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Cidades, Informação e Cultura Urbana Palavras-chave: arquitetura, urbanismo, design de interação; design de informação, complexidade. Prof.

Nelson Urssi

A cidade em que vivemos hoje tem sido alterada pelas novas mídias e o acesso irrestrito ao conhecimento, camadas informacionais sobre o espaço urbano tem ampliado as experiências que dão forma e textura às rotinas diárias. O domínio crescente do fator digital sobre as formas físicas, prenuncia novos espaços: chamados emergentes, híbridos, inteligentes ou invisíveis (IBM, 2010; JOHNSON, 2003; LEMOS, 2007; MITCHELL, 1995; 2002; McCULLOUGH, 2004).

As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) incorporadas às coisas e aos espaços apontam para uma nova configuração de nossas cidades. O impacto das redes sem fio e das tecnologias móveis na estrutura física das cidades permite novas formas de inserção, consulta e análise informacional de acesso multimodal (LEMOS, 2007). É um novo contexto urbano advindo da evolução das telecomunicações, a apropriação do espaço urbano alterado pelas TICs georeferenciadas possibilitam novos e complexos níveis de interação (VASSÃO, 2008) e a necessidade de ferramentas para o projeto e a representação desta grande massa informacional.

O que as TICs significam para a cultura urbana, que impacto isso tem sobre como moldamos nossas identidades e convivemos nas cidades? No estado latente da vida urbana, em um mundo onde a computação é presente em vários aspectos, os espaços são utilizados em seus diferentes níveis (MITCHELL, 1995; 2002; McCULLOUGH, 2004; VASSÃO, 2008) fato que produziu, nestes últimos anos, uma riqueza de informação sem precedentes pelo desenvolvimento de redes telemáticas e digitais. Na condição de cidades

redes de telecomunicações e aplicativos georeferenciados. as perspectivas do design de interação2 e o design de informação como mediação e interação dos processos comunicacionais3 . A variedade de dispositivos e de sensores portáteis (mobiles). quando a capacidade de processamento destas informações é incorporada e acessada ao longo de sua infraestrutura construída. analisado e propicie uma nova abordagem de uso e da cultura urbana. Pesquisa em processo – biênio 2012-2013 no Centro Universitário Senac. 1 Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) Aplicadas ao Design: Interfaces [Corpo. Cidade]. permite que o constante fluxo de dados seja criado. Objeto. 2002). fluxos e diagramas]. Subprojeto (Urssi): Estudo da ecologia de interação digital no espaço urbano.globais (CASTELLS. .como lugares de diálogo e exploração informacional. o entendimento e a reflexão dos processos de projeto e representação do conhecimento georeferenciado entre indivíduos e ambiente urbano. cidadania. 2010). 3 Complexidade Informacional: o design de informação como mediação e interação em processos comunicativos [redes. limites de uso e interação . 2011). 2010. sensíveis (MIT. Subprojeto (Urssi): Estudo dos sistemas de informação digitais em ambientes arquitetônicos e no espaço urbano. Pesquisa desenvolvida no biênio 2010-2011 no Centro Universitário Senac. Subprojeto (Urssi): Desenvolvimento e análise de tecnologias de informação e comunicação (TIC) aplicadas ao projeto do espaço. As cidades tornam-se inteligentes (IBM. colocando-nos questões sobre sua ambiência . 2002). Para arquitetos. para o estudo da ambiência urbana. segurança. 1995. MITCHELL. Pesquisa em processo – biênio 2012-2013 no Centro Universitário Senac.privacidade. geolocalizadores (GPS). as cidades contemporâneas são operadas simultaneamente em ambientes físicos e digitais como espaços híbridos (MITCHELL. urbanistas e designers esse acúmulo de vestígios digitais é fonte valiosa de informação.em novas margens informacionais. A aplicação destas investigações tecnológicas no espaço urbano promoverá a compreensão.1999). ou sencientes (SHEPARD. que captura o pulso cotidiano da cidade em um nível de detalhamento do espaço e do tempo. mapas. Ambiente. Nossas pesquisas tem aprofundado as investigações sobre as novas concepções da arquitetura e das cidades ao longo dos últimos anos . 2 Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação sob a perspectiva do Design de Interação Grupo de Pesquisa: Gestão e Tecnologia.como desenhamos as interfaces1. participação.

MAU. pela geolocalização e geoanotações (LEMOS. como um complexo tecido sócio-tecno-espacial. além de suas características geográficas. georeferenciados e ubíquos com o espaço urbano assumiu funções denominadas mídias locativas. vigilância. informação e tecnologia.talvez mais do que nunca. não funcionarão da mesma maneira que os grandes locais públicos do passado. geoprocessamento (GIS). ambiente urbano. enviando. da mas íntima até a global. Dessa forma. utilizando suas estruturas tecnológicas. coletando e processando dados a partir de uma relação estreita entre informação digital. tornando-o lugar de excelência para a exploração de novas dimensões humanas. A relação dos dispositivos móveis. THACKARA. 2007). anotações ou jogos. 2007) Hoje podemos ter uma cidade que funciona como um sistema de controle em tempo real (MIT. cidades tem apresentado o impacto das TICs em sua infraestrutura fazendonos repensar alguns os conceitos fundamentais pelos quais entendemos e valorizamos a cultura urbana. mapeamento. os lugares/objetos passam a dialogar com dispositivos informacionais. assim interagir. As mídias locativas são utilizadas para agregar conteúdo digital a uma localidade. p. (LEMOS.O modo como descrevemos e compreendemos nossas cidades foi transformado juntamente com o conhecimento e com as ferramentas que usamos para projetá-las (BECKMANN. O desafio é definir o projeto que se quer para o futuro de nossas cidades: uma relação complexa entre indivíduos. E. localização.” (MITCHELL. BASTOS. servindo para funções de monitoramento. . 2002. de forma significativa. pelo mapeamento. Mas não serão sempre locais físicos.154-155) Pelo mundo. 2005). mesmo onde pareçam familiares. 1998. MINELLI. semânticas e culturais (ARANTES in BAMBOZZI. 2010). “O século XXI ainda precisará de ágoras . caracterizadas pela realidade aumentada móvel. A cidade e seus indivíduos podem. As questões que se apresentam são continuamente ampliadas à medida que avançamos na compreensão da urbe contemporânea. 2005. localização e artefatos digitais móveis. Elas existirão em inúmeras escalas.

Rodrigo. 2007. A aplicação destas investigações ao espaço urbano compreende. 2003. Este ambiente como lugar de uso. intensifica o movimento para que concebamos e exploremos diversos e possíveis futuros. Introdução a uma Antropologia da Supermodernidade. . suporte de informação e interface do cotidiano (DE WALL in SHEPARD. The Virtual Dimension. Vida líquida. Representation. 2008). 2000). A possibilidade de criação e compartilhamento de dados complexos no espaço urbano.a relação do espaço urbano com dispositivos conectados a redes telemáticas e aplicativos georeferenciados manipulados pelo cidadão (DIMANTAS. São Paulo: Conrad Editora do Brasil. Esta Nova Urbanidade (VASSÃO. BAMBOZZI. 2010. Se entendermos o que está acontecendo com nossas cidades pela visualização de seus dados (IBM. LEMOS. etno-histórica. 2010. McCULLOUGH. o entendimento e a reflexão dos processos de projeto e representação do conhecimento georeferenciado entre indivíduos e ambiente urbano. Marc. tecnologia e espaço público: panorama crítico de arte em mídias móveis. necessidades e ideias. identifica e promove a cidade como uma ecologia de interação . poderemos encontrar oportunidades para intervir e alterar nossa comunidade (MITCHELL. VASSÃO. Mediações. Lucas. Não Lugares. and Crash Culture. 2008). Campinas: Papirus. Zygmunt. JOHNSON. Architecture. MINELLI. 2010. O que chamamos de cultura torna-se espaço transdisciplinar de experimentos que transformarão nossa percepção da realidade urbana. BASTOS. Marcus. que criam um fluxo constante de interação de nosso corpo com objetos e espaços nos diversos contextos do urbano. Zahar. 2004. 2008) é o resultado de um caleidoscópio de diversidades geográfica. Rio de Janeiro. BAUMAN. 2007: VASSÃO. 1995. 2002. 2011. John. 2007) e tivermos a possibilidade de interagir pelo compartilhamento de fatos. BECKMANN. LEMOS. 1994. sociocultural e tecnológica definida por inúmeras camadas informacionais. entre diversos agentes em uma inteligência coletiva (Levy.2010). Bibliografia AUGÉ. VASSÃO. 2008).

2007.ufba. MIT Senseable City Lab.. os negócios e a sociedade. Rockport Publishers. Cambridge: MIT Press.). 2004. Acesso18 set 2010. 1998. Espaço.3º ed. JOHNSON. Derivas: Cartografia do Ciberespaço. FERRARA. 2005. Linkania . Architecture. 2004. IBM .com/podcasts/howitworks/index.facom.pdf Acesso: 26 de setembro de 2009. . 2003. and the Future of Urban Space. cérebros. 2010. pervasive computing.São Paulo: Senac. Disponível em: www. Steven. São Paulo: Rosari. Pierre. and environmental knowing.New York: Princeton Architetural Press. Jill . 2011. Massive Change. Acesso 20 out 2010 MITCHEL. 2005.v1. Universal Principles of Design. Por uma antropologia no ciberespaço.Uma teoria de redes. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. In Leão. PRYSTHON. André. SHEPARD.facom. Digital ground: Architecture. São Paulo: Loyola . Comunicação. John. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. LIDWELL. LEVY. Lúcia (org. Emergência: a vida integrada de formigas. Sentient City: Ubiquitous Computing.ibm. LEMOS. A sociedade em rede. Arquitetura Livre: Complexidade.br/ciberpesquisa/andrelemos/cibermob. CASTELLS. _____________. Comunicação e práticas sociais no espaço urbano: as características dos Dispositivos Híbridos Móveis de Conexão Multirredes. 2008. ______________. London: Phaidon Press Limited. São Paulo: Senac.THE INTELLIGENT UTILITY NETWORK. Caio Adorno. Metadesign e Ciência Nômade. DIMANTAS.mit. Massaschussets: MIT Press. Lucrécia. M. 2002. City of Bits. Manuel.shtml. A inteligência coletiva. BUTLER. Cambridge: MIT Press. São Paulo: Annablume/Senac. Cambridge: The MIT Press. 1995. Lev.1999. A era da informação: economia. 2000. Disponível em: <http://www. São Paulo: Annablume. Design em espaços. VASSÃO. McCULLOUGH. LEONARD. Porto Alegre: Editora Sulina. Hernani. In the Bubble: designing complex systems. MANOVICH.edu/. Kritina. MAU. Cibercultura e Mobilidade: a Era da Conexão. São Paulo: Paz e Terra . HOLDEN. Disponível em: http://senseable. sociedade e cultura. Mark.) Imagens da cidade: Espaços urbanos na comunicação e cultura contemporâneas. Acesso: 30 de setembro de 2009. A galáxia da internet. (org. cidades e softwares.ufba. E-topia.pdf>. Reflexões sobre a internet. Angela. D’A. THACKARA. Inc. 2002.br/ciberpesquisa/andrelemos/DHMCM. ____________. _____________. 2003. The MIT Press. 2002.Jennifer e The Institute without Boundaries. . Cultura. The Language of New Media. Willian J. William. A vida urbana – mas não como a conhecemos. Tese de doutorado. USP 2008. Disponível em: http://www.Bruce. 2003.