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CORPO LIVRE, MENTE ESCRAVA

Éder Silvério 13/Maio/2009 ESCRAVO, adj. e s.m. Diz-se do que vive em absoluta sujeição a um senhor; cativo; que ou aquele que está dominado por alguma paixão ou por qualquer força moral; enamorado (do lat. sclavu).

A escravidão é registrada como sendo uma prática comum desde os primódios da humanidade e no Brasil foi abolida na segunda metade do século XIX pela Lei Áurea (13 de maio de 1888). Entretanto, não raro as vezes em que se é noticiado a exploração de pessoas, geralmente pouco instruídas, sendo submetidas a regime de trabalho escravo ou semi-escravidão. Por ser considerada abusiva e execrável em todos os seus aspectos, a escravidão é considerada um crime contra os direitos humanos ( Art. 1º Declaração Universal dos Direitos Humanos) Entende-se que todo ser humano é livre por natureza e qualquer imposição que fere essa liberdade não deve ser tolerada. Existe um outro tipo de escravidão que tem chamado a atenção (de poucos) nos últimos tempos, a ESCRAVIDÃO DA MENTE. Vamos examinhar o texto sagrado em 1 Coríntios 7.23: “ Por preço fostes comprados; não vos torneis escravos de homens”. Não é preciso ser um estudioso da Bíblia para saber que o “preço” que se refere o texto foi o martírio do Senhor Jesus que “comprou” (resgatou) a nossa alma da morte e nos concedeu a liberdade que a Lei de Moisés (Torá ou Pentateuco) não proporcionava. A esse resgate + liberdade denominamos GRAÇA. O apóstolo Paulo enviou aquela carta à igreja de Corinto porque nela, assim como nas outras, havia pessoas oriundas de diferentes classes, posições sociais e religiosas (judeus, gentios, gregos, escravos, etc.), por isso, havia discussões, algumas irrelevantes, e até imposições sobre como deveria ser o procedimento cristão (a circuncisão, por exemplo, era uma dessas discussões) – Leia Gálatas 2.1-10. Os homens que exigiam total observância da Lei de Moisés e fixavam duras condições para uma vida plena com Deus eram os escribas e fariseus, tão criticados pelo Senhor Jesus (Mt 23.1-36). Por isso o Espírito Santo, através de Paulo, disse: “...não vos torneis escravos de homens”. Usar uma ignorância e/ou fragilidade das pessoas para escravizá-las mentalmente é uma prática comum no mundo em que vivemos, pois o mesmo jaz no maligno (1Jo 5.19), até o início do século XVI, por exemplo, a Igreja Católica Apostólica Romana afirmava que somente a Bíblia em latim poderia ser usada e considerava como sendo heresia, textos da Escritura em qualquer outro idioma e ainda: Somente o papa tinha autoridade “divina” para interpretar a Bíblia! Seria uma forma de impedir que os fiéis tivessem acesso às palavras reveladoras nela contida? Medo de descobrirem que as afirmações da igreja romana sobre a venda de indulgência e purgatório não tinham findamento bíblico, destruindo assim um negócio altamente lucrativo? Exemplos como este são encontrados extravasando na história. É um verdadeiro infortúnio testemunhar que hoje, grande parte dos cistãos tem sido escravizada mentalmente até por aqueles que deveriam instruí-las na palavra de Deus! (leia o cap. 2 de 2Pe). A falta de conhecimento e intimidade com as Escrituras é a característica de muitos cristãos de hoje e tem sido usadas como arma contra si próprias, porque outros, também dotados desta característica, porém com títulos que as colocam num grau superior, usam versículos isolados da Palavra, manipulando e moldando-as conforme a sua conveniência. Vejamos um exemplo: Se eu disser que em 1Samuel 14.24 diz “Maldito o homem que comer pão antes de anoitecer” eu não estaria pecando pela mentira, porque realmente está escrito, mas pecaria pela omissão e manipulação, porque o texto mencionado foi simplesmente um voto que o rei Saul e o povo fizeram durante uma guerra contra ao filisteus. Esses cristãos “mentalmente escravizados” são comparáveis aos filhotes das aves em seus ninhos, totalmente dependentes da comida que a mãe come, depois regurgita na boca dos passarinhos que são obrigados a engolir ou morrem de fome. São obrigados a aceitar “o outro evangelho” que Paulo mencionou (2Co 11.4 e Gl 1.6-9). O verdadeiro Evangelho de Jesus é fundamentado na justiça e na comunhão com Deus e a Sua Vontade (Palavra), desta forma Ele conhece os que lhe pertencem (2Tm 2.19) e essa vontade nunca é imposta, mas sim oferecida. CONCLUSÃO Devemos tomar como exemplo os homens da cidade de Beréia que, ouvindo de Paulo e Silas o Evangelho, examinaram as Escrituras todos os dias para confirmar se suas pregações eram verdade. A Bíblia deixa claro que aqueles homens eram nobres, ou seja, instruídos, e não se deixariam levar por qualquer palavra ou doutrina, “com isso, muitos deles creram, mulheres gregas de alta posição e não poucos homens.” (Atos 17.12). Portanto, leia e releia a Bíblia sempre que possível, não com versículos isolados, para não cair em armadilhas, mas livros inteiros (os evangelhos, atos dos apóstolos, cartas paulinas, etc.). Gozemos da nossa liberdade em Cristo sem pretexto para a malícia (1Pe 2.16), Deus se agrada da sinceridade (1Cr 29.17) e vendo em nós um desejo profundo e sincero de conhecer a verdade, Ele nos a revelará. Esta é a chave que abre as algemas da escravidão mental e muda o estado que se encontram muitas igrejas hoje: a de Senzala Espiritual. “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão.”
(Gálatas 5.1)