A IMPORTÂNCIA DA DIDÁTICA NO ENSINO SUPERIOR

Regina Nogueira da Silva Professora Universitária Ernesto Oliveira Borba Professor Universitário

RESUMO Por um longo período prevaleceu no âmbito do Ensino Superior que para se capacitar um bom professor neste nível, necessário seria dispor de comunicação fluente e vasto conhecimentos relacionados à disciplina que pretendesse lecionar. A justificativa dessa afirmação fundamenta-se no fato de o corpo discente das escolas superiores ser constituído por adultos, diferentemente do corpo discente do ensino básico, constituído por crianças e adolescentes. Desta forma esses alunos não necessitariam do auxilio de pedagogos. Os estudantes universitários, por já possuírem uma “personalidade formada” e por saberem o que pretendem, não exigiriam de sues professores mais do que competência para transmitir os conhecimentos e para sanar suas dúvidas. Por essa razão é que até recentemente não se verificava preocupação explicita das autoridades educacionais com a preparação de professores para o Ensino Superior. A preocupação existia, mas com a preparação de pesquisadores, ficando subentendido que quanto melhor pesquisador fosse mais competente professor seria. Palavras-Chave: Didática, Ensino e Aprendizagem

INTRODUÇÃO Por um longo período prevaleceu no âmbito do Ensino Superior que para se capacitar um bom professor neste nível, necessário seria dispor de comunicação fluente e vasto conhecimentos relacionados à disciplina que pretendesse lecionar. A justificativa dessa afirmação fundamenta-se no fato de o corpo discente das escolas superiores ser constituído por adultos, diferentemente do corpo discente do ensino básico, constituído por crianças e adolescentes. Desta forma esses alunos não necessitariam do auxilio de pedagogos. Os estudantes universitários, por já possuírem uma “personalidade formada” e por saberem o que pretendem, não exigiriam de sues professores mais do que competência para transmitir os conhecimentos e para sanar suas dúvidas. Por essa razão é que até recentemente não se verificava preocupação explicita das autoridades educacionais com a preparação de professores para o Ensino Superior. A preocupação existia, mas com a preparação de pesquisadores, ficando subentendido que quanto melhor pesquisador fosse mais competente professor seria. Atualmente, as pessoas envolvidas com as questões educacionais que aceitam uma justificativa desse tipo. O professor universitário, com o de qualquer outro nível, necessita apenas de sólidos conhecimentos na área em que pretende lecionar, mas também de habilidades pedagógicas suficientes para tornar o aprendizado mais eficaz. Além disso, o professor universitário precisa ter uma visão de mundo, de ser humano, de ciência e de educação compatível com as características de sua função. Diante do acima exposto é que a nossa proposta de enfatizar e efetuar a pesquisa sobre o assunto proposto no referido trabalho, uma vez que precisamos ter a consciência do papel do professor universitário, como também sermos conscientes de que os alunos nos dias atuais são “críticos” e possuem uma visão “holística” de tudo que é apresentado em sala de aula, tendo porém, capacidade suficiente, devido a sua experiência no mercado de trabalho de discordar de determinadas teorias apresentadas por alguns autores, uma vez, que somentte na prática é que realmente tem-se condições de verificar a aplicabilidade das mesmas, portanto, podemos perceber de que os professores estão a cada momento sendo “avaliados e analisados” pelos alunos.

Segundo observações de Fávero (l977) tais objetivos eram muito amplos e. decorrentes de Reforma Francisco Campos1. sendo que como unidade viva.. p.) equipar tecnicamente as elites profissionais do país e proporcionar ambiente propício às vocações especulativas e desinteressadas. de vontades e de aspirações. mesmo para atender uma minoria privilegiada. . mas engloba também o social: “(. superior e comercial que passam a ser conhecidas como “Reforma Francisco Campos”.. Até o advento da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. o sentido que se desejou imprimir à idéia de Universidade no Brasil desde as suas origens e que até hoje persiste como um alvo a ser permanentemente alcançado. um centro de contacto.1977. l977. 1 . isto é.” (CAMPOS.. )transcendente ao exclusivo propósito do ensino (é uma unidade social ativa e militante. o seu círculo de ressonância e de influencia exercendo nele uma larga. em que se organiza e existe. a autora nos adverte de que a escola de nível superior. imprescindíveis à formação da cultura nacional. nas suas Com a revolução de 30 Getulio Vargas assume “provisoriamente” o governo da República nomeando os ministros das ´varias pastas ficando designado Francisco Campos Ministro da Educação. poderosa e autorizada função educativa. e o de nr l9. cujo destino. elabora uma série de decretos sobre as reformas do ensino secundário. 34). l940.A DIDÁTICA NO ENSINO SUPERIOR Como primeiro passo julgamos oportuno destacar. inclusive. demasiado otimistas para uma época em que havia poucas escolas. que não exaure a sua atividade no círculo dos seus interesses próprios e inéditos. o ensino superior estava estruturado. de forma adequada. sendo todos eles de abril de l931. Empossado. é o da investigação e da ciência pura” (CAMPOS.852 (relativo à reorganização da Universidade do Rio de Janeiro e do ensino superior brasileiro).851 (relativo à organização das universidades brasileiras). apud Fávero. dos documentos legais. L940. uma família intelectual e moral. sendo os termos dos Decretos nr l9. em l961. de colaboração e de cooperação. Das Diretrizes contidas nestes documentos legais destacamos o duplo objetivo a ser alcançado pela Universidade: “ (. p. . em suas bases fundamentais.340 Taís diretrizes ressaltam ainda que o papel da Universidade não pode ser restrito ao aspecto didático. apud FAVERO. Ainda que ressaltasse a finalidadede social da Universidade. nr l9. tende a ampliar no meio social.850 (que criava o conselho Nacional de Educação definindo suas funções).

não conseguiram concretizar os seus propósitos básicos de forma que o nosso ensino de terceiro grau ainda manteve a sua característica de um aglomerado de escolas superiores independentes. organizada por Anísio Teixeira. posteriormente. os moldes universitários. (GOERGEN . “rígida e elitista”. foi a Universidade de Brasília em l961”. “Efetivamente. com a cooperação de institutos de pesquisa e centros de treinamentos profissionais” A LDB. contudo. Um segundo momento. da criação em l934 da USP e em l935 da Universidade do Distrito Federal. tornaram-se regra comum dentro da nossa estrutura de ensino de 3º grau. 47). se apresentava como “altamente hierarquizada. Este tipo de orientação.024. seguido. Tais orientações legais trouxeram como consequência o fato de que. p. de preferências. . Estes documentos já evidenciavam a idéia de que o ensino superior deveria assumir. Na década de 60. entretanto. quando foi criada a Universidade de São Paulo. o sistema de ensino superior brasileiro. através de seu artigo 67 dispõe: “O ensino superior será ministrado em estabelecimentos agrupados ou não. l979. apenas a partir de l934. em universidades. cuja existência deveria ser transitória. não foi suficiente para organizar. profundas transformações políticas. a forma Universidade (prévia a existência de pelo menos três estabelecimentos de ensino superior para a constituição de uma Universidade). portanto. que “pouco se comunicava com a sociedade de que em parte”. ocorreu a partir da aprovação da Lei nr 4. podendo ainda ser ministrado em estabelecimentos isolados. podemos falar de uma “universidade brasileira” Um ano após surgia. econômicas e sociais ocorridas no país. confirmou a possibilidade do ensino superior efetivar-se em estabelecimentos isolados. que. segundo Fávero (l977) representou um retrocesso para o desenvolvimento do sistema universitário brasileiro de forma integrada.origens. A terceira e mais audaciosa tentativa conduzida por Darcy Ri beiro. a Universidade do Distrito Federal Ambos os projetos foram uma tentativa de ultrapassar a mera agregação de escolas superiores independentes. As universidades foram criadas sem reais possibilidades de se desenvolverem a partir dos modelos que orientavam estas instituições em nações mais desenvolvidas. cada vez mais. escolas isoladas. o que. vão provocar novas reações no comportamento do ensino superior. de 20 de dezembro de l961 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB. Estes projetos. bastante significativo para o desenvolvimento do ensino superior.

bastaria dispor de comunicação fluente e sólidos conhecimentos relacionados à disciplina que pretendesse lecionar. A justificativa dessa afirmação fundamentava-se no fato de o corpo discente do ensino básico. O professor universitário. que tem o significado de arte do ensinar. gogein = conduzir). preocupação existia. de ser humano. o próprio termo pedagogia tem sua origem relacionada à palavra criança (grego: paidos = criança. . constituído por crianças e adolescentes. esses alunos não necessitariam do auxilio de pedagogos. As deficiências na formação do professor universitário ficam claras nos levantamentos que são realizados com estudantes ao longo dos cursos. Por essa razão é que muitos professores e postulantes a docência em cursos universitários vem realizando cursos de Didática do Ensino Superior. com uma frequência cada vez maior. Além disso. Por essa razão é que até recentemente ao se verificar a preocupação explicita das autoridades educacionais com a preparação de professores para o Ensino Superior. como o de qualquer outro nível. por instituições de Ensino Superior. mas com a preparação de pesquisadores. Os estudantes universitários.1. Ou melhor. por já possuírem uma “personalidade formada” e por saberem o que pretendem não exigiriam de seus professores mais do que competência para transmitir os conhecimentos e para sanar suas dúvidas.1– O QUE É DIDÁTICA DO ENSINO SUPERIOR Durante muito tempo prevaleceu no âmbito do Ensino Superior a crença de que. Seu uso difundiu-se com o aparecimento da obra de Jan Amos Comenius (l592 – l6700. necessita não apenas de sólidos conhecimentos na área em que pretende lecionar. Nestes é comum verificar que a maioria das críticas em relação aos professores refere-se à “falta de didática”. o professor universitário precisa ter uma visão de mundo. para se tornar um bom professor neste nível. Aliás. 1. Assim. que são oferecidos em nível de pósgraduação. de ciência e de educação compatível com as características de sua função. ficando subentendido que quanto melhor pesquisador fosse mais competente professor seria. Hoje são poucas as pessoas envolvidas com as questões educacionais que aceitam uma justificativa desse tipo. mas também de habilidades pedagógicas suficientes para tornar o aprendizado mais eficaz.2 – QUAL O LUGAR DA DIDÁTICA NA FORMAÇAO DE PROFESSORES O termo didática deriva do grego didaktiké.

No inicio do século XX. Didática é “o estudo do processo de ensino-aprendizagem em sala de aula e de seus resultados” e surge. ao contrário das formas de intervenção mais ou menos espontâneas de antes”. procurando fornecer um conjunto de princípios tendentes a rever as formas tradicionais de ensino. com a burguesia industrial firmando-se como classe hegemônica e interessada. DOS Estados Unidos. A partir do final do século XIX. pg. deparamos-nos com muitas definições diferentes de didática. Com efeito. esses movimentos reconheciam a insuficiência da didática tradicional e aspiravam a uma educação que levasse mais em conta os aspectos psicológicos envolvidos no processo de ensino. 32). ou Tratado da arte universal de ensinar tudo a todos. especialmente na Biologia e na Psicologia. segundo Libaneo (l994. a Pedagogia é reconhecida tradicionalmente como a arte e a ciência de ensinar.Didactica Agna. surgiram numerosos movimentos de reforma escolar tanto na Europa quanto na América. Esses movimentos surgiram dentro de um contexto histórico-social que teve como foco principal o processo de industrialização. a Didática passou a buscar fundamentos também nas ciências. 22). mas também nos de Jean Jacques Roussseau (l712-l778). consequentemente. mas quase todas apresentam-se como ciência. “enquanto os adultos começam a intervir na atividade de aprendizagem das crianças e jovens através da direção deliberada e planejada do ensino. técnica ou arte de ensinar. Johann Heinrich Pestalozzi (l746l827). Nos dias atuais. de John Dewey (l859-l953). 2001. Édouard Claparéde (l873l940). O movimento escola novista surgiu como uma nova forma de tratar os problemas da educação. por sua vez. Embora diversos entre si. Johann Friedrich Herbart (l777-1841) e de outros pedagogos desse período. Para Masetto (l977. mostraram-se bastante adiantadas em relação as concepções psicológicas dominantes em seu tempo. DA Suíça. publicada em l657. na difusão de suas idéias liberais. Costuma-se reunir essas tendências pedagógicas sob o nome de Pedagogia da “Escola Nova” ou da “Escola Ativa” . DA França. As obras desses autores. 58). no entanto. graças às pesquisas de cunho experimental. p. Até o final do século XIX. Uma definição obtida em dicionário a vê se como “parte da Pedagogia que trata dos preceitos científicos que orientam a atividade educativa de modo a torná-la mais eficiente” (HOUAISS. Isso pode ser constatado não apenas nos trabalhos de Comenius. A Escola Nova pretendia ser um movimento de renovação pedagógica . A literatura referente a essas tendências é muito extensa e envolve obras de autores como: Ovide Decroly (l871-l973). p. a Didática encontrou seus fundamentos quase que exclusivamente na Filosfia.

a ter maior destaque. temas e procedimentos metodológicos de inspiração escolanovista. receberam muitas críticas. Dessa forma. No início da década de l950 até o final da década de l970. adequando-as às capacidades e às características individuais dos alunos. a Didática da escola Nova passou a considerar o aluno como sujeito da aprendizagem. A atenção às diferenças individuais e a utilização de jogos educativos passaram.de cunho fundamentalmente técnico. A Escola Nova foi acusada de não exigir nada dos alunos. a Didática passou a seguir os postulados da Escola Nova. no entanto. Como essa perspectiva afirmava a necessidade de partir dos interesses espontâneos e naturais da criança. que buscava aplicar na prática educativa os conhecimentos derivados das ciências do comportamento. do aluno passivo ante os conhecimentos transmitidos pelo professor passou-se ao aluno que se auto-educa ativamente num processo natural. mas o aluno ativo e investigador. Abandonou-se a visão da criança como um adulto em miniatura para centrar-se nela como um ser capaz de adaptar-se a cada uma das fases de sua evolução. portanto. as idéias da Escola Nova tornaram-se conhecidas na década de l920 e foram muito prestigiadas após a Revolução de l930. portanto. o ensino da Didática continuou até a década de l950 a privilegiar objetivos. Estas idéias. escritas. A idéia básica da Escola Nova é a de que o aluno aprende melhor por si próprio. a Escola Nova não conseguiu modificar de maneira significativa os métodos didáticos utilizados nas escolas brasileiras. o ensino da Didática privilegiou métodos e técnicas de ensino com vistas a garantir a eficiência da aprendizagem dos alunos e a defesa de sua neutralidade cientifica. orientar e organizar as situações de aprendizagem. . de abrir mão dos conteúdos tradicionais e de acreditar ingenuamente em sua espontaneidade. liberdade e individualização. nem o professor nem a matéria. sustentado pelos interesses e ações concretas de seus colegas. passou-se a valorizar os princípios de atividades. O centro da atividade escolar não seria. O que caberia ao professor seria colocar o aluno em situações em que fosse mobilizada a sua atividade global. plásticas ou de qualquer outro tipo. principalmente dos educadores mais conservadores. O tecnicismo passou a assumir uma posição fundamental no discurso educacional e consequentemente no ensino da didática. Mas no meio acadêmico universitário. Ao professor caberia principalmente incentivar. Com efeito. Assim. possibilitando a manifestação de suas atividades verbais. Anísio Teixeira e Lourenço Filho. Como as mudanças introduzidas pela Revolução de l930 não foram suficientes para abalar significativamente o conservadorismo das elites brasileiras. No Brasil. a partir da segunda década do século XX. graças ao trabalho de educadores como Fernando de Azevedo.

as técnicas de exposição e de condução de trabalhos em grupo e a utilização de tecnologias a serviço da eficiência das atividades educativas. Seus alunos. tendem a se ver como especialistas na disciplina que lecionam a um grupo de alunos interessados em assistir a sua as aulas. orientar. sem se perguntar a serviço do que e de quem se ensina” (OLIVEIRA. formar. como: instruir. apontar. as ações que desenvolvem em sala de aula podem ser expressas pelo verbo ensinar ou por correlatos. doutrinar e instrumentar. 2003. dirigir. Trata-se de um assunto bastante polemico. 1976. Demonstram a receptividade e a assimilação correta por meio de “deveres”. ao se colocarem à frente de uma classe. preparar. confundindose com a Metodologia de Ensino. uma das mais importantes opções feitas pelo professor dá-se entre o ensino que ministra ao aluno e a aprendizagem que este adquire. a seleção de conteúdos. que tinha a formação de mão-de-obra como o referencial central da educação. Seus propósitos eram pois.63). p. 1. Muitos professores.Enquanto disciplina acadêmica. Esses professores percebem-se como especialista em determinada área do conhecimento e cuidam para que seu conteúdo seja conhecido pelos alunos. Dessa forma. “tarefas” ou “provas individuais”. os de “fornecer subsídios metodológicos aos professores para ensinar bem. Essa tendência acentuou-se com a adoção das políticas de cunho desenvolvimentista pelo governo militar que se instalou em l964. por sua vez. a didática passou a enfatizar a elaboração de planos de ensino. recebem a informação. A didática passou a ser vista principalmente como um conjunto de estratégias para proporcionar o alcance dos produtos educacionais. guiar. p. amoldar. Para Abreu e Masetto (l986). em suas qualidades e habilidades. A atividade desses professores. Assim. “Que critério deverei utilizar para aprovar ou reprovar os alunos?”. na maioria das vezes. que. apesar de alguns autores considerarem-no uma falsa questão. Suas preocupações básicas podem ser expressas por indagações como: “Que programa devo seguir?”. a formulação de objetivos instrucionais. acabam por demonstrar que fazem uma inequívoca opção pelo ensino. . l3). “A sua arte é a arte da exposição” (LEGRAND. que é transmitida coletivamente. reproduz os processos pelos quais passaram ao longo de sua formação. centraliza-se em sua própria pessoa. treinar.3 – Ensino ou aprendizagem Uma das principais questões relacionadas à atuação do professor universitário referese à relação entre ensino e aprendizagem.

preocupados com uma educação para a mudança. atribuído a Rogers. Em apoio à postura que enfatiza o ensino. que a missão do professor é a de ensinar. necessidade e interesses com vistas a auxiliá-los na coleta das informações de que necessitam no desenvolvimento de novas habilidades. interesses. Preocupam-se em identificar sua aptidões. costuma-se lembrar que o magistério é uma vocação. e passa a ser o de ajudar o aluno a aprender. As preocupações básica desses professores por sua vez. “Quais as estratégias mais adequadas para facilitar seu aprendizado?” Consciente ou inconscientemente. Há professores que exageram o peso a ser atribuído às qualidades pessoais de amizade. oportunidades e condições para aprender. Atuam portanto. 86). Os educadores progressistas. BOWER. Segundo Paulo Freire (2002. expectativas. Neste contexto . o que é repassado aos alunos. também tem gerado equívocos. a investigar com independência e a procurar os meios para o seu desenvolvimento individual e social. amor. p. que para isso é que ele se preparou e que. a despeito de seus inegáveis méritos humanistas e do embasamento nas modernas teorias e pesquisas educacionais. tolerância e abnegação e simplesmente incluem a tarefa de ensinar de suas cogitações funcionais. Alicerçados no principio de que “ninguém ensina ninguém”. compreensão. 1984. o papel predominante do professor deixa de ser o de ensinar. no entanto. o que faz com que sua atuação se diversifique significativamente. mas de fazer brotar idéias” (WERNER. na modificação de atitudes e comportamentos e na busca de novos significado nas pessoas.Mas há professores que vêem os alunos como os principais agentes do processo educativos. são expressas em indagações como. 1-15). À medida que a ênfase é colocada na aprendizagem. p. os professores tendem a enfatizar um ou outro pólo. capacidades. à medida que seja um especialista na matéria e que domine por meio da metodologia de ensino. Seus alunos são incentivados a expressar suas próprias idéias. Mas a ênfase na aprendizagem. constituem os exemplos mais claros de adoção desta postura. sem suas aptidões. muitos professores simplesmente se eximem da obrigação de . segundo a linguagem utilizada por Carl Rogeres (1902-1987). nas coisas e nos fatos Suas atividades estão centrada nas figura do aluno. como facilitadores da aprendizagem. possibilidades. tem sido feitas à postura dos professores que conferem maior ênfase ao ensino. “Em que medida determinado aprendizado poderá ser significativo para eles?”. “Quais as expectativas dos alunos?”. Muitas críticas. educar deixa de ser a “arte de introduzir idéia na cabeça das pessoas. carinho.

em grande parte. 78). é um facilitador da aprendizagem. entrelaçando o que lhe é transmitido com o que ele próprio procura. Isto não significa que a generalidade dos professores negligencie a qualidade do ensino a que são devotados. Embora a polêmica persista. não é difícil constatar que o ensino torna-se muito mais eficaz quando os alunos de fato participam. Muitos estão certamente atentos às inovações pedagógicas. Elas conduzem a rumos diferentes.ensinar. estruturando racionalmente os conhecimentos que vai adquirindo. “entram no jogo das classes dominantes. de modo geral. a atenção principal na ação educativa transfere-se. as aulas passam geralmente a requerer uma participação dos alunos. O que de fato ocorre é que a grande maioria dos professores universitários ainda vê o ensino principalmente como transmissão de conhecimento através das aulas expositivas. essa polemica não existe. mas muitos outros mantêm uma atitude conservadora. Dessa forma. Assim. do ensino para a aprendizagem. p. Os professores universitários não recebem preparação pedagógica especifica e menos ao longo da sua vida profissional raramente tem a oportunidade de participar em cursos. menos um profissional que tem como função principal o ensino” (ALMEIDA. tudo. conforme as respostas dos alunos. consequentemente. não tem incentivos para desenvolver a sua capacidade pedagógica e que. A pedagogia fica. Na verdade. o professor. portanto. que é feita coloquialmente com a . o que passam a fazer nada mais é que. um abnegado. o ensino passa a ser mais do que a transmissão de conhecimento. à medida que esses professores desprezam a tarefa de ensinar. Boa parte desses professores aprendeu seu oficio como os antigos aprendiam: fazendo. As aulas tornam-se muito mais vivas e interessantes quando são entrecortadas com perguntas feitas aos alunos. muitas vezes. mediante o argumento da autoridade . Com isto. Dessa forma. ao sabor dos dotes naturais de cada professor. Uma resposta suscita uma informação adicional que suscita outra pergunta e. 1986. um missionário de um apostolado. dissimular sua competência técnica. Além disso. mas que. nem dispõe de informação complementar necessária para a solução de problemas concretos. mais do que transmissor de conhecimento. pois a estas interessa um professor bem comportado. seminários ou reuniões sobre os métodos de ensino e avaliação da aprendizagem. Para muitos professores universitários. outra resposta. Passa a exigir o fornecimento de métodos e de ferramentas para o desempenho desse papel ativo. breve revisão. sobretudo no referente à tecnologia material de ensino.

Essa abordagem denota uma visão individualista do processo educativo e do caráter cumulativo do conhecimento. até que. Abordagem comportamentalista. e a avaliação consiste fundamentalmente em verificar a exatidão da reprodução do conteúdo comunicado em aula. A escola é reconhecida como a agencia que educa formalmente e os modelos educativos são desenvolvidos com base na análise dos processos por meio dos quais o comportamento é modelado e reforçado.1. humanista. um dos principais teóricos desta abordagem. que tem como objetivo o Para Skinner. torna-se capaz de ensinálos a outros e a exercer eficientemente uma profissão. O ensino é caracterizado pelo verbalismo do professor e pela memorização do aluno. o conhecimento é resultado direto da experiência. ser controlado e manipulado. comportamentalista. mas dá assistência aos estudantes. tende a ser abordado sob diferentes óticas. Abordagem humanista. Para os comportamentalista ou behavioristas. Por ser um fenômeno humano e histórico. a realidade é um fenômeno objetivo e o ser humano é um produto do meio. Mizukami (l986) define cinco abordagens: tradicional. de posse dos conhecimentos necessários. que são apresentadas a seguir: Abordagem tradicional. O aluno é considerado um receptor passivo. cognitivista e sociocultural. . Esta abordagem foca predominantemente o desenvolvimento da personalidade dos indivíduos e tem Carl Rogers como um de seus principais teóricos. Esta abordagem privilegia o professor como especialista. O professor é visto como um planejador educacional que transmite conteúdos desenvolvimento de competências. como elemento fundamental na transmissão dos conteúdos. O professor não transite conteúdos. de posse dos conhecimentos necessários. portanto. O aluno é considerado um receptor passivo. torna-se capaz de ensiná-los a outros e a exercer eficientemente . Dessa forma. Sua didática pode ser resumida em “dar lição” e “tomar lição”.4 – Como abordar o processo de ensino O fenômeno educativo não é uma realidade acabada capaz de ser identificada clara e precisamente em seus múltiplos aspectos. não interessando tanto a atividade mais autônoma do estudante. até que. o ensino se dá num processo que tem como modelo do trabalho pelo professor. atuando como facilitador da aprendizagem.

atuando como facilitador da aprendizagem. A ênfase é no sujeito. na qual assume fundamentalmente importância o controle do trabalho pelo professor. mas uma das condições necessárias para o desenvolvimento individual é o ambiente. Para Skinner. Assim. O ensino é caracterizado pelo verbalismo do professor e pela memorização do aluno. a escola é vista como a instituição que deve oferecer condições que possibilitem a autonomia dos alunos. o conhecimento é resultado direto da experiência. como acontece na abordagem comportamentalista. O professor é visto como um planejador educacional que transmite conteúdos que tem como objetivo o desenvolvimento de competências. Abordagem humanista. Sua didática pode ser resumida em “dar lição” e “tomar lição”. o ensino se dá num processo que tem como modelo a instrução programada. que enfatiza o objeto. Esta abordagem foca predominantemente o desenvolvimento da personalidade dos indivíduos e tem Carl Rogers como um de seus principais teóricos. não enfatizando nenhum pólo desta relação. que são considerados num processo contínuo de descoberta de si mesmos. que enfatiza Bruner.uma profissão. Dessa forma. O conteúdo emerge das próprias experiências dos estudantes. podendo. um dos principais teóricos desta abordagem. não interessando tanto a atividade mais autônoma do estudante. Assim. portanto. a escola deveria proporcionar ao estudante as . mas dá assistência aos estudantes. que passa por reestruturações sucessivas. A escola é reconhecida como a agencia que educa formalmente e os modelos educativos são desenvolvidos com base na analise dos processos por meio dos quais o comportamento é modelado e reforçado. ser controlado e manipulado. e na humanista. O conhecimento é entendido como produto das interações entre sujeito e objeto. O cognitivismo considera o individuo como um sistema aberto. Abordagem cognitivista – Esta abordagem é fundamentalmente interacionista. a realidade é um fenômeno objetivo e o ser humano é um produto do meio. Abordagem comportamentalista – Para os comportamentalista ou behavioristas. em busca de um estágio final nunca alcançado completamente. e a avaliação consiste fundamentalmente em verificar a exatidão da reprodução do conteúdo comunicado em aula. Essa abordagem denota uma visão individualista do processo educativo e do caráter cumulativo do conhecimento. O professor não transmite conteúdos.

A educação torna-se. estabelecer relações entre conteúdos e conduzir a uma generalização cognitiva que possibilitasse sua aplicação em outras situações e momentos da aprendizagem. nomenclaturas e fórmulas. No entanto. para quem a verdadeira educação é a educação problematizadora. na pesquisa e na solução de problemas por parte do estudante e não na aprendizagem de definições. Esta abordagem enfatiza os aspectos socioculturais que envolvem o processo de aprendizagem. Aos professores caberia proporcionar a orientação necessária para que os objetos pudessem ser explorados pelos estudantes sem o oferecimento de soluções prontas. por meio da qual educador e educando tornam-se sujeitos de um processo em que crescem juntos. portanto.. Sendo o ser humano sujeito de sua própria educação. Abordagem sociocultural. A NECESSIDADE DOS ESTUDOS DIDÁTICOS DIRIGIDOS AO ENSINO DE TERCEIRO GRAU . Assim como o construtivismo. O ensino compatível com esta abordagem deveria fundamentar-se no ensino-aprendizagem. fator de suma importância na passagem das formas mais primitivas de consciência para uma consciência crítica. mas mediadoras do processo de aprendizagem. esta abordagem pode ser considerada interacionista. o conhecimento deve ser entendido como uma transformação contínua e não transmissão de conteúdos programados. A estratégia geral do processo seria a de ajudar o estudante no desenvolvimento de um pensamento autônomo.oportunidades de investigação individual que lhe possibilitassem aprender por si próprio. confere ênfase especial ao sujeito como elaborador e criador do conhecimento. Um dos principais representantes desta corrente é Paulo Freire. reflete sobre ele e torna consciência de sua historicidade. crítico e criativo. O ser humano torna-se efetivamente um “ser sujeito” à medida que. Estas deveriam contribuir para a organização do raciocínio com vistas a lidar com informações. que auxilia na superação da relação opressor-oprimido. Nessa abordagem. as ações educativas devem ter como principal objetivo promovê-lo e não ajustá-lo à sociedade. integrado ao seu contexto. Não seriam privilegiadas ações finalista. A essência desta educação é a dialogicidade.

entretanto. Por esta razão. quando se está atento ao seu efeito sobre os estudantes e quando se procura tornar o trabalho tão eficaz quanto possível. uma falta de material para a análise e reflexão das questões de natureza didática dirigida ao terceiro grau. e contamos também com resultados de pesquisas desenvolvidas em outros países que nos fornecem pistas e sugerem conclusões.. Em muitas iniciativas que buscam fornecer algumas orientações ao professor universitário. Apesar não acreditar em uma pedagogia geral.: “A aplicação do espírito de investigação aos problemas pedagógicos deve levar cada docente a fazer uma autocrítica. que muitas vezes aos professores vêem estas orientações como um amontoado de futilidades de difícil aplicação prática. 84) entre outros autores. a repensar a maneira como desempenha suas funções e a fazer experiências pedagógicas que visem aperfeiçoar os diversos tipos de atividades que caracterizam tais funções. em termos de Brasil. para o ensino superior. em particular. Segundo ele. A carência de pesquisas nesta área não implica. sem esquecer das responsabilidades propriamente educativas. vem chamando a nossa atenção sobre a necessidade de um estudo sistemático dos problemas didáticos em nível superior. O número de seminários e outras atividades similares sobre o ensino universitário é pequeno quando comparado com o número de outras iniciativas da mesma natureza dirigidas às diferentes especialidades da investigação. de estudos mais sistemáticos dos problemas didáticos a nível do ensino superior (pesquisas educacionais como propõe Scjheffler) que nos conduzam à formação de um conjunto de regras apropriadas a este nível de ensino. é particularmente urgente melhorar o preparo pedagógico dos docentes. alguns seminários pedagógicos apropriados aos diferentes tipos de disciplinas deveriam formar parte da rotina de cada docente universitário. Como recomenda o “Rapport of Berkeley”. às vezes passíveis de generalização. a tomar consciência de suas responsabilidades. Pretende-se transferir regras desenvolvidas a partir do estudo dos problemas didáticos de 1º e 2º graus. ele não prescinde da pedagogia que se aprende a partir da reflexão sobre a própria experiência decorrente do ensino de uma disciplina. Carecemos ainda. Dentro desta perspectiva consideramos ser de utilidade aos docentes o estudo de uma disciplina como a Didática na medida em que ela pode auxiliá-los tanto no conhecimento das . Mas contamos com propostas. Não é sem razão. Indica apenas que ao contamos ainda com um grande número de trabalhos de investigação na área. Uma das preocupações de tais encontros deveria ser um inventário pedagógico internacional dos melhores métodos já utilizados nos diversos paises”. quanto ao aspecto didático-pedagógico sente-se esta questão. portanto.. p. as quais tentaremos analisar durante todo o decorrer da obra. as voltadas à sistematização e transmissão do saber.Kourganoff (1972.

2 ..propostas existentes no que se refere à atuação do professor quanto na reflexão acerca da efetivação prática destas mesmas propostas.1971. 2. Se não temos alunos.Ensinar e aprender Conforme o que descreve (Othanel Smith . na literatura educacional aparecem ligados sob a forma da expressão “processo ensinoaprendizagem” dando idéia de um relacionamento necessário entre ambos. 99) “. Frequentemente encontramos autores da área educacional que afirmam que se o individuo não aprendeu determinado objetivo pretendido foi porque o professor não lhe ensinou. ao mesmo tempo. O aprender. uma analise mais cuidadosa destas idéias pode demonstrar a fragilidade deste tipo de colocação. A crença de que o ensino implica necessariamente na aprendizagem está muito generalizada. Se tornarmos o termo ciência em sua acepção mais ampla – como uma “forma especial de conhecimento da realidade” ou como um “esforço honesto para inquirir sobre a natureza” podemos detectar que este tipo de esforço vem sendo sistematicamente desenvolvido pelos pesquisadores da área educacional. para fins de análise. .. inclusive. Considerar a Didática como “arte e a ciência do ensino” supõe entendê-la como um campo de estudos dinâmicos que envolve. p. dois indivíduos que se encontram de forma delibera promovendo o ajuste de ambas as partes e do qual se espera algum tipo de resultado. por sua vez. Nesta perspectiva. pois só é possível ensinar quando temos alguém a quem ensinar. considerar o ensino como arte não lhe retira o caráter científico. que consigamos perceber com clareza a distinção entre estes dois conceitos que. qual a necessidade de professores? O ensinar sempre implica intercambio entre no mínimo. a busca de um conjunto ordenado e coerente de conhecimentos sobre o ensino e a utilização adequada destes conhecimentos a nível da prática docente envolvendo a análise da maneira “artística” com que o professor desempenha a sua ação em sala de aula. Num primeiro momento é importante salientar que o ensino sempre envolve alguma forma de interação.Entretanto. o ensino é um sistema de ações que tem o propósito de favorecer a aprendizagem” é importante.

3 -. A segunda é que. Exame do conceito de Ensino Se recorrermos aos dicionários de pedagogia na tentativa de encontrar uma única definição do conceito de ensino. A primeira refere-se ao fato de que o aprendizado sempre tem um objetivo. implica algum domínio de X. vamos nos frustrar ante a diversidade de significados atribuídos à ele. 2. A análise do conceito de ensino aqui desenvolvida apóia-se em Israel Scheffer e foi escolhida por se tratar de uma tentativa de se proceder ao exame analítico das questões e conceitos educacionais.. l974. Assim. dirigido para um certo . aceita pela maioria dos educadores.77). l970. Das condições são logicamente necessárias ao aprendizado. Podemos neste ponto. p. p.k ou seja.caracteriza-se como um processo interno que ocorre nos indivíduos provocando mudanças de comportamento que não seja produto da maturação. o aprendizado implica sempre alguma forma de experiência interna que ocorre o aprendiz. o ensino enquanto uma palavra que compreende um uso “intencional” supõe que tal intenção esteja orientada para o alcance de um FIM. o aprendizado de X. Deixamos bem claro anteriormente que o ensino enquanto palavra de tarefa apenas exprimia uma “intenção de” podendo ser caracterizado como uma atividade que alguém se dedica a fazer. Além de constituir-se numa atividade. ou sela. de forma consciente ou não. (SCH EFFER. Este constitui-se numa segunda característica do ensino que é a de ser “. A frequência com que o termo ensino aparece no discurso pedagógico e a variedade de situações em que está inserido não nos permite concluir que ele á esteja suficientemente analisado a ponto de merecer uma unia e exclusiva definição. É comum encontrarmos em obras de caráter pedagógico citações de tipo “um dos temos mais ambíguos no campo da ciência pedagógica é o ensino” (Hoz. como processo interno. o ensino constitui-se numa atividade intencional orientada para o alcance de um determinado tipo de resultado ou meta. colocar como primeira característica do ensino o fato dele ser uma atividade: “trata-se de algo que alguém se dedica a fazer ou que está ocupado a fazer”. Assim.. envolve o alcance de algum padrão de realização ou êxito. considerada necessária a realização ou padrão de êxito esperado. 75).

mas. num “desfecho apropriado de atividades”. onde um está tentando levar o outro a aprender alguma coisa. p. êxito este que se define a partir de um índice de proficiência a ser alcançado. o contrário disto é falso. apud Scheffler. não é uma relação momentânea. ou seja. Nesta tentativa de detectar as características do ensino segundo Scheffler temos também que salientar o fato de que o ensino enquanto atividade se realiza num espaço temporal. no alcance desta mesma meta que poderá ou não ser atingida. ainda que dirigida ao êxito. Temos aqui uma terceira característica que envolve o ensino que se refere a “tentativa de obter êxito”. “Desse modo. l974. os esforços desenvolvidos no sentido de se efetivar o aprendizado não envolvem.. o que pode levar de períodos de ensino bastante prolongados até aqueles relativamente curtos denominados em geral de “lições”. a qual. em si.resultado” constituindo-se numa “atividade orientada para uma meta” . o que. não implica. a interação entre dois indivíduos. com tal objetivo não implica que ele alcançará êxito isto porque o êxito. São os denominados “períodos-de-ensino” cuja extensão vai depender do que se pretende ensinar. Dizer que alguém está ensinando uma determinada coisa a outrem. Isto supõe que o ensino enquanto atividade orienta-se para uma meta que o sujeito luta por alcançar. p. dedicando atenção e esforço. p. necessariamente. 78). (SCHEFFLER . É necessário além disso. 85). (Ryle. Apesar do ensino desenvolver um esforço de realização de aprendizagem. Portanto dizer que alguém está ensinando significa que este alguém se dedica a ensinar. O esforço envolvido durante os “períodos-de-ensino” encontra-se direcionado para o alcance de uma (ou mais) meta (s). não se constitui numa forma de atividade. contém em sua possibilidade de fracasso O fato de o professor estar desenvolvendo sua atividade de ensino. significa que está tentando levá-lo a aprender.75). o ensino se caracteriza como uma atividade que. que o aprendizado se realize de maneira apropriada”. nem numa espécie de fazer. Assim. . ela exige um período de tempo para sua concorrência. l974. ou seja. suficiente. embora a efetivação do aprendizado seja indispensável para o êxito do ensino ela não é por si só. (SCHEFFER. necessariamente o ensino. poderá ou não ser atingida.

tornando-o mais eficiente. p. e que devemos fazer a fim de maximizar a probabilidade de êxito. pelo contrário. todavia não asseguram êxito” 2.O ensino esta. mas orientada por determinadas regras as quais. sujeita. supostamente. Tais regras. como pode apoiar-se em orientações de natureza teórica capazes de fornecer elementos que o auxilie a pensar e refletir sobre a própria ação docente.86) explica claramente a natureza destas regras: As regras apropriadas para uma atividade determinada nos dizem de que maneira devemos conduzir a nossa tentativa a fim de evitar o fracasso. é obvio. orientada para uma meta que define o seu êxito. o fracasso na atividade. as quais. contudo. nos indicam as melhores opções que conduziriam ao êxito. e que se pode melhorar por meio de regras. Outras regras. não são todas do mesmo tipo. mas. O próprio Scheffler (1974. ligado á idéia de tentativa. isto porque elas podem melhorá-lo. não podem eliminar totalmente a possibilidade de fracasso. tal “tentativa” de ensinar não se faz ás escuras. quando ele diz que o ensino constitui-se numa “arte prática” “. na medida em que ele constitui uma atividade. 85 . 87). p. se forem observadas garantem êxito.. mas nunca ocorreria quando as regras fossem observadas.. pois . mesmo seguindo todas as instruções há possibilidade de falha” No caso especifico do ensino parece-nos que as regras que orientam tal atividade aproximam-se mais das do tipo “exaustivas”. seria ainda possível. ou seja.. Entretanto.4 – O Professor e os Métodos de Ensino É comum dizer que a tarefa do professor apresenta-se como de caráter essencialmente prático uma vez que está centrada sobre “ o que fazer” numa situação em que se espera dele é o desenvolvimento de um conjunto de ações passiveis de serem identificadas como compondo uma “situação de ensino”. Tal prática pode estar apoiada simplesmente no bom senso ou na adoção das maneiras de agir daqueles docentes que se aprecia. Em certos casos. . A própria idéia de “tentar” já envolve o “expor-se ao fracasso”. são “inexaustivas”. tomada como um todo. Chamaremos “ regras exaustivas” com relação a uma atividade aquelas regras que garantem êxito. é possível formular algumas regras úteis que. à realização ou não do almejado. Em função de todas estas características é que concordamos com Scheffler (l 974.

mas. O conhecimento é efetividade dos mesmos em situações específicas de ensino. é de especial importância a análise a respeito de “quando” utilizá-los e “como” se dará tal utilização. Entretanto cumpre ressaltar que o estudo dos métodos de ensino não se completa com o conhecimento detalhado das características de cada um deles. O conhecimento dos métodos deverá capacitar o professor para responder questões como: Quando introduzir um novo método de ensino? O novo método atende minhas crenças particulares sobre a educação ? Ele vai de encontro com o meu estilo de ensino? Será eficaz com os meus estudantes? O método X atende aos objetivos imediatos desta aula? O método escolhido está adequado à natureza da disciplina pela qual sou responsável 3 – APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS PESQUISADOS . Uma ampla variedade de métodos poderá ser oferecida ao professor.Parece ser importante que as atividades do professor não sejam produto apenas da repetição de outros padrões de comportamento vivenciados por docentes mais experientes. Através de nossos diálogos com pessoas que exercem a atividade da docência ou trazem a expectativa de exercê-la algum dia é possível se notar a preocupação com a discussão daquelas formas de ensino que conduziriam a resultados mais satisfatório em termos de aproveitamento escolar. complementando tal informação deverá o docente também ter adquirido condições para pensar a efetividade dos mesmos em situações especificas de ensino.

O objetivo do trabalho proposto no intuito de demonstrar de forma clara. de suas dificuldades e da consciência do processo quando este por sua vez é considerado falho. devendo levar em consideração fatores primordiais para se ter um resultado positivo. procuramos efetuar a leitura de cada resultado apresentado e por sua vez pudemos assim concluir o trabalho proposto em apresentar o pensamento dos estudantes de forma “holística”. a necessidade da pesquisa fez-nos ter um resultado considerável que por sua vez demonstra qual o cuidado que as faculdades precisam ter quanto a contratação de professores. através de um questionário com cinco perguntas que foram aplicadas em sala de aula com acadêmicos de nível superior no Curso de Administração de Empresas. Desta forma.. que. diante do acima exposto é que procuramos elaborar um questionário que veio ao encontro da pesquisa “in loco” a visão dos acadêmicos envolvidos no processo. seus posicionamentos. esta necessidade surgiu e o interesse pela pesquisa a partir do momento em que deparamos com profissionais na área da docência. Os gráficos abaixo vem de encontro ao resultado da pesquisa efetuada. onde. Para tanto. Ciências Contábeis e Pedagogia. apesar de todo conhecimento específico não possui habilidades para repassar o conteúdo apresentado. procurando desta forma ter um resultado da visão que os mesmos possuem. portanto. sua visão atual da . indo de encontro a grupos de alunos insatisfeitos com a falha no repasse do conhecimento e na dificuldade de aprendizado. objetiva e real a necessidade e a visão do professor de nível superior possuir habilidades que vão além do conhecimento especifico na disciplina trabalhada. através do resultado obtido traçamos os gráficos abaixo que demonstram de forma clara o pensamento dos referidos entrevistados. suas idéias.

1 . ecessárioo d cen ter ap as? o te en 1 1% 1 1% a) b) c) 78 % Conforme demonstram os resultados no que se refere a pergunta estipulada no item 1.Q an ov cê se d ara emsala co u u d o ep m m d cen q e n p ssu d ática oseuap d o te u ão o i id ren izad o fica: 22 % 1 1% a) b) c) 6 7% . no entanto.E su co cep m a m ção se faz n .necessidade de se estabelecer um “perfil” para o professor que trabalha com nível superior. o resultado aponta que 11% dos acadêmicos entrevistados acreditam que o docente precisa ter apenas conhecimento do conteúdo. pois acreditam que além de conhecimento e títulos. uma porcentagem considerável de 78% possui uma visão mais ampla na opinião. 11% acreditam que o docente necessita apenas de títulos . 2 . o docente precisa ter didática para conseguir atingir objetivo de transmitir o conteúdo trabalhado e fazer-se entender.

Oacad icod êm etecta co clareza q an oo m u d d cen n p ssu d ática p o te ão o i id ara m istrar as in au las 1 1% 4 4% a) b) c) 45 % No gráfico acima. . uma porcentagem maior de 67% responderam de forma segura que o aprendizado não se completa quando o docente não possui didática para transmitir o conhecimento. já 11% responderam que as informações que são repassadas sem clareza dificulta o aprendizado. no entanto. observar quando o docente não possui didática. o resultado da pesquisa foi que 11% não conseguem detectar. os 45% restantes dos entrevistados responderam que as aulas ficam cansativas e o aprendizado fica prejudicado quando o docente não possui a didática para transmitir o conteúdo trabalhado. outros 49% responderam que fica claramente evidente quando o docente tem dificuldade em transmitir o conteúdo.No resultado obtido na questão acima mencionada. o resultado é que 22% dos acadêmicos responderam que se sentem prejudicado por não conseguir claramente assimilar o conteúdo. 3 .

N su co cep a a m ção v cê acred q e alémd . profissionalismo é algo que não precisa estar presente. ainda deparamos com 11% que responderam que o importante é ter o profissional que conheça o assunto. o ita u o co h n ecim toexig ood cen p en id o te recisa ter d ática id p ara rep assar oap d ren izad o 1 1% 1 1% a) b) c) 7 8% Conseguiu-se através das entrevistas que conforme pesquisado.4 . .. os acadêmicos. numa porcentagem de 78% responderam que dominar o conteúdo é essencial e ele só se completa com excelência quando o docente de fato possui a didática. por meio de questionário aplicado em sala de aula de nível superior. não se deve levar em consideração o método a ser utilizado para o repasse do conhecimento e outros 11% restante dos entrevistados responderam que o conhecimento. Didática.

pois. os dois itens é que completam de fato a transmissão do conhecimento. 100% dos entrevistados acreditam que as universidades precisam se preocupar em verificar se o docente possui além do conhecimento necessário a didática para aplicá-la. as m b a d ád id ita? 0% 0% a) b) c) 1 % 00 No último item do questionário.5 . onde. sua visão é ampla o suficiente para permitir que sua exigência do “perfil” do professor seja solicitada e percebida quando este está em atuando em sala de aula. os acadêmicos ao responderem a indagação feita na pergunta acima mencionada .A u iv s n ersid es p ad recisamter a p cu açãod reo p e v erificar alémd co h o n ecim to m co otam ém en . A docência no Ensino Superior não pode ser exercida apenas por especialistas em determinada área do conhecimento que buscam nas aulas uma forma de completar seu . As mudanças verificas no Ensino Superior requerem hoje um profissional com características muito diferentes daquelas que foram reconhecidas como importante no passado. Através do resultado da pesquisa acima apresentada. pode-se verificar a exigência que é requerida pelos alunos de nível superior nas faculdades.

para solucionar com pertinência e eficácia uma série de situações ligadas a contextos atuais. a necessidade de um professor capaz de trabalhar em . portanto. percebemos que para ser hoje um professor universitário competente. entende-se que a “faculdade deve mobilizar um conjunto de recursos cognitivos que são os saberes. entre outros.. Que abra caminhos coletivos de busca que subsidiem a produção do conhecimento de seus estudantes. informações. que mude o foco do ensinar e passe a se preocupar com o aprender. percebemos que os acadêmicos de nível superior possuem uma “visão holística” no perfil acima traçado. principalmente com o “ aprender a aprender”. favorecendo a apropriação ativa e a transferência dos saberes. profissionais e condições sociais”. capacidades. No que se refere a pesquisa apresentada. estas competências são entendidas menos como potencialidades dos seres humanos e mais como aquisições ou aprendizados construídos. indo-se além. Exige-se ainda um professor transformador . na ordem prescrita por um sumário. um professor capaz de organizar e dirigir situações de aprendizagem. Requer-se. esse perfil do professor é observado por cada um que se dirige as salas de aulas e os mesmos já possuem sua percepção para observar os critérios estabelecidos com o passar dos tempos. Também não pode ser exercida por pessoas que julgam interessante ostentar o título de “professor universitário” ou que lecionam porque vêem a atividade como uma “atividade relaxante” que tem lugar depois de um dia de trabalho árduo.salário. onde. auxiliando-os a ultrapassarem o papel passivo de repetir ensinamentos e a se tornarem críticos e criativos. que domine os conteúdos a serem ensinados e os traduza em objetivos de aprendizagem . Desta forma. sem passar necessariamente por sua exposição metódica. Que seja capaz de explorar os acontecimentos.

nos dias atuais essa afirmação torna-se defasada uma vez que há a necessidade de domínio do conteúdo a ser ministrado.. para que se tenha um resultado positivo. que seja capaz de integrar grupos de pesquisa com profissionais de diferentes áreas. entretanto. .equipe. o professor precisa ter a didática para transmitir o conhecimento. CONSIDERAÇOES FINAIS Durante a elaboração do trabalho proposto pode-se verificar que no que se refere a grande importância da didática no ensino superior. complementam um ao outro para se ter um professor adequado. sem deixar em segundo plano ou de lado as responsabilidades propriamente educativas. e principalmente buscar a melhor forma de desempenhar suas funções e por sua vez fazer experiências pedagógicas que vise aperfeiçoar os diversos tipos de atividades que caracterizam tais funções. que. surge então. participar de projetos multidisciplinares e que aceite o desafio da interdisciplinaridade. mas. a sua aplicação e investigação aos problemas pedagógicos deve levar cada docente a fazer uma autocrítica e a tomar consciência de suas responsabilidades. sabedores somos que durante muito tempo prevaleceu no âmbito do Ensino Superior a crença de que para se tornar um professor de nível superior. e desta forma. Quando nos referimos as necessidades dos estudos didáticos dirigidos ao ensino de nível superior. necessária seria apenas conhecer o conteúdo correspondente a disciplina a ser trabalhada. em particular podemos citar as voltadas à sistematização e transmissão do conhecimento. nos dias atuais a necessidade das universidades observarem em pontos cruciais para que se contrate um profissional com os dois requisitos.

.O Ensino enquanto uma arte prática. que deve adquirir um caráter cada vez mais científico está inserido neste processo o docente competente que por sua vez pode ser comparado com um artista na medida que. fazendo-se entender na mensagem que pretende repassar aos estudantes. também faz uso da intuição. transmissor do conhecimento. ferramentas eficazes que correspondem aos objetivos que nos propomos realizar quanto docente. da sua capacidade de comunicação. desta forma podemos dizer que a arte de ensinar consiste em definir uma atitude educativa e escolher “com acerto” as técnicas. enquanto professor. a arte por sua vez envolve a escolha de um determinado padrão de expressão e a seleção das técnicas de expressão que correspondem ao padrão escolhido.

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