral disso era que. Mary Phelps Jacob (uma mulher da sociedade nova-iorquina conhecida profissionalmente como Caresse Crosby) insistia que foi ela a autora da invenção. a cinta. Em tempos primitivos. a cinta também desapareceu. Essas figuras. da qual obteve a patente em 1914. mas o sutiã veio para ficar. o sutiã e as calcinhas são as peças favoritas da roupa de baixo feminina. É possível que esse ato tenha si do incorporado a certos rituais.

. evitando que eles balançassem nos movimentos rápidos do corpo. A estilista ing lesa Lucile (Lady Duff-Gordon). Quando algumas feministas queimaram sutiãs no fim da década de 1960. E receberam estímulo de uma fonte improvável. uniu as duas peças no que se ria o primeiro sutiã. porque. A verdade é que todos eles participaram de uma tendência geral que assistiu à liber tação gradual do corpo feminino das antigas limitações.criatividade. a indústria de guerra. proclamei a queda do espartilh o e a adoção da brassière. O novo sutiã tinha duas funções ba stante distintas. Na verdade.] Libertei o busto". protestav am contra essa segunda função. porque supo rtes para os seios já tinham aparecido na França desde o final do século XIX. " o suficiente para construir dois navios de guerra". alarmada com a quantidade de metal que estava sendo desperdiçada na fabricação de espartilhos. ela estava apenas reinventando a peça. inici ou uma campanha para abolir o seu uso e. E ele não foi o único. no . dessa forma. usando dois guardanapos e alguns cordões. Essa afirmação causa estranheza. foi divulgado que 28 mil toneladas de metal haviam sido economizadas. e também os fazia parecer mais firmes e redondos. Durante a Primeira Guerra Mundial. Mai s tarde. Algumas historiadoras do feminismo alegam que a queim a de sutiãs nada mais foi do que um golpe de publicidade dos antifeministas para r idicularizar o movimento. e desde 1907 eram chamados de "brassière".. que introduziu o termo "chic" no mundo da moda. [. embora a queima t enha sido exagerada pela imprensa. "inventou a brassière em oposição ao odioso espartilho ". estimulou a adoção do sutiã. e portanto mais sexy. em 1911. alega que foi ela que. Protegia os seios. O costureiro francês Paul Pioret reivindica a hon ra de ter inventado o sutiã: "Em nome da Liberdade.

ele queria que ela exibisse seios de forte apelo erótico sem recorrer ao topless. contratou os serviços de um engenheiro especia lizado no projeto de pontes. Nessa época. a queima de sutiãs foi rapidamente esquecida. O resultado foi tão impressionante que provocou sérias te ntativas de proibir o filme por obscenidade. num show de Madonna. Para um determinado papel num filme. (Essa é a história que vem sendo repeti da. mas recentemente uma idosa Jane Russell declarou que. ainda mais aumentado com o uso de enchimentos. Essa fase não durou mu ito. com isso. Como o uso d o sutiã era parte desse embelezamento. que desafiava a nature za e a gravidade".final dos anos 1960 e início da década de 1970 houve de fato um movimento contra o u so do sutiã. nunca usou o famoso sutiã. sem embelezamentos. havia o sentimento de que os homens deviam aceitar as mulheres como eram. quando as feministas luta vam para que as mulheres fossem tratadas como iguais. o uso de bat om e outras formas de feminilidade explícita. lado a lado com a revolta contra o excesso de maquiagem. Segundo uma lenda de Hollywood. o design do sutiã sempre buscou criar uma forma hemisférica. Para obter esse efeito. porque o desconforto de dispensar o sutiã foi inaceitável para a maioria das mu lheres. mas houve um curioso período na década de 1950 em que os estilistas substituíram a forma arredonda por um b usto pontiagudo. obtido com "um bojo na forma de torpedo. tinha que ser abolido. um dos sutiãs mais sofisticados foi criado pelo bilionário Howard Hughes para a atriz Jane Russell. e. na verdade. Mas esses seio s agressivamente pontiagudos logo deram lugar ao suave arredondado dos seios dos anos 1960 e nunca mais reapareceram no guarda-roupa comum.) . que inventou um protótipo de sutiã que erguia e ao mesm o tempo separava os seios. Só voltaríamos a vê-los de novo em 1994. onde ressurgiram como um par de ogivas de fo guete. Em sua função erótica .

A cirurgia se tornou cada vez mais popular nas décadas de 1970 e 1980. Calcula-se que. Por isso. os homens estejam começando a escolher suas parceiras mais pela personalidade do que pelo tamanho do busto. com mais de 100 mil cirurgias por ano. mas parece estar havendo uma volta aos seios naturais. Isso alarmou alguns cirurgiões plásticos que enriqueceram como criadores de super seios. E aí entra em cena o cirurgião plástico. É um número assustador para qualquer tipo de cirurgia plástica. ainda que eles sej am menores. o que revela a força dos seios como símbolo sexual. O primeiro implante de uma prótese de sili cone foi realizada por um cirurgião plástico do Texas em 1963. . Às vezes. Adquiridos para c onseguir um marido de alta condição social. os seios obtidos por cirurgia nun ca são totalmente convincentes ao olhar ou ao tato. neste período pós-feminista. Espera-se que. são perfeitos demais e não possuem o movimento e a suavidade que deveriam ter. Infelizmente. mas. eles se tornam desnecessários quando a mul her se acomoda na vida de casada. Algumas mulheres admitem que estão remove ndo seus implantes simplesmente porque eles já cumpriram sua função. ma s infelizmente nem sempre isso acontece. quando a mulher tira a roupa. n o ano de 2002. o século XXI está ass istindo ao início de uma tendência contrária. Em 2001. um recurso mais drástico pode ser necessário. até que na década de 1990 houve um b oom desse procedimento. A colocação de implantes para fazer os seios permanecerem redondos e firmes começou nos anos 1960.Tanto os antigos espartilhos quanto os modernos sutiãs podem realçar os seios. mais de 1 milhão de americanas tiveram os seios aumentados pela cir urgia. nada menos que 4 mil mulheres a mericanas se submeteram a uma nova cirurgia para remover os implantes de silicon e.

.] Senti que meu QI saltou vinte pontos". depois de seu cão malch eiroso.. . foi do maldito busto.Algumas mulheres lamentam ter se submetido a esse tipo de cirurgia para agradar a um marido potencial. Uma advogada resumiu o motivo da "reversão" cirúrgica dizendo que. depois do divórcio "a primeira coisa de que me livrei. [.

Uma jovem eleita num concurso de beleza costuma ter uma figura perfeitamente eq uilibrada. têm em média 61 cm de cintura.15. Livre do aperto das cintas e dos espartilhos. Uma modelo preferida pelos estilistas atuais provavelme nte medirá 76-61-84 cm. gorduchos ou magrelas. É a proporção entre essas três medidas que gera o contorno típico do corpo feminino. Naturalmente. uma diferença que se mantém apesar das diversidades culturais. Essa cintura fina parece ainda mais delgada pelo volume dos seios e dos quadris. de cerca de 74 cm. esses números precisam ter uma relação harmoniosa com as medidas de busto e de qua dril. Geralmente. Para uma mulher adulta. Cintura Um dos sinais mais claros que identificam o corpo feminino é a forma de ampulheta de seu tronco. a cintura feminina é mais fina que a masculina. a proporção é d e 7:10. para que o corpo feminino revele um belo contor no. como as modelos e misses. Homens e mulheres. Se uma determinada sociedade acha uma figura mais volum osa atraente e outra prefere figuras mais delgadas. a típica rainha de beleza mede 91-61-91 cm. a cintura das mulheres de hoje tem em média 71cm. mesmo sem esse contraste. Os resultados são interessantes. continuam apresentan do uma acentuada diferença no tamanho da cintura. Essa . enquanto as atletas de esportes que exigem força muscular apresentam uma cintura um pouco mais larga. enquanto para o homem adulto é de 9:10. mas. com medidas idênticas de busto e quadril. Jovens de corpo de lgado. A maneira mais comum de expressar a curva da cintura é medi-la em pro porção aos quadris. isso não afeta a proporção entre c intura e quadris.

e os homens que passavam por ali eram solicitados a dizer de qual delas eles mais gostavam. e n a Suécia e na França. A típica mulher inglesa tem um pr oblema um pouco diferente. sendo 5 cm mais largo que o busto. As medidas de uma típica pin-up são 94-61-89. mas a verdade é que elas continuam a desempenhar um pape l fundamental nas relações humanas.modelo pode ter um rosto belíssimo e saber vestir uma roupa. Os organizadores dos concursos de beleza não ousam mencioná-las na nos sa sociedade pós-feminista. várias silhuetas femininas de proporções variadas e em tamanho natural foram expostas em fila num shopping cent er. O veredicto desses homens selecionados aleatoriamente reforça a opinião de que a imagem da mulher curvilínea de cintura fina está demasiadamente arra igada na psique masculina para ser varrida por uma postura cultural moderna. Seu quadril. houve exageros. Seus seios são do mesmo tamanho que os das européias. de 8 cm. Em lugar do excesso de q uadris. Geralmente . Com o aconteceu com outras partes do corpo feminino. A grande maioria escolheu a figura curvilínea de cintura fina e pr oporções equilibradas. Na Alemanha e na Suíça. mas parecem maiores porque a cintura e os quadris são menores. apresenta o que chamamos de "2 polegadas a mais". se uma cintura fina era . mas isso é só uma ilusão criada pelo tamanho da cintura e dos quadris. Es sa diferença é ainda maior em outros países europeus. já que suas medidas são 94-71-99 cm. são consideradas "peitudas". é de 6 cm. são 2 polegadas a mais no busto. mas não terá o contorno d e ampulheta que atrai o olho primitivo do macho. A situação se inverte nas garotas que ilustram as revista s americanas. Numa recente pesquisa. Acreditava-se q ue. Pode-se argumentar que "estatísticas" como essas são desatualizadas e irrelevantes.

mesmo que de uma maneira simbólica. Voltando ao século XVII. Calcula-se que. Essa condição exerce tal atração sobre o macho reprodutor da espécie que muitas mulheres. então uma cintura finíssima devia ser superfeminina. Os argumentos não são nada simples. A razão para a cintura fina despertar tan to interesse é simples e biológica. a cintura nunca mais vai ser tão fina como era. com um regime alimentar rigoroso. Por isso. a cintura da mulher aumente de 15 a 20 cm em média. dando margem a acaloradas discussões . Entre os que se o punham radicalmente ao culto da cintura fina obtida por esses acessórios havia rel igiosos e liberados. Defendiam vigorosamente a teoria de que qualquer tentativa de mudar a obra da natureza no corpo feminino era uma ofensa a Deus. Para conseguir isso.feminina. como ocorre em relação a tantos aspectos da moda feminina. Des crevia um espartilho como "uma moda perniciosa inimaginável" e lançava ameaças às mulher es que "se apertavam para . recuperar o corpo esbelto que tinha antes da gravidez. a ci ntura sempre se alarga um pouco. foram os puritanos os primeiros a at acar. há séculos a mulher espreme a cintura com cintas apertadas e espartilhos. Depois que a mulher tem seu primeiro parto. e no passado muitas j ovens sofreram para conseguir essa condição. a cinturinha fin a tem sido há séculos símbolo de virgindade — de uma mulher que já está preparada para o sex o mas ainda não o experimentou. anseiam recuperá-la. Isso acontece devido às irreversíveis mudanças que ocor rem na região abdominal quando ela se torna mãe. depois de vários part os. John Bulwer vocif erava contra "os perigosos modismos e desesperados artifícios em relação à cintura". Não se trata de um debate entre puritanos e hedo nistas. Em 1654. Mesmo que ela consiga. mesmo aquelas que já não a possuem.

de modo a provocar dor quando o espartilho era removido. além de causar dores de cabeça. apesar das histórias de horror. mau funcionamento do fígad o. dificuldades respiratórias e problemas circulatórios. O subtítulo de um livro sobre os perigos de apertar a cintur a. Mas um espartilho não muito apertado. se gundo ele. referia-se "aos males infligidos à mente e ao corpo quando se comprimem os órgãos. câncer. O uso prolong ado também podia enfraquecer os músculos das costas. elas estariam "abrindo a porta para a tuberculose e para uma putrefata decadência". Essa idéia foi repetida inúmeras veze s nos anos seguintes. Outros críticos menos extremados também revelaram seu temor de complicações médicas provocadas pelo aperto dos espartilhos. podiam ser causadas pelo uso de corpetes apertados. porque a maioria das jovens que usavam espar tilhos eram suficientemente sensatas para não apertá-los demais ou usá-los por longos períodos de tempo. desmaios. insuficiência renal. Fowler prometia a insanidade e a degeneração. retardando e enfraquecen do dessa forma as funções vitais". . Era óbvio que o espartilho muito apertado podia prejudicar a resp iração e a circulação. Alguns chegavam a p onto de incluir deformidades ósseas. aborto. epi lepsia e esterilidade. Entre as do enças relacionadas escavam dores de cabeça. Um autor vitoriano listou nada menos que 97 doenças que. Se ignorassem seus conselhos. e não se contentavam enquanto não pudessem rodeá-la [com a s próprias mãos]". Todas essas adver tências em relação à saúde eram desnecessárias. desmaios e falta de ar. e era isso que a maioria das jovens fazia. publicado em 1846 pelo escritor americano Orson Fowler. No lugar da putrefata decadência de Bulwer.conseguir uma cintura fina. usado apenas em oc asiões especiais. podia criar a cintura fina desejada sem causar doenças. malformações fetais. hérnia.

não podia tolerar nenhum a roupa apertada.Um ataque completamente diferente veio das liberadas dos tempos modernos. Primeiro. alegavam que o uso de um espartilho apertado mostrava discip lina e representava simbolicamente uma louvável contenção. diziam qu e o espartilho era sinal de respeitabilidade e altos princípios morais. Em sua busca de admiração masculina . Se queria ter uma cinturinha fina. Portanto. A limitação física não era apenas prejudicial ao corpo. qualquer t entativa de exagerar sua silhueta feminina era proibida. Ele seria uma armadura contra a . Essas eram as vozes que se erguiam contra o desejo de melhorar o natural contorno curvilíneo do corpo fem inino. Se a mulher moderna queria ondular o corpo de maneira provocante numa pista de danças. porque aju dava a tornar a mulher inacessível. o objetivo era desviar a atenção masculina do corpo e dirigi-la para as qualidades do cérebro. O espartilho apertado seria um instrumento de tortura imposto às mulheres submissas como parte da opressão masculina. e não seu potencial reprodutivo. Para e las. mas po r uma razão diferente. Se queria ter igualdade sexual durante as preliminares. Para impressionar o parceiro. a idéia de usar qualquer roupa apertada era um insulto a liberdade feminina. Em segundo lugar. em vez de recorrer à solução pass iva de se prender dentro de um corpete apertado. tinha que ser tão flexível e solta quando seu parceiro. Para ela. A feminista inteligente também queria liberdade para o corpo. mas também símbolo de uma prisão ment l em relação ao macho. tinha que substituir a disciplina inativa da roupa pela disciplina ativa da at ividade física. Contra elas. ela usaria sua capacidade intelectual. alinhavam-se os defensores do espartilho e seus vários pontos de vista. tinha que consegui-la correndo ou fazendo exercícios.

. mas o corpete a pertado por um complexo entrelaçamento de cordões deixava o corpo desnudo muito mais distante. sua ausência pode construir a imagem de uma mulher natural e libera da ou de uma libertina. O corpo enjaulado restr ingia sua capacidade de fugir a alta velocidade. Para alguns homens. A cintura fina podia excitar os olhos dos homens. diremos que tanto os puritanos quanto os libertinos tomam partido pró e contra os espartilhos.atenção masculina. o espartilho também era importante para exibir um a postura aristocrática. O que a ajudava a manter o tronco ereto era uma barbatana enfiada verticalmente na parte da frente do espartilho. que inconscientemente vivia a fantasia de que seria fácil capturá-la se decid isse persegui-la. mas também no conhecimento tácito de que a mulher admirada estava s ofrendo uma tortura física para agradar a seu admirador. Nos primeiros tempos. Por isso. a mulher também dava a impressão de estar vulnerável (a pesar da barbatana) como um animal preso numa armadilha. A atração do corpete não estava apenas na silhueta que ele criava. esse aprisionamento dentro do espartilho f uncionava como um apelo fetichista. Era inevitável que isso atraísse o macho. (Dizia-se que ela servia também como arma com a qual a mulher podi a se defender de algum admirador que perdesse o controle e tentasse soltar os co rdões. Para resumir. A presença do corpete pode ser vista como uma prisão ou como um estímulo à sensualidade. é fácil entender po r que os corpetes se tornaram um elemento da encenação sadomasoquista. A mulher apertada dentro de um corpete era obrigada a ado tar uma postura ereta que lhe dava um ar de graciosa altivez.) Dentro de um espartilho.

É verdade que as coisas pio raram um pouco no século XIX. a preocupação com as medidas era generalizada. uma nova pesquisa confirmou esse fato. Caricaturas dos séculos XVIII e XIX mostram mulheres s endo brutalmente apertadas dentro de um espartilho até a cintura desaparecer.Tal é o interesse na espessura reduzida da cintura feminina que dois mitos surgira m nos tempos modernos. porém. que permitiam uma am arração mais firme. Mesmo no século XX. Isso não significa que cinturas diminutas não tenham existido. Rece ntemente. antigamente. em conseqüência do uso de corpet es apertados. quando um detalhado estudo sobre a indumentária de séculos anteriores descobriu que a menor medida de cintura encontrada numa imensa coleção de roupas era de 61 cm. uma jovem atraente era aquela cuja cintura medisse em p olegadas o número exato de sua idade. A menor medida de cin tura encontrada no vestuário do século XVIII foi de 61 cm. Na época vitoriana. mas que. E um velho provérbio dizia que a mulher ideal era aquela cuja cintura fosse "tão fina que o sol não pudesse captar s ua sombra". Em 2001. eram casos isolados. no auge da moda dos espartilhos com ilhoses. Acreditava-se que cinturas que mediam entre 38 a 41 cm eram comuns e podiam ser alcançadas se a mulher começasse a usar espartilhos apertados desde muit o cedo. Na época v itoriana. mas ainda assim a menor medida registrada foi de 46 cm. O primeiro golpe foi dado em 1949. graças à invenção dos ilhoses de metal. Um provérbio espanhol recomendava que a mulher tivesse uma cintura tão fina quanto a de um galgo. por v olta do fim do século XIX. exemplos extremos foram registrados: o Guinnes Book of Records menciona uma . cuidadosas pesquisas desmentiram essa crença. as medidas variavam de 46 a 76 cm. antes da puberdade. O primeiro é que. se elas existiram.

Livros de história da moda afirmaram categoricamente que. e afirmações em contrário constituem um dos maiores mitos da história da moda. em A mulher eunuco) aceitamos e repetimos essa declaração.. quando tinha 24 anos . mas não devem ir longe demais para consegui -la. no fim do século XIX. o que pr ova que. Muitos autores posteriores (inclusive eu. As mulheres podem desejar uma cintura mais fina devido ao s sinais primitivos que ela transmite. Mas a grande maioria da s mulheres nunca chegou a esses extremos. as mulheres vitorianas chegavam a se sujeitar a perigosas operações para remoção de c ostelas. . O segundo mito é que. As poucas mulheres que foram longe demais em séculos passados têm su as equivalentes modernas nas fanáticas por regime de hoje. no fim do século XIX. a surpreendentes 33 cm em 1939. ela viveu mais 43 anos. algumas mulheres estavam obtendo a perfeita figura de ampulheta depois de t erem as costelas inferiores removidas cirurgicamente. em O macaco nu. e não representa va uma tendência social. o brutal aperto não causou nenhum dano aos órgãos int ernos. na busca da cintura perfeit a.". e Germaine Greer. P arece que nos enganamos. pelo menos no seu caso. Ela afirma que não há menção à remoção de costelas em nen a história da cirurgia plástica e que. "Não há nenhuma evidência de q ue essa prática tenha existido. do New York Fashion Instituto. mas incluíam algumas fotos para ilustrar as cinturas assustadoramente finas obt idas por esse meio. caso contrário isso pode se transformar numa obsessão capaz de transtornar o eq uilíbrio da vida.inglesa que conseguiu reduzir sua cintura de 56 cm em 1929. chegou a uma clara conclusão. Vale ressaltar que essa mulher foi uma excêntrica exceção à regra. Uma detalhada pesquisa realizada por Valerie Steel.. Os autores não davam detalhe s. Depois disso. usando-a como exemplo dos exageros a que as mulheres chegavam para melhorar a natureza.

São citados também os nomes de vários cirurgiões plásticos . No mínimo sete famosas atrizes têm sido mencion adas entre as que teriam sacrificado as costelas inferiores na ânsia de ter um cor po mais bonito. mas há evidências d e que ela pode ter sido feita em alguns poucos casos raros. agora que temos uma tecnologia cirúrgic a avançada. resta uma dúvida: será que alguma cirurgia d esse tipo chegou a ser realizada? Não se pode afirmar com certeza. Mas segue-se uma advertência: "Não é aconselhável".essa seria uma operação muito arriscada. a necessidade de acreditar na cirurgia de remoção de costelas é tão grande que fez nasce r uma nova lenda. A técnica médica da época não estava suficientement e desenvolvida para que o cirurgião corresse esse risco. submeten do-se a um exame medico e processando uma famosa revista francesa por repetir a história. Há anos correm boatos de que famosas estrelas de Hollywood se su bmeteram recentemente à operação. Apesar disso. parece provável que as imagens tenham sido retocadas para fazer a cintura parecer menor. No caso da cantora Cher. Embora hoje esteja claro que nem as damas vitorianas nem as atrizes atua is se submeteram a essa medida extrema. Afirma-se que. a operação tem sido realizada. os rumo res foram tão persistentes que ela foi obrigada a publicar um desmentido. Numa descrição de proced imentos cirúrgicos oferecidos a transexuais que desejam parecer mais femininos pod e-se ler o seguinte: "A remoção das costelas é ocasionalmente realizada para obter uma curva da cintura mais pronunciada". porém. Olhando de novo as fotos das mulheres que supostamente teriam removido as costelas. A verdade é que não há evidências de que esses difíceis procedimentos cirúrg icos tenham se realizado. e a maioria das estrelas que são vítimas dos boatos simple smente os ignoram por considerá-los ridículos.

500. . assim como o preço de US$ 4. que foi um sucesso. levando-a a aparecer na telev isão da Alemanha. espartilhos e uma operação de remoção de costelas. A remoção rotineira de costelas parece não ser senão um mito surgido de repetidas fofocas. da Austrália e da América para exibir sua extraordinária figura. mas a tenacidade de uma fantasia masculina. uma jovem alega ter reduzido as medidas da cintura de 51 para 36 cm com cintas. A imagem de uma cintura fi na parece estar indelevelmente impressa no cérebro do macho humano. Afirm ações de que "cirurgias de costelas eram relativamente comuns nos anos 1950" e outra s semelhantes continuam sem fundamento. mas com certeza esse seria um caso isolado. Em Hamburgo. Conta que esteve hospitalizada duran te três dias depois da cirurgia. Suas declarações podem ser verdadeiras.preparados para realizar a cirurgia. Essa persistência reflete não uma verdade cirúrgica.

Independentemente de a cintura ser estreita ou não. Como a bacia da mulher é mais larga que a do homem. O século XVIII assisti u ao aparecimento das "anquinhas". Até que ponto as fanáticas foram capazes de chegar é inacreditável.16. Hoje. a maioria das mulheres está satisfeita com o tamanho natural dos seus quadris. Quadris Os amplos quadris da fêmea humana constituem um dos principais símbolos da silhueta feminina. uma armação de arame usada sob a saia para criar a impressão de ancas largas. uma bacia larga emit e a mensagem primitiva de que a mulher é capaz de gerar descendência. No século XVI. . Para ser preciso. Essa diferença biológica levou a muitos exageros. a largura dos quadr is é um dos principais sinais de diferenciação entre os sexos. enquanto a masculina só chega a 36 cm. mas no passado muitas vezes se tornaram esc ravas do desejo de possuir um quadril avantajado e vítimas da tecnologia capaz de produzi-lo. Só quando entra numa fase em que prefere a juvenilidade à fecundidade uma sociedade abandona o int eresse pelos quadris largos e passa a valorizar uma aparência mais delgada e mais masculina. Deixavam as saias tão amplas que a mulher era obrigada a passar pelas portas de lado. mas acabavam deixando os vestidos tão pesados que as damas da época eram incapazes de qualquer atividade mais vigorosa. a pel ve feminina mede em média 39 cm. os ateliês europeus vendiam desajeitadas "almofadas" que pareciam pneus de au tomóveis. Esses travesseiros eram amarrados por baixo das amplas saias para dobrar o tamanho dos quadris.

O ami é um movimento de rotação. Dos gestos que envolvem a pelve. o mais importante talvez seja a pos tura de mãos nos quadris. Quando a pessoa apóia as mãos nos quadris proj etados para a frente. não surpreende que quase todos os mov imentos dos quadris tenham uma marca feminina. Muitos passos de dança incluem vigoros os movimentos dos quadris. É por isso que ela é vista como uma . O segundo movimento é semelhante. a pessoa assume automática e inconsc ientemente essa postura de acordo com seu estado de espírito. os cotovelos apontam para fora como se dissessem: "Mantenh a a distância ou vou acertar você!" Muitas vezes. Na famosa dança hula-hula. o oposto de abrir os braços para convidar a um abraço. também chamada de akimbo. A dançarina levanta uma mão. enquanto a outra descansa no quadril. Costuma-se dizer que ela indica autoridade ou desafio. e esses também pertencem mais ao repertório da mulher que do homem. que então se movimenta num círculo. Maneiras de andar que envolvem um evidente balanço dos quadris são tão femininas que são utilizadas como caricaturas em p erformances cômicas. É essencialmente uma postura anti-social . primeiro no sentid o horário e depois no sentido anti-horário. com a di ferença de que o quadril completa um quarto de círculo. sacodem e ondulam os quadris.Passando da forma aos movimentos e posturas. Dois movimentos especiais da dança são o ami e o "rodeando a ilha". A postura akimbo oco rre sempre que a pessoa quer afastar alguém. "rodeando a ilha" em quatro movimentos. Só homens representando mulheres ou homossexuais afetados se pe rmitiriam movimentos ondulantes desse tipo. é muito difícil abr açar alguém que esteja na postura akimbo. Na verdade. jovens executam movimentos ritmados em que g iram. mas é mais que isso.

A pessoa que tem autoridade e gosta de exibi-la não quer partilh ar o espaço com os outros. apesar de ser usada mundialmente. Se uma mulher que r se afastar de um grupo que está. refletindo o sentimento de derrota. apóia apenas o braço esquerd o no quadril. Jovens amantes costumam caminhar lado a lado . mas não há uma palavra que a defina. A mensagem que ela comunica é: "Fique l onge de mim. É geralmente descrita como "mãos nos quadris". todas as línguas teriam uma palavra para defini-lo. o b raço desse lado permanece abaixado. não parece ter um nome em o utras línguas. Uma curiosidad e dessa postura é que. Essa postura pela metade. Isso é porque essa postura também transmite uma disposição autoritária. digamos. revela as relações entre os presentes. em geral com a cabeça ligeiramente aba ixada. Estou tão irritada que não quero ninguém perto de mim". Essa postura também é usada por indivíduos que acab aram de sofrer um revés. Uma esportista que acaba de perder uma com petição imediatamente coloca as mãos nos quadris. à sua esquerda.atitude de desafio. Entretanto. existe um contat o pessoal que envolve o quadril. muito observada em f estas e outras reuniões sociais. Finalmente. Eles podem não estar numa posição de autoridade. é um dos mais comuns padrões de comportamento humano. A mulher que pára à porta de sua casa com as mãos nos quadris está d izendo: "Afaste-se. a postura akimbo avisa aos demais que se mantenham em seus lugares. como um cumprimento . Se houver à sua direita um grupo com o qual ela tenha afinidade. mas com certez a não estão buscando conforto nos outros. que vemos todos os dias e ao qual reagimos subliminarmente sem analisar a mensagem corpor al que estamos recebendo. Não ouse entrar". No chefe de um grupo. Se fosse um gesto mais consciente.

com os flancos se tocando e as mãos cruzadas nas costas e apoiadas no quadril do p arceiro. mas nessas situações a mobilidade do casal é menos importante do que a demonstração de intimidade — que é feita para eles mesmos e para os outros. É um gesto de amizade. Dois homens podem se abraçar desse jeito quando estão parados ou caminhando juntos. os homens se interessam muito mais pelos qu adris das mulheres do que o contrário. Funciona como um gesto de exclusão em re lação a qualquer pessoa que os acompanhe ou os observe. um homem só abraça assim uma mulher. Evidentemente. na maioria dos casos. como os beijos de comprimento. aliás. e não há nada nessa intimidade qu e indique uma ligação sexual. A porcentagem muito maior de homens que abraçam mulheres d o que de mulheres que abraçam homens reflete uma atitude geral dos adultos em relação a essa região do corpo. só um parceiro abraça. com outras trocas de intimidade em público. e em 9% uma mulher abraça outra. e que é muito comum. Um estudo tentou anal isar as diferenças de gênero em relação a esse tipo de abraço no quadril. em 14% a mulher abraça o homem. está claro que os . esse abraço do qu adril é um meio-termo. É uma postura que atrapalha um pouco o movimento. esse tipo de abr aço transmite uma mensagem mais forte do que o abraço em que uma pessoa toca o ombro da outra. Querendo se abraçar plenamente e caminhar ao mesmo tempo. mas parece que o tabu é menor ent re mulheres — o que ocorre.) Como se previa. Por essa razão. a meno s. Em 77% dos casos o homem abraça a mulher. que queira exibir sua homossexualidade em público. Mas quando uma pessoa abraça o quadril de outra a posição da mão dá ao ato um peso sexual. não houve abraço entre homens. Como sinal. Do ponto de vista social. (O abraço entre pais e filhos pequenos foi excluído da pesqu isa. enquanto o outro apenas recebe o abr aço. Foi contatado qu e. é claro.

Devido à sua ligação com a procriação. eles carregam quase tanta feminilidade quando os seios. .quadris são atributos essencialmente femininos.

Barriga A barriga da mulher sempre foi uma região tabu. nasceu uma nova zona erógena. e a moda se espalhou rapidamente. Hoje. que não alcançasse a cintura das calças.17. as m ulheres sempre vão querer mostrar uma determinada parte do corpo. mas essa solução se tornou muito familiar . pelo menos até que o ciclo da moda se mova de novo). e alguém teve a brilhante idéia de usar uma blusa bem curt a. Em conseqüência disso. Roupas qu e expõem a barriga atraem o olhar para a região genital. para s er preciso) a moda de jeans de cintura baixa combinados com uma blusa muito curt a colocou a barriga feminina no foco das atenções. Segundo essa lei. A idéia que está por trás dessa mudança foi lançada pelos críticos de moda alemães nos anos 1920. passaram a adotar as calças compridas. mas essa exposição v aí sempre mudar de uma zona . as mulheres. que explicaram que a m oda feminina obedece a uma lei de troca das zonas erógenas. as pernas deixaram de ser expostas e alguma outr a parte do corpo precisou ocupar o seu lugar. As pernas podiam estar inteiramente cobertas. mas pelo fato de estar intimamente relacionada com os genitais. mas nos últimos anos (desde 1998. ma s em compensação os umbigos femininos podiam ser admirados pelos homens (por enquant o. que só usavam saias. A razão para essa exposição é interessant e e tem muito a ver com uma importante mudança no vestuário feminino: de uns anos pa ra cá. não apenas por ser uma zona erótica po r si só. as roup as de uso diário sempre cobriram a barriga. No mundo ocidental. Blusas que expõem os ombros e o sulc o dos seios foram muito usadas no passado. mais de 80% das mulheres que são vistas nas ruas das cidades usam jeans ou outro t ipo de calças. De repente. Era necessário algo novo.

À medida que uma é coberta. Os piercings de umbigo têm um evide nte apelo decorativo. Algun s escritores deram a isso o nome de "vandalismo umbilical". como não era de bom tom usar a palavra "barriga". no início do século XXI. mas apesar disso. a imagem será de vulgaridade. A primeira é o desejo de novidade: cada nova exposição é excitante porque mostra algo qu e não tem sido visto nos últimos tempos. Agora. uma parte vai sendo exposta depois da outra ao sa bor da moda. be m longe dos "impronunciáveis" genitais. superado apenas pelos piercings na orelha. o piercing no umbigo era o segundo na preferência das mulheres. com alto risco de o umbigo se rasgar quando um corpo se esfrega no outro. se mais de uma parte do corp o for exposta ao mesmo tempo. foi preciso encontrar um termo substituto. Co mo a região da barriga contém o estômago. mas surpreende que mulheres sexualmente ativas queiram usa r uma jóia num lugar tão vulnerável. Uma vanta gem disso é que a nova moda de piercings no umbigo pôde vir à luz. Mas que atitude nossos antepassados tinham em relação a essa parte da anatomia feminina? Na época vitoriana. eles deixaram de ser usados apenas por uma minoria para serem adotados por um público muito maior. para manter sem pre alguma exposição sem exagerar. Essa imprecisão anatômica ficou tão arraigada no . os vitorianos decretaram que uma dor de ba rriga se tornasse uma dor de estômago. no início do século XXI. A segunda é que. Existem duas razões para isso. outra é exposta. Com a nova moda. a ênfase recai sobre a barriga. Uma relação sexual papai-e-mamãe pode causar problemas. e como o estômago está posicionado mais alto. Um dos problemas co m o uso de piercings abaixo do pescoço é que só pessoas muito íntimas ficam sabendo de s ua existência.para outra. Assim.

contendo o estômago. que assinala o ponto onde os músculos do lado esquerdo do corpo se encontram com os músculos do lado dire ito. outra classe a empurrava para baixo. q ue é a parte do corpo situada entre o tórax e a pelve. Numa época em que as mulheres eram condenadas à morte pela prática de c ertos crimes. é difícil perceber essa linh a. Uma terceira imprecisão era usar a palavra "barriga" como si nônimo de "útero". essa linha corre verticalmente do umbigo até o peito. Podemos resumir essas diferenças dize ndo que a mulher tem um abdome . essa classe se referia à barriga como se ela fosse a região abaixo da linha dos pêlos púbicos. Além d o umbigo. Na maioria das prisões havia homens cuja tarefa era garantir que as internas tiv essem condições de pleitear esse direito. com uma distância maior entre o umbigo e os genita is. Ele tam bém é proporcionalmente mais longo. o útero. na mulher.vocabulário que sobreviveu nos tempos modernos. Enquanto uma classe educada empurrava a barriga para a região do estômago. B aseava-se numa lei que não permitia que a pena capital fosse aplicada à mulher grávida . O ventre da mulher é mais arredondado na parte inferior que o do homem. muito depois de a pudicícia vitorian a ter deixado de existir. Se observarmos um corpo jovem e atlético. Com i gual imprecisão. para a região genital. Essa região do corpo tem poucas marcas superficiais. os intesti nos e. há uma depressão chamada linea alba. a lin ea alba é vista como uma estreita mas nítida depressão da carne. "Barriga" é o termo popular para "abdome". O umbigo da mulher também é mais profundo que o do homem. Num indivíduo adulto. considerando-se que os dois indivíduos tenham uma compleição semelhante. havia uma conhecida estratégia que se chamava "apelo da barriga''. numa pessoa gorda (de qualquer idade). Entretanto.

consciente ou inconscientemente. O novo puritanismo corporal. as mulheres magra s de hoje têm seis vezes mais probabilidade de ter um umbigo na forma de uma fenda vertical do que suas voluptuosas predecessoras. ma s num corpo delgado ele parece mais um talho vertical. Se ele será exibido ou não. enquanto o .maior e mais curvo que o homem. as pose s modernas parecem enfatizar o umbigo vertical. uma barriga chata. Assim. só cri a a possibilidade de um umbigo vertical. Co mo o umbigo parece um orifício. por mais magro que seja. Hoje. logo se torna lamentavelmente — ou orgulhosamente — barriguda. é um sonho feminino em qualquer idade. sua presença no meio do ventre não pode deixar de lemb rar os verdadeiros orifícios que se situam abaixo dele. mais volume. Portanto. Em corpos mais cheios o umbigo é circular. uma barriga gr ande era ostentada com orgulho. E se ela cai na tentação de comer demais. seu corpo ganha peso. À medida que a mulher fica mais velha. e as jovens das tribos eram engordadas para o ca samento. mudo u tudo isso. sem sinal de gordura. e sua barriga. Essa mudança na visão da barriga teve um estranho efeito colateral: alterou a forma do umbigo feminino. O orifício genital feminino está por trás de uma fenda vertical. Uma pesquisa sobre obras de arte que mostravam as mulheres carnudas de antigamente revelou que a grande m aioria (92%) exibia um umbigo circular. Não é difícil imaginar a razão disso. Em períodos de escassez de alimentos. A mais magra das mulheres pode apresentar um umbigo circular se jogar o corpo para a frente. Numa pesquisa semelhante sobre as modelo s fotográficas de hoje essa porcentagem caiu para 54%. vai depender da postura da modelo. Um corpo esbelto. Mas existe algo mais do que ape nas a perda de peso nessa mudança. um aspecto que muitas vezes é exagerado pelos arti stas. com sua obsessão pela eterna juventude.

deviam ser preenchidos com jóias ou qualquer outro ornamento. vinha da terra da dança do ventre. as dançarin as das casas noturnas foram instruídas a cobrir a barriga quando dançassem. Em fotos sensuais em que a fenda geni tal fica oculta. ele era simplesmente suprimido. Segue-se que essa mudança para a exibição de um umbig o vertical fortalece o simbolismo genital. O conhecido código moral ista de Hollywood dizia que os umbigos estavam proibidos. Isso aprofundou o simb olismo do umbigo. Uma segunda onda de c ensura. Uma carta oficial do censor aos produtores do filme Mil e uma noites dizia: "Aprovado para adultos desde que sejam cortadas todas as cenas de dança que mostram o umbigo das dançarinas". que tinha que ser omitido para evitar a histeria sexual da pla téia. o Oriente Méd io. Mal o mundo ocidental tinha relaxado a censura cinematográfica do umbigo e ele já sofria um novo ataque. As fotos eram retocadas par a dar a ridícula impressão de que o ventre da mulher era completamente liso. Sugestivo do quê. o fotógrafo e sua modelo podem se unir para oferecer subliminarme nte um falso orifício como substituto do real. Fazia-s e isso porque. ba sta observar o que aconteceu com o umbigo nos períodos mais puritanos do século XX. Nas primeiras fotos. Os primeiros filmes provocaram choque e horror diante da exposição d essa parte da anatomia das dançarinas. Dessa vez. Com os preceitos religiosos e culturais que dominavam o mundo árabe. . voltou a suprimir o umbigo. segundo se dizia. nos anos 1930 e 1940. o umbigo era sugestivo demais.orifício anal é muito mais circular. Se não pudessem ser cobe rtos pela roupa. Se isso parece muito fantasioso. nunca foi dito. O q ue parecia ofender os puritanos espectadores era o fato de as dançarinas serem cap azes de mexer o umbigo enquanto ondulavam o corpo seminu.

Umbigo circular . porém mais la rgo na parte central. mas considerado de grande b eleza. Uma organiz ação que se intitula US Navel Observatory (Observatório do Umbigo dos Estados Unidos) concebeu uma classificação para esse pequeno detalhe da anatomia feminina. Para alguns. femi nino e erótico. Umbigo em forma de amêndoa . mesmo que hoje. gracioso. Num relatór io denominado Navel Architecture (Arquitetura do umbigo). pode-se ler: "Ele pode propo rcionar muitas sensações sexuais cultiváveis. Umbigo triangular . e merece cuidadosa atenção quando você o beijar ou tocar".um tipo raro.mostra um forte alongamento vertical.Essas restrições deixam claro que o umbigo tem força erótica. é p erfeitamente redondo. eles reconhecem nada m enos do que nove formas de umbigo: Fenda vertical . .um tipo comum. Em The Joy of Sex. Umbigo navette .considerado pelos japoneses o supra-sumo da beleza umbilical. ele pareça um detalhe relativamente inócuo da anatomia humana. Uma pose muito popular nos manuais sexuais ilustrados mostra o homem explorando o umbigo da parceira c om a língua — um pseudo pênis inserido numa pseudo vagina. por exemplo. Recebe esse nome porque tem a forma semelhante a uma navet te (pequena nau).um tipo raro hoje em dia. o interesse na s possibilidades eróticas do umbigo feminino tomou proporções fetichistas. para a mai oria de nós. Os manuais de sexo perceberam esse poder e enfatizam seu fascínio aos amantes que exploram o corpo do parceiro. à glande ou ao dedão do pé. Tem a forma de um triângulo invertido com lados convexos. Geralmente aprese nta uma profunda depressão. ele se adapta ao dedo.

Umbigo olho de gato . mas essa d ecisão gerou um problema ainda maior: se Deus criou o homem à sua imagem e semelhança. Umbigo grão de café — um umbigo côncavo em cujo interior há duas protuberâncias de carne. e cada um inventou sua razão para a existência desses primeiros umbigos. Embora esse relatório não pretenda ser mais do que uma análise superficial do umbig o feminino. é um problema espin hoso decidir se os primeiros seres humanos tinham ou não umbigo.o umbigo moderno no qual foi inserido um piercin g. o umbigo causou vários problemas nos círculos religiosos. A maioria optou por registrá-los. e não nasceram de uma mulher. alegando que uma pessoa "pode se conhecer at ravés do umbigo". Se esse seres for am criados pela divindade. essa não é a única classificação de umbigos que existe. não havia cordão umbilical. Fora da esfera sexual. umbigo vert ical. e portanto não havia umbigo. umbigo protuberante. Um psicólogo alemão or anizou sua própria lista de formatos.mais horizontal que vertical. Os artistas enfrentavam o dilema de incluir ou não umbig os em suas pinturas de Adão e Eva no Jardim do Éden.Umbigo oval . Ele relaciona os seguintes tipos: umbigo horizontal. então ele devia ter umbigo. Na verdade. revela o interesse sexual que um simples botão umbilical pode desperta r. Umbigo perfurado . umbigo descentralizado e umbigo redondo .uma das formas mais comuns. P ara os que acreditam na verdade literal dos textos religiosos. uma mistura do umbigo côncavo com o umbigo p rotuberante. isso provocou uma nova e intrigante per gunta: Quem gerou Deus? . umbigo côncavo. Naturalmente. tem a aparência de um olho.

Os turcos descobriram uma solução incomum para o problema do primeiro umbigo. É assim que os budistas o consideram. ma s seu gesto deixou um pequeno furo no lugar onde o cuspe caíra. Na verdade. onde o sultão era geralmente muito g ordo. A dança do ventre tem três movimentos principais : movimento da pelve para a frente. Os três são movimentos sensuais. resta ver como surgiu a famosa dança do ventre. inserir seu pênis e contorcer-se provocativamente até leválo ao orgasmo. Voltando à barriga de forma geral. Deus imediatamente arrancou o pingo poluído. Hoje ela é comumente considerada uma "dança tradicional". O cuspe foi aterrizar bem no cento d a barriga. assim como uma forma de meditação voltada para o interior. Elas foram se especializando nessas contorções. movimento de rotação do quadril e ondulações dos múscu los da barriga. Surgiram no harém. a origem dessa t radição não se perdeu na poeira do tempo. Para evitar a contaminação. Uma an tiga lenda conta que. mas. Esse furo foi o pr imeiro umbigo. é o contrário: uma tentativa de anular o ego. Os dois primeiros são de fácil execução e muito comuns. depois que Alá criou o primeiro ser humano. o Demônio ficou tão furioso que cuspiu no corpo do recém-chegado. nada atlético e sexualmente desinteressado. com movimentos da pelve e contrações dos músculos abdominais para massagear o pênis do grande . Para excitá-lo sexualmente. embora isso tivesse agradado aos puritanos. Já as ondulações exig m um alto controle muscular e só são executadas pelas dançarinas mais experimentadas. A expressão "olhar para o próprio umbigo" c ostuma significar uma ação autocentrada. Um simbolismo totalmente diferente vê o umbigo como centro do unive rso. as jov ens tinham que se acocorar sobre o corpo deitado. focalizando to do o universo através de seu ponto central.

Portan to. os movimentos pélvicos eram exibidos para excitar o senhor do harém antes da cópula. Algumas fontes alegam que os movimentos representam não a cópula. a parturiente não deitava para dar à lu z. nem tudo se perdeu. Com o tempo . quando ainda não contava com ajuda médica. que com o decorrer do s séculos teriam sido incorporados à dança do ventre. as mulheres do harém foram capazes de ex agerar os movimentos e torná-los mais ritmados. Como um ato de cópula. ele tem sido chamado de "masturbação fértil". . é difícil dizer. Embora a dança do ventre esteja sendo promovida como "uma ótima terapia para a tensão e a depr essão". mas colocava-se de cócoras. Se essa interpretação da dança do ventre é correta. ou se ela só pretende e sterilizar uma dança puramente erótica e alinhá-la entre outras atividades "folclóricas" . De qualquer forma. os nomes que definem os movimentos ainda preservam uma conotação erótica. Com o acompanhamento musical. mas o nascimento. Em muitas cult uras.senhor. um manual que pretendia ensinar a dança introduz o tema co m a seguintes palavras: "Em seu novo papel como forma de arte física e saudável. A mul her ajudava o parto movendo o abdome em movimentos de rotação. a ênf ase recai sobre o preparo físico". o processo de purificação foi mais longe nos últimos anos. Ela deixou de ser meramente uma dança que imitava a cópula de uma jovem vigorosa sobre um homem indolente e corpulen to e tornou-se símbolo da concepção e do nascimento — todo o ciclo reprodutivo em uma únic a performance. A dançarina do harém tornou-se uma atleta. Livres do contato com o corpo indolente. Na década de 1980. usando a força da gravidade para empurrar o bebê. a ex ibição logo foi estilizada numa dança que foi chamada de dança do ventre.

a barriga. Como a bar riga está relacionada com o apetite por comida. o ventre é considerado o centro do corpo. No Japão. assim como o umbigo. essa postura é tema de uma das mais antigas piadas da humanidade. com ventre sobre ventre ela foi destruída". Um dos textos sumérios mais antigos. geralmente ambas pertencem à mesma família. os gest os que envolvem a barriga são raros. Além desses gestos e de um raro soco na barri ga de um inimigo. Vem t ambém da Grécia antiga outro pronunciamento: " Ó Deus.Fora do campo sexual. datados do terceiro milênio da era cristã. acabou se ligando a outros apetite s animais. é através deles que se perde a castidade". Na vida cotidiana. Estranhamente. Os pais às vezes dão um tapinha na barriga dos filhos quando eles comem bem. só existe outro contato pessoal. olhai com ódio o ventre e os alim entos. que vê o ventre como sede da vida. registra com um humor triste: "Com tijolo sobre tijolo esta casa foi c onstruída. O ma is conhecido é sua ligação com o lado mais animal e terreno da vida humana. e um dos amantes pode d escansar a cabeça na barriga do outro. tem vários simbolismos. Devido à sua proximidade com os genitais. que é o contato dos ventres duran te o ato sexual. o ven tre quase nunca participa dos contatos pessoais. . Esse simbolismo ocidental nada elo gioso está em completa oposição com o simbolismo oriental. Quando uma pessoa toca outra na barriga. Um provérbio grego afirma que " a barriga é a mais vil das bestas". um marido orgulhoso pode passar a mão pela barriga da esposa grávida. são amantes ou velhos amigos.

De vez em quando. então a atenção pode ser desviada para as costas. as costas femininas têm uma be leza inegável. a gola se afasta da nuca. elas são naturalmente mais arqueadas que as costas do homem. Portanto. A gola do quimono é cortada de acordo com a co ndição da mulher que o usa. Versões mais radicais desse m odelo. Visto por trás. e se a curva da coluna é deliberadamente acentuada com a projeção do quadril para trás. Hollywood lançou es sa moda em 1932. Um . aparecem de quando em quando. quando ela se ajoelha dia nte do homem. o contraste é grande tanto de lado quanto de costas. o contorno das costas é notavelmente diferente no homem e na mulher: nela. mas se ela é uma gueixa. sempre que o costureiro encontra uma cliente corajosa. lhe oferece uma excitante visão do dorso por dentro da roupa. Mesmo em repouso. a linha das costas torna-se mais sensual. a parte mais larga é a superior. que revelam inteiramente as costas. Se ela é uma mulher casada. os japoneses v alorizam muito essa parte do corpo. e. as costas femininas têm figurado no mu ndo das imagens eróticas. No Oci dente. Outras partes do corpo — especialmente a cabeça. nele. disposta a escandalizar em algum a aparição pública.18. Entretanto. a linha da nuca é apenas sugerid a. os estilistas de moda de vez em quando enfatizam as costas. Como mencionamos quando tratamos da nuca. Se o vestido é fechado na frente. a parte inferior é mais larga. quando a atriz Tallulah Bankhead apareceu em público com um decot e nas costas que logo foi copiado pelas admiradoras. os seios e as pernas — recebe m maior atenção e despertam mais interesse. Costas As costas femininas têm sido ignoradas tanto pela própria mulher quanto pelos observ adores.

hoje as preferidas.. um crítico comentou que "suas costas parecem entorpecidas e a pavoradas com a exposição.. só são visíveis no máximo em 2 5% dos casos. que passou muito tempo estudando-o. b em acima dos glúteos. Mas a exposição das costas nem sempre é um sucesso." As covinhas são menos evidentes em mulheres magras. assim como o "losango de Michaelis". O los ango às vezes é rodeado e definido por quatro depressões. carnuda. estão presentes em ambos os sexos. eram tema de conversa entre os mais sofisticados l ibertinos. O mundo clássico tinha verdadeira fascinação pelas covinhas femininas. Seu nome é referência a o ginecologista alemão Gustav Michaelis. Nos homens. Naturalmente. mas são mais perceptíveis nas m ulheres devido à gordura depositada nessa região. também já despertou grande interesse erótico. uma em cada vértice da figura. Um escritor escreveu sobre "essa região sedosa. Ao ver bailarinas vestidas com um collant sem costas. E possível que o apelo sexual das covinhas que se formam nas bochechas se deva em parte à sua semelhança com essas outras covi nhas próximas às nádegas. quando as formas voluptuosas estavam na moda. o corpo magro e . P oetas e escultores gregos as admiravam. que expunha as costa s até o limite do sulco das nádegas. mas. como lesmas fora da concha".desses modelos foi o famoso macacão lançado em 1967 por Ungaro. As covinhas são um detalhe da s costas femininas que em outros tempos despertou no homem tal excitação a ponto de tornar-se uma obsessão. As duas pequenas depressões situadas de cada lado da base da coluna. O losango de Michaelis. dando à mulher a possibilidade de exibir as "covi nhas" do sacro. exatamente onde se situam as duas pequenas covas. uma região em forma de diamante situad a entre as covinhas.. de dar água na boca.

Na verdade. pelo líquido cérebro-espinhal. os músculos das costas foram obrigados a trabalhar o tempo to do. mas 33 vértebras alinhadas. q ue tem cerca de 46 cm de comprimento e pouco mais de 1 cm de diâmetro. Se alguma mulher se desse o trabalho de observa r suas sofridas costas. a solução é comprar uma cadeira de rodas. Se alguma coisa grave lhe acontecer. que tem a função de absorver os choques. segundo . Sem a s curvas suaves proporcionadas pela camada subjacente de gordura. permitindo todos os movimentos da cabeça. As cervicais são sete e têm uma surpreendente mobilidade. por três membranas protetoras. descobriria um conjunto brilhantemente entrosado de múscul os e ossos com a dupla função de sustentar e proteger a medula espinhal. As cinco vértebras lombares. A medula. Parece que costas nuas caem melhor em mulheres mais cheias e roliças. E ela está bem protegida: primeiro.musculoso das modernas bailarinas não é o mais adequado à exibição total das costas. em alguma fase da vida. mas a que mais trabalha. e terceiro. A maior parte do tempo. Desde que nossos ancestrais as sumiram a posição ereta. vitais para a observação do mundo e proteção do rosto. as mais pesadas e espessas. não e xiste propriamente uma coluna. As doze vértebr as torácicas são muito menos móveis. só quando sente dor a mulher pára para pensar em suas costas como uma parte de sua anatomia. elas não passam de algo q ue está longe da vista e da mente. não tenha sofrido de dor nas costas . porque sua principal função é atuar como uma âncora para as costelas. têm a função de su stentar a . as costas corr em o risco de parecer demasiado rígidas e "fibrosas". certamente precisa de proteção. po r uma cobertura dura e resistente que chamamos coluna vertebral. São cinco os tipos de vérte bras. Passando à biologia. as costas são a parte d o corpo menos conhecida. Rara é a pessoa que. Na maioria dos casos.

Excetuado algum problema médico específico. As vértebras sacrais se unem para formar o osso sacro. que significa "cu co". Pode parecer estranho que esse osso triangular na base da coluna se ja chamado de "sagrado". na parte inferior. Elas também se fundem para formar o cóccix — tudo o que restou d a cauda dos primatas. mas em círculos ocultistas ele é considerado o osso mais im portante do corpo. O sistema muscular das costas é extrem amente complexo. Talvez a escolha se explique pelo fato de ser o osso sacro beijado cer imoniosamente nos conciliábulos das bruxas.maior parte do peso do corpo. ao qual é atribuído um papel especial nos rituais divinatórios. As dores nas costas são geralmente causadas pelo desgaste desses músculos . porém. Acr edita-se que o sacro contenha o espírito imortal. e os glúteos. É nessa região que as piores dores costumam se instala r. os músculos dorsais. na parte central. Algumas partes do nosso corpo adquirir am seu nome de maneiras bastante excêntricas. porque a palavra "cóccix" vem do latim coccyx. Os músculos das costas se . situado na part e superior das costas. Para a maioria das pessoas. São cinco vértebras que atua m como uma só. as mulheres sentem dor nas costas por uma principal razão: falta de exercício em decorrência de uma vida urbana sedentária. A resposta está na forma do osso. Podemos nos perguntar que ligação pode haver entre nossa cauda remanescente e u m pássaro como o cuco. mas consiste em três principais grupos: o trapézio. que os primeiros anatomista s julgavam semelhante ao bico de um cuco. existe algo estranhamente perverso em idealizar a "alma" no ponto mais baixo da s costas. As vértebras coccígeas são os últimos e os men ores ossos da coluna. A denominação desse pequeno osso pontudo é ainda mais estranha d o que a do sacro.

até que seja necessário buscar ajuda médica. mas fisicamente impõem um esforço descomunal aos músculos das costas. cada vez mais numerosas no mundo oci dental. que lutam para manter a coluna — liter almente — em boa forma. por algum esforço repentino e por tensões. Pegar objetos pesados curvando o corpo para a fren te e usando as costas como um guindaste é outro mau costume que quase sempre sobre carrega as costas. costumam se surpreender quando começam a sentir os mesmos sintomas. o corpo sedentário se enfia na poltrona ou na cama macia em busca de conforto.. no s quais o corpo é obrigado a manter uma determinada posição durante horas. como um bebê que busca a segurança do corpo da mãe. Durante as muitas horas que passamos vendo televisão. E quase inevitável que mulheres grávi das sofram dores nas costas devido ao peso do bebê. e assim por diante. Esse processo qua se sempre passa . A má postura decorre de certos hábitos de trabalho. A coisa piora muito quando a criatura que se esparrama ou se enrosca na superfície macia está acima do peso. Esses móveis aconchegantes criam uma sensação de segurança e calma. As tensões corporai s causadas por angústia ou ansiedade podem provocar uma duradoura tensão dos músculos das costas. conversando ou lendo. A ten são mental é outra maneira de submeter as costas a uma sobrecarga.enfraquecem por falta de uso ou são prejudicados por uma postura errada. o que pode aumentar a angústia . para a mulher que leva uma vida sedentária o perigo é maior. que carregam quase o mesmo peso na mesma região. onde todo lar dispõe de móveis macios. Se para uma mulher que tem atividade física essa manobra repres enta pouco risco. mas indivíduos muito gordos. Em pouco tempo. as costas começam a doer. Ela também po de ser adquirida durante as horas de lazer..

onde se podem comprar pequenos talismãs de plástico representando um corcunda sorridente. Em tempos remotos. Outras interpretações da medula espinhal a vêem como uma estrada. Essa crença ainda sobrevive em algumas regiões mediterrâneas. Na Idade Média. as costas desempenha m um papel menor. po demos curvar.despercebido. Entretanto. Curvar as costas para a frente. a "essência" da medula era considerada muito benéfica. o movimento tinha que ser bastante acentuado pa ra expor inteiramente as costas ao superior. quando um cadáver apodrecia. dobrar ou ondular as costas de acordo com as mudanças de hu mor. de fato. uma escada ou um ba stão. ajoelhar. As costas não são uma das partes mais expressivas do corpo feminino. Essa era. e pode ser desencadeado por problemas emocionais que preocupam tan to o cérebro que a pessoa só percebi os efeitos quando é tarde demais. e o aumento de atividade sexual tem sido sugerido como tratamento. o que em algumas mulheres idosas se torna u ma postura crônica e permanente ao caminhar. Por essa razão. A própria medula era vista como um a réplica da árvore cósmica que alcança o paraíso que é o cérebro. é parte essencial de uma série de ações coord enadas como curvar-se. No mundo do simbolismo. Os macedônios acreditavam . esticar. exceto como guardiãs da medula. a . e acreditav a-se que qualquer pessoa que tivesse uma parte a mais da coluna vertebral tinha sido agraciada pela sorte. tocar a testa no chão e prostrar-se. sua coluna vertebral se transformava numa serpente. Alega-se que ou tra causa para a dor nas costas é a frustração sexual. pensava-se que dava sorte tocar a corco va de um corcunda. O elemento c omum de todas essas ações é o rebaixamento do corpo para simbolizar a baixa condição de qu em o executa.

Esse procedimento formal ainda sob revive e pode ser observado numa sala apinhada. porque a altura diminui ligeiramente — quase como uma incipiente curvatura de subordinação. porque significava rej eição. Dar a s costas a alguém na posição ereta era uma grosseria imperdoável. Aprumar as costas também tem o efeito de aumentar ligei ramente a altura do corpo. com as mãos presas uma à outra. quando alguém gira a cabeça e diz a um amigo: "Desculpe as costas". E dar as costas a alguém a quem acabamos de ser ap resentados continua sendo um insulto. A postura com as mãos atrás das costas diz que a pessoa está tão confiant e que não precisa de nenhuma proteção frontal. na qual estes se unem diante do corpo como uma espécie de bar reira de proteção. porque opõe-se à postu ra de braços cruzados. Os professores usam o mesmo gesto quand o caminham pela . Se voltar as costas a alguém é uma grosseria p or ignorar deliberadamente o outro. e é por isso que eles parecem mais agress ivos que os cidadãos comuns. especialmente em membros da realeza e líderes político s em ocasiões formais de inspeção. Existem várias posturas com as quais uma pes soa entra cm contato com suas costas. Por essa razão. É uma postura c omum em pessoas de alta condição. esticá-las é um gesto ameaçador. Demonstra extrema superioridade. uma mudança que ajuda a demonstrar poder. porque indica que o corpo está se preparando para um ato violento. A mais simples é aquela em que a pessoa fica de pé ou caminha com os braços atrás delas. os subordinados tinham que se afastar da presença do Grande Senho r caminhando de costas para fora do salão real. Os militares são treinados para ma ntê-las eretas mesmo quando estão relaxados. Deixá-las cair passa uma mensagem de impotência.única situação em que o inferior podia mostrar as costas sem ofender o superior.

porque ecoa uma sensação de infânc ia. e a pressão carinhosa das mãos em suas costas se torna um sinal de cuidado e amizade. as costas são um a parte do corpo muito tatuada. que lhe tra nsmite total segurança e amor. Magníficas demonstrações da arte da tatuagem podem ser vistas nas costas de mulheres corajosas em todo o mundo. o abraço. Outra maneira de contato nessa região é o proverbial "tapinha nas costas". que lembra o corpo do gesto maior. Trata-se de uma maneira q uase universal de confortar. cumprimentar e demonstrar amizade. a criança adora o abraço da mãe. demonstrando sua superioridade naquele território. no sentido de que é uma versão reduzida do mais fundamental cont ato interpessoal. despro porcional à simplicidade e brevidade do contato físico. como quando uma menina esconde a mão atrás das costas para cruzar os dedos quando diz uma mentira. Mesmo um tapinha breve e suave nas costas de alguém que está sofrendo traz um enorme conforto. Outra forma comum de contato é o gesto em que uma pessoa pressiona a mão nas cos tas de outra para guiá-la. porque os corpos ficam mais próximos enquanto caminham. Ou o leve conta to da mão nas costas quando duas pessoas estão juntas. mas em momentos de menor envolvimento emocional adota uma versão em m iniatura — o tapa nas costas —. e que q uer dizer: "Estou aqui se você precisar". Devido à sua grande extensão.sala de aula. Outros gestos que envolvem as costas são gestos secretos e ocultos. a pessoa pode se entregar num abraço apaixonado. olhando na mesma direção. exis te uma tatuagem que mostra uma cena de caçada. É um gesto um pouco mais íntimo. Quando pequena. A motivação desse ge sto é sempre a mesma. . Quando adulta. Entre os motivos. em vez de tocar o braço ou o cotovelo.

. e a c auda da raposa prestes a desaparecer entre as nádegas.com cavalos e cães perseguindo uma raposa por todo o comprimento das costas.

os da cabeça. as coisas se tornam mais complexas. Por volta dos 14 anos. Pêlos púbicos Durante toda a infância. Muitas meninas não gostam dessa mudança. porém.19. está "sujo" e "peludo". o crescimento dos pêlos já esta prat icamente completo. ou com atraso. por volta dos 8 anos. Na infância. e agora. Aos 15 anos. Geralmente. o ódio às aranhas aumentava muito entre as meninas. Depois. Essas dúvidas podem parecer exageradas para alguém que tenha sido criado numa família liberal. perto dos 14. que costumam ser escondid os por pais recatados e pela censura do cinema. exceto. entre 12 e 13 an os nascem os primeiros pêlos. entre 13 e 14. Outra coisa que pode deixá-las ins eguras é o fato de só terem visto pêlos no corpo dos homens. naturalmente. as meninas não têm pêlos no corpo. A constatação surgiu inesperadamente duran te uma pesquisa sobre os animais mais amados e odiados. muitas mudanças sã notadas. Quando os ovários começam a aumentar de tamanho e se inicia a produção de hormônios. isso ocorre entre 11 e 12 anos. embora haja exceções em que os pêlos surgem precocemente. Ter pêlos na região genital as assusta. Na média. mas não e ntre os meninos. a época exata em que os pêlos púbicos atingem a maior . seu corpo era liso e limpo. entre crianças pré-púberes inglesas. Descobriu-se que. Com a chegada da puberdade. Talvez elas nunca tenham visto pêlos púbicos. de repente. inclusive o nascimento dos pêlos nos genitais externos. porque os julgam "animalescos" ou "ma sculinos". a quantidade de pêlos aumenta e começa a surgir a forma triangular. e eles adquirem o padrão adulto. mas continuam pe rturbando um grande número de adolescentes.

Se lhes perguntassem por que não gostavam das aranhas. A aversão pelas aranhas peludas é mais simbólica do que real. A mai oria das mulheres tem pêlos púbicos crespos. se preocupam muito menos com isso. espessos mas bastante esparsos [. os pêlos púbicos variam muito: são curtos ou longos. em geral com uma tonalidade avermelhada. os pêlos púbicos nem sempre acompanham os cabelos. mesmo quando os cabelos são lisos. lisos e macios ou espessos e crespos. era mais provável que tivessem respondido que elas "eram v enenosas". curtos e lisos. . quase sempre respondiam que elas era m "umas coisas sujas e peludas".velocidade de crescimento. Em cor e te xtura. é o movimento das longas pernas que se irradiam de seu corpo mole.. existe outra que está perturbada co m esse fato. Os meninos. São essas pernas que são vistas como "pêlos ". para cada menina que se sente orgulhosa dos pêlos que começam a despontar. A prin cipal exceção é encontrada no Extremo Oriente. e com isso a aranha é inconscientemente definida como "um tufo peludo e móvel".. Em diferentes partes do mundo. O fato de esse medo dobrar na fase em que as meninas constatam que um "tufo pelud o" está crescendo entre suas pernas é significativo. o ódio às aranhas aumenta drasticamente e se torna duas v ezes mais forte nas meninas que nos meninos. que já esperam adquirir pêlos no corpo como seus pais. À primeira vista.] fo rmando um triângulo invertido". esparsos ou densos. onde os cabelos pretos e lisos coexiste m com pêlos púbicos "pretos. Muitas mulheres de cabelos escuros têm pêlos púbicos mais claros. Assim. isso parecia não ter nenhuma ligação com os pêlos púbicos. quando uma aranha atravessa seu caminho. O que uma men ina de 14 anos vê. mas quando as meninas em questão foram solicitadas a explicar por que odiavam tanto as aranhas.

as fragrâncias naturais permaneciam frescas. que andavam nus. Essa função protetora é muitas vezes menciona da. Numa época primitiva em que os humanos andavam nus. a ausência de pêlos púbic os nas meninas era um aviso de que elas ainda eram jovens demais para procriar. enquanto sua a usência a inibia. os pêlos púbicos são um sinal visual. A presença de pêlos púbicos ajudava a desencadear a reação sexual do macho. Hoje. que andam vestidos. Existem três respostas. e parece haver . Uma terceira função dos pêlos púbicos é que eles atuam como um amortecedo r no contato da pele do homem e da mulher durante o vigoroso contato sexual. eles devem ter funcionado como um sinal de que a menina havia se tornado um a mulher adulta. As glândulas da região genital secretam feromônios aroma natural que os machos inconscientemente acham sexualmente atraente —. O resultado é um odor corporal desagradável.) A segunda fu nção dos pêlos púbicos é atrair pelo odor. se quiserem que seu odor natural não perca o poder de atração. (Essa inibição tão natural e que está ausente nos pedófilos.As primeiras perguntas que a menina púbere costuma fazer sobre seus pêlos púbicos é: "Po r que tenho isso? Para que isso serve?". Antes de mais nad a. precisam se banhar com mais freqüência que os primitivos. quando a pele f icava exposta ao ar. porém. existe maior probabilidade de as secreções glandular es sofrerem o ataque de bactérias. M as esse sinal primitivo tem uma desvantagem. os humanos mode rnos. É por is so que. com r oupas apertadas cobrindo o púbis. cuja fragrância persiste mais tempo nos pêlos densos e crespos que na pele nua e macia. pro tegendo o mons pubis da mulher da abrasão. No período pré-histórico. Para o macho pré-histórico. Seu pleno aparecimento aos 15 anos coincide com o início da ovulação e da capacidade biológica de procriar.

o sexo da mulh er fica excessivamente exposto. Como muitas outras partes do corpo humano. os pêlos púbicos não têm permanec ido no seu estado natural. no Pacífico sul. re os que são a favor de deixar os pêlos púbicos em seu estado natural não há só puritanos. Por outro lado. e também muita oposição a essas intervenções. muito improváveis. Cortá-los ou tingilos revela a intenção de expor uma parte do corpo que devia permanecer estritamente privada. Também já se disse que eles protegem os genitais do frio e de a cidentes. que remov e os pêlos púbicos. mas a mulher adulta dos tempos modernos. onde "as mulheres limpavam as mãos nos pêlos púbicos sempre que elas estavam sujas ou molhadas. Além do mais. não parece sentir falta disso quando o corpo está em contato com a p elve do homem. foram propostas n o passado. que absorvem o suor que escorre pela frente do corpo. Além dessas três funções. há quem os considere um véu erótico que "inflama a imaginação". da mesma forma que nós usamo s toalhas". Sem os pêlos. cortá-los. vêem na depilação dos pêlos púbico s a remoção de algo que ajuda a esconder a fenda genital. sempre houve muito interesse em t ingi-los. Entre elas inclui-se a idéia de que os pêlos púbicos funcionam como uma "re catada dissimulação" dos genitais. Em todos os tempos. seja lá o que isso signifique. e que "facilitam a acumulação e a troca de eletricidade entre dois pólos opostos durante a cópula". várias outras. decorá-los ou removê-los.um elemento de verdade nisso. . Os pudicos acham que modificar essa parte do corpo indica uma obsessão doentia pel a anatomia sexual. Talvez a observação mais estranha sobre a utilidade dos pêlos púbicos tenha sido registrada por um antropólogo alemão que visitou uma tribo que viv ia no arquipélago de Bismarck.

não é nada erótico. ele finalmente admitiu que achava seus pêlos púbicos repulsivos. e ela f icou surpresa ao descobrir que ele não conseguia fazer sexo com ela. porque oferecem ao homem um sinal visua l da prontidão da mulher para copular. Depois de ano s de evasivas. No ano seguinte. assim como conden avam qualquer forma de maquiagem ou de melhoramento cosmético. John Ruskin tinha 28 anos e não sabia quase nada sobre sexo quan do começou a cortejar sua futura esposa. por acharem que com isso a mulher estaria se vendendo ao homem. essa visão fez com que mui tas estátuas femininas exibissem um púbis sem pêlos. mas na verdade para conseguir uma semelhança com a aparência limpa das estátuas clás sicas. Mas também há os que acham que "não ter nada entre as pernas". Existe um caso famoso de um professor de arte vitoriano muito ingênuo e mui to romântico que teria sofrido terrivelmente por causa dessa aparência artificial da s estátuas clássicas. como uma boneca. eles se casaram. Em sua função de atrair pelo odor. conhecia as formas íntimas da mulher e aprec iava-as esteticamente. e que sua remoção é portanto uma medida de higiene. A depilação dos os púbicos provoca duas reações completamente contraditórias. há o argumento de que os pêlos púbicos são potencialmente sujos e malcheirosos. eles também pr ometem ao homem a retenção das flagrâncias eróticas das glândulas femininas. os hedonistas acham os pêlos púbicos naturais altamente eróticos. Por outro lado. mas nunca vira pêlos púbicos em nenhuma delas e .As primeiras feministas rejeitavam toda modificação nos pêlos púbicos. Apai xonado admirador da escultura clássica. Também levou as modelos dos artista s a raspar os pêlos púbicos supostamente para revelar os detalhes dos contornos pélvic os. No passado. Em apoio aos puritanos.

que continuava virgem. mas não levam em consideração o fato de que muitos homens que se sentem ex citados pela visão de um púbis depilado têm consciência de que o resto do corpo de sua p arceira é de uma mulher adulta. o que obrigou a esposa a pedir sua anulação. Os críticos contestam afirmando que isso "é um passo em direção à pornografia infantil". O fato de gostarem de um aspecto "virginal" não . Alguns homens puritanos revelam uma acentuada preferência por uma vulva higienicamente depilada. (As estátuas clássicas masculinas mostram pêlos púbicos crespos. Nas estátuas clássicas.) Seu horror ao descobrir que sua amada t inha um tufo de pêlos entre as pernas foi tal que ele nunca foi capaz de consumar o casamento. esse detalhe era omitido em nome do bom gosto. nos quadros. mas o que surpreende é que muitos libertinos tenham a mesma preferência. ou ""Tem um ar de Lolita". Assim como um púbis peludo atrai puros e impuros. e portanto simbolicamente jovem demais para ter feito sexo. O a pelo sexual da depilação dos pêlos púbicos tem três fontes. os artistas geralmente disfarçavam a fenda de suas modelos fazendo-as assumir poses que a escondiam. Os homens que r eagem favoravelmente a um púbis depilado costumam dizer coisas como: "É uma suavidad e de bebê".aparentemente nem sabia que eles existiam. A segunda razão para a preferência pela vulva depilada é que ela passa uma image m de virginal inocência. esse detalhe íntimo é totalmente exposto e transmite ao homem que o vê uma imagem ainda mais forte do que o tufo de pêlos. mas as femininas não. apesar do constrangimento de ter que provar. através de um exame médico. A primeira é que ela põe a nu a f nda genital. É a imagem corporal de uma menina jovem demais para fazer s exo. ou "É como se realizasse uma fantasia com uma estudante". porém. Na vida real. o mesmo acontece com a vulva depilada.

O prazer do sexo oral aumenta muito para amb os os parceiros. ache que dei xar os pêlos púbicos naturais é sinal de recato. Há registros de que a depilação já existia no an tigo Egito. Por outro lado . a depilação dos pêlos púbicos apresenta outras vantagens. . Vamos resumir a s atitudes contraditórias em relação aos pêlos púbicos. ela está lon e de ser um capricho transitório da moda. Voltando à história da remoção dos pêlos púbicos. por que um púbis depilado tem que ser visto dessa maneira? Além de seu aspecto inocente. puritanamente. As mulheres egípcias detestavam ter pêlos no corpo. Se nin guém condena as mulheres que gostam que seus amantes tenham um rosto imberbe de me nino. consideram a vulva depilada mais excitant e e sensível. menos que todos os seus amantes tenham fartas barbas". licenciosamente. existem pontos de vista altamente conflitantes. a. Como ocorre com outros aspectos do corpo feminino. Há quem. considere a remoção dos pêlos púbicos uma medida de higiene. puritanamente. os consideram eróticos e dotados de uma fragrância sensual. Faziam isso com uma cera feita de mel e óleo. e os removiam sem de ixar o menor traço. licenci osamente. Defendendo sua o pção. Outros apreciam a e xcitação de "ter um segredo sexual que só os dois parceiros conhecem". Mas também existem aqueles que. A região genital se t orna muito mais sensível à estimulação tátil. há quem. Algumas mulheres alegam que uma simples caminhada fica mais eróti ca: "O simples ato de caminhar é divertido porque você desliza".significa que eles reagiriam sexualmente a uma menina pre-púbere. Mas também existem os que. uma mulher observou que "qualquer mulher que ache que o homem que aprecia uma vulva depilada está perto de ser um pedófilo corre o risco de ver o argumento voltar -se contra ela.

onde algumas mulheres da aristocracia o adotaram durante a Idade Média. na Grécia. Quando a rainha de Sabá o visitou no século X a. pela segund a. elas usavam uma pinça especial denominada volsel la. queimados com uma vela. sabe-se que as mulheres turcas se aplicavam tanto em depilar o púbis que salas especiais eram destinadas a esse propósito nos banhos públicos. queimados com brasas. Como as gregas.Conta-se que o rei Salomão não gostava de pêlos púbicos. levaram o costume para a Europa..C. dizendo-lhe que o recebesse depois de remover o "véu da natureza". no século X VI. há registros de que os homens preferiam que suas mulheres "removesse m os pêlos de suas partes intimas". Ao contrário das gregas. A remoção dos pêlos púbicos também era comum na antiga Roma. Isso se devia ao fato de que "o forte crescime nto dos pêlos das mulheres setentrionais impedia que suas partes íntimas fossem vist as. que se fazia através d e três técnicas: pela primeira. Acreditava-se que e ra pecado permitir que os pêlos púbicos crescessem naturalmente. . porém. substituíam a arriscada técnica de queimar os pêlos pe la aplicação de cremes depilatórios. mas as técnicas das mulheres romanas eram um pouco diferentes. A moda floresceu por um tempo. os pêlos eram extraídos um a um com uma pinça. Por isso. Impressionados com o que viram lá. Mais tarde. descobriram que as mulheres ára bes depilavam a região pubiana. e pela terceira. para a mulher grega. Pouco mais ta rde. mas logo desapareceu. parece que ele lhe pediu que se depilasse antes de fazerem amor . as jovens começavam a se depilar assim que os pêlos púbicos nasciam.". Quando os cruzados chegaram à Terra Santa. a depilação era a regra. Na classe alta... entre eles uma espécie de cera preparada com piche ou resina.

Esses pêlos pa reciam feios e foram rapidamente removidos. que chocou o mundo ao anunciar public amente que o marido tinha depilado seus pêlos púbicos na forma de um coração. A cava dos maiôs foi subindo cada vez mais (para fazer as pernas parecerem mais longas). até que. Isso pôs em ação uma redução cada vez mais drást ica dos pêlos púbicos.Na época vitoriana. uma tendência desafiadora que. Em decorrência dessa mania. e cada salão de beleza inventa ter mos para definir os diferente graus de nudez púbica. exceto t alvez entre as "damas da noite". pa radoxalmente. Eis alguns deles: Linha do bi quíni: É a forma menos radical. e certas figuras proeminent es se rebelaram contra costumes considerados muito pudicos ou tradicionais. significou um retorno ao estilo das antigas civilizações. com a li beração dos anos 1960. com uma grande variedade de estilos. Outras log o a seguiram. Apenas os pêlos que escapam de cada lado são removidos. Todos os pêlos cobertos pelo biquíni são poupados. O costume só ressurgiu muito mais tarde. o nascimento do movimento feminista assist iu a uma volta à natureza. o que fe z os pêlos púbicos aparecerem de cada lado da estreita faixa de tecido. Então. a depilação total se tornou a última moda. no início d o século XXI. ela voltou com tudo. Uma rebelde famosa foi a estilista Mary Quant. A nova tendência começou por causa de uma mudança nas roupas de banho. tudo era possível. uma nova terminologia foi criada. e a depilação dos pêlos púbicos mais uma vez caiu em desuso. Durante a década de 1970. No fim do século XX. porém. . Estilos cada vez mais radicais iam surgindo. nunca se ouviu falar de remoção dos pêlos púbicos. de repente. na Europa.

como uma sur presa erótica para o parceiro sexual. deixando apenas um pequeno triângulo com o vértice para baixo. Uma faixa de apenas "um dedo" era co nsiderada obscena e proibida por lei. Coração: O tufo de pêlos é depilado na forma de coração. Segundo os legisladores de Atlanta. Pista de pouso: Uma estreita faixa vertical é deixada. Bigode: Todos os pêlos são removidos. Para . Este estilo tem sido descrito como "uma flecha apontando o caminho do prazer". Estilo brasileiro: É o mais famoso dos novos estilos. as da nçarinas de strip-tease foram obrigadas a deixar uma faixa de pêlos de "dois dedos" de largura quando se exibissem nuas. isso se ria suficiente para cobrir a fenda genital. É um corte muito procurado no Dia dos Namorados. e todos os outros pêlos são removidos. Depois de algum tempo. Essa medida exata pode parecer estranha.Biquíni cheio: Apenas uma pequena quantidade de pêlos é deixada no monte de Vênus. m as existe alguma confusão sobre sua forma exata. Os policiais locais foram obrigados a exec utar a árdua tarefa noturna de checar as faixas de pêlos e enviar para casa qualquer garota desobediente. "exceto uma pequena quantidade no mei o". que pode ser tingido de vermelho. Estilo Playboy: Todos os pêlos são removidos. exceto um retângulo largo que cobre a fenda da vulva. Estil o europeu: Todos os pêlos púbicos são removidos. e a lei foi relaxada. a novidade desse estranho dever can sou. Esse estilo é adotado pelas modelos qu e precisam usar biquínis e maiôs muito estreitos na região púbica. mas tem uma história legal. exceto uma faixa retangular de 4 cm. No estado americano da Geórgia. Esse estilo é às vezes chamado de "bigode de Hitler" ou "bigode de Chaplin". Triângulo: Todos os pêlos púbicos são removidos.

há estilos especiais. Outros prometem formas exóticas de p onto de exclamação. Mas as J. A técnica mais usada hoje é a remoção com cera. sete irmãs brasileiras (conhecidas como as J. uma forma mais radical da "p ista de pouso". A moda começou na praia de Copacabana. para outros. "estrelas e listras". "botão de flor" etc. qu e nasce completamente pelado. "chácháchá". Foi graças à fama conquistada pelas J.alguns. pinças. que deixa a região pubiana completamente nua. no Rio de Janeiro. tinturas e eletrólis e. qu e logo se tornou a meca da depilação. Esses são os estilos mais populares no início do século XXI. são usados cremes depilatórios. Esfinge: Esse é sem dúvida o estilo mais radical. Alguns salões também dão a esse estilo o nome de "Hollyw ood". onde abriram um salão de beleza e começaram a oferecer o serviço de depilação dos pêlos púb cos a suas clientes. Sisters que esse estilo passou a ser conhecido como "brasileiro". Além deles. Então . Para obter ess as formas. nem sempre obedeciam ao mesmo grau de remoção. Alguns estilistas extravagantes oferecem variantes que levam nomes co mo "olhos de touro". Sisters) se mudaram para Nova York . daí a confusão. Quando outros salões passar am a copiá-lo. Si sters deixaram bem claro o que fazem. navalhas. ceras. significa a depilação total dos pêlos. menos uma mínima faixa". Para outros ainda. "alvo". ela é igual à da "pista de pouso". "ra inha de diamantes". onde surgiram os menores biquínis. "surpresa de lua-de-mel". O nome deriva de um filhote de gato do Canadá. Estrelas de cinema e top models começaram a visitar o salão. . coroa. que retarda mais o crescimento de nov os pêlos. estrela e até mesmo as iniciais do parceiro. descrevendo o seu estilo como "tudo fora.

O fato vei o ao conhecimento público de uma maneira pouco comum. Alí. Algumas perucas são decoradas com pedras. Mais recentemente. três tipos de decoração que são conhecidos há séculos. elas obedeceram ao monarca. e ainda hoje estão à venda. fios de náilon ou pêlos de animais. mas compensaram a restrição transferindo a ostentação para baixo da roupa. mas secretamente se entregavam aos excessos ornamentais. As perucas também têm sido usadas como um adesivo temporário para quem quer mudar o estilo do corte dos pêlos púbicos. O cadáver de uma marquesa fran cesa foi abandonado na rua com os genitais deliberadamente expostos. Or iginalmente. quando o rei da França pediu às damas da corte que di minuíssem o esplendor de seu vestuário. A peruca é presa no lugar com a aju da de um tapa-sexo invisível ou colada sobre os pêlos verdadeiros. . foram usadas por prosti tutas para agradar a clientes que se sentiam atraídos por um púbis bastante peludo. flor es ou fitas coloridas. As perucas pubian as tem uma longa história. Já existiam há centenas de anos. Registros comp rovam que as perucas pubianas eram muito populares desde o século XVII. Mais tarde.Um recurso totalmente oposto à depilação é o curioso hábito de perucas pubianas feitas de cabelo humano. para que m quisesse ver. e depois é removida — uma solução mais conveniente para mulheres que não querem chegar ao extremo d e submeterse a um corte verdadeiro. A peruca recebe um corte e uma tintura para uma ocasião especial. havia uma peruca de pêlos púbicos "adornados com fitas plissadas de diferentes cores". Publicamente. sua função era mascarar os danos provocados pela sífilis e outras doenças v enéreas que desfiguravam os genitais externos. Parece que. elas obedeciam ao desejo do rei. elas têm sido usadas como "máscara de recato" por atrizes que precisam aparecer nuas em cenas de sexo. no mundo do cinema.

Agora eram expostos cada vez que um animal humano se voltava par a outro. Isso significava que era impossível um adulto se aproximar de outro sem u ma conotação sexual. prec isamos voltar a tempos primitivos. Em terceiro lugar. flores e pedras preciosas. 20. quando ela era removida. Antes. o que gerou uma expres são popular pela qual a vulva era considerada o "cofre do tesouro" da mulher. Fonte de grand e prazer sexual. Quando começaram a andar sobre as pernas trasei ras. A tanga tinha três vantagens. Além de reduzir a força da exposição genital em situações públicas.competindo umas com as outras para criar os púbis mais glamorosos. raramente são menc ionados em sociedade (a brilhante peça Os monólogos da Vagina é uma única exceção a essa reg ra. também intensificava a sexualidade nos momentos de privacidade.) Por que isso acontece? Por que as pessoas se sentem tão constrangidas em fala r dessa parte tão importante da anatomia feminina? Para encontrar a resposta. enfeitados com fitas. No entanto. nossos primeiros ancestrais perceberam que não podiam deixar de exibir a part e frontal do corpo sempre que se aproximavam de outro membro da espécie. ajudava a . As pedras preciosas usadas como adorno às vezes tornavam a região pubiana a mais valiosa do corpo feminino. Genitais De todas as partes do corpo feminino. os genitais deviam ser celebrados. tanto machos quanto fêmeas resolveram cobrir a região genital: nascia a tanga. Para resolver isso. os genitais ficavam totalmente escondidos e bem protegidos. está é verdadeiramente um tabu. qu ando caminhavam sobre quatro patas. ou a penas seu "tesouro".

a atenção que eles atraem é enorme. A menos que sejamos praticantes do nudis mo. quase não há o que ver. Por baixo dos pêlos púbicos. é sempre o equivalente mod erno da tanga a última peça a ser retirada. Apenas quando se trata de crianças muito pequenas essa regra é relaxada. da língua ou do pênis. para dizer o mínimo. O motivo para a excitação que essa parte do corp o produz não está em seus atributos visuais. os genitais femininos podem ser descritos como visualmente simples. qu e flanqueiam a abertura vaginal. o órgão humano é muito diferente. mas em suas qualidades táteis. E é só. o máxim o da rebelião humana contra Deus". No entanto. expor os geni tais em público é proibido por lei.proteger a delicada região genital dos desconfortos do ambiente natural. só expomos nossos genitais a nossos parceiros sexuais. Comparados com o equipamento ma sculino. dos lábios. e para ocultá-los as pessoas chegam a comet er extravagâncias. um pequeno botão de carne extremamente sensível situado bem acima do canal urinário. mais delicados. O que ê exatamente isso que tanto queremos escond er? No caso da mulher adulta. Hoje. Nenhuma ou tra parte do corpo feminino é tão sensível ao toque. a uretra. e par cialmente escondida por eles. O formato do pênis masculino é significativo nesse aspecto. Falta-lhe o os . No alto da fenda existe um pequeno capuz de car ne que cobre parcialmente o clitóris. Na maioria dos países. Gerações de puritanos religiosos responderam aos ape los que vinham do púlpito: "O nudismo é tão desavergonhado quanto o próprio Demônio. seja dos dedos. existe uma pequena fenda vertical criada pelos doi s grandes lábios — dobras de carne que protegem os pequenos lábios. qua ndo as pessoas se livram das roupas por causa do calor. Comparado ao pênis de outros primatas.

e a ejaculação ocorre. quando e le é inserido na vagina da mulher. depois de apenas seis movimentos pélvic os. Por isso. Essa p ressão cria uma forte reação erótica na mulher. em média. O espesso pênis humano causa fortes sensações à medida que se move contra a s superfícies internas dos genitais femininos durante os prolongados movimentos pélv icos de nossa espécie. Isso não só torna o pênis ereto. Depois de uma prolongada estimulação. O ato sexual mais demorado não leva mais do que 20 segundos.penis — o pequeno osso que dá aos macacos uma rápida ereção. Quando ocorre a excitação sexual. O orifício da vagina. Nos babuínos. atingin do o dobro do seu tamanho normal e desenvolvendo uma sensibilidade cada vez maio r ao toque. como aumenta seu comprimento e especialmente sua espessura. o sangue entra no pênis muito mais rapidamente do que pode sair. pressiona os lábios e as paredes vaginais. O sistema humano depende da c ongestão do sangue nos vasos sangüíneos. cercado por camadas de pele extremament e sensíveis. À medida que a exci tação da mulher aumenta. e o encontro. Isso significa que ambos os pa rceiros recebem uma grande recompensa pelo esforço sexual. Isso pode ser visto como um evidente e inevitáve l mecanismo de acasalamento. a mulher experimenta um clímax orgásti co fisiologicamente muito semelhante ao do homem. por exemplo. as maca cas não desfrutam do aumento progressivo da excitação sexual e do orgasmo explosivo da fêmea humana. mas difere acentuadamente do que ocorre com outros primatas. O resultado é que. os grandes e pequenos lábios se intumescem de sangue. ao contrári o do que acontece com os . é submetido a uma repetida e ritmada massagem do pênis. A fêmea do macaco recebe algumas estocadas do pênis fino e ossudo do macho e num instante o coito termina. um típico coito leva ape nas 8 segundos. permitindo-lhe partilhar a excitação com o h omem à medida que a cópula prossegue.

T ambém conhecidos como lábia majora. Situa-se logo acima dos lábios. a menos que as pernas estejam totalmente abertas. porque é bem suprido de terminações nervosas. Também conhecido pelos nomes latinos de mons veneris ou mons pubis. Entretanto . O monte de Vênus só aparece na p uberdade. e algumas mulheres alegam que isso é suficiente para levá-las ao org asmo. Ele é mais sensível à estimulação quando os pêlos púbicos foram removidos. o que pode e plicar em parte o sucesso da depilação da região pubiana. Em conjunto. O fato de a fêmea humana (ao contrário da fêmea do macaco) não transmitir um sinal claro ao macho quand o está ovulando também significa que a maior parte dos atos sexuais não são de procriação. Qualquer massagem acidental ou deliberada nessa região tem u m efeito erótico. e po r isso seu púbis parece mais projetado para a frente que o normal. Vale a pena analisar separadamente cada uma de suas partes. Os seres humanos literalmente fazem amor. e sua função é proteger o osso púbico do impacto do corpo do homem durante os momentos mais vi gorosos do ato sexual. m as servem para estreitar ainda mais os laços emocionais entre os amantes. Grandes lábios. Quando elas se fecham. pode produzir fortes laços emocionais entre os parceiros. que funci ona como um amortecedor para o osso do púbis. jovens modelos excessivamente magras não desenvolvem esse tecido gorduroso. o monte de Vênus é uma pequena almofada de tecido gorduroso coberta de pêlos púbicos. criam . quando o súbito aumento dos níveis de estrógeno provoca sua formação. Ele também tem um papel na excitação sexual. os carnudos lábios externos normalmente cobrem os pequenos lábios internos.macacos. Monte d e Vênus. os genitais externos são conhecidos como vulva.

de que uma mulher "foi capaz de desdobrar seus n ymphae e fazê-los encontrar-se atrás das nádegas". esses pequenos lábios chatos (sem gord ura) são duas membranas cutâneo-mucosas altamente sensíveis. Algumas acumulam mais tecido gorduroso. com a prolongada estimulação do pênis ereto. que se mantêm úmidas graças ao muco vaginal. De acordo com certos relatos. nômades da África do Sul. De qualquer modo. adquirindo uma coloração avermelhada. os pequenos lábios são às vezes muito alongados e pendem entre as pernas ''como dois dedos de carne pendurados" . Posicionados dentro dos grandes lábios. Pequenos lábios. seu comprimento a normal tem provocado muitas dúvidas: serão eles uma característica racial ou resultado de um costume cultural de distendê-los artificialmente? . O tamanho dos grandes lábios varia de uma mul her para outra. Durante a intensa excitação sexual. dotada de glândulas que s ecretam odor. A pele é semelhante à do resto do corpo. não muito confiável. às vezes um pouco mais escura. (A ausência des sa coloração é um sinal de falso orgasmo.) Os pequenos lábios têm formas e tamanhos variad os: alguns são pequenos e lisos. São conhecidos como labia minora ou nym phae. e existe um relato da década de 1860. Durante a penetração. O eq uivalente no homem é a bolsa escrotal. chegam a medir 11 cm e podem ser enfiados na vag ina. os grandes lábios podem ficar mais vermelhos. o que faz os lábios mais a rredondados e proeminentes. enquanto outros podem mostrar dobras. ondulações ou g rânulos. os pequen os lábios se intumescem de sangue. Uma autoridade insiste que eles podem chegar a 20 cm. Um monte de pêlos cobre essa superfície. Nas mulheres do povo san.uma fenda vertical.

Além disso. Antes e depois desse período. Nas virgens. e há quem afirme que lábios maiores provocam dor no contato com a roupa. ela se expande e chega a 10-15 cm. A vagina é um tubo de cerca de 8-10 cm de c omprimento quando a mulher não está excitada. Os cirurgiões plásticos certam ente concordarão com essa opinião. que afirmam que "mulheres perfeitas sempre têm lábia minora simétricos. o tecido é liso. Algumas culturas tinham o costume de exibir a mancha de sangue no lençol do casamento como prova da virgindade da noiva. Entretanto. Na idade adulta. muitas cirurgias genitais são realizadas para reduz ir o tamanho dos pequenos lábios ou restaurar a simetria quando um lábio cresce mais que o outro. A labioplastia. a extremidade externa da vagina é protegi da por uma membrana que fecha parcialmente sua entrada. entre a pub erdade e a menopausa. quando os noivos exigiam noivas intocadas. Com a excitação sexual. na primeira vez que o pênis é inserido na vagina o hímen se rompe e há um pequ eno sangramento. e existem até cu rsos que ensinam essa técnica para aumentar o prazer sexual. sem muitas dobras ou fissuras e que não se projetam além dos grandes lábios". como é chamada essa cirurgia. não há consen so sobre esse fato. Nessa condição. lábios maiores são considerados feios por alguns escritores. Conta-se que mulheres ex perientes conseguiam simular castidade na lua-de-mel inserindo na vagina uma esp onja embebida em sangue de pombo ou escondendo sob o travesseiro um pequeno . A presença desse hímen foi d e grande importância historicamente. tem sido a mais procur ada entre as "cirurgia íntimas". Vagina. suas paredes se tocam. o revestimento da vagina é levemente rugoso. Ge ralmente.O estiramento dos lábios ressurgiu recentemente no mundo ocidental.

Como uma vagina estreita atrai o homem. É por isso que alguém já disse que. esses músculos se enfraquece m e a tensão muscular diminui. para não fa lar do uso de tampões e diversos modos de masturbação. é cercada de tecido musc ular. Se sua função é tornar a primeira relação sexual difícil e dolorosa. que já tiveram filhos. Para a formação de um par da espécie isso tem algum se ntido. na sociedade atual. sua porção interna. permitindo que o pênis alcance sua . que é menor em mulheres jovens. que val pode ter isso para a sobrevivência da espécie? Só parece haver uma única explicação possível: trata-se de um passo evolutivo destinado a colocar um leve freio ao contato sexu al precoce. que derramavam no lençol no momento oportuno. também ch amada de colo do útero. muitos hímens se rompem antes da primeira penetração. mas espiritual". e a primeira relação sexual entre um casal de jovens amantes se tornou um mo mento mais sério e significativo. mais próxima da abertura. a forte excitação aumenta as dimensões da vagina. A região inferior da vagina. Em termos evolucionários. Em mulheres mais velhas.frasco com sangue de algum animal. Em conseqüência disso. Durante o ato sexual. Na extremidade superior da vagina fica a cérvix uterina. Deflorar uma jovem tornou-se um limite que todo menino tem que ultra passar. Esse tecido controla o tamanho da abertura vaginal. A região superior da vagina. só 50% das mulheres modernas sangram no primei ro intercurso. é menos muscular e se expande com maior facilidade par a acomodar o pênis. uma nova ci rurgia plástica está sendo realizada para recuperar a tensão muscular. a existência do hím en é enigmática. N o tempos atuais. em que muitas jovens se dedicam a esportes vigorosos. "a virgindade não é mais um atributo físico.

os outros dois. na parte interna. São eles: o clitóris. o ponto G e o ponto A. onde encontrarão um óvulo descendo. o que leva vários di as. um óvulo amad urece e se torna fértil em sua passagem pelas trompas de Falópio.extremidade. Clitóris. o po U. Uma vez por mês. o clitóris cresce (torna-se mais longo. descendo ao redor do orifício vaginal. Durante as preliminares. parcialmente co berto por um capuz protetor. os espermatozóides iniciam sua grande jornada através do útero em direção às trompas de Falóp o. e muitas mulheres que têm dificuldade para chegar ao orgasmo pela est imulação vaginal atingem mais facilmente o clímax com o estimulação oral. São pequenas regiões de alta sensibilidade. Embora o ovário contenha literalmente milhares de óvulos. Passando por ela. Além da passagem vaginal e dos lábios que a cercam. o qu e o torna o ponto mais sensível do corpo feminino. os órgãos genitais também contêm qua tro pontos extremamente excitáveis. sendo que a mai or parte fica sob a superfície. . onde o esperma pode ser ejaculado através da cérvix. É o mais conhecido dos pontos eróticos. Os dois primeiros situam-se fora da vagina. Trata-se de um feixe de 8 mil fibras nervosas. cuja e stimulação durante a relação sexual cria condições para o orgasmo. Dotado de uma função apenas sexual. geralmente ele é estimulado manualmente. Localiza-se na parte superior da vulva. um cirurgião australiano descobriu que o clitóris na verd ade é maior do que se julgava. A parte visível é simplesmente a ponta. mais grosso e mais erétil) e torna-se ainda mais sensível durante a cópula. Um deles vai se unir ao óvulo para iniciar uma nova vida. digital ou mecânic a do clitóris. a mulher não libe ra mais de quatrocentos durante sua vida reprodutiva. Recentemente. no ponto onde os pequenos lábios juntam suas extremid ades superiores. Sua parte visível é um botão do tamanho de um mamilo.

a língua ou a cabeça do pênis. Ponto U. é importante mencionar a "ejaculação feminina". sempre haveria alguma estimulação clitoridiana. As mulheres que experimentam essa ejaculação (cuja quantidad e varia de algumas gotas a algumas colheres de sopa) pensam que o forte exercício muscular as levou a urinar involuntariamente. esse ponto só recentemente foi investigado por pesquisadores clínicos ameri canos. Algumas mulheres afirmam que. a estimulação direta da ponta do clitóris será sempre impor tante para a excitação da mulher. isso exige um papel mais dominante da mulher. se essa região for suavemente acariciada com o dedo. o que lhes permite uma maior excitação. Quando ocorre um orgasmo extraordinariam ente forte. como essa parte oculta não tem a mesma sensibilidade. que sob forte excitação produzem um líquido alcalino quimicam ente semelhante ao sêmen. mas isso só ocorre porque elas não con hecem a própria fisiologia. haverá uma forte e inesperada reação erótica. Trata-se de uma pequena porção de tecido erétil e sensível localizado de cada lado do orifício da uretra. mesmo quando a ponta não é estimulada diretamente. que nem sempre é aceito pelo homem. mas não é verdade. Menos conhecido que o clitóris. que descobriram que. seme lhantes à próstata no homem. a parte oculta é vigorosamente massageada co m os movimentos do pênis. podem friccionar diretamente o clitóris durante os movimentos de penetração do pênis. a uretr a libera a urina e o líquido seminal que contém esperma. Entretanto. Por falar . Ele não está presente abaixo da uretra. existem glândulas especializadas.Isso significa que. com uma rotação ritmada da pelve. acredita-se que ela libere apenas urina. chamadas glândulas de Skene. Portanto. No homem. entre ela e a vagina. Entretanto. durante a penetração. algumas mulheres podem expelir pela uretra um líquido que não é urina. Na mulher. Ainda sobre o tem da uretra feminina. Ao redor da uretra.

Na zona do ponto G. Ele explica que esse efeito se perdeu quando a "posição missionária". Outras posições sexuais são muit o mais eficientes para estimular essa zona erógena e. é cercada po r um tecido erétil semelhante ao do pênis. Convém destacar que o termo "ponto G" nunca foi usado pelo próprio Grafenberg. tal sua ignorância sob re a atividade genital feminina. também chamada de "papai-e-mamãe". Algumas mulheres passaram a acreditar que existe um "botão do . essa expansão resulta numa pequena protuberância da parede vaginal para dentro do canal vaginal. Pesquisas sobre a natureza do orgasmo feminino realizadas na década de 1 940 descobriram que a uretra da mulher. Quando a mulher se excita. alguns médicos também julgam que a mulher está sofrendo de "incontinência urinária causada por estresse" e indicam um cirurgia para curá-la. (Recentemente. que é uma descrição muito mais adequada. localizada de 8 a 11 cm dentro da vagina. na sua p arede anterior. talvez mais importante que o clitóris". ele o chamou de "zona erógena".nisso. na verdade. Segundo Grafenberg. essa zona prot uberante "é uma zona erógena. que se situa acima da vagina.) Não se sabe ao certo a razão de ser dessa ejaculação. o uso do termo "ponto G" se tornou popular e gerou alguns mal-ente ndidos. Ponto G ou ponto Grafenberg. Com o mencionamos. portanto. um homem pediu o divórcio porque acreditava que a mulher urinava nele. que rapidamente se cob rem de um muco quando a excitação começa. já que ela ocorre um pouco tarde demais para ter função lubrificante. Trata-se de uma pequena área altamente sensível. provocar o orgasmo . esse tecido co meça a inchar. o ginecologista alemão Ernst Gr afenberg. s e tornou predominante no comportamento sexual humano. Recebeu o nome de seu descobridor. é realizada pelas próprias paredes da vagina. A lubrificação vagin al. Infelizmente.

eles mudaram de opinião. A idéia é que isso irá aumentar sua sensibilidade e proporcionar melhores orgasmos". Ponto A. na da é impossível. O que é assustador é que algumas mulheres têm se submet ido a injeções de colágeno para aumentar o ponto G. o orgasmo clitoridiano era o único polit icamente correto. entre a cérvix e a bexiga. Substâncias semelhantes às que são injetadas nos láb os para aumentar seu volume podem agora ser injetadas no ponto G. . quando campanhas contra o machismo rejeitaram de cara a possibilidade de um orgasmo vaginal. Para essas mulheres. como já ex plicamos. D ecepcionadas. diante de uma convincente argumentação. Eis um relato: "Um dos mais modern os procedimentos é a injeção no ponto G.) A estimulação direta desse ponto pode produzir fortes contrações orgásticas.sexo" que pode ser apertado a qualquer momento para causar uma explosão orgásmica. mas no que se refere à busca do prazer sexual. Não se sabe como elas reagiram à recente comercialização de vibradores capazes de atingir o ponto G. Vár ios destacados ginecologistas negaram sua existência quando o assunto começou a ser discutido em congressos. d escrita tecnicamente como "a próstata degenerada da mulher". Ao cont rário do clitóris. é o equivalente feminino da próstata. provocando forte controvérsia. Mais tarde.. assim como o clitóris é o equivalente feminino do pênis. A questão também entrou no debate político. (Em outras palavras. elas chegaram à conclusão de que não existe ponto G. A verdade. ele não parece sofrer de supersensibilidade depois do orgasmo. é que o ponto G é uma zona sexualmente sensível da parede vaginal. zona BFA ou Zona Erógena do Fórnix Anterior. Parece mais um mito que uma realidade cirúrgica. porém. Esta é uma zona de tecido sensível situada na extremidade do tubo vaginal. que se to rna levemente protuberante quando as glândulas que circundam a uretra se incham.

para tocar essa zona. por um médico malaio em K uala Lumpur. A pressão sobre esse ponto produz uma rápida lubrifi cação da vagina. A maioria delas descobre que só a estimulação digital ou oral do clitóris pode conduzir ao clímax. mesmo em mulheres que normalmente não são sexualmente receptivas. criando um recesso circular ao seu redor. Acrescentam. estreito e curvo na parte superior. T em sido dito que duas em cada três mulheres não conseguem atingir o orgasmo com a si mples penetração. Finalmente. que tem sido incorreta mente descrito. O resultado foi que três quartas partes da mulheres foram capazes de alcançar um orgasmo vaginal. se os quatro pontos erógenos forem es timulados um depois do outro.Sua existência foi relatada recentemente. os dois pontos erógeno s localizados dentro da vagina não fazem jus à fama. porém. que é o fórnix. que isso exige um parceiro extremamente sensível e experiente. A parte frontal desse recesso é chamada fórnix anterior. no ponto mais alto da vagi na. Isso deve significar que. Uma pesquisa realizada com 27 casais solicitou que eles va riassem as posições durante a relação sexual. Estudiosos da fisiologia sexual feminina a legam (talvez com excessivo entusiasmo) que. adotando posturas que permitissem maior es timulação dos dois pontos erógenos vaginais. A cérvix é o estreitamento do útero que se projeta ligeiramente para dentro da vag ina. Sua verdadeira localização é acima da cérvix. na década de 1990. A razão disso parece ser a monoto nia das posições sexuais. as mudanças pelas quais os genitais femininos passam durante a excitação sexual podem ser resumidas d a seguinte maneira: . para elas. a mulher poderá alcançar muitos orgasmos numa só noite. Hoje é possível adquirir um vibrador especial para a zona EFA — longo. Houve certa confusão sobre seu posicionamento.

Os pequenos lábios mudam de cor .Fase 1: início da excitação sexual No primeiro minuto. O clitóris está plenamente ereto. Os pequenos lábios começam a se in tumescer. A cérvix e o útero são empurrad os para cima. Fase 2: aceitação plena A lubrificação ce ssa. Fase 3: clímax or gástico . Os doi s terços superiores do tubo vaginal começam a se expandir. Os p equenos lábios estão no mínimo duas vezes mais espessos. a lubrificação vaginal começa. As pared es do terço inferior da vagina intumescem em decorrência da congestão dos vasos sangüíneos . passando de rosados a vermelhos. Os grandes lábios começam a se separar. Os dois terços superiores da vagina agora estão totalmente expandidos. Os grandes lábios se separam a ponto de deixar a vagina mais visível. O tamanho da entrada da vagina diminuí 30% devido ao intumescimento das paredes vaginais. O clitóris começa a aumentar de tamanho.

segundo a mesma pesquisa. com base num escudo de 20 mil orgasmos. e que. O fato de. . O número de cont rações por orgasmo varia de três a quinze. Números como esses foram usados no passado para tentar provar que as mulheres são bi ologicamente menos orgásticas que os homens. é que homens e mulh eres tenham o mesmo potencial orgástico. O mais provável. os lábios. As contrações musculares ocorrem cm toda a região pélvica (e além dela). Algumas mulheres conseguem desfrutar de orgasmos múltiplos em rápida sucessão. mas na técnica sexual dos parceiros. Uma mulher pode atingir o orgasmo em 5 minutos.O terço exterior da musculares ritmadas. ocorrem a cada 8/10 de segundo. 25% das mulheres sempre atingem o orgasmo quando fazem s exo. mais fortes. 60% das mulheres terem mencionado qu e também alcançam o orgasmo através da masturbação indica que a incapacidade não está no impu so sexual. o clitóris. a va gina e o útero voltam ao normal. enquanto outras têm um primeiro clímax tão intenso que não sent m necessidade de repeti-lo por algum tempo. devido a pressões culturais c tradições puritanas. Depois do orgasmo. porém. e 5% nunca conseguem. 12. 50% geralmente conseguem.5% raramente conseguem. os homens tenham se tornado ineptos pura excitar totalmente suas parc eiras. vagina apresenta contrações As primeiras contrações. é de cerca de 20 minutos. De acordo com uma pesquisa realizada em 2003 na Inglaterra. Pode ocorrer a ejaculação de um líquido (que não é urina). mas o tempo médio.

longe de ser um costume esquecido. reduzindo o prazer sex ual da mulher. feiúra. O leite da mãe que tem clitóris pode estar envenenado. pode-se imaginar que uma espécie inteligente como a nossa os trataria com c arinho. complexidade e sensibilidade dos genitais femi ninos. Na tentativa de satisfazer as nec essidades sexuais da mulher. cm 1937. T er genitais externos faz a mulher cheirar mal. Na América. esse é um caso isolado. a verdadeira razão é que. pode ficar impotente ou até morrer. pode morrer. os grandes lábios e o clitóris são corta dos. A forma mais comum de agressão é a circuncisão . embora recentemente. deixando apenas uma minúscula abertura para a passagem da urina e do fluxo menstrual. mas em algumas regiões da África. Se o pênis toca o clitóris. Se o bebê tocar o clitóris da mãe quand o está nascendo. em mui tas diferentes culturas. o homem tem mais facilidade de subordiná-la a seus padrões machistas. ne urose e câncer vaginal. Naturalmente. O mais assustador é que. nem sempre isso acontece. Para órgãos que são capazes de dar muito prazer. muitos maridos usam drogas ilegais. A remoção dos genit ais externos evita muitos "problemas femininos". Como a operação é realizada? Na maioria dos casos. a circuncisão feminina ainda é praticada em mais de vinte países. eles sofrido uma quantidade anormal de dor. o homem pode se contaminar. e a entrada da vagina é suturada. .Considerando a grande delicadeza. os genitais femininos têm sido vítimas de uma surpreendente variedade de mutilações e restrições. Infelizmente. um médico do Texas tenha defendido a remoção do clitóris para curar a frigidez. entre eles nervosismo. do Oriente Médio e da Ásia. Durante milhares de anos. Essa mutilação tem sido rara no Ocidente. a circuncisão tem sido uma prática comum há séculos. Muitas ju stificativas são apresentadas para a operação.

Se o clitóris sai para fora e as excita sexualmente ao roçar contra a roupa. a os gritos e sem anestesia. a essa brutal operação. Eritréia e Serra Leoa. 90% das meninas que vivem em Djibuti. 4. 24 milhões. E uma forma mais moderada. A natureza anti-sexual dessas operações ficou clara na opinião de um "especialista": "Primeiro eu as examino intimamente. Mais tarde. Uma forma um pouco menos monstruosa envolve apenas a remoção do clitóris e do s lábios. às vezes. e a vida sem ela não teria sentido". Calcula-se que existam hoje mais de 100 milhões de mulheres vivas q ue foram submetidas a essa mutilação. Burkina Fasso. 10 milhões. (Como se isso não f osse suficiente. Costa do Marfim. e 50% em Benin. as costuras podem ser refei tas.5 mi . Etiópia. nada menos de 2 milhões de meninas são submetidas. Gâmbia. 7 milhões. Eis alguns números. 33 milhões. Todos os anos. quando elas se casam. às vezes chamada de circuncisão sunita (porque al ega-se que ela teria sido recomendada pelo profeta Maomé). Sudão. facas ou tesouras). Os instrumentos utilizados são tosc os (navalhas. Gui né- . 24 milhões. A escala em que essa infâmia é praticada contra as mu lheres é enorme. exige apenas o corte da ponta do clitóris e/ou do capuz clitoridiano. se o marido sair numa longa viagem. Quênia.Depois. Chade. circuncisão faraônica. República Centro-Africana.) Essa forma extrema de mutilação genital chama-se infibulação e. as jovens tem que passar pelo sofrimento d e ter seu orifício artificialmente reduzido rompido pelo marido. país por país: Nigéria. então é a hora de cortá-lo". Somália. E ainda há quem defenda a operação: "A circuncisão feminina é sagrada. não há condições de assepsia e as mortes são freqüentes. as pernas da jovem são atadas para garantir a cicatrização e a permanência da op eração. m as escondidas. Além disso. Egito.

no . diplomatas e políticos das Nações Uni as e de outras organizações importantes se escondem por trás de justificativas conveni entes como "mostrar respeito às tradições locais". onde é comum nas populações muçulmanas da Malásia e da Indonésia. ela se disseminou pel o Oriente Médio.Bissau. afirmando qu e ela merece morrer e referindo-se à operação como uma "prática louvável que respeita as m ulheres". Como apenas 15% da população do mundo são muçulmanos. e pe la Ásia. Mali e Togo tiveram os genitais mutilados. a lei foi revogada em 1997 por um fundamentalista muçulmano que impetrou uma ação contra o governo e ganhou. Iêmen e Emirados Árabes Unidos. Mesmo em países on ela foi oficialmente proibida. onde 3 mil meninas são circuncidadas todos os dias. o xeque Al Azhar. Devido às recentes condenações públicas. a prática sobrevive. onde foi proibida (e m vão). e quase todos os que não p ertencem ao Islã (para não mencionar muitos islamitas) se recusam a tolerar a prática. um líder muçu lmano publicou uma fatwa contra qualquer pessoa que se oponha à operação. No Egito. Insistem em que a circuncisão das jovens é "uma maneira simples de reduzir a promis cuidade sexual que causaria discórdia no lar entre marido e mulher". Oman. Libéria. E exigiram qu e seus governos imponham uma multa de US$ 1 milhão a quem ousar discutir a questão n a imprensa local. os mutiladores (que ganham muito dinheiro realizando a operação) se uniram e formaram uma sociedade para se proteger. E mbora a África pareça ser a fonte original desse tipo de operação. E a lista não pára por aí. esse homem. Nem é preciso dizer que as autoridades médicas estão advogando em ca usa própria. No Egito. Não admira que eles próprios mereçam tão p uco respeito. Diante dessa situação. onde é praticada em Bahreim. ordenou a pena de morte de.

É difícil entender por que razão alguém quer ter uma barra ou uma argo la de metal inserida em partes sensíveis da vulva. convém uma breve menção à recente moda dos piercings genitais. ela seria mais bonita. e não destruí-los. não exagere" — tem sido contestada por muitos estudioso s do islamismo. Quando uma repór ter egípcia lhe fez perguntas embaraçosas. se se u clitóris tivesse sido removido. 85% da raça humana. ele ainda lhe disse que. já que não há menção à circuncisão feminina no Alcorão.) Finalmente. a tacha inferior fica em contato com o clitóris e pode estimulá-lo durante certos . mas para uma minoria trata-se d e uma nova moda na longa história da ornamentação corporal. seu objetivo de clarado é "decorar. Os seguidores do xeque apóiam sua postura violenta. Ela é bem dife rente da mutilação genital que tem sido chamada de circuncisão feminina. é vol untária e realizada apenas por mulheres adultas. Os principais piercings ge nitais são os seguintes: Piercing vertical no capuz clitoridiano. Em segundo lugar. com uma tacha esférica presa a cada extremidade.mínimo. Primeiro. estimular e provocar o interesse sexual nos genitais femininos ". Consiste numa pequena barra fina inserida verticalmente no capuz clitoridiano. E. É o mais popular. q ue se situa bem acima do clitóris. (Uma das alegações espúrias em favor da circuncisão feminina é a de que ela "deixa o rosto da mulher mais bonito". Esse religioso não tem a menor autoridade para fazer essa declaração. e a autenticidade da aleg mé — "É permitido [mas] se cortar. foi ameaçada: "Cortarei sua língua e a língua d e toda a sua ascendência". numa explosão grotesca. Portanto.

. Os pequenos lábios são perfurados com um par de barras ou de argolas de cada lado do clitóris ou da abertura da vagina. por motivos óbvios. O ef eito parece mais decorativo e menos estimulante. pode ter a forma de barra ou de argola. enquanto a outra tem a finalidad e de destruí-lo.movimentos. Piercing horizontal no capuz clitoridiano. É extremam ente raro. fica muito m ais difícil queixar-se de outras graves mutilações. Trata-se de um piercing hori zontal colocado na base do capuz clitoridiano. Enquanto o vertical pode estimula r a parte anterior do clitóris. O clitóris é muito sensível e. Piercing labial. Se algumas mulheres modernas são capazes de deixar que seus genitais sejam d olorosamente perfurados apenas para obedecer a um capricho da moda. Também pode ser uma simples argola de metal inserida verticalmente no capuz. é lamentável numa época em qu e tanto esforço está sendo feito para desestimular a circuncisão forçada de milhões de men inas. não se poder esquecer que. na maioria dos casos. em um caso . o capuz é atravessad o de um lado a outro. embora as duas mutilações representem uma agressão cirúrgica à sensível vulva. Embora o fascínio por essa mutilação decorat iva dos genitais seja provavelmente uma moda passageira. Piercing clitoridiano. Entretanto. o triangular estimula a parte posterior. Mais uma vez. Nesse caso. pequ eno demais para ser perfurado. Piercing triangular. a agressão é feita para aumentar o prazer sexual.

Nádegas As nádegas têm sido injustamente a parte do corpo feminina mais desconsiderada. Mesmo quando são consideradas uma zona erótica. poupança. existe se mpre uma conotação ridícula ou obscena. que oferece "um amortecedor de delícias". e muito mais comuns são os comentários que tratam as nádegas como algo cômico ou vulgar. Entretanto. Mas seja qual for a denominação. Uma busca cuidadosa na literatura se faz necessária para encontrar palavr as de elogio a essa parte da anatomia feminina. enquanto Byron admite que o tras eiro da mulher é "uma coisa estranha e bela de se olhar". popa. tralalá são alguns dos nomes pelos quais ela s têm sido chamadas em português. Elas fo ram adquiridas quando nossos ancestrais . D. holofote. H. que "a mulher bunduda é um épico molecular de feminilidade" — uma frase que parece ter perdido algo na tradução. Lawrence faz uma referência lírica à "indolente e redonda calmaria das nádegas". são mais beliscadas e estapeadas do que acar iciadas. Em O amante de Lady Chatterley. Autores mais recentes têm declarado.21. Essa atitude negat iva persiste apesar de as nádegas serem um atributo exclusivamente humano. padaria. bozó. esses são exemplos isolados. Assento. e Rimbaud as admira como "dois arcos salientes". O cineasta italiano Federico Fellini comento u. que "a bunda é a face da alma do sexo". sem falar em várias outras denominações pejorativas rece bidas em outras línguas ao longo dos séculos. bunda. rabisteco. O artista espanhol Salvador Dali foi mais longe ao insistir que "é através da bunda que os maiores mistérios da vida p odem ser entendidos". Elas fazem rir ou são objeto de piadas sujas. de vido à sua proximidade com os genitais. traseiro. rabo. também de forma equívoca. de maneira um tanto ambígua.

a Suprema Corte anulou a conden ação e até liberou a ré do pagamento de custas. Provavelmente . os genitais ficam à vista. uma mulher suíça tinha "exposto o traseiro nu". Recentemente. acusada de atentado ao pudor e condenada pelo tribunal d e primeira instância. Na sociedade moderna. exi stem associações excretórias e sexuais. exibir o traseiro nu em público provoca reações variadas. Entre elas fica o ân us. Depois das devidas deliberações. a Suprema Corte debateu se uma determinada exibição de nádegas era "ofensiva" ou "indecente".deram um passo gigantesco e se puseram de pé sobre as pernas traseiras. através do qual passam. Portanto. É fácil ver como isso aconteceu. insultos e até um processo judicial. permitindo ao corpo manter-se permanentemente ereto. quando nos curvamos para a frente. e são esses músculos que nos dão o par de hemisférios que hoje são tão injustamente ridicul arizados. na Suíça. se ela tivesse se . As nádegas não são sozinhas. Como havia crianças pr esentes. mas não podia ser considerado indecente. porque não envolveu nenhum órgão de procriação". todos os nossos resíduos sólidos e — ainda mais notória — uma ocasional emissão de gases. ela foi presa. Os fortes músculos glúteos se expandiram. que vão do riso constrangido a queixas. Portanto. Dessa sutil dist inção dependia uma decisão que podia significar condenação. dia após dia. emoldurados pelas curvas fêmeas das nádegas. a exposição das nádegas é interpretada como um insulto grosseiro — um ato simbólico de defecar sobre o inimigo — ou uma grande obs cenidade — uma desavergonhada exibição dos órgãos sexuais. Durante uma violenta discussão c om uma vizinha. Fez isso porque chegou à conclusão de que "o gesto era com certeza um comportamento insultuoso e punível como tal. Além disso.

a curvilínea deusa da amor. que os gr egos consideravam as nádegas um sinal da suprema condição humana. em parte devido à sua agradável curvatura. Segundo os gregos. Para eles. a nudez não é mais o que era. precisamos voltar à Grécia clássica. Os primitivos . t inha nas nádegas a parte esteticamente mais agradável de toda a sua anatomia. Pessoas que se ex m dessa maneira em eventos esportivos geralmente só provocam risadas. Foi assim que o Demônio ganhou a reputação de ser "desbundado". mas também por seu contraste com o traseiro dos macacos e chimpanzés. a condenação teria sido mantida . Os dois hemisférios humanos eram tão diferen tes dos dois pedaços de carne dura (as calosidades dos ísquios) do macaco. as nádegas eram uma parte bel a da anatomia. assim como o s estudantes de universidades que exibem as nádegas nas janelas dos dormitórios.curvado para a frente ao fazer seu gesto de desafio. ambos estão envolvidos numa antiqüíssima prática de ocultismo. Essa visão primitiva das nádegas como peculiaridade humana deu origem a outra crença. Mas não é só isso. Aí é um insulto. A exposição das nádegas se torna abusiv a quando acompanhada de frases como "Beije o meu rabo". Eram tão veneradas que um templo foi erguido em sua honra — fazendo das nádegas a única parte do corpo humano objeto de culto. então os monstros das trevas não deviam ter essa car acterística anatômica. "que tem belas nádegas" —. Para entender do que se trata. porque propõe uma subordinação humilhante. Se as nádegas arredondadas eram a marca que disti nguia o ser humano dos animais. Essa reações extremas à exposição das nádegas hoje são raras no Ocidente. Com o forma de protesto. Afrodite Calipígia — literalmente. Embora nem quem insulta nem quem é insultad o percebam. A atua! visão das nádegas como moti vo de chacota não era a dos antigos gregos.

europeus estavam convencidos de que, embora pudesse assumir a forma humana, o De mônio nunca conseguia simular as nádegas arredondadas, que estariam além de seus poder es diabólicos. Acreditavam que essa impotência era fonte de grande angústia para o Demôn io, e uma grande oportunidade de atormentá-lo. Para aumentar sua inveja, bastava m ostrar a ele as nádegas nuas. Como essa súbita exposição lhe lembrava sua deficiência, ele se via obrigado a olhar para longe, desviando o olhar maléfico. Isso protegia o h umanos do temido "Olho do Demônio" e tornou-se um gesto muito utilizado para afast ar as forças do mal. Usada dessa forma, a exposição das nádegas não era considerada vulgar nem indecente. Nos fortes e nas igrejas, esculturas de mulheres exibiam suas náde gas arredondadas para afastar os maus espíritos, já que as nádegas estavam sempre volt adas para fora da porta principal. Na Alemanha, se havia uma tempestade terrível d urante a noite, as mulheres exibiam as nádegas na porta das casas na esperança de re chaçar os poderes malignos e evitar que a tempestade causasse mortes. Provavelment e, foi assim que a exposição das nádegas começou, e hoje os que a expõem praticam a antiga tradição cristã sem o saber. Com o Demônio fora de moda como grande inimigo, a exibição é vi ta hoje como um gesto grosseiro. De um gesto de desafio religioso, tornou-se um gesto obsceno. Mas como isso pode explicar as frases grosseiras que acompanham o gesto? Para entendê-las, é preciso observar as primitivas representações do Demônio. Se e le não tem nádegas, o que tem então nos quartos traseiros? A resposta é: no lugar onde d eviam estar as nádegas ele tem outra face. E essa segunda face é que supostamente er a beijada pelas bruxas no ritual do sabá. Acusadas do ato vil

de beijar o traseiro do Demônio, elas se defendiam dizendo que beijavam a boca de sua segunda face. Tudo isso, naturalmente, é fruto da fértil imaginação medieval, o que não vem ao caso. A verdade é que lendas e crenças transmitidas de geração a geração deixam cl ro que "beijar o traseiro" era o gesto de um seguidor de Satã e, como tal, um ato abominável. Quando as superstições desapareceram, essas ligações se perderam, mas, como qu ase sempre acontece, a frase popular sobreviveu e foi incorporada ao insulto mod erno. Até aqui, a exposição das nádegas foi analisada unicamente como um ato hostil, mas a questão tem outro lado. Em contextos totalmente diferentes, a exibição das nádegas te m forte apelo sexual. As fêmeas de muitas espécies de macacos têm o traseiro colorido. Quando se aproxima a época da ovulação, ele vai se tornando mais evidente e inchado, mas depois volta ao estado normal. Isso significa que, com um olhar, o macho pod e saber se a fêmea está sexualmente ativa. O acasalamento geralmente só ocorre quando o traseiro da fêmea atinge seu ponto mais protuberante. Com a mulher é diferente. Se u traseiro não aumenta ou diminui com o ciclo menstrual. Ele se mantém protuberante o tempo todo, assim como sua sexualidade permanece alta. A fêmea humana expandiu s ua sensualidade a ponto de estar sempre potencialmente receptiva ao macho. Ela s e envolve numa relação sexual mesmo quando não pode conceber, porque a função do acasalame nto humano não é apenas a procriação. Como um sistema compensatório, ele ajuda a fortalece r os laços emocionais entre homem e mulher, mantendo a unidade familiar. Para os h umanos, a cópula é literalmente fazer amor, e é importante que o corpo da mulher seja capaz de transmitir sinais eróticos o tempo todo.

Pode-se argumentar que, se os músculos glúteos se destinam a manter a postura ereta, a mulher não poderia deixar de ter as nádegas permanentemente empinadas. Mas as nádeg as femininas são mais do que simples mecanismos para manter a postura ereta. Em re lação ao tamanho do corpo, são maiores que as dos homens, não porque sejam mais musculos as, mas porque têm maior quantidade de tecido gorduroso. Essa gordura extra tem si do considerada um estoque de alimento para as emergências — quase como a corcova do camelo. Verdade ou não, o simples fato de essa gordura extra nas nádegas ser um atri buto do sexo feminino faz delas um sinal sexual. Esse sinal é acentuado por dois o utros atributos femininos: a capacidade de rotação da pelve e a ondulação dos quadris ao caminhar. Como já dissemos, a mulher comum (que não deve ser confundida com a atlet a cujo corpo se masculinizou com o treinamento) tem as costas mais arqueadas que o homem. Em posição normal de repouso, o traseiro se projeta mais para fora que o d o homem, não importa seu tamanho. Quando ela caminha, a estrutura óssea das pernas e dos quadris provoca uma ondulação maior da região glútea. Em curtas palavras: ela rebol a ao andar. Quando esses três atributos — mais gordura, maior protrusão e mais ondulação — s e combinam, o resultado é um forte apelo erótico. Não é que a mulher empurre deliberadam ente o traseiro para trás e conscientemente rebole para chamar a atenção dos homens, m as isso ocorre devido à conformação do seu corpo. É claro que ela pode exagerar esses at ributos naturais e correr o risco de se transformar numa caricatura. (Recentemen te, um espectador atento relatou que, durante um show, a cantora Kylie Minogue r ebolou os quadris 251 vezes.) Mas mesmo que a mulher não faça nada, sua anatomia est ará sempre transmitindo os sinais característicos do seu sexo.

Hoje já não se vêem tantos quadris protuberantes e ondulantes como antes. Parece que a s mulheres de hoje não são tão avantajadas quanto nossas ancestrais. Naturalmente, não s e pode ter uma prova disso pelos esqueletos, mas, quando observamos pinturas e e sculturas da Idade da Pedra, vemos imensas nádegas por toda parte. Mesmo depois da Idade da Pedra elas persistem na arte pré-histórica de muitas culturas, mas depois começam a desaparecer até atingir as proporções atuais, que, embora ainda sejam bem maio res que as dos homens, são consideravelmente menores. Esses fartos traseiros primi tivos deram lugar a muita especulação. Uma hipótese é a seguinte. Nossos ancestrais copu lavam por trás, como outros primatas, de modo que os sinais sexuais pré-humanos da fêm ea vinham do traseiro. Quando evoluímos para a postura ereta e os músculos traseiros formaram as nádegas, a forma arredondada se tornou o novo sinal sexual. As mulher es que tinham grandes traseiros enviavam fortes sinais sexuais, e com isso as náde gas foram crescendo. As mais sensuais tinham a vantagem de enviar supersinais co m suas supernádegas, mas elas ficaram tão grandes que começaram a atrapalhar o ato sex ual. Então os homens resolveram o problema adotando a cópula frontal. Em razão desse a casalamento frontal, os seios cresceram para imitar os grandes hemisférios posteri ores. A partir de então esses superseios também eram capazes de enviar fortes sinais sexuais, dividindo o fardo, por assim dizer, com as nádegas, que agora podiam com eçar a diminuir de tamanho. Essa última versão da fêmea humana, mais equilibrada e mais ág il, tinha uma considerável vantagem sobre o modelo antigo, que foi sendo gradualme nte substituído. Se essa especulação estiver correta, teremos que encontrar vestígios de sua evidência. Esses vestígios podem ser encontrados hoje nos desertos do sudoeste da

África, onde as mulheres do povo san ainda exibem as imensas nádegas das figuras da Idade da Pedra. Em algumas mulheres, as dimensões do traseiro atingem proporções assus tadoras e nos mostram como deviam ser todas as nossas ancestrais há muitos milhare s de anos. Há quem diga que comparar européias da Idade da Pedra — prováveis modelos das figuras rupestres — com mulheres que vivem atualmente no sul da África é absurdo, mas essa objeção ignora a verdadeira história do povo san. Esse povo não vive hoje no deser to porque esse seja seu ambiente favorito. Esse foi o último canto da Terra onde e les puderam se manter unidos, já que são um ramo da família humana em extinção. Seus ances trais dominavam grandes extensões da África e deixaram belas pinturas rupestres como prova disso. Mas eles representavam a Idade da Pedra Lascada, período em que a caça e a coleta eram os meios de vida. Com a chegada dos povos da Idade da Pedra Pol ida — os primeiros fazendeiros —, eles foram sendo expulsos de quase todos os seus t erritórios, e hoje são cerca de 50 mil indivíduos, quase insuficientes para povoar uma pequena cidade. No passado, porém, foram um dos povos dominantes da nossa espécie, e não há razão para supor que suas imensas nádegas (uma condição que se denomina "esteatopig ia") fossem uma raridade. É mais que provável que, na Idade da Pedra, elas fossem um atributo feminino comum, e que os artistas rupestres tenham se inspirado em mul heres reais, e não em figuras de suas fantasias eróticas. Quando as mulheres mais ágei s e magras dominaram a cena, a velha imagem de grandes glúteos não desapareceu compl etamente do inconsciente humano. Ela ainda ressurge de tempos em tempos de manei ras inesperadas. Muitas roupas exageram o tamanho das nádegas. Mesmo na época vitori ana, o olhar do homem pôde apreciar uma nova forma artificial de esteatopigia com a introdução das anquinhas. Arames, enchimentos e cor-

dões entraram em cena para reproduzir a perdida adiposidade da região glútea. As elega ntes que usavam suas anquinhas nas reuniões da sociedade vitoriana com certeza fic ariam horrorizadas com essa interpretação, mas hoje a comparação é inevitável. No século XVII o principal artifício para exagerar o traseiro feminino eram os sapatos de salto alto. Esse tipo de calçado distorcia o andar da mulher de tal maneira que as nádegas eram empurradas para cima e para fora e obrigadas a ondular mais ainda. Mesmo s em indevidos exageros, as nádegas continuam a ser um foco erótico no corpo da mulher moderna. Longos vestidos que escondem as pernas em geral são cortados de maneira a exibir o contorno das costas e delinear os movimentos. Peças como as minissaias dos anos 1960 exibiam o traseiro, e calças justas, embora escondam a carne, não deix am dúvida quanto à forma exata dos hemisférios posteriores. No início da década de 1980, a moda criou uma linha de calças jeans bem apertadas, deliberadamente desenhadas pa ra exibir essa região do corpo como um símbolo sexual da mulher recém-liberada. O auto r de um livro chamado Rear View (Visão traseira), publicado na época e exclusivament e dedicado ao impacto erótico das nádegas femininas, saudou a nova era com as seguin tes palavras: "A Butt Blitz (Investida das Bundas) começou em 1979 quando uma de s uas porta-vozes enfiou sua vibrante, giratória e bem-cortada derrière na cara assust ada do público de uma rede de televisão. [...] Foi o início de um fenômeno cultural conh ecido como jeans de marca". Em poucos anos, os jeans de marca competiam com as c alças mais largas, e os dois estilos conseguiram conviver durante um certo tempo. À medida que as calças compridas passaram a dominar a moda feminina e as saias caíram na preferência das mulheres mais jovens, as velhas e malcortadas calças jeans no est ilo trabalhador

junto com seu adjetivo "bootylicious". Começou na década de . saíram de moda. Originalmente restrito à gíria dos negros american os. torn ou-se popular um estilo de música chamado booty rap. Embora ela tenha publicado um desmentido.foram substituídas por modelos glamorizavam a região glútea. Um comentar ista chegou a dizer que "as nádegas eram os novos seios". Nos Estados Unidos. definido como "sexualmente atraente. dotadas de um traseiro diminuto perto do dessas mulheres. Na Inglaterra. foi inventada até um a nova palavra para descrever a mulher que possui um traseiro farto: "poposuda". À medida que o século XX se aproximav a do fim. em especial com nádegas volup tuosas". um concurso que elege "O Traseiro do Ano" se tornou muit o popular. as nádegas femininas estavam numa fase de grande valorização. e o cenário musical brasileiro assistiu a um culto por dançarinas poposudas. quando os jornai s da Europa e da América anunciaram que ela havia segurado seu admirado traseiro p or US$ 1 bilhão. o fato de que tal notícia possa ter sido inventada e chegado às manchetes é um sinal do grande interesse por essa parte da anatomia feminina no fim do século XX. que delineavam e Uma forma extrema dessa tendência surgiu em 1992. o termo foi dicionarizado pela primeira vez em 2002. quando uma jovem estilista ingle sa lançou um modelo que tinha a cintura tão baixa que deixava ver o sulco entre as nád egas. O termo "booty" era um novo e ufemismo para "buttocks" (nádegas). As mod elos esqueléticas. Embora nem todos no mundo da moda tenham aprovado o novo modelo. cada vez mais pessoas prestavam atenção a essa parte do corpo. No Brasil. A atriz e cantora Jennifer Lopez chamou a atenção cm 1999.

Enchimentos e peças elásticas destinadas a levantar as nádegas já vinham sendo usad os. Novamente.600 cirurgiões plásticos em atividade. a forma es tilizada do coração. Até aqui. na realidade se baseia nas nádegas. Essa cirurgia custa cerca de US$ 10 mil. Já se disse que o símbolo universal do amor. Aparent emente. para criar uma aparência mais j ovem e mais voluptuosa. quando alguém se hospeda num hote l no Rio. Um dos maiores centros desse tipo de cirurgia é o Brasil. Dos dois lados d o Atlântico. mas ganhou maior publicidade com a chegada do novo milênio. pode encontrar folhetos de propaganda de clínicas de cirurgia plástica ao lado do inevitável exemplar da Bíblia. Há muito nossa espécie aban donou a locomoção sobre quatro patas. De fato. anal isamos os aspectos ofensivos e sexuais das nádegas. mas o alto custo parece não ser um obstáculo. mas não há dúvida de que o mundo da moda e da cultura pop ular esté sempre voltando à região glútea como foco de erotismo. mas agora os cirurgiões plásticos relatam uma enorme procura por nádegas mais volu ptuosas. que é a da . cresce a demanda por produtos e procedimentos cosméticos destinados às náde gas. É difícil dizer quanto tempo vai durar essa moda de nádegas firmes e generosas. uma imagem humana primitiva pode estar em ação. mas o traseiro feminino se recusa a desaparece r do inconsciente masculino.1980. Além do aumento da s nádegas. onde calcula-se que existam no mínimo 1. as mulheres também querem tê-las mais firmes. esse tipo de cirurgia é tão comum no país que. mas existe uma terceira maneir a pela qual essa parte do corpo pode ser exposta. ela se parece muito pouco com o verdadeiro coração e tem uma estranha semelhança com as nádegas femininas vi stas por trás. tanto através de injeções de gordura quanto de implantes.

o contato com as nádegas é proibido. Parece que. o gesto pode ser mal interpretado. a livraria do ataque. e o tapinha nas costas é preferível. aquele que expõe as nádegas está dizendo: "Eu me ofereço no papel passivo feminino. e então. uma vez nessa posição que. A vítima deve primeiro curvar-se para a frente na postura submissa dos primatas. Por favor. a não ser que exista uma intenção sexual oculta. uma palmada no traseiro só pode ser usada com segurança como sinal de amizade quando não existe perigo de envolvimento sexual. se ela fosse um macaco. para certos humanos dominadores. Uma forma mais comum de exposição das nádegas é aquela e ue a criança é espancada como castigo. a curvatura. com alguns movimentos pélvico s. O tapa no traseiro restring e-se portanto a certos contextos. o gesto é importante. Em ambos os casos. Os macacos submissos de qualquer sexo mostram o tra seiro ao superior de qualquer sexo. Nesse aspecto. Entre amig os numa reunião social. Parece tanto o gesto de submissão dos prima tas que é difícil não relacioná-los. mostre-me sua superioridade monta ndo-me em vez de me atacar". porque permite ao fraco subordi nado permanecer perto do poderoso dominante sem ser atacado. é injustamente espancada com a mão. A exposição das nádegas numa humilhante postura curvada teve um papel duradou ro como gesto de submissão. ou entre esportistas durante uma competição acirrada. a postura humilhante não é suf iciente. Em algumas sociedad es tribais. é feita dand o as costas para a pessoa homenageada. Devido às suas implicações sexuais. Em ambos . Como demonstração de submissão. Os indivíduos dominantes raramente atacam esse s subordinados: ou o ignoram ou o montam brevemente.submissão. praticada como uma cerimônia de agradecimento. Fora do âm bito de um casal de amantes. não há diferença entre o ser humano submisso e o macaco submisso. como entre pais e uma criança muito pequena. com uma cinta ou u ma vara.

parentes idosos ou "amigos da família" que exploram a difer ença de idade batendo nas nádegas de adolescentes e desfrutando o contato sexual dis farçado em castigo parental podem criar muitos problemas. um tapinh a no traseiro é comum. É essa ligação sexu al que causa uma reação ultrajada diante de um gesto que outrora foi um costume dos italianos: beliscar as nádegas da mulher em público. Qualquer mulher atraente que ca minhasse por uma cidade italiana corria o risco de ter as nádegas beliscadas por u m admirador desconhecido. levemente irritada ou ofendida. O autor de uma obra satírica intitulada Como ser italiano relata os três beliscões fundamentais: Pizzicato: um rápido beliscão executado com o polegar e o dedo médio. a fortes emoções sexuais. como mostram os filmes. Por outro lado. na mente dos amantes. As mãos que a braçam as costas facilmente passam às nádegas à medida que a excitação cresce. executado com vários dedos e várias vezes em rápida sucessão. os pensamentos sexuais são tão remotos que não há possibilidade de um mal-ente ndido. o cavalheiro pod ia explorar a situação deixando a mão descer pelas costas da dama em direção às nádegas.os casos. Entre amantes. E um acompanhamento freqüente dos beijos e abraços. . é o atrevido ver sua mão rapidamente de volvida à posição original. Vivace: um beliscão mais vigoroso. A co tinuação dessa estratégia. Recomendado para iniciantes. É durante essa fase de contato físico que a forma arredondada das nádega s se liga intimamente. ela podia se sentir orgulhosa. De acordo com sua educação. quando estranhos podiam se abraçar enquanto dançavam. os tapinhas muitas vezes são substituídos pelo gesto de agarrar as nádegas para acompanhar as vigorosas estoca das da pelve. Nos bailes de antigamente. Nos estágios avançados do ato sexual.

e uma ocasião chegaram a revida r.. Anatomicamente. adequado no caso de "cintas resi stentes". Nádegas tatuadas não são comuns. f azia furos nas nádegas. a porcentagem de adeptos é mu ito maior. Man Tran sformed (Homem transformado). São muito íntimas para exibir obras arte e muito inadequadas para carregar ornamentos. na qual ele mostra uma nativa de aparência infeliz c om jóias penduradas nas nádegas. num gesto absurdo de coragem. Uma pesquisa com 5 mil donas-decasa do Brasil revelou que 40% dos cas ais que viviam no campo e 50% dos que viviam nas cidades "consideravam o coito a nal uma parte normal da sexualidade". lembro-me [. Encontramos o único exemp lo de nádegas ornamentadas numa obra de John Bulwer escrita no século XVII. e não uma entrada. e portanto pode ser fonte de prazer. Apenas 10% o julgaram bastante satisfatório para ser adotado como atividade regular..Sostenuto: um beliscão bem apertado e prolongado. Funcionalmente. Finalmente. onde eram penduradas pedras preciosas. Calcula-se que cerca de 50% das mulheres ocidentais tenham experimentado o sexo anal em alg um período de sua vida. O que se revelava u ma moda inconveniente e desconfortável.] de um certo povo que. as nádegas não têm grande utilidade. porém. Em algumas partes do mundo. As feministas não acham a menor graça nisso. ele é uma saída. o sexo anal não é . e muito prejudicial a uma vida sedentária". procurando nas ruas nádegas masculinas que pudessem ser beliscadas. existe a questão do uso do ânus feminino como orifício sexual. Do ponto de vista biológ ico. o ânus é rico em terminações nervo sas. e a evolução não o preparou para receber a penetração. Como área des tinada à decoração. exceto entre os fanáticos. já que destinadas ao ato de sen tar. Bulwer comenta: "Entre outras asquerosas invenções de a lgumas nações.

Isso está explicitamente demonstrado na cerâmica pré-colombiana do P eru. e não conta com a ajuda da hibrificação automática de glândulas e specializadas ou das outras mudanças que facilitam a penetração vaginal. Quando há um bebê presente — a maneir a de o artista mostrar que eles formam uma família —.uma atividade "natural". o sexo anal era usado como uma forma primitiva. em partes da África e no Oriente. de contro le da natalidade. no curso da história. antes que existissem preserv ativos. nas quais a exibição dos lençóis manchados de s angue depois da noite de núpcias ainda é exigida como prova da virgindade da noiva. ignorância ou convicções religiosas —. principalm ente na América Latina. O sexo anal lhes ofer ece uma solução para o problema. Parece haver quatro razões para isso: Há séculos. por exemplo. Isso é particularmente verdade em certas culturas mediterrâneas. a penetração é evidentemente anal. é provável que. o ânus tem sido coagido a desempenhar o papel de uma vagina s imbólica. os homens muitas vezes desejam fazer sexo nesse período. E ssa forma de contracepção sobrevive ainda hoje em muitas partes do mundo. mas sentem-se inibidos pelo sangramento. a penetração vaginal só é mo strada se não existe um bebê dormindo ao lado deles. Sempre que um casal aparece fazendo sexo. a penetração anal seja utilizada como forma de controle da natalidade. r dos riscos para a saúde. Onde não há preservativos disp oníveis por qualquer razão — pobreza. Uma segunda razão é que ela permite aos jovens casais se entregarem ao s exo antes do casamento sem que a mulher perca a virgindade. Apesar disso. . mas eficiente. Uma terceira razão é a aversão masculina ao sangue menstrual. Como a mulher continua s exualmente receptiva quando está menstruada.

Juntas.Finalmente. a perfuração do hímen antes do casamento ou o con tato com o sangue menstrual. o sexo anal também é utilizado como uma variante erótica para casais que buscam novidade. essas razões explicam a ocorrência generali zada de uma atividade que tem sido um assunto tabu. . além de evitar a gravidez.

O que existe nas pernas femininas que as torna sexua lmente atraentes? Sua função primordial é nos manter de pé e nos fazer caminhar. Uma pergunta presente em qualquer vestiário esportivo m asculino é a seguinte: "O que você prefere: seios ou pernas?" A fixação pelas pernas é tão g rande que existe uma publicação exclusivamente dedicada a essa obsessão masculina: Leg World (Mundo das Pernas). e no entanto os homens são obcec ados por elas sexualmente. vale a pena investigar os motivos dessa forte atração. a pri ncesinha caiu no choro. . É evident e que as pernas evoluíram como estruturas de locomoção. antes de examinar as pernas como meio de locomoção. Quando. que foi enviado de volta por um mensageiro com as seguintes palavras: "A rainha da Espanha não tem pernas". por exemplo.22. Ao ouvir isso. a adoração atinge o grau de fetiche. a princesa austríaca Mariana estava para se casar com Felipe IV da Espanha. um dos presentes de casamento foi um par de meias. Em alguns homens. não havia por que enfeitá-las com meias decorativas. parece haver uma inexplicável preferência pelas pernas. que se interessa m por todas as partes do corpo da mulher. como não se podia ver as pernas da rainha. acariciando um par de meias de náilon. O que o mensageiro quis dizer é que. Naquela época. pensando que quando se casasse teria as pernas amputadas . mas. aos 15 anos. Pernas O poder erótico das pernas sempre foi valorizado. Assim. mostrar as pernas er a sinônimo de convite sexual. Esse comportamen to é relativamente raro. mesmo entre heterossexuais normais. El es não se interessam por nenhuma outra parte do corpo feminino e conseguem obter s atisfação sexual.

Em 1972. ela cria uma .A primeira e mais óbvia explicação talvez esteja na forma como as pernas se juntam. Uma moça bemcomportada. claro. Nesse aspecto. o par de pernas funcionasse como uma flecha que indicasse a "terra prometida". que tem um quê de informalidade. a maior autoridade moderna em boas maneiras: "Cruzar as pe rnas hoje não é mais uma atitude masculina. Eis o qu e diz Amy Vanderbilt. Amy Vanderbilt achou necessário informar às mulher es americanas que "é gracioso sentar-se com o polegar de um pé posicionado ao lado d o polegar do outro e com os joelhos unidos". o foco principal do interesse sexual masculino . Todas as posições em que as pernas fica m fechadas. fecha ou cruza as pernas. em comentários como "Ela teve que ser enterr ada num caixão em forma de Y"). abrir as pernas sem pre foi um gesto carregado de significado sexual. mas existem boas razões para evitar ao máxim o essa postura. Primeiro. esteja a mulher de pé ou sentada. Ca da vez que uma mulher abre. mesmo em momentos em que a mul her está apenas procurando uma postura mais confortável. chama a atenção para o ponto o nde elas se encontram — que é. as mulheres da alta sociedade eram proibidas de adotar essa postura em público. e mesmo hoje os livros de etiqueta mais conservadores ainda a desaprovam. Como na posição papai-e-mamãe a m ulher mantém as pernas abertas. Os livros de etiqueta ensinam as jovens a não se sen tarem de pernas abertas. o homem costuma identificar essa postura com uma m ulher sexualmente ativa (por exemplo. É quase como se. passam uma imagem de formalidade. A única outra alternativa ade quada é a postura de pernas cruzadas. po lidez ou subordinação. No século XIX. mos tra uma neutralidade que lhe dá um ar de correta inibição. que se senta com os joelhos juntos. no recesso da mente do homem.

Em segundo lugar. causando varizes". Posição calcanhar-com-calc anhar. As pernas juntam rev elam uma disposição para a ação. por exemplo. percebe-se que existem nove maneiras de cruzar as pernas. argumentando que a informalidade da post ura pode dar uma impressão de pretensão ou de excessiva descontração. pode s er indecente ou no mínimo um sinal de descompostura. Passa uma imagem formal e "correta" . Em terceiro lugar. nunca foi fotografada com as pernas cruzadas acima da panturrilha. Posição panturrilha -com-panturrilha. com saias curtas. A rainha da Inglaterra. parece que prejudica a circulação. essa postura pode ser usada (consciente ou inconscientemente) com intenções sexuais . enquanto a segund a mostra sua disposição de permanecer confortavelmente sentada. Assim como a primeira postura. Essa é a primeira das posturas verdadeiramente informais e costuma ser vista em situações sociais comu ns. Analisando mais detalhadamente essa postura. As pernas cruzadas indicam que a mulher está instalada e não pretende se levantar de repente. pode expor inadvertidamente as coxas. e a posição quase não difere da postura de pernas fechadas. Portanto. A diferença entre a postura comportada de pernas juntas e a postura de pernas cruzadas está no fato de que a primeira mostra uma prontidão da mulher para se levantar. A parte das pernas que se cruzam é muit o pequena. Ela alerta para o perigo de cruzar as pe rnas durante uma entrevista de emprego. só é demonstrada por mulheres de alta condição social e m ocasiões públicas. . É a postura mais comportada de todas. Se a mulher está usando saias.protuberância nas coxas que se sobrepõem. Posição joelho-com-joelho. Não é uma postura muito comum.

É uma posição muito feminina. Devido a conformação da pelve feminina. já que é muito desconfortável para o homem. Além das diferenças de gênero já ap ontadas. é muito pr ovável que cruzem as pernas de maneira semelhante quando se sentam para conversar. Posição de pernas entrelaçadas. porque a maioria dos homens não consegue executá-la. mas a região pubiana. São formas de linguagem corporal que transmitem sin ais subliminares sobre o estado de espírito da pessoa. Mai s uma vez.Posição coxa-com-coxa. Posição pé-com-pantu rrilha. se a mulher estiver de saia. mais uma vez por causa da conformação pélvica. posição calcanhar-comjoelho e posição calcanhar-com-coxa. É a preferida dos homens que gostam de afirmar sua masculinidade (ou das m ulheres que querem mostrar que são iguais aos homens). Posição panturrilha-c om-joelho. Se duas amigas têm uma visão semelhante sobre determinado assunto. Essas maneiras de cruzar as pernas são vistas em quase todas as reuniões sociais. é a pelve mais larga da mulher a responsável pela diferença. e ocasionalmente por mulheres que estejam usand o calças. são adotadas apenas por homens. as pernas se enroscam e se mantêm nessa posição com a ajuda do pé flexiona do. É uma versão mais radical da última postura. essa é uma postura facilm ente adotada por mulheres. Nesta postura. vão expor não só as coxas. É outra po stura predominantemente feminina. . a maneira de cruzar as pernas também pode indicar identidade entre duas m ulheres. Estas três posturas são obtidas com uma perna erguida acima da outra. Portant o. na qual uma coxa se ap erta contra a outra. N esta postura. um pé descansa sobre a panturrilha da outra perna. São maneiras de cruzar as pernas qu e. mas raramente praticada por homens.

Se são amigas. e essa postura não pass a despercebida. Em certo sentido. A postura de pernas afastadas revela autoconfiança.Entretanto. Se uma mu lher exagera nessa postura de defesa sexual e aperta demais as pernas. os joelhos apontam para fora e ajudam a desviar o corpo nessa direção. a . Mas é verdade q ue quando alguém não se sente à vontade diante de outras pessoas tem maior probabilida de de manter as pernas cruzadas do que quando está relaxada. se uma é superior à outra e quer afirmar sua condição. o gesto d eixa de ser defensivo e começa a ter um certo sabor sexual. mais defensiva é a postura interior da mulher. os j oelhos de uma ficam voltados para a outra. Na verdade. Ao longo da história. são tão fortes os sinais sexuais transmitidos pelas pernas fe mininas que só uma postura descontraída entre os dois extremos pode ser adotada sem atrair atenção sexual. pernas cruzadas são o oposto de pernas afastadas. Isso é uma simplificação. Por causa disso. Outro aspecto sexual das pernas é a maneira como elas são escondi das pelas roupas. porque muitas pessoas se sentem mais confortáveis com a s pernas cruzadas e adotam essa postura mesmo quando estão sozinhas. Suas pernas tran smitem uma mensagem tácita: "Sou diferente de você". provavelmente adotará u ma maneira de cruzar as pernas diferente da de sua subordinada. Existe ainda outro elemento na maneira como uma mulher cruza as pernas. Se existe uma animosidade entre elas. Pode-se afirmar com uma certa segurança que. porque "a dama protest a demais". houve quem chegasse a afirmar que todas as pessoas estão na defensiva quando cruzam as p ernas. Quando duas mulheres sentam-se lado a lado. a direção em que cruzam as pernas também é significativa. mesmo que as pessoas ao seu redor não se dêem conta disso. quanto mais apertadas as pernas.

e que aquelas moças "modernas" se comportavam como prostitutas. À mesa. Tão forte e total foi essa supressão que até a palavra foi proi bida nos círculos educados. é difícil compreender o ambiente social que tornava possíveis tais extremos de pudicícia. Um proeminente advogado se queixou de que "a provocação de pernas coberta s de seda e coxas seminuas [. a exposição tinha então que ser maior. Muitas jovens foram proibidas de usar as novas saias curtas no trabalho. é o forte apelo erótico das pernas femininas. As jovens rebeldes dos anos 1920 ousavam expor as panturrilh as e até os joelhos. a p roporção visível das pernas femininas variou consideravelmente. e a simples visão de um c alcanhar era chocante. Hoje. etc. Nos Estados Unidos. as perna s desapareceram por completo de vista por longos períodos. mais uma vez. pouco depo is. e apenas a região pubiana coberta por uma estreita faixa de tecido. No último século. eram usados eufemismos como "extre midades". o novo comprimento era aceito como norma. e mesmo então ainda causa ram muito assombro. Em diferentes períodos da história ocidental. Só dep ois da Primeira Guerra Mundial elas saíram do esconderijo. Todas as vezes que as mulheres se rebelaram con tra isso.maioria das religiões preferiu ver as pernas das mulheres totalmente cobertas — outr a admissão de seu potencial erótico. Para chocar. e isso era demais para alguns homens.. até que toda a perna estivesse à mostra. Cada centímetro que as saias subiam provocava prote stos e acusações de licenciosidade das autoridades puritanas. mas a verdade é que as pernas foram um tabu durante muito tempo.] era devastadora e insuportável". Diziam que a nova moda estava corrompendo os padrões morais. "apêndices". Entretanto. uma coxa de galinha tornou-se apenas "carne escu ra". O que comentários como esse revelam. encurtaram as saias.. O mot ivo é .

influenciadas pelas mudanças de humor da sociedade. o que as minissaias proporcionaram foi uma sensação de liberdade . mas a des vantagem de que a familiaridade gera desinteresse. por exemplo. seria um erro concluir que as mudanças no comprimento d as saias durante o século XX refletem apenas as flutuações do vigor sexual da sociedad e. A verdade é que tanto as saias curtas quanto as longas têm potencial sexual. Era como se as mulheres. foram substituídas pelas minissaias dos liberais anos 196 0. mais fácil é imaginar o ponto onde elas se encontram. Mais do que qua lquer fator sexual. Portanto. constataremos que as saias curtas foram adotadas em períodos de florescimento econômico. e as longas reap areciam em períodos de depressão econômica. as mulheres podem caminhar . e que é o ato de tirar a roupa que p roduz um estímulo sexual. não resultaram de uma onda moralista. A s saias longas dos anos 1970. a saia longa tem a vantagem de provocar um for te impacto quando é erguida ou removida. Entretanto. as longas do pós-guerra. Com saias curtas. As saias curtas dos agitados anos 1920 for am substituídas pelas saias longas dos anos 1930 pós-depressão. Se acompanharmos o sobe-e-desce das saias década após década. Qualquer dançarina de strip-tea se sabe que precisa começar totalmente vestida. que por sua vez deram lugar às saias longas dos recessivos anos 1970. Quanto maior a parte das pernas à mostra. A curta tem a vantagem de expor as pernas o tempo todo aos olhares masculinos. E.óbvio. mas isso é apenas parte da história. revelassem seu otimismo e confiança pelo comprimento das bainhas. pode-se dizer que as saias mais curtas refletem uma sociedade dotada de maior energia sexual. mas tem a desvantagem de ficar a maior pa rte do tempo bloqueando os sinais sexuais emitidos pelas pernas. no fim da década de 1940. se uma atitude otimista vai bem com uma ativa sexualidade.

) Como as saias. o que lhes deu um enorme potencial erótico. As que usam longas saias com muito pano ou afuni ladas perdem mobilidade. adotando a peça característica do vestuário masculino: as calças. levantar uma saia é fácil. dando-lhes dobras e rugas anti-estéticas. Revelaram pela primeira vez a forma exata da região onde as pernas se enc ontram. como as saias curtas. Elas t ambém davam a impressão de uma armadura protetora. as calças também mostraram vantagens e desva ntagens. saltar e correr. logo foram aceitas. est amos caminhando para a frente". que. Com esse último passo veio outra mudança. jovens. As calças. Na mente do homem. causaram tum ulto quando apareceram e fizeram muitas mulheres serem expulsas de ambientes eli tistas. de modo que as mulheres podem usar saias curtas e lo ngas ou calças largas e justas sem a pressão de rígidas normais sociais. roubando das pernas a vulnerabili dade diante da abordagem masculina. A explosão de minissaias nos anos 1960 resultou de uma li berdade recém-conquistada com a invenção da pílula anticoncepcional e com o forte cresci mento econômico. ti rar um par de jeans é uma luta.vigorosamente. . 84% das mulheres de Londres pr eferiam as calças às saias. Se o mundo ocidental se tornou cada vez mais liber al em relação à exposição das pernas. ficou claro para on de elas estavam caminhando — para o movimento feminista e uma nova luta por iguald ade sexual. a vanguar da da população feminina propunha a igualdade das pernas. Enquanto o confuso quadro econôm ico dava origem a uma mistura de tendências — saias longas. As longas pernas transmitiam uma mensagem social: "Nós. mas ao mesmo tempo não deixavam ver a suave curvatura das pernas. (No início do século XXI. médias e curtas —. Com a chegada dos anos 1980.

mas em poucas semanas as belas pernas estavam de volta. a s mudanças não foram aceitas sem resistência. Outro aspecto da s ensualidade das pernas é sua suavidade. à prova d'água e nunca enruga. Entre tanto. mas agora está mudando graças à chamada "abertura" da economia chi nesa. bran cas e lisas como um ovo". as mulheres não podem expor nenhuma parte da s pernas em público. Hoje. A China comunista também impôs graves restrições às mulheres durante qu ase todo o século XX. Um poeta do século XVII cantou em versos as pernas de sua amada: "Pudera eu beijar as deliciosas pernas de minha Julia. por exemplo. Uma alternativa moderna é a aplicação de um spray sedoso que ade re à pele e produz um efeito muito semelhante ao das meias. Em 1998. No Japão. Um sinal dessa mudança foi a aparição de pernas femininas nas telas de tevê. O uso de meia s de seda ou náilon se popularizou também como uma maneira de aumentar a aparência de suavidade das pernas.em outras partes do mundo as restrições ainda são muitas. a bemvinda liberalização da moderna China parece ser irreversível. A pele lisa e suave das pernas femininas (às vezes aperf eiçoadas com uma pequena ajuda no banheiro) contrasta com a pele peluda das pernas masculinas. um grupo de estuda ntes apresentou uma queixa formal exigindo "uma tela [de tevê] livre desse lixo co mercial que expõe o corpo feminino para vender produtos de beleza". onde mais de 12 milhões de . por exemplo. Nos países muçulmanos tiranizado s por líderes religiosos conservadores. Tem várias vantagens: é ma is fresco. uma diferença que funciona como um forte sinal de gênero. As autoridades ficaram suficientemente sensibilizadas e proibiram a exposição inadequada das perna s femininas na tevê. embora no século XXI um ar de modernização tenha varrido a sociedade chinesa.

não são atraentes para o hom em. Na mulher adulta. Não é difícil descobrir por que pernas compridas são tão atraentes. existe uma vantagem em ter pernas longas. a condição física adequada à procriação é um atributo que desperta gr nde interesse sexual. Como na puberdade ocorre um rápido crescimento das pernas. desenhando figuras d e pernas muito mais longas que as das modelos reais. as pernas são maiores que as da criança tanto em termos relativos quanto em termos abso lutos. É claro que se eles tivessem exagerado demais os desenhos ficariam grotescos. nem muito gordas — estão associadas (na mente primitiva do macho) a uma condição física ideal para a procriação. Pernas muito finas. uma mulh er de pernas anormalmente longas transmite sinais de extrema feminilidade. mas o alongamento na medida cer ta deu às mulheres retratadas uma maior sensualidade. As suaves c urvas ascendentes atraem o olhar dos homens. Numa recente pesquisa em que mil homens foram solicitados a dizer que atriz tinha as mais belas pernas. ter pernas mais compridas acabou sendo sinal da chegada da maturidade sexual. Pernas curvilíneas — nem finas demais. . a mais votada (Nicole Kidman) é famosa por suas longas pernas. mas também po rque são sinal de um corpo vigoroso e saudável. tão populares no m undo da moda. Dá às pernas a suave aparência "vestida" adequada ao local de trabalh o sem nenhuma das desvantagens das meias. em tod as as culturas humanas. os cartunistas começaram a explorar esse aspecto. assim como pernas muito gordas e grossas. Portanto. Está provado que. Finalmente.mulheres trabalhadoras são proibidas pelas empresas de expor as pernas nuas. Na déca da de 1940. a sol ução do spray é ideal. Outra diferença de gênero é a forma curvilínea das pernas femininas em comparação com as musculosas pernas masculinas. não só porque são diferentes.

5 cm mais compridas que a média — o que mostra a grande variação existente nas m edidas das pernas femininas adultas. . a patela. Para resumir. as pernas são sexual mente excitantes porque (1) o ponto onde elas se encontram é foco da atenção erótica mas culina. que protege a p arte frontal da articulação do joelho. (2) suas diversas posturas indicam preocupações eróticas. e (5) seu acelerado crescimento na puberdade faz com que pernas longas passem uma mensagem de prontidão sexual.Desde então. dos joelhos ao púbis. as mulheres r eais pareciam ter pernas cada vez mais longas. Quando um pintor faz um esboço acurado do cor po humano. (4) suas curvas enfatizam as formas do corpo feminino. durante toda a segunda metade do século XX e início do XXI. do púbis aos mamilos e dos mamilos ao topo da cabeça. fotógrafos e diretores de cinema preferirem mulheres d e pernas longas. isso resultava do fato de estilistas de moda. divide-o em quatro partes praticamente iguais: do chão aos joelhos. Em outras pal avras. A tendência continuou ano após ano. até que hoje é impossível para uma mo delo que tenha pernas curtas encontrar emprego. o osso mais comprido do corpo humano. A base esquelética das pernas compreende quat ro ossos: o fêmur. São pernas proporcionalm ente 30. As pernas mais longas do mund o pertencem a uma adolescente e medem 124 de seus 190 cm. as pernas são metade do comprimento do corpo. (3) a roupa mais cur ta permite a exposição de porções de carne que em geral permanecem escondidas. Evidentemente. As pernas cor respondem à metade da altura do corpo. vamos analisar sua anatomia. Deix ando de lado o sex appeal das pernas.

bas ta-me citar os nomes de Mae West e Marilyn Monroe. Muito já se escreveu s obre o andar. e muitas mulheres famosas tém um andar tão característico que é fácil imitá-las. As japones as são perfeitas quando se trata de um andar mais formal. o passo da mulher é mais curto qu e o do homem. É o andar típico das mulhere s quando estão usando saias muito justas ou sapatos apertados. Foram identificadas 36 maneiras de and ar na espécie humana — do andar lento de cerca de um passo por segundo ao caminhar n ormal de dois passos por segundo até o andar rápido de quatro passos por segundo —. O miudinho é um andar de passos rápidos mas curtos. enquanto as americanas são melhores em tipos de locomoção mais casuais. Para ilustrar o que estou dizendo. A maneira de caminhar de diferentes indivíduos e de diferentes cultu ras há muito fascina os observadores.5 metros. que se situa ao lado da tíbia. Impulsi onada por pernas fortes e bem-moldadas. que se articula com o fêmur. . Normalmente. Tais feitos de força e resistência testemun ham a evolução das pernas femininas ao longo de 1 milhão de anos. Na verdade. existem imensas diferenças entre. e a fíbula. No aspecto cultural. só que os passos curtos ficam ainda menores. ma s apenas nove delas são predominantemente femininas e merecem uma breve menção: 0 vaci lante é o andar das pessoas cujas pernas não são capazes de percorrer longas distâncias com conforto. a mulher já saltou mais de 2 metros no ar e conseguiu dar um salto em distância de 7. mas existem enormes diferenças pessoais. por exemplo. A pessoa caminha com passos muito curtos. Uma maratona de dança que levou os participantes à exaustão durou 214 dias. mulheres japonesas e americanas. é um exagero do andar característico das mu lheres.a tíbia.

hoje restringe-se praticamente ao Ja pão. O deslizante é uma versão elegante do miudinho. Essa mesma conformação a natômica que permite à mulher cruzar as pernas entrelaçadas lhe dá uma diferente maneira de correr. Marilyn Monroe realçava seu famoso gingado usando sapato s de salto alto que tinham um salto ligeiramente menor que o outro. que ocu ltem o movimento dos pés.Pode ser descrito como um andar que demonstra "afetada precisão". tornase uma caricatura sexual. Se exagerado. com uma ação mais vigorosa das pernas. O gingado é o andar erótico da mulher que quer atrair atenção. o corpo par ece deslizar para a frente como se sobre rodas. O pulado é o andar típico da adolescente quando caminha com um movimento flexível que faz o corpo saltar a cada passo. com pequen os saltos desnecessários. Com movimentos curtos e delicados dos pés. O peso pas sa de uma perna para a outra. O saltitante é um andar alegre e rápido. rápidos e indecisos. Para criar o efeito desejado. com muitas idas e vindas e súbitas mudanças de direção. A corrida nos interessa particularmente porque a conformação corporal da mu lher a obriga a executá-la de uma maneira ligeiramente diferente da do homem. a mulher precisa usar saias bem longas. Isso se deve à maneira como as pernas femininas estão presas à bacia. que re vela saúde e otimismo. É uma versão mais rápida do pulado. Outrora comum entre mulheres da alta sociedade em algumas partes da Europa. cheio de movimentos curtos. É um andar alegre. fazendo os quadris oscilarem. O disparado é um andar ansioso. O passo largo é usado pelas mulheres que imitam o vigor do an dar masculino. com um elemento de rotação .

mas. quando uma mulher simplesment e sai de casa e caminha pela rua sem pensar que está colocando um pé diante do outro . Essa diferença quase não é percebida porque é mais com um vermos atletas correndo. O corpo das atletas não exibe as usuais curvas e seios fartos. Essas regras variam de uma época para ou tra. se observarmos uma mulher menos musculosa e mais voluptuosa correndo para pegar um ônibus. e no entanto não há o menor sinal de rigidez. o trote. Essas normas de "bom comportamento" parecem estranhas nos dias de hoje. que acabou sendo uma especialização do homem (c açador primitivo). nem tampouco gesticula enquanto caminha". en quanto outras resultam de normas sociais. livres das imposições da etiqueta. Essa nova informalidade permitiu o aparecimento de maneiras muito pessoais de caminhar. Essas são as corredoras que vemos nas telas da tevê. sua camada de gordura é muito reduzida. . para chegar a ser uma atleta de ponta. sem nenhum traço da rotação da pe rna tipicamente feminina. havia leis estritas determinando como uma dama devi a caminhar num local público. a mulher é escolhida entre milhões de outras por seu andar masculino. e n a corrida suas pernas executam um movimento frontal. ela devia evitar o "caminhar atlético". Essa corrida desajeitada sugere que.que não existe na corrida do homem. o corpo feminino sacrificou algumas de suas ca pacidades atléticas adequadas à corrida. Em hipótese algum a balança os braços. Em tempos mais formais. E la dá passos médios e caminha a partir dos quadris. em sua especialização para a procriação. o passo arrastado e a corrida. e não dos joelhos. Algumas formas de locomoção são provocadas por estados emocionais. o "passeio despreocupado". Um antigo livr o de etiqueta descreve uma mulher cujo andar era socialmente aceitável: "Seu corpo se mantém ereto em perfeito equilíbrio. ficará evidente a típica rotação da perna. Um século atrás. mas.

Essa divisão por sexo só não ocorre no teatro. um movimento das pernas que merece menção. No século XVII.Finalmente. Hoje. quase sempre acompanhado de uma curvatura da cabeça. exc lusivamente masculina. mas antigamente era muito comum como gesto de agradecimento. A única exceção a essa norma ocorre quando a peça que foi representada se passa numa época em que a forma c orreta de saudação era a combinação entre reverência e curvatura. é a reverência — uma saudação na qual um pé é colocado atrás outro e as duas pernas se dobram ligeiramente. . a reverência praticamente só é u sada quando uma dama cumprimenta um membro da realeza. e a curvatura. onde as atrizes tendem a copiar os atores e agradecem à platéia com uma curvatura. esses dois elementos — a flexão das pernas e a curvatura da cab eça — se separaram: a reverência tornou-se exclusivamente feminina. embora esteja desaparecendo r apidamente na sociedade moderna.

Se um pé pequeno é uma característica feminina. o pé toca o chão mais de 270 milhões de vezes durante a vida. Como ocorre com outras partes do co rpo. e no entanto ela é extremamente rara entre os mamíferos. levamos um choque e perde mos o equilíbrio. o calcanha r da mulher é mais estreito em relação à planta do pé. Calculase que. espremidos. então um pé muito pequeno será superfeminino. e smagados e imobilizados em nome da beleza. Quando não encontramos uma superfície que julgávamos e star ali. antes de tratar desses dolorosos procedimentos. Obedecendo às in dicações dos olhos. 114 ligamentos e 20 músculos. E struturalmente. os pés nos servem sem esforço e nos transportam por ambientes mutáveis . O que torna isso possível é o pé humano — uma obra-prima de engenharia. PÉS Os pés são outra parte da anatomia humana que mostra as diferenças entre homens e mulh eres.23. vamos analisar a anatomia do pé. essa diferença de tamanho tem sido explorada e exagerada. Consideramos a postura ereta algo natural. o c omprimento médio é de 26.4 cm. dançar e chutar. o pé contém 26 ossos. Nesses raros momentos . Um dos únicos momentos em que nos lembramos de seu maravilhoso trabalho é quando o s olhos nos faltam e. É uma tarefa formidável. Nos homens.8 cm. ou quando nos deparamos com algo inesperado. Mas. como afirmou Leonardo da Vinci. Elas tiveram os pés apertados. Especificamente. Os pés da mulher são menores e mais estreitos que os do homem. numa mulher ativa. o que fez muitas mulheres sofrerem ao longo da história. e no entanto raramente merece um pensamento. de 24. nas mulheres. com os quais mantém nosso equilíbrio e nos permite caminhar. na semi-escuridão. saltar. somos obrigados a dar um passo após outro p ara subir ou descer uma escada. correr.

. ter pés maiores repre sentou uma vantagem. e o terceiro. a fazer um pequeno sacrifício: deixamos de ter polegares opostos como os outros primatas. fomos obrigados. e a terceira é a propulsão que nos empurra par a a frente. Na tenta tiva de exagerar esse atributo feminino. Quando cam inhamos. Para que elas sejam eficient es. mas também os submetem a enormes pressões. essas três mudanças na estrutura natural podem produzir pés mais "atraentes". o segund o os torna mais estreitos. que permaneceram menores e mais ágeis. Três recursos têm sido utilizados pelos fabricant es de sapatos para que os pés de suas clientes pareçam menores do que são na realidade . e o terceiro os faz parecer menores por elevar a posição do calcanhar. Na especialização do macho da espécie humana como caçador cooperativo. o segundo. no curso da evolução. mas essa é uma perda pequena com parada com o imenso ganho que obtivemos em velocidade para caminhar e correr.nos lembramos da brilhante tarefa que nossos pés executam o tempo todo. O primeiro é fabricar sapatos apertados demais. Essas três funções são executadas a cada passo. os pés realizam três funções. Eles eram necessários para a caçada. Essa pressão evolucionária não s e exerceu sobre os pés das mulheres. A primeira é a absorção do choque quando o pé toca o c a segunda é a sustentação do peso do corpo. durante séculos as mulheres tentaram comp rimi-los em sapatos desconfortáveis. dotá-los de saltos altos. O polegar se alinhou com os outro s dedos e não pode mais ser usado para agarrar objetos como as mãos. O primeiro recurso aperta os pés. fazê-los muito pontudos . Juntas. Não é por acaso que 80% das cir urgias de pé são realizadas em mulheres. Por isso não somo s tão acrobáticos quando se trata de subir numa árvore.

Na verdade. A mulher que tenha a infelicidade de possuir pés grandes e masculinos será considerada anormal — tão estranha que o pianista de jazz Fats Walle r lhe dedicou uma canção. não admira que muitas mulheres cheguem a a bsurdos para reduzir o tamanho dos pés. [. seus pés são grandes demais. mas a história original é selvagem e sangrenta. nunca mai s precisaria caminhar. é uma rejeição direta que a expõe ao ridículo com as se uintes palavras: "No Harlem.O equilíbrio do corpo é perturbado pelo formato dos sapatos. Então a mãe a aconselhou a cortar o dedão. mas daí para baixo há pés demais. Ele então a .. seus pés grand es e você. A ma is velha tentou enfiar o pé no sapatinho. Dos calcanhares para cima você com certeza é delicada.] Oh! suas extremidades são colossais. quando partiu com o príncipe. ele perc ebeu o sangue manchando as meias. mas. provocando dores nas pe rnas. depois que se cassasse com o príncipe. A moça amputou o dedão e ape rtou o pé sangrando dentro do sapatinho.. mas não conseguiu. numa mesa para dois. explicando-lhe que.." Portanto. mas. ela prec isava ter pés muito pequenos. A menção à amputação nos traz inevitavelmente à mente a cruel história de Cinderela. não tinha nada a perder. Duas irmãs estavam desesperadas para ser escolhidas. Sim. Por isso. para satisfazer sua exigência de feminilidade. Um minúsculo sapatinho de pele era usado para testar a s noivas em perspectiva. nas costas e até dores de cabeça. Mas o horror que ter pés grandes representa não deixa a mulher desistir. somos quatro: eu. A ersão atual de Disney é leve. Um príncipe procurava uma esposa. Essa paixão por pés pequenos atingiu tal inten sidade em outros séculos que algumas damas da sociedade ficaram famosas por terem amputado os dedos mindinhos para que seus pés coubessem em sapatos ainda mais pont udos. P ara mim você parece um fóssil..

c ujos pequeninos pés cabiam perfeitamente nos sapatinhos e que se tornou esposa do fetichista. Vamos acompanhar esse processo. que lhe ofereceu a outra filha. mas entre 6 e 8 anos pa ssava pela agonia de ter os pés amarrados. Essa pobre moça teve o calcanha r cortado para que o pé pudesse caber no sapatinho. Surpreendentemente.devolveu para a mãe. com uma bandagem de 5 cm de largura e 3 metros de comprime nto. que parece ter entrado na histór ia por um erro de tradução. A estranha premissa da história — a de que um homem de alta condição social procure uma mulher de pés pequenos sem levar em conta suas outras qualidades — parec e ter passado despercebida pelas platéias modernas. Só então o príncipe encontrou Cinderela. enquanto Cinderela er a bela. só foi proibido no início do século XX. O príncipe só tinha uma exigência: que os pés da noiva coube ssem em minúsculos sapatinhos de pele — não de cristal. Quando era pequena. os quatro dedos menores eram cruelmente curvados para trás e amarrados. Para entender o motivo de tal ênfase nos pés. Então. Depoi s a faixa rodeava o tornozelo. a pequenez dos pés de uma moça era um sina l fundamental de beleza. Primeiro. Mas isso é um engodo. Lá. mesmo sendo um costume bárba ro. que confundiu vair (uma pele rara como a zibelina) com v erre (vidro). fazendo com que os dedos curvados se . Isso ocorreu porque a versão mod erna de Cinderela converteu as duas irmãs em moças horrorosas. os pés eram lavados em água quent e e massageados. Na China. o costume de amarrar os pés das jovens começou no século X e durou mais de mil anos. a menina tinha permissão para correr livremente. onde durante séculos amarrar os pés das meninas foi uma prát ica comum nas famílias da casta superior. precisamos saber que ess a história nasceu na China. Mais uma vez. jatos de sangue puseram fim à farsa e ela também foi rejeitada.

A cada quinze dias. incapazes de caminhar normalmente e limitadas a umas poucas atividades físicas que conseguiam realizar. já que não podiam fazer nenhum trabalho manual . Além disso. su a forma arredondada oferecia um falso orifício que podia ser usado como uma vagina simbólica. Por incrível que pareça. apanhava. As esposas eram literalmente incapazes de se afastar do marido. Dizia-se que. Se a menina chorasse.juntassem ao tornozelo. o desamparo de uma .25 cm menor que o anterior. era obrigada a caminhar para que o pé s e acostumasse à nova forma. Os mais sádicos apreciavam a facilidade com que podiam fazer a mulher gritar dura nte o ato sexual simplesmente apertando o pé mutilado. o objetivo era reduzir o comprimento do pé a 1/3 do seu tamanho normal. Os Lótus Dourados. mais maravilh osa a concavidade da vagina". juntando os pés. Alem disso e de outras idéias eróticas ainda mais grot escas sobre o Lótus Dourado. Só com a modernização da China no século XX e o fim da sociedade dos mandarins essa fo rma de mutilação foi abolida. Essa era a vantagem social da deformid ade. além de beijar os pés das amadas durante as p reliminares do sexo. O resto da bandagem era enrolado várias vezes em volta do pé. o amante podia colocar todo o pé na boca e chupá-lo com avidez. Um dos motivos para a atadura dos pés era sexual. Quando atingiam a idade adulta. mas ofereci am uma permanente demonstração de status. usava um sapato 0. essas meninas estavam ale ijadas para sempre. para que ele não pudesse voltar à posição normal. como eram chamados os delicados pezinhos pelos seus admiradores. tinh am um significado erótico. Só o polegar escapava ao castigo. Dizia-se que a vagina verdadeira também se beneficiava com a maneira res trita de andar causada pelos pés atados: "Quanto menor o pé da mulher. Apesar da dor.

acariciado. Para esses h omens que têm uma fixação erótica em pés. Já o pé descalço d esempenha um papel diferente. E as moças sicilianas que procuram marido sempre dormem com um sapato sob o travesseiro. "Era uma vez uma velha que morava num sapato" ( em outras palavras. Esses e muitos o utros costumes populares confirmam a ligação simbólica entre os sapatos e o sexo. como diz um conto popular. No mundo bizarro das fantasias sexuais. se o homem com pés muito grandes. e se a mulher tem pés muito pequenos. U ma velha tradição francesa exige que a noiva guarde os sapatos que usou no casamento e nunca se desfaça deles se quiser ser feliz para sempre. Mas isso nada mais é do que uma simplificação das diferenças de gênero em relação ao tamanho dos pés.mulher que tinha os pés atados provocava uma excitação geral. e é por isso que. tem uma vagina estreita. Acredita-se que. Tant o os sapatos quanto os pés figuram no estranho mundo dos fetichistas. cuja vida se concentrava nos genitais) "e que tinha tantos f ilhos que não sabia o que fazer". esse modelo de sapatos torna-se uma arma brutal de tortura para o homem masoquista no momento em que a parceira sobe em seu corpo e o perfura com seus saltos pontiagudos. O sapato tem sido utilizado como símbolo dos genitais femininos. Ela estava à mercê do homem e sofreu nas mãos dele durante séculos. E é por isso que sapatos são amarrados à traseira do c arro dos recém-casados e que um homem romântico bebe champanha no sapato da amada. Pode se curvar aos pés de uma parceira domina dora e obedecer às suas . tem também um pênis grande. Não só na China. lambido e sugado. os sapatos preferidos são sempre os de saltos muit o altos e finos. O homem pod e ou não assumir um papel de subordinação. É beijado. mas em outras partes do mundo. o simbolismo dos pés é sexual.

. Dentro de no ssos sapatos onde o ar não circula. por que certos indivíduos ainda acham essa parte do corpo nada sensual tão estimulante? Por que um libertino experiente como Casanova chegou a a firmar que "homens dotados de grande apetite sexual sentem uma forte atração pelos pés femininos"? Existem duas respostas para essas perguntas. quando o homem andava nu. ignorando todos os outros fortes odores que podem cruzar seu caminho. Então. torturando gentilmente a parce ira com a boca até levá-la ao prazer. caso em que o pé é massageado e beijado como parte da excitação normal. No nosso passado remoto. algumas tribos são capazes de detectar essa fragrância e dizer quem passou por um determinado caminho e quando. Tudo isso devia tirar muito do pode r erótico dos pés. ele consegue perc orrer 5 quilômetros. as bactérias proliferam rapidamente e as secreções o doríferas logo desaparecem. deixaríamos um ra stro de nossa fragrância pessoal por onde passássemos. os pés ficam a maior parte do tempo enfiados num invólucro de couro que estimula o desenvolvimento de bactérias e até fungos. Se andássemos descalços. mas na vida urbana atual tudo isso mudou.ordens. Afinal. Ainda hoje. E também pode não haver nenhum elemento sadomasoqu ista. Em apenas 18 minutos. Uma está ligada às glândulas e outra ao simbolismo sexual. Existem na pele dos pés glândulas especializadas que transmitem sinais pessoais sobre o indivíduo. esse sinal odorífico d os pés tinha uma utilidade. Para a mai oria das pessoas. toda essa atenção dedicada aos humildes pés parece decididamente esq uisita. basta lembrar que um cão de caça é capaz de seguir a pista de um homem depois de 24 horas. Se isso parece improvável. Mas também pode assumir um papel dominante. O mau cheiro dos pés é tão comum que vários produtos são vendidos para combatê-lo.

os dedos se separam e se curvam. às vezes percebemos que as palmas da mão suam. para algumas pessoas. eles reagem ao toque. Além desse elemento primitivo também existe uma atração simbólica. durante as preliminares do sexo. certas partes do corpo se tornam "ecos anatômicos" de outros órgãos. os lábios da boca se tornam os lábios vaginais. mas estudos psiquiátricos provaram que. como se os pés quisessem ac ompanhar os espasmos que dominam o corpo no clímax.Se não trocamos de sapatos e lavamos os pés todos os dias. Sugar o dedo d o pé de uma mulher dá ao amante a sensação de estar tocando um mamilo gigante. De repente. No cére bro tomado de excitação. e o contato com ele pode ser excitante para ambos os pa rceiros. os pés femininos não são insensíveis às carícias. Essa umidade não pode evaporar como a natureza desejaria. Em momentos de tensão e ag itação da vida moderna. . Quando libertad o da prisão dos sapatos. Li vres dos sapatos. N o momento do orgasmo. mas não percebemos que nossos pés transpiram dentro dos sapatos. Além disso. um imenso clitóris ou mesmo a língua. banhado. e os pés começam a cheirar mal. e nossos pés sofrem. e não como ele deveria ser. Mais uma vez. um dedo esticado torna-se um pênis e seios lembram nádegas. a proposta sexual é totalmente diferente. limpo e pronto para ser acariciado pelo amante. a natural fragrância agradáve l se deteriora rapidamente. a cavidade da b oca lembra a vagina. essas ilações simbólicas podem parecer improváveis. em momentos de ex citação sexual. ele se transforma no pé cheiro so que a natureza criou. Não surpreende. que pode se tornar intensamente erótico. que para tantas p essoas a idéia de beijar os pés seja repugnante e não tenha nada de erótica. Elas pensam no pé como ele quase sempre é atualmente. portanto.

de modo que os sapatos descartados podiam s er enviados a orfanatos e servir às pequenas órfãs. Deixando de lado os aspectos eróticos. uma coleção que ocupava cinco salas do palácio presidencial de Manila. 1. e sposa de Napoleão III. ela tinha pés pequenos. podemos dizer que. Marcos já tenha conseguido criar uma nova coleção de mais 2 mil pares.Resumindo. foi um exemplo. Curio samente. Recentemente. e que.220 estão expostos no recém-inaugurado Museu do Calçado das Filipinas. Algumas mulheres demon straram seu poder e riqueza pelo tamanho de sua coleção de sapatos. apesar da maneira como são tratados. e calcula-se que hoje a sra.060 pares. cordões de ouro nos torno zelos. Imelda foi acusada de "colocar o prazer dos seu s pés" acima das necessidades de seu povo. viajando o mundo to do para comprar sapatos. Felizmente.060 pares. Era um par de sandálias criadas pelo estilista Stuart Weitzma n que exibiam 642 rubis incrustados em platina. Dizia-se que ela chegou a ter mais de 3 mil pares. os pés continuam sendo uma forte zona erógena para os dois parceiros. Im elda Marcos. de qualquer modo. ex-primeira dama das Filipinas. desses 1. anéis para os dedos e elaboradas pinturas das unhas. os pés femininos têm sido explorados como foco de demonstrações de poder que ass umem várias formas. Depois que ela e o marido foram afastados do poder. Ainda mais extremo foi o caso da princesa Eugênia. que se recusava a usar um par de sapatos mais do que uma ve z. Ela retrucou que os havia colecionado c omo "símbolo de amor e gratidão". Talvez o exemplo mais extraordinário de excentricidade em sapatos seja o par que foi exposto na Harrods de Londres n a primavera de 2003. entre elas sapatos absurdamente caros. O modelo. inspirado nos sapatinh os mágicos de rubi usados pela . só possuía 1.

. e previa-se que os modelos futuros seriam 2 0% mais estreitos e pontiagudos. Os atuais esti listas de sapatos impõem torturas cruéis a suas clientes. Os sapatos estão se tornando cada vez mais estreitos e pontudos.5 milhão). removendo uma pequena parte do osso. foi colocado à venda por 1 milhão de libras esterlin as (aproximadamente US$ 1. Isso levou algumas mulheres nos Estados Unidos a solicitar a remoção cirúrgica do dedo mindinho. Cinderela está viva. Finalmente. precisamos admitir que o anseio p or pés anormalmente pequenos é uma dolorosa tradição que ainda sobrevive.menina Dorothy em O mágico de Oz. mas alguns concord am com a opção menos drástica de encurtar o segundo e o terceiro dedos. Os podólogos (ortopedistas especializa dos no tratamento dos pés) têm se recusado a fazer essa cirurgia. Isso permite à mulher espremer os pés recém-esculpidos nos sapa tos criados pelos estilistas modernos.

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