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1 Tombamento Religioso, Hist Ûrico, Cultural, Patrimonial de E ur Ìpedes Barsanulfo, ì ApÛstolo d a

Tombamento Religioso, HistÛrico, Cultural, Patrimonial de EurÌpedes Barsanulfo, ìApÛstolo da Caridadeî.

ìPoderoso È o Sol da Verdadeî

Dirceu Abdala

EurÌpedes Barsanulfo

Õndices para cat·logo sistem·tico:

Dados Internacionais de CatalogaÁ„o na PublicaÁ„o (CIP) (C‚mara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Abdala, Dirceu O apÛstolo da caridade: tombamento religioso, histÛrico, cultural, patrimonial de EurÌpedes Barsanulfo, apÛstolo da caridade/Dirceu Abdala. - Goiatuba, Go/2007

Bibliografia. - Barsanulfo, EurÌpedes, 1880-1918 EspÌritas - Biografia I. TÌtulo -5417 CDD-133.9092 - EspÌritas: Biografia e obra 133.9092

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Pref·cio

Tombamento religioso, histÛrico, cultural, patrimonial de EurÌpedes Barsanulfo, apÛstolo da Caridade / Dirceu Abdala ñ Goiatuba ñ Go.

O Dr. Dirceu Abdala nos brinda com mais uma obra de inestim·vel valor para a Doutrina EspÌrita. Trata-se n„o apenas de mais uma biografia do valoroso EurÌpedes Barsanulfo, o apÛstolo de Sacramento, mas de uma primorosa pesquisa que resgata a ·rvore genealÛgica das famÌlias Ara˙jo

e Pereira de Almeida em seus primÛrdios em terras luso-brasileiras. Organizado especialmente para o tombamento do patrimÙnio histÛrico, cultural, religioso, patrimonial e porque n„o dizer ecolÛgico, preservaÁ„o da mata e cerrado do imÛvel, de EurÌpedes Barsanulfo, este documento traz um rela fiel e extremamente importante sobre o insigne professor e mÈdium sacramentano. Falar de EurÌpedes Barsanulfo È referir-se ao discÌpulo de Cristo Jesus, a quem tanto se assemelha em sua incomensur·vel grandeza. TambÈm n„o È possÌvel desvincular o dileto discÌpulo do poverello de Assis do Cristianismo em sua mais pura acepÁ„o e nem vislumbrar sua obra magn‚nima distante dos postulados da Doutrina EspÌrita. A mediunidade do grande mission·rio retrata na pr·tica toda a fundamentaÁ„o teÛrica kardequiana no que se refere ‡ propriedade dos dons medi˙nicos em seu exercÌcio com Jesus e Kardec: Caridade, Amor e Perd„o. Prova-nos EurÌpedes Barsanulfo que o verdadeiro espÌrita È aquele que

se desdobra na vivÍncia do trÌplice aspecto doutrin·rio: CiÍncia, Filosofia

e Religi„o. Em sua vivÍncia filosÛfico-cientifica, EurÌpedes Barsanulfo È

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o mestre e pesquisador por excelÍncia que n„o se calava e nem se escondia ante os ataques ao Espiritismo nascente no Brasil, despertando as almas para a verdade e a luz. Ao mesmo tempo, descortinava aos discÌpulos do ColÈgio Allan Kardec os segredos da natureza e as incomensur·veis grandezas das constelaÁıes universais. No aspecto religioso, o inesquecÌvel mission·rio socorreu e atendeu, indiscriminadamente, a todos os que aportaram na seguranÁa de sua destemida aÁ„o humanit·ria. Para EurÌpedes n„o havia limitaÁ„o, hora, nem de dia, nem de noite. Todo o seu tempo era dedicado no serviÁo de Jesus na pessoa de seus irm„os em humanidade. O tombamento patrimonial da ·rea da ìCh·cara Tri‚nguloî, na cidade de Sacramento, em Minas Gerais, È ato de gratid„o ‡ pessoa e ‡ obra benemÈrita de EurÌpedes Barsanulfo, o ApÛstolo da Caridade. Nosso reconhecimento agradecido ao Dr. Dirceu Abdala pela honra que nos concedeu para apresentaÁ„o de t„o significativo trabalho.

Elzi Nascimento ñ MBAE em Gest„o e Economia Empresarial, psicÛloga e escritora. … membro ativo do GEAK - GRUPO ESPÕRITA ALLAN KARDEC DE GOI¬NIA ñ GO. Ezita de Melo Quinta ñ MBAE em Gest„o e Economia Empresarial, pedagoga, especialista em educaÁ„o e escritora. … membro ativo do GEAK ñ Grupo EspÌrita Allan Kardec de Goi‚nia ñ GO.

Õndice

- Pref·cio

- Homenagem ‡ Heigorina Cunha / 06

- Vista da atual Sacramento / 09

- Origens / 10

- Inf‚ncia / 13

- Juventude / 17

- Casa Mogico / 19

- ColÈgio Miranda / 20

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- O ApÛstolo e a Doutrina / 21

- Santa Maria ñ Cristianismo / 22

- EurÌpedes visita Nosso Senhor Jesus Cristo / 27

- Centro EspÌrita EsperanÁa e Caridade / 30

- Faculdades medi˙nicas / 32

- Sofrimento de EurÌpedes / 34

- ColÈgio Allan Kardec / 37

- Desdobramentos e mediunidade de EurÌpedes / 39

- P·dua e Sacramento / 42

- Espiritismo e cura / 45

- EurÌpedes, homem p˙blico / 49

- EurÌpedes chamado a desafio / 50

- PerseguiÁ„o contra EurÌpedes / 52

- A reserva moral de EurÌpedes / 57

- ObtenÁ„o de recursos do Alto / 58

- Momentos finais nas vestes fÌsicas / 60

- Legado de EurÌpedes / 62

- Tombamento histÛrico, religioso, cultural de EurÌpides Barsanulfo / 64

- Pedido de tombamento / 66

- Dos tr‚mites legais / 70

- Decreto de tombamento / 76

- Sacramento e EurÌpedes / 82

- EurÌpedes, intÈrprete dos EspÌritos / 84

- EurÌpedes no Plano Espiritual / 104

- Ataque das trevas ‡ memÛria de EurÌpedes / 106

- A semente de EurÌpedes / 108

- ProteÁ„o Espiritual / 109

- Registros bibliogr·ficos / 115

- Anexos / 116

- EurÌpedes Barsanulfo - O Precursor da Pedagogia EspÌrita / 121

- Palavras de uma educadora espÌrita sobre EurÌpedes Barsanulfo / 125

- Tese de mestrado / 127

- Pleito de gratid„o / 128

- Do culto no lar e seus benefÌcios / 130

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- Marcos, reencarnaÁ„o de EurÌpedes / 135

- Ch·cara Tri‚ngulo Casa do Caminho - Recanto da Prece - Culto do Amor Crist„o e Mans„o Do Amor / 139

- Quarto de EurÌpedes / 143

- Mensagem de EsperanÁa / 146

- Caminhos que se bifurcam / 147

- Centro EspÌrita / 149

- Oficina da Sinhazinha / 150

- Folha de Malva / 153

- Evangelho da VovÛ Meca / 154

- Dicion·rio de termos evangÈlicos / 155

- Recinto do centro / 156

- Sinhazinha, Chico e Ataliba / 157

- Casa Assistencial Meimei / 158

- IntegraÁ„o Mission·rio e seu animal / 159

- O Mission·rio e a famÌlia / 160

- ⁄ltimo discÌpulo de EurÌpedes / 162

- Homenagem a EurÌpedes / 166

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6 Nossa homenagem ‡ Heigorina Cunha Com profundo carinho e amor oferecemos este trabalho ‡ nossa

Nossa homenagem ‡ Heigorina Cunha

Com profundo carinho e amor oferecemos este trabalho ‡ nossa querida HEIGORINA CUNHA e seus familiares, em homenagem e lembranÁa do seu querido tio, EURÕPEDES BARSANULFO. ¿ nossa m„e, AFONSINA, aos filhos, netas, irm„os, cunhados e cunhadas dedicamos a presente obra. ¿ memÛria de nosso querido CHICO XAVIER, e ao meu saudoso pai, NAGIB ABDALLA, nossa eterna gratid„o. Aos gentis amigos, ELZI NASCIMENTO, ELZITA M. QUINTA, TALHYS ANDREY NUNES RODRIGUES nosso carinho especial em forma de gratid„o.

Nossa homenagem ‡ Heigorina Cunha

Ataliba JosÈ da Cunha casa-se com EurÌdice Miltan Cunha Sinhazinha, em 08/03/1915. Da referida uni„o, nasceram os filhos:

- Heigor Cunha, nascido em 22/12/1915

- Heigorina Cunha, nascida em 18/12/1916

- Ivonir Cunha, nascida em 11/09/1918

- Ivomir Cunha, nascida em 28/02/1920

- Vigilato JosÈ da Cunha, nascido em 24/09/1921

- Heigorina Cunha, nossa homenageada, nasceu em 16/04/1923

- Lenoir Cunha, nascido em 11/08/1925

- Neonir Cunha, nascida em 24/01/1927

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- Roberto Cunha, faleceu apÛs o nascimento, em 27/07/1928

- Lineu Cunha, nascido em 17/07/1929

- Adolfo Cunha, nascido em 10/10/1931

- Ionete da Cunha, nascida em 11/11/1932

No estudo da genealogia de EurÌpedes vimos que EurÌdice Miltan era sua irm„. Casando-se com Ataliba JosÈ Cunha receberam 12 filhos, sendo que Heigorina, nossa homenageada recebeu o mesmo de sua irm„, falecida. Portanto, Heigorina Cunha È sobrinha legÌtima de EurÌpedes Barsanulfo. Diversos familiares e amigos de EurÌpedes deram continuidade ao trabalho dele. VovÛ Meca, Mogico, SinhÙ Mariano, Sinhazinha, Edirith, Edalides, Elith. D. Am·lia, JerÙnimo Candinho, Dr. Thomaz Novelino, Corina Novelino, Aristides, Jason, Frederico PerÛ e demais familiares. N„o podendo esquecer do amor de jipe, o c„ozinho de estimaÁ„o do professor, pois quem ama presta um grande serviÁo ao ser amado. Na mocidade, Heigorina, portadora de limitaÁıes fÌsicas, toma o comando da obra, sem parar um sÛ dia d· continuidade em primeira linha de trabalho, ao Culto do Evangelho, realizado todos os dias, ‡s noves horas. Seguido de in˙meras atividades, conforme se apurou no processo de tombamento. Com a humildade que lhe caracteriza a personalidade, no comando de elevadÌssima responsabilidade de dar continuidade ao trabalho implantando por EurÌpedes Barsanulfo, alem de renomada escritora, inclusive obras em parceria com MÈdium de Jesus, Chico Xavier, que a consagrou em raz„o deste elo de profundo significado. Inclusive sua autobiografia, o Poder da mente, livro de cabeceira pelo exemplo de fÈ, ren˙ncia e muito amor ao prÛximo. N„o contente, locomovendo-se com pen˙ria e imensa dificuldade, ainda assim funda em santa Maria, onde tudo comeÁou, demonstrando assim que a continuaÁ„o da obra deve ser completa e homenagear Santa Maria, com uma belÌssima instituiÁ„o em benefÌcio de necessitados, È algo que vem comprovar ser Heigorina vulto de exemplos na histÛria da Doutrina EspÌrita.

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Recebe a todos em sua casa, momento de extrema ternura e de profundo amor a todos nÛs, ali sentada em sua cadeira, sempre sorridente abre os olhos que brilham como estrelas no firmamento da ColÙnia EurÌpedes Barsanulfo, implantada pelo Plano Maior sobre a cidade de Sacramento. Torna-se canal ˙nico de ligaÁ„o entre os visitantes e o Alto, sorriso bondoso, amor em exuber‚ncia, alegria incontida, fala com o semblante sorrindo, inclusive com os prÛprios olhos, lembrando estrela fulgurante de amor e de dedicaÁ„o · Doutrina EspÌrita. Relata-nos com facilidade o Plano Espiritual, as colÙnias, a vida no Alto, como se fizesse ali presente, e com alegria nos fala da Vida Maior. Com simplicidade conta-nos fatos, eventos, construÁıes, edificaÁıes, jardins, rios, vida no Alto. O tempo passa e se escoa e nesta sintonia busca entrar na faixa vibratÛria do Professor, seu querido tio, venerado com emoÁ„o em l·grimas, pela representante que com mais de oitenta anos e toda dificuldade fÌsica È exemplo vivo de todas as virtudes. ParabÈns Tio EurÌpedes, pelo exemplo de nossa querida tia, Heigorina. Em nome da Doutrina EspÌrita, da gratid„o, do exemplo, pedimos licenÁa a Nosso Senhor Jesus Cristo para beijar seu generoso coraÁ„o por tudo o que ela tem feito pela Doutrina EspÌrita e por todos nÛs.

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O ApÛstolo da Caridade

Tombamento Religioso, HistÛrico, Cultural e Patrimonial de EurÌpedes Barsanulfo

Vista da atual Sacramento - MG

Vista parcial de Sacramento a partir do Bairro Alto Santa Cruz

parcial de Sacramento a partir do Bairro Alto Santa Cruz A pacata Sacramento, terra de suor,

A pacata Sacramento, terra de suor, luta e de muito trabalho. BerÁo de

famÌlias tradicionais, como tronco de moralidade e alicerce de muitas genealogias brasileiras. Vista atual desta bela colina sacramentana, onde se situa a cidade, que a exemplo das colinas da GalilÈia. L· Nosso Senhor Jesus Cristo implantou o mais fecundo trabalho trazendo atÈ nÛs a lei de amor, na Boa Nova, rota segura de nossa libertaÁ„o.

O mÈdium de Nosso Senhor Jesus Cristo, realizou a mais fecunda obra

do Cristianismo no interior das Minas Gerais. A semente multiplicou com o trabalho do semeador, somatÛrio de suas virtudes, como exemplo, testemunho da mais pura caridade, do amor sem limite, fez com que o PaÌs todo colhesse seus frutos, pois dificilmente se encontra no Brasil uma cidade que n„o tenha homenageado EurÌpedes Barsanulfo com uma obra.

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Origens

Certa feita, no Santu·rio de Luz, sala de refeiÁıes onde nosso ApÛstolo de todos os milÍnios, Chico Xavier, o mais evoluÌdo ser que pisou o solo terrestre, depois de Nosso Senhor. Isto dito por Ele, quando se referia a Chico, na condiÁ„o de Jo„o Batista, ao dizer que Jo„o era o mais evoluÌdo ser nascido de mulher. Perguntamos ao Anjo do Senhor, nosso querido Chico, quem era EurÌpedes Barsanulfo, ele nos disse: ìA humanidade n„o conhece o Dicion·rio Divino para conceituar EurÌpedes. Falar de EurÌpedes È o mesmo que falar de Nosso Senhor Jesus Cristoî. Nossa contribuiÁ„o È insignificante diante da gigantesca obra do nosso ApÛstolo da Caridade. A vida de EurÌpedes, contada em in˙meros livros, jornais, mÌdia de seu tempo, poderia pelo sÈculo todo ser divulgada e n„o teria dito a metade ou quase nada do seu valor e de seu significado apostolar para a humanidade, como um Farol da mais pura luz, a Luz de Jesus. Emiss·rio Celeste, aceitou o compromisso de trazer atÈ nÛs exemplos de ren˙ncia, indulgÍncia, caridade, muito amor ao prÛximo, implantando nas colinas de Sacramento a Luz do Evangelho, exemplo de Santo AntÙnio de P·dua, cuja oraÁ„o retumbava pela cidade toda, aqui as oraÁıes do ApÛstolo da Caridade multiplicavam n„o sÛ as colinas, mas os bosques, os montes e montanhas, riachos e cascatas, fontes de ·gua e a mansid„o das relvas que derramavam l·grimas de agradecimento pela bela presenÁa do emiss·rio consolador do Senhor. Busquemos pela ampulheta do tempo, a famÌlia Ara˙jo, berÁo genÈtico de EurÌpedes. Essa famÌlia, portuguesa na origem, descendia da Casa dos T·vora, cujo chefe familiar era o ìMarquÍs de T·voraî, Vice-Rei de Portugal nas Õndias. De volta das Õndias, em Portugal o mencionado MarquÍs e seus correligion·rios buscaram uma polÌtica contr·ria aos interesses da Coroa e, portanto, aos interesses do Rei D. JosÈ. Um dia triste na histÛria, D. JosÈ sai do pal·cio e È atingido por disparo de bacamarte, arma de fogo utilizado naqueles tempos, sendo a autoria do crime atribuÌda ao MarquÍs

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de T·vora e seus aliados. Imediatamente, o MarquÍs de Pombal, ent„o Primeiro Ministro de Portugal, determinou a pris„o de todos os envolvidos e os entregou ‡ f˙ria popular, foram linchados em praÁa p˙blica, o MarquÍs de T·vora, sua esposa, D. Leonor, o Conde Aveiro e mais alguns companheiros desse negro episÛdio. N„o satisfeito, continuou o MarquÍs de Pombal com a perseguiÁ„o contra essa famÌlia. Uma parte fugiu para a £frica originando em Marrocos a famÌlia Borges de Ara˙jo, e o restante da famÌlia refugiou-se no Brasil, formando o berÁo da famÌlia Ferreira de Ara˙jo. No Brasil, o Capit„o Ferreira buscou o santu·rio das terras da Bahia formando imensa famÌlia. Por sua vez, Manoel Ferreira de Ara˙jo casou- se com uma baiana e dirigiu-se a ConceiÁ„o do Mato Dentro, comarca da Serra de Minas Gerais, onde nasceram todos os seus filhos. O genro do Capit„o Ferreira, de nome Luiz da Cunha Ferreira dirigiu-se para Sacramento, para onde, por volta de 1810, vieram os demais familiares, inclusive o prÛprio Capit„o. Buscando a Biblioteca P˙blica de Belo Horizonte, patrimÙnio histÛrico cultural do belo povo mineiro, ali encontramos o seguinte registro:

CÙnego HermÛgenes Casimiro de Ara˙jo, o homem mais not·vel do antigo Sert„o da Farinha Podre, ordenou-se em S„o Paulo, no ano de 1809. ApÛs a ordenaÁ„o passou a assinar HermÛgenes Casimiro de Ara˙jo Brunwish, vig·rio da Capela Imperial, Deputado da Corte de Lisboa, Deputado Provincial e Geral em diversas legislaturas e Comendador das Ordens da Rosa e do Cristo, Vig·rio do Desemboque para onde transferiu residÍncia no ano de 1819. Tornou-se Comandante da Guarda Nacional e do Batalh„o do Desemboque, professor de teologia e latim, tendo desencarnado em setembro de 1861, com 75 anos de idade. A genealogia desta famÌlia sacramentana assim ocorreu: o Capit„o Manoel Ferreira de Ara˙jo casou-se com Joaquina Rosa de Ara˙jo, de cuja uni„o nasceram os filhos: CÙnego HermÛgenes Casimiro de Ara˙jo, Padre Antonio Domiense de Ara˙jo, Miguel EugÍnio Ferreira de Ara˙jo, Clemente JosÈ de Ara˙jo, FÈlix Ferreira de Ara˙jo, Mauricio Ferreira de Ara˙jo, HonÛrio Am‚ncio de Ara˙jo, Joaquina Silv‚nia de Ara˙jo, Florinda de Ara˙jo.

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Por sua vez, Clemente JosÈ de Ara˙jo, um dos filhos do Capit„o Manoel Ferreira de Ara˙jo, casa-se com Escol·stica de Ara˙jo, gerando os filhos: Ana Petrolina de Ara˙jo, HermÛgenes Casimiro de Ara˙jo Sobrinho, Manoel GonÁalves de Ara˙jo, Escol·stica das Dores Ara˙jo, C‚ndido de Ara˙jo, JosÈ Clemente de Ara˙jo. Estes tornaram-se pela sucess„o heredit·ria netos do Capit„o Ara˙jo. Padre Antonio Domiense de Ara˙jo, irm„o de Clemente JosÈ de Ara˙jo, em raz„o de sua forte ligaÁ„o com a Coroa Imperial recebe, em sesmaria, oito mil alqueires das terras de Ibituruna e Santa Maria, englobando, assim, as belas serras dos citados lugares. Aproximamos agora da chegada no nosso querido EurÌpedes. Em raz„o do casamento de HermÛgenes Casimiro de Ara˙jo Sobrinho com HonÛria de Ara˙jo, nascem nove filhos: Clemente de Ara˙jo, Guilhermina de Ara˙jo, HermÛgenes Ernesto de Ara˙jo, AntÙnio de Ara˙jo, Jo„o Nepomuceno de Ara˙jo, Hor·cio de Ara˙jo, OvÌdio de Ara˙jo, Virgilio de Ara˙jo, Olimpio de Ara˙jo. O Evangelho do Senhor noticia que a ·rvore boa d· bons frutos e como na Lei Divina n„o h· exceÁ„o, HermÛgenes Ernesto de Ara˙jo, conhecido por Mogico, homem Ìntegro, puro, a exemplo de JosÈ de NazarÈ, que em sua pequena oficina criou todos os seus filhos, com a maior liÁ„o de vida para a humanidade, assim tambÈm Mogico, o aliado do Senhor foi chamado para ser o genitor de EurÌpedes. Nosso generoso Mogico casa-se com a pura, virtuosa, caridosa, a nossa querida JerÙnima Pereira de Almeida, conhecida por vovÛ Meca. Portanto, Meca, em nosso dicion·rio da Doutrina EspÌrita passa a significar origem do amor e da ren˙ncia. Casam-se e trazem ‡ Terra quinze filhos: Maria Neomisia, Eulogio Natal, Wenefreda Dermecilia, Waltercides Willon, AerÌsia Hermencilia, Odulfo Wardil, EurÌdice Miltan, Eulice Diltan, Edalides Millan, Edirith Irany, Herodoto, Elith Irany, Homilton Wilson, Waterville Wilman e EurÌpedes Barsanulfo, colocada em ˙ltimo lugar para destaque genealÛgico, embora tenha sido o terceiro filho do casal.

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Inf‚ncia

HermÛgenes Ernesto de Ara˙jo, acompanhado de seu pai, HermÛgenes Casimiro de Ara˙jo pediu a m„o de seu bom anjo, JerÙnima Pereira de Almeida, com apenas 14 anos de idade, para fugir do recrutamento da guerra do Paraguai. A noiva teria comentando, ‡ ocasi„o:

ì…, o mogico casou comigo por causa do Reculutaî (ìReculutaî significava, ent„o, ìrecrutaî). JerÙnima, Ûrf„, residindo com seu irm„o mais velho, nem mesmo chegou a conhecer seu futuro marido naquele dia, pois era costume pedir a m„o da moÁa sem conhecÍ-la. Ela o viu somente no dia do casamento, pelo buraco da fechadura da sala. Ali se encontravam seu irm„o, JosÈ Pereira de Almeida e mais dois rapazes, alem do pai do noivo. Grande susto ela teve quando deparou que um deles portava um grande bÛcio. E, agora, quem era o noivo?. O desespero fez o puro coraÁ„o daquela santa menina bater mais forte. O grande dia chegara, o noivo se postava junto ao altar da igreja, espera de sua prometida. O momento era de muita apreens„o, de muita euforia e atÈ mesmo de desespero, pois a sorte era lanÁada. O desespero, porÈm, cedeu lugar a uma suave e linda esperanÁa, pois o noivo era o simp·tico HermÛgenes, o Mogico. Os olhos de ambos brilharam, ante a simpatia do noivo e a doÁura e meiguice da noiva. O Alto trabalhou para o feliz reencontro, o magnetismo salutar fez nascer fontes de esperanÁas, que iguais a cascatas de cachoeira em seu borbulhar, desciam sobre os futuros pais de nosso querido EurÌpedes Barsanulfo, cobrindo-os com o manto da responsabilidade, do afeto, do carinho e da paternidade santificante. Tudo fazia lembrar o momento em que JosÈ recebia Maria, pais abenÁoados de Nosso Senhor. HermÛgenes j· n„o temia ser Volunt·rio da P·tria, sua sorte e de nÛs todos seria outra, conforme veremos. Mesmo porque, na falta do registro civil, o casamento religioso era v·lido e isentava o moÁo da condiÁ„o de recruta. Pobres, de recursos quase nulos, vivendo na pequena cidade mineira de Sacramento, sem qualquer mercado de trabalho, a vida era quase um

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milagre. Aqui o milagre foi maior, vez que apÛs o casamento, JerÙnima portadora de desmaios medi˙nicos, gastava todas as economias do casal, em raz„o dos cuidados a ela dispensados. Mas ambos lutaram como somente os bravos lutam, sem esmorecimento. E, mesmo assim, fruto de elevado amor, de respeito, da mais profunda ternura e responsabilidade, a cada dois anos nascia um filho. Assim, nasce o terceiro filho, EurÌpedes Barsanulfo, no dia 1 de maio de 1880, o trabalhador de Jesus chega ‡ Terra no dia do trabalho, recebido nas m„os primorosas da parteira, Ludovina. Chegava o lavrador na seara da Doutrina EspÌrita, exemplo de amor, ren˙ncia, indulgÍncia e portador de todas as virtudes, a caridade encarnada. J· os demais filhos nasceram sob os cuidados da vovÛ Meca. Para ajudar no trabalho da grande famÌlia vem a escrava Rufina, pertencente a Babota, irm„ de Meca. EurÌpedes foi registrado na prÛpria parÛquia, no livro n. 12, ‡s fls. 23, do livro de batismos. A misÈria, os sofrimentos aumentavam na proporÁ„o do nascimento de mais filhos do casal, vez que o sal·rio de Mogico, continuava sempre o mesmo. Quando crianÁa, o maior sonho de EurÌpedes era adquirir um doce de leite, vez que seus colegas tinham sempre uma moeda para tanto, atÈ que um dia um amigo, por brincadeira, ensinou-lhe que passasse um caco de telha na pedra atÈ ficar igual uma moeda e aÌ poderia comprar o t„o sonhado doce, e, qual n„o foi surpresa sua que o comerciante o atendeu, recebendo a moeda de telha em troca do doce de leite em pedaÁo. Agora estava feliz, j· sabia fazer dinheiro. Eram tempos difÌceis, conta-se que, para matar a fome, usava-se naquela Època, uma espÈcie de camisola com bolsos onde se colocavam um pedaÁo de rapadura e um naco de pele de porco, para ir iludindo a fome ao longo do dia. Ainda que pobre, a inf‚ncia era feliz, pois habitava um lar santo. Mesmo assim, o menino EurÌpedes n„o escondia sua tristeza diante dos constantes desmaios da m„e, permanecendo, naqueles momentos, sempre a seu lado. Um fato que chama a atenÁ„o j· nos primeiros anos de EurÌpedes era sua presenÁa diante dos pobres, doentes, sofredores, (exemplos de Jesus) aos quais sempre tinha palavras de consolo. Tanto È verdade que ele teve

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a intuiÁ„o da morte de Babota, permanecendo no seu leito de morte atÈ seu desencarne. Inclusive, foi quem lhe deu o ˙ltimo alimento. Na escola, apÛs a alfabetizaÁ„o nunca mais abandonou os livro. Seu pai, Mogico, procurando melhorar sua condiÁ„o de vida, j· que a prole sempre aumentava, conseguiu emprego para gerenciar a casa comercial da estaÁ„o do CipÛ, fato ocorrido em 1895, quando a situaÁ„o da famÌlia melhorou em raz„o dos melhores rendimentos de Mogico. E, em raz„o da ausÍncia de escola na estaÁ„o de CipÛ, EurÌpedes continuava seus estudos com o prÛprio pai. Em CipÛ, EurÌpedes registrou para sempre sua evoluÁ„o moral, pois com pequena idade arrastava malas dos passageiros, tratava dos animais, em troca das moedas que as dava ‡ m„e para tratar de sua doenÁa. Nada guardava para si. Certa feita em que conseguira maior quantidade de dinheiro, entregou ‡ sua m„e, dizendo-lhe para n„o deixar faltar p„o em casa. Embora a situaÁ„o melhorasse, mas Mogico e VovÛ Meca tiveram quinze filhos, eles doentes, pai e filho e muito pobres, VovÛ Meca lavava, passava roupas para fora e fazia doces salgados, que EurÌpedes vendia na rua para manter os irm„os e os pais, Embora CipÛ trouxesse ‡ famÌlia melhores condiÁıes de recursos amoedados, n„o foram felizes, j· que a proximidade do Rio Grande lhes faz mal ‡ sa˙de. Mogico adoece, bem como EurÌpedes, a ponto de serem obrigados a retornarem a Sacramento, apÛs uma estada de trÍs anos. EurÌpedes passa a freq¸entar o ColÈgio Miranda, que ministrava aos alunos o conhecimento do famoso ColÈgio CaraÁa, o mais famoso educand·rio das Minas Gerais. No ColÈgio Miranda, EurÌpedes demonstrou sua cultura adquirida em Planos Superiores, pois era dotado de excelente formaÁ„o moral, religiosa e cultural. T„o estudioso e dedicado que passou a auxiliar os professores, lecionando LÌngua Portuguesa, FrancÍs, Matem·tica aos seus colegas. Em casa continuava sua condiÁ„o de jovem professor, lecionando aos irm„os. Sua fama na escola o fazia portador da Bandeira Nacional nas festividades escolares, alÈm da oratÛria oficial da escola. Ali permaneceu atÈ a sua maioridade, que aconteceu aos 21 anos de idade. Nesta ocasi„o o diretor da Escola comunica ao pai de EurÌpedes, que nada mais tinha a

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ensinar ao aluno e que ele deveria seguir seus estudos em cidade maior. Assim, em 1902 o pai leva EurÌpedes ao Rio de Janeiro para prosseguir seus estudos, sendo matriculado na Escola de Medicina, permanecendo ali apenas 20 dias. Ei-lo de volta ‡ Sacramento para buscar seu enxoval e voltar para a Capital do PaÌs. Com a doenÁa de Mogico curada, nova oportunidade de trabalho melhorava a situaÁ„o da famÌlia. Estava tudo pronto para a viagem de EurÌpedes, mas, ‡ medida que se aproximava a partida, a m„e, sensÌvel, amorosa, adoecia com maiores ataques, fazendo com que EurÌpedes renunciasse a carreira de mÈdico para cuidar da m„e. Ainda adolescente, com cerca de 13 anos de idade fundara o GrÍmio Sacramentano, n˙cleo cultural da cidade, entidade onde se cultivavam as artes de teatro, poesia, literatura, e cuja fama corria o mundo provinciano daquela Època. N„o satisfeito, em companhia de amigos, cria a Gazeta de Sacramento, veÌculo reconhecido pelos grandes periÛdicos da Època como excelente divulgador da cultura sacramentana, e que veio a encerrar suas atividades em 1918.

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Juventude

O mais puro jovem de Sacramento dedicava-se ‡ cultura, aos pobres e ‡ religi„o. Professor assistente, conforme ficou dito, lecionava para os irm„os em casa. Participava ativamente da Igreja CatÛlica, principalmente da Sociedade S„o Vicente de Paula, sempre pronto a servir a todos, amigo Ìntimo do padre, bem como da comunidade catÛlica n„o sÛ de Sacramento, bem como de toda regi„o, inclusive do bispado de Uberaba. Segundo consta, n„o teve uma namorada, n„o danÁava, indene de vÌcio, n„o conhecia a palavra mentira, nunca comentou a vida alheia, sempre encontrava uma boa palavra para a defesa de alguÈm, a exemplo de Jesus e seus ApÛstolos. Conta-se que quando encontraram um c„o morto, podre, os ApÛstolos se retiraram da estrada e Jesus aproximou-se do c„o e sem tapar o nariz, disse: ìque belos dentes tem este c„o!î. EurÌpedes era rÌgido com a moral familiar e altamente disciplinado, determinava que se fechasse a porta da casa ‡s 21 horas, encerrando as atividades do dia. A maior preocupaÁ„o de EurÌpedes, em sua mocidade, conduta obcecante, era a cura da pobre e doente m„e. Era capaz de passar a noite toda a seu lado, orando em seu benefÌcio. Houve Època em que ela passava o dia e a noite sofrendo ataques de desmaios. EurÌpedes, juntamente com seu pai n„o se desligavam dela, com profundo amor e carinho. Estava t„o doente que um simples grito ou gargalhada j· era motivo para um desmaio, atÈ mesmo ao ler um jornal, os an˙ncios de morte, aqueles avisos que trazem cruzes indicando o falecimento era motivo para desmaios. CaÌa no quintal e era levada nos braÁos de EurÌpedes para dentro de casa e colocada na cama. Era ele a sentinela, o enfermeiro, o soldado que vigiava dia e noite a pobre m„e. No colÈgio de Ana Borges, durante os saraus da mencionada professora, EurÌpedes contribuÌa com versos belÌssimos, declamados com profundo sentimento. AlÈm de seu interesse pela cultura liter·ria, mantÈm aceso o interesse pela medicina, carreira que deixou de seguir por amor m„e. Seu interesse È despertado pela homeopatia. Toma emprestados os livros de OrmÍnio e os devora, tinha em mente um ˙nico objetivo, o seu

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prodigioso amor pela m„e o levava a buscar a sua cura. Para isso varava noites e noites estudando, pesquisando um medicamento para a cura. A seguir, com parcos recursos monta pequena farm·cia homeop·tica para tratar dos pobres. N„o se contentava em esperar o doente, saÌa pela periferia da cidade buscando-os, tornando-se pai da pobreza, recurso dos sofredores, esperanÁa para os doentes do corpo e da alma, pois, alÈm de remÈdios, era ele o consolo em pessoa. Assim permaneceu, jovem, simples e humilde de coraÁ„o, amoroso com todos e lenitivo dos pobres durante quatro anos. Por outro lado, o bondoso Mogico melhora sua condiÁ„o financeira e melhores dias em seus negÛcios sopravam, procurando os melhores produtos, mercadorias, sempre com honestidade e o bom sorriso, tornara- se excelente comerciante. Duas preocupaÁıes o moviam: honestidade e bom atendimento. EurÌpedes, por sua vez, alem de auxiliar no balc„o, fazia a escrita da casa, ou seja, a movimentaÁ„o comercial. Cresceu o comÈrcio e houve necessidade de expans„o, daÌ uma filial na vizinha cidade de Conquista foi criada. Com a idade e o progresso da doenÁa, Meca piorava e tornara-se cega. EurÌpedes, incansavelmente, dia e noite estudando, pesquisando, consegue a melhora da sa˙de da m„e. Por outro lado, Mogico crescera tanto que conseguiu adquirir a primeira m·quina de costura para VovÛ Meca, a primeira torradeira de cafÈ, bem como o primeiro automÛvel da cidade de Sacramento. O crÈdito de Mogico e sua honra eram apregoados em todas as cidades e no seio rural, somatÛrio de dignidade e de honestidade, aliados ao bom trabalho.

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19 Casa Mogico Praticamente, Mogico torna-se grande comerciante para aquela Època, honest Ìssimo em seus negÛcios,

Casa Mogico

Praticamente, Mogico torna-se grande comerciante para aquela Època, honestÌssimo em seus negÛcios, sua margem de lucro angariou-lhe enorme freguesia, que era disputada pelos demais comerciantes da regi„o e com real desvantagem para todos, pela simples raz„o do enorme carisma humanit·rio e sua generosidade. Sempre pronto a ajudar seja l· quem for, nunca perguntou a raÁa, a religi„o, os costumes de ninguÈm. Se S„o JosÈ realizou o trabalho do anonimato, nunca buscou sua condiÁ„o de genitor de Nosso Senhor, por sua vez Mogico na condiÁ„o de pai de EurÌpedes Barsanulfo eclipsava sua conduta, para tambÈm viver no esquecimento dessa condiÁ„o. Apenas ficava na retaguarda cobrindo e ajudando nas despesas da enorme fraternidade de EurÌpedes, ajudando-o a manter suas obras. Portanto, a Doutrina EspÌrita deve muito a este herÛi anÙnimo, verdadeiro baluarte da histÛria de EurÌpedes e da Vivo Meca. Durante sua mocidade e maioridade a vida de EurÌpedes foi dedicada ao ensino, fazendo de Sacramento o mais belo foco de luz no campo da educaÁ„o do interior de Minas Gerais. Foram vinte anos dedicados a este excelente e prodigioso trabalho, iluminando a mente humana. Conforme ficou registrado a primeira contribuiÁ„o na ·rea educacional foi o colÈgio Miranda, depois a criaÁ„o do Liceu Sacramentano. A idÈia partiu do prÛprio EurÌpedes, com a colaboraÁ„o de amigos e de admiradores conseguiu o sonho da criaÁ„o do Liceu.

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20 ColÈgio Miranda Sem d ˙vida alguma, inspirada por Kardec, Pestalozzi, Kant, Plat„o, S Û crates

ColÈgio Miranda

Sem d˙vida alguma, inspirada por Kardec, Pestalozzi, Kant, Plat„o, SÛcrates e Spencer, o Liceu torna-se o veÌculo de comunicaÁ„o, como canal entre as maiores inteligÍncias vinculadas ao Planeta e seu simples estudantes. Ali se difundia a mais alta cultura educacional, aliada as disciplinas mais difÌceis da Època. Mesmo com a falta de docentes altura, tudo corria da melhor maneira possÌvel, pois atÈ mesmo a arte ali se tornava cientÌfica, como todas as demais disciplinas. Havia tambÈm preocupaÁ„o com as atividades fÌsicas, na cÈlebre liÁ„o do mens sana in corpore sano. Com o sal·rio de escritur·rio nas casas comerciais de seu pai, ele se mantinha, pois necessitava de muito pouco para sua simples vida apostÛlica. A ponto de criar a sociedade dos amiguinhos pobres, destinando recursos a eles, juntamente com generosos coraÁıes volunt·rios. Guiada pelas correntes dos caridosos educadores do Alto, a pedagogia de EurÌpedes era a da caridade, do profundo amor ‡ profiss„o, aos alunos e principalmente aos carentes. Suas aulas eram mestrados do amor de Nosso Senhor, com a pedagogia dos Anjos.

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O ApÛstolo e a Doutrina

Os grandes mission·rios da Doutrina EspÌrita, na sua maioria, tiveram poucos anos de dedicaÁ„o ‡ Seara, tais como Allan Kardec, Dr. Bezerra de Menezes e o nosso ApÛstolo, EurÌpedes Barsanulfo, variando entre 12 a 14 anos de atividade, tempo mais que suficiente para servir de exemplo pela Eternidade afora, como alicerce de amor, responsabilidade e o somatÛrio das virtudes que constituem a caridade na sua mais precisa conceituaÁ„o. Com EurÌpedes, a situaÁ„o n„o foi outra, vez que, trabalhando ao mesmo tempo em Conquista e Sacramento, tomou conhecimento do gigantesco trabalho realizado no povoado de Santa Maria, surto da mais pura mediunidade, traduzida por homens simples, quase incultos, humildes oper·rios do campo, a exemplo de Nosso Senhor, que formou seu colÈgio apostolar com pescadores e homens do povo. Mas as notÌcias vindas de Santa Maria, meio caminho entre Conquista e Sacramento eram belÌssimas, ali trabalhavam no campo medi˙nico SinhÙ Mariano (Tio de EurÌpedes), Aristides GonÁalves, Jason e tantos outros. Tudo lhe foi revelado pela madrinha Sana, residente em Conquista, que relatava as belas passagens medi˙nicas, trazidas por espÌritos de muita Luz. J· que EurÌpedes realizava o serviÁo cont·bil da outra firma de seu pai em Conquista, ali comparecia e sempre as mesmas notÌcias da madrinha, dos acontecimentos de Santa Maria, uma nova GalilÈia, um novo Pentecostes de novo em nossa Terra.

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22 Santa Maria ñ Cristianismo Voltemos um pouco ‡ mocidade de EurÌpedes, catÛlico fervoroso, amigo fiel

Santa Maria ñ Cristianismo

Voltemos um pouco ‡ mocidade de EurÌpedes, catÛlico fervoroso, amigo fiel dos padres e de toda a comunidade catÛlica, exemplo do mais perfeito seguidor da Igreja. Sua situaÁ„o era difÌcil, mas todos nÛs, mais cedo ou mais tarde, por amor ou pela dor, buscaremos o Consolador prometido. Aqui nosso jovem veio por muito amor, conforme relatos da Època e registros fiÈis de escritores, jornalistas e a notoriedade dos fatos. Certa feita, SinhÙ Mariano deixa na casa de EurÌpedes um exemplar da obra Depois da Morte, de LÈon Denis. O ApÛstolo da Caridade n„o perde tempo e vara a noite, segundo relatos citados neste pequeno trabalho, e no outro dia assimilara a bela obra do citado escritor espÌrita. J· n„o lhe restava d˙vida e sim a certeza do Mundo dos EspÌritos e de que a Vida no Plano Maior comanda nossa passagem no plano fÌsico. Na sua tela mental surge a lembranÁa da madrinha e dos relatos sobre Santa Maria. Algo belo, profundo, busca-o para um convite, j· n„o mais dos humanos encarnados, mas do Alto, como se dissesse: ìV·, meu filho, v· buscar Nosso Senhor na simplicidade de uma nova Manjedoura, com o nome de Minha M„e, Santa Mariaî Na Sexta Feira Santa do ano de 1904, em companhia de um amigo, apeia do cavalo e entra para uma das mais belas p·ginas do Cristianismo Redivivo, adentrando o Centro EspÌrita de Santa Maria, ‡s duas horas da tarde, na m·xima concentraÁ„o da luz natural com a Luz da Natureza. Embora o Centro EspÌrita estivesse lotado e a sess„o iniciada, dois lugares estavam esperando, por Ordem Superior, EurÌpedes e seu amigo. EurÌpedes nunca obtivera resposta sobre o Serm„o das Bem AventuranÁas de Nosso Senhor, pois pensava: Bem Aventurados os

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pobres, estes nasciam e morriam pobres! Bem aventurados os doentes, estes pela mesma forma seguiam o mesmo caminho! O mesmo acontecendo com os aflitos e com todos os chamados por Jesus naquele momento imorredouro do Cristianismo. Acreditamos mesmo que, se tudo o que Nosso Senhor disse e foi registrado pelos Evangelistas tivesse desaparecido e nada chegado atÈ nÛs, bastaria o Serm„o das Bem AventuranÁas como instrumento de nossa libertaÁ„o. Tamanha a profundidade, o significado e a nobreza de sentimentos de Nosso Senhor ao convidar todos os que querem uma nova vida, uma reforma Ìntima, no chamamento ocorrido naquele monte. Motivo de certa inquietaÁ„o por parte de EurÌpedes, que buscou as fontes disponÌveis em Sacramento, professores, religiosos, padres e n„o conseguiu a resposta de que necessitava seu espÌrito. Naquele momento ali em Santa Maria, observando a simplicidade de Aristides na explicaÁ„o evangÈlica, em seu pensamento surgiu a seguinte indagaÁ„o: se È verdade que existe o Mundo Espiritual, que os EspÌritos se comunicam com os vivos na carne, que Jo„o Evangelista, ent„o, explicasse a d˙vida sobre as Bem AventuranÁas. ìFazemos, aqui, uso das palavras da narraÁ„o de Corina Novelino, em EurÌpedes o homem e a miss„o, que assim se expressou:î Alguns minutos apÛs, EurÌpedes ouvia a mais extraordin·ria dissertaÁ„o filosÛfico- doutrin·ria que jamais conhecera, em toda sua vida, sobre o luminescente discurso de Jesusî, por intermÈdio de Jo„o Evangelista,ent„o na mediunidade santificante de Aristides. Isto dito pelo prÛprio EurÌpedes em in˙meras oportunidades. Ali, naquele momento, diante da condiÁ„o de analfabeto de Aristides, do quadro de elevado valor e significado das palavras por ele recebidas e considerando que n„o h· efeito sem causa, EurÌpedes concluiu que, se a causa n„o era Aristides, se a profundidade das respostas veio esclarecer todas as suas d˙vidas quanto ‡s Bem AventuranÁas, ent„o o prÛprio Jo„o Evangelista se manifestou. O amoroso ApÛstolo de Jesus, trouxe-lhe todas as explicaÁıes e d˙vidas que atÈ ent„o n„o sabia, tem-nas sobre o processo reencarnatÛrio, onde se opera a verdadeira JustiÁa Divina, de que recebemos o que plantamos, na lei de

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Causa e Efeito, plantio colheita, ontem plantio hoje colheita, riqueza in˙til ontem pobreza hoje, os que choram no presente derramaram muitas l·grimas no passado, mas o convite do Senhor sempre no campo da MisericÛrdia, inclusive no chamamento de ordem Divina. No painel da vida, o que pensamos ser outras existÍncias, agora a certeza de apenas ˙nica, que ocorre da nossa criaÁ„o atÈ a evoluÁ„o total, passando por processos evolutivos em nosso beneficio, de viagem em viagem ao corpo fÌsico, atÈ a limpeza plena, do pagamento total de nossos dÈbitos, j· que cÈu e inferno s„o estados conscienciais. Ai, naquele momento de Luz, lembrou-se de Jesus: ninguÈm ir· ao Reino dos CÈus sem pagar ceitil por ceitil. Agora, sim, tudo estava claro, ao sair do Centro EspÌrita havia recebido um banho de luz, tendo a certeza do Plano Espiritual, das vidas sucessivas, da comunicaÁ„o dos EspÌritos, como fatos normais e naturais, portanto o cÛdigo das consolaÁıes era t„o simples, singelo, diante de sua grandeza. O Serm„o do Monte nada mais era que a Boa Nova do Senhor, o Novo Testamento, a Nova RevelaÁ„o do nosso Amado Mestre Jesus em seu Santo Evangelho, a Lei de Amor. Naquele momento, em sua tela mental, lembra-se de LÈon Denis, em Depois da morte, onde se lÍ: O Serm„o do Monte condensa e resume o ensino de Jesus. O Centro EspÌrita banhado em luz, no mais profundo e belo magnetismo de Ordem Superior, enche os coraÁıes transbordando em l·grimas dos rudes e simples camponeses, que, a exemplo de Aristides, servem na Seara do Senhor com profundo amor. Por outro lado, honesto, Ìntegro, saÌra do Centro j· na condiÁ„o de espÌrita convicto. Mas e os laÁos com a Igreja CatÛlica?, Sempre fora amigo e colaborador dos padres e do Bispado de Uberaba, do qual a parÛquia de Sacramento fazia parte, da Sociedade S„o Vicente de Paula e tantos compromissos. Seus familiares, todos eram catÛlicos, assim como seus alunos, colegas de magistÈrio. Enfim, a comunidade toda teria que ser enfrentada. Quanto sofrimento, quanta dor na alma diante de seus pais, irm„os queridos! O tempo passa, com certa dificuldade para EurÌpedes, que j· n„o suportava aquela situaÁ„o, era necess·rio tomar uma soluÁ„o mais r·pida possÌvel. Eis que surge novo convite para Santa Maria, formulado por SinhÙ Mariano, seu querido tio. Ent„o, a convite do dirigente da sess„o,

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EurÌpedes participa da corrente medi˙nica. Convidado a fazer parte dela, recebe de imediato o Dr. Bezerra de Menezes, mÈdico dos pobres, e que naquela oportunidade informa a EurÌpedes sua mediunidade de cura. Ato continuo recebe Vicente de Paulo, que lhe comunica ser seu Mentor Espiritual e o aconselha a afastar-se da Sociedade S„o Vicente de Paulo e da prÛpria Igreja CatÛlica, para assumir sua nova miss„o. Informa-lhe a necessidade da criaÁ„o de uma casa para o trabalho, o que representaria sua saÌda da Igreja. … como se uma parte do CÈu de Sacramento desabasse em cima de sua cabeÁa, o afastamento da comunidade catÛlica, de seus colegas de magistÈrio, pais de alunos e atÈ mesmo dos familiares, fez com que EurÌpedes se sentisse t„o discriminado quanto um leproso forjado a viver em exclus„o, longe de todos. Foi quando, se lembrou do amigo Carlos, que se tornara portador do terrÌvel mal e refugiara numa mata, e visita-o, EurÌpedes beija o amigo e lhe pede perd„o pelo abandono, fato ocorrido apÛs tornar-se espÌrita. Mas tinha que enfrentar nova e grave situaÁ„o. Volta ‡ cidade e coloca sua vontade e seu coraÁ„o a obedecer as ordens Superiores e o primeiro ato foi comunicar a Sociedade S„o Vicente de Paulo seu desligamento. Busca a Igreja e comunica seu afastamento. Pronto, a tempestade fora anunciada, um grito de desespero na comunidade catÛlica retumbava montanhas e montanhas de indignaÁ„o. Re˙nem-se padres, membros do clero, da sociedade, inclusive o Bispo de Uberaba e pedem uma explicaÁ„o ao moÁo. Ele relata com simplicidade emocionante os ˙ltimos acontecimentos, bem como o compromisso assumido com seu Mentor e sua nova vida. Estarrecidos diante do fato, disseram-lhe naquele momento que tudo n„o passava de uma loucura, de um momento de desequilÌbrio. Ele repetia diante de todos que nunca tivera tanta certeza, tamanha lucidez, que era sua ˙nica vontade. Se aqueles fatos representavam para eles loucura, ele respondeu: ìSanta Loucura esta, que me esclarece todas as d˙vidas, que me mostra o caminho certo da vida, que me ensina a verdade, a vida, o caminho!î A notÌcia foi de tamanha contundÍncia na populaÁ„o catÛlica, que o Padre Rocha Maia, pensando ser o culpado da situaÁ„o por ter dado a

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EurÌpedes um exemplar da BÌblia, algo proibido na Època, ficou totalmente insano. Os familiares revoltaram-se, a populaÁ„o o acreditava louco ou fraco da mente, n„o podia sair ‡ rua que era hostilizado, os companheiros de magistÈrio abandonaram a escola, bem como todo mobili·rio da escola foi retirado. Sofrimento sem fim, fÈ total, aceitaÁ„o m·xima da certeza da Doutrina

e de que estava cumprindo sua promessa feita no Centro EspÌrita em Santa Maria. Com tudo isso, sua fÈ redobrava. Triste, sÛ, abandonado atÈ mesmo pelos familiares, surge-lhe na mente

o sofrimento dos crist„os, seu martÌrio em Roma e mesmo na GalilÈia,

soma tudo e busca Nosso Senhor com tamanha fÈ, que Hil·rio Silva, em obra psicografada por Chico Xavier, assim relata a vis„o de EurÌpedes no livro.

A Vida escreve, ed. Feb, Rio, RJ, 2as. Ed. 1963, cap. 27.

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EurÌpedes Visita Nosso Senhor Jesus Cristo

A Vis„o de EurÌpedes

ComeÁara EurÌpedes Barsanulfo, o apÛstolo da mediunidade em Sacramento, no Estado de Minas Gerais, a observar-se fora do corpo fÌsico, em admir·vel desdobramento, quando, certa feita, ‡ noite, viu a si prÛprio em prodigiosa volitaÁ„o. Embora inquieto, como que arrastado pela vontade de alguÈm num

torvelinho de amor, subia, subia

reavendo o veÌculo carnal, mas n„o conseguia. BraÁos intangÌveis

tutelavam-lhe a sublime excurs„o. Respirava outro ambiente. Envergava

forma leve, respirando num oceano de ar mais leve ainda

‡ maneira de p·ssaro teleguiado, atÈ que se reconheceu em campina

verdejante. Reparava na formosa paisagem, quando, n„o longe, avistou

Como que

Houve, porÈm, um

magnetizado pelo desconhecido, aproximou-se

um homem que meditava, envolvido em doce luz

Subia sempre. Queria parar, e descer,

Viajou, viajou,

momento, em que estacou, trÍmulo. Algo lhe dizia no Ìntimo para que n„o

avanÁasse mais

presenÁa do Cristo. Baixou a cabeÁa, esmagado pela honra imprevista, e ficou em silÍncio, sentindo-se como intruso, incapaz de voltar ou seguir adiante. Recordou as liÁıes do Cristianismo, os templos do mundo as homenagens prestadas ao Senhor, na literatura e nas artes, e a mensagem

E num deslumbramento de j˙bilo, reconheceu-se na

díEle a ecoar entre os homens, no curso de quase vinte sÈculos

Grossas l·grimas banhavam-

lhe o rosto, quando adquiriu coragem e ergueu os olhos, humilde. Viu,

Traspassado de s˙bito sofrimento,

por ver-lhe o pranto, desejou fazer algo que pudesse reconfortar o Amigo

porÈm, que Jesus tambÈm chorava

Ofuscado pela grandeza, comeÁou a chorar

Sublime

Afagar-lhe as m„os ou estirar-se ‡ maneira de um c„o leal aos

seus pÈs

Mas estava como que chumbado ao solo estranho

Recordou,

no entanto, os tormentos do Cristo, a se perpetuarem nas criaturas que atÈ

hoje, na Terra, lhe atiram incompreens„o e sarcasmo

pensamento, n„o se conteve. Abriu a boca e falou, suplicante:- Senhor, por que choras? O interpelado n„o respondeu. Mas desejando certificar-se

Nessa linha de

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de que era ouvido EurÌpedes reiterou: - Choras pelos descrentes do mundo? Enlevado, o mission·rio de Sacramento notou que o Cristo lhe correspondia agora ao olhar. ìE, apÛs um instante de atenÁ„o, respondeu em voz dulcÌssima: N„o, meu filho, n„o sofro pelos descrentes aos quais devemos amor. Choro por ìtodos os que conhecem o Evangelho, mas n„o o praticam î Diante deste belo acontecimento, talvez ˙nico na Terra em dois mil anos, damos raz„o a Chico Xavier, quando garantia: ìfalar de EurÌpedes È o mesmo que falar de Jesusî! Mais fortalecido saiu do encontro de Jesus. Embora sabendo-se abandonado por todos os humanos da cidade natal, busca o campo, e ali, em voz alta comunica o Evangelho em face da Natureza, numa combinaÁ„o dos crist„os que acompanharam Jesus em sua sublime Miss„o, agregados aos p·ssaros de Francisco de Assis, aliados ‡ prÛpria natureza. Por outro lado os irm„os de Santa Maria, todos a postos, davam sustentaÁ„o espiritual a EurÌpedes, inclusive buscando-o, juntamente com sua m„e, Meca, que piorara muito com a notÌcia do filho espÌrita. Agiganta-se o trabalho de EurÌpedes, em raz„o de ser possuidor das mais belas qualidades medi˙nicas de que se tem notÌcia, principalmente a de cura, rarÌssima em nosso meio. Procura o pai e compra-lhe terreno com casa, e a transforma em farm·cia, centro espÌrita, por preÁo facilitado pelo genitor, tornando-se um verdadeiro pronto socorro material e espiritual para encarnados e desencarnados. N„o satisfeito com a nova morada traz de Santa Maria dois velhos amigos pobres e os abriga no novo lar. E, assim, num somatÛrio de novos companheiros com os j· citados abnegados espÌritas de Santa Maria, liderados pelo bondoso SinhÙ Mariano, a base sÛlida dos novos apÛstolos do amor estava pronta para atender e socorrer a todos. Numa base de troca, EurÌpedes aceita ser orador do centro espÌrita de Santa Maria, interligando, assim os dois santu·rios. Certa feita recebia a bondosa m„e, Meca, que lhe pede em nome de Mogico, seu pai, que queime todos os livros espÌritas, pois aquilo era coisa de louco. O momento esperado, a estrada de Damasco de Meca

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ocorre neste momento em que o filho, banhando em l·grimas, abraÁa a m„e e conta-lhe na ac˙stica díalma os motivos de sua convers„o, o que significava a Doutrina dos EspÌritos, a miss„o sua, numa entrega de coraÁ„o a coraÁ„o, vez que desde crianÁa tudo fizera, inclusive abandonara os estudos de medicina, estudara homeopatia, tudo fizera para a cura da m„e, um amor pode ser compar·vel ao amor de Jesus pela M„e SantÌssima. E, ai, aos poucos, com a paciÍncia dos santos, EurÌpedes doutrina a m„ezinha querida, que bebia no coraÁ„o as mais santas liÁıes do mais puro amor do Evangelho de Jesus. Cala-se, muda e magnetizada pelo

sublime e doce amor do filho, retira-se

apressada, adentra a loja do

marido e lhe diz de viva voz:- Mogico eu sou espÌrita! E ainda trago-lhe um recado, EurÌpedes pede-lhe que estude o Espiritismo e venha conversar com ele!.

Foi o suficiente para que toda famÌlia convertesse ‡ Nova RevelaÁ„o, todos tornaram-se espÌritas.

e,

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Centro EspÌrita EsperanÁa e Caridade

O centro EspÌrita EsperanÁa e Caridade foi fundado na residÍncia de EurÌpedes, na presenÁa dos irm„os de Santa Maria e dos novos confrades de Sacramento, no dia 27 de janeiro de 1905. Sua diretoria comprovava a convers„o de seus familiares, pois v·rios faziam parte da primeira direÁ„o do grupo. Passa a ser foco da mais alta freq¸Íncia dos Bons EspÌritos, pronto socorro dos encarnados e desencarnados, fÈ via, amor puro, simplicidade do Cristianismo redivivo da GalilÈia, caridade para com todos, amor fraterno entre os membros do grupo, base sÛlida para relevantes serviÁos na Seara de Nosso Senhor Jesus Cristo. EurÌpedes, dotado de disciplina angelical, autoridade moral exemplar, n„o permitia que novatos pudessem ministrar socorro medi˙nico aos doentes, era necess·rio ter uma folha de serviÁo, um estudo doutrin·rio elevado, enfim, tornar-se seareiro de Jesus, como alicerce para o novo ministÈrio apostolar, rigor acima de tudo, brandura para com todos. O ApÛstolo de Sacramento n„o confiava um doente a qualquer um, procurava sempre a pessoa certa para o tratamento adequado. Amor acima de tudo, proteÁ„o, caridade para com os necessitados, compromisso digno conforme permitia a evoluÁ„o de cada um. As atividades no Centro EspÌrita, segundo registram seus biÛgrafos, era a mais sublime express„o de pureza evangÈlica. EurÌpedes, no centro da corrente fraterna, apÛs a prece, mediunizava-se e recebia espÌritos da mais alta evoluÁ„o e ali discorria sobre as liÁıes do Mestre da Cruz. Os presentes derramavam as mais cristalinas l·grimas de emoÁ„o, era Carfanaum, rediviva, bem como toda a GalilÈia. Disciplina, did·tica do amor, responsabilidade, caridade materializavam-se no templo. A exemplo de Jesus, nada cobrava e exigia de todos muito amor ao prÛximo, segundo consta. EurÌpedes nunca deixou de atender quem quer que fosse, o mesmo fez Jesus. N„o sÛ a M„e SantÌssima, mas todos os ApÛstolos de Jesus se faziam presentes nas reuniıes, inclusive os filÛsofos, tais como SÛcrates, Plat„o, os pais da Igreja, bem como os Mission·rios da Luz de

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Jesus. Sem d˙vida alguma, depois da GalilÈia foi o perÌodo mais fecundo do amor do Senhor nas Terras da Santa Cruz. Os trabalhos da farm·cia, por outro lado, produziam as belas curas, paralÌticos que se levantavam, cego que viam a luz, condenados ‡ morte que adquiriam perspectiva de vida, a fama da cura correu o Brasil e atÈ mesmo o exterior, e as caravanas se multiplicavam, os companheiros de Santa Maira, liderados por Mariano, subiram as ladeiras das estradas Ìngremes da ren˙ncia e socorreram EurÌpedes formando uma base sÛlida, que somavam ‡ ajuda de VovÛ Meca, j· curada.

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Faculdades Medi˙nicas de EurÌpides

Sem medo de errar, EurÌpedes era portador de todas as mediunidades, tanto quanto Chico Xavier e o Dr. Bezerra de Menezes, o trio de amor de Nosso Senhor. Por seu canal medi˙nico, comunicaram-se EspÌritos Superiores da mais alta envergadura. Apenas para citar alguns, de Maria NazarÈ a Nosso Senhor Jesus Cristo: os apÛstolos Pedro, Jo„o Evangelista, Paulo ñ o convertido de Damasco, os luminares Joana DíArc, S„o Vicente de Paula, Dr. Bezerra de Menezes, Ismael o Guia Espiritual do Brasil, e tantos outros. O mandato medi˙nico de EurÌpedes n„o conheceu limites e nem fronteiras, pois exemplificou todas as catalogadas por Allan Kardec na codificaÁ„o da Doutrina EspÌrita, sem faltar nenhuma por mais simples que fosse, e tudo cumpriu com a mais humildade. Na defesa do processo que lhe foi movida pelo movimento CatÛlico de Uberaba, ele demonstra a responsabilidade de seu trabalho em assim se expressando: Conforme registra C. Novelino em EurÌpedes, o homem e a miss„o. ìServir-se-· o MÈdium sincero do Espiritismo para auferir outros proventos, alÈm do prazer intenso e Ìntimo de restituir ‡ famÌlia o seu chefe, aos filhos, a m„e, aos seus amigos o amigo? Poder· exigir-lhe paga, gratificaÁ„o ou recompensa dos beneficiados pelos espÌritos benÈvolos, outra que n„o o exemplo sublime da arte de exercer a caridade t„o abnegadamente feita pelas inteligÍncias que exercem o Amor? Ambicionar· o MÈdium Crist„o EspÌrita o impÈrio das ConsciÍncias? Pelo efÍmero prazer da expansibilidade do egoÌsmo, do orgulho, da vaidade terrenos? Olvidou-se-lhe do ìquem se exalta se humilha e quem se humilha se exaltaî? Varreu-se-lhe da memÛria o culto do justo, do verdadeiro, do belo, que faz aceit·vel o ìSe alguÈm quiser seguir-me, a si mesmo renuncie, tome sua cruz e acompanhe-meî? S„o liÁıes de EurÌpedes, em mensagem recebida por Chico Xavier, em 01/04/59, no Centro EspÌrita ìCasa do Cinzaî, em Uberaba-MG: ì- Saibamos entretanto, opor o bem ao mal, a brandura ‡ violÍncia, o amor ao Ûdio, o silÍncio ‡ balb˙rdia, com o perd„o incondicional aos ataques de qualquer natureza, rogando a bÍnÁ„o de Deus, nosso Pai de Infinita

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Bondade, para todos os cultivadores da inj˙ria, que n„o vacilam em desrespeitar a fÈ alheia, atirando-lhe calhaus de ironia. Porque a Doutrina EspÌrita, longe de ser motivo para galhofa, È a Doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo, que esteve tambÈm, com a aprovaÁ„o dos principais de seu tempo, entre perseguidores risonhos, nos braÁos frios da cruzî.

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Sofrimento de EurÌpides

EurÌpedes, a exemplo de Jesus, vÍ-se totalmente sÛ e abandonado, por ter-se convertido ao Espiritismo, mesmo pelos colegas de magistÈrio no Liceu Sacramentano, o Liceu teve o mobili·rio retirado e o prÈdio requisitado pelo propriet·rio. EurÌpedes chora na despedida de seus alunos, l·grimas banhavam tanto o ApÛstolo como os alunos. A cidade, por sua vez, n„o tinha outro educand·rio, portanto era desesperadora a situaÁ„o do ilustre MÈdium de Sacramento. Da parte do ApÛstolo n„o houve desespero, tinha mediunidade suficiente para saber-se protegido pelos Anjos do Senhor. Tanto È verdade que a situaÁ„o perdurou por poucos dias, vez que a escola fechada pela professora Ana Borges, em 1.885, tornou-se o local alugado para a nova escola que se abria. Sem seus colegas, EurÌpedes multiplicava-se em todas as atividades, inclusive no ensino de todas as matÈrias, algo impossÌvel. Mas, para quem tem o amor que cobre a multid„o dos pecados, isto tudo era pouco para um gigante da estatura moral de EurÌpedes. Teve o amor, a fÈ, a coragem de assumir a Santa Doutrina EspÌrita ao ministrar o curso religioso. Os pais disseram-lhe que retirariam seus filhos se ele continuasse a lecionar a Doutrina dos EspÌritos, tendo naquela ocasi„o respondido que a finalidade salvadora do aprendizado espÌrita seria mantida. Mesmo assim, por orgulho e outras mazelas morais, os pais retiram os filhos da escola, em sua maioria. Tristeza profunda apoderou-se de EurÌpedes n„o motivada pela ausÍncia de fÈ, mas pela irresponsabilidade dos pais, pela ignor‚ncia absoluta de preferir a retirada dos filhos a presenciar as palavras de Nosso Senhor na mais perfeita e sublime liÁ„o do Evangelho. EurÌpedes pÙs-se a orar e, na proporÁ„o de sua elevada posiÁ„o medi˙nica, embora as l·grimas banhassem seu rosto p·lido, percebe a presenÁa de uma Divindade, que se aproxima e na ac˙stica de sua alma, percebe a presenÁa da M„e SantÌssima e n„o acredita, tamanha sua humildade. Pensa que n„o poderia usar a mediunidade receptora da psicografia, mas n„o havia outra soluÁ„o, a presenÁa era total e marcante e assim utiliza-se de papel e caneta, para registrar. In Corina Novelino, ob

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citada. N„o feche as portas da escola. Apague da tabuleta a denominaÁ„o Liceu Sacramentano ñ que È resquÌcio do orgulho humano. Em substituiÁ„o coloque o nome ñ ColÈgio Allan Kardec. Ensine o Evangelho de meu filho ‡s quarta-feira e institua um curso de Astronomia. Acobertarei o ColÈgio Allan Kardec sob o manto de Meu Amor, assinando naquela mensagem ñ Maria, Serva do Senhor. Assim, em janeiro de 1907 nasce o ColÈgio Allan Kardec sob a proteÁ„o da M„e SantÌssima, seguindo EurÌpedes todas as instruÁıes recebidas na referida mensagem, como um servo fiel que sempre foi e continua sendo, aplicando toda medotologia de Pestalozzi. Classes mistas, sem qualquer tipo de castigo, cooperaÁ„o e trabalho de todos, participaÁ„o da sala toda. PaciÍncia para com os jovens mais difÌceis, monitoramento integrado em beneficio deles, com maior participaÁ„o nas atividades, em pouco tempo estava praticamente bem dentro da conjuntura harmÙnica da aula. Se tivesse de chamar a atenÁ„o de algum aluno, mesmo para corrigenda, isso era feito como um dialogo de amor na hora do recreio. Quando o aluno saÌa, tinha-se certeza de que banhado em l·grimas ele nunca mais repetia o ato. Isto se chama amor, na sua mais pura e nobre express„o. Ademais, muitos cursos extra curriculares eram ali ministrados, alem da Doutrina EspÌrita, conforme recomendaÁ„o de Nossa Senhora. Transferiu aos alunos todo o conhecimento de Camille Flammarion, da equipe de Kardec, mestre em Astronomia. Assim, Bot‚nica, Zoologia, Astronomia somavam-se ‡ grade curricular do ensino de EurÌpedes. O respeito para com os alunos era modelo internacional, era como se ele fosse o aluno e os alunos seus professores. N„o havia improvisaÁ„o, tudo era minuciosamente planejado, estruturado dentro de uma consciÍncia crist„, Foi quem substituiu a palmatÛria pelo di·logo de amor, vez que EurÌpedes detectava a evoluÁ„o de cada aluno a nÌvel de coraÁ„o, nascia, portanto, a era do m˙tuo entendimento, isto porque para EurÌpedes ìamai uns aos outros como eu vos amei, era e continua sendo a lei ·urea do entendimento. Quando tudo se aproximava do fim, principalmente naquela Època, mormente diante da autorizaÁ„o de EurÌpedes no tocante

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‡s salas mistas, foi um deus-nos-acuda. Mas, a seu lado, o bom Cosme dava jeito em tudo. No novo ano letivo o colÈgio n„o comportava o n˙mero de matrÌculas. A M„e SantÌssima havia cumprido sua promessa, tudo se aquietara, fim do sofrimento e das provaÁıes, para um novo renascer em Cristo. Em EurÌpedes n„o havia escola, mas sim universidade, tamanha sua dedicaÁ„o. AlÈm a Bot‚nica ao vivo com as plantas; o mesmo acontecia na Zoologia com os animais; e na Astronomia, com os astros. Ainda acumulava as peÁas teatrais, com elevado e puro sentimento de moral crist„. Na aula de patologia, havia dissecaÁ„o de animais, demonstrando aos alunos a fisiologia de cada Ûrg„o. Alunos de faculdades das metrÛpoles do PaÌs eram convidados para debates com os alunos de EurÌpedes Estes, apenas cursando o colÈgio Allan Kardec, saiam vencedores nos debates p˙blicos realizados nas dependÍncias do colÈgio, coisa nunca mais vista atÈ a presente data, em qualquer parte da face da Terra. O curso de religi„o, com a exemplificaÁ„o da obra codificada por Allan Kardec, rendeu os mais belos frutos do ìIde e plantai a luz, curai, levantai os caÌdos, alimentai os famintosî, cujos frutos est„o patenteados em todo o territÛrio nacional, pois n„o se sabe de uma cidade brasileira que n„o tenha uma simples casa espÌrita com o nome de EurÌpedes Barsanulfo. N„o se pode esquecer que EurÌpedes era completo, pois atÈ mesmo atividade fÌsica era ministrada, em aulas de gin·stica.

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ColÈgio Allan Kardec

Durante 12 anos e sete meses foi presidente do Grupo EspÌrita "EsperanÁa e Caridade", por ele fundado. Como dependÍncia desse grupo, surgiu em 2 de abril de 1907 o magnÌfico e grande ColÈgio "Allan Kardec", cuja matrÌcula chegou a cerca de 200 alunos.

Kardec", cuja matr Ìcula chegou a cerca de 200 alunos. Primeiro Col Ègio EspÌrita do Mundo,

Primeiro ColÈgio EspÌrita do Mundo, que tomou o nome "Allan Kardec". O prÈdio, onde funciona atÈ hoje È um monumento da arte arquitetÙnica, feito com alvenaria de primeira qualidade e com muito gosto artÌstico.

Seu trabalho ficou t„o conhecido que, ao abrirem-se as inscriÁıes para matrÌculas, as mesmas se encerravam no mesmo dia, tal a procura de alunos, obrigando um colÈgio da mesma regi„o, dirigido por freiras da Ordem de S. Francisco, a encerrar suas atividades por falta de freq¸entadores. Esse importante estabelecimento funcionou sob sua direÁ„o, deixando-o apenas 8 dias antes de desencarnar. Milhares de pobres e Ûrf„os, de ambos os sexos, ali receberam gratuitamente instruÁ„o intelectual e moral, obra esta continuada pelos A fonaÁ„o espiritual de EurÌpedes era potente, mercÍ de sua elevadÌssima mediunidade de efeitos fÌsicos. Quando orava, era como se houvesse milhares de alto-falantes dispersados pela cidade. Inclusive nos bairros mais pobres e, atÈ mesmo no campo a sua oraÁ„o era ouvida.

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GraÁas ‡ sua grande folha medi˙nica, em transes recebia espÌritos de elevada estatura angÈlica, e, com a voz deles mesmos, no idÍntico timbre, repetia as recomendaÁıes dos Amigos de Jesus. Na biografia de EurÌpedes n„o se pode esquecer de um companheiro, amigo e fiel, o Jipe, o c„ozinho preto de sua famÌlia, que era o seu relÛgio por excelÍncia, pois precisava com exatid„o o hor·rio de todas as atividades, inclusive do inÌcio das aulas. Mas o momento feliz de Jipe era o do recreio, quando, alÈm das festas com os alunos, ganhava guloseimas. T„o fiel que permanecia debaixo da cadeira do Prof. EurÌpedes fato que tambÈm acontecia com Chico Xavier, de Francisco de Assis. O socorro aos alunos feridos, mesmo com fraturas, era feito no ‚mbito da escola, com o m·ximo de cuidado e amor, e segundo registros de seus biÛgrafos tudo era feito com ausÍncia de dor.

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Desdobramentos e mediunidade de EurÌpedes

Como ficou dito, EurÌpedes, o MÈdium de Jesus por excelÍncia, Era portador de in˙meras mediunidades, para n„o dizer de todas, mas uma se destacava com vigor, a do desdobramento. Em o livro dos espÌritos, Allan Kardec, nos explica o que realmente acontece:- ì… que o EspÌrito, preocupado com alguma coisa ou por outra, ser entrega a uma aÁ„o qualquer que necessita do uso do corpo, do qual se serve, ent„o, de um modo an·logo ao emprego que faz de uma mesa ou de outros objetos materiais nos fenÙmenos de manifestaÁ„o fÌsica, ou mesmo de vossa m„o naqueles de comunicaÁ„o escrita, È o momento em que o EspÌrito pode deixar provisoriamente o corpoî. Assim, em Íxtase EurÌpedes, os alunos, dentro das salas de aula, sabiam o momento exato das viagens do mestre, sua cabeÁa tombava, ele viajava e dentro de poucos minutos despertava para dar continuidade ‡s suas aulas. Naquela viagem visitava doentes, fazia partos, encanava pernas, ocasi„o em que se se materializava diante dos doentes e os curava. A qualquer prece ou mesmo evocaÁ„o, EurÌpedes prontamente se desdobrava e atendia ao chamado. O telefone com sua mediunidade era direto. Certa feita, quando ministrava aula, ali chegou um camponÍs que disse ao Professor: … necess·rio que o senhor v· atÈ minha casa, minha mulher est· passando mal para dar a luz. O Professor responde-lhe: Estive l·, fiz o parto È uma menina, e ambas passam bem. ìIsto n„o È possÌvel senhor, pois venho de l· agora e n„o o vi pelo caminhoî, responde o camponÍs. Ambos se dirigem atÈ ‡ casa do amigo e l· ouviram da mulher: ìProfessor, n„o havia necessidade de o senhor vir aqui outra vez, j· que o senhor fez o parto e tudo est· bemî. Buscamos aqui a fonte sublime de Chico Xavier, que assim se manifesta: in Mensagem recebida psicofonicamente, em reuni„o na noite de 08/04/59, no Centro EspÌrita ìCasa do Cinzaî, em Uberaba-MG, sob o tÌtulo ìMediunidade e Jesus -Quem hoje ironiza a mediunidade, em nome de Cristo, esquece-se, naturalmente, de que Jesus foi quem mais a honrou neste mundo, erguendo-a ao mais alto nÌvel de aprimoramento e revelaÁ„o, para alicerÁar-se a sua eterna doutrina entre os homens. assim que comeÁa o apostolado divino, santificando-lhe os valores na

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clariaudiÍncia e na clarividÍncia entre Maria e Isabel, JosÈ e Zacarias, Ana e Sime„o, no estabelecimento da Boa Nova. E segue adiante, enaltecendo-a na inspiraÁ„o junto aos doutores do Templo, exaltando-a nos fenÙmenos de efeitos fÌsicos, ao transformar a ·gua em vinho, nas bodas de Cana; honorificando-a, nas atividades de cura, em transmitindo passes de socorro aos cegos e paralÌticos, desalentados e aflitos, reconstituindo-lhes a sa˙de: ilustrando-a na levitaÁ„o, quando caminha sobre as ·guas; dignificando-as nas tarefas de desobsess„o, ao instruir e consolar os desencarnados sofredores por intermÈdio dos alienados mentais que lhe seguiam ‡ frente; glorificando-a na materializaÁ„o, em transfigurando ao lado de EspÌritos radiantes, no cimo do Tabor, e elevando-a sempre no magnetismo sublime, seja aliviando os enfermos com a simples presenÁa, revitalizando corpos cadaverizados, multiplicando-se p„es e peixes para a turba faminta ou apaziguando as forÁas da natureza. E, confirmando o interc‚mbio entre os vivos da Terra e os vivos da Eternidade, reaparece. Ele mesmo, ante os discÌpulos espantados, traÁando planos de redenÁ„o que culminam no dia de Pentecostes ñ o momento inesquecÌvel -, quando os seus mensageiros convertem os ApÛstolos em mÈdiuns falantes na praÁa p˙blica para esclarecimentos do povo necessitado de luz. Como È f·cil de observar, a Mediunidade, como recurso espiritual de sintonia, n„o È a Doutrina EspÌrita ñ que expressa atualmente o Cristianismo Redivivo, mas, sempre enobrecida pela fÈ e pela honestidade, pela educaÁ„o e pela virtude, È o veÌculo respeit·vel da convicÁ„o na sobrevivÍncia . Assim, pois, n„o nos agastemos contra aqueles que a perseguem atravÈs do achincalhe ñ tristes negadores da realidade crist„, ainda mesmo quando se escondem sob os vener·veis distintivos da autoridade humana -, porquanto os talentos medianimicos estiveram, incessantemente, nas m„os de Jesus, o nosso Divino Mestre, que deve ser considerado, por todos nÛs, como sendo o Excelso MÈdium de Deus. Se o maior de todos os mÈdiuns desta P·tria do Evangelho considera Nosso Senhor Jesus Cristo MÈdium de Deus, o trabalho medi˙nico de EurÌpedes pode ser comparado como MÈdium de Nosso Senhor, pela extens„o de seu trabalho, pela intensidade de seu amor enfim, de seu

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apostolado, pois cada ser que vem ‡ Terra aqui chega como recado do Pai em forma de compromisso, e de EurÌpedes, sem d˙vida alguma, o compromisso dos compromissos com a santificaÁ„o, com a pureza da alma, com o rigor e a disciplina, sempre sob a Ûtica do Cristianismo Redivivo. EurÌpedes n„o era somente intÈrprete de Nosso Senhor Jesus Cristo, como j· ficou aqui registrado, mas da M„e SantÌssima, dos ApÛstolos e, ainda SÛcrates, Plat„o, AristÛteles, Santo Agostinho, S„o Vicente de Paulo, Allan Kardec, Dr. Bezerra de Menezes, Pit·goras, Juvenal, Madalena, Jo„o Evangelista, Paulo, o ApÛstolo do Evangelho, OrÌgenes, JerÙnimo, Giordano Bruno, Joana DíArc, Victor Hugo, Lamartine, Lamanais, FÈnelon, Lacordaire, Lincoln, Benjamin Franklin, Tiradentes, D. Pedro I, JosÈ Bonif·cio, Joaquim Nabuco, JosÈ do PatrocÌnio, Saldanha da Gama, como assevera Corina Novelino, em o Homem e a Miss„o, ‡ p·g. 99.

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P·dua e Sacramento

Fidelidade total ‡ Espiritualidade Maior, quando orava, sua voz se multiplicava, como se diversos, centenas de alto-falantes fossem

colocados em toda cidade de Sacramento, atÈ mesmo nas periferias, pois a voz era multiplicada. Principalmente quando entoava o nome de Deus, ali

a energia do amor atingia seu clÌmax e sua voz aumentava de intensidade,

a cidade inteira presenciava este belo fenÙmeno medi˙nico, fato apenas

visto na cidade de P·dua, onde Santo AntÙnio fazia suas oraÁıes e elas se multiplicavam a tal ponto que o comÈrcio da pequena cidade era fechado para que todos participassem da oraÁ„o. Hoje, sabemos que n„o eram instrumentos sonoros de multiplicaÁ„o de sons, mas os EspÌritos Superiores que ali se faziam presentes para instrumento do mais puro e elevado amor. A preocupaÁ„o medi˙nica de EurÌpedes n„o era somente com o corpo, mais ainda com a alma, pois, alÈm de medicamentos receitava ato continuo as obras b·sicas da Doutrina EspÌrita para a cura espiritual que se fazia necess·ria, naquele exemplo de Nosso Senhor: ìV· e n„o peques maisî. Ou seja, se continuares pecando permanecer·s sempre doente. EurÌpedes, ali naquele momento da consulta, alcanÁava as condiÁıes da pessoa em seu campo c·rmico, o tratamento era do corpo e da alma. EurÌpedes era um exemplo vivo de Francisco de Assis na proteÁ„o dos animais, principalmente de seu c„o, Jipe, que adivinhava tudo o que professor queria, sempre no momento exato. A integraÁ„o entre o professor e seu c„o Jipe era algo inacredit·vel, pois no instante exato de qualquer atividade, tarefa e evento, eis Jipe comunicando a disciplina do hor·rio. Este fenÙmeno foi estudado por Gabriel Delanne, ao discorrer sobre as elevadas experiÍncias com os animais, com ilustraÁıes e provas cientificas da conduta dos mesmos, em sua obra A ReencarnaÁ„o, Cap. IV. ED. FEB, RIO, RJ, quando aborda a conduta de muitos animais, inclusive de c„es e cavalos. Certa feita, EurÌpedes dirige a palavra a um aluno seu e pergunta por que ele fez aquilo com o ninho do sabi·, fato que lhe entristecera muito.

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Basta um estudo na Doutrina EspÌrita em sua obra b·sica em O livro dos espÌritos, Parte Segunda, Cap. XI. Hoje sabe-se muito bem que as cobras prevÍem com exatid„o os fenÙmenos graves da Natureza, bem como outros animais, inclusive a construÁ„o da casinha do Jo„o de Barro, que tem a porta virada ao contr·rio da direÁ„o das chuvas de cada ano, em proteÁ„o de sua prole. Onde EurÌpedes colocava a m„o, a cura era certa. Levantava os caÌdos, curava os loucos, mandava solt·-los quando vinham amarrados e nada acontecia, encanava braÁos, pernas, fazia pequenas cirurgias, enfim era o MÈdium de Jesus e mÈdico dos pobres e ApÛstolo da Caridade. Diga-se de passagem, a farm·cia era gratuita, nada cobrava e atendia milhares de pessoas, mas sempre confiante que nunca faltaria medicamento, pois a Dama de Branco (M„e SantÌssima) cobria com seu manto sagrado o gigantesco trabalho do Servo de seu Filho, Jesus. N„o se conhecia dist‚ncia para o alcance da capacidade medi˙nica de EurÌpedes. Conta-se que certa vez, quando tombava sua cabeÁa e assim permanecia por alguns instantes, o silÍncio era total na sala de aula, a

seguir o professor voltava ‡ normalidade e relatava fatos e acontecimentos

e este aqui a ser narrado talvez seja um dos momentos mais importantes

de sua tarefa medi˙nica no campo de suas famosas ìviagensî, sendo que nessa ocasi„o ele comunicou aos alunos com antecedÍncia o tÈrmino da primeira Guerra Mundial, com assinatura do tratado de Paz no Pal·cio de Versalhes,em Paris, na FranÁa.

Milhares de outros exemplos poderiam ser citados, pois o fato alem de comum, era diuturno. AtÈ mesmo em nossa famÌlia tivemos um exemplo, quando o pai de um tio nosso procurou o Professor para buscar um remÈdio para Silvio, seu filho que tinha grave problema na vis„o. O Professor entregou-lhe o medicamento e disse-lhe voltasse em seis meses para a busca de outro. Mas, na volta para casa, olhando aquele lÌquido

incolor (chovia bastante), n„o deu valor ao medicamento, jogando o fora. Alguns dias depois a situaÁ„o da crianÁa piorara, e seu pai busca novo medicamento, ao chegar ‡ farm·cia n„o foi necess·rio dizer nada, vez que

o medicamento estava pronto e o Professor disse-lhe: ìDesta vez n„o faÁa o que o senhor fez, n„o o jogue foraî. Mas o mencionado senhor n„o

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voltou depois de seis meses e, quando o fez, o Professor j· havia desencarnado, e Silvio enfrentou a cegueira total pelo resto de sua vida. EurÌpedes regressa ao lar paterno, onde os familiares, irm„s e a prÛpria m„e se desdobram para ajud·-lo na gigantesca miss„o que crescia todos os dias. O pai, por outro lado, tornou-se um escudo de apoio financeiro, dentro de suas possibilidades, com o nome de Farm·cia EspÌrita EsperanÁa e Caridade, o ApÛstolo da Caridade, mÈdico e mÈdium dos pobres, utilizando-se de todas as suas mediunidades, numa combinaÁ„o de valores medi˙nicos, com o esgotamento de um outro tomava-lhe o lugar e assim por diante, sempre sob a proteÁ„o e orientaÁ„o do Dr. Bezerra. Inclusive, alÈm da intuiÁ„o, mostrava-lhe o Grande Benfeitor a receita j· pronta, para ajud·-lo diante de tantas dificuldades. Assim, com ajuda e proteÁ„o do Alto nosso Professor realizava partos, encanava braÁos, pernas, fazia cirurgias e tudo corria da melhor maneira possÌvel, sem qualquer efeito colateral ou incidente. EurÌpedes iniciava o trabalho ‡s 4 horas da madrugada e concluÌa ‡s 17,30 horas, daÌ das 19 atÈ 21hs. atendia no Grupo EspÌrita EsperanÁa e Caridade, junto aos obsidiados. Atendia gratuitamente tanto na farm·cia quanto nos atendimentos para parto, e outros tratamentos, vivia de seus serviÁos de guarda livros nas casas comerciais de seu pai. Alem do apoio do pai, recebia ajuda de Frederico PeirÛ e de outros amigos, mas mesmo assim faltavam recursos financeiros diante do volume de atendimento. E, quando os ajudantes da farm·cia informavam que os medicamentos n„o davam para mais uma semana, EurÌpedes dizia, - ìN„o se preocupem, a Dama de Branco nada deixar· faltarî. Dentro de algumas horas, a farm·cia recebia recursos de coraÁıes generosos. N„o podemos deixar de registrar as participaÁıes dos trabalhos de Sinhazinha, Edirith, Edalides, Elith, que n„o mediam esforÁos no socorro ao trabalho de EurÌpedes, alÈm do apoio incondicional e de elevada import‚ncia da VovÛ Meca.

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Espiritismo e Cura

Evangelho segundo o espiritismo, ed. 329, Ide, p·g. 122, temos relato sobre o processo de cura:

ìMeu Pai, curai-me, mas fazei que minha alma doente seja curada antes das enfermidades do corpo; que minha carne seja castigada, se preciso for, para que minha alma se eleve atÈ vÛs com a brancura que tinha quando a criastesî. Depois desta prece, meus bons amigos, que o bom Deus ouvir· sempre, a forÁa e a coragem vos ser„o dadas e talvez, tambÈm essa cura que n„o tereis pedido sen„o timidamente como recompensa da vossa abnegaÁ„o. Ainda, obra citada, p·gina 245, temos:

O poder da fÈ recebe uma aplicaÁ„o direta e especial na aÁ„o magnÈtica;

por ela o homem age sobre o fluido, agente universal, lhe modifica as qualidades e lhe d· uma impuls„o, por assim dizer, irresistÌvel. Por isso, aquele que, a um grande poder fluÌdico normal junta uma fÈ ardente, pode, apenas pela vontade dirigida para o bem, operar esses fenÙmenos

estranhos de cura e outros que, outrora, passariam por prodÌgios e que n„o s„o, todavia, sen„o as conseq¸Íncias de uma lei natural. Tal o motivo pelo qual Jesus disse aos seus apÛstolos: se n„o curastes È que n„o tÌnheis a fÈ.

A cura espiritual operada por Jesus, p·g. 167:

Jesus tendo descido da montanha, uma grande multid„o de povo o seguiu; e ao mesmo tempo um leproso veio a ele e o adorou dizendo-lhe:

Senhor, se quiserdes, podereis me curar. Jesus estendendo a m„o, tocou-o e lhe disse: Eu o quero, estais curado; e no mesmo instante a lepra foi curada. Ent„o Jesus lhe disse: Guardai-vos de falar disto a alguÈm; mas ide vos mostrar aos sacerdotes e oferecei o dom prescrito por MoisÈs, a fim de que isso lhes sirva de testemunho(Mateus, cap. VII, v. de 1 a 4).

A cura e o poder da fÈ, p·g. 244:

Quando veio atÈ o povo, um homem se aproximou dele, lanÁou-se-lhe de joelhos aos pÈs, e lhe disse: Senhor, tem piedade de meu filho, que est· lun·tico e sofre muito, porque ele cai freq¸entemente na ·gua. Eu o apresentei aos vossos discÌpulos mas n„o puderam cur·-lo. Trazei-me aqui esta crianÁa. E Jesus, tendo ameaÁado o demÙnio, ele saiu da crianÁa,

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que foi curada no mesmo instante. Ent„o os discÌpulos vieram encontra Jesus em particular, e lhe disseram: Por que n„o pudemos, nÛs outros, expulsar esse demÙnio? Jesus lhes respondeu: … por causa da vossa incredulidade. Porque eu vÙ-lo digo em verdade: se tivÈsseis fÈ como um gr„o de mostarda, dirÌeis a esta montanha:

Transporta-te daqui para ali, e ela se transportaria, e nada vos seria impossÌvel. (Mateus, cap. XVII, v. de 14 a 20). Na liÁ„o de Eliseu Rigonati, em A Mediunidade sem l·grimas, ed. Pensamento, p·gs. 50/51, leciona ensinamentos sobre o tema:

As leis que j· conhecemos s„o as seguintes;

Uma molÈstia È causada por fluidos impuros que foram assimilados

pelo organismo, ou que se produziram nele.

Se retirarmos de um doente os fluidos impuros que o contaminam e em

lugar deles colocarmos fluidos puros a cura se realizar·. Este È o fundamento da cura pelo Espiritismo. Um espÌrito conhecedor dos mÈtodos da cura espiritual pode injetar em um corpo doente um remÈdio em forma fluÌdica. Um espÌrito curador para tratar de uma doente precisa de um mÈdium que possua a mediunidade curadora, do qual retira o fluido magnÈtico que serve de veÌculo aos remÈdios fluÌdicos. A forÁa que movimenta os fluidos È a forÁa magnÈtica, tanto mais forte quanto maior for a vontade do mÈdium e a do espÌrito em realizarem a cura. A vontade do mÈdium junto com a vontade do espÌrito curador n„o bastam se n„o houver a vontade do doente para auxiliar a cura. A vontade do mÈdium aliada ‡ vontade do espÌrito curador condensam e dirigem o fluido curativo; o doente pela sua vontade atrai para si a irradiaÁ„o fluÌdico-magnÈtica que o curar·. No caso de estar o doente impossibilitado de agir por vontade prÛpria ñ por exemplo uma crianÁa ñ

poder„o substituÌ-lo na fÈ e nas oraÁıes os seus familiares.

O Espiritismo n„o cura todas as doenÁas. O Íxito do tratamento

espiritual depende da fÈ viva alimentada pelo doente ñ ou seus familiares

ñ e pelo mÈdium.

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Os focos que produzem os fluidos impuros causadores das doenÁas est„o localizados no perispirito. O mal, os vÌcios e as paixıes inferiores produzem manchas em nosso perispirito; dessas manchas se originam os focos de infecÁ„o que arruinar„o nosso corpo nesta encarnaÁ„o ou nas futuras; por isso, qualquer um de nÛs pode estar com seu perispirito manchado pelo pÈssimo modo de viver em encarnaÁıes passadas ou pode manch·-lo agora, se n„o souber viver dignamente. Procurando-se a causa de uma molÈstia e n„o a encontrando na vida presente, a origem estar· em uma encarnaÁ„o anterior.

A condiÁ„o essencial para que um doente mereÁa a cura espiritual È que

se moralize. Adotando h·bitos de higiene fÌsica e mental; procurando viver de acordo com os ensinamentos do Evangelho, o doente extingue em seu perispirito os focos de impurezas que lhe arruinaram a sa˙de do corpo.

Todos os espÌritos, encarnados e desencarnados, irradiam constantemente fluidos. Esses fluidos s„o tanto mais puros e poderosos quanto maior for o grau de adiantamento moral e a que o espÌrito chegou. Todos os espÌritos, encarnados e desencarnados, assimilam fluidos. Os fluidos que um espÌrito assimila guardam estreita relaÁ„o com os pensamentos que habitualmente alimenta.

A Revista espÌrita, criada por Allan Kardec,ediÁ„o de 1867, ed. Edicel,

p·g. 190, traz luz ao assunto:

O magnetismo e o espiritismo comparados.

ìOcupei-me em vida pr·tica do magnetismo, do ponto de vista exclusivamente material. Ao menos assim o cria. Hoje sei que a elevaÁ„o volunt·ria ou involunt·ria da alma que faz desejar a cura do doente È uma verdadeira magnetizaÁ„o espiritualî.

A cura se deve a causas excessivamente vari·veis: Tal molÈstia, tratada

de tal maneira, cede ante a forÁa de aÁ„o material: tal outra, que È idÍntica, mas menos acentuada, n„o experimenta qualquer melhora, posto que os meios curativos empregados talvez sejam ainda poderosos. A que se devem, ent„o, essas variaÁıes de influÍncias? ñ A uma causa ignorada pela maioria dos magnetizadores, que n„o se atacam sen„o aos princÌpios

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mÛrbidos materiais; elas s„o conseq¸Íncia da situaÁ„o moral do

individuo. A doenÁa material È um efeito. Para o destruir n„o basta atac·-lo, tom·-

lo corpo a corpo e o aniquilar. Existindo sempre a causa, produzir· novos

efeitos mÛrbidos quando estiver afastada a aÁ„o curativa. O fluido transmissor da sa˙de no magnetismo È um intermedi·rio entre

a matÈria e a parte espiritual do ser, e que poderia comparar-se ao

perispirito. Ele une dois corpos um ao outro; È um ponto sobre o qual

passam os elementos que devem trazer a cura nos Ûrg„os doentes. Sendo um intermedi·rio entre o EspÌrito e a matÈria, em conseq¸Íncia de sua composiÁ„o molecular, esse fluido pode transmitir t„o bem uma influÍncia espiritual, quanto uma influÍncia puramente animal.

O espiritismo n„o È, pois, sen„o o magnetismo espiritual, e o

magnetismo n„o È outra coisa sen„o o espiritismo humano.

De tudo isto concluo que o magnetismo, desenvolvido pelo espiritismo,

È a chave da abÛbada da sa˙de moral e material da humanidade futura.

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EurÌpedes, Homem P˙blico

Buscando informaÁıes do trabalho de EurÌpedes como homem p˙blico, constatamos que foi eleito vereador pelo povo, sem qualquer gasto ou promessa, somente sua presenÁa fÌsica foi mais que suficiente para a sua eleiÁ„o. Conforme constam nos anais daquela Casa de Leis, EurÌpedes, alÈm de Secret·rio da C‚mara Municipal, valorizou-a com projetos de elevado cunho social, de crescimento da economia, na realizaÁ„o de obras para benefÌcio da populaÁ„o. Informado que fora da prorrogaÁ„o do mandato de vereador para seis anos, ele se despediu daquela casa dizendo ìmeu compromisso era de quatro anos e necessito de todo meu tempo para outros afazeresî. Agradece e se despede com profundo pesar para os demais companheiros. Pertenceu ‡s mais importantes comissıes da C‚mara e em todas teve papel digno dos votos que recebera.

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EurÌpedes chamado a desafio

Onde h· luz h· trevas, sempre dizia nosso bondoso Chico Xavier, e aqui registro uma p·gina triste do desafio para que fora convocado nosso querido Professor EurÌpedes, um duelo em praÁa p˙blica entre Doutrina EspÌrita e Igreja CatÛlica. De um lado, o representante catÛlico, Padre Feliciano Iague e de outro, nosso querido EurÌpedes. Os dois, em ata formulada e assinada pelos presentes na casa de autoridade sacramentana, dentro dos princÌpios constitucionais da liberdade religiosa, formuladas as questıes no registro da referida ata, em que o mission·rio da Igreja CatÛlica teria que provar ser o Espiritismo ateÌsmo; os fatos da Doutrina EspÌrita s„o explicados como pactos diabÛlicos; o Espiritismo n„o È religi„o; o Espiritismo n„o È ciÍncia; por sua vez, o Prof. EurÌpedes teria que provar o contr·rio. Com hor·rio e designaÁ„o do local, com testemunhas indicadas e tudo. Trata-se de ˙nico duelo religioso de que se tem notÌcia, realizado na face da Terra, tendo a comunidade como testemunha. A ata lavrada, autoridades e pessoas de elevada responsabilidade moral e de bom conceito diante da sociedade local firmaram com suas respectivas assinaturas aquele ato. O mencionado padre procura em discurso infamante denegrir a Doutrina dos EspÌritos. Orador que era, busca situar-se em posiÁ„o de crÌtico contumaz, e ataca, com toda liberdade o Espiritismo, bem como a conduta dos espÌritas. A todo ataque com palavras e temas que a Igreja atÈ a presente data usa contra a Doutrina, EurÌpedes, com lÛgica, profundo amor e liÁıes extraÌdas do Evangelho de Nosso Senhor, rebate uma por uma as acusaÁıes, com lÛgica aristoteana. EurÌpedes, no fim da contenda, sagra-se esmagadoramente vencedor, a ponto de populares carregarem-no aos. Preocupado, pois sabia que a vitÛria traria mais perseguiÁıes, atravessa a dist‚ncia entre ele e o padre e abraÁ„o num gesto de comovedor carinho, banhado em l·grimas. Foi o suficiente para que o povo, aos gritos de vitÛria, buscasse EurÌpedes e o levasse nos ombros amigos. A sÌntese do embate foi publicada em jornais e divulgada no mundo de ent„o, dentro das limitaÁıes que a mÌdia permita.

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EurÌpedes, como todos os verdadeiros apÛstolos de Nosso Senhor, teve que dar seu testemunho de sofrimento. Assim Marcos, primeiro crist„o martirizado na GalilÈia: Paulo, degolado em Roma; Jo„o Batista degolado a mando de Herodes; John Russ, queimado vivo no Leste Europeu; Joana DíArc, pelas mesmas formas; Pedro, crucificado de cabeÁa para baixo; SÛcrates, condenado a morte em testemunho do amor e da verdade na grande preparaÁ„o para a chegada de Nosso Senhor Jesus Cristo.

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A PerseguiÁ„o contra EurÌpedes

EurÌpedes, apÛs a esmagadora vitÛria sobre o Padre Iague, sofreu a mais cruel perseguiÁ„o processual criminal daqueles tempos movida por um dos braÁos da Igreja CatÛlica, que t„o nobremente soube enfrentar, dentro da dignidade crist„. Porem o orgulho soberbo dos poderosos perdedores fez da vitÛria de EurÌpedes seu martÌrio. Dr. Arnaldo Alencar, delegado de Uberaba-MG, especialmente designado para apuraÁ„o do caso via inquÈrito policial, convoca EurÌpedes para tomar-lhe o depoimento, designado para o dia 22/10/1917, ‡s 19 horas, processado pelo exercÌcio ilegal da medicina. Na hora convocada, ali comparece EurÌpedes, trazendo em punho a valise para demonstrar que j· estava em serviÁo de atendimento e pronto socorro aos necessitados. Ou seja, traz a prova material contra si, naquele momento. ApÛs a tomada de seu depoimento, como inquirido que fora, pede licenÁa, com respeito, carinho e humildade, dizendo: ìPoder· Vossa ExcelÍncia conceder-me permiss„o para retirar-meî ñ Responde o representante da lei: ìO que o senhor vai fazerî? - A humildade de seu puro coraÁ„o responde: ìVer meus doentes, senhorî. Por um lado, o Delegado ouve as testemunhas arroladas, por outro, EurÌpedes a caminho de sua miss„o. J· no meio da multid„o que se aglomerara na porta da C‚mara, onde fora realizada a inquiriÁ„o, tranq¸ilizava os amigos, dizendo, voltem ‡s suas casas, est· tudo sob controle, nada a temer. 0s pais, amigos, confrades, todos choravam, temerosos das conseq¸Íncias advindas da odiosa perseguiÁ„o. A todos EurÌpedes consolava, com palavras de amor, compreens„o, sem m·goa ou atÈ mesmo tristeza, exemplo da fÈ viva, da coragem de defender um ideal nobre, puro, sacrossanto. As testemunhas, por outro lado, embora arroladas pelos inquisidores, foram un‚nimes em dizer dos favores recebidos, dos benefÌcios que seus familiares receberam das m„os do Santo EurÌpedes, portanto n„o havia necessidade de se ouvirem testemunhas de defesa. EurÌpedes, prosseguiu na sua tarefa. Saiu do inquÈrito policial e continuou sua miss„o, no outro dia, pela madrugada as portas da farm·cia se abriam para receber os carentes, doentes de toda forma. Numa tarde, na

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farm·cia, EurÌpedes confortava os amigos de trabalho, dizendo que o Dr. Bezerra anunciava que artigos de defesa estavam sendo divulgados pela imprensa de todo o PaÌs. Decorridos alguns dias a defesa de EurÌpedes perde o controle e alguns amigos se oferecem para eliminar os acusadores. EurÌpedes, derramando l·grimas, agora de profunda dor e tristeza, diz ñ Por favor, meus irm„os! Os senhores fazem-me sofrer muito mais que meus acusadores. Serei a mais infeliz das criaturas, se um dos senhores tornar-se assassino por minha causa. Derrotados em todas as tentativas de destruir ou atÈ mesmo desmoralizar EurÌpedes, seus opositores agora j· n„o se contentam com estas tristes faÁanhas, mas querem eliminar sua vida, assim obtendo uma vitÛria negra, produto da inferioridade moral dos que n„o sabem perder com dignidade. Pistoleiros, naquela Època denominados jagunÁos, s„o contratados para tal mister, mas sempre EurÌpedes era avisado, com avisos assim: - Cuidado, na prÛxima esquina dois jagunÁos esperam para elimin·-lo. N„o abra a janela, pois do lado de foram um homem veio mat·-lo. Uma noite, embora avisado de que dois assassinos espreitavam na esquina da C‚mara Municipal para sua morte, ele roga a Deus uma prece, aproxima-se dos criminosos, retira o chapÈu e cumprimenta com muito amor e, sem olhar para tr·s, segue sua rota a caminho do bem, sem nada lhe acontecer. A cidade n„o suporta tamanha covardia, o mesmo acontecendo em centenas de comunidades das Minas Gerais, bem como de outros estados da federaÁ„o, irm„os com artigos em jornais, telegramas ‡s centenas se solidarizavam com o ilustre professor. Conta-se que o senhor Jo„o Modesto dos Santos, propriet·rio do Jornal do Tri‚ngulo, organizara com amigos a defesa de EurÌpedes. Fato registrado na obra ìSubsÌdio para a histÛria de EurÌpedes Barsanulfo, de autoria de Dr. In·cio Ferreira, que assim se expressa:î Um portador enviado a Sacramento de l· voltava com a resposta de EurÌpedes: N„o reagiria e nem tomaria qualquer atitude hostil. Recomendava calma e que se procurasse evitar qualquer atitude precipitada. ìSer· que existe algo mais belo que a preocupaÁ„o com os inimigos e perseguidores de sua

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prÛpria pessoa? Pois em EurÌpedes isto era fato comum, ìamai seus inimigos, orai por aqueles que o perseguem e o caluniamî. Ao redigir o pequeno relato, emocionei-me a ponto de n„o suportar a carga emocional, eis que as l·grimas tambÈm n„o conseguiram permanecer em meu corpo insignificante, quando pesquisei o que segue, relatado aos ouvidos de EurÌpedes o seguinte, Ismael (Mentor Espiritual do Brasil), disse-lhe: ìN„o temas, EurÌpedes. Daqui serei o sustent·culo!î. Isto, dito na cumeeira do ColÈgio Allan Kardec. Por sua vez, ao lado de EurÌpedes, responde Dr. Bezerra: ìDaqui serei euî! Na madrugada do dia seguinte ao relato desses fatos, debaixo do caramanch„o de jasmins brancos, perfumado pelo aroma do mais profundo perfume e da Luz de Jesus, pois exatamente o que aconteceu, o impacto emocional era tamanho que EurÌpedes n„o conseguia absorver aquela luminosidade, a mais bela Estrela do Pai Celestial se fazia presente ali, coberto das neves brancas floridas do jasmim, ninguÈm mais que Nosso Senhor Jesus Cristo! Para lhe dizer ìmeu filho n„o temas! Estamos com Deus ñ A vitÛria È nossa!î D. Am·lia ouvia o relato proferido por EurÌpedes, e este, enquanto falava, ora buscava o CÈu para dizer ìisto È impossÌvelî, ora abaixava a cabeÁa para afirmar ìSou pequeno demais, menor que um ·tomo, para receber tanta Luzî. O processo criminal contra EurÌpedes passara nas m„os de cinco juÌzes e promotores e ninguÈm teve coragem para julg·-lo, era levado ao gabinete pelos serventu·rios da justiÁa e trazido as escrivanias sem despacho, atÈ que no dia 8 de maio de 1918 o MM. Juiz Mello Vianna o deu por prescrito, arquivando-o. O mundo crist„o explodiu em alegrias, aves, animais, plantas, o prÛprio cÈu, bem como os irm„os n„o suportavam a enorme emoÁ„o da liberdade, da vitÛria do bem sobre o mal, a carga emocional era tamanha, que de boca em boca o fato era comunicado, multid„o afluÌa a Sacramento, caravanas e mais caravanas buscavam a comemoraÁ„o. Mas ao se aproximarem de EurÌpedes, dele recebem a seguinte orientaÁ„o: ñìvamos orar, meus amigos. A hora È de extrema delicadeza. … preciso rogar a interferÍncia do Alto para que os

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infelizes instrumentos desse processo n„o sejam molestadosî. E lembra:

ìSe alguÈm vos bate na face esquerda, apresentai a outra!î Tamanha perseguiÁ„o, que o digno amigo, Freitas Nobre, em A PerseguiÁ„o policial contra EurÌpedes Barsanulfo, Ed. Edicel, 2™. Ed. P·ginas 89 e seguintes, assim se expressa:î Quem o verdadeiro impostor? Bem sublinhou o editorialista de o Estado de S„o Paulo (11-10-1955) quando indagava: ìEntretanto, como punir-se o farmacÍutico que d· consultas nas zonas pobres onde n„o h· mÈdicos?î

E prossegue: ìA ciÍncia n„o conseguiu ainda marcar exatamente o

limite onde termina a seriedade e comeÁa a impostura e daÌ, desse fato, a

sÈrie de transtornos, e que em muitas ocasiıes determina a pr·tica de clamorosas injustiÁasî. Nesse editorial sob o tÌtulo ìO Impostorî, o conceituado matutino paulista comentava a morte de um cidad„o ìque foi duramente perseguido

durante a sua vida t„o-somente porque tinha uma forÁa estranha, de ordem hipnÛtica que usava com o objetivo de curar alcoÛlatrasî. Mas n„o nos furtamos ‡ transcriÁ„o de outros trechos especialmente porque o editorialista chama particularmente a atenÁ„o para as perseguiÁıes e os processos judiciais. ìAmador Joly ñ prossegue o jornal ñ fazia o que os especialistas, com seus processos modernos, com seus sanatÛrios e seus diplomas internacionais n„o logravam fazer: - apanhava casos perdidos, bÍbados desamparados, doentes que se matavam no ·lcool e, com algumas ìsessıesî, punha-os outra vez em condiÁıes normais, propiciando-lhes o ensejo, curados, com invencÌvel repugn‚ncia pelas bebidas, de retomar o fio da vida que quase fora interrompida pela enfermidadeî.

A figura desse mÈdium que promovia sessıes de cura no Arraial dos

Souzas e depois em Moji GuaÁu È o retrato de tantos outros com EurÌpedes Barsanulfo que nestes rincıes do interior do Brasil abrem o

coraÁ„o ‡ assistÍncia fraterna, sem diploma, È verdade, mas sem receber dinheiro algum, embora dÍem o seu tempo, o tempo furtado ao seu trabalho ou ao seu descanso em favor dos necessitados.

A figura do mÈdium que o estado de S.Paulo retrata n„o poderia ficar

sem a transcriÁ„o destes perÌodos finais:

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ìCentenas de criaturas, pobres indivÌduos que eram mais vitimas do que culpados, ergueram-se com dignidade das sarjetas em que haviam caÌdo, trabalhando hoje de cabeÁa erguida, como um doente que esteve ‡s portas da morte e se restabeleceu. E n„o tinha diploma algum, nem instruÁ„o, nem habilitaÁ„o profissional, vivendo pelo orgulho de fazer o que ninguÈm conseguia Agora que Amador Joly morreu n„o h· mais o problema de ciÍncia penal sobre a apreciaÁ„o do art. 282 do CÛdigo Penal. Delegados, promotores, e juizes, n„o mais precisar„o discutir se o velho curandeiro, como o chamavam, estava ou n„o infringindo a norma penal. Contudo, continuar· a viver por muito tempo na memÛria dos que foram por ele redimidos. Passar· talvez na consciÍncia dos que o perseguiram. E manter· armada certamente, a pergunta que os cientistas, formados na Alemanha, na FranÁa, na Inglaterra e nos Estados Unidos atÈ agora n„o souberam responder com exatid„o: quem o verdadeiro impostor?î. A sociedade brasileira assistiu o procedimento penal contra EurÌpedes traumatizada, porque reconhecia os mÈritos de sua atividade assistencial desinteressada, no sublime sacerdÛcio de dar sem procurar recompensa, de amar sem exigir reciprocidade, sacrificando-se sem aguardar o reconhecimento dos beneficiados. E a esse volume de serviÁo, a sociedade respondia com o processo, as audiÍncias policiais, as publicaÁıes insultuosas, as ameaÁas de pris„o. Mas o povo simples, os homens de bem, os pacientes curados, os filhos retornavam ao regaÁo dos pais; os pais que regressavam ao lar recuperados da doenÁa fÌsica ou mental, ao ouvirem os gritos ìimpostor, impostor!î poderiam indagar como o fez o editorialista de O Estado de S.Paulo: ìquem o verdadeiro impostor?î Devemos rever nosso silÍncio diante da mediunidade espinho de nossos abnegados servos de Nosso Senhor Jesus Cristo, na defesa do amor, da ren˙ncia e do serviÁo na Seara de Jesus!

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A reserva moral de EurÌpedes

A amplitude moral de EurÌpedes È registrada nesta carta enviada ao senhor seu pai, por ocasi„o do anivers·rio deste:

A meu querido pai. Mil felicidades atravÈs de sua existÍncia, com o pedido a Deus de o inspirar e amparar em todas as fases de sua vida. Comemorando o seu anivers·rio, nada acho digno de traduzir-lhe meu afeto e profundo amor, ofereÁo-lhe, contudo, este p·lido mimo a falta de melhor. Aos dignos EspÌritos do Senhor suplico amparo e luzes para meu excelente e melhor amigo. Do f.o que o venera.

E. Barsanulfo.

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ObtenÁ„o de recursos do alto

Buscamos aqui, pela ausÍncia de outra mais pura e digna biografia de EurÌpedes, a generosidade de Corina Novelino, em sua citada obra, o relato abaixo, dada a magnitude de seu registro para a eternidade. Mas, em poucos minutos, dirigiu-se ‡ secret·ria:

- D. Am·lia, prepare-se para anotar o que vou descrever. S„o Vicente de Paulo est· a meu lado e convida-me para um passeio muito longo, na

companhia dele. Trata-se de uma excurs„o espiritual. EurÌpedes continua:

- S„o Vicente me toma pelas m„os e diz-me:

Vamos, meu filho. Diga ‡ D. Am·lia que n„o se preocupe, e tome nota de tudoî. EurÌpedes anuncia: ìCaminhamos por uma estrada clara, cheia de luminosidades intensas. As campinas floridas sucedem-se neste caminho de luz. Andamos ainda estrada afora. O vento leve perpassa pelos prados, estabelece-se um ondulado belÌssimo, envolto em melodiosos sonsî . De quando em quando, EurÌpedes reafirma: ìEstamos andando e a paisagem È a mesmaî. E continua, certa altura: Avistamos uma ·rvore muito frondosa, ao longe, e caminhamos na sua direÁ„o.

Estamos nos aproximando

EurÌpedes prossegue:

ìD. Am·lia, esta ·rvore È t„o maravilhosamente bela que n„o encontro comparaÁ„o para que a senhora possa ter uma idÈia de seu esplendor. Na Terra nada existe que se assemelhe ‡s fulgur‚ncias dela. Todavia, tentarei um recurso comparativo. Imagine a senhora que este vegetal seja constituÌdo inteiramente de ouro lavrado, batido pelos raios solares e ter· uma idÈia remota da realidade. Em cada folha, h· uma palavra escritaîñ assin·-la EurÌpedes ñìcomo: Deus. Jesus. Amor. JustiÁa. Toler‚ncia. Paz. EsperanÁa. Luz. Ren˙ncia. Devotamento. BeneficÍncia. Trabalho. Compreens„oî. E novamente, ‡ secret·ria: ìD. Am·lia, n„o È preciso que

ApÛs significativa pausa,

Chegamosî

eu leia mais. A senhora compreendeu muito bem a significaÁ„o desta ·rvore magnificente. Como a interpretaria a senhora?î A ·rvore simboliza a meu ver, o Cristianismo puro porque consubstancia todos os princÌpios salvadores exarados por Jesusî. ìSua interpretaÁ„o est· boa, mas conversaremos a este respeito quando fizermos um estudo mais detalhado

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do assuntoî. Nessa altura, prossegue: ìS„o Vicente convida-me a

prosseguir na viagem. SaÌmos. A estrada È a mesma. Andamos sempre sem parar. Avisto uma escada ao longe. Vai da Terra ao Infinito. Digo infinito, D. Am·lia, porque n„o diviso o seu fimî. Diz EurÌpedes:

ìChegamos ‡ escada. ComeÁamos a subir estamos subindo subindo

muito levemente, com asas nos pÈs

topo da escada. S„o Vicente afirma, quando colocamos o pÈ direito no ˙ltimo degrau: - ìMeu filho, est· terminada a nossa miss„o na Terra.

Estamos atingindo outra esfera. D. Am·lia, - diz EurÌpedes ñìa estrutura deste mundo È desconhecida para mim. N„o lhe conheÁo os elementos fÌsicos. Mas, para que a senhora tenha uma idÈia aproximada do embasamento cÛsmico deste Plano, imagine-o constituÌdo de m·rmore ou de jaspe. PorÈm, de um m·rmore com reverberaÁıes fascinantes. A superfÌcie esplende-se em luminosidades prÛprias, verdadeiramente estonteantes. N„o consigo traduzir sen„o vagamente para que a senhora tenha um p·lida vis„o da realidadeî. ìS„o Vicente, continua:-Meu filho, este plano È uma mans„o de Paz e bem AventuranÁas. Aqui È a morada daqueles que souberam bem desempenhar a sua tarefa de Amor, na Terra.

declara: ìAtingimos o

îEurÌpedes

… aqui sua morada, meu filhoî disse Jesus.

Na casa de meu Pai h· muitas moradas,

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Momentos finais de EurÌpedes na veste fÌsica

Surge na Europa, precisamente na Espanha, escabrosa epidemia de influenza, denominada gripe espanhola, mortal. Embora Sacramento n„o registrasse ainda nenhum caso, EurÌpedes informa de sua chegada bem como de seu desenlace. E, foi mais longe ao preparar a comunidade, com avisos, orientaÁıes, medicaÁıes e tudo o mais necess·rio para a defesa dos sacramentanos. O primeiro caso surgiu com o hÛspede do Hotel do ComÈrcio. Pronto, a epidemia chegara a Sacramento. DaÌ os membros da famÌlia do hotel tambÈm foram contaminados, alastrando-se incontrolavelmente pela cidade. EurÌpedes e sua equipe n„o medem esforÁos para o socorro, dia e noite, sem parar, buscam atender ‡ comunidade. AtÈ mesmo familiares seus foram contaminados. No dia 22 de outubro de 1918, EurÌpedes diz a seus colaboradores: ìVai desencarnar em Sacramento uma pessoa que ter· um fÈretro concorridÌssimo. Muitas flores e um n˙mero incalcul·vel de coroas.

Todas as pessoas, participantes do cortejo f˙nebre levam flores. E como î

choram! L·grimas

E continua EurÌpedes: ìO

homem que vai desencarnar È pobre. O caix„o È pobre, mas o morto È

muito querido

EurÌpedes contrai a doenÁa, febril, p·lido, muito fraco,mas n„o abandona seu posto, busca os enfermos e os trata com amor e profundo

carinho

A

D. Am·lia lhe pede: Professor tome seu banho de imers„o Ele

responde, n„o posso D.Am·lia, preciso cuidar de meus doentes

doenÁa se agrava a ponto de EurÌpedes comeÁar a cambalear, j· quase

caindo, mas mesmo assim n„o parava. A ponto de D.Am·lia, j·

restabelecida, buscar VovÛ Meca, que lhe aconselha repouso, ao que ele

responde

pode deitar, diante de tantos doentes. A m„e ordena-lhe

que se deite um pouco, ao que ele obedece. E, ainda deitado continua atendendo ao receitu·rio, nesse momento, ele anuncia seu desencarne para o dia seguinte ‡s 6,00 horas da manh„. Exatamente como previra naquele dia e hora, EurÌpedes deixa as vestes fÌsicas e segue para a Morada ìMans„o da Pazî. D. Meca, convocada, assiste aos ˙ltimos momentos do

muitas

l·grimas

î

N„o

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filho e ali, em corrente de oraÁıes, EurÌpedes despede-se de seus companheiros de jornada, sob as bÍnÁ„os de Nosso Senhor e de sua AngÈlica M„e SantÌssima. Uma chuva fina penetrava o solo, como a dizer que a cidade, amparada pela Natureza chorava a perda do filho querido, os p·ssaros calaram-se, os animais domÈsticos silenciaram, as crianÁas ficaram mudas, os velhos pasmos e a populaÁ„o inteira chorava e caminhava, caminhava e chorava no ˙ltimo adeus a EurÌpedes, o ApÛstolo da Caridade. Fidelidade, amor incondicional e disciplina rÌgida fizeram de EurÌpedes o exemplo m·ximo de dignidade e respeito ‡ causa da Lei de Amor,. NinguÈm mais do que ele amou tanto a Deus, Jesus, M„e SantÌssima, EspÌritos Superiores, como intÈrprete seus.

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Legado de EurÌpedes

O seguinte texto, vazado em prosa poÈtica e dedicado a Deus È o mais belo depoimento de fidelidade e amor ao Pai, que aqui transcrevemos:

Deus

EurÌpedes Barsanulfo

O universo È obra inteligentÌssima, obra que transcende a mais genial inteligÍncia humana. E, como todo efeito inteligente tem uma causa inteligente, È forÁoso inferir que a do universo È superior a toda inteligÍncia. … a inteligÍncia das inteligÍncias, a causa das causas, a lei das leis, o princÌpio dos princÌpios, a raz„o das razıes, a consciÍncia das

nome mil vezes santo, que Isaac Newton

jamais pronunciava sem descobrir-se! … Deus! Deus, que vos revelais pela natureza, vossa filha e nossa m„e. ReconheÁo-vos eu, senhor, na poesia da criaÁ„o, na crianÁa que sorri, no anci„o que tropeÁa, no mendigo que implora, na m„o que assiste, na m„e que vela, no pai que instrui, no apÛstolo que evangeliza! Deus! ReconheÁo-vos eu, senhor, no amor da esposa, no afeto do filho, na estima da irm„, na justiÁa do justo, na misericÛrdia do indulgente, na fÈ do pio, na esperanÁa dos povos, na caridade dos bons, na inteireza dos Ìntegros! Deus! ReconheÁo-vos eu, senhor, no estro no vate, na eloq¸Íncia do orador, na inspiraÁ„o do artista, na santidade do moralista, na sabedoria do filÛsofo, nos fogos do gÍnio! Deus! ReconheÁo-vos eu, senhor, na flor dos vergÈis, na relva dos vales, no matiz dos campos, na brisa dos prados, no perfume das

campinas, no murm˙rio das fontes, no rumorejo das franÁas, na m˙sica dos bosques, na placidez dos lagos, na altivez dos montes, na amplid„o dos oceanos, na majestade do firmamento!

consciÍncias; È deus! Deus!

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Deus! ReconheÁo-vos eu, senhor, nos lindos antÈlios, no Ìris multicor,

nas auroras polares, no argÍnteo da lua, no brilho do sol, na fulgÍncia das estrelas, no fulgor das constelaÁıes. Deus! ReconheÁo-vos eu, senhor, na formaÁ„o das nebulosas, na origem dos mundos, na gÍnese dos sÛis, no berÁo das humanidades; na maravilha, no esplendor, no sublime infinito! Deus! ReconheÁo-vos eu, senhor, com Jesus, quando ora: ìpai nosso

com os anjos, quando cantam: ìglÛria a deus nas

alturas

que estais nos cÈus î

îOu

Aleluia!

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Tombamento histÛrico, religioso, cultural de EurÌpides Barsanulfo

No mÍs de agosto do ano de 2006 a chamado de Tia Heigorina dirigimo-nos a Sacramento-MG, ocasi„o em que nossa querida amiga, sobrinha de EurÌpedes Barsanulfo, confidenciou-nos que gostaria que os trabalhos do ìTio EurÌpedesî dessem continuidade apÛs a partida sua para o Plano Espiritual. Naquele momento fizemos um breve relato das possibilidades jurÌdicas para tanto. E, que o tombamento com recursos da Municipalidade caberia desapropriaÁ„o, bem como indenizaÁ„o por parte do MunicÌpio, mas, por outro lado, o domÌnio pertenceria ‡ Municipalidade e n„o era previsÌvel a destinaÁ„o, eis que poderia abranger apenas o aspecto cultural ou atÈ mesmo histÛrico, e o religioso poderia ser deixado de lado, era uma situaÁ„o imprevisÌvel, mas que a legislaÁ„o P·tria permitia o tombamento por parte dos interessados, que dariam a orientaÁ„o certa e que os herdeiros dela n„o poderiam mudar a destinaÁ„o e assim preservando a memÛria dos aposentos do Tio EurÌpedes, do culto do Evangelho que j· era centen·rio, bem como o aspecto religioso, cultural, histÛrico tambÈm ficariam preservados. Optou nossa gentil e generosa Tia Heigorina, como È conhecida pelo presente processamento, conforme requerimento que se apresenta no presente trabalho. Antes de mais, alÈm do belÌssimo amor pelo ìTio EurÌpedesî, da preocupaÁ„o em seguir seus passos, sua orientaÁ„o, seu exemplo, queria a perpetuaÁ„o dos trabalhos atÈ quando Deus permitisse sua vontade era sÈria, obstinada, acima de qualquer d˙vida, motivada por EspÌritos Superiores, ali j· n„o era a vontade soberana de um gesto belÌssimo, mas intuÌda pelos Bons EspÌritos para mais um trabalho que dignificasse e perpetuasse o trabalho do ApÛstolo da Caridade. Assim, vamos buscar a ·rvore genealÛgica de nossa querida tia, para aqui ficar registrado seu parentesco de legitima sobrinha do adorado tio. Vimos, no inicio de nosso estudo a ·rvore genealÛgica de EurÌpedes Barsanulfo, filho de VovÛ Meca e do Sr. Mogico, ambos tiveram quinze filhos e dentre eles a Senhora EurÌdice, portanto irm„ de EurÌpedes. EurÌdice casa-se com Ataliba no ano de 1.915 e tiveram os filhos:

Heigor Cunha; Heigorina Cunha; Ivonir Cunha; Vigilato JosÈ Cunha;

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Heigorina Cunha; Lenoir Cunha; Neoni Cunha; Roberto Cunha; Lineu Cunha; Adolfo Cunha; Ionete Cunha, observando-se que a primeira Heigorina faleceu e a nossa querida Tia recebeu o mesmo nome, tendo nascido em 16.04.1.923, portadora da cÈdula de identidade n. M- 5.729.329 da SSP/MG e do CPF/MF n. 123.616.586.15, portanto fica aqui o registro do parentesco e aprova de ser sobrinha direta do nosso querido ApÛstolo EurÌpedes. O sonho de Heigorina, continuadora da obra de seu querido tio EurÌpedes materializou-se, com a ediÁ„o do decreto de tombamento, registrado no seu inteiro teor pela presente obra. Convidados que fomos para atendÍ-la nesta atitude de samaritana, que renunciou a tudo de ordem material, no exemplo da vi˙va do gazofil·ceo, aludida por Jesus, como uma das mais belas obras de ren˙ncia do ser humano, apenas com nossa pequena colaboraÁ„o seu sonho realizou-se. Por ser da vontade do fiel povo sacramentano, que se registrasse nos anais da histÛria da nossa querida doutrina espÌrita o pleito de gratid„o pela gigantesca obra de apostolado.

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Pedido de Tombamento

66 Pedido de Tombamento Eur Ìpedes Barsanulfo Excel Íncia Certa feita perguntamos ao nosso querido Chico

EurÌpedes Barsanulfo

ExcelÍncia

Certa feita perguntamos ao nosso querido Chico Xavier: ìFale-nos um pouco sobre EurÌpedes Barsanulfo!î. Ele respondeu:

- ìA humanidade n„o conhece o dicion·rio Divino para conceituar EurÌpedes. Falar de EurÌpedes È o mesmo que falar de Nosso senhor Jesus Cristoî. Pois bem, ExcelÍncia, o ApÛstolo da Caridade nasceu nesta cidade no dia 1 de maio de 1.880 e aqui deixou seus restos mortais em 1 de novembro de 1.918. Sendo ele o ApÛstolo da Caridade, Sacramento surge como o berÁo, a Meca do amor, cujo Sol brilhou em todas as comunidades brasileiras, partindo deste foco inicial, propagou-se de tal forma que È quase impossÌvel encontrar uma cidade brasileira que n„o tenha dado seu nome a um centro, fundaÁ„o, escola, hospital, abrigo, creche, orfanato espÌritas. Nesta bela cidade, EurÌpedes redimira a todos, estendeu o amor, a verdade, a paz, a luz do Evangelho e da educaÁ„o, professor por excelÍncia, era o justo e padecia a injustiÁa e contra ela n„o se abateu, relegado ao sofrimento, ao abandono ao declarar com respeito e honestidade sua nova rota religiosa, foi chafurdado na mais triste perseguiÁ„o que alguÈm pudera suportar, foi quando a M„e SantÌssima, acompanhada de Celina lhe estende o Manto Sagrado do mais profundo amor e o apÛia, ele banhado em l·grimas segue a orientaÁ„o. Rodeado