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Viagem Cecília Meireles Edição eBooksBrasil Fonte Digital Transcrição do exemplar Versão para eBook eBooksBrasil.

com Copyright: Domínio Público Ver nota de Copyright ÍNDICE Nota do Editor Viagem Índice da Obra

Nota do Editor À maneira dos antigos copistas, esta edição é uma transcrição da primeira edição do livro que nsagrou Cecília Meireles como a grande poetisa da língua portuguesa. Não se trata, note-se bem, de uma reprodução da edição original, que só seria possível em pap l, mas de uma mera transcrição, na qual se cuidou de manter, na medida de nossos rec ursos e atenção, a grafia e apresentação da edição original. Os estudiosos da obra de Cecília Meireles, tenho certeza, apreciarão esta publicação, qu e mantém, com as ressalvas acima, todas as grafias do original. Além de ajudá-los em s eus estudos comparativos, é uma prova testemunhal, acessível a todos, de um dos moti vos prováveis do poema Errata. Os demais leitores talvez apreciem mais as edições posteriores, revisadas pela Autor a, como o excelente e bem documentado Cecília Meireles -Obra Poética, volume único, ed itado pela Aguilar. Laureado com o primeiro prêmio de Poesia da Academia Brasileir a de Letras em 1938, publicado no ano seguinte em Lisboa pelas Edições «Ocidente», com impressão a cargo da «Editorial Império» e a finalizou em 24 de julho de 1939, a presente edição é rara não apenas por se tratar da transcrição da primeira edição. Até ontem, era um exemplar único (em papel continua sendo) amarelecendo em minha est ante, graças à ação do tempo: o mesmo tempo que torna a poesia de C.M. cada vez melhor. Enriquecido com a colagem de uma foto de revista da época, uma foto original, enci mando autógrafo e precedendo ficha catalográfica revista pela autora, pelo trabalho de um amante de bons livros, o Coronel Zacarias Silva, é este o exemplar que, virt ualmente, compartilho com o leitor. Esta edição é dedicada ao Coronel Zacarias Silva, a quem devo mais do que a preservação e o enriquecimento desta primeira edição de Viagem. Não o conheci pessoalmente. Mas, pelos livros de sua biblioteca que meus parcos re cursos permitiram resgatar em um antigo sebo que ficava do outro lado da rua do prédio número 950 da Av. Brigadeiro Luís Antônio, em São Paulo, nos anos 60, gostaria de o ter conhecido. Todos primeiras edições, autografadas, bem conservadas, com cuidadosas fichas catalo gráficas datilografadas revistas pelos autores e devidamente rubricadas pelo Coron el. A venda de dois deles (primeiras edições autografadas de Jorge Amado e Graciliano Ra mos, vendidas a Ricardo Ramos, graças aos bons ofícios de Luís Eça) me ajudou a fazer fr ente às despesas com o parto de minha primeira filha. Por tudo isso, dedico esta edição à memória do Coronel Zacarias Silva, com meus agradeci mentos.

Importante: O leitor é convidado a ler a nota de copyright desta edição. Clique na imagem para ler o texto Clique na imagem para ler o texto Clique na im agem para ler o texto A MEUS AMIGOS PORTUGUESES EPIGRAMA N. I POUSA sôbre êsses espetáculos infatigáveis uma sonora ou silenciosa canção: flor do espírito, desinteressada e efêmera. Por ela, os homens te conhecerão: por ela, os tempos versáteis saberão que o mundo ficou mais belo, ainda que inùtilmente, quando por êle andou teu coração. MOTIVO EU CANTO porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre nem s ou triste: sou poeta. Irmão das coisas fugidias, não sinto gôzo nem tormento. Atravesso noites e dias no ven to. Si desmorono ou si edifico, si permaneço ou me desfaço, não sei, não sei. Não sei si fico ou passo. Sei que canto. E a canção é tudo. Tem sangue eterno a asa ritmada. E um dia sei que es tarei mudo: mais nada.

NOITE HUMIDO gôsto de terra, cheiro de pedra lavada tempo inseguro do tempo! sombra do f lanco da serra, nua e fria, sem mais nada. Brilho de areias pisadas, sabor de folhas mordidas, lábio da voz sem ventura! susp iro das madrugadas sem coisas acontecidas. A noite abria a frescura dos campos todos molhados, sòzinha, com o seu perfume! pr eparando a flor mais pura com ares de todos os lados. Bem que a vida estava quieta. Mas passava o pensamento... de onde vinha aquela música? E era uma nuvem repleta, entre as estrêlas e o vento. ANUNCIAÇÃO TOCA essa música de sêda, frouxa e trêmula, que apenas embala a noite e balança as estrêlas noutro mar. Do fundo da escuridão nascem vagos navios de ouro, com as mãos de esquecidos corpos quási desmanchados no vento. E o vento bate nas cordas, e estremecem as velas opacas, e a água derrete um brilho fino, que em si mesmo logo se perde. Toca essa música de sêda, entre areias e nuvens e espumas.

Os remos pararão no meio da onda, entre os os peixes suspensos: e as cordas partidas andarão pelos ares dançando à -tôa. ebook:cecilia.html 13/02/2009 Cessará esta música de sombra, que apenas indica valores de ar. Não haverá mais nossa vida, talvez não haja nem o pó que fomos. E a memória de tudo desmanchará suas dunas desertas, e em navios novos homens eternos navegarão.

DISCURSO E AQUI estou, cantando. Um poeta é sempre irmão do vento e da água: deixa seu ritmo por onde passa. Venho de longe e vou para longe: mas procurei pelo chão os sinais do meu caminho e não vi nada, porque as ervas cresceram e as serpentes andaram. Também procurei no céu a indicação de uma trajectória, mas houve sempre muitas nuvens. E suicidaram-se os operários de Babel. Pois aqui estou, cantando. Se eu nem sei onde estou, como posso esperar que algum ouvido me escute? Ah! se eu nem sei quem sou, como posso esperar que venha alguém gostar de mim?

EXCURSÃO ESTOU vendo aquele caminho cheiroso da madrugada: pelos muros, escorriam flores moles da orvalhada; na côr do céu, muito fina, ebook:cecilia.html 13/02/2009 via-se a noite acabada. Estou sentindo aqueles passos rente dos meus e do muro. As palavras que escutava eram pássaros no escuro... Passáros de voz tão clara, voz de desenho tão puro! Estou pensando na folhagem que a chuva deixou polida: nas pedras, ainda marcadas de uma sombra humedecida. Estou pensando o que pensava nesse tempo a minha vida.

nem mais vultos. é tudo vento.. tão fácil: Em que espêlho ficou perdida a minha face? MÚSICA NOITE perdida. . onde os nossos giram quando o ar da morte se eleva. Custas a vir. RETRATO EU NÃO tinha êste rosto de hoje. não te demoras. itinerários antigos. morta.. que continua a minha vida num chão profundo! raíz prendida a um outro mundo.o 2 ÉS PRECÁRIA e veloz. muda alvorada que o pensamento deixa confiada ao tempo lento. ao vento. e. Fôste tu que ensinaste aos homens que havia tempo.html Ai da alvorada! Noite perdida. Página 11 de 72 EPIGRAMA N.Estou diante daquela porta que não sei mais se ainda existe. todo ama ssado com treva.. assim calmo. sem desejar mais palavras nem mais sonhos. noite encontrada. assim triste. olhando dentro das almas.) Rosa encarnada do sonho isento.. ebook:cecilia. Eu não dei por esta mudança. Silêncio grande e sòzinho. Minha partida. rosa encarnada. sem saber em que consiste nem o que vai nem o que volta... assim magro. ebook:cecilia. tão certa. puro e sem nada. os longos rumos ocultos. nem êstes olhos tão vazios.html 13/02/2009 eu não tinha êste coração que nem se mostra. tão paradas e frias e mortas. minha chegada. Não te lamento: embarco a vida no pensamento. Noite perdida. vivida. Estou longe e fóra das horas. mostra-me a sua sombra escondida. busco a alvorada do sonho isento. Felicidade.. sem estar alegre nem triste.. que nem Deus nunca mais leva. os largos itinerários de fantasmas insepultos. tão simples. Eu não tinha estas mãos sem fôrça..... e ressuscitada. noite encontrada. intacta. quando vens. (Asa da lua quási parada.. nem o lábio amargo.

. ebook:cecilia. Depois das ruas.. virás a mim. (Os grilos da infância estarão cantando dentro da erva. e dos navios. e um tempo. Meus pensamentos sem tristeza de novo se debruçarão entre o acabado coração e o horizont e da língua presa. Tu.) . persiste. Felicidade. É tão triste.. sem nenhuma fi nalidade. O orvalho treme sôbre a treva e o sonho da noite procura a voz que o vento abraça e leva. Ainda que sendo tarde e em vão. de amor e de mansidão. e muito mais. Fizeste para sempre a vida ficar triste: porque um dia se vê que as horas tôdas passam. encontrarei casualmente a sala que afinal buscava. Mas não verás tua existência nesse mundo sem sol nem chão. que foste a minha paixão. CONVENIÊNCIA CONVÉM que o sonho tenha margens de nuvens rápidas e os pássaros não se expliquem. te eleva o m eu sonho perdido. Nem por distante ou distraído escaparás à invocação que. e os amantes chorem. desenha a sua melodia. e o meu retrato. por algum infanticídio Convém tudo isso. para te medir. pelo meu gôsto.html Viagem -Cecília Meireles Página 12 de 72 E o tempo suspira na altura por eternidades serenas. SERENATA REPARA na canção tardia que tìmidamente se eleva. como o do coração no peito. E por êsse motivo aqui vou. mas tão perfeito. Repara na canção tardia que oferece a um mundo desfeito sua flor de melancolia. sempre na tua direção. como os papéis abertos que caem das janelas dos sobrados. meus olhos assim estarão: e há de dizer-me: «Era a expressão que ela ùltimamente tinha. e dos trens. E nessas letras tão pequenas o universo inteiro perdura. E ondas seguidas de saüdade. caminharão.. se inventaram as horas. e de muito além do meu rosto meus olhos te percorrerão. olhará para os olhos que levo. num arrulho de fonte fria.» Sem que se mova a minha mão nem se incline a minha cabeça nem a minha bôca estremeça. e os velhos andem pelo sol. e muito mais. na parede. apenas. por onde se derramarão os mares da minha incoerência. Repara na canção tardia que por sôbre o teu nome. caminharão. beijando-se. A ÚLTIMA CANTIGA NUM dia que não se adivinha. tontamente. és coisa estranha e dolorosa. o movimento em que murmura.. despovoado e profundo. perguntarei por que motivo tudo quanto eu quis de mais vivo tinha por cima escrito: «N ã o». E encolherei meu corpo nalguma cama dura e fria.e. toda serei recordação..

PERSPECTIVA TUA passagem se fez por distâncias antigas. nutrindo de sonho a morte. Nunca ninguém viu ninguém que o amor pusesse tão triste. E a multidão das estrêlas avermelhadas fugindo com o céu para longe de mim. mais profundo. CANÇÃO NUNCA eu tivera querido dizer palavra tão louca: bateu-me o vento na bôca. estrêlas.. Por isso... e o vento gira as areias: nem pelo chão ficam rastros nem. desce fráguas. e a côr que escorre d os meus dedos colore as areias desertas. abri o mar com as mãos. meus olhos secos como ped ras ebook:cecilia.» CANÇÃO PUS o meu sonho num navio e o navio em cima do mar.. caíu sôbre mim tua violência e desde então alguma coisa se aboliu. O sentido está guardado no rosto com que te miro. tudo estará perfeito: praia lisa. e retorna. mais terrível. e depois no teu ouvido... também. a noite se curva de frio. e o meu navio chegue a o fundo e o meu sonho desapareça.html como um beijo malogrado... Dispensam a sombra dos gestos sobre os cenários. águas ordenadas. para fazer com que o mar cresça. com vozes de ondas lamentando-me. o volume das montanhas e do mar. O silêncio dos desertos pesava-lhe nas asas e. no meu sorriso suspenso ebook:cecilia. e o mar negro. depois.. fôlha a fôlha. Essa tristeza não viste.. O vento vem vindo de longe.. pelo silêncio.html e as minhas duas mãos quebradas. Só si aquele mesmo vento fechou teus olhos. neste perdido suspiro que te seg ue alucinado. Minhas mãos ainda estão molhadas do azul das ondas entreabertas. Acumulam ausência em minha vida.. Os dias que veem são feitos de vento plácido e apagam tudo. Levou sòmente a palavra. Chorarei quanto fôr preciso. vem para o mundo. com frias montanhas mudas. e eu s ei que ela se vê bem. sufocada. Mas a seiva lá dentro continua. SOLIDÃO IMENSAS noites de inverno. quando passaste.E eu pensarei: «Que bom! nem é preciso respirar!. deixou ficar o sentido. Gastam o contôrno da minha síntese. Oh! um pouco de neve matando. Depois. E a névoa desmancha os astros. mais eterno . para o meu sonho naufragar.. . Guardo uma sensação de drama sombrio.. docemente. Tua velocidade desloca mundos e almas. Levam dos lábios cada palavra que desponta. Este rugido das águas é uma tristeza sem forma: sobe rochas. dentro de um navio. juntamente com êle. debaixo da água vai morrendo meu sonho.

E o sorriso que eu te levava desprendeu-se e caíu de mim: e só talvez êle ainda viva d entro dessas águas sem fim. as proas giraram sòzinhas. e morri de infinitas mor tes guardando sempre o mesmo rosto. nós.. É mais fácil. meus olhos. nem tu. debruçar os olhos no oceano e assistir. côres. choramos só da incerteza da ressureição. apenas.. ACEITAÇÃO É MAIS fácil pousar o ouvido nas nuvens e sentir passar as estrêlas do que prendê-lo à ter ra e alcançar o rumor dos teus passos. cegaram como os d as estátuas. . a tudo quanto existe alheias. por onde descem os rios que andam nos campos abertos da claridade do dia. criando com teu simples gesto o sinal de uma eterna esperança. lá no fundo. vidas. Não me interessam mais nem as estrêlas. sem desespêro e sem desgôsto. e perderam a côr que tinh am e a lembrança do movimento.o 3 MUTILADOS jardins e primaveras abolidas abriram seus miraculosos ramos no crista l em que pousa a minha mão. E os seus longos sonhos sábios geram a vida dos homens. também. Quando as ondas te carregaram.. dos ares: vê que nem te peço ilusão.. Eu te esperei todos os séculos. (Prodigioso perfume!) Recompuseram-se tempos.A noite fecha seus lábios terra e céu guardado nome. Desenrolei de dentro do tempo a minha canção: não tenho inveja às cigarras: também vou morrer de cantar. Ah! mundo vegetal. apenas. saüdade da flor! Vê que nem te digo esperança! amor! Vê que nem siquer sonho CANÇÃO NO DESEQUILÍBRIO dos mares. que desejar que apareças. vê que nem te peço alegria. Numa das naves que afundara m é que tu certamente vinhas. aroma perdido. entre águas e areias. EPIGRAMA N. MURMÚRIO TRAZE-ME um pouco das sombras serenas que as nuvens transportam por cima do dia! Um pouco de sombra. Geram os olhos incertos. ao nascimento m udo das formas. Traze-me um pouco da tua lembrança. humanos. Traze-me um pouco da alvura dos luares que a noite sustenta no seu coração! A alvura . Minhas mãos pararam sôbre o ar e endureceram junto ao vento. nem as formas do mar. formas.

Vinde vêr meu jardim sem flôres no presente nem no futuro. abater cúpolas. e a mão das águas procurando um rumo pelo solo escuro! Vinde ouvir a história da vida no sôpro da noite deserta.html 13/02/2009 destruir as lâmpadas. Mas é preciso ter baixelas de ouro. ebook:cecilia. de menino triste que sofre sòzinho. Cabecinha boa de menino santo que do alto se inclina sôbre a água do mundo para mira r seu desencanto. e resiste. que não pediu nada. O riso magnífico é um trecho dessa música desvairada. compreendes? e colares. pelo mêdo de perde r tudo. e espadas e estátuas. terás sempre os olhos mais tristes.. DESAMPARO . e de mim. e escuta o ritmo e o som da minha gargalhada: Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! Não vês? É preciso jogar por escadas de mármore baixelas de ouro. e atirar para longe os pandeiros e as liras. que sòzinho sofr e. Cabecinha boa de menino ausente. E só tu.. Para vêr passar numa onda lenta e fria a estrêla perdida da felicidade que soube que não possuiria.. do mar que dança. e espêlhos. vergar a lâmina das espadas e despedaçar estátuas. Rebentar colares.GARGALHADA HOMEM vulgar! Homem de coração mesquinho! eu te quero ensinar a arte sublime de rir. E as lâmpadas. embora nunca te quebres. Caíram as sombra das vozes d entro da última estrêla aberta. que de sofrer tanto se fez pensativo. Dobra essa orelha grosseira. Deus do céu! E os pandeiros ágeis e as liras sonoras e trémulas.. resistes! Mas.. Ai! tudo isto é letra do horóscopo. quebrar cristais. Escuta bem: Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! Só de três lugares nasceu até hoje esta música heróica: do céu que venta... Estátua. partir espêlhos. CRIANÇA CABECINHA boa de menino triste. Cabecinha boa de menino mudo que não teve nada.. e não sabe mais o que sente. FIM Ó TEMPOS de incerta esperança que assim vos desacreditastes! Cresceram nuvens sôbre a lua e o vento passou pelas hastes.

e reconheças o teu sonho? A primavera foi tão clara que se viram novas estrêlas. e houve muitas alegorias navegando entre Deus e os homens. Mas no equilíbrio do silêncio. em que estás como rosa ou barco. Cresceram prados ondulantes e o céu desenhou novos sonhos. porque uma ondulação maternal de onda eterna te levará na exata direção do mundo humano. lábios azues de outras sereias. músicas límpidas. vês o jôgo perdendo-se como as palavras de uma canção. Em muita noite houve esperanças abrindo as asas sôbre as ondas. longe. . rola o pêso do meu coração. Mas teus ouvidos noutro mundo desalteravam sua sêde. Mas o vento era tão terrível! Mas as águas eram tão longas! Pode ser que o sol se levante sôbre as tuas mãos sem vontade e encontres as coisas perdidas na sombra em que as abandonaste.DIGO-TE que podes ficar de olhos fechados sôbre o meu peito. e soaram no cristal dos mares. trançando sons de ouro e de sêda. que peito nutre a duração desta presença. que serve o fio trêmulo em que rola o meu coração? INVERNO CHOVEU tanto sôbre o teu peito que as flores não podem estar vivas e os passos perderam a fôrça de buscar estradas antigas. que música embala a minha música que te embala. Vieram. no tempo sem côr e sem número.? FIO NO FIO Tu não Passas para da respiração... para que saibas que és tu mesmo. a que oceano se prende e desprende a onda da minha vida.. entre nuvens rápidas. Mas tu estavas de olhos fechados ebook:cecilia. pergunta a mim mesmo o lábio do meu pensamento: quem é que me leva a mim. rola a minha vida monótona. com tantas estrêlas na mão. Mas quem virá com as mãos brilhantes trazendo o seu beijo e o teu nome.html prendendo o tempo em teu sorriso.. por ti.

.... Descem dos céus ordens augustas e o mar chama a onda para o centro.. Seus olhos andam cobertos de côres da primavera. com as outras pedras. verde-escuro. durante inúteis vigílias. Minha bôca anda cantando. também.. te juro fui botando todos êles naquele rio tão puro. escutando na terra aquele dia que não dorme com as três palavras que ficaram por alí. verde-claro. Fiz barquinhos de brinquedo.. ... e ela não fala mais. EPIGRAMA N. mas todo o mundo está vendo que a minha vida está morta. e ela. tanto tempo e não sabia como era fácil a morte pela seta d o silêncio no sangue de uma alegria. cada dia mais profundo. apenas. Desenho. com grandes nuvens no vestido. Pelos muros de seu peito..... do tempo. te juro as águas mudam seu brilho.. Veiu vindo a ventania. Minha mão viveu mil vidas para uma noite encontrá-la e noutra noite perdê-la. ALVA DEIXEI meus olhos sòzinhos ebook:cecilia. CANTIGUINHA MEUS OLHOS eram mesmo água.. O chôro foge sem vestígios. mas levando náufragos dentro. sem que ninguém falasse. O chôro vem quasi choran do como a onda que toca na praia.. O olhar caíu dos seus olhos. saüdade das esperanças quando se acabar o mundo.... recebendo todo o céu nos grandes olhos admirados.. roteiro do pensamento. Já ninguém passa mais.o 4 O CHÔRO vem perto dos olhos para que a dôr transborde e caia. sentada no banco. te juro mexendo um brilho vidrado. Seu rosto nasceu das ondas e em sua bôca há uma estrêla... . desenhei meus sonhos de hera.html 13/02/2009 nos degraus da sua porta. Caminhei tantos caminhos. Alguém passou de manso. e parou diante dela. debaixo da árvore. e está no chão.E em tua vida a primavera não poude achar nenhum motivo.. ORFANDADE A MENINA de preto ficou morando atrás do tempo. murmurou: «A MAMÃE MORREU»..

Enredei-me por florestas. e as mãos prêsas. E tudo caíu de súbito. Devo-te o modêlo justo: sonho. Tinhas os pés sobre flôres. Vi tantos rôstos ocultos de tantas figuras pálidas! Por longas noites inúmeras. junto com o corpo dos náufragos. . Para construir cada músculo. te juro noite e dia correm. TERRA DEUSA dos olhos volúveis pousada na mão das ondas: em teu colo de penumbras.html houve grandes rios mudos como os desenhos dos mapas. Quando as águas escurecem. em minha assombrada cara ebook:cecilia. Em vão. Mamei teus peitos de pedra constelados de prenúncios. suspiros e fomes cruzava m teus olhos múltiplos. abri meus olhos atónitos. cheio de músicas. despedaçando-se anônimos. te juro todos os barcos se perdem. entre o passado e o futuro. como pelas tuas veias: meu passo a noite nos muros casas fechadas palmeiras cheiro de chácaras húmidas sono da existência efêmera. mas não acho o que procuro. para os invisíveis mundos. dor. entre cânticos e musgos.quando o tempo anda inseguro. São dois rios os meus olhos. Desci na sombra das ruas. houve u niversos de lágrimas. O vento das praias largas mergulhou no teu perfume a cinza das minhas máguas. Soltei meus olhos no eléctrico mar azul. vitória e graça. correm. para aprender o meu nome. Surgi do meio dos túmulos. diante da tua altitude. de tão puras. Fui mudando minha angústia numa fôrça heróica de asa.

ÊXTASE DEIXA-TE estar embalado no mar noturno onde se apaga e acende a salvação. Vi-te brilhar entre as pedras. punhal de prata. por ser único. minhas dúvidas. para atravessar-me o peito com uma letra e uma data.. viram a beleza amarga. meus olhos. A maior pena que eu tenho. E êsse foi o meu estudo para o ofício de ter alma. mas de saber quem me mata. Deixa-te estar neste embalo de água geando círculos. e eu era tua. Despi-me do meu desânimo fui como ninguém foi nunca. a medida certa. que vem de nós um beijo eterno e afoga a bôca da vontade e os seus pedidos. para se estar na alma de tudo. rôsto de espêlho tão frágil. Nem é preciso fazer nada. depois qu e a vida se cala. banhei minhas amarguras. Que sôpro imenso. por onde me andas? Noite sòzinha. vigiam meus braços abertos. para a imaginação desmanchar-se em figuras ambíguas. Deslisam os planetas. não é de me ver morrendo. flores abertas. Quando o que era muito é único e. no gume. a exata. Purifiquei meus enganos. SOM ALMA divina. minh as paixões. a medida exata.html 13/02/2009 punhal de prata! Nem fôste tu que fizeste a minha mão insensata. DISTÂNCIA . sem nenhuma saüdade.. na abundância do tempo que cai. Nem é preciso dormir. é tácito. lágrimas.No rio dos teus encantos. punhal de prata.. por dentro das tuas máscaras. Nós somos um tênue pólen dos mundos. Deusa dos olhos volúveis.. tantas! desmancha a vida! coisa remota! alma divina! GUITARRA PUNHAL de prata já eras. para entender os soluços. guardando-te. alma divina. Deixa-te balançar entre a vida e a morte. alma divina. coração de tempo fundo. Deixa-te estar na exalação do sonho sem forma: em redor do horizonte. em esquecimento Deixa-me ainda pensar que voltas. e por cima do céu estão pregados meus olhos. Tudo era tudo quando eras minha. sérios e lúcidos. ebook:cecilia. punhal de prata! no cabo. Nem é preciso querer mais.

e o dom secreto do seu sangue verde. E a fôlha é um pequeno deserto para a imensidade do acto.. e ordena. . pronto a ficar límpido e exato. Eu sinto que não tarda a morte.. nem terá notícias de mim. deixa ir a flor! que o tempo. Estou caída num vale abert o: nunca ninguém passará perto.. secreto vibra: e ela resiste. que deve ser límpido e fri o.. de tanto jazer sem nada.o 5 GOSTO de gota d'água que se equilibra na fôlha rasa. Nunca existiu sonho tão puro. Outras lágrimas nasceram com o nascimento do dia: só de noite esteve sêco meu rosto sem alegria. música absoluta. como a voz cujo murmúrio morrerá com o meu coração. e só há por mim esta flor: eu sinto que não tarda a mort e e não sei com é que suporte tanta solidão sem pavor. Deixa ir a flor! deixa-a ser asa. mas sem dó nem recordação.. no instante incerto: pronto a cair. por saber o que é perder-se. Desvêlo mudo e contínuo que vai revestido os montes e estendendo outros caminhos. vai subindo.. ao desprendê-la. levam tudo agasalhado em seus braços Campo imenso com o meu vulto. Águas que vão caminhando dispersam nos mares fundos mel de beijo e sal de pranto. E sofro mais ouvindo um rio que ao longe canta pelo chão. roda-a no molde de noites e de albas onde gira e suspira cada estrêla. Estou caída num vale aberto. a tristeza é uma esperança bebendo a vazia sombra. CAMPO CAMPO da minha saüdade: vai crescendo. Nunca existiu sonho tão puro como o da minha timidez.. que andam longe.. Seu cristal simples reprime a forma. Mergulhada em suas frondes. e escuta. desenho. irmãos da lua. para que eu me sinta tão mal? ebook:cecilia. RENÚNCIA RAMA das minhas árvores mais altas.. tremendo ao vento. ritmo. muito clara e muito fria. espaço.) Oh! mas nem no sol nem nas águas os teus olhos a veriam. Levam tudo. tudo que era meu chorava da mes ma melancolia. que num breve perfume existe e espera.. entre serras que não teem fim. RIMANCE ONDE é que dói na minha vida. Todo o universo. nem também destino tão duro como o que para mim se fez. Falo-te. Vertí para infinitos desamparos tudo que tive no meu pensamento.QUANDO o sol ia acabando e as águas mal se moviam. Conheço o coração da primavera. EPIGRAMA N. no oceano do ar.html 13/02/2009 quem foi que me deixou ferida de ferimento tão mortal? Eu parei diante da paisagem: e levava uma flor na mão. dando e recuperando o corpo esparso que. E ao longe cantam os pássaros. no isolamento. se observa. Eu parei diante da paisagem procurando um nome de imagem para dar à minha canção. (Talvez o sol que acabara e as águas que se perdiam tran sportassem minha sombra para a sua companhia. indo e vindo.

Desde essa hora antiga e preclara. e em meu pensamento sentí o desgôsto de ser criatura. suficiente para cortar todo arabesco da memória.. Eu moro. ebook:cecilia. à minha procura.. entre os silêncios. nas pedras frias que o céu protege e estudo apenas o ar e as águas. de onde brota um sono vazio. viram-se as águas. mudam. desde então. mesmo as pedras. com o tempo... serra de cristal a serrar estrêlas.. O vento trouxe de longe tantos lugares em que estivemos que tormei a viver contigo enquanto o vento passava. Dada ao vento. Rondo triste.... Deixa tocar êsse grilo invisível mercúrio tremendo na palma da sombra deixa-o tocar a sua música.html VALSA FEZ TANTO luar que eu pensei nos teus olhos antigos e nas tuas antigas palavras. E dêsse vinho que bebí se orig inou minha loucura. desde que te ví. . Coitado de quem pôs sua esperança nas praias fóra do mundo. VINHO A TAÇA foi brilhante e rara. Caem pedaços de sono. com certeza enlouquecí. como que desapareci. GRILO MÁQUINA de ouro a rodar na sombra. era de total amargura. PAUSA AGORA é como depois de um entêrro. mornas e dóceis..Por onde anda? No abismo.. junto à parêde lisa. A noite desmancha o pobre jôgo das variedades. do tamanho do meu corpo. Era a flor dos instantes mais amargos. Houve uma noite que cintilou sôbre o teu rosto e modelou tua voz entre as algas. A taça foi brilhante e rara: mas. e mergulha silêncio na última veia da esperança. em grandes flores. Deixa-me neste leito. mas o vinho de que bebí com os meus olhos postos em ti. insensìvelmente descí. Pousa a linha do horizonte entre as minhas pestanas. Eu sou de essência etérea e clara: no entanto. Os ares fogem.

nomes de cinza.html 13/02/2009 Que é das mãos esperando o amanhecer definitivo e caídas também na torrente do tempo? DESCRIÇÃO HÁ UMA água clara que cai sôbre pedras escuras e que.. sempre? Que é das noites extensas. Há um pensamento esperando que se forme uma alegria. junto ao universo. o luar que a estremeceu tem olhos brancos de cegueira. só pelo som.. com a morte do tempo. deixando um esplendor sôbre a sua passagem.. e livros de imagens que o vento compunha. Máquina de ouro tremendo no ar de vidro frio. cortando o brôto das palavras rente à bôca. para chamá-la. a vida sobe nos caules da noite. Ah! que é dos ramos de estrêlas finamente desprendidas. os pensamento que a choraram verão. ATITUDE MINHA esperança perdeu seu nome. sem ruas..com o pêso e a côr de vagas borboletas. sem habitantes. . uma lágrima foi. esteve sôbre ela. O vento que a secou deve estar voando noutros países. Fechei meu sonho. de ares mansos de alegrias. mas não viu seu esplendor. (Porque existe um esplendor e uma inútil beleza nessas mãos que desenham dentro da águ a sua viagem para fóra da natureza.. Demanchando nos dedos arquitecturas que iam parando. folhagem. que. céu. Rostos de espuma. Só. que nasce e deslisa. refletindo estrêlas.) EPIGRAMA N. como foram infelizes. E a água cai. onde não chegará nunca esta água imprecisa. sem pensamento? ebook:cecilia. naquela noite a vida inteira. a tudo que era opôr. A tristeza transfigurou-me como o luar que entra numa sala. e um amor que não sabe onde é que anda o seu dia. Há uma noite por onde passam grandes estrêlas puras. ilògicamente. tudo quanto era dar. Cai para sempre! E duas mãos nela mergulham com tristeza. pela sonora lâmina que estás vibrando sempre. deixa ver como é fria. sem solidão. uma lágrima. que nasce e deslisa... pouco a pouco. .o 6 NESTAS pedras caíu. Há um gesto acorrentado e uma voz sem coragem. certa noite.

Andam nascendo os perfumes na sêda crespa dos cravos...) Mas é tempo perdido! LUAR FACE do muro tão plana.. Adeus a todos os meridianos! Deito-me como num caixão. Ah! sobrevive o mar no meu ouvido... e a noite oscilará como um dourado sino derramando flores de festa.. Mudou-se a vela em nuvem clara! Choraram meus olhos. A bôca morre de sêde junto à frescura dos galhos... Brota o sono dos canteiros como o cristal dos orvalhos.O mar!.O último passo do destino parará sem forma funesta. à mercê das metamorfoses.. es trêla cega. com o sabugueiro florido.. A noite tôda é um zumbido e um florir de vagalumes.. E apenas pára um corpo na barca vazia. O mar. Alto e longe! Não foi por mim. O luar parece que abana as ramagens na parede. Bate o vento na vela e não a arqueia... O vento sopra no coração. «Marinheiro! Marinheiro!» (Ilhas.Portos..Pássaros. contra as baías: barca imóvel. . Meus olhos estarão sôbre espêlhos... quem navega? Contra as auroras. pensando nos caminhos que existem dentro das coisas transparentes. minhas mãos correram.... Inútil forçá-los alastram-se. fogem na sombra secreta de eternos países. rodaram os mastros. olhos vertendo melancolia. E um campo de estrêlas irá brotando atrás das lembranças ardentes..O mar inteiro!. Não foi por mim! Partiram-se as cordas.. Os remos torceram-se. e trançaram raízes... CORPO NO MAR ÁGUA DENSA do sonho.. nêsse ruído. os remos entraram por dentro da areia.

estruturando-se como o frio dentro de um pôço. prêso em círculos de ar. destruindo tôdas as raízes líricas. O que nunca entendeu. Nossas perguntas e respostas se reconhecem como os olhos dentro dos espelhos. Teu lábio sorriu para todos os ventos e o mundo inteiro ficou feliz. Agora compreendo o sentido e a ressonância que também trazes de tão longe em tua voz. E ficou diante de sua cabeça. sôbre um instante de festa! Bôca fechada sob flores venenosas. mas sem porta.. Disto êle soube. só eu. entre paredes transparentes. A ninguém. E não poude contar a ninguém seu fim quimérico. ebook:cecilia. porém. e êle era um prisioneiro entre paredes transparentes. mas o desejo não foi além do seu pescoço. E era o seu rôsto. Olhos que choraram. E um mar de estrêlas se balança entre o meu pensamento e o teu. que estava entre versos andróginos. Mas um mar sem viagens. Pois a língua que fôra sua estava morta. encontrei a gota de orvalho que te alimentava. . Eu. DESVENTURA TU ÉS como o rôsto das rosas: diferente em cada pétala. Bem que êle quis chamar pelo seu nome em voz muito alta. de relêvo partido e de contôrno perturbado. Mas com uma voz que não se importa. querendo achar lá dentro o rôsto que dirige os sonhos. e em suas mãos sangrava o pens amento. Onde estava o teu perfume? Ninguém soube. Conversamos dos dois extremos da noite. sim. e o que lhe amarra o coração com ardents cordas de desgôsto é aquela estrêla de cinza aquela estrêla grande e plácida derramando sombra em seu rôsto. como de praias opostas.DIÁLOGO MINHAS palavras são a metade de um diálogo obscuro continuado através de séculos impossíveis.html 13/02/2009 ESTRÊLA QUEM VIU aquele que se inclinou sôbre palavras trémulas. e uma estrêla de cinza na testa. para ver si era o seu que lhe tivessem arrancado? Quem foi que o viu passar com sues ímãs insones. buscando o polo que girava sempre no vento? Seus olhos iam nos pés..

Descem pela água minhas naves revestidas de espelhos. Querido.html 13/02/2009 Agora. Cada lâmina arrisca um olhar. nada mais adianta si não há janela para a voz que canta. e investiga o elemento que a atinge. parte a minha bôca. isto é a minha alma: qualquer coisa que flutua sôbre êste corpo efêmero e precário. Depois.. entram nas paredes. e êste abandono para além da felicidade e da beleza. só recolho o gôsto infinito das respostas que não se encontram. Meu quarto vazio só pensa que durmo. o céu... nem na tua casa me escutam chegar.. Mas. beijam-te os ouvidos. querido. Meus braços caminham pelas ruas quietas: minhas mãos por todo o seu corpo: Querido. vencer. guerrear. devias voltar. ebook:cecilia. Coitado de quem está sòzinho e assiste o seu próprio sonhar! NOÇÕES ENTRE MIM e mim. Envolve m teu corpo. creio que vou morrer. Oh! meu Deus. e contemplei-a.html 13/02/2009 Virei-me sôbre a minha própria existência. A minha raça quer passar. vão te procurar. levam . ebook:cecilia.. há vastidões bastantes para a navegação dos meus desejos afligidos. fluidez de luar. Na noite deserta.. caminho de rios. o mar. Minha virtude era esta errância por mares contraditórios.como um segrêdo que cai do sonho. Minha vida bela. ninguém vê passar. não quer ir nem vir. há uma delícia obscura em não querer. Na minha. sofrer. abri as mãos.o 7 A TUA RAÇA de aventura quis ter a terra. e perdeu-se. NOTURNO VOLTO a cabeça para a montanha e abandono os pés para o mar... Coitado de quem está sòzinho e inventa sonhos com que sonhar! Minhas tranças descem pela casa abaixo. A tua raça quer partir. voltar. como o vento largo do oceano sôbre a areia passiva e inúmera. REALEJO MINHA vida bela. Partem os meus olhos. devias voltar.. pedaço a pedaço. minha vida inteira. em não ganhar. A minha.. EPIGRAMA N. querido. nesta aventura do sonho exposto à correnteza.

noites de saüdade.. FADIGA ESTOU tão cansada. nem quando se inventa ebook:cecilia. tão cansada. Eu lhe dizia: «Deixa a morte levar teu amor! Não faz mal. si não há janela para a voz que canta. e nunca ninguém ouviria ebook:cecilia.. limite. Aprendi comigo. te digo. Alucinação da cabeça tonta! Tudo se desmonta em côres e vento e velocidade. um coração que não dormia desde que o seu amor morreu.Preparei um verso com a melhor medida: rôsto do universo. Mas o coração não falava: chorava baixinho.. dorme!» Noite e dia eu cantava assim. com poucas vezes se quis.. nada mais adianta. É mais belo êsse heroísmo triste de amar uma coisa que existe só para morrer. querendo sempre mais que a vida sem termo. Não chores. afinal. Tudo: coração. mesmo como dentro de mim. O tempo era ríspido e amargo. noite e d ia. minha vida bela. Era um coração de incertezas. medida. feito para não ser feliz. Ah! mas nada adianta.. olhos de luar.html um colar sem fio.....html . chorava. Tudo gritava. quando se planta hera no mar. olhos de luar. estou tão cansada! Que fiz eu? Estive embalando. ou se experimenta abraçar um rio. Vinha um negro vento do mar. Por isso.. bôca da minha vida. noite e dia.» «Deixa a morte.

A sorte virara no tempo como um navio sôbre o mar. Saturno. Alguém cuspiu por distração sobre as minhas pestanas. Eu não o quero mais. E achei que o vento era mais forte. derramada num silêncio fino e veloz. e o frio das pedras.aquele coração chorar. se precipitou. de novo. E o ar estava muito indeciso para dar vida a uma canção. os monges.. porque veem de longe os náufragos. mas não foi preciso. Uma noite. E meu nome se escuta a si mesmo. Não sabe ninguém que rio. onde eu não escute mais nada. também. E os escritos. de amor e pensar. a sua voz disse uma coisa inesperada.» O chôro foi levando o resto. os oradores. perdida. o sombrio. os suicidas. perdida. e. «Meu amor não morreu: perdeu-se. onde deite a minha fadiga e onde murmure uma cantiga para ver si durmo. Porque era a música da tua voz que se ouvia. A praça cheia torna-se escura e subterrânea. ainda com lágrimas. veem os prêsos. não. Saturno. E os livros. calado cipreste sobe. que noite reveste o mundo em que passo e os mundos que penso. que logo correu. dentro do chôro. Não cantes. e achei as horas desiguais. Que longo. não cantes. gerando caminhos claros e serenos por onde passar quem vinha nutrida de secretos vinhos .. E agora não sei quem me leva daqui para qualquer lugar. Sou morta recente. os tortos. . E uma vela de móvel chama fumosa. HORÓSCOPO DEVIAM ser Venus e Júpiter. olhassem por mim. que o frio causava aflição. dentro da sombra. que ao menos. O chôro parou pela treva. que rio de luto circunda a terra profunda que piso e que s ou. Eu nem pude fazer um gesto. imenso. triste e falso. porém. ao menos. Não cantes. alto. quis cantar. aquelas duas mãos antigas. sim. Êle existe. numa roupa preta. das escadas. onde eu não saiba de ninguém. Veem as portas. ramo a ramo. entre o meu abraço e o abraço que amo! RESSUREIÇÃO NÃO CANTES.

Permite que volte o meu rôsto para um céu maior que êste mundo. Tudo pudesse a beleza. com o canto que a vai matando. e aprenda a ser docil no sonho como as estrêlas no seu rumo. Permite que agora emudeça: que me conforme em ser sòzinha. Tremeram súbitas fontes. Nem ar nem onda corrente passuem suspiro igual... e estou diante do espêlho. E dos meus dentes escorrer uma lenta saliva. ambos guardados no luar. e.. para fazê-la feliz. viria alguém. pois trancei o meu cabelo. sem vêr como estavam cheias de tanta coisa esquecida.html 13/02/2009 pois é muito longe e tão tarde! Pensei que era apenas demora.. Mas o mundo está dormindo em travesseiros de luar. ebook:cecilia. nunca mais há meio dia? (Já nem sei como te via!) SEREIA LINDA é a mulher e o seu canto. ai! nem as violas nem os búzios. ai! com a bôca. de encoberto país. caravela branca no ar azul do meio dia: quem te viu como eu te via? Rolaram trovões escuros pela vertente dos montes. pisada por tantos passos. Seus olhos doces de prant o quem os pode enxugar devagarinho com a bôca. PRAIA NUVEM.Por isso vi que era tão tarde. quebrada em tantos pedaços! Por onde ficou teu corpo.. . devagarinho. Vinha o vento do mar alto e levantava as areias. ai! alma e corpo contemplando-lhe. contemplando-lhe alma e corpo. e cantando pus-me a es perar-te. E deixei nos meus pés ficar o sol e andarem môscas. ilusão de claridade quando se fez tempestade? Nuvem.. Na sua voz transparente giram sonhos de cristal. agora. SERENATA PERMITE que feche os meus olhos. com certeza. A mulher do canto lindo ajuda o mundo a sonhar. ficou tudo triste como o nome dos defuntos: mar e céu morreram juntos. Não cantes. Há uma doce luz no silêncio e a dôr é de origem divina. caravela branca. ai! E morrerá de cantar. nem os búzios nem as violas. Depois. e sei melhor que ando fugida.

sustentada só de sonho mantendo chama e flor no gêlo dos teus braços. diante da forma exígua. que ardentes raízes nutrem meu crescer sem termo. Os teus braços que veem com essa brancura incalculável que de tão ser sem côr nem se compreende como existe. que um estatuário de caminhos invisíveis construiu com a côr e o frio e o som morto de mármores.ENCONTRO DESDE o tempo sem número em que as origens se elaboram. e dei-me ao teu destino frágil. de fôgo e sangue. foi traçada a minha imagem. exausta de seu próprio nome. Passam arroios de côres sôbre a paisagem.o 8 ENCOSTEI-ME a ti. adextrei-me com o vento.html 13/02/2009 e a alma cai sem mais nada. Como sabia bem tudo isso. na atitude sem dôr que é o rumo e o ritmo dessa viagem. sabendo bem que eras sòmente onda. Imagem! Vinde ver asas e ramos.. como jôgo e pensamento. digo que não cairei com uma fadiga permitida. Mas tu eras a flor das flôres. e a minha festa é a tempestade. um vão destino e um pêso triste. Minha vida é uma pobre rosa ao vento. Os jardins têm vida e morte. na luz sonora! Ninguém sabe para onde vamos agora. que sinto bem êsses teus braços paralelos. Tu bem sabes que sou uma chama da terra.. Pois eu. são os braços finais em que cedem os corpos. mas rebelde. abre em flor o silêncio. mísera. e a minha imagem. do campo infiel aos céus escassos. EPIGRAMA N. fiquei sem poder chorar. para que em teu abraço haja imóveis invernos. . CANTIGA AI! A MANHÃ primorosa do pensamento. se estendem para mim os teus braços eternos. Eu ficarei em ti. Sabendo bem que eras núvem. última estrêla só. ebook:cecilia. depús a minha vida em ti. quando caí. com uma improvável forma. que não apagarei êste desenho puro e ardente com que. inútil. E tu mesma acharás pasmos de lagos e de areias. para enfeitar alturas e êrmo.

ao menos. II Voz obstinada. Pelas suas ondas revôltas.ebook:cecilia. sustentou a minha passagem desejosa. seguem desesperadamente todas as minhas estrêlas soltas. e deixa o perfume no vento! CAVALGADA MEU SANGUE corre como um rio num grande galope. refletido aqui. se podia semear..html 13/02/2009 noite e dia. para onde vão! MEDIDA DA SIGNIFICAÇÃO I PROCUREI-ME nesta água da minha memória que povoa tôdas as distâncias da vida e onde. é tão edificado de silêncios que. co mo nos campos. na noite. num ritmo bravio. permanece inefável. no tumulto sombrio. Nem tu sabes que espécie de saüdade abrolha na noite e como o silêncio tenta mover-se inùtilmente. tanta imagem capaz de ficar florindo. é tão do tamanho do tempo. dize. morria.. talvez. Procurei minha forma entre os aspectos das ondas. sôbre fingidos caminhos.. Compreendo que. Acabei-me como a luz fugitiva que queimou sua própria atitude segundo a tendência do meu pensamento transformável. . Ouve. E é nisto que se resume o sofrimento: cai a flor. todos os sonhos que me levas. da fronte aos pés. saberei que sou sem rastros. sou de ausência absoluta: desapareci como aquele no entanto. árduo ritmo que. para sentir. Esta água da minha memória reüne os sulcos feridos: as sombras efêmeras afogam-se na conjunção das ondas. o aroma da minha duração. Quem conhecesse a sua sorte. passar a torrente fantástica! E. Desde agora. E aquilo que restaria eternamente é tão da côr destas águas. por que insistes chamando por um nome que não corresponde mais a mim? Não é do meu propósito que fiques ao longe sòzinha. na luta da luz com as trevas.. com a máxima cintilação. para onde acena a tua mão.

. Eu mesma me sentirei alucinada e exquisita. tôdas as minhas presenças e sempre se continuarão a desfazer. Mas o que. e os nomes que teem as tuas realidades e o tempo dos outros acontecimentos. Não saberei precisamente quando me verás. conduze-te a mim. e de que modo me pode o teu desejo atingir? Eu mesma deixei de entender a minha substância. embora eu não possa estar mais perto nem mais viva. sinto e sei com firmeza é que tua voz continuará chamando por mim... ó voz obstinada.. e se tenha acabado o caminho que existe entre nós. As aparências dispersaram-se de mim. e assegurar-me que sou tua Necessidade e teu Bem? III Pela experiência do teu contentamento. IV A água da minha memória devora todos os reflexos. e eu não possa prosseguir mais. por isso. desde agora. com êsse alento das nebulosas sinistras que se desenvolvem nas febres. todos os dias sou meu completo desmoronamento: e assisto à decadência de tudo. sondando direções! Não é do meu propósito. mas da minha condição. resoluta virei até onde te encontres. cortando as sombras que crescem como florestas. obstinada. Como podes chamar por mim como às coisas concretas. Pisarei minha solidão com renúncia e alegria e. nem si compreenderei a linguagem que falas. Voz obstinada que estás ao longe chamando-me. como pássaros: que sol se pode fixar nesta existência.quando diriges teus ímãs sonoros. É inútil o meu esforço de conservar-me. para te definir a minha aproximação? Minhas dimensões se aboliram nos limites visíveis: como podes saber onde me circunscrevo.. para compreenderes minha ausência. crio formas que vistam meus pensamentos irreveláveis. por entre caminhos assombrados. Traze de longe os teus atributos de amargura e de sonho. e modelo fisionomias com que te possa aparecer. Desfizeram-se. nestes espelhos sem reprodução. tenho apenas o sentimento dos mistérios que em mim se equilibram.

olhando para esta água interminável e muda. Gota amarga dos olhos frios. junto à tempestade. GRILO ESTRELINHA de lata. para não me veres em pranto..para veres o que dêles resta depois que chegarem a êstes ermos domínios onde figuras e horas se decompõem. viam-se os círios acêsos. que é dos teus morros de sombra. Que é feito da tua praça. rolando. Chorarei toda a noite. que era tão claro e tão perfeito?» E o meu pobre olhar in deciso não te repetir: «Que foi feito. a fôlha cai.. mas dentro dos olhos ha um sol contente. depois do trabalho. Não precisaremos falar mais nem sentir: seremos só de afinidades: morrerão as alegorias. ond a morena sorria com tanta noite nos olhos e. e as flores se desfolhavam perto dos soluços presos. A chuva bate-me no rosto e em meus cabelos sopra o vento. na bôca.o 9 O VENTO voa. do teu mar de branda espuma. Haverá mesmo algum pensamento sôbre essa noite? sôbre êsse vento? sôbre essa fôlha que se va i? PROVÍNCIA CIDADEZINHA perdida no inverno denso de bruma. nem saberes.. a noite tôda se atordoa. que não floriu. enquanto perpassa o tumulto nos ares. das tuas árvores frias subindo das ruas mortas? Que é das palmas que bateram na noit e das tuas portas? Pela janela baixinha.. Pássaro de prata sacudindo guisos no sonho mágico do menino moribundo. que não palpitou.?» EPIGRAMA N. rolando no peito do mundo. cheirava a capim e a orvalho e muito longe as harmônicas riam. de tanto ser puramente imortal. assovio de vidro.. Pela curva dos caminhos. E saberás distinguir as coisas que perecem desoladas. A febre alarga os pulsos hirtos. ta nto dia? . chorando como uma criança que viu que não eram verdade o seu sonho e a sua esperança. ACONTECIMENTO AQUI estou.. que não produziu. Vão-se desfazendo em des gôsto as formas do meu pensamento. nem perguntares: «Que foi feito do teu sorriso. no escuro do quarto do menino doente.

não. Ai! Cantar de beira de rio. qu eimando vigílias na planície eterna que gira debaixo dos meus pés descalços. sabeis quando é cedo. Dormireis um dia como pedras suaves. que saltais abismos. Sabe is quando é tarde. Pe rdida atrás dele na planície aérea. não.) QUADRAS NA CANÇÃO que vai ficando já não vai ficando nada: é menos do que o perfume de uma rosa de sfolhada.. que olhais para o sol e encontrais direção. mas o campo era tão triste.. esqueceu-me o rosto do dona das reses. nuvem sem nada. podeis encontr ar-vos. não há quem me explique meu vário rebanho. água que bate na pedra.) Pastora de nuvens. mas não vem. não sei por que lado. tereis um salário. deslumbram o gado inconstante que se me extravia. so bre a minha própria ausência? CANTAR CANTAR de beira de rio.. /// .) Pastora de nuvens. (Pastores da terra.Que é feito daquelas caras escondendo o seu segrêdo? Dos corredores escuros com pare des só de mêdo? Que é feito da minha vida ebook:cecilia. (Pastores da terra. pensais que ha limites. Estrêlas e luas que jorram. Eu. não. E às v ezes parece que dizem meu nome. não sei si o conduzo.. Passam luas muito longe. sem noite e sem dia. A água subiu pelo campo. por muito que espere. /// Os remos batem nas águas: têm de ferir. e hoje é um tempo de saüdade. Por todos os lados o vento revolve os velos instáveis das reses dispersas. do instante de pensamento deixado nalguma rua? Do perfume que me deste. estrêlas muito impossíveis. não. (Pastores da terra. não paro nem durmo neste móvel prado. sigo atrás de formas com feitios falsos. com a face deserta. mas vazio. do dono do prado.) Pastora de nunvens. Eu.html abandonada na tua. não sei si o acompanho. Eu. vós tendes sossêgo. e andará por bailes vosso coração. não. Eu.) Pastora de nuvens. que vedes pessoas sem serem apenas de imaginação. para andar. Pensamento do caminho pensando o rosto da flor que pode vir. (Pastores da terra. todo cheio. Noite que vem por acaso. e onde nunca é noite e nunca madrugada. não. nunca entendereis a minha condição. como é tão serena a vossa ocupação! Tendes sempr e o indício da sombra que foge. também. de certeiros olhos. (Pastores da terra. pedra que não dá resposta.) Pastora de nuvens. Eu. sabei s onde pousam ternuras e sonos. debaixo das folhas que entornam frescura num plácido chão. fui posta a serviço por uma campina tão desamparada que não princip ia nem também termina. que nutriu minha existência. trazendo nos lábios negros o sonho de que se gosta. Pensai que ha firmezas. que me andam seguindo. cada luz colore meu canto e meu gado de tintas diversas. As águas vão consentindo êsse é o desti o do mar. (Pastores da terra. Cantar de beira de rio: o mundo coube nos olhos. falar tanta coisa! Eu. DESTINO PASTORA de nuvens.

/// Ao lado da minha casa morre o sol e nasce o vento. para o acompanhar! ORIGEM O TEMPO gerou meu sonho na mesma roda de alfareiro ebook:cecilia. meu pensamento não sabe matar! Mandai-me êsse arcanjo de verde cavalo. /// O vento do mês de Agosto leva as folhas pelo chão. Quando as nuvens forem chuva. lágrima do mar. meu sonho combate: veem sombras. É assim que os ninhos aprendem que a vida tem norte e sul. passarinho. A luz ainda não nasceu. vão sombras. as armas que invento são aromas no ar! Mandai-me soldados de estirpe mais forte. por ser cantada morreu. /// A cantiga que eu cantava. NOTURNO SUSPIRO do vento. Nunca hei de dizer o nome daqu ilo que ha de ser meu.html 13/02/2009 que modelou Sirius e a Estrêla Polar. lágrima do mar. êste tormento ainda pode acabar? De dia e de noite. não há quem o mate! Suspiro do vento. leva o sol meu pensamento. p obre de ti. que desça a êste campo a desbaratá-lo! Suspiro do vento. lágrima do mar.Passarinho ambicioso fez nas nuvens o seu ninho. com tôdas as armas que levam à morte! Suspiro do vento. /// Os ramos passam de leve na face da noite azul. lágrima do mar. e a forma ainda não está pronta: . que leve êsse arcanjo meu longo tormento. só não toca no teu rosto que está no me u coração. O vento me traz teu nome. e também a mim.

e mar inheiros com remos e barcas veem saindo lá do horizonte. tenho visto muita coisa. exato. como um número que se arma e em seguida se esborôa. prepara o mistério alado da sua voz. onde o fim do tempo soma pedras.. Quando penso no teu rosto. entre nós dois anda o mundo. amarga como qualque fruto agreste. Vamos a passo e de longe. pensamento. entre o sol e o vento: meu vestido. De tudo quanto existe. Não há norte nem sul: e só os ventos sem nome giram com o nascimento para o fazerem mais veloz. Gosto da minha palavra pelo sabor que lhe deste: mesmo quando é linda. menos a felicidade. . viagens. luminoso e simples como um anel. E a música geral. meu sonho e meu alimento. é tudo que tenho. nem aulas. Brotam de novo antigas imagens das coleções de fotografia. Tudo quanto havia era o feitiço de um feiticeiro que toldava o mundo e a melancolia. e de novo guerras. nem jornal nem rádio. moços com roupas de Caronte e meninas iguais às Parcas. Meu sonho quer apenas o tamanho da minha alma. nem modas. As aves trazem mentiras de países sem sofrimento. cinge sòmente o que não morre. Apenas o sol redondo e alguma esmola de vento quebram a s formas do sono com a idea do movimento. nem missas. que circula nas veias da sombra. nem viagens e nem barca e nem marinheiro. e caír no mesmo poço de inércia e de esquecimento. Nem guerras. fecho os olhos de saüdade. Nem indústria ou comércio. Por isso é que se tem saüdade do tempo da feitiçaria. missas. porque o céu que o inventou cantava sempre eternidade rodando a sua argi la fiel. o ano inteiro! Nem cartas.mas a sorte do enigma já se sente respirar. aulas.. com alguns mortos pelo fundo. com alguns vivos pela tona. Mesmo assim amarga. MARCHA AS ORDENS da madrugada romperam por sôbre os montes: nosso caminho se alarga sem c ampos verdes nem fontes. água s. Também não pretendo nada senão ir andando atôa. mais minha dúvida aumento. FEITIÇARIA NÃO TINHA havido pássaro nem flores o ano inteiro. Chegaram agora pássaros e flores. P or mais que alargue as pupilas. minha música.

isento.. flor em pedras debruçada. nada.. E. presentes tôdas as estrêlas puras. Voltei aos campos de bruma... sorrindo.. sem levar dessa trajectória nem êsse prêmio de perfume que as flôres concedem ao vento. Nada. pelos caminhos infinitos.. falou. Nem aquilo que imagino já me dá contentamento. Mas desfez-se em coisa rara: pérolas de sal tão finas nem a areia as igualara! Tenho no meu lábio as ruínas de arquiteturas de espuma com paredes cristalinas... O horizonte corta a vida isento de tudo. Como tudo sempre acaba. porque vinha de um coração? E os que vierem depois..Soltam-se os meus dedos tristes. porque sois ardentes?» Água fina que descia. do pranto que caíu dos meus olho s passados.html HERANÇA EU VIM de infinitos caminhos... e os meus olho choveram lúcido pranto pelo chão. ficam perto para sempre e em muits vidas: mas quem falou do deserto sem nunca ver os meus olhos.... em contornar teu pensamento. Quando é que frutifica. dos sonhos claros que invento. ou prémio alcançarão? HISTÓRIA EU FUI a de mãos ardentes que... no céu. que experiência. porque o sabia. nos caminhos infinitos. onde as árvores perdidas não prometem sombra alguma. desconhecida e transitória.. mas não estava certo. Pus o meu lábio indeciso na concha verde e espumosa modelada ao vento liso: tinha frescura de rosa.. E perguntava. tão fecun da.. triste de ser nascida..... E eu ia desenganada. ONDA QUEM falou de primavera sem ter visto o teu sorriso.. fui subindo altas vertentes para a vida. Não há lágrima nem grito: apenas consentimento.. falou sem saber o que era.... . que era tão viva. essa vida.. aroma de viagem clara e um som de prata gloriosa. oxalá seja bem cedo! A esperança que falava tem lábios brancos de mêdo. afinal. mesmo longe. ou consôlo.. ebook:cecilia... à subida: «Ó mãos. nada ouvia ou respondia.. As coisas acontecidas. pouso as mesmas mãos ardentes . EPIGRAMA N.o 10 A MINHA vida se resume.

Todas as mãos vindas ao mundo desfalecem sôbre o meu peito. Como esta bôca sem pedidos. teu coração. eu não lhe pergunto o seu: não posso perder mais nada. dentre os fantasmas da esperança! Teu corpo. e esta névoa nos ouvidos complacentes. me basta ebook:cecilia. PERSONAGEM TEU NOME é quási indiferente e nem teu rôsto já me inquieta. entre variedades: mas nêsse deserto é que pensa o olhar de tôdas as saüdades. serena e casta. . Mêdo. levando tudo que é meu: homens me deram. sôbre os ventos desfizeram seus intentos. é certo: não se encontra o bem perfeito. Tôdas as máscaras da vida se debruçam para o meu rôsto. e teu rosto. Meus sonhos viajam rumos tristes e. tua existência. sem procuras. sem perguntas. na alta noite desprotegida em qu e experimento o meu gôsto. orgulho. pelo improvável paraíso dos encontros imaginários! Que ninguém e que nada exista. obscuro. nutrida do enigma do ins tinto. porque sois ardentes? Tudo são sonhos dormidos ou dormentes! ASSOVIO NINGUÉM abra a mais eu. o riso. Ai! por mais que se ande. Oh! que se apague a bôca. silencioso. Vai nascendo só deserto pelo peito. si o q perdeu. disperso. e teu nome. sem forma e se m nome.html 13/02/2009 o próprio amor que por ti sinto: és a idea. a noite escura meu rumo. O lugar da tua presença é um deserto. ó mãos. existes. vencendo um tácito pranto. Para pensar em ti. E entre o desejado e o aceito dorme um horizonte encoberto. tu. amando tanto. Ela não sabe o ue houve já se Vou pelo braço a dôr que os sua porta para ver que aconteceu: saímos de braço dado. de quanto a sombra em mim descansa: eu procuro o que não se avista. o olhar dêsses vultos precários. e esperanças tão ausentes. e a canção que Deus me deu.nas alturas. da noite. A arte de amar é exatamente a de ser poeta. ricas por indiferentes. desencanto prenderam os movimentos dessas mãos que. e escuto o suspiro profu ndo de um horizonte insatisfeito. no seu profundo universo.

. me diga si devo ir-me embora. me diga. Calado. Não hou ve mercado nem mercadoria que seduzisse a minha vaga mão. do outro lado. tolo.. já se esqueceu. sua voz foge como um pássaro que cai. ESTIRPE OS MENDIGOS maiores não dizem mais. alheia a todo outro desejo.. Sabem que é inútil e exaustivo. Calad o. Benteví. e sua bôca não chama nem ri. Os mendigos maiores vivem fóra da vida: fizeram-se excluídos. por muito que tenhas visto. Seu olhar não olha mais. talvez gemessem algum ai. para a ouvirem bem. quási morte.. E é de tal modo imprevista. muitos. porque tiveram. é o meu. quási co rpo de sereia. nem fazem nada. Não viste as letras. me decomponho e recomponho. Passarinho. Eu só conheço o que não vejo.. uns. Calado. em redor de si.. Calado. que não quis nada.. quási vida. Oh! não gemiam. ebook:cecilia. soluçaram. outros. . maiores são um povo que se vai convertendo em pedra.tudo o espaço evita e consome: e eu só conheço a tua ausência. não. porque ando com pena no meu coração? Se não vou ser santa. Puseram sua miséria junto aos jardins do mundo feliz. Deixam-se estar ao sol e à chuva.. perderam meus dias? ou gastei-os todos. que apostam formar idéas com o vento. para que outro mundo e em que embarcação! CANTIGA BENTEVÍ que estás cantando nos ramos da madrugada. E as mãos da noite quebra ndo os talos do pensamento. Calado por onde se encontra minha sedução. Calado. Calado. Deixam-se estar. os sonhos de todos porque não me dão? Calado.html 13/02/2009 Entreteem-se a estender a vida pelo pensamento. só por distração? Não sou dos qu e levam: sou coisa levada.. sorririam. Calado. uma coisa que. Alguns..... Não viste as ondas que vinham tão desmanchadas na areia.. com a mesma atitude e m archa tanto chegam como somem. E as nuvens que vão andando com marcha e atitude de homem. tenham notícia da estranha sorte que anda por êles como um rio num país. E seu corpo não E seu coração é Ah! os mendigos Êsse povo é que sofre nem gosa. de altas estrêlas que não cobiçam. tolo. juro que não viste nada. Os mendigos maiores são todos estóicos. que nunca viste como o s meus olhos fechados.. nêsse abismo do meu sonho. Teem seu reino vazio. de olhinhos arregalados. porque não. longe do corpo que fica em qualquer lugar. E nem sei daqueles que me levarão. Abriram sonos e silêncios e espaços nus. eu. E. uns compravam pão. Calado. com o mesmo ar de completa coragem. mas não querem que. desnecessária e surpreendente que.. TENTATIVA ANDEI pelo mundo no meio dos homens: uns compravam joias. Deixam-se estar. si existiu. E sua mão não toma nem pede. Si alguém falar.

ùnicamente. Quem me leva adormecida sôbre o perfume das plantas. se acabou.EPIGRAMA N.. Pareceu que houve o perfume. O céu roda para oéste: as pontes vão para as águas. Bonecos que enchem as grandes horas de pesadelos.. nesses rios do céu. que arrebatam tesouros da sua mão. sua voz. sem contato nenhum com o chão. no fundos rios a água é n ova a cada instante? Não ha palavras nem rostos: eu mesma não me estou vendo. Alguém me tirou do corpo. nome. Oh! abelha imaginat iva! o que o desejo inventou. E ela contempla a onda mansa: . outras vezes. como.. que lhe roubam os olhos. com êste som inesquecível do pens amento no escuro? CANTIGA NÓS SOMOS como o perfume da flor que não tinha vindo: esperança do silêncio. fez -me nome. para que as perguntas me chamem. Foram-se os pássaros para o céu. II A mão da menina enfêrma refratou-se também na água pura. um largo véu . A MENINA ENFÊRMA I A MENINA enfêrma tem no seu quarto formas inúmeras que inventam espantos para seus olhos sem ilusão. com vozes tristes. quando o mu ndo está dormindo. no ritmo intenso e atroz da noite e a que olha o sofrimento do alto do sono. ela descobriu sòzinha que era duas! a que sofre depressa. sem vir. o tempo que vai passando filtra a sombra nas areias. quando as estrêlas e os grilos palpitam ao mesmo tempo? O céu dorme na montanha. O vento é um silêncio inquieto com persp ectivas de barcos.. do alto de tudo. Mas as flôres ficaram no chão. balançada num céu de estrêlas invisíveis. mas quási delícia. PASSEIO QUEM ME leva adormecida por dentro do campo fresco. Quem me leva adormecida pelas dunas. Um dia. na sua mão. que lhe partem a garganta. pelas nuvens. no seu pulso quebrado e exato. Partiu-se a mão contemplativa dentro d'água: mas não houve mesmo amargura.o 11 A VENTANIA misteriosa passou na árvore côr de rosa e sacudiu-a como um véu. e eu não me esqueça de tud o si houver um dia seguinte. o mar flutua em si mesmo. quando. E a flor.

mas só êsse eu não farei. DESENHO FINO CORPO.. no silencioso deleite da sombra e da solidão. apago meus pensamentos. palmeiras. que é da tua mão direita?. Para que tu me adivinhes. E.. Uma palavra caída das montanhas dos instantes desmancha todos os mares e une as te rras mais distantes. piscinas. em vagorosa invenção.. palavra que não direi... que passeias na minha imaginação como o vento nas areias.. de plantas húmidas. ... com pássaros sôbre a folhagem.. Tôrres. e a canção ebook:cecilia. entre os ventos taciturnos. serás o rei Salomão? Há um perfume de madeira e uma confusa noção de óleo e nardo. para que venhas comigo e eu para sempre te leve. um vinho de luas-cheias Por isso.Estão safiras pelo meu peito. os mundos vão navegando nos ares certos do tempo. Estendem-se no meu leito púrpura e marfins. Olha-as como de muito mais longe.. Serás o rei Salomão? Na noite quási perfeita da minha imaginação. de água cantante... E com um sorriso de saüdade põe nesses barcos brancos seus sentimentos de eternidade e parte pelo claro vento.html de uns pássaros prisioneiros. A menina enfêrma chegou perto do dia tão mansa e tão simples como uma lágrima sôbre a esperança.. incenso. enquanto não me descobres. Navega nas minhas veias.. e um dia me acabarei. a noite inteira. em mornos canteiros. em meu corpo vão brotando. de flores frescas.. A menina enfêrma apanha o sol nas mãos magrinhas: seus olhos longos teem um desenho de andorinhas num rosto sereno de imagem.e tudo isso é uma simples lembrança? é uma alheia notícia? ou algum velho retrato? III A menina enfêrma passeia no jardim brilhante. mirra. parecem tão verdadeiras. até não se sabe quando. Serás o rei Salomão? Ondas de mel e de leite se derramam pelo chão. cedros pela minha mão. E acaba de descobrir que as nuvens também teem movimento. de pura imaginação. na minha imaginação. po nho vestidos noturnos.. que amargamente inventei. TIMIDEZ BASTA-ME um pequeno gesto feito de longe e de leve.

» «Passei a noite. ebook:cecilia... olhando p'ra minha cara.? Foram as luzes apagadas? Ou serão feitos só de mim.» PERGUNTA ESTES MEUS tristes pensamentos vieram de estrêlas desfolhadas pela bôca brusca dos v entos? Nasceram das encruzilhadas. minha alma tôda tão descoberta. com figuras alucinadas por desejos e covardias? Foram as estátuas paradas em roda da água do jardim. que ela ficava ali. estes meus tristes pensamentos que boiam como peixes lent os num rio de tédio sem fim? EPIGRAMA N.. a testa pulsando na mão: e muros de melancolia subiam pela sala acêsa.. acontecidos entre brumas. E a hora certa bateu. dos caminhos dos luares lisos. «Deixei o copo no mesmo nível: bebida imóvel. que pensam: «Êste. não bebeu. em música.. em mármore.. em vers os? Caíriam das noites calmas.. inutilizando os gemidos. onde as almas deslisam frias. túmulos ou almas. em seguida. Mas o toque daquele alto e imenso relógio dependia daquela exígua e obscura vida? Ou percebeu siquer. pisando sonhos. calada mas parti da? . triste e incoerente. em que o sono abre mansa s palmas? Proveem de fatos indecisos. Oh! deixem-me ir para onde eu fôr!. de olhos sobre o vinho perdidos. beijando o vento. grande e exat a.o 12 A ENGRENAGEM trincou pobre e pequeno inseto.TAVERNA BEM SEI que. ebook:cecilia.html na era de extintos paraísos? Ou de algum cenário de espumas. onde os espíritos defuntos põem no presente horas passad as? Originaram-se de assuntos pelo raciocínio dispersos. passei o dia de cotovelos firmes na mesa. e depois na saüdade juntos? Subiram de mundos submersos em mares. minha desgraça tão evidente.. agarrando os ares. p'ros gestos vagos de sombra incerta que hoje sou eu. espêlho atento. enquanto o som vibrava. falando às pedras.html 13/02/2009 minha loucura se faz tão clara. onde só eu vi desbrochares. p'ra minha bôca. mas quebrando-me o coração. sem aspirações mais nenh umas? Ou de ardentes e inúteis dias. rôsto amargo de amor! Vim da taverna ébrio de impossível.

Cheguei muito depois do tempo em que se pode ouvir dizer: «Oh! minha amada. ebook:cecilia. tão pequena.. E pergunto: «Quem é que manda mais do que eu sôbre a minha vida? Nêste mar de só desencanto. e defronte.. Passaram os ventos de Agosto. por dentro da noite.. MISÉRIA HOJE é tarde para os desejos.» O mar imóvel dos teus olhos pode estar bem perto.. voaram coisas imensas: os ninhos que os homens não viram nos galhos. Durmo com a noite nos meus braços. levando tudo. o derradeiro. O suspiro que em mim resvala bem pode ser.. que sereia murmura uma canção desconhecida? E em meus ouvidos indiferentes. terríveis. desmanchando secretos níveis? Serás tu? para me levares.» (Vejo a lágrima que escorre por cima da minha pena.html 13/02/2009 Mas. a cada instante. sofrendo pelo mundo inteiro. e a resposta. que rôstos vão reconhecendo os passeios da eternidade? Perto do meu corpo estendido... náufrago inerte de sombras e ares. o seu tropel. quem chegará. bateram com os ramos no chão.. sôbre a paisagem cansada da aventura excessiva sem forma e sem éco. e uma esperança que ninguém viu. Voaram telhados. As árvores humilhadas bateram. e nem me interessa mais nada.) . Morrer é uma coisa tão fácil que tôdas as manhãs me admiro de ter o sono conservado fidelidade ao meu suspiro. alheios a qualquer vontade. num coração. o sol encontrou as crianças procurando outra vez o vento para soltarem papagaios de papel. Ai! a pergunta é sempre enorme. voaram andaimes.VENTO PASSARAM os ventos de Agosto. quebrando-os. Mas nem navega as horas nem se cuida mais de horizonte. Em todos os sonos pisou.

porque sinto bem que elas são o último vinho e o último pão de uma definitiva mesa. Seus olhos densos apenas sabem ter sido. E imensamente o navegante mudado. Os poetas. nas alvoradas. Seu lábio leva um outro nome mandado. e para a ascenção das montanhas. jámais e para sempre perdido o éco do corpo no próprio vento pregado. E olho par a fuga do mar. Os santos. Pálido barco nas flores quietas quebrado. As luzes do amanhecimento acharão tôda a terra igual. cobertos de espinhos. DESPEDIDA VAIS FICANDO longe de mim como o sono. Noite sem braços! Cálido sangue corrido.html 13/02/2009 mas há estrêlas sobressaltadas resplandecendo além do fim. Depois. e vejo como te acompanhas. mas não se joga com ninguém.o 13 PASSARAM os reis coroados de ouro. ebook:cecilia. jôgo de pura geometria. ÍNDICE Aceitação [40] Acontecimento [129] Alva [58] A menina enfêrma [172] Anunciação [14] Assovio [158] Atitude [89] . e os heróis coroados de louro: passaram por êstes caminhos. sem noções do mal nem do bem. Súbito pássaro por altas nuvens bebido. pálido barco na onda serena chegado. que eu pensei que se jogaria. Tudo foi sobrenatural. EPIGRAMA N. vieram os santos e os bardos. cingidos de cardos. Bebo essas luzes sem tristeza. sem pêso de contentamento. para me desacompanhar. Nunca.METAMORFOSE SUBITO pássaro dentro dos muros caído.

o 4 [56] Epigrama n.o 12 [185] Epigrama n.o 10 [151] Epigrama n.o 11 [168] Epigrama n.A última cantiga [28] Campo [74] Canção [32] Canção [36] Canção [43] Cantar [135] Cantiga [119] Cantiga [166] Cantiga [171] Cantiguinha [60] Cavalgada [121] Conveniência [31] Corpo no mar [90] Criança [49] Desamparo [51] Descrição [86] Desenho [175] Despedida [192] Destino [137] Desventura [96] Diálogo [33] Discurso [16] Distância [72] Encontro [116] Epigrama n.o 13 [194] Estirpe [162] Estrêla [94] Excursão [18] Êxtase [66] Fadiga [104] Feitiçaria [146] Fim [47] Fio [52] Gargalhada [45] Grilo [84] Grilo [128] Guitarra [70] Herança [154] História [155] Horóscopo [107] Inverno [53] Luar [92] Marcha [148] Medida da significação [122] Metamorfose [190] Miséria [187] Motivo [10] .o 7 [101] Epigrama n.o 3 [41] Epigrama n.o 1 [9] Epigrama n.o 8 [118] Epigrama n.o 5 [73] Epigrama n.o 2 [25] Epigrama n.o 9 [131] Epigrama n.o 6 [88] Epigrama n.

Murmúrio [42] Música [22] Noções [99] Noite [12] Noturno [97] Noturno II [143] Onda [152] Ofandade [57] Origem [145] Passeio [169] Pausa [80] Pergunta [182] Personagem [159] Perspectiva [34] Praia [112] Província [132] Quadras [141] Realejo [102] Renúncia [78] Ressureição [109] Retrato [21] Rimance [76] Sereia [114] Serenata [26] Serenata [111] Solidão [38] Som [68] Taverna [180] Tentativa [164] Terra [62] Timidez [178] Valsa [82] Vento [186] Vinho [81] Reprodução da ficha catalográfica preparada em 1942 pelo Coronel Zacarias Silva.] e de d. em 1938. BIBLIOGRAFIA: C. prosadora. no Rio de Janeiro. C. pedagogista.html 13/02/2009 CECILIA MEIRELES [GRILLO] literariamente CECILIA MEIRELES Usa os pseudonimos: [Florência BIOGRAFIA: Nasceu no Distrito Federal. com seu livro VIAGEM. M. professora e conferencista (notadamente sobre educação. arte e literatura) ANOTAÇÕES interessantes: 1o livro publicado: NUNCA MAIS E POESIA DOS POEMAS. versos. [Mathilde Benevides Meireles] Espírito de sólida cultura. ============ ebook:cecilia. 1o Premio de Poesia da Academia Brasileira de Letras. em 1923.E. Cecilia Meireles é poetisa. É filha de [Carlos Alberto de Carvalho M. Os te xtos entre colchetes foram acréscimos manuscritos pela Autora N.] .

favor informar a eBooksBrasil.com Dezembro 2000 O status de copyright.com. feita em fair us e.A POESIAS: Nunca mais e Poema dos Poemas Baladas para El-Rei Viagem Vaga Musica B NOVELA: Olhinhos de Gato [ publicada na Rev. [tese de Concurso à Cadeira de Literatura da antiga Escola Normal do Distrito Federal São Paulo 10/VIII/1942 ] Zacarias Silva (assinatura) [Lit. para que este título seja imediatamente removido do acesso público. refere-se à presente edição. após verificar que a obra de C ecília Meireles está disponível em edições em papel por diversas editoras. Vedado qualquer uso comercial . documental e histórico. enviando email para livros@ebooksbrasil. "Ocidente" de Lisboa. [livros de textos] E mais: O Espirito Vitorioso. como domínio público. samba e macumba (Lisboa)] Versão para eBook eBooksBrasil.] C LITERATURA INFANTIL: Crianca. Caso o leitor t enha notícia de que algum direito patrimonial esteja sendo involuntariamente viola do. infantil Rute e Alberto resolveram ser turistas] ----FICHA PROVISORIA MODIFICADA E AMPLIADA PELA AUTORA---[Conferências realizadas e editadas em Lisboa e Coimbra: Notícia da literatura brasileira (Coimbra) Batuque. por seu valor educacional. meu amôr.

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