A PRODUÇÃO DO BIODIESEL: IMPACTOS NA AGRICULTURA FAMILIAR DA MAMONA NO SEMI-ÁRIDO BRASILEIRO Rodrigo Macarenco Mônica Yukie Kuwahara (Orientadora

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Resumo O objetivo deste artigo é descrever o processo de produção do biodiesel de mamona e identificar a estrutura de incentivos econômicos para sua produção, analisando possíveis entraves ao processo. A revisão bibliográfica constatou a limitada literatura sobre o tema, levando à utilização de informações e dados secundários, disponibilizados por órgãos oficiais do Governo brasileiro. No primeiro item realiza uma breve descrição do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel. As condições atuais de produção da mamona são descritas no segundo item, reservando ao terceiro a descrição do programa governamental de incentivo à produção de biodiesel. Concluiu-se que as medidas estabelecidas no programa podem ajudar no desenvolvimento da região, mas que limitações tais como a inexistência de uma cadeia produtiva consolidada para a mamona, comprometem o desempenho da cultura e os resultados esperados pelo Governo em termos de substituição energética. Palavras-chave: Biodiesel. Agricultura familiar. Mamona. INTRODUÇÃO A escassez da principal matriz energética (petróleo) e seus derivados, evidenciada pelos sucessivos aumentos em seu preço no mercado internacional e por tensões políticas geradas por essa escassez, aumenta a necessidade de desenvolvimento de energias alternativas. Nesse contexto, o Brasil lança o Programa Nacional de Produção do Biodiesel, que além de motivações ambientais, visa a geração de renda para a população carente envolvida com a agricultura familiar, através da produção da mamona em pequenas propriedades. O biodiesel é um combustível biodegradável derivado de fontes renováveis, que pode ser obtido por diferentes processos tais como o craqueamento, a esterificação ou pela transesterificação. Pode ser produzido a partir de gorduras animais ou de óleos vegetais, existindo dezenas de espécies vegetais no Brasil que podem ser utilizadas, tais como mamona, dendê (palma), girassol, babaçu, amendoim, pinhão manso e soja, dentre outras (BIODIESEL, 2006). A mamona (Ricinus communis L.), também conhecida no Brasil como mamoneira, rícino, carrapateira, bafueira, baga e palma-criste, é uma planta da família da euphorbiáceas, provavelmente originária da Ásia e introduzida no Brasil pelos escravos africanos durante o processo de colonização portuguesa (BIODIESEL, 2006). Devido ao clima tropical favorável, a mamona se espalhou pelo país e hoje pode ser encontrada em quase toda a extensão territorial, com grande capacidade de produção na região do Semi-árido (CHIERICE e CLARO NETO, 2001). ]
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Diante do exposto, estabeleceu-se a pergunta problema: A produção do Biodiesel pode beneficiar a agricultura familiar da mamona no Semi-árido brasileiro? Em termos de objetivos, procurou-se descrever o processo de produção do biodiesel de mamona e identificar a estrutura de incentivos econômicos para sua produção e os entraves ao processo. Por ser este um tema relativamente novo, a oferta de publicações especializadas não é muito grande, então além do referencial de Economia Agrícola e do Sistema Agroalimentar abordado por Décio Zylbersztajn, a análise será baseada em informações recolhidas em sites oficiais relacionados ao tema, como os dos Ministérios da Agricultura, de Minas e Energia, do Programa Nacional de Produção do Biodiesel, entre outros. O conceito de agricultura familiar caracteriza um modo de produção onde predomina a interação entre a gestão e o trabalho; os agricultores familiares são responsáveis pela gestão do processo produtivo, enfatizando a diversificação e utilizando o trabalho familiar, eventualmente complementado pelo trabalho assalariado (PRONAF, 2007). Como o trabalho busca descrever o conjunto de incentivos existentes ao processo de produção da mamona voltada ao biodiesel, para determinação dos benefícios resultantes do processo na economia local, a abordagem utilizada foi a do Sistema Agroalimentar (SAG), associado ao Programa de Estudos dos Negócios do Sistema Agroalimentar (PENSA) da Universidade de São Paulo. Segundo Zylbersztajn e Fava Neves (2000), um conceito com ampla aplicação, que vai desde o desenho de políticas públicas até a arquitetura e formulação de estratégias corporativas. Esta abordagem considera o ambiente organizacional e institucional, onde está inserido o conjunto de leis que regulamentam o ambiente e que dão suporte às atividades produtivas. Os resultados da pesquisa compõem o presente artigo se apresentam em três itens, além desta introdução e da conclusão. No primeiro item são descritos os objetivos principais do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel, enquanto o segundo item, a análise se concentra nas condições de oferta, descrevendo o volume de produção dos últimos anos, os determinantes da produtividade, a estrutura dos custos de produção da mamona e o comportamento dos preços recebidos pelos produtores. Os dados necessários para a análise foram colhidos em órgãos especializados como CONAB e Embrapa, além de estudos especializados na área. São feitas considerações sobre a importância da criação de uma cadeia produtiva para a mamona e os desafios e entraves existentes para o sucesso dos objetivos de inclusão social listados no PNPB. No terceiro item, as perspectivas para o setor são analisadas, relacionando o impacto das medidas do PNPB na solução dos entraves no processo, ou seja, como as medidas adotadas pelo governo podem contribuir para a geração de renda e inclusão social no Semi-árido. Deste modo, descrevem-se as políticas de incentivo criadas pelo governo, a regulamentação e legislação do programa, e o grau de investimento público necessário ao cumprimento dos objetivos relacionados à geração de renda no programa. Por fim, os progressos verificados na agricultura familiar da mamona no Semi-árido brasileiro decorrentes do advento do PNPB são descritos, mas também as limitações e os desafios inerentes à manutenção deste processo de inclusão social. 1. O PROGRAMA NACIONAL DE BIODIESEL (PNPB) O governo federal, através do Ministério de Minas e Energia, conduz desde 2002 o Programa de Incentivos às Fontes Alternativas de Energia Elétrica – PROINFA, buscando a diversificação da matriz energética brasileira, através de soluções de caráter regional, baseadas nos insumos e tecnologias disponíveis em cada local para a criação de energia alternativa (PROINFA, 2006).
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São medidas importantes. aprimoramento das atuais rotas de produção. com vistas à produção de energia elétrica através de fontes alternativas (eólica. sendo subordinada à Casa Civil da Presidência da República (BIODEISEL.A . diretrizes e políticas públicas. em 06 de dezembro de 2004. Nesse sentido. No caso deste estudo. definindo as linhas de financiamento. promovendo inclusão social. 2006): a) Implantar um programa sustentável. e desenvolvimento de tecnologias que permitam a autonomia e sustentabilidade para pequenos agricultores de comunidades isoladas. REVISTA JOVENS PESQUISADORES ANO IV. além de estabelecer o marco regulatório para o setor. os quais desempenham diferentes funções no processo. com enfoque na inclusão social e no desenvolvimento regional. agroindústria e produtores especializados. O biodiesel é uma das vertentes principais do plano. em condições determinadas no programa (PROINFA. além da análise e avaliação de outras ações. No ano de 2005. que busca a criação de um ambiente consistente de produção para a agricultura familiar da mamona. cujos objetivos principais correspondem ao aumento da produtividade (adensamento energético da matéria-prima). como por exemplo. 2006). 2006). Pecuária e Abastecimento. entre outros (AGROENERGIA. proposição dos atos normativos necessários. 2006). Seguindo essa estratégia de desenvolvimento de fontes alternativas de energia. visando o desenvolvimento de longo prazo do país. o Plano Nacional de Agroenergia. o governo federal promove o lançamento oficial do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel. sendo o órgão executivo das ações estabelecidas pela CIEB. o governo federal adota como ação estratégica a criação do Plano Nacional de Agroenergia. através da geração de renda. caso não estejam em sintonia com outras propostas de desenvolvimento sustentável. c) Produzir o biodiesel a partir de diferentes fontes oleaginosas e em regiões diversas. 2007 50 . através do Ministério da Agricultura. o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel é elaborado com o objetivo principal de implementar a produção sustentável do biodiesel no território brasileiro. Essas diretrizes podem ter resultados positivos se forem caracterizadas como parte de um conjunto mais amplo. 7. A Comissão Executiva Interministerial é responsável pela elaboração e monitoramento do programa. os produtores que tiverem seus projetos aprovados pelo programa terão garantia de compra da energia produzida pela Centrais Elétricas Brasileiras S. JUL. Em termos gerais. o objetivo mais importante do plano é este último. b) Garantir preços competitivos. com a constituição de uma Comissão Executiva Interministerial (CIEB) e de um Grupo Gestor.Trata-se de um programa de incentivos à iniciativa privada. 2006). baseado na estratégia nacional de criação de fontes alternativas de energia.ELETROBRÁS. com base no documento Diretrizes de Política de Agroenergia./DEZ. Já o Grupo Gestor tem coordenação do Ministério de Minas e Energia. estruturando a base tecnológica. mas que podem não surtir o efeito esperado. O plano visa consolidar as ações estratégicas de aproveitamento de insumos agrícolas para a produção de energia renovável (AGROENERGIA. qualidade e suprimento. N. O programa é de abrangência interministerial. organizando a cadeia produtiva. 2006). biomassa e pequena central hidrelétrica). tendo como diretrizes principais (MCT. competindo ao mesmo a gestão operacional e administrativa das ações voltadas ao cumprimento das estratégias e diretrizes estabelecidas (BIODEISEL.

no caso de um eventual conflito. a CIEB e Grupo Gestor são formados por representantes dos diferentes órgãos e entidades governamentais (MCT. deve-se ter estabelecido um objetivo principal que norteará as decisões de todos os agentes. Indústria e Comércio Exterior Ministério da Agricultura. Quadro 1 – Plano de Trabalho Linhas de ação Biodiesel no Brasil e no mundo Delimitação das regiões produtoras Quantificação dos mercados Estruturação da cadeia produtiva Tributação: políticas de preços Adequação do arcabouço regulatório Determinação do crescimento Linhas de financiamento Plantas industriais – escala comercial Meio Ambiente Plano de divulgação do programa Desenvolvimento tecnológico Inclusão e impactos sociais Estruturação e execução do programa Análise de risco Recursos financeiros para o programa Responsável Ministério de Minas e Energia Ministério de Minas e Energia Ministério do Desenv. além de um sistema de comunicação eficaz entre os órgãos. por exemplo. evidenciando. Deste modo. JUL. ao menos no seu desenho estratégico. até a criação de mecanismos de crédito para a produção (conforme quadro 1). que os objetivos de produtividade do Ministério de Minas e Energia e os interesses de preservação ambiental do Ministério do Meio Ambiente não sejam conflitantes entre si. que vão desde as atividades de pesquisa e controle de qualidade. N. novamente é ressaltada a REVISTA JOVENS PESQUISADORES ANO IV. É preciso. uma vez que o número elevado de participantes aumenta a necessidade de uma gestão baseada em objetivos comuns e bem definidos. a preocupação com a integração das políticas. podem gerar impactos negativos em termos de execução se os objetivos do programa não estiverem bem definidos. ou ainda. Os agentes têm diferentes funções no PNPB. apesar de justificados pela abrangência e complexidade do programa./DEZ.Dada a abrangência do programa. 2006). Pecuária e Abastecimento Ministério da Fazenda ANP Ministério de Minas e Energia BNDES Ministério de Minas e Energia Ministério do Meio Ambiente Sec. 2007 51 . de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica Ministério de Ciência e Tecnologia Ministério do Desenvolvimento Agrário Ministério do Planejamento. Orçamento e Gestão Ministério de Minas e Energia Casa Civil da Presidência da República Fonte: PNPB – Portal do biodiesel / Governo Federal Os múltiplos agentes envolvidos. 7.

86 a 1. GO.5 a 0.8 0. o Brasil também concentra outras culturas com potencial de inserção no processo de produção do biodiesel. 2007 52 . Adaptado de Meirelles. MS. REVISTA JOVENS PESQUISADORES ANO IV. a produção ainda é insuficiente para atender o mercado interno e para as pretensões do PNPB. dado o baixo custo de produção na região”. Muito embora o PNPB tenha em pauta programações para as diversas culturas possíveis ao biodiesel. RS e PR SP MT. uma vez que seu modo de produção. a mamona se destaca. baseado no fortalecimento das instituições. N. corresponde aos objetivos sociais do programa (BIODIESEL. CLARO NETO. A mamoneira (Ricinus communis L. A PRODUÇÃO DE MAMONA PARA BIODIESEL 2.4 1a6 Fonte: Amorim. o girassol.S. Características gerais da produção Além da mamona. baseado na agricultura familiar. o algodão e o pinhão-manso (BIODIESEL. segundo Chierice e Claro Neto (2001:89) “é na região do Semi-árido que apresenta maior vantagem competitiva. SP. A tabela 1 apresenta algumas características destas oleaginosas.9 0. GO.5 a 2 0.2 a 0.5 15 a 25 1. 2001:89). JUL. Segundo os mesmos autores “é uma das únicas alternativas viáveis de produção agrícola na região. 2003 Apesar da excelente produtividade do dendê./ha) Mamona Dendê Girassol Amendoim Algodão 0. F.Oleaginosas disponíveis no Brasil (potencial energético) Produtividade Espécie (ton. portanto as culturas que apresentam maior potencial para concorrer com a mamona são a soja.2 Soja Pinhão Manso 2a3 2 a 12 Anual Perene Mecanizada MO intensiva 17 50 a 52 0. MS. dada a sua resistência à seca e à facilidade no manejo” (CHIERICE. 2006).9 3a6 0. além das vantagens biológicas para sua produção em solo brasileiro.) se alastrou no Brasil devido ao clima tropical favorável. com correspondente produtividade para aproveitamento na geração de energia: Tabela 1 . RS. entre elas: a soja.importância de um projeto nacional de desenvolvimento. num primeiro momento. o amendoim.1 a 0. MG e SP Nordeste e MG Modo de produção MO intensiva MO intensiva Mecanizada Mecanizada Mecanizada Percentuald e óleo 43 a 45 20 38 a 48 40 a 43 15 Rendimento (ton. e o pinhão manso num futuro próximo.5 a 2 1.1. BA e MA MT.5 a 0. 7.óleo/ha) 0. podendo hoje ser encontrada em quase toda a extensão territorial. MS. 2005. PR.4 Ciclo de produção Anual Perene Anual Anual Anual Regiões produtoras Nordeste BA e PA GO.5 a 1. 2006). 2. Entretanto.6 a 0./DEZ. o dendê (palma).

N. 2005). CARVALHO. 7. c) Preços baixos recebidos pelos produtores. dificuldades para obtenção de crédito e assistência ao produtor. JUL. não houve estabilidade na produção (AMORIM. Este sistema é pouco mecanizado. (SECRETARIA DA INDÚSTRIA. assegurando uma contínua fonte de renda para as despesas da casa. 1995). sem recursos tecnológicos que pudessem gerar um aumento na produtividade. As variações nas quantidades produzidas e nos preços recebidos pelos produtores antes do estabelecimento do PNPB foram influenciadas pelo comportamento da demanda. milho e mamona). Suas características. O óleo é o principal produto oriundo da mamona.O contraponto destas características é que a produção nesta região se sedimentou de modo arcaico.Produção de mamona no Brasil em mil toneladas Fonte: Conab. responsável por grande parte da absorção do óleo de mamona (PAULA NETO. 2007 53 . sobretudo em relação aos compradores. como a solubilidade em álcool e formas de utilização (hidrogenado. A força de trabalho da própria família explora pequenas áreas sempre sob o modelo do triconsórcio (feijão. 70 e 80. A mamona assume papel social de grande relevância. período em que o Brasil foi o maior exportador mundial de derivados de mamona. esta flutuação na quantidade produzida pode ser explicada pelos seguintes fatores: a) Sistema de produção desorganizado: utilização de sementes não melhoradas. como adubos e agrotóxicos. Um dos reflexos deste modo de produção é a variação na quantidade produzida. 2006)./DEZ. 2007 Segundo Ponchio (2004. principalmente no mercado internacional. COMÉRCIO E MINERAÇÃO. baixa tecnologia e práticas de produção inadequadas.25). desidratado e oxidado) possibilitam sua ampla REVISTA JOVENS PESQUISADORES ANO IV. b) Mercado interno inconsistente: são poucos os agentes envolvidos na comercialização. p. 250 200 150 100 50 0 19 90 19 /91 91 19 /92 92 19 /93 93 19 /94 94 19 /95 95 19 /96 96 19 /97 97 19 /98 98 19 /99 99 20 /00 00 20 /01 01 20 /02 02 20 /03 03 20 /04 04 20 /05 05 /0 6 Nordeste Brasil Figura 1 . A figura 1 representa o nível de produção e as grandes flutuações dos últimos anos. Mesmo nas décadas de 60. os agricultores utilizam sementes comuns e não usam insumos modernos.

pode ser uma fonte protéica importante para rações animais. drogas farmacêuticas. 2007 54 . Para que a mamona seja viável aos objetivos de geração de renda do PNPB. O REVISTA JOVENS PESQUISADORES ANO IV. Entretanto. existe a consolidação de um mercado interno para o óleo. além de ocorrer em quantidade suficiente. esta tendência pode influenciar positivamente as decisões da produção brasileira de grãos e de óleo de mamona. como os preços internacionais são cotados em dólares. graças à ampla utilização nos processos industriais. a qualidade da mamona produzida é tão ou mais importante. A figura 2 mostra o comportamento dos preços internacionais do óleo de mamona. no período de agosto de 2004 a abril de 2007. a produção. A torta de mamona (subproduto da extração do óleo) possui mais de 35% de fibra em sua composição e se constitui como um excelente fertilizante. 2006). 2007 Os dados da CONAB apontam nos últimos meses uma tendência de alta para o preço do óleo no mercado internacional. no momento do esmagamento das bagas. 7.. Apesar de o mercado internacional ser o principal fator de influência nos preços e na produção de mamona no Brasil. A China e o Brasil também ocupam posição de destaque neste mercado (PAULA NETO. com notável capacidade de recuperação de terras esgotadas. uma vez que seus custos são expressos em reais. 2006)./DEZ. De qualquer modo. CARVALHO. desinfetantes. e mais recentemente ao desenvolvimento do biodiesel. cosméticos. inseticidas. a recente valorização cambial pode influenciar a margem de lucro dos produtores brasileiros. com grande influência sobre os preços do óleo no mercado internacional. desde que seja tornada atóxica (BIODIESEL 2006). pois determina o rendimento agroindustrial em óleo. lubrificantes. deve acontecer com custos relativamente baixos. Além da produtividade na lavoura. além de nylon e matéria plástica (BIODIESEL. do contrário a mamona será preterida em relação às demais culturas disponíveis (PIRES et al. praticados no mercado de Roterdã (Holanda). N. O principal produtor de grãos e óleo de mamona é a Índia.utilização industrial. Além disso. de modo a ser empregado na fabricação de tintas. Preço 1400 1200 1000 800 600 400 200 0 fev/05 fev/06 out/04 dez/04 out/05 dez/05 abr/05 ago/04 out/06 jun/05 dez/06 ago/05 abr/06 jun/06 fev/07 ago/06 abr/07 Figura 2 .Preços internacionais em dólares FOB por tonelada do óleo bruto de mamona Fonte: Conab. 2004). JUL. Esta tendência pode ser extremamente positiva para os produtores de óleo e de mamona no Brasil.

mantendo os agricultores ocupados durante toda a safra (EBDA. Ainda em relação à produtividade. Verifica-se que a agricultura empresarial mecanizada apresenta.981 toneladas de mamona em uma área de 147. em média. 2006)./DEZ. REVISTA JOVENS PESQUISADORES ANO IV.rendimento médio padrão de 45% em óleo pode sofrer redução para até 30% (PAULA NETO. JUL. 2006). com insumos apropriados e recursos tecnológicos desde a preparação do solo até a colheita mecanizada. Este interesse também pode ocorrer no Semi-árido. os dados da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) apresentados nas tabelas 2 e 3. N. o triplo da produtividade das lavouras cultivadas pelos pequenos agricultores em sistema de consórcio.000 kg/ha. Entretanto. Quanto à produtividade da mamona nas diferentes regiões do país. Conforme estudos da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola S/A – EBDA na região dos Cerrados (Oeste baiano) a mamona é produzida em escala empresarial. atingindo produtividades de mais de 3. a questão da produtividade se mostra determinante para a viabilização da mamona. e o modo utilizado na agricultura empresarial mecanizada. Nesse sentido. A maior parte desta produção ocorreu na região de Irecê. CARVALHO. provavelmente resultado da melhor tecnologia empregada na produção. pois os ganhos de produtividade serão correspondidos por menores custos de produção. 7. uma vez que a mamona apresenta grande resistência contra as condições climáticas adversas existentes no nordeste. com uma produtividade média de 1. quando comparados aos dispêndios realizados na produção familiar. 2006). muito embora nesta região a expectativa dos produtores em relação ao preço de venda é frustrada na maioria das vezes (EBDA. Os produtores desta região têm considerado ampliar a área plantada desde que tenham garantias de aquisição da produção a preços interessantes.760 ha. os custos de produção deste setor se mostram superiores. local onde o cultivo é explorado em grande parte pela agricultura familiar. Nestes casos. A análise desta questão demonstra a diferença no grau de produtividade entre o modo de produção empregado na agricultura familiar. levantamentos realizados pela EBDA permitem o dimensionamento da diferença entre os dois modos de produção. No período 2004/2005 a Bahia produziu 148. 2007 55 . Isto pode facilitar a criação de programas governamentais direcionados ao aumento da oferta de mamona. o escalonamento da colheita abrange de quatro a seis meses. apesar da produtividade do setor empresarial ser muito superior à da agricultura familiar. O melhor nível de produtividade foi verificado na região sudeste. mostram que apesar de ser a região com maior volume de produção.008 kg/ha. o nordeste não apresenta o melhor nível de produtividade.

483 574 2002/03 663 1.9 2001/02 68.3 72. REVISTA JOVENS PESQUISADORES ANO IV.167 646 2004/05 963 1.250 673 2003/04 638 1.7 103.8 2005/06 (1) 95. Ainda não se pode afirmar.3 2003/04 104.4 2002/03 83. 7. 2007 56 . conforme apontam estudos especializados na área. (CONAB. JUL.200 kg/ha.400 703 Fonte: Conab – Levant: Mar/2007 (1) Dados Preliminares: sujeitos a mudanças Os registros da Conab mostram que a safra de 2004/05 apresentou um nível de produção e produtividade bem acima da média dos demais anos.8 2.7 7. mas os preços pagos pela safra 2004/05 podem indicar o desestímulo ao incremento na produção de 2005/06.1 209. 2007). mas a queda verificada nos dados preliminares da safra de 2005/06 não suporta esta afirmação.1 4. deve-se ressaltar que este ainda se encontra bem abaixo do potencial de produção de 1.5 2. Entretanto.Tabela 2 – Produção de mamona no Brasil (em mil toneladas) Região Norte Nordeste Centro-Oeste Sudeste Sul Total 2000/01 73.7 79.442 1.7 1.2 6.0 6.155 495 2001/02 553 1. Poder-se ia afirmar que esta safra refletiu o avanço da produção decorrente dos programas governamentais de incentivo à produção de biodiesel.3 2004/05 202.100 975 2005/06 (1) 673 1. N.9 Fonte: Conab – Levant: Mar/2007 (1) Dados Preliminares: sujeitos a mudanças Tabela 3 – Produtividade regional em kg por hectare Região Norte Nordeste Centro-Oeste Sudeste Sul Total 2000/01 470 1.5 0./DEZ.5 86.8 107.558 1.

de acordo com a metodologia e os parâmetros considerados. Considerada uma produtividade de 3./DEZ. adaptado às condições da região produtora é de fundamental importância para o sucesso da mamona.00 por hectare. Custos de Produção Como o custo de produção da mamona pode variar devido a fatores como clima e topografia da região produtora. As tabelas 4. além de fatores de mercado. Estudos realizados pela EBDA em diferentes regiões da Bahia indicam que o custo de produção no Semi-árido gira em torno de R$ 900. os estudos de custo de produção não constituem parâmetros concretos para avaliação.25. N. seguem pesquisando novos cultivares. o custo de produção situa-se em torno de R$ 1. posto ter sido concluída em junho.97 (EBDA. principalmente após o desenvolvimento do PNPB (BIODIESEL. considerando-se uma produtividade de 1. Por este motivo. Outro levantamento realizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) aponta a mão-de-obra como o componente principal na composição do custo de produção da mamona em área de sequeiro. 7. Mas este debate tende a progredir. pois estes variam conforme os fatores descritos acima e conforme a metodologia empregada em cada estudo. 2001). 5 e 6 exibem de forma detalhada a composição do custo de produção da mamona em área de sequeiro. como até a data da finalização desta pesquisa5 não foram disponibilizados os dados consolidados da safra de 2005/06.400.Por outro lado. a afirmação de um aumento de safra devido às expectativas favoráveis do programa também não pode ser descartada. Tabela 4 – Custo de produção por hectare em área de sequeiro (sem adubação) Insumo/Fator Mão-de-obra para plantio. CLARO NETO. com adubação e em consórcio com feijão. O custo do litro do óleo atinge R$ 1. o programa é muito recente. pois apesar da resistência da mamona à seca. Ademais. Já na área dos Cerrados (agricultura empresarial mecanizada).440 litros/ha. não gerando série de dados suficientes para uma análise estatística mais acurada. insumos utilizados na produção. houve alguns avanços em relação ao desenvolvimento de sementes para geração de melhores plantas. destacando-se a inexistência de uma cadeia produtiva organizada. A descrição de alguns estudos relacionados abaixo. e institutos especializados. JUL. Uma condição climática favorável na safra 2004/05 também pode ter contribuído para a produção. No Brasil.00 por hectare. o custo do litro do óleo seria aproximadamente R$ 0. a pesquisa que gerou este artigo não pôde realizar estudos de causalidade. pois o estabelecimento de um método ótimo de produção. REVISTA JOVENS PESQUISADORES ANO IV. como a Embrapa Algodão.2. 2006). ilustra a dificuldade em se estabelecer um parâmetro sólido para os custos de produção. considerando três esquemas de produção: sem adubação.500 kg/ha. 2007 5 57 . 2. elaborados por diferentes instituições.000kg/ha e um rendimento de óleo de 1. Os estudos disponibilizados neste sentido mostram muitas vezes resultados inconsistentes.00 As informações de safra são normalmente divulgadas em julho. as condições climáticas influenciam na produção da oleaginosa (CHIERICE. 2006). pulverização e colheita Quantidade 30 diárias Custo 360.

pulverização e colheita Preparação do solo (aração e gradagem com trator) Sementes Beneficiamento para as sementes Inseticidas contra formigas / demais pragas Custo total Quantidade 40 diárias 3 horas 6 kg Serviço Verba Custo 480.00 50. R$ 856.00 90. JUL.00 21.00 856.00 Fonte: Embrapa Em suma.00 Fonte: Embrapa Tabela 6 – Custo de produção por hectare em área de sequeiro (consorciado com feijão) Insumo/Fator Mão-de-obra para plantio. 1995). pulverização e colheita Preparação do solo (aração e gradagem com trator) Sementes Fertilizantes Beneficiamento para as sementes Inseticidas contra formigas / demais pragas Custo total Quantidade 30 diárias 3 horas 6 kg 390 kg Serviço Verba Custo 360. N.00 536.00 15. REVISTA JOVENS PESQUISADORES ANO IV. 7. os dados da Embrapa apontam um custo de R$ 536.00/ha para a produção consorciada com feijão.00 50. COMÉRCIO E MINERAÇÃO.00 686.00 Fonte: Embrapa Tabela 5 – Custo de produção por hectare em área de sequeiro (com adubação) Insumo/Fator Mão-de-obra para plantio.00 70.00/ha para a produção com adubação e R$ 686.00 25.00 312.00 23. 2007 58 .00 90./DEZ.Preparação do solo (aração e gradagem com trator) Sementes Beneficiamento para as sementes Inseticidas contra formigas / demais pragas Custo total 3 horas 6 kg Serviço Verba 90.00/ha para a produção sem adubação. sendo esta última considerada a forma de produção ideal em termos de fluxo de caixa para o pequeno agricultor (SECRETARIA DA INDÚSTRIA.00 21.00 21.

exigindo uma articulação eficiente do ponto de vista institucional. produção e comercialização do biodiesel da mamona de modo sustentável e competitivo./DEZ. Além disso. Os dados permitem verificar a queda ocorrida nos preços pagos aos produtores neste período. 2004). Um exemplo é a inadequação e burocracia existentes na concessão de crédito ao produtor. existem muitos desafios em relação ao fornecimento de insumos. p. Esses fatores estão diretamente relacionados e serão influenciados pelas políticas do programa. existem vários estudos sobre o ciclo de exploração econômica da mamona.. 2. Nesse sentido. Segundo Ponchio (2004. indicando a dificuldade em se estabelecer um parâmetro para a questão dos custos de produção da mamona. de modo que se pode sugerir que a queda ocorreu provavelmente em função do forte estímulo à produção feito pelos governos. não significa uma tendência de alta nos preços futuros. O preço no atacado acompanhou o nível do preço pago ao produtor. REVISTA JOVENS PESQUISADORES ANO IV. das flutuações da demanda externa e da inconsistente política pública de incentivos.. porém. reflexo das oscilações na produção decorrentes das alterações nos preços ao longo dos anos. N. Conforme descrito no início deste item. JUL. portanto. a saber. otimizando as relações de produção e reduzindo os custos de transação incorridos no processo (ARRUDA. muitas vezes os órgãos responsáveis por prestar assistência ao produtor não cumprem sua função como deveriam. a exploração da mamona tem ocorrido no Brasil em função da utilização industrial do óleo armazenado em suas sementes. et al. 7. Antes de avaliar o sistema de incentivos à produção. CARVALHO. sem uma estrutura de esmagamento correspondente. (2004).00 (queda de 21. produção e comercialização do biodiesel de mamona (ARRUDA et al. comportamento dos preços recebidos pelos produtores e a possibilidade de expansão da fronteira agrícola da mamona. a falta de garantia de retorno para os investimentos feitos na produção reduz a confiança dos produtores para o engajamento planejado e contínuo nos esforços de abastecimento de insumos. O aumento dos últimos meses. mas a cadeia produtiva da oleaginosa ainda não conta com um alto nível de organização. 2007 59 .00 para R$ 43. sendo que nos últimos meses o preço se elevou um pouco com a entressafra. Para Arruda. utilizado como matériaprima para diversos produtos. 2003). pois apesar dos projetos criados pelo governo. O principal desses desafios é a articulação integrada de todos os elos da cadeia produtiva. Preços recebidos pelo produtor A tabela 7 descreve a evolução do nível de preços pagos aos produtores desde Agosto de 2004 até o início de Abril de 2007. sobretudo fora da Bahia (PAULA NETO.3.Estes resultados se mostram inferiores aos apurados pela EBDA. o estabelecimento de uma Cadeia Produtiva do Biodiesel da Mamona é fundamental. pois a gestão em cadeia pode aperfeiçoar as relações entre os agentes envolvidos. 2004). passando de R$ 55. apesar dos avanços que vem ocorrendo com o desenvolvimento do biodiesel. Para a diminuição dos custos de produção da mamona e do biodiesel produzido. 2006). permitindo que os envolvidos colham os benefícios do processo. não são todos os produtores que contam com condições favoráveis na concessão de crédito.30). et al. inibindo o desenvolvimento da cultura do sequeiro no nordeste do Brasil (SEAGRI.8%). com a participação de todos os agentes envolvidos. cabe a reflexão sobre dois outros fatores determinantes para o cumprimento dos objetivos do PNPB.

7. Tabela 7 – Preços do grão da mamona (Período Ago.00 31.00 2.00 35.00 32.50 29./DEZ.00 51.00 2.00 Agosto/2004 Outubro/2004 Janeiro/2005 Fevereiro/2005 Março/2005 Abril/2005 Maio/2005 Junho/2005 Julho/2005 Agosto/2005 Setembro/2005 Outubro/2005 Novembro/2005 Dezembro/2005 Janeiro/2006 Fevereiro/2006 Março/2006 Abril/2006 Maio/2006 Junho/2006 Julho/2006 Agosto/2006 Outubro/2006 Novembro/2006 30.00 36.00 REVISTA JOVENS PESQUISADORES ANO IV.00 44.00 5.00 39.00 42.00 30.00 61./2007 .00 58.56 60 .00 32.00 Preço praticado no atacado (R$) 63.00 25. o preço praticado ao produtor permaneceu abaixo do preço mínimo estabelecido pelo governo. com exceção do mês de Março.00 30.30 30.56 33.00 39. 2007 Preço mínimo (R$) Margem atacado / produtor (R$) 8.00 40.50 3.00 2.00 43./2004 .30 30.00 30.00 4.30 30.56 33.00 4.00 1.00 30.00 45.00 4.00 37.30 30.saca de 60kg .00 40.00 54.30 30.00 3. demonstrando a dificuldade dos produtores no período.00 40.00 30.30 30.56 33.56 33.00 5.00 29.00 5.00 32.00 3.00 5.00 25.00 30. N.00 27.00 31.Observa-se também que no período compreendido entre Setembro/2005 e Agosto/2006.00 36.Abr.00 3.56 33.00 38.00 25.00 34.00 38.00 3.56 33.56 33.00 28.00 32.30 30.30 30.50 3.00 3. JUL.56 33.Ireçê-BA) Período Preço pago ao produtor (R$) 55.30 30. Como a mamona produzida no Brasil atende também o mercado externo.00 4.00 4.50 31.00 2.00 40.56 33.56 33.00 2.30 33.56 33.00 34.00 34.56 33.00 33.00 36.00 40.00 2. a valorização do Real verificada nos últimos meses pode estar contribuindo para a queda nas exportações e conseqüentemente nos preços da oleaginosa.

tem-se um custo de produção de R$ 0.56 33. Nesse sentido.Dezembro/2006 Fevereiro/2007 Abril/2007 39. se insiram no processo para a criação de uma melhor estrutura de esmagamento. o produtor opera com déficit. O fato dos preços não convergirem para um nível que favoreça a produção do vegetal é um problema. 3. 2007 61 . Por outro lado não se pode afirmar que estes resultados necessariamente ocorram. 7. Considerando cenários de produtividade mais pessimistas.56 33.00 43. conclui-se que o estímulo à oferta nessas condições é arriscado. haja vista que dentre as expectativas do PNPB está um aumento no nível da oferta de mamona (BIODIESEL.00 41.56 por saca de 60kg para a safra 2006/2007)./DEZ. pois os estudos de produtividade e custos de produção podem ter diferentes critérios de avaliação.57 por quilo de mamona. uma vez que pode não haver demanda suficiente para a quantidade produzida de grãos (PAULA NETO.71 por quilo recebido atualmente pelo produtor (R$ 43.1.00 2.00/saca de 60 kg). CARVALHO. e busca avaliar as medidas realizadas pelo governo nesta questão.00 45. é insuficiente para garantir segurança ao produtor (BRASIL.00 Fonte: CONAB Considerando-se os valores levantados anteriormente sobre os custos de produção em área de sequeiro realizado pela Embrapa (R$ 686. 2006). 3. como o algodão. Consumo de biodiesel no Brasil REVISTA JOVENS PESQUISADORES ANO IV. N. JUL. 2006). O próximo item continua o processo de identificação das necessidades dos produtores. uma vez que neste caso o preço recebido não é suficiente para cobrir os custos de produção. Entretanto. Comparando-se este custo com o preço de R$ 0.56 2. e considerando também uma produtividade potencial de 1200 kg/ha. além de usinas inoperantes em outras áreas.00 2. Considerando a hipótese de que a queda nos preços resultou principalmente de um aumento no volume de oferta sem uma estrutura correspondente de esmagamento.00 45. Deste modo.00 43.00/ha em regime de consórcio com feijão). sem esquecer que estes valores resultam de um cenário otimista do nível de produtividade. tem-se uma pequena margem de lucro. os resultados servem apenas como referência ao estudo.00 33. além das perspectivas futuras para a mamona no Brasil. é possível afirmar que o preço mínimo estabelecido pelo governo (R$ 33. 2006). que possibilite uma maior absorção da produção e melhores preços para os produtores. de forma que a quantidade de óleo diesel consumida no Brasil gerará a primeira reflexão sobre os incentivos econômicos à produção. espera-se que novas usinas esmagadoras. INCENTIVOS ECONÔMICOS E AMBIENTE INSTITUCIONAL Uma das formas de avaliação da demanda potencial é a quantidade de mamona necessária à produção do volume de biodiesel requerido pelo PNPB.

8621 Deságio médio Prazo de entrega 01-Nov/05 02-Mar/06 03-Jul/06 04-Jul/06 05-Fev/07 0. o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). ou 40 bilhões de litros (BIODIESEL. 7. 2006). REVISTA JOVENS PESQUISADORES ANO IV. conforme diretrizes estabelecidas pelo Ministério de Minas e Energia (MME.075 m3 e exportação de 601.908 1. somado ao saldo do óleo diesel negociado com o mercado externo (importação de 3.5% 7.9045 Preço de fechamento (R$/litro) 1. CARVALHO.4 1054.3% 2. pois o volume produzido internamente de 38. Tabela 8 – Descrição dos leilões de aquisição de biodiesel pela ANP Nº e data do leilão Volume leilão (milhões de litros) 70 170 50 550 50 Volume oferta (milhões de litros) 92. que já existe em caráter autorizativo.2% Jan/06 a Dez/06 Jul/06 a Jun/07 Jan/07 a Dez/07 Jan/07 a Dez/07 Fev/07 a Dez/07 Fonte: ANP Os resultados dos leilões apontam para um volume já contratado de 890 milhões de litros até o final do ano de 2007. Em termos de comercialização./DEZ.5 315. ou 41.860 1.836 m3). Considerando-se as estimativas de um consumo em torno de 40 bilhões de litros. Estima-se que o Brasil tenha hoje um consumo anual de óleo diesel de aproximadamente 40 milhões de m3. alcançando a quantidade de 1 bilhão de litros a partir de 2008 (MME. dando margem para eventuais aumentos no preço do grão (PAULA NETO.8% 2. o volume de óleo diesel consumido no Brasil vem crescendo nos últimos anos. e que a partir de 2008 se tornará obrigatória em todo o Brasil.599 m3. as estatísticas da ANP para o ano de 2006 dão conta de que este consumo pode ser ainda maior.905 1. Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). 2007 62 . N.747 1. resultaria em um nível de produção de 800 milhões de litros. 2007). afirmou através da Resolução nº 3.5 143 Preço de abertura (R$/litro) 1.De acordo com as estatísticas da Agência Nacional do Petróleo. A tabela 8 apresenta os principais dados dos cinco leilões realizados pela ANP para aquisição de biodiesel. de 23 de setembro de 2005 que as aquisições de biodiesel devem ser feitas por meio de leilões realizados pela ANP. Entretanto. a adição de 2% de biodiesel ao óleo diesel convencional (B2). além de manter habilitados para o processo apenas os produtores que apresentarem um controle de qualidade do biodiesel produzido. A necessidade de cumprimento dos contratos estabelecidos nos leilões da ANP deverá impulsionar o crescimento na demanda de grãos de mamona.754 1.905 1.9% 8.603. Este tipo de restrição visa contribuir para o fomento da agricultura familiar.5 95. 2005). 2007). JUL.660.920 1. resulta numa absorção interna (consumo somado ao estoque) de 41.6 bilhões de litros.545. 2006).905 1. Este consumo surge como reflexo da opção rodoviária ter sido escolhida no Brasil como o principal modal para transporte de pessoas e produtos.360 m3. além de autorização da ANP para produzir o combustível e situação regular perante a Receita Federal (BRASIL. O produtor de biodiesel que tiver interesse em participar do leilão precisa ter o “Selo Combustível Social”.

que em conjunto com suas alterações dispõe sobre a introdução do biodiesel na matriz energética brasileira (BRASIL. Uma reflexão sobre o arcabouço institucional indica que o que vem ocorrendo em nosso país é um enfraquecimento das instituições. A partir de 2013. gás natural e seus derivados à então Agência Nacional do Petróleo. sobretudo em novas atividades que ainda não estão consolidadas. que passa a ser denominada Agência Nacional do Petróleo. Isto consiste em uma produção de aproximadamente 231 milhões de litros de óleo de mamona. Esta lei fixa uma proporção mínima de 2% de adição de biodiesel ao óleo diesel vendido no país a partir de janeiro de 2006 em caráter autorizativo. Verifica-se então a necessidade de investimento público e de uma estrutura de incentivos que possibilite um aumento substancial no potencial de oferta de mamona. 3.2. 2007 63 . passando este percentual a ser obrigatório de 2008 a 2012. para que as expectativas do MME sejam atingidas. Os dados de produção e produtividade apresentados no item 2 para a safra 2005/2006 evidenciam o déficit existente entre o volume de oferta disponível e o necessário para atender esta demanda. 2006). 2005). Também atribui a regulação da indústria de biodiesel. 26% deste total de 890 milhões de litros de biodiesel seria proveniente da mamona. bem como suas implicações na atividade produtiva. pois cada vez mais os interesses nacionais de longo prazo. Gás Natural e Biocombistíveis (ANP). A estrutura de incentivos e o ambiente institucional A assimetria de informações existente em todas as esferas produtivas no Brasil. CARVALHO.Conforme estimativas do Ministério de Minas e Energia (MME). para que a estimativa do MME de participação de 26% para a mamona nos processos de leilão de biodiesel aconteça./DEZ. considerando que para produzir um litro do biocombustível seja necessário 1 kg de óleo vegetal (PAULA NETO. de 13 de janeiro de 2005. a deterioração das instituições brasileiras faz com que a estrutura de incentivos apresentada pelo governo tenha grande importância para o desenvolvimento da produção de mamona no Semi-árido brasileiro. o percentual obrigatório de adição de biodiesel será de 5%.097. seria de aproximadamente 328 mil toneladas de grãos. 7. Considerando a idéia de que a legislação aplicada ao programa seja a principal fonte de incentivo para o produtor. Considerando um processo de extração com 85% de eficiência e um teor de óleo no grão por volta de 45%. REVISTA JOVENS PESQUISADORES ANO IV. o volume necessário para atender esta demanda. não considerando as peculiaridades da produção agrícola das diferentes regiões e culturas envolvidas. os quais acabam se constituindo no principal meio de política pública capaz de influenciar a decisão dos agentes envolvidos na cadeia. Deste modo. Assim. que consolidam as instituições. Embora os instrumentos tratem em sua maioria da regulação do mercado de biodiesel como um todo. houve a criação da Lei nº 11. JUL. a produção da safra 2006/2007 teria que ser muito maior do que a observada nos últimos anos. Esta estrutura de incentivos é representada pela legislação e pelos instrumentos de regulação contidos no programa. estão sendo preteridos em função dos objetivos de curto prazo escolhidos pelos diferentes governos. os instrumentos de regulação criados no âmbito do PNPB são descritos. eles podem ser considerados referências importantes para avaliação do papel do setor público no processo. prejudica a criação de um ambiente favorável para os produtores. como é o caso da produção agrícola para o biodiesel. que consiste na demanda de biodiesel por dois anos (2006/2007). Deste modo. N.

Em síntese. o selo é requisito obrigatório para participação nos leilões de biodiesel promovidos pela ANP e pode ser usado pelo produtor para fins de promoção comercial de sua empresa. pois beneficia apenas os produtores que respeitam as condições criadas para o incremento da agricultura familiar (BIODIESEL. especialmente a geração e distribuição de renda para a população envolvida na agricultura familiar. Os produtores também se obrigam a estabelecer contratos com os agricultores familiares para garantir a estes toda a segurança necessária ao desenvolvimento da atividade produtiva. em percentuais mínimos estabelecidos para cada região. e) isenção total nas alíquotas de PIS/PASEP e COFINS para o produtor que atender as condições dos itens c e d. além do Banco da Amazônia S/A – BASA.3 Políticas de crédito As condições em que a oferta de crédito se apresenta para o produtor são essenciais para a tomada de decisão em relação à produção. c) redução de 77. Estes incentivos estão intimamente relacionados com a criação do “Selo Combustível Social”. sendo as regiões do Nordeste e do Semiárido as mais beneficiadas. 2004. N. 2005): a) redução da alíquota do IPI incidente na produção de biodiesel para 0%./DEZ. 2006). 7. seja para aplicar na produção. Por fim.297 e 5. Por suas características. do Banco do Brasil S/A. sobretudo a mamona e o dendê (palma) no Norte. REVISTA JOVENS PESQUISADORES ANO IV. b) criação do selo “Combustível Social” e suas determinações. A obtenção do selo possibilita ao produtor de biodiesel acesso a alíquotas de PIS/PASEP e COFINS com coeficientes de redução diferenciados. Nordeste e do Semi-árido. d e e. 3. Também confere ao seu detentor acesso a melhores condições de financiamentos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES. os Decretos 5.6% nas alíquotas de PIS/PASEP e COFINS para o produtor que utilizar matéria-prima de agricultor familiar enquadrado no PRONAF. além de assegurar assistência e capacitação técnica aos agricultores familiares. que consiste em um conjunto de medidas específicas que visam estimular a inclusão social. Verifica-se que os incentivos fiscais constituem um fator importante de incentivo à produção de oleaginosas pela agricultura familiar. do Banco do Nordeste do Brasil – BNB. como muitas vezes para o sustento da própria família. 2006). 2007 64 .5% nas alíquotas de PIS/PASEP e COFINS para o produtor que utilizar palma ou mamona das regiões Norte. JUL. 1997. Neste sentido. se estabelecem os instrumentos de incentivos fiscais. o selo será concedido apenas aos produtores de biodiesel que comprarem matéria-prima da agricultura familiar.Nesse sentido. especialmente pelo perfil do pequeno agricultor do Semi-árido carente de recursos.298 de 06/12/2004 determinam o nível de redução das alíquotas de tributos incidentes na produção e comercialização do biodiesel. d) redução de 89. Nordeste e Semi-árido do Brasil. o “Selo Combustível Social” constitui-se como um dos principais instrumentos de promoção da agricultura familiar da mamona na região do Semi-árido brasileiro. os decretos conferem os seguintes benefícios à cadeia de produção do biodiesel (BRASIL. e outras instituições que tenham condições especiais de financiamento para projetos com o selo combustível social (BIODIESEL. visando o alcance dos objetivos sociais. e) redução de 67% nas alíquotas de PIS/PASEP e COFINS para o produtor que não se enquadrar nas situações descritas nos itens c.Com a definição do mercado e das regras de produção.

2007). BB.043 contratos. Em 2004 mais de 1. já que visa o financiamento adicional das culturas ligadas ao biodiesel. as implicações na produção agrícola decorrentes da criação do PNPB abriram espaço para uma seção específica do Pronaf voltada ao biodiesel. produzindo 38% do valor bruto de produção e ocupando 77% do contingente de trabalhadores da agricultura nacional (MDA. é a busca por a adequação às diferentes cadeias de produção. passando de R$ 2. Ainda conforme o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Em termos de política de crédito rural. 2004). através da Secretaria de Agricultura Familiar (PRONAF. BNDES. Conforme o manual de Crédito Rural. 7.4 bilhões em 2005 para R$ 5.6 bilhões em 2004. Uma das características do Pronaf. 2007). sem comprometer as atividades já financiadas pelo programa. com um investimento de R$ 7. mas a partir de 2003 muitos tiveram acesso às melhores condições de crédito e assistência. conforme diretrizes e critérios específicos (BNDES. 2007 65 . 2007).2 mil em 2002 (MDA. uma operação adicional de custeio do Pronaf.61 bilhões.Uma das medidas estabelecidas pelo BNDES foi a Resolução 1. sobretudo com o microcrédito rural do Pronaf. pode beneficiar diretamente a agricultura familiar desde que estejam relacionadas com as diretrizes estabelecidas pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar – PRONAF. em 1. no âmbito do PNPB. Deste modo. assim como políticas de crédito rural de outros bancos como Banco do Brasil.5% da área total dos empreendimentos rurais. O Pronaf biodiesel tem caráter complementar.913. JUL. Os últimos dados fornecidos pelos agentes financeiros (BACEN. O Programa é coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário. Apesar desta resolução se aplicar teoricamente a todas as fases do projeto. contra 953. Dados do Ministério do Desenvolvimento Agrário indicam que a agricultura familiar ocupa 30. BASA. principal programa de estímulo à agricultura familiar que existe hoje no Brasil. o acesso ao financiamento rural permite aos produtores a ampliação e melhoria das atividades que já desenvolvem. N.525 contratos. amparada por recursos controlados e oriundos dos Fundos FNO. como fonte de energia alternativa. visando alcançar dois milhões de produtores. BANCOOB. Banco do Nordeste. BN e BANSICREDI). o governo federal disponibiliza aos agricultores familiares de todo o país o montante de R$ 10 bilhões em financiamento rural do Pronaf. O volume de contratos do Pronaf cresceu em todo o Brasil nos últimos quatro anos. representando um crescimento de 134. dão conta de que até o momento já foram investidos mais de R$ 5. depreende-se que beneficiará em maior escala outras etapas da cadeia que não a agricultura familiar. que incluem entre outros fatores a apresentação de garantias./DEZ. graças ao esforço das entidades de Assistência Técnica e Extensão Rural (MDA. através da aquisição de equipamentos e insumos.25% ao ano (MDA. Para a safra 2006/2007. destacandose as regiões Norte e Nordeste. além da implementação de novas atividades.57 milhão de produtores realizaram contratos do Pronaf.135 / 2004. Os agricultores familiares praticamente não acessavam o crédito nessas regiões.3 bilhões. Banco da Amazônia entre outros. Conforme o Ministério do Desenvolvimento Agrário (2007). Tem como objetivo apoiar investimentos em todas as fases da cadeia de produção do biodiesel.2%. 2007). o que antes não se conseguia pela falta de condições e de recursos. que aprova o Programa de Apoio Financeiro a Investimentos em Biodiesel. 2007). o Pronaf apresentou na safra 2005/2006 1. As taxas de juros podem variar de 1% à 7. FNE e FCO poderá ser concedida para o REVISTA JOVENS PESQUISADORES ANO IV. devido aos critérios de seleção. A resolução do BNDES.274. o volume de recursos oferecido pelo governo ao financiamento da agricultura familiar aumentou consideravelmente.

Ainda segundo o núcleo. aponta os impactos positivos do Pronaf através da análise de alguns indicadores nos 100 municípios com maior participação no programa.Ater ficassem pulverizadas nos estados e municípios. e a geração de renda e emprego formal tiveram nos municípios observados uma evolução consistente entre os anos de 1999 e 2004 (MATTEI. Vários agentes. onde a falta de conhecimento técnico é o motivo principal de perdas de safras e má aplicação dos recursos obtidos nos financiamentos agrícolas. Isto fez com que as ações oficiais de assistência técnica e extensão rural . 2006). 2005). para que um padrão de qualidade REVISTA JOVENS PESQUISADORES ANO IV. a assistência técnica tem a função de atender a agricultura familiar. o estudo conclui que indicadores como a evolução do PIB municipal. Em 2004. desativando o Sistema Brasileiro de Assistência Técnica e Extensão Rural – SIBRATER. principalmente nas áreas de maior necessidade. Durante este período de resgate do programa de assistência técnica. 3. O manual ainda recomenda que as operações para produção de oleaginosas no âmbito do Pronaf estejam vinculadas a um contrato de comercialização entre o agricultor familiar e o produtor do biodiesel (MDA. com a insuficiência comprovada desta rede de assistência à agricultura familiar. Extensão rural O setor de extensão rural no Brasil perdeu força no início da década de 90. a quantidade de sementes de qualidade certificada produzida em 2005 para utilização na safra 2006/2007 é insuficiente.4. Conforme Paula Neto e Carvalho (2006). Em termos gerais. JUL. o comportamento da produção agropecuária.cultivo de oleaginosas utilizadas na produção do biodiesel em todo o país (MDA. Considerando não só a questão do crédito. et al./DEZ. 2004). vinculado ao Ministério do Desenvolvimento Agrário. A conseqüência do afastamento do governo federal e da diminuição de serviços públicos de Ater ao meio rural se evidenciou nos últimos anos. um estudo realizado pelo Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural – NEAD. a PNATER simboliza o resgate dos serviços públicos de Assistência Técnica e Extensão Rural no Brasil. N. 2007 66 . a produção de sementes de qualidade para a mamona foi desestimulada (ALVES. 2007). diante das perspectivas de aumento na produção de mamona com os leilões de biodiesel realizados pela ANP. atividades de fiscalização e controle em relação ao uso de sementes certificadas devem ser realizadas. em mais um exemplo da incapacidade brasileira de desenvolver os interesses nacionais de longo prazo (NEAD. mas também a evolução no nível de assistência técnica oferecido aos produtores. com a extinção pelo governo Collor de Mello da Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural – EMBRATER. o governo federal promoveu a consolidação da Política Nacional de Assistência Técnica e Rural – PNATER. com o objetivo de reduzir esta situação precária em relação a Ater no Brasil (NEAD. 7. De acordo com o NEAD. Além do desenvolvimento de sementes apropriadas. Isto fez com que a mamona tenha sido produzida nos últimos anos com produtividade abaixo do potencial. 2007).. como as regiões Norte e Nordeste. entre eles a Embrapa Algodão estão desenvolvendo estudos para criação de novos cultivares mais produtivos (BIODIESEL. Os resultados do crédito rural do Pronaf indicam um avanço em termos de inclusão da agricultura familiar no processo de produção do biodiesel. As discussões recentes com relação às perspectivas de utilização do óleo de mamona na produção do biodiesel têm levado a uma retomada no desenvolvimento de sementes mais produtivas. 2007). 2007).

assim como o sistema de seguro rural tradicional. 2007). tem suas limitações. no contexto do desenvolvimento do biodiesel no Brasil. de modo que o governo deve direcionar as políticas considerando esta diversidade. devido à complexidade do tema. e as novas medidas de assistência técnica e extensão rural previstas na nova Pnater. trazendo para a população os benefícios deste processo.5. O objetivo é minimizar os riscos inerentes à atividade agrícola. A ampliação dessas políticas. O estabelecimento de um padrão de qualidade resulta em um ambiente saudável para os produtores de mamona e para as usinas que adquirem esta produção. permitindo mais segurança no momento da decisão sobre o investimento. O SEAF.na produção seja mantido. o crédito subsidiado disponibilizado ao produtor pelo Pronaf. 3. garante ao produtor uma parte significativa da renda esperada. sobretudo o desenvolvimento de um serviço de assistência técnica e extensão rural que considere as particularidades de cada região é fundamental para que a produção aconteça de forma consistente. como a regulação do PNPB. as operações de financiamento de custeio contratadas no Pronaf estão cobertas pelo seguro. REVISTA JOVENS PESQUISADORES ANO IV. como mudanças climáticas ou pragas e doenças. O SEAF é exclusivo aos agricultores contratantes de financiamentos de custeio agrícola do Pronaf e seu custo (prêmio) é de 2% do valor do financiamento. o governo federal promoveu em 2004 a reformulação do Proagro. CONSIDERAÇÕES FINAIS Este trabalho buscou descrever o processo de produção do biodiesel de mamona e identificar a estrutura de incentivos econômicos para sua produção no intuito de verificar possibilidades de inclusão social e geração de renda para os pequenos produtores de mamona no Semi-árido brasileiro. em parceria com organizações da agricultura familiar e agentes financeiros do próprio Pronaf. A reformulação ocorreu por meio do Ministério do Desenvolvimento Agrário. Seguro da Agricultura Familiar Em linha com os mecanismos do Pronaf de concessão de crédito e extensão rural. mas espera-se que esta nova modalidade possa de fato contribuir para melhores condições de produção na agricultura familiar. As políticas públicas descritas neste item. Entretanto. que garante a cobertura de até 100% do financiamento mais 65% da receita líquida esperada pelo empreendimento financiado. incluindo a atividade da mamona no Semi-árido brasileiro. têm favorecido a agricultura familiar como um todo. N. é preciso considerar que a agricultura familiar no Brasil apresenta grande diversidade econômica e social. 7. Além disso. a contratação do seguro. para que se atinjam novos níveis de progresso e inclusão da agricultura familiar da mamona no Semi-árido.SEAF (PRONAF. Segundo o Pronaf. reduzindo os prejuízos que estes riscos podem causar ao agricultor familiar. dando origem ao Seguro da Agricultura Familiar . JUL. na medida em que a assimetria de informação em relação à qualidade do produto é minimizada. 2007 67 . pois a mamona é uma cultura cujo financiamento de custeio está condicionado à contratação do seguro./DEZ.

N. verificando-se a dificuldade em se estabelecer um parâmetro para os custos de produção da mamona. pois os menores custos de produção da soja./DEZ. a criação do selo combustível social. que poderiam estar envolvidos na produção da mamona ou qualquer outra cultura. Ao refletir sobre as condições atuais de oferta da mamona. mesmo com os incentivos governamentais à produção da mamona. que mais precisam de ganhos de produtividade. Estas dificuldades podem fazer com que outras oleaginosas. Acredita-se em aumento de preços com o incremento da produção de biodiesel. que se encontram em níveis reduzidos. a análise dos dois temas foi feita em paralelo. o PRONAF com suas políticas de crédito e assistência à agricultura familiar. que contempla algumas reduções na alíquota de impostos. cobrindo questões que vão desde o desenvolvimento de tecnologia até o fomento do crédito rural necessário aos avanços da agricultura familiar envolvida na produção de matéria-prima. 2007 68 . sobretudo a produção realizada pelos pequenos agricultores do Semi-árido. mas não são expectativas que justifiquem um aumento no nível de oferta. Os levantamentos indicaram que o preço mínimo estabelecido pelo governo federal para a mamona é insuficiente para cobrir os custos de produção. Os dados levantados indicam que isto pode ocorrer. apesar de apresentarem um aumento no volume de produtores atendidos. mas a deficiência da cultura em termos de produtividade faz com que a mamona ainda não seja produzida em condições adequadas aos objetivos do programa. na medida em que este prevê uma forte expansão no nível de oferta voltado tanto para a inclusão social como para a produção do biodiesel. constatou-se que historicamente. pois ações como as desenvolvidas no PRONAF e na nova PNATER. Esta situação parece estar melhorando nos últimos anos com o advento do PNPB. sendo produzida por pequenos produtores de modo arcaico. uma vez que o comportamento dos agentes envolvidos no processo não deve ser direcionado apenas pela estrutura de incentivos montada pelo governo. Os preços recebidos pelos produtores tiveram redução de aproximadamente 22% no período 2004-2007. a cultura da mamona adquiriu no Brasil um caráter secundário. prejudiquem o desenvolvimento da mamona como matéria-prima para o biodiesel.Em relação a esta estrutura.Verificou-se que o PNPB abrange várias áreas do governo. JUL. além das limitações para a produção da soja decorrentes dos impactos ambientais. entre outros fatores. REVISTA JOVENS PESQUISADORES ANO IV. configurando um problema para o PNPB em termos sociais e de execução do programa. Ressaltou-se a importância do ambiente institucional no processo de incentivo à produção de biodiesel. Como os custos de produção estão relacionados com a produtividade. constatou-se que as medidas do programa têm suas limitações. Tal estrutura. além da nova PNATER. se mostrou importante para os objetivos de geração de renda para os pequenos produtores. Esta forma de produção fez com que a mamona não sofresse os efeitos da especialização agrícola voltados ao aumento da produtividade. Verificou-se que os custos de produção se mostram elevados em relação aos preços recebidos pelos produtores. A conjunção de todos esses fatores pode inibir o investimento na produção de mamona. observou-se que a regulação do programa e as medidas de incentivo à produção podem realmente influenciar na geração de renda e inclusão social do pequeno produtor envolvido com a produção de mamona no Semi-árido. Entretanto. sobretudo a soja. 7. muito embora seus produtos (óleo e torta) tenham diversas aplicações nos processos industriais. somados à melhor condição de sua cadeia produtiva podem fazer com que a soja “roube mercado” da mamona na produção do biodiesel. sendo que aparentemente não há perspectivas concretas de melhoria nos preços futuros. infelizmente ainda não estão disponíveis para um grande contingente de trabalhadores do Semi-árido. pois cada levantamento é feito considerando fatores inerentes e aspectos particulares à pesquisa.

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