Você está na página 1de 188
1 LIVRO 20 AULA
1
LIVRO
20
AULA

Conceitos de antiderivadas de funções

META Introduzir o estudo do cálculo integral como parte complementar ao cálculo diferencial. O estudo de antiderivadas de funções suas consequências e noções intuitivas serão analisados sob um contexto simples e eficaz.

OBJETIVOS Ao final desta aula, o aluno deverá compreender o procedimento da obtenção da antiderivada de uma função a partir do contexto de derivadas de funções.

PRÉ-REQUISITOS Derivadas de Funções.

Conceitos de antiderivadas de funções

20.1 Introdução

Nas aulas em que abordamos os conceitos de derivadas de funções e suas aplicações, pudemos obter vários resultados importantes sob diver- sos contextos. Percebemos uma gama inegável de situações que antes se mostravam “difíceis”, sob o ponto de vista de uma álgebra elementar, tornarem-se simples no do contexto do cálculo diferencial. Em particu- lar, o emprego e a análise da primeira e segunda derivadas deram rumos novos aos resultados obtidos para diferentes aplicações do cotidiano. Essa mesma abordagem será também utilizada para conceituar os as- pectos inerentes ao conceito de “antiderivada” de uma função, coroando com a completeza do estudo da primeira e segunda derivadas de uma função. Antes de findarmos esta introdução, desejamos mencionar, com muita clareza, que é necessário o domínio dos conceitos de derivadas de fun- ções para que você tenha um melhor aproveitamento desta aula. O seu rendimento também dependerá, particularmente, de toda sua atenção nos exemplos que lhe apresentaremos os conceitos de derivadas de fun- ções estejam completamente dominados ou no mínimo compreendidos e ademais, esta aula vai depender em muito de toda a sua atenção parti- cularmente nos exemplos que serão discutidos.

20.2 Antiderivadas

Nesta aula, vamos inserir o conceito de integral da forma mais na- tural possível, considerando uma função f (x) definida em algum inter- valo (a, b), conforme o que está representado na Figura 20.27.

80
80
Cálculo I: Livro 2 y f (x) c a x 1 x 2 b x
Cálculo I: Livro 2
y
f (x)
c
a
x 1
x 2
b
x
20 AULA
20
AULA

Figura 20.27: Representação esquemática da derivada de uma função f (x) para o intervalo (a, b).

Com base no gráfico de f (x) podemos tecer as seguintes afirmações:

(a)

f > 0 em (a, x 1 ) e (x 2 , b). Portanto, f é crescente nesses interva- los;

(b)

f < 0 em (x 1 , x 2 ) e f é decrescente neste intervalo;

(c)

f = 0 representa dois extremos para f em

i) x = x 1 , significando um máximo de f .

ii) x = x 2 , significando um mínimo de f .

Por outro lado, percebe-se facilmente que os sinais para a segunda de- rivada de f são também obtidos a partir de f (x), representada na Fi- gura 20.27. Com base no conteúdo dessa figura, você pode averiguar que:

81
81

Conceitos de antiderivadas de funções

1. f < 0 no intervalo (a, c). Logo, a função f é convexa (concavi- dade para baixo);

2. f > 0 no intervalo (c, b). Portanto, a função f é côncava (con- cavidade para cima);

3. f = 0 em x = c . Logo, (c, f (c)) representa o ponto de inflexão de f .

Com essas informações, constatamos que algumas conjecturas podem ser formuladas para a possível função f (x) e algumas delas estão es- boçadas na Figura 20.28. O que difere uma curva da outra é apenas a presença de uma constante arbitrária real 1 , ou seja,

1 Não confunda essa cons- tante com o valor x = c presente na Figura 20.27.

f k+1 (x) − f k (x) = C k+1 − C k = C
f k+1 (x) − f k (x) = C k+1 − C k = C .
y
f k+1 (x)
f k (x)
f k−1 (x)
f k−2 (x)
C
x
a
x 1
x 2
b

Figura 20.28: Possíveis representações gráficas da função f (x), cons- truída a partir da informação de f (x).

82
82

Cálculo I: Livro 2

O índice k serve apenas para enumerar as curvas. Desta forma,

f (x) + C ,

em que C é uma constante real arbitrária,

representa uma família de funções cuja derivada é f (x). Você pôde perceber que construímos o gráfico da função f (x) anali- sando os sinais de f e de f ? Agora, nosso objetivo é preparar a des- coberta analítica da forma da função. Nesse sentido, alguns exemplos práticos são considerados a seguir.

Exemplo 20.35. Determine a função cuja derivada é f (x)=0.

Solução 20.35. Você já sabe que toda constante tem derivada nula. Por- tanto, a função

f(x) = C ,

em que C é uma constante real, satisfaz o exemplo.

Exemplo 20.36. A derivada de uma função é f (x)=1. essa função.

Determine

Solução 20.36. A função f (x) = x tem por derivada f (x)=1. Con- tudo, se adicionarmos uma constante a f , teremos

(x + C) = x .

Assim, a função procurada é

f(x) = x + C .

Exemplo 20.37. A derivada de uma função f (x) é 2 x. Encontre f (x).

Solução 20.37. A função que dá origem a f (x)=2 x é

f(x) = x 2 .

20 AULA 83
20
AULA
83

Conceitos de antiderivadas de funções

Seguindo o mesmo raciocínio do exemplo anterior, concluímos que a função cuja derivada é 2 x deve ser

f(x) = x 2 + C ,

em que C é uma constante real.

Definição 20.3. Considere F (x) e f (x) duas funções definidas em um mesmo intervalo aberto, isto é, (a, b), de tal modo que

F (x) = f (x)

ou

dF (x) = f (x) dx

para todo x (a, b). A função F (x) é considerada antiderivada (ou primitiva) de f (x) .

antiderivada de f (x) F (x) f(x)
antiderivada de f (x)
F (x)
f(x)

derivada de F (x)

Figura 20.29: Representação esquemática para a Definição 20.3.

Tomando por base a Definição 20.3 e o conteúdo dos exemplos dis- cutidos anteriormente, verificamos que F (x) é uma função cuja deri- vada é f (x) e, além disso, F (x) constitui uma família de funções que diferem entre si por uma constante. Se f (x)=3x 2 , a família de curvas F (x) = x 3 + C , em que C é uma constante, representa todas as pos- síveis antiderivadas de f (x) (as Figuras 20.28 e 20.29 destacam este aspecto).

84
84

Cálculo I: Livro 2

Exemplo 20.38. Considere duas funções F (x) e H(x). Suponha que

elas representem as antiderivadas de uma função g(x). Mostre que se

esta proposta é verdadeira, então g(x) é única.

20 AULA
20
AULA

Solução 20.38. Se F (x) e H(x) são antiderivadas de g(x), então F (x)

H (x)=0. Suponha,

for o caso, então deve existir uma função g F (x) correspondendo à deri-

vada de F (x) e uma função g H (x) representando a derivada de H(x).

por contradição, que F (x) H (x)

= 0. Se esse

Dessa discussão,

 

F (x) = g F (x),

H (x) = g H (x)

e

F (x) H (x) = g F (x) g H (x) .

Contudo, F (x) = g(x) e G (x) = g(x). Portanto,

F (x) G (x)=0= g F (x) g H (x),

ou seja, g F (x) = g H (x), o que completa a demonstração.

Proposição 20.1. Suponha que as funções F (x) e G(x) sejam, res-

pectivamente, antiderivadas das funções f (x) e g(x), em um intervalo

aberto I . Além disso, suponha que k é uma constante real. Então,

(a)

F (x) + G(x) é uma antiderivada de f (x) + g(x) em I , e

(b)

k F (x) é uma antiderivada de k f (x) em I .

Nota 20.7. Do que foi descrito nesta seção, podemos constatar que uma

função F é uma antiderivada ou primitiva de g se g representa a derivada

de F , ou seja, F = g. Quando g(t) é a velocidade em um tempo t de um

ponto móvel, a antiderivada de F (t) mede a posição desse ponto móvel.

85
85

Conceitos de antiderivadas de funções

Por outro lado, F (t) também pode ser escrita como [F (t)+C] , em que C é uma constante real [em unidades de comprimento]. A interpretação para este resultado é simples. A velocidade do ponto móvel não depende do ponto de referência de onde a medimos. Apesar disso, a sua taxa de variação deve ser a mesma se a medirmos hoje ou daqui a 100 anos. Contudo, a variação total da velocidade não será a mesma.

Com base no que expusemos anteriormente, podemos descrever a seguinte proposição a respeito de antiderivadas de uma dada função.

Proposição 20.2. Suponha que a função F (x) é a antiderivada de uma função f (x) em um intervalo aberto I . Então, toda antiderivada de f (x) tem a forma F (x) + C .

Exemplo 20.39. Considere que h(x) = x 2 + 2 sen x . Calcule sua anti- derivada.

Solução 20.39. Podemos escrever a função dada como

h(x) = f(x)+2 g(x)

,em que f (x) = x 2 e g(x) = sen x . Você também já foi capaz de identificar que

3

F (x) = x 3

e

G(x) = cos x

têm derivadas x 2 e sen x, respectivamente. Portanto, pela Proposição 20.2, a antiderivada de h(x) é

3

H(x) = F (x) + G(x) + C = x 3

2 cos x + C .

Assim como existe uma notação padrão para o processo de derivada da função, é natural que também estabeleçamos uma notação para a antiderivada de função, conforme a definição a seguir.

86
86

Cálculo I: Livro 2

Definição 20.4. Seja f uma função definida em um intervalo I , suponha ainda que f tenha uma antiderivada. O conjunto de todas as antideriva- das de f é chamado de a integral indefinida de f e é denotado por

f (x) dx .

notação para antiderivada

(20.6)

20 AULA
20
AULA

Assim, se F representa a antiderivada de uma função f , então podemos escrever

(20.7)

f (x) dx = F (x) + C ,

em que C representa a constante de integração real 2 .

Conforme ficou demonstrado nos últimos exemplos, podemos asse- gurar, de ante-mão, que já conhecemos algumas antiderivadas para um grande número de funções e muitos aspectos físicos podem ser imedia- tamente obtidos a partir desse conceito. Particularmente, se f (t) repre- senta a velocidade de um ponto móvel em um instante t , a antiderivada mede a sua posição. Em algumas situações, é conveniente utilizar diferenciais e variáveis dependentes para tratar com integrais indefinidas. Isso fica claro se, por exemplo, introduzirmos a variável dependente u = F (x), então

2 A menos que definido o contrário, todas as cons- tantes de integração são definidas como reais.

du = F (x) dx = f (x) dx .

Assim, a equação

pode ser reescrita como

f (x) dx = F (x) + C ,

du = u + C .

Perceba que o símbolo diferencial “d ” e o símbolo de integral indefinida “ ” comportam-se como símbolos “inversos”, de forma que podemos

87
87

Conceitos de antiderivadas de funções

iniciar com a família de funções u + C , formar du , e então construir

du = u + C para retornar de onde começamos. Note que a constante

C constrói o caráter indefinido da integral f (x) dx .

Alguns aspectos básicos dessa nova notação devem ser identifica-

dos. Assim, na integral

f (x) dx ,

temos que:

(a)

a função f (x) é denominada de integrando;

(b)

representa o símbolo de integral;

(c)

dx é o elemento diferencial na variável de integração x.

Quando lidamos com integrais indefinidas, naturalmente e invariavel-

mente, usamos os termos antidiferenciação e integração. Por definição,

observe que

d

dx

f (x) dx = dF (x)

dx

= F (x) = f(x) .

Teorema 20.6. Seja f e g funções contínuas de x em um domínio de

intervalo aberto I e suponha que d f e d g existam para todo x I .

Então,


1.

xdx = x + C ;

2. k f(x) d x = k f (x) dx, em que k é uma constante;

88
88

3. g(x)) d x =

(f (x) ±

f(x) d x ±

g(x) d x ;

x

r+1

4. + 1 + C, em que r R − {−1} sobre o intervalo

x r d x =

r

I ;

5. sen xdx = cos x + C ;

Cálculo I: Livro 2

6. cos xdx = sen x + C ;

7. e x d x = e x + C .

As relações (1 – 4) anteriores podem ser rapidamente demonstradas

como a seguir. As outras serão destinadas a você, caro aluno, como

exercício.

Prova do Teorema 20.6

1. Esta é a forma simplificada da Definição 20.4. Uma vez que

d x = 1 d x , a antiderivada de f (x)=1 é F (x) = x + C .

2. Sendo k constante, então (k F (x) + C ) = k F (x) = k f(x) .

Logo

k f(x) d x = k F (x) + C = k

f(x) d x + C .


3.

(f (x) ± g(x)) d x =

posição 20.2.

f(x) d x±

g(x) dx, conforme a Pro-

4.

x r d x =

r + 1 d [(r + 1)x r ] = d

1

x

r+1

1 . Então,

r

+

x r d x =

d

r+1

+ 1 =

x

r

x

r+1

+ 1 + C .

r

Exemplo 20.40. Uma função g(x) é obtida através do cálculo da inte-

gral x dx . Determine g(x).

1

Solução 20.40. Perceba que não podemos usar a relação 4, dada pelo

Teorema 20.6, uma vez que, neste caso, r = 1. Então devemos re-

correr mais uma vez a resultados já conhecidos. Na Aula 11, Seção 2,

encontramos

d ln x

d x

=

1

x .

20 AULA 89
20
AULA
89

Conceitos de antiderivadas de funções

Portanto,

1

x dx = ln | x | + C .

Perceba que a função f (x)=1/x não está definida para x = 0. Porém,

esse é um assunto a ser discutido posteriormente. Por outro lado, o

cuidado em tomar ln |x| deve-se ao fato de estarmos tratando de funções

reais. Se nos lembrarmos dessa observação, podemo-nos desprender,

temporariamente, do símbolo | | e escrevermos

ln | x | = ln x ,

para x > 0 .

A Figura 20.30 mostra o gráfico de ln x + C para alguns valores típicos

da constante de integração. 8 ln x + 4 6 ln x + 2 4
da constante de integração.
8
ln x + 4
6
ln x + 2
4
ln x
y 2
ln x − 2
0
ln x − 4
-2
-4
-6
0
2
4
6
8
10

x

Figura 20.30: Representação gráfica para a função g(x) = ln x + C ,

quando C assume valores 4, 2, 0, 2 e 4, respectivamente.

Exemplo 20.41. Calcule a integral y(x) = 3x 2 2 dx e esboce o

gráfico de y(x) para alguns valores arbitrários da constante de integra-

ção.

90
90
20 AULA 91
20
AULA
91

Cálculo I: Livro 2

Solução 20.41. Usando as relações 3 e 4 do Teorema 20.6, obtemos

y(x) =

3x 2 2 dx =

3x 2 dx +

(2) dx = x 3 2x + C .

A Figura 20.31 destaca o gráfico de y(x) para alguns valores da cons-

tante de integração. 20 15 10 e 5 d c y 0 b -5 a
tante de integração.
20
15
10
e
5
d
c
y 0
b
-5
a
-10
-15
-20
-4
-3
-2
-1
0
1
2
3
4

x

Figura 20.31: Gráfico para a função y(x) = x 3 2x + C. (a) C = 8,

(b) C

= 4 , (c) C

= 0, (d) C

= 4 e (e) C

= 8.

Percebe-se, com base nos últimos exemplos, que o cálculo de integra-

ção é muito mais sútil e tem uma maior dificuldade operacional do que

a diferenciação. Em muitas situações, a perspectiva subjetiva permite

a solução de uma integral em termos de manipulações algébricas cri-

teriosas, tendo por base o domínio de integrais conhecidas. Em outras

palavras, é uma boa atitude, sempre que possível, dispor a integral em

formas simples que nos permitam resolvê-la com pouco esforço.

Exemplo 20.42. Calcule a integral x + 4 dx

x

2

Solução 20.42. A integral dada pode ser reescrita como

1

4 2 dx .

x

x +

Conceitos de antiderivadas de funções

Fazendo uso do resultado encontrado no Exemplo 20.40 e das relações

2, 3 e 4 do Teorema 20.6, obtemos

1

4 2 dx =

x

x +

x dx + 4

1

1

2 dx = ln | x | −

x

A indefinição descrita pela integral

f (x) dx = F (x) + C ,

4

x + C .

devido à presença da constante C , tem sua importância quando deseja-

mos obter resultados para uma situação particular. A presença da cons-

tante de integração admite esta peculiaridade construindo o problema de

valor inicial. Assim, escrevendo y(x) = F (x) + C e dada a condição

de que y(x = x 0 ) = y 0 , a constante de integração é determinada e a

função obtida representa a solução para a condição dada.

Exemplo 20.43. Um ponto móvel tem velocidade descrita pela equação

v(t) = sen t . No instante t = 2π seg , o ponto se encontra em x = 2m.

Determine a função que descreve a posição desse ponto móvel.

Solução 20.43. Sabe-se do curso de Física do primeiro semestre que

a velocidade e a posição de um ponto móvel estão relacionados pela

equação v = dx dt . Então, dx = v dt. Integrando essa última equação,

encontramos

dx =

v dt =

sen t dt

x(t) = cos(t) + C .

(20.8)

A constante C é obtida usando os dados para as condições iniciais do

exemplo. Assim,

2 = cos (2π) + C .

92
92

Cálculo I: Livro 2

Facilmente determinamos C = 3m. Portanto, a função que descreve o

movimento do ponto móvel para a condição inicial é dada por

x(t)=3 cos t ,

20 AULA
20
AULA

para t em segundos e x em metros. A Figura 20.32 destaca diversas

curvas para a solução descrita pela Equação (20.8), entretanto, a solução

que estamos buscando está representada pela linha sólida. 6 4 2 x(t) 0 -2 -4
que estamos buscando está representada pela linha sólida.
6
4
2
x(t)
0
-2
-4
-6
0
5
10
15
20
t

Figura 20.32: Representação gráfica para a solução do Exemplo 20.43.

Exemplo 20.44. Uma dada função f é tal que f (x)=2x 1/3 2x 2/3 x 2

e que f (0) = 1 e f (0) = 0, para x 0. Obtenha f (x).

Solução 20.44. A função pode ser obtida por duas antiderivações su-

cessivas. Primeiro, observe que podemos escrever

f (x)=2x 1/3 2x 2/3 x 2 = 8 x 5/3 8 x 3/2 + 2 x 4/3 .

A primeira integração fornece f , ou seja,

f (x) =

=

8 x 5/3 8 x 3/2 + 2 x 4/3 d x

8 x 5/3 d x +

8 x 3/2 d x +

2 x 4/3 dx.

93
93

Conceitos de antiderivadas de funções

Assim,

f

(x)=3 x 8/3 16

5

x 5/2 + 6 7 x 7/3 + C 1 .

Usando f (0) = 1, encontramos C 1 = 1. Assim,

f

(x) =

3

2

x 8/3 + 6 7 x 7/3 8

5

x 5/2 + 1 .

De modo similar, a integral de f (x) tem como resultado a função f (x),

conforme cálculo a seguir.

(x) =

3 x 8/3 16

5

x 5/2 + 6 7 x 7/3 + 1 dx

=

9

32 x 11/3 + 35 x 10/3 16

35

9

x 7/2 + x + C 2 .

Uma vez que f (0) = 0 então C 2 = 0. Portanto,

f(x) =

9

32 x 11/3 + 35 x 10/3 16

35

9

x 7/2 + x ,

com x 0 .

A obtenção de f (x) seguiu duas etapas de integração e, em cada delas,

encontramos uma constante de integração. Isso não acontece por acaso

e está bem definido pela Proposição 20.2.

Em muitas ocasiões, aparecem integrais cuja forma necessita de al-

guns ajustes (em termos de inclusão de fatores constante) além daqueles

inerentes à própria álgebra. Isso diz respeito ao que comumente menci-

onamos como ajustes necessários para que o seu resultado se adeque ao

integrando. Para tal, considere o próximo exemplo .

Exemplo 20.45. Calcule as integrais

94
94


(a)

3 x + 1 d x

(b)

3 sen 4 xdx.

Cálculo I: Livro 2

Solução 20.45. (a) O integrando dado é f (x) = 3 x + 1 e se asseme-

lha à integral da forma t 1/2 d t . Portanto, tentamos como solução

a função

a (3 x + 1) 3/2 + C,

20 AULA
20
AULA

em que a é uma constante a determinar (e ficará clarificada a sua

inserção), e C é constante de integração. Derivando este resultado

em relação a x, encontramos:

a (3 x + 1) 3/2 + C = 3 a (3 x + 1) 1/2 .

2

Fica claro que a constante

a
a

deve ser igual a

2 3
2
3

para que

produza o integrando (3 x + 1) 1/2 . Logo,

3 x + 1 d x = 2

3 (3 x + 1) 3/2 + C .

a (3 x + 1) 3/2 + C

(b) De modo similar ao caso anterior, tentamos a função

e

encontramos

3 a cos 4 x + C

. Logo,tentamos a função e encontramos − 3 a cos 4 x + C 3 sen 4

3 sen 4 xdx = 3 4

cos 4 x + C .

20.3 Conclusão

Nesta aula, introduzimos os primeiros conceitos da integral de uma

função f (x) na variável x. Discutimos as primeiras proposições à luz

de vários exemplos e pudemos distinguir claramente a diferença entre o

processo de diferenciação e integração. Além disso, ficou bem estabe-

lecido que o conhecimento do cálculo de derivadas de funções é parte

muito essencial para a determinação da integral de função.

95
95

Conceitos de antiderivadas de funções

20.4 Resumo

Se f (x) representa a derivada de uma função F (x), então

f(x) d x = F (x) + C ,

em que C representa uma constante real. Assim,

f(x) = d F (x) + C d x

=

d F (x)

+ d C

d x

d x

=

F (x) é a antiderivada de f (x) e

f(x) d x = F (x) + C

d F (x)

d x

.

representa uma família de soluções para a integral de f (x) na variável

x.

96
96

20.5 Atividades

E.

1 Determine as antiderivadas das funções dadas a seguir.

(a)

f (x) = x + 2

(b)

f (x)=5 x 4 + 4 x 3

(c)

(d)

f (x) = sen x + e x

f (x) = x 1/3 + (2 x) 1/5 .

E.

E.

2 Encontre as antiderivadas de

(a)

(b)

f (x) =

4 + x

2

x

f (x) =

4

x +

1

x

2

3 Calcule as integrais a seguir.

(c)

(d)

f (x)=e x5

f (x) =

x + 1

x

.

Cálculo I: Livro 2

(a)

(b)

(c)

x 5

x

+ x 4

+ 1 d

x

x d x

x

e x +

x 1/3 d x

2

(d)

(e)

(f)

4 + x + x x

x

3

x dx

20 AULA
20
AULA

d x

x 3 + 3 x 2 dx.

E.

4 Nos itens a seguir, encontre a posição x como função de t , sa-

bendo que v = d d x t é o valor de x para o instante dado.

(a)

v

=

t + 1 ,

 

x = 0 quando t = 0 .

(b)

v

=

t 2 4 ,

 

x = 1 quando t = 0 .

(c)

v

=

3 t 2

,

x = 1 quando t = 2 .

(d)

v

=

2 sen t

+

1 ,

x = 4 quando t = 0 .

(e)

v = e t 2

t,

x = 0 quando t = 0 .

E. 5

Uma função f é constante e f (0) = f (0) e f (1) = f (1) .

Determine f .

E.

E.

6 Encontre a função g , tal que g é constante, g(1) = 1, g(2) =

7

2 e g(3) = 3 .

Determine f se f (x) = senh x e f (0) = 2, f (0) = 1 .

E.

8

O número de bactérias em um teste de cultura aumenta de acordo

com a equação

d N(t)

d t

= r N (t) ,

com n(0) = N 0 ,

em que t é medido em horas e r é uma constante real positiva.

(a)

Determine a equação para N (t).

(b)

Se N 0 = 100 e r = 0.01, encontre t , tal que N (t ) = 300.

E.

9 Determine as integrais

97
97

Conceitos de antiderivadas de funções

(a)

(b)

2 x + 5 d x

sen x sen 2 xdx

(c)

(d)

3

1+4 x d x

1

(2 x + 1) 2 dx.

E. 10 De modo similar ao item anterior, obtenha:

(a)

(b)

(c)

sen 3 xdx

cos (3 x) d x

(a sen x + b cos x) d x

(d)

(e)

b e a x d x

x

1 + x d x

(f)

1

2 x

+ 1 dx.

20.6 Respostas das atividades ímpares

E. 1

(a) x 2 +2 x+C , (b) x 5 +x 4 +C , (c) cos x+e x +C , (d) 3 4 x 4/3 +

2

5

6

2 x 6 1/5 + C

.

E.

3 (a) x 6 + x 5 x 2

6

5

2

+ C , (b) x + ln | x | + C , (c) e x + 3 x 2/3 +

C , (d) 2 x 2 2

2

3 x 3/2 2 x 1/2 + C , (e) 3

(x) 3/2 + C ,

2

(f) x 2

3 x 1 + C .

E.

5

f (x) =

2

3

(x + 1) .

E. 7

f (x) = senh x 2 x + 2 .

1

(2 x + 5) 3/2 +C , (b) cos x+ 1 2 cos 2 x+C , (c) 3 4 ln | 1+4 x |+

(2 x + 1) 1 + C .

E. 9 (a)

3

1

C , (d) 2

20.7 Referências

HOFFMANN, L. D., BRADLEY, G. L., Cálculo , um curso mo-

derno e suas aplicações, 7 ed. Rio de Janeiro: LTC, 2007.(Livro

98
98

Cálculo I: Livro 2

Texto) HUGHES-HALLET, D. Cálculo Aplicado. Rio de Janeiro: LTC,

2007.

NUMEN, A. M., FOULIS, D. J. Cálculo. Rio de Janeiro: LTC,

1982.

STEWART, J. Cálculo. 5 ed. Áustria: Thomson, 2005.

20 AULA 99
20
AULA
99
1 LIVRO 21 AULA
1
LIVRO
21
AULA

Técnicas de integração:

substituição de variáveis

META Apresentar e discutir a técnica de substituição de variáveis para a obtenção de integrais de funções que exijam procedimentos algébricos um pouco mais refinados.

OBJETIVOS Ao final desta aula, o aluno deverá analisar as técnicas de integração e discernir o momento de aplicá-las; solucionar integrais com maior grau de dificuldade.

PRÉ-REQUISITOS Derivadas de Funções. Integrais de funções.

Técnicas de integração: substituição de variáveis

21.1 Introdução

Na Aula 20, destacamos as primeiras noções sobre o cálculo de in- tegrais, tendo como base o conhecimento específico da derivada de fun- ções. Ou seja, de antemão, você, prezado aluno, necessitava de uma noção mínima de resultados já conhecidos para derivadas de determi- nados integrandos. Nas atividades propostas naquela aula, averiguamos que existiam novos procedimentos a serem considerados, a exemplo dos ajustes finais para o cálculo de certas integrais. Nesta aula, continuaremos o estudo de integrais de funções, tendo como base a regra da cadeia para derivadas de funções. Isso nos per- mitirá resolver muitas integrais através de substituições adequadas de variáveis. Na realidade, esse processo já foi adotado nas aulas sobre limites de funções e se mostrou eficiente. Entretanto, devemos desta- car que qualquer que seja a técnica empregada, todo cuidado deve ser tomado para que não obtenhamos resultados indesejados.

21.2 Substituição de variáveis

Talvez uma das técnicas mais poderosas para a avaliação de integrais resida no método de substiuição de variáveis. Essa técnica está intima- mente associada ao conceito de cálculo de derivada de funções através da regra da cadeia. Apesar de poderosa, a técnica de substituição de variáveis requer certos cuidados para evitar complicações algébricas e tomadas de caminhos tortuosos. Portanto, o sucesso ou insucesso do cál- culo de integrais, através dessa técnica, dependerá de uma boa escolha de mudança da variável selecionada. Como verificaremos em seguida, o objetivo é sempre conduzir a integral dada em uma reescrita simples e, de preferência, conhecida. Os exemplos que se seguem destacam estas

102
102

Cálculo I: Livro 2

considerações preliminares.

Exemplo 21.46. Encontre a integral de

2 x 3 2 x 5 3 x d x

Solução 21.46. À primeira vista, essa integral parece indecifrável . Con-

tudo, pense em fazer

2 x 3 2 x 5 3 x = 2 × 3 2 × 5 3 x = 2250 x .

Agora, a integral pode ser reescrita como

2250 x dx =

2250 x

ln 2250 + C .

Para a qual consideramos o fato de que

(b x ) = b x ln b .

(veja Aula 8, Exemplo 8.7)

Exemplo 21.47. Calcule 1 + x 2 1/2 x dx.

Solução 21.47. O integrando exibe um termo que sugere ser algo como:

derivada de x 2 + constante. Isso sustenta a idéia de lançarmos mãos da

seguinte substituição:

u = x 2 + 1,

e

d u

= 2 x .

Ou ainda

d u = 2 xdx

.

d x

Assim, a integral pode ser reescrita em termos da nova variável u , ou

seja,

 

u 1/2 du

2

Portanto,

.

u 1/2 du

2

=

1

2

u 1/2 du = 1

2

u

3/2

3/2

=

1

3 u 3/2 .

Retornando à integral original, encontramos

1

1 + x 2 1/2 x dx = 3 x 2 + 1 3/2 + C.

21 AULA 103
21
AULA
103

Técnicas de integração: substituição de variáveis

Exemplo 21.48. Determine

(ln t) 4 dt t

.

Solução 21.48. Perceba que

d(ln t)

dt

=

1

t

.

Então,

d(ln t) = dt t

.

Este manuseio sugere que façamos u = ln t para encontrar du = d(ln t)

e escrever a integral como

Logo,

u 4 du

(ln t) 4 dt t

=

=

1 5 u 5 + C .

1

5 (ln t) 5 + C .

Pelos últimos exemplos, observamos que a técnica da substituição

de variáveis está intimamente associada à regra da derivação da função

composta. Assim, podemos enunciar a definição que se segue.

Definição 21.5. Suponha f (x) uma função descrita como f (x) = g(φ(x))φ (x), x

I , em que I representa algum intervalo de definição da função, admitindo-

se que essa seja diferenciável em I . Se g admite uma primitiva, então

f (x) dx = G(φ(x)) + C = g(φ(x))φ (x) dx.

Exemplo 21.49. Com base na Definição 21.5, mostre que

g(φ(x)) φ (x) dx = g(t) dt = G(t) + C .

Solução 21.49. De acordo com a definição proposta anteriormente, F (x)

é antiderivada de f (x) se F (x) = f (x). Portanto, se

104
104

F (x) = F (φ(x)), então F (x) = dF

dφ dx .

Escrevendo g(φ(x)) = dF , obtemos f (x) = g(φ(x)) dφ(x)

dx

.

Cálculo I: Livro 2

A integração desta última em relação a x fornece

f (x) dx = g(φ(x)) φ (x) dx.

Fazendo dt = φ (x) dx , chegamos a

g(φ(x)) φ (x) dx = g(t) dt = G(t) + C .

Exemplo 21.50. Calcule 4 xdx.

t ) + C . Exemplo 21.50. Calcule 4 − √ xdx . Solução 21.50. Para

Solução 21.50. Para resolver essa integral, a sugestão é fazer

u = 4 x

=

x = 4 u ,

e elevando ambos os membros ao quadrado, encontramos

x = 16 8u + u 2 .

Note que escrevemos x (não x) em função da variável u e por diferen-

ciação chegamos a

d x = 2(u 4) du.

Assim, a integral dada passa para a nova variável como

2 (u 4) u du =

2u 3/2 8u 1/2 du = 4

5

u 5/2 16

3

u 3/2 + C.

Retornando à antiga variável, obtemos

4 − √ x dx = 4 5
4 − √ x dx = 4
5

4 x 5/2 16

3

4 x 3/2 + C.

Exemplo 21.51. Determine (3 + ln x) 4x 2 (2 ln x) dx .

Solução 21.51. Faça a substituição

u = 3 + ln x

=

d u = x 1 d x
d u =
x 1 d x

e ln x = u 3 .

21 AULA 105
21
AULA
105

Técnicas de integração: substituição de variáveis

A integral na nova variável fica assim

1

4

u 2 (2 (u 3)) du = 1 4

5u 2 u 3 du =

5

12 u 3

1

16 u 4 + C.

De volta à antiga variável, encontramos

(3 + ln x) 2 (2 ln x)

4x

dx =

5

12 (3 + ln x) 3

Exemplo 21.52. Calcule

cos x

sen 3

x dx.

1

16 (3 + ln x) 4 + C.

Solução 21.52. Fazendo t = sen x, então d t = cos x d x. Logo, a inte-

gral passa a ser reescrita como

Assim,

dt

t 3

1

= 2 t 2 + C.

cos x

x dx = 1

1

sen 3

2 x + C

2 sen

1

= 2 cosec 2 x + C .

Exemplo 21.53. Determine a função f (x) definida por

x + 1

(x

1) 3 dx .

Solução 21.53. Neste exemplo, a substituição adequada é u = x 1.

Com isso, du = dx , o que nos permite escrever

u + 2

u

3

du =

du +

u

2

2

3 du =

u

1

1 2 + C.

u

u

Restituindo à integral original, obtemos a função desejada

106
106

f(x) =

x + 1

(x

1) 3 dx =

1

1

x 1

(x

1) 2

+ C.

Exemplo 21.54. Determine x 2 + a 2 dx , em que a é uma constante.

1

Solução 21.54. Façamos a substituição

x = a tg θ .

Logo,

dx = a sec 2 θ dθ ,

Cálculo I: Livro 2

e poderemos reescrever a integral na variável θ