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RESENHA CRÍTICA

DADOS GERAIS

Disciplina

Cenários Econômicos e Tendências

Professor

Gustavo Mello

Aluno

Karina Furtado Marinate

E-mail

karina.marinate@gmail.com

IDENTIFICAÇÃO DO TEXTO

Seguradoras fazem ajustes para conviver com juros baixos e manter rentabilidade

Título

Fonte

Viver Seguro - http://www.fenaseg.org.br

PALAVRAS-CHAVES DO TEXTO

Queda de Juros

Seguradoras

MATÉRIA BASE PARA ELABORAÇÃO DA RESENHA

SEGURADORAS FAZEM AJUSTES PARA CONVIVER COM JUROS BAIXOS E MANTER RENTABILIDADE

Data: 01.11.2012 - Fonte: Viver Seguro

As seguradoras brasileiras já fizeram ajustes significativos para conviver com taxas de juros menores, mas ainda precisam adotar estratégias para manter o nível de retorno financeiro ao acionista, diz Lauro Vieira de Faria, economista da Escola Nacional de Seguros, durante palestra no evento “Mesa Redonda - Os efeitos da atual política de juros no mercado de seguros e previdência”, promovido em São Paulo, pela Escola Nacional de Seguros, nesta quarta-feira.

Segundo ele, a cada um ponto percentual de redução da taxa de juros as seguradoras precisam melhorar em um ponto percentual o índice combinado (faturamento menos despesas e pagamentos de indenizações), indicador conhecido no setor por medir a eficiência operacional de uma companhia. Quanto menor, melhor. “Se comparado ao mercado internacional, onde a relação é de a cada um ponto percentual de queda de juros há uma necessidade de melhorar três pontos percentuais de índice combinado, as seguradoras no Brasil estão muito capitalizadas”, afirma.

As seguradoras do ramo vida devem ser mais atingidas pela baixa da taxa de juros, acredita Faria. “Mas é preciso olhar cada caso, empresa a empresa”, citou. Já seguros gerais, que envolve bens patrimoniais, tem menos chance de ser afetado em razão dos contratos serem de curto prazo, de no máximo, um ano.

Faria fez uma pesquisa com 52 seguradoras, usando o banco de dados público da Superintendência de Seguros Privados (Susep). O estudo mostrou que, nas seguradoras do segmento de seguros gerais, o resultado financeiro sobre o prêmio ganho era de 15% em 2003 para 8% em agosto de 2012. O índice combinado melhorou dez pontos percentuais, passando de 110% para 102%.

A rentabilidade sobre o patrimônio médio praticamente se manteve em 8%, com um pico de 17% nos anos de 2006, 2007 e 2011. Segundo ele, os investidores estão acostumados com uma faixa de 12%. “Então para retornar a esse patamar, as seguradoras de seguros gerais precisam acelerar estratégias para aumentar a rentabilidade neste cenário de queda de taxas de juros”, afirma Faria.

As seguradoras de vida mostram outro cenário, uma vez que os passivos são mais de longo prazo, ao contrário de seguros gerais, onde a maioria dos contratos de seguros tem vigência de um ano. A média entre as 26 seguradoras pertencentes a amostra, o resultado financeiro sobre o prêmio ganho era de 22% em 2003 e caiu para 6% em agosto de 2012. A rentabilidade sobre o PL se manteve em 25%, com um pico de 46% em 2005. Ou seja, um elevado índice de remuneração ao acionista.

Não é possível saber se esse ajustamento revelado na pesquisa procede de aumento de preço, da melhora da subscrição, da redução de custos. “Acredito que esse ajustamento veio de ganho operacional”, comentou Faria.

As alternativas para compensar o vácuo deixado pela redução do ganho financeiro são aumento do preço, ampliação do portfólio e área de abrangência da companhia e redução de custos. Outra saída é aplicar as reservas técnicas (valores que garantem que a seguradora vai ter recursos para pagar a indenização no futuro) em ativos de maior risco, numa tentativa de aumentar o retorno da carteira de investimentos.

Também é possível fazer uma alavancagem maior entre prêmio e patrimônio. Faria acha pouco provável a alavancagem, em razão das amarras regulatórias e maior fiscalização das companhias por parte da Susep. O economista também não acredita que as companhias consigam aumentar o preço do seguro diante de um mercado extremamente competitivo. Para ele, a aposta do setor está na melhoria operacional, com ganho de escala ao conquistar mais clientes para o setor de seguros.

DESCRIÇÃO SUCINTA DO ASSUNTO

Trata-se de uma notícia veiculada na Internet em que o tópico central é o impacto financeiro da queda de juros na economia das seguradoras. Inicialmente aborda-se a importância das Companhias proverem retorno financeiro aos acionistas, uma vez que, como a maioria das atividades empresariais, um de seus principais objetivos é a obtenção de lucro. Posteriormente, explica-se o conceito de índice combinado e sua relação com a queda da taxa de juros no Brasil, realizando-se uma breve comparação com mercado internacional. No decorrer do artigo, por meio da utilização de dados estatísticos de uma pesquisa com seguradoras, comenta-se o possível impacto negativo da redução dos

juros para as seguradoras que operam com o ramo Vida e neutro para aquelas que operam com Seguros Gerais, uma vez que nestas os contratos geralmente são anuais. Contudo, é ressaltada a particularidade de cada empresa, podendo haver diferentes reações econômicas à redução do ganho financeiro delas. Finalmente são expostas algumas alternativas para que as seguradoras compensem os prejuízos causados pela diminuição dos juros. Em suma, o autor da matéria utiliza o ponto de vista e a experiência profissional de um economista para abordar o impacto da queda de juros no mercado segurador e como as Companhias deveriam agir para contornar os possíveis prejuízos ocasionados por este cenário econômico.

REFERENCIAIS TEÓRICOS EXPLORADOS PELO AUTOR

O referencial teórico base da matéria é o economista da Escola Nacional de

Seguros, Lauro Vieira de Faria. Outra referência utilizada no desenvolvimento do artigo foi o banco de dados público da Superintendência de Seguros Privados (Susep), de onde foram extraídos os dados percentuais de uma pesquisa com 52 seguradoras.

APRECIAÇÃO CRÍTICA DA OBRA E CONCLUSÕES

O autor consegue, a meu ver, abordar de maneira esclarecedora e ao mesmo

tempo objetiva o possível cenário econômico que será vivenciado pelas Seguradoras com a redução das taxas de juros.

A parte mais útil da matéria, em minha opinião, foi a citação de medidas que

possam vir a prover a minimização da perda financeira por parte das Companhias e a consequente manutenção do padrão de retorno financeiros aos acionistas. Concordo parcialmente com as soluções expostas pelo economista, pelos motivos os quais elenco a seguir: tendo por base um dos princípios básicos do seguro que é o restabelecimento do equilíbrio econômico após a ocorrência de um sinistro, não creio que o investimento das reservas técnicas em ativos de grande risco seja um bom recurso, uma vez que se trata de receitas provenientes do pagamento dos

clientes que podem a qualquer momento necessitar do ressarcimento do seguro contratado, correndo risco de ficarem desguarnecidos caso os investimentos das Seguradoras em ativos de risco deem prejuízo. Ademais, discordo quando o economista expõe da dificuldade de as seguradoras conseguirem aumentar seus preços mediante a competitividade do mercado. Penso que, como a redução dos juros deve afetar de maneira geral as Companhias - principalmente as que possuem foco na comercialização de seguros com passivos de longo prazo, como Previdência e Vida -, o aumento dos custos não se concentraria em determinadas empresas, mas seria uma consequência para todos os players, não comprometendo deste modo a competitividade. Contudo, vale registrar que a solução do ganho de escala destacada no artigo é bastante pertinente, já que os atuais clientes não seriam afetados por possíveis aumentos de custo, ao passo que as Seguradoras, com o incremento de suas carteiras, ainda teriam a possibilidade de ofertar seguros de diversos ramos para um mesmo cliente, acrescendo, consequentemente, sua receita financeira. Por fim, conclui-se, em síntese, após a análise da referida matéria que são inúmeras as possibilidades de reação que as Companhias Seguradoras podem ter perante a redução da queda de juros, bem como as soluções que podem ser adotadas visando a manutenção da receita financeira; e que, portanto, o cenário econômico financeiro influencia diretamente o cenário macro do mercado de seguros.