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Projeto

PERGUNTE
E
RESPONDEREMOS
ON-LINE

Apostolado Veritatis Spiendor


com autorizagáo de
Dom Estéváo Tavares Bettencourt, osb
(in memoriam)
APRESEISTTAQÁO
DA EDigÁO ON-LINE
Diz Sao Pedro que devemos
estar preparados para dar a razáo da
nossa esperanca a todo aquele que no-la
pedir (1 Pedro 3,15).

Esta necessidade de darmos


conta da nossa esperanca e da nossa fé
hoje é mais premente do que outrora,
visto que somos bombardeados por
numerosas correntes filosóficas e
religiosas contrarias á fé católica. Somos
assim incitados a procurar consolidar
nossa crenga católica mediante um
aprofundamento do nosso estudo.

Eis o que neste site Pergunte e


Responderemos propoe aos seus leitores:
aborda questóes da atualidade
controvertidas, elucidando-as do ponto de
vista cristáo a fim de que as dúvidas se
dissipem e a vivencia católica se fortalega
no Brasil e no mundo. Queira Deus
abengoar este trabalho assim como a
equipe de Veritatis Splendor que se
encarrega do respectivo site.

Rio de Janeiro, 30 de julho de 2003.

Pe. Esteváo Bettencourt, OSB

NOTA DO APOSTOLADO VERITATIS SPLENDOR

Celebramos convenio com d. Esteváo Bettencourt e


passamos a disponibilizar nesta área, o excelente e sempre atual
conteúdo da revista teológico - filosófica "Pergunte e
Responderemos", que conta com mais de 40 anos de publicagáo.

A d. Esteváo Bettencourt agradecemos a confiaca


depositada em nosso trabalho, bem como pela generosidade e
zelo pastoral assim demonstrados.
24
DEZEMBRO

1959

ERGUNTE

Responderemos

ANO II
índice

pag.
I. FILOSOFÍA E BELIGIAO

1) "Sabedoria hindú e Sabedoria crista : unido ou repulsa?" ¿91

2) "Terá realmente existido a Atlántida, continente que

escolas antigás e modernas apresentam como berco de elevada


sabedoria ?" i9S

n. DOGMÁTICA

3) "Nao sinto necessidade de Religi&o para ser um homem


bom, cumpridor de meus deveres ! Para que entdo abracar lima

Religi&o ?" 507

i) "Deixemos de discutir proposicóes doutrinárias, para

unir-nos simplesmente na prática do betn !" 507

ni. SAGRADA ESCRITURA

5) "O sacramento da Ordem terá sido realmente imttituido

por Cristo ? Bem sabemos que a imposigao das máos, apresentada


como sinal essencial désse sacramento, já estava em uso no

Antigo Testamento" 511

IV. MORAL

6) "Que dizer dos chamados Clubes dos Leóes ?" 517

V. HISTORIA DA RELIGIÁO

7) "Qual o sentido de urna peregrinagáo religiosa ? Nao


será praxe do paganismo exuberante adotada pelo Cristianismo?" 521

COM APROVACAO ECLESIÁSTICA


«PERGUNTE E RESPONDEREMOS»

Ano II —N' 24 — Dezen

I. FILOSOFÍA E RELIGIÁO

SWAIVn (Rio de Janeiro) :

1) «Sabedoria hindú e Sabedoria crista:


pulsa ?»

Dir-se-ia que os homens ocidentais, cansados das vicisitudes da


historia contemporánea, desejam restaurar-se á luz e ao calor de
sabedoria proveniente de longe, ou seja, do Oriente e, em particular,
da India; nao há dúvida, Budismo, Teosolia, Yoga, Krishnamurti
encontram aceitagáo crescente ñas térras ocidentais. E nao falta quem
apregoe conciliagáo entre a ideología recém-vinda e a tradicional sabe
doria crista.
Em lace da situagáo que assim se cria, procuraremos abaixo
tomar consciéncia exata do patrimonio de idéias da India, para, a
seguir, poder averiguar devidamente até que ponto se coordenariam
com as concepgóes cristas.

1. As grandes linhas da ideología hindú

A sabedoria hindú deriva-se, cm última análise, das eren-


gas religiosas da India primitiva, codificadas nos livros sagra
dos dos Vedas (Veda = sabedoria por excelencia), livros redi-
gidos em sánscrito entre o Vm« e o V» séc. a.C. de acordó
com tradigóes derivadas de 1000/1500 a.C. Ésse patrimonio
primitivo fundiu-se com idéias religiosas de povos que suces-
sivamente habitaram a península índica, dando assim origem
ao Bramanismo, em reaeáo ao qual surgiu ó Budismo (séc. V
a.C). Cada üma dessas modalidades religiosas, por sua vez,
se subdividiu em correntes diversas, de sorte que existem hoje
em dia o Vedanta, o Neo-bramanismo, o Vishnuísmo, o Si-
vaísmo, o Saktismo, o Budismo do Grande Veiculo (Mahayana),
o do Pequeño Veiculo (Hinayana), o Veiculo Tántrico, etc.
O conjunto de todas essas correntes religiosas chama-se atual-
mente Hinduísmo ou Sanatana Dharma (Lei ortodoxa).
Abstraindo de aspectos particulares, visaremos aqui ape
nas as linhas que marcam a estrutura do pensamento hindú
sob as suas diversas modalidades.

a) . Antes do mais, perguntamo-nos: que ensina a sabe


doria da India antiga a respeito de Dcus ?
— O Divino é o Absoluto, substancia neutra, impessoal,
que está identificada com o espirito de cada homem.

— 491 —
Diz o livro dos Vedas, atributado á Divindade o nome de Brama:
«Perguntas o que é o Brama ? É teu próprio Atmá, que é interior
a tudo» (Brihad Aranyaka, up. III 4).
Nessa frase note-se que Atmá (At man) significa Éste Eu, ou a
alma humana.

O Brama neutro, impessoal, fica inacessível aos conceitos


dos homens. Nao o podendo apreender em si mesmo, o devoto
hindú tende a atingi-lo e adorá-lo em seus atributos ou em
suas manifestacóes divinas; assim tem origem a serie dos
deuses professadós pela religiosidade popular hindú ; todos
éles sao Brama expresso em urna faceta sua ; todos fazem
parte de Brama, como as gotas do océano fazem parte do
océano. Contudo é por excelencia dentro da própria alma que
o fiel devoto deve encontrar a Divindade, pois cada um possui
ou é urna centelha divina. Assim diria Vishnu, urna das ma
nifestacóes de Brama, a Siva :

«Aqueles que sao vítimas da ignorancia, me consideram distinto


de ti» (Vishnu-Purana).

A tradigáo hindú admite que os deuses (ou os atributos


do Brama) se encarnem, seja por seu bel-prazer, seja para
cumprir urna tarefa, em particular a de socorrer a humanidade
aflita. As encarnacóes da Divindade se chamam «avatares» ou
«descidas» ; Vishnu é o deus que mais freqüentemente se en
carna. Pode haver número ilimitado de «avatares». Rama-
krishna, famoso mestre brama do século passado (1834-1886),
dizia: «Os avatares sao em relagáo a Brama o que as ondas
sao em relacáo ao océano».

b) Professando tais nocóes a respeito da^ Divindade,


como conceberia o hindú éste mundo e a sua historia ?
— A substancia divina única, Brama, cuja existencia é
eterna, acha-se animada por um ritmo constante de respiragáo:
aos movimentos de absorver e expelir o ar correspondem res
pectivamente a producto (impropriamente dita criagáo) e a
destruigáo do universo. Éste mundo é dominado pelas leis do
surto e do desaparecimento, da vida e da morte, que nao sao
senáo reprodugóes do ritmo de soñolencia e, despertar oü de
inspiragáo e expiragáo que move a Divindade.
Dentre os seres visíveis, o homem, de maneira especial,
corresponde á Divindade; é o microcosmos colocado dentro
do macrocosmos ou do grande cbrpo divino que é a natureza:
assim, a carne humana corresponde á térra ; a palavra, ao
fogo; o hálito, ao ar; o ólho, ao sol...
Mais precisamente, o mundo, por respiragáo de Brama,
ter-se-á formado de. acordó com o seguinte processo : origi-

— 492 —
nou-se primeiramente o akaca ou éter, corpo de extrema suti
leza, que deu inicio aos quatro elementos fundamentáis : o ar,
o fogo, a agua, a térra. Estes, combinando-se, deram origem
a Vida dentro de um corpo embrionario chamado «o ovo de
Brama» e depositado no seio das aguas. A partir désse germen,
foram-se desenvolvendo aos poucos os diversos seres, visíveis
e invisíveis, que constituem éste mundo. Os entes inferiores
tendem a evoluir até o grau humano, que representa o ponto
culminante da evolugáo. Quanto ao homem, ele almeja eman-
cipar-se do corpo pesado e do mundo material em que se acha,
para voltar á Substancia primordial de Brama.

O hindú concebe a historia como repetigáo de ciclos simétricas,


em cada um dos quais o mundo nasce, evolui e desaparece. Cada
ciclo («Kalpa» ou «dia de Brama») dura aproximadamente 4.320
milh5es de anos; ao termo des tes, o cosmos é reabsorvido em Brama,
donde se há de formar posteriormente um novo ovo cósmico !

c) No conjunto do universo, que papel toca ao homem ?


— Ao homem é dado compreender o caráter ilusorio da
materia que o envolve, ou seja, .. .compreender que a multi-
plicidade que o cerca nao é multiplicidade, mas é a unidade
de Brama. Em outros termos : é-lhe dado perceber que éste
mundo nao é senáo o cenário de urna comedia cujos atores
sao os homens. Em conseqüéncia, o individuo humano deve
fazer tudo para se libertar da materia. A fim de o conseguir,
torna-se-lhe necessário esquecer o que lhe é exterior e con
centrar a sua atengáo no «Eu» interior, onde se encontra a
centelha divina ou Brama. Tal purificagáo nao se consegue
no decorrer de urna só existencia terrestre ; por isto cada
individuo tem que voltar mais de urna vez á Térra, sujeitan-
do-se ao ciclo das reencarnagóes ou samsara. As reencarna-
góes sao inexorávelmente regidas pela lei do karma, segundo
a qual cada ato humano produz um efeito bom ou mau, que
configurará a próxima encarnagáo do respectivo sujeito, tor-
nando-o mais feliz ou menos feliz conforme os seus méritos
ou deméritos.

Para ilustrar a obrigagáo, imposta aos devotos, de esquecerem


tudo que lhes é extrínseco e extinguirem todo desejo das coisas
terrestres, contam os hindus o seguinte episodio :
Um mestre (gurú), interrogado por seu discípulo sobre a eficacia
do amor divino, mergulhou a cabeca do jovern em um rio, detendo-a
dentro dágua até quase sufocá-lo... Quando o discípulo foi retirado
do rio, o mestre perguntou-lhe :
«Em que pensavas, quando imerso nagua ?»
— «Todo o meu ser só tendía a respirar. Só desejava isso. Só
podía pensar nisso !»

— 493 —
— «Está bem, replicou o mestre, quando tiveres igual necassidade
de Deus, serás libertado!»

Por conseguirte, desde que o homem adquira plena cons-


ciéncia de que ele nao se distingue da substancia universal ou
de que sua alma é idéntica á totalidade, está em condigóes de
se libertar do corpo ; a alma entáo se funde em Brama, ultra-
passando as categorías da unidade e da multiplicidade, o que
implica em perda da individualidade pessoal.

A fim de favorecer a concentracáo da alma em si mesma e a


sua conseqüente libertacáo, os hindus recorrem a técnicas especiáis
de controle dos movimentos do corpo, principalmente da respiragáó.
A tais exercícios se dá o nome de Yoga, assunto ja abordado em
«P. R.» 16/1959, qu. 1.
Assim expostas as grandes linhas da espiritualidade hindú,
procuremos cotejá-las com os traeos dominantes da sabedoria crista.

2. A sabedoria crista : confronto...

1. Quem estabelece o confronto entre sabedoria hindú


e sabedoria crista, sem demora observa u'a nota comum domi
nante em ambas : a consciéncia do misterio ou de que aquilo
que o homem apreende com os sentidos nao esgota o con-
teúdo da realidade. Assim tanto o hindú como o cristáo vivem
do Invisível mais do que do visível.

O misticismo ou a consciéncia do misterio representa a religio-


sidade espontánea, inata em todo homem; nao é nem específicamente
hindú nem específicamente cristáo. pois a natureza inteligente de
per si experimenta a necessidade de viver em funcáo do transcendente.
É, sem dúvida, por causa dessa base de religiosidade natural férvida
que muitos julgam poder identificar entre si Cristianismo e Hinduísmo.

2. Contudo note-se que nao basta ao homem, para che-


gar á sua consumaeáo, apreender vagamente a existencia do
Transcendente que o cerca. É preciso que procure, na medida
do possível, aproximar-se do Misterio com a inteligencia, pois
o homem é um ser essencialmente intelectivo ou racional.
Ora, justamente ao tentar realizar esta tarefa, o Hin
duísmo diverge fundamentalmente do Cristianismo. Com efeito,
1) pode-se dizer que a diferenga capital vigente entre-
urna e outra ideología consiste em que a sabedoria hindú iden
tifica a Divindade, o mundo e o homem numa só substancia
posta em evolugáo através da historia (panteísmo ou mo
nismo '.), ao passo que a ideología crista distingue mudamente
entre Deus pessoal, transcendente Criador, de um lado, e, do
outro lado, o mundo criado (em que ulteriormente se diferen-
ciam os irracionais e os homens).

— 494 —
O panteísmo já mais de urna vez íci submetido a juízo sm
«P. R.» (cí. 7/1957. qu. 1; 21/1959, qu. 2); é o que nos dispensa
de voltar de maneira sistemática ao assunto.

Aqui seja apenas recordado que o panteísmo cai no ilógico,


pois identifica o Absoluto (que por definigáo é Deus) e o rela
tivo, o Infinito (Deus) e o finito, como se o Infinito nao fósse
senáo a soma de partes finitas ou como se o Absoluto nao fósse
senáo o relativo elevado ao auge de sua perfeicáo; na verdade,
a estrutura do finito e relativo difere radicalmente da do In
finito e Absoluto, como o ser que é por si difere radicalmente
do ser que nao é por si; admitir identidade entre ambos é
renegar o principio de contradicáo («o ser nao é o nao-ser»),
é obstruir as vias para qualquer raciocinio.

Por muito ilógico que seja, o panteismo nunca deixou de seduzir


os homens; e i.sto, por tres motivos principáis :
a) o panteismo, íazendo de Deus urna substancia neutra e
impessoal, parece salvaguardar melhor o infinito da Divindade,
ao passo que o conceito de personalidade parece induzir determina-
góes (no sentido de Iimitac6es e imperfeicSes) em Deus.
Note-se, porém, que tais aparéncias sao vas. pois a nogáo de
personalidade nao incluí e.m suas notas constitutivas alguma limita-
cao; ela apenas significa um sujeito ou «Eu» subsistente em urna
natureza intelectiva (natureza intelectiva finita, na criatura; infini
tamente perfeita, no Criador).
b) Inegávelmente, o panteísmo abre ao homem horizontes gran
diosos, colocando-o no plano do Divino. Ora isto corresponde bem
ao senso do misterio impregnado em toda criatura humana e aguca-o
(com detrimento, porém, para a dignidade intelectual do homem).
c) O panteismo, identificando o Divino e o humano, cancela
o fundamento de qualquer atitude religiosa. O panteista pederá, sim
íalar de religiáo; na verdade. porém, ele nao cultuará outro ser
senáo o próprio «Eu», que ele (talvez inconscientemente) estará
endeusando. Um tal tipo de religiáo nao molesta muito a natureza
humana; ao contrario, oferece sempre meios para legitimar as mais
variadas tendencias do individuo.

Para o cristáo, ao contrario, Deus é tudo, e a criatura


(de per si) nada é. O homem procede do náo-ser ; todo p ser
e agir de que ele dispóe, sao dádivas gratuitas do Criador ;
os próprios méritos do homem decorrem de previos dons de
Deus. Em conseqüéncia, a criatura nao pode fazer valer título
algum de gloria perante o Senhor; ao invés disso, toda a gloria
do homem consiste em viver como mendigo de Deus ; é nesse
total «entregar-se a Deus» (a Deus que nao se identifica com
criatura alguma) ou «servir a Deus» que o homem encontra
o seu «reinar», pois o Altissimo, que criou o homem gratui
tamente, só o criou para o dignificar. — Ora, inegávelmente,
realizar essa atitude de humildade e renuncia a si nao é fácil
á criatura.

— 495 —
Em conclusáo : a idéia de que o homem é criatura e Deus
é o Criador (Aquéle que produz a partir do nada) é levada
até as suas últimas conseqüéncias no Cristianismo, e ai assume
importancia capital; o discípulo de Cristo nao procurará a
sua gloria senáo no reconhecimento 'de que nada é e nada
pode, mas tudo recebe de Deus (de um Deus que nao é o
próprio homem).

2) Outra diferenca notoria entre sabedoria crista e sabe-


doria hindú — diferenca, alias, que muito lógicamente se
prende á anterior — deve-se á tese da reencarnacao, que os
hindus professam. Tal tese compreende-se bem num sistema
em que nao há Deus pessoal, distinto do homem, a quem se
possa atribuir a salvacáo da criatura. Em tal ideología, é claro,
que ao própric homem toca a fungáo de se salvar por si
mesmo, purificando-se de todo afeto desregrado ; já que isto
nao se costuma dar no decorrer de um só curriculo de vida
terrestre, o pensador panteísta é lógicamente levado a admitir
varios currículos terrestres a fim de assegurar a salvagáo
do homem !
Bem diversa torna-se a questáo da salvagáo sob a pars-
pectiva do Deus pessoal do Cristianismo. O cristáo, profes-
sando que Deus é o Autor do homem, afirma igualmente qué
Deus é o Salvador da sua criatura. Para o discípulo de Cristo,
o Todo-Poderoso proporciona ao homem os meios de se salvar
no decorrer de urna só existencia terrestre, pois esta é sufi
ciente para que cada um opte decididamente por um ideal...
(alias, ninguém tem consciéncia de já haver vivido alguma
vida anterior aqui na térra).

A tese da reencarnado também já íoi considerada em «P. R.»


(cf. 3/1957, qu. 8; 21/1959. qu. 2).

3) Nao aceitando a reencarnagáo, o cristáo possui natu


ralmente um conceito da historia deste mundo assaz diverso
do que o hinduísmo professa.
Para o hindú, a historia consiste numa serie de ciclos que
se váo repetindo sem finalidade nem sentido : a evolugáo dos
acontecimentos nada acarreta de novo, mas a lei de ascensáo
e declínio rege inexorávelmente os individuos e as coletivida-
des, impedindo-lhes a consumagáo ; em conseqüéncia, o hindú
espera obter a sua perfeigáo justamente emancipando-se da
historia ou escapando á vida déste mundo.

Tal concepcao é adequadamente representada pelo símbolo de


urna serpente enrolada sóhre si mesma, de tal modo que a cabega
morda a cauda; esta íigura significa bem que os giros da historia

— 496 —
presente carecem de sentido; principio e íim coincidem entre si;
«circula-se» sem esperanga de melhor ordem de coisas neste mundo...

O cristáo, ao contrario, é otimista em relagáo ao universo


e á historia ; esta, para ele, se assemelha a um cone que se
abre em demanda de urna grande realidade, realidade que o
vai penetrando cada vez mais, dando sentido sempre mais denso
e rico as fases da historia ; o tempo do cristáo é prenhe, cada
vez mais prenhe, de eternidade.

4) Quanto á purificado da alma, o Cristianismo, como a sabe-


doria hindú, a propugna mediante ascese, disciplina das íaculdades
psíquicas e somáticas; há, pois. um «Yoguismo» cristáo (na medida
em que Yoga significa a técnica de colocar o corpo plenamente a
servic.0 da alma). O cristáo, porém, exerce sua disciplina norteado
por concepgóes bem diversas das do hindú: ele sabe que o Senhor
é quem lhe dá a graga de lutar contra as paix5es e que, conseqüen-
temente, todo o éxito de seus esíorgon depende da soberana misericordia
de Dsus. — A respeito de Yoga, el! «P. R.» 16/1959, qu. 1.

Em resumo, verifica-se que sabedoria crista e sabedoria


hindú representam duas concepgóes de Deus, do mundo e do
homem essencialmente divergentes urna da outra, de sorte
que nao pode haver fusá'o, mas, sim, opjáo, entre urna e outra.

3. Apesar de tildo, otimismo sadio. . .

Após fazer á sabedoria hindú as reservas ácima, nao po-


deriamos rematar éste confronto sem urna palavra de oti
mismo construtivo.

Quem hoje em dia considera a grande maioria da populagáo


da India, e mesmo de outros países da Asia, imersa no panteísmo
e alheia ao conhecimento do verdadeiro Deus, talvez conceba a questáo:
porque terá sido o Criador táo liberal na revelagáo de Si aos povos
ocidentais, deixando, ao contrario, tantos orientáis destituidos da
nocáo do verdadeiro Autor do universo ?
— Nao é licito ao homem pedir a Deus contas da di.stribuic.ao
de seus dons. Como quer que seja, porém, pode-se afirmar, sem
perigo de errar, que a India, e o Oriente em geral, receberam do
Senhor Deus um patrimonio religioso de ¡menso valor — patrimonio
que certamente se torna esteio de salvagáo eterna para hindus e
demais povos orientáis, se é devidamente utilizado por ésses homens.

E qual seria ésse patrimonio?


É, como já dizíamos, a tempera profundamente mística
que domina a alma dessas criaturas, ou a consciéncia que tais
individuos tém da primázia do que nao se vé, do eterno, sobre
aquilo que se vé e é transitorio. Os orientáis sabem avaliar
profundamente as riquezas da vida interior; tém assim, por

— 497 —
excelencia, «urna alma naturalmente crista», para usarmos a
expressáo de Tertuliano (De testimonio anime 17) no fim do
séc. II. Deve-se mesmo frisar que neste particular os orientáis
sao mais prendados do que os homens do Ocidente; o ociden-
tal é, sim, muito dado á vida ativa, mesmo a um ativismo
febril, que dispersa sem obter resultado positivo, tendendo
cedo ou tarde a cair no puro materialismo ; entre as suas múl
tiplas ocupares, ele quase nao encontra tempo para Deus!...
Eis, porém, que na escola da India e do Oriente os ocidentais
encontraráo sempre irmáos que em si representan! o ideal
da vida toda voltada para os valores que nao passam.

Tal é o testemunho de dois monges católicos ocidentais — os


PP. Monchanin (Svvami Paramarubyananda) e Le Saux (Swami
Abhishiktesvaranda) — , que na India íundaram recentemente o
mosteiro de Saccidananda :
«Dentre todos os povos da térra, a India parece ter recebido
da Divina Providencia u'a missáo privilegiada. Dir-se-ia que u'a
mérisagem lhe íoi confiada, mensagem a proferir no mundo e a
proclamar através dos tempos... Essa mensagem afirma a primazia
do misterio de Deus sobre o misterio das coisas criadas, o valor
único daquilo que nao passa,... do eterno, do espiritual, da vida
interior.
...Essa mensagem, a India a transmitiu, e primeiramente a
transmitiu a si mesma, em suas geragoes sucessivas, de idade em
idade... de vidente a vidente...» (J. Monchanin et H. Le Saux,
Ermites du Saccidananda. Paris 1956, 28s).
Na base destas observacoes, preconiza-se hoje a ev&ngelizagáo
da India principalmente por obra do monaquismo contemplativo
católico lá implantado e vivido em suas formas mais conseqüentes
possiveis.

As consideragóes ácima se encerraráo pela seguinte refle-


xáo: a india recebeu realmente da Divina Providencia u'a
mensagem importante a dizer ao mundo. Essa mensa
gem nao consiste própriamente em tal ou tal proposi-
gáo de filosofía ou teología (váo é o panteísmo hindú
com seus corolarios, como atrás foi dito). É, antes, a ati-
tude religiosa por excelencia, a afirmacáo de que o homem
só se realiza na procura incondicional de Deus, que a India
apresenta ao mundo. A india, por sua existencia mesma,
constitui um caloroso apelo a Deus, ao único Deus, que o
hindú entrevé presente entre os homens e que ele desejaria
possuir em plenitude ! — Que os cristáos recebam essa ligáo
de procura sequiosa de Deus e, em troca, comuniquem aos
irmáos hindus a germina nocáo do Pai Celeste ou a face do
Deus vivo e verdadeiro patenteada no S. Evangelho ! É nesse
intercambio que sabedoria hindú e sabedoria crista se unem :
aquela oferece a medida generosa e dilatada dentro da qual
esta se deve derramar incontaminada e fecundante !

— 498 —
A guisa de Apéndice, vai aqui transcrita oportuna passagem
de urna encíclica missionária que o S. Padre o Papa Pió XII publicava
aos 2 de junho de 1951:
«Quando a Igreja convida os povos a se elevarem sob a guia
da religiáo crista a urna forma superior de vida humana e de cultura,
Ela nao se comporta como quem, sem respeitar coisa alguma, abate
urna floresta exuberante, devastando-a e destruindo-a; antes, Ela
imita o jardineiro que enxerta um ramo de qualidade em um tronco
selvagem a fim de que éste um dia produza frutos mais doces e
saborosos. A natureza humana conserva em si, apesar da mancha
herdada da triste culpa de Adao, um fundo naturalmente cristao,
que, iluminado pela luz de Deus e nutrido pela graga, pode ser
elevado á virtude auténtica e a vida sobrenatural. Por isto a Igreja
jamáis tratou com desprézo e desdém as doutrinas dos gentíos; ela,
ao contrario, as libertou de todo erro e impureza, e, por fim, as
rematou e coroou mediante a sabedoria crista. Da mesma forma,
as artes e a cultura dos povos náo-cristáos,... a Igreja as acolheu
com benevolencia, cultivou-as com cuidado e levou-as a grau de
beleza tal que jamáis haviam atingido. Ela também nao condenou,
mas de certo modo santificou, os costumes próprios e as instituigóes
tradicionais dos diversos povos. Modificando o espirito e as modali
dades das testas dos pagaos, a Igreja fez que estas servissem para
lembrar os mártires e para glorificar os santos misterios. Muito
a propósito escreve S. Basilio: '...Habituados a considerar o sol
no seu reflexo s&bre as aguas, poderemos doravante levantar o
olhar diretamente para a própria luz... A vida da árvore consiste
em que se carregue de frutos na estacáo oportuna; nao obstante, as
fólhas que se agitam em torno dos ramos, acrescentam algo á
beleza dos frutos. Assim a alma dá seus frutos por exceiéncia quando
apveende a própria Verdade; contudo a sabedoria meramente humana
pode servir de manto á Verdade (divina), a semelhanga das fólhas
que envolvem os frutos dando a estes sombra e beleza» (texto tradu-
zido do original publicado na «Revista Eclesiástica Brasileira» 11
[1951] 707).
Os dizeres ácima parecem aplicar-se muito adequadamente a
definir as relacoes vigentes entre a sabedoria hindú e a sabedoria
crista.

Bibliografía: M. Queguiner, Introduction á l'Hidouisme. París 1958.


S. Lemaitre, Hindouisme ou Santana Dharma, em «Encyclopédie du
Catholique au XXéme siécle», n« 144. Paris 1957.
J. Herbert, Spiritualité hindoue. Paris 1947.
Vitalité actuelle des Religions non chrétlennes. Collection «Rencon-
tres» n' 48. Paris 1957.
M. Perdieron, O Buda e o budismo. Rio de Janeiro 1958.

■ JOAO CALADOR (Rio de Janeiro) :

2) «Terá realmente existido a Atlántida, continente que


escolas antigás e modernas apresentam como berco de ele
vada sabedoria ?»

— 499 —
A questáo tem importancia nao sonriente por seu aspecto
geológico, mas principalmente pelo fato de que as correntes
ocultistas de nossos dias afirmam herdar a sublime sabedoria
da Atiántida, sabedoria que, como dizem, só pode ser revelada
a iniciados; Mme. Blavatsky, por exemplo, e o coronel Olcott,
mentores da Teosofía moderna, passavam por já ter vivido
na Atiántida em anterior encarnacáo... — Interessa-nos, por
conseguinte, primeiramente averiguar o que referem as fontes
históricas a i "•speito da Atiántida para, a seguir, formularmos
um juízo seguro sobre a existencia e o significado do famoso
continente.

1. O testemunho das fontes históricas

1. O vocábulo Atiántida vem de Atlas ou Atlanta, nome de um


dos deuses da mitología grega, pertencente á familia das divindades
do mar; atribuiam-.se-lhe inteligencia superior, ciencia universal e,
em particular, o conhecimento de todos os abismos do océano. Como
o nome indica (Atlas vem do radical prego tal ou tía, que significa
«carregar»), o deus Atlas era o Portador por excelencia, pois susten-
tava sobre a cabega e os fortes ombros todo o peso do Céu (diziam
uns) ou (conforme outros) as enormes colunas que da Térra sepa-
ravam a abobada celeste.
As narrativas mitológicas variam um pouco na maneira de explicar
como Atlas passou a exercer tal funejio: urna versáo refere que o
herói Perseu, filho de Júpiter, se apresentou um día ao tita Atlante
(os titas eram os filhos gigantescos de Ouranos, céu, e Gea, térra),
pedindo-lhe asilo; já que Atlante o negou, o herói, fazendo refulgir
aos seus olhos a cabega de Medusa, transformou o tita numa
montanha chamada Atlas (norte da África), sobre a qual haveriam
de se apoiar o céu e os astros !
Diz outra narrativa que foi o próprio Júpiter quem sentenciou
Atlas, condenando-o a carregar sobre os ombros o peso do Atlas.
Éste, .segundo Heródoto, era enorme monte da Libia, cujas altas
cumiadas, envolvidas em nuvens, sugeriam aos libios tratar-se de urna
coluna do céu. O motivo da condenacáo teria sido o apóio dado por
Atlas a urna revolta dos titas contra Júpiter.
Urna terceira lenda completa as anteriores contando que Hércules
foi ter certa vez com Atlas, a íim de roubar os pomos de ouro do
jardim das Hesperides; enquanto Hércules ficaria sustentando a
abobada celeste, Atlas iría colhér os almejados frutos. Aconteceu,
porém, que, ao voltar do latrocinio, Atlas recusou-se a retomar o seu
fardo habitual; Hércules entao, usando de um ardil, fez que ao menos
por um momento Atlas aceitasse a carga; entrementes apoderou-se
dos pomos e abandonou seu cúmplice. — Graciosas «historias»... !

2. Deixando de parte a mitología, verificamos que o


nome do deus assim focalizado foi, sob a forma do adjetivo
Atiántida, dado a um continente que a tradigáo dos antigos
narra ter sido submerso pelas aguas.
Donde vem essa tradicáo ?

— 500 —
A mais antiga fonte de tal noticia é o filósofo grego Platáo
(427-347 a. C.), em duas de suas obras : os diálogos «Timeu»
(21-25) e «Crítias». — Vejamos, pois, o que a propósito refere
tal escritor.

Platáo atribui a certo Crítias. de Atenas, urna narrativa da qual


Critias teria tomado conhecimento através de alguns escritos por
ele encontrados em casa de seu avó nos anos de sua juventude.
Nesses escritos, dizia CrStias, Sólon, o grande legislador ateniense
do séc. VI a. C, consignara recordacóes de urna viagem que íizera
ao Egito: estivera entáo em visita aos sacerdotes de Sais (cidade do
delta do Nilo), os quais teriam relatado ao legista de Atenas algo
das suas venerandas e longínquas tradicñes... Dentre estas se
destacava a seguinte; havia 9.000 anos, existia, em frente das Colunas
de Hércules (estreito de Gibraltar), urna ilha-continente, maior do
que a Libia e a Asia reunidas. Tal ilha coubera em partilha ao deus
Poseidónio (Netuno), que se unirá a urna criatura mortal, Clito,
vindo a ter cinco pares de filhos gémeos. Netuno, havendo educado
ésses herdeiros, repartiu entre éles o dominio da ilha, tocando ao
mais velho, Atlas, o mando supremo (donde o nome de Atlántida
dado a todo o territorio). Os dez irmáos geraram posteridade nume
rosa, a qual recobriu a Atlántida, levando vida caracterizada por
sabedoria e felicidade.
Muito interessante era a coníiguracáo geográfica da regiáo:
constava de urna ilha central, onde se erguiam o templo de Netuno
e Clito, assim como o palacio regio. Essa ilha central tinha o diámetro
de cinco estadios '(888 m). e era cercada por um canal largo de
um estadio (177,60 m). Havia, em seguida, um anel de térra, da
largura de dois estadios (355,20 m), e outro canal de aguas, também
largo de dois estadios. Mais um cinturáo de térra e um terceiro
canal se avistavam a seguir, medindo cada qual tres estadios (532,80 m).
Após o terceiro canal, estendia-se mais um anel de térra, o qual
media 50 estadios (8.880 m) de largura. Nos limites exteriores déste
terceiro cinturáo encontrava-se finalmente o mar aberto.
Os descendentes de Netuno ou os Atlantes ainda embelezaram
a obra de seu divino Genitor, construindo longas pontes, pujantes
muralhas, torres, fortalezas, quartéis, arsenais, ginásios, jardins,
hipódromos, etc. Notável era a afluencia de naves a Atlántida; pro
venientes de todas as partes do mundo, podiam penetrar, por nieio
de cañáis artificiáis, até o ámago do continente, provocando intenso
movimento diurno e noturno.
Na ilha central, o templo de Poseidónio se estendia imponente
sobre a área de um estadio (177,60 m) de comprimento e tres plelros
de largura (88,60m, ao todo); cercavam-no muralhas refulgentes
de ouro e metáis preciosos. Condigno era o esplendor do palacio dos
reis, situado ñas proximidades e rodeado de casernas. Duas inextin-
guiveis fontes de agua afloravam ao solo da ilha central, urna quente,
a outra fria, alimentando os balnearios, refrescando o bosque de
Poseidónio e irrigando, por sabio sistema de cañáis, todo o continente
até as suas extremidades.
A densa populacáo da ilha se distribuía por 60.000 distritos,
constituidos á semelhanca de auténticas circunscricóes militares: ésses
distritos forneciam á defesa do continente 10.000 carros de combate,
240.000 cávalos, 1.200.000 guerreiros (20 por distrito), 240.000 mari-
nheiros para 1.200 naves (cada qual dotada de 200 homens).

— 501 —
A prosperidade da vida na regiao era extraordinariamente favo
recida pela bonanca da térra: duas colheitas ao ano, flora e fauna
abundantes completavam as riquezs do solo e do subsolo: ouro, prata,
¿stanho, oricalco, pedras preciosas...
Durante muitos e muitos séculos, continua a narrativa de Platáo,
os reís da Atlántida se mantiveram a altura de sua linhagem divina,
comportando-se sobria e virtuosamente. Aos poucos, porém, deixa-
ram-se dominar pela cobica e as paixóes: em vez de fomentar a
agricultura e o comercio, respeitando os deuses e suas leis, passaram
a se preocupar com a dilatacao de seu poder, subjugando militar
mente as ilhas vizinhas, tdda a África até o Egito, e a Europa até
a Tirrénida. A vista disto, Júpiter reuniu a assembléia dos deuses
e resolveu castigar a linhagem pervertida dos Atlantes. A cidade de
Atenas na Grecia tornou-se o instrumento da punicáo, assumindo,
sim, a chefia da resistencia aos invasores insulares. Atenas, embora
abandonada por seus aliados, conseguiu vencer os inimigos, libertando
os povos dominados a leste das Colunas de Hércules. A seguir,
terremotos e inundagóes flagelaram a Atlántida, vindo esta final
mente a perecer, totalmente tragada pelas aguas em um dia e
urna noite !

Eis o que refere Platáo no séc. V a.C. (notemos o grande


número de intermediarios — Crítias, o avó de Crítias, Sólon
de Atenas, os sacerdotes do Egito — que o teráo posto a par
do «episodio» ocorrido havia mais de 9.000 anos... ; é esta
urna via assaz acidentada !). Outros autores que, na antigüi-
dade, aludem a Atlántida sao posteriores ao filósofo grego e
déle dependem literariamente; nem Heródoto (t 424/402
a.C.) nem Hornero (séc. Vm a.C.) nem algum dos escri
tores pré-socráticos (contrariamente ao que se pensava há
decenios atrás) pode ser tido como testemunha da sorte da
Atlántida : «A Atlántida só é mencionada por Platáo e por
aqueles que o leram» (S. Gsell, Histoire ancienne de l'Afrique
du Nord I 1913, 328).
Importa-nos, por conseguinte, indagar agora qual seria o
genu'no sentido do relato de Platáo. Para chegarmos a urna
conclusáo sólida, examinaremos primeiramente o que a res-
peito pensaram os intérpretes no decorrer dos séculos.

2. As variadas interpretaeóes

O tema da Atlántida tem sido amplamente explorado


pelos escritores modernos, ora em tom serio de estudos cien
tíficos, ora em literatura de romance e ficcáo.

1. Em primeiro lugar, registram-se intérpretes que muito


estimaran* a narrativa de Platáo ; coligindo todos os dados
elucidativos fornecidos pelos textos do filósofo, procuraram
reconstituir a carta minuciosa do desaparecido continente, a
lista de seus reis, as peripecias de sua historia...

— 502 —
Sem descer a tantos pormenores, principalmente sem se
prender as indicagóes de tempo e lugar, outros autores, desde as
primeiras geragóes após Platáo até nossos dias, admitiram e
admitem o desaparecimento, em época pré-histórica, de um
continente, quigá habitado e altamente civilizado; contudo
muito diferem entre si ao tentarem identificar a malograda
térra.

• Rudbeck, por exemplo, colocou a antiga Atlántida na regiáo da


Escandinávia moderna; Latreille, na Pérsia atual; Ballly (em 1779),
no planalto da Mongólia, conjeturando todo um sistema de migracoes
dos povos na base dessa hipótese. De Baer, que tratou muito longa-
mente do assunto, quis ver nos habitantes da Atlántida as doze
tribos de Israel; o cataclismo de que iala Platáo, correspondería
ao que aniquilou as cidades de Sodoma e Gomorra! Nao poucos
intérpretes voltaram suas vistas para a América, sendo que Mac-
-Culloch assimilou a Atlántida as Antilhas: as pequeñas ilhas dissemi-
nadas entre a América e a Europa seriam os vestigios da regiáo
tragada pelas ondas; em favor desta opiniáo, cita-se o fato de que
ñas ilhas Canarias íoi encontrado pelos descobridores espanhóis um
povo dito «dos Guanches», hoja desaparecido, povo que mostrava
costumes semelhantes aos dos egipcios e aos de indios da América,
c cuja língua parece ter tido aíinidades com a déstes últimos. De Paw
julgava que a América mesma nao é senáo a Atlántida, outrora, sim,
devorada pelas aguas, mas posteriormente abandonada por estas;
a civilizacáo atlántida aínda nos seria atestada pela dos povos pré-
colombianos do México, do Perú e da íoz do Guadalquivir.
Hoje em dia a hipótese mais em voga sitúa a antiga Atlántida
ao lado de Gibraltar, onde se encontram as ilhas dos Agores, da
Madeira, das Canarias c do Cabo Verde (que seriam os últimos
vestigios do continente submerso). Em 1898 sondagens realizadas
ao norte dos Agotes trouxeram á tona massas de larvas tais que
so se íormam sob a pressao atmosférica; seriam, por conseguinte,
larvas anteriores a época em que os vulcóes da Atlántida foram
tragados pelas aguas; nota-se outrossim que a fauna dos quatro
mencionados arquipélagos é de origem continental, semelhante á das
Antilhas e á das costas do Senegal — o que é tido como indicio
de que t&das estas térras outrora constituiam um único continente.
O geólogo francés Pierre Termier é decidido defensor desta tese.

2. Ao lado dos que, sob esta ou aquela modalidade, admi


tem a existencia da Atlántida, há os que em absoluto nao a
aceitam. Lembram, entre outros argumentos, o fato de que
já Aristóteles, o maior discípulo de Platáo, considerava a nar
rativa da Atlántida como fabulosa.
Recentemente Bessmertny dizia que o problema da Atlántida de
Platáo, por sua natureza mesma, pertence a categoría dos «fenómenos
infra-racionais», .só tendo atualidade para as pessoas que querem
«descobrir urna patria e um objetivo». A Atlántida seria o símbolo
da aspiracáo inata em todo homem a urna patria ideal, aspiragáo
que em termos análogos se exprime na mitología de cada povo :
por conseguinte, os gregos, através de Platáo. teráo falado da Atlán
tida, como os suecos falaram de San Brandan; os celtas, de Avalun;
os alemáes, de Viñeta, etc. Em vista do elevado número de obras

— 503 —
literarias, de ficgóes, que desenvolvem o tema da Atl&ntida, regiao
de vida bem-aventurada, Bessmertny chega a falar do «complexo
da Atlántida»; ef. Bessmertny, L'Atlantide. París 1935 (trad. francesa).

Éste catálogo de teorías já é suficiente para ilustrar os


dados do problema. Pergunta-se agora :

3. Qual o auténtico significado da narrativa de Platáo ?

Para se chegar a clareza no assunto, distinga-se entre o


aspecto geológico e o aspecto Hterário-filosófico da narrativa
concernente a Atlántida.

1. O aspecto geológico. É fato inegável que a face da


Térra e seus acidentes geográficos se modificam lenta e con
tinuamente : catástrofes e cataclismos váo mudando incessan-
temente a configuragáo do globo ; pode-se mesmo assegurar
que porgóes de térra tém sido devoradas no decorrer dos
tempos pelas aguas do mar, perecendo entáo os respectivos
habitantes e os documentos de sua civilizagáo.

Um caso assaz curioso a éste propósito é o que se pode observar


na famosa ilha de Páscoa, também dita Vai-Hu. Está situada ñas
extremidades meridionais do océano Pacifico, mais próxima do litoral
do Chile do que da costa australiana; mede 25 km de perímetro,
sendo habitada por urna populacáo de raga mista polinésica, inteli
gente e dotada de certa civilizagáo. Ora nessa porgáo de térra
encontram-se monumentos gigantescos que parecem ser estatuas de
Divindade confeccionadas por antigos habitantes da ilha; estes teráo
desaparecido, extinguindo-se assim urna civilizacáo que, a julgar por
tais documentos, deve ter sido relativamente elevada. Os estudiosos
perguntam se ésses homens nao pereceram numa catástrofe, da qual
urna conseqüéncia e um testemunho seria a pequeña ilha de Páscoa
até hoje subsistente. Se nao se pode dar resposta dirimente a esta
questüo, o caso mencionado muito concorre para ilustrar o fato —
pressuposto por Platáo — de que regioes e civilizares tém surgido
e perecido sucessivamente na face da térra através dos séculos.
O filósofo grego mesmo terá observado em torno de si, na Grecia e
na Italia meridional, a agio incessante das fórcas da natureza a
modificarem os acidentes geográficos.

Dito isto, faz-se mister abordar o outro aspecto do tema


que focalizamos.

2. O aspecto literário-filosófico da Atlántida de Platáo.


Embora muito plausível seja a destruigáo de regióes e civili-
zagóes por efeito de cataclismos, nao se poderia daí inferir
que Platáo, ao narrar a historia da Atlántida, aluda a um
episodio real e histórico. Muito ao contrario ; a narrativa do
escritor grego tem a aparéncia de um episodio artificialmente
forjado para transmitir idéias filosóficas, nao noticias de índole
historiográfica.

— 504 —
E quais seriam os fundamentos desta afirmagáo ?

1) Em primeiro lugar, note-se que, embora Platáo des-


creva urna civilizagáo altamente desenvolvida e se refira a
um confuto armado certamente vultuoso entre os povos da
Atlántida e os do Mediterráneo, nenhum autor, na antigüi-
dade antes de Flatáo, mencionou tais tópicos ; no decorrer
de 9.000 anos tais temas t2ráo ficado totalmente envoltos em
silencio.. . Esta falta de documentos e testemunhos é estranha.
Talvez, porém, nao se Ihe deva atribuir importancia decisiva
no estudo da questáo. Levar-se-á entáo em conta o seguinte :

2) A narrativa da Platáo encerra dados anacrónicos ou


incompatíveis entre si. Com efeito. De um lado, a Geología
permite-nos admitir a existencia de territorios a oeste de
Gibraltar (atual regiáo do Atlántico) no fim da era terciaria
e até no inicio da quaternária ; em todo caso, porém, numa
época que certamente distava de Sólon pelo intervalo de
mais de 9.000 anos. A «Atlántida de Platáo», portanto, se
apresenta recente demais para poder identificar-se com urna
presumida «Atlántida dos geólogos». — Do outro lado, porém,
existindo 9.000 anos antes de Sólon, a Atlántida de Platáo
está recuada ou longe demais para poder ser o cenário de
urna civilizacáo tal como o filósofo a descreve, civilizagáo que
com esmero utilizava os metáis... ; nove mil anos antes de
Sólon de Atenas, o género humano ainda vivia, quando muito,
no grau de cultura da pedra polida, nao conhecendo ainda a
metalurgia.

A propósito vém as observagóes do Proí. A. Rivaud, um dos


mais recentes comentadores do «Timeu» e do «Crítias»:
«Todos os elementos da sua descrigáo da Atlántida, Platáo os
colheu em torno de si, no mundo grego, em Atenas mesmo, ou
nos coníins da civilizacáo helénica, em Creta e talvez no Egito...
O templo de Poseidónio e Clito é em tudo semelhante a qualquer
templo grego. É um pouquinho maior do que o templo de Diana
em Éfeso e o de Júpiter Olimpio em Atenas. Os ornamentos sao
mais ricos, mas o estilo da ornamentacSo é o masmo...
Quase sem sair de Atenas, Platáo podía encontrar todos os
elementos essenciais da sua narrativa. Nao é necessário suponhamos
hipotéticas tradicóes referentes a um antigo imperio celta ou ao
reino misterioso do Aztlá ou do Metzli. Quando os atenienses liam
o 'Crítias', ai reconheciam, talvez retocados e ampliados, espstáculos
familiares. Quem sabe, de resto, se Platáo nao lazia empréstimos
á literatura de romances anterior a ele? ...Em todo caso, é fácil
ver que a descrigáo da Atlántida nao está isenta de intencóes edifi
cantes» (Platón, éd. «Les Belles Lettres» t. X 248-251).

3) Pondere-se outrossim que as cifras indicadas por


Platáo para caracterizar os distritos, assim como os efetivos

— 505 —
militares, as dimensóes do continente, etc., parecem ser simé
tricas demais para corresponder á realidade: apresentam,
antes, caráter estilizado e ficticio (tenham-se em vista os
dados numéricos que atrás enunciamos).

«Um dos tragos mais impressionantes da ficcáo platónica é a


regularidade geométrica das instalaches da Atlántida. A bem dizer,
esta regularidade é característica comum de todas as cidades de
utopia» (Rivaud, ob. cit. 251).

4) Estas observagóes sao corroboradas por mais urna


reflexáo. Tudo nos diálogos «Timeu» e «Crítias» é narrado
em funcáo de urna doutrina filosófica ou sociológica que o
autor quer firmemente incutir aos seus leitores ; Platáo, tendo,
sim, em vista ensinar qual deveria ser o Estado ideal, houve
por bem enunciar os característicos déste nao de maneira
abstraía e teórica, mas a guisa de um poeta e estilista, ou seja,
sob a forma de urna narrativa imaginaria semelhante aos mo
dernos romances de ficcáo científica (como sao os de Julio
Verne é Wells) ; tais obras, por seu estilo suave e agradável,
sao fácilmente assimiladas pelos leitores...

3. Em conclusáo: a crítica sadia admite que a narrativa


de Platáo se possa ter inspirado de alguma catástrofe geoló
gica dessas que nao raro abalaram a face da Térra no decorrer
da historia (é possível mesmo que o filósofo tenha tido em
vista determinado cataclismo ocorrido no Océano Atlántico).
Os tragos, porém, com que Platáo descrcve a «sua» Atlántida
háo de ser tidos como imaginarios.

Eis, mais urna vez, o juízo abalizado de Rivaud :


«Poeta como era,... Platáo por vézes se entregava á sua fantasía,
que era inesgotável e experimentava prazer sutil em jogar suas belas
imagens... O mito da Atlántida e, por conseguinte, o 'Crítias' inteiro
sao simples fábulas» (ob. cit. 12).

Donde se vé, em última análise, que nunca tiveram reali


dade a «elevada civiliza^áo» e a «profunda sabedoria» dos
habitantes da Atlántida, dos quais se dizem herdeiros os «ilu
minados» e ocultistas modernos ! Desfaz-se assim o caráter
autoritario e misterioso com que estes apresentam suas dou-
trinas. A fantasía dos homens as elaborou, dando, porém, des-
tarte o valioso testemunho de que o senso do misterio e do
místico constituí um dos predicados mais profundamente
arraigados na natureza humana.
Oxalá essa sede de mística procure satisfazer-se na única
fonte auténtica, que é a Revelagáo do único Deus comunicada
aos homens por Cristo !

— 506 —
II. DOGMÁTICA

OBSERVADOR (Rio de Janeiro) :

3) «Nao sinto neccssidade de Religiáo para ser um


homem bom, cumplidor de meus deveres! Para que entao
abracar urna Religiáo ?»

DE BOA VONTADE (Rio de Janeiro) :

4) «Deixemos de discutir proposicoes doutrinárias, para


unir-nos simplesmente na prática do bem!»

As frases ácima renroduzem fielmente urna das facetas da


mentalidade moderna, a qual se esforca por provar que o homem
leigo (sem religiáo) pode ser táo honesto quanto o seu companheiro
religioso, ou mesmo mais reto do que éste. — A quem assim fala,
poder-se-áo propor duas observagSes: urna, atinente ao conceito de
Religiáo; a outra, concernente á nogáo de homem reto ou consumado.
É o que vamos fazer.

1. Que é Religiáo ?

1. Abstraindo de 'questóes particulares, debatidas pelas


escolas, os autores geralmente afirmam que Religiáo é o con
junto de relagóes que ligam o homem a um Ser Supremo,
Deus (como quer que Éste seja concebido). Dos dois termos
assim relacionados, está claro que, por definigáo, quem'tem
a primazia é Deus. Donde se vé que a Deus é que toca definir
a Religiáo ou a via pela qual o homem deve subir ao Supremo
Senhor. Religiáo feita ou concebida pelo homem é algo de
contraditório ; o homem nao faz a Religiáo, mas recebe-a.

E como a recebe ?
Recebe-a
1) ou pelo testemunho da criacáo inteira e a voz da consciéncia.
Sim; a contemplacao das criaturas leva a iazao a conceber a exis
tencia do Criador que por estas se maniíesta. Doutro lado, nao há
qutm no seu íntimo nao perceba o ditame: «Faze o bem, evita o mal».
Éste se impóe anteriormente a algum ato da inteligencia ou da
vontade; está impresso na natureza humana, quase como a marca
do respectivo Autor. Pois bem; tal ditame é a primeira manifestagáo
de Deus ao homem. Ésse ditame táo rudimentar se desenvolve em
graus diversos nos diversos individuos e povos, concorrendo para se
formarem varios dos códigos de moralidade religiosa;
2) ...ou pela voz da Revelacao sobrenatural, expressa nos livros
da Biblia (Antigo e Novo Testamento).

Donde se vé que Religiáo requer sempre sujeicáo humilde


da criatura ; nunca pode ser um rótulo que sirva para corro
borar o homem em sua presumida autonomía.

— 507 —
Em última análise, a raiz da Religiáo é a condigáo de ser
deficiente que caracteriza todo individuo humano. Tal é a
observacáo que já S. Tomaz propunha no séc. XIII e que os
modernos estudiosos de Psicología e Etnología só fizeram
confirmar:

«A razáo natural dita ao homem que se submeta a um Ser Supremo


em vista das deficiencias que o homem experimenta em si, deficiencias
contra as quais a criatura precisa de ser auxiliada e dirigida por um
Ente Superior; quem quer que Éste seja, tal Ser Superior é o que
todos chamam Deus» (S. Tomaz, S. Teol. II/II 85, le).

Poder-se-ia, porém, perguntar se de fato tal Ser Supremo existe;


nao seria váo o clamor do homem indigente na Térra ? A sá razáo
responde que nao pode ser váo, e que o clamor espontáneo do homem
nao deixa de encontrar seu objetivo; pois na natureza nada se
dirige para o vacuo; nao há carnívoro sem carne, nao há erbívoro
sem erva, nao há nadadeira sem agua, nao há asa sem atmosfera...
Em termos mais gerais, dir-se-ia: toda aspiragSo já é provocada
misteriosamente pelo Ser mesmo que a ela quer atender; donde
se concluí que o desejo de plenitude, espontáneamente afirmado por
todo homem, é suscitado pelo próprio Ser Pleno ou Perfeito, Deus.
Leáo Tolstoi ilustra esta proposicáo mediante urna figura gra
ciosa :
«Sou urna avezinha caída sobre o dorso, que está a clamar em
meio á erva alta. Se clamo, sei que u'a máe me trouxe em si, me
aqueceu, me alimentou e amou. Onde estaria, pois, essa máe ?
Se me abandonaram, quem me abandonou ? Nao passo deixar de
crer que alguém me gerou. Quem é ésse alguém ? — É Deus».

2. Destas idéias se segué que Religiáo está longe de ser


produto do «sentir» subjetivo e transitorio do homem ; nao é
simplesmente um remedio para determinadas situagóes, re
medio ora necessário, ora desnecessário, segundo as contin
gencias da vida. Ao contrario, ela está intimamente relacio
nada com a estrutura do homem como tal.
Em outros termos : Religiáo vem a ser a mais lógica con-
seqüéncia de urna proposi?áo fundamental tanto da Metafísica
como da Teología : Deus é Criador e o homem é criatura.
Isto significa que Deus é tudo, e o homem por si nada é;
tudo que o homem é, foi-lhe dado e é conservado por Deus.
Religiáo nao vem a ser senáo o reconhecimento explícito desta
realidade.

O papel de criatura (ou de ser tirado do nada e, a todo instante,


dependente de um Criador) implica que o homem viva em fungáo
nao de si, mas de Deus,... que se tenha na conta de zero, zero que
só toma sentido á luz da Bondade do Criador. Grande número de
homens (talvez de boa fé) tende a fugir desta perspectiva e a yiver
na ilusáo a respeito de si mesmos. Tenha-ss, porém, consciéncia da
que só há um título de grandeza para o individuo humano: o de
ser criatura (aquilo que por si nada é) de um Criador bom e' sabio
(que sabe aproveitar o nada para exprimir a infinita perfeicao divina);

— 508 —
é esta a única atitude inteligente nesta vida; qualquer outra posigáo,
mais «branda» em aparéncia, é mero subterfugio, incapaz de levar
o homem á saciedade de suas aspiracóe.5.

3. A mentalidade moderna é assaz alheia a estas con


siderares, pois ela se ressente da tendencia a prezar dema
siadamente o homem, tendencia devida ao «humanismo» do
séc. XVI. Com efeito, os pensadores daquela época passaram
a focalizar com otimismo exagerado, por vézes quase pagáo,
a natureza humana e seus predicados, chegando a fazer do
homem o centro de referencia de todas as coisas. Em conse-
qüéncia, também a Religiáo e o próprio Deus foram sendo
mais e mais concebidos como valores relativos... relativos
ao homem.
Esta atitude tomou sua expressáo mais significativa no
séc. XVIII, entre os filósofos racionalistas da Franga (Voltaire,
Diderot, d'Alembert, Rousseau) ; admitiam, sim, a existen
cia de Deus, de um Deus, porém, muito alheio a éste mundo
e aos homens, em oposicáo á idéia de um Deus Criador, Pai
providente dos homens ; disto resultava crescente propensáo
a conceber o homem como um valor autónomo.

Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) tornou-se o arauto, por exce


lencia, de tal otimismo pouco ou nada religioso : para éste filósofo,
o homem é, por natureza, bom, isento de todo vicio. Na sua «Profissáo
de fé de um pároco da Savoia», Rousseau explica como entende
suas relacóes com o Ser Supremo ;
«Aspiro ao momento em que, liberto dos entraves do corpo, serei
Eu mesmo sem contradicáo, sem divisáo, e nao precisare! seníío de
mim para ser feliz; enquanto aguardo, sou feliz desde a vida presente,
porque menosprezo todos os males desta existencia; considero-a quase
como estranha ao meu ser; todo auténtico bem que dasta vida eu
possa extrair, depende de mim. Para me elevar desde já, na medida
do possivel, a tal estado de felicidade, torca e liberdade, entrego-me
a sublimes contemplagóes, medito sobre a ordem do universo, nao
para a explicar por meio de vaos sistemas, mas para a admirar
incessantemente... Converso com o sabio Autor do mundo,... mas
nao Ihe dirijo prece alguma. Que Ihe pediría eu ?... Nem lhe solicito
o poder de praticar o bem; porque lhe pediría o que ele me deu ?»
(Émile, livro IV fim).
Como se vé, embora recorra a expressoes de piedade e reverencia
para com Deus, Rousseau relega seu Deus para um plano muito
periférico e remoto; o que lhe interessa. é que o homem cada vez
mais baste a si mesmo; assim, pensa ele, alcanza a criatura a sua
felicidade e consumacáo.
Ora parece que tal mentalidade ainda marca, a conduta de
nossos contemporáneas, quando se comprazem em afirmar que nao
precisam de Deus para ser honestos cumpridores de seus deveres.
Contudo, após o que acaba de ser exposto nos parágrafos ácima,
ninguém hesitará em reconheeer que tal posigáo é de todo inconsis
tente, pois o homem ou é entendido em total dependencia de Deus
(dependencia que o torna grande e digno) ou de modo nenhum se
entende a criatura humana.

— 509 —
2. O homem reto ou consumado

As duas proposicñes ás quais este artigo procura responder,


sup5em que o homem atinja simplesmente a sua consumagáo, caso
venha a ser um perfeito cumpridor de seus deveres civis.
A quem assim pensa será oportuno lembrar o seguinte :

O comportamento ético ou a boa conduta é, no homem,


valor derivado e nao valor primario. A Ética lida, sim, com as
categorías do bem e do mal, visando levar o individuo humanr
a praticar o bem e evitar o mal.
Mas como se há de definir o que é o bem e o que A o mal?
Os conceitos de bem e de mal se relacionam essen-
cialmente com a nocáo de finalidade. Para determinado ser,
bom é aquilo que convém á sua natureza e o leva á conse-
cugáo de seu fim supremo; mau é aquilo que o impede de
conseguir a sua finalidade (é bom o relógio que indica as
horas com precisáo, pois todo relógio foi feito para indicar
as horas ; é má a navalha que nao corta, pois a navalha foi
concebida pelo seu fabricante para talhar). Donde se vé que
o fim último de um ser é o criterio para se julgar o valor (po
sitivo ou negativo) da atividade désse ser. Aplicando-se éste
principio ao homem, verifica-se que, para se determinar as
categorías do bem que o homem deve praticar, e do mal que
deve evitar, é preciso ter em vista exatamente qual o fim
supremo da criatura humana ou qual a razáo de ser do
homem na térra. Ora esta questáo só pode ser resolvida á
luz da Filosofía ou, mais própriamente, á luz da Religiáo
(pois na verdade é sómente á luz de Deus, que se explica o
sentido da vida humana). Será impossivel, por conseguinte,
impor um procedimento ético ou urna legislacáo moral, inde-
pendentemente de alguma Filosofía a respeito do mundo e
do homem. É, pois, vá a posigáo dos que sugerem: «Deixemos
de nos ocupar com proposicóes doutrinárias ; unamo-nos sim
plesmente na prática do bem».

Para comprovar quanto é váo tal programa, basta lembrar como


varia o conceito de bem nos varios sistemas ideológicos de nossos
dias: o marxismo materialista ensina que a revolugáo social tem
que ser realizada pelo recurso maquiavélico a qualquer expediente;
por conseguinte, bom para o marxista é tudo que a possa promover
sem demora. O existencialista sartriano diria que lhe é licito ser
«carrasco e agougueiro», mesmo independentemente da revolucáo
social (cf. «P. R.» 22/1959, qu. 1). O cristáo, porém, condena qualquer
désses extremismos, afirmando que pode haver Imensa bem-aventu-
ranca na pobreza abracada em uniáo com Cristo.
Para quem eré na vida eterna, a vida presente se torna algo
de relativo; os atos humanos sao entáo julgados boas caso concorram
para a consecucáo da eternidade; sao, ao contrario, tidos como maus,

— 510 —
desde que se oponham a tal meta; a bem-nventuranga postuma vem
a ser o principio unificador das múltiplas agóes do individuo; a
esperanca da felicidade inamissível passa a ser fonte das mais
veementes energías. — Dado, porém, que nao se admita vida postuma,
a vida presente vem a ser um valor absoluto de que é preciso gozar
a todo transe; as atos humanos passam a referir-se a finalidades
temporais e sensíveis, finalidades que variam conforme as preferencias
de cada filósofo ou mesmo de cada individuo.
Por conseguinte, «o problema dos destinos do homem impóe-se á
moral como urna necessidade lógica indeclinável. A questáo da exis
tencia de Deus e da imortalidade da alma importa responder sim ou
nao, porque déste sim ou déste nao depende todo o valor da vida,
todo o criterio para a distingáo do bem e do mal. toda a norma
que aspira a dirigir racionalmente o nosso proceder. Moral leiga —
que pretende abstrair ou prescindir destas verdades indeclináveis —
é um contra-senso lógico e urna impossibilidade prática» (L. Franca,
A formacáo da personalidade. Rio 1954, 453).
Entende-se assim quanto é errónea a atitude do legislador que
pretende reduzir todos os homens ao.s mesmos padrees éticos ou ás
mesmas leis de conduta civil, sem, porém, se importar com a Verdade.
Indiferenca quanto á Verdade implica também indiferenga quanto ao
Bem ou á Ética; absoluta liberdade de pensamento deve acarretar
outrossim absoluta liberdade de acáo ou conduta; o legislador agnós
tico solapa o fundamento de sua autoridade.

De resto, a neutralidade perante a Verdade nao sómente


é impossível, mas vem a ser mesmo um predicado pejorativo
para quem a pretende professar. É o que um pensador fran
cés, J. Simón (nao cristáo, mas simplesmente deísta), afir-
mava em pleno Parlamento de Paris no ano de 1886 :

«Nao quero professor neutro; nao quero, porque nao o estimo;


neutralidade em materia de opiniáo é o que há de mais vergonhoso
no mundo. Quem é o vosso mestrn? Tem opiniao ou nao ? Se tem,
esconde-a. E é éste o modelo que propondes aos vossos filhos ? Se
nao a tem, deploro-o... Escola neutra é escola desonrada: ou nao
existe na realidade ou, se existe, envergonhamo-nos déla» (texto
transcrito de Franca, ob. cit. 255s).

Sabia verificagáo, que vem rematar quanto acaba de ser


exposto nos parágrafos ácima !

III. SAGRADA ESCRITURA

OUROPRETANO (Minas) :

5) «O sacramento da Ordem terá sido realmente insti


tuido por Cristo ? Bem sabemos que a imposicao das máos,
apresentada como sinal essencial desse sacramento, já estava
em uso no Antigo Testamento».

Em resposta, analisaremos os documentos bíblicos que levam a


afirmar a instituigao do sacramento da Ordem por parte de Cristo;

— 511 —
a seguir, voltaremos nossa atengáo para o rito da imposicáo das
máos em particular.

1. As origens bíblicas do sacramento da Ordem

O Senhor Jesús, em sua santíssima humanidade, foi pelo


Pai Celeste instituido Sacerdote e Mediador entre Deus e os
homens (cf. Hebr 4,14 ; 10,5-7) ; derramando o seu sangue
precioso sobre o Calvario, consumou o seu sacrificio e mereceu
para o género humano a reconciliagáo com Deus Pai. Cf.
«P. R.» 16/1959, qu. 4.
O Senhor, porém, devia subtrair aos discípulos a sua pre
sen-a visível. Quis, nao obstante, exercer de geragáo em ge-
racáo até o fim dos séculos, e de maneara visível, a sua media-
gáo sacerdotal, comunicando a todos os homens os frutos do seu
sacrificio ; ... de maneira visível, sim, porque a dispensado
das grabas de Deus, tanto no Antigo como no Novo Testa
mento, sempre se fez mediante sinais sensíveis ; Deus, que
de materia e espirito compós o homem, sempre quis utilizar
a materia para atingir o espirito humano. — Por éste motivo
Jesús Cristo houve por bam recorrer a criaturas, investindo-as
de urna participagáo do seu sacerdocio, a fim de que Lhe
servissem de instrumentos no exercício da sua mediagáo.
1. Esta afirmagáo tem suas bases em fatos consignados
pelos SS. Evangelhos, fatos que vamos agora passar em
revista :
a) desde o inicio da sua vida pública, Cristo escolheu
alguns discípulos, aos quais foi ministrando solicita formagáo.
Esta formagáo se consumou por ocasiáo da última ceia do
Senhor, quando Jesús, após ter oferecido, sob as aparéncias
do pao e do vinho o sacrificio do seu corpo e do seu sangue,
dirigiu aos discípulos a seguinte ordem : «Fazei isto em me
moria de Mim» (Le 22,19; 1 Cor 11,24). — A respeito da
«Ceia-Sacrifício de Cristo», veja-se «P. R.» 3/1958, qu. 4.
O mandamento ácima tem vasto alcance. Por ele os dis
cípulos foram habilitados a oferecer incruentamente o sacri
ficio do corpo e do sangue do Senhor. Ora a oblagáo de sa
crificio é inerente ao sacerdocio (sacrificio e sacerdocio sao
duas instituigóes que se atraem mutuamente; cf. «P. R.»
22/1959, qu. 2). Donde se depreende que na última ceia os
discípulos receberam urna investidura sacerdotal (participa
gáo do sacerdocio de Cristo), tornando-se ministros do sacri
ficio oferecido na ceia sagrada (Eucaristía).
Essa investidura sacerdotal estava destinada a se repro-
duzir nos sucessores dos Apostólos até o fim dos tempos, pois
a celebragáo do sacrificio eucaristico deve acompanhar a vida

— 512 —
da Igreja «até que o Senhor Jesús volte em sua gloria» (cf.
1 Cor 11,26).

b) Observe-se ainda o seguinte: na noite da Ressurrei-


?áo, Cristo, soprando sobre a face dos seus Apostólos, con-
fiou-lhes o poder de perdoarem os pecados em nome de Deus:

«Como o Pai Me enviou, assim Eu ves envió... Recebei o


Espirito Santo. Os pecados scrao perdoados aqueles a quem os
perdoardes, e detidos aqueles a quem os detiverdes» (Jo 20,21-23;
cf. Le 24,49).
Também estas palavras tém ampio alcance. Por elas os Apostólos
íoram habilitados a perdoar nao simplesmente como um homem
perdoa a seu inimigo, deixando na consciéncia déste a culpa moral,
nem foram habilitados apenas a declarar no foro externo estarem
os pecados perdoados. Antes, com seus dizeres Cristo conferiu aos
discípulos o poder e o dever de instituirem um julgamento; se, em
conseqüéncia déste, considerassem oportuno perdoar, perdoariam
em nome de Deus; caso, porém, nao o julgassem oportuno (por
falta de disposigóes do sujeito), nao perdoariam, e sua atitude seria
confirmada pelo próprio Deus. Ora tal poder é realmente poder
sacerdotal, representa mais um aspecto da comunicagáo do ministerio
de Cristo a seus discípulos, a fim de que estes através dos tempos
estendam aos fiéis os frutos da Redengáo.

c) Note-se outross'im que no dia da Ascensáo Jesús


coroou a concessáo de faculdades a seus discípulos, dando-lhes
o tríplice poder de instruir, santificar e governar os fiéis de
todas as nagóes:

«Todo poder me foi dado no céu e sobre a térra. Ide, pois;


ensinai a todas as nagóes (poder de exercer o magisterio), batizando-
-as em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo (poder de santificar),
ensinando-as a guardar tudo que vos preceituei (poder de governar).
Eis que estou convosco todos os dias até a consumagáo dos séculos»
(Mt 28,19s).
A partícula ilativa pois, que se segué a Ide, pertence á genuina
forma do texto grego do Evangelho. É importante, porque realca
■bem (o que, alias, já se depreende do contexto) que a missáo dos
Apostólos se deriva do poder de Cristo, nao constituindo senáo urna
extensáo déste (verdade que também o texto de Jo 20.21 exprime do
seu modo : «Como o Pai Me enviou, assim Eu vos envió»). De resto,
o reto exercício de tal missáo é garantido pela promessa que o
Senhor acrescenta, em Mt 28,20. de estar com seus discípulos todos
os dias até o fim dos tempos.

Recapitulando, verificamos que Cristo consignou a seus


Apostólos poder sobre o seu Corpo Eucarístico (item a
ácima) e poderes sobre o seu Corpo Místico ou sobre os fiéis
(itens b e c).

2. Pois bem. Desde as suas origens a Tradigáo crista


entendeu que ésse conjunto de faculdades representa um dom
de Deus concedido a homens especialmente chamados para

— 513 —
as exercer. Tal dom foi tido como o cumplimento de pro-
messas feitas pelos profetas do Antigo Testamento:

Is 66,18-21: «Congregarei as nagdes de todas as linguas. Viráo


contemplar a minha gloria... E de todas as nagSes levaráo urna
oferenda ao Senhor... E, alguns dentre éles (dentre os novos íiéis),
En os farei sacerdotes e levitas, diz o Senhor».
Mal 1,11: «Do Oriente ao Ocidente. grande é o meu nome entre
as nagoes e em. todo lugar se. oferece ao meu nome um sacrificio
de incensó, assim como urna obiagáo pura. Pols grande é o meu nome
entre as nagñes!, diz o Senhor dos exérdtos».

No Novo Testamento, S. Paulo mostrava possuir clara


consciéncia de que fóra investido do ministerio sacerdotal:

«Reconhegam-nos todos os homens como ministros de Cristo e


dispensadores dos misterios de Deus» (1 Cor 4,1);
Deus «tornou-nos idóneos ministros da Nova Alianga» (2 Cor 3,6),
«dando-nos o ministerio da reconciliagáo» (2 Cor 5,18); pelo que «somos
legados de Cristo» (2 Cor 5,20).
No texto de 1 Cor 4,1, o termo misterios designa, segundo a
terminología habitual de S. Paulo, todos os meios instituidos por
Deus para á salvagüo dos homens. O misterio paulino é o plano de
Deus concernente á criagáo e consumagáo dos homens e do mundo,
plano concebido desde toda a eternidade e realizado paulatinamente
no decorrer dos sáculos; cf. Rom 16,25-27; Col 1. 26-28. Éste plano
coincide atualmente com o que S. Paulo ácima chama «os misterios
de Deus» (pregagáo da palavra e administragao dos ritos sacramentáis).

3. A Tradigáo crista entendeu igualmente que a trans-


missáo do poder sacerdotal estava ligada a um rito exterior
sensível.
Sim; logo na geragáo apostólica, quando pela primeira
vez se tratou de comunicar algo das fungóes sagradas de
Cristo e dos Apostólos a ministros inferiores, esta comunica-
£áo se fez mediante o rito da imposigáo das máos. É o que o
livro dos Atos refere ao narrar a instituigáo dos sete primeiros
diáconos : «Foram levados a presenga dos Apostólos, que
oraram e Ihes impuseram as máos» (At 6,6).
O mesmo rito foi aplicado por S. Paulo a Timoteo, des
tinado a ser o bispo da comunidade de Éfeso :

«Nao negligencies o dom espiritual que há em ti e que te foi


concedido em virtude de revelagáo profética, com a iffiposigao das
máos do presbiterio» (1 Tim 4,14).
«Exorto-te a que reavives a chama do dom de Deus que recebeste
pela imposigáo das minhas mitos» (2 Tim 1,6).

Há exegetas que véem na imposigáo de máos relatada em At 13,2s


a sagragáo episcopal de Paulo e Barnabé, recém-designados pelo
Espirito Santo para pregarem o Evangelho entre os gentios :
«Enquanto celebravam o culto do Senhor e jejuavam, disse-lhes
e Espirito Santo : 'Separai-me Barnabé e Saulo para a obra a que

— 514 —
os dcstinei'. files entáo jejunram e rezaram, e depois, impondo-Ihcs
as máos, os despediram».
Outros autores, porém, preferem entender o rito no sentido de
urna béncao ou recomendagáo dos futuros missionários ao Senhor
no decorrer de urna prece comunitaria.
Quanto ao texto de 1 Tim 5,22, parece que alude á imposigáo das
máos que se fazia por ocasiáo da reconciliagáo dos pecadores no
sacramento da penitencia; escreve S. Paulo a Timoteo :
«A ninguém imponhas as máos precipitadamente, e nao te tornes
cúmplice de pecados alheios».

É possível que, como pensava S. Roberto Belarmino


(t 1621), Cristo mesmo tenha usado do rito da imposigáo das
máos para investir seus Apóstolas no sacerdocio (cf. De sa
cramento Ordinis c. II) ; o silencio do S. Evangelho a tal res-
peito nao pode ser entendido como negativa, pois certamente
o Senhor Jesús fez muita coisa que os Evangelistas nao rela-
taram (cf. Jo 21,25). Nao há dúvida, Cristo freqüentemente
em sua vida pública recorreu á imposigáo das máos para
comunicar alguma graca, fósse espiritual, fósse corporal.

Assim se lé que Jesús abengoou os pequeninos impondo-lhes as


máos (Me 9, 13; Mt 19,13; Le 18,15). Despediu-se dos Apostólos, antes
de subir ao céus, levantando as máos e abengoando-os (Le 24,50s).
Muitas vézes Jesús curou os doentes servindo-se do gesto de
imposigáo das máos: cf. Me 6,5; Le 4,40 (curas coletivas); Le 13,13
(cura da mulher encurvada); Mt 83; Me 1,41; Le 513 (cura de um
leproso); Me 5, 23 (Jairo pede ao Senhor, cure a sua filha impondo-lhe
as máos); Me 7,32 (o mesmo pedido é feito em favor de um surdo-
-mudo).

Sem negar que Jesús tenha comunicado o sacerdocio aos


Apostólos mediante a imposicáo das máos, observaremos nao
ser necessário supor que de fato Cristo assim haja procedido.
Eis a tal propósito a advertencia do famoso teólogo A. Michel
(Ordre, em «Dictionnaire de Théologie Catholique» XI 2,1206):

«A questáo é de importancia mínima. Os teólogos católicos sempre


julgaram que, em virtude do seu poder de excelencia sobre os sacra
mentos, Cristo nao estava obrigado aos ritos sacramentáis. Ele podía
conferir os sacramentos da maneira que bem quisesse. 'Era próprio
da excelencia do poder de Cristo comunicar os efeitos dos sacramentos
sem aplicar os ritos exteriores dos mesmos' (S. Tomaz, S. Teol. III
64, 3)».

Deixando-se de lado a questáo do modo como Jesús terá


procedido, resta inegável o fato de que os Apostólos empre-
garam o rito de imposicáo das máos para transmitir poderes
sacerdotais ; é o que claramente atestam os textos do Novo
Testamento citados atrás. Ora nao se poderia crer que os
Apostólos nao tenham feito isto em conformidade com a von-

1 ' O J.O • ■
tade de Cristo. Donde se concluí que, antes de subir aos céus,
Jesús ao menos de maneira geral terá manifestado sua von-
tade a tal respeito.

Em conseqüéncia, afirmar-se-á que a imposigáo das máos.


sempre utilizada para a transmissáo do sacerdocio entre os
cristáos, tem o valor de rito sacramental (rito sensível trans-
missor de graga sobrenatural), rito eficaz por vontade de
Cristo mesmo.

2. Urna dificuldadc...

Contudo talvez urna dúvida aínda aflore á mente do estudioso:


o rito de imposigáo das máos constituí urna praxe muito antiga e
disseminada nao sómente entre os judeus anteriores a Cristo (no
Velho Testamento), mas também entre os pagaos. Como entáo se
pode dizer que constituí o sinal específico ou a materia (em linguagem
teológica) do sacramento da Ordem ?

A esta dificuldade responder-se-á que a materia dos sa


cramentos cristáos (tomada simplesmente como materia) tinha
por vézes emprégo sagrado ñas religióes antigás ; trata-se de
elementos naturais ou de sinais cujo simbolismo fala e se
impóe quase por si mesmo á psicología do homem : assim a
agua é evidente sinal de purificagáo ou de inocencia ; o pao e
o vinho designam obviamente a alimentacáo em geral; o óleo
indica naturalmente a fórga e o calor ; a imposigáo das máos,
por sua vez, significa de maneira muito viva a transmissáo de
algum poder ou de algum dom. Em virtude, pois, do seu sim
bolismo táo espontáneo é que a imposigáo das máos encontrou
vasta aceitagáo nos cultos religiosos da antigüidade ; a estima
de tal simbolismo nao se apoia em concepgóes específicamente
pagas, judaicas ou cristas, mas é anterior a qualquer religiáo
positiva ; é simplesmente inerente á natureza humana. Por
isto é que o mesmo rito pode ser, na plenitude dos tempos,
utilizado na transmissáo dos poderes sacerdotais entre os
cristáos ; ele ai tem, sem dúvida, seu valor. A índole específi
camente crista é dada a tal rito pelas palavras da fórmula
sacramental (em linguagem precisa :... pela forma do sa
cramento) ; sao estas palavras que definem com clareza o
significado e o papel típicamente cristáos da imposigáo das
máos no rito de ordenagáo sacerdotal (o mesmo se dá, por
exemplo, com a agua no sacramento do batismo ; sao as pala
vras «Eu te batizo em nome do Pai...» que significam qual
tipo de purificagáo é produzido pela agua batismal). Os teó
logos, de resto, ensinam que materia e forma se completam
necessáriamente na- administragáo dos sacramentos, de sorte

— 516 —
que a materia por si só nao representa tudo que o sacramento
realiza ñas almas.
Na base destas consideragóes, verifica-se que o fato de
ser o rito de imposigao das máos um rito pré-cristáo nao se
opóe a que o mesmo gesto seja tido como materia caracterís
tica do sacramento da Ordem, materia que deriva sua eficacia
da vontade de Cristo mesmo (lembrar-nos-emos de que sao
as palavras concomitantes que indicam o significado e a fun-
Cáo do rito, no caso analisado).

IV. MORAL

LEÁO (S. Paulo) :

6) «Que dizer dos chamados «Clubes dos Leoes»?»

Em resposta, será preciso expor primeiramente urna súmula do


programa do Leonismo, a fim de se proferir um julgamento adequado
sobre tal instituicáo.

1. Que é o Leonismo ?

1. A «Associagáo Internacional dos Clubes de Leoes» é


urna entidade organizada em 1917 com as características que
aqui váo quase verbalmente transcritas de documentos edi
tados pelos próprios Clubes.
Os Clubes dos Le5es congregam homens de negocios e de
profissóes relevantes, especialmente convidados para ingressar
no Leonismo. Prop5em-se desenvolver nao sómente a boa
amizade entre os socios, mas também a colaboragáo em prol
dos grandes interésses da nagáo em que se acham, e do mundo
inteiro ; empreendem tarefas que visam remediar aos pro
blemas atuais da sociedade, favorecendo o bem-estar nacional,
a harmonia e a paz internacionais e, de modo geral, o pro-
gresso cultural e económico da humanidade. No ano social
de 1951-1952 os Clubes dos Leóes exerceram um total de
138.585 tarefas ou atividades de diversas naturezas.
2. Para melhor preencher a sua finalidade, os Leóes
distinguem os seguintes setores de agáo :

1) Sctor Pró-Juventiide : interessa-se pela formacáo moral, cívica,


esportiva, etc. dos jovens, procurando em particular colaborar com
as autoridades civis no combate á delinqüéncia infantil.
2) Setor de Cidadania e Patriotismo : procura esclarecer tanto
os nacionais como os estrangeiros sobre os seus deveres cívicos;
aiuda as estrangeiros a obterem seus documentos de naturalizacao.
Dirige programas patrióticos, promove comemoracóes nacionais,

— 517 —
instruí as enancas sobre o significado da bandeira nacional e distribuí
ñas escolas impressos patrióticos.
3) Sctor de Desenvolvimcnto Cívico: cuida da construcáo e da
conservagáo de estradas, pontes, cemitérios, edificios públicos; dirige
campanhas de embelezamento e higiene das cidades; defende as
reservas de animáis domésticos e de florestas.
4) Setor de Melhoramcntos Públicos : visa o desenvolvimento da
producao agrícola, da industria e do comercio; patrocina exposig5es
de flores e produtos regionais; organiza festividades populares, cam
panhas jornalísticas e radiofónicas tendentes a corroborar o espirito
fraterno entre os cidadáos.
5) Setor de Instrucáo: colabora com as autoridades escolares
em materia de instrucáo e esportes; dirige concursos literarios e
esportivos; monta e custeia bibliotecas públicas; coopera com as
instituicoes religiosas, promovendo programas educativos, cinemato
gráficos, radiofónicos e de diversóes.
6) Setor de Saúde e Bem-estar : fomenta Casas de Saúde, Clínicas
diversas; fornece leite, frutas, refeicSes, medicamentos, etc. Dirige
investigac,5es e concursos sanitarios; colabora com as autoridades da
Saúde Pública.
7) Sctor de Preven5üo e Acídenles : organiza conselhos e Clubes
de seguranca. corpas de bombeiros voluntarios, equipes de auxilio
médico de emergencia, cruzadas e concursos de preservacáo de aciden-
tes ñas escolas, fábricas, oficinas, etc.
8) Setor de Conservacáo dos Olhos e Ajuda aos Cegos: propor
ciona exames da vista, distribuí lentes e óculos, bengalas brancas, ma
terial de leitura Braille, aparelhos de radio, máquinas de escrever, etc.
9) Setor de Agricultura : empreende estudos sobre a conservacáo
do solo; coopera com os agricultores para a eliminagáo dos fatores
adversos á boa saúde dos homens e do gado; combate os incendios
ñas regióes rurais. Promove as comunidades rurais de «Bibliotecas
Ambulantes».
10) Setor de Nacóes Unidas : difunde copias da Carta das NagSos
Unidas; organiza conferencias públicas sdbre os problemas das NacSes
Unidas. A Associacáo «Lions International» desempenha o papul de
consultor das Nacoes Unidas.
11) Setor de Boas-Vindas: tem a seu cargo dar as boas-vindas
aos que chegam a urna localidade, fornecendo-lhes informagóes sobre
escolas, igrejas, lojas, clubes, etc. Convida os recém-chegados a
tomar parte ñas atividades sociais do lugar; convida os chefes de
familias a assistir ás sessóes do Clube dos Le5es, dando-lhes a sentir
que estáo .como em sua própria casa, etc.
As realizagóes de maior vulto do Leonismo se tém verificado
principalmente no tocante a melhoramentos públicas, i saúde e á
juventude.

3. Os Leóes codificaram seus grandes objetivos nos se-


guintes itens (verbalmente transcritos das respectivas fontes):

«CRIAR e fomentar o espirito de 'generosa solidariedade' entre


os povos da Térra, mediante o estudo dos problemas que afetam as
relagóes internacionais.

— 518 —
PROMOVER a teoría e a prática dos principios do Bom Govérno
e da Boa Cidadania.
TOMAR intcréssc ativo pelo Bem-estar cívico, comercial, social
e moral da comunidade.
UNIR os socios com os lagos da amizade, bom companheirismo
e entendimento recíproco.
PROMOVER um foro para a mais livre e ampia discussao de
todos os assuntos do interésse público, exceto os político-partidarios
e sectario-religiosos.
ESTIMULAR a eficiencia e promover elevadas normas de ética,
no comercio e ñas profissóes, desde que nenhum Clube de Lions
propicie, como um dos seus objetivos, o beneficio económico dos
seus associados».

4. Quanto ao Código de Ética dos Leóes, consta das


seguintes normas (também transcritas verbalmente das fontes):

«DEMONSTRAR fé nos propósitos bondosos da vocacáo, usando


a capacidade profissional no sentido de conseguir reputacáo honrosa
pela elevada qualiJade <\o meu trabalho.
LUTAR pelo éxito e exigir urna justa remunerac.áo pela tarefa
que executar, repelindo qualquer lucro ou recompensa que possa ser
considerada com menosprezo, ou que fira a dignidade, bem como
o aproveitamento de qualquer vantagem injusta pela prática de atos
duvidosos.
LEMBRAR que, para ser bem sucedido ñas negocios ou empre-
endimentos, nao é necessário destruir os de outros. Ser leal com os
clientes e sincero consigo mesmo.
SEMPRE QUE SURGIR urna dúvida, quanto ao direito e á ética
de posigáo ou acáo, face aos meus semelhantes, decidirei pela razáo
dos outros ainda que com prejuízos.
PRATICAR a amizade como um fim e nao como um meio.
Sustentar que a verdadeira amizade existe, nao em razao dos servicos
eventualmente prestados, mas pelo espirito que a anima e pelo que
a sua aceitacao inspira.
TER sempre presentes os deveres de cidadáo para com o Pais,
o Estado e a Comunidade.prestando-lhes lealdade constante, tanto de
pensamento, como de palavras e feitos, dedicando-lhes sem restrigóes
toda a vida, o trabalho e recursos.
AJUDAR ao próximo, consolando o aflito, fortalecendo o fraco
e socorrendo o necessitado.
SER comedido ñas críticas e liberal no elogio. Construir e nao
destruir».

Estas noticias já nos permitem tentar formular um juízo


sobre o Leonismo.

2. A atitude dos fiéis católicos perante o Leonismo

Nao há dúvida, muito belas e dignas de encomio sao as


tarefas que o Leonismo tencioná fomentar. Trata-se de obras
altruistas, aptas a dar um sentido grandioso á vida dos res
pectivos socios e colaboradores.

— 519 —
Contudo, sempre que se visa promover o bem do homem
como homem ou como personalidade (nao apenas como estu
dioso de ciencias ou como cultor de artes ou como técnico de
esportes...), urna instancia superior há de ser consultada.
Com efeito, o bem do homem como homem ou como persona
lidade só se obtém pela adesáo a Deus ; ora o próprio Deus dei-
xou-nos aqui na Térra urna instituigáo — a única oficialmente
credenciada — encarregada de promover a uniáo dos homens
com Deus : é a Santa Igreja Católica, Corpo Místico de Jesús
Cristo. Donde se segué que, todas as vézes que surge urna
entidade fora da Igreja com o fim de encaminhar o homem
para a consecugáo dos ideáis que ele como homem nutre, essa
entidade há de ser confrontada com as grandes normas que,
em vista da obtenc.áo dos mesmos fins, o Senhor Deus con-
signou a sua Igreja. Nao é necessário que tais entidades náo-
-eclesiásticas sejam diretamente religiosas, mas é preciso, sim,
que nem direta nem indiretamente concorram para desvirtuar
o espirito religioso dos seus socios.
Ora as autoridades da Igreja ainda nao se manifestaran!
oficialmente sobre os Clubes dos Leóes.
Enquanto nao é dada urna declaragáo oficial da hierarquia
sobre o comportamento dos católicos, toca aos sacerdotes e
aos fiéis a responsabilidade de formarem as suas consciéncias
e as de seus dirigidos, após o exame dos Estatutos, do pro
grama e das realizagóes dos Clubes dos Leóes ñas respectivas
localidades. Nem na teoría nem na conduta prática dos Leóes
se pode até hoje apontar algo que contrarié ou de algum modo
desvirtué a doutrina ou a moral do Catolicismo ; ao contrario,
os objetivos gerais e particulares colimados pelos Clubes sao
muitas vézes os que a Igreja mesma visa atingir através de
suas obras de assisténcia social. Contudo, como se viu atrás,
o Código de Ética dos Leóes nao faz profissáo de credo reli
gioso .. . É éste talvez o ponto mais delicado dos Estatutos
dos Clubes, pois permite que o Leonismo tome os rumos mais
desconexos e antagónicos possiveis.

Na prática, os Clubes dos Leñes poderáo ter atuagáo muito sadia


e desejável sé néles preponderaren™ os .socios católicos. Poderáo,
porém, desenvolver acao pouco construtiva, se prevalecerem socios
de mentalidade naturalista ou racionalista; estes procuraráo, sim,
executar o belo programa do Leonismo, sem Deus, porém, e sem
Cristo, o que na verdade equivale a opor-se a Deus e a Cristo (cf. Mt
12,30: «Quem nao é por Mim, é contra Mim; e quem nao congrega
comigo, dispersa»). Os assantas de moral e de consciéncia nao sao
como os assuntos de ciencia e técnica; nestes é possivel, até certo
ponto, abstrair de Deus, ao passo que aqueles se relacionam essencial-
mente com Deus, de sorte que nao professar a Deas, no setor moral,

— 520 —
equivale a dizer que Deus é valor acidental ou nulo, equivale também
a desfigurar as leis da Ética...; nao há filantropía auténtica senáo
á luz de Deus e de Cristo.

É multo oportuno que os pastores de almas e diretores


de consciéncia chamem a atencáo dos fiéis para éste aspecto
da questáo leonista. Feito isto, porém, parece que nao haverá
motivo para vedar o ingresso dos católicos em Clubes bem
orientados, ao menos enquanto a autoridade eclesiástica nao
se pronunciar a respeito.

V. HISTORIA DA RELIGIAO

PEREGRINO (Aparecida) :

7) «Qual o sentido de urna peregrinacao religiosa ? Nao


será praxe do paganismo exuberante adotada pelo Cristia
nismo ?»

Em linguagem religiosa, entende-se por «peregrinacáo» o acesso


a um templo famoso ou a um local sagrado, mais ou menos distante,
a fim de ai se realizarem atos de devogáo. Tal praxe é inegávelmente
muito comum em toda a historia da Religiáo. Veremos abaixo algumas
de suas principáis modalidades, para em seguida, focalizar adequa-
damente o valor que possa tcr para o cristáo.

1. O fenómeno das peregrinacoes religiosas na historia

Percorramos separadamente o que, em materia de pera-


grinagóes, os ambientes náo-cristáos e o mundo cristáo ofe-
recem ao observador.

A. As peregrinacóes náo-cristás

Dentre as térras náo-cristás, parece ser a India o país por exce


lencia das peregrinac.6es.
A antiga religiáo bramanista favorece altamente a procura devo-
cional de lugares sagrados. Para o hindú, a condicáo de peregrino
pode-se tornar urna segunda natureza: cérea de 5 milh5es de monges
hinduistas, em rigorosa pobreza e duros jejuns, percorrem habitual-
mente o territorio da península em demanda dos santuarios que
recobrem o solo patrio; nada ambicionam, desinteressam-se dos
afazeres temporals, para mais intensamente viverem do transcendente;
sao peregrinos perpetuos ou «proíissionais». Além dos santuarios,
es rios sagrados, como o Ganges, o Narbada, o Kistna, sao grande
mente procurados na India: milhares de peregrinos dirigem-se das
nascentes para a foz do Ganges pela margem direita, percorrendo
o caminho de regresso pela esquejrda; tal marcha de ida e volta,
perfazendo um total de 7.000km aproximadamente, nao dura menos
de seis anos! O budismo, sobrevindo ás crencas hindus primitivas,

— 52i —
só fez desenvolver a estima do nomadismo religioso; a ilha de
Ceiláo apresenta aos peregrinos o templo de Kandy, santuario do
dente de Buda, e o Pico de Adáo, onde se veneram os vestigios
dos pés do Gautama (Buda).
Deslocando-nos na carta geográfica para o Ocidente, depara-se-nos
o mundo árabe, com sua religiáo macmetana. Ora sabe-se que esta
inclui entre os seus cinco preceitos fundamentáis o da peregrinagáo
a Meca, a se fazer ao menos urna vez na vida. Após cumprir éste
mandamento, o mugulmano usufrui do titulo enfático de al-hagg,
isto é, peregrino. Com humorismo sarcástico, o seguinte adagio
árabe condena o mugulmano que nao obedeca a tal injungáo: «Quem
morre sem ter ido a Meca, pode ser táo bem tido na conta de judeu
como na de cristáo».
Entrando no mundo própriamente ocidental, verificamos que
também a cultura helenista contava seus santuarios assiduamente
visitados por peregrinos : em Cós e Epidauro era Asclépio ou Escula
pio, o deus médico, quem recebia os devotas, geralmente desejosos de
receitas; em Delfos, Apolo dava seus oráculos por meio de urna
donzela chamada «pitonisa»; em Éfeso erguia-se a estatua de Venus
recoberta de joias e placas oferecidas pelos peregrinos, dentro de
um santuario tido como urna das Sete Maravilhas do mundo; na
ilha de Rodes, a colossal estatua de Apolo, outra das Sete Maravilhas,
gozava igualmente de grande aprec.o.
Em pleno Ocidente, os Romanos também tinham seus templos
famosos, dentre os quais se destacavam o de Júpiter, no Lacio, o de
Diana Nemorense e o de Juno Lanuvina.
Por último, nao se poderia deixar de frisar que também o antigo
povo israelita, bergo do Cristianismo, conhecia suas peregrinagSes
solenes: tres vézes ao ano, isto é, em Páscoa, Pentecostés e na
festa dos Tabernáculos (setembro), os israelitas, formando caravanas
jubilosas a cantar os salmos «ascensionais», dirigiam-se ao Templo
de Javé em Jerusalém... Muito significativa é a expressáo «ir ver
a face do Senhor», com que se designavam tais ascensóes ao Templo:
embora o israelita bem soubesse que «homem nenhum pode ver a
Deus e ainda permanecer em vida» (cf. Éx 33,20), nao deixava de
nutrir o espontáneo anelo de contemplar a Deus; por isto concebía
a visita ao Templo como comparecimento inicial ante a face do
Senhor, esperando que em tempos futuros Javé talvez concedesse aos
seus fiéis a ventura de O verem face a face (ora essa ventura foi
realmente prometida ao povo de Deus, no Cristianismo).
Faz-se agora mister considerar como a praxe antiga se desen-
volveu entre os cristaos.

B. As peregrinagóes cristas

Foi no ambiente judaico que o Filho de Deus feito homem,


Jesús Cristo, comecou a pregar o Evangelho: enquanto estava
visivelmente na térra, Cristo todos os anos peregrinava com
os seus a Jerusalém, chegando mesmo a ser crucificado na
Cidade Santa por ocasiáo da festa de Páscoa.
Os discípulos do Senhor, assim estimulados, nao hesita-
ram em continuar a tradicáo de peregrinar...
Por conseguinte, desde o inicio da historia da Igreja pas-
saram a ser fervorosamente visitados pelos fiéis alguns luga-

— 522 —
res santos, como os da Palestina, cenário da vida, da morte e
da glorificacáo de Cristo ; os túmulos dos Apostólos S. Pedro
e S. Paulo em Roma ; o de S. Tiago em Compostela (Espanha).
Principalmente os sepulcros dos Apostólos em Roma foram
sendo mais e mais procurados pelos cristáos, de sorte que, na
linguagem comum, «peregrino» veio a ser o mesmo que «ro-
meiro» (ou «romipeta»).
Na Idade Media, o peregrino aparece como figura clássica,
muito estimada pela simpatía popular e favorecida pelas auto
ridades ; todos o consideravam como herói que enfrentava os
perigos de salteadores, doengas e morte, a fim de conquistar
a salvagáo.

Assim os peregrinos geralmente nao se punham a caminho sem


ter recebido da Igreja urna especie de investidura semelhante á do
cavaleiro medieval: toda a paróquia se reunía em torno déles para
participar da Missa solene; nessa ocasiáo o celebrante dava béngáo
especial tanto aos futuros viandantes como ao seu vestiario caracte
rístico, vestiario que constava de urna túnica longa até os joelhos
ou até os calcanhares, um cinturüo de couro e, por vézes, um vasto
manto com capuz (donde o nome francés de pelerine dado a tal capa);
a íim de se caracterizar bem, os peregrinos traziam urna cruz de
paño vermelho fixa ás costas quando se dirigiam ao respectivo
santuario, presa ao peito quando regressavam; o cajado era alto, por
vézes óco. podendo assim servir de instrumento musical para animar
os passos dos viandantes.
Cada bispo costumava entregar aos seus diocesanos peregrinos
urna carta de recomendacáo, mediante a qual fácilmente encontrariam
acolhida nos mosteiros e em casas particulares (isto nao impedia que
os peregrinos muitas vézes dormissem ao relento, dada a escassez de
populacho de varias regioes).
Em vista dos múltiplos perigos latentes ñas estradas medievais,
nao era costume viajar a sos; ao contrario, os peregrinos reuniam-se
em caravana, o que Ihes possibilitava conversar e cantar piedosa-
mente, reconfortando-se assim da caminhada. Nao raras eram as
maceragdes voluntarias a que éles se submetiam: uso de cilicio e
correntes, caminhar descaigo, alimentagáo restrita, etc.
Aos poucos, as autoridades procuraram mitigar a sorte daqueles
que empreendiam urna peregrinagáo: foram-se construindo albergues
próprios para éles nos lugares isolados; certas contrarias medievais
se dedicavam exclusivamente á abertura e á conservagáo de estradas,
á construgSo de pontes (donde o nome de «Fratres Pontífices» que
Ihes tocava) e á coníecgáo de guias de itinerario.

O ideal piedoso do peregrino medieval se foi transmitindo


de geragáo a geragáo, de sorte que ainda hoje entre os cató
licos se observa o costume de peregrinar... Os lugares santos
se tém multiplicado através dos sáculos, todos assinalados por
fenómenos que, após criteriosa análise por parte das autori
dades eclesiásticas, podem ser tidos como indicios de auténti
cas intervengóes do Senhor Deus ou de algum Santo (da Vir-
gem SSma., em particular). — Aqui parece oportuno lembrar
que a Santa Igreja, embora permita a devogáo a certos santua
rios, nunca definiu nem definirá como objeto de fé aparigóes
e comunicacóes sobrenaturais verificadas após a morte do
último dos Apostólos (S. Joáo Evangelista, falecido por volta
do ano 100) ; cf. «P. R » 19/1959, qu. 4.

Pergunta-se agora: qual o sentido désse peregrinar dos cristáos,


cujo desenrolar yisível nao deixa de ter seus pontos de contato com
semelhantes movimentos dos pagaos ?

2. Peregrinacao crista e peregrinagáo nao-crista

A tese de que o costume cristáo de peregrinar nao é senáo


uso pagáo adotado pelos discípulos de Cristo, seria preci
pitada e errónea.
Refletindo um pouco sobre o fenómeno, verifica-se que a
tendencia as peregrinagóes sagradas corresponde a urna ne-
cessidade íntima, inelutável, da alma humana como tal; nao
é portante praxe específicamente paga, nem específicamente
crista, mas (á semelhanga do que já notamos ao tratar da
imposigáo das máos) é urna afirmacáo da natureza do homem
como tal.
1. E que é que a alma humana manifesta mediante a
sua tendencia as peregrinagóes ?
Todo homem, quaisquer que sejam as suas condigóes de
vida, tem consciéncia de nao possuir os bens verdadeiros e
definitivos para os quais ele foi feito. Os valores visíveis que
o cercam, se patenteiam de todo insuficientes para saciar suas
aspiragóes ; o homem deseja, sim, o bem que nunca se acabe,
o Bem Infinito, e verifica que Éste nao se identifica com algum
dos objetos que a vida cotidiana lhe oferece. Daí a tendencia
inata, em todo individuo humano, a valorizar certos recantos
da térra que, seqüestrados do curso comum da vida, parecem
especialmente assinalados pela presenga do Sobrenatural; sao
recantos em que se deu (ou ao menos se eré que se tenha dado)
urna intervengáo divina em tempos passados; procurando ésses
lugares, cujo acesso é muitas vézes difícil, o peregrino vai ávi
damente procurar tocar bens maiores do que os bens comuns;
ele aspira a unir-se de mais perto ao Transcendente ou ao
Divino, antecipando assim a uniáo plena e definitiva com Deus,
uniáo plena e definitiva que ele espera adquirir após a morte.

Em linguagem mais marcadamente crista, diríamos: é a nostalgia


do paraíso, ou seja, de um lugar de bonanza total, outrora possuído
pelos primeiros país, mas em breve perdido por efeito do pecado, '
é essa nostalgia que leva os homens a vaguear sequiosos na térra.

— 524 —
— É normal que a alma procure ero Deus ou na Religiáo a saciedade
dessa sua sede de paraíso; dai as peregrinacóes a lugares sagrados.
Acontece, porém, que o homem moderno muitas vézes professa indi
ferentismo religioso ou até ateísmo, mas — fenómeno curioso —
mesmo em tais casos ele nao consegue desvencilhar-se da aspiragáo
ao paraíso ou da sede do Absoluto. Como entáo procede ésse ateu ?
— Ele nao deixa de ser um peregrino; torna-se, porém, peregrino
de «santuarios humanos», em que ele ilusoriamente procura • saciar
sua sede de valores sobrenaturais; a historia registra, sim, as pro
verbiáis visitas de individuas e caravanas á casa do genial escritor
inglés Shakespeare, por exemplo, ao «andar terreo» do eminente
estadista francés Georges Clémenceau, ao mausoléu de Lenine ou
mesmo á imaginaria prisáo de Monte-Cristo no castelo de If (imagi
naria prisáo descrita por Alexandre Dumas no seu romance «O Conde
de Monte-Cristo»). — As multidóes que se concentram em tais lugares,
nao fazem senáo atestar a inextinguível sede que o homem tem
do místico e transcendente, sede que, se nao é saciada na sua autén
tica fonte (Deus e a Religiáo), procura acalmar-se num pseudo-Deus
e numa pseudo-religiáo.

É consciente desta realidade que a Sta. Igreja reconhece


a legitimidade das peregrinacóes religiosas e as fomenta, desde
que se dirijam a auténticos lugares sagrados e se norteiem
por genuino espirito cristáo.
2. E qual seria o genuino espirito cristáo no caso ?
Procurem os peregrinos fazer de sua viagem, com tudo
que ela possa ter de incómodo (há quem empreenda mesmo
mortificacóes voluntarias por ocasiáo de sua peregrinagáo), a
expressáo de um ardor mais intenso da alma ou de urna oragáo
mais sequiosa de Deus. A demanda de um lugar sagrado na
térra, recanto de contato mais íntimo com o Senhor, sirva
para excitar o cristáo a anelar mais ávidamente a mansáo
celeste, a Jerusalém superna.

Vé-se, pois, que o genuino espirito do peregrino é um espirito


de generosa procura e devota entrega a Deus, em oposicáo a duas
atitudes erróneas :
a) atitude do «turista», que, antes do mais, procura servir a
si ou recrear-se;
b) a atitude do mago, que vai em demanda da Divindade nao
para se conformar a Ela, mas para conformar a Divindade aos seus
caprichos humanas; o mago atribuí ás suas receitas ou ás suas
caminhadas um valor absoluto.
A éste propósito, convém lembrar que o costume, nao raro entre
os fiéis, de fazer promessas, e promessas de peregrinacáo a tal ou
tal santuario, tem caráter ás yézes pouco cristño; tende a reduzir
a Religiáo a um intercambio mais ou menos interesseiro; ora éste
desvjrtuamento é certamente contrario ás inteneñes que a Santa
Igreja nutre ao reconhecer a legitimidade das peregrinacSes.

Quanto as indulgencias anexas á visita a um santuario,


sabe-se que só podem ser lucradas por quem

— 525 —
1) possua o estado de graga e
2) excite em si as disposigóes de odio ao pecado e amor
a Deus que animavam os penitentes dos primeiros séculos ao
empreenderem urna quaresma, cem días ou mais de jejum, de
cilicios ou de outros exercícios expiatorios.
As indulgencias anunciadas, por conseguirte, estáo longe
de significar lucro mecánico de beneficios, sejam espirituais,
sejam temporais. Deve-se mesmo dizer que ninguém pode ja
máis ter certeza de haver lucrado tais indulgencias, pois nao
é fácil a urna criatura humana conceber os generosos senti-
• mentos de contricáo necessários para que as indulgencias Ihe
sejam aplicadas. A éste propósito veja-se «P. R.» 2/1958, qu. 2.
3. Dir-se-á, porém: muitas peregrinagóes se dirigem a
igrejas dedicadas aos santos e, em particular, á Virgem San-
tíssima. Será que tais práticas se conciliam com o anelo de
Deus que deve nortear o peregrino cristáo ?
Sim. O culto dos santos na Igreja é estritamente relativo,
ou seja, dependente do culto de Deus Pai e do Salvador Jesús
Cristo. Os santos só tém lugar na piedade crista na medida
em que representam o Redentor e sua vitória ; sao membros
de Cristo nos quais a Redengáo deu a plenitude de seus frutos.
Por isto, ao visar os santos, o cristáo considera, em última
anáüise, o Cristo, afim de Lhe dar gragas pela obra realizada
em tal ou tal justo e a fim de Lhe pedir que, por intercessáo
désse justo, o Redentor conceda aos homens peregrinos na
térra semelhante vitória sobre o pecado. Se tal é o significado
dos santos, entende-se que, quando aparecem neste mundo,
aparecem como emissários de Deus, e, quando os fiéis os váo
venerar em seus santuarios, váo, em última análise, glorificar
a Deus e pedir-Lhe, queira conceder aos viandantes déste
mundo gragas análogas as que Ele concedeu aos filhos já ele
vados á gloria do céu.

Mais ampias consideragóes sobre o assunto se encontram em


«P. R.» 3/1958. qu. 5.

3. Peregrinacoes cristas e disciplina

Merece atengáo o fato de que o peTegrinar sagrado, além


de muito beneficiar os homens no plano sobrenatural, estimu-
lou poderosamente as conquistas da civilizagáo. Em particular,
muito lucraram por essa via a industria e o comercio. Sim ;
os peregrinos, durante as suas viagens e após a chegada ao
termo final, necessitavam de certos objetos, uns de índole
religiosa, < outros de índole profana, que industriáis e comer
ciantes se encarregaram de lhes proporcionar.

— 526 —
Nao há dúvida, a instalagáo de industria e comercio junto
aos santuarios acarreta o grande perigo de perverter o espi
rito religioso tanto dos vendedores como dos compradores ;
os lugares santos podem assim tomar o aspecto de grandes
feiras de comercio. Ás autoridades religiosas, de modo especial
á hierarquia católica, compete reprimir os perigos de mer
cantilismo em tais casos. Nao seria possíval, porém, nem con
veniente abolir qualquer tipo de comercio junto aos santuarios,
pois foram as necessidades mesmas dos peregrinos que através
dos sáculos ai suscitaram a instalagáo de pequeñas lojas co
merciáis ; também nao se poderia exigir que os artigos de uso
dos fiéis sejam fornecidos gratuitamente nem que os respecti
vos fornecedores trabalhem sem remuneracáo. Requer-se, po
rém, vigilancia continua das autoridades para evitar todo des-
virtuamento.

O exercicio de tal vigilancia na Igreja é atestado por urna Instru-


cáo da Santa Sé assinada aos 11 de fevereiro de 1936 pelo Emo.
Sr. Cardeal Serafini, DD. Prefeito da Congregagáo do Concilio, que
determina o seguinte :
«1. As peregrinagóes piedosas conservem sempre índole verda-
deiramente religiosa; sejam consideradas e praticadas como atos de
piedade crista, e bem diferenciadas das viagens que se empreendem
a titulo de mero recreio. Por conseguinte, tudo que destoe desta
íinalidade devota e religiosa, seja removido; evite-se tudo que possa
dar a impressáo de que tais peregrinagóes, sob a aparéncia de atos
religiosos, nao sSo senáo inspiradas pela procura de recreio e prazer.
2. O direito de promover e regrar as peregrinagóes religiosas
toca "Cínicamente á autoridade eclesiástica. Nao poderá ser exercido
por nenhuma sociedade, nem mesmo pelas que sejam fundadas por
Congregacóes Religiosas ou membros destas, a nao ser que a auto
ridade eclesiástica patrocine ou ao menos aprove tais sociedades.
Neste caso, procederáo de acordó com as modalidades, a ordem e
o prazo estabelecidos. principalmente se mais de urna sociedade
colaborarem no mesmo empreendimento.
3. A autoridade eclesiástica cuidará ds que as peregrinacóes
sejam preparadas e orientadas por varóes especialmente escolhidos
para tal íim; aos peregrinos jamáis deverá faltar a assisténcia de
um sacerdote, que fará as vézes de Diretor espiritual.
4. Na estipulagáo de precos, os organizadores das peregrinagóes
procurarlo torná-los acessiveis aos fiéis de condicóes modestas. Nada
se pedirá aos peregrinos além do que seja exigido por urna adminis-
tragáo financeira prudente, removendo-se conseqüentemente todo e
qualquer tipo de comercio lucrativo.
5. Os membros do clero, seja secular, seja regular, nao se
imiscuiráo no tocante á aparelhagem técnica das peregrinagóes, pois
tal género de afazeres pouco condiz com a dignidade eclesiástica. As
funcóes técnicas, por conseguinte, seráo confiadas a leigos idóneos
e experimentados; a autoridade eclesiástica vigiará para que no
exercicio de tais funcóes nao se introduza coisa alguma que destoe
da respectiva finalidade religiosa; ao contrario, tudo deverá. estar
de acordó com o espirito de piedade crista e o deverá fomentar».
Cf. «Acta Apostolicae Sedis» XXVIII (1936) 167s.

— 527 —
Éste documento evidencia bem qüanto a praxe das pere-
grinagóes católicas difere de qualquer manifestagáo de reli-
giosidade vazia ou indigna. Estejam, portanto, certos os fiéis
de que encontraráo sempre na demanda dos famosos santua
rios cristáos poderoso esteio para sua fé e seu fervor religioso !

D. ESTÉVAO BETTENCOUKT O. S. B.

Aos prezados leitores e amigos '

A Redacáo e a Administracáo de "PERGUNTE E RESPONDEREMOS"

enviam sinceros votos de ABENQOADO NATAL e FELIZ ANO NOVO

"...até que desponte o Dia..."


(2 Pdr 1, 19)

Acha-se á venda na Administragáo e ñas Livrarias o índice de


"PERGUNTE E RESPONDEREMOS" referente ao ano de 1959.
Preso : Cr$ 15,00.

«PERGUNTE E RESPONDEREMOS»

REDAQ&O ADMINISTBAgAO
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Rio de Janeiro Tcl. 26-1822 — Rio de Janeiro

Assinatura anual: Cr$ 150,00


Número avulso do ano corrente : Cr$ 15,00
Número de ano atrasado : Cr$ 20,00
ÍNDICE 195

Procedencia
COiVIPRj

T
mi j1

esponderemos
ÍNDICE 1959

(Os números á direita indicam respectivamente fascículo, ano de


edigáo e questáo focalizada)

A
».■
ABBAGNANO, existencialista 22/1959, qu. 1.
"ABOMINACAO DA DESOLAgAO" 17/1959, qu. 6.
19/1959, qu. 1.
ABSOLUTO
ACAO CATÓLICA 22/1959, qu. 2.
ADORAgAO EM ESPÍRITO E VERDADE. 15/1959, qu. 3.
13/1959, qu. 1.
AGAMIA
AGUAS DO DILUVIO 22/1959, qu. 3.
19/1959, qu. 1.
ALAKALUFOS
ALEGRÍA NA VIDA CRISTA 20/1959, qu. 3.
ALEXANDRE VI (Papa) 15/1959, qu. 7.
"ALIANCA PAN-PRESBITERIANA" 21/1959, qu. 7.
ALIANCA PECAMINOSA DE EVA COM A
19/1959, ieorr. miúda;
SERPENTE
13/1959, qu. 1.
AMOR LIVRE
19/1959, qu. 1.
ANIMISMO
17/1959, qu. 1.
ANNIE BESANT
17/1959, qu. 7.
ANTONELLI, Cardeal
APARATO EXTERNO DO CULTO CATÓ
15/1959, qu. 3.
LICO
APARigóES (realidade ou alucinasao?
19/1959, qq. 4 e 5.
como se dáo?) ;■■■.•
19/1959, qu. 7.
(de.Samuel a Saúl) : '.
22/1959, qu..2.
APEGO AO PRÓPRIO EU
13/1959, qu. 3.
APOSTÓLO, definicáo
13/1959, qu. 5.
APOTEOSE paga
APRECIAgAO MORAL DA ESCRAVA-
TTTRA
22/1959, qu. 5.

APRESENTACAO'blRÉTADO TEXTO BÍ
18/1959, qu. 4.
BLICO AO ALUNO
APROVAgAO DA IGREJA DE ROMA, NA
VENERAgAO DOS SANTOS 13/1959, qu. 5.

ARCA DE NOÉ 22/1959, qu. 3.


ARISTÓTELES 19/1959, qu. 6.
ARTE (das cavernas pré-históricas) 19/1959, qu. 1.
(religiosa ou sacra) 19/1959, corr. miúda;
20/1959, qu. 2.
22/1959, qu. 1.
ARTE E CIENCIA
'ARTEQUIR.OMANTIGA E CIENCIA 21/1959, qu.. 6. ■•
18/1959, qu. 5. ■
"'ÁRVORE DAvVIDA" v • • -.
ASTROLOGIA E ASTRONOMÍA CIENTÍ
16/1959, qu. 2.
FICA
"ATAS DOS MÁRTIRES" 13/1959, qu. 5.
ATLANTIDA (existencia real ou literaria?) 24/1959, qu. 2.
ATOS DE BEATIFICAgAO E CANONIZA-
13/1959, qu. 5.
gAO

— 2 —
AUTÓMATOS (civilizacáo dos)
AUTORIDADE (como Jesús a concebeu) .. 13/1959,
AUTORIDADE DO CONCILIO ECUMÉ
NICO 18/1959, 9LU. 3.
AUTO - SUFICIENCIA DA MENTE HU
MANA 20/1959, qu. 2.

B .*

BACHOFEN, jurista suigo 13/1959, qu. 1.


BARADUC 19/1959, qu. 2.
BATISMO DE CRISTO 15/1959, qu. 2.
15/1959, qu. 2.
"BATISMOS"
BEATIFICACÁO 13/1959, qu. 5.
BÉNCÁOS DA IGREJA 20/1959, qu. 3.
BENS TRANSITORIOS E BENS PERENES 15/1959, qu 1.

BENTO XIII( antipapa) 13/1959, qu 9.


BERNARDO (SAO) 15/1959, qu 7.
BESANT, ANNIE 17/1959, qu. 1.
"A BIBLIA DISSE A VERDADE" (Charles
Marston) e "A BIBLIA TINHA RAZAO"
(Werner Keller) 23/1959, qu. 3;
"BÍBLIA EM QUADRINHOS'' 20/1959, corr. miúda.
BIBLIA, única íonte de fé, sujeita ao "livre
exame" 17/1959, qu. 4:
documento literario 18/1959, qu. 4;
como explicá-la aos alunos 18/1959, qu. 4.
BISPO DE ROMA 13/1959, qu. 1.
BLASVATSKY, HELENA 17/1959, qu. 1.
BRAMANISMO 24/1959, qu. 1.
BUDISMO 24/1959, qu. 1.

CAÍM (com quem se casou?) 20/1959, qu. 5.


CALCULISTA 15/1959, qu. 1.
CALENDARIO GREGORIANO 14/1959, qu. 1;
JULIANO 14/1959, qu. 1;
JUDAICO (dito "sacerdo
tal") 15/1959, qu. 4;
nova "reforma? 14/1959, qu. 1.
CALVINO 20/1959, qu. 2;
e o Presbiterianísimo 21/1959, qu. 7.
CANCELAMENTO DO PECADO 15/1959, qu. 6.
CANONIZAgAO DOS SANTOS 13/1959, qu. 5.
CANTO SACRO ; 15/1959, qu. 3;
20/1959, qu. 2.
CARATER 22/1959, qu. 2.
CARDINALATO E SACERDOCIO 17/1959, qu. 7.
CARIDADE 13/1959, qu. 3.
CASAMENTO (entre irmáos e irmás) ... 13/Í959, qu. 1;
20/1959, qu. 5.
CATARINA DE SENA 15/1959, qu. 7.

— 3 —
CAUSAS DO INTERÉSSE CONTEMPORÁ
NEO PELO ANO DE 2000 21/1959, qq. 2 e 3.
CAUSAS QUE MOVEM A VONTADE AO
ERRO 20/1959, qu. 1.
CAVALEIROS DO TEMPLO 16/1959, qu. 7.
CEREBROS ARTIFICIÁIS 15/1959, qu. 1.
CATECISMO 20/1959, qu. 1.
CEU i 14/1959, qu. 6.
CÉUS NOVOS E TÉRRA NOVA 22/1959, qu. 3.
"CHAVES DO REINO" 13/1959, qu. 3.
"CHAVES DOS SONHOS" 19/1959, qu. 6.
CHEFE DE FAMILIA 18/1959, qu. 5.
CHEFE VISfVEL DA IGREJA 13/1959, qu. 3.
CHEOL 14/1959, qu. 4.
CIBERNÉTICA 15/1959, qu. 1.
CIENCIA MODERNA E SONHOS 19/1959, qu. 6.
CIENCIAS NATURAIS E POLIGENISMO 20/1959, qu. 4.
CISMA DO OCIDENTE 16/1959, corr. miúda.
PROTESTANTE 15/1959, qu. 7.
CLEMENTE ROMANO 13/1959, qu. 3.
CLEMENTE V 16/1959, qu. 7.
CLUBES DOS LEÓES 24/1959, qu. 6.
COMTE, AUGUSTO 19/1959, qu. 1.
COMUNHÁO SOB DUAS ESPECIES .... 21/1959, corr. miúda.
COMUNICACÁO DOS ESPÍRITUS 15/1959, qu. 2.
CONCEICÁO VIRGINAL DE MARÍA SAN-
TÍSSIMA 13/1959, qu. 6.
CONCEPgAO SACRAL do mundo e da vida
humana 20/1959, qu. 3.
CONCEPgóES FANTASISTAS relativas aos
estados postumos 14/1959, qu. 6.
CONCILIARISMO 13/1959, qu. 9. '
CONCILIO ECUMÉNICO 13/1959, qu. 3;
18/1959, qu. 2;
DE CONSTANCA 13/1959, qu. 9;
DO VATICANO 14/1959, qu. 3;
20/1959, qu. 2.
CONCORDISMO 23/1959,. qu. 3.
CONDESCENDENCIA DIVINA 21/1959, qu. 5.
CONFIGURA?AO HUMANA DA SANTA
IGREJA 20/1959, qu. 3.
CONFESSOR 13/1959, qu. 5.

CONFISSAO.DE WESTMINSTER 21/1959, qu. 7.


CONGREGACOES MARIANAS 22/1959, qu. 2.
CONSAGRACÁO VIRGINAL 16/1959, qu. 3.
CONSCIÉNCIA MORAL (nos homens pri
mitivos) 13/1959, qu. 6.
(crista e radies-
tesia) 13/1959, qu. 2;
CONSORCIO MARITAL 16/1959, corr. miúda.
CONTEMPLAgAO E HINDUÍSMO 16/1959, qu. 1;
24/1959, qu. 1.
CORPO ASTRAL OU PERISPÍRITO 19/1959, qu. 2.

— 4 —
CORPO E SENTIDOS SAO CRIATURAS
DE DEUS 15/1959, qu. 3.
"COUVADE" 13/1959, qu. 1.
CRISMA 15/1959, qu. 2;
16/1959, qu. 1.
"CRISTÁO ESPIRITUALISTA?" 21/1959, corr. miúda.
CRISTIANISMO E ASTROLOGIA 16/1959, qu. 2.
CRISTIANISMO nao é código de preceitos
e proibi?óes 20/1959, qu. 3.
CRISTO, DEPOSITARIO DO ESPIRITO
SANTO 15/1959, qu. 2.
CRITERIOS DE ANÁLISE DAS APARI-
CÓES 19/1959, qq. 4 e 5.
CRITERIO, distintivo da verdade 20/1959, qu. 1.
CRITERIOS DE EXEGESE 18/1959, qu. 4.
CRONOLOGÍA DOS PRIMEIROS CAPÍTU
LOS DO GÉNESIS 17/1959, qu. 5.
CRUZ 15/1959, qu. 6.
CULTO EXTERNO (valor) 15/1959, qu. 3.
CULTO PÚBLICO TRIBUTADO AOS SAN
TOS 13/1959, qu. 5.
CULTURA E RELIGIÁO 13/1959, qu. 1.
CULTURA RELIGIOSA 20/1959, qu. 3.
CUMPRIMENTO DOS PRECEITOS 20/1959, qu. 3.

"DAI A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR..." 14/1959, qu. 7.


DARWIN 19/1959, qu\ 1.- ..
DATA DA MORTE DE CRISTO 15/1959, qq. 4 e 5.
DAVÍ (valor numérico do nome hebraico
de) 13/1959, qu. 6.
DEFINICÓES DOGMÁTICAS (lista) 23/1959, qu. 4.
DEGENERESCENCIA (estado de) 13/1959, qu. 1.
DEÍSTAS DO SÉCULO XVIII 17/1959, qu. 2.
DEMONIO 18/1959, qq. 1 e 5.
DESCIDA DE CRISTO ÑAS AGUAS DO
JORDAO 15/1959, qu. 2.
DESCIDA DO ESPÍRITU SANTO (na ini-
ciagáo crista) 15/1959, qu. 2.
DESOBEDIENCIA 15/1959, qu. 7.
DETERMINISMO 16/1959, qu. 2.
DEÜS (NA TEOSOFÍA) 16/1959, qu. 1.
DEUS (PERSONALIDADE) 14/1959, qu. 8.
DEVOCAO A MARÍA SANTÍSSIMA .... 15/1959, qu. 3.
DEVOCAO EUCARÍSTICA : 22/1959, qu. 2.
DÍA DA MORTE DE JESÚS ••... 15/1959, qu. 4.
"DIDASCALIA" 15/1959, qu. 4.
DILUVIO BÍBLICO 22/1959, qu. 3;
o que os catequistas devem ensinar 22/1959, qu. 3.
DIMENSOES DA ARCA DE NOÉ 22/1959, qu. 3.
DIREITO DE DIZER A VERDADE 18/1959, qu. 6.
DISTINCÁO ENTRE MÁQUINA E INTE
LIGENCIA 15/1959, qu. 1.

— 5
DIVORCIO EM CASO DE ADULTERIO .. 20/1959, corr. miúda.
DOM DO ESPIRITO SANTO 15/1959, qu. 2.
DONS EXTRAORDINARIOS OU CARIS-
MAS 15/1959, qu. 2;
17/1959, qu. 3.
DOR 15/1959, qu. 6.
DOYLE (método de) 16/1959, corr. miúda.
DUAS CIDADES (a de Deus e a do Diabo) 15/1959, qu. 7.
DURKHEIM, E 19/1959, qu. 1.
DÚVIDA 20/1959, qu. 1.

ECTOPLASMA, (fotografías do) 19/1959, qu. 2.


ECUMÉNICO (Concilio) 18/1959, qu. 2.
EFICACIA DOS MALEFICIOS 18/1959, qu. 1.
EFUSÁO DO ESPIRITO SANTO 15/1959, qu. 2.
"EM ESPIRITO E VERDADE" 15/1959, qu. 3.
EMANUEL (nome messiánico) 15/1959, corr. miúda.
ENCARNACÁO e DESENCARNACÁO su-
cessivas 21/1959, qu. 2.
ENCARNAQÁO E REDENCÁO PELA CRUZ 16/1959, corr. miúda.
EPISCOPALISMO 21/1959, qu. 7.
EQUILÍBRIO MORAL E FELICIDADE
PERFEITA 18/1959, qu. 5.
EQUIVALENTES ONÍRICOS 19/1959, qu. 6.
ERRO E FALSIDADE NO MUNDO 20/1959, qu. 1.
ERRO INTELECTUAL 20/195S, qu. 1.
ESCAVACÓES NA BASÍLICA DE SAO
PEDRO 13/1959, qu. 4.
ESCRAVATURA 22/1959, qu. 5.
ESOTERISMO 19/1959. qu. 2.
ESPIRITISMO (as varias encarnacóes) .. 22/1959, corr. miúda.
ESPÍRITO E MATERIA (distingáo) 15/1959, qu. 1;
16/1959, qu. 1.
ESTADO MATRIMONIAL 16/1959, qu. 3.
ESTADOS IMPUROS (conceitos dos povos
antigos) 13/1959, qu. 6.
ETNOLOGÍA 19/1959, qu. 1.
"EU" do iógui 16/1959, qu. 1.
EUCARISTÍA (sacrificio e sacramento) .. 20/1959, qu. 3.
EUGENIO IV 13/1959, qu. 9.
"EVIDENCIA INTRÍNSECA" e "EVIDEN
CIA EXTRÍNSECA" 20/1958, qu. 1.
EVOCACÁO DOS MORTOS 19/1959, qu. 7.
EVOLUCÁO DA FAMÍLIA 13/1959, qu. 1.
EVOLUCIONISMO 13/1959, qu. 1.
EXÍLIO DE AVINHÁO 13/1959, qu. 9.
EXISTENCIA DO MAL 15/1959, corr. miúda.
EXISTENCIALISMO 22/1959, qu. 1.
EXPRESSÓES SEMÍTICAS 13/1959, qu. 2.
EXTREMA-UNCÁO 17/1959, qu. 3.
EZEQUIEL 15/1959, qu. 2.

— 6 —
FACULDADES CORPÓREAS DO INDIVI
18/1959, qu. 5.
DUO
FALHA DE PEDRO 13/1959, qu. 3.
FAMÍLIA MONOGAMICA 13/1959, qu. 1.
"FARSAS DÉ 1.° DE ABRIL" 19/1959, qu. 8.
FATALISMO 16/195S, qu. 2.
FÉ CRISTA E POLIGENISMO 20/1959, qU. 4.
FELICIDADE DO PECADOR 15/1959, qu. 6.
FELICIDADE NO SOFRIMENTO FÍSICO. 17/1959, qu. 3.
FENÓMENOS DE PERCEPCÁO A DISTAN 13/1959, qu. 8;
CIA 13/1959, qu. 8.
FETICHISMO 19/1959, qu. 1.
FIDEÍSMO OU TRADICIONALISMO .... 20/1959, qu. 2.
"FILHO DE DEUS ALTÍSSIMO" na lin-
guagem israelita 23/1959, qu. 2.
"FILHOS DE DEUS" e "FILHAS DOS HO-
HOMENS" 22/1959, qu. 3.
FILIPE IV, o Belo 16/1959, qu. 7.
FIM DO MUNDO ATUAL 21/1959, qq ' e 4.
3
FOGOS DE SAO JOÁO 18/1959, qu 7.
FONTES (volta as) 20/1959, qu 2.
FÓSSEIS (descobertas no século XIX) .. 20/1959, qu 4.
FOTOGRAFÍAS DO PENSAMENTO 19/1959, qu 3.
FRANQUEZA 18/1959, qu. 6.
FREQÜENTAgAO ASSÍDUA DA EUCA
RISTÍA 20/1959, qu. 2.
FREUD, SIGISMUNDO 19/1959, qu. 6.
FRUTA PROIBIDA 18/1959, qu 4.
"
FUNCÁO MEDIANEIRA OU APOSTÓLICA 22/1959, qu 2.
FUNgAO REDENTORA DO SOFRIMENTO 15/1959, qu 6.
FUNDADOR DE SEITA MODERNA (seu
julgamento) 14/1959, qu. 10.

GENEALOGÍA DE CRISTO nos Evangelhos 13/1959, qu. 6.


GÉNESE DOS SONHOS 19/1959, qu. 5.
"GEOGRAFÍA" DO ALÉM 14/1959, qu. 6.
GEOGRAFÍA RELIGIOSA 19/1959, qu. 1.
GESTACÁO E PARTO (impureza reli
giosa?) 13/1959, qu. 7.
"GRAFFITI" 13/1959, qu. 4.
GRANDEZA DA AUTORIDADE E GRAN
DEZA DA SANTIDADE • •.. 15/1959, qu. 7.
GRAVIDADE do ato cometido por Adáo e
Eva 18/1959, qu. 5.
GREGORIO XI í3/,19¡>9, qu. 9.
GREGORIO XII 13/1959, qu. 9.
GUERRA (o juízo da Igreja a respeito) 22/1959, qu. 4.

— 7 —
o
H
V- Vi ,

HABITAgAO DOS DEMONIOS .. 23/1959, qu. 2.


HEIDEGGER, Martin 22/1959, qu. 1.
13/1959, qu. 6.
HELI
"HERÓI DOENTE E SOFREDOR" 15/1959, qu. 6.
HEROICIDADE DE VIRTUDES .. 13/1959, qu. 6.
HIERARQUIA SACERDOTAL 17/1959, qu. 1;
17/1959, qu. 7.
19/1959, qu. 6.
HILDEBRANT
24/1959, qu. 1.
HINDUÍSMO
HOMEM, miniatura do universo ■■ 19/1959, qu. 2.
HOMENS provém de um só casal . 19/1599, qu. 4.
HORA da Crucifixáo de Jesús 15/195S, qu. 4.
16/1959, qu. 2.
HORÓSCOPO
HUMANISMO ou RENASCENgA 20/1959, qu. 2.
HUMILHAgOES 15/1959, qu. 6.

IDADE (direito de comando) 13/1959, qu. 1.


IGREJA (Corpo Místico de Cristo) 14/1959, qu. 2.
IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA RO
13/1959, qu. 2.
MANA
IGREJA E PECADO 15/1959, qu. 7.
IGREJAS NACIONAIS 20/1959, qu. 2.
20/1959, qu. 1.
1LUSÁO
IMITADOR MAIS PERFEITO DE CRISTO 13/1959, qu. 5.
IMORTALIDADE DA ALMA 14/1959, qu. 10.
IMPOSigAO DAS MAOS 15/1959, qu. 2;
24/1959, qu. 5.
IMPUREZA MERAMENTE LEGAL 13/1959, qu. 6.
IMUTABILIDADE DA VONTADE DE'
17/1959, qu. 2.
DEUS
INACIO DE ANTTOQUIA 13/1959, qu. 3.
INFALIBILIDADE DO PAPA 14/1959, qü. 3;
23/1959, corr. miúda.
13/1959, qu. 1.
INFANTICIDIO
INFERNO 17/1959, corr. miúda.
(situacáo) 14/1959, qu. 4.
15/1959, qu. 7;
INQUISigAO
16/1959, qu. 7.
INSPIRAQAO BÍBLICA e revelacáo 21/1959, qu. 5.
INSTITUigóES CULTURÁIS inspiradas
pela Religiáo • • 19/1959, qu. 1.
"INSTRUgóES SECRETAS" DOS JESUÍ
23/1959, qu. 6.
TAS
INTELECTUALISMO EXAGERADO 22/1959, qu. 1.
INTELIGENCIA E MATERIA 15/1959, qu. 1.
"INTELIGENCIA" no "robot" 15/1959, qu. 1.
INTERVENgAO EXTRAORDINARIA DE
13/1959, qu. 6.
DEUS na Encarnagáo

— 8 —
INTERVENQÓES CIRÚRGICAS 15/1959, corr. miúda.
ISAQUE DÉ LA PEYRÉRE (teoria de) 20/1959, qu. 4.

20/1959, qu. 2.
JANSENISMO
JASPERS, KARL 22/1959, qu. 1. i
JEFFERSON, J. 15/1959, qu. 7.
JEJUM E ABSTINENCIA DE CARNE .... 15/1959, corr. miúda.
JEREMÍAS (profeta) 15/1959, qu. 6.
JESÚS E A SAMARITANA 15/1959, qu. 3.
JESÚS, FILHO DE DEUS 13/1959, qu. 6.
15/1959, qu. 1.
Jó (livro de) ■••
JOÁO BATISTA (festejos populares de) 15/1959, qu. 6.
JOAO XXIII 13/1959", qu. 9.
JDÁO XXIII (antipapa) 18/1959, qu. 7.
15/1959, qu. 2.
JOEL (profeta)
JOSÉ (Sao)
13/1959, qu. 6.
JUDEU NAO BATIZADO 15/1959, corr. miúda.
JUÍZO FINAL (sua data) 21/1959, qq. 3 e 4.
16/1959, qu. 5.
JURAMENTO
JUSTICA DE DEUS em relacáo ao sofri-
mento dos justos 15/1959, qu. 6.
JUSTIFICACÁO PELA Ffi - 17/1959, qu. 4.
JUSTOS (Deus permite ataques de Sata-
. naz)
18/1959, qu. 1.

KANT, Emanuel 18/1599, qu. 6.


17/1959, qu. 1.
KARMA (a lei de)
KIERKEGAARD SOREN 22/1959, qu. 1.
KLAATSCH, H 20/1959, qu. 4.
21/1959, qu. 7.
KNOX, JOHN
KHISHNAMURTI, JIDDU 14/1959, qu. 8.

15/1959, qu. 7.
LAMENNAIS
LEGISLACÁO DE ISRAEL (sobre pureza
e impureza legal) 13/1959, qu. 6
LEIBNITZ 20/1959, qu. 1
"LEIGO" CRISTÁO 22/1959, qu. 2
LEITURA DA SAGRADA ESCRITURA .. 20/1959, qu. 2
LEÓES (Clubes dos) 24/1959,.qu. 6
15/1959,'qu. 6
LEVIRATO
LEVY-BRUHL 13/1959, qu
LHERMITTE • •
23/1959, qu. 1.
LIBERDADE L . ARBITRIO e origem do
14/1959, qu. 8.
mal
18/1959, qu.. 5.

— 9 —
LIBERDADE EXISTENCIALISTA 22/1959, qu. 1.
LIBERTACÁO ESPIRITUAL para o cristao 16/1959, qü. 1.
LIMITACÁO DE FILHOS 16/1959, corr. miúda.
LISTA DAS DEFINICÓES PONTIFICIAS. 23/1959, qu. 4.
LITÍGIO DAS "ACOMODACÓES" 20/1959, qu. 6.
20/1959, qu. 2.
LITURGIA ;
"LIVRE PENSADOR" ou racionalista .... 20/1959, qu. 2.
LOCALIZACÁO DO PARAÍSO TERRES
18/1959, qu. 5.
TRE
LOISY, ALFRED 14/1959, qu. 7.
LUTERO, MARTINHO 15/1959, qu. 7;
e a "Reforma" 20/1959, qu. 2.
LUTOSLAWSKI, W 17/1959, qu. 1.
"LUZ" e seus sinónimos monistas 19/1959, qu. 2.

M
21/1959, qu. 5.
MACABEUS '2.° livro dos)
18/1959, qu. 1.
MAGIA
MAL (oricem e significado) ■■ 15/1959, qu 6;
18/1959, qu 5.
18/1959, qu 1.
MANUSCRITOS ' dÉSCÓbÉRTOs' JUNTO 18/1959, qu 1.
15/1959, qu 4.
AO MAR MORTO
MAOS (estudo das) 21/1959, qu. 6.
MAQUINA (nao inventa) 15/1959, qu. 1.
22/1959, qu 1.
MARCEL, GABRIEL
MARÍA SANTÍSSIMA, isenta de concupis
cencia desregrada
16/1959, corr. miúda.
16/1959, qu. 3.
MARIDO CRISTÁO
13/1959, qu. 9.
MARTINHO V
15/1959, qu. 5.
MÁRTIR
MARTIRIO INCRUENTO 15/1959, qu. 5.
15/1959, qu. 1.
MATÉRIA^DCPsÁCRÁMÉÑTO DA CRISMA 15/1959, qu. 2.
MATERNIDADE VIRGINAL DE MARÍA
13/1959, qu. 7.
SANTÍSSIMA
13/1959, qu. 1.
MATRIARCADO ¿:V-"'\' 13/1959, qu. 1;
MATRIMONIO (descobrimento histórico).
(impuro?)
13/1959, qu. 7.
MEDICINA RENASCENTISTA 16/1959, qu. 2.
16/1959, qu. 1.
MEDITACÁO do iógui • ■ ■
MELQUISEDEQUE (Rei e Sacerdote) .... 16/1959, qu. 4.
18/1959, qu. 3.
MEMBROS DUM CONCILIO ECUMÉNICO
15/1959, qu. 1.
"MEMORIA" NO "ROBOT"
MENTALIDADE DO MAGO 18/1959, qu. 1.
18/1959, qu. 6.
18/1959, qu. 4.
KéS^S^CO ERRÓNEO -I.. 18/1959, qu. 4.
MÉTODOS MODERNOS DE EXEGESE E
DE APOSTOLADO BÍBLICO 20/1959, qu. 2.
20/1959, qu. 3.
ÍtSrIO^Ts^InOSDO ALTÍSSll 15/1959, qu. 6.
MO

— 10 —
MONISMO 19/1959, <au. 2.
MONOGAMIA 13/1959, qu. 1.
MONOGENISMO e POLIGENISMO 20/1959, qu. 4.
MONOTEÍSMO 19/1959, qu. 1.
MORAL CATÓLICA E VERACIDADE .... 18/1959, qu. 6.
MORAL E RELIGIAO 24/1959, icju. 4.
MORGAN, H. LEWIS 13/1959, qu. 1.
15/1959, qu. 6.
MORTE -
MORTE DE SAO PEDRO EM ROMA .... 13/1959, qu. 4.
MOVIMENTO LITÚRGICO 20/1959, qu. 2.
18/1959, qu. 5.
MULHER (seu papel típico) • • ■ ■
19/1959, qu. 4 e 5.
"MUSEU DAS ALMAS DO PURGATORIO"

NASCIMENTO EM CONDIQÁO SERVIL. 22/1959, qu. 5.


13/1959, qu. 5.
NATALICIO DOS MÁRTIRES
20/1959, qu. 2.
NATURALISMO
22/1959, qu. 1.
NATUREZA HUMANA E RAZaO
17/1959, qu. 4;
NEUROSE
19/1959, qu. 6.
17/1959, qu. 1.
NIRVANA .■■••■•
"NIYAMA" ou prática de cinco virtudes
16/1959, qu. 1.
positivas
22/1959, qu. 3.
NOÉ :
NOME (significado do) 13/1959, qu. 3.

lb/1959, qu. 4.
OBJETIVIDADE (na exegese bíblica)
22/1959, qu. 2.
OBLACÁO DE CRISTO
16/1959, qu. 7;
OCULTISMO
19/1959, qu. 2.
22/1959, qu. 2.
OFERECER COM CRISTO
16/1959, corr. miúda
OGINO-KNAUS
OPINIÓES MODERNAS SOBRE RELIGIaO 19/1959, qu. 1.
ORACAO DAS CRIATURAS 17/1959, qu. 2;
OFICIAL DA IGREJA 20/1959, qu. 3;
DO IÓGUI 16/1959, qu. 1.
ORDEM DOS EPISODIOS DA PAIXÁO DE
15/1959, qu. 4.
JESÚS
ORDEM (Sacramento instituido por Cristol 24/1959, qu. 5.
ORDENS RELIGIOSAS MILITARES .... 16/1959, qu. 6.
ORGULHO MODERNO 14/1959, qu. 8;
NO PRIMEIRO CASAL 18/1959, qu. 5.
ORTODOXIA, criterio de 13/1959, qu. 3.

PAGANISMO E CRISTIANISMO 13/1959, qu. 5.


24/1959, qu. 7
PALAVRA (dom de Deus) 18/1959, qu. 1

— 11 —
PALEONTOLOGÍA X/iSS" corr miúda.
PAMPULHA (a igreja da) la/SS'^'l
PANTEÍSMO Í//5.S.1.
24/1959, qu. 1.
n.o,rTTTn .. 15/1959, qu. 2.
PARÁCLITO , ft /, qcq ou =
PARAÍSO TERRESTRE Wjjg- «»• J-
parapsicología llylSsi' S" 4
PARASCEVE 15/1859* SS* 4*
ía/ivov, qu- ■»•
13/1959, qu. 3.
?égKo de Ádko- e Eva;.!.!.!! JVJJg. J«. ■;
(e impureza ritual) I^/Íoro ^' ■»'•
(gerador da morte da alma) . .. 17/1959. qu. 3
(consciéncia do) 20/1959, qu. 3.
PECADORES (e influencia do demonio) .. \z\lll' ?"' 7
PEDAGOGÍA PACIENTE DE DEUS .... 13/1959, qu. 7.
PEDRO DAMIAO (Sao) Ij/jjg. qu. 7.
PENTECOSTÉS 15/lSo», qu. ¿.
PERCEPCÁO EXTRA-SENSORIAL 13/1959, qu. 8.
PERDA DO ESPÍRITO CRISTAO 20/1959, qu. 2.
PEREGRINACAO RELIGIOSA (signifi-
cado) ¿4/l»o»i qu. '•
PERSPECTIVA CRISTA DO SOFRIMENTO W™®' qu> *■
PIEDADE OFICIAL DA IGREJA 20/1959, qu. 3.
SUBJETIVISTA E NATURA- ^^ qu 2

PIETRO UBALDI (suas idéias filosóficas) "<}!!!■ 2u" 1"


lío
PIÓ VTT
XII íPanal'
(Papa) 15/1959, qu.
20/1959, qu. 21; e 4
PLANO DE DEUS E EFICACIA DA ORA-

PLATAO Ve a Atlantida)'' \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \ \!!.. Jf/ljBJ. qu. j.


PLÍNIO O VELHO 19/1559, qu. 6.
PODER DE JURISDI?AO sobre toda a ^^ qu 3

POSSESSOS
::::::::::::::::::: wggí-S'i
23/1959, qu. ¿
IZll^O PRÜSfADA D. PEDRO ... 13/1959, qu. 3
POSITIVISMO (origem e doutnna) ,/S Tu 1

íSSSÍf S?"SSS2 - !r.:::::::: »• ;


SSS ::::::::::::::::::::"

■TRIMEIEO DE ABRIL" U/MIW. qu. o.

— 12 —
15/1959, qu. 6.
PROBLEMA DO JUSTO AFLITO
13/1959, qu. 5.
PROCESSO DE CANONIZACÁO
15/1959, qu. 7.
PROCESSO DE SAVONAROLA
14/1959, qu. 9;
PROFECÍAS ditas de Sao Malaquias
17/1959, corr. miúda;
sobre o fim do mundo
21/1959, qq. 2 e 3.
16/1959, qu. 3.
13/1959, qu. 1.
23/1959, qu. 5.
PROPRIEDADE PARTICULAR
15/1959, qu. 6.
PROSPERIDADE DOS MAUS ..........
PROTOTIPO DO CRISTO JESÚS (em
16/1959, qu. 4.
Hebr 7,1-17) qu. 1.
13/1959,
PUNALUANOS • •
13/1959, qu. 7.
PUREZA E IMPUREZA LEGAL
14/1959, qu. 4.
15/1959, qu. 6.
PURIFICAQÁO Át'iVA E PASSIVA
13/1959, qu. 7.
PURIFICAgAO DE MARÍA

QUEDA DOS PRIMEIROS PAÍS (como


explicá-la) v ■
quirología 21/195», qu. o.
QUIROMANCIA

HAgo^o 3SRS
RADIESTESIA
18/1959, qu. 1.

REALIDADE DAS APARECES I' ü' 5'


^SSS&SSS»*?:.::::::::
SSSíiSLSSSS^-
RELATIVISMO OU CETICISMO .........
3
9, qu. 2.

RELIGIÁO (expressáo de determmada 19/1959 au v


19/1959. qu. i,
fase de cultura?) .
(louvor de Deus por excelen-

V:.. 24/1959, qu. 3;

^oV) "TeStemUnhaS..de 14/1959, qu. 10.

REMODELACAO DA EXEGESE DE GÉ- u 4

RENNovAgAo católica ':!::::::


REPOUSO SABÁTICO

de sXo" pXulo- a sao

_ 13 —
REVELAgAO ORAL E ESCRITA (Biblia

RwSS&O • PÚBUCA V REVELAgAO


PARTICULAR •■•■■■; i3/1959, qu. 8.
V^ 17/1959, qu. 3.

SS^estadade SioPed¿emiV.V.V.V. J3/1959 «• »_• 4.


RUSSEL, B. (filosofo ingles) ía'lao
s
SABEDORIA CRISTA E S. HINDÚ 24/1959 qu. 1.
SÁBADO (observancia do) 22/1959 qu. 2.

IaCRAMENTOS, fonte primaria da santi- ^^^ ^ ^


ficagio Cf 16/1959, qu. 3.

SACRAMENTO DA CRISMA «/{Jg; ^u; 32;


DO MATRIMONIO JJ/lJg. JJ. J.
DA ORDEM l/S. qu. 2.
SACRIFICIO 15/1959 qu. 3.
SAINT-SIMON .... • ■■ • ■ • •.; • • 20/1959, qu. 3.
SANTIFICAgAO D9 HOMEM 16/1959, qu. 3.
SANTIFICAR-SE (slgmteasao) •••:—,•• ^59* ^q. 4 e 5.
SANTOS (aparecen! aos homens na térra.) a'/im qu. 5;
(quem sao) 15/1959, qu. 7.
SANTUARIOS (eperegrinagóes) 24/^9 qu. 7.
?r^ 18/1959. £ - -•

gMKSO ou ínteres:
seSve??dade" dos'cbsTÜMES maTri- qu x
MONIAIS ...• • • • ■■ 15/1959, qu. 4.
SEXTA-FEIRA SANTA 19/1959, qu. 2.

SISTEMA 'DA ANTECIPAgAO ... ^^ ^.


52 Í CALENDARIO" 15/1959, -qu. 4.
igg^-.::::.:.::.::::: iW £ i
SOFRIMENTOS .^^ ^ .^^;; , ^ 3

SOLENIDADES RELIGIOSAS lj/}|g; J"; J;


SONHOS

— 14 —
14/1959, corr. miúda.
SORIA, JACQUES
13/1959, qu. 1.
Q/~)iR("yR A TO
SUBJETIVISMO '¿' ÍÑDIVIDUALISMO ... 20/1959, qu. 2;
21/1959, qu. 7.
SUCESSÁO APOSTÓLICA 13/1959, qu. 9.
21/1959, corr. miúda.
IúMULa'dAS DOUTRINAS DO PRÓTÉS-
17/1959, qu. 4.
TANTISMO
13/1959, qu. 8;
SUPERSTICAO ■ •
15/1959, qu. 3;
e ASTROLOGIA 16/1959, qu. 2.
SUPREMA FUNgAO PASTORAL DE PE-
13/1959, qu. 1.
SUPRESSAÓDÁ' COMPANHÍA DE JESÚS 20/1959, qu. 6.

16/1959, corr. miúda.


TABELA DE OGINO-KNAUS
19/1959, qq. 4 e 5.
TANQUEREY, A
16/1959, qu. 1.
TÉCNICA DO IÓGUI
16/1959, qu. 7.
TEMPLARIOS \ ''."' i'
TEOLOGÍA CATÓLICA (a partir do sesulo
20/1959, qu. 2;
XVI) •■•'.
20/1959, qu. 3.
PASTORAL
17/1959, qu. 1.
TEOSOFÍA
14/1959, qu. 10.
TESTEMUNHAS DE JEOVÁ
TESTEMUNHO (expressáo grega: dar
13/1959, qu. 4.
testemunho)
22/1959, qu. 2.
TÍBIOS
19/1959, qu. 1.
TOTEMISMO
23/1959, qu. 5.
TRABALHO
TRADICÁO DOS APOSTÓLOS, sempre con
13/1959, qu. 3.
servada em Roma
13/1959, qu. 8.
TRANSMISSAO DO PENSAMENTO ....
22/1959, qu. 3.
TRES FILHOS DE NOÉ • • ■ ••
TRES MODALIDADES NA PARTICIPA-
CAO DOS LEIGOS NO APOSTOLADO 22/1959, qu. 2.
TRINDADE SANTÍSSIMA 14/1959, qu. 10;
20/1959, qu. 3.
TRÍPLICE MISSÁO DA IGREJA NA HORA
22/1959, qu. 2.
PRESENTE • • • ■ • ■ • •
TÚMULO DE SAO PEDRO EM ROMA .. 13/1959, qu. 4.
13/1959, qu. 1;
TYLOR
19/1959, qu. 1.

21/1959, qu. 2.
UBALDI, PIETRO
22/1959, qu. 1.
UNAMUNO, Miguel ....
17/1959, qu 3.
UNCÁO DOS DOENTES
15/1959, qu 2.
TJNQÁO NA CRISMA ..
13/1959, qu. 6.
UNIAO COM DEUS ....

— 15 —