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METODOLOGIA DE CÁLCULO DE CUSTO DE PRODUÇÃO DA CONAB

Capítulo 2

ASPECTOS METODOLÓGICOS
O método de cálculo adotado pela CONAB busca contemplar todos os itens de dispêndio, explícitos ou não, que devem ser assumidos pelo produtor, desde as fases iniciais de correção e preparo do solo até a fase inicial de comercialização do produto. O cálculo do custo de uma determinada cultura estabelece custos de produção associados aos diversos padrões tecnológicos e preços de fatores em uso nas diferentes situações ambientais. Desta forma, o custo é obtido mediante a multiplicação da matriz de coeficientes técnicos pelo vetor de preços dos fatores. Na formulação do método de cálculo dos custos de produção, o objetivo deliberado é a determinação do custo médio por unidade de comercialização das principais culturas constantes da pauta da Política de Garantia de Preços MínimosPGPM – algodão, arroz, feijão, milho e soja, na safra de verão, e o trigo na safra de inverno. Como o cálculo do custo de produção envolve uma série de rotinas nem sempre de fácil entendimento para todos, é importante que se faça uma descrição dos procedimentos empregados pela CONAB na elaboração desses custos. 2.1 Coeficientes Técnicos de Produção No cálculo do custo de produção de uma determinada cultura deve constar como informação básica a combinação de insumos, de serviços e de máquinas e implementos utilizados ao longo do processo produtivo. Esta combinação é conhecida como “pacote tecnológico” e indica a quantidade de cada item em particular, por unidade de área, que resulta num determinado nível de produtividade. Essas quantidades mencionadas, referidas a unidade de área (hectare) são denominadas de coeficientes técnicos de produção, podendo ser expressas em tonelada, quilograma ou litro (corretivos, fertilizantes, sementes e agrotóxicos), em horas (máquinas e equipamentos) e em dia de trabalho (humano ou animal).

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de empresas de assistência técnica e extensão rural (pública e privada). quando foram calculados os primeiros custos da Empresa. Esta matriz tem sido revisada de lá para cá. de fertilidade. para tornar possível o estabelecimento de coeficientes técnicos e superar os problemas da extrema diversidade existente. em que se convidam agrônomos e técnicos de cooperativas. 2. Deste modo. uma grande variedade de padrões tecnológicos de produção. A matriz de coeficientes técnicos em uso na CONAB foi originada de um projeto de pesquisa iniciado em março de 1976 pelos técnicos da então Comissão de Financiamento da Produção – CFP e concluído em 1979. dentre outros. Considerando-se os constantes investimentos em pesquisas. o desenvolvimento de novas tecnologias e as operações que passam a ser realizadas no processo produtivo devido ao ataque de pragas e doenças. podem ocorrer inclusões ou alterações nos coeficientes técnicos antes do prazo estimado. de tipos e topografia do solo.2 Sistema de Coleta de Preços Outra variável essencial no cálculo de custo de produção é o vetor de preços dos fatores que fazem parte do processo de produção.Dadas as peculiaridades da atividade agrícola. que moldam. representado pelos preços médios efetivamente praticados na área objeto do estudo. Assim. objetivando evitar a defasagem do pacote tecnológico foi determinado que as atualizações para as culturas anuais devem ocorrer a cada 3 (três) anos e para as culturas perenes a cada 5 (cinco) anos. em casos específicos. da EMBRAPA. faz-se necessária a aceitação de alguns padrões genéricos que sejam representativos do conjunto de tecnologias adotadas pelos produtores das diferentes regiões do País. das Secretarias de Agricultura Estaduais. Para a atualização dos coeficientes técnicos. dos agentes financeiros. é importante que as atualizações ocorram com freqüência. os referidos coeficientes são influenciados diretamente pela diversidade de condições ambientais de clima. além de produtores e dos técnicos da CONAB. na prática. são realizados painéis nas regiões produtoras. Diferentemente do que 5 . de revendas de insumos/máquinas agrícolas. Vale ressaltar que. de modo a incorporar as inovações tecnológicas que vêm sendo adotadas pelos produtores. desde que guardem certa consistência entre eles.

de máquinas e de serviços agrícolas nas principais regiões produtoras do País. com a sazonalidade no mercado de fatores agrícolas. buscando-se com isso refletir. então. de maneira que a formulação e a divulgação das políticas para o setor aconteçam com a devida antecedência. Os dados pesquisados são. Em razão disso. uma vez que. mesmo em períodos de baixa inflação. plantio.3 Adequação dos Custos no Tempo De um modo geral. os preços efetivamente pagos pelos produtores. Somente após este processo ocorrerá a utilização dos valores nos cálculos dos custos de produção. telefone ou fax. exigindo levantamentos periódicos durante o ciclo produtivo. Essas dificuldades são contornadas caso a caso segundo critérios estatísticos específicos. tratados estatisticamente. os preços dos insumos e serviços apresentam variações mais freqüentes. Finalmente. tratos culturais e colheita – exigindo. para tanto. a exemplo de estudos de tendência de preços. O vetor de preços utilizado pela CONAB nos cálculos dos custos de produção é proveniente de pesquisas nas zonas de produção das Unidades da Federação por técnicos da própria Companhia junto aos revendedores de insumos e serviços. períodos relativamente longos para serem realizadas. a pesquisa de preços de insumos enfrenta certas dificuldades.acontece com os coeficientes técnicos. 2. com base em séries históricas e de relativos de preços. Estas acontecem segundo um calendário estabelecido de acordo com as necessidades de se calcular os custos de produção. os extremos são excluídos). se necessário. a produção agrícola se desenvolve em etapas distintas preparo do solo. Isso faz com que os insumos e serviços 6 . os levantamentos são efetuados junto às cooperativas agropecuárias e aos representantes e revendedores de insumos e máquinas agrícolas e. É importante ressaltar que há necessidade de se calcular uma estimativa de custos antes que seja iniciado o preparo do solo. com a máxima fidedignidade. os preços de alguns insumos nem sempre estão disponíveis nesse momento. calculando-se as médias aritméticas dos preços nos Estados (nos casos de dados discrepantes. complementados via email. cabe registrar que nesses centros de comercialização. São implementadas através de visitas aos mais expressivos centros de comercialização de insumos.

estudos de rentabilidade e subsídios às futuras políticas para o setor. No segundo caso. de acordo com o desembolso efetivo em cada fase do ciclo produtivo. surgem dificuldades quanto à forma de se mensurar estes componentes fora de sua efetiva época de utilização. pelo menos. assim. de modo a permitir a avaliação prévia do que plantar. independentemente da época em que os mesmos serão incorporados ao processo produtivo. ao longo do processo produtivo. têm tratamento próprio. avaliação. Por isso. Assim. a partir da utilização desse critério. que as possíveis variações dos mesmos serão captadas ao longo do ciclo de produção e contempladas quando do cálculo do custo efetivo. realizado de três a quatro meses antes do início das operações de preparo de solo. A metodologia empregada pela CONAB busca identificar corretamente os custos de produção no tempo. plantio. a cada instante. assumindo. tratos culturais e colheita. Conseqüentemente. contemplando. é possível fazer-se cálculos periódicos do custo durante todo o período de produção.sejam incorporados à lavoura em diferentes momentos. segundo critérios específicos. duas situações distintas: a) custo estimado. bem como a data-base ou de referência em que os cálculos estão sendo realizados. em trabalhos de custos de produção agrícola. que culturas estimular e qual o montante de recursos necessários para o financiamento da safra. os preços que eventualmente não estão disponíveis nesse momento. calculado a partir dos preços praticados na época oportuna de utilização. o cálculo tem por base os preços correntes de todos os insumos e serviços a serem utilizados no decorrer do processo produtivo. No primeiro caso. estes dispêndios vão sendo revistos. a saber: preparo do solo. Conforme já foi dito. bem como calcular o custo efetivo ao término da safra. é importante que se deixe claro a distinção entre orçamento ou estimativas de custo e custo efetivo ou simplesmente custo. determina o custo efetivamente incorrido pelo produtor e serve para controle. visa subsidiar as decisões de política agrícola para a safra a ser plantada. mesmo em períodos de baixa inflação. 7 . b) custo efetivo. bastando para isto eleger a data-base desejada. levantados num determinado momento.

Neste contexto. serviços de máquinas e animais. vale dizer que. cujos valores podem ser mensurados de forma direta. máquinas e implementos agrícolas e remuneração do capital fixo e da terra. atualmente. instalações. o ideal seria calcular os custos em. 2. fertilizantes e agrotóxicos). • no decorrer do ciclo de cultivo (novembro/dezembro) e. juros. Nesta categoria enquadram-se os gastos com depreciação de benfeitorias. realizados pela CONAB. impostos e outros. de fato. para a safra de verão. os critérios adotados para sua determinação são os seguintes: a) custos explícitos. em dispêndios. admitindo-se que os mesmos representam seus verdadeiros custos de oportunidade social. • após o término da colheita (abril). mas não podem deixar de ser considerados. b) custos implícitos – não são diretamente desembolsados no processo de produção. uma vez que se constituem. pelo menos. a saber: • antes do início do cultivo (abril/maio). Sua mensuração se dá de maneira indireta. quatro momentos distintos. mão-de-obra temporária.4 Mensuração dos Componentes de Custos Do ponto de vista da mensuração dos custos de oportunidade social. tais como insumos (sementes. Vale ressaltar que. • no início do cultivo (agosto/setembro). são determinados de acordo com os preços praticados pelo mercado. Situam-se nesta categoria os componentes de custo que são desembolsados pelo agricultor no decorrer de sua atividade produtiva. 8 . os custos são calculados a cada dois meses. coincidindo com os períodos de divulgação dos levantamentos de campo das estimativas da produção brasileira de grãos. visto que correspondem à remuneração de fatores que já são de propriedade da fazenda. através da imputação de valores que deverão representar o custo de oportunidade de seu uso.

isto é. em grandes números. aquelas com níveis de agregação geográfica que representam. as decisões de governo para a agricultura basearam-se. em informações de caráter global. os custos de produção calculados pela CONAB buscam observar o comportamento médio dos diversos padrões tecnológicos praticados no cultivo dos produtos amparados pela PGPM. ao nível das regiões geográficas Sul. 9 .2.5 Representatividade dos Custos Quanto à representatividade estatística. tem-se observado decisões de política agrícola em planos mais regionalizados. denominada Região Centro-Sul e ao nível da Região Norte/Nordeste. diante de um quadro de rápidas transformações tecnológicas na agricultura. sem dúvida. o que. todas as zonas de produção agrícola. Sudeste e CentroOeste. bem como dos preços dos fatores de produção. constituem-se em avanços. Recentemente. via de regra. Ao longo do tempo.

nas categorias de custos variáveis. os custos fixos são diferenciados em depreciação do capital fixo e demais custos fixos envolvidos na produção e remuneração dos fatores terra e capital fixo. Da mesma forma. aqueles que somente ocorrem ou incidem se houver produção. Em termos econômicos. Difere do custo total apenas por não contemplar a renda dos fatores fixos. e outras despesas . O custo operacional é composto de todos os itens de custos variáveis (despesas diretas) e a parcela dos custos fixos diretamente associada à implementação da lavoura. custos fixos. na medida que a atividade produtiva se desenvolve. que se desdobram em despesas de pós-colheita e despesas financeiras. independentemente do volume de produção. esta última incidente sobre o capital de giro utilizado. constituindo-se. Nos custos variáveis são agrupados todos os componentes que participam do processo. Enquadram-se aqui os itens de custeio. custo operacional e custo total. de acordo com sua função no processo produtivo.Capítulo 3 DETALHAMENTO DAS CONTAS As planilhas de custos da CONAB estão organizadas de maneira a separar os componentes de acordo com sua natureza contábil e econômica. No planejamento de política econômica adotada para cada produto. seguros. Em termos contábeis. Nos custos fixos. os custos variáveis são separados em despesas de custeio da lavoura. os custos variáveis desempenham papel crucial na definição do limite inferior do intervalo dentro do qual o preço mínimo deve variar. manutenção periódica de máquinas e outros. enquadram-se os elementos de despesas que são suportados pelo produtor. É um conceito de maior aplicação em estudos e análises que vislubrem horizontes de médio prazo. no curto prazo numa condição necessária para que o produtor continue na atividade. ou seja. as despesas de pós-colheita e as despesas financeiras. tais como depreciação. 10 . os componentes do custo são agrupados. consideradas aqui como remuneração esperada sobre o capital fixo e sobre a terra.

Classificação 3 .Despesas administrativas II .Fertilizantes 8 .DESPESAS PÓS-COLHEITA 1 .Manutenção periódica de máquinas 2 .CUSTO FIXO IV .compreende o somatório do custo operacional mais a remuneração atribuída aos fatores de produção.DESPESAS FINANCEIRAS 1 .Seguro do capital fixo 11 . Descrição dos Itens que Compõem o Custo de Produção Considerando os critérios de organização apresentados acima.Juros 2 .Agrotóxicos 9 .1. 3.Depreciação de máquinas e implementos V . os elementos do custo de produção agrícola são reunidos segundo o plano de contas a seguir: A .Operação com aviões 2 .Aluguel de máquinas 4 .Despesas com PROAGRO III .DESPESAS DE CUSTEIO DA LAVOURA 1 .Operação com máquinas 3 .O custo total de produção.Mão-de-obra permanente 6 .Impostos e taxas B .Recepção/Limpeza/Secagem/Armazenamento (30 dias) 4 .Depreciação de benfeitorias e instalações 2 .Mão-de-obra temporária 5 .DEPRECIAÇÕES 1 .Sementes 7 . Numa perspectiva de longo prazo todos esses itens devem ser considerados na formulação de políticas para o setor.CUSTO VARIÁVEL I .Transporte externo 2 .OUTROS CUSTOS FIXOS 1 .Encargos sociais 3 .

no preparo do solo (conservação de terraços.C . 3. Esses preços são pesquisados junto às revendas e instituições técnicas do setor. o custo/hora 12 . O custo horário de máquina é calculado pela CONAB a partir dos índices de consumo de óleo combustível. a aplicação de agrotóxicos nas lavouras irrigadas. de acordo com a potência de cada máquina utilizada no processo produtivo.CUSTO TOTAL (C + VI) 3. obtendo-se. fertilizantes. assim . gradagem e aplicação de herbicidas PPI).1. são realizadas com utilização de aviões. nos tratos culturais (aplicação de agrotóxicos. etc). O dispêndio em cada operação é obtido mediante a multiplicação do respectivo coeficiente técnico pelo custo horário de máquina. como por exemplo. Assim como em qualquer item das despesas de custeio.Remuneração esperada sobre capital fixo 2 . o dispêndio é obtido mediante a multiplicação do respectivo coeficiente técnico pelo custo do serviço de aluguel do avião. Operação com máquinas O valor que aparece nesta conta resulta do somatório das despesas com operações mecanizadas. Neste item são computadas as despesas que o produtor realiza na contratação de aplicações aéreas (agrotóxicos.Terra D . lubrificantes. aos custos de operação de máquina. capinas mecânicas e aplicação mecânica de adubo de cobertura). com máquinas próprias. no plantio e adubação de manutenção.CUSTO OPERACIONAL (A + B) VI .1. Operação com aviões Algumas operações. bastando. sempre na primeira semana do mês. na colheita e no transporte interno.1. para tanto.2. são adicionados os gastos parciais com manutenção das mesmas no decorrer do ciclo da cultura que representam 40% dos gastos totais com este dispêndio. Cabe enfatizar que. conhecer os preços desses insumos e serviços no momento desejado. aração. por razões diversas.RENDA DE FATORES 1 . filtros e salário do operador. onde o uso da máquina torna-se praticamente impossível.

4. este item é comentado à parte (3. apropriadas a essa categoria do custo variável. Enquadram-se nesta categoria diversos tipos de trabalhadores.3.1. 13 . Segundo uma planilha própria. Como as despesas com manutenção de máquinas tanto ocorrem ao longo do ciclo produtivo da lavoura. uma vez que representam desembolso imediato para o agricultor. Por trabalhador temporário entende-se aquele que é remunerado por dia de serviço na execução de tarefas que não exigem maiores qualificações. porque o produtor.1. necessários à manutenção e à sobrevivência do animal. Estas despesas são. contrata os serviços de terceiros para realizar os serviços.1. o cálculo deste custo contempla as despesas com alimentação.total. portanto. são considerados dois tipos de mão-de-obra: o trabalhador temporário e a mão-de-obra permanente. 3.5. desde os “trabalhadores volantes” (bóias frias) até os pequenos proprietários que se assalariam para a complementação da renda familiar. por representar um desembolso imediato do agricultor.13). manejo e defesa sanitária (vacinas e medicamentos). Aluguel de máquinas Só difere em relação ao item anterior – Operação com máquinas. 3. 1 Em razão da complexidade do cálculo de manutenção de máquina. operador. Mão-de-obra De acordo com a metodologia de cálculo. como após o seu encerramento.1. Tais despesas são apropriadas como custo variável. 3. o restante (60%) são computados no custo fixo1. por não possuir máquina própria. Operações com animais Representam os gastos relacionados às operações realizadas com animais de tração do produtor.

o trabalhador é melhor remunerado. é feita uma diferenciação no caso da mão-de-obra requerida para as colheitas de algodão e de feijão. que para a realização de determinadas práticas em culturas anuais. Como não se trata de uma propriedade em particular. que faz com que os gastos com essa operação possam ser expressos como uma proporção do salário pago ao diarista. seja pelos cuidados requeridos na sua execução. Nas duas últimas safras. Já a remuneração paga pela colheita de algodão e de feijão é calculada através do critério de comparação histórica do valor dispendido nessas operações com aquele pago ao diarista (serviços gerais). Assim. no mesmo período.Sabe-se.00 hectares. Neste particular. O valor do salário pago ao diarista é obtido por meio de pesquisa de campo. que se adote alguns critérios que permitam a obtenção de uma aproximação razoável desse gasto. rateado por 100. esta proporção foi da ordem de 25% do valor pago ao diarista. para tanto. na presente metodologia. observou-se que existe um comportamento relativamente estável entre essas duas variáveis. Na medida que o trabalhador permanente de uma propriedade agrícola tende a atender a propriedade como um todo. Este período é entendido como sendo o tempo médio de duração dos ciclos das culturas anuais. exigindo. Para a colheita de feijão a diária correspondeu a 115% do valor de uma diária comum. Mão-de-obra Permanente: são os dispêndios efetuados para a remuneração dos trabalhadores permanentes (capatazia). comparando-se a média das remunerações pagas nos últimos anos aos trabalhadores contratados para a operação de colheita dessas culturas com a média do salário pago ao diarista. onde o atraso pode implicar em queda de produtividade e prejudicar a qualidade do produto colhido. para se colher uma arroba (15kg) de algodão. contudo. enquanto 100. mas de uma estimativa genérica para o conjunto de propriedades existentes para se determinar o montante da mão-de-obra permanente usado em cada cultura. a mensuração do tempo e do valor gasto em uma atividade específica torna-se difícil de ser aferido. pelo período de seis meses. seja pela oportunidade da realização das mesmas.00 hectares seria o tamanho médio de uma 14 . durante o ciclo produtivo de uma determinada cultura. considera-se o valor de um salário mínimo.

possível de ser administrada por um capataz. oriundos de duas fontes: IPP (CONAB/FGV).1. agrotóxicos e sementes. com a aquisição de sementes na época de concentração da comercialização deste insumo. Sementes e Mudas: no momento em que se calcula o custo estimado. o mercado de sementes ainda não formou seus preços. cuja pesquisa é realizada em diversos Estados brasileiros. ponderados para a safra. 3.6. mediante a tabulação dos preços nominais nos principais estados produtores. que consiste em fazer um estudo comparativo entre os preços do grão e da respectiva semente. 15 . adota-se o mesmo procedimento para os preços recebidos pelos agricultores. também para o mês de junho. cuja pesquisa contempla os preços praticados no Estado do Paraná. são atualizados monetariamente para o mês de junho. obtém-se o dispêndio com mão-de-obra permanente em cada hectare. de modo a se obter um relativo de preços que possa ser utilizado para se estimar o preço da semente na época efetiva de sua comercialização. assim. e SEAB/DERAL.2. Estes preços reais são ponderados pelos 2 A CONAB dispõe de séries históricas mensais de preços pagos pelos produtores por insumos e serviços. Insumos Refere-se às despesas de aquisição de fertilizantes. exigindo. Fertilizantes e Agrotóxicos: os preços são obtidos através de pesquisas de campo e referem-se aos insumos colocados na propriedade do agricultor. Em seguida. corrigindo-os pelo mesmo índice. baseando-se nas expectativas de preços de mercado para o grão. de maneira a testar sua compatibilidade com a tendência histórica real2. Posteriormente. os preços reais das sementes são ponderados pelo calendário de plantio dos principais estados produtores. os preços nominais pagos pelos produtores na safra anterior. que se recorra a um critério específico.1. obtendo-se. padrão a todas as culturas. então. Operador: o salário do operador de máquinas é contemplado diretamente no cálculo do custo de hora/máquina (item 3. Estes preços pesquisados são comparados com a série histórica.). através do IGP-DI.propriedade. Primeiramente. no período de comercialização dos produtos. Dessa forma. os preços reais médios pagos.

praticados por ocasião da comercialização da safra anterior. faz-se o comparativo. com o preço mínimo de sementes. obtidos através de pesquisa de campo. os preços reais médios recebidos.1. mediante o confronto das estimativas de preços previstos para a safra. quando então são considerados os preços de frete efetivamente praticados no decorrer do período de colheita. pelos preços reais médios recebidos com a venda dos grãos ou caroços (algodão). 3. Os relativos sementes/grãos ou caroço são obtidos através da divisão dos preços reais médios pagos pelas sementes. A partir daí.8. 16 . também em valores de junho. Nos custos estimados. Quando do cálculo do custo final. CDO e Classificação São itens específicos da lavoura de arroz.percentuais de colheita mensal e pelo volume de produção obtido em cada um dos principais estados produtores. b) média dos relativos das safras anteriores e atual multiplicada pelo preço real do produto. faz-se a estimativa do preço de sementes de duas maneiras: a) relativo encontrado na safra atual multiplicado pelo preço real ponderado do produto. onde se registram as despesa de CDO – Contribuição para Defesa da Orizicultura e para classificar o produto. Finalmente.1. é feita uma nova pesquisa. de modo a testar a consistência dos preços obtidos. obtendo-se dessa forma.7. Transporte externo Refere-se às despesas realizadas com o transporte do produto da propriedade rural até a estrutura de pré-beneficiamento (limpeza e secagem) e armazenamento. 3. que ocorre na précomercialização. adota-se os preços reais de frete. no encerramento da safra. com os preços coletados na última pesquisa de campo e com os fornecidos pela Associação Brasileira dos Produtores de Sementes (ABRASEM).

.. Seção 3...7% Arroz de sequeiro..11..10...... por cultura... Limpeza..1.......11. no armazenamento de produtos de terceiros........ Despesas com PROAGRO Considera-se a taxa de participação.............. Recepção......1........ Secagem.. remunerados pela taxa SELIC........ 17 ........9.....11.... e com recursos provenientes de fontes alternativas (própria ou de terceiros) para a complementação do financiamento da lavoura...... do Manual de Crédito Rural do BACEN)..7% Milho.....3... portanto à taxa de juros preferenciais. 3........ a título de assistência técnica que o agricultor deve contratar para se beneficiar do Programa e incidem uma única vez sobre o valor total de custeio agrícola.. denominada adicional. 3...........7% Feijão.............7.............0% Arroz irrigado.... (Capítulo 7...0% Essas alíquotas são acrescidas de 2%........ Armazenamento (30 dias) São computados aqui os gastos de pré-comercialização e outras complementações necessárias à comercialização do produto......... computados a partir das respectivas épocas de liberação ou de utilização......... compreendendo os seguintes percentuais: Algodão herbáceo....1.. Juros São considerados nesta rubrica os juros incidendentes sobre os recursos necessários ao custeio da lavoura....0% Soja...7.......... A mensuração desse componente é feita a partir de estimativas de crédito que o agricultor obtém com recursos do crédito rural oficial. Esses gastos são mensurados com base nas tarifas praticadas pela CONAB...............7................4.............

3. Depreciações Consideram-se aqui as despesas referentes à depreciação dos bens materiais (imóveis. Tr .1. VR = valor residual do bem. VUa = vida útil do bem definida em anos. O método utilizado para o cálculo das depreciações foi o linear que considera a depreciação como uma função linear da idade do bem. são obtidos conforme fórmula abaixo: {[(VN − VR) / VUa]xT . VR = Valor residual do bem. Depreciação de benfeitorias: os valores da depreciação com edificações (casa e galpão). e no caso do arroz irrigado. VUh = Vida útil do bem definida em horas. onde VN = Valor do bem novo. definida como sendo o percentual de utilização deste bem em uma determinada lavoura. com depósito de combustível. máquinas e equipamentos) utilizados pelo agricultor. Ocup. ÁREA = área cultivada da lavoura. T. variando uniformemente ao longo da vida útil. 18 . a tubulação e rede elétrica.Ocup = taxa de ocupação do bem. obtido a partir da média de utilização dos tratores nesta lavoura. Depreciação de máquinas e equipamentos: para estes bens o cálculo da depreciação se dá através da seguinte fórmula: [(VN − VR) / VUh]xHs.} / AREA onde: VN = valor do bem novo.12.

500 1.24 discos Grade aradora acima 18 discos Grade niveladora .200 1.lâmina 7” Rolo compactador .500 2.500 2.500 2.6 linhas Pulverizador de barra .000 2.000 Kg Grade simples . para realizar todas as tarefas de preparo do solo à colheita em uma dada lavoura.acima 50 sacas/hora Roçadeira de arrasto Carreta Graneleira .Hs Tr = total de horas trabalhadas por hectare pelo bem.500 2.500 2.000 5.500 2.50 sacas/hora Plaina terraceadora .000 5.500 2.000 2.000 2.1 eixo 3 toneladas Grade de dentes – tapadeira INSTALAÇÕES: Galpão para máquinas e implementos Casa de alvenaria para administrador Casa de madeira para auxiliares 10 10 10 10 15 15 15 15 12 15 15 15 10 10 15 15 15 15 15 15 8 8 10 12 12 7 15 12 10 12 15 8 25 25 20 Horas 12.000 2.5 toneladas Bomba d’água .000 5.000 2.acima 15 linhas Entaipadeira .000 5.1.000 2.000 20.2 discos Trilhadeira . em uma safra. IMPLEMENTOS E INSTALAÇÕES ESPECIFICAÇÃO VIDA ÚTIL Anos MÁQUINAS: Trator Colheitadeira Retroescavadeira Motor (elétrico e diesel) IMPLEMENTOS: Arado 2 discos – terraço Arado 3 discos – hidráulico Arado 4 discos – terraço Arado 4 discos – arrasto Cultivador mecânico .000 20.200 2.6 linhas Plantadeira/adubadeira mecânica .000 2.400/1.500 1.30 discos Grade niveladora .000 5.000 2.200 2.4 toneladas Carreta com pneus .500 5.32/36 discos Plantadeira/adubadeira .500 VALOR RESIDUAL (% do valor novo) 25 25 5 5 5 5 5 5 5 5 20 20 15 19 .500 2.3 enxadas Debulhador .500 5.5/7 linhas Carreta com pneus .300 mm Distribuidor de calcário até 1.000 12.000 litros Carpideira tração animal .3 toneladas Carreta com pneus .200 Kg Semeadeira a lanço Semeadeira/adubadeira mecânica . Tabela II VIDA ÚTIL E VALOR RESIDUAL MÁQUINAS.

Estes encargos perfazem um acréscimo de 59% sobre o total pago ao trabalhador permanente. Ocup. Essas despesas correspondem. o qual foi especificado nas despesas de custeio da lavoura. Manutenção periódica de máquinas Entende-se por manutenção de máquinas ao conjunto de dispêndios necessários à conservação das mesmas.1. uma vez que as despesas com o pagamento dos salários já foram consideradas anteriormente no item 3. o produtor dispenda o correspondente a 50% do valor da máquina nova (ou 5% ao ano. já que estas não se constituem em desembolsos imediatos de recursos. Estima-se que ao longo de sua vida útil.1. a 60% dos gastos totais com manutenção.13. considerando-se a vida útil de 10 anos). INSS. com o objetivo de colocar o maquinário em condições de uso para a safra seguinte. O prêmio cobrado é uma taxa média entre todos os elementos segurados e é aplicado sobre a metade do valor total dos ativos fixos cotados ao preço atual de mercado do equipamento novo. 13º salário.1. utiliza-se a seguinte fórmula: {[((VMxQM ) xT . 3. Seguro do capital fixo Refere-se às despesas de contratação de seguro dos elementos componentes do capital fixo.14. Para as benfeitorias e instalações.1. na categoria de custos fixos são contemplados apenas os gastos de manutenção realizados após o término do ciclo produtivo da cultura.3. Encargos sociais Nesta rubrica enquadram-se as despesas com férias.1.5. em média. 3. FGTS referentes à mão-de-obra fixa.15.) / 2]xP} / A onde: 20 . devido a dificuldade de se definir a vida útil dos mesmos em horas.1. Conforme já foi comentado no item 3.

A = Área cultivada da lavoura.16. QM = Quantidade do bem.VM = Valor do bem novo. para realizar todas as tarefas do preparo do solo à colheita em dada lavoura. Para as máquinas e implementos. Remuneração Esperada Sobre o Capital Fixo É a remuneração atribuída ao montante de capital fixo (benfeitorias. para tanto. T. P = Taxa de prêmio. Ocup. P = Taxa de prêmio. utiliza-se a seguinte fórmula: {[((VMxQM ) / 2)/CAT ]xHs. instalações. Tr}xP onde: VM = Valor do bem novo. Considera-se. definida como a razão entre a vida útil do bem em horas e a vida útil do bem em anos. definida como sendo o percentual de utilização deste bem em uma dada lavoura. qual seria a remuneração percebida pelo capital empatado em ativos fixos na produção. No presente caso. utiliza-se a taxa média real de 6% ao ano (remuneração paga às aplicações em caderneta de poupança). como 21 . CAT = Capacidade anual de trabalho do bem em horas. máquinas e equipamentos) empregado na produção. QM = Quantidade do bem. em seu melhor uso alternativo. Ts. em uma safra. = Taxa de ocupação do bem. Hs.1. = Total de horas trabalhadas por hectare pelo bem. 3.

Esta taxa de juros é aplicada sobre a metade do valor total dos ativos fixos cotados ao preço atual de mercado do equipamento novo. em uma safra.}xJ onde: VM = Valor do bem novo. definida como sendo percentual de utilização deste bem em uma dada lavoura. T. QM = Quantidade do bem.) / 2]xJ} / A onde: VM = Valor do bem novo. utiliza-se a seguinte fórmula: ([ ((VMxQM )xT .representativa do custo de oportunidade do capital fixo empregado no processo de produção agrícola. Para as benfeitorias e instalações. 22 . = Total de horas trabalhadas por hectare pelo bem. J = Taxa de remuneração. em uma dada lavoura. A = Área cultivada da lavoura. Tr. QM = Quantidade do bem. para realizar todas as tarefas. Tr. J = Taxa de remuneração. = Taxa de ocupação do bem. CAT = Capacidade anual de trabalho do bem em horas. Ocup. Hs. Ocup. Para máquinas e implementos. definida como a razão entre a vida útil do bem em horas e a vida útil do bem em anos. a fórmula utilizada é a seguinte: {[((VMxQM ) / 2) / CAT ]xHs. devido a dificuldade de se definir a vida útil dos mesmos em horas. do preparo do solo à colheita.

23 . Para efeito de cálculo do custo. considerado por cultura. Remuneração do fator terra O valor da terra é obtido através de informações coletadas nas reuniões e de pesquisas sistemáticas.3. e utilizando-se esta informação como fator de ponderação. Assim. estima-se que a taxa de remuneração da terra é de 3% sobre o preço real médio histórico de venda da terra. seleciona-se os principais estados produtores de cada cultura com base em dados recentes de área cultivada. obtém-se o preço real médio da terra por cultura.1.17.