Boletim de D.

António Barroso

Director: Amadeu Gomes de Araújo, Vice-Postulador Propriedade: Associação "Grupo dos Amigos de D. António Barroso". NIPC 508 401 852 Administração e Redacção: Rua Luís de Camões, n.º 632, Arneiro | 2775-518 Carcavelos Tlm.: 934 285 048 – E-mail: vicepostulador.antoniobarroso@gmail.com Publicação trimestral | Assinatura anual: 5,00€

III Série

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Ano I

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N.º 2

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Maio / Julho de 2011

ASSOCIAÇÃO “GRUPO DOS AMIGOS DE D. ANTÓNIO BARROSO” REORGANIZA-SE
D. António Barroso, «o bispo dos pobres», morreu com fama de santidade e o povo anónimo da cidade do Porto e da área de Barcelos, teve para com ele, desde a primeira hora, manifestações de afecto e de veneração. A partir de 1942 e 1943, com as agruras da II Guerra, alguns grupos de devotos começaram a organizar romagens periódicas ao túmulo. Surgiram então pagelas impressas e organizaram-se encontros de índole cultural. Com as celebrações do centenário, em 1954, as romagens aumentaram. Cresceram, mais ainda, no início da década de sessenta, com a guerra colonial. Estes grupos espontâneos, informalmente designados "Amigos de D. António Barroso", nunca manifestaram preocupações de legalização. A iniciativa de se constituirem em associação partiu do Dr. José Ferreira Gomes, numa romagem a Remelhe, em 13 de Setembro de 1992. No dia 18 de Dezembro deste ano, foi constituída, por escritura pública, no Porto, a Associação "Grupo dos Amigos de D. António Barroso", que foi submetida à aprovação da autoridade eclesiástica. Tinha como objectivo «divulgar e promover o conhecimento da personalidade, das virtudes e da fama de santidade do seu patrono», contribuindo cada associado com uma quota (então fixada em cem escudos mensais), para as despesas do processo de canonização. A primeira assembleia geral da Associação realizou-se em 25 de Janeiro de 1997, no Porto, e a segunda e última, reuniu-se no mesmo local, em 26 de Junho de 2004. Sete anos se passaram. É importante e urgente voltar a reunir. A próxima assembleia está marcada para 17 de Setembro. Convocatória na última página. A. Gomes de Araújo

D. ANTÓNIO BARROSO NA MEMÓRIA DO PORTO
Sem memória não existimos, escreveu José Cardoso Pires. O Porto cidade e o Porto diocese têm memória e não esquecem os seus. Conservam um registo alargado de pessoas e de acontecimentos que são permanentemente lembrados. As comemorações dos Cinco Séculos de Evangelização e Encontro de Culturas chamaram a atenção de muitos para a figura ímpar de D. António Barroso que, antes da nomeação para a diocese do Porto, foi missionário em três continentes e, quiçá o maior missiólogo português de sempre: «Grandes missionários deu à Igreja esta leira portuguesa, mas nenhum que mais e melhor que D. António Barroso fosse o homem do futuro, do seu tempo e da sua missão», afirmou António Brásio. E António Lourenço Farinha comentou: «O ressurgimento das Missões começou verdadeiramente com D. António Barroso, o maior de todos os missionários modernos». D. António Ferreira Gomes, em 1954, ao celebrar o centenário do nascimento do seu predecessor, comparou-o
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Cinco párocos da diocese do Porto, presos por lerem a Pastoral Colectiva: Manuel Soares de Albergaria, pároco de Silvalde; Urbano Augusto Rodrigues Valente, abade de Argoncilhe; Agostinho Moreira da Costa, abade de Vila Maior; António Alves Ribeiro, pároco de São João de Ver; Manuel Estêvão Ferreira, pároco de Anta. Foram libertos porque D. António assumiu em tribunal toda a responsabilidade. Em 14 de Março de 1911, deslocaram-se a Cernache do Bonjardim, num gesto de agradecimento.

Fundador: Pe. António F. Cardoso Design: Filipa Craveiro | Alberto Craveiro Impressão: Escola Tipográfica das Missões - Cucujães - tel. 256 899 340 | Depósito legal n.º 92978/95 | Tiragem 2.500 exs. | Registo ICS n.º 116.839

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a Castro, a Gama ou a Albucom outras míticas figuras misquerque, e, no plano religioso, sionárias, concluindo: «ele foi a Brito e a Xavier. bem o continuador dos que acenderam no Oriente a luz O processo do Evangelho e lançaram as de canonização sementes de uma civilização universalista, de uma civilizaNa vaga de fundo trazida à ção que se situa [...] para além tona do tempo pelas comemodo Oriente e do Ocidente». rações do V Centenário dos DesComo missionário e missiólogo, D. António Barroso cobrimentos, da Evangelização e Encontro de Culturas surgiu o situa-se entre os mais notáveis da história portuguesa, e as co"Movimento Pró-Canonização de D. António Barroso," que memorações do V Centenário ajudaram a recuperar a figura solicitou à autoridade compedeste missionário dinâmico e tente da Igreja, a introdução do respectivo processo. Nescorajoso que orientou a Igreja portucalense nas primeiras duas te movimento, há que realçar o empenho da Sociedade Misdécadas do séc. XX. Distinguiuse entre os homens do seu tem- D. António Barroso e o seu advogado, Dr. Francisco Fernandes sionária da Boa Nova, desde a po, sobretudo pela fé intrépida (à sua esquerda), à saída do julgamento, no tribunal de São João primeira hora. De facto, o primeiro passo foi dado em 23 de com que enfrentou as adversi- Novo, em 12 de Junho de 1913. Outubro de 1991, na sede da dades, e por virtudes heróicas que lhe granjearam fama de santidade. Congresso Missionário Português, realiza- referida Sociedade Missionária, em Lisboa, Existe no Porto uma rua com o seu do em Barcelos, em 31 de Agosto de 1931. num encontro entre o Dr. José Ferreira nome, a ligar a Avenida de França à Rua E, em 5 de Novembro de 1954, ano do Gomes, que viria a ser nomeado Vicede Oliveira Monteiro, junto à Rotunda da centenário do nascimento, realizou-se, na Postulador da Causa, e o Padre Manuel Boavista. A nível das instituições eclesiás- mesma cidade, o II Congresso Missioná- Castro Afonso, então Superior Geral dos Missionários da Boa Nova. Em 31 de Julho ticas, são várias as que o recordam, com «Vamos lá, Senhor — ConVosco de 1992, por decreto de D. Júlio Tavares um pequeno busto ou com um retrato: irei alegre para o cárcere ou para a Rebimbas, foi decidido «dar início às diliPaço Episcopal, Seminário Maior, Instituto morte» gências para introduzir a Causa de Canodo Bom Pastor, em Ermesinde, e diversas nização de D. António José de Sousa Barparóquias, como Bonfim e Cedofeita. A António Barroso roso». Tal decisão fez renascer o interesse igreja de Nª Senhora da Conceição perpetua a memória do bispo missionário, rio Português, que também contou com por esta figura notável que para muitos no Baptistério, com um belo fresco de enorme participação da diocese do Porto nunca deixou de estar vivo. Entre outras Dórdio Gomes (1947). Ao longo de ge- e com o entusiasmo do seu bispo, D. An- publicações, a revista O Tripeiro evocou a rações, um Grupo de Amigos de D. Antó- tónio Ferreira Gomes, que então afirmou vida e a obra do venerando Bispo, com um nio Barroso promoveu, em muitas paró- empolgadamente que D. António Barroso trabalho interessante do Eng. Francisco de quias do Porto, romagens de saudade ao pode ser comparado, no plano patriótico, Almeida Sousa, sob o título “Os Grandes Vultos do Porto”. túmulo do bispo missionário, A sessão pública de enem Remelhe, e em que participaram muitos milhares de cerramento (fase diocesana) portuenses. À trasladação dos do processo de beatificação e canonização, decorreu na Sé restos mortais para a capelaCatedral do Porto, em 5 de -jazigo onde actualmente se Novembro de 1994. Os traencontram, no dia 5 de Nobalhos prosseguem agora na vembro de 1927, esteve presente uma multidão de admiSagrada Congregação para a radores e devotos calculada Causa dos Santos, em Roma, e ainda no Tribunal Eclesiástiem 50 mil pessoas. Esta caco da diocese do Porto. Prospela-jazigo foi construída por seguem também as pequenas subscrição pública, aberta nas manifestações de afecto e de colunas do jornal Comércio devoção, por parte de podo Porto, por iniciativa do seu pulares, bem como algumas director, Prof. Doutor Bento Carqueja. Foram também muiiniciativas públicas e privadas, O funeral de D. António Barroso passando em frente ao edifício do tos os sacerdotes e leigos do Recolhimento das Órfãs de Nossa Senhora da Esperança, que o sau- sobretudo nas datas comemorativas do nascimento (5 Porto que participaram no I doso extinto ajudou e protegeu.

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A urna transportando os restos mortais de D. António Barroso. «Os estabelecimentos das ruas por onde o cortejo passou fecharam as suas portas e as fachadas dos prédios ostentavam decorações lutuosas». I. P.

Monumento a D. António, inaugurado em 2 de Agosto de 1999. Porto, Largo 1º de Dezembro.

de Novembro de 1854) e da morte (31 de Agosto de 1918). Em 2 de Agosto de 1999, foi inaugurado na cidade do Porto, no Largo 1º de Dezembro, um monumento-padrão, da autoria do Mestre José Rodrigues, a recordar a entrada solene de D. António na diocese, em 2 de Agosto de 1899. A Câmara Municipal e o seu presidente, Dr. Fernando Gomes, prestaram assim uma significativa homenagem ao grande bispo missionário. Em Novembro de 2009, a editora Alêtheia lançou uma biografia Réu da República. O Missionário António Barroso Bispo do Porto, da autoria de Amadeu Gomes de Araújo e Carlos A. Moreira Azevedo. Romagem a Remelhe O centenário da lei da Separação e da Carta Pastoral Colectiva, em 1911, que serviu para justificar a destituição de D. António e o seu exílio, é mais uma oportunidade para a diocese do Porto recordar esta figura notável da Igreja e da sociedade portuguesa. É neste reavivar da memória colectiva, que se enquadra a romagem que o semanário Voz Portucalense está a promover, para o próximo dia 4 de Setembro (o domingo seguinte ao dia 31 de Agosto, em que se recorda o 93º aniversário da sua morte, no Paço de Sacais). Será também altura de ir pensando em preparar uma celebração condigna no centenário que ocorrerá em 31 de Agosto

de 2018. Estamos certo que o Porto saberá, com galhardia, como sempre, recordar este herói que protegeu os fracos, os pobres, os humildes, e que «morreu em combate», aos 63 anos de idade, vítima de
«Nesse préstito, o que mais impressionava, era o respeito do povo que, em alas, se comprimia nas ruas; era a sua atitude recolhida, as lágrimas que marejavam em muitos olhos, o gesto de centenas de pessoas a ajoelharem à passagem do cadáver». B.D.P.

doenças que contraiu em África. Ser-lhe-á prestada uma homenagem sentida. O Porto guarda boas memórias de D. António Barroso, e tem razões para isso, como explicou Mons. Ângelo Alves, grande admirador da sua obra e devotado à sua causa, desde a primeira hora (Boletim n.º 1, II Série, Outubro de 1992). A romagem que a Voz Portucalense prepara para 4 de Setembro é um gesto de gratidão e um bom prenúncio. A. Gomes de Araújo

Cemitério de Remelhe. A capela-jazigo com os restos mortais de D. António, foi construída por subscrição pública, aberta pelo jornal Comércio do Porto, por iniciativa do director, Prof. Dr. Bento Carqueja. À trasladação dos restos mortais do jazigo para capela, em 5 de Novembro de 1927, assistiu uma multidão calculada em 50. 000 pessoas.

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A REPÚBLICA, AS CONGREGAÇÕES RELIGIOSAS E D. ANTÓNIO BARROSO
A balbúrdia dos primeiros dias da República dirigiu-se sobretudo contra a Igreja: assaltos a casas religiosas, espancamentos e insultos, assassínio de dois padres, enxovalhos ao cardeal Neto, etc. como escreve João Seabra, no seu notável trabalho sobre a lei da Separação de 1911. A primeira medida legislativa de Afonso Costa foi a reposição das leis antijesuíticas e anticongreganistas do Liberalismo. Foram expulsos do país todos os jesuitas portugueses e estrangeiros, e todos os religiosos estrangeiros ou naturalizados. Os religiosos portugueses foram compelidos a viver como seculares ou, pelo menos, a não viver em comunidade. Afonso Costa quis superintender pessoalmente ao processo de expulsão dos jesuitas. Os presos eram levados à sua presença para serem interrogados, e mandoulhes fazer as medições antropométricas de Lombroso, para «cientificamente» identificar os tipos criminosos. Visitou-os no forte de Caxias, a 13 de Outubro de 1910 e expediu-os para o estrangeiro com urgência. A expulsão dos outros religiosos arrastou-se pelos meses seguintes. Foi também Afonso Costa a controlar a forma como foram distribuídos e utilizados os bens dos religiosos, mandados arrolar por uma portaria. A 27 de Dezembro de 1910, foi nomeada a Comissão Jurisdicional dos Bens das Extintas Congregações, iniciando-se assim a complexa burocracia anticongreganista e anticlerical montada para perseguir a Igreja. D. António Barroso, que antes de ser nomeado bispo foi padre secular, acompanhava com preocupação esta fúria legislativa que veio atrasar a concretização de um dos seus sonhos de missionário. Ao longo da sua vida dispersa pelo mundo, manifestou apreço pelo trabalho dos religiosos. Em 6 de Julho de 1897, o Núncio Apostólico em Lisboa, em carta que dirigiu ao Secretário de Estado, em Roma, referiu-se ao então Bispo de Himéria, como «muito amigo das Ordens Religiosas e particularmente dos Padres da Companhia», com

Os jesuitas, no momento da expulsão, atravessam uma rua de Lisboa, em direcção ao cais de embarque, conduzidos sob escolta.

Dois cientistas republicanos medem o crâneo de um padre jesuita preso, para confirmar «cientificamente» que se trata de um degenerado. A propaganda republicana, considerava os jesuitas uma seita sinistra, de loucos.

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quem convivera muito de perto em Moçambique, onde os Jesuítas tinham três missões exemplares. De facto, tinha em muito boa consideração as Ordens religiosas, portuguesas ou estrangeiras. Numa carta que enviou ao mesmo Núncio, datada de Meliapor, em 16 de Junho de 1898, relatando encontros que, na passagem por Roma, tivera com o Secretário da Propaganda Fide, disse ter assumido a defesa dos esforços do Governo a favor dos missionários não portugueses, como os do Espírito Santo. Não perdia oportunidade de conviver com as diversas Congregações, Ordens ou Institutos religiosos missionários, e com todos tentava aprender. Na viagem que efectuou a Goa, em 1894, fez questão de parar em Dar-es-Salam, para visitar os Beneditinos e as suas obras de caridade e de ensino, e, em Zanzibar, efectuou uma visita à Congregação do Espírito Santo, para ver de perto o trabalho que estes missionários ali vinham desenvolvendo no campo da assistência. O conhecimento profundo que tinha dos valores da vida em comunidade, contribuiu decisivamente para uma proposta que apresentou, com vista a introduzir alterações profundas na preparação do pessoal missionário português. Propôs a revisão do modelo de formação que vigorava em Cernache do Bonjardim e a criação de uma Congregação ou de um Instituto orientados para as Missões portuguesas ultramarinas. A fúria anticongreganista e anticlerical de Afonso Costa levou ao encerramento do Colégio das Missões de Cernache do Bonjardim, em 1911, e ao adiamento deste projecto missionário de D. António. Só mais tarde pôde ser concretizado, com a criação da Sociedade Portuguesa das Missões Católicas Ultramarinas, actual Sociedade Missionária da Boa Nova, fundada em 3 de Outubro de 1930, pelo Papa Pio XI, por proposta do Episcopado Português. A. Gomes de Araújo

D. ANTÓNIO BARROSO MISSIONÁRIO DA BOA NOVA
No meu recente livro A Sociedade Missionária da Boa Nova – 150 Anos em Missão – 1855-2005, assumo que esta instituição missionária começou em Cernache do Bonjardim, em Portugal, em 1855 com o nome de Colégio das Missões Ultramarinas, passando depois por transformações eclesiais e tomando designações apropriadas de acordo com essas transformações.

pedir assinaturas de apoio para suplicarmos ao Senhor Arcebispo-bispo do Porto a introdução da causa de Beatificação do servo de Deus D. António Barroso. As circulares, assinadas pelo P. António Fernandes Cardoso, pároco de Remelhe, pelo Dr. José Ferreira Gomes, advogado natural de Remelhe, pelo P. António Pereira Teixeira, director espiritual do Seminário das Missões de Cernache do Bonjardim e por mim, superior geral da Sociedade Missionária da Boa Nova, começaram a ser distribuídas logo no dia 25 de Outubro.

D. António Barroso, Bispo de Himéria, numa visita pastoral na Zambézia, Moçambique, com missionários de diferentes congregações.

D. António Barroso é um dos Missionários da Boa Nova. Como sacerdote e bispo, missionou em Angola, em Moçambique e na Índia, donde veio para Bispo do Porto como pastor amadurecido nas lides da evangelização e nos caminhos da santidade em África e no Oriente. Entre nós foi sempre tido como santo missionário. O movimento para a introdução da Causa da sua Beatificação teve início, em 23 de Outubro de 1991, na sede da Sociedade Missionária da Boa Nova, em Lisboa, onde nos reunimos o Dr. José Ferreira Gomes, seu conterrâneo e devoto, e eu, como Superior geral dos Missionários da Boa Nova. Dessa reunião lavrámos a Acta que conservamos. Decidimos enviar duas mil circulares a

Aos bispos de Portugal entreguei-as eu pessoalmente em Fátima, num intervalo da reunião da Conferência Episcopal. O apoio foi imediato. Entreguei-as também a alguns de Angola e Moçambique nas visitas aos missionários. Para Meliapor e Goa, na Índia, foram pelo correio. O Sr. Arcebispo-bispo do Porto, D. Júlio Tavares Rebimbas, acolheu o pedido com júbilo e nomeou vice-postulador da Causa o Dr. José Ferreira Gomes que começou imediatamente a organizar o processo, no Porto, com verdadeira devoção, pondo de parte a sua actividade profissional de advogado em Lisboa. A Sociedade Missionária da Boa Nova prestou-lhe sempre todo o apoio. M. Castro Afonso

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AMIGOS DE D. ANTÓNIO EM ACÇÃO
Numa iniciativa do Grupo de Amigos de D. António Barroso, realizou-se no passado dia 8 de Maio a primeira caminhada "De Barcelos à terra de D. António Barroso". Com a colaboração das juntas de freguesia de Remelhe, Barcelos e Arcozelo, cerca de uma centena de pessoas reuniram-se na parada do quartel dos Bombeiros de Barcelos, onde foi efectuado o aquecimento inicial pelo técnico do Projecto Barcelos Saudável (E.M.D.B.), caminhando então até Remelhe. Aqui chegados foram recebidos pelas crianças que ofereceram as flores com que os caminheiros homenagearam o Santo Bispo. Seguiu-se a missa dominical. Segundo a organização, esta caminhada foi um ensaio para a grande romagem a realizar no dia 4 de Setembro, e a primeira de muitas que se seguirão. É assim, um modo de abrir a outros segmentos do povo crente a devoção a D. António Barroso. Uma palavra de agradecimento à colaboração da P.S.P., G.N.R., Clube Moto-Galos e Bombeiros de Barcelos pela colaboração prestada. José Ribeiro Fernandes

Uma interessante iniciativa de carácter lúdico. Parabéns ao Grupo dos Amigos de D. António Barroso de Barcelos, e, em particular, aos dinâmicos irmãos Mendes, a quem a Causa muito deve, tal como ao Sr. Cândido Lopes. Votos de recuperação. Obrigado à Junta de Freguesia de Remelhe, pela amável colaboração. A. G. A.

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FLORES PARA D. ANTÓNIO BARROSO
Quando D. António faleceu, em 31 de Agosto de 1918, alguns escritores prestaram-lhe respeitosa homenagem. A. Rodrigues Leal publicou em Illustração Catholica, de 14 de Setembro de 1918, um mavioso soneto. O poema terá sido escrito mesmo em cima do triste acontecimento, pois veio a público também no jornal Política, de 3 de Setembro, poucos dias após a morte.

CONTAS EM DIA
1 – A nomeação para Vice-Postulador tem a data de 26 de Outubro de 2010. Desde então, até 30 de Abril de 2011, foram efectuadas as despesas seguintes: Boletim n.º 196, de Junho de 2010: 495,00€; Boletim n.º 1, II Série, de Fev/Mar/Abril de 2011: 730,96€; Impressos vários, etiquetas, cartões: 185,00€; Selos, tinta, carimbo e outros artigos de papelaria: 79,00€. TOTAL: 1.489,96 €. 2 – No mesmo período, ofertas recebidas para a Causa da Beatificação e pagamento do Boletim: Dr. António Xavier Forte 40€; D. Maria da Conceição Figueiredo 10€; D. Maria Ermelinda Melo Osório 20€; Dr. Manuel José Martins de Almeida 50€; Sr. Hermenegildo Coelho Marques 5€; D. Maria Adelaide Azevedo Meireles 5€; Pe. José Vitorino Veloso 10€; Sr. Joaquim Martins da Costa 25€; D. Leontina Cabral 20€; Sr. Alberto José Gonçalves Gomes (Vilas Boas) 100€; Dra. Maria Arminda Barroso Ferreira 100€; D. Maria Faria Azevedo 5€. TOTAL: 390€. 3 – Não foi aceite a abertura de conta bancária em nome da Postulação nem em nome do Grupo dos Amigos de D. António. A assembleia geral de 17 de Setembro servirá também para resolver este problema. Até uma melhor solução, a conta está em nome de Amadeu Gomes de Araújo – Postulação. À atenção de quem enviar cheques ou vales de correio.

VISITAS À CAPELA-JAZIGO
Morreu – possuindo numa alma a Caridade acesa Para todo o gemido e para todo o pranto! Morreu – sabendo amar a terra portuguesa E cumprindo a missão de Apóstolo e de Santo! O pároco de Remelhe, Pe. José Adílio Macedo, fez-nos chegar fotocópia de duas páginas do livro de visitantes, que se transcrevem, respeitantes ao período de 3 de Dezembro de 2006 a 21 de Janeiro de 2007. Os devotos que se registaram para pedir graças e/ou em acção de graças, e que contribuem, na medida das suas posses, para a Causa da Canonização, agradecem. Esperamos poder manter esta secção, se possível com dados mais recentes.
Ana Brito de Sousa (Remelhe); Ana Maria da Cruz Torres; Elvira Lopes Paula; José Andrade (V.F.S.Martinho); Ana Brito de Sousa (Remelhe); José Faria de Oliveira (Carvalhas); Fábio Jorge Fonseca de Oliveira (Carvalhas); José Adílio Barbosa Macedo (Remelhe); Ana Maria Coutinho (Remelhe); Anabela Conceição Ribeiro Araújo (Remelhe); João Pedro da Siva Leiras (Couto S. Tiago); Jorge Gabriel Silva Barbosa (Couto S. Tiago); Filipa Gabriel Silva Barbosa (Couto S. Tiago); José Gabriel Silva Barbosa (Couto S. Tiago); Justina Faria da Silva (Couto S. Tiago); José Maria Alvarenga Leiras (Couto S. Tiago); Maria do Carmo Pereira da Silva (Couto S. Tiago); Daniela Filipa da Silva Leiras (Couto S. Tiago); Maria Alice Gomes Faria; Manuel Ferreira Fonseca (Chorente); Preciosa Ferreira Vieira (Chorente); Odete Maria Ribeiro Cardoso (Alvelos); Augusto Costa Araújo (Minhotães); Ana Araújo (Minhotães); Júlia dos Prazeres Barbosa Teixeira Pereira (S. Veríssimo); Joaquim Ribeiro Fonseca; Ana Sousa Faria Coelho; Maria da Conceição Torres Alves agradece graça concedida na extracção de nódulo na tiróide; Rui Miguel Alves Gomes (Quinta do Conde); António Gomes (Setúbal); Manuel Ferreira da Fonseca (Chorente); Preciosa Ferreira Vieira (Chorente); Anabela Rodrigues Araújo; João Franco; Maria Clementina Franco; Jorge Pereira Araújo (Remelhe); Ana Maria da Cruz Torres Senra (Remelhe); Jorge Pereira Araújo (Remelhe); Marta Alexandrina Pereira de Almeida (S. João da Madeira); Elvira Moreira Pereira (S. João da Madeira); Maria Aurora da Silva Araújo; Maria das Dores da Silva araújo; Alberto Ribeiro Fernandes; Sameiro Silva (Barcelos); José Ferreira (Barcelos); Ana Brito de Sousa (Remelhe); Anabela Conceição Ribeiro Araújo (Remelhe); Justina Faria da Silva (Couto); Filipe Gabriel Silva Barbosa (Couto); Jorge Gabriel Silva Barbosa (Couto); José Gabriel Silva Barbosa (Couto); Padre José Adílio Macedo (Remelhe); Ana Maria da Cruz Torres Senra (Remelhe) João da Silva Simões (Sta. Eugénia); Maria Rosalina Correia Silva (Sta. Eugénia); Cristina Maria Senra Barbosa Simões (Remelhe); Luís Carlos Martins Ribeiro (Courel); Maria de Lurdes Miranda Senra (Remelhe).

– Homens que andais no Mundo à cata de beleza De amor e perfeição: – feridos pelo espanto, Curvai-vos ante o morto e ante a sua grandeza E beijai com respeito as fímbrias do seu manto!

Esquecei um instante as fratricidas lutas E, molhando em saudade as pálpebras enxutas, Ao clamor da Justiça e do bem – ajoelhai!

– Escrevei na memória o seu nome e lembrança E Guardai para a vida a sua bela herança De piedade, orações e sorrisos de Pai!
A. Rodrigues Leal

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de fidelidade a Cristo e à Igreja, que é o apanágio dos santos. Mais do que a malária africana, parece que aquilo que derrubou mais depressa o grande bispo do Porto foram as injustas perseguições então movidas contra a Igreja. O zelo do papa João Paulo II, durante vinte e seis anos de pontificado, conduziuA recente beatificação do papa João -o pelo mundo inteiro em viagens apostóPaulo II, no passado 1º de Maio, traz esponlicas, com a intenção de levar a salvação de taneamente ao nosso espírito o testemuCristo ao homem atormentado por tantos nho de vida do Servo de Deus D. António males. Antes de ser bispo do Porto, D. Barroso. Como discípulos e apósAntónio Barroso trabalhou denodadatolos de Cristo, ambos enfrentamente, durante duas décadas, no Conram situações difíceis, contradições go/Angola, em Moçambique, na Índia, e perseguições, que fizeram deles tornando-se exemplo heróico do misexemplos de heroicidade na prática sionário em terras de missão. Com as das virtudes cristãs no meio de um suas viagens, estudos e conferências, a mundo enlouquecido por ideologias gesta da sua acção missionária, de ledesumanas. Perante a prepotência var a boa nova do Evangelho a todas de autoridades governamentais, um as gentes, marcou uma época na históe outro souberam enfrentar, sem ria da evangelização portuguesa. violência, os decretos que atentavam Assim como a segunda metade do contra a liberdade religiosa dos ciséculo XX não pode ignorar a extradadãos, que eram também membros ordinária acção do papa Wojtyla, assim da Igreja e ovelhas do seu rebanho. também as décadas a cavalo do ano Os gestos do bispo de Cracóvia, 1900 não podem deixar de se conCarlos Wojtyla, desobedecendo à frontar com a obra do homem simples proibição de construir igrejas numa e extraordinário que foi António Barcidade que devia afirmar-se pelo seu roso. À distância de quase um século, ateísmo, não eram mais do que o um e outro se encontram unidos no eco da atitude dos apóstolos peranmesmo testemunho de vida. te as determinações do Sinédrio de A coragem intrépida destes dois Jerusalém: “Importa mais obedecer a Servos de Deus em defesa da verdade Deus do que aos homens” (Ac 4,19). faz do seu exemplo a melhor garantia Com a mesma coragem, D. António da liberdade, em cuja sombra se esBarroso soube enfrentar a severa e condem medíocres lideres e prestidiarrogante proibição, ditada por Afonso Costa em 1911, de ler e divulgar Foto que acompanhou a notícia da morte de D. Antó- gitadores de opinião. Perante o pera Carta Pastoral dos bispos, denun- nio Barroso, na Ilustração Portuguesa de 9-9-1918, com fil gigantesco destes dois discípulos a legenda: «o mais recente retrato, tirado em Coimbra, de Cristo se rendem os homens de ciando as arbitrariedades e injustiças quando do seu desterro nesta cidade». boa vontade. A sua fama de santidade das leis republicanas de que a Igreja estava a ser vítima. Mais tarde, por causa de rifeus da república nem vexames nem hu- possa derrubar os ídolos erguidos pelos aruma outra “desobediência” às leis da Repú- milhações nem exílios. Perante atitudes tão quitectos do indiferentismo e ateísmo, que, blica contra a Igreja, autorizando um grupo indignas quanto intolerantes, D. António afinal, esvaziam o homem no seu próprio de irmãs a abrir casa na sua diocese, teve de soube levar a sua cruz com uma dignidade interior e o deixam sem esperança. Arnaldo Cardoso, Postulador desarmante, dando sempre um testemunho suportar um segundo exílio.

TESTEMUNHAS DO EVANGELHO: JOÃO PAULO II E ANTÓNIO BARROSO

Depois da sua eleição como papa, Carlos Wojtyla soube enfrentar sem medo o império do ateísmo tal como se levantava nos países comunistas, em particular na sua própria pátria, a Polónia. A trama misteriosa dos acontecimentos que se seguiram, culminaram na prática de um atentado ao próprio papa, do qual se salvou de um modo não menos misterioso, e, oito anos depois, na queda do “muro de Berlim”. A D. António Barroso, não pouparam os co-

GRUPO DOS AMIGOS DE D. ANTÓNIO BARROSO. CONVOCATÓRIA. Nos termos do art.º18º dos estatutos da Associação, convoco os sócios para se reunirem em Assembleia Geral, no dia 17 de Setembro, pelas 15 horas, na sede, no Porto (Casa Diocesana de Vilar, à Rua do Arcediago Van Zeller, n.º 50), para discutirem e deliberarem sobre a seguinte Ordem de Trabalhos: 1 – Plano de actividades; 2 – Discussão e votação de contas; 3 – Eleição de corpos gerentes. Se à h r m rcada n o h u e qo rm a Asseml e a uc ion r , de orr da mi a h r , com qa lqe nmr o de mmr os. oa a ã o v r u u, b i fn aá c i e oa u ur ú e eb O Presidente da Mesa da Assembleia Geral, Eng. Francisco de Nápoles Ferraz de Almeida e Sousa. ROMAGEM DO PORTO À TERRA DE D. ANTÓNIO BARROSO. Para recordar os 100 anos da expulsão de D. António da diocese do Porto e o seu exílio em Remelhe, o semanário Voz Portucalense está a organizar uma romagem. Será no dia 4 de Setembro, com partida do Porto, junto à Câmara Municipal, pelas 14 horas. Às 16 horas, haverá uma visita à capela-jazigo, e, às 17 horas, Eucaristia seguida de Te Deum, na igreja, com a participação do Coro Gregoriano do Porto. Segue-se, pelas 18.30 horas, uma visita à capela de Santiago e às casas onde nasceu e viveu D. António. A chegada ao Porto está prevista para as 21 horas.

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