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FURLAN, Mauri. “A teoria de tradução de Lutero”. 2004. In: Annete Endruschat & Axel Schönberger (orgs.).

Übersetzung und Übersetzen aus dem und ins Portugiesische. Frankfurt am Main: Domus Editoria Europaea. (p. 11-21)

A Teoria de Tradução de Lutero
Mauri Furlan, UFSC No que se refere à tradução, o Renascimento é responsável pela formação das bases da tradutologia moderna, e, não por coincidência, pela produção das primeiras reflexões de maior envergadura sobre a arte da tradução: as mudanças que então aconteceram na Europa Ocidental incluem também a concepção e prática da tradução. Estas reflexões constituem, pois, as fontes primárias para a investigação da história da tradutologia moderna e da teoria tradutológica renascentista. Entre as mais representativas daquele período histórico europeu, se encontram as reflexões tradutórias de Lutero, ao lado de outras como as de Leonardo Bruni, Luis Vives, Étienne Dolet, Fausto da Longiano e George Chapman. Da ingente obra do escritor alemão mais prolífico do século XVI, além de vários comentários em suas Tischreden, dois textos básicos expõem o pensamento de Martinho Lutero (em alemão, Martin Luther, 1483-1546) sobre a tradução: Sendbrief vom Dolmetschen (1530) e Summarien über die Psalmen und Ursache des Dolmetschens (1531). Estes textos, no entanto, apresentam não apenas sua concepção de tradução mas também alguns pontos centrais de sua teologia, ou melhor, os princípios diretores de sua tradução são oferecidos pela teologia. Tanto sua concepção lingüística como tradutológica se subordinam à sua concepção religiosa, ou, dito de outra maneira, a tradução da Bíblia só tem sentido dentro de uma perspectiva teológica (recordemos aqui os três princípios básicos da Reforma protestante: 1) a Bíblia como única regra, 2) só a fé salva, e 3) a universalidade do sacerdócio que faz com que cada homem possa e deva ler a Bíblia e interpretá-la). A „teorização‟ de Lutero sobre a tradução não se encontra de forma didática ou preceptiva em nenhum dos textos em que trata da questão; sua intenção primeira com a publicação do Sendbrief – seu principal texto sobre a tradução – não era escrever um „manual‟ sobre como traduzir, mas justificar o processo de sua tradução

em Sendbrief. como o da „justificação pela fé‟ (sola-allein). define assim a tradução: Vere transferre est per aliam linguam dictum applicare suae linguae (A verdadeira tradução é a adaptação do que foi dito numa língua estrangeira à sua própria língua). não só por haver produzido um texto realmente legível. na prática traduziu também fábulas de Esopo. Em seus escritos „tradutológicos‟. sua concepção pode estender-se a todo tipo de textos dada a universalidade e o valor de seus raciocínios. Numa de suas Tischreden (1532: II. mas talvez principalmente uma reiteração da doutrina básica do luteranismo. consuetudo…) e de estilo popular. nº 2771 a-b). perspicuitas. mas também por trabalhar sobre os originais hebraico e grego (o que é uma característica humanista). e. É interessante observar neste texto como Lutero começa a argumentação sobre sua tradução com o exemplo de sola-allein. Isso não é casual.do Novo Testamento. As diretrizes básicas de sua teoria da tradução são a hermenêutica teológica e a enunciação melhor possível do conteúdo na língua do 2 . 1980:65). nem apenas um recurso retórico e lógicoformal. dentro de um princípio de tradução lingüístico-retórico. Lutero considerava indispensável o conhecimento das línguas e literaturas da Antigüidade para a prática de uma verdadeira teologia (Bocquet. Por isso não é de estranhar que Lutero apresente sua concepção e prática da tradução não como um teórico secular o faria.1995:59). 2000:50) e para o manejo da língua alemã: suas concepções lingüístico-filosóficas e teológicas se fundamentam nos progressos filológicos do Humanismo (Wolf. e como termina sua dissertação com o mesmo exemplo. Apesar disso. porém agora dentro do princípio da hermenêutica teológica. por isso traduzia adaptando o texto à mentalidade e ao espírito dos homens de seu tempo a fim de dar a compreender as realidades históricas. A grande diferença com respeito aos seus antecessores e o revolucionário do pensamento do Reformador é a abordagem de tipo comunicativo e suas implicações lingüísticas. O Reformador concedia grande importância ao meio cultural dos destinatários. salvaguardando sempre a mensagem divina. ao mesmo tempo em que esclarece seu procedimento tradutório vai apresentando e defendendo alguns elementos fundamentais de sua teologia. Lutero trata exclusivamente da tradução de textos sagrados. não com fins estéticos mas comunicativos – a compreensibilidade do texto e o leitor –. Lutero advoga por uma tradução retórica (proprietas. E nisso também se diferencia de anteriores tradutores da Bíblia. culturais e sociais relatadas na Bíblia e próprias de uma sociedade distanciada no tempo e no espaço (Delisle/Woodsworth. mas como um homem de fé.

observa-se o predomínio de uma tradução que privilegia o texto na língua de chegada. A inclusão da palavra sola-allein na tradução da Epístola aos Romanos (3. allein durch den Glauben3.28) se justifica ao investigar o pensamento de São Paulo em todo seu conjunto.” 2 “O significado das palavras deve ser obtido a partir do conjunto da Escritura assim como do contexto de seus feitos. sem as obras da lei”. daß der Mensch gerecht wird ohne des Gesetzes Werke. mas que também admite estrangeirismos se a formulação do original expressa melhor o conteúdo da mensagem. A fé e o trabalho missionário levaram-no a buscar o máximo de compreensão dos textos portadores da mensagem divina. e de fidelidade na transmissão desta mensagem. Compreender para comunicar.receptor. e Lutero a aplicou aos escritos bíblicos. 3 . e os estudou em seus originais. é um livro histórico e deve ser investigado também enquanto literatura e língua num tempo e espaço dados. 1. simplesmente declara ter-se servido das duas: […] daß wir zu weilen die wort steiff behalten. Diz respeito não apenas a uma questão de 1 “Algumas vezes mantivemos com exatidão as palavras. A Bíblia deve explicar-se por si mesma. 1980:104). A diretriz hermenêutica teológica O Renascimento despertou para a importância da filologia na compreensão da literatura. Lutero não afirma que esta seja melhor que a ad verbum.” 3 “Consideramos que o homem é justificado sem as obras da lei. (WA 2:302. Na prática. é a tradução de Lutero de “Arbitramur enim iustificari hominem per fidem sine operibus legis”4 (da Vulgata de São Jerônimo). Embora Lutero não tivesse uma consciência materialista dos escritos sagrados. 4 “Consideramos que o homem é justificado pela fé. Ainda que sua prática tradutória e seus comentários sobre a tradução enfatizem a tradução ad sensum. apud Wolf. reconhece que […] uerbi intelligentia ex tota scriptura et circumstantia rerum gestarum petenda est. zu weilen allein den sinn gegeben haben (Luther 1955:139)1. somente pela fé”.2 A mensagem divina se esclarece quando é interpretada dentro de seu contexto. outras vezes traduzimos apenas o sentido. So halten wir nun dafür. e ainda que tenha sido escrita por inspiração divina.

E o pensamento básico que o julgava era: 5 “Não é o sentido que deve servir e seguir às palavras. de que o homem pode merecer o céu somente pela fé.124)6. No entanto. mas só podem descobri-la se puderem compreendê-la desde sua fonte e em sua fonte. […] und leider nicht allwege erreicht noch getroffen habe (Luther 1996:120. sem necessidade de obedecer aos mandamentos da Igreja católica. o conhecimento de culturas antigas e suas expressões lingüístico-culturais. sondern die wort dem sinn dienen und folgen sollen (Luther 1955:132)5. o que só é possível se falar a mesma língua do leitor. ou seja. Lutero também põe em questão o valor da Igreja católica enquanto instituição. 2. daß ich rein und klar Deutsch geben möchte. Um dos elementos fundamentais da teologia luteraniana é o da „justificação pela fé‟: só a fé salva. a tradução da Bíblia deve ser fiel e inteligível a todos.hermenêutica teológica mas também histórica e política relativa ao contexto de Lutero. Lutero quer que todos os homens descubram esta verdade de fé e de libertação. O desejo que guiava a Lutero durante a tradução era de escrever num alemão puro e claro: Ich habe mich des beflissen im Dolmetschen. e sua adaptação à cultura de chegada. dá primazia à língua de chegada: […] nicht der sinn den worten. Lutero estaria assegurando a doutrina essencial do luteranismo. mas sim as palavras ao sentido. Com apenas uma palavra. A diretriz lingüístico-retórica A necessidade de produzir uma tradução legível e intelegível implica uma prática tradutória que. A diretriz hermenêutica não é senão a interpretação dos textos bíblicos apoiada na teologia e nos instrumentais oferecidos pela filologia. ou seja. Ao acrescentar a palavra allein em sua tradução.” 4 . E porque só poucos dos mortais adquirem um domínio das línguas bíblicas. tudo isso seria muito pagão sem um dos principais requisitos do tradutor: ter fé. salvaguardando a mensagem.

1994:130)9. e refletir: como falaria um homem alemão neste caso? Quando tiver encontrado as palavras alemãs adequadas. wie redet der Deutsche man inn solchem fall? Wenn er nu die Deutsche wort hat. wenn er den Ebreischen man verstehet. er verwendet Ellipsen und Modalpartikel. daß er den sinn fasse und denke also: Lieber. Os requisitos básicos para o domínio da língua alemã são: a) reconhecer o que é o bom alemão (“Das heißt gutes Deutsch geredet” 11). a medida é o homem comum (“so redet die Mutter im Haus und der gemeine Mann”12). b) possuir um amplo vocabulário (“großen Vorrat von Wort haben”13). […] e infelizmente nem sempre pude consegui-lo nem encontrá-lo. so lasse er die Ebreischen wort faren und sprech freh den sinn eraus auffs beste Deutsch. 10 “Quem quer falar alemão não deve seguir a estrutura lingüística do hebreu. utiliza elipses e partículas modais. 9 “[…] prefere a expressão verbal à declaração nominal. die hiezu dienen. sondern muß darauff sehen. Também no que se refere a elementos dialógicos e na pontuação como estruturação lingüística se reconhece o modelo da comunicação oral”. se permite liberdades na ordem das palavras e na seqüência dos elementos sintáticos. Auch im Rückgriff auf dialogische Elemente und in der Interpunktion als Sprechgliederung ist das Leitbild der mündlichen Kommunikation zu erkennen (Wolff.” 11 “Isto significa falar em bom alemão”. uma língua vigorosa. deve libertar-se das palavras hebréias e expressar livremente o sentido no melhor alemão de que for capaz. Para escrever num “reinen und klaren Deutsch” é necessário ter como medida a língua falada do povo: “so redet die Mutter im Haus und der gemeine Mann” 8. direta e plástica.” 8 “A mãe de família e o homem comum falam assim”.Ist das Deutsch geredet? Welcher Deutsche verstehet solches? Was ist aber das für Deutsch? Wo redet der deutsch Mann so? Der deutsche Mann redet so (1996:124)7 . mas cuidar de entender o homem hebreu para captar o sentido. er erlaubt sich Freiheiten in Wortstellung und Satzgliedfolgen. Lutero […] bevorzugt den verbalen Ausdruck statt der nominalen Aussage. der muß nicht den Ebreischen wort weise füren.” 7 “Isso é falar em alemão? Que alemão entende algo assim? Que alemão é esse? Onde fala assim o homem alemão? Um alemão diria assim. Traduzir em bom alemão supõe primeiramente a compreensão (filológica) do original e o domínio (retórico) da língua alemã: Wer Deutsch reden will. so er kan (1955:133)10. 6 “Ao traduzir me esforcei em escrever um alemão puro e claro. 5 .

não foi apenas de tipo livre. me detive cuidadosamente nela. ceder espaço à língua hebraica onde ela pode fazê-lo melhor que nosso alemão. wo es etwa drauf ankam. de modo que quando parecia necessário mantive a literalidade e não me afastei tão livremente dela. denn unser Deutsche thun kan (Luther 1955:135)18. 12 13 “A mãe de família e o homem comum falam assim”: “Dispor de uma grande provisão de palavras”. gewonen und also der Ebreischen sprachen raum lassen. temos que conservar tais palavras. na prática se revela muito distinto.” 6 . so daß. por tanto. mas também literal: Doch hab ich wiederum nicht allzu frei die Buchstaben lassen fahren. 14 “Quando uma [palavra] não soa bem em nenhum lugar”. Acima da boa produção textual na língua de chegada está a mensagem contida no original. deve-se sacrificar o estilo e calcar o original: Wiedderumb haben wir zu weilen auch stracks den worten nach gedolmetscht (Luther 1955:134)16. segundo ele mesmo. sondern mit großer Sorgfalt samt meinen Gehilfen darauf gesehen. daß an den selben worten etwas gelegen ist (Luther 1955:134)17. em honra de tal doutrina e para consolo de nossa consciência.c) possuir ouvido (“wenn eins [ein Wort] nirgendwo klingen will”14). junto a meus ajudantes. 15 “E por outra parte não prescindi da letra com excessiva liberdade.” 18 “Por isso.” 17 “Porque nas palavras mesmas existe algo mais. incorporá-las e. Se por un lado este procedimento literalista de Lutero recorda a posição jeronimiana de respeito à ordem das palavras. traduzimos às vezes exatamente conforme as palavras. mas. da hab ich‟s nach den Buchstaben behalten und bin nicht so frei davon abgewichen (Luther 1996:128)15. wo sie es besser macht. Em nome da fidelidade ao pensamento do original: Darumb. e se a mensagem não se sustém mesmo no melhor estilo da língua de chegada. E pela fé: Darumb müssen wir zu ehren solcher lere und zu trost unsers gewissens solche wort behalten. A tradução de Lutero.” 16 “Por outro lado.

habilidoso. no uso da filologia e no trabalho sobre os originais a traduzir (diretriz hermenêutica teológica). Por isso penso que nenhum falso cristão ou espírito sectário pode traduzir fielmente. das hab ich wohl erfahren. Os requisitos do bom tradutor não se resumem somente aos de ordem técnica e intelectual mas extrapolam para o âmbito do espiritual: Es gehört dazu ein recht. Verstand19. no emprego de todos os meios estilísticos. […] Traduzir não é uma arte que qualquer um domine. exigente e para poucos: Was Dolmetschen für Kunst und Arbeit sei. gelehrt. Por isso. erfahren. furchtsam. fromm. O Reformador justifica sua tradução por argumentos lingüísticos e por reflexões teológicas. ou seja. 20 “É necessário um coração reto. cristão. 19 Isto é. 1994:132)22. piedoso. […] Es ist dolmetschen keineswegs eines jeglichen Kunst (Luther 1996:128)21.” 21 “Bem pude saber que classe de arte e trabalho é traduzir. Lutero concebia a tradução como uma arte difícil. Vernunft. Darum halt ich dafür. diligente. que é única na escolha das palavras e construção da frase. christlich. fiel.” 7 . experimentado. temeroso. Além disso é necessário prática e aptidão: Kunst. geübt Herz. aplicação. morfologia e principalmente léxico. fleißig. na fluência. Fleiß. ritmo e sonoridade da língua (Wolff. razão e inteligência. Com sua tradução da Bíblia. Podemos concluir esta breve análise da teoria da tradução de Lutero reiterando que sua inovação e importância consistem precisamente na sua característica humanista. erudito. que evoluiu nos domínios da fonética. treu. daß kein falscher Christ noch Rottengeist treulich dolmetschen könne (Luther 1996:128)20.Lutero não está preocupado com a ordem das palavras mas com a melhor transmissão do conteúdo. A concepção de tradução de Lutero e o domínio de seus requisitos unidos à sua habilidade poética contribuíram para o incremento da diversidade de recursos expressivos da língua alemã. habilidade. Lutero conseguiu produzir uma “nova prosa artística”. e na produção de um texto retórico-literário na língua de chegada (diretriz lingüístico-retórica). e de sua postura enquanto tradutor se deduzem os requisitos básicos do bom tradutor: domínio lingüístico e formação teológica.

die in Wortwahl und Satzbau. im Einsatz aller Stilmittel.” 8 . im Fluß.22 “Seine Bibelübersetzung schuf zweifellos eine “neue Kunstprosa”. Rhythmus und Klang der Sprache ohnegleichen ist.

Martin. Trad. Jean et WOODSWORTH.Bibliografia 1. Trad. S. RENER. Neylor (ed.) (1979): Arbor – ciencia. Pecador e Evangelista de Jesus Cristo. Barcelona: EUB. (1996): “Sendbrief vom Dolmetschen/Circular acerca del traducir”.) (1955): Ausgewählte deutsche Schriften. Petrópolis: Editora Vozes. de Pilar Estelrich. Antología Bilingüe. Judith (1995): Les traducteurs dans l’histoire. Tomo CII.: Illustrierte Geschichte der Deutschen Literatur. LUTHER. Grande Sinal. Stuttgart: Metzler.) (1999): La elocuencia en el Renacimiento – estudios sobre la teoría y la práctica de la retórica renacentista. Ottawa: Université. J. Literatura primária LUTHER. nº 9/10. Lafarga (ed. Anselm u. Helmut (1999): “Problemas y tendencias en la historia de la retórica alemana hasta 1500”. Madrid: Visor. 9 . Köln: Zweiburgen Verlag. in: F. WOLF. Martin (1955): “Summarien über die Psalmen und Ursachen des Dolmetschens (1532)”. (1989): Interpretatio – language and translation from Cicero to Tytler. 133-155. S. Band I.) (1983): Lutero. 151-180. GARCÍA YEBRA. Tübingen. SALZER. Max Niemeyer Verlag. DELISLE. Valentín (1979): “Lutero. de Luisa Fernanda Aguirre de Cárcer. S. Martin Luther und Thomas More”. in: Pedro Rocamora Valls (dir. Catherine (2000): L’Art de la Traduction selon Martin Luther – ou lorsque le traducteur se fait missionaire. WOLFF. Frederick M. Wilhelm (1998): “Latein und die nationalen Sprachen bei Erasmus von Rotterdam.a. Arras: Artois Presses Université. revista de espiritualidade. in: Hans Volz (Hrg. TONIN.) (1996): El Discurso sobre la Traducción en la Historia. in: Latein und Nationalsprachen in der Renaissance. Erwin (1962): Luthers deutsches Sprachschaffen. 2. RIBHEGGE. Tübingen/Basel: Francke Verlag. nº 399. 23-34. Gerhart (1994): Deutsche Sprachgeschichte – ein Studienbuch. Herbert (1980): Martin Luther – eine Einführung in germanistische LutherStudien. Berlin: Akademie Verlag. Murphy (ed. Madrid. BOCQUET. in: J. SCHANZE. Wiesbaden: Harrassowitz Verlag. Amsterdam-Atlanta: Rodopi. pensamiento y cultura. Literatura secundária ARNDT. traductor y teórico de la traducción”.