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Análise sensorial do azeite virgem (cv. Cobrançosa) proveniente de diferentes regimes hídricos.

Anabela, A. Fernandes-Silva1*, Paula Vasconcelos2, José Gouveia2, Virgilio Falco3, Carlos Correia4*& Francisco Villalobos5,6. Escola de Ciências Agrárias e Veterinárias, Departamento de Agronomia, UTAD anaaf@utad.pt *CITAB-Centro de Investigação e de Tecnologias Agro-Ambientais e Biológicas 2 LET- Laboratório de estudos Técnicos, – Instituto Superior de Agronomia ; Universidade Técnica de Lisboa, Tapada da Ajuda, 1349 Lisboa, Portugal 3 Centro de Química, Escola de Ciências Agrárias e Veterinárias, Departamento de Agronomia, UTAD 4 Escola de Ciências da vida e do Ambiente, Departamento de Biologia e Ambiente, UTAD 5 Instituto de Agricultura Sostenible, CSIC, Apartado 4084, Cordoba 14080, Espanha 7 Departamento de Agronomía, Universidade de Cordoba, Apartado 3048, Cordoba 14080, Espanha
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Resumo A água é o principal fator ambiental que limita a produtividade do olival, uma vez que determina o crescimento vegetativo e a produção de azeite da oliveira (Olea europaea L). Neste sentido, a rega é decisiva para aumentar a produtividade em azeite. Nos últimos anos em Portugal a prática da rega tem sido bem acolhida pelos olivicultores, particularmente no Alentejo. Apesar, de ser unanime o efeito da rega no aumento da produtividade do olival, pouco se sabe do efeito de diferentes estratégias de rega na qualidade do azeite virgem da cv. Cobrançosa (DOP). No sentido de colmatar esta lacuna no conhecimento foi desenvolvido um estudo na região da Terra Quente (Vilarelhos, 41,33º N; 7,04º W; 240 m altitude) com o objetivo de avaliar o efeito de diferentes regimes hídricos na qualidade do azeite, em particular no índice de qualidade análise sensorial. A parcela experimental era constituída por três subparcelas adjacentes, as quais foram submetidas a três tratamentos de rega: T2-rega máxima, que corresponde a 100% da evapotranspiração cultural (ETc) estimada para o olival; T1-rega deficitária (30%ETc) e T0-sequeiro. Os atributos sensoriais positivos encontrados, tais como o picante e o amargo são mais intensos no azeite virgem dos tratamentos T0 e T1, os quais apresentaram concentrações mais elevadas de polifenóis, o que é comprovado pela relação positiva entre esta variável e o atributo amargo: Estes atributos estão presentes de uma forma suave e equilibrada. De uma maneira geral, o azeite virgem da cv. Cobrançosa é mais amargo que picante, e apresentou uma análise sensorial mais rica nos tratamentos que sofreram stresse hídrico, sendo o azeite virgem do tratamento regado ligeiramente mais “apagado”. Por outro lado, o azeite virgem desta cultivar tem um atributo sensorial típico a frutos secos, o qual é corroborado pela associação positiva entre a concentração de benzaldeído e as notas sensoriais a outros frutos como amêndoa e noz. A estratégia de rega deficitária contínua com apenas 30% da ETc máxima apresenta um efeito vantajoso em regiões onde os recursos hídricos são escassos uma vez que duplicou a produtividade em azeite em relação ao sequeiro enquanto o azeite virgem obtido apresentou uma análise sensorial similar.

Palavras chave: stresse hídrico, amargo e picante, frutos secos, rega