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Anais do 47º Congresso Brasileiro do Concreto CBC2005
Setembro / 2005 ISBN 85-98576-07-7 Volume XII - Projetos de Estruturas de Concreto Trabalho 47CBC0226 - p. XII72-85 © 2005 IBRACON.

ANÁLISE LINEAR COM REDISTRIBUIÇÃO E ANÁLISE PLÁSTICA DE VIGAS DE EDIFÍCIOS
LINEAR ANALYSIS WITH REDISTRIBUTION AND PLASTIC ANALYSIS OF BUILDING BEAMS
Fernando Fernandes Fontes (1); Libânio Miranda Pinheiro (2)
(1) Mestre em Engenharia de Estruturas Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo email: faocubo@yahoo.com.br (2) Professor Doutor, Departamento de Engenharia de Estruturas Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo email: libanio@sc.usp.br Departamento de Engenharia de Estruturas, Av. Trabalhador São-carlense, 400 São Carlos – SP, CEP: 13566-590, Tel: (16) 3373-9455, Brasil.

Resumo
A análise estrutural é uma das partes mais importantes no projeto de edifícios, uma vez que fornece os esforços na estrutura, permitindo as verificações de estados limites últimos e de serviço. A NBR 6118:2003 considera diferentes tipos de análise, dentre os quais a análise linear com redistribuição e a análise plástica, que permitem a redistribuição de esforços, de acordo com a dutilidade das seções críticas. Essa dutilidade está ligada à posição relativa da linha neutra, que pode ser controlada pelo uso de armadura dupla. Mostrase, neste trabalho, como realizar esses dois tipos de análise em vigas, que, dentre os elementos lineares, são os que mais sofrem os efeitos das redistribuições. Em um exemplo de viga com dois tramos simétricos, apresentam-se as vantagens de associar redistribuição dos esforços ao emprego de seção T. Mostra-se como considerar a redistribuição desejada, com posterior cálculo da armadura, que forneça a posição adequada da linha neutra e a decorrente capacidade de rotação necessária. Finalmente, comparam-se os consumos de armadura com os obtidos na análise linear de uma viga semelhante, com seção retangular. Palavras-Chave: concreto armado; análise estrutural; vigas; redistribuição; análise plástica.

Abstract
The structural analysis is one of the main parts of a building design, since it gives the stresses and the strains of the structure, and therefore allows verification of the ultimate limit states and serviceability. The Brazilian Code NBR 6118:2003, for design of concrete structures, presents different kinds of analysis, among which are the linear with redistribution and the plastic analysis. Both of them permit the moment redistribution according to the ductility of the critical sections. This ductility depends of the neutral axis relative position, that may be adjusted by the use of compression reinforcement. This paper presents how to perform these kinds of analysis for beams that, among the linear structural elements, are the most affected by the redistribution. An example of a two spans symmetrical beam is done, in order to demonstrate the advantages of associating moment redistribution with the use of a T-section. How to consider the desired redistribution is also presented, as well as the reinforcement that gives appropriate values for the neutral axis relative position, in order to reach the necessary rotation capacity. Finally, the reinforcement consumption is compared with that relative to a linear analysis of a similar beam, with rectangular section. Keywords: reinforced concrete; structural analysis; beams; redistribution; plastic analysis.

Anais do 47º Congresso Brasileiro do Concreto - CBC2005. © 2005 IBRACON.

XII.72

para regiões de maior rigidez. como no caso do cálculo dos deslocamentos. Houve um avanço do conhecimento sobre redistribuição de esforços. com a finalidade de efetuar verificações de estados limites últimos (ELU) e de serviço (ELS). dependendo da taxa de armadura. Além disso. A seguir são apresentados alguns aspectos da análise linear com redistribuição e da análise plástica. e da resposta desses elementos frente às ações. do material constituinte. seja via análise linear com redistribuição ou via análise plástica. 2. após a idealização de diversos fatores. quanto ao comportamento do material concreto armado.1 Análise linear com redistribuição Uma vez realizada a análise linear de uma estrutura. é importante conhecer os diferentes tipos de análise. linear com redistribuição e plástica. com relação ao comportamento admitido para os materiais da estrutura. A NBR 6118:2003 traz indicações acerca dessas análises mais requintadas.25 x/d para concretos com fck > 35 MPa (Equação 1) (Equação 2) Anais do 47º Congresso Brasileiro do Concreto . são muito úteis na concepção de projetos. XII. essa fissuração pode diminuir de 20 a 70% a rigidez à flexão da seção de concreto. 1 Introdução A análise de uma estrutura consiste em determinar os seus esforços solicitantes e deslocamentos. inclusive na análise estrutural. na prática de projetos. © 2005 IBRACON.75) para estruturas de nós fixos. em que se utiliza uma rigidez equivalente no cálculo das flechas. de determinadas seções transversais. bem como fornece diretrizes sobre o campo de validade e as condições especiais para aplicação de cada uma delas. a análise linear com redistribuição promove a redução de momentos fletores sobre os apoios de vigas contínuas.90) para estruturas de nós móveis.56 + 1. quando associado com análises do tipo linear. e de até 10% (δ = 0. como o comportamento das ações. e posterior correção dos momentos nos vãos (ver Figura 1). e exige que o projeto apresente conformidade com pelo menos um deles. redução de até 25% (δ = 0. e a conseqüente entrada no estádio II. A NBR 6118:2003 permite. Portanto.44 + 1. Segundo a NBR 6118:2003. como indicado nas equações 1 e 2: δ ≥ 0.CBC2005.73 . Segundo PRADO & GIONGO (1997). A fissuração. por meio de modelos matemáticos. 2 Tipos de análise estrutural A NBR 6118:2003 permite cinco tipos de análise. e sobre não-linearidades do comportamento dos materiais e das estruturas. situação que corresponde à mais usual. dependendo de x/d e de fck. A redistribuição se dá pela multiplicação dos momentos nos apoios por um coeficiente de redistribuição δ.25 x/d para concretos com fck ≤ 35 MPa δ ≥ 0. para elementos lineares. A NBR 6118:2003 trouxe inovações significativas para o projeto de estruturas de concreto. decorrente da variação de rigidez dos elementos estruturais. Em suma. pode-se proceder uma redistribuição dos esforços calculados. bem como comentários acerca dos vários tipos de análise permitidos. das ligações entre os diversos elementos em que a estrutura pode ser dividida. conceitos como o de largura colaborante das lajes junto às vigas. provoca um remanejamento dos esforços solicitantes. para considerar a fissuração do concreto. principalmente os que permitem o cálculo analítico. e o respectivo aumento dos momentos nos vãos. o objetivo da análise estrutural é determinar os efeitos das ações em uma estrutura..

e com isso aumentar a capacidade de carga da viga. A NBR 6118:2003 prescreve ainda que não é desejável que haja redistribuição de esforços em serviço. em vigas com a largura da mesa em torno de três vezes a largura da alma. Com bons ajustes de momentos máximos. material mais dúctil que o concreto. LEONHARDT & MÖNNIG (1979) mostram que é possível reduzir em até 50% os momentos nos apoios. nos apoios e nas regiões de ligação entre elementos estruturais lineares. já que nos vãos a área de concreto comprimido é maior. © 2005 IBRACON.50 para concretos com fck ≤ 35 MPa x/d ≤ 0. a redistribuição de esforços só deve ser feita se ela for conseqüência de redistribuições em vigas ligadas a eles. PARK & PAULAY (1975) citam. As principais teorias envolvidas em projetos. e a teoria das charneiras plásticas.74 . mesmo que não sejam realizadas redistribuições de esforços solicitantes.Redistribuição de momentos fletores em viga contínua Quanto menor o valor de x/d calculado no ELU. uma vez que essas peças comprimidas não apresentam grande dutilidade. pois conta com a mesa da seção T. para as diferentes situações de carregamento acidental (envoltória). e mais o aço. p M' M2 M1 M2 δ. e que as verificações de estados limites de serviço podem ser baseadas na análise linear. quanto maior a relação entre a ação variável e a permanente.M' M2c M1c M2c Figura 1 . para elementos lineares. o efeito da redistribuição é ainda mais benéfico. são a teoria das rótulas plásticas. menor a área de concreto comprimido. e a possibilidade de reduzir os picos do diagrama de momentos fletores.2 Análise plástica A propriedade do material de guardar deformações residuais é chamada de plasticidade.CBC2005.. passa a ser o limitante da resistência da seção. aos seguintes valores: x/d ≤ 0. 2. maior a economia de armadura. A NBR 6118:2003 limita o valor de x/d. o fato do projetista poder selecionar distribuições de momentos que evitem congestionamentos de armadura nos apoios. No caso de vigas T. para elementos de superfície que trabalhem como placas. que permitem que elementos estruturais sofram certas deformações permanentes. Anais do 47º Congresso Brasileiro do Concreto . como vantagens da redistribuição de momentos.40 para concretos com fck > 35 MPa (Equação 3) (Equação 4) Em pilares. consolos e elementos lineares com preponderância de compressão. XII.

é necessária a verificação da capacidade de rotação. A partir dessas considerações. A NBR 6118:2003 traz a consideração de que. por exemplo.3 0. como no aço. em torno dos pontos de momento máximo. A rotação necessária de uma rótula plástica pode ser quantificada pela diferença entre a sua rotação total no colapso e aquela que dá início à sua plastificação.Capacidade de rotação de rótulas plásticas (Adaptada da NBR 6118:2003) A plastificação em concreto armado se dá pelo escoamento da armadura. elevando a linha neutra e aumentando o braço de alavanca obtido em regime elástico.15 Figura 2 .35% d/x p/ x/d ≥ 0.75 . A mínima carga capaz de provocar na estrutura um escoamento sem contenção. No entanto. ser aproximado para duas retas.CBC2005. MORETTO (1970) observa que o diagrama momento curvatura do concreto armado pode. simplificadamente. XII. visto que. para a ocorrência de um tal número de rótulas plásticas. em um sistema hipostático. Esse efeito restringe-se a um comprimento de plastificação. é fornecido um gráfico (ver Figura 2) de capacidade de rotação da rótula plástica. θpl. dando origem a articulações. Mp.2 0.5 x/d Curva 1: θpl = 0.. um ou mais pontos críticos de momento máximo poderão entrar em escoamento. existe uma reserva de capacidade resistente. Ao se aumentar continuamente o carregamento de uma viga. o momento de plastificação pode ser considerado como aquele que provoca o aparecimento do estado limite último (εc = -0. o momento resistente permanece praticamente constante até a ruptura.1 0. que torne a estrutura. Por ser um material de natureza frágil. é necessária a formação de mais de uma rótula plástica. nos quais o momento fletor não aumenta mais e passa a ser chamado de momento totalmente plástico.4 0. ou parte dela. pois o aumento do braço de alavanca apenas compensa a diminuição da zona de concreto comprimido. Anais do 47º Congresso Brasileiro do Concreto . geralmente. deve-se multiplicar os valores extraídos do gráfico por (a / d) / 6 . No caso do concreto armado. Em função desse parâmetro. dá origem a um mecanismo de colapso. θpl(x10 -3) 30 20 10 0 aço CA-60 (curva 1) demais aços (curva 2) 2 1 0. Para outras relações a/d. que pode ter o seu valor de duas a três vezes superior àquele calculado elasticamente. e é chamada de carga limite. ou rótulas plásticas. com o momento de plastificação igual ao momento último.2% d/x p/ x/d ≥ 0. A rótula plástica é caracterizada por um aumento plástico da curvatura. para que se forme um mecanismo de colapso. da região que contém a seção plastificada). © 2005 IBRACON. quanto menor for a posição relativa da linha neutra x/d. ou responsável pela formação de um determinado número de rótulas plásticas. Esse gráfico é válido para uma relação a/d igual a 6 (a é a distância entre pontos de momento nulo. até que se forme um mecanismo de colapso.35% ou εs = 1%). Em estruturas hiperestáticas.17 Curva 2: θpl = 0. A rotação necessária à rótula plástica deve ser menor ou igual à capacidade de rotação dada pela Norma. maior a capacidade de rotação do elemento estrutural.

em que o momento positivo é máximo.Tipos de análise estrutural e suas aplicações Análise Verificação Linear ELU* e ELS Linear com Redistribuição ELU Plástica ELU Não-Linear ELU e ELS Através de Modelos Físicos ELU e ELS * se garantida a dutilidade dos elementos estruturais Não ocorrem plastificações para o carregamento de serviço. O cobrimento é de 2. a armadura a ser considerada nessas verificações é aquela encontrada para ELU. com a transferência para os vãos. Considera-se que a viga V2 está localizada em ambiente interno (Classe de Agressividade Ambiental I para ambientes urbanos). com concreto C25. Nota-se que o cálculo plástico tem boa aplicabilidade nas estruturas simples de elementos lineares.28kN/m e q = 31. foi inicialmente admitida igual a 4cm. Considerou-se na laje uma carga de uso de 2. em que g = 72. e indica a que verificação se destina cada um deles. Na Figura 4 tem-se o esquema estático para a viga V2.80m e alvenaria sobre as vigas com 2.4(g+q). desde que as rótulas plásticas apresentem as devidas capacidades de rotação plástica. do centro de gravidade da armadura longitudinal à borda mais próxima. em que se conhece previamente a posição preferencial de formação das rótulas plásticas (essa posição pode ser imposta pela disposição da armadura).70kN/m. A Tabela 1 mostra os vários tipos de análise estrutural.5kN/m² de parede pronta. só deve ser realizada se amparada pelo amplo domínio do assunto. como será visto no exemplo a seguir. A análise plástica de estruturas reticuladas não é permitida quando se consideram os efeitos de segunda ordem globais. © 2005 IBRACON. Será analisada a viga V2 do pavimento da Figura 3. Todavia. preocupa-se com o estado limite último e não se conhece o comportamento em serviço. para verificar o ELS-DEF e o ELS-W. com análise linear e seção T.3 Comentários Deve-se ter em mente que cada estrutura merece um estudo individual. e com análise plástica e seção T. participa de uma estrutura de nós fixos. respectivamente. tomando-se sempre precauções quanto à segurança. aço CA-50 para a armadura longitudinal e CA-60 para a armadura transversal. à qual se deve aplicar as teorias que mais lhe convierem para a sua resolução. As seções 4 e 5 são as do primeiro e do segundo vão. Na análise plástica. de parte dos momentos localizados nos apoios. com análise linear com redistribuição e seção T. Portanto. quanto aos estados limites. com análise linear e seção retangular. com as análises supracitadas. a seção T é melhor aproveitada e proporciona uma economia de armadura. A redistribuição de esforços pode ser feita com maior intensidade que na análise linear com redistribuição. pédireito de 2.0kN/m² e revestimento de 1. devem ser utilizados outros tipos de análise que não sejam a linear com redistribuição e a plástica. A verificação de ELS deve ser efetuada com uma análise linear ou não-linear. A utilização de uma análise plástica. uma vez que. XII. Anais do 47º Congresso Brasileiro do Concreto . 2. permitidos pela NBR 6118:2003.CBC2005.0kN/m². Buscas por análises mais realistas devem estar sempre presentes nos projetos estruturais..76 . Tabela 1 .5cm e a distância d’. 3 Exemplo de viga Há um especial interesse na combinação de seções T em vigas com a redistribuição de momentos. no qual será analisada somente a combinação última de carregamentos 1. ou linear com redistribuição.

V1 25 x 80 P1 30x50 P2 30x50 P3 30x50 V4 25 x 80 V5 25 x 50 P4 30x50 P5 30x50 50 450 25 450 50 Figura 3 . será utilizada armadura dupla. ks2 e k’s.68 fcd ks = 1 x⎛ x⎞ ⎜1 .57kN/m 1 500cm 2 Figura 4 .0.CBC2005.4(g+q) = 145. © 2005 IBRACON. k clim = 0. a fim de diminuir a distância da linha neutra.4 ⎟ fyd d⎠ ⎝ (Equação 6) Anais do 47º Congresso Brasileiro do Concreto .Pavimento ao qual pertence a viga V2 1. caso a armadura simples não seja suficiente para se ter o valor de x/d necessário..77 .4 ⎟ d⎝ d⎠ 1 (Equação 5) x⎞ ⎛ ⎜1 .Esquema estático da V2 500cm 30 V3 25 x 80 470 L3 h=12 L4 h=12 V6 25 x 80 25 V2 25 x 50 470 L1 h=12 L2 h=12 30 3 Neste exemplo adota-se uma estratégia de resolução em que será imposta a redistribuição desejada e. XII.0. conforme os passos a seguir: • Define-se o valor de x/d necessário e com ele calcula-se o valor limite de kc para armadura simples (limite entre os domínios 3 e 4) e os valores de ks.

k s2 = 1 fyd (Equação 7) k' s = 1 σ' s (Equação 8) • Considera-se a armadura tracionada com tensão de escoamento fyd. Para que haja a possibilidade de redistribuição.CBC2005.010 ⎜ − ⎟ ⎝d d⎠ ⇒ ε' s = x 1− d ⎛ x d' ⎞ 0.3 ⎝ d ⎠ ⎝ d ⎠3. depende do domínio em que se encontra a seção. então.4 • Calculam-se então as parcelas do momento solicitante Md.. XII. © 2005 IBRACON.1 Análise linear . Anais do 47º Congresso Brasileiro do Concreto . cuja soma será resistida pela armadura tracionada. ⎛ x d' ⎞ 0.78 .0035 ⎜ − ⎟ ⎝d d⎠ ⇒ ε' s = x d Se (ε' s E s ) ≥ fyd ⇒ σ' s = fyd ⎛x⎞ ⎛x⎞ Se 0 ≤ ⎜ ⎟ ≤ ⎜ ⎟ ⎝ d ⎠ ⎝ d ⎠ 2. denominadas M1 e M2. com tensão σ’s: b dinf M1 = k clim 2 (Equação 9) (Equação 10) M2 = Md − M1 • As armaduras tracionada e comprimida são. o domínio deve ser o 2 ou o 3.seção retangular Para análise linear. As = k s M1 k s2 M2 + d d − d' (Equação 11) A's = k' s M2 d − d' (Equação 12) 3. os diagramas de esforços de cálculo são indicados na Figura 5 e na Figura 6. enquanto a armadura comprimida resiste à parcela M2.3 ⎛x⎞ ⎛x⎞ ⎛x⎞ Se ⎜ ⎟ ≤ ⎜ ⎟ ≤ ⎜ ⎟ ⎝ d ⎠ 2. Se (ε' s E s ) < fyd ⇒ σ' s = ε' s E s • O valor da deformação da armadura comprimida. porém a armadura comprimida pode ter uma tensão (σ’s) menor que a de escoamento. até certo valor de x/d. com tensão de escoamento. ε’s. dadas respectivamente pelas equações 11 e 12.

90 kN asw/s = 3.79cm²/m φ 6..00cm). XII.497. como prescreve a NBR 6118:2003. portanto.93 187. • ELS-W (combinação freqüente): Na seção 2 tem-se uma abertura de fissura w = 0.min = 134.cm. calculada com a inércia equivalente de Branson e a consideração simplificada da fluência. no cálculo da armadura de flexão da seção 2.inf. maior. b) Cisalhamento • Trechos de 183cm: VSd.28cm²/m φ 6.cm. • ELS-DEF (combinação quase-permanente): A flecha final.24cm²/m φ 10 c/ 9 c) Estados limites de serviço • ELS-F (combinação rara): Na seção 2 tem-se um momento de 32495 kN. x/d = 0.04 kN asw/s = 8. Portanto.m.Esforços cortantes de cálculo para a análise linear (kN) a) Flexão Ressalta-se a importância de.66 kN asw/s = 1.88kN. limitar o valor de x/d a no máximo 0.84cm² (4 φ 20). 454. x/d = 0. © 2005 IBRACON. As = 15.Momentos fletores de cálculo para a análise linear (kN.m) Figura 6 .75cm (< L/250 = 2. Anais do 47º Congresso Brasileiro do Concreto .79 . que o momento de fissuração Mr = 2805 kN.93kN. • M2d = 454.40mm).90cm2 (6 φ 25).CBC2005. para apoios.88 125cm 255.5cm 1 4 2 5 3 255. calculado com o fctk. • M4d = M5d = 255. As = 26.3 c/ 24 • Trechos de 95cm: VSd = 224.88 Figura 5 . é at = 1. A’s = 10.3 c/ 8 • Trecho de 444cm: VSd = 385.m. há a formação de fissuras.97cm2 (4 φ 25).500.500.18mm (< wlim = 0.

na Figura 5 e na Figura 6.88kN. por estar apoiada em pilares. b1V1 = 60cm b1V2 = 37. ou seja. exigidas pela Norma. indicadas na Figura 7 e nas equações 15 e 16. Portanto. XII. e com momentos em ambas as extremidades. em um dos tramos da viga.10 .2 Análise linear . 375) = 100cm (Equação 13) Considera-se a viga V1 (igual à viga V3) servindo de apoio à viga V2.seção T A definição da seção T (ver item 14. para análise linear..Seção T da viga V2 com largura colaborante da laje 12cm No dimensionamento das seções 4 e 5 tem-se: Md = 255.m. é igual a 3. 3. No caso da viga V2. no cálculo da armadura positiva nos vãos. A largura colaborante bf é dada pela Equação 13. Os diagramas de esforços solicitantes são os mesmos apresentados para a seção retangular. Portanto. pode ser qualquer um dos dois tramos.5cm V1 (b (b 1V 1 b2 = 475cm = 0.60 .2 da NBR 6118:2003) é feita para o tramo da viga que fornece a menor largura colaborante.104. As = 13.75m.375m) V2 ok ok (Equação 15) (Equação 16) Figura 7 .60m < (b2/2 = 2. já que são simétricos. 600cm. com a contribuição de maior inércia à flexão. para a viga V2. a distância “a” entre os pontos de momento nulo. e na verificação do ELS-DEF.375m < (b2/2 = 2.10 .6. x/d = 0. podem ser realizadas as demais verificações relativas à geometria. 600) = 85cm (Equação 14) Com a largura colaborante da viga V1. ela pode ter a sua distância “a” estimada por 0.375m) = 0. 100cm 50cm 25cm Figura 8 .2. b f = b w + 2 (0. Sua largura colaborante é calculada na Equação 14. tem-se a seção T da Figura 8.CBC2005.Verificações exigidas pela NBR 6118:2003 ) 1V 2 ) Dessa maneira.10 a) = 25 + 2 (0. © 2005 IBRACON.35cm2 (5 φ 20) Anais do 47º Congresso Brasileiro do Concreto .80 . que se fará notar. b f = b w + 1 (0. com maior área de contribuição de concreto comprimido.10 a) = 25 + 1 (0.

Portanto. uma seção retangular de 100cm x 50cm.5cm²/m. a linha neutra passa pela mesa da seção. há o interesse em se aproveitar ao máximo a seção T. Para tal. .44) / 1.61 110. com a redistribuição de momentos.m) 362. © 2005 IBRACON. Essa armadura de ligação deve ter no mínimo 1. Considera-se ainda.93 = 341. no cálculo.61 1 2 Vsd.250 (Equação 17) (Equação 18) Na Figura 9 tem-se o diagrama de momentos redistribuídos. pode-se manter o valor previamente calculado de bf = 100cm (a favor da segurança).44 + 1. 454.3. muda com a redistribuição. δ ≥ 0. tem-se a seção retangular de 25cm x 50cm.7 da NBR 6118:2003. é suficiente para atender às especificações de armadura de ligação mesa-alma.81 Anais do 47º Congresso Brasileiro do Concreto . δ igual a 0. o valor de x/d necessário é dado pelas equações 17 e 18. Portanto. 3.25 (x/d) x/d = (0.Esforços cortantes de cálculo para a análise linear com redistribuição (kN) XII. que a armadura de flexão das lajes vizinhas à viga V2. Nessas seções. o momento de apoio da seção 2 é bem maior que os momentos máximos nos vãos.93 203cm 0.32 247.20 2 94cm 1 3 255.32 110.5cm 185cm 409cm 185cm 247. os resultados são os mesmos da análise linear com seção retangular. que corta a mesa.CBC2005. com o momento negativo reduzido e os momentos positivos corrigidos por meio da análise dos tramos isolados.88 300. neste exemplo.75. Porém. pode-se considerar.mín 3 362. ou seja. A distância “a” entre pontos de momento nulo no tramo.75 x 454. No cálculo da armadura de flexão da seção 2 e da armadura transversal.75 .0.5cm Figura 10 . do item 18.seção T Como se pode ver no diagrama de momentos fletores da Figura 5.. e por isso será utilizada a máxima redistribuição permitida pela análise linear com redistribuição. Além disso. Os esforços cortantes também são modificados.3 Análise linear com redistribuição . para estruturas de nós fixos.25 = 0.29 Figura 9 – Momentos fletores de cálculo para a análise linear com redistribuição (kN. para o cálculo da largura bf da seção T.

250. quase-permanente (ELS-DEF) e freqüente (ELS-W). © 2005 IBRACON.77cm² (4 φ 20) b) Seção 4 = Seção 5 (100x50) Md = 300. que será atingido com a formação da primeira rótula. pois ela é a diferença entre a rotação total no colapso e rotação quando tem início a plastificação. x/d = 0.82 .m. aqui.4 Análise plástica . em que L = 5m e pd é o valor de cálculo do carregamento (145. As = 18. A’s = 10. e tendo o cuidado de conhecer em quais seções formam-se as rótulas plásticas. onde passa a ser necessária a verificação da capacidade de rotação. 3. XII. consideram-se os dois tramos biapoiados e calcula-se a rotação à esquerda e à direita da seção 2. e o seu acréscimo. As = 15. tem-se: ⎛ ∆p L3 ⎞ θ 2p = θ 2pe + θ 2pd = 2 ⎜ 2r ⎟ ⎜ 24 EI ⎟ ⎠ ⎝ (Equação 23) Anais do 47º Congresso Brasileiro do Concreto . a ação distribuída responsável pela formação da primeira rótula. Devido à primeira rótula plástica. Uma vez reduzido o valor de M2.m. para obter os seguintes momentos plásticos para as seções 4 e 5.123 (linha neutra na mesa). responsável pela formação da segunda rótula. tem-se o valor de M2p. M2p = δM2 (Equação 19) Para a viga em questão. é calculada com o acréscimo de carregamento ∆p2r. aplica-se o carregamento total pd (p1r + ∆p2r) ao longo da barra e o momento M2p junto ao apoio. para a formação do mecanismo de colapso. são dados pelas equações 20 e 21. Para ações uniformemente distribuídas. p1r = 8 M2p L2 (Equação 20) (Equação 21) ∆p2r = pd – p1r Isolando um dos tramos. sem redistribuição (ver Tabela 4).20kN.80cm2 (4 φ 25). x/d = 0.seção T A análise plástica pode ser aplicada como uma análise linear com redistribuição. Na viga em questão. apenas com uma modificação no tipo de verificação a ser feita com o valor de x/d. respectivamente. e permanecerá constante até a formação da segunda rótula.79cm2 (4 φ 25) Lembra-se.. quando se formam as segundas rótulas plásticas: M4p p L2 M2p M2p = M5p = − + 8 2 2 p L2 2 (Equação 22) A rotação necessária do apoio da seção 2.29kN. que os estados limites de serviço foram verificados com as combinações rara (ELS-F).CBC2005. será reduzido o momento do apoio da seção 2.57kN/m). a) Seção 2 (25x50) Md = 341.

que será mantida igual a 100cm.60 16.85 8.18 48.79 43.72 1.88 16.78 9.230 0.49 12. A capacidade de rotação.23 8. utilizada no cálculo da largura bf da seção T.27 336.90 319.62 16.81 17.27 39.71 94.69 0.330 0.02 16. EI depende da armadura calculada para a seção 2.83 8.00 43.Combinações de valores de x/d e δ x/d .32 1.18 0.62 97.83 .60 0. é o que garante a maior capacidade de rotação plástica.07 315.84 16.68 11.250 0.04 45.62 16.35 64.m) As (cm²) .21 1.62 51.10 300.31 15.350 0.68 0.95 48.75 0.65 0.310 0.53 100.170 0.30 -332.53 10.22 1.270 0.41 56.34 91.190 0.39 -341.92 305.22 9.17 16.86 10.210 0. Anais do 47º Congresso Brasileiro do Concreto .97 9.83 15.85 -336.73 10.89 17.65 15.50 307.98 13.63 0. para o aço CA-50.67 11.18 36.81 40.50 14.150 0.40 0.86 50.63 18.63 12.71 81.67 322. O valor de x/d igual a 0. sem que θ2p ultrapasse θp .94 -286.05 58. depende também do valor de x/d e da distância “a” entre pontos de momento nulo.12 8.45 328.24 3.80 9.79 -313. de acordo com a Figura 2. θp ..69 -304.25 1.88 8.76 -327.30 25.75 -272.76 1. Considerou-se o produto de inércia EI no estádio II.59 -295.Seção 2 M4p (kN.96 8.41 9.54 8.50 12.CBC2005.07 43.67 0.21 16.18 19.13 42.79 43.16 15.40 15.Seção 2 δ p1r (kN/m) ∆p2r (kN/m) M2p (kN.31 13.63 304. obtido para os diversos tipos de análise aqui considerados. Tabela 2 . Já a armadura depende do valor fixado de x/d e do valor de M2p.75 109.85 42.92 45.10 43.08 18.74 107.58 13. onde se têm também as diferenças em relação ao consumo relativo a seção retangular e análise linear. A altura útil da seção será mantida igual a 46cm.60 1.36 302. a partir dos quais se procura o mínimo valor possível de δ (maior redistribuição possível).54 1.89 -322. da região que contém a seção 2.37 17.150. uma vez que a inércia seria melhor representada com a consideração da contribuição do concreto entre fissuras.40 16.73 106.79 11.59 8.Seção 2 A's (cm²) .73 17.5 Consumo de aço O consumo de aço.290 0.89 43.72 104.0035 (a / d) 6 (Equação 25) A Tabela 2 traz combinações de resultados para valores pré-fixados de x/d.10 19. pode não ser o mais econômico.05 16.22 -254.Seção 4 Soma das áreas de armaduras (cm²) a (m) -3 θ 2p (x10 rad) -3 θ p (x10 rad) 0. de acordo com BUCHAIM (2001) por exemplo.52 87.81 14.23 53. No entanto.56 0.m) As (cm²) .53 18.34 8.28 311.75 17. uma vez que na iminência da plastificação a seção encontra-se fissurada.98 1. XII.16 1. a= 4 M2p pL d x (Equação 24) θ p = 0. Portanto.72 37.22 1. © 2005 IBRACON. Deve-se tomar cuidado para não confundi-la com a distância “a” entre pontos de momento nulo no tramo.44 103. Essa medida está a favor da segurança.41 9. encontrase indicado na Tabela 3.

43 1. pois continuam sendo verificadas com os esforços da combinação quase-permanente.8 5 Agradecimentos Ao CNPq.9 -25.69) Análise plástica (δ = 0.Consumo de aço Tipo de análise Análise linear Análise linear Análise linear com redistribuição (δ = 0.3 -27. pois exige uma menor área de armadura nos vãos.75) Análise plástica (δ = 0. XII.0 0 -6.24 1. trouxe uma economia considerável (12 a 15%).CBC2005. evitando assim o acúmulo de barras em uma mesma seção..7 241.9 237.2 259. No entanto.3 44. pelas bolsas de mestrado e de pesquisador.69) Análise plástica (δ = 0. © 2005 IBRACON. Já a utilização conjunta da seção T com uma análise que permita a redistribuição de momentos. a análise plástica com δ = 0. Com a redistribuição.4 27. De acordo com FONTES (2005).84 . acaba por ter maior comprimento e influencia o consumo total de aço de maneira mais incisiva. as análises linear com redistribuição e plástica têm fácil aplicação.66 1. No caso de se utilizarem modelos estruturais como pórticos planos ou espaciais. qual par de valores de x/d e de δ fornece o menor consumo de armadura.75) Seção Flecha na seção 4 Abertura de fissura Diferença (%) Diferença (%) transversal ou 5 (cm) na seção 2 (mm) Retangular T T T T 1. Alerta-se. apesar da pequena diferença. portanto. para estruturas simples como a do exemplo ora indicado.20 1. seja a análise plástica.75 apresentou um menor consumo de armadura.8 4 Conclusões Vê-se que. Somente a utilização da seção T junto à análise linear já traz uma certa economia. A análise linear com redistribuição permite menores redistribuições do que a análise plástica.24 0.69.7 -13. já que é verificada ainda com a combinação freqüente. caso a caso. e a armadura nos vãos aumenta com a transferência de momentos.7 -14.5 242. Por meio da Tabela 2.23 0 0 33. que.75) Seção transversal Retangular T T T T Consumo Diferença em relação à análise (kg) linear com seção retangular (%) 278.3 0. Tabela 4 . Tabela 3 .7 -25.Flechas e aberturas de fissura (diferenças em relação à análise linear e seção retangular) Tipo de análise Análise linear Análise linear Análise linear com redistribuição (δ = 0. as flechas passam a ser menores (ver Tabela 4). são necessários programas computacionais. restando como vantagem apenas a possibilidade de melhorar a distribuição das armaduras.2 -12. a redistribuição realizada em vigas de seção retangular pode apresentar uma irrisória economia de armadura. Anais do 47º Congresso Brasileiro do Concreto .24 0 -13. a importância da verificação da abertura de fissuras nos apoios passa a ser maior.25 e δ = 0. próxima de 7%.26 0. devido à necessidade de sua ancoragem nos apoios. vê-se que a menor área de armadura é dada para x/d = 0. Por outro lado. para a necessidade de estudar. e nesses pontos a armadura diminui.18 0. porém sua utilização é mais simples.18 0. seja a análise linear com redistribuição.75) Análise plástica (δ = 0. em relação à análise linear com seção retangular.

NBR 6118:2003. XII. São Paulo. Anais do 47º Congresso Brasileiro do Concreto . 28. Universidade de São Paulo. T. Rio de Janeiro. GIONGO. In: Jornadas Sul-Americanas de Engenharia Estrutural. Tese (Doutorado). p. 6 Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. PARK. J.F. Buenos Aires. Construções de concreto. BUCHAIM R. John Wiley & Sons. LEONHARDT. Interciência. (1979).. © 2005 IBRACON.85 . Curso de hormigón armado. E. 1555-1564. FONTES F. F. volume 4: verificação da capacidade de utilização. Universidade de São Paulo.M. (2005). Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. New York. (2001). Anais.ed. Reinforced concrete structures.CBC2005. PAULAY. (1970). 1-5 set. PRADO... Libreria “EL ATENEO”. Dissertação (Mestrado). R.A. Análise estrutural de elementos lineares segundo a NBR 6118:2003.F. MÖNNIG. Projeto de estruturas de concreto – Procedimento. J. (1975).S. A influência da não-linearidade física do concreto armado na rigidez à flexão e na capacidade de rotação plástica. MORETTO. Redistribuição de momentos fletores em vigas de edifícios.. Rio de Janeiro. Escola de Engenharia de São Carlos. 2. (1997). O. São Carlos. São Carlos.