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PENSAR, SENTIR E AGIR


Paula Matos Vieira

Maria de Lourdes Ferreira

Resumo
Quando nos esforçamos demasiado para estabelecer uma relação com outra pessoa, damo-
nos conta que a impelimos para uma posição defensiva levando-a a criar resistências
porque, nos nossos esforços para estabelecer essa relação, ela sente-se forçada a analisar-se.
A base do relacionamento interpessoal está no auto-conhecimento. A interacção, em
qualquer que seja o ambiente, nasce da aceitação, desprendimento e acolhimento, e no
mundo atribulado em que vivemos às vezes não nos damos conta disto.
O Homem é um ser único. Cada indivíduo é diferente e quando se relaciona com outros
indivíduos, dá e recebe, e ao mesmo tempo abre-se para o novo.

Palavras-chave: Relações humanas; Relações interpessoais e Saúde Mental.

TO THINK, TO FEEL AND TO ACT

Summary
When in we strengthen them too much to establish a relation with another person, dams-in
the account that we impel it for a defensive position taking it to create it resistance
because, in our efforts to establish this relation, it feels itself forced to analyze those things
in same itself that she did not desire analyzed. The base of the interpersonal relationship is
in the self-knowledge. The interaction, in that it is the environment, is born of the
acceptance, unfastening and shelter and in the afflicted world where we live to the times not
in them we give account of this.
The Man is an only being. Each individual is different and when if relation with other
individuals, from and receives, and the same the time confides for the new.

Word-key: Relations human beings; Interpersonal relations and Mental Health.

Paula Cristina de Almeida Matos Vieira, Enfermeira Especialista em Saúde Materna e Obstetrícia

Maria de Lourdes Barbosa dos Santos Ferreira, Enfermeira a frequentar o Curso de Especialização em Reabilitação

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Introdução

Na dinâmica das relações humanas entendemos que tudo o que sabemos e sentimos acerca de
nós próprios situa-se dentro do contexto que é criado pelas nossas relações. E através das
relações que mantemos que criamos, sentimos, comunicamos, declaramos, exprimimos e
concretizamos tudo aquilo que realmente somos, o nosso “EU”.

Embora, o nosso sistema terapêutico tenha um lado racional, não significa que este esteja
totalmente destituído de emoção, é legítimo que nos possamos sentir tristes ou aborrecidos,
quando as coisas não nos correm de feição, como também é legítimo sentirmo-nos eufóricos
quando tudo corre bem.

O facto de nos aceitarmos como somos e de nos orientarmos para a felicidade, usando o
cérebro e/ou as outras faculdades tende a que sejamos mais emotivos e estejamos em maior
contacto com os nossos sentimentos.

Terapia Racional Emotiva

As técnicas utilizadas pela Terapia Racional Emotiva (RET) foram concebidas para que, mais
do que modificar comportamentos, ajudar o indivíduo a sentir-se melhor. Estas técnicas são
também utilizadas para alterar a filosofia básica de vida do indivíduo fornecendo-lhe meios
específicos para que essa filosofia possa ser modificada quantas vezes forem necessárias.

Não existem tomadas de consciência súbditas, nem curas mágicas com o RET, esta capacita-
nos para uma melhor compreensão de nós próprios e dos outros, proporcionando formas mais
apropriadas de reagir aos altos e baixos da vida, obtendo-se, assim, um maior controlo sobre
as emoções, o que nos torna mais criativos permitindo-nos desfrutar mais a vida e realizar
plenamente as nossas capacidades.

Quando reflectimos sobre os nossos pensamentos, acções e escolhas, vemos que as nossas
perspectivas são fortemente influenciadas por outras. Podemos pensar que é uma acção
fortemente imoral, mas não sabemos exactamente porquê. Provavelmente nunca se
ultrapassará completamente todos os medos e ansiedades injustificados, a vida é uma batalha
incessante contra preocupações irracionais porque nós não nos limitamos a preocuparmo-nos,
temos uma propensão inata para o fazer, mas ao travar esta batalha, pode-se conseguir ficar
livre da maior parte das preocupações desnecessárias.

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As frustrações são experiências quotidianas para a maioria das pessoas. Se não fossemos
possuídos pelo desejo intenso de alcançar os nossos objectivos e de conseguir o que
desejamos da vida a frustração dos nossos desejos não constituía qualquer problema. Mas
caso não tivéssemos desejos não seria provável que sobrevivêssemos, quer individualmente
quer enquanto espécie. A insatisfação, motiva-nos a agir de forma afirmativa no sentido da
emoção e dos obstáculos que impedem a realização dos nossos desejos.

Não nos é possível controlar o que os outros pensam e sentem, mas somos capazes de
controlar e modificar o modo como nós pensamos e sentimos. Esta conquista da auto-
disciplina pode parecer muito difícil, mas acabará por reconhecer que a facilidade e a falta de
disciplina têm maiores custos acabando por conduzir ao insucesso.

Ao preocuparmo-nos excessivamente, ou ao ficarmos demasiado ansiosos quando temos de


nos confrontar com as dificuldades da vida, não só estamos a impossibilitar a realização plena
dos nossos potenciais para viver de uma forma saudável e feliz, como também torna
desagradável a vida de quem nos rodeia. Desta forma estamos a derrotar-nos a nós próprios e
a realizar muito menos do que seria possível. Ainda que seja gratificante o facto de existir um
menor número de pessoas receptivas à discussão dos seus problemas com profissionais
qualificados, muitas pessoas parecem ficar satisfeitas consultando adivinhos, astrólogos,
pregadores, e outras individualidades cujas competências e qualificações como
psicoterapeutas deixa muito a desejar. Outros ainda preferem conversar com os seus médicos,
embora, hoje em dia, muitos clínicos têm pouco tempo para ouvir problemas que não sejam
de natureza médica.

Para algumas pessoas falar sobre dos seus problemas emocionais pode auxiliá-las a obter uma
nova perspectiva sobre si próprias, contribuindo para a sua adaptação à saúde mental.

Conclusão

O ser humano evidência comportamentos passivos e agressivos que por vezes criam
problemas nos relacionamentos da vida profissional e nas interacções sociais. Este
comportamento passivo é não assertivo e indirecto, isto é, transmite uma mensagem de
inferioridade. Ao sermos passivos permitimos que os desejos, necessidades e direitos de
outros sejam mais importantes que os nossos. O comportamento passivo ajuda a criar
situações “ganha – perde”. Alguém que se comporte de forma passiva perde, ao mesmo tempo

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que permite aos outros ganhar (ou pelo menos é ignorado). Seguir este caminho leva a ser-se
uma vítima e não um vencedor.

O comportamento agressivo é mais complexo, podendo ser activo ou passivo. A agressão


pode ser directa ou indirecta, honesta ou desonesta, mas transmite sempre uma impressão de
superioridade e de falta de respeito. Ao sermos agressivos colocamos os nossos desejos
necessidades e direitos acima dos outros. Conseguimos seguir o nosso caminho ao não
permitir aos outros uma escolha. Este tipo de comportamento é inapropriado porque viola os
direitos dos outros. As pessoas que se comportam agressivamente podem ganhar ao assegurar-
se que os outros perdem, mas ao fazer tal tornam-se potenciais alvos de retaliações.

O comportamento assertivo é activo directo e honesto, transmite uma impressão de respeito


próprio e de respeito pelos outros. Ao adoptarmos este comportamento, encaramos os nossos
desejos, necessidades e direitos como iguais aos dos outros, buscando o resultado “ganhar –
ganhar”. Uma pessoa assertiva ganha influenciando, ouvindo, e negociando de tal forma que
os outros escolhem cooperar de livre vontade. Este comportamento leva ao sucesso, sem a
retaliação e encoraja relacionamentos honestos e abertos.

Um sentimento de à vontade corporal e psíquico nas circunstâncias rotineiras da vida


quotidiana, só se atinge com grande esforço. Se nos contextos das nossas acções
demonstrarmos sermos menos frágeis do que na realidade somos, isso deve-se a processos de
aprendizagem ao longo da vida, através dos quais as ameaças potenciais são evitadas ou
imobilizadas. Sentirmo-nos bem connosco próprios e na relação com os outros, sermos
capazes de lidar de forma positiva com as adversidades, tendo confiança e não temendo o
futuro.

No entanto, apesar de salientarmos a importância das relações interpessoais, na sua relação


com a saúde e com a doença mental, não podemos, contudo, descurar a sua vertente biológica,
dado que a susceptibilidade da pessoa, quer genética, quer adquirida, é considerada de
extrema importância para a saúde mental.

Bibliografia

LUÍS, A. – As relações humanas I: os quatro rios. 2ª Edição Literária. Lisboa: Guimarães


Editores, 1981.
ALMEIDA, J. – Os valores culturais e a relação médico doente. Revista de Psiquiatria do
Hospital Júlio de Matos, vol. 7, N.º 3, Lisboa, 1994, pp. 193 – 196.

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CHIAVENATO, I. – Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações.
Rio de Janeiro, Brasil: Editora Campus, 1999.
CHAPLIN, J. – Dicionário de psicologia. Lisboa: Publicações D. Quixote, 1989.
FONSECA, A. – Psiquiatria e psicopatologia. Lisboa: Fundação Calouste Goulbenkian.
HOFMANNSTHAL, H. – Nada é impossível nas relações humanas. In "Livro dos Amigos".
WINDY, D.; GORDON, J. – A realização pessoal. Lisboa: Editorial Presença, 1993.