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Boletim de D. António Barroso

Director: Amadeu Gomes de Araújo, Vice-Postulador Propriedade: Associação "Grupo dos Amigos de D. António

Director: Amadeu Gomes de Araújo, Vice-Postulador Propriedade: Associação "Grupo dos Amigos de D. António Barroso". NIPC 508 401 852 Administração e Redacção: Rua Luís de Camões, n.º 632, Arneiro | 2775-518 Carcavelos Tlm.: 934 285 048 – E-mail: vicepostulador.antoniobarroso@gmail.com Publicação trimestral | Assinatura anual: 5,00

 

III

Série

.

Ano

I

.

N.º

2

.

Maio

/

Julho

de

2011

ASSOCIAÇÃO “GRUPO DOS AMIGOS DE D. ANTÓNIO BARROSO” REORGANIZA-SE

D. António Barroso, «o bispo dos po- bres», morreu com fama de santidade e o povo anónimo da cidade do Porto e da área de Barcelos, teve para com ele, desde a primeira hora, manifestações de afecto e de veneração. A partir de 1942 e 1943, com as agruras da II Guerra, alguns grupos de devotos começaram a organi- zar romagens periódicas ao túmulo. Sur- giram então pagelas impressas e orga- nizaram-se encontros de índole cultural. Com as celebrações do centenário, em 1954, as romagens aumentaram. Cresce- ram, mais ainda, no início da década de sessenta, com a guerra colonial. Estes grupos espontâneos, infor- malmente designados "Amigos de D. António Barroso", nunca manifestaram preocupações de legalização. A iniciativa de se constituirem em associação partiu do Dr. José Ferreira Gomes, numa roma- gem a Remelhe, em 13 de Setembro de 1992. No dia 18 de Dezembro deste ano, foi constituída, por escritura pública, no Porto, a Associação "Grupo dos Amigos de D. António Barroso", que foi submetida à aprovação da autoridade eclesiástica. Ti- nha como objectivo «divulgar e promo- ver o conhecimento da personalidade, das virtudes e da fama de santidade do seu patrono», contribuindo cada asso- ciado com uma quota (então fixada em cem escudos mensais), para as despesas do processo de canonização. A primeira assembleia geral da As- sociação realizou-se em 25 de Janeiro de 1997, no Porto, e a segunda e última, reuniu-se no mesmo local, em 26 de Ju- nho de 2004. Sete anos se passaram. É importante e urgente voltar a reunir. A próxima assembleia está marcada para 17 de Setembro. Convocatória na última página. A. Gomes de Araújo

D. ANTÓNIO BARROSO NA MEMÓRIA DO PORTO

Sem memória não existimos, escreveu José Cardoso Pires. O Porto cidade e o Porto diocese têm memória e não esque- cem os seus. Conservam um registo alar- gado de pessoas e de acontecimentos que são permanentemente lembrados. As comemorações dos Cinco Séculos de Evangelização e Encontro de Culturas cha- maram a atenção de muitos para a figura ímpar de D. António Barroso que, antes da nomeação para a diocese do Porto, foi missionário em três continentes e, quiçá o maior missiólogo português de sempre:

«Grandes missionários deu à Igreja esta leira portuguesa, mas nenhum que mais

e

melhor que D. António Barroso fosse

o

homem do futuro, do seu tempo e da

sua missão», afirmou António Brásio. E António Lourenço Farinha comentou:

«O ressurgimento das Missões começou verdadeiramente com D. António Bar- roso, o maior de todos os missionários modernos». D. António Ferreira Gomes, em 1954, ao celebrar o centenário do nas- cimento do seu predecessor, comparou-o

Continua na página seguinte

do seu predecessor, comparou-o Continua na página seguinte Cinco párocos da diocese do Porto, presos por

Cinco párocos da diocese do Porto, presos por lerem a Pastoral Colectiva: Manuel Soa- res de Albergaria, pároco de Silvalde; Urbano Augusto Rodrigues Valente, abade de Argoncilhe; Agostinho Moreira da Costa, abade de Vila Maior; António Alves Ribeiro, pároco de São João de Ver; Manuel Estêvão Ferreira, pároco de Anta. Foram libertos porque D. António assumiu em tribunal toda a responsabilidade. Em 14 de Março de 1911, deslocaram-se a Cernache do Bonjardim, num gesto de agradecimento.

Boletim de D. António Barroso

com outras míticas figuras mis- sionárias, concluindo: «ele foi bem o continuador dos que

acenderam no Oriente a luz do Evangelho e lançaram as sementes de uma civilização universalista, de uma civiliza-

ção que se situa [

do Oriente e do Ocidente». Como missionário e mis- siólogo, D. António Barroso situa-se entre os mais notáveis da história portuguesa, e as co- memorações do V Centenário ajudaram a recuperar a figura deste missionário dinâmico e corajoso que orientou a Igreja portucalense nas primeiras duas décadas do séc. XX. Distinguiu- se entre os homens do seu tem- po, sobretudo pela fé intrépida com que enfrentou as adversi-

dades, e por virtudes heróicas que lhe granjearam fama de santidade. Existe no Porto uma rua com o seu nome, a ligar a Avenida de França à Rua de Oliveira Monteiro, junto à Rotunda da Boavista. A nível das instituições eclesiás- ticas, são várias as que o recordam, com um pequeno busto ou com um retrato:

Paço Episcopal, Seminário Maior, Instituto do Bom Pastor, em Ermesinde, e diversas paróquias, como Bonfim e Cedofeita. A igreja de Nª Senhora da Conceição per- petua a memória do bispo missionário, no Baptistério, com um belo fresco de Dórdio Gomes (1947). Ao longo de ge- rações, um Grupo de Amigos de D. Antó- nio Barroso promoveu, em muitas paró- quias do Porto, romagens de saudade ao túmulo do bispo missionário, em Remelhe, e em que par- ticiparam muitos milhares de portuenses. À trasladação dos restos mortais para a capela- -jazigo onde actualmente se encontram, no dia 5 de No- vembro de 1927, esteve pre- sente uma multidão de admi- radores e devotos calculada em 50 mil pessoas. Esta ca- pela-jazigo foi construída por subscrição pública, aberta nas colunas do jornal Comércio

do Porto, por iniciativa do seu director, Prof. Doutor Bento Carqueja. Foram também mui- tos os sacerdotes e leigos do Porto que participaram no I

tos os sacerdotes e leigos do Porto que participaram no I D. António Barroso e o

D. António Barroso e o seu advogado, Dr. Francisco Fernandes (à sua esquerda), à saída do julgamento, no tribunal de São João

Novo, em 12 de Junho de 1913.

Congresso Missionário Português, realiza- do em Barcelos, em 31 de Agosto de 1931. E, em 5 de Novembro de 1954, ano do centenário do nascimento, realizou-se, na mesma cidade, o II Congresso Missioná-

«Vamos lá, Senhor — ConVosco irei alegre para o cárcere ou para a morte» António Barroso

rio Português, que também contou com enorme participação da diocese do Porto e com o entusiasmo do seu bispo, D. An- tónio Ferreira Gomes, que então afirmou empolgadamente que D. António Barroso pode ser comparado, no plano patriótico,

António Barroso pode ser comparado, no plano patriótico, O funeral de D. António Barroso passando em

O funeral de D. António Barroso passando em frente ao edifício do Recolhimento das Órfãs de Nossa Senhora da Esperança, que o sau- doso extinto ajudou e protegeu.

a Castro, a Gama ou a Albu-

querque, e, no plano religioso,

a Brito e a Xavier.

O processo

de canonização

]

para além

Na vaga de fundo trazida à tona do tempo pelas comemo-

rações do V Centenário dos Des- cobrimentos, da Evangelização e Encontro de Culturas surgiu o "Movimento Pró-Canonização de D. António Barroso," que solicitou à autoridade compe- tente da Igreja, a introdução do respectivo processo. Nes- te movimento, há que realçar

o empenho da Sociedade Mis-

sionária da Boa Nova, desde a primeira hora. De facto, o pri-

meiro passo foi dado em 23 de Outubro de 1991, na sede da referida Sociedade Missionária, em Lisboa, num encontro entre o Dr. José Ferreira Gomes, que viria a ser nomeado Vice- Postulador da Causa, e o Padre Manuel Castro Afonso, então Superior Geral dos Missionários da Boa Nova. Em 31 de Julho de 1992, por decreto de D. Júlio Tavares

Rebimbas, foi decidido «dar início às dili- gências para introduzir a Causa de Cano- nização de D. António José de Sousa Bar- roso».Tal decisão fez renascer o interesse por esta figura notável que para muitos nunca deixou de estar vivo. Entre outras publicações, a revista O Tripeiro evocou a vida e a obra do venerando Bispo, com um trabalho interessante do Eng. Francisco de Almeida Sousa, sob o título “Os Grandes Vultos do Porto”. A sessão pública de en- cerramento (fase diocesana) do processo de beatificação

e canonização, decorreu na Sé

Catedral do Porto, em 5 de Novembro de 1994. Os tra- balhos prosseguem agora na Sagrada Congregação para a Causa dos Santos, em Roma,

e ainda no Tribunal Eclesiásti-

co da diocese do Porto. Pros- seguem também as pequenas manifestações de afecto e de devoção, por parte de po- pulares, bem como algumas iniciativas públicas e privadas, sobretudo nas datas come- morativas do nascimento (5

Boletim de D. António Barroso

Boletim de D. António Barroso A urna transportando os restos mortais de D. António Barroso. «Os

A urna transportando os restos mortais de D. António Barroso. «Os estabelecimentos das ruas por onde o cortejo passou fecharam as suas portas e as fachadas dos prédios ostentavam decorações lutuosas». I. P.

dos prédios ostentavam decorações lutuosas». I. P. Monumento a D. António, inau- gurado em 2 de

Monumento a D. António, inau- gurado em 2 de Agosto de 1999. Porto, Largo 1º de Dezembro.

de Novembro de 1854) e da morte (31 de Agosto de 1918). Em 2 de Agosto de 1999,

foi inaugurado na cidade do Porto, no Lar- go 1º de Dezembro, um monumento-pa- drão, da autoria do Mestre José Rodrigues,

a recordar a entrada solene de D. Antó-

nio na diocese, em 2 de Agosto de 1899.A Câmara Municipal e o seu presidente, Dr. Fernando Gomes, prestaram assim uma significativa homenagem ao grande bispo missionário. Em Novembro de 2009, a edi- tora Alêtheia lançou uma biografia Réu da República. O Missionário António Barroso Bis- po do Porto, da autoria de Amadeu Gomes de Araújo e Carlos A. Moreira Azevedo.

Romagem a Remelhe

O centenário da lei da Separação e da Carta Pastoral Colectiva, em 1911, que serviu para justificar a destituição de D. António e o seu exílio, é mais uma opor- tunidade para a diocese do Porto recordar

esta figura notável da Igreja e da sociedade portuguesa. É neste reavivar da memória colectiva, que se enquadra a romagem que

o semanário Voz Portucalense está a pro-

mover, para o próximo dia 4 de Setembro (o domingo seguinte ao dia 31 de Agosto, em que se recorda o 93º aniversário da sua morte, no Paço de Sacais). Será também altura de ir pensando em preparar uma celebração condigna no centenário que ocorrerá em 31 de Agosto

de 2018. Estamos certo que o Porto sa- berá, com galhardia, como sempre, recor- dar este herói que protegeu os fracos, os pobres, os humildes, e que «morreu em combate», aos 63 anos de idade, vítima de

«Nesse préstito, o que mais impressiona- va, era o respeito do povo que, em alas, se comprimia nas ruas; era a sua atitu- de recolhida, as lágrimas que marejavam em muitos olhos, o gesto de centenas de pessoas a ajoelharem à passagem do ca- dáver». B.D.P.

doenças que contraiu em África. Ser-lhe-á prestada uma homenagem sentida. O Porto guarda boas memórias de D. António Barroso, e tem razões para isso, como explicou Mons. Ângelo Alves, grande admirador da sua obra e devotado à sua causa, desde a primeira hora (Bole- tim n.º 1, II Série, Outubro de 1992). A ro- magem que a Voz Portucalense prepara para 4 de Setembro é um gesto de gratidão e um bom prenúncio. A. Gomes de Araújo

gesto de gratidão e um bom prenúncio. A. Gomes de Araújo Cemitério de Remelhe. A capela-jazigo

Cemitério de Remelhe. A capela-jazigo com os restos mortais de D. António, foi cons- truída por subscrição pública, aberta pelo jornal Comércio do Porto, por iniciativa do director, Prof. Dr. Bento Carqueja. À trasladação dos restos mortais do jazigo para ca- pela, em 5 de Novembro de 1927, assistiu uma multidão calculada em 50. 000 pessoas.

Boletim de D. António Barroso

A REPÚBLICA, AS CONGREGAÇÕES RELIGIOSAS E D. ANTÓNIO BARROSO

A balbúrdia dos primeiros dias da República dirigiu-se sobretudo con- tra a Igreja: assaltos a casas religiosas, espancamentos e insultos, assassínio de dois padres, enxovalhos ao cardeal Neto, etc. como escreve João Seabra, no seu notável trabalho sobre a lei da Separação de 1911. A primeira medida legislativa de Afonso Costa foi a reposição das leis antijesuíticas e anticongreganistas do Liberalismo. Foram expulsos do país todos os jesuitas portugueses e estran- geiros, e todos os religiosos estran- geiros ou naturalizados. Os religiosos portugueses foram compelidos a viver como seculares ou, pelo menos, a não viver em comunidade. Afonso Costa

quis superintender pessoalmente ao processo de expulsão dos jesuitas. Os presos eram levados à sua presença para serem interrogados, e mandou- lhes fazer as medições antropomé- tricas de Lombroso, para «cientifica- mente» identificar os tipos criminosos. Visitou-os no forte de Caxias, a 13 de Outubro de 1910 e expediu-os para o estrangeiro com urgência. A expulsão dos outros religiosos arrastou-se pelos meses seguintes. Foi também Afonso Costa a controlar a forma como foram distribuídos e utilizados os bens dos religiosos, mandados arrolar por uma portaria. A 27 de Dezembro de 1910, foi nomeada a Comissão Jurisdicional dos Bens das Extintas Congregações,

iniciando-se assim a complexa buro- cracia anticongreganista e anticlerical montada para perseguir a Igreja. D. António Barroso, que antes de ser nomeado bispo foi padre secular, acompanhava com preocupação esta fúria legislativa que veio atrasar a con- cretização de um dos seus sonhos de missionário. Ao longo da sua vida dispersa pelo mundo, manifestou apreço pelo traba- lho dos religiosos. Em 6 de Julho de 1897, o Núncio Apostólico em Lisboa, em carta que dirigiu ao Secretário de Estado, em Roma, referiu-se ao então Bispo de Himéria, como «muito amigo das Ordens Religiosas e particularmen- te dos Padres da Companhia», com

Os jesuitas, no momento da expulsão, atravessam uma rua de Lis- boa, em direcção ao
Os jesuitas, no momento da expulsão, atravessam uma rua de Lis-
boa, em direcção ao cais de embarque, conduzidos sob escolta.
Dois cientistas republicanos medem o crâneo de um padre jesuita preso, para confirmar «cientificamente» que
Dois cientistas republicanos medem o crâneo de um padre jesuita preso,
para confirmar «cientificamente» que se trata de um degenerado. A pro-
paganda republicana, considerava os jesuitas uma seita sinistra, de loucos.

Boletim de D. António Barroso

quem convivera muito de perto em Moçambique, onde os Jesuítas tinham três missões exemplares. De facto, tinha em muito boa con- sideração as Ordens religiosas, por- tuguesas ou estrangeiras. Numa carta que enviou ao mesmo Núncio, datada de Meliapor, em 16 de Junho de 1898, relatando encontros que, na passagem por Roma, tivera com o Secretário da Propaganda Fide, disse ter assumido a defesa dos esforços do Governo a fa- vor dos missionários não portugueses, como os do Espírito Santo. Não perdia oportunidade de con- viver com as diversas Congregações, Ordens ou Institutos religiosos missio- nários, e com todos tentava aprender. Na viagem que efectuou a Goa, em 1894, fez questão de parar em Dar- -es-Salam, para visitar os Beneditinos e as suas obras de caridade e de ensino, e, em Zanzibar, efectuou uma visita à Congregação do Espírito Santo, para ver de perto o trabalho que estes mis- sionários ali vinham desenvolvendo no campo da assistência.

O conhecimento profundo que ti- nha dos valores da vida em comunida- de, contribuiu decisivamente para uma proposta que apresentou, com vista a introduzir alterações profundas na pre- paração do pessoal missionário portu- guês. Propôs a revisão do modelo de formação que vigorava em Cernache do Bonjardim e a criação de uma Con- gregação ou de um Instituto orientados para as Missões portuguesas ultrama- rinas. A fúria anticongreganista e anti- clerical de Afonso Costa levou ao en- cerramento do Colégio das Missões de Cernache do Bonjardim, em 1911, e ao adiamento deste projecto missionário de D. António. Só mais tarde pôde ser concretizado, com a criação da Socie- dade Portuguesa das Missões Católicas Ultramarinas, actual Sociedade Missio- nária da Boa Nova, fundada em 3 de Outubro de 1930, pelo Papa Pio XI, por proposta do Episcopado Português.

A. Gomes de Araújo

D. ANTÓNIO BARROSO MISSIONÁRIO DA BOA NOVA

No meu recente livro A Sociedade Missionária da Boa Nova – 150 Anos em Missão – 1855-2005, assumo que esta instituição missionária começou em Cernache do Bonjardim, em Portugal, em 1855 com o nome de Colégio das Missões Ultramarinas, passando depois por transformações eclesiais e toman- do designações apropriadas de acordo com essas transformações.

pedir assinaturas de apoio para supli- carmos ao Senhor Arcebispo-bispo do Porto a introdução da causa de Beati- ficação do servo de Deus D. António Barroso. As circulares, assinadas pelo P. António Fernandes Cardoso, páro- co de Remelhe, pelo Dr. José Ferreira Gomes, advogado natural de Remelhe, pelo P. António Pereira Teixeira, direc- tor espiritual do Seminário das Missões de Cernache do Bonjardim e por mim, superior geral da Sociedade Missioná- ria da Boa Nova, começaram a ser dis- tribuídas logo no dia 25 de Outubro.

começaram a ser dis- tribuídas logo no dia 25 de Outubro. D. António Barroso, Bispo de

D. António Barroso, Bispo de Himéria, numa visita pastoral na Zambézia, Moçambi- que, com missionários de diferentes congregações.

D. António Barroso é um dos Mis- sionários da Boa Nova. Como sacer-

Aos bispos de Portugal entreguei-as eu pessoalmente em Fátima, num interva-

dote e bispo, missionou em Angola, em

lo

da reunião da Conferência Episcopal.

Moçambique e na Índia, donde veio

O

apoio foi imediato. Entreguei-as tam-

para Bispo do Porto como pastor ama- durecido nas lides da evangelização e nos caminhos da santidade em África e no Oriente. Entre nós foi sempre tido como santo missionário. O movimento para a introdução da Causa da sua Beatificação teve início, em 23 de Outubro de 1991, na sede da Sociedade Missionária da Boa Nova, em Lisboa, onde nos reunimos o Dr. José Ferreira Gomes, seu conterrâneo e devoto, e eu, como Superior geral dos Missionários da Boa Nova. Dessa reu- nião lavrámos a Acta que conservamos. Decidimos enviar duas mil circulares a

bém a alguns de Angola e Moçambique nas visitas aos missionários. Para Melia- por e Goa, na Índia, foram pelo correio. O Sr. Arcebispo-bispo do Porto, D. Júlio Tavares Rebimbas, acolheu o pe- dido com júbilo e nomeou vice-pos- tulador da Causa o Dr. José Ferreira Gomes que começou imediatamente a organizar o processo, no Porto, com verdadeira devoção, pondo de parte a sua actividade profissional de advogado em Lisboa. A Sociedade Missionária da Boa Nova prestou-lhe sempre todo o apoio. M. Castro Afonso

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Boletim de D. António Barroso AMIGOS DE D. ANTÓNIO EM ACÇÃO Numa iniciativa do Grupo de

AMIGOS DE D. ANTÓNIO EM ACÇÃO

Numa iniciativa do Grupo de Amigos de D. António Barroso, realizou-se no passado dia 8 de Maio a primeira cami- nhada "De Barcelos à terra de D. António Barroso". Com a colaboração das juntas de freguesia de Remelhe, Barcelos e Arco- zelo, cerca de uma centena de pessoas reuniram-se na parada do quartel dos Bombeiros de Barcelos, onde foi efectua- do o aquecimento inicial pelo técnico do Projecto Barcelos Saudável (E.M.D.B.), caminhando então até Remelhe. Aqui chegados foram recebidos pelas crianças que ofereceram as flores com que os ca- minheiros homenagearam o Santo Bispo. Seguiu-se a missa dominical. Segundo a organização, esta caminha- da foi um ensaio para a grande romagem a realizar no dia 4 de Setembro, e a pri- meira de muitas que se seguirão. É assim, um modo de abrir a outros segmentos do povo crente a devoção a D. António Barroso. Uma palavra de agradecimento à co- laboração da P.S.P., G.N.R., Clube Moto- -Galos e Bombeiros de Barcelos pela co- laboração prestada.

José Ribeiro Fernandes

pela co- laboração prestada. José Ribeiro Fernandes Uma interessante iniciativa de carácter lúdico. Parabéns
pela co- laboração prestada. José Ribeiro Fernandes Uma interessante iniciativa de carácter lúdico. Parabéns
pela co- laboração prestada. José Ribeiro Fernandes Uma interessante iniciativa de carácter lúdico. Parabéns

Uma interessante iniciativa de carácter lúdico. Parabéns ao Grupo dos Amigos de D. António Barroso de Barcelos, e, em particular, aos dinâmicos irmãos Mendes, a quem a Causa muito deve, tal como ao Sr. Cândido Lopes. Votos de recuperação. Obrigado à Junta de Freguesia de Remelhe, pela amável colaboração. A. G. A.

Boletim de D. António Barroso

FLORES PARA D. ANTÓNIO BARROSO

Quando D. António faleceu, em 31 de Agosto de 1918, alguns escrito- res prestaram-lhe respeitosa home- nagem. A. Rodrigues Leal publicou em Illustração Catholica, de 14 de Setembro de 1918, um mavioso soneto. O poema terá sido escrito mesmo em cima do triste aconteci- mento, pois veio a público também no jornal Política, de 3 de Setembro, poucos dias após a morte.

Morreu – possuindo numa alma a Caridade acesa

Para todo o gemido e para todo o pranto!

Morreu – sabendo amar a terra portuguesa

E cumprindo a missão de Apóstolo e de Santo!

– Homens que andais no Mundo à cata de beleza

De amor e perfeição: – feridos pelo espanto,

Curvai-vos ante o morto e ante a sua grandeza

E

beijai com respeito as fímbrias do seu manto!

Esquecei um instante as fratricidas lutas

E,

molhando em saudade as pálpebras enxutas,

Ao clamor da Justiça e do bem – ajoelhai!

Escrevei na memória o seu nome e lembrança

E

Guardai para a vida a sua bela herança

De piedade, orações e sorrisos de Pai!

 

A. Rodrigues Leal

CONTAS EM DIA

1 – A nomeação para Vice-Postulador tem a data de 26 de Outubro de 2010. Desde então,

até 30 de Abril de 2011, foram efectuadas as despesas seguintes: Boletim n.º 196, de Junho de 2010: 495,00€; Boletim n.º 1, II Série, de Fev/Mar/Abril de 2011: 730,96€; Impressos vá- rios, etiquetas, cartões: 185,00€; Selos, tinta, carimbo e outros artigos de papelaria: 79,00€. TOTAL: 1.489,96 €.

2 – No mesmo período, ofertas recebidas para a Causa da Beatificação e pagamento do Boletim: Dr. António Xavier Forte 40€; D. Maria da Conceição Figuei- redo 10€; D. Maria Ermelinda Melo Osório 20€; Dr. Manuel José Martins de Almeida 50€; Sr. Hermenegildo Coelho Marques 5€; D. Maria Adelaide Azevedo Meireles 5€; Pe. José Vitorino Veloso 10€; Sr. Joaquim Martins da Costa 25€; D. Leontina Cabral 20€; Sr. Alberto José Gonçalves Gomes (Vi- las Boas) 100€; Dra. Maria Arminda Barroso Ferreira 100€; D. Maria Faria Azevedo 5€. TOTAL: 390€.

3 – Não foi aceite a abertura de conta bancária em nome da Postulação nem em nome do

Grupo dos Amigos de D. António. A assembleia geral de 17 de Setembro servirá também

para resolver este problema. Até uma melhor solução, a conta está em nome de Ama- deu Gomes de Araújo – Postulação. À atenção de quem enviar cheques ou vales de correio.

VISITAS À CAPELA-JAZIGO

O pároco de Remelhe, Pe. José Adílio Macedo, fez-nos chegar fotocópia de duas páginas do livro de visitantes, que se transcrevem, respeitantes ao período de 3 de Dezembro de 2006 a 21 de Janeiro de 2007. Os devotos que se registaram para pedir graças e/ou em acção de graças, e que contribuem, na medida das suas posses, para a Causa da Canonização, agra- decem. Esperamos poder manter esta secção, se possível com dados mais recentes.

Ana Brito de Sousa (Remelhe); Ana Maria da Cruz Torres; Elvira Lopes Paula; José Andrade (V.F.S.Martinho); Ana Brito de Sousa (Remelhe); José Faria de Oliveira (Carvalhas); Fábio Jorge Fonseca de Oliveira (Carvalhas); José Adílio Barbosa Mace- do (Remelhe); Ana Maria Coutinho (Remelhe); Anabela Conceição Ribeiro Araújo (Remelhe); João Pedro da Siva Leiras (Couto S. Tiago); Jorge Gabriel Silva Barbosa (Couto S.Tiago); Filipa Gabriel Silva Barbosa (Couto S.Tiago); José Gabriel Silva Bar- bosa (Couto S. Tiago); Justina Faria da Silva (Couto S. Tiago); José Maria Alvarenga Leiras (Couto S. Tiago); Maria do Carmo Pereira da Silva (Couto S. Tiago); Daniela Filipa da Silva Leiras (Couto S. Tiago); Maria Alice Gomes Faria; Manuel Ferreira Fonseca (Chorente); Preciosa Ferreira Vieira (Chorente); Odete Maria Ribeiro Car- doso (Alvelos); Augusto Costa Araújo (Minhotães); Ana Araújo (Minhotães); Júlia dos Prazeres Barbosa Teixeira Pereira (S.Veríssimo); Joaquim Ribeiro Fonseca; Ana Sousa Faria Coelho; Maria da Conceição Torres Alves agradece graça concedida na extracção de nódulo na tiróide; Rui Miguel Alves Gomes (Quinta do Conde); António Gomes (Setúbal); Manuel Ferreira da Fonseca (Chorente); Preciosa Ferreira Vieira (Chorente); Anabela Rodrigues Araújo; João Franco; Maria Clementina Franco; Jorge Pereira Araújo (Remelhe); Ana Maria da Cruz Torres Senra (Remelhe); Jorge Pereira Araújo (Remelhe); Marta Alexandrina Pereira de Almeida (S. João da Madei- ra); Elvira Moreira Pereira (S. João da Madeira); Maria Aurora da Silva Araújo; Maria das Dores da Silva araújo; Alberto Ribeiro Fernandes; Sameiro Silva (Barcelos); José Ferreira (Barcelos); Ana Brito de Sousa (Remelhe); Anabela Conceição Ribeiro Araújo (Remelhe); Justina Faria da Silva (Couto); Filipe Gabriel Silva Barbosa (Cou- to); Jorge Gabriel Silva Barbosa (Couto); José Gabriel Silva Barbosa (Couto); Padre José Adílio Macedo (Remelhe); Ana Maria da Cruz Torres Senra (Remelhe) João da Silva Simões (Sta. Eugénia); Maria Rosalina Correia Silva (Sta. Eugénia); Cristina Maria Senra Barbosa Simões (Remelhe); Luís Carlos Martins Ribeiro (Courel); Maria de Lurdes Miranda Senra (Remelhe).

Boletim de D. António Barroso

TESTEMUNHAS DO EVANGELHO:

JOÃO PAULO II

E

ANTÓNIO BARROSO

A recente beatificação do papa João

Paulo II, no passado 1º de Maio, traz espon- taneamente ao nosso espírito o testemu- nho de vida do Servo de Deus D. António Barroso. Como discípulos e após- tolos de Cristo, ambos enfrenta- ram situações difíceis, contradições

e perseguições, que fizeram deles

exemplos de heroicidade na prática das virtudes cristãs no meio de um mundo enlouquecido por ideologias desumanas. Perante a prepotência de autoridades governamentais, um

e outro souberam enfrentar, sem

violência, os decretos que atentavam

contra a liberdade religiosa dos ci- dadãos, que eram também membros

da Igreja e ovelhas do seu rebanho.

Os gestos do bispo de Cracóvia,

Carlos Wojtyla, desobedecendo à proibição de construir igrejas numa cidade que devia afirmar-se pelo seu ateísmo, não eram mais do que o

eco da atitude dos apóstolos peran-

te as determinações do Sinédrio de

Jerusalém: “Importa mais obedecer a Deus do que aos homens” (Ac 4,19). Com a mesma coragem, D. António Barroso soube enfrentar a severa e arrogante proibição,ditada porAfon- so Costa em 1911, de ler e divulgar a Carta Pastoral dos bispos, denun- ciando as arbitrariedades e injustiças

das leis republicanas de que a Igreja estava a ser vítima. Mais tarde, por causa de uma outra “desobediência” às leis da Repú- blica contra a Igreja, autorizando um grupo

de irmãs a abrir casa na sua diocese, teve de

suportar um segundo exílio.

Depois da sua eleição como papa, Car- los Wojtyla soube enfrentar sem medo o império do ateísmo tal como se levantava

nos países comunistas, em particular na sua própria pátria, a Polónia. A trama mis- teriosa dos acontecimentos que se segui- ram, culminaram na prática de um atentado ao próprio papa, do qual se salvou de um modo não menos misterioso, e, oito anos depois, na queda do “muro de Berlim”. A D. António Barroso, não pouparam os co-

de fidelidade a Cristo e à Igreja, que é o apanágio dos santos. Mais do que a malária africana, parece que aquilo que derrubou mais depressa o grande bispo do Porto fo- ram as injustas perseguições então movidas contra a Igreja. O zelo do papa João Paulo II, durante vinte e seis anos de pontificado, conduziu- -o pelo mundo inteiro em viagens apostó-

licas, com a intenção de levar a salvação de Cristo ao homem atormentado por tantos males. Antes de ser bispo do Porto, D. António Barroso trabalhou denodada- mente, durante duas décadas, no Con- go/Angola, em Moçambique, na Índia, tornando-se exemplo heróico do mis- sionário em terras de missão. Com as suas viagens, estudos e conferências, a gesta da sua acção missionária, de le- var a boa nova do Evangelho a todas

as gentes, marcou uma época na histó- ria da evangelização portuguesa. Assim como a segunda metade do

século XX não pode ignorar a extra- ordinária acção do papa Wojtyla, assim também as décadas a cavalo do ano 1900 não podem deixar de se con- frontar com a obra do homem simples

e extraordinário que foi António Bar-

roso. À distância de quase um século,

um e outro se encontram unidos no mesmo testemunho de vida. A coragem intrépida destes dois Servos de Deus em defesa da verdade faz do seu exemplo a melhor garantia da liberdade, em cuja sombra se es- condem medíocres lideres e prestidi- gitadores de opinião. Perante o per- fil gigantesco destes dois discípulos

de Cristo se rendem os homens de boa vontade. A sua fama de santidade possa derrubar os ídolos erguidos pelos ar- quitectos do indiferentismo e ateísmo, que, afinal, esvaziam o homem no seu próprio interior e o deixam sem esperança.

o homem no seu próprio interior e o deixam sem esperança. Foto que acompanhou a notícia

Foto que acompanhou a notícia da morte de D. Antó-

nio Barroso, na Ilustração Portuguesa de 9-9-1918, com a legenda: «o mais recente retrato, tirado em Coimbra,

quando do seu desterro nesta cidade».

rifeus da república nem vexames nem hu- milhações nem exílios. Perante atitudes tão indignas quanto intolerantes, D. António soube levar a sua cruz com uma dignidade desarmante, dando sempre um testemunho

Arnaldo Cardoso, Postulador

GRUPO DOS AMIGOS DE D. ANTÓNIO BARROSO. CONVOCATÓRIA. Nos termos do art.º18º dos

estatutos da Associação, convoco os sócios para se reunirem em Assembleia Geral, no dia 17 de Setembro, pelas 15 horas,

na sede, no Porto (Casa Diocesana de Vilar, à Rua do Arcediago Van Zeller, n.º 50), para discutirem e deliberarem sobre a

seguinte Ordem de Trabalhos: 1 – Plano de actividades; 2 – Discussão e votação de contas; 3 – Eleição de corpos gerentes.

Se

à ho ra ma rcada nã o ho uv er quo rum, a Assembl ei a ufnc iona rá , dec orri da mei a ho ra , com qua lquer númer o de membr os.

O

Presidente da Mesa da Assembleia Geral, Eng. Francisco de Nápoles Ferraz de Almeida e Sousa.

ROMAGEM DO PORTO À TERRA DE D. ANTÓNIO BARROSO. Para recordar os 100 anos da expulsão

de

D. António da diocese do Porto e o seu exílio em Remelhe, o semanário Voz Portucalense está a organizar uma romagem.

Será no dia 4 de Setembro, com partida do Porto, junto à Câmara Municipal, pelas 14 horas. Às 16 horas, haverá uma visita à capela-jazigo, e, às 17 horas, Eucaristia seguida de Te Deum, na igreja, com a participação do Coro Gregoriano do Porto. Segue-se, pelas 18.30 horas, uma visita à capela de Santiago e às casas onde nasceu e viveu D. António. A chegada ao Porto está prevista para as 21 horas.

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